Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,279)
- Segunda Câmara (27,805)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,763)
- Primeira Turma Ordinária (16,221)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,176)
- Primeira Turma Ordinária (16,104)
- Primeira Turma Ordinária (16,039)
- Segunda Turma Ordinária d (15,797)
- Segunda Turma Ordinária d (14,451)
- Primeira Turma Ordinária (13,020)
- Primeira Turma Ordinária (12,381)
- Segunda Turma Ordinária d (12,367)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,422)
- Quarta Câmara (84,834)
- Terceira Câmara (67,389)
- Segunda Câmara (55,826)
- Primeira Câmara (20,245)
- 3ª SEÇÃO (16,176)
- 2ª SEÇÃO (11,281)
- 1ª SEÇÃO (6,836)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (125,132)
- Segunda Seção de Julgamen (114,469)
- Primeira Seção de Julgame (76,587)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,961)
- Câmara Superior de Recurs (37,889)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,615)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,487)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,754)
- HELCIO LAFETA REIS (3,725)
- ROSALDO TREVISAN (3,220)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,925)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,728)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,630)
- WILDERSON BOTTO (2,615)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,840)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,921)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,471)
- 2014 (22,375)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,515)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,135)
- 2017 (16,840)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2026 (13,849)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 13726.000465/2006-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Mar 21 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/10/2006 a 31/10/2006
COMPENSAÇÃO NÃO FORMALIZADA POR MEIO DO PROGRAMA PER/DCOMP. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL
Em prestígio ao Princípio da Verdade Material, deve ser recebida pela unidade de origem, para avaliação, a Declaração de Compensação preparada em formulário.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Direito Creditório Reconhecido
Numero da decisão: 3301-003.164
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por Maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros José Henrique Mauri (Relator), Liziane Angelotti Meira e Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho. Foi designado o Conselheiro Marcelo Costa Marques D'Oliveira para redigir o voto vencedor. O Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas declarou-se impedido.
(assinado digitalmente)
José Henrique Mauri - Presidente Substituto e Relator.
(assinado digitalmente)
Marcelo Costa Marques D'Oliveira - Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente e Relator), Marcelo Costa Marques d'Oliveira (Redator disignado), Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: JOSE HENRIQUE MAURI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201701
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/10/2006 a 31/10/2006 COMPENSAÇÃO NÃO FORMALIZADA POR MEIO DO PROGRAMA PER/DCOMP. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL Em prestígio ao Princípio da Verdade Material, deve ser recebida pela unidade de origem, para avaliação, a Declaração de Compensação preparada em formulário. Recurso Voluntário Provido em Parte Direito Creditório Reconhecido
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Mar 21 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 13726.000465/2006-21
anomes_publicacao_s : 201703
conteudo_id_s : 5700477
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Mar 24 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 3301-003.164
nome_arquivo_s : Decisao_13726000465200621.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : JOSE HENRIQUE MAURI
nome_arquivo_pdf_s : 13726000465200621_5700477.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por Maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros José Henrique Mauri (Relator), Liziane Angelotti Meira e Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho. Foi designado o Conselheiro Marcelo Costa Marques D'Oliveira para redigir o voto vencedor. O Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas declarou-se impedido. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri - Presidente Substituto e Relator. (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques D'Oliveira - Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente e Relator), Marcelo Costa Marques d'Oliveira (Redator disignado), Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
dt_sessao_tdt : Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2017
id : 6688736
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:57:29 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048947466960896
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1537; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 15 1 14 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13726.000465/200621 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3301003.164 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 25 de janeiro de 2017 Matéria Declaração de Compensação em papel Recorrente MA Automotive Ltda Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/2006 a 31/10/2006 COMPENSAÇÃO NÃO FORMALIZADA POR MEIO DO PROGRAMA PER/DCOMP. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL Em prestígio ao Princípio da Verdade Material, deve ser recebida pela unidade de origem, para avaliação, a Declaração de Compensação preparada em formulário. Recurso Voluntário Provido em Parte Direito Creditório Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da TERCEIRA SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por Maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros José Henrique Mauri (Relator), Liziane Angelotti Meira e Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho. Foi designado o Conselheiro Marcelo Costa Marques D'Oliveira para redigir o voto vencedor. O Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas declarouse impedido. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Presidente Substituto e Relator. (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques D'Oliveira Redator designado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 72 6. 00 04 65 /2 00 6- 21 Fl. 1133DF CARF MF Processo nº 13726.000465/200621 Acórdão n.º 3301003.164 S3C3T1 Fl. 16 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente e Relator), Marcelo Costa Marques d'Oliveira (Redator disignado), Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Fl. 1134DF CARF MF Processo nº 13726.000465/200621 Acórdão n.º 3301003.164 S3C3T1 Fl. 17 3 Relatório Por bem descrever os fatos, transcrevo o relatório exarado no Acórdão recorrido, até aquele ponto. Trata o presente processo das declarações de compensação de fls. 14/15, 68/70, 112/114, 171/173, 218/220, 315/317, 360/362, 405/407, 453/454, 509/510, 555/556 e 623/624, apresentadas pelo contribuinte acima identificado a partir de 26/12/2006, em papel, informando como crédito saldo de PIS apurado sob o regime nãocumulativo, relativo ao PA out/2006. Às fls. 856 a 860 consta despacho decisório, proferido em Jan/2008 pela DRF/Volta RedondaRJ, considerando não declaradas as compensações informadas em todas as declarações objeto do presente processo, sob os seguintes fundamentos: · No que concerne à forma de apresentação de declarações de compensação, que tenham como crédito o PIS nãocumulativo, que, desde 30/12/2005, início da vigência da IN/SRF nº 600/2005, não se pode admitir a sua formalização por meio de formulário em papel, sendo a via eletrônica a adequada, por meio do programa PER/DCOMP; · O descumprimento desta regra resulta em considerar a compensação como não declarada, nos termos do art. 31 c/c art. 76, §§ 2º a 4º daquela IN; · Os formulários de papel só podem ser utilizados pelo sujeito passivo nas hipóteses em que a restituição, o ressarcimento ou a compensação não possa ser requerida ou declarada eletronicamente; · Tal impossibilidade apenas se caracteriza pela ausência de previsão da hipótese de restituição, de ressarcimento, ou de compensação no referido programa, bem como a existência de falha que impeça a geração do pedido de forma eletrônica, a qual deve ser demonstrada pelo contribuinte no momento da entrega do formulário; · No caso concreto, o interessado encontravase obrigado a utilizar o meio eletrônico, pois não há nos autos comprovação da impossibilidade de sua utilização, o que deveria ter sido evidenciado no ato do protocolo da declaração em papel; · Assim, as compensações objeto das declarações analisadas neste processo devem ser consideradas não declaradas; · Deve ser dado prosseguimento à cobrança dos débitos, informando ao contribuinte que, se assim desejar, poderá apresentar novo pedido de ressarcimento/declaração de compensação por meio eletrônico, sendo vedada, em função do § 2º do art. 31 c/c art. 48 da IN/SRF nº 600/2005, a apresentação de manifestação de inconformidade, ficando, no entanto, resguardado o direito de o contribuinte recorrer, nos termos do art. 56, § 1º, da Lei nº 9.784/99. Fl. 1135DF CARF MF Processo nº 13726.000465/200621 Acórdão n.º 3301003.164 S3C3T1 Fl. 18 4 Cientificado desta decisão conforme AR de fl. 923, o contribuinte apresentou requerimento intitulado “manifestação de inconformidade” em 12/01/2010 (fls. 924 a 932), alegando, em resumo, que: · Nos termos do art. 170 do CTN, compete à lei autorizar e legislar sobre a compensação de créditos tributários; · A Lei nº 9.430/96, quando tratou das hipóteses em que as declarações de compensação seriam consideradas como não declaradas, não incluiu entre elas a entrega da DCOMP em papel ou a ausência de pedido de ressarcimento prévio; · Embora o § 14 do art. 74 tenha atribuído competência à SRF para disciplinar o quanto nele previsto, não pode ela extrapolar os limites estabelecidos em lei, para expandir o rol de hipóteses em que seria considerada como não declarada a compensação, expandindo os efeitos de tal declaração além das hipóteses previstas em lei; · Inexistindo previsão expressa em lei, não poderia a SRF ter condicionado a apresentação de declaração de compensação à apresentação prévia de pedido de ressarcimento, pois, na hipótese de créditos vinculados a operação de exportação, a apresentação prévia daquele pedido limita a utilização destes créditos apenas ao saldo acumulado ao final do trimestre, e não no mês em que gerados, como lhe faculta a lei; · Assim, tendo a peticionaria formulado suas declarações de compensação, com créditos de que era titular ao final do 3º trimestre de 2006, mediante utilização do formulário específico em papel previsto na IN/SRF nº 600/2005, vigente à época, não há que se falar em não declaração, sob pena de violação à Lei nº 9.430/96, sendo nulo o despacho decisório atacado; · O contribuinte, por inconsistência no programa que, embora regule o presente, desconsidera o passado, restou impossibilitado de utilizarse do Programa gerador da Declaração de Compensação ou, até mesmo, do Programa Gerador de Pedido de Ressarcimento prévio, como restará demonstrado, não podendo ser consideradas como não declaradas as compensações; · Ao contrário do afirmado pelo despacho decisório, os problemas apontados acima, decorrentes de bruscas alterações nas normas reguladoras das Declarações de Compensação, quanto à periodicidade e ao próprio crédito e a vinculação de DCOMP a prévio Pedido de Ressarcimento, são de conhecimento da SRF e serão demonstrados a seguir; · Tanto é assim que foi publicado o Ato Declaratório Executivo CORAT nº 38/2006, no qual se estabeleceu que os Pedidos de Ressarcimento e as Declarações de Compensação com créditos tratados nesta oportunidade deveriam ser protocolados em papel perante a DRF local para manuseio e apreciação manual dos pedidos; · Ou seja, de forma indireta, tal ato ratificou o procedimento que já vinham sendo adotados pela peticionaria; · Ademais, cumprindo o que dispunha o artigo 76, § 2º, da IN nº 600/2005, em vigor à época da formalização de suas declarações de compensação, comprovou, no momento da formalização das mesmas, a Fl. 1136DF CARF MF Processo nº 13726.000465/200621 Acórdão n.º 3301003.164 S3C3T1 Fl. 19 5 impossibilidade de fazêlo por meio de programa eletrônico, tanto assim que o serventuário responsável pelo protocolo recebeu e processou os mesmos como se DCOMP fosse; · Cumpre infirmar a procedência das compensações realizadas, pois nos termos das declarações das Contribuições para o PIS e a COFINS (DACON) apresentadas pela requerente, embora tenha indicado o período para o crédito de out/2006, mesmo que se considere apenas os créditos apurados pelo regime de nãocumulatividade, encerrados e remanescentes por referência ao 3º tri/2006, a requerente dispunha à época de créditos suficientes para fazer frente aos débitos indicados como extintos por compensação em cada uma delas, bastando verificar o que constava declarado nos DACON correspondentes; · Ou seja, ainda que se alegue um equívoco de fato cometido no momento da indicação do crédito ao invés do trimestre o mês de agosto de 2006 , o saldo credor efetivamente disponível para compensação no momento da formalização das compensações é suficiente para extinguir os débitos compensados; · A requerente cometeu outro equívoco escusável no preenchimento da PER/DCOMP correspondente, informando tratarse apenas de crédito do PIS apurado no mercado interno, quando o crédito disponível indicava a existência de créditos vinculados ao mercado externo e, com relação aos créditos vinculados às saídas realizadas em mercado interno, sujeitas à alíquota zero, não incidência, isenção ou suspensão da contribuição; · Este equívoco escusável não altera a realidade dos fatos, nem macula o crédito efetivamente disponível a título de PIS apurado pelo regime não cumulativo aplicável à empresa; · Esclarecidas a divergência e as razões pelas quais foi gerada, que decorrem de mero equívoco escusável cometido pela requerente no preenchimento do PER/DCOMP, é certo que apurou crédito do PIS, declarado em seu DACON, sendo este crédito suficiente para extinguir por compensação os débitos indicados em cada PER/DCOMP; · Caso persistissem dúvidas quanto ao correto montante do crédito disponível para compensação, caberia à DRF/Volta Redonda diligenciar ao estabelecimento da requerente, como determina o art. 24 da IN/SRF nº 600/2005 e seu correspondente na IN que a revogou, e não simplesmente deixar de homologar a compensação declarada; · À vista do exposto, a requerente espera se digne essa Colenda Turma reformar o citado Despacho Decisório, reconhecendo o seu direito creditório na sua totalidade e homologando as compensações declaradas através dos PER/DCOMP controlados no presente processo. À fl. 983 consta decisão proferida pela DRF/Volta RedondaRJ nos seguintes termos: · Considerando que o art. 74 da Lei nº 9.430/96, em seu § 14, dispõe que a SRF disciplinará o disposto no referido artigo, tendo sido editada para tanto a IN/SRF nº 600/2005; · Considerando que os formulários de “Declaração de Compensação” com utilização de créditos de PIS nãocumulativo, objeto da presente análise, Fl. 1137DF CARF MF Processo nº 13726.000465/200621 Acórdão n.º 3301003.164 S3C3T1 Fl. 20 6 foram protocolados em data posterior a 30/12/2005, após a publicação da IN/SRF nº 600/2005, que estabeleceu em seu art. 21, § 1º, que não se pode admitir, em requerimentos dessa natureza, a sua formalização mediante formulário em papel, sendo a via eletrônica a adequada, por meio do uso do programa PER/DCOMP; · Considerando que a utilização do formulário em papel apenas é admitida em caso de ausência de previsão da hipótese de restituição, de ressarcimento ou de compensação no aludido Programa, ou na existência de falha que impeça a geração do Pedido Eletrônico de Restituição, do Pedido Eletrônico de Ressarcimento ou da Declaração de Compensação, falha esta que deve ser demonstrada pelo sujeito passivo à RFB no momento da entrega do formulário, nos termos dos §§ 3º e 4º do art. 76 da IN/SRF nº 600/2005; · Considerando que o contribuinte não evidenciou a impossibilidade da utilização do programa no ato do protocolo das declarações em papel; · Considerando que dos esclarecimentos prestados no recurso depreende se que não houve falha no programa PER/DCOMP, mas sim a sua utilização inadequada pela empresa, ou seja, em desacordo com as normas vigentes à época da elaboração das declarações; · Considerando que o recurso, recepcionado na forma do art. 56 da Lei nº 9.784/99, foi apresentado após o prazo estipulado no art. 59 da mesma Lei; · Resolvo por não reconsiderar a decisão proferida e manter o disposto no despacho decisório. Encaminhado o processo à SRRF/7ªRF, foi proferida a decisão de fls. 985 a 989 pela Superintendente daquela unidade, nos seguintes termos: · Inicialmente, cabe deixar caracterizado ser o rito processual aplicável ao caso aquele da Lei nº 9.784/99, e não o do Decreto nº 70.235/72; · Assim, cabe analisar, em sede preliminar, a tempestividade do recurso interposto, nos termos previstos no art. 59 da Lei nº 9.784/99; · Dele inferese que o recurso protocolado em 12/01/2010, trinta dias após a ciência da decisão, não atende ao pressuposto extrínseco de admissibilidade recursal estatuído pelo regramento legal citado, uma vez que apresentado fora do prazo decendial; · O recurso apresentado fora do prazo legal não viabiliza apreciação, não devendo ser conhecido; · Assim, por força do art. 63I da Lei nº 9.784/99, não conheço do recurso protocolizado fora do prazo decendial. O contribuinte tomou ciência da decisão acima em 08/11/2010 (fl. 992), tendo sido o processo arquivado posteriormente à ciência (fl. 1.008). No entanto, o contribuinte impetrou o Mandado de Segurança nº 000043340.2011.4.02.5104 (2011.51.04.0004334), “objetivando o recebimento e processamento da manifestação de inconformidade, com base na sistemática prevista no art. 74, §§ 9º, 10 e 11, da Lei nº 9.430/96, apresentada em face de despacho decisório que julgou não declaradas as compensações atinentes” ao presente processo, “bem como a suspensão da exigibilidade dos créditos tributários em questão, enquanto perdurar a discussão administrativa”. Fl. 1138DF CARF MF Processo nº 13726.000465/200621 Acórdão n.º 3301003.164 S3C3T1 Fl. 21 7 Foi proferida sentença (fls. 1.010 a 1.016) em mar/2012, com o seguinte dispositivo: I Extingo o feito sem resolução de mérito, nos termos do art. 267, VI do CPC, em relação ao ProcuradorSeccional da Fazenda Nacional cm Volta Redonda, ante o reconhecimento de sua ilegitimidade passiva ad causam; II Concedo a segurança para determinar que a autoridade coatora receba e processe a manifestação de inconformidade apresentada pelo impetrante em face do despacho que julgou não declarada a compensação atinente aos processos administrativos n° 13726.000064/200751, 13726.000043/200736. 13726.000042/200791, 13726.000040/200701, 13726.000017/200716, 13726.000015/200719, 13726.000016/200763, 13726.000011/200731, 13726.000012/200785, 13726.000469/200617 e 13726.000468/200664, ficando suspensa a exigibilidade dos créditos tributários em questão, nos termos do § 11º do art. 74 da Lei nº 9.430/96, enquanto perdurar a discussão administrativa. Posteriormente, em sede de embargos de declaração interpostos pela impetrante, a autoridade judicial alterou a decisão nos seguintes termos: Na forma do exposto, DOU PROVIMENTO PARCIAL AOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO, atribuindolhes efeitos infringentes, para modificar o item II do dispositivo da sentença de fls. 1189/1195, que passa a ter a seguinte redação: "Concedo a segurança para determinar que a autoridade coatora receba e processe a manifestação de inconformidade apresentada pelo impetrante em face do despacho que julgou não declarada a compensação atinente aos processos administrativos n° 13726.000465/200621, 13725.000064/200751, 13726.000043/200736, 13726.000042/200791, 13726.000040/200701, 13726.000017/200716, 13726.000015/200719, 13726.000016/200763, 13726.000011/200731, 13726.000012/200785, 13726.000469/200617 e 13726.000468/200664, ficando suspensa a exigibilidade dos créditos tributários em questão, nos termos do §11° do art. 74 da Lei n° 9.430/96, enquanto perdurar a discussão administrativa". O processo judicial encontrase em fase de apreciação de recurso de apelação interposto pela União, recebida no efeito meramente devolutivo (fls. 1.032/1.033). Em decorrência da sentença acima transcrita, o presente processo foi remetido a esta DRJ/RJ para apreciação. Ao analisar a Manifestação de Inconformidade, a 16ª Turma da DRJ/RJI exarou o Acórdão 1262.391, de 19 de Dezembro de 2013, que, por unanimidade de votos, julgoua improcedente, assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/2006 a 31/10/2006 DESPACHO DECISÓRIO NULIDADE IMPROCEDÊNCIA Fl. 1139DF CARF MF Processo nº 13726.000465/200621 Acórdão n.º 3301003.164 S3C3T1 Fl. 22 8 Não há que se falar em nulidade quando o despacho decisório menciona expressamente o dispositivo normativo que o fundamenta. COMPENSAÇÃO NÃO DECLARADA HIPÓTESE PREVISTA EM ATO NORMATIVO VINCULANTE O julgador administrativo de 1ª instância deve considerar não declarada a compensação quando verificada a ocorrência de hipótese prevista em ato normativo vinculante. COMPENSAÇÃO PER/DCOMP TRANSMISSÃO POR MEIO ELETRÔNICO OBRIGATORIEDADE A partir de out/2002 a compensação deve ser obrigatoriamente declarada à RFB por meio de PER/DCOMP, transmitido unicamente por meio eletrônico, exceto nas hipóteses previstas em ato normativo, cuja ocorrência deve ser devidamente comprovada pelo sujeito passivo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Irresignado o contribuinte apresentou, em 30/4/2014, Recurso Voluntário, fls. 1060/1077, sustentando que não há vedação legal para apresentação em formulário de papel, devendo ser reconhecido o direito creditório da ora recorrente, alegando ainda: · a instância a quo não analisou a procedência das compensações, conquanto, a seu ver, a forma não pode se sobrepor ao direito. · que a Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Lei nº 10.637/02, em seu artigo 74, não inclui a apresentação da DComp em papel dentre as hipóteses de se considerar não declarada a compensação, Assim, a IN SRF nº 600/05 extrapolou seus limites, na medida que estabeleceu restrições não previstas na Lei. · Ressalta que ocorreram várias alterações na normatização da matéria o que provocou um imbróglio procedimental, cita as Leis 11.033/2004 e 11.116/2005, as Instruções Normativas da SRF 460/2004; 563/2005; 534/2005 e 600/20005, esta última com vigência a partir de 1º de janeiro de 2006. · Alega que diante de tantas alterações, o recorrente se viu impossibilitado de apresentar o Per/DComp eletrônicamente, justificando assim a apresentação do pedido em papel, conforme previsão legal. · Requer, ao final, o reconhecimento do direito creditório e homologada a compensação. Foime distribuído o presente feito para relatar e pautar. É o relatório, em sua essência. Voto Vencido Fl. 1140DF CARF MF Processo nº 13726.000465/200621 Acórdão n.º 3301003.164 S3C3T1 Fl. 23 9 Conselheiro José Henrique Mauri Relator O Recurso Voluntário é tempestivo. 1 Dos demais requisitos para admissibilidade. Ressaltese que originariamente a Unidade da Receita Federal considerou não declaradas as compensações que cuida o presente processo em face das disposições da IN/SRF nº 600/2005 que não admite a formalização de DComp por meio de formulário em papel, sendo obrigatória a via eletrônica, por meio do programa PER/DComp. O descumprimento dessa regra resulta em considerar a compensação como não declarada, nos termos do art. 31 c/c art. 76, §§ 2º a 4º daquela IN. Nesse pormenor (compensação considerada "não declarada"), houve decisão judicial, favorável ao contribuinte, no sentido que a autoridade administrativa receba e processe a manifestação de inconformidade, desconsiderandose as disposições da IN/SRF 600/2005, quanto aos efeitos advindos de se considerar não declarada a compensação. Concedo a segurança para determinar que a autoridade coatora receba e processe a manifestação de inconformidade apresentada pelo impetrante em face do despacho que julgou não declarada a compensação atinente aos processos administrativos n° 13726.000465/200621, 13725.000064/200751, 13726.000043/200736, 13726.000042/200791, 13726.000040/200701, 13726.000017/200716, 13726.000015/200719, 13726.000016/200763, 13726.000011/200731, 13726.000012/200785, 13726.000469/200617 e 13726.000468/200664, ficando suspensa a exigibilidade dos créditos tributários em questão, nos termos do §11° do art. 74 da Lei n° 9.430/96, enquanto perdurar a discussão administrativa". Portanto, em obediência à decisão judicial, o despacho decisório de fls 856 a 860, deve ser apreciado quanto aos seus fundamentos para a não homologação das compensações, isto é, a utilização de formulário papel como forma para apresentação das respectivas compensações, em conformidade com as disposições do art. 74 da Lei nº 9.430/96 abaixo transcrito: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) [...] § 7º Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento Fl. 1141DF CARF MF Processo nº 13726.000465/200621 Acórdão n.º 3301003.164 S3C3T1 Fl. 24 10 dos débitos indevidamente compensados.(Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) [...] § 9o É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7º, apresentar manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003). § 10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes. § 11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9o e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação Com as considerações expostas, conheço o recurso voluntário e passo a analisálo. 2 Da exigência de compensação por meio eletrônico Conforme demonstrado, a questão a ser apreciada nesse momento restringese à vedação da apresentação de Declaração de Compensação (DComp) em formulário papel. A recorrente entende que o instrumento efetivamente hábil para estipular condições e garantias aos procedimentos de compensação seria a Lei, e não uma Instrução Normativa (IN), instrumento normativo em que se ancorou a fiscalização para não homologar as compensações. Com efeito, os artigos 31 e 76 da IN SRF nº 600/2005, vigentes à época da apresentação das declarações de compensação pela recorrente, dispõem sobre a obrigatoriedade de utilização do Programa Eletrônico "PER/DComp" para formular pedido de restituição ou de ressarcimento ou para declarar compensação. A utilização de formulário papel, conforme disposto naquela IN, somente é permitido "nas hipóteses em que a restituição, o ressarcimento ou a compensação de seu crédito para com a Fazenda Nacional não possa ser requerida ou declarada eletronicamente à SRF mediante utilização do Programa PER/DCOMP". Vejamos excertos da Instrução Normativa: Art. 31. A autoridade competente da SRF considerará não formulado o pedido de restituição ou de ressarcimento e não declarada a compensação quando o sujeito passivo, em inobservância ao disposto nos §§ 2º a 4º do art. 76, não tenha utilizado o Programa PER/DCOMP para formular pedido de restituição ou de ressarcimento ou para declarar compensação. [...] Art. 76. Ficam aprovados os formulários Pedido de Restituição, Pedido de Cancelamento ou de Retificação de Declaração de Importação e Fl. 1142DF CARF MF Processo nº 13726.000465/200621 Acórdão n.º 3301003.164 S3C3T1 Fl. 25 11 Reconhecimento de Direito de Crédito, Pedido de Ressarcimento de IPI – Missões Diplomáticas e Repartições Consulares, Declaração de Compensação e Pedido de Habilitação de Crédito Reconhecido por Decisão Judicial Transitada em Julgado constantes, respectivamente, dos Anexo I, II, III, IV e V. § 1º A SRF disponibilizará, no endereço <http://www.receita.fazenda.gov.br>, os formulários a que se refere o caput. § 2º Os formulários a que se refere o caput somente poderão ser utilizados pelo sujeito passivo nas hipóteses em que a restituição, o ressarcimento ou a compensação de seu crédito para com a Fazenda Nacional não possa ser requerida ou declarada eletronicamente à SRF mediante utilização do Programa PER/DCOMP. § 3º A SRF caracterizará como impossibilidade de utilização do Programa PER/DCOMP, para fins do disposto no § 2º, no § 1º do art. 3º, no § 3º do art. 16, no § 1º do art. 22 e no § 1º do art. 26, a ausência de previsão da hipótese de restituição, de ressarcimento ou de compensação no aludido Programa, bem como a existência de falha no Programa que impeça a geração do Pedido Eletrônico de Restituição, do Pedido Eletrônico de Ressarcimento ou da Declaração de Compensação. § 4º A falha a que se refere o § 3º deverá ser demonstrada pelo sujeito passivo à SRF no momento da entrega do formulário, sob pena do enquadramento do documento por ele apresentado no disposto no art. 31. § 5º Aos formulários a que se refere o caput deverá ser anexada documentação comprobatória do direito creditório. [Destaquei] No entender do Recorrente, Instrução Normativa, sendo norma infralegal, não poderia vedar a utilização de formulário papel para o processamento de compensação de créditos tributários, tampouco obrigar o uso do programa eletrônico PER/DComp, por tratarse de matéria cuja prerrogativa é reservada à Lei Ordinária, conforme art. 170 do Código Tributário Nacional (CTN). Assim, argumenta: "diferentemente do quanto prevista na aludida Lei nº 9.4360/96 e a pretexto de regulamentála, a Instrução Normativa nº 600, de 28 de dezembro de 2005, determinou que não se considera declarada a compensação quando o contribuinte não tenha utilizado o Programa PER/DComp para formular o pedido de restituição ou de ressarcimento ou para declarar a compensação". Não assiste razão o recorrente. A IN/SRF nº 600/2005 tratase de autêntica norma complementar, nos termos do art. 96 e art. 100, I do CTN, que compõe a legislação tributária à qual todos os contribuintes, sem distinção, devem observância. Art. 96. A expressão "legislação tributária" compreende as leis, os tratados e as convenções internacionais, os decretos e as normas complementares que versem, no todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes. Fl. 1143DF CARF MF Processo nº 13726.000465/200621 Acórdão n.º 3301003.164 S3C3T1 Fl. 26 12 [...] Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: I os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas; [...] A natureza normativa da IN SRF nº 600/2005 está ancorada no disposto no § 12°, art. 74 da Lei nº 9.430/1996, incumbindo à Secretaria da Receita Federal disciplinar acerca dos pleitos de restituição, ressarcimento e compensação. Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. [...] § 12. A Secretaria da Receita Federal disciplinará o disposto neste artigo, podendo, para fins de apreciação das declarações de compensação e dos pedidos de restituição e de ressarcimento, fixar critérios de prioridade em função do valor compensado ou a ser restituído ou ressarcido e dos prazos de prescrição. [...] Em cumprimento ao disposto no § 12, transcrito acima, foi expedida a IN SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005, dispondo, dentre outros, da obrigatoriedade de utilização do programa eletrônico PER/DComp para o processamento de declaração de compensação. Por oportuno, por bem fundamentar a matéria, trazse à luz excertos do voto de lavra do Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, abaixo transcrito, no Acórdão nº 9303002.453, da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, onde restou consignado que é legitima a exigência do formulário eletrônico para a declaração de compensação: [...] Relativamente à questão das instruções normativas que vedaram a possibilidade de apresentação de declarações de compensação em formulários de papel, o contribuinte alegou a ilegalidade da restrição imposta por meio de atos administrativos, uma vez que nem a Lei nº Fl. 1144DF CARF MF Processo nº 13726.000465/200621 Acórdão n.