Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,279)
- Segunda Câmara (27,805)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,763)
- Primeira Turma Ordinária (16,221)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,176)
- Primeira Turma Ordinária (16,104)
- Primeira Turma Ordinária (16,039)
- Segunda Turma Ordinária d (15,797)
- Segunda Turma Ordinária d (14,451)
- Primeira Turma Ordinária (13,020)
- Primeira Turma Ordinária (12,381)
- Segunda Turma Ordinária d (12,367)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,422)
- Quarta Câmara (84,834)
- Terceira Câmara (67,389)
- Segunda Câmara (55,826)
- Primeira Câmara (20,245)
- 3ª SEÇÃO (16,176)
- 2ª SEÇÃO (11,281)
- 1ª SEÇÃO (6,836)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (125,132)
- Segunda Seção de Julgamen (114,469)
- Primeira Seção de Julgame (76,587)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,961)
- Câmara Superior de Recurs (37,889)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,615)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,487)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,754)
- HELCIO LAFETA REIS (3,725)
- ROSALDO TREVISAN (3,220)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,925)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,728)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,630)
- WILDERSON BOTTO (2,615)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,840)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,921)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,471)
- 2014 (22,375)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,515)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,135)
- 2017 (16,840)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2026 (13,849)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 10380.720317/2007-77
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006
PEDIDO DE RESSARCIMENTO. COFINS NÃO-CUMULATIVA. ATUALIZAÇÃO PELA TAXA SELIC. DESCABIMENTO, POR EXPRESSA DISPOSIÇÃO LEGAL EM CONTRÁRIO.
Por expressa disposição legal, o aproveitamento de créditos solicitados em Pedidos de Ressarcimento da Cofins não-cumulativa não enseja atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores (art. 13 da Lei nº 10.833/2003).
Numero da decisão: 9303-007.137
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201807
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. COFINS NÃO-CUMULATIVA. ATUALIZAÇÃO PELA TAXA SELIC. DESCABIMENTO, POR EXPRESSA DISPOSIÇÃO LEGAL EM CONTRÁRIO. Por expressa disposição legal, o aproveitamento de créditos solicitados em Pedidos de Ressarcimento da Cofins não-cumulativa não enseja atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores (art. 13 da Lei nº 10.833/2003).
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10380.720317/2007-77
anomes_publicacao_s : 201809
conteudo_id_s : 5901271
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 9303-007.137
nome_arquivo_s : Decisao_10380720317200777.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : RODRIGO DA COSTA POSSAS
nome_arquivo_pdf_s : 10380720317200777_5901271.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
dt_sessao_tdt : Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2018
id : 7422945
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:26:24 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050870587850752
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1651; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 229 1 228 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10380.720317/200777 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9303007.137 – 3ª Turma Sessão de 11 de julho de 2018 Matéria Taxa SELIC Ressarcimento Créditos Cofins Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado CASCAVEL COUROS LTDA. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. COFINS NÃOCUMULATIVA. ATUALIZAÇÃO PELA TAXA SELIC. DESCABIMENTO, POR EXPRESSA DISPOSIÇÃO LEGAL EM CONTRÁRIO. Por expressa disposição legal, o aproveitamento de créditos solicitados em Pedidos de Ressarcimento da Cofins nãocumulativa não enseja atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores (art. 13 da Lei nº 10.833/2003). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 72 03 17 /2 00 7- 77 Fl. 229DF CARF MF Processo nº 10380.720317/200777 Acórdão n.º 9303007.137 CSRFT3 Fl. 230 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional (fls. 207 a 214), contra Acórdão proferido pela 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Sejul do CARF (fls. 194 a 203), sob a seguinte Ementa: Acórdão nº: 3403001.293 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. SALDO DE CRÉDITO DE PIS E COFINS NÃOCUMULATIVOS. ATUALIZAÇÃO ENTRE O PEDIDO E O DEFERIMENTO. CABIMENTO. O direito à atualização no período compreendido entre a data do protocolo do pedido de ressarcimento e a data em que se concretiza o ressarcimento ao contribuinte, decorre da demora a que dá causa a própria Administração Tributária em reconhecer o direito do contribuinte. Entendimento judicial consolidado a respeito do ressarcimento de IPI (STJ, EREsp 468926/SC, DJ 02/05/2005), inclusive em caráter de recurso repetitivo (STJ, REsp 1035847/RS, DJe 03/08/2009), que deve ser transportado para o PIS/Cofins não cumulativo. Recurso provido. Em seu Recurso Especial, ao qual foi dado seguimento (fls. 222), a PGFN alega que (i) o artigo 13 da Lei n° 10.833/2003 veda expressamente a incidência da Taxa SELIC sobre créditos oriundos de ressarcimento da Cofins nãocumulativa e (ii) a jurisprudência do STJ na qual se escorou o Acórdão recorrido aplicase somente ao IPI e, ainda, apenas quando há oposição estatal ilegítima ao aproveitamento dos créditos. O contribuinte não apresentou Contrarrazões. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator Observados os requisitos e preenchidas as formalidades regimentais, conheço do Recurso Especial. Fl. 230DF CARF MF Processo nº 10380.720317/200777 Acórdão n.º 9303007.137 CSRFT3 Fl. 231 3 A aplicação extensiva, para a Cofins nãocumulativa, das decisões judiciais vinculantes do STJ relativas à atualização pela Taxa SELIC de créditos do IPI solicitados em ressarcimento (ainda com ressalvas) é, com a devida vênia, descabida, pois, para a contribuição, há expressa disposição legal em contrário, na Lei nº 10.833/2003: Art. 13. O aproveitamento de crédito na forma do § 4º do art. 3º, do art. 4º e dos §§ 1º e 2º do art. 6º, bem como do § 2º e inciso II do § 4º e § 5º do art. 12, não ensejará atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores. Há Acórdãos recentes desta mesma Turma neste sentido, como exemplificado a seguir (este, inclusive, de minha lavra): Acórdão nº 9303006.305 (de 26/01/2008) .................... CONTRIBUIÇÃO SOCIAL NÃO CUMULATIVA. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO PELA TAXA SELIC. IMPOSSIBILIDADE. Por expressa disposição legal, é vedada a correção monetária ou o abono de juros sobre os valores de PIS e de Cofins aproveitados mediante ressarcimento. Como é cediço dizer, “a lei me basta”, mas, sabendo que há posições em contrário, utilizome, em caráter enfático, da mesma jurisprudência do STJ aventada no Acórdão recorrido, para demonstrar que a relativa aos créditos do IPI não se aplica às contribuições, analisando, primeiramente, a contrario sensu, o que diz o Ministro Luiz Fux logo ao início da Ementa do Acórdão no REsp nº 1.035.847/RS: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. 1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da nãocumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. Notese também, que a Súmula nº 411, do mesmo STJ, só fala do IPI: Súmula 411: É devida a correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco. Fl. 231DF CARF MF Processo nº 10380.720317/200777 Acórdão n.º 9303007.137 CSRFT3 Fl. 232 4 Complementando (pois, conforme já dito, a lei me dá guarida, de forma expressa, ao não reconhecimento da aplicação da Taxa SELIC) as minhas razões de decidir, grifei o Item 2 da Ementa acima transcrita – e também parte da Súmula nº 411 –, para consignar que, ainda que este julgamento fosse aplicável também para PIS/Cofins, no caso concreto, não houve oposição estatal ilegítima (que se configura somente quando a decisão da Unidade de Origem foi revertida nas instâncias administrativas de julgamento), o que se vê reiterado, como causa para a aplicação da Taxa SELIC, na outra decisão do STJ trazida no Acórdão recorrido (REsp nº 993.164/MG, também de relatoria do Ministro Luiz Fux) a qual, apesar de versar sobre o Crédito Presumido de IPI na exportação (Lei nº. 9.363/96), nada mais faz, em relação ao tema sob discussão, que dar “aplicação analógica” à primeira decisão: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO DO VALOR DO PIS/PASEP E DA COFINS. EMPRESAS PRODUTORAS E EXPORTADORAS DE MERCADORIAS NACIONAIS. LEI 9.363/96 ... CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL... .................... 12. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da não cumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009). Para comprovar que não houve reversão do decidido pela Unidade de Origem, transcrevo trecho do Relatório de Acórdão recorrido a respeito: Relatório Tratase de Pedido Eletrônico de Ressarcimento de Créditos da Contribuição para o PIS/Pasep (*) transmitido pelo contribuinte em 21/05/2007, correspondente ao saldo de créditos acumulado no 3º trimestre de 2006 (fl. 1). A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Fortaleza/CE (DRF), por meio do Despacho Decisório de fls. 69, que ratificou as conclusões da Informação Fiscal de fls. 67/68, reconheceu o direito de crédito, destacando, no entanto, que sem a incidência de juros na forma SELIC, por se tratar de ressarcimento, ... (*) Na realidade, foi da Cofins (fls. 005). Fl. 232DF CARF MF Processo nº 10380.720317/200777 Acórdão n.º 9303007.137 CSRFT3 Fl. 233 5 Na sua Manifestação de Inconformidade (fls. 131), o contribuinte pede tão somente que o Despacho Decisório seja reformado “na parte em que negou o direito da Recorrente a incidência da SELIC sobre o valor do crédito da COFINS reconhecido administrativamente ...” (anotandose que a Manifestação de Inconformidade foi considerada improcedente pela DRF/Fortaleza – fls. 158 a 160), único pedido, da mesma forma, reiterado no Recurso Voluntário (fls. 177). Por derradeiro, afasto aqui o argumento, que alguns defendem, de que o ressarcimento seria “espécie do gênero restituição". São dois institutos completamente distintos (pois senão não faria qualquer sentido a discussão em tela sobre a atualização monetária, pois expressamente prevista em lei para a repetição do indébito). O direito à restituição é decorrência "automática" do pagamento indevido ou maior que o devido, conforme art. 165, I, do CTN. O ressarcimento tem que estar previsto em lei (a regra geral é só a possibilidade da compensação dos créditos da nãocumulatividade com débitos do próprio tributo). À vista do exposto, voto por dar provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 233DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.909107/2008-61
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2004
DCOMP. ERRO DE PREENCHIMENTO.
Constatado efetivo erro de fato no preenchimento da DCOMP, desconsidera-se o valor de crédito e débito equivocadamente ali informados.
Numero da decisão: 1003-000.210
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Sérgio Abelson - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: SERGIO ABELSON
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201810
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2004 DCOMP. ERRO DE PREENCHIMENTO. Constatado efetivo erro de fato no preenchimento da DCOMP, desconsidera-se o valor de crédito e débito equivocadamente ali informados.
turma_s : Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10830.909107/2008-61
anomes_publicacao_s : 201810
conteudo_id_s : 5917219
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1003-000.210
nome_arquivo_s : Decisao_10830909107200861.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : SERGIO ABELSON
nome_arquivo_pdf_s : 10830909107200861_5917219.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Abelson - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
dt_sessao_tdt : Wed Oct 03 00:00:00 UTC 2018
id : 7468821
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:29:08 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050870592045056
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1068; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C0T3 Fl. 98 1 97 S1C0T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10830.909107/200861 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1003000.210 – Turma Extraordinária / 3ª Turma Sessão de 03 de outubro de 2018 Matéria DCOMP Recorrente VEGA VG TELECOMUNICAÇÕES LTDA EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 DCOMP. ERRO DE PREENCHIMENTO. Constatado efetivo erro de fato no preenchimento da DCOMP, desconsidera se o valor de crédito e débito equivocadamente ali informados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Abelson Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 90 91 07 /2 00 8- 61 Fl. 98DF CARF MF Processo nº 10830.909107/200861 Acórdão n.º 1003000.210 S1C0T3 Fl. 99 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra o acórdão de primeira instância (folhas 69/73) que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada contra o despacho decisório à folha 05, que homologou parcialmente a compensação, ali mencionada, de crédito correspondente a pagamento indevido ou a maior. A recorrente, às folhas 78/79, em síntese, alega erro no preenchimento da DCOMP e solicita revisão da decisão proferida no acórdão de primeira instância. É o relatório. Voto Conselheiro Sérgio Abelson, Relator O Recurso voluntário é tempestivo, portanto dele conheço. Por tudo o que no processo consta verificase que há que se dirimir se houve erro de fato na DCOMP nº 05907.04276.240407.1.7.049460 (folhas 45/49), em relação ao débito e ao crédito ali informados. Passase a análise do conjunto probatório produzido nos autos. Na Declaração Anual Simplificada (PJSI 2005, anocalendário 2004, folhas 29/37) constam (folha 29), dentre outros, os valores de Simples Devido relativos a janeiro de 2004 (R$ 1.028,51) e junho de 2004 (R$ 1.657,98). Para este último débito, constam (folha 29) valores de compensações (R$ 154,61) e de Simples a pagar (R$ 1.503,37). Fl. 99DF CARF MF Processo nº 10830.909107/200861 Acórdão n.º 1003000.210 S1C0T3 Fl. 100 3 À folha 37 (34 em papel), constam as compensações que compõem o valor informado de R$ 154,61, incluída a DCOMP em análise, da qual informase utilização de crédito no valor de R$ 25,39. Por sua vez, o DARF à folha 23 comprova o pagamento, em 12/07/2004, de Simples relativo a junho de 2004 (período de apuração 30/06/2004, código de receita 6106) no valor de R$ 1.503,37. Temse, portanto, pela Declaração Anual Simplificada, que o débito de Simples relativo a junho de 2004 foi de R$ 1.657,98, tendo sido extinto mediante pagamento de R$ 1.503,37 e compensações no montante de R$ 154,61, dentre as quais a efetuada Fl. 100DF CARF MF Processo nº 10830.909107/200861 Acórdão n.º 1003000.210 S1C0T3 Fl. 101 4 mediante apresentação da DCOMP 05907.04276.240407.1.7.049460, que aqui se analisa, da qual teria sido utilizado um montante de crédito de R$ 25,39. Em relação ao débito de Simples relativo a janeiro de 2004, no montante de R$ 1.028,51 conforme a Declaração Anual Simplificada (folha 29), consta o DARF à folha 28, pago em 13/02/2004, no valor do principal de R$ 1.053,90 e multa no valor de R$ 10,43, totalizando R$ 1.064,33. Em relação ao débito confessado, portanto, ocorreu um pagamento a maior do valor do principal no montante de R$ 25,39, correspondente ao valor informado na Declaração Anual Simplificada (folha 37) como utilizado na DCOMP 05907.04276.240407.1.7.049460 para extinção do débito de Simples relativo a junho de 2004. As informações constantes da Declaração Anual Simplificada não foram contestadas em nenhum momento por fiscalização, nem constam dos autos quaisquer documentos contábeis ou fiscais que as contradigam. A DCOMP 05907.04276.240407.1.7.049460, por sua vez, encontrase às folhas 38/43. Fl. 101DF CARF MF Processo nº 10830.909107/200861 Acórdão n.º 1003000.210 S1C0T3 Fl. 102 5 À folha 41 (38 em papel), o DARF informado como origem do crédito é o relativo ao pagamento do débito de Simples de janeiro de 2004, com valor do principal de R$ 1.053,90, multa no valor de R$ 10,43 e valor total de R$ 1.064,33. À folha 40 (37 em papel), o valor original do crédito inicial é informado no montante de R$ 1.053,90, correspondente ao valor do principal do referido DARF e, à folha 42 (39 em papel), o valor principal do débito a ser compensado (Simples de junho de 2004) é informado no montante de R$ 1.028,51, correspondente ao valor do débito de Simples de janeiro de 2004 informado na Declaração Anual Simplificada. Temse, conforme informações da Declaração Simplificada Anual, que a contribuinte pretendia compensar a parcela de R$ 25,39 do débito de Simples de junho de 2004 com o crédito correspondente ao pagamento a maior, efetuado em 13/02/2004, com o DARF à folha 28, no valor do principal de R$ 1.053,90 e multa no valor de R$ 10,43, totalizando R$ 1.064,33, do débito, no montante de R$ 1.028,51, de Simples de janeiro de 2004. Fl. 102DF CARF MF Processo nº 10830.909107/200861 Acórdão n.º 1003000.210 S1C0T3 Fl. 103 6 É nítido, portanto, o equívoco da contribuinte no preenchimento da DCOMP em questão. Conforme Despacho Decisório à folha 05, o valor de crédito original disponível no referido DARF à folha 28 corresponde a R$ 25,64 e, conforme extrato à folha 16, na data da apresentação da DCOMP original (19/06/2004, conforme extrato à folha 44), a R$ 26,86. Desta forma, é necessário utilizar tal montante de crédito para efetuar a compensação, em 19/06/2004, do montante remanescente de débito de Simples relativo a junho de 2004 no valor original de R$ 25,39. Pelo exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso, para manter o reconhecimento do crédito original, de 13/02/2004, no valor de R$ 25,64, a ser compensado, em 19/06/2004, com o débito remanescente de Simples relativo a junho de 2004 no valor de R$ 25,39, ressaltando que o valor remanescente do débito de junho de 2004 encontrase extinto por pagamento e compensação, conforme aqui explicitado. É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Abelson Fl. 103DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15540.720378/2014-05
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 01 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Período de apuração: 01/11/2009 a 31/12/2010
ÁGIO INTERNO. GOODWILL. AMORTIZAÇÃO. RECONHECIMENTO. IMPOSSIBILIDADE.
Inadmissível o reconhecimento e amortização de ágio resultado de operações entre empresas do mesmo grupo econômico, sem a intervenção de partes independentes.
O ágio derivado da expectativa de rentabilidade futura (goodwill) gerado internamente não deve ser reconhecido como ativo.
O reconhecimento de ágio decorrente de rentabilidade futura gerado internamente (goodwill interno) é vedado pelas normas nacionais e internacionais. Assim, qualquer ágio dessa natureza anteriormente registrado precisa ser baixado.
DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS. REAPRESENTAÇÃO RETROSPECTIVA. ERRO DE PERÍODO ANTERIOR. IMPRATICABILIDADE. CARACTERIZAÇÃO. REAPRESENTAÇÃO PROSPECTIVA. POSSIBILIDADE.
Quando for impraticável determinar o montante do erro para todos os períodos anteriores, a entidade deve retificar a informação comparativa prospectivamente a partir da data mais antiga praticável.
Caso a reapresentação retrospectiva exigir que se faça uma estimativa significativa para a qual seja impossível distinguir a evidência das circunstâncias que existiam à época em que a transação, outro evento ou condição ocorreu, e que estavam presentes e disponíveis quando as demonstrações contábeis relativas àquele período anterior foram elaboradas é impraticável retificar o erro de período anterior retrospectivamente.
DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS AOS SÓCIOS. DIVIDENDOS EXCEDENTES. IRRF. TRIBUTAÇÃO. POSSIBILIDADE.
A parcela dos lucros ou dividendos distribuídos aos sócios no valor excedente ao montante dos lucros apurados e registrados em demonstrativo contábil é possível de incidência do IRRF nos termos da legislação aplicada à espécie.
Numero da decisão: 2402-006.571
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
Luís Henrique Dias Lima - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luís Henrique Dias Lima, Gregório Rechmann Junior e Renata Toratti Cassini.
Nome do relator: LUIS HENRIQUE DIAS LIMA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201809
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Período de apuração: 01/11/2009 a 31/12/2010 ÁGIO INTERNO. GOODWILL. AMORTIZAÇÃO. RECONHECIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Inadmissível o reconhecimento e amortização de ágio resultado de operações entre empresas do mesmo grupo econômico, sem a intervenção de partes independentes. O ágio derivado da expectativa de rentabilidade futura (goodwill) gerado internamente não deve ser reconhecido como ativo. O reconhecimento de ágio decorrente de rentabilidade futura gerado internamente (goodwill interno) é vedado pelas normas nacionais e internacionais. Assim, qualquer ágio dessa natureza anteriormente registrado precisa ser baixado. DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS. REAPRESENTAÇÃO RETROSPECTIVA. ERRO DE PERÍODO ANTERIOR. IMPRATICABILIDADE. CARACTERIZAÇÃO. REAPRESENTAÇÃO PROSPECTIVA. POSSIBILIDADE. Quando for impraticável determinar o montante do erro para todos os períodos anteriores, a entidade deve retificar a informação comparativa prospectivamente a partir da data mais antiga praticável. Caso a reapresentação retrospectiva exigir que se faça uma estimativa significativa para a qual seja impossível distinguir a evidência das circunstâncias que existiam à época em que a transação, outro evento ou condição ocorreu, e que estavam presentes e disponíveis quando as demonstrações contábeis relativas àquele período anterior foram elaboradas é impraticável retificar o erro de período anterior retrospectivamente. DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS AOS SÓCIOS. DIVIDENDOS EXCEDENTES. IRRF. TRIBUTAÇÃO. POSSIBILIDADE. A parcela dos lucros ou dividendos distribuídos aos sócios no valor excedente ao montante dos lucros apurados e registrados em demonstrativo contábil é possível de incidência do IRRF nos termos da legislação aplicada à espécie.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Oct 01 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 15540.720378/2014-05
anomes_publicacao_s : 201810
conteudo_id_s : 5912055
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Oct 04 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 2402-006.571
nome_arquivo_s : Decisao_15540720378201405.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : LUIS HENRIQUE DIAS LIMA
nome_arquivo_pdf_s : 15540720378201405_5912055.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luís Henrique Dias Lima, Gregório Rechmann Junior e Renata Toratti Cassini.
