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Numero do processo: 10640.907762/2009-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 01 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 21/02/2007
DILIGÊNCIA. DIREITO CREDITÓRIO NÃO COMPROVADO
Baixado o processo em diligência e concluído que não há direito creditório a ser reconhecido a título de pagamento indevido ou a maior, improcede o recurso apresentado.
Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 3401-002.550
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade, negou-se provimento ao recurso nos termos do voto do relator.
(assinatura digital)
Júlio César Alves Ramos - Presidente.
(assinatura digital)
Fernando Marques Cleto Duarte - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Alves Ramos (Presidente), Robson Jose Bayerl (Substituto), Jean Cleuter Simoes Mendonca, Fernando Marques Cleto Duarte, Fenelon Moscoso de Almeida (Suplente), Angela Sartori.
Nome do relator: FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 21/02/2007 DILIGÊNCIA. DIREITO CREDITÓRIO NÃO COMPROVADO Baixado o processo em diligência e concluído que não há direito creditório a ser reconhecido a título de pagamento indevido ou a maior, improcede o recurso apresentado. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade, negouse provimento ao recurso nos termos do voto do relator. (assinatura digital) Júlio César Alves Ramos Presidente. (assinatura digital) Fernando Marques Cleto Duarte Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Alves Ramos (Presidente), Robson Jose Bayerl (Substituto), Jean Cleuter Simoes Mendonca, Fernando Marques Cleto Duarte, Fenelon Moscoso de Almeida (Suplente), Angela Sartori. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 64 0. 90 77 62 /2 00 9- 01 Fl. 136DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 3 0/07/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte RIVELLI COMÉRCIO E REPRESENTAÇÕES LTDA em face de acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora (MG), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade. Cingese a controvérsia em pedido de compensação efetuado pela contribuinte com fundamento em crédito oriundo de suposto pagamento indevido de Cofins. Em oportunidade anterior, este Colegiado converteu o julgamento em diligência para que a fosse apurado o valor que é devido, o valor que foi efetivamente pago e, sendo assim, se a contribuinte possuía direito creditório em caso de pagamento a maior. Por oportuno, transcrevo o relatório da resolução que converteu o julgamento em diligência, verbis: Trata o presente processo de Declaração de Compensação emitida em 15.9.2005, cujo objetivo é compensar o débito nela declarado, com crédito consequente do pagamento indevido da COFINS, no valor de R$ 10.793,15. Em 7.10.2009, através de Despacho Decisório (fl.25), a DRF Juiz de Fora não homologou a compensação pleiteada, dado que o pagamento foi utilizado na quitação de outro débito da contribuinte, não restando saldo disponível para compensação. A empresa apresentou, tempestivamente, em 19.11.2009, Manifestação de Inconformidade (fl.01) na qual alega que: “informou no referido PER/DCOMP um DARF no valor de R$ 10.793,15 sendo que erradamente não retificou a DCTF ref. ao 2º Semestre 2005, para corrigir a informação que estava registrada incorreta na DCTF (...).” Em 4.5.2011 a 2ª Turma da DRJ/JFA julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente (fls.47/48), já que esta não leva aos autos a prova de que no valor retificado fora apurado e declarado à Receita Federal do Brasil em data anterior à transmissão da DCOMP nº14712.82165.210207.1.3.049178, ou que houve de fato erro na informação prestada em DCTF, contrariando assim, o inciso III do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72, com a redação dada pela Lei º 8.748/93, que estabelece que a “a impugnação mencionará os motivos de fato e de direito em que se fundamentam, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir”. A DCTF apresentada constituise em confissão de dívida, logo os débitos não declarados e não pagos são exigíveis , sendo passíveis de inscrição em Dívida Ativa da União para futura execução fiscal. Sendo assim, o pagamento efetuado foi corretamente alocado ao débito declarado pela Fl. 137DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 3 0/07/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE Processo nº 10640.907762/200901 Acórdão n.º 3401002.550 S3C4T1 Fl. 137 3 empresa, não existindo saldo disponível a ser usado em compensação, na data da transmissão da DCOMP analisada. Em 22.6.2011 a contribuinte foi cientificada do acórdão da 2ª Turma da DRJ/JFA e, em 22.7.2011, protocolou recurso voluntário, no qual alega, em síntese, que: a) A omissão da Declaração da contribuinte que causou a retificação da DCTF fora do prazo, não significa que a contribuinte não tenha provado o seu erro; b) Apesar do detalhamento exaustivo da legislação tributária brasileira acerca da compensação tributária, o que importa é apurar se o devedor, que passa à condição de credor, tem o seu direito creditório legítimo ou não. E se esse direito creditório é legítimo, não pode o erro na declaração de vontade do devedor desconstituir absolutamente o seu direito de crédito; c) Os argumentos da DRJ de que a contribuinte não provou as alegações da Impugnação são improcedentes, já que a DCTF retificadora foi encaminhada à SRF como a decisão reconhece. Por fim, a contribuinte requer a reformulação do acórdão e, consequentemente, a homologação da compensação realizada pela recorrente. É o relatório. Em atendimento à diligência solicitada, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Juiz de Fora/MG apresentou a informação fiscal de fls. 121/125, na qual conclui que que o pagamento da COFINS cumulativa, efetuado sob o código 2172, relativo ao período de 08/2005, arrecadado em 15/09/2005, no valor de R$ 10.793,15 deve ser integralmente vinculado ao respectivo débito, não havendo direito creditório a ser reconhecido a título de pagamento indevido ou a maior passível de utilização na DCOMP nº 14712.82165.210207.1.3.049178. A contribuinte tomou ciência da informação fiscal em 11.04.2013 (fls. 127) e se manifestou por meio das razões adicionais de fls. 128/133, requerendo sejam desconsiderados os novos fundamentos jurídicos da autoridade fiscal, bem como as provas apresentadas no bojo da diligência realizada, reconhecendose, portanto, o seu direito creditório e a consequente compensação. Após a manifestação da contribuinte, os autos regressaram a este Conselho para julgamento do Recurso Voluntário. É o relatório. Voto Conselheiro Fernando Marques Cleto Duarte Fl. 138DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 3 0/07/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE 4 DA ADMISSIBILIDADE O recurso é tempestivo e presentes se encontram os demais requisitos para a sua admissibilidade, razão pela qual dele eu conheço. DO NÃO RECONHECIMENTO DO CRÉDITO O presente processo foi devidamente elucidado pela diligência solicitada, restando informado que a consultando os sistemas da RFB verificase que a empresa entregou a Declaração do Imposto de Renda Pessoa Jurídica – DIPJ nº 0913760 (original), do exercício financeiro de 2006, anocalendário de 2005, em 29/06/2006, utilizando o lucro real como forma de tributação dos rendimentos, ao passo que efetuou, para o anocalendário de 2005, os pagamentos do IRPJ com código 2089 e da CSLL com código 2372, esses específicos de lucro presumido, conforme telas anexadas às págs. 84/85. Quanto aos débitos da COFINS, esses estão demonstrados nas DACON trimestrais do anocalendário de 2005, apurados com base na incidência cumulativa. Os respectivos débitos foram confessados nessa modalidade nas DCTF originais e recolhidos em DARF sob o código 2172 (págs. 86/91 e 92). Em 18/11/2009, a interessada retificou as DCTF alterando o código da receita (5856), passando a apurar os débitos da COFINS, para os meses de março a maio e julho a dezembro, com base na incidência não cumulativa (págs. 93/94). Para extinguir esses débitos foram transmitidas diversas DCOMP com a utilização dos pagamentos da COFINS cumulativa, código 2172, supostamente considerados indevidos pela contribuinte. No presente caso, o recolhimento da COFINS, referente ao mês de abril, no valor de R$ 10.002,50 foi utilizado como crédito na DCOMP nº 29132.43953.190207.1.3.046745 na quitação dos novos débitos da COFINS não cumulativa, dos meses de maio, julho e agosto de 2005, apurados pela empresa, de acordo com a DCTF retificadora e vinculados à compensação (págs.95/97). Ocorre que, como será visto a seguir, a opção pela tributação com base no lucro presumido é manifestada com o pagamento da primeira ou quota única do IRPJ devido correspondente ao primeiro período de apuração de cada anocalendário e será definitiva em relação a todo o anocalendário. E mais, nos termos do inciso II do artigo 8º da Lei nº 10.637/02 e do inciso II do artigo 10 da Lei nº 10.833/03, a pessoa jurídica tributada pelo imposto de renda com base no lucro presumido está excluída do regime nãocumulativo, ficando obrigada ao regime cumulativo. Consequentemente, os pagamentos da COFINS cumulativa, efetuados sob o código 2172, devem ser alocados aos respectivos débitos referentes ao anocalendário de 2005, inexistindo pagamento indevido ou a maior para ser utilizado em DCOMP. A mudança de opção do lucro presumido para o lucro real foi abordada com precisão na Decisão SRRF/6ªRF/DISIT Nº 15, de 28/01/1999, abaixo transcrita. Dispõe o artigo 26 da Lei nº 9.430/1996: Art. 26 A opção pela tributação com base no lucro presumido será aplicada em relação a todo o período de atividade da empresa em cada ano calendário. § 1º A opção de que trata este artigo será manifestada com o pagamento da primeira ou única quota do imposto devido correspondente ao primeiro período de apuração de cada anocalendário. Fl. 139DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 3 0/07/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE Processo nº 10640.907762/200901 Acórdão n.