º 3301003.164 S3C3T1 Fl. 27 13 10.637/2002 e tampouco a Medida Provisória nº 66/2002, que lhe antecedeu, vedaram a apresentação das Dcomp em formulário de papel. O argumento não prospera, pois do fato de a lei não ter proibido a apresentação das declarações em papel, não decorre logicamente a conclusão de que as Instruções não poderiam fazêlo. O art. 74 da Lei nº 9.430/96, com a redação introduzida pela Medida Provisória nº 66, posteriormente convertida na Lei nº 10.637/2002, alterou o regime jurídico das compensações tributárias, as quais, para terem existência jurídica, passaram a ser declaradas à repartição fiscal e não mais requeridas, com vinha acontecendo até então. O referido dispositivo legal estabelece que a compensação deve ser declarada à repartição e também os efeitos gerados por tal declaração na órbita jurídica, mas não diz como essa declaração deve ser implementada. No silêncio da lei, o modus operandi pelo qual a declaração deve ser efetuada obviamente fica à cargo do órgão administrativo encarregado da administração tributária. Tal encargo, sendo decorrente do poder discricionário da administração, independeria até da previsão legal existente no art. 74, § 12 da Lei nº 9.430/96. Assim, não tendo a lei estabelecido a forma pela qual a declaração de compensação deve ser implementada, não existe nenhum óbice no sentido de que a administração discipline a matéria por meio de atos administrativos com base no poder discricionário. No caso concreto, as instruções normativas não violaram o direito do contribuinte à compensação e tampouco seu direito de petição, pois os sistemas da Receita Federal funcionam 24 horas por dia, salvo paradas esporádicas para manutenção durante as madrugadas. Esses sistemas não entram em greve, não fecham para o horário de almoço, não tiram férias e nem comemoram o Natal e a passagem de ano, sendo improcedentes e injustificáveis as alegações do contribuinte. Do mesmo modo, com a adoção dos formulários eletrônicos (Per/Dcomp) nem de longe se vislumbra a violação de alguma garantia constitucional do contribuinte. [...] Conforme suso explicitado, o art. 76 da IN SRF nº 600/2005 permite excepcionalmente a declaração de compensação por meio de formulário quando (i) houver ausência de previsão da hipótese de compensação no programa ou (ii) houver falha que impeça a geração da Declaração eletrônica de compensação. O Recorrente alega que a Lei nº 10.865/2004 ao instituir a sistemática não cumulativa de PIS e Cofins e a Lei nº 11.116/2005 e, por conseqüência, as IN SRF 563/2005 e 600/2005, dentre outras, provocaram um imblóglio normativo ocasionando a impossibilidade de o contribuinte apresentar o PERD/Comp eletronicamente. Fl. 1145DF CARF MF Processo nº 13726.000465/200621 Acórdão n.º 3301003.164 S3C3T1 Fl. 28 14 Compulsando os autos não se vislumbra demonstrada qualquer problema de ordem operacional ou técnica que houvesse inviabilizado a utilização do programa PER/DComp, ainda que minimamente. Contrariamente vêse que as declarações compensação foram formalizadas, em papel, a partir de 26 de dezembro de 2006, portanto decorridos quase um ano da emissão do ato administrativo que deveria ser observado pelo contribuinte, IN SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005, tempo [mais que]razoável para que o contribuinte adequasse seus procedimentos às regras vigentes. Por derradeiro, refutase a alegada sobreposição do formal sobre o direito, trazida pelo recorrente sob o fundamento de que a forma de se apresentar a declaração de compensação referese a obrigação acessória, não devendo prevalecer sobre o direito. Entendo que o presente caso não se trata de mero descumprimento de norma complementar. Desde 2002, por meio da Lei 10.637, de 30/12/2002, foi instituída a Declaração de Compensação de créditos com débitos tributários federais. Até então a compensação era processada por meio de pedido de compensação, cuja efetivação somente ocorria depois de analisada pela fiscalização. Na nova sistemática, a Declaração do sujeito passivo passou a surtir efeitos desde seu registro eletrônico. Um novo e revolucionário modelo que valoriza a atuação da iniciativa privada em detrimento da inércia da receita federal. Portanto a Declaração de Compensação, antes de ser uma obrigação acessória, é um pagamento de tributo. Pagase tributo por meio de DARF, via rede bancária, ou por meio de compensação, via programa PER/DComp. Dispositivo Ante o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. É como voto. José Henrique Mauri Relator Fl. 1146DF CARF MF Processo nº 13726.000465/200621 Acórdão n.º 3301003.164 S3C3T1 Fl. 29 15 Voto Vencedor Conselheiro Marcelo Costa Marques d'Oliveira Peço vênia para discordar do voto do ilustre Conselheiro Relator. Depreendese do detalhado relatório que as compensações não foram analisadas, em razão de terem sido formalizadas por meio da entrega de formulários e não em meio eletrônico, via Programa PER/DCOMP. Não obstante reconhecer que tal exigência tem fundamente em lei, posto que o § 12 do art. 74 da Lei n° 9.430/96 conferiu à então Secretaria da Receita Federal a autoridade de disciplinar a compensação de tributos federais, entendo que subtrair do contribuinte a possibilidade de comprovar a legitimidade do crédito e, vencida a esta etapa, o direito à utilização de créditos, pela razão acima exposta, afronta o Princípio da Verdade Material, o qual encontrase fundado no Princípio Constitucional da Legalidade, mandamento ainda maior do que a citada lei. Assim, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário, acatando como legítimo o Pedido de Compensação formalizado por meio de formulário, cuja homologação dependerá de prévio exame a ser efetuado pela unidade de origem. É como voto. Conselheiro Marcelo Costa Marques d'Oliveira Fl. 1147DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11046.001961/2008-97
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 09 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Mar 03 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/06/1998 a 30/11/1998
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO.
Havendo omissão no acórdão proferido deve-se acolher os embargos para sanar o vício existente.
AFERIÇÃO INDIRETA. EMPRESA FILIAL. AUTONOMIA CONTÁBIL. RECOLHIMENTO DO SAT. CNPJ INDIVIDUAL
A aferição indireta busca estimar o quadro contábil esperado a partir da análise das atividades desenvolvidas pela empresa Os estabelecimentos da matriz e das filiais são considerados, portanto, para fins fiscais, como entes autônomos. Caso a contabilidade seja organizada de forma descentralizada, a aferição indireta deve ser restrita a empresa que incorreu em irregularidades fiscais. O recolhimento do SAT dever feito considerando-se o CNPJ das
empresas fiscalizadas de forma individual.
AFERIÇÃO INDIRETA. EXCEPCIONALIDADE.
A aferição indireta busca estimar o quadro contábil esperado a partir da análise das atividades desenvolvidas pela empresa. Por ser medida excepcional, somente pode ser adotada quando nenhum dado contábil ou documental permitir a verificação das contribuições devidas, devendo sempre ser buscado o critério que mais se aproxime da realidade fática.
NULIDADE DO LANÇAMENTO. VÍCIO MATERIAL
O vício material afeta os próprios critérios que serviram de base para a realização do lançamento, acarretando sua nulidade. São condições do lançamento realizado por aferição indireta não só a constatação de irregularidades documentais, mas também que estas sejam de tamanha proporção a ponto de tornar impossível ao Fisco a estimativa da movimentação financeira da empresa autuada. Registros paralelos, ainda que não oficiais, podem servir de base para a constituição do crédito tributário referente ao valor devido, vez que constituem, também, uma forma de documentar a movimentação financeira da empresa autuada.
Numero da decisão: 2301-004.944
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em acolher os embargos de declaração, para suprir a omissão apontada, definindo o vício como material, devendo a ementa ser rerratificada, nos seguintes termos: "AFERIÇÃO INDIRETA. EMPRESA FILIAL. AUTONOMIA CONTÁBIL. RECOLHIMENTO DO SAT. CNPJ INDIVIDUAL A aferição indireta busca estimar o quadro contábil esperado a partir da análise das atividades desenvolvidas pela empresa Os estabelecimentos da matriz e das filiais são considerados, portanto, para fins fiscais, como entes autônomos. Caso a contabilidade seja organizada de forma descentralizada, a aferição indireta deve ser restrita a empresa que incorreu em irregularidades fiscais. O recolhimento do SAT dever feito considerando-se o CNPJ das empresas fiscalizadas de forma individual. AFERIÇÃO INDIRETA. EXCEPCIONALIDADE. A aferição indireta busca estimar o quadro contábil esperado a partir da análise das atividades desenvolvidas pela empresa. Por ser medida excepcional, somente pode ser adotada quando nenhum dado contábil ou documental permitir a verificação das contribuições devidas, devendo sempre ser buscado o critério que mais se aproxime da realidade fática. NULIDADE DO LANÇAMENTO. VÍCIO MATERIAL O vício material afeta os próprios critérios que serviram de base para a realização do lançamento, acarretando sua nulidade. São condições do lançamento realizado por aferição indireta não só a constatação de irregularidades documentais, mas também que estas sejam de tamanha proporção a ponto de tornar impossível ao Fisco a estimativa da movimentação financeira da empresa autuada. Registros paralelos, ainda que não oficiais, podem servir de base para a constituição do crédito tributário referente ao valor devido, vez que constituem, também, uma forma de documentar a movimentação financeira da empresa autuada." Vencidos os conselheiros Júlio Cesar Vieira Gomes e Jorge Henrique Backes, que votaram por conhecer parcialmente dos embargos, para na parte na conhecida, suprir a omissão apontada, reconhecendo-se o vício material do lançamento.
(assinado digitalmente)
Andrea Brose Adolfo - Presidente Substituta e Relatora.
EDITADO EM: 03/03/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Evaristo Pinto, Andrea Brose Adolfo (Presidente Substituta e Relatora), Fábio Piovesan Bozza, Jorge Henrique Backes (suplente convocado), Júlio César Vieira Gomes e Maria Anselma Coscrato dos Santos (suplente convocada).
Nome do relator: ANDREA BROSE ADOLFO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201702
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/06/1998 a 30/11/1998 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Havendo omissão no acórdão proferido deve-se acolher os embargos para sanar o vício existente. AFERIÇÃO INDIRETA. EMPRESA FILIAL. AUTONOMIA CONTÁBIL. RECOLHIMENTO DO SAT. CNPJ INDIVIDUAL A aferição indireta busca estimar o quadro contábil esperado a partir da análise das atividades desenvolvidas pela empresa Os estabelecimentos da matriz e das filiais são considerados, portanto, para fins fiscais, como entes autônomos. Caso a contabilidade seja organizada de forma descentralizada, a aferição indireta deve ser restrita a empresa que incorreu em irregularidades fiscais. O recolhimento do SAT dever feito considerando-se o CNPJ das empresas fiscalizadas de forma individual. AFERIÇÃO INDIRETA. EXCEPCIONALIDADE. A aferição indireta busca estimar o quadro contábil esperado a partir da análise das atividades desenvolvidas pela empresa. Por ser medida excepcional, somente pode ser adotada quando nenhum dado contábil ou documental permitir a verificação das contribuições devidas, devendo sempre ser buscado o critério que mais se aproxime da realidade fática. NULIDADE DO LANÇAMENTO. VÍCIO MATERIAL O vício material afeta os próprios critérios que serviram de base para a realização do lançamento, acarretando sua nulidade. São condições do lançamento realizado por aferição indireta não só a constatação de irregularidades documentais, mas também que estas sejam de tamanha proporção a ponto de tornar impossível ao Fisco a estimativa da movimentação financeira da empresa autuada. Registros paralelos, ainda que não oficiais, podem servir de base para a constituição do crédito tributário referente ao valor devido, vez que constituem, também, uma forma de documentar a movimentação financeira da empresa autuada.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Mar 03 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 11046.001961/2008-97
anomes_publicacao_s : 201703
conteudo_id_s : 5688117
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Mar 03 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 2301-004.944
nome_arquivo_s : Decisao_11046001961200897.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : ANDREA BROSE ADOLFO
nome_arquivo_pdf_s : 11046001961200897_5688117.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em acolher os embargos de declaração, para suprir a omissão apontada, definindo o vício como material, devendo a ementa ser rerratificada, nos seguintes termos: "AFERIÇÃO INDIRETA. EMPRESA FILIAL. AUTONOMIA CONTÁBIL. RECOLHIMENTO DO SAT. CNPJ INDIVIDUAL A aferição indireta busca estimar o quadro contábil esperado a partir da análise das atividades desenvolvidas pela empresa Os estabelecimentos da matriz e das filiais são considerados, portanto, para fins fiscais, como entes autônomos. Caso a contabilidade seja organizada de forma descentralizada, a aferição indireta deve ser restrita a empresa que incorreu em irregularidades fiscais. O recolhimento do SAT dever feito considerando-se o CNPJ das empresas fiscalizadas de forma individual. AFERIÇÃO INDIRETA. EXCEPCIONALIDADE. A aferição indireta busca estimar o quadro contábil esperado a partir da análise das atividades desenvolvidas pela empresa. Por ser medida excepcional, somente pode ser adotada quando nenhum dado contábil ou documental permitir a verificação das contribuições devidas, devendo sempre ser buscado o critério que mais se aproxime da realidade fática. NULIDADE DO LANÇAMENTO. VÍCIO MATERIAL O vício material afeta os próprios critérios que serviram de base para a realização do lançamento, acarretando sua nulidade. São condições do lançamento realizado por aferição indireta não só a constatação de irregularidades documentais, mas também que estas sejam de tamanha proporção a ponto de tornar impossível ao Fisco a estimativa da movimentação financeira da empresa autuada. Registros paralelos, ainda que não oficiais, podem servir de base para a constituição do crédito tributário referente ao valor devido, vez que constituem, também, uma forma de documentar a movimentação financeira da empresa autuada." Vencidos os conselheiros Júlio Cesar Vieira Gomes e Jorge Henrique Backes, que votaram por conhecer parcialmente dos embargos, para na parte na conhecida, suprir a omissão apontada, reconhecendo-se o vício material do lançamento. (assinado digitalmente) Andrea Brose Adolfo - Presidente Substituta e Relatora. EDITADO EM: 03/03/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Evaristo Pinto, Andrea Brose Adolfo (Presidente Substituta e Relatora), Fábio Piovesan Bozza, Jorge Henrique Backes (suplente convocado), Júlio César Vieira Gomes e Maria Anselma Coscrato dos Santos (suplente convocada).
dt_sessao_tdt : Thu Feb 09 00:00:00 UTC 2017
id : 6664109
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:56:34 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048947477446656
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2185; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 451 1 450 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11046.001961/200897 Recurso nº Embargos Acórdão nº 2301004.944 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 09 de fevereiro de 2017 Matéria Embargos de Declaração Embargante UNIÃO (FAZENDA NACIONAL) Interessado TELENGE TELEC. E ENGENHARIA LTDA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/1998 a 30/11/1998 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Havendo omissão no acórdão proferido devese acolher os embargos para sanar o vício existente. AFERIÇÃO INDIRETA. EMPRESA FILIAL. AUTONOMIA CONTÁBIL. RECOLHIMENTO DO SAT. CNPJ INDIVIDUAL A aferição indireta busca estimar o quadro contábil esperado a partir da análise das atividades desenvolvidas pela empresa Os estabelecimentos da matriz e das filiais são considerados, portanto, para fins fiscais, como entes autônomos. Caso a contabilidade seja organizada de forma descentralizada, a aferição indireta deve ser restrita a empresa que incorreu em irregularidades fiscais. O recolhimento do SAT dever feito considerandose o CNPJ das empresas fiscalizadas de forma individual. AFERIÇÃO INDIRETA. EXCEPCIONALIDADE. A aferição indireta busca estimar o quadro contábil esperado a partir da análise das atividades desenvolvidas pela empresa. Por ser medida excepcional, somente pode ser adotada quando nenhum dado contábil ou documental permitir a verificação das contribuições devidas, devendo sempre ser buscado o critério que mais se aproxime da realidade fática. NULIDADE DO LANÇAMENTO. VÍCIO MATERIAL O vício material afeta os próprios critérios que serviram de base para a realização do lançamento, acarretando sua nulidade. São condições do lançamento realizado por aferição indireta não só a constatação de irregularidades documentais, mas também que estas sejam de tamanha proporção a ponto de tornar impossível ao Fisco a estimativa da movimentação financeira da empresa autuada. Registros paralelos, ainda que não oficiais, podem servir de base para a constituição do crédito tributário AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 04 6. 00 19 61 /2 00 8- 97 Fl. 451DF CARF MF 2 referente ao valor devido, vez que constituem, também, uma forma de documentar a movimentação financeira da empresa autuada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em acolher os embargos de declaração, para suprir a omissão apontada, definindo o vício como material, devendo a ementa ser rerratificada, nos seguintes termos: "AFERIÇÃO INDIRETA. EMPRESA FILIAL. AUTONOMIA CONTÁBIL. RECOLHIMENTO DO SAT. CNPJ INDIVIDUAL A aferição indireta busca estimar o quadro contábil esperado a partir da análise das atividades desenvolvidas pela empresa Os estabelecimentos da matriz e das filiais são considerados, portanto, para fins fiscais, como entes autônomos. Caso a contabilidade seja organizada de forma descentralizada, a aferição indireta deve ser restrita a empresa que incorreu em irregularidades fiscais. O recolhimento do SAT dever feito considerandose o CNPJ das empresas fiscalizadas de forma individual. AFERIÇÃO INDIRETA. EXCEPCIONALIDADE. A aferição indireta busca estimar o quadro contábil esperado a partir da análise das atividades desenvolvidas pela empresa. Por ser medida excepcional, somente pode ser adotada quando nenhum dado contábil ou documental permitir a verificação das contribuições devidas, devendo sempre ser buscado o critério que mais se aproxime da realidade fática. NULIDADE DO LANÇAMENTO. VÍCIO MATERIAL O vício material afeta os próprios critérios que serviram de base para a realização do lançamento, acarretando sua nulidade. São condições do lançamento realizado por aferição indireta não só a constatação de irregularidades documentais, mas também que estas sejam de tamanha proporção a ponto de tornar impossível ao Fisco a estimativa da movimentação financeira da empresa autuada. Registros paralelos, ainda que não oficiais, podem servir de base para a constituição do crédito tributário referente ao valor devido, vez que constituem, também, uma forma de documentar a movimentação financeira da empresa autuada." Vencidos os conselheiros Júlio Cesar Vieira Gomes e Jorge Henrique Backes, que votaram por conhecer parcialmente dos embargos, para na parte na conhecida, suprir a omissão apontada, reconhecendose o vício material do lançamento. (assinado digitalmente) Andrea Brose Adolfo Presidente Substituta e Relatora. EDITADO EM: 03/03/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Evaristo Pinto, Andrea Brose Adolfo (Presidente Substituta e Relatora), Fábio Piovesan Bozza, Jorge Henrique Backes (suplente convocado), Júlio César Vieira Gomes e Maria Anselma Coscrato dos Santos (suplente convocada). Relatório Tratase de Embargos de Declaração opostos pela Fazenda Nacional contra Acórdão nº 2301002.528, exarado em 18/01/2012, pela então 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, com composição diversa, que deu provimento ao recurso voluntário, verbis: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Fl. 452DF CARF MF Processo nº 11046.001961/200897 Acórdão n.º 2301004.944 S2C3T1 Fl. 452 3 Período de apuração: 01/06/1998 a 30/11/1998 AFERIÇÃO INDIRETA. EMPRESA FILIAL. AUTONOMIA CONTÁBIL. RECOLHIMENTO DO SAT. CNPJ INDIVIDUAL A aferição indireta busca estimar o quadro contábil esperado a partir da análise das atividades desenvolvidas pela empresa Os estabelecimentos da matriz e das filiais são considerados, portanto, para fins fiscais, como entes autônomos. Caso a contabilidade seja organizada de forma descentralizada, a aferição indireta deve ser restrita a empresa que incorreu em irregularidades fiscais. O recolhimento do SAT dever feito considerandose o CNPJ das empresas fiscalizadas de forma individual. AFERIÇÃO INDIRETA. EXCEPCIONALIDADE. A aferição indireta busca estimar o quadro contábil esperado a partir da análise das atividades desenvolvidas pela empresa. Por ser medida excepcional, somente pode ser adotada quando nenhum dado contábil ou documental permitir a verificação das contribuições devidas, devendo sempre ser buscado o critério que mais se aproxime da realidade fática. NULIDADE DO LANÇAMENTO. É nulo o lançamento que apresenta vício quanto aos próprios critérios que serviram de base para a realização do lançamento. São condições do lançamento realizado por aferição indireta não só a constatação de irregularidades documentais, mas também que estas sejam de tamanha proporção a ponto de tornar impossível ao Fisco a estimativa da movimentação financeira da empresa autuada. Registros paralelos, ainda que não oficiais, podem servir de base para a constituição do crédito tributário referente ao valor devido, vez que constituem, também, uma forma de documentar a movimentação financeira da empresa autuada. Alega a embargante que a nulidade, versada no acórdão é termo equívoco e, desse modo, tornase necessária a especificação do seu sentido. Sendo indispensável o esclarecimento dessa questão para que não haja prejuízo ao disposto no art. 173 do CTN. Sustenta seu posicionamento pela nulidade por vício formal, "pois seu fulcro estaria centrado em fato procedimental". Por meio do despacho 446/447 os embargos foram admitidos para que fosse sanada a contradição/omissão apontada. É o relatório Voto Fl. 453DF CARF MF 4 Conselheira Andrea Brose Adolfo Relatora Trata o acórdão embargado de lançamento de contribuições previdenciárias por aferição indireta relativa a todos os estabelecimentos da empresa, em decorrência de irregularidades verificadas apenas na contabilidade da filial de Curitiba. Sobre o tema, o conselheiro relator se manifestou no sentido de que a escrituração contábil da empresa deve ser analisada e verificada por estabelecimento e não de forma centralizada. Assim, "cada filial tem contabilidade completa com a escrituração dos livros Diário e Razão, e a matriz se utiliza de contas como participações em filiais ou Contas Correntes matriz/ filial entre as unidades. Os estabelecimentos da matriz e das filiais são considerados, portanto, para fins fiscais, como entes autônomos, (...)." Portanto considerou que a aferição indireta poderia ser aplicada somente ao estabelecimento em que verificadas as irregularidades contábeis. Entretanto, considerou que, apesar de possível o procedimento de aferição para a filial de Curitiba, o lançamento apresentava vícios quanto aos próprios critérios que serviram de base para a sua realização, culminando na sua nulidade. Para melhor compreensão, transcrevo excertos do voto: Da anulação do lançamento Embora reconhecido o fato de que o lançamento pelo Fisco realizado deveria ser restrito à empresa filial localizada na cidade CuritibaPR, cabe, aqui, destacar o fato de aquele ato administrativo encontrase contaminado por incontestáveis vícios, relativo aos requisitos necessários à metodologia do lançamento aplicado, à configuração do descumprimento da obrigação, no caso principal, e à quantificação do montante devido pela empresa. Em outras palavras, referese ao próprio conteúdo do lançamento. No caso do presente processo, constatase o vício nuclear que contamina o lançamento pelo Fisco realizado quando se considera o fato de que, mesmo tendo a Recorrente realizado os pagamentos dos valores a título de horas extras em recibos paralelos aos oficiais, poderia perfeitamente o Fisco, ao analisar os referidos documentos, constituir o crédito tributário a partir dos valores descriminados naqueles recibos, o que tornaria absolutamente desnecessária a desconsideração da contabilidade quer apenas da empresa Filial, quer de todo grupo empresarial. Assim, são condições do lançamento realizado por aferição indireta não só a constatação de irregularidades documentais, mas também que estas sejam de tamanha proporção a ponto de tornar impossível ao Fisco a estimativa da movimentação financeira da empresa autuada, a qual, neste caso, será esboçada por meio de aferição indireta com base em dispositivos legais que mais se adequem ao quadro fiscal e contábil analisado. Todavia, não é esta a situação do presente processo, uma vez que, conforme já afirmado, mesmo não sendo oficiais, os recibos Fl. 454DF CARF MF Processo nº 11046.001961/200897 Acórdão n.º 2301004.944 S2C3T1 Fl. 453 5 paralelos referentes aos valores repassados a título de horas extras poderiam ter sido utilizados para a constituição do crédito tributário referente ao valor devido pela Recorrente, uma vez que registram, de alguma forma, a movimentação financeira da empresa autuada. Diante dos referidos pressupostos, foi totalmente equivocada a metodologia pelo Fisco aplicada no processo de constituição do crédito tributário nestes autos discutido, em razão de não ser a aferição o critério mais adequado para a apuração do valor devido pela Recorrente, além de ser o mais distante da realidade fática, o que enseja a anulação do lançamento realizado em virtude do grave vício nele verificado. De acordo com o raciocínio adotado pelo relator originário, o vício estaria no cerne do próprio lançamento, uma vez que a metodologia utilizada para a apuração do tributo estaria em desacordo com a norma jurídica e a situação fática encontrada pela fiscalização. Portanto, pressupõese tratar de vício material. A fim de certificarse do entendimento exposado pela turma julgadora na composição originária, buscouse verificar a existência de outros acórdãos exarados pela mesma 1ª TO/3ª CA/2ª Seção com a mesma composição de conselheiros da época. Em simples pesquisa no sítio do CARF, utilizando os filtros nome: Telenge Engenharia e assunto: contribuições previdenciárias, para o período de janeiro de 2012 a dezembro de 2016, encontramos, dentre outros, os Acórdãos nº 2301002.527 e nº 2301 004.049. O primeiro, tratase de acórdão idêntico, decorrente da mesma ação fiscal, configurando mesma situação fática do ora embargado, apenas referente a outro período de apuração (março de 1999 a outubro de 2000). Neste acórdão, em que pese o voto do relator ser também idêntico ao do acórdão sob exame, a ementa especifica o vício apontado, classificandoo como material, conforme excertos que colacionamos: Acórdão nº 2301002.527 Assunto: Contribuições Previdenciárias Período de Apuração: 01/03/1999 a 31/10/2000 (...) NULIDADE DO LANÇAMENTO. VÍCIO MATERIAL O vício material afeta os próprios critérios que serviram de base para a realização do lançamento. São condições do lançamento realizado por aferição indireta não só a constatação de irregularidades documentais, mas também que estas sejam de tamanha proporção a ponto de tornar impossível ao Fisco a estimativa da movimentação financeira da empresa autuada. Registros paralelos, ainda que não oficiais, podem servir de base para a constituição do crédito tributário referente ao valor Fl. 455DF CARF MF 6 devido, vez que constituem, também, uma forma de documentar a movimentação financeira da empresa autuada. (grifei) ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, I) Por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Os Conselheiros Mauro José Silva e Marcelo Oliveira acompanharam a votação por suas conclusões. Marcelo Oliveira Presidente Leonardo Henrique Pires Lopes – Relator Participaram do presente julgamento a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, bem como os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva e Marcelo Oliveira. Ainda como forma de corroborar o entendimento da turma julgadora da época, o Acórdão nº 2301004.049, sessão de 14/05/2014, que, ao analisar embargos da Fazenda Nacional contra acórdão (nº 2301003.007) também idêntico ao ora analisado, referente ao período de apuração janeiro de 1999 a abril de 2000, concluiu tratarse de vício material, conforme resultado do julgamento: Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em acolher os embargos, nos termos do voto do Relator; II) Por maioria de votos: a) acolhidos os embargos, em definir o vício como material, nos termos do voto do Relator. Vencida a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, que votou em conceituar o vício como formal. (grifei) Por todo o exposto, voto por , acolher os embargos de declaração, para suprir a omissão apontada, definindo o vício como material, devendo a ementa ser rerratificada, nos seguintes termos: AFERIÇÃO INDIRETA. EMPRESA FILIAL. AUTONOMIA CONTÁBIL. RECOLHIMENTO DO SAT. CNPJ INDIVIDUAL A aferição indireta busca estimar o quadro contábil esperado a partir da análise das atividades desenvolvidas pela empresa Os estabelecimentos da matriz e das filiais são considerados, portanto, para fins fiscais, como entes autônomos. Caso a contabilidade seja organizada de forma descentralizada, a aferição indireta deve ser restrita a empresa que incorreu em irregularidades fiscais. O recolhimento do SAT dever feito considerandose o CNPJ das empresas fiscalizadas de forma individual. AFERIÇÃO INDIRETA. EXCEPCIONALIDADE. A aferição indireta busca estimar o quadro contábil esperado a partir da análise das atividades desenvolvidas pela empresa. Por ser medida excepcional, somente pode ser adotada quando nenhum dado contábil ou documental permitir a verificação das contribuições devidas, devendo sempre ser buscado o critério que mais se aproxime da realidade fática. NULIDADE DO LANÇAMENTO. VÍCIO MATERIAL Fl. 456DF CARF MF Processo nº 11046.001961/200897 Acórdão n.º 2301004.944 S2C3T1 Fl. 454 7 O vício material afeta os próprios critérios que serviram de base para a realização do lançamento, acarretando sua nulidade. São condições do lançamento realizado por aferição indireta não só a constatação de irregularidades documentais, mas também que estas sejam de tamanha proporção a ponto de tornar impossível ao Fisco a estimativa da movimentação financeira da empresa autuada. Registros paralelos, ainda que não oficiais, podem servir de base para a constituição do crédito tributário referente ao valor devido, vez que constituem, também, uma forma de documentar a movimentação financeira da empresa autuada. É como voto. Andrea Brose Adolfo Relatora Fl. 457DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10380.722418/2009-44
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Dec 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/10/2009 a 31/10/2009
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9202-004.810
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201612
camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/10/2009 a 31/10/2009 APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Recurso Especial do Procurador Provido.