dt_sessao_tdt : Wed Sep 12 00:00:00 UTC 2018
id : 7440890
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:27:56 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050870609870848
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 38; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2018; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 101 1 100 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15540.720378/201405 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2402006.571 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 12 de setembro de 2018 Matéria IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE Recorrente ENEL BRASIL S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Período de apuração: 01/11/2009 a 31/12/2010 ÁGIO INTERNO. GOODWILL. AMORTIZAÇÃO. RECONHECIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Inadmissível o reconhecimento e amortização de ágio resultado de operações entre empresas do mesmo grupo econômico, sem a intervenção de partes independentes. O ágio derivado da expectativa de rentabilidade futura (goodwill) gerado internamente não deve ser reconhecido como ativo. O reconhecimento de ágio decorrente de rentabilidade futura gerado internamente (goodwill interno) é vedado pelas normas nacionais e internacionais. Assim, qualquer ágio dessa natureza anteriormente registrado precisa ser baixado. DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS. REAPRESENTAÇÃO RETROSPECTIVA. ERRO DE PERÍODO ANTERIOR. IMPRATICABILIDADE. CARACTERIZAÇÃO. REAPRESENTAÇÃO PROSPECTIVA. POSSIBILIDADE. Quando for impraticável determinar o montante do erro para todos os períodos anteriores, a entidade deve retificar a informação comparativa prospectivamente a partir da data mais antiga praticável. Caso a reapresentação retrospectiva exigir que se faça uma estimativa significativa para a qual seja impossível distinguir a evidência das circunstâncias que existiam à época em que a transação, outro evento ou condição ocorreu, e que estavam presentes e disponíveis quando as demonstrações contábeis relativas àquele período anterior foram elaboradas é impraticável retificar o erro de período anterior retrospectivamente. DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS AOS SÓCIOS. DIVIDENDOS EXCEDENTES. IRRF. TRIBUTAÇÃO. POSSIBILIDADE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 54 0. 72 03 78 /2 01 4- 05 Fl. 2087DF CARF MF Processo nº 15540.720378/201405 Acórdão n.º 2402006.571 S2C4T2 Fl. 102 2 A parcela dos lucros ou dividendos distribuídos aos sócios no valor excedente ao montante dos lucros apurados e registrados em demonstrativo contábil é possível de incidência do IRRF nos termos da legislação aplicada à espécie. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luís Henrique Dias Lima, Gregório Rechmann Junior e Renata Toratti Cassini. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário (efls. 1829/1851) em face do Acórdão n. 01 33.074 1ª. Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém (PA) DRJ/BELÉM (efls. 1774/1820) que julgou improcedente a impugnação de efls. 1465/1769 e manteve o crédito tributário consignado no Auto de Infração Imposto de Renda Retido na Fonte no valor total de R$ 209.868.454,90 sendo R$ 97.085.907,76 de imposto (Código de Receita 2932); R$ 39.968.116,32 de juros de mora (calculados até 10/2014); e R$ 72.814.430,82 de multa proporcional (passível de redução) efls. 05/09 constituído em 03/11/2014 (efls. 1460/1461) Período de Apuração: 01/11/2009 a 31/12/2010 com fulcro na infração caracterizada por falta de retenção e recolhimento do imposto de renda incidente exclusivamente na fonte sobre rendimentos pagos e remetidos a pessoas jurídicas domiciliadas no exterior, conforme discriminado no Relatório Fiscal de efls. 10/63. Irresignado com o lançamento, o sujeito passivo apresentou a impugnação de efls. 1465/1769, julgada improcedente pela DRJ/BELÉM, que manteve, portanto, o crédito tributário consignado no Auto de Infração IRRF no valor total de R$ 209.868.454,90 (efls. 05/09), nos termos do Acórdão n. 0133.074 (efls. 1774/1820), conforme entendimento sumarizado na ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Data do fato gerador: 30/11/2009, 23/12/2009, 30/12/2009, 21/06/2010, 20/08/2010, 10/12/2010 Fl. 2088DF CARF MF Processo nº 15540.720378/201405 Acórdão n.º 2402006.571 S2C4T2 Fl. 103 3 DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS AOS SÓCIOS A parcela dos lucros ou dividendos distribuídos aos sócios no valor excedente ao montante dos lucros apurados e registrados em Demonstrativo Contábil é possível de incidência do IRRF nos termos da legislação aplicada à espécie. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificada do teor do Acórdão n. 0133.074 (efls. 1774/1820) em 04/07/2016 (efls. 1822/1827), a impugnante, agora Recorrente, apresentou, em 02/08/2016 (e fl. 1828), Recurso Voluntário (efls. 1829/1851), no qual repisa, em linhas gerais, os mesmos argumentos aduzidos na impugnação (efls. 1465/1769), abaixo resumidos, em apertada síntese: i) Não houve mudança de critério contábil em relação ao registro de ágios e deságios gerados entre partes relacionadas; ii) A correção deveria ter ocorrido em relação à formação dos ágios, em 2005 e 2006; iii) Até o encerramento do ano de 2007 os procedimentos adotados pela Recorrente não estavam em perfeita conformidade com as regras contábeis então vigentes; iv) Não ter havido contabilização da baixa de ativos, reconhecendo assim uma perda de capital, ao invés de um lançamento contra lucros acumulados, nos termos do art. 186, § 1°., da Lei n. 6.404/76; v) Não ter sido demonstrado o ágio por expectativa de rentabilidade futura (goodwill); vi) A baixa do ágio em investimentos em coligadas e controladas deve seguir o rito ordinário, qual seja, a baixa pelo resultado; vii) Ilegalidade na utilização das reservas de lucros e de capital para absorção do prejuízo acumulado; viii) Ocorrência de distribuição de reserva legal e de reserva de capital pela Recorrente em 2009; ix) Desconsideração do caráter retroativo do ajuste realizado e o fato de que, quando da produção de seus efeitos, em 01/01/2008, não havia lucros do exercício na conta lucros acumulados, e nem outras reservas de lucros que não a reserva legal; x) Desconsideração de valores referentes a ajustes de avaliação patrimonial formalizados com base nas normas do IFRS, que devem impactar diretamente o Patrimônio Líquido, sob o argumento de que não teriam sido informados na DIPJ 2010 AC 2009, mas precisamente na Ficha 38/Linha 02; xi) Não ter sido demonstrado a legitimidade e seus efeitos concernentes à legalidade da distribuição a título de dividendos; Fl. 2089DF CARF MF Processo nº 15540.720378/201405 Acórdão n.º 2402006.571 S2C4T2 Fl. 104 4 xii) Exclusão do valor de R$ 3.365 mil da base de dividendos distribuíveis, ainda mais com o objetivo de que esses montantes não sejam distribuídos sem a incidência do IRRF; xiii) Tributação de transferências de capital; xiv) Ocorrência de deficiência de lucros para suportar o pagamento de dividendos. Em anexo ao Recurso Voluntário (efls. 1829/1851), a Recorrente acostou, entre outros documentos, carta e parecer técnico, ambos da lavra do Professor Eliseu Martins (efls. 2020/2030 e 2062/2086), vinculados à matéria objeto desta lide: Posteriormente, a PGFN apresentou contrarrazões nos termos exatos da petição de efls. 2035/2045. A título de informação, verificase que a Recorrente foi registrada na Junta Comercial do Estado do Rio de Janeiro (JUCERJA) na data de 22/07/2005 NIRE 33.3.00276459 (efl. 247), nos termos da Assembléia Geral de Constituição da Sociedade de Ações "ENDESA BRASIL S/A" e anexos, registrada na ata de 10/06/2005, com subscrição de ações na ordem de R$ 1.000,00 (efls. 248/280), e, posteriormente, modificou a sua denominação de Companhia de Endesa Brasil S.A para ENEL BRASIL S.A, conforme Ata da Assembléia Geral Extraordinária realizada em 12 de dezembro de 2014, registrada na Junta Comercial do Estado do Rio de Janeiro JUCERJA protocolo n. 002014/4259648 data 17/12/2014 deferimento em 07/01/2015 (efls. 1865/1882). É o relatório. Voto Conselheiro Luís Henrique Dias Lima Relator. O Recurso Voluntário (efls. 1829/1851) é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n. 70.235/72 e alterações posteriores. Portanto, dele CONHEÇO. Inicialmente, destaco que a análise em curso tem como referencial a adoção dos padrões internacionais de contabilidade International Financial Reporting Standards (IFRS) no Brasil, efetivada pela Lei n. 11.638/2007 que introduziu significativas alterações na Lei n. 6.385/1976 e na Lei n. 6.404/1976 (Lei das S.A) bem assim as premissas do Regime Tributário de Transição (RTT), introduzido pela Medida Provisória n. 449/2008, convertida na Lei n. 11.941/2009, que passou a considerar, para fins tributários, os métodos e critérios contábeis vigentes em 31/12/2007, e tinha, como finalidade essencial, a garantia da neutralidade tributária para os métodos e critérios contábeis decorrente da adoção dos IFRS em nosso país. Outrossim, também norteia a presente análise, por sua indiscutível relevância na convergência das normas brasileiras de contabilidade às normas internacionais, os pronunciamentos técnicos, as orientações e interpretações emitidos pelo Comitê de Pronunciamentos Contábeis (CPC). Fl. 2090DF CARF MF Processo nº 15540.720378/201405 Acórdão n.º 2402006.571 S2C4T2 Fl. 105 5 A Lei n. 11.638/2007 entrou em vigor a partir de 1°. de janeiro de 2008, e concretizou, no plano legal, a convergência aos IFRS, estabelecendose, desta forma, um estreito vínculo com a Medida Provisória n. 449/2008, convertida na Lei n. 11.941/2009, que, no dizer de Mateus Alexandre Costa dos Santos (Contabilidade Tributária: Um enfoque nos IFRS e na Legislação do IRPJ, São Paulo: Atlas, 2015), a corrigiu e aprimorou, inclusive no sentido de operacionalização da neutralidade tributária (neutralização dos efeitos tributários dos novos métodos e critérios contábeis introduzidos pela Lei n. 11.638/2007). De forma específica, o RTT foi instituído nos termos do art. 15 e ss. da Lei n. 11.941/2009 (que encontra igual correlação na MP 449/2008, da qual se origina). Por oportuno, transcrevo o art. 15 da Lei n. 11.941/2009, verbis: Art. 15. Fica instituído o Regime Tributário de Transição – RTT de apuração do lucro real, que trata dos ajustes tributários decorrentes dos novos métodos e critérios contábeis introduzidos pela Lei nº 11.638, de 28 de dezembro de 2007, e pelos arts. 37 e 38 desta Lei. § 1º O RTT vigerá até a entrada em vigor de lei que discipline os efeitos tributários dos novos métodos e critérios contábeis, buscando a neutralidade tributária. § 2º Nos anoscalendário de 2008 e 2009, o RTT será optativo, observado o seguinte: I – a opção aplicarseá ao biênio 20082009, vedada a aplicação do regime em um único anocalendário; II – a opção a que se refere o inciso I deste parágrafo deverá ser manifestada, de forma irretratável, na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica 2009; III – no caso de apuração pelo lucro real trimestral dos trimestres já transcorridos do anocalendário de 2008, a eventual diferença entre o valor do imposto devido com base na opção pelo RTT e o valor antes apurado deverá ser compensada ou recolhida até o último dia útil do primeiro mês subsequente ao de publicação desta Lei, conforme o caso; IV – na hipótese de início de atividades no anocalendário de 2009, a opção deverá ser manifestada, de forma irretratável, na Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica 2010. § 3º Observado o prazo estabelecido no § 1º deste artigo, o RTT será obrigatório a partir do anocalendário de 2010, inclusive para a apuração do imposto sobre a renda com base no lucro presumido ou arbitrado, da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, da Contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS. § 4º Quando paga até o prazo previsto no inciso III do § 2° deste artigo, a diferença será recolhida sem acréscimos. A regulamentação do RTT se deu, inicialmente, pela Instrução Normativa RFB n. 949/2009, e, posteriormente, pela Instrução Normativa RFB n. 1.397/2013. O RTT, que era optativo para os anos de 2008 e 2009, passou a ser obrigatório a partir do ano de 2010, vez que não foi editada lei até esse ano (2010) que Fl. 2091DF CARF MF Processo nº 15540.720378/201405 Acórdão n.º 2402006.571 S2C4T2 Fl. 106 6 disciplinasse os efeitos tributários dos novos métodos e critérios contábeis, buscando a neutralidade tributária. A opção pelo RTT no biênio 20082009 era irretratável e deveria ser manifestada na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) Exercício 2009, alcançando a apuração do IRPJ (Lucro Real ou Presumido), bem assim da CSLL, PIS/Pasep e Cofins. A partir de 2010, o RTT passou a abranger todas as pessoas jurídicas que apuravam IRPJ pelo Lucro Real, presumido ou arbitrado, sem prejuízo da apuração da CSLL, PIS/Pasep e Cofins. O RTT, dada a sua natureza transitória, conforme denunciada na sua denominação, foi revogado pela Medida Provisória n. 627/2013, convertida na Lei n. 12.973/2014. No caso concreto, a Recorrente fez a opção pelo RTT, conforme consta da DIPJ/2009 ND 1513285 Data de Entrega: 14/10/2009 (efls. 144/181), passando a elaborar sua escrituração contábil em consonância com os padrões internacionais de contabilidade, o que impõe, per si, a linha adotada na análise que segue. Em síntese, consoante relatado no Recurso Voluntário (efls. 1829/1851), o Auto de Infração IRRF no valor total de R$ 209.868.454,90 (efls. 05/09) constituído em 03/11/2014 (efls. 1460/1461) fundamentouse no entendimento de que nos Exercícios 2009 e 2010 o montante pago pela Recorrente (R$ 546.259.094,53) a título de dividendos teria sido maior que do que os lucros disponíveis para distribuição, auferidos no ano de 2009, caracterizandoos, assim, como excessivos, nos termos do art. 48, §§ 3°. e 4°., da Instrução Normativa SRF n. 93/97, em vigor à época dos fatos e posteriormente revogada pela Instrução Normativa RFB n. 1.515/2014. Nessa perspectiva, que a Recorrente entende equivocada, o montante acima referido estaria sujeito a IRRF no valor de R$ 97.085.907,76, equivalente a 15% calculados por dentro (grossup), do montante pago a maior, nos termos do art. 685 do Decreto n. 3.000/99 RIR/99, além dos eventuais acréscimos de multa e juros. O voto do relator do Acórdão n. 0133.074 (efls. 1774/1820) informa o núcleo da presente lide: "A origem do litígio foi decorrente da emissão de novas ações ordinárias nominativas, os quais foram subscrita e integralizadas pelos acionistas e avaliadas pelo métodos da equivalência patrimonial no anocalendário 2005. Nos registros contábeis onde foram verificados contabilizações de ágios e deságios referente estas participações societárias. A fiscalização verificou que o Contribuinte, que agora chamamos de Impugnante, adotou práticas contábeis, nos anoscalendário 2008 e 2009 distintas ao contabilizar as mutações das contas ágios decorrentes de aquisições de participações societárias por coligadas e fundamentou a baixa desses ativos no Pronunciamento Técnico CPC 04 – Ativo Intangível, o qual não é aplicável a este caso." (grifos originais) Em complementação, também reproduzo o entendimento esposado na declaração de voto do AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil Eduardo Bruno da Costa Vaughan, quanto ao cerne do litígio em apreço, reforçado nas contrarrazões da douta PGFN (petição de efls. 2035/2045), verbis: Fl. 2092DF CARF MF Processo nº 15540.720378/201405 Acórdão n.º 2402006.571 S2C4T2 Fl. 107 7 "Percebese que o cerne do litígio gira em torno da possibilidade de utilização, retroativa a 2008, das reservas legal e de capital para compensar o prejuízo provocado pela baixa do ágio, ocorrida no ano 2009, fato este que deu lastro para pagamento dos dividendos nos anos de 2009 e 2010." No curso da ação fiscal, a autoridade lançadora identificou, a partir de pedidos de esclarecimentos e divergências constatadas, contradições quanto à origem de ágios e deságios contabilizados pela Recorrente, de forma minuciosa e exaustiva, no Relatório Fiscal (efls. 10/63), consoante noticiado, transcrito no essencial no início desta análise. Assim, para viabilizar o pagamento integral dos dividendos vinculados ao Lucro Líquido do ano de 2009, bem assim cobrir o saldo devedor da conta contábil Lucros Acumulados, a autoridade lançadora detectou infração ao disposto no art. 201, caput, da Lei n. 6.404/76, consubstanciada nas seguintes transferências: i) R$ 43.119.297,73 da conta de Reserva de Lucros – Reserva Legal (Conta: 24401000000); ii) R$ 499.774.339,56 da conta Reserva de Capital –“Ágio na Emissão de Ações – Subscrição de Capital (Conta: 2421500000). Com efeito, assim dispõe o art. 201, caput, da Lei n. 6.404/76: "Art. 201. A companhia somente pode pagar dividendos à conta de lucro líquido do exercício, de lucros acumulados e de reservas de lucros; e à conta de reserva de capital, no caso das ações preferenciais de que trata o § 5°. do artigo 17." Verificouse, ainda, no entendimento da autoridade lançadora, que a Recorrente, ao proceder as transferências supra citadas, infringiu, também, os arts. 193 e 200 da Lei n. 6.404/76, vez que não apurou prejuízos (do exercício ou acumulados) que permitissem e justificassem a utilização das referidas Reservas de Capital e Legal, consoante destacado na decisão a quo. Destarte, a teor das constatações referentes à situação fática da contabilidade da Recorrente, a instância de piso, nos termos do Acórdão n. 0133.074 1ª. Turma da DRJ/BELÉM (efls. 1774/1820), conclui: "Logo, as transferências supracitadas, no valor de R$ 43.119.297,73 da conta de Reserva de Lucros “Reserva Legal (2440100000)” e de R$ 499.774.339,56 da conta de Reserva de Capital “Ágio na Emissão de AçõesSubscrição de Capital (2421500000)” para conta “Lucros Acumulados (2480100000)”, conforme registros contábeis de nº 03 (Tabela 06) e de nº 04 (Tabela 07), configuram infrações aos arts. 193 e 200 da Lei nº 6.404/76, posto que o sujeito passivo não apurou prejuízos (do exercício ou acumulados) que permitissem e justificassem a utilização das referidas Reservas de Capital e Legal. [...] Logo, os valores pagos em excesso aos seus acionistas ( conforme Tabela 13 Dividendos pagos em excesso aos lucros disponíveis para distribuição), em infração aos dispositivos legais supracitados, no montante de R$ 546.259.094,53 (quinhentos e quarenta e seis milhões, duzentos e cinquenta e nove mil, noventa e quatro reais e cinquenta e três centavos), não podem ser considerados dividendos, haja vista que esses valores foram pagos à conta de Reserva Legal (2440100000) e Fl. 2093DF CARF MF Processo nº 15540.720378/201405 Acórdão n.º 2402006.571 S2C4T2 Fl. 108 8 de Reserva de Capital (Ágio na Emissão de AçõesSubscrição de Capital 2421500000), infringindo as disposições previstas nos os arts. 186, 189, 193, 200 e 201 da Lei n° 6.404/76. Com efeito, os referidos valores não se enquadram na hipótese de isenção prevista no art. 10 da Lei n° 9.249/95 e estão sujeitos ao imposto de renda na fonte nos termos dos art. 682 e seguintes do RIR/99." (grifos nossos) Na peça recursal de efls. 1829/1851, a Recorrente guerreia, ponto a ponto, contra a decisão recorrida, indicando o que, no seu entendimento, constituemse equívocos da decisão recorrida as afirmações a seguir resumidas: i) Não houve mudança de critério contábil em relação ao registro de ágios e deságios gerados entre partes relacionadas; ii) A correção deveria ter ocorrido em relação à formação dos ágios, em 2005 e 2006; iii) Até o encerramento do ano de 2007 os procedimentos adotados pela Recorrente não estavam em perfeita conformidade com as regras contábeis então vigentes; iv) Não ter havido contabilização da baixa de ativos, reconhecendo assim uma perda de capital, ao invés de um lançamento contra lucros acumulados, nos termos do art. 186, § 1°., da Lei n. 6.404/76; v) Não ter sido demonstrado o ágio por expectativa de rentabilidade futura (goodwill); vi) A baixa do ágio em investimentos em coligadas e controladas deve seguir o rito ordinário, qual seja, a baixa pelo resultado; vii) Ilegalidade na utilização das reservas de lucros e de capital para absorção do prejuízo acumulado; viii) Ocorrência de distribuição de reserva legal e de reserva de capital pela Recorrente em 2009; ix) Desconsideração do caráter retroativo do ajuste realizado e o fato de que, quando da produção de seus efeitos, em 01/01/2008, não havia lucros do exercício na conta lucros acumulados, e nem outras reservas de lucros que não a reserva legal; x) Desconsideração de valores referentes a ajustes de avaliação patrimonial formalizados com base nas normas do IFRS, que devem impactar diretamente o Patrimônio Líquido, sob o argumento de que não teriam sido informados na DIPJ 2010 AC 2009, mas precisamente na Ficha 38/Linha 02; xi) Não ter sido demonstrado a legitimidade e seus efeitos concernentes à legalidade da distribuição a título de dividendos; xii) Exclusão do valor de R$ 3.365 mil da base de dividendos distribuíveis, ainda mais com o objetivo de que esses montantes não sejam distribuídos sem a incidência do IRRF; xiii) Tributação de transferências de capital; Fl. 2094DF CARF MF Processo nº 15540.720378/201405 Acórdão n.º 2402006.571 S2C4T2 Fl. 109 9 xiv) Ocorrência de deficiência de lucros para suportar o pagamento de dividendos. Frisese, também, que a Recorrente admite erros quando da publicação das suas demonstrações financeiras consolidadas em 2008, conforme informa no Recurso Voluntário (efls. 1829/1851), verbis: A Recorrente, visando a robustecer a sua tese de defesa, anexou ao Recurso Voluntário (efls. 1829/1851), carta e parecer técnico da lavra do renomado Professor Eliseu Martins (efls. 2020/2030 e 2062/2086), que, no seu entendimento, confere suporte aos procedimentos que adotou e que foram denunciados pela autoridade lançadora como infrações, posteriormente corroboradas pela decisão recorrida. Por sua vez, nas contrarrazões consignadas na petição de efls. 2035/2045, a PGFN alinhase aos argumentos da decisão recorrida, no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário (efls. 1829/1851), em virtude de inexistência de qualquer ilegalidade no lançamento consignado no Auto de Infração (efls. 05/09), aduzindo, em síntese: · inexistência de mudança de critério contábil; · o ágio surge, única e exclusivamente, quando o preço (custo) pago pela aquisição ou subscrição de um investimento a ser avaliado pelo método de equivalência patrimonial, supera o valor patrimonial desse investimento; · o preço ou custo de aquisição somente surge quando há dispêndio para se obter algo de terceiros, assim, não há, do ponto de vista econômico geração de riqueza decorrente de transação consigo mesmo (entre os próprios acionistas); Fl. 2095DF CARF MF Processo nº 15540.720378/201405 Acórdão n.º 2402006.571 S2C4T2 Fl. 110 10 · ainda que, do ponto de vista formal, os atos societários tenha atendimento à legislação aplicável, do ponto de vista econômico, o registro do ágio, em transações como essas, somente seria concebível se realizada entre partes independentes, conhecedoras do negócio, livres de pressões ou outros interesses que não a essência da transação; · supondose que o ágio em pauta versasse efetivamente sobre expectativa de rentabilidade futura, gerado internamente, o que teria ocorrido no caso concreto seria um erro contábil de períodos anteriores (v. CPC 23), pois a interpretação acima préexiste às mudanças implementadas pela Lei nº 11.638, de 2007. Ou seja, as disposições trazidas por esta lei em nada inovaram a matéria – classificação contábil do ágio decorrente da expectativa de rentabilidade futura, gerado internamente; · a situação de erro contábil permaneceria ainda que houve a mudança contábil propalada pela Recorrente, vez que ao ignorar as supostas mudanças no momento de sua ocorrência, a Recorrente incorreria em erro nos registros contábeis ou na manutenção destes, nos períodos subsequentes; · o contribuinte não demonstrou nos autos o fundamento do ágio registrado na aquisição das participações societárias em coligadas e controladas; · não se visualiza justificativa para o ágio por rentabilidade futura (“goodwill”), nem mesmo na previsão dos resultados futuros das suas controladas em contratos de concessão, que é um ativo intangível com vida útil definida, mensurado inicialmente pelo valor justo (item 26 do CPC 01), mais valia portanto; · podese concluir não ser possível a utilização, retroativa ao início de 2008, das reservas legal e de capital para compensar o prejuízo provocado pela baixa do ágio, ocorrida no ano 2009; · na falta de elementos que permitam aplicação retroativa, devese fazer a correção prospectiva a partir da data mais antiga praticável, ou na impossibilidade desta com efeitos prospectivos a data da descoberta (2009); · não merece prosperar o argumento de não tributação do dividendo pago, com fundamento que o caso trataria de uma transferência de capital do próprio acionista e não de renda, vez que a utilização das reservas (de lucro e capital) tem sua utilização restrita àquelas hipóteses prevista em lei, de modo que, ao serem devidamente recompostas em razão da utilização indevida, os dividendos pagos além do lucro disponíveis devem sofrer a incidência do IRRF. Para uma melhor contextualização da lide, transcrevo, no essencial, as alegações da Recorrente consignadas na peça recursal de efls. 1829/1851: "[...] 7. A Recorrente foi constituída em 2005 para atuar como uma holding de sociedades concessionárias de serviços públicos do segmento de energia elétrica. Seus acionistas são, em maioria, investidores de países hispânicos que decidiram centralizar seus investimentos no Brasil em uma única sociedade. Fl. 2096DF CARF MF Processo nº 15540.720378/201405 Acórdão n.º 2402006.571 S2C4T2 Fl. 111 11 8. Ao longo dos anos de 2005 e 2006, foram efetuadas integralizações de capital na Enel, formalizadas através da transferência de participações societárias para a mesma. Os acionistas providenciaram laudos de avaliação dos investimentos transferidos, e as diferenças entre o valor de custo em dólares americanos e o valor patrimonial dessas participações foram reconhecidas pela Recorrente como ágio ou deságio. Logo, estes ativos foram divididos, nos termos do art. 20 do Decretolei nº 1.598/77, nas subcontas de investimento e ágio/deságio. 9. Os ágios gerados, apesar de adequadamente pautados em laudos técnicos e em conformidade com as normas contábeis vigentes até 31.12.2007, são resultado de operações entre empresas do mesmo grupo – o chamado ágio interno. Por isso, a Recorrente não adotou qualquer medida para aproveitar a dedutibilidade da amortização destes ágios para fins fiscais. 10. Com a mudança de regime contábil introduzida pela Lei nº 11.638/07, o montante de ágio/deságio reconhecido contabilmente pela Recorrente, por ser fruto de operações formalizadas entre partes relacionadas, não poderia ser mantido registrado em seu ativo. 11. Assim, no primeiro momento de 2008, a Recorrente deveria ter providenciado a reversão das contas de ágio/deságio. Porém, por erro, essas contas foram mantidas em seu ativo, conforme se depreende das demonstrações financeiras publicadas em 2008 (doc. 04). 