Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,279)
- Segunda Câmara (27,805)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,763)
- Primeira Turma Ordinária (16,221)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,176)
- Primeira Turma Ordinária (16,104)
- Primeira Turma Ordinária (16,039)
- Segunda Turma Ordinária d (15,797)
- Segunda Turma Ordinária d (14,451)
- Primeira Turma Ordinária (13,020)
- Primeira Turma Ordinária (12,381)
- Segunda Turma Ordinária d (12,367)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,422)
- Quarta Câmara (84,834)
- Terceira Câmara (67,389)
- Segunda Câmara (55,826)
- Primeira Câmara (20,245)
- 3ª SEÇÃO (16,176)
- 2ª SEÇÃO (11,281)
- 1ª SEÇÃO (6,836)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (125,132)
- Segunda Seção de Julgamen (114,469)
- Primeira Seção de Julgame (76,587)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,961)
- Câmara Superior de Recurs (37,889)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,615)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,487)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,754)
- HELCIO LAFETA REIS (3,725)
- ROSALDO TREVISAN (3,220)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,925)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,728)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,630)
- WILDERSON BOTTO (2,615)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,840)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,921)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,471)
- 2014 (22,375)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,515)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,135)
- 2017 (16,840)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2026 (13,849)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 10120.006854/2007-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 05 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jun 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003
AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE.
Tendo o auto de infração preenchido os requisitos legais e o processo administrativo proporcionado plenas condições à interessada de contestar o lançamento, descabe a alegação de nulidade
OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. LANÇAMENTO.
A existência de depósitos bancários de origem não comprovada pela pessoa jurídica regularmente intimada autoriza o lançamento de ofício por omissão de receitas.
LANÇAMENTOS DECORRENTES. PIS, Contribuição Social sobre o Lucro Liquido - CSLL e COFINS.
Tratando-se da mesma matéria fática, aplica-se aos lançamentos decorrentes a decisão proferida no lançamento principal (IRPJ).
Numero da decisão: 1401-001.217
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, em NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Jorge Celso Freire da Silva Presidente
(assinado digitalmente)
Antonio Bezerra Neto Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Sérgio Luiz Bezerra Presta e Jorge Celso Freire da Silva.
Nome do relator: ANTONIO BEZERRA NETO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201406
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2003 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Tendo o auto de infração preenchido os requisitos legais e o processo administrativo proporcionado plenas condições à interessada de contestar o lançamento, descabe a alegação de nulidade OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. LANÇAMENTO. A existência de depósitos bancários de origem não comprovada pela pessoa jurídica regularmente intimada autoriza o lançamento de ofício por omissão de receitas. LANÇAMENTOS DECORRENTES. PIS, Contribuição Social sobre o Lucro Liquido - CSLL e COFINS. Tratando-se da mesma matéria fática, aplica-se aos lançamentos decorrentes a decisão proferida no lançamento principal (IRPJ).
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Jun 18 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10120.006854/2007-71
anomes_publicacao_s : 201406
conteudo_id_s : 5354620
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jun 18 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 1401-001.217
nome_arquivo_s : Decisao_10120006854200771.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : ANTONIO BEZERRA NETO
nome_arquivo_pdf_s : 10120006854200771_5354620.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, em NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva Presidente (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Sérgio Luiz Bezerra Presta e Jorge Celso Freire da Silva.
dt_sessao_tdt : Thu Jun 05 00:00:00 UTC 2014
id : 5498413
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:23:36 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046815398428672
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1780; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 411 1 410 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10120.006854/200771 Recurso nº 999.999 Voluntário Acórdão nº 1401001.217 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 05 de junho de 2014 Matéria IRPJ/Reflexos Recorrente W C ALVES Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Tendo o auto de infração preenchido os requisitos legais e o processo administrativo proporcionado plenas condições à interessada de contestar o lançamento, descabe a alegação de nulidade OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. LANÇAMENTO. A existência de depósitos bancários de origem não comprovada pela pessoa jurídica regularmente intimada autoriza o lançamento de ofício por omissão de receitas. LANÇAMENTOS DECORRENTES. PIS, Contribuição Social sobre o Lucro Liquido CSLL e COFINS. Tratandose da mesma matéria fática, aplicase aos lançamentos decorrentes a decisão proferida no lançamento principal (IRPJ). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, em NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva – Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 00 68 54 /2 00 7- 71 Fl. 411DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10120.006854/200771 Acórdão n.º 1401001.217 S1C4T1 Fl. 412 2 (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Sérgio Luiz Bezerra Presta e Jorge Celso Freire da Silva. Fl. 412DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10120.006854/200771 Acórdão n.º 1401001.217 S1C4T1 Fl. 413 3 Relatório Tratase de recurso voluntário contra Acórdão da 1ª Turma da DRJ/Salvador. Adoto e transcrevo o relatório constante na decisão de primeira instância, compondo em parte este relatório: Em 18/09/2007 foram lavrados, contra a pessoa jurídica acima identificada, os Autos de Infração para exigência do IRPJ e Contribuições para o PIS, COFINS e CSLL, referentes ao anocalendário 2003, sendo o montante referente a cada tributo, acrescido de multa e juros de mora calculados até 31/08/2007 (fls. 235/260): • IRPJ R$ 48.943,22 • PIS R$ 26.683,65 • COFINS R$ 123.156,00 • CSLL R$42.451,60 Foi também lavrado Termo de Sujeição Passiva Solidária (fls. 262/263), nos termos do art. 124 do CTN, cientificandose o Sujeito Passivo Solidário Wender Carreiro Alves dos Autos de Infração do IRPJ e reflexos, constantes do presente processo, bem como do Auto de Infração relativo ao IPI (objeto de outro processo fiscal). Houve recusa à ciência pessoa do referido Termo de Sujeição Passiva Solidária, tendo o mesmo sido recebido pela via postal, mediante Aviso de Recebimento de fl. 271, em 08/10/2007. De acordo com a descrição dos fatos constante dos Autos de Infração, o lançamento decorreu da apuração de Depósitos Bancários de Origem Não Comprovada Depósitos Bancários Não Contabilizados, tendo a Fiscalização apurado a existência de depósitos realizados junto a instituições financeiras em que o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Consta do auto de infração que o contribuinte foi intimado, mediante Termo de Início de Fiscalização, a apresentar os extratos de contas bancárias e de aplicações financeiras referentes ao anocalendário 2003, e apresentou resposta declarando que "não mantinha conta bancária em nenhuma instituição financeira", tendo a Fiscalização constatado que de fato não houve escrituração de contas bancárias nos livros Diário e Razão. Em resposta a requisição de informações da Fiscalização, o Banco do Brasil e o Bradesco apresentaram extratos bancários referentes à movimentação bancária do contribuinte. Foram então solicitados esclarecimentos ao contribuinte sobre a origem dos depósitos efetuados nas referidas contas correntes, tendo o mesmo apresentado como justificativas a existência de valores duplicados; o Fl. 413DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10120.006854/200771 Acórdão n.º 1401001.217 S1C4T1 Fl. 414 4 lançamento de limite de crédito em 01/07/2003; lançamento de depósitos antes da compensação de cheques, sendo que todos esses argumentos foram considerados pela Fiscalização antes da aplicação do percentual de 8% para o cálculo do lucro presumido. O gerente responsável pela pessoa jurídica tomou ciência dos autos de infração pessoalmente em 27/09/2007 (fls. 235, 241, 248 e 255). Foi apresentada impugnação aos autos de infração lavrados contra a pessoa jurídica em 25/10/2007 (fls. 274/277), na qual o procurador da autuada alega, em síntese, o seguinte: Em sede de preliminar, levanta a tese de cerceamento do direito de defesa devido ao fato de que "o autuante não se desincumbiu do ônus de provar sua acusação, pois não trouxe aos autos nenhuma prova de que a sua convicção é a que espelha a verdade dos fatos ou a determinação da lei." • No mérito, repete que "a fiscalização não traz consistência nem prova" e que o trabalho fiscal não merece vida no mundo jurídico, por ser um trabalho fiscal precário e passível de nulidade, conforme ementas de julgados que cita, ambas tratando de trabalhos fiscais inconsistentes. • Diz que a autoridade fiscal não goza de fé pública e que suas alegações necessitam ser comprovadas e que, no caso, a Fiscalização não produziu nenhuma prova que validasse seus atos. Alega que a forma de tributação está na contramão do que está determinado pela lei específica; que a legislação determina que o dever de prova é do fisco, não bastando tão somente fazer o lançamento sem o esteio da comprovação e da legalidade, havendo a necessidade de busca da verdade real dos fatos, inexistindo no Direito Tributário qualquer peculiaridade que exonere o fisco de demonstrar cabalmente a veracidade do que alega, e finaliza requerendo a nulidade do feito fiscal. • Junta à impugnação os seguintes documentos; Procuração (fls. 278); Declaração de Firma Individual (fls. 279); cópias do Livro de Apuração do IPI (fls. 280/307); Demonstrativos de Receita Não comprovada elaborados pela Fiscalização (fls. 308/318). Às fls. 319/327 foi juntada a impugnação apresentada pelo procuradores de Wender Carreiro Alves contra a imputação de solidariedade passiva ao Auto de Infração, alegandose o seguinte: • O impugnante não é sócio, nem proprietário, nem quotista, nem participa de qualquer forma da empresa autuada, sendo simplesmente gerente administrativo da mesma, conforme documentos que anexa; • que detém procuração pública apenas para auxiliar na solução de problemas burocráticos; • que se existe alguma relação com a W C Alves, esta é de natureza trabalhista, vez que a lei não faz nenhuma distinção entre empregado parente ou não; Fl. 414DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10120.006854/200771 Acórdão n.º 1401001.217 S1C4T1 Fl. 415 5 • que segundo o Departamento Nacional de Registro de Comércio, 98,93% das sociedades empresariais abertas nos últimos 20 anos foram sob a forma de sociedades limitadas, já que as firmas individuais não integram essa estatística por possuírem apenas um sócio, não sendo reconhecidas como sociedades por esse caráter de singularidade de sócio; que o Código civil de 2002 não disciplinou o instituto de firmas individuais; Cita o art. 3o do Decreto n° 916/1890; o artigo 2o da CLT de 1943; o artigo 15 da Lei n° 8.212/91; o art. 2o da Lei de Registros Empresariais n° 8.934/94; o art. 68 da Lei complementar n° 123/2007; resposta publicada pela RFB a respeito de sucessão empresarial em firma individual e conclui que as empresas individuais constituem realidade inegável, posto que são largamente utilizadas, carecedoras, portanto, de uma lei que melhor discipline a matéria, principalmente que possibilite a separação pessoal e patrimonial dos bens da empresa individual dos bens do empresário. Que não se pode admitir a atribuição de responsabilidade tributária pessoal a terceiro, na qualidade de mero empregado de firma individual; • Que não se observou o princípio da legalidade estrita, pois o funcionário que possui procuração para representar a empresa não se enquadra nas hipóteses previstas no art. 124 do CTN, não tendo a fiscalização apontado o dispositivo legal que atribui responsabilidade objetiva a funcionário gerente administrativo de firma individual; • Diz que a ordem jurídica global não aceita a responsabilização de quem quer que seja sem culpa subjetiva, e que a lei tributária não pode instituir responsabilidade solidária dos sócios da empresa, muito menos de gerente administrativo de empresa individual, confundindose a pessoa jurídica com a pessoa física, cada qual com personalidade jurídica própria nos termos do direito comum. • Finaliza requerendo a exclusão de sua responsabilidade do referido Auto de Infração e junta procuração (fls. 328); cópia de Carteira de Identidade, CPF e folha de Carteira de Trabalho (fls. 329/330). Este é o Relatório. A DRJ MANTEVE os lançamentos, nos termos das ementas abaixo: Anocalendário: 2003 ARGUIÇÃO DE NULIDADE E CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Comprovado que a autuada foi regularmente cientificada dos procedimentos fiscais, tendo inclusive prestado seus esclarecimentos em várias oportunidades durante a fase fiscalizatória, não prospera o argumento de cerceamento de direito de defesa. Rejeitamse as preliminares de nulidade do auto de infração, quando esse estiver revestido de todas as formalidades exigidas em lei para sua lavratura. Fl. 415DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10120.006854/200771 Acórdão n.º 1401001.217 S1C4T1 Fl. 416 6 OMISSÃO DE RECEITAS DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA Caracterizamse omissão de receita os valores creditados em conta de depósito mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Os valores decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa jurídica só se excluem da base de cálculo se devidamente comprovado que referida transferência entre contas efetivamente se concretizou. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA Há responsabilidade solidária quando se demonstra o interesse comum nas situações que ensejaram os fatos geradores, especialmente quando os atos ilícitos objeto de autuação fiscal foram praticados pelo único gerente/administrados formalmente constituído. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2003 REFLEXO O decidido quanto ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica aplicase à exigência da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social dele decorrente. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2003 REFLEXO O decidido quanto ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica aplicase à exigência da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido dele decorrente. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2003 REFLEXO O decidido quanto ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica aplicase à exigência da Contribuição Social para o PIS dele decorrente. Cientificada da decisão de primeira instância, na pessoa de seu procurador, o Sr. Wender Carreiro Alves, a empresa interpôs recurso voluntário (fls. 389/393) a este CARF, reprisando em sua literalidade todos os pontos trazidos anteriormente na impugnação contra a manutenção do auto de infração. É o relatório. Fl. 416DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10120.006854/200771 Acórdão n.º 1401001.217 S1C4T1 Fl. 417 7 Voto Conselheiro Antonio Bezerra Neto, Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade. Delimitação da lide O responsável tributário não faz mais parte da lide, pois não se defendeu. Preliminares de nulidade A Recorrente alega cerceamento do direito de defesa, mas na essência a sua insurgência é contra o mérito. A teor do art. 59 do Decreto 70235/72, considerase nulo o ato, se praticado por pessoa incompetente ou com preterição do direito de defesa, não tendo se caracterizado quaisquer das situações, pois não se põe em dúvida a competência do autor, auditor fiscal, bastando para tanto a assinatura do mesmo, nem há que se falar em preterição do direito de defesa, vez que os fatos apurados foram descritos com o respectivo enquadramento legal, e levados ao conhecimento, da autuada, levando a mesma a defenderse plenamente através da peça impugnatória e recurso acostados aos autos, como efetivamente o fez. Outrossim, foram observados dois requisitos fundamentais à validade do ato administrativo. Os requisitos apontados estão previstos em lei, são os incisos III e IV do art. 10 do Decreto 70.235/72 e têm a seguinte redação: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: .............................................................................................................. III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; (....) Outrossim, reiterese, como bem colocado pela decisão de piso, que a pessoa jurídica, na figura do seu gerente Wender Carreiro Alves e procurador da empresa, foi regularmente cientificada de todos os procedimentos fiscais teve oportunidades para prestar os esclarecimentos pertinentes durante toda a execução dos procedimentos fiscais, bem como na fase impugnatória, não se configurando o alegado cerceamento de seu direito de defesa. Tomese como exemplo dois momentos: Fl. 417DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10120.006854/200771 Acórdão n.º 1401001.217 S1C4T1 Fl. 418 8 Em resposta ao Termo de Início de Fiscalização o mencionado gerente Wender Carreiro Alves apresentou a seguinte Declaração (fl. 17): "A empresa W. C. Alves com sede na Rua 20 QD. 55 LT.10 Setor Aeroporto Morrinhos GO, inscrita no CNPJ n° 01.718.673/000144, representada aqui por Wender Carreiro Alves procurador declara para todos os fins que se fizer necessário que no período solicitado não mantinha conta bancária em nenhuma instituição financeira." Porém, tal declaração se mostrou depois completamente inverídica como se demonstra o excerto abaixo de sua resposta (fls. 150/151):, ficando assim caracterizada pela fiscalização a forma ilícita que o referido gerente e procurador da empresa conduziu essa fiscalização: "Referente às operações bancárias em nome da empresa (...) queremos informar que se trata de uma empresa familiar e que não tivemos o cuidado até mesmo por falta de conhecimentos adequados em usar as referidas contas (...) Verificando os resumos feitos pelo Senhor Auditor, notamos em alguns créditos valores duplicados, como na página 01 na data de 07/04/2003 o valor de R$ 543,50, no dia 17/10/2003 o valor de R$ 2.147,00, no dia 23/10/2003 o valor de R$ 74,00, no dia 18/11/2003 o valor de R$ 855,00 e também um limite de crédito no dia 01/07/2003 no valor de R$5.000,00. Também queremos ressaltar que no ano 2003 houve vários cheques depositados em créditos que não foram concretizados com seus pagamentos, voltaram sem fundos. (...) no Bradesco todos os depósitos feitos em cheques eram considerados como créditos (...) Por fim, as razões de mérito, tais como a de que o autuante não se desincumbiu do ônus de provar, suscitadas em sede preliminar serão enfrentadas como se mérito fossem. Por todo o exposto, rejeito a preliminar de nulidade. PRESUNÇÃO LEGAL Depósitos bancários sem comprovação da origem dos recursos O art. 42, da Lei nº 9.430/1996 é cristalino ao determinar que a omissão de receitas pode ser caracterizada por meio de valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Constatase também que houve a intimação específica como manda a Lei (fls.141/149) para que o contribuinte indicasse a origem e a contabilização de cada um dos créditos bancários que estavam sendo analisados pela Fiscalização. Ora, como se vê da descrição dos fatos, a empresa não apresentou documentação alguma que comprovasse a origem dos recursos daqueles diversos depósitos, Fl. 418DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10120.006854/200771 Acórdão n.º 1401001.217 S1C4T1 Fl. 419 9 apenas meras retificações pontuais que foram acatadas pelo fiscal. A recorrente não logrou comprovar, através de documentação hábil e idônea, coincidentes em datas e valores, a origem dos recursos recebidos em conta bancária. Em sede impugnatória e recursal, a interessada ao invés de tentar provar os fatos alegados, se limita a tecer considerações de fato inverídicas tais como: de que não foram trazidos aos autos nenhuma prova; de que a fiscalização não traz consistência nem prova. Tais alegações não se sustentam frente as provas dos autos. Conforme bem apontou a decisão de piso, constam dos autos os seguintes cão elementos de prova que por sua vez embasam a presunção legal prevista no ar42. da Lei n. 9430/96: Documentos apresentados pelo Bradesco (fls. 21/95), comprobatórios da existência de movimentação bancária em nome da autuada, durante o anocalendário 2003; Documentos apresentados pelo Banco do Brasil (fls. 99/140) comprobatórios da existência de movimentação bancária em nome da autuada, durante o ano calendário 2003; Demonstrativo elaborado pela Fiscalização (fls. 142/149), que consolidou os depósitos bancários informados pelas duas instituições financeiras antes mencionadas. O sr. Gerente Wender Carreiro Alves tomou ciência e apresentou sua argumentação (fls. 150/151) Demonstrativo de cheques devolvidos, elaborado pela Fiscalização (fls. 233/234), por meio do qual foram excluídas parcelas referentes a cheques devolvidos, acatandose a argumentação da Fiscalizada. . Por sua vez a legislação abaixo, juntamente com aquelas provas dos autos norteou toda a autuação: LEI n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996 DOU de 30.12.96 “Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Tratandose de uma presunção legal de omissão de rendimentos, o ônus da prova fica invertido, a autoridade lançadora eximese de provar no caso concreto a sua ocorrência, transferindo o ônus da prova à contribuinte. O contribuinte, por sua vez, não logrando êxito nessa tarefa que se lhe impunha, como ocorre no caso presente, temse a autorização para considerar ocorrido o fato gerador, ou seja, por presunção legal se toma como verdadeiro que os recursos depositados representam rendimentos do contribuinte. Por se tratar de uma presunção relativa juris tantum, somente a apresentação de provas hábeis e idôneas pode refutar a presunção legal regularmente estabelecida. Por fim, a jurisprudência administrativa trazida à baila não o ajuda, por se tratar de matéria fática distinta. Fl. 419DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10120.006854/200771 Acórdão n.º 1401001.217 S1C4T1 Fl. 420 10 Lançamentos Reflexos Por estarem sustentados na mesma matéria fática, os mesmos fundamentos devem nortear a manutenção das exigências lançadas por via reflexa. Por todo o exposto, rejeito a preliminar e, no mérito, nego provimento ao recurso (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Fl. 420DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 19515.004044/2003-98
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 01 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Exercício: 1999
CSLL. CUSTOS REFERENTES A PARCELA DA CORREÇÃO MONETÁRIA IPC/BTNF. BAIXA DE BEM IMÓVEL DO ATIVO PERMANENTE POR DESAPROPRIAÇÃO. VERBA INDENIZATÓRIA. INEXISTÊNCIA DE ACRÉSCIMO PATRIMONIAL. NÃO-INCIDÊNCIA.
Nos casos em que a baixa do ativo permanente é feita por desapropriação do bem, a contraprestação será recebida à título de indenização e não caracterizará acréscimo patrimonial. Desse modo, a diferença entre o valor da indenização e o custo contábil não seria fato gerador da CSLL, não se justificando, portanto, a exigência da CSLL sobre a correção adicional do IPC/BTNF.
Numero da decisão: 9101-001.879
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso.
(assinado digitalmente)
HERIQUE PINHEIRO TORRES Presidente.
(assinado digitalmente)
JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: HENRIQUE PINHEIRO TORRES (Presidente-Substituto), MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO, VALMIR SANDRI, VALMAR FONSECA DE MENEZES, KAREM JUREIDINI DIAS, JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, JOÃO CARLOS DE LIMA JÚNIOR, PLÍNIO RODRIGUES LIMA (Suplente Convocado), MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI (Suplente Convocado) e SUSY GOMES HOFFMANN (Vice-Presidente).
Nome do relator: JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201403
camara_s : 1ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Exercício: 1999 CSLL. CUSTOS REFERENTES A PARCELA DA CORREÇÃO MONETÁRIA IPC/BTNF. BAIXA DE BEM IMÓVEL DO ATIVO PERMANENTE POR DESAPROPRIAÇÃO. VERBA INDENIZATÓRIA. INEXISTÊNCIA DE ACRÉSCIMO PATRIMONIAL. NÃO-INCIDÊNCIA. Nos casos em que a baixa do ativo permanente é feita por desapropriação do bem, a contraprestação será recebida à título de indenização e não caracterizará acréscimo patrimonial. Desse modo, a diferença entre o valor da indenização e o custo contábil não seria fato gerador da CSLL, não se justificando, portanto, a exigência da CSLL sobre a correção adicional do IPC/BTNF.
turma_s : 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Fri Aug 01 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 19515.004044/2003-98
anomes_publicacao_s : 201408
conteudo_id_s : 5363777
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Aug 01 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 9101-001.879
nome_arquivo_s : Decisao_19515004044200398.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR
nome_arquivo_pdf_s : 19515004044200398_5363777.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. (assinado digitalmente) HERIQUE PINHEIRO TORRES Presidente. (assinado digitalmente) JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: HENRIQUE PINHEIRO TORRES (Presidente-Substituto), MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO, VALMIR SANDRI, VALMAR FONSECA DE MENEZES, KAREM JUREIDINI DIAS, JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, JOÃO CARLOS DE LIMA JÚNIOR, PLÍNIO RODRIGUES LIMA (Suplente Convocado), MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI (Suplente Convocado) e SUSY GOMES HOFFMANN (Vice-Presidente).
dt_sessao_tdt : Wed Mar 19 00:00:00 UTC 2014
id : 5546084
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:25:00 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046815401574400
conteudo_txt : Metadados => date: 2014-06-25T13:40:58Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2014-06-25T13:40:58Z; Last-Modified: 2014-06-25T13:40:58Z; dcterms:modified: 2014-06-25T13:40:58Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; xmpMM:DocumentID: uuid:131c8b6a-dddc-4422-8d7e-404da068f491; Last-Save-Date: 2014-06-25T13:40:58Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2014-06-25T13:40:58Z; meta:save-date: 2014-06-25T13:40:58Z; pdf:encrypted: true; modified: 2014-06-25T13:40:58Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2014-06-25T13:40:58Z; created: 2014-06-25T13:40:58Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; Creation-Date: 2014-06-25T13:40:58Z; pdf:charsPerPage: 2019; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2014-06-25T13:40:58Z | Conteúdo => CSRFT1 Fl. 255 1 254 CSRFT1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 19515.004044/200398 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9101001.879 – 1ª Turma Sessão de 19 de março de 2014 Matéria CSLL Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado AGRO PASTORIL E MINERAÇÃO PIRAMBEIRAS LTDA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Exercício: 1999 CSLL. CUSTOS REFERENTES A PARCELA DA CORREÇÃO MONETÁRIA IPC/BTNF. BAIXA DE BEM IMÓVEL DO ATIVO PERMANENTE POR DESAPROPRIAÇÃO. VERBA INDENIZATÓRIA. INEXISTÊNCIA DE ACRÉSCIMO PATRIMONIAL. NÃOINCIDÊNCIA. Nos casos em que a baixa do ativo permanente é feita por desapropriação do bem, a contraprestação será recebida à título de indenização e não caracterizará acréscimo patrimonial. Desse modo, a diferença entre o valor da indenização e o custo contábil não seria fato gerador da CSLL, não se justificando, portanto, a exigência da CSLL sobre a correção adicional do IPC/BTNF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. (assinado digitalmente) HERIQUE PINHEIRO TORRES – Presidente. (assinado digitalmente) JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR – Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: HENRIQUE PINHEIRO TORRES (PresidenteSubstituto), MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO, VALMIR SANDRI, VALMAR FONSECA DE MENEZES, KAREM JUREIDINI DIAS, JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, JOÃO CARLOS DE LIMA JÚNIOR, PLÍNIO AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 40 44 /2 00 3- 98 Fl. 255DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/0 6/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TOR RES 2 RODRIGUES LIMA (Suplente Convocado), MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI (Suplente Convocado) e SUSY GOMES HOFFMANN (VicePresidente). Relatório Tratase de Recurso Especial de divergência (fls. 200/206) interposto pela Fazenda Nacional com fundamento no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria n.° 256, de 22/06/2009. Insurgiuse a Recorrente contra o acórdão nº 180200.491 proferido pelos membros da 2ª Turma Especial, da Primeira Seção de Julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais que, por unanimidade de votos, deram provimento ao recurso voluntário. O voto condutor do acórdão recorrido foi no sentido de que não deve compor a base de cálculo da CSLL a parcela da correção monetária adicional, da diferença entre o IPC e o BTNF, do custo de aquisição dos bens baixados, pois o presente processo trata da desapropriação de bem imóvel e, consequentemente, de ganho de capital imune à tributação. O acórdão recorrido foi assim ementado: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE 0 LUCRO LIQUIDO CSLL Exercício: 1999 CSLL CORREÇÃO ADICIONAL DO IPC/90 CUSTO DE AQUISIÇÃO DE BEM BAIXADO. Não se justifica a exigência de CSLL sobre a correção adicional do IPC/90 sobre o custo de aquisição de bem baixado do ativo permanente quando a baixa foi feita por força de desapropriação do bem pelo Poder Público, tendo em vista que o ganho de capital nesse caso é imune à tributação.” A Fazenda Nacional, em suas razões recursais, sustentou que o entendimento adotado no acórdão recorrido não merece prosperar, pois a correta interpretação do artigo 31 do Decreto Lei 1598/77 é no sentido de que o produto da desapropriação em qualquer caso revela acréscimo patrimonial e que este ganho deve ser reconhecido no balanço da empresa. Trouxe como paradigma o acórdão 108079952, assim ementado: “IRPJ — DESAPROPRIAÇÃO DE IMÓVEL — Os lucros decorrentes da alienação por desapropriação de imóveis são tributáveis e somente se isentam se realizados na vigência de legislação que os beneficie com o favor fiscal. Ainda assim, a isenção, assim como o diferimento da tributação, só se aplica se forem obedecidas as condições legais necessárias ao reconhecimento da isenção ou do diferimento. CSL — LANÇAMENTO DECORRENTE — decidido no julgamento da exigência principal do Imposto de Renda Pessoa Jurídica faz coisa julgada no lançamento dela decorrente, no Fl. 256DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/0 6/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TOR RES Processo nº 19515.004044/200398 Acórdão n.º 9101001.879 CSRFT1 Fl. 256 3 mesmo grau de jurisdição, ante a intima relação de causa e efeito entre eles existente. Recurso negado.” Transcreveu, ainda, trecho do voto proferido pelo redator designado (voto vencedor): “Em que pese o merecido respeito a que faz jus o ilustre relator, peço vênia para dele discordar quanto à exclusão do crédito tributário referente a ganho de capital na desapropriação de bem imóvel. (...) Não posso concordar com os argumentos apresentados pelo Relator para justificar a exoneração pretendida, porque a desapropriação é uma das formas de ganho de capital expressamente designadas em lei.” Por fim, pugnou pela reforma do acórdão recorrido. O contribuinte apresentou contrarrazões às fls. 226/245 sustentando a impossibilidade de tributação de valores recebidos à título de indenização por desapropriação, pois estes caracterizam recomposição do capital tomado pelo poder expropriante. Por fim, pugnou pela manutenção do acórdão recorrido. É o relatório. Voto Conselheiro João Carlos de Lima Junior, Relator. O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimeto. Inicialmente, considerando que o cálculo da diferença IPC/BTNF foi efetuado no ano de 1990, é importante relembrarmos a legislação vigente à época. A Lei 8.200/91 em seu artigo 3º definiu qual deveria ser o tratamento fiscal a ser aplicado na diferença entre a correção monetária do anobase de 1990 pelo IPC e pela BTN Fiscal. Referida legislação não determinou qual deveria ser o tratamento fiscal desta diferença de correção monetária na apuração da CSLL, tratou apenas da apuração do lucro real, conforme podese observar abaixo: “Art. 3º A parcela da correção monetária das demonstrações financeiras, relativa ao períodobase de 1990, que corresponder à diferença verificada no ano de 1990 entre a variação do Índice Fl. 257DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/0 6/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TOR RES 4 de Preços ao Consumidor (IPC) e a variação do BTN Fiscal, terá o seguinte tratamento fiscal: I Poderá ser deduzida, na determinação do lucro real, em seis anoscalendário, a partir de 1993, à razão de 25% em 1993 e de 15% ao ano, de 1994 a 1998, quando se tratar de saldo devedor. (Redação dada pela Lei nº 8.682, de 1993) II será computada na determinação do lucro real, a partir do períodobase de 1993, de acordo com o critério utilizado para a determinação do lucro inflacionário realizado, quando se tratar de saldo credor.” Por sua vez, o Decreto 332/91 regulamentou a Lei 8.200 e deixou explícito que os efeitos da diferença IPC/BTNF não poderiam ter nenhum efeito fiscal na apuração da CSLL, sendo que a diferença IPC/BTNF deveria ser controlada de forma individualizada por cada bem ou direito do ativo imobilizado existente à época. No momento do seu reconhecimento inicial a contra partida deveria ser em conta de patrimônio líquido, o que não causaria efeito fiscal na sua criação, vejamos artigo 33 parcialmente descrito abaixo: “Art. 33. A diferença, em relação ao ano de 1990, entre a correção com base no IPC e no BTN Fiscal será apurada na forma a seguir: I aplicação sobre o valor de cada bem ou direito do ativo sujeito a correção monetária e sobre o saldo de cada conta do patrimônio líquido, do IPC acumulado relativo: a) a todo o ano de 1990, quando os valores referidos tenham constado dos balanços de encerramento dos períodosbase de 1989 e 1990; ... § 1º A diferença relativa a bem ou direito do ativo será escriturada em conta ou subconta distinta da que registra o valor original, corrigido com base no BTN Fiscal, em contrapartida a uma conta especial de correção monetária com base no IPC, cujo saldo final será transferido para conta de patrimônio líquido;” O artigo 39 do referido decreto apresentou, apenas para apuração do lucro real, qual deveria ser o tratamento fiscal da diferença IPC/BTNF, conforme exposto abaixo: “Art. 39. Para fins de determinação do lucro real, a parcela dos encargos de depreciação, amortização, exaustão, ou do custo de bem baixado a qualquer título, que corresponder à diferença de Fl. 258DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/0 6/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TOR RES Processo nº 19515.004044/200398 Acórdão n.º 9101001.879 CSRFT1 Fl. 257 5 correção monetária pelo IPC e pelo BTN Fiscal somente poderá ser deduzida a partir do exercício financeiro de 1994, período base de 1993.” Por sua vez, o artigo 41 expressamente disciplinou que o valor da diferença IPC/BTNF não poderia influenciar na apuração da CSLL, ou seja, o efeito fiscal em qualquer momento deveria ser nulo, não aumentando nem reduzindo o valor do tributo a recolher: “Art. 41. 0 resultado da correção monetária de que trata este capítulo não influirá na base de cálculo da contribuição social (Lei nº 7.689/88) e do imposto de renda na fonte sobre o lucro líquido (Lei nº 7.713/88, art. 35). ... § 2º Os valores a que se refere o art. 39, computados em conta de resultado, deverão ser adicionados ao lucro líquido na determinação da base de cálculo da contribuição social (Lei nº 7.689/88) e do imposto sobre o lucro líquido (Lei nº 7.713/88, art. 35).” De acordo com o item XXIV do artigo 5º da Constituição Federal, o valor da desapropriação deverá ser efetuada mediante justa e prévia indenização, ou seja, o valor recebido já deve ser um valor que garanta que o proprietário possa recompor o seu patrimônio com bem idêntico ao que foi desapropriado. Se o valor da desapropriação fosse reduzido pela incidência de tributos, o mesmo não poderia ser considerado como justo, o que afrontaria a previsão constitucional. Nesse sentido temos recentes jurisprudências administrativas deste Conselho: “Ementa: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2006, 2007 DESAPROPRIAÇÃO. PESSOA JURÍDICA. GANHO DE CAPITAL. INEXISTÊNCIA. MATÉRIA DECIDIDA EM RECURSO REPETITIVO DO STJ. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. Quando a Constituição fala em preço justo está a se reportar a algo que garanta que o proprietário, pessoa física ou jurídica, com os recursos que receber, adquira bem de idêntico valor. Se houvesse incidência do imposto de renda, em determinadas ocasiões exigido pelo próprio desapropriante, isto quando este for a União, estarseia impossibilitando que o então proprietário recompusesse seu patrimônio. Não há, na desapropriação, transferência da propriedade, por qualquer negócio jurídico de direito privado. Não sucede, aí, venda do bem ao poder expropriante. Não se configura, outrossim, a noção de preço, como contraprestação Fl. 259DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/0 6/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TOR RES 6 pretendida pelo proprietário. O 'quantum' auferido pelo titular da propriedade expropriada é, tãosó, forma de reposição, em seu patrimônio, do justo valor do bem, que perdeu, por necessidade ou utilidade pública ou por interesse social. Só é passível de tributação por meio do imposto de renda, a riqueza nova, ou seja, o acréscimo patrimonial experimentado pelo contribuinte ao longo de um determinado espaço de tempo. O valor recebido na desapropriação não representa acréscimo patrimonial, mas sim a substituição do patrimônio correspondente a determinado bem por quantia equivalente em espécie. (Precedente RESP 1.116.460SP, julgado sob a forma do artigo 543C, de observância obrigatória pelos Conselheiros do CARF, conforme previsto no artigo 62A, do Regimento Interno). Recurso Voluntário Provido.” (Acórdão: 1402001.356. Processo: 10467.720302/201054) Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Exercício: 1998 DESAPROPRIAÇÃO POR UTILIDADE PÚBLICA INDENIZAÇÃO. NÃO INCIDÊNCIA. A desapropriação é ato coativo do Estado, que, na satisfação do interesse público, retira a propriedade de bem integrante do patrimônio do particular, mediante justa e prévia indenização. Nos termos do art. 5º, XXIV da Constituição Federal, o valor recebido tem natureza indenizatória, portanto, não se sujeita a incidência de imposto de renda. Recurso Especial do Procurador Negado.” (Acórdão: 9101001.461. Processo: 11618.002710/200121) Da mesma maneira é a decisão do STJ no julgamento pelo Ministro Luiz Fux do Recurso Especial nº 1.116.460 sobre o mesmo tema, cuja conclusão foi a não incidência do imposto de renda por não representar acréscimo patrimonial, vejamos os principais temas da ementa: “TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. IMPOSTO DE RENDA. INDENIZAÇÃO DECORRENTE DE DESAPROPRIAÇÃO. VERBA INDENIZATÓRIA. NÃOINCIDÊNCIA. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC NÃO CONFIGURADA. A incidência do imposto de renda tem como fato gerador o acréscimo patrimonial (art. 43, do CTN), sendo, por isso, imperioso perscrutar a natureza jurídica da verba percebida, a fim de verificar se há efetivamente a criação de riqueza nova: a) se indenizatória, que, via de regra, não retrata hipótese de incidência da exação; ou b) se remuneratória, ensejando a tributação. Isto porque a tributação ocorre sobre signos presuntivos de capacidade econômica, sendo a obtenção de renda e proventos de qualquer natureza um deles. Fl. 260DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/0 6/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TOR RES Processo nº 19515.004044/200398 Acórdão n.º 9101001.879 CSRFT1 Fl. 258 7 2. Com efeito, a Constituição Federal, em seu art. 5º, assim disciplina o instituto da desapropriação: "XXIV a lei estabelecerá o procedimento para desapropriação por necessidade ou utilidade pública, ou por interesse social, mediante justa e prévia indenização em dinheiro, ressalvados os casos previstos nesta Constituição;" 3. Destarte, a interpretação mais consentânea com o comando emanado da Carta Maior é no sentido de que a indenização decorrente de desapropriação não encerra ganho de capital, porquanto a propriedade é transferida ao poder público por valor justo e determinado pela justiça a título de indenização, não ensejando lucro, mas mera reposição do valor do bem expropriado. ... 5. Deveras, a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça firmouse no sentido da nãoincidência da exação sobre as verbas auferidas a título de indenização advinda de desapropriação, seja por necessidade ou utilidade pública ou por interesse social, porquanto não representam acréscimo patrimonial.” (Recurso Especial nº 1.116.460 SP (2009/00065807). Assim, considerando que os valores recebidos à título de indenização não devem ser caracterizados como fatos geradores da CSLL, não importa o valor do custo contábil do bem desapropriado, a diferença entre o valor da indenização e o custo contábil não seria neste caso fato gerador da CSLL, conforme exposto acima. Diante disso, nego provimento ao Recurso Especial. (documento assinado digitalmente) JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR – Relator. Fl. 261DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/0 6/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TOR RES
score : 1.0
Numero do processo: 10768.901865/2006-71
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Aug 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1998
COMPENSAÇÃO REALIZADA PELO SUJEITO PASSIVO. INCIDÊNCIA DE ACRÉSCIMOS MORATÓRIOS SOBRE O CRÉDITO TRIBUTÁRIO JÁ VENCIDO NO MOMENTO DA PROTOCOLIZAÇÃO DA DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE.
Vencido o crédito tributário incidem sobre o mesmo os juros de mora e a multa de mora, que passam a integrar o crédito em favor da Fazenda Pública. Na compensação efetuada pelo sujeito passivo o débito será, pois, considerado na situação em que é apresentada a declaração de compensação, ou seja, sujeito à incidência de multa e de juros moratórios se já vencido naquele momento.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. DÉBITO NÃO QUITADO. NÃO CARACTERIZAÇÃO.
Um dos pressupostos essenciais à denúncia espontânea é a quitação do débito, sem a qual não há como caracterizar o instituto em evidência.
COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA NÃO DEMONSTRADAS. IMPOSSIBILIDADE DE EXTINÇÃO DOS DÉBITOS PARA COM A FAZENDA PÚBLICA.
A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN.
A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção do débito para com a Fazenda Pública mediante compensação.
Recurso a que se nega provimento.
