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Numero do processo: 10675.907654/2009-23
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Mar 16 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 03 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2006
ESTIMATIVA. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE.
Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação (Súmula CARF nº 84).
Numero da decisão: 9101-002.636
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento, com retorno dos autos à Unidade de origem para verificação da certeza e liquidez do crédito tributário.
[assinado digitalmente]
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2006 ESTIMATIVA. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação (Súmula CARF nº 84).
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COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação (Súmula CARF nº 84). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negarlhe provimento, com retorno dos autos à Unidade de origem para verificação da certeza e liquidez do crédito tributário. [assinado digitalmente] Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório Tratase de Recurso Especial apresentado pela Fazenda Nacional contra o Acórdão nº 180100.922, que julgou o recurso voluntário interposto pela contribuinte acerca da possibilidade de compensação de créditos de pagamentos de estimativas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 90 76 54 /2 00 9- 23 Fl. 120DF CARF MF Processo nº 10675.907654/200923 Acórdão n.º 9101002.636 CSRFT1 Fl. 3 2 O Acórdão recorrido deu provimento parcial ao recurso voluntário para afastar o argumento jurídico da não homologação, entendendo ser possível a compensação de créditos de pagamentos de estimativas. Em seguida, para comprovar a divergência de interpretação necessária ao conhecimento do seu recurso, a Fazenda Nacional interpôs o presente recurso especial de divergência, por entender que a decisão de reconhecer a possibilidade de compensação do valor indevidamente pago, ou pago a maior, de estimativa é fruto de interpretação da legislação tributária que conflita com a interpretação adotada no acórdão paradigma colacionado aos autos. O recurso foi admitido por meio do despacho do Presidente da Câmara. Após, sobrevieram contrarrazões em que o sujeito passivo defende o acerto da decisão questionada e pugna pela sua manutenção. É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9101002.610, de 16/03/2017, proferido no julgamento do processo 10280.900603/200912, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9101002.610): O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele tomo conhecimento, na forma como foi admitido. O contribuinte apresentou DCOMP apontando indébito oriundo de pagamento a maior de estimativa. Ao apreciar a referida declaração, a Receita Federal não homologou a compensação, sob o fundamento de que o pagamento de estimativa não é passível de compensação, devendo compor a apuração anual do tributo. A decisão recorrida foi no sentido oposto, reconhecendo o direito de o contribuinte compensar o indébito de estimativa, devolvendo os autos para a unidade de origem, para verificação da certeza e liquidez do crédito tributário pleiteado, vez que essa matéria ainda não sofreu apreciação pela Administração Tributária. O recurso especial veio para que esta Câmara Superior reforme a decisão recorrida, restabelecendo a declaração de impossibilidade de o contribuinte compensar crédito de estimativa, nos termos da legislação infralegal então em vigor. Fl. 121DF CARF MF Processo nº 10675.907654/200923 Acórdão n.º 9101002.636 CSRFT1 Fl. 4 3 Todavia, a IN RFB nº 900, de 2008, retirou a referida proibição do ordenamento tributário e é pacífico na jurisprudência administrativa o entendimento de que seus efeitos devem retroagir para alcançar as compensações pendentes de decisão administrativa. Esse entendimento é adotado pela própria Administração Tributária, exteriorizado por meio da Solução de Consulta Interna Cosit n° 19, de 05/12/2011, assim ementada: ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. O art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicandose, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1º de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa. Caracterizase como indébito de estimativa inclusive o pagamento a maior ou indevido efetuado a este título após o encerramento do período de apuração, seja pela quitação do débito de estimativa de dezembro dentro do prazo de vencimento, seja pelo pagamento em atraso da estimativa devida referente a qualquer mês do período, realizado em ano posterior ao do período da estimativa apurada, mesmo na hipótese de a restituição ter sido solicitada ou a compensação declarada na vigência das IN SRF nº 460, de 2004, e IN SRF nº 600, de 2005. A nova interpretação dada pelo art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, aplicase inclusive aos PER/DCOMP retificadores apresentados a partir de 1º de janeiro de 2009, relativos a PER/DCOMP originais transmitidos durante o período de vigência da IN SRF nº 460, de 2004, e IN SRF nº 600, de 2005, desde que estes se encontrem pendentes de decisão administrativa. No âmbito deste Tribunal Administrativo, a matéria foi pacificada por meio da Súmula CARF nº 84: Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Por todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso especial da Procuradoria, com retorno dos autos à unidade de origem para verificação da certeza e liquidez do crédito tributário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, conheço do recurso especial da Fazenda Nacional, e, no mérito, negolhe provimento, com retorno dos autos à unidade de origem para verificação da certeza e liquidez do crédito tributário. assinado digitalmente Fl. 122DF CARF MF Processo nº 10675.907654/200923 Acórdão n.º 9101002.636 CSRFT1 Fl. 5 4 Carlos Alberto Freitas Barreto Fl. 123DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10510.003778/2009-11
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 04 00:00:00 UTC 2011
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006, 2007
EXCLUSÃO DE OFÍCIO.SIMPLES FEDERAL.
A prática reiterada de infrações à legislação autoriza a exclusão de oficio da microempresa do Simples Federal.
EXCLUSÃO DE OFÍCIO.SIMPLES NACIONAL.
A prática reiterada de infrações à legislação, bem como a falta de apresentação do Livro Caixa, autorizam a exclusão de oficio da
microempresa do Simples Nacional EXCLUSÃO DE OFÍCIO. EFEITOS.
Na hipótese de prática reiterada de infrações à legislação, a exclusão produzirá efeitos a partir, inclusive, do mês de ocorrência de qualquer dos fatos motivadores da exclusão.
Numero da decisão: 1803-001.029
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: Selene Ferreira de Moraes
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ementa_s : SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Ano-calendário: 2004, 2005, 2006, 2007 EXCLUSÃO DE OFÍCIO.SIMPLES FEDERAL. A prática reiterada de infrações à legislação autoriza a exclusão de oficio da microempresa do Simples Federal. EXCLUSÃO DE OFÍCIO.SIMPLES NACIONAL. A prática reiterada de infrações à legislação, bem como a falta de apresentação do Livro Caixa, autorizam a exclusão de oficio da microempresa do Simples Nacional EXCLUSÃO DE OFÍCIO. EFEITOS. Na hipótese de prática reiterada de infrações à legislação, a exclusão produzirá efeitos a partir, inclusive, do mês de ocorrência de qualquer dos fatos motivadores da exclusão.
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E COMERCIO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007 EXCLUSÃO DE OFÍCIO.SIMPLES FEDERAL. A prática reiterada de infrações à legislação autoriza a exclusão de oficio da microempresa do Simples Federal. EXCLUSÃO DE OFÍCIO.SIMPLES NACIONAL. A prática reiterada de infrações à legislação, bem como a falta de apresentação do Livro Caixa, autorizam a exclusão de oficio da microempresa do Simples Nacional EXCLUSÃO DE OFÍCIO. EFEITOS. Na hipótese de prática reiterada de infrações à legislação, a exclusão produzirá efeitos a partir, inclusive, do mês de ocorrência de qualquer dos fatos motivadores da exclusão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes – Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Sérgio Rodrigues Mendes, Meigan Sack Rodrigues, Selene Ferreira de Moraes. Fl. 563DF CARF MF Emitido em 27/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/10/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 27/10 /2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10510.003778/200911 Acórdão n.º 180301.029 S1TE03 Fl. 488 2 Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto o relato do órgão julgador de primeira instância até aquela fase: “Trata o processo em questão de exclusão da Contribuinte acima identificada do Simples Federal e do Simples Nacional, bem como de Autos de Infração referentes aos anoscalendário de 2004, 2005, 2006 e 2007, de Imposto de Renda Pessoa Jurídica — IRPJ, As fls. 376 a 383, no valor de R$14.598,86 (quatorze mil, quinhentos e noventa e oito reais e oitenta e seis centavos); de Contribuição para o Programa de Integração Social —PIS, As fls. 384 a 392, no valor de R$6.589,50 (seis mil, quinhentos e oitenta e nove reais e cinquenta centavos); de Contribuição Social sobre o Lucro Liquido — CSLL, as fls. 393 a 399, no valor de R$10.949,13 (dez mil, novecentos e quarenta e nove reais e treze centavos); e de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social — COFINS, as fls. 403 a 411, no valor de R$30.414,32 (trinta mil, quatrocentos e quatorze reais e trinta e dois centavos), acrescidos da multa de oficio qualificada, no percentual de 150%, e de juros de mora. 0 Auto de Infração de IRPJ foi proveniente de arbitramento do lucro da pessoa jurídica desenquadrada do regime do Simples, nos quatro trimestres dos anoscalendário de 2004 a 2007, com base no art. 530, inciso II, do RIR/1999, tendo em vista que a escrituração mantida pelo contribuinte possui erros e falhas que a tornam imprestável para a determinação do lucro real. 0 lucro arbitrado foi calculado a partir de: 1) receita de transporte omitida, apurada conforme os demonstrativos "Relação de Notas Fiscais 2006 e 2007" e "Consolidação mensal de Notas Fiscais", em anexo. 0 enquadramento legal aponta os arts. 532 e 537 do RIR/1999. 2) receita omitida oriunda de depósitos bancários de origem não comprovada, conforme "Relatório de Fiscalização", "Tabelas de Lançamentos a Crédito" e demonstrativo "Consolidação de Lançamentos a Crédito", em anexo. 0 enquadramento legal aponta os arts. 27, inciso I, e 42 da Lei n° 9.430, de 1996, e arts. 532 e 537 do RIR/1999. Os Autos de Infração relativos `a CSLL, ao PIS e à COFINS decorreram do Auto de Infração de IRPJ. 0 enquadramento legal do Auto de CSLL aponta infração aos arts.2° e §§ da Lei n° 7.689, de 1988; art. 24 da Lei n° 9.249, de 1995; art. 29 da Lei no 9.430, de 1996; e art. 37 da Lei n° 10.637, de 2002. 0 enquadramento legal do Auto de PIS aponta infração aos arts. Fl. 564DF CARF MF Emitido em 27/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/10/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 27/10 /2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10510.003778/200911 Acórdão n.º 180301.029 S1TE03 Fl. 489 3 1° e 3° da Lei Complementar n° 07, de 1970; art. 24, § 2°, da Lei n° 9.249, de 1995; e arts. 2°, inciso I, alínea "a", e parágrafo único, 3°, 10, 22, 51 e 91 do Decreto n° 4.524, de 2002. No Auto da COFINS, o enquadramento legal aponta infração ao art. 2°, inciso II e parágrafo único, 3°, 10, 22, 51 e 91 do Decreto n° 4.524, de 2002. No Relatório de Fiscalização, As fls. 412 e 413, o Autuante declara, em síntese, que: — a fiscalização foi iniciada na pessoa fisica da contribuinte Maria Aparecida Mota Santos, CPF n° 887.914.91568, para verificação de sua movimentação financeira incompatível, nos anos de 2004 a 2007. Após a apresentação, sob intimação, dos extratos bancários, a contribuinte foi instada a justificar cada lançamento a crédito nas contas mantidas no Banese, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal. Em resposta, a pessoa fisica alegou que tais créditos decorriam de sua atividade de empresária no ramo de transporte de cargas, mas comprovou apenas um dos lançamentos a crédito, no valor de aproximadamente 135 mil reais, referente à indenização de sinistro de um caminhão de sua propriedade; — posteriormente, apresentou cópias do contrato social e alterações da sociedade JJ Transporte Ind. e Com. Ltda, datada de 20/01/2004, registro JUCESE em 05/05/2004 e Ficha de Inscrição Cadastral na SEFAZ — SE em 17/06/2004. Segundo a 3ª alteração cadastral, de 11/11/2008, compõem o quadro societário Maria Aparecida Mota Santos e sua filha, menor, nascida em 01/08/1992, Joana Angélica Mota Montalvão Costa; — diante da insuficiência da resposta quanto aos demais lançamentos a crédito, a contribuinte foi reintimada em 07/07/2009, respondendo que, majoritariamente, os créditos referemse ao pagamento por fretes realizados e anexando diversos Contratos de Transporte de Carga daquela empresa, com datas de 2004 a 2006. Para uns poucos créditos, informou decorrerem de depósitos efetuados por seu genitor, pelo ressarcimento do Plano de Saúde Cassi, enquanto para outros declarou serem de empréstimo pessoal, embora não comprove tais alegações. Aponta ainda a existência de créditos referentes ao pagamento de salários, anexando Comprovante de rendimentos da Prefeitura de Itabaianinha; — na declaração de bens de Maria Aparecida, conforme DIRPF/2005, anocalendário 2004, consta a propriedade de diversos caminhões; na DIRPF/2006 constam dois caminhões; e na DIRPF/2007 consta um caminhão. Assim, foi encerrada a fiscalização na pessoa fisica de Maria Aparecida e aberta fiscalização na empresa "JJ Transportes", optante do Simples para os anos fiscalizados (2004 a 2007); — em 16/09/2009, a pessoa jurídica foi intimada a apresentar os Livros Caixa, Apuração de ISS, Diário, Razão, LALUR e demonstrativos contábeis, e demonstrar quais lançamentos a créditos na conta da sócia Maria Aparecida foram devidamente Fl. 565DF CARF MF Emitido em 27/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/10/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 27/10 /2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10510.003778/200911 Acórdão n.º 180301.029 S1TE03 Fl. 490 4 escriturados. Em resposta apresentou o Diário, o Razão e talões de notas fiscais, não apontando nenhuma relação entre os créditos bancários nas contas de Maria Aparecida e a escrituração das receitas auferidas pela "JJ Transportes". A se considerar tais créditos como receitas provenientes das operações da empresa, essas receitas teriam sido todas omitidas; — o Livro Caixa, de escrituração obrigatória para o regime do Simples, não foi apresentado, e nem os demonstrativos contábeis e fiscais que tenham apurado o lucro da empresa. No Diário no 01, referente ao ano de 2004, vêse a integralização do capital social de 10 mil reais, em 05/05/2004, despesas da ordem de 7 mil reais e um faturamento anual de 512 reais, faturamento este igualmente constante da ficha 04A da DIPJ/2005 da referida empresa, apresentada em 12/04/2005. Os livros Diário n° 02 e Razão n° 02, do ano de 2005, não apresentam qualquer movimentação. 0 Razão n° 03, referente a 2006, apresenta saldo credor de caixa no mês de junho, quando começou a ser escriturado, no valor de R$24.190,68, saldo esse que aumentou até o mês de novembro, chegando a R$96.579,83, quando registrou o ingresso de R$110.000,00, referente à venda de um ativo imobilizado. Não há, porém, qualquer registro anterior de aquisição de bens e nem conta de ativo imobilizado. Não houve também ampliação do capital social e a receita bruta seria menor que um terço das despesas. 0 Razão n° 04, referente a 2007, registra uma receita bruta de serviços no valor anual de R$141.533,76; — conforme os talonários apresentados, as notas fiscais estão relacionadas em demonstrativo anexo aos Autos de Infração, sendo a primeira nota emitida em 30/06/2006. No demonstrativo, vêse que o somatório anual é de R$19.350,00 e R$153.360,81, para os anos de 2006 e 2007, respectivamente. Já a movimentação financeira da empresa em DCPMF, nos mesmos anos, corresponde a R$69.172,89 e R$310.135,84. Não se comprovando a relação entre os lançamentos a crédito na conta pessoal da proprietária com a conta corrente da empresa, e sendo a movimentação própria da empresa (em DCPMF) suficiente para suportar o montante das notas fiscais, é de se considerar os lançamentos a crédito na conta corrente de Maria Aparecida como omissão de receita da pessoa jurídica. Portanto, o somatório das notas fiscais integra o faturatnento bruto da empresa juntamente com os créditos não justificados; — em seguida apresenta uma tabela contendo os valores das receitas registradas em cada documento, declaração ou livro, deixando evidente que os valores constantes dos livros da empresa não refletem a realidade, sendo, pois, desconsiderados. Ante a incompatibilidade da movimentação financeira da pessoa fisica com os rendimentos comprovados; A comprovação da atividade da empresa desde o ano de 2004, pelos conhecimentos de cargas apresentados; A constituição da empresa desde janeiro de 2004; A confusão entre a personalidade da pessoa jurídica com a pessoa fisica de sua proprietária, propriedade Fl. 566DF CARF MF Emitido em 27/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/10/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 27/10 /2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10510.003778/200911 Acórdão n.º 180301.029 S1TE03 Fl. 491 5 declarada, desde a DIRPF/2005, de veículos de transporte de carga, enquanto a empresa não os possuía; e finalmente a declaração da própria Maria Aparecida de que os créditos nas contas correntes, em sua maior parte decorriam de sua atividade empresarial, foram lavrados os Autos de Infração para constituir o crédito tributário decorrente das omissões de receita verificadas na pessoa jurídica; — vêse que a empresária, apesar de ter empresa constituída, movimentava os expressivos recursos da atividade em sua conta pessoal e apresentava DIPJ em valores muito inferiores ao faturamento. Também não declarava tais rendimentos na DIRPF, sendo que seus rendimentos declarados como pessoa fisica são insignificantes em relação àqueles. Pela conduta da empresária, notase que não se trata de simples erro por imperícia ou erro escusável, mas configurase a prática de "caixa 2", com evidente intuito de sonegação fiscal, motivo pelo qual é aplicada a multa de oficio de 150% sobre o valor dos tributos; — por todo o exposto, foi a empresa excluída dos regimes de tributação do Simples Federal e do Simples Nacional, conforme Ato Declaratório ao qual se dará ciência ao mesmo tempo dos Autos de Infração, e arbitrado o lucro da atividade de transporte de cargas. Dos valores a crédito relacionados nas planilhas anexas, foram retirados aqueles justificados, como indenização de sinistro, proventos salariais e resgate de título de capitalização. Todos os demais foram considerados omissão de receita da pessoa jurídica, conforme o demonstrativo Consolidação de Lançamentos a Crédito, elaborado a partir das tabelas com os créditos remanescentes não comprovados, todos anexos ao presente relatório e parte integrante dos Autos de Infração. As fls. 430 a 434, a pessoa jurídica apresentou manifestação de inconformidade, alegando, em resumo, que: • tendo sido desenquadrada do Simples Nacional, através do Ato Declaratório Executivo n° 39, de 13/11/2009, vem esclarecer e ao final requerer o que segue: a)a empresa aderiu ao Simples Nacional em 01/07/2007; b) a requerente sempre pagou seus tributos em dias, conforme certidão em anexo; c) a empresa sofreu autuação indevidamente, pois a omissão de receita não foi da requerente, e sim de sua sócia pessoa física; d) os débitos levantados pelo Auditorfiscal referemse ao período de 2004 a 2007; e) para evitar maiores transtornos, aderiu ao parcelamento, de acordo com a Lei n° 11.941/2009; f) enfatizamos que os valores objeto do auto de infração são de exclusiva responsabilidade de uma de suas sócias, Sra. Maria Aparecida Mota Santos; • prejudicar uma microempresa que ampara diversos trabalhadores, quando o auto de infração deveria recair sobre a pessoa física da sócia é ir pelo caminho mais simples e mais fácil. 0 fundamento utilizado pela Receita Federal é que a Lei Fl. 567DF CARF MF Emitido em 27/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/10/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 27/10 /2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10510.003778/200911 Acórdão n.º 180301.029 S1TE03 Fl. 492 6 Complementar n° 123/2006, art. 17, inciso V, prevê como requisito para ingresso ou permanência no regime diferenciado a regularidade fiscal, ou seja, que não haja débitos tributários para com o INSS ou perante as Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal. E um fundamento aceitável do ponto de vista da vinculação da atividade administrativa exercida pelos agentes do fisco, mas totalmente inaceitável se analisado o Sistema Constitucional Tributário e Econômico; • dizemos isso porque a interpretação dos dispositivos legais deve sempre levar em conta o fato de que eles pertencem a um sistema jurídico maior e mais complexo do que a lei em si que integram. 0 art. 17, V, da Lei Complementar 123/2006 está em descompasso com o Capitulo da Ordem Econômica da Constituição Federal. Nesse capitulo, mais especificamente no art. 179, está previsto que a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios dispensarão às microempresas e às empresas de pequeno porte, assim definidas em lei, tratamento jurídico diferenciado. A exigência de quitação tributária para incluir no sistema tributário diferenciado as micro e pequenas empresa, ou sej a, para conceder um direito que lhes foi garantido constitucionalmente, configurase num abuso, já que se utiliza da via indireta para cobrar tributos; • em vista disso, não podem as empresas resignarse ante as possíveis intimações de Desenquadramento do Simples Nacional, correndo riscos de fecharem as portas se passarem a trabalhar com as pesadas cargas que lhes impõe a modalidade geral. Além disso, convém lembrar que a requerente não cometeu nenhuma sonegação, pois o fruto da autuação deveuse à movimentação bancária de uma de suas sócias. Ainda mais, retroagiu ao inicio das atividades da empresa. Se fosse o caso, o que não o é, de a empresa ser excluída do Simples Nacional, seus efeitos deveriam ser a partir de novembro de 2009, e não de 2004, como cita o Ato Declaratório Executivo; • diante do exposto, vem requerer: 1) o cancelamento do Ato Declaratório Executivo n° 39, de 13/11/2009; 2) o reenquadramento imediato da requerente ao Simples Nacional, retornando seus direitos como tal desde sua constituição. Juntamente com a impugnação a Interessada trouxe aos autos os documentos de fls. 435 a 438.” A Delegacia de Julgamento considerou o lançamento procedente e a manifestação de inconformidade improcedente, em decisão assim ementada (fls. 447/452 – vol. III): “ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. 