º 3401002.550 S3C4T1 Fl. 138 5 § 2º A pessoa jurídica que houver iniciado atividade a partir do segundo trimestre manifestará a opção de que trata este artigo com o pagamento da primeira ou única cota do imposto devido relativa ao período de apuração do início de atividade. § 3º A pessoa jurídica que houver pago o imposto com base no lucro presumido e que, em relação ao mesmo anocalendário, alterar a opção, passando a ser tributada com base no lucro real, ficará sujeita ao pagamento de multa e juros moratórios sobre a diferença de imposto paga a menor. § 4º A mudança de opção a que se refere o parágrafo anterior somente será admitida quando formalizada até a entrega da correspondente declaração de rendimentos e antes de iniciado procedimento de ofício relativo a qualquer dos períodos de apuração do respectivo anocalendário. Ressaltese que o artigo 46 da Lei nº 10.637/02 alterou o limite de receita bruta, nos seguintes termos: A partir de 01/01/2003, a pessoa jurídica cuja receita bruta total, no anocalendário anterior, tenha sido igual ou inferior a R$ 48.000.000,00 (quarenta e oito milhões de reais), ou a R$ 4.000.000,00 (quatro milhões de reais) multiplicado pelo número de meses de atividade do anocalendário anterior, quando inferior a 12 (doze) meses, poderá optar pelo regime de tributação com base no lucro presumido. Oportuno esclarecer que de acordo com os Manuais do Imposto de Renda, só é admitida a retificação da declaração de informações do lucro presumido, se o contribuinte comprovar ter formulado sua opção irregularmente, ou seja, na hipótese em que a legislação fiscal torne obrigatória a tributação de sua atividade com base no lucro real, inclusive quando tal fato tenha sido constatado em decorrência de procedimento de ofício. Segundo os dados informados à RFB, e observandose as determinações contidas no artigo 246 do RIR/99 (Decreto nº 3.000/99), a empresa não se encontra obrigada à apuração do lucro real, no anocalendário de 2005, senão vejamos: a) não possui receita superior a R$ 48.000.000,00 no anocalendário de 2004; b) não é instituição financeira ou assemelhadas; c) não possui lucros, rendimentos ou ganhos de capital oriundos do exterior; d) não usufrui incentivos fiscais relativos à isenção ou redução do imposto de renda; e) não efetuou nenhum recolhimento a título de estimativa; f) não é factoring. Portanto, no caso vertente, não resta dúvida que a opção pela tributação com base no lucro presumido, manifestada pela empresa com o pagamento do IRPJ (código 2089), correspondente ao primeiro período de apuração do anocalendário de 2005 é definitiva para todo anocalendário, razão pela qual não poderá modificar sua opção inicial para qualquer outro sistema de tributação. Fl. 140DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 3 0/07/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE 6 Por último, verificase na legislação que não são contribuintes da contribuição para PIS/PASEP e da COFINS, no regime nãocumulativo, as pessoas jurídicas tributadas pelo lucro presumido. A vedação encontrase inserida no inciso II do artigo 8º da Lei nº 10.637/02 (PIS/PASEP) e no inciso II do artigo 10 da Lei nº 10.833/03 (COFINS), in verbis: Lei nº 10.637/02 Art. 8º Permanecem sujeitas às normas da legislação da contribuição para o PIS/Pasep, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1º a 6º: (...); II – as pessoas jurídicas tributadas pelo imposto de renda com base no lucro presumido ou arbitrado. Lei nº 10.833/03 Art. 10 Permanecem sujeitas às normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1º a 8º: (...); II as pessoas jurídicas tributadas pelo imposto de renda com base no lucro presumido ou arbitrado. Diante do exposto, podese concluir que o pagamento da COFINS cumulativa, efetuado sob o código 2172, relativo ao período de 04/2005, arrecadado em 13/05/2005, no valor de R$ 10.002,50 deve ser integralmente vinculado ao respectivo débito. Consequentemente, não há direito creditório a ser reconhecido a título de pagamento indevido ou a maior passível de utilização na DCOMP nº 29132.43953.190207.1.3.046745. Portanto, correto o despacho decisório emitido pela Autoridade Administrativa de não homologação da compensação pleiteada. CONCLUSÃO Pelo exposto, conheço do recurso e, no mérito, negolhe provimento. (assinatura digital) Fernando Marques Cleto Duarte Relator Fl. 141DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 3 0/07/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE
score : 1.0
Numero do processo: 10920.906271/2012-94
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jun 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2003
EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO DO PIS/COFINS.
Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do PIS/COFINS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula nº 2 do CARF.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-003.312
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. A Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel votou pelas conclusões.
(assinatura digital)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinatura digital)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2003 EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO DO PIS/COFINS. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do PIS/COFINS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula nº 2 do CARF. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. A Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel votou pelas conclusões. (assinatura digital) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
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Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do PIS/COFINS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula nº 2 do CARF. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. A Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel votou pelas conclusões. (assinatura digital) Flávio de Castro Pontes Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 90 62 71 /2 01 2- 94 Fl. 47DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.906271/201294 Acórdão n.º 3801003.312 S3TE01 Fl. 3 2 (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 48DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.906271/201294 Acórdão n.º 3801003.312 S3TE01 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o acórdão, julgado pela 3ª. Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Belo Horizonte (DRJ/BHE), referente ao processo administrativo, em que foi julgada improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, não sendo reconhecido o direito creditório. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ/BHE, que assim relatou os autos: O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório nº rastreamento emitido eletronicamente, referente ao PER/DCOMP. O PerDcomp foi transmitido com o objetivo de pedir a restituição de crédito de PIS/PASEP, Código de Receita 8109, no valor original de, decorrente de recolhimento com Darf efetuado. De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF descrito no PerDcomp acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Assim, diante da inexistência de crédito, a restituição foi INDEFERIDA. Como enquadramento legal citouse: arts. 165 da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN). DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do Despacho Decisório, o interessado apresenta manifestação de inconformidade alegando, em síntese, o que se segue: que o PerDcomp referese a crédito decorrente de pagamento a maior de PIS/Cofins, em razão da inclusão do ICMS nas bases de cálculos dessas contribuições; que em relação à base de cálculo da Cofins, a Lei Complementar 70/91, que instituiu a cobrança da contribuição, dispõe em seu art. 2º "que a contribuição incidirá sobre o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza"; que em relação à base de cálculo do PIS, a Lei Complementar 07/70, que instituiu a cobrança da contribuição dispõe em seu art. 3º que o Fundo de Participação será constituído por duas parcelas, sendo a segunda com recursos calculados com base no faturamento da empresa; que posteriormente as contribuições ao Fl. 49DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.906271/201294 Acórdão n.º 3801003.312 S3TE01 Fl. 5 4 PIS e a Cofins passaram a ser disciplinadas pela Lei 9718/98 que dispõe em seu art. 2º, parágrafo 1º que "entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas"; que a Constituição Federal em seu art. 195, I, b, dispõe que "A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, Estados, DF e dos Municípios e das seguintes contribuições sociais: I – do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidente sobre: (...) b) a receita ou o faturamento”; que segundo o dispositivo constitucional citado, apenas poder seia reconhecer, como base de cálculo para o PIS e a Cofins, a receita ou o faturamento, não possuindo autorização para incluir em sua base o valor pago a título de ICMS, visto que tal valor constitui ônus fiscal e não faturamento. Requer a reavaliação do Despacho Decisório. Assim, entendeu a DRJ/BHE por conhecer a manifestação de inconformada apresentada, por ser tempestiva e atender os demais pressupostos de admissibilidade. Entretanto, ao analisar o mérito da manifestação de inconformidade, entendeu a DRJ/BHE por indeferir a solicitação, ratificando a decisão da DRF de origem, não reconhecendo o direito creditório e, por conseqüência, não deferindo o pedido de restituição. O referido julgado contou com a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite a restituição de crédito que não se comprova existente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A contribuinte apresentou Recurso Voluntário, postulando a reforma da decisão, por entender que o pedido de restituição de crédito tributário, oriundo da exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS se mostra legítimo. Em sua fundamentação, fez a colação de trecho do voto proferido pelo Ministro Marco Aurélio, relator do RE 240.7852/MG, onde ele conclui que o valor correspondente ao ICMS não têm natureza de faturamento ou receita e por isso não incide na base de cálculo do PIS e da COFINS. Fl. 50DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.906271/201294 Acórdão n.