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6744338 #
Numero do processo: 19515.004227/2009-07
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 12 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon May 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Ano-calendário: 2004 IPI. ERRO NO LANÇAMENTO. Constatado erro na apuração das bases de cálculo do imposto, deve-se retificar o lançamento.
Numero da decisão: 1402-002.472
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto - Presidente (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luís Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto. Ausentes momentaneamente o Conselheiro Paulo Mateus Ciccone e justificadamente o Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira.
Nome do relator: Relator

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unanimidade  de  votos,  negar  provimento  ao  recurso  de  ofício,  nos  termos  do  relatório  e  voto  que  passam  a  integrar  o  presente julgado.    (assinado digitalmente)  Leonardo de Andrade Couto ­ Presidente    (assinado digitalmente)  Luiz Augusto de Souza Gonçalves ­ Relator    Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Fernando  Brasil  de  Oliveira Pinto,  Leonardo  Luís  Pagano Gonçalves,  Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader  Quintella,  Luiz  Augusto  de  Souza  Gonçalves,  Demetrius  Nichele  Macei  e  Leonardo  de  Andrade  Couto.  Ausentes  momentaneamente  o  Conselheiro  Paulo  Mateus  Ciccone  e  justificadamente o Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira.  Relatório     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 42 27 /2 00 9- 07 Fl. 1220DF CARF MF     2 Trata o presente processo de Auto de  Infração de IPI,  lançado reflexamente  ao  IRPJ  exigido nos  autos do processo nº 19515.001467/2009­41,  através do qual  se  apurou  omissão  de  receitas,  caracterizada  pela  prática  de  depósitos  bancários  de  origem  não  comprovada, relativa ao período­base de 2004.   Inicialmente distribuído à 3ª Seção de Julgamento, foi redistribuído a esta 1ª  SEJUL  por  força  do  Acórdão  nº  3201­002.198,  de  18  de  maio  de  2016,  que  declinou  da  competência para o  julgamento por  força do estatuído no art. 2º  ,  inc.  IV, da Portaria MF nº  152/2016 – RICARF.   A ementa do referido Acórdão foi editada nos seguintes termos:  ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS ­ IPI  Ano­Calendário: 2004  COMPETÊNCIA DE JULGAMENTO. PRIMEIRA E TERCEIRA SEÇÃO. ART. 2º,  IV DO RICARF  Os  procedimentos  conexos  atraem  a  competência  para  Primeira  Seção  pois  são  fatos que configuram infração à legislação do IRPJ.    O crédito tributário lançado compõe­se dos seguintes valores (em R$):    Imposto  242.734.785,84  Juros de Mora  172.530.926,66  Multa Proporcional  182.051.089,35  TOTAL  597.316.801,85    A impugnação de e­fls. 95/119, foi julgada pela DRJ/Ribeirão Preto em 12 de  abril de 2012, ocasião em que foi proferido o Acórdão nº 14­37.275 – 3ª Turma da DRJ/RPO.  Referida  decisão  considerou  o  lançamento  parcialmente  procedente,  acolhendo  a  defesa  da  Recorrente no que pertine ao alegado erro na determinação da base de cálculo do tributo, tendo  recebido a seguinte ementa:  ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS ­ IPI  Ano­calendário: 2004  OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO LEGAL. SAÍDA DE PRODUTOS SEM A  EMISSÃO DE NOTAS FISCAIS.  Apuradas  receitas  cuja  origem  não  seja  comprovada,  estas  serão  consideradas  provenientes de vendas não registradas.  OMISSÃO DE RECEITAS. APURAÇÃO.  Constatado erro na apuração da base de cálculo do IPI, retifica­se o lançamento.  IPI. LANÇAMENTO DE OFÍCIO DECORRENTE. OMISSÃO DE RECEITAS.  Fl. 1221DF CARF MF Processo nº 19515.004227/2009­07  Acórdão n.º 1402­002.472  S1­C4T2  Fl. 1.221          3 Comprovada a omissão de  receitas  em  lançamento de ofício  respeitante ao  IRPJ,  cobra­se, por decorrência, em virtude da irrefutável relação de causa e efeito, o IPI  correspondente, com os consectários legais.  ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Ano­calendário: 2004  NULIDADE.  INOCORRÊNCIA.  DEVIDO  PROCESSO  LEGAL.  CONTRADITÓRIO. AMPLA DEFESA.  Uma  vez  observados  os  requisitos  previstos  na  legislação  que  rege  o  processo  administrativo  fiscal  e  assegurados  os  direitos  constitucionais  do  contraditório  e  ampla defesa, exercidos por meio da impugnação, no bojo do devido processo legal  instaurado  a  partir  do  lançamento  do  crédito  tributário,  rejeita­se  argüição  de  nulidade.  INTIMAÇÃO. REPRESENTANTE LEGAL.  Dada  a  existência  de  determinação  legal  expressa,  as  notificações  e  intimações  devem ser endereçadas ao sujeito passivo no domicílio fiscal eleito por ele.  Impugnação Procedente em Parte  Crédito Tributário Mantido em Parte  Acórdão  Acordam  os  membros  da  3ª  Turma  de  Julgamento,  por  unanimidade  de  votos,  considerar PROCEDENTE EM PARTE A IMPUGNAÇÃO, mantendo o IPI no valor  de  R$  2.411.601,37,  conforme  demonstrado  no  voto,  com  os  acréscimos  legais  cabíveis.  Intime­se para pagamento do crédito mantido no prazo de 30 dias da ciência, salvo  interposição de recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais,  em  igual  prazo,  conforme  facultado  pelo  art.  33  do  Decreto  n.º  70.235,  de  6  de  março de 1972, alterado pelo art. 1º da Lei n.º 8.748, de 9 de dezembro de 1993, e  pelo art. 32 da Lei 10.522, de 19 de julho de 2002.  Submeta­se  à  apreciação  do  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais,  de  acordo com o art. 34 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e alterações  introduzidas pela Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de1997, e Portaria MF nº 3, de 3  de  janeiro  de  2008,  por  força  de  recurso  necessário.  A  exoneração  do  crédito  procedida  por  este  acórdão  só  será  definitiva  após  o  julgamento  em  segunda  instância.    Realizada a ciência da respectiva decisão, não houve por parte da Autuada ou  de  seus  sócios nenhuma manifestação ou apresentação de qualquer  recurso. Assim,  foram os  Autos encaminhados a esta 1ª SEJUL para o julgamento do Recurso de Ofício interposto pela  Autoridade Julgadora de 1ª instância.   É o relatório.    Fl. 1222DF CARF MF     4 Voto             Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Relator.  Como vimos no Relatório,  trata­se de analisar Recurso de Ofício  impetrado  pela Autoridade Julgadora de 1ª instância em face do Acórdão por ela proferido.  O presente Auto de Infração do Imposto sobre Produtos Industrializados ­ IPI  tem origem e é reflexo do Processo Administrativo Fiscal nº 19515.001467/2009­41 (processo  principal)  através  do  qual  é  exigido  crédito  tributário  de  IRPJ,  CSLL,  PIS  e  COFINS,  cujo  fundamento  reside  na  apuração  de  omissão  de  receitas,  levantada  a  partir  de  depósitos  bancários de origem não comprovada.   O Recurso de Ofício deve­se à correção feita pela DRJ/RPO ao lançamento  fiscal que, fundamentalmente, teria incorrido em erro ao apurar as bases de cálculo do Imposto.  Referidas bases de cálculo teriam considerado os valores constantes dos extratos bancários em  montantes  100  vezes  superiores  ao  efetivamente  movimentado.  Baixado  o  processo  em  diligência,  a  própria Autoridade Fiscal  reconheceu  o  erro  cometido,  atribuindo  as  distorções  evidenciadas à falha na leitura do OCR (scanner), v. e­fls. 1.154/1.155.   Outro erro cometido pela Fiscalização foi de considerar duas contas do Banco  do  Brasil  como  tendo  sido  movimentadas  pela  Autuada,  quando  na  verdade,  segundo  a  Impugnante,  só  haveria  uma  única  conta  movimentada  por  ela.  Também  neste  caso,  a  Fiscalização  reconheceu  o  seu  erro,  razão  pela  qual  a  base  de  cálculo  foi  diminuída  em  R$708.532.862,00.  Abaixo  reproduzo  excertos  da  Decisão  Recorrida  que  abordam  especificamente os pontos objeto do Recurso:  Banco do Brasil:  Quanto  ao  Banco  do  Brasil,  a  contribuinte  alega  que  o  autuante  considerou  a  movimentação bancária  em duas  contas,  sendo que movimentou  uma única  conta  corrente de nº 10046­3, ag. 3320. Assiste razão à contribuinte e devem ser excluídos  da  tributação  os  créditos  bancários  no  total  de  R$  708.532.862,00,  conforme  informação do autuante constante às fls.1154.  Quanto  à  alegação  de  que  foram  lançados  valores  aumentados  em  100  vezes,  assiste  razão  à  contribuinte  e  devem  ser  tributados  os  valores  constantes  nos  demonstrativos de fls.1138 a 1142.  Banco Real:  A  contribuinte  alega  que  foram  lançados  em  todos  os  meses  de  2004  valores  aumentados em 100 vezes. Afirma que sua movimentação foi de R$ 526.191,20 e foi  lançado o valor de R$ 52.619.120,00:  Assiste razão à contribuinte, como se pode ver no demonstrativo abaixo (efetuado  com base nos extratos bancários):  Fl. 1223DF CARF MF Processo nº 19515.004227/2009­07  Acórdão n.º 1402­002.472  S1­C4T2  Fl. 1.222          5                   B.REAL  C/C 1726830­1       07/07/2004  Lib.Garantida  3.100,00  DATA  HISTÓRICO  VALOR    28/07/2004  Financiamento  5.394,10  03/02/2004  DOC.D MANUAL  1.000,00    TOTAL     8.494,10  18/02/2004  Financiamento  4.016,68    13/10/2004  Lib.Garantida  46.000,00  TOTAL     5.016,68    15/10/2004  Lib.Garantida  20.000,00  01/03/2004  Financiamento  7.107,25    18/10/2004  Lib.Garantida  29.000,00  04/03/2004  Financiamento  3.676,40    20/10/2004  Lib.Garantida  13.000,00  23/03/2004  Financiamento  418,33    22/10/2004  Lib.Garantida  13.000,00  31/03/2004  Financiamento  1.665,72    26/10/2004  Lib.Garantida  38.000,00  TOTAL     12.867,70    TOTAL     159.000,00  02/04/2004  Financiamento  2.220,96    10/11/2004  DOC.D MANUAL  2.000,00  TOTAL     2.220,96    24/11/2004  Dep.Cheques  246,47  14/05/2004  Lib.Garantida  18.000,00    TOTAL     2.246,47  19/05/2004  Lib.Garantida  6.700,00    03/12/2004  Cheque Devolvido  22.680,69  21/05/2004  Lib.Garantida  47.000,00    10/12/2004  Cheque Devolvido  22.857,21  21/05/2004  Lib.Garantida  4.000,00    14/12/2004  Lib. Garantida  32.000,00  26/05/2004  Lib.Garantida  3.000,00    17/12/2004  Ted D  16.000,00  TOTAL     78.700,00    28/12/2004  Lib. Garantida  25.000,00  15/06/2004  Lib.Garantida  81.000,00    TOTAL     118.537,90  15/06/2004  Financiamento  2.283,90    T.GERAL     288.278,47  16/06/2004  Financiamento  16.179,24          21/06/2004  Lib.Garantida  9.000,00          29/06/2004  Financiamento  30.644,27           TOTAL     139.107,41         Fl. 1224DF CARF MF     6 Banco Safra:  A  contribuinte  alega  que  foram  lançados  no  mês  de  janeiro  de  2004  valores  aumentados em 100 vezes (lançou­se R$ 44.582.481,00, quando o correto seria R$  483.293,87).  Quanto  a  essa  alegação,  assiste  razão  à  contribuinte  e  devem  ser  tributados  os  valores constantes nos demonstrativos de fls.1138 a 1142.  Portanto, e considerando  tudo o que consta do presente processo, considero  perfeita  a  alteração  promovida  pela  DRJ/RPO  no  lançamento  fiscal,  que  o  reduziu  de  R$242.734.785,84 para R$2.411.601,37.  Por todo o exposto, voto por negar provimento ao Recurso de Ofício em sua  integralidade.  Em 12 de abril de 2017.    (assinado digitalmente)  Luiz Augusto de Souza Gonçalves ­ Relator                                  Fl. 1225DF CARF MF

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6642621 #
Numero do processo: 10530.003287/2007-70
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Dec 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/04/1999 a 31/10/2006 APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9202-004.818
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.

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9202­004.818  –  2ª Turma   Sessão de  12 de dezembro de 2016  Matéria  RETROATIVIDADE BENIGNA, NATUREZA DA MULTA NOS  LANÇAMENTOS PREVIDENCIÁRIOS ANTERIORES A MP 449/2008,  CONVERTIDA NA LEI 11.941/2009  Recorrente  FAZENDA NACIONAL  Interessado  DISTRIBUIDORA BARREIRAS DE ALIMENTOS LTDA    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/04/1999 a 31/10/2006  APLICAÇÃO  DE  PENALIDADE.  PRINCÍPIO  DA  RETROATIVIDADE  BENIGNA.  LEI  Nº  8.212/1991,  COM  A  REDAÇÃO  DADA  PELA  MP  449/2008,  CONVERTIDA  NA  LEI  Nº  11.941/2009.  PORTARIA  PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.   Na aferição  acerca  da  aplicabilidade  da  retroatividade  benigna,  não  basta  a  verificação  da  denominação  atribuída  à  penalidade,  tampouco  a  simples  comparação  entre dispositivos,  percentuais  e  limites. É necessário,  antes  de  tudo,  que  as  penalidades  sopesadas  tenham  a  mesma  natureza  material,  portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.  O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria  PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito  passivo.  Recurso Especial do Procurador Provido.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer  do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito,  em dar­lhe provimento. Votou pelas  conclusões a conselheira Patrícia da Silva.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 53 0. 00 32 87 /2 00 7- 70 Fl. 1108DF CARF MF Processo nº 10530.003287/2007­70  Acórdão n.º 9202­004.818  CSRF­T2  Fl. 0          2   (assinado digitalmente)  Luiz Eduardo de Oliveira Santos ­ Presidente em exercício e Relator  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  Conselheiros  Luiz  Eduardo  de  Oliveira  Santos  (Presidente  em  exercício),  Maria  Helena  Cotta  Cardozo,  Patrícia  da  Silva,  Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior,  Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.  Relatório  O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º  e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o  relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 10380.005876/2007­53.  A divergência em exame reporta­se à aplicação do princípio da  retroatividade  benigna  previsto  no  artigo  106,  inciso  II,  alínea  “c”,  do  CTN,  em  face  das  penalidades  aplicadas  às  contribuições  previdenciárias,  previstas  na  Lei  nº  8.212/1991,  com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na  Lei nº 11.941/2009.  A Fazenda Nacional interpôs recurso especial requerendo que a  retroatividade  benigna  fosse  aplicada,  essencialmente,  pelos  critérios  constantes  na  Portaria  PGFN/RFB  nº  14  de  04  de  dezembro de 2009.   Cientificado, o sujeito passivo não apresentou contrarrazões.  É o relatório.  Voto             Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos ­ Relator  Este  processo  foi  julgado  na  sistemática  dos  recursos  repetitivos,  regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de  junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica­se o decidido no Acórdão 9202­004.792, de  12/12/2016, proferido no julgamento do processo 10380.005876/2007­53, paradigma ao qual o  presente processo foi vinculado.  Transcreve­se,  como  solução  deste  litígio  nos  termos  regimentais,  o  inteiro  teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202­004.792):  O  Recurso  Especial  interposto  pela  Fazenda  Nacional  é  tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade,  portanto deve ser conhecido.  Fl. 1109DF CARF MF Processo nº 10530.003287/2007­70  Acórdão n.º 9202­004.818  CSRF­T2  Fl. 0          3 Cinge­se  a  controvérsia  às  penalidades  aplicadas  às  contribuições  previdenciárias,  previstas  na  Lei  nº  8.212/1991,  com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida  na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo.  A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II,  alínea “a” do CTN, a seguir transcrito:  Art. 106. A lei aplica­se a ato ou fato pretérito:  I  ­  em  qualquer  caso,  quando  seja  expressamente  interpretativa,  excluída  a  aplicação  de  penalidade  à  infração dos dispositivos interpretados;   II ­ tratando­se de ato não definitivamente julgado:  a) quando deixe de defini­lo como infração;  b)  quando  deixe  de  tratá­lo  como  contrário  a  qualquer  exigência de ação ou omissão, desde que não  tenha  sido  fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento  de tributo;  c)  quando  lhe  comine  penalidade  menos  severa  que  a  prevista  na  lei  vigente  ao  tempo  da  sua  prática.  (grifos  acrescidos)  De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos  Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de  que  na  aferição  acerca  da  aplicabilidade  da  retroatividade  benigna,  não  basta  a  verificação  da  denominação  atribuída  à  penalidade,  tampouco a  simples comparação entre dispositivos,  percentuais  e  limites.  É  necessário,  basicamente,  que  as  penalidades  sopesadas  tenham  a  mesma  natureza  material,  portanto  sejam  aplicáveis  ao mesmo  tipo  de  conduta.  Assim,  a  multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é  aplicável  quando  realizado  o  lançamento  de  ofício,  conforme  consta do Acórdão nº 9202­004.262  (Sessão de 23 de  junho de  2016), cuja ementa transcreve­se:  AUTO  DE  INFRAÇÃO  ­  OBRIGAÇÃO  ACESSÓRIA  ­  MULTA  ­  APLICAÇÃO NOS LIMITES DA  LEI  8.212/91  C/C  LEI  11.941/08  ­  APLICAÇÃO  DA  MULTA  MAIS  FAVORÁVEL  ­  RETROATIVIDADE  BENIGNA  NATUREZA DA MULTA APLICADA.  A  multa  nos  casos  em  que  há  lançamento  de  obrigação  principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei  11.941/2009,  mesmo  que  referente  a  fatos  geradores  anteriores a publicação da referida lei, é de ofício.  AUTO DE  INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E  ACESSÓRIA  ­  COMPARATIVO  DE  MULTAS  ­  APLICAÇÃO  DE  PENALIDADE.  RETROATIVIDADE  BENIGNA.  Fl. 1110DF CARF MF Processo nº 10530.003287/2007­70  Acórdão n.º 9202­004.818  CSRF­T2  Fl. 0          4 Na  aferição  acerca  da  aplicabilidade  da  retroatividade  benigna,  não  basta  a  verificação  da  denominação  atribuída  à  penalidade,  tampouco  a  simples  comparação  entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que  as  penalidades  sopesadas  tenham  a  mesma  natureza  material,  portanto  sejam  aplicáveis  ao  mesmo  tipo  de  conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações  acessória e principal foram exigidas em procedimentos de  ofício,  ainda  que  em  separado,  incabível  a  aplicação  retroativa  do art.  32­A,  da Lei  nº  8.212,  de 1991,  com a  redação  dada  pela  Lei  nº  11.941,  de  2009,  eis  que  esta  última  estabeleceu,  em  seu  art.  35­A,  penalidade  única  combinando as duas condutas.  A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449,  de  2008,  determinava,  para  a  situação  em  que  ocorresse  (a)  recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da  verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de  ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o,  ambos  da  Lei  n°  8.212,  de  1991,  respectivamente.  Posteriormente,  foi  determinada,  para  essa  mesma  situação  (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art.  35­A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei  n° 9.430, de 1996.  Portanto,  para  aplicação  da  retroatividade  benigna,  resta  necessário  comparar  (a)  o  somatório  das  multas  previstas  nos  arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a  multa prevista no art. 35­A da Lei n° 8.212, de 1991.   A  comparação  de  que  trata  o  item  anterior  tem  por  fim  a  aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN  e,  caso  necessário,  a  retificação  dos  valores  no  sistema  de  cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa  aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP  não  exceda  o  percentual  de  75%.  Prosseguindo  na  análise  do  tema,  também  é  entendimento  pacífico  deste  Colegiado  que  na  hipótese  de  lançamento  apenas  de  obrigação  principal,  a  retroatividade  benigna  será  aplicada  se,  na  liquidação  do  acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008,  ultrapassar  a  multa  do  art.  35­A  da  Lei  n°  8.212/91,  correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96.  Caso  as  multas  previstas  nos  §§  4º  e  5º  do  art.  32  da  Lei  nº  8.212,  de  1991,  em  sua  redação  anterior  à  dada  pela MP  449  (convertida  na  Lei  11.941,  de  2009),  tenham  sido  aplicadas  isoladamente  ­  descumprimento  de  obrigação  acessória  sem  a  imposição  de  penalidade  pecuniária  pelo  descumprimento  de  obrigação  principal  ­  deverão  ser  comparadas  com  as  penalidades previstas no art. 32­A da Lei nº 8.212, de 1991, bem  assim  no  caso  de  competências  em  que  o  lançamento  da  obrigação principal  tenha sido atingida pela decadência. Neste  sentido,  transcreve­se  excerto  do  voto  unânime  proferido  no  Acórdão nº 9202­004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016):  Fl. 1111DF CARF MF Processo nº 10530.003287/2007­70  Acórdão n.º 9202­004.818  CSRF­T2  Fl. 0          5 Até  a  edição  da  MP  449/2008,  quando  realizado  um  procedimento fiscal, em que se constatava a existência de  débitos  previdenciários,  lavrava­se  em  relação  ao  montante  da  contribuição  devida,  notificação  fiscal  de  lançamento de débito ­ NFLD. Caso constatado que, além  do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação  acessória,  ou  seja,  obrigação  de  fazer,  como  no  caso  de  omissão em GFIP  (que  tem correlação direta com o  fato  gerador),  a  empresa  era  autuada  também  por  descumprimento de obrigação acessória.  Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa ­  art.  35  para  a  NFLD  (24%,  que  sofria  acréscimos  dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100%  da  contribuição  devida  em  caso  de  omissões  de  fatos  geradores  em  GFIP)  para  o  Auto  de  infração  de  obrigação acessória.  Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009,  inseriu o art. 32­A, o qual dispõe o seguinte:  “Art.  32­A.  O  contribuinte  que  deixar  de  apresentar  a  declaração  de  que  trata  o  inciso  IV  do  caput  do  art.  32  desta  Lei  no  prazo  fixado  ou  que  a  apresentar  com  incorreções ou omissões será intimado a apresentá­la ou a  prestar  esclarecimentos  e  sujeitar­se­á  às  seguintes  multas:   I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez)  informações incorretas ou omitidas; e   II – de 2% (dois por cento) ao mês­calendário ou fração,  incidentes sobre o montante das contribuições informadas,  ainda  que  integralmente  pagas,  no  caso  de  falta  de  entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a  20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste  artigo.   § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso  II  do  caput  deste  artigo,  será  considerado  como  termo  inicial  o  dia  seguinte  ao  término  do  prazo  fixado  para  entrega  da  declaração  e  como  termo  final  a  data  da  efetiva  entrega  ou,  no  caso  de  não­apresentação,  a  data  da  lavratura  do  auto  de  infração  ou  da  notificação  de  lançamento.   § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas  serão reduzidas:   I – à metade, quando a declaração for apresentada após o  prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou   II  –  a  75%  (setenta  e  cinco  por  cento),  se  houver  apresentação  da  declaração  no  prazo  fixado  em  intimação.   Fl. 1112DF CARF MF Processo nº 10530.003287/2007­70  Acórdão n.º 9202­004.818  CSRF­T2  Fl. 0          6 § 3o A multa mínima a ser aplicada será de:   I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratando­se de omissão de  declaração  sem  ocorrência  de  fatos  geradores  de  contribuição previdenciária; e   II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.”   Entretanto,  a  MP  449,  Lei  11.941/2009,  também  acrescentou o art. 35­A que dispõe o seguinte,   “Art. 35­A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às  contribuições  referidas  no  art.  35  desta  Lei,  aplica­se  o  disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de  1996.”   O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o  seguinte:  “Art.  44.  Nos  casos  de  lançamento  de  ofício,  serão  aplicadas as seguintes multas:  I ­ de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a  totalidade  ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta  de  pagamento  ou  recolhimento,  de  falta  de  declaração  e  nos de declaração inexata “  Com  a  alteração  acima,  em  caso  de  atraso,  cujo  recolhimento  não  ocorrer  de  forma  espontânea  pelo  contribuinte,  levando ao  lançamento de ofício,  a multa a  ser  aplicada  passa  a  ser  a  estabelecida  no  dispositivo  acima  citado,  ou  seja,  em  havendo  lançamento  da  obrigação principal  (a antiga NFLD), aplica­se multa de  ofício  no  patamar  de  75%.  Essa  conclusão  leva­nos  ao  raciocínio  que  a  natureza  da  multa,  sempre  que  existe  lançamento,  refere­se a multa de ofício e não a multa de  mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91.  Contudo,  mesmo  que  consideremos  que  a  natureza  da  multa  é  de  "multa  de  ofício"  não  podemos  isoladamente  aplicar  75%  para  as  Notificações  Fiscais  ­  NFLD  ou  Autos  de  Infração  de  Obrigação  Principal  ­  AIOP,  pois  estaríamos  na  verdade  retroagindo  para  agravar  a  penalidade aplicada.  Por outro lado, com base nas alterações  legislativas não  mais  caberia,  nos  patamares  anteriormente  existentes,  aplicação  de  NFLD  +  AIOA  (Auto  de  Infração  de  Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo  lançamento de ofício a multa passa a  ser  exclusivamente  de 75%.  Tendo  identificado  que  a  natureza  da multa,  sempre  que  há  lançamento,  é  de  multa  de  ofício,  considerando  o  princípio  da  retroatividade  benigna  previsto  no  art.  106.  inciso  II,  alínea “c”,  do Código Tributário Nacional,  há  Fl. 1113DF CARF MF Processo nº 10530.003287/2007­70  Acórdão n.º 9202­004.818  CSRF­T2  Fl. 0          7 que  se  verificar  a  situação  mais  favorável  ao  sujeito  passivo, face às alterações trazidas.  No  presente  caso,  foi  lavrado  AIOA  julgada,  e  alvo  do  presente  recurso  especial,  prevaleceu  o  valor  de  multa  aplicado nos moldes do art. 32­A.  No  caso  da  ausência  de  informação  em GFIP,  conforme  descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos  do art.  32,  inciso  IV, § 5º,  da Lei nº 8.212/1991  também  revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem  por  cento)  da  contribuição  não  declarada,  limitada  aos  limites previstos no § 4º do mesmo artigo.  Face  essas  considerações  para  efeitos  da  apuração  da  situação mais  favorável,  entendo que há que  se observar  qual  das  seguintes  situações  resulta  mais  favorável  ao  contribuinte:  ·  Norma  anterior,  pela  soma  da  multa  aplicada  nos  moldes do art.  35,  inciso  II  com a multa prevista no art.  32,  inciso IV, § 5º, observada a  limitação imposta pelo §  4º do mesmo artigo, ou   · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco  por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer  limitação,  excluído  o  valor  de  multa  mantido  na  notificação.  Levando  em  consideração  a  legislação mais  benéfica  ao  contribuinte,  conforme  dispõe  o  art.  106  do  Código  Tributário  Nacional  (CTN),  o  órgão  responsável  pela  execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado  administrativo,  efetuar  o  cálculo  da  multa,  em  cada  competência, somando o valor da multa aplicada no AI de  obrigação  acessória  com  a  multa  aplicada  na  NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%,  previsto  no  art.  44,  I  da  Lei  n°  9.430/1996.  Da  mesma  forma,  no  lançamento  apenas  de  obrigação  principal  o  valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de  obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode  exceder  as  penalidades  previstas  no  art.  32A  da  Lei  nº  8.212, de 1991.  Observe­se  que,  no  caso  de  competências  em  que  a  obrigação  principal  tenha  sido  atingida  pela  decadência  (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, §  4º,  do  CTN),  subsiste  a  obrigação  acessória,  isoladamente,  relativa  às  mesmas  competências,  não  atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173,  I,  do  CTN,  e  que,  portanto,  deve  ter  sua  penalidade  limitada ao valor previsto no artigo 32­A da Lei nº 8.212,  de 1991.  Fl. 1114DF CARF MF Processo nº 10530.003287/2007­70  Acórdão n.º 9202­004.818  CSRF­T2  Fl. 0          8 Cumpre  ressaltar  que  o  entendimento  acima  está  em  consonância  com  o  que  dispõe  a  Instrução  Normativa  RFB  nº  971,  de  13  de  novembro  de  2009,  alterada  pela  Instrução  Normativa  RFB  nº  1.027  em  22/04/2010,  e  no  mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB  nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os  lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação  acessória, em conjunto ou isoladamente.  Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a  autoridade  responsável  pela  execução  do  acórdão,  quando  do  trânsito  em  julgado administrativo,  deverá  observar a Portaria  PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 ­ que se reporta à  aplicação  do  princípio  da  retroatividade  benigna  previsto  no  artigo  106,  inciso  II,  alínea  “c”,  do  CTN,  em  face  das  penalidades  aplicadas  às  contribuições  previdenciárias  nos  lançamentos  de  obrigação  principal  e  de  obrigação  acessória,  em  conjunto  ou  isoladamente,  previstas  na  Lei  nº  8.212/1991,  com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na  Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria,  a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência  unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema:  Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009  Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35­A da Lei  nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela  Lei  nº  11.941,  de  27  de maio  de  2009,  às  prestações  de  parcelamento  e  aos  demais  débitos  não  pagos  até  3  de  dezembro  de  2008,  inscritos  ou  não  em  Dívida  Ativa,  cobrados por meio de processo ainda não definitivamente  julgado, observará o disposto nesta Portaria.  Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do  débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será  analisado  e  os  lançamentos,  se  necessário,  serão  retificados,  para  fins  de  aplicação  da  penalidade  mais  benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106  da  Lei  nº  5.172,  de  25  de  outubro  de  1966  ­  Código  Tributário Nacional (CTN).  § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito,  a  análise  do  valor  das  multas  referidas  no  caput  será  realizada no momento do ajuizamento da execução  fiscal  pela Procuradoria­Geral da Fazenda Nacional (PGFN).  §  2º  A  análise  a  que  se  refere  o  caput  dar­se­á  por  competência.  §  3º  A  aplicação  da  penalidade mais  benéfica  na  forma  deste artigo dar­se­á:  I  ­  mediante  requerimento  do  sujeito  passivo,  dirigido  à  autoridade  administrativa  competente,  informando  e  comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou  Fl. 1115DF CARF MF Processo nº 10530.003287/2007­70  Acórdão n.º 9202­004.818  CSRF­T2  Fl. 0          9 II  ­  de  ofício,  quando  verificada  pela  autoridade  administrativa a possibilidade de aplicação.  § 4º Se o processo encontrar­se em trâmite no contencioso  administrativo  de  primeira  instância,  a  autoridade  julgadora  fará  constar  de  sua  decisão  que  a  análise  do  valor das multas para verificação e aplicação daquela que  for mais benéfica, se cabível,  será realizada no momento  do pagamento ou do parcelamento.  Art.  3º  A  análise  da  penalidade mais  benéfica,  a  que  se  refere  esta  Portaria,  será  realizada  pela  comparação  entre  a  soma  dos  valores  das  multas  aplicadas  nos  lançamentos por descumprimento de obrigação principal,  conforme  o art.  35  da  Lei  nº  8.212,  de  1991,  em  sua  redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de  obrigações acessórias,  conforme §§ 4º  e 5º do art.  32 da  Lei  nº  8.212,  de  1991,  em  sua  redação  anterior  à  dada  pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada  na forma do art. 35­A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido  pela Lei nº 11.941, de 2009.  § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da  Lei  nº  8.212,  de  1991,  em  sua  redação  anterior  à  dada  pela Lei  nº  11.941,  de  2009,  tenham  sido  aplicadas  isoladamente,  sem a  imposição de penalidade pecuniária  pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser  comparadas com as penalidades previstas no art. 32­A da  Lei  nº  8.212,  de  1991,  com  a  redação  dada  pela Lei  nº  11.941, de 2009.  § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada  em  relação  aos  processos  conexos,  devendo  ser  considerados,  inclusive,  os  débitos  pagos,  os  parcelados,  os não­impugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União  e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº  449, de 3 de dezembro de 2008.  Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35  da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada  pela Lei  nº  11.941,  de  2009,  sobre  as  contribuições  devidas  a  terceiros,  assim  entendidas  outras  entidades  e  fundos,  deverá  ser  comparado  com o  valor das multa  de  ofício  previsto  no art.  35­A daquela  Lei,  acrescido  pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico  ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar.  Art.  5º  Na  hipótese  de  ter  havido  lançamento  de  ofício  relativo  a  contribuições  declaradas  na  Guia  de  Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço  e  Informações  à  Previdência  Social  (GFIP),  a  multa  aplicada limitar­se­á àquela prevista no art. 35 da Lei nº  8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de  2009.  Fl. 1116DF CARF MF Processo nº 10530.003287/2007­70  Acórdão n.º 9202­004.818  CSRF­T2  Fl. 0          10 Em  face  ao  exposto,  dou  provimento  ao  recurso  para  que  a  retroatividade  benigna  seja  aplicada  em  conformidade  com  a  Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009.  Em  face  do  acima  exposto,  voto  por  conhecer  do  Recurso  Especial  da  Fazenda  Nacional  e,  no  mérito,  dar­lhe  provimento,  para  que  a  retroatividade  benigna  seja  aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009.    (assinado digitalmente)  Luiz Eduardo de Oliveira Santos                              Fl. 1117DF CARF MF