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10380.722418/2009-44
anomes_publicacao_s : 201702
conteudo_id_s : 5676786
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 9202-004.810
nome_arquivo_s : Decisao_10380722418200944.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
nome_arquivo_pdf_s : 10380722418200944_5676786.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
dt_sessao_tdt : Mon Dec 12 00:00:00 UTC 2016
id : 6643081
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:55:51 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048947526729728
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1647; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 2 1 1 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10380.722418/200944 Recurso nº 1 Especial do Procurador Acórdão nº 9202004.810 – 2ª Turma Sessão de 12 de dezembro de 2016 Matéria RETROATIVIDADE BENIGNA, NATUREZA DA MULTA NOS LANÇAMENTOS PREVIDENCIÁRIOS ANTERIORES A MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI 11.941/2009 Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado SUCOS DO BRASIL S/A ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/10/2009 a 31/10/2009 APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Recurso Especial do Procurador Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 72 24 18 /2 00 9- 44 Fl. 261DF CARF MF Processo nº 10380.722418/200944 Acórdão n.º 9202004.810 CSRFT2 Fl. 0 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 10380.005876/200753. A divergência em exame reportase à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial requerendo que a retroatividade benigna fosse aplicada, essencialmente, pelos critérios constantes na Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Cientificado, o sujeito passivo não apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202004.792, de 12/12/2016, proferido no julgamento do processo 10380.005876/200753, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202004.792): O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Fl. 262DF CARF MF Processo nº 10380.722418/200944 Acórdão n.º 9202004.810 CSRFT2 Fl. 0 3 Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Fl. 263DF CARF MF Processo nº 10380.722418/200944 Acórdão n.º 9202004.810 CSRFT2 Fl. 0 4 Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): Fl. 264DF CARF MF Processo nº 10380.722418/200944 Acórdão n.º 9202004.810 CSRFT2 Fl. 0 5 Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. Fl. 265DF CARF MF Processo nº 10380.722418/200944 Acórdão n.º 9202004.810 CSRFT2 Fl. 0 6 § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há Fl. 266DF CARF MF Processo nº 10380.722418/200944 Acórdão n.º 9202004.810 CSRFT2 Fl. 0 7 que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Fl. 267DF CARF MF Processo nº 10380.722418/200944 Acórdão n.º 9202004.810 CSRFT2 Fl. 0 8 Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou Fl. 268DF CARF MF Processo nº 10380.722418/200944 Acórdão n.º 9202004.810 CSRFT2 Fl. 0 9 II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Fl. 269DF CARF MF Processo nº 10380.722418/200944 Acórdão n.º 9202004.810 CSRFT2 Fl. 0 10 Em face ao exposto, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Em face do acima exposto, voto por conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 270DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11060.722686/2014-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Feb 09 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2009
DÉBITOS INCLUÍDOS NO PARCELAMENTO INSTITUÍDO PELA LEI Nº 11.941, DE 2009. LIQUIDAÇÃO DE JUROS DE MORA COM UTILIZAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS E BASES DE CÁLCULO NEGATIVAS DE CSLL. INEXISTÊNCIA DE ACRÉSCIMO PATRIMONIAL.
A natureza jurídica do crédito decorrente de prejuízos fiscais e bases negativas da CSLL não se altera em face de sua utilização, seja para compensar com lucros futuros, seja para liquidar multas e juros no REFIS. A Lei nº 11.941/09 em nada alterou a regulamentação deste crédito, apenas e tão somente ampliou as alternativas de utilização do crédito para liquidação de multas e juros de débitos inseridos no REFIS da Crise.
Inexiste acréscimo patrimonial na hipótese de redução de ativo (ativo fiscal diferido) com uma correspondente redução de passivo (liquidação de multas e juros de débitos inseridos no REFIS), ocorrendo apenas um encontro de contas, uma compensação.
DESPESAS CONTABILIZADAS REFERENTES A PERÍODOS DE APURAÇÃO ATINGIDOS PELA DECADÊNCIA. OCORRÊNCIA
A despesa com multa e juros de mora sobre débitos tributários migrados do PAES e recalculados no âmbito do parcelamento instituído pela Lei nº 11.941, de 2009, não pode afetar o resultado tributável do período de apuração alcançado pela ação fiscal em face de constituir encargo de períodos já atingidos pela decadência.
PARCELAMENTO. HIPÓTESE DE SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. INOCORRÊNCIA DE NOVAÇÃO.
Os pressupostos do instituto da novação não se amoldam ao parcelamento, que, nos termos do artigo 151, VI, do CTN, constitui hipótese de suspensão da exigibilidade do crédito tributário, configurando mera dilação do prazo de pagamento; como não figura entre as hipóteses de extinção do crédito tributário previstas no artigo 156 do CTN, o parcelamento não cria nova dívida e tampouco substitui a anterior; a novação só se configura se houver diversidade substancial entre as duas dívidas, a nova e a anterior, sendo insuficiente acréscimos ou outras alterações secundárias na dívida.
LANÇAMENTO DECORRENTE. CSLL.
A solução dada ao litígio principal, relativo ao IRPJ, aplica-se, no que couber, aos lançamentos decorrentes, quando não houver fatos ou argumentos a ensejar decisão diversa.
Numero da decisão: 1301-002.175
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso voluntário para afastar a infração de omissão de receita decorrente da utilização de prejuízos fiscais e bases negativas de CSLL.
(assinado digitalmente)
Waldir Veiga Rocha - Presidente
(assinado digitalmente)
José Eduardo Dornelas Souza - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Junior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Marcelo Malagoli da Silva, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha..
Nome do relator: JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201701
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2009 DÉBITOS INCLUÍDOS NO PARCELAMENTO INSTITUÍDO PELA LEI Nº 11.941, DE 2009. LIQUIDAÇÃO DE JUROS DE MORA COM UTILIZAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS E BASES DE CÁLCULO NEGATIVAS DE CSLL. INEXISTÊNCIA DE ACRÉSCIMO PATRIMONIAL. A natureza jurídica do crédito decorrente de prejuízos fiscais e bases negativas da CSLL não se altera em face de sua utilização, seja para compensar com lucros futuros, seja para liquidar multas e juros no REFIS. A Lei nº 11.941/09 em nada alterou a regulamentação deste crédito, apenas e tão somente ampliou as alternativas de utilização do crédito para liquidação de multas e juros de débitos inseridos no REFIS da Crise. Inexiste acréscimo patrimonial na hipótese de redução de ativo (ativo fiscal diferido) com uma correspondente redução de passivo (liquidação de multas e juros de débitos inseridos no REFIS), ocorrendo apenas um encontro de contas, uma compensação. DESPESAS CONTABILIZADAS REFERENTES A PERÍODOS DE APURAÇÃO ATINGIDOS PELA DECADÊNCIA. OCORRÊNCIA A despesa com multa e juros de mora sobre débitos tributários migrados do PAES e recalculados no âmbito do parcelamento instituído pela Lei nº 11.941, de 2009, não pode afetar o resultado tributável do período de apuração alcançado pela ação fiscal em face de constituir encargo de períodos já atingidos pela decadência. PARCELAMENTO. HIPÓTESE DE SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. INOCORRÊNCIA DE NOVAÇÃO. Os pressupostos do instituto da novação não se amoldam ao parcelamento, que, nos termos do artigo 151, VI, do CTN, constitui hipótese de suspensão da exigibilidade do crédito tributário, configurando mera dilação do prazo de pagamento; como não figura entre as hipóteses de extinção do crédito tributário previstas no artigo 156 do CTN, o parcelamento não cria nova dívida e tampouco substitui a anterior; a novação só se configura se houver diversidade substancial entre as duas dívidas, a nova e a anterior, sendo insuficiente acréscimos ou outras alterações secundárias na dívida. LANÇAMENTO DECORRENTE. CSLL. A solução dada ao litígio principal, relativo ao IRPJ, aplica-se, no que couber, aos lançamentos decorrentes, quando não houver fatos ou argumentos a ensejar decisão diversa.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Feb 09 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 11060.722686/2014-17
anomes_publicacao_s : 201702
conteudo_id_s : 5677625
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Feb 09 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 1301-002.175
nome_arquivo_s : Decisao_11060722686201417.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA
nome_arquivo_pdf_s : 11060722686201417_5677625.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso voluntário para afastar a infração de omissão de receita decorrente da utilização de prejuízos fiscais e bases negativas de CSLL. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha - Presidente (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Junior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Marcelo Malagoli da Silva, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha..
dt_sessao_tdt : Tue Jan 24 00:00:00 UTC 2017
id : 6644864
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:55:57 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048947535118336
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 16; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2104; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 665 1 664 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11060.722686/201417 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1301002.175 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 24 de janeiro de 2017 Matéria PARCELAMENTO LEI º 11.941/2009 Recorrente DONA FRANCISCA ENERGÉTICA S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009 DÉBITOS INCLUÍDOS NO PARCELAMENTO INSTITUÍDO PELA LEI Nº 11.941, DE 2009. LIQUIDAÇÃO DE JUROS DE MORA COM UTILIZAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS E BASES DE CÁLCULO NEGATIVAS DE CSLL. INEXISTÊNCIA DE ACRÉSCIMO PATRIMONIAL. A natureza jurídica do crédito decorrente de prejuízos fiscais e bases negativas da CSLL não se altera em face de sua utilização, seja para compensar com lucros futuros, seja para liquidar multas e juros no REFIS. A Lei nº 11.941/09 em nada alterou a regulamentação deste crédito, apenas e tão somente ampliou as alternativas de utilização do crédito para liquidação de multas e juros de débitos inseridos no REFIS da Crise. Inexiste acréscimo patrimonial na hipótese de redução de ativo (ativo fiscal diferido) com uma correspondente redução de passivo (liquidação de multas e juros de débitos inseridos no REFIS), ocorrendo apenas um encontro de contas, uma compensação. DESPESAS CONTABILIZADAS REFERENTES A PERÍODOS DE APURAÇÃO ATINGIDOS PELA DECADÊNCIA. OCORRÊNCIA A despesa com multa e juros de mora sobre débitos tributários migrados do PAES e recalculados no âmbito do parcelamento instituído pela Lei nº 11.941, de 2009, não pode afetar o resultado tributável do período de apuração alcançado pela ação fiscal em face de constituir encargo de períodos já atingidos pela decadência. PARCELAMENTO. HIPÓTESE DE SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. INOCORRÊNCIA DE NOVAÇÃO. Os pressupostos do instituto da novação não se amoldam ao parcelamento, que, nos termos do artigo 151, VI, do CTN, constitui hipótese de suspensão AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 0. 72 26 86 /2 01 4- 17 Fl. 665DF CARF MF Processo nº 11060.722686/201417 Acórdão n.º 1301002.175 S1C3T1 Fl. 666 2 da exigibilidade do crédito tributário, configurando mera dilação do prazo de pagamento; como não figura entre as hipóteses de extinção do crédito tributário previstas no artigo 156 do CTN, o parcelamento não cria nova dívida e tampouco substitui a anterior; a novação só se configura se houver diversidade substancial entre as duas dívidas, a nova e a anterior, sendo insuficiente acréscimos ou outras alterações secundárias na dívida. LANÇAMENTO DECORRENTE. CSLL. A solução dada ao litígio principal, relativo ao IRPJ, aplicase, no que couber, aos lançamentos decorrentes, quando não houver fatos ou argumentos a ensejar decisão diversa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso voluntário para afastar a infração de omissão de receita decorrente da utilização de prejuízos fiscais e bases negativas de CSLL. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Presidente (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Junior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Marcelo Malagoli da Silva, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha.. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte acima identificado contra os acórdãos nº 0649.718 e 0650.744, proferidos pela 1ª Turma da DRJ/CTA, nas sessões de 24 de outubro de 2014 e 9 de janeiro de 2015, respectivamente, que, ao apreciarem a impugnação apresentada, entenderam, por unanimidade de votos, julgálas improcedentes, mantendo o crédito tributário exigido. Por bem descrever o ocorrido, valhome do relatório elaborado por ocasião do segundo julgamento do processo em primeira instância, a seguir transcrito: 1. Trata o processo de autos de infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido decorrentes das seguintes infrações apuradas no anocalendário de 2009: . despesa indevida de R$ 11.640.549,85 com multa e juros de mora sobre débitos migrados do Parcelamento EspecialPAES e recalculados na consolidação do parcelamento instituído pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009 (REFIS da Fl. 666DF CARF MF Processo nº 11060.722686/201417 Acórdão n.º 1301002.175 S1C3T1 Fl. 667 3 Crise), conforme descrito nos subitens 2.3 e 4.2 do Relatório de Fiscalização (fls. 366392); . receita de R$ 13.274.679,18 correspondente à parcela dos juros de mora liquidada com utilização de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas de CSLL no âmbito do parcelamento instituído pela Lei nº 11.941, de 2009, conforme descrito nos subitens 2.2 e 4.1 do Relatório de Fiscalização. 2. Após analisar as alegações de defesa apresentadas em 02/09/2014 (fls. 431 459), esta Turma da DRJ/Curitiba julgou improcedente a impugnação e manteve integralmente o crédito tributário exigido, conforme Acórdão nº 0649.718, sessão de 24/10/2014, em decisão assim ementada: GLOSA DE DESPESA COM MULTA E JUROS DE MORA SOBRE DÉBITOS MIGRADOS DO PAES PARA O PARCELAMENTO INSTITUÍDO PELA LEI Nº 11.941, DE 2009. ENCARGO DE PERÍODO DE APURAÇÃO JÁ DECAÍDO. A despesa com multa e juros de mora sobre débitos tributários migrados do PAES e recalculados no âmbito do parcelamento instituído pela Lei nº 11.941, de 2009, não pode afetar o resultado tributável do período de apuração alcançado pela ação fiscal em face de constituir encargo de períodos já atingidos pela decadência. ESCRITURAÇÃO DE DESPESAS EM PERÍODO DE APURAÇÃO POSTERIOR AO DE COMPETÊNCIA. Como regra, os fatos contábeis devem ser escriturados nos períodos de apuração em que ocorrerem, pois a possibilidade de se computar receitas ou despesas em períodos diversos do de competência inviabilizaria, para fins societários e fiscais, a apuração do efetivo resultado do período; somente se pode admitir a escrituração de despesas em período de apuração posterior ao de competência caso se refiram a exercício não atingido pela decadência e desde que a inexatidão no período de escrituração não resulte em prejuízo para o Fisco. PARCELAMENTO. HIPÓTESE DE SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. INOCORRÊNCIA DE NOVAÇÃO. Os pressupostos do instituto da novação não se amoldam ao parcelamento, que, nos termos do artigo 151, VI, do CTN, constitui hipótese de suspensão da exigibilidade do crédito tributário, configurando mera dilação do prazo de pagamento; como não figura entre as hipóteses de extinção do crédito tributário previstas no artigo 156 do CTN, o parcelamento não cria nova dívida e tampouco substitui a anterior; a novação só se configura se houver diversidade substancial entre as duas dívidas, a nova e a anterior, sendo insuficiente acréscimos ou outras alterações secundárias na dívida. PARCELAMENTO INSTITUÍDO PELA LEI Nº 11.941, DE 2009. RECEITA CORRESPONDENTE À PARCELA DA MULTA E JUROS MORATÓRIOS QUITADA COM UTILIZAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS E BASES DE CÁLCULO NEGATIVAS DE CSLL. É tributável a receita correspondente à parcela da multa, de mora ou de ofício, e dos juros moratórios incidentes sobre débitos tributários próprios incluídos no parcelamento instituído pela Lei nº 11.941, de 2009, e quitada mediante utilização de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas de CSLL de períodos anteriores; ao contrário da compensação de prejuízos fiscais e bases negativas de Fl. 667DF CARF MF Processo nº 11060.722686/201417 Acórdão n.º 1301002.175 S1C3T1 Fl. 668 4 CSLL de períodos anteriores com o lucro real e a base de cálculo da CSLL do período, cujo ajuste é efetuado no LALUR, sem alteração do lucro líquido do período, a utilização de resultados negativos de períodos anteriores para liquidação de multa e juros de mora faz surgir uma receita equivalente ao valor dos encargos assim liquidados, aumentando o lucro líquido do período; considerando que toda exclusão do lucro líquido na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL depende de previsão legal expressa, e tendo em vista que não há na Lei nº 11.941, de 2009, e nem em qualquer outro diploma legal autorização nesse sentido, independente de ter sido utilizado ou não o valor do ativo fiscal diferido, cabe a tributação dessa receita. 3. Inconformada, a interessada apresentou Embargos de Declaração em 17/11/2014 (às fls. 538548, após tomar ciência da decisão embargada em 13/11/2014) e 24/11/2014 (às fls. 568578, porquanto consta do eprocesso que a ciência se deu no dia 19/11/2014, conforme Termo de Ciência por Decurso de Prazo, e o STJ já decidiu que recursos interpostos antes do prazo são intempestivos) para solicitar manifestação explícita em face de omissões e obscuridades que entende existentes no Acórdão nº 0649.718. 4. A embargante, por intermédio de seu representante legal (mandato às fls. 464465), apresentou as alegações a seguir sintetizadas: a) no tópico “Glosa da despesa com multa e juros de mora de períodos atingidos pela decadência” argumenta que, em que pese o Parecer CST nº 174, de 1974, ter sido referido no relatório da decisão embargada, não há no voto uma palavra sequer a respeito deste ato normativo e demais soluções de consulta invocadas e que adotam o mesmo entendimento, nem para justificar as razões que levaram a afastar a aplicação ao caso concreto; b) a embargante demonstrou que, ainda que seja uma obrigação tributária reajustada em seu aspecto temporal, a dedutibilidade se dá pelo regime de competência; também demonstrou que o procedimento adotada só foi possível em face de lei nova, ou seja, em razão dos termos da Lei nº 11.941, de 2009, e o fez em várias passagens; c) que a lei e atos normativos emanados do próprio Fisco devem ser observados e aplicados por todos os órgãos que integram a Receita Federal do Brasil, in casu, as Delegacias de Julgamento ou, quando não aplicados, há que se fundamentar as razões que embasam este entendimento; d) no tópico “Receita decorrente da utilização de prejuízos fiscais e bases negativas de CSLL para liquidação de juros de mora” aduz que o próprio Fisco trata os prejuízos e a base de cálculo negativa da CSLL como créditos do contribuinte; que restou demonstrado que a liquidação de multas e juros com uso destes créditos é sinônimo de pagar, solver, compensar e, como tal, houve uma redução de direito, não havendo que se falar em ganho patrimonial; que a liquidação operada é semelhante àquela autorizada em lei com relação ao saldo negativo de IRPJ ou com a base negativa da CSLL; e) para não haver supressão de instância e propiciar o exercício de seu direito de ampla defesa, servem os presentes embargos declaratórios para requerer expressa manifestação da 1ª Turma da DRJ/CTA acerca da legislação fiscal tratar os prejuízos e a base de cálculo negativo da CSLL como créditos da contribuinte utilizados na liquidação de multa e juros; que havendo a redução de direito (crédito nos termos da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 6/09), não há ganho patrimonial tributável; Fl. 668DF CARF MF Processo nº 11060.722686/201417 Acórdão n.º 1301002.175 S1C3T1 Fl. 669 5 f) no tópico “Cabimento dos Embargos de Declaração” assevera ser cabível o aviamento dos presentes embargos de declaração em homenagem ao princípio do devido processo legal de que trata o inciso LV do art. 5º da C.F., da aplicação subsidiária do CPC e tal como se vê de reiteradas decisões das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento, cujas ementas transcreve; g) ao final requer a esta Turma da DRJ/Curitiba que julgue por bem em sanar e suprir as omissões e obscuridades devidamente apontadas e demonstradas nesta petição. Na seqüência, foi proferido o Acórdão nº 0650.744, da 1ª Turma da DRJ/CTA, julgando improcedente a impugnação e mantendo integralmente o lançamento fiscal, com o seguinte ementário: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2009 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Acatamse os embargos de declaração interpostos para proferir novo Acórdão, a fim de melhor esclarecer os motivos da improcedência da impugnação e, assim, propiciar à contribuinte o pleno exercício de seu direito de defesa. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009 PARECER CST Nº 174, DE 1974. INAPLICABILIDADE. É inaplicável ao presente caso o entendimento contido no Parecer CST nº 174, de 1974 que admitiu a dedutibilidade das parcelas convencionadas do parcelamento que fossem recolhidas dentro do exercício financeiro em que se situavam os respectivos vencimentos , pois decorre da interpretação de legislação anterior (art. 50 da Lei nº 4.506, de 1964, base legal do art. 164 do RIR de 1966). DÉBITOS INCLUÍDOS NO PARCELAMENTO INSTITUÍDO PELA LEI Nº 11.941, DE 2009. LIQUIDAÇÃO DE JUROS DE MORA COM UTILIZAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS E BASES DE CÁLCULO NEGATIVAS DE CSLL. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL. A liquidação de juros de mora calculados sobre débitos incluídos no parcelamento instituído pela Lei nº 11.941, de 2009, com utilização de saldo de prejuízos fiscais e de bases de cálculo negativas de CSLL de períodos anteriores acarreta diminuição do passivo sem que haja correspondente redução do ativo, fato que resulta em aumento do patrimônio líquido não proveniente de aporte dos sócios. PREJUÍZOS FISCAIS E BASES DE CÁLCULO NEGATIVAS DE CSLL DE PERÍODOS ANTERIORES. ATIVO FISCAL DIFERIDO CORRESPONDENTE AO DIREITO DE COMPENSAÇÃO COM RESULTADOS TRIBUTÁVEIS DE PERÍODOS FUTUROS. DESTINAÇÃO DIVERSA DA SITUAÇÃO QUE JUSTIFICOU O SEU RECONHECIMENTO. RECEITA TRIBUTÁVEL. O ativo fiscal diferido correspondente ao direito de compensação do saldo de prejuízos fiscais e de bases de cálculo negativas de CSLL com resultados tributáveis de períodos futuros tem como contrapartida uma receita não tributável, ou uma conta do patrimônio líquido, porquanto tal compensação deve ser efetuada extracontabilmente, no Livro Lalur, sem afetar o lucro líquido do período; contudo, no presente caso, o ativo diferido teve destinação diversa da prevista por ocasião de Fl. 669DF CARF MF Processo nº 11060.722686/201417 Acórdão n.º 1301002.175 S1C3T1 Fl. 670 6 seu reconhecimento, pois foi utilizado na liquidação de juros moratórios no âmbito do parcelamento instituído pela Lei nº 11.941, de 2009; como a redução de uma obrigação escriturada no passivo tem como contrapartida uma receita tributável, em valor equivalente ao do encargo liquidado, quando não houver aumento de outra conta do passivo ou redução de uma conta do ativo, idêntico tratamento deve ser dado ao ativo fiscal diferido cujo reconhecimento não teve como contrapartida uma receita tributável; inexistindo previsão legal que autorize a exclusão, na apuração do resultado tributável, da receita decorrente da utilização de prejuízos fiscais e bases negativas de CSLL para liquidação de juros de mora, tal receita deve ser oferecida à tributação independentemente de ter sido utilizada ou não a conta do ativo diferido. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Ciente do acórdão recorrido em 11/02/2015, pelo Portal eCAC (fls. 595), e com ele inconformado, a recorrente apresentou em 12/03/2015 (fls 604), tempestivamente, recurso voluntário, através de representante regularmente constituído (647648) pugnando pelo provimento, onde apresenta argumentos que serão a seguir analisados. É o Relatório. Voto Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza, Relator. O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/1972. Portanto, dele conheço. O trabalho fiscal apurou a existência das seguintes infrações: (1) glosa de despesas de períodos de apuração atingidos pela decadência; e (2) receita decorrente da utilização de prejuízos fiscais e bases negativas da CSLL para liquidação de juros de mora. Passo ao exame de cada infração. Não há argüição de qualquer preliminar, razão pela qual a discussão se resume a matéria de mérito. Receita decorrente da Utilização de Prejuízos Fiscais e Bases Negativas da CSLL Decorre dos autos que o contribuinte utilizouse de prejuízos fiscais e BCNs da CSLL para liquidar multas e juros de mora no âmbito do Refis da Crise, com arrimo nos §§7º e 8º do art. 1º da Lei nº 11.941/09 e não reconheceu como receita o montante de R$ 13.274.679,18, por isso, entendeu a fiscalização que este valor deveria ter sido adicionado ao lucro líquido do ano de 2009, de acordo com o artigo 249, inciso II do RIR/99. A referida autoridade, ratificado pela autoridade prolatora da decisão recorrida, sustentou que a diminuição do passivo sem que haja correspondente redução do ativo caracterizase acréscimo patrimonial tributável pelo IRPJ e pela CSLL, e acrescentou que tal receita integra as bases de cálculo do IRPJ e CSLL, tendo em vista inexistir autorização legal para excluíla. Fl. 670DF CARF MF Processo nº 11060.722686/201417 Acórdão n.º 1301002.175 S1C3T1 Fl. 671 7 Em recurso, a recorrente alega, resumidamente, que i) que os prejuízos fiscais e as bases de cálculos negativas de CSLL, quando não utilizados nos períodos próprios, constituirão um crédito contra o fisco; denominado de Ativo Fiscal Diferido, sendo este crédito utilizado na compensação com lucros de períodos futuros e excluído do lucro líquido para fins de determinação do lucro real (art. 250 do RIR de 1999); ii) que a natureza jurídica deste crédito (Ativo Fiscal Diferido) não se altera em face de sua utilização, seja para compensar com lucros futuros ou para liquidar multas e juros no REFIS, e que inexiste acréscimo patrimonial; iii) que houve uma redução de um passivo com a correspondente redução do crédito relativo ao Ativo Fiscal Diferido, sem que isso signifique a transformação de um crédito já existente em incremento patrimonial; iv) que se trata de crédito (ativo fiscal diferido) com poder liberatório e, bem por isto, líquido, certo e oponível ao Fisco na liquidação de multas e juros por força de determinação legal. Observo, inicialmente, que com a edição da Lei nº 11.941, de 2009, passou existir duas possibilidades para aproveitamento dos prejuízos fiscais e bases negativas de CSLL: (1) utilizarse da norma jurídica prevista nos arts. 15 e 16 da Lei 9.065/1995; (2) utilizarse da regra prevista nos §§7º e 8º do art. 1º da Lei nº 11.941/09. No caso, tratase da lançamento tributário, tendo como ponto de partida, a utilização do regramento previsto nos §§7º e 8º do art. 1º da Lei nº 11.941/09, que permite a quitação de dívidas que afetaram o lucro líquido de períodos de apuração anteriores com a utilização de prejuízos fiscais e bases negativas de CSLL. Filiome à tese apresentada pela recorrente, no sentido de entender que a natureza jurídica do crédito decorrente de prejuízos fiscais e bases negativas da CSLL não se altera em face de sua utilização, seja para compensar com lucros futuros, seja para liquidar multas e juros no REFIS. Assim, os prejuízos fiscais e as bases negativas da CSLL, quando não utilizados nos períodos próprios, constituemse em crédito contra o Fisco para serem utilizados na compensação com lucros de períodos futuros, porém, de acordo com a legislação aplicável, serão excluídos do lucro líquido para fins de determinação do lucro real. Da mesma forma, quando utilizados para liquidar juros e multas de débitos inseridos no REFIS da Crise, devem ser excluídos da determinação do referido lucro. A Lei nº 11.941/09 em nada alterou a regulamentação deste crédito, apenas e tão somente ampliou as alternativas de utilização do crédito para liquidação de multas e juros de débitos inseridos no REFIS da Crise. Logo, não há fundamento legal para que os citados prejuízos e/ou bases negativas da CSLL utilizados para este fim, tenham tratamento diverso daquele previsto para compensação com lucros futuros. Por outro lado, entendo que inexiste, no caso, acréscimo patrimonial necessário à incidência dos tributos exigidos no presente feito. O que houve, a bem da verdade, foi uma redução de ativo (ativo fiscal diferido) com uma correspondente redução de passivo (liquidação de multas e juros de débitos inseridos no REFIS), sem que tal fato represente qualquer incremento na situação patrimonial da recorrente, vez que está a ocorrer, no meu modo de ver, apenas um encontro de contas, uma compensação. Observese, por oportuno, que crédito contra o fisco não resulta apenas de indébito tributário, ao contrário do sustentado na decisão recorrida. Entendo que, embora o crédito não seja originado de indébito tributário, este fato não lhe retira sua titulação de crédito, Fl. 671DF CARF MF Processo nº 11060.722686/201417 Acórdão n.