º 3801003.312 S3TE01 Fl. 6 5 Por fim, refere a Recorrente que o Supremo Tribunal Federal reconheceu a repercussão geral da matéria no julgamento do RE 574.706, requerendo que o presente recurso fique sobrestado até pronunciamento definitivo pela Suprema Corte, com fundamento no artigo 62A, § 1º, do Regimento Interno do CARF. É o relatório. Fl. 51DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.906271/201294 Acórdão n.º 3801003.312 S3TE01 Fl. 7 6 Voto Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Tanto na manifestação de inconformidade apresentada, quanto no recurso voluntário interposto, a contribuinte manteve o argumento de que deveria ser excluído o ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS. Primeiramente, necessário destacar se há necessidade ou não de sobrestamento do processo. Ocorre que o Supremo Tribunal Federal, em ação declaratória de constitucionalidade proposta pelo Presidente da República (ADC n° 18), deferiu, por maioria, medida cautelar para determinar que juízos e tribunais suspendam o julgamento dos processos em trâmite que envolvam a aplicação do art. 3º, § 2º, I, da Lei 9.718/1998, até o julgamento final da ação pelo Plenário do STF. (MCADC 18/DF, rel. Min. Menezes Direito, 13.8.2008) Contudo, em sessão plenária do dia 4.2.2009, o Tribunal, resolvendo questão de ordem, por maioria, prorrogar o prazo da decisão liminar concedida, nos termos do voto do relator. (QOMCADC 18/DF, rel. Min. Menezes Direito) Após, em sessão plenária do dia 16.9.2009, o Tribunal, resolvendo questão de ordem, por maioria, decidiu novamente por prorrogar o prazo da decisão liminar concedida. (2ª QOMCADC 18/DF, rel. Min. Menezes Direito) Por fim, em sessão plenária do dia 25.03.2010, o Tribunal, por maioria, resolveu questão de ordem no sentido de prorrogar, pela última vez, por mais 180 dias (cento e oitenta) dias, a eficácia da medida cautelar anteriormente deferida. (3ª QOMCADC 18/DF, rel. Min. Celso de Mello) Deste modo, entendese que após decorrido o prazo de 180 dias, a contar de 25.03.2010, perdeu a eficácia da medida cautelar anteriormente deferida. Assim, entendese que não deve haver o sobrestamento da matéria. Outrossim, cabe ainda destacar que o § 1º do Art. 62A do Regimento Interno do CARF que faz referência a contribuinte no presente Recurso Voluntário (interposto em 19/12/2013), estava inclusive já revogado pela Portaria MF nº 545, de 18 de novembro de 2013. Cumpre ressaltar inclusive que a presente Turma ao apreciar a mesma matéria já se manifestou no sentido de não sobrestar o processo. Tal decisão ocorreu por unanimidade nos autos do processo administrativo n° 10950.003104/201071, de Relatoria do Conselheiro José Luiz Bordignon, em sessão de 27 de novembro de 2012, onde foi lavrado o acórdão n° 3801001.593. No referido acórdão, assim restou decidido: Fl. 52DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.906271/201294 Acórdão n.º 3801003.312 S3TE01 Fl. 8 7 “Acordam os membros do colegiado: (I) Por unanimidade de votos, não sobrestar o processo; (II) Por unanimidade votos, negar provimento ao recurso em relação às preliminares de cerceamento de defesa e de que o crédito tributário já sido constituído pelo contribuinte; (III) Pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso em relação à preliminar de vício do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF). Vencidos os Conselheiros Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que reconheciam a nulidade; (IV) Por unanimidade de votos, no mérito, negar provimento ao recurso.” (grifouse) Deste modo, entendo por não sobrestar o presente processo. Analisando o mérito, verificase que a recorrente alega que a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS promovida pela Lei n° 9.718/98 violou dispositivos da Constituição Federal de 1988. Pretende, em suma, a inconstitucionalidade de lei tributária. Portanto, pretendendo a contribuinte a inconstitucionalidade de lei tributária, necessário que seja aplicada ao presente caso a Súmula n° 2 do CARF, que assim dispõe: SÚMULA Nº 2 do CARF: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Por se tratar de matéria constitucional, não sendo competência deste Conselho a sua análise, encaminho voto por negar provimento ao mérito do recurso, consoante o que vem sendo julgado por este Conselho Neste sentido as seguintes ementas deste Conselho: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. Período de apuração: 01/09/2001 a 30/09/2001PIS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. Sendo a base de cálculo da Cofins o faturamento, nele se incluindo todas as parcelas que o compõem, deve o ICMS integrála. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula CARF nº 2. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. (Acórdão n° 3302 000.745, julgado em 10/12/2010, grifouse) PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005, 2006, 2007 INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. INCOMPETÊNCIA PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas são incompetentes para apreciar argüições de inconstitucionalidade de lei regularmente editada, tarefa privativa do Poder Judiciário. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005, 2006, 2007 MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de Fl. 53DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.906271/201294 Acórdão n.º 3801003.312 S3TE01 Fl. 9 8 novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis, será aplicada à multa de oficio de 150%. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2005, 2006, 2007 PIS/PASEP. COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA. EXCLUSÃO DO ISS E TPT. IMPOSSIBILIDADE. Para fins de determinação da base de cálculo do PIS e da Cofíns, os tributos que podem ser excluídos da receita bruta são o IPI e o ICMS, quando cobrados pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. (Acórdão 1102 000.519, julgado em 03/10/2011, grifouse) Deste modo, encaminho o voto por negar provimento ao recurso voluntário, em razão deste Conselho não ser competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula n° 02 do CARF). É necessário igualmente analisar o mérito do recurso, em que pese as considerações acima trazidas. Apesar de entendimento diverso desse relator, o pedido do contribuinte vai de encontro com a jurisprudência dominante e sumulada do STJ. Importante referir que o pedido da recorrente não possui respaldo no Superior Tribunal de Justiça, que já editou Súmula com o seguinte teor: STJ Súmula nº 68 15/12/1992 DJ 04.02.1993 ICM Base de Cálculo do PIS A parcela relativa ao ICM incluise na base de cálculo do PIS. Em igual sentido o Tribunal Regional Federal da 4ª. Região assim tem se manifestado: EMENTA: PIS. COFINS. ICMS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. INADMISSIBILIDADE. Os encargos tributários integram a receita bruta e o faturamento da empresa. Seus valores são incluídos no preço da mercadoria ou no valor final da prestação do serviço. Por isso, são receitas próprias da contribuinte, não podendo ser excluídos do cálculo do PIS/COFINS, que têm, justamente, a receita bruta/faturamento como sua base de cálculo. É constitucional e legal a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS, nos termos do art. 3º, §2º, I, da Lei 9.718/98. (TRF4, AC 5008959 23.2010.404.7000, Primeira Turma, Relatora p/ Acórdão Maria de Fátima Freitas Labarrère, D.E. 12/09/2013) Deste modo, entendese que os encargos tributários integram a receita bruta e o faturamento da empresa. Assim, seus valores são incluídos no preço da mercadoria ou no valor final da prestação do serviço. Diante disso, são receitas próprias da contribuinte, não Fl. 54DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.906271/201294 Acórdão n.º 3801003.312 S3TE01 Fl. 10 9 podendo deixar de ser incluídos no cálculo do PIS e da COFINS, que tem, justamente, a receita bruta/faturamento como sua base de cálculo. Assim, incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. Em face do exposto, encaminho o voto para NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. É assim que voto. Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator Relator Fl. 55DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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Numero do processo: 11516.001346/2008-05
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 08 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jun 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2004, 2005
SIGILO BANCÁRIO. A utilização de informações de movimentação financeira obtidas regularmente não caracteriza violação de sigilo bancário, sendo desnecessária prévia autorização judicial.
OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. A Lei nº 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o contribuinte titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
ARBITRAMENTO. EFEITOS DA EXCLUSÃO. No caso de contribuintes que fizeram a opção pelo SIMPLES Federal até 27 de julho de 2001, constatada uma das hipóteses de que tratam os incisos III a XIV, XVII e XVIII do art. 9o da Lei n° 9.317, de 1996, os efeitos da exclusão dar-se-ão a partir de 1o de janeiro de 2002, quando a situação excludente tiver ocorrido até 31 de dezembro de 2001 e a exclusão for efetuada a partir de 2002 (Súmula CARF nº 56).
MULTA QUALIFICADA. A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64 (Súmula CARF nº 25).
Numero da decisão: 1101-001.088
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado em: 1) por maioria de votos, REJEITAR a argüição de nulidade do lançamento por quebra do sigilo bancário, divergindo os Conselheiros Benedicto Celso Benício Júnior e Antônio Lisboa Cardoso; 2) por unanimidade de votos, REJEITAR a argüição de nulidade do acesso ao sigilo bancário por falta de juntada da solicitação de requisição de movimentação financeira; 3) por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente ao principal exigido; e 4) por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à qualificação da penalidade, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
EDELI PEREIRA BESSA Relatora e Presidente em Exercício
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (presidente em exercício), Luiz Tadeu Matosinho Machado, Benedicto Celso Benício Júnior, José Sérgio Gomes, Marcos Vinícius Barros Ottoni e Antonio Lisboa Cardoso.
Nome do relator: EDELI PEREIRA BESSA
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2004, 2005 SIGILO BANCÁRIO. A utilização de informações de movimentação financeira obtidas regularmente não caracteriza violação de sigilo bancário, sendo desnecessária prévia autorização judicial. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. A Lei nº 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o contribuinte titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ARBITRAMENTO. EFEITOS DA EXCLUSÃO. No caso de contribuintes que fizeram a opção pelo SIMPLES Federal até 27 de julho de 2001, constatada uma das hipóteses de que tratam os incisos III a XIV, XVII e XVIII do art. 9o da Lei n° 9.317, de 1996, os efeitos da exclusão dar-se-ão a partir de 1o de janeiro de 2002, quando a situação excludente tiver ocorrido até 31 de dezembro de 2001 e a exclusão for efetuada a partir de 2002 (Súmula CARF nº 56). MULTA QUALIFICADA. A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64 (Súmula CARF nº 25).
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado em: 1) por maioria de votos, REJEITAR a argüição de nulidade do lançamento por quebra do sigilo bancário, divergindo os Conselheiros Benedicto Celso Benício Júnior e Antônio Lisboa Cardoso; 2) por unanimidade de votos, REJEITAR a argüição de nulidade do acesso ao sigilo bancário por falta de juntada da solicitação de requisição de movimentação financeira; 3) por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente ao principal exigido; e 4) por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à qualificação da penalidade, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Relatora e Presidente em Exercício Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (presidente em exercício), Luiz Tadeu Matosinho Machado, Benedicto Celso Benício Júnior, José Sérgio Gomes, Marcos Vinícius Barros Ottoni e Antonio Lisboa Cardoso.
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A utilização de informações de movimentação financeira obtidas regularmente não caracteriza violação de sigilo bancário, sendo desnecessária prévia autorização judicial. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. A Lei nº 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o contribuinte titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ARBITRAMENTO. EFEITOS DA EXCLUSÃO. No caso de contribuintes que fizeram a opção pelo SIMPLES Federal até 27 de julho de 2001, constatada uma das hipóteses de que tratam os incisos III a XIV, XVII e XVIII do art. 9o da Lei n° 9.317, de 1996, os efeitos da exclusão darseão a partir de 1o de janeiro de 2002, quando a situação excludente tiver ocorrido até 31 de dezembro de 2001 e a exclusão for efetuada a partir de 2002 (Súmula CARF nº 56). MULTA QUALIFICADA. A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64 (Súmula CARF nº 25). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado em: 1) por maioria de votos, REJEITAR a argüição de nulidade do lançamento por quebra do sigilo bancário, divergindo os AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 13 46 /2 00 8- 05 Fl. 439DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 11516.001346/200805 Acórdão n.º 1101001.088 S1C1T1 Fl. 3 2 Conselheiros Benedicto Celso Benício Júnior e Antônio Lisboa Cardoso; 2) por unanimidade de votos, REJEITAR a argüição de nulidade do acesso ao sigilo bancário por falta de juntada da solicitação de requisição de movimentação financeira; 3) por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente ao principal exigido; e 4) por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à qualificação da penalidade, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA – Relatora e Presidente em Exercício Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (presidente em exercício), Luiz Tadeu Matosinho Machado, Benedicto Celso Benício Júnior, José Sérgio Gomes, Marcos Vinícius Barros Ottoni e Antonio Lisboa Cardoso. Fl. 440DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 11516.001346/200805 Acórdão n.º 1101001.088 S1C1T1 Fl. 4 3 Relatório COLÉGIO BEIRA MAR LTDA, já qualificada nos autos, recorre de decisão proferida pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Florianópolis/SC que, por unanimidade de votos, julgou IMPROCEDENTE a impugnação interposta contra lançamento formalizado em 31/03/2008, exigindo crédito tributário no valor total de R$ 1.681.433,60. Consta da decisão recorrida o seguinte relato: Da Ação Fiscal: Foi lavrado Termo de Verificação, Constatação e Encerramento de Ação Fiscal, fls.281 a 285. Segundo o referido Termo de Verificação, a fiscalizada foi excluída do SIMPLES, conforme processo nº 11516.000041/200614, tendo sido emitido o competente MPF (fl. 01) com hipótese de arbitramento. No curso dos trabalhos a fiscalização constatou a existência de omissão de receitas, caracterizada pela existência de depósitos bancário de origem não comprovada nos anos calendário de 2004 e 2005, nos valores constantes do Auto de Infração do IRPJ, às fls. 251 e 252, além da tabela fls. 283. A base legal para a lavratura do referido auto foram os art. 27, Inciso I e 42 da Lei 9.430/96 e art. 532 e 537 do Regulamento do Imposto de Renda, RIR/99 Decreto nº 3000/99. Por meio do Termo de Início de Fiscalização, em 28/11/2007, a fiscalizada foi intimada, entre outros, a apresentar os extratos bancários e o relatório em meio magnético, contendo a relação de alunos, por curso e o valor das mensalidades, por mês, nos dois anos alvos da fiscalização (2004 e 2005). Em 10/12/2007, a fiscalizada informa “que em virtude do tempo percorrido e das alterações de sistema e responsável pela escrita contábil da empresa, os extratos bancários do período solicitado, como também a relação dos alunos por curso e o valor de mensalidades não foram localizados (fl. 42)”. Em 17/12/2007, foi emitida RMF nº 09.2.01.00200701311 (fl. 88), pelo fato de que a fiscalizada alem de não possuir os extratos mantinha uma movimentação financeira, segundo a CPMF, muito superior as receitas por ela declaradas. Em 11/02/2008, por meio do Termo de Intimação nº 002 (fl. 91/184) a fiscalizada foi intimada a comprovar com documentos hábeis e idôneo, coincidentes em datas e valores, a origem dos recebimentos dos valores correspondentes aos créditos e/ou depósitos realizados na sua conta corrente junto ao Banco ABN AMRO REAL S/A, contidos nas relações em anexo. Em 03/03/2008, após pedido de prorrogação de prazo a fiscalizada apresentou resposta a intimação (fls. 186/188). A fiscalização considerou que todos os valores constantes do “Quadro 01 do TIF nº 02/2008 – CRÉDITOS A COMPROVAR A ORIGEM (fls. 93/111) são receitas da fiscalizada, de origem não comprovada, ou não registrada/não oferecida aa tributação e que está resumida no quadro às fls 283. Segundo, ainda, o Termo de Verificação, em relação ao recolhimentos do tributo SIMPLES, a fiscalizada informou que “apesar de não haver recolhimento do Fl. 441DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 11516.001346/200805 Acórdão n.