12. Esse equívoco foi corrigido quando da publicação das demonstrações financeiras de 2009 (doc. 04). Por se tratar de ajuste decorrente de mudança de critério contábil, a impugnante formalizou a baixa do saldo de ágio líquido de deságios contra um ajuste no patrimônio líquido, mais especificamente contra um débito na conta de lucros ou prejuízos acumulados, como determina o art. 186, §1º, da Lei 6.404/76. Assim, em 2009, a Recorrente formalizou o ajuste contábil com efeitos retroativos a 01.01.2008, data da migração do sistema contábil, em que deveria ter ocorrido a baixa dos ativos. 13. Como em 01.01.2008 a Recorrente não possuía lucros acumulados, o ajuste realizado a debito nessa conta resultou em prejuízo acumulado (saldo devedor). Dado o caráter transitório da conta de lucros e prejuízos acumulados, o prejuízo gerado pelo ajuste foi absorvido pela reserva legal (única reserva de lucros disponível em 01.01.2008) e, em seguida, pela reserva de capital, em conformidade com a legislação societária. 14. Portanto, os lucros auferidos pela Recorrente durante os anoscalendário de 2008 e 2009 não foram afetados pelo ajuste realizado. E nem poderiam ser. Tais lucros foram corretamente distribuídos como dividendos aos acionistas da empresa em 2009 e 2010 em plena conformidade com o arts. 189, 200 e 201 da Lei de Sociedades por Ações. 15. Ocorre que, no entendimento do auditor fiscal, o lançamento contábil do ajuste (baixa do saldo do ágio) deveria ter sido feito ao longo do ano de 2009, pois não se trataria de ajuste decorrente de mudança de critérios contábeis, mas da mera baixa de ativos, a ser formalizada contra o lucro corrente do ano de 2009. Partindo desta premissa equivocada, foi lavrado o Auto de Infração concluindo que o montante pago a título de dividendos em 2009 e 2010 teria sido maior do que os lucros disponíveis para distribuição em 2009. Fl. 2097DF CARF MF Processo nº 15540.720378/201405 Acórdão n.º 2402006.571 S2C4T2 Fl. 112 12 16. A Recorrente impugnou o referido Auto de Infração, demonstrando, detalhadamente, a legalidade e correção do procedimento contábil adotado para realização do ajuste. Contudo, o Acórdão Recorrido manteve a cobrança, alegando, resumidamente, que: (i) Não houve mudança de critério contábil quando da migração das normas contábeis brasileiras (BRGAAP) para as normas internacionais (IFRS), pois mesmo durante a vigência do BRGAAP havia impossibilidade de contabilização de ágios gerados dentro de um mesmo grupo econômico; (ii) Não seria possível a utilização, retroativa ao início de 2008, da reserva legal e de capital para compensar o prejuízo provocado pela baixa do ágio, ocorrida no ano 2009, pelas seguintes razões: a) Não restaria demonstrado e fundamentado o ágio por expectativa de rentabilidade futura, de sorte que a baixa do ágio deveria seguir o rito ordinário, qual seja, a baixa pelo resultado; e b) Se restasse caracterizado o ágio por expectativa de rentabilidade futura, a hipótese seria de erro de períodos anteriores, cuja correção, aplicada no período da descoberta, deveria ter efeitos retroativos ao período de formação indevida do ágio (2005 e 2006), observadas as formalidades para essa correção (item 42 do CPC 23). Como isso não ocorreu, deveria ser realizada uma correção prospectiva a partir da data mais antiga praticável, ou na impossibilidade desta com efeitos prospectivo a data da descoberta (2009). (iii) Não teria sido demonstrada fundamentação legal que levasse a acreditar que as reservas de lucros com as características apontadas pela Auditoria fossem distribuíveis a título de dividendos e isentas de tributação. Por não ser uma distribuição de lucros propriamente dita, prevalece a fundamentação legal apontada pela fiscalização, para o não reconhecimento da intributabilidade das parcelas. (iv) A Reserva Legal e a Reserva de Capital só podem ser usadas para absorver o prejuízo do exercício que ultrapassar os lucros. O lucro líquido apurado no exercício deve ser transferido para a conta de Lucros ou Prejuízos Acumulados, na qual igualmente devem ser registrados os ajustes positivos e negativos de períodos anteriores decorrentes de efeitos de mudança de critério contábil, ou da retificação de erro imputável a determinado exercício anterior, e que não possam ser atribuídos a fatos subsequentes. 17. Conforme será desmontado a seguir, o Acórdão Recorrido foi proferido com base em premissas e entendimentos equivocados, esboçando conclusões em desconformidade com as regras contábeis e societárias vigentes à época dos fatos narrados. Ao final do presente Recurso, restará claro que o Auto de Infração não merece ser mantido, devendo ser cancelado em sua totalidade. 18. A Recorrente, com o objetivo de esclarecer a questão contábil que constitui objeto do Auto de Infração, contratou um parecer a ser elaborado pelo Professor Eliseu Martins. Tão logo o referido parecer esteja pronto, a Recorrente juntará o mesmo aos autos, à guisa de evidência de que procedeu corretamente de um ponto Fl. 2098DF CARF MF Processo nº 15540.720378/201405 Acórdão n.º 2402006.571 S2C4T2 Fl. 113 13 de vista contábil e societário, tanto no que tange aos procedimentos e métodos contábeis adotados, como igualmente a declaração e distribuição de dividendos. Tendo em vista o tempo exíguo para a confecção do referido parecer, o Professor Eliseu enviou para a Recorrente uma carta (Doc. 5), a qual sumaria seu posicionamento técnico em relação à questão ora em discussão (a Carta). A Recorrente transcreverá trechos da Carta em suporte de seu posicionamento técnico ao longo da exposição de mérito a seguir." [...] III.1 Da Obrigatoriedade do Registro dos Ágios e Deságios Internos 19. Conforme mencionado (e pormenorizado no item 3.1 da Impugnação), os ágios e deságios objeto do ajuste que originou a presente disputa foram registrados em 2005 e 2006, em decorrência de transações entre partes relacionadas, tendo como fundamento, respectivamente, a expectativa de rentabilidade futura e outras razões econômicas. 20. À época, inexistia a vedação constante das regras contábeis atualmente vigentes, que impedem o reconhecimento do chamando ágio ou deságio interno. Ao contrário, até 31.12.2007, esses ágios e deságios deveriam obrigatoriamente ser registrados na contabilidade da Recorrente, como de fato foram, e também deveriam ser registrados os lançamentos referentes à amortização dos saldos ativos de ágio. 21. Com efeito, em 2005 e 2006, o registro contábil a ser realizado quando da aquisição do investimento deveria seguir a regra do art. 20 do Decreto Lei 1.598/77, que não fazia qualquer diferenciação quanto ao tratamento a ser dado ao ágio pelo fato de a transação ser realizada entre partes relacionadas. Assim, independentemente de a transação ser realizada entre empresas do mesmo grupo, o custo de aquisição do investimento deveria, obrigatoriamente, ser desdobrado em duas subcontas: (i) o valor patrimonial contábil proporcional ao investimento adquirido; e (ii) o valor do ágio ou deságio. 22. No mesmo sentido a orientação manifestada através da Instrução CVM nº 247/96, como demonstrado adiante: Art. 13 Para efeito de contabilização, o custo de aquisição de investimento em coligada e controlada deverá ser desdobrado e os valores resultantes desse desdobramento contabilizados em subcontas separadas: I Equivalência patrimonial baseada em demonstrações contábeis elaboradas nos termos do artigo 10; e II Ágio ou deságio na aquisição ou na subscrição, representado pela diferença para mais ou para menos, respectivamente, entre o custo de aquisição do investimento e a equivalência patrimonial. (Grifos nossos) 23. Em relação a esse ponto, surge o primeiro equívoco cometido pelo Acórdão Recorrido: (i) A Autoridade Julgadora afirma que não houve mudança de critério contábil quando da migração das normas contábeis brasileiras (BRGAAP) para as normas internacionais (IFRS), pois durante a vigência do BRGAAP já havia impossibilidade de contabilização de ágios gerados dentro de um mesmo grupo econômico; Fl. 2099DF CARF MF Processo nº 15540.720378/201405 Acórdão n.º 2402006.571 S2C4T2 Fl. 114 14 (ii) Como desdobramento desse entendimento completamente equivocado, a Autoridade Julgadora continua o raciocínio no sentido de que “se restasse caracterizado o ágio por expectativa de rentabilidade futura em investimento em coligada ou controlada, gerado internamente, a hipótese seria de erro de períodos anteriores, cuja correção, aplicada no período da descoberta, deveria ter efeitos retroativos ao período de formação indevida do ágio (2005 e 2006), observadas as formalidades para essa correção (item 42 do CPC 23). O que não ocorreu. Devendose, portanto, na falta de elementos que permitam aplicação retroativa, fazerse a correção prospectiva a partir da data mais antiga praticável, ou na impossibilidade desta com efeitos prospectivos a data da descoberta (2009)” (grifamos). 24. Para fundamentar a afirmação absurda de que em 2005 e 2006 era vedada a contabilização de ágios gerados internamente, o v. acórdão recorrido cita um trecho de uma publicação dos Professores Jorge Vieira da Costa Jr. e Eliseu Martins, denominada "Operações de combinação de negócios: a incorporação reversa com ágio gerado internamente (1a parte)", efetuada no Boletim IOB Temática contábil e balanços n° 27, em julho de 2004. 25. Não há dúvidas de o conteúdo da referida publicação foi equivocadamente interpretado pela Ilma. Autoridade Julgadora. Prova disso é que o Professor Eliseu Martins adota entendimento completamente diverso daquele adotado no v. acórdão recorrido, conforme se depreende da Carta. 26. O Professor, diversamente do que alega a Autoridade Julgadora, esclarece que até 31.12.2007 a contabilização de ágios gerados internamente não era apenas permitida, mas sim obrigatória. Confirase o trecho abaixo, selecionado da Carta elaborada pelo Professor: 1. A Enel foi constituída em 2005, tendo havido contribuição para o seu capital de ações de diversas pessoas jurídicas. Portanto, uma operação entre partes relacionadas. Havia nessa época a proibição de reconhecer o ágio, nos termos do art. 20 do DL 1.598? (...) Logo, respondo dizendo que não só não havia proibição de registro do ágio nesse sentido, como na verdade isso era obrigatório, se presente essa figura. Ou seja, presente o ágio, obrigava a Lei ao seu reconhecimento contábil. E isso quer fossem os subscritores e a entidade partes relacionadas ou não. 27. Com isso: (i) Fulminase a primeira premissa adotada (equivocadamente) pelo v. acórdão recorrido, qual seja a de que não houve mudança de critério contábil em relação ao registro de ágios e deságios gerados entre partes relacionadas; (ii) Fulminase o raciocínio dela decorrente, no sentido de que a correção deveria ter ocorrido em relação à formação dos ágios, em 2005 e 2006; e (iii) Resta claro que, até o encerramento do ano de 2007, os procedimentos adotados pela Recorrentes estavam em perfeita conformidade com as regras contábeis então vigentes. III.2 Da Mudança de Critério Contábil Fl. 2100DF CARF MF Processo nº 15540.720378/201405 Acórdão n.º 2402006.571 S2C4T2 Fl. 115 15 28. Ao final de 2007, com a publicação da Lei 11.638/07, iniciouse o processo de convergência das normas contábeis brasileiras para as normas internacionais. A migração do BRGAAP para o IFRS impunha uma série de ajustes contábeis, a serem realizados no balanço de abertura de 2008. 29. Dentre esses ajustes iniciais, necessários à transição para o novo regime contábil, inserese a reversão de ágios e deságios gerados em transações envolvendo partes relacionadas. Fundamentando essa afirmativa, temse que: (i) Todas as manifestações técnicas emanadas do Comitê de Pronunciamentos Contábeis deixam claro que o ágio/deságio gerado internamente não deve ser reconhecido; e (ii) Em 01.01.2008, quando do balanço de abertura da adoção inicial ao IFRS, a baixa do saldo de ágios internos foi procedimento amplamente realizado pelas empresas brasileiras e referendado por renomadas empresas de auditoria. 30. Entretanto, a fiscalização, agora com respaldo do Acórdão Recorrido, sustenta que a ora Recorrente deveria ter contabilizado uma baixa de ativos, reconhecendo assim uma perda de capital, ao invés de um lançamento contra lucros acumulados, nos termos do art. 186, § 1º, da LSA. A ora Recorrente sustenta e demonstrará que a única solução técnica contabilmente correta seria considerar o ajuste procedido como decorrente de mudança de critério contábil. Nesta hipótese, a única contrapartida à baixa dos ágios seria a conta de lucros acumulados. 31. Sobre o tema, a Carta da lavra do Professor Eliseu expressa a seguinte opinião: Dessa forma, empresas diversas efetivamente baixaram os ágios até então registrados nos balanços de 31 de dezembro de 2007, quando derivados de transações entre entidades sob controle comum, passando a adotar a política contábil bem mais conservadora de ter, como base de registro contábil, não o valor de mercado do bem quando de sua incorporação patrimonial, mas o valor precedente na alienadora desse bem. Só que, no caso de participação societária, ajustado esse valor precedente ao valor patrimonial proporcional da empresa investida por força da aplicação do método de equivalência patrimonial. Tinha, a ENEL, portanto, em 2008, a condição de proceder à baixa dos ágios derivados de operação entre entidades sob controle comum como decorrência da adoção da nova política contábil. E mais, oportunidade essa também novamente reforçada em 2010 por força do CPC 15 – Combinação de Negócios. (...) Assim, a baixa do ágio líquido de deságio decorrente da mudança de política contábil somente poderia ser tratada contabilmente como ajuste de exercícios anteriores, com contrapartida diretamente no patrimônio líquido, sem trânsito possível pelo resultado do exercício. 32. Portanto, devido a uma mudança de critério contábil, como parte do procedimento de transição para o novo regime implementado pela Lei 11.638/07, em 01.01.2008 a Recorrente deveria expurgar do seu ativo todos os ágios/deságios reconhecidos. 33. Para determinar o procedimento adequado à implementação desse ajuste, a Recorrente deveria ter consultado o CPC 13 – Adoção Inicial da Lei nº 11.638/07 e Fl. 2101DF CARF MF Processo nº 15540.720378/201405 Acórdão n.º 2402006.571 S2C4T2 Fl. 116 16 da Medida Provisória nº 449/08, correlacionado com a Deliberação CVM nº 565/08. De acordo com o referido CPC, todos os ajustes decorrentes da migração para o regime contábil implementado pela Lei nº 11.638/07 deveriam ser lançados contra patrimônio líquido, mais precisamente contra a conta de lucros ou prejuízos acumulados. Confirase o item 3 do CPC 13: 3. As exigências de ajustes trazidos pela Lei nº 11.638/07 e Medida Provisória nº 449/08 não se enquadram como mudança de circunstâncias, estimativas ou evento econômico subseqüente, pois decorrem de processo normativo em direção às Normas Internacionais de Contabilidade. Assim, este Pronunciamento considera que os ajustes devem ser contabilizados de acordo com as disposições contábeis aplicáveis à mudança de critério (ou prática) contábil. A esse respeito, o § 1º do art. 186 da Lei nº 6.404/76 determina que os correspondentes ajustes iniciais devem ser contabilizados na conta de lucros ou prejuízos acumulados. A norma sobre “Práticas Contábeis, Mudanças nas Estimativas Contábeis e Correção de Erros” requer que, além de discriminar os efeitos da adoção da nova prática contábil na conta de lucros ou prejuízos acumulados, a entidade deve demonstrar o balanço de abertura para cada conta ou grupo de contas relativo ao período mais antigo apresentado para fins de comparação, bem como os demais valores comparativos apresentados, como se a nova prática contábil estivesse sempre em uso. Todavia, para fins da aplicação inicial da Lei nº. 11.638/07 e Medida Provisória nº 449/08, este Pronunciamento desobriga as entidades quanto à aplicação dessa norma, ou seja, ao aplicar a Lei pela primeira vez, as entidades são requeridas apenas a aplicar o § 1º. do art. 186 acima referido. (Grifos nossos) 34. Isso significa que, caso a Recorrente tivesse procedido em conformidade com as regras de transição, a baixa do saldo do ágio (líquido dos deságios) teria sido lançada em 01.01.2008, contra um débito na conta de lucros ou prejuízos acumulados, e não simplesmente reconhecer uma perda de capital em 2009, como pretende a fiscalização e o Acórdão Recorrido. III.3 Do Erro Cometido pela Recorrente 35. Em que pese a necessidade do ajuste mencionado no item III.2, a Recorrente cometeu os seguintes equívocos ao publicar as suas demonstrações financeiras consolidadas de 2008: (i) Deixou registrado em seu ativo o ágio gerado internamente, acumulado até 31.12.2007, que representava o montante líquido (de deságios e de amortizações) de R$ 477.644 mil. (ii) Registrou, como ágio interno no ano de 2008, o montante complementar de R$ 65.250 mil, relativo ao seu investimento nas companhias Centrais Elétricas Cachoeira Dourada S.A. (“CDSA”) e Companhia de Interconexão Energética S.A. (“CIEN”); e (iii) Formalizou contra resultado a amortização do saldo de ágio, no total de R$ 134.311 mil. 36. Por isso, em 31.12.2008 o balanço patrimonial da Enel continha dois erros: (i) a manutenção de saldo de ágio que deveria ter isso baixado em 01.01.2008 e que Fl. 2102DF CARF MF Processo nº 15540.720378/201405 Acórdão n.º 2402006.571 S2C4T2 Fl. 117 17 não deveria ter sido constituído após tal data; e (ii) a redução do resultado do exercício de 2008 pelas amortizações do saldo de ágios realizadas durante esse período. III.3 Da Legalidade do Ajuste Realizado 37. No de 2009, a Recorrente e seus auditores identificaram os erros cometidos em 2008. Para corrigir tais erros, a Recorrente, devidamente orientada por seus auditores, observou o procedimento determinado no art. 186, §1º da Lei 6.404/76, qual seja, o ajuste de exercícios anteriores. 38. Esse procedimento é aplicável a ajustes que decorram de mudança de critério contábil ou da retificação de erro imputável a determinado exercício anterior e, por determinação legal, deve ser realizado contra a conta de lucros ou prejuízos acumulados, no patrimônio líquido. 39. O motivo pelo qual o ajuste de exercício anterior deve ser realizado contra patrimônio líquido é justamente impedir que cause efeitos no resultado do período em que é formalizado, que nada tem a ver com o ajuste. Em outras palavras, embora formalizado contabilmente em determinado período, esse ajuste tem efeito inerentemente retroativo e repercute na competência em que houve a mudança de critério contábil ou o erro que necessita ser ajustado. 40. Assim, em 2009, a Recorrente realizou os seguintes ajustes de exercícios anteriores: (i) Baixa do saldo líquido de ágio, no montante de R$ 542.894 mil (i.e. R$ 477.644 mil, acumulado até 31.12.2007, mais R$ 65.250 mil, registrado equivocadamente em 2008, decorrente do investimos na CDSA e CIEN), em contrapartida a um débito na conta de lucros e prejuízos acumulados, com efeito retroativo ao balanço de abertura de 01.01.2008, quando ocorreu a mudança de critério contábil que deu origem à necessidade do ajuste; e (ii) Reversão da amortização do ágio contabilizada ao longo do ano de 2008, no montante de R$ 134.311 mil, em contrapartida a um crédito na conta de lucros e prejuízos acumulados, com efeito retroativo ao final do períodobase de 2008. É evidente que esse ajuste, diferente do anterior, não poderia retroagir ao balanço de abertura de 2008, pois, como a amortização indevida ocorreu ao longo desse ano, afetou seu resultado, devendo a reversão retroagir ao final do exercício. 41. A esse respeito, é de suma importância observar que esse procedimento era única alternativa legal que poderia ter sido utilizada pela Recorrente para a realização dos ajustes. Em outras palavras, não havia outra forma legal de realizar os ajustes em questão – qualquer outro procedimento estaria em desconformidade com a legislação contábil e societária. 42. O procedimento que segundo as autoridades fiscalizadoras deveria ter sido adotado, qual seja a realização dos ajustes contra o resultado do exercício de 2009, está em total desacordo com a legislação e os procedimentos contábeis ora em vigor. Esse procedimento contaminaria o resultado do exercício de 2009 e acabaria por não refletir a real situação da Recorrente naquele período. 43. Em que pese a evidente inaplicabilidade desse procedimento, a Recorrente foi surpreendida quando, no v. acórdão recorrido, a Autoridade Julgadora afirmou Fl. 2103DF CARF MF Processo nº 15540.720378/201405 Acórdão n.º 2402006.571 S2C4T2 Fl. 118 18 que, como não teria sido demonstrado o ágio por expectativa de rentabilidade futura, a baixa “do ágio em investimentos em coligadas e controladas deve seguir o rito ordinário, qual seja, a baixa pelo resultado”. 44. Em relação à primeira afirmativa, de que não teria sido demonstrado o ágio por expectativa de rentabilidade futura, cumpre tecer alguns esclarecimentos. Segundo o Acórdão Recorrido, não restou perfeitamente demonstrado o fundamento do ágio porque, “conforme destacado pela fiscalização”, a Recorrente teria apresentado as seguintes justificativas contraditórias (alegadamente) para o mesmo: i. Diferença entre os valores em dólares históricos aportados na Sociedade pelos acionistas e o valor do patrimônio líquido contábil das empresas coligadas e controladas cujas participações societárias foram adquiridas; ii. Realocação de ativos feita pelos seus acionistas; e iii. Valor de mercado da previsão dos resultados futuros das suas controladas nos contratos de concessão de direitos de exploração de atividades relativas à energia elétrica. Ora, as informações prestadas pela Recorrente, acima listadas, são verdadeiras e em nada contraditórias. Ao contrário, tratamse de explicações que se complementam e explicam a origem do ágio e seu fundamento econômico. A primeira afirmação é absolutamente verdadeira. Informa como se quantificou o ágio. A segunda igualmente é verdadeira, visto que esclarece qual a motivação dos acionistas. Finamente, a terceira diz respeito ao critério de avaliação dos ativos contribuídos. Inexistente, portanto, qualquer contradição. 45. Vejamos a combinação das informações prestadas: a transação que deu origem ao ágio foi uma realocação de ativos feita pelos acionistas da Recorrente (afirmativa “ii”). Quando dessa realocação, foram transferidas à Enel participações societárias mediante integralização de capital em bens. A diferença entre (a) o valor em dólares americanos atribuído a essas participações quando da integralização e (b) o valor patrimonial das mesmas, foi registrado como ágio ou deságio pela Recorrente (afirmativa “ii”). Tal diferença entre o valor patrimonial e o valor atribuído teve como fundamento a previsão de resultados futuros, relativos a contratos de concessão detidos pelas investidas (afirmativa “iii”). 46. Portanto, ao contrário do que foi “destacado pela fiscalização” e reiterado pela Autoridade Julgadora, restou explicado o fundamento do ágio em expectativa de rentabilidade futura, sem qualquer contradição. 47. Superado esse obstáculo, retornase o foco para a afirmativa equivocada de que a baixa do ágio deveria “seguir o rito ordinário, qual seja, a baixa pelo resultado” 48. Considerando que a referida baixa tem como razão uma mudança de critério contábil ocorrida em 01.01.2008, o procedimento apontado como “ordinário” pelo Acórdão Recorrido não tem sequer supedâneo na legislação societária e contábil. Conforme já ressaltado nos parágrafos 41 e 42 do presente Recurso, o único método legal para proceder a baixa do saldo de ágio era a implementação do ajuste de exercícios anteriores. Fl. 2104DF CARF MF Processo nº 15540.720378/201405 Acórdão n.º 2402006.571 S2C4T2 Fl. 119 19 49. Confirmando que o procedimento adotado pela Recorrente foi correto, transcrevese abaixo trechos retirados da Carta preparada pelo Professor Eliseu Martins: Todos os registros contábeis derivados de alteração de valor de ativos ou passivos decorrentes de mudança de prática contábil eram e continuam sendo obrigatoriamente registrados como ajustes de exercícios anteriores. A Lei das S/A já determinava isso desde sua vigência na década de 70 (par. 1o do art. 186). No caso da introdução das Normas Internacionais de Contabilidade, o mesmíssimo procedimento foi adotado. Vejase o CPC 13 Adoção Inicial da Lei nº. 11.638/07 e da Medida Provisória nº 449/08 , item 3. E vejase mais especificamente ainda o Pronunciamento Técnico CPC 23 Políticas Contábeis, Mudança de Estimativa e Retificação de Erro. Obrigatório isso, nada de opção. Claríssimo. Assim, a baixa do ágio líquido de deságio decorrente da mudança de política contábil somente poderia ser tratado contabilmente como ajuste de exercícios anteriores, com contrapartida diretamente no patrimônio líquido, sem trânsito possível pelo resultado do exercício. (Grifamos) 50. Ademais, confirmando os efeitos retroativos dos ajustes realizados, descritos no parágrafo 40 acima, o Professor assevera: Ou seja, no caso específico da ENEL, o reflexo desses ajustes de exercícios anteriores é: a) a reelaboração do balanço de abertura de 01 de janeiro de 2008; b) reelaboração do resultado de 2008 por conta do que contiver de despesa de amortização desses ágios (ou de receita por conta do deságio); reelaboração do balanço de final de 2008 (balanço de abertura de 2009); e estorno de eventuais efeitos desses ágios ou deságios no resultado de 2009, como amortização, por exemplo. Em suma, refazemse o balanço inicial de 2008, os balanços finais de 2008 e final de 2009, e os resultados de 2008 e2009, como se jamais tivesse sido aplicada a política contábil abolida. (...) Assim, essas baixas de ágio e de deságio, registradas como ajustes de exercícios anteriores, impactaram os saldos do balanço de abertura de 2008, de fechamento do balanço de 2008 (abertura de 2009), e resultado de 2008, mas não o resultado do exercício de 2009. (Grifamos) 51. Portanto, em resumo: (i) Para corrigir os erros cometidos em 2008, descobertos em 2009, a única alternativa legal disponível à Recorrente era a realização de ajuste de exercícios anteriores, mediante o qual a baixa do saldo de ágio e a reversão das amortizações deveriam ser contabilizadas contra o patrimônio líquido; Fl. 2105DF CARF MF Processo nº 15540.720378/201405 Acórdão n.º 2402006.571 S2C4T2 Fl. 120 20 (ii) Embora esses ajustes tenham sido formalizados em 2009, não há dúvidas de que retroagem à 01.01.2008 (baixa do saldo de ágio) e a 31.12.2008 (reversão das amortizações). 52. Tendo isso esclarecido, já é possível visualizar quão absurda é acusação de que, por conta dos ajustes realizados, houve pagamento de dividendos a maior do que os lucros auferidos em 2009, uma vez que o resultado de 2009 sequer poderia ser impactado por esses ajustes. III.4 Da Legalidade da Utilização das Reservas de Lucros e de Capital para Absorção do Prejuízo Acumulado 53. Como esclarecido, a baixa do saldo de ágio foi realizada em contrapartida a um débito na conta de lucros e prejuízos acumulados, com efeito retroativo ao balanço de abertura de 01.01.2008, quando ocorreu a mudança de critério contábil que deu origem à necessidade do ajuste. 