0 afastamento da aplicabilidade de lei ou de ato normativo, pelos órgãos judicantes da Administração Fazenddria, está necessariamente condicionado à existência de decisão definitiva Fl. 568DF CARF MF Emitido em 27/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/10/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 27/10 /2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10510.003778/200911 Acórdão n.º 180301.029 S1TE03 Fl. 493 7 do Supremo Tribunal Federal declarando sua inconstitucionalidade. EXCLUSÃO DE OFÍCIO. A prática reiterada de infrações à legislação autoriza a exclusão de oficio da microempresa do Simples Federal. EXCLUSÃO DE OFÍCIO. EFEITOS. A prática reiterada de infrações à legislação, bem como a falta de apresentação do Livro Caixa, autorizam a exclusão de oficio da microempresa do Simples Nacional, produzindo efeitos a partir do mês da ocorrência de qualquer dos fatos motivadores da exclusão. ARBITRAMENTO DO LUCRO. VÍCIOS E FALHAS NA ESCRITA. Procede o arbitramento do lucro da pessoa jurídica, quando se verifica que sua escrituração apresenta erros e falhas que impossibilitam a determinação do lucro real. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Caracterizam omissão de receitas os valores creditados em contas correntes mantidas junto a instituições financeiras, em relação aos quais a titular, regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. LANÇAMENTOS DECORRENTES. Confirmada, quando da apreciação do lançamento principal, a ocorrência dos fatos geradores que deram causa aos lançamentos decorrentes, há que ser dado a estes igual entendimento.” Contra a decisão, interpôs a contribuinte o presente Recurso Voluntário, em que, além de reiterar as alegações contidas na impugnação, acrescenta as seguintes considerações: a) O Senhor Auditor Fiscal Federal procurou o caminho mais simples, autuou a empresa da sócia, pois não encontrou base legal para autuála, já que a mesma tinha rendimentos e dinheiro em caixa suficiente para cobrir sua movimentação financeira que foi detectada pelo mesmo. É o relatório. Voto Fl. 569DF CARF MF Emitido em 27/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/10/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 27/10 /2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10510.003778/200911 Acórdão n.º 180301.029 S1TE03 Fl. 494 8 Conselheira Selene Ferreira de Moraes A contribuinte foi cientificada por via postal, tendo recebido a intimação em 30/04/2010 (AR de fls. 461). O recurso foi protocolado em 22/05/2010, logo, é tempestivo e deve ser conhecido. A recorrente limitase a repisar os argumentos explicitados na impugnação: (i) a afirmação de que a autuação na pessoa jurídica é indevida, porque a movimentação financeira é da sócia; (ii) o descompasso do art. 17, V, da Lei Complementar n° 123/2006 com a Constituição Federal; (iii) o questionamento dos efeitos do ato declaratório. Preliminarmente cumpre observar que não consta dos autos nenhuma prova de adesão ao parcelamento previsto na Lei n° 11.941/2009. Nos termos do extrato do processo de fls. 454/459, os créditos tributários lançados encontravamse na situação “ciência – julgamento impugnação”, ou seja, foram suspensos nos termos do art. 151, inciso III, do Código Tributário Nacional. Logo, deverão ser analisadas todos as razões apresentadas no recurso. O lançamento na pessoa jurídica foi efetuado com base nas declarações da própria recorrente, que prestou as seguintes informações (fls. 216/218): • O valor de R$ 135.159,61, lançado no dia 14/07/2004, foi urna TED— feita pela Sul América Seguros, por indenização ao sinistro ocorrido com nosso caminhão Mercedes Benz, mod. L1620851, modelo 2004, conforme consta em nossa declaração de ajuste ano do exercício de 2005, anobase 2004. • Os demais depósitos ocorridos no ano de 2004 e nos anos de 2005, 2006 e 2007, foram oriundos de sua atividade. Os depósitos são decorrentes do frete e na maioria das vezes do valor das mercadorias entregues. Para ter a preferência pelo transportes dos blocos produzidos na região, agenciava a venda dos blocos para terceiros, tendo como recompensa, a preferência pelo frete dos mesmos. Recebia o dinheiro dos blocos e o repassava às cerâmicas. Posteriormente foram apresentados à fiscalização novos documentos, os quais levaram à exclusão da tributação dos créditos relativos a indenização de sinistro, a proventos salariais e a título de capitalização, ou seja, todos os valores que comprovadamente pertenciam à pessoa física. Os demais créditos na conta da pessoa física foram atribuídos à pessoa jurídica em razão das informações prestadas pela própria recorrente. A tabela constante do relatório fiscal ilustra com precisão o total das notas fiscais emitidas, a receita bruta declarada e escriturada pela pessoa jurídica, e a movimentação financeira nas contascorrentes da pessoa física: Ano Total em Notas Fiscais Movimentação Financeira da JJ Transportes em DCPMF Receita Bruta em DIPJ da JJ Transportes Receita Escriturada no Razão Rendimentos em DIRF de Maria Aparecida Lançamentos a crédito, não justificados, na contacorrente P.Fisica, considerada omissão de Fl. 570DF CARF MF Emitido em 27/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/10/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 27/10 /2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10510.003778/200911 Acórdão n.º 180301.029 S1TE03 Fl. 495 9 receita da JJ Transportes 2004 0,00 626,28 512,00 512,00 0,00 178.726,78 2005 0,00 1.439,42 0,00 0,00 17.100,00 163.250,33 2006 19.350,00 69.172,89 18.576,00 18.576,00 16.200,00 305.755,31 2007 153.360,81 310.135,84 141.593,76 141.533,76 16.200,00 193.374,76 A análise desta tabela deixa claro que a movimentação financeira da empresa é muito superior aos valores declarados na DIPJ, restando comprovada a omissão de receitas. A fiscalização efetuou o lançamento na pessoa jurídica com base nos elementos de prova coligidos durante todo o procedimento fiscal, ao passo que a contribuinte limitouse a afirmar que o lançamento é indevido porque a movimentação financeira é da pessoa física, contrariando a afirmação anterior, sem anexar aos autos qualquer documentação hábil a demonstrar sua nova afirmação. Por conseguinte não há reparos a fazer na decisão recorrida neste tópico. Quanto à alegação de que o art. 17, inciso V, da Lei Complementar n° 126/2006 é inconstitucional, deve primeiro ser salientado, que a exclusão do Simples Federal e do Simples Nacional não foi efetuada com base neste dispositivo legal, mas com fulcro nos artigos 12, 14, inciso V e 15, inciso V, §3°, da Lei n° 9.317/1996 (Simples Federal) e no art. 29, incisos V e VIII, §1°, da Lei Complementar 123/2006, a seguir reproduzidos: “Art. 14. A exclusão darseá de ofício quando a pessoa jurídica incorrer em quaisquer das seguintes hipóteses: (...) V prática reiterada de infração à legislação tributária;” “Art.29. A exclusão de ofício das empresas optantes pelo Simples Nacional darseá quando: (...) Vtiver sido constatada prática reiterada de infração ao disposto nesta Lei Complementar; (...) VIIIhouver falta de escrituração do livrocaixa ou não permitir a identificação da movimentação financeira, inclusive bancária; §1º Nas hipóteses previstas nos incisos II a XII do caput deste artigo, a exclusão produzirá efeitos a partir do próprio mês em que incorridas, impedindo a opção pelo regime diferenciado e favorecido desta Lei Complementar pelos próximos 3 (três)anos calendário seguintes.” Fl. 571DF CARF MF Emitido em 27/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/10/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 27/10 /2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10510.003778/200911 Acórdão n.º 180301.029 S1TE03 Fl. 496 10 As provas coligidas aos autos demonstram claramente a prática reiterada de infração à legislação tributária, estando correta a exclusão efetuada pela autoridade administrativa. A escrituração contábil apresenta vários vícios e não registra a movimentação bancária da recorrente. Quanto às demais alegações, tecidas na fase impugnatória e simplesmente repetidas na fase recursal, basta reproduzirmos o teor da decisão de primeira instância, que rejeitouas adequadamente: “Quanto à alegada inconstitucionalidade, os órgãos judicantes, integrantes da estrutura básica do Ministério da Fazenda, devem verificar a conformidade dos procedimentos administrativos relacionados aos processos de exigência de créditos tributários, referentes a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), com as normas legais vigentes. No desempenho de suas funções, as Delegacias de Julgamento da RFB carecem de competência para pronunciarse a respeito de conformidade de lei ou ato normativo com preceitos emanados da Constituição Federal, por ser matéria reservada exclusivamente ao Poder Judiciário, também por força de dispositivo constitucional. Logo, não podem os órgãos julgadores afastar a aplicação de lei cuja inconstitucionalidade não tenha sido declarada em decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal. A Impugnante era optante do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresa e das Empresas de Pequeno Porte — Simples Federal, regulado pela Lei n° 9.317, de 05/12/1996, desde sua constituição, na condição de microempresa, em 05/05/2004. Posteriormente, após a edição da Lei Complementar n° 123, de 14/12/2006, migrou para o Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte — Simples Nacional, a partir de 01/07/2007. Como descrito no Relatório de Fiscalização, verificouse que a Autuada cometeu uma série de irregularidades, caracterizando a prática reiterada de infração legislação, razão pela qual foi desenquadrada do Simples Federal, por força do artigo 14, inciso V, da Lei n° 9.317, de 1996. Entre as irregularidades apontadas, destacamse: a) embora a empresa tenha sido constituída em maio de 2004, grande parte das receitas auferidas entre 2004 e 2007, em função de sua atividade de transporte de cargas, eram movimentadas, desde o mês de janeiro de 2004, por meio das contas bancárias da sócia e administradora, Sra. Maria Aparecida Mota Santos, que reconhece tal fato, conforme resposta a termo de intimação, As fls. 216 a 218; b) a sócia apresentou as planilhas de fls. 245 a 259, por meio das quais buscou justificar os créditos constantes de seus extratos bancários, contendo a informação de que a maior parte Fl. 572DF CARF MF Emitido em 27/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/10/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 27/10 /2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10510.003778/200911 Acórdão n.º 180301.029 S1TE03 Fl. 497 11 desses créditos seria oriunda de "frete da transportadora", bem como Contratos de Transporte de Cargas, As fls. 264 a 289, efetuados entre 2004 e 2006, ainda que a primeira nota fiscal emitida (fl. 63) seja datada de 30/06/2006; c) os valores constantes dos referidos Contratos não conferem com nenhuma das notas fiscais e também não correspondem ao escriturado nos livros contábeis e nem aos montantes registrados nas declarações simplificadas PJ — Simples, sendo esses bastante inferiores aos créditos bancários. Tais valores também não constam das DIRPF da representante legal da empresa, que informava rendimentos insignificantes; d) nas declarações de bens integrantes das DIRPF da referida sócia, relativas aos anoscalendário de 2004 a 2006, constam a propriedade de alguns caminhões, com os quais a pessoa jurídica exercia sua atividade de transporte de cargas, enquanto a empresa autuada não possuía qualquer veiculo dessa natureza, consoante análise das respectivas DIPJ; e) enquanto os créditos nas contas bancárias da sócia Maria Aparecida, em 2004, remontam a R$154.129,92 (apenas aqueles admitidos pela própria sócia como sendo faturamento da pessoa jurídica), a DIPJ correspondente aponta um faturamento de R$512,00, coincidente com o valor escriturado no Diário no 01 e no Razão n° 01. No ano de 2005, os créditos bancários da sócia alcançam o montante de R$149.267,88, porém, o Diário n° 02, o Razão n° 02 e a respectiva DIPJ não apresentam qualquer movimentação financeira no período.Em 2006, enquanto os créditos bancários admitidos pela sócia chegam a R$289.565,31, o Razão n° 03 e a DIPJ mostram uma receita de R$18.576,00. Já no ano de 2007, foram admitidos como faturamento da empresa R$151.559,72, embora tenha sido escriturada no Razão n° 04 e declarada na DIPJ uma receita bruta de R$141.533,76; f) o Razão n° 03, concernente a 2006, encontrase escriturado somente a partir de junho de 2006, vindo a apresentar saldo credor de caixa desde este mês até o mês de novembro, quando há o registro do ingresso de um valor relativo à venda de um ativo imobilizado, cuja aquisição não está escriturada, sendo que sequer existe, no Razão, qualquer conta de ativo imobilizado; g) como a movimentação financeira própria da pessoa jurídica, conforme DCPMF, foi suficiente para suportar o montante das notas fiscais, considerase os lançamentos a crédito, não comprovados, nas contas bancárias da sócia Maria Aparecida, como sendo receitas omitidas da pessoa jurídica, e o faturamento bruto da empresa como a soma dessas receitas com aquelas correspondentes as notas fiscais emitidas; h) assim, a escrituração apresentada pela empresa foi desclassificada, tendo em vista não espelhar a realidade dos fatos. Fl. 573DF CARF MF Emitido em 27/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/10/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 27/10 /2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10510.003778/200911 Acórdão n.º 180301.029 S1TE03 Fl. 498 12 No caso do Simples Nacional, a exclusão se deu não apenas pela mesma razão que deu causa ao desenquadramento do Simples Federal, qual seja, a prática reiterada das infrações à legislação descritas acima, como também pela falta de escrituração do Livro Caixa, de acordo com o disposto no inciso VIII do artigo 29 da Lei Complementar n° 123, de 2006. A respeito do pedido da Impugnante de que, caso seja mantida a exclusão, seus efeitos somente se façam sentir a partir de novembro de 2009, cumpre transcrever, no caso do Simples Federal, os artigos 14, inciso V, e 15, inciso V, da Lei n° 9.317, de 1996, que assim dispõem: Art 14. A exclusão darseá de oficio quando a pessoa jurídica incorrer em quaisquer das seguintes hipóteses: V prática reiterada de infração à legislação tributária; (.). Art. 15. A exclusão do SIMPLES nas condições de que tratam os arts. 13 e 14 surtirá efeito: (..); V a partir, inclusive, do mês de ocorrência de qualquer dos fatos mencionados nos incisos II a VII do artigo anterior. Da mesma forma, quanto ao Simples Nacional, a Lei Complementar n° 123, de 2006, no seu artigo 29, incisos V e VIII e §§ 1° e 2°, prevê, verbis: Art. 29. A exclusão de oficio das empresas optantes pelo Simples Nacional darseá quando: V tiver sido constatada prática reiterada de infração ao disposto nesta Lei Complementar; VIII houver falta de escrituração do livrocaixa ou não permitir a identificação da movimentação financeira, inclusive bancária; § 1° Nas hipóteses previstas nos incisos II a XII do caput deste artigo, a exclusão produzirá efeitos a partir do próprio mês em que incorridas, impedindo a opção pelo regime diferenciado e favorecido desta Lei Complementar pelos próximos 3 (três) anoscalendário seguintes. § 2° 0 prazo de que trata o § 1° deste artigo será elevado para 10 (dez) anos caso seja constatada a utilização de artificio, ardil ou qualquer outro meio fraudulento que induza ou mantenha a fiscalização em erro, com o fim de suprimir ou reduzir o pagamento de tributo apurcivel segundo o regime especial previsto nesta Lei Complementar. Portanto, tanto no caso do Simples Federal como no do Simples Nacional, as exclusões de oficio ficam mantidas e produzirão efeitos a partir do próprio mês em que incorrida a prática Fl. 574DF CARF MF Emitido em 27/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/10/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 27/10 /2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10510.003778/200911 Acórdão n.º 180301.029 S1TE03 Fl. 499 13 reiterada de infração à legislação, e não do mês de novembro de 2009, quando foi expedido o Ato Declaratório Executivo n° 39/2009, como pretende a Requerente.” Ante todo o exposto, nego provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes Fl. 575DF CARF MF Emitido em 27/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/10/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 27/10 /2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES
score : 1.0
Numero do processo: 10830.912320/2012-37
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Apr 20 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3402-000.984
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª Câmara /2ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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ENTIDADES BENEFICENTES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. Recorrente CASA DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE DE VALINHOS GRUPO GENTE NOVO RUMO Recorrida FAZENDA NACIONAL ACORDAM os membros da 4ª Câmara /2ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório eletrônico que indeferiu o Pedido de Restituição Eletrônico PER, referente a alegado crédito de pagamento indevido ou a maior efetuado por meio do DARF. Segundo o Despacho Decisório, o DARF informado no PER foi integralmente utilizado na quitação do respectivo débito, não restando crédito disponível para restituição. Em sua manifestação de inconformidade a interessada argumentou, em resumo, que o pagamento indevido decorre de sua condição de imune às contribuições sociais, nos termos do § 7º do art. 195, c/c 146, inc. II, ambos da Constituição Federal, e do art. 14 do CTN. Isso porque tem a natureza jurídica de associação civil sem fins lucrativos e o objetivo de prestar assistência integral à criança e ao adolescente, na forma dos arts. 203 da CF/88 e 2º do Estatuto da Criança. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 30 .9 12 32 0/ 20 12 -3 7 Fl. 70DF CARF MF Processo nº 10830.912320/201237 Resolução nº 3402000.984 S3C4T2 Fl. 3 2 Uma vez processada a manifestação de inconformidade, esta foi julgada improcedente nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2008 RESTITUIÇÃO. PIS – FOLHA DE PAGAMENTO. ATIVIDADE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. INCIDÊNCIA. São contribuintes do PIS/Pasep incidente sobre a folha de salário, e não sobre o faturamento, as instituições beneficentes de assistência social, de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações, quando atendidas as condições e requisitos legais. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido.. Diante deste quadro, o contribuinte interpôs o recurso voluntário em que alegou, em suma: (i) que é imune ao pagamento do PIS, haja vista o disposto no art. 195, § 7º, c.c. o art. 146, inciso II, ambos da Magna Lex, bem como o disposto no art. 14 do CTN; e, ainda (ii) que a recorrente atende todos os requisitos estabelecidos em lei para gozar da imunidade citada e que, para o período em tela, foi declarada entidade pública federal, nos termos da Portaria Federal n. 685, de 04/04/2007, bem como possui o CEBAS Certificado de Entidades Beneficentes de Assistência Social, sob o n. 71000.114296/200930. É o relatório. Resolução Conselheiro Antonio Carlos Atulim, relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3402000.939, de 28 de março de 2017, proferida no julgamento do processo 10830.912270/201298, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu na Resolução 3402000.939: "5. O presente recurso voluntário preenche os pressupostos formais de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. 6. Como visto alhures, tratase de pedido de ressarcimento com o fito de ver reconhecido crédito de PIS decorrente da imunidade da recorrente, uma vez que a mesma enquadrarseia no conceito de entidade beneficente. Fl. 71DF CARF MF Processo nº 10830.912320/201237 Resolução nº 3402000.984 S3C4T2 Fl. 4 3 7. Para provar sua condição de entidade beneficente, a recorrente anexa à sua manifestação de inconformidade os documentos de fls. 21/28 [(i) certificado de utilidade pública nacional, emitido pelo Ministério da Justiça; (ii) atestado de registro no Conselho Nacional de Assistência Social; (iii) Portaria Municipal que reconhece o caráter assistencial da recorrente; e, ainda, (iv) cópia da lei municipal n. 4.812/2012, que autoriza a concessão de subvenções às entidades assistenciais do Município de Valinhos, dentre as quais encontrase a recorrente]. 8. Não obstante, juntamente com seu recurso voluntário, o contribuinte apresenta outro documento (fl. 65) que atestaria sua condição de entidade beneficente. Tratase do ofício n. 959/20013, emitido pela Coordenação Geral de Certificação das Entidades Beneficentes de Assistência Social, que assim comunica: 9. Da análise de todos os documentos aqui tratados, é possível cogitar que, de fato, a recorrente enquadrase no conceito de entidade assistencial apta a gozar de imunidade tributária. Acontece que, todos os documentos trazidos nos autos pela recorrente com o escopo de provar tal condição referemse à momento posterior ao período do crédito em análise, o qual diz respeito ao mês de fevereiro de 2006 (fl. 32). 10. Neste diapasão, tendo em vista que o acervo probatório trazidos aos autos aparentemente induz à conclusão de que a recorrente preenche as condições para gozar de imunidade tributária, bem com ainda pautado pela ideia de instrumentalidade do processo, resolvo por converter o presente julgamento em diligência para que a unidade preparadora providencie: Fl. 72DF CARF MF Processo nº 10830.912320/201237 Resolução nº 3402000.984 S3C4T2 Fl. 5 4 · a intimação do contribuinte para apresentar o Certificado de Entidades Beneficentes de Assistência Social CEBAS válido para o período do crédito aqui vindicado. 11. É a resolução." Importante frisar que os documentos juntados pela contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório alegado, também foram juntados em cópias nestes autos. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, convertese o presente julgamento em diligência, para que a unidade preparadora intime o contribuinte para apresentar o Certificado de Entidades Beneficentes de Assistência Social CEBAS válido para o período do crédito aqui vindicado. Após, retornemse os autos para julgamento. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Fl. 73DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.013906/2006-30
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Mar 16 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2004
Decadência. Não reconhecimento.
Quando não há pagamento antecipado de tributo, a decadência rege-se pelo art. 173, I, do Código Tributário Nacional.
Entidade Fechada de Previdência Complementar. Imunidade. Previsão em sentença. Trânsito em julgado.
No caso em análise, foi reconhecida a imunidade da entidade fechada de previdência complementar em que não há contribuição dos beneficiários, em conformidade com a Súmula nº 730 do STF.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2004
Decadência. Não reconhecimento.
Quando não há pagamento antecipado de tributo, a decadência rege-se pelo art. 173, I, do Código Tributário Nacional.
Entidade Fechada de Previdência Complementar. Imunidade. Previsão em sentença. Trânsito em julgado.