º 1101001.088 S1C1T1 Fl. 5 4 tributo correspondente aos anos de 2004 e 2005, os mesmos foram incluídos no programa de parcelamento PAES e posteriormente do PAEX” (fl. 41). No entanto verificando os sistemas informatizados da SRFB (fls. 190/191), a fiscalização constatou que não existem, débitos declarados no PAES, nem no PAEX com relação ao SIMPLES cujos períodos de apuração (PA), referemse aos anos calendário de 2004 e 2005. Segue o Termo de Verificação, registrando que o arbitramento do lucro se fez de acordo com o art. 530, inciso III, do Regulamento do IR – RIR/99 – tendo em vista que a fiscalizada, mesmo intimada a apresentar os livros e documentos da sua escrituração, deixou de apresentálos, alem disso a contribuinte fora excluída de ofício do SIMPLES. Com relação a multa qualificada, afirma o Termo de Verificação que: “a contribuinte omitiu receitas como está provado neste termo. Assim, a sua conduta denota o elemento subjetivo da prática dolosa de enganar o fisco, portanto enseja a aplicação da multa qualificada, conforme o art. 44, Inciso II e § 1º da Lei 9.430/96.” Por fim, a fiscalização formalizou a Representação Fiscal Para Fins Penais, nos termos do processo nº 11516.001733/200833, que se encontra apensado a este processo. Da Impugnação: Inconformada a fiscalizada apresenta a sua impugnação de fls.288 a 355, alegando em síntese que: Preliminar: Alega que o procedimento fiscal violou importante garantia jurídica prevista no art. 5º, inciso XI da Constituição Federal de 1988, e que o citado artigo apresenta um rol (cláusula pétrea) de garantias fundamentais do cidadão, os quais não admite modificação ou tergiversação; A CF/88 assegurou o sigilo de dados incluindo neles os dados bancários, nem mesmo Lei infraconstitucional pode violar tal garantia. O auditor violou a garantia fundamental, exposta no inciso XI do art. 5º da Constituição Federal. Por isso requer seja declarado insubsistente o auto de infração. Ausência de compensação dos valores recolhidos a título de SIMPLES: Nos anos de 2004 e 2005 a empresa adotou como regime tributário o SIMPLES e ao assim proceder calculou seus tributos de forma simplificada e os pagamentos foram realizados (se não de forma integral ao menos parcialmente), não sendo possível desconsiderar aquele efetuados, inclusive, pelo PAES e PAEX; Os pagamentos efetuados , a titulo de parcelamento, afetaram parte dos débitos do SIMPLES relativos a 2004 e 2005, por isso há a necessidade de se promover o desmembramento destas parcelas do SIMPLES, para proporcionar a compensação ou diminuição, segundo valores da época, com os tributos arbitrados pelo fisco; Assim requer a anulação integral do auto de infração, para que outro seja lavrado com respeito aos pagamentos que foram efetuados a titulo do SIMPLES e dos parcelamentos que a época incluíram os tributos a este título. Do arbitramento do tributo: O arbitramentos do lucro encontrase absolutamente dissociada da realidade da empresa, pelo fato de que a base de cálculo utilizada não corresponde a faturamento e muito menos a lucro; Fl. 442DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 11516.001346/200805 Acórdão n.º 1101001.088 S1C1T1 Fl. 6 5 Discorda e impugna expressamente a base de cálculo utilizada para o arbitramento, pois a maior parte dos valores se referem à antecipações de faturamento (antecipação de fluxos de caixa) que se realizaram e foram tributadas mais tarde nos períodos seguintes; Por fim, não há nenhum indício que os valores tiveram por origem faturamento ou lucro, não sendo jurídico presumir a ocorrência de fato gerador sem qualquer elemento que aponte neste norte. Arbitramento realizado em competências onde a empresa ainda estava no SIMPLES – Ilegalidade dos efeitos retroativos: Alega que em 2004 e 2005 estava no regime do SIMPLES e que até o momento de sua exclusão os tributos devem ser calculados utilizandose os critérios e métodos previstos na legislação de regência daquele regime tributário; Entende a recorrente que o arbitramento segundo qualquer critério que não o do SIMPLES acarreta em ofensa ao art. 146 do CTN. Nos termos do citado artigo as modificações, introduzidas nos critérios jurídicos adotados para o exercício do lançamento somente podem ser efetivados, em relação ao mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução; A impugnante vinha recolhendo pelo SIMPLES e esta opção foi aceita pela Receita Federal naqueles anos. Assim, o calculo e arbitramento de tributos a posteriori somente poderia ser realizado de forma legal se observado o método para apuração de tributos pelo SIMPLES; Ao modificar os critérios jurídicos para o lançamento (de SIMPLES, para lucro real ou presumido), o fisco poderia fazêlo tão somente quanto a fatos geradores futuros, ou seja os posteriores a data da exclusão, observandose, assim, o CTN; O regime jurídico tributário pretérito encontrase coberto pela segurança jurídica, constituindo ato jurídico perfeito que não pode ser objeto de revisão e novo arbitramento por regime diferente (cita Hugo de Brito Machado e Leandro Paulsen); Cita, ainda, decisões do TRF da 4ª Região sobre a mudança do critério jurídico (art. 146 do CTN); Requer a aplicação do art. 146 do CTN. Multas: No caso de indeferimento dos pedidos acima, requer a redução da multa. Tal pedido tem por fundamento o fato de que não há nenhum indício de dolo ou vontade da impugnante em sonegar tributos; A aplicação da multa não pode ser presumida, sob pena de responsabilizar a impugnante (culpado até que prove em contrário – inadmissível). Não há sequer uma fundamentação razoável para a aplicação da multa agravada; Cita acórdão do Conselho de Contribuintes; A multa levada a efeito é, portanto, desproporcional, ilegal, razão pela qual requerse a redução. Pedidos: Todos os pedidos constam de cada um dos itens acima, restando por ultimo o pedido para que as intimações sejam realizadas em nome do advogado, cujo endereço foi informado no início desta intimação. É o relatório. A Turma julgadora rejeitou estes argumentos em acórdão assim ementado: Fl. 443DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 11516.001346/200805 Acórdão n.º 1101001.088 S1C1T1 Fl. 7 6 Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Anocalendário: 2004, 2005 LUCRO ARBITRADO PESSOA JURÍDICA EXCLUÍDA DO SIMPLES FEDERAL. A pessoa jurídica excluída do SIMPLES sujeitarseá, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. O imposto devido será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado quando o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, com a inclusão de toda a movimentação financeira. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGENS. PRESUNÇÃO LEGAL. OMISSÃO DE RECEITA. Caracterizam como omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2004, 2005 LANÇAMENTOS DECORRENTES. PIS, CSLL e COFINS. Tratandose da mesma matéria fática e não havendo questões de direito específicas a serem apreciadas, aplicase aos lançamentos decorrentes a decisão proferida no lançamento principal (IRPJ). Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2004, 2005 EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. CARACTERIZAÇÃO. O reiteramento da conduta ilícita ao longo do tempo e a expressividade dos valores subtraídos à tributação, descaracteriza o caráter fortuito do procedimento, evidenciando o intuito doloso tendente à fraude. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO POR FRAUDE. APLICABILIDADE. É aplicável a multa de ofício agravada de 150%, naqueles casos em que, no procedimento de ofício, constatado resta que à conduta do contribuinte esteve associado o intuito de fraude. Cientificada da decisão de primeira instância em 24/03/2010 (fl. 394), a contribuinte interpôs recurso voluntário, tempestivamente, em 20/04/2010 (fls. 400/412). Preliminarmente afirma a nulidade do procedimento fiscal por violação ao seu sigilo bancário, pois apesar a inconstitucionalidade do art. 6o da Lei Complementar nº 105/2001, o Fisco não observou o requisito legal de indispensabilidade dos exames da documentação bancária. A Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira – RMF não teria se originado de qualquer relatório circunstanciado que demonstre com precisão e clareza, tratarse de situação de indispensabilidade prevista na norma, desrespeitando os §5o e §6o do art. 4o do Decreto 3.724/2001. Acrescenta que também é inconstitucional a utilização da base de cálculo assim obtida para arbitramento dos tributos, pois resta dissociada do faturamento e do lucro da empresa. Reitera que a maior parte dos valores que serviram de base de cálculo para o Fl. 444DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 11516.001346/200805 Acórdão n.