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Numero do processo: 10215.720173/2008-41
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Aug 12 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2801-000.150
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento do recurso, nos termos do art. 62-A, §§ 1º e 2º, do Regimento do CARF.
Assinado digitalmente
Antonio de Pádua Athayde Magalhães Presidente.
Assinado digitalmente
Carlos César Quadros Pierre Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Ewan Teles Aguiar, Carlos César Quadros Pierre, Walter Reinaldo Falcão Lima, Tânia Mara Paschoalin, e Luiz Cláudio Farina Ventrilho.
Nome do relator: CARLOS CESAR QUADROS PIERRE
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento do recurso, nos termos do art. 62-A, §§ 1º e 2º, do Regimento do CARF. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães Presidente. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Ewan Teles Aguiar, Carlos César Quadros Pierre, Walter Reinaldo Falcão Lima, Tânia Mara Paschoalin, e Luiz Cláudio Farina Ventrilho.
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento do recurso, nos termos do art. 62A, §§ 1º e 2º, do Regimento do CARF. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães – Presidente. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre – Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Ewan Teles Aguiar, Carlos César Quadros Pierre, Walter Reinaldo Falcão Lima, Tânia Mara Paschoalin, e Luiz Cláudio Farina Ventrilho. Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, 5ª Turma da DRJ/BEL (Fls. 44), na decisão recorrida, que transcrevo abaixo: Tratase de impugnação em resistência ao Auto de Infração, fls. 146/160, lavrado em face da Interessada, já qualificada nos autos, em procedimento de verificação do cumprimento de obrigações tributárias referente ao IRPF, anoscalendários 2003 a 2005, no qual foi apurada omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em contas de depósito ou investimento, mantidas em instituições financeiras, em relação aos quais o sujeito passivo, regularmente RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 02 15 .7 20 17 3/ 20 08 -4 1 Fl. 351DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 30/ 11/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 10215.720173/200841 Resolução nº 2801000.150 S2TE01 Fl. 352 2 intimado, não comprovou, mediante comprovação hábil e idônea, o origem dos recursos utilizados nessas operações. Noticia o Termo de Verificação de Infração, Fls. 157/160, que: A ação fiscal se originou “devido à incompatibilidade entre a movimentação financeira da Sra Ana Maria Castro Araújo e a receita declarada pela mesma nas Declarações de Ajuste Anual dos anos calendário 2003 a 2005 (fls.04 a 16)”. Foi solicitada a comprovação de todos os lançamentos a crédito nas contas da contribuinte, “exceto aqueles cujo histórico indicava não serem oriundos de receita. Foram relacionados também, os lançamentos a débito que anulam lançamentos a crédito (cheques devolvidos e estornos), de forma a subtrair o montante a ser comprovado”. Resultou a ação fiscal na apuração de um crédito tributário no valor de R$ 368.527,23 – compreendendo o imposto, a multa proporcional (passível de redução) w os juros de mora calculados até 31/07/2008. Em sua impugnação, fls. 165/191, a interessada, por meio de sua advogada, fl. 194, alega em síntese que: A impugnação é tempestiva. A presunção contida no art. 42 da Lei 9.430/96 “acaba por atingir o que não é renda nem receita, alargando a autorização que o legislador ordinário recebeu do texto constitucional e ampliando a própria competência da União Federal”. “Simples depósitos bancários não constituem rendimentos tributáveis”. “Não podendo serem transformados em acréscimos patrimoniais em si, sem que previamente o Fisco exerça o dever de prova e de investigação que lhe é imposto”. “Cumpre ao Fisco apurar se há riqueza por detrás de tais depósitos”. “A norma do art. 42 da Lei 9.430/96 não destoa daquela antes consoante do enunciado do art. 6º, parágrafo 5º, da Lei 8.021/90. Assim é que, não há nada na Lei 9.430/96 que autorize a alteração do entendimento já consolidado na Doutrina e Jurisprudência judicial e administrativa, segundo o qual meros depósitos bancários, ainda que de origem não comprovada, não autorizam o lançamento do imposto de renda, sem a demonstração concreta da existência de renda consumida pelo contribuinte”. “A afirmação de que há no art. 42 da Lei 9.430/96 uma presunção que dispensa a autoridade fiscal o dever de provar não encontra amparo no Ordenamento Jurídico”. Não cabe a inversão do ônus da prova. “O art. 42 da Lei 9.430/96, ao estabelecer ao sujeito passivo a obrigação de demonstrar que os depósitos bancários não constituíram rendimentos tributáveis e ao atribuir a presunção legal de receita por inexistir demonstração nesse sentido, terminou por infrigir diversos princípios constitucionais, a exemplo da ilegalidade e da motivação”. Fl. 352DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 30/ 11/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 10215.720173/200841 Resolução nº 2801000.150 S2TE01 Fl. 353 3 “A LC 105/2001 provou a revogação tácita do art. 42 da Lei 9.430/96, haja vista a antinomia entre a lei nova e a lei anteriormente existente”. “Como antes do advento da Lei Complementar 105/2001 a Administração Tributária não poderia quebrar o sigilo bancário do contribuinte administrativamente, o Legislador entendeu por bem criar, através do art. 42 da Lei 9.430/96, uma presunção legal “júris tantum” para inverter o ônus da prova ao contribuinte, cabendo a este demonstrar que os depósitos bancários apontados não constituíam rendimentos ou receitas”. “No entanto, agora, com o advento da LC 105/2001, não pode mais a Administração tributar os depósitos bancários com base na presunção do artigo 42 da Lei 9.430/96, pois há previsão expressa na aludida Lei Complementar quanto ao dever de apuração dos fatos”. O lançamento está errado pois considera “como base de cálculo da autuação, valores auferidos por meio da locação de imóveis, já declarados em DIRPF”. Foram também desconsiderados “os valores declarados pela Defendente a título de Receita da Atividade Rural” no total de R$ 251.619,34 “e, que assim como o valor auferido da empresa Eletronorte a título de aluguel, também se encontram informados na Declaração de Ajuste Anual”. “Caberia a fiscalização verificar a existência de sinais exteriores de riqueza, para que, então, pudesse concluir que a receita declarada pela pessoa física do contribuinte era incompatível com a movimentação na sua conta corrente”. “Quando se confronta a evolução patrimonial do contribuinte no período fiscalizado (2003 a 2005), se verifica que seu crescimento foi compatível com os rendimentos declarados no período nas respectivas declarações de Imposto de renda”. Refuta a aplicação da majoração da multa de 75% para 112,5%, pois não promoveu de nenhuma forma embaraço ao trabalho da Fiscalização a justificar pesada multa de 112,5% sobre o valor do imposto”. “Devendo tal penalidade ser reduzida para o patamar de 75%” “Alternativamente, não sendo acatada a tese acima” alega a impugnante sobre o “caráter confiscatório da multa aplicada”. Cita alguns julgados administrativos e judiciais e a jurisprudência sobre temas aduzidos. Requer: 1) A improcedência do Auto de Infração já que o lançamento carece de provas, “baseandose em mera presunção”. 2) “Alternativamente, em não sendo aceito o pedido acima, ser revisto o presente Auto de Infração para eliminar o lançamento de IRPF; Fl. 353DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 30/ 11/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 10215.720173/200841 Resolução nº 2801000.150 S2TE01 Fl. 354 4 A) as receitas de aluguel e oriundas da atividade rural já informadas em DIRPF; B) Os valores dos depósitos em conta corrente relativamente aos quais não há qualquer prova de sua efetiva caracterização como rendimento tributável; C) Os valores correspondentes aos saques efetivados” 3) “Se, eventualmente, entender esse Órgão pela manutenção de qualquer exigência e conseqüente aplicação de alguma penalidade à Autuada, o que se cogita por amor ao debate, seja a multa reduzida para o patamar de 75% sobre o eventual crédito tributário remanescente”. Passo adiante, a 5ª Turma da DRJ/BEL entendeu por bem julgar a Impugnação procedente em parte, em decisão que restou assim ementada: MULTA DE OFÍCIO. EFEITO CONFISCATÓRIO. PAF. JULGADOR ADMINISTRATIVO. O Processo Administrativo Fiscal não é o palco apropriado para discussão sobre qual critério ou percentual seria mais seguro para que a multa de ofício não afete o direito de propriedade. A norma que veda a instituição de tributo com caráter confiscatório é dirigida ao legislador, cabendo aos julgadores administrativos examinar a validade jurídica dos atos praticados pelos agentes do Fisco, sem perscrutar da legalidade ou constitucionalidade das normas que fundamentos aqueles atos. IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO COMPROVADOS. PRESUNÇÃO LEGAL. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. 1.Caracterizase omissão de rendimentos os valores creditados em conta bancária mantida em instituição financeira, em relação aos quais o sujeito passivo, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, de acordo com a presunção legal insculpida no art. 42 da Lei 9.430/96. 2.Essa presunção juris tantum tem a força de inverter o ônus da prova. Neste caso, a autoridade lançadora fica dispensada de provar que o depósito bancário não comprovado (fato indiciário) corresponde, efetivamente, ao auferimento de rendimentos (fato jurídico tributário), nos termos do art. 334, IV, do Código de Processo Civil. Cabe ao contribuinte provar que o fato presumido não existiu na situação concreta. DIREITO TRIBUTÁRIO. JULGADOR ADMINISTRATIVO. INCOMPETÊNCIA PARA AFASTAR NORMAS. LEGALIDADE. IRPF. MULTAS. JUROS. O julgador administrativo não possui competência para, em nome de conceitos subjetivos ou prélegislativos, afastar normas válidas. Seus atos são fundamentados na legislação tributária. Examina, sob a ótica Fl. 354DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 30/ 11/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 10215.720173/200841 Resolução nº 2801000.150 S2TE01 Fl. 355 5 da legalidade, as provas existentes nos autos e decide se o lançamento – do imposto, da multa e dos juros – está em consonância com o sistema tributário nacional. Cientificada em 17/08/2011 (Fls. 312), a Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 14/09/2011 (fls. 313 a 348), reforçando os argumentos apresentados quando da impugnação. É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos César Quadros Pierre, Relator. De início, verifico que o lançamento objeto do presente processo versa sobre depósitos bancários de origem não comprovada. Compulsando os autos (docs de páginas 75 e 115), também observo que a fiscalização, com base no art. 6° da Lei Complementar 105/2001, requisitou de instituições bancárias os extratos bancários da contribuinte. Cabe salientar que a constitucionalidade da regra estabelecida no art. 6° da Lei Complementar 105/2001, foi levada à apreciação, em caráter difuso, por parte do Supremo Tribunal Federal, o qual reconheceu a repercussão geral do tema e determinou o sobrestamento, na origem, dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543B, § 1º, do CPC, em decisão assim ementada, in verbis: RE 601314 RG/SP Relator: Min. RICARDO LEWANDOWSKI Julgamento: 22/10/2009 Publicação: DJe218 DIVULG 19112009 PUBLIC 20112009 EMENT VOL 0238307 pp – 01422 Partes: ADV.: PROCURADOR GERAL DA FAZENDA NACIONAL RECDO.: FAZENDA NACIONAL ADV.: RICARDO LACAZ MARTINS E OUTRO RECTE.: MARCIO HOLCMAN EMENTA CONSTITUCIONAL. SIGILO BANCÁRIO. FORNECIMENTO DE INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA DE CONTRIBUINTES, PELAS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS, DIRETAMENTE AO FISCO, SEM PRÉVIA AUTORIZAÇÃO JUDICIAL (LEI COMPLEMENTAR 105/2001). POSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DA LEI 10.174/2001 PARA APURAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES A EXERCÍCIOS ANTERIORES AO DE SUA VIGÊNCIA. RELEVÂNCIA JURÍDICA DA QUESTÃO CONSTITUCIONAL. EXISTÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL. Ante o reconhecimento da repercussão geral do tema, pelo Supremo Tribunal Federal, e a determinação do sobrestamento dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543B, §1º, do CPC, verifica Fl. 355DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 30/ 11/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 10215.720173/200841 Resolução nº 2801000.150 S2TE01 Fl. 356 6 se que as questões concernentes ao artigo 6° da Lei Complementar 105/2001, não podem ser apreciadas por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais até que ocorra o julgamento final do Recurso Extraordinário pelo Supremo Tribunal Federal, conforme disposto no art. 62 A do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria nº 256, de 22 de junho de 2009, com as alterações das Portarias MF nºs 446, de 27 de agosto de 2009, e 586, de 21 de dezembro de 2010, in verbis: Artigo 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Ante o acima exposto, VOTO por SOBRESTAR o julgamento do presente recurso voluntário, nos termos do art. 62A, §§1º e 2º, do Regimento do CARF. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Fl. 356DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 30/ 11/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE
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Numero do processo: 10850.907508/2011-44
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 03 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3801-000.692
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Paulo Sérgio Celani - Presidente Substituto.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani (Presidente Substituto), José Luiz Feistauer De Oliveira, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Jacques Mauricio Ferreira Veloso De Melo
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Paulo Sérgio Celani - Presidente Substituto. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani (Presidente Substituto), José Luiz Feistauer De Oliveira, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Jacques Mauricio Ferreira Veloso De Melo
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Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Paulo Sérgio Celani Presidente Substituto. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani (Presidente Substituto), José Luiz Feistauer De Oliveira, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Jacques Mauricio Ferreira Veloso De Melo RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 50 .9 07 50 8/ 20 11 -4 4 Fl. 136DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 10850.907508/201144 Resolução nº 3801000.692 S3TE01 Fl. 137 2 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo a seguir: Trata o presente processo de Pedido de Restituição de créditos de Cofins, referentes a pagamento efetuado indevidamente ou ao maior no período de apuração dezembro de 2000, no valor de R$ 470,33.. O pedido foi transmitido através do PER nº 38542.99072.090605.1.2.04 2295, fls. 2/4, em 09/06/2005.. O despacho decisório de fls. 5, indeferiu o pedido, pois o pagamento indicado no PER teria sido integralmente utilizado para quitar débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. O despacho foi encaminhado para ciência do contribuinte, conforme comprovante constante à fl. 8. Irresignado, o recorrente apresentou, tempestivamente, a manifestação de inconformidade de fls. 9/17, para alegar que: I. O Despacho Decisório não teria examinado o motivo real dos recolhimentos a maior, por não ter aventado a possibilidade de que tais pagamentos seriam devido à ampliação da base de cálculo do PIS e da Cofins de que trata a Lei nº 9.718/98; dessa forma, deveria ser reformado, em desrespeito ao artigo 65 da IN RFB nº 900/2008, e ao artigo 142 do Código Tributário Nacional – CTN; II. O pagamento indevido, objeto da restituição, seria devido à inconstitucionalidade do parágrafo 1º, do artigo 3º, da Lei nº 9.718/98, que trata da ampliação da base de cálculo do PIS e da Cofins; a discussão de tal matéria estaria superada pelo STF, pois já teria sido aplicada a repercussão geral no RE nº 585.235, de 10/09/2008; III. Outra prova da pacificação de tal entendimento seria a edição da Lei nº 11.941/2009, que teria revogado o parágrafo 1º, do artigo 3º, da Lei nº 9.718/98; IV. O entendimento do STF deveria ser aplicado às decisões administrativas, conforme os seguintes dispositivos: inciso I do parágrafo 6º, do artigo 26A, do Decreto nº 72.235/72 – PAF; inciso I, do artigo 59, do Decreto n° 7.574/2011; inciso I, parágrafo 1º, do artigo 62 e caput do artigo 62A., ambos do RICARF; Concluiu argumentando que na base de cálculo do PIS e da Cofins deveriam ser incluídos os valores correspondentes apenas às receitas de vendas de mercadorias e serviços. Solicitou comprovar as alegações através da realização de diligência, perícia e juntada de documentos. Fl. 137DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 10850.907508/201144 Resolução nº 3801000.692 S3TE01 Fl. 138 3 Requereu ainda a reunião dos processos elencados na manifestação de inconformidade, já que teriam as mesmas partes e tratariam de matéria idêntica. Apensou planilha e balancete contendo as receitas financeiras da empresa (fls. 44/45). A Delegacia de Julgamento em Ribeirão Preto (SP) proferiu a seguinte decisão, nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/12/2000 AMPLIAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE. A inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep, reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal em recurso extraordinário, não gera efeitos erga omnes, sendo incabível sua aplicação a contribuintes que não façam parte da respectiva ação. RESTITUIÇÃO. AUSÊNCIA DE SALDO A RESTITUIR. Verificado que o crédito pleiteado foi totalmente utilizado, em momento anterior, para quitação de débitos declarados em DCTF, resta impossibilitada, por falta de saldo, a restituição. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/12/2000 PEDIDO DE PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho reproduzindo, na essência, as razões apresentadas por ocasião da impugnação e juntando documentação comprobatória. É o relatório. Fl. 138DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 10850.907508/201144 Resolução nº 3801000.692 S3TE01 Fl. 139 4 Voto Conselheiro Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. A questão posta em discussão cingese ao direito ao crédito de COFINS pago com base no art. 3º, § 1, da Lei n° 9.718, de 1998, que foram posteriormente declarados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal. Preliminarmente, entendo que deve ser considerada a documentação comprobatória apresentada em sede de Recurso Voluntário, que, em tese, estaria atingida pela preclusão consumativa, em obediência aos princípios da ampla defesa e da verdade material, conforme entendimento prevalente nesse colegiado e que foram juntadas em complemento aos documentos comprobatórios apensados anteriormente, os quais, em tese, ratificam os argumentos apresentados. No mérito, vejamos o alegado: A Lei nº 9.718/98, conversão da Medida Provisória nº 1.724/98, estendeu o conceito de faturamento, base de cálculo das contribuições PIS e Cofins, definindoo no §1º do art. 3º como "receita bruta" da pessoa jurídica, e esta seria “a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas”. Ocorre, todavia, que o Pleno do Egrégio Supremo Tribunal Federal (STF), no julgamento dos Recursos Extraordinários n.ºs 357.950/RS, 358.273/RS, 390840/MG, Relator Ministro Marco Aurélio, e n.º 346.0846/PR, do Ministro Ilmar Galvão, pacificou o entendimento da inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo das contribuições destinadas ao PIS e à Cofins, promovida pelo § 1º, do artigo 3º, da Lei n.º 9.718/98. Os aludidos acórdãos foram assim ementados: CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e Fl. 139DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 10850.907508/201144 Resolução nº 3801000.692 S3TE01 Fl. 140 5 faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. No mais, o STF, no julgamento do RE nº 585.235, publicado no DJ nº 227 do dia 28/11/2008, julgado no qual havia sido aplicada a repercussão geral da matéria em exame, reconheceu a inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98. Segue a ementa, in verbis: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Neste sentido, há de se observar o artigo 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo Fiscais (CARF), aprovado pela Portaria nº 256/2009 do Ministro da Fazenda, com alterações das Portarias 446/2009 e 586/2010, que dispõe que os Conselheiros têm que reproduzir as decisões do STF proferidas na sistemática da repercussão geral, in verbis: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543 C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Outrossim, o Decreto nº 70.235/72, que rege o processo fiscal, estabelece: “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade* (...) §6º O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo:* I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal;* (...)” *Nova redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009 Fl. 140DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 10850.907508/201144 Resolução nº 3801000.692 S3TE01 Fl. 141 6 Atentese que em relação ao PIS, a partir da Lei 10.637, de 2002, e à Cofins, a partir da Lei 10.833, de 2003, para aquelas empresas sujeitas ao regime não cumulativo de apuração das referidas contribuições, essa discussão deixou de ser pertinente, vez que as normas em questão instituíram nova base de cálculo, desta feita com amparo na Constituição Federal, pela redação da Emenda Constitucional 20, de 1998. Além do mais, em consonância com o entendimento da Excelsa Corte, a Lei nº 11.941/09 revogou expressamente o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98. Da análise dos demonstrativos e da Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), verificase que outras receitas compuseram a base de cálculo da contribuição COFINS em desacordo com o conceito de faturamento adotado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), qual seja, a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza. Com efeito, é incontroverso o bom direito da recorrente em relação aos recolhimentos à título de Cofins no período de apuração apontado no pedido de restituição, tendo em vista que esse litígio administrativo tem como objeto principal a restituição de contribuição paga a maior com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 pelo Excelso STF (alargamento da base de cálculo do PIS e da Cofins). Em que pese o direito da interessada, do exame dos elementos comprobatórios, Constatase que, no caso vertente, os documentos apresentados são insuficientes para se apurar a correta composição da base de cálculo da contribuição da Cofins e eventuais pagamentos a maior. Ante ao exposto, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência, para que a Delegacia de origem: a) apure a composição da base de cálculo da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) com base na documentação apresentada e na escrita fiscal e contábil, relativo aos períodos de apuração apontados nos pedidos de restituição, e a correção dos valores inicialmente pleiteados correspondentes à indevida ampliação da base de cálculo do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98; b) cientifique a interessada quanto ao teor dos cálculos para, desejando, manifestarse no prazo de dez dias. Após a conclusão da diligência, retornar o processo a este CARF para julgamento. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 141DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI
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Numero do processo: 19515.004812/2008-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Aug 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005
ASPECTOS CONSTITUCIONAIS - SUMULA CARF - IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE.
É defeso aos julgadores administrativos analisar a constitucionalidade das normas legais, competência privativa do Judiciário. Súmula CARF no 2 - O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
VALORES DECLARADOS EM DACON E DCTF - DESCONSTITUIÇÃO - PROVA DO CONTRIBUINTE
Para desconstituir o lançamento realizado pelo próprio contribuinte por meio de suas declarações - DCTF e DACON - necessário que o contribuinte comprove o erro realizado. A prova imputada à fiscalização é aquela de que as declarações do contribuinte não condizem com a realidade dos fatos.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-002.641
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira seção de julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA
Presidente
(assinado digitalmente)
FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Walber José da Silva, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Paulo Guilherme Déroulède, Mônica Elisa de Lima, Fabiola Cassiano Keramidas e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 ASPECTOS CONSTITUCIONAIS - SUMULA CARF - IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE. É defeso aos julgadores administrativos analisar a constitucionalidade das normas legais, competência privativa do Judiciário. Súmula CARF no 2 - O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. VALORES DECLARADOS EM DACON E DCTF - DESCONSTITUIÇÃO - PROVA DO CONTRIBUINTE Para desconstituir o lançamento realizado pelo próprio contribuinte por meio de suas declarações - DCTF e DACON - necessário que o contribuinte comprove o erro realizado. A prova imputada à fiscalização é aquela de que as declarações do contribuinte não condizem com a realidade dos fatos. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira seção de julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Walber José da Silva, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Paulo Guilherme Déroulède, Mônica Elisa de Lima, Fabiola Cassiano Keramidas e Gileno Gurjão Barreto.
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É defeso aos julgadores administrativos analisar a constitucionalidade das normas legais, competência privativa do Judiciário. Súmula CARF no 2 “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” VALORES DECLARADOS EM DACON E DCTF DESCONSTITUIÇÃO PROVA DO CONTRIBUINTE Para desconstituir o lançamento realizado pelo próprio contribuinte por meio de suas declarações DCTF e DACON necessário que o contribuinte comprove o erro realizado. A prova imputada à fiscalização é aquela de que as declarações do contribuinte não condizem com a realidade dos fatos. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira seção de julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 48 12 /2 00 8- 18 Fl. 237DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 30/0 7/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 2 (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Walber José da Silva, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Paulo Guilherme Déroulède, Mônica Elisa de Lima, Fabiola Cassiano Keramidas e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Por retratar a realidade dos fatos, peço vênia aos meus pares para transcrever o relatório constante na decisão de primeira instancia administrativa, a saber: “Tratase de auto de infração de PIS (R$ 1.039.742,03) e Cofins (R$ 4.881.570,78) decorrente de apuração de insuficiências mensais entre valores declarados e/ou confessados e os recolhidos. A autoridade a quo verificou que os valores informados na DACON relativos ao anocalendário de 2005, de Pis e de Cofins, a pagar, estão superiores aos informados em DCTF e aos valores recolhidos aos cofres públicos e constituiu os créditos tributários das diferenças. Em 19/08/2008 há ciência pessoal do autos de infração de Pis e de Cofins (fl 69 e 77). Em 17/09/2008 a interessada deduz irresignação (fl 83 e ss) com os argumentos sintetizados a seguir. A defesa diz que a autoridade não comprova as circunstâncias fáticas e documentais da autuação por divergência dos valores informados na DIPJ 2004 com a DACON, ano calendário 2005. A defesa diz que o ônus da prova quanto a tal fato é do Impugnado, que deve demonstrar, de modo cabal a ocorrência do fato jurídico tributário a ensejar autuação. A defesa transcreve lições de doutrinadores e decisões dos conselhos de contribuintes e de delegacias de julgamento. A defesa argui nulidade formal pela falta de comprovação do faturamento apurado na Dacon. A defesa diz que houve afronta ao artigo 195 da CF/88 (bis in idem). A defesa diz que o ICMS é receita de terceiros e não receita ou faturamento do sujeito passivo estando fora da base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS. A defesa transcreve doutrinas e jurisprudências. A defesa diz faltar isonomia (art. 150, II, da CF) por tratar contribuintes e não contribuintes de ICMS de modo distintos. A defesa transcreve doutrina. A defesa diz que PIS e COFINS, embora sejam denominadas de contribuição, tem natureza jurídica de imposto pois, analisandose o binômio base de cálculo e hipótese de incidência da exação não se vislumbra qualquer vinculação a Fl. 238DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 30/0 7/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 19515.004812/200818 Acórdão n.º 3302002.641 S3C3T2 Fl. 11 3 uma atividade estatal. A defesa diz que sendo a capacidade contributiva o meio pelo qual a impugnada fita promover a justiça fiscal, incluir ICMS na base de cálculo da Cofins e do Pis é uma clara injustiça (§ 1º, art. 145, CF/88). A defesa diz que em respeito ao principio da nãocumulatividade, incluir ICMS na base de cálculo é uma cristalina ilegalidade, por causar a majoração das aliquotas de 2% para 3% da Cofins e do Pis. A defesa diz que em função do acima articulado, podese concluir que o ICMS não poderá integrar a base de cálculo da Contribuição ao PIS e da COFINS pelos seguintes motivos: (i) o alcance do conceito constitucional de faturamento e receita não permite referida dilação na base de cálculo da exação; e (ii) isso representaria afronta aos princípios da isonomia tributária, da capacidade contributiva, da nãocumulatividade e da vedação ao confisco. A defesa diz que é dever, portanto, do órgão julgador administrativo observar, antes de tudo, a Constituição Federal e a Lei, por ocasião da apreciação das impugnações e recursos a ele submetidos. A defesa diz que desta forma, inclusive, já se pronunciou o Egrégio Primeiro Conselho de Contribuintes. Ao final, a defesa pleiteia recebimento e extinção, por nulidade dos autos de infração. Não houve juntada de novos elementos voltados ao mérito da autuação.” Após analisar as razões trazidas pela Recorrente, a 9ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento 5 em São Paulo I – DRJ/SP1, proferiu o acórdão no 16 34.029, que restou da seguinte forma ementado: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 NULIDADE. DESCABIMENTO. Quando o ato administrativo de lançamento obedece às suas formalidades essenciais não cabe falar em nulidade. INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE DE LEIS. LIMITES DE COMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País não podendo negarlhe execução e sendo incompetentes para apreciar arguições de inconstitucionalidade e ilegalidade, haja vista que tais matérias estão adstritas ao âmbito judicial. PRODUÇÃO DE PROVAS. PRECLUSÃO. As provas devem ser apresentadas no prazo de impugnação. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 PIS. BASE DE CÁLCULO. ICMS. Fl. 239DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 30/0 7/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 4 O ICMS compõe o preço da mercadoria e faz parte do faturamento, integrando a base de cálculo da contribuição. Inadmissível excluirse valores da base de cálculo sem previsão em lei. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 COFINS. BASE DE CÁLCULO. ICMS. O ICMS compõe o preço da mercadoria e faz parte do faturamento, integrando a base de cálculo da contribuição. Inadmissível excluirse valores da base de cálculo sem previsão em lei. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido.” A Recorrente, irresignada, apresentou recurso voluntário, oportunidade em que reiterou as razões trazidas em sua impugnação. É o relatório. Voto CONSELHEIRA FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. Conforme relatado tratase de auto de infração lavrado em virtude das diferenças encontradas entre as próprias declarações do contribuinte, DCTF e DACON. O contribuinte discorre, basicamente, sobre (i) a afronta a princípios constitucionais, (ii) a falta de comprovação, por parte da fiscalização, da existência dos valores autuados, ou seja, do faturamento que não foi tributado e (iii) da impossibilidade de inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e COFINS. (i) Aspectos Constitucionais O Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais decidiu que a instância administrativa não possui competência legal para se manifestar sobre questões em que se presume a colisão da legislação de regência com a Constituição Federal, atribuição reservada, no direito pátrio, ao Poder Judiciário. Tal decisão resultou na Súmula no 2, abaixo reproduzida: “SÚMULA CARF Nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. PRECEDENTES: Súmulas 2 do 1º e 2º CC a acórdãos: 101 94.876, 10321568, 10514586, 10806035, 10246146, 203 09298, 20177691, 20215674, 20178180, 20400115.” Fl. 240DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 30/0 7/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 19515.004812/200818 Acórdão n.º 3302002.641 S3C3T2 Fl. 12 5 Desta forma, o recurso apresentado, no que se refere à discussão acerca dos princípios constitucionais, não pode ser conhecido por incompetência do órgão colegiado para apreciação da matéria específica. (ii) Dos valores Autuados Outra alegação da Recorrente referese à impossibilidade de manutenção do auto de infração em virtude de a fiscalização não ter comprovado a ocorrência do faturamento que não foi devidamente tributado. Discorre sobre o fato de que a obrigação de comprovar as infrações é da fiscalização. A Recorrente estaria coberta de razão se e somente se estes valores tivessem sido “criados” pela fiscalização. Ocorre que não foi o que ocorreu. In casu, os valores foram extraídos de declarações da própria contribuinte, diferenças ente DACON e DCTF. Assim, quem constituiu a diferença e não conseguiu desconstituir, posto que não houve nenhuma comprovação de erro nas declarações, foi a Recorrente, e isto não pode ser ignorado. Desta forma, nego provimento ao pleito da Recorrente neste particular. (iii) Da Inclusão do ICMS na Base de Cálculo do PIS e COFINS Por fim, discutese a inclusão do ICMS na Base de Cálculo do PIS e COFINS. Mais uma vez tratase de matéria atinente à análise de constitucionalidade de lei, que não pode ser analisada no âmbito deste tribunal administrativo. A determinação de inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições está prevista em Lei Complementar e, portanto, a menos que afastada pelo Supremo Tribunal Federal, tem que ser respeitada por este tribunal administrativo. Ante o exposto, é o presente para conhecer do Recurso Voluntário apresentado e NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Fl. 241DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 30/0 7/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 6 Fl. 242DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 30/0 7/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
score : 1.0
Numero do processo: 19679.012739/2004-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2002
PEDIDO DE REVISÃO DE ORDEM DE INCENTIVOS FISCAIS. DEMONSTRAÇÃO DE REGULARIDADE FISCAL. Para obtenção de benefício fiscal, o artigo 60 da Lei 9.069/95 prevê a demonstração da regularidade no cumprimento de obrigações tributárias em face da Fazenda Nacional. Segundo entendimento sumulado pela Corte Administrativa, para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindo-se a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto nº 70.235/72.
Recurso voluntário provido.