º 1301002.175 S1C3T1 Fl. 672 8 vez que constituído, declarado na DIPJ, controlado por sistema específico da Receita Federal e utilizável na compensação de IRPJ e CSLL incidentes sobre lucros vindouros e, no caso dos autos, a Lei conferiu liquidez também para utilização na liquidação de multas e juros no âmbito do REFIS. Por outro lado, o argumento basilar adotado pela fiscalização, ratificado no acórdão recorrido, reside na alegação de falta de previsão legal a respeito da exclusão dos valores relativos à liquidação de juros e multas com utilização de prejuízos fiscais e bases negativas da CSLL. Logo, parte a fiscalização de uma premissa inexistente, qual seja, incremento patrimonial, pois, conforme visto, este inexiste, pois o que de fato ocorreu foi apenas uma compensação. Portanto, o fato da Lei 11.941/09 tratar expressamente da exclusão da redução de multa e juros e ser "omissa" com relação à liquidação de saldo remanescente de multas e juros com prejuízos fiscais e bases negativas da CSLL, não autoriza a conclusão de que o contribuinte deveria adicionar às respectivas bases de cálculos o montante de R$ 13.274.679,18. Assim, não havendo qualquer razão jurídica para tratar distintamente o crédito aqui mencionado (ativo fiscal diferido), seja quando empregado na compensação com lucros vindouros, seja na hipótese de ser utilizado para liquidação de multas e juros, resta evidente que a pretensão da fiscalização de exigir IRPJ e CSLL sobre o montante de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas da CSLL não encontra amparo legal e, bem por isso, deve ser reformada a decisão recorrida, neste ponto. Glosa de Despesa com Multas e Juros de Mora. Decadência Com relação a este item, observase que a fiscalização e a r. decisão recorrida não reconheceram como dedutível a importância de R$ 11.640.549,85, sob o entendimento de que apenas despesas incorridas a partir de 01/01/2005, poderiam ser consideradas para fins de apuração das BCs do IRPJ e da CSLL com base no lucro real anual, por força da decadência, devendo tal montante ser adicionado ao lucro líquido do ano de 2009, de acordo com o artigo 249, inciso I do RIR/99. Em seu recurso ao CARF, a interessada argumentou que a rescisão do PAES e migração para o REFIS da crise implicam na assunção de nova dívida que extingue a anterior, o que se equipara ao instituto da novação; vez que não se trata de mera dilação de prazos, mas envolve restabelecimento de multas e juros, possibilitando o uso de prejuízos fiscais e base negativa da CSLL. Aduz ainda que em se tratando de débitos até então parcelados no PAES e que se encontravam com a exigibilidade suspensa, não podiam eles como o todo (principal, juros e multas) serem atingidos pela decadência, acrescentando ainda que os débitos foram restabelecidos por determinação legal, a teor do que estabelece o art. 3º, I, da Lei nº 11.941/2008. Quando ao ponto, a DRJ colacionou manifestações doutrinárias, com intuito de explicar o instituto da novação, concluindo por sua inocorrência, vez que não se verificou no caso, extinção da obrigação anterior e substituição por uma nova. Acrescenta ainda que os Fl. 672DF CARF MF Processo nº 11060.722686/201417 Acórdão n.º 1301002.175 S1C3T1 Fl. 673 9 pressupostos do instituto da novação não se amoldam ao parcelamento, que, nos termos do artigo 151, VI, do CTN, constitui hipótese de suspensão da exigibilidade do crédito tributário e configura mera dilação do prazo de pagamento. Assim, concluiu a DRJ que a citada despesa não pode ser deduzida do resultado tributável do anocalendário de 2009 em face de se referir a períodos de apuração pretéritos, já atingidos pela decadência, destacando que a própria Lei 11.941, de 2009, em seu artigo 8º, contém comando normativo no sentido de que o parcelamento por ela tratado não implica novação da dívida. Pois bem. Não há reparos a fazer na decisão da DRJ, neste aspecto, vez que a relação jurídica original dos débitos migrados do PAES para o parcelamento da Lei 11.941 de 2009 foi mantida, havendo alteração apenas das condições de pagamento, tendo os débitos sido restabelecidos à data da solicitação do REFIS da Crise com os acréscimos devidos na forma da legislação aplicável à época da ocorrência dos respectivos fatos geradores. Desta forma, a citada migração não configura novação de dívida. Esse entendimento tem respaldo em sólida jurisprudência, EMBARGOS. EXECUÇÃO FISCAL. PARCELAMENTO DA DÍVIDA. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO. INADIMPLEMENTO. PROSSEGUIMENTO DO FEITO EXECUTIVO. EXTINÇÃO DO PROCESSO EXECUTIVO. IMPOSSIBILIDADE. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. REDUÇÃO. ENRIQUECIMENTO INDEVIDO. 1. A adesão a parcelamento implica a suspensão da exigibilidade da dívida. Rescindido o acordo de parcelamento, a situação fiscal da devedora retorna ao status quo ante, passando a ser novamente exigível o crédito tributário. 2. Nos moldes do art. 151, IV/CTN, o parcelamento de dívida tributária não se constitui em modalidade de extinção do crédito tributário, e sim suspensão da exigibilidade de crédito. 3. Não tendo a apelante se insurgido à exclusão dos honorários advocatícios a teor do disposto no DL n. 1.025/65, defeso ao julgador conhecer de questões não suscitadas no apelo. 4. Sopesadas as circunstâncias do mote em tela, a verba honorária deve ser reduzida, evitandose possível enriquecimento ilícito. 5. Apelação a que se dá parcial provimento. (AC 000497490.2005.4.01.9199/MG, Rel. Juiz Federal Carlos Eduardo Castro Martins, 7ª Turma Suplementar,eDJF1 p.814 de 09/03/2012, grifouse). AGRAVO DE INSTRUMENTO. RECURSO DE REVISTA. EXECUÇÃO FISCAL. PARCELAMENTO ADMINISTRATIVO. CAUSA DE SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. NÃO OCORRÊNCIA DE NOVAÇÃO. SUSPENSÃO DA EXECUÇÃO FISCAL. NÃO INCIDÊNCIA DAS RESTRIÇÕES PREVISTAS NA SÚMULA 266/TST E NO ART. 896, § 2º, DA CLT, QUANTO AO RECURSO DE REVISTA. Em se tratando de execução fiscal de dívida ativa regulada pela Lei 6.830/80 (nova competência da Justiça do Fl. 673DF CARF MF Processo nº 11060.722686/201417 Acórdão n.º 1301002.175 S1C3T1 Fl. 674 10 Trabalho: art. 114, VII, CF, desde EC 45/2004), a análise do recurso de revista não está adstrita aos limites impostos pelo art. 896, § 2º, da CLT, e pela Súmula 266/TST, em face da necessária cognição mais ampla constitucionalmente franqueada ao jurisdicionado apenado, a par da necessidade institucional da uniformização da interpretação legal e constitucional na República e Federação. Demonstrado no agravo de instrumento que o recurso de revista preenchia os requisitos do art. 896 da CLT, dáse provimento ao agravo de instrumento para melhor análise da arguição de violação ao art. 151, VI, do CTN. Agravo de instrumento provido. RECURSO DE REVISTA. EXECUÇÃO FISCAL. PARCELAMENTO ADMINISTRATIVO. CAUSA DE SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. NÃO OCORRÊNCIA DE NOVAÇÃO. SUSPENSÃO DA EXECUÇÃO FISCAL. Revendo interpretação anteriormente assentada, firmase o entendimento de que o parcelamento administrativo do débito tributário implica a suspensão da exigibilidade do crédito tributário e, por conseguinte, da execução fiscal ajuizada para sua cobrança, sendo indevida a extinção do feito quando em curso o prazo do parcelamento acordado pelas partes (CTN, arts. 140 e 151, VI, c/c 792, caput, do CPC). É que o parcelamento não se confunde com a novação. Esta implica substituição da relação jurídica, com mudança do devedor, do credor ou do objeto da prestação. Aquele, ao revés, mantém a relação jurídica e repercute apenas nas condições de pagamento. O parcelamento não está arrolado entre as causas de extinção do crédito tributário (CTN, art. 156). Tal interpretação, após intenso debate, prevaleceu no âmbito do STJ órgão do Poder Judiciário que detinha a competência para uniformizar a interpretação dessa matéria anteriormente à promulgação da EC n. 45/04. Essa nova interpretação, em matéria que envolve a nova competência da Justiça do Trabalho (EC n° 45, de dezembro de 2004), é mais consentânea com a busca da efetividade dos direitos fundamentais da pessoa humana, especialmente os de natureza social (trabalhistas e previdenciários), objeto da atuação administrativa do Estado relativamente à fiscalização trabalhista e previdenciária e atividade congênere. Isso significa dizer que a adesão a programa de parcelamento não enseja a extinção da execução fiscal por novação, mas apenas a sua suspensão, até que o parcelamento seja quitado (CPC, art. 794, I). Recurso de revista conhecido e provido. (RR 1730050.2006.5.03.0100 , Relator Ministro: Mauricio Godinho Delgado, Data de Julgamento: 05/09/2012, 3ª Turma, Data de Publicação: 14/09/2012, grifou se) Destaquese que a própria Lei nº 11.941, de 2009, em seu artigo 8º, contém comando normativo no sentido de que o parcelamento por ela tratado não implica novação da dívida, in verbis: Art. 8º. A inclusão de débitos nos parcelamentos de que trata esta Lei não implica novação de dívida. (Grifouse) Portanto, não havendo que se falar em novação, tenho por acertada a conclusão da decisão recorrida de que a despesa de R$ 4.978.308,72 com multa de mora e R$ 6.662.241,13 com juros de mora não pode ser deduzida do resultado tributável do ano calendário de 2009, por de se referir a períodos de apuração pretéritos, já atingidos pela decadência. Com referência à decadência, por concordar com as considerações trazidas pela decisão recorrida, permitome reproduzir alguns trechos da referida decisão, verbis: Fl. 674DF CARF MF Processo nº 11060.722686/201417 Acórdão n.º 1301002.175 S1C3T1 Fl. 675 11 27. Acrescentese que, como regra, os fatos contábeis devem ser escriturados nos períodos de apuração em que ocorrerem, pois a possibilidade de se computar receitas ou despesas em períodos diversos do de competência inviabilizaria, para fins societários e fiscais, a apuração do efetivo resultado do período. 28. Somente se pode admitir a escrituração de despesas em período de apuração posterior ao de competência caso se refiram a exercício não atingido pela decadência, pois o prazo para a contribuinte retificar sua declaração de imposto de renda coincide com o prazo homologatório atribuído à Fazenda Nacional, e desde que a inexatidão no período de escrituração não resulte em prejuízo para o Fisco, conforme disposto no artigo 273 do RIR de 1999 (inobservância do regime de competência). 29. Não há como admitir a alteração da base de cálculo dos tributos em períodos já decaídos, pois o transcurso do prazo decadencial se, por um lado, impede o fisco de efetuar lançamento para alterar a base de cálculo apurada, por outro, também impede a contribuinte de promover modificações que impliquem redução da mesma base de cálculo, mesmo para apurar prejuízos fiscais. Nas relações jurídicas, principalmente, nas de caráter obrigacional, os prazos para extinção de direito decorrem do princípio da segurança jurídica e, assim, o prazo estabelecido pela legislação, no caso, para o direito de constituir o crédito tributário, deve ser o mesmo para que o contribuinte proceda à retificação dos dados que fez inserir em suas declarações apresentadas ao fisco. 30. Dessa forma, a despesa com multa e juros de mora sobre débitos tributários migrados do PAES e recalculados no âmbito do parcelamento instituído pela Lei nº 11.941, de 2009, não pode afetar o resultado tributável do anocalendário de 2009 em face de constituir encargo de períodos de apuração já atingidos pela decadência, razão pela qual voto por manter a exigência correspondente. Há ainda um outro argumento utilizado pela recorrente e que deve ser apreciado nesta decisão. Diz respeito a sua alegação de alteração de critério jurídico, segundo seu entendimento, adotado pelo fisco desde o Parecer Normativo nº 174/1974 e que daria respaldo à contabilização no anocalendário de 2009 da despesa de R$ 11.640.549,85 com multa e juros de mora incidentes sobre débitos migrados do Parcelamento EspecialPAES (Lei nº 10.684, de 30 de maio de 2003) e recalculados na consolidação do parcelamento instituído pela Lei nº 11.941, de 2009. Entendo que esta questão também foi muito bem analisada no acórdão recorrido, e por isso, peço vênia àquele nobre relator, para novamente reproduzir suas palavras: 8. Assim, cumpre destacar que o Parecer CST nº 174, de 1974, trata de situação diversa da analisada nos presentes autos, porquanto diz respeito à dedutibilidade, como custos ou despesas, de impostos, taxas e contribuições com base nas condições estabelecidas em legislação anterior, conforme regra à época consubstanciada no artigo 164 do Regulamento do Imposto de Renda de 1966 (aprovado pelo DecretoLei nº 58.400, de 10 de maio de 1966). 9. O Parecer CST nº 174, de 1974, esclareceu que eram dedutíveis os impostos, taxas e contribuições que fossem efetivamente pagos durante o exercício financeiro (exercício orçamentário do poder tributante) a que correspondiam: Indagações de ordem diversas surgem sobre a exegese do art. 164 do RIR (Decreto nº 58.400/66). Fl. 675DF CARF MF Processo nº 11060.722686/201417 Acórdão n.º 1301002.175 S1C3T1 Fl. 676 12 2. Dentre outras condições, estabelece o dispositivo “sub lumine” que impostos, taxas e contribuições cobrados por pessoas jurídicas de direito público, ou por seus delegados, são dedutíveis como custos ou despesas, desde que “efetivamente pagos durante o exercício financeiro a que corresponderem, ressalvados os casos de reclamação ou de recursos tempestivos”. (...) 5. O problema está na exata determinação do exercício financeiro a que se refere a lei. As dúvidas aparecem quando erroneamente se interpreta a expressão como significando o exercício social do sujeito passivo, em vez de considerála em relação à pessoa tributante, e nesse caso correspondendo ao seu exercício orçamentário. Com efeito, deve ser este o entendimento correto, porquanto o claro objetivo da lei está em contemplar o exercício do vencimento da obrigação, numa evidente exceção, in casu, à regra geral da competência, referida mais adiante. Essa conclusão se harmoniza perfeitamente com a situação focalizada, onde a obrigação principal, nascida num dado momento do exercício social, tem seu cumprimento exigido somente no exercício social subsequente. 6. Isso não impede, todavia, que, contabilizados tais encargos no anobase, como obrigações a pagar, sejam nesse mesmo ano deduzidos com custos ou despesas operacionais, uma vez perfeitamente determinado, em relação a cada qual, o “quantum debeatur”. É o que depreende do artigo e parágrafo que abaixo se transcrevem: “Art. 162 – São operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora (Lei nº 4.506, art. 47). § 1º São necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa (Lei nº 4.506, art. 47, § 1º)” (Grifo nosso). E ainda porque, conforme se pode inferir dos arts. 216, 224 § 1º e 242 do RIR, a sistemática geral do tributo consagra o regime de competência, em preferência ao de caixa, na apuração dos resultados anuais da empresa. 7. A lei, por outro lado, condiciona a dedução ao efetivo pagamento durante o exercício de correspondência, ainda que tal pagamento se verifique após o seu vencimento. No caso de inadimplemento da obrigação dentro desse período – exercício de correspondência – deve seu valor ser oferecido à tributação, mediante retificação da declaração na qual o tributo tenha sido computado como parcela dos cursos ou despesas dedutíveis. 8. No caso de parcelamento, porque a mesma obrigação tributária foi reajustada em seu aspecto temporal, com a concessão, baseada em lei, e novos prazos (“prazos legais”, conforme Parecer Normativo CST nº 540/70, de 141270), a dedutibilidade é igualmente admitida, enquanto recolhidas as parcelas convencionadas dentro do exercício financeiro em que se situem os respectivos vencimentos. A respaldar essa ilação, está a circunstância de incluirse o parcelamento – moratória em caráter individual – dentre as formas de suspensão do crédito tributário, de que tratam os arts. 151 a 155 do Código Tributário Nacional, nos quais há que integrarse o preceptivo “sub cogitatione”. Quanto aos encargos legais decorrentes, a situação é variável. No que tange a juros de mora, por se tratar de compensação pelo atraso na liquidação de débitos, caracterizamse como despesa financeira, e como tal são dedutíveis. Relativamente à Correção Monetária, Fl. 676DF CARF MF Processo nº 11060.722686/201417 Acórdão n.º 1301002.175 S1C3T1 Fl. 677 13 há que se distinguir: a incidente sobre débitos dedutíveis – porque guarda a sua mesma natureza e de cujo valor constitui mera atualização – é dedutível; não o sendo, todavia, a incidente sobre débitos cuja dedução não é autorizada, como o imposto de renda, a contribuição de melhoria, o imposto sobre transferência da propriedade acrescido ao respectivo custo, as multas por infrações fiscais, tudo ex vi do art. 164 e seus parágrafos 1º, 2º, 3º e 4º, respectivamente. 9. As multas de mora, assim chamadas porque decorrentes de atrasos no pagamento de débitos fiscais, têm características de penalidades, não sendo, igualmente, dedutíveis, a exemplo das multas por infrações fiscais. (...) (Grifos consta no original) 10. O artigo 164 do RIR de 1966, com base no qual a Coordenação do Sistema de Tributação fundamentou seu entendimento, tem por base legal o artigo 50 da Lei nº 4.506, de 30 de novembro de 1964, in verbis: Art. 50. Somente serão dedutíveis como custo ou despesas os impostos, taxas e contribuições cobrados por pessoas jurídicas de direito público, ou por seus delegados, que sejam efetivamente pagos durante o exercício financeiro a que corresponderem, ressalvados os casos de reclamação ou de recurso, tempestivos, e os casos em que a firma o sociedade tenha crédito vencido contra entidades de direito público, inclusive empresas estatais, autarquias e sociedades de economia mista, em montante não inferior à quantia do imposto, taxa ou contribuição devida. § 1º. Não será dedutível o Imposto de Renda pago peIa empresa, qualquer que seja a modalidade de incidência. § 2º. As contribuições de melhoria não serão admitidas como despesas operacionais, devendo ser acrescidas ao custo de aquisição dos bens respectivos. § 3º. Os impostos incidentes sobre a transferência da propriedade de bens ou direitos, objeto de inversões, poderão ser considerados, a critério do contribuinte, como despesas operacionais ou como acréscimo do custo de aquisição dos mesmos bens ou direitos. (Grifo consta no original) 11. Portanto, o entendimento contido no Parecer CST nº 174, de 1974 – que admitiu a dedutibilidade das parcelas convencionadas do parcelamento que fossem recolhidas dentro do exercício financeiro em que se situavam os respectivos vencimentos, tendo em vista que no parcelamento a obrigação tributária era reajustada em seu aspecto temporal – decorre de regra não mais aplicável no ordenamento jurídico vigente. 12. Observese que, quanto aos encargos legais, o Parecer CST nº 174, de 1974, admitiu a dedutibilidade dos juros de juros de mora, por se tratar de compensação pelo atraso na liquidação de débitos, mas considerou indedutíveis as multas de mora em face de terem características de penalidade, a exemplo das multas por infrações fiscais. 13. A dedutibilidade de tributos e contribuições encontrase atualmente disciplinada pelo artigo 41 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995 (base legal do art. 344 do RIR de 1999), nos seguintes termos: Art. 41. Os tributos e contribuições são dedutíveis, na determinação do lucro real, segundo o regime de competência. Fl. 677DF CARF MF Processo nº 11060.722686/201417 Acórdão n.º 1301002.175 S1C3T1 Fl. 678 14 § 1º. O disposto neste artigo não se aplica aos tributos e contribuições cuja exigibilidade esteja suspensa, nos termos dos incisos II a IV do art. 151 da Lei nº5.172, de 25 de outubro de 1966, haja ou não depósito judicial. § 2º. Na determinação do lucro real, a pessoa jurídica não poderá deduzir como custo ou despesa o Imposto de Renda de que for sujeito passivo como contribuinte ou responsável em substituição ao contribuinte. (...) § 5º. Não são dedutíveis como custo ou despesas operacionais as multas por infrações fiscais, salvo as de natureza compensatória e as impostas por infrações de que não resultem falta ou insuficiência de pagamento de tributo. (...) (Grifo consta no original) 14. Logo, como atualmente os tributos e contribuições são dedutíveis, na determinação do lucro real, segundo o regime de competência, os débitos tributários (valor do principal) incluídos no PAES foram contabilizados como custo ou despesa operacional no período de ocorrência de seus fatos geradores. Sua dedutibilidade não está mais subordinada ao efetivo pagamento durante o exercício financeiro a que correspondia o vencimento do tributo, na forma anteriormente descrita no Parecer CST nº 174, de 1974. 15. Também ocorreu alteração em relação à dedutibilidade da multa de mora, pois o Parecer CST nº 174, de 1974, entendia que tal encargo era indedutível por ter características de penalidade, mas o § 5º do artigo 41 da Lei nº 8.981, de 1995, admitiu a sua dedução por ser multa compensatória pelo recolhimento espontâneo de tributo fora do prazo regulamentar. 16. Sobre o assunto, foi proferida a Solução de Divergência Cosit nº 6, de 30 de abril de 2012, cuja ementa transcrevese a seguir: DEDUTIBILIDADE. MULTA MORATÓRIA. REGIME DE COMPETÊNCIA. As multas moratórias por recolhimento espontâneo de tributo fora do prazo são dedutíveis como despesa operacional, na determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL, no período em que forem incorridas, de acordo com o regime de competência, todavia o disposto não se aplica aos tributos cuja exigibilidade esteja suspensa, à exceção do parcelamento e da moratória. (Grifo consta no original) 17. Contudo, considerando que no presente caso a despesa de R$ 4.978.308,72 decorre do restabelecimento da multa de mora incidente sobre os débitos incluídos no PAES e migrados para o REFIS da Crise, cujo percentual passou de 10% para 20%, concluise que constitui encargo, com base no regime de competência, do período de ocorrência do fato gerador dos tributos parcelados (períodos de apuração anteriores a 01/01/2005). 18. A interessada efetuou em 30/11/2009 a migração do PAES para o Parcelamento de que trata a Lei nº 11.941, de 2009, denominado REFIS da Crise. Para tanto, adotou o procedimento previsto no artigo 5º da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 6, de 22/07/2009, que dispõe que, computadas as Fl. 678DF CARF MF Processo nº 11060.722686/201417 Acórdão n.º 1301002.175 S1C3T1 Fl. 679 15 prestações pagas, os débitos que compõem os saldos remanescentes do Parcelamento Especial (PAES), dentre outros parcelamentos, serão restabelecidos à data da solicitação do novo parcelamento, com os acréscimos legais devidos na forma da legislação aplicável à época da ocorrência dos respectivos fatos geradores. 19. Como o § 7º do artigo 1º da Lei nº 10.684, de 2003, autorizou a redução de 50% nos valores correspondentes à multa, de mora ou de ofício, enquanto o artigo 12 desse diploma legal dispôs que a exclusão do parcelamento implica exigibilidade imediata da totalidade do crédito confessado e ainda não pago, restabelecendose, em relação ao montante não pago, os acréscimos legais na forma da legislação aplicável à época da ocorrência dos respectivos fatos geradores, a diferença de 10 pontos percentuais da multa de ofício restabelecida constitui encargo de períodos de apuração anteriores a 01/01/2005, já alcançados pela decadência em 31/12/2009, razão pela qual não pode afetar o resultado tributável do ano calendário de 2009, em análise. 20. Observese que as soluções de consulta da 7ª e 4ª Regiões Fiscais citadas pela embargante referemse a parcelamentos regularmente pagos, enquanto trata o presente caso de migração de um parcelamento para outro, com restabelecimento dos acréscimos legais na forma da legislação aplicável à época da ocorrência dos fatos geradores dos tributos parcelados. 21. Com relação à glosa da despesa de R$ 6.662.241,13 relativa à diferença entre as taxas de juros calculadas com base na variação da Selic e da TJLP, relativamente ao período de janeiro/2005 a novembro/2009, cabe reiterar que, em função do prazo decadencial, a interessada somente poderia considerar as despesas incorridas a partir de 01/01/2005 na apuração do resultado tributável do anocalendário de 2009. 22. Não tendo a interessada contestado, seja na fase impugnatória, seja nos embargos de declaração em análise, os cálculos efetuados pela autoridade fiscal que apontam que a diferença de juros de mora sobre débitos migrados do PAES e incluídos no parcelamento de que trata a Lei nº 11.941, de 2009, se refere a períodos de apuração anteriores a 01/01/2005, cabe considerar indedutível a despesa correspondente. 23. Dessa forma, não há como se acatar a dedutibilidade, no período de apuração encerrado em 31/12/2009, da despesa de R$ 11.640.549,85 com multa e juros de mora sobre débitos migrados do Parcelamento Especial PAES e recalculados na consolidação do parcelamento instituído pela Lei nº 11.941, de 2009 (REFIS da Crise). Desta forma, não acolho as razões da recorrente, mantendo a glosa de despesa com multas e Juros de Mora. Do lançamento decorrente. CSLL. Como se infere do relato, a exigência da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) decorre do lançamento levado a efeito na área do Imposto de Renda Pessoa Fl. 679DF CARF MF Processo nº 11060.722686/201417 Acórdão n.º 1301002.175 S1C3T1 Fl. 680 16 Jurídica e, especificamente, em razão das irregularidades apuradas pela autoridade fiscal lançadora mantida de forma parcial. Em observância ao princípio da decorrência, a solução dada ao litígio principal, relativo ao IRPJ, aplicase, no que couber, aos lançamentos decorrentes, quando não houver fatos ou argumentos a ensejar decisão diversa. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por DAR provimento PARCIAL ao recurso voluntário para afastar a infração de omissão de receita decorrente da utilização de prejuízos fiscais e bases negativas de CSLL. (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Fl. 680DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11176.000081/2007-37
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Dec 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2004 a 30/04/2005
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9202-004.883
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201612
camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/2004 a 30/04/2005 APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Recurso Especial do Procurador Provido.