º 1101001.088 S1C1T1 Fl. 8 7 arbitramento se refere às antecipações de faturamentos (antecipação de fluxos de caixa) que se realizaram e foram tributadas mais tarde nos períodos seguintes. Observa que esta antecipação de recursos é comum no ramo de educação, e finaliza afirmando que não há nenhum indício que os valores utilizados tiveram por origem faturamento ou lucro. Afirma ilegal a retroatividade dos efeitos da exclusão, somente ocorrida em 06/03/2006, invocando o art. 146 do CTN e defendendo que o regime jurídico tributário pretérito encontrase coberto pela segurança jurídica, constituindo ato jurídico perfeito que não pode ser objeto de revisão e novo arbitramento por regime diferente. Cita doutrina e transcreve jurisprudência judicial em favor de seu entendimento e complementa que a situação da empresa não mudou desde sua adesão ao regime do SIMPLES, que fora acatada pelo fisco até a publicação do ADE nº 30. Pleiteia a redução da penalidade na medida em que não há nenhum indício ou prova de dolo ou vontade da empresa em sonegar tributos, apoiandose a penalidade em uma presunção, responsabilizando objetivamente o contribuinte. Cita jurisprudência e reitera que a aplicação da multa tem como sustentáculo suposta omissão de receita, verificada por meio da modalidade de arbitramento, através de extratos bancários obtidos em total desrespeito a lei procedimental. Acrescenta que nos períodos autuados prestou todas informações necessárias sobre sua receita, sem haver qualquer omissão punível com a multa qualificada. A relatoria do recurso voluntário presente nestes autos foi atribuída, inicialmente, ao Conselheiro Mário Sérgio Fernandes Barroso, que propôs a expedição da Resolução nº 110300.045 que, embora enuncie a conversão do julgamento em diligência, está fundamentada na necessidade de sobrestamento do julgamento do recurso voluntário em razão do disposto no art. 62A, §1o do Regimento Interno do CARF (fls. 416/423). Os autos seguiram à Unidade de origem que, verificando não se tratar de solicitação de diligência, devolveuos a este Conselho (fl. 426). Revogado o dispositivo regimental em referência e tendo em conta que o Conselheiro Mário Sérgio Fernandes Barroso não integra mais este Conselho, os autos foram submetidos a novo sorteio, com a designação desta Conselheira como relatora do recurso voluntário a ser apreciado. Fl. 445DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 11516.001346/200805 Acórdão n.º 1101001.088 S1C1T1 Fl. 9 8 Voto Conselheira EDELI PEREIRA BESSA Inicialmente a recorrente menciona ser inconstitucional o art. 6o da Lei Complementar nº 105/2001, porém referido dispositivo legal é objeto do Recurso Extraordinário nº 601.314, que aguarda julgamento no Supremo Tribunal Federal em rito de repercussão geral, sob relatoria do Ministro Ricardo Lewandowski. A decisão que reconheceu a repercussão geral desta matéria foi assim ementada: EMENTA: CONSTITUCIONAL. SIGILO BANCÁRIO. Fornecimento de informações sobre movimentação bancária de contribuintes, pelas instituições financeiras, diretamente ao fisco, sem prévia autorização judicial (lei complementar 105/2001). Possibilidade de aplicação da lei 10.174/2001 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. Relevância jurídica da questão constitucional. Existência de repercussão geral. Todavia, no referido recurso extraordinário ainda não foi editada decisão definitiva de mérito que pudesse impor a reprodução, pelos Conselheiros, no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, do entendimento manifestado pelo Supremo Tribunal Federal em outros casos semelhantes, como pretendem os recorrentes. Nem mesmo o sobrestamento antes previsto nos §§ do art. 62A do RICARF prevalece, dada sua recente revogação pela Portaria MF nº 545/2013. Por sua vez, o Decreto nº 70.235/72 somente autoriza os órgãos administrativos de julgamento a afastar a aplicação de lei que tenha sido declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) [...] § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal;(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) II – que fundamente crédito tributário objeto de:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002;(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) Fl. 446DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 11516.001346/200805 Acórdão n.º 1101001.088 S1C1T1 Fl. 10 9 O art. 6o da Lei Complementar nº 105/2001 foi objeto de apreciação pelo Supremo Tribunal Federal em caso concreto que ali chegou por meio do Recurso Extraordinário nº 389.808, decidido em 10/05/2011 nos termos da seguinte ementa: SIGILO DE DADOS – AFASTAMENTO. Conforme disposto no inciso XII do artigo 5º da Constituição Federal, a regra é a privacidade quanto à correspondência, às comunicações telegráficas, aos dados e às comunicações, ficando a exceção – a quebra do sigilo – submetida ao crivo de órgão equidistante – o Judiciário – e, mesmo assim, para efeito de investigação criminal ou instrução processual penal. SIGILO DE DADOS BANCÁRIOS – RECEITA FEDERAL. Conflita com a Carta da República norma legal atribuindo à Receita Federal – parte na relação jurídicotributária – o afastamento do sigilo de dados relativos ao contribuinte. Contudo, a Procuradoria Geral da República opôs embargos de declaração a esta decisão, os quais aguardam julgamento, estando conclusos ao relator desde 09/11/2011, de modo que não se verificou o trânsito em julgado, não se podendo falar, aqui, da existência de decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal, declarando a inconstitucionalidade do dispositivo legal que autoriza o procedimento aqui utilizado para reunião das provas que fundamentam a exigência. Por estas razões, deve ser REJEITADA a implícita argüição da nulidade do lançamento em razão de inconstitucional acesso às informações bancárias da pessoa jurídica autuada. A interessada também assevera que o Fisco não observou o requisito legal de indispensabilidade dos exames da documentação bancária, haja visto que a Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira – RMF não teria se originado de qualquer relatório circunstanciado que demonstre com precisão e clareza, tratarse de situação de indispensabilidade prevista na norma, desrespeitando os §5o e §6o do art. 4o do Decreto 3.724/2001. O art. 4o, §5o do Decreto nº 3.724/2001 estabelece que a RMF será expedida com base em relatório circunstanciado, elaborado pelo AuditorFiscal da Receita Federal encarregado da execução do MPF ou por seu chefe imediato. Por sua vez, o §6o do mesmo artigo dispõe que no relatório referido no parágrafo anterior, deverá constar a motivação da proposta de expedição da RMF, que demonstre, com precisão e clareza, tratarse de situação enquadrada em hipótese de indispensabilidade prevista no artigo anterior, observado o princípio da razoabilidade. Referido relatório não foi juntado aos autos. Porém, a autoridade fiscal intimou a contribuinte a apresentar informações sobre movimentação financeira, necessárias à execução do MPF, consoante exige o art. 4o, §2o daquele Decreto, e em resposta a fiscalizada informou que em virtude do tempo percorrido e das alterações de sistema e responsável pela escrita contábil da empresa os extratos bancários do período solicitado, como também a relação dos alunos por curso e o valor de mensalidades não foram localizados (fl. 42). Por esta razão, e considerando que a movimentação financeira, segundo a CPMF era bem maior que as receitas declaradas pela fiscalizada, como dito pela autoridade fiscal no Termo de Verificação (fl. 281/285), o Delegado da Receita Federal em Florianópolis expediu a Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira de fl. 88, declarando que Fl. 447DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 11516.001346/200805 Acórdão n.º 1101001.088 S1C1T1 Fl. 11 10 ela era indispensável ao andamento do procedimento de fiscalização em curso, nos termos do art. 4o, §6o do Decreto nº 3.724, de 2001. Por sua vez, o art. 3o do Decreto nº 3.724/2001 firma como indispensáveis referidos exames ante evidências, dentre outras, de omissão de rendimentos ou ganhos líquidos, decorrentes de aplicações financeiras de renda fixa ou variável, quando verificadas diferenças superiores a 10% dos valores declarados, ou na presença de indício de que o titular de direito é interposta pessoa do titular de fato, classificando como indício a indicação de movimentação financeira superior a dez vezes a renda disponível declarada. Assim, considerando que o relato fiscal aproximase de hipóteses previstas no Decreto nº 3.724/2001 como determinantes para expedição da requisição de movimentação financeira; que nos termos do art. 4o, §8o do Decreto a expedição da RMF presume indispensabilidade das informações requisitadas; e que o titular da Unidade somente poderia têla expedida frente a relatório circunstanciado que evidenciasse a indispensabilidade da requisição, é razoável supor que o Delegado da Receita Federal em Florianópolis tenha sido cientificado das circunstâncias descritas pela autoridade fiscal no Termo de Verificação, motivo pelo qual é dispensável a juntada da solicitação de emissão de Requisição de Movimentação Financeira aos autos. Prossseguindo, a contribuinte questiona a utilização da base de cálculo assim obtida para arbitramento dos tributos, pois resta dissociada do faturamento e do lucro da empresa. Reitera que a maior parte dos valores que serviram de base de cálculo para o arbitramento se refere às antecipações de faturamentos (antecipação de fluxos de caixa) que se realizaram e foram tributadas mais tarde nos períodos seguintes. Observa que esta antecipação de recursos é comum no ramo de educação, e finaliza afirmando que não há nenhum indício que os valores utilizados tiveram por origem faturamento ou lucro. Contudo, intimada no curso do procedimento fiscal, a contribuinte já havia exposto estas justificativas, porém sem apresentar qualquer documentação comprobatória da origem dos créditos, como exigido em intimação. A conseqüência legal para esta conduta está claramente exposta na decisão recorrida: Como relatoriado a impugnante durante o procedimento de ofício foi regularmente intimada (Termo de Intimação Fiscal nº 02) a comprovar com documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores, a ORIGEM dos recebimentos dos valores correspondentes aos créditos e/ou depósitos realizados na sua conta corrente do BANCO ABN AMRO REAL S/A, que não foram contabilizados, conforme Quadro 01 em anexo ao referido termo. Respondendo a intimação a impugnante não logrou comprovar a origem dos valores constantes do quadro anexo a citada intimação. Diante disso a fiscalização considerou por presunção legal, nos termos do art. 42 da Lei 9.430/96 que os valores não comprovados caracterizavamse como receitas omitidas. A partir de 01/01/1997 – data esta a partir da qual a Lei nº 9.430 tornouse eficaz , a existência de depósitos não escriturados ou de origens não comprovadas tornou se uma nova hipótese legal de presunção de omissão de receitas, que veio a se juntar ao elenco já existente; com isso, atenuouse a carga probatória atribuída ao fisco, que precisa apenas demonstrar a existência de depósitos bancários não escriturados ou de origem não comprovada, para satisfazer o onus probandi a seu cargo. Fl. 448DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 11516.001346/200805 Acórdão n.