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Numero do processo: 13971.723933/2013-66
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Mar 08 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 2401-000.547
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que a Autoridade Fiscal da Delegacia da Receita Federal do Brasil de origem: a) proceda a juntada ao presente processo administrativo da integralidade dos autos judiciais nº. 008.09.0261671 que lhe serviu de embasamento para a conclusão de que os contratos de mútuo na verdade eram pagamento de pro-labore; e b) que esclareça as planilhas elaboradas e indique se os pagamentos/quitações realizados pelos seus beneficiários foram excluídos ou não da base de cálculo do lançamento, bem como apontando a sua vinculação a cada contrato de empréstimo e demonstrando se trata-se de quitação total ou parcial. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente (assinado digitalmente) Carlos Alexandre Tortato - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini (Presidente), Carlos Alexandre Tortato, Denny Medeiros da Silveira (suplente), Marcio de Lacerda Martins, Andrea Viana Arrais Egypto, Maria Cleci Coti Martins, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: CARLOS ALEXANDRE TORTATO

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2401­000.547  –  4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária  Data  18 de janeiro de 2017  Assunto  Contribuições Sociais Previdenciárias  Recorrente  MERCOSUL COMERCIAL E INDUSTRIAL LTDA.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o  julgamento  em diligência,  para  que  a Autoridade Fiscal  da Delegacia  da Receita  Federal  do  Brasil de origem: a) proceda a juntada ao presente processo administrativo da integralidade dos  autos judiciais nº. 008.09.0261671 que lhe serviu de embasamento para a conclusão de que os  contratos de mútuo na verdade eram pagamento de pro­labore; e b) que esclareça as planilhas  elaboradas  e  indique  se  os  pagamentos/quitações  realizados  pelos  seus  beneficiários  foram  excluídos ou não da base de cálculo do lançamento, bem como apontando a sua vinculação a  cada contrato de empréstimo e demonstrando se trata­se de quitação total ou parcial.     (assinado digitalmente)  Miriam Denise Xavier Lazarini ­ Presidente    (assinado digitalmente)  Carlos Alexandre Tortato ­ Relator    Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros: Miriam Denise  Xavier  Lazarini  (Presidente),  Carlos  Alexandre  Tortato,  Denny  Medeiros  da  Silveira  (suplente),  Marcio de Lacerda Martins, Andrea Viana Arrais Egypto, Maria Cleci Coti Martins, Luciana  Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira.       RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 39 71 .7 23 93 3/ 20 13 -6 6 Fl. 1900DF CARF MF Processo nº 13971.723933/2013­66  Resolução nº  2401­000.547  S2­C4T1  Fl. 1.901          2   Relatório  Cuida­se  de  recurso  voluntário  interposto  em  face  do Acórdão  n°.  14­54.444,  proferido  pela  17ª  Turma  da  DRJ/RPO  (fls.  1744/1760),  que  julgou  improcedente  a  impugnação  e  manteve  integralmente  o  crédito  tributário  exigido,  conforme  acórdão  assim  ementado:  ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período  de  apuração:  01/02/2009  a  30/11/2012  DESCLASSIFICAÇÃO  DE  NEGÓCIOS JURÍDICOS.  Em  face  das  disposições  dos  artigos  118,  142  e  149  do  CTN  e  não  obstante  as  disposições  do  §  único  do  artigo  116  do  CTN,  a  Administração Tributária, por seus agentes (o AFRFB, no caso) tem o  poder­dever,  não  propriamente  de  desclassificar  ou  descaracterizar,  mas  de  enquadrar  mais  precisa  e  corretamente  os  atos  e  negócios  jurídicos formalizados pelos contribuintes, sempre que forem apurados  fatos  e  circunstâncias  que  os  caracterizem  como  fatos  geradores  de  tributos.  INTIMAÇÃO DO CONTRIBUINTE.  A  intimação  do  Contribuinte,  quanto  aos  atos  relativos  ao  processo  administrativo fiscal, deve se dar nos termos e condições do artigo 23  do Decreto n° 70.235/1972.  PROVAS  ­  PRODUÇÃO  NO  ÂMBITO  DO  PROCESSO  ADMINISTRATIVO FISCAL ­ REQUERIMENTO DE DILIGÊNCIAS.  No âmbito do processo administrativo fiscal a produção de provas dá­ se  nos  termos  das  pertinentes  disposições  do  Decreto  70.235/1972,  sendo, por isso, desconsiderados protestos genéricos por realização de  provas  ou  pedidos  de  realização de  diligências,  sem apresentação de  fundados e justificados motivos.  Impugnação Improcedente   Crédito Tributário Mantido  Trata­se de Auto de Infração ­ AI lavrados contra o sujeito passivo em epígrafe,  cujos créditos tributários são descritos a seguir.  AI  DEBCAD  nº.  51.014.159­5:  valor  consolidado  em  02/12/2013,  de  R$  6.643.692,84,  referente  à  exigência  de  contribuições  destinadas  à  previdência  social relativas às competências 02/2009 a 11/2012.  Foram  identificados  pelos  Auditores  contratos  de  mútuo,  firmados  entre  a  empresa, ora recorrente, e os seus administradores. Tais contratos tinham como objeto valores  sem  prazo  determinado  para  devolução  e  sem  incidência  de  juros,  sempre  superiores  a  R$  4.000,00.  Fl. 1901DF CARF MF Processo nº 13971.723933/2013­66  Resolução nº  2401­000.547  S2­C4T1  Fl. 1.902          3 Entre 01/2008 e 03/2011, e em 05/2011, foram declarados em GFIP a retirada de  R$ 4.000,00 mensais a título de pró­labore.  Quanto aos documentos apresentados relativos aos empréstimos realizados por  cada sócio, assim foi relatado pela decisão a quo:  “1. Cláudia Oliveira Peres (doc. 17, Anexo I, QUADROS XXI, XXII e  XXIII, Relatório Fiscal):  Ao  ser  incorporada  a  empresa  da  qual  era  sócia,  foi  realizado  o  lançamento correspondente ao seu débito com a empresa incorporada,  no montante de R$ 1.754.720,50 (abril de 2008).  Para amortizar os empréstimos contraídos pela Cláudia foi realizado,  em  31/12/2008,  o  lançamento  de  R$  3.604.975,92  (referente  à  participação  da  sócia  nos  lucros).  Entretanto,  em  02/01/2009,  houve  estorno deste lançamento, que deixou, assim, de produzir efeitos.  Em três ocasiões a Cláudia realizou quitação parcial dos empréstimos  recebidos:  (i)  01/01/2009  –  R$  3.174.924,66;  (ii)  21/07/2009  –  R$  2.215.953,31 (“encontro de contas” com lucros devidos à sócia); (iii)  24/03/2009 – R$ 140.000,00.  Estes  valores  foram  deduzidos  dos  montantes  atribuídos  à  sócia  (coluna  IX  do  anexo  I).  Assim,  em  07/2011,  quando  a  sócia Cláudia  deixou  de  ser  responsável  pela  empresa,  restava  um  saldo  remanescente de R$ 10.478.659,91 (Anexo I).  2. Zila Meire Tambelini Nakano  (doc. 20, Anexo  II, QUADRO XXIV,  Relatório Fiscal):  Constam,  em  2008/2009,  lançamentos  contábeis  para  amortizar  os  empréstimos recebidos, amortizações estas na forma de devolução em  espécie  ou  por  “encontro  de  contas”  (empréstimos  recebidos  versus  lucros  devidos  à  sócia).  Foram  constatados  os  valores  de  R$  144.943,66  (01/01/2009) e R$ 1.972.301,01  (21/07/2009) –  coluna  IX  do Anexo II.  Até 07/2011 (data em que deixou de ser responsável pela empresa) foi,  então,  apurado  o  saldo  de  R$  2.641.156,30,  para  o  qual  não  consta  quitação (Anexo II).  3.  Jannivaldo Marques  Santos  (doc.  18,  Anexo  III,  QUADROS  XXV,  XXVI e XVII, Relatório Fiscal):  Ao  ser  incorporada  a  empresa  da  qual  era  sócio,  foi  realizado  o  lançamento correspondente ao seu débito com a empresa incorporada,  no montante de R$ 541.267,86 (abril de 2008).  Para  amortizar  os  empréstimos  contraídos  pelo  Jannivaldo  foi  realizado, em 31/12/2008, o lançamento de R$ 1.060.287,02 (referente  à participação do sócio nos lucros). Entretanto, em 02/01/2009, houve  estorno deste lançamento, que deixou, assim, de produzir efeitos.  Em  duas  ocasiões  o  Jannivaldo  realizou  quitação  parcial  dos  empréstimos  recebidos  (através  de  “encontro  de  contas”  com  lucros  Fl. 1902DF CARF MF Processo nº 13971.723933/2013­66  Resolução nº  2401­000.547  S2­C4T1  Fl. 1.903          4 devidos  ao  sócio):  (i)  01/01/2009 – R$ 325.303,53;  (ii)  21/07/2009 –  R$ 1.374.828,40.  Ocorreram, também, outras amortizações em espécie (Anexo III), tendo  sido  deduzidos  dos  empréstimos  concedidos  ao  sócio  (coluna  IX  do  Anexo  III),  restando,  então,  em 11/2012,  o  saldo  de R$  2.830.479,47  (Anexo III).  4. Sérgio Luiz Janiakin (doc. 19, Anexo IV, QUADRO XXIV, Relatório  Fiscal):  A Fiscalização relata que, para amortizar os empréstimos concedidos  ao Sérgio,  foi  constatado um único  lançamento,  que  foi  realizado em  31/12/2008,  no  valor  de  R$  706.858,03,  relativo  à  participação  do  sócio  nos  lucros.  Entretanto,  em  02/01/2009,  houve  o  estorno  do  lançamento,  que,  assim,  deixou  de  produzir  efeitos  (Anexo  IV,  QUADRO XXIV).  Até 06/2009 (data em que deixou de ser responsável pela empresa) foi,  então,  apurado  o  saldo  de  R$  1.487.402,54,  para  o  qual  não  consta  quitação (Anexo IV).”  Portanto,  por  não  terem  sido  liquidados  os  valores  devidos  nos  contratos  de  mútuo  acima  citados,  a  Fiscalização  os  considerou  como  sendo  pró­labore  para  efeitos  de  contribuições previdenciárias.  O contribuinte foi cientificado das autuações em 13/12/2013, sexta­feira (f. 3) e  apresentou impugnações (fls. 1603/1623) aos Autos de Infração em 14/01/2014.  No julgamento da peça impugnatória do contribuinte, foi mantido integralmente  o  lançamento,  sendo  proferido  o  Acórdão  n°.  14­54.444  (fls.  1744/1760),  cuja  ementa  está  reproduzida acima.  Intimado do acórdão da DRJ/RPO em 24/11/2014, segunda­feira (AR fl. 1765),  o contribuinte apresentou o  recurso voluntário de  fls. 1767/1796 em 22/12/2014. O processo  foi  desentranhado  (fl.  1862)  e  a  empresa  apresentou  novamente  recurso  voluntário  de  fls.  1864/1895 em 05/02/2015, alegando, em síntese:  a) Que a  recorrente cumpriu  todos os  requisitos  legais  referentes aos contratos  de  mútuo,  tendo  inclusive  pago  o  IOF  devido.  Necessário,  portanto,  que  os  negócios jurídicos não sejam desconsiderados e os AIs sejam cancelados;  b) Que  houve  vício  de  incongruência  ao  desconsiderar  os  contratos  de mútuo  realizados;  c)  Que  as  provas  utilizadas  para  corroborar  as  alegações  sustentadas  pela  fiscalização  são  eivadas  de  nulidade,  porquanto  foram  extraídas  de  processo  alheio,  tratando­se  de  depoimentos  contraditórios  e  de  lide  que  acabou  em  acordo;  d) Que a não devolução dos valores contratados devem ser considerados como  remissão da dívida, que tem efeito tributário de doação, e não como pro­labore;  Fl. 1903DF CARF MF Processo nº 13971.723933/2013­66  Resolução nº  2401­000.547  S2­C4T1  Fl. 1.904          5 e) Que, subsidiariamente, como a tributação é realizada pelo lucro real, devem  ser deduzidos os pagamentos do pro­labore;  f) Que,  caso  o  entendimento  da  autuação  persista,  devem  ser  compensados  os  valores já pagos a título de IOF.  É o relatório.    Voto  Como visto, a autoridade fiscal baseia­se basicamente nas seguintes premissas:  a) a existência dos contratos de mútuo que, não atenderiam os requisitos legais e  serviriam para disfarçar o pagamento de pro labore;  b)  que  esses  empréstimos  realizados,  por  meio  de  contratos  de  mútuo,  não  teriam sido pagos/quitados pelos seus beneficiários;  c) declarações em ação  judicial que  conteriam afirmações de  sócios da pessoa  jurídica alegando que os valores recebidos por meio de "contratos de mútuo" seriam na verdade  o pagamento de pro labore.  Ocorre  que  na  presente  situação,  entendo  haver  a  necessidade  de  alguns  esclarecimentos  para  o  melhor  deslinde  da  controvérsia,  seja  para  esclarecimento  de  alguns  argumentos  trazidos  no  Relatório  Fiscal  (fls.  17  e  ss.),  seja  para  apresentação  das  provas  trazidas a este processo administrativo fiscal.  Primeiramente,  com  relação  às  declarações  feitas  pelos  sócios  no  processo  judicial "008.09.0261671", que a autoridade utiliza como que "corroboram tal afirmativa", ou  seja, desnaturam os contratos de mútuo (item 8.8 e ss. do Refisc ­ fls. 32 e ss.), não foi trazido  ao processo administrativo o processo judicial na íntegra. Simplesmente constam no presente  PAF  os  depoimentos  às  fls  .  1.591/1.593,  sem  a  assinatura  digital  do  processo  (caso  seja  digital), ou sem qualquer assinatura, caso os depoimentos tenham sido prestados em processo  físico.  Ademais, como alega o próprio contribuinte, referido processo acabou encerrado  em acordo entre  as partes,  e,  ainda,  não  se  sabe qual  a natureza daquele processo,  contexto,  pedidos, partes etc.  Isto posto, ante a valoração concedida a referida prova, entendo ser primordial a  juntada do mesmo, pela autoridade fiscal, ao presente processo administrativo, a fim de que se  possa corroborar ou não as suas alegações apresentadas no Relatório Fiscal.  No  tocante  específico  aos  contratos  de  mútuo,  alega  a  recorrente  que  muitos  valores teriam sido pagos/quitados, porém, não teriam sido considerados pela autoridade fiscal  no cômputo da base de cálculo para o presente  lançamento. Ainda, alega que teria declarado  em DCTF e recolhido o  tributo  incidente sobre  tais operações financeiras  (empréstimo), qual  seja, o IOF.  Fl. 1904DF CARF MF Processo nº 13971.723933/2013­66  Resolução nº  2401­000.547  S2­C4T1  Fl. 1.905          6 Em tese, teria o presente lançamento considerado o total dos valores concedidos  a  título  de  empréstimos  sem  que  fossem  descontados  eventuais  pagamentos/quitações  pelos  seus beneficiários.  Veja­se que a própria decisão da DRJ reconhece (fl. 1757) eventuais quitações e  recolhimentos de IOF:    Ocorre que, das planilhas elaboradas pelo AFRFB, em especial aquelas de fls.  36.  e  ss.,  não  é  possível  ter  clareza  se  foram  considerados  ou  não  os  pagamentos  realizados  pelos  beneficiários  dos  empréstimos,  repercussão  que  tem  total  vinculação  a  análise  do  presente recurso voluntário.  Por  essas  razões,  entendo  que  o  julgamento  do  presente  processo  deva  ser  convertido em diligência para o fim de que o AFRFB:  a)  proceda  a  juntada  ao  presente  processo  administrativo  da  integralidade  dos  autos judiciais nº. 008.09.0261671 que lhe serviram de embasamento para a conclusão de que  os contratos de mútuo na verdade eram pagamento de pro­labore;  b)  que  esclareça  as  planilhas  elaboradas  e,  mais,  que  indique  se  os  pagamentos/quitações  realizados pelos  seus beneficiários  foram excluídos ou não da base de  cálculo do lançamento, bem como apontando a sua vinculação a cada contrato de empréstimo e  demonstrando se trata­se de quitação total/parcial.  É como voto.    (assinado digitalmente)  Carlos Alexandre Tortato ­ Relator  Fl. 1905DF CARF MF

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Numero do processo: 13855.721049/2011-51
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jan 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Apr 07 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/06/2006 a 31/12/2009 CONTRATO. PREÇO PREDETERMINADO. REGIME CUMULATIVO. IMPOSSIBILIDADE. Somente permaneceram no regime cumulativo de apuração das contribuições sociais as receitas decorrentes de contrato firmado antes de 31/10/2003, com prazo superior a um ano e a preço predeterminado, não se enquadrando nessa situação os contratos que prevêem reajuste de preço, após essa data, em percentual superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. REGIME MISTO. VENDA DE PRODUTOS SUJEITOS À SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. REFLEXO NA APURAÇÃO DE CRÉDITOS PELA AQUISIÇÕES DE MERCADORIAS DA ZONA FRANCA DE MANAUS. O direito à apuração de créditos de PIS e COFINS sobre mercadorias adquiridas da ZFM - Zona Franca de Manaus - depende não só do regime de apuração das contribuições a que se sujeita o comerciante varejista localizado fora dela, mas também do cumprimento dos requisitos estabelecidos no art. 3º da IN SRF nº 546/2005, pois a escolha da alíquota aplicável na apuração do crédito depende da alíquota que foi aplicada na tributação da saída da mercadoria da ZFM. Mercadoria tributada na saída da ZFM com alíquota prevista para destinatário que informou estar sujeito ao regime não-cumulativo, não pode gerar crédito mediante aplicação das alíquotas do regime cumulativo. JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO. TRIBUTAÇÃO. O valor dos juros sobre o capital próprio compõe a base de cálculo das contribuições não-cumulativas e deve ser tributado com alíquota positiva, a teor do art. 1º do Decreto nº 5.442/2005 e do decidido pelo STJ no RESP nº 1104184, na sistemática do art. 546-C do CPC. COFINS NÃO-CUMULATIVA. BONIFICAÇÕES CONDICIONAIS. INCIDÊNCIA. A base de cálculo das contribuições não-cumulativas é composta pela totalidade das receitas auferidas pela empresa, independentemente da sua natureza, deduzida de algumas exclusões expressamente relacionadas em lei, entre as quais não se incluem as bonificações. COFINS. RECEITA. DESPESAS COM PROPAGANDA. REQUISITOS. Os valores recebidos a título de reembolso por despesas com propaganda constituem receita, e não ressarcimento das despesas, se não restar comprovada a correspondência entre as despesas com propaganda e tais reembolsos. COFINS NÃO-CUMULATIVA. CONCEITO DE INSUMO. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS. Excetuados os gastos com disposição legal específica, apenas os bens e serviços empregados no processo produtivo e que não se incluam no ativo permanente dão direito ao crédito sobre o valor de suas aquisições. Em razão de nada produzirem e de nada fabricarem, empresas dedicadas à atividade comercial não podem tomar créditos do regime não cumulativo sobre gastos com: i) embalagens (fitas adesivas incluídas nas vendas feitas pela internet); ii) combustível e manutenção de empilhadeiras utilizadas na revenda de mercadorias: iii) encargos de amortização de despesas pré-operacionais, caracterizadas pela ativação de juros pagos em contrato de financiamento firmado com o BNDES para a construção de edificação; iv) taxas pagas às administradoras de cartões de crédito. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/06/2006 a 31/12/2009 CONTRATO. PREÇO PREDETERMINADO. REGIME CUMULATIVO. IMPOSSIBILIDADE. Somente permaneceram no regime cumulativo de apuração das contribuições sociais as receitas decorrentes de contrato firmado antes de 31/10/2003, com prazo superior a um ano e a preço predeterminado, não se enquadrando nessa situação os contratos que prevêem reajuste de preço, após essa data, em percentual superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. REGIME MISTO. VENDA DE PRODUTOS SUJEITOS À SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. REFLEXO NA APURAÇÃO DE CRÉDITOS PELA AQUISIÇÕES DE MERCADORIAS DA ZONA FRANCA DE MANAUS. O direito à apuração de créditos de PIS e COFINS sobre mercadorias adquiridas da ZFM - Zona Franca de Manaus - depende não só do regime de apuração das contribuições a que se sujeita o comerciante varejista localizado fora dela, mas também do cumprimento dos requisitos estabelecidos no art. 3º da IN SRF nº 546/2005, pois a escolha da alíquota aplicável na apuração do crédito depende da alíquota que foi aplicada na tributação da saída da mercadoria da ZFM. Mercadoria tributada na saída da ZFM com alíquota prevista para destinatário que informou estar sujeito ao regime não-cumulativo, não pode gerar crédito mediante aplicação das alíquotas do regime cumulativo. JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO. TRIBUTAÇÃO. O valor dos juros sobre o capital próprio compõe a base de cálculo das contribuições não-cumulativas e deve ser tributado com alíquota positiva, a teor do art. 1º do Decreto nº 5.442/2005 e do decidido pelo STJ no RESP nº 1104184, na sistemática do art. 546-C do CPC. PIS. NÃO-CUMULATIVIDADE. BONIFICAÇÕES CONDICIONAIS. INCIDÊNCIA. A base de cálculo das contribuições não-cumulativas é composta pela totalidade das receitas auferidas pela empresa, independentemente da sua natureza, deduzida de algumas exclusões expressamente relacionadas em lei, entre as quais não se incluem as bonificações. PIS. RECEITA. DESPESAS COM PROPAGANDA. REQUISITOS. Os valores recebidos a título de reembolso por despesas com propaganda constituem receita, e não ressarcimento das despesas, se não restar comprovada a correspondência entre as despesas com propaganda e tais reembolsos. PIS. NÃO-CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMO. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS. Excetuados os gastos com disposição legal específica, apenas os bens e serviços empregados no processo produtivo e que não se incluam no ativo permanente dão direito ao crédito sobre o valor de suas aquisições. Em razão de nada produzirem e de nada fabricarem, empresas dedicadas à atividade comercial não podem tomar créditos do regime não cumulativo sobre gastos com: i) embalagens (fitas adesivas incluídas nas vendas feitas pela internet); ii) combustível e manutenção de empilhadeiras utilizadas na revenda de mercadorias: iii) encargos de amortização de despesas pré-operacionais, caracterizadas pela ativação de juros pagos em contrato de financiamento firmado com o BNDES para a construção de edificação; iv) taxas pagas às administradoras de cartões de crédito. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/06/2006 a 31/12/2009 TAXA SELIC. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. O crédito tributário, quer se refira a tributo quer seja relativo à penalidade pecuniária, não pago no respectivo vencimento, está sujeito à incidência de juros de mora, calculado à taxa Selic até o mês anterior ao pagamento, e de um por cento no mês de pagamento.
Numero da decisão: 9303-004.608
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte, vencido o conselheiro Demes Brito, que não conheceu e, no mérito, acordam, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento parcial. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Declarouse impedida de participar do julgamento a conselheira Tatiana Midori Migiyama. Solicitaram apresentar declaração de voto os conselheiros Júlio César Alves Ramos e Demes Brito, que entendeu não descumprir decisão judicial. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Andrada Marcio Canuto Natal - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL

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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/06/2006 a 31/12/2009 CONTRATO. PREÇO PREDETERMINADO. REGIME CUMULATIVO. IMPOSSIBILIDADE. Somente permaneceram no regime cumulativo de apuração das contribuições sociais as receitas decorrentes de contrato firmado antes de 31/10/2003, com prazo superior a um ano e a preço predeterminado, não se enquadrando nessa situação os contratos que prevêem reajuste de preço, após essa data, em percentual superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. REGIME MISTO. VENDA DE PRODUTOS SUJEITOS À SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. REFLEXO NA APURAÇÃO DE CRÉDITOS PELA AQUISIÇÕES DE MERCADORIAS DA ZONA FRANCA DE MANAUS. O direito à apuração de créditos de PIS e COFINS sobre mercadorias adquiridas da ZFM - Zona Franca de Manaus - depende não só do regime de apuração das contribuições a que se sujeita o comerciante varejista localizado fora dela, mas também do cumprimento dos requisitos estabelecidos no art. 3º da IN SRF nº 546/2005, pois a escolha da alíquota aplicável na apuração do crédito depende da alíquota que foi aplicada na tributação da saída da mercadoria da ZFM. Mercadoria tributada na saída da ZFM com alíquota prevista para destinatário que informou estar sujeito ao regime não-cumulativo, não pode gerar crédito mediante aplicação das alíquotas do regime cumulativo. JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO. TRIBUTAÇÃO. O valor dos juros sobre o capital próprio compõe a base de cálculo das contribuições não-cumulativas e deve ser tributado com alíquota positiva, a teor do art. 1º do Decreto nº 5.442/2005 e do decidido pelo STJ no RESP nº 1104184, na sistemática do art. 546-C do CPC. COFINS NÃO-CUMULATIVA. BONIFICAÇÕES CONDICIONAIS. INCIDÊNCIA. A base de cálculo das contribuições não-cumulativas é composta pela totalidade das receitas auferidas pela empresa, independentemente da sua natureza, deduzida de algumas exclusões expressamente relacionadas em lei, entre as quais não se incluem as bonificações. COFINS. RECEITA. DESPESAS COM PROPAGANDA. REQUISITOS. Os valores recebidos a título de reembolso por despesas com propaganda constituem receita, e não ressarcimento das despesas, se não restar comprovada a correspondência entre as despesas com propaganda e tais reembolsos. COFINS NÃO-CUMULATIVA. CONCEITO DE INSUMO. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS. Excetuados os gastos com disposição legal específica, apenas os bens e serviços empregados no processo produtivo e que não se incluam no ativo permanente dão direito ao crédito sobre o valor de suas aquisições. Em razão de nada produzirem e de nada fabricarem, empresas dedicadas à atividade comercial não podem tomar créditos do regime não cumulativo sobre gastos com: i) embalagens (fitas adesivas incluídas nas vendas feitas pela internet); ii) combustível e manutenção de empilhadeiras utilizadas na revenda de mercadorias: iii) encargos de amortização de despesas pré-operacionais, caracterizadas pela ativação de juros pagos em contrato de financiamento firmado com o BNDES para a construção de edificação; iv) taxas pagas às administradoras de cartões de crédito. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/06/2006 a 31/12/2009 CONTRATO. PREÇO PREDETERMINADO. REGIME CUMULATIVO. IMPOSSIBILIDADE. Somente permaneceram no regime cumulativo de apuração das contribuições sociais as receitas decorrentes de contrato firmado antes de 31/10/2003, com prazo superior a um ano e a preço predeterminado, não se enquadrando nessa situação os contratos que prevêem reajuste de preço, após essa data, em percentual superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. REGIME MISTO. VENDA DE PRODUTOS SUJEITOS À SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. REFLEXO NA APURAÇÃO DE CRÉDITOS PELA AQUISIÇÕES DE MERCADORIAS DA ZONA FRANCA DE MANAUS. O direito à apuração de créditos de PIS e COFINS sobre mercadorias adquiridas da ZFM - Zona Franca de Manaus - depende não só do regime de apuração das contribuições a que se sujeita o comerciante varejista localizado fora dela, mas também do cumprimento dos requisitos estabelecidos no art. 3º da IN SRF nº 546/2005, pois a escolha da alíquota aplicável na apuração do crédito depende da alíquota que foi aplicada na tributação da saída da mercadoria da ZFM. Mercadoria tributada na saída da ZFM com alíquota prevista para destinatário que informou estar sujeito ao regime não-cumulativo, não pode gerar crédito mediante aplicação das alíquotas do regime cumulativo. JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO. TRIBUTAÇÃO. O valor dos juros sobre o capital próprio compõe a base de cálculo das contribuições não-cumulativas e deve ser tributado com alíquota positiva, a teor do art. 1º do Decreto nº 5.442/2005 e do decidido pelo STJ no RESP nº 1104184, na sistemática do art. 546-C do CPC. PIS. NÃO-CUMULATIVIDADE. BONIFICAÇÕES CONDICIONAIS. INCIDÊNCIA. A base de cálculo das contribuições não-cumulativas é composta pela totalidade das receitas auferidas pela empresa, independentemente da sua natureza, deduzida de algumas exclusões expressamente relacionadas em lei, entre as quais não se incluem as bonificações. PIS. RECEITA. DESPESAS COM PROPAGANDA. REQUISITOS. Os valores recebidos a título de reembolso por despesas com propaganda constituem receita, e não ressarcimento das despesas, se não restar comprovada a correspondência entre as despesas com propaganda e tais reembolsos. PIS. NÃO-CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMO. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS. Excetuados os gastos com disposição legal específica, apenas os bens e serviços empregados no processo produtivo e que não se incluam no ativo permanente dão direito ao crédito sobre o valor de suas aquisições. Em razão de nada produzirem e de nada fabricarem, empresas dedicadas à atividade comercial não podem tomar créditos do regime não cumulativo sobre gastos com: i) embalagens (fitas adesivas incluídas nas vendas feitas pela internet); ii) combustível e manutenção de empilhadeiras utilizadas na revenda de mercadorias: iii) encargos de amortização de despesas pré-operacionais, caracterizadas pela ativação de juros pagos em contrato de financiamento firmado com o BNDES para a construção de edificação; iv) taxas pagas às administradoras de cartões de crédito. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/06/2006 a 31/12/2009 TAXA SELIC. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. O crédito tributário, quer se refira a tributo quer seja relativo à penalidade pecuniária, não pago no respectivo vencimento, está sujeito à incidência de juros de mora, calculado à taxa Selic até o mês anterior ao pagamento, e de um por cento no mês de pagamento.