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 11176.000081/2007-37
anomes_publicacao_s : 201702
conteudo_id_s : 5676649
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 9202-004.883
nome_arquivo_s : Decisao_11176000081200737.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
nome_arquivo_pdf_s : 11176000081200737_5676649.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
dt_sessao_tdt : Mon Dec 12 00:00:00 UTC 2016
id : 6642712
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:55:46 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048947541409792
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1666; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 2 1 1 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 11176.000081/200737 Recurso nº 1 Especial do Procurador Acórdão nº 9202004.883 – 2ª Turma Sessão de 12 de dezembro de 2016 Matéria RETROATIVIDADE BENIGNA, NATUREZA DA MULTA NOS LANÇAMENTOS PREVIDENCIÁRIOS ANTERIORES A MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI 11.941/2009 Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado MASIF ART. MEDICOS E HOSPITALARES LTDA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2004 a 30/04/2005 APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Recurso Especial do Procurador Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 17 6. 00 00 81 /2 00 7- 37 Fl. 314DF CARF MF Processo nº 11176.000081/200737 Acórdão n.º 9202004.883 CSRFT2 Fl. 0 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 10380.005876/200753. A divergência em exame reportase à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial requerendo que a retroatividade benigna fosse aplicada, essencialmente, pelos critérios constantes na Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Cientificado, o sujeito passivo não apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202004.792, de 12/12/2016, proferido no julgamento do processo 10380.005876/200753, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202004.792): O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Fl. 315DF CARF MF Processo nº 11176.000081/200737 Acórdão n.º 9202004.883 CSRFT2 Fl. 0 3 Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Fl. 316DF CARF MF Processo nº 11176.000081/200737 Acórdão n.º 9202004.883 CSRFT2 Fl. 0 4 Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): Fl. 317DF CARF MF Processo nº 11176.000081/200737 Acórdão n.º 9202004.883 CSRFT2 Fl. 0 5 Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. Fl. 318DF CARF MF Processo nº 11176.000081/200737 Acórdão n.º 9202004.883 CSRFT2 Fl. 0 6 § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há Fl. 319DF CARF MF Processo nº 11176.000081/200737 Acórdão n.º 9202004.883 CSRFT2 Fl. 0 7 que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Fl. 320DF CARF MF Processo nº 11176.000081/200737 Acórdão n.º 9202004.883 CSRFT2 Fl. 0 8 Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou Fl. 321DF CARF MF Processo nº 11176.000081/200737 Acórdão n.º 9202004.883 CSRFT2 Fl. 0 9 II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Fl. 322DF CARF MF Processo nº 11176.000081/200737 Acórdão n.º 9202004.883 CSRFT2 Fl. 0 10 Em face ao exposto, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Em face do acima exposto, voto por conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 323DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10675.907654/2009-23
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Mar 16 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 03 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2006
ESTIMATIVA. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE.
Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação (Súmula CARF nº 84).
Numero da decisão: 9101-002.636
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento, com retorno dos autos à Unidade de origem para verificação da certeza e liquidez do crédito tributário.
[assinado digitalmente]
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201703
camara_s : 1ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2006 ESTIMATIVA. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação (Súmula CARF nº 84).
turma_s : 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Wed May 03 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10675.907654/2009-23
anomes_publicacao_s : 201705
conteudo_id_s : 5716169
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed May 03 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 9101-002.636
nome_arquivo_s : Decisao_10675907654200923.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
nome_arquivo_pdf_s : 10675907654200923_5716169.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento, com retorno dos autos à Unidade de origem para verificação da certeza e liquidez do crédito tributário. [assinado digitalmente] Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto.
dt_sessao_tdt : Thu Mar 16 00:00:00 UTC 2017
id : 6739687
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:59:02 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048947556089856
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1597; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT1 Fl. 2 1 1 CSRFT1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10675.907654/200923 Recurso nº 1 Especial do Procurador Acórdão nº 9101002.636 – 1ª Turma Sessão de 16 de março de 2017 Matéria IRPJ PER/DCOMP Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado E S REFLORESTAMENTO LTDA ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006 ESTIMATIVA. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação (Súmula CARF nº 84). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negarlhe provimento, com retorno dos autos à Unidade de origem para verificação da certeza e liquidez do crédito tributário. [assinado digitalmente] Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório Tratase de Recurso Especial apresentado pela Fazenda Nacional contra o Acórdão nº 180100.922, que julgou o recurso voluntário interposto pela contribuinte acerca da possibilidade de compensação de créditos de pagamentos de estimativas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 90 76 54 /2 00 9- 23 Fl. 120DF CARF MF Processo nº 10675.907654/200923 Acórdão n.º 9101002.636 CSRFT1 Fl. 3 2 O Acórdão recorrido deu provimento parcial ao recurso voluntário para afastar o argumento jurídico da não homologação, entendendo ser possível a compensação de créditos de pagamentos de estimativas. Em seguida, para comprovar a divergência de interpretação necessária ao conhecimento do seu recurso, a Fazenda Nacional interpôs o presente recurso especial de divergência, por entender que a decisão de reconhecer a possibilidade de compensação do valor indevidamente pago, ou pago a maior, de estimativa é fruto de interpretação da legislação tributária que conflita com a interpretação adotada no acórdão paradigma colacionado aos autos. O recurso foi admitido por meio do despacho do Presidente da Câmara. Após, sobrevieram contrarrazões em que o sujeito passivo defende o acerto da decisão questionada e pugna pela sua manutenção. É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9101002.610, de 16/03/2017, proferido no julgamento do processo 10280.900603/200912, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9101002.610): O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele tomo conhecimento, na forma como foi admitido. O contribuinte apresentou DCOMP apontando indébito oriundo de pagamento a maior de estimativa. Ao apreciar a referida declaração, a Receita Federal não homologou a compensação, sob o fundamento de que o pagamento de estimativa não é passível de compensação, devendo compor a apuração anual do tributo. A decisão recorrida foi no sentido oposto, reconhecendo o direito de o contribuinte compensar o indébito de estimativa, devolvendo os autos para a unidade de origem, para verificação da certeza e liquidez do crédito tributário pleiteado, vez que essa matéria ainda não sofreu apreciação pela Administração Tributária. O recurso especial veio para que esta Câmara Superior reforme a decisão recorrida, restabelecendo a declaração de impossibilidade de o contribuinte compensar crédito de estimativa, nos termos da legislação infralegal então em vigor. Fl. 121DF CARF MF Processo nº 10675.907654/200923 Acórdão n.º 9101002.636 CSRFT1 Fl. 4 3 Todavia, a IN RFB nº 900, de 2008, retirou a referida proibição do ordenamento tributário e é pacífico na jurisprudência administrativa o entendimento de que seus efeitos devem retroagir para alcançar as compensações pendentes de decisão administrativa. Esse entendimento é adotado pela própria Administração Tributária, exteriorizado por meio da Solução de Consulta Interna Cosit n° 19, de 05/12/2011, assim ementada: ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. O art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicandose, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1º de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa. Caracterizase como indébito de estimativa inclusive o pagamento a maior ou indevido efetuado a este título após o encerramento do período de apuração, seja pela quitação do débito de estimativa de dezembro dentro do prazo de vencimento, seja pelo pagamento em atraso da estimativa devida referente a qualquer mês do período, realizado em ano posterior ao do período da estimativa apurada, mesmo na hipótese de a restituição ter sido solicitada ou a compensação declarada na vigência das IN SRF nº 460, de 2004, e IN SRF nº 600, de 2005. A nova interpretação dada pelo art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, aplicase inclusive aos PER/DCOMP retificadores apresentados a partir de 1º de janeiro de 2009, relativos a PER/DCOMP originais transmitidos durante o período de vigência da IN SRF nº 460, de 2004, e IN SRF nº 600, de 2005, desde que estes se encontrem pendentes de decisão administrativa. No âmbito deste Tribunal Administrativo, a matéria foi pacificada por meio da Súmula CARF nº 84: Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Por todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso especial da Procuradoria, com retorno dos autos à unidade de origem para verificação da certeza e liquidez do crédito tributário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, conheço do recurso especial da Fazenda Nacional, e, no mérito, negolhe provimento, com retorno dos autos à unidade de origem para verificação da certeza e liquidez do crédito tributário. assinado digitalmente Fl. 122DF CARF MF Processo nº 10675.907654/200923 Acórdão n.º 9101002.636 CSRFT1 Fl. 5 4 Carlos Alberto Freitas Barreto Fl. 123DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10510.003778/2009-11
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 04 00:00:00 UTC 2011
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006, 2007
EXCLUSÃO DE OFÍCIO.SIMPLES FEDERAL.
A prática reiterada de infrações à legislação autoriza a exclusão de oficio da microempresa do Simples Federal.
EXCLUSÃO DE OFÍCIO.SIMPLES NACIONAL.
A prática reiterada de infrações à legislação, bem como a falta de apresentação do Livro Caixa, autorizam a exclusão de oficio da
microempresa do Simples Nacional EXCLUSÃO DE OFÍCIO. EFEITOS.
Na hipótese de prática reiterada de infrações à legislação, a exclusão produzirá efeitos a partir, inclusive, do mês de ocorrência de qualquer dos fatos motivadores da exclusão.
Numero da decisão: 1803-001.029
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: Selene Ferreira de Moraes
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201110
ementa_s : SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Ano-calendário: 2004, 2005, 2006, 2007 EXCLUSÃO DE OFÍCIO.SIMPLES FEDERAL. A prática reiterada de infrações à legislação autoriza a exclusão de oficio da microempresa do Simples Federal. EXCLUSÃO DE OFÍCIO.SIMPLES NACIONAL. A prática reiterada de infrações à legislação, bem como a falta de apresentação do Livro Caixa, autorizam a exclusão de oficio da microempresa do Simples Nacional EXCLUSÃO DE OFÍCIO. EFEITOS. Na hipótese de prática reiterada de infrações à legislação, a exclusão produzirá efeitos a partir, inclusive, do mês de ocorrência de qualquer dos fatos motivadores da exclusão.
turma_s : Terceira Turma Especial da Primeira Seção
numero_processo_s : 10510.003778/2009-11
conteudo_id_s : 5708188
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Apr 07 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 1803-001.029
nome_arquivo_s : Decisao_10510003778200911.pdf
nome_relator_s : Selene Ferreira de Moraes
nome_arquivo_pdf_s : 10510003778200911_5708188.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
dt_sessao_tdt : Tue Oct 04 00:00:00 UTC 2011
id : 6704581
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:58:09 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048947570769920
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1785; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE03 Fl. 487 1 486 S1TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10510.003778/200911 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 180301.029 – 3ª Turma Especial Sessão de 4 de outubro de 2011 Matéria SIMPLES Recorrente JJ TRANSPORTE IND. E COMERCIO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007 EXCLUSÃO DE OFÍCIO.SIMPLES FEDERAL. A prática reiterada de infrações à legislação autoriza a exclusão de oficio da microempresa do Simples Federal. EXCLUSÃO DE OFÍCIO.SIMPLES NACIONAL. A prática reiterada de infrações à legislação, bem como a falta de apresentação do Livro Caixa, autorizam a exclusão de oficio da microempresa do Simples Nacional EXCLUSÃO DE OFÍCIO. EFEITOS. Na hipótese de prática reiterada de infrações à legislação, a exclusão produzirá efeitos a partir, inclusive, do mês de ocorrência de qualquer dos fatos motivadores da exclusão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes – Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Sérgio Rodrigues Mendes, Meigan Sack Rodrigues, Selene Ferreira de Moraes. Fl. 563DF CARF MF Emitido em 27/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/10/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 27/10 /2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10510.003778/200911 Acórdão n.º 180301.029 S1TE03 Fl. 488 2 Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto o relato do órgão julgador de primeira instância até aquela fase: “Trata o processo em questão de exclusão da Contribuinte acima identificada do Simples Federal e do Simples Nacional, bem como de Autos de Infração referentes aos anoscalendário de 2004, 2005, 2006 e 2007, de Imposto de Renda Pessoa Jurídica — IRPJ, As fls. 376 a 383, no valor de R$14.598,86 (quatorze mil, quinhentos e noventa e oito reais e oitenta e seis centavos); de Contribuição para o Programa de Integração Social —PIS, As fls. 384 a 392, no valor de R$6.589,50 (seis mil, quinhentos e oitenta e nove reais e cinquenta centavos); de Contribuição Social sobre o Lucro Liquido — CSLL, as fls. 393 a 399, no valor de R$10.949,13 (dez mil, novecentos e quarenta e nove reais e treze centavos); e de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social — COFINS, as fls. 403 a 411, no valor de R$30.414,32 (trinta mil, quatrocentos e quatorze reais e trinta e dois centavos), acrescidos da multa de oficio qualificada, no percentual de 150%, e de juros de mora. 0 Auto de Infração de IRPJ foi proveniente de arbitramento do lucro da pessoa jurídica desenquadrada do regime do Simples, nos quatro trimestres dos anoscalendário de 2004 a 2007, com base no art. 530, inciso II, do RIR/1999, tendo em vista que a escrituração mantida pelo contribuinte possui erros e falhas que a tornam imprestável para a determinação do lucro real. 0 lucro arbitrado foi calculado a partir de: 1) receita de transporte omitida, apurada conforme os demonstrativos "Relação de Notas Fiscais 2006 e 2007" e "Consolidação mensal de Notas Fiscais", em anexo. 0 enquadramento legal aponta os arts. 532 e 537 do RIR/1999. 2) receita omitida oriunda de depósitos bancários de origem não comprovada, conforme "Relatório de Fiscalização", "Tabelas de Lançamentos a Crédito" e demonstrativo "Consolidação de Lançamentos a Crédito", em anexo. 0 enquadramento legal aponta os arts. 27, inciso I, e 42 da Lei n° 9.430, de 1996, e arts. 532 e 537 do RIR/1999. Os Autos de Infração relativos `a CSLL, ao PIS e à COFINS decorreram do Auto de Infração de IRPJ. 0 enquadramento legal do Auto de CSLL aponta infração aos arts.2° e §§ da Lei n° 7.689, de 1988; art. 24 da Lei n° 9.249, de 1995; art. 29 da Lei no 9.430, de 1996; e art. 37 da Lei n° 10.637, de 2002. 0 enquadramento legal do Auto de PIS aponta infração aos arts. Fl. 564DF CARF MF Emitido em 27/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/10/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 27/10 /2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10510.003778/200911 Acórdão n.º 180301.029 S1TE03 Fl. 489 3 1° e 3° da Lei Complementar n° 07, de 1970; art. 24, § 2°, da Lei n° 9.249, de 1995; e arts. 2°, inciso I, alínea "a", e parágrafo único, 3°, 10, 22, 51 e 91 do Decreto n° 4.524, de 2002. No Auto da COFINS, o enquadramento legal aponta infração ao art. 2°, inciso II e parágrafo único, 3°, 10, 22, 51 e 91 do Decreto n° 4.524, de 2002. No Relatório de Fiscalização, As fls. 412 e 413, o Autuante declara, em síntese, que: — a fiscalização foi iniciada na pessoa fisica da contribuinte Maria Aparecida Mota Santos, CPF n° 887.914.91568, para verificação de sua movimentação financeira incompatível, nos anos de 2004 a 2007. Após a apresentação, sob intimação, dos extratos bancários, a contribuinte foi instada a justificar cada lançamento a crédito nas contas mantidas no Banese, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal. Em resposta, a pessoa fisica alegou que tais créditos decorriam de sua atividade de empresária no ramo de transporte de cargas, mas comprovou apenas um dos lançamentos a crédito, no valor de aproximadamente 135 mil reais, referente à indenização de sinistro de um caminhão de sua propriedade; — posteriormente, apresentou cópias do contrato social e alterações da sociedade JJ Transporte Ind. e Com. Ltda, datada de 20/01/2004, registro JUCESE em 05/05/2004 e Ficha de Inscrição Cadastral na SEFAZ — SE em 17/06/2004. Segundo a 3ª alteração cadastral, de 11/11/2008, compõem o quadro societário Maria Aparecida Mota Santos e sua filha, menor, nascida em 01/08/1992, Joana Angélica Mota Montalvão Costa; — diante da insuficiência da resposta quanto aos demais lançamentos a crédito, a contribuinte foi reintimada em 07/07/2009, respondendo que, majoritariamente, os créditos referemse ao pagamento por fretes realizados e anexando diversos Contratos de Transporte de Carga daquela empresa, com datas de 2004 a 2006. Para uns poucos créditos, informou decorrerem de depósitos efetuados por seu genitor, pelo ressarcimento do Plano de Saúde Cassi, enquanto para outros declarou serem de empréstimo pessoal, embora não comprove tais alegações. Aponta ainda a existência de créditos referentes ao pagamento de salários, anexando Comprovante de rendimentos da Prefeitura de Itabaianinha; — na declaração de bens de Maria Aparecida, conforme DIRPF/2005, anocalendário 2004, consta a propriedade de diversos caminhões; na DIRPF/2006 constam dois caminhões; e na DIRPF/2007 consta um caminhão. Assim, foi encerrada a fiscalização na pessoa fisica de Maria Aparecida e aberta fiscalização na empresa "JJ Transportes", optante do Simples para os anos fiscalizados (2004 a 2007); — em 16/09/2009, a pessoa jurídica foi intimada a apresentar os Livros Caixa, Apuração de ISS, Diário, Razão, LALUR e demonstrativos contábeis, e demonstrar quais lançamentos a créditos na conta da sócia Maria Aparecida foram devidamente Fl. 565DF CARF MF Emitido em 27/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/10/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 27/10 /2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10510.003778/200911 Acórdão n.º 180301.029 S1TE03 Fl. 490 4 escriturados. Em resposta apresentou o Diário, o Razão e talões de notas fiscais, não apontando nenhuma relação entre os créditos bancários nas contas de Maria Aparecida e a escrituração das receitas auferidas pela "JJ Transportes". A se considerar tais créditos como receitas provenientes das operações da empresa, essas receitas teriam sido todas omitidas; — o Livro Caixa, de escrituração obrigatória para o regime do Simples, não foi apresentado, e nem os demonstrativos contábeis e fiscais que tenham apurado o lucro da empresa. No Diário no 01, referente ao ano de 2004, vêse a integralização do capital social de 10 mil reais, em 05/05/2004, despesas da ordem de 7 mil reais e um faturamento anual de 512 reais, faturamento este igualmente constante da ficha 04A da DIPJ/2005 da referida empresa, apresentada em 12/04/2005. Os livros Diário n° 02 e Razão n° 02, do ano de 2005, não apresentam qualquer movimentação. 0 Razão n° 03, referente a 2006, apresenta saldo credor de caixa no mês de junho, quando começou a ser escriturado, no valor de R$24.190,68, saldo esse que aumentou até o mês de novembro, chegando a R$96.579,83, quando registrou o ingresso de R$110.000,00, referente à venda de um ativo imobilizado. Não há, porém, qualquer registro anterior de aquisição de bens e nem conta de ativo imobilizado. Não houve também ampliação do capital social e a receita bruta seria menor que um terço das despesas. 0 Razão n° 04, referente a 2007, registra uma receita bruta de serviços no valor anual de R$141.533,76; — conforme os talonários apresentados, as notas fiscais estão relacionadas em demonstrativo anexo aos Autos de Infração, sendo a primeira nota emitida em 30/06/2006. No demonstrativo, vêse que o somatório anual é de R$19.350,00 e R$153.360,81, para os anos de 2006 e 2007, respectivamente. Já a movimentação financeira da empresa em DCPMF, nos mesmos anos, corresponde a R$69.172,89 e R$310.135,84. Não se comprovando a relação entre os lançamentos a crédito na conta pessoal da proprietária com a conta corrente da empresa, e sendo a movimentação própria da empresa (em DCPMF) suficiente para suportar o montante das notas fiscais, é de se considerar os lançamentos a crédito na conta corrente de Maria Aparecida como omissão de receita da pessoa jurídica. Portanto, o somatório das notas fiscais integra o faturatnento bruto da empresa juntamente com os créditos não justificados; — em seguida apresenta uma tabela contendo os valores das receitas registradas em cada documento, declaração ou livro, deixando evidente que os valores constantes dos livros da empresa não refletem a realidade, sendo, pois, desconsiderados. Ante a incompatibilidade da movimentação financeira da pessoa fisica com os rendimentos comprovados; A comprovação da atividade da empresa desde o ano de 2004, pelos conhecimentos de cargas apresentados; A constituição da empresa desde janeiro de 2004; A confusão entre a personalidade da pessoa jurídica com a pessoa fisica de sua proprietária, propriedade Fl. 566DF CARF MF Emitido em 27/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/10/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 27/10 /2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10510.003778/200911 Acórdão n.º 180301.029 S1TE03 Fl. 491 5 declarada, desde a DIRPF/2005, de veículos de transporte de carga, enquanto a empresa não os possuía; e finalmente a declaração da própria Maria Aparecida de que os créditos nas contas correntes, em sua maior parte decorriam de sua atividade empresarial, foram lavrados os Autos de Infração para constituir o crédito tributário decorrente das omissões de receita verificadas na pessoa jurídica; — vêse que a empresária, apesar de ter empresa constituída, movimentava os expressivos recursos da atividade em sua conta pessoal e apresentava DIPJ em valores muito inferiores ao faturamento. Também não declarava tais rendimentos na DIRPF, sendo que seus rendimentos declarados como pessoa fisica são insignificantes em relação àqueles. Pela conduta da empresária, notase que não se trata de simples erro por imperícia ou erro escusável, mas configurase a prática de "caixa 2", com evidente intuito de sonegação fiscal, motivo pelo qual é aplicada a multa de oficio de 150% sobre o valor dos tributos; — por todo o exposto, foi a empresa excluída dos regimes de tributação do Simples Federal e do Simples Nacional, conforme Ato Declaratório ao qual se dará ciência ao mesmo tempo dos Autos de Infração, e arbitrado o lucro da atividade de transporte de cargas. Dos valores a crédito relacionados nas planilhas anexas, foram retirados aqueles justificados, como indenização de sinistro, proventos salariais e resgate de título de capitalização. Todos os demais foram considerados omissão de receita da pessoa jurídica, conforme o demonstrativo Consolidação de Lançamentos a Crédito, elaborado a partir das tabelas com os créditos remanescentes não comprovados, todos anexos ao presente relatório e parte integrante dos Autos de Infração. As fls. 430 a 434, a pessoa jurídica apresentou manifestação de inconformidade, alegando, em resumo, que: • tendo sido desenquadrada do Simples Nacional, através do Ato Declaratório Executivo n° 39, de 13/11/2009, vem esclarecer e ao final requerer o que segue: a)a empresa aderiu ao Simples Nacional em 01/07/2007; b) a requerente sempre pagou seus tributos em dias, conforme certidão em anexo; c) a empresa sofreu autuação indevidamente, pois a omissão de receita não foi da requerente, e sim de sua sócia pessoa física; d) os débitos levantados pelo Auditorfiscal referemse ao período de 2004 a 2007; e) para evitar maiores transtornos, aderiu ao parcelamento, de acordo com a Lei n° 11.941/2009; f) enfatizamos que os valores objeto do auto de infração são de exclusiva responsabilidade de uma de suas sócias, Sra. Maria Aparecida Mota Santos; • prejudicar uma microempresa que ampara diversos trabalhadores, quando o auto de infração deveria recair sobre a pessoa física da sócia é ir pelo caminho mais simples e mais fácil. 0 fundamento utilizado pela Receita Federal é que a Lei Fl. 567DF CARF MF Emitido em 27/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/10/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 27/10 /2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10510.003778/200911 Acórdão n.