Numero da decisão: 1102-000.787
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
João Otavio Oppermann Thomé- Presidente.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Guidoni Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Albertina Silva Santos de Lima (Presidente à época), Antonio Carlos Guidoni Filho, João Otávio Opperman Thomé, Silvana Rescigno Guerra Barreto, José Sérgio Gomes, João Carlos de Figueiredo Neto
Nome do relator: ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2002 PEDIDO DE REVISÃO DE ORDEM DE INCENTIVOS FISCAIS. DEMONSTRAÇÃO DE REGULARIDADE FISCAL. Para obtenção de benefício fiscal, o artigo 60 da Lei 9.069/95 prevê a demonstração da regularidade no cumprimento de obrigações tributárias em face da Fazenda Nacional. Segundo entendimento sumulado pela Corte Administrativa, “para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindose a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto nº 70.235/72”. Recurso voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) João Otavio Oppermann Thomé Presidente. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Guidoni Filho Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 67 9. 01 27 39 /2 00 4- 51 Fl. 259DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 14 /02/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 19679.012739/200451 Acórdão n.º 1102000.786 S1C1T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Albertina Silva Santos de Lima (Presidente à época), Antonio Carlos Guidoni Filho, João Otávio Opperman Thomé, Silvana Rescigno Guerra Barreto, José Sérgio Gomes, João Carlos de Figueiredo Neto Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão proferido pela Primeira Turma da Delegacia Regional de Julgamento de São Paulo SP assim ementado, verbis: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2001 TRIBUTOS FEDERAIS. QUITAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. INCENTIVO OU BENEFÍCIO FISCAL. INDEFERIMENTO. A falta de comprovação da quitação de tributos e contribuições federais, pelo contribuinte, impede o reconhecimento ou a concessão de beneficios ou incentivos fiscais. Solicitação Indeferida.” O caso foi assim relatado pela instância a quo, verbis: “Trata o presente processo de Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais PERC, relativo ao ano calendário 2001, protocolado em 29/09/2004 pelo contribuinte acima identificado (fl. 01). 2. Conforme dados constantes na DIPJ/2002 apresentada (Ficha 29 – Aplicações em Incentivos Fiscais fl. 44) e no sistema IRPJ (fls. 129 e 130), a contribuinte optou por destinar parcela do imposto de renda ao fundo de investimento FINAM. 3. Todavia, no processamento eletrônico da DIPJ, não foi reconhecido o direito ao incentivo fiscal, conforme cópia do Extrato das Aplicações em Incentivos Fiscais (fl. 04), o que motivou a apresentação do PERC, que foi indeferido no Despacho Decisório de fl. 147, em razão de irregularidades da contribuinte (fls. 135 a 139) perante a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). 4. Irresignada, a contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 149 a 154, protocolizada em 22/12/2008 e acompanhada dos documentos de fls. 155 a 182, alegando em síntese que: 4.1. A autoridade administrativa verificou a regularidade fiscal da contribuinte na data em que analisou o PERC, contudo, a melhor interpretação para a definição da data da regularidade Fl. 260DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 14 /02/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 19679.012739/200451 Acórdão n.º 1102000.786 S1C1T2 Fl. 4 3 fiscal é a da entrega da DIPJ, uma vez que a regularidade fiscal da contribuinte deve corresponder ao período a que o beneficio fiscal se refere; 42:Os débitos inscritos em dívida ativa apontados pelo Despacho Decisório, não podem constituir motivo de indeferimento do PERC, conforme a seguir demonstrado: 4.2.1. A inscrição em dívida ativa n° 80.7.04.00226159 foi objeto de pedido de revisão protocolado em 04/05/2004, pendente de análise até o momento (fls. 165 a 170); 4.2.2. A inscrição em dívida ativa n° 80.2.04.00761961 foi objeto de pedido de revisão protocolado em 09/06/2004, pendente de análise até o momento (fls. 171 a 180); 4.2.3. A inscrição em dívida ativa n° 80.2.06.03517968 (processo administrativo 13807.001879/200324) teve sua execução garantida por força de Mandado de Penhora (fls. 180 e 182).” Em síntese, o acórdão recorrido rejeitou a manifestação de inconformidade apresentada sob o fundamento de que o momento apropriado para a verificação da regularidade fiscal do contribuinte é justamente a data de expedição do Despacho Decisório, conforme corroboraria o entendimento do 1° Conselho de Contribuintes sobre a matéria. Nesse sentido, em não tendo sido demonstrada a regularidade fiscal do contribuinte no momento que lhe fora solicitado pela Fiscalização (anocalendário de 2008), o pedido de revisão de ordem de emissão de incentivos fiscais – PERC, relativo ao anocalendário de 2001, por ele protocolado em 29.09.2004, deve ser indeferido. Em sede de recurso voluntário, a Contribuinte reproduz suas razões de impugnação, notadamente no tocante ao momento adequado para a verificação pela Fiscalização da regularidade Fiscal da Contribuinte para fins de acolhimento do PERC.. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho – Relator O recurso voluntário é tempestivo e interposto por parte legítima, pelo que dele tomo conhecimento. Cingese a controvérsia, pois, em estabelecer a interpretação que deve ser dada ao art. 60 da Lei n. 9.069, de 1995, especialmente no que se refere ao momento da regularidade fiscal a ser comprovada pelo contribuinte. Citada legislação não faz expressa menção se o referido momento seria o do fato gerador, o da data da opção, o do indeferimento pelo Fisco ou, ainda, o momento do julgamento definitivo do PERC. Fl. 261DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 14 /02/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 19679.012739/200451 Acórdão n.º 1102000.786 S1C1T2 Fl. 5 4 Citada controvérsia encontrase superada nesta Corte Administrativa por força da edição da Súmula CARF n. 37, verbis: “Súmula CARF nº 37: Para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindose a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto nº 70.235/72.” Diante da edição de referida súmula, impõese o afastamento das razões do acórdão recorrido para justificar o indeferimento do direito de fruição do incentivo fiscal pelo Contribuinte, porquanto todas elas reportamse à situação fiscal da Contribuinte em 2008 e não na data da entrega da DIPJ relativa ao anocalendário de 2001, momento em que a Contribuinte optou por destinar parcela do imposto de renda ao fundo de investimento FINAM. Nesse sentido, ausente demonstração pela Fazenda Nacional de que a situação fiscal da Contribuinte era irregular no momento da opção do benefício fiscal, oriento meu voto no sentido de conhecer do recurso voluntário interposto para, no mérito, darlhe provimento. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Guidoni Filho Fl. 262DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 14 /02/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME
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Numero do processo: 10925.901506/2008-25
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 06 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Aug 06 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2005
ERRO NO PREENCHIMENTO DE DCOMP. APRECIAÇÃO. CABIMENTO.
O direito à compensação decorre da existência do crédito e de sua titularidade e não do preenchimento do pedido pelo qual se requer a compensação. Este, o pedido, representa o meio e não pode se confundir com o direito material que representa a existência do crédito utilizado para compensar o débito, com a extinção de ambos.
O direito que se busca com o pedido de compensação não nasce com o requerimento, mas sim com a apuração do crédito por meio da DIPJ, levando em consideração as receitas, as despesas dedutíveis e os demais critérios fixados em lei para apuração do tributo devido. Assim, cabe à autoridade administrativa apreciar o pedido de compensação levando em consideração o efetivo crédito apurado em DIPJ, desconsiderando eventuais erros no preenchimento da Declaração Compensação - DCOMP.
Ao apresentar a retificação dos pedidos de compensação, fazendo constar destes o efetivo valor do saldo negativo apurado na DIPJ, a recorrente não está alterando o valor de seu crédito, mas sim corrigindo erro que se verificou quando do preenchimento do pedido de compensação.
Recurso Voluntário em Parte
Numero da decisão: 1402-001.667
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para determinar a anulação do processo a partir do despacho decisório, inclusive, e determinar que nova decisão seja proferida pela Unidade Local com análise do mérito da Dcomp, retomando-se o rito processual a partir daí.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
(assinado digitalmente)
Moisés Giacomelli Nunes da Silva - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Carlos Pelá, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2005 ERRO NO PREENCHIMENTO DE DCOMP. APRECIAÇÃO. CABIMENTO. O direito à compensação decorre da existência do crédito e de sua titularidade e não do preenchimento do pedido pelo qual se requer a compensação. Este, o pedido, representa o meio e não pode se confundir com o direito material que representa a existência do crédito utilizado para compensar o débito, com a extinção de ambos. O direito que se busca com o pedido de compensação não nasce com o requerimento, mas sim com a apuração do crédito por meio da DIPJ, levando em consideração as receitas, as despesas dedutíveis e os demais critérios fixados em lei para apuração do tributo devido. Assim, cabe à autoridade administrativa apreciar o pedido de compensação levando em consideração o efetivo crédito apurado em DIPJ, desconsiderando eventuais erros no preenchimento da Declaração Compensação - DCOMP. Ao apresentar a retificação dos pedidos de compensação, fazendo constar destes o efetivo valor do saldo negativo apurado na DIPJ, a recorrente não está alterando o valor de seu crédito, mas sim corrigindo erro que se verificou quando do preenchimento do pedido de compensação. Recurso Voluntário em Parte
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para determinar a anulação do processo a partir do despacho decisório, inclusive, e determinar que nova decisão seja proferida pela Unidade Local com análise do mérito da Dcomp, retomando-se o rito processual a partir daí. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto - Presidente (assinado digitalmente) Moisés Giacomelli Nunes da Silva - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Carlos Pelá, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez e Leonardo de Andrade Couto.
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APRECIAÇÃO. CABIMENTO. O direito à compensação decorre da existência do crédito e de sua titularidade e não do preenchimento do pedido pelo qual se requer a compensação. Este, o pedido, representa o meio e não pode se confundir com o direito material que representa a existência do crédito utilizado para compensar o débito, com a extinção de ambos. O direito que se busca com o pedido de compensação não nasce com o requerimento, mas sim com a apuração do crédito por meio da DIPJ, levando em consideração as receitas, as despesas dedutíveis e os demais critérios fixados em lei para apuração do tributo devido. Assim, cabe à autoridade administrativa apreciar o pedido de compensação levando em consideração o efetivo crédito apurado em DIPJ, desconsiderando eventuais erros no preenchimento da Declaração Compensação DCOMP. Ao apresentar a retificação dos pedidos de compensação, fazendo constar destes o efetivo valor do saldo negativo apurado na DIPJ, a recorrente não está alterando o valor de seu crédito, mas sim corrigindo erro que se verificou quando do preenchimento do pedido de compensação. Recurso Voluntário em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 90 15 06 /2 00 8- 25 Fl. 200DF CARF MF Impresso em 06/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 25/06/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/07/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10925.901506/200825 Acórdão n.º 1402001.667 S1C4T2 Fl. 9 2 Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para determinar a anulação do processo a partir do despacho decisório, inclusive, e determinar que nova decisão seja proferida pela Unidade Local com análise do mérito da Dcomp, retomandose o rito processual a partir daí. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Moisés Giacomelli Nunes da Silva Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Carlos Pelá, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez e Leonardo de Andrade Couto. Relatório Conforme consta do despacho decisório de fl.02 datado de 18/07/2008 e do relatório do acórdão recorrido, a empresa antes nominada apresentou Declarações de Compensação DCOMP de nº 05027.58739.200206.1.7.020216; 21361.86576.210206.1.3.021477 e 37461.15881.090206.1.3.028603, as quais não foram homologadas com base no fundamento de que no PER/DECOMP constou indicação de saldo negativo de IRPJ no valor de R$ 26.604.013,73 e o valor do saldo negativo informado na DIPJ do anocalendário de 2005 tinha sido de R$ 26.930.013,70 (fl. 77). A integra da análise feita pelo despacho decisório de fl. 02, datado de 18/07/2008, segue transcrita: Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, não foi possível confirmar a apuração do crédito, pois o valor informado na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) não corresponde ao valor do saldo negativo informado no PER/DCOMP. Valor original do saldo negativo informado no PER/DCOMP com demonstrativo de crédito: R$ 26.604.013,70. Valor do saldo negativo informado na DIPJ: R$ 26.930.013,70 [...] Enquadramento Legal: Parágrafo 1º do art. 6º e art. 28 da Lei 9.430, de 1996. Art. 5º da IN SRF 600, de 2005. Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Fl. 201DF CARF MF Impresso em 06/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 25/06/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/07/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10925.901506/200825 Acórdão n.º 1402001.667 S1C4T2 Fl. 10 3 Cientificada, a empresa apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 7 e seguintes, destacando, dentre outros detalhes que em 22/12/2006, foi enviado o PER/DCOMP Retificador nº 42216.81650.221206.1.7.022545 (retificando o PER/DCOMP 35697.93857.12016.1.3.028400, constando como valor do saldo negativo de IRPJ R$ 26.930.013,70. Diz, ainda, que na mesma oportunidade declarouse a compensação de R$ 326.000,00 a título de IRRF e CSRF. Em sua manifestação de inconformidade de fls. 06 e seguintes, a recorrente apresenta planilhas de fl. 78, reportandose às DECOPM apresentadas e sustentando que além de possuir crédito para quitar as compensações não homologadas, "ainda possui um saldo negativo de IRPJ no valor de R$ 64.096,41." A manifestação de inconformidade se fez acompanhada de cópias das DECOPMS e da ficha 12A da DIPJ (FL. 77), indicando saldo negativo do IRPJ de R$ 26.930.013,70. Em 26/06/2009 a requerente apresentou a petição de fl. 83 informando ter realizado consulta à Receita Federal que lhe reconheceu o direito de creditarse integralmente à contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS em relação à aquisição de insumos agropecuários, razão pela qual retificou os Demonstrativos de Apuração das Contribuições Sociais DACON) do período de outubro a dezembro de 2005, sendo que desta forma o débito informado no PER/DCOMP nº 35697.93857.120106.1.3.028400, transmitida em 12/01/2006, deixou de existir e, consequentemente, a compensação efetuada com o crédito de Saldo Negativo do IRPJ de 2005 naquela ocasião passa a ser desnecessária, devendo ser anulada pela autoridade administrativa. Neste sentido, a recorrente, naquela ocasião fez o seguinte requerimento: A DRJ, por meio do acórdão de fls. julgou improcedente a impugnação com base nos seguintes fundamentos: "...Verificase que, de fato, foram apresentadas três DCOMP retificadoras, conforme extrato de f. 122. A própria recorrente relata o teor dessas retificadoras (f. 8): Fl. 202DF CARF MF Impresso em 06/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 25/06/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/07/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10925.901506/200825 Acórdão n.