º 1101001.088 S1C1T1 Fl. 12 11 A existência de depósitos bancários com origem não comprovada é, por si só, hipótese presuntiva de omissão de receitas, cabendo ao sujeito passivo a prova em contrário que, conforme verificase, não as apresentou. A sistemática de lançamento com base em valores de depósitos bancários de origem não comprovada, para os fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 1997, já mereceu a apreciação do Egrégio Primeiro Conselho de Contribuintes, conforme se depreende dos seguintes julgados: “IRPF – OMISSÃO DE RENDIMENTOS – LANÇAMENTO COM BASE EM VALORES CONSTANTES DE EXTRATOS BANCÁRIOS – DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA – ARTIGO 42 DA LEI Nº 9.430, DE 1996 – Caracteriza como omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação às quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações”.(Ac. 1º CC 10418307, sessão de 19/09/2001)” “IRPJ/... /DEPÓSITOS BANCÁRIOS – Caracterizam omissão de receita os valores creditados em conta bancária, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações (art. 42 da Lei 9.430/96)” (Ac. 1º CC 10806889 – Sessão de 19/03/2002). Após a edição da Lei nº 9.430/1996, a movimentação bancária mantida ao largo da escrituração contábil da empresa ou sem comprovação adequada, presumese realizada com valores omitidos à tributação, salvo prova em contrário, assim, dispondo em seu art. 42: "Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; ................................................................................................................... Tratase, portanto, de uma presunção legal de que os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, não comprovados com documentação hábil e idônea, constituem receita omitida. É a própria lei definindo que os depósitos bancários, de origem não comprovada, caracterizam omissão de receita ou de rendimentos e não meros indícios de omissão. A presunção em favor do Fisco transfere ao contribuinte o ônus de elidir a imputação, mediante a comprovação, no caso, da origem dos recursos. Tratase, afinal, de presunção relativa, passível de prova em contrário. Com relação ao arbitramento do lucro a pessoa jurídica impugnante havia sido excluída do SIMPLES (processo nº 11516.000041/200614) e não apresentou, mediante, intimação os livros e documentos comprobatórios da escrituração, não restando outra alternativa para fiscalização que não fosse o arbitramento do lucro Fl. 449DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 11516.001346/200805 Acórdão n.º 1101001.088 S1C1T1 Fl. 13 12 nos termos do art. 530, inciso III do Regulamento do Imposto de Renda, RIR/99, Decreto nº 3000/99, a seguir transcrito: Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do anocalendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei nº 8.981, de 1995, art. 47, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º): ........ III o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527. Já, com relação as alegações de que: “a maior parte dos valores se referem à antecipações de faturamento (antecipação de fluxos de caixa) que se realizaram e foram tributadas mais tarde nos períodos seguintes”, de se dizer que estas alegações não foram comprovadas nestes autos pela impugnante. Destarte, entendo correto o arbitramento dos lucros com base nas receitas apuradas por meio dos depósitos bancários não comprovados, nos termo do art. 42 da Lei nº 9.430/96. A recorrente também contesta a retroatividade dos efeitos da exclusão, somente ocorrida em 06/03/2006, invocando o art. 146 do CTN e defendendo que o regime jurídico tributário pretérito encontrase coberto pela segurança jurídica, constituindo ato jurídico perfeito que não pode ser objeto de revisão e novo arbitramento por regime diferente. Cita doutrina e transcreve jurisprudência judicial em favor de seu entendimento e complementa que a situação da empresa não mudou desde sua adesão ao regime do SIMPLES, que fora acatada pelo fisco até a publicação do ADE nº 30. Conforme se verifica às fls 54/69, a contribuinte foi excluída do SIMPLES porque seria resultante de cisão ou qualquer outra forma de desmembramento da pessoa jurídica, hipótese vedada no art. 9o, inciso XVII da Lei nº 9.317/96. Neste sentido, o Ato Declaratório Executivo DRF/FNS n.° 30, de 06/03/2006, firmou os efeitos da exclusão a partir de 01/01/2002, conforme disposto no inciso II, parágrafo 1o do artigo 24 da Instrução Normativa nº 608, de 9 de janeiro de 2006. A contribuinte manifestou sua inconformidade contra tal ato, mas sua defesa não foi apreciada em razão de mesma matéria ter sido veiculada em mandado de segurança. Em consulta ao sítio do Tribunal Regional Federal da 4a Região, constatase que a apelação contra a sentença que denegou a pretendida segurança, sob nº 2006.72.00.0087357, também foi improvida. Nos termos do relatório do acórdão proferido naqueles autos, a contribuinte alegou que o ato de exclusão se deu de modo ilegal, ferindo os princípios do devido processo legal, da ampla defesa e do contraditório, mas como foi oportunizada à impetrante a impugnação do ato de exclusão, garantindose o direito de defesa do contribuinte, direito este exercido pela impetrante, firmouse o entendimento de que não haveria se falar em ofensa aos princípios do devido processo legal, ampla defesa e contraditório. O prazo para recurso expirou em 25/02/2009 e os autos da ação judicial foram baixados à Vara de origem. No âmbito administrativo também inexiste registro de que a contribuinte tenha oposto recurso voluntário contra a decisão que declarou a concomitância da matéria veiculada em manifestação de inconformidade com aquela discutida judicialmente. Por sua vez, o inciso II do art. 15 da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Lei nº 9.732/98, estabelecia que, em tais circunstâncias, a exclusão somente operaria efeitos a Fl. 450DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 11516.001346/200805 Acórdão n.º 1101001.088 S1C1T1 Fl. 14 13 partir do mês subseqüente àquele em que se proceder à exclusão, ainda que de ofício. Todavia, a Medida Provisória nº 2.15835/2001 antecipou estes efeitos para o mês subseqüente ao que for incorrida a situação excludente, e esta determinação foi mantida pela Lei nº 11.196/2005. Considerando que o fato de a pessoa jurídica ser resultante de cisão ou qualquer outra forma de desmembramento da pessoa jurídica é circunstância que remonta à sua constituição, ou minimamente à sua opção pelo SIMPLES, a interpretação fazendária expressa no art. 24, §1o da Instrução Normativa SRF nº 608/2006, é no sentido de que a exclusão de pessoas jurídicas optantes pelo Simples até 27/07/2001, quando editada a Medida Provisória nº 2.15835/2001, opera efeitos somente a partir de 01/01/2002, quando a situação excludente tiver ocorrido até 31/12/2001 e a exclusão for efetuada a partir de 2002. E referido entendimento está sumulado nos mesmos termos neste Conselho: Súmula CARF nº 56. No caso de contribuintes que fizeram a opção pelo SIMPLES Federal até 27 de julho de 2001, constatada uma das hipóteses de que tratam os incisos III a XIV, XVII e XVIII do art. 9o da Lei n° 9.317, de 1996, os efeitos da exclusão darseão a partir de 1o de janeiro de 2002, quando a situação excludente tiver ocorrido até 31 de dezembro de 2001 e a exclusão for efetuada a partir de 2002. Correta, portanto, a sistemática de tributação aplicada em relação aos anos calendário 2004 e 2005, ainda que a exclusão somente tenha sido promovida em meados de 2006. Assim, deve ser NEGADO PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente aos principais exigidos. Por fim, a recorrente pleiteia a redução da penalidade na medida em que não há nenhum indício ou prova de dolo ou vontade da empresa em sonegar tributos, apoiandose a penalidade em uma presunção, responsabilizando objetivamente o contribuinte. A acusação fiscal, neste ponto, está assim redigida: 2.1. MULTA QUALIFICADA A fiscalizada omitiu receita conforme está provado neste termo. Assim, a sua conduta denota o elemento subjetivo da prática dolosa de enganar o fisco, portanto enseja a aplicação da MULTA QUALIFICADA, conforme o artigo 44, inciso II e § 1° da Lei 9.430/96. 