54. Notese que se a baixa houvesse ocorrido efetivamente em 01.01.2008, o procedimento adotado teria sido exatamente o mesmo. Isso porque o CPC 13, aplicável aos ajustes decorrentes da migração para o regime contábil implementado pela Lei 11.638/07, já determinava que todos esses ajustes fossem lançados contra lucros ou prejuízos acumulados (vide parágrafos 33 e 34 do presente Recurso). 55. Em 01.01.2008, a Recorrente não possuía lucros acumulados e, consequentemente, o lançamento efetuado em decorrência do ajuste (débito na conta de lucros acumulados) resultou em um prejuízo acumulado. 56. A conta de lucros e prejuízos acumulados tem caráter transitório. Isso significa que os ajustes ali formalizados não devem permanecer – são registrados nessa conta em caráter provisório, para serem alocados, sempre que possível, em outra(s) conta(s) do patrimônio líquido. 57. Corroborando o caráter absolutamente transitório dessa conta, confirase o item 42 do CPC 13: 42. Segundo a Lei das S.A., conforme modificação introduzida pela Lei nº. 11.638/07, o lucro líquido do exercício deve ser integralmente destinado de acordo com os fundamentos contidos nos arts. 193 a 197 da Lei das S.A. A referida Lei não eliminou a conta de lucros acumulados nem a demonstração de sua movimentação, que devem ser apresentadas como parte da demonstração das mutações do patrimônio líquido. Essa conta, entretanto, tem natureza absolutamente transitória e deve ser utilizada para a transferência do lucro apurado no período, contrapartida das reversões das reservas de lucros e para as destinações do lucro. (Grifos nossos) 58. Assim, ficando a conta de lucros e prejuízos acumulados com saldo devedor, esse saldo deve, obrigatoriamente, ser absorvido pelas reservas de lucros, incluindo a reserva legal – que em 01.01.2008 era a única reserva de lucros da Recorrente, conforme determina o art. 189, parágrafo único, da Lei 6.404/76. 59. Permanecendo saldo devedor na conta de lucros e prejuízos acumulados após a utilização das reservas de lucro, a Lei 6.404/76 permite expressamente, em seu art. 200, I, que esse saldo seja absorvido pelas reservas de capital. Fl. 2106DF CARF MF Processo nº 15540.720378/201405 Acórdão n.º 2402006.571 S2C4T2 Fl. 121 21 60. Vejamos as disposições legais acima citadas, que regulamentam a utilização de cada uma dessas reservas: Art. 189. Do resultado do exercício serão deduzidos, antes de qualquer participação, os prejuízos acumulados e a provisão para o Imposto sobre a Renda. Parágrafo único. o prejuízo do exercício será obrigatoriamente absorvido pelos lucros acumulados, pelas reservas de lucros e pela reserva legal, nessa ordem.” (Grifamos) Art. 200. As reservas de capital somente poderão ser utilizadas para: I absorção de prejuízos que ultrapassarem os lucros acumulados e as reservas de lucros (artigo 189, parágrafo único); (Grifamos) 61. Esse foi exatamente o procedimento adotado pela Recorrente. O ajuste realizado para a baixa do saldo de ágio, retroativo a 01.01.2008, resultou em saldo negativo na conta de lucros e prejuízos acumulados no montante de R$ 542.894 mil. Nesse momento, o patrimônio líquido da Recorrente apresentava a seguinte composição: 62. Assim, o saldo negativo de R$ 542.894 mil foi inteiramente absorvido: primeiro pela reserva legal, conforme obriga a legislação societária, e depois pela reserva de capital, como faculta a legislação. 63. Sobre a legalidade da utilização das reservas pela Recorrente, confirase o entendimento expresso pelo Professor Eliseu Martins na Carta elaborada para o presente Processo: A baixa dos ágios e deságios, pelo seu valor líquido, saldos esses existentes no encerramento de 2007, tem que ser feita contra Lucros ou Prejuízos Acumulados. Ficando esta conta com saldo devedor, obrigatoriamente têm que ser revertidas para ela saldos das reservas de lucros, incluindo a reserva legal (a última a ser utilizada). Determinação derivada da Lei das S/A, de número 6.404/76, art. 189, par. único. Se a reserva legal era a única existente, essa absorção era compulsória. Permanecendo ainda saldo devedor em Lucros ou Prejuízos Acumulados, permite a Lei das S/A que sejam também absorvidos saldos existentes em reservas de capital, conforme art. 200, I, da Lei das S/A. E a empresa adotou essa opção legal. (Grifamos) 64. É evidente a confusão realizada pela Autoridade Julgadora, segundo a qual “em momento algum a Impugnante mostrou a fundamentação legal que nos levassem a acreditar que as reservas de lucros com estas características, apontadas pela Auditoria, fossem distribuíveis a título de dividendos e isentas de tributação como Lucros fossem.” Fl. 2107DF CARF MF Processo nº 15540.720378/201405 Acórdão n.º 2402006.571 S2C4T2 Fl. 122 22 65. Ora, não houve distribuição de reserva legal e de reserva de capital pela Recorrente em 2009 e nem em nenhum outro momento. Essas reservas não foram distribuídas, mas sim utilizadas para absorção de prejuízo acumulado, conforme expressamente orientado e permitido na legislação societária. 66. Sobre as referidas reservas, o v. acórdão recorrido ainda menciona que: Como vimos, a Reserva Legal e a Reserva de Capital somente podem ser utilizadas para absorver o prejuízo do exercício que ultrapassar os lucros. E de acordo com o parágrafo único do art. 189 da Lei n°6.404/76, que o "prejuízo do exercício será obrigatoriamente absorvido pelos lucros acumulados, pelas reservas de lucros e pela reserva legal, nessa ordem ". O disposto no art. 186 do diploma legal supracitado, o lucro líquido apurado no exercício deve ser transferido para a conta de Lucros ou Prejuízos Acumulados, na qual igualmente devem ser registrados os ajustes positivos e negativos de períodos anteriores decorrentes de efeitos de mudança de critério contábil, ou da retificação de erro imputável a determinado exercício anterior, e que não possam ser atribuídos a fatos subsequentes. 67. Quando dessa afirmação, o v. acórdão recorrido não leva em consideração o caráter retroativo do ajuste realizado e o fato de que, quando da produção de seus efeitos, em 01.01.2008, não havia lucros do exercício na conta de lucros acumulados, e nem outras reservas de lucros que não a reserva legal. 68. Resta claro, portanto, que a Recorrente não extrapolou qualquer limite quando utilizou a reserva legal e a reserva de capital para absorver todo o prejuízo decorrente do ajuste realizado. Resta também inequívoco que esse ajuste não causou qualquer impacto no resultado de 2009 – os lucros auferidos pela Recorrente durante o anocalendário de 2009 não foram afetados, e nem poderiam ser, pelo ajuste realizado. Tais lucros foram corretamente distribuídos como dividendos aos acionistas da empresa em 2009 e 2010. 69. Esse entendimento foi confirmado pelo Professor Eliseu Martins, conforme transcrição a seguir: Com isso, ou seja, ao se refazerem os saldos que existiriam no balanço de abertura de 2008 como se nunca tivessem sido contabilizados no ativo aqueles ágios e deságios, ocorre algo interessante. Sendo para todos os efeitos zerado o saldo de Lucros ou Prejuízos Acumulados do início de 2008, ele passa a receber os lucros daí em diante e passam a voltar a ser criadas reservas de lucros e pagos os dividendos normalmente. Jogar baixas de ativo ou mesmo prejuízos acumulados contra reservas de capital é a mesma coisa que jogálos contra o capital social; significa isso que, a partir dali, é vida nova, os novos lucros obrigam à reserva legal, outras reservas de lucros podem ser constituídas e dividendos podem ser pagos. III.5 Da Diferença Residual – Conciliação de Valores Fl. 2108DF CARF MF Processo nº 15540.720378/201405 Acórdão n.º 2402006.571 S2C4T2 Fl. 123 23 70. Embora o ajuste decorrente da baixa do saldo de ágio corresponda a R$ 542.894 mil, o Auto de Infração lavrado contra a Recorrente afirma que a base de cálculo do IRRF seria de aproximadamente R$ 546.259 mil. 71. Isso porque, no entendimento das autoridades fiscalizadoras, o valor de aproximadamente R$ 3.365 mil, lançado pela Recorrente no patrimônio líquido em 2009, não estaria esclarecido. 72. A Recorrente explicou, conforme se depreende do item 3.7 da Impugnação, que esse valor é composto por ajustes mensais de avaliação patrimonial da CIEN. Tais ajustes mensais são reflexo da variação cambial ativa e/ou passiva da CIEN sobre os investimentos em duas de suas controladas localizadas na Argentina (CTM e Tesa), cujas demonstrações financeiras são formalizadas em peso argentino, e os resultados apurados sofrem com a variação cambial. 73. Por isso, em consonância com o item 15 do CPC 02 (R2) Efeitos das Mudanças nas Taxas de Câmbio e Conversão de Demonstrações Contábeis, a variação cambial do saldo do investimento foi registrada pela Recorrente em conta de patrimônio líquido. 74. Tratase, em suma, de valores referentes a ajustes de avaliação patrimonial (AAPs) formalizados com base nas normas do IFRS, que devem impactar diretamente o Patrimônio Líquido. 75. Confirase a seguir a composição desses ajustes: 76. Cometendo mais um equívoco, o auditor fiscal e o Acórdão Recorrido desconsideraram esses ajustes, corretamente formalizados e validados pelos auditores independentes da Recorrente, sob o argumento de que não teriam sido informados na DIPJ 2010 (ano calendário 2009), mais precisamente na Ficha 38/Linha 02. Fl. 2109DF CARF MF Processo nº 15540.720378/201405 Acórdão n.º 2402006.571 S2C4T2 Fl. 124 24 77. O Acórdão Recorrido alega, ainda, que “não há quaisquer documentos que demonstram a sua legitimidade e seus efeitos concernente a legalidade da distribuição a título de dividendos.” 78. Contudo, é certo que: (i) O montante de dividendos passível de deliberação está diretamente vinculado ao resultado societário apurado no exercício; (ii) Nos termos da Instrução Normativa 93/97, vigente em 2009, o requisito para que o dividendo deliberado não sofresse retenção de IRRF era sua apuração com base nas normas contábeis vigentes; (iii) Por ausência de amparo legal, não pode o Acórdão Recorrido desconsiderar os ajustes contábeis formalizados pelo contribuinte, adequadamente refletidos nas suas demonstrações financeiras e validados por auditor independente, da base de dividendos passíveis de distribuição; (iv) O fato de que preenchimento da DIPJ não contemplou os mesmos dados constantes das demonstrações financeiras publicadas pela Recorrente não é fato gerador do IRRF; e (v) Não há previsão legal para que os ajustes formalizados em atendimento às normas de IFRS a título de AAP sejam tributados para fins de tributação sobre a renda. 79. Portanto, é arbitrário desconsiderar os ajustes de AAP realizados pela Recorrente, excluindo o valor de R$ 3.365 mil da base de dividendos distribuíveis, ainda mais com o objetivo de que esses montantes não sejam distribuídos sem a incidência do IRRF. III.6 Da Intributabilidade de Transferências de Capital 80. Ainda que a fiscalização estivesse correta (o que se admite apenas ad argumentandum) e a disponibilidade de lucros para suportar os dividendos distribuídos fosse insuficiente, o Auto de Infração ainda seria improcedente. 81. Nesse caso, o pagamento efetuado não possuiria natureza de renda, mas sim de restituição de capital, visto que teria como contrapartida reservas de capital (mais precisamente reservas de ágio) que se originaram de subscrições e integralizações efetuadas em 2005 e 2006 pelos próprios acionistas. Essa restituição de capital, caso tivesse ocorrido, não seria alcançada pela incidência do Imposto de Renda. 82. Assim, na medida em que se adote o posicionamento de que os pagamentos efetuados não possuem natureza de dividendos, há de se adotar, por consequência, o entendimento e que seriam uma restituição de capital – a Recorrente teria efetuado, indiretamente, uma restituição aos acionistas do capital que haviam contribuído nos anos de 2005 e 2006, quando a Recorrente emitiu ações por eles subscritas e integralizadas. Tal restituição, por óbvio, não configura um rendimento tributável dos acionistas. Fl. 2110DF CARF MF Processo nº 15540.720378/201405 Acórdão n.º 2402006.571 S2C4T2 Fl. 125 25 83. Notese que essa operação seria simetricamente oposta à subscrição e integralização de capital, com a única diferença de que a restituição de capital ocorreu tendo como contrapartida não o capital propriamente dito, mas a reserva de capital (reserva de ágio). 84. Neste sentido, cabe transcrever comentários do Bulhões Pedreira: Essa dupla função dos direitos patrimoniais – como veículos da renda financeira e como reservatórios de capital financeiro – explica por que nem toda transmissão de direitos entre patrimônios revela pagamento ou transferência de renda: muitas vezes os direitos são transferidos como estoques de capital financeiro, e não como veículos de renda. (...) As transferências [de capital] são negócios unilaterais, nos quais quem transfere dinheiro não recebe em troca outro direito ou (no caso de transferência de capital), se adquire algum direito, este nasce do próprio negócio de transferência e seu objeto são prestações da pessoa que a recebe. (...) Nas transferências de capital uma pessoa transmite direitos com o fim de acrescelos ao estoque de capital de outra. Em algumas (como as subvenções para investimento e as doações) a pessoa que transfere não adquire nenhum direito – apenas diminui seu estoque de capital em benefício de quem a recebe. Em outras (como na subscrição de capital social ou de valores mobiliários e na concessão de empréstimos), adquire direitos de participação ou direitos de crédito contra quem a recebe. Na transferência que é devolução de empréstimo, há extinção de direito de crédito anteriormente constituído.¹ 1 Imposto Sobre a Renda – Pessoas Jurídicas; Justec – Editora Ltda.; 1979; Vol. 2, p. 679. 85. Concluindo, ainda que se aceite a argumentação da fiscalização no sentido de que havia uma deficiência de lucros para suportar o pagamento de dividendos (o que se admite apenas por amor ao argumento), tal pagamento não seria tributável na pessoa dos acionistas, pois possuiria a natureza de uma transferência de capital e não de renda. Portanto, consoante o art. 43 do Código Tributário Nacional, a incidência do imposto de renda não seria aplicável, eis que esse imposto só pode incidir sobre pagamentos de renda e não de capital. Muito bem. De plano, verificase que não há controvérsia quanto à natureza dos ágios/deságios objeto do ajuste que deu causa à presente lide, vez que é resultado de operações entre empresas do mesmo grupo econômico, caracterizandose, destarte, transação entre partes relacionadas, nos termos do CPC 05, em sua primeira versão revisada (R1). No caso concreto, os ágios registrados em 2005 e 2006 têm, destarte, natureza interna, sendo, portanto, ágios internos, que não se prestam à amortização e sequer devem ser considerados ativos, conforme dispõe os itens 48 a 49 do CPC 04 (R1), verbis: Ágio derivado da expectativa de rentabilidade futura (goodwill) gerado internamente Fl. 2111DF CARF MF Processo nº 15540.720378/201405 Acórdão n.º 2402006.571 S2C4T2 Fl. 126 26 48. O ágio derivado da expectativa de rentabilidade futura (goodwill) gerado internamente não deve ser reconhecido como ativo. (grifei) 49. Em alguns casos incorrese em gastos para gerar benefícios econômicos futuros, mas que não resultam na criação de ativo intangível que se enquadre nos critérios de reconhecimento estabelecidos no presente Pronunciamento. Esses gastos costumam ser descritos como contribuições para o ágio derivado da expectativa de rentabilidade futura (goodwill) gerado internamente, o qual não é reconhecido como ativo porque não é um recurso identificável (ou seja, não é separável nem advém de direitos contratuais ou outros direitos legais) controlado pela entidade que pode ser mensurado com confiabilidade ao custo.(grifei) Nesse sentido, é de se ressaltar o teor da Resolução do Conselho Federal de Contabilidade (CFC) n. 1.110/2007 que aprovou a NBC T 19.10 Redução ao Valor Recuperável de Ativos, aplicável aos exercícios encerrados a partir do mês de Dezembro/2008, em seu item 120, verbis: “120. O reconhecimento de ágio decorrente de rentabilidade futura gerado internamente (goodwill interno) é vedado pelas normas nacionais e internacionais. Assim, qualquer ágio dessa natureza anteriormente registrado precisa ser baixado”. (grifei) Por oportuno, destaco, também, o posicionamento da Comissão de Valores Mobiliários, por meio do OfícioCircular CVM/SNC/SEP n.1/2007, no item 20.1.7, ao tratar do ágio interno, verbis: 20.1.7 “Ágio” gerado em operações internas A CVM tem observado que determinadas operações de reestruturação societária de grupos econômicos (incorporação de empresas ou incorporação de ações) resultam na geração artificial de “ágio”. Uma das formas que essas operações vêm sendo realizadas, iniciase com a avaliação econômica dos investimentos em controladas ou coligadas e, ato contínuo, utilizarse do resultado constante do laudo oriundo desse processo como referência para subscrever o capital numa nova empresa. Essas operações podem, ainda, serem seguidas de uma incorporação. Outra forma observada de realizar tal operação é a incorporação de ações a valor de mercado de empresa pertencente ao mesmo grupo econômico. Em nosso entendimento, ainda que essas operações atendam integralmente os requisitos societários, do ponto de vista econômicocontábil é preciso esclarecer que o ágio surge, única e exclusivamente, quando o preço (custo) pago pela aquisição ou subscrição de um investimento a ser avaliado pelo método da equivalência patrimonial, supera o valor patrimonial desse investimento. E mais, preço ou custo de aquisição somente surge quando há o dispêndio para se obter algo de terceiros. Assim, não há, do ponto de vista econômico, geração de riqueza decorrente de transação consigo mesmo. Qualquer argumento que não se Fl. 2112DF CARF MF Processo nº 15540.720378/201405 Acórdão n.º 2402006.571 S2C4T2 Fl. 127 27 fundamente nessas assertivas econômicas configura sofisma formal e, portanto, inadmissível. (grifei) Não é concebível, econômica e contabilmente, o reconhecimento de acréscimo de riqueza em decorrência de uma transação dos acionistas com eles próprios. Ainda que, do ponto de vista formal, os atos societários tenham atendido à legislação aplicável (não se questiona aqui esse aspecto), do ponto de vista econômico, o registro de ágio, em transações como essas, somente seria concebível se realizada entre partes independentes, conhecedoras do negócio, livres de pressões ou outros interesses que não a essência da transação, condições essas denominadas na literatura internacional como “arm’s length”. Portanto, é nosso entendimento que essas transações não se revestem de substância econômica e da indispensável independência entre as partes, para que seja passível de registro, mensuração e evidenciação pela contabilidade. (grifei) Por sua vez, a jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) é firme no sentido de não admitir a dedutibilidade da amortização de ágio surgido em operações internas ao grupo econômico (ágio interno), nem mesmo com o uso de empresas veículos, conforme decisões abrigadas nos Acórdãos n. 1101000.968; n. 1101000.969; n. 1402001.337; n. 1402001.338; n. 1402001.404; n. 1302001.183; n. 1101000.936; n. 1101000.913; n. 1103000.960; n. 1301001.350; n. 1202000.954; n. 1402001.460; n. 1302001.108; e nos Acórdãos n. 9101002.388; n. 9101002.389; n. 9101 002.390 e n. 9101002391, estes últimos da lavra da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF). Aliás, a Recorrente demonstra ter plena consciência da impossibilidade da dedutibilidade da amortização do ágio interno, conforme os termos do item 9 da peça recursal de efls. 1829/1851, a seguir destacado: 9. Os ágios gerados, apesar de adequadamente pautados em laudos técnicos e em conformidade com as normas contábeis vigentes até 31.12.2007, são resultado de operações entre empresas do mesmo grupo – o chamado ágio interno. Por isso, a Recorrente não adotou qualquer medida para aproveitar a dedutibilidade da amortização destes ágios para fins fiscais. (grifei) Nesse contexto, convém ressaltar que, a despeito de a lide em apreço não abranger a discussão sobre dedutibilidade da amortização de ágio gerado em operações internas ao grupo econômico, o denominado ágio interno, a abordagem em tela visa à consolidação da linha de raciocínio do presente voto no sentido de alicerçar o entendimento do não reconhecimento do ágio interno como ativo, não apenas para fins fiscais, mas também para fins contábeis, vez que são idênticos em seu substrato econômico. Ao tratar desse tema, a i. Conselheira Adriana Gomes Rêgo, da 1ª. Turma da CSRF, ao pronunciarse nos votos abrigados nos Acórdãos n. 9101002.388; n. 9101002.389; n. 9101002.390 e n. 9101002391, esclarece: "Por oportuno, também considero equivocado o entendimento de quem concebe que existe um ágio fiscal e um ágio contábil, ou que a legislação societária permitiu algo diferente da contabilidade nesse aspecto. [...] Fl. 2113DF CARF MF Processo nº 15540.720378/201405 Acórdão n.º 2402006.571 S2C4T2 Fl. 128 28 Portanto, o ágio a que se refere a legislação fiscal é exatamente o mesmo tratado pela legislação societária, possuindo conteúdo puramente econômico/contábil."(grifei) Por sua vez, na peça recursal de efls. 1829/1851, a Recorrente prossegue com a sua irresignação em face do lançamento de efls. 05/09 alegando que nos anos de 2005 e 2006 inexistia vedação ao reconhecimento do ágio ou deságio interno e que, até 31/12/2007, esses ágios e deságios deveriam obrigatoriamente ser registrados na sua contabilidade, bem assim os lançamentos referentes à amortização dos saldos ativos de ágio. No tocante a essa suposta lacuna da legislação anterior à Medida Provisória n. 627/2013 (convertida na Lei n. 12.973/2014), a i. Conselheira Adriana Gomes Rêgo, da 1ª. Turma da CSRF, nos Acórdãos n. 9101002.388; n. 9101002.389; n. 9101002.390 e n. 9101 002391, elucida: Por conseguinte, não se pode afirmar agora, como suscitado da sessão passada, que o ágio interno só deixou de ser dedutível a partir da Lei nº 12.973, de 2014, ou melhor, da MP nº 627, de 2013, da qual referida lei resultou por conversão. Na verdade, a nova lei, ao dispor expressamente assim, nada mais fez do que esclarecer que, por óbvio, ágio pressupõe sobrepreço pago por partes independentes, ou seja, a indedutibilidade do ágio interno para fins fiscais decorre do fato de ele não ser aceito sequer contabilmente. (grifei) Com efeito, na época do registro dos ágios/deságios em apreço 2005 e 2006 , encontravase em vigor o art. 25 do DecretoLei n. 1.598/1977 com a redação dada pelo DecretoLei n. 1.730/1979, verbis: Art. 25. As contrapartidas da amortização do ágio ou deságio de que trata o artigo 20 não serão computadas na determinação do lucro real, ressalvado o disposto no art. 33. (Redação dada pelo Decretolei n° 1.730, 1979) (grifei) O dispositivo legal acima viria a ter nova redação apenas em 2014, com o advento da Lei n. 12.973/2014, que, apenas o atualizou à nova sistemática do art. 20, que ela mesma instituiu. Ou seja, antes mesmo do advento da Medida Provisória n. 449/2008, convertida na Lei n. 11.941/2009, que passou a considerar, para fins tributários, os métodos e critérios contábeis vigentes em 31/12/2007, já existia comando legal específico contrário ao reconhecimento do ágio ou deságio na determinação do lucro real. Da mesma forma, a leitura sistêmica do CPC 15 Combinação de Negócios com o Princípio Contábil da Essência sobre a Forma, referendam a vedação ao benefício fiscal da amortização do ágio interno. O CPC 15 Combinação de Negócios assim estabelece: Objetivo 1. O objetivo deste Pronunciamento é aprimorar a relevância, a confiabilidade e a comparabilidade das informações que a entidade fornece em suas demonstrações contábeis acerca de combinação de negócios e sobre seus efeitos. Para esse fim, Fl. 2114DF CARF MF Processo nº 15540.720378/201405 Acórdão n.º 2402006.571 S2C4T2 Fl. 129 29 este Pronunciamento estabelece princípios e exigências da forma como o adquirente: (a) reconhece e mensura, em suas demonstrações contábeis, os ativos identificáveis adquiridos, os passivos assumidos e as participações societárias de não controladores na adquirida; (b) reconhece e mensura o ágio por expectativa de rentabilidade futura (goodwill adquirido) advindo da combinação de negócios ou o ganho proveniente de compra vantajosa;e (c) determina quais as informações que devem ser divulgadas para possibilitar que os usuários das demonstrações contábeis avaliem a natureza e os efeitos financeiros da combinação de negócios. ........................................................................................................ Combinação de negócios de entidades sob controle comum – aplicação do item 2(c) B1. Este Pronunciamento não se aplica a combinação de negócios de entidades ou negócios sob controle comum. A combinação de negócios envolvendo entidades ou negócios sob controle comum é uma combinação de negócios em que todas as entidades ou negócios da combinação são controlados pela mesma parte ou partes, antes e depois da combinação de negócios, e esse controle não é transitório. B2. Um grupo de indivíduos deve ser considerado como controlador de uma entidade quando, pelo resultado de acordo contratual, eles coletivamente têm o poder para governar suas políticas financeiras e operacionais de forma a obter os benefícios de suas atividades. Portanto, uma combinação de negócios está fora do alcance deste Pronunciamento quando o mesmo grupo de indivíduos tem, pelo resultado de acordo contratual, o poder coletivo final para governar as políticas financeiras e operacionais de cada uma das entidades da combinação de forma a obter os benefícios de suas atividades, e esse poder coletivo final não é transitório. Por sua vez, o Princípio Contábil da Essência sobre a Forma propõe valorizar a essência de cada operação ao invés do que está formalizado em contratos e documentos fiscais. A operação entre empresas do mesmo grupo econômico sem qualquer propósito negocial não corresponde a uma operação de mercado, sendo inconsistente o raciocínio de que para o cumprimento da norma tributária bastaria a observância das formalidades do negócio jurídico. A norma tributária incide sobre a aquisição de investimento não se limitando a uma forma jurídica, incidindo, destarte, sobre a operação econômica subjacente ao negócio jurídico. É dizer: a vedação ao ágio interno já podia ser extraída da legislação anterior, não havendo que se falar de "descoberta de erro", vez que a amortização do ágio, na forma como procedida, decorreu de ato volitivo da Recorrente, quando de interpretação equivocada da legislação vigente já à época dos fatos. Destarte, não procede a alegação da Recorrente quanto à lacuna de legislação nos anos de 2005 e 2006 no sentido de vedar o reconhecimento do ágio ou deságio interno e que, até 31/12/2007, esses ágios e deságios deveriam obrigatoriamente ser registrados na contabilidade, bem assim os lançamentos referentes à amortização dos saldos ativos de ágio. Fl. 2115DF CARF MF Processo nº 15540.720378/201405 Acórdão n.