º 1402001.667 S1C4T2 Fl. 11 4 No dia 20/02/2006 foi enviado o PER/DCOMP Retificador nº 05027.58739.200206.1.7.020216 (Nº da DCOMP Retificada: 35697.93857.120106.1.3.028400) no qual informouse que o crédito de Saldo Negativo de IRPJ era de R$ 26.604.013,70, compensado com R$ 6.453.723,74 referentes a débitos de PIS/COFINS. [...] Posteriormente, em 22/12/2006 foi enviado o PER/DCOMP Retificador nº 42216.81650.221206.1.7.022545 (Nº da DCOMP retificada: 35697.93857.120106.1.3.028400) constando como valor do Saldo Negativo de IRPJ R$ 26.930.013,70. na mesma oportunidade declarouse a compensação de R$ 326.000,00 a título de IRRF e CSRF. Por fim, em 26/12/2006 a Manifestante formulou o PER/DCOMP nº 29129.51083.261206.1.7.021458 (Nº da DCOMP retificada: 35697.93857.120106.1.3.028400) apenas para alterar o código de recolhimento 05612 para 05613, porém inalterando as informações anteriormente prestadas com relação ao valor de seu crédito de Saldo Negativo de IRPJ e das compensações. Na primeira DCOMP retificadora não houve alteração quanto aos débitos informados na DCOMP retificada, a qual informava débitos no montante de R$ 6.453.723,74 (f. 24). Entretanto, pretendeu alterar o crédito compensado (saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2005) do montante de R$ 21.500.000,00 para o de R$ 26.604.013,70. Todavia, nas duas últimas DCOMP retificadoras a contribuinte adotou o procedimento vedado de incluir novos débitos. Tal procedimento de retificação é vedado pelo art. 59 da Instrução Normativa SRF nº 600/2005. Art. 59. A retificação da Declaração de Compensação gerada a partir do Programa PER/DCOMP ou elaborada mediante utilização de formulário (papel) não será admitida quanto tiver por objeto a inclusão de novo débito ou o aumento do valor do débito compensado mediante a apresentação da Declaração de Compensação à SRF. Parágrafo único. Na hipótese prevista no caput, o sujeito passivo que desejar compensar o novo débito ou a diferença de débito deverá apresentar à SRF nova Declaração de Compensação. A própria recorrente relata a inclusão de novos débitos nestas retificadoras. Na DCOMP retificadora apresentada em 22/12/2006, houve a inclusão de débitos de IRRF e CSRF. Na DCOMP retificadora apresentada em 26/12/2006, foi mantida a inclusão de débitos no mesmo montante de R$ 326.000,00 (f. 65). Portanto, essas DCOMP retificadoras não poderiam ser admitidas, por expressa vedação nas instruções normativas que regulam as compensações. À evidência, no referido extrato de f. 122 consta que elas não foram admitidas. Deste modo, a pretendida retificação do valor do crédito compensado, referente ao saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2005, não pôde ser corrigida do montante de R$ 26.604.013,70 para o de R$ 26.930.013,70, que é o valor informado na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica. Por isso, o sistema de verificação de inconsistências da RFB (malha) acusou a discrepância de valores e não validou as correspondentes DCOMP. É exigência do próprio programa de preenchimento da DCOMP (na função “ajuda”) que este valor seja aquele informado em DIPJ: Fl. 203DF CARF MF Impresso em 06/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 25/06/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/07/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10925.901506/200825 Acórdão n.º 1402001.667 S1C4T2 Fl. 12 5 ... Este critério de validação das DCOMP pode parecer um tanto rígido, mas objetiva viabilizar o controle da sistemática de compensações, que passou a ser por simples declaração eletrônica, com efeito de extinguir o crédito tributário, sob condição resolutória de ulterior homologação. Os requisitos estabelecidos na legislação de regência para a realização de compensações devem ser observados sob pena de não ser aceita a compensação pretendida. É o que prevê o caput do art. 170 do Código Tributário Nacional e art. 74 da Lei nº 9.430/96 (grifei): Constatase, assim, que são muito estreitos os limites impostos à retificação das declarações apresentadas, o que impõe o indeferimento do pedido para exclusão dos débitos incluídos na DCOMP. Assim, uma alternativa seria a contribuinte utilizar os créditos ora apurados de PIS/Pasep e Cofins, para dedução em outros períodos, diferentes daqueles objetos dos débitos informados em DCOMP. Por fim, é de se ressaltar que ao tempo da ciência do Despacho Decisório (30/07/2008, AR, f. 77), a recorrente ainda não tinha protocolado a referida consulta, o que só ocorreu em outubro de 2008, conforme extrato de acompanhamento de processo à f. 123. Portanto, não se aplica o caso de pendência de consulta formulada. Intimada a parte interessada apresentou o recurso de fls. 167/185, expondo os fundamentos de fato e de direito pelos quais entende que deve ser homologadas as compensações apresentadas. É o relatório. Fl. 204DF CARF MF Impresso em 06/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 25/06/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/07/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10925.901506/200825 Acórdão n.º 1402001.667 S1C4T2 Fl. 13 6 Voto Conselheiro MOISÉS GIACOMELLI NUNES DA SILVA, relator O recurso manuseado pela parte está previsto no artigo 33 do Decreto nº 70.235, de 1972, é tempestivo, encontrase devidamente fundamentado e foi interposto por parte legítima que pretende ver a decisão da DRJ reformada. Assim. conheçoo e passo ao exame do mérito. Quanto à existência material do crédito da recorrente não houve controvérsias. Na linha 18 da FICHA 12A da DIPJ, relacionada ao anocalendário de 2005, verificase que apurouse saldo negativo de R$ 26.930.013,70. O despacho decisório de fl. 02, que transcrevi no relatório, na linha do que consta na FICHA 12A da DIPJ, informa a existência do citado crédito. Contudo, deixa de homologar as compensações indicadas sob o argumento de que foi informado na DCOMP saldo negativo de R$ 26.604.013,70, frente aos R$ 26.930.013,70. Tal fundamento, como razão para indeferir o pedido de compensação não subsiste. Se o crédito da recorrente fosse menor que o valor a ser compensado, ainda assim haveria de se analisar as compensações e constatado a materialidade do crédito, deferir e processar a compensação até o limite do crédito existente. No caso concreto o crédito era maior do que o valor informado na DCOMP e não se homologou não por inexistência de crédito, mas sim pela divergência apontada entre o PER/DOMP e a DIPJ. É por meio da DIPJ, com as lançamentos, adições e exclusões previstos em lei que se apura o imposto a pagar ou o saldo negativo. Nas palavras do Conselheiro Carlos Pelá: "por meio da DIPJ temse procedimento de crédito ou débito em favor do Fisco ou do Contribuinte". Apurado o crédito, não será por erro ou vício formal quando da apresentação do pedido de compensação que haverá de se negar o direito previsto no artigo 170 do CTN, regulamentado pelo artigo 74 da Lei nº 9.430, de 19961. 1 Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) (Vide Medida Provisória nº 608, de 2013) (Vide Lei nº 12.838, de 2013) § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 2o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. .... § 6o A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) § 7o Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados.(Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003). Fl. 205DF CARF MF Impresso em 06/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 25/06/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/07/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10925.901506/200825 Acórdão n.º 1402001.667 S1C4T2 Fl. 14 7 Na utilização de saldo negativo do IRPJ ou da CSLL para, mediante compensação, extinguir débitos do contribuinte é necessário que existam sistemas de controles pela Administração. Neste sentido, inclusive, encontrase o § 14º da Lei nº 9.430, de 1996, dispondo que a Secretaria da Receita Federal SRF disciplinará o disposto neste artigo, inclusive quanto a fixação de critérios de prioridade para apreciação de processos de restituição, de ressarcimento e de compensação. Tais disciplinamento, contudo, não pode levar a situações onde, confirmado a existência do crédito em favor do contribuinte, se negue a compensação sob a alegação de vício formal ou de que não podia ter sido processada determinada retificação de DCOMP que tramitou durante anos. Superada esta questão, há um novo fundamento a enfrentar, destacado no acórdão, isto é, quanto à impossibilidade de se retificar os PERDECOMP para incluir novo débito, como ocorreu no PER/DCOMP Retificador nº 42216.81650.221206.1.7.022545 (Nº da DCOMP retificada: 35697.93857.120106.1.3.028400) para, além de corrigir o valor do Saldo Negativo de IRPJ (R$ 26.930.013,70), incluir a compensação de R$ 326.000,00 a título de IRRF e CSRF ou para corrigir o código de recolhimento do tributo, como aconteceu no PER/DCOMP nº 29129.51083.261206.1.7.021458 (Nº da DCOMP retificada: 35697.93857.120106.1.3.028400) que alterou o código de recolhimento 05612 para 05613, porém inalterando as informações anteriormente prestadas com relação ao valor de seu crédito de Saldo Negativo de IRPJ e das compensações. Superadas as questões acima referidas, passo ao exame do que foi postulado por meio do requerimento protocolado em 09/06/2009, em que a empresa requer que seja desconsiderado o pedido de compensação de fl. 24 (PER/DECOMP 35697.93857.120106.1.3.028400), transmitido em 12/01/2006, cujo objeto é a compensação de PIS e Cofins correspondente a dezembro de 2005, nos valores de R$ 1.151.204,78 e R$ 5.302.518,96. Pois bem, a compensação declarada, da mesma forma que a DCTF, importa em reconhecimento do débito. Havendo equívocos quanto ao valor declarado é lícito a retificação da DCTF e, por consequência, do PER/DCOMP. Todavia, uma vez homologado o PER/DCOMP, a homologação da compensação tem a mesma natureza jurídica e eficácia de pagamento realizado, qual seja, a extinção do débito. Neste sentido, trilho o entendimento de que uma vez homologada a compensação, caso verificado pagamento indevido, mediante compensação, o caminho é o pedido de restituição. Nos casos em que a compensação não foi homologada é lícito a parte interessada, a qualquer momento, desistir do pedido de compensação. Havendo desistência do pedido de compensação e sendo devido o tributo, procederseá a cobrança. Nos casos em que a autoridade competente entender que não há tributo a ser pago, quer em face de retificação de § 9o É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7o, apresentar manifestação de inconformidade contra a nãohomologação da compensação. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) § 10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) ... § 14. A Secretaria da Receita Federal SRF disciplinará o disposto neste artigo, inclusive quanto à fixação de critérios de prioridade para apreciação de processos de restituição, de ressarcimento e de compensação. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004). Fl. 206DF CARF MF Impresso em 06/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 25/06/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/07/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10925.901506/200825 Acórdão n.º 1402001.667 S1C4T2 Fl. 15 8 DCTF, quer por outro motivo que seja, não há o que cobrar. Em se tratando de alteração do montante do tributo a ser pago em face de retificação da DCTF, importante observar os seguintes pressupostos: a) a retificação deve ser feita no prazo de cinco anos; b) em relação ao que foi retificado, na esteira de precedente do STJ (Ag. no Recurso Especial nº 1.374.127CE. Rel. Min. Mauro Campbell Marques. Jul. 13/08/2013), interrompese o prazo decadencial2. No caso dos autos, o despacho decisório de fls. 01, datado de 18/07/2008, não homologou os pedidos de compensação, razão pela qual, observando a fundamentação acima, entendo que é possível o pedido de desistência do PER/DCOMP indicado à fl. 83 dos autos. Quanto à questão do aproveitamento do crédito correspondente, é matéria cujo mérito deve ser discutida em outro processo, já que o presente caso trata, exclusivamente, da apreciação e, se for o caso, homologação das compensações em relação as quais não houve desistência. ISSO POSTO, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso para determinar a anulação do processo a partir do despacho decisório, inclusive, e determinar que nova decisão seja proferida pela Unidade Local com análise do mérito das Dcomp, retomando se o rito processual a partir daí. assinado digitalmente MOISÉS GIACOMELLI NUNES DA SILVA Relator 2 Com a retificação da DCTF há a constituição de novo débito, para mais ou para menos. Se não houvesse a interrupção do prazo correrseia o risco de alguém entregar DIPJ e DCTF informando "x" de tributos a pagar ou de saldo negativo e, aproximandose do prazo decadencial, retificar a DIPJ e DCTF fazendo aflorar crédito em seu favor sem que se pudesse adentrar na situação fática, ocorrida há mais de 5 (cinco) anos, para se realizar as efetivas verificações. Fl. 207DF CARF MF Impresso em 06/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 25/06/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/07/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO
score : 1.0
Numero do processo: 16349.000031/2008-25
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Aug 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007
RESSARCIMENTO DO PIS NÃO-CUMULATIVO. COMPENSAÇÃO NA FORMA DO ART. 16, INCISO I, DA LEI Nº 11.116/2005. ACUMULAÇÃO DE CRÉDITO EM OPERAÇÃO TRIBUTADA.
O aproveitamento no crédito do PIS não-cumulativo na forma do art.16, inciso I, da Lei nº 11.116/05, é possível somente se for acumulado em vendas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência PIS ou da COFINS.
CRÉDITO PRESUMIDO DO PIS NÃO-CUMULATIVO. ART. 8º, DA LEI Nº 10.925/04. AGROINDÚSTRIA. IMPOSSIBILIDADE DE APROVEITAMENTO DO CRÉDITO PARA COMPENSAR COM OUTRO TRIBUTO.
O aproveitamento de crédito presumido do PIS, de que trata o Art. 8º, da lei nº 10.925/04, para compensar com outros tributos, não é permitido para as agroindústrias, ainda que eles se acumulem em razão de vendas com tributação suspensa, não tributadas, tributadas à alíquota zero ou isentas.
Numero da decisão: 3401-002.616
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
JULIO CÉSAR ALVES RAMOS - Presidente.
JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl, Jean Cleuter Simões Mendonça, Eloy Eros da Silva Nogueira, Fernando Marques Cleto Duarte e Ângela Sartori.
Nome do relator: JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 RESSARCIMENTO DO PIS NÃO-CUMULATIVO. COMPENSAÇÃO NA FORMA DO ART. 16, INCISO I, DA LEI Nº 11.116/2005. ACUMULAÇÃO DE CRÉDITO EM OPERAÇÃO TRIBUTADA. O aproveitamento no crédito do PIS não-cumulativo na forma do art.16, inciso I, da Lei nº 11.116/05, é possível somente se for acumulado em vendas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência PIS ou da COFINS. CRÉDITO PRESUMIDO DO PIS NÃO-CUMULATIVO. ART. 8º, DA LEI Nº 10.925/04. AGROINDÚSTRIA. IMPOSSIBILIDADE DE APROVEITAMENTO DO CRÉDITO PARA COMPENSAR COM OUTRO TRIBUTO. O aproveitamento de crédito presumido do PIS, de que trata o Art. 8º, da lei nº 10.925/04, para compensar com outros tributos, não é permitido para as agroindústrias, ainda que eles se acumulem em razão de vendas com tributação suspensa, não tributadas, tributadas à alíquota zero ou isentas.