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   Especial do Procurador e do Contribuinte  Acórdão nº  9303­004.608  –  3ª Turma   Sessão de  26 de janeiro de 2017  Matéria  COFINS  Recorrentes  FAZENDA NACIONAL              MAGAZINE LUIZA S/A    ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE  SOCIAL ­ COFINS  Período de apuração: 01/06/2006 a 31/12/2009  CONTRATO.  PREÇO  PREDETERMINADO.  REGIME  CUMULATIVO.  IMPOSSIBILIDADE.  Somente permaneceram no regime cumulativo de apuração das contribuições  sociais as receitas decorrentes de contrato firmado antes de 31/10/2003, com  prazo superior a um ano e a preço predeterminado, não se enquadrando nessa  situação  os  contratos  que  prevêem  reajuste  de  preço,  após  essa  data,  em  percentual  superior  àquele  correspondente  ao  acréscimo  dos  custos  de  produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos  dos insumos utilizados.  REGIME  MISTO.  VENDA  DE  PRODUTOS  SUJEITOS  À  SUBSTITUIÇÃO  TRIBUTÁRIA.  REFLEXO  NA  APURAÇÃO  DE  CRÉDITOS  PELA  AQUISIÇÕES  DE  MERCADORIAS  DA  ZONA  FRANCA DE MANAUS.  O  direito  à  apuração  de  créditos  de  PIS  e  COFINS  sobre  mercadorias  adquiridas da ZFM ­ Zona Franca de Manaus ­ depende não só do regime de  apuração das contribuições a que se sujeita o comerciante varejista localizado  fora dela, mas também do cumprimento dos requisitos estabelecidos no art. 3º  da IN SRF nº 546/2005, pois a escolha da alíquota aplicável na apuração do  crédito  depende  da  alíquota  que  foi  aplicada  na  tributação  da  saída  da  mercadoria  da  ZFM. Mercadoria  tributada  na  saída  da  ZFM  com  alíquota  prevista  para  destinatário  que  informou  estar  sujeito  ao  regime  não­ cumulativo,  não  pode  gerar  crédito  mediante  aplicação  das  alíquotas  do  regime cumulativo.  JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO. TRIBUTAÇÃO.  O  valor  dos  juros  sobre  o  capital  próprio  compõe  a  base  de  cálculo  das  contribuições não­cumulativas e deve ser  tributado com alíquota positiva, a     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 5. 72 10 49 /2 01 1- 51 Fl. 2072DF CARF MF Processo nº 13855.721049/2011­51  Acórdão n.º 9303­004.608  CSRF­T3  Fl. 3          2 teor do art. 1º do Decreto nº 5.442/2005 e do decidido pelo STJ no RESP nº  1104184, na sistemática do art. 546­C do CPC.  COFINS  NÃO­CUMULATIVA.  BONIFICAÇÕES  CONDICIONAIS.  INCIDÊNCIA.  A  base  de  cálculo  das  contribuições  não­cumulativas  é  composta  pela  totalidade  das  receitas  auferidas  pela  empresa,  independentemente  da  sua  natureza, deduzida de algumas exclusões expressamente relacionadas em lei,  entre as quais não se incluem as bonificações.  COFINS. RECEITA. DESPESAS COM PROPAGANDA. REQUISITOS.  Os  valores  recebidos  a  título  de  reembolso  por  despesas  com  propaganda  constituem  receita,  e  não  ressarcimento  das  despesas,  se  não  restar  comprovada  a  correspondência  entre  as  despesas  com  propaganda  e  tais  reembolsos.  COFINS  NÃO­CUMULATIVA.  CONCEITO  DE  INSUMO.  APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS.  Excetuados  os  gastos  com  disposição  legal  específica,  apenas  os  bens  e  serviços  empregados  no  processo  produtivo  e  que  não  se  incluam  no  ativo  permanente dão direito ao crédito sobre o valor de suas aquisições.  Em  razão  de nada  produzirem  e  de  nada  fabricarem,  empresas  dedicadas  à  atividade  comercial  não  podem  tomar  créditos  do  regime  não  cumulativo  sobre  gastos  com:  i)  embalagens  (fitas  adesivas  incluídas  nas  vendas  feitas  pela  internet);  ii)  combustível  e manutenção  de  empilhadeiras  utilizadas  na  revenda  de  mercadorias:  iii)  encargos  de  amortização  de  despesas  pré­ operacionais,  caracterizadas  pela  ativação  de  juros  pagos  em  contrato  de  financiamento  firmado  com  o BNDES  para  a  construção  de  edificação;  iv)  taxas pagas às administradoras de cartões de crédito.  ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP  Período de apuração: 01/06/2006 a 31/12/2009  CONTRATO.  PREÇO  PREDETERMINADO.  REGIME  CUMULATIVO.  IMPOSSIBILIDADE.  Somente permaneceram no regime cumulativo de apuração das contribuições  sociais as receitas decorrentes de contrato firmado antes de 31/10/2003, com  prazo superior a um ano e a preço predeterminado, não se enquadrando nessa  situação  os  contratos  que  prevêem  reajuste  de  preço,  após  essa  data,  em  percentual  superior  àquele  correspondente  ao  acréscimo  dos  custos  de  produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos  dos insumos utilizados.  REGIME  MISTO.  VENDA  DE  PRODUTOS  SUJEITOS  À  SUBSTITUIÇÃO  TRIBUTÁRIA.  REFLEXO  NA  APURAÇÃO  DE  CRÉDITOS  PELA  AQUISIÇÕES  DE  MERCADORIAS  DA  ZONA  FRANCA DE MANAUS.  O  direito  à  apuração  de  créditos  de  PIS  e  COFINS  sobre  mercadorias  adquiridas da ZFM ­ Zona Franca de Manaus ­ depende não só do regime de  apuração das contribuições a que se sujeita o comerciante varejista localizado  Fl. 2073DF CARF MF Processo nº 13855.721049/2011­51  Acórdão n.º 9303­004.608  CSRF­T3  Fl. 4          3 fora dela, mas também do cumprimento dos requisitos estabelecidos no art. 3º  da IN SRF nº 546/2005, pois a escolha da alíquota aplicável na apuração do  crédito  depende  da  alíquota  que  foi  aplicada  na  tributação  da  saída  da  mercadoria  da  ZFM. Mercadoria  tributada  na  saída  da  ZFM  com  alíquota  prevista  para  destinatário  que  informou  estar  sujeito  ao  regime  não­ cumulativo,  não  pode  gerar  crédito  mediante  aplicação  das  alíquotas  do  regime cumulativo.  JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO. TRIBUTAÇÃO.  O  valor  dos  juros  sobre  o  capital  próprio  compõe  a  base  de  cálculo  das  contribuições não­cumulativas e deve ser  tributado com alíquota positiva, a  teor do art. 1º do Decreto nº 5.442/2005 e do decidido pelo STJ no RESP nº  1104184, na sistemática do art. 546­C do CPC.  PIS.  NÃO­CUMULATIVIDADE.  BONIFICAÇÕES  CONDICIONAIS.  INCIDÊNCIA.  A  base  de  cálculo  das  contribuições  não­cumulativas  é  composta  pela  totalidade  das  receitas  auferidas  pela  empresa,  independentemente  da  sua  natureza, deduzida de algumas exclusões expressamente relacionadas em lei,  entre as quais não se incluem as bonificações.  PIS. RECEITA. DESPESAS COM PROPAGANDA. REQUISITOS.  Os  valores  recebidos  a  título  de  reembolso  por  despesas  com  propaganda  constituem  receita,  e  não  ressarcimento  das  despesas,  se  não  restar  comprovada  a  correspondência  entre  as  despesas  com  propaganda  e  tais  reembolsos.  PIS.  NÃO­CUMULATIVIDADE.  CONCEITO  DE  INSUMO.  APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS.  Excetuados  os  gastos  com  disposição  legal  específica,  apenas  os  bens  e  serviços  empregados  no  processo  produtivo  e  que  não  se  incluam  no  ativo  permanente dão direito ao crédito sobre o valor de suas aquisições.  Em  razão  de nada  produzirem  e  de  nada  fabricarem,  empresas  dedicadas  à  atividade  comercial  não  podem  tomar  créditos  do  regime  não  cumulativo  sobre  gastos  com:  i)  embalagens  (fitas  adesivas  incluídas  nas  vendas  feitas  pela  internet);  ii)  combustível  e manutenção  de  empilhadeiras  utilizadas  na  revenda  de  mercadorias:  iii)  encargos  de  amortização  de  despesas  pré­ operacionais,  caracterizadas  pela  ativação  de  juros  pagos  em  contrato  de  financiamento  firmado  com  o BNDES  para  a  construção  de  edificação;  iv)  taxas pagas às administradoras de cartões de crédito.  ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Período de apuração: 01/06/2006 a 31/12/2009  TAXA  SELIC.  JUROS  DE  MORA  SOBRE  MULTA  DE  OFÍCIO.  INCIDÊNCIA.  O  crédito  tributário,  quer  se  refira  a  tributo  quer  seja  relativo  à  penalidade  pecuniária, não pago no  respectivo vencimento,  está sujeito à  incidência de  juros de mora, calculado à taxa Selic até o mês anterior ao pagamento, e de  um por cento no mês de pagamento.  Fl. 2074DF CARF MF Processo nº 13855.721049/2011­51  Acórdão n.º 9303­004.608  CSRF­T3  Fl. 5          4     Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros  do  colegiado,  por maioria  de  votos,  em  conhecer do  Recurso Especial do Contribuinte, vencido o conselheiro Demes Brito, que não conheceu e, no  mérito,  acordam,  em  negar­lhe  provimento,  vencidas  as  conselheiras  Érika  Costa  Camargos  Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento parcial. Acordam, ainda, por  unanimidade de votos,  em  conhecer do Recurso Especial  da Fazenda Nacional  e,  no mérito,  por maioria de votos, em dar­lhe provimento, vencidas as conselheiras Érika Costa Camargos  Autran  e Vanessa Marini Cecconello,  que  lhe negaram provimento. Declarouse  impedida de  participar  do  julgamento  a  conselheira  Tatiana  Midori  Migiyama.  Solicitaram  apresentar  declaração de voto os conselheiros Júlio César Alves Ramos e Demes Brito, que entendeu não  descumprir decisão judicial.  (assinado digitalmente)  Rodrigo da Costa Pôssas ­ Presidente em exercício.  (assinado digitalmente)  Andrada Marcio Canuto Natal ­ Relator.  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Júlio  César  Alves  Ramos, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles  Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa  Pôssas.  Fl. 2075DF CARF MF Processo nº 13855.721049/2011­51  Acórdão n.º 9303­004.608  CSRF­T3  Fl. 6          5 Relatório  Trata o presente processo de Autos de Infração,  fls. 447/482, e de Autos de  Infração  Complementares  lavrados  contra  o  contribuinte  para  exigência  de  Cofins  e  Contribuição para o PIS/Pasep por falta de recolhimento das contribuições.  Integram os autos de infração o Termo de Verificação Fiscal­TVF de folhas  483/510,  que  contém  descrição  detalhadas  das  infrações  apuradas,  demonstrativos  e  documentos.  A  falta  de  recolhimento  das  contribuições  pela  contribuinte  deveu­se  ao  seguinte:  1) Aplicação do regime cumulativo, ao invés do não­cumulativo. Segundo a  fiscalização, os contratos que amparariam a aplicação deste regime não poderiam caracterizar­ se como sendo por preço predeterminado, e, além disso, teria havido repactuação do contrato  inicial, logo, não foram atendidas as condições previstas no art. 10, XI, alínea "b", da Lei nº.  10.637, de 2002, e art. 15, V, da Lei nº 10.833, de 2003, bem como o art. 109 da Lei nº 11.196,  de 2005 .  2) Aproveitamento a maior de crédito em aquisições de empresas sediadas na  Zona  Franca  de  Manaus­ZFM,  também  em  decorrência  da  aplicação  indevida  do  regime  cumulativo  e  em  função  de  incompatibilidade  entre  as  alíquotas  utilizadas  nas  saídas  dos  estabelecimentos fornecedores e as utilizadas no cálculo do crédito, descumprindo a IN SRF nº  546, de 2005, para período em que poderia se enquadrar no regime misto, cumulativo e não­ cumulativo.  3) Não tributação dos recebimentos de juros sobre o capital próprio.  4) Não tributação das bonificações financeiras recebidas de fornecedores.  5) Apropriação  indevida de créditos no regime não­cumulativo,  referentes a  gastos  com:  combustível  e  manutenção  de  empilhadeiras,  embalagens  e  juros  sobre  financiamento de imóvel.  6) Apropriação de créditos relativos a pagamentos a operadoras de cartão de  crédito.  A contribuinte impugnou os autos de infração e a 4ª Turma da Delegacia da  Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (DRJ/RPO) julgou improcedente a  impugnação, conforme Acórdão nº 14­38.989, fls. 1.156/1.180.  Após  interposição  de  Recurso  Voluntário  e  de  Contrarrazões  da  Fazenda  Nacional,  a  3ª  Turma  Ordinária  da  4ª  Câmara  da  3ª  Sejul  do  CARF,  proferiu  decisão  formalizada  no Acórdão  nº  3403­003.385,  de  12/11/2014,  fls.  1.343/1.379,  cuja  ementa  está  assim redigida:  Fl. 2076DF CARF MF Processo nº 13855.721049/2011­51  Acórdão n.º 9303­004.608  CSRF­T3  Fl. 7          6 Assunto:  Contribuição  para  o  Financiamento  da  Seguridade  Social ­ Cofins  Período de apuração: 01/06/2006 a 31/12/2009  CONTRATO.  PREÇO  PREDETERMINADO.  REGIME  CUMULATIVO. IMPOSSIBILIDADE.  Somente permaneceram no regime cumulativo de apuração das  contribuições sociais as receitas decorrentes de contrato firmado  antes  de  31/10/2003,  com  prazo  superior  a  um  ano  e  a  preço  predeterminado,  não  se  enquadrando  nessa  situação  os  contratos  que  prevêem  reajuste  de  preço,  após  essa  data,  em  percentual  superior  àquele  correspondente  ao  acréscimo  dos  custos  de  produção  ou  à  variação  de  índice  que  reflita  a  variação ponderada dos custos dos insumos utilizados.  ZONA  FRANCA  DE  MANAUS.  CRÉDITOS  DA  NÃO­ CUMULATIVIDADE. ALÍQUOTA.  Somente  as  empresas  que  apuram  a  contribuição  no  regime  cumulativo ou misto podem se creditar das compras de empresas  situadas na Zona Franca de Manaus com as alíquotas de 7,6%  (COFINS) e 1,65% (PIS).  NÃO­CUMULATIVIDADE.  BASE  DE  CÁLCULO.  BONIFICAÇÕES.  A base de cálculo das contribuições não­cumulativas é composta  pela  totalidade  das  receitas  auferidas  pela  empresa,  independentemente  da  sua  natureza,  deduzida  de  algumas  exclusões expressamente relacionadas em lei, entre as quais não  se incluem as bonificações.  JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO. TRIBUTAÇÃO.  O  valor  dos  juros  sobre  o  capital  próprio  compõe  a  base  de  cálculo das  contribuições não­cumulativas  e deve  ser  tributado  com  alíquota  positiva,  a  teor  do  art.  1º  do  Decreto  nº  5.442/2005.  CRÉDITOS  DA  NÃO­CUMULATIVIDADE.  EMPRESA  COMERCIAL. INSUMOS.  Em razão de nada produzirem e de nada  fabricarem, empresas  dedicadas  à  atividade  comercial  não  podem  tomar  créditos  do  regime  não  cumulativo  com  base  nos  arts.  3º,  II,  das  Leis  nº  10.637/02 e 10.833/03.  CRÉDITOS  DA  NÃO­CUMULATIVIDADE.  DESPESAS  PRÉ­ OPERACIONAIS.  Não  existe  amparo  legal  para  a  tomada  de  créditos  sobre  encargos  de  amortização  de  despesas  pré­operacionais,  caracterizadas  pela  ativação  de  juros  pagos  em  contrato  de  financiamento  firmado  com  o  BNDES  para  a  construção  de  edificação.  Fl. 2077DF CARF MF Processo nº 13855.721049/2011­51  Acórdão n.º 9303­004.608  CSRF­T3  Fl. 8          7 EMPRESAS  COMERCIAIS.  TAXAS  PAGAS  ÀS  ADMINISTRADORAS DE CARTÕES DE CRÉDITO.  As  taxas  pagas  às  administradoras  de  cartões  de  crédito  não  geram direito a crédito, por constituírem despesa operacional do  contribuinte (art. 299, § 1º, do RIR/99).  JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO.  Não incidem juros de mora sobre a multa de ofício, por carência  de fundamento legal expresso.  Recurso voluntário provido em parte."  O  Colegiado  deu  parcial  provimento  ao  recurso  voluntário  para  afastar  a  cobrança  de  juros  de mora  sobre  a multa  de  ofício  na  fase  da  liquidação  administrativa  do  julgado.  A  Fazenda  Nacional  interpôs  Recurso  Especial  de  divergência  quanto  à  exigência de juros de mora sobre a multa de ofício, o qual foi admitido por meio do despacho  de folhas 1.394/1.396.  Cientificado  do  Acórdão  de  Recurso  Voluntário  nº  3403­003.385,  o  contribuinte  apresentou  Embargos  de  Declaração,  cujo  julgamento  resultou  na  decisão  formalizada  no Acórdão  de Embargos  nº  3402­002.771,  de  8/12/2015,  fls.  1.549/1.566,  cuja  ementa é a seguinte:  Assunto: Processo Administrativo Fiscal  Período de apuração: 01/06/2006 a 31/12/2009  EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO.  Verificada  omissão  na  apreciação  de  alegação  contida  em  recurso  voluntário,  acolhem­se  parcialmente  os  embargos  declaratórios para suprir o vício apontado.  REGIME  MISTO.  VENDA  DE  PRODUTOS  SUJEITOS  À  SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. REFLEXO NA APURAÇÃO DE  CRÉDITOS  PELA  AQUISIÇÕES  DE  MERCADORIAS  DA  ZONA FRANCA DE MANAUS.  O  direito  à  apuração  de  créditos  de  PIS  e  COFINS  sobre  mercadorias  adquiridas  da  Zona  Franca  de  Manaus  depende  não só do regime de apuração das contribuições a que se sujeita  o  comerciante  varejista  localizado  fora  da  Zona  Franca,  mas  também do cumprimento dos  requisitos estabelecidos no art. 3º  da IN SRF nº 546/2005, pois a escolha da alíquota aplicável na  apuração  do  crédito  depende  da  alíquota  que  foi  aplicada  na  tributação  da  saída  da  mercadoria  de  Manaus.  Mercadoria  tributada  na  saída  de  Manaus  com  alíquota  prevista  para  destinatário  que  informou  estar  sujeito  ao  regime  não­ cumulativo,  não  pode  gerar  crédito  mediante  aplicação  das  alíquotas do regime cumulativo.  Embargos acolhidos em parte."  Fl. 2078DF CARF MF Processo nº 13855.721049/2011­51  Acórdão n.º 9303­004.608  CSRF­T3  Fl. 9          8 Os  embargos  foram  acolhidos  apenas  para  suprir  omissão  quanto  à  apreciação  de  alegação  relativa  à  sujeição  ao  regime  misto,  devido  à  comercialização  de  produtos  sujeitos  ao  regime de substituição  tributária, mantendo­se  inalterado o  resultado do  julgamento consignado no Acórdão de Recurso Voluntário 3403­003.385.  Cientificada do acórdão de embargos em 21/1/2016, fls. 1.570, o contribuinte  apresentou  o  Recurso  Especial  de  divergência  de  fls.  1.572/1.624,  em  4/2/2016,  fl.  1.572,  suscitando divergência em relação às matérias em que o recurso voluntário não fora provido.  Por meio do Despacho de Exame de Admissibilidade S/Nº, de 23/3/2016, e  do  Despacho  de  Reexame  de  Admissibilidade  S/Nº,  de  31/3/2016,  às  fls.  1.894/1.911  e  1.912/1.913, respectivamente foi negado seguimento ao Recurso Especial do contribuinte.  Por  meio  do  Despacho  S/Nº  de  folhas  1.962,  o  Presidente  da  CSRF  não  conheceu Embargos  de Declaração,  fls.  1.923/1.936,  apresentados  pelo  contribuinte  contra  o  despacho que negou seguimento a seu recurso especial, tendo em vista o não­cabimento deste  instrumento recursal contra decisão monocrática.  Conforme decisão  judicial às  fls. 1.974/1.978, o  contribuinte  impetrou ação  de Mandado  de  Segurança,  com  pedido  de  liminar,  contra  o  Presidente  da  4ª  Câmara  da  3ª  Seção de Julgamento e o Presidente da CSRF do CARF, processado sob o número 1004177­ 48­2016.4.01.3400,  perante  a  16ª  Vara  Federal  da  Seção  Judiciária  do  Distrito  Federal,  requerendo determinação judicial para que ocorresse admissão integral do recurso especial com  remessa  do  processo  administrativo  para  julgamento  pelo  Órgão  Colegiado  competente  e,  sucessivamente,  a  promoção  de  novo  juízo  de  admissibilidade  do  recurso  especial,  considerando válidos os acórdãos paradigmas não admitidos porque pendentes de julgamento  de  embargos  contra  eles  interpostos  e  considerando  adequadas  as  divergências  baseadas  nos  acórdãos paradigmas nºs. 3202­00.226, 3401­002.389 e 3402­002.092.  O  Juiz  Federal  da  16ª Vara/DF  deferiu  o  pedido  de  liminar  para  que  fosse  admitido  o  recurso  especial  do  contribuinte  e  efetuada  a  remessa  dos  autos  para  julgamento  pelo Órgão Colegiado competente.  A  Fazenda  Nacional  foi  cientificada  e  apresentou  contrarrazões,  fls.  1.998/2.033.  É o relatório.  Fl. 2079DF CARF MF Processo nº 13855.721049/2011­51  Acórdão n.º 9303­004.608  CSRF­T3  Fl. 10          9 Voto             Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, Relator  1. Conhecimento do Recurso Especial da Fazenda Nacional  Não tenho reparos a fazer no exame de admissibilidade. O recurso atende às  condições regimentais, devendo ser conhecido.  2. Conhecimento do Recurso Especial do Contribuinte  Por força de deferimento de liminar em Mandado de Segurança no processo  judicial  número 1004177­48­2016.4.01.3400, perante  a 16ª Vara Federal  da Seção  Judiciária  do Distrito Federal, conheço do Recurso Especial apresentado pelo Contribuinte.  3. Mérito do Recurso Especial do Contribuinte  No  seu  Recurso  Especial,  fls.  1.576/1.577,  o  contribuinte  identificou  os  assuntos em relação aos quais suscitou divergência jurisprudencial.  3.1 Do Contrato, suas condições e consequências tributárias  Ressalte­se  que  os  acórdãos  paradigmas  apresentados  pelo  contribuinte  não  se  prestam  para  demonstrar  a  divergência  na  aplicação  da  Lei,  pois  são  fundados  em  fatos  totalmente diferentes do contrato que se discute no presente processo.  A  divergência  jurisprudencial  não  se  estabelece  em matéria  de  prova,  mas  apenas na interpretação das normas. E ela só se configura, quando estão em confronto acórdãos  que tratam de situações fáticas semelhantes, exarados à luz do mesmo arcabouço jurídico.  Enquanto  no  presente  processo  discute­se  que  o  contrato  firmado  entre  a  recorrente e o Banco Fininvest não atende os requisitos para ser considerado como de "preço  predeterminado"  em  razão  de  diversas  cláusulas  próprias  do  contrato  e  também  em  face  de  repactuações posteriores, nos acórdãos tidos como paradigmas a discussão é se a aplicação de  um índice de correção, no caso o IGPM, aplicado para manutenção do equilíbrio financeiro do  contrato  e  homologado  pela  ANEEL,  seria  suficiente  para  descaracterizar  o  preço  predeterminado em contrato de longo prazo no fornecimento de energia elétrica. Enquanto que  no  presente,  houve  uma  série  de  elementos  a  justificar  a  não  predeterminação  de  preço  do  contrato,  nos  paradigmas  a  discussão  é  somente  se  a  aplicação  de  um  índice  de  reajuste  de  preços, no caso o IGPM, autorizado por órgão estatal, refletia o que dispunha o art. 109 da Lei  nº 11.196, de 2005. Como não há similitude entre os fatos, passemos então a analisar o mérito  das alegações do contribuinte.  A recorrente entende que o seu contrato firmado com o Banco Fininvest S/A  para  formação de uma  joint venture  financeira,  denominada Luizacred S/A, por  ser de preço  predeterminado permitiria a ela a tributação, pelo PIS e pela Cofins, destas receitas no regime  cumulativo. Veja como esta matéria está normatizada na Lei nº 10.833/2003:  Fl. 2080DF CARF MF Processo nº 13855.721049/2011­51  Acórdão n.º 9303­004.608  CSRF­T3  Fl. 11          10 Art.  10.  Permanecem  sujeitas  às  normas  da  legislação  da  COFINS,  vigentes  anteriormente  a  esta  Lei,  não  se  lhes  aplicando as disposições dos arts. 1o a 8o:  (...)   XI  ­ as receitas  relativas a contratos  firmados anteriormente a  31 de outubro de 2003:  (...)  b)  com  prazo  superior  a  1  (um)  ano,  de  construção  por  empreitada  ou  de  fornecimento,  a  preço  predeterminado,  de  bens ou serviços;  (...)  Art.  15.  Aplica­se  à  contribuição  para  o  PIS/PASEP  não­ cumulativa de que  trata a Lei no 10.637, de 30 de dezembro de  2002, o disposto:  (...)  V ­ nos incisos VI, IX a XXVII do caput e nos §§ 1o e 2o do art.  10 desta Lei;  Posteriormente,  o  art.  109  da  Lei  nº  11.196,  de  2005,  veio  estabelecer  o  alcance do que seria preço predeterminado:  Art. 109. Para fins do disposto nas alíneas b e c do inciso XI do  caput do art. 10 da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, o  reajuste  de  preços  em  função  do  custo  de  produção  ou  da  variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos  dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1o do art. 27  da Lei no 9.069, de 29 de junho de 1995, não será considerado  para fins da descaracterização do preço predeterminado.  Parágrafo único. O disposto  neste  artigo  aplica­se  desde 1o  de  novembro de 2003.  Notório observar que este artigo veio para permitir correções financeiras do  contrato  exclusivamente  em  função  do  seu  custo  de  produção  ou  de  índice  que  reflita  a  variação  ponderada  dos  seus  custos,  sem  descaracterizar­lhe  a  condição  de  preço  predeterminado. Caso não viesse esse permissivo  legal,  podemos concluir,  sem dúvidas,  que  qualquer reajuste no contrato, seja ou não para correção de seus custos, levaria ao afastamento  da  condição  de  preço  predeterminado.  Portanto,  a  própria  Lei  tratou  de  delimitar  o  que  se  entende  por  preço  predeterminado,  afastando  qualquer  outra  possibilidade  de  reajuste  contratual do permissivo.  Posteriormente, utilizando­se da autorização legal constante do art. 92 da Lei  nº 10.833/2003, a Secretaria da Receita Federal editou a IN nº 658/2006 que assim dispôs em  seu art. 3º:  Art.  3º  Para  efeito  desta  Instrução  Normativa,  preço  predeterminado  é  aquele  fixado  em  moeda  nacional  como  remuneração da totalidade do objeto do contrato.  Fl. 2081DF CARF MF Processo nº 13855.721049/2011­51  Acórdão n.º 9303­004.608  CSRF­T3  Fl. 12          11 § 1º Considera­se  também  preço  predeterminado aquele  fixado  em moeda nacional  por unidade  de produto  ou  por período  de  execução.  (...)  Verifica­se que a Receita Federal não  impôs qualquer  restritivo á  aplicação  da Lei, na verdade deu um conceito abrangente ao preço predeterminado, que deve ser fixado  em moeda nacional pelo objeto do contrato ou ainda por unidade de produto ou por período de  execução.  Colocado  os  parâmetros  legais,  é  relevante  transcrever  partes  da  acusação  fiscal no que diz respeito ao referido contrato:  1  ­ Da repactuação do contrato com a  incorporação de  lojas novas pelo  Magazine Luiza  Além  do  acordo  inicial  firmado  em  2001  que  levantou  as  bases  da  “joint  venture”,  também  foram  celebrados  contratos  entre  o  Magazine  Luiza  e  a  Fininvest  denominados  Memorandos  de  Entendimento  nos  quais  as  partes  estabelecem remuneração a ser paga pela financeira pela potencial geração de  lucro decorrente do efetivo aumento do número de pontos de venda, conforme  estabelecido.  Apesar  de  haver  disposição  expressa  nos Memorandos  de  Entendimento  de  que haveria remuneração de receita auferida pelo Magazine Luiza em decorrência da  ampliação  da  sua  rede  de  lojas,  e  de  conter  referência  à  negociação  do  direito  de  exclusividade  pelo  Magazine  para  a  Fininvest,  não  foram  tratadas  estas  incorporações de lojas novas como alterando o contrato inicial.  Consta nos Memorandos de Entendimento que parte da aquisição  seria  paga pela Luizacred por  força do aumento do número dos pontos de vendas,  afinal foram adquiridos os pontos de venda nas Lojas Madol, Lojas Arno Palavro,  Base Lar Eletromóveis e Kilar Móveis e Decorações. Por estas aquisições as partes  Magazine Luiza e Fininvest repactuaram o contrato inicial, eis que houve inclusive a  remuneração extra em milhões de reais ao Magazine pelos novos pontos de venda e  pela nova base de clientes envolvida em cada um dos memorandos de entendimento.  (...)  A  leitura  dos  memorandos  de  entendimento  nos  permite  a  inequívoca  conclusão de que se trata de repactuação do contrato anterior.  (...)  Mais ainda. Estabelece­se inclusive um aditamento de dez anos no prazo dos  direitos de exclusividade da Luizacred e no direito de preferência do Fininvest para  as novas lojas abertas ou adquiridas. (...)  Assim, o preço predeterminado em 2001 pelo contrato  inicial  foi  refeito  em  cada  um  dos  Memorandos  de  Entendimento  em  que  a  cadeia  de  lojas  aumentou.  2  ­  Da  incompatibilidade  entre  o  preço  predeterminado  legalmente  definido e as receitas de serviços auferidas pelo Magazine Luiza  Fl. 2082DF CARF MF Processo nº 13855.721049/2011­51  Acórdão n.º 9303­004.608  CSRF­T3  Fl. 13          12 Na consideração do que seja preço predeterminado, o conceito está amarrado  com  a  manutenção  dos  valores  recebidos  para  contratos  firmados  antes  de  31/10/2003. De acordo com o assentado, a  legislação dos  tributos  em comento  permitiu  o  reajuste  de  preços  em  casos  delimitados.  Quando  há  reajustes  de  preços, foi emoldurado pela lei como o conceito deve ser interpretado.  (...)  Interpreta­se da leitura que o preço predeterminado pode ser alterado apenas  pela  exceção  acima  disposta,  vale  dizer,  em  decorrência  de  variação  de  custos  de  produção. Trata­se de índices oficiais de variação de preços, afinal a alteração  deve refletir o custo de produção ou índice de correção monetária de insumos  utilizados. Não se aplica ao caso em análise,  isto porque o preço cobrado pelo  serviço será sempre variável, pois se altera conforme o volume de contratos de  financiamento gerados no mês e administrados pela estrutura do Magazine.  A  remuneração  obtida  pela  auditada  deriva  da  prestação  de  serviços  de  captação  de  financiamentos,  tendo  seu  valor  limitado  em  6,8% do  valor  total  dos  contratos  de  financiamento  gerados  mensalmente.  Assim,  os  valores  fixos  por  operação estabelecidos no inciso I, do item 2.12.3 do acordo de associação não são  aplicados, eis que a remuneração nos anos de 2005, 2006, 2007 e 2008 sempre foi  calculada sobre o volume financiado.  (...)  Desta  forma,  a  remuneração  pelo  contrato  não  se  trata  de  preço  predeterminado,  mas  de  receita  que  sofre  variação  em  função  do  faturamento  da  fiscalizada  com  os  serviços  prestados.  Este  faturamento  é  afetado  por  cláusulas  outras  que  custos  de  produção  ou  de  insumos.  Trata­se  de  um  percentual  sobre  o  montante  captado  em  financiamento  para  a  financeira  Fininvest. Como  era  de  se  esperar, este montante tem acréscimo no tempo, seja em função da quantidade  de clientes captados, como também em proporção com os valores captados de  financiamento  que  aumentam  em  função  de  taxa  de  juros  cobrada,  ou  da  condição  macroeconômica  ao  tempo  do  empréstimo,  assim  como  outras  variáveis de mercado.  Descabe dizer que os valores recebidos seriam os fixados nos incisos do item  I,  do  item  2.12.3,  do  acordo  de  associação.  Isto  porque  no  período  em  análise  jamais  foram  aplicados  os  valores  fixos,  pois  a  cláusula  I.2,  do  item  2.12.3  sempre  foi  aplicada  no  período.  E  esta  cláusula  prevê  um  índice  variável  de  remuneração.  Para que fosse admitido o reajuste de preços próprio dos contratos com preço  predeterminado nos moldes  fixados  pela  citada  lei,  a variação  deveria decorrer  de  variação de custos, mas a variação de receitas decorre da variação dos contratos de  financiamento captados diariamente com a clientela.  (...)  O  argumento  de  que  se  fosse  mantida  a  mesma  quantidade  de  lojas  e  os  contratos  de  financiamento  fossem  os mesmos,  também  seria mantido  o  preço  do  contrato, não é cabível. Os preços fixados desde o início são variáveis no tempo,  conforme  demonstram  as  receitas  mensais  com  os  serviços.  Em  nada  se  aproximam  do  preço  fixo  definido  em  lei.  O  legislador  quando  assim  o  fez,  objetivou manter  as  condições  tributárias de  contratos  de  longo prazo  com preços  fixados por produto ou predefinidos por período de execução contratual.  Fl. 2083DF CARF MF Processo nº 13855.721049/2011­51  Acórdão n.º 9303­004.608  CSRF­T3  Fl. 14          13 3 ­ Da imunização dos efeitos fiscais sobre os preços fixados no contrato  inicial com a Fininvest  No contrato fixado com a Fininvest as partes neutralizaram os efeitos fiscais  de tributos sob faturamento no inciso IV do item 2.12.3. Afinal, estipularam que “os  valores  previstos  neste  item  não  incluem  os  impostos  incidentes  sobre  o  faturamento, podendo ser revistos em qualquer data para capturar mudanças  de mercado e reduções de custo por ganho de escala”.  A cláusula acima ao estabelecer o preço do serviço sem considerar os tributos  sobre a receita afasta nitidamente o caráter de preço predeterminado previsto na lei.  Com  a  mudança  da  tributação  não  há  desequilíbrio  econômico­financeiro,  pois  o  preço  acertado  exclui  os  tributos. O  próprio  contrato  estabelece  o  novo  preço  final juntamente com qualquer mudança do tributo.  (...)  ...  o  preço  fixo  estabelecido  no  contrato  exclui  os  tributos  sobre  a  receita,  portanto qualquer mudança na  tributação  se  reflete/refletiu  imediatamente no  preço final.  (...)  É  importante  destacar  que  não  há  controvérsia  nos  fatos,  somente  em  sua  interpretação.  Na  minha  avaliação,  definitivamente  este  contrato  não  é  de  preço  predeterminado.  Constata­se  que  foram  efetuadas  várias  repactuações  de  suas  condições,  de  seus  objetos  e  do  seu  alcance.  Não  se  sustenta  o  argumento  do  contribuinte  de  que,  para  preenchimento da  condição de preço predeterminado, basta que este  seja  fixado por meio de  parâmetros  conhecidos  anteriormente  à  assinatura.  Ora,  se  o  preço  e  as  condições  já  eram  conhecidos  desde  os  primórdios  da  assinatura  do  contrato,  como  explicar  a  necessidade  de  novas repactuações contratuais? Da leitura de tudo que está posto, a única conclusão possível é  que  o  crescimento  exponencial  dos  valores  recebidos  decorrem  das  cláusulas  repactuadas  e,  jamais  da  execução  do  simples  preço  acordado  originalmente.  Os  reajustes  contratuais  efetuados pelos denominados "Memorandos de Entendimento" é que permitiram a introdução  de  novos  itens  e  novos  elementos  ao  contrato,  fato  que  certamente  resultou  tanto  no  crescimento de  seus custos como de suas  receitas, não sendo cabível a argumentação de que  estes teriam sido efetuados somente para permitir a manutenção do equilíbrio financeiro do que  se havia ajustado.  