º 2402006.571 S2C4T2 Fl. 130 30 Por consequência, e em efeito dominó, cai por terra o argumento da Recorrente no sentido de ocorrência de mudança de critério contábil quando da convergência das normas brasileiras de contabilidade com as normas internacionais, nos termos da Medida Provisória n. 449/2008, convertida na Lei n. 11.941/2009 Regime Tributário de Transição (RTT), e prejudicados estão os procedimentos adotados com fulcro naquele argumento. Outrossim, o ajuste de exercícios anteriores realizado pela Recorrente observando o procedimento estabelecido no art. 186, § 1°., da Lei n. 6.404/76, com fulcro em mudança de critério contábil, resta da mesma forma prejudicado. Com efeito, o suposto erro que a Recorrente busca enquadrar como ajuste anterior fundamentase, exatamente, na baixa e amortização de ágio interno, que, conforme sobejamente esclarecido nos parágrafos anteriores, sequer deve ser aceito contabilmente. Na perspectiva do entendimento esposado no presente voto, a demonstração do fundamento do ágio por expectativa futura (goodwill) é despicienda, uma vez presente tratarse de ágio interno. É dizer: a indicação do fundamento econômico quando do lançamento do ágio ou deságio, prevista no art. 20, § 2°, do DecretoLei n. 1.598/1977, abaixo reproduzido, não se aplica ao ágio interno, pelas razões já apresentadas acima. Desdobramento do Custo de Aquisição Art 20 O contribuinte que avaliar investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor de patrimônio líquido deverá, por ocasião da aquisição da participação, desdobrar o custo de aquisição em: I valor de patrimônio líquido na época da aquisição, determinado de acordo com o disposto no artigo 21; e II ágio ou deságio na aquisição, que será a diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor de que trata o número I. § 1º O valor de patrimônio líquido e o ágio ou deságio serão registrados em subcontas distintas do custo de aquisição do investimento. § 2º O lançamento do ágio ou deságio deverá indicar, dentre os seguintes, seu fundamento econômico: a) valor de mercado de bens do ativo da coligada ou controlada superior ou inferior ao custo registrado na sua contabilidade; b) valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros; c) fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas. (grifei) § 3º O lançamento com os fundamentos de que tratam as letras a e b do § 2º deverá ser baseado em demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante da escrituração. Conforme já relatado, a Recorrente reconhece erro cometido quando da publicação das demonstrações financeiras consolidadas do ano de 2008, verbis: Fl. 2116DF CARF MF Processo nº 15540.720378/201405 Acórdão n.º 2402006.571 S2C4T2 Fl. 131 31 35. Em que pese a necessidade do ajuste mencionado no item III.2, a Recorrente cometeu os seguintes equívocos ao publicar as suas demonstrações financeiras consolidadas de 2008: (i) Deixou registrado em seu ativo o ágio gerado internamente, acumulado até 31.12.2007, que representava o montante líquido (de deságios e de amortizações) de R$ 477.644 mil. (ii) Registrou, como ágio interno no ano de 2008, o montante complementar de R$ 65.250 mil, relativo ao seu investimento nas companhias Centrais Elétricas Cachoeira Dourada S.A. (“CDSA”) e Companhia de Interconexão Energética S.A. (“CIEN”); e (iii) Formalizou contra resultado a amortização do saldo de ágio, no total de R$ 134.311 mil. 36. Por isso, em 31.12.2008 o balanço patrimonial da Enel continha dois erros: (i) a manutenção de saldo de ágio que deveria ter isso baixado em 01.01.2008 e que não deveria ter sido constituído após tal data; e (ii) a redução do resultado do exercício de 2008 pelas amortizações do saldo de ágios realizadas durante esse período. A correção do referido erro só viria a acontecer quando das demonstrações contábeis do ano de 2009, tendo sido observado o procedimento estabelecido no art. 186, § 1°., da Lei n. 6.404/76, qual seja, mediante ajuste de exercícios anteriores. No caso concreto, resta evidenciado que tratase de retificação de erro imputável a determinado exercício anterior, vez que inexistente mudança de critério contábil, consoante já amplamente esclarecido acima. A Recorrente procedeu, destarte, a baixa do ágio interno indevidamente contabilizado em contrapartida de conta patrimonial, no caso, Lucros ou Prejuízos Acumulados, afastando, com esse procedimento, qualquer repercussão no resultado do ano de 2009, ano em que se formalizou o ajuste. Nesse sentido, assim relata a Recorrente: 40. Assim, em 2009, a Recorrente realizou os seguintes ajustes de exercícios anteriores: (i) Baixa do saldo líquido de ágio, no montante de R$ 542.894 mil (i.e. R$ 477.644 mil, acumulado até 31.12.2007, mais R$ 65.250 mil, registrado equivocadamente em 2008, decorrente do investimos na CDSA e CIEN), em contrapartida a um débito na conta de lucros e prejuízos acumulados, com efeito retroativo ao balanço de abertura de 01.01.2008, quando ocorreu a mudança de critério contábil que deu origem à necessidade do ajuste; e (ii) Reversão da amortização do ágio contabilizada ao longo do ano de 2008, no montante de R$ 134.311 mil, em contrapartida a um crédito na conta de lucros e prejuízos acumulados, com efeito retroativo ao final do períodobase de 2008. É evidente que esse ajuste, diferente do anterior, não poderia retroagir ao balanço de abertura de 2008, pois, como a amortização indevida ocorreu ao longo desse ano, afetou seu resultado, devendo a reversão retroagir ao final do exercício. Fl. 2117DF CARF MF Processo nº 15540.720378/201405 Acórdão n.º 2402006.571 S2C4T2 Fl. 132 32 Alcançase, neste ponto, o cerne do litígio em apreço: Esse procedimento está correto? Era a única alternativa legal que poderia ter sido utilizada pela Recorrente? Esse procedimento está em conformidade com a legislação contábil e societária? Pois bem. De plano, cabe destacar que não se aplica, ao caso concreto, as regras estabelecidas no CPC 13 Adoção Inicial da Lei n. 11.638/07 e da Medida Provisória n. 449/2008 aprovado em 05/12/2008 , um dos pilares no qual a Recorrente ancora a sua argumentação, tendo em vista que o ajuste promovido pela Recorrente não se refere à mudança de critério contábil. O CPC 13, já na sua introdução, estabelece que: Introdução 1. A entidade deve aplicar o presente Pronunciamento caso suas primeiras demonstrações contábeis, elaboradas de acordo com as novas práticas contábeis adotadas no Brasil, com atendimento integral da Lei no 11.638/07 e Medida Provisória nº 449/08, se refiram a um período ou a um exercício social iniciado a partir de 1º de janeiro de 2008. (grifei) 2. Este Pronunciamento se aplica quando da adoção inicial da Lei no 11.638/07 e Medida Provisória nº 449/08 por uma entidade que deve afirmar, explicitamente e sem ressalvas, o cumprimento integral da referida Lei por meio de declaração na nota explicativa que descreve a apresentação das demonstrações e/ou a seleção das práticas contábeis. 3. As exigências de ajustes trazidos pela Lei nº 11.638/07 e Medida Provisória nº 449/08 não se enquadram como mudança de circunstâncias, estimativas ou evento econômico subseqüente, pois decorrem de processo normativo em direção às Normas Internacionais de Contabilidade. Assim, este Pronunciamento considera que os ajustes devem ser contabilizados de acordo com as disposições contábeis aplicáveis à mudança de critério (ou prática) contábil. A esse respeito, o § 1º do art. 186 da Lei nº 6.404/76 determina que os correspondentes ajustes iniciais devem ser contabilizados na conta de lucros ou prejuízos acumulados. A norma sobre “Práticas Contábeis, Mudanças nas Estimativas Contábeis e Correção de Erros” requer que, além de discriminar os efeitos da adoção da nova prática contábil na conta de lucros ou prejuízos acumulados, a entidade deve demonstrar o balanço de abertura para cada conta ou grupo de contas relativo ao período mais antigo apresentado para fins de comparação, bem como os demais valores comparativos apresentados, como se a nova prática contábil estivesse sempre em uso. Todavia, para fins da aplicação inicial da Lei nº. 11.638/07 e Medida Provisória nº 449/08, este Pronunciamento desobriga as entidades quanto à aplicação dessa norma, ou seja, ao aplicar a Lei pela primeira vez, as entidades são requeridas apenas a aplicar o § 1º. do art. 186 acima referido. (grifei) Conforme já reiterado, no caso concreto, o ajuste de exercícios anteriores efetuado não se caracteriza por mudança de critério contábil, como pretende a Recorrente, enquadrandose, todavia, em retificação de erro imputável a determinado exercício anterior, bem assim mudança de estimativa contábil, no contexto do CPC 23 Políticas Contábeis, Mudança de Estimativa e Retificação de Erro, aprovado em 26/09/2009. Fl. 2118DF CARF MF Processo nº 15540.720378/201405 Acórdão n.º 2402006.571 S2C4T2 Fl. 133 33 É de interesse, no caso concreto, os itens 41 a 49 (Retificação de Erro) e 50 a 53 (Impraticabilidade da Aplicação e da Reapresentação Retropectivas), todos do CPC 23. Conforme relatado nos autos, a Recorrente efetuou ajuste de exercícios anteriores referente à baixa de ágio interno registrado nos anos de 2005 e 2006, cujo saldo foi mantido no balanço patrimonial do ano de 2008, com a consequente redução do resultado do retrocitado exercício pelas amortizações do saldo de ágios realizadas durante o período, caracterizando erro que foi constatado no ano de 2009. O erro acima caracterizado é passível de retificação, conforme previsão do CPC 23 (itens 41 a 49), devendose observar, entretanto, o disposto nos itens 50 a 53. Na forma do CPC 23 definese erro de períodos anteriores as omissões e incorreções nas demonstrações contábeis da entidade de um ou mais períodos anteriores decorrentes da falta de uso, ou uso incorreto de informação confiável que i) estava disponível quando da autorização para divulgação das demonstrações contábeis desses períodos; e ii) pudesse ter sido razoavelmente obtida e levada em consideração na elaboração e na apresentação dessas demonstrações contábeis. Em regra, erro de período anterior deve ser corrigido por reapresentação retrospectiva, salvo quando for impraticável determinar os efeitos específicos do período ou o efeito cumulativo do erro, a teor do item 43 do CPC 23. Todavia, segundo o item 44 do CPC 23, quando for impraticável determinar os efeitos de erro em um período específico na informação comparativa para um ou mais períodos anteriores apresentados, a entidade deve retificar os saldos de abertura de ativos, passivos e patrimônio líquido para o período mais antigo para o qual seja praticável a reapresentação retrospectiva (que pode ser o período corrente). No caso concreto, o período corrente é o da suposta descoberta do erro, ou seja ano de 2009. O item 45 do CPC 23 informa que quando for impraticável determinar o efeito cumulativo, no início do período corrente, de erro em todos os períodos anteriores, a entidade deve retificar a informação comparativa para corrigir o erro prospectivamente a partir da data mais antiga praticável. (grifei) Não obstante que a retificação de erro de período anterior deve ser excluída dos resultados do período em que o erro é descoberto, vez que qualquer informação apresentada sobre períodos anteriores, incluindo qualquer resumo histórico de dados financeiros, deve ser retificada para períodos tão antigos quanto for praticável (item 46 do CPC 23), impõese observar as exceções previstas nos itens 47 e 50 a 53, todos do CPC 23. Com efeito, quando for impraticável determinar o montante do erro para todos os períodos anteriores, a entidade, de acordo com o item 45, retifica a informação comparativa prospectivamente a partir da data mais antiga praticável. Dessa forma, ignorará a parcela da retificação cumulativa de ativos, passivos e patrimônio líquido relativa a períodos anteriores à data em que a retificação do erro foi praticável, consoante o item 47 do CPC 23. Com relação à impraticabilidade da aplicação e da reapresentação retrospectivas, assim se posiciona o CPC 23 nos itens 50 a 53: 50. Em algumas circunstâncias, tornase impraticável ajustar informações de um ou mais períodos anteriores apresentados para fins de comparação com o período corrente. Por exemplo, podem não ter sido reunidas informações necessárias em Fl. 2119DF CARF MF Processo nº 15540.720378/201405 Acórdão n.º 2402006.571 S2C4T2 Fl. 134 34 período anterior, de tal forma que não seja possível a aplicação retrospectiva de nova política contábil (incluindo, para a finalidade dos itens 51 a 53, a sua aplicação a períodos anteriores) ou a reapresentação retrospectiva para retificação de erro atribuído a determinado período anterior, podendo ser impraticável recriar essa informação. (grifei) 51. É comum a adoção de estimativas para a aplicação de uma política contábil a elementos reconhecidos nas demonstrações contábeis ou divulgados em relação a operações, eventos ou condições. As estimativas são, por natureza, subjetivas e podem ser desenvolvidas após a data do balanço, mas, à medida que o tempo transcorre, o desenvolvimento dessas estimativas contábeis relacionadas a transações ou eventos ocorridos em períodos anteriores passa a ser potencialmente mais difícil, principalmente ao se considerar que as estimativas contábeis devem refletir as condições existentes à época. Entretanto, o objetivo das estimativas relacionadas a períodos anteriores deve ser igual ao das estimativas desenvolvidas no período corrente, qual seja refletir as circunstâncias presentes na ocasião da transação, de outro evento ou de outra circunstância. 52. Por isso, aplicar, retrospectivamente, nova política contábil ou corrigir erro de período anterior exige que se identifique a informação que: (a) fornece evidência das circunstâncias que existiam à época em que a transação, outro evento ou condição ocorreu, e que estavam presentes e disponíveis quando as demonstrações contábeis relativas àquele período anterior foram elaboradas; e (b) teria estado disponível quando as demonstrações contábeis desse período anterior foram autorizadas para divulgação. Para alguns tipos de estimativas (por exemplo, a mensuração do valor justo que utiliza dados significativos não observáveis), é impraticável distinguir esses tipos de informação. Caso a aplicação retrospectiva ou a reapresentação retrospectiva exigir que se faça uma estimativa significativa para a qual seja impossível distinguir esses dois tipos de informação, é impraticável aplicar a nova política contábil ou retificar o erro de período anterior retrospectivamente. (Alterada pela Revisão CPC 03. (grifei) 53. Não se deve usar percepção posterior ao aplicar nova política contábil ou ao corrigir erros atribuíveis a período anterior, nem para fazer suposições sobre quais teriam sido as intenções da administração em período anterior, nem para estimar os valores reconhecidos, mensurados ou divulgados em períodos anteriores. Por exemplo, quando a entidade corrige erro de período anterior ao calcular o seu passivo relativo ao afastamento por doença dos empregados, de acordo com o CPC 33 – Benefícios a Empregados, deve ignorar informação acerca de temporada atípica de viroses durante o período seguinte, que se tornou disponível depois que as demonstrações contábeis do período anterior tenham sido autorizadas à divulgação. O fato de estimativas significativas serem frequentemente exigidas, quando se retifica informação comparativa apresentada para períodos anteriores, não impede o ajuste ou a correção confiável da informação comparativa. (Alterado pela Revisão CPC 12) (grifei) Na peça recursal de efls. 1829/1851, a Recorrente afirma expressamente que o fundamento econômico do ágio interno, objeto do ajuste de exercícios anteriores em apreço, é exatamente o ágio decorrente de rentabilidade futura gerado internamente (goodwill interno), verbis: Fl. 2120DF CARF MF Processo nº 15540.720378/201405 Acórdão n.º 2402006.571 S2C4T2 Fl. 135 35 45. Vejamos a combinação das informações prestadas: a transação que deu origem ao ágio foi uma realocação de ativos feita pelos acionistas da Recorrente (afirmativa “ii”). Quando dessa realocação, foram transferidas à Enel participações societárias mediante integralização de capital em bens. A diferença entre (a) o valor em dólares americanos atribuído a essas participações quando da integralização e (b) o valor patrimonial das mesmas, foi registrado como ágio ou deságio pela Recorrente (afirmativa “ii”). Tal diferença entre o valor patrimonial e o valor atribuído teve como fundamento a previsão de resultados futuros, relativos a contratos de concessão detidos pelas investidas (afirmativa “iii”). (grifei) 46. Portanto, ao contrário do que foi “destacado pela fiscalização” e reiterado pela Autoridade Julgadora, restou explicado o fundamento do ágio em expectativa de rentabilidade futura, sem qualquer contradição. (grifei) Não obstante, respaldou a referida amortização em face da conta patrimonial Lucros e Prejuízos Acumulados com base em procedimento previsto para o método de avaliação patrimonial, conforme reiterado em diversos momentos do Recurso Voluntário de e fl. 1829/1851, alicerçando o procedimento nos termos da consulta formalizada junto ao eminente Professor Eliseu Martins, consoante carta de efls. 2019/2030 e parecer de efls. 2062/2086. Sobre a matéria, assim lecionam Eliseu Martins, Ernesto Rubens Gelbcke, Ariovaldo dos Santos e Sérgio de Iudícibus (Manual de Contabilidade Societária, FIPECAFI, São Paulo: Atlas, 3ª. edição, 2018, p. 196): A Lei das Sociedades por Ações determina que se contabilize diretamente na conta de Lucros Acumulados, sem transitar pela Demonstração do Resultado do exercício, os Ajustes de Exercícios Anteriores decorrentes de efeitos da mudança de critério contábil, ou da retificação de erro imputável a determinado exercício anterior, e que não possam ser atribuídos a fatos subsequentes. (grifei) Novamente, pelo disposto no CPC 18 (item 10), somente a parte do investidor nos lucros ou prejuízos gerados pela coligada é que devem ser reconhecidos no lucro ou prejuízo do período do investidor. Adicionalmente, o referido pronunciamento dispõe que a parte do investidor nas mutações de patrimônio líquido, outras que não pelo resultado do período, sejam reconhecidas de forma reflexa, ou seja, diretamente no patrimônio líquido do investidor. Portanto, se a coligada (ou controlada) efetuar um ajuste dessa natureza, aumentando ou reduzindo seu patrimônio, o ajuste proporcional na conta de Investimentos da investidora, por esse acréscimo ou diminuição, será lançado de forma reflexa em Lucros Acumulados. Ocorre que a amortização do ágio por expectativa de rentabilidade futura (goodwill) submetese a critério distinto do previsto para o método de equivalência patrimonial objeto do CPC 18 (R2) – Investimento em Coligada, em Controlada e em Empreendimento Controlado em Conjunto) e pressupõe a apuração de maisvalia de ativos líquidos, a estimativa de valor justo dos ativos líquidos da coligada/controlada e teste de impairment, que, devido à característica de utilizarem dados significativos não observáveis de plano, em virtude da dinâmica mesma da sua mensuração, podem não ter sido reunidas informações necessárias em Fl. 2121DF CARF MF Processo nº 15540.720378/201405 Acórdão n.º 2402006.571 S2C4T2 Fl. 136 36 período anterior, de tal forma que não seja possível a retificação do erro retrospectivamente, conforme elucida os itens 50 e 52 do CPC 23, acima transcritos. Com relação à amortização do ágio por expectativa de rentabilidade futura (goodwill), esclarecem Eliseu Martins, Ernesto Rubens Gelbcke, Ariovaldo dos Santos e Sérgio de Iudícibus (Manual de Contabilidade Societária, FIPECAFI, São Paulo: Atlas, 3ª. edição, 2018, p. 217): A partir da adoção de normas contábeis brasileiras convergentes com as normas internacionais, o ágio por expectativa de rentabilidade futura – goodwill – não pode mais ser amortizado, devendo simplesmente permanecer como subconta dos investimentos em coligadas ou controladas (inclusive controladas em conjunto) até a baixa do investimento por perda do controle ou da influência, como quando da alienação total ou parcial do investimento, ou ainda pelo reconhecimento de perdas por impairment. Vale lembrar que, na perspectiva das demonstrações individuais do investidor, o que está sujeito ao teste de recuperabilidade é o investimento como um todo (no caso das coligadas e controladas em conjunto) e não o valor específico do goodwill (apesar de que, em havendo perdas, a subconta do goodwill é que será primeiramente baixada). Já no caso de goodwill por investimento em controlada, ele também não é mais amortizado, mas o teste de impairment é feito de maneira isolada, sobre ele especificamente. Para isso consultar o capítulo sobre Recuperabilidade de Ativos. Lembrar que o goodwill, nos balanços individuais da controladora, também é apresentado dentro de Investimentos, e não no Ativo Intangível. Afinal, o goodwill é da investida, da controlada, e não da controladora. Para esta, tratase de um investimento. A subdivisão na sua conta de Investimentos é tão somente para controle interno. Por evidente, os procedimentos de amortização supra descritos limitamse a operações entre partes independentes, vez que, conforme já informado, não se aplica ao goodwill interno, que sequer deve ser reconhecido contabilmente. Em havendo sido indevidamente reconhecido em exercícios anteriores, não resta outra alternativa que não a de lançar nas contas de resultado do exercício em que se constatou o equívoco, exatamente como procedeu a Fiscalização da RFB, tendo em vista que a ao goodwill interno não se aplica os procedimentos cabíveis ao método de avaliação patrimonial, nem muito menos aqueles previstos para o ágio por expectativa de rentabilidade futura (goodwill) apurado em operações de mercado, entre partes independentes. Em decorrência do ajuste de exercícios anteriores efetuados pela Recorrente, consubstanciado na aplicação de procedimentos inerentes ao método de equivalência patrimonial quando deveria ser pelo fundamento econômico de ágio por expectativa de rentabilidade futura (goodwill), conforme já exposto , ocorreu significativa repercussão na apuração do resultado dos exercícios 2008, 2009 e 2010, conforme minuciosa descrição anotada no Relatório Fiscal (efls. 10/63), na peça impugnatória (efls. 1465/1769), na decisão recorrida (efls. 1774/1820), bem assim no Recurso Voluntário (efls. 1829/1851). Assim, a Fiscalização da RFB constatou pagamentos de dividendos em valores excedentes aos lucros acumulados na ordem de R$ 546.259.094,53 a partir da utilização indevida de recursos da reserva legal e da reserva de capital, infringindo as Fl. 2122DF CARF MF Processo nº 15540.720378/201405 Acórdão n.º 2402006.571 S2C4T2 Fl. 137 37 disposições previstas nos arts. 186, 189, 193, 200 e 201 da Lei n 6.404/76, apurandose, ao fim e ao cabo, o crédito tributário em litígio, vez que os retrocitados dividendos excedentes não encontram abrigo no que dispõe o art. 10 da Lei n. 9.249/95 e estão sujeitos ao imposto de renda na fonte nos termos dos arts. 682 e ss. do Decreto n. 3.000/99 (RIR/99). No tocante à não tributação de transferências de capital, suscitada pela Recorrente como pedido alternativo, não há como prevalecer por absoluta ausência de previsão legal, conforme bem esclarecido na decisão recorrida, verbis: Por fim, quanto à não tributação do dividendo pago, com fundamento que o caso trataria de uma transferência de capital do próprio acionista e não de renda, o argumento não merece prosperar, posto que a utilização das reservas (de lucro e capital) tem sua utilização restrita àquelas hipóteses prevista na Lei das S. A., de modo que, ao serem devidamente recompostas em razão da utilização indevida, os dividendos pagos além do lucro disponíveis devem sofrer a incidência do IRRF. Por fim, é oportuno destacar que em sede de memorial complementar apresentado quando da sustentação oral, a Recorrente, além de reforçar os questionamentos já consignados no Recurso Voluntário (efls. 1829/1851), também alega que o presente voto traz inovação quanto às razões da autuação no presente voto. Ocorre que os argumentos que lastreiam tal alegação (inovação em relação à autuação) dizem respeito a conclusões às quais este Relator, com fulcro nos elementos produzidos pela autoridade lançadora, bem assim pela Recorrente, consignados nos autos, em face da legislação fiscal e contábil fartamente colacionada neste voto. Com efeito, a conclusão de existência de erro imputável a determinado exercício anterior é decorrência da simples leitura, sem muito esforço cognitivo, do CPC 23 Políticas Contábeis, Mudança de Estimativa e Retificação de Erro, aprovado em 26/09/2009, vez que resta caracterizado nos autos, bem assim neste voto, que não houve mudança de critério contábil, como pretende a Recorrente, consoante os termos do CPC 13 e o art. 25 do DecretoLei n. 1.598/1977. Da mesma forma, a impraticabilidade da aplicação e da reapresentação retrospectivas, defendida pela Recorrente, é texto literal do CPC 23 itens 50 a 53. De se observar que a aplicabilidade dos referidos dispositivos do CPC 23 à presente lide é pormenorizadamente esclarecida no parágrafo pertinente deste voto, inclusive com respaldo nos elementos de prova consignados nos autos, bem assim na própria peça recursal (efls. 1829/1851). Outrossim, causa espécie a afirmação da Recorrente no memorial complementar apresentado em sustentação oral de que o real fundamento do auto de infração em litígio é o cabimento ou não do teste de impairment, tema sequer abordado no Recurso Voluntário (efls. 1829/1851), tendo em vista que a gênese do presente litígio reside na incidência do IRRF sobre a parcela dos lucros ou dividendos distribuídos aos sócios no valor excedente ao montante dos lucros apurados e registrados em demonstrativo contábil, com amparo em mudança de critério contábil e na retrospectividade de ajustes de erro imputado a exercícios anteriores em virtude de baixa de ágio decorrente de rentabilidade futura gerado internamente (goodwill interno). Fl. 2123DF CARF MF Processo nº 15540.720378/201405 Acórdão n.º 2402006.571 S2C4T2 Fl. 138 38 Concluise assim que as razões apresentadas no memorial complementar apresentado pela Recorrente quando da sustentação oral, além de improcedentes vez que este voto limitase estritamente às matérias enfrentadas pela Recorrente no Recurso Voluntário (e fls. 1829/1851) conflitam, na sua essência mesma, com o direito deste Relator de firmar as suas próprias convicções com espeque nos elementos de prova e nos documentos consignados nos autos em cotejo com as alegações trazidas na peça recursal, à luz da legislação contábil/fiscal pertinente, inclusive os pronunciamentos técnicos, as orientações e interpretações emitidos pelo Comitê de Pronunciamentos Contábeis (CPC). Nessa perspectiva, resta procedente o lançamento consignado no Auto de Infração IRRF (efls. 05/09), sem qualquer reparo às conclusões da decisão recorrida. Ante o exposto, voto por CONHECER do Recurso Voluntário (efls. 1829/1851) e NEGARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Fl. 2124DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.662129/2012-43
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Sep 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 29 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2007
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL E PROCESSO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO.
A propositura, pelo contribuinte, de ação judicial com o mesmo objeto do processo administrativo fiscal, implica renúncia à discussão da matéria na via administrativa.