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COMPENSAÇÃO NA FORMA DO ART. 16, INCISO I, DA LEI Nº 11.116/2005. ACUMULAÇÃO DE CRÉDITO EM OPERAÇÃO TRIBUTADA. O aproveitamento no crédito do PIS nãocumulativo na forma do art.16, inciso I, da Lei nº 11.116/05, é possível somente se for acumulado em vendas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência PIS ou da COFINS. CRÉDITO PRESUMIDO DO PIS NÃOCUMULATIVO. ART. 8º, DA LEI Nº 10.925/04. AGROINDÚSTRIA. IMPOSSIBILIDADE DE APROVEITAMENTO DO CRÉDITO PARA COMPENSAR COM OUTRO TRIBUTO. O aproveitamento de crédito presumido do PIS, de que trata o Art. 8º, da lei nº 10.925/04, para compensar com outros tributos, não é permitido para as agroindústrias, ainda que eles se acumulem em razão de vendas com tributação suspensa, não tributadas, tributadas à alíquota zero ou isentas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. JULIO CÉSAR ALVES RAMOS Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 34 9. 00 00 31 /2 00 8- 25 Fl. 466DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 30 /07/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA 2 JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl, Jean Cleuter Simões Mendonça, Eloy Eros da Silva Nogueira, Fernando Marques Cleto Duarte e Ângela Sartori. Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP transmitida em 28/11/2007 (fls. 05/07), pela qual a Contribuinte pretende o ressarcimento de crédito da COFINS não cumulativa das operações no mercado interno do primeiro trimestre de 2007. A delegacia de origem indeferiu parte do ressarcimento por entender que o crédito presumido pode ser utilizado somente para dedução da contribuição (fls. 172/178). A Contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 185/202), mas a DRJ manteve o despacho decisório ao prolatar acórdão (fls. 359/368) com a seguinte ementa: “COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. VENDAS NO MERCADO INTERNO. POSSIBILIDADE DE RESSARCIMENTO. Nas vendas no mercado interno, o ressarcimento de créditos é permitido apenas em relação aos dispêndios vinculados a operações efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência da COFINS. Os créditos relacionados a demais receitas no mercado interno podem ser aproveitados exclusivamente para dedução da contribuição apurada. COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE CRÉDITO PRESUMIDO. RESSARCIMENTO. COMPENSAÇÃO. O crédito presumido de que trata o art. 8º da Lei nº 10.925/2004 somente poderá utilizado para desconto dos valores da COFINS, sendo afastada a hipótese de ressarcimento em dinheiro ou a compensação com outros tributos ou contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido”. A Contribuinte interpôs recurso voluntário em 11/04/2012, com as alegações resumidas abaixo: Fl. 467DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 30 /07/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA Processo nº 16349.000031/200825 Acórdão n.º 3401002.616 S3C4T1 Fl. 467 3 1 Sua atividade consiste em industrialização de cereais, principalmente de arroz e feijão, que corresponde a 90% de sua receita. Como a venda desses produtos é tributada à alíquota zero, a Recorrente não consegue utilizar para dedução todos os créditos acumulados; 2 Negar direito de ressarcir ou compensar os créditos acumulados é contrariar a nãocumulatividade; 3 Por ser uma agroindústria, a Recorrente tem direito ao crédito presumido previsto na Lei nº 10.925/04. O art. 16, da Lei nº 11.116/06, autoriza a compensação e o ressarcimento do saldo credor dos créditos acumulados ao final de cada trimestre e, ao contrário do defendido pelo fisco, a Lei nº 10.925/04 não veda o aproveitamento do crédito por compensação; Ao fim, a Recorrente pediu a reforma do acórdão da DRJ para que seja reconhecido integralmente o direito creditório que pretende ressarcir. Alternativamente, pediu a declaração expressa do “direito à utilização do crédito do PIS/COFINS, no regime não cumulativo, referente ao 1º trimestre de 2006, reconhecido no presente processo administrativo para dedução da Contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS) apuradas no regime de incidência não cumulativa”. É o Relatório. Voto Conselheiro Jean Cleuter Simões Mendonça O Recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. A Contribuinte pleiteia dois tipos de crédito: (1) Da COFINS não cumulativa, referente à aquisição de insumos utilizados na industrialização de produtos tributados vendidos no mercado interno; e (2) crédito presumido da COFINS em razão de atividade agroindustrial. Em ambos os casos, a autoridade fiscal entendeu que ele pode ser utilizado somente para dedução das contribuições. Sendo assim, o cerne da questão consiste em saber se é possível a utilização dos créditos pleiteados para ressarcimento e compensação ou se eles podem ser utilizados somente para dedução. Fl. 468DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 30 /07/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA 4 1 Dos créditos vinculados às vendas no mercado interno O art. 16, da Lei nº 11.116/2005, na qual se apoia o pedido de compensação da Recorrente, tem o seguinte texto: “Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Parágrafo único. Relativamente ao saldo credor acumulado a partir de 9 de agosto de 2004 até o último trimestrecalendário anterior ao de publicação desta Lei, a compensação ou pedido de ressarcimento poderá ser efetuado a partir da promulgação desta Lei”. (grifo nosso) Assim, a interpretação é que para ter direito a compensação, o crédito deverá ter sido acumulado “em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004”, que, por sua vez, tem a seguinte redação: “Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações”. (destaque nosso) Da interpretação combinada dos dois dispositivos, temse que o art. 16, da Lei nº 11.116/2005, autoriza a utilização dos créditos do PIS e COFINS não cumulativos somente se eles tiverem sido acumulados em razão das vendas dos produtos com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência do PIS/COFINS. Nos presente caso, é incontroverso que o crédito tem origem na aquisição de insumos utilizados em produtos vendidos no mercado e tributados, o que impede a compensação do crédito, permitindo, no máximo, o abatimento da COFINS dos períodos posteriores. 2. Possibilidade de aproveitamento do crédito presumido Fl. 469DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 30 /07/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA Processo nº 16349.000031/200825 Acórdão n.º 3401002.616 S3C4T1 Fl. 468 5 A Recorrente pretende o aproveitamento do crédito presumido da COFINS para compensar com débitos de outros tributos, sob a alegação de permissão legal, pois a maioria das suas vendas são tributadas à alíquota zero, de modo que não há como utilizar todo o crédito no abatimento do PIS e COFINS devidos. O art. 8º e o § 1º Lei n° 10.925/2004, que prevê o crédito presumido do PIS e da COFINS, assim determinam: “Art. 8º As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. § 1º O disposto no caput deste artigo aplicase também às aquisições efetuadas de: I cerealista que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal, classificados nos códigos 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, 12.01 e 18.01, todos da NCM; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) II pessoa jurídica que exerça cumulativamente as atividades de transporte, resfriamento e venda a granel de leite in natura; e III pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e cooperativa de produção agropecuária.(Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004)”. Todavia, o § 4º, também do artigo 8º, trouxe vedação ao aproveitamento do crédito pelas agroindústrias da seguinte forma: “§ 4º É vedado às pessoas jurídicas de que tratam os incisos I a III do § 1º deste artigo o aproveitamento: I do crédito presumido de que trata o caput deste artigo; Fl. 470DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 30 /07/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA 6 II de crédito em relação às receitas de vendas efetuadas com suspensão às pessoas jurídicas de que trata o caput deste artigo” No fim de 2004, mais precisamente em 22/12/2004, foi publicada a Lei nº 11.033/2004, a qual trouxe, no seu art. 17, a seguinte redação, na qual se apoia a Recorrente: “Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações”. Apesar da suposta divergência das normas, não há conflito, pois a primeira (§ 4o, do art. 8º, da Lei n° 10.925/2004) traz uma vedação específica para as pessoas listadas nos incisos de I a III, do § 1o, do art. 8º, da Lei n° 10.925/2004, onde estão incluídas as agroindústrias. O art. 17, da Lei no 11.033/2004, traz uma regra geral, sem revogar a regra especificar. Portanto, a vedação do § 4º, também do artigo 8º, permanece em vigor, de modo que não é permitido o aproveitamento de crédito presumido da COFINS pelas agroindústrias em relação às vendas com tributação suspensa, não tributadas, tributadas à alíquota zero ou isentas, para compensar com outros tributos. Ex positis, nego provimento ao recurso voluntário interposto. É como voto. Jean Cleuter Simões Mendonça Relator Fl. 471DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 30 /07/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA
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Numero do processo: 13525.000101/2003-64
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Aug 12 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/1998 a 30/04/1998, 01/06/1998 a 31/12/1998
AÇÃO JUDICIAL. COMPENSAÇÃO. AUTORIZAÇÃO JUDICIAL.
Se o fundamento legal da compensação autorizada por decisão judicial foi alterado, aplica-se a legislação superveniente que deu igual tratamento aos demais contribuintes.
Numero da decisão: 3401-002.673
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
JULIO CÉSAR ALVES RAMOS- Presidente.
ANGELA SARTORI - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Alves Ramos, Robson José Bayerl, Cláudio Massetti, Ângela Sartori e Jean Cleuter Simões Mendonça e Eloy Eros da Silva Nogueira
Nome do relator: ANGELA SARTORI
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COMPENSAÇÃO. AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. Se o fundamento legal da compensação autorizada por decisão judicial foi alterado, aplicase a legislação superveniente que deu igual tratamento aos demais contribuintes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. JULIO CÉSAR ALVES RAMOS Presidente. ANGELA SARTORI Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Alves Ramos, Robson José Bayerl, Cláudio Massetti, Ângela Sartori e Jean Cleuter Simões Mendonça e Eloy Eros da Silva Nogueira AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 52 5. 00 01 01 /2 00 3- 64 Fl. 345DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 2 Relatório Trata o presente processo de Auto de Infração eletrônico Nº 0000930 (fls. 23/30), relativo à Contribuição para o Financiamento da Seguridade SocialCofins, referente a créditos apurados nas DCTF/1998, com a exigência fiscal no valor de R$97.182,19 (noventa e sete mil, cento e oitenta e dois reais e dezenove centavos), acrescido de multa de ofício e juros de mora. Na descrição dos fatos de fl.24 consta que o Auto de Infração originouse da realização de Auditoria Interna na DCTF, na qual se verificou a falta de recolhimento ou pagamento do principal e declaração inexata, conforme Anexo III – “Demonstrativo do Crédito Tributário a Pagar” (fl. 15), em decorrência das irregularidades verificadas no crédito vinculado informado nas DCTF, conforme indicação constante do “Demonstrativo de Créditos Vinculados não Confirmados” – Anexo I, fls.25/28. Cientificada da exigência fiscal, em 15/07/2003, através de AR, fl. 190, a contribuinte apresentou, em 13/08/2003, a impugnação de fls.01/20, argumentando em síntese que: · foi autuada por não ter supostamente recolhido a Cofins, relativa aos fatos geradores ocorridos no período janeiro a abril e junho a dezembro de 1998, mas o crédito tributário ora lançado é completamente inconsistente; · parte do suposto crédito tributário da Cofins, que é um tributo sujeito ao lançamento por homologação, de janeiro a junho de 1998, foi alcançado pela decadência, nos termos do art.150, §4º do código Tributário Nacional; · os supostos débitos exigidos no auto de infração foram objeto de compensação com crédito da contribuição para o PIS recolhido sob a égide dos Decretoslei nº2.445 e 2.449, ambos de 1988, declarados inconstitucionais pelo Plenário da Suprema Corte, no julgamento do Recurso Extraordinário nº148.7542; · para fazer valer o direito ajuizou ação de conhecimento sob o rito ordinário com pedido de antecipação de tutela, distribuída sob o nº96.0005888 1, perante a 30ª Vara Federal da Seção do Rio de Janeiro, que fora deferida, para suspender a exigibilidade do crédito tributário ora cobrado, restando o direito de compensação do PIS, atualizado pela correção monetária, com débitos do PIS e da Cofins; · espera que seja determinada a realização de diligência para a apuração do crédito em observância a decisão judicial; Fl. 346DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13525.000101/200364 Acórdão n.º 3401002.673 S3C4T1 Fl. 6 3 · quanto ao PIS, registrese que a correta exegese do art.6º da Lei Complementar nº07, de 1970, trata da questão da semestralidade do PIS, conforme farta jurisprudência e legislação própria que transcreve, inclusive o Parecer PGFN nº437, de 1998 que ao tratar da correção monetária e da semestralidade do PIS evidencia o entendimento de que o direito do contribuinte apurar a contribuição para o PIS deve observar como base de cálculo o faturamento do sexto mês anterior, sem qualquer atualização monetária; · quanto a discriminação contida no campo “Ocorrência”, fls.03/06 do auto de infração, de que o impugnante teria declarado o número do processo judicial de compensação em referência de outro CNPJ, no qual a parte não configuraria com autora, demonstrase equivocada tal informação, como se pode esclarecer a partir do processo judicial ora informado pela impugnante; · o crédito tributário está com a exigibilidade suspensa e portanto é inaplicável a multa de ofício na forma do art.63 da Lei nº9.430, de 1996; requer, por fim, o cancelamento do crédito tributário e que sejam homologadas as compensações efetuadas. A DRJ decidiu em síntese: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/1998 a 30/04/1998, 01/06/1998 a 31/12/1998 MULTA DE OFÍCIO. Não cabe lançamento de multa de ofício na constituição do crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributos e contribuições de competência da Receita Federal do Brasil, cuja exigibilidade houver sido suspensa por força da concessão de tutela antecipada. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. O prazo decadencial para o lançamento das contribuições destinadas à Seguridade Social é de cinco anos, consoante Súmula Vinculante nº 8 do Supremo Tribunal Federal, que declarou inconstitucional o art. 45 da Lei nº 8.212, de 1991. O Recorrente apresentou recurso voluntário reiterando os argumentos acima. Fl. 347DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 4 Voto Conselheiro Angela Sartori O Recurso segue os requisitos de admissibilidade por isto dele tomo conhecimento. Verificase que a Recorrente demonstra que ingressou, (fl.62, item 49), com Ação Ordinária cumulada com Pedido de Antecipação de Tutela, protocolizada sob o nº 96.00058881, junto à 30ª Vara da Justiça Federal do Rio de Janeiro/RJ, em face da União Federal e do Instituto Nacional da Seguridade Social, objetivando, conforme consta de sua petição inicial (fls. 43/56 e 57/64), a declaração: (a) do direito ao ressarcimento de quantias que teriam sido pagas indevidamente a título de contribuição ao PIS, com base nos DecretosLeis nºs 2.445 e 2.449, ambos de 1988, declarados inconstitucionais pelo STF; (b) do direito de, doravante, recolher o PIS na forma da Lei Complementar nº 7, de 1970, alterada pela Medida Provisória nº 1.325, de 1996; (c) do direito de efetuar a compensação dos créditos, advindos de recolhimentos indevidos do PIS, corrigidos monetariamente e com incidência de juros moratórios, com importâncias vincendas após a ocorrência dos indébitos das contribuições ao PIS, COFINS e contribuição para o INSS (parte do empregador); (d) da nãoaplicação da limitação à compensação estabelecida no art. 89, § 3º, da Lei nº 9.129, de 1995; (e) de que, deferida a tutela antecipada, no sentido de que durante o curso da lide, relativamente às parcelas que forem compensadas, até o montante do indébito, a União Federal abstenhase de impor penalidades, não executála judicialmente, não inscrevêla no “Cadastro de Inadimplentes” e expedir as certidões negativas, quanto a essas mesmas parcelas, quando requeridas. A Recorrente foi autuada porque não recolher a Cofins nos períodos autuados. No entanto, a princípio, a contribuinte, ao abrigo da tutela que foi deferida em 04 de setembro de 1996, efetuou as compensações do crédito do PIS com débitos da Cofins do ano calendário de 1998. Observese que a antecipação da tutela foi deferida no sentido que fossem compensados os valores recolhidos indevidamente do PIS, até o montante de 250.372,47 UFIR, com as parcelas do próprio PIS, COFINS e Contribuição Social para o INSS. Nestas condições, a aplicase ao caso concreto a Solução de Divergência COSIT nº 2/2010, publicada no DOU 11/11/2010, que tem a seguinte redação: Os créditos relativos a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), reconhecidos por sentença judicial transitada em julgado que tenha permitido apenas a compensação com débitos de tributos da mesma espécie, ou ainda, que tenha permitido apenas a repetição do indébito, poderão ser compensados com débitos próprios relativos a quaisquer tributos administrados pela RFB (a) se houver legislação superveniente que assegure igual Fl. 348DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13525.000101/200364 Acórdão n.º 3401002.673 S3C4T1 Fl. 7 5 tratamento aos demais contribuintes ou (b) se a legislação vigente quando do trânsito em julgado não tiver sido fundamento da decisão judicial mais restritiva. Devese observar, ainda, que as restrições impostas à compensação pela decisão judicial foram aquelas constantes da legislação que a fundamentou, acima citada. Tais restrições foram afastadas por legislação superveniente, permitindo a todos os contribuintes efetuar a compensação de indébitos de PIS com débitos de qualquer tributo administrado pela RFB. Portanto, o crédito do PIS decorrente de pagamento indevido pode e deve ser utilizado para compensar débitos de Cofins, devidamente declarado, até o limite do crédito reconhecido pela autoridade da RFB. Isto posto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário para determinar a homologação das compensações de débitos de Cofins declaradas pela Recorrente, até o limite do crédito reconhecido e disponível para compensação. Angela Sartori Relator Fl. 349DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
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Numero do processo: 12897.000871/2009-10
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri May 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/08/2004 a 31/12/2005
PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. CONTRIBUIÇÃO DOS SEGURADOS E CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. RECOLHIMENTO DE VALORES SUFICIENTES PARA SUPRIR A OBRIGAÇÃO. DOCUMENTAÇÃO COMPROBATÓRIA. SALDO A MAIOR. FALHA NO LANÇAMENTO.
Apesar da apropriação de GPS`s necessária ao levantamento da obrigação principal, que ensejou a lavratura do Auto de Infração nº 37.263.520-2, contendo a Contribuição de Segurados, por não ter sobrado saldo material que a cobrisse após a vinculação das GPS descrita no item 4.10, a empresa recolheu valores suficientes para suprir a obrigação de retenção destas contribuições, declaradas ou não em GFIP, como se pode constatar em análise da Planilha 8 - Comparativo de Recolhimento da contribuição de segurados, Anexo VIII deste AI.