Concordo também que o estabelecimento de cláusula contratual que protege  um dos contratantes dos efeitos de eventuais mudanças nas regras tributárias afasta o caráter de  preço predeterminado do contrato. Eventuais aumentos de  tributos não está excepcionado no  tratamento previsto no art. 109 da Lei nº 11.196, de 2005.  De  forma  que  nego  provimento  ao  recurso  especial  do  contribuinte  nesta  matéria e adoto também as razões de decidir do acórdão recorrido, nos termos do § 1º do art.  50 da Lei 9784/99.  3.2 Das operações com a Zona Franca de Manaus  Fl. 2084DF CARF MF Processo nº 13855.721049/2011­51  Acórdão n.º 9303­004.608  CSRF­T3  Fl. 15          14 Mais  uma  vez  é  importante  ressaltar  que  os  acórdãos  paradigmas  apresentados  não  representam  divergência  de  entendimento  da  aplicação  da  norma  a  fatos  semelhantes ou parecidos.   A  decisão  recorrida  manteve  o  lançamento  das  diferenças  apuradas  pela  Fiscalização  decorrentes  do  aproveitamento  indevido  de  créditos  por  aquisições  da  Zona  Franca  de  Manaus,  em  virtude  do  desenquadramento  do  contrato  da  condição  de  preço  predeterminado.   Por  sua  vez,  a  decisão  nos  embargos  asseverou  também  que  o  Magazine  Luiza recalculou os créditos apurados até setembro de 2007 utilizando as alíquotas do regime  cumulativo, e que tal conduta, além de incorreta perante a legislação, foi totalmente antiética,  pois  não  informou  aos  fornecedores  a  alteração  do  entendimento  para  os  fatos  geradores  ocorridos  até  setembro  de  2007,  impossibilitando  que  eles  retificassem  as  notas  fiscais  para  recolherem  as  diferenças  das  contribuições  e  exigissem  o  complemento  do  preço  das  mercadorias. Assim fazendo, beneficiou­se duplamente da omissão: pois, de um lado, adquiriu  mercadorias por um preço menor, já que as alíquotas do PIS/COFINS foram menores do que as  devidas, e apurou os créditos com alíquotas maiores. Concluiu que Magazine Luíza não  tem  direito  de  recalcular os  créditos  sobre  aquisições  da Zona Franca de Manaus,  pois  não  pode  haver descompasso  entre  as  alíquotas nas  saídas de Manaus  e  as  alíquotas para  apuração do  crédito  na  entrada  da mercadoria  no Magazine Luiza,  uma vez  que  a  venda  de motocicletas  sujeitas ao regime da substituição tributária, embora sujeite a recorrente ao regime misto, não  afasta  a  infração  cometida  quanto  à  comunicação  de  sua  real  situação  aos  fornecedores  em  Manaus.  Já os acórdãos paradigmas indicados fundamentaram sua razão de decidir na  prevalência da verdade material no processo administrativo fiscal. Não há portanto divergência  de entendimento, pois não se debruçaram sobre os mesmos fatos, somente sobre elementos que  pudessem  estabelecer  suposta  busca  da  verdade material. Diante  disso,  por  força  da  decisão  judicial, analisemos os fatos e o mérito do que se pretende.  Conforme  já  bem  esclarecido  em  todos  os  relatos  do  presente  processo,  inicialmente  o  contribuinte  tributava  todas  as  suas  receitas,  inclusive  as  oriundas  de  seu  contrato com a Fininvest, pelo PIS e Cofins, na sistemática da não­cumulatividade. Pressupõe­ se  daí  que  ele  entendia  que  este  contrato,  já  tratado  no  tópico  anterior,  não  era  de  preço  predeterminado.  Posteriormente,  retificou  esse  entendimento  e  refez  a  apuração  do  PIS  e  da  Cofins do período, para tributar as receitas oriundas do referido contrato no regime cumulativo.  Ou seja, passou a tributar as suas receitas num regime misto. Parte no cumulativo e parte no  não  cumulativo.  Segundo  o  contribuinte,  essa  mudança,  gerou­lhe  direito  a  mudança  na  apuração de seus créditos de PIS e Cofins, nas aquisições de produtos oriundos da Zona Franca  de Manaus, gerando um acréscimo de créditos a seu favor, pois havia creditado com a alíquota  prevista para a não cumulatividade de 5,6% (4,6% da Cofins e 1% do PIS) quando teria direito  a se creditar de 9,25% (7,6% da Cofins e 1,65% do PIS), estando no regime misto de apuração  das  referidas contribuições. A  fiscalização ao mudar o  entendimento em relação ao  contrato,  manteve então a apuração original, negando esse acréscimo adicional de crédito ao contribuinte  para os períodos de apuração até outubro/2007.   Veja  como  dispunha  a  legislação  a  esse  respeito.  Transcrevo  primeiro  as  disposições  para  o  débito  das  contribuições  para  as  pessoas  jurídicas  domiciliadas  na  Zona  Franca de Manaus:  Fl. 2085DF CARF MF Processo nº 13855.721049/2011­51  Acórdão n.º 9303­004.608  CSRF­T3  Fl. 16          15 Lei 10.637/2002  Art.  2o  Para  determinação  do  valor  da  contribuição  para  o  PIS/Pasep  aplicar­se­á,  sobre  a  base  de  cálculo  apurada  conforme o disposto no art. 1o, a alíquota de 1,65% (um inteiro e  sessenta e cinco centésimos por cento). Produção de efeito (Vide  Medida Provisória nº 497, de 2010)  (...)  § 4o Excetua­se do disposto no caput deste artigo a receita bruta  auferida  por  pessoa  jurídica  industrial  estabelecida  na  Zona  Franca de Manaus, decorrente da venda de produção própria,  consoante projeto aprovado pelo Conselho de Administração da  Superintendência da Zona Franca de Manaus – SUFRAMA, que  fica sujeita, ressalvado o disposto nos §§ 1o a 3o deste artigo, às  alíquotas de: (Incluído pela Lei nº 10.996, de 2004)  I  ­ 0,65%  (sessenta  e  cinco  centésimos  por  cento),  no  caso  de  venda  efetuada  a  pessoa  jurídica  estabelecida:  (Incluído  pela  Lei nº 10.996, de 2004)  a) na Zona Franca de Manaus; e (Incluído pela Lei nº 10.996, de  2004)  b) fora da Zona Franca de Manaus, que apure a Contribuição  para o PIS/PASEP no regime de não­cumulatividade; (Incluído  pela Lei nº 10.996, de 2004)  II ­ 1,3% (um inteiro e três décimos por cento), no caso de venda  efetuada a: (Incluído pela Lei nº 10.996, de 2004)  a) pessoa jurídica estabelecida fora da Zona Franca de Manaus,  que  apure  o  imposto  de  renda  com  base  no  lucro  presumido;  (Incluído pela Lei nº 10.996, de 2004)  b)  pessoa  jurídica  estabelecida  fora  da  Zona  Franca  de  Manaus, que apure o imposto de renda com base no lucro real  e  que  tenha  sua  receita,  total  ou  parcialmente,  excluída  do  regime  de  incidência  não­cumulativa  da  Contribuição  para  o  PIS/PASEP; (Incluído pela Lei nº 10.996, de 2004)  (...)  Lei 10.833/2003:  Art.  2o  Para  determinação  do  valor  da  COFINS  aplicar­se­á,  sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1o,  a  alíquota  de  7,6%  (sete  inteiros  e  seis  décimos  por  cento).  (Produção de efeito) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010)  § 5o Excetua­se do disposto no caput deste artigo a receita bruta  auferida  por  pessoa  jurídica  industrial  estabelecida  na  Zona  Franca  de Manaus,  decorrente  da  venda  de  produção  própria,  consoante projeto aprovado pelo Conselho de Administração da  Superintendência da Zona Franca de Manaus – SUFRAMA, que  Fl. 2086DF CARF MF Processo nº 13855.721049/2011­51  Acórdão n.º 9303­004.608  CSRF­T3  Fl. 17          16 fica sujeita, ressalvado o disposto nos §§ 1o a 4o deste artigo, às  alíquotas de: (Incluído pela Lei nº 10.996, de 2004)  I  ­  3%  (três  por  cento),  no  caso  de  venda  efetuada  a  pessoa  jurídica estabelecida: (Incluído pela Lei nº 10.996, de 2004)  a) na Zona Franca de Manaus; e (Incluído pela Lei nº 10.996, de  2004)  b) fora da Zona Franca de Manaus, que apure a COFINS no  regime de não­cumulatividade; (Incluído pela Lei nº 10.996, de  2004)  II ­ 6% (seis por cento), no caso de venda efetuada a: (Incluído  pela Lei nº 10.996, de 2004)  a) pessoa jurídica estabelecida fora da Zona Franca de Manaus,  que  apure  o  imposto  de  renda  com  base  no  lucro  presumido;  (Incluído pela Lei nº 10.996, de 2004)  b)  pessoa  jurídica  estabelecida  fora  da  Zona  Franca  de  Manaus, que apure o imposto de renda com base no lucro real  e  que  tenha  sua  receita,  total  ou  parcialmente,  excluída  do  regime  de  incidência  não­cumulativa  da  COFINS;  (Incluído  pela Lei nº 10.996, de 2004)  (...)  Resumindo  a)  Se  as  vendas  efetuadas  da ZFM  para  pessoas  jurídicas,  situadas  fora  da  ZFM,  e  que  apurem  as  contribuições  no  regime  não­cumulativo,  as  alíquotas aplicadas serão de 3% para a Cofins e 0,65% para o PIS.  b)  Se  as  vendas  efetuadas  da  ZFM  para  pessoas  jurídicas,  situadas  fora  da  ZFM, e que apurem as  contribuições no  regime cumulativo ou misto, as  alíquotas aplicadas serão de 6% para a Cofins e 1,3% para o PIS.  Naturalmente que as pessoas estabelecidas na ZFM não sabem o  regime de  apuração das contribuições adotadas pelos seus clientes. Para tanto, para o efetivo controle, a  IN SRF nº 546/2005, atendendo ao que dispõe o art. 92 da Lei nº 10.833/2003, estabeleceu a  obrigatoriedade das pessoas jurídicas adquirentes informarem aos seus fornecedores na ZFM a  forma  adotada  para  apuração  de  suas  contribuições.  Desta  forma,  até  outubro/2007,  a  recorrente  informou  a  seus  fornecedores  que  apurava  as  contribuições  no  regime  não  cumulativo. Assim  seus  fornecedores  destacaram  em  suas  vendas  3% da Cofins  e 0,65% do  PIS.  Transcreve­se  abaixo  a  legislação  a  respeito  dos  créditos  apurados  para  os  adquirentes localizados fora da ZFM, caso do recorrente.  Lei 10.637/2002  Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa  jurídica  poderá descontar créditos calculados em relação a:  Fl. 2087DF CARF MF Processo nº 13855.721049/2011­51  Acórdão n.º 9303­004.608  CSRF­T3  Fl. 18          17 (...)  § 12. Ressalvado o disposto no § 2o deste artigo e nos §§ 1o a 3o  do art. 2o desta Lei, na aquisição de mercadoria produzida por  pessoa  jurídica  estabelecida  na  Zona  Franca  de  Manaus,  consoante projeto aprovado pelo Conselho de Administração da  Superintendência  da  Zona  Franca  de  Manaus  ­  SUFRAMA,  o  crédito  será  determinado mediante  a  aplicação  da  alíquota  de  1%  (um  por  cento)  e,  na  situação  de  que  trata  a  alínea  b  do  inciso  II  do  §  4o  do  art.  2o  desta Lei, mediante  a aplicação da  alíquota de 1,65% (um inteiro e sessenta e cinco centésimos por  cento). (Redação dada pela Lei nº 11.307, de 2006)  Lei 10.833/2003  Art. 3º Do valor apurado na  forma do art. 2º a pessoa  jurídica  poderá descontar créditos calculados em relação a:  (...)  § 17. Ressalvado o disposto no § 2º deste artigo e nos §§ 1º a 3º  do art. 2º desta Lei, na aquisição de mercadoria produzida por  pessoa  jurídica  estabelecida  na  Zona  Franca  de  Manaus,  consoante projeto aprovado pelo Conselho de Administração da  Superintendência  da  Zona  Franca  de  Manaus  ­  SUFRAMA,  o  crédito  será  determinado mediante  a  aplicação  da  alíquota  de  4,6% (quatro inteiros e seis décimos por cento) e, na situação de  que  trata  a  alínea  b  do  inciso  II  do  §  5º  do  art.  2º  desta  Lei,  mediante  a  aplicação  da  alíquota  de  7,60%  (sete  inteiros  e  sessenta  centésimos  por  cento).  (Redação  dada  pela  Lei  nº  11.307, de 2006)  Resumindo:  a) Se o adquirente, fora da ZFM, apura suas contribuições pelo regime da não  cumulatividade, credita­se de 4,6% da Cofins e 1% de PIS.  b) Se o adquirente, fora da ZFM, apura suas contribuições pelo regime misto,  credita­se de 7,6% da Cofins e 1,65% de PIS.  Portanto,  como  o  recorrente  informava  aos  seus  fornecedores  na  ZFM,  até  outubro/2007,  que  apurava  as  contribuições  no  regime  não  cumulativo,  eles  tributavam  a  Cofisn em 3% e o PIS em 0,65% e a recorrente apropriava­se de créditos de 4,6% da Cofins e  1% de PIS.  Após  a mudança  de  entendimento  da  recorrente  de  que  poderia  tributar  as  suas  receitas  oriundas  do  contrato  firmado  com  a  Fininvest  como  sendo  de  preço  predeterminado, passando assim para o regime misto de apuração das contribuições, ela refez a  sua  apuração  tão  somente para  se apropriar de  créditos  adicionais  correspondente  a 7,6% da  Cofins  e  1,65%  de  PIS.  Apropriou  somente  da  diferença,  mas  silenciou  quanto  aos  seus  fornecedores  que  haviam  apurado  débitos  a  menor  das  contribuições.  Como  sabemos  a  fiscalização reverteu esse procedimento nos lançamentos, tendo sido mantido pelas instâncias  julgadoras a quo.  Fl. 2088DF CARF MF Processo nº 13855.721049/2011­51  Acórdão n.º 9303­004.608  CSRF­T3  Fl. 19          18 A recorrente argumenta que, mesmo considerando o contrato com a Fininvest  como não sendo de preço predeterminado, ainda assim faz jus a apropriação dos créditos, pois  desde junho/2006 vende motocicletas em suas lojas, mercadoria sujeita a substituição tributária  e,  como  tal,  beneficiada  pelo  regime  cumulativo  de  apuração  das  contribuições  ao  PIS  e  a  Cofins.  Essa matéria  foi enfrentada pelo acórdão de embargos e  foi assim decidida,  conforme transcrição de sua ementa, fl. 1549:  REGIME  MISTO.  VENDA  DE  PRODUTOS  SUJEITOS  À  SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. REFLEXO NA APURAÇÃO DE  CRÉDITOS  PELA  AQUISIÇÕES  DE  MERCADORIAS  DA  ZONA FRANCA DE MANAUS.  O  direito  à  apuração  de  créditos  de  PIS  e  COFINS  sobre  mercadorias  adquiridas  da  Zona  Franca  de  Manaus  depende  não só do regime de apuração das contribuições a que se sujeita  o  comerciante  varejista  localizado  fora  da  Zona  Franca,  mas  também do cumprimento dos  requisitos estabelecidos no art. 3º  da IN SRF nº 546/2005, pois a escolha da alíquota aplicável na  apuração  do  crédito  depende  da  alíquota  que  foi  aplicada  na  tributação  da  saída  da  mercadoria  de  Manaus.  Mercadoria  tributada  na  saída  de  Manaus  com  alíquota  prevista  para  destinatário  que  informou  estar  sujeito  ao  regime  não­ cumulativo,  não  pode  gerar  crédito  mediante  aplicação  das  alíquotas do regime cumulativo.  Concordo plenamente com essa decisão. Como visto, logo acima, a legislação  estabeleceu créditos diferenciados para situações diferenciadas, sendo certo que o recorrente é  o  único  responsável  pelo  fato  de  os  fornecedores  situados  na  ZFM  terem  destacado  as  suas  contribuições em valores a menor. Não é possível e nem aceitável que o contribuinte intente  agora  que  o  Estado  Brasileiro  arque  com  o  seu  erro  e  lhe  autorize  a  devolução  de  créditos  inexistentes. Ao agir  dessa  forma, o  contribuinte  afastou  a  certeza  e  liquidez desses  créditos  que são atributos necessários à formação destes.  Vale lembrar, considerando que o contribuinte apresentou o tema da verdade  material, no acórdão paradigma da divergência, que nenhuma decisão proferida até aqui negou  validade à sua informação de que a partir de junho/96, seus estabelecimentos efetuavam vendas  de motocicletas.  Diante  do  exposto  nego  provimento  ao  Recurso  Especial  do  contribuinte  nesta matéria.  3.3 ­ Da falta de tributação dos recebimentos de JCP  Novamente  há  que  ressaltar  que  não  existe  divergência  de  entendimentos  entre o acórdão paradigma e o acórdão recorrido. No paradigma a matéria tratada foi quanto a  incidência  do  IRPJ  sobre  os  juros  de  capital  próprio.  A  legislação  de  regência  é  diferente.  Portanto, por força da decisão judicial, vamos à análise do caso concreto.  O recorrente alega que os juros sobre o capital próprio têm a mesma natureza  dos dividendos e, por consequência, não poderiam sofrer a incidência do PIS e da Cofins.   Fl. 2089DF CARF MF Processo nº 13855.721049/2011­51  Acórdão n.º 9303­004.608  CSRF­T3  Fl. 20          19 Não  há  como  confirmar  esse  entendimento.  Os  dividendos  tem  natureza  diversa do JCP, pois advém do lucro e não correspondem a uma despesa para quem os paga. Já  o JCP, para quem os paga trata­se de uma despesa e, para quem os recebe, caso da recorrente,  corresponde a uma receita tributável pelo PIS e pela Cofins pois não existe previsão legal para  sua exclusão da base de cálculo das contribuições.  Assim,  confirmo  o  entendimento  das  decisões  recorridas,  com  os  mesmos  fundamentos. Destaca­se, dessa forma, disposição literal constante do art. 1º, inc. I do Decreto  nº 5.442/2005, em vigor na data do lançamento:  Art.  1º  Ficam  reduzidas  a  zero  as  alíquotas  da  Contribuição  para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da  Seguridade  Social  ­  COFINS  incidentes  sobre  as  receitas  financeiras,  inclusive decorrentes de operações  realizadas para  fins  de  hedge,  auferidas  pelas  pessoas  jurídicas  sujeitas  ao  regime  de  incidência  não­cumulativa  das  referidas  contribuições.  Parágrafo único. O disposto no caput:  I ­ não se aplica aos juros sobre o capital próprio;  II  ­  aplica­se  às  pessoas  jurídicas  que  tenham apenas  parte de  suas  receitas  submetidas  ao  regime  de  incidência  não­ cumulativa da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS.  Se  os  JCP  não  estão  excluídos  da  base  de  cálculo  do  PIS  e  da Cofins  por  qualquer  dispositivo  legal  e  se  a  eles  não  se  aplica  a  alíquota  zero  estabelecida  no Decreto,  evidente que sua tributação dá se forma normal, nos termos dos art. 1º das Leis nº 10.637/2002  e 10.833/2003:  Art.  1o  A  Contribuição  para  o  Financiamento  da  Seguridade  Social  ­  COFINS,  com  a  incidência  não­cumulativa,  tem  como  fato gerador o  faturamento mensal, assim entendido o total das  receitas  auferidas  pela  pessoa  jurídica,  independentemente  de  sua denominação ou classificação contábil.  Além do mais, o STJ, sob a sistemática do art. 543­C do CPC, no julgamento  do RESP 1104184, decidiu ser possível a tributação dos juros sobre capital próprio pela Cofins  e pela Contribuição para o PIS/Pasep não cumulativas, após a edição da EC nº 20.  (...)  3.  A  Lei  9.718/98  (regime  cumulativo)  estatui  que  a  base  de  cálculo  do  PIS/CONFINS  é  o  faturamento,  sendo  este  equiparado  à  receita  bruta  da  pessoa  jurídica,  tal  como  apregoam  os  arts.  2o.  e  3o.  Este  último  preceito  normativo  estava acompanhado do § 1o., que dizia: entende­se por receita  bruta  a  totalidade  das  receitas  auferidas  pela  pessoa  jurídica,  sendo  irrelevantes  o  tipo  de  atividade  por  ela  exercida  e  a  classificação  contábil  adotada para  as  receitas.  Tal dispositivo  legal  fundamentava  a  inclusão,  pelo  Fisco,  dos  juros  sobre  capital  próprio  ­  JCP  ­  no  conceito  de  receita  financeira,  fato  que permitiria a cobrança do PIS/COFINS sobre ele.  Fl. 2090DF CARF MF Processo nº 13855.721049/2011­51  Acórdão n.º 9303­004.608  CSRF­T3  Fl. 21          20 4.  Todavia,  a  técnica  adotada  pelo  legislador  ordinário  e  posteriormente  ratificada  pelo  Fisco  foi  definitivamente  rechaçada  pelo  Supremo  Tribunal  Federal,  que  declarou  a  inconstitucionalidade  do  alargamento  do  conceito  de  faturamento  empreendido  pelo  art.  3o.,  §  1o.  da  Lei  9.718/98,  tendo  em  vista  o  quanto  disposto  no  art.  195  da  CRFB,  inconstitucionalidade  essa  que  não  foi  afastada  com  as  modificações  efetuadas  pela  EC  20/98,  a  qual,  grosso  modo,  constitucionalizou o conceito legal de faturamento ao incluir no  Texto Magno, como base de cálculo do PIS/CONFINS, também,  a  receita  (RE's  346.084/PR,  357.950/RS,  358.273/RS  e  390.840/MG).  5. Sendo assim, antes da EC 20/98, a definição constitucional do  conceito  de  faturamento  envolvia  somente  a  venda  de  mercadorias,  de  serviços  ou  de  mercadorias  e  serviços,  não  abrangendo  a  totalidade  das  receitas  auferidas  pela  pessoa  jurídica,  tal  como  o  legislador  ordinário  pretendeu.  Somente  após  a  edição  da  referida  emenda  constitucional  é  que  se  possibilitou  a  inclusão  da  totalidade  das  receitas  ­  incluindo  o  JCP ­ como base de cálculo do PIS, circunstância materializada  com a edição das Leis 10.637/02 e 10.833/03.  6.  Em  suma,  tem­se  que  não  incide  PIS/COFINS  sobre  o  JCP  recebido  durante  a  vigência  da  Lei  9.718/98  até  a  edição  das  Leis  10.637/02  (cujo  art.  1o.  entrou  em  vigor  a  partir  de  01.12.2002)  e  10.833/03,  tal  como  no  caso  dos  autos,  que  se  refere  apenas  ao  período  compreendido  entre  01.03.1999  e  30.09.2002.  Precedente:  1a.  Turma,  REsp.  1.018.013/SC,  Rel.  Min. JOSÉ DELGADO, DJe 28.04.2008.  (REsp  1104184  RS,  Rel.  Ministro  NAPOLEÃO  NUNES  MAIA  FILHO,  PRIMEIRA  SEÇÃO,  julgado  em  29/02/2012,  DJe  08/03/2012)  Por fim, desprovido de qualquer fundamento o argumento do contribuinte de  que  a  decisão  do  STJ  não  teria  entrado  no  mérito  a  respeito  de  que  o  JCP  teria  a  mesma  natureza  dos  dividendos.  Ao  concluir  pela  possibilidade  de  sua  tributação  o  fez  no  exato  sentido em que é tratado na legislação tributária.  Diante  do  exposto,  nego  provimento  ao  Recurso  Especial  do  Contribuinte  nessa matéria.  3.4  ­  Da  falta  de  tributação  das  bonificações  financeiras  recebidas  dos  fornecedores  No caso  a  fiscalização  dividiu  estas  bonificações  em dois  tópicos. Um que  chamou de "bonificações de amortização de custos" e outra que denominou de "bonificações  de ressarcimento de despesas com propaganda cooperada".   O  primeiro  item,  "bonificações  de  amortização  de  custos",  refere­se  aos  seguintes  itens:  a)  Price/rebate  ­  prática  de  preços  inferiores  aos  de  aquisição  dos  produtos,  sendo  indenizada pelo  fornecedor; b) Bonificações de custo  ­ basicamente a mesma  ideia do  item  anterior,  na  qual  recebe  dos  fornecedores  bonificações  em  razão  de  promoções  Fl. 2091DF CARF MF Processo nº 13855.721049/2011­51  Acórdão n.º 9303­004.608  CSRF­T3  Fl. 22          21 comerciais; c) Liquidação fantástica ­ também de mesma natureza, mas praticada em um único  evento com participação de vários fornecedores que a bonificam pelas vendas abaixo do custo;  d)  Encontrão  e  treinamento  ­  encontro  nacional  de  funcionários  da  recorrente  nos  quais  os  fornecedores  ajudam financeiramente em sua promoção;  e e) Bônus  ­ bonificações  recebidas  dos fornecedores em razão de atingimento de metas de vendas.  O segundo item, "bonificações de ressarcimento de despesas com propaganda  cooperada", trata­se de despesas de propaganda que são rateadas com seus fornecedores, pois  ao  anunciar  suas  promoções  ou  seus  produtos,  também  estaria  fazendo  divulgação  de  seus  fornecedores.  Quanto ao primeiro item, assim dispôs corretamente a decisão recorrida:  (...)  A  partir  dessa  descrição,  se  pode  constatar  a  natureza  contraprestacional  desses  recebimentos.  Não  se  tratam  de  descontos  incondicionais. Os  fornecedores  contribuem financeiramente com a recorrente porque têm interesse em obter alguma  contrapartida,  circunstância  essa  que  não  se  coaduna  com  o  conceito  de  desconto  incondicional  e  nem  com  o  de  receita  financeira.  É  de  clareza  vítrea  que  essas  bonificações  se  revestem  de  um  caráter  contraprestacional,  os  fornecedores  só  contribuem com as bonificações porque obtêm alguma vantagem em troca.  Portanto,  não  se  tratando  de  descontos  incondicionais  e  muito  menos  de  receitas financeiras, fica afastada a aplicabilidade da exclusão prevista no art. 1º, §  3º,  V,  alínea  "a"  das  Leis  10.637/02  e  10.833/03  (descontos  incondicionais)  e  tampouco o art. 1º do Decreto 5.442/2005 (alíquota zero para receitas financeiras).  (...)  Conforme o art. 1º de ambas as Leis nºs. 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003,  a Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins, com a incidência não­cumulativa, têm como fato  gerador  o  faturamento mensal,  assim  entendido  o  total  das  receitas  auferidas  pela  pessoa  jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil.  Conforme  o  §  3º,  inciso V,  alínea  "a",  destas  leis,  não  integram  a  base  de  cálculo  destas  contribuições  as  receitas  referentes  a  vendas  canceladas  e  aos  descontos  incondicionais concedidos.  Logo,  as  leis  de  incidência  das  contribuições  sociais1:  deixam  claro  que  descontos concedidos são receitas e, em se tratando destes descontos, apenas os incondicionais  podem ser excluídos da base de cálculo das contribuições.                                                              1 A redação atual do artigo 1º da Lei nº 10.833, de 2003, é a seguinte:  Art. 1o A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social  ­ Cofins, com a  incidência não cumulativa,  incide sobre o total das receitas auferidas no mês pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou  classificação contábil. (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência)   § 1o Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta de que trata o art. 12 do  Decreto­Lei no 1.598, de 26 de dezembro de 1977, e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica com  os seus respectivos valores decorrentes do ajuste a valor presente de que trata o inciso VIII do caput do art. 183 da  Lei no 6.404, de 15 de dezembro de 1976. (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência)   § 2o A base de cálculo da Cofins é o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, conforme definido no caput  e no § 1o. (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência)   § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo as receitas:  Fl. 2092DF CARF MF Processo nº 13855.721049/2011­51  Acórdão n.º 9303­004.608  CSRF­T3  Fl. 23          22 Conforme  assentado  no  acórdão  recorrido,  com  o  quê  estou  de  acordo,  no  presente  caso,  os  descontos  foram  concedidos  condicionalmente.  Logo,  devem  ser  incluídos  nas bases de cálculo da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep não cumulativas.   Acrescento  que,  em  relação  a  esta  matéria,  o  Acórdão  9303­003.810,  de  26/4/2016, desta 3ª Turma da CSRF, assentou que bonificações condicionais são receitas e  devem ser incluídas na base de cálculo da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep.  Eis  a  ementa  do  Acórdão  9303­003.810,  de  26/4/2016  (PAF  10510.721517/2011­09):  Assunto:  Contribuição  para  o  Financiamento  da  Seguridade  Social ­ Cofins  Período de apuração: 01/04/2006 a 31/12/2010  PIS  E  COFINS.  BONIFICAÇÕES  CONDICIONAIS.  INCIDÊNCIA.  As  bonificações  condicionais,  concedidas  em  razão  de  obrigações contratuais,  sujeitas a evento  futuro, que não  foram  consignadas na nota fiscal de entrada e não reduziram o Custo  das Mercadorias  Vendidas  não  representam  redução  de  custo.                                                                                                                                                                                            I ­ isentas ou não alcançadas pela incidência da contribuição ou sujeitas à alíquota 0 (zero);   II  ­ de que  trata o  inciso IV do caput do art. 187 da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, decorrentes da  venda de bens do ativo não circulante, classificado como investimento, imobilizado ou intangível; (Redação dada  pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência)   III  ­  auferidas pela pessoa  jurídica  revendedora, na  revenda de mercadorias em relação às quais a contribuição  seja exigida da empresa vendedora, na condição de substituta tributária;   IV ­ (Revogado pela Lei nº 11.727, de 2008)   V ­ referentes a:   a) vendas canceladas e aos descontos incondicionais concedidos;   b) reversões de provisões e recuperações de créditos baixados como perda que não representem ingresso de novas  receitas,  o  resultado  positivo  da  avaliação  de  investimentos  pelo  valor  do  patrimônio  líquido  e  os  lucros  e  dividendos derivados de participações societárias, que tenham sido computados como receita; (Redação dada pela  Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência)   VI  ­  decorrentes  de  transferência  onerosa  a  outros  contribuintes  do  Imposto  sobre  Operações  relativas  à  Circulação  de  Mercadorias  e  sobre  Prestações  de  Serviços  de  Transporte  Interestadual  e  Intermunicipal  e  de  Comunicação ­ ICMS de créditos de ICMS originados de operações de exportação, conforme o disposto no inciso  II do § 1o do art. 25 da Lei Complementar no 87, de 13 de setembro de 1996. (Incluído pela Lei nº 11.945, de  2009). (Produção de efeitos).  VII ­ financeiras decorrentes do ajuste a valor presente de que trata o inciso VIII do caput do art. 183 da Lei nº  6.404, de 15 de dezembro de 1976, referentes a receitas excluídas da base de cálculo da Cofins; (Incluído pela Lei  nº 12.973, de 2014) (Vigência)  VIII ­ relativas aos ganhos decorrentes de avaliação do ativo e passivo com base no valor justo; (Incluído pela Lei  nº 12.973, de 2014) (Vigência)  IX  ­  de  subvenções  para  investimento,  inclusive  mediante  isenção  ou  redução  de  impostos,  concedidas  como  estímulo  à  implantação  ou  expansão  de  empreendimentos  econômicos  e  de  doações  feitas  pelo  poder  público;  (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência)  X  ­  reconhecidas  pela  construção,  recuperação,  reforma,  ampliação  ou  melhoramento  da  infraestrutura,  cuja  contrapartida seja ativo intangível representativo de direito de exploração, no caso de contratos de concessão de  serviços públicos; (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência)  XI ­  relativas ao valor do  imposto que deixar de  ser pago em virtude das  isenções e  reduções de que  tratam as  alíneas “a”, “b”, “c” e “e” do § 1o do art. 19 do Decreto­Lei no 1.598, de 26 de dezembro de 1977; e (Incluído  pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência)  XII ­ relativas ao prêmio na emissão de debêntures. (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência)    Fl. 2093DF CARF MF Processo nº 13855.721049/2011­51  Acórdão n.º 9303­004.608  CSRF­T3  Fl. 24          23 Trata­se  de  receita  a  ser  considerada  quando  da  apuração  da  contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins.  Assunto: Processo Administrativo Fiscal  Período de apuração: 01/04/2006 a 31/12/2010  RECURSO  ESPECIAL  DE  DIVERGÊNCIA.  PREQUESTIONAMENTO. NECESSIDADE.  Não será debatida na  instância especial matéria que não  tenha  sido alvo de análise pela instância recorrida.  Recurso Especial do Procurador Provido  Não é diferente do que penso.  Peço  licença  para  transcrever  o  voto  vencedor  deste  acórdão,  da  lavra  do  Ilustre Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, cujas razões adoto como fundamento deste voto,  em reforço ao que afirmei acima e para afastar argumentos contrários, em especial os lançados  pelo contribuinte em suas peças recursais e os constantes dos acórdãos paradigmas.  Antes de qualquer consideração é preciso ter em mente que a incidência das  contribuições  em  debate  dar­se­á  independentemente  da  denominação  ou  classificação  contábil,  basta  que  reste  caracterizado  o  auferimento  de  receita.  Confira­se o que dizia o art. 1º da Lei nº 10.833, de 2003, que tinha redação idêntica  à do art. 1º da Lei nº 10637, de 2002 (destaques acrescidos):  Art. 1º A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS,  com  a  incidência  não­cumulativa,  tem  como  fato  gerador  o  faturamento  mensal,  assim  entendido  o  total  das  receitas  auferidas  pela  pessoa  jurídica,  independentemente de sua denominação ou classificação contábil.  Ou  seja,  a  partir  da  instituição  do  regime  não­cumulativo,  a  incidência  das  contribuições  litigiosas  independe  da  discussão  normalmente  travada  quando  se  discute as parcelas que se submeterão à incidência cumulativa.  Deveras,  as  contribuições  serão  devidas  sobre  qualquer  receita  (inclusive  doação), independentemente da forma por meio da qual se deu a sua contabilização  ou do seu enquadramento no conceito  restritivo de  faturamento defendido por boa  parte da doutrina (receita das vendas de mercadorias, de serviços ou de mercadorias  e  serviços). Basta  que  haja  receita  para  ocorrer  a  incidência,  ainda  que  à  alíquota  zero, como se verifica, por exemplo, com relação às receitas financeiras.  (...)  Pela  descrição  da  contraprestação  a  cargo  da  Contribuinte  pode­se  assumir  que todas as bonificações estão condicionadas ao cumprimento de uma obrigação de  fazer,  a  cargo  da  Contribuinte  e  que  quase  todas  refletem  em  um  serviço  que  reverteria  em  favor  do  adquirente  (propaganda,  exposição  em  local  privilegiado,  transporte, utilização de sistema informatizado, etc.). As bonificações denominadas  "inauguração de contrato" e  "reinaugurações", seriam enquadráveis,  a meu ver,  no  conceito de doação.  Entretanto,  em  que  pese  a  ressalva  deste  Relator  com  relação  ao  enquadramento  destas  duas  rubricas,  igualmente  qualificadas  como  serviço  pelas  autoridades  autuantes,  na  esteira  do  que  já  foi  exposto  anteriormente,  não  vejo  Fl. 2094DF CARF MF Processo nº 13855.721049/2011­51  Acórdão n.º 9303­004.608  CSRF­T3  Fl. 25          24 qualquer  reflexo  em  tal  ressalva,  pois,  como  apontado,  interessa  ao  presente  julgamento,  inicialmente,  definir  se  se  caracterizou  o  auferimento  de  receita,  a  qualquer título.  