Numero da decisão: 1201-002.524
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201809
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2007 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL E PROCESSO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. A propositura, pelo contribuinte, de ação judicial com o mesmo objeto do processo administrativo fiscal, implica renúncia à discussão da matéria na via administrativa.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Oct 29 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10880.662129/2012-43
anomes_publicacao_s : 201810
conteudo_id_s : 5920608
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Oct 30 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1201-002.524
nome_arquivo_s : Decisao_10880662129201243.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
nome_arquivo_pdf_s : 10880662129201243_5920608.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado
dt_sessao_tdt : Fri Sep 21 00:00:00 UTC 2018
id : 7482714
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:29:55 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050870639230976
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1365; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C2T1 Fl. 2 1 1 S1C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.662129/201243 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 1201002.524 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 21 de setembro de 2018 Matéria COMPENSAÇÃO Recorrente PS MED ASSISTENCIA MEDICA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2007 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL E PROCESSO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. A propositura, pelo contribuinte, de ação judicial com o mesmo objeto do processo administrativo fiscal, implica renúncia à discussão da matéria na via administrativa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 66 21 29 /2 01 2- 43 Fl. 217DF CARF MF Processo nº 10880.662129/201243 Acórdão n.º 1201002.524 S1C2T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de processo administrativo decorrente de Pedido de Restituição eletrônico PER/DCOMP, transmitido pelo contribuinte a fim de compensar pretenso saldo credor de CSLL referente ao 3º trimestre/2007. Por meio do despacho decisório de fls., o pedido foi indeferido, sob a alegação de que o DARF informado como origem do crédito já teria sido integralmente utilizado para quitar outro débito declarado. O contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade. Alega, em síntese: (i) que o crédito é legítimo, uma vez que, por exercer atividade consistente na prestação de serviço hospitalar, faria jus ao direito de aplicação do percentual de presunção do lucro de 12% para CSLL, e não de 32%, como equivocadamente considerou nas suas apurações; e (ii) que retificou as declarações (DIPJ e DCTF), ainda que em momento posterior ao despacho decisório. A DRJ, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, por entender que o contribuinte não faria jus ao enquadramento do percentual de presunção de 12%. Cientificada da decisão de piso, a empresa interpôs recurso voluntário por meio do qual reitera as razões de defesa, bem como alega que possui decisão judicial que reconheceu o direito de aplicar o percentual de 12%, e não 32%. É o relatório. Fl. 218DF CARF MF Processo nº 10880.662129/201243 Acórdão n.º 1201002.524 S1C2T1 Fl. 4 3 Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa Relatora O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1201002.511, de 21/09/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10880.662116/2012 74, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1201002.511): Conforme visto no tópico do relatório, o presente litígio diz respeito ao enquadramento ou não do objeto social da Recorrente no conceito de serviços hospitalares. Assim, caso seja verificado que a empresa presta serviço hospitalar, cabível o reconhecimento do direito creditório. Caso contrário, ou seja, uma vez verificado que a atividade desenvolvida é outra, correto o indeferimento do pedido de restituição. Nesse contexto, e por mais esforços que a autoridade fiscal responsável pelo lançamento e a decisão da DRJ tenham empreendido no sentido de afastar o enquadramento da atividade da empresa enquanto serviço hospitalar, o fato é que a Recorrente ajuizou ação judicial que tem por objeto justamente o reconhecimento do direito de se valer do referido percentual de 8% às suas atividades. De fato, o contribuinte possui sentença que deu provimento à ação judicial por ele ajuizada e, inclusive, já transitou em julgado o reconhecimento do direito de se valer do percentual de 8% para fins de lucro presumido. Abaixo copio o quadro do movimento do processo disponibilizado eletronicamente e transcrevo o resumo da demanda, respectivamente: PROCESSO 002259987.2013.4.03.6100 MOVIMENTAÇÃO PROCESSUAL Todas as Movimentações Seq Data Descrição 40 23/01/2015 ARQUIVAMENTO DOS AUTOS Receb.Guia: 542/2014 (7a. Vara) Pac.: 610007000412 39 05/12/2014 BAIXA DEFINITIVA ARQUIVO conf. Guia n.542/2014 (7a. Vara) Fl. 219DF CARF MF Processo nº 10880.662129/201243 Acórdão n.º 1201002.524 S1C2T1 Fl. 5 4 38 28/11/2014 DECURSO DE PRAZO Nome da Parte: AUTORA Complemento Livre: DESPACHO DE FLS. 91 37 30/10/2014 DISPONIBILIZACAO D. ELETRONICO DE DESPACHO/DECISAO ,PAG. 39/41 36 08/10/2014 REMESSA PARA PUBLICACAO DE DESPACHO/DECISAO 35 08/10/2014 RECEBIMENTO DO JUIZ C/ DESPACHO/DECISAO 34 06/10/2014 AUTOS COM (CONCLUSAO) JUIZ PARA DESPACHO/DECISAO 33 06/10/2014 TRANSITO EM JULGADO Data do Último Prazo: 23/09/2014 Complemento Livre: PARA PARTES 32 27/08/2014 RECEBIMENTO DA FAZENDA NACIONAL 31 27/08/2014 RECEBIMENTO NA SECRETARIA 30 18/08/2014 REMESSA EXTERNA PROCURADORIA DA FAZENDA NACIONAL VISTA 29 12/08/2014 DECURSO DE PRAZO Nome da Parte: AUTORA Complemento Livre: 28 16/07/2014 DISPONIBILIZACAO D. ELETRONICO DE SENTENCA ,PAG. 35/55 27 02/07/2014 REMESSA PARA PUBLICACAO DE SENTENCA Tratase de ação ordinária, com pedido de tutela antecipada, em que postula a autora a inexigibilidade do percentual de presunção de 32% na aplicação do Imposto de Renda sobre a Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido pelo regime de apuração do lucro presumido às atividades hospitalares, reconhecendose como corretos os percentuais de 8% e 12%, respectivamente.Alega que, por se tratar de pessoa jurídica prestadora de serviços médicos de pronto socorro junto ao Hospital São Luiz Unidade Itaim, atendendo em média 7.600 pacientes por mês, tem direito ao recolhimento dos tributos pelas alíquotas menores asseguradas aos prestadores de serviços hospitalares.Sustenta que a Receita Federal vinha reconhecendo às clínicas médicas o enquadramento tributário na qualidade de prestadores de serviços hospitalares, entendimento que foi alterado após a edição do Ato Declaratório Interpretativo 19/2007 e da Instrução Normativa RFB n 791/2007, com as alterações da IN n 1234/2012, que restringiram a possibilidade de enquadramento da grande maioria das clínicas na tributação presumida da renda sob os percentuais minorados.Entende que a Receita Federal não poderia criar um novo conceito de serviços hospitalares dissociado do Direito Privado, o que determina sejam afastados os atos impugnados. Como se nota, a discussão que foi travada no processo judicial direito à aplicação do percentual de 8% para fins de IRPJ no lucro presumido tem o mesmo objeto do que se postula no recurso voluntário ora interposto. Fl. 220DF CARF MF Processo nº 10880.662129/201243 Acórdão n.º 1201002.524 S1C2T1 Fl. 6 5 Nesses casos, cabível a aplicação da Súmula CARF nº 1, que assim dispõe: importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Em razão, então, da concomitância apontada, NÃO CONHEÇO do RECURSO VOLUNTÁRIO. É como voto. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por não conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Fl. 221DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10936.000503/2011-49
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/12/2010 a 31/12/2010
DACON. ENTREGA INTEMPESTIVA. MULTA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE
A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Aplicação da Súmula CARF 49.
Recurso Voluntário Improcedente
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 3402-005.517
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz de Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais de Laurentiis Galkowicz, Rodrigo Mineiro Fernandes, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado), Waldir Navarro Bezerra (Presidente).
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201807
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/12/2010 a 31/12/2010 DACON. ENTREGA INTEMPESTIVA. MULTA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Aplicação da Súmula CARF 49. Recurso Voluntário Improcedente Crédito Tributário Mantido
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Sep 17 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10936.000503/2011-49
anomes_publicacao_s : 201809
conteudo_id_s : 5904525
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Sep 17 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3402-005.517
nome_arquivo_s : Decisao_10936000503201149.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : WALDIR NAVARRO BEZERRA
nome_arquivo_pdf_s : 10936000503201149_5904525.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz de Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais de Laurentiis Galkowicz, Rodrigo Mineiro Fernandes, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado), Waldir Navarro Bezerra (Presidente).
dt_sessao_tdt : Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
id : 7430061
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:26:49 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050870642376704
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1264; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 2 1 1 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10936.000503/201149 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3402005.517 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 26 de julho de 2018 Matéria Multa DACON Recorrente IDEIA PUBLICIDADE E PROPAGANDA SC LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/12/2010 a 31/12/2010 DACON. ENTREGA INTEMPESTIVA. MULTA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Aplicação da Súmula CARF 49. Recurso Voluntário Improcedente Crédito Tributário Mantido Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz de Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais de Laurentiis Galkowicz, Rodrigo Mineiro Fernandes, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado), Waldir Navarro Bezerra (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 6. 00 05 03 /2 01 1- 49 Fl. 30DF CARF MF Processo nº 10936.000503/201149 Acórdão n.º 3402005.517 S3C4T2 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de auto de infração para exigência de multa por atraso na entrega do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (DACON). Cientificada do lançamento, o sujeito passivo apresentou impugnação, alegando que apresentou a DACON de forma espontânea, o que excluiria a penalidade nos termos do artigo 138 do CTN. Por meio do acórdão nº 06038.690, o Colegiado a quo julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. Regularmente cientificado, o contribuinte tempestivamente apresentou seu Recurso Voluntário, repisando a alegação de sua impugnação pela exclusão da penalidade nos termos do artigo 138 do CTN (denúncia espontânea). O processo foi encaminhado a este Conselho para julgamento e posteriormente distribuído a este Relator. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra , Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402005.503, de 26 de julho de 2018, proferido no julgamento do processo 10840.002032/201091, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402005.503): "O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido. A questão trazida a este colegiado cingese à aplicação da denúncia espontânea, prevista no artigo 138 do CTN, em caso de entrega intempestiva de obrigação acessória (DACON), mas antes de qualquer ato de ofício da autoridade fiscal. Tratase de aplicação direta da Súmula CARF nº 49: Fl. 31DF CARF MF Processo nº 10936.000503/201149 Acórdão n.º 3402005.517 S3C4T2 Fl. 4 3 “A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração.” As Súmulas do CARF são de observância obrigatória pelos membros do colegiado, conforme disposto no artigo 72 do RICARF. Recentemente, por meio da Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, foi atribuído a determinadas súmulas do CARF, dentre as quais se encontra a Súmula 49, efeito vinculante em relação à administração tributária federal. Dessa forma, a matéria se encontra pacificada em sentido contrário àquele defendido pela recorrente, não restando qualquer análise a ser feita neste julgamento. Ante o exposto, nego provimento ao recurso voluntário do sujeito passivo, pela aplicação da Súmula CARF 49. É como voto." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (assinado com certificado digital) Waldir Navarro Bezerra Fl. 32DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10073.721894/2015-60
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Oct 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. RETENÇÃO DE 11%.
A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mão-de-obra previstos na legislação é obrigada a reter 11% (onze por cento) do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, e a recolher o valor retido à Previdência Social.
AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Não há que se falar em nulidade do lançamento quando emitido por autoridade competente e observados os requisitos constitucionais, legais e, em especial, o quanto previsto na legislação que rege o processo administrativo-fiscal.
CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
O Relatório Fiscal e os anexos do Auto de Infração oferecem as condições necessárias para que o contribuinte conheça o procedimento fiscal e apresente a sua defesa ao lançamento.
MULTA DE OFÍCIO. APLICAÇÃO DE VALOR PREVISTO EM LEGISLAÇÃO.
Sobre as contribuições sociais pagas com atraso a partir da competência 12/2008 incide a multa de ofício prevista no art. 35-A da Lei nº 8.212/91, combinado com o art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430/96.
JUROS. TAXA SELIC.
A aplicação dos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, nos créditos constituídos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, é vinculada à previsão legal, não podendo ser excluída do lançamento.
ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE. INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA.
No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação, ou deixar de observar lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, cujo reconhecimento encontra-se na esfera de competência do Poder Judiciário.
PRODUÇÃO DE PROVAS. INDEFERIMENTO.
A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, salvo se fundamentado nas hipóteses expressamente previstas.
PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Considerar-se-á não formulado o pedido de perícia quando a empresa não apresentar os motivos que a justifique, a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, o nome, endereço e a qualificação profissional de seu perito.
Numero da decisão: 2301-005.450
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, não conhecer das alegações de inconstitucionalidade de lei, para, na parte conhecida, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
João Bellini Junior - Presidente
(assinado digitalmente)
Alexandre Evaristo Pinto - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Evaristo Pinto, Wesley Rocha, Antônio Sávio Nastureles, João Mauricio Vital e João Bellini Júnior (Presidente).
Ausentes os conselheiros: Juliana Marteli Fais Feriato e Marcelo Freitas de Souza Costa.
Nome do relator: ALEXANDRE EVARISTO PINTO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201807
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. RETENÇÃO DE 11%. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mão-de-obra previstos na legislação é obrigada a reter 11% (onze por cento) do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, e a recolher o valor retido à Previdência Social. AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não há que se falar em nulidade do lançamento quando emitido por autoridade competente e observados os requisitos constitucionais, legais e, em especial, o quanto previsto na legislação que rege o processo administrativo-fiscal. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. O Relatório Fiscal e os anexos do Auto de Infração oferecem as condições necessárias para que o contribuinte conheça o procedimento fiscal e apresente a sua defesa ao lançamento. MULTA DE OFÍCIO. APLICAÇÃO DE VALOR PREVISTO EM LEGISLAÇÃO. Sobre as contribuições sociais pagas com atraso a partir da competência 12/2008 incide a multa de ofício prevista no art. 35-A da Lei nº 8.212/91, combinado com o art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430/96. JUROS. TAXA SELIC. A aplicação dos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, nos créditos constituídos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, é vinculada à previsão legal, não podendo ser excluída do lançamento. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE. INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação, ou deixar de observar lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, cujo reconhecimento encontra-se na esfera de competência do Poder Judiciário. PRODUÇÃO DE PROVAS. INDEFERIMENTO. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, salvo se fundamentado nas hipóteses expressamente previstas. PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Considerar-se-á não formulado o pedido de perícia quando a empresa não apresentar os motivos que a justifique, a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, o nome, endereço e a qualificação profissional de seu perito.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Oct 05 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10073.721894/2015-60
anomes_publicacao_s : 201810
conteudo_id_s : 5913509
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Oct 08 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 2301-005.450
nome_arquivo_s : Decisao_10073721894201560.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : ALEXANDRE EVARISTO PINTO
nome_arquivo_pdf_s : 10073721894201560_5913509.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, não conhecer das alegações de inconstitucionalidade de lei, para, na parte conhecida, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) João Bellini Junior - Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Evaristo Pinto, Wesley Rocha, Antônio Sávio Nastureles, João Mauricio Vital e João Bellini Júnior (Presidente). Ausentes os conselheiros: Juliana Marteli Fais Feriato e Marcelo Freitas de Souza Costa.
dt_sessao_tdt : Thu Jul 05 00:00:00 UTC 2018
id : 7443873
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:28:23 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050870670688256
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1878; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 2 1 1 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10073.721894/201560 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2301005.450 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 06 de julho de 2018 Matéria Contribuições Sociais Previdenciárias Recorrente BR METALS FUNDICOES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. RETENÇÃO DE 11%. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mãode obra previstos na legislação é obrigada a reter 11% (onze por cento) do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, e a recolher o valor retido à Previdência Social. AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não há que se falar em nulidade do lançamento quando emitido por autoridade competente e observados os requisitos constitucionais, legais e, em especial, o quanto previsto na legislação que rege o processo administrativofiscal. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. O Relatório Fiscal e os anexos do Auto de Infração oferecem as condições necessárias para que o contribuinte conheça o procedimento fiscal e apresente a sua defesa ao lançamento. MULTA DE OFÍCIO. APLICAÇÃO DE VALOR PREVISTO EM LEGISLAÇÃO. Sobre as contribuições sociais pagas com atraso a partir da competência 12/2008 incide a multa de ofício prevista no art. 35A da Lei nº 8.212/91, combinado com o art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430/96. JUROS. TAXA SELIC. A aplicação dos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, nos créditos constituídos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, é vinculada à previsão legal, não podendo ser excluída do lançamento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 3. 72 18 94 /2 01 5- 60 Fl. 933DF CARF MF 2 ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE. INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação, ou deixar de observar lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, cujo reconhecimento encontrase na esfera de competência do Poder Judiciário. PRODUÇÃO DE PROVAS. INDEFERIMENTO. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, salvo se fundamentado nas hipóteses expressamente previstas. PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Considerarseá não formulado o pedido de perícia quando a empresa não apresentar os motivos que a justifique, a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, o nome, endereço e a qualificação profissional de seu perito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, não conhecer das alegações de inconstitucionalidade de lei, para, na parte conhecida, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) João Bellini Junior Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Evaristo Pinto, Wesley Rocha, Antônio Sávio Nastureles, João Mauricio Vital e João Bellini Júnior (Presidente). Ausentes os conselheiros: Juliana Marteli Fais Feriato e Marcelo Freitas de Souza Costa. Relatório Tratase do AI – Auto de Infração Debcad nº 51.082.5869, lavrado em 04/11/2015, de contribuições destinadas à Seguridade Social, correspondentes à retenção de onze por cento incidentes sobre o total da fatura ou nota fiscal de prestação de serviços, abrangendo o período de 01/2011 a 12/2012, no montante de R$ 2.324.444,65 (dois milhões, Fl. 934DF CARF MF Processo nº 10073.721894/201560 Acórdão n.º 2301005.450 S2C3T1 Fl. 3 3 trezentos e vinte e quatro mil, quatrocentos e quarenta e quatro reais e sessenta e cinco centavos), consolidado em 04/11/2015 O Relatório Fiscal, fls. 24/31, informa, em síntese, que: Introdução No decorrer da presente auditoria, o contribuinte fora intimado a apresentar, dentre outros, os seguintes documentos: Contratos de prestação de serviços como tomador, respectivas Notas Fiscais e GPS. Descrição dos procedimentos adotados no curso da ação fiscal A operação fiscal foi deflagrada mediante emissão do Termo de Início de Procedimento Fiscal TIPF, em 27 de novembro de 2014, cuja ciência foi efetivada, por meio postal "AR JG641310374BR", em 01 de dezembro de 2014. Ato contínuo, foram lavrados os seguintes Termos: Termo de Continuidade 01 em 13/01/2015, e Termos de Intimação Fiscal nº 01 a nº 06, em 09/02/2015, 03/03/2015, 31/04/2015, 29/04/2015, 09/06/2015 e 28/07/2015. Foi lavrado o Termo de Constatação Fiscal n° 01 (TCF 01), com o intuito de atender ao devido processo legal, permitindo a clara compreensão por parte do sujeito passivo, para que o mesmo pudesse exercer o direito ao contraditório e à ampla defesa, previamente à lavratura do presente Auto de Infração. A ciência postal (AR JH885653550BR) se deu em 10 de julho 2015. Em virtude das alegações declinadas na resposta ao TCF 01, com o intuito de atender ao devido processo legal, permitindo a clara compreensão por parte do sujeito passivo, para que o mesmo pudesse exercer o direito ao contraditório e à ampla defesa, previamente à lavratura do presente Auto de Infração, lavramos o Termo de Constatação Fiscal n° 02 (TCF 02). A ciência postal (AR JH885729678BR) se deu em 28 de agosto 2015. Por fim, considerando as alegações declinadas na resposta ao TCF 02, com o intuito de atender ao devido processo legal, permitindo a clara compreensão por parte do sujeito passivo, para que o mesmo pudesse exercer o direito ao contraditório e à ampla defesa, previamente à lavratura do presente Auto de Infração, lavramos o Termo de Constatação Fiscal n° 03 (TCF 03). A ciência postal (AR JH885797718BR) se deu em 02 de outubro 2015. Decorrido o prazo estabelecido, sem manifestação por parte do sujeito passivo, e em virtude dos fatos relatados nos itens supervenientes, lavrase o presente Relatório Fiscal, o qual, acompanhado de seus anexos, é parte integrante do Auto de Infração Debcad nº 51.082.5869. Da apuração dos fatos Falta de recolhimento do montante retido de 11% sobre o valor da NF de prestador de serviço (COMO TOMADOR) Fl. 935DF CARF MF 4 O contratante de quaisquer serviços executados mediante cessão de mãode obra, elencados no art. 219 do Decreto nº 3.048/1999, responde pela retenção de 11% sobre os valores pagos às empresas contratadas e pelo repasse à Seguridade Social, a título de antecipação de recolhimento das contribuições das empresas contratadas. A retenção de 11% sobre o total da fatura ou nota fiscal de prestação de serviços, mediante empreitada ou cessão de mãodeobra, consiste em antecipação de recolhimento, realizada pelo tomador em nome do prestador. Em virtude da presunção de recolhimento, o tomador assume o ônus caso não efetue a retenção conforme consta no art. 31 c/c §5° do art. 33, da Lei nº 8.212/91. O Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99 regulamenta o tema, e traz o rol taxativo dos serviços que se sujeitam à retenção de onze por cento. (art. 219, §§ 1º, 2º, 3º e 4º). Portanto, ocorrendo uma das hipóteses previstas no Regulamento acima, surge a obrigação acessória da retenção, e quando descumprida, convertese em obrigação principal, nos termos do art. 113, §§ 2º e 3º do CTN. Não obstante, quando devidamente intimado a apresentar as Guias de Recolhimento (GPS) referente a retenção de 11 % sobre o valor das Notas Fiscais de prestação de serviço, dos anos calendário 2011 e 2012, selecionadas por esta fiscalização, o contribuinte logrou êxito apenas em parte. Outrossim, através da auditoria da escrita contábil, constatase que os valores lançados na conta "20301002 FORNECEDOR SERVIÇOS", conforme dados extraídos do Livro Razão (em anexo), coincidem com os valores "líquidos" das Notas Fiscais, ou seja, após efetuada as devidas deduções e/ou retenções. Portanto, é inequívoca a ocorrência de apropriação indébita previdenciária, visto que o contribuinte reteve (obrigação acessória) valores a título de contribuição previdenciária, sem, entretanto, recolhêlos aos cofres da União. Desta forma, os valores destacados nos documentos fiscais e não recolhidos (Anexos I a IV), convertemse em obrigação principal e foram objeto de lançamento na presente ação fiscal. Dos fatos geradores e respectivas bases de cálculo Diante do exposto, a fiscalização lavrou o Auto de Infração concernente aos fatos geradores, e respectivas bases de cálculo: não recolhimento dos valores retidos de 11% sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços (como tomador) – Levantamentos R1. R2. R3 e R4. Da apuração dos débitos Em consequência de todo o exposto, apuramos débitos, neste procedimento fiscal, objeto do presente Auto de Infração, correspondentes às seguintes contribuições arrecadadas pela Receita Federal do Brasil, e não recolhidas na sua totalidade, pelo contribuinte: Fl. 936DF CARF MF Processo nº 10073.721894/201560 Acórdão n.º 2301005.450 S2C3T1 Fl. 4 5 não recolhimento do montante retido a título de 11% sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestadores de serviços Considerações finais A situação acima descrita, em tese, configura a prática de Crime de Apropriação Indébita Previdenciária, previsto no art. 168A do Código Penal. Em decorrência, tais fatos serão objeto de Representação Fiscal para Fins Penais, com comunicação à autoridade competente para as providências que julgar necessárias, através do processo n° 10073.721.895/201512. Em virtude de já constar um processo de Arrolamento de Bens e Direitos, sob o n° 10073.721923/201411, e não haver mais bens disponíveis para arrolamento, houve apenas atualização de dados no sistema Conprovi. Os lançamentos efetuados encontramse amparados nos dispositivos legais citados neste Relatório, bem como na legislação constante do Anexo "FLD Fundamentos Legais do Débito", que é parte integrante deste processo. As bases de cálculo, respectivas contribuições devidas e alíquotas aplicadas encontramse discriminadas, mensalmente, no Anexo: "DD Discriminativo do Débito" deste processo. Os procedimentos atinentes à regularização do débito junto à Receita Federal do Brasil encontramse discriminados no Relatório "Instrução para o Contribuinte IPC", que é parte integrante deste processo. O presente lançamento é oriundo da análise dos seguintes documentos no decorrer da Auditoria: Mandado de Procedimento Fiscal MPF; Termo de Início do Procedimento Fiscal TIPF; Termos de Continuidade de Procedimento Fiscal; Termos de Intimação Fiscal; Termos de Constatação Fiscal; Informações constantes nas GFIP e GPS; Informações constantes em DIRF; Contratos de prestação de serviço (como tomador); Notas Fiscais de prestação de serviço (como tomador) e respectivas GPS; DA IMPUGNAÇÃO O contribuinte foi cientificado da autuação por via postal em 06/11/2015, e apresentou impugnação tempestiva em 07/12/2015, alegando, em síntese, que: Fl. 937DF CARF MF 6 Dos fatos Apresenta uma síntese da autuação e alega que apesar do esforço empregado pela autoridade fiscal para conferir validade ao lançamento, há que se reconhecer que o mesmo não merece subsistir, conquanto não encontra guarida no sistema jurídico vigente. Da preliminar 1. Do vício intrínseco ao ato administrativo de lançamento tributário Constituem direitos fundamentais previstos na Constituição Federal que ninguém seja obrigado a fazer ou a deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei (artigo 5°, inciso II), que a todos seja assegurado o direito de petição aos Poderes Públicos, independentemente do pagamento de taxas (art. 5° XXXIV, "a" e "b"'), o direito de petição aos Poderes Públicos em defesa de direito contra a ilegalidade ou abuso de poder, obtenção de certidões em repartições públicas, para a defesa de direitos e esclarecimento de situações de interesse pessoal; sendo garantido também o direito de propriedade (artigo 5°, inciso LIV). Mais adiante, no artigo 37, a Constituição diz que: "A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência". De tudo isso se pode concluir que os atos administrativos devem ser transparentes. Devem ser claros e precisos, de forma que o administrado possa entender o que está se passando. Possa saber se e quando o seu direito está sendo violado. Mas não é o que está a ocorrer no presente caso, eis que o contribuinte encontra dificuldade para montar a defesa de seus direitos. Transcreve o art. 142 do CTN e afirma que, sendo o lançamento um ato jurídico administrativo, cabe ao Administrador Público, ao constituir o crédito tributário, ou mesmo imputar as penalidades cabíveis, fazêlo de modo que fiquem demonstrados os fatos que ensejaram o ato administrativo. Se o Agente Público não respeitar esta regra não terá acabado a sua obra, invalidando o seu ato. Desta feita, deveria o fiscal ter demonstrado cabalmente todas as circunstâncias fáticas que o levaram a entender que no caso em tela houve a retenção de valores de prestadores de serviços (11% cessão de mão de obra) sem o devido recolhimento ao fisco. No caso concreto, a forma como a Autoridade Administrativa realizou o ato jurídico administrativo do lançamento, não demonstrou a ocorrência dos fatos narrados acima, somente se limitou a apontar valores. Concluindo, o presente lançamento tributário não pode subsistir por desrespeito a regras basilares do ato jurídico administrativo, devendo ser anulado em sua totalidade. Do direito 1. Da multa de ofício aplicada – ofensa aos princípios da proporcionalidade, razoabilidade e não confisco Fl. 938DF CARF MF Processo nº 10073.721894/201560 Acórdão n.º 2301005.450 S2C3T1 Fl. 5 7 A multa de ofício de 75% do valor do débito não é compatível com o sistema jurídico, pois absolutamente contrária aos princípios da proporcionalidade, da razoabilidade e do não confisco. Discorre sobre os princípios constitucionais citados, apresentando doutrina e jurisprudência. Por fim, conclui que a multa deve ser reduzida, pois contrária aos limites constitucionais e legais, devendo ser considerado indevido o valor lançado e ser reduzido o percentual aplicado. 