A documentação foi integralmente juntada na defesa administrativa, que comprova que os valores apresentados na folha de pagamento refletem exatamente o que foi pago na GPS em 56 competências autuadas (de um total de 59), sendo que somente em três delas houve pequenas diferenças entre o valor da folha e o efetivamente pago, tendo nesta última situação o Recorrente recolhido valor a maior em R$67,94.
No concernente à obrigação principal, não há qualquer dúvida de que o valor já foi devidamente pago pelo contribuinte, não restando margem alguma para qualquer discussão.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2803-003.347
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima Presidente
(Assinado digitalmente)
Amílcar Barca Teixeira Júnior Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Carlos Cornet Scharfstein.
Nome do relator: AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR
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CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. CONTRIBUIÇÃO DOS SEGURADOS E CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. RECOLHIMENTO DE VALORES SUFICIENTES PARA SUPRIR A OBRIGAÇÃO. DOCUMENTAÇÃO COMPROBATÓRIA. SALDO A MAIOR. FALHA NO LANÇAMENTO. 1. Apesar da apropriação de GPS`s necessária ao levantamento da obrigação principal, que ensejou a lavratura do Auto de Infração nº 37.263.5202, contendo a Contribuição de Segurados, por não ter sobrado saldo material que a cobrisse após a vinculação das GPS descrita no item 4.10, a empresa recolheu valores suficientes para suprir a obrigação de retenção destas contribuições, declaradas ou não em GFIP, como se pode constatar em análise da Planilha 8 Comparativo de Recolhimento da contribuição de segurados, Anexo VIII deste AI. 2. A documentação foi integralmente juntada na defesa administrativa, que comprova que os valores apresentados na folha de pagamento refletem exatamente o que foi pago na GPS em 56 competências autuadas (de um total de 59), sendo que somente em três delas houve pequenas diferenças entre o valor da folha e o efetivamente pago, tendo nesta última situação o Recorrente recolhido valor a maior em R$67,94. 3. No concernente à obrigação principal, não há qualquer dúvida de que o valor já foi devidamente pago pelo contribuinte, não restando margem alguma para qualquer discussão. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 89 7. 00 08 71 /2 00 9- 10 Fl. 1083DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 8/05/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 12897.000871/200910 Acórdão n.º 2803003.347 S2TE03 Fl. 3 2 Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Presidente (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Carlos Cornet Scharfstein. Fl. 1084DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 8/05/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 12897.000871/200910 Acórdão n.º 2803003.347 S2TE03 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP) lavrado em desfavor do contribuinte acima identificado, relativamente às contribuições descontadas da remuneração dos segurados empregados e contribuintes individuais que prestaram serviço à empresa, comprovadas mediante registro em folhas de pagamento, devidamente contabilizadas, e não recolhidas à seguridade social. O Contribuinte devidamente notificado apresentou defesa tempestiva. A impugnação foi julgada em 25 de março de 2013 e ementada nos seguintes termos: ASSUNTO: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/08/2004 a 31/12/2005 CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não merece acolhida a alegação de cerceamento de defesa, haja vista que todos os relatórios foram entregues ao contribuinte, onde consta a indicação de onde os valores foram extraídos e os dispositivos legais que amparam o lançamento. APROPRIAÇÃO DE GPS. CRITÉRIO. Os recolhimentos de contribuições previdenciárias são apropriados prioritariamente nos créditos constituídos pela declaração em GFIP. MULTA DE OFÍCIO. INEXISTÊNCIA DE COBRANÇA EM DUPLICIDADE. A multa de ofício e a multa por descumprimento de obrigação acessória decorrem de condutas diversas, com fundamentos legais próprios, inexistindo a cobrança em duplicidade pelo mesmo fato. INTIMAÇÃO DO PATRONO DA EMPRESA. IMPOSSIBILIDADE. É descabida a pretensão de intimações, publicações ou notificações dirigidas ao patrono da impugnante, em endereço diverso de seu domicílio fiscal. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformado com resultado do julgamento da primeira instância administrativa, o Contribuinte apresentou recurso tempestivo, onde alega, em síntese, o seguinte: O Recorrente sofreu a lavratura do Auto de Infração que, conforme se extrai do item 1.2 do Relatório Fiscal da autuação referese a valores relativos às contribuições Fl. 1085DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 8/05/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 12897.000871/200910 Acórdão n.º 2803003.347 S2TE03 Fl. 5 4 sociais que foram efetivamente descontadas da remuneração dos segurados empregados e contribuintes individuais que prestaram serviços a empresa, comprovadas mediante registro em folhas de pagamento, devidamente contabilizadas, e não recolhidas a seguridade social. Em razão da fundamentação apresentada no auto de infração na qual, repita se, o fiscal informa que o crédito constituído foi originário de divergências entre o que foi apresentado na folha de pagamento e as informações confessadas em GFIP, destacando que esta última não refletia as exatas informações da folha, o Recorrente apurou para cada filial a(s) exata(s) competência(s) cobrada(s), o valor da folha daquele CNPJ versus o valor apresentado em GFIP e por fim o valor pago em GPS. A documentação foi integralmente juntada na defesa administrativa, que comprova que os valores apresentados na folha de pagamento refletem exatamente o que foi pago na GPS em 56 competências autuadas (de um total de 59), sendo que somente em três delas houve pequenas diferenças entre o valor da folha e o efetivamente pago, tendo nesta última situação o Recorrente recolhido valor a maior em R$67,94. O que se torna flagrante é que, caso efetivamente houvesse omissão na GFIP, a autuação deveria se limitar apenas a penalizar a empresa pelo descumprimento de obrigação acessória, como o fez em autuação paralela a esta. O crédito tributário ora cobrado é equivocado, pois não observa o art. 142, do CTN diante da ausência de fato gerador do tributo, isso porque o período autuado está extinto por força do pagamento, nos CTN. Para sua surpresa, quando do recebimento do acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil, o Recorrente tomou ciência da manutenção integral do lançamento efetuado, fato é que a fundamentação não enfrentou as questões postas na defesa, se limitando a solucionar a controvérsia de modo superficial e principalmente mantendo a contradição atacada em sede de impugnação. O Auto de Infração de ser anulado por flagrante contradição no Relatório Fiscal e no acórdão recorrido, notadamente por ter havido cerceamento do direito de defesa. Os documentos fiscais não demonstram o fato gerador do tributo cobrado. O lançamento é indevido, pois não existem débitos no período apontado para as contribuições de empregados e contribuintes individuais. Ante os argumentos acima expostos, espera e requer o Recorrente seja provido o presente recurso, reformandose o acórdão e, consequentemente, cancelando a autuação fiscal, tendo em vista: 1) A notória contradição no Auto de Infração, que se fundamenta na existência de omissões nas declarações da GFIP em confronto com as informações da folha de pagamentos, quando ao mesmo tempo o relatório fiscal esclarece que o Recorrente recolheu valores suficientes para cobrir o débito, ou seja, importando assim em cerceamento de defesa a nulificar a autuação; Fl. 1086DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 8/05/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 12897.000871/200910 Acórdão n.º 2803003.347 S2TE03 Fl. 6 5 2) Os documentos fiscais (DD; RA; RADA) que acompanham o auto de infração não demonstram com clareza o fato gerador da obrigação tributária principal constituída no AI, isso porque os valores apontados nas folhas de pagamento foram recolhidos pelo Recorrente, portanto não há como saber a origem/essência do lançamento, nos termos do art. 142, do CTN; 3) Os documentos apresentados pelo Recorrente em sede de impugnação e anexo ao presente recurso, que comprovam o pagamento das contribuições dos empregados e contribuintes individuais no período autuado, devendo ser extinto o crédito lançado nos termos do art. 156, I, do CTN; Por fim, requer que todas as notificações e intimações relativas ao presente processo sejam remetidas ao endereço da procuradora que ora subscreve, à Av. Rio Branco nº 110 – 29º andar – Centro – RJ – Telefone 22236715. Não apresentadas as contrarrazões. É o relatório. Fl. 1087DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 8/05/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 12897.000871/200910 Acórdão n.º 2803003.347 S2TE03 Fl. 7 6 Voto Conselheiro Amílcar Barca Teixeira Júnior, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. No item 2.1 do Relatório Fiscal de Auto de Infração (fls. 731), a autoridade administrativa lançadora aduz que o procedimento fiscal foi iniciado com a finalidade de verificar o cumprimento das obrigações previdenciárias referentes aos rendimentos pagos, devidos ou creditados a segurados empregados e contribuintes individuais, no período citado no item 1.3., com análise de escrituração contábil, e outras verificações previdenciárias no período de 02/2004 a 12/2007, conforme os termos do MPF – Mandado de Procedimento Fiscal nº 07.1.90.002008055844. O item seguinte do citado relatório diz que em relação ao período de verificações obrigatórias, entre 2004 e 2007, foram analisados ainda os Livros Razões, especialmente as contas do passivo 2.1.4.06.001 – INSS Empregados, 2.1.4.06.002 – INSS s/ Serviços Prestados e 2.1.3.02.001 – INSS Empresa, a fim de compor os valores totais de contribuição ao INSS devidos e contabilizados. No item 10.3 do Relatório Fiscal, a autoridade lançadora assim se pronunciou: 10.3. Apesar da apropriação de GPS`s necessária ao levantamento da obrigação principal, que ensejou a lavratura do Auto de Infração nº 37.263.5202, contendo a Contribuição de Segurados, por não ter sobrado saldo material que a cobrisse após a vinculação das GPS descrita no item 4.10, a empresa recolheu valores suficientes para suprir a obrigação de retenção destas contribuições, declaradas ou não em GFIP, como se pode constatar em análise da Planilha 8 – Comparativo de Recolhimento da contribuição de segurados, Anexo VIII deste AI. (grifouse e destacouse) No que se refere ao recolhimento do devido, o contribuinte, em seu recurso, afirma que: A documentação foi integralmente juntada na defesa administrativa, que comprova que os valores apresentados na folha de pagamento refletem exatamente o que foi pago na GPS em 56 competências autuadas (de um total de 59), sendo que somente em três delas houve pequenas diferenças entre o valor da folha e o efetivamente pago, tendo nesta última situação o Recorrente recolhido valor a maior em R$67,94. Fl. 1088DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 8/05/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 12897.000871/200910 Acórdão n.º 2803003.347 S2TE03 Fl. 8 7 Pelo que se pode observar dos dois trechos citados imediatamente acima, no concernente à obrigação principal, não há qualquer dúvida de que o valor já foi devidamente pago pelo contribuinte, não restando margem alguma para qualquer discussão. Assim sendo, considerando que nestes autos discutemse somente as obrigações principais, sendo que as acessórias constam de outros autos, entendo que o contribuinte já cumpriu a sua parte, situação que me obriga conhecer do recurso para darlhe total provimento. CONCLUSÃO. Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. É como voto. (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator. Fl. 1089DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 8/05/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR
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Numero do processo: 10580.728333/2009-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 01 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2005 a 31/08/2008
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS.
Incide contribuição previdenciária sobre os valores pagos a titulo de participação nos lucros e resultados da empresa quando descumprida regra para distribuição do benefício fixada no instrumento de negociação.
MULTA DE MORA.
Aplica-se aos processos de lançamento fiscal dos fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449 e declarados em GFIP o artigo 106, inciso II, alínea "c" do CTN para que as multas de mora sejam adequadas às regras do artigo 61 da Lei nº 9.430/96. No caso da falta de declaração, a multa aplicável é a prevista no artigo 35 da Lei nº 8.212, de 24/07/91 limitada a 75%, nos percentuais vigentes à época de ocorrência dos fatos geradores.
INCONSTITUCIONALIDADE.
É vedado ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar dispositivo de lei vigente sob fundamento de inconstitucionalidade.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2402-004.082
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, vencida a conselheira Luciana de Souza Espíndola Reis, em dar provimento parcial ao recurso para que, sendo mais favorável ao recorrente, seja aplicada a multa de mora prevista no art. 35 da Lei 8.212/1991 vigente à época, limitada a 75%.