Numero da decisão: 3802-003.349
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano Damorim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, Mércia Helena Trajano Damorim, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201407
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 1998 COMPENSAÇÃO REALIZADA PELO SUJEITO PASSIVO. INCIDÊNCIA DE ACRÉSCIMOS MORATÓRIOS SOBRE O CRÉDITO TRIBUTÁRIO JÁ VENCIDO NO MOMENTO DA PROTOCOLIZAÇÃO DA DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. Vencido o crédito tributário incidem sobre o mesmo os juros de mora e a multa de mora, que passam a integrar o crédito em favor da Fazenda Pública. Na compensação efetuada pelo sujeito passivo o débito será, pois, considerado na situação em que é apresentada a declaração de compensação, ou seja, sujeito à incidência de multa e de juros moratórios se já vencido naquele momento. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. DÉBITO NÃO QUITADO. NÃO CARACTERIZAÇÃO. Um dos pressupostos essenciais à denúncia espontânea é a quitação do débito, sem a qual não há como caracterizar o instituto em evidência. COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA NÃO DEMONSTRADAS. IMPOSSIBILIDADE DE EXTINÇÃO DOS DÉBITOS PARA COM A FAZENDA PÚBLICA. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção do débito para com a Fazenda Pública mediante compensação. Recurso a que se nega provimento.
turma_s : Segunda Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Aug 13 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10768.901865/2006-71
anomes_publicacao_s : 201408
conteudo_id_s : 5367204
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Aug 13 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3802-003.349
nome_arquivo_s : Decisao_10768901865200671.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
nome_arquivo_pdf_s : 10768901865200671_5367204.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim - Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios - Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, Mércia Helena Trajano Damorim, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra.
dt_sessao_tdt : Wed Jul 23 00:00:00 UTC 2014
id : 5560945
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:25:38 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046815404720128
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2230; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE02 Fl. 129 1 128 S3TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10768.901865/200671 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3802003.349 – 2ª Turma Especial Sessão de 23 de julho de 2014 Matéria Pedido de Compensação PER/DCOMP Recorrente Santos Brasil S.A. Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1998 COMPENSAÇÃO REALIZADA PELO SUJEITO PASSIVO. INCIDÊNCIA DE ACRÉSCIMOS MORATÓRIOS SOBRE O CRÉDITO TRIBUTÁRIO JÁ VENCIDO NO MOMENTO DA PROTOCOLIZAÇÃO DA DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. Vencido o crédito tributário incidem sobre o mesmo os juros de mora e a multa de mora, que passam a integrar o crédito em favor da Fazenda Pública. Na compensação efetuada pelo sujeito passivo o débito será, pois, considerado na situação em que é apresentada a declaração de compensação, ou seja, sujeito à incidência de multa e de juros moratórios se já vencido naquele momento. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. DÉBITO NÃO QUITADO. NÃO CARACTERIZAÇÃO. Um dos pressupostos essenciais à denúncia espontânea é a quitação do débito, sem a qual não há como caracterizar o instituto em evidência. COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA NÃO DEMONSTRADAS. IMPOSSIBILIDADE DE EXTINÇÃO DOS DÉBITOS PARA COM A FAZENDA PÚBLICA. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção do débito para com a Fazenda Pública mediante compensação. Recurso a que se nega provimento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 76 8. 90 18 65 /2 00 6- 71 Fl. 129DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 12/ 08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, Mércia Helena Trajano Damorim, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 6a Turma da DRJ São Paulo I (fls. 90/95 do processo eletrônico), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade formalizada contra o não reconhecimento do direito creditório pleiteado mediante declaração de compensação, em acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 1998 DIREITO CREDITÓRIO. NECESSIDADE DE PROVA Incumbe ao sujeito passivo, na forma da legislação em vigor, demonstrar por meio de documentação contábil idônea a existência do direito creditório informado em declaração de compensação. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA Não havendo provas da existência do crédito utilizado, devese negar homologação à compensação declarada. DARF DE FILIAL. IMPOSSIBILIDADE DE APROVEITAMENTO Não podem ser aproveitados em compensação com débitos da matriz os DARF recolhidos no CNPJ da filial, quando se referem a débitos desta última e a eles se acham alocados. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Conforme relatado, o contribuinte formalizou declaração de compensação que, todavia, não foi homologada em virtude de o pagamento apontado como origem do crédito já haver sido integralmente utilizado para fins de quitação de débitos da interessada. Inconformado, o sujeito passivo apresentou manifestação de inconformidade onde alegou, em síntese: a) que a interposição do recurso em apreço suspende a exigibilidade do crédito tributário a que alude o despacho decisório, consoante dispõe o art. 151, inciso III, do CTN; Fl. 130DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 12/ 08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 10768.901865/200671 Acórdão n.º 3802003.349 S3TE02 Fl. 130 3 b) que embora tenha recolhido com o CNPJ da filial o DARF que gerou o crédito utilizado no PER/DCOMP, informouo nessa declaração com o CNPJ da matriz porque o sistema de compensação não permitia preencher manualmente o campo reservado ao número do CNPJ, indicando de forma automática o CNPJ da matriz; c) que não lhe foi permitido nem retificar o DARF (pelo fato de a operação ter mais de 5 anos) nem o PER/DCOMP (por já ter sido objeto de decisão administrativa); d) que não protocolou o PER/DCOMP na data de vencimento do tributo porque ainda não haviam sido disponibilizados o programa e as respectivas instruções de preenchimento, o que só viria a ocorrer mais tarde, com a edição da IN SRF n° 320, de 11/04/2003; e) além disso, não havia à época determinação legal para enviar o PER/DCOMP na referida data de vencimento, o que, em face dos princípios da proporcionalidade e da moralidade, aos quais se subordina a Administração Pública, afasta a possibilidade de exigir da empresa multa e juros; f) em suma, não tendo havido nenhuma lesão aos cofres federais, a eventual exigência de multa e juros de mora por mero erro formal acarretaria o enriquecimento ilícito da Fazenda Pública; g) a revelarse insuficiente a argumentação acima, resta assinalar que houve extinção do crédito tributário via compensação sem nenhum conhecimento ou ação do Fisco Federal, o que configura denúncia espontânea, situação que, nos termos do artigo 138 do CTN, exime a requerente da multa moratória, consoante atestam a jurisprudência e a doutrina referenciadas. A decisão de primeira instância, como já mencionado, indeferiu a manifestação de inconformidade, em síntese, com base na inexistência, nos autos, de qualquer documentação capaz de atestar a liquidez e a certeza do crédito tributário alegado. A ciência da decisão que manteve a exigência formalizada contra a recorrente ocorreu em 05/07/2011 (fls. 127). Inconformada, a mesma apresentou, em 04/08/2011, o recurso voluntário de fls. 97/117, onde reitera os argumentos aduzidos na primeira instância, requerendo, ao final, seja dado provimento ao seu recurso com a conseqüente homologação da compensação vislumbrada, bem como a exclusão de qualquer incidência tributária adicional decorrente da compensação realizada. É o relatório. Voto O recurso merece ser conhecido por preencher os requisitos formais e materiais exigidos para sua aceitação. Fl. 131DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 12/ 08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 4 Conforme relatado, vêse que a contenda envolve aduzido direito creditório com base no qual o sujeito passivo formalizou declaração de compensação que, todavia, não foi homologada em virtude de o pagamento apontado como origem do crédito já haver sido integralmente utilizado para fins de quitação de débitos da interessada. Nos autos não está comprovada, minimamente, a existência do crédito reclamado. Conforme consignado na decisão de primeira instância, a recorrente não apresentou nenhuma documentação necessária à comprovação do reclamado direito, situação que se repete na presente instância recursal. A compensação, como uma das formas de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. Assim, a certeza e a liquidez do direito creditório alegado deverá ser cabalmente demonstrada pela interessada na extinção do crédito tributário mediante compensação. Para tanto, não é suficiente a simples apresentação de DCTF retificadora, a menos que a mesma esteja lastreada por documentação idônea comprobatória do erro, o que não foi minimamente observado nos autos. A não comprovação da certeza e da liquidez dos reclamados créditos não poderia redundar na extinção do débito para com a Fazenda Pública mediante compensação. Com relação à pleiteada suspensão do crédito tributário objeto deste processo, ressaltese que tal está previsto no § 11 do artigo 74 da Lei nº 9.430/96, segundo o qual “a manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9º e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação”. Por sua vez, o inciso III do artigo 151 do CTN estabelece que suspendem a exigibilidade do crédito tributário, dentre outros, “as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo”. Consequentemente, muito embora, uma vez inadmitida a compensação pleiteada pela recorrente, seja legítima a cobrança dos créditos tributários que esta intentava extinguir por compensação, a exigência permanece suspensa até o fim da presente demanda administrativa, por força do inciso III do artigo 151 do Código Tributário Nacional. No que diz respeito às alegações formalizadas pela interessada sobre a vigência das instruções normativas que tratavam da matéria e inerente aos acréscimos legais sobre os débitos em aberto, apresento, abaixo, as razões pelas quais entendo que também no que diz respeito aos aludidos argumentos não merecem ser acolhidas as alegações do sujeito passivo. Com a edição da Medida Provisória nº 66, de 29/08/2002 (publicada no DOU de 30/08/2002), posteriormente convertida na Lei nº 10.637, de 31/12/2002, o artigo 74 da Lei nº 9.430, de 30/12/2002, ganhou nova redação segundo a qual as formas de compensação anteriormente existentes foram substituídas pela autocompensação declarada, efetuada mediante a entrega de Declaração de Compensação – DCOMP, onde deverão constar as informações sobre os créditos utilizados e os respectivo débitos compensados, com efeito extintivo do crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Fl. 132DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 12/ 08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 10768.901865/200671 Acórdão n.º 3802003.349 S3TE02 Fl. 131 5 Essa nova forma de compensação passou a viger a partir de 1º/10/2002, conforme disposto no artigo 63, inciso I, da Medida Provisória nº 66/2002. A fim de disciplinar a nova sistemática inaugurada pela aludida Medida Provisória, a Secretaria da Receita Federal editou a Instrução Normativa nº 210, de 30/09/2002 (DOU de 1º/10/2002), a qual, em relação às datas a serem consideradas na compensação, estabeleceu o seguinte no que é relevante para a presente contenda: Art. 28. A compensação deverá ser efetuada considerandose as seguintes datas: I do pagamento indevido ou a maior que o devido, no caso de restituição, ressalvadas as hipóteses seguintes; II do ingresso do pedido de ressarcimento, quando destinado à compensação com débito vencido; III do vencimento do débito, quando o pedido de ressarcimento houver ocorrido antes dessa data; [...] (grifo nosso) A redação do aludido artigo 28 da IN SRF nº 210/2002 foi alterada posteriormente pela IN SRF nº 323, de 24/04/2003, vigente a partir de 28/05/2003. Segundo a nova redação, “na compensação efetuada pelo sujeito passivo, os créditos serão acrescidos de juros compensatórios [...] e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos moratórios, na forma da legislação de regência, até a data da entrega da Declaração de Compensação”. Esta determinação ainda continua em vigor, nos termos do art. 431 da Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20/11/2012. Portanto, para fins de quitação de débito tributário em aberto sem a incidência dos encargos legais (juros de mora e multa de mora), a declaração de compensação deve ser apresentada até a data do vencimento do referido débito. Com efeito, vencido o débito e não quitado o mesmo incidem os correspondentes encargos previstos na lei. A partir de então o crédito tributário passa a ser constituído pelo principal acrescido de juros de mora e de multa de mora, não tendo a declaração de compensação apresentada posteriormente o caráter de desconstituir parcialmente aludido crédito pela exclusão dos encargos. Ademais, merece ser ressaltado que não existia nenhuma impossibilidade normativa ou técnica que viesse impedir a suplicante de apresentar o pedido de compensação. De fato, conforme ressaltado pela instância recorrida, muito embora e IN SRF nº 320/2003, que introduziu o procedimento eletrônico de declaração – versão 1.0 do PER/DCOMP – só tenha entrado em vigor em 14/05/2003, isso não justifica a inação do sujeito 1 Art. 43 . Na compensação efetuada pelo sujeito passivo, os créditos serão valorados na forma prevista nos arts. 83 e 84 e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos legais, na forma da legislação de regência, até a data de entrega da Declaração de Compensação. § 1º A compensação total ou parcial de tributo administrado pela RFB será acompanhada da compensação, na mesma proporção, dos correspondentes acréscimos legais. § 2º Havendo acréscimo de juros sobre o crédito, a compensação será efetuada com a utilização do crédito e dos juros compensatórios na mesma proporção. § 3º Aplicamse à compensação da multa de ofício as reduções de que trata o art. 6º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, salvo os casos excepcionados em legislação específica. Fl. 133DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 12/ 08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 6 passivo, já que a matéria era regulada completamente pela IN SRF nº 210/2002, que previa a entrega da declaração em formulário de papel. Também comungo com as razões de decidir da instância a quo em relação aos pedidos de retificação de DARF e de PER/DCOMP, que devem ser dirigidos à unidade jurisdicionante do sujeito passivo, sendo digno de nota o fato de o recolhimento indicado no PER/DCOMP (DARF de filial) já ter sido alocado, não estando, pois, disponível para compensação. Por fim, no que concerne à reclamada caracterização de denúncia espontânea, tal argumentação não pode ser acatada principalmente pelo fato de inexistir pressuposto essencial para a caracterização do instituto em tela, qual seja, o pagamento do tributo, como se depreende do disposto no artigo 138 do CTN, abaixo transcrito: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. (grifo nosso) Diante do não pagamento do tributo ou de sua quitação via compensação legítima, desnecessário tecer maiores comentários à respeito do assunto. Da conclusão Por todo o exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário interposto pelo sujeito passivo. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator Fl. 134DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 12/ 08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 16561.720070/2011-23
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 06 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jul 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006, 2007, 2008, 2009, 2010
DECADÊNCIA. ELEMENTOS CONTÁBEIS COM REPERCUSSÃO FUTURA. INEXISTÊNCIA. DESPROVIMENTO. Apesar de o surgimento do ágio em questão efetivamente ter ocorrido mais de 5 (cinco) anos antes da ciência das autuações em destaque, tem-se que os lançamentos aqui discutidos reportam-se apenas às despesas lançadas em contrapartida da amortização do ágio atinentes aos anos-calendários 2006, 2007, 2008, 2009 e 2010, razão pela qual não há de ser reconhecida a decadência do direito de o Fisco contestar esses registros que minoraram a base de cálculo do IRPJ e da CSLL.
ÁGIO INTERNO. AMORTIZAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Inadmissível a formação de ágio por meio de operações internas, sem a intervenção de partes independentes e sem o pagamento de preço.
QUALIFICAÇÃO DA MULTA. ATUAÇÃO DO CONTRIBUINTE CONDIZENTE COM A LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. MERO EQUÍVOCO INTERPRETATIVO. IMPOSSIBILIDADE DE MANUTENÇÃO DA MULTA QUALIFICADA. PROVIMENTO. O sujeito passivo jamais agiu com vistas a ocultar fatos geradores de tributo ou a evitar a sua materialização, tendo atendido a todas as intimações que lhe foram dirigidas e revelando às autoridades fiscais todo o substrato da operação ab initio. Outrossim, a questão (julgada favoravelmente ao Fisco) decorre de equívoco na interpretação dispensada à legislação fiscal e societária, o que não justifica a majoração da penalidade de ofício.
GLOSA DAS PROVISÕES PARA PAGAMENTO DE DIVIDENDOS. NEUTRALIDADE FISCAL. PROVIMENTO. In casu, a constituição da provisão para pagamento de dividendos foi fiscalmente neutra, de modo que não há que se falar que a receita que vem à balha com a reversão da provisão devesse impactar o resultado para que referida neutralização fosse atingida, razão pela qual se revela correto o procedimento do sujeito passivo no sentido de excluir esses lançamentos a crédito em conta de resultado.
GLOSA DA EXCLUSÃO DE PROVISÕES TRIBUTÁRIAS. RAZOABILIDADE. POSSIBILIDADE DE RECONHECIMENTO COMO ANTECIPAÇÃO DE DESPESA A PARTIR DA COMPROVAÇÃO DE QUITAÇÃO DO TRIBUTO. PROVIMENTO PARCIAL. Naqueles processos em que o litígio acerca dos tributos provisionados já transitaram em julgado em desfavor do sujeito passivo, é razoável entender que o procedimento adotado pelo sujeito passivo foi mero reconhecimento antecipado de despesa, se e somente comprovar a quitação do tributo - tendo em vista que, na esteira de precedentes da CSRF, o fato de o tributo ter tido, em um dado momento, a sua exigibilidade suspensa faz com que o reconhecimento da correlata despesa seja realizado pelo regime de caixa. De outro lado, nos casos em que o sujeito passivo sagrou-se vencedor nos litígios em que estava envolvido, a glosa das despesas controvertidas apenas não poderia subsistir nas hipóteses em que a reversão da respectiva provisão engendrou lançamentos a crédito em conta de resultado que foram oferecidos à tributação - do que decorre a neutralidade fiscal das vestibulares apropriações de despesas havidas no ano-calendário de 2006.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa SELIC.
Numero da decisão: 1101-001.097
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado em: 1) relativamente às glosas de amortização de ágio: 1.1) por unanimidade de votos, REJEITAR a arguição de decadência; 1.2) por voto de qualidade, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à exigência principal, vencido o Relator Conselheiro Benedicto Celso Benício Júnior, acompanhado pelos Conselheiros Antônio Lisboa Cardoso e Marcos Vinícius Barros Ottoni; e 1.3) por maioria de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à qualificação da penalidade, divergindo a Conselheira Edeli Pereira Bessa e o Presidente Marcos Aurélio Pereira Valadão; 2) relativamente à glosa de exclusão vinculada à provisão para garantia de dividendos, por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, votando pelas conclusões a Conselheira Edeli Pereira Bessa e o Presidente Marcos Aurélio Pereira Valadão; 3) relativamente à glosa de exclusão de provisões tributárias, por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recuso voluntário; e 4) relativamente à aplicação de juros de mora sobre a multa de ofício, por voto de qualidade, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, vencido o Relator Conselheiro Benedicto Celso Benício Júnior, acompanhado pelos Conselheiros Antônio Lisboa Cardoso e Marcos Vinícius Barros Ottoni. Foi designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Edeli Pereira Bessa.
(documento assinado digitalmente)
MARCO AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR - Relator.
(documento assinado digitalmente)
EDELI PEREIRA BESSA Redatora designada.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, José Sérgio Gomes, Marcos Vinícius Barros Ottoni e Antônio Lisboa Cardoso.
Nome do relator: BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201405
camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2006, 2007, 2008, 2009, 2010 DECADÊNCIA. ELEMENTOS CONTÁBEIS COM REPERCUSSÃO FUTURA. INEXISTÊNCIA. DESPROVIMENTO. Apesar de o surgimento do ágio em questão efetivamente ter ocorrido mais de 5 (cinco) anos antes da ciência das autuações em destaque, tem-se que os lançamentos aqui discutidos reportam-se apenas às despesas lançadas em contrapartida da amortização do ágio atinentes aos anos-calendários 2006, 2007, 2008, 2009 e 2010, razão pela qual não há de ser reconhecida a decadência do direito de o Fisco contestar esses registros que minoraram a base de cálculo do IRPJ e da CSLL. ÁGIO INTERNO. AMORTIZAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Inadmissível a formação de ágio por meio de operações internas, sem a intervenção de partes independentes e sem o pagamento de preço. QUALIFICAÇÃO DA MULTA. ATUAÇÃO DO CONTRIBUINTE CONDIZENTE COM A LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. MERO EQUÍVOCO INTERPRETATIVO. IMPOSSIBILIDADE DE MANUTENÇÃO DA MULTA QUALIFICADA. PROVIMENTO. O sujeito passivo jamais agiu com vistas a ocultar fatos geradores de tributo ou a evitar a sua materialização, tendo atendido a todas as intimações que lhe foram dirigidas e revelando às autoridades fiscais todo o substrato da operação ab initio. Outrossim, a questão (julgada favoravelmente ao Fisco) decorre de equívoco na interpretação dispensada à legislação fiscal e societária, o que não justifica a majoração da penalidade de ofício. GLOSA DAS PROVISÕES PARA PAGAMENTO DE DIVIDENDOS. NEUTRALIDADE FISCAL. PROVIMENTO. In casu, a constituição da provisão para pagamento de dividendos foi fiscalmente neutra, de modo que não há que se falar que a receita que vem à balha com a reversão da provisão devesse impactar o resultado para que referida neutralização fosse atingida, razão pela qual se revela correto o procedimento do sujeito passivo no sentido de excluir esses lançamentos a crédito em conta de resultado. GLOSA DA EXCLUSÃO DE PROVISÕES TRIBUTÁRIAS. RAZOABILIDADE. POSSIBILIDADE DE RECONHECIMENTO COMO ANTECIPAÇÃO DE DESPESA A PARTIR DA COMPROVAÇÃO DE QUITAÇÃO DO TRIBUTO. PROVIMENTO PARCIAL. Naqueles processos em que o litígio acerca dos tributos provisionados já transitaram em julgado em desfavor do sujeito passivo, é razoável entender que o procedimento adotado pelo sujeito passivo foi mero reconhecimento antecipado de despesa, se e somente comprovar a quitação do tributo - tendo em vista que, na esteira de precedentes da CSRF, o fato de o tributo ter tido, em um dado momento, a sua exigibilidade suspensa faz com que o reconhecimento da correlata despesa seja realizado pelo regime de caixa. De outro lado, nos casos em que o sujeito passivo sagrou-se vencedor nos litígios em que estava envolvido, a glosa das despesas controvertidas apenas não poderia subsistir nas hipóteses em que a reversão da respectiva provisão engendrou lançamentos a crédito em conta de resultado que foram oferecidos à tributação - do que decorre a neutralidade fiscal das vestibulares apropriações de despesas havidas no ano-calendário de 2006. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa SELIC.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jul 21 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 16561.720070/2011-23
anomes_publicacao_s : 201407
conteudo_id_s : 5362254
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Jul 25 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 1101-001.097
nome_arquivo_s : Decisao_16561720070201123.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR
nome_arquivo_pdf_s : 16561720070201123_5362254.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado em: 1) relativamente às glosas de amortização de ágio: 1.1) por unanimidade de votos, REJEITAR a arguição de decadência; 1.2) por voto de qualidade, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à exigência principal, vencido o Relator Conselheiro Benedicto Celso Benício Júnior, acompanhado pelos Conselheiros Antônio Lisboa Cardoso e Marcos Vinícius Barros Ottoni; e 1.3) por maioria de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à qualificação da penalidade, divergindo a Conselheira Edeli Pereira Bessa e o Presidente Marcos Aurélio Pereira Valadão; 2) relativamente à glosa de exclusão vinculada à provisão para garantia de dividendos, por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, votando pelas conclusões a Conselheira Edeli Pereira Bessa e o Presidente Marcos Aurélio Pereira Valadão; 3) relativamente à glosa de exclusão de provisões tributárias, por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recuso voluntário; e 4) relativamente à aplicação de juros de mora sobre a multa de ofício, por voto de qualidade, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, vencido o Relator Conselheiro Benedicto Celso Benício Júnior, acompanhado pelos Conselheiros Antônio Lisboa Cardoso e Marcos Vinícius Barros Ottoni. Foi designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Edeli Pereira Bessa. (documento assinado digitalmente) MARCO AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente. (documento assinado digitalmente) BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR - Relator. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Redatora designada. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, José Sérgio Gomes, Marcos Vinícius Barros Ottoni e Antônio Lisboa Cardoso.
dt_sessao_tdt : Tue May 06 00:00:00 UTC 2014
id : 5533811
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:24:40 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046815414157312
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 73; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2641; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C1T1 Fl. 2 1 1 S1C1T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16561.720070/201123 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1101001.097 – 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 06 de maio de 2014 Matéria IRPJ/CSLL Recorrente EMPRESA FOLHA DA MANHÃ S/A Recorrida UNIÃO ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007, 2008, 2009, 2010 DECADÊNCIA. ELEMENTOS CONTÁBEIS COM REPERCUSSÃO FUTURA. INEXISTÊNCIA. DESPROVIMENTO. Apesar de o surgimento do ágio em questão efetivamente ter ocorrido mais de 5 (cinco) anos antes da ciência das autuações em destaque, temse que os lançamentos aqui discutidos reportamse apenas às despesas lançadas em contrapartida da amortização do ágio atinentes aos anoscalendários 2006, 2007, 2008, 2009 e 2010, razão pela qual não há de ser reconhecida a decadência do direito de o Fisco contestar esses registros que minoraram a base de cálculo do IRPJ e da CSLL. ÁGIO INTERNO. AMORTIZAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Inadmissível a formação de ágio por meio de operações internas, sem a intervenção de partes independentes e sem o pagamento de preço. QUALIFICAÇÃO DA MULTA. ATUAÇÃO DO CONTRIBUINTE CONDIZENTE COM A LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. MERO EQUÍVOCO INTERPRETATIVO. IMPOSSIBILIDADE DE MANUTENÇÃO DA MULTA QUALIFICADA. PROVIMENTO. O sujeito passivo jamais agiu com vistas a ocultar fatos geradores de tributo ou a evitar a sua materialização, tendo atendido a todas as intimações que lhe foram dirigidas e revelando às autoridades fiscais todo o substrato da operação ab initio. Outrossim, a questão (julgada favoravelmente ao Fisco) decorre de equívoco na interpretação dispensada à legislação fiscal e societária, o que não justifica a majoração da penalidade de ofício. GLOSA DAS PROVISÕES PARA PAGAMENTO DE DIVIDENDOS. NEUTRALIDADE FISCAL. PROVIMENTO. In casu, a constituição da provisão para pagamento de dividendos foi fiscalmente neutra, de modo que não há que se falar que a receita que vem à balha com a reversão da provisão devesse impactar o resultado para que referida neutralização fosse atingida, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 56 1. 72 00 70 /2 01 1- 23 Fl. 4613DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16561.720070/201123 Acórdão n.º 1101001.097 S1C1T1 Fl. 3 2 razão pela qual se revela correto o procedimento do sujeito passivo no sentido de excluir esses lançamentos a crédito em conta de resultado. GLOSA DA EXCLUSÃO DE PROVISÕES TRIBUTÁRIAS. RAZOABILIDADE. POSSIBILIDADE DE RECONHECIMENTO COMO ANTECIPAÇÃO DE DESPESA A PARTIR DA COMPROVAÇÃO DE QUITAÇÃO DO TRIBUTO. PROVIMENTO PARCIAL. Naqueles processos em que o litígio acerca dos tributos provisionados já transitaram em julgado em desfavor do sujeito passivo, é razoável entender que o procedimento adotado pelo sujeito passivo foi mero reconhecimento antecipado de despesa, se e somente comprovar a quitação do tributo tendo em vista que, na esteira de precedentes da CSRF, o fato de o tributo ter tido, em um dado momento, a sua exigibilidade suspensa faz com que o reconhecimento da correlata despesa seja realizado pelo regime de caixa. De outro lado, nos casos em que o sujeito passivo sagrouse vencedor nos litígios em que estava envolvido, a glosa das despesas controvertidas apenas não poderia subsistir nas hipóteses em que a reversão da respectiva provisão engendrou lançamentos a crédito em conta de resultado que foram oferecidos à tributação do que decorre a neutralidade fiscal das vestibulares apropriações de despesas havidas no anocalendário de 2006. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa SELIC. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado em: 1) relativamente às glosas de amortização de ágio: 1.1) por unanimidade de votos, REJEITAR a arguição de decadência; 1.2) por voto de qualidade, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à exigência principal, vencido o Relator Conselheiro Benedicto Celso Benício Júnior, acompanhado pelos Conselheiros Antônio Lisboa Cardoso e Marcos Vinícius Barros Ottoni; e 1.3) por maioria de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à qualificação da penalidade, divergindo a Conselheira Edeli Pereira Bessa e o Presidente Marcos Aurélio Pereira Valadão; 2) relativamente à glosa de exclusão vinculada à provisão para garantia de dividendos, por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, votando pelas conclusões a Conselheira Edeli Pereira Bessa e o Presidente Marcos Aurélio Pereira Valadão; 3) relativamente à glosa de exclusão de provisões tributárias, por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recuso voluntário; e 4) relativamente à aplicação de juros de mora sobre a multa de ofício, por voto de qualidade, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, vencido o Relator Conselheiro Benedicto Celso Benício Júnior, acompanhado pelos Conselheiros Antônio Lisboa Cardoso e Marcos Vinícius Barros Ottoni. Foi designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Edeli Pereira Bessa. (documento assinado digitalmente) MARCO AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente. Fl. 4614DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16561.720070/201123 Acórdão n.º 1101001.097 S1C1T1 Fl. 4 3 (documento assinado digitalmente) BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR Relator. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA – Redatora designada. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, José Sérgio Gomes, Marcos Vinícius Barros Ottoni e Antônio Lisboa Cardoso. Relatório Por adequadamente retratar a controvérsia de que aqui se cuida, transcrevo o relatório da r. decisão recorrida (fls. 1245/1269), que restou assim lavrado, verbis: “Em decorrência de ação fiscal levada a efeito junto ao contribuinte acima identificado e, em razão de irregularidades apuradas, foram lavrados 2 (dois) Autos de Infração, em 14/12/2011, com ciência em 19/12/2011, por meio dos quais foram constituídos os seguintes créditos tributários: Imposto de Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ, no valor de R$132.749.529,12 e Contribuição Social s/Lucro Líquido – CSLL, na quantia de R$46.068.431,99 (nos valores estão incluídos os tributos, multas de ofício e juros de mora, estes calculados até 30/11/2011). 2. Os enquadramentos legais utilizados para fundamentar as autuações encontramse nos respectivos autos de infração. 3. A fiscalização considerou indedutíveis as despesas com amortização de ágio criado intragrupo e as exclusões indevidas de provisões para apuração do lucro real, com fundamento nos fatos descritos no “Termo de Verificação de Infração Fiscal” reproduzidos, em síntese, a seguir. REORGANIZAÇÃO SOCIETÁRIA E CRIAÇÃO DO ÁGIO INTRAGRUPO 3.1. No período anterior à reorganização a estrutura societária do Grupo Folha era a seguinte: (i) Pessoas Físicas com 100% do capital da Folha Participações; (ii) a Folha Participações com 99,9% do capital da Folha da Manhã. 3.2. No dia 06/09/2005 foi constituída a empresa Sardinelle Participações Ltda., “Sardilnelle” cujos sócios eram S&A Serviços Empresariais Ltda (99,9%) e Sra. Diva Maria Batista Martins Ramalho (0,01%), com capital social de R$1.000,00 Fl. 4615DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16561.720070/201123 Acórdão n.º 1101001.097 S1C1T1 Fl. 5 4 com o seguinte objeto, entre outros: (i) apoio, planejamento, organização e assessoramento de empresas em geral; (ii) intermediação, agenciamento e realização de negócios e empreendimentos econômicos, nacionais e internacionais; (iii) estudos de prospecção de mercados e clientes; (iv)............; (v) participação em outras sociedades como sócia quotista ou acionista, no Brasil e no Exterior. 3.3. No dia 15/09/2005 foi criada a empresa Larimus Participações Ltda, “Larimus” com os mesmos sócios e participações da empresa Sardinelle, com o capital, também, de R$1.000,00 e o mesmo objeto social. O endereço das empresas eram o mesmo do sócio da S&A Serviços, Sr. Camillo Stefano Maria Sicherle, Rua Dr. Renato Paes de Barros, 778 – 5º andar. 3.4. O fato das empresas serem constituídas de forma idêntica é porque o papel da empresa S&A e a Sra. Diva Maria é o de abrirem empresas e colocaremnas à espera de um interessado (empresa de prateleira). 3.5. Os passos seguintes do processo de reorganização societária do Grupo Folha serão descritos a seguir, passo a passo. Deve ser destacado que, os fatos se passaram entre os dias 03/11/2005 e 09/11/2005, mais especificamente no dia 3 (5ª feira), dia 4 (6ª feira), dia 7 (2ª feira) e dia 9 (4ª feira), in verbis. 1º PASSO 03/11/2005 LARIMUS CONTROLADA PELA FOLHAPAR E CONTROLANDO A FOLHA No dia 03/11/2005, a LARIMUS, conforme "Instrumento Particular de 1ª Alteração Contratual" (Doc.23, fl. 28), passa a ser controlada pela Folhapar, retirandose da sociedade a empresa S&A e a senhora Diva Maria. O objeto social é modificado, passando a ser "a participação, como sócia ou acionista em outras sociedades, simples ou empresárias, e em empreendimentos comerciais de qualquer natureza ". O capital social é mantido em R$ 1.000,00 (mil reais), referente a 1.000 quotas com valor nominal de R$ 1,00 (um real). A senhora Diva Maria foi destituída da administração da Sociedade que passou a ser exercida por Maria Judith de Brito e Antonio Manuel Teixeira Mendes. Ambos diretores da Folha, como visto acima. No dia seguinte, 04/11/2005, a Folhapar cede uma quota do capital social da LARIMUS para Octávio Frias de Oliveira Filho e uma quota para Luis Frias (Doc. 23, fl. 19). O capital social passa de R$1.000,00 (mil reais) para R$ 12.558.000,00 (doze milhões e quinhentos e cinqüenta e oito mil reais). O aumento foi totalmente subscrito e integralizado pela Folhapar, conferindo se à Sociedade 781.501 (setecentos e oitenta e um mil e quinhentos e uma) ações ordinárias e 781.498 (setecentos e oitenta e um mil e quatrocentos e noventa e oito) ações preferenciais de emissão da fiscalizada (Empresa Folha da Manhã S/A). Tais ativos foram avaliados pelo critério contábil. Os administradores eleitos passam a ser Luis Frias e Octávio Frias de Oliveira Filho. Passamos a ter a situação abaixo: Fl. 4616DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16561.720070/201123 Acórdão n.º 1101001.097 S1C1T1 Fl. 6 5 3.6. A estrutura societária passa a ser: (i) Pessoas Físicas com 100% do capital da Folha Participações; (ii) a Folha Participações com 99,9% do capital da Larimus; (iii) que controla em 99,9% a Folha da Manhã. 2º PASSO 03/11/2005 LARIMUS CONTROLA A SARDINELLE No dia 03/11/2005, a SARDINELLE, conforme "Instrumento Particular de 1ª Alteração Contratual" (Doc. 6, fl.13), passa a ser controlada pela LARIMUS (99,9%) e Maria Judith de Brito (0,01%), retirandose da sociedade a empresa S&A e a senhora Diva Maria. O objeto social é modificado, passando a ser " a participação, como sócia ou acionista em outras sociedades, simples ou empresárias, e em empreendimentos comerciais de qualquer natureza". O capital social é mantido em R$1.000,00 (mil reais), referente a 1.000 quotas com valor nominal de R$1,00 (um real). A senhora Diva Maria foi destituída da administração da Sociedade que passou a ser exercida por Maria Judith de Brito e Antonio Manuel Teixeira Mendes. Ambos diretores da Folha, como visto acima. São modificações (excetuandose o controle) idênticas às realizadas no caso da Larimus. No dia 07/11/2005 a empresa Gallo Engenharia e Consultoria Empresarial entrega o Relatório de Avaliação Econômico Financeira da Empresa Folha da Manhã S/A para a data base de 31/12/2005 (Doc.7). Em sua conclusão (fl.12) encontrase o seguinte: “Dessa forma, com base na revisão e análise que efetuamos nas informações obtidas junto à Administração da Empresa Folha da Manhã S.A, e posteriormente nas projeções do fluxo de caixa descontado, preparadas e detalhadas neste relatório, concluímos que, para a database de 31 de dezembro de 2005, o valor econômico estimado da empresa é de R$ 246.835 mil no Cenário I e R$243.372 mil no Cenário II,...” Nesse mesmo dia 07/11/2005, o Instrumento Particular de 2a Alteração do Contrato Social da SARDINELLE (Doc.6, fl.22) traz: "1. Os sócios resolvem à unanimidade e sem reservas, aumentar o capital social da Sociedade em R$246.835.000,00 (duzentos e quarenta e seis milhões, oitocentos e trinta e cinco mil reis), passando esse, portanto, de R$ 1.000,00(mil reais) para R$246.836.000,00 (duzentos e quarenta e seis milhões, oitocentos e trinta e seis mil reais), com a emissão de 246.835.000(duzentas e quarenta e seis milhões, oitocentas e trinta e cinco mil) novas quotas, no valor nominal de R$ 1,00 (um real) cada. Tal aumento é neste ato totalmente subscrito pela sócia LARIMUS PARTICIPAÇÕES LTDA com a expressa Fl. 4617DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16561.720070/201123 Acórdão n.º 1101001.097 S1C1T1 Fl. 7 6 anuência da outra sócia, que renuncia ao seu direito de preferência para subscrever parte do referido aumento sendo também neste ato integralizado mediante a conferência, à Sociedade, de 781.501 (setecentas e oitenta e uma mil e quinhentas e uma) ações ordinárias e 781,498 (setecentas e oitenta e uma mil e quatrocentas e noventa e oito) ações preferenciais de emissão da Empresa Folha da Manhã S.A ...Tais ativos, objeto de contribuição à Sociedade foram devidamente avaliados pelo seu valor econômicofinanceiro, por empresa especializada, sendo tal Laudo de Avaliação ora aprovado e arquivado na sede sócia”. "2. A sócia Maria Judith de Brito, retirandose da Sociedade, cede e transfere, como de fato cedido e transferido tem, a única quota que detém no capital da Sociedade,... para a sócia LARIMUS PARTICIPAÇÕES LTDA..." Com essas alterações societárias, temos, então, a seguinte situação: 3.7. A estrutura societária passa a ser: (i) Pessoas Físicas com 100% do capital da Folha Participações; (ii) a Folha Participações com 99,9% do capital da Larimus; (iii) que controla em 99,9% a Sardinelle; (iv) que controla em 99,9% a Folha da Manhã. 3º PASSO 09/11/2005 FOLHA INCORPORA SARDINELLE No dia 09/11/2005, seis dias após o Grupo Folha passar a controlar a Sardinelle através da Larimus, foi aprovado que a controlada, Folha, incorporaria a sua controladora, Sardinelle, conforme se pode depreender da Alteração do Contrato Social (Doc.9), e da Ata da Assembléia Geral Extraordinária da Folha (Doc. 8), mesma data. Em ambas está anexado o Protocolo e Justificação de Incorporação. Datado de 9 de novembro de 2005, o Protocolo e Justificação de Incorporação entre Sardinelle e Folha apresenta as seguintes justificativas: "2.1 Propõese a Incorporação porque: (i) as sociedades pertencem ao mesmo grupo econômico; (ii) a SARDINELLE é detentora de ações representativas de 99,99% (noventa e nove inteiros e noventa e nove centésimos por cento) do capital social da EFM; e (iii) poderá maximizar a geração de fluxo de caixa da EFM." 3.8. No dia 09/11/2005 voltamos à situação societária do dia 03/11/2005, ou seja: (i) Pessoas Físicas com 100% do capital da Folha Participações; (ii) a Folha Participações com 99,9% do capital da Larimus; (iii) que controla em 99,9% a Folha da Manhã. 3.9. A fiscalizada Folha da Manhã registrou o ágio interno originado da Sardinelli no valor de R$234.277.000,00 e passou a amortizálo a partir de dezembro de 2005 a base de 1/60. Fl. 4618DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16561.720070/201123 Acórdão n.º 1101001.097 S1C1T1 Fl. 8 7 3.10. Foi constatado pela fiscalização o seguinte: (i) o ágio apurado não resulta de atos societários materialmente verdadeiros, não são autênticos em sua essência; (ii) pois, o ágio foi gerado dentro do mesmo grupo econômico, sem alteração do controle das sociedades envolvidas; (iii) foi utilizada “empresa veículo”, sociedade através da qual o ágio foi transportado para a sociedade beneficiária da amortização contestada; (iv) a operação não importou no ingresso de recursos novos, portanto o ágio não teve origem em qualquer pagamento; (v) houve a utilização de um artifício contábil sem suporte econômico para geração de riqueza e que visou unicamente o posterior aproveitamento do ágio. 3.11. São destacados os pontos de vista para desconsiderar os efeitos da reorganização societária realizada pela Folha por ser tratar de mero instrumento para redução de tributos, quais sejam: (i) Inaceitabilidade do ágio gerado internamente do ponto de vista contábil (i.i) A inaceitabilidade, no arcabouço contábil, do ágio intragrupo, pois a teoria contábil suporta apenas o ágio pago numa negociação entre comprador e vendedor não relacionados entre si (Resolução CFC nº 1.110/2007, item 120), in verbis: "O reconhecimento de ágio decorrente de rentabilidade futura gerado internamente (goodwiil interno) é vedado pelas normas nacionais e internacionais. Assim, qualquer ágio dessa natureza anteriormente registrado precisa ser baixado, "(g.n.) (i.ii) Os artigos 7º e 8º da Lei n° 9.532/1997, não fazem referência a essa hipótese, ou seja, não contemplam a situação de ágio gerado entre empresas intragrupo, pelas razões, inclusive já expostas. (i.iii) Nesse sentido importa trazer à vista o seguinte trecho da Nota Explicativa à Instrução CVM n° 349/2001, in verbis: A Instrução CVM n" 319/99, ao prever que a contrapartida do ágio pudesse ser registrada integralmente em conta de reserva especial (art. 6º, §1º), acabou possibilitando, nos caso de ágio com fundamento econômico baseado em intangíveis ou em perspectiva de rentabilidade futura, o reconhecimento de um acréscimo patrimonial sem a efetiva substância econômica. A criação de uma sociedade com a única finalidade de servir de veículo para transferir, da controladora original para a controlada, o ágio pago na sua aquisição, acabou por distorcer a figura da incorporação em sua dimensão econômica. Esta distorção ocorre em virtude de que, quando concluído o processo de incorporação da empresa veículo, o investimento e, conseqüentemente, o ágio permanecem inalterados na controladora original. (...). Fl. 4619DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16561.720070/201123 Acórdão n.º 1101001.097 S1C1T1 Fl. 9 8 (i.iv) A CVM se manifesta, censurando aqueles ágios surgidos no interior do grupo societário por meio do OfícioCircular CVM/SNC/SEP n° 01/2007; in verbis: (.............) “Portanto, é nosso entendimento que essas transações não se revestem de substância econômica e da indispensável independência entre as partes, para que seja passível de registro, mensuração e evidenciação pela contabilidade”. (i.v) Cabe destacar que, o fato de o OfícioCircular ter sido emitido somente no ano de 2007 não significa que os fatos ocorridos antes de sua edição sejam legais. O referido Ofício traduz uma exteriorização da CVM acerca de normas que já eram vigentes e cuja utilização vinha sendo adotada de forma equivocada em algumas operações entre empresas. (i.vi) Hoje, mesmo tendo havido alterações contábeis importantes, o ágio interno permanece inadmissível. Constatase esse fato através da análise do CPC04 que, em sintonia com o propósito de convergência contábil estabelecido pelo Comitê de Pronunciamentos Contábeis (CPC) e preconizado pela Lei 11.638/2007, cuja base é o pronunciamento que trata de Ativos Intangíveis emitido pelo IASB – Internacional Accounting Standards Board (IAS38, de setembro de 1998), afirma que o ágio derivado da expectativa de rentabilidade futura (goodwill) gerado internamente, numa operação de incorporação reversa indireta, não deve ser reconhecido como ativo, porque não é um recurso identificável (ou seja, não é separável nem advém de direitos contratuais ou outros direitos legais) controlado pela entidade que pode ser mensurado com segurança ao custo. (i.vii) Consequentemente, não assiste razão quando se afirma que a amortização desse ágio constituise em despesa dedutível da base de cálculo do IRPJ, consoante previsto no art. 386 do RIR/1999, cuja matriz legal advém dos artigos 7º e 8º da Lei n° 9.532/1997, com as alterações da Lei n° 9.718/1998: (ii) A Falta de Propósito Negocial da Operação 3.12. Como foi visto, a utilização da amortização do ágio a título de despesa dedutível somente surge a partir de operações societárias que resultem na incorporação de uma empresa que contenha em seu patrimônio investimento adquirido com ágio. Não é o caso em discussão, pois, além de se referir a ágio intragrupo as operações não tiveram propósito negocial. 3.13. Todos os fundamentos esposados no Laudo de Avaliação se referem à própria “Folha”. A constituição da “Sardinelle” com subscrição das quotas da “Folha”, pertencentes à “Larimus”, e sua extinção com a incorporação reversa em apenas seis dias, sem nenhuma outra operação realizada pela “Sardinelle”, não faz qualquer sentido societário ou econômico. Não houve propósito negocial a não ser que os efeitos alcançados fossem puramente fiscais, ou seja, permitir a geração de uma despesa dedutível. Fl. 4620DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16561.720070/201123 Acórdão n.º 1101001.097 S1C1T1 Fl. 10 9 (iii) Sardinelle como “Empresa Veículo” 3.14. A empresa veículo se caracteriza pelo seu papel na “condução” do ágio entre empresas ligadas de forma a permitir sua apropriação como despesa dedutível. Não integra esse conceito, necessariamente, ser a empresa efêmera, sem capacidade operacional ou deficitária. 3.15. A “Sardinelle” seria uma empresa holding, porém, seu papel nas operações com o ágio a caracterizou como empresa veículo. Seu papel foi receber o investimento com ágio e repassálo à “Folha”. Feito isso, foi extinta, evidenciando que a condução do ágio à “Folha” foi a sua última ação. (iv) Incorporação às Avessas 3.16. A incorporação às avessas está prevista no artigo 264 da Lei 6.404/1976, mas isto não afasta a relevância das circunstâncias que podem cercar o caso concreto. A operação inversa pode estar sendo realizada abusivamente ou com dolo à lei tributária. 3.17. A incorporação às avessas apresentase como hipótese excepcional do perfil objetivo do instituto jurídico e, por isso, demanda uma razão específica relevante que afaste a estranheza da operação e que mostre sua perfeita adequação à realidade fática do caso. 3.18. A “Sardinelle” foi usada para receber as quotas do capital da “Folha”, transmitidas pela “Larimus”, acrescidas de um ágio. Dois dias depois, a “Sardinelle” foi incorporada pela contribuinte, transmitindolhe o ágio e as suas próprias quotas. As quotas do capital da “Folha” voltaram, então, no dia 09/11/2005, a serem de propriedade da “Larimus”, de quem eram entre os dias 03/11/2005 e 07/11/2005, antes das operações, e seu ativo inclui investimento e ágio de si próprio. Em suma, o papel da “Sardinelle” foi unicamente gerar o ágio na subscrição das quotas da “Folha” pela “Larimus”, transferindo à “Folha” o próprio ágio. (v) Operações Estruturadas em Sequência 3.19. Uma operação estruturada como a que ora está sendo examinada indica a existência de um objetivo único, predeterminado à realização de todo o conjunto, indicando, também, uma causa jurídica única. Nesta hipótese, cumpre examinar se há motivos autônomos ou não, pois se estes inexistirem, o fato a ser enquadrado é o conjunto e não cada uma das etapas. 3.20. No caso examinado, nenhum motivo autônomo se apresenta nos autos que venha a justificar a realização de cada uma das etapas da operação. Isto é, não existia uma finalidade diferente para cada etapa das operações que as justificasse. A finalidade era uma única e somente seria obtida ao término de todas as etapas. Tais circunstâncias nos levam, assim, a apreciar Fl. 4621DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16561.720070/201123 Acórdão n.º 1101001.097 S1C1T1 Fl. 11 10 a operação como um todo, sem que se percam de vista, no entanto, as peculiaridades de cada etapa de que a operação se compõe. (vi) Conclusão 3.21. Não obstante a possibilidade de amortização do ágio após a ocorrência da incorporação (artigo 386 do RIR/99), é óbvio que esse beneficio se aplica às reais hipóteses de aquisição de investimento com ágio, não àquelas em que tenha havido uma artificial estruturação para possibilitar o aparecimento do ágio a ser amortizado em futura incorporação, com o único objetivo de criar despesas dedutíveis. BASE DE CÁLCULO ÁGIO INTRAGRUPO 3.22. Em conseqüência do apurado, foi efetuado o lançamento de ofício do IRPJ e da CSLL por redução indevida do resultado dos exercícios. Abaixo os valores lançados anualmente: Período de apuração Valor tributável anual 2006 R$ 46.855.400,04 2007 R$ 46.855.400,04 2008 R$ 46.855.400,04 2009 R$ 15.618.466,68 2010 R$ 46.855.400,04 MULTA QUALIFICADA – ÁGIO INTRAGRUPO 3.23. A intenção das operações realizadas foi, claramente, o aproveitamento do ágio intragrupo pela FOLHA com a dedução dos encargos de amortização daquele ágio através de atos elaborados quase que simultaneamente (em decisões com lapso de horas apenas, tudo para convergir a vontade real das partes) que, embora atendendo a algumas formalidades legais (mas desobedecendo outras), tiveram a função de distorcer o resultado final que se daria naturalmente caso as partes não engendrassem elaborado planejamento. 3.24. O que se verificou na prática acima exposta, é que o contribuinte, de forma preparada com trabalho demorado (planejamento), buscou uma construção artificial e complexa que teve como intuito único e exclusivo dificultar a análise por parte da fiscalização do real motivo da reorganização societária. 3.25. A fundamentação legal da multa qualificada encontrase no art. 44 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que menciona intuito de fraude em sua redação original e que, na atual, limitase a remeter aos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964. Fl. 4622DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16561.720070/201123 Acórdão n.º 1101001.097 S1C1T1 Fl. 12 11 3.26. Portanto, podese concluir que as definições de sonegação e fraude que dão suporte à qualificação da multa implicam ações tendentes a provocar a emissão de um juízo errôneo por parte da autoridade fiscal quando diante da amortização do ágio. 3.27. O contribuinte, ao formalizar seus registros contábeis e societários de forma a dar uma aparência de correção a uma amortização em que estejam presentes o ágio interno e reestruturação sem propósito negocial, pretende induzir a fiscalização a avalizar uma operação que, nessas circunstâncias, é imponível à Fazenda. Neste caso houve a figura da fraude. 3.28. Neste caso, algumas das operações praticadas pelo Grupo Folha não atenderam a todos os requisitos legalmente exigidos. 3.29. A fiscalização continua fazendo considerações sobre os seguintes pontos: (i) a Sardinelle foi criada pela S&A para ser uma empresa de prateleira; (ii) o Grupo Folha registrou a Sardinelle na Junta Comercial e inscreveu na Receita Federal através de um contrato social que não corresponde com a realidade fática. Houve dolo; (iii) na única DCTF entregue em nome da Sardinelle não existe o Grupo Folha; (iv) a Folha não comprovou o pagamento de R$1.000,00 pela compra da Sardinelle e Larimus. EXCLUSÕES INDEVIDAS DE PROVISÕES NO LUCRO REAL 3.30. “Provisão tributáriaSuspensão IR No ano calendário de 2006 a fiscalizada excluiu a realização da referida provisão da base de cálculo do lucro real no valor de R$90.064.474,03. (..........). No entanto, conforme se pode ver no livro LALUR n° 15 do A/C 2006 (Doe. 17), a FOLHA excluiu indevidamente o valor acima referido, pois conforme o demonstrativo por ela apresentado, não houve encerramento de ações judiciais que motivassem a realização quase total dessa provisão que em 31/12/2006 totalizavam R$100.341.282,69. Tal fato provocou uma diminuição na base de cálculo do lucro real nesse período”. 3.31. “Provisão para garantia de dividendos Conforme o "Demonstrativo da provisão para a garantia dos dividendos" (Doc.47 ) em resposta ao Termo de Intimação de 29/11/2011 (Doc.46), a FOLHA informou sobre a criação da referida provisão cujo saldo em 31/12/2005 era de R$152.045.773,00 e as baixas mensais dessa provisão. Ocorre que conforme livro LALUR n° 14 de A/C 2005 (doc. 16), não houve a adição da despesa que criou essa provisão. Dessa forma, são indevidas todas as exclusões das baixas mensais realizadas entre 01/2006 a 12/2010, pois as mesmas diminuíram a base de cálculo do IR e da CSLL nesse período”. 3.32. “A base de cálculo abaixo citada é composta da soma das exclusões indevidas acima referidas. Em especial no ano calendário de 2006, o valor referese à soma de: R$90.064.474,03 (provisão suspensão IR) e R$30.924.564,00 (provisão para garantia de dividendos). De 2007 a 2010, os Fl. 4623DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16561.720070/201123 Acórdão n.º 1101001.097 S1C1T1 Fl. 13 12 valores referemse às baixas da provisão para garantia de dividendos”. Período de apuração Valor tributável anual 2006 R$ 120.989.038,03 2007 R$ 30.924.564,00 2008 R$ 30.924.564,00 2009 R$ 10.308.188,04 2010 R$ 30.924.564,00 IMPUGNAÇÃO 4. A Empresa tempestivamente apresentou impugnação protocolada em 17/01/2012 contestando a lavratura dos Autos de Infração, alegando basicamente, o seguinte. I – DOS FATOS (...................) II – DO DIREITO II. 1 Descrição Detalhada e Gráfica das Operações Societárias 4.1. As operações societárias realizadas visavam: (i) a diversificação e segregação dos negócios voltados ao jornalismo impresso e outras mídias, o que resultou na constituição das empresas Editora Publifolha Ltda., e Datafolha Instituto de Pesquisas Ltda.; (ii) a reavaliação dos negócios e dos ativos; (iii) a preparação do Grupo para o aporte de capital de investidores estratégicos nacionais e/ou estrangeiros e (iv) a abertura de capital, com oferta de ação ao público investidor (IPO). 4.2. Nesse contexto de reavaliação da sociedade, de seus negócios e ativos, bem como de potencial admissão de investidores, é que se deve interpretar os fatos societários a seguir descritos (repete os fatos societários já apresentados no “Termo de Verificação de Infração Fiscal”). II. 2 – Preclusão da Possibilidade do Fisco Questionar a Legalidade dos Atos Societários que Deram Origem ao Ágio 4.3. Embora a amortização do ágio tenha sido realizada em anosbase posteriores ao ano 2005 (2006, 2007, 2008, 2009 e 2010), o fisco não pode mais questionar por qualquer meio, a legalidade e eficácia tributária do ato societário de integralização de capital na Sardinelle feita pela Larimus com as ações da Impugnante, que culminou com a apuração e o registro contábil do ágio em 07/11/2005, eis que já transcorreu o prazo Fl. 4624DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16561.720070/201123 Acórdão n.º 1101001.097 S1C1T1 Fl. 14 13 de decadência/preclusão de cinco anos contados do fato que deu origem ao ágio. III – DO DIREITO À AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO 4.4. Caso não seja acolhido o argumento anteriormente exposto, o que se alega "ad argumentandum" (.......), passase a demonstrar, inicialmente, o propósito negocial buscado pelo Grupo Folha. III.1 – Da Existência do Propósito Negocial nas Operações 4.5. A alegação da fiscalização de que não houve propósito negocial nas operações societárias engendradas pelo Grupo que culminaram com o surgimento do ágio, não merece prosperar. O Grupo Folha é um dos líderes do mercado em que atua e sua estratégia de negócios à época dos fatos visava sua consolidação nos segmentos em que já atuava, por intermédio de atração de investidores nacionais/internacionais, pela abertura de capital, bem como pelo desenvolvimento de outros segmentos de atividade. 4.6. Desde de 1996, o Grupo Folha vinha buscando uma expansão rogressiva dos seus negócios, com a diversificação dos seus produtos e serviços, conforme se extrai do histórico das operações societárias publicadas no jornal “Folha de S. Paulo”: (.....................). 4.7. (........) “Em 2004 a Folha de S. Paulo e o UOL passaram a integrar uma mesma companhia, o que elevou o grupo à condição de segundo conglomerado da mídia no Brasil. Com esse movimento, buscavase atrair o investimento mediante a abertura do capital. Porém, o plano de abertura do capital restou adiado, pois a fusão acabou por ser desfeita. Mas, continuou em marcha a estratégia de atração de investidores e isso demandou não apenas que fosse efetivada uma adequada valorização da Impugnante, como também que sua estrutura fosse preparada para receber investimentos que pudessem segregar atividades e operações”. 4.8. (........) “Assim, dependendo do tipo de negociação que viesse a ser entabulada pelo Grupo, a Impugnante poderia escolher em qual nível de holding seria feito o investimento, seja na Sardinelle seja na Larimus. A criação da Sardinelle, por sua vez, teve por objetivo receber as ações da Impugnante a valor de mercado, o que foi imprescindível para a atração de novos investidores. Procedeuse à reavaliação do valor da Impugnante de acordo com os parâmetros de mercado”. 4.9. (............) “As tratativas com os investidores não se concretizaram também, mas parte do plano estratégico foi implementado com a ampliação de suas atividades, quando as empresas Datafolha Instituto de Pesquisa Ltda. e a Livraria da Folha Ltda. passaram a ser controladas pelo Grupo Folha. Nesse ínterim, o Grupo sentiu a necessidade de simplificar a sua estrutura societária, a fim de maximizar as sinergias Fl. 4625DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16561.720070/201123 Acórdão n.º 1101001.097 S1C1T1 Fl. 15 14 operacionais, razão pela qual a Sardinelle foi incorporada pela Impugnante, como consta do próprio Protocolo de Justificação e Incorporação”. 4.10. “Evidente, portanto, o motivo e a finalidade da reestruturação societária realizada pela Impugnante, os quais foram devidamente esclarecidos ao Sr. Agente Fiscal no curso do procedimento fiscalizatório que, no entanto, preferiu desconsiderar tais fatos, vislumbrando na operação como um todo (filme) apenas a criação de uma desnecessária holding (empresa veículo fotografia isolada)”. Portanto, a reestruturação societária não teve por finalidade a economia tributária, mas, sim a expansão dos negócios do Grupo Folha. III.2 – Limites Para Aplicação da Ciência Contábil Pelo Direito 4.11. Além da efetiva existência de propósito negocial nas operações societárias, é necessário tratar das relações entre a Ciência Contábil e o Direito Contábil (societário e fiscal/tributário), que foram interpretadas, de forma equivocada, pelo Sr. Agente Fiscal. 4.12. A Impugnante faz neste ponto considerações sobre a apuração da Contabilidade Fiscal e da Contabilidade Societária. Alega que o legislador reconhece que o Direito Contábil Societário possui campo de aplicação distinto do Direito Contábil Fiscal, prevalecendo este quando se tratar de apuração de tributos (norma especial prevalece sobre a norma geral), 4.13. A existência de intersecção entre a Ciência Contábil, o Direito Contábil Societário e o Direito Contábil Fiscal não permite concluir, que todas as regras são coincidentes, diferentemente do quanto afirmado pela fiscalização para justificar a glosa de despesa de amortização do ágio no presente caso. 4.14. A fiscalização adotou como premissa que “o contribuinte é obrigado, pela lei tributária, a apurar o lucro líquido de acordo com a lei societária que, por seu turno, determina que este lucro líquido é obtido através da observância da escrituração e dos preceitos da Ciência Contábil”. 4.15. Partindo desta premissa afirmou que “se a Contabilidade não aceita um determinado registro contábil, no caso, um determinado ágio, também será rejeitado pela lei comercial e pela lei tributária, na medida que ele trará reflexos na apuração do lucro líquido da pessoa jurídica”. 4.16. “No entanto, cabe esclarecer o equívoco no raciocínio da fiscalização. Isso porque, ainda que se admitisse, a título meramente argumentativo, a inexistência de previsão para o registro de ágio interno do ponto de vista contábil, não há impedimento para que a legislação tributária atribua efeitos a esse ágio”. Fl. 4626DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16561.720070/201123 Acórdão n.º 1101001.097 S1C1T1 Fl. 16 15 4.17. A fiscalização também incorreu em grave erro ao fundamentar as autuações no entendimento do “OfícioCircular/CVM/SNC/SEP nº 01/2007” acerca da possibilidade da geração de “ágio interno”, uma vez que o referido entendimento referese apenas à visão da “Ciência Contábil”. Verificase que o próprio Ofício não questiona a validade do ágio interno, do ponto de vista da legislação societária e tributária. 4.18. Logo, está claro que o ágio interno não afronta o Direito Contábil Fiscal, motivo pelo qual deverá essa E. Turma Julgadora reconhecer a legalidade da operação realizada pela Impugnante. 4.19. Além de ter interpretado de modo equivocado a manifestação da CVM a fiscalização aplicou aos fatos ocorridos em 2005 (geração do ágio), atos normativos editados posteriormente à esse período, sob o argumento de que expressariam entendimento implícito das normas e orientações existentes antes mesmo da sua edição, o que não se admite e não pode prosperar. O mesmo se aplica para a Resolução nº 1.110/2007 da CVM. 4.20. O capital social de uma sociedade pode ser formado por bens, avaliáveis em dinheiro. No presente caso foi feita uma conferência de bens em integralização de capital. Os bens conferidos foram as ações que a Larimus possuía da Impugnante. Sendo totalmente justificável sob o ponto de vista negocial, da legislação societária e tributária que a valorização das ações da Impugnante fosse feita ao valor de mercado. 4.21. Logo, do ponto de vista da legislação societária, verificase que o valor utilizado para a conferência das ações da Impugnante na integralização do capital da Sardinelle está totalmente regular, ao contrário do que afirmou a fiscalização. III.3 – Desnecessidade de Pagamento para Geração de Ágio 4.22. Passase a discorrer sobre outro equívoco cometido pela Fiscalização ao afirmar que: (i) o ágio gerado no presente caso não poderia ter como custo de aquisição o valor correspondente ao capital aumentado da Impugnante e entregue aos titulares das ações incorporadas, uma vez que não foram validados em "operação de mercado" e (ii) o pagamento é condição necessária para o reconhecimento do ágio. 4.23. Inicialmente, ressaltese que a legislação tributária confere o mesmo tratamento ao ágio e ao deságio na aquisição de participação societária que o previsto na legislação societária. A impugnante faz uma descrição da maneira prevista na legislação tributária e societária, para a contabilização do ágio ou deságio na aquisição de participação societária. 4.24. Alega que a subscrição e integralização de ações da Impugnante na Sardinelle foram devidamente registradas Fl. 4627DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16561.720070/201123 Acórdão n.º 1101001.097 S1C1T1 Fl. 17 16 contabilmente. Porém, a fiscalização afirma que o custo de aquisição das ações deveria ter sido realizado pelo valor patrimonial das ações da Impugnante e não pelo valor correspondente ao capital aumentado e entregue aos titulares das ações integralizadas, uma vez que este valor não restou validade por uma operação de mercado. 4.25. A fim de se demonstrar o equívoco no raciocínio da fiscalização, devese ressaltar que a previsão de conferência de bens, a valor de mercado, para fins de integralização de capital, é expressamente permitida às pessoas físicas, nos termos do artigo 23 da Lei nº 9.249/95. 4.26. Verificase, portanto, que não há qualquer fundamento para se afastar a possibilidade de avaliação a valor de mercado das ações da Impugnante para fins de integralização na Sardinelle. 4.27. Conforme o previsto no artigo 20 da Lei nº 1.598/77 não há qualquer referência a um negócio jurídico específico para que a aquisição de participação seja realizada. Com efeito, o direito privado traz diversas formas jurídicas possíveis de aquisição e qualquer uma delas será válida para fins do Direito Contábil Fiscal. 4.28. Logo, totalmente equivocada a assertiva da fiscalização, no sentido de que não seria possível o reconhecimento do ágio, tendo em vista que não houve o pagamento, isto porque a aquisição pode se dar por diversas formas, como: permuta; dação em pagamento; doação; incorporação de ações; conferência de ações para integralização de capital, como no presente caso. III.4 – Isonomia com Tratamento Fiscal de Deságio 4.29. Quanto à tributação do deságio gerado em operações societárias dentro do mesmo grupo o mesmo deverá ser amortizado, com a conseqüente tributação dessas receitas, conforme o entendimento da Receita Federal. Logo, o mesmo tratamento deve ser dado no caso do ágio. III.5 – Equívoco com Relação às Normas Aplicáveis à Dedutibilidade de Despesas 4.30. Ainda para justificar a suposta indedutibilidade do ágio gerado com a integralização das ações da Impugnante na Sardinelle a fiscalização alegou, com base no artigo 299 do RIR/99, que as despesas com amortização do ágio não se enquadrava no conceito de despesa necessária. 4.31. Porém, diversamente do entendimento da fiscalização, a norma geral (artigo 299 do RIR/99) não é aplicável ao presente caso, pois, não poderia ter fundamentado a glosa de despesa com amortização do ágio, eis que a dedutibilidade das despesas com ágio foi regulamentada, de forma específica, pela norma veiculada pelo artigo 386, Inciso III, §2º do RIR/99. Fl. 4628DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16561.720070/201123 Acórdão n.º 1101001.097 S1C1T1 Fl. 18 17 III.6 – Da Inaplicabilidade da Multa Qualificada 4.32. A fiscalização não expôs, de forma precisa, qual seria a conduta ilícita praticada pela Impugnante (dolo ou fraude). 4.33. Para que a multa qualificada pudesse ser aplicada, nos termos do artigo 44, §1° da Lei n° 9.430/96 seria necessário que a fiscalização comprovasse, por meio de provas diretas, e não presunções, que as operações societárias, que resultaram no aproveitamento do ágio pela Impugnante, foram feitas com evidente intuito doloso de retardar ou impedir o surgimento da obrigação tributária, o que, como demonstrado anteriormente, não ocorreu. A fiscalização presumiu a ocorrência de ilícitos com base nas supostas irregularidades relativas à constituição da Sardinelle, o que será demonstrado que não ocorreram. 4.34. A fiscalização reconheceu que foi dada a devida publicidade a todas as operações praticadas, no entanto alega que algumas coisas foram ocultas e praticada de forma ilícita. Dessa forma, declara que “no presente caso, houve a figura da fraude eis que foram omitidos dados, informações e procedimentos visando a impedir ou retardar a ocorrência do faro gerador da obrigação tributária principal”. 4.35. Se foi dada a devida publicidade de todos os atos societários realizados pelo Grupo, conforme será comprovado adiante, como pôde a Fiscalização alegar que "algumas coisas foram ocultadas e praticadas de forma ilícita"? E mais, que "coisas" são essas? 4.36. A fiscalização se baseou em presunções para justificar a ocorrência de dolo e fraude. Em síntese, as supostas irregularidades constatadas foram as seguintes: (i) a Sardinelle não era uma "empresa" quando foi criada e mantida pela S&A; (ii) havia irregularidades na DCTF e Livro Diário da Sardinelle e (iii) não houve a comprovação de pagamento de R$ 1.000,00 pela compra da Sardinelle e da Larimus. 4.37. Quanto a estas colocações, temos a apresentar o seguinte: (i) a fiscalização concluiu que o Grupo Folha registrou a Sartinelle na Junta Comercial e inscreveu na Receita Federal através de um contrato social que não corresponde com a realidade fática. Tais alegações não merecem prosperar, por que a Receita Federal não detém competência para desconsiderar os documentos arquivados na Junta Comercial. E, cabe a Junta Comercial fazer o exame somente das formalidades dos atos societários. Logo, não pode prosperar a suposta irregularidade apontada quanto a falsidade do objeto social dessa empresa e, conseqüente, a caracterização de qualquer prática dolosa e fraudulenta. (ii) Foram ainda apontadas as seguintes supostas irregularidades no preenchimento da DCTF e no Livro Diário, como: a) endereço da Sardinelle quando ainda estava na prateleira; b) figurava ainda como representante da empresa a Fl. 4629DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16561.720070/201123 Acórdão n.º 1101001.097 S1C1T1 Fl. 19 18 Sra. Diva, sócia anterior e c) a Sra Diva assinou os Termos de Abertura e Encerramento do Livro Diário da impugnante após ter deixado de ser sócia da Sardinelle. (ii.i) Caso tivesse sido diligente, a Fiscalização teria confirmado que a Impugnante registrou na JUCESP, em 08/12/2005, Ata de Assembléia por meio da qual foi deliberada a alteração do representante legal da Sardinelle, informando, portanto, a substituição da Sra. Diva dessa função. Posteriormente, tal alteração foi devidamente comunicada à Receita Federal do Brasil, que demorou a processar a alteração procedida, como se comprova pela análise do "Documento Básico de Entrada do CNPJ" (DBE anexo) que evidencia que até 19/09/2006 tal alteração não havia sido processada. (iii) Quanto ao fato da fiscalização alegar que não foi comprovado o pagamento de R$1.000,00 pela compra da Sardinelle, não pode ser aceito, pois, a primeira alteração do contrato social da empresa, devidamente registrado na Junta Comercial, menciona que houve o pagamento no ato da alteração. A fiscalização ignorou que este documento tem fé pública, logo, está provado que houve o pagamento. III.7 Atos Societários Registrados na JUCESP e Submetidos à Receita Federal do Brasil 4.38. “A fim de se demonstrar a impossibilidade de caracterização da fraude no presente caso e, conseqüentemente, o evidente equívoco cometido pelo Sr. Auditor Fiscal, é importante destacar que todos os atos societários descritos no Termo de Verificação Fiscal, foram devidamente registrados e apresentados aos órgãos competentes, como a JUCESP (como já demonstrado no item 11.1. da presente impugnação) e refletidos também em documentos fiscais (DIPJ) e demonstrações contábeis aprovadas por Parecer dos Auditores Independentes, que foram regularmente submetidos à apreciação da Receita Federal do Brasil”. 4.39. A Impugnante traz decisões do Conselho de Contribuintes com o entendimento de que não cabe a qualificação da multa de ofício nos casos de “planejamentos tributários”, constituídos de atos devidamente registrados, feitos às claras e cumpridas todas as obrigações acessórias, quando é dado ao fisco conhecer, sem dificuldade, toda a extensão dos negócios engendrados. III.8 – Das Opiniões dos Assessores Jurídicos 4.40. Antes de realizar as operações, que resultaram no aproveitamento do ágio a Impugnante contratou pareceres para analisar a reestruturação societária pretendida. Esse fato comprova a prudência, a cautela e a boafé da Impugnante, afastandose uma possível fraude em razão da inexistência do dolo. 4.41. “Dessa forma, em razão dos pareceres, não se pode imaginar, como presuntivamente fez o Sr. Agente Fiscal, que a Fl. 4630DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16561.720070/201123 Acórdão n.º 1101001.097 S1C1T1 Fl. 20 19 Impugnante teria agido com dolo ao proceder a dedução da amortização do ágio, gerado na incorporação de ações”. III.9 – Inexistência de Previsão Legal para Tributação da Amortização do Ágio pelo CSLL 4.42. “Mesmo que os argumentos expostos até o momento não sejam acolhidos, o que também se alega a título meramente argumentativo, fazse necessário demonstrar que não há que se falar na adição da referida despesa na base de cálculo da CSLL, por absoluta ausência de previsão legal”. 4.43. “Na realidade, o legislador ao determinar a base de cálculo da CSLL de forma exaustiva (numerus clausus), fixando, taxativa e individualmente, cada um dos ajustes aplicáveis (artigo 2o e §§, da Lei n° 7.689/88), não arrolou, como hipótese de adição ao lucro líquido, o valor correspondente à amortização do ágio na aquisição de investimentos avaliados pelo método da equivalência patrimonial”. 4.44. “Dessa forma, tornase incontroversa a argumentação no sentido de que os únicos ajustes admitidos, por adição, à base de cálculo da CSLL, são aqueles que decorrem de Lei. Com efeito, uma eventual despesa que tenha integrado o lucro líquido somente será considerada indedutível da base de cálculo da CSLL caso haja previsão expressa em lei para este tributo o que não ocorre para o caso específico”. IV – DA GLOSA DO SALDO DE PROVISÕES IV.1 Da Superficialidade das Investigações Realizadas pela Fiscalização 4.45. É importante ressaltar que a glosa das provisões em análise decorre de uma análise precipitada e superficial da fiscalização, que não investigou, como devia, a vasta documentação disponibilizada pela Impugnante durante os trabalhos de fiscalização. A fiscalização para evitar o transcurso do prazo decadencial, entendeu por bem glosar o saldo das provisões: (i) TributáriaSuspensão (IR) e (ii) Para Garantia de Dividendos. IV.2 – Da Natureza de Parte dos Valores Registrados na Conta Provisão “TributáriaSuspensão (IR)” 4.46. A fiscalização desconsiderou a exclusão do saldo registrado na conta “Provisão TributáriaSuspensão (IR)” com base em alegações genéricas, como: “conforme se pode ver no Livro LALUR nº 15 do A/C 2006 (doc. 17), a FOLHA excluiu indevidamente o valor acima referido, pois conforme o demonstrativo por ela apresentado, não houve encerramento de ações judiciais que motivassem a realização quase total dessa provisão que em 3/12/2005 totalizava R$100.341.282,69. Tal fato provocou uma diminuição na base de cálculo do lucro nesse período”. Fl. 4631DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16561.720070/201123 Acórdão n.º 1101001.097 S1C1T1 Fl. 21 20 4.47. Caso a fiscalização tivesse analisado a documentação acostada aos autos pela Impugnante, teria constatado que a “baixa” da provisão ocorreu não em razão do encerramento das ações judiciais que a compuseram, mas sim em razão da mudança de critério de contabilização da referida provisão. “Verificase, destarte, que houve total afronta ao princípio da verdade material”. 4.48. Até 31/12/2006 todos os valores de eventuais contingências tributárias foram registrados em suas demonstrações financeiras em contas de provisões. Porém, a partir desta data a Impugnante analisou os valores registrados na conta provisão “Tributária Suspensão (IR)” e verificou que parte desse passivo deveria ser registrado como obrigação legal, sendo, portanto, plenamente dedutível do lucro real apurado, o que foi, inclusive, sugerido em parecer elaborado pela PricewaterhouseCoopers. 4.49. Está sendo apresentado um resumo das quatro ações judiciais que dão origem à provisão em discussão, e analisando o histórico dos processos judiciais, denotase que em todos eles a Impugnante detinha a certeza de que estava discutindo não uma mera contingência, mas sim uma efetiva obrigação tributária, com previsão expressa em lei. 4.50. O que a Impugnante pretendeu com as referidas ações judiciais foi obter interpretação diversa das legislações objeto de cada uma das ações, porém, desde o momento em que deu início aos processos tinha consciência da existência de legislação tributária determinando o recolhimento das referidas exações. Logo, na realidade se tratava de passivo e não de provisão. 4.51. Inclusive, a CVM editou a Deliberação nº 489/05, que aprovou o Pronunciamento do IBRACON NPC nº 22 sobre Provisões, Passivos, Contingências Passivas e Contingências Ativas. Pela definição do pronunciamento, provisão diz respeito a valores incertos e datas não determinadas de obrigações que podem ocorrer. No caso de situações em que os valores são perfeitamente quantificados e fatos gerados ocorridos, não se trata de provisão, mas sim, de um passivo. 4.52. A mencionada deliberação tornou obrigatória a observância, pelas companhias abertas dos conceitos estabelecidos. Por orientação dos auditores independentes deveria ser aplicado pelas sociedades de capital fechado, para alinhar as práticas contábeis brasileiras com as internacionais. 4.53. Ressaltase que, o fato do crédito tributário estar suspenso, por diversas ações judiciais, não interfere em nada na natureza da obrigação. O crédito tributário decorre da obrigação principal e é constituído pelo ato de lançamento, nos termos dos artigos 139 e 142 do CTN. 4.54. “Diante disso, está plenamente correto o procedimento adotado pela Impugnante por ocasião da mudança do critério contábil de registro dos valores que estavam registrados na conta "provisão tríbutáriasuspensão (IR)”, pois parte desses Fl. 4632DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16561.720070/201123 Acórdão n.º 1101001.097 S1C1T1 Fl. 22 21 valores se caracterizam como passivos efetivos, e, portanto, são plenamente dedutíveis da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, razão pela qual a Impugnante aguarda que essa C. Turma Julgadora exonere os créditos tributários decorrentes da glosa da exclusão da "provisão" realizada”. IV.3 – Da Provisão para Garantia de Dividendos 4.55. A fiscalização também entendeu que o saldo da “provisão para garantia de dividendos” não poderia ter sido excluída, para apuração do lucro real, entre 01/2006 a 12/2010, em razão de supostamente não ter sido adicionada do lucro líquido para apuração do lucro real, no momento em que foi constituída (09/11/2005). 4.56. Analisando o relatado pela fiscalização, devese fazer, inicialmente, uma ressalva: realmente a provisão para garantia de dividendos não foi adicionada pela Impugnante, e nem deveria. Isso porque, a provisão não foi por ela constituída e sim pela Sardinelle em 09/11/2005, por ocasião do registro do ágio apurado em decorrência da integralização das ações da Impugnante em seu capital. 4.57. Logo, a motivação mencionada pela fiscalização para fundamentar a glosa da reversão da provisão não corresponde a realidade dos fatos, razão pela qual a constituição dos créditos tributários de IRPJ e CSLL com base nessa suposta infração é inválida. 4.58. Em razão da obrigação estabelecida em normativos expressos da CVM, a Sardinelle constituiu a "provisão para garantia de dividendos", em valor proporcional a 66% do ágio que estava registrado em sua contabilidade, visando a proteção dos acionistas minoritários quanto aos efeitos negativos da amortização do ágio sobre o fluxo de dividendos. 4.59. “Esta provisão foi constituída como forma de evitar os efeitos negativos do ágio no patrimônio líquido da Impugnante, decorrentes da sua amortização após a incorporação. Desta forma, com a amortização do ágio nos exercícios subseqüentes pela Impugnante, em contrapartida do resultado do período, igual valor da referida provisão seria, também, creditado no resultado, de modo a anular o efeito da amortização do ágio no fluxo de distribuição de dividendos”. 4.60. A proteção do direito ao fluxo de dividendos dos minoritários encontrase prevista no artigo 6º da Instrução CVM nº 319/99 (com redação dada pela Instrução CVM nº 349/01), bem como no artigo 16 da mesma norma. 4.61. No ato normativo acima mencionado está prevista que a provisão será constituída na incorporada (Sardinelle), que foi exatamente o que ocorreu no presente caso, diferentemente do que presumiu a fiscalização. Fl. 4633DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16561.720070/201123 Acórdão n.º 1101001.097 S1C1T1 Fl. 23 22 4.62. “Como decorrência, no momento da incorporação da Sardinelle pela Impugnante, a provisão para garantia de dividendos foi registrada no Ativo da Impugnante, tendo como contrapartida um lançamento no seu Patrimônio Líquido”. “Tal fato já é motivo suficiente para comprovar o equívoco cometido pela Fiscalização, pois como a provisão ora questionada não afetou o resultado da Impugnante, não haveria, por coerência lógica, obrigação de adicionála ao lucro real do período”. 4.63. Ainda que a Impugnante tivesse o dever de adicionar a provisão para garantia de dividendos ao lucro real, a Fiscalização não poderia questionar, no momento da lavratura dos autos de infração (14/12/2011) a reversão da provisão feita pela Impugnante nos anosbase de 2006 a 2010, sob a alegação de que não houve a respectiva adição da provisão em 31/12/2005. 4.64. A fiscalização não poderia efetuar o lançamento de ofício fundamentado em fato pretérito (não adição da provisão para garantia de dividendos em 31/12/05) para alcançar os efeitos decorrentes desse fato em períodos subseqüentes (reversão da provisão entre 01/2006 a 12/2010), como ocorreu no presente caso, conforme as já citadas decisões proferidas pelo antigo Conselho de Contribuintes. 4.65. Conforme se extrai das informações contidas no Livro Diário da Sardinelle, relativamente ao anobase de 2005, a provisão para garantia de dividendos foi constituída em 09/01/2005 em conta redutora do ativo e como contrapartida foi registrada uma despesa no seu resultado. 4.66. Além disso, notase também que a Sardinelle apurou prejuízo líquido (contábil) no período no valor de R$ 154.622.820,00, conforme se extrai da ficha 06A da DIPJ de incorporação, e que teve origem na provisão contabilizada. Logo, a adição da garantia de dividendos, na apuração do lucro real, não geraria qualquer efeito fiscal que resultasse no recolhimento de IRPJ e da CSLL. IV.4 – Impossibilidade de Sucessão da Multa de Ofício sobre Fatos Geradores Ocorridos Antes da Incorporação 4.67. “Ainda que (i) o Fiscal tivesse questionado a suposta falta de adição da provisão para garantia pela Sardinelle, e (ii), como conseqüência, seja mantida a glosa da reversão da referida provisão, o que se alega a título meramente argumentativo, não poderá prevalecer a cobrança da multa de ofício em face da Impugnante, tendo em vista que, no Direito Tributário, a sucessão abrange apenas os TRIBUTOS devidos pela empresa extinta, jamais as MULTAS relativas a tais práticas, sobretudo quando forem imputadas posteriormente ao evento sucessório”. 4.68. O sucessor responde apenas pelos tributos devidos até a data da sucessão. No caso em análise, a multa foi lançada em 14/12/2011 com a lavratura dos Autos de Infração ora Fl. 4634DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16561.720070/201123 Acórdão n.º 1101001.097 S1C1T1 Fl. 24 23 combatidos, enquanto a incorporação da Sardinelle pela Impugnante se deu em 09/11/2005. V – Ilegalidade da Cobrança de Juros Sobre a Multa 4.69. Ainda que se entenda correta a utilização da taxa Selic para cobrança dos juros de mora incidente sobre o tributo supostamente devido, é certo que os juros calculados com base nessa taxa não poderão ser exigidos sobre a multa de ofício lançada, por absoluta ausência de previsão legal.” Em sessão de julgamento de 25/10/2012, a 4ª Turma da DRJ/SP1 houve por bem julgar improcedente a impugnação apresentada, em acórdão que restou assim ementado: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007, 2008, 2009, 2010 FATOS PASSADOS. DECADÊNCIA TRIBUTÁRIA. REPERCUSSÃO EM EXERCÍCIOS FUTUROS. A fiscalização pode analisar fatos ocorridos em períodos passados, ainda que não seja possível realizar exigência tributária, em decorrência de decadência, quando eles repercutam em lançamentos contábeis de exercícios futuros. A empresa deve conservar os documentos de sua escrituração, até que se opere a decadência do direito de a Receita Federal do Brasil constituir os créditos tributários relativos a esses exercícios. INCORPORAÇÃO DE EMPRESA. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO INTRAGRUPO. NECESSIDADE DE PROPÓSITO NEGOCIAL. UTILIZAÇÃO DE EMPRESA VEÍCULO. Não produz o efeito tributário almejado pelo sujeito passivo a incorporação de pessoa jurídica, constituída sem finalidade negocial, em cujo patrimônio constava registro de ágio em decorrência de participação na incorporadora com fundamento em expectativa de rentabilidade futura. PROVISÃO DE TRIBUTO COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. REALIZAÇÃO ANTES DO TÉRMINO DA DEMANDA JUDICIAL. NÃO DEDUTÍVEL. A reclassificação contábil de provisão de tributo com exigibilidade suspensa para obrigação passiva, para efeitos contábeis, não possibilita a realização da provisão, ou seja, dedução para apuração do lucro real, antes do encerramento das ações judiciais. Os tributos que estejam com exigibilidade suspensa, nos termos do art. 151, inciso III do CTN, não têm natureza de despesas incorridas, independente do entendimento da teoria contábil, Fl. 4635DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16561.720070/201123 Acórdão n.º 1101001.097 S1C1T1 Fl. 25 24 estando vedada sua dedução, para apuração da base de cálculo dos tributos, conforme regra do art. 13, inciso I, da Lei 9.249/95. PROVISÃO PARA GARANTIA DE DIVIDENDOS. REVERSÃO NÃO DEDUTÍVEL. A reversão da provisão não poderá ser excluída na apuração do lucro real, se quando da sua constituição não foi adicionada para apuração do lucro real do exercício correspondente. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. Aplicase a multa de ofício qualificada no percentual de 150%, quando o procedimento fiscal evidenciou que o contribuinte agiu com intuito de fraude com as operações societárias realizadas visando à criação de ágio intragrupo e sua amortização para redução indevida da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. AUTO REFLEXO. CSLL. O decidido no mérito do IRPJ repercute na tributação reflexa. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” De acordo com aviso de recebimento que repousa ao fólio n. 1304, o sujeito passivo tomou ciência do r. aresto recorrido no dia 27 de dezembro de 2012. Em 24 de janeiro de 2013, a ora Recorrente apresentou o Recurso Voluntário ora submetido ao crivo deste Colegiado, ocasião em que, em longas 164 páginas (fls. 1305/1468), repisou as considerações constantes de sua Impugnação. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR O Recurso Voluntário é tempestivo – ciência do r. acórdão recorrido em 27.12.2012 (fl. 1304) e prática do ato recursal em 24.1.2013 (fl. 1305) –, razão pela qual dele tomo conhecimento. Consoante dito acima, os lançamentos em apreço decorrem da circunstância de a autoridade autuante ter vislumbrado três infrações que alegadamente teriam sido cometidas pela ora Recorrente, a saber: i) Redução dos resultados tributáveis, entre os anos calendários 2006 a 2010, com a contrapartida da amortização de ágio após a incorporação da sociedade empresária Sardinelle pela autuada; Fl. 4636DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16561.720070/201123 Acórdão n.º 1101001.097 S1C1T1 Fl. 26 25 ii) Exclusão dos resultados tributáveis da contrapartida à reversão de Provisão para Pagamento de Dividendos; iii) Exclusão da realização da “Provisão Tributária Suspensão IR” do lucro real do anocalendário 2006. As duas primeiras infrações em apreço relacionamse ao processo de reorganização societária por que passou o grupo econômico que controla a sociedade empresária autuada, ao passo que a terceira infração apontada pela r. autoridade autuante é questão absolutamente autônoma. Passemos, pois, ao exame das questões devolvidas a esse Colendo Colegiado. Da Reorganização Societária do Grupo Folha – Formação e amortização do ágio em testilha O seguinte trecho do Recurso Voluntário descreve fielmente as operações que deram ensejo à formação do ágio cuja amortização é aqui discutida, litteris: Nesse contexto de reavaliação da sociedade, de seus negócios e ativos, bem como de potencial admissão de investidores, é que devem ser interpretados os fatos societários a seguir descritos: (i) 06/09/2005: Constituída a empresa Sardinelle Participações Ltda. (“Sardinelle”) com capital social de R$ 1.000,00, tendo como sócios S&A Serviços Empresariais Ltda. e a Sra. Diva Maria Batista Martins Ramalho, registrado na JUCESP sob o no 35220190932; (ii) 15/09/2005: Constituída a empresa Larimus Participações Ltda. (“Larimus”), com capital social de R$ 1.000,00, tendo como sócios S&A Serviços Empresariais Ltda. e a Sra. Diva Maria Batista Martins Ramalho, registrado na JUCESP sob o n. 35220218438; (iii) 03/11/2005: A empresa S&A Serviços e a Sra. Diva Maria cedem, mediante pagamento, as quotas que detinham na Larimus em favor da Folha Participações S/A (“Instrumento Particular de 1a Alteração Contratual”, registrado na JUCESP sob o no 971776/05 2); (iv) 03/11/2005: A Sardinelle passou a ser controlada pela Larimus (que passa a deter 99,9% de suas ações) e pela Sra. Maria Judith de Brito (que passa a deter 0,01% de suas ações), em razão da cessão, mediante pagamento, das quotas detidas pela S&A Serviços e pela Sra. Diva Maria (“Instrumento Particular de 1a Alteração Contratual”, registrado na JUCESP sob o no 971778/050); (v) 04/11/2005: a Folha Participações S/A, única sócia de Larimus, cedeu e transferiu 1 (uma) quota no capital social da Sociedade, pelo seu valor nominal, para Octávio Frias de Oliveira Filho, e 1 Fl. 4637DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16561.720070/201123 Acórdão n.º 1101001.097 S1C1T1 Fl. 27 26 (uma) quota, também pelo seu valor nominal, para Luis Frias, conforme Instrumento Particular de 2a alteração do contrato social, registrado na JUCESP sob o no 971777/056. Na mesma data, os acionistas decidiram aumentar o capital da Larimus em R$ 12.558.000,00, sendo este valor totalmente subscrito pela sócia Folha Participações S/A, e integralizado mediante a conferência de ações da Recorrente. (Instrumento Particular de 2a Alteração do Contrato Social da Larimus Participação, registrado na JUCESP sob o protocolo no 971999/056); (vi) 07/11/2005: Elaborado Relatório de Avaliação Econômico Financeira da Recorrente (doc. às fls. dos autos), por meio da qual a empresa Gallo Engenharia e Consultoria Empresarial reavaliou as suas ações com base em expectativa de rentabilidade futura e concluiu que “para a database de 31 de dezembro de 2005, o valor econômico estimado da empresa é de R$ 246.835 mil no Cenário I e R$ 246.372 mil do Cenário II”. Nesta mesma data, os acionistas da Sardinelle decidiram aumentar o capital social da empresa em R$ 246.835.000,00, com a emissão de 246.835.000 ações, que foram totalmente subscritas e integralizadas pela Larimus, mediante a conferência das ações preferenciais de emissão da Empresa Folha da Manhã S/A (Recorrente), devidamente reavaliadas com base no referido Relatório. Em razão da integralização das ações da Recorrente, a Sardinelle registrou em sua contabilidade o ágio na aquisição de investimento no valor de R$ 234.277.000,00, referente à diferença entre: (a) o valor de integralização suportado pelo aludido relatório (R$ 246.835.000,00) e (b) o valor do patrimônio líquido da Recorrente (R$ 12.558.000,00). (...) (vii) Em 09/11/2005 a Sardinelle constitui uma provisão no valor de R$ 154.623.000,00 (nos termos do artigo 6a da Instrução da Comissão de Valores Mobiliários (“CVM”) no 319, de 03 de dezembro de 1999, com redação dada pela Instrução CVM no 349, de 06 de março de 2001 – conta gráfica 1705.0500.00005) lançada como despesa contábil no valor correspondente a 66% do ágio registrado contabilmente nesta data, nos termos do artigo 6o, §1o, alínea “a” da referida Instrução. (viii) Em 09/11/2005, a Sardinelle foi incorporada pela Recorrente, conforme a Ata de Assembléia Geral Extraordinária realizada nesta data, e registrada na JUCESP sob o no 971780/055. Frisese que, apesar de a Sardinelle ter apurado, ao final do ano calendário de 2005, prejuízo operacional e fiscal, esses valores Fl. 4638DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16561.720070/201123 Acórdão n.º 1101001.097 S1C1T1 Fl. 28 27 não foram aproveitados pela Recorrente, em observância ao disposto no artigo 514 do RIR/99 (Decreto no 3.000/1999). (ix) A partir de dezembro de 2005, a Recorrente passou a amortizar o ágio à razão de 1/60 ao mês, amortização essa que é objeto do presente auto de infração. Ainda, concomitantemente à amortização fiscal do ágio, a Recorrente realizada a reversão da provisão que havia sido constituída para a garantia de dividendos dos minoritários (nos termos da Instrução CVM no 319), a qual era excluída para fins de apuração do IRPJ e da CSLL. Esta exclusão também está sendo indevidamente questionada nos presentes autos. (fls. 13141318) Diante do quadro acima delineado, a autoridade autuante concluiu pela ilegitimidade do ágio discutido, razão pela qual glosou os lançamentos a débito de resultado efetuados em contrapartida à amortização de ágio, lançamentos esses efetuados entre os anos calendários 2006 a 2010. A seguinte passagem do Termo de Verificação Fiscal dá conta dos fundamentos de que a autoridade fiscal lançou mão para chegar às suas conclusões, verbis: A Fiscalização constatou que o ágio apurado quando da integralização de capital na Sardinelle pela Larimus não resulta de atos societários materialmente verdadeiros, revelandose não autênticos em sua essência. E para essa conclusão fiscal foi fundamental para a conclusão fiscal a constatação de que o ágio foi gerado de forma interna, ou seja, dentro do mesmo grupo econômico, sem alteração do controle das sociedades envolvidas. Além disso, há clara referência à utilização de “empresa veículo”, sociedade através da qual o ágio foi “transportado” para a sociedade beneficiária da amortização contestada. Restou demonstrado, também, que a operação não importou no ingresso de recursos novos, porquanto o ágio não teve origem em qualquer pagamento. Houve a utilização de um artifício contábil sem suporte econômico para a geração de riqueza e que visou unicamente o posterior aproveitamento do ágio, ou seja, essas operações societárias foram engendradas formalmente sem conexão com o mundo fático. Para comprovarmos que o que o contribuinte fez foi ineficaz perante o Fisco, e porque desconsideraremos os efeitos da reorganização societária promovida pela Folha por se tratar de mero instrumento para redução de tributos, sem fundamentação econômica, argumentaremos abaixo sob 2 (dois) pontos de vista, quais sejam: A inaceitabilidade, no arcabouço contábil, do ágio intragrupo, pois a teoria contábil suporta apenas o ágio pago numa negociação entre comprador e vendedor não relacionados entre si. E a falta de propósito negocial da operação. Nesta etapa, analisaremos a conduta para podermos determinar a natureza Fl. 4639DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16561.720070/201123 Acórdão n.º 1101001.097 S1C1T1 Fl. 29 28 do negócio praticado. Verificaremos o contexto, a motivação e a execução do negócio. (fl. 162) Após tais considerações, a autoridade autuante explicita as razões pelas quais, a seu sentir, (i) o registro do ágio aqui controvertido na empresa Sardinelle – posteriormente incorporada pela ora Recorrente – seria inaceitável do ponto de vista contábil, do que decorreria a sua inaceitabilidade para fins fiscais; e (ii) a operação em apreço careceria de propósito negocial. Antes de cuidar da reorganização societária em si, articula o contribuinte que, uma vez que o ágio aqui controvertido surgiu em novembro de 2005, não poderia a r. autoridade autuante ter examinado e atestado a pretensa falta de higidez da respectiva operação societária em lançamento que se aperfeiçoou apenas em dezembro de 2011 – átimo em que o sujeito passivo foi cientificado das autuações aqui analisadas –, ante a operação da decadência, nos termos do §4o do art. 150 do Código Tributário Nacional. Sem razão o contribuinte quanto ao ponto. Com efeito, apesar de o surgimento do ágio em questão efetivamente ter ocorrido mais de 5 (cinco) anos antes da ciência das autuações em destaque, temse que os lançamentos aqui discutidos reportamse apenas às despesas lançadas em contrapartida da amortização do ágio atinentes aos anoscalendários 2006, 2007, 2008, 2009 e 2010, razão pela qual não há de ser reconhecida a decadência do direito de o Fisco contestar esses registros que minoraram a base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Deveras, apesar de o fato que deu origem ao ágio ter tido lugar mais de cinco anos antes do aperfeiçoamento do lançamento pela ciência do sujeito passivo, não há dúvidas de que os efeitos derivados desse fato impactaram a matéria tributável de período a respeito do qual não há que se falar em transcurso do quinquênio extintivo, que é justamente o período aqui debatido. De mais a mais, é importante salientar que os créditos tributários derivados da glosa em apreço foram gravados com penalidade qualificada, no percentual de 150%, ante a constatação fiscal de que a Recorrente agira de forma fraudulenta – constatação essa que mandatoriamente deveria ser afastada para que se pudesse cogitar da aplicação do §4o do art. 150 do Código Tributário Nacional. Outrossim, verificase que, em outubro de 2013, esse Colegiado teve a chance de debruçarse sobre matéria análoga, ocasião em que, no ponto, acompanhei o voto da Conselheira Edeli Pereira Bessa, do qual são extraídos os seguintes excertos, litteris: Todavia, não prevalecendo este entendimento nesta Turma Julgadora, cumpre apreciar a argüição de decadência/preclusão da possibilidade do Fisco questionar a legalidade dos atos societários que deram origem ao ágio. Como dito, a “Preclusão” da possibilidade do Fisco questionar a legalidade dos atos societários que deram origem ao Ágio também foi um dos tópicos da defesa apresentada nos autos do processo administrativo no 16561.000222/200872, e não há reparos à conclusão adotada no voto condutor do Acórdão no 140200.802, a seguir transcrita: Fl. 4640DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16561.720070/201123 Acórdão n.º 1101001.097 S1C1T1 Fl. 30 29 I. DECADÊNCIA (PRECLUSÃO) DA POSSIBILIDADE DE AUDITORIA DOS ELEMENTOS CONTÁBEIS E FISCAIS DO ANOCALENDÁRIO DE 2001 COM REPERCUSSÃO FUTURA A recorrente alega, em síntese, que no ano de 2008 o Fisco não mais poderia verificar a regularidade dos atos que originaram o direito ao aproveitamento do ágio, haja vista o transcurso do prazo decadencial de cinco anos entre os fatos que propiciaram o surgimento desse ágio, ocorridos no ano 2001, e a lavratura dos autos de infração. A decisão de primeira instância enfrentou essa preliminar, que foi rejeitada pelos seguintes fundamentos (verbis): DA DECADÊNCIA DO QUESTIONAMENTO DOS ATOS SOCIETÁRIOS A contribuinte argumenta que teria ocorrido a decadência do direito de o Fisco questionar a legalidade dos atos societários que originaram o ágio ora em debate, uma vez que os fatos em comento ocorreram em 2001, e os autos de infração foram cientificados à impugnante em 30/12/2008. (...) Recentemente, o professor Marco Aurélio Greco manifestou o entendimento de que “não existe direito adquirido da empresa de usar o ágio mesmo depois de passados cinco anos do fato gerador”. A afirmação foi feita na V Jornada de Debates sobre Questões Polêmicas de Direito Tributário, promovida pela FISCOSOFT em junho de 2011. Para o Dr. Greso, a tese bate de frente com entendimento do Supremo Tribunal Federal: “Não se tem direito adquirido ao prejuízo, conforme disse o Supremo ao julgar a trava de 30% para redução do lucro tributável”, diz. Em 2009, o STF entendeu que a Lei 8.891/1995, que permitiu o aproveitamento, concedeu um benefício fiscal e que, por isso, não havia nada de errado com a trava de 30% por período de apuração. Assevera ele que, enquanto o ágio não é amortizado totalmente, não existe fato consumado, apenas expectativa de direito. "A empresa espera que futuramente estará sujeita ao IR e ao regime de apuração do lucro real. Mas direito adquirido a regime jurídico. Ela vai se submeter àquele a que se enquadrar na data da ocorrência do fato gerador.” Por isso, em relação aos autos de infração lavrados depois de passados cinco anos da informação do ágio ao fisco, Greco afirma que a prática é legal. “O auto não existe sozinho, mas decorre da contabilização irregular", defendeu. “Embora a segunda conduta aconteça cinco anos depois, é causal, não bastante em si. Fl. 4641DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16561.720070/201123 Acórdão n.º 1101001.097 S1C1T1 Fl. 31 30 “Segundo ele, não há prazo para o fisco reconhecer a irregularidade, mas somente para impedir o aproveitamento. “As amortizações feitas no passado ficam consolidadas. Apenas as posteriores podem ser desconsideradas.” Tais considerações primam pela coerência e vem ao encontra da tese defendida neste voto. (...) Enfim, ao contribuinte incumbe a prova da regularidade dos valores utilizados para redução da base de cálculo nos períodos fiscalizados, e a autoridade tem a prerrogativa de deles discordar, enquanto não transcorrido o prazo previsto na legislação para constituição do crédito tributário correspondentes; podendo, para tanto, efetuar verificações em períodos anteriores, já atingidos por esse mesmo prazo decadencial; vedada, obviamente, a possibilidade de apuração e constituição de créditos tributários desses últimos. Por todo o exposto, rejeito a preliminar de impossibilidade do Fisco efetuar em 2008 a auditoria dos elementos contábeis e fiscais do anocalendário de 2001, para glosar valores com repercussão tributária em períodos posteriores (ágio passível de amortização). Por estas mesmas razões, nenhum impedimento havia para a Fiscalização, em 29/03/2010, formalizar exigência pertinente aos períodos de apuração de 2006 e 2007, alcançando a repercussão tributária do fato aqui em debate, ocorrido em 2001. Assim, REJEITAse a argüição de decadência/preclusão. (Processo Administrativo n. 16643.000144/201011; Acórdão n. 1101000.962; sessão de 08 de outubro de 2013; rel. Cons. Edeli Pereira Bessa) Não há que se falar, pois, em decadência no caso concreto. No mérito, temse que a autoridade autuante, conforme visto, chegou a suas conclusões a partir basicamente de duas circunstâncias, quais sejam, (i) a pretensa impossibilidade do registro do ágio na esteira da ciência contábil e (ii) a alegada falta de propósito negocial da operação em testilha. Em relação ao primeiro dos temas, penso ser importante a transcrição do seguinte trecho do Termo de Verificação Fiscal, em que o entendimento quanto à pretensa impossibilidade do reconhecimento do ágio em análise é externado, litteris: Não há na legislação tributária o reconhecimento do ágio em operações de aquisição de participação societária intragrupo. Os artigos 7o e 8o da Lei no 9.532/1997, (sic) não fazem referência a essa hipótese, ou seja, não contemplam a situação de ágio gerado entre empresas intragrupo, pelas razões, inclusive já expostas. No presente caso, o custo de aquisição das ações incorporadas que deveria ser registrado pela SARDINELLE, seria aquele correspondente ao valor patrimonial das ações da FOLHA e não Fl. 4642DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16561.720070/201123 Acórdão n.º 1101001.097 S1C1T1 Fl. 32 31 o valor correspondente ao capital aumentado e entregue aos titulares das ações incorporadas, uma vez que este é um valor artificial, na medida em que não foi validade por uma operação de mercado cuja amortização não pode ser considerada uma despesa paga ou incorrida. As partes que ajustaram a operação com ágio eram, de um lado, entregando as ações da interessada, a LARIMUS, e de outro lado, recebendo as ações, a SARDINELLE, cujos sócios também detêm a propriedade das ações da interessada e da LARIMUS. Não houve na constituição desse ágio a participação de qualquer agente econômico estranho aos acionistas da impugnante que, de alguma forma, agregassem algum novo elemento econômico ao empreendimento, ou seja, não houve qualquer circulação de riqueza nova ou de numerário em espécie: houve apenas novo dimensionamento do patrimônio líquido da interessada, atribuído e acatado exclusivamente pelos mesmos sócios. Por conseguinte, não é possível reconhecer uma maisvalia de um investimento quando originado de transação dos sócios com eles mesmos, mediante a utilização da empresa veículo SARDINELLE (cujo capital inicial era de R$ 1.000,00, alterado somente com a conferência de ações da Interessada em integralização de capital, como mostrado), haja vista a ausência de substância econômica na operação e de não resultar de um processo imparcial de valoração, num ambiente de livre mercado e de independência entre as companhias. (fls. 173174; sem grifos no original) Percebese claramente o equívoco em que incorreu a douta autoridade fiscal, razão pela qual suas conclusões são absolutamente improsperáveis. Com efeito, no caso em análise, temse que a Folha Participações – antiga controladora direta da ora autuada – adquiriu as cotas da empresa LARIMUS, sendo que subscreveu aumento de capital nessa sociedade que foi integralizado com as ações que a Folha Participações detinha na ora Recorrente, ações essas que foram valoradas a partir do seu custo contábil. Posteriormente, a LARIMUS adquiriu as cotas da SARDINELLE. O investimento da LARIMUS na autuada foi, então, reavaliado com esteio no laudo que repousa às fls. 10701086, após o quê a detentora do investimento subscreveu aumento de capital na SARDINELLE, integralizado com as ações que a LARIMUS detinha na contribuinte. Nada obstante, essa integralização deuse a valor de mercado, com base na expectativa de rentabilidade futura da ora Recorrente indicada no mencionado laudo supracitado, do que resultou o ágio de que aqui se cuida, registrado na SARDINELLE pela diferença entre o valor de mercado apontado no citado laudo e o valor do patrimônio líquido da investida (autuada). Ora, ao contrário do quanto asseverado pela autoridade autuante, a falta de menção expressa, nos arts. 7o e 8o da Lei n. 9.532/97, às operações havidas dentro mesmo Fl. 4643DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16561.720070/201123 Acórdão n.º 1101001.097 S1C1T1 Fl. 33 32 grupo econômico não conduz ao entendimento de que não haveria possibilidade de registro de ágio em operações desse jaez. Muito pelo contrário. Deveras, a falta de referência expressa significa unicamente que não há qualquer vedação ao registro de dita maisvalia, não se cuida de situação a demandar ostensiva autorização legal. É importante frisar que as operações aqui discutidas tiveram lugar em fins de 2005, é dizer, antes das relevantes alterações levadas a efeito pela Lei n. 11.638/07. Nesse contexto, é certo que não havia qualquer óbice legal ao registro do ágio em operações havidas dentro de um mesmo grupo econômico nesse período – circunstância essa que fez com que o Sr. Auditor Fiscal tivesse que lastrear seu entendimento na equivocada assertiva da inexistência de autorização expressa para tanto. De fato, é estreme de dúvidas que, em relação ao período aqui controvertido, as pessoas jurídicas não apenas poderiam como deveriam registrar resultados em transações que envolvessem ativos entre sociedades empresárias sob controle comum, sendo absolutamente indiferente o fato de referido ativo ser, verbi gratia, uma mercadoria ou uma participação societária. Essa circunstância deriva do fato de que os padrões contábeis brasileiros não preconizam demonstrações consolidadas de sociedades integrantes de um mesmo grupo econômico – standard esse adotado nos Estados Unidos da América, em que é enaltecida a entidade consistente no grupo econômico –, sendo certo que, na esteira do que prevalece na Europa Continental, são enternecidas aqui as demonstrações de resultados individuais, o que deriva de nosso apreço pela abstração da pessoa jurídica, tão cara aos cultores da tradição romanogermânica. Acerca dessas assertivas, são preciosas as lições do Professor Eliseu Martins – notadamente uma das maiores autoridades do país na Ciência Contábil, constantes do Parecer especificamente confeccionado para o caso em apreço e que repousa às 15311590 dos autos, em que se lê, verbis: Ora, e o que ocorre no Brasil? Algo muito semelhante a tantos desses países e mais um enorme conjunto dos europeus constituintes da União Européia. Nossa Lei das Sociedades por Ações normatiza, basicamente, o balanço individual. Trata as demonstrações consolidadas como uma espécie de complemento às demonstrações individuais, tão somente para fins de divulgação, sem qualquer efeito societário. O Fisco brasileiro tão rapidamente eliminou a figura da tributação em conjunto criada pelo DecretoLei no 1.598/77, que ela nunca entrou, de fato, em vigência. Assim, as demonstrações consolidadas são uma importantíssima fonte de informação para os usuários externos, mas não deriva delas qualquer direito societário (cálculos de dividendo, valor patrimonial para fins do direito de recesso etc.) ou qualquer obrigação tributária. Tudo, nesse aspecto, no Brasil, continua regido pelas demonstrações contábeis individuais. Ora, dentro dessa linha, todas as empresas praticamente reconheciam resultado quando da alienação de ativos para Fl. 4644DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16561.720070/201123 Acórdão n.º 1101001.097 S1C1T1 Fl. 34 33 outras entidades do mesmo grupo econômico. O conceito de lucro gerado internamente sempre foi entendido do ponto de vista formal, do ponto de vista da pessoa jurídica propriamente dita, dentro de seus limites, nunca dentro do ponto de vista do grupo econômico. Tudo bem diferente da linha de pensamento saxônica, onde a entidade econômica tem um papel mais relevante na economia do que a entidade jurídica, e sim dentro da linha do direito romano com a atenção centrada nas pessoas jurídicas como entendidas dentro do direito comercial, do direito civil, do direito tributário e etc. Assim, as empresas sempre reconheceram lucro nas vendas de matériasprimas, de mercadorias ou produtos outros em transações de controladora para controlada, de controlada para controladora e entre controladas do mesmo grupo. (...) Assim, a Lei não só previu a figura desses resultados na demonstração do resultado como também no patrimônio líquido. E ocorre que, se a vendedora reconhece o lucro na venda de um ativo, isso significa que o valor integral da operação passa a representar o valor da aquisição na adquirente. No caso de transação com participação societária, isso implica em, obrigatoriamente, registrarse, se existir, também o ágio por expectativa de rentabilidade futura. Podese discutir se esse procedimento devia ou não mudar. Muitos, de fato, se insurgiam contra ele. Um artigo de autoria de nossa autoria (sic) e de Jorge Vieira da Costa Júnior foi publicado em 2004 em vários veículos. Esse artigo abordava os problemas contábeis decorrentes de operações com incorporação reversa, inclusive com relação ao artigo 36 da Lei 10.637/02 que permitia, em certas circunstâncias, o diferimento da tributação na que detinha o investimento. (E é bom ressaltar que nesse artigo 36, que foi utilizado nessa operação aqui sendo discutida, ou em nenhuma outra Lei brasileira, jamais houve qualquer vedação que essas operações se dessem entre empresas sob controle comum.) De qualquer forma, os autores declaramos que o objetivo de tal matéria era exatamente alertar os órgãos reguladores e entidades representativas da profissão contábil e de auditoria para que revissem seus posicionamentos admitidos àquela época, ou seja, nos casos em que uma sociedade contribui, por valor de mercado, sua controlada em aumento de capital de outra controlada, gerando um ágio correspondente à diferença entre o valor de contribuição e o de custo. De fato não se conformava ele com a Lei que permitia o reconhecimento de lucro por parte da alienante de uma participação societária quando de transação entre empresas sob controle comum e, consequentemente, com o reconhecimento do ágio na empresa adquirente sob o mesmo controle, sem que tivesse havido um Fl. 4645DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16561.720070/201123 Acórdão n.º 1101001.097 S1C1T1 Fl. 35 34 custo de aquisição anterior perante terceiros a justificar a operação. Ademais, o inconformismo dos autores a esse respeito se dava à luz não de estarem as empresas descumprindo normas contábeis vigentes; exatamente pelo contrário: as normas em vigor, na sua visão, permitiam o que ele e seu coautor não consideravam como o melhor para a informação contábil brasileira. (...) E é exatamente isso o que está, por exemplo, no que o Termo em discussão registra em seu item 61, quando se refere à resolução CFC no 1.110/2007, que veda o reconhecimento contábil do ágio gerado internamente. “Ágio interno” é, pois, expressão que vem sendo utilizada de maneira muitas vezes incorreta, ou pelo menos com deturpação quando não presentes esses dois ambientes tão diferentes. Em nenhuma hipótese essa vedação do CFC está se referindo ao ágio derivado de negociações entre empresas sob controle comum no caso brasileiro. Apenas atinge a vedação ao reconhecimento de ágio dentro da própria pessoa jurídica. Os autores do artigo citado estavam, sim, procurando incentivar que se trouxesse o conceito saxônico para dentro do Brasil, mas com a total consciência de que isso não era, em absoluto, a nossa realidade. Daí a menção à necessidade de mudanças. (...) O autor Eliseu Martins, como membro do CPC – Comitê de Pronunciamentos Contábeis, só conseguiu a implementação daquele objetivo quando participou ativamente da emissão do Pronunciamento Técnico CPC 18 – Investimento em Coligada e em Controlada, e principalmente da emissão da Interpretação Técnica ICPC 09 – Demonstrações Contábeis Individuais, Demonstrações Separadas, Demonstrações Consolidadas e Aplicação do Método de Equivalência Patrimonial. Foi só então bem recentemente, em 2009, para vigência a partir de 2010, que a CVM e o CFC aprovaram o Pronunciamento Técnico CPC 18 – Investimento em Associada e em Controlada que determinou: (...) Aí sim ficaram vedados os registros contábeis de resultados em todas as operações entre entidades sob controle comum no Brasil. Ou seja, algo estonteante é o fato de, de uma hora para outra, sem qualquer mudança na estrutura conceitual na contabilidade e, principalmente para fins tributários, sem qualquer mudança legislação que cuida da matéria, quererse Fl. 4646DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16561.720070/201123 Acórdão n.º 1101001.097 S1C1T1 Fl. 36 35 que o ágio desapareça das demonstrações contábeis de muito antes de 2010! (...) Concordamos com o fato de que a CVM não gosta desses ágios, e que de fato, em alguns momentos, acabou por tomar algumas atitudes nessa direção, mas a realidade é essa: mesmo que indesejadas por alguns, essas operações envolvendo participações societárias sendo negociadas entre entidades sob controle comum jamais podem, antes de 2010, e após 2011, ser dadas como infratoras de normas legais ou infralegais contábeis brasileiras. (fls. 15431558; sem grifos no original) Por fim, o ilustre Professor ainda arremata, agora tratando da alegada necessidade de Pagamento do Ágio, verbis: O ponto é realmente inovador em matéria contábil. Em nenhum normativo contábil existe a menção à forma como um determinado pagamento deve ser feito como condicionante de sua contabilização. Será que a receita recebida em bens é diferente da receita recebida em dinheiro? Certamente que não. Uma empresa pode adquirir a outra de diversas formas: (i) pagando em dinheiro oriundo de seu próprio caixa, (ii) emitindo ações ou títulos de dívida e usando os recursos para financiar a operação, (iii) emitindo ações e usando essas como instrumento de troca. A contabilização do ágio respectivo é a mesma, não importando a forma de pagamento pela empresa adquirida. Claro que a contabilização da origem dos recursos será diversa dependendo de como a transação foi financiada. No entanto, esse efeito não tem nenhuma influência na contabilização do ágio. (fl. 1560) Essas considerações lançam por terra as assertivas no sentido da impossibilidade do registro do ágio em referência pelo fato de se tratar de operações societárias envolvendo sociedades do integrantes do mesmo grupo econômico, em absoluta ratificação de tudo o que foi dito linhas acima. Com efeito, não há que se falar em óbice imposto pelas normas legais ou infralegais da disciplina contábil brasileira no período da formação do ágio em apreço, assim como inexiste problema atinente ao fato de que não houve pagamento por ocasião da aquisição da participação societária da ora Recorrente pela Sardinelle – aquisição essa materializada pela emissão de ações. É importantíssimo salientar que, nas mais de 70 (setenta) laudas do extenso Termo de Verificação Fiscal, a autoridade fiscal não declina uma linha sequer para impugnar o Laudo que embasou aferição do valor de mercado da ora Recorrente à época dos fatos aqui discutidos. Salientese, ainda, que a operação aqui analisada ocorreu quando ainda vigia o art. 36 da Lei n. 10.637/2002, dispositivo esse que tinha a seguinte redação, litteris: Fl. 4647DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16561.720070/201123 Acórdão n.º 1101001.097 S1C1T1 Fl. 37 36 Art. 36. Não será computada, na determinação do lucro real e da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido da pessoa jurídica, a parcela correspondente à diferença entre o valor da integralização de capital, resultante da incorporação ao patrimônio de outra pessoa jurídica que efetuar a subscrição e integralização, e o valor dessa participação societária registrado na escrituração contábil desta mesma pessoa jurídica. §1o O valor da diferença apurada será controlado na parte B do Livro de Apuração do Lucro Real (Lalur) e somente deverá ser computado na determinação do lucro real e da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido: I – na alienação, liquidação ou baixa, a qualquer título, da participação subscrita, proporcionalmente ao montante realizado; II – proporcionalmente ao valor realizado, no período de apuração em que a pessoa jurídica para a qual a participação societária tenha sido transferida realizar o valor dessa participação, por alienação, liquidação, conferência de capital em outra pessoa jurídica, ou baixa a qualquer título. Em função desse dispositivo – que foi revogado pela Lei n. 11.196/2005, que ainda não havia sido publicada no momento da formação do ágio em discussão –, a Larimus registrou o lucro advindo da reavaliação do investimento na Recorrente e ulterior integralização do capital (alienação) da Sardinelle com esse ativo, lucro esse que passou a ser controlado na parte B do seu Lalur. Ora, se a alienante era obrigada, em função desse dispositivo, a registrar o resultado positivo dessa operação de integralização de capital subscrito com ações a valor de mercado – resultado esse que não era objeto de tributação imediatamente apenas em função do diferimento previsto nesse dispositivo legal –, é absurdo sustentar que esse resultado positivo, que essa maisvalia decorrente da expectativa de resultados futuros da ora Recorrente, não integrasse o custo de aquisição do investimento por parte da sociedade adquirente, a Sardinelle. Essa circunstância já havia sido apreendida pelo eminente Conselheiro Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro no voto vencedor que exarou por ocasião do julgamento do Processo Administrativo n. 10469.721945/201003, no qual se lê, verbis: Como se vê, este dispositivo, revogado pela Lei 11.196, de 2005, permite expressamente diferir o ganho de capital, decorrente de alienação de investimento por integralização com ações de outra empresa. Também, cabe notar que, se há ganho na empresa que faz a alienação, haverá nascimento de ágio na empresa que adquire as ações. Ainda, cabe perceber que não existe na lei qualquer restrição à que a integralização seja feita em empresa do grupo ou em empresa constituída apenas para receber o investimento. Portanto, também o art. 36 da Lei no 10.637, de 2002, consagra a legalidade da conduta do contribuinte. Fl. 4648DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16561.720070/201123 Acórdão n.º 1101001.097 S1C1T1 Fl. 38 37 Por ocasião desse julgamento – havido nesta Turma, na sua anterior composição, em 6 de dezembro de 2012 –, acompanhei integralmente as conclusões externadas pelo ilustre Conselheiro Guerreiro, sendo que a ementa desse r. aresto recebeu a seguinte redação, litteris: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005, 2006, 2007, 2008 PROCESSOS DISTINTOS. ÓRGÃOS JULGADORES COMPETENTES. VINCULAÇÃO. INEXISTÊNCIA. DECISÕES ADMINISTRATIVAS, DIVERGENTES. POSSIBILIDADE. Não se vinculam as decisões administrativas proferidas por órgãos julgadores distintos, exaradas no exercício de suas respectivas competências ÁGIO. REQUISITOS DO ÁGIO. 0 art. 385 do RIR/1999, estabelece a definição de ágio e os requisitos do ágio, para fins fiscais. 0 ágio é a diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor patrimonial das ações adquiridas. Os requisitos são a aquisição de participação societária e o fundamento econômico do valor de aquisição. Fundamento econômico do ágio é a razão de ser da mais valia sobre o valor patrimonial. A legislação fiscal prevê as formas como este fundamento econômico pode ser expresso (valor de mercado, rentabilidade futura, e outras razões) e registrado. ÁGIO INTERNO. A circunstância da operação ser praticada por empresas do mesmo grupo econômico não descaracteriza o ágio, cujos efeitos fiscais decorrem da legislação fiscal. A distinção entre ágio surgido em operação entre empresas do grupo (denominado de ágio interno) e aquele surgido em operações entre empresas sem vinculo, não é relevante para fins fiscais. ÁGIO INTERNO. INCORPORAÇÃO REVERSA. AMORTIZAÇÃO. A amortização do ágio está prevista no art. 386 do R1R/1999. Para fins fiscais, o ágio decorrente de operações com empresas do mesmo grupo (dito ágio interno), não difere em nada do ágio que surge em operações entre empresas sem vinculo. Ocorrendo a incorporação reversa, o ágio poderá ser amortizado nos termos previstos nos arts. 7° e 8° da Lei n° 9.532, de 1997. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005, 2006, 2007, 2008 LEGISLAÇÃO TRIBUTARIA E COMERCIAL. Fl. 4649DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16561.720070/201123 Acórdão n.º 1101001.097 S1C1T1 Fl. 39 38 As regras contábeis aceitas pelo direito tributário são apenas aquelas previstas na legislação comercial referendada pelas regras tributárias e desde que não conflitem com regra fiscal especifica. LEGISLAÇÃO TRIBUTARIA E COMERCIAL. CONTABILIDADE. ÁGIO. Os institutos, conceitos e formas contábeis aceitos pelo direito tributário são apenas aqueles definidos na legislação comercial referendada pelas regras tributárias e desde que não conflitem com definição especifica posta em regra fiscal. Caso a legislação tributária defina de modo diferente um instituto, conceito, ou forma, vale a definição fiscal para fins tributários. Regra tributária especifica define o que é ágio, como deve ser calculado, seus pressupostos (aquisição da participação e fundamento econômico), e como sua amortização pode ser considerada para fins fiscais. Por isso, nesses aspectos, os institutos, conceitos e formas contábeis e as regras de direito comercial são irrelevantes. ÁGIO. ART. 109 CTN. A legislação tributária define o que é ágio para fins fiscais e determina os efeitos. TRANSFERÊNCIA DE AÇÕES. ÁGIO. NASCIMENTO. EXTINÇÃO. O ágio nasce com uma aquisição e se transfere por uma incorporação reversa, cisão ou fusão. A transferência das ações não implica em transferência de ágio, mas em extinção do ágio que havia na alienante e surgimento de novo ágio na adquirente. A disciplina legal a que se submete o novo ágio é decorrente de suas características, e não das características do ágio que existia na alienante. PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO. ELISÃO. EVASÃO. Em direito tributário não existe o menor problema em a pessoa agir para reduzir sua carga tributária, desde que atue por meios lícitos (elisão). A grande infração em tributação é agir intencionalmente para esconder do credor os fatos tributáveis (sonegação). PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO. NEGÓCIOS JURÍDICOS. ATOS JURÍDICOS. LICITUDE. 0 fato dos atos praticados visarem economia tributária não os torna ilícitos ou inválidos. O fato dos negócios praticados visarem economia tributária não os torna ilícitos ou inválidos. PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO. MOTIVO DO NEGÓCIO. CAUSA DO NEGÓCIO. LICITUDE. Motivo do negócio é a razão subjetiva pela qual o contribuinte faz o negócio Fl. 4650DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16561.720070/201123 Acórdão n.º 1101001.097 S1C1T1 Fl. 40 39 jurídico. Causa do negócio ou sua função econômica é o efeito que o negócio produz nas esferas jurídicas dos participes. O motivo ilícito implica em nulidade, quando declarada por um Juiz. Se a motivação do negócio é economia tributária, não se pode falar em motivo ilícito. PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO. MOTIVO DO NEGÓCIO. CONTEÚDO ECONÔMICO. PROPÓSITO NEGOCIAL. LICITUDE. Não existe regra federal ou nacional que considere negócio jurídico inexistente ou sem efeito se o motivo de sua prática foi apenas economia tributária. Não tem amparo no sistema jurídico a tese de que negócios motivados por economia fiscal não teriam "conteúdo econômico" ou "propósito negocial" e poderiam ser desconsiderados pela fiscalização. O lançamento deve ser feito nos termos da lei. SIMULAÇÃO. ABUSO DE DIREITO. FRAUDE A LEI. A fiscalização não precisa (e nem pode) recorrer às figuras de direito civil, utilizadas por juizes imparciais para soluções de litígios entre as pessoas. 0 Fisco não precisa (e nem pode) recorrer ás figuras da simulação, abuso de direito, fraude a lei ou demais previstas no Código Civil, que são utilizadas pela Justiça para resolver litígios. A fiscalização tem poderes específicos e disciplinados na legislação tributária. PODERES DO FISCO. LANÇAMENTO. A fiscalização pode apontar os fatos que entende ocorridos, pode afastar os que entende não ocorridos ou falseados, pode aplicar o direito que entende aplicável aos fatos verificados, e pode cobrar o tributo conforme sua convicção, sem ter de recorrer a qualquer figura do Código Civil. A única exigência da lei é que o Fisco comprove os fatos que confirmam o direito que aplica. LANÇAMENTO. O lançamento é atividade vinculada à lei. SEGURANÇA JURÍDICA. TRIBUTAÇÃO. A segurança jurídica, ao lado da justiça, é um dos pilares do sistema jurídico. A previsibilidade da tributação é um dos seus aspectos fundamentais. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005, 2006, 2007, 2008 AUDITORIA FISCAL. PERÍODO DE APURAÇÃO ATINGIDO PELA DECADÊNCIA PARA CONSTITUIÇÃO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. VERIFICAÇÃO DE FATOS, OPERAÇÕES, REGISTROS E ELEMENTOS PATRIMONIAIS COM Fl. 4651DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16561.720070/201123 Acórdão n.º 1101001.097 S1C1T1 Fl. 41 40 REPERCUSSÃO TRIBUTARIA FUTURA. POSSIBILIDADE. LIMITAÇÕES. O fisco pode verificar fatos, operações e documentos, passíveis de registros contábeis e fiscais, devidamente escriturados ou não, em períodos de apuração atingidos pela decadência, em face de comprovada repercussão no futuro, qual seja: na apuração de lucro liquido ou real de períodos não atingidos pela decadência. Essa possibilidade delimitase pelos seus próprios fins, pois, os ajustes decorrentes desse procedimento não podem implicar em alterações nos resultados tributáveis daqueles períodos decaídos, mas sim nos posteriores. Em relação a situações jurídicas, definitivamente constituídas, o Código Tributário Nacional estabelece que a contagem do prazo decadencial para constituição das obrigações tributárias, porventura delas inerentes, somente se inicia após 5 anos, contados do período seguinte ao que o lançamento do correspondente crédito tributário poderia ter sido efetuado (art. 173 do CTN). (Processo Administrativo n. 10469.721945/201003; Acórdão n. 1101000.841; Afastadas as citadas e falaciosas considerações no sentido da impossibilidade do registro do ágio em tela, temse que igualmente não se sustentam as assertivas da autoridade autuante no que tange à pretensa ausência de propósito negocial na operação. Deveras, desde a fiscalização, assim como em sede de impugnação e no vertente Recurso Voluntário, o sujeito passivo trouxe à balha as razões pelas quais a operação foi entabulada, oportunidades em que o contribuinte logrou externar que, desde 1996, o grupo econômico em apreço estava progressivamente se movimentando pela expansão de suas atividades, assim como era nítida a busca por novos investidores. Nesse contexto, especificamente em relação ao surgimento da Sardinelle no seio do grupo econômico, afirma o sujeito passivo o seguinte, litteris: A criação da Sardinelle, por sua vez, teve por objetivo receber as ações da Recorrente a valor de mercado, o que foi imprescindível para a atração de novos investidores. Procedeu se à reavaliação do valor da Recorrente de acordo com os parâmetros de mercado. Dessa forma, foi contratada a empresa Gallo Engenharia e Consultoria Empresarial Ltda., que reavaliou as ações da Recorrente, com base em expectativa de rentabilidade futura, tendo concluído que “para a database de 31 de dezembro de 2005, o valor econômico estimado da empresa é de R$ 246.835 mil no Cenário I e R$ 246.372 mil no Cenário II”. Portanto, como exposto, fato é que a Sardinelle cumpriu a função para a qual foi, desde sempre, constituída, qual seja: recebeu as ações da Recorrente a valor de mercado, atribuindo lhe maior potencial de atração de novos investidores! (fl. 1389) Ora, tendo em vista o mencionado contexto em que o grupo econômico sub examen estava a buscar novos investidores, pareceme que a operação de capitalização da Fl. 4652DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16561.720070/201123 Acórdão n.º 1101001.097 S1C1T1 Fl. 42 41 Sardinelle com as ações emitidas pela ora Recorrente agora reavaliadas a valor de mercado mostrase verdadeiramente essencial ao desiderato macroeconômico que conglomerado perseguia. De fato, especialmente tendo em vista que – na esteira do jamais impugnado Laudo de Reavaliação – as ações da Recorrente avaliadas pelo custo contábil representam meros 5% (cinco por cento) do valor real desse investimento, sustentar que o grupo devesse permanecer com esse ativo registrado a valor absolutamente defasado em relação à sua substância econômica efetivamente não faz sentido, é óbvio que a reavaliação que culminou com o surgimento do ágio deveria ser empreendida com vistas a engendrar essa tão buscada maior atratividade de investimentos. Não se olvide, ainda, que a própria Lei das S/A estabelece em seu art. 154 que O administrador deve exercer as atribuições que a lei e o estatuto lhe conferem para lograr os fins e no interesse da companhia, satisfeitas as exigências do bem público e da função social da empresa. Importante pontuar que o fato de a Sardinelle ter existido por breve intervalo de tempo e não ter realizado operações por si só é absolutamente irrelevante; verdadeiramente, olhar somente essa fotografia – que, frisese, em momento algum representou ofensa a qualquer preceito legal – em detrimento de todo o filme é proceder que não se sustenta e que não tem lastro normativo algum. Acerca do controvertido propósito negocial, é interessante trazer à balha uma passagem da r. decisão recorrida, em que se lê, litteris: 17. Com relação a estas alegações, analisando os arranjos societários que foram feitos e o período em que ocorreram, entre os dias 03/11/2005 e 09/11/2005, fica difícil aceitar essa versão dada pela Impugnante. Os fatos colidem totalmente com a versão dada pela Impugnante, para os procedimentos adotados relativos a organização societária. 18. Fica claro que houve a tentativa de realização de um planejamento fiscal. Além de proceder a uma reavaliação patrimonial da Impugnante, sem que houvesse incidência tributária, visou realizar a amortização do ágio criado intragrupo, acarretando uma redução indevida da base tributável da Impugnante nos anos subsequentes. Este foi o objetivo principal, ou seja, atualização patrimonial e economia de impostos. A alegação de que houve a preparação para o recebimento de novos investidores, pode até ser aceita, porém, ela é marginal. (fls. 12721273; sem grifos no original) A leitura do trecho grifado acima é reveladora da imprestabilidade da noção de propósito negocial para fins de definição da legitimidade ou ilegitimidade da formação e ulterior amortização do ágio. Com efeito, o que consubstanciava uma operação absolutamente desprovida de propósito negocial para a autoridade autuante revelouse uma operação dotada de propósito negocial pela Colenda instância a qua: de fato, o trecho acima explicita que a r. DRJ recorrida Fl. 4653DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16561.720070/201123 Acórdão n.º 1101001.097 S1C1T1 Fl. 43 42 vislumbrou a presença de propósito negocial na operação, só que esse propósito negocial foi tido como marginal. Ora, a partir dessas considerações constantes do acórdão recorrido, se já não bastasse a completa subjetividade que permeia a noção de propósito negocial, percebese que tal propósito negocial ainda assume graus, devendo os contribuintes demonstrarem a existência de um propósito negocial que ostente a qualidade de ser nuclear! Essas observações inequivocamente demonstram a equivocidade da noção de que se cuida, desprovida que é de qualquer controlabilidade baseada em parâmetros objetivos. A respeito dessa imprestabilidade da noção de propósito negocial para desconsideração de operações como a aqui examinada, é preciso o escólio do Professor Eliseu Martins no Parecer mencionado linhas acima, do qual são extraídos os seguintes excertos, verbis: A codificação recente do conceito de business purpose nos Estados Unidos ilustra os problemas da aplicação de um conceito tão amplo e aberto. As dificuldades supramencionadas tendem a ser ainda maiores em um país com a tradição jurídica brasileira – especialmente no direito tributário com suas características de tipicidade cerrada. Dito isso, não nos parece fazer nenhum sentido estender o conceito de propósito negocial para descaracterizar a contabilização do ágio. As normas contábeis em nenhum momento usam esse instituto com essa finalidade específica. O ágio somente poderá ser reconhecido se estiver ligado à efetiva expectativa, na hora de sua formação, da rentabilidade futura das transações. O uso de um conceito, reconhecidamente inconsistente em sua aplicação, para definir o critério de amortização do ágio é algo que não encontra respaldo nas normas contábeis. (fls. 1576 1577) Destarte, tendo em vista que, para além de a noção de propósito negocial ser imprestável para os fins vislumbrados pela autoridade autuante, restou demonstrado que a operação de que resultou o ágio inseriase no desiderato econômico maior do grupo econômico integrado pela ora Recorrente, é inquestionável que ambos os sustentáculos das autuações para a desconsideração do registro e da amortização do ágio em apreço caíram por terra, razão pela qual deve o Recurso Voluntário ser acolhido neste ponto, com o cancelamento das glosas aqui discutidas. Na remotíssima hipótese de tal entendimento não prevalecer, então deve ser enfrentada a questão da multa qualificada, que, consoante dito no Relatório, apenas recai sobre os créditos tributários derivados das glosas cujo exame acabou de ser realizado. Também não pode prevalecer a qualificação da multa em destaque, ante a completa fragilidade da constatação fiscal quanto ao cometimento de dolo e fraude, pretensa constatação essa que repousa aos fls. 200220, integrantes do Termo de Verificação Fiscal. Fl. 4654DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16561.720070/201123 Acórdão n.º 1101001.097 S1C1T1 Fl. 44 43 Com efeito, é certo que o sujeito passivo jamais agiu com vistas a ocultar fatos geradores de tributo ou a evitar a sua materialização, tendo atendido a todas as intimações que lhe foram dirigidas e revelando às autoridades fiscais todo o substrato da operação ab initio. Assim, percebese que, se restar plasmada a premissa de que a minoração da base de cálculo dos tributos em testilha pela contrapartida da amortização do ágio em referência não se revela autorizada por este Colegiado, mostrase mandatório o entendimento de que referida redução da matéria tributável decorreu de mero equívoco na interpretação dispensada à legislação fiscal e societária, o que não justifica a majoração da penalidade de ofício. As considerações da autoridade fiscal no sentido de que a Sardinelle não seria uma empresa pelo fato de não ter realizado operações são completamente despropositadas: tratavase de sociedade regularmente registrada em Junta Comercial, com o preenchimento de todos os requisitos previstos na legislação comercial para a criação dessa entidade, com capital integralizado, sócios e administrador, o que revela quão forçadas são as conclusões externadas pela autoridade fiscal para sustentar a sua acusação de fraude e dolo. De mais a mais, as outras questões levantadas – tais como a falta de comprovação do pagamento da cifra de mil reais aos antigos sócios da Larimus e Sardinelle e o pretenso endereço equivocado da Sardinelle na DCTF que apresentara – são igualmente jocosas e foram pontual e precisamente espancadas pelas postulações do contribuinte, o que pode ser constatado a partir da leitura dos fólios n. 14101419. Pelo exposto, quando menos não deve prevalecer a qualificação da multa de ofício, que deve retornar ao seu patamar de 75%. Da Reorganização Societária do Grupo Folha – Questão da Provisão para Pagamento de Dividendos Conforme dito no Relatório, também se relaciona com a operação delineada e examinada acima o tópico das autuações relativos à Provisão para Pagamento de Dividendos. A solução para a controvérsia em apreço pareceme simplória, sendo que o sujeito passivo tem razão, de modo que deve ser julgada improcedente a autuação neste tópico. Com efeito, o Fisco vislumbrou a infração à legislação do IRPJ e da CSLL o fato de a contribuinte ter excluído do lucro contábil as receitas registradas em contrapartida à reversão da Provisão em apreço – entre os anoscalendários 2006 a 2010 –, forte no entendimento de que, por ocasião da constituição da Provisão, a correlata despesa não teria sido adicionada à mesma grandeza em apreço. Eis o trecho do Termo de Verificação Fiscal que encerra as assertivas do Fisco quanto ao ponto, litteris: 238. Provisão para garantia de dividendos Conforme o “Demonstrativo da provisão para a garantia dos dividendos” (Doc. 47) em resposta ao Termo de Intimação de 29/11/2011 (Doc. 46), a FOLHA informou sobre a criação da referida Fl. 4655DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16561.720070/201123 Acórdão n.º 1101001.097 S1C1T1 Fl. 45 44 provisão cujo saldo em 31/12/2005 era de R$ 152.045.773,00 e as baixas mensais dessa provisão. Ocorre que conforme livro LALUR no 14 de A/C 2005 (doc. 16), não houve a adição da despesa que criou essa provisão. Dessa forma, são indevidas todas as exclusões das baixas mensais realizadas entre 01/2006 a 12/2010, pois as mesmas diminuíram a base de cálculo do IR e da CSLL nesse período. (fl. 221) A provisão em apreço foi criada em obediência à expressa determinação da Comissão de Valores Mobiliários, que determina a constituição da provisão em análise em casos em que controlada incorporará controladora que detém participação societária na referida investida adquirida com ágio. Nada obstante, percebese que o raciocínio empreendido pela autoridade fiscal até teria sentido – abstraída a questão atinente a quem deveria ter procedido à adição das despesas registradas em contrapartida à constituição da provisão –, mas que se não sustenta no caso concreto. Com efeito, o que levou a autoridade autuante a entender indevida a exclusão das receitas apropriadas por ocasião da reversão da discutida provisão foi a compreensão de que a constituição e a reversão dessa provisão deveriam ser fiscalmente neutras: deveras, o fundamento que a levou a julgar indevida a exclusão da receita foi a falta de adição da despesa por ocasião da constituição da provisão. Assim, de acordo com o entendimento do Sr. Auditor Fiscal, a Receita atinente à reversão da provisão até poderia ser excluída – é dizer, a exclusão até poderia ter neutralizado o impacto tributário da reversão da provisão –, desde que a constituição da provisão, que gera uma despesa, também tivesse sido fiscalmente neutra – o que se leva a efeito a partir da adição da despesa ao resultado. Ocorre que, no particular caso concreto, a constituição da provisão desacompanhada da adição da despesa acabou por ser fiscalmente neutra, razão pela qual não há qualquer problema em ser a receita relacionada à reversão da provisão excluída do resultado tributável dos anoscalendários 2006 a 2010. Explico. Com efeito, apesar de efetivamente a Sardinelle não ter adicionado a despesa que surgiu com a constituição da provisão em discussão – constituição essa que teve lugar em novembro de 2005 –, verificase que a Sardinelle apurou prejuízos no período em monta equivalente à despesa aqui questionada. Ou seja, apesar de a despesa não ter sido adicionada ao resultado, percebese que essa falta de adição não gerou qualquer economia no pagamento de tributo, eis que a Sardinelle não teria tributo a pagar ainda que tivesse procedido à referida adição. É óbvio que a falta de adição da despesa acabou por fazer com que a Sardinelle apurasse expressivo prejuízo. No entanto, é certo que esse prejuízo jamais foi aproveitado – seja pela Sardinelle, que foi imediatamente incorporada após a constituição da provisão, seja pela ora Recorrente, tendo em vista que a legislação tributária expressamente veda o aproveitamento, por parte da incorporadora, de prejuízos fiscais apurados pela sucedida. Ou seja: a constituição da provisão para pagamento de dividendos foi fiscalmente neutra, de modo que não há que se falar que a receita que vem à balha com a Fl. 4656DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16561.720070/201123 Acórdão n.º 1101001.097 S1C1T1 Fl. 46 45 reversão da provisão devesse impactar o resultado para que referida neutralização fosse atingida, razão pela qual se revela correto o procedimento do sujeito passivo no sentido de excluir esses lançamentos a crédito em conta de resultado. Destarte, dou provimento ao Recurso Voluntário neste ponto, com o cancelamento dos créditos tributários derivados da glosa da exclusão da receita de reversão da provisão em testilha. Consequentemente, revelase prejudicado o pedido do sujeito passivo no que tange à impossibilidade de ser responsabilizado por multa em caso de sucessão. Da Provisão Tributária – Suspensão IR No que tange às provisões em testilha (R$90.064.474,03), a douta DRJ afirma que (fl. 1291/1293): “EXCLUSÕES INDEVIDAS DE PROVISÕES NO LUCRO REAL I Provisão TributáriaSuspensão IR 72. Conforme apurado pela fiscalização a Impugnante no ano calendário de 2006 excluiu, indevidamente, a realização da “Provisão TributáriaSuspensão IR” no valor de R$90.064.474,03 da base de cálculo do lucro real. Esta exclusão foi feita indevidamente, pois não houve o encerramento das ações judiciais que motivaram a constituição da provisão. 73. A Impugnante alega que até 2006 todos os valores de eventuais contingências tributárias foram registrados como provisões, compondo esta conta. Porém, após analisar estas provisões verificou que parte delas deveria ser registrada como obrigação legal, sendo plenamente dedutível do lucro real apurado, que foi, inclusive, sugerido em parecer dado pela PricewaterhouseCoopers. 74. Informa que a CVM editou a Deliberação nº 489/05 definindo que no caso de situações em que os valores dos tributos são perfeitamente quantificados e fatos geradores ocorridos, não se trata de provisão, mas sim, de um passivo. Razão pela qual a Impugnante procedeu à mudança do critério de contabilização, reclassificando estas obrigações de provisão para passivo e excluindo o valor de R$90.064.474,03 de tributos devidos para apuração do lucro real do anocalendário de 2006. 75. A explicações dadas pela Impugnante somente podem ser aceitas quanto aos aspectos contábeis e não tributários, pois no caso, tratam de processos judiciais contestando leis e os recolhimentos de certos tributos (Pis, Cofins, etc.). Logo, estamos diante de tributos com exigibilidade suspensa que têm natureza para fins fiscais de provisões e não despesas incorridas, estando vedada sua dedução para apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Fl. 4657DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16561.720070/201123 Acórdão n.º 1101001.097 S1C1T1 Fl. 47 46 76. O §1º do artigo 344 do RIR/99, veda a dedução de tributos e contribuições, na determinação do lucro real, que estejam com a exigibilidade suspensa, nos seguintes termos: Art. 344. Os tributos e contribuições são dedutíveis, na determinação do lucro real, segundo o regime de competência (Lei nº 8.981, de 1995, art. 41). §1º O disposto neste artigo não se aplica aos tributos e contribuições cuja exigibilidade esteja suspensa, nos termos dos incisos II a IV do art. 151 da Lei nº 5.172, de 1966, haja ou não depósito judicial (Lei nº 8.981, de 1995, art. 41, §1º). [...] §6º A partir de 1º de janeiro de 1997, o valor da Contribuição Social sobre o Lucro LíquidoCSLL, não poderá ser deduzido para efeito de determinação do lucro real (Lei nº 9.316, de 1996, art. 1º). (g.m.) 77. Consequentemente está correto o entendimento da fiscalização de que a realização desta provisão, para efeitos fiscais, somente poderia ser excluída para apuração do lucro real quando do encerramento das ações e se as decisões fossem contrarias à Impugnante.” De outro lado, o contribuinte afirma, em síntese, que: “(...) a Recorrente comprovou, já em fase de fiscalização (...), que todos os valores de eventuais contingências tributárias foram registrados em suas demonstrações financeiras em conta de provisões. Nas referidas respostas, a Recorrente também registrou que, a partir de 31/12/2006, após análise de todos os valores registrados na conta da provisão ‘tributáriasuspensão (IR)’, verificou que parte desse passivo deveria ser registrado como obrigação legal, sendo, portanto, plenamente dedutível do lucro real apurado, o que foi, inclusive, sugerido em parecer elaborado pela PricewaterhouseCoopers (...) Nesse contexto, cabe esclarecer que foram excluídos da apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL da Recorrente, o total de R$90.064.474,03” (fl. 1432) e “Ainda, os valores das provisões excluídos do lucro real pela Recorrente, que foram acima enumerados, também não podem ser reconhecidos como uma mera contingência passiva, pois não se caracterizam como uma possível obrigação, mas sim uma efetiva obrigação surgida com a ocorrência do fato gerador de cada uma das exações questionadas nas ações judiciais correspondentes, e no momento em que o contribuinte deixou de efetuar o pagamento dos referidos tributos no prazo estabelecido pela legislação.” (fl. 1439) Fl. 4658DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16561.720070/201123 Acórdão n.º 1101001.097 S1C1T1 Fl. 48 47 Em seguida, prossegue o contribuinte, “ainda que este E. CARF não reconheça que a ‘Provisão Tributária Suspensão (IR)’ é dedutível por não se caracterizar como provisão, mas sim como despesas efetiva decorrente de obrigação legal”, a glosa não poderia se manter, por conta da “situação de cada um dos processos à data da lavratura dos autos de infração originários do presente processo” (fl. 1443). Penso que tem parcial razão o contribuinte no ponto. Explico. Com efeito, a jurisprudência desse Colendo CARF sedimentouse em sentido diametralmente oposto ao propugnado pelo sujeito passivo, sendo que, em outras oportunidades, já ratifiquei o entendimento prevalecente. Assim sendo, é importante trazer à balha o seguinte julgado, prolatado pela Colenda Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, litteris: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Exercício: 1998, 1999, 2000 Ementa: CSLL. PROVISÕES NÃO DEDUTÍVEIS. TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. Por configurar uma situação de solução indefinida, que poderá resultar em efeitos futuros favoráveis ou desfavoráveis à pessoa jurídica, os tributos ou contribuições cuja exigibilidade estiver suspensa nos termos do art. 151 do Código Tributário Nacional, são indedutíveis para efeito de determinação da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, por traduzirse em nítido caráter de provisão. Assim, a dedutibilidade de tais rubricas somente ocorrerá por ocasião de decisão final da justiça, desfavorável à pessoa jurídica. (Processo Administrativo n. 16327.000670/200172; Acórdão n. 910100.592; Rel. Cons. Claudemir Malaquias; j. 18.5.2010; sem grifos no original) Do voto condutor desse aresto – voto esse que foi acompanhado pela totalidade dos membros desse Egrégio Colegiado –, extraemse as seguintes passagens, verbis: A recorrente alega que a natureza da conta contábil em que os tributos foram escriturados é de contas a pagar e não de provisão. Entende a recorrente que o fato das referidas contribuições estarem com a sua exigibilidade suspensa, não significa que o crédito tributário correspondente não era devido, identificável ou mensurável, mas tão somente que o seu efetivo desembolso está postergado para o momento do término da ação judicial e que, portanto, até que não seja proferida decisão na ação judicial, são totalmente devidos. O entendimento que tem se filmado neste Conselho é de que os tributos que estejam com sua exigibilidade suspensa, nos termos do art. 151 do Código Tributário Nacional, devem ser provisionados contabilmente, não se confundindo, portanto, com o registro de despesas incorridas. Os tributos cuja exigibilidade esteja suspensa por uma das hipóteses previstas no Fl. 4659DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16561.720070/201123 Acórdão n.º 1101001.097 S1C1T1 Fl. 49 48 citado art. 151 devem ser contabilizados pelo regime de caixa, ou seja, considerados como despesa somente por ocasião de seu efetivo pagamento. Enquanto provisão, está vedada a sua dedução na apuração da base de cálculo de qualquer tributo, devendo, portanto, neste caso, serem integralmente adicionadas à base de cálculo da CSLL. Afinal, este é disciplinamento previsto no art. 41, § 1º da Lei nº 8.981/95 e no art. 13, inciso I da Lei nº 9.249/95. (...) Nesta linha de argumentação, devese asseverar ainda que não encontra guarida no melhor direito a alegação da recorrente (fl.s 369) no sentido de que a indedutibilidade dos tributos com exigibilidade suspensa aplicarseia, exclusivamente, à determinação do lucro real, base de cálculo do IRPJ, e não à CSLL. Com efeito, pelo disposto no art. 13, inciso I da Lei n2 9.249/95, para fins de apuração do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro restou vedada a dedução de quaisquer provisões. Nestas estão incluídas aquelas constituídas em função de tributo com exigibilidade suspensa, excetuandose apenas as provisões para pagamento de férias e décimoterceiro salário e as provisões técnicas exigidas pela legislação especial de determinadas instituições. (fólios n. 5 e 6; sem grifos no original) Por isso, os tributos com exigibilidade suspensa consubstanciam inequívocas provisões (passivo de prazo ou valor incertos), cuja dedução – à exceção de espécies de provisões relacionadas em rol taxativo – é vedada para fins de apuração do lucro real do IRPJ. No entanto, no caso concreto, a despeito de a ora Recorrente ter lançado mão de despesas indedutíveis para fins da apuração do seu resultado do anocalendário 2006, verifico que muitas dessas ações já tiveram trânsito em julgado, ocasião em que (i) em caso de êxito na demanda, deveria ocorrer a reversão dos valores da provisão; (ii) em caso de julgamento desfavorável ao contribuinte, estaria então definitivamente reconhecida a obrigação legal da empresa de recolher o tributo discutido. Nesse sentido, pareceme razoável entender que, naqueles processos em que o litígio acerca dos tributos provisionados já transitaram em julgado em desfavor do sujeito passivo, o procedimento adotado pelo sujeito passivo deve ser entendido como mero reconhecimento antecipado de despesa, se e somente comprovar a quitação do tributo – tendo em vista que, na esteira do precedente acima colacionado, o fato de o tributo em testilha ter tido, em um dado momento, a sua exigibilidade suspensa faz com que o reconhecimento da correlata despesa seja realizado pelo regime de caixa. Para a configuração da postergação acima citada, é ainda essencial a comprovação de que o sujeito passivo (i) apurou resultados positivos nos anoscalendários subsequentes; e (ii) não lançou mão das referidas “despesas” em duplicidade. Fl. 4660DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16561.720070/201123 Acórdão n.º 1101001.097 S1C1T1 Fl. 50 49 Diversamente, nos casos em que o sujeito passivo sagrouse vencedor nos litígios em que estava envolvido, temse que a glosa das despesas aqui controvertidas apenas não poderia subsistir nas hipóteses em que a reversão da respectiva provisão engendrou lançamentos a crédito em conta de resultado que foram oferecidos à tributação – do que decorre a neutralidade fiscal das vestibulares apropriações de despesas havidas no ano calendário de 2006. Tratando da primeira das situações delineadas acima – feitos em que o sujeito passivo não se sagrou vencedor –, entendo que, em primeiro lugar, não há dúvidas quanto à apuração de resultados positivos nos anos subsequentes, o que se depreende a partir da rasa leitura das DIPJs pertinentes. Em segundo lugar, penso que não é autorizada a conclusão no sentido de que o sujeito passivo teria que comprovar a não utilização do lançamento contábil que minorou os resultados tributáveis em duplicidade, tendo em vista que tanto consubstanciaria descabida distribuição do ônus probatório, eis que se trata de exigir prova negativa, diabólica. Nessa senda, uma vez que jamais houve qualquer acusação fiscal no sentido de que o contribuinte tomou despesa por ocasião da constituição das provisões e também no átimo em que os tributos questionados passaram a materializar efetivas obrigações, pareceme inquestionável que não poderia levar em conta tal premissa, razão pela qual entendo que não há que se falar na discutida duplicidade de aproveitamento. Assim sendo, passemos à análise específica das ações judiciais, com vistas a verificar se são procedentes as razões que motivaram o entendimento das autoridades fiscais quanto à ilegitimidade do respectivo impacto no lucro real do sujeito passivo, sendo de rigor trazer a lume que foram mantidas as glosas nos casos em que as ações judiciais ainda estão em curso. Frisese (i) Processo n. 00913062.1999.4.03.6100 (R$26.070.073,93) Tema em debate: Ação ordinária versando sobre a exigência de PIS/COFINS nos moldes da Lei n. 9.718/98 e da EC n. 20/98. Status: Trânsito em julgado em 31/08/2010, após (i) renúncia quanto à majoração de alíquota e (ii) negativa de provimento à Apelação da União em relação ao alargamento da base. Efeitos: (i) Reconhecimento de que o valor relativo à majoração da alíquota da COFINS possui natureza de obrigação legal; e (ii) reversão contábil da parcela relativa ao alargamento da base de cálculo da provisão que estava no passivo, registrando uma receita, que foi oferecida à tributação. Consequência para o presente P.A.: Cancelamento da glosa atinente ao alargamento da base de cálculo e manutenção da glosa relativa à majoração da alíquota, ante a falta de comprovação do pagamento do tributo. (ii) Processo n. 95.00.000547 (R$227.562,66) Tema em debate: Ação declaratória versando sobre a exigência de recolhimento do PIS nos moldes do DecretoLei n. 2.445/88 e n. 2.449/88. Status: Trânsito em julgado em 30/11/2010 de decisão parcialmente favorável ao contribuinte. Efeitos: a Recorrente reconheceu uma receita em razão da reversão contábil desta parcela da provisão, que foi oferecida à tributação por ocasião do trânsito em julgado. Fl. 4661DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16561.720070/201123 Acórdão n.º 1101001.097 S1C1T1 Fl. 51 50 Consequência para o presente P.A.: Cancelamento da glosa atinente à parcela em que o sujeito passivo sagrouse vencedor na ação e manutenção da fração remanescente, ante a falta de comprovação de quitação do tributo. (iii) Processo n. 5653242.1999.4.03.6100 (R$25.278,81) Tema em debate: Ação declaratória versando sobre a contribuição ao SAT nos termos da Lei n. 7.787/89 (posteriormente regulada pela Lei n. 8.212/91. Status: Pedido de renúncia, em 17/02/2010, do direito sobre o qual se fundava a ação para fins de adesão ao REFIS IV (Lei n. 11.941/2009). Efeito: Reconhecimento definitivo da obrigação legal da empresa de recolher o tributo discutido antes da lavratura do auto de infração. Consequência para o presente P.A.: Cancelamento da glosa, ante a adesão ao parcelamento. (iv) Processo n. 96.05.222795 (R$19.052.538,16) Tema em debate: Execução fiscal de débitos relativos ao FGTS. Status: Autos sem decisão definitiva (pende de julgamento de agravos contra decisão de inadmissibilidade de recurso especial e recurso extraordinário). Consequência para o presente P.A.: Manutenção da glosa. (v) Processo n. 97.00.509958 (R$5.292.042,92) Tema em debate: Ação ordinária que discute a contribuição social do salário educação à alíquota de 2,5% desde abril/89. Status: Trânsito em julgado desfavorável à Recorrente em 03/07/2006 Efeito: Reconhecimento definitivo da obrigação legal da empresa de recolher o tributo discutido. Consequência para o presente P.A.: Manutenção da glosa, ante a falta de comprovação de quitação do tributo. (vi) Processo n. 98.05.214443 (R$2.005.599,59) Tema em debate: Execução fiscal visando à cobrança de dívida relativa a contribuições previdenciárias, contra a qual foram apresentados embargos à execução, que foram jugados favoravelmente ao contribuinte. Status: Trânsito em julgado favorável à Recorrente em 31/07/2009. Efeito: Reversão dos valores contabilmente, tendo como contrapartida o registro de uma receita, que foi oferecida à tributação. Consequência para o presente P.A.: Cancelamento da glosa. (vii) Processo n. 95.05.021356 (R$3.699.843,53) Tema em debate: Execução fiscal para cobrança de valores devidos a título de juros de mora TRD que incidiram sobre o IRPJ. Status: Pedido de desistência da ação em 02/06/2010. A despeito da determinação de conversão em renda em 24/08/2010, há discussão nos autos sobre a aplicação dos redutores previstos na Lei n. 11.941/2009. Fl. 4662DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16561.720070/201123 Acórdão n.º 1101001.097 S1C1T1 Fl. 52 51 Efeito: Reconhecimento definitivo da obrigação legal da empresa de recolher o tributo discutido. Consequência para o presente P.A.: Cancelamento da glosa, ante a conversão do depósito em renda. (viii) Processo n. 91.02.029391 (R$198.275,48) Tema em debate: Mandado de segurança visando o recolhimento de IPI na importação nos termos do art. 10, inc. II, da Lei n. 8.032/1990. Status: Após decisões favoráveis ao contribuinte nas instâncias ordinárias, pende de julgamento agravo contra decisão de inadmissibilidade do recurso especial da União. Consequência para o presente P.A.: Manutenção da glosa. (ix) Processo n. 2.396.661 – Embargos à execução n. 00.04823630 (R$198.275,48) Tema em debate: Execução fiscal para cobrança de FGTS incidente sobre serviços prestados por agências de publicidade entre Jan/1967 e Nov/1972. Status: Decisão final favorável ao contribuinte. Efeito: A provisão correlata foi revertida pela Recorrente, gerando uma receita levada à tributação. Consequência para o presente P.A.: Cancelamento da glosa. (x) Processo n. 2.251.680 – Embargos à execução n. 4.571.592 (R$31.077,70) Tema em debate: Execução fiscal ajuizada para cobrança de FGTS do período de maio/1970 a dezembro/1970. Status: Aguardase julgamento de recurso especial da Recorrente no STJ. Consequência para o presente P.A.: Manutenção da glosa. (xi) Processo n. 2001.61.00.0252468 (R$2.317.115,25) Tema em debate: Mandado de segurança impetrado buscando reconhecimento de não submissão ao recolhimento das contribuições de custeio do FGTS instituídas pela Lei complementar n. 110/2001. Status: Aguardase julgamento de recursos excepcionais apresentados pela Recorrente no tocante ao anocalendário 2001. Em relação aos valores referentes ao anocalendário 2002, houve parcelamento do débito, com confissão de dívida. Consequência para o presente P.A.: Haveria possibilidade de cancelamento parcial da glosa, mas, por não ter sido possível a esse conselheiro identificar com precisão qual seria esse valor, julgo pela manutenção da glosa. (xii) Processo n. 1999.61.00.0269113 (R$23.429.148,58) Tema em debate: Mandado de segurança buscando reconhecimento do direito de não sofrer retenção de CPMF em razão de inconstitucionalidade do art. 75 do ADCT. Status: Homologação de desistência do feito em 15/12/2006. Fl. 4663DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16561.720070/201123 Acórdão n.º 1101001.097 S1C1T1 Fl. 53 52 Efeito: Reconhecimento definitivo da obrigação legal da empresa de recolher o tributo discutido. Consequência para o presente P.A.: Manutenção da glosa, ante a falta de comprovação de quitação do tributo. (xiii) Processo n. 2004.61.82.0525966 (R$2.357.074,95) Tema em debate: Execução fiscal ajuizada para cobrar créditos tributários de IRPJ (1997/1999) e de COFINS (julho/1999). Status: Os autos foram arquivados com decisão favorável à Recorrente em 18/02/2010. Efeito: Reversão dos valores contabilmente, tendo como contrapartida o registro de uma receita, que foi oferecida à tributação. Consequência para o presente P.A.: Cancelamento da glosa. (xiv) Processo n. 2004.61.82.0469276 (R$1.764.177,50) Tema em debate: Execução fiscal ajuizada para cobrança de IRPJ, PIS, COFINS e demais valores relacionados ao anocalendário 1999. Status: Há pedido de desistência expresso em relação ao débito de COFINS de junho de 1999, no valor de R$417.336,62, o qual foi homologado em sentença proferida em 14/11/2012. Contudo, o processo permanece tramitando em relação aos demais valores. Efeito: Reconhecimento definitivo da obrigação legal da empresa de recolher o tributo anteriormente discutido em relação ao qual pediu a desistência Consequência para o presente P.A.: Manutenção da glosa, já que não houve comprovação de recolhimento do tributo na parte em que houve desistência, e que remanesce discussão quanto ao mais. (xv) Processo n. 95.06.081611 (R$104.896,14) Tema em debate: Mandado de segurança impetrado para ver reconhecido direito de desembaraçar mercadorias importadas com alíquota zero, nos termos da Portaria MF 219/1995. Status: Os autos foram arquivados em 02/02/2011, após pedido de renúncia ao processo para fins de adesão ao REFIS IV apresentado em 24/02/2010. Efeito: Reconhecimento definitivo da obrigação legal da empresa de recolher o tributo discutido. Consequência para o presente P.A.: Cancelamento da glosa, ante a adesão ao parcelamento. (xvi) Processo n. 95.02.087240 (R$794.608,48) Tema em debate: Mandado de segurança impetrado para ver reconhecido direito a imunidade ao Imposto de Importação. Status: A recorrente apresentou pedido de desistência nos termos da Lei n. 11.941/2009 e os autos encontramse arquivados desde 05/06/2012. Efeito: Reconhecimento definitivo da obrigação legal da empresa de recolher o tributo discutido. Fl. 4664DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16561.720070/201123 Acórdão n.º 1101001.097 S1C1T1 Fl. 54 53 Consequência para o presente P.A.: Cancelamento da glosa, ante a adesão ao parcelamento. (xvii) Processo n. 95.00487322 (R$1.105.519,59) Tema em debate: Mandado de segurança impetrado para ver reconhecido direito a imunidade ao Imposto de Importação e ao Imposto sobre Produtos Industrializados. Status: A recorrente apresentou pedido de desistência nos termos da Lei n. 11.941/2009 em 20/09/2010. Autos arquivados desde 19/04/2011. Efeito: Reconhecimento definitivo da obrigação legal da empresa de recolher o tributo discutido. Consequência para o presente P.A.: Cancelamento da glosa, ante a adesão ao parcelamento. (xviii) Processo n. 2000.61.19.0076058 (R$240.031,88) Tema em debate: Mandado de segurança impetrado para ver reconhecido direito a imunidade ao ICMS devido na importação de mercadorias. Status: Após desprovimento de apelação da ora Recorrente, foi certificado decurso de prazo e o processo foi encaminhado à origem para arquivamento, que ocorreu em 22/11/2011. Efeito: Reconhecimento definitivo da obrigação legal da empresa de recolher o tributo discutido. Consequência para o presente P.A.: Manutenção da glosa, ante a falta de comprovação de quitação do tributo. (xix) Processo n. 198.847 (R$59.254,21) Tema em debate: Execução fiscal municipal. Status: O valor foi incluído em parcelamento em 21/10/2009 e já foi quitado pela Recorrente. Efeito: Reconhecimento definitivo da obrigação legal da empresa de recolher o tributo discutido. Consequência para o presente P.A.: Cancelamento da glosa, ante a adesão ao parcelamento. (xx) Processo n. 6.391.770 (R$73.702,55) Tema em debate: Execução fiscal ajuizada para exigir contribuições previdenciárias. Status: A execução já foi há muito extinta (1998) de forma favorável ao contribuinte. Efeito: Reversão dos valores contabilmente, tendo como contrapartida o registro de uma receita, que foi oferecida à tributação. Consequência para o presente P.A.: Cancelamento da glosa. (xxi) Processo n. 63/95 (R$23.813,60) Fl. 4665DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16561.720070/201123 Acórdão n.º 1101001.097 S1C1T1 Fl. 55 54 Status: Em 13/04/2007, a ação foi extinta em razão do pagamento do débito tributário pela Recorrente. Efeito: Reconhecimento definitivo da obrigação legal da empresa de recolher o tributo discutido. Consequência para o presente P.A.: Cancelamento da glosa. (xxii) Processo n. 287/95 (R$27.506,17) Status: Em 25/04/2006, a ação foi extinta em razão do pagamento do débito tributário pela Recorrente. Efeito: Reconhecimento definitivo da obrigação legal da empresa de recolher o tributo discutido. Consequência para o presente P.A.: Cancelamento da glosa. (xxiii) Processo n. 2001.61.19.0011470 (R$280.245,10) Tema em debate: Mandado de segurança impetrado para ver reconhecido direito à imunidade do ICMS incidente sobre mercadorias importadas. Status: Após julgamento de provimento da apelação da Recorrente, a União interpôs recurso extraordinário. Consequência para o presente P.A.: Manutenção da glosa. (xxiv) Processo n. 2002.61.00.0219287 (R$36.376,08) Tema em debate: Ação ordinária para ver reconhecido direito à restituição de valores realizados a maior a título de FGTS. Status: Aguardase julgamento de recurso de apelação interposto pela Recorrente. Consequência para o presente P.A.: Manutenção da glosa. (xxv) Processo n. 95.00.008521 (R$580.840,62) Tema em debate: Ação ajuizada para ver reconhecido o direito de proceder à compensação do prejuízo acumulado em períodobase anterior para efeito de apuração da CSLL. Status: Trânsito em julgado em 07/08/2009 em desfavor da Recorrente. Efeito: Reconhecimento definitivo da obrigação legal da empresa de recolher o tributo discutido. Consequência para o presente P.A.: Manutenção da glosa, ante a falta de comprovação da quitação do tributo. (xxvi) Processo n. 2005.61.00.0204339 (R$26.572,28) Tema em debate: Ação anulatória ajuizada para ver anulado débitos de IPI e II. Status: Em 18/02/2010, a Recorrente apresentou pedido de renúncia do caso para adesão ao REFIS IV (Lei n. 11.941/2009). Efeito: Reconhecimento definitivo da obrigação legal da empresa de recolher o tributo discutido. Consequência para o presente P.A.: Cancelamento da glosa, ante a adesão ao parcelamento. Fl. 4666DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16561.720070/201123 Acórdão n.º 1101001.097 S1C1T1 Fl. 56 55 (xxvii) Processo n. 92.00664962 (R$12.715,24) Tema em debate: Ação ordinária ajuizada para ver reconhecida a inexistência de relação jurídica entre si e a União que a obrigue a se submeter à Lei Complementar n. 70/91 (PIS). Status: Trânsito em julgado em desfavor do contribuinte em 07/07/2009. Efeito: Reconhecimento definitivo da obrigação legal da empresa de recolher o tributo discutido. Consequência para o presente P.A.: Manutenção da glosa, ante a falta de comprovação de quitação do tributo. (xxviii) Processo n. 94.00017952 (R$3.579,05) Tema em debate: Mandado de segurança para ver afastada a exigência do IPMF em operações realizadas por empresa jornalística. Status: Trânsito em julgado em desfavor do contribuinte em 05/11/2012. Efeito: Reconhecimento definitivo da obrigação legal da empresa de recolher o tributo discutido. Consequência para o presente P.A.: Manutenção da glosa, ante a falta de comprovação de quitação do tributo. (xxix) Processo n. 1999.61.82.0451948 (R$191.809,81) Tema em debate: Execução Fiscal ajuizada para cobrança de IR fonte incidente sobre rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício, relativamente ao período de janeiro a abril de 1996. Status: Os embargos do devedor foram julgados improcedentes na primeira instância e aguardam julgamento de apelação. Consequência para o presente P.A.: Manutenção da glosa. Por fim, tendo em vista a manutenção parcial de créditos tributários decorrente das razões acima elencadas, é necessário examinar o pedido sucessivo da ora Recorrente, quanto à impossibilidade de incidência de juros sobre a multa de ofício. Da incidência de juros de mora sobre a multa de ofício Em relação à incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício, tenho me posicionado no sentido do descabimento dessa exigência, ante a manifesta ausência de previsão legal. Nessa linha, já foram proferidos diversos julgados no âmbito deste Conselho Administrativo. Menciono, a título de exemplo, o Acórdão n° 10323428, de 17/04/2008, da 1ª Turma da Câmara Superior, bem como o acórdão n° CSRF/0203133, de sua 2ª Turma, proferido em 06/05/2008. Em setembro do ano passado, porém, fui vencido na 1ª Turma da 1ª Câmara da 1ª Seção em relação à matéria (Processo n° 10980.722071/201276, Acórdão n° 1101 000.942, Sessão de 13/09/2013). Na oportunidade, o voto vencedor da I. Conselheira Relatora Edeli Pereira Bessa adotou como fundamentos as razões do Acórdão n° 910100.539 da Câmara Superior de Recursos Fiscais, no qual se entendeu que a autorização legislativa para aplicação dos juros sobre a multa mencionada seria revelada pela leitura sistemática do artigo 61 da Lei 9.430. Confirase: Fl. 4667DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16561.720070/201123 Acórdão n.º 1101001.097 S1C1T1 Fl. 57 56 “Uma interpretação literal e restritiva do caput do artigo 61 da Lei nº 9.430/96, que regula os acréscimos moratórios sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições, pode levar à equivocada conclusão de que estaria excluída desses débitos a multa de ofício. Contudo, uma norma não deve ser interpretada isoladamente, especialmente dentro do Sistema Tributário nacional. No dizer do jurista Juarez Freitas (2002, p. 70), ‘interpretar uma norma é interpretar o sistema inteiro: qualquer exegese comete, direta ou obliquamente, uma aplicação da totalidade do direito’. (....) O art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, ao se referir a débitos decorrentes de tributos e contribuições, alcança os débitos em geral relacionados com esses tributos e contribuições e não apenas o relativos ao principal, entendimento, dizia então, reforçado pelo fato de o art. 43 da mesma lei prescrever expressamente a incidência de juros sobre a multa exigida isoladamente.” (Transcrição parcial do voto vencedor da Conselheira Viviane Vidal Wagner no Acórdão n° 910100.539, Câmara Superior de Recursos Fiscais, sessão de 11/03/2010). Não vejo, contudo, como aceitar tal entendimento. O mencionado artigo 61 da Lei n° 9.430/96 é claro ao afirmar que apenas se sujeitam à incidência de juros os débitos referentes a tributos devidos pelo contribuinte. O parágrafo terceiro do dispositivo, por sua vez, esclarece que a SELIC incide “sobre os débitos a que se refere este artigo”, isto é, sobre os tributos somente. In verbis: “Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o§3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento.” Forte na convicção de que o artigo indicado não necessita de interpretação extensiva ou sistemática, ante a clareza do propósito legislativo, examinei a votação da referida lei na Câmara dos Deputados, a qual entendo que ratifica minha posição sobre o tema. A propósito, vejase o trecho do relatório que aborda o mencionado artigo 61 (cuja numeração inicial era 63), aprovado pelo plenário na sessão de 20/11/1996 (sem destaques ou emendas em relação ao dispositivo tratado): “16. O art. 62 sujeita as entidades submetidas aos regimes de liquidação extrajudicial e de falência às normas de incidência dos impostos e das Fl. 4668DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16561.720070/201123 Acórdão n.º 1101001.097 S1C1T1 Fl. 58 57 contribuições de competência da União aplicáveis às pessoas jurídicas em geral. 17. O art. 63 altera o critério de incidência da multa de mora incidente sobre tributos e contribuições federais, não pago nos prazos estabelecidos, cujos fatos geradores ocorram a partir de 1 de janeiro de 1997. Os juros de mora, incidentes sobre os débitos cujos fatos geradores venham a ocorrer a partir de 1 de janeiro de 1997, continuação incidindo segundo os mesmos critérios estabelecidos no art. 84 da Lei nº 8.981/95, combinado com o art. 13 da Lei nº 9.065/95 18. O art. 64 altera o critério de incidência dos juros de mora sobre o saldo do imposto a pagar das pessoas físicas (art. 14, III, da Lei 9.250/95), vem como sobre o saldo a restituir (art. 16 da Lei n° 9.250/95). O parágrafo único do artigo define com mais propriedade o critério de incidência dos juros sobre o ITR (de que trata o art. 14 da Lei n° 8.847, com as alterações do art. 6° da Lei n° 8.825, do art. 90 da Lei n° 8.981/95, e do art. 1° da Lei n° 9.065/95)” (Transcrição parcial do relatório apresentado na sessão plenária de 20/11/1996, para a votação do Projeto de Lei n° 2.448/96, que deu origem à Lei 9.430. Publicado no Diário Oficial da Câmara dos Deputados de 21/11/1996, página 30.365 – grifo meu) Ora, entendo que tal trecho fulmina a pretensão do fisco. Em primeiro lugar, porque esclarece que os juros moratórios incidem “sobre os débitos cujos fatos geradores venham a ocorrer”, o que indica que os débitos a que se refere o dispositivo são tributos. Em segundo lugar, porque o referido relatório esclarece que a intenção do dispositivo era rigorosamente a de reproduzir os critérios do art. 84 da Lei 8.981/95, o qual afirma de forma ainda mais clara a incidência de juros de mora sobre tributos apenas: “Art. 84. Os tributos e contribuições sociais arrecadados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores vierem a ocorrer a partir de 1º de janeiro de 1995, não pagos nos prazos previstos na legislação tributária serão acrescidos de: (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) I juros de mora, equivalentes à taxa média mensal de captação do Tesouro Nacional relativa à Dívida Mobiliária Federal Interna; (Vide Lei nº 9.065, de 1995” Em terceiro lugar, o relatório elaborado na Câmara dos Deputados demonstra que não há, no artigo 61 da Lei 9.430/96, um sentido oculto que transcenda sua interpretação literal, ou uma vontade implícita da lei de fazer incidir juros sobre multa. Há, em verdade, uma ingerência criativa do fisco sobre o patrimônio do contribuinte, a qual é certamente nociva ao Estado Democrático de Direito. Entendo, portanto, que os fundamentos que têm prevalecido nesta 1ª Turma estão equivocados e que devem ser revisados. Concluindo, registro, que não desconheço os precedentes do Superior Tribunal de Justiça, segundo os quais os artigos 113 e o art. 161 do CTN não vedam a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, tais como o REsp 1.129.990/PR (Rel. Min. Castro Meira, Segunda Turma, DJ de 14/9/2009) e REsp 834.681/MG (Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, DJ de 2/6/2010). Fl. 4669DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16561.720070/201123 Acórdão n.º 1101001.097 S1C1T1 Fl. 59 58 Os julgados do tribunal se referiam, contudo, ao confronto de leis estaduais com o Código Tributário Nacional, não guardando qualquer relação com a situação em exame, no qual a controvérsia é acerca da interpretação da lei que define a fluência de juros moratórios no âmbito da União Federal, o que torna irrelevantes a exegese do art. 113 do referido código, bem como regra subsidiária de seu o art. 161. Improsperável, portanto, a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. Por todo o exposto, DOU PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário, nos termos das razões acima declinadas. É como voto. BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR Relator Voto Vencedor Conselheira EDELI PEREIRA BESSA A autoridade lançadora glosou as amortizações de ágio escrituradas nos anos calendário de 2006 a 2010 porque elas não resultariam de atos societários materialmente verdadeiros, na medida em que o ágio foi gerado dentro do mesmo grupo econômico, sem alteração do controle das sociedades envolvidas; com utilização de “empresa veículo” e sem importar no ingresso de recursos novos mediante pagamento do ágio. Assim, houve a utilização de um artifício contábil sem suporte econômico para geração de riqueza e que visou unicamente o posterior aproveitamento do ágio. Em síntese, sem a intervenção de terceiros, mediante operações realizadas entre 03 e 09/11/2005, surgiu no patrimônio da autuada parcela classificada como ágio, no valor de R$ 234.277.000,00, que veio a reduzir seu lucro tributável nos períodos fiscalizados. A recorrente defende que buscava atrair investidores, e isso demandou não apenas que fosse efetivada uma adequada valorização da empresa, como também que sua estrutura fosse preparada para receber investimentos que pudessem segregar atividades e operações, permitindolhe escolher em qual nível de holding seria feita o investimento. A reavaliação a valor de mercado seria imprescindível para a atração de novos investidores, e embora ao final as tratativas com os investidores não tenham se concretizado, houve ampliação das atividades e surgiu a necessidade de simplificação de sua estrutura societária, ensejando a incorporação de Sardinelle pela autuada. A reestruturação societária, portanto, não teve por finalidade a economia tributária, mas, sim a expansão dos negócios do Grupo Folha. De outro lado, a legislação não vedaria o registro do ágio em tais circunstâncias, nem exigiria seu pagamento. Não tem razão a recorrente em seus argumentos. O art. 7o da Lei nº 9.532/97 é expresso quanto à possibilidade de redução do lucro tributável por amortização de ágio, apenas, quando uma pessoa jurídica absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no art. 20 do Decreto Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, como abaixo transcrito: Fl. 4670DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16561.720070/201123 Acórdão n.º 1101001.097 S1C1T1 Fl. 60 59 Lei 9.532, de 10 de dezembro de 1997 Art. 7º A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977: I deverá registrar o valor do ágio ou deságio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "a" do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, em contrapartida à conta que registre o bem ou direito que lhe deu causa; II deverá registrar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "c" do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, em contrapartida a conta de ativo permanente, não sujeita a amortização; III poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "b" do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de 1/60 (um sessenta avos), no máximo, para cada mês do período de apuração; (Redação dada pela Lei 9.718, de 27/11/98) IV deverá amortizar o valor do deságio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "b" do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados durante os cinco anos calendário subseqüentes à incorporação, fusão ou cisão, à razão de 1/60 (um sessenta avos), no mínimo, para cada mês do período de apuração. § 1º O valor registrado na forma do inciso I integrará o custo do bem ou direito para efeito de apuração de ganho ou perda de capital e de depreciação, amortização ou exaustão. § 2º Se o bem que deu causa ao ágio ou deságio não houver sido transferido, na hipótese de cisão, para o patrimônio da sucessora, esta deverá registrar: a) o ágio, em conta de ativo diferido, para amortização na forma prevista no inciso III; b) o deságio, em conta de receita diferida, para amortização na forma prevista no inciso IV. § 3º O valor registrado na forma do inciso II do caput: a) será considerado custo de aquisição, para efeito de apuração de ganho ou perda de capital na alienação do direito que lhe deu causa ou na sua transferência para sócio ou acionista, na hipótese de devolução de capital; b) poderá ser deduzido como perda, no encerramento das atividades da empresa, se comprovada, nessa data, a inexistência do fundo de comércio ou do intangível que lhe deu causa. § 4º Na hipótese da alínea "b" do parágrafo anterior, a posterior utilização econômica do fundo de comércio ou intangível sujeitará a pessoa física ou jurídica usuária ao pagamento dos tributos e contribuições que deixaram de ser pagos, acrescidos de juros de mora e multa, calculados de conformidade com a legislação vigente. § 5º O valor que servir de base de cálculo dos tributos e contribuições a que se refere o parágrafo anterior poderá ser registrado em conta do ativo, como custo do direito. Art. 8º O disposto no artigo anterior aplicase, inclusive, quando: Fl. 4671DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16561.720070/201123 Acórdão n.º 1101001.097 S1C1T1 Fl. 61 60 a) o investimento não for, obrigatoriamente, avaliado pelo valor de patrimônio líquido; b) a empresa incorporada, fusionada ou cindida for aquela que detinha a propriedade da participação societária.” Decretolei nº 1.598, de 30 de dezembro de 1977 Art. 20 O contribuinte que avaliar investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor de patrimônio líquido deverá, por ocasião da aquisição da participação, desdobrar o custo de aquisição em: I valor de patrimônio líquido na época da aquisição, determinado de acordo com o disposto no artigo 21; e II ágio ou deságio na aquisição, que será a diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor de que trata o número I. § 1º O valor de patrimônio líquido e o ágio ou deságio serão registrados em subcontas distintas do custo de aquisição do investimento. § 2º O lançamento do ágio ou deságio deverá indicar, dentre os seguintes, seu fundamento econômico: a) valor de mercado de bens do ativo da coligada ou controlada superior ou inferior ao custo registrado na sua contabilidade; b) valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros; c) fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas. § 3º O lançamento com os fundamentos de que tratam as letras a e b do § 2º deverá ser baseado em demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante da escrituração. § 4º As normas deste Decretolei sobre investimentos em coligada ou controlada avaliados pelo valor de patrimônio líquido aplicamse às sociedades que, de acordo com a Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, tenham o dever legal de adotar esse critério de avaliação, inclusive as sociedades de que a coligada ou controlada participe, direta ou indiretamente, com investimento relevante, cuja avaliação segundo o mesmo critério seja necessária para determinar o valor de patrimônio líquido da coligada ou controlada. [...] Art. 23. ............................................................ [...] § 5º Não serão computadas na determinação do lucro real as contrapartidas de ajuste do valor do investimento ou da amortização de ágio ou deságio na aquisição, nem os ganhos ou perdas de capital derivados de investimentos em sociedades estrangeiras coligadas ou controladas que não funcionem no País. (negrejouse) Os dispositivos transcritos somente se referem ao ágio formado na aquisição de investimentos e, ainda, o art. 7o da Lei nº 9.532/97 frisa que deve ser ele apurado segundo o disposto no art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, o qual, por sua vez, trata do ágio formado entre o custo de aquisição do investimento e o valor do patrimônio líquido na época da aquisição. E somente há aquisição quando há intervenção de terceiro e efetiva transmissão de propriedade do direito. Fl. 4672DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16561.720070/201123 Acórdão n.º 1101001.097 S1C1T1 Fl. 62 61 Neste sentido, inclusive, é a interpretação veiculada no OfícioCircular CVM/SNC/SEP nº 01/2007: "20.1.7 "Ágio" gerado em operações internas A CVM tem observado que determinadas operações de reestruturação societária de grupos econômicos (incorporação de empresas ou incorporação de ações) resultam na geração artificial de "ágio". Uma das formas que essas operações vêm sendo realizadas, iniciase com a avaliação econômica dos investimentos em controladas ou coligadas e, ato contínuo, utilizarse do resultado constante do laudo oriundo desse processo como referência para subscrever o capital numa nova empresa. Essas operações podem, ainda, serem seguidas de uma incorporação. Outra forma observada de realizar tal operação é a incorporação de ações a valor de mercado de empresa pertencente ao mesmo grupo econômico. Em nosso entendimento ainda que essas operações atendam integralmente os requisitos societários do ponto de vista econômicocontábil é preciso esclarecer que o ágio surge única e exclusivamente, quando o preço (custo) pago pela aquisição ou subscrição de um investimento a ser avaliado pelo método da equivalência patrimonial supera o valor patrimonial desse investimento. E mais preço ou custo de aquisição somente surge quando há o dispêndio para se obter algo de terceiros. Assim não há do ponto de vista econômico geração de riqueza decorrente de transação consigo mesmo. Qualquer argumento que não se fundamente nessas assertivas econômicas configura sofisma formal e, portanto, inadmissível. Não é concebível, econômica e contabilmente o reconhecimento de acréscimo de riqueza em decorrência de uma transação dos acionistas com eles próprios. Ainda que, do ponto de vista formal, os atos societários tenham atendido à legislação aplicável (não se questiona aqui esse aspecto), do ponto de vista econômico, o registro de ágio, em transações como essas, somente seria concebível se realizada entre partes independentes, conhecedoras do negócio, livres de pressões ou outros interesses que não a essência da transação, condições essas denominadas na literatura internacional como "arm's length". Portanto é nosso entendimento que essas transações não se revestem de substância econômica e da indispensável independência entre as partes para que seja passível de registro. mensuração e evidenciação pela contabilidade." (Os grifos constam do original). Este ato limitase a reforçar o que consta da lei desde sua edição: é necessário que haja preço (custo) pago pela aquisição ou subscrição de um investimento a ser avaliado pelo método da equivalência patrimonial, superior ao valor patrimonial desse investimento. E Fl. 4673DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16561.720070/201123 Acórdão n.º 1101001.097 S1C1T1 Fl. 63 62 somente há preço e, por conseqüência, aquisição, quando a operação se realiza entre partes independentes. E, não bastasse esta evidência para sua caracterização como ato interpretativo, aplicável a qualquer tempo, cabe também destacar o que expresso em sua introdução: A CVM vem, ao longo dos anos da sua atuação, buscando aperfeiçoar e manter atualizado o seu arcabouço normativo contábil, sempre com a participação de segmentos interessados do mercado ou da profissão contábil. Cumpre destacar a importante colaboração recebida da Comissão Consultiva de Normas Contábeis da CVM, que conta com representantes da ABRASCA, APIMEC, CFC, IBRACOM, FIPECAFI/USP e colaboradores especialmente nomeados pela CVM, além dos professores Ariovaldo dos Santos (USP), José Augusto Marques (UFRJ) e Natan Szuster (UFRJ) e, agora, do Comitê de Pronunciamentos Contábeis CPC, recentemente instalado. Isto porque o Manual de Contabilidade das Sociedades por Ações, elaborado pela referida FIPECAFI (Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras) afirma o mesmo entendimento no âmbito doutrinário, expondo com clareza o conceito contábil de ágio nos termos a seguir transcritos: 11.7.1 — Introdução e Conceito Os investimentos, como já vimos, são registrados pelo valor da equivalência patrimonial e, nos casos em que os investimentos foram feitos por meio de subscrições em empresas coligadas ou controladas, formadas pela própria investidora, não surge normalmente qualquer ágio ou deságio. Vejase, todavia, caso especial no item 11.7.6. Todavia, no caso de uma companhia adquirir ações de uma empresa já existente, pode surgir esse problema. O conceito de ágio ou deságio, aqui, não é o da diferença entre o valor pago pelas ações e seu valor nominal, mas a diferença entre o valor pago e o valor patrimonial das ações, e ocorre quando adotado o método da equivalência patrimonial. Dessa forma, há ágio quando o preço de custo das ações for maior que seu valor patrimonial, e deságio, quando for menor, como exemplificado a seguir. 11.7.2 Segregação Contábil do Ágio ou Deságio Ao comprar ações de uma empresa que serão avaliadas pelo método da equivalência patrimonial, devese, já na ocasião da compra, segregar na Contabilidade o preço total de custo em duas subcontas distintas, ou seja, o valor da equivalência patrimonial numa subconta e, o valor do ágio (ou deságio) em outra subconta(..) 11.7.3 Determinação do Valor do Ágio ou Deságio Fl. 4674DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16561.720070/201123 Acórdão n.º 1101001.097 S1C1T1 Fl. 64 63 a) GERAL Para permitir a determinação do valor do ágio ou deságio, é necessário que, na database da aquisição das ações, se determine o valor da equivalência patrimonial do investimento, para o que é necessária a elaboração de um Balanço da empresa da qual se compraram as ações, preferencialmente na mesma database da compra das ações ou até dois meses antes dessa data. Todavia, se a aquisição for feita com base num Balanço de negociação, poderá ser utilizado esse Balanço, mesmo que com defasagem superior aos dois meses mencionados. Ver exemplos a seguir. b) DATABASE Na prática, esse tipo de negociação é usualmente um processo prolongado, levando, às vezes, a meses de debates até a conclusão das negociações. A database da contabilização da compra é a da efetiva transmissão dos direitos de tais ações aos novos acionistas a partir dela, passam a usufruir dos lucros gerados e das demais vantagens patrimoniais.(..) 11.7.4 Natureza e Origem do Ágio ou Deságio (...) c) ÁGIO POR VALOR DE RENTABILIDADE FUTURA Esse ágio (ou deságio) ocorre quando se paga pelas ações um valor maior (menor) que o patrimonial, em função de expectativa de rentabilidade futura da coligada ou controlada adquirida. Esse tipo de ágio ocorre com maior frequência por envolver inúmeras situações e abranger diversas possibilidades. No exemplo anterior da Empresa B, os $ 100.000.000 pagos a mais na compra das ações representam esse tipo de ágio e devem ser registrados nessa subconta especifica. Sumariando, no exemplo anterior, a contabilização da compra das ações pela Empresa A, por $ 504.883.200, seria (...). 11.7.5 Amortização do Ágio ou Deságio a) CONTABILIZAÇÃO I Amortização do ágio (deságio) por valor de rentabilidade futura O ágio pago por expectativa de lucros futuros da coligada ou controlada deve ser amortizado dentro do período pelo qual se pagou por tais futuros lucros, ou seja, contra os resultados dos exercícios considerados na projeção dos lucros estimados que justifiquem o ágio. O fundamento aqui é o de que, na verdade, as receitas equivalentes aos lucros da coligada ou controlada não representam um lucro efetivo, já que a investidora pagou Fl. 4675DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16561.720070/201123 Acórdão n.º 1101001.097 S1C1T1 Fl. 65 64 por eles antecipadamente devendo, portanto, baixar o ágio contra essas receitas. Suponha que uma empresa tenha pago pelas ações adquiridas um valor adicional ao do patrimônio liquido de $ 200.000, correspondente a sua participação nos lucros dos 10 anos seguintes da empresa adquirida. Nesse caso, tal ágio deverá ser amortizado na base de 10% ao ano. (Todavia, se os lucros previstos pelos quais se pagou o ágio não forem projetados em uma base uniforme de ano para ano, a amortização deverá acompanhar essa evolução proporcionalmente).(...) Nesse sentido, a CVM determina que o ágio ou o deságio decorrente da diferença entre o valor pago na aquisição do investimento e o valor de mercado dos ativos e passivos da coligada ou controlada deverá ser amortizada da seguinte forma (...). 11.7.6 Ágio na Subscrição (...) b) por outro lado, vimos nos itens anteriores ao 11.7 que surge o ágio ou deságio somente quando uma empresa adquire ações ou quotas de uma empresa já existente, pela diferença entre o valor papo a terceiros e o valor patrimonial de tais ações ou quotas adquiridas dos antigos acionistas ou quotistas. Poderíamos concluir, então, que não caberia registrar um ágio ou deságio na subscrição de ações. Entendemos, todavia, que quando da subscrição de novas ações, em que há diferença entre o valor de custo do investimento e o valor patrimonial contábil, o ágio deve ser registrado pela investidora. Essa situação pode ocorrer quando os acionistas atuais (Empresa A) de uma empresa B resolvem admitir novo acionista (Empresa X) não, pela venda de ações já existentes, mas pela emissão de novas ações a serem subscritas, pelo novo acionista. Ou quando um acionista subscreva aumento de capital no lugar de outro. O preço de emissão das novas ações, digamos $ 100 cada, representa. a negociação pela qual o acionista subscritor está pagando o valor, patrimonial contábil da Empresa B, digamos $ 60, acrescido de uma maisvalia de $ 40, correspondente, por exemplo, ao fato de o valor de mercado dos ativos da Empresa B ser superior a seu valor contabilizado. Tal diferença representa, na verdade, uma reavaliação de ativos, mas não registrada pela Empresa B, por não ser obrigatória. Notemos que, nesse caso, não faz sentido lógico que o novo acionista ou mesmo o antigo, ao fazer a integralização do capital, registre seu investimento pelo valor patrimonial das suas ações e reconheça a diferença como perda não operacional. Na verdade, nesse caso, o valor pago a mais tem substância econômica bem fundamentada e deveria ser registrado como Fl. 4676DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16561.720070/201123 Acórdão n.º 1101001.097 S1C1T1 Fl. 66 65 um ágio, baseado no maior valor de mercado dos ativos da Empresa B." (negrejouse) Observese que não se diz, aqui, que a alienação de uma participação societária somente se dá mediante pagamento, em sentido estrito. O que se exige é uma alteração substancial no patrimônio do alienante, a qual somente se verifica se ele passar a dispor de algo que antes não possuía, condição ausente neste caso, em que, como bem relatado pela autoridade julgadora de 1a instância, em 09/11/2005 retornase à situação societária do dia 03/11/2005, ou seja: (i) Pessoas Físicas com 100% do capital da Folha Participações; (ii) a Folha Participações com 99,9% do capital da Larimus; (iii) que controla em 99,9% a Folha da Manhã. Acrescentese que no artigo publicado por Jorge Vieira da Costa Júnior e Eliseu Martins (“A incorporação reversa com ágio gerado internamente: consequências da elisão fiscal sobre a contabilidade, in “http://www.congressousp.fipecafi.org/artigos42004”), citado no voto condutor do julgado proferido no processo administrativo no 10469.721945/201003, referenciado pelo I. Relator, vislumbrase que a lei fiscal admite que o ágio surja em outras circunstâncias, em razão do que dispunha o art. 36 da Lei nº 10.637/2002. Referido trabalho acadêmico, no que importa à área de especialização de seus autores, conclui que definitivamente, à luz da teoria da contabilidade é inadmissível o surgimento de ágio em uma operação realizada dentro de um mesmo grupo econômico. Não é permitido contabilmente o reconhecimento de ágio gerado internamente, tampouco o lucro resultante. E, para assim arrematarem, argumentam que: Em síntese, o ágio (ou, por vezes, o deságio) surge do confronto entre o valor justo (fair value) de uma dada entidade (valor de saída), precificado por intermédio de uma transação envolvendo terceiros independentes, e o valor contábil (valor de entrada) do patrimônio líquido dessa mesma entidade (considerando, é claro, a participação acionária adquirida). Logo, em termos de Teoria da Contabilidade, a rigor, em uma transação admitese tão só a figura do ágio, que vem a ser um resultado econômico obtido em um processo de compra e venda de ativos líquidos (net assest), quando estiverem envolvidas partes independentes não relacionadas. Enfim, quando o ágio for resultado de um processo de barganha negocial não viciado, que concorra para a formação de um preço justo dos ativos líquidos em apreço. [...] Não faz sentido algum reconhecer, numa boa e sadia contabilidade, o resultado derivado de transações entre entidades sob o mesmo controle, ou seja, sob a mesma vontade. Isso é, na realidade, geração artificial de resultado. Contudo, adentrando à seara tributária, referidos autores limitamse a concluir que o respaldo em legislação tributária para o fenômeno – ágio gerado internamente – dá sentido econômico à operação. Há de fato riqueza sendo gerada pelo grupo societário nesses arranjos só que, no caso, está sendo transferido do Estado para o grupo via renúncia fiscal. Fl. 4677DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16561.720070/201123 Acórdão n.º 1101001.097 S1C1T1 Fl. 67 66 Analisando exclusivamente um dos efeitos da operação interna, concernente ao diferimento da tributação do ganho de capital reconhecido pela parte que aliena a participação societária, tratado no art. 36 da Lei nº 10.637/2002, os autores expõem que: Elucidando o caput do artigo 36, temse que caso uma dada companhia “A” possua participação societária em outra companhia “B”, e resolva constituir uma terceira companhia “C”, integralizando ações subscritas de “C” com a participação societária em “B” avaliada economicamente, o lucro apurado por “A” na integralização das ações subscritas de “C” não será tributado de imediato, para fins de IRPJ e CSLL. Mais à frente, ao mencionar que o ágio carreado de “C” para “B” será dedutível tanto na apuração do lucro real quanto na base de cálculo da CSLL a ser apurado em “B”, os autores não explicitam qual dispositivo legal autorizaria a classificação daquela parcela como ágio. Diz a Lei nº 10.637/2002, nesta parte já revogada, desde a edição da Lei nº 11.196/2005: Art. 36. Não será computada, na determinação do lucro real e da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido da pessoa jurídica, a parcela correspondente à diferença entre o valor de integralização de capital, resultante da incorporação ao patrimônio de outra pessoa jurídica que efetuar a subscrição e integralização, e o valor dessa participação societária registrado na escrituração contábil desta mesma pessoa jurídica. § 1o O valor da diferença apurada será controlado na parte B do Livro de Apuração do Lucro Real (Lalur) e somente deverá ser computado na determinação do lucro real e da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido: I na alienação, liquidação ou baixa, a qualquer título, da participação subscrita, proporcionalmente ao montante realizado; II proporcionalmente ao valor realizado, no período de apuração em que a pessoa jurídica para a qual a participação societária tenha sido transferida realizar o valor dessa participação, por alienação, liquidação, conferência de capital em outra pessoa jurídica, ou baixa a qualquer título. § 2o Não será considerada realização a eventual transferência da participação societária incorporada ao patrimônio de outra pessoa jurídica, em decorrência de fusão, cisão ou incorporação, observadas as condições do § 1o. Ocorre que a lei apenas difere a tributação do ganho de capital verificado no momento em que o direito da pessoa jurídica convertese em outro de maior valor, por ação única e exclusiva do titular deste direito, e sem que tal direito deixe, efetivamente, seu patrimônio. Na prática, a lei apenas equivale a situação fiscal do sujeito passivo que assim age àquela na qual permanece o sujeito passivo que não promove qualquer transferência de seu Fl. 4678DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16561.720070/201123 Acórdão n.º 1101001.097 S1C1T1 Fl. 68 67 investimento para outra pessoa jurídica sob seu controle. E, somente por esta razão, já seria possível afastar o outro efeito aventado para esta operação, qual seja, a formação do ágio. Isto porque inexiste ganho real por parte da pessoa jurídica que transfere seus investimentos para outra pessoa jurídica, mas continua a deter sua titularidade de forma indireta. O diferimento da tributação, assim, não representa qualquer benefício, mas apenas a anulação de uma incidência que se materializaria por ato exclusivo do titular do direito. De outro lado, em momento algum o art. 36 da Lei nº 10.637/2002 admite que na nova investida este direito reavaliado tenha a sua maisvalia reconhecida contabilmente como ágio, nem cogita que esta maisvalia seja amortizável. Os autores também não se reportam a qualquer ato normativo, solução de consulta ou julgamento administrativo que assim tenha concluído. Interpretação naquele sentido somente é possível olvidandose dos elementos conceituais de uma aquisição, quais sejam, partes independentes e preço. Vejase que estes elementos integram um conceito uniforme tanto na esfera contábil (na redação da Lei nº 6.404/76, ao menos até sua alteração pela Lei nº 11.638/2007) como na esfera tributária (art. 20 do Decretolei nº 1.598/77), determinante do que representa o custo de aquisição de um investimento. De outro lado, o ágio nada mais é do que a diferença entre o custo de aquisição e a equivalência patrimonial da participação societária, e no presente caso o primeiro restou majorado por conta do valor que lhe foi atribuído pelo seu titular ao subscrever capital na sociedade intermediária que passou temporariamente a deter o controle direto da investida. Assim, somente olvidando que custo de aquisição é o valor efetivamente despendido em transações com o mundo exterior (art. 7o da Resolução CFC nº 750/93), é possível construir o ágio amortizado pela recorrente. Do disposto no art. 36 da Lei nº 10.637/2002 inferese que o legislador instituiu ali um mecanismo para evitar a tributação do ganho escriturado em razão da transferência de participação societária por valor superior ao patrimonial, na medida em que, verificandose esta transferência em sede de integralização de capital de outra sociedade, aquela participação pertenceria ao mesmo titular que inicialmente a detinha, mas agora de forma indireta. Diferiu, assim, sua tributação para momento futuro, no qual esta participação indireta deixasse de existir e o ganho se tornasse real. E, se esta transferência se dá sem a participação de terceiros, ou seja, de forma que a titularidade da participação societária, ao final, permaneça com as mesmas pessoas que inicialmente as detinham, há, tão só, reavaliação do investimento, e não ágio por expectativa de rentabilidade futura. Neste sentido, inclusive, são as lições de Hiromi Higuchi et alli, em sua obra Imposto de Renda das Empresas – Interpretação e prática (Editora IR Publicações, 29a edição, p. 360) ao tratar da reavaliação de participações societárias: O art. 438 do RIR/99 dispõe que será computado na determinação do lucro real o aumento de valor resultante de reavaliação de participação societária que o contribuinte avaliar pelo valor de patrimônio líquido, ainda que a contra partida do aumento do valor do investimento constitua reserva de reavaliação. Se a pessoa jurídica reavaliar investimento avaliado pela equivalência patrimonial não poderá diferir a tributação da contrapartida. O diferimento da tributação só é possível na reavaliação de participação societária avaliado pelo custo de aquisição. Neste caso, após a reavaliação se o investimento Fl. 4679DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16561.720070/201123 Acórdão n.º 1101001.097 S1C1T1 Fl. 69 68 passar a ser avaliado pela equivalência patrimonial, o diferimento cessará. A Receita Federal teve a infelicidade de incluir o art. 39 da MP nº 66, de 29082002, convertido no art. 36 da Lei nº 10.637, de 30122002, dispondo: [...] A aplicação daquele artigo dá ensejo a planejamento tributário para aumentar o patrimônio líquido nas duas empresas, para cálculo de juros sobre o capital próprio. A empresa A que tem investimento na empresa B transfere o investimento como integralização de capital na empresa C, por valor bem superior ao contábil. A empresa A escritura a contrapartida da mais valia no resultado mas faz exclusão na determinação do lucro real e base de cálculo da CSLL, aumentando o patrimônio líquido com diferimento da tributação. A empresa C também aumentou o seu patrimônio líquido sem tributação. A única forma de a Receita Federal corrigir a infelicidade é, por ato normativo, dizer que o art. 36 da Lei nº 10.637/2002 é aplicável somente para os investimentos avaliados pelo custo de aquisição. Isso porque, para os investimentos avaliados pela equivalência patrimonial existe a vedação do art. 438 do RIR/99, que por ser lei específica não foi revogado. Mas, também relevante neste caso, é atentar para o fato de que a controladora não apenas integraliza capital em uma empresa recentemente agregada ao mesmo grupo societário, nela aportando ações de empresa controlada por valor maior que o patrimonial, fazendo surgir o que se denominou ágio, o qual passou a ser amortizado depois de a controlada incorporar a pessoa jurídica intermediária, cuja existência se prolongou por menos de uma semana. Mais que isso, o resultado final desta operação é que, em razão da mencionada incorporação, a controladora restabelece o controle direto sobre aquela controlada, de modo que tudo volta a ser como era antes, embora com uma “novidade”: o surgimento, no patrimônio da investida, de um item classificado como ágio, no valor de R$ 234.277.000,00 que se presta a reduzir seu lucro tributável nos cinco anos subsequentes, tendo como fundamento, justamente, a expectativa da controladora de que este lucro fosse auferido. A operação, nestes termos, busca atribuir à participação societária um valor futuro, que não reúne qualquer materialidade como justificativa para o incremento patrimonial. Distinguese, assim, essencialmente do que se verifica nos verdadeiros casos de aquisição, quando um terceiro paga pela expectativa de rentabilidade futura e antecipa no patrimônio da investidora esta realidade. É possível concluir, assim, que a integralização de capital com participação societária por valor maior que o patrimonial somente é possível quando existam razões passadas que justifiquem esta diferença. Neste sentido, inclusive, é o texto de autoria de Edison Carlos Fernandes (Imposto sobre a renda, planejamento tributário, o revogado artigo 36 da Lei nº 10.637/02 e a extinta correção monetária de balanço. In: Revista Dialética de Direito Tributário nº 129 (jun/2006), p. 27): À luz do exposto, entendemos que o artigo 36 da Lei nº 10.637, de 2002, revogado pela Lei nº 11.196, de 2005, veio Fl. 4680DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16561.720070/201123 Acórdão n.º 1101001.097 S1C1T1 Fl. 70 69 corrigir a legislação tributária no sentido de adequar as oportunidades de atualização dos bens, direitos e do patrimônio líquido, incluindo, nesse rol, os investimentos permanentes relevantes. Dessa forma, resgatavase, após o artigo 4o da Lei nº 9.249, de 1995, "uma certa correção monetária de balanço", porque estaria garantindo o diferimento da tributação incidente sobre o ganho gerado pela avaliação de investimento relevante, sujeito ao método de equivalência patrimonial (assim como já ocorre no caso dos bens do ativo imobilizado e do investimento não relevante, avaliado pelo método do custo de aquisição). Sendo assim, estaria plenamente justificada a conduta de contribuintes pessoas jurídicas que criaram, previamente, as condições necessárias para aproveitamento dos benefícios concedidos pelo referido artigo revogado. Não se configura, dessa forma, o abuso de direito, porque o procedimento do artigo 36 da Lei nº 10.637, de 2002, foi o único meio previsto pelo legislador, seja por qual motivo for, para a reavaliação de investimento relevante, com a tributação sobre o ganho gerado diferida." Por meio desta reavaliação a pessoa jurídica atribui valor atualizado a itens de seu patrimônio que não mais se sujeitam a correção monetária de balanço, e o resultado positivo daí decorrente não tem tributação imediata, sendo diferido para o momento em que esta riqueza se materializar com a efetiva alienação daquele direito a terceiros. De outro lado, esta operação não gera o tão almejado “ágio fundamentado em rentabilidade futura”, realidade que somente pode ser antecipada no patrimônio de uma pessoa jurídica quando um terceiro, parte independente, reconhece sua viabilidade e por ela remunera o titular do investimento. Inadmissível, portanto, a redução das bases tributáveis pelos motivos alegados pela recorrente. Nenhum óbice legal existiria, à época, em o grupo societário buscar meios para atribuir ao patrimônio da empresa operacional seu valor real, presente. Inadmissível é antecipar resultados com base em meras projeções estatísticas, sem a chancela de um terceiro/parte independente, e ainda, no âmbito tributário, denominar esta maisvalia de ágio apenas para construir o cenário que, na presença de verdadeiro ágio, permitiria a amortização com efeitos na apuração do lucro tributável. Estas as razões, portanto, para NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente às glosas de amortização de ágio. Por sua vez, a aplicação de juros de mora incidentes sobre a multa de ofício se impõe consoante as razões de decidir da I. Conselheira Viviane Vidal Wagner expressas em voto vencedor em julgamento proferido em 11/03/2010 na Câmara Superior de Recursos Fiscais, formalizado no Acórdão nº 910100.539: Com a devida vênia, ouso discordar do ilustre relator no tocante à questão da incidência de juros de mora sobre a multa de oficio. De fato, como bem destacado pelo relator, o crédito tributário, nos termos do art. 139 do CTN, comporta tanto o tributo quanto a penalidade pecuniária. Em razão dessa constatação, ao meu ver, outra deve ser a conclusão sobre a incidência dos juros de mora sobre a multa de oficio. Fl. 4681DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16561.720070/201123 Acórdão n.º 1101001.097 S1C1T1 Fl. 71 70 Uma interpretação literal e restritiva do caput do art. 61 da Lei n° 9.430/96, que regula os acréscimos moratórios sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições, pode levar à equivocada conclusão de que estaria excluída desses débitos a multa de oficio. Contudo, uma norma não deve ser interpretada isoladamente, especialmente dentro do sistema tributário nacional. No dizer do jurista Juarez Freitas (2002, p.70), "interpretar uma norma é interpretar o sistema inteiro: qualquer exegese comete, direta ou obliquamente, uma aplicação da totalidade do direito." Merece transcrição a continuidade do seu raciocínio: "Não se deve considerar a interpretação sistemática como simples instrumento de interpretação jurídica. É a interpretação sistemática, quando entendida em profundidade, o processo hermenêutico por excelência, de tal maneira que ou se compreendem os enunciados prescritivos nos plexos dos demais enunciados ou não se alcançará compreendêlos sem perdas substanciais. Nesta medida, mister afirmar, com os devidos temperamentos, que a interpretação jurídica é sistemática ou não é interpretação." (A interpretação sistemática do direito, 3.ed. São Paulo:Malheiros, 2002, p. 74). Daí, por certo, decorrerá uma conclusão lógica, já que interpretar sistematicamente implica excluir qualquer solução interpretativa que resulte logicamente contraditória com alguma norma do sistema. O art. 161 do CTN não distingue a natureza do crédito tributário sobre o qual deve incidir os juros de mora, ao dispor que o crédito tributário não pago integralmente no seu vencimento é acrescido de juros de mora, independentemente dos motivos do inadimplemento. Nesse sentido, no sistema tributário nacional, a definição de crédito tributário há de ser uniforme. De acordo com a definição de Hugo de Brito Machado (2009, p.172), o crédito tributário "é o vínculo jurídico, de natureza obrigacional, por força do qual o Estado (sujeito ativo) pode exigir do particular, o contribuinte ou responsável (sujeito passivo), o pagamento do tributo ou da penalidade pecuniária (objeto da relação obrigacional)." Convertese em crédito tributário a obrigação principal referente à multa de oficio a partir do lançamento, consoante previsão do art. 113, §1o, do CTN: "Art. 113 A obrigação tributária é principal ou acessória § 1o A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito tributário dela decorrente. A obrigação tributária principal surge, assim, com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, o que inclui a multa de oficio proporcional. A multa de oficio é prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, e é exigida "juntamente com o imposto, quando não houver sido anteriormente pago" (§1o). Assim, no momento do lançamento, ao tributo agregase a multa de ofício, tomandose ambos obrigação de natureza pecuniária, ou seja, principal. A penalidade pecuniária, representada no presente caso pela multa de oficio, tem natureza punitiva, incidindo sobre o montante não pago do tributo devido, constatado após ação fiscalizatória do Estado. Fl. 4682DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16561.720070/201123 Acórdão n.º 1101001.097 S1C1T1 Fl. 72 71 Os juros moratórios, por sua vez, não se tratam de penalidade e têm natureza indenizatória, ao compensarem o atraso na entrada dos recursos que seriam de direito da União. A própria lei em comento traz expressa regra sobre a incidência de juros sobre a multa isolada. Eventual alegação de incompatibilidade entre os institutos é de ser afastada pela previsão contida na própria Lei n° 9.430/96 quanto à incidência de juros de mora sobre a multa exigida isoladamente. O parágrafo único do art. 43 da Lei n° 9.430/96 estabeleceu expressamente que sobre o crédito tributário constituído na forma do caput incidem juros de mora a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. O art. 61 da Lei n° 9.430, de 1996, ao se referir a débitos decorrentes de tributos e contribuições, alcança os débitos em geral relacionados com esses tributos e contribuições e não apenas os relativos ao principal, entendimento, dizia então, reforçado pelo fato de o art. 43 da mesma lei prescrever expressamente a incidência de juros sobre a multa exigida isoladamente. Nesse sentido, o disposto no §3° do art. 950 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR/99) exclui a equivocada interpretação de que a multa de mora prevista no caput do art. 61 da Lei n° 9.430/96 poderia ser aplicada concomitantemente com a multa de oficio. Art. 950. Os débitos não pagos nos prazos previstos na legislação especifica serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento por dia de atraso (Lei nº 9.430, de 1996, art. 61). § 1o A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo 13 previsto para o pagamento do imposto até o dia em que ocorrer o seu pagamento (Lei nº 9.430, de 1996, art. 61, § 1o). § 2o O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento (Lei nº 9.430, de 1996, art. 61, § 2o). § 3o A multa de mora prevista neste artigo não será aplicada quando o valor do imposto já tenha servido de base para a aplicação da multa decorrente de lançamento de oficio. A partir do trigésimo primeiro dia do lançamento, caso não pago, o montante do crédito tributário constituído pelo tributo mais a multa de ofício passa a ser acrescido dos juros de mora devidos em razão do atraso da entrada dos recursos nos cofres da União. No mesmo sentido já se manifestou este E. colegiado quando do julgamento do Acórdão n° CSRF/0400.651, julgado em 18/09/2007, com a seguinte ementa: JUROS DE MORA — MULTA DE OFÍCIO — OBRIGAÇÃO PR1NICIPAL — A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic. Nesse sentido, ainda, a Súmula Carf n° 5: "São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral." Diante da previsão contida no parágrafo único do art. 161 do CTN, buscase na legislação ordinária a norma complementar que preveja a correção dos débitos para com a União. Fl. 4683DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16561.720070/201123 Acórdão n.º 1101001.097 S1C1T1 Fl. 73 72 Para esse fim, a partir de abril de 1995, temse a taxa Selic, instituída pela Lei nº 9.065, de 1995. A jurisprudência é forte no sentido da aplicação da taxa de juros Selic na cobrança do crédito tributário, corno se vê no exemplo abaixo: REsp 1098052 / SP RECURSO ESPECIAL 2008/02395728 Relator(a) Ministro CASTRO MEIRA (1125) Órgão Julgador T2 SEGUNDA TURMA Data do Julgamento 04/12/2008 Data da Publicação/Fonte DJe 19/12/2008 Ementa PROCESSUAL CIVIL. OMISSÃO. NÃO OCORRÊNCIA. LANÇAMENTO. DÉBITO DECLARADO E NÃO PAGO. PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO. DESNECESSIDADE. TAXA SELIC. LEGALIDADE. 1. É infundada a alegação de nulidade por maltrato ao art. 535 do Código de Processo Civil, quanto o recorrente busca tãosomente rediscutir as razões do julgado. 2. Em se tratando de tributos lançados por homologação, ocorrendo a declaraçã o do contribuinte e na falta de pagamento da exação no vencimento, a inscrição em dívida ativa independe de procedimento administrativo. 3. É legítima a utilização da taxa SELIC como índice de correção monetária e de juros de mora, na atualização dos créditos tributários (Precedentes: AgRg nos EREsp 579.565/SC, Primeira Seção, Rel. Min. Humberto Martins, DJU de 11.09.06 e AgRg nos EREsp 831.564/RS, Primeira Seção, Rel. Min. Eliana Calmon, DJU de 12.02.07).(g.n) No âmbito administrativo, a incidência da taxa de juros Selic sobre os débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal foi pacificada com a edição da Súmula CARF n° 4, nos seguintes termos: Súmula CARFn° 4: A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórias incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Diante do exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso do contribuinte e DAR PROVIMENTO ao recurso da Fazenda Nacional para considerar aplicável a incidência de juros de mora sobre a multa de oficio, devidos à taxa Selic. Ademais, recentemente, a Primeira Turma do Superior Tribunal de Justiça manifestouse neste sentido, como exposto na ementa do acórdão proferido em sede de AgRg no REsp 1.335.688PR (Rel. Min. Benedito Gonçalves, julgado em 4/12/2012): PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMA QUE COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. 1. Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ no sentido de que: "É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário.” (REsp 1.129.990/PR, Rel. Min.Castro Meira, DJ de 14/9/2009). De igual modo: REsp 834.681/MG, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010. 2. Agravo regimental não provido. Colhese do respectivo voto condutor: Fl. 4684DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 16561.720070/201123 Acórdão n.º 1101001.097 S1C1T1 Fl. 74 73 [...] Quanto ao mérito, registrou o acórdão proferido pelo TRF da 4ª Região à fl. 163: ‘... os juros de mora são devidos para compensar a demora no pagamento. Verificado o inadimplemento do tributo, é possível a aplicação da multa punitiva que passa a integrar o crédito fiscal, ou seja, o montante que o contribuinte deve recolher ao Fisco. Se ainda assim há atraso na quitação da dívida, os juros de mora devem incidir sobre a totalidade do débito, inclusive a multa que, neste momento, constitui crédito titularizado pela Fazenda Pública, não se distinguindo da exação em si para efeitos de recompensar o credor pela demora no pagamento.’” Assim, também deve ser NEGADO PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à aplicação de juros de mora sobre a multa de ofício. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Fl. 4685DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA
score : 1.0
Numero do processo: 13502.902340/2012-18
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jun 06 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/08/2008 a 31/08/2008
NORMAS PROCESSUAIS. ARGUMENTOS DE DEFESA. INOVAÇÃO EM SEDE DE RECURSO. PRECLUSÃO.
Os argumentos de defesa devem ser trazidos na primeira instância administrativa.
INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa devidamente motivada não infirmada com elementos de prova hábeis e idôneos.
Numero da decisão: 3803-006.248
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por inovação dos argumentos de defesa.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Demes Brito e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201405
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/08/2008 a 31/08/2008 NORMAS PROCESSUAIS. ARGUMENTOS DE DEFESA. INOVAÇÃO EM SEDE DE RECURSO. PRECLUSÃO. Os argumentos de defesa devem ser trazidos na primeira instância administrativa. INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa devidamente motivada não infirmada com elementos de prova hábeis e idôneos.
turma_s : Terceira Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Jun 06 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 13502.902340/2012-18
anomes_publicacao_s : 201406
conteudo_id_s : 5351999
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jun 09 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3803-006.248
nome_arquivo_s : Decisao_13502902340201218.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : HELCIO LAFETA REIS
nome_arquivo_pdf_s : 13502902340201218_5351999.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por inovação dos argumentos de defesa. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Demes Brito e Jorge Victor Rodrigues.
dt_sessao_tdt : Thu May 29 00:00:00 UTC 2014
id : 5481634
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:22:54 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046815458197504
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1828; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE03 Fl. 88 1 87 S3TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13502.902340/201218 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3803006.248 – 3ª Turma Especial Sessão de 29 de maio de 2014 Matéria IPI COMPENSAÇÃO Recorrente TECNOGRÉS REVESTIMENTOS CERÂMICOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/08/2008 a 31/08/2008 NORMAS PROCESSUAIS. ARGUMENTOS DE DEFESA. INOVAÇÃO EM SEDE DE RECURSO. PRECLUSÃO. Os argumentos de defesa devem ser trazidos na primeira instância administrativa. INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa devidamente motivada não infirmada com elementos de prova hábeis e idôneos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por inovação dos argumentos de defesa. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Demes Brito e Jorge Victor Rodrigues. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 50 2. 90 23 40 /2 01 2- 18 Fl. 88DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/06/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13502.902340/201218 Acórdão n.º 3803006.248 S3TE03 Fl. 89 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte em contraposição à decisão da DRJ Ribeirão Preto/SP que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada em decorrência da não homologação da compensação declarada. O contribuinte havia transmitido Declaração de Compensação em 24 de janeiro de 2012, referente a crédito decorrente de alegado pagamento a maior de IPI, no valor de R$ 151.054,70, destinado a quitar débito de sua titularidade. Por meio de despacho decisório eletrônico, a repartição de origem não homologou a compensação, pelo fato de que o pagamento declarado já havia sido integralmente utilizado na quitação de débitos do contribuinte. Cientificado da decisão, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade e requereu o reconhecimento do crédito e a homologação da compensação, com o seguinte argumento: “Tal indeferimento não pode prosperar porque os créditos oriundos de pagamento indevido ou maior já tinham sido devidamente disponibilizados em razão da desvinculação dos mesmos das DCTFs daquele período.” Junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte trouxe aos autos cópias de documentos societários e do despacho decisório. A DRJ Ribeirão Preto/SP não reconheceu o direito creditório, tendo sido o acórdão ementado nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 15/09/2008 RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. A homologação das compensações declaradas requer créditos líquidos e certos contra a Fazenda Nacional. Não caracterizado o pagamento indevido, não há créditos para compensar com os débitos do contribuinte. ÔNUS DA PROVA. Cabe à defesa o ônus da prova dos fatos modificativos, impeditivos ou extintivos da pretensão fazendária. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificado da decisão em 7 de outubro de 2013, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário no dia 1º de novembro do mesmo ano e requereu prorrogação do prazo para a apuração adequada do efetivo direito creditório, alegando que o seu departamento fiscal não enviara as declarações retificadoras, sendo essa a razão da existência do presente passivo tributário. Fl. 89DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/06/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13502.902340/201218 Acórdão n.º 3803006.248 S3TE03 Fl. 90 3 É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, mas dele não conheço, em razão dos fatos a seguir identificados. Diante do acima relatado, constatase que o Recorrente, nesta fase recursal, altera totalmente o seu pedido, não mais pleiteando a homologação da compensação devidamente declarada, conforme fizera na Manifestação de Inconformidade, mas requerendo a dilação de prazo para a apuração adequada do efetivo direito creditório e para produção de provas, em razão de equívoco cometido por seu departamento fiscal, que não providenciara a retificação das DCTFs do período. Notese que a afirmativa do Recorrente de que necessita de mais prazo para apurar adequadamente o efetivo direito creditório denota, inequivocamente, que as informações constantes da Declaração de Compensação foram repassadas de forma inadvertida, sem lastro na escrituração contábilfiscal, pois, do contrário, nada haveria a ser apurado, mas apenas informado no bojo deste processo. É flagrante a inovação operada em sede de recurso, tratandose de matéria preclusa em razão de sua não exposição na primeira instância administrativa, não tendo sido examinada pela autoridade julgadora de piso, o que contraria o princípio do duplo grau de jurisdição, bem como o do contraditório e o da ampla defesa. A preclusão processual é um elemento que limita a atuação das partes durante a tramitação do processo, imputandolhe celeridade, numa sequência lógica e ordenada dos fatos, em prol da pretendida pacificação social. Humberto Theodoro Júnior1 nos ensina que preclusão é “a perda da faculdade ou direito processual, que se extinguiu por não exercício em tempo útil”. Ainda segundo o mestre, com a preclusão, “evitase o desenvolvimento arbitrário do processo, que só geraria a balbúrdia, o caos e a perplexidade para as partes e o juiz”. O princípio da preclusão conectase ao princípio do impulso processual e destinase “não apenas a proporcionar uma mais rápida solução do litígio, mas bem ainda a tutelar a boafé no processo, impedindo o emprego de expedientes que configurem litigância de máfé” 2. Tal princípio busca garantir o avanço da relação processual e impedir o retrocesso às fases anteriores do processo, encontrandose fixado o limite da controvérsia, no Processo Administrativo Fiscal (PAF), no momento da impugnação/manifestação de inconformidade. 1 HUMBERTO, Theodoro Júnior. Curso de direito processual civil. vol. 1. Rio de Janeiro: Forense, 2003, p. 225 226. 2 GRINOVER, Ada Pellegrini. “Interesse da União, preclusão. A preclusão e o órgão judicial”. In: A Marcha do Processo. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2000, p. 230/241. Disponível em: http://www.ambito juridico.com.br/site/?n_link=revista_artigos_leitura&artigo_id=11781. Acesso em: 15 abr 2013. Fl. 90DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/06/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13502.902340/201218 Acórdão n.º 3803006.248 S3TE03 Fl. 91 4 De acordo com o art. 16, inciso III, do Decreto nº 70.235, de 1972, os atos processuais se concentram no momento da impugnação, cujo teor deverá abranger “os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância, as razões e provas que possuir", considerandose não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante (art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972). Não é lícito inovar no recurso para inserir questão diversa daquela originalmente deduzida na impugnação/manifestação de inconformidade, devendo a inovação ser afastada por se referir a matéria não exposta no momento processual devido. Além disso, mesmo que preclusão não houvesse, o interessado não trouxe aos autos nem mesmo um início de prova, tendo a instrução se dado apenas com documentos societários, nada tendo sido dito acerca da natureza do indébito utilizado em compensação. Não se pode perder de vista que a prova encontrase em poder do próprio Recorrente, e uma vez que foi dele a iniciativa de instauração do presente processo, pois que relativo a um direito que ele alega ser detentor, não se vislumbra razão à preponderância do princípio da verdade material sobre, por exemplo, o princípio constitucional da celeridade processual (art. 5º, inciso LXXVIII, da Constituição Federal de 1988) ou o dever de comprovação dos fatos alegados (art. 16, inciso III, e § 4º do Decreto nº 70.235, de 1972). O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo e presentes nos sistemas internos da Receita Federal (DCTF e sistemas de arrecadação), não cabendo no Processo Administrativo Fiscal (PAF) a requisição de prorrogação de prazos fixados na legislação processual tributária. Nos termos do art. 16 do Decreto n° 70.235/19723, que regula o PAF, aplicável na discussão de processos envolvendo compensação tributária, cabe ao impugnante o 3 Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) – Grifei (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 91DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/06/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13502.902340/201218 Acórdão n.º 3803006.248 S3TE03 Fl. 92 5 ônus da prova de suas alegações contrapostas à decisão de não homologação baseada na DCTF e na base de dados de arrecadação. Nesse contexto, por inovação dos argumentos de defesa, associada à ausência de qualquer elemento de prova do crédito reclamado, voto por NÃO CONHECER do recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator Fl. 92DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/06/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por HELCIO LAFETA REIS
score : 1.0
Numero do processo: 19515.003049/2003-01
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu May 08 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jul 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 1998
DECADÊNCIA. AUSÊNCIA DE ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. PRAZO DECADENCIAL REGIDO PELO I, ART. 173 DO CTN.
Não comprovada a ocorrência de pagamento parcial, como no presente caso, a regra decadencial expressa no CTN a ser utilizada deve ser a prevista no I, Art. 173 do CTN, conforme inteligência da determinação do Art. 62-A, do Regimento Interno do CARF (RICARF), em sintonia com o decidido pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), no Recurso Especial 973.733.
Numero da decisão: 9202-003.224
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira (Relator) e Marcos Aurélio Pereira Valadão que acompanhou o Relator pelas conclusões. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Marcelo Oliveira.
(Assinado digitalmente)
Marcos Aurélio Pereira Valadão - Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Relator
(Assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira Redator-Designado
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em exercício), Gustavo Lian Haddad, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Ausente, justificadamente o Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka.
Nome do relator: RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201405
camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 1998 DECADÊNCIA. AUSÊNCIA DE ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. PRAZO DECADENCIAL REGIDO PELO I, ART. 173 DO CTN. Não comprovada a ocorrência de pagamento parcial, como no presente caso, a regra decadencial expressa no CTN a ser utilizada deve ser a prevista no I, Art. 173 do CTN, conforme inteligência da determinação do Art. 62-A, do Regimento Interno do CARF (RICARF), em sintonia com o decidido pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), no Recurso Especial 973.733.
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Wed Jul 30 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 19515.003049/2003-01
anomes_publicacao_s : 201407
conteudo_id_s : 5363051
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jul 30 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 9202-003.224
nome_arquivo_s : Decisao_19515003049200301.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 19515003049200301_5363051.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira (Relator) e Marcos Aurélio Pereira Valadão que acompanhou o Relator pelas conclusões. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Marcelo Oliveira. (Assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão - Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Relator (Assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Redator-Designado Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em exercício), Gustavo Lian Haddad, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Ausente, justificadamente o Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka.
dt_sessao_tdt : Thu May 08 00:00:00 UTC 2014
id : 5540526
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:24:50 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046815461343232
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1827; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 2 1 1 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 19515.003049/200301 Recurso nº 999.999 Especial do Procurador Acórdão nº 9202003.224 – 2ª Turma Sessão de 08 de maio de 2014 Matéria IRPF DECADÊNCIA Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado GERSON SCACIOTA REBANE ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 1998 DECADÊNCIA. AUSÊNCIA DE ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. PRAZO DECADENCIAL REGIDO PELO I, ART. 173 DO CTN. Não comprovada a ocorrência de pagamento parcial, como no presente caso, a regra decadencial expressa no CTN a ser utilizada deve ser a prevista no I, Art. 173 do CTN, conforme inteligência da determinação do Art. 62A, do Regimento Interno do CARF (RICARF), em sintonia com o decidido pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), no Recurso Especial 973.733. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira (Relator) e Marcos Aurélio Pereira Valadão que acompanhou o Relator pelas conclusões. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Marcelo Oliveira. (Assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente em exercício AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 30 49 /2 00 3- 01 Fl. 473DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, A ssinado digitalmente em 29/07/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 2 (Assinado digitalmente) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira – Relator (Assinado digitalmente) Marcelo Oliveira – RedatorDesignado Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em exercício), Gustavo Lian Haddad, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Ausente, justificadamente o Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka. Fl. 474DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, A ssinado digitalmente em 29/07/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 19515.003049/200301 Acórdão n.º 9202003.224 CSRFT2 Fl. 3 3 Relatório GERSON SCACIOTA REBANE, contribuinte, pessoa física, já devidamente qualificado nos autos do processo administrativo em epígrafe, teve contra si lavrado Auto de Infração, em 19/07/2004 (AR fl. 356), exigindolhe crédito tributário concernente ao Imposto de Renda Pessoa Física IRPF, decorrente de: 001 Omissão de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas, bem como 002 – Omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, em relação ao anocalendário 1998, conforme peça inaugural do feito, às fls. 342/355, e demais documentos que instruem o processo. Após regular processamento, interposto recurso voluntário à Segunda Seção de Julgamento do CARF contra Decisão da 3a Turma da DRJ em Salvador/BA, consubstanciada no Acórdão nº 1512.589/2007, às fls. 398/406, que julgou procedente o lançamento fiscal em referência, a Egrégia 1a TO da 2a Câmara, em 30/07/2009, pelo voto de qualidade, achou por bem DAR PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO DO CONTRIBUINTE, o fazendo sob a égide dos fundamentos inseridos no Acórdão nº 2201 00.353, sintetizados na seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRP Exercício: 1999 DECADÊNCIA IMPOSTO DE RENDA EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO . Nos casos de lançamento por homologação, o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário expira após cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador. O fato gerador do IRPF se perfaz em 31 de dezembro de cada anocalendário. Não ocorrendo a homologação expressa, o crédito tributário é atingido pela decadência após cinco anos da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4o , do CTN). Decadência reconhecida em relação ao anocalendário de 1998. Preliminar acolhida.” Irresignada, a Procuradoria interpôs Recurso Especial, às fls. 453/460, com arrimo no artigo 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, procurando demonstrar a insubsistência do Acórdão recorrido, desenvolvendo em síntese as seguintes razões: Após breve relato das fases ocorridas no decorrer do processo administrativo fiscal, insurgese contra o Acórdão atacado, alegando ter contrariado entendimento levado a efeito pelas demais Câmaras dos Conselhos de Contribuintes/CARF e, bem assim, da Câmara Superior de Recursos Fiscais a respeito da mesma matéria, conforme se extrai do Acórdão nº 910100.460, devendo ser conhecido o recurso especial da recorrente, uma vez comprovada a divergência arguida. Fl. 475DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, A ssinado digitalmente em 29/07/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 4 Sustenta que a jurisprudência deste Colegiado, corroborada pelo entendimento adotado pelo Superior Tribunal de Justiça, impõe que a aplicação do prazo decadencial inserido no artigo 150, § 4º, do CTN, pressupõe a antecipação de pagamento, ainda que parcialmente. Contrapõese ao Acórdão recorrido, por entender que o artigo 150, § 4º, do Códex Tributário, estaria dispondo sobre prazo para o ato de “homologação” de um procedimento do contribuinte, e não sobre o prazo para lançamento. Assevera que inexistindo recolhimento, ou seja, antecipação de pagamento, não há o que se homologar, não estando o lançamento de ofício previsto no artigo 150, § 4º, do CTN, mas, sim, no artigo 173, inciso I, daquele Diploma legal, conforme doutrina transcrita na peça recursal. Em defesa de sua pretensão, infere que adotandose o artigo 173, inciso I, do CTN, o prazo decadencial começaria a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido efetuado o lançamento. In casu, tendo em vista que o fato gerador do IRPF ocorreu em 31/12/1998, o lançamento poderia ter sido efetuado em 1999, fazendo com que o início do prazo decadencial fosse conduzido para o dia 1o de janeiro de 2000. Contando se cinco anos, temse que a decadência ocorreria em 01.01.2005. Como a ciência do lançamento aconteceu em 19.07.2004 (fls 356), não houve lançamento a destempo. Por fim, requer o conhecimento e provimento do Recurso Especial, impondo a reforma do decisum ora atacado, nos termos encimados. Submetido a exame de admissibilidade, o ilustre Presidente da 2ª Câmara da 2a SJ do CARF, entendeu por bem admitir o Recurso Especial da Procuradoria, sob o argumento de que a recorrente logrou comprovar que o Acórdão recorrido divergiu do entendimento consubstanciado no paradigma, Acórdão nº 910100.460, conforme Despacho nº 2200.063/2011, às fls. 465/466. Instada a se manifestar a propósito do Recurso Especial da Procuradoria, o contribuinte não ofereceu suas contrarrazões. É o relatório. Fl. 476DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, A ssinado digitalmente em 29/07/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 19515.003049/200301 Acórdão n.º 9202003.224 CSRFT2 Fl. 4 5 Voto Vencido Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator Presentes os pressupostos de admissibilidade, sendo tempestivo e acatada pelo ilustre Presidente da 2ª Câmara da 2a Seção de Julgamento do CARF a divergência suscitada, conheço do Recurso Especial da Procuradoria e passo à análise das razões recursais. Conforme se depreende do exame dos elementos que instruem o processo, o contribuinte fora autuado, com arrimo no artigo 42 da Lei nº 9.430/96, em virtude da falta de comprovação da origem de depósitos bancários realizados em conta de sua titularidade, bem como diante da omissão de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas, no anocalendário 1998. Por sua vez, ao analisar o caso, a Turma recorrida achou por bem rechaçar a pretensão fiscal, acolhendo a decadência total do crédito tributário, adotando o prazo decadencial insculpido no artigo 150, §4º, do Código Tributário Nacional. Inconformada, a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, aduzindo, em síntese, que as razões de decidir do Acórdão recorrido contrariaram a jurisprudência deste Colegiado, traduzida no Acórdão nº 910100.460 e, bem assim, do Superior Tribunal de Justiça a propósito da matéria, a qual exige a existência de recolhimentos, ou seja, a antecipação de pagamento, para que se aplique o prazo decadencial do artigo 150, § 4º, do CTN, o que não se vislumbra na hipótese dos autos, impondo sejam levados a efeito os ditames do artigo 173, inciso I, uma vez que inexistindo autolançamento do autuado, com a ocorrência de recolhimentos antecipados, não há o que se homologar. Em que pesem os argumentos da recorrente, seu inconformismo, contudo, não tem o condão de prosperar. Da simples análise dos autos, concluise que o Acórdão recorrido apresentase incensurável, devendo ser mantido em sua plenitude, como passaremos a demonstrar. Como é de conhecimento daqueles que lidam com o direito tributário, é cediço que o fato gerador do imposto de renda pessoa física, sobretudo tratandose de omissão de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas e caracterizada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, é complexivo, findandose no dia 31 de dezembro de cada ano calendário, submetendose, assim, a posterior ajuste anual, por meio da DIRPF. Ultrapassada e firmada a questão do fato gerador complexivo do imposto de renda pessoa física, a querela não se esgotou, passando a se fixar no dispositivo legal a ser aplicado no prazo decadencial, artigos 150, § 4º, ou 173, inciso I, do CTN, dependendo ou não de antecipação de pagamento. Indispensável ao deslinde da controvérsia, mister se faz elucidar, resumidamente, as espécies de lançamento tributário que nosso ordenamento jurídico contempla, como segue. Fl. 477DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, A ssinado digitalmente em 29/07/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 6 Primeiramente destacase o lançamento de ofício ou direto, previsto no artigo 149 do CTN, onde o fisco toma a iniciativa de sua prática, por razões inerentes a natureza do tributo ou quando o contribuinte deixa de cumprir suas obrigações legais. Já o lançamento por declaração ou misto, contemplado no artigo 147 do mesmo Diploma Legal, é aquele em que o contribuinte toma a iniciativa do procedimento, ofertando sua declaração tributária, colaborando ativamente. Alfim, o lançamento por homologação, inscrito no artigo 150 do Códex Tributário, em que o contribuinte presta as informações, calcula o tributo devido e promove o pagamento, ficando sujeito a eventual homologação por parte das autoridades fazendárias. Dessa forma, estando o Imposto sobre a Renda de Pessoas Físicas IRPF sujeito ao lançamento por homologação, defende parte dos julgadores e doutrinadores que a decadência a ser aplicada seria aquela constante do artigo 150, § 4º, do CTN, levandose em consideração a natureza do tributo atribuída por lei, independentemente da ocorrência de pagamento, entendimento compartilhado por este conselheiro. Ou seja, a regra para os tributos submetidos ao lançamento por homologação é o artigo 150, § 4º, do Código Tributário, o qual somente não prevalecerá nas hipóteses de ocorrência de dolo, fraude ou conluio, o que ensejaria o deslocamento do prazo decadencial para o artigo 173, inciso I, do mesmo Diploma Legal. Não é demais lembrar que o lançamento por homologação não se caracteriza tão somente pelo pagamento. Ao contrário, tratase, em verdade, de um procedimento complexo, constituído de vários atos independentes, culminando com o pagamento ou não. Observese, pois, que a ausência de pagamento não desnatura o lançamento por homologação, especialmente quando a sujeição dos tributos àquele lançamento é conferida por lei. E, esta, em momento algum afirma que assim o é tão somente quando houver pagamento. Não fosse assim, o que se diria quando o contribuinte apura prejuízos e não tem nada a recolher, ou mesmo quando encontrase beneficiado por isenções e/ou imunidades, onde, em que pese haver o dever de elaborar declarações pertinentes, informando os fatos geradores dos tributos dentre outras obrigações tributárias, deixa de promover o pagamento do tributo em razão de uma benesse fiscal? Cabe ao Fisco, porém, no decorrer do prazo de 05 (cinco) anos, contados do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4º, do CTN, proceder à análise das informações prestadas pelo contribuinte homologandoas ou não, quando inexistir concordância. Neste último caso, promover o lançamento de ofício da importância que apurar devida. Aliás, como afirmado alhures, a regra nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação é o prazo decadencial insculpido no artigo 150, § 4º, do CTN, o qual dispôs expressamente os casos em que referido prazo deslocarseá para o artigo 173, inciso I, na ocorrência de dolo, fraude ou simulação comprovados. Somente nessas hipóteses a legislação específica contempla a aplicação de outro prazo decadencial, afastandose a regra do artigo 150, § 4º. Como se constata, a toda evidência, a contagem do lapso temporal em comento independe de pagamento. Ou seja, comprovandose que o contribuinte deixou efetuar o recolhimento dos tributos devidos e/ou promover o autolançamento com dolo, utilizandose de instrumentos ardilosos (fraude e/ou simulação), o prazo decadencial será aquele inscrito no artigo 173, inciso Fl. 478DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, A ssinado digitalmente em 29/07/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 19515.003049/200301 Acórdão n.º 9202003.224 CSRFT2 Fl. 5 7 I, do CTN. Afora essa situação, não se cogita na aplicação daquele dispositivo legal. É o que se extrai da perfunctória leitura das normas legais que regulamentam o tema. Por outro lado, alguns julgadores e doutrinadores entendem que somente aplicarseia o artigo 150, § 4º, do CTN quando comprovada a ocorrência de recolhimentos relativamente ao fato gerador lançado, seja qual for o valor. Em outras palavras, a homologação dependeria de antecipação de pagamento para se caracterizar, e a sua ausência daria ensejo ao lançamento de ofício, com observância do prazo decadencial do artigo 173, inciso I. Ressaltase, ainda, o entendimento de outra parte dos juristas, suscitando que o artigo 150, 4º, do Código Tributário Nacional, prevalecerá quando o contribuinte promover qualquer ato tendente a apuração da base de cálculo do tributo devido, seja pelo pagamento, escrituração contábil, declaração do imposto em documento próprio, etc. Melhor elucidando, o contribuinte deverá adotar algum procedimento com o fito de apurar o tributo para que pudesse se cogitar em “homologação”. Afora posicionamento pessoal a propósito da matéria, por entender que o Imposto de Renda Pessoa Física deve observância ao prazo decadencial do artigo 150, § 4o, do Códex Tributário, independentemente de antecipação de pagamento, salvo quando comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o certo é que a partir da alteração do Regimento Interno do CARF (artigo 62A), introduzida pela Portaria MF nº 586/2010, os julgadores deste Colegiado estão obrigados a “reproduzir” as decisões do STJ tomadas por recurso repetitivo, razão pela qual deixaremos de abordar aludida discussão, mantendo o entendimento que a aplicação do dispositivo legal retro depende da existência de recolhimentos do mesmo tributo no período objeto do lançamento, na forma decidida por aquele Tribunal Superior nos autos do Resp n° 973.733/SC, assim ementado: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: Resp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). Fl. 479DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, A ssinado digitalmente em 29/07/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 8 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.” Na esteira desse raciocínio, uma vez delimitado pelo STJ e, bem assim, pelo Regimento Interno do CARF que nos lançamentos por homologação a antecipação de pagamento é indispensável à aplicação do instituto da decadência, nos cabe tão somente nos quedar a aludida conclusão e constatar ou não a sua ocorrência. Entrementes, a controvérsia em relação a referido tema encontrase distante de remansoso desfecho, se fixando agora em determinar o que pode ser considerado como antecipação de pagamento no Imposto de Renda Pessoa Física, sobretudo em face das diversas modalidades e/ou procedimentos adotados por ocasião do lançamento fiscal. In casu, porém, despiciendas maiores elucubrações a propósito da matéria, uma vez que a simples análise dos autos nos leva a concluir pela existência de antecipação de Fl. 480DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, A ssinado digitalmente em 29/07/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 19515.003049/200301 Acórdão n.º 9202003.224 CSRFT2 Fl. 6 9 pagamento relativamente ao anocalendário 1997, a partir do imposto recolhido na apuração de ganhos – renda variável, consoante consta da DIRPF 1999/1998, às fls. 380/381, corroborado pelas DARF´S, de fl. 383, e espelhos de recolhimentos, 384/386. Na esteira dessas considerações, vislumbrandose a ocorrência de recolhimentos – antecipação de pagamento , fato relevante para a aplicação do instituto da decadência, nos termos da decisão do STJ acima ementada, a qual estamos obrigados a observar, é de se manter a ordem legal no sentido de aplicar o prazo decadencial inscrito no artigo 150, § 4o, do CTN. Destarte, tendo a fiscalização constituído o crédito tributário em 19/07/2004, com a devida ciência do contribuinte constante do Aviso de Recebimento – AR, de fl. 356, a exigência fiscal resta totalmente fulminada pela decadência, eis que o fato gerador ocorreu em 31/12/1998, fora do prazo decadencial de 05 (cinco) anos do artigo 150, § 4º, do Códex Tributário, impondo seja mantida a improcedência do feito. Assim, escorreito o Acórdão recorrido devendo, nesse sentido, ser mantido o provimento ao recurso voluntário do contribuinte, na forma decidida pela 1a TO da 2a Câmara da 2a SJ do CARF, uma vez que a recorrente não logrou infirmar os elementos que serviram de base ao decisório atacado. Por todo o exposto, estando o Acórdão guerreado em consonância com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL DA PROCURADORIA, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. (Assinado digitalmente) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 481DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, A ssinado digitalmente em 29/07/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 10 Voto Vencedor Conselheiro Marcelo Oliveira, Designado Com todo respeito ao nobre Relator, divirjo de seu entendimento. O litígio em questão versa sobre a regra decadencial a ser aplicada, em caso de lançamento por ausência de comprovação da origem de depósitos bancários realizados em conta de sua titularidade, bem como diante da omissão de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas, no anocalendário 1998. A decadência está arrolada como forma de extinção do crédito tributário no inciso V do art. 156 do CTN e decorre da conjugação de dois fatores essenciais: o decurso de certo lapso de tempo e a inércia do titular de um direito. Esses fatores resultarão, para o sujeito que permaneceu inerte, na extinção de seu direito material. Em Direito Tributário, a decadência está disciplinada no art. 173 e no art. 150, § 4º, do CTN (este último diz respeito ao lançamento por homologação). A decadência, no Direito Tributário, é modalidade de extinção do crédito tributário. Na solução do relator, deveria ser aplicada ao caso a regra decadencial expressa no Art. 150 do CTN. CTN: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. ... § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Ocorre que para os fatos geradores em questão não há recolhimentos parciais efetuados. Portanto, por não haver recolhimentos a homologar, em relação a esses fatos geradores, como determina a regra acima, do § 4º, Art. 150 do CTN, a regra relativa à decadência que deve ser aplicada ao caso encontrase no art. 173, I: o direito de constituir o Fl. 482DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, A ssinado digitalmente em 29/07/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 19515.003049/200301 Acórdão n.º 9202003.224 CSRFT2 Fl. 7 11 crédito extinguese em cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido efetuado o lançamento. CTN: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento.” Destacamos que o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), através de alteração promovida pela Portaria do Ministro da Fazenda n.º 586, de 21.12.2010 (Publicada no em 22.12.2010), passou a fazer expressa previsão no sentido de que “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF” (Art. 62A do anexo II). No que diz respeito a decadência dos tributos lançados por homologação temos o Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), julgado em 12 de agosto de 2009, sendo relator o Ministro Luiz Fux, que teve o acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC e da Resolução STJ 08/2008, assim ementado: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL .ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg Fl. 483DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, A ssinado digitalmente em 29/07/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 12 nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Portanto, o STJ, em acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC definiu que “o dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação” (Recurso Especial nº 973.733) Destarte, tendo a fiscalização constituído o crédito tributário em 19/07/2004, a exigência fiscal não está fulminada pela decadência, já que o fato gerador ocorreu em Fl. 484DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, A ssinado digitalmente em 29/07/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 19515.003049/200301 Acórdão n.º 9202003.224 CSRFT2 Fl. 8 13 31/12/1998, dentro do prazo decadencial de 05 (cinco) anos do I, artigo 173 do CTN: primeiro dia do exercício seguinte do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Por todo o exposto, dou provimento ao recurso da PGFN, nos termos do voto. (Assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Fl. 485DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, A ssinado digitalmente em 29/07/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
score : 1.0
Numero do processo: 11831.001601/2007-58
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/2001 a 31/05/2001
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. ART. 150, §4º DO CTN. ART. 62-A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF.
O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento exarado na Súmula Vinculante nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/91.
Incidência da norma tributária prevista no art. 150, §4º do CTN, em atenção à reprodução compulsória de decisão definitiva de mérito aviada no Recurso Especial nº 973.733/SC, proferida pelo STJ na sistemática dos Recursos Repetitivos fixada no art. 543-C do Código de Processo Civil, combinado com art. 62-A do Regimento Interno do CARF. Súmula CARF nº 99.
Encontra-se finado pela homologação tácita o direito do Fisco de constituir o crédito tributário decorrente dos fatos geradores objeto da presente Notificação Fiscal de Lançamento de Débito.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2302-003.006
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, pela homologação tácita exposta no artigo 150, §4º, do Código Tributário Nacional, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Liége Lacroix Thomasi Presidente de Turma.
Arlindo da Costa e Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vice-presidente de turma), André Luís Mársico Lombardi, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro e Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201402
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/03/2001 a 31/05/2001 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. ART. 150, §4º DO CTN. ART. 62-A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento exarado na Súmula Vinculante nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/91. Incidência da norma tributária prevista no art. 150, §4º do CTN, em atenção à reprodução compulsória de decisão definitiva de mérito aviada no Recurso Especial nº 973.733/SC, proferida pelo STJ na sistemática dos Recursos Repetitivos fixada no art. 543-C do Código de Processo Civil, combinado com art. 62-A do Regimento Interno do CARF. Súmula CARF nº 99. Encontra-se finado pela homologação tácita o direito do Fisco de constituir o crédito tributário decorrente dos fatos geradores objeto da presente Notificação Fiscal de Lançamento de Débito. Recurso Voluntário Provido
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 11831.001601/2007-58
anomes_publicacao_s : 201405
conteudo_id_s : 5350506
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 2302-003.006
nome_arquivo_s : Decisao_11831001601200758.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : ARLINDO DA COSTA E SILVA
nome_arquivo_pdf_s : 11831001601200758_5350506.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, pela homologação tácita exposta no artigo 150, §4º, do Código Tributário Nacional, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Liége Lacroix Thomasi Presidente de Turma. Arlindo da Costa e Silva - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vice-presidente de turma), André Luís Mársico Lombardi, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro e Arlindo da Costa e Silva.
dt_sessao_tdt : Wed Feb 19 00:00:00 UTC 2014
id : 5466285
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:22:24 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046815466586112
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2175; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T2 Fl. 2.236 1 2.235 S2C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11831.001601/200758 Recurso nº 003.006 Voluntário Acórdão nº 2302003.006 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 19 de fevereiro de 2014 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS NFLD Recorrente VALOR ECONÔMICO S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/2001 a 31/05/2001 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. ART. 150, §4º DO CTN. ART. 62A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento exarado na Súmula Vinculante nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/91. Incidência da norma tributária prevista no art. 150, §4º do CTN, em atenção à reprodução compulsória de decisão definitiva de mérito aviada no Recurso Especial nº 973.733/SC, proferida pelo STJ na sistemática dos Recursos Repetitivos fixada no art. 543C do Código de Processo Civil, combinado com art. 62A do Regimento Interno do CARF. Súmula CARF nº 99. Encontrase finado pela homologação tácita o direito do Fisco de constituir o crédito tributário decorrente dos fatos geradores objeto da presente Notificação Fiscal de Lançamento de Débito. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, pela homologação tácita exposta no artigo 150, §4º, do Código Tributário Nacional, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Liége Lacroix Thomasi – Presidente de Turma. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 83 1. 00 16 01 /2 00 7- 58 Fl. 2270DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/02/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vicepresidente de turma), André Luís Mársico Lombardi, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro e Arlindo da Costa e Silva. Fl. 2271DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/02/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11831.001601/200758 Acórdão n.º 2302003.006 S2C3T2 Fl. 2.237 3 Relatório Período de apuração: 01/03/2001 a 31/05/2001 Data de lavratura da NFLD: 03/10/2006. Data da Ciência da NFLD: 03/10/2006. Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de Decisão Administrativa de 1ª Instância proferida pela DRJ em São Paulo I/SP que julgou improcedente a impugnação oferecida pelo sujeito passivo do crédito tributário lançado por intermédio da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD nº 37.014.1890 consistente em contribuições sociais previdenciárias a cargo da empresa destinadas ao custeio da Seguridade Social, ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho e a Outras Entidades e Fundos, incidentes sobre as remunerações pagas, creditadas ou devidas a segurados obrigatórios do RGPS, conforme descrito no Relatório Fiscal a fls. 312/316. De acordo com a resenha fiscal, constituemse fatos geradores do presente lançamento a bonificação paga a funcionários, e não tributada, sendo apurada com base na relação de beneficiários apresentadas pelo sujeito passivo, os quais foram confrontados com os lançamentos contábeis do período de DEZEMBRO/2000 a ABRIL/2001. Esses gastos foram registrados na contabilidade da Notificada na Conta/Rubrica n° 42120905 denominada de ".Despesa Pessoal Abonos e Prêmios" e contra partida na conta de passivo n° 21160601 denominada de "PasCir ObrPess Out OUT CONTAS A PAGAR DE PESSOAL". Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o Notificado responsável solidário apresentou impugnação a fls. 326/346. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I/SP lavrou Decisão Administrativa textualizada no Acórdão nº 1621.119 – 14ª Turma da DRJ/SPO1, a fls. 1654/1670, julgando procedente o lançamento, e mantendo o crédito tributário em sua integralidade. O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 11/05/2009, conforme Aviso de Recebimento a fl. 1674. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o Notificado interpôs recurso voluntário, a fls. 1688/1738, concentrando seu inconformismo na alegação de decadência do direito da Fazenda Pública de constituir o crédito tributário em questão, dentre outros argumentos, requerendo ao fim o cancelamento do crédito tributário ora exigido. Relatados sumariamente os fatos relevantes. Fl. 2272DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/02/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida no dia 11/05/2009. Havendo sido o recurso voluntário postado na Agência dos Correios em 09/06/2009, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. Presentes os demais requisitos de admissibilidade do recurso, dele conheço. 2. DAS PRELIMINARES 2.1. DA DECADÊNCIA O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento exarado na Súmula Vinculante nº 8, em julgamento realizado em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91, nos termos que se vos seguem: Súmula Vinculante nº 8 “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Conforme estatuído no art. 103A da Constituição Federal, a Súmula Vinculante nº 8 é de observância obrigatória tanto pelos órgãos do Poder Judiciário quanto pela Administração Pública, devendo este Colegiado aplicála de imediato. Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Afastada por inconstitucionalidade a eficácia das normas inscritas nos artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91, urge serem seguidas as disposições relativas à matéria em relevo inscritas no Código Tributário Nacional – CTN e nas demais leis de regência. Fl. 2273DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/02/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11831.001601/200758 Acórdão n.º 2302003.006 S2C3T2 Fl. 2.238 5 O instituto da decadência no Direito Tributário, malgrado respeitadas posições em sentido diverso, encontrase regulamentado no art. 173 do Código Tributário Nacional CTN, que reza ipsis litteris: Código Tributário Nacional CTN Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Conforme detalhadamente explicitado e fundamentado no Acórdão nº 2302 01.387 proferido nesta 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, na Sessão de 26 de outubro de 2011, nos autos do Processo nº 10240.000230/200865, convicto encontrase este Conselheiro de que, após a implementação do sistema GFIP/SEFIP, o lançamento das contribuições previdenciárias não mais se enquadra na sistemática de lançamento por homologação, mas, sim, na de lançamento por declaração, nos termos do art. 147 do CTN, contingência que afasta, peremptoriamente, a incidência do preceito inscrito no art. 150, §4º do CTN. Além do mais, a verve de fundamentação do lançamento por homologação baseiase no fato de, desde a ocorrência do fato gerador do tributo até a ocorrência do lançamento, o que existe é, tão somente, obrigação tributária, a qual é ilíquida e incerta, não dispondo a Administração Tributária de justo título para a cobrança. Tornase, por isso, necessário o procedimento administrativo do lançamento para, conferindo à obrigação tributária os atributos da liquidez e certeza, convolála em crédito tributário, este sim exigível pelo Fisco. Daí a natureza jurídica dúplice do lançamento: declaratória da obrigação tributária e constitutiva do crédito tributário. Trocando em miúdos, somente após a efetiva convolação, pelo lançamento, da obrigação tributária em crédito tributário, passa a administração tributária a dispor de justo título para a exigência do crédito decorrente. Antes não. Antes do lançamento há, apenas, obrigação tributária: ilíquida, incerta e inexigível. No caso das contribuições previdenciárias, como originariamente o sujeito passivo efetuava o recolhimento do tributo com fundamento em obrigação tributária, e não em crédito tributário, tal recolhimento, nessa condição, era ainda indevido, haja vista que o beneficiário do pagamento – o Fisco, até então, não dispunha de justo título, o qual é constituído por intermédio do Lançamento, nos termos do art. 142 do CTN. Ocorrido o fato gerador, a obrigação tributária correspondente ao pagamento realizado antecipadamente pelo Sujeito Passivo passava a depender da efetivação do respectivo lançamento, por parte da administração tributária, o qual, ocorrendo, convolava a obrigação em Fl. 2274DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/02/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 crédito tributário sendo este, imediatamente extinto pelo recolhimento antecipado efetuado pelo Sujeito Passivo. É o que diz o §1º do art. 150 do CTN. Código Tributário Nacional CTN Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. §1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. (grifos nossos) §2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. §3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém, considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. §4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Em outras palavras, a extinção do crédito tributário pelo pagamento antecipado realizase sob condição resolutória de ulterior homologação ao lançamento. Ou seja, se não houver lançamento, resolvese a extinção do crédito tributário correspondente ao pagamento efetuado, podendo o Obrigado repetir o que se houve por indevidamente pago, haja vista que o pagamento deuse com fundamento, não em razão de crédito tributário, e não em virtude de obrigação tributária, ilíquida, incerta e inexigível. Daí a necessidade de lançamento associado, especificamente, ao montante que se houve por recolhido antecipadamente: Para convolar a obrigação tributária nascida com os fatos geradores praticados pelo Contribuinte no crédito tributário correspondente, este dotado de liquidez, certeza e exigibilidade, excluindo, a partir de então a possibilidade do Sujeito Passivo de repetir o que foi pago antecipadamente. Notese que, nos termos do §1º do art. 150 do CTN, a extinção do crédito tributário encontrase sujeita a condição resolutória do lançamento. Ocorre que, nos termos do art. 173, I, do CTN, o direito da Fazenda Pública efetuar o lançamento extinguese após 5 anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que tal lançamento poderia ter sido efetuado. Assim, exaurido o prazo decadencial previsto no art. 173, I, do CTN sem que tenha ocorrido o lançamento, passa a dispor o Contribuinte do direito de repetir o que se houve por recolhido antecipadamente. Fl. 2275DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/02/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11831.001601/200758 Acórdão n.º 2302003.006 S2C3T2 Fl. 2.239 7 Para evitar tal repetição tributária, o legislador ordinário instituiu a figura do lançamento por homologação tácita daquilo se houve por antecipadamente recolhido a título de tributo, nos termos assentados no §4º do art. 150 do CTN. Assim, escoado o prazo de cinco anos contados da data da ocorrência do fato gerador, a Lei homologa o valor recolhido correspondente como se lançamento fosse. Daí o lançamento por homologação ser conhecido pela Doutrina e jurisprudência pelo termo “auto lançamento”. Notese que o lançamento por homologação tácita sempre, sempre irá ocorrer antes de exaurido o prazo decadencial previsto no art. 173, I, do CTN. Registrese, todavia, que a modalidade de lançamento por homologação somente é aplicável aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa. Nos termos da lei, o lançamento por homologação operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento do recolhimento antecipado realizado pelo Sujeito Passivo, expressamente o homologa como se lançamento fosse. Inexistindo tal homologação expressa, esta soerá advir tacitamente, após o decurso de cinco anos contados da ocorrência do fato gerador. Acontece que o §1º do art. 113 do CTN estatui que “A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente”. Assim, com a homologação expressa ou tácita, apenas a fração da obrigação tributária correspondente ao crédito tributário pago antecipadamente se houve por extinta com o pagamento. Iluminese que a própria lei estatui que não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, aqui incluído por óbvio o ato do pagamento antecipado, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito, os quais serão considerados na apuração do saldo porventura devido. Assim, nos termos do art. 150, caput e parágrafos, do CTN, apenas encontra se extinta pelo pagamento antecipado e correspondente homologação tácita a fração da obrigação tributária correspondente ao pagamento realizado. Dessarte, as obrigações tributárias decorrentes dos fatos geradores cujo crédito tributário correspondente não se houve por contemplado pelo recolhimento antecipado permanecem hígidas, não sofrendo qualquer influência do pagamento realizado pelo Sujeito Passivo, nos termos do §2º do art. 150 do CTN. Nessa vertente, o direito da Fazenda Pública de constituir o crédito tributário referente às obrigações tributárias ainda não extintas pelo pagamento extinguese após 5 anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, em atenção ao preceito inscrito no art. 173, I, do CTN. Fl. 2276DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/02/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 8 Ocorre, todavia, que, em 18/09/2009, houvese por publicado o Acórdão do Recurso Especial nº 973.733 – SC, proferido na sistemática prevista no art. 543C do Código de Processo Civil, tendo por objeto de mérito questão referente ao termo inicial do prazo decadencial para a constituição do crédito tributário pelo Fisco nas hipóteses em que o contribuinte não declara, nem efetua o pagamento antecipado do tributo sujeito a lançamento por homologação, cuja ementa ora se vos segue: Recurso Especial nº 973.733 – SC (2007/01769940) Rel. : Min. Luiz Fux Data de Publicação: 18/09/2009. PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo quinquenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, §4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Fl. 2277DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/02/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11831.001601/200758 Acórdão n.º 2302003.006 S2C3T2 Fl. 2.240 9 Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial quinquenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Na fundamentação do Acórdão, o Ministro Relator destaca que em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, nem tenda sido notificado pelo Fisco de quaisquer medidas preparatórias, a decadência do direito do Fisco de constituir o crédito tributário obedece a regra prevista na primeira parte do §4º do artigo 150 do CTN, conforme se depreende do excerto extraído do voto condutor do Acórdão, adiante transcrito para melhor compreensão de seus fundamentos: “13. Por outro lado, a decadência do direito de lançar do Fisco, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, nem sido notificado pelo Fisco de quaisquer medidas preparatórias, obedece a regra prevista na primeira parte do §4º, do artigo 150, do Codex Tributário, segundo o qual, se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador: "Neste caso, concorre a contagem do prazo para o Fisco homologar expressamente o pagamento antecipado, concomitantemente, com o prazo para o Fisco, no caso de não homologação, empreender o correspondente lançamento tributário. Sendo assim, no termo final desse período, consolidam se simultaneamente a homologação tácita, a perda do direito de homologar expressamente e, consequentemente, a impossibilidade jurídica de lançar de ofício" (In Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3ª Ed., Max Limonad , pág. 170).” O entendimento esposado pela Suprema Corte de Justiça houvese por assimilado por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, o que motivou a edição da Súmula nº 99, cujo verbete reproduzimos abaixo: SÚMULA CARF Nº 99 Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, §4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como Fl. 2278DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/02/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 10 devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Acórdãos Precedentes: 9202002.669, de 25/04/2013; 9202002.596, de 07/03/2013; 9202002.436, de 07/11/2012; 920201.413, de 12/04/2011; 2301003.452, de 17/04/2013; 2403001.742, de 20/11/2012; 2401 002.299, de 12/03/2012; 2301002.092, de 12/ 05/ 2011. No caso presente, fez prova o Recorrente a fls. 1755/1756 da efetiva realização de recolhimentos antecipados a título de contribuições previdenciárias patronais destinadas ao custeio da Seguridade Social e a Outras Entidades e Fundos, nas competências março, abril e maio/2001, as quais correspondem ao período de apuração da vertente Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD. Nessa prumada, de acordo com o entendimento da Suprema Corte de Justiça vertido no Acórdão do Recurso Especial nº 973.733 – SC, o qual transitou em julgado em 29/10/2009, tendo havido recolhimento antecipado do tributo, mesmo em montante inferior ao efetivamente devido, inexistindo demonstração de que o Sujeito Passivo tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, a decadência do direito do Fisco de constituir o crédito tributário obedece a regra prevista na primeira parte do §4º do artigo 150 do CTN. Nessa perspectiva, diante das razões até então esplanadas, malgrado não esposar tal entendimento, este Subscritor não pode postarse ao largo do comando imperativo inscrito no art. 62A do Regimento Interno do CARF, que impõe aos Conselheiros desta Corte Administrativa a reprodução das decisões definitivas proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista no art. 543C do Código de Processo Civil. Regimento Interno do CARF Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. §1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. §2º O sobrestamento de que trata o §1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Código de Processo Civil Art. 543C. Quando houver multiplicidade de recursos com fundamento em idêntica questão de direito, o recurso especial será processado nos termos deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.672/2008). §1o Caberá ao presidente do tribunal de origem admitir um ou mais recursos representativos da controvérsia, os quais serão encaminhados ao Superior Tribunal de Justiça, ficando suspensos Fl. 2279DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/02/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11831.001601/200758 Acórdão n.º 2302003.006 S2C3T2 Fl. 2.241 11 os demais recursos especiais até o pronunciamento definitivo do Superior Tribunal de Justiça. (Incluído pela Lei nº 11.672/2008). §2o Não adotada a providência descrita no § 1o deste artigo, o relator no Superior Tribunal de Justiça, ao identificar que sobre a controvérsia já existe jurisprudência dominante ou que a matéria já está afeta ao colegiado, poderá determinar a suspensão, nos tribunais de segunda instância, dos recursos nos quais a controvérsia esteja estabelecida. (Incluído pela Lei nº 11.672/2008). §3o O relator poderá solicitar informações, a serem prestadas no prazo de quinze dias, aos tribunais federais ou estaduais a respeito da controvérsia. (Incluído pela Lei nº 11.672/2008). §4o O relator, conforme dispuser o regimento interno do Superior Tribunal de Justiça e considerando a relevância da matéria, poderá admitir manifestação de pessoas, órgãos ou entidades com interesse na controvérsia. (Incluído pela Lei nº 11.672/2008). §5o Recebidas as informações e, se for o caso, após cumprido o disposto no § 4o deste artigo, terá vista o Ministério Público pelo prazo de quinze dias. (Incluído pela Lei nº 11.672/2008). §6o Transcorrido o prazo para o Ministério Público e remetida cópia do relatório aos demais Ministros, o processo será incluído em pauta na seção ou na Corte Especial, devendo ser julgado com preferência sobre os demais feitos, ressalvados os que envolvam réu preso e os pedidos de habeas corpus. (Incluído pela Lei nº 11.672/2008). §7o Publicado o acórdão do Superior Tribunal de Justiça, os recursos especiais sobrestados na origem: (Incluído pela Lei nº 11.672/2008). I terão seguimento denegado na hipótese de o acórdão recorrido coincidir com a orientação do Superior Tribunal de Justiça; ou (Incluído pela Lei nº 11.672/2008). II serão novamente examinados pelo tribunal de origem na hipótese de o acórdão recorrido divergir da orientação do Superior Tribunal de Justiça. (Incluído pela Lei nº 11.672/2008). §8o Na hipótese prevista no inciso II do § 7o deste artigo, mantida a decisão divergente pelo tribunal de origem, farseá o exame de admissibilidade do recurso especial. (Incluído pela Lei nº 11.672/2008). §9o O Superior Tribunal de Justiça e os tribunais de segunda instância regulamentarão, no âmbito de suas competências, os procedimentos relativos ao processamento e julgamento do recurso especial nos casos previstos neste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.672/2008). De outro eito, mas vinho de outra pipa, pelas razões expendidas nos autos do Processo Administrativo Fiscal referido nos parágrafos anteriores, entende este relator que o lançamento tributário encontrase perfeito e acabado na data de sua lavratura, representada pela assinatura da Autoridade Fiscal lançadora, figurando a ciência do contribuinte como atributo de publicidade do ato e condição de eficácia do lançamento perante o sujeito passivo, mas, não, atributo de sua existência. Nada obstante, o entendimento dominante nesta 2ª Turma Ordinária, Fl. 2280DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/02/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 12 em sua composição permanente, comunga a concepção de que a data de ciência do contribuinte produz, como um de seus efeitos, a demarcação temporal do dies a quo do prazo decadencial. Diante de tal cenário, o entendimento deste que vos relata mostrase isolado perante o Colegiado. Dessarte, em atenção aos clamores da eficiência exigida pela Lex Excelsior, curvome ao entendimento majoritário deste Sodalício, em respeito à opinio iuris dos demais Conselheiros. Assim delimitadas as nuances materiais do lançamento, nesse específico particular, tendo sido o Sujeito Passivo cientificado do lançamento aviado na NFLD em debate aos 03 dias do mês de outubro de 2006, os efeitos o lançamento em questão alcançariam com a mesma eficácia constitutiva todas as obrigações tributárias exigíveis a contar da competência outubro/2001, inclusive, nos termos do §4º do art. 150 do Codex tributário. Ora, sendo de março/2001 até maio/2001 o período de apuração do lançamento em realce, há que se reconhecer que na data da lavratura da NFLD em debate já se havia escoado integralmente o prazo concedido pela lei, na expressão do §4º do art. 150 do CTN, para que o Fisco procedesse à constituição do crédito tributário em questão, circunstância que se configura hipótese de sua extinção legal, nos termos do art. 156, V, in fine do Código Tributário Nacional. Código Tributário Nacional CTN Art. 156. Extinguem o crédito tributário: (...) V a prescrição e a decadência; (...) 3. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do Recurso Voluntário para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. É como voto. Arlindo da Costa e Silva, Relator. Fl. 2281DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/02/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI
score : 1.0
Numero do processo: 10935.003264/2009-74
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jun 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
Ementa:
PIS E COFINS. REGIME DE APURAÇÃO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. OBSERVÂNCIA COMPULSÓRIA.
No lançamento de ofício, a autoridade deve observar o regime de apuração (cumulativo ou não cumulativo) aplicável ao contribuinte, ainda que este haja apurado as contribuições pelo regime que não lhe era aplicável. Mantendo, no lançamento de ofício, o regime equivocado adotado pelo contribuinte, o lançamento desatenderá o art. 142 do CTN.
PIS E COFINS. MULTA QUALIFICADA. DIES A QUO DECADENCIAL.
A não-contabilização de notas fiscais nos livros contábeis durante todos os meses do ano, em quantidade e valores expressivos, mesmo que escrituradas no livros de saídas de ICMS, configura dolo do contribuinte, justificando qualificação da multa e atração do art. 173, I em detrimento do art. 150, §4º do CTN.
A injustificada dedução de valores da base de cálculo durante todos os meses do ano, em quantidade e valores expressivos, mesmo que informada em DIPJ, configura dolo do contribuinte, justificando qualificação da multa e atração do art. 173, I em detrimento do art. 150, §4º do CTN.
PIS E COFINS. SERVIÇOS DE CONSTRUÇÃO CIVIL PARA O PODER PÚBLICO. DIFERIMENTO DA TRIBUTAÇÃO. DATA DE RECEBIMENTO. ART. 7º DA LEI 9.718/98. POSSIBILIDADE. PROVA DO CONTRIBUINTE.
Para usufruir o diferimento do art. 7º da Lei nº 9.718/98, compete ao contribuinte comprovar satisfatoriamente a data de recebimento do preço pelos serviços de construção civil prestados ao poder público.
Recurso voluntário parcialmente provido.
Numero da decisão: 3403-002.843
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para cancelar os lançamentos relativos (i) ao PIS dos meses de janeiro a abril de 2004, e (ii) à COFINS dos meses de fevereiro a abril de 2004, mantendo-se os lançamentos relativos aos demais meses objeto da autuação.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim Presidente
(assinado digitalmente)
Marcos Tranchesi Ortiz Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti, Marcos Tranchesi Ortiz e Antonio Carlos Atulim.
Nome do relator: MARCOS TRANCHESI ORTIZ
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201403
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 Ementa: PIS E COFINS. REGIME DE APURAÇÃO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. OBSERVÂNCIA COMPULSÓRIA. No lançamento de ofício, a autoridade deve observar o regime de apuração (cumulativo ou não cumulativo) aplicável ao contribuinte, ainda que este haja apurado as contribuições pelo regime que não lhe era aplicável. Mantendo, no lançamento de ofício, o regime equivocado adotado pelo contribuinte, o lançamento desatenderá o art. 142 do CTN. PIS E COFINS. MULTA QUALIFICADA. DIES A QUO DECADENCIAL. A não-contabilização de notas fiscais nos livros contábeis durante todos os meses do ano, em quantidade e valores expressivos, mesmo que escrituradas no livros de saídas de ICMS, configura dolo do contribuinte, justificando qualificação da multa e atração do art. 173, I em detrimento do art. 150, §4º do CTN. A injustificada dedução de valores da base de cálculo durante todos os meses do ano, em quantidade e valores expressivos, mesmo que informada em DIPJ, configura dolo do contribuinte, justificando qualificação da multa e atração do art. 173, I em detrimento do art. 150, §4º do CTN. PIS E COFINS. SERVIÇOS DE CONSTRUÇÃO CIVIL PARA O PODER PÚBLICO. DIFERIMENTO DA TRIBUTAÇÃO. DATA DE RECEBIMENTO. ART. 7º DA LEI 9.718/98. POSSIBILIDADE. PROVA DO CONTRIBUINTE. Para usufruir o diferimento do art. 7º da Lei nº 9.718/98, compete ao contribuinte comprovar satisfatoriamente a data de recebimento do preço pelos serviços de construção civil prestados ao poder público. Recurso voluntário parcialmente provido.
turma_s : Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Jun 13 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10935.003264/2009-74
anomes_publicacao_s : 201406
conteudo_id_s : 5353632
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Jun 13 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3403-002.843
nome_arquivo_s : Decisao_10935003264200974.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : MARCOS TRANCHESI ORTIZ
nome_arquivo_pdf_s : 10935003264200974_5353632.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para cancelar os lançamentos relativos (i) ao PIS dos meses de janeiro a abril de 2004, e (ii) à COFINS dos meses de fevereiro a abril de 2004, mantendo-se os lançamentos relativos aos demais meses objeto da autuação. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente (assinado digitalmente) Marcos Tranchesi Ortiz Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti, Marcos Tranchesi Ortiz e Antonio Carlos Atulim.
dt_sessao_tdt : Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2014
id : 5491740
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:23:27 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046815471828992
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2356; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T3 Fl. 9 1 8 S3C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10935.003264/200974 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3403002.843 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 25 de março de 2014 Matéria PIS/COFINS Recorrente SERRAGLIO ENGENHARIA DE OBRAS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 Ementa: PIS E COFINS. REGIME DE APURAÇÃO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. OBSERVÂNCIA COMPULSÓRIA. No lançamento de ofício, a autoridade deve observar o regime de apuração (cumulativo ou não cumulativo) aplicável ao contribuinte, ainda que este haja apurado as contribuições pelo regime que não lhe era aplicável. Mantendo, no lançamento de ofício, o regime equivocado adotado pelo contribuinte, o lançamento desatenderá o art. 142 do CTN. PIS E COFINS. MULTA QUALIFICADA. DIES A QUO DECADENCIAL. A nãocontabilização de notas fiscais nos livros contábeis durante todos os meses do ano, em quantidade e valores expressivos, mesmo que escrituradas no livros de saídas de ICMS, configura dolo do contribuinte, justificando qualificação da multa e atração do art. 173, I em detrimento do art. 150, §4º do CTN. A injustificada dedução de valores da base de cálculo durante todos os meses do ano, em quantidade e valores expressivos, mesmo que informada em DIPJ, configura dolo do contribuinte, justificando qualificação da multa e atração do art. 173, I em detrimento do art. 150, §4º do CTN. PIS E COFINS. SERVIÇOS DE CONSTRUÇÃO CIVIL PARA O PODER PÚBLICO. DIFERIMENTO DA TRIBUTAÇÃO. DATA DE RECEBIMENTO. ART. 7º DA LEI 9.718/98. POSSIBILIDADE. PROVA DO CONTRIBUINTE. Para usufruir o diferimento do art. 7º da Lei nº 9.718/98, compete ao contribuinte comprovar satisfatoriamente a data de recebimento do preço pelos serviços de construção civil prestados ao poder público. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 00 32 64 /2 00 9- 74 Fl. 227DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2014 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 26/04/20 14 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ 2 Recurso voluntário parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para cancelar os lançamentos relativos (i) ao PIS dos meses de janeiro a abril de 2004, e (ii) à COFINS dos meses de fevereiro a abril de 2004, mantendose os lançamentos relativos aos demais meses objeto da autuação. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim – Presidente (assinado digitalmente) Marcos Tranchesi Ortiz – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti, Marcos Tranchesi Ortiz e Antonio Carlos Atulim. Relatório Autos de infração lavrados em 12 de maio de 2009 (fls. 129/142) para lançamento de PIS e COFINS, pelo regime cumulativo, dos períodos de apuração de janeiro a dezembro de 2004. Segundo se lê no Termo de Verificação Fiscal (fls. 124/128), duas irregularidades ensejaram o lançamento: (a) cômputo incompleto de receitas na base de cálculo das contribuições; e (ii) indevida dedução de valores da base de cálculo das contribuições. As receitas não acrescidas à base de cálculo tampouco foram contabilizadas pela recorrente em seus livros diário e razão, o que, no entender da autoridade administrativa, evidenciou ardil bastante para configurar a sonegação a que alude o art. 71, I da Lei nº 4.502/64. Lançou, então, com fundamento no art. 44, §1º da Lei nº 9.430/96, multa qualificada sobre o crédito tributário principal. A recorrente impugnou a autuação com as seguintes alegações (fls. 175/189): (a) nulidade em razão de haverem sido, as contribuições, apuradas pelo regime cumulativo, quando o regime que se lhe aplicava era o nãocumulativo, a teor do art. 10, XX da Lei nº 10.833/03, introduzido pela Lei nº 10.865/04; (b) decadência quanto aos meses de janeiro a abril de 2004 porque, não tendo atuado com dolo e havendo pagado parcialmente os tributos em tais períodos, o dies a quo do quinquênio seria aquele do art. 150, §4º e não do art. 173, I do CTN; Fl. 228DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2014 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 26/04/20 14 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Processo nº 10935.003264/200974 Acórdão n.º 3403002.843 S3C4T3 Fl. 10 3 (c) acréscimo indevido, à base tributada, de valores recebidos da Prefeitura Municipal de Palmas, PR somente em janeiro de 2005, portanto não tributáveis em 2004 em razão de aplicarselhes o regime de caixa conforme art. 7º da Lei 9.718/98; e (d) descabimento da multa qualificada, em razão, novamente, da inexistência de conduta dolosa. A DRJCuritiba/PR desacolheu todos os argumentos (fls. 194/200). A preliminar de nulidade, rebateu dizendo que a recorrente indicou, na sua DIPJ2005/2004, regime de apuração cumulativo para o PIS e a COFINS, e ademais não apresentou a Dacon, obrigatória aos contribuintes sujeitos ao regime nãocumulativo. Concluiu, então, que a recorrente “não adotou no anocalendário de 2004 o regime não cumulativo” (fls. 196v). Entendeu, ainda, a DRJ estar configurado ardil no proceder da recorrente. A dedução de valores da base tributada pareceulhe “sistemática e injustificada ao longo de todo o ano calendário” (fls. 189v), e a não contabilização de notas fiscais emitidas nos livros contábeis fora inadmissivelmente expressiva “tanto em número como em valor” (fls. 198v), de modo a evidenciar não se tratar de mera falha humana. A DRJ concordou com a possibilidade de adoção, pela recorrente, de regime de caixa relativamente aos pagamentos efetuados pela Prefeitura de Palmas, porém entendeu não comprovado que tais pagamentos sobrevieram somente em janeiro de 2005, tal como alegado pela recorrente. Finalmente, a DRJ reconheceu de ofício que alguns pagamentos realizados pela recorrente não haviam sido abatidos do crédito principal lançado, e para isso deu provimento parcial à impugnação. O tempestivo recurso voluntário interposto (fls. 228/224) desenvolveu novamente e com maior detalhamento os argumentos da impugnação. Eis o relatório. Voto Conselheiro Marcos Tranchesi Ortiz Além de tempestivo, o recurso voluntário cumpre com os demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele se conhece. 1 Regime de Apuração de PIS e COFINS – Aplicação Compulsória. A DIPJ da recorrente (fl. 4 do Anexo I a este processo) evidencia que, em 2004, a empresa optou pelo regime do lucro real para fins de IRPJ. Essa opção implicava sua Fl. 229DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2014 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 26/04/20 14 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ 4 sujeição ao regime não cumulativo de PIS, desde 1º de janeiro, e de COFINS, desde 1º de fevereiro (data em que entrou em vigor a Lei nº 10.833/03). A Lei nº 10.865/04 (art. 21) introduziu o inciso XX ao art. 10 da Lei nº 10.833/03, prescrevendo o regime cumulativo – independentemente do regime de apuração de IRPJ adotado pelo contribuinte – relativamente às receitas decorrentes da execução por administração, empreitada ou subempreitada, de obras de construção civil. Confirase: “Lei nº 10.865/04 Art. 21. Os arts. 1o, 2o, 3o, 6o, 10, 12, 15, 25, 27, 32, 34, 49, 50, 51, 52, 53, 56 e 90 da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, passam a vigorar com a seguinte redação: (...) Art. 10. (...) XX – as receitas decorrentes da execução por administração, empreitada ou subempreitada, de obras de construção civil, até 31 de dezembro de 2006; (...)” O art. 53 da mesma Lei nº 10.865/04 previu para este art. 21 efeitos a partir de 1º de maio de 2004. Tanto quanto o faz a recorrente no voluntário, também eu suspeito da constitucionalidade dessa previsão, uma vez que qualquer modificação na regra matriz de incidência de PIS e COFINS deve se sujeitar à anterioridade nonagesimal consagrada às contribuições sociais pelo art. 195, §6º da CR. O art. 21 da Lei nº 10.865/04, ao modificar – substancialmente, digase de passo – o sistema de apuração de PIS e COFINS das construtoras, não poderia surtir efeito já a partir de sua publicação, mas apenas 90 dias depois, portanto em 1º de agosto de 2004, como, aliás, muitos outros dispositivos da mesma lei, cuja eficácia foi postergada para essa data nos termos do art. 46 da lei. Aliás, o art. 46, I da lei impõe a anterioridade nonagesimal ao próprio art. 21, mas apenas em relação às alterações que promove nos arts. 1º, 12, 50 e 51 da Lei nº 10.833/03, e não em relação à alteração – que aqui nos importa – promovida no art. 10 daquela lei. Eis o texto legal: “Art. 46. Produz efeitos a partir do 1o (primeiro) dia do 4o (quarto) mês subseqüente ao de publicação desta Lei o disposto: I nos arts. 1o, 12, 50 e art. 51, incisos II e IV, da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, com a redação dada pelo art. 21 desta Lei”; Ficame mesmo a impressão de que as alterações no artigo 10 da Lei nº 10.833/03 não foram mencionadas no artigo 46, I da Lei nº 10.865/04 por lapso do legislador. Sendo assim, a eficácia do art. 21 relativamente às alterações introduzidas no art. 10 da Lei nº 10.833/03 ficou disciplinada pela regra geral do o art. 53 da Lei nº 10.865/04, ou seja, pela regra de eficácia imediata a partir da publicação da lei, e não há expediente Fl. 230DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2014 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 26/04/20 14 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Processo nº 10935.003264/200974 Acórdão n.º 3403002.843 S3C4T3 Fl. 11 5 hermenêutico apto, a meu ver, a extrair desse texto positivo uma norma diversa; restará reconhecer a inconstitucionalidade do art. 53, relativamente ao art. 21, a qual, contudo, não poderá ser aqui pronunciada, em obediência ao art. 62 do Regimento. A consequência de tudo isso é que as receitas decorrentes de obras de construção civil em geral passaram, portanto, a se sujeitar ao regime cumulativo de PIS e COFINS a partir de 1º de maio de 2004. Um diagrama resume os regimes aplicáveis às construtoras em 2004: Mês PIS COFINS Janeiro NãoCumulativo Cumulativo Fevereiro NãoCumulativo NãoCumulativo Março NãoCumulativo NãoCumulativo Abril NãoCumulativo NãoCumulativo Maio Cumulativo Cumulativo Junho Cumulativo Cumulativo Julho Cumulativo Cumulativo Agosto Cumulativo Cumulativo Setembro Cumulativo Cumulativo Outubro Cumulativo Cumulativo Novembro Cumulativo Cumulativo Dezembro Cumulativo Cumulativo Pois bem. O regime de apuração de PIS e COFINS aplicável ao contribuinte é definido compulsoriamente pelas Leis nºs 10.637/03 e 10.833/03. Não se trata de faculdade, o contribuinte não escolhe o regime que melhor lhe apetece segundo suas conveniências. Pelos contratos e notas fiscais trazidos aos autos (fls. 35/106 e 173/231), concluo que a base aqui tributada é toda ela decorrente de serviços de construção civil mediante administração ou empreitada prestados pela recorrente; portanto, os regimes de apuração aplicáveis à recorrente são precisamente aqueles listados no diagrama acima. Sabese que o lançamento se presta, dentre outros fins, a apurar o montante do tributo devido (CTN, art. 142). Para alcançar esse objetivo, é evidentemente fundamental que a autoridade administrativa observe o regime de apuração adequado, aplicável àquele contribuinte. É em tudo irrelevante que a recorrente haja apurado o tributo sob regime errado. Afinal, o lançamento de ofício nãohomologatório tem lugar justamente quando o Fisco discorda da liquidação feita pelo contribuinte no âmbito do lançamento por homologação. Se a recorrente declarou erradamente o regime de PIS e COFINS na DIPJ; se não entregou Dacon que lhe competia; se, enfim, comportouse durante todo o ano 2004 como Fl. 231DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2014 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 26/04/20 14 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ 6 se se lhe aplicasse o regime cumulativo das contribuições, nem por isso a administração deveria manter esse equivocado regime no momento em que avocou para si a atividade do lançamento. Tenho, portanto, que, em relação aos meses de janeiro a maio, para o PIS, e fevereiro a maio, para a COFINS, o lançamento não apurou adequadamente o tributo devido, devendo por isso ser cancelado. 2 Dies A Quo Decadencial e Multa Qualificada – Dolo Configurado. A aferição de eventual conduta dolosa da recorrente repercute duplamente nos autos. Primeiramente, pela qualificação da multa com fundamento no art. 44, §1º da Lei nº 9.430/96. Mas, além disso, pela atração do art. 173, I em detrimento do art. 150, §4º do CTN, na disciplina do dies a quo decadencial. É que, sendo o PIS e a COFINS sujeitos ao lançamento por homologação, e havendo pagamentos parciais – reconhecidos pela DRJ – dos tributos nos períodos autuados, a norma a princípio aplicável seria a do art. 150, §4º. E, sob tal norma, na data do lançamento – 12 de maio de 2009 (fls. 133 e 140) – o direito ao lançamento dos meses de janeiro a abril já haveria decaído. Havendo dolo, contudo, o art. 150, §4º deixaria de se aplicar, prevalecendo então o dies a quo do art. 173, I, suficiente para afastar a ocorrência de decadência nos autos. Entendo que a hipótese do artigo 71, I da Lei nº 4.502/64 restou configurada. Relativamente à omissão de receitas, a jurisprudência do CARF historicamente leva em consideração aspectos temporais, valorativos e quantitativos como indiciários do dolo do contribuinte. Aplicados ao caso, tais aspectos não advogam em favor da recorrente. Foram omitidas nada menos que 40 notas fiscais, das 120 emitidas em 2004, portanto 1/3 dos documentos foram “esquecidos” ao longo de 7 dos 12 meses do ano. Em valores, representam 25% da receita total auferida em 2004 (fls.116/122). Não me soa crível que equívoco de tamanha magnitude possa ter decorrido de falha humana, como quer a recorrente. O fato de haver escriturado as notas no Livro de Saídas do ICMS a meu ver não atenua a situação, pois é perfeitamente “explicável” que o empresário possa querer lesar apenas o fisco federal, evitando contingências com o fisco estadual. A jurisprudência do CARF endossa o ponto de vista: “MULTA QUALIFICADA A prática reiterada de informações a menor ao fisco federal em relação ao informado ao fisco estadual clarifica a intenção de pagar menos tributos ao fisco federal.” (CSRF, 1ª Turma. Proc. 10120.001308/200230. j. 11.11.08) Fl. 232DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2014 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 26/04/20 14 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Processo nº 10935.003264/200974 Acórdão n.º 3403002.843 S3C4T3 Fl. 12 7 “MULTA QUALIFICADA DE 150% A aplicação da multa qualificada pressupõe a comprovação inequívoca do evidente intuito de fraude, nos termos do artigo 44, inciso II, da Lei 9430/96. O fato de o contribuinte ter apresentado Declaração de Rendimentos, de forma reiterada, com valores significativamente menores do que o apurado e com valores distintos das declarações entregues ao fisco estadual, legitima a aplicação da multa qualificada.” (CSRF. 1ª Turma. 13971.000395/200528. j. 15.6.09) Registrese, ainda, que a recorrente é prestadora de serviços de construção civil, sendo contribuinte esporádica de ICMS (apenas quando produz os próprios materiais a serem empregados na obra, segundo o item 7.02 da lista anexa à LC nº 116/03). Tanto é assim que seu Livro de Saídas (Anexo 1, fl. 120/136) informa zero de ICMS debitado durante todo o ano de 2004. É dizer, a revelação de receitas completas ao Fisco estadual nada lhe custaria. Em relação à exclusão de valores da base de cálculo, a postura da recorrente pareceme ainda menos sustentável. As exclusões foram realizadas sistematicamente durante todos os meses de 2004, em valores correspondentes a 36% das receitas (fls. 123), mesmo inexistindo qualquer previsão legal que as fundamentasse. A recorrente, então, hesita em explicálas. Ora afirma tratarse de falha humana, ora afirma tratarse de expediente “em consonância com o regime nãocumulativo”, o mesmo que reconheceu ignorar serlhe aplicável durante ao menos parte do ano. Essa segunda explicação, ademais de contraditória, é completamente irrazoável. Afinal, tampouco no regime nãocumulativo se permite qualquer dedução de base de cálculo das contribuições; a nãocumulatividade neste caso, sabemos todos, operase ao nível do tributo já apurado, mediante compensação de créditos, apurados sobre custos e despesas, com o débito calculado sobre a receita. Não é minimamente crível que a recorrente procedesse crédula de estar apurando as contribuições sob regime nãocumulativo, ignorando completamente todas as obrigações acessórias correlatas e, principalmente, ignorando a alíquota de 9,25% própria do regime... O fato das exclusões haverem sido declaradas pela recorrente na DIPJ (fichas 22A e 26A) a meu ver não a afasta do tipo do art. 71, I da Lei nº 4.502/64. Sonegação, diz aquele texto legal, é toda ação intencional tendente a impedir ou retardar o conhecimento da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador ou de suas circunstâncias materiais. Ao prestar na DIPJ uma informação completamente infundada e injustificável, para os 12 meses do ano, a recorrente pretendeu, se não impedir totalmente, certamente dificultar e postergar o conhecimento, pelo fisco, da sua verdadeira base de cálculo tributável. Por todas essas razões, entendo configurada hipótese do art. 71, I da Lei nº 4.502/64, o que redunda na qualificação da multa e na inexistência de decadência in casu. Fl. 233DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2014 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 26/04/20 14 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ 8 3 Diferimento de Receitas – Não Comprovação. Na prestação de serviços de construção civil ao poder público, o pagamento de PIS e COFINS fica diferido para a data de efetivo recebimento do preço. É a norma do art. 7º da Lei nº 9.718/98. Assim, a receita auferida pela recorrente na prestação de serviços à Prefeitura de Palmas poderia ser tributada somente em 2005 caso o pagamento houvesse ocorrido naquele ano. No entanto, entendo, com a DRJ, que a recorrente não comprovou que realmente recebeu os valores somente em 2005, prova, aliás, nada complexa. Veio aos autos um documento – pouco legível – emitido pela Prefeitura de Palmas (fls. 221/222), com uma relação de ordens de pagamento à recorrente em 2004; não é possível, contudo, identificar a correlação de cada ordem de pagamento com as notas fiscais emitidas pela recorrente, de modo a confirmar que as notas nº 123, 124 e 125 não foram pagas naquele ano. Veio também o extrato bancário da recorrente de janeiro de 2005, com três lançamentos a crédito que seriam, segundo a recorrente, os pagamentos parciais das notas nºs 192, 193 e 195 a 200, que foram efetuados em 2005. Não há, contudo, nada que associe esses créditos a tais notas. Ora, poderia a recorrente trazer seus apontamentos contábeis de 2005 que demonstrassem o recebimento desses valores, acompanhado de um demonstrativo de cálculo de PIS e COFINS de 2005, que demonstrasse a inclusão desses valores na base tributada, ou então ordens de pagamento claras e conclusivas emitidas pela fonte pagadora etc. A prova produzida, lamentavelmente, não foi bastante. 4 Conclusões. Diante de todo o exposto, provejo parcialmente o recurso para cancelar os lançamentos relativos (i) ao PIS dos meses de janeiro a abril de 2004, e (ii) à COFINS dos meses de fevereiro a abril de 2004, mantendose os lançamentos relativos aos demais meses objeto da autuação. É como voto. (assinado digitalmente) Marcos Tranchesi Ortiz Fl. 234DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2014 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 26/04/20 14 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Processo nº 10935.003264/200974 Acórdão n.º 3403002.843 S3C4T3 Fl. 13 9 Fl. 235DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2014 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 26/04/20 14 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ
score : 1.0
Numero do processo: 10680.935081/2009-59
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2005
NULIDADE. DECISÃO RECORRIDA. INEXISTÊNCIA.
Simples inexatidões materiais devido a lapsos manifestos não anulam a decisão recorrida, e só necessitam ser sanadas de ofício quando resultem em prejuízo para o sujeito passivo.
No caso, as incorreções apontadas não trazem qualquer prejuízo à compreensão do acórdão, que está devidamente fundamentado, ou se confundem com o mérito da lide.
ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO. COMPENSAÇÃO OU RESTITUIÇÃO. POSSIBILIDADE.
Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação - Súmula CARF nº 84.
DIREITO CREDITÓRIO NÃO ANALISADO. NECESSIDADE DE ANÁLISE DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. RETORNO DOS AUTOS COM DIREITO A NOVO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO.
Em situações em que não se admitiu a compensação preliminarmente com base em argumento de direito, caso superado o fundamento da decisão, a unidade de origem deve proceder à análise do mérito do pedido, verificando a existência, suficiência e disponibilidade do crédito pleiteado, permanecendo os débitos compensados com a exigibilidade suspensa até a prolação de nova decisão, e concedendo-se ao sujeito passivo direito a novo contencioso administrativo, em caso de não homologação total.
Preliminares Rejeitadas.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 1102-001.047
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito à repetição de indébitos de estimativas, mas sem homologar a compensação, devendo o processo retornar à unidade de origem para análise do mérito do pedido. Declarou-se impedido o conselheiro Marcelo Baeta Ippolito.
(assinado digitalmente)
___________________________________
João Otávio Oppermann Thomé - Presidente
(assinado digitalmente)
___________________________________
José Evande Carvalho Araujo- Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araujo, João Carlos de Figueiredo Neto, Ricardo Marozzi Gregório, Marcelo Baeta Ippolito, e Antonio Carlos Guidoni Filho.
Nome do relator: JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201403
camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2005 NULIDADE. DECISÃO RECORRIDA. INEXISTÊNCIA. Simples inexatidões materiais devido a lapsos manifestos não anulam a decisão recorrida, e só necessitam ser sanadas de ofício quando resultem em prejuízo para o sujeito passivo. No caso, as incorreções apontadas não trazem qualquer prejuízo à compreensão do acórdão, que está devidamente fundamentado, ou se confundem com o mérito da lide. ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO. COMPENSAÇÃO OU RESTITUIÇÃO. POSSIBILIDADE. Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação - Súmula CARF nº 84. DIREITO CREDITÓRIO NÃO ANALISADO. NECESSIDADE DE ANÁLISE DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. RETORNO DOS AUTOS COM DIREITO A NOVO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. Em situações em que não se admitiu a compensação preliminarmente com base em argumento de direito, caso superado o fundamento da decisão, a unidade de origem deve proceder à análise do mérito do pedido, verificando a existência, suficiência e disponibilidade do crédito pleiteado, permanecendo os débitos compensados com a exigibilidade suspensa até a prolação de nova decisão, e concedendo-se ao sujeito passivo direito a novo contencioso administrativo, em caso de não homologação total. Preliminares Rejeitadas. Recurso Voluntário Provido em Parte.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10680.935081/2009-59
anomes_publicacao_s : 201405
conteudo_id_s : 5350542
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 1102-001.047
nome_arquivo_s : Decisao_10680935081200959.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO
nome_arquivo_pdf_s : 10680935081200959_5350542.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito à repetição de indébitos de estimativas, mas sem homologar a compensação, devendo o processo retornar à unidade de origem para análise do mérito do pedido. Declarou-se impedido o conselheiro Marcelo Baeta Ippolito. (assinado digitalmente) ___________________________________ João Otávio Oppermann Thomé - Presidente (assinado digitalmente) ___________________________________ José Evande Carvalho Araujo- Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araujo, João Carlos de Figueiredo Neto, Ricardo Marozzi Gregório, Marcelo Baeta Ippolito, e Antonio Carlos Guidoni Filho.
dt_sessao_tdt : Thu Mar 13 00:00:00 UTC 2014
id : 5466609
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:22:25 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046815474974720
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2217; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C1T2 Fl. 149 1 148 S1C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10680.935081/200959 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1102001.047 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 13 de março de 2014 Matéria CSLL Compensação de estimativas Recorrente CEMIG DISTRIBUIÇÃO S A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2005 NULIDADE. DECISÃO RECORRIDA. INEXISTÊNCIA. Simples inexatidões materiais devido a lapsos manifestos não anulam a decisão recorrida, e só necessitam ser sanadas de ofício quando resultem em prejuízo para o sujeito passivo. No caso, as incorreções apontadas não trazem qualquer prejuízo à compreensão do acórdão, que está devidamente fundamentado, ou se confundem com o mérito da lide. ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO. COMPENSAÇÃO OU RESTITUIÇÃO. POSSIBILIDADE. Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação Súmula CARF nº 84. DIREITO CREDITÓRIO NÃO ANALISADO. NECESSIDADE DE ANÁLISE DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. RETORNO DOS AUTOS COM DIREITO A NOVO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. Em situações em que não se admitiu a compensação preliminarmente com base em argumento de direito, caso superado o fundamento da decisão, a unidade de origem deve proceder à análise do mérito do pedido, verificando a existência, suficiência e disponibilidade do crédito pleiteado, permanecendo os débitos compensados com a exigibilidade suspensa até a prolação de nova decisão, e concedendose ao sujeito passivo direito a novo contencioso administrativo, em caso de não homologação total. Preliminares Rejeitadas. Recurso Voluntário Provido em Parte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 93 50 81 /2 00 9- 59 Fl. 149DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/ 04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALH O ARAUJO Processo nº 10680.935081/200959 Acórdão n.º 1102001.047 S1C1T2 Fl. 150 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito à repetição de indébitos de estimativas, mas sem homologar a compensação, devendo o processo retornar à unidade de origem para análise do mérito do pedido. Declarouse impedido o conselheiro Marcelo Baeta Ippolito. (assinado digitalmente) ___________________________________ João Otávio Oppermann Thomé Presidente (assinado digitalmente) ___________________________________ José Evande Carvalho Araujo Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araujo, João Carlos de Figueiredo Neto, Ricardo Marozzi Gregório, Marcelo Baeta Ippolito, e Antonio Carlos Guidoni Filho. Relatório PEDIDO DE COMPENSAÇÃO O contribuinte acima identificado solicitou a compensação de débitos de IRPJ e de CSLL de março de 2007 com crédito decorrente de pagamento indevido de estimativa de CSLL do mês de janeiro de 2005 no valor de R$ 6.156.594,58, por meio do PER/DCOMP de fls. 44 a 48, enviado em 19/9/2007. O despacho decisório eletrônico de fl. 31, emitido em 7/10/2009, não homologou a compensação alegando “improcedência do crédito informado no PER/DCOMP por tratarse de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período.” A decisão se fundamentou nos arts. 165 e 170 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 ( CTN), no art. 10 da Instrução Normativa SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005 e no art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Fl. 150DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/ 04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALH O ARAUJO Processo nº 10680.935081/200959 Acórdão n.º 1102001.047 S1C1T2 Fl. 151 3 MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado dessa decisão, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 2 a 10), acatada como tempestiva. O relatório do acórdão de primeira instância descreveu os argumentos do recurso da seguinte maneira (fls. 75 a 76): 5.1 A tempestividade da apresentação da manifestação de inconformidade. 5.2 Informa que apurou a CSLLEstimativa Mensal no mês de janeiro/2005 no montante de R$ 7.143.120,00, informou o valor apurado em DCTF e efetuou o recolhimento da importância correspondente. 5.2.1 Acrescenta que, posteriormente, constatou erro na apuração do valor do CSLL (estimativa mensal) para o período, “apurando uma nova estimativa de CSLL no valor de R$986.525,42”, de modo que, “acabou por gerar o recolhimento indevido de parte do montante anteriormente recolhido no valor de R$6.156.594,58”.(grifo e negrito do original) 5.2.2 A DCTF originalmente apresentada foi retificada e os valores apurados como devidos estão em conformidade com as informações prestadas em DIPJ. O indébito apurado foi utilizado em compensações de débito declaradas em DCOMP. 5.3 A autoridade fiscal Não Homologou a compensação declarada, exigindo do contribuinte o principal, multa e juros referentes ao débito compensado. “Todavia, a Requerente demonstrará ser totalmente ilegal a cobrança do saldo devedor acima referido, pleiteando pela homologação das compensações declaradas e a anulação do despacho decisório (...)”. 5.4 Tendo em vista a motivação apresentada pela DRF argumenta que “o entendimento da autoridade fiscal destoa do entendimento do Conselho de Contribuintes sobre o assunto, não atendendo aos ditames da Lei nº 9.430, de 1996”. Invoca os arts. 2º e 74 da Lei nº 9.430, de 1996 para alegar que “não há qualquer impedimento legal à compensação pleiteada”. Afirma que a única restrição existente está prevista no art. 10 da IN SRF nº 600, de 2005. Ilustra com acórdãos e voto do Conselho de Contribuintes. 5.4.1 Argumenta que “a Requerente efetuou recolhimento antecipado de IRPJ e, em função de ter constatado erro na apuração da base de cálculo mensal, apurou antecipação superior à que seria efetivamente devida dentro do próprio mês.” Informa a retificação da DCTF, “tornando perfeitamente identificável o mês de geração do indébito tributário”. 5.4.2 Ressalta que a Instrução Normativa nº 900, de 2008, que revogou a IN SRF nº 600, de 2005 revogou “a hipótese de vedação à compensação dentro do próprio ano, o que demonstra uma mudança de entendimento dentro da própria RFB, em relação ao tema objeto da presente impugnação”. 5.5 Em outra linha argumentativa, o manifestante “requer que seja preservado o direito à restituição do indébito tributário, tendo em vista que a Declaração de Compensação e a presente impugnação, tempestivamente apresentada, são provas do cumprimento do prazo prescricional de 05 (cinco) anos previsto no art. 168 do CTN”. Destaca ainda que “na hipótese de o despacho decisório em epígrafe não for reformado, considerase resguardado o seu direito de contestação na esfera judicial em até dois anos contados da decisão administrativa que denegar a compensação, por força do art. 169 do Código Tributário Nacional”. Fl. 151DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/ 04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALH O ARAUJO Processo nº 10680.935081/200959 Acórdão n.º 1102001.047 S1C1T2 Fl. 152 4 5.6 Por fim, requer o acolhimento da manifestação de inconformidade para reformar o Despacho Decisório prolatado pela DRF e a homologação da compensação, além da suspensão da exigibilidade do crédito tributário. ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (MG) julgou a manifestação de inconformidade improcedente, em acórdão que possui a seguinte ementa (fls. 73 a 87): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Data do fato gerador: 28/02/2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO Na Declaração de Compensação somente podem ser utilizados os créditos comprovadamente existentes, passíveis de restituição ou ressarcimento, respeitadas as demais regras determinadas pela legislação vigente para a sua utilização. COMPENSAÇÃO PAGAMENTOS POR ESTIMATIVA As estimativas mensais, ainda que pagas em valor superior ao calculado na forma da lei não se caracterizam, de imediato, como tributo indevido ou a maior passível de restituição/compensação. A opção pelo pagamento mensal por estimativa difere para o ajuste anual a apuração do possível indébito, quando ocorre a efetiva apuração do imposto devido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Crédito Tributário Mantido Os fundamentos dessa decisão foram os seguintes: a) rejeitouse a preliminar de nulidade do despacho decisório por não se verificar hipótese prevista no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 (PAF), pois a decisão foi prolatada por autoridade administrativa plenamente vinculada, respeitando os devidos procedimentos fiscais previstos na legislação e com a correta identificação do sujeito passivo da obrigação tributária, e o contribuinte tomou ciência do procedimento, da sua motivação e da capitulação legal correspondente; b) as estimativas de IRPJ e de CSLL se constituem em meras antecipações de um tributo que somente será apurado no final do anocalendário. Assim sendo, qualquer pagamento a maior somente é detectado no encerramento do período, com a apuração definitiva do tributo e traduzse no saldo negativo de IRPJ ou CSLL; c) as estimativas são apuradas, regra geral, pela aplicação de determinado percentual (variável em função da origem da receita auferida) sobre a receita bruta, mas podem Fl. 152DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/ 04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALH O ARAUJO Processo nº 10680.935081/200959 Acórdão n.º 1102001.047 S1C1T2 Fl. 153 5 ser reduzidas ou suspensas com o levantamento de balanço/balancete de suspensão/redução. Contudo, essa apuração deve ser efetuada até a data de vencimento do imposto (arts. 11 a 12 da IN SRF nº 93, de 1997); d) no caso, na data do vencimento da estimativa mensal, o contribuinte em questão apurou uma quantia a pagar, sendo esse o valor devido. Se, ao alterar o Balanço/Balancete do mês, o sujeito passivo encontrou um valor menor que o já efetivamente recolhido, a diferença somente poderia ser deduzida do tributo apurado quando do levantamento de balanços/balancetes em períodos posteriores (como tributo já antecipado) ou quando da apuração definitiva do tributo devido, no final do período, compondo o saldo negativo (art. 10 da IN SRF nº 93, de 1997); e) nos termos do art. 170 do CTN, a compensação tributária somente pode ocorrer se expressamente autorizada por lei, e mediante condições e garantias expressamente estipuladas, na hipótese inequívoca de créditos líquidos e certos. O dispositivo legal que autoriza a compensação tributária reportase à Lei nº 9.430, de 1996, que só permite a restituição do saldo negativo de IRPJ ou de CSLL; f) a compensação de estimativas era expressamente proibida pelo art. 10 da IN SRF nº 460, de 2004, e pelo art. 10 da IN SRF nº 600, de 2005. A alteração do art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, ao excluir a expressão “efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal”, não revogou a proibição, que decorre da própria lei, mas apenas passou a cuidar da hipótese de retenção indevida ou a maior; g) a jurisprudência administrativa favorável à tese da defesa tem eficácia restrita aos casos para os quais foram proferidas; h) inexiste previsão legal para preservar o direito à restituição, caso o contribuinte não tenha sucesso na compensação pleiteada neste processo; i) o direito de contestação na esfera judicial é garantido pela Constituição Federal. RECURSO AO CARF Cientificado da decisão de primeira instância em 27/4/2010 (fl. 94), o contribuinte apresentou, em 27/5/2010, o recurso voluntário de fls. 96 a 117, onde afirma que: a) a decisão recorrida é nula porque (i) confundiu, em sua ementa, a data de pagamento do tributo a maior (28/2/2005) com o período de apuração (31/01/2005); (ii) rejeitou a nulidade do despacho decisório, matéria inexistente na impugnação; (iii) desconsiderou as provas dos autos, e, após tecer considerações acerca da compensação, imprimiu ao pagamento indevido a pecha de “mera antecipação de pagamento”, sem possibilitar ao contribuinte o aproveitamento de créditos para o adimplemento de outros tributos exigíveis e administrados pela Receita Federal do Brasil; b) nos arts. 2° e 74 da Lei n° 9.430, de 1996, não há qualquer restrição à compensação de estimativas, que só existe no art. 10 da IN SRF nº 600, de 2005. Contudo, essa Fl. 153DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/ 04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALH O ARAUJO Processo nº 10680.935081/200959 Acórdão n.º 1102001.047 S1C1T2 Fl. 154 6 indevida restrição foi revogada pela Instrução Normativa n° 900, de 2008, que demonstra a mudança de entendimento da própria RFB com relação ao tema; c) não prospera o argumento da decisão recorrida de que o levantamento de balanço/balancete de suspensão/redução para apurar a CSLL deve ser efetuado até a data de vencimento do imposto, pois o contribuinte pode fazer os ajustes na sua apuração mesmo após o encerramento do exercício da CSLL, desde que dentro do prazo legal; d) caso se mantenha a decisão de não homologar a compensação, alternativamente, requer que seja preservado o direito à restituição do indébito tributário, tendo em vista que a Declaração de Compensação e o presente recurso, tempestivamente apresentados, são provas da interrupção da prescrição e do cumprimento do prazo prescricional de 5 (cinco) anos previsto no art. 168 do CTN; e) caso seu direito não seja reconhecido, considera resguardado seu direito de contestação na esfera judicial em até dois anos contados da decisão administrativa que denegar a compensação, por força do art. 169 do CTN. Ao final, requer a anulação da decisão recorrida ou o reconhecimento integral do direito creditório e a homologação da compensação. Em 14/3/2013, o contribuinte apresentou o documento de fls. 143 a 145, onde destaca a aprovação da Súmula CARF nº 84, alegando que ela pacificou o entendimento de que o recolhimento de tributo, pelo regime de estimativa, é passível de compensação ou restituição quando constatado o pagamento indevido ou a maior. Este processo foi a mim distribuído no sorteio realizado em novembro de 2013, numerado digitalmente até a fl. 148. Esclareçase que todas as indicações de folhas neste voto dizem respeito à numeração digital do eprocesso. É o relatório. Voto Conselheiro José Evande Carvalho Araujo, Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. No presente processo, não foram homologadas compensações de débitos próprios com crédito decorrente de pagamento indevido de estimativa de CSLL do mês de janeiro de 2005, por não se admitir a restituição de estimativa, que só poderia compor o saldo negativo do final do anocalendário. Preliminarmente, o recorrente defende a nulidade da decisão recorrida porque (i) na sua ementa consta que o fato gerador é 28/2/2005, enquanto o correto é 31/1/2005; (ii) o acórdão rejeitou a nulidade do despacho decisório, matéria inexistente na impugnação; (iii) o julgado desconsiderou as provas dos autos, e, após tecer considerações acerca da compensação, Fl. 154DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/ 04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALH O ARAUJO Processo nº 10680.935081/200959 Acórdão n.º 1102001.047 S1C1T2 Fl. 155 7 imprimiu ao pagamento indevido a pecha de “mera antecipação de pagamento”, sem possibilitar ao contribuinte o aproveitamento de créditos para o adimplemento de outros tributos exigíveis e administrados pela Receita Federal do Brasil. De fato, na ementa da decisão recorrida, consta, como data do fato gerador, a data em que foi efetuado o pagamento indevido (28/2/2005 – DARF fl. 34), quando o correto seria 31/1/2005, por se tratar da estimativa de janeiro de 2005. Contudo, o restante da decisão descreve corretamente qual o crédito em discussão, tratandose de simples erro na confecção da ementa. Já a discussão sobre a nulidade do despacho decisório, apesar de desnecessária, não traz qualquer prejuízo à defesa. Assim, apesar das incorreções apontadas existirem, elas não trazem qualquer nulidade à decisão recorrida, tratandose de simples inexatidões materiais devido a lapsos manifestos que, se necessário, poderiam ser sanadas de ofício pela autoridade competente. Contudo, nem mesmo essa providência é necessária, pois o conjunto do julgado deixa claro qual é o período a qual se refere o direito creditório, não existindo qualquer prejuízo para o sujeito passivo, nos termos do art. 60 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 – Processo Administrativo Fiscal – PAF. Finalmente, a suposta nulidade indicada no item “iii” decorre do próprio entendimento da autoridade julgadora de que estimativas não podem ser restituídas, e compõe o mérito da lide. Dessa forma, rejeito as preliminares de nulidade suscitadas. No mérito, a evolução da jurisprudência se firmou de modo favorável à tese da defesa, entendendo ser possível a restituição de estimativas pagas a maior, deixando vinculada à apuração do final do ano apenas a estimativa recolhida de acordo com a legislação de regência. Já a tese de que a vedação à restituição das estimativas decorria da própria Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, não é nem mesmo admitida pela Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB, que, por meio da Solução de Consulta Interna nº 19 – Cosit, de 5 de dezembro de 2011, entendeu que art. 11 da Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008, admitiu a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, e era preceito interpretativo da legislação, com efeitos retroativos. O item 10.3 da Solução de Consulta é taxativo ao afirmar que a Lei nº 9.430, de 1996, se refere apenas às estimativas recolhidas de acordo com a legislação. Transcrevo: 10.3 O contribuinte pode, por questões de praticidade operacional, computar estimativas recolhidas indevidamente na formação do saldo negativo, mas se preferir solicitar restituição ou compensar o indébito antes de seu prévio cômputo na apuração ao final do anocalendário, poderá fazêlo, pois a Lei nº 9.430, de 1996, ao autorizar a dedução das antecipações recolhidas, referese àquelas recolhidas em conformidade com o caput de seu art. 2º. Nesse último caso, por ocasião do ajuste anual, o contribuinte deve deduzir apenas as estimativas que considerou devidas, sob pena de duplo aproveitamento do mesmo crédito. Fl. 155DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/ 04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALH O ARAUJO Processo nº 10680.935081/200959 Acórdão n.º 1102001.047 S1C1T2 Fl. 156 8 O mesmo ato normativo sepulta o argumento de que a constatação do erro no cálculo da estimativa somente poderia se dar até a data de vencimento do imposto, afirmando que isso pode ocorrer mesmo após o encerramento do ano calendário, como demonstra o trecho abaixo transcrito: 15. Como dito, somente as estimativas devidas na forma da Lei nº 9.430, de 1996, são necessariamente computadas como dedução na apuração anual do IRPJ ou da CSLL. Mesmo após o encerramento do anocalendário, se o contribuinte identificar um erro em sua apuração e ele repercutir não só em sua apuração final, mas também no resultado de seus balancetes de suspensão/redução, tem ele o direito de pleitear o indébito a partir da data do recolhimento da estimativa correspondente, ao invés de apenas reconstituir a apuração anual desses tributos. Assim, a simples alteração de interpretação da Administração Tributária já obrigaria o provimento do recurso, pois não é razoável entender que o sujeito passivo possa receber menos, em sede de recurso administrativo, do que aquilo que a própria autoridade fiscal já reconhece para os demais contribuintes, dado que as soluções de consulta da CoordenaçãoGeral de Tributação (Cosit) têm efeito vinculante no âmbito da RFB, sendo que o ordenamento veda esse comportamento contraditório (venire contra factum proprium). Contudo, desde a publicação da Súmula CARF nº 84, que fixou que o “pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação”, esse entendimento passou a ser de observância obrigatória pelos membros do CARF, nos termos do art. 72 do anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009. Dessa forma, reconhecese o direito à compensação de créditos de estimativas recolhidas indevidamente ou a maior. Contudo, há que se observar que não houve a apuração efetiva do direito creditório, pelo cotejo das afirmações do contribuinte com sua contabilidade, pois a autoridade fiscal negou o direito preliminarmente, pela simples impossibilidade de utilização de estimativa como crédito. Não se apurou se, de fato, houve recolhimento indevido da estimativa de janeiro de 2005, se o valor pago a maior não foi apropriado no resultado apurado no final do anocalendário, e se o indébito não foi indicado em outras compensações. Dessa forma, deve o processo retornar à unidade de origem para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em compensação, permanecendo os débitos compensados com a exigibilidade suspensa até a prolação de nova decisão, e concedendose ao sujeito passivo direito a novo contencioso administrativo, em caso de não homologação total. Diante do exposto, voto por rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito à repetição de indébitos de estimativas, mas sem homologar a compensação, devendo o processo retornar à unidade de origem para análise do mérito do pedido. (assinado digitalmente) José Evande Carvalho Araujo Fl. 156DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/ 04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALH O ARAUJO Processo nº 10680.935081/200959 Acórdão n.º 1102001.047 S1C1T2 Fl. 157 9 Fl. 157DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/ 04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALH O ARAUJO
score : 1.0
Numero do processo: 11020.000801/2007-38
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Feb 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jun 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/12/2006 a 31/12/2006
Base de Cálculo - Aplicação de Decisão Inequívoca do STF - Possibilidade.
Nos termos regimentais, pode-se afastar aplicação de dispositivo de lei que tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária do Supremo Tribunal Federal.
É inconstitucional a incidência da contribuição para o financiamento da seguridade social - Cofins sobre os ingressos de valores pertinentes à cessão onerosa de crédito de ICMS decorrentes de exportações de mercadorias para o exterior.
Recurso Especial do Procurador Negado.
Numero da decisão: 9303-002.864
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial.
Marcos Aurélio Pereira Valadão - Presidente Substituto
Henrique Pinheiro Torres - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyasaki, Fabiola Cassiano Keramidas e Marcos Aurélio Pereira Valadão. Ausente, momentaneamente, a Conselheira Susy Gomes Hoffmann.
Nome do relator: HENRIQUE PINHEIRO TORRES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201402
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/12/2006 a 31/12/2006 Base de Cálculo - Aplicação de Decisão Inequívoca do STF - Possibilidade. Nos termos regimentais, pode-se afastar aplicação de dispositivo de lei que tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária do Supremo Tribunal Federal. É inconstitucional a incidência da contribuição para o financiamento da seguridade social - Cofins sobre os ingressos de valores pertinentes à cessão onerosa de crédito de ICMS decorrentes de exportações de mercadorias para o exterior. Recurso Especial do Procurador Negado.
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Wed Jun 18 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 11020.000801/2007-38
anomes_publicacao_s : 201406
conteudo_id_s : 5354624
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jun 18 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 9303-002.864
nome_arquivo_s : Decisao_11020000801200738.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : HENRIQUE PINHEIRO TORRES
nome_arquivo_pdf_s : 11020000801200738_5354624.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial. Marcos Aurélio Pereira Valadão - Presidente Substituto Henrique Pinheiro Torres - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyasaki, Fabiola Cassiano Keramidas e Marcos Aurélio Pereira Valadão. Ausente, momentaneamente, a Conselheira Susy Gomes Hoffmann.
dt_sessao_tdt : Tue Feb 18 00:00:00 UTC 2014
id : 5498450
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:23:37 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046815478120448
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1709; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 310 1 309 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 11020.000801/200738 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9303002.864 – 3ª Turma Sessão de 18 de fevereiro de 2014 Matéria Base de cálculo da Cofins tranferência onerosa de crédito de ICMS Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado SAN MARINO MÓVEIS LTDA. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/12/2006 a 31/12/2006 Base de Cálculo Aplicação de Decisão Inequívoca do STF Possibilidade. Nos termos regimentais, podese afastar aplicação de dispositivo de lei que tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária do Supremo Tribunal Federal. É inconstitucional a incidência da contribuição para o financiamento da seguridade social Cofins sobre os ingressos de valores pertinentes à cessão onerosa de crédito de ICMS decorrentes de exportações de mercadorias para o exterior. Recurso Especial do Procurador Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial. Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente Substituto Henrique Pinheiro Torres Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 00 08 01 /2 00 7- 38 Fl. 310DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11020.000801/200738 Acórdão n.º 9303002.864 CSRFT3 Fl. 311 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyasaki, Fabiola Cassiano Keramidas e Marcos Aurélio Pereira Valadão. Ausente, momentaneamente, a Conselheira Susy Gomes Hoffmann. Relatório Os fatos foram assim narrados no acórdão recorrido: Tratase de recurso voluntário contra acórdão da 2ª Turma da DRJ que manteve auto de infração relativo por ressarcimento indevido da Cofins nãocumulativa. Segundo a autuação, a contribuinte cedeu créditos de ICMS a terceiros, mas não reconheceu as receitas decorrentes dessas alienações de direitos a terceiros. Repisando argumentação contida na Manifestação de Inconformidade, a contribuinte defende a não tributação dos valores de transferências de créditos do ICMS a terceiros, alegando que a não se enquadram no conceito de receita. Para a Recorrente, o saldo credor de ICMS acumulado por força da regra que isenta as operações de exportação do ICMS possui natureza de "tributo recuperável" que, no balanço, está classificado como uma conta do Ativo da empresa e, após a transferência a terceiros, continua no Ativo, na conta Caixa. Afirma que quando a transferência é para fornecedores ocorre redução de despesas, em vez auferimento de receita, e que de todo modo não é incorporado qualquer valor novo ao patrimônio da pessoa jurídica. A Câmara a quo deu provimento ao Recurso Voluntário do sujeito passivo, que foi julgado nos termos do Acórdão 340101.127, de 09 de dezembro de 2010 (fls. 211/217), proferido pelos membros da 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do CARF, e cuja ementa ficou assim redigida: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/12/2006 a 31/12/2006 Ementa: REGIME NÃOCUMULATIVO. BASE DE CÁLCULO. CRÉDITOS DE ICMS TRANSFERIDO. NÃO INCLUSÃO. Não compõe o faturamento ou receita bruta, para fins de tributação da Cofins e do PIS, o valor do crédito de ICMS transferido a terceiros, cuja natureza jurídica é a de crédito escritural do imposto Estadual. Apenas a parcela correspondente ao ágio integrará a base de cálculo das duas Contribuições, caso o valor do crédito seja transferido por valor superior ao saldo escritural. Fl. 311DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11020.000801/200738 Acórdão n.º 9303002.864 CSRFT3 Fl. 312 3 Contra esse acórdão, a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional apresentou recurso especial às fls. 141/155, que logrou seguimento, nos termos do despacho de fls. 289/290. Contrarrazões ao apelo fazendário às fls. 292/304. É o relatório. Voto Conselheiro Henrique Pinheiro Torres A questão que se apresenta a debate cingese em se definir se os ingressos relativos à cessão onerosa de créditos de ICMS decorrentes de operação de exportação são tributáveis pela Cofins. O entendimento pessoal deste relator, por diversas vezes externado neste Colegiado, é no sentido de que tais ingressos representam receita e, como tal, até 1º de janeiro 2009, estavam sujeitos à incidência da Cofins e do PIS, somente a partir dessa data, por força da norma inserta no art. art.17, c/c o art. 33, I, “d”, da Lei nº 11.945, de 2009, a referida receita foi expressamente excluída da base de cálculo da dessas contribuições. Todavia, esse não é o entendimento do Supremo Tribunal Federal, que, em decisão plenária, à quase unanimidade, vencido penas o Ministro Dias Toffoli, entendeu que tais ingressos não estão sujeitos à incidência dessas contribuições. Cabe então verificar os efeitos dessa decisão pretoriana sobre a tributação ora em exame. Entendo que o controle concreto de constitucionalidade tem efeito interpartes, não beneficiando nem prejudicando terceiros alheios à lide. Para que produza efeitos erga omnes, é preciso que o Senado Federal edite resolução suspendendo a execução do dispositivo de lei declarado inconstitucional pelo STF. Não desconheço que o Ministro Gilmar Mendes, há muito vem defendendo a desnecessidade do ato senatorial para dar efeitos geral às decisões da Corte Maior, mas essa posição ainda não foi positivada no ordenamento jurídico brasileiro, muito embora alguns passos importantes já foram dados, como é o caso da súmula vinculante. De qualquer sorte, a resolução senatorial ainda se faz necessária, para estender efeitos de decisões interpartes a terceiros alheios à demanda. De outro lado, o regimento interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais trouxe a possibilidade de se estender as decisões do STF, em controle difuso, aos julgados administrativos, conforme preceitua a Portaria nº 256/2009, Anexo II, art. 62. Este dispositivo reproduz a mesma redação prevista no regimento anterior (art. 49, na redação dada pela Portaria nº 147/2007): É vedado afastar a aplicação de lei, exceto ... “I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal. Notese que tal dispositivo cria uma exceção à regra que veda este Colegiado afastar a aplicação de dispositivo legal, mas exige que a inconstitucionalidade desse dispositivo já tenha sido declarada por decisão definitiva do plenário do STF. Não basta qualquer decisão da Corte Maior, tem de ser de seu plenário, e, devese entender como definitiva a decisão que Fl. 312DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11020.000801/200738 Acórdão n.º 9303002.864 CSRFT3 Fl. 313 4 passa a nortear a jurisprudência desse tribunal nessa matéria. Em outras palavras, decisão definitiva, na acepção do art. 62 do RICARF é aquela assentada na Corte. O 1art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, acrescentado pela Portaria MF n 586, de 21 de dezembro de 2010, foi mais além, tornou obrigatória a observância das decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C do CPC, no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. O caso dos autos, a meu sentir, amoldase, perfeitamente, à norma inserta nos artigos 62 e 62A, supra mencionados, já que a questão da incidência dessas contribuições sobre os ingressos relativos à cessão onerosa de créditos de ICMS decorrentes de operação de exportação, como dito linhas acima, foi enfrentada pelo plenário do STF, na sistemática prevista no Art. 543B do CPC, cujo acórdão foi assim ementado: EMENTA RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. IMUNIDADE. HERMENÊUTICA. CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. NÃO INCIDÊNCIA. TELEOLOGIA DA NORMA. EMPRESA EXPORTADORA. CRÉDITOS DE ICMS TRANSFERIDOS A TERCEIROS. I Esta Suprema Corte, nas inúmeras oportunidades em que debatida a questão da hermenêutica constitucional aplicada ao tema das imunidades, adotou a interpretação teleológica do instituto, a emprestarlhe abrangência maior, com escopo de assegurar à norma supralegal máxima efetividade. II A interpretação dos conceitos utilizados pela Carta da República para outorgar competências impositivas (entre os quais se insere o conceito de “receita” constante do seu art. 195, I, “b”) não está sujeita, por óbvio, à prévia edição de lei. Tampouco está condicionada à lei a exegese dos dispositivos que estabelecem imunidades tributárias, como aqueles que fundamentaram o acórdão de origem (arts. 149, § 2º, I, e 155, § 2º, X, “a”, da CF). Em ambos os casos, tratase de interpretação da Lei Maior voltada a desvelar o alcance de regras tipicamente constitucionais, com absoluta independência da atuação do legislador tributário. III – A apropriação de créditos de ICMS na aquisição de mercadorias tem suporte na técnica da não cumulatividade, imposta para tal tributo pelo art. 155, § 2º, I, da Lei Maior, a fim de evitar que a sua incidência em cascata onere demasiadamente a atividade econômica e gere distorções concorrenciais. IV O art. 155, § 2º, X, “a”, da CF – cuja finalidade é o incentivo às exportações, desonerando as mercadorias nacionais do seu ônus econômico, de modo a permitir que as empresas brasileiras exportem produtos, e não tributos , imuniza as operações de exportação e assegura “a manutenção e o 1 Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5,869, de 11 de janeiro de de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Fl. 313DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11020.000801/200738 Acórdão n.º 9303002.864 CSRFT3 Fl. 314 5 aproveitamento do montante do imposto cobrado nas operações e prestações anteriores”. Não incidem, pois, a COFINS e a contribuição ao PIS sobre os créditos de ICMS cedidos a terceiros, sob pena de frontal violação do preceito constitucional. V – O conceito de receita, acolhido pelo art. 195, I, “b”, da Constituição Federal, não se confunde com o conceito contábil. Entendimento, aliás, expresso nas Leis 10.637/02 (art. 1º) e Lei 10.833/03 (art. 1º), que determinam a incidência da contribuição ao PIS/PASEP e da COFINS não cumulativas sobre o total das receitas, “independentemente de sua denominação ou classificação contábil”. Ainda que a contabilidade elaborada para fins de informação ao mercado, gestão e planejamento das empresas possa ser tomada pela lei como ponto de partida para a determinação das bases de cálculo de diversos tributos, de modo algum subordina a tributação. A contabilidade constitui ferramenta utilizada também para fins tributários, mas moldada nesta seara pelos princípios e regras próprios do Direito Tributário. Sob o específico prisma constitucional, receita bruta pode ser definida como o ingresso financeiro que se integra no patrimônio na condição de elemento novo e positivo, sem reservas ou condições. VI O aproveitamento dos créditos de ICMS por ocasião da saída imune para o exterior não gera receita tributável. Cuidase de mera recuperação do ônus econômico advindo do ICMS, assegurada expressamente pelo art. 155, § 2º, X, “a”, da Constituição Federal. VII Adquirida a mercadoria, a empresa exportadora pode creditar. se do ICMS anteriormente pago, mas somente poderá transferir a terceiros o saldo credor acumulado após a saída da mercadoria com destino ao exterior (art. 25, § 1º, da LC 87/1996). Porquanto só se viabiliza a cessão do crédito em função da exportação, além de vocacionada a desonerar as empresas exportadoras do ônus econômico do ICMS, as verbas respectivas qualificamse como decorrentes da exportação para efeito da imunidade do art. 149, § 2º, I, da Constituição Federal. VIII Assenta esta Suprema Corte a tese da inconstitucionalidade da incidência da contribuição ao PIS e da COFINS não cumulativas sobre os valores auferidos por empresa exportadora em razão da transferência a terceiros de créditos de ICMS. IX Ausência de afronta aos arts. 155, § 2º, X, 149, § 2º, I, 150, § 6º, e 195, caput e inciso I, “b”, da Constituição Federal. Recurso extraordinário conhecido e não provido, aplicandose aos recursos sobrestados, que versem sobre o tema decidido, o art. 543B, § 3º, do CPC. Aplicandose, pois ao caso ora em exame, a decisão do STF que julgou inconstitucional a incidência das contribuições sociais sobre os ingressos de valores relativos à Fl. 314DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11020.000801/200738 Acórdão n.º 9303002.864 CSRFT3 Fl. 315 6 cessão onerosa de crédito de ICMS decorrentes de exportações, devese cancelar a exigência da Cofins sobre tais receitas. Por derradeiro, não se pode olvidar que a Constituição é aquilo que o Supremo Tribunal Federal diz que ela é. A interpretação pretoriana deve sempre prevalecer, ainda que com ela não concordemos. Com essas considerações, voto no sentido de dar provimento ao recurso apresentado pelo sujeito passivo. Henrique Pinheiro Torres Fl. 315DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
score : 1.0