Com  relação  à  caracterização  da  doação  como  receita,  cite­se  a  seguinte  manifestação  da  extinta  4ª Câmara  do  2º Conselho  de Contribuintes,  por meio  do  Acórdão nº 20403.3042:  Assunto:  Contribuição  para  o  Financiamento  da  Seguridade Social – Cofins  BASE  DE  CÁLCULO.  BONIFICAÇÕES  RECEBIDAS.  DESCARACTERIZAÇÃO.  Somente  se  configura  o  recebimento  de  bonificação  em  mercadorias,  cujo  valor  não  é  computado  como  receita  para  fins  de  apuração  da  base  de  cálculo  do  PIS  e  da  Cofins  na  forma  definida  na  Lei  nº  9.718/98,  quando  constem  discriminadas  na  própria  nota  fiscal  de  venda  das mercadorias sobre a qual se concedeu a bonificação.  Mercadorias  recebidas  gratuitamente,  em  nota  fiscal  própria,  configuram  doações,  cuja  contrapartida  é  obrigatoriamente  registrada  a  conta  de  receita  e  tributada  pelas  contribuições  na  vigência  daquela  Lei.  (grifei)  Dito isto, estou convicto que, inobstante os valores não terem transitado pela  conta  "caixa",  "bancos"  ou  qualquer  outra  destinada  ao  registro  de  ingressos  de  recursos,  restou  caracterizado  o  auferimento  de  receita,  em  razão  do  aumento  no  patrimônio  líquido,  fruto  da  redução  do  passivo,  mais  precisamente  do  valor  da  conta que consignava o valor devido a fornecedores.  Tomo  emprestadas,  quanto  a  este  aspecto,  as  seguintes  considerações  de  Ricardo Mariz de Oliveira, que refletem  Ora,  material  e  juridicamente,  uma  redução  de  passivo  sem pagamento reúne estas qualidades para se equiparar  às receitas que se formam no lado ativo da demonstração  gráfica do patrimônio social.  Com  razão,  o  patrimônio  é  um  conjunto  de  direitos  e  obrigações,  sendo  mensurado  pela  soma  algébrica  de  todos os direitos com todas as obrigações. Visto de forma  contábil, e tal como descrito na Lei nº 6.404, o patrimônio  reúne os direitos do lado esquerdo do balanço ­ o ativo­ e  as obrigações do lado direito o passivo. A diferença entre  eles  ­  resultado  da  soma  algébrica  ­  é  o  patrimônio  liquido,  que  se  demonstra  do  lado  direito  porque  em  condições  normais,  de  uma  pessoa  jurídica  que  seja  solvente, o ativo é maior do que o passivo.  Ora,  nesta  equação,  aumenta­se  o  patrimônio  tanto  aumentando o ativo quanto diminuindo o passivo.  Por qualquer destas operações o resultado do patrimônio  líquido é igual.  Fl. 2095DF CARF MF Processo nº 13855.721049/2011­51  Acórdão n.º 9303­004.608  CSRF­T3  Fl. 26          25 Destarte,  matemática  e  materialmente  não  há  a  mínima  diferença  entre  uma  e  outra  fonte  de  alteração  patrimonial.  E  também  juridicamente  não  há  diferença  entre  uma  e  outra  situação,  pois  se  se  admite  que  receita  é  um  ingresso de direito novo, que contribui positivamente para  a  formação  de  um  aumento  patrimonial,  esse  direito  também  pode  ocorrer  com  o  passivo,  isto  é,  com  as  obrigações,  porque  o  perdão  de  uma  dívida  também  incorpora  um  novo  direito  no  patrimônio  do  até  então  devedor, que é o direito de não mais pagar aquela dívida  perdoada.  Na mesma linha, Francisco Velter e Luiz Roberto Missagia4:  São  os  ingressos  de  elementos  para  o  ativo,  sejam  de  disponibilidades  ou  de  direitos,  geralmente  correspondentes  a  um  esforço  produtivo  da  empresa,  ou  ainda de redução de obrigações com terceiros. Provocam  o aumento da situação líquida.  Exemplo 1: A empresa vende mercadorias à vista para um  cliente.  Com  isso,  haverá  uma  entrada  de  dinheiro  no  caixa da empresa, que corresponde a um bem (dinheiro).  Há,  então,  um  aumento  no  ativo  que  teve  como  origem  uma  receita  gerada  pela  venda  de  um  produto  ou  mercadoria. É o que chamamos de receita de vendas.  Exemplo  2:  A  empresa  recebe  um perdão  de  uma dívida  com  um  fornecedor. Neste  caso,  haverá  uma  redução  do  passivo  exigível  (obrigações  com  terceiros),  oriunda  do  perdão da dívida. Também é considerada uma receita.  E não se alegue que os descontos em questão corresponderiam a uma redução  de custo. Como afirmou a própria contribuinte no item 7 do seu recurso voluntário (à  fl.  761),  a  contrapartida  da  redução  da  conta  "duplicatas  a  pagar"  não  é  a  conta  "mercadorias"  (que reduziria o seu custo), mas uma conta destinada ao registro de  resultados positivos.  Consequentemente,  o  Custo  das  Mercadorias  Vendidas  (CMV)  não  sofre  qualquer alteração.  Nessa ordem de consideração, descabe argumentar, ainda, que o fato do valor  do  desconto  não  se  encontrar  consignado  na  nota  fiscal  de  venda  emitida  pelo  fornecedor representaria mero descumprimento de formalidade contábil.  Este é o  sentido de  se distinguir o desconto  consignado na nota  (redutor do  custo de aquisição) daquele concedido em razão de contraprestação, que não altera o  valor da mercadoria, nem, consequentemente, o CMV, como é o caso dos autos.  Importa  consignar  que,  nos  termos  da  solução  de  consulta  e  da  instrução  normativa mencionados pelo acórdão recorrido, somente se considerou excluída da  incidência  a  bonificação  que  constam  da  nota  fiscal  de  venda  e  o  que  é  mais  importante,  não  se  sujeitam  a  evento  futuro,  condições  que  não  se  verificam  no  presente processo.  Fl. 2096DF CARF MF Processo nº 13855.721049/2011­51  Acórdão n.º 9303­004.608  CSRF­T3  Fl. 27          26 Noutro giro, levando em consideração que foi exposto anteriormente, quando  da  descrição  das  bonificações,  não  consigo  enxergar  que  se  esteja  diante  de  uma  receita financeira.  Note­se,  quanto  a  essa  matéria,  que  recorrente  sustenta  insuficiência  da  amostragem, mas não trouxe aos autos qualquer informação de outros fornecedores  que pudessem infirmar as conclusões do Fisco acerca da inocorrência de antecipação  de pagamentos capazes de gerar um desconto financeiro. Todas as bonificações, pelo  menos  pelo  que  consta  dos  autos,  dizem  respeito  às  rubricas  já  descritas  anteriormente, que correspondem a descontos comerciais, concedidos em razão do  cumprimento de obrigações assumidas.  É verdade que o art. 373 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR)5 inclui  os descontos obtidos na parte que trata das receitas financeiras, mas, evidentemente,  está  a  se  referir  aos  descontos  financeiros,  concedidos  em  razão  de  uma  contraprestação  de  natureza  igualmente  financeira,  como,  por  exemplo,  uma  antecipação de pagamento.  Como é cediço, um dos pontos de partida para a interpretação sistemática, é a  contextualização do dispositivo interpretado.  Se  o  mencionado  art.  373  do  RIR  está  inserido  na  Subseção  I  (Receitas  e  Despesas  Financeiras)  da  Seção  IV  (Outros  Resultados  Operacionais),  é  nesse  contexto que deve ser levada a efeito sua interpretação.  Assim sendo, o fato de o legislador mencionar os descontos dentre as receitas  financeiras enquadráveis em Outros Relatórios Operacionais não transforma todo e  qualquer desconto em receita financeira, mas, exclusivamente, define de que forma  se dará a sua tributação.  Quanto  ao  segundo  item,  "bonificações  de  ressarcimento  de  despesas  com  propaganda cooperada", melhor sorte não assiste a recorrente.   Transcreve­se abaixo trecho da acusação fiscal:  (...)   Em  que  pese  os  argumentos  apresentados  de  que  se  trata  de  mero  ressarcimento de despesas, o fato é que os valores recebidos dos fornecedores para  recuperar  custos  publicitários  não  guardam  correspondência  direta  com  os  gastos  com  publicidade,  isto  porque  não  foram  apresentados  quaisquer  detalhamentos  destes valores ressarcidos. Não obstante ter asseverado que se trata de ressarcimento,  a  fiscalizada  não  apresentou  qualquer  documento  que detalhasse  a  vinculação  dos  gastos com as receitas de bonificação com propaganda cooperada.  A documentação apresentada pela  fiscalizada para justificar os  recebimentos  de  bonificações  limita­se  às  notas  de  débito.  Tais  documentos  são  internos  à  fiscalizada, e  indicam tão somente uma comunicação do departamento de compras  informando  o  fornecedor  e  a  forma  de  recebimento  da  bonificação.  Não  foi  apresentado  nenhum  contrato  com  as  empresas,  e  nem  mesmo  uma  simples  correlação das despesas de propagandas efetuadas com as bonificações recebidas.  (...)  Indubitavelmente,  a  fiscalização  até  entende  ser  possível  estas  bonificações  serem  reembolso  de  despesas  compartilhadas  de  propaganda,  desde  que  houvesse  elementos  Fl. 2097DF CARF MF Processo nº 13855.721049/2011­51  Acórdão n.º 9303­004.608  CSRF­T3  Fl. 28          27 demonstrando  de  forma  inequívoca  a  correlação  dos  recebimentos  com  as  correspondentes  despesas de propaganda.  Da mesma forma seguiu as decisões recorridas. De se notar que a discussão  não se resume ao direito invocado, mas basicamente aos elementos de prova. Como nada foi  acrescido no âmbito do recurso especial, a não ser uma suposta decisão divergente que não é  suficiente  para  carrear  provas  ao  presente  processo,  adoto  como  razão  de  decidir  os  fundamentos da decisão recorrida, abaixo transcrita:  (...)  Quanto  às  bonificações  de  ressarcimento  por  despesas  com  propaganda  cooperada,  alegou  que  investe  maciçamente  em  campanhas  de  marketing  e  que  nessas  campanhas  acaba  divulgando  também  as  marcas  dos  fornecedores.  Essas  bonificações  correspondem  ao  reembolso  por  parte  dos  fornecedores  da  parte  que  lhes cabe pela divulgação de seus produtos.  A empresa contesta a decisão de primeira instância, tanto na interpretação do  direito, quanto na parte em que foi alegada a não comprovação da vinculação dessas  bonificações aos gastos com propaganda. Disse que apresentou vários documentos  que comprovam essa vinculação, citando exemplificativamente um contrato com o  fornecedor Samsung.  No  que  concerne  à  interpretação  do  direito,  o  entendimento  oficial  da  administração  tributária  quanto  ao  ressarcimento  de  despesas  administrativas  que  tenham sido rateadas é no sentido de não considerá­lo receita passível de inclusão na  base  de  cálculo  do  PIS  e  da  COFINS,  conforme  restou  decidido  na  Solução  de  Divergência Cosit nº 23, de 23/09/2013.  Embora a referida solução de divergência se refira a empresas integrantes de  um mesmo grupo econômico, as conclusões do referido parecer, principalmente no  que tange às contribuições ao PIS e COFINS podem ser aplicadas por analogia ao  caso concreto, pois onde está a mesma razão, aplica­se o mesmo direito.  Entretanto,  para  que  esse  direito  possa  ser  exercido  pelo  contribuinte,  é  necessária a comprovação, por meio de ajuste escrito entre as partes, do valor global  da despesa, dos critérios de rateio, do valor e do pagamento do gasto incorrido, da  parte da despesa que  toca a cada empresa e, obviamente, da contabilização desses  ressarcimentos como direitos de créditos  a  recuperar. Além disso,  especificamente  em  relação  ao  PIS  e  COFINS,  a  administração  exige  que  o  rateio  de  despesas  comuns indique os itens que compõem a parcela imputada a cada empresa, a fim de  permitir a identificação dos itens de dispêndio que geram para a pessoa jurídica que  os suporta direito ao crédito das referidas contribuições.  Compulsando  os  autos  há  que  se  concordar  com  a  decisão  de  primeira  instância.  Realmente,  não  existe  nenhuma  prova  de  vinculação  entre  essas  bonificações e os gastos com propaganda. Os únicos documentos apresentados com  o objetivo de fazer essa comprovação são as notas de débito de fls. 165 a 184 que  são documentos internos produzidos pela própria recorrente que não comprovam tal  vinculação.  Relativamente  aos  contratos  citados  no  recurso,  também  não  foram  apresentados  pela  defesa.  A  única  notícia  deles  nos  autos  são  as  transcrições  existentes no corpo do recurso voluntário.  Fl. 2098DF CARF MF Processo nº 13855.721049/2011­51  Acórdão n.º 9303­004.608  CSRF­T3  Fl. 29          28 Sendo  assim,  há  que  se  manter  a  glosa  da  fiscalização  em  razão  do  contribuinte  não  ter  se  desincumbido  do  ônus  da  prova  do  fato  modificativo  da  pretensão fazendária.  Adicionalmente,  transcrevo abaixo ementas de  recentes  julgados do CARF,  que vem decidindo nesse mesmo sentido:  ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA O  FINANCIAMENTO DA  SEGURIDADE SOCIAL ­ COFINS  Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006  COFINS.  RECEITA.  BONIFICAÇÕES.  DESCONTOS  OBTIDOS. REQUISITOS.  Os valores recebidos a título de descontos obtidos e bonificações  constituem receita, e devem ser excluídos da base de cálculo da  contribuição  apenas  se  caracterizada  a  incondicionalidade  do  desconto.  COFINS.  RECEITA.  DESPESAS  COM  PROPAGANDA.  REQUISITOS.  Os  valores  recebidos  a  título  de  reembolso  por  despesas  com  propaganda  constituem  receita,  e  não  ressarcimento  das  despesas, se não restar comprovada a correspondência entre as  despesas com propaganda e tais reembolsos. (...)  (Processo  11080.722127/2011­18, Acórdão nº  3403­002520,  de  24/10/2013. Redator designado: Rosaldo Trevisan)  ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA O  FINANCIAMENTO DA  SEGURIDADE SOCIAL ­ COFINS  Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010  COFINS.  REGIME DA NÃO­CUMULATIVIDADE. DESPESAS  COM  VERBA  DE  PROPAGANDA  COOPERADA.  DEDUÇÃO  DA BASE DE CÁLCULO. INADMISSIBILIDADE.  No  regime  de  incidência  não­cumulativa  do  PIS/Pasep  e  da  COFINS  não  há  previsão  legal  para  a  dedução  da  base  de  cálculo  da  contribuição  em  face  de  despesas  com  verba  de  propaganda cooperada. (...)  (Processo  10580.723686/2014­94.  Acórdão  3301­002917.  26/04/2016. Conselheiro relator: Francisco José Barroso Rios).  Forte  nestas  razões  e  ratificando  o  entendimento  constante  do  acórdão  recorrido de que todas estas receitas refletem uma contraprestação ao fornecedor por parte da  autuada, nego provimento ao Recurso Especial do Contribuinte nesta matéria.  3.5 ­ Da apropriação de créditos no regime não­cumulativo do PIS e da  Cofins  Fl. 2099DF CARF MF Processo nº 13855.721049/2011­51  Acórdão n.º 9303­004.608  CSRF­T3  Fl. 30          29 No Acórdão nº 3301­002.411 (PAF 13981.000070/2005­37), de 14/10/2014,  assim me manifestei sobre a questão do que se deve entender por insumo para fins de apuração  da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep não cumulativas:  CONCEITO DE INSUMOS  Entendo  que  deve  ser  afastada  a  interpretação  restritiva  do  conceito  de  insumos  estabelecida  pela  fiscalização e  também pela  decisão  recorrida. Baseados  em atos normativos, sobretudo a alínea “a” do inciso I do § 4º do art. 8º da IN SRF  nº 404/2004, concluíram que só pode ser apropriados créditos de insumos utilizados  na fabricação ou produção de bens destinados a venda, a matéria­prima, o produto  intermediário,  o  material  de  embalagem  e  quaisquer  outros  bens  que  sofram  alterações,  tais  como  o  desgaste,  o  dano  ou  a  perda  de  propriedades  físicas  ou  químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação,  desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado.  O  ponto  principal  da  questão  está  no  significado  e  abrangência  do  termo  “insumo” consignado nos arts. 3º, inciso II das Leis nºs. 10.637/02 e 10.833/03, cuja  semelhante redação assim dispõem:  Art.  3º  Do  valor  apurado  na  forma  do  art.  2o  a  pessoa  jurídica poderá descontar créditos calculados em relação  a:  [...]  II  bens  e  serviços,  utilizados  como  insumo na  prestação  de  serviços  e  na  produção  ou  fabricação  de  bens  ou  produtos  destinados  à  venda,  inclusive  combustíveis  e  lubrificantes,  exceto  em  relação  ao  pagamento  de  que  trata  o  art.  2o  da  Lei  no  10.485,  de  3  de  julho  de  2002,  devido pelo  fabricante ou importador, ao concessionário,  pela  intermediação ou  entrega  dos  veículos  classificados  nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI;  (Redação dada pela  Lei nº 10.865, de 2004) (grifei)  Hoje, no âmbito do CARF, existem 3 correntes de pensamento:  1)  que  seguem  a  linha  adotada  pela  fiscalização  e  pela  DRJ  no  presente  processo  que  é  a  de  adotar  o  conceito  restritivo  de  insumo  estabelecido  pela  legislação do IPI e adotado pela IN SRF nº 404/2004, acima citada. Neste caso para  ser considerado como insumo, deve haver uma relação mais que direta da matéria­ prima ou produto intermediário com o processo produtivo, deve ter um desgaste em  função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação;  2)  que  adotam  a  apropriação  de  créditos  em  relação  a  qualquer  custo  ou  despesa  vinculada  ou  não  ao  processo  produtivo.  Neste  caso  entendem  como  insumos  todos  os  custos  e  despesas  operacionais  da  pessoa  jurídica,  na  forma  definida na legislação do imposto de renda, art. 290 e 299 do RIR/99; e  3)  que  adotam  um  conceito  intermediário  em  relação  às  duas  primeiras  correntes,  entendendo que  a  legislação  do PIS/Cofins  estabeleceu  uma  sistemática  própria para adoção do conceito de insumos.  Afasto de plano a 2ª corrente de pensamento, pois caso o legislador quisesse  adotar esta linha de entendimento, nem precisaria colocar a palavra insumo no texto  Fl. 2100DF CARF MF Processo nº 13855.721049/2011­51  Acórdão n.º 9303­004.608  CSRF­T3  Fl. 31          30 da lei. Bastaria colocar que os créditos da não­cumulatividade seriam calculados em  relação a “todo e qualquer custo ou despesa necessários à atividade da empresa ou à  obtenção de receita”. Neste caso, nem precisaria constar “inclusive combustíveis e  lubrificantes”.  Adoto  a  3ª  corrente  de  pensamento,  pois  entendo  que  o  legislador  efetivamente não quis dar a  interpretação restritiva adotada pela  legislação do  IPI.  Também, neste caso, fosse esta a intenção, o texto da lei poderia ter sido claro a este  respeito. A própria  administração  tributária  já manifestou por meio da Solução de  Divergência nº 35/08, um certo afastamento desta  linha de entendimento restritiva.  Veja abaixo trecho do referido ato:  (...)  17. Isso posto, chega­se ao entendimento, de que todas as  partes  e  peças  de  reposições  utilizadas  em  máquinas  e  equipamentos diretamente responsáveis pela produção dos  bens  ou  produtos  destinados  à  venda,  aqui  descritos  ou  exemplificados,  que  sofram desgaste ou dano ou a perda  de  propriedades  físicas  ou  químicas,  em  função  da  ação  diretamente exercida em todo o processo de produção ou  de  fabricação,  independentemente,  de  entrarem  ou  não  contato  direto  com  os  bens  que  estão  sendo  fabricados  destinados à venda, ou seja, basta que referidas partes e  peças  sejam  incorporadas  às  máquinas  e  equipamentos  que  estejam  atuando  no  processo  de  fabricação  ou  produção dos referidos bens, geram direito à apuração de  créditos  a  serem  descontados  da  Contribuição  para  o  PIS/Pasep  e  da  Cofins,  desde  que  não  estejam  escriturados no ativo imobilizado. (grifei)  18. Diante do exposto, soluciona­se a presente divergência  dando­se provimento ao  recurso  interposto,  orientando à  recorrente que as despesas efetuadas com a aquisição de  partes e peças de reposição, que sofram desgaste ou dano  ou a perda de propriedades físicas ou químicas, utilizadas  em máquinas e equipamentos que efetivamente respondam  diretamente  por  todo  o  processo  de  fabricação  dos  bens  ou produtos destinados à venda, pagas à pessoa  jurídica  domiciliada no País, a partir de 1º de dezembro de 2002, e  a  partir  de  1º  de  fevereiro  de  2004,  geram  direito  à  apuração  de  créditos  a  serem  descontados  da  Contribuição  para  o  PIS/Pasep  e  da  Cofins,  respectivamente, desde que às partes e peças de reposição  não  estejam  obrigadas  a  serem  incluídas  no  ativo  imobilizado, nos termos da legislação vigente.  (...)  Portanto  meu  entendimento  quanto  à  abrangência  do  termo  insumos  é  diferente do que  consta  dos  acórdãos paradigmas, os quais  entenderam que o  termo abrange  qualquer  custo  ou  despesa  necessários  às  atividades  empresariais.  Porém  a  análise  acima  expendida foi exclusivamente em relação à possibilidade de creditamento do PIS e da Cofins  com base no art. 3º, inc. II das Leis nºs. 10.637/02 e 10.833/03, ou seja ao crédito previsto para  as empresas prestadoras de serviços, produtoras ou fabricantes de bens ou produtos destinados  Fl. 2101DF CARF MF Processo nº 13855.721049/2011­51  Acórdão n.º 9303­004.608  CSRF­T3  Fl. 32          31 à  venda.  A  discussão  travada  no  presente  processo  é  relativa  aos  créditos  previstos  para  as  empresas comerciais de que trata o art. 3º, inc. I, das Leis nºs. 10.637/02 e 10.833/03.  Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica  poderá descontar créditos calculados em relação a:    I  ­  bens  adquiridos  para  revenda,  exceto  em  relação  às  mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº  10.865, de 2004)  (...)  Voltando  ao  processo  em  discussão,  conforme  assentado  no  acórdão  recorrido  e  de  conhecimento  notório,  o  contribuinte  é  empresa  comercial  varejista,  não  é  produtora ou fabricante de produtos nem prestadora de serviços.  Logo, o contribuinte não tem direito a se creditar com base no art. 3º, inciso  II, das Leis nºs. 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, mas, apenas, na hipótese do art. 3º, inciso  I, das mesmas leis.  Nas palavras do voto condutor do acórdão recorrido, fl. 1.368:  Assim, os arts. 3º, II, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03 asseguraram o direito  de  crédito  em  relação  a  bens  e  serviços  utilizados  como  insumos  apenas  por  empresas  que  desenvolvam  processos  produtivos,  processos  de  fabricação  e  processos mistos, que envolvam as duas atividades anteriores. As empresas que se  dedicam às atividades comerciais, como é o caso da recorrente, não podem apurar  crédito com base no art. 3º, II, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03, por absoluta falta  de previsão legal.  Considerando esta elucidação do conceito de insumo, conclui­se que todos os  gastos  que  o  contribuinte  pretendia  apropriar  como  créditos  e  que  foram  glosados  pela  fiscalização não são passíveis desta apropriação.  São os gastos com: i) embalagens (fitas adesivas incluídas nas vendas feitas  pela  internet);  ii)  combustível  e  manutenção  de  empilhadeiras  utilizadas  na  revenda  de  mercadorias:  iii)  juros pagos no financiamento obtido  junto ao BNDES para a construção do  centro de distribuição localizado na cidade de Louveira/SP, os quais, segundo o contribuinte,  comporiam o custo da obra do centro de distribuição, constituindo­se gastos pré­operacionais  que foram ativados, e foram apropriados sobre os encargos de amortização depois de ativados;  iv) taxas pagas às administradoras de cartões de crédito, no período não amparado pela decisão  judicial do TRF/1ªRegião, fls. 64/66.  Quanto aos gastos com  juros pagos ao BNDES o contribuinte adiciona que  não se trata de apropriação de créditos sobre despesas financeiras e nem sobre depreciação do  imobilizado. Afirma  que  estes  juros  compõem  o  custo  da  obra  do  centro  de  distribuição  de  Louveira­SP, constituindo­se em gastos pré­operacionais que foram ativados. Acrescenta que  os  créditos  glosados  pelo  fisco,  foram  apropriados  pelo  contribuinte  sobre  os  encargos  de  amortização de tais juros depois de ativados.   Abstraindo  da  análise  se  o  procedimento  contábil  foi  correto  ou  não,  a  verdade  é  que  não  há  previsão  legal  para  apropriação  de  créditos  de  amortização  nessas  condições. Veja o que diz a legislação:  Fl. 2102DF CARF MF Processo nº 13855.721049/2011­51  Acórdão n.º 9303­004.608  CSRF­T3  Fl. 33          32 Art.  3o Do  valor  apurado na  forma do art.  2oa pessoa  jurídica  poderá descontar créditos calculados em relação a:  (...)  VI  ­  máquinas,  equipamentos  e  outros  bens  incorporados  ao  ativo  imobilizado,  adquiridos  ou  fabricados  para  locação  a  terceiros,  ou  para  utilização  na  produção  de  bens  destinados  à  venda  ou  na  prestação de serviços; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005)  VII  ­  edificações  e  benfeitorias  em  imóveis  próprios  ou  de  terceiros,  utilizados nas atividades da empresa;  (...)  XI  ­  bens  incorporados  ao  ativo  intangível,  adquiridos  para  utilização  na  produção  de  bens  destinados  a  venda  ou  na  prestação de serviços. (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014)  §1o  Observado  o  disposto  no  §15  deste  artigo,  o  crédito  será  determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art.  2o  desta Lei  sobre o  valor:  (Redação dada pela Lei nº 11.727, de  2008)  (...)  III  ­  dos  encargos  de  depreciação  e  amortização  dos  bens  mencionados  nos  incisos  VI,  VII  e  XI  docaput,  incorridos  no  mês; (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014)  Ressalte­se que os  créditos  com a  amortização de  ativo  intangível,  previsto  no inc. XI, cc inc. III do § 1º da Lei nº 10.833/2003, acima transcrito, só foi permitido a partir  da  Lei  nº  12.973/2014,  e  restringe­se  aos  intangíveis  utilizados  na  produção  de  bens  ou  prestação de serviços que não é o caso da recorrente.  Diante  do  exposto  nego  provimento  ao  Recurso  Especial  do  contribuinte,  também nessa matéria.  4 ­ Mérito do Recurso Especial da Fazenda Nacional  4.1 ­ Incidência de juros de mora sobre multa de ofício  O  recurso  especial  da  Fazenda Nacional  defende  a  incidência  dos  juros  de  mora  sobre  a  multa  de  ofício,  sendo  que  acórdão  recorrido  afastou  a  sua  aplicação.  O  contribuinte,  por  sua vez,  defende  e  reforça o mesmo entendimento do  acórdão  recorrido de  que não existe previsão legal para a pretendida incidência.  Essa matéria não é nova e no meu entendimento existe previsão legal para a  exigência de juros de mora sobre a multa de ofício.  De  acordo  com  o  art.  161  do  CTN,  o  crédito  tributário  não  pago  no  vencimento  deve  ser  acrescido  de  juros  de  mora,  qualquer  que  seja  o  motivo  da  sua  falta.  Dispõe ainda em seu parágrafo primeiro que, se a  lei não dispuser de modo diverso, os  juros  serão cobrados à taxa de 1% ao mês.  Fl. 2103DF CARF MF Processo nº 13855.721049/2011­51  Acórdão n.º 9303­004.608  CSRF­T3  Fl. 34          33 De  forma  que  o  art  61  da  Lei  nº  9.430/96  determinou  que,  a  partir  de  janeiro/97, os débitos vencidos com a União serão acrescidos de juros de mora calculados pela  taxa Selic quando não pagos nos prazos previstos na legislação tributária, até o mês anterior ao  do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Entendo que os débitos a que se refere  o  art.  61  da Lei  nº  9.430/96  correspondem  ao  crédito  tributário  de  que  dispõe o  art.  161  do  CTN.  O  art.  139  do  CTN  dispõe  que  o  crédito  tributário  decorre  da  obrigação  tributária e tem a mesma natureza desta. Já o art. 113, parágrafo primeiro, do mesmo diploma  legal, define que a obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto  o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extingue­se juntamente com o crédito dela  decorrente.  Assim,  se  o  crédito  tributário  decorre  da  obrigação  principal  e  tem  a  mesma  natureza desta, necessariamente deve abranger o tributo e a penalidade pecuniária.  A multa de ofício aplicada ao presente lançamento está prevista no art. 44 da  Lei nº 9.430/96 que prevê expressamente a sua exigência juntamente com o tributo devido. Ao  constituir o crédito tributário pelo lançamento de ofício, ao tributo soma­se a multa de ofício,  tendo ambos a natureza de obrigação tributária principal, devendo incidir os juros à taxa Selic  sobre a sua totalidade.  Tanto é assim, que a própria Lei 9.430/96, em seu art. 43, prevê a incidência  de  juros  Selic  quando  a  multa  de  ofício  é  lançada  de  maneira  isolada.  Não  faria  sentido  a  incidência dos juros somente sobre a multa de ofício exigida isoladamente, pois ambas tem a  mesma natureza tributária.  Nesse sentido é o entendimento do Superior Tribunal de Justiça, no AgRg no  Recurso  Especial  nº  1.335.688­PR,  relator  Ministro  Benedito  Gonçalves,  em  decisão  de  04/12/2012, assim ementada:  "PROCESSUAL  CIVIL  E  TRIBUTÁRIO.  AGRAVO  REGIMENTAL  NO  RECURSO  ESPECIAL.  MANDADO  DE  SEGURANÇA.  JUROS  DE  MORA  SOBRE  MULTA.  INCIDÊNCIA.  PRECEDENTES  DE  AMBAS  AS  TURMA  QUE  COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ.  1. Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira  Seção  do  STJ  no  sentido  de  que: "É  legítima  a  incidência  de  juros  de  mora  sobre  multa  fiscal  punitiva,  a  qual  integra  o  crédito  tributário."  (REsp  1.129.990/PR,  Rel.  Min.  Castro  Meira,  DJ  de  14/9/2009).  De  igual  modo:  REsp  834.681/MG,  Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010.  Após  algumas  manifestações  em  sentido  contrário,  a  jurisprudência  das  Turmas Julgadoras do CARF e da Câmara Superior de Recursos Fiscais vem se inclinando no  sentido de admitir a incidência da taxa Selic sobre multa de ofício. A título de exemplo, cita­se:  JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA.  A multa  de  ofício,  penalidade  pecuniária,  compõe  a  obrigação  tributária  principal,  e,  por  conseguinte,  integra  o  crédito  tributário,  que  se  encontra  submetido  à  incidência  de  juros  moratórios,  após  o  seu  vencimento,  em  consonância  com  os  artigos  113,  139  e  161,  do  CTN,  mediante  aplicação  da  taxa  Fl. 2104DF CARF MF Processo nº 13855.721049/2011­51  Acórdão n.º 9303­004.608  CSRF­T3  Fl. 35          34 SELIC  conforme Súmula CARF nº  4.  (Acórdão CSRF nº  9101­ 002385,  de  12/07/2016,  Processo  10932.000633/2009­05,  relator  do  voto  vencedor  do  Conselheiro  André  Mendes  de  Moura).  JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO.  A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de  ofício  proporcional,  e  sobre  o  crédito  tributário  constituído,  incluindo  a  multa  de  ofício,  incidem  juros  de  mora,  devidos  à  taxa  Selic.  (Acórdão  CSRF  nº  9202­004250,  de  23/06/2016,  Processo  10980.723322/2015­82,  relatoria  da  Conselheira  Maria Helena Cotta Cardozo).  JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA.  O crédito tributário, quer se refira a tributo quer seja relativo à  penalidade pecuniária, não pago no respectivo vencimento, está  sujeito à incidência de juros de mora, calculado à taxa Selic até  o  mês  anterior  ao  pagamento,  e  de  um  por  cento  no  mês  de  pagamento.  (Acórdão  CSRF  nº  9303­003480,  de  25/02/2016,  Processo  16682.721207/2011­91,  relatoria  do  Conselheiro  Rodrigo da Costa Pôssas).  Diante  do  acima  exposto,  dou  provimento  ao  recurso  especial  da  Fazenda  Nacional.  Conclusão.  Por todo exposto:  i)  quanto  ao Recurso Especial  da  Fazenda Nacional,  voto  por  conhecê­lo  e  dar­lhe  provimento,  assentando  ser  cabível  a  incidência  de  juros  de mora  sobre  a  multa  de  ofício;  ii) quanto ao Recurso Especial do Contribuinte, voto por conhecê­lo em razão  de determinação judicial, e por negar­lhe provimento.  (assinado digitalmente)  Andrada Márcio Canuto Natal                          Fl. 2105DF CARF MF Processo nº 13855.721049/2011­51  Acórdão n.º 9303­004.608  CSRF­T3  Fl. 36          35 Declaração de Voto  Conselheiro Demes Brito  Solicitei apresentar declaração de voto somente para informar que meu voto  não foi no exato sentido de negar conhecimento integral ao recurso especial apresentado pelo  contribuinte, mas sim pela possibilidade da turma julgadora reapreciar os requisitos legais para  conhecimento  do  recurso,  por  entender  que  a  decisão  judicial  não  proibiu  esta  apreciação.  Portanto afasto a conclusão de que eu tenha negado cumprimento à referida decisão judicial.  (assinado digitalmente)  Demes Brito      Conselheiro Júlio César Alves Ramos  Julguei  oportuno  externar,  nesta  declaração,  as  minhas  razões  para  ter  acompanhado  o  n.  relator  quanto  às  matérias  que  somente  foram  conhecidas  por  força  da  determinação  judicial. É que, em obediência àquela determinação, o Dr. Andrada adentrou o  mérito das questões aduzidas, mesmo claramente não havendo um posicionamento divergente a  ser confrontado. Entendo, diferentemente, que, em tais casos, o único que nos cabe é manter a  decisão atacada pelos seus próprios fundamentos. E assim é porque a ordem judicial não cria a  necessária  tese  a  ser  confrontada  e  nos  termos  da  consolidada  jurisprudência  dessa  casa  tampouco  pode  ser  ela  inaugurada  pela  própria  Câmara  Superior.  Essa  a  razão  que  me  fez  acompanhá­lo, pelas conclusões, naquelas matérias a que ele, como eu, negaria conhecimento  ao recurso do contribuinte, não fosse a ordem judicial obtida.  (assinado digitalmente)  Júlio César Alves Ramos  Fl. 2106DF CARF MF