º 180301.029 S1TE03 Fl. 492 6 Complementar n° 123/2006, art. 17, inciso V, prevê como requisito para ingresso ou permanência no regime diferenciado a regularidade fiscal, ou seja, que não haja débitos tributários para com o INSS ou perante as Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal. E um fundamento aceitável do ponto de vista da vinculação da atividade administrativa exercida pelos agentes do fisco, mas totalmente inaceitável se analisado o Sistema Constitucional Tributário e Econômico; • dizemos isso porque a interpretação dos dispositivos legais deve sempre levar em conta o fato de que eles pertencem a um sistema jurídico maior e mais complexo do que a lei em si que integram. 0 art. 17, V, da Lei Complementar 123/2006 está em descompasso com o Capitulo da Ordem Econômica da Constituição Federal. Nesse capitulo, mais especificamente no art. 179, está previsto que a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios dispensarão às microempresas e às empresas de pequeno porte, assim definidas em lei, tratamento jurídico diferenciado. A exigência de quitação tributária para incluir no sistema tributário diferenciado as micro e pequenas empresa, ou sej a, para conceder um direito que lhes foi garantido constitucionalmente, configurase num abuso, já que se utiliza da via indireta para cobrar tributos; • em vista disso, não podem as empresas resignarse ante as possíveis intimações de Desenquadramento do Simples Nacional, correndo riscos de fecharem as portas se passarem a trabalhar com as pesadas cargas que lhes impõe a modalidade geral. Além disso, convém lembrar que a requerente não cometeu nenhuma sonegação, pois o fruto da autuação deveuse à movimentação bancária de uma de suas sócias. Ainda mais, retroagiu ao inicio das atividades da empresa. Se fosse o caso, o que não o é, de a empresa ser excluída do Simples Nacional, seus efeitos deveriam ser a partir de novembro de 2009, e não de 2004, como cita o Ato Declaratório Executivo; • diante do exposto, vem requerer: 1) o cancelamento do Ato Declaratório Executivo n° 39, de 13/11/2009; 2) o reenquadramento imediato da requerente ao Simples Nacional, retornando seus direitos como tal desde sua constituição. Juntamente com a impugnação a Interessada trouxe aos autos os documentos de fls. 435 a 438.” A Delegacia de Julgamento considerou o lançamento procedente e a manifestação de inconformidade improcedente, em decisão assim ementada (fls. 447/452 – vol. III): “ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. 0 afastamento da aplicabilidade de lei ou de ato normativo, pelos órgãos judicantes da Administração Fazenddria, está necessariamente condicionado à existência de decisão definitiva Fl. 568DF CARF MF Emitido em 27/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/10/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 27/10 /2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10510.003778/200911 Acórdão n.º 180301.029 S1TE03 Fl. 493 7 do Supremo Tribunal Federal declarando sua inconstitucionalidade. EXCLUSÃO DE OFÍCIO. A prática reiterada de infrações à legislação autoriza a exclusão de oficio da microempresa do Simples Federal. EXCLUSÃO DE OFÍCIO. EFEITOS. A prática reiterada de infrações à legislação, bem como a falta de apresentação do Livro Caixa, autorizam a exclusão de oficio da microempresa do Simples Nacional, produzindo efeitos a partir do mês da ocorrência de qualquer dos fatos motivadores da exclusão. ARBITRAMENTO DO LUCRO. VÍCIOS E FALHAS NA ESCRITA. Procede o arbitramento do lucro da pessoa jurídica, quando se verifica que sua escrituração apresenta erros e falhas que impossibilitam a determinação do lucro real. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Caracterizam omissão de receitas os valores creditados em contas correntes mantidas junto a instituições financeiras, em relação aos quais a titular, regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. LANÇAMENTOS DECORRENTES. Confirmada, quando da apreciação do lançamento principal, a ocorrência dos fatos geradores que deram causa aos lançamentos decorrentes, há que ser dado a estes igual entendimento.” Contra a decisão, interpôs a contribuinte o presente Recurso Voluntário, em que, além de reiterar as alegações contidas na impugnação, acrescenta as seguintes considerações: a) O Senhor Auditor Fiscal Federal procurou o caminho mais simples, autuou a empresa da sócia, pois não encontrou base legal para autuála, já que a mesma tinha rendimentos e dinheiro em caixa suficiente para cobrir sua movimentação financeira que foi detectada pelo mesmo. É o relatório. Voto Fl. 569DF CARF MF Emitido em 27/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/10/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 27/10 /2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10510.003778/200911 Acórdão n.º 180301.029 S1TE03 Fl. 494 8 Conselheira Selene Ferreira de Moraes A contribuinte foi cientificada por via postal, tendo recebido a intimação em 30/04/2010 (AR de fls. 461). O recurso foi protocolado em 22/05/2010, logo, é tempestivo e deve ser conhecido. A recorrente limitase a repisar os argumentos explicitados na impugnação: (i) a afirmação de que a autuação na pessoa jurídica é indevida, porque a movimentação financeira é da sócia; (ii) o descompasso do art. 17, V, da Lei Complementar n° 123/2006 com a Constituição Federal; (iii) o questionamento dos efeitos do ato declaratório. Preliminarmente cumpre observar que não consta dos autos nenhuma prova de adesão ao parcelamento previsto na Lei n° 11.941/2009. Nos termos do extrato do processo de fls. 454/459, os créditos tributários lançados encontravamse na situação “ciência – julgamento impugnação”, ou seja, foram suspensos nos termos do art. 151, inciso III, do Código Tributário Nacional. Logo, deverão ser analisadas todos as razões apresentadas no recurso. O lançamento na pessoa jurídica foi efetuado com base nas declarações da própria recorrente, que prestou as seguintes informações (fls. 216/218): • O valor de R$ 135.159,61, lançado no dia 14/07/2004, foi urna TED— feita pela Sul América Seguros, por indenização ao sinistro ocorrido com nosso caminhão Mercedes Benz, mod. L1620851, modelo 2004, conforme consta em nossa declaração de ajuste ano do exercício de 2005, anobase 2004. • Os demais depósitos ocorridos no ano de 2004 e nos anos de 2005, 2006 e 2007, foram oriundos de sua atividade. Os depósitos são decorrentes do frete e na maioria das vezes do valor das mercadorias entregues. Para ter a preferência pelo transportes dos blocos produzidos na região, agenciava a venda dos blocos para terceiros, tendo como recompensa, a preferência pelo frete dos mesmos. Recebia o dinheiro dos blocos e o repassava às cerâmicas. Posteriormente foram apresentados à fiscalização novos documentos, os quais levaram à exclusão da tributação dos créditos relativos a indenização de sinistro, a proventos salariais e a título de capitalização, ou seja, todos os valores que comprovadamente pertenciam à pessoa física. Os demais créditos na conta da pessoa física foram atribuídos à pessoa jurídica em razão das informações prestadas pela própria recorrente. A tabela constante do relatório fiscal ilustra com precisão o total das notas fiscais emitidas, a receita bruta declarada e escriturada pela pessoa jurídica, e a movimentação financeira nas contascorrentes da pessoa física: Ano Total em Notas Fiscais Movimentação Financeira da JJ Transportes em DCPMF Receita Bruta em DIPJ da JJ Transportes Receita Escriturada no Razão Rendimentos em DIRF de Maria Aparecida Lançamentos a crédito, não justificados, na contacorrente P.Fisica, considerada omissão de Fl. 570DF CARF MF Emitido em 27/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/10/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 27/10 /2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10510.003778/200911 Acórdão n.º 180301.029 S1TE03 Fl. 495 9 receita da JJ Transportes 2004 0,00 626,28 512,00 512,00 0,00 178.726,78 2005 0,00 1.439,42 0,00 0,00 17.100,00 163.250,33 2006 19.350,00 69.172,89 18.576,00 18.576,00 16.200,00 305.755,31 2007 153.360,81 310.135,84 141.593,76 141.533,76 16.200,00 193.374,76 A análise desta tabela deixa claro que a movimentação financeira da empresa é muito superior aos valores declarados na DIPJ, restando comprovada a omissão de receitas. A fiscalização efetuou o lançamento na pessoa jurídica com base nos elementos de prova coligidos durante todo o procedimento fiscal, ao passo que a contribuinte limitouse a afirmar que o lançamento é indevido porque a movimentação financeira é da pessoa física, contrariando a afirmação anterior, sem anexar aos autos qualquer documentação hábil a demonstrar sua nova afirmação. Por conseguinte não há reparos a fazer na decisão recorrida neste tópico. Quanto à alegação de que o art. 17, inciso V, da Lei Complementar n° 126/2006 é inconstitucional, deve primeiro ser salientado, que a exclusão do Simples Federal e do Simples Nacional não foi efetuada com base neste dispositivo legal, mas com fulcro nos artigos 12, 14, inciso V e 15, inciso V, §3°, da Lei n° 9.317/1996 (Simples Federal) e no art. 29, incisos V e VIII, §1°, da Lei Complementar 123/2006, a seguir reproduzidos: “Art. 14. A exclusão darseá de ofício quando a pessoa jurídica incorrer em quaisquer das seguintes hipóteses: (...) V prática reiterada de infração à legislação tributária;” “Art.29. A exclusão de ofício das empresas optantes pelo Simples Nacional darseá quando: (...) Vtiver sido constatada prática reiterada de infração ao disposto nesta Lei Complementar; (...) VIIIhouver falta de escrituração do livrocaixa ou não permitir a identificação da movimentação financeira, inclusive bancária; §1º Nas hipóteses previstas nos incisos II a XII do caput deste artigo, a exclusão produzirá efeitos a partir do próprio mês em que incorridas, impedindo a opção pelo regime diferenciado e favorecido desta Lei Complementar pelos próximos 3 (três)anos calendário seguintes.” Fl. 571DF CARF MF Emitido em 27/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/10/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 27/10 /2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10510.003778/200911 Acórdão n.º 180301.029 S1TE03 Fl. 496 10 As provas coligidas aos autos demonstram claramente a prática reiterada de infração à legislação tributária, estando correta a exclusão efetuada pela autoridade administrativa. A escrituração contábil apresenta vários vícios e não registra a movimentação bancária da recorrente. Quanto às demais alegações, tecidas na fase impugnatória e simplesmente repetidas na fase recursal, basta reproduzirmos o teor da decisão de primeira instância, que rejeitouas adequadamente: “Quanto à alegada inconstitucionalidade, os órgãos judicantes, integrantes da estrutura básica do Ministério da Fazenda, devem verificar a conformidade dos procedimentos administrativos relacionados aos processos de exigência de créditos tributários, referentes a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), com as normas legais vigentes. No desempenho de suas funções, as Delegacias de Julgamento da RFB carecem de competência para pronunciarse a respeito de conformidade de lei ou ato normativo com preceitos emanados da Constituição Federal, por ser matéria reservada exclusivamente ao Poder Judiciário, também por força de dispositivo constitucional. Logo, não podem os órgãos julgadores afastar a aplicação de lei cuja inconstitucionalidade não tenha sido declarada em decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal. A Impugnante era optante do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresa e das Empresas de Pequeno Porte — Simples Federal, regulado pela Lei n° 9.317, de 05/12/1996, desde sua constituição, na condição de microempresa, em 05/05/2004. Posteriormente, após a edição da Lei Complementar n° 123, de 14/12/2006, migrou para o Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte — Simples Nacional, a partir de 01/07/2007. Como descrito no Relatório de Fiscalização, verificouse que a Autuada cometeu uma série de irregularidades, caracterizando a prática reiterada de infração legislação, razão pela qual foi desenquadrada do Simples Federal, por força do artigo 14, inciso V, da Lei n° 9.317, de 1996. Entre as irregularidades apontadas, destacamse: a) embora a empresa tenha sido constituída em maio de 2004, grande parte das receitas auferidas entre 2004 e 2007, em função de sua atividade de transporte de cargas, eram movimentadas, desde o mês de janeiro de 2004, por meio das contas bancárias da sócia e administradora, Sra. Maria Aparecida Mota Santos, que reconhece tal fato, conforme resposta a termo de intimação, As fls. 216 a 218; b) a sócia apresentou as planilhas de fls. 245 a 259, por meio das quais buscou justificar os créditos constantes de seus extratos bancários, contendo a informação de que a maior parte Fl. 572DF CARF MF Emitido em 27/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/10/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 27/10 /2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10510.003778/200911 Acórdão n.º 180301.029 S1TE03 Fl. 497 11 desses créditos seria oriunda de "frete da transportadora", bem como Contratos de Transporte de Cargas, As fls. 264 a 289, efetuados entre 2004 e 2006, ainda que a primeira nota fiscal emitida (fl. 63) seja datada de 30/06/2006; c) os valores constantes dos referidos Contratos não conferem com nenhuma das notas fiscais e também não correspondem ao escriturado nos livros contábeis e nem aos montantes registrados nas declarações simplificadas PJ — Simples, sendo esses bastante inferiores aos créditos bancários. Tais valores também não constam das DIRPF da representante legal da empresa, que informava rendimentos insignificantes; d) nas declarações de bens integrantes das DIRPF da referida sócia, relativas aos anoscalendário de 2004 a 2006, constam a propriedade de alguns caminhões, com os quais a pessoa jurídica exercia sua atividade de transporte de cargas, enquanto a empresa autuada não possuía qualquer veiculo dessa natureza, consoante análise das respectivas DIPJ; e) enquanto os créditos nas contas bancárias da sócia Maria Aparecida, em 2004, remontam a R$154.129,92 (apenas aqueles admitidos pela própria sócia como sendo faturamento da pessoa jurídica), a DIPJ correspondente aponta um faturamento de R$512,00, coincidente com o valor escriturado no Diário no 01 e no Razão n° 01. No ano de 2005, os créditos bancários da sócia alcançam o montante de R$149.267,88, porém, o Diário n° 02, o Razão n° 02 e a respectiva DIPJ não apresentam qualquer movimentação financeira no período.Em 2006, enquanto os créditos bancários admitidos pela sócia chegam a R$289.565,31, o Razão n° 03 e a DIPJ mostram uma receita de R$18.576,00. Já no ano de 2007, foram admitidos como faturamento da empresa R$151.559,72, embora tenha sido escriturada no Razão n° 04 e declarada na DIPJ uma receita bruta de R$141.533,76; f) o Razão n° 03, concernente a 2006, encontrase escriturado somente a partir de junho de 2006, vindo a apresentar saldo credor de caixa desde este mês até o mês de novembro, quando há o registro do ingresso de um valor relativo à venda de um ativo imobilizado, cuja aquisição não está escriturada, sendo que sequer existe, no Razão, qualquer conta de ativo imobilizado; g) como a movimentação financeira própria da pessoa jurídica, conforme DCPMF, foi suficiente para suportar o montante das notas fiscais, considerase os lançamentos a crédito, não comprovados, nas contas bancárias da sócia Maria Aparecida, como sendo receitas omitidas da pessoa jurídica, e o faturamento bruto da empresa como a soma dessas receitas com aquelas correspondentes as notas fiscais emitidas; h) assim, a escrituração apresentada pela empresa foi desclassificada, tendo em vista não espelhar a realidade dos fatos. Fl. 573DF CARF MF Emitido em 27/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/10/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 27/10 /2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10510.003778/200911 Acórdão n.º 180301.029 S1TE03 Fl. 498 12 No caso do Simples Nacional, a exclusão se deu não apenas pela mesma razão que deu causa ao desenquadramento do Simples Federal, qual seja, a prática reiterada das infrações à legislação descritas acima, como também pela falta de escrituração do Livro Caixa, de acordo com o disposto no inciso VIII do artigo 29 da Lei Complementar n° 123, de 2006. A respeito do pedido da Impugnante de que, caso seja mantida a exclusão, seus efeitos somente se façam sentir a partir de novembro de 2009, cumpre transcrever, no caso do Simples Federal, os artigos 14, inciso V, e 15, inciso V, da Lei n° 9.317, de 1996, que assim dispõem: Art 14. A exclusão darseá de oficio quando a pessoa jurídica incorrer em quaisquer das seguintes hipóteses: V prática reiterada de infração à legislação tributária; (.). Art. 15. A exclusão do SIMPLES nas condições de que tratam os arts. 13 e 14 surtirá efeito: (..); V a partir, inclusive, do mês de ocorrência de qualquer dos fatos mencionados nos incisos II a VII do artigo anterior. Da mesma forma, quanto ao Simples Nacional, a Lei Complementar n° 123, de 2006, no seu artigo 29, incisos V e VIII e §§ 1° e 2°, prevê, verbis: Art. 29. A exclusão de oficio das empresas optantes pelo Simples Nacional darseá quando: V tiver sido constatada prática reiterada de infração ao disposto nesta Lei Complementar; VIII houver falta de escrituração do livrocaixa ou não permitir a identificação da movimentação financeira, inclusive bancária; § 1° Nas hipóteses previstas nos incisos II a XII do caput deste artigo, a exclusão produzirá efeitos a partir do próprio mês em que incorridas, impedindo a opção pelo regime diferenciado e favorecido desta Lei Complementar pelos próximos 3 (três) anoscalendário seguintes. § 2° 0 prazo de que trata o § 1° deste artigo será elevado para 10 (dez) anos caso seja constatada a utilização de artificio, ardil ou qualquer outro meio fraudulento que induza ou mantenha a fiscalização em erro, com o fim de suprimir ou reduzir o pagamento de tributo apurcivel segundo o regime especial previsto nesta Lei Complementar. Portanto, tanto no caso do Simples Federal como no do Simples Nacional, as exclusões de oficio ficam mantidas e produzirão efeitos a partir do próprio mês em que incorrida a prática Fl. 574DF CARF MF Emitido em 27/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/10/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 27/10 /2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10510.003778/200911 Acórdão n.º 180301.029 S1TE03 Fl. 499 13 reiterada de infração à legislação, e não do mês de novembro de 2009, quando foi expedido o Ato Declaratório Executivo n° 39/2009, como pretende a Requerente.” Ante todo o exposto, nego provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes Fl. 575DF CARF MF Emitido em 27/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/10/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 27/10 /2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES
score : 1.0
Numero do processo: 10830.912320/2012-37
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Apr 20 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3402-000.984
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª Câmara /2ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201703
camara_s : Quarta Câmara
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Apr 20 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10830.912320/2012-37
anomes_publicacao_s : 201704
conteudo_id_s : 5713218
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Apr 20 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 3402-000.984
nome_arquivo_s : Decisao_10830912320201237.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : ANTONIO CARLOS ATULIM
nome_arquivo_pdf_s : 10830912320201237_5713218.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os membros da 4ª Câmara /2ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
dt_sessao_tdt : Tue Mar 28 00:00:00 UTC 2017
id : 6723312
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:58:40 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048947588595712
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1918; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 2 1 1 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10830.912320/201237 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3402000.984 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 28 de março de 2017 Assunto IMUNIDADE. ENTIDADES BENEFICENTES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. Recorrente CASA DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE DE VALINHOS GRUPO GENTE NOVO RUMO Recorrida FAZENDA NACIONAL ACORDAM os membros da 4ª Câmara /2ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório eletrônico que indeferiu o Pedido de Restituição Eletrônico PER, referente a alegado crédito de pagamento indevido ou a maior efetuado por meio do DARF. Segundo o Despacho Decisório, o DARF informado no PER foi integralmente utilizado na quitação do respectivo débito, não restando crédito disponível para restituição. Em sua manifestação de inconformidade a interessada argumentou, em resumo, que o pagamento indevido decorre de sua condição de imune às contribuições sociais, nos termos do § 7º do art. 195, c/c 146, inc. II, ambos da Constituição Federal, e do art. 14 do CTN. Isso porque tem a natureza jurídica de associação civil sem fins lucrativos e o objetivo de prestar assistência integral à criança e ao adolescente, na forma dos arts. 203 da CF/88 e 2º do Estatuto da Criança. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 30 .9 12 32 0/ 20 12 -3 7 Fl. 70DF CARF MF Processo nº 10830.912320/201237 Resolução nº 3402000.984 S3C4T2 Fl. 3 2 Uma vez processada a manifestação de inconformidade, esta foi julgada improcedente nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2008 RESTITUIÇÃO. PIS – FOLHA DE PAGAMENTO. ATIVIDADE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. INCIDÊNCIA. São contribuintes do PIS/Pasep incidente sobre a folha de salário, e não sobre o faturamento, as instituições beneficentes de assistência social, de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações, quando atendidas as condições e requisitos legais. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido.. Diante deste quadro, o contribuinte interpôs o recurso voluntário em que alegou, em suma: (i) que é imune ao pagamento do PIS, haja vista o disposto no art. 195, § 7º, c.c. o art. 146, inciso II, ambos da Magna Lex, bem como o disposto no art. 14 do CTN; e, ainda (ii) que a recorrente atende todos os requisitos estabelecidos em lei para gozar da imunidade citada e que, para o período em tela, foi declarada entidade pública federal, nos termos da Portaria Federal n. 685, de 04/04/2007, bem como possui o CEBAS Certificado de Entidades Beneficentes de Assistência Social, sob o n. 71000.114296/200930. É o relatório. Resolução Conselheiro Antonio Carlos Atulim, relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3402000.939, de 28 de março de 2017, proferida no julgamento do processo 10830.912270/201298, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu na Resolução 3402000.939: "5. O presente recurso voluntário preenche os pressupostos formais de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. 6. Como visto alhures, tratase de pedido de ressarcimento com o fito de ver reconhecido crédito de PIS decorrente da imunidade da recorrente, uma vez que a mesma enquadrarseia no conceito de entidade beneficente. Fl. 71DF CARF MF Processo nº 10830.912320/201237 Resolução nº 3402000.984 S3C4T2 Fl. 4 3 7. Para provar sua condição de entidade beneficente, a recorrente anexa à sua manifestação de inconformidade os documentos de fls. 21/28 [(i) certificado de utilidade pública nacional, emitido pelo Ministério da Justiça; (ii) atestado de registro no Conselho Nacional de Assistência Social; (iii) Portaria Municipal que reconhece o caráter assistencial da recorrente; e, ainda, (iv) cópia da lei municipal n. 4.812/2012, que autoriza a concessão de subvenções às entidades assistenciais do Município de Valinhos, dentre as quais encontrase a recorrente]. 8. Não obstante, juntamente com seu recurso voluntário, o contribuinte apresenta outro documento (fl. 65) que atestaria sua condição de entidade beneficente. Tratase do ofício n. 959/20013, emitido pela Coordenação Geral de Certificação das Entidades Beneficentes de Assistência Social, que assim comunica: 9. Da análise de todos os documentos aqui tratados, é possível cogitar que, de fato, a recorrente enquadrase no conceito de entidade assistencial apta a gozar de imunidade tributária. Acontece que, todos os documentos trazidos nos autos pela recorrente com o escopo de provar tal condição referemse à momento posterior ao período do crédito em análise, o qual diz respeito ao mês de fevereiro de 2006 (fl. 32). 10. Neste diapasão, tendo em vista que o acervo probatório trazidos aos autos aparentemente induz à conclusão de que a recorrente preenche as condições para gozar de imunidade tributária, bem com ainda pautado pela ideia de instrumentalidade do processo, resolvo por converter o presente julgamento em diligência para que a unidade preparadora providencie: Fl. 72DF CARF MF Processo nº 10830.912320/201237 Resolução nº 3402000.984 S3C4T2 Fl. 5 4 · a intimação do contribuinte para apresentar o Certificado de Entidades Beneficentes de Assistência Social CEBAS válido para o período do crédito aqui vindicado. 11. É a resolução." Importante frisar que os documentos juntados pela contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório alegado, também foram juntados em cópias nestes autos. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, convertese o presente julgamento em diligência, para que a unidade preparadora intime o contribuinte para apresentar o Certificado de Entidades Beneficentes de Assistência Social CEBAS válido para o período do crédito aqui vindicado. Após, retornemse os autos para julgamento. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Fl. 73DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.013906/2006-30
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Mar 16 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2004
Decadência. Não reconhecimento.