Julio Cesar Vieira Gomes Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Incide contribuição previdenciária sobre os valores pagos a titulo de participação nos lucros e resultados da empresa quando descumprida regra para distribuição do benefício fixada no instrumento de negociação. MULTA DE MORA. Aplicase aos processos de lançamento fiscal dos fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449 e declarados em GFIP o artigo 106, inciso II, alínea "c" do CTN para que as multas de mora sejam adequadas às regras do artigo 61 da Lei nº 9.430/96. No caso da falta de declaração, a multa aplicável é a prevista no artigo 35 da Lei nº 8.212, de 24/07/91 limitada a 75%, nos percentuais vigentes à época de ocorrência dos fatos geradores. INCONSTITUCIONALIDADE. É vedado ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar dispositivo de lei vigente sob fundamento de inconstitucionalidade. Recurso Voluntário Provido em Parte AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 83 33 /2 00 9- 13 Fl. 169DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/07/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, vencida a conselheira Luciana de Souza Espíndola Reis, em dar provimento parcial ao recurso para que, sendo mais favorável ao recorrente, seja aplicada a multa de mora prevista no art. 35 da Lei 8.212/1991 vigente à época, limitada a 75%. Julio Cesar Vieira Gomes – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 170DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/07/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10580.728333/200913 Acórdão n.º 2402004.082 S2C4T2 Fl. 170 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou procedente o lançamento fiscal de 17/12/2009 de contribuições previdenciárias sobre participação nos lucros e resultados da empresa. Seguem transcrições de trechos da decisão recorrida: Período de apuração: 01/02/2005 a 31/08/2008 INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. ARGÜIÇÃO. A instância administrativa é incompetente para se manifestar sobre a constitucionalidade ou legalidade de ato normativo em vigor. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Descabe a alegação de nulidade quando os elementos constantes nos autos são suficientes para informar ao impugnante como se chegou aos valores das contribuições lançadas, garantindo o exercício pleno do direito de defesa. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. PAGAMENTO EM DESACORDO COM A LEI Nº 10.101/2000. INCIDÊNCIA. A Lei nº 8.212, de 1991, determina de modo expresso que a participação nos lucros e resultados, quando paga em desacordo com a lei nº 10.101, de 2000, sofre a incidência da contribuição previdenciária. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido ... O Relatório Fiscal afirma que as contribuições lançadas incidiram sobre a remuneração paga aos empregados a título de Participação nos Lucros e Resultados – PLR. Segundo o relatório, o contribuinte apresentou os Regulamentos para o pagamento de Participação nos Lucros ou Resultados, relativos aos anos de 2004 a 2007. Todos eles foram protocolados no SINTERP/BA em 04/03/2009, ou seja, descumprindo o prazo exigido por lei. Além disso, os acordos não estabeleceram os índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa, bem como não indicaram as metas a serem atingidas e as regras de aferição. Por esta razão, atribuiuse à PLR a natureza de parcela remuneratória, incidindo sobre ela as contribuições previdenciárias. Fl. 171DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/07/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 Os principais motivos para a incidência da contribuição foram a ausência de quaisquer metas para recebimento do benefício e algum instrumento de apuração do resultado, além do protocolo intempestivo do instrumento de negociação junto ao sindicado. Contra a decisão, o recorrente interpôs recurso voluntário, onde reitera as alegações trazidas na impugnação: No mérito, afirma que os valores pagos a título de PLR, ainda que descumpridos os requisitos legais, não sofrem a incidência da contribuição. O inciso XI do art.7º da Constituição não é norma jurídica de incidência, mas enunciado que regula sistematicamente a competência tributária da União. A norma infraconstitucional que regula o pagamento da PLR deve regulamentála e não restringila. Argumenta que os documentos de formalização de acordos para participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados comprovam que houve uma negociação entre a empresa e os representantes de seus empregados para pagamento da PLR, atendendo ao requisito legal. Neste sentido, afirma que sempre existiram regras para o pagamento de PLR pela empresa e que estas são relacionadas ao crescimento do faturamento da empresa, levandose em conta a expectativa do mercado publicitário face ao cenário comercial esperado para o ano. Como isto vem sendo feito há mais de dez anos, jamais houve a preocupação por parte da empresa, dos seus empregados ou do sindicato, para que estas regras constassem do acordo de modo detalhado. Nesta linha, argumenta que, ao final de cada anocalendário, a gerência da empresa se reúne com o setor financeiro para a demonstração do cumprimento da meta, de modo que seja determinado o pagamento da PLR. Junta atas destas reuniões, bem como planilhas que demonstram como se deu o cálculo da PLR de cada um dos empregados da empresa. Em seguida, argumenta que o protocolo tardio do acordo junto ao sindicato não pode acarretar a descaracterização da natureza jurídica dos pagamentos realizados a título de PLR, pois o acordo não fixa um prazo peremptório para este arquivamento. Aduz ainda o impugnante que não houve o pagamento de participação nos lucros e resultados em periodicidade inferior a seis meses. O único caso ocorrido decorreu de fracionamento do pagamento da participação a um dos funcionários, cujo salário era elevado, por ausência de caixa. Assim, ainda que se considerase a incidência de contribuição em virtude deste fato, somente esta parcela paga em periodicidade inferior poderia ter sido incluída na base de cálculo do lançamento. Os valores pagos aos empregados são relativos a bônus oriundos da lucratividade da empresa, sendo, por isso mesmo, esporádicos e motivados. Não integram, portanto, o conjunto salarial dos empregados. Os valores pagos amoldamse à previsão do inciso VII do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212, de 1991, e são, por conseguinte, isentos das contribuições previdenciárias. A verdade material deve se sobrepor aos requisitos formais. Fl. 172DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/07/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10580.728333/200913 Acórdão n.º 2402004.082 S2C4T2 Fl. 171 5 Como o pagamento de PLR não constitui fato gerador de contribuição previdenciária, não há que se falar em surgimento da obrigação tributária. Logo, também não gera a obrigação de declaração na Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à previdência social – GFIP. Desta forma, é flagrante a ilegalidade da exigência de multa moratória ou punitiva neste Auto de Infração. Em seguida, afirma que a multa aplicada colide com os princípios constitucionais da razoabilidade, da proporcionalidade e do nãoconfisco, devendo, portanto, ser afastada. É o Relatório. Fl. 173DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/07/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 Voto Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Relator Procedimentos formais Quanto ao procedimento da fiscalização e formalização do lançamento também não se observou qualquer vício. Foram cumpridos todos os requisitos dos artigos 10 e 11 do Decreto n° 70.235, de 06/03/72, verbis: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. O recorrente foi devidamente intimado de todos os atos processuais que trazem fatos novos, assegurandolhe a oportunidade de exercício da ampla defesa e do contraditório, nos termos do artigo 23 do mesmo Decreto. Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) Fl. 174DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/07/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10580.728333/200913 Acórdão n.º 2402004.082 S2C4T2 Fl. 172 7 II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) III por edital, quando resultarem improfícuos os meios referidos nos incisos I e II. (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) Portanto, em razão do exposto e nos termos das regras disciplinadoras do processo administrativo fiscal, não se identificam vícios capazes de tornar nulo quaisquer dos atos praticados e tão pouco se faz necessária a realização de diligência ou perícia, já que os autos estão devidamente instruídos para exame e julgamento: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. No mérito Participação nos lucros e resultados A participação do trabalhador nos lucros e resultados da empresa é um marco histórico dos direitos trabalhistas. Com todas as conquistas: saláriomínimo, limitação da jornada de trabalho, proteção contra a demissão sem justa causa, férias, descanso semanal remunerado, apenas para mencionar algumas, ainda assim capital e trabalho se opunham, um ao outro, como realidades inconciliáveis. Foi com a Constituição Federal que se abriu a possibilidade de o trabalhador auferir parte do resultado de sua força laboral entregue à empresa. No artigo 7º, Inciso XI, junto com outros direitos sociais do trabalhador está a participação nos lucros ou resultados, desvinculada da remuneração; portanto, tratase imunidade tributária: Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: XI participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei; Entretanto, apenas com a Medida Provisória nº 794, de 22/12/94, convertida na Lei nº 10.101, de 19/12/2000, a matéria foi regulamentada: Art.1oEsta Lei regula a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade, nos termos do art. 7o, inciso XI, da Constituição. a) Finalidades: integração entre capital e trabalho; e ganho de produtividade. Fl. 175DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/07/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 Art.2oA participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. §1oDos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. b) Negociação entre empresa e empregados, através de acordo coletivo ou comissão de trabalhadores. No instrumento de negociação devem constar, com clareza e objetividade, as condições a serem satisfeitas (regras adjetivas) para a participação nos lucros ou resultados (direitos substantivos). Entre outros, podem ser considerados como critérios ou condições: produtividade, qualidade, lucratividade, programas de metas e resultados mantidos pela empresa. Vêse que no instrumento de negociação deve constar o que dispõe o artigo 2°, §1° e, no caso dos critérios para se fazer jus ao benefício, o legislador cuidou apenas de exemplificá los. Como se constata pelas disposições acima, a regulamentação é no sentido de proteger o trabalhador para que sua participação nos lucros se efetive. Não há regras detalhadas na lei sobre os critérios e as características dos acordos a serem celebrados. Os sindicatos envolvidos ou as comissões, nos termos do artigo 2º, têm liberdade para fixarem os critérios e condições para a participação do trabalhador nos lucros e resultados. A intenção do legislador foi impedir que critérios ou condições subjetivos obstassem a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados. As regras devem ser claras e objetivas para que os critérios e condições possam ser aferidos. Com isto, são alcançadas as duas finalidades da lei: a empresa ganha em aumento da produtividade e o trabalhador é recompensado com sua participação nos lucros. Nesse sentido, o artigo 2º, §1º, I da lei possibilita inclusive que a condição para a participação nos lucros ou resultados seja apenas o aumento da lucratividade da empresa. Comprovandose no Demonstrativo de Resultados do Exercício Financeiro que foi alcançada esta meta, que existe acordo coletivo ou comissão de trabalhadores e que a distribuição não é inferior a um semestre civil a participação nos lucros é regular. Não há nenhuma restrição na lei para que assim proceda a empresa. E nem poderia a autoridade fiscal criálas no caso concreto, sob pena de violação do Princípio da Legalidade, artigo 37, “caput” da Constituição Federal. Fl. 176DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/07/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10580.728333/200913 Acórdão n.º 2402004.082 S2C4T2 Fl. 173 9 Quanto aos mecanismos de aferição das informações para fins de comprovação do cumprimento dos critérios para a participação, não há qualquer previsão na lei no sentido de se exigir metas individualizadas para os trabalhadores. E nem poderia. Caso adote o aumento da lucratividade da empresa ou o alcance de outras metas organizacionais, critérios esses exemplificados na lei, não vejo como se exigir a aferição da contribuição de cada trabalhador para o cumprimento dessas metas. Como se poderia aferir a parcela do lucro de uma empresa de grande porte atribuída individualmente a um trabalhador da linha de produção? E mais. A exigência por parte da fiscalização de metas individualizadas vai de encontro ao que se procurou evitar na regulamentação da participação nos resultados e lucros – PLR, que é afastálo do conceito de salário. Caso se exigisse do segurado empregado o cumprimento de metas individuais para a percepção do benefício, flagrantemente, caracterizaria um prêmio, gratificação, e como tal parcela remuneratória. Porém, caso seja fixada como meta alguma avaliação do empregado, essa regra deverá ser cumprida. Em razão de tudo aqui exposto, vêse que prevalece a livre negociação para a participação nos lucros ou resultados. Porém, é possível que esse importante direito trabalhista seja malversado em prejuízo dos próprios trabalhadores e do fisco. Comprovando a autoridade fiscal dissimulação do pagamento de salários com participação nos lucros, deverá aplicar o Princípio da Verdade Material para considerar os valores pagos integrantes da base de cálculo das contribuições previdenciárias. Nesse sentido, preocupouse o legislador com essa possibilidade de se desvirtuar a finalidade da lei e se utilizar a participação nos lucros e resultados da empresa para a sonegação de contribuições sociais: Art.3oA participação de que trata o art. 2o não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade. ... §2oÉ vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. No caso, a fiscalização, na análise dos documentos da empresa que sustentam o pagamento do benefício, verificou que a completa ausência de metas a serem cumpridas pelos empregados. O instrumento de negociação, fls. 41 e seguintes, apenas estipula que os empregados têm a garantia de recebimento de valor no mínimo correspondente a 50% de seus salários e que esse valor não integra a remuneração. A recorrente apresenta cópias de atas das reuniões com autenticação em 2010; portanto, após o encerramento da fiscalização, fls. 112 seguintes. Os documentos foram assinados pelo Diretor Financeiro e Chefe da Controladoria. De acordo com a cópia apresentada, o primeiro teria sido assinado em 08/01/2004 e o último, em 09/01/2008. Todos possuem muito semelhança entre si e apresentam como principal diferença a variação da meta de receita bruta. Pelas características das cópias juntadas, não há uma comprovação inequívoca de que os documentos existissem à época dos fatos e, ainda, faltamlhes a Fl. 177DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/07/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 10 assinatura de algum representante do sindicato. De acordo com o artigo 2º da Lei nº 10.101/2000 nas reuniões deve participar o representante do sindicato: Art.2oA participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; Multas Aplicadas Insurgese a recorrente a multa moratória e a multa de ofício. A questão a ser enfrentada é a retroatividade benéfica para redução ou mesmo exclusão das multas aplicadas nos casos em que os fatos geradores ocorreram antes da vigência da MP 449 convertida na Lei 11.941/2009. É que a medida provisória revogou o artigo 35 da Lei 8.212/91 que trazia as regras de aplicação das multas de mora, inclusive no caso de lançamento fiscal, e em substituição adotou a regra que já existia para os demais tributos federais, que é a multa de ofício de, no mínimo, 75% do valor devido. Sendo que para a multa de mora existe o limite de 20%. Para tanto, devese examinar cada um dos dispositivos legais que tenham relação com a matéria. Prefiro começar com a regra vigente à época dos fatos geradores: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; b) quatorze por cento, no mês seguinte; c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; Fl. 178DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/07/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10580.728333/200913 Acórdão n.º 2402004.082 S2C4T2 Fl. 174 11 De fato, a multa inserida como acréscimo legal nos lançamentos tinha natureza moratória era punido o atraso no pagamento das contribuições previdenciárias, independentemente de a cobrança ser decorrente do procedimento de ofício. Mesmo que o contribuinte não tivesse realizado qualquer pagamento espontâneo, sendo portanto necessária a constituição do crédito tributário por meio de lançamento, ainda assim a multa era de mora. A redação do dispositivo legal, em especial os trechos por mim destacados, é muito claro nesse sentido. Não se punia a falta de espontaneidade, mas tão somente o atraso no pagamento – a mora. Contemporâneo à essa regra especial aplicável apenas às contribuições previdenciárias já vigia desde 27/12/1996 o artigo 44 da Lei nº 9.430/96, aplicável a todos os demais tributos federais: Normas sobre o Lançamento de Tributos e Contribuições Multas de Lançamento de Ofício Art.44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. É certo que esse possível conflito de normas é apenas aparente, pois como se sabe a norma especial prevalece sobre a geral; é um dos critérios para a solução dos conflitos aparentes. Para os fatos geradores de contribuições previdenciárias ocorridos até a MP 449 aplicavase sem vacilo o artigo 35 da Lei 8.212/91. Portanto, a sistemática do artigos 44 e 61 da Lei nº 9.430/96 para a qual multas de ofício e de mora são excludentes entre si não se aplica às contribuições previdenciárias. Quando a destempo mas espontâneo o pagamento aplicase a multa de mora e, caso contrário, seja necessário um procedimento de ofício para apuração do valor devido e cobrança através de lançamento então a multa é de ofício. Enquanto na primeira se pune o atraso no pagamento, na segunda multa, a falta de espontaneidade. E não fica só nisso, dependendo de alguns agravantes esta última que se inicia em 75% pode chegar a 225%; enquanto a multa de mora é limitada a 20% do valor principal. De fato, a fixação da multa de ofício independe do tempo de atraso no pagamento do tributo. Para fatos geradores ocorridos a 5 anos ou no anobase anterior, por exemplo, não significa que no lançamento relativo ao mais antigo a multa de ofício seja maior. Levarseão em consideração outros fatores, como: fraude, omissão de informações ou se apenas faltou a espontaneidade para o pagamento. Fatores esses que não influenciam a fixação da multa de mora no âmbito das contribuições previdenciárias. Na Previdência Social, essas condutas do sujeito passivo são consideradas infrações por descumprimento de obrigações Fl. 179DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/07/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 12 acessórias e, portanto, ensejam lavratura de auto de infração, cuja multa não tem nenhuma relação com a multa de mora que, pelo artigo 35 da Lei nº 8.212/91, é fixada em percentuais progressivos, considerando o tempo em atraso para o pagamento e a fase do contencioso administrativo fiscal em que realizado: prazo de defesa, após o prazo para a defesa e antes do recurso, após recurso e antes de 15 dias da ciência da decisão e após esse prazo. Quando realizado o lançamento a multa de mora é maior em razão da gradação e não porque foi aplicada com um procedimento de ofício. E esse acréscimo de valor da multa de mora também ocorre igualmente em outras fases do processo sem que, em qualquer momento, a Lei nº 8.212/91 alterasse a natureza jurídica da multa de mora. E, ainda, a diferença de percentual para a multa de mora quando a contribuição é paga espontaneamente ou não é de apenas 4%. Ressaltando que, mesmo tendo iniciado o procedimento fiscal, o sujeito passivo tem direito a recolher ou mesmo parcelar suas contribuições em atraso, como se espontaneamente. Portanto, repetese: no caso das contribuições previdenciárias somente o atraso era punido e nenhuma dessas regras se aplicava; portanto, não vejo como se aplicar a multa de ofício aos lançamentos de fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449. Alguns sustentam a aplicação quando embora tenham os fatos geradores ocorrido antes, o lançamento foi realizado na vigência da MP 449. E aí consulto as Normas Gerais de Direito Tributário. Preceitua o CTN que o lançamento reportase à data de ocorrência do fato gerador e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada: Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. ... É a afirmação legislativa da natureza declaratória do lançamento, já predominante na doutrina desde a edição das obras de Direito Tributário do saudoso mestre Amílcar de Araújo Falcão1: “De logo convém recordar que não é manso e tranqüilo o entendimento que exprimimos quanto à função do fato gerador como pressuposto e ponto de partida da obrigação tributária. Alguns autores dissentem dessa conclusão, afirmando que tal função criadora deve ser atribuída ao lançamento. Contestam estes que o lançamento tenha, como à maioria da doutrina e a nós parece ter, natureza declaratória.” Como regra comporta algumas exceções, dentre as quais a aplicação retroativa da lei posterior que houver instituído penalidade menos severa ou houver deixado de definir um fato como infração: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: ... II tratandose de ato não definitivamente julgado: 1 FALCÃO, Amilcar de Araújo. Fato Gerador da Obrigação Tributária. 