No caso em análise, foi reconhecida a imunidade da entidade fechada de previdência complementar em que não há contribuição dos beneficiários, em conformidade com a Súmula nº 730 do STF.
Numero da decisão: 3302-003.501
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Por unanimidade de votos, foi rejeitada a prejudicial de decadência e, no mérito, por unanimidade de votos, foi dado provimento ao Recurso Voluntário.
(assinatura digital)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente
(assinatura digital)
Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza - Relatora
Participaram do julgamento os Conselheiros: Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Paulo Guilherme Déroulède, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araujo.
Nome do relator: SARAH MARIA LINHARES DE ARAUJO PAES DE SOUZA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2004 Decadência. Não reconhecimento. Quando não há pagamento antecipado de tributo, a decadência rege-se pelo art. 173, I, do Código Tributário Nacional. Entidade Fechada de Previdência Complementar. Imunidade. Previsão em sentença. Trânsito em julgado. No caso em análise, foi reconhecida a imunidade da entidade fechada de previdência complementar em que não há contribuição dos beneficiários, em conformidade com a Súmula nº 730 do STF. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2004 Decadência. Não reconhecimento. Quando não há pagamento antecipado de tributo, a decadência rege-se pelo art. 173, I, do Código Tributário Nacional. Entidade Fechada de Previdência Complementar. Imunidade. Previsão em sentença. Trânsito em julgado. No caso em análise, foi reconhecida a imunidade da entidade fechada de previdência complementar em que não há contribuição dos beneficiários, em conformidade com a Súmula nº 730 do STF.
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Não reconhecimento. Quando não há pagamento antecipado de tributo, a decadência regese pelo art. 173, I, do Código Tributário Nacional. Entidade Fechada de Previdência Complementar. Imunidade. Previsão em sentença. Trânsito em julgado. No caso em análise, foi reconhecida a imunidade da entidade fechada de previdência complementar em que não há contribuição dos beneficiários, em conformidade com a Súmula nº 730 do STF. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2004 Decadência. Não reconhecimento. Quando não há pagamento antecipado de tributo, a decadência regese pelo art. 173, I, do Código Tributário Nacional. Entidade Fechada de Previdência Complementar. Imunidade. Previsão em sentença. Trânsito em julgado. No caso em análise, foi reconhecida a imunidade da entidade fechada de previdência complementar em que não há contribuição dos beneficiários, em conformidade com a Súmula nº 730 do STF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Por unanimidade de votos, foi rejeitada a prejudicial de decadência e, no mérito, por unanimidade de votos, foi dado provimento ao Recurso Voluntário. (assinatura digital) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 01 39 06 /2 00 6- 30 Fl. 608DF CARF MF 2 Ricardo Paulo Rosa Presidente (assinatura digital) Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza Relatora Participaram do julgamento os Conselheiros: Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Paulo Guilherme Déroulède, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araujo. Relatório Tratase de recurso voluntário, advindo do lançamento da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS nos períodos de janeiro de 1999 a dezembro de 2004 de entidade fechada de previdência complementar. Do Termo de Verificação Fiscal, fls. 59/641, extraemse as seguintes informações: A partir do "Termo de Início de Fiscalização", de 24/07/06, de fls. 63, com o "Termo de Resposta" de fls. 64, e do "Termo de Intimação Fiscal", de 14/11/06, de fls. 65, com o "Termo de Resposta" de fls. 66; juntaramse os Documentos Fiscais e Contábeis de fls. 67 a 95 deste Volume e fls. 02 a 165 do Anexo I, relacionados à situação fiscal do Contribuinte. Das análises e confrontos efetuados, apuraramse Infrações à Legislação Tributária que resultaram em "Diferenças Devidas Da Contribuição Para O Programa de Integração Social PIS" nos anoscalendário de 1999 a 2004, constituídas no "Auto de Infração" de fls. 08 a 27. Também das análises e confrontos efetuados, apuraramse Infrações à Legislação Tributária que resultaram em "Diferenças Devidas Da Contribuição Para O Financiamento da Seguridade Social COFINS" nos anos calendários de 1999 a 2004, constituídas no "Auto de Infração" de fls. 28 a 47. As Diferenças em questão se originaram do fato do Contribuinte não considerar as Receitas Tributáveis auferidas (apuradas no item 4, mais à frente); nada informando em suas "Declarações de Informações Econômico FiscaisDIPJ" sobre as Bases de Cálculo das Contribuições (conforme demonstra extratos de alguns meses às fls. 67 a 69); não sendo os Débitos correspondentes objeto de Declaração em DCTF; nem de Pagamento ou de Depósito Judicial. Intimado a apresentar justificativas por questões relacionadas à CSLL, conforme Documento de fls. 65, o Contribuinte, em sua Resposta de fls. 66, na segunda parte (Para o Período de Janeiro 1 Todas as páginas referenciadas no relatório e voto correspondem ao eprocesso. Fl. 609DF CARF MF Processo nº 10680.013906/200630 Acórdão n.º 3302003.501 S3C3T2 Fl. 3 3 de 1999 a Dezembro de 2004), afirma que entende ser imune ao PIS e à COFINS. Assim, indica enquadrarse como Entidade Imune ou Isenta para as Contribuições Sociais, nos termos do § 7º do art. 195 da Constituição Federal. No entanto, como se verá a seguir, caracterizouse o mesmo como uma Instituição integrante do rol de Pessoas Jurídicas sem Isenção ou Imunidade, sujeita à Tributação do PIS e da COFINS sobre a totalidade de suas Receitas, nos termos dos art. 2o e 3o, §1°, §5°, §6°, §7° da Lei n° 9.718, de 27 de novembro de 1998 c/c art. 1o e 2o da Medida Provisória n° 1.807, de 28/01/99, reeditada sob o n° 1.8586, de 29/06/99, atual MP n° 2.037 22/00. Com este mesmo entendimento, temse o Parecer da CoordenaçãoGeral de Tributação da Secretaria da Receita Federal de fls. 71 a 76 (Parecer COSIT n° 44, de 31 de Outubro de 2000), que trata ainda da composição da base de cálculo da Contribuições para as Entidades Fechadas de Previdência Privada. (...) A Entidade fiscalizada foi constituída sob a forma de Sociedade Civil, conforme os arts. 4o e 5o da Lei n° 6.435, de 15/07/77, sendo uma Entidade Fechada de Previdência Privada (EFPP); a qual por normas estatutárias é mantida por contribuições mensais recebidas da Sociedade Patrocinadora e dos Participantes (vinculados à patrocinadora), conforme Estatuto e Regulamento da Entidade. A contribuinte apresentou impugnação, fls. 112/141 , onde arguiu em síntese: i) Não é contribuinte do PIS, já que suas receitas, de acordo com seu plano de normas contábeis, não correspondem às receitas tributáveis por esta contribuição, e seja beneficiada pela imunidade tributária em relação não só a impostos e taxas, mas também em relação às contribuições sociais, o fato é que a autuação promovida pelo Fisco já foi atingida pela decadência em relação aos fatos geradores ocorridos até 30.06.01; ii) Que se constitui em uma entidade fechada de previdência privada na forma do seu Estatuto e do seu Regulamento, aprovados por ato do Sr. Ministro de Estado da Previdência Social, que lhe autorizou a funcionar como tal por intermédio da Portaria n° 426, de 17.08.93 e que se trata de uma entidade sem fins lucrativos, mantida por contribuições exclusivas das patrocinadoras (empregadoras), sociedades empresárias que formam o Grupo Carfepe, ao contrário do que sustenta o Termo de Verificação e Constatação Fiscal (segundo a fiscalização, a Impugnante seria mantida por contribuições das patrocinadoras e do patrocinados/empregados); iii) Que se submete à fiscalização e ao controle do Ministério da Previdência e da Assistência Social, por intermédio da Secretaria de Previdência Complementar SPC. Como tal, possui estrutura contábil própria e diferente das sociedades comerciais, haja vista Fl. 610DF CARF MF 4 que não possui fins lucrativos e que todo o seu superávit ou déficit patrimonial é revertido para os planos de benefício, conforme determina mais uma vez o seu Estatuto e o seu Regulamento; iv) Argumenta que o Pleno do Excelso Supremo Tribunal Federal, por unanimidade, julgando o RE n° 359.7563, em que foi parte a Comshell Sociedade de Previdência Privada, decidiu no sentido de que efetivamente gozam da imunidade prevista no referido dispositivo constitucional as entidades fechadas em que os beneficiários não contribuem e a mantenedora arca com todos os ônus, fato que caracteriza a natureza de assistência social; v) Defende que ainda que sejam ultrapassados todos os argumentos, as entidades fechadas de previdência complementar não são contribuintes da contribuição ao PIS, pois, de acordo com a Lei Complementar nº 109/2001, não se sujeitam às leis mercantis e financeiras, e devem observar, quanto à forma, a estrutura das fundações ou das sociedades civis sem fins lucrativos; Sobreveio, então, acórdão da DRJ/Belo Horizonte, fls. 216/232, cuja ementa é colacionada abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2004 Decadência Com a Súmula Vinculante n° 08 do STF, de 20/06/2008, o prazo decadencial das contribuições que compõem a Seguridade Social entre elas a Cofins e o PIS passou a ser de 5 anos. Entidade Fechada de Previdência Complementar A base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins das entidades abertas e fechadas de previdência complementar é o valor da receita bruta mensal. Atividade Vinculada A atividade administrativa não comporta apreciação discricionária no tocante aos atos que integram a legislação tributária. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2004 Decadência Com a Súmula Vinculante n° 08 do STF, de 20/06/2008, o prazo decadencial das contribuições que compõem a Seguridade Social entre elas a Cofins e o PIS passou a ser de 5 anos. Entidade Fechada de Previdência Complementar A base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins das entidades abertas e fechadas de previdência complementar é o valor da receita bruta mensal. Atividade Vinculada Fl. 611DF CARF MF Processo nº 10680.013906/200630 Acórdão n.º 3302003.501 S3C3T2 Fl. 4 5 A atividade administrativa não comporta apreciação discricionária no tocante aos atos que integram a legislação tributária. Irresignada a interessada apresentou recurso voluntário, fls. 250/278, onde reafirmou os argumentos, apresentados na impugnação, juntando julgamento de Recurso Extraordinário nº 320.70509, da qual é parte processual. Posteriormente, os autos foram encaminhados ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, que decidiu a conversão do feito em diligência, por meio da resolução de nº 3101.00.151, a fim de demonstrar, trechos in verbis, fls. 294/295: Isso posto, sem esquecer que a sentença com trânsito em julgado é a lei do caso concreto e com o objetivo de enriquecer a instrução dos autos deste processo administrativo, voto pela conversão do julgamento do recurso voluntário em diligência à repartição de origem para que a autoridade preparadora, fundamentadamente: (1) esclareça se as operações da entidade fechada de previdência privada, na época dos fatos geradores dos tributos ora debatidos, eram subordinadas ao Estatuto e ao Regulamento do Plano de Benefícios da CARFEPE SOCIEDADE DE PREVIDÊNCIA PRIVADA que deu sustentação jurídica aos despachos do Supremo Tribunal Federal negando seguimento aos Recursos Extraordinários 320.7059 (MG) e 274.3941 (MG); (2) em caso de resposta negativa ao quesito anterior, promova a instrução dos autos deste processo administrativo com cópia autêntica do Estatuto e do Regulamento do Plano de Benefícios vigente no período de 1o de janeiro de 1999 a 31 de dezembro de 2004. Vale lembrar que eventuais provas documentais oferecidas por fotocópias sem autenticação por tabelião de notas devem ser autenticadas pelo servidor público que as recepcionar mediante confronto de cada uma delas com os respectivos originais. Posteriormente, após facultar à recorrente oportunidade de manifestação quanto ao resultado da diligência, providenciar o retorno dos autos para este colegiado. Foi anexado então ao processo, o estatuto, fls. 489/505, portaria do Ministério da Previdência Social, fls. 506, ata da décima sétima reunião, fls. 536/538, regulamento do plano de benefícios versão atualizada de 1999, fls. 539/557, estatuto versão atualizada de 1999, fls. 558/579, alterações no estatuto para atendimento da Lei Complementar nº 109, fls. 580/597. Sobreveio, posteriormente, manifestação da Recorrente, fls. 598/599. É o relatório. Fl. 612DF CARF MF 6 Voto Conselheira Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Relatora. 1. Dos requisitos de admissibilidade O Recurso Voluntário foi apresentado de modo tempestivo, tratase de matéria de competência deste colegiado e atende aos pressupostos legais de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido 2. Da prejudicial de mérito 2.1. Da decadência A Recorrente pleiteia pelo reconhecimento da decadência em relação às contribuições cujos fatos geradores ocorreram até 30 de junho de 2001, pois a fiscalização iniciou em 24 de julho de 2006. O auto de infração consubstancia fatos jurídicos do período de janeiro de 1999 a dezembro de 2004, sendo que não houve o pagamento das contribuições em apreço. Logo, o prazo decadencial é regido pelo art. 173, I, do Código Tributário Nacional: Código Tributário Nacional Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; O acórdão da DRJ/Belo Horizonte reconheceu que os fatos jurídicos tributários de janeiro de 1999 a novembro de 2000 foram atingidos pelos efeitos da decadência, pois a ciência do auto de infração pela contribuinte ocorreu em 14 de dezembro de 2006. Nesse sentido, mantémse a decisão da DRJ/Belo Horizonte, não assistindo razão a Recorrente. 3. No mérito 3.1. Da imunidade das entidades de previdência social e o seu custeio A lide em questão encontrase acobertada pelo manto de duas decisões, que reconhecem a imunidade tributária da Recorrente com trânsito em julgado, quais sejam, os Recursos Extraordinários nº 320705MG e 274.3941 MG. Do RE 274.3941/MG2, extraise a decisão: DECISÃO: A controvérsia jurídica suscitada na causa em que interposto o presente recurso extraordinário referese ao tema pertinente à imunidade tributária das entidades fechadas de previdência privada. 2 Disponível em: <http://www.stf.jus.br/portal/diarioJustica/verDiarioProcesso.asp?numDj=87&dataPublicacaoDj=09/05/2002&inc idente=1832191&codCapitulo=6&numMateria=64&codMateria=3>, acesso em: 13 abr. 2016. Fl. 613DF CARF MF Processo nº 10680.013906/200630 Acórdão n.º 3302003.501 S3C3T2 Fl. 5 7 O Plenário do Supremo Tribunal Federal, ao julgar o RE 202.700DF, Rel. Min. MAURÍCIO CORRÊA, reconheceu que a imunidade tributária, outorgada a instituições de assistência social, sem fins lucrativos (CF, art. 150, VI, “c”), não se estende a entidades fechadas de previdência privada, de caráter oneroso, mantidas com contribuição exclusiva dos próprios empregados (associados) ou, então, mantidas com contribuição bilateral, prestada tanto pelos empregados quanto por seus empregadores (patrocinadores). Com efeito, ao analisar a cláusula inscrita no art. 150, VI, “c”, da Carta Política e tendo em consideração a nítida distinção conceitual entre previdência e assistência sociais (CF, art. 194, c/c os arts. 201 e 203) , esta Suprema Corte firmou entendimento no sentido de que as entidades fechadas de previdência privada não se caracterizam como instituições de assistência social, deixando, por isso mesmo, de ajustarse à exigência básica prevista na matriz constitucional que assegura, em favor de tais instituições, a prerrogativa da imunidade tributária, desde que ocorrente, em tema de financiamento do plano de benefícios, hipótese de contribuições exclusivas dos empregados (associados) ou de contribuições prestadas pelos empregados e por suas empresas. Cabe ter presente, neste ponto, a correta observação feita pelo eminente Ministro OCTAVIO GALLOTTI, quando do julgamento do RE 136.332RJ (RTJ 150/597), ocasião em que esse ilustre magistrado acentuou que a imunidade tributária, assegurada pelo texto constitucional que representa “um estímulo ao altruísmo (despreendimento de alguém em proveito de outrem)” “não comporta a hipótese onde os associados se congregam em seu próprio benefício, mediante o recolhimento de contribuições, mesmo obtido o concurso de algum patrocinador e a despeito da reconhecida utilidade social do empreendimento” (grifei). Impõese observar, de outro lado, que o Plenário desta Suprema Corte, no julgamento unânime do RE 259.756RJ, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, também enfatizou, a propósito do tema, que a imunidade tributária, a que se refere o art. 150, VI, “c”, da Constituição da República, alcança as entidades fechadas de previdência privada, quando unicamente mantidas com contribuições do próprio empregador (patrocinador), destinadas a custear e a viabilizar a distribuição de benefícios consistentes em complementações de aposentadoria e em concessão de outras prestações, em favor dos empregados participantes do plano. É que, em tal específica situação, e ao contrário da hipótese versada no RE 202.700DF, as entidades em causa qualificamse como instituições de assistência social, sem fins lucrativos, posto que, em relação a elas, a constituição dos respectivos fundos de natureza financeira se faz sem qualquer contribuição pecuniária dos associados (empregados), os quais não obstante desobrigados, estatutariamente, do pagamento de Fl. 614DF CARF MF 8 qualquer retribuição têm pleno acesso aos benefícios deferidos em complementação àqueles ordinariamente outorgados pela previdência estatal. Assinalese, finalmente, considerandose a norma inscrita no art. 150, § 4º, da Constituição da República, que não se descaracterizará a prerrogativa excepcional da imunidade tributária, quando a instituição, que a ela fizer jus, locar, eventualmente, a terceiros, bens integrantes de seu patrimônio, desde que os rendimentos oriundos dessa locação sejam integralmente destinados, por essa mesma entidade, aos seus objetivos essenciais, consoante tem reconhecido a jurisprudência constitucional do Supremo Tribunal Federal (RTJ 111/694 RTJ 131/1295 RTJ 160/672 Ag 281.202SP, Rel. Min. MARCO AURÉLIO RE 237.718SP, Rel. Min. SEPÚLVEDA PERTENCE RE 286.692SP, Rel. Min. ILMAR GALVÃO RE 289.803RJ, Rel. Min. MOREIRA ALVES, v.g.). Assentadas tais premissas, cabe verificar a adequação do acórdão ora recorrido aos parâmetros fixados pelos precedentes firmados pela jurisprudência plenária do Supremo Tribunal Federal. O exame dos autos evidencia que a entidade em questão é mantida, exclusivamente, por contribuições prestadas pelo empregador (patrocinador), hipótese em que, por revelarse aplicável, ao caso, a decisão proferida no RE 259.756RJ, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, estendese, à instituição interessada, a prerrogativa constitucional da imunidade tributária, a que alude o art. 150, VI, “c”, da Carta Política. Sendo assim, e tendo em vista a orientação jurisprudencial firmada pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal, no exame da matéria ora em análise, não conheço do presente recurso extraordinário. Publiquese. Brasília, 07 de fevereiro de 2002. Do RE 320705/MG3, extraise a decisão: DESPACHO : Vistos. Cuidase de recurso extraordinário interposto com fundamento no art. 102, III, “a”, da Constituição Federal, contra acórdão proferido pelo Tribunal Regional Federal da Primeira Região que negou provimento à apelação e à remessa assentando o direito à imunidade tributária da entidade de previdência privada, inobstante a onerosidade dos serviços prestados aos participantes. 2. Em suas razões sustenta a União violação ao disposto no art. 150, VI, “c”, da Carta Magna. 3. O Supremo Tribunal Federal, no julgamento do RE 237.718, Rel. Min. Sepúlveda Pertence, em 29.03.2001, por maioria, 3 Disponível em: <http://www.stf.jus.br/portal/diarioJustica/verDiarioProcesso.asp?numDj=110&dataPublicacaoDj=12/06/2002&in cidente=1962797&codCapitulo=6&numMateria=87&codMateria=3>, acesso em: 13 abr. 2016. Fl. 615DF CARF MF Processo nº 10680.013906/200630 Acórdão n.º 3302003.501 S3C3T2 Fl. 6 9 firmou orientação no sentido de que a imunidade das entidades de assistência social, prevista no art. 150, VI, “c”, da Constituição Federal, abrange o IPTU incidente sobre o imóvel alugado a terceiro, desde que a renda seja aplicada em suas finalidades essenciais, assentando, na espécie, o ilustre relator, que: “...Parece clara a sintonia desses julgados com extratos doutrinários que vale ressaltar, porque reduzem à dimensão marcada pela teleologia do instituto da imunidade tributária a norma do § 2º do art. 150, CF, onde o recurso pretende alicerçarse. “A norma constitucional” quando se refere às “rendas relacionadas a finalidades essenciais da entidade” observa Luciano Amaro (in Ives Gandra (coord), Imunidades Tributárias, CEU/RT, 1998, p. 143/51) “atémse à destinação das rendas da entidade, e não à natureza destas”(...): “independentemente da natureza da renda, sendo esta destinada ao atendimento da finalidade essencial da entidade, a imunidade deve ser reconhecida”. “Seria um dislate” explica “supor que ‘rendas relacionadas com as finalidades essenciais’ pudesse significar, restritivamente, rendas produzidas pelo objeto social da entidade. Freqüentemente, o entendimento do objeto social é motivo para despesas e não fonte de recursos. Fosse aquele o sentido, qualquer fonte de custeio da entidade que não o derivasse dos próprios usuários de seus serviços ficaria fora do alcance da imunidade.”. A Primeira Turma desta Corte, no julgamento do RE 235.737 SP, em 13.11.2001, rel. Min. Moreira Alves, estendeu o entendimento fixado acima às instituições de educação nas mesmas circunstâncias, por identidade de razão. 4. Em outra oportunidade, quando do julgamento do RE 202.700, em 8.11.2001, rel. Min. Maurício Corrêa, esta Corte, por maioria, assentou que a imunidade conferida às instituições de assistência social sem fins lucrativos (CF, 150, VI, “c”) não alcança as entidades fechadas de previdência social privada, posto que, na linha do voto do eminente relator, “As instituições assistenciais não podem ser confundidas ou comparadas com as entidades fechadas de previdência privada, de gênero contratual, uma vez que somente conferem benefícios aos seus filiados desde que esses recolham as contribuições compactuadas. Essas associações assim constituídas não possuem o caráter de universalidade como o é a assistência social oficial, do que se extrai que os serviços por elas realizados não podem ser entendidos como os de assistência social stricto sensu, em cooperação com o Poder Público, conforme decidiu esta Corte nos autos do RE n.º 108.1201, relator Ministro Sydney Sanches, “in” RTJ 125/750.” 5. Por fim, esta Corte, no julgamento do RE n.º 259.756, em 28.11.2001, rel. Min. Marco Aurélio, assentou que a imunidade Fl. 616DF CARF MF 10 tributária conferida às instituições de assistência social sem fins lucrativos (CF, art. 150, VI, “c”) alcança aquelas entidades fechadas de previdência privada nas quais não há a contribuição dos empregados, mas tãosó a do patrocinador. Salientouse a distinção da espécie em relação à orientação firmada pelo Plenário no julgamento do RE 202.700DF, supra citada, o qual se referia a entidade de previdência privada, de caráter oneroso, em que havia contribuição bilateral, tanto do empregado como do empregador. 6. Dessa maneira, assentados os pressupostos, nos termos da jurisprudência desta Corte, cabe, agora, analisar o presente recurso extraordinário, com base nos fundamentos apresentados. 