Quando não há pagamento antecipado de tributo, a decadência rege-se pelo art. 173, I, do Código Tributário Nacional.
Entidade Fechada de Previdência Complementar. Imunidade. Previsão em sentença. Trânsito em julgado.
No caso em análise, foi reconhecida a imunidade da entidade fechada de previdência complementar em que não há contribuição dos beneficiários, em conformidade com a Súmula nº 730 do STF.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2004
Decadência. Não reconhecimento.
Quando não há pagamento antecipado de tributo, a decadência rege-se pelo art. 173, I, do Código Tributário Nacional.
Entidade Fechada de Previdência Complementar. Imunidade. Previsão em sentença. Trânsito em julgado.
No caso em análise, foi reconhecida a imunidade da entidade fechada de previdência complementar em que não há contribuição dos beneficiários, em conformidade com a Súmula nº 730 do STF.
Numero da decisão: 3302-003.501
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Por unanimidade de votos, foi rejeitada a prejudicial de decadência e, no mérito, por unanimidade de votos, foi dado provimento ao Recurso Voluntário.
(assinatura digital)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente
(assinatura digital)
Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza - Relatora
Participaram do julgamento os Conselheiros: Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Paulo Guilherme Déroulède, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araujo.
Nome do relator: SARAH MARIA LINHARES DE ARAUJO PAES DE SOUZA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201701
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2004 Decadência. Não reconhecimento. Quando não há pagamento antecipado de tributo, a decadência rege-se pelo art. 173, I, do Código Tributário Nacional. Entidade Fechada de Previdência Complementar. Imunidade. Previsão em sentença. Trânsito em julgado. No caso em análise, foi reconhecida a imunidade da entidade fechada de previdência complementar em que não há contribuição dos beneficiários, em conformidade com a Súmula nº 730 do STF. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2004 Decadência. Não reconhecimento. Quando não há pagamento antecipado de tributo, a decadência rege-se pelo art. 173, I, do Código Tributário Nacional. Entidade Fechada de Previdência Complementar. Imunidade. Previsão em sentença. Trânsito em julgado. No caso em análise, foi reconhecida a imunidade da entidade fechada de previdência complementar em que não há contribuição dos beneficiários, em conformidade com a Súmula nº 730 do STF.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Mar 16 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10680.013906/2006-30
anomes_publicacao_s : 201703
conteudo_id_s : 5700218
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Mar 24 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 3302-003.501
nome_arquivo_s : Decisao_10680013906200630.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : SARAH MARIA LINHARES DE ARAUJO PAES DE SOUZA
nome_arquivo_pdf_s : 10680013906200630_5700218.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Por unanimidade de votos, foi rejeitada a prejudicial de decadência e, no mérito, por unanimidade de votos, foi dado provimento ao Recurso Voluntário. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa - Presidente (assinatura digital) Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza - Relatora Participaram do julgamento os Conselheiros: Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Paulo Guilherme Déroulède, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araujo.
dt_sessao_tdt : Tue Jan 24 00:00:00 UTC 2017
id : 6688477
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:57:14 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048947590692864
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1774; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10680.013906/200630 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302003.501 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 24 de janeiro de 2017 Matéria AUTO DE INFRAÇÃO PIS/COFINS Recorrente CARFEPE SOCIEDADE DE PREVIDÊNCIA PRIVADA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2004 Decadência. Não reconhecimento. Quando não há pagamento antecipado de tributo, a decadência regese pelo art. 173, I, do Código Tributário Nacional. Entidade Fechada de Previdência Complementar. Imunidade. Previsão em sentença. Trânsito em julgado. No caso em análise, foi reconhecida a imunidade da entidade fechada de previdência complementar em que não há contribuição dos beneficiários, em conformidade com a Súmula nº 730 do STF. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2004 Decadência. Não reconhecimento. Quando não há pagamento antecipado de tributo, a decadência regese pelo art. 173, I, do Código Tributário Nacional. Entidade Fechada de Previdência Complementar. Imunidade. Previsão em sentença. Trânsito em julgado. No caso em análise, foi reconhecida a imunidade da entidade fechada de previdência complementar em que não há contribuição dos beneficiários, em conformidade com a Súmula nº 730 do STF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Por unanimidade de votos, foi rejeitada a prejudicial de decadência e, no mérito, por unanimidade de votos, foi dado provimento ao Recurso Voluntário. (assinatura digital) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 01 39 06 /2 00 6- 30 Fl. 608DF CARF MF 2 Ricardo Paulo Rosa Presidente (assinatura digital) Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza Relatora Participaram do julgamento os Conselheiros: Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Paulo Guilherme Déroulède, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araujo. Relatório Tratase de recurso voluntário, advindo do lançamento da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS nos períodos de janeiro de 1999 a dezembro de 2004 de entidade fechada de previdência complementar. Do Termo de Verificação Fiscal, fls. 59/641, extraemse as seguintes informações: A partir do "Termo de Início de Fiscalização", de 24/07/06, de fls. 63, com o "Termo de Resposta" de fls. 64, e do "Termo de Intimação Fiscal", de 14/11/06, de fls. 65, com o "Termo de Resposta" de fls. 66; juntaramse os Documentos Fiscais e Contábeis de fls. 67 a 95 deste Volume e fls. 02 a 165 do Anexo I, relacionados à situação fiscal do Contribuinte. Das análises e confrontos efetuados, apuraramse Infrações à Legislação Tributária que resultaram em "Diferenças Devidas Da Contribuição Para O Programa de Integração Social PIS" nos anoscalendário de 1999 a 2004, constituídas no "Auto de Infração" de fls. 08 a 27. Também das análises e confrontos efetuados, apuraramse Infrações à Legislação Tributária que resultaram em "Diferenças Devidas Da Contribuição Para O Financiamento da Seguridade Social COFINS" nos anos calendários de 1999 a 2004, constituídas no "Auto de Infração" de fls. 28 a 47. As Diferenças em questão se originaram do fato do Contribuinte não considerar as Receitas Tributáveis auferidas (apuradas no item 4, mais à frente); nada informando em suas "Declarações de Informações Econômico FiscaisDIPJ" sobre as Bases de Cálculo das Contribuições (conforme demonstra extratos de alguns meses às fls. 67 a 69); não sendo os Débitos correspondentes objeto de Declaração em DCTF; nem de Pagamento ou de Depósito Judicial. Intimado a apresentar justificativas por questões relacionadas à CSLL, conforme Documento de fls. 65, o Contribuinte, em sua Resposta de fls. 66, na segunda parte (Para o Período de Janeiro 1 Todas as páginas referenciadas no relatório e voto correspondem ao eprocesso. Fl. 609DF CARF MF Processo nº 10680.013906/200630 Acórdão n.º 3302003.501 S3C3T2 Fl. 3 3 de 1999 a Dezembro de 2004), afirma que entende ser imune ao PIS e à COFINS. Assim, indica enquadrarse como Entidade Imune ou Isenta para as Contribuições Sociais, nos termos do § 7º do art. 195 da Constituição Federal. No entanto, como se verá a seguir, caracterizouse o mesmo como uma Instituição integrante do rol de Pessoas Jurídicas sem Isenção ou Imunidade, sujeita à Tributação do PIS e da COFINS sobre a totalidade de suas Receitas, nos termos dos art. 2o e 3o, §1°, §5°, §6°, §7° da Lei n° 9.718, de 27 de novembro de 1998 c/c art. 1o e 2o da Medida Provisória n° 1.807, de 28/01/99, reeditada sob o n° 1.8586, de 29/06/99, atual MP n° 2.037 22/00. Com este mesmo entendimento, temse o Parecer da CoordenaçãoGeral de Tributação da Secretaria da Receita Federal de fls. 71 a 76 (Parecer COSIT n° 44, de 31 de Outubro de 2000), que trata ainda da composição da base de cálculo da Contribuições para as Entidades Fechadas de Previdência Privada. (...) A Entidade fiscalizada foi constituída sob a forma de Sociedade Civil, conforme os arts. 4o e 5o da Lei n° 6.435, de 15/07/77, sendo uma Entidade Fechada de Previdência Privada (EFPP); a qual por normas estatutárias é mantida por contribuições mensais recebidas da Sociedade Patrocinadora e dos Participantes (vinculados à patrocinadora), conforme Estatuto e Regulamento da Entidade. A contribuinte apresentou impugnação, fls. 112/141 , onde arguiu em síntese: i) Não é contribuinte do PIS, já que suas receitas, de acordo com seu plano de normas contábeis, não correspondem às receitas tributáveis por esta contribuição, e seja beneficiada pela imunidade tributária em relação não só a impostos e taxas, mas também em relação às contribuições sociais, o fato é que a autuação promovida pelo Fisco já foi atingida pela decadência em relação aos fatos geradores ocorridos até 30.06.01; ii) Que se constitui em uma entidade fechada de previdência privada na forma do seu Estatuto e do seu Regulamento, aprovados por ato do Sr. Ministro de Estado da Previdência Social, que lhe autorizou a funcionar como tal por intermédio da Portaria n° 426, de 17.08.93 e que se trata de uma entidade sem fins lucrativos, mantida por contribuições exclusivas das patrocinadoras (empregadoras), sociedades empresárias que formam o Grupo Carfepe, ao contrário do que sustenta o Termo de Verificação e Constatação Fiscal (segundo a fiscalização, a Impugnante seria mantida por contribuições das patrocinadoras e do patrocinados/empregados); iii) Que se submete à fiscalização e ao controle do Ministério da Previdência e da Assistência Social, por intermédio da Secretaria de Previdência Complementar SPC. Como tal, possui estrutura contábil própria e diferente das sociedades comerciais, haja vista Fl. 610DF CARF MF 4 que não possui fins lucrativos e que todo o seu superávit ou déficit patrimonial é revertido para os planos de benefício, conforme determina mais uma vez o seu Estatuto e o seu Regulamento; iv) Argumenta que o Pleno do Excelso Supremo Tribunal Federal, por unanimidade, julgando o RE n° 359.7563, em que foi parte a Comshell Sociedade de Previdência Privada, decidiu no sentido de que efetivamente gozam da imunidade prevista no referido dispositivo constitucional as entidades fechadas em que os beneficiários não contribuem e a mantenedora arca com todos os ônus, fato que caracteriza a natureza de assistência social; v) Defende que ainda que sejam ultrapassados todos os argumentos, as entidades fechadas de previdência complementar não são contribuintes da contribuição ao PIS, pois, de acordo com a Lei Complementar nº 109/2001, não se sujeitam às leis mercantis e financeiras, e devem observar, quanto à forma, a estrutura das fundações ou das sociedades civis sem fins lucrativos; Sobreveio, então, acórdão da DRJ/Belo Horizonte, fls. 216/232, cuja ementa é colacionada abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2004 Decadência Com a Súmula Vinculante n° 08 do STF, de 20/06/2008, o prazo decadencial das contribuições que compõem a Seguridade Social entre elas a Cofins e o PIS passou a ser de 5 anos. Entidade Fechada de Previdência Complementar A base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins das entidades abertas e fechadas de previdência complementar é o valor da receita bruta mensal. Atividade Vinculada A atividade administrativa não comporta apreciação discricionária no tocante aos atos que integram a legislação tributária. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2004 Decadência Com a Súmula Vinculante n° 08 do STF, de 20/06/2008, o prazo decadencial das contribuições que compõem a Seguridade Social entre elas a Cofins e o PIS passou a ser de 5 anos. Entidade Fechada de Previdência Complementar A base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins das entidades abertas e fechadas de previdência complementar é o valor da receita bruta mensal. Atividade Vinculada Fl. 611DF CARF MF Processo nº 10680.013906/200630 Acórdão n.º 3302003.501 S3C3T2 Fl. 4 5 A atividade administrativa não comporta apreciação discricionária no tocante aos atos que integram a legislação tributária. Irresignada a interessada apresentou recurso voluntário, fls. 250/278, onde reafirmou os argumentos, apresentados na impugnação, juntando julgamento de Recurso Extraordinário nº 320.70509, da qual é parte processual. Posteriormente, os autos foram encaminhados ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, que decidiu a conversão do feito em diligência, por meio da resolução de nº 3101.00.151, a fim de demonstrar, trechos in verbis, fls. 294/295: Isso posto, sem esquecer que a sentença com trânsito em julgado é a lei do caso concreto e com o objetivo de enriquecer a instrução dos autos deste processo administrativo, voto pela conversão do julgamento do recurso voluntário em diligência à repartição de origem para que a autoridade preparadora, fundamentadamente: (1) esclareça se as operações da entidade fechada de previdência privada, na época dos fatos geradores dos tributos ora debatidos, eram subordinadas ao Estatuto e ao Regulamento do Plano de Benefícios da CARFEPE SOCIEDADE DE PREVIDÊNCIA PRIVADA que deu sustentação jurídica aos despachos do Supremo Tribunal Federal negando seguimento aos Recursos Extraordinários 320.7059 (MG) e 274.3941 (MG); (2) em caso de resposta negativa ao quesito anterior, promova a instrução dos autos deste processo administrativo com cópia autêntica do Estatuto e do Regulamento do Plano de Benefícios vigente no período de 1o de janeiro de 1999 a 31 de dezembro de 2004. Vale lembrar que eventuais provas documentais oferecidas por fotocópias sem autenticação por tabelião de notas devem ser autenticadas pelo servidor público que as recepcionar mediante confronto de cada uma delas com os respectivos originais. Posteriormente, após facultar à recorrente oportunidade de manifestação quanto ao resultado da diligência, providenciar o retorno dos autos para este colegiado. Foi anexado então ao processo, o estatuto, fls. 489/505, portaria do Ministério da Previdência Social, fls. 506, ata da décima sétima reunião, fls. 536/538, regulamento do plano de benefícios versão atualizada de 1999, fls. 539/557, estatuto versão atualizada de 1999, fls. 558/579, alterações no estatuto para atendimento da Lei Complementar nº 109, fls. 580/597. Sobreveio, posteriormente, manifestação da Recorrente, fls. 598/599. É o relatório. Fl. 612DF CARF MF 6 Voto Conselheira Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Relatora. 1. Dos requisitos de admissibilidade O Recurso Voluntário foi apresentado de modo tempestivo, tratase de matéria de competência deste colegiado e atende aos pressupostos legais de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido 2. Da prejudicial de mérito 2.1. Da decadência A Recorrente pleiteia pelo reconhecimento da decadência em relação às contribuições cujos fatos geradores ocorreram até 30 de junho de 2001, pois a fiscalização iniciou em 24 de julho de 2006. O auto de infração consubstancia fatos jurídicos do período de janeiro de 1999 a dezembro de 2004, sendo que não houve o pagamento das contribuições em apreço. Logo, o prazo decadencial é regido pelo art. 173, I, do Código Tributário Nacional: Código Tributário Nacional Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; O acórdão da DRJ/Belo Horizonte reconheceu que os fatos jurídicos tributários de janeiro de 1999 a novembro de 2000 foram atingidos pelos efeitos da decadência, pois a ciência do auto de infração pela contribuinte ocorreu em 14 de dezembro de 2006. Nesse sentido, mantémse a decisão da DRJ/Belo Horizonte, não assistindo razão a Recorrente. 3. No mérito 3.1. Da imunidade das entidades de previdência social e o seu custeio A lide em questão encontrase acobertada pelo manto de duas decisões, que reconhecem a imunidade tributária da Recorrente com trânsito em julgado, quais sejam, os Recursos Extraordinários nº 320705MG e 274.3941 MG. Do RE 274.3941/MG2, extraise a decisão: DECISÃO: A controvérsia jurídica suscitada na causa em que interposto o presente recurso extraordinário referese ao tema pertinente à imunidade tributária das entidades fechadas de previdência privada. 2 Disponível em: <http://www.stf.jus.br/portal/diarioJustica/verDiarioProcesso.asp?numDj=87&dataPublicacaoDj=09/05/2002&inc idente=1832191&codCapitulo=6&numMateria=64&codMateria=3>, acesso em: 13 abr. 2016. Fl. 613DF CARF MF Processo nº 10680.013906/200630 Acórdão n.º 3302003.501 S3C3T2 Fl. 5 7 O Plenário do Supremo Tribunal Federal, ao julgar o RE 202.700DF, Rel. Min. MAURÍCIO CORRÊA, reconheceu que a imunidade tributária, outorgada a instituições de assistência social, sem fins lucrativos (CF, art. 150, VI, “c”), não se estende a entidades fechadas de previdência privada, de caráter oneroso, mantidas com contribuição exclusiva dos próprios empregados (associados) ou, então, mantidas com contribuição bilateral, prestada tanto pelos empregados quanto por seus empregadores (patrocinadores). Com efeito, ao analisar a cláusula inscrita no art. 150, VI, “c”, da Carta Política e tendo em consideração a nítida distinção conceitual entre previdência e assistência sociais (CF, art. 194, c/c os arts. 201 e 203) , esta Suprema Corte firmou entendimento no sentido de que as entidades fechadas de previdência privada não se caracterizam como instituições de assistência social, deixando, por isso mesmo, de ajustarse à exigência básica prevista na matriz constitucional que assegura, em favor de tais instituições, a prerrogativa da imunidade tributária, desde que ocorrente, em tema de financiamento do plano de benefícios, hipótese de contribuições exclusivas dos empregados (associados) ou de contribuições prestadas pelos empregados e por suas empresas. Cabe ter presente, neste ponto, a correta observação feita pelo eminente Ministro OCTAVIO GALLOTTI, quando do julgamento do RE 136.332RJ (RTJ 150/597), ocasião em que esse ilustre magistrado acentuou que a imunidade tributária, assegurada pelo texto constitucional que representa “um estímulo ao altruísmo (despreendimento de alguém em proveito de outrem)” “não comporta a hipótese onde os associados se congregam em seu próprio benefício, mediante o recolhimento de contribuições, mesmo obtido o concurso de algum patrocinador e a despeito da reconhecida utilidade social do empreendimento” (grifei). Impõese observar, de outro lado, que o Plenário desta Suprema Corte, no julgamento unânime do RE 259.756RJ, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, também enfatizou, a propósito do tema, que a imunidade tributária, a que se refere o art. 150, VI, “c”, da Constituição da República, alcança as entidades fechadas de previdência privada, quando unicamente mantidas com contribuições do próprio empregador (patrocinador), destinadas a custear e a viabilizar a distribuição de benefícios consistentes em complementações de aposentadoria e em concessão de outras prestações, em favor dos empregados participantes do plano. É que, em tal específica situação, e ao contrário da hipótese versada no RE 202.700DF, as entidades em causa qualificamse como instituições de assistência social, sem fins lucrativos, posto que, em relação a elas, a constituição dos respectivos fundos de natureza financeira se faz sem qualquer contribuição pecuniária dos associados (empregados), os quais não obstante desobrigados, estatutariamente, do pagamento de Fl. 614DF CARF MF 8 qualquer retribuição têm pleno acesso aos benefícios deferidos em complementação àqueles ordinariamente outorgados pela previdência estatal. Assinalese, finalmente, considerandose a norma inscrita no art. 150, § 4º, da Constituição da República, que não se descaracterizará a prerrogativa excepcional da imunidade tributária, quando a instituição, que a ela fizer jus, locar, eventualmente, a terceiros, bens integrantes de seu patrimônio, desde que os rendimentos oriundos dessa locação sejam integralmente destinados, por essa mesma entidade, aos seus objetivos essenciais, consoante tem reconhecido a jurisprudência constitucional do Supremo Tribunal Federal (RTJ 111/694 RTJ 131/1295 RTJ 160/672 Ag 281.202SP, Rel. Min. MARCO AURÉLIO RE 237.718SP, Rel. Min. SEPÚLVEDA PERTENCE RE 286.692SP, Rel. Min. ILMAR GALVÃO RE 289.803RJ, Rel. Min. MOREIRA ALVES, v.g.). Assentadas tais premissas, cabe verificar a adequação do acórdão ora recorrido aos parâmetros fixados pelos precedentes firmados pela jurisprudência plenária do Supremo Tribunal Federal. O exame dos autos evidencia que a entidade em questão é mantida, exclusivamente, por contribuições prestadas pelo empregador (patrocinador), hipótese em que, por revelarse aplicável, ao caso, a decisão proferida no RE 259.756RJ, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, estendese, à instituição interessada, a prerrogativa constitucional da imunidade tributária, a que alude o art. 150, VI, “c”, da Carta Política. Sendo assim, e tendo em vista a orientação jurisprudencial firmada pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal, no exame da matéria ora em análise, não conheço do presente recurso extraordinário. Publiquese. Brasília, 07 de fevereiro de 2002. Do RE 320705/MG3, extraise a decisão: DESPACHO : Vistos. Cuidase de recurso extraordinário interposto com fundamento no art. 102, III, “a”, da Constituição Federal, contra acórdão proferido pelo Tribunal Regional Federal da Primeira Região que negou provimento à apelação e à remessa assentando o direito à imunidade tributária da entidade de previdência privada, inobstante a onerosidade dos serviços prestados aos participantes. 2. Em suas razões sustenta a União violação ao disposto no art. 150, VI, “c”, da Carta Magna. 3. O Supremo Tribunal Federal, no julgamento do RE 237.718, Rel. Min. Sepúlveda Pertence, em 29.03.2001, por maioria, 3 Disponível em: <http://www.stf.jus.br/portal/diarioJustica/verDiarioProcesso.asp?numDj=110&dataPublicacaoDj=12/06/2002&in cidente=1962797&codCapitulo=6&numMateria=87&codMateria=3>, acesso em: 13 abr. 2016. Fl. 615DF CARF MF Processo nº 10680.013906/200630 Acórdão n.º 3302003.501 S3C3T2 Fl. 6 9 firmou orientação no sentido de que a imunidade das entidades de assistência social, prevista no art. 150, VI, “c”, da Constituição Federal, abrange o IPTU incidente sobre o imóvel alugado a terceiro, desde que a renda seja aplicada em suas finalidades essenciais, assentando, na espécie, o ilustre relator, que: “...Parece clara a sintonia desses julgados com extratos doutrinários que vale ressaltar, porque reduzem à dimensão marcada pela teleologia do instituto da imunidade tributária a norma do § 2º do art. 150, CF, onde o recurso pretende alicerçarse. “A norma constitucional” quando se refere às “rendas relacionadas a finalidades essenciais da entidade” observa Luciano Amaro (in Ives Gandra (coord), Imunidades Tributárias, CEU/RT, 1998, p. 143/51) “atémse à destinação das rendas da entidade, e não à natureza destas”(...): “independentemente da natureza da renda, sendo esta destinada ao atendimento da finalidade essencial da entidade, a imunidade deve ser reconhecida”. “Seria um dislate” explica “supor que ‘rendas relacionadas com as finalidades essenciais’ pudesse significar, restritivamente, rendas produzidas pelo objeto social da entidade. Freqüentemente, o entendimento do objeto social é motivo para despesas e não fonte de recursos. Fosse aquele o sentido, qualquer fonte de custeio da entidade que não o derivasse dos próprios usuários de seus serviços ficaria fora do alcance da imunidade.”. A Primeira Turma desta Corte, no julgamento do RE 235.737 SP, em 13.11.2001, rel. Min. Moreira Alves, estendeu o entendimento fixado acima às instituições de educação nas mesmas circunstâncias, por identidade de razão. 4. Em outra oportunidade, quando do julgamento do RE 202.700, em 8.11.2001, rel. Min. Maurício Corrêa, esta Corte, por maioria, assentou que a imunidade conferida às instituições de assistência social sem fins lucrativos (CF, 150, VI, “c”) não alcança as entidades fechadas de previdência social privada, posto que, na linha do voto do eminente relator, “As instituições assistenciais não podem ser confundidas ou comparadas com as entidades fechadas de previdência privada, de gênero contratual, uma vez que somente conferem benefícios aos seus filiados desde que esses recolham as contribuições compactuadas. Essas associações assim constituídas não possuem o caráter de universalidade como o é a assistência social oficial, do que se extrai que os serviços por elas realizados não podem ser entendidos como os de assistência social stricto sensu, em cooperação com o Poder Público, conforme decidiu esta Corte nos autos do RE n.º 108.1201, relator Ministro Sydney Sanches, “in” RTJ 125/750.” 5. Por fim, esta Corte, no julgamento do RE n.º 259.756, em 28.11.2001, rel. Min. Marco Aurélio, assentou que a imunidade Fl. 616DF CARF MF 10 tributária conferida às instituições de assistência social sem fins lucrativos (CF, art. 150, VI, “c”) alcança aquelas entidades fechadas de previdência privada nas quais não há a contribuição dos empregados, mas tãosó a do patrocinador. Salientouse a distinção da espécie em relação à orientação firmada pelo Plenário no julgamento do RE 202.700DF, supra citada, o qual se referia a entidade de previdência privada, de caráter oneroso, em que havia contribuição bilateral, tanto do empregado como do empregador. 