2. Da taxa SELIC Com a publicação da Lei n° 9.065/95, os débitos tributários federais passaram a ser corrigidos pela taxa SELIC, conforme artigo 13 do referido diploma legal. Ocorre que, em que pese a legislação determinar a aplicação da taxa SELIC aos débitos tributários, não há previsão legal do que seja essa taxa. A lei apenas manda aplicá la, sem indicar nenhum percentual, delegando indevidamente seu cálculo a ato governamental, que segue as naturais oscilações do mercado financeiro. Frisese que o vício não se dá pela ausência de lei normatizando administrativamente o SELIC Sistema Especial de Liquidação e Custódia, mas pela inexistência de lei instituindo, definindo e dizendo como deve ser calculada a Taxa SELIC. Ainda, interpretandose o art. 161, § 1° do Código Tributário Nacional, chegamos a conclusão de que é permitido à lei ordinária somente fixar o percentual de juros em patamar igual ou inferior ao estabelecido no CTN, que é de 1% (um por cento) ao mês. Além disso, não se pode desprezar o artigo 193, § 3° da Constituição Federal, a ditar que a taxa de juros reais não pode ser superior a 12% (doze por cento) ao ano. De tudo o que foi exposto, concluise que se a Constituição veda o aumento de tributos sem lei prévia, e, ao mesmo tempo, prevê que a taxa de juros reais não pode ultrapassar 12% ao ano, mesmo percentual constante no CTN para a mora incidente sobre os débitos tributários, é evidente que a SELIC só pode ser aplicada caso haja lei prévia determinando, e, desde que não ultrapasse 1% ao mês, do contrário haveria patente violação ao sistema jurídico. Em face do que foi exposto, requer o afastamento da taxa SELIC como juros de mora nos meses em que o índice ultrapassar o percentual de 1% (um por cento) ao mês. O Acórdão n. 1676.130 a DRJ (fls. 888ss) julgou a impugnação improcedente e recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. RETENÇÃO DE 11%. Fl. 939DF CARF MF 8 A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mãode obra previstos na legislação é obrigada a reter 11% (onze por cento) do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, e a recolher o valor retido à Previdência Social. AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não há que se falar em nulidade do lançamento quando emitido por autoridade competente e observados os requisitos constitucionais, legais e, em especial, o quanto previsto na legislação que rege o processo administrativofiscal. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. O Relatório Fiscal e os anexos do Auto de Infração oferecem as condições necessárias para que o contribuinte conheça o procedimento fiscal e apresente a sua defesa ao lançamento. MULTA DE OFÍCIO. APLICAÇÃO DE VALOR PREVISTO EM LEGISLAÇÃO. Sobre as contribuições sociais pagas com atraso a partir da competência 12/2008 incide a multa de ofício prevista no art. 35A da Lei nº 8.212/91, combinado com o art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430/96. JUROS. TAXA SELIC. A aplicação dos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, nos créditos constituídos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, é vinculada à previsão legal, não podendo ser excluída do lançamento. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE. INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação, ou deixar de observar lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, cujo reconhecimento encontrase na esfera de competência do Poder Judiciário. PRODUÇÃO DE PROVAS. INDEFERIMENTO. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, salvo se fundamentado nas hipóteses expressamente previstas. PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Considerarseá não formulado o pedido de perícia quando a empresa não apresentar os motivos que a justifique, a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, o nome, endereço e a qualificação profissional de seu perito. A ora Recorrente interpôs Recurso Voluntário (fls. 912 e ss) alegando: (i) vício intrínseco ao ato administrativo de lançamento tributário, uma vez que não teriam ficadas Fl. 940DF CARF MF Processo nº 10073.721894/201560 Acórdão n.º 2301005.450 S2C3T1 Fl. 6 9 claras todas as circunstâncias fáticas que levaram ao agravamento da multa; (ii) da ofensa aos princípios da proporcionalidade, razoabilidade e não confisco da multa de ofício aplicada; e (iii) inaplicabilidade da taxa Selic para os juros. É o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Evaristo Pinto O recurso é tempestivo, no entanto, no Recurso Voluntário há alegação de que a multa aplicada ofendeu os princípios da proporcionalidade, razoabilidade e não confisco. Nos termos da Súmula CARF nº 2, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Diante do exposto, conheço em parte do recurso voluntário, não conhecendo das alegações de inconstitucionalidade. Da Questão do Vício Intrínseco do Lançamento Em preliminar, sustenta a Impugnante a nulidade do lançamento fiscal, em face de desrespeito a regras basilares do ato jurídico administrativo. Observese, no entanto, que o Auto de Infração encontrase revestido das formalidades legais, tendo sido lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto, consoante ao disposto no art. 2º da Lei nº 11.457/07, artigo 37 da Lei nº 8.212/91, e art. 243 do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, observados os requisitos constitucionais e o disposto no art. 142 do CTN. Cabe destacar o disposto no Decreto nº 70.235/72, que rege o processo administrativo de determinação e exigência dos créditos tributários da União: Art 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I A qualificação do autuado; II O local, a data e a hora da lavratura; III A descrição do fato; IV A disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V A determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugná la no prazo de trinta dias; Fl. 941DF CARF MF 10 VI A assinatura do atuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. (...) Além disso, estabelece o artigo 142 do Código Tributário Nacional que: Art. 142 – Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo o caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Da leitura dos dispositivos legais anteriormente transcritos, depreendese que não cabem os questionamentos do sujeito passivo acerca da validade do procedimento fiscal. Não há nele qualquer vício que comprometa a validade do lançamento. O ato administrativo consubstanciado no Auto de Infração possui motivo legal, tendo sido praticado em conformidade ao legalmente estipulado, e estando os seus fundamentos legais discriminados no anexo “FLD – Fundamentos Legais do Débito”, onde consta toda a legislação que embasa o lançamento, por rubrica e por competência. Possui, também, motivo de fato, tendo havido, pela fiscalização, a verificação concreta da situação fática para a qual a lei previu o cabimento do ato. O Relatório Fiscal e anexos possibilitam a compreensão da origem das exigências lançadas, pois houve, no caso, a discriminação clara e precisa: dos fatos geradores (contratação de serviços prestados mediante cessão de mãodeobra, previstos no art. 219 do RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, sujeitos à retenção de 11%), das contribuições devidas (contribuições sociais devidas à Seguridade Social correspondentes à retenção de 11% sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços); e dos períodos a que se referem (01/2011 a 12/2012), propiciando assim o pleno exercício do direito do contraditório e da ampla defesa, constitucionalmente assegurado aos litigantes em processo administrativo. É de se registrar, a propósito, que não procede a afirmação do contribuinte de que o Auditor Fiscal somente apontou valores, deixando de demonstrar cabalmente todas as circunstâncias fáticas que o levaram a entender que no caso em tela houve a retenção de valores de prestadores de serviços (11%) sem o devido recolhimento das contribuições previdenciárias devidas. De início, importante ressaltar que o lançamento fiscal pautouse em documentos apresentados pelo próprio contribuinte, tais como notas fiscais de prestação de serviços, contratos de prestação de serviços, Guias da Previdência Social – GPS e escrituração contábil. E o Relatório Fiscal esclarece que através da auditoria da escrita contábil apresentada pelo contribuinte, constatou que os valores lançados na conta "20301002 Fl. 942DF CARF MF Processo nº 10073.721894/201560 Acórdão n.º 2301005.450 S2C3T1 Fl. 7 11 FORNECEDOR SERVIÇOS", conforme dados extraídos do Livro Razão (cópias anexadas ao presente processo), coincidem com os valores líquidos das Notas Fiscais apresentadas, ou seja, após efetuadas as devidas deduções e/ou retenções, sendo que, quando devidamente intimado a apresentar as Guias de Recolhimento (GPS) referente a retenção de 11 % sobre o valor das Notas Fiscais de prestação de serviço, dos anos calendário 2011 e 2012, o contribuinte logrou êxito apenas em parte. Conforme visto, ficou devidamente demonstrado no Relatório Fiscal que o contribuinte efetuou a retenção de 11% a título de contribuição previdenciária incidente sobre as notas fiscais emitidas pelas prestadoras de serviços de cessão de mãodeobra por ele contratadas, sem, entretanto, efetuar o devido recolhimento das contribuições retidas à Seguridade Social. Ademais, o Auditor Fiscal elaborou as seguintes planilhas demonstrativas anexadas ao Relatório Fiscal, indicando a prestadora de serviços contratada, estabelecimento no qual foram prestados os serviços, competência, e o valor da retenção de 11% devida: Anexo I – Prestador: FIGO Administração e Serviços – 06.925.138/000188, Anexo II – Prestador Planeta Recursos Humanos Ltda. – 10.669.890/000182, Anexo III – Prestador GP – Guarda Patrimonial de São Paulo S/C Ltda. – 50.087.022/000702 e Anexo IV – Prestador: LARK S/A Máquinas e Equipamentos – 60.631.090/000140, podendo, assim, o contribuinte identificar claramente quais foram os valores de contribuição de retenção de onze por cento apurados pela fiscalização. Em vista disso, o lançamento do crédito tributário foi efetuado com observância do disposto na legislação vigente, e tendo o sujeito passivo apresentado sua impugnação, e não havendo no auto de infração quaisquer imperfeições capazes de viciar a exigência, não procede a arguição de nulidade. Da Questão dos Juros Selic O uso da Taxa Selic como taxa de juros não pode ser afastado, pois trata de matéria pacificada no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) por meio do enunciado da Súmula nº 4 (Portaria MF no 383, publicada no DOU de 14/07/2010), abaixo transcrito, de observância obrigatória, por força do art. 45, VI, do Regimento Interno do CARF1, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09/06/2015. Súmula CARF nº 4: A partir de 1o de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic para títulos federais. Ademais, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu com base na sistemática dos recursos repetitivos, que é legítima a aplicação da taxa SELIC aos débitos tributários, conforme ementa abaixo: 1 RICARF: Art. 45. Perderá o mandato o conselheiro que: ... VI deixar de observar enunciado de súmula ou de resolução do Pleno da CSRF, bem como o disposto no art. 62; Fl. 943DF CARF MF 12 PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL SUBMETIDO À SISTEMÁTICA PREVISTA NO ART. 543C DO CPC. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. NÃO OCORRÊNCIA.REPETIÇÃO DE INDÉBITO. JUROS DE MORA PELA TAXA SELIC. ART. 39, § 4º, DA LEI 9.250/95. PRECEDENTES DESTA CORTE. 1. Não viola o art. 535 do CPC, tampouco nega a prestação jurisdicional, o acórdão que adota fundamentação suficiente para decidir de modo integral a controvérsia. 2. Aplicase a taxa SELIC, a partir de 1º.1.1996, na atualização monetária do indébito tributário, não podendo ser cumulada, porém, com qualquer outro índice, seja de juros ou atualização monetária. 3. Se os pagamentos foram efetuados após 1º.1.1996, o termo inicial para a incidência do acréscimo será o do pagamento indevido; no entanto, havendo pagamentos indevidos anteriores à data de vigência da Lei 9.250/95, a incidência da taxa SELIC terá como termo a quo a data de vigência do diploma legal em tela, ou seja, janeiro de 1996. Esse entendimento prevaleceu na Primeira Seção desta Corte por ocasião do julgamento dos EREsps 291.257/SC, 399.497/SC e 425.709/SC. 4. Recurso especial parcialmente provido. Acórdão sujeito à sistemática prevista no art. 543C do CPC, c/c a Resolução 8/2008 Presidência/ STJ. (REsp 1111175 / SP, Relatora Ministra Denise Arruda, DJe. 01/07/2009) Conclusão Com base no exposto, voto por conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, não conhecendo das alegações de inconstitucionalidade de lei, e, na parte conhecida, negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto Relator Fl. 944DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13855.000667/2006-05
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jul 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Sep 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/2000 a 30/09/2000
EMBARGOS INOMINADOS. LAPSO MANIFESTO. ERROS DE ESCRITA.
Constatada o lapso manifesto, com erro quanto à identificação do período de apuração, cabe a correção da decisão embargada.
Embargos acolhidos
Numero da decisão: 3301-004.779
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos interpostos, para fins de retificar o período de apuração, no acórdão embargado, para o 4º trimestre de 2000.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS DA COSTA CAVALCANTI FILHO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201807
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/07/2000 a 30/09/2000 EMBARGOS INOMINADOS. LAPSO MANIFESTO. ERROS DE ESCRITA. Constatada o lapso manifesto, com erro quanto à identificação do período de apuração, cabe a correção da decisão embargada. Embargos acolhidos
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Sep 14 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 13855.000667/2006-05
anomes_publicacao_s : 201809
conteudo_id_s : 5903935
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Sep 14 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3301-004.779
nome_arquivo_s : Decisao_13855000667200605.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : ANTONIO CARLOS DA COSTA CAVALCANTI FILHO
nome_arquivo_pdf_s : 13855000667200605_5903935.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos interpostos, para fins de retificar o período de apuração, no acórdão embargado, para o 4º trimestre de 2000. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente (assinado digitalmente) Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
dt_sessao_tdt : Mon Jul 23 00:00:00 UTC 2018
id : 7428629
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:26:42 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050870675931136
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1421; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 257 1 256 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13855.000667/200605 Recurso nº Embargos Acórdão nº 3301004.779 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 23 de julho de 2018 Matéria Embargos inominados Embargante FAZENDA NACIONAL Interessado USINA ACUCAREIRA GUAIRA LIMITADA ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2000 a 30/09/2000 EMBARGOS INOMINADOS. LAPSO MANIFESTO. ERROS DE ESCRITA. Constatada o lapso manifesto, com erro quanto à identificação do período de apuração, cabe a correção da decisão embargada. Embargos acolhidos Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos interpostos, para fins de retificar o período de apuração, no acórdão embargado, para o 4º trimestre de 2000. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 5. 00 06 67 /2 00 6- 05 Fl. 257DF CARF MF 2 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório constante do despacho de admissibilidade de embargos de declaração respectivo: Tratase de Embargos de Declaração, tempestivos, opostos pela Fazenda Nacional, para retificar o acórdão nº 3301001.304, de 14/02/2012, que retificou o acórdão nº 380301.746, de 1º/06/2011, na parte relacionada ao período de apuração. A embargante assim se expressa quanto ao vício encontrado: A 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do CARF acolheu parcialmente os Embargos de Declaração apresentados pela contribuinte para retificar o Acórdão 380301.746 na parte relacionada ao período de apuração. No entanto, o exame do PER/DCOMP n° 12493.59592.200504.1.1.01 8615 (fls. 03/04) indica que o crédito presumido do IPI diz respeito ao 4º trimestre de 2000, e não ao 3º trimestre. Os embargos foram admitidos, entendendo o Presidente desta Turma, à época, haver lapso manifesto ou erro material no acórdão embargado. Foime distribuído o presente processo para relatar e pautar. É o relatório. Fl. 258DF CARF MF Processo nº 13855.000667/200605 Acórdão n.º 3301004.779 S3C3T1 Fl. 258 3 Voto Conselheiro Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Relator. Os referidos embargos são tempestivos e atendem aos demais pressupostos de admissibilidade, conforme o despacho que os admitiu. Entendo, no entanto, em recebêlos melhor como inominados, nos termos do art. 66 do Regimento Interno do CARF: Art. 66. As alegações de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão, provocados pelos legitimados para opor embargos, deverão ser recebidos como embargos inominados para correção, mediante a prolação de um novo acórdão. Verificase, dos autos, que: a) O processo é encabeçado pelo Pedido de Ressarcimento ou Restituição (PER/DCOMP) (fls 7 a 59) de número 12493.59592.200504.1.1.018615, referente ao “Trimestrecalendário: 4º Trimestre” do “Ano: 2000”, apresentando “Livro Registro de Apuração do IPI no Período do Ressarcimento” (fls 09 a 13), notas fiscais de exportação direta de julho e agosto de 2000 (fls 15 a 17) e “Livro Registro de Apuração do IPI após o Período do Ressarcimento” (fls 18 a 56), alcançando maio de 2004; b) Após documento em que a contribuinte notifica não poder atender a intimação da fiscalização, em vista de que “a escrituração contábil não está de acordo com o sistema de custo integrado, integrado, com (sic) foi declarado, em razão disto a empresa ira retificar as DCP e DCTF (s) onde fará apuração dos créditos presumidos de 2000 à 2003, sem custo integrado” (fl. 61), junta “RESUMO DO CRÉDITO PRESUMIDO”, com referência ao período do 3ª trimestre de 2000 ao 4º de 2003, fazendo referência a 11 PERD/COMPs, inclusive a de final 8615, esta, objeto do presente processo, que se refere ao 4º trimestre de 2000 (fl. 62); c) Informação fiscal (fl. 75 e seguintes), arrola os pedidos, com base no “RESUMO” acima mencionado: Fl. 259DF CARF MF 4 E assim conclui, referindose aos mesmos períodos: Tendo em vista que o contribuinte não apresentou a esta fiscalização um sistema fidedigno de custos coordenado e integrado com a escrituração comercial que permitisse, ao final de cada mês, a determinação das quantidades e dos valores de MP, de PI, de ME, de energia elétrica, combustíveis e de prestação de serviços relativos a industrialização por encomenda, durante os meses dos trimestres em que apurou crédito presumidos, mesmo, esta fiscalização ter concedido o prazo solicitado, PROPONHO o INDEFERIMENTO INTEGRAL dos valores dos créditos presumidos dos trimestres relacionados no quadro abaixo, apurados com custo integrado nas DCTF e DCP apresentados. d) Em manifestação de inconformidade (fl. 88), a contribuinte diz que "apresentou pleito em 20 de Maio de 2.004, através do sistema eletrônico PER/DCOMP, abrangendo o período correspondente ao TERCEIRO TRIMESTRE DE 2.000" (grifos do original). Errou ao se referir e esse período: o PER/DCOMP transmitido nesta data e o único juntado ao processo, juntado ao processo (o único até então), referese ao 4o trimestre de 2000, como apontado no item "a)" acima. e) Despacho Decisório (fl. 83), amparado na dita informação, indeferiu o “o pedido de ressarcimento de que trata o presente processo (PER/DCOMP nº: 12493.59592.200504.1.1.018615 anexado às fls. 03/55). Despacho de encaminhamento seguinte deste Decisório faz menção a indeferimento de pedido “referente ao 3º trimestre de 2000” (grifos do original) (fl. 84); f) Manifestação de inconformidade com respeito ao dito Decisório também se refere ao “TERCEIRO SEMESTRE DE 2.000” (grifos do original) (fl. 88 e seguintes); g) O acórdão nº 1425.320 da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (fls 136 e seguintes), decidiu pelo indeferimento do ressarcimento pleiteado, por falta de comprovação, referindose, na ementa ao “Período de apuração: 01/10/2000 a Fl. 260DF CARF MF Processo nº 13855.000667/200605 Acórdão n.º 3301004.779 S3C3T1 Fl. 259 5 31/12/2000”. Em seu voto, no entanto, referese sempre ao 3º trimestre do mesmo ano, a exemplo da passagem: “Conforme acima relatado, a Recorrente se insurge contra a decisão que indeferiu o pedido de ressarcimento do crédito presumido de Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, apurado com base em custo integrado, relativo ao 3° trimestre de 2000, sob o fundamento de ausência de provas de seu direito.” h) O acórdão nº 380301.746 (fls 169 e seguintes), emitido pela 3ª Turma Especial desta 3ª Seção de Julgamento, manteve a decisão ementada pela Delegacia de Julgamento, inclusive o “Período de apuração: 01/10/2000 a 31/12/2000”, e a menção, em seu corpo, ao 3° trimestre de 2000. i) Tal acórdão fora embargado pela contribuinte (fls 180 e seguintes), com relação ao período de apuração, entre outros temas, sob as seguintes razões: j) O acórdão 3301001.304, emitido pela 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento (fls 232 e seguintes), decidiu sobre os embargos citados acima. Sobre o período de apuração, decidiu pela retificação do acórdão anteriormente exarado, fazendo escrever na ementa “Período de apuração: 01/07/2000 a 30/09/2000”, sob a seguinte fundamentação: O que temos, ao meu ver, é um pedido de ressarcimento referente ao 4º trimestre de 2000, aquele que encabeça o processo, restando os outros 10 PER/ DCOMPs, mencionados pelo contribuinte e pela fiscalização. A referência ao 3º trimestre começou no encaminhamento do Decisório, por ter sido o primeiro da lista de 11 PER/ DCOMPs antes mencionados pela então fiscalizada e pela fiscalização e seguiu contaminando o processo. Assim, entendo ser o 4º trimestre de 2000 o período de apuração em jogo no presente processo, pois é PER/ DCOMP a ele associado que foi trazido em sua inteireza e no início, aos autos, tendo os demais sido citados (salvo que suas retificadoras foram juntadas aos autos). Fl. 261DF CARF MF 6 Por todo o exposto, voto por acolher os embargos interpostos, para fins de retificar o período de apuração, no acórdão embargado, para o 4º trimestre de 2000. (assinado digitalmente) Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho Relator Fl. 262DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10840.900021/2012-31
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jul 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do Fato Gerador: 14/03/2003
DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
Numero da decisão: 9303-007.186
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Érika Costa Camargos Autran e Tatiana Midori Migiyama, que lhe deram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201807
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do Fato Gerador: 14/03/2003 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10840.900021/2012-31
anomes_publicacao_s : 201809
conteudo_id_s : 5901297
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 9303-007.186
nome_arquivo_s : Decisao_10840900021201231.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : RODRIGO DA COSTA POSSAS
nome_arquivo_pdf_s : 10840900021201231_5901297.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Érika Costa Camargos Autran e Tatiana Midori Migiyama, que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
dt_sessao_tdt : Thu Jul 12 00:00:00 UTC 2018
id : 7423146
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:26:25 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050870701096960
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1476; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 2 1 1 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10840.900021/201231 Recurso nº 1 Especial do Contribuinte Acórdão nº 9303007.186 – 3ª Turma Sessão de 12 de julho de 2018 Matéria PER/DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Recorrente FUGINI ALIMENTOS LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do Fato Gerador: 14/03/2003 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidas as conselheiras Érika Costa Camargos Autran e Tatiana Midori Migiyama, que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 90 00 21 /2 01 2- 31 Fl. 174DF CARF MF Processo nº 10840.900021/201231 Acórdão n.º 9303007.186 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pelo Contribuinte contra o acórdão n.º 3802002.474, de 25 de março de 2014, proferido pela Segunda Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento deste CARF, decisão que, por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso voluntário. Na parte de interesse, o acórdão recorrido possui a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do Fato Gerador: 14/03/2003 INDÉBITO TRIBUTÁRIO. LIQUIDEZ E CERTEZA NÃO DEMONSTRADAS. RESTITUIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE A restituição de indébitos tributários decorrente de suposto pagamento a maior ou indevido (CTN, artigo 165, I) exige seja o direito demonstrado por parte do sujeito passivo, o qual tem o ônus de provar, com a apresentação de documentação suficiente, o direito em que se alicerça. (...) Recurso ao qual se nega provimento. O Contribuinte interpôs Recurso Especial suscitando divergência quanto às seguintes matérias: 1 Exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS; 2 Necessidade de diligência fiscal, com a obrigatoriedade de apreciação de novas provas das alegações do contribuinte, em face do princípio da verdade material. O Recurso Especial do Contribuinte foi admitido parcialmente, conforme despacho de admissibilidade do então Presidente da Segunda Câmara da Terceira Seção do CARF, apenas quanto à segunda matéria (questão da prova). O seguimento parcial foi ratificado pelo reexame da admissibilidade. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões manifestando pelo não provimento do recurso especial do Contribuinte. É o relatório, em síntese. Fl. 175DF CARF MF Processo nº 10840.900021/201231 Acórdão n.º 9303007.186 CSRFT3 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303007.177, de 12/07/2018, proferido no julgamento do processo 10840.900016/201228, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303007.177): "Da Admissibilidade O Recurso Especial da Contribuinte é tempestivo e, depreendendose da análise de seu cabimento, entendo pela admissibilidade do recurso conforme despacho de fls.150 a 154, senão vejamos: Com relação matéria que foi admitida, entendo que restou comprovada a divergência jurisprudencial, argumentando que acórdão recorrido, ao examinar questão relativa à restituição de indébitos tributários decorrente de suposto pagamento a maior ou indevido, decidiu que não caberia a conversão do julgamento em diligência, sob o entendimento de que o ônus de provar o direito alegado, sua liquidez e certeza, é do sujeito passivo. Por sua vez, o acórdão paradigma firma entendimento diverso, ao tratar da mesma matéria relativa à repetição de indébito, decidiu que cabe à autoridade preparadora o ônus de promover a análise da liquidez e certeza do alegado crédito, com base nos documentos existentes dos autos e outros mais que entender necessários, intimando o contribuinte para apresentálos se for o caso, em face do princípio da verdade material. Desta maneira, entendo que o contraste das ementas e do teor dos votos das decisões evidencia a divergência entre o entendimento exarado no acórdão recorrido e os acórdãos paradigmas. Diante do exposto, comprovada a divergência, voto no sentido de conhecer do recurso interposto pelo Contribuinte. Do Mérito (...)1 Respeitosamente, divirjo da i. relatora quanto ao provimento do recurso especial de divergência da contribuinte. 1 Deixouse de transcrever a parte do voto da relatora do processo paradigma que tratou do mérito, por ter sido posição que restou vencida, não se aplicando, portanto, à solução do litígio deste processo. Contudo, a íntegra do voto consta do acórdão do paradigma (9303007.177). Fl. 176DF CARF MF Processo nº 10840.900021/201231 Acórdão n.º 9303007.186 CSRFT3 Fl. 5 4 Tendo em vista que o recurso especial foi conhecido apenas em razão do acórdão paradigma que abordava a necessidade de diligência fiscal e da obrigatoriedade de apreciação de novas provas das alegações do contribuinte, em face do princípio da verdade material, me fixarei nesse tema. O referido paradigma, de nº 3302002.225, traz o entendimento de que nos autos não constava nenhuma comprovação do direito creditório alegado, decorrente de pagamento indevido ou maior, e por isso o contribuinte requereu diligência a fim de que se apurasse o crédito pleiteado em sua PER/DCOMP. Pelo princípio da verdade material, considerouse que a autoridade fiscal teria a obrigação de realizar a análise dos fatos alegados pela contribuinte solicitando inclusive a realização de diligências e apresentação de novas provas das alegações da contribuinte. Contudo, não entendo que essa seja a melhor interpretação da legislação aplicável. O caput do artigo 170 do CTN, ao tratar da extinção do crédito tributário pela compensação, estipula: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (Grifei.) Já na Lei nº 9.430/1996, em seu art. 74, está determinado: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (...) § 14. A Secretaria da Receita Federal SRF disciplinará o disposto neste artigo, inclusive quanto à fixação de critérios de prioridade para apreciação de processos de restituição, de ressarcimento e de compensação. (Grifei.) A então SRF, cumprindo a disposição legal, editou a IN SRF nº 600 de 28/12/2005, na qual estipulava: COMPENSAÇÃO. COMPENSAÇÃO EFETUADA PELO SUJEITO PASSIVO Art. 26. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive o reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrados pela SRF, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados pela SRF. § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada pelo sujeito passivo mediante apresentação à SRF da Declaração de Compensação gerada a partir do Programa PER/DCOMP ou, na impossibilidade de sua utilização, mediante a apresentação à SRF do Fl. 177DF CARF MF Processo nº 10840.900021/201231 Acórdão n.º 9303007.186 CSRFT3 Fl. 6 5 formulário Declaração de Compensação constante do Anexo IV, ao qual deverão ser anexados documentos comprobatórios do direito creditório. (Grifei.) Além de reproduzir o ditame legal em seu caput, o art. 26 no § 1º já indicava a necessidade de documentos comprobatórios a serem anexados de imediato, nos casos em que a compensação fosse realizada através de formulários em papel. A contribuinte realizou seu PER/DCOMP, solicitando crédito no montante originário de R$ 44.025,53 e, em face do despacho decisório à efl. 05, pelo qual os créditos do DARF que suportavam seu pedido, de R$ 226.212,51, estariam totalmente alocados; restringiuse à discussão jurídica sobre restituição de indébitos de ICMS, sem apontar como concluiu pelos valor pleiteado, ou qualquer documento que indicasse tais valores de ICMS. Solicitou também a realização de diligência para apuração do crédito, contudo, pela legislação transcrita, há de se observar que a compensação é ato de iniciativa do contribuinte, em face de suposta existência de créditos por ele alegada, devendo esses créditos serem líquidos e certos e por ele apurados. Uma vez que alega a existência de um direito frente à administração, todo o ônus probatório sobre ele recai e deve providenciar as comprovação do que apurou, diferentemente dos casos em que há lançamento de ofício, quando o ônus de apurar o valor do crédito exigido é do fisco. Caberia à autoridade fiscal, em face das provas juntadas pela contribuinte, aferir a liquidez e certeza do crédito requerido. Adicionalmente, no voto condutor do acórdão de manifestação de inconformidade nº 1441.381, da 6ª Turma da DRJ/RPO, se encontra: Mas, para tanto, a alegação deveria vir acompanhada da documentação comprobatória da existência do pagamento a maior, mesmo porque, nesse caso, o ônus da comprovação do direito creditório é do contribuinte, pois se trata de uma solicitação de restituição, de seu exclusivo interesse. Nesse contexto, não se pode olvidar que nos termos do artigo 333, inciso I, do Código de Processo Civil, ao autor incumbe o ônus da prova dos fatos constitutivos do seu direito. Conseqüentemente, as PER/DCOMP devem estar, necessariamente, instruídas com as devidas provas do indébito tributário no qual se fundamentam, sob pena de indeferimento. (Negritei.) Mesmo assim, em sede de recurso voluntário a contribuinte volta a requerer diligência, sem indicar qualquer prova relativamente à apuração do valor do crédito pleiteado. Por isso penso que andou bem o acórdão a quo ao negar provimento ao recurso voluntário em face da ausência de comprovação do direito creditório. Pelo exposto, voto pelo desprovimento do recurso especial de divergência da contribuinte." Importante observar que, da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo a contribuinte também não indicou "qualquer prova relativamente à apuração do valor do crédito pleiteado". Fl. 178DF CARF MF Processo nº 10840.900021/201231 Acórdão n.º 9303007.186 CSRFT3 Fl. 7 6 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial do contribuinte foi conhecido e, no mérito, o colegiado negoulhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 179DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19985.722481/2016-75
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2015
DESPESAS COM INSTRUÇÃO. DEDUTIBILIDADE. COMPROVAÇÃO.