7. Na espécie, compulsando os autos, verificase às fls. 38/82, no Estatuto e no Regulamento do Plano de Benefícios da entidade, que, na formação do seu patrimônio, não se encontra referência à contribuição de empregados, mas tãosó das patrocinadoras, não se caracterizando dessa forma em entidade de previdência privada de caráter oneroso, em que há contribuição bilateral, tanto do empregado como do empregador, nos termos do entendimento assentado no julgamento do RE n.º 259.756, em 28.11.2001, conforme citado no item 5(cinco) supra. Às fls. 64, o item 4.3.1, do Regulamento do Plano de Benefícios da referida entidade, faz referência à contribuição do participante ativo que tiver cessado o seu vínculo empregatício com a patrocinadora. Ressalvo, entretanto, que tal contribuição não descaracteriza o caráter assistencial da recorrida, tendo em conta que se trata de uma exceção para o caso de o ex empregado optar por permanecer vinculado ao plano de benefícios. 9. Por todo o exposto, com base no art. 38, da Lei n.º 8.038, de 28 de maio de 1990, combinado com o § 1º, do art. 21, do RISTF, nego seguimento ao recurso extraordinário. Publiquese. Brasília, 5 de abril de 2002. Ministro Néri da Silveira Relator A referida matéria possui, inclusive, súmula de nº 730 do Supremo Tribunal Federal, que dispõe: "A imunidade tributária conferida a instituições de assistência social sem fins lucrativos pelo art.150, VI, "c", da Constituição, somente alcança as entidades fechadas de previdência social se não houver contribuição dos beneficiários". O cerne da controvérsia cingese em saber a respeito da existência de contribuição ou não dos beneficiários para o custeio do sistema. É por tal motivação, que o feito foi convertido em diligência, a fim de que a fiscalização assim se pronunciasse. Ao final do relatório fiscal da diligência, extraise que, fls. 469: Juntados em anexo, tais documentos, especialmente os Estatutos e Regulamentos do Plano de Benefícios, ambos com suas alterações ou reformas, se caracterizam como os expedientes Fl. 617DF CARF MF Processo nº 10680.013906/200630 Acórdão n.º 3302003.501 S3C3T2 Fl. 7 11 devidamente registrados e que normatizaram as operações do Contribuinte e ora recorrente entre 1 o de janeiro de 1999 e 31 de dezembro de 2004; período da presente autuação. Nos termos requeridos pelo CARF, entendese que os mesmos se prestam para as análises e julgamento pendentes. Assim, fazse necessária a análise do estatuto e plano de benefícios, correspondentes aos períodos que embasaram o auto de infração. Do estatuto, versão atualizada em dezembro de 1999, fls. 558/579, temse que: Art. 1o Carfepe Sociedade de Previdência Privada, doravante designada Sociedade, é uma entidade fechada de previdência privada, estabelecida sob a forma de Sociedade Civil, de caráter não mercantil e sem fins lucrativos, com autonomia administrativa e financeira. Terá como Patrocinadora Principal a Carfepe S/A Administradora e Participadora, com sede à Rua Tupinambás, número 360 13° andar, na cidade de Belo Horizonte, Estado de Minas Gerais, inscrita no Cadastro Geral de Contribuintes do Ministério da Fazenda sob o número 25.633.934/000191. (...) Art 4o A Sociedade poderá incumbirse da prestação de serviços assistenciais, de acordo com as normas estabelecidas pelo Conselho Administrativo, obedecidos os preceitos legais e regulamentares aplicáveis. (...) DAS PATROCINADORAS Art. 8o É Patrocinadora da Sociedade a empresa caracterizada no Artigo 1o deste Estatuto, bem como outras empresas do mesmo grupo econômico da Patrocinadora Principal que venham a ser admitidas como tal. Já do regulamento do Plano de Benefícios, versão atualizada em dezembro de 1999, fls. 539/557, extraemse trechos importantes para a controvérsia da lide: 2.23 Salário de participação: em qualquer mês, o salário básico, honorários ou prólabore devido, excluídos o décimo terceiro salário, bônus, participações estatutárias, adicional por tempo de serviço, gratificações, mesmo habituais, e quaisquer outros pagamentos feitos ao participante pela patrocinadora. (...) 5.6.3 Opção para manutenção da condição de participante O Participante elegível a benefício por desligamento poderá manter a condição de participante do Plano, com direito a todos os benefícios exceto os de pecúlio por morte em atividade e Fl. 618DF CARF MF 12 suplementação salarial em caso de incapacidade total (auxílio doença), nas seguintes condições: a) Manifeste esta opção à Sociedade até 10 dias do término de seu vínculo com sua patrocinadora; b) Assuma integralmente o custeio do Plano, em substituição a sua patrocinadora, no período entre o término do vínculo e o início da fruição de qualquer benefício do plano; c) Exceto em caso de morte do participante, constatada sua inadimplência a duas contribuições mensais consecutivas para o plano perderá a condição de participante, e voltará à condição de elegível por desligamento. Neste caso, o serviço contínuo, o serviço creditado e o benefício acumulado terão como data de cálculo o mês da sua última contribuição. (...) DAS CONTRIBUIÇÕES E DISPOSIÇÕES FINANCEIRAS 8.2 Os benefícios deste Plano serão custeados por meio de: a) contribuições das patrocinadoras, a serem recolhidas à Sociedade até o 5° (quinto) dia útil do mês subsequente ao da competência. As contribuições devidas e não pagas na data prevista serão acrescidas, além do índice de inflação medido pelo INPC, da taxa de juros adotada na avaliação atuarial anual realizada pelo atuário. Se as contribuições das patrocinadoras não forem pagas dentro de 120 (cento e vinte) dias contados da data em que forem devidas, as disposições do item 8.5 desse regulamento serão automaticamente aplicadas; b) receitas de aplicação do patrimônio ; c) doações, legados, auxílios, subvenções e contribuições de qualquer natureza e origem ; d) dotações iniciais dos patrocinadores que venham a subscrever convênio de adesão, nos termos do artigo 4.1 do capítulo IV, que será paga à vista, no ato da subscrição do referido convênio de adesão ; e) rendas diversas Observase, portanto, que não há participação dos empregados na formação do patrimônio e na manutenção do plano de benefícios no período da fiscalização, ou seja, de janeiro de 1999 a dezembro de 2004. No caso da cláusula 5.6.3, onde o indivíduo, que se desligou da empresa, pode se manter como participante, é uma situação excepcional e extraise o trecho do RE 320705/MG, Relator Ministro Néri da Silveira, que prevê tal situação: 7. Na espécie, compulsando os autos, verificase às fls. 38/82, no Estatuto e no Regulamento do Plano de Benefícios da entidade, que, na formação do seu patrimônio, não se encontra referência à contribuição de empregados, mas tãosó das patrocinadoras, não se caracterizando dessa forma em entidade de previdência privada de caráter oneroso, em que há contribuição bilateral, Fl. 619DF CARF MF Processo nº 10680.013906/200630 Acórdão n.º 3302003.501 S3C3T2 Fl. 8 13 tanto do empregado como do empregador, nos termos do entendimento assentado no julgamento do RE n.º 259.756, em 28.11.2001, conforme citado no item 5(cinco) supra. Às fls. 64, o item 4.3.1, do Regulamento do Plano de Benefícios da referida entidade, faz referência à contribuição do participante ativo que tiver cessado o seu vínculo empregatício com a patrocinadora. Ressalvo, entretanto, que tal contribuição não descaracteriza o caráter assistencial da recorrida, tendo em conta que se trata de uma exceção para o caso de o ex empregado optar por permanecer vinculado ao plano de benefícios. Assim, o caso em análise encontrase protegido sob o manto da coisa julgada, que possui previsão no art. 5º, inciso XXXVI, da Constituição Federal, que prevê: "a lei não prejudicará o direito adquirido, o ato jurídico perfeito e a coisa julgada." Por tal motivação, consideramse insubsistentes os autos de infração, lavrados em face da Recorrente, pelo seu reconhecimento como entidade imune pelo trânsito em julgado dos Recursos Extraordinários. 4. Conclusão Diante do exposto, voto por conhecer o recurso e conceder provimento integral. Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza Fl. 620DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.724950/2011-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 16 00:00:00 UTC 2017
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 2009, 2010, 2011
Ementa:
ERRO DE FATO. CORREÇÃO
Verificado que a autuação decorre de erro de fato do contribuinte ao preencher sua Declaração de Rendimentos, deve-se corrigir o equívoco e reconhecer integralmente seus reflexos no lançamento.
ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE.
Comprovado nos termos da legislação, são isentos do Imposto sobre a Renda os proventos de aposentadoria percebidos por portador de moléstia grave especificada em lei.
Numero da decisão: 2201-003.541
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso voluntário.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2009, 2010, 2011 Ementa: ERRO DE FATO. CORREÇÃO Verificado que a autuação decorre de erro de fato do contribuinte ao preencher sua Declaração de Rendimentos, deve-se corrigir o equívoco e reconhecer integralmente seus reflexos no lançamento. ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. Comprovado nos termos da legislação, são isentos do Imposto sobre a Renda os proventos de aposentadoria percebidos por portador de moléstia grave especificada em lei.
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CORREÇÃO Verificado que a autuação decorre de erro de fato do contribuinte ao preencher sua Declaração de Rendimentos, deve-se corrigir o equívoco e reconhecer integralmente seus reflexos no lançamento. ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. Comprovado nos termos da legislação, são isentos do Imposto sobre a Renda os proventos de aposentadoria percebidos por portador de moléstia grave especificada em lei. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Assinado digitalmente Carlos Henrique de Oliveira - Presidente. Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Relator. EDITADO EM: 31/03/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira (Presidente), Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária março de 2017 março de 2017 JOSÉ AUGUSTO ROZEIRA JOSÉ AUGUSTO ROZEIRA FAZENDA NACIONAL FAZENDA NACIONAL AA Fl. 234DF CARF MF 2 Relatório O presente processo trata das Notificações de Lançamento de 20, 28 e 36, relativas aos exercícios de 2009, 2010 e 2011, respectivamente. Os créditos tributários lançados decorrem de Restituição Indevida de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, tendo em vista que o contribuinte, após regularmente processada sua declaração, apresentou declaração retificadora para os três exercícios, todas sem saldo de imposto. Com isso, o sistema emitiu a cobrança dos valores já restituídos nas declarações originais processadas. Inconformado com os lançamentos, cuja ciência ocorreu em 01 de setembro de 2011 (fl. 21, 29 e 37), o contribuinte apresentou, tempestivamente, a impugnação de fl. 2, na qual manifestou seu entendimento de que tais Notificações deveriam ser anuladas, já que não lhe teriam sido informados os motivos que levaram a tais cobranças. Atesta, ainda, o recorrente que teria formalizado processo administrativo de restituição do Imposto de Renda Retido na Fonte para os anos calendários de 2008 a 2010, em ração de ser portador de cardiopatia grave irreversível desde maio de 2008. No julgamento em 1ª Instância Administrativa, a 4ª Turma de Julgamento da DRJ em Curitiba/PR apresentou as seguintes conclusões: (...) Nesse contexto, tendo a legislação pertinente expressamente previsto que o pedido de restituição do indébito de imposto de renda relativo a rendimento isento ou não tributável declarado na DIRPF como rendimento sujeito à incidência de imposto de renda e ao ajuste anual será formalizado pela pessoa física à RFB exclusivamente mediante a apresentação de DIRPF retificadora e, que a retificação da declaração deve, quando comprovado erro nela contido, ser feita mediante apresentação de nova declaração a ser apreciada pela Delegacia da Receita Federal do Brasil – DRF que jurisdiciona o domicílio fiscal do contribuinte, cabe ao interessado apresentar novas declarações retificadoras para acerto das suas declarações de ajuste anual e formalização do pedido de restituição, que será apreciado pela autoridade competente. (...) Quanto ao alegado direito à isenção dos proventos de aposentadoria, reforma ou pensão por ser portador de moléstia grave, a título de esclarecimento, cumpre notar que a matéria está disciplinada no art. 39, XXXI e XXXIII do RIR/1999, da seguinte forma: (...) Contudo, o laudo acostado à fl. 04 foi emitido pela Diretoria de Previdência da Paranaprevidência, serviço social autônomo com personalidade jurídica de direito privado, conforme estabelece o art. 2º da Lei nº 12.398, de 1998, do Estado do Paraná: (...) Não se trata, portanto, de laudo médico pericial expedido por instituição pública, de acordo com a Solução de Consulta Interna Cosit nº 11, mas sim por instituição privada, sendo Fl. 235DF CARF MF Processo nº 10980.724950/2011-51 Acórdão n.º 2201-003.541 S2-C2T1 Fl. 235 3 insuficiente, portanto, para promover a comprovação pretendida. Ciente do Acórdão da DRJ, ainda inconformado, o contribuinte formalizou o Recurso Voluntário de fl. 63 a 67, no qual reitera os argumentos já expressos na impugnação, reconhece erro no preenchimento das declaração de rendimentos retificadoras, tudo no propósito de ver canceladas as Notificações em Tela em e restituídos os valores retidos na fonte sobre os rendimentos então considerados tributáveis, em razão da constatação de que seriam isentos em razão da moléstia grave diagnosticada. Submetida ao julgamento em 2ª Instância, FL. 106 a 110, a 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 2ª Seção resolveu converter o julgamento em diligência para que a unidade responsável pela administração do tributo informasse a existência de IRRF nos períodos em questão, o andamento ou o resultado da análise do processo de restituição formalizado pelo contribuinte, bem assim informações sobre a natureza jurídica da Paraná Previdência e sua competência para exarar laudos para fins de aposentadoria. Em atendimento à intimação, foram juntados aos autos os extratos da DIRF dos anos-calendários de 2008 a 2010, bem assim conclusão do processo 10980.724687/2011- 09, no qual foi reconhecida a isenção lastreada nos mesmos documentos que integram o presente feito para restituir os valores de IRRF incidente sobre o 13º salários, cuja operacionalização já foi levada a termo pela Ordem Bancária de fl. 165. Em fl. 176, o contribuinte peticiona afirmando que não teve vista dos autos nos termos da Resolução que converteu o julgamento em diligência e junta uma série de comprovantes mensais de rendimentos em que podem ser identificados os valores do IRRF. Em fl. 213 e seguintes, foi juntada a Lei do Estado do Paraná nº 12.398, de 30 de dezembro de 1998, que |cria o Sistema de Seguridade Funcional do Estado do Paraná e transforma o Instituto de Previdência e Assistência Médica aos servidores do Estado do Paraná - IPE no serviço social autônomo denominado PARANAPREVIDÊNCIA. É o relatório necessário. Voto Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo Tendo em vista não ter localizado nos autos a comprovarão da ciência do contribuinte do Acórdão da DRJ, presumo tempestivo o Recurso interposto em 10 de maio de 2013, em particular por ser data compatível com a data de assinatura da intimação de fl. 59 (19/04/2013). Assim, entendendo preenchidas as demais condições de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário. Inicialmente, cumpre destacar que o contribuinte se insurge contra um lançamento que decorre de seu erro no preenchimento da declaração. Fica evidente que, ciente da possibilidade de ter restituídos os valores de IR retidos pela fonte pagadora dos seus proventos de aposentadoria nos anos-calendários de 2008 Fl. 236DF CARF MF 4 a 2010, o contribuinte buscou adotar as medidas que julgava pertinentes para usufruir da isenção prevista em lei para portadores de moléstia grave. Ocorre que, por equívoco, acabou por transmitir as declarações retificadoras para os exercícios de 2009 a 2011, todas no dia 13 de agosto de 2011, excluindo tanto os rendimentos tributáveis quanto o IRRF, quando o correto seria apenas reclassificar os rendimentos tributáveis para a ficha de rendimentos isentos, na linha especifica para rendimentos dessa natureza( proventos de aposentadoria e pensão percebidos por portadores moléstia grave). Com o erro, como a declaração processou sem qualquer rendimento tributável ou IRRF, seu resultado foi Sem Saldo de Imposto, o que levou a lavratura automática das Notificações em discussão, com o fim específico de devolução dos valores restituídos nas declarações originais. Na análise feita pela DRJ a Turma de Julgamento concordou com o voto condutor que entendeu que as declarações retificadoras apresentadas pelo contribuinte, em 13/08/2011, não registram qualquer saldo de imposto a restituir que pudesse ensejar o cancelamento da exigência ora contestada ou reconhecimento de direito à restituição adicional. Entendo que tal avaliação é pertinente se considerarmos literalmente a legislação que rege a matéria, em particular as limitações de competência das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento, cotejadas com as competências das Delegacias da Receita Federal do Brasil. Da mesma forma ocorre no Julgamento em 2ª Instância, em que reconhecer o pleito do contribuinte seria fundir dois institutos diversos, o do contencioso administrativo, este contido na competência de atuação deste Conselho, e o da revisão de ofício, este contido na competência da autoridade lançadora. Portanto, é correta a conclusão de que a restituição em tela deveria ser objeto de declaração retificadora, ainda que em papel, mediante comprovação do erro de fato cometido, contudo, exigir que, neste caso, o contribuinte apresente retificações, tendo em vista que já ultrapassados 5 anos da data limite de apresentação da Declaração Retificadora do exercício mais recente, seria um descaso com o Princípio da Razoabilidade, que é uma diretriz de bom-senso aplicada ao Direito. Esse bom-senso jurídico se faz necessário à medida que as exigências formais que decorrem do princípio da legalidade tendem a reforçar mais o texto das normas que o seu espírito. Portanto, a fim de dar tratamento conclusivo e racional ao presente processo, de forma a prestigiar a economia processual, a razoabilidade, a verdade material e a informalidade que rege o processo administrativo, considerando, ainda, a prioridade a que o contribuinte tem direito por conta do Estatuto do Idoso e buscando evitar novas demandas acerca da mesma matéria, entendo oportuno avaliar o mérito do direito à isenção e, sendo o caso, aplicá-lo para corrigir, de ofício, o erro cometido pelo contribuinte nas retificações de seus ajustes anuais dos exercícios de 2009 a 2011. A não tributação dos valores recebidos a título de proventos de aposentadoria ou reforma, percebidos por portadores de doenças graves, encontra-se expressa nos incisos XXXI e XXXIII do artigo 39 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR/99), abaixo transcritos:. “Art. 39. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: (...). Fl. 237DF CARF MF Processo nº 10980.724950/2011-51 Acórdão n.º 2201-003.541 S2-C2T1 Fl. 236 5 XXXIII – os proventos de aposentadoria ou reforma, desde que motivadas por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados de doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome de imunodeficiência adquirida, e fibrose cística (mucoviscidose), com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XIV, Lei nº 8.541, de 1992, art. 47, e Lei nº 9.250, de 1995, art. 30, § 2º); (...). § 4º Para o reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XXXI e XXXIII, a partir de 1º de janeiro de 1996, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, devendo ser fixado o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle (Lei nº 9.250, de 1995, art. 30 e § 1º). Analisando as informações contidas nos autos, em particular os documentos de fl 04 e 45 constata-se que o requerente recebe proventos de aposentadoria e é portador de cardiopatia grave irreversível, moléstia relacionada em lei concessiva de isenção, desde o mês de março de 2008, data a partir da qual seus proventos de aposentadoria têm direito a isenção do Imposto de Renda. Quanto à PARANAPREVIDÊNCIA, entendo que é sim entidade médica oficial do Estado do Paraná competente para emitir laudos capazes de comprovar moléstias graves para fins de isenção do IR, resultando sua natureza jurídica de direito privado de mera opção administrativa da Unidade da Federação em questão. Exercício 2009, ano-calendário de 2008: RUBRICAS VALORES ORIGINÁRIOS (*) VALOR RETIFICADORA VALORES AJUSTADOS REND TRIBUTÁVEL 161.920,75 0,00 - DEPENDENTES (-) 4.967,64 0,00 4.967,64 DESP. INSTRUÇÃO (-) 5.184,58 0,00 5.184,58 DESP. MÉDICAS (-) 13.825,55 0,00 13.825,55 BASE DE CÁLCULO 137.943,01 0,00 0,00 IMP. DEVIDO 31.348,39 0,00 0,00 IRRF 36.120,93 0,00 36.120,93 IR A RESTITUIR 4.772,54 0,00 36.120,93 IR JÁ RESTITUÍDO 4.772,54 4.772,54 REST. A DEVOLVER 4.772,54 - IMP A RESTITUIR FINAL 31.348,39 REND. ISENTO 0 28.623,74 161.920,75 (*) VALORES RELACIONADOS À DECLARAÇÃO PROCESSADA DA QUAL RESULTOU A INCLUSÃO EM LOTE PARA PAGAMENTO DA RESTITUIÇÃO. Fl. 238DF CARF MF 6 Exercício 2010, ano-calendário de 2009: RUBRICAS VALORES ORIGINÁRIOS (*) VALOR RETIFICADORA VALORES AJUSTADOS REND TRIBUTÁVEL 162.372,94 0,00 - REND DEPENDENTE 4.857,96 0,00 4.857,96 DEPENDENTES (-) 5.191,20 0,00 5.191,20 DESP. INSTRUÇÃO (-) 2.711,94 0,00 2.711,94 DESP. MÉDICAS (-) 11.662,08 0,00 11.662,08 BASE DE CÁLCULO 147.668,68 0,00 0,00 IMP. DEVIDO 32.653,52 0,00 0,00 IRRF 35.586,97 0,00 35.586,97 IR A RESTITUIR 2.933,45 0,00 35.586,97 IR JÁ RESTITUÍDO 2.933,45 2.933,45 REST. A DEVOLVER 2.933,45 - IMP A RESTITUIR FINAL 32.653,52 REND. ISENTO 10.042,13 35.609,02 197.981,96 (*) VALORES RELACIONADOS À DECLARAÇÃO PROCESSADA DA QUAL RESULTOU A INCLUSÃO EM LOTE PARA PAGAMENTO DA RESTITUIÇÃO. Exercício 2011, ano-calendário de 2010: RUBRICAS VALORES ORIGINÁRIOS VALOR RETIFICADORA VALORES AJUSTADOS REND TRIBUTÁVEL 176.218,96 0,00 - REND DEPENDENTE 3.858,96 0,00 3.858,96 DEPENDENTES (-) 5.424,84 0,00 5.424,84 DESP. INSTRUÇÃO (-) 2.830,84 0,00 2.830,84 DESP. MÉDICAS (-) 12.636,17 0,00 12.636,17 BASE DE CÁLCULO 159.186,07 0,00 0,00 IMP. DEVIDO 35.462,81 0,00 0,00 IRRF 39.939,65 0,00 39.939,65 IR A RESTITUIR 4.476,84 0,00 39.939,65 IR JÁ RESTITUÍDO 4.476,84 4.476,84 REST. A DEVOLVER 4.476,84 - IMP A RESTITUIR FINAL 35.462,81 REND. ISENTO 19.488,95 35.462,81 211.681,77 Conclusão Em razão do exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário e, no mérito, dar-lhe provimento para cancelar os débitos objeto das Notificações de Lançamento de fl. 20, 28 e 36, bem assim para, fundado na retificação de erro de fato no preenchimento da declaração, reconhecer o direito creditório do contribuinte para os exercícios relacionados abaixo, os quais deverão ser atualizados e, sendo o caso, compensados de ofício, tudo nos termos da legislação de regência. EXERCÍCIO 2009 2010 2011 VALOR DO CRÉDITO (R$) 31.348,39 32.653,52 35.462,81 Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Relator Fl. 239DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10166.906396/2009-16
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Mar 16 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 03 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 31/07/2005
ESTIMATIVA. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE.
Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação (Súmula CARF nº 84).
Numero da decisão: 9101-002.612
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento, com retorno dos autos à Unidade de origem para verificação da certeza e liquidez do crédito tributário.
[assinado digitalmente]
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 31/07/2005 ESTIMATIVA. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação (Súmula CARF nº 84).
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COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação (Súmula CARF nº 84). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negarlhe provimento, com retorno dos autos à Unidade de origem para verificação da certeza e liquidez do crédito tributário. [assinado digitalmente] Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório Tratase de Recurso Especial apresentado pela Fazenda Nacional contra o Acórdão nº 180100.863, que julgou o recurso voluntário interposto pela contribuinte acerca da possibilidade de compensação de créditos de pagamentos de estimativas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 90 63 96 /2 00 9- 16 Fl. 253DF CARF MF Processo nº 10166.906396/200916 Acórdão n.º 9101002.612 CSRFT1 Fl. 3 2 O Acórdão recorrido deu provimento parcial ao recurso voluntário para afastar o argumento jurídico da não homologação, entendendo ser possível a compensação de créditos de pagamentos de estimativas. Em seguida, para comprovar a divergência de interpretação necessária ao conhecimento do seu recurso, a Fazenda Nacional interpôs o presente recurso especial de divergência, por entender que a decisão de reconhecer a possibilidade de compensação do valor indevidamente pago, ou pago a maior de estimativa é fruto de interpretação da legislação tributária que conflita com a interpretação adotada no acórdão paradigma colacionado aos autos. O recurso foi admitido por meio de despacho do Presidente da Câmara. Após, sobrevieram contrarrazões em que o sujeito passivo defende o acerto da decisão questionada e pugna pela sua manutenção. É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9101002.610, de 16/03/2017, proferido no julgamento do processo 10280.900603/200912, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9101002.610): O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele tomo conhecimento, na forma como foi admitido. O contribuinte apresentou DCOMP apontando indébito oriundo de pagamento a maior de estimativa. Ao apreciar a referida declaração, a Receita Federal não homologou a compensação, sob o fundamento de que o pagamento de estimativa não é passível de compensação, devendo compor a apuração anual do tributo. A decisão recorrida foi no sentido oposto, reconhecendo o direito de o contribuinte compensar o indébito de estimativa, devolvendo os autos para a unidade de origem, para verificação da certeza e liquidez do crédito tributário pleiteado, vez que essa matéria ainda não sofreu apreciação pela Administração Tributária. O recurso especial veio para que esta Câmara Superior reforme a decisão recorrida, restabelecendo a declaração de impossibilidade de o contribuinte compensar crédito de estimativa, nos termos da legislação infralegal então em vigor. Fl. 254DF CARF MF Processo nº 10166.906396/200916 Acórdão n.º 9101002.612 CSRFT1 Fl. 4 3 Todavia, a IN RFB nº 900, de 2008, retirou a referida proibição do ordenamento tributário e é pacífico na jurisprudência administrativa o entendimento de que seus efeitos devem retroagir para alcançar as compensações pendentes de decisão administrativa. Esse entendimento é adotado pela própria Administração Tributária, exteriorizado por meio da Solução de Consulta Interna Cosit n° 19, de 05/12/2011, assim ementada: ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. O art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicandose, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1º de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa. Caracterizase como indébito de estimativa inclusive o pagamento a maior ou indevido efetuado a este título após o encerramento do período de apuração, seja pela quitação do débito de estimativa de dezembro dentro do prazo de vencimento, seja pelo pagamento em atraso da estimativa devida referente a qualquer mês do período, realizado em ano posterior ao do período da estimativa apurada, mesmo na hipótese de a restituição ter sido solicitada ou a compensação declarada na vigência das IN SRF nº 460, de 2004, e IN SRF nº 600, de 2005. A nova interpretação dada pelo art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, aplicase inclusive aos PER/DCOMP retificadores apresentados a partir de 1º de janeiro de 2009, relativos a PER/DCOMP originais transmitidos durante o período de vigência da IN SRF nº 460, de 2004, e IN SRF nº 600, de 2005, desde que estes se encontrem pendentes de decisão administrativa. No âmbito deste Tribunal Administrativo, a matéria foi pacificada por meio da Súmula CARF nº 84: Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Por todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso especial da Procuradoria, com retorno dos autos à unidade de origem para verificação da certeza e liquidez do crédito tributário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, conheço do recurso especial da Fazenda Nacional, e, no mérito, negolhe provimento, com retorno dos autos à unidade de origem para verificação da certeza e liquidez do crédito tributário. assinado digitalmente Fl. 255DF CARF MF Processo nº 10166.906396/200916 Acórdão n.º 9101002.612 CSRFT1 Fl. 5 4 Carlos Alberto Freitas Barreto Fl. 256DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.695784/2009-82
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue May 09 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2005
DATA DA COMPENSAÇÃO. VALORAÇÃO DOS CRÉDITOS E DÉBITOS.
Na compensação declarada pelo sujeito passivo, os créditos serão acrescidos de juros compensatórios e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos legais até a data da entrega da apresentação do PER/DCOMP, na forma da legislação de regência.
COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO PARCIAL. DATA DA APRESENTAÇÃO DA DCOMP
No caso de apresentação de DCOMP após o vencimento do tributo a ser compensado haverá acréscimos legais ao débito. A falta de equivalência entre o total de crédito e de débitos apontados como compensáveis, valorados na forma da legislação que rege a espécie, impõe a homologação apenas parcial da DCOMP apresentada pelo sujeito passivo.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-003.388
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Marcelo Costa, Maria Eduarda e Valcir Gassen, que davam provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2005 DATA DA COMPENSAÇÃO. VALORAÇÃO DOS CRÉDITOS E DÉBITOS. Na compensação declarada pelo sujeito passivo, os créditos serão acrescidos de juros compensatórios e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos legais até a data da entrega da apresentação do PER/DCOMP, na forma da legislação de regência. COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO PARCIAL. DATA DA APRESENTAÇÃO DA DCOMP No caso de apresentação de DCOMP após o vencimento do tributo a ser compensado haverá acréscimos legais ao débito. A falta de equivalência entre o total de crédito e de débitos apontados como compensáveis, valorados na forma da legislação que rege a espécie, impõe a homologação apenas parcial da DCOMP apresentada pelo sujeito passivo. Recurso Voluntário Negado.
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DCOMP TRANSMITIDA APÓS VENCIMENTO DO DÉBITO. Recorrente ESPN DO BRASIL EVENTOS ESPORTIVOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2005 DATA DA COMPENSAÇÃO. VALORAÇÃO DOS CRÉDITOS E DÉBITOS. Na compensação declarada pelo sujeito passivo, os créditos serão acrescidos de juros compensatórios e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos legais até a data da entrega da apresentação do PER/DCOMP, na forma da legislação de regência. COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO PARCIAL. DATA DA APRESENTAÇÃO DA DCOMP No caso de apresentação de DCOMP após o vencimento do tributo a ser compensado haverá acréscimos legais ao débito. A falta de equivalência entre o total de crédito e de débitos apontados como compensáveis, valorados na forma da legislação que rege a espécie, impõe a homologação apenas parcial da DCOMP apresentada pelo sujeito passivo. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Marcelo Costa, Maria Eduarda e Valcir Gassen, que davam provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente e Relator Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 69 57 84 /2 00 9- 82 Fl. 91DF CARF MF Processo nº 10880.695784/200982 Acórdão n.º 3301003.388 S3C3T1 Fl. 3 2 d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório A recorrente acima qualificada apresentou Declaração de Compensação pleiteando a compensação de débitos referentes a impostos e contribuições administrados pela SRF, com créditos de PIS (código de receita 8109), decorrentes de pagamento supostamente indevido ou a maior. Por meio do Despacho Decisório emitido pela DERATSP, a compensação declarada foi homologada parcialmente, sob o fundamento de que constatouse a procedência do crédito original informado no PER/DCOMP, reconhecendose o valor do crédito pretendido. Entretanto, o crédito reconhecido revelouse insuficiente para quitar os débitos informados no PER/DCOMP. Cientificado da decisão, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, tempestivamente, alegando, em síntese, que: a) O valor original utilizado para a compensação, foi recolhido no mesmo prazo de vencimento dos créditos tributários compensados; b) Assim, não se apropriou de juros pela taxa Selic sobre os valores declarados no PER/DCOMP, e não imputou multa e juros sobre os créditos tributários compensados, pois são do mesmo período de apuração; c) Faz planilha para comparação dos períodos de apuração e datas de vencimento. d) Tratase de evidente cobrança equivocada, e apresenta como provas as cópia dos documentos relativos aos lançamentos contestados e a procuração de nomeação do representante legal que assina a manifestação de inconformidade; e) Demonstrada a insubsistência e improcedência do processo, requer seja cancelado o processo reclamado. A DRJ/SP1 indeferiu a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 16036.852. O fundamento adotado foi o de que, na compensação declarada pelo sujeito passivo, os créditos são acrescidos de juros compensatórios e os débitos sofrem a incidência de acréscimos legais até a data da entrega do PER/DCOMP, na forma da legislação de regência. A recorrente repetiu os argumentos da impugnação no recurso voluntário. É o relatório. Voto Fl. 92DF CARF MF Processo nº 10880.695784/200982 Acórdão n.º 3301003.388 S3C3T1 Fl. 4 3 Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301003.231, de 28 de março de 2017, proferido no julgamento do processo 10880.667966/200963, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301003.231): "O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais de admissibilidade, por isso dele tomo conhecimento. Constatase que a controvérsia do processo permanece a mesma desde a 1ª instância, com a contribuinte alegando que o DARF utilizado como pagamento a maior para a compensação foi pago dentro do prazo de vencimento do tributo e por isso, não se conformando com a cobrança de acréscimos legais no momento da efetiva compensação. Entretanto, como veremos adiante, o valor do crédito foi insuficiente para quitar o débito, em função dos acréscimos legais ao débito compensado, atualizados até a data da apresentação do PER/DCOMP, em virtude do atraso entre seu vencimento e a formalização da compensação. A DCOMP em tela, foi formalizada pela interessada para compensar débito de COFINS – não cumulativa (código de receita 5856), vencido em 15/06/2004, com créditos de COFINS (código de receita 2172), cuja data de arrecadação foi 15/06/2004. De acordo com o Despacho Decisório emitido pela DERAT/SP, constatouse a procedência do crédito original informado no PER/DCOMP. No entanto, o mesmo foi insuficiente para quitar os débitos informados em consequência da data de apresentação da DCOMP, e por este motivo a compensação foi homologada parcialmente. A recorrente alega que o valor original utilizado para a compensação foi recolhido no mesmo prazo de vencimento dos créditos tributários compensados, e sendo assim, não poderia haver multa e juros sobre os referidos créditos, pois são do mesmo período de apuração. Como bem dito no acórdão recorrido, a contribuinte equivocouse em relação à forma de valoração do crédito e do débito que informou em sua declaração de compensação, ao não efetuar os cálculos relativos aos acréscimos legais, o que gerou um saldo devedor, e consequentemente, a homologação parcial da compensação. Constatase que a data do envio do PER/DCOMP é quando se formaliza a extinção do débito por compensação, de acordo com o que dispõe a Lei nº 9.430/1996, abaixo transcrita: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição Fl. 93DF CARF MF Processo nº 10880.695784/200982 Acórdão n.º 3301003.388 S3C3T1 Fl. 5 4 administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (...) Portanto, a extinção do débito por compensação ocorre na data de envio do PER/DCOMP. No caso concreto, a interessada enviou a PER/DCOMP em 21/01/2007 para compensar débito cujo vencimento se deu em 15/06/2004, portanto, é fato que o débito já estava vencido quando foi extinto pela compensação. Assim, partir da data do vencimento passaram a incidir sobre o débito os acréscimos legais, quais sejam, multa de mora e juros, nos termos do artigo 61 da Lei 9.430/1996, abaixo transcrito: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º. A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º. O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º. Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. No recurso voluntário, a recorrente repete o argumento de que o pagamento utilizado para a compensação foi realizado no mesmo prazo de vencimento do débito compensado, mas tal fato não a socorre, pois a utilização do crédito tributário ocorre apenas com a apresentação do PER/DCOMP, que ocorreu após o vencimento do débito compensado. Assim, cumpre transcrever o artigo 28 da IN SRF nº 600/2005, em vigor à época da transmissão do PER/DCOMP: Fl. 94DF CARF MF Processo nº 10880.695784/200982 Acórdão n.º 3301003.388 S3C3T1 Fl. 6 5 Art. 28. Na compensação efetuada pelo sujeito passivo, os créditos serão valorados na forma prevista nos arts. 52 e 53 e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos legais, na forma da legislação de regência, até a data da entrega da Declaração de Compensação. § 1º A compensação total ou parcial de tributo ou contribuição administrados pela SRF será acompanhada da compensação, na mesma proporção, dos correspondentes acréscimos legais. (...) Logo, os débitos vencidos, vinculados a PER/DCOMP, serão acrescidos de multa de mora, calculada a partir do primeiro dia subsequente à data de vencimento até a data da entrega do PER/DCOMP, quando se formaliza a compensação; bem como sofrerão a incidência de juros referentes à taxa SELIC, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Em relação aos créditos utilizados na compensação, as regras para valoração vigentes à época da transmissão do PER/DCOMP estão contidas no artigo 52 da IN SRF nº 600/2005, também transcrita: Art. 52. O crédito relativo a tributo ou contribuição administrados pela SRF, passível de restituição, será restituído ou compensado com o acréscimo de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (Selic) para títulos federais, acumulados mensalmente, e de juros de 1% (um por cento) no mês em que: (...) II – houver a entrega da Declaração de Compensação; (...) § 1º No cálculo dos juros Selic de que trata o caput, observarseá, como termo inicial de incidência: (...) III – na hipótese de pagamento indevido ou a maior: a) o mês de janeiro de 1996, se o pagamento tiver sido efetuado antes de 1º de janeiro de 1996; b) a data da efetivação do pagamento, se este tiver sido efetuado entre 1º de janeiro de 1996 e 31 de dezembro de 1997; ou c) o mês subseqüente ao do pagamento, se este tiver sido efetuado após 31 de dezembro de 1997; Por isso, foi apurado o saldo devedor indicado no Despacho Decisório e a compensação foi parcialmente homologada. Portanto, não se está desprezando o princípio da verdade material e nem está havendo enriquecimento sem causa do Fisco, como alega a recorrente. Simplesmente, está sendo cobrado o atraso entre a Fl. 95DF CARF MF Processo nº 10880.695784/200982 Acórdão n.º 3301003.388 S3C3T1 Fl. 7 6 data do vencimento do tributo e o seu necessário pagamento, que, no caso em tela, deuse no momento da apresentação da DCOMP. Assim, tendo em vista tudo o acima exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo a DCOMP foi transmitida em data posterior à do vencimento do(s) débito(s) compensado(s). Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente Luiz Augusto do Couto Chagas Fl. 96DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15889.000196/2007-46
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Dec 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2005
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9202-004.975
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2005 APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Recurso Especial do Procurador Provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
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ME ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2005 APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Recurso Especial do Procurador Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 88 9. 00 01 96 /2 00 7- 46 Fl. 708DF CARF MF Processo nº 15889.000196/200746 Acórdão n.º 9202004.975 CSRFT2 Fl. 0 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 10380.005876/200753. A divergência em exame reportase à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial requerendo que a retroatividade benigna fosse aplicada, essencialmente, pelos critérios constantes na Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Cientificado, o sujeito passivo não apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202004.792, de 12/12/2016, proferido no julgamento do processo 10380.005876/200753, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202004.792): O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Fl. 709DF CARF MF Processo nº 15889.000196/200746 Acórdão n.º 9202004.975 CSRFT2 Fl. 0 3 Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Fl. 710DF CARF MF Processo nº 15889.000196/200746 Acórdão n.º 9202004.975 CSRFT2 Fl. 0 4 Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): Fl. 711DF CARF MF Processo nº 15889.000196/200746 Acórdão n.º 9202004.975 CSRFT2 Fl. 0 5 Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. Fl. 712DF CARF MF Processo nº 15889.000196/200746 Acórdão n.º 9202004.975 CSRFT2 Fl. 0 6 § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há Fl. 713DF CARF MF Processo nº 15889.000196/200746 Acórdão n.º 9202004.975 CSRFT2 Fl. 0 7 que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Fl. 714DF CARF MF Processo nº 15889.000196/200746 Acórdão n.º 9202004.975 CSRFT2 Fl. 0 8 Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou Fl. 715DF CARF MF Processo nº 15889.000196/200746 Acórdão n.º 9202004.975 CSRFT2 Fl. 0 9 II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Fl. 716DF CARF MF Processo nº 15889.000196/200746 Acórdão n.º 9202004.975 CSRFT2 Fl. 0 10 Em face ao exposto, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Em face do acima exposto, voto por conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 717DF CARF MF
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Numero do processo: 10480.917393/2011-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Mar 06 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3401-001.122
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Robson José Bayerl - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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COMPENSAÇÃO. ALARGAMENTO. Recorrente RODOBENS CAMINHÕES PERNAMBUCO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Robson José Bayerl Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório Trata o presente processo administrativo de PER que pretende obter reconhecimento de direito creditório das contribuições por suposto pagamento a maior. O sistema informatizado da Receita Federal emitiu o Despacho Decisório em processamento automatizado indeferindo o pedido, afirmando que o valor do DARF de onde viria o crédito já estava totalmente comprometido em quitação de débito constante de declaração prestada pelo contribuinte ao Fisco. A contribuinte manifestou inconformidade, explicando que: 1. A autoridade de administração e a autoridade fiscal não tomaram conhecimento das razões da contribuinte para seu direito, nem se aprofundaram em sua análise, nem buscaram investigar os fatos; a contribuinte não foi intimada a explicar os fundamento do seu pedido antes do despacho decisório; RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 04 80 .9 17 39 3/ 20 11 -5 1 Fl. 195DF CARF MF Processo nº 10480.917393/201151 Resolução nº 3401001.122 S3C4T1 Fl. 3 2 2. seu direito repousa no fato de que ela indevidamente tinha incluído na base de cálculo do tributo receitas (tais como receitas financeiras, e outras), face a declaração de inconstitucionalidade pelo STF para o § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/1998; pois a base de tributação deve se cingir às receitas de faturamento pela venda de mercadorias e da prestação de serviços. 3. Pede a reunião dos vários processos administrativos que tratam da mesma matéria/tributo, mudando apenas os períodos de apuração, para serem julgados na mesma ocasião. Os Julgadores de 1º piso não acolheram o pedido de reunião dos vários processos. Eles também consideraram improcedente o recurso da contribuinte, entendendo pela insuficiência de provas pelo alegado. Seria da contribuinte o ônus de provar o direito objeto do seu pedido, no momento da interposição da Manifestação de Inconformidade, sob pena de preclusão, ressalvadas as exceções legalmente previstas, nos termos do art. 16, caput, III e §4°, do Decreto 70.235/72, conforme consta do voto da decisão recorrida. Concluíram, os Julgadores a quo, pelo não reconhecimento do direito creditório, nos termos do Acórdão 11041.102. Inconformada, a contribuinte ingressou com recurso voluntário por meio do qual repisou as alegações apresentadas na manifestação de inconformidade, e acrescentou as seguintes: ● não é verdade que houve insuficiência de provas, pois apresentou planilha, balancete e livro obrigatório da contabilidade da contribuinte; ● a autoridade fiscal não questionou a efetividade dos pagamentos em discussão; ● não pode prevalecer o entendimento esposados pelos julgadores de 1º piso de que houve preclusão para a juntada de provas; isso fere o disposto na letra "c" do § 4º do artigo 16 do Decreto n. 70.235, de 1972 (apresentar provas que se destine a contrapor fatos e razões posteriormente trazidas aos autos). Cita doutrina, acórdãos e jurisprudências; ● a falta de retificação da DCTF não deve servir de justificativa para não se analisar e se deferir o direito da contribuinte; ● Não procede o entendimento dos Julgadores a quo de que a declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei n. 9.718/1998 proferida pelo STF não seja de observação obrigatória no processo administrativo fiscal; ● a Verdade Material deve prevalecer, e a autoridade deve realizar um exame completo dos fatos. É o relatório Fl. 196DF CARF MF Processo nº 10480.917393/201151 Resolução nº 3401001.122 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3401000.984, de 25 de janeiro de 2017, proferida no julgamento do processo 10480.900040/201201, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela Resolução (3401000.984): "Tempestivo o Recurso e atendidos os demais requisitos de admissibilidade. Temos diante de nós mais um caso de despacho decisório processado automaticamente, sem que haja qualquer intervenção humana para rever o seu teor e a eventual existência de razões para questionar sua conclusão. É freqüente, nessas situações, que a contribuinte somente compreenda totalmente a situação quando recebe a decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento mantendo o indeferimento eletrônico inicial, geralmente por falta de provas ou de contra argumentações por parte da contribuinte. Nessa toada, há os que se escudam no instituto da preclusão probatória para justificar a impossibilidade de reverter as negativas até então impostas à contribuinte. Coerente com minhas propostas de votação anteriores em situações semelhantes, baseado no argumento de que o princípio da verdade material deve prevalecer, relativizando as formalidades e os institutos preclusivos e assemelhados, e no argumento de que não é do interesse público maior praticar a injustiça fiscal qual seja, a manutenção no Tesouro do pagamento indevido , é que proponho que se tome providências para garantir substantivamente o contraditório (e não apenas formalmente) e para se verificar a verdade do alegado pelas partes. As teses que esposo divergem das postas no acórdão de 1º piso: (a) para uma visão absoluta do ônus probatório e do instituto da preclusão probatória, argumento em favor de que prevaleça a Verdade Material, e que os julgadores do processo administrativo possam agir e determinar providências nessa direção, aliás como expus em outros votos quando fiz alusão aos modelos trazidos pelo novo CPC; (b) que a negativa em pedidos de restituição e/ou compensações motivada pela inexistência de créditos líquidos e certos passe a considerar que a liquidez e certeza possam ser demonstradas ao longo do processo administrativo, não se limitando ao que o instruiu antes de sua chegada à instância de julgamento. Ressalto que a contribuinte, segundo que foi relatado, em sua primeira contestação havia juntado balancetes e planilhas, o que poderia ser no mínimo considerado princípio de prova. Fl. 197DF CARF MF Processo nº 10480.917393/201151 Resolução nº 3401001.122 S3C4T1 Fl. 5 4 Por isso, tendo em vista que a administração tributária de jurisdição não apreciou as razões do suposto direito creditório, proponho a este Colegiado a conversão do julgamento em diligência para que a unidade de jurisdição local analise e informe a respeito do alegado pela contribuinte, e também a respeito da existência de retificação realizada ou tentada pela contribuinte com relação ao (débitos e créditos) discutido neste processo administrativo. Que se dê ciência à contribuinte desta decisão e também do relatório conclusivo e da informação fiscal resultantes da diligência, e prazo de 30 dias para ela se manifestar em cada uma dessas intimações." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, converto o julgamento deste processo em diligência para que a unidade de jurisdição local analise e informe a respeito do alegado pela contribuinte, e também a respeito da existência de retificação realizada ou tentada pela contribuinte com relação ao (débitos e créditos) discutido neste processo administrativo. (assinado digitalmente) Robson José Bayerl Fl. 198DF CARF MF
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Numero do processo: 10925.720086/2013-45
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Mar 15 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 06/10/2008, 08/06/2009, 22/10/2009, 19/01/2010, 13/08/2010, 25/02/2011, 23/05/2011, 12/01/2012
Ementa:
IMPORTAÇÃO POR CONTA E ORDEM DE TERCEIRO. PRESUNÇÃO LEGAL. COMERCIALIZAÇÃO SUBSEQUENTE À REVENDA DA PRIMEIRA ADQUIRENTE.