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Numero do processo: 15586.002311/2008-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 14 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu May 04 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2003 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO DE CINCO ANOS. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. De acordo com a Súmula Vinculante n° 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional (CTN). Para o caso de penalidade pecuniária por descumprimento de obrigação acessória o fisco pode exercer o direito de lançar o crédito tributário correspondente dentro do prazo de 5 (cinco) anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o mesmo poderia ter sido constituído. ÔNUS DA PROVA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. AUTO DE INFRAÇÃO. DEFESA. FATOS IMPEDITIVOS, MODIFICATIVOS OU EXTINTIVOS. Cabe à defesa a prova dos fatos impeditivos, modificativos ou extintivos da pretensão fazendária. MULTA CONFISCATÓRIA. INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA. CARF. A argumentação sobre o caráter confiscatório da multa aplicada no lançamento tributário não escapa de uma necessária aferição de constitucionalidade da legislação tributária que estabeleceu o patamar das penalidades fiscais, o que é vedado ao CARF, conforme os dizeres de sua Súmula nº 2.
Numero da decisão: 2201-003.494
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira – Presidente (assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira (Presidente), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: DANIEL MELO MENDES BEZERRA

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2201­003.494  –  2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  14 de março de 2017  Matéria  Conribuições Sociais Previdenciárias  Recorrente  SIND TRAB FED SAUDE TRAB E PREV E.S  Recorrida  FAZENDA NACIONAL      ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2003  CONTRIBUIÇÕES  PREVIDENCIÁRIAS.  DECADÊNCIA.  PRAZO  DE  CINCO ANOS. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA.  De acordo com a Súmula Vinculante n° 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei  n°  8.212/1991  são  inconstitucionais,  devendo  prevalecer,  no  que  tange  à  decadência  e  prescrição,  as  disposições  do  Código  Tributário  Nacional  (CTN).  Para  o  caso  de  penalidade  pecuniária  por  descumprimento  de  obrigação  acessória  o  fisco  pode  exercer  o  direito  de  lançar  o  crédito  tributário  correspondente dentro do prazo de 5  (cinco) anos contados do primeiro dia  do exercício seguinte àquele em que o mesmo poderia ter sido constituído.  ÔNUS  DA  PROVA.  LANÇAMENTO  DE  OFÍCIO.  AUTO  DE  INFRAÇÃO.  DEFESA.  FATOS  IMPEDITIVOS,  MODIFICATIVOS  OU  EXTINTIVOS.  Cabe à defesa a prova dos fatos impeditivos, modificativos ou extintivos da  pretensão fazendária.  MULTA  CONFISCATÓRIA.  INCONSTITUCIONALIDADE.  INCOMPETÊNCIA. CARF.  A  argumentação  sobre  o  caráter  confiscatório  da  multa  aplicada  no  lançamento  tributário  não  escapa  de  uma  necessária  aferição  de  constitucionalidade  da  legislação  tributária  que  estabeleceu  o  patamar  das  penalidades  fiscais,  o  que  é  vedado  ao CARF,  conforme  os  dizeres  de  sua  Súmula nº 2.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 00 23 11 /2 00 8- 11 Fl. 427DF CARF MF Processo nº 15586.002311/2008­11  Acórdão n.º 2201­003.494  S2­C2T1  Fl. 428          2         Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, por  unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.        (assinado digitalmente)  Carlos Henrique de Oliveira – Presidente         (assinado digitalmente)  Daniel Melo Mendes Bezerra ­ Relator        Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros:  Carlos  Henrique  de  Oliveira  (Presidente), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski,  José Alfredo  Duarte Filho (Suplente Convocado), Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral  Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.  Relatório       Trata­se de Recurso Voluntário interposto pelo sujeito passivo contra o Acórdão  nº 12­23.557 ­ 12ª Turma da DRJ/RJO1, que julgou procedente o lançamento.        Trata­se de lançamento por descumprimento de obrigação acessória (DEBCAD  n° 37.209.004­4), por ter a empresa deixado de lancar mensalmente em titulos proprios de sua  contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante  das  quantias  descontadas  e  os  totais  recolhidos,  conforme  previsto  no  art.  32,  II,  da  Lei  nº  8.212/91.       Conforme  Relatório  Fiscal  da  Aplicação  da  Multa,  de  fls.  94,  o  valor  da  penalidade pecuniária teve como base os artigos 92 e 102, da Lei n° 8 .212/91, e artigos 283,  inciso II, alinea "a" e 373, ambos do Regulamento da Providencia Social ­ RPS, aprovado pelo  Decreto n° 3.048/99, cujo valor minimo foi atualizado pela Portaria Interministerial n° 77, de  11/03/2008.       Impugnado  o  lançamento  tempestivamente  foi  proferida  decisão  de  primeira  instância, nos termos da ementa abaixo:  OBRIGAÇÃO  ACESSÓRIA.  ESCRITURAR  OS  FATOS  GERADORES  EM  TÍTULOS  PRÓPRIOS.  DECADÊNCIA.PRAZO QUINQUENAL.  Constitui  descumprimento  de  obrigação  acessória,  deixar  a  empresa  de  lançar  mensalmente  em  titulos  próprios  de  sua  contabilidade,  de  forma  discriminada,  os  fatos  geradores  de  todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as  contribuições da empresa e os totais recolhidos.  Em  se  tratando  de  cominação  de  penalidade  pecuniária    por   descumprimento    de  obrigação  acessória,  o  Fisco  poderá  exercer o seu direito potestativo  de  lançar  o crédito tributário  correspondente dentro do prazo de cinco anos contados a partir  do  primeiro  dia  do  exercicio  seguinte  àquele  em  que  o mesmo  poderia ter sido constituído.     Fl. 428DF CARF MF Processo nº 15586.002311/2008­11  Acórdão n.º 2201­003.494  S2­C2T1  Fl. 429          3        Cientificado  do  acórdão  de  primeira  instância  em  12/05/2009,  o  contribuinte  apresentou Recurso Voluntário, tempestivamente, em 10/05/2009, alegando, em síntese, que:      ­  O  Auditor­Fiscal  não  observou  a  Súmula  Vinculante  nº  08  do  Supremo  Tribunal Federal que trata da decadência e prescrição do crédito tributário;      ­  A  multa  imposta  é  execessiva  e  tem  caráter  confiscatório,  constuindo  em  eriquecimento ilícito por parte da União.      ­ É certo que o acessório segue o principal. Assim, tendo ocorrido a decadência  em  relação  à  obrigação  principal,  não  se  pode  imputar  multa  acessória  pela  falta  de  escrituração de livros diários autenticados nos mesmos períodos objeto da fiscalização.      ­  Ao  passo  que  trancreve  jurisprudência  e  citação  doutrinária,  alega  que  a  pretensão fiscal se  reputa indevida, na medida em que exorbita do conceito razoável, ofende,  aberta  e  claramente,  o  principio  da  capacidade  contributiva  de  vezo  constitucional  em  suas  versões da capacidade econômica e da impessoalidade.      Por  fim,  requer  seja  conhecido  e  provido  o  presente  recurso  para  que  seja  cancelado e julgado insubsistente o Auto de Infração.      É o relatório.    Voto             Daniel Melo Mendes Bezerra, Conselheiro Relator  Admissibilidade      O  Recurso  Voluntário  é  tempestivo  e  preenche  aos  demais  requisitos  de  admissibilidade, devendo, pois, ser conhecido.  Considerações Iniciais      De  início,  impende  ressaltar  que  o  recorrente  não  manifesta  inconformismo  contra o mérito da presente autuação fiscal. As alegações recursais limitam­se a ocorrência da  decadência, excesso e caráter confiscatório da multa, e a impossiblidade de aplicação da multa  por  descumprimento  de  obrigação  acessória,  tendo  ocorrido  a  decadência  no  lançamento  da  obrigação principal.      Assim, deve­se ter em mente que para a revisão do lançamento, o sujeito passivo  deveria  ter  demonstrado  a  prova  dos  fatos  impeditivos,  modificativos  ou  extintivos  da  pretensão fazendária.    Questão Prejudicial de Mérito ­ Decadência       Nas  sessões  plenárias  dos  dias  11  e  12/06/2008,  respectivamente,  o  Supremo  Tribunal Federal ­ STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei  n° 8.2i2, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08. Seguem transcrições:  Fl. 429DF CARF MF Processo nº 15586.002311/2008­11  Acórdão n.º 2201­003.494  S2­C2T1  Fl. 430          4 Parte final do voto proferido pelo Exmo Senhor Ministro Gilmar  Mendes, Relator:  Resultam  inconstitucionais,  portanto, os artigos 45 e 46 da Lei n°  8.212/91 e o parágrafo único do art.5° do Decreto­lei n° 1.569/77,  que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram  conteúdo  material  sob  a  reserva  constitucional  de  lei  complementar.  Sendo  inconstitucionais  os  dispositivos,  mantém­se  hígida  a  legislação  anterior,  com  seus  prazos  qüinqüenais  de  prescrição  e  decadência  e  regras  de  fluência,  que  não  acolhem  a  hipótese  de  suspensão  da  prescrição  durante  o  arquivamento  administrativo  das  execuções  de  pequeno  valor,  o  que  equivale  a  assentar  que,  como  os  demais  tributos,  as  contribuições  de  Seguridade  Social  sujeitam­se, entre outros, aos artigos 150, § 4°, 173 e 174 do CTN.  Diante  do  exposto,  conheço  dos  Recursos  Extraordinários  e  lhes  nego  provimento,  para  confirmar  a  proclamada  inconstitucionalidade  dos  arts.  45  e  46  da  Lei  8.212/91,  por  violação do art. 146, III, b, da Constituição, e do parágrafo único  do  art.  5°do Decreto­lei  n°  1.569/77,  frente  ao  §  1°do  art.  18  da  Constituição  de  1967,  com  a  redação  dada  pela  Emenda  Constitucional 01/69.  É como voto.  Súmula Vinculante n° 08:  "São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5° do Decreto­ lei  1569/77  e  os  artigos  45  e  46  da  Lei  8.212/91,  que  tratam  de  prescrição e decadência de crédito tributário".              Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 103­A da Constituição  Federal, regulamentado pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis:          Art. 103­A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de oficio ou        por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus        membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional,        aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa        oficial,  terá  efeito  vinculante  em  relação  aos  demais  órgãos  do  Poder        Judiciário  e  à  administração  pública  direta  e  indireta,  nas  esferas        federal,  estadual  e  municipal,  bem  como  proceder  à  sua  revisão  ou        cancelamento,  na  forma  estabelecida  em  lei.  (Incluído  pela  Emenda        Constitucional n° 45, de 2004).          Lei n° 11.417, de 19/12/2006:          Regulamenta  o  art.  103­A  da  Constituição  Federal  e  altera  a  Lei  no        9.784, de 29 de  janeiro de 1999, disciplinando a edição, a  revisão e o  Fl. 430DF CARF MF Processo nº 15586.002311/2008­11  Acórdão n.º 2201­003.494  S2­C2T1  Fl. 431          5       cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo         Tribunal Federal, e dá outras providências.        Art. 2o O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por         provocação,  após  reiteradas  decisões  sobre  matéria  constitucional,        editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa        oficial,  terá  efeito  vinculante  em  relação  aos  demais  órgãos  do  Poder        Judiciário  e  à  administração  pública  direta  e  indireta,  nas  esferas        federal,  estadual  e  municipal,  bem  como  proceder  à  sua  revisão  ou        cancelamento, na forma prevista nesta Lei.        § 1o O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação        e  a  eficácia  de  normas  determinadas,  acerca  das  quais  haja,  entre        órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública,         controvérsia atual que acarrete grave  insegurança  jurídica  e  relevante        multiplicação de processos sobre idêntica questão.         Afastado por inconstitucionalidade o artigo 45 da Lei n° 8.212/91, resta verificar  qual  regra  de  decadência  prevista  no  Código  Tributário  Nacional  ­  CTN  se  aplicar  ao  caso  concreto.       No  presente  caso,  temos  que  o  lançamento  se  perfectibilizou  com  a  ciência,  ocorrida  em  19/12/2008.  A  autoridade  julgadora  de  primeira  instância  de  maneira  acertada  firmou  entendimento  de  que  para  o  caso  de  lançamento  por  descumprimento  de  obrigação  acessória deve ser observado a regra de contagem do prazo decadencial inserta no art. 173, I,  do CTN, verbis:  Art.  173.  O  direito  de  a  Fazenda  Pública  constituir  o  crédito  tributário extingue­se após 5 (cinco) anos, contados:  I  ­  do  primeiro  dia  do  exercício  seguinte  àquele  em  que  o  lançamento poderia ter sido efetuado;       Assim  sendo,  o  lançamento  em  face  da  inobservância  da  obrigação  acessória  poderia ter sido efetuado até 31/12/2008, não havendo, pois, que se falar em decadência para o  presente caso.  Da multa por descumprimento da obrigação acessória      A  obrigação  tributária  possui  duas  espécies,  principal  e  acessória,  sendo  a  primeira  sempre  de  dar  e  a  segunda  podendo  ser  fazer,  não  fazer,  tolerar  algo  no  interesse  público  da  fiscalização  dos  tributos,  tendo  o  ente  tributante,  direito  de  constituir  crédito  em  desfavor  do  particular.  O  art.  113  do  Código  Tributário  Nacional  define  que  “a  obrigação  tributária  é  principal  ou  acessória”,  sendo que  a  principal,  conforme  seu  §  1°,  “surge  com a  ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e  extingue­se juntamente com o crédito dela decorrente” e a acessória, conforme § 2°, “decorre  da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no  interesse  da  arrecadação  ou  da  fiscalização  dos  tributos”,  cabendo  ainda  uma  conversão  da  acessória em principal, sempre que aquelas versarem sobre penas pecuniárias, no tocante ao §  3°, do art. 113 do mesmo diploma legal.      Eis o disciplinamento legal:  Fl. 431DF CARF MF Processo nº 15586.002311/2008­11  Acórdão n.º 2201­003.494  S2­C2T1  Fl. 432          6      Código Tributário Nacional  Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória.  §  1º  A  obrigação  principal  surge  com  a  ocorrência  do  fato  gerador,  tem por  objeto  o  pagamento  de  tributo  ou penalidade  pecuniária  e  extingue­se  juntamente  com  o  crédito  dela  decorrente.  §  2º  A  obrigação  acessória  decorre  da  legislação  tributária  e  tem  por  objeto  as  prestações,  positivas  ou  negativas,  nela  previstas  no  interesse  da  arrecadação  ou  da  fiscalização  dos  tributos.  §  3º  A  obrigação  acessória,  pelo  simples  fato  da  sua  inobservância, converte­se em obrigação principal relativamente  à penalidade pecuniária.        No  que  concerne  ao  fato  gerador  da  obrigação  principal,  temos  como  uma  situação definida em lei como necessária e suficiente à sua ocorrência. Ocorrendo a situação,  surge a obrigação recolher aos cofres públicos o tributo devido. De outro lado, o fato gerador  da obrigação acessória é qualquer situação que impõe a a prática de ou a abstenção de ato que  não configure obrigação principal.       Estabelece o CTN:   Art.  114.  Fato  gerador  da  obrigação  principal  é  a  situação  definida em lei como necessária e suficiente à sua ocorrência.  Art.  115.  Fato  gerador  da  obrigação  acessória  é  qualquer  situação que, na forma da legislação aplicável, impõe a prática  ou a abstenção de ato que não configure obrigação principal.      Pelas definições acima, não há dúvida de que a obrigação principal e a obrigação  acessória são autônomas e podem coexistir de forma independente. Para essa seara do direito  tributário, não vale a máxima de que o acessório segue o principal, como sustenta o arrazoado  recursal.      É  definida  como  acessória,  qualquer  de  obrigação  imposta  pela  legislação  tributária  que  não  seja  recolher  tributos.Tais  obrigações  formais,  ditas  de  acessórias,  não  dependem da efetiva existência de uma obrigação principal.      Destarte, mesmo considerando o  reconchecimento da decadência na obrigação  principal  até  a  competência  11/2003,  devem  permanecer  hígidos  os  lançamentos  por  descumprimento  de  obrigação  acessória,  vez  que  efetuados  em  19/12/2008  e  por  possuirem  autonomia em relação à obrigação principal.  Das  alegações  de  Inconstitucionalidade  ­  efeito  confiscatório  da multa  e  ofensa  ao  princípio  da  capacidade contributiva       Não podem ser apreciados os argumentos baseados em inconstitucionalidade de  tratado, acordo internacional, lei ou decreto pelas razões que a seguir serão expostas.  Fl. 432DF CARF MF Processo nº 15586.002311/2008­11  Acórdão n.º 2201­003.494  S2­C2T1  Fl. 433          7      A competência para decidir sobre a constitucionalidade de normas foi atribuída  especificamente ao Judiciário pela Constituição Federal no Capítulo III do Título IV. Em tais  dispositivos,  o  constituinte  teve  especial  cuidado ao definir  quem poderia  exercer o  controle  constitucional  das  normas  jurídicas. Decidiu  que  caberia  exclusivamente  ao Poder  Judiciário  exercê­la, especialmente ao Supremo Tribunal Federal.       Por  seu  turno,  a Lei nº  11.941/2009  incluiu o  art.  26­A no Decreto 70.235/72  prescrevendo  explicitamente  a  proibição  dos  órgãos  de  julgamento  no  âmbito  do  processo  administrativo fiscal acatarem argumentos de inconstitucionalidade, in verbis:  “Art.  26­A.  No  âmbito  do  processo  administrativo  fiscal,  fica  vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar  de  observar  tratado,  acordo  internacional,  lei  ou  decreto,  sob  fundamento de inconstitucionalidade.”       O recorrente sustenta o caráter confiscatório da multa que lhe foi aplicada, com  base no artigo 150 inciso IV, além do princípio da proporcionalidade e da razoabilidade, todos  estampados na Constituição Federal.       Entretanto,  a  argumentação  do  recorrente  não  escapa  de  uma  necessidade  de  aferição  de  constitucionalidade  da  legislação  tributária  que  estabeleceu  o  patamar  das  penalidades  fiscais,  o  que  é  vedado  ao  CARF,  conforme  os  dizeres  de  sua  Súmula  n.  2,  in  verbis:  Súmula  CARF  nº  2:  O  CARF  não  é  competente  para  se  pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.              Assim  sendo,  deixo  de  conhecer  as  alegações  afetas  à  constiticionalidade  de  normas,  como  infrigência  aos  princípios  da  vedação  ao  confisco  e  capacidade  contributiva.       Conclusão           Diante  de  todo  o  exposto,  voto  por  conhecer  do Recurso Voluntário,  para  no  mérito, negar­lhe provimento.  Daniel Melo Mendes Bezerra ­ Relator                                Fl. 433DF CARF MF