6. Dessa maneira, assentados os pressupostos, nos termos da jurisprudência desta Corte, cabe, agora, analisar o presente recurso extraordinário, com base nos fundamentos apresentados. 7. Na espécie, compulsando os autos, verificase às fls. 38/82, no Estatuto e no Regulamento do Plano de Benefícios da entidade, que, na formação do seu patrimônio, não se encontra referência à contribuição de empregados, mas tãosó das patrocinadoras, não se caracterizando dessa forma em entidade de previdência privada de caráter oneroso, em que há contribuição bilateral, tanto do empregado como do empregador, nos termos do entendimento assentado no julgamento do RE n.º 259.756, em 28.11.2001, conforme citado no item 5(cinco) supra. Às fls. 64, o item 4.3.1, do Regulamento do Plano de Benefícios da referida entidade, faz referência à contribuição do participante ativo que tiver cessado o seu vínculo empregatício com a patrocinadora. Ressalvo, entretanto, que tal contribuição não descaracteriza o caráter assistencial da recorrida, tendo em conta que se trata de uma exceção para o caso de o ex empregado optar por permanecer vinculado ao plano de benefícios. 9. Por todo o exposto, com base no art. 38, da Lei n.º 8.038, de 28 de maio de 1990, combinado com o § 1º, do art. 21, do RISTF, nego seguimento ao recurso extraordinário. Publiquese. Brasília, 5 de abril de 2002. Ministro Néri da Silveira Relator A referida matéria possui, inclusive, súmula de nº 730 do Supremo Tribunal Federal, que dispõe: "A imunidade tributária conferida a instituições de assistência social sem fins lucrativos pelo art.150, VI, "c", da Constituição, somente alcança as entidades fechadas de previdência social se não houver contribuição dos beneficiários". O cerne da controvérsia cingese em saber a respeito da existência de contribuição ou não dos beneficiários para o custeio do sistema. É por tal motivação, que o feito foi convertido em diligência, a fim de que a fiscalização assim se pronunciasse. Ao final do relatório fiscal da diligência, extraise que, fls. 469: Juntados em anexo, tais documentos, especialmente os Estatutos e Regulamentos do Plano de Benefícios, ambos com suas alterações ou reformas, se caracterizam como os expedientes Fl. 617DF CARF MF Processo nº 10680.013906/200630 Acórdão n.º 3302003.501 S3C3T2 Fl. 7 11 devidamente registrados e que normatizaram as operações do Contribuinte e ora recorrente entre 1 o de janeiro de 1999 e 31 de dezembro de 2004; período da presente autuação. Nos termos requeridos pelo CARF, entendese que os mesmos se prestam para as análises e julgamento pendentes. Assim, fazse necessária a análise do estatuto e plano de benefícios, correspondentes aos períodos que embasaram o auto de infração. Do estatuto, versão atualizada em dezembro de 1999, fls. 558/579, temse que: Art. 1o Carfepe Sociedade de Previdência Privada, doravante designada Sociedade, é uma entidade fechada de previdência privada, estabelecida sob a forma de Sociedade Civil, de caráter não mercantil e sem fins lucrativos, com autonomia administrativa e financeira. Terá como Patrocinadora Principal a Carfepe S/A Administradora e Participadora, com sede à Rua Tupinambás, número 360 13° andar, na cidade de Belo Horizonte, Estado de Minas Gerais, inscrita no Cadastro Geral de Contribuintes do Ministério da Fazenda sob o número 25.633.934/000191. (...) Art 4o A Sociedade poderá incumbirse da prestação de serviços assistenciais, de acordo com as normas estabelecidas pelo Conselho Administrativo, obedecidos os preceitos legais e regulamentares aplicáveis. (...) DAS PATROCINADORAS Art. 8o É Patrocinadora da Sociedade a empresa caracterizada no Artigo 1o deste Estatuto, bem como outras empresas do mesmo grupo econômico da Patrocinadora Principal que venham a ser admitidas como tal. Já do regulamento do Plano de Benefícios, versão atualizada em dezembro de 1999, fls. 539/557, extraemse trechos importantes para a controvérsia da lide: 2.23 Salário de participação: em qualquer mês, o salário básico, honorários ou prólabore devido, excluídos o décimo terceiro salário, bônus, participações estatutárias, adicional por tempo de serviço, gratificações, mesmo habituais, e quaisquer outros pagamentos feitos ao participante pela patrocinadora. (...) 5.6.3 Opção para manutenção da condição de participante O Participante elegível a benefício por desligamento poderá manter a condição de participante do Plano, com direito a todos os benefícios exceto os de pecúlio por morte em atividade e Fl. 618DF CARF MF 12 suplementação salarial em caso de incapacidade total (auxílio doença), nas seguintes condições: a) Manifeste esta opção à Sociedade até 10 dias do término de seu vínculo com sua patrocinadora; b) Assuma integralmente o custeio do Plano, em substituição a sua patrocinadora, no período entre o término do vínculo e o início da fruição de qualquer benefício do plano; c) Exceto em caso de morte do participante, constatada sua inadimplência a duas contribuições mensais consecutivas para o plano perderá a condição de participante, e voltará à condição de elegível por desligamento. Neste caso, o serviço contínuo, o serviço creditado e o benefício acumulado terão como data de cálculo o mês da sua última contribuição. (...) DAS CONTRIBUIÇÕES E DISPOSIÇÕES FINANCEIRAS 8.2 Os benefícios deste Plano serão custeados por meio de: a) contribuições das patrocinadoras, a serem recolhidas à Sociedade até o 5° (quinto) dia útil do mês subsequente ao da competência. As contribuições devidas e não pagas na data prevista serão acrescidas, além do índice de inflação medido pelo INPC, da taxa de juros adotada na avaliação atuarial anual realizada pelo atuário. Se as contribuições das patrocinadoras não forem pagas dentro de 120 (cento e vinte) dias contados da data em que forem devidas, as disposições do item 8.5 desse regulamento serão automaticamente aplicadas; b) receitas de aplicação do patrimônio ; c) doações, legados, auxílios, subvenções e contribuições de qualquer natureza e origem ; d) dotações iniciais dos patrocinadores que venham a subscrever convênio de adesão, nos termos do artigo 4.1 do capítulo IV, que será paga à vista, no ato da subscrição do referido convênio de adesão ; e) rendas diversas Observase, portanto, que não há participação dos empregados na formação do patrimônio e na manutenção do plano de benefícios no período da fiscalização, ou seja, de janeiro de 1999 a dezembro de 2004. No caso da cláusula 5.6.3, onde o indivíduo, que se desligou da empresa, pode se manter como participante, é uma situação excepcional e extraise o trecho do RE 320705/MG, Relator Ministro Néri da Silveira, que prevê tal situação: 7. Na espécie, compulsando os autos, verificase às fls. 38/82, no Estatuto e no Regulamento do Plano de Benefícios da entidade, que, na formação do seu patrimônio, não se encontra referência à contribuição de empregados, mas tãosó das patrocinadoras, não se caracterizando dessa forma em entidade de previdência privada de caráter oneroso, em que há contribuição bilateral, Fl. 619DF CARF MF Processo nº 10680.013906/200630 Acórdão n.º 3302003.501 S3C3T2 Fl. 8 13 tanto do empregado como do empregador, nos termos do entendimento assentado no julgamento do RE n.º 259.756, em 28.11.2001, conforme citado no item 5(cinco) supra. Às fls. 64, o item 4.3.1, do Regulamento do Plano de Benefícios da referida entidade, faz referência à contribuição do participante ativo que tiver cessado o seu vínculo empregatício com a patrocinadora. Ressalvo, entretanto, que tal contribuição não descaracteriza o caráter assistencial da recorrida, tendo em conta que se trata de uma exceção para o caso de o ex empregado optar por permanecer vinculado ao plano de benefícios. Assim, o caso em análise encontrase protegido sob o manto da coisa julgada, que possui previsão no art. 5º, inciso XXXVI, da Constituição Federal, que prevê: "a lei não prejudicará o direito adquirido, o ato jurídico perfeito e a coisa julgada." Por tal motivação, consideramse insubsistentes os autos de infração, lavrados em face da Recorrente, pelo seu reconhecimento como entidade imune pelo trânsito em julgado dos Recursos Extraordinários. 4. Conclusão Diante do exposto, voto por conhecer o recurso e conceder provimento integral. Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza Fl. 620DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.724950/2011-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 16 00:00:00 UTC 2017
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 2009, 2010, 2011
Ementa:
ERRO DE FATO. CORREÇÃO
Verificado que a autuação decorre de erro de fato do contribuinte ao preencher sua Declaração de Rendimentos, deve-se corrigir o equívoco e reconhecer integralmente seus reflexos no lançamento.
ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE.
Comprovado nos termos da legislação, são isentos do Imposto sobre a Renda os proventos de aposentadoria percebidos por portador de moléstia grave especificada em lei.
Numero da decisão: 2201-003.541
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso voluntário.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201703
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2009, 2010, 2011 Ementa: ERRO DE FATO. CORREÇÃO Verificado que a autuação decorre de erro de fato do contribuinte ao preencher sua Declaração de Rendimentos, deve-se corrigir o equívoco e reconhecer integralmente seus reflexos no lançamento. ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. Comprovado nos termos da legislação, são isentos do Imposto sobre a Renda os proventos de aposentadoria percebidos por portador de moléstia grave especificada em lei.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
numero_processo_s : 10980.724950/2011-51
conteudo_id_s : 5710205
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Apr 12 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 2201-003.541
nome_arquivo_s : Decisao_10980724950201151.pdf
nome_relator_s : CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO
nome_arquivo_pdf_s : 10980724950201151_5710205.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
dt_sessao_tdt : Thu Mar 16 00:00:00 UTC 2017
id : 6710638
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:58:19 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048947595935744
conteudo_txt : Metadados => date: 2017-03-31T20:22:36Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; pdf:docinfo:title: JOSE AUGUSTO ROZEIRA1.pdf; xmp:CreatorTool: PDFCreator Version 1.4.2; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CARF; dcterms:created: 2017-03-31T20:22:36Z; Last-Modified: 2017-03-31T20:22:36Z; dcterms:modified: 2017-03-31T20:22:36Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; title: JOSE AUGUSTO ROZEIRA1.pdf; xmpMM:DocumentID: uuid:486e575d-18ab-11e7-0000-035a3ba7bfa8; Last-Save-Date: 2017-03-31T20:22:36Z; pdf:docinfo:creator_tool: PDFCreator Version 1.4.2; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2017-03-31T20:22:36Z; meta:save-date: 2017-03-31T20:22:36Z; pdf:encrypted: true; dc:title: JOSE AUGUSTO ROZEIRA1.pdf; modified: 2017-03-31T20:22:36Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CARF; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CARF; meta:author: CARF; dc:subject: ; meta:creation-date: 2017-03-31T20:22:36Z; created: 2017-03-31T20:22:36Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; Creation-Date: 2017-03-31T20:22:36Z; pdf:charsPerPage: 1746; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CARF; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2017-03-31T20:22:36Z | Conteúdo => S2-C2T1 Fl. 234 1 233 S2-C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10980.724950/2011-51 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2201-003.541 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 16 de março de 2017 Matéria IRPF Recorrente JOSÉ AUGUSTO ROZEIRA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2009, 2010, 2011 Ementa: ERRO DE FATO. CORREÇÃO Verificado que a autuação decorre de erro de fato do contribuinte ao preencher sua Declaração de Rendimentos, deve-se corrigir o equívoco e reconhecer integralmente seus reflexos no lançamento. ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. Comprovado nos termos da legislação, são isentos do Imposto sobre a Renda os proventos de aposentadoria percebidos por portador de moléstia grave especificada em lei. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Assinado digitalmente Carlos Henrique de Oliveira - Presidente. Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Relator. EDITADO EM: 31/03/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira (Presidente), Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária março de 2017 março de 2017 JOSÉ AUGUSTO ROZEIRA JOSÉ AUGUSTO ROZEIRA FAZENDA NACIONAL FAZENDA NACIONAL AA Fl. 234DF CARF MF 2 Relatório O presente processo trata das Notificações de Lançamento de 20, 28 e 36, relativas aos exercícios de 2009, 2010 e 2011, respectivamente. Os créditos tributários lançados decorrem de Restituição Indevida de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, tendo em vista que o contribuinte, após regularmente processada sua declaração, apresentou declaração retificadora para os três exercícios, todas sem saldo de imposto. Com isso, o sistema emitiu a cobrança dos valores já restituídos nas declarações originais processadas. Inconformado com os lançamentos, cuja ciência ocorreu em 01 de setembro de 2011 (fl. 21, 29 e 37), o contribuinte apresentou, tempestivamente, a impugnação de fl. 2, na qual manifestou seu entendimento de que tais Notificações deveriam ser anuladas, já que não lhe teriam sido informados os motivos que levaram a tais cobranças. Atesta, ainda, o recorrente que teria formalizado processo administrativo de restituição do Imposto de Renda Retido na Fonte para os anos calendários de 2008 a 2010, em ração de ser portador de cardiopatia grave irreversível desde maio de 2008. No julgamento em 1ª Instância Administrativa, a 4ª Turma de Julgamento da DRJ em Curitiba/PR apresentou as seguintes conclusões: (...) Nesse contexto, tendo a legislação pertinente expressamente previsto que o pedido de restituição do indébito de imposto de renda relativo a rendimento isento ou não tributável declarado na DIRPF como rendimento sujeito à incidência de imposto de renda e ao ajuste anual será formalizado pela pessoa física à RFB exclusivamente mediante a apresentação de DIRPF retificadora e, que a retificação da declaração deve, quando comprovado erro nela contido, ser feita mediante apresentação de nova declaração a ser apreciada pela Delegacia da Receita Federal do Brasil – DRF que jurisdiciona o domicílio fiscal do contribuinte, cabe ao interessado apresentar novas declarações retificadoras para acerto das suas declarações de ajuste anual e formalização do pedido de restituição, que será apreciado pela autoridade competente. (...) Quanto ao alegado direito à isenção dos proventos de aposentadoria, reforma ou pensão por ser portador de moléstia grave, a título de esclarecimento, cumpre notar que a matéria está disciplinada no art. 39, XXXI e XXXIII do RIR/1999, da seguinte forma: (...) Contudo, o laudo acostado à fl. 04 foi emitido pela Diretoria de Previdência da Paranaprevidência, serviço social autônomo com personalidade jurídica de direito privado, conforme estabelece o art. 2º da Lei nº 12.398, de 1998, do Estado do Paraná: (...) Não se trata, portanto, de laudo médico pericial expedido por instituição pública, de acordo com a Solução de Consulta Interna Cosit nº 11, mas sim por instituição privada, sendo Fl. 235DF CARF MF Processo nº 10980.724950/2011-51 Acórdão n.º 2201-003.541 S2-C2T1 Fl. 235 3 insuficiente, portanto, para promover a comprovação pretendida. Ciente do Acórdão da DRJ, ainda inconformado, o contribuinte formalizou o Recurso Voluntário de fl. 63 a 67, no qual reitera os argumentos já expressos na impugnação, reconhece erro no preenchimento das declaração de rendimentos retificadoras, tudo no propósito de ver canceladas as Notificações em Tela em e restituídos os valores retidos na fonte sobre os rendimentos então considerados tributáveis, em razão da constatação de que seriam isentos em razão da moléstia grave diagnosticada. Submetida ao julgamento em 2ª Instância, FL. 106 a 110, a 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 2ª Seção resolveu converter o julgamento em diligência para que a unidade responsável pela administração do tributo informasse a existência de IRRF nos períodos em questão, o andamento ou o resultado da análise do processo de restituição formalizado pelo contribuinte, bem assim informações sobre a natureza jurídica da Paraná Previdência e sua competência para exarar laudos para fins de aposentadoria. Em atendimento à intimação, foram juntados aos autos os extratos da DIRF dos anos-calendários de 2008 a 2010, bem assim conclusão do processo 10980.724687/2011- 09, no qual foi reconhecida a isenção lastreada nos mesmos documentos que integram o presente feito para restituir os valores de IRRF incidente sobre o 13º salários, cuja operacionalização já foi levada a termo pela Ordem Bancária de fl. 165. Em fl. 176, o contribuinte peticiona afirmando que não teve vista dos autos nos termos da Resolução que converteu o julgamento em diligência e junta uma série de comprovantes mensais de rendimentos em que podem ser identificados os valores do IRRF. Em fl. 213 e seguintes, foi juntada a Lei do Estado do Paraná nº 12.398, de 30 de dezembro de 1998, que |cria o Sistema de Seguridade Funcional do Estado do Paraná e transforma o Instituto de Previdência e Assistência Médica aos servidores do Estado do Paraná - IPE no serviço social autônomo denominado PARANAPREVIDÊNCIA. É o relatório necessário. Voto Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo Tendo em vista não ter localizado nos autos a comprovarão da ciência do contribuinte do Acórdão da DRJ, presumo tempestivo o Recurso interposto em 10 de maio de 2013, em particular por ser data compatível com a data de assinatura da intimação de fl. 59 (19/04/2013). Assim, entendendo preenchidas as demais condições de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário. Inicialmente, cumpre destacar que o contribuinte se insurge contra um lançamento que decorre de seu erro no preenchimento da declaração. Fica evidente que, ciente da possibilidade de ter restituídos os valores de IR retidos pela fonte pagadora dos seus proventos de aposentadoria nos anos-calendários de 2008 Fl. 236DF CARF MF 4 a 2010, o contribuinte buscou adotar as medidas que julgava pertinentes para usufruir da isenção prevista em lei para portadores de moléstia grave. Ocorre que, por equívoco, acabou por transmitir as declarações retificadoras para os exercícios de 2009 a 2011, todas no dia 13 de agosto de 2011, excluindo tanto os rendimentos tributáveis quanto o IRRF, quando o correto seria apenas reclassificar os rendimentos tributáveis para a ficha de rendimentos isentos, na linha especifica para rendimentos dessa natureza( proventos de aposentadoria e pensão percebidos por portadores moléstia grave). Com o erro, como a declaração processou sem qualquer rendimento tributável ou IRRF, seu resultado foi Sem Saldo de Imposto, o que levou a lavratura automática das Notificações em discussão, com o fim específico de devolução dos valores restituídos nas declarações originais. Na análise feita pela DRJ a Turma de Julgamento concordou com o voto condutor que entendeu que as declarações retificadoras apresentadas pelo contribuinte, em 13/08/2011, não registram qualquer saldo de imposto a restituir que pudesse ensejar o cancelamento da exigência ora contestada ou reconhecimento de direito à restituição adicional. Entendo que tal avaliação é pertinente se considerarmos literalmente a legislação que rege a matéria, em particular as limitações de competência das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento, cotejadas com as competências das Delegacias da Receita Federal do Brasil. Da mesma forma ocorre no Julgamento em 2ª Instância, em que reconhecer o pleito do contribuinte seria fundir dois institutos diversos, o do contencioso administrativo, este contido na competência de atuação deste Conselho, e o da revisão de ofício, este contido na competência da autoridade lançadora. Portanto, é correta a conclusão de que a restituição em tela deveria ser objeto de declaração retificadora, ainda que em papel, mediante comprovação do erro de fato cometido, contudo, exigir que, neste caso, o contribuinte apresente retificações, tendo em vista que já ultrapassados 5 anos da data limite de apresentação da Declaração Retificadora do exercício mais recente, seria um descaso com o Princípio da Razoabilidade, que é uma diretriz de bom-senso aplicada ao Direito. Esse bom-senso jurídico se faz necessário à medida que as exigências formais que decorrem do princípio da legalidade tendem a reforçar mais o texto das normas que o seu espírito. Portanto, a fim de dar tratamento conclusivo e racional ao presente processo, de forma a prestigiar a economia processual, a razoabilidade, a verdade material e a informalidade que rege o processo administrativo, considerando, ainda, a prioridade a que o contribuinte tem direito por conta do Estatuto do Idoso e buscando evitar novas demandas acerca da mesma matéria, entendo oportuno avaliar o mérito do direito à isenção e, sendo o caso, aplicá-lo para corrigir, de ofício, o erro cometido pelo contribuinte nas retificações de seus ajustes anuais dos exercícios de 2009 a 2011. A não tributação dos valores recebidos a título de proventos de aposentadoria ou reforma, percebidos por portadores de doenças graves, encontra-se expressa nos incisos XXXI e XXXIII do artigo 39 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR/99), abaixo transcritos:. “Art. 39. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: (...). Fl. 237DF CARF MF Processo nº 10980.724950/2011-51 Acórdão n.º 2201-003.541 S2-C2T1 Fl. 236 5 XXXIII – os proventos de aposentadoria ou reforma, desde que motivadas por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados de doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome de imunodeficiência adquirida, e fibrose cística (mucoviscidose), com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XIV, Lei nº 8.541, de 1992, art. 47, e Lei nº 9.250, de 1995, art. 30, § 2º); (...). § 4º Para o reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XXXI e XXXIII, a partir de 1º de janeiro de 1996, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, devendo ser fixado o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle (Lei nº 9.250, de 1995, art. 30 e § 1º). Analisando as informações contidas nos autos, em particular os documentos de fl 04 e 45 constata-se que o requerente recebe proventos de aposentadoria e é portador de cardiopatia grave irreversível, moléstia relacionada em lei concessiva de isenção, desde o mês de março de 2008, data a partir da qual seus proventos de aposentadoria têm direito a isenção do Imposto de Renda. Quanto à PARANAPREVIDÊNCIA, entendo que é sim entidade médica oficial do Estado do Paraná competente para emitir laudos capazes de comprovar moléstias graves para fins de isenção do IR, resultando sua natureza jurídica de direito privado de mera opção administrativa da Unidade da Federação em questão. Exercício 2009, ano-calendário de 2008: RUBRICAS VALORES ORIGINÁRIOS (*) VALOR RETIFICADORA VALORES AJUSTADOS REND TRIBUTÁVEL 161.920,75 0,00 - DEPENDENTES (-) 4.967,64 0,00 4.967,64 DESP. INSTRUÇÃO (-) 5.184,58 0,00 5.184,58 DESP. MÉDICAS (-) 13.825,55 0,00 13.825,55 BASE DE CÁLCULO 137.943,01 0,00 0,00 IMP. DEVIDO 31.348,39 0,00 0,00 IRRF 36.120,93 0,00 36.120,93 IR A RESTITUIR 4.772,54 0,00 36.120,93 IR JÁ RESTITUÍDO 4.772,54 4.772,54 REST. A DEVOLVER 4.772,54 - IMP A RESTITUIR FINAL 31.348,39 REND. ISENTO 0 28.623,74 161.920,75 (*) VALORES RELACIONADOS À DECLARAÇÃO PROCESSADA DA QUAL RESULTOU A INCLUSÃO EM LOTE PARA PAGAMENTO DA RESTITUIÇÃO. Fl. 238DF CARF MF 6 Exercício 2010, ano-calendário de 2009: RUBRICAS VALORES ORIGINÁRIOS (*) VALOR RETIFICADORA VALORES AJUSTADOS REND TRIBUTÁVEL 162.372,94 0,00 - REND DEPENDENTE 4.857,96 0,00 4.857,96 DEPENDENTES (-) 5.191,20 0,00 5.191,20 DESP. INSTRUÇÃO (-) 2.711,94 0,00 2.711,94 DESP. MÉDICAS (-) 11.662,08 0,00 11.662,08 BASE DE CÁLCULO 147.668,68 0,00 0,00 IMP. DEVIDO 32.653,52 0,00 0,00 IRRF 35.586,97 0,00 35.586,97 IR A RESTITUIR 2.933,45 0,00 35.586,97 IR JÁ RESTITUÍDO 2.933,45 2.933,45 REST. A DEVOLVER 2.933,45 - IMP A RESTITUIR FINAL 32.653,52 REND. ISENTO 10.042,13 35.609,02 197.981,96 (*) VALORES RELACIONADOS À DECLARAÇÃO PROCESSADA DA QUAL RESULTOU A INCLUSÃO EM LOTE PARA PAGAMENTO DA RESTITUIÇÃO. Exercício 2011, ano-calendário de 2010: RUBRICAS VALORES ORIGINÁRIOS VALOR RETIFICADORA VALORES AJUSTADOS REND TRIBUTÁVEL 176.218,96 0,00 - REND DEPENDENTE 3.858,96 0,00 3.858,96 DEPENDENTES (-) 5.424,84 0,00 5.424,84 DESP. INSTRUÇÃO (-) 2.830,84 0,00 2.830,84 DESP. MÉDICAS (-) 12.636,17 0,00 12.636,17 BASE DE CÁLCULO 159.186,07 0,00 0,00 IMP. DEVIDO 35.462,81 0,00 0,00 IRRF 39.939,65 0,00 39.939,65 IR A RESTITUIR 4.476,84 0,00 39.939,65 IR JÁ RESTITUÍDO 4.476,84 4.476,84 REST. A DEVOLVER 4.476,84 - IMP A RESTITUIR FINAL 35.462,81 REND. ISENTO 19.488,95 35.462,81 211.681,77 Conclusão Em razão do exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário e, no mérito, dar-lhe provimento para cancelar os débitos objeto das Notificações de Lançamento de fl. 20, 28 e 36, bem assim para, fundado na retificação de erro de fato no preenchimento da declaração, reconhecer o direito creditório do contribuinte para os exercícios relacionados abaixo, os quais deverão ser atualizados e, sendo o caso, compensados de ofício, tudo nos termos da legislação de regência. EXERCÍCIO 2009 2010 2011 VALOR DO CRÉDITO (R$) 31.348,39 32.653,52 35.462,81 Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Relator Fl. 239DF CARF MF
score : 1.0