Os pagamentos de despesas com educação, devidamente comprovados, nos termos da legislação tributária, são dedutíveis da base de cálculo do imposto sobre a renda de pessoa física.
Numero da decisão: 2001-000.684
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Ricardo Moreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (Presidente), Fernanda Melo Leal, José Alfredo Duarte Filho e José Ricardo Moreira.
Nome do relator: JOSE RICARDO MOREIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201808
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2015 DESPESAS COM INSTRUÇÃO. DEDUTIBILIDADE. COMPROVAÇÃO. Os pagamentos de despesas com educação, devidamente comprovados, nos termos da legislação tributária, são dedutíveis da base de cálculo do imposto sobre a renda de pessoa física.
turma_s : Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 19985.722481/2016-75
anomes_publicacao_s : 201810
conteudo_id_s : 5918992
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 2001-000.684
nome_arquivo_s : Decisao_19985722481201675.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : JOSE RICARDO MOREIRA
nome_arquivo_pdf_s : 19985722481201675_5918992.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes - Presidente. (assinado digitalmente) José Ricardo Moreira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (Presidente), Fernanda Melo Leal, José Alfredo Duarte Filho e José Ricardo Moreira.
dt_sessao_tdt : Thu Aug 30 00:00:00 UTC 2018
id : 7477916
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:29:40 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 2; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1462; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C0T1 Fl. 2 1 1 S2C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19985.722481/201675 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2001000.684 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 30 de agosto de 2018 Matéria Imposto de Renda Pessoa Física Recorrente HENRIQUE ELEOTERIO NETO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2015 DESPESAS COM INSTRUÇÃO. DEDUTIBILIDADE. COMPROVAÇÃO. Os pagamentos de despesas com educação, devidamente comprovados, nos termos da legislação tributária, são dedutíveis da base de cálculo do imposto sobre a renda de pessoa física. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente. (assinado digitalmente) José Ricardo Moreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (Presidente), Fernanda Melo Leal, José Alfredo Duarte Filho e José Ricardo Moreira. Relatório Tratase de Notificação de Lançamento, relativa ao Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), por meio da qual se exige crédito tributário do exercício de 2015, anocalendário de 2014, onde foram glosadas dedução de despesas com instrução no valor de R$ 3.375,00. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 98 5. 72 24 81 /2 01 6- 75 Fl. 74DF CARF MF 2 O contribuinte apresentou impugnação, que foi julgada improcedente, mediante Acórdão da DRJ Florianópolis. Cientificado, o interessado apresentou recurso voluntário de f. 54/55. Em síntese, alega que apresentou todos os documentos solicitados pela autoridade fiscal. Entende que a documentação apresentada é suficiente para comprovar suas alegações. Pugna pelo cancelamento da exigência. É o relatório. Voto Conselheiro José Ricardo Moreira Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Analisando a documentação acostada pelo contribuinte, entendo ser suficiente para comprovar seus argumentos e reverter a glosa das deduções efetuadas. A relação de dependência está comprovada por Certidão de Nascimento de f. 57. Às f. 59 e ss., o recorrente apresentou Declaração da Escola e comprovantes de pagamentos das despesas com educação. Assim, as razões apontadas no lançamento e pela decisão de primeira instância foram supridas com os documentos trazidos com o recurso voluntário. Por estas razões, concluo pela aceitação das deduções, devidamente comprovadas. CONCLUSÃO: Diante de todo o exposto, voto por conhecer do recurso voluntário, e, no mérito, darlhe provimento. (assinado digitalmente) José Ricardo Moreira Fl. 75DF CARF MF
_version_ : 1713050870706339840
score : 1.0
Numero do processo: 13884.002282/2003-84
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Sep 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RECEITAS AUFERIDAS NAS VENDAS PARA A ZONA FRANCA DE MANAUS - ZFM. EQUIPARAÇÃO ÀS RECEITAS DE EXPORTAÇÃO.
As receitas auferidas de vendas efetuadas para a Zona Franca de Manaus são equiparadas às receitas de exportação para fins de constituição do crédito presumido de IPI de que trata a Lei nº 9.363/96. Aplicação, à espécie, do art. 4º do Decreto-Lei nº 288/1967 e do Ato Declaratório PGFN nº 04/2017.
Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. PRESCRIÇÃO QÜINQÜENAL.
Devem ser aplicadas as disposições do Decreto-Lei n. 20.910/32, e não do Código Tributário Nacional, para fins de contagem do prazo prescricional para o ressarcimento do direito ao crédito presumido de IPI.
Numero da decisão: 3401-005.202
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer a equiparação das receitas auferidas nas vendas efetuadas para a Zona Franca de Manaus ZFM às receitas de exportação, para a constituição do crédito presumido de IPI, de que trata a Lei 9.363/1996, e que os créditos relativos ao 4° trimestre de 1997 e 1° trimestre de 1998, quando de sua utilização, já haviam sido açambarcados pelo manto da prescrição.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Ogassawara de Araújo Branco - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (Presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice-Presidente).
Nome do relator: LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201807
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RECEITAS AUFERIDAS NAS VENDAS PARA A ZONA FRANCA DE MANAUS - ZFM. EQUIPARAÇÃO ÀS RECEITAS DE EXPORTAÇÃO. As receitas auferidas de vendas efetuadas para a Zona Franca de Manaus são equiparadas às receitas de exportação para fins de constituição do crédito presumido de IPI de que trata a Lei nº 9.363/96. Aplicação, à espécie, do art. 4º do Decreto-Lei nº 288/1967 e do Ato Declaratório PGFN nº 04/2017. Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. PRESCRIÇÃO QÜINQÜENAL. Devem ser aplicadas as disposições do Decreto-Lei n. 20.910/32, e não do Código Tributário Nacional, para fins de contagem do prazo prescricional para o ressarcimento do direito ao crédito presumido de IPI.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Sep 04 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 13884.002282/2003-84
anomes_publicacao_s : 201809
conteudo_id_s : 5898701
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Sep 04 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3401-005.202
nome_arquivo_s : Decisao_13884002282200384.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO
nome_arquivo_pdf_s : 13884002282200384_5898701.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer a equiparação das receitas auferidas nas vendas efetuadas para a Zona Franca de Manaus ZFM às receitas de exportação, para a constituição do crédito presumido de IPI, de que trata a Lei 9.363/1996, e que os créditos relativos ao 4° trimestre de 1997 e 1° trimestre de 1998, quando de sua utilização, já haviam sido açambarcados pelo manto da prescrição. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco - Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (Presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice-Presidente).
dt_sessao_tdt : Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
id : 7413611
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:26:01 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050870714728448
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1887; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 656 1 655 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13884.002282/200384 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3401005.202 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 25 de julho de 2018 Matéria IPI Recorrente PANASONIC ELETRONIC DEVICES DO BRASIL LTDA EM LIQUIDAÇÃO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RECEITAS AUFERIDAS NAS VENDAS PARA A ZONA FRANCA DE MANAUS ZFM. EQUIPARAÇÃO ÀS RECEITAS DE EXPORTAÇÃO. As receitas auferidas de vendas efetuadas para a Zona Franca de Manaus são equiparadas às receitas de exportação para fins de constituição do crédito presumido de IPI de que trata a Lei nº 9.363/96. Aplicação, à espécie, do art. 4º do DecretoLei nº 288/1967 e do Ato Declaratório PGFN nº 04/2017. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. PRESCRIÇÃO QÜINQÜENAL. Devem ser aplicadas as disposições do DecretoLei n. 20.910/32, e não do Código Tributário Nacional, para fins de contagem do prazo prescricional para o ressarcimento do direito ao crédito presumido de IPI. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer a equiparação das receitas auferidas nas vendas efetuadas para a Zona Franca de Manaus ZFM às receitas de exportação, para a constituição do crédito presumido de IPI, de que trata a Lei 9.363/1996, e que os créditos relativos ao 4° trimestre de 1997 e 1° trimestre de 1998, quando de sua utilização, já haviam sido açambarcados pelo manto da prescrição. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 4. 00 22 82 /2 00 3- 84 Fl. 656DF CARF MF Processo nº 13884.002282/200384 Acórdão n.º 3401005.202 S3C4T1 Fl. 657 2 Rosaldo Trevisan Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (Presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (VicePresidente). Relatório 1. Tratase do despacho decisório, proferido com base no relatório fiscal, situado às fls. 404 a 417, que propôs a glosa do valor de R$ 2.217.716,05, por entender que as saídas para a Zona Franca de Manaus não entram no cálculo do crédito presumido da Lei n° 9.363/96, tendo ocorrido, ainda, prescrição do direito de pleitear os créditos presumidos de IPI apurados no 4° trimestre de 1997 e 1° trimestre de 1998 em razão do que estabelece o artigo 1° do Decreto n° 20.910, de 06/01/1932, argumentação esta endossada e reproduzida pelo Parecer DRF/MNS/SEORT nº 13884.023/2008, situado às fls. 427 a 432, que reconheceu parcialmente o pedido de ressarcimento, situado à fl. 3, transmitido com o objetivo de restituir crédito relativo ao 1° trimestre de 2003 no valor de R$ 2.572.794,35, com fundamento no artigo 11 da Lei n° 9.779/99, protocolado em 15/05/2003, cumulado com declarações de compensação situadas à fl. 427. 2. A contribuinte, intimada em 11/02/2008, apresentou, em 12/03/2008, manifestação de inconformidade, situada às fls. 551 a 568, na qual argumentou, em síntese, que: (i) preliminarmente, as compensações efetuadas não foram alcançadas por prazo prescricional; e (ii) deve ser declarada a legitimidade da equiparação, para fins fiscais, entre as vendas para a zona franca de Manaus e as operações de exportação, apresentando jurisprudência sobre a matéria. 3. Em 28/03/2012, a 02ª Turma da Delegacia Regional do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP) proferiu o Acórdão DRJ nº 14037.093, situado às fls. 605 a 608, de relatoria do AuditorFiscal Sidney Torres, que entendeu, por unanimidade de votos, julgar improcedente a manifestação de inconformidade, indeferindo o direito creditório pleiteado, nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI. Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003 DIREITO CREDITÓRIO NÃO RECONHECIDO. As operações com a Zona Franca de Manaus não podem ser consideradas como receita de exportação na apuração do crédito presumido do artigo 1° da Lei 9363/96. Manifestação de Inconformidade Improcedente Fl. 657DF CARF MF Processo nº 13884.002282/200384 Acórdão n.º 3401005.202 S3C4T1 Fl. 658 3 Direito Creditório Não Reconhecido 4. A contribuinte foi intimada via postal em 10/05/2012, em conformidade com o aviso de recebimento situado à fl. 611 e, em 08/06/2012, interpôs recurso voluntário, situado às fls. 618 a 637, no qual reiterou as razões de sua manifestação de inconformidade. É o Relatório. Voto Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Relator 5. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. 6. Em primeiro lugar, quanto à alegação de prescrição, aplicase à matéria a orientação do Parecer Normativo CST nº 515, de 10/08/1971 e, assim, de acordo com o Decreto nº 20.910/1932, não sendo aplicáveis as disposições do Código Tributário Nacional, as dívidas passivas da União Federal, bem como qualquer direito ou ação contra a Fazenda Nacional, seja qual for a sua natureza, prescrevem em 5 anos, contados da data do ato ou fato do qual se originaram. 7. Neste sentido, a posição da Câmara Superior de Recursos Fiscais que, em sessão de 15/03/2018, proferiu o Acórdão CSRF nº 9303006.519, de relatoria do Conselheiro Rodrigo da Costa Possas, que julgou, por maioria de votos, vencidas as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Érika Costa Camargos Autran, procedente o recurso especial da Fazenda Nacional, nos termos da ementa abaixo transcrita: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/04/1995 a 31/12/1995 RESSARCIMENTO. PEDIDO FEITO EM RAZÃO DE OUTRO ANTERIOR INDEFERIDO. SUSPENSÃO DA PRESCRIÇÃO DURANTE A ANÁLISE DO PRIMEIRO. INOCORRÊNCIA. Conforme art. 1º do Decreto nº 20.910/32 , prescreve em cinco anos o direito à apresentação de Pedido de Ressarcimento de créditos contra a Fazenda Pública, contados da data do fato do qual se originarem. Tendo sido feito um pedido considerado pela Administração como em desacordo com a legislação tributária, Fl. 658DF CARF MF Processo nº 13884.002282/200384 Acórdão n.º 3401005.202 S3C4T1 Fl. 659 4 não fica suspensa a prescrição para a apresentação de um novo, relativo ao mesmo crédito, após o indeferimento do primeiro, não se aplicando o art. 4º do mesmo Decreto, pois quem deu causa foi o sujeito passivo, além do que a não é líquida a dívida passiva da União. Recurso Especial do Procurador Provido. 8. No mesmo sentido, o Acórdão CSRF nº 9303006.519, proferido em sessão de 21/03/2017, de relatoria do Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, que julgou, nesta oportunidade por unanimidade de votos, improcedente o recurso especial da contribuinte, nos termos da ementa abaixo transcrita: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/1997 a 31/03/1997 IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. PRESCRIÇÃO QÜINQÜENAL. O direito de pleitear o ressarcimento do crédito presumido do IPI prescreve em cinco anos contados do último dia do trimestre em que se deu a entrada dos insumos no estabelecimento industrial. Aplicação do Decreto n° 20.910, de 1932, combinado com Portaria MF n° 38/97. Recurso Especial do Contribuinte negado 9. Transcrevese, por pertinente, trecho do voto do relator no qual se consigna a aplicação do Decreto nº 20.910/1932 para a contagem do prazo prescricional: "Ressarcimento não é – nem nunca foi – espécie do gênero restituição. Esta é o direito que decorre do pagamento indevido ou maior que o devido, nos termos do art. 165 do CTN. Ressarcimento, por seu turno, é a devolução de tributo pago anteriormente em face do cumprimento de certos requisitos legais preestabelecidos, tal como ocorre com o crédito presumido de IPI de que aqui se trata, somente conferido àquele que promove a exportação de produtos que industrializou. Neste exemplo, o pagamento anterior das contribuições sociais incidentes sobre as aquisições, no mercado interno, de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem, utilizados no processo produtivo dos produtos exportados, jamais se configurou indevido ou maior que o devido. O ressarcimento em forma de crédito presumido de IPI decorre do cumprimento de uma condição resolutiva – a exportação de produtos industrializados – que, obviamente, pode ou não vir ocorrer, mas, caso ocorra, aí, sim, o produtorexportador fará jus ao ressarcimento. Fl. 659DF CARF MF Processo nº 13884.002282/200384 Acórdão n.º 3401005.202 S3C4T1 Fl. 660 5 Portanto, não tendo a natureza de restituição de tributos, não é de se aplicar as normas do Código Tributário Nacional – CTN que disciplinam a repetição de indébitos tributários, muito menos o prazo de 10 (dez) anos, em virtude de o IPI ser tributo sujeito a lançamento por homologação. O prazo de prescricional a que se sujeita o pedido de ressarcimento, o qual, como vimos, repitase, não se trata de pagamento indevido ou maior que o devido, mas de estímulo fiscal à exportação, segue a regra prevista no art. 1º do Decreto nº 20.910, de 1932, segundo o qual 'as dívidas passivas da União, dos Estados e dos Municípios, bem assim todo e qualquer direito ou ação contra a Fazenda federal, estadual ou municipal, seja qual for a sua natureza, prescrevem em cinco anos contados da data do ato ou fato do qual se originarem' (grifamos). Para o trimestre a que se refere o pedido de ressarcimento (1º trimestre de 1997), o benefício encontravase disciplinado na Portaria MF nº 38, de 27/02/1997, publicado no DOU em 03/03/1997, cujo fundamento legal é o art. 6º da Lei nº 9.363, de 1996, que fixou as condições para a sua fruição (...). (...) Vêse, pois, que, consoante o ato normativo supra, o produtor exportador somente poderia pleitear o ressarcimento do crédito presumido ao final de cada trimestrecalendário, se, e somente se, restasse saldo após a compensação com o IPI devido em cada período de apuração. No caso em apreço, o pedido de ressarcimento tem origem no 1º trimestre de 1997. Referese, portanto, ao saldo de crédito presumido de IPI que, em 31/03/1997, ainda restava após a compensação com débitos do próprio imposto, daí que, nesta mesma data, exsurgiu o direito ao ressarcimento, o qual, contudo, extinguiuse exatos cinco anos depois, em conformidade com o disposto no Decreto nº 20.910, de 1932, antes referido" (seleção e grifos nossos). 10. Logo, correta a decisão de piso ao entender que os créditos relativos ao 4° trimestre de 1997 e 1° trimestre de 1998, quando de sua utilização, já haviam sido açambarcados pelo manto da prescrição. 11. Em segundo lugar, quanto ao mérito, há de se observar o quanto preceituado pelo art. 4º do DecretoLei nº 288/1967, que pareou a exportação de mercadorias de origem nacional para consumo/industrialização na Zona Franca de Manaus à operação de exportação. O estímulo fiscal concedido pelo instrumento normativo se encontra em consonância com o art. 40 do ADCT, sendo recepcionado com estatura de lei complementar nos termos do inciso II do art. 146 da Constituição de 1988. Não por outro motivo, aplicase à contenda em apreço o art. 1º da Lei nº 9.363/1996 e, neste sentido, a empresa produtora e Fl. 660DF CARF MF Processo nº 13884.002282/200384 Acórdão n.º 3401005.202 S3C4T1 Fl. 661 6 exportadora de mercadorias nacionais faz jus ao crédito presumido do IPI como ressarcimento das contribuições instauradas pelas Leis Complementares nº 7/1973 (PIS) e nº 70/1991 (Cofins) incidentes sobre as aquisições, no mercado interno, de MP, PI e ME para utilização em seu processo produtivo. 12. Em sessão de 22/02/2018, foi proferido o Acórdão CSRF nº 9303 006.356, de relatoria da Conselheira Tatiana Midori Migiyama, que julgou, por unanimidade de votos, procedente o recurso especial, nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2003 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RECEITAS AUFERIDAS NAS VENDAS PARA ZONA FRANCA DE MANAUS. EQUIPARAÇÃO ÀS RECEITAS DE EXPORTAÇÃO. É de se equiparar as receitas auferidas nas vendas efetuadas para a Zona Franca de Manaus ZFM às receitas de exportação para a constituição do crédito presumido de IPI, de que trata a Lei nº 9.363/96. Cabe recordar que a discussão quanto à equiparação das referidas receitas se encontra pacificada pelo Ato Declaratório PGFN 4/17. 13. Em igual sentido, o Ato Declaratório PGFN nº 04/2017, aprovado pelo Ministro da Fazenda, cuja a discussão principal é a caracterização ou não da receita de vendas à Zona Franca de Manaus como receitas de exportação. 14. A norma em referência dispensou a apresentação de contestação, de interposição de recursos e a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante nas ações judiciais que discutam, com base no art. 4º do DecretoLei nº 288, de 28/02/1967, a incidência do PIS e/ou da COFINS sobre receita decorrente de venda de mercadoria de origem nacional destinadas a pessoas jurídicas sediadas na Zona Franca de Manaus, ainda que a pessoa jurídica vendedora também esteja sediada na mesma localidade: “Ato Declaratório PGFN nº 4, de 16 de novembro de 2017 (Publicado(a) no DOU de 21/11/2017, seção 1, página 41) "Autoriza a dispensa de apresentação de contestação, de interposição de recursos e a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante nas ações judiciais que menciona." O PROCURADOR GERAL DA FAZENDA NACIONAL, no uso da competência legal que lhe foi conferida nos termos do inciso II do art. 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do art. 5º do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, tendo em vista a aprovação do Parecer PGFN/CRJ nº 1.743/2016 desta Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, pelo Senhor Ministro Fl. 661DF CARF MF Processo nº 13884.002282/200384 Acórdão n.º 3401005.202 S3C4T1 Fl. 662 7 de Estado da Fazenda, conforme despacho publicado no DOU de 14 de novembro de 2016, DECLARA que, fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação, de interposição de recursos e a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: “nas ações judiciais que discutam, com base no art. 4º do DecretoLei nº 288, de 28 de fevereiro de 1967, a incidência do PIS e/ou da COFINS sobre receita decorrente de venda de mercadoria de origem nacional destinadas a pessoas jurídicas sediadas na Zona Franca de Manaus, ainda que a pessoa jurídica vendedora também esteja sediada na mesma localidade” JURISPRUDÊNCIA: ADI 2.3489/ DF, RE 539.590/PR e AgRg no RE 494.910/SC; AgInt no AREsp 944.269/AM, AgInt no AREsp 691.708/AM, AgInt no AREsp 874.887/AM, AgRg no Ag 1.292.410/AM, REsp 1.084.380/RS, REsp 982.666/SP, REsp 817777/RS e EDcl no REsp 831.426/RS. FABRÍCIO DA SOLLER". 15. Recortase, do voto do Acórdão CSRF nº 9303006.356, o seguinte trecho respeitante à norma editada pela PGFN: "Vêse que a jurisprudência, especificamente à discussão à caracterização das vendas à Zona Franca de Manaus, já pacificou que se tratam de exportação PARA O EXTERIOR. Não há como entender que a equiparação às receitas de exportação somente seria aplicável ao PIS e Cofins, e não para a constituição de crédito presumido de IPI, eis que restaria instalada a insegurança jurídica – que tanto a administração tributária busca afastar. Sendo assim, considerando também a jurisprudência pacificada quanto à caracterização da receita ora em comento como receita de exportação para o exterior, entendo que não há como invocar as Portarias 38/97, 64/03 e 93/04 para se obstar o direito ao crédito presumido do IPI" (seleção e grifos nossos). 16. Assim, com base nestes fundamentos, voto por conhecer e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso voluntário interposto. Fl. 662DF CARF MF Processo nº 13884.002282/200384 Acórdão n.º 3401005.202 S3C4T1 Fl. 663 8 (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Relator Fl. 663DF CARF MF
score : 1.0