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6726501 #
Numero do processo: 11060.003724/2010-05
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 14 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Apr 24 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 2401-000.559
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Marcio de Larceda Martins, Andrea Viana Arrais Egypto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: RAYD SANTANA FERREIRA

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2401­000.559  –  4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária  Data  14 de março de 2017  Assunto  SOLICITAÇÃO DE DILIGÊNCIA  Recorrente  MARIA ODILA ABREU TERRA PINTO  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Resolvem  os  membros  do  Colegiado,  por  unanimidade,  em  converter  o  julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.      (assinado digitalmente)  Miriam Denise Xavier Lazarini ­ Presidente     (assinado digitalmente)  Rayd Santana Ferreira ­ Relator       Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros:  Miriam  Denise  Xavier  Lazarini,  Carlos  Alexandre  Tortato,  Cleberson  Alex  Friess,  Marcio  de  Larceda  Martins,  Andrea Viana Arrais Egypto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Luciana  Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira.       RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 60 .0 03 72 4/ 20 10 -0 5 Fl. 2356DF CARF MF Processo nº 11060.003724/2010­05  Resolução nº  2401­000.559  S2­C4T1  Fl. 3          2   Relatório  MARIA  ODILA  ABREU  TERRA  PINTO,  contribuinte,  pessoa  física,  já  qualificada  nos  autos  do  processo  em  referência,  recorre  a  este  Conselho  da  decisão  da  4a  Turma  da  DRJ  em  Porto  Alegre/RS,  Acórdão  nº  10­30.954/2011,  às  e­fls.  2282/2305,  que  julgou parcialmente procedente o Auto de Infração exigindo­lhe crédito tributário concernente  ao  Imposto  de  Renda  Pessoa  Física  ­  IRPF,  decorrente  da  constatação  de  omissão  de  rendimentos  da  atividade  rural  e  glosa  de  despesa  da  atividade  rural,  em  relação  aos  anos­ calendário 2004 e 2005, conforme Auto de Infração, às fls. 2211/2214, e demais documentos  que instruem o processo.  Trata­se de Auto de Infração, lavrado em 13/12/2010 (AR. fl. 2253), nos moldes  da  legislação  de  regência,  contra  a  contribuinte  acima  identificada,  constituindo­se  crédito  tributário no valor consignado na folha de rosto da autuação, decorrentes dos seguintes  fatos  geradores:  a) ATIVIDADE RURAL ­ OMISSÃO DE RENDIMENTOS DA ATIVIDADE  RURAL ­ Omissão de rendimentos provenientes de atividade rural. Quanto a esta infração foi  aplicada a multa qualificada.  b) ATIVIDADE RURAL ­ GLOSA DE DESPESAS DA ATIVIDADE RURAL  ­ Glosa de despesas da atividade rural.  Inconformada  com  a  Decisão  recorrida,  a  contribuinte  apresentou  Recurso  Voluntário,  às  e­fls.  2312/2328,  procurando  demonstrar  a  total  improcedência  do  Auto,  desenvolvendo em síntese as seguintes razões.  Após breve  relato das  fases processuais, bem como dos  fatos que permeiam o  lançamento, reitera as razões da impugnação, aduz preliminarmente a nulidade do lançamento  quanto a glosa de despesa da atividade rural, indicando para tanto a deficiência/superficialidade  da descrição dos fatos e conseqüente cerceamento do direito de defesa.  Ainda  em  caráter  preliminar,  pugna  pela  nulidade  da  decisão  de  primeira  instância,  por  entender  estar  eivada  de  vícios,  sendo  embasada  em  prova  emprestada  inexistente de outro PAF, desrespeitando frontalmente os parâmetros do Decreto nº 70.235/72,  acarretando o cerceamento de defesa.  Alternativamente, em relação ao mérito da glosa das despesas, insurge­se contra  a  pretensão  fiscal,  reiterando  os  fundamentos  da  impugnação  quanto  "a  glosa  de  valores  estranhos  à  obra",  "a  inobservância  do  período  de  tempo  consumido  e  da  distribuição  dos  gastos  havidos  na  construção",  "a  inatingibilidade  dos  gastos  correspondentes  aos  anos­ calendário  2003  e  2004",  "a  característica  da  exploração  conjunta  das  áreas  rurais",  "a  irrelevância da  área e da edificação estarem em nome da contribuinte',  'da  inobservância das  fases da  edificação e da  alienação das benfeitorias"  e a  "improcedência  da glosa das demais  despesas".  Fl. 2357DF CARF MF Processo nº 11060.003724/2010­05  Resolução nº  2401­000.559  S2­C4T1  Fl. 4          3 Quanto  a  omissão  de  receitas  da  atividade  rural,  repisa  os  fundamentos  e  argumentos  da  impugnação,  alegando  estarem  equivocadas  as  premissas  sobre  os  adiantamentos  recebidos  na  contratação  das  CPRS,  não  se  materializando  as  liquidações  contábeis pela entrega de grãos e não houve vendas sem emissão de notas fiscais, colaciona ao  recurso documentos comprobatórios das liquidações das CPRS (ANEXO B).  Contrapõe­se à aplicação da multa qualificada, esclarecendo não haver indícios  ou  documentos  comprovantes  da  fraude,  simulação  ou  dolo,  sendo  um  absurdo  agravar  a  penalidade com base em mera presunção.  Por  fim,  requer  o  conhecimento  e  provimento  do  seu  recurso,  para  preliminarmente decretar a nulidade do Auto de Infração, tornando­o sem efeito e, no mérito, a  sua absoluta improcedência.  Não houve apresentação de contrarrazões.  Após,  regular processamento do  feito,  em 21 de  janeiro de 2015,  foi  proposto  despacho de diligência e  saneamento pelo Nobre Conselheiro Relator Dr. Eduardo de Souza  Leão, às e­fls 1878/1881, in verbis:  "(...)  Deste  modo,  como  o  processo  administrativo  se  apresenta  bastante  volumoso, conformando aproximadamente duas mil páginas – segundo  primeiramente anotado pela Relatora anterior –, e tendo em vista que,  nestas  circunstâncias,  efetivamente  não  pode  ser  apreciado  com  segurança, entendo que continua necessário o seu saneamento.   Pelo  exposto,  entendo  a  necessidade  de  diligências,  nos  seguintes  termos:  (i)  inicialmente,  seja  encaminhado os autos  à  Secretaria  da Primeira  Câmara  da  Segunda  Seção  de  Julgamento,  no  sentido  de  serem  verificadas, uma a uma, as folhas do feito, a fim de assegurar se estão  digitalizadas  todas  as  páginas  do  processo,  promovendo  a  complementação das ausentes e corrigindo a ordenação numérica das  folhas dispostas em pdf;   (ii)  caso  não  seja  possível  a  complementação,  confirmada  a  falta  de  alguma  página  (e.g.  fls.  313  a  323),  conformando  impossibilitado  o  reparo, a situação deverá ser certificada nos autos e baixado perante a  Delegacia  da  Receita  Federal  de  origem,  no  sentido  de  requerer  informações  e  providências  para  a  respectiva  anexação  das  folhas  faltantes,  devendo  inclusive,  se  for o  caso,  ser  intimada a Recorrente  para auxiliar na restauração do feito administrativo;   (iii)  após  a  realização  das  referidas  diligências,  retornando  os  autos  em sua integralidade a esta Corte Tributária, deverá ser regularmente  disposto  no  formato  “pdf”  na  correta  ordenação  numérica  e  cronológica, conforme determina o art. 22 do Decreto nº 70.235/1972.   Assim,  remeto  o  presente  procedimento  ao  Ilmo.  Sr.  Presidente  da  Turma, para que sejam tomadas as devidas providências."  Fl. 2358DF CARF MF Processo nº 11060.003724/2010­05  Resolução nº  2401­000.559  S2­C4T1  Fl. 5          4 Em resposta ao despacho encimada, houve um despacho de encaminhamento, e­ fls. 1882, para posteriormente ser o processo desentranhado e anexados quatro novos volumes  de e­fls. 1884/2355, após retorno ao Egrégio Conselho, os autos  foram sorteados para minha  relatoria e conseguinte inclusão em pauta.  É o relatório.  Fl. 2359DF CARF MF Processo nº 11060.003724/2010­05  Resolução nº  2401­000.559  S2­C4T1  Fl. 6          5 Voto  Conselheiro Rayd Santana Ferreira ­ Relator  Presente  o  pressuposto  de  admissibilidade,  por  ser  tempestivo,  conheço  do  recurso e passo ao exame das alegações recursais.  Não  obstante  as  substanciosas  razões meritórias  de  fato  e  de  direito  ofertadas  pela contribuinte em seu recurso voluntário, há nos autos questão preliminar, indispensável ao  deslinde da controvérsia,  que deve  ser  elucidada, prejudicando,  assim,  a  análise da demanda  nesta oportunidade, como passaremos a demonstrar.  Com  efeito,  dentre  outras  alegações,  a  contribuinte  pretende  seja  decretada  a  nulidade da decisão de primeira instância, suscitando o que segue:  "[...] No capítulo 2 retro, está relatado que a Turma Julgadora houve  por  bem  AFASTAR  o  total  da  glosa  promovida  pela  fiscalização,  e,  alternativamente, MANTER (?) o valor incidente sobre a da quantia de  R$  46.740,13,  correspondente  a  20%  de  R$  233.700,67,  valor  este  (glosado) que foi objeto de outro lançamento contra outro contribuinte  (Pedro Herter), noutro processo ­> PAF n° 11060.001682/2010­60.  Ora,  tal  procedimento  colide  frontalmente  com  os  parâmetros  administrativo­processuais previstos no Decreto n° 70.235/72.  [...]3.2.2.2 ­ O desconhecimento dos fatos de outro processo.  A Recorrente não teve acesso, portanto, desconhece os fatos que foram  objeto  de  tributação  noutro  feito  (PAF  n°  11060.001682/2010­60).  Obviamente, a mera referência a dados existentes num outro processo  fiscal,  protegidos  pelo  sigilo  fiscal,  impede  o  exercício  do  direito  constitucional à ampla defesa.  [...]"Por  sua  vez,  a  autoridade  julgadora  de  primeira  instância  utilizou­se dos seguintes argumentos e fundamentos em sua decisão, in  verbis:  "[...]  Alega  a  impugnante  que  no  valor  glosado  R$716.311,97  estão  compreendidos  valores  que  não  foram  aplicados  na  construção  do  galpão e demais benfeitorias deste imóvel.  De fato, no ano em questão, a contribuinte explorou atividade rural nas  condições  de  parceria  e  de  arrendamento  numa  área  equivalente  a  10.226,10 ha, não sendo crível pensar que todas as despesas efetuadas  na conta Construções e Reformas foram efetuadas no imóvel com 4 ha.  Ademais,  no  processo  n°  11060.001682/2010­60  onde  é  exigido  o  imposto  sobre  o  ganho  de  capital na  alienação  do  imóvel  com  4  ha  para  integralização de  capital  social  foi  considerado  como  custo  das  benfeitorias em 2005 o valor de R$ 233.700,67.  Assim, o custo das benfeitorias a ser considerado é de R$233.700,67,  sendo  improcedente  a  glosa  do  valor  de  R$482.611,30,  cabendo  à  contribuinte o valor de R$9ó.522,26(20% do valor)."(grifo nosso)  Fl. 2360DF CARF MF Processo nº 11060.003724/2010­05  Resolução nº  2401­000.559  S2­C4T1  Fl. 7          6 Como  se  observa  do  trecho  da  decisão  encimado,  a  argumentação  da  contribuinte é oportuna, pois, de fato, a autoridade julgadora de primeira instância mencionou  dados de outro processo administrativo fiscal para fundamentar sua decisão.  Conforme  se  depreende  da  transcrição  acima,  a  DRJ  utilizou­se  de  dados  e  informações  constantes  de  outro  procedimento  fiscal,  inclusive  de  infração  diversa  e  contribuinte distinto da demanda em análise.  Com  mais  especificidade,  a  delegacia  de  julgamento  adotou  para  fins  de  conclusão uma decisão em outro PAF referente a "mesma área rural".  Nada impede que o julgador utilize os fundamentos de outra decisão como razão  de decidir, porém, no caso em tela foi utilizado mais do que apenas razões, mas, sim, os fatos  referentes ao lançamento em face de contribuinte diverso e infração distinta.  Ocorre  que,  as  informações  sequer  foram  objeto  de  análise  pela  contribuinte,  uma vez que os dados existentes no processo fiscal são protegidos pelo sigilo fiscal, e mais, o  Conselheiro  que  relata  a  demanda  nesta  oportunidade,  também  não  tem  acesso,  restando  prejudicada a análise dos argumentos da decisão de piso.  A  contribuinte  insurge­se  também  quanto  a  decisão  ora  guerreada,  afirmando  para  tanto  que  foi  embasada  numa  prova  emprestada  inexistente,  haja  vista  ter  tido  conhecimento de que o outro lançamento foi totalmente cancelado.  No entendimento deste Conselheiro, existe a necessidade de confrontar os fatos  dos  autos  para  que  reste  claro  a  relação  de  causa  e  efeito  entre  eles,  especialmente  se  for  verdade que o lançamento que se prestou, em parte, a escorar a decisão de primeira instância,  de fato, fora cancelado.  Nestes  termos,  não  podemos  deixar  de  lado  a  ausência  de  conhecimento  dos  fatos  em  outro  PAF,  que  fora  utilizado  como  razões  de  decidir  do  julgador  de  primeira  instância. Dessa forma, devem ser anexadas ao processo os documentos mencionados abaixo e  respondidas as seguintes indagações:  1)  Acostar  aos  autos  as  peças  inaugurais  (auto  de  infração,  demonstrativos  e  termo de verificação fiscal) do PAF n° 11060.001682/2010­60;  2) Anexar aos autos cópia do Acórdão referente ao PAF encimado, bem como  extrato do andamento do processo;  Por  todo  o  exposto,  VOTO NO  SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO  VOLUNTÁRIO  E  CONVERTER  O  JULGAMENTO  EM  DILIGÊNCIA,  nos  termos  encimados, devendo ser oportunizado à contribuinte  se manifestar a  respeito do  resultado da  diligência no prazo de 30 (trinta) dias, se assim entender por bem.  É como voto.  (assinado digitalmente)  Rayd Santana Ferreira    Fl. 2361DF CARF MF

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6653806 #
Numero do processo: 10882.908451/2011-23
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Feb 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2010 a 31/03/2010 CRÉDITO DE IPI. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO PELA SELIC. OPOSIÇÃO ESTATAL. A resistência ilegítima, oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da não-cumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), sendo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009). Nos pedidos de ressarcimento para utilização em declaração de compensação, de forma diferente do que ocorre com pedidos de ressarcimento em espécie, não há que se falar em aplicação da taxa SELIC. Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3401-003.371
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário, sendo que os Conselheiros Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida e Robson José Bayerl acompanharam pelas conclusões. (assinado digitalmente) Robson José Bayerl – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge D’Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL

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3401­003.371  –  4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  25 de janeiro de 2017  Matéria  IPI. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO. SELIC.  Recorrente  PRO­COLOR QUÍMICA INDUSTRIAL LTDA.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS ­ IPI  Período de apuração: 01/01/2010 a 31/03/2010  CRÉDITO  DE  IPI.  RESSARCIMENTO.  ATUALIZAÇÃO  PELA  SELIC.  OPOSIÇÃO ESTATAL.  A  resistência  ilegítima,  oposição  constante de  ato  estatal,  administrativo ou  normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da  aplicação do princípio constitucional da não­cumulatividade), descaracteriza  referido  crédito  como  escritural  (assim  considerado  aquele  oportunamente  lançado  pelo  contribuinte  em  sua  escrita  contábil),  sendo  legítima  a  incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do  Fisco  (Aplicação  analógica  do  precedente  da  Primeira  Seção  submetido  ao  rito  do  artigo  543C,  do  CPC:  REsp  1035847/RS,  Rel.  Ministro  Luiz  Fux,  julgado em 24.06.2009).   Nos pedidos de ressarcimento para utilização em declaração de compensação,  de forma diferente do que ocorre com pedidos de ressarcimento em espécie,  não há que se falar em aplicação da taxa SELIC.   Recurso Voluntário Negado.      Acordam  os  membros  do  Colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  negar  provimento ao Recurso Voluntário,  sendo que os Conselheiros Eloy Eros da Silva Nogueira,  Fenelon Moscoso de Almeida e Robson José Bayerl acompanharam pelas conclusões.   (assinado digitalmente)  Robson José Bayerl – Presidente e Relator  Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros  Robson  José  Bayerl,  Rosaldo  Trevisan,  Augusto  Fiel  Jorge  D’Oliveira,  Eloy  Eros  da  Silva  Nogueira,  André  Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi  e Leonardo Ogassawara de  Araújo Branco.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 90 84 51 /2 01 1- 23 Fl. 124DF CARF MF Processo nº 10882.908451/2011­23  Acórdão n.º 3401­003.371  S3­C4T1  Fl. 3          2      Relatório  Trata­se de PER/DCOMP cujo direito creditório utilizado na compensação é  oriundo de saldo credor do IPI referente ao período de apuração de 01/01/2010 a 31/03/2010.   Conforme  despacho  decisório  exarado  pelo  Seort/DRF/Osasco,  apesar  de  o  crédito  alegado  pela  Recorrente  ter  sido  integralmente  reconhecido  (pelo  valor  original  do  saldo credor  solicitado em ressarcimento  ­ PER), parte das compensações declaradas não  foi  homologada, pois o montante dos débitos informados para compensação, vinculados ao saldo  credor do período de apuração sob análise, superou o valor do crédito solicitado e reconhecido.   Após  ser  intimada,  a  ora  Recorrente  apresentou  Manifestação  de  Inconformidade,  julgada  improcedente  pela  Delegacia  da  Receita  Federal  do  Brasil  de  Julgamento em Ribeirão Preto por  intermédio do Acórdão 14­053.028, que possui a seguinte  ementa:   ASSUNTO:  IMPOSTO  SOBRE  PRODUTOS  INDUSTRIALIZADOS ­ IPI  Período de apuração: 01/01/2010 a 31/03/2010   NULIDADES.   As  causas  de  nulidade  no  âmbito  do  processo  administrativo  fiscal são somente aquelas elencadas na legislação de regência.  O  Despacho  Decisório  devidamente  fundamentado  é  regularmente válido.  ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. JUROS SELIC.   É incabível, por falta de previsão legal, a atualização monetária  dos  valores  objeto  de  pedido  de  ressarcimento  de  créditos  do  IPI.  Dessa decisão, a ora Recorrente foi intimada no dia 16/10/2014, apresentando  tempestivo Recurso Voluntário  no  dia  14/11/2014,  pelo  qual  requereu  a  reforma do  acórdão  recorrido, "para o fim de reconhecer e deferir o direito de correção monetária dos créditos de  IPI,  pois  deixaram  de  ser  escriturais,  bem  como  aplicar  a  taxa  SELIC,  com  a  posterior  homologação  das  compensações  na  integralidade",  com  base  nos  seguintes  argumentos:  (i)  nulidade  da  decisão  que  não  reconheceu  o  direito  de  crédito  da  Recorrente,  por  falta  de  fundamentação e por não ter intimado a Recorrente para esclarecer os motivos de ter pleiteado  o  ressarcimento;  (ii)  aplicação  da  correção  monetária  pela  utilização  da  taxa  SELIC  em  créditos objeto de pedidos de ressarcimento junto a Receita Federal.  É o relatório.    Fl. 125DF CARF MF Processo nº 10882.908451/2011­23  Acórdão n.º 3401­003.371  S3­C4T1  Fl. 4          3  Voto             Conselheiro Robson José Bayerl, Relator  O  julgamento  deste  processo  segue  a  sistemática  dos  recursos  repetitivos,  regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de  junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica­se o decidido no Acórdão 3401­003.340, de  25 de janeiro de 2017, proferido no julgamento do processo 10882.908423/2011­14, paradigma  ao qual o presente processo foi vinculado.  Transcreve­se,  como  solução  deste  litígio,  nos  termos  regimentais,  o  entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401­003.340):  "O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos para a sua  admissibilidade, de modo que dele tomo conhecimento.  Como  relatado,  a  interposição  do  Recurso  Voluntário  pelo  contribuinte coloca duas matérias para exame desse Colegiado: (i) nulidade  da  decisão  que  não  reconheceu  o  direito  creditório  da  Recorrente;  e  (ii)  aplicação  da  Taxa  Selic  para  atualização  de  crédito  básico  de  IPI  em  pedidos de ressarcimento.  Nulidade  O Recorrente defende a nulidade da decisão que não homologou as  compensações declaradas e  indeferiu o pedido de ressarcimento, alegando  que  a  fundamentação  da  decisão  não  é  adequada,  pois  não  permite  à  Recorrente conhecer os seus motivos, e que não foi intimada para esclarecer  aspectos  do  pedido  de  ressarcimento  por  ela  realizado,  o  que  seria  determinado à autoridade  fiscal pelo artigo 65 da  Instrução Normativa nº  900/2008.  Esse argumento foi rejeitado pela decisão recorrida, pelas seguintes  razões:   "De plano não constato qualquer irregularidade que possa acarretar  a  nulidade  do Despacho Decisório,  claramente  foi  demonstrado  no  Despacho  Decisório  (Divergências  na  Compensação)  que  o  direito  creditório  oferecido  e  reconhecido  era  inferior  ao  montante  de  débitos que a interessada quer compensar. (...)  Pois bem, atendendo ao princípio da eficiência, as PERDCOMPs são  processadas  eletronicamente  visando  atender  ao  contribuinte  agilmente  e,  para  atingir  tal  fim,  a  busca  da  certeza  e  liquidez  do  crédito  se  dá,  num  primeiro  momento,  pelo  cruzamento  das  informações  prestadas  pelo  próprio  interessado  à  SRF,  ou  seja,  confrontando­se o direito creditório pedido com os dados fornecidos  pelo interessado na PERDCOMP.  Ou  seja,  a  verificação  da  certeza  e  liquidez  do  direito  creditório  alegado pelo contribuinte, que nada mais é que o estrito cumprimento  da lei e a obediência ao princípio da verdade material, baseia­se nas  obrigações acessórias realizadas pelo próprio".  Fl. 126DF CARF MF Processo nº 10882.908451/2011­23  Acórdão n.º 3401­003.371  S3­C4T1  Fl. 5          4  No que se refere à fundamentação inadequada do despacho decisório  eletrônico que, segundo a Recorrente, não permitiria o pleno conhecimento  dos motivos para o indeferimento  total do seu pleito,  com os prejuízos daí  decorrentes  para  o  exercício  regular  de  sua  defesa,  não  vejo  como  acompanhar a Recorrente.   Apesar de o despacho decisório de  fls. 75 ser bem objetivo, pelo seu  exame,  é  possível  a  compreensão  dos  motivos  que  levaram  à  decisão:  a  Recorrente  apurou  determinado  saldo  credor  de  IPI  em  seus  livros  e  pleiteou o  ressarcimento, que  foi deferido até o exato montante do crédito  por  ela  apurado  e  solicitado,  sendo  indeferido  pelo  despacho  decisório  a  compensação  de  débitos,  assim  como  um  pedido  de  ressarcimento,  em  montante superior ao crédito solicitado.   Desse modo, estando devidamente fundamentada, não há que se falar  em  prejuízo  à  defesa  da  Recorrente  que,  conhecendo  os  motivos  do  indeferimento, apresentou defesa explicando que a divergência entre crédito  e débito se deu pela não aplicação da taxa SELIC nos créditos básicos de  IPI objeto de ressarcimento que, uma vez, aplicados, segundo a Recorrente,  permitiriam a validação de todas as compensações vinculadas ao crédito de  IPI. Não há, portanto, qualquer violação ao artigo 59, inciso II, do Decreto  nº 70.235/1972, a ensejar a decretação de nulidade da decisão.   Com  relação  à  necessidade  de  intimação  da  Recorrente  antes  de  qualquer  decisão  indeferindo  o  seu  direito  creditório,  oportuno  citar  o  dispositivo invocado pela Recorrente, que tem a seguinte redação: "Art. 65.  A  autoridade  da  RFB  competente  para  decidir  sobre  a  restituição,  o  ressarcimento,  o  reembolso  e  a  compensação  poderá  condicionar  o  reconhecimento  do  direito  creditório  à  apresentação  de  documentos  comprobatórios  do  referido  direito,  inclusive  arquivos  magnéticos,  bem  como  determinar  a  realização  de  diligência  fiscal  nos  estabelecimentos  do  sujeito  passivo  a  fim  de  que  seja  verificada,  mediante  exame  de  sua  escrituração  contábil  e  fiscal,  a  exatidão  das  informações  prestadas".  (Instrução Normativa RFB nº 900/2008)   Pela  leitura  do  dispositivo,  entendo  que  se  trata  de  um  direito  da  autoridade fiscal, que pode ser exercido ou não, não podendo ser encarado  tal  dispositivo  como  uma  obrigação  da  autoridade  fiscal  de  intimar  o  contribuinte antes de toda e qualquer análise de pedidos de reconhecimento  de  direito  de  crédito.  A  Receita  Federal  poderá,  nas  hipóteses  em  que  entender cabível, intimar o contribuinte para apresentar esclarecimentos ou  realizar diligências adicionais, para fim de confirmar a existência do direito  de crédito pleiteado.  Por conseguinte, a ausência de intimação da Recorrente antes do não  reconhecimento  de  crédito  por  ela  pleiteado  não  implica  nulidade  da  decisão  tomada  nesse  sentido,  motivo  pelo  qual  proponho  ao  Colegiado  rejeitar a nulidade também por esse segundo fundamento.  Aplicação da Taxa SELIC nos pedidos de ressarcimento de crédito de IPI   A Recorrente alega que, se aplicada a correção monetária pela taxa  SELIC  no  saldo  credor,  as  compensações  declaradas  teriam  sido  homologadas,  não  havendo  qualquer  valor  a  ser  cobrado  pela  Receita  Federal.   Fl. 127DF CARF MF Processo nº 10882.908451/2011­23  Acórdão n.º 3401­003.371  S3­C4T1  Fl. 6          5  Para tanto, invoca como fundamento o artigo 153, parágrafo 3º, inciso  II,  da  Carta  da  República,  artigo  49  do  Código  Tributário  Nacional  ("CTN"),  artigo  11  da  Lei  nº  9.779/1999,  afirmando  que,  na  hipótese  de  ressarcimento  e/ou  compensação,  "o  crédito  de  IPI  deixa  de  ser  crédito  escritural e passa a ser um crédito oponível à União Federal para restituição  ou compensação, do qual deverá sofrer a  incidência da correção monetária,  como qualquer outro crédito passível de restituição/compensação".   Além  disso,  defende  a  Recorrente  que  "será  totalmente  inócua  a  utilização de valores de créditos sem a cobertura do desgaste  inflacionário,  ou  seja,  a  devida  correção  monetária  entre  o  período  em  que  houve  o  acúmulo  do  crédito  até  o  momento  da  utilização,  sob  pena  de  enriquecimento ilícito por parte da União Federal", afirmando ser aplicável  a taxa SELIC que é a mesma que é aplicada pelo Fisco na correção de seus  créditos.  A decisão recorrida rejeitou esse argumento da Recorrente, fazendo a  distinção entre os casos de  ressarcimento de  IPI e restituição, conforme a  seguir: "(...) a atualização monetária não é aplicável à hipótese vertente, isto  é, de crédito escritural suscetível de ressarcimento, pois a norma do art. 66, §  3º  da  Lei  nº  8.383,  de  30  de  dezembro  de  1991,  e  alterações,  conforme  orientação interna transmitida pelo Boletim Central nº 46, de 25 de março de  1992, abarca tão­somente as hipóteses de atualização monetária referentes à  restituição, nos casos em que menciona".  Ademais,  a  decisão  recorrida  fundamenta  a  impossibilidade  de  correção monetária  no  ressarcimento  de  IPI,  com  base  em  normas  infra­ legais como o artigo 38, § 2º, da IN SRF nº 210, de 2002; e artigo 51, § 5º,  da IN SRF nº 460, de 2004, sucedida pelo artigo 52 da IN SRF nº 600, de  2005;  artigo  72,  §  5º,  da  IN  RFB  nº  900/2008  e  alterações  posteriores,  manifestando­se  ainda  pela  impossibilidade  de  correção  de  créditos  escriturais de IPI.  Sobre o tema, pedido de atualização pela SELIC de valores objeto do  pedido de  ressarcimento de  IPI,  oportuno mencionar que  já  foi pacificado  pelo  e.  Superior  Tribunal  de  Justiça  (STJ),  no  julgamento  do  Recurso  Especial nº 1.035.847 ­ RS, de relatoria do Ministro Luiz Fux, cujo acórdão  foi submetido ao regime de recursos  repetitivos do artigo 543­C, do CPC.  Essa decisão teve a seguinte ementa:  "PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE  CONTROVÉRSIA.  ARTIGO  543­C,  DO  CPC.  TRIBUTÁRIO.  IPI.  PRINCÍPIO  DA  NÃO  CUMULATIVIDADE.  EXERCÍCIO  DO  DIREITO  DE  CRÉDITO  POSTERGADO  PELO  FISCO.  NÃO  CARACTERIZAÇÃO  DE  CRÉDITO  ESCRITURAL.  CORREÇÃO  MONETÁRIA. INCIDÊNCIA.  1.  A  correção  monetária  não  incide  sobre  os  créditos  de  IPI  decorrentes  do  princípio  constitucional  da  não­cumulatividade  (créditos escriturais), por ausência de previsão legal.  2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo,  impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do  princípio  da  não­cumulatividade,  descaracteriza  referido  crédito  como  escritural,  assim  considerado  aquele  oportunamente  lançado  pelo contribuinte em sua escrita contábil.  Fl. 128DF CARF MF Processo nº 10882.908451/2011­23  Acórdão n.º 3401­003.371  S3­C4T1  Fl. 7          6  3. Destarte, a vedação legal ao aproveitamento do crédito  impele o  contribuinte a  socorrer­se do Judiciário, circunstância que acarreta  demora  no  reconhecimento  do  direito  pleiteado,  dada  a  tramitação  normal dos feitos judiciais.  4. Consectariamente, ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses  créditos,  com  o  consequente  ingresso  no  Judiciário,  posterga­se  o  reconhecimento  do  direito  pleiteado,  exsurgindo  legítima  a  necessidade  de  atualizá­los  monetariamente,  sob  pena  de  enriquecimento sem causa do Fisco (Precedentes da Primeira Seção:  EREsp 490.547/PR, Rel. Ministro Luiz Fux,  julgado em 28.09.2005,  DJ  10.10.2005;  EREsp  613.977/RS,  Rel.  Ministro  José  Delgado,  julgado  em  09.11.2005,  DJ  05.12.2005;  EREsp  495.953/PR,  Rel.  Ministra  Denise  Arruda,  julgado  em  27.09.2006,  DJ  23.10.2006;  EREsp  522.796/PR,  Rel.  Ministro  Herman  Benjamin,  julgado  em  08.11.2006,  DJ  24.09.2007;  EREsp  430.498/RS,  Rel.  Ministro  Humberto Martins, julgado em 26.03.2008, DJe 07.04.2008; e EREsp  605.921/RS,  Rel.  Ministro  Teori  Albino  Zavascki,  julgado  em  12.11.2008, DJe 24.11.2008).  5.  Recurso  especial  da  Fazenda  Nacional  desprovido.  Acórdão  submetido ao regime do artigo 543­C, do CPC, e da Resolução STJ  08/2008".  (REsp  1035847/RS, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA  SEÇÃO, julgado em 24/06/2009, DJe 03/08/2009)  Em julgados mais recentes, o STJ deixou claro que (i) a atualização  dos  pedidos  de  ressarcimento  de  IPI  aplica­se  também  aos  processos  administrativos  iniciados  antes  da  vigência  da  Lei  nº  11.457/2007,  que  estipula  em  seu  artigo  24  que  os  pedidos  administrativos  deveriam  ser  apreciados dentro do prazo de 360 (trezentos e sessenta) dias1; e (ii) o termo  inicial para aplicação da SELIC, índice a ser adotado a partir de 1996, é a  data de protocolo do pedido de ressarcimento. Nesse sentido, pode­se citar  o precedente abaixo, de relatoria do Ministro Mauro Campbell Marques:  "TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL.  PEDIDO  ADMINISTRATIVO  DE  RESSARCIMENTO  DOS  CRÉDITOS DE  IPI.  CORREÇÃO MONETÁRIA.  TERMO  INICIAL.  PROTOCOLO  DOS  PEDIDOS  ADMINISTRATIVOS  DE  RESSARCIMENTO.  1.  Em  que  pese  o  julgamento  do  Recurso  Representativo  da  Controvérsia REsp. n. 1.138.206/RS (Primeira Seção, Rel. Min. Luiz  Fux,  julgado  em  9.8.2010),  onde  se  definiu  que  o  art.  24  da  Lei  11.457/2007  se  aplica  também  para  os  feitos  inaugurados  antes  de  sua vigência, o prazo de 360 (trezentos e sessenta) dias para o fim do  procedimento  de  ressarcimento  não  pode  ser  confundindo  com  o  termo  inicial  da  correção  monetária  e  juros  SELIC.  "Quanto  ao  termo inicial da correção monetária, este deve ser coincidente com o  termo  inicial  da  mora.  Usualmente,  tenho  conferido  o  direito  à  correção monetária a partir da data em que os créditos poderiam ter  sido aproveitados e não o foram em virtude da ilegalidade perpetrada  pelo Fisco. Nesses casos, o termo inicial se dá com o protocolo dos  pedidos  administrativos  de  ressarcimento"  (EAg  nº  1.220.942/SP,                                                              1 Art. 24.  É obrigatório que seja proferida decisão administrativa no prazo máximo de 360 (trezentos e sessenta)  dias a contar do protocolo de petições, defesas ou recursos administrativos do contribuinte.  Fl. 129DF CARF MF Processo nº 10882.908451/2011­23  Acórdão n.º 3401­003.371  S3­C4T1  Fl. 8          7  Primeira  Seção,  Rel.  Min.  Mauro  Campbell  Marques,  julgado  em  10.04.2013).  2. Agravo regimental não provido". (AgRg no REsp 1554806/PR, Rel.  Ministro  MAURO  CAMPBELL  MARQUES,  SEGUNDA  TURMA,  julgado em 27/10/2015, DJe 05/11/2015)  O  assunto  já  foi,  inclusive,  apreciado  pela  Câmara  Superior  de  Recursos  Fiscais,  que,  em  recente  julgado2,  negou  provimento  ao  Recurso  Especial  interposto  pela  Fazenda  Nacional,  pois  "especificamente  no  presente  caso,  verifica­se  que  houve  oposição  estatal, mas, ou seja, o pedido de ressarcimento de créditos escriturais  de  IPI  foi  expressamente  rejeitado  pela  autoridade  competente  (despacho  decisório  de  fls.  480  a  499),  o  que  ocasionou,  portanto,  oposição injustificada a impedir o gozo do direito. Existindo oposição  estatal  injustificada,  há  incidência  de  atualização  pela  SELIC  do  crédito de IPI".  Esse  posicionamento  decorre  da  distinção  entre  créditos  escriturais  de IPI e créditos não escriturais.   Os  créditos  escriturais,  ou  seja,  aqueles  recebidos  e  inseridos  na  escrita  fiscal  da  empresa  em  um  período  de  apuração  para  efeito  de  dedução  dos  débitos  de  IPI  decorrentes  das  saídas  de  produtos  industrializados em períodos de apuração  subseqüentes,  não são passíveis  de atualização, por ausência de previsão legal.   Situação distinta ocorre com os créditos escriturais que passam a ser  objeto  de  pedido  de  ressarcimento,  em  razão da  impossibilidade  de  serem  utilizados na dedução de débitos de IPI, quando as saídas estão sujeitas à  alíquota  zero  ou  à  isenção,  ou  quando  a  diferença  entre  o  volume  de  créditos  e débitos  resulta na acumulação de saldo  credor. Nessa hipótese,  tais créditos deixam de ser escriturais e passam a ser um direito de crédito  do contribuinte contra o Fisco, que deve ser atualizado, desde o protocolo  do  pedido,  pois,  caso  contrário,  haveria um  enriquecimento  sem  causa  do  Fisco.   É  que,  nessas  hipóteses,  em  que  há  "pedido  de  ressarcimento  de  créditos de IPI, PIS/COFINS (em dinheiro ou via compensação com outros  tributos) e esses créditos são reconhecidos pela Receita Federal com mora,  essa demora no  ressarcimento enseja a  incidência de  correção monetária,  posto que caracteriza a chamada "resistência ilegítima" (REsp 1216129/SC,  Rel.  Ministro  MAURO  CAMPBELL  MARQUES,  SEGUNDA  TURMA,  julgado  em 01/03/2011, DJe  15/03/2011),  a  atrair  a  aplicação da  Súmula  STJ  nº  411,  com  a  seguinte  redação:  "É  devida  a  correção monetária  ao  creditamento do IPI quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente  de resistência ilegítima do Fisco".  Oportuno destacar que a resistência ilegítima fica caracterizada pelo  reconhecimento do pedido, com mora, porém, em valor histórico, o que gera  uma  defasagem  no  valor  do  crédito  a  ser  recebido  pelo  contribuinte,  não  havendo  que  se  esperar  determinado  lapso  de  tempo  na  apreciação  do  pedido para que a mora fique caracterizada.                                                              2  Processo  nº  13678.000141/0076;  Acórdão  nº  9303003.253;  3ª  Turma;  Sessão  de  03  de  fevereiro  de  2015;  Matéria TAXA SELIC; Recorrente FAZENDA NACIONAL.  Fl. 130DF CARF MF Processo nº 10882.908451/2011­23  Acórdão n.º 3401­003.371  S3­C4T1  Fl. 9          8  A  respeito,  merece  destaque  a  doutrina  de  Eduardo  Domingos  Bottallo3, ao  tratar da correção monetária nos pedidos de restituição, mas  que, pelos mesmos fundamentos, entendo se aplicar aos casos de pedidos de  ressarcimento:  "A  ausência  de  correção monetária  nas  obrigações  pecuniárias  em  geral,  inclusive,  as  de  índole  tributária,  acarreta  enriquecimento  ilícito do devedor, ao que se soma, quando se trata do Poder Público,  verdadeiro confisco.  Ao revés, sua incidência não configura aumento patrimonial, porém  simples  mecanismo  tendente  a  retratar,  em  unidades  monetárias  atuais,  o  valor  representado  por  uma  quantia  identificada  no  passado.   Na  antiga  lição  de Amílcar  de Araújo Falcão,  ela  é  a  técnica  pelo  direito  consagrada  de  traduzirem­se  em  termos  de  idêntico  poder  aquisitivo,  quantias  ou  valores  que,  fixados  pro  tempore,  se  apresentam expressos em moeda sujeita à depreciação. (...)  Portanto, se os débitos fiscais ficam sujeitos a atualização monetária  a  partir  do  momento  que  devem  ser  satisfeitos,  o  mesmo  há  de  ocorrer com os créditos dos contribuintes, até por força da analogia  (ubi  eadem  ratio,  ibi  eadem  juris  dipositio),  e  da  própria  regra  de  isonomia  que  deve  orientar  as  ações  do  Poder  Público  em  seu  relacionamento  com  a  sociedade:  "mais  do  que  ninguém,  o  administrador  público  tem  o  dever  de  probidade  e  de  seriedade  no  trato com a coisa pública. Em conseqüência, não pode pensar em não  pagar  a  correção  monetária  de  seus  débitos,  sob  pena  de  se  beneficiar indevidamente com o atraso no pagamento".  Como se verifica, se o contribuinte deixa de adimplir sua obrigação  tributária  dentro  do  prazo  de  vencimento  está  sujeito  ao  recolhimento  do  tributo  com  a  aplicação  da  SELIC,  correta  a  aplicação  do mesmo  índice  para atualização do crédito detido pelo contribuinte contra a Fazenda, pago  no âmbito de pedidos de ressarcimento de IPI.  Ademais, o artigo 11, da Lei nº 9.779/1999 prevê que o saldo credor  do IPI "poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 73 e  74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996",  que  são as normas que  tratam  da  compensação  e  restituição  de  tributos  federais.  Por  sua  vez,  o  artigo 39, § 4º, da Lei nº 9.250/1995, estabelece que "§ 4º A partir de 1º de  janeiro  de  1996,  a  compensação  ou  restituição  será  acrescida  de  juros  equivalentes  à  taxa  referencial  do  Sistema  Especial  de  Liquidação  e  de  Custódia ­ SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados  a partir da data do pagamento indevido ou a maior até o mês anterior ao da  compensação  ou  restituição  e  de  1%  relativamente  ao mês  em  que  estiver  sendo efetuada".  Desse modo, se a aplicação da SELIC aos pedidos de ressarcimento  de IPI já não tivesse fundamento no princípio da isonomia e no que veda o  enriquecimento  sem  causa,  a  própria  remissão  do  artigo  11,  da  Lei  nº  9.779/1999  às  normas  que  tratam  de  restituição  e  compensação  seria  fundamento legal suficiente ao seu reconhecimento.                                                              3 Bottalo, Eduardo Domingos. "Fundamentos do IPI". São Paulo. Editora Revista dos Tribunais. 2002. p. 136­137.  Fl. 131DF CARF MF Processo nº 10882.908451/2011­23  Acórdão n.º 3401­003.371  S3­C4T1  Fl. 10          9  Contudo,  em  que  pese  ter  razão,  em  tese,  o  Recorrente  quando  defende  a  possibilidade  de  aplicação  da  taxa  SELIC  nos  pedidos  de  ressarcimento, em seu caso concreto,  fixado o entendimento de que a  taxa  SELIC deve ser aplicada desde a data de protocolo do pedido até o efetivo  pagamento do ressarcimento pela Receita Federal, o pedido do Recorrente  não merece prosperar.  É que no caso da Recorrente não se trata de pedido de ressarcimento  em espécie, mas de pedido de ressarcimento para utilização em declarações  de  compensação  contemporâneas  ao  pedido  de  ressarcimento.  Ora,  nesse  caso, não há que se falar em oposição injustificada da Receita Federal, pois  o  valor  objeto  de  ressarcimento  é  utilizado  no  exato  momento  da  apresentação  do  pedido.  Em  conseqüência,  não  há  qualquer  justificativa  para a aplicação da taxa SELIC.  E, se a Recorrente pretendia a aplicação da taxa SELIC desde a data  da escrituração dos créditos nos livros fiscais até a data de apresentação do  pedido  de  ressarcimento,  o  que  não  se  depreende  da  defesa  apresentada,  tratar­se­ia, de qualquer modo, de aplicação da taxa SELIC sobre o crédito  escritural de IPI, o que é vedado, por ausência de previsão legal, como já  exposto nas linhas acima.  Ante o exposto, embora tenha o entendimento pela aplicação da taxa  SELIC  nos  pedidos  de  ressarcimento  de  crédito  de  IPI,  penso  que  esse  entendimento  não  se  aplica  ao  caso  concreto,  que  trata  de  declaração  de  compensação contemporânea ao pedido de ressarcimento, motivo pelo qual  voto pelo não provimento do Recurso Voluntário."  Deixa­se  de  transcrever  a  íntegra  da  declaração  de  voto  apresentada  pelo  Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira por  ter sido apresentada no Acórdão 3401­003.340  (processo paradigma), e por não ser essencial à solução do presente litígio. Transcreve­se, tão­ somente,  o  seguinte  fragmento  da  declaração  de  voto,  que  resume  o  entendimento  do  Conselheiro sobre a questão:  "Data  vênia  do  entendimento  esposado  pelo  ilustre  relator, a jurisprudência que acomete a atualização SELIC para  o  ressarcimento  do  IPI  é  justificada  pela  resistência  da  administração  em  reconhecer  o  direito  creditório  e  efetivar  o  ressarcimento. Mas  ela  não  acolhe  a  SELIC  para  os  casos  em  que  não  se  configure  essa  resistência  da  administração  fazendária. Vejamos trecho das ementas dos citados julgados:  (...)  Além  disso,  a  contribuinte  aproveitou  o  crédito  do  ressarcimento do IPI imediatamente por meio de declaração de  compensação, não havendo oposição por parte da administração  tributária  para  essa  compensação,  nem  postergação  do  aproveitamento do crédito por parte da contribuinte. Não houve  desrespeito ao prazo de 360 dias posto pela Lei 11.457 de 2007.  Não há  que  se  falar  em  resistência  da  administração ao  caso  de  modo  a  se  justificar  aplicar  o  entendimento  jurisprudencial.  Fl. 132DF CARF MF Processo nº 10882.908451/2011­23  Acórdão n.º 3401­003.371  S3­C4T1  Fl. 11          10  O texto do artigo 24 da Lei n. 11.457, de 2007, invocado  pela  contribuinte,  não  a  socorre.  Além  do  fato  que  o  prazo  de  360  dias  não  foi  desrespeitado,  a  simples  leitura  desse  artigo  afasta a proposição da contribuinte de que o descumprimento do  prazo  máximo  para  a  autoridade  administrativa  decidir  implicaria  em  reconhecimento  do  seu  direito.  Essa  é  uma  interpretação equivocada. Basta ler o artigo citado para se ver,  indubitavelmente,  que  esse  texto  não  autoriza  a  aplicação  da  taxa SELIC aos casos de ressarcimento."  Aplicando­se  a  decisão  do  paradigma  ao  presente  processo,  em  razão  da  sistemática  prevista  nos  §§  1º  e  2º  do  art.  47  do  RICARF,  nego  provimento  ao  recurso  voluntário.  (assinado digitalmente)  Robson José Bayerl                                Fl. 133DF CARF MF