4. ed. Anotada e atualizada por Geraldo Ataliba. São Paulo: Revista dos Tribunais, 1977. Fl. 180DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/07/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10580.728333/200913 Acórdão n.º 2402004.082 S2C4T2 Fl. 175 13 a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Acontece que as hipóteses excepcionais nas alíneas “a” e “b” não têm relação com a multa de mora. Isso porque a mesma Lei nº 8.212/91 fazia à época uma nítida diferenciação entre infração, todas relacionadas ao descumprimento de obrigações acessórias, inclusive pela falta de declaração de fatos geradores em GFIP, e obrigação principal pelo não pagamento das contribuições previdenciárias. Deixar de pagar a contribuição devida não era infração, mas inadimplemento de uma obrigação que tinha como conseqüência o lançamento através de Notificação Fiscal de Lançamento do Débito – NFLD para a cobrança do valor principal e os acréscimos legais na forma de multa e juros de mora: Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de benefício reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento.Parágrafo único. Recebida a notificação do débito, a empresa ou segurado terá o prazo de 15 (quinze) dias para apresentar defesa, observado o disposto em regulamento. § 1º Recebida a notificação do débito, a empresa ou segurado terá o prazo de 15 (quinze) dias para apresentar defesa, observado o disposto em regulamento. ... Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99: Art.283. Por infração a qualquer dispositivo das Leis nºs 8.212 e 8.213, ambas de 1991, para a qual não haja penalidade expressamente cominada neste Regulamento, fica o responsável sujeito a multa variável de R$ 636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos)a R$ 63.617,35 (sessenta e três mil seiscentos e dezessete reais e trinta e cinco centavos), conforme a gravidade da infração, aplicandoselhe o disposto nos arts. 290 a 292, e de acordo com os seguintes valores: I a partir de R$ 636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos)nas seguintes infrações: a)deixar a empresa de preparar folha de pagamento das remunerações pagas, devidas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com este Regulamento e com os demais padrões e normas estabelecidos pelo Instituto Nacional do Seguro Social; Fl. 181DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/07/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 14 b)deixar a empresa de se matricular no Instituto Nacional do Seguro Social, dentro de trinta dias contados da data do início de suas atividades, quando não sujeita a inscrição no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica; c)deixar a empresa de descontar da remuneração paga aos segurados a seu serviço importância proveniente de dívida ou responsabilidade por eles contraída junto à seguridade social, relativa a benefícios pagos indevidamente; d)deixar a empresa de matricular no Instituto Nacional do Seguro Social obra de construção civil de sua propriedade ou executada sob sua responsabilidade no prazo de trinta dias do início das respectivas atividades; ... Já quanto à hipótese na alínea “c”, o Superior Tribunal de Justiça STJ pacificou o entendimento que não se trata apenas dos atos infracionais, mas de todas as penalidades em geral, inclusive aquela relativa à mora: RECURSO ESPECIAL Nº 542.766 RS (2003/01010120) PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO – MULTA MORATÓRIA – REDUÇÃO – APLICAÇÃO DO ART. 61 DA LEI 9.430/96 A FATOS GERADORES ANTERIORES A 1997 –POSSIBILIDADE – RETROATIVIDADE DA LEGISLAÇÃO MAIS BENÉFICA – ART. 106 DO CTN O Código Tributário Nacional, por ter natureza de lei complementar, prevalece sobre lei ordinária, facultando ao contribuinte, com base no art. 106 do referido diploma, a incidência da multa moratória mais benéfica, com a aplicação retroativa do art. 61 da Lei 9.430/96 a fatos geradores anteriores a 1997. Recurso não conhecido. ... O art. 106, II, "c", do CTN, que prevê a retroação da lex mitior determina que se aplique, in casu, a Lei nº 9.430/96, que alcança fatos pretéritos por ser mais favorável ao contribuinte, devendo ser reduzida a multa aplicada por cometimento de infração tributária material. Destarte, não comporta mais divergências no âmbito da Primeira Seção desta Corte, em razão do julgado nos Embargos de Divergência no Recurso Especial n.º 184.642/SP, da relatoria do Min. Garcia Vieira, in verbis: "TRIBUTÁRIO – LEI MENOS SEVERA – APLICAÇÃO RETROATIVA – POSSIBILIDADE – REDUÇÃO DA MULTA DE 30% PARA 20%. O Código Tributário Nacional, artigo 106, inciso II, letra 'c' estabelece que a lei aplicase a ato ou fato pretérito quando lhe comina punibilidade menos severa que a prevista por lei vigente ao tempo de sua prática. A lei não distingue entre multa moratória e multa punitiva. Tratandose de execução não definitivamente julgada, pode a Lei n.º 9.399/96 ser aplicada, sendo irrelevante se já houve ou não a apresentação dos embargos do devedor ou se estes já foram ou não julgados." Fl. 182DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/07/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10580.728333/200913 Acórdão n.º 2402004.082 S2C4T2 Fl. 176 15 A Administração Fazendária, através da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 14, de 04/12/2009, admitiu também a retroatividade benéfica aos processos ainda não definitivamente julgados, ainda que realizados antes da vigência da MP 449; embora tenha considerado que as multas sejam de ofício mesmo para os fatos geradores ocorridos na vigência da redação original do artigo 35 da Lei nº 8.212/91. E, a partir da adoção do conceito de multa de ofício, a Portaria, para a aplicação da retroatividade benéfica, fixou uma regra de execução com a qual não concordamos. A Portaria diz que as multas lançadas nas NFLD devem ser somadas à multa por omissão de fatos geradores em GFIP para fins de comparação, com vista à aplicação da alínea "c" do inciso II do artigo 106 CTN. Entendo que não se podem comparar institutos com naturezas jurídicas distintas como se fossem a mesma coisa e, pior ainda, a partir disso se realizarem operações algébricas com as expressões monetárias de cada um deles. Como somarem multa de mora e multa de ofício se entre elas só há em comum o nome “multa”, mais nada? Não pode. Essa parte da Portaria, com o devido respeito, não merece acolhida nesse Conselho Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 14, de 04/12/2009: Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional (CTN). ... § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as Fl. 183DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/07/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 16 penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. A multa lançada nos documentos de constituição de crédito da obrigação principal anteriores à vigência da MP 449 é de mora. Contudo, de fato, o conceito foi alterado pela lei posterior para multa de ofício. Acontece que não se pode fazer retroagilo aos lançamentos de fatos geradores que lhe são anteriores. Para fins de aplicação da retroatividade benéfica devemos comparar as regras anteriores e posteriores. Assim, temos atualmente vigentes duas regras, a primeira para a multa de mora e a segunda para a de ofício: a) quando a contribuição inadimplida é declarada, aplicase o artigo 61 da Lei nº 9.430/96; b) caso contrário, o artigo 44 da mesma lei. Lei nº 9.430/96 Art.61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. Fl. 184DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/07/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10580.728333/200913 Acórdão n.º 2402004.082 S2C4T2 Fl. 177 17 Art.44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; Por tudo aqui exposto, a regra relativa à multa de ofício nunca será aplicada aos fatos geradores anteriores à MP 449; agora para aplicação do artigo 61 da Lei nº 9.430/96 é necessário que tenha havido declaração. A regra atual de incidência da multa de mora, para a retroatividade benéfica, deve ser comparada com a regra do artigo 35 da Lei nº 8.212/91 vigente à época dos fatos geradores mas como um todo e não de forma fracionada. A aplicação da multa de mora atualmente vigente ao invés da multa de ofício exige como requisito a declaração dos fatos geradores. Se a declaração na época somente tinha importância para a redução da multa de mora, nos termos do §4° do mesmo artigo, para a regra atual deixa de ser aplicada multa de ofício e se aplica multa de mora. Lei nº 8.212/91 Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. ... II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: ... Em síntese, por força do artigo 106, inciso II, alínea "c" do CTN, os processos de lançamento fiscal de fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449, ainda em tramitação, devem ser revistos para que as multas sejam adequadas às regras e limitação previstas no artigo 61 da Lei nº 9.430/96, quando declarados os fatos geradores ou, caso contrário, aplicado o artigo 35 da Lei nº 8.212, de 24/07/91 nos percentuais vigentes à época dos fatos geradores. Por último, considerando que a execução judicial do crédito é ato processual posterior à MP 449, também não seria aplicável a regra do artigo 35, inciso III, “c” e “d” da Lei nº 8.212/91, mas a atual regra no artigo 44, inciso I da Lei n° 9.430, de 27/12/1996: III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: ... Fl. 185DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/07/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 18 c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. Por tudo, voto pelo provimento parcial para que, em relação ao período anterior à MP nº 449/2008, seja aplicada a regra do artigo 35 da Lei nº 8.212/91 vigente à época dos fatos geradores, limitada ao percentual de 75% previsto no artigo 44, inciso I da Lei n° 9.430, de 27/12/1996. É como voto. Julio Cesar Vieira Gomes Fl. 186DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/07/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 10660.905867/2011-02
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 24 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/05/2001 a 31/05/2001
INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa baseada em dados declarados pelo sujeito passivo, não infirmada com documentação hábil e idônea.
Numero da decisão: 3803-006.029
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Demes Brito e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/05/2001 a 31/05/2001 INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa baseada em dados declarados pelo sujeito passivo, não infirmada com documentação hábil e idônea. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Demes Brito e Jorge Victor Rodrigues. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 0. 90 58 67 /2 01 1- 02 Fl. 163DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/04/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10660.905867/201102 Acórdão n.º 3803006.029 S3TE03 Fl. 164 2 Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte em contraposição à decisão da DRJ Juiz de Fora/MG que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade manejada em decorrência do indeferimento do Pedido de Restituição. O contribuinte havia transmitido Pedido de Restituição (PER) referente a crédito decorrente de alegado pagamento a maior da Cofins, no valor de R$ 127.575,49. Por meio de despacho decisório eletrônico, a repartição de origem indeferiu a restituição pleiteada, pelo fato de que o pagamento declarado no PER já havia sido integralmente utilizado na quitação de outros débitos da titularidade do sujeito passivo. Cientificado da decisão, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade e requereu o reconhecimento do direito creditório, bem como o deferimento da restituição pleiteada, alegando que o indébito reclamado decorria do reconhecimento pelo Supremo Tribunal Federal (STF) da inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo da contribuição promovido pelo art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998. Reportandose aos princípios da verdade material e da moralidade administrativa, requereu a realização de diligências e perícias, para fins de se confirmar o crédito pleiteado. Junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte trouxe aos autos cópias de documentos societários e de representação, assim como cópias do despacho decisório, do DARF e de planilha por ele elaborada. A DRJ Juiz de Fora/MG não reconheceu o direito creditório, fundamentando sua decisão (i) na inaplicabilidade, no presente caso, da decisão exarada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em sede de recurso extraordinário, (ii) na incompetência da Administração tributária para se manifestar sobre ofensa a princípios constitucionais, (iii) na ausência de eficácia normativa da doutrina e da jurisprudência administrativa e judicial colacionadas na peça recursal, (iv) na ausência de nulidade no despacho decisório e (v) na desnecessidade de realização de diligências e perícias. Constou, ainda, do voto condutor da decisão recorrida que, “no presente caso, não foram trazidos ao processo, quaisquer elementos que viessem a comprovar o direito alegado e mais, a legislação tributária, determina que juntamente com a manifestação de inconformidade devem ser apresentadas as provas que fundamentem de modo concreto e veemente a discordância da contribuinte do entendimento adotado pela administração, precluindo seu direito de fazêlo em outro momento processual”. Cientificado do acórdão da DRJ Juiz de Fora/MG em 23 de dezembro de 2013, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 16 de janeiro de 2014, e reiterou seu pedido de reconhecimento do direito creditório e de deferimento integral da restituição, repisando os mesmos argumentos de defesa. Aduziu, ainda, o ora Recorrente, que a Delegacia de Julgamento deveria ter avançado na matéria fática e convertido o julgamento em diligência para que fossem prestados esclarecimentos e apresentada a documentação comprobatória do crédito pleiteado, sem o que tevese por configurado cerceamento do seu direito de defesa. Fl. 164DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/04/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10660.905867/201102 Acórdão n.º 3803006.029 S3TE03 Fl. 165 3 Ressaltou, também, que a inobservância da inconstitucionalidade declarada pelo STF acerca do alargamento da base de cálculo da contribuição promovido pela Lei nº 9.718, de 1998, “representa inegável afronta à Constituição Federal e negativa de prestação administrativa”. Junto ao Recurso Voluntário, o contribuinte trouxe aos autos cópias de documentos societários e de representação. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Conforme se verifica do relatório supra, o pedido de restituição foi indeferido pela repartição de origem pelo fato de que o pagamento informado já se encontrava vinculado a outro débito da titularidade do contribuinte, decisão essa mantida pela DRJ Juiz de Fora/MG. De início, registrese que, para se apreciarem pleitos da espécie, não basta que se alegue, em tese, o direito assegurado pela ordem jurídica, havendo necessidade de que os argumentos fáticos trazidos aos autos sejam demonstrados e comprovados, sob pena de total inviabilidade da apreciação do pedido. Não há dúvidas que este Colegiado, por força do contido no art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, encontrase obrigado a reproduzir decisões definitivas do Supremo Tribunal Federal (STF) submetidas à sistemática da repercussão geral (art. 543B do Código de Processo Civil – CPC), mas desde que comprovada, com documentação hábil e idônea, a ocorrência de pagamento indevido relativo à parcela do tributo apurada sobre a base de cálculo prevista em dispositivo legal declarado inconstitucional. No que tange ao material probatório do seu direito, o contribuinte trouxe aos autos apenas cópias de documentos societários, do DARF e de uma planilha por ele elaborada, documentos esses insuficientes à comprovação do indébito, dado que desacompanhados de qualquer elemento da escrituração contábilfiscal e da documentação que a lastreia, estes, sim, consistentes em prova hábil e idônea. Destaquese que, na planilha trazida aos autos pelo contribuinte na primeira instância administrativa, não são identificadas as outras receitas, além do faturamento, que teriam ensejado a tributação indevida decorrente da inconstitucionalidade do preceptivo legal. Para decidir acerca do pedido de reconhecimento do direito creditório decorrente do pagamento da contribuição apurada sobre outras receitas que não o faturamento, em razão da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1988, este Colegiado necessita, além de conhecer os valores envolvidos nas operações mercantis, como o faturamento, o total das outras receitas, a contribuição devida etc., confirmar sua ocorrência na contabilidade da pessoa jurídica. Fl. 165DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/04/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10660.905867/201102 Acórdão n.º 3803006.029 S3TE03 Fl. 166 4 Em processos da espécie ao ora analisado, a falta da devida instrução dos autos por parte da pessoa obrigada não pode ser suprida por diligência à repartição de origem, dada a inexistência de um início de prova que convença o julgador quanto à probabilidade de efetiva existência do direito creditório pleiteado, isso em conformidade com os princípios constitucionais da celeridade processual e da eficiência, princípios esses que regem a atuação da Administração Pública, previstos, respectivamente, no art. 5º, inciso LXXVIII, e no art. 37, caput, da Constituição Federal de 1988. Mesmo considerando o princípio da verdade material, em que a apuração da verdade dos fatos pelo julgador administrativo vai além das provas trazidas aos autos pelo interessado, nos casos da espécie ao ora analisado, a prova encontrase em poder do próprio sujeito passivo, e uma vez que foi dele a iniciativa de instauração do processo, pois que relativo a um direito que ele alega ser detentor, não se vislumbra razão a uma possível inversão do ônus da prova. Mesmo depois de ter sido alertado pelo julgador administrativo de primeira instância acerca da necessidade de apresentação de documentos comprobatórios do crédito pleiteado o Recorrente não se predispôs a instruir o processo nesta segunda instância. Bastaria que o interessado tivesse trazido aos autos cópias da escrituração contábilfiscal abrangendo o período sob análise, observandose as formalidades exigidas pela legislação tributária, para que se tivesse por configurado o início de prova requerido para justificar a realização de diligência ou perícia destinada à confirmação do crédito pleiteado. Uma simples planilha elaborada pelo próprio interessado não supre a necessidade de apresentação da documentação fiscal apta a comprovar os fatos alegados. A não apresentação de provas dos fatos apontados encontrase em total desacordo com a disciplina do art. 16, inciso III, e § 4º, do Decreto nº 70.235, de 1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal (PAF), verbis: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 166DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/04/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10660.905867/201102 Acórdão n.º 3803006.029 S3TE03 Fl. 167 5 Em conformidade com o excerto supra, temse que o ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório, amparada em informações declaradas pelo próprio sujeito passivo, presentes nos sistemas da Receita Federal, informações essas não infirmadas com documentação hábil e idônea. Nesse contexto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso, em razão da ausência de prova hábil e idônea do direito creditório reclamado. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator Fl. 167DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/04/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS
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