2.2. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS A fiscalizada omitiu as informações sobre a movimentação financeira, bem como não as registrou nos livros obrigatórios (caixa). Mesmo sendo excluída do SIMPLES não fez opção por outra forma de tributação. Assim, é mister a representação fiscal para fins penais. Como conseqüência, foi protocolizado o processo administrativo fiscal N° 11516.001733/200833, responsabilizando os proprietários, como segue: [...] Como se vê, a prática dolosa de enganar o fisco se revelaria, apenas, pela omissão de receitas provada na acusação fiscal. À míngua de outras considerações, significaria Fl. 451DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 11516.001346/200805 Acórdão n.º 1101001.088 S1C1T1 Fl. 15 14 dizer que toda omissão de receita evidenciaria dolo e justificaria a qualificação da penalidade, contrariamente ao que já consolidado na jurisprudência deste Conselho: Súmula CARF nº 14: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. Súmula CARF nº 25: A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. A abordagem resumida dos fatos que ensejaram a representação fiscal para fins penais também não auxilia na caracterização do dolo. A omissão de informações sobre a movimentação financeira, e a falta de escrituração de livros obrigatórios (caixa) são ocorrências que, nos termos da lei, autorizam a presunção de omissão de receitas e o arbitramento dos lucros, e não são suficientes para qualificação da penalidade. Se a constatação de que créditos tributários deixaram de ser declarados e recolhidos justificasse a imputação de multa qualificada, não subsistiria hipótese para aplicação da multa básica de 75%. A qualificação da penalidade exige o acréscimo de razões para caracterização da conduta da contribuinte como fraudulenta, ou seja, descrição de conduta, ou inferência a partir de indícios, que apontem no sentido da intenção de deixar de recolher os tributos devidos. No presente caso, além das referências acima transcritas, a Fiscalização apenas aponta, com vistas a justificar a expedição de RMF, que a movimentação financeira da contribuinte seria significativamente superior às receitas declaradas. Por sua vez, em resposta a questionamentos acerca da origem dos depósitos bancários, a contribuinte reconheceu que a movimentação corresponderia a sua atividade, mas argumentou que se referiria a antecipação de faturamento posteriormente declarado. Referida justificativa não se presta como origem dos depósitos bancários, mas é suficiente para por em dúvida a intenção do sujeito passivo de deixar de recolher os tributos que incidiriam sobre as receitas auferidas. Cumpriria à Fiscalização, nestas circunstâncias, demonstrar esta intenção, e assim fundamentar faticamente a qualificação da penalidade. Assim, deve ser afastada a qualificação da penalidade, subsistindo apenas a multa no percentual básico de 75%, razão pela qual deve ser DADO PROVIMENTO ao recurso voluntário neste ponto. Diante de todo o exposto, além de REJEITAR as preliminares de nulidade, o presente voto é no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para afastar a qualificação da penalidade. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA – Relatora Fl. 452DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 11516.001346/200805 Acórdão n.º 1101001.088 S1C1T1 Fl. 16 15 Fl. 453DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 28/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA
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Numero do processo: 13502.902333/2012-16
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jun 06 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/10/2008 a 31/10/2008
NORMAS PROCESSUAIS. ARGUMENTOS DE DEFESA. INOVAÇÃO EM SEDE DE RECURSO. PRECLUSÃO.
Os argumentos de defesa devem ser trazidos na primeira instância administrativa.
INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa devidamente motivada não infirmada com elementos de prova hábeis e idôneos.
Numero da decisão: 3803-006.241
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por inovação dos argumentos de defesa.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Demes Brito e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/10/2008 a 31/10/2008 NORMAS PROCESSUAIS. ARGUMENTOS DE DEFESA. INOVAÇÃO EM SEDE DE RECURSO. PRECLUSÃO. Os argumentos de defesa devem ser trazidos na primeira instância administrativa. INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa devidamente motivada não infirmada com elementos de prova hábeis e idôneos.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por inovação dos argumentos de defesa. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Demes Brito e Jorge Victor Rodrigues.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1828; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE03 Fl. 91 1 90 S3TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13502.902333/201216 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3803006.241 – 3ª Turma Especial Sessão de 29 de maio de 2014 Matéria IPI COMPENSAÇÃO Recorrente TECNOGRÉS REVESTIMENTOS CERÂMICOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2008 a 31/10/2008 NORMAS PROCESSUAIS. ARGUMENTOS DE DEFESA. INOVAÇÃO EM SEDE DE RECURSO. PRECLUSÃO. Os argumentos de defesa devem ser trazidos na primeira instância administrativa. INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa devidamente motivada não infirmada com elementos de prova hábeis e idôneos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por inovação dos argumentos de defesa. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Demes Brito e Jorge Victor Rodrigues. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 50 2. 90 23 33 /2 01 2- 16 Fl. 91DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/06/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13502.902333/201216 Acórdão n.º 3803006.241 S3TE03 Fl. 92 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte em contraposição à decisão da DRJ Ribeirão Preto/SP que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada em decorrência da não homologação da compensação declarada. O contribuinte havia transmitido Declaração de Compensação em 3 de março de 2013, referente a crédito decorrente de alegado pagamento a maior de IPI, no valor de R$ 200.398,60, destinado a quitar débito de sua titularidade. Por meio de despacho decisório eletrônico, a repartição de origem não homologou a compensação, pelo fato de que o pagamento declarado já havia sido integralmente utilizado na quitação de débitos do contribuinte. Cientificado da decisão, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade e requereu o reconhecimento do crédito e a homologação da compensação, com o seguinte argumento: “Tal indeferimento não pode prosperar porque os créditos oriundos de pagamento indevido ou maior já tinham sido devidamente disponibilizados em razão da desvinculação dos mesmos das DCTFs daquele período.” Junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte trouxe aos autos cópias de documentos societários e do despacho decisório. A DRJ Ribeirão Preto/SP não reconheceu o direito creditório, tendo sido o acórdão ementado nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 14/08/2008 RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. A homologação das compensações declaradas requer créditos líquidos e certos contra a Fazenda Nacional. Não caracterizado o pagamento indevido, não há créditos para compensar com os débitos do contribuinte. ÔNUS DA PROVA. Cabe à defesa o ônus da prova dos fatos modificativos, impeditivos ou extintivos da pretensão fazendária. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificado da decisão em 2 de outubro de 2013, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário no dia 1º de novembro do mesmo ano e requereu prorrogação do prazo para a apuração adequada do efetivo direito creditório, alegando que o seu departamento fiscal não enviara as declarações retificadoras, sendo essa a razão da existência do presente passivo tributário. Fl. 92DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/06/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13502.902333/201216 Acórdão n.º 3803006.241 S3TE03 Fl. 93 3 É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, mas dele não conheço, em razão dos fatos a seguir identificados. Diante do acima relatado, constatase que o Recorrente, nesta fase recursal, altera totalmente o seu pedido, não mais pleiteando a homologação da compensação devidamente declarada, conforme fizera na Manifestação de Inconformidade, mas requerendo a dilação de prazo para a apuração adequada do efetivo direito creditório e para produção de provas, em razão de equívoco cometido por seu departamento fiscal, que não providenciara a retificação das DCTFs do período. Notese que a afirmativa do Recorrente de que necessita de mais prazo para apurar adequadamente o efