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Numero do processo: 16349.000032/2008-70
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Aug 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007
RESSARCIMENTO DO PIS NÃO-CUMULATIVO. COMPENSAÇÃO NA FORMA DO ART. 16, INCISO I, DA LEI Nº 11.116/2005. ACUMULAÇÃO DE CRÉDITO EM OPERAÇÃO TRIBUTADA.
O aproveitamento no crédito do PIS não-cumulativo na forma do art.16, inciso I, da Lei nº 11.116/05, é possível somente se for acumulado em vendas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência PIS ou da COFINS.
CRÉDITO PRESUMIDO DO PIS NÃO-CUMULATIVO. ART. 8º, DA LEI Nº 10.925/04. AGROINDÚSTRIA. IMPOSSIBILIDADE DE APROVEITAMENTO DO CRÉDITO PARA COMPENSAR COM OUTRO TRIBUTO.
O aproveitamento de crédito presumido do PIS, de que trata o Art. 8º, da lei nº 10.925/04, para compensar com outros tributos, não é permitido para as agroindústrias, ainda que eles se acumulem em razão de vendas com tributação suspensa, não tributadas, tributadas à alíquota zero ou isentas.
Numero da decisão: 3401-002.617
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
JULIO CÉSAR ALVES RAMOS - Presidente.
JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl, Jean Cleuter Simões Mendonça, Eloy Eros da Silva Nogueira, Fernando Marques Cleto Duarte e Ângela Sartori.
Nome do relator: JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA
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COMPENSAÇÃO NA FORMA DO ART. 16, INCISO I, DA LEI Nº 11.116/2005. ACUMULAÇÃO DE CRÉDITO EM OPERAÇÃO TRIBUTADA. O aproveitamento no crédito do PIS nãocumulativo na forma do art.16, inciso I, da Lei nº 11.116/05, é possível somente se for acumulado em vendas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência PIS ou da COFINS. CRÉDITO PRESUMIDO DO PIS NÃOCUMULATIVO. ART. 8º, DA LEI Nº 10.925/04. AGROINDÚSTRIA. IMPOSSIBILIDADE DE APROVEITAMENTO DO CRÉDITO PARA COMPENSAR COM OUTRO TRIBUTO. O aproveitamento de crédito presumido do PIS, de que trata o Art. 8º, da lei nº 10.925/04, para compensar com outros tributos, não é permitido para as agroindústrias, ainda que eles se acumulem em razão de vendas com tributação suspensa, não tributadas, tributadas à alíquota zero ou isentas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. JULIO CÉSAR ALVES RAMOS Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 34 9. 00 00 32 /2 00 8- 70 Fl. 597DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 30 /07/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA 2 JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl, Jean Cleuter Simões Mendonça, Eloy Eros da Silva Nogueira, Fernando Marques Cleto Duarte e Ângela Sartori. Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP transmitida em 28/11/2007 (fls. 05/07), pela qual a Contribuinte pretende o ressarcimento de crédito da COFINS não cumulativa das operações no mercado interno do segundo trimestre de 2007. A delegacia de origem indeferiu parte do ressarcimento por entender que o crédito presumido pode ser utilizado somente para dedução da contribuição (fls. 175/181). A Contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 188/205), mas a DRJ manteve o despacho decisório ao prolatar acórdão (fls. 362/371) com a seguinte ementa: “COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. VENDAS NO MERCADO INTERNO. POSSIBILIDADE DE RESSARCIMENTO. Nas vendas no mercado interno, o ressarcimento de créditos é permitido apenas em relação aos dispêndios vinculados a operações efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência da COFINS. Os créditos relacionados a demais receitas no mercado interno podem ser aproveitados exclusivamente para dedução da contribuição apurada. COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE CRÉDITO PRESUMIDO. RESSARCIMENTO. COMPENSAÇÃO. O crédito presumido de que trata o art. 8º da Lei nº 10.925/2004 somente poderá utilizado para desconto dos valores da COFINS, sendo afastada a hipótese de ressarcimento em dinheiro ou a compensação com outros tributos ou contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido”. A interpôs recurso voluntário em 11/04/2012, com as alegações resumidas abaixo: Fl. 598DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 30 /07/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA Processo nº 16349.000032/200870 Acórdão n.º 3401002.617 S3C4T1 Fl. 598 3 1 Sua atividade consiste em industrialização de cereais, principalmente de arroz e feijão, que corresponde a 90% de sua receita. Como a venda desses produtos é tributada à alíquota zero, a Recorrente não consegue utilizar para dedução todos os créditos acumulados; 2 Negar direito de ressarcir ou compensar os créditos acumulados é contrariar a nãocumulatividade; 3 Por ser uma agroindústria, a Recorrente tem direito ao crédito presumido previsto na Lei nº 10.925/04. O art. 16, da Lei nº 11.116/06, autoriza a compensação e o ressarcimento do saldo credor dos créditos acumulados ao final de cada trimestre e, ao contrário do defendido pelo fisco, a Lei nº 10.925/04 não veda o aproveitamento do crédito por compensação; Ao fim, a Recorrente pediu a reforma do acórdão da DRJ para que seja reconhecido integralmente o direito creditório que pretende ressarcir. Alternativamente, pediu a declaração expressa do “direito à utilização do crédito do PIS/COFINS, no regime não cumulativo, referente ao 1º trimestre de 2006, reconhecido no presente processo administrativo para dedução da Contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS) apuradas no regime de incidência não cumulativa”. É o Relatório. Voto Conselheiro Jean Cleuter Simões Mendonça O Recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. A Contribuinte pleiteia dois tipos de crédito: (1) Da COFINS não cumulativa, referente à aquisição de insumos utilizados na industrialização de produtos tributados vendidos no mercado interno; e (2) crédito presumido da COFINS em razão de atividade agroindustrial. Em ambos os casos, a autoridade fiscal entendeu que ele pode ser utilizado somente para dedução das contribuições. Sendo assim, o cerne da questão consiste em saber se é possível a utilização dos créditos pleiteados para ressarcimento e compensação ou se eles podem ser utilizados somente para dedução. Fl. 599DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 30 /07/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA 4 1 Dos créditos vinculados às vendas no mercado interno O art. 16, da Lei nº 11.116/2005, na qual se apoia o pedido de compensação da Recorrente, tem o seguinte texto: “Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Parágrafo único. Relativamente ao saldo credor acumulado a partir de 9 de agosto de 2004 até o último trimestrecalendário anterior ao de publicação desta Lei, a compensação ou pedido de ressarcimento poderá ser efetuado a partir da promulgação desta Lei”. (grifo nosso) Assim, a interpretação é que para ter direito a compensação, o crédito deverá ter sido acumulado “em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004”, que, por sua vez, tem a seguinte redação: “Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações”. (destaque nosso) Da interpretação combinada dos dois dispositivos, temse que o art. 16, da Lei nº 11.116/2005, autoriza a utilização dos créditos do PIS e COFINS não cumulativos somente se eles tiverem sido acumulados em razão das vendas dos produtos com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência do PIS/COFINS. Nos presente caso, é incontroverso que o crédito tem origem na aquisição de insumos utilizados em produtos vendidos no mercado e tributados, o que impede a compensação do crédito, permitindo, no máximo, o abatimento da COFINS dos períodos posteriores. 2. Possibilidade de aproveitamento do crédito presumido Fl. 600DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 30 /07/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA Processo nº 16349.000032/200870 Acórdão n.º 3401002.617 S3C4T1 Fl. 599 5 A Recorrente pretende o aproveitamento do crédito presumido da COFINS para compensar com débitos de outros tributos, sob a alegação de permissão legal, pois a maioria das suas vendas são tributadas à alíquota zero, de modo que não há como utilizar todo o crédito no abatimento do PIS e COFINS devidos. O art. 8º e o § 1º Lei n° 10.925/2004, que prevê o crédito presumido do PIS e da COFINS, assim determinam: “Art. 8º As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. § 1º O disposto no caput deste artigo aplicase também às aquisições efetuadas de: I cerealista que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal, classificados nos códigos 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, 12.01 e 18.01, todos da NCM; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) II pessoa jurídica que exerça cumulativamente as atividades de transporte, resfriamento e venda a granel de leite in natura; e III pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e cooperativa de produção agropecuária.(Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004)”. Todavia, o § 4º, também do artigo 8º, trouxe vedação ao aproveitamento do crédito pelas agroindústrias da seguinte forma: “§ 4º É vedado às pessoas jurídicas de que tratam os incisos I a III do § 1º deste artigo o aproveitamento: I do crédito presumido de que trata o caput deste artigo; Fl. 601DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 30 /07/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA 6 II de crédito em relação às receitas de vendas efetuadas com suspensão às pessoas jurídicas de que trata o caput deste artigo” No fim de 2004, mais precisamente em 22/12/2004, foi publicada a Lei nº 11.033/2004, a qual trouxe, no seu art. 17, a seguinte redação, na qual se apoia a Recorrente: “Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações”. Apesar da suposta divergência das normas, não há conflito, pois a primeira (§ 4o, do art. 8º, da Lei n° 10.925/2004) traz uma vedação específica para as pessoas listadas nos incisos de I a III, do § 1o, do art. 8º, da Lei n° 10.925/2004, onde estão incluídas as agroindústrias. O art. 17, da Lei no 11.033/2004, traz uma regra geral, sem revogar a regra especificar. Portanto, a vedação do § 4º, também do artigo 8º, permanece em vigor, de modo que não é permitido o aproveitamento de crédito presumido da COFINS pelas agroindústrias em relação às vendas com tributação suspensa, não tributadas, tributadas à alíquota zero ou isentas, para compensar com outros tributos. Ex positis, nego provimento ao recurso voluntário interposto. É como voto. Jean Cleuter Simões Mendonça Relator Fl. 602DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 30 /07/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA
score : 1.0
Numero do processo: 16561.000122/2008-46
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jul 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004, 2005
LUCROS NO EXTERIOR. LANÇAMENTO DIRETO CONTRA SUCESSORA.
AUSÊNCIA DE RECONSTITUIÇÃO DO RESULTADO DAS PESSOAS JURÍDICAS QUE DETINHAM PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA NA INVESTIDA À ÉPOCA EM QUE OS LUCROS FORAM APURADOS NO EXTERIOR. O lançamento formalizado apenas mediante adição dos resultados à apuração original da autuada deveria estar sustentado por motivação fática e jurídica que permitisse desconsiderar as especificidades das apurações de PDA e PGRA. AUSÊNCIA DE CRITÉRIO PARA RATEIO OU ATRIBUIÇÃO INTEGRAL DOS LUCROS À AUTUADA NO PERÍODO EM QUE ELA PASSOU A DETER PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA NA INVESTIDA. A atribuição da integralidade dos lucros à sucessora, que somente passou a deter participação societária na investida no curso do ano-calendário, exigiria investigação acerca da repercussão dos resultados da investida no patrimônio de incorporada autuada, ou mesmo de argumentação no sentido de que os resultados apurados pela investida somente teriam se formado ao final do ano-calendário. EXONERAÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO PROCEDENTE. A motivação é elemento essencial na constituição do crédito tributário, e sua deficiência não pode ser interpretada como vício formal.
Numero da decisão: 1101-001.126
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso de ofício, divergindo o Presidente Marcos Aurélio Pereira Valadão, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
EDELI PEREIRA BESSA - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, José Sérgio Gomes, Marcos Vinícius Barros Ottoni e Antônio Lisboa Cardoso.
Nome do relator: EDELI PEREIRA BESSA
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LANÇAMENTO DIRETO CONTRA SUCESSORA. AUSÊNCIA DE RECONSTITUIÇÃO DO RESULTADO DAS PESSOAS JURÍDICAS QUE DETINHAM PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA NA INVESTIDA À ÉPOCA EM QUE OS LUCROS FORAM APURADOS NO EXTERIOR. O lançamento formalizado apenas mediante adição dos resultados à apuração original da autuada deveria estar sustentado por motivação fática e jurídica que permitisse desconsiderar as especificidades das apurações de PDA e PGRA. AUSÊNCIA DE CRITÉRIO PARA RATEIO OU ATRIBUIÇÃO INTEGRAL DOS LUCROS À AUTUADA NO PERÍODO EM QUE ELA PASSOU A DETER PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA NA INVESTIDA. A atribuição da integralidade dos lucros à sucessora, que somente passou a deter participação societária na investida no curso do anocalendário, exigiria investigação acerca da repercussão dos resultados da investida no patrimônio de incorporada autuada, ou mesmo de argumentação no sentido de que os resultados apurados pela investida somente teriam se formado ao final do anocalendário. EXONERAÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO PROCEDENTE. A motivação é elemento essencial na constituição do crédito tributário, e sua deficiência não pode ser interpretada como vício formal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso de ofício, divergindo o Presidente Marcos Aurélio Pereira Valadão, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 56 1. 00 01 22 /2 00 8- 46 Fl. 3461DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16561.000122/200846 Acórdão n.º 1101001.126 S1C1T1 Fl. 3 2 (documento assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, José Sérgio Gomes, Marcos Vinícius Barros Ottoni e Antônio Lisboa Cardoso. Fl. 3462DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16561.000122/200846 Acórdão n.º 1101001.126 S1C1T1 Fl. 4 3 Relatório A 5a Turma da DRJ/São PauloI submete a reexame necessário decisão que cancelou integralmente lançamento formalizado em 03/10/2008, exigindo crédito tributário no valor total de R$ 176.756.278,66. A autoridade lançadora constatou ausência de adição ao lucro líquido do período, na determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL, dos lucros auferidos no exterior, por filiais, sucursais, controladas, ou coligadas, apurados conforme demonstrações financeiras anexadas ao Auto de Infração. As bases tributáveis representaram R$ 79.205.940,67 no anocalendário 2003, e R$ 169.813.016,44 no anocalendário 2004, aplicandose multa qualificada sobre os créditos tributários resultantes desta última. A Fiscalização apontou como enquadramento legal do auto de infração os seguintes dispositivos legais: art. 74 caput e parágrafo único da MP 2158/352001; Art. 25, §§ 2° e 3o, da Lei n° 9.249/95; Art. 16 da Lei n° 9.430/96; Arts. 249, inciso II, e 394, do RIR/99; Art. 3° da Lei n° 9.959/00. No Termo de Verificação Fiscal de fls. 1039/1059, a autoridade lançadora expõe as constatações que resultaram na conclusão de que seriam tributáveis os resultados auferidos pela interessada, nos anoscalendário 2003 e 2004, em razão dos investimentos mantidos em Perdigão Overseas, posteriormente denominada Perdigão Internacional Ltd., situada nas Ilhas Cayman. Inicialmente descrevendo a evolução, entre 2002 e 2004, das empresas controladora e controladas da autuada, a autoridade fiscal observa que Perdigão Overseas deixou de ser controlada diretamente pela autuada em março/2003, e a partir de 2004 a interessada passa a controlar Crossban Holdings GMBH, situada na Áustria. Na seqüência, estão descritos os atos societários em razão dos quais a autuada, em 25/03/2003, aportou 10% e 90% das ações por ela detidas em Perdigão Overseas em aumento de capital, respectivamente, de PDA Participações Ltda e PRGA Participações Ltda. Reportandose a Perdigão S/A, controladora da autuada, a Fiscalização registra que ela detinha 100% das ações de Perdigão Overseas Cayman em 31/12/2001, a qual apresentara prejuízos nos anoscalendário 2001 e 2002. Apenas em 27/01/2003 Perdigão S/A, transfere à autuada a participação detida em Perdigão Overseas, mediante aumento de seu capital social. Prosseguindo, a autoridade fiscal registra que PDA Participações Ltda e PRGA Participações Ltda foram constituídas em 28/01/2003, recebendo, na seqüência, o aporte das ações de Perdigão Overseas até então detidas pela autuada, as quais posteriormente são conferidas por aquelas empresas a Crossban Holdings GMBH mediante aumento de capital em 15/04/2003. Por fim, depois de PDA Participações Ltda conferir a PRGA Participações Ltda, em aumento de capital deliberado em 30/09/2003, 25% da participação por ela detida em Crossban Holdings GMBH, a empresa PDA Participações Ltda é incorporada pela autuada em 31/03/2004. PRGA Participações Ltda é incorporada pela autuada em 30/04/2007. A autoridade fiscal descreve os registros de equivalência patrimonial nas incorporadas de 2003 e 2007, e destaca que as ações de Perdigão Overseas (Internacional) saíram da posse da Fl. 3463DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16561.000122/200846 Acórdão n.º 1101001.126 S1C1T1 Fl. 5 4 fiscalizada em 2003 e retornaram parcialmente 1 (um) ano depois, e integralmente em 30/04/2007. Discorrendo sobre a constituição e alterações de capital de Perdigão Overseas (atual Internacional), a autoridade fiscal observa que em 07/06/2004 Crossban Holding GMBH figura em suas deliberações sociais, a qual é também indicada em certificados nominais em nome de Perdigão Overseas, juntamente com a autuada e outras pessoas jurídicas do mesmo grupo. Observa que o aumento de capital recebido em 02/06/2006 foi integralizado apenas por Crossban Holding GMBH, e anota que os diretores daquela investida apresentam o mesmo endereço da fiscalizada. Por fim, a autoridade fiscal também aborda as operações de Crossban Holding GMBH, reportandose à sua localização em Viena (Áustria), à sua composição patrimonial (EUR 35.000,00 e participação em Perdigão Overseas), a seus gerentes (na quase totalidade residentes em São Paulo e também diretores de Perdigão Overseas e da autuada), a seus resultados em 2003 e 2004 (nos quais não foram registradas variações de equivalência patrimonial em razão da localização da empresa na Áustria, mas foram consolidados investimentos em Perdigão Overseas, Perdix Internacional e Perdigão Ásia), aos lucros distribuídos por Perdigão Overseas (Euro 58.669.039,01), às causas dos resultados positivos obtidos após a cessão das cotas de Perdigão Overseas à pessoa jurídica austríaca em meados de 2003 (ampliação da atuação do grupo Perdigão no mercado internacional), e outros aspectos. A autoridade julgadora de 1a instância assim sintetiza, em ordem cronológica, os fatos que reputa relevantes para a solução do litígio: 2.1 Em 27/01/2003, A empresa Perdigão S.A, controladora da Fiscalizada, transfere a essa ultima, por aumento de capital, o controle da empresa Perdigão Overseas Ltd, situada nas Ilhas Cayman. 2.2 Em 25 de março de 2003, a contribuinte transferiu o controle da Perdigão Overseas , mediante aumento de capital para duas de suas empresas controladas no Brasil: PDA Participações Ltda e PRGA Participações Ltda. 2.3 Em 15 de abril de 2003, a PDA e a PRGA integralizaram o capital da empresa Crossban Holding GMBH, holding com sede em Viena, Áustria, mediante a transferência do controle total da empresa Perdigão Overseas. 2.4 Em 06/04/2004, a contribuinte incorpora a empresa PDA, passando a ser controladora parcial (40,7%) da empresa Crossban. 2.5 Em 07/06/2004, foi determinada a alteração do nome da empresa Perdigão Overseas Ltd para Perdigão International Ltd. 2.6 Em 30/04/2007, a contribuinte incorpora a empresa PRGA, passando a deter o controle integral da empresa Crossban. Com base nestas constatações, a autoridade fiscal identifica nas mutações do patrimônio líquido de Perdigão Overseas, desde o anocalendário 1995, o resultado líquido de US$ 27.414.488,67 em 2003 e o resultado isolado de 2004 no valor de US$ 63.974.162,31. Elabora quadros dos resultados de equivalência patrimonial apurados pelas investidoras em relação à investida Perdigão Overseas, observa que 96,94% dos produtos vendidos pela Perdigão Overseas (Internacional) tinham como origem controladoras e coligadas desta empresa e deles a própria Perdigão Agroindustrial, e apresenta demonstrativos para afirmar que de maio/2003 até o final de 2004 há evidências de que as margens de lucros foram deslocadas para a controlada situada no paraíso fiscal. Fl. 3464DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16561.000122/200846 Acórdão n.º 1101001.126 S1C1T1 Fl. 6 5 Na sequência, enfatiza a gestão de Crossban Holding GMBH pela Perdigão brasileira, e afirma que a Crossban serve apenas para esconder da tributação os lucros que a Overseas proporciona, ou seja a Crossban foi interposta entre a Fiscalizada e a Overseas, para usufruir da não tributação naquele país dos lucros oriundos extraterritorial e amparado pelo Tratado de evitar dupla tributação. Destaca a existência de apenas três funcionários naquela pessoa jurídica, os baixos custos de pessoal e despesas comerciais fixas, e a assinatura das mesmas pessoas como responsáveis pelas pessoas jurídicas do grupo. Opõese às justificativas apresentadas para os rápidos resultados positivos de Perdigão Overseas, afirmando que a falta de estrutura operacional da investida autoriza a conclusão de que os negócios de vendas são concretizados pela Perdigão Brasileira e que os produtos são remetidos diretamente para o comprador final (clientes). E conclui: Portanto, não existe quando se trata de administração das controladas, ligação indireta entre Perdigão Agroindustrial e Perdigão Overseas, nem tampouco ligação direta entre Crossban e Overseas, a não ser documentalmente. Diante de tudo o que foi explicitado e respaldado em números fica claro que a criação da Crossban foi, sem dúvida nenhuma a busca de um planejamento financeiro ocupado em disfarçar a tributação do imposto de renda e da contribuição social. A autoridade lançadora complementa a acusação discorrendo sobre os efeitos dos tratados de dupla tributação e seus abusos e acrescentando observações em relação ao caso sob análise, especialmente que os lucros e/ou dividendos originados na Overseas, não foram tributadas em Cayman Virgens Britânicas, nem na Áustria e nem tampouco no Brasil. Arremata nos seguintes termos: Por tudo o que foi arrazoado, entendemos que devem ser tributados os lucros auferidos pela Overseas Cayman junto à Perdigão Overseas, por ser ela efetivamente a beneficiária de tais resultados, considerando que a equivalência patrimonial é constituída na Perdigão Agroindustrial, e o resultado contábil positivo auferido (contendo resultado positivo em equivalência) é o valor a ser distribuído aos sócios sem que se tenha sofrido qualquer tributação, uma vez que tais resultados são neutralizados para apuração do lucro real. É de se mencionar que a equivalência patrimonial positiva obtida por via empresa estabelecida no exterior difere da equivalência patrimonial positiva auferida via controladas situadas no Brasil, exatamente porque estas últimas ao apurarem seus resultados sofrem a devida tributação. Os resultados acumulados até 2003 (US$ 27.414.488,67) e aqueles apurados em 2004 (US$ 63.974.162,31) são convertidos nas bases tributadas de R$ 79.205.940,67 e R$ 169.813.016,44. A acusação é finalizada com as seguintes considerações: A fundamentação legal é o art. 25 e §§ da Lei 9.249/95; art. 16 da Lei n° 9.430/96; IN SRF 368/96, artigos, alíneas e incisos da Lei n° 9.532, art. 207, inciso III e inciso I do parágrafo único, art. 249, inciso II e art. 394, do RIR/99, combinado com o artigo 74 da MP 185832. Não se pode alegar que a autuação se trata com base em presunção subjetiva ou impressão pessoal, nem tampouco, que pretenda afastar a exigência do ato legal de capitalização. A fiscalização limitouse, no exercício da atividade vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, a proceder a verificação da regularidade da apuração de montantes tributáveis, não há, pois ingerência sobre a Fl. 3465DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16561.000122/200846 Acórdão n.º 1101001.126 S1C1T1 Fl. 7 6 atividade empresarial do contribuinte, mas constatada a renda, devidamente demonstrada, seja dado o nome que se queira dar ao fato, devese formalizar a exigência, ou seja não proíbe o contribuinte a adotar qualquer conduta, desde que não esconda sobre um planejamento financeiro resultados de que é beneficiaria final da renda obtida, clara e definitiva. A fiscalização não contesta o ato jurídico praticado, mas a verdadeira repercussão econômica dos fatos subjacentes. Em face das constatações acima discorridas; foi lavrado o pertinente auto de infração, formalizado sob n° 16.561/000122/200846. Ademais, haja vista o disposto na Portaria RFB n° 665, de 24 de abril de 2008, foi formalizada a representação fiscal para fins penais sob n° 16.561.000123/200891. Registrese por fim que esta tributação se dá na fiscalizada tendo em vista que a PDA Participações (CNPJ 05.518.983/000176) e a PRGA Participações Ltda (CNPJ 05.518.986/000100) foram incorporadas pela fiscalizada em 2003 e 2007 respectivamente. Impugnando a exigência, a interessada observou que a Perdigão Overseas somente foi controlada pela fiscalizada de janeiro a março/2003 e posteriormente, a partir de abril/2007, quando PRGA foi por ela incorporada. Até então, a empresa detinha apenas participação societária em Crossban, adquirida mediante incorporação de PDA em março/2004. Assim, eventual lançamento deveria ter ensejado a reconstituição das bases tributáveis de PDA e PRGA, atribuindose à autuada a responsabilidade, por sucessão, de eventual tributo apurado. Contudo, a autoridade fiscal reconstitui a apuração da própria impugnante nos períodos fiscalizados, incorrendo em falha na identificação da matéria tributável, em ofensa ao art. 142 do CTN. Apontou também nulidade por falta de motivação no que tange às alegações de que exportações realizadas pelo grupo Perdigão teriam sido realizadas pela impugnante, e não pela Perdigão Overseas, especialmente porque acusação fiscal seria de falta de tributação de lucros auferidos no exterior, e não diretamente pela contribuinte no Brasil. Observou a inexistência de qualquer fundamento legal para desconsideração da empresa controlada no exterior, bem como de qualquer referência a fraude ou simulação, apesar de aplicada multa de ofício qualificada e desqualificados os atos jurídicos praticados. Defendeu a regularidade da estrutura internacional adotada para seus investimentos no período fiscalizado, afirmou o regular registro dos atos societários, e a observância das disposições legais e normativas acerca da tributação de lucros auferidos por controladas e coligadas no exterior, inclusive no que tange ao tratado para evitar dupla tributação firmado entre Brasil e Áustria, o qual assegura a não tributação dos lucros da Crossban no Brasil em seu art. 7o, assim como no art. 23, alínea 2, relativamente a dividendos de empresa austríaca com participação de empresa brasileira com mais de 25% de seu capital. Questionou a validade do art. 74 da Medida Provisória nº 2.15835/2001, reafirmou a falta de qualificação da suposta infração e a ofensa ao princípio da legalidade. Discorreu sobre a expansão de suas atividades no mercado internacional e a atuação da holding Crossban, bem como de Perdigão Overseas, inclusive reportandose a disposições legais autorizando empresas exportadoras a manter no exterior parcela dos recursos resultantes da operação de exportações. Fl. 3466DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16561.000122/200846 Acórdão n.º 1101001.126 S1C1T1 Fl. 8 7 Destacou que Crossban mantém diretor residente na Áustria e juntou documentos demonstrativos de sua atuação. Contrapôsse a diversos outros aspectos da acusação fiscal e novamente questionou a qualificação da penalidade, subsidiariamente invocando a aplicação do art. 112 do CTN, ou do art. 132 do CTN, em razão da sucessão verificada. A Turma julgadora cancelou a exigência acolhendo, por maioria, o voto da Relatora Silvia Mitsu D´Avola, assim redigido: 10. Fazse primeiro breve apanhado dos fatos, para melhor esclarecimento. 10.1 O lançamento foi feito contra a contribuinte, exigindo os tributos relativos aos lucros apurados pela empresa Perdigão Overseas, situada nas Ilhas Cayman, empresa controlada pela holding Crossban, situada na Áustria. 10.2 Para efetuar esse lançamento, tributando lucros de empresa não controlada diretamente pela Fiscalizada, o Auditor Fiscal desconsiderou a empresa Crossban, classificandoa como mera repassadora dos lucros apurados pela Perdigão Overseas, argumentando que a Fiscalizada se aproveitou do tratado firmado entre a Áustria e o Brasil para evitar a dupla tributação e da legislação interna austríaca, benéfica à tributação de lucros e dividendos vindos de outros países. 10.3 O Auditor Fiscal invoca também os conceitos de “Treaty Shopping”, “beneficial owner” e “conduit company”, presentes no direito internacional, para justificar seu procedimento. 10.4 O período fiscalizado abrangeu os exercícios de 2003 e 2004. 10.5 Em 2003, a Crossban, criada em 15/04/2003, era controlada pelas empresas PDA e PRGA situadas no Brasil. Essas duas empresas, por sua vez, eram controladas pela Fiscalizada. 10.6 Em 06/04/2004, a Fiscalizada incorpora a PDA e passa a ser controladora parcial da Crossban, ou seja, durante o período fiscalizado, a empresa Perdigão Agroindustrial, sujeito passivo da autuação, passou controladora parcial da Crossban, somente após 04/04/2004 11. Apenas em 30/04/2007, ao incorporar a empresa PRGA, a Fiscalizada passa a controlar 100% a empresa Crossban. 12. Finalmente, o tratado firmado entre o Brasil e a Áustria para evitar a dupla tributação, previne a fiscalização do Brasil de tributar os lucros apurados por empresa situada na Áustria e ainda determina que dividendos provenientes de empresa controlada situada na Áustria, não sejam tributados se a controladora no Brasil detiver mais de 25% de participação na empresa na Áustria. 13. Convém citar três artigos desse tratado por serem importantes ao caso presente: [...] 14. Desse modo, os lucros recebidos por empresa situada no Brasil, provenientes de empresa austríaca não podem ser tributados no país e nem os dividendos provenientes de empresa situada na Áustria se a empresa brasileira possuir mais de 25% da empresa da empresa que paga os rendimentos. 15. Cabe, no entanto, ressaltar que o resultado positivo da equivalência patrimonial poderia ter sido tributado, ou seja, o aumento do valor do investimento da impugnante na Crossban, avaliado pelo método da equivalência patrimonial, não encontraria, no Tratado, nenhum impedimento à sua tributação. Fl. 3467DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16561.000122/200846 Acórdão n.º 1101001.126 S1C1T1 Fl. 9 8 16. Há que se ressaltar que o lançamento desses não exigiria nenhum tributo da empresa austríaca, mas apenas da sociedade brasileira, em razão do aumento do valor do seu investimento na sociedade coligada sediada no exterior e o lançamento tributário não representaria ofensa à Convenção para evitar a dupla tributação firmada entre o Brasil e a Áustria, promulgada pelo Decreto nº 78.107/76. 17. No presente processo, entretanto, somente foi lançado o lucro apurado pela empresa Perdigão Overseas, controlada pela Crossban, durante os anoscalendário de 2003 e 2004. 18. Passase a analisar as questões suscitadas na impugnação 19. Primeiramente, a contribuinte levanta a questão de nulidade dos autos de infração que foram feitos em nome da Fiscalizada, utilizando inclusive o prejuízo de períodos anteriores da contribuinte no calculo dos valores lançados, embora a Fiscalizada não fosse controladora direta da empresa Perdigão Overseas em 2003 e, somente em 2004, passa a ser controladora parcial da empresa Crossban, essa sim controladora da empresa Overseas desde abril de 2003. 20. Nesse momento, cabe esclarecer os efeitos tributários da incorporação. Quando uma empresa é incorporada, a obrigação tributária da qual ela era contribuinte é transferida para a incorporadora na condição de responsável. Assim dispõe o art. 132 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional (CTN): Art. 132. A pessoa jurídica de direito privado que resultar de fusão, transformação ou incorporação de outra ou em outra é responsável pelos tributos devidos até a data do ato pelas pessoas jurídicas de direito privado fusionadas, transformadas ou incorporadas. (destaques acrescidos) 21. Segundo o art. 121, II, do CTN, o sujeito passivo se constitui responsável quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei . No caso, a disposição expressa de lei é o art. 132 acima transcrito. Por outro lado, a incorporadora não reveste a condição de contribuinte, a qual, segundo o inciso I do art. 121 do CTN, se caracteriza por ter relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador. Em síntese, a condição da incorporadora é a de responsável, enquanto a da incorporada é a de contribuinte, estando ambas no pólo passivo da relação tributária. 22. No presente caso, assiste razão à contribuinte quando alega que o lançamento deveria ter sido feito nas empresas PDA e PRGA para o anocalendário de 2003 e apenas em 2004 é que poderia ser feito o lançamento parcial na Fiscalizada, quando esta passa a controlar a empresa Crossban. 23. Desse modo, o Auditor Fiscal não poderia ter utilizado os prejuízos de períodos anteriores da Fiscalizada no cálculo dos valores lançados porque esses lançamentos deveriam ter sido feitos considerando a contabilidade das empresas que eram os sujeitos passivos da obrigação tributária considerada, restando à Fiscalizada o papel de responsável ao pagamento por sucessão. 24. Contudo, não ocorreu qualquer das hipóteses capazes de anular o lançamento fiscal previstas no art.59 do Decreto nº 70.235/71, in verbis: “Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa.” 25. De fato, o lançamento foi efetuado por servidor competente, no cumprimento de sua função e a empresa responsável pelo pagamento pôde receber todas as intimações, tomar conhecimento do procedimento fiscal efetuado, tomar ciência dos autos de infração lavrados e mais importante, pôde exercer plenamente o seu Fl. 3468DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16561.000122/200846 Acórdão n.º 1101001.126 S1C1T1 Fl. 10 9 direito de ampla defesa nos presentes autos, traduzido pela extensa impugnação apresentada onde aborda detalhadamente cada aspecto do procedimento fiscal. 26. Todavia, nos Autos de Infração lavrados, além das empresas PDA e PRGA não constarem no pólo passivo do lançamento, no calculo do valor dos tributos não foram consideradas as contabilidades das empresas PGA e PRGA, havendo inclusive o Auditor Fiscal compensado prejuízos de períodos anteriores da Fiscalizada, tanto no anocalendário de 2003 quando no anocalendário de 2004, conforme Demonstrativo de Apuração (fls. 1025 e 1026). 27. Uma vez que a Fiscalizada se reveste da condição de responsável pelo pagamento dos tributos devidos por empresas incorporadas, mas não é a contribuinte de fato desses mesmos tributos, os Autos de Infração deveriam obrigatoriamente ser lavrados sobre as empresas PDA e PRGA para o ano calendário de 2003 e apenas parcialmente sobre a Fiscalizada para o ano calendário de 2004, havendo a necessidade de constar no pólo passivo da obrigação a empresa PRGA como controladora da empresa Crossban nesse anocalendário. 28. Entretanto, quer parecer que esse equívoco cometido pela Autoridade Fiscal acabou por beneficiar a empresa pois a compensação de prejuízos da Fiscalizada acabou por diminuir o valor lançado. 29. De fato, ao utilizar os prejuízos acumulados de IRPJ e base de cálculo negativas de CSLL da Fiscalizada, o Auditor Fiscal diminui indevidamente R$ 60.274.669,32 da base de calculo do IRPJ, relativos a prejuízos de períodos de apuração anteriores e R$ 74.516.686,82 da base de cálculo da CSLL, relativos a base de cálculo negativa de CSLL de períodos anteriores da Fiscalizada, que não poderiam ter sido utilizados no lançamento de tributos onde a Fiscalizada não era contribuinte. 30. Outra reclamação apresentada pela contribuinte seria a falta de motivação do lançamento, pois o Auditor Fiscal, desconsiderou as empresas PDA e PRGA, além de haver desconsiderado a empresa Crossban, situada na Áustria, lançando os lucros apurados pela empresa Perdigão Overseas, uma das controladas da empresa Crossban, diretamente na Fiscalizada sem no entanto, apontar a legislação brasileira que autorize esse procedimento. Uma vez que os conceitos de “Treaty Shopping”, “beneficial owner” e “conduit company”, citados pelo Auditor Fiscal, não tem correspondente na legislação pátria e os fundamentos legais citados tanto no Termo de Verificação quanto nos Autos de Infração se referem, tão somente, à tributação de lucros apurados por empresa controlada, situada no exterior, o lançamento seria nulo. 31. Analisando o Termo de Verificação (fls. 1039 a 1059) e os Autos de Infração (fls. 1028 a 1030 e 1034 a 1036), verificase que, de fato, o Auditor Fiscal não pode achar na legislação pátria, a justificativa legal para ignorar as empresas PDA e PRGA no lançamento efetuado. Ainda que essas duas empresas constassem apenas em documentos, e tivessem mesmo domicílio fiscal da Fiscalizada e mesmos dirigentes, essas empresas foram constituídas obedecendo a legislação pertinente e existiam legalmente à época dos fatos tributados, sendo as contribuintes do IRPJ e CSLL em relação aos lucros auferidos pela Crossban, empresa controlada situada na Áustria, se não houvesse o tratado para evitar a dupla tributação firmado entre o Brasil e Áustria. A Fiscalizada, como incorporadora, deveria aparecer apenas como responsável pelo pagamento dos tributos lançados. 32. Entretanto, a ausência do dispositivo legal infringido no auto de infração, ou a citação incorreta, também não enseja sua nulidade, quando a descrição dos fatos e a documentação que deram sustentação às autuações propiciam ao sujeito passivo exercer amplamente seu direito de defesa. Fl. 3469DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16561.000122/200846 Acórdão n.º 1101001.126 S1C1T1 Fl. 11 10 33. No caso, as matérias que a reclamante entende não estarem devidamente fundamentadas se referem à desclassificação da empresa Crossban. 34. Realmente, a desclassificação da empresa Crossban efetuada pelo Auditor Fiscal, carece de fundamentação legal pois na legislação citada tanto nos Autos de Infração quanto no Termo de Verificação, não há qualquer dispositivo legal autorizando essa desclassificação. 35. Observase que o Auditor Fiscal discorre longamente sobre a empresa Crossban ser uma simples repassadora dos lucros auferidos pela empresa Perdigão Overseas, situada nas ilhas Cayman, aproveitandose do tratado firmado entre o Brasil e a Áustria para evitar a dupla tributação, invocando o caso da empresa Aiken, já descrito no relatório, para corroborar suas argumentações sobre a ocorrência de simulação e planejamento tributário para evitar a incidência de tributos no Brasil. 36. Faz também um apanhado histórico da vida da empresa Perdigão Overseas, ressaltando o fato que essa empresa apenas passou a dar lucro após o seu controle passar para a empresa Crossban, situada na Áustria, argumentando que essas operações de transferência de controle da empresa Perdigão Overseas visou apenas a evasão fiscal através de simulação, razão pela qual impôs à contribuinte a multa de agravada de 150%. 37. Analisando a documentação acostada aos autos, tanto pela fiscalização quanto pela contribuinte, resta claro que houve, efetivamente, cuidadoso planejamento fiscal para evitar que os lucros auferidos pela empresa Perdigão Overseas fossem tributados diretamente no Brasil, pois remetendo os lucros gerados por essa empresa à empresa Crossban, única controladora da Perdigão Overseas desde abril de 2003, evitase que esse lucro seja tributado no Brasil, uma vez que a empresa Crossban, situada na Áustria, goza da proteção do tratado firmado entre o Brasil e a Áustria para evitar a dupla tributação, tratado esse firmado em 1976 e vigente até a presente data. 38. Obviamente que é licito à contribuinte procurar a tributação mais favorecida para os seus negócios, utilizando os recursos legais disponíveis, tanto dentro do Brasil como no exterior, não sendo aceitos pelo Fisco Federal, apenas as operações com evidente intuito de evasão fiscal, ou seja, operações entre empresas que não teriam motivo de terem sido feitas, sem qualquer propósito negocial, expansão de negócios ou mercado ou mesmo investimentos. 39. Exemplos clássicos desse tipo de simulação seriam empresas que são vendidas e recompradas em prazos mínimos, as vezes dois ou três dias, apenas com o intuito de gerar ágio passível de ser descontado dos tributos legitimamente devidos, ou o mesmo já citado caso Aiken onde a empresa em Honduras foi criada apenas com o propósito de receber os pagamentos do empréstimo feito pela empresa de Bahamas à empresa americana. Essa empresa em Honduras, aproveitandose do acordo firmado entre os Estados Unidos e Honduras, simplesmente recebia o dinheiro dos Estados Unidos e o repassava imediatamente a empresa situada nas Bahamas, evitando o pagamento de tributo devido se o dinheiro fosse remetido diretamente as Bahamas. 40. Por outro lado, foi aprovada, há pouco tempo atrás, pelo Congresso Nacional norma antielisão. A aludida norma está materializada na introdução de parágrafo único ao artigo 116 do Código Tributário Nacional, com a seguinte redação: "A autoridade administrativa poderá desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, observados os procedimentos estabelecidos em lei". Fl. 3470DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16561.000122/200846 Acórdão n.º 1101001.126 S1C1T1 Fl. 12 11 41. A norma autoriza a autoridade administrativa a desqualificar atos e negócios praticados pelo contribuinte com o intuito de dissimular seja a ocorrência do fato gerador do tributo, seja a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária. 42. Conforme foi redigido o dispositivo, evidenciase a intenção de combater atos ou negócios fraudulentos praticados pelo contribuinte com o intuito de dissimular, que significa ocultar, encobrir, fingir ou disfarçar algo. [...] 49. Na elisão, as partes que celebram o negócio, ainda que por meio de formas jurídicas alternativas, pretendem, efetivamente, realizálo como estipulado. Não há uma falsa, aparente ou simulada declaração de vontade. A declaração é real, efetiva, verdadeira, condizente com a vontade das partes. Não se pretende, por outro lado, burlar, enganar ou ocultar alguma coisa do fisco. A conduta das partes é lícita, ao contrário da simulação, onde a conduta é ilícita. 50. Outrossim, na elisão se evita a verificação do pressuposto de incidência da norma tributária. Na simulação, o fato gerador ocorre, mas é mascarado pela dissimulação arquitetada pelas partes, de maneira a não ser detectada a sua ocorrência. 51. O ônus da prova da simulação cabe à administração pública, pois, como é cediço, cabe a ela, e não ao contribuinte, constituir a prova que embasa o lançamento. Com efeito, é indispensável para qualquer lançamento tributário a prova dos fatos e dos atos efetivos, inclusive quando se pretender invalidar uma tentativa de planejamento tributário que possa ser caracterizada como evasão fiscal ilícita. 52. Esta prova pode, contudo, ser baseada em indícios e presunções, desde que sejam preciso, concordantes e autorizados por lei. A simulação pode, ainda, ser provada por testemunhas (artigo 404 do Código de Processo Civil) 53. No caso em pauta, embora seja louvável o esforço despendido pelo Auditor Fiscal, a argumentação desenvolvida para demonstrar que a criação da Crossban seria comparável ao caso da empresa americana Aiken, encontra problemas ao ser confrontada com os documentos apresentados pela contribuinte. 54. A Fiscalizada trouxe aos autos, relativamente a empresa austríaca, o organograma da Crossban, demonstrando que além da Perdigão Overseas, essa holding controla atualmente mais 11 empresas, situadas na Europa, Oriente Médio e Ásia , históricos e comunicados públicos demonstrando a expansão de seu mercado na Europa, Ásia e Oriente Médio, cujas empresas são controladas pela holding européia, contratos, com tradução juramentada, firmados entre a Crossban e outras empresa do grupo na Europa para aumento de capital dessas empresas,, assinados pelo diretor austríaco, contrato de contratação de funcionário para a Crossban, procurações assinadas pelo diretor austríaco, atas de reunião da Crossban, etc. 55. Examinando esses documentos (fls. 2766 a 2869), observase que a empresa Crossban, ainda que tenha sido criada para direcionar os lucros auferidos, pelas empresas do grupo Perdigão no exterior, a um país participante de tratado para evitar a dupla tributação, não poderia ser comparada ao caso Aiken citado pelo Auditor Fiscal, pois a documentação apresentada demonstra que a empresa, como holding, efetua operações de reinvestimento dos lucros apurados pela holding em empresas do mesmo grupo situadas na Europa, Ásia ou Oriente Médio, tem autonomia para contratar funcionários, fazer procurações, ou mesmo criar novas subsidiárias, como se vê na Ata da Reunião Administrativa da Crossban, datada de 12 de outubro de 2005, apresentada no original e em cópia por tradução Fl. 3471DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16561.000122/200846 Acórdão n.º 1101001.126 S1C1T1 Fl. 13 12 juramentada (fls. 2846 a 2849). Essa ata foi assinada pelos três diretores da empresa. 56. Dessa maneira, não se poderia simplesmente desclassificar a empresa Crossban, dado que não constam nos autos, indícios suficientes para classificar a empresa como uma mera repassadora de lucros, acobertada por tratados firmados entre o Brasil e a Áustria, pois a documentação acostada evidencia a existência de propósito negocial, de administração da holding e de relativa autonomia de funcionamento, além de controlar não só a empresa Perdigão Overseas, como também mais 11 empresas do grupo. 57. Por outro lado, é importante lembrar que não existe na legislação pátria, dispositivo legal que permita desclassificar empresa situada no exterior, com o fito de tentar alcançar os lucros produzidos por empresa controlada por essa empresa desclassificada. 58. De fato, a tributação de lucros oriundos do exterior, passaram a ser sujeitos à tributação em virtude do que dispôs inicialmente o artigo 25 da Lei nº 9.249/95, in verbis: [...] 59. A supracitada norma foi regulamentada pela IN SRF nº 38/96, que dispôs sobre o momento da tributação do lucro em seu artigo 2º, in verbis: [...] 60. A partir do anocalendário de 1998, até o anocalendário de 2001, passou a vigorar a Lei nº 9.532/97, que manteve a tributação dos lucros oriundos de controladas no exterior apenas quando disponibilizados à controladora no Brasil, conforme artigo 1º, in verbis: [...] 61. Cumpre observar que a IN SRF nº 38/96 não foi revogada pela Lei nº 9.532/97. Como não houve revogação expressa, a vigência da IN SRF nº 39/96 só seria suprimida pela edição da Lei nº 9.532/97 se não se pudessem conciliar as disposições de uma com as da outra. Assim como não era incompatível com a Lei nº 9.249/95, que a precedeu, a IN SRF nº 38/96 era ainda menos incompatível com a Lei nº 9.532/97, que lhe foi superveniente. Ela só veio a deixar de vigorar de fato com a edição da IN SRF nº 213/2002, que a revogou expressamente. 62. Essa situação não se modificou com a edição da MP nº 2.158/2001, que mantém a tributação dos lucros da data disponibilização os lucros, apenas dispondo que os lucros auferidos a partir de 2002 são considerados disponibilizados na data do balanço levantado pela controlada (caput do artigo 74), e os lucros acumulados até 31/12/2001 em 31/12/2002, podendo haver antecipação se disponibilizados antes dessa data (§ único do artigo 74): “Art.74.Para fim de determinação da base de cálculo do imposto de renda e da CSLL, nos termos do art. 25 da Lei no 9.249, de 26 de dezembro de 1995, e do art. 21 desta Medida Provisória, os lucros auferidos por controlada ou coligada no exterior serão considerados disponibilizados para a controladora ou coligada no Brasil na data do balanço no qual tiverem sido apurados, na forma do regulamento. Parágrafo único.Os lucros apurados por controlada ou coligada no exterior até 31 de dezembro de 2001 serão considerados disponibilizados em 31 de dezembro de 2002, salvo se ocorrida, antes desta data, qualquer das hipóteses de disponibilização previstas na legislação em vigor. 63. Finalmente, a IN SRF nº 213 Instrução Normativa SRF nº 213, de 7 de outubro de 2002 dispôs: Fl. 3472DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16561.000122/200846 Acórdão n.º 1101001.126 S1C1T1 Fl. 14 13 Art. 2º Os lucros auferidos no exterior, por intermédio de filiais, sucursais, controladas ou coligadas serão computados para fins de determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL no balanço levantado em 31 de dezembro do anocalendário em que tiverem sido disponibilizados para a pessoa jurídica domiciliada no Brasil. 64. Do breve apanhado acima, observase que a lei brasileira limitase a falar de filiais, sucursais, controladas ou coligadas, ou seja empresas situadas no exterior em direta relação com a empresa brasileira, não se referindo, como não poderia mesmo fazer, à empresa situada no exterior controlada por outra empresa também no exterior. 65. E a razão é obvia, pois o governo brasileiro não poderia se arvorar no direito de tributar lucros de empresas controladas por empresas situadas em outro país, pois estaria se imiscuindo na administração tributária desse pais onde a empresa controladora se situa. Para evitar qualquer conflito diplomático e ainda promover a arrecadação dos tributos sem incorrer em dupla taxação é que os paises firmam tratados para evitar a dupla tributação. 66. No caso presente, o Auditor Fiscal se insurge contra a empresa situada na Áustria pois esse país possui em sua legislação tributária, além do tratado firmado com o Brasil, um tratamento tributário benéfico à lucros auferidos no exterior por empresa situada na Áustria. 67. Ocorre que, não caberia ao Fisco Federal se insurgir contra esse benefício pois quem está abrindo mão da tributação dos lucros é a Áustria, onde a Crossban, controladora da empresa Perdigão Overseas, se situa. Se o governo austríaco, que pelo tratado firmado, deve tributar o lucro auferido por empresa situada em seu território, decide, em virtude de política econômica, abrir mão da tributação de lucros provenientes do exterior, como incentivo para atrair capital ao país, não há como o Fisco Federal intervir ou tentar tributar esse lucro, desclassificando a empresa situada na Áustria que, como já visto, não se enquadra nas condições citadas pelo Auditor Fiscal. 68. Relativamente aos conceitos de “Treaty Shopping”, “beneficial owner” e “conduit company”, embora os mesmos possam servir como argumentação no Termo de Verificação , esses conceitos não se prestam a embasar o lançamento fiscal, dado que não têm correspondência no direito brasileiro e não implicam fatos geradores de tributo ou conduta fiscal. 69. Desse modo, rejeitase a desclassificação da empresa Crossban situada na Austria, feita exclusivamente para se tentar alcançar os lucros produzidos pela empresa Perdigão Overseas, uma vez que não há previsão legal para tanto e também não há indícios suficientes que sustentem a tese do Auditor Fiscal. 70. Relativamente à empresa Perdigão Overseas, situada nas ilhas Cayman e que o Auditor Fiscal entende ser uma empresa de fachada, alegando que não possui estrutura de logística de vendas, de desenvolvimento de mercados, de área de estocagem, de movimentação e distribuição de produtos e tudo o mais que o Auditor Fiscal julga ser necessário para o funcionamento normal de uma empresa para fazer frente aos trabalhos de comercialização e concluindo que os negócios de vendas são concretizados pela Perdigão brasileira, que remete os produtos diretamente para o comprador final no exterior, pois a Overseas, enquanto caixa postal, não teria qualquer estrutura para fazer face ao dinamismo comercial do grupo empresarial, não serve como razão para a desconsideração da Crossban. pois ainda que essa empresa situada nas Bahamas não tenha qualquer estrutura, o fato não é determinante para a invalidação da empresa Crossban. 71. De fato, se o Auditor Fiscal entende que os negócios são feitos diretamente pela Perdigão brasileira, ou seja, as exportações são feitas diretamente pelo grupo Perdigão, caberia a verificação das exportações efetuadas e dos pagamentos Fl. 3473DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16561.000122/200846 Acórdão n.º 1101001.126 S1C1T1 Fl. 15 14 recebidos e não simplesmente tentar alcançar os lucros produzidos pela Perdigão Overseas, via desclassificação da Crossban. 72. Desse modo, o lançamento efetuado sobre a Fiscalizada não pode ser considerado procedente pelos motivos apresentados em resumo a seguir: 72.1 Os Autos de Infração foram lavrados em cima do responsável pelos pagamentos dos tributos, em virtude de incorporação e não sobre os efetivos contribuintes do tributo se devido fosse, à época dos fatos fiscalizados, desconsiderando também os valores da contabilidade das duas empresas incorporadas. 72.2 O tratado firmado entre o Brasil e a Áustria previne a tributação, no Brasil, de lucros gerados por empresa situada na Áustria. 72.3 A empresa Crossban, situada na Áustria, foi desconsiderada pela Autoridade Fiscal com o fito de tentar tributar os lucros apurados pela empresa Perdigão Overseas, controlada pela Crossban, sem que, no entanto, houvesse dispositivo legal na legislação brasileira autorizando essa desclassificação. 72.4 A contribuinte logrou trazer aos autos documentos que demonstram o funcionamento efetivo da empresa Crossban, não podendo ser classificada como mera repassadora de lucros à Fiscalizada, invalidando a tese do Auditor Fiscal. 73. Quanto as alegações apresentadas pela contribuinte sobre a imposição de multa agravada de 150%, deixase de analisar o assunto pois, em virtude da improcedência dos Autos de Infração, não há exigência da multa.Além disso, uma vez que a simulação não foi comprovada, não caberia, de qualquer modo, a imposição da multa de ofício agravada. 74. Relativamente às alegações de ilegalidade e inconstitucionalidade utilizadas pela contribuinte, esclarecese que a instancia administrativa não é o foro adequado para esse tipo de discussão, cabendo ao Poder Judiciário a decisão sobre a legalidade e a constitucionalidade de leis e normas presentes no ordenamento jurídico. 75. Por fim, o lançamento de CSLL, por ser lançamento reflexo com os mesmo pressupostos fáticos do lançamento de IRPJ, acompanha a decisão relativa ao lançamento de IRPJ que foi considerado improcedente. 76. Para concluir e por todo o exposto, VOTO por considerar improcedente o lançamento efetuado, exonerandose a exigência de IRPJ e CSLL: 76.1 preliminarmente por erro na identificação do sujeito passivo da obrigação tributária, quanto ao anocalendário 2003 e erro parcial de identificação do sujeito passivo quanto ao anocalendário de 2004, tanto na identificação do contribuinte do tributo lançado, como na utilização indevida do resultado da sucessora, no cálculo do lançamento, e 76.2 no mérito, considerar o lançamento improcedente por não haver evidência de simulação capaz de motivar a desconsideração da empresa Crossban, tributandose o lucro da empresa Perdigão Overseas na Fiscalizada. A Julgadora Rosangela Segalla Afanasieff manifestouse em favor da manutenção integral da exigência nos seguintes termos: Em que pese a clara e sólida argumentação da d. Relatora, ouso dela discordar quanto ao mérito do caso em tela, em que houve a tributação a título de IRPJ e CSLL sobre lucros auferidos no exterior. Fl. 3474DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16561.000122/200846 Acórdão n.º 1101001.126 S1C1T1 Fl. 16 15 Da leitura do Termo de Verificação Fiscal, constatase que em ação fiscal conduzida na empresa PERDIGÃO AGROINDUSTRIAL S/A, foi apurado ser a Fiscalizada a beneficiária efetiva dos lucros auferidos pela Perdigão Overseas, considerando que a equivalência patrimonial é constituída na Perdigão Agroindustrial e o resultado contábil positivo auferido, é valor a ser distribuído aos sócios sem que se tenha sofrido qualquer tributação, uma vez que tais resultados são neutralizados para apuração do lucro real. O Auditor Fiscal, em face das transformações societárias praticadas pelo grupo Perdigão, desconsiderouas e esclareceu que não contesta o ato jurídico praticado mas a verdadeira repercussão econômica dos fatos subjacentes. A autuada por seu turno alegou que a desconsideração da Crossban, baseada em argumentos de falta de propósito econômico e substância, é a única acusação fiscal feita pela fiscalização. A respeito de autuação fundada em repercussão econômica dos fatos subjacentes, considero oportuno lembrar a discussão desenvolvida pelos Professores Paulo de Barros Carvalho e Geraldo Ataliba in “Interpretação no Direito Tributário”, São Paulo: Saraiva/Educ, 1ª. ed, 1975, p. 193194, da qual se depreende que a análise de determinados atos e fatos à luz da aplicação de princípios gerais de direito pode eventualmente levar a conclusões análogas àquelas a que se chega pela interpretação econômica, mas não é por isso que se vai negar a aplicação dos institutos da teoria geral do direito, sob pena de, aí sim, contrariarse o direito. A interpretação formal da norma tributária pode levar à conclusão de que não ocorre o fato imponível quando se impede o nascimento da obrigação. Entretanto, cumpre salientar que ao lado da estrita legalidade, o texto constitucional igualmente determina que cada contribuinte, sempre que possível, pague os tributos conforme sua capacidade econômica. Não pode ser violado o princípio da capacidade contributiva pelo agente que ao utilizarse de forma diversa, não prevista em lei, acaba por alcançar finalidade econômica idêntica, sem sujeitarse à tributação originalmente prevista para aquela operação. Assim, aos princípios da legalidade e da tipicidade estrita, deve ser acrescido o da capacidade contributiva, igualmente constitucional, para justificar a correta aplicação da norma tributária. A capacidade contributiva busca assegurar que todas as manifestações dessa aptidão sejam efetivamente atingidas pela tributação. Os atos dos particulares, mesmo quando formalmente válidos, não podem ser oponíveis ao Fisco quando frutos de abuso do direito na autoorganização dos próprios negócios, comprometendo a aplicação e a eficácia dos princípios da capacidade contributiva e da isonomia entre os contribuintes. Quando a prática elisiva ou evasiva inibe a eficácia da norma tributária, passase a restringir a plenitude dos referidos princípios da capacidade contributiva e da isonomia a um só tempo. A par do respeito aos princípios constitucionais, a Autoridade Fiscal não necessita de qualquer autorização para desconsiderar um simulacro de ato ou negócio jurídico feito apenas para não deixar transparecer, ocultar, ou até mesmo para encobrir a ocorrência do fato gerador. Pensar diferentemente revelaria excessivo apego ao critério de interpretação literal – sabidamente o mais frágil dos critérios hermenêuticos –, e tornaria injusto o ordenamento jurídicoconstitucional brasileiro. Outro não é o ensinamento do brilhante doutrinador Carlos Maximiliano, in “Hermenêutica e Aplicação do Direito, Forense, 1996, pp. 151152, ao asseverar: “Considerase o Direito como uma ciência primariamente normativa ou finalística; por isso mesmo a sua interpretação há de ser, na essência, teleológica. O hermeneuta sempre terá em vista o fim da lei, o resultado que a mesma precisa atingir em sua atuação prática. A norma enfeixa um conjunto de providências, protetoras, julgadas Fl. 3475DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16561.000122/200846 Acórdão n.º 1101001.126 S1C1T1 Fl. 17 16 necessárias para satisfazer a certas exigências econômicas e sociais; será interpretada de modo que melhor corresponda àquela finalidade e assegure plenamente a tutela de interesse para a qual foi regida”. Donde se conclui que a busca da hermenêutica equilibrada, só favorece o Estado de Direito que não significa o bloqueio do Estado, mas o exercício último de sua atividade, no contorno que lhe dá a Constituição, para a realização do próprio bem estar social. A isto se acrescente que o combate à dissimulação da ocorrência do fato gerador se faz com a comprovação dos fatos e esta só pode ocorrer com uma fiscalização eficaz como a conduzida pelo autuante da exigência ora impugnada. A respeito de simulação e do resultado econômico das operações realizadas pelo grupo Perdigão para se furtar à tributação, como entendo ser o caso, assim tem se manifestado o Egrégio Conselho de Contribuintes em seus julgados mais recentes, entendimento esse do qual partilho: SIMULAÇÃO A simulação se caracteriza pela divergência entre a exteriorização e a vontade, isto é, são praticados determinados atos formalmente, enquanto subjetivamente, os que se praticam são outros. Assim, na simulação, os atos exteriorizados são sempre desejados pelas partes, mas apenas no aspecto formal, pois, na realidade, o ato praticado é outro. SIMULAÇÃO E ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO Comprovado que o contribuinte realizou a operação pretendida por meio de outrem, ato simulado, não há que se falar em erro na identificação do sujeito passivo quando o crédito tributário é constituído e exigido daquele que realmente praticou o negócio. SIMULAÇÃO E MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA Comprovada a simulação, correta a exigência da multa de ofício qualificada sobre os tributos devidos, no percentual de 150%. (Acórdão 10248659 de 04/07/2007) SIMULAÇÃO. CARACTERIZAÇÃO. O fato dos atos societários terem sido formalmente praticados, com registro nos órgãos competentes, escrituração contábil, etc. não retira a possibilidade da operação em causa se enquadrar como simulação, isso porque faz parte da natureza da simulação o envolvimento de atos jurídicos lícitos. Afinal, simulação é a desconformidade, consciente e pactuada entre as partes que realizam determinado negócio jurídico, entre o negócio efetivamente praticado e os atos formais (lícitos) de declaração de vontade. Não é razoável esperar que alguém tente dissimular um negócio jurídico dandolhe a aparência de um outro ilícito. (Acórdão 10323441 de 17/04/2008) Especificamente, sobre lucros auferidos no exterior e tratados firmados entre o Brasil e qualquer outro país para evitar a bitributação, interessante trazer à colação, o entendimento esposado pelo Egrégio Conselho de Contribuintes, nos seguintes acórdãos: LUCROS NO EXTERIOR DISPONIBILIZAÇÃO Transferência de ações da controlada que refletem os lucros acumulados configuram hipótese de disponibilização de lucros, conforme item 4, alínea b, §2º, artigo 1º, da Lei nº 9.532/97.TRATADO INTERNACIONAL Trato que impede a bitributação não impede a tributação dos lucros no país da controlada. Sistema permite a compensação de tributo pago no exterior. (Acórdão 10323441 de 17/04/2008) Texto da Decisão: Por maioria de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso de ofício, para restabelecer em parte a exigência, tomandose como base de cálculo do arbitramento dos lucros auferidos no exterior os lucros correspondentes aos anos de 1998 a 2001, vencidos os Conselheiros Caio Marcos Cândido (Relator), Sandra Maria Faroni e Paulo Roberto Cortez que deram provimento integral ao recurso de ofício, e, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso voluntário. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Mário Junqueira Franco Júnior. Ementa: ARBITRAMENTO DE LUCROS AUFERIDOS NO EXTERIOR POR SOCIEDADE CONTROLADA – cabe à sociedade controladora domiciliada no Brasil a apresentação de livros e documentos contábeis e fiscais que deram base a apuração dos resultados de pessoa jurídica controlada, no exterior e que tiveram repercussão na sua própria Fl. 3476DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16561.000122/200846 Acórdão n.º 1101001.126 S1C1T1 Fl. 18 17 apuração de resultados. A não apresentação de tais livros e documentos poderá ensejar o arbitramento do lucro da controlada, na forma do inciso II do artigo 16 da Lei nº 9.430/1996.UCROS NO EXTERIOR AUFERIDOS EM 1996 E 1997 – LEI 9.249/95 – ALTERAÇÃO DO ASPECTO TEMPORAL DA HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA PELA IN SRF 38/96 – IMPOSSIBILIDADE – Antes do advento da Lei 9.532/97, o regime de tributação dos lucros de filiais, controladas e coligadas no exterior observava o momento em que tais lucros eram auferidos, não havendo na Lei 9.249/95 qualquer elemento que considerasse a efetiva disponibilização como componente temporal da hipótese de incidência. Os lucros auferidos durante os anoscalendário de 1996 e 1997 deveriam ser adicionados em 31 de dezembro de cada ano, na proporção da participação societária, e não pelo montante efetivamente disponibilizado a posteriori. O lançamento de ofício deve, portanto, reportarse a 31 de dezembro de cada ano como data do fato gerador. Acórdão 10195874, de 09/11/2006 Por fim, cumpre esclarecer que assim como a fiscalização, entendo que apesar da autuação também poder ser constituída em outro sujeito passivo da obrigação tributária do mesmo grupo, quanto ao anocalendário 2003, e ter sido constituída na incorporadora, este fato não inquina de nulidade o auto. Entendo, ainda, que tampouco merece reparo a autuação por haver entre o Brasil e a Áustria, acordo para evitar bitributação, pois tais acordos são firmados para impedir a bitributação, porém não impede a tributação dos lucros no país da controlada. Sendo assim, voto por manter a exigência do IRPJ e da CSLL como lançados, bem assim as respectivas multas de 150%. Às fls. 2914/2941 a Procuradoria da Fazenda Nacional apresenta suas considerações relativas ao processo administrativo em epígrafe. Inicialmente observa que a exigência recai sobre lucros auferidos pela controlada indireta da autuada, Perdigão Overseas, e destaca que a aplicação da multa de oficio qualificada foi motivada justamente pela interposição da Crossban Holding entre as controladoras brasileiras e a Overseas, o que, na visão do auditor fiscal, foi realizado com a finalidade precípua de evadir a incidência de IRPJ e CSLL sobre o resultado apurado nas Ilhas Cayman. Relatando os fatos ocorridos, consigna que os lucros auferidos pela Overseas foram reconhecidos na Crossban por equivalência patrimonial — apesar da legislação austríaca não impor a avaliação do investimento pelo patrimônio liquido, como indicado pela autuada — e, por consequência, refletiram na contabilidade de PDA e PRGA (via equivalência patrimonial da Crossban), bem como no patrimônio da autuada (mediante a equivalência de PDA e PRGA), em observância à legislação societária nacional. Entende, assim, incontroverso que os lucros apurados no balanço da Overseas em 2003 e 2004 propiciaram acréscimo patrimonial às suas controladoras, seja para a Crossban, seja as controladoras indiretas residentes no Brasil, de modo que, por força do art. 74 da MP n° 2.15835/2001, esses lucros deveriam ser oferecidos à tributação na primeira faixa de controladoras brasileiras, isto é, pela PDA e PRGA. Complementa, porém, que a legislação brasileira não restringe a tributação universal aos lucros auferidos via controladas diretas, mas alcança também os resultados apurados pelas controladas indiretas, discorrendo acerca do tema em tópico específico. Aduz, ainda, que o acordo internacional firmado entre Brasil e Áustria não alcança os lucros gerados por pessoa jurídica que não reside em qualquer dos EstadosContratantes, consoante entendimento firmado no Acórdão nº 10197.070. Abordando a decisão sob reexame, e ultrapassando a preliminar de nulidade por erro na identificação do sujeito passivo, a Fazenda Nacional afirma equivocado o entendimento de que a desconsideração da Crossban seria um requisito inafastavel para a Fl. 3477DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16561.000122/200846 Acórdão n.º 1101001.126 S1C1T1 Fl. 19 18 tributação dos lucros da controlada indireta no Brasil, em razão do qual a análise da autoridade julgadora teria se centrado na análise da legitimidade do planejamento tributário realizado pelo grupo Perdigão, ou seja, foi dado ênfase à inexistência de simulação no caso concreto, o que inviabilizaria a "desclassificação" da Crossban — ou melhor, a sua classificação como mera repassadora dos lucros produzidos nas Ilhas Cayman. Admite que esta abordagem seria suficiente para desqualificar a multa de oficio, mas não infirma o cerne da acusação fiscal, i.e., a "não adição ao lucro liquido do período, para determinação do lucro real, dos lucros auferidos no exterior através de controlada”. Em seu entendimento, os lucros auferidos por intermédio da controlada indireta (Overseas) deveriam ser oferecidos it tributação por PDA e PRGA (sucedidas pela autuada) independentemente de eventual desconsideração da controlada direta (Crossban), pois no ordenamento jurídico pátrio não há qualquer regra que limite a tributação universal aos lucros apurados por controladas diretas, pois o conceito legal de sociedade controlada definido no art. 243, § 2°, da Lei n° 6.404/76 abarca tanto as controladas diretas quanto as indiretas, e esse conceito foi absorvido sem qualquer ressalva pela legislação tributária. Retomando o suposto equivoco na identificação do sujeito passivo, que motivou a improcedência total do lançamento relativo ao anocalendário de 2003, e parcial da exigência fiscal atinente a 2004, reportase à jurisprudência administrativa contrária ao lançamento em face de pessoa jurídica extinta para, embora admitindo que os lucros deveria ter sido oferecidos à tributação no pais, naturalmente, pelas controladoras que formavam a primeira faixa brasileira: PDA e PRGA Participações Ltda, defender que com a incorporação a Perdigão Agrodindustrial passou a figurar como responsável tributária, e a partir da incorporação da PDA em 6/4/2004, a autuada também passou a ser contribuinte, na proporção de sua participação societária na Crossban. Assim, a autuada era sujeito passivo do crédito tributário, e como o lançamento foi formalizado após a extinção de PDA e PRGA por incorporação —, a lavratura dos autos de infração foi devidamente efetuada em nome da Perdigão Agroindustrial. Quanto à alegação de que haveria inconsistência na determinação da matéria tributária, pois o auditor fiscal utilizou prejuízos fiscais acumulados da Perdigão Agroindustrial para compensar os tributos devidos por PDA e PRGA nos períodos autuados, defende que esse equivoco na quantificação do montante tributável não se enquadra nas hipóteses de nulidade previstas no art. 59 do Decreto n° 70.235/72, razão pela qual não tem o condão de anular os lançamentos. Observa que embora a autoridade julgadora de 1a instância também tenha assim se manifestado, ao final decidiu acolher a preliminar de erro na identificação do sujeito passivo, assim adotando entendimento que contraria a jurisprudência deste Conselho. Na seqüência, discorre sobre a tributação de lucros auferidos no exterior através de controlada indireta, abordando o conceito de sociedade controlada no direito societário e fiscal e salientando sua adoção, sem ressalvas, pelo direito tributário, para concluir que na esfera tributária também não há distinção entre controlada direta e indireta. Dessa forma, ao se referir a "sociedade controlada", a legislação fiscal alcança as empresas sujeitas ao controle direto ou indireto, sem qualquer diferenciação. Expondo seu entendimento acerca do regime de tributação universal da renda empresarial, assevera que a legislação fiscal determina que os lucros auferidos através de controladas sejam adicionados ao lucro liquido da controladora, para determinação do lucro Fl. 3478DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16561.000122/200846 Acórdão n.º 1101001.126 S1C1T1 Fl. 20 19 real, na proporção da participação societária, o que deve se verificar na data do balanço no qual tiverem sido apurados, restando evidente na legislação de regência que o regime da universalidade não está restrito as controladas diretas, em contrariedade ao sustentado no acórdão recorrido. Afirma inexistir qualquer dispositivo legal que exclua os resultados apurados por sociedade controlada indiretamente da tributação universal. No caso em análise, os lucros gerados pela Overseas Cayman deveriam ser considerados de forma individualizada por suas controladoras indiretas (PDA e PRGA), isto é, deveriam ser adicionados à base de cálculo de IRPJ e CSLL separadamente dos resultados auferidos pela Crossban Holding na Austria, em consonância ao voto vencedor proferido pelo ilustre Conselheiro Valmir Sandri no julgamento do caso Eagle. E acrescenta que a consideração individualizada dos resultados produzidos pela controlada indireta e dos lucros apurados pela controlada direta possui repercussão jurídica relevante, especialmente no que concerne à aplicação de tratados para evitar a dupla tributação e a evasão fiscal, sendo que a apuração individualizada não se confunde com a "desconsideração" da personalidade jurídica da controlada direta, representado apenas uma consequência lógica da sistemática adotada pela legislação societária e fiscal, que reconhece a existência autônoma das controladas diretas e indiretas. Finaliza a abordagem do mérito principal argumentando que os lucros produzidos nas Ilhas Cayman pela Overseas não estariam resguardados pela Convenção Brasil Austria, especialmente porque a proteção dos tratados é voltada precipuamente para as riquezas produzidas pelos residentes dos respectivos EstadosContratantes. Conclui, assim, que os lucros apurados pela Overseas Cayman deveriam ser oferecidos à tributação no pais por PDA, PRGA e pela Perdigão Agroindustrial (após a incorporação da PDA em 6/4/2004), na proporção das respectivas participações societárias, uma vez que tais lucros não estavam sob o abrigo do Tratado BrasilAustria, cujo alcance é restrito aos resultados auferidos nos EstadosContratantes. Quanto à qualificação da multa de oficio, reportase aos argumentos desenvolvidos na decisão sob reexame e observa que, com base neles, ao invés de apenas desqualificar a multa de oficio, a DRJ terminou declarando a improcedência dos lançamentos, em decorrência da premissa de que a "desclassificação" da Crossban seria imprescindível para a tributação dos lucros da controlada indireta — como visto, premissa contraria à legislação fiscal brasileira, que alcança os resultados de controladas diretas e indiretas, sem qualquer distinção. E arremata afirmando que a aplicação da multa qualificada no caso em tela é matéria eminentemente probatória, ou seja, dependente do convencimento acerca da legitimidade do planejamento fiscal montado pelo grupo Perdigão, aspecto que não representa o ponto central do processo — i.e., a não tributação dos lucros gerados pela controlada indireta nas Ilhas Cayman, em face da suposta proteção conferida pelo Tratado BrasilAustria —, cuja análise independe de eventual desconsideração da Crossban. Em suas conclusões sintetiza os argumentos acima relatados e acrescenta ser cabível a imposição da multa de oficio incorporadora, considerando que a sucessão se deu entre empresas ligadas (controladora e controladas), pertencentes ao mesmo grupo econômico, consoante a jurisprudência administrativa. Requer, assim, que seja dado provimento ao recurso de oficio, com o restabelecimento da exigência fiscal. Às fls. 2965/3098 constam memoriais apresentados em 20/07/2011, acompanhados de parecer elaborado por Eurico Marcos Diniz de Santi e cópia do acórdão nº Fl. 3479DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16561.000122/200846 Acórdão n.º 1101001.126 S1C1T1 Fl. 21 20 910100.722 da Câmara Superior de Recursos Fiscais. No mencionado parecer, depois da abordagem introdutória acerca das omissões do Poder Legislativo que induzem ao maniqueísmo fiscal e desorientam a atividade do Fisco e do Contribuinte, e das dificuldades interpretativas e “teste” da interpretação mais vantajosa no âmbito do lançamento por homologação, são apontados os vícios de validade dos autos de infração, consistentes na ausência de motivo legal e motivação no plano das normas jurídicas, ausência de motivo do ato e motivação no plano dos fatos jurídicos, erro na determinação do sujeito passivo dos autos de infração: confusão entre “sujeição passiva”, “contribuinte”, “responsável por sucessão”, “pessoa jurídica” e “sócios”, bem como erro na determinação da base de cálculo e do fato gerador pela confusão entre os mesmos conceitos antes referidos. O parecerista também se reporta à relevância do voto coletivo da DRJ e ao sentido jurídico do placar 4 x 1, questionando a falta de publicidade das decisões de 1o grau, bem como discorre sobre o mérito da tributação de lucros auferidos no exterior, sob a ótica dos diplomas legais e normativos que regem a matéria. Posicionase acerca do conceito de “controlada” do art. 74 da Medida Provisória nº 2.15835/2001 e questiona as “considerações” da Procuradoria da Fazenda Nacional, inclusive quanto ao exercício da competência e à possibilidade de alteração do lançamento. Às fls. 3099 e 3165 constam petição requerendo a juntada de Parecer elaborado pelo Professor Modesto Carvalhosa sobre matérias de direito relevantes ao desfecho da presente controvérsia, o qual está integrado às fls. 3100/3164 e 3166/3229 dos autos digitalizados do processo. A partir das informações prestadas pela consulente, o parecerista expõe seus fundamentos para responder ao quesito formulado nos seguintes termos: sob o ponto de vista do Direito Societário e do Direito Internacional, é juridicamente abusiva e contabilmente equivocada a pretensão do Fisco de invocar o conceito de controle indireto do artigo 243 da Lei nº 6.404/76, para considerar disponibilizados ao controlador brasileiro lucros auferidos por suas controladas indiretas, sediadas no exterior, sem levar em consideração a existência da sociedade intermediária CROSSBAN e do Tratado Internacional pertinente. Fl. 3480DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16561.000122/200846 Acórdão n.º 1101001.126 S1C1T1 Fl. 22 21 Voto Conselheira EDELI PEREIRA BESSA A decisão sob reexame aborda, inicialmente, a preliminar de nulidade do lançamento em razão de sua formalização em nome da Fiscalizada, utilizando inclusive o prejuízo de períodos anteriores da contribuinte no calculo dos valores lançados, embora a Fiscalizada não fosse controladora direta da empresa Perdigão Overseas em 2003 e, somente em 2004, passa a ser controladora parcial da empresa Crossban, essa sim controladora da empresa Overseas desde abril de 2003. Sob esta ótica, afirma assistir razão às alegações da impugnante, pois o lançamento deveria ter sido feito nas empresas PDA e PRGA para o anocalendário de 2003 e apenas em 2004 é que poderia ser feito o lançamento parcial na Fiscalizada, quando esta passa a controlar a empresa Crossban. Todavia, defende que as hipóteses versadas no art. 59 do Decreto nº 70.235/72 não autorizam a declaração de nulidade do lançamento por tais razões, mormente tendo em conta que a contribuinte pôde exercer plenamente o seu direito de ampla defesa nos presentes autos, traduzido pela extensa impugnação apresentada onde aborda detalhadamente cada aspecto do procedimento fiscal. Na seqüência, reconhecendo que os Autos de Infração deveriam obrigatoriamente ser lavrados sobre as empresas PDA e PRGA para o anocalendário de 2003 e apenas parcialmente sobre a Fiscalizada para o anocalendário de 2004, ressalta que a compensação de prejuízos indevidamente promovida pela autoridade lançadora acabou por beneficiar a autuada. Ao final, acolhe parcialmente a preliminar de erro na identificação do sujeito passivo da obrigação tributária e de utilização indevida do resultado da sucessora no cálculo do lançamento, excluindo deste vício apenas parte do lançamento pertinente ao ano calendário 2004, momento em que a autuada detinha alguma participação societária na investida que gerou os lucros tributados. Em verdade, o vício apontado pela impugnante está intimamente ligado com a alegação subseqüente de falta de motivação do lançamento, pois o Auditor Fiscal, desconsiderou as empresas PDA e PRGA. A autoridade julgadora de 1a instância reconheceu que o Auditor Fiscal não pôde achar na legislação pátria, a justificativa legal para ignorar as empresas PDA e PRGA no lançamento efetuado, e que em tais circunstâncias a Fiscalizada, como incorporadora, deveria aparecer apenas como responsável pelo pagamento dos tributos lançados. Novamente, porém, entendeu que a ausência do dispositivo legal infringido no auto de infração, ou a citação incorreta, também não enseja sua nulidade, quando a descrição dos fatos e a documentação que deram sustentação às autuações propiciam ao sujeito passivo exercer amplamente seu direito de defesa. Ocorre que não há, nos autos, qualquer argumentação fática que sustente a desconsideração das empresas PDA e PRGA, e autorize o lançamento das infrações diretamente contra a autuada. O único esclarecimento presente na acusação fiscal é aquele transcrito no relatório, nos seguintes termos: Fl. 3481DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16561.000122/200846 Acórdão n.º 1101001.126 S1C1T1 Fl. 23 22 Em face das constatações acima discorridas; foi lavrado o pertinente auto de infração, formalizado sob n° 16.561/000122/200846. Ademais, haja vista o disposto na Portaria RFB n° 665, de 24 de abril de 2008, foi formalizada a representação fiscal para fins penais sob n° 16.561.000123/200891. Registrese por fim que esta tributação se dá na fiscalizada tendo em vista que a PDA Participações (CNPJ 05.518.983/000176) e a PRGA Participações Ltda (CNPJ 05.518.986/000100) foram incorporadas pela fiscalizada em 2003 e 2007 respectivamente. A Fiscalização, assim, sem qualquer justificativa – como por exemplo, o fato de tais pessoas jurídicas não terem existência real – ignora as apurações originais de PDA e PRGA, não noticia se elas são tributadas pelo lucro real, presumido ou arbitrado, se a periodicidade de sua tributação era anual ou trimestral, e se já teriam se aproveitado do limite de isenção do adicional do imposto de renda. Calcula os tributos incidentes sobre o lucro dos períodos autuados a partir dos referenciais de apuração da sucessora, a qual somente reveste esta condição depois de encerrada a apuração de parte dos períodos nos quais as infrações foram constatadas. Evidente, portanto, que o vício verificado não pode ter em conta, apenas, a vantagem concedida à sucessora em razão da indevida utilização de prejuízos fiscais por ela acumulados. Desde a revogação dos arts. 43 e 44 da Lei nº 8.541/92 pela Lei nº 9.249/95 não existe mais hipótese de tributação em separado de resultados omitidos pelo sujeito passivo. A formulação de qualquer exigência depende, necessariamente, dos parâmetros de apuração definidos pelo sujeito passivo ao cumprir as obrigações acessórias que a lei lhe impõe, ou dos parâmetros fixados pela lei, em caso de arbitramento dos lucros, aplicável quando aquelas obrigações não são cumpridas. Assim, o crédito tributário devido deveria ter sido determinado mediante: 1) definição dos lucros produzidos pela investida nos anoscalendário 2003 e 2004; 2) partilha destes resultados em razão da participação de sua investidora no capital social da investida e do período no qual esta participação se verificou; 3) identificação da forma de tributação a que se sujeitava cada investidora nos períodos fiscalizados; 4) identificação da periodicidade para tributação dos resultados; 5) adição dos lucros aos resultados originalmente apurados por cada investidora, considerando eventuais prejuízos e base negativas do período e, eventualmente, de períodos anteriores; 6) cálculo dos tributos devidos, tendo em conta o limite de isenção do adicional, bem como as antecipações verificadas no período autuado. Na seqüência, os valores assim apurados seriam objeto de lançamento individualizado por investidora, com atribuição de responsabilidade tributária à sucessora por incorporação, nos casos dos lançamentos que recaíssem sobre PDA e PRGA. Resta evidente, assim, que o lançamento formalizado apenas mediante adição dos resultados à apuração original da autuada deveria estar sustentado por motivação fática e jurídica que permitisse desconsiderar as especificidades das apurações de PDA e PRGA. Por sua vez, mesmo em relação à parcela dos resultados que teriam sido auferidos diretamente pela autuada, em razão da participação que ela passou a deter depois de incorporar PDA em 31/03/2004, não é possível integrar a motivação fiscal para determinar como seria feita a distribuição dos resultados tributados integralmente em 31/12/2004. A atribuição da integralidade destes lucros à sucessora foi promovida sem qualquer investigação acerca da eventual repercussão dos resultados da investida no patrimônio de PDA incorporado pela autuada, ou mesmo da argumentação de que os resultados apurados pela investida somente teriam se formado ao final do anocalendário 2004, justificando sua titularidade integral por parte da autuada. À míngua de qualquer motivação exposta no momento do lançamento, não é Fl. 3482DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16561.000122/200846 Acórdão n.º 1101001.126 S1C1T1 Fl. 24 23 possível, por ocasião do julgamento, estabelecer um critério de rateio dos resultados ou invocar argumentos jurídicos para defender sua atribuição integral à autuada em 31/12/2004. Observese, ainda, que ao contrário do que defendido pela autoridade julgadora de 1a instância, a nulidade do lançamento não está restrita às hipóteses do art. 59 do Decreto nº 70.235/72. O art. 10 do mesmo diploma legal também enuncia requisitos essenciais para constituição do ato administrativo de lançamento, espelhando as exigências contidas no art. 142 do CTN. A motivação, sob esta ótica, é elemento essencial na constituição do crédito tributário, e sua deficiência pode ser interpretada como vício material, por ausência de adequada descrição dos fatos (art. 10, inciso III do Decreto nº 70.235/72), ou por falha na verificação da ocorrência do fato gerador e na determinação da matéria tributável (art. 142 do CTN). Em tais condições, é possível declarar a nulidade do lançamento por vício material ou mesmo a sua improcedência por deficiências de mérito. O fato, porém, é que em ambos os casos, depois da lavratura do auto de infração, não é mais possível a sua complementação, porque ausente uma das hipóteses previstas no art. 41, §1o, incisos I e II do Decreto nº 7.574/2011 (norma de natureza procedimental e assim de aplicação retroativa), ou mesmo a sua nova constituição na forma do art. 173, inciso II do CTN, por não se tratar de mero vício formal, e sim vício material, insuscetível de retificação mediante nova formalização do lançamento, porque dependente do acréscimo de aspectos fáticos e jurídicos ausentes na formalização original. De toda sorte, a declaração de nulidade por vício material parece ser a mais adequada no presente caso. Por tais razões, o litígio é solucionado na apreciação das preliminares apresentadas em impugnação, com base nas quais é possível, mesmo sem a abordagem dos demais argumentos de mérito a partir dos quais a autoridade julgadora de 1a instância cancelou a exigência, concluir também pela exoneração integral do crédito tributário lançado por em razão da nulidade material do lançamento, motivo pelo qual o presente voto é no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso de ofício. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA – Relatora Fl. 3483DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
score : 1.0
Numero do processo: 13573.000163/2008-13
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jul 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Aug 12 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007
IRPF. RENDIMENTO RECEBIDO ACUMULADAMENTE. APLICAÇÃO DO REGIME DE COMPETÊNCIA.
Conforme entendimento fixado pelo STJ, em sede de recursos repetitivos, o imposto de renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente deve ser calculado pelo regime de competência, tendo em vista que o art. 12 da Lei nº 7.713/1988 disciplina o momento da incidência, e não a forma de calcular o imposto.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2801-003.628
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso para cancelar a exigência fiscal relativa à omissão de rendimentos recebidos acumuladamente. Votou pelas conclusões o Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada. Vencido o Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida que negava provimento ao recurso.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente e Relatora.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Mara Eugenia Buonanno Caramico, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: TANIA MARA PASCHOALIN
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RENDIMENTO RECEBIDO ACUMULADAMENTE. APLICAÇÃO DO REGIME DE COMPETÊNCIA. Conforme entendimento fixado pelo STJ, em sede de recursos repetitivos, o imposto de renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente deve ser calculado pelo regime de competência, tendo em vista que o art. 12 da Lei nº 7.713/1988 disciplina o momento da incidência, e não a forma de calcular o imposto. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso para cancelar a exigência fiscal relativa à omissão de rendimentos recebidos acumuladamente. Votou pelas conclusões o Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada. Vencido o Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida que negava provimento ao recurso. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente e Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 57 3. 00 01 63 /2 00 8- 13 Fl. 90DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 11/08/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 13573.000163/200813 Acórdão n.º 2801003.628 S2TE01 Fl. 91 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Mara Eugenia Buonanno Caramico, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 3ª Turma da DRJ/SDR/BA. Por bem descrever os fatos, reproduzse abaixo o relatório da decisão recorrida: “O interessado impugna auto de infração do imposto de renda do anocalendário 2006, lavrado incluir rendimentos omitidos de R$ 58.566,13, pagos pela Energipe em ação judicial, e para glosar contribuição de previdência oficial de R$ 18.134,48. De acordo com o relatório fiscal, o contribuinte recebera na ação trabalhista rendimentos de R$ 169.339,40. Deduzidas as despesas advocatícias, deveria declarar R$ 121.254,44. Declarara, porém, apenas R$ 62.688,3 1. O impugnante argumenta, em síntese, que informara os rendimentos que serviram de base para a retenção do imposto na fonte, conforme planilha de cálculos de liquidação de sentença, homologados judicialmente; que as demais parcelas são rendimentos isentos, por se tratar de FGTS e verbas indenizatórias, além da sua atualização. Para comprovar, anexa cópias dos autos judiciais e planilha confeccionada por seu advogado (fls. 15/18). Não contesta a glosa da contribuição para a previdência oficial.” A impugnação foi julgada improcedente, conforme Acórdão de fls. 53/55, que restou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF Anocalendário: 2006 AÇÃO TRABALHISTA. VERBAS ISENTAS. PROVAS. A alegada natureza isenta de verbas recebidas em ação trabalhista deve ser comprovada com documentação hábil, e em especial por planilha de cálculo de liquidação de sentença que comprovadamente servira de base para o seu levantamento. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Regularmente cientificado daquele Acórdão em 23/11/2010 (AR fl. 60), o interessado interpôs o recurso de fls. 61/62, em 17/12/2010. Em sua defesa, alega que em momento algum deixou de pagar de forma correta o devido Imposto de Renda, conforme Fl. 91DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 11/08/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 13573.000163/200813 Acórdão n.º 2801003.628 S2TE01 Fl. 92 3 demonstra a planilha extraída dos autos da reclamação trabalhista com o registro das verbas indenizatórias. Conforme Resolução nº 2801000.204, foi sobrestado o julgamento do recurso, nos termos do art. 62A, §§1º e 2º do Regimento do CARF, tendo em vista que a constitucionalidade da regra estabelecida no art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988, foi levada à apreciação, em caráter difuso, por parte do Supremo Tribunal Federal (RE 614.406), o qual reconheceu a repercussão geral do tema e determinou o sobrestamento, na origem, dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543B, 1º, do CPC. Com a revogação dos §§1º e 2º do art. 62A do Regimento do CARF, conforme Portaria nº 545 de 18 de novembro de 2013, publicada no DOU de 20 de novembro de 2013, o recurso voluntário foi incluído em pauta para julgamento. A numeração de folhas citada nesta decisão referese à serie de números do arquivo PDF. É o relatório. Voto Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Cuida o presente lançamento de omissão de rendimentos recebidos acumuladamente em decorrência de ação trabalhista, e cuja tributação ocorreu sob a regra estabelecida no art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988. Em relação aos rendimentos recebido acumuladamente, cabe registrar que a Procuradoria da Fazenda Nacional – PGFN, diante da jurisprudência do STJ sobre rendimentos recebidos acumuladamente e com base no Parecer PGFN/CRJ/nº 287/2009, editou o Ato Declaratório nº 1/2009 publicado no Diário Oficial da União de 14/05/2009 e aprovado conforme despacho do Ministro da Fazenda publicado em 13/05/2009, e que teve efeito vinculante sobre o Fisco, com determinação para o cálculo do imposto ser mensal e não global, tanto para rendimentos de aposentaria quanto para rendimentos do trabalho. O referido Ato Declaratório teve sua eficácia suspensa pelo Parecer PGFN/CRJ/nº 2.331/2010, em razão de o Supremo Tribunal Federal, em 20/10/2010, reconhecer repercussão geral aos Recursos Extraordinários nº 614232 e 614406 que versam sobre a tributação de rendimentos recebidos acumuladamente e cujos julgamentos ainda não foram concluídos. Aliás, Conforme exposição de motivos interministerial nº 111/MF/MP/ME/MCT/MDIC/MT/ de 23/10/2010, com a edição da Medida Provisória nº497, a qual, em seu art. 20, modificou a Lei nº 7.713/1988, acrescentando lhe o art 12A, a legislação foi alterada por iniciativa do Poder Executivo para contemplar a jurisprudência firmada pelo Superior Tribunal da Justiça, a qual já havia sido adotada pela Administração por meio da Fl. 92DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 11/08/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 13573.000163/200813 Acórdão n.º 2801003.628 S2TE01 Fl. 93 4 Aprovação do Ato Declaratório PGFN nº 1/2009, em relação aos rendimentos recebidos acumuladamente, seja do trabalho ou de aposentadoria. Importa que, após reiteradas decisões no sentido de que o art. 12 da Lei nº 7.713/1988 disciplina o momento da incidência, e não a forma de calcular o imposto, o Superior Tribunal de Justiça STJ fixou o entendimento, em sede de recurso repetitivo, de que o imposto de renda incidente sobre benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado pelo regime de competência, nos termos da seguinte ementa: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. AÇÃO REVISIONAL DE BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS DE FORMA ACUMULADA. 1. O Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Precedentes do STJ. 2. Recurso Especial não provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC e do art. 8º da Resolução STJ 8/2008. Resp 1.118.429/SP, julgado em 24/03/2010 Verificase, em julgados recentes, que o STJ tem adotado a orientação firmada pela Primeira Seção do STJ, por ocasião do julgamento do recurso repetitivo REsp 1.118.429/SP para também afastar a tributação dos rendimentos do trabalho recebidos acumuladamente pelo regime de caixa, determinando que o imposto de renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente deve ser calculado com base nas tabelas e alíquota próprias a que se referem tais rendimentos, haja vista a ementa da seguinte Decisão: TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. IMPOSTO DE RENDA DA PESSOA FÍSICA IRPF. NÃO INCIDÊNCIA SOBRE JUROS DE MORA PAGOS NO CONTEXTO DE RESCISÃO DO CONTRATO DE TRABALHO. ACÓRDÃO DO TRIBUNAL DE ORIGEM EM CONSONÂNCIA COM A JURISPRUDÊNCIA DO STJ QUANTO AO TRATAMENTO TRIBUTÁRIO DE PARCELAS PAGAS ACUMULADAMENTE EM CUMPRIMENTO DE DECISÃO JUDICIAL. TEMAS JÁ JULGADOS PELA SISTEMÁTICA INSTITUÍDA PELO ART. 543C DO CP. 1.... 2. Em relação ao ponto do recurso especial em que a Procuradoria da Fazenda Nacional alega contrariedade ao art. 12 da Lei n. 7.713/88 e impugna o capítulo do acórdão do Tribunal de origem sob a rubrica "Da incidência mês a mês do imposto de renda", consta da decisão ora agravada que o mencionado recurso não procede porque a decisão proferida pelo Tribunal de origem está em consonância com a orientação firmada pela Primeira Seção do STJ, por ocasião do julgamento do recurso repetitivo REsp 1.118.429/SP (Rel. Min. Herman Fl. 93DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 11/08/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 13573.000163/200813 Acórdão n.º 2801003.628 S2TE01 Fl. 94 5 Benjamin, DJe de 14.5.2010), cuja ementa assim enuncia: "O imposto de renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente." 3. Ao dispor sobre os rendimentos recebidos acumuladamente, o art. 12 da Lei 7.713/88 disciplina o momento da incidência do imposto de renda, porém nada diz a respeito das alíquotas aplicáveis a tais rendimentos. Assim, no julgamento do recurso especial, não ocorreu violação do art. 97 da Constituição da República, tampouco contrariedade à Súmula Vinculante n. 10/STF. Como já proclamou a Quinta Turma, ao julgar os EDcl no REsp 622.724/SC (Rel. Min. Felix Fischer, REVJMG, vol. 174, p. 385), "não há que se falar em violação ao princípio constitucional da reserva de plenário (art. 97 da Lex Fundamentalis) se, nem ao menos implicitamente, foi declarada a inconstitucionalidade de qualquer lei". 4. Agravo regimental não provido. (AgRg no AgRg no REsp 1332443 / PRAGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES 2012/0138520 DJe 08/02/2013)(grifei e sublinhei) É de se concluir, portanto, que, na espécie, existe erro de cunho material na apuração do imposto devido, por aplicação incorreta do art. 12 da Lei nº 7.713/1988, consoante interpretação dada pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de Recurso Especial com a atribuição da sistemática do artigo 543–C do CPC, e que deve ser de aplicação obrigatória pelos Conselheiros do CARF, conforme disposto no art. 62A do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria nº 256, de 22 de junho de 2009, com as alterações das Portarias MF nºs 446, de 27 de agosto de 2009, e 586, de 21 de dezembro de 2010, in verbis: Artigo 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso para cancelar a exigência fiscal relativa à omissão de rendimentos recebidos acumuladamente. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Fl. 94DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 11/08/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 13573.000163/200813 Acórdão n.º 2801003.628 S2TE01 Fl. 95 6 Fl. 95DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 11/08/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN
score : 1.0
Numero do processo: 11128.006663/2009-64
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jun 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 08/06/2009
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICAÇÃO ÀS PENALIDADES DE NATUREZA ADMINISTRATIVA. INTEMPESTIVIDADE NO CUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA.
Aplica-se o instituto da denúncia espontânea às obrigações acessórias de caráter administrativo cumpridas intempestivamente, mas antes do início de qualquer atividade fiscalizatória, relativamente ao dever de informar, no Siscomex, os dados referentes ao embarque de mercadoria destinada à exportação.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3801-003.284
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e dos votos que integram o presente julgado. O Conselheiro Paulo Sérgio Celani votou pelas conclusões. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Sérgio Piqueira Pimentel Maia, OAB/RJ 24.968.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes- Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 08/06/2009 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICAÇÃO ÀS PENALIDADES DE NATUREZA ADMINISTRATIVA. INTEMPESTIVIDADE NO CUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. Aplica-se o instituto da denúncia espontânea às obrigações acessórias de caráter administrativo cumpridas intempestivamente, mas antes do início de qualquer atividade fiscalizatória, relativamente ao dever de informar, no Siscomex, os dados referentes ao embarque de mercadoria destinada à exportação. Recurso Voluntário Provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e dos votos que integram o presente julgado. O Conselheiro Paulo Sérgio Celani votou pelas conclusões. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Sérgio Piqueira Pimentel Maia, OAB/RJ 24.968. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes- Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
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APLICAÇÃO ÀS PENALIDADES DE NATUREZA ADMINISTRATIVA. INTEMPESTIVIDADE NO CUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. Aplicase o instituto da denúncia espontânea às obrigações acessórias de caráter administrativo cumpridas intempestivamente, mas antes do início de qualquer atividade fiscalizatória, relativamente ao dever de informar, no Siscomex, os dados referentes ao embarque de mercadoria destinada à exportação. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e dos votos que integram o presente julgado. O Conselheiro Paulo Sérgio Celani votou pelas conclusões. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Sérgio Piqueira Pimentel Maia, OAB/RJ 24.968. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 66 63 /2 00 9- 64 Fl. 98DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 04/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11128.006663/200964 Acórdão n.º 3801003.284 S3TE01 Fl. 3 2 Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 99DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 04/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11128.006663/200964 Acórdão n.º 3801003.284 S3TE01 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o acórdão, julgado pela 7ª. Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Fortaleza (DRJ/FOR), em que foi julgada improcedente a impugnação apresentada pela contribuinte, sendo o crédito tributário mantido. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia Regional de Julgamento de origem, que assim relatou os fatos: “O presente processo é referente à exigência de multa pelo descumprimento da obrigação acessória de prestar informação sobre carga transportada, na forma e no prazoestabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. O lançamento, que foi contestado pela empresa autuada, (...)à época de sua formalização. Da Autuação No campo DESCRIÇÃO DOS FATOS E ENQUADRAMENTO LEGAL do Auto de Infração consta, em síntese, que a empresa autuada solicitou, após o decurso do prazo para prestar informação sobre carga transportada, definido na Instrução Normativa RFB nº 800/2007, a retificação de dado já incluído no sistema informatizado de controle de cargas. Em razão dessa conduta, a autoridade autuante entendeu estar caracterizada a infração tipificada no art. 107, IV, “e”, do DecretoLei nº 37/1966, com redação dada pela Lei nº 10.833/2003, e aplicou a multa ali prescrita. A fiscalização informou que, de acordo com a legislação regente, o controle aduaneiro da movimentação de cargas, embarcações e unidades de carga é feito por meio do Siscomex Carga, o qual deverá ser suprido de informações a serem prestadas pelos intervenientes no comércio exterior, inclusive as agências de carga ou de navegação, como é o caso da autuada. As referidas informações estão dispostas nos Anexos da IN SRF nº 800/2007, e servem para gerar o conhecimento eletrônico (CE) de carga. A autoridade lançadora esclareceu que, nos termos dos artigos 3º e seguintes da IN RFB nº 800/2007, a autuada responde pelas informações prestadas a destempo, e que essa responsabilidade é objetiva, perfazendose independentemente da intenção do agente, consoante dispõe o art. 136 do Código Tributário Nacional. Diante dos fatos apurados, a fiscalização lavrou o Auto de Infração em debate, tendo como fundamento, além dos dispositivos legais já mencionados, os indicados no campo ENQUADRAMENTO LEGAL do Auto de Infração. Fl. 100DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 04/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11128.006663/200964 Acórdão n.º 3801003.284 S3TE01 Fl. 5 4 Da Impugnação O sujeito passivo foi cientificado da exação e apresentou impugnação, na qual aduz os argumentos a seguir sintetizados. a) A conduta da impugnante não está tipificada no art. 107, IV, “e”, do DecretoLei nº 37/1966, com redação dada pela Lei n° 10.833/2003, uma vez que ela não deixou de prestar a informação exigida e a norma punitiva não admite analogia ou interpretação extensiva. b) Mesmo que a conduta da impugnante pudesse ser considerada infração, ainda assim não seria cabível a multa aplicada, pois o pedido de retificação foi feito antes de qualquer ação fiscal, sendo aplicável ao caso o instituto da denúncia espontânea, constante no art. 138 do CTN, para fins de exclusão da penalidade. c) A penalidade também não pode ser cominada à impugnante porque ela não se reveste da condição de empresa de transporte internacional, nem é prestadora de serviço de transporte internacional expresso portaaporta ou agência de carga. É apenas uma agência de navegação, que tem por fim prover as necessidades do navio no porto de destino, e não pode ser equiparada às empresas mencionadas anteriormente. d) O fato de a agência marítima ser representante do transportador estrangeiro não implica em responsabilidade solidária pela prestação de informação de forma irregular, pois a solidariedade tem que estar prevista em lei. e) O Auto de Infração não atende às exigências legais, pois não traz o transportador como sujeito passivo nem apresenta qualquer prova ou informação que possa contribuir para sua identificação. Ao final a defesa requer que o lançamento seja julgado improcedente.” A impugnação foi conhecida pela DRJ de origem, sendo julgada improcedente. O acórdão da DRJ/FOR conta com a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO AGÊNCIA MARÍTIMA REPRESENTANTE DE TRANSPORTADOR ESTRANGEIRO. PRESTAÇÃO INTEMPESTIVA DE INFORMAÇÃO. LEGITIMIDADE PASSIVA. Responde pela prestação intempestiva de informação legalmente exigida a agência de navegação marítima representante de transportador estrangeiro que tiver concorrido para a prática dessa infração ou dela se beneficiado. Fl. 101DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 04/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11128.006663/200964 Acórdão n.º 3801003.284 S3TE01 Fl. 6 5 ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO SOBRE CARGA TRANSPORTADA. RETIFICAÇÃO INTEMPESTIVA DE REGISTRO. IRRELEVÂNCIA DA INTENÇÃO DO AGENTE. MULTA A retificação de registro sobre carga transportada após o prazo fixado para prestar essa informação confirma que o dado correto não foi apresentado tempestivamente, fato que é tipificado como infração autônoma, punível com multa específica, independente da intenção do agente. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO SOBRE CARGA TRANSPORTADA. DESCUMPRIMENTO DA OBRIGAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. DESCABIMENTO. A prestação de informações sobre as cargas transportadas na forma e no prazo legalmente estabelecidos é obrigação acessória autônoma, cujo descumprimento não comporta saneamento via denúncia espontânea, que é expressamente afastada após a atracação do veículo transportador. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada com a improcedência da impugnação, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário a este Conselho, onde em suas razões, requer a reforma do acórdão. É o sucinto relatório. Fl. 102DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 04/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11128.006663/200964 Acórdão n.º 3801003.284 S3TE01 Fl. 7 6 Voto Conselheiro Paulo Antônio Velloso da Silveira –Relator. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. A controvérsia em discussão nestes autos se refere à aplicação da multa à recorrente Wilson Sons Agência Marítima Ltda. A questão em debate cingese à incidência da multa prevista pelo art. 107, IV, alínea “e” do DecretoLei nº 37/66, em que a Recorrente protesta pela atipicidade dos fatos praticados, pela nulidade do auto de infração que apresentou fundamentos conflitantes para a penalidade, bem como requer o benefício da denúncia espontânea, haja vista ter apresentado as informações previstas pela IN/SRF nº 28/94. A multa aplicada está prevista no art. 107, inciso IV, alínea "c", do Decreto lei n° 37, de 18 de novembro de 1966, com redação dada pelo art. 77, da Lei n° 10.833, de 29 de dezembro de 2003, in verbis: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (...) IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (...) c) a quem, por qualquer meio ou forma, omissiva ou comissiva, embaraçar, dificultar ou impedir ação de fiscalização aduaneira, inclusive no caso de nãoapresentação de resposta, no prazo estipulado, a intimação em procedimento fiscal; Preliminarmente afasto o argumento da Recorrente de que, por ser a empresa uma agência marítima, e não uma transportadora, não está configurada sua responsabilidade quanto à prática da infração objeto dos autos. Ocorre que a obrigação do transportador, de prestar as informações à RFB, encontrase estabelecida no art. 37 do DecretoLei nº 37/66, com a redação dada pelo art. 77 da Lei nº 10.833, de 2003, in verbis: Art. 37. O transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado. § 1º O agente de carga, assim considerada qualquer pessoa que, em nome do importador ou do exportador, contrate o transporte de mercadoria, consolide ou desconsolide cargas e preste serviços conexos, e o operador portuário, também devem prestar Fl. 103DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 04/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11128.006663/200964 Acórdão n.º 3801003.284 S3TE01 Fl. 8 7 as informações sobre as operações que executem e respectivas cargas. Ultrapassados tal argumento, entendo que a penalidade não deve ser aplicada no presente caso. Ocorre que, muito embora típica e perfeitamente subsumido o fato à norma, no caso em tela se está diante de uma excludente da punibilidade, haja vista a Recorrente estar amparada pela hipótese legal da chamada denúncia espontânea. Esse instituto jurídico tem lugar quando o contribuinte informa à administração as infrações por ele praticadas, antes de iniciado qualquer procedimento fiscalizatório. A vantagem dessa confissão prévia e espontânea para o contribuinte está na consequência legal que o instituto lhe garante. É que a penalidade correspondente é excluída. Ocorre que a Recorrente solicitou através de petição datada de 20/01/2011 (fl. 21), retificação de informação do CEMERCANTE n° 151005206011704, referente ao Conhecimento de Carga n° MOLU13900291395, consignado à empresa New Track Importação, Exportação e Distribuição Ltda. A informação referiase ao NCM informado incorretamente. Assim, em 28/01/2011 foi promovida pela Receita Federal do Brasil a referida retificação, conforme consta no auto de infração. Assim, somente após o protocolo da petição retificadora da NCM, é que ocorreu a lavratura do Auto de Infração, sendo intimada a contribuinte, por carta A.R.. Portanto, o Auto de Infração somente foi lavrado após o protocolo da petição que retificou a NCM. Logo, o pedido de retificação prestado pela recorrente foi anterior à lavratura da Intimação, assim como antes também da lavratura do Auto de Infração. Deste modo, aplica se ao presente caso o instituto da denúncia espontânea. O Código Tributário Nacional disciplina no art. 138 a exclusão da responsabilidade quando a denúncia espontânea for acompanhada do pagamento do tributo e dos juros de mora, restringindo tal hipótese quando caracterizado o início do procedimento administrativo ou qualquer medida de fiscalização, nos termos do parágrafo único. Destacase também que até a edição da Medida Provisória nº 497, de 27 de julho de 2010, convertida na Lei nº 12.350, de 20 de dezembro de 2010, a caracterização da denúncia espontânea não contemplava as obrigações acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com o fato gerador do tributo. Porém, com a vigência da norma acima, foi modificado o § 2º, do art. 102 do DecretoLei nº 37/66, incluindo as penalidades administrativas dentre aquelas possíveis de aplicação da denúncia espontânea, in verbis: Art. 102. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; Fl. 104DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 04/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11128.006663/200964 Acórdão n.º 3801003.284 S3TE01 Fl. 9 8 b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (grifouse) No presente caso, temos, portanto, que a retificação foi apresentada antes de qualquer procedimento de fiscalização, caracterizando a denúncia espontânea, devendo ser excluída a penalidade ora discutida, de natureza administrativa, conforme previsão do § 2º do artigo 102 do DecretoLei nº 37/66. Acrescentase ainda que este Egrégio Conselho tem compartilhado deste entendimento, consoante se verifica pelos arestos abaixo: DENÚNCIA ESPONTÂNEA CONFIGURAÇÃO A retificação de informação prestada em registro de conhecimento de carga antes de qualquer procedimento da fiscalização aduaneira, está amparada pela denúncia espontânea prevista no art. 102, do mesmo diploma legal (Acórdão 3101001.138, 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, sessão de 22/05/2012, Relator Conselheiro Luiz Roberto Domingo) DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICAÇÃO AS PENALIDADES DE NATUREZA ADMINISTRATIVA. RETROATIVIDADE BENIGNA. A alteração do art. 102 do DecretoLei nº 37/66 promovida pela Medida Provisória nº 497/2010, posteriormente convertida na Lei nº 12.350/2010, que incluiu as penalidades de natureza administrativa, dentre aquelas alcançadas pela denúncia espontânea é aplicada aos casos ainda pendentes de julgamento, em razão da retroatividade benigna, nos termos do art. 106, inciso II, alínea “c” do CTN. (Acórdão 3102001.663, 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, sessão de 25/10/2012, Relator Conselheiro Álvaro Arthur L. de Almeida Filho) DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA ADMINISTRATIVA ADUANEIRA ISOLADA. DENUNCIA ESPONTÂNEA. Por força de dispositivo legal, a denúncia espontânea passou a beneficiar a multa administrativa aduaneira aplicada isoladamente por descumprimento de obrigação acessória denunciada antes de quaisquer procedimentos de fiscalização. (Acórdão 3301001.691, 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, sessão Fl. 105DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 04/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11128.006663/200964 Acórdão n.º 3801003.284 S3TE01 Fl. 10 9 de 30/01/2013, Relator Conselheiro Jose Adão Vitorino de Morais) Em face do exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, para excluir a penalidade aplicada em razão da denúncia espontânea. É assim que voto. (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Relator Fl. 106DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 04/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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Numero do processo: 13851.001981/2003-94
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 07 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jul 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2000
Ementa:
COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. AFERIÇÃO DE LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO.
Trazidos aos autos elementos capazes de possibilitar a aferição, ainda que em parte, da liquidez e certeza do direito creditório indicado para fins de compensação tributária, há de se reconhecer o referido crédito, determinando-se a homologação das compensações pleiteadas até o limite do direito reconhecido.
Numero da decisão: 1301-001.510
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª câmara / 1ª turma ordinária da primeira seção de julgamento, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso.
documento assinado digitalmente
Valmar Fonseca de Menezes
Presidente
documento assinado digitalmente
Wilson Fernandes Guimarães
Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Valmar Fonseca de Menezes, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: WILSON FERNANDES GUIMARAES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2000 Ementa: COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. AFERIÇÃO DE LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. Trazidos aos autos elementos capazes de possibilitar a aferição, ainda que em parte, da liquidez e certeza do direito creditório indicado para fins de compensação tributária, há de se reconhecer o referido crédito, determinando-se a homologação das compensações pleiteadas até o limite do direito reconhecido.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª câmara / 1ª turma ordinária da primeira seção de julgamento, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso. documento assinado digitalmente Valmar Fonseca de Menezes Presidente documento assinado digitalmente Wilson Fernandes Guimarães Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Valmar Fonseca de Menezes, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 21; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1645; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 1.180 1 1.179 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13851.001981/200394 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1301001.510 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 07 de maio de 2014 Matéria IRPJ COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA Recorrente FISCHER S/A COMÉRCIO, INDÚSTRIA E AGRICULTURA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2000 Ementa: COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. AFERIÇÃO DE LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. Trazidos aos autos elementos capazes de possibilitar a aferição, ainda que em parte, da liquidez e certeza do direito creditório indicado para fins de compensação tributária, há de se reconhecer o referido crédito, determinando se a homologação das compensações pleiteadas até o limite do direito reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª câmara / 1ª turma ordinária da primeira SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso. “documento assinado digitalmente” Valmar Fonseca de Menezes Presidente “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 1. 00 19 81 /2 00 3- 94 Fl. 1180DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 6/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 13851.001981/200394 Acórdão n.º 1301001.510 S1C3T1 Fl. 1.181 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Valmar Fonseca de Menezes, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Fl. 1181DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 6/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 13851.001981/200394 Acórdão n.º 1301001.510 S1C3T1 Fl. 1.182 3 Relatório FISCHER S/A COMÉRCIO, INDÚSTRIA E AGRICULTURA, já devidamente qualificada nestes autos, recorre a este Conselho contra a decisão prolatada pela 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto, São Paulo, que indeferiu os pedidos veiculados através de manifestação de inconformidade apresentada contra a decisão da Delegacia da Receita Federal em Araraquara, também em São Paulo. Do Relatório contido na decisão de primeira instância, extraio as seguintes informações: em 22 de dezembro de 2003, a contribuinte protocolizou documento (fls. 01/03), informando, em síntese, que: a) no anocalendário de 1999, resgatou valores de aplicações financeiras, tendo sido descontado o IRRF correspondente; b) no encerramento do anocalendário, apurou IRPJ a restituir no montante de R$ 5.620.295,97; c) por um lapso, R$ 1.773.276,69, que foi descontado no momento do resgate de suas aplicações financeiras, foi retido em nome de outra pessoa jurídica (CPM – Companhia de Participações Marítimas, CNPJ: 02.679.183/000149); d) o equívoco ocorreu em virtude da troca de titularidade dessas aplicações financeiras, vez que a empresa CPM – Companhia de Participações Marítimas sofreu cisão parcial, transferindo a ela, a propriedade daqueles ativos financeiros; e) a operação de cisão ocorreu nos termos da legislação de regência; f) os seus registros contábeis demonstram que estas aplicações financeiras compunham o seu patrimônio no momento da retenção; g) da parcela restante do imposto a restituir, no montante de R$ 3.847.019,28 (R$ 5.620.295,97 menos R$ 1.773.276,69), R$ 3.835.659,94 foi compensado com débitos dela própria, mediante PER/DCOMP; h) que formalizou o PER/DCOMP de nº 07729.60842.151203.1.2.025046 para formalizar o pedido de restituição do valor de R$ 1.773.276,69; i) que houve também a transmissão da PER/DCOMP de nº 14776.96083.151203.1.2.027015 pela CPM – Companhia de Participações Marítimas, relativo ao mesmo crédito na cifra de R$ 1.773.276,69. Por meio do Despacho Decisório DRF/AQA/EQORT nº 13851.001981/2003 94, de 1º de dezembro de 2006 (fls. 693/701), o direito creditório da contribuinte foi reconhecido parcialmente em virtude das seguintes razões: Fl. 1182DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 6/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 13851.001981/200394 Acórdão n.º 1301001.510 S1C3T1 Fl. 1.183 4 1. embora a contribuinte solicite a restituição de R$ 1.773.276,69, por meio da PER/DCOMP nº 07729.60842.151203.1.2.025046, não há informes de rendimentos nesse valor em seu nome, nem Declarações de Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF) nos sistemas informatizados da Receita Federal em igual forma; 2. entre os informes de rendimentos apresentados, constam documentos em nome da empresa FITAL PARTICIPAÇÕES S/A, que não são passíveis de restituição; 3. a empresa CPM – Companhia de Participações Marítimas, detentora dos informes e apontada pelas fontes pagadoras como real beneficiária dos rendimentos, também apresentou pedido de restituição dos valores; 4. foi efetuada a glosa no valor de R$ 135.655,07, relativo ao informe de rendimentos do Banco Rabobank INTL. Brasil S/A, CNPJ: 01.023.570/000160, em razão de divergência entre os valores informados na Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF) e aqueles constantes nos informes de rendimento; 5. foi efetuada a glosa do montante de R$ 455.630,62, relativo ao IRRF retido pela fonte pagadora UNIBANCO, CNPJ nº 33.700.394/000140, em virtude de insuficiência do rendimento bruto oferecido à tributação, nos termos da legislação de regência; 6. a contribuinte informou na linha 16 da ficha 13A da declaração, o valor de R$ 197.247,07, como imposto de renda mensal pago por estimativa, todavia, incluiu tal valor no total do IRRF que compôs o saldo negativo do IRPJ do anocalendário de 1999. Diante do deferimento parcial do pedido, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 715/723), momento em que ofereceu, em apertada síntese, os seguintes argumentos: que, com exceção da glosa relativa ao valor de R$ 197.247,09 (valor informado como imposto de renda mensal pago por estimativa e incluído no total do IRRF que compôs o saldo negativo do IRPJ do anocalendário de 1999), os demais valores foram indevidamente excluídos pela autoridade fiscal; que discordava de que a inexistência de informes de rendimento em seu nome, por si só, seria suficiente para impedir a restituição do IRRF, nos valores de R$ 1.773.276,69 e R$ 189.990,34, tendo como beneficiárias da retenção as empresa CPM e FITAL; que incorporou a FITAL e parcela dos bens da CPM, em decorrência de sua cisão, tornandose titular dessas aplicações financeiras e, conseqüentemente, a efetiva beneficiária dos rendimentos produzidos nesses investimentos; que das aplicações financeiras realizadas pela CPM, a cifra de R$ 165.870,67 foi cedido a ela mediante instrumento particular de cessão de créditos de aplicação financeira; que os informes de rendimento deveriam ter sido emitidos em nome dela e não das pessoas jurídicas sucedidas; Fl. 1183DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 6/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 13851.001981/200394 Acórdão n.º 1301001.510 S1C3T1 Fl. 1.184 5 que as instituições financeiras incorreram em equívoco ao instruírem os informes de rendimentos e as DIRF com os nomes daquelas empresas; que os erros e equívocos cometidos por essas instituições financeiras não poderiam ser utilizados pela Fiscalização para indeferir o seu direito à restituição do saldo negativo, relativo ao anocalendário de 1999; que acórdãos do então Conselho de Contribuintes acolhem o entendimento de que os erros ou equívocos cometidos pelos sujeitos passivos no cumprimento de sua obrigação acessória não são capazes de criar ou extinguir obrigações na órbita do Direito Tributário; que, diante do equívoco das fontes pagadoras, deveria a autoridade fiscal corrigir de ofício as respectivas DIRF e/ou determinado a correção dos respectivos informes; que, no que dizia respeito à divergência entre DIRF e informe de rendimentos relativa à retenção realizada pelo Banco Rabobank International Brasil S.A., a instituição financeira reconheceu expressamente o equívoco cometido no preenchimento de sua DIRF, conforme correspondência anexa (doc. 27); que, relativamente à divergência entre DIRF e informe de rendimentos da retenção realizada pelo Banco UNIBANCO, na verdade, ela reconheceu a título de rendimento, decorrentes de suas aplicações financeiras, o montante de R$ 2.590.619,00, o que superaria o montante do rendimento bruto constante na DIRF elaborada pelo UNIBANCO; que não haveria fundamento jurídico que justificasse a glosa da totalidade do IRRF declarado por aquela instituição financeira na DIRF e informe de rendimentos, mas tão somente o valor correspondente à suposta receita que deixou de ser computada no seu rendimento tributável. A já citada 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto, apreciando os argumentos expendidos pela contribuinte, decidiu, por meio do acórdão nº 1417.435, de 29 de outubro de 2007, pela improcedência dos pedidos, conforme ementa a seguir transcrita. IRRF DECORRENTE DE APLICAÇÕES FINANCEIRAS. RESTITUIÇÃO. O IRRF decorrente de aplicações financeiras somente poderá ser compensado na declaração de rendimentos se o contribuinte possuir o Informe de Rendimentos Financeiros emitido em seu nome pela fonte pagadora; caso contrário, não poderá ser compensado e, por conseguinte, não poderá gerar direito à restituição. INCORPORAÇÃO. CISÃO PARCIAL. EVENTO. A data do evento da incorporação e cisão parcial, para fins de legislação tributária, é aquela em que ocorrer a deliberação que aprovar a incorporação, através de assembléia dos acionistas, quando se tratar de sociedades por ação, ou de alteração do contrato social, no caso das demais sociedades. Se entre a data de assinatura dos documentos e de seu arquivamento na Junta Comercial decorrerem mais de 30 (trinta) dias, a data do evento de incorporação (ou cisão) será a do registro pelo órgão. DIREITO CREDITÓRIO. COMPROVAÇÃO. Fl. 1184DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 6/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 13851.001981/200394 Acórdão n.º 1301001.510 S1C3T1 Fl. 1.185 6 Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que seja aferida sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. RENDIMENTOS FINANCEIROS. FONTE PAGADORA. AUSÊNCIA DE DECLARAÇÃO. BENEFICIÁRIO. COMPROVANTES. A ausência de declaração de informações de fonte pagadora referente a rendimento pago e respectivo imposto de renda retido não impede que seu beneficiário o deduza do devido no período de apuração quando este apresenta os respectivos informes emitidos por aquela e reste demonstrado que tais valores foram regularmente oferecidos à tributação. IRPJ. SALDO NEGATIVO. O reconhecimento de direito creditório a título de saldo negativo reclama comprovação contábil do valor devido na apuração anual e que referido saldo negativo não tenha sido utilizado para compensar o imposto de renda devido nos períodos posteriores àqueles abrangidos no pedido. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. A matéria submetida a glosa em análise de pedido de restituição de saldo negativo de IRPJ, não contestada na manifestação de inconformidade, é reputada como incontroversa e é insuscetível de ser trazida à baila em momento processual subseqüente. Inconformada, a contribuinte impetrou o recurso voluntário de fls. 813/827, por meio do qual sustentou: Relativamente às glosas dos valores de Imposto de Renda Retido na Fonte cujos informes de rendimentos foram emitidos em nome de Companhia de Participações Marítimas (CPM) e Fital Participações S/A (FITAL): que o posicionamento defendido pela Fiscalização (e corroborado na decisão de primeira instância) está equivocado, pois se encontra apoiado em erro cometido pelas fontes pagadoras dos rendimentos produzidos por aplicações financeiras à ela pertencentes no anocalendário de 1999; que em 30 de dezembro de 1998, previamente às retenções, incorporou a FITAL e parcela dos bens da CPM, em decorrência de sua cisão parcial, conforme comprovam as anexas atas de assembléia geral extraordinária, o protocolo e justificação de cisão parcial com incorporação e os laudos de avaliação; que não se pode alegar, como fez a autoridade julgadora de primeira instância, que os efeitos da incorporação só poderiam ser reconhecidos por ela a partir da data do registro das operações perante a junta comercial, ocorrido em 03 de fevereiro de 1999, pois o art. 36 da Lei nº 8.934/94, que trata do registro público de empresas mercantis e atividades afins, determina que os documentos relativos à constituição, alteração, dissolução e extinção de firmas mercantis individuais, sociedades mercantis e cooperativas “deverão ser apresentados na junta dentro de 30 (trinta) dias contados de sua assinatura, a cuja data retroagirão os efeitos do arquivamento; fora desse, o arquivamento só terá eficácia a partir do despacho que o conceder”; Fl. 1185DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 6/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 13851.001981/200394 Acórdão n.º 1301001.510 S1C3T1 Fl. 1.186 7 que é importante observar que o termo final do prazo de trinta dias é a data de apresentação do documento societário pelo interessado na junta, e não a data do despacho que deferir o arquivamento (adita que o documento foi apresentado tempestivamente, em 29 de janeiro de 1999, conforme atesta a anexa certidão expedida pela Junta Comercial do Estado de São Paulo; que ainda que o documento tivesse sido apresentado intempestivamente perante a junta comercial (o que, para ela, não seria o caso), não procede a afirmação feita pela autoridade julgadora de primeira instância de que, para fins fiscais, os efeitos do ato de incorporação, fusão ou cisão só valeriam a partir da data do despacho que conceder o arquivamento, pois, na apresentação intempestiva, o que não retroage à data da assinatura do documento e só terá eficácia a partir do despacho que o conceder são os efeitos do arquivamento, e não a eficácia do ato, que continua a se reportar à data da deliberação que aprovar a incorporação, fusão ou cisão; que a legislação tributária federal nunca condicionou os efeitos fiscais do ato de incorporação, fusão ou cisão ao registro do documento societário perante a junta comercial, e sim à data do evento, isto é, à data da deliberação que aprovar a incorporação, fusão ou cisão; que é entendimento pacífico doutrinário que o arquivamento dos atos societários perante a junta comercial não é constitutivo de direito, mas, sim, meramente declaratório; que os erros e equívocos cometidos pelas instituições financeiras, quando do preenchimento dos informes de rendimentos, não podem ser utilizados pela Fiscalização para indeferir o seu direito à restituição do saldo negativo de IRPJ relativo ao anocalendário de 1999 (transcreve manifestações jurisprudenciais que convergem para esse entendimento); que, especificamente quanto à cisão parcial da CPM, cabe esclarecer que a parcela vertida do acervo líquido em seu favor é composta, exclusivamente, por aplicações financeiras, conforme atestam os documentos societários da operação já juntados aos autos, sendo o seu valor contábil avaliado em R$ 87.538.153,70, que, somados ao crédito de R$ 165.870,67, objeto do INSTRUMENTO PARTICULAR DE CESSÃO DE CRÉDITOS DE APLICAÇÃO FINANCEIRA, firmado entre a CPM e ela, chegarseá ao montante global de R$ 87.704.024,37, constante da folha do Livro Razão da CPM que foi juntada ao processo, comprobatória da transferência do saldo das aplicações financeiras entre as empresas; que o objeto do mencionado instrumento particular corresponde a direitos e obrigações decorrentes de aplicações financeiras, e não à transferência de créditos de imposto retido na fonte vinculados a aplicações financeiras como alegado pela autoridade julgadora de primeira instância. Relativamente à glosa realizada em função de divergências entre a DIRF e os informes de rendimentos: que a divergência decorre de equívoco cometido pelo BANCO ROBOBANK INTERNATIONAL BRASIL S/A que, para fins da DIRF, considerou equivocadamente que parte dos rendimentos gerados em operações de SWAP foi auferida pela CPM, mesmo depois da cisão de seu patrimônio, enquanto que, no informe de rendimento, foi devidamente considerado que a totalidade dos rendimentos dessas operações foi paga à ela; Fl. 1186DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 6/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 13851.001981/200394 Acórdão n.º 1301001.510 S1C3T1 Fl. 1.187 8 que a referida instituição financeira reconheceu expressamente o equívoco cometido no preenchimento da DIRF, conforme se verifica pela correspondência anexa; que, não obstante a decisão de primeira instância tenha negado provimento integral à manifestação de inconformidade, a conclusão deste item no processo é bastante favorável à sua pretensão (transcreve excerto do voto condutor da referida decisão); que, ainda que hipoteticamente, a glosa fosse procedente, ela não poderia ser no montante total de R$ 135.655,07, senão de R$ 57.420,45, correspondente à diferença entre R$ 135.655,07 e R$ 78.234,62. Relativamente à glosa do imposto retido pelo UNIBANCO: que, se os lançamentos contábeis registrados no seu Livro Razão tivessem sido examinados pela Fiscalização com a atenção exigida, verificarseia que, na verdade, ela reconheceu, a título de receitas financeiras provenientes de suas aplicações realizadas no UNIBANCO, o valor total de R$ 2.590.619,00, conforme demonstram o quadro anexado aos autos e os lançamentos contábeis; que, ainda que a Fiscalização estivesse certa, não há qualquer fundamento jurídico válido que justifique a glosa da totalidade do IRF declarado, mas tão somente do valor correspondente à suposta receita que deixou de ser computada no rendimento tributável; que, além disso, o acórdão da DRJ, embora tenha concluído pelo indeferimento integral da manifestação de inconformidade, garantiu expressamente parte do crédito pleiteado (transcreve excerto do voto condutor da referida decisão). Relativamente ao direito à restituição/compensação do saldo negativo de 1999: que autoridade julgadora de primeira instância impropriamente impõe à ela o dever de realizar a prova negativa de um fato impeditivo, modificativo ou extintivo do seu direito creditório (provar a inexistência de compensação sem requerimento à autoridade fiscal), ônus que, para ela, compete à autoridade fiscal (reproduz o art. 333 do CPC); que a autoridade de primeira instância levantou uma questão que não havia fundamentado a glosa feita pela Fiscalização quando da elaboração do despacho decisório; que a jurisprudência administrativa é pacífica e intransigente contra a inovação do feito pela autoridade julgadora. Em sessão realizada em 04 de novembro de 2009, a 2ª Turma Ordinária desta Terceira Câmara, por meio da Resolução nº 130200.024, resolveu converter o julgamento em diligência para que a unidade administrativa de origem verificasse se os assentamentos contábeis da contribuinte indicavam a existência de imposto a recuperar relativo ao ano calendário de 1999 por ocasião da formalização do pedido de restituição. Solicitou ainda que, em caso positivo, fosse informado se os referidos assentamentos contábeis apontavam a utilização do citado valor (imposto a recuperar relativo ao anocalendário de 1999) na compensação de débitos, promovendo, se fosse o caso, a correspondente discriminação de tal utilização. Fl. 1187DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 6/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 13851.001981/200394 Acórdão n.º 1301001.510 S1C3T1 Fl. 1.188 9 Em atendimento, a Delegacia da Receita Federal em Araraquara, São Paulo, produziu o documento de fls. 1.147/1.148, em que restou consignado, in verbis: Nos termos das funções de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil e de acordo com o disposto no artigo 911 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto nº 3.000 de 26 de março de 1999, efetuei a presente diligência fiscal com o intuito de prestar os esclarecimentos solicitados pelo Acórdão nº 130200.024 da 3ª Câmara do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) em relação aos seguintes itens: 1) Os assentamentos contábeis indicavam a existência de imposto a recuperar relativo ao ano calendário 1999 por ocasião do pedido de restituição: SIM, indicavam conforme documentos apresentados pelo contribuinte às fls digitais 1042/1043 e 1081 a 1091 em conjunto com análise da DCTF utilizandose do “Demonstrativo de Compensações não Eletrônicas”. Neste verificase que embora tenha havido compensação de débitos na contabilidade (“autocompensação”) no decorrer dos anos calendários 1999 e 2000, haveria crédito do saldo negativo IRPJ 1999 (ano calendário 1998) que seria suficiente para garantir estas compensações na escrituração conforme fls digitais 1139 a 1143; 2) Em caso positivo, informar se os referidos assentamos contábeis apontam utilização do citado valor (imposto a recuperar relativo ao ano calendário 1999) na compensação de débitos, promovendo, se for o caso, a correspondente discriminação de tal utilização: o crédito de saldo negativo IRPJ 2000 (ano calendário 1999) somente foi compensado via declarações de compensação eletrônicas (perdcomp) nº 25903.10400.300503 e 33614.80046.300503 cujos débitos estão controlados neste mesmo processo 13851.001981/200394 no sistema Profisc conforme fl. digital 800 (antiga fl. 707). Nos documentos apresentados verificamos o registro desta compensação na conta contábil “1.1.05.02.0006IRPJ a RecuperarExercícios Anteriores” às fls. digitais 1081 e 1089; Na resposta à Intimação nº 742/2012 à fl. digital 1041 o contribuinte informa a retenção de R$11.359,15 em “Informes não localizados”, porém somente identificamos na DIRF da própria Citrosuco (CNPJ 33.010.786/000187) o valor de retenção residual de R$57,69. Constatase que a retenção no valor de R$57.420,45 do Banco Rabobank na DIRF da CPM somado aos R$78.234,62 na DIRF da Citrosuco totaliza R$135.655,07. Adicionalmente, constato que se o CARF reconhecer a retenção no valor de R$1.773.276,69 com informes em nome da CPM (fl. digital 1144) como retenção da Citrosuco, consequentemente este mesmo valor será obrigatoriamente glosado no processo 15374.906818/200822 de restituição de IRPJ exercício 2000 (ano calendário 1999) da CPM (CNPJ 02.679.183/000149) que ficará sobrestado aguardando Acórdão do CARF no processo 13851.001981/200394. Cientificada do resultado da diligência, CITROSUCO S/A AGROINDÚSTRIA, nova razão social de FISCHER S/A – COMÉRCIO, INDÚSTRIA E AGRICULTURA, apresentou o documento de fls. 1152/1155, alegando: que, a partir da planilha elaborada no despacho de diligência, podese concluir: a) que foi reconhecido que ela tem o direito de computar, na apuração do saldo negativo, as retenções nos valores de R$ 1.773.276,69 e R$ 189.990,34, cujos informes de Fl. 1188DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 6/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 13851.001981/200394 Acórdão n.º 1301001.510 S1C3T1 Fl. 1.189 10 rendimentos foram emitidos em nome, respectivamente, da CPM – Companhia de Participações Marítimas (CPM) e da Fital Participações S.A. (FITAL), as quais tiveram seu patrimônio incorporado à ela, ou por cisão parcial, ou por incorporação, antes das aludidas retenções; b) que a retenção de R$ 135.655,07 também deve integrar a apuração do saldo negativo, eis que "a retenção no valor de R$ 57.420,45 do Banco Rabobank na DIRF da CPM somado aos R$ 78.234,62 na DIRF da Citrosuco totaliza R$ 135.655,07; e c) que a retenção de R$ 455.630,62 igualmente integra a apuração do saldo negativo, porque confirmada em DIRF e em informe de rendimento, bem como porque o respectivo rendimento foi devidamente escriturado e oferecido à tributação; que o Agente Fiscal também observou a relação de prejudicialidade entre o presente processo e o de nº 15374.906818/200822, no qual se discute pedido de restituição apresentado pela CPM Companhia de Participações Marítimas (CPM), relativo a parte do mesmo crédito pleiteado por ela; que, agindo de boafé e sem qualquer artifício para ludibriar a fiscalização, a CPM esclareceu, no bojo do processo nº 15374.906818/200822, que seu pedido de restituição somente deveria ser acolhido na hipótese de indeferimento da restituição postulada nestes autos; que, em vista do exposto, resta claro que o recurso voluntário interposto nos autos do presente processo deve ser integralmente provido, para o fim de ser deferido o pedido de restituição do saldo negativo do IRPJ, relativo ao anocalendário de 1999, com a consequente homologação das declarações de compensação a ele atreladas. É o Relatório. Fl. 1189DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 6/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 13851.001981/200394 Acórdão n.º 1301001.510 S1C3T1 Fl. 1.190 11 Voto Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães, Relator Atendidos os requisitos de admissibilidade, conheço do apelo. Trata a lide de pedido de restituição de saldo negativo no montante de R$ 5.620.295,97, relativo ao anocalendário de 1999, cumulado com pedidos de compensação. Em conformidade com a FICHA 13A da declaração de informações relativa ao ano de 1999 (DIPJ/2000), o saldo negativo decorreu dos seguintes elementos: Imposto devido R$ 197.247,07 IR Fonte R$ 5.620.295,97 Estimativa R$ 197.247,07 Saldo Negativo R$ 5.620.295,97 Notase assim que o saldo negativo de IRPJ de 1999, representativo do crédito indicado para compensação, foi constituído pelo IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE no montante de R$ 5.620.295,97. Analisando este imposto de renda retido na fonte, a Delegacia da Receita Federal em Araraquara promoveu, primeiramente, as seguintes glosas (Despacho Decisório de fls. 693/701): i) R$ 1.773.276,69, visto que os valores foram informados pelas fontes pagadoras como sendo pertencentes a CPM – COMPANHIA DE PARTICIPAÇÕES MARÍTIMAS; ii) R$ 135.655,07, em razão de divergência entre os valores informados na Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF) e aqueles constantes nos informes de rendimento; iii) R$ 455.630,62, em virtude de insuficiência do rendimento bruto oferecido à tributação. A partir de tais reduções, a Delegacia da Receita Federal assinala que “temse como valor admissível de IR fonte na constituição do saldo negativo de 1999 o montante de R$ 3.251.630,98...”.(GRIFO DO ORIGINAL) O valor acima indicado decorre do fato de a tabela elaborada pela Delegacia da Receita Federal (fls. 699) registrar o montante de R$ 5.616.193,36 a título de imposto de renda retido na fonte consignado em DIRF, e não R$ 5.620.295,97 como apontado pela contribuinte. Assim, excluído desse total (R$ 5.616.193,36) os valores glosados (R$ 1.773.276,69 + R$ 135.655,07 + R$ 455.630,62), temse o valor de R$ 3.251.630,98. Fl. 1190DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 6/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 13851.001981/200394 Acórdão n.º 1301001.510 S1C3T1 Fl. 1.191 12 Constatou ainda a Delegacia da Receita Federal, que a contribuinte informara na linha 16 da ficha 13A da declaração o valor de R$ 197.247,07, como imposto de renda mensal pago por estimativa, todavia, incluiu tal valor no total do IRRF que compôs o saldo negativo do IRPJ do anocalendário de 1999, o que, à evidência, não poderia ser feito. Em conclusão, o total de crédito reconhecido pela Delegacia da Receita Federal foi de R$ 3.054.383, 91, pois, do total declarado em DIRF (R$ 5.616.193,36), foram efetuadas glosas nos montantes de R$ 1.773.276,69; R$ 135.655,07; R$ 455.630,62; e R$ 197.247,07. A contribuinte, tendo impetrado Manifestação de Inconformidade, alegou serem indevidas as glosas efetuadas pela autoridade administrativa, excetuando, apenas, o montante de R$ 197.247,07, que já havia sido considerado na apuração da estimativa devida. A autoridade julgadora de primeira instância, apreciando os argumentos trazidos pela contribuinte, manteve a decisão prolatada pela Delegacia da Receita Federal Araraquara. Nesse sentido, restou assinalado no voto condutor correspondente: [...] Glosa de valores de IRRF constantes dos informes de rendimentos da CPM e da FITAL Como visto, o que é passível de restituição é o saldo negativo de imposto de renda a pagar, que ocorre nos casos em que o IRRF compensado é superior ao imposto de renda devido no período. Dessa forma, a análise do presente indébito implica, entre outros procedimentos, verificar se está correta a compensação de IRRF efetuada pela interessada. Conforme disposição do art. 815 do RIR/1999, fundamentado no art. 13, § 3º, da Lei nº 4.154, de 1962, e art. 64 da Lei nº 9.430, de 1996, a pessoa jurídica que, em sua declaração de rendimentos, efetuar compensação de imposto de renda retido na fonte, deverá comprovar a retenção correspondente com uma das vias do documento fornecido pela fonte pagadora. Igualmente, verificase que o parágrafo 2º do artigo 943, § 2º, do RIR/1999, determina que o imposto retido na fonte sobre quaisquer rendimentos ou ganhos de capital somente poderá ser compensado na declaração de rendimentos, se a contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora. ... Na manifestação de inconformidade, a interessada alega que o posicionamento defendido pela autoridade fiscal, que proferiu o despacho decisório, está equivocado, “pois se encontra apoiado em erro cometido pelas fontes pagadoras dos rendimentos produzidos por aplicações financeiras pertencentes à requerente no anocalendário de 1999, quando da apuração dos respectivos informes de rendimentos”. Em suma, a contribuinte sustenta ser, no anocalendário de 1999, a efetiva beneficiária dos rendimentos em questão e não as empresas CPM e FITAL. Fl. 1191DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 6/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 13851.001981/200394 Acórdão n.º 1301001.510 S1C3T1 Fl. 1.192 13 ... ... não há comprovação da certeza e liquidez do crédito almejado. Um, porque a requerente trouxe à colação informe de rendimento que tem como beneficiária a empresa FITAL PARTICIPAÇÕES S/A. Dois, porque a data do evento que aprovou a incorporação da empresa FITAL Participações S/A pela FISCHER S/A, COMÉRCIO, INDÚSTRIA E AGRICULTURA é de 03 de fevereiro de 1999 e não 30 de dezembro de 1998, como alegado pela manifestante. Três, porque não há elementos nos autos que comprovem que as aplicações financeiras relativas ao informe de rendimentos de fl. 744 tiveram início em 03/02/1999, data esta que a empresa FITAL PARTICIPAÇÕES S/A foi incorporada pela requerente. E por fim, se fosse o caso de retificação do informe de rendimento de fl. 744, o qual a fonte pagadora está obrigada, anualmente, a fornecer a seus clientes, poderia a contribuinte, com facilidade, obter a retificação de referido informe junto à fonte pagadora. E tal providência caberia apenas à interessada, não ao Fisco, porquanto é obrigação daquela fazer a prova do direito à compensação do IRRF efetuada na declaração de rendimentos. Quanto à cisão parcial da empresa CPM – Companhia de Participações Marítimas, a contribuinte alega que sucedeu essa empresa em seus direitos e obrigações, tornandose titular de suas aplicações financeiras e, conseqüentemente, a efetiva beneficiária dos rendimentos produzidos nesses investimentos. ... De plano, quanto à data do evento, os mesmos argumentos já levantados para a FITAL PARTICIPAÇÕES S/A são válidos para a CPM – Companhia de Participações Marítimas. Sobremais, como sustenta a contribuinte, as retenções do IRRF foram realizadas posteriormente a cisão e incorporação das referidas sociedades, devendo a contribuinte, dessa forma, possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora. Verificase no processo, no entanto, que juntamente com a apresentação do pedido inicial, bem como em resposta à intimação da DRF Araraquara, a interessada trouxe à colação informes de rendimentos que têm como beneficiárias as empresas CPM – Companhia de Participações Marítimas (fls. 132/141). Como já observado, se fosse o caso de retificação dos informes de rendimentos, poderia a contribuinte, com facilidade, obter a retificação de referidos informes junto às fontes pagadoras. Assim, tendo em vista que, apesar das várias oportunidades que teve (quando da protocolização do pedido inicial, quando da intimação formulada pela DRF/Araraquara e quando da manifestação de inconformidade), a interessada não procurou retificar os Informes de Rendimentos Financeiros, pressuposto básico legal para a compensação do IRRF, entendo não ter ela o direito à compensação efetuada, nas declarações de rendimentos do ano calendário 1999. Ademais, como se viu, a cisão sob análise foi parcial, caberia, portanto, à contribuinte especificar quais as aplicações financeiras verteram efetivamente ao patrimônio da ora requerente. Ao contrário disso, tendo como justificativa “evitar a prescrição/decadência do direito de pleitear a restituição acaso seja eventualmente entendido que o pedido deveria ter sido efetuado pela outra empresa” (fl. 03), a requerente formalizou, em seu nome, a PER/DCOMP nº 07729.60842.151203.1.02 5046, solicitando restituição no valor de R$ 1.773.276,69, como também apresentou a PER/DCOMP nº 14776.96083.151203.1.27015, em nome da CPM – Companhia de Participações Marítimas, no qual consta o mesmo suposto indébito, ressalvando Fl. 1192DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 6/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 13851.001981/200394 Acórdão n.º 1301001.510 S1C3T1 Fl. 1.193 14 que se deferido o de uma das empresas, devese indeferir o outro, por se referirem aos mesmos elementos. Por outro lado, quanto ao argumento da interessada “que das aplicações financeiras realizadas pela CPM (R$ 87.704.024,37 – doc. 24), muito embora o valor correspondente a R$ 165.870,67 não tenha constado da parcela cindida do patrimônio da CPM ele foi cedido à requerente mediante instrumento particular de cessão de créditos de aplicação financeira (doc. 25)”, oportuno se torna dizer que a cessão de créditos é absolutamente ineficaz no âmbito da legislação tributária, em especial no que diz respeito às compensações objeto deste processo, pois, no campo tributário, a compensação perde seu contorno genérico, delimitandose pelo princípio maior que rege as relações jurídicotributárias: o da legalidade estrita. Assim, uma condição imposta pelo artigo 170 do CTN consiste no fato de que a compensação provocará a extinção do crédito tributário se o crédito líquido e certo for do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. Para que a contribuinte possa afirmar que seu crédito é líquido e certo é necessário que se proceda ao exame formal e material dessa constituição. É preciso resposta às seguintes indagações: a) Quem é o credor? b) Qual o montante do objeto da prestação? d) Qual o motivo do vínculo jurídico que enlaça os sujeitos de direito? Nesse sentido, o caput do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação que lhe foi dada pelo art. 49 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, só autoriza compensação de créditos apurados pelos sujeitos passivos com débitos próprios, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. A par disso, a IN SRF nº 210, de 2002, em seu art. 30, vedou expressamente a compensação de débitos do sujeito passivo, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, com créditos de terceiros, vedação hoje determinada pelo art. 40 da Instrução Normativa nº 600, de 28 de dezembro de 2005. Importante lembrar, aqui, que a autoridade administrativa está vinculada, em seus despachos e decisões, às normas legais regularmente editadas, delas não podendo se afastar, sob pena de responsabilidade funcional. Como já destacado, a comprovação de indébito é atribuição da peticionária, cabendo à autoridade administrativa, por sua vez, examinar a liquidez e certeza de que teriam sido repassadas aos cofres públicos importâncias superiores àquelas devidas pela contribuinte de acordo com a legislação pertinente, autorizando, após confirmação de sua regularidade, a restituição ou compensação do crédito conforme vontade expressa da contribuinte. O pedido, dessa forma, não pode ser alternativo, mas sim líquido e certo. Destarte, a juntada de documentos que demonstrem a certeza e liquidez do crédito que a interessada aduz possuir e a comprovação de que referido crédito foi apurado e compensado de acordo com as normas legais é obrigação da pretendente. Assim, correta a glosa dos valores de IRRF, constantes dos informes de rendimentos da CPM e da FITAL, efetuada pela DRF Araraquara. Glosa realizada em função de divergências entre DIRF e o correspondente informe de rendimentos fornecido pelo Banco Rabobank International Brasil S/A Fl. 1193DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 6/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 13851.001981/200394 Acórdão n.º 1301001.510 S1C3T1 Fl. 1.194 15 A questão no presente tópico resumese à aceitação ou não da comprovação de retenção pela fonte pagadora da importância de R$ 135.655,07, correspondente a aplicações em operações SWAP da interessada durante o anocalendário de 1999, mais especificamente no Banco Rabobank International Brasil S.A. Como foi verificada pela autoridade fiscal diferença entre o valor pleiteado e o informado em DIRF – R$ 57.420,45, foi intimada a interessada a comprovar tal divergência por intermédio da Intimação DRF/AQA/Sorat/Eqort nº 179/2006 de fls. 321/322 – ciência em 10/11/2006. Pois bem, conforme documento de fl. 508 – fornecido pela fonte pagadora e apresentado em atendimento à Intimação DRF/AQA/Sorat/Eqort nº 179/2006, em 24/11/2006, a interessada arcou com retenção de IRRF por aplicações em operações SWAP no valor de R$ 135.655,07. Em sua manifestação de inconformidade, a interessada juntou esclarecimentos do Banco Rabobank International Brasil S/A que atesta ter havido erro na confecção da DIRF, confirmando os valores do informe de rendimentos de fl. 508. Ora, reconhecido pela fonte pagadora o erro na informação prestada à RFB e tendo fornecido o informe de rendimentos correto à interessada, não pode ser imputada a quem arcou com a retenção do imposto a responsabilidade pelas falhas cometidas. Ademais, por reiteradas vezes esta Turma de Julgamento tem entendido que a compensação do IRRF incidente sobre rendimentos computados na declaração tem como uma das condicionantes a apresentação dos respectivos comprovantes de retenção emitido em nome da beneficiária pela fonte pagadora dos rendimentos Dessa forma, nesse tópico, por ter atendido ao previsto no artigo 55 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, assiste à contribuinte o direito de deduzir do imposto de renda apurado anualmente, o valor de R$ 135.655,07, correspondente ao IRRF incidente sobre rendimentos de aplicações financeiras no Banco Rabobank International Brasil S.A (GRIFEI) Glosa do IRRF retido pelo UNIBANCO Em virtude de insuficiência de rendimento bruto oferecido à tributação, a autoridade fiscal glosou o montante de R$ 455.630,62, relativo ao IRRF decorrente de aplicações financeiras concentradas no UNIBANCO, com fundamento no artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN). A contribuinte, por sua vez, informa que reconheceu a título de receitas financeiras, relacionadas às aplicações financeiras por ela realizadas no UNIBANCO, o valor total de R$ 2.590.619,00, isto é, valor maior do que o constante no informe de rendimentos de fls. 510/511 (R$ 2.554.537,95). Para comprovar o valor declarado como IRRF, na cifra de R$ 455.630,62, bem como para comprovar o oferecimento à tributação da receita financeira correspondente às aplicações financeiras sob exame, no montante de R$ 2.590.619,00, a defendente elaborou o demonstrativo de fl. 774 e acostou aos autos o Livro “Razão Parcial” às fls. 775/789 do ano calendário de 1999. A seguir, apresentase quadroresumo das receitas financeiras mensais, conforme informado pela requerente no indigitado livro e consolidado no demonstrativo de fl. 774, comparativamente aos informes de rendimentos de fls. 510/511. Fl. 1194DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 6/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 13851.001981/200394 Acórdão n.º 1301001.510 S1C3T1 Fl. 1.195 16 Mês Livro Razão – Receitas Financeiras Informe de Rendimentos Receitas Financeiras IRRF Janeiro R$ 289.811,99 R$ 289.811,99 R$ 57.962,40 Março R$ 161.603,08 R$ 161.603,08 R$ 32.320,62 Abril R$ 680.996,24 R$ 680.996,24 R$ 136.199,23 Julho R$ 83.873,80 R$ 82.040,80 R$ 16.408,16 Agosto R$ 965.039,66 R$ 933.546,71 R$ 186.709,34 Outubro R$ 341.268,92 R$ 341.268,92 R$ 12.976,83 Dezembro R$ 68.025,31 R$ 65.270,21 R$ 13.054,04 Total R$ 2.590.619,00 R$ 2.554.537,95 R$ 455.630,62 Como se observa, o quadrocomparativo entre o valor informado no informe de rendimento pela fonte pagadora (fls. 510/511), no total de R$ 2.554.537,95, e aquele contabilizado, segundo a requerente, no montante de R$ 2.590.619,00, apresenta diferença de valores nos meses de julho, agosto e dezembro de 1999, o que por si só já justificaria, nesses três meses, a glosa da dedução efetuada a título de IRRF. Todavia, mesmo nesses três meses é preciso ressaltar que há lançamentos individualizados que devem ser reconhecidos, pois correspondem aos mesmos valores lançados tanto na conta “RECEITAS C/ SWAP DE TAXA”, como no informe de rendimentos de fl. 510 dos autos, quais sejam: Mês Livro Razão Informe de Rendimentos IRRF Julho R$ 64.760,56 R$ 64.760,56 R$ 12.952,12 Agosto R$ 58.553,84 R$ 58.553,84 R$ 11.710,78 Dezembro R$ 4.534,42 R$ 4.534,42 R$ 906,88 Assim, restando confirmada nos autos a efetividade do imposto de renda na fonte sobre rendimentos de aplicações financeiras pagos à requerente e tendo esta confirmado a inclusão desses rendimentos na apuração do lucro real, há que se considerar a compensação do IRRF na apuração do imposto de renda a pagar, relativo às aplicações financeiras realizadas no UNIBANCO, nos seguintes valores: Mês IRRF Janeiro R$ 57.962,40 Março R$ 32.320,62 Abril R$ 136.199,23 Julho R$ 12.952,12 Agosto R$ 11.710,78 Outubro R$ 12.976,83 Dezembro R$ 906,88 Total R$ 265.028,86 Assim, do montante de R$ 455.630,62, a título de IRRF, relativamente às aplicações financeiras realizadas no UNIBANCO, tem a contribuinte o direito de deduzir do imposto de renda apurado anualmente, a cifra de R$ 265.028,86. (GRIFEI) Direito ao Saldo Negativo de IRPJ do anocalendário de 1999 Em que pese as análises acima, relativa ao imposto de renda retido na fonte (IRRF), o enfoque que devemos dar aos autos, como já visto, é de determinação do saldo negativo de IRPJ apurado no final de cada período, uma vez que toda retenção na fonte (IRRF) é considerada, em realidade, antecipação do imposto devido (IRPJ). Fl. 1195DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 6/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 13851.001981/200394 Acórdão n.º 1301001.510 S1C3T1 Fl. 1.196 17 Em tema de restituição e compensação de saldo negativo de IRPJ com outros tributos, ou com o próprio, incumbe o atendimento de quatro premissas: 1ª) a constatação dos pagamentos ou das retenções; 2ª) a oferta à tributação das receitas que ensejaram as retenções, em face do artigo 37, § 3º, “c” da Lei nº 8.981, de 20/01/1995; 3ª) a apuração do indébito, fruto do confronto acima delineado e, 4ª) a observância do eventual indébito não ter sido liquidado em autocompensações. Dessa forma, embora no tocante à previsão legal não remanesça dúvida quanto à possibilidade de a pessoa jurídica tributada com base no lucro real poder compensar o imposto retido na fonte sobre rendimentos de aplicações financeiras com o imposto apurado, no que concerne ao reconhecimento do direito creditório, no caso específico de saldo negativo de IRPJ, este podia, até 01/10/2002, à opção da contribuinte, ser compensado com resultados positivos de IRPJ de períodos subseqüentes, ou compensado com outros tributos, e até mesmo restituído, dependendo, nas duas últimas hipóteses, entretanto, de requerimento à Administração. À vista do acima descrito, inconteste a faculdade da contribuinte em compensar o “saldo negativo de IRPJ”, apurado no anocalendário de 1999, em períodos subseqüentes, independentemente de autorização da Administração Tributária, desde que utilizados para quitação de tributos da mesma espécie e destinação constitucional, e atendidas as formalidades legais pertinentes ao ato. Destarte, no que tange ao exercício da livre escolha de como aproveitar o saldo disponível de IRPJ apurado no anocalendário de 1999, é primordial que o valor apropriado em conta de ativo, a título de imposto de renda a recuperar e objeto do pedido de restituição em exame, não tenha sido utilizado em períodos subseqüentes. Como já alinhavado, a certeza e liquidez de crédito a título de saldo negativo de IRPJ, para fins de repetição tributária, não se apura em razão do quantum do tributo declarado como devido no ano calendário, mas sim em relação ao quantum mostrado pela contabilidade e outros documentos fiscais, sendo a declaração de rendimentos apenas um deles. Daí porque é necessário que aos autos venham as provas, notadamente contábeis. Dentre outras, os registros contábeis de conta no ativo do imposto de renda a recuperar, a expressão deste direito em balanços ou balancetes, a demonstração do resultado do exercício, etc., e ainda os registros no Livro de Apuração do Lucro Real (LALUR), tudo a dar sustentação à veracidade do saldo negativo de IRPJ declarado. A par disso, cumpre observar que dos documentos juntados aos autos não se pode identificar a disponibilidade na escrituração contábil da peticionária do valor do saldo negativo de IRPJ, relativo ao anocalendário de 1999, porventura existente no momento do pedido de restituição. Ademais, em pesquisas nos sistemas da RFB, verificase que a contribuinte apresentou compensações de IRPJ e IRRF, sem processo, durante o anocalendário de 2000, utilizandose para tanto de “saldo negativo período anterior”. E na época a contribuinte realmente poderia proceder à autocompensação (sem requerimento à autoridade fiscal), desde que envolvidos tributos da mesma espécie e os débitos fossem posteriores aos indébitos, a ver pela Instrução Normativa nº 21, de 10 de março de 1997, com as alterações da Instrução Normativa nº 73, de 15 de setembro de 1997: Fl. 1196DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 6/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 13851.001981/200394 Acórdão n.º 1301001.510 S1C3T1 Fl. 1.197 18 “Art. 14. Os créditos decorrentes de pagamento indevido, ou a maior que o devido, de tributos e contribuições da mesma espécie e destinação constitucional, inclusive quando resultantes de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, poderão ser utilizados, mediante compensação, para pagamento de débitos da própria pessoa jurídica, correspondentes a períodos subseqüentes, desde que não apurados em procedimento de ofício, independentemente de requerimento.” Negritos acrescidos Ressalto que nos autos não constam os registros contábeis relativos às compensações do IRPJ devido nos períodos subseqüentes à apuração do saldo negativo de IRPJ sob exame (a partir de janeiro de 2000). Destarte, a juntada de documentos que demonstrem a efetividade e liquidez do crédito que a interessada aduz possuir e a comprovação de que referido crédito foi apurado e não tenha sido já utilizado em períodos subseqüentes, de acordo com as normas legais, é obrigação da pretendente. A par disso, assim dispõe o Código de Processo Civil, art. 333: “Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor”. (grifei) Quanto ao pedido de perícia formulado pela manifestante, vejamos o artigo 18 e 28 do Decreto 70.235/72, que regula o processo administrativo fiscal: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observado o disposto no art. 28, in fine. (redação dada pelo art. 1° da Lei n° 8.748/93). (...) Art. 28. Na decisão em que for julgada questão preliminar será também julgado também o mérito, salvo quando incompatíveis, e dela constará o indeferimento fundamentado do pedido de diligência ou perícia, se for o caso. (redação dada pelo art. 1° da Lei n° 8.748/93) No caso em exame, considerase desnecessária a perícia solicitada pela manifestante, por entendêla dispensável para o deslinde do presente julgamento. A realização de perícia pressupõe que o fato a ser provado necessite de conhecimento técnico especializado, fora do campo de atuação do julgador, o que não é o caso dos presentes autos. Com efeito, a perícia somente se justifica quando a prova não pode ou não cabe ser produzida por uma das partes. Posto isto, entendo que o pedido deva ser indeferido. No que tange ao pedido final, na peça impugnatória, de juntada posterior de documentos, o Decreto nº 70.235, de 1972, em seu art. 16, inciso III, com a redação conferida pelo art 1º da Lei nº 8.748/93, determina que a impugnação apresentada deve necessariamente mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. Fl. 1197DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 6/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 13851.001981/200394 Acórdão n.º 1301001.510 S1C3T1 Fl. 1.198 19 O sobredito Decreto determina, ainda, que a prova documental deve ser apresentada juntamente com a impugnação, “precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual”. Assim, porquanto não há comprovação da certeza e liquidez do crédito pleiteado, relativo ao saldo negativo de IRPJ apurado no anocalendário de 1999, VOTO pela improcedência da manifestação de inconformidade. Considerados os termos do Despacho Decisório, o pronunciamento da Turma Julgadora de primeiro grau, os argumentos trazidos pela Recorrente e os esclarecimentos trazidos pela diligência realizada, aprecio cada uma das glosas efetuadas pela Delegacia da Receita Federal e que foram confirmadas na instância a quo. Preliminarmente, esclareço que, embora o Despacho Decisório exarado pela Delegacia da Receita Federal, a decisão de primeira instância e a própria contribuinte tragam considerações acerca de retenções na fonte efetuadas em nome da empresa FITAL PARTICIPAÇÕES S/A, salvo melhor juízo, os valores correspondentes não estão contidos nas glosas objeto de apreciação, visto que os valores de imposto de renda retido na fonte que não foram acolhidos estão representados pelas seguintes parcelas: a) R$ 4.102,61, representado pela diferença entre o que foi pleiteado (R$ 5.620.295,97) e o que foi levantado por meio das DIRFs apresentadas pelas fontes pagadoras (R$ 5.616.193,36); b) R$ 197.247,07 referentes ao duplo aproveitamento feito pela contribuinte (na estimativa e no ajuste anual); c) R$ 1.773.276,69, correspondentes às retenções efetuadas em nome da CPM – COMPANHIA DE PARTICIPAÇÕES MARÍTIMAS, conforme documentos de fls. 513/522 ; d) R$ 135.655,07, em razão de divergência entre o informe de rendimentos fornecidos pelo BANCO RABOBANK INTL. BRASIL S/A e o que foi por ele declarado em DIRF; e e) R$ 455.630,62, decorrentes da ausência de oferecimento à tributação da totalidade dos rendimentos auferidos por meio do UNIBANCO; O reconhecimento do direito creditório no montante de R$ 3.054.383,91 pela Delegacia da Receita Federal, que representa a diferença entre o pleiteado e as glosas efetuadas, ratifica as informações acima apresentadas. Os montantes de R$ 4.102,61 (diferença entre R$ 5.620.295,97 pleiteados e R$ 5.616.193,36 registrados em DIRF) e R$ 197.247,07 (aceitos pela contribuinte) não podem compor o direito creditório alegado pela contribuinte, eis que não contestados. Quanto ao montante de R$ 1.773.276,69, cujos informes rendimentos foram emitidos em nome da COMPANHIA DE PARTICIPAÇÕES MARÍTIMAS (CPM), os fundamentos trazidos pela decisão recorrida para rejeitálos, além de inovadores, penso que não devem ser acolhidos, pois, em consonância com o alegado pela Recorrente, foram reunidos ao processo documentos (atas de assembléia geral extraordinária, o protocolo e justificação de cisão parcial com incorporação e os laudos de avaliação) que comprovam o evento societário, Fl. 1198DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 6/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 13851.001981/200394 Acórdão n.º 1301001.510 S1C3T1 Fl. 1.199 20 não se podendo admitir, especialmente para fins de aproveitamento do direito objeto de apreciação, que os efeitos do referido evento só possam ser reconhecidos a partir do registro das operações na Junta Comercial. No caso, creio que não haja controvérsia acerca da efetiva retenção, vez que encontramse reunidos aos autos os respectivos informes (fls. 513/522). A discussão, pois, diz respeito única e exclusivamente à titularidade do direito de compensação dos valores retidos. Nessa linha, não obstante a formalização do pedido de restituição do referido montante por parte da CPM nos autos do processo nº 15374.906818/200822, a contribuinte afirmou e comprovou (documento de fls. 1.170/1.174) que a citada empresa esclareceu no processo administrativo em referência que seu pedido de restituição somente deveria ser acolhido na hipótese de indeferimento da restituição postulada no presente processo. Ademais, em resposta a diligência requerida, a Delegacia da Receita Federal em Araraquara informou que o pedido formalizado pela CPM por meio do processo nº 15374.906818/200822 encontrase sobrestado, de modo que, o reconhecimento do direito creditório em nome da ora Recorrente implicará o indeferimento do pleiteado pela CPM. Pelas razões expostas, sou pelo reconhecimento do direito creditório no montante de R$ 1.773.276,69, No que diz respeito à glosa de R$ 135.655,07, o próprio voto condutor da decisão exarada em primeira instância, como visto, assevera que, “por ter atendido ao previsto no artigo 55 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, assiste à contribuinte o direito de deduzir do imposto de renda apurado anualmente, o valor de R$ 135.655,07, correspondente ao IRRF incidente sobre rendimentos de aplicações financeiras no Banco Rabobank International Brasil S.A”; De fato, na linha do sustentado pela Recorrente e ratificado pela Turma Julgadora de primeiro grau, a instituição financeira responsável pela retenção (Banco Rabobank International Brasil S.A) prestou esclarecimentos no sentido de ter havido erro na elaboração da DIRF e confirmou os valores registrados no informe de rendimentos de fls. 508 (operações de SWAP), motivo pelo qual deve ser reconhecido o direito creditório correspondente (R$ 135.655,07). No que tange ao valor de R$ 455.630,62, glosado com base na argüição de que os rendimentos correspondentes foram tributados de forma insuficiente, penso assistir razão à Recorrente em todos os seus argumentos, eis que: a) o próprio voto condutor da decisão exarada em primeira instância demonstra que a contribuinte ofereceu à tributação rendimento superior ao informado pela fonte pagadora nos informes de rendimentos (R$ 2.590.619,00 ao invés de R$ 2.554.537,95); b) embora o ato decisório recorrido admita que, ao menos em parte, o imposto de renda retido na fonte sobre as operações realizadas no UNIBANCO deveria ser considerado, pronunciouse no sentido de julgar totalmente improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pela contribuinte. Diante de tais considerações, penso que deve ser reconhecido o direito creditório no montante de R$ 455.630,62. O fato de a decisão recorrida, apesar de ter reconhecido parte do direito creditório pleiteado por meio da Manifestação de Inconformidade interposta pela contribuinte, Fl. 1199DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 6/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 13851.001981/200394 Acórdão n.º 1301001.510 S1C3T1 Fl. 1.200 21 ter, ao final, emitido pronunciamento pelo seu indeferimento, reside nas considerações ali apresentadas acerca da possibilidade de o saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 1999 ter sido utilizado em outras compensações. Sustenta o ato decisório em questão que a contribuinte não aportou aos autos documentos capazes de comprovar a disponibilidade do crédito pleiteado. Ainda que se desconsidere o caráter inovador da argumentação, eis que os fundamentos para as glosas efetuadas pela Delegacia da Receita Federal em Araraquara, como já visto, foram outros, cabe destacar que tal questão foi dirimida por meio da diligência requisitada por meio da Resolução nº 130200.024. Na informação de fls. 1.147/1.148, a autoridade diligenciante afirmou, de forma expressa, que “o crédito de saldo negativo IRPJ 2000 (ano calendário 1999) somente foi compensado via declarações de compensação eletrônicas (perdcomp) nº 25903.10400.300503 e 33614.80046.300503 cujos débitos estão controlados neste mesmo processo 13851.001981/200394 no sistema Profisc conforme fl. digital 800 (antiga fl. 707)”. Em virtude do exposto, conduzo meu voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso para reconhecer o direito creditório adicional de R$ 2.364.562,38 Sala das Sessões, em 07 de maio de 2014 “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Fl. 1200DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 6/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES
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Numero do processo: 12897.000715/2009-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 06 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jun 25 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2005, 2006
JUROS SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA.
Por ser parte integrante do crédito tributário, a multa de ofício sofre a incidência dos juros de mora. Precedentes do STJ.
Numero da decisão: 1201-001.024
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em NEGAR provimento ao recurso, vencidos os conselheiros João Carlos de Lima Junior, Rafael Correia Fuso e Luis Fabiano Alves Penteado, que lhe davam parcial provimento para afastar a exigência do IRPJ e a incidência da multa de ofício sobre a CSLL.
(documento assinado digitalmente)
Marcelo Cuba Netto - Presidente Substituto e Relator
Participaram do presente julgado os Conselheiros: Marcelo Cuba Netto (Presidente Substituto), Roberto Caparroz de Almeida, Maria Elisa Bruzzi Boechat (Suplente Convocada), Rafael Correia Fuso, João Carlos de Lima Junior (Vice Presidente) e Luis Fabiano Alves Penteado.
Nome do relator: MARCELO CUBA NETTO
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Segundo o artigo 10 da convenção firmada entre o Brasil e o Chile com vistas a evitar a dupla tributação do imposto sobre a renda, os dividendos distribuídos pela empresa controlada no Chile podem ser tributados em sua controladora no Brasil. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2005, 2006 TRATADOS PARA EVITAR A DUPLA TRIBUTAÇÃO. A convenção firmada entre o Brasil e o Chile com vistas a evitar a dupla tributação não alcança a contribuição social sobre o lucro líquido. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005, 2006 JUROS SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. Por ser parte integrante do crédito tributário, a multa de ofício sofre a incidência dos juros de mora. Precedentes do STJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em NEGAR provimento ao recurso, vencidos os conselheiros João Carlos de Lima Junior, Rafael Correia Fuso e Luis Fabiano Alves Penteado, que lhe davam parcial provimento para afastar a exigência do IRPJ e a incidência da multa de ofício sobre a CSLL. (documento assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 89 7. 00 07 15 /2 00 9- 41 Fl. 920DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 25/06/2014 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 12897.000715/200941 Acórdão n.º 1201001.024 S1C2T1 Fl. 3 2 Marcelo Cuba Netto Presidente Substituto e Relator Participaram do presente julgado os Conselheiros: Marcelo Cuba Netto (Presidente Substituto), Roberto Caparroz de Almeida, Maria Elisa Bruzzi Boechat (Suplente Convocada), Rafael Correia Fuso, João Carlos de Lima Junior (Vice Presidente) e Luis Fabiano Alves Penteado. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto nos termos do art. 33 do Decreto nº 70.235/72, contra o acórdão nº 1231.319, exarado pela 4ª Turma da DRJ1 no Rio de Janeiro RJ. Conforme relatado em seu termo de verificação fiscal, a autoridade administrativa acusa a contribuinte acima identificada de não haver oferecido à tributação do IRPJ e da CSLL, nos anoscalendários de 2005 e 2006, os lucros auferidos por sua controlada domiciliada no Chile, Rexam Chile S/A (fl. 466 e ss.). Explica a autoridade que, ao contrário do alegado pela fiscalizada, a convenção firmada entre Brasil e Chile com vistas a evitar a dupla tributação não impede que os lucros disponibilizados pela Rexam Chile S/A à sua controladora sejam tributados no Brasil. Afirma o auditor que, para fins de evitar a dupla tributação, o art. 22, inciso 2, da referida Convenção autoriza que a contribuinte deduza do IRPJ devido o imposto pago por sua controlada no Chile, conforme estabelecido na Portaria MF nº 285/2003. Em razão das infrações acima apontadas a autoridade lavrou os autos de infração do IRPJ e da CSLL (fl. 474 e ss.). Inconformada com a exigência a contribuinte propôs impugnação ao lançamento sob as seguintes alegações, em síntese (fl. 491 e ss.): a) de acordo com o art. 7º do tratado para evitar dupla tributação firmado entre o Brasil e o Chile, os lucros de uma empresa de um estado contratante (no caso, o Chile) só podem ser tributados neste estado, a não ser que a empresa exerça a sua atividade no outro estado contratante (no caso, o Brasil) por meio de um estabelecimento permanente; b) uma vez que a exceção acima referida não ocorreu no caso dos presentes autos, os lucros auferidos por Rexam Chile S.A. não podem ser objeto de tributação no Brasil, pois já foram tributados no Chile; c) o tratado possui regra específica para o momento da tributação, pela sociedade residente no Brasil, dos lucros auferidos pelas controladas e coligadas residentes e domiciliadas no Chile. Este momento, conforme determina seu artigo 10, é o do efetivo recebimento dos dividendos por uma sociedade residente no Brasil, algo que, no caso, jamais ocorreu; d) todas as assertivas e considerações feitas acima devem ser aplicadas não só ao IRPJ mas também à CSLL, tendo em vista que ambos estão sujeitos às mesmas normas de apuração e de pagamento. Em vista da similitude existente entre o IRPJ e a CSLL, não há dúvida de que Fl. 921DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 25/06/2014 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 12897.000715/200941 Acórdão n.º 1201001.024 S1C2T1 Fl. 4 3 também esta contribuição está abrangida pelos tratados firmados para evitar a dupla tributação sobre a renda. Tal é o entendimento da doutrina e do Conselho de Contribuintes; e) é inconstitucional, por violação aos princípios de capacidade contributiva e do não confisco, a presunção estabelecida no art. 74 da Medida Provisória nº 2.15835/2001, segundo a qual o lucro auferido por empresa domiciliada no exterior é automaticamente disponibilizado à sua controladora no Brasil; f) é incabível a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício. Examinadas as razões de defesa a DRJ de origem julgou improcedente a impugnação em acórdão assim ementado (fl. 576 e ss.): Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2005, 2006 LUCROS AUFERIDOS NO EXTERIOR. CONTROLADA. ADIÇÃO AO LUCRO REAL. Os lucros apurados por empresa controlada no exterior serão considerados disponibilizados em 31 de dezembro de cada ano, a partir do advento da MP 2158/2001, artigo 74. Tal hipótese não ocorrerá se a interessada comprovar que ocorrera, antes desta data, qualquer situação de disponibilização de lucro prevista na legislação em vigor. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Sobre os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional, incidem, por força de lei e a partir de 1º de abril de 1995, juros de mora equivalentes à taxa SELIC. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Ao ser mantida a infração constante no auto de infração principal, igual sorte colherá o lançamento que dele é reflexo. Irresignada, a contribuinte interpôs recurso voluntário onde reproduz, em resumo, os mesmos argumentos trazidos na impugnação ao lançamento (fl. 601 e ss.). A PGFN, por sua vez, apresentou contrarrazões ao voluntário onde reforça as razões expostas pela autoridade lançadora e pela DRJ de origem (fl. 855 e ss.). Voto Conselheiro Marcelo Cuba Netto, Relator. 1) Da Admissibilidade do Recurso Fl. 922DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 25/06/2014 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 12897.000715/200941 Acórdão n.º 1201001.024 S1C2T1 Fl. 5 4 O recurso atende aos pressupostos processuais de admissibilidade estabelecidos no Decreto nº 70.235/72 e, portanto, dele devese tomar conhecimento. 2) Da ADI nº 2.588 DF O auto de infração ora contestado tem como fundamento jurídico o art. 74 da Medida Provisória nº 2.15835/2001, que assim estabelece: Art.74. Para fim de determinação da base de cálculo do imposto de renda e da CSLL, nos termos do art. 25 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, e do art. 21 desta Medida Provisória, os lucros auferidos por controlada ou coligada no exterior serão considerados disponibilizados para a controladora ou coligada no Brasil na data do balanço no qual tiverem sido apurados, na forma do regulamento. Parágrafo único. Os lucros apurados por controlada ou coligada no exterior até 31 de dezembro de 2001 serão considerados disponibilizados em 31 de dezembro de 2002, salvo se ocorrida, antes desta data, qualquer das hipóteses de disponibilização previstas na legislação em vigor. Referida norma foi objeto da ação direta de inconstitucionalidade (ADI) nº 2.588DF, havendo o STF decido o seguinte, em caráter erga omnes e com efeito vinculante: Ementa: TRIBUTÁRIO. INTERNACIONAL. IMPOSTO DE RENDA E PROVENTOS DE QUALQUER NATUREZA. PARTICIPAÇÃO DE EMPRESA CONTROLADORA OU COLIGADA NACIONAL NOS LUCROS AUFERIDOS POR PESSOA JURÍDICA CONTROLADA OU COLIGADA SEDIADA NO EXTERIOR. LEGISLAÇÃO QUE CONSIDERA DISPONIBILIZADOS OS LUCROS NA DATA DO BALANÇO EM QUE TIVEREM SIDO APURADOS (“31 DE DEZEMBRO DE CADA ANO”). ALEGADA VIOLAÇÃO DO CONCEITO CONSTITUCIONAL DE RENDA (ART. 143, III DA CONSTITUIÇÃO). APLICAÇÃO DA NOVA METODOLOGIA DE APURAÇÃO DO TRIBUTO PARA A PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS APURADA EM 2001. VIOLAÇÃO DAS REGRAS DA IRRETROATIVIDADE E DA ANTERIORIDADE. MP 2.158 35/2001, ART. 74. LEI 5.720/1966, ART. 43, § 2º (LC 104/2000). 1. Ao examinar a constitucionalidade do art. 43, § 2º do CTN e do art. 74 da MP 2.158/2001, o Plenário desta Suprema Corte se dividiu em quatro resultados: 1.1. Inconstitucionalidade incondicional, já que o dia 31 de dezembro de cada ano está dissociado de qualquer ato jurídico ou econômico necessário ao pagamento de participação nos lucros; 1.2. Constitucionalidade incondicional, seja em razão do caráter antielisivo (impedir “planejamento tributário”) ou antievasivo (impedir sonegação) da normatização, ou devido à submissão obrigatória das empresas nacionais investidoras ao Método de Equivalência Patrimonial – MEP, previsto na Lei das Sociedades por Ações (Lei 6.404/1976, art. 248); 1.3. Inconstitucionalidade condicional, afastada a aplicabilidade dos textos impugnados apenas em relação às empresas coligadas, porquanto as Fl. 923DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 25/06/2014 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 12897.000715/200941 Acórdão n.º 1201001.024 S1C2T1 Fl. 6 5 empresas nacionais controladoras teriam plena disponibilidade jurídica e econômica dos lucros auferidos pela empresa estrangeira controlada; 1.4. Inconstitucionalidade condicional, afastada a aplicabilidade do texto impugnado para as empresas controladas ou coligadas sediadas em países de tributação normal, com o objetivo de preservar a função antievasiva da normatização. 2. Orientada pelos pontos comuns às opiniões majoritárias, a composição do resultado reconhece: 2.1. A inaplicabilidade do art. 74 da MP 2.15835 às empresas nacionais coligadas a pessoas jurídicas sediadas em países sem tributação favorecida, ou que não sejam “paraísos fiscais”; 2.2. A aplicabilidade do art. 74 da MP 2.15835 às empresas nacionais controladoras de pessoas jurídicas sediadas em países de tributação favorecida, ou desprovidos de controles societários e fiscais adequados (“paraísos fiscais”, assim definidos em lei); 2.3. A inconstitucionalidade do art. 74 par. ún., da MP 2.15835/2001, de modo que o texto impugnado não pode ser aplicado em relação aos lucros apurados até 31 de dezembro de 2001. Ação Direta de Inconstitucionalidade conhecida e julgada parcialmente procedente, para dar interpretação conforme ao art. 74 da MP 2.15835/2001, bem como para declarar a inconstitucionalidade da clausula de retroatividade prevista no art. 74, par. ún., da MP 2.158/2001. Pelo exame da decisão acima é possível concluir, relativamente àquilo que ora nos interessa, que o STF julgou constitucional o caput do art. 74 da Medida Provisória nº 2.15835/2001, dandolhe interpretação conforme a constituição de maneira que a norma: a) não alcança os lucros fictamente disponibilizados em 31 de dezembro de cada ano a pessoas jurídicas domiciliadas no país por suas coligadas domiciliadas em países cuja tributação sobre a renda não seja qualificada por lei como favorecida (item 2.1 da ementa); b) alcança os lucros fictamente disponibilizados em 31 de dezembro de cada ano a pessoas jurídicas domiciliadas no país por suas controladas domiciliadas em países cuja tributação sobre a renda seja qualificada por lei como favorecida (item 2.2 da ementa) Resta claro, então, que o STF não se pronunciou, em caráter erga omnes e com efeito vinculante, sobre a situação que aqui se apresenta, qual seja, os lucros fictamente disponibilizados em 31 de dezembro de cada ano a pessoas jurídicas domiciliadas no país, por suas controladas domiciliadas em países cuja tributação sobre a renda não seja qualificada por lei como favorecida, como é o caso do Chile1. Em assim sendo, permanecendo a questão em aberto, caberá a este Colegiado decidila, obviamente com efeitos limitados às partes do presente processo. A decisão da Turma, entretanto, em virtude do disposto na Súmula nº 2 do CARF e no art. 26A do Decreto nº 70.235/72, não poderá deixar de aplicar lei tributária sob argumento de sua inconstitucionalidade. 1 Sobre a relação dos países e dependências com tributação favorecida vigente à época dos fatos geradores objeto da auditoria fiscal, vide a Instrução Normativa SRF nº 188/2002. Fl. 924DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 25/06/2014 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 12897.000715/200941 Acórdão n.º 1201001.024 S1C2T1 Fl. 7 6 E uma das formas de controle de constitucionalidade das leis é justamente aquela empregada pelo STF no âmbito da referida ADI nº 2.588DF, qual seja, a da interpretação da lei conforme a Constituição, que nada mais é do que a declaração de inconstitucionalidade da norma legal sem redução de seu texto. Notese que nessa forma de controle de constitucionalidade o STF2 exclui da hipótese de incidência da norma, por violação a alguma disposição constitucional, determinada situação por ela alcançada. Havendo outras situações abrigadas pela hipótese de incidência da norma que não violam disposições constitucionais, a lei não sofre redução em seu texto, mas apenas redução quanto à sua abrangência. Isso posto, no caso sub judice, que cuida do lucro disponibilizado por pessoa jurídica controlada domiciliada em pais que não é qualificado como “paraíso fiscal”, entendo ser inteiramente aplicável o caput do art. 74 da Medida Provisória nº 2.15835/2001. Em outras palavras, este Colegiado não poderá reduzir a abrangência dessa norma sob argumento de violação à Constituição, pois isso significaria declarar sua inconstitucionalidade, ainda que sem redução em seu texto. 3) Da Convenção entre Brasil e Chile para Evitar a Dupla Tributação IRPJ Antes de abordarmos os argumentos trazidos pela defesa é necessário esclarecer a distinção existente entre dois conceitos jurídicos, quais sejam, lucro auferido e lucro disponibilizado (ou lucro distribuído ou ainda dividendo), uma vez que tal distinção é de fundamental importância para fins de identificar, no âmbito da Convenção entre o Brasil e o Chile, qual de suas normas é aplicável ao caso sob exame3. Lucro auferido é aquele pertencente à própria pessoa jurídica, decorrente da consecução de suas atividades. Em outras palavras, lucro auferido é renda da própria pessoa jurídica. Lucro disponibilizado é a parcela do lucro auferido pela pessoa jurídica a que têm direito os sócios ou acionistas em razão do capital nela investido. Em outras palavras, lucro disponibilizado é renda dos sócios ou acionistas da pessoa jurídica. Nunca é demais recordarmos que, segundo o princípio da entidade, arraigado na ordem jurídica nacional e também na de muitos outros países, o patrimônio da pessoa jurídica não se confunde com o patrimônio de seus sócios ou acionistas. Por outro lado, inexiste vedação constitucional para que a União, obviamente por meio de lei, exija tanto o imposto de renda sobre o lucro auferido pela pessoa jurídica como sobre o lucro disponibilizado aos sócios ou acionistas. Isso também de modo algum significaria bis in idem, uma vez que há aqui relações tributárias com contribuintes distintos, a primeira entre o Fisco e a pessoa jurídica que auferiu o lucro, e a segunda entre o Fisco e o sócio ou acionista ao qual foi disponibilizado o lucro. Aliás, até o advento do art. 10 da Lei nº 9.249/95, o imposto de renda incidia tanto sobre 2 E não só o STF no controle concentrado e no difuso, mas também qualquer órgão judicial competente para realizar o controle difuso de constitucionalidade. 3 A Convenção entre o Brasil e o Chile firmada com vistas a evitar a dupla tributação foi promulgada pelo Decreto nº 4.852/2003, onde é encontrado o seu texto integral. Fl. 925DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 25/06/2014 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 12897.000715/200941 Acórdão n.º 1201001.024 S1C2T1 Fl. 8 7 o lucro auferido pelas pessoas jurídicas aqui domiciliadas quanto sobre o lucro por elas disponibilizado a seus sócios ou acionistas pessoas físicas. Indo um pouco mais além, também não há vedação constitucional para que o Brasil exija imposto de renda sobre o lucro auferido por de pessoa jurídica domiciliada no exterior, na condição de contribuinte, desde que seja controlada por pessoa domiciliada no Brasil. Nesse caso a lei possivelmente exigiria da contribuinte no exterior o cumprimento de todas as obrigações acessórias relativas ao imposto de renda exigidas dos contribuintes aqui domiciliados, tais como inscrição no CNPJ, apresentação de DIPJ, DCTF etc. Provavelmente a lei também elegeria como responsável tributário do contribuinte no exterior, sua controladora no Brasil. Ocorre que, embora outros países o façam, o Brasil preferiu, até o momento, absterse de fazêlo. O país adotou caminho diverso, preferindo tributar o lucro disponibilizado pela pessoa jurídica domiciliada no exterior a sua controladora domiciliada no Brasil. Em outras palavras, o lucro auferido por controlada no exterior não é, até o momento, objeto de tributação pelo imposto de renda, daí porque a controlada no exterior também não é contribuinte desse imposto. Por outro lado, a controladora no Brasil é contribuinte do imposto de renda incidente sobre o lucro a ela disponibilizado por sua controlada no exterior. Feitas essas considerações introdutórias fica fácil concluir que, ao contrário do afirmado pela recorrente, o a seguir transcrito artigo 7 da Convenção firmada entre o Brasil e o Chile para evitar a dupla tributação do imposto de renda não lhe socorre: CAPÍTULO III Tributação dos Rendimentos (...) ARTIGO 7 Lucros das Empresas 1. Os lucros de uma empresa de um Estado Contratante somente podem ser tributados nesse Estado, a não ser que a empresa exerça ou tenha exercido sua atividade no outro Estado Contratante por meio de um estabelecimento permanente aí situado. Se a empresa exerce ou tiver exercido sua atividade na forma indicada, seus lucros podem ser tributados no outro Estado, mas somente na medida em que forem atribuíveis a esse estabelecimento permanente. 2. Ressalvadas as disposições do parágrafo 3, quando uma empresa de um Estado Contratante exercer sua atividade no outro Estado Contratante por meio de um estabelecimento permanente aí situado, serão atribuídos, em cada Estado Contratante, a esse estabelecimento permanente, os lucros que o mesmo teria podido obter se fosse uma empresa distinta e separada que exercesse atividades idênticas ou similares, em condições idênticas ou similares, e tratasse com absoluta Fl. 926DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 25/06/2014 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 12897.000715/200941 Acórdão n.º 1201001.024 S1C2T1 Fl. 9 8 independência com a empresa da qual é um estabelecimento permanente. 3. Para a determinação dos lucros de um estabelecimento permanente, será permitida a dedução das despesas necessárias e efetivamente realizadas para a consecução dos fins desse estabelecimento permanente, incluindo as despesas de direção e os encargos gerais de administração assim realizados. 4. Nenhum lucro será atribuído a um estabelecimento permanente pelo mero fato de que este compre bens ou mercadorias para a empresa. 5. Quando os lucros compreenderem rendimentos tratados separadamente em outros Artigos desta Convenção, as disposições desses Artigos não serão afetadas pelas disposições do presente Artigo. De fato, como vimos antes, o art 74 da Medida Provisória nº 2.15835/2001 dispõe sobre o imposto de renda da pessoa jurídica domiciliada no Brasil, incidente sobre o lucro a ela disponibilizado por sua controlada no exterior. Ainda não há no Brasil, como já afirmado, previsão legal para incidência do IRPJ sobre o lucro auferido por pessoa jurídica no exterior. Se e quando isto vier a ocorrer, os lucros auferidos por Rexam Chile S/A, controlada pela ora recorrente, ficarão excluídos da tributação pelo IRPJ, por força do referido artigo 7 da Convenção. Como dito alhures, o art 74 da Medida Provisória nº 2.15835/2001 trata da incidência do IRPJ sobre o lucro disponibilizado à controladora no Brasil por sua controlada no exterior. E a tributação desse lucro disponibilizado (ou dividendo) é expressamente autorizada pelo art. 10 da Convenção: ARTIGO 10 Dividendos 1. Os dividendos pagos por uma sociedade residente de um Estado Contratante a um residente do outro Estado Contratante podem ser tributados nesse outro Estado. 2. Todavia, esses dividendos podem também ser tributados no Estado Contratante em que resida a sociedade que os pague e de acordo com a legislação desse Estado, mas, se o beneficiário efetivo dos dividendos for um residente do outro Estado Contratante, o imposto assim exigido não poderá exceder de: a) 10 por cento do montante bruto dos dividendos, se o beneficiário efetivo for uma sociedade que controle, direta ou indiretamente, pelo menos 25 por cento das ações com direito a voto da sociedade que pague tais dividendos; b) 15 por cento do montante bruto dos dividendos em todos os demais casos. Este parágrafo não afeta a tributação da sociedade em relação aos lucros que dão origem ao pagamento dos dividendos. Fl. 927DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 25/06/2014 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 12897.000715/200941 Acórdão n.º 1201001.024 S1C2T1 Fl. 10 9 (...) Melhor sorte também não assiste à recorrente quanto à alegação segundo a qual o artigo 10 da Convenção não se aplicaria em razão de somente permitir a tributação dos dividendos no momento de sua efetiva disponibilização. É que se a tributação dos dividendos no Brasil dependesse da vontade dos contribuintes, controladores das pessoas jurídicas domiciliadas no exterior, o fisco provavelmente jamais veria a cor desse dinheiro. Aliás é o que aconteceu no caso sob exame onde a própria recorrente confessa que a Rexam Chile S/A “jamais” disponibilizou os lucros de 2005 e 2006 à sua controladora no Brasil. Não é demais recordar que uma das principais razões de ser das normas CFC, não só no Brasil como no mundo, é justamente não incluir como condição para sua incidência a vontade do sujeito passivo quanto ao momento de ocorrência do fato gerador. No Brasil, o art. 74 da Medida Provisória nº 2.15835/2001 estabelece a disponibilização ficta dos dividendos à controladora no país na data do balanço no qual tiverem sido apurados pela controlada no exterior, e não no momento de seu efetivo pagamento. 4) Da Convenção entre Brasil e Chile para Evitar a Dupla Tributação CSLL O que foi dito no item precedente deste voto acerca do IRPJ é igualmente aplicável à CSLL. Mas há mais. É que a Convenção firmada entre Brasil e Chile para evitar a dupla tributação restringese, expressamente, à incidência do imposto sobre a renda, não alcançando a contribuição social, a teor de seu artigo 2º, in verbis: ARTIGO 2 Impostos Abrangidos 1. A Convenção se aplica aos impostos sobre a renda exigíveis por cada um dos Estados Contratantes. 2. Consideramse impostos sobre a renda os que gravam a totalidade da renda ou qualquer parte da mesma. 3. Os impostos aos quais se aplica esta Convenção são: a) na República Federativa do Brasil, o imposto federal sobre a renda (doravante denominado "imposto brasileiro"); e b) na República do Chile, os impostos estabelecidos na Lei sobre Imposto de Renda, DecretoLei 824, (doravante denominado "imposto chileno"). 4. A Convenção aplicarseá igualmente aos impostos de natureza idêntica ou substancialmente análoga que forem estabelecidos após a data da assinatura da mesma, seja em adição aos mencionados no parágrafo anterior, seja em sua substituição. As autoridades competentes dos Estados Contratantes comunicarseão anualmente as modificações Fl. 928DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 25/06/2014 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 12897.000715/200941 Acórdão n.º 1201001.024 S1C2T1 Fl. 11 10 significativas ocorridas em suas respectivas legislações tributárias. (Grifamos) Ora, a CSLL foi instituída pela Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988. Já a mencionada Convenção foi firmada entre Brasil e Chile somente em 03 de abril de 2001. Isso posto, se os convenentes pretendessem incluir a CSLL no âmbito da Convenção, fariamno expressamente. Em outras palavras, se a Convenção houvesse sido firmada em data anterior à instituição da contribuição social, poderseia até admitir que a ela também se aplicasse. O contrário não. Até porque, como visto no texto acima, a Convenção não se refere a tributos sobre a renda, e sim ao “imposto federal sobre a renda”. E, como é cediço, a própria Constituição da República, também promulgada em data anterior àquela em que foi firmada a Convenção entre Brasil e Chile, referese expressamente tanto ao imposto sobre a renda quanto à contribuição social sobre o lucro líquido. Portanto, não há espaço para dúvida de que a Convenção não alcança a CSLL. Por fim, é de se dizer que não socorre a interessada o argumento segundo o qual a similitude entre o IRPJ e a CSLL, consagrada no art. 57 da Lei nº 8.981/95 e no art. 28 da Lei 9.430/96, ensejaria a aplicação da Convenção também à contribuição social. É que este Conselho há muito já pacificou o entendimento de que as normas legais acima referidas apenas equiparam a forma de tributação do IRPJ e da CSLL adotada pelo sujeito passivo em um mesmo período. Em sendo assim, se o contribuinte adotar o lucro real trimestral para o IRPJ, também deverá apurar a base de cálculo da contribuição com base no lucro líquido ajustado, apurado trimestralmente. Se optar pela apuração do IRPJ com base no lucro presumido, mesma forma de tributação deverá ser empregada para a CSLL, e assim sucessivamente. 5) Da Incidência de Juros de Mora sobre a Multa de Ofício Afirma a recorrente ser incabível a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. Também aqui não assiste razão à defesa. Isso porque a multa de ofício é parte integrante do crédito tributário, sobre o qual incidem os juros de mora. É o que estabelece o art. 161 do CTN, in verbis: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. (...) Esse é também o entendimento do STJ sobre o assunto, conforme de observa na abaixo transcrita ementa ao AgRg no REsp 1335688/PR (DJe de 10/12/2012): PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. Fl. 929DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 25/06/2014 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 12897.000715/200941 Acórdão n.º 1201001.024 S1C2T1 Fl. 12 11 INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMA QUE COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. 1. Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ no sentido de que: "É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário." (REsp 1.129.990/PR, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 14/9/2009). De igual modo: REsp 834.681/MG, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010. 2. Agravo regimental não provido. Embora essa decisão não possua efeito vinculante perante esse Conselho, é importante ressaltar que o STJ vem reiteradamente admitindo a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício em decisões proferidas por ambas as Turmas de sua Primeira Seção. 6) Conclusão Tendo em vista todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Fl. 930DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 25/06/2014 p or MARCELO CUBA NETTO
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Numero do processo: 11522.001950/2010-69
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jul 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2007
DECADÊNCIA - INOCORRÊNCIA
Para os lançamentos de ofício, como é o caso do Auto de Infração, aplica-se, a regra contida no art. 173 do Código Tributário Nacional.
AUTO DE INFRAÇÃO -DEIXAR DE INCLUIR REMUNERAÇÃO DE SEGURADO EM FOLHA DE PAGAMENTO
Toda empresa está obrigada a preparar folha de pagamento das remunerações pagas ou creditada a todos os segurados a seu serviço.
Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 2301-003.356
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por voto de qualidade: a) em negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. Vencidos o Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Wilson Antônio de Souza Correa e Damião Cordeiro de Moraes, que davam provimento ao recurso, devido à "bis in idem"; II) Por maioria de votos: a) em negar provimento ao recurso, na questão da agravamento da multa, nos termos do voto da Relatora. Vencido o Conselheiro Wilson Antônio de Souza Correa, que votou em dar provimento parcial ao recurso, para excluir o agravamento da multa. Declaração de voto: Damião Cordeiro de Moraes
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Bernadete De Oliveira Barros - Relator.
(assinado digitalmente)
Damião Cordeiro de Moraes - Declaração de Voto
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antônio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva, Leonardo Henrique Lopes
Nome do relator: BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
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AUTO DE INFRAÇÃO DEIXAR DE INCLUIR REMUNERAÇÃO DE SEGURADO EM FOLHA DE PAGAMENTO Toda empresa está obrigada a preparar folha de pagamento das remunerações pagas ou creditada a todos os segurados a seu serviço. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por voto de qualidade: a) em negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. Vencidos o Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Wilson Antônio de Souza Correa e Damião Cordeiro de Moraes, que davam provimento ao recurso, devido à "bis in idem"; II) Por maioria de votos: a) em negar provimento ao recurso, na questão da agravamento da multa, nos termos do voto da Relatora. Vencido o Conselheiro Wilson Antônio de Souza Correa, que votou em dar provimento parcial ao recurso, para excluir o agravamento da multa. Declaração de voto: Damião Cordeiro de Moraes (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 52 2. 00 19 50 /2 01 0- 69 Fl. 84DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 11/11 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/08/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 07/08/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 2 Bernadete De Oliveira Barros Relator. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Declaração de Voto Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antônio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva, Leonardo Henrique Lopes Fl. 85DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 11/11 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/08/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 07/08/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 11522.001950/201069 Acórdão n.º 2301003.356 S2C3T1 Fl. 85 3 Relatório Tratase de Auto de Infração, lavrado em 21/12/2010, por ter a empresa acima identificada deixado de preparar folhas de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente da Seguridade Social, infringindo, dessa forma, o art. 32, inciso I, da Lei 8.212/91, c/c o art. 225, inciso I e § 9o, Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99. Conforme Relatório Fiscal da Infração (fls.34), da análise da documentação apresentada pela empresa, constatouse que a autuada deixou de incluir, em folhas de pagamento, o valor total das comissões pagas aos seus empregados, bem como a remuneração paga aos contribuintes individuais que lhe prestaram serviços. A autoridade autuante anexa relatórios relacionando os prestadores de serviços, com data, valor e tipo de serviço realizado, incluindo os transportadores rodoviários autônomos, e esclarece que as informações detalhadas, bem como a documentação comprobatória da prática dolosa do contribuinte, encontramse no processo 11522.001798/201014, que discute o Auto de Infração principal. Segundo Relatório Fiscal da Aplicação da Multa, a penalidade foi agravada tendo em vista a ocorrência da hipótese prevista nos incisos I e II do art. 290, do RPS. A recorrente impugnou o débito e a Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio do Acórdão 0122.319, da 5a Turma da DRJ/BEL (fls. 58), julgou a impugnação improcedente, mantendo o crédito tributário. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso tempestivo (fls. 78), alegando, em síntese, o que se segue. Preliminarmente, insiste na decadência dos valores lançados entre 01/2005 a 12/2005, com a aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4o, do CTN. Sustenta que, para a aplicação das penalidades gravosas, há que se provar a ocorrência de dolo, ou que efetivamente não foi feito, já que dolo não se presume, devendo ser demonstrada a materialidade dessa conduta, evidenciando não somente a intenção, mas também o seu objetivo. Discorre sobre as diferenças entre sonegação e inadimplência, para concluir que a recorrente, se cometeu algum ilícito, não teve a intenção de praticála, não havendo qualquer prova de que a recorrente tenha agido com dolo, tornandose atípica a conduta a ela imputada. Alega descabimento da multa regulamentar, argumentando que, não bastasse os valores lançados a título de multa de mora e de ofício, a autoridade fiscal lavrou, Fl. 86DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 11/11 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/08/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 07/08/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 4 adicionalmente, outros 09 autos de infração, com a cobrança de multas isoladas, o que, segundo entende, possui efeito de confisco. Ressalta a peculiaridade da multa prevista na Lei 8.218/91, que não é calculada sequer sobre o valor do tributo que teria deixado de ser recolhido pelo contribuinte, mas sobre o faturamento, o que demonstra absoluta ausência de razoabilidade da penalidade aplicada. Observa que as diversas multas previstas nos arts 11 e 12, da Lei 8.218/91 não guardam qualquer parâmetro com as condutas que se pretende evitar, violando assim os princípios da vedação ao confisco, proporcionalidade e razoabilidade. Finaliza requerendo o conhecimento do Recurso Voluntário para que sejalhe dado provimento, com a reforma integral do Acórdão recorrido. É o relatório. Fl. 87DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 11/11 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/08/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 07/08/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 11522.001950/201069 Acórdão n.º 2301003.356 S2C3T1 Fl. 86 5 Voto Conselheiro Bernadete de Oliveira Barros O recurso é tempestivo e todos os pressupostos de admissibilidade foram cumpridos, não havendo óbice ao seu conhecimento. Da análise do recurso apresentado, registro o que se segue. Preliminarmente, a autuada alega decadência do direito de a autoridade cobrar créditos tributários relativos às competências anteriores a dezembro de 2005, a teor do disposto nos artigos 150, § 4o. Contudo, é objeto do presente processo administrativo o Auto de Infração aplicado por ter a Santista Distribuições Ltda descumprido a obrigação acessória de elaborar folhas de pagamento em conformidade com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente da Seguridade Social. A penalidade pela infração transcrita acima é a aplicação de uma multa cujo valor independe do número de competências em que os documentos foram elaborados sem observância das normas legais que regem a matéria. Ou seja, basta a apresentação de uma folha de pagamento que não contemple as remunerações pagas aos contribuintes individuais a seu serviço para que fique configurada a infração à legislação previdenciária. Portanto, não há que se falar em decadência dos créditos lançados, já que ficou configurada infração em competências posteriores a 12/2005, ou seja, não alcançadas pela decadência prevista nos dispositivos legais citados pela recorrente. Ademais, no caso em tela, tratase de Auto de Infração, que é um lançamento de ofício, aplicandose, portanto, o disposto no art. 173 do Código Tributário Nacional Assim, não há que se falar em decadência. No mérito, a recorrente insurgese contra a aplicação das penalidades gravosas, entendendo que há que se provar a ocorrência de dolo, já que dolo não se presume, devendo ser demonstrada a materialidade dessa conduta, evidenciando não somente a intenção, mas também o seu objetivo. Discorre sobre as diferenças entre sonegação e inadimplência, para concluir que a recorrente, se cometeu algum ilícito, não teve a intenção de praticála, não havendo qualquer prova de que a recorrente tenha agido com dolo, tornandose atípica a conduta a ela imputada. Ora, mas tudo o que a fiscalização relatou no processo principal, de nº 11522001798/201014,demonstra o dolo, a intenção de sonegar tributo, por parte da recorrente. O fato de informar, em folha de pagamento e em GFIP, remuneração de seus empregados em valor menor ao que foi efetivamente por ela pago, bem como a simulação de Fl. 88DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 11/11 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/08/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 07/08/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 6 contratação de empregados por meio de empresa interposta, ou mesmo o não registro de alguns segurados empregados que lhe prestaram serviços deixam clara a intenção da recorrente em omitir fato gerador da contribuição previdenciária, para pagar menos tributo. A fiscalização verificou que a recorrente remunerava pessoas físicas, pagando dias trabalhados, salário, valetransporte e horas extras e constatou que tais trabalhadores não constavam dos livros de registros de empregados da empresa. Contatase, ainda, que as irregularidades apontadas pela fiscalização foram cometidas de forma sistemática, em várias competências, caracterizando, assim, uma prática reiterada de omissão dos referidos fatos geradores, numa clara tentativa de elidir o tributo devido. Vale observar que a recorrente não afastou, de forma específica, nenhuma das acusações feitas pela fiscalização, ou trouxe qualquer documento para provar suas alegações, se limitando a fazer afirmações genéricas, discorrendo sobre conceitos jurídicos, sem, contudo, juntar qualquer elemento que pudesse afastar, ou ao menos por em dúvidas as acusações da auditoria da RFB. Já a autoridade lançadora juntou farta documentação, comprovando a existência de dolo. Há mandamento expresso na Lei 9.784/99 quanto ao ônus probatório, conforme segue: ART 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. A recorrente apenas alega, mas não prova, que não houve dolo. Porém, não basta alegar. A parte que não produz prova, convincentemente, dos fatos alegados, sujeitase às conseqüências do sucumbimento, porque não basta alegar. E a convicção da autoridade julgadora advém, no processo administrativo fiscal, dos elementos probatórios carreados pela fiscalização e pela recorrente. Daí a necessidade de se juntar aos autos elementos comprobatórios dos fatos alegados. Assim, está correta a caracterização de dolo, realizada pela fiscalização. A recorrente tenta demonstrar, ainda, que a cobrança de multa isolada com a lavratura de 09 autos de infração caracteriza confisco. Entretanto, a vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu. Cumpre esclarecer que a vedação de que cuida o art. 150, IV, da Constituição Federal, dirigese ao legislador com o intuito de impedir a instituição de tributo que tenha em seu conteúdo aspectos ameaçadores à propriedade ou à renda tributada, mediante, por exemplo, a aplicação de alíquotas muito elevadas. Portanto, a observância desse princípio relacionase com o momento de instituição do tributo ou de determinação da multa a ser aplicada no caso de falta de recolhimento, mas, uma vez vencida a etapa da sua criação, não configura confisco a aplicação da lei tributária. Fl. 89DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 11/11 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/08/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 07/08/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 11522.001950/201069 Acórdão n.º 2301003.356 S2C3T1 Fl. 87 7 A penalidade aplicada por meio do AI em tela encontra fundamento nos dispositivos legais discriminados nos relatórios que compõem o Auto de Infração. Cabe destacar, ainda, que a atividade administrativa é plenamente vinculada ao cumprimento das disposições legais. Nesse sentido, o ilustre jurista Alexandre de Moraes ( curso de direito constitucional, 17ª ed. São Paulo. Editora Atlas 2004.314) colaciona valorosa lição: “o tradicional princípio da legalidade, previsto no art. 5º, II, da CF, aplicase normalmente na administração pública, porém de forma mais rigorosa e especial, pois o administrador público somente poderá fazer o que estiver expressamente autorizado em lei e nas demais espécies normativas, inexistindo, pois, incidência de vontade subjetiva. Esse principio coadunase com a própria função administrativa, de executor do direito, que atua sem finalidade própria, mas sem em respeito à finalidade imposta pela lei, e com a necessidade de preservarse a ordem jurídica” Todos os autos citados pela recorrente em seu recurso, foram lavrados ou por falta do cumprimento de obrigação principal, como também por descumprimento de obrigações acessórias. E se foram lavrados 09 com a cobrança de multa isolada, é porque a recorrente descumpriu várias obrigações acessórias e, para cada uma delas, a Lei estabelece uma penalidade. Observase que em nenhum momento de seu recurso a recorrente negou que tenha deixado de incluir, nas folhas de pagamento, as remunerações apontadas pela fiscalização. E sendo o lançamento um ato vinculado, a fiscalização a quem compete o lançamento, ao verificar a ocorrência de infração à legislação previdenciária, agiu corretamente lavrando o presente AI, em estrita observância aos ditames legais. O auto foi lavrado por descumprimento da obrigação acessória de preparar folhas de pagamento com todas as remunerações pagas a todos os segurados a serviço da empresa, consoante determinação expressa no art. 32, inciso I, da Lei 8.212/91. Assim, reiterase, como não é facultado ao servidor público deixar de aplicar uma lei, a Autoridade Fiscal, ao constatar o descumprimento de obrigação acessória, lavrou corretamente o presente auto, impondo a penalidade prevista nos normativos legais para esse tipo de infração, em observância à legislação que trata da matéria. Nesse sentido e Considerando tudo o mais que dos autos consta; VOTO por CONHECER DO RECURSO, para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Bernadete de Oliveira Barros Relator Fl. 90DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 11/11 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/08/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 07/08/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 8 Declaração de Voto Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes 1. Conforme o relatório fiscal, tratase de auto de infração lavrado em razão da empresa ter deixado de preparar folhas de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente da Seguridade Social. 2. Ocorre que a infração ora em tela, no meu entendimento, já foi devidamente punida com a emissão dos demais autos de infração e, assim, não poderia ser novamente castigada pelo descumprimento de obrigação acessória. No caso concreto, a empresa já foi sancionada em outro auto de infração da mesma ação fiscal por não ter lançado em títulos próprios de sua contabilidade as contribuições cobradas pelo fisco. 3. O duplo sancionamento deve ser evitado. Sobre o tema vale ressaltar os ensinamentos de Daniel Ferreira “tem outra e especial serventia enquanto princípio geral do Direito: a de proibir reiterado sancionamento por uma mesma infração – vale dizer, afastar a possibilidade de múltipla e reiterada manifestação sancionadora da Administração Pública”. (in “Sanções Administrativas”, Malheiros Editores) 4. Nesse sentido, cito jurisprudência deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF): “AUTO DE INFRAÇÃO – BIS IN IDEM – IMPOSSIBILIDADE DE COEXISTÊCIA DE AUTO DE INFRAÇÃO PELA NÃO ENTREGA DE GFIP E PELA NÃO INFORMAÇÃO DE TODOS OS FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA NO MESMO PERÍODO PARA O MESMO SUJEITO PASSIVO. Ocorrência de bis in idem quando se trata de uma infração e são lavrados dois autos de infração para aplicação de multa punitiva pelo descumprimento de uma obrigação acessória. Recurso Voluntário Provido.” (Acórdão 2050.1522, julgado em 03.02.2009, Conselheira Relatora Liege Lacroix Thomasi) “DOCUMENTOS. INFORMAÇÕES E ESCLARECIMENTOS PRESTADOS. BIS IN IDEM. IMPOSSIBILIDADE DA MANUTENÇÃO DO AUTO DE INFRAÇÃO. A não apresentação de todos os documentos relacionados com as contribuições previstas na Lei 8.212/91 constitui infração distinta da não prestação de informações e esclarecimentos, mas a autuação fiscal deve evitar a aplicação de dupla penalidade quando uma das ações cometidas pelo contribuinte estiver abrangida pela outra. Recurso Voluntário Provido.” Fl. 91DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 11/11 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/08/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 07/08/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 11522.001950/201069 Acórdão n.º 2301003.356 S2C3T1 Fl. 88 9 (Acórdão 230101.291, julgado em 23.03.2010; Rel.: Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes) 5. Ainda com relação à matéria, apenas para exemplificar, a legislação que trata do processo administrativo por dano ambiental pacifica matéria semelhante na Lei 9.605/98, artigo 76 onde encontrase previsto que “o pagamento de multa imposta pelos Estados, Municípios, Distrito Federal ou Territórios substituiu a multa federal na mesma hipótese de incidência”. 6. Além disso, é importante que sejam observados os princípios da razoabilidade e proporcionalidade, conforme previsto nos artigos 37, 5º, inciso II, e 84, inciso IV, todos da Constituição Federal, pois, a meu ver, a Administração Pública deve seguilos como parâmetro para que as medidas adotadas por ela não gerem prejuízos elevados ao contribuinte. Nesse sentido vem decidindo o Superior Tribunal de Justiça (STJ), in verbis: “TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA DE PESSOA FÍSICA. PREENCHIMENTO INCORRETO DA DECLARAÇÃO. MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INAPLICABILIDADE. PREJUÍZO DO FISCO. INEXISTÊNCIA. PRINCÍPIO DA RAZOABILIDADE. 1. A sanção tributária, à semelhança das demais sanções impostas pelo Estado, é informada pelos princípios congruentes da legalidade e da razoabilidade. 2. A atuação da Administração Pública deve seguir os parâmetros da razoabilidade e da proporcionalidade, que censuram o ato administrativo que não guarde uma proporção adequada entre os meios que emprega e o fim que a lei almeja alcançar. 3. A razoabilidade encontra ressonância na ajustabilidade da providência administrativa consoante o consenso social acerca do que é usual e sensato. Razoável é conceito que se infere a contrario sensu; vale dizer, escapa à razoabilidade "aquilo que não pode ser". A proporcionalidade, como uma das facetas da razoabilidade revela que nem todos os meios justificam os fins. Os meios conducentes à consecução das finalidades, quando exorbitantes, superam a proporcionalidade, porquanto medidas imoderadas em confronto com o resultado almejado(...).” (Recurso Especial nº 728.999 PR (2005∕00331148; Ministro Relator Luiz Fux) 7. O princípio da proporcionalidade pode ser visto como um desdobramento do princípio da razoabilidade e se traduz no sentido de que adotando a medida necessária para atingir o interesse almejado, o administrador age com proporcionalidade, que deve ser media não pelos critérios pessoais do administrador e nem nos termos frios da lei, mas diante do caso concreto e segundo os padrões comuns na sociedade. 8. E no caso concreto, entendo que a fiscalização agiu de forma desproporcional. Celso Antônio Bandeira de Mello ensina que a proporcionalidade é uma “faceta específica” da razoabilidade, o que significa dizer que nas decisões e nas medidas administrativas deve haver adequação entre os meios e os fins previstos na lei. Fl. 92DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 11/11 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/08/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 07/08/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 10 9. A segurança jurídica é afetada ante a ação da fiscalização. E sobre a questão cito o parecer ProCADE n.º 526/2005, da Advocacia Geral da União AGU, no qual a Procuradora Nancy de Abreu afirma que o bis in idem “tratase de um princípio basicamente de construção doutrinária e que irradia sobre os atos administrativos, em homenagem ao princípio da segurança jurídica, como uma limitação ao poder punitivo ao EstadoAdministração”. 10. Ainda conforme a AGU “a expressão bis in idem pode ter seu significado dividido nos seguintes termo: o bis deve ser entendido como uma vedação não só à nova sanção, mas deve ser estendido seu significado para se evitar nova persecução (instrução mediante novo processo); o idem, em termos objetivos, possui como significado, ao menos no direito brasileiro, como mesmos fatos, em termos reais e históricos, com relevância decorrente da análise dos fatos e não estritamente jurídica”. 11. Seguindo essa linha de raciocínio, Fábio Medina ensina que “a idéia básica do non bis in idem é que ninguém pode ser condenado duas ou mais vezes por um mesmo fato” e segue dizendo que “já foi definida essa norma como ‘princípio geral de direito’, que, com base nos princípios da proporcionalidade e da coisa julgada, proíbe a aplicação de dois ou mais procedimentos, seja em uma ou mais ordens sancionadoras, nos quais se dê uma identidade de sujeitos, fatos e fundamentos, e sempre que não exista uma relação de supremacia especial da Administração Pública”. (in Direito Administrativo Sancionador – SP, Editora RT, 2000, Osório, Fábio Medina, f. 279) 12. O fisco deve evitar a aplicação de dupla penalidade quando uma das ações cometidas pelo contribuinte estiver abrangida pela outra, porém, cumpre salientar que não estou a menosprezar a função repressiva das sanções tributárias, adotadas sempre no sentido de preservar a atividade de fiscalização e a segurança nos atos destinados a arrecadação dos tributos. Entretanto, a meu sentir, o Estado também não pode punir excessivamente o contribuinte, notadamente no presente caso em que a empresa recebeu nove autos de infração por múltiplas condutas. 13. Não é demais falar que no Brasil a burocracia e o excessivo dever acessório de prestar ou franquear o acesso a informações de interesse da administração tributária colocam as empresas em situação caótica. A guarda de documentos, a produção de dados nos exatos formatos delimitados pelo fisco, entrega de documentos mensais, são apenas algumas das inúmeras e crescentes obrigações dos contribuintes passivas de pesadas multas. Sem falar no acompanhamento diário a que é obrigada a empresa sobre a edição de Leis, Decretos, Portarias, Instruções Normativas, etc. 14. Essas imposições de obrigações tributárias acessórias sem limite algum, na verdade, asfixiam as pequenas empresas e propiciam o aumento da informalidade no País. O que resulta, finalmente, no aumento do Custo Brasil, que, por seu turno, afeta gravemente a vida das empresas e dos empregados. 15. Feitas tais considerações, voto pelo provimento do recurso voluntário, por entender que o auto de infração lavrado não subsiste. CONCLUSÃO 16. Diante do exposto, CONHEÇO do recurso para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Fl. 93DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 11/11 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/08/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 07/08/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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Numero do processo: 10880.915843/2008-63
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jun 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 09/04/1999
COMPENSAÇÃO REALIZADA ANTES DA VIGÊNCIA DA IN SRF Nº 210/2002. LANÇAMENTO CONTÁBIL. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
A mingua de prova de que a compensação alegada foi devidamente efetuada e regularmente lançada na contabilidade da Recorrente, à época em que ocorreu, não há como prosperar tal alegação.
COMPENSAÇÃO. DCTF É INSERVÍVEL PARA DECLARAR.
A partir da vigência da IN SRF nº 210/2002, a comunicação à RFB das compensações realizadas pelos contribuinte passou a ser feita exclusivamente através da Declaração de Compensação instituída por esse normativo. A DCTF não é instrumento para tal.
DCTF. ERRO DE PREENCHIMENTO. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
Não apresentado a escrita contábil, e a documentação que lhe deu suporte, que justifique a alteração dos valores declarados na DCTF, não há como alterar os valores declarados originalmente.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-002.624
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. O conselheiro Gileno Gurjão Barreto declarou-se impedido.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator.
EDITADO EM: 01/06/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Paulo Guilherme Déroulède, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Mônica Elisa de Lima e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: WALBER JOSE DA SILVA
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LANÇAMENTO CONTÁBIL. FALTA DE COMPROVAÇÃO. A mingua de prova de que a compensação alegada foi devidamente efetuada e regularmente lançada na contabilidade da Recorrente, à época em que ocorreu, não há como prosperar tal alegação. COMPENSAÇÃO. DCTF É INSERVÍVEL PARA DECLARAR. A partir da vigência da IN SRF nº 210/2002, a comunicação à RFB das compensações realizadas pelos contribuinte passou a ser feita exclusivamente através da “Declaração de Compensação” instituída por esse normativo. A DCTF não é instrumento para tal. DCTF. ERRO DE PREENCHIMENTO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Não apresentado a escrita contábil, e a documentação que lhe deu suporte, que justifique a alteração dos valores declarados na DCTF, não há como alterar os valores declarados originalmente. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. O conselheiro Gileno Gurjão Barreto declarouse impedido. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 58 43 /2 00 8- 63 Fl. 193DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10880.915843/200863 Acórdão n.º 3302002.624 S3C3T2 Fl. 3 2 WALBER JOSÉ DA SILVA – Presidente e Relator. EDITADO EM: 01/06/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Paulo Guilherme Déroulède, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Mônica Elisa de Lima e Gileno Gurjão Barreto. Relatório No dia 12/02/2004 a COMPANHIA BRASILEIRA DE DISTRIBUIÇÃO transmitiu o PER/DCOMP Original (final nº 046960), pleiteando a restituição/compensação no valor original de R$ 675.295,25, relativo a COFINS tida como paga indevidamente no dia 09/04/1999, através de DARF de mesmo valor, relativo ao PA 03/99. Processado o pedido, o DARF informado no PER/DCOMP não foi localizado pela RFB. No dia 16/09/2006, a COMPANHIA BRASILEIRA DE DISTRIBUIÇÃO transmitiu o PER/DCOMP Retificador (final nº 040674), para alterar o valor do DARF objeto do pedido, de R$ 675.295,25 para R$ 756.057,69, mantendo o valor do crédito objeto do pedido de restituição/compensação (R$ 675.295,25). Na DCTF Original entregue em abril de 1999, a Empresa Recorrente vinculou referido DARF de pagamento, no valor de R$ 756.057,69 (além de outros dois DARFs), ao débito declarado de COFINS do PA de 03/99. Processada a DCTF Original, a RFB confirmou o pagamento e sua alocação ao débito declarado pela Recorrente. No dia 05/12/2003 a Empresa Recorrente apresentou DCTF Retificadora, do 1º Trimestre de 1999, para alterar a forma de extinção do referido débito da COFINS do PA de 03/99, no valor de R$ 10.590.715,60. Na DCTF Retificadora a extinção desse débito passou a ser parte por compensação e parte por pagamento, nos seguintes valores: (1) R$ 1.596.175,30 por compensação com parte do pagamento da COFINS de períodos pretéritos (1994/1996), que a Recorrente alega indevido; e (2) R$ 8.994.540,30 com a utilização total do DARF de pagamento de R$ 8.794.953,53 e utilização de R$ 199.586,77 do DARF de pagamento de R$ 1.039.704,38, ambos os pagamentos efetuados no dia 09/04/99. Não utiliza o DARF de pagamento de R$ 756.057,69. Com a utilização parcial dos pagamentos feitos no dia 09/04/99, na DCTF Retificadora, a Empresa Recorrente entende possuir R$ 1.596.175,30 passível de restituição ou compensação. Desse valor, R$ 756.057,69 referese ao DARF não utilizado, acima referido, cuja restituição integral está sendo pleiteado neste processo. Por meio do Despacho Decisório nº 783792370, a DERAT São Paulo indeferiu o pleito da recorrente, e não homologou a compensação declarada, sob a alegação de que o pagamento indicado no PER/DCOMP fora integralmente utilizado para quitação de débito do contribuinte declarado na DCTF original, não restando saldo credor disponível para compensação do débito informado na PER/DCOMP. Fl. 194DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10880.915843/200863 Acórdão n.º 3302002.624 S3C3T2 Fl. 4 3 Ciente, a empresa interessada apresenta manifestação de inconformidade cujas alegações foram resumidas pela decisão recorrida nos seguintes termos: Relata que a compensação declarada por meio do PER/DCOMP não foi homologada pelo despacho decisório, e que, por essa razão, estaria sendo cobrada dela o débito aí informado, no valor principal de R$ 1.256.994,58, mais multa e juros. Sustenta, no entanto, que tal valor teria sido devidamente compensado com créditos de COFINS, recolhidos em montante maior que o devido no período de apuração 31/03/1999, conforme DCTF do período em questão e DARF anexa, não podendo prosperar, assim, no seu entendimento, referida exigência. Destaca que, em março de 1999, teria apresentado sua DCTF, apurando, para extinção por pagamento, o valor de COFINS, no montante de R$ 8.994.540,30, e que teria efetuado o recolhimento deste tributo, mediante DARF, em valor maior que o devido e declarado para pagamento em espécie. Afirma, então, que o inciso I do artigo 165 do Código Tributário Nacional concederia, ao sujeito passivo, o direito à restituição total ou parcial do tributo, no caso de pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, e que, assim sendo, considerando a existência de saldo em seu favor, teria procedido à compensação deste valor pago em excesso, proveniente da guia DARF com valor principal de R$ 756.057,69, com o débito tributário ora exigido, mediante entrega de PER/DCOMP. Menciona que procedeu à entrega da PER/DCOMP 14881.01266.120204.1.3.046960, que foi intimada sob o argumento de que o DARF aí indicado não teria sido localizado no sistema da RFB, e que, em atenção a esta intimação, apresentou PER/DCOMP retificadora. Informa, em seguida, que foi proferido despacho decisório não homologando a compensação desta PER/DCOMP, sob o fundamento de que, a partir das características do DARF discriminado, teriam sido localizados um ou mais pagamentos, mas que estes teriam sido integralmente utilizados para quitação de seus débitos, não restando créditos disponíveis para a compensação do débito informado na PER/DCOMP. Segundo ela, referida decisão não deveria prevalecer, visto que, por meio desta manifestação de inconformidade, não só apresentaria o DARF discriminado na PER/DCOMP, como demonstraria tratarse de recolhimento em valor superior ao devido para pagamento em espécie, e que seu procedimento de compensação teria sido efetuado como estabelece a legislação vigente, transcrevendo o artigo 74, caput e parágrafo 1º da Lei n.º 9.430/96. Ressalta, por outro lado, que a Administração deveria agir de acordo com a lei, com subordinação a dispositivos legais, não Fl. 195DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10880.915843/200863 Acórdão n.º 3302002.624 S3C3T2 Fl. 5 4 podendo sujeitar o particular à exação tributária, sem qualquer finalidade específica, afrontando as previsões constitucionais, e que, neste contexto, os preceitos do artigo 37, caput da Carta Magna estabeleceriam que o administrador público estaria, em toda a sua atividade funcional, sujeito aos mandamentos da lei, deles não podendo se afastar, sob pena de infringir ao princípio da legalidade. E conclui que, considerando suas alegações e os documentos acostados, a legitimidade do seu crédito seria inconteste, tendo sido este demonstrado pelo recolhimento em valor superior ao efetivamente devido e declarado, por ela, para pagamento em espécie, devendo a decisão ser reformada para homologar a compensação procedida, extinguindo o crédito tributário exigido, nos termos do artigo 156, inciso II do Código Tributário Nacional. A 11a Turma de Julgamento da DRJ em São Paulo SP indeferiu a solicitação da recorrente, nos termos do Acórdão no 1636.074, de 07/02/2012, que tem a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 09/04/1999 DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DCTF. ERRO DE PREENCHIMENTO. NÃO COMPROVAÇÃO EM DOCUMENTAÇÃO IDÔNEA. Não apresentada a escrituração contábil, nem outra documentação hábil e suficiente, que justifique a alteração dos valores registrados na DCTF (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais) original, demonstrando a liquidez e certeza do crédito informado na DCOMP (Declaração de Compensação), se mantém a decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária em São Paulo, que não homologou a compensação aí declarada pelo contribuinte. INSERÇÃO DE COMPENSAÇÃO DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR EM DCTF RETIFICADORA. REQUISITOS FORMAIS. AUSÊNCIA. COMPENSAÇÃO NÃO DECLARADA. Considerase não declarada a compensação, simplesmente informada em DCTF retificadora, que não atenda aos requisitos estabelecidos na legislação então vigente à época formalização mediante o uso do programa PER/DCOMP ou, nos casos de impossibilidade de sua utilização, mediante a entrega de formulário específico Instruções Normativas SRF nº 210/2002 e nº 323/2003. A recorrente tomou ciência da decisão de primeira instância no dia 03/05/2013, conforme AR, e, discordando da mesma, ingressou, no dia 31/05/2013, com Fl. 196DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10880.915843/200863 Acórdão n.º 3302002.624 S3C3T2 Fl. 6 5 recurso voluntário, no qual reprisa os argumentos de que a DCTF retificadora prova que ocorreu pagamento a maior da Cofins de 03/99, restando legítimo seu direito ao crédito no valor original de R$ 756.057,69. Alega, ainda, a Recorrente “que o mero erro na forma, qual seja: retificação da DCTF para efetivar a compensação da Cofins de março/1999, com créditos pretéritos e legítimos, não tem o condão de desconstituir a compensação realizada”, citando decisões do Conselho de contribuintes que tratam de erro de fato no preenchimento de declaração e sustentando que a compensação realizada e declarada da DCTF retificadora foi efetuada tal como estabelece a legislação vigente, ou seja, o art. 74 da Lei nº 9.430/96. Cita doutrina. Concluindo que a decisão recorrida “entende como um empecilho ao reconhecimento do crédito, o fato de a DCTF retificadora, com a finalidade de desvincular parte o DARF recolhido, ter sido transmitida tão somente em 05/12/2003” passa a discorrer sobre o prazo para pleitear a restituição do crédito da Cofins de 1994/1995, informado na DCTF Retificadora de 05/12/2003, que entende contarse após a homologação (tácita ou expressa) e as disposições da Lei Complementar nº 118/2005 atinge apenas os fatos geradores posteriores à sua vigência. É o relatório do essencial. Voto Conselheiro WALBER JOSÉ DA SILVA, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais e regimentais. Dele se conhece. Como relatado, a Empresa Recorrente está pleiteando a compensação de débitos seus com suposto crédito de COFINS, decorrente de pagamento por ela tido como a maior, relativo ao período de apuração de março de 1999. O pagamento ocorreu no dia 09/04/1999. O crédito objeto deste processo decorre da utilização parcial, no dia 05/12/2003 (data da apresentação da DCTF Retificadora), de pagamentos feitos no dia 09/04/1999. Até a data da apresentação da DCTF Retificadora, referidos pagamentos estavam integralmente declarados e alocados a débitos, de mesmo valor, da COFINS do PA 03/99. Em síntese, a Recorrente defende que a DCTF Original continha erro posto que o débito da COFINS do PA 03/99 foi liquidado parte por compensação e parte por pagamento e que a retificação da DCTF se fez necessário para corrigir o erro cometido. Além disso, que mesmo tendo cometido erro na forma de retificar a DCTF, não pode tal erro prejudicar seu direito à repetição do indébito. Por seu turno, a decisão recorrida enfrentou a questão nos seguintes termos, que ratifico e adoto: Fl. 197DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10880.915843/200863 Acórdão n.º 3302002.624 S3C3T2 Fl. 7 6 Cumpre esclarecer, aqui, que o despacho decisório apontou como causa da não homologação da compensação declarada: a inexistência de crédito disponível, tendo sido o DARF discriminado na DCOMP integralmente utilizado para a quitação de débitos do contribuinte, que estavam declarados em DCTF. É de se ressaltar que a DCTF, a teor do que dispõe o Decreto Lei n.º 2.124/84, em seu artigo 5º, parágrafo 1º, se constitui em um instrumento de confissão de dívida, e que eventual retificação dos valores antes nela informados deve ter por fundamento os dados da escrituração contábil da empresa. Cabe observar, aqui, também, que, em consulta ao sistema informatizado da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), se verificou que, quando da entrega da DCTF original, relativa ao período de apuração em tela, o crédito informado pela empresa na presente DCOMP não existia, estando o pagamento realizado por meio do DARF aí discriminado integralmente alocado ao débito declarado pela empresa, na referida DCTF, referente a COFINS Db: cód 2172 PA 31/03/1999. Merece destaque, ainda, o fato, constatado mediante consulta ao sistema informatizado da RFB, de que a inserção de dados, pela empresa, como “Compensação de Pagamento Indevido ou a Maior”, em DCTF, visando desvincular o DARF em tela parcialmente do débito de COFINS do período de apuração 31/03/1999, por ela apurado e aí declarado, no valor de R$ 10.590.715,60, de modo a originar o crédito informado na DCOMP, se deu somente em 05/12/2003, em DCTF retificadora. Cumpre registrar, aqui, que a empresa não comprova, nos autos, mediante documentação idônea, como o registro na contabilidade, que os créditos informados na DCTF retificadora eram, de fato, decorrentes de pagamento indevido ou a maior, e que tal compensação tinha sido feita, efetivamente, à época da transmissão da DCTF original, e que, por um lapso, não teria sido informada nesta DCTF. E, assim, considerando que a compensação informada na DCTF retificadora ocorreu efetivamente somente na data de sua entrega à RFB, ou seja, em 05/12/2003, temse que não observou a legislação então vigente à época referente ao assunto Instruções Normativas (IN) da Secretaria da Receita Federal (SRF) n.º 210, de 30/09/2002, e n.º 323, de 24/04/2003, transcritas parcialmente a seguir que estabeleciam a necessidade de apresentação de uma declaração de compensação, seja em formulário ou mediante utilização do programa PER/DCOMP sendo que consta, na referida DCTF, a informação de compensação “sem processo”, no campo “formalização do pedido [...] Portanto, as normas que disciplinavam o exercício da compensação, à época, obrigavam que fosse formalizada primordialmente mediante o uso do programa PER/DCOMP, Fl. 198DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10880.915843/200863 Acórdão n.º 3302002.624 S3C3T2 Fl. 8 7 disponibilizado para tal finalidade, admitindose, excepcionalmente, nos casos de impossibilidade de utilização desse programa, que fosse formalizada mediante a entrega de formulário específico aprovado pela legislação. Não se admite, pois, em nenhuma hipótese, a formalização de declarações de compensação – bem assim de reconhecimento de compensação praticada, de direito a compensação ou outra pretensão equivalente – em qualquer outro meio diverso dos estabelecidos nas Instruções Normativas SRF n.º 210/2002 e n.º 323/2003 (como a sua mera inclusão em DCTF retificadora), sendo o parágrafo único do artigo 3º desta última taxativo ao prescrever que, ocorrendo tais situações (não utilização do programa PER/DCOMP ou do formulário aprovado pela IN SRF nº 210/2002), deveria ser considerada não declarada a compensação. [...] Ademais, cabe destacar que a simples apresentação de DCTF retificadora não é suficiente para demonstrar a existência do crédito pleiteado, no presente processo administrativo, perante esta autoridade julgadora, sendo imprescindível a sua comprovação por documentação hábil que dê suporte aos valores declarados. Ou seja, nesta fase do processo, tal declaração – a DCTF retificadora – deveria estar acompanhada de documentos comprobatórios de erro no preenchimento da DCTF que já havia sido entregue antes dela, a fim de conferir liquidez e certeza ao crédito. E, no caso, a empresa não acostou aos autos documentos, como cópias da sua escrituração contábil, objetivando respaldar a retificação efetuada em sua DCTF. Vêse claramente que, ao contrário do argüido pela Recorrente, aqui não se trata somente de mero erro formal. Há erro no procedimento de efetuar a compensação, posto que a partir da vigência da IN SRF nº 210/2003, a compensação deveria ser feita pelo Contribuinte e informada à Receita Federal exclusivamente por meio de “Declaração de Compensação”, como bem disse a decisão Recorrida. Definitivamente, a Recorrente desobedeceu a legislação sobre compensação, vigente na data em que informou à Receita Federal a compensação que diz ter realizado 05/12/2003 (MP nº 66/2002, Lei nº 10.637/2002, MP nº 135/03, Lei nº 10.833/03, IN’s SRF nºs 210/2002, 320/2003 e 323/2003), não somente por ter utilizado a DCTF para isso, mas também por não ter efetuado os lançamentos contábeis que demonstrariam toda a operação em abril de 1999. Argumenta a Recorrente que a compensação de fato foi efetuada quando da extinção do débito declarado na DCTF Original, ou seja, até o dia 09/04/1999 (data do vencimento da COFINS do PA 03/99), e que naquela data era possível efetuar a compensação de crédito com débito do mesmo tributo e declarar em DCTF. Desse modo, o que ocorreu foi mero erro de forma. É verdade que compensação feita em 1999, entre crédito e débito do mesmo tributo, poderia ser declarada em DCTF. Observese que por essa sistemática o Contribuinte estava obrigado a provar que de fato efetuou os lançamentos contábeis da operação de Fl. 199DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10880.915843/200863 Acórdão n.º 3302002.624 S3C3T2 Fl. 9 8 compensação que realizou, ou seja, estava obrigado a provar que em sua escrita contábil foi reconhecido e escriturado o crédito do pagamento a maior da COFINS de 1994/1995 e a compensação desse crédito com o débito da COFINS do PA 03/99. Para isso, bastaria juntar aos autos cópia do Livro Diário de abril de 1999, onde conta os lançamentos contábeis da compensação que a Recorrente alega ter realizado. De posse dessa informação, Auditores Fiscais da RFB confirmariam os lançamentos contábeis, à vista da documentação que lhe deu suporte. O mesmo vale para o aproveitamento parcial do pagamento de COFINS realizado no dia 09/04/1999. Tivesse a Recorrente trazido aos autos os elementos de prova acima referidos, poderseia discutir nos autos a existência ou não de erro de forma e a possível e eventual existência de crédito. Sem isso, o que fica claro é que a Recorrente usou de artifício ilegal para gerar crédito fictício, especialmente porque não prova sequer que ocorreu pagamento indevido da COFINS nos anos de 1994/1995, devidamente reconhecido em sua contabilidade por meio de lançamento feito em data anterior à extinção do débito de COFINS do PA 03/99. Fica claro, como bem disse a decisão recorrida, que até a data da apresentação da DCTF Retificadora o débito da COFINS do PA 03/99 estava extinto por pagamento, somente. A extinção, em parte, por compensação somente passou a existir com a transmissão da referida DCTF Retificadora. E nessa data, a comunicação de compensação realizada pelo contribuinte somente poderia ser feita por meio de “Declaração de Compensação”. Portanto, o DARF informado no PER/DCOMP estava, de fato e legalmente, alocado ao débito declarado pela Recorrente na DCTF Original, não podendo ser objeto de compensação. Tendo a compensação sido realizada na data da apresentação da DCTF Retificadora, aplicase a legislação sobre compensação vigente nessa data, conforme decidiu o STJ no Recurso Especial nº 1.137.738 – SP, julgado no rito do art. 543C do CPC e de aplicação obrigatória por parte do CARF (art. 62A do Regimento Interno do CARF), cuja ementa abaixo se transcreve, naquilo que interessa à lide: TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. SUCESSIVAS MODIFICAÇÕES LEGISLATIVAS. LEI 8.383/91. LEI 9.430/96. LEI 10.637/02. REGIME JURÍDICO VIGENTE À ÉPOCA DA PROPOSITURA DA DEMANDA. LEGISLAÇÃO SUPERVENIENTE. INAPLICABILIDADE EM SEDE DE RECURSO ESPECIAL. ART. 170A DO CTN. AUSÊNCIA DE INTERESSE RECURSAL. HONORÁRIOS. VALOR DA CAUSA OU DA CONDENAÇÃO. MAJORAÇÃO. SÚMULA 07 DO STJ. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC NÃO CONFIGURADA. 1. A compensação, posto modalidade extintiva do crédito tributário (artigo 156, do CTN), exsurge quando o sujeito passivo da obrigação tributária é, ao mesmo tempo, credor e devedor do erário público, sendo mister, para sua concretização, autorização por lei específica e créditos líquidos e certos, Fl. 200DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10880.915843/200863 Acórdão n.º 3302002.624 S3C3T2 Fl. 10 9 vencidos e vincendos, do contribuinte para com a Fazenda Pública (artigo 170, do CTN). [...] 9. Entrementes, a Primeira Seção desta Corte consolidou o entendimento de que, em se tratando de compensação tributária, deve ser considerado o regime jurídico vigente à época do ajuizamento da demanda, não podendo ser a causa julgada à luz do direito superveniente, tendo em vista o inarredável requisito do prequestionamento, viabilizador do conhecimento do apelo extremo, ressalvandose o direito de o contribuinte proceder à compensação dos créditos pela via administrativa, em conformidade com as normas posteriores, desde que atendidos os requisitos próprios (EREsp 488992/MG). [...] Diante da inexistência do direito material ao crédito, desnecessário abordar e discutir aqui a questão relativa ao prazo para pleitear a restituição, até porque esta matéria já está pacificada no âmbito do CARF, em face da decisão do STF proferida no RE 566.621, que é de aplicação obrigatória por parte deste Colegiado. Por fim, ratifico e, supletivamente, adoto os fundamentos da decisão recorrida, que tenho por boa e conforme a lei (art. 50, § 1o, da Lei no 9.784/19991). Por tais razões, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA – Relator 1 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: [. . .] § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Fl. 201DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10880.915843/200863 Acórdão n.º 3302002.624 S3C3T2 Fl. 11 10 Fl. 202DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA
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Numero do processo: 10314.729220/2012-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 31 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3202-000.263
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência..
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Charles Mayer de Castro Souza e Tatiana Midori Migiyama.
Nome do relator: Não se aplica
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RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Charles Mayer de Castro Souza e Tatiana Midori Migiyama. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, o qual passo a transcrever: “A importadora submeteu a despacho aduaneiro, através das declarações de importação listadas nos autos, “filmes fotográficos”, adotando a classificação fiscal 3701.10.10, relativa a chapas e filmes para raios X sensibilizados em uma face, da Tarifa Externa Comum, com alíquota reduzida a zero para o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI. A fiscalização entendeu corretas as classificações fiscais 3701.30.90, para os filmes cuja dimensão de pelo menos um dos lados fosse superior a 255mm, 3701.91.00, quando forem filmes para fotografia a cores (policromos) e 3701.99.00, quando consistirem apenas em outros filmes em razão de os filmes importados não serem constituídos, conforme a própria interessada relata em Termo de Esclarecimento, de duas folhas mais um revelador, como estabelecem as NESH, e sim por uma base de PET emulsionada e coberta de uma gelatina protetora, o que o laudo técnico oficial RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 03 14 .7 29 22 0/ 20 12 -8 1 Fl. 2222DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10314.729220/201281 Resolução nº 3202000.263 S3C2T2 Fl. 2.223 2 confirma ao dizer que não se trata de filme de revelação instantânea, mas sim por impressão térmica, não sendo exclusiva para diagnósticos que utilizam raios X. Em razão das classificações fiscais 3701.30.90, para os filmes cuja dimensão de pelo menos um dos lados seja superior a 255mm, 3701.91.00, quando forem filmes para fotografia a cores (policromos) e 3701.99.00, quando consistirem apenas em outros filmes, a alíquota do imposto sobre produtos industrializados – IPI é de quinze por cento, o que gera a cobrança desse tributo, acrescido de multa de ofício (75% do valor do tributo) e de multa regulamentar (1% do valor aduaneiro por erro de classificação fiscal), bem como cobrança de COFINS e de PIS/PASEP, acrescida de multas de ofício (75% do valor das contribuições), totalizando R$ 21.769.149,38 A interessada apresentou impugnação, alegando, objetivamente em sua defesa quanto aos autos de infração, que: a AGFA HEALTHCARE assumiu integralmente as atividades do ramo hospitalar sendo excluída a responsabilidade da AGFA GEVAERT. ainda que subsista a solidariedade, a empresa cindida AGFA GEVAERT somente pode ser solidária até dezembro de 2009, tendo em vista que a cisão ocorreu em janeiro de 2010. filmes impressos não tem uma destinação específica, sendo a função atribuída pelo uso a que se destinará. pelo entendimento da fiscalização, não há filme fotográfico que atenda aos ditames da NCM 3701.10.10, pois esta não faz restrição de utilização exclusiva para filmes de raio X. o Capítulo 37 engloba os métodos diretos e indiretos de gravação de imagem, conforme Nota 2. os filmes importados são acoplados a equipamentos de diagnóstico médico, conforme padrão DICOM, não podendo ser utilizados para fotografias, microfilmagem ou outras imagens que não sejam com a finalidade diagnóstica, devendo ser privilegiada a destinação do produto para uso médico. caso se entendam corretas as NCM 3701.30.90 e 3701.91.00, não haverá necessidade de anuência prévia para a importação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária – ANVISA. a classificação utilizada pela fiscalização baseouse na RGI 3 c, de caráter residual, carecendo de legitimidade. a multa de ofício não poderia ser aplicada por não ter havido declaração inexata. não poderiam ser aplicadas sanções por força da desclassificação fiscal das mercadorias por ter havido boa fé e seguido as normativas da ANVISA e a prática reiterada de todo o mercado, conforme artigos 100 e 112 do CTN. a aplicação cumulativa das multas de ofício e de 1% é incabível. a reclassificação fiscal configura mudança de critério jurídico, nos termos do art. 146 do CTN. protesta pela produção de laudo junto ao INT. Fl. 2223DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10314.729220/201281 Resolução nº 3202000.263 S3C2T2 Fl. 2.224 3 requer a improcedência do auto de infração lavrado. A DRJSão Paulo I/SP julgou improcedente a impugnação (efls. 2.027/2.039), nos termos da ementa adiante transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Período de apuração: 09/01/2008 a 23/12/2010 Filmes para impressão térmica. Filmes utilizados em impressoras que trabalham por meio de fios resistores que quando aquecidos o sensibilizam, imprimindo a imagem que já foi processada nos equipamentos médicos digitais, utilizados sem raiosx em ultrassonografia, cintilografia, ressonância magnética e endoscopia, além de angiografia, tomografia computadorizada e radiografia computadorizada, apresentam corretas classificações tarifárias 3701.30.90, quando se tratarem de outros filmes cuja dimensão de pelo menos um dos lados seja superior a 255mm, 3701.91.00, quando forem outros filmes para fotografia a cores (policromos) e 3701.99.00, quando consistirem apenas em outros filmes. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Irresignada, a contribuinte apresentou recurso voluntário perante este Colegiado (efls.2.061/2.126), alegando, em síntese: preliminarmente, suscita nulidade da decisão recorrida em razão de alegada alteração do critério jurídico. Afirma que a autuação se deu por aplicação da RGI/SH 3c, sendo que a decisão recorrida teria mantido a reclassificação fiscal com fundamento nas RGI/SH nº. 1 e 6. afirma que houve desobediência ao princípio da segurança jurídica, visto que sempre utilizouse do código 3701.10.10 para efetuar importações das mercadorias, as quais foram submetidas a controle antes do embarque, por ocasião do requerimento da licença de importação no SISCOMEX, sem que a Administração refutasse a classificação fiscal adotada; que o Laudo Técnico e o Parecer acostados à impugnação foram ignorados pela autoridade julgadora administrativa de primeira instância, que levou em consideração apenas o Laudo expedido pelo Engenheiro Roberto Raya da Silva, o qual embasou a autuação. Referidos documentos foram encomendados pela entidade de classe a que pertence a recorrente, a ABIMFI, sendo o Laudo Técnico expedido pelo IPT Instituto de Pesquisas Tecnológicas de São Paulo, e o Parecer, pela Sandlers & Travis Adivory Services Inc, todos no sentido de afirmar que o código 3701.10.10 seria o adequado aos filmes importados em questão; que, para corroborar sua defesa, juntou ao recurso voluntário Laudo Técnico elaborado pelo INT Instituto Nacional de Tecnologia (elfs. 1.427/1.452)e Parecer Técnico de lavra de professores do Instituto de Física da Universidade de São Paulo (efls. 1.420/1.425); No mérito, repisa os mesmos argumentos expendidos na impugnação: Fl. 2224DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10314.729220/201281 Resolução nº 3202000.263 S3C2T2 Fl. 2.225 4 Ao final, preliminarmente, requer a nulidade da decisão recorrida, por alteração do critério jurídico. No mérito, requer o cancelamento do auto de infração e, subsidiariamente, o cancelamento das penalidades e dos juros de mora, ou, ainda, apenas o cancelamento das multas aplicadas. É o Relatório. Voto Conselheira Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Relatora O recurso voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade, razões pelas quais dele conheço. A questão ora posta diz respeito à correta classificação fiscal de produtos identificados como filmes fotográficos, importados pela autuada, e por ela classificados na posição 3701.10.10; já a Fiscalização promoveu a reclassificação dos produtos para os códigos 3701.30.90, 3701.91.00 e 3701.99.00. Os textos dos códigos de classificação pretendidos encontramse abaixo transcritos: 3701 – Chapas e filmes planos, fotográficos, sensibilizados, não impressionados, de matérias diferentes do papel, do cartão ou dos têxteis; filmes fotográficos planos, de revelação e copiagem (cópia) instantâneas, sensibilizados, não impressionados, mesmo em cartuchos 3701.10 – Para raios X 3701.10.10 – Sensibilizados em uma face 3701.10.2 – Sensibilizados das duas faces 3701.10.21 – Próprios para uso odontológico 3701.20.29 – Outros 3701.20 – Filmes de revelação e copiagem instantânea 3701.30 – Outras chapas e filmes cuja dimensão de pelo menos um dos lados seja superior a 255mm 3701.30.90 – Outros 3701.9 – Outros 3701.91.00 – Para fotografia a cores (policromos) 3701.99.00 Outros O Capítulo 37 engloba os produtos para fotografia e cinematografia. A Nota 2 do referido Capítulo afirma: 2. No presente Capítulo, o termo fotográfico qualifica o processo pelo qual imagens visíveis são formadas, direta ou indiretamente, pela ação da luz ou de outras formas de radiação, sobre superfícies fotossensíveis. Fl. 2225DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10314.729220/201281 Resolução nº 3202000.263 S3C2T2 Fl. 2.226 5 O laudo elaborado pelo engenheiro Roberto Raya da Silva (efls. 418/463), o qual embasou a autuação, afirma, em conclusão, que “as imagens não são registradas nos filmes direta ou indiretamente pela ação da luz ou dos raios x”. Tal afirmativa parece sinalizar pela impossibilidade da classificação do produto no Capítulo 37, tendo em vista que, para enquadrarse neste capítulo, de acordo com a nota 2 acima transcrita, é necessário que haja uma ação, direta ou indireta, da luz ou de outras formas de radiação. Vez que a Fiscalização concorda com a classificação na posição 3701, a afirmativa do laudo deixa a dúvida: seriam, então, as imagens registradas nos filmes, direta ou indiretamente, pela ação de outras formas de radiação que não raio X? Mas e a ultrassonografia, que utiliza ondas sonoras? Se não há ação, direta ou indireta, de luz ou radiação, conforme afirma o laudo, como é possível classificar na posição 3701, sendo o filme utilizado para imagens de ultrassononografia? Por sua vez, no Laudo formulado pela INT, aquele Instituto, em resposta ao quesito nº 04, afirma que há, sim, ação do raio x na formação das imagens que utilizam os filmes fotográficos importados pela recorrente. Vejase: 4. As imagens visíveis a serem registradas nos filmes Drystar serão formadas pela ação do raio X (ou outro tipo de radiação)? Qual é a radiação que carrega a informação da imagem do paciente? Resposta: As imagens visíveis, registradas nos filmes DRYSTAR, eram formadas por sinais elétricos armazenados na memória do equipamento. Após a exposição do RaioX, toda a informação era convertida em sinais elétricos para visualização nos monitores e para impressão nos filmes DRYSTAR. Assim, os sinais elétricos, em código binário, carregavam a informação da imagem do paciente, que originalmente vieram veiculadas na radiação do RaioX. No método indireto, há duas conversões, de RaioX para luz, e esta, para sinais elétricos.” São, assim, Laudos Técnicos, elaborados por autoridades competentes, que trazem informações diametralmente opostas, o que, no meu entender, leva à necessidade da elaboração de um outro Laudo Técnico, de caráter “oficial”, elaborado por perito credenciado junto à Receita Federal ou Instituição/Entidade de renome, diferentes daqueles que já se pronunciaram nos autos, a fim de dirimir a questão posta, bem como sanar outras dúvidas surgidas quando da análise da controvérsia instaurada nestes autos. Entendo, ainda, que, em razão da grande especificidade que o tema impõe, o novo Laudista deverá ter formação/especialização específica na área de produção fotoquímica ou na área de Física Médica. 1. Identificar cada uma das mercadorias importadas objeto da reclassificação. 2. Tratamse de filmes fotográficos, ou seja, tratamse de filmes utilizados em processo pelo qual as imagens visíveis são formadas, direta ou indiretamente, pela ação da luz ou de outras formas de radiação, sobre superfície fotossensível? Sim ou não? Justifique. 3. Os filmes, na forma como importados, podem ser destinados à aplicação em diagnósticos de raios X? Sim ou não? Justifique. 4. Se respondido sim à pergunta anterior: podem ser destinados à aplicação em diagnósticos de raios X, exclusivamente? Sim ou não? Justifique. Se não, em quais outros tipos de diagnósticos podem ser aplicados? Explique. Fl. 2226DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10314.729220/201281 Resolução nº 3202000.263 S3C2T2 Fl. 2.227 6 5. Independentemente de se tratar de método de radiografia direta ou indireta, analógica ou digital, podese afirmar que não existem, ou nunca existiram, filmes virgens ou não impressos especialmente destinados à aplicação em diagnósticos de raios X? Sim ou não? Justifique. 6. Os exames que utilizam raio X para formação de imagem, mas não exclusivamente raio X, podem ser denominados de exame de raio X? Sim ou Não. Justifique. 7. Nos dias de hoje, na área de diagnóstico médico, para ser considerado “exame de raio X” basta que seja utilizado raio X para realização do exame, ainda que o raio X não seja utilizado exclusivamente? Sim ou Não? Explique. 8. No Brasil, em face do volume de exames realizados na atualidade, podese dizer que, preponderantemente, os filmes, na forma com importados, são utilizados, em sua grande maioria, para realizar exames de raio X? Sim ou não. Justifique. Podese dizer que há uma função principal para tais filmes? Sim ou não? Justifique. Devem, ainda, ser respondidos os 14 quesitos apresentados pela contribuinte quando do oferecimento da impugnação (efls.1.824/1.827), bem como ser facultado à Fiscalização para, querendo, formular quesitos. Pelo exposto, voto no sentido de que, novamente, seja CONVERTIDO O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, para que a autoridade preparadora providencie a elaboração de Laudo Técnico conforme acima solicitado. Após, devem ser abertos prazos para a Fiscalização e a contribuinte, respectivamente, manifestaremse, caso queiram. Salientese que as manifestações devemse limitar à apreciação do resultado da diligência, não sendo cabível revolver questões já suscitadas quando do oferecimento do recurso voluntário ou quando da lavratura do Auto de Infração. Finalizada a instrução processual, devem os autos retornar a este Colegiado para julgamento. É como voto. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Fl. 2227DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES
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Numero do processo: 12269.003780/2009-24
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jun 04 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Data do fato gerador: 04/08/2009
CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA - DEIXAR DE INSCREVER SEGURADO EMPREGADO - ARTIGO 17, DA LEI N.º 8.213/91 C/C ARTIGO 18, I § 1.º DO RPS, APROVADO PELO DECRETO N.º 3.048/99 - INCLUSÃO EM FOPAG E GFIP - CUMPRIDA ESTA A EXIGÊNCIA LEGAL - IMPROCEDÊNCIA DA AUTUAÇÃO
Deixar de registrar segurado empregado constitui infração a dispositivo da legislação previdenciária, importando multa. Contudo, não tendo a falta imputadaanotação no livro de registro de empregados, ensejado a ausência de inscrição do segurado (já que o mesmo constava como empregado na GFIP), entendo que deva ser dado provimento ao recurso do recorrente.
A ausência de anotação do Livro de Registro de Empregado, não constitui infração a legislação previdenciária, mas a legislação trabalhista, estando fora da competência da auditoria da RFB a lavratura de AI sob esse fundamento. O presente auto só seria legitimo, se da ausência do referido registro do livro, resultasse também a ausência de inclusão em FOPAG e GFIP, ou seja, não estaria o trabalhador inscrito perante a previdência social.
AUTO DE INFRAÇÃO - OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA - NULIDADE FACE AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO - AUTO DEVIDAMENTE ESTRUTURADO - ALEGAÇÕES DESPROVIDAS DE ELEMENTOS DE PROVA - IMPROCEDÊNCIA DAS ALEGAÇÕES
Uma vez que a autoridade fiscal demonstrou de forma clara a falta descrita na autuação, bem como toda a fundamentação legal, não há que se anular o autuação.
DECADÊNCIA - AUTO DE INFRAÇÃO - FALTAS EM PERÍODOS NÃO ALCANÇADOS PELA DECADÊNCIA - MULTA ÚNICA
Tratando-se de Auto de Infração pelo descumprimento de obrigação acessória, a decadência deve ser apreciada a luz do art. 173, I do CTN.
Mesmo que parte do lançamento pela não apresentação de documentos esteja decadente, a multa aplicada deve persistir, considerando que trata-se de multa única, independente do numero de faltas imputadas.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2401-003.432
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar a argüição de decadência; II) rejeitar a preliminar de nulidade; e III) no mérito, dar provimento ao recurso.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim e Ricardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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Contudo, não tendo a falta imputada“anotação no livro de registro de empregados”, ensejado a ausência de inscrição do segurado (já que o mesmo constava como empregado na GFIP), entendo que deva ser dado provimento ao recurso do recorrente. A ausência de anotação do Livro de Registro de Empregado, não constitui infração a legislação previdenciária, mas a legislação trabalhista, estando fora da competência da auditoria da RFB a lavratura de AI sob esse fundamento. O presente auto só seria legitimo, se da ausência do referido registro do livro, resultasse também a ausência de inclusão em FOPAG e GFIP, ou seja, não estaria o trabalhador inscrito perante a previdência social. AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA NULIDADE FACE AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO AUTO DEVIDAMENTE ESTRUTURADO ALEGAÇÕES DESPROVIDAS DE ELEMENTOS DE PROVA IMPROCEDÊNCIA DAS ALEGAÇÕES Uma vez que a autoridade fiscal demonstrou de forma clara a falta descrita na autuação, bem como toda a fundamentação legal, não há que se anular o autuação. DECADÊNCIA AUTO DE INFRAÇÃO FALTAS EM PERÍODOS NÃO ALCANÇADOS PELA DECADÊNCIA MULTA ÚNICA AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 26 9. 00 37 80 /2 00 9- 24 Fl. 107DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 2 Tratandose de Auto de Infração pelo descumprimento de obrigação acessória, a decadência deve ser apreciada a luz do art. 173, I do CTN. Mesmo que parte do lançamento pela não apresentação de documentos esteja decadente, a multa aplicada deve persistir, considerando que tratase de multa única, independente do numero de faltas imputadas. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar a argüição de decadência; II) rejeitar a preliminar de nulidade; e III) no mérito, dar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim e Ricardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 108DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 12269.003780/200924 Acórdão n.º 2401003.432 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório O presente AI de obrigação acessória, lavrado sob n. 37.240.8109, em desfavor da recorrente, originado em virtude do descumprimento do art. artigo 17, da lei n.º 8.213/91 c/c artigo 18, i § 1.º do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999. Conforme descrito no relatório fiscal, fls. 06 a empresa deixou de inscrever como segurado empregado o Sr. Alexandre Zanella Vargas, uma vez que não fez as devidas anotações no Livro Registro de Empregados. A formalização do contrato de trabalho se dá pelo registro do mesmo no Livro de Registro de Empregados. O segurado constava nas folhas de pagamento do período de 12/2006 a 12/2007. Consta nas Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência GFIP, como data de admissão o dia 01/12/2006, e estando enquadrado no Classificação Brasileira de Ocupação CBO sob n° 7252 ( montador de máquinas industriais). Importante, destacar que a lavratura do AI deuse em 11/08/2010, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 31/08/2010. Não conformada com a autuação a recorrente apresentou defesa, fls. 58 a 64. Foi exarada a Decisão de 1 instância que confirmou a procedência do lançamento, fls. 80 a 87. A S S U N T O : O B R I G A Ç Õ E S AC E S S Ó R I AS Período de apuração: 01/12/2006 a 31/12/2007 AI Debcad n° 37.240.8109 INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. DEIXAR DE INSCREVER SEGURADO EMPREGADO. DECADÊNCIA. CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. MULTA. AGRAVAMENTO. PRODUÇÃO DE PROVAS. Não tendo sido esgotado o prazo decadencial, o lançamento pode ser efetuado. Não há que se falar em cerceamento de defesa quando o procedimento fiscal obedece ao princípio da legalidade, sendo prestadas todas as informações necessárias ao sujeito passivo, possibilitando que este exerça plenamente o seu direito à defesa. Estando quantificada em consonância com a legislação aplicável a inulta por descumprimento de obrigação acessória não pode ser afastada ou reduzida. Excluise a agravante de dolo quando não demonstrada a relação entre a conduta dolosa e a infração praticada. Considerarseão não formulados os pedidos de diligência e perícia quando a empresa não apresentar os motivos que as Fl. 109DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 4 justifiquem, a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, e no caso de perícia, o nome, endereço e a qualificação profissional de seu perito. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso pela notificada, contendo em síntese os mesmo argumentos da impugnação e dos autos de obrigação principal., quais sejam: 1. O princípio da proporcionalidade ou da razoabilidade, ou ainda, Princípio da Proibição de excesso que! conforme interpretação do Supremo Tribunal Federal, tem sua sede | material na disposição constitucional que determina a observância do devido processo legal substantivo, surgiu com a finalidade de impedir restrições desproporcionais aos direitos fundamentais, seja por atos administrativos, seja por atos legislativos. 2. É o que deve ser aplicado ao caso em discussão. A recorrente deve ser mantida no Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte, bem como do Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte, Simples Nacional, pois a par da falta de registro da movimentação financeira, a mesma é uma microempresa de pequeno porte, e preenche os requisitos necessários para tanto. 3. Aduz que a empresa está dentro do enquadramento legal que lhe permite participar do SIMPLES e SIMPLES NACIONAL e que o critério utilizado pela fiscalização para a exclusão foi exclusivamente subjetivo e desproporcional. Ressalta que em nenhum momento foi detectada a falta de regularidade de suas declarações enquanto empresa integrante dos referidos sistemas. Sustenta que a movimentação bancária não é documento de obrigação principal, mas sim acessória c que por ter apresentado todos os demais documentos obrigatórios, não se pode concluir que houve a intenção de causar embaraço à fiscalização. 4. Requer, ao final, o seu reenquadramento nos sistemas SIMPLES, a suspensão do presente Auto de Infração até o trânsito em julgado do processo administrativo dc exclusão, e que seja declarada a sua nulidade, pois os atos declaratórios executivos n° 031 e 036 não devem prosperar. Afirma que as cobranças e multas aplicadas neste Auto de Infração não são válidas eis que retroagiram em data pretérita à data de exclusão, o que é ilegal. 5. Quanto ao mérito, conforme verificase do auto acima referido foi aplicada multa a impugnante por não ter inscrito segurado empregado conforme previsto na Lei 8213 de 2 4 / 7 / 9 1 , at. 17 combinado com artigo 18, I e parágrafo 1 do RPS.. 6. Ocorre que totalmente equivocado o entendimento do fisco, eis que não são tributáveis os pagamentos efetuados ao terceiro eis que não se trata de empregado segurado e nem pro labore. 7. Por fim, o auto de infração deve ser anulado tendo em vista que não está regularmente formado, consoante determina a lei tributária pertinente a validade dos autos de lançamento. Analisandose o referido auto, observase claramente que não consta a correta disposição legal infringida pela impugnante. No mesmo sentido, o auto de infração não é preciso quanto à irregularidade constatada por ventura da inspeção. Omite se relativa ou parcialmente, ou seja , o fundamento legal da infração supostamente Fl. 110DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 12269.003780/200924 Acórdão n.º 2401003.432 S2C4T1 Fl. 4 5 cometida pela autuada, de forma direta, o que inviabiliza, ou no mínimo, torna difícil o exercício pleno do direito de defesa. 8. Caso não seja este o entendimento, o que admite apenas para argumentar alega que deve ser declarada a prescrição dos créditos relativos às competências anteriores a 03/06/2005, eis que ultrapassados cinco anos da data do fato gerador. Cita a Súmula Vinculante n° 08 do STF para ratificar o entendimento do prazo decadencial qüinqüenal. 9. A recorrente requer seja dado provimento ao seu recurso no sentido de ser totalmente julgada procedente a impugnação ora apresentada, declarandose a nulidade do auto de infração ora impugnado, primeiro por conter vícios insanáveis relativos a sua válida constituição , uma vez que não consta a indicação do dispositivo legal infringido, caracterizandose cerceamento de defesa, e segundo, por estar em total desrespeito a lei, não preenchendo os requisitos mínimos para |sua validade, tal como [exigidos pela disposição legal pertinente, e por conseguinte, ver desconstituído o crédito tributário apurado. A DRFB encaminhou o processo para julgamento no âmbito do CARF. É o relatório. Fl. 111DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 6 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 75 a 76. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DAS QUESTÕES PRELIMINARES: Primeiramente, importante mencionar que o presente processo encontrase vinculado ao processo n. 12269003774/200977, onde foi lançada a obrigação principal., parte patronal Convém, ainda, esclarecer que ao contrário dos demais autos de infração em julgamento nesta mesma sessão de julgamento, o presente AI não encontrase prejudicado pelos processos de exclusão do SIMPLES ainda não definitivamente julgados, tendo em vista que a falta imputada, não registro de empregado informado em GFIP, independe do recorrente ser ou não optante pelo SIMPLES. Pela mesma razão não serão apreciados os argumentos recursais acerca do enquadramento do SIMPLES, nem mesmos os efeitos da referida exclusão, já que ditos fatos não alteram o lançamento em questão. DA NULIDADE DO LANÇAMENTO Quanto a autuação, o primeiro argumento que merece conhecimento diz respeito a suscitada nulidade, senão vejamos o que disse o recorrente: De outra banda, o auto de infração deve ser anulado tendo em vista que não está regularmente formado, consoante determina a lei tributária pertinente a validade dos autos de lançamento. Analisandose o referido auto, observase claramente que não consta a correta disposição legal infringida pela impugnante. No mesmo sentido, o ato de infração não é preciso quanto à irregularidade constatada por ventura da inspeção. Todavia, os argumentos do recorrente quanto a nulidade pela ausência de fundamentação, ou mesmo esclarecimentos dos fatos geradores não merecem prosperar. Bastanos uma simples leitura do relatório fiscal, fl. 06 e da planilha anexa a fl. 08, para espancar qualquer dúvida do recorrente acerca das faltas imputadas ao recorrente, ou seja, não apenas encontrase suficientemente esclarecidos cada um dos documentos não apresentados, bem como o número do lançamento contábil a que se referiam. Assim, não merece guarida a argumentação do recorrente. Observe, que simplesmente alegar a nulidade, não determina a improcedência do lançamento, se o mesmo encontrase suficientemente claro, permitindo o exercício do contraditório e do amplo direito de defesa. Fl. 112DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 12269.003780/200924 Acórdão n.º 2401003.432 S2C4T1 Fl. 5 7 DECADÊNCIA Quanto a aplicação do prazo decadencial exponho meu entendimento a respeito do tema, concluindo ao final, o dispositivo legal a ser aplicado ao caso concreto. Em primeiro lugar, devemos considerar que se trata de auto de infração, que ao contrário das NFLD, constitui obrigação acessória de “fazer” ou “deixar de fazer”, sendo irrelevante a existência ou não de recolhimentos antecipados. Dessa forma, quanto a aplicação da decadência qüinqüenal, subsumo todo o meu entendimento quanto a legalidade do art. 45 da Lei 8212/91 (10 anos), outrora defendido à decisão do STF. O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a Súmula Vinculante de n º 8, senão vejamos: Súmula Vinculante nº 8“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. O texto constitucional em seu art. 103A deixa claro a extensão dos efeitos da aprovação da súmula vinculando, obrigando toda a administração pública ao cumprimento de seus preceitos. Dessa forma, entendo que este colegiado deverá aplicála de pronto, mesmo nos casos em que não argüida a decadência qüinqüenal por parte dos recorrentes. Assim, prescreve o artigo em questão: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Ao declarar a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212, prevalecem as disposições contidas no Código Tributário Nacional – CTN, quanto ao prazo para a autoridade previdenciária constituir os créditos resultantes do inadimplemento de obrigações previdenciárias. O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, nos casos de lançamentos em que não houve antecipação do pagamento assim estabelece em seu artigo 173: "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; Fl. 113DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 8 II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento." Já em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, aplicase o disposto no § 4º, do artigo 150, do CTN, segundo o qual, se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, Senão vejamos o dispositivo legal que descreve essa assertiva: Art.150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (grifo nosso) Contudo, para que possamos identificar o dispositivo legal a ser aplicado, seja o art. 173 ou art. 150 do CTN, devemos identificar a natureza das contribuições para que, só assim, possamos declarar da maneira devida a decadência de contribuições previdenciárias. No caso, a aplicação do art. 150, § 4º, é possível quando realizado pagamento de contribuições, que em data posterior acabam por ser homologados expressa ou tacitamente. Contudo, conforme descrito anteriormente, tratase de lavratura de Auto de Infração por ter lançado valores a maior na GFIP. Dessa forma, não há que se falar em recolhimento antecipado devendo a decadência ser avaliada a luz do art. 173 do CTN. Ocorre que no caso em questão, o lançamento foi efetuado em 11/08/2010, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 31/08/2010. Os fatos geradores ocorreram entre as competências 12/2006 a 12/2007, sendo assim a luz do art. 173, I do CTN, não há decadência a ser decretada. Superadas as preliminares, passemos a analise do mérito. Fl. 114DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 12269.003780/200924 Acórdão n.º 2401003.432 S2C4T1 Fl. 6 9 DO MÉRITO Quanto ao mérito, observase que o recorrente argumenta que não houve a divergência apontada, estando os valores e índices, corretamente lançados. No presente caso, entendo que a infração imputada ao recorrente não se subssume aos fatos narrados no próprio relatório fiscal, senão vejamos trecho do mesmo: “a empresa deixou de inscrever como segurado empregado o Sr. Alexandre Zanella Vargas, uma vez que não fez as devidas anotações no Livro Registro de Empregados. A formalização do contrato de trabalho se dá pelo registro do mesmo no Livro de Registro de Empregados. O segurado constava nas folhas de pagamento do período de 12/2006 a 12/2007. Consta nas Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência GFIP, como data de admissão o dia 01/12/2006, e estando enquadrado no Classificação Brasileira de Ocupação CBO sob n° 7252 ( montador de máquinas industriais).” A anotação no livro de Registro de Empregados é o ponto de partida para formalização do vínculo de emprego no âmbito da empresa, que se consolida com a respectiva anotação na Carteira de Trabalho e Previdência Social – CTPS, que é o documento do empregado onde restará anotada as condições da prestação de serviços. Todavia, desde 1999, com o surgimento da GFIP, o banco de dados da Previdência Social onde serão arquivadas todas as informações pertinentes aos vínculos de emprego perante a previdência social do segurado, passa a ser alimentado diretamente pela referida guia. Dessa forma, se o próprio auditor destacou que na GFIP a empresa informou que o segurado era empregado, entendo que não deixou a empresa de “inscrever o segurado” perante a previdência social, que é justamente a multa imputada ao recorrente. Art.18.Considerase inscrição de segurado para os efeitos da previdência social o ato pelo qual o segurado é cadastrado no Regime Geral de Previdência Social, mediante comprovação dos dados pessoais e de outros elementos necessários e úteis a sua caracterização, observado o disposto no art. 330 e seu parágrafo único, na seguinte forma: (Redação dada pelo Decreto nº 3.265, de 1999) Io empregado e trabalhador avulso pelo preenchimento dos documentos que os habilitem ao exercício da atividade, formalizado pelo contrato de trabalho, no caso de empregado, observado o disposto no § 2o do art. 20, e pelo cadastramento e registro no sindicato ou órgão gestor de mãodeobra, no caso de trabalhador avulso; A ausência de anotação do Livro de Registro de Empregado, não constitui infração a legislação previdenciária, mas a legislação trabalhista, estando fora da competência da auditoria da RFB a lavratura de AI sob esse fundamento. O presente auto só seria legitimo, se da ausência do referido registro do livro, resultasse também a ausência de inclusão em FOPAG e GFIP, ou seja, não estaria o trabalhador inscrito perante a previdência social. Fl. 115DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 10 Assim, não tendo a falta imputada“anotação no livro de registro de empregados”, ensejado a ausência de inscrição do segurado (já que o mesmo na GFIP constava como empregado), entendo que deva ser dado provimento ao recurso do recorrente. CONCLUSÃO: Voto pela CONHECIMENTO DO RECURSO, para rejeitar a preliminar de nulidade, rejeitar a preliminar de decadência e no mérito DARLHE PROVIMENTO. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Fl. 116DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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