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6667214 #
Numero do processo: 11040.001697/00-12
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jan 28 00:00:00 UTC 2004
Numero da decisão: 201-00.391
Decisão: RESOLVEM os membros da Primeira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da Relatora.
Nome do relator: Adriana Gomes Rêgo Galvão

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Numero do processo: 19647.010512/2007-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 14 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 2201-000.243
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência para que a unidade preparadora verifique se os valores do crédito tributário em discussão foram incluídos em parcelamento.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO

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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência para que a unidade preparadora verifique se os valores do crédito tributário em discussão foram incluídos em parcelamento. Assinado digitalmente Carlos Henrique de Oliveira - Presidente. Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira (Presidente), Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório O presente processo trata de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito, NFLD 37.114.417-5, referente às contribuições previdenciárias devidas à Seguridade Social, parte patronal, inclusive para financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais de trabalho, e Terceiros. A notificação em tela é substitutiva do DEBCAD nº 37.009.810-2, declarado nulo por vício formal, em 30/06/2006, formalizado quando o Mandado de Procedimento Fiscal estava expirado. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 96 47 .0 10 51 2/ 20 07 -9 1 RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 96 47 .0 10 51 2/ 20 07 -9 1 CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária março de 2017 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS MIDIAVOX LTDA MIDIAVOX LTDA FAZENDA NACIONAL FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. julgamento em diligência para que a unidade preparadora verifique se os valores do crédito julgamento em diligência para que a unidade preparadora verifique se os valores do crédito tributário em discussão foram incluídos em parcelamento. tributário em discussão foram incluídos em parcelamento. Fl. 300DF CARF MF Processo nº 19647.010512/2007-91 Resolução nº 2201-000.243 S2-C2T1 Fl. 301 2 Os valor lançado, no montante originário de R$ 69.304,30, é relativo ao período de apuração de setembro de 1999 a agosto de 2004. Do mesmo procedimento fiscal resultaram o Auto de Infração 37.114.418-3 (processo 19647.010520/2007-38 - arquivado) e a NFLD 37.114.416-7 (processo 19647.010513/2007-36, já julgado em 2ª Instância, Acórdão 2302-002.556) Ciente do lançamento em 24 de setembro de 2007, conforme fl. 95, inconformado, o contribuinte formalizou a impugnação de fl. 133/157, na qual limitou seus argumentos à decadência dos débitos lançados até o período de apuração agosto de 2002. Em relação aos débitos posteriores, 09/2002 a 08/2004, os quais classificou como incontroversos, o contribuinte solicitou o seu desmembramento para "pagamento" via compensação com supostos créditos provenientes de retenções sofridas por tomadores de serviço. Na análise da impugnação, fl. 199/205 a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Recife/PE considerou procedente o lançamento, lastreada nas conclusões abaixo resumidas: (...) Ocorre que o lançamento ora em discussão objetivou substituir a NFLD 37.009.810-2, que foi tornada nula em virtude de falha formal, havendo, nesse sentido, decisão administrativa, datada de 28/11/2006 (conforme extrato a fl. 97). (...) Em conseqüência, tendo a decisão, que anulou a NFLD anterior, sido exarada em 28/11/2006 e não constando interposição de recurso administrativo à mesma, havendo o presente lançamento se constituído em 24/09/2007, consoante fl. 01 dos autos, não há que se falar quer em decadência ou, muito menos, em prescrição, dado que se observou, in casu, o prazo legal para a feitura do crédito tributário, NÃO havendo, assim, como prosperar a irresignação do impugnante no pertinente A. referida matéria. Ainda que, por hipótese, não considerássemos o acima exposto, ter-se- ia por válido o lançamento, dado que o prazo fixado no art. 45, da Lei n.° 8.212/91 continua vigente e cogente, porque não declarado inconstitucional pelo STF e as decisões judiciais, arroladas pelo impugnante, só têm efeito interpartes, não amparando, assim, os que nelas não figuram, como é o caso do contribuinte em tela. No que concerne ao pedido de compensação entabulado pelo impugnante, cabe esclarecer que todas as GPS, em nome da empresa em tela, constantes dos sistemas informatizados deste órgão (extrato que fazemos juntar a fls. 92/95), inclusive aquelas com o código de pagamento 2631, que é o pertinente à retenção de contribuições sociais em decorrência de prestação de serviços nos moldes do art. 31, da Lei n.° 8.212/91, foram consideradas pelo Fisco na ocasião da constituição da presente NFLD, consoante se observa a fls. 23/25 (relatório de documentos apresentados) e fls. 26/35 (relatório de apropriação de documentos apresentados). Grifou-se. Ciente do Acórdão da DRJ em 05 de maio de 2008, ainda inconformado, o contribuinte apresentou o Recurso Voluntário de fl. 215/241, em 29 de maio de 2008, no qual reiterou os mesmos argumentos e pedidos expressos na impugnação. Fl. 301DF CARF MF Processo nº 19647.010512/2007-91 Resolução nº 2201-000.243 S2-C2T1 Fl. 302 3 Submetido ao Colegiado de 2ª Instância, a 3ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 2ª Seção resolveu converter o julgamento em diligência para que fosse juntados aos autos documentos capazes de evidenciar a data da lavratura da Notificação anulada, bem assim de sua ciência. Em atendimento à diligência, foram juntados aos autos as telas de fl. 291 e 292, nas quais consta informações registradas no SICOB de que a ciência do lançamento objeto da NFLD 37.009.810-2 teria ocorrido em 21/07/2006. Voto Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo Inicialmente, importante salientar que a resposta à Diligência de fl. 291/292 não se mostra adequada à comprovação da ciência do contribuinte relativa à NFLD 37.009.810-2, já que demonstra apenas o que está registrado no Sistema de Cobrança, mas não tem lastro documental efetivo. Na busca por informações nos sistemas, em particular as contidas no processo eletrônico 19647.010513/2007-36, que tratou de lançamento reflexo, do qual teve origem a NFLD 37.114.416-7, foi possível constatar que há pedido de parcelamento para o débito controlado pelo presente processo, fl. 247/255 (processo reflexo), com se vê na figura abaixo. Fl. 302DF CARF MF Processo nº 19647.010512/2007-91 Resolução nº 2201-000.243 S2-C2T1 Fl. 303 4 Dispõe o art. 78 da Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015: Art. 78. Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso em tramitação. § 1º A desistência será manifestada em petição ou a termo nos autos do processo. § 2º O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso. § 3º No caso de desistência, pedido de parcelamento, confissão irretratável de dívida e de extinção sem ressalva de débito, estará configurada renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, inclusive na hipótese de já ter ocorrido decisão favorável ao recorrente. Portanto, o pedido de parcelamento importa renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto, bem assim a qualquer decisão ainda pendente de julgamento favorável ao contribuinte. Não obstante, há situações em que um pedido de parcelamento pode não ser efetivado, em particular neste caso, em que um débito já está inscrito e outro ainda em tramita na fase administrativa. Desta forma, entendo razoável, antes de atestar a renúncia ao Recurso interposto, converter novamente o julgamento em diligência para que a unidade responsável pela administração do tributo verifique se o débito controlado no presente processo foi incluído em parcelamento. Caso positivo, que sejam adotadas as medidas para a consolidação e controle do débito. Contudo, caso negativo, que o presente retorne a este Conselho acompanhado das justificativas sobre a impossibilidade do parcelamento e, em complemento à Diligência anterior, que seja juntado aos autos cópia do documento em que restou expressa a ciência do lançamento objeto do NFLD 37.009.810-2. Fl. 303DF CARF MF Processo nº 19647.010512/2007-91 Resolução nº 2201-000.243 S2-C2T1 Fl. 304 5 É como voto. Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Relator Fl. 304DF CARF MF

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6653702 #
Numero do processo: 10660.906071/2012-40
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Feb 17 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3401-000.970
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Robson José Bayerl - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL

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3401­000.970  –  4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária  Data  25 de janeiro de 2017  Assunto  PIS E COFINS. COMPENSAÇÃO.   Recorrente  MOABE ENERGIA INDUSTRIA E COMÉRCIO LTDA.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    Resolvem  os  membros  do  Colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  converter  o  julgamento em diligência.  (assinado digitalmente)  Robson José Bayerl ­ Presidente e Relator  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  Conselheiros  Robson  José  Bayerl,  Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique  Lemos,  Fenelon  Moscoso  de  Almeida,  Rodolfo  Tsuboi  e  Leonardo  Ogassawara  de  Araújo  Branco.    Relatório  Trata  o  presente  processo  administrativo  de  PER/DCOMP  para  obter  reconhecimento  de  direito  creditório  do  tributo  por  suposto  pagamento  a maior  e  aproveitar  esse crédito com débito de outro tributo.   O  sistema  informatizado  da Receita  Federal  emitiu  o Despacho Decisório  em  processamento  automatizado  indeferindo  o  pedido  e  não  homologando  a  compensação,  afirmando que o valor do DARF de onde viria o crédito já estava totalmente comprometido em  quitação de débito constante de declaração (DCTF) prestada pelo contribuinte.  A contribuinte manifestou inconformidade, explicando que:  "Tal indeferimento não pode prosperar porque os  créditos oriundos de pagamento indevido ou maior  já  tinham  sido  devidamente  disponibilizados  em     RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 60 .9 06 07 1/ 20 12 -4 0 Fl. 44DF CARF MF Processo nº 10660.906071/2012­40  Resolução nº  3401­000.970  S3­C4T1  Fl. 3          2 razão  da  desvinculação  dos  mesmos  das  DCTFs  daquele período."  Os  Julgadores  de  1º  piso  consideraram  improcedente  a  manifestação  da  contribuinte, não reconhecendo o direito creditório e mantendo a não homologação, nos termos  do Acórdão 14­044.332.   Inconformada,  a  contribuinte  ingressou  com  recurso  voluntário,  por  meio  da  qual  esclarece  a  procedência  do  seu  direito  de  crédito  e  apresenta  petição,  nos  seguintes  termos:  "O  aludido  recurso  de  MANIFESTAÇÃO  DE  INCONFORMIDADE  interposto  pela  recorrente,  se  deu  porque  esta  entendeu  que  os  pagamentos  efetuados  indevidamente  ou  a  maior,  na  data  do  pedido  de  restituição/compensação,  estavam  devidamente  desvinculados  das  declarações  acessórias  daqueles  períodos,  fato  este  que.  por  si  só,  já  seria  suficiente  para  demonstrar e provar a disponibilidade desses créditos pretendidos, dispensando  assim  a  necessidade  de  instruir  a  exordial  com  as  provas,  possíveis  de  serem  verificadas pelas informações acessórias fiscais regularmente prestadas ao fisco,  pela  recorrente,  por  meio  eletrônico,  com  amparo  na  produção  de  provas  previstas no art. 332, do crc.  Contudo,  infelizmente,  a  recorrente  não  se  atentou  para  o  fato  de  que  a  defesa  sustentada no  recurso  anterior,  não  foi  cumprida pelo  seu departamento  fiscal,  o  qual  estava  incumbido  de  enviar  as  devidas  retificações  acessórias,  ensejando assim o presente passivo tributário.  Diante  disso, a  recorrente  requer  a  ampliação  do  prazo  para  apuração  adequada  do  efetivo  direito  ao  crédito  tributário,  anteriormente  pleiteado,  providenciando  todas  as  retificações  das  declarações  acessórias,  assim  previstas  no  art.  113,  parágrafo  2o,  do  CTN,  para  demonstrar  a  relação  dos  créditos que tem direito.  Reintera ainda sobre a importância da dilação do referido prazo, com base  no  Principio  da  Capacidade  Contributiva,  nos  termos  do  art.  145,  §1°,  juntamente com o Princípio do não Confisco, nos termos do art. 150, IV, da CF.  tendo  em  vista  que,  a  sua  não  prorrogação  ensejará  à  recorrente  insolvência  econômica,  uma  vez  que,  o  seu  patrimônio,  não  é  suficiente  para  garantir  os  passivos tributários oriundos das referidas declarações acessórias.  Ademais,  diante  da  presente  situação,  não  restou  a  recorrente  outra  alternativa senão interpor a presente demanda."  É o relatório    Voto  Conselheiro Robson José Bayerl, Relator  O  julgamento  deste  processo  segue  a  sistemática  dos  recursos  repetitivos,  regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de  junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica­se o decidido na Resolução 3401­000.964,  Fl. 45DF CARF MF Processo nº 10660.906071/2012­40  Resolução nº  3401­000.970  S3­C4T1  Fl. 4          3 de  25  de  janeiro  de  2017,  proferida  no  julgamento  do  processo  10660.906083/2012­74,  paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.  Transcreve­se,  como  solução  deste  litígio,  nos  termos  regimentais,  o  entendimento que prevaleceu naquela Resolução (3401­000.964):  "Tempestivo  o  Recurso  e  atendidos  os  demais  requisitos  de  admissibilidade.  Temos  diante  de  nós  mais  um  caso  de  despacho  decisório  processado  automaticamente,  sem  que  haja  qualquer  intervenção  humana para  rever o  seu  teor  e a eventual  existência de  razões para  questionar sua conclusão.  Como soe, nessas situações, a contribuinte somente compreende  inteiramente  a  situação  quando  recebe  a  decisão  da  Delegacia  da  Receita  Federal  de  Julgamento  mantendo  o  indeferimento  eletrônico  inicial, geralmente por falta de provas ou de contra argumentações por  parte da contribuinte. Nessa toada, há os que se escudam no instituto  da  preclusão  probatória  para  justificar  a  impossibilidade  de  reverter  as negativas até então impostas à contribuinte.  Coerente  com  minhas  propostas  de  votação  anteriores  em  situações  semelhantes,  baseado  no  argumento  de  que  o  princípio  da  verdade material  deve  prevalecer,  relativizando  as  formalidades  e  os  institutos preclusivos e assemelhados, e no argumento de que não é do  interesse  público  maior  praticar  a  injustiça  fiscal  ­  qual  seja,  a  manutenção no Tesouro do pagamento indevido ­ , é que proponho que  se tome providências para garantir substantivamente o contraditório (e  não  apenas  formalmente)  e  para  se  verificar  a  verdade  do  alegado  pelas partes.  As teses que esposo divergem das postas no acórdão de 1º piso:  (a)  para  uma  visão  absoluta  do  ônus  probatório  e  do  instituto  da  preclusão probatória, argumento em favor de que prevaleça a Verdade  Material, e que os julgadores do processo administrativo possam agir e  determinar  providências  nessa  direção,  aliás  como  expus  em  outros  votos quando fiz alusão aos modelos trazidos pelo novo CPC; (b) que a  negativa  em pedidos de  restituição e/ou  compensações motivada pela  inexistência  de  créditos  líquidos  e  certos  passe  a  considerar  que  a  liquidez  e  certeza  possam  ser  demonstradas  ao  longo  do  processo  administrativo,  não  se  limitando  ao  que  o  instruiu  antes  de  sua  chegada à instância de julgamento.  Por  isso,  tendo em vista nem a administração tributária, nem a  instância  anterior,  ter  ido  além  do  despacho  decisório  de  processamento automático, proponho a este Colegiado a conversão do  julgamento  em  diligência  para  que  a  unidade  de  jurisdição  local  analise e informe a respeito do alegado pela contribuinte, e também a  respeito  da  existência  de  retificação  realizada  ou  tentada  pela  contribuinte  com  relação  ao  (débitos  e  créditos)  discutido  neste  processo administrativo.  Que  se  dê  ciência  à  contribuinte  desta  decisão  e  também  do  relatório conclusivo e da informação fiscal resultantes da diligência, e  Fl. 46DF CARF MF Processo nº 10660.906071/2012­40  Resolução nº  3401­000.970  S3­C4T1  Fl. 5          4 prazo  de  30  dias  para  ela  se  manifestar  em  cada  uma  dessas  intimações."  Aplicando­se  a  decisão  do  paradigma  ao  presente  processo,  em  razão  da  sistemática  prevista  nos  §§  1º  e  2º  do  art.  47  do  RICARF,  converto  o  julgamento  deste  processo em diligência para que a unidade de jurisdição local analise e informe a respeito do  alegado pela contribuinte, e também a respeito da existência de retificação realizada ou tentada  pela contribuinte com relação ao (débitos e créditos) discutido neste processo administrativo.   (assinado digitalmente)  Robson José Bayerl    Fl. 47DF CARF MF

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