A presunção de que trata o artigo 27 da Lei nº 10.637/2002 deve ser relativizada nas operações declaradas por conta e ordem de terceiro, em relação às cadeias de comercialização subsequentes. As provas apresentadas elidiram a presunção do artigo 27 da Lei nº 10.637/2002. A documentação probatória juntada aos autos demonstram ser a real adquirente das mercadorias declarada na DI a efetiva negociante no exterior e a proprietária primeira das mercadorias
Recurso Voluntário Provido em Parte
Crédito Tributário Mantido em Parte.
Numero da decisão: 3302-003.513
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, para manter apenas o lançamento do crédito tributário correspondente à Declaração de Importação nº 12/0073859-06, vencida a Conselheira Maria do Socorro, que negava provimento ao Recurso.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa
Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède
Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (Presidente), Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, Jose Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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PRESUNÇÃO LEGAL. COMERCIALIZAÇÃO SUBSEQUENTE À REVENDA DA PRIMEIRA ADQUIRENTE. A presunção de que trata o artigo 27 da Lei nº 10.637/2002 deve ser relativizada nas operações declaradas por conta e ordem de terceiro, em relação às cadeias de comercialização subsequentes. As provas apresentadas elidiram a presunção do artigo 27 da Lei nº 10.637/2002. A documentação probatória juntada aos autos demonstram ser a real adquirente das mercadorias declarada na DI a efetiva negociante no exterior e a proprietária primeira das mercadorias Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, para manter apenas o lançamento do crédito tributário correspondente à Declaração de Importação nº 12/007385906, vencida a Conselheira Maria do Socorro, que negava provimento ao Recurso. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 72 00 86 /2 01 3- 45 Fl. 1659DF CARF MF Processo nº 10925.720086/201345 Acórdão n.º 3302003.513 S3C3T2 Fl. 1.659 2 (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (Presidente), Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, Jose Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado. Relatório Trata o presente de Auto de Infração para constituição de crédito tributário relativo à multa substitutiva da pena de perdimento por infração de dano ao erário tipificada no artigo 23, inciso V do Decretolei nº 1.455/1976, constatada pela ocorrência de infração de ocultação do real comprador, mediante a interposição fraudulenta de terceiros. Por bem retratar a realidade dos fatos, transcrevese relatório do acórdão recorrido: “Contra a empresa ANGHEBEN COMÉRCIO EXTERIOR LTDA, ora Impugnante, doravante ANGHEBEN, já devidamente qualificadas nos autos deste processo, foi lavrado Auto de Infração (AI), por AFRFB em exercício na Delegacia da Receita Federal em JoaçabaSC, em sede de procedimento especial de fiscalização para averiguar a regularidade das importações realizadas pela trading IZE BRASIL COMÉRCIO EXTERIOR LTDA por Conta e Ordem da ANGHEBEN, ao final da qual restou apurada a infração tipificada como “Dano ao Erário”, decorrente da ocultação do real adquirente, mediante fraude ou simulação, infração punível com a pena de perdimento, convertida em multa equivalente ao valor aduaneiro, por motivo de impossibilidade de apreensão das mercadorias, uma vez que a real adquirente das importações seria a empresa ELETROMAR MÓVEIS E ELETRODOMÉSTICOS LTDA, CNPJ 32.951.535/000134, conforme concluiu a fiscalização, com lavratura de auto de infração num montante de crédito apurado no valor total de R$ 243.221,78. O procedimento teve início em 19 de julho de 2012, com ciência à ANGHEBEN do Termo de Início de Procedimento Especial, expedido em sede de cumprimento do Mandado de Procedimento Fiscal n° 09203002012003380, a qual foi intimada a apresentar documentos e informações, destinado a verificar a regularidade de suas importações por Conta e Ordem e uma única por Conta e Risco Próprios (DI 12/00738596). A empresa ELETROMAR MÓVEIS E ELETRODOMÉSTICOS, doravante denominado ELETROMAR, igualmente foi intimada a apresentar documentos e informações no interesse da fiscalização. Fl. 1660DF CARF MF Processo nº 10925.720086/201345 Acórdão n.º 3302003.513 S3C3T2 Fl. 1.660 3 Após apresentar esclarecimentos introdutórios sobre as modalidades previstas na legislação de importação, em síntese, alega a fiscalização: A) Que o suposto “cliente” ELETROMAR, real adquirente das mercadorias importadas por Conta e Ordem da ANGHEBEN, objeto da presente ação fiscal, apenas em 22/08/2011 foi habilitado a operar no comércio exterior, na modalidade simplificada (art. 2°, II da IN SRF 650/06), porém, sem nenhum registro de importação por conta própria até o momento de conclusão da presente fiscalização; B) Que, mediante o artifício da interposição fraudulenta praticado, a empresa ELETROMAR pretendia não se enquadrar na condição de contribuinte do IPI, equiparada a estabelecimento industrial e, portanto, não recolher o IPI incidente na operação de revenda, além de subtrair receitas decorrentes das operações de revenda ao consumidor final, as quais serviriam de base de cálculo para demais impostos e contribuições incidentes sobre o faturamento e lucro (PIS/Pasep, COFINS, IRPJ e CSLL); C) Que a operação igualmente teria permitido ao real adquirente ELETROMAR a utilização de benefícios fiscais do ICMS concedidos pelo Estado de Santa Catarina, uma vez que na modalidade que a importação foi realizada, por conta e ordem de empresa sediada no estado de SC (a ANGHEBEN), foi possível o enquadramento da operação no ‘Regime de Tarifação Especial do ICMS de Santa Catarina ProEmprego’, que, em síntese, tem o efeito de reduzir a alíquota efetiva do ICMS incidente sobre a importação para apenas 3%, benefício que não seria auferido caso a adquirente fosse a empresa ELETROMAR, sediada no estado de Mato Grosso, uma vez que o ICMS cabe ao estado onde estiver situado o domicílio ou o estabelecimento do destinatário da mercadoria; D) Que os métodos empregados pela ANGHEBEN para ocultar os reais adquirentes em suas importações nada têm de novo ou inusitado, sendo na verdade técnicas tradicionais e já bem conhecidas da fiscalização, mediante financiamento das operações de importação pelos reais adquirentes, com posterior aquisição “casada” das mercadorias importadas; E) Que, como primeiro grande indício da ocultação do real adquirente das importações realizadas por sua conta e ordem, destacase a proximidade entre as datas de desembaraço da importação e de emissão das notas fiscais de entrada e saída no estabelecimento da ANGHEBEN, com repasse integral da mercadoria adquirida ao real adquirente ELETROMAR, conforme demonstrado em quadro (fl. 922), numa típica operação de revenda da mercadoria a encomendante predeterminado, sem qualquer ânimo próprio ou risco da ANGHEBEN na realização da operação, uma vez que a operação de compra pela ELETROMAR já se encontrava Fl. 1661DF CARF MF Processo nº 10925.720086/201345 Acórdão n.º 3302003.513 S3C3T2 Fl. 1.661 4 previamente acertada antes mesmo do embarque das mercadorias no exterior; F) Que a tomada de risco na revenda das mercadorias é uma característica essencial da importação direta, na qual a ANGHEBEN não estaria configurada pela característica acima descrita (operação casada); G) Que o risco comercial advém do fato que, não sendo a importação previamente encomendada, o importador incorrerá nas incertezas de sua comercialização, quando da oferta à venda, da conquista do comprador, do alcance do preço de mercado, do prazo de entrega das mercadorias, da agregação de valores à mercadoria, numa composição de variáveis inerentes à atividade comercial; H) Que o cerne de todo o aspecto comercial da encomenda prévia seria o adiantamento de recursos pelo real adquirente para o fechamento de câmbio e pagamento de tributos e demais despesas das importações a serem promovidas pela importadora interposta,com aportes de recursos em conta da ANGHEBEN em datas imediatamente anterior ou na própria data de fechamento dos contratos de câmbio e demais despesas, conforme demonstra em quadro apresentado (Tabela 4 fls. 924 a 926); I) Que própria declaração da ANGHEBEN confirmaria tal sistemática de subsídio das operações de importação pela ELETROMAR, ao afirmar que os pagamentos desta última estavam vinculados à logística de produção e transporte das mercadorias no exterior (fl. 924); J) Que ao informar o modo de operação financeira da empresa com seus fornecedores no exterior (fl. 924), quando em cotejo com a forma antecipada de pagamento das mercadorias pela ELETROMAR, restaria claro que as antecipações desta última eram inteiramente suficientes ao pagamento dos fornecedores estrangeiros; K) Que da análise dos pagamentos ao exterior (contratos de câmbio) e recebimentos realizados pela ANGHEBEN da ELETROMAR para cada operação de importação objeto da ação fiscal, extraídos de sua contabilidade e dos extratos bancários apresentados à fiscalização por ambas as empresas, constatase para todas as importações objeto da ação fiscal o ADIANTAMENTO de numerário pela ELETROMAR à ANGHEBEN, através de transferência bancária, no dia imediatamente anterior ou no própria dia do fechamento de câmbio, com a primeira parcela de adiantamento em valor muito próximo ao valor de fechamento da primeira parcela de câmbio, com o segundo adiantamento em valor já superior à segunda parcela de câmbio, devido às despesas posteriores relacionadas ao registro da declaração de importação e pagamento dos tributos; L) Que os fatos, à luz da disposição legal do art. 27 da Lei 10.637/2002, caracterizam as importações da ANGHEBEN, Fl. 1662DF CARF MF Processo nº 10925.720086/201345 Acórdão n.º 3302003.513 S3C3T2 Fl. 1.662 5 objeto da ação fiscal, como por Conta e Ordem da ELETROMAR, em ação simulada para ocultálo da sujeição passiva das obrigações tributárias; M) Que à época das importações, a empresa ELETROMAR não possuía habilitação para operar no comércio exterior, de forma que, para não se submeter aos rigores do procedimento de habilitação e não se expor perante a fiscalização, a mesma preferiu utilizarse do ocultamento de suas importações através de interposição da ANGHEBEN; N) Que dos fatos apresentados, restou demonstrado que a ANGHEBEN, mediante simulação e interposição, importou por “conta” (via adiantamento de recursos) e “ordem” (pedidos) encomenda de terceiros ocultos das relações obrigacionais tributárias formadas, não tendo a mesma cumprido nenhum dos requisitos imprescindíveis para importação por conta e ordem da ELETROMAR, infração punível com a pena de perdimento das mercadorias objeto das importações, na forma prevista no art. 23, V, do Dl 1.455/76, as quais, por não mais se encontrarem localizadas, tiveram a pena convertida em pecúnia no valor das mercadorias importadas, na forma prevista no art. 23, § 3º, do Dl 1.455/76; O) Que, em acordo com as disposições do art. 95, incisos I, V e VI, do Dl 37/66 e art. 124 da Lei 5.172/66 (Código Tributário Nacional – CTN), e fatos demonstrados no presente auto, tanto a ANGHEBEN quanto a ELETROMAR devem figurar no pólo passivo da presente autuação, a primeira como contribuinte e a segunda como responsável solidária; De outra parte, contraditando o procedimento em causa, as contrarrazões apresentadas pelas empresas ANGHEBEN e ELETROMAR podem ser sinteticamente consolidadas e descritas como seguem (fls. 989 a 1020 e fls. 1506 a 1534, respectivamente). (A) Arguiu a ANGHEBEN que exerce a atividade de comércio internacional de mercadorias, com prestação de serviços de importação e exportação de bens, exercendo também a importação direta; Que possui estrutura física completa, incluindo armazém na cidade de Itajaí/SC, com logística nacional e internacional integrada e que nos últimos 05 (cinco) anos importou mais de 3.400 contêineres de mercadoria, com parametrização majoritariamente selecionada para o canal verde; (B) Arguiu a ELETROMAR que é detentora de exacerbada carga tributária, sempre atendendo e cumprindo com suas obrigações perante o Fisco, mantendo dessa forma sua idoneidade, estabilidade e regularidade fiscal; Que foi procurada pela ANGHEBEN para compra de mercadorias, não o inverso como quer a fiscalização, que alega ter sido a mesma que procurou a ANGHEBEN para encomendar a importação de bens; e que a operação adotada ocorria em duas fases, iniciandose com a importação realizada pela trading IZE Brasil por conta e ordem Fl. 1663DF CARF MF Processo nº 10925.720086/201345 Acórdão n.º 3302003.513 S3C3T2 Fl. 1.663 6 da empresa ANGHEBEN, a qual, apenas após a conclusão do desembaraço da importação, realizava a revenda das mercadorias a diversos clientes em todo o território nacional, entre eles a mesma; (C) Conjuntamente, alegam que por questões logísticas e objetivando usufruir benefício fiscal na importação conferido pelo Estado de SC, a ANGHEBEN terceiriza suas operações de importação por meio da trading IZE Brasil, habilitada ao regime de benefício estadual, a qual realiza as importações na modalidade por conta e ordem de terceiro; (D) Que após o desembaraço da importação a mercadoria é conduzida para armazém da ANGHEBEN, apenas em seguida sendo revendida no mercado interno, sempre sem qualquer contato ou conhecimento dos adquirentes finais com o fornecedor estrangeiro; (E) Que a ANGHEBEN é responsável exclusiva por toda a negociação com o fornecedor estrangeiro, pelo fechamento de câmbio, pelo transporte internacional, pelo desembaraço aduaneiro e pelo recolhimento dos tributos, sendo ela a única responsável por todo o processo de importação, em formato de atuação sem nenhuma ilegalidade ou fraude; (F) Que para suas surpresas, foram autuadas pela Receita Federal sob a acusação de ocultação do real adquirente das mercadorias, penalidade igualmente aplicada às duas empresas, ANGHEBEN e ELETROMAR; (G) Que ficou claramente demonstrado no curso do procedimento fiscal que todos os recursos aplicados às importações pertenceram à ANGHEBEN, a qual realizou todos os pagamentos e relacionamento comercial diretamente junto ao fornecedor estrangeiro; (H) Que foi a ANGHEBEN que prospectou toda a clientela adquirente, o que caracterizaria a operação comercial como revenda no mercado interno e não importação por conta e ordem de terceiro, não podendo a simples utilização de uma empresa prestadora de serviço (trading), que visava tão somente facilitar a operação de comércio exterior, modificar a natureza das operações realizadas pelas mesmas; (I) Que o SISCOMEX apenas trata como campos obrigatórios de preenchimento a informação do importador e adquirente, os quais foram devidamente declarados, não havendo que se falar dos futuros e eventuais adquirentes finais do produto no mercado interno; (J) Que se mostra frágil a argumentação da fiscalização com relação à proximidade de datas entre o desembaraço, entrada e saída dos bens no estabelecimento da ANGHEBEN para sustentar indícios de ocultação de terceiros, haja vista a ausência de pressuposto lógicojurídico ou fundamentação legal para tal, inexistindo exigência alguma para que os bens Fl. 1664DF CARF MF Processo nº 10925.720086/201345 Acórdão n.º 3302003.513 S3C3T2 Fl. 1.664 7 permaneçam como propriedade da mesma por certo prazo, antes de revendêlos; (K) Que a legislação aduaneira de regência exige apenas que, nos casos em que a operação for realizada por intermédio de terceiros, ambas as empresas envolvidas estejam devidamente vinculadas nos documentos aduaneiros, o que não pode se aplicar para a situação em questão, por se tratar de operação de revenda no mercado interno; (L) Que o dano ao Erário decorrente da prática de “ocultação do real adquirente” apenas se aperfeiçoa quando o mesmo se dar mediante fraude ou simulação, o que em nenhum momento ficou comprovado de forma inequívoca no caso em questão; (M) Que inexistiu dano ao Erário imprescindível à conduta reprimida, seja pela ausência de comprovação de prejuízo fiscal, seja pela equivocada ideia de ocultação de adquirente para frustrar os controles aduaneiros; (N) Que merece destaque documento em anexo elaborado por técnico contador habilitado, o qual demonstra a total capacidade financeira da ANGHEBEN em arcar com todos os custos das importações, não havendo o que se falar em adiantamentos de recurso imprescindíveis à realização da importação; (O) Que não se pode confundir os valores recebidos legitimamente pela ANGHEBEN em decorrência do acordo comercial com a ELETROMAR, com os valores integrantes do patrimônio daquela primeira ou a falta de recursos desta para suportar todos os riscos e custos nas importações, ressaltando que todos as despesas e pagamentos relacionados com as importações tiveram origem direta da conta bancária da ANGHEBEN; (P) Que nos meses de registro e realização das operações, a ANGHEBEN dispunha de valores no ativo circulante suficientes a saldar o custeio das importações, conforme quadro que apresenta à fl. 1007; (Q) Que nas importações objeto da ação fiscal, não houve nenhum benefício fiscal indevido, tampouco tributos deixaram de ser recolhidos, não tendo a fiscalização logrado êxito em apresentar algo em contrário; (R) Que assim fica completamente descaracterizada a conduta descrita pela ocultação de terceiros pela ausência de fraude, simulação ou interposição fraudulenta de terceiros, com o objetivo de sonegar tributos; (S) Que os princípios da proporcionalidade e razoabilidade, essenciais à atividade repressiva estatal, foram violados na situação em questão, haja vista a ausência de dano ao Erário; Fl. 1665DF CARF MF Processo nº 10925.720086/201345 Acórdão n.º 3302003.513 S3C3T2 Fl. 1.665 8 (T) Que, sendo o dano ao Erário uma elementar para aplicação da pena de perdimento, a mesma não subsiste frente à conduta que em nada repercute no aspecto da tributação que permanece a mesma, não sendo alterada nem para mais e nem para menos; (U) Que, em conformidade às disposições do art. 737 do Regulamento Aduaneiro RA (Decreto nº 6.759/09), a ANGHEBEN pleiteia, alternativamente, pela relevação da pena de perdimento, com aplicação da penalidade menos onerosa prevista no art. 712 do RA, haja vista a inexistência de falta ou insuficiência de recolhimento de imposto, como forma de sobrestar ato arbitrário que viola princípio constitucional sobre o direito de propriedade; (V) Por fim, ressalta a ELETROMAR que, em conformidade com a legislação que destaca, o contribuinte das importações objeto da ação fiscal é a trading IZE Brasil, por assim ter promovido a entrada dos bens, e responsável solidário a empresa ANGHEBEN, que encerra a cadeia entre o transmitente e o adquirente dos bens importados, não havendo assim que se falar em responsabilidade solidária de sua parte na obrigação tributária formada; Ao final, requererem que seja reconhecida a improcedência do lançamento, com cancelamento do débito fiscal e responsabilidade tributária atribuída à ELETROMAR. É acima o relatório" A Sexta Turma da DRJ em Recife proferiu o Acórdão nº 1144.750, nos termos da ementa que abaixo transcrevese: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 06/10/2008 a 12/01/2012 IMPORTAÇÃO. DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO CONVERTIDA EM MULTA. Considerase dano ao Erário a ocultação do real adquirente, mediante fraude ou simulação, infração punível com a pena de perdimento, convertida em multa equivalente ao valor aduaneiro, caso as mercadorias não sejam localizadas ou tenham sido consumidas. SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Respondem pela infração conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie; a pessoa natural ou jurídica, em razão do despacho que promover, de qualquer mercadoria e o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso da importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora. CONSTITUCIONALIDADE DAS NORMAS LEGAIS QUE DISPÕEM SOBRE INFRAÇÕES E PENALIDADES. Fl. 1666DF CARF MF Processo nº 10925.720086/201345 Acórdão n.º 3302003.513 S3C3T2 Fl. 1.666 9 A análise dos princípios constitucionais apontados, em especial, de vedação ao confisco e proporcionalidade, demandaria o exame da constitucionalidade de dispositivos legais em vigor, procedimento vedado a este Colegiado. DANO AO ERÁRIO. OCULTAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO, DO REAL VENDEDOR, COMPRADOR OU DE RESPONSÁVEL PELA OPERAÇÃO. CARACTERIZAÇÃO. O Dano ao Erário decorrente da ocultação das partes envolvidas na operação comercial que fez vir a mercadoria do exterior é hipótese de infração “de mera conduta”, que se materializa quando o sujeito passivo oculta a intervenção de terceiro, independentemente do prejuízo tributário perpetrado. RELEVAÇÃO DA PENA DE PERDIMENTO. CONVERSÃO DA PENALIDADE PELA IMPOSSIBILIDADE DE APREENSÃO DA MERCADORIA. PREJUÍZO À RELEVAÇÃO. A hipótese de relevação da pena de perdimento se aplica à mercadoria apreendida, que pela impossibilidade de sua apreensão, convertese em penalidade pecuniária, mediante lançamento de ofício, regido em conformidade com as disposições do Decreto 70.235/72 (Procedimento Administrativo Fiscal PAF), o qual não prevê qualquer hipótese de relevação do lançamento. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A recorrente, cientificada em 12/03/2014, apresentou em 09/04/2014, recurso voluntário, alegando: 1. A inocorrência da ocultação do real adquirente, pois as operações tratavam de importação de produtos com fins de revenda, completamente divergente de uma operação por conta e ordem de terceiro ou por encomenda; que as negociações foram feitas pela recorrente; que não houve subtração de recolhimento de tributos; que a proximidade entre as datas de desembaraço aduaneiro, entrada e saídas das mercadorias é aspecto frágil para sustentar indícios de ocultação de terceiro; 2. Que não houve prova da ocorrência de fraude, pois não houve intenção por parte da recorrente, nem dano ao erário, vez que não houve supressão de tributos; 3. A inocorrência do dano ao erário pela ausência de comprovação de prejuízo fiscal, bem como pela equivocada idéia de ocultação de adquirente para frustrar os controles aduaneiros; que a ausência de dano econômico afasta a aplicação da pena de perdimento, conforme jurisprudência do STJ; 4. Que não houve adiantamento de recurso para conclusão da operação de importação e que tal enquadramento necessitaria dos requisitos da não comprovação da origem dos recursos, da disponibilidade e transferência dos recursos empregados no exterior; que a recorrente possui capacidade financeira para arcar com os custos das operações de importação; que a figura da interposição fraudulenta presumida de terceiros não foi comprovada; Fl. 1667DF CARF MF Processo nº 10925.720086/201345 Acórdão n.º 3302003.513 S3C3T2 Fl. 1.667 10 5. Que não foram observados os princípios da razoabilidade e proporcionalidade, ocorrendo afronta às garantias constitucionais para o exercício da profissão e da atividade econômica; 6. Alternativamente, a relevação da pena de perdimento com base no artigo 737 do Decreto nº 6.759/2009. Na sessão de 10/12/2014, esta turma decidiu converter o julgamento em diligência, para que a responsável solidário ELETROMAR MÓVEIS E ELETRODOMÉSTICOS LTDA, CNPJ 32.951.535/000134, fosse cientificada da decisão de primeira instância e lhe fosse facultada a interposição de recurso voluntário. Cientificada, a responsável ELETROMAR não se manifestou. Na forma regimental, o processo foi distribuído a este relator. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède. O recurso voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Os sujeitos passivos solidários são ANGHEBEN COMERCIO EXTERIOR LTDA e ELETROMAR MOVEIS E ELETRODOMESTICOS LTDA, não havendo interposição de recurso voluntário por parte desta última. A fiscalização afirma que a empresa ANGHEBEN COMERCIO EXTERIOR LTDA contratou a trading IZE BRASIL COMÉRCIO EXTERIOR LTDA para promover o despacho aduaneiro por questões de logística, relativo a várias DI´s, registradas no período de 03/10/2008 a 12/01/2012, na modalidade "por conta e ordem de terceiros" (com exceção de uma registrada como importação por conta própria DI nº 12/00738596), figurando a IZE como importadora e a ANGHEBEN como real adquirente, entendendo ocorrer a ocultação do real comprador e, consequentemente, a subsunção ao inciso V do artigo 23 do Decretolei nº 1.455/1976: Art 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: [...] V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 1o O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) Fl. 1668DF CARF MF Processo nº 10925.720086/201345 Acórdão n.º 3302003.513 S3C3T2 Fl. 1.668 11 § 2o Presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a nãocomprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 3o A pena prevista no § 1o convertese em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou que tenha sido consumida.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) (Vide) § 3o As infrações previstas no caput serão punidas com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, na importação, ou ao preço constante da respectiva nota fiscal ou documento equivalente, na exportação, quando a mercadoria não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida, observados o rito e as competências estabelecidos no Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972. (Redação dada pela Medida Provisória nº 497, de 2010) § 3o As infrações previstas no caput serão punidas com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, na importação, ou ao preço constante da respectiva nota fiscal ou documento equivalente, na exportação, quando a mercadoria não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida, observados o rito e as competências estabelecidos no Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) A fiscalização, entretanto, defende que a ANGHEBEN deveria figurar como importadora e a ELETROMAR como real adquirente, uma vez que esta teria adiantado todos os recursos necessários aos custos de importação à ANGHEBEN, e que esta os teria repassado à IZE. Com a prática, a ELETROMAR teria afastada a obrigação de se submeter aos procedimentos fiscais de habilitação, além de se beneficiar de incentivo fiscal relativo ao ICMS instituído pelo Estado de Santa Catarina, o qual não seria possível caso figurasse como real adquirente. Os elementos colhidos pela fiscalização para embasar suas assertivas foram: 1. A proximidade das datas de desembaraço, entrada e saída das mercadorias; 2. As notas fiscais de entradas e saídas eram vinculadas, no sentido de que todas as mercadorias importadas eram na mesma quantidade "vendidas" à ELETROMAR, configurando "venda casada"; 3. O aporte de recursos promovido pela ELETROMAR à ANGHEBEN (e desta para IZE) para fechamento do câmbio, pagamento de tributos e outras despesas, conforme tabela 4 do relatório fiscal; 4. A falta de habilitação para operar em comércio exterior por parte da ELETROMAR. 5. A ELETROMAR pretendia usufruir do beneficio fiscal do Estado de Santa Catarina Fl. 1669DF CARF MF Processo nº 10925.720086/201345 Acórdão n.º 3302003.513 S3C3T2 Fl. 1.669 12 Diante destes fatos, a fiscalização concluiu pela ocorrência da interposição fraudulenta pela ocultação do real adquirente, no caso a ELETROMAR, uma vez que esta teria adiantado os recursos necessários aos custos da importação. Passase à análise do recurso voluntário de ANGHEBEN. A ANGHEBEN alega que é revendedora de produtos utilizados em construção civil, que utilizou a IZE por questões de logística e por esta usufruir de benefício fiscal concedido pelo Estado de Santa Catarina, e que a operação realizada foi importação por conta e ordem da ANGHEBEN com posterior revenda da mercadoria a diversos clientes. Alega ainda que toda a negociação fora executada pela ANGHEBEN, que os clientes não possuíam qualquer contato com os fornecedores, o que reforça o papel da recorrente como vendedora direta dos produtos. Afirma ainda que é responsável por todo o processo de importação e que suporta todos os custos e riscos da operação e após disponibiliza os produtos para venda no mercado interno, mediante a captação de clientes por representantes legais. Para a análise da situação, necessário expor as modalidades de importação de acordo com a legislação vigente. A legislação prevê três modalidades de importação: importação por direta, importação por "conta e ordem" e importação por encomenda. Na importação direta, o destinatário da mercadoria é o próprio importador que a utilizará para consumo próprio ou para revenda, possuindo a característica de não haver um destinatário prédeterminado e atualmente normatizada pela IN SRF nº 680/2006. O excerto abaixo extraído do artigo publicado na obra “Tributação Aduaneira à luz da jurisprudência do CARF” 1 esclarece: “I.1. Importação por conta própria A importação por conta própria é a tradicional modalidade de importação. É aquela modalidade de importação em que o importador adquire a mercadoria do exportador no exterior, fecha o câmbio em nome próprio, com recursos próprios, paga os tributos e a utiliza ou a venda no mercado interno para diversos compradores” Quanto às outras duas modalidades, o site da Receita Federal esclarece sobre os contornos da importação por conta e ordem e por encomenda2: Importação por conta e ordem: A importação por conta e ordem de terceiro é um serviço prestado por uma empresa a importadora , a qual promove, em seu nome, o Despacho Aduaneiro de Importação de mercadorias adquiridas por outra empresa a adquirente em 1 Tributação Aduaneira: à luz da jurisprudência do CARF Conselho Administrativo de Recursos Fiscais/Ana Clarissa M. dos Santos Araújo...[et al.]; coordenação Marcelo Magalhães Peixoto,Ângela Sartori, Luiz Roberto Domingo. 1º ed. São Paulo; MP Editora, 2013. Artigo: "Dano ao Erário pela Ocultação Mediante Fraude a Interposição Fraudulenta de Terceiros nas Operações de Comércio Exetrior", página 53. 2 http://idg.receita.fazenda.gov.br/orientacao/aduaneira/manuais/despachodeimportacao/topicos1/importacao porcontaeordemeimportacaoporencomenda1/importacaoporcontaeordem/oqueeaimportacaopor contaeordem Fl. 1670DF CARF MF Processo nº 10925.720086/201345 Acórdão n.º 3302003.513 S3C3T2 Fl. 1.670 13 razão de contrato previamente firmado, que pode compreender ainda a prestação de outros serviços relacionados com a transação comercial, como a realização de cotação de preços e a intermediação comercial (art. 1º da IN SRF nº 225/2002 e art. 12, § 1°, I, da IN SRF nº 247/2002). Assim, na importação por conta e ordem, embora a atuação da empresa importadora possa abranger desde a simples execução do despacho de importação até a intermediação da negociação no exterior, contratação do transporte, seguro, entre outros, o importador de fato é a adquirente, a mandante da importação, aquela que efetivamente faz vir a mercadoria de outro país, em razão da compra internacional; embora, nesse caso, o faça por via de interposta pessoa a importadora por conta e ordem , que é uma mera mandatária da adquirente. Dessa forma, mesmo que a importadora por conta e ordem efetue os pagamentos ao fornecedor estrangeiro, antecipados ou não, não se caracteriza uma operação por sua conta própria, mas, sim, entre o exportador estrangeiro e a empresa adquirente, pois dela se originam os recursos financeiros. Importação por encomenda: A importação por encomenda é aquela em que uma empresa adquire mercadorias no exterior com recursos próprios e promove o seu despacho aduaneiro de importação, a fim de revendêlas, posteriormente, a uma empresa encomendante previamente determinada, em razão de contrato entre a importadora e a encomendante, cujo objeto deve compreender, pelo menos, o prazo ou as operações pactuadas (art. 2º, § 1º, II, da IN SRF nº 634/2006). Assim, como na importação por encomenda o importador adquire a mercadoria junto ao exportador no exterior, providencia sua nacionalização e a revende ao encomendante, tal operação tem, para o importador contratado, os mesmos efeitos fiscais de uma importação própria. Em última análise, em que pese à obrigação do importador de revender as mercadorias importadas ao encomendante predeterminado, é aquele e não este que pactua a compra internacional e deve dispor de capacidade econômica para o pagamento da importação, pela via cambial. Da mesma forma, o encomendante também deve ter capacidade econômica para adquirir, no mercado interno, as mercadorias revendidas pelo importador contratado. Outro efeito importante desse tipo de operação é que, conforme determina o artigo 14 da Lei nº 11.281/2006, aplicamse ao importador e ao encomendante as regras de preço de transferência de que tratam os artigos 18 a 24 da Lei nº 9.430/1996. Em outras palavras, se o exportador estrangeiro, nos termos dos artigos 23 e 24 dessa lei, estiver domiciliado em país ou dependência com tributação favorecida e/ou for vinculado com o importador ou o encomendante, as regras de Fl. 1671DF CARF MF Processo nº 10925.720086/201345 Acórdão n.º 3302003.513 S3C3T2 Fl. 1.671 14 “preço de transferência” para a apuração do imposto sobre a renda deverão ser observadas. Citamse, ainda, os elementos da importação por encomenda, expostos pelo Professor Heleno Taveira Tôrres no artigo “Autonomia Privada nas Importações e Sanções Tributárias” 3 “No caso em que se tenha contrato de compra e venda internacional de mercadorias, em virtude de prévia encomenda (a) de empresa brasileira a trading nacional, a qual atende à solicitação daquela mediante compra direta de bens de exportador estrangeiro (b), em seu nome, portanto, realizando todos os atos necessários a este efeito, como liquidação de câmbio, emissão de nota fiscal de entrada e de saída e registros da compra e venda (c); e que, em seguida, à luz de contrato de exclusividade firmado entre esta trading e a adquirente de mercadorias, transfere as mercadorias para tal empresa (d), confirmase, de modo inconteste, o atendimento às exigências de típico caso de importação por encomenda.”(grifos não originais) Depreendese que a importação direta possui como característica a aquisição das mercadorias para destinatários não conhecidos previamente, enquanto a importação por conta e ordem consiste em uma prestação de serviços vinculadas ao despacho aduaneiro (podendo ocorrer a intermediação comercial pela importadora) enquanto a adquirente realiza a aquisição do exterior, ao passo que na importação por encomenda, a importadora adquire em seu próprio nome, como se importação direta fosse, mas sob as ordens e determinações de um encomendante, para o qual será revendida toda a mercadoria importada. A importação por conta e ordem foi regulamentada pela Receita Federal do Brasil mediante a edição da IN SRF 225/2002, conforme autorizado pelo art. 80 da MP nº 2.15835/20014: O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL , no uso da atribuição que lhe confere o inciso III do art. 209 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria MF nº 259, de 24 de agosto de 2001 , tendo em vista o disposto no inciso I do art. 80 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001 , e no art. 29 da Medida Provisória nº 66, de 29 de agosto de 2002 , resolve: Art. 1º O controle aduaneiro relativo à atuação de pessoa jurídica importadora que opere por conta e ordem de terceiros será exercido conforme o estabelecido nesta Instrução Normativa. 3 Temas Atuais de Direito Aduaneiro/ Rosaldo Trevisan(organizador) ...[et al.]; São Paulo; Lex Editora, 2008. Artigo: "Autonomia Privada nas Importações e Sanções Tributárias", página 223. 4 Artigo 80. A Secretaria da Receita Federal poderá: I estabelecer requisitos e condições para a atuação de pessoa jurídica importadora por conta e ordem de terceiro; II exigir prestação de garantia como condição para a entrega de mercadorias, quando o valor das importações for incompatível com o capital social ou o patrimônio líquido do importador ou do adquirente. Fl. 1672DF CARF MF Processo nº 10925.720086/201345 Acórdão n.º 3302003.513 S3C3T2 Fl. 1.672 15 Parágrafo único. Entendese por importador por conta e ordem de terceiro a pessoa jurídica que promover, em seu nome, o despacho aduaneiro de importação de mercadoria adquirida por outra, em razão de contrato previamente firmado, que poderá compreender, ainda, a prestação de outros serviços relacionados com a transação comercial, como a realização de cotação de preços e a intermediação comercial. Art. 2º A pessoa jurídica que contratar empresa para operar por sua conta e ordem deverá apresentar cópia do contrato firmado entre as partes para a prestação dos serviços, caracterizando a natureza de sua vinculação, à unidade da Secretaria da Receita Federal (SRF), de fiscalização aduaneira, com jurisdição sobre o seu estabelecimento matriz. Parágrafo único. O registro da Declaração de Importação (DI) pelo contratado ficará condicionado à sua prévia habilitação no Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex), para atuar como importador por conta e ordem do adquirente, pelo prazo previsto no contrato. Art. 3º O importador, pessoa jurídica contratada, devidamente identificado na DI, deverá indicar, em campo próprio desse documento, o número de inscrição do adquirente no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas (CNPJ). § 1º O conhecimento de carga correspondente deverá estar consignado ou endossado ao importador, configurando o direito à realização do despacho aduaneiro e à retirada das mercadorias do recinto alfandegado. § 2º A fatura comercial deverá identificar o adquirente da mercadoria, refletindo a transação efetivamente realizada com o vendedor ou transmitente das mercadorias. Art. 4º Sujeitarseá à aplicação de pena de perdimento a mercadoria importada na hipótese de: I inserção de informação que não traduza a realidade da operação, seja no contrato de prestação de serviços apresentado para efeito de habilitação, seja nos documentos de instrução da DI de que trata o art. 3º (art. 105, inciso VI, do Decretolei nº 37, de 18 de novembro de 1966); II ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, do comprador ou responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros (art. 23, inciso V, do Decretolei nº 1.455, de 7 de abril de 1976, com a redação dada pelo art. 59 da Medida Provisória nº 66, de 29 de agosto de 2002 ). Parágrafo único. A aplicação da pena de que trata este artigo não elide a formalização da competente representação para fins penais, relativamente aos responsáveis, nos termos da legislação específica (Decretolei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940 e Lei nº 8.137, de 27 de dezembro de 1990). Fl. 1673DF CARF MF Processo nº 10925.720086/201345 Acórdão n.º 3302003.513 S3C3T2 Fl. 1.673 16 Art. 5º A operação de comércio exterior realizada mediante utilização de recursos de terceiro presumese por conta e ordem deste, para fins de aplicação do disposto nos arts. 77 a 81 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001 . Art. 6º Esta Instrução Normativa entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos a partir de 4 de novembro de 2002. Adicionalmente, o artigo 27 da Lei nº 10.637/2002 dispõe: Art. 27. A operação de comércio exterior realizada mediante utilização de recursos de terceiro presumese por conta e ordem deste, para fins de aplicação do disposto nos arts. 77 a 81 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001. Por sua vez, os artigos 77 a 81 da MP nº 2.15835/2001 dispõem: Art. 77. O parágrafo único do art. 32 do DecretoLei nº 37, de 18 de novembro de 1966, passa a vigorar com a seguinte redação: "Art. 32. ................................................... ................................................... Parágrafo único. É responsável solidário: I o adquirente ou cessionário de mercadoria beneficiada com isenção ou redução do imposto; II o representante, no País, do transportador estrangeiro; III o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso de importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora." (NR) Art. 78. O art. 95 do DecretoLei nº 37, de 1966, passa a vigorar acrescido do inciso V, com a seguinte redação: " V conjunta ou isoladamente, o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso da importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora." (NR) Art. 79. Equiparamse a estabelecimento industrial os estabelecimentos, atacadistas ou varejistas, que adquirirem produtos de procedência estrangeira, importados por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora. Art. 80. A Secretaria da Receita Federal poderá: I estabelecer requisitos e condições para a atuação de pessoa jurídica importadora por conta e ordem de terceiro; e I estabelecer requisitos e condições para a atuação de pessoa jurídica importadora ou exportadora por conta e ordem de terceiro; e (Redação dada pela Lei nº 12.995, de 18 de junho de 2014) II exigir prestação de garantia como condição para a entrega Fl. 1674DF CARF MF Processo nº 10925.720086/201345 Acórdão n.º 3302003.513 S3C3T2 Fl. 1.674 17 de mercadorias, quando o valor das importações for incompatível com o capital social ou o patrimônio líquido do importador ou do adquirente. Art. 81. Aplicamse à pessoa jurídica adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso da importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora, as normas de incidência das contribuições para o PIS/PASEP e COFINS sobre a receita bruta do importador. Destacase que a importação por conta e ordem impõe ao real adquirente conseqüências relevantes como a prestação de garantia como condição para a entrega de mercadorias, quando o valor das importações for incompatível com seu capital social ou o patrimônio líquido; a sujeição ao procedimento especial previsto na IN SRF 228/2002 (verificação da origem dos recursos aplicados em operações de comércio exterior e combate à interposição fraudulenta de pessoas); a responsabilidade solidária quanto ao imposto de importação; a responsabilidade conjunta ou isolada, quanto às infrações aduaneiras; a sujeição ao pagamento dos tributos relativos ao IPI de sua saída por contribuinte por equiparação; a sujeição ao pagamentos de PIS/Pasep e Cofins sob as normas de incidência sobre a receita bruta do importador. Por fim, a partir da Lei nº 11.281/2006, foi disciplinada a figura do encomendante predeterminado com regulamentação dada pela IN SRF nº 634/2006, nos seguintes termos: Art. 11. A importação promovida por pessoa jurídica importadora que adquire mercadorias no exterior para revenda a encomendante predeterminado não configura importação por conta e ordem de terceiros. § 1o A Secretaria da Receita Federal: I estabelecerá os requisitos e condições para a atuação de pessoa jurídica importadora na forma do caput deste artigo; e II poderá exigir prestação de garantia como condição para a entrega de mercadorias quando o valor das importações for incompatível com o capital social ou o patrimônio líquido do importador ou do encomendante. § 2o A operação de comércio exterior realizada em desacordo com os requisitos e condições estabelecidos na forma do § 1o deste artigo presumese por conta e ordem de terceiros, para fins de aplicação do disposto nos arts. 77 a 81 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001. § 3o Considerase promovida na forma do caput deste artigo a importação realizada com recursos próprios da pessoa jurídica importadora, participando ou não o encomendante das operações comerciais relativas à aquisição dos produtos no exterior. (Incluído pela Lei nº 11.452, de 2007) Art. 12. Os arts. 32 e 95 do DecretoLei no 37, de 18 de novembro de 1966, passam a vigorar com a seguinte redação: Fl. 1675DF CARF MF Processo nº 10925.720086/201345 Acórdão n.º 3302003.513 S3C3T2 Fl. 1.675 18 "Art. 32. .............................................................................. .............................................................................. Parágrafo único. .............................................................................. .............................................................................. c) o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso de importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora; d) o encomendante predeterminado que adquire mercadoria de procedência estrangeira de pessoa jurídica importadora." (NR) "Art. 95. .............................................................................. .............................................................................. VI conjunta ou isoladamente, o encomendante predeterminado que adquire mercadoria de procedência estrangeira de pessoa jurídica importadora." (NR) Art. 13. Equiparamse a estabelecimento industrial os estabelecimentos, atacadistas ou varejistas, que adquirirem produtos de procedência estrangeira, importados por encomenda ou por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora. Art. 14. Aplicamse ao importador e ao encomendante as regras de preço de transferência de que trata a Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, nas importações de que trata o art. 11 desta Lei. IN SRF nº 634/2006: O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL , no uso da atribuição que lhe confere o inciso III do art. 230 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria MF nº 30, de 25 de fevereiro de 2005 , e tendo em vista o disposto no art. 16 da Lei nº 9.779, de 19 de janeiro de 1999 , e nos incisos I e II do § 1º do art. 11 e nos arts. 12 a 14 da Lei nº 11.281, de 20 de fevereiro de 2006, resolve: Art. 1º O controle aduaneiro relativo à atuação de pessoa jurídica importadora que adquire mercadorias no exterior para revenda a encomendante predeterminado será exercido conforme o estabelecido nesta Instrução Normativa. Parágrafo único. Não se considera importação por encomenda a operação realizada com recursos do encomendante, ainda que parcialmente. Art. 2º O registro da Declaração de Importação (DI) fica condicionado à prévia vinculação do importador por encomenda Fl. 1676DF CARF MF Processo nº 10925.720086/201345 Acórdão n.º 3302003.513 S3C3T2 Fl. 1.676 19 ao encomendante, no Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex). § 1º Para fins da vinculação a que se refere o caput, o encomendante deverá apresentar à unidade da Secretaria da Receita Federal (SRF) de fiscalização aduaneira com jurisdição sobre o seu estabelecimento matriz, requerimento indicando: I nome empresarial e número de inscrição do importador no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas (CNPJ); e II prazo ou operações para os quais o importador foi contratado. § 2º As modificações das informações referidas no § 1º deverão ser comunicadas pela mesma forma nele prevista. § 3º Para fins do disposto no caput, o encomendante deverá estar habilitado nos termos da IN SRF nº 455, de 5 de outubro de 2004 . Art. 3º O importador por encomenda, ao registrar DI, deverá informar, em campo próprio, o número de inscrição do encomendante no CNPJ. Parágrafo único. Enquanto não estiver disponível o campo próprio da DI a que se refere o caput, o importador por encomenda deverá utilizar o campo destinado à identificação do adquirente por conta e ordem da ficha "Importador" e indicar no campo "Informações Complementares" que se trata de importação por encomenda. Art. 4º O importador por encomenda e o encomendante são obrigados a manter em boa guarda e ordem, e a apresentar à fiscalização aduaneira, quando exigidos, os documentos e registros relativos às transações em que intervierem, pelo prazo decadencial. Art. 5º O importador por encomenda e o encomendante ficarão sujeitos à exigência de garantia para autorização da entrega ou desembaraço aduaneiro de mercadorias, quando o valor das importações for incompatível com o capital social ou patrimônio líquido do importador ou do encomendante. Parágrafo único. Os intervenientes referidos no caput estarão sujeitos a procedimento especial de fiscalização, nos termos da Instrução Normativa SRF nº 228, de 21 de outubro de 2002 , diante de indícios de incompatibilidade entre os volumes transacionados no comércio exterior e a capacidade econômica e financeira citada. Art. 6º Esta Instrução Normativa entra em vigor na data de sua publicação. A caracterização como encomendante predeterminado traz conseqüências relevantes como o cumprimento das obrigações acessórias previstas na IN SRF 634/2006; a sujeição ao procedimento especial previsto na IN SRF 228/2002 (verificação da origem dos Fl. 1677DF CARF MF Processo nº 10925.720086/201345 Acórdão n.º 3302003.513 S3C3T2 Fl. 1.677 20 recursos aplicados em operações de comércio exterior e combate à interposição fraudulenta de pessoas); a prestação de garantia como condição para a entrega de mercadorias, quando o valor das importações for incompatível com seu capital social ou o patrimônio líquido; a responsabilidade solidária quanto ao imposto de importação; a responsabilidade conjunta ou isolada, quanto às infrações aduaneiras; a sujeição ao pagamento dos tributos relativos ao IPI de sua saída por contribuinte por equiparação; a aplicação das regras de preços de transferência de que trata a Lei nº 9.430/96. A inobservância das condições e requisitos por parte da pessoa jurídica importadora previstos na IN SRF 634/2006 acarreta a presunção de que a operação tenha sido realizada por conta e ordem de terceiros, para fins de aplicação do disposto nos artigos 77 a 81 da MP nº 2.15835/2001, nos termos do §2º do artigo 11 da Lei nº 11.281/2006. Outro aspecto que deve ser frisado é que o artigo 11 da Lei nº 11.281/2006 dispôs em seu §3º que “considerase promovida na forma do caput deste artigo a importação realizada com recursos próprios da pessoa jurídica importadora, participando ou não o encomendante das operações comerciais relativas à aquisição dos produtos no exterior”, ou seja, a figura da importação por encomenda não admite a antecipação dos recursos, ainda que parcialmente, o que foi regulamentado pelo parágrafo único do artigo 1º da IN SRF nº 634/2006: Art. 1º[...]. Parágrafo único. Não se considera importação por encomenda a operação realizada com recursos do encomendante, ainda que parcialmente. Em complemento, a antecipação dos recursos torna presumida a operação por conta e ordem, conforme disposto no artigo 27 da Lei nº 10.637/2002: Defluise que a operação por encomenda, na qual o importador realiza toda a transação comercial e revende a mercadoria a um adquirente predeterminado, e este não antecipa qualquer recurso, é sujeita a um controle aduaneiro específico e acarreta todos os efeitos já acima mencionados. Destacase que a antecipação de recursos por parte do encomendante retira a figura da importação por encomenda (parágrafo único do artigo 1º da IN SRF 634/2006 e §3º do artigo 11 da Lei nº 11.281/2006) e a desloca para a figura da importação por conta e ordem, por ficção jurídica, representada pela presunções de que trata o §2º do artigo 11 da Lei 11.281/2006 e o artigo 27 da Lei nº 10.637/2002. Estabelecidas as premissas acima, devese analisar a imputação feita pela fiscalização. A tese da fiscalização repousa na antecipação dos recursos financeiros para a realização da importação. Nos autos restou demonstrado que a ELETROMAR, conforme resposta da ANGHEBEN, efls. 845 e pedido de efls. 871, efetuou o pagamento de 20% como sinal, para o início da produção, 40% para o embarque internacional e 40% na chegada ao porto no Brasil, o que configura a antecipação para fazer frente à compra das mercadorias e às despesas de fretes e tributos aduaneiros. Assim, em princípio, a existência de um pedido com antecipações de recursos para a importação de mercadorias atrairia a aplicação do artigo 27 da Lei nº 10.637/2002: Fl. 1678DF CARF MF Processo nº 10925.720086/201345 Acórdão n.º 3302003.513 S3C3T2 Fl. 1.678 21 Art. 27. A operação de comércio exterior realizada mediante utilização de recursos de terceiro presumese por conta e ordem deste, para fins de aplicação do disposto nos arts. 77 a 81 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001. Porém, destacase que, em momento algum, a fiscalização acusa a ANGHEBEN de incapacidade financeira ou falta de comprovação da origem dos recursos. Por sua vez, a recorrente apresenta documentos que apontam para sua capacidade financeira, em montantes muito superiores aos da importações lançadas. Assim, na situação defendida pela fiscalização, a trading IZE não deveria figurar na operação. Neste ponto, há certa contradição no fundamento da fiscalização, pois em momento algum a IZE foi alçada como sujeito passivo de qualquer infração, tendo, inclusive, o relatório fiscal admitido que a participação da IZE era razoável, como se depreende do excerto abaixo: "A fiscalizadaANGHEBEN COMERCIO EXTERIOR LTDA, registrou durante o período fiscalizado, entre outras, 8 Declarações de Importação (DI’s), conforme Tabela 1. Com exceção da DI nº 12/00738596, que foi utilizada a modalidade importação por conta própria, a fiscalizada contratou a trading IZE BRASIL COMÉRCIO EXTERIOR LTDA, CNPJ nº 06.060.905/000133, que registrou as DIs por conta e ordem da fiscalizada. As Modalidades de Importação serão detalhadas no item 2 abaixo. Registrase, contudo, que ficou comprovado nos documentos entregues pela fiscalizada, que somente utilizava a trading para proceder o despacho de importação. Isso mostrase razoável, pois a trading está sediada no município onde as mercadorias chegaram ao território aduaneiro e foram desembaraçadas (Itajaí/SC), já a fiscalizada está sediada no município de São Lourenço do Oeste/SC, que fica há 590 km do porto de Itajaí/SC (fonte: google maps). [...] Frisase novamente que, apesar de as DIs terem sidos registradas por conta e ordem de terceiros (com exceção de uma), restou comprovada, conforme já mencionado acima, que a trading somente foi usada por questões logísticas, devido à longa distância da fiscalizada do porto de Itajaí/SC. Na verdade, o correto seria figurar como Importador ANGHEBEN COMERCIO EXTERIOR LTDA e como adquirente das mercadorias ELETROMAR MOVEIS E ELETRODOMESTICOS LTDA, na modalidade “ por conta e ordem de terceiros”. A parte que se pretendia manter acobertada nas importações em tela era a adquirente das mercadorias importadas, a empresa ELETROMAR MOVEIS E ELETRODOMESTICOS LTDA. A própria fiscalização admitiu que a trading foi utilizada por questões de logística, devido à distância entre o local que as mercadorias foram desembaraçadas (Itajaí/SC) e o domicílio da ANGHEBEN (São Lourenço do Oeste/SC, que fica há 590 km do porto de Itajaí/SC). Ora, se a participação da IZE foi considerada razoável e justificada por questões de Fl. 1679DF CARF MF Processo nº 10925.720086/201345 Acórdão n.º 3302003.513 S3C3T2 Fl. 1.679 22 logística, não lhe sendo imputada qualquer infração, é forçoso admitir que sua contratação é regular, bem como sua figuração na DI como importadora, sendo, ao contrário, desarrazoada a afirmação de que o correto deveria ser a ANGHEBEN figurar como importadora. Outro fato incontroverso, é que a importação se refere à modalidade por conta e ordem. A lide reside, pois, em identificar que é o real adquirente das mercadorias importadas, diante dos fatos alegados e provados. Por seu turno, a ANGHEBEN afirmou que participa em feiras internacionais para oferecer produtos a clientes nacionais, possui estrutura física completa para atender a importações, inclusive mantendo armazém em Itajaí, que é uma das cinco maiores importadoras e revendedoras de porcelanato, possuindo diversos clientes no ramo de construção civil, que faz prospecção de clientes no Brasil, mediante representantes comerciais, que importa da IZE e revende no mercado interno com a devida margem de lucro aplicável, que somente a devida nacionalização é realizada a operação de compra e venda no mercado interno, que os clientes não possuem conhecimento nem contato com os fornecedores estrangeiros, que é responsável por toda a negociação no exterior e que os produtos comercializados possuem a marca "ANGHEBEN". A recorrente apresentou às efls. 1177 a 1269, emails com as tratativas para embarque, frete, seguro e transbordo das mercadorias, emails de cotação de preço e contato com o fornecedor chinês LIYANG JUNRONG TRAVEL PRODUCTO CO. LTD, mediante o email jjzsxpfl@163.com do Sr. Bob (efls. 1216, 1258 a 1261). Na efl. 1258 consta email do Sr. Daniel da ANGHEBEN ao Sr. Bob informando sobre a transferência de valor para que se inicie a produção. Na efl. 1259, consta email do Sr. Bob para Sr. Daniel, informando os valores FOB em Shangai das malas JR020, tamanho 20/24/28, no valor de US$ 16,30 e JR 2568, tamanho 20/24/28, no valor de US$ 27,50, em 17/05/2008, dados que correspondem à descrição da mercadoria na DI 08/15682039, às efl. 160. Na efl. 1262, consta email entre a Prompt Brazil, responsável pelo transporte, e Sr. Mauro da ANGHEBEN, sobre negociação de frete, onde constou a expressão “nosso fornecedor na China”, escrita pelo Sr. Mauro ao se referir à LIYAN JUNRONG. Constatase nas efls. 131 a 152, cópias dos passaportes dos administradores da empresa ANGHEBEN onde constam vários carimbos de entrada e saída da Aduana Chinesa bem como vistos de Entrada concedidos pela China. Há datas contemporâneas à importação autuada. Novamente incomum a ocorrência desse tipo de viagem quando percebese que na prática da interposição, em geral, a empresa interposta apenas recebe as documentação fraudada diretamente do real adquirente sem a necessidade de qualquer contato comercial com os exportadores. Depreendese, por um lado, que houve um pedido de compra e antecipação de recursos por parte da ELETROMAR atraindo a presunção do artigo 27 da Lei nº 10.637/2002 e, por outro, a ANGHEBEN apresentou provas de sua participação no fechamento de frete marítimo, transbordos, contratos de sublocação com armazém geral, cotações de preços com o fornecedor, e, obviamente, os documentos formais (comercial invoice, packing list), não havendo nenhum indício da participação da ELETROMAR na negociação. O problema que se põe é saber se estamos diante de uma presunção absoluta ou relativa. Pareceme que na cadeia imediata de importação, ou seja, na relação entre importador e o primeiro adquirente, a situação descrita nestes autos levaria à configuração de Fl. 1680DF CARF MF Processo nº 10925.720086/201345 Acórdão n.º 3302003.513 S3C3T2 Fl. 1.680 23 importação por conta e ordem por ficção jurídica, se a ANGHEBEN fosse a importadora e a ELETROMAR fosse a encomendante, mesmo admitindo que a ANGHEBEN fosse a compradora no exterior e tivesse capacidade financeira. Uma vez caracterizada a antecipação de recursos vinculada à operação de importação, incidiria, forçosamente, a figura da importação por conta e ordem, em decorrência da aplicação do artigo 27 da Lei nº 10.637/2002, aliado ao artigo 11, §3º da Lei nº 11.281/2006 e do parágrafo único do artigo 1º da IN SRF 634/2006, que restringe à importação por encomenda que os recursos sejam da importadora e não da encomendante. Nestes termos, se a importadora efetivamente negociasse com o exterior, sem qualquer intervenção da encomendante, inclusive sem adiantamento de recursos, a operação seria por encomenda. Se nesta mesma configuração, houvesse algum adiantamento de recursos, ainda que a importadora provasse que é a única negociante, ainda assim a operação seria presumivelmente tratada como se por conta e ordem fosse, pois não faria o menor sentido estipular um controle aduaneiro rígido e os efeitos dos artigos 77 a 81 da MP nº 2.15835/2001 para uma encomenda sem adiantamento de recursos e, simplesmente, deixar uma encomenda com adiantamento de recursos sem sujeição aos procedimentos de controle aduaneiro e aos efeitos mencionados. Porém, esta presunção na primeira etapa da cadeia acaba por se relativizar nas etapas subsequentes, em razão de que a informação prestada na DI possuir apenas um campo para o real adquirente. Se houvesse, por exemplo, uma trading importando para um atacadista, único negociante no exterior, que revendesse sob encomenda e com adiantamento parcial a uma varejista, que efetuasse a mesma operação sob encomenda e com adiantamento com um consumidor final: quem deveria constar na DI? O consumidor final? As provas apresentadas pela ANGHEBEN mostram que foi ela quem efetivamente negociou a compra no exterior, não tendo sido levantado pela fiscalização outros elementos capazes de invalidar as provas trazidas pela recorrente, como comprovação de que as negociações ocorreram com outras PJ que não as informadas ou, presumivelmente, pela falta de comprovação da origem, disponibilidade e transferência de recursos dos intermediários envolvidos, atraindo a aplicação do §3º do artigo 23 do Decretolei nº 1455/1976. No caso, a ANGHEBEN informou a operação como sendo por conta e ordem, apresentou provas que foi a efetivamente negociante no exterior e indicou possuir capacidade financeira para suportar todas as importações, não havendo acusação em sentido contrário. Destacase, ainda, que não houve indício de conhecimento pela IZE da adquirente seguinte ELETROMAR. Sendo assim, como deveria ocorrer a liquidação da operação, a transferência dos recursos, se a ANGHEBEN foi a efetiva negociante no exterior e a IZE foi considerada importadora regular? Assim, apesar de ter havido os adiantamentos, a presunção nas cadeias posteriores deve ser relativizada, admitindo prova em contrário, o que ocorreu nos presentes autos, onde a ANGHEBEN trouxe documentos que indicam ser ela, de fato, a negociante com o exterior e a proprietária primeira das mercadorias. Porém, para a DI nº 12/00738596, diferentemente das outras DI´s, foi informada como sendo importação direta feita pela ANGHEBEN. Neste caso, entendo ser irrelevante o fato de a ANGEHEBEN ser a efetiva negociante, pois restou caracterizada a encomenda feita pela ELETROMAR, fato incontroverso e provado mediante o pedido de Fl. 1681DF CARF MF Processo nº 10925.720086/201345 Acórdão n.º 3302003.513 S3C3T2 Fl. 1.681 24 compra, que levaria a operação para a figura da importação por encomenda, não fosse os adiantamentos de recursos, o que, forçosamente, leva a operação para a figura da conta e ordem, por ficção, devendo a ANGHEBEN ter declarado a DI como sendo por conta e ordem da ELETROMAR. Assim, quanto a esta DI, deve a autuação ser mantida. Diante de todo o exposto, voto dar provimento parcial ao recurso voluntário, para manter o lançamento apenas em relação à DI nº 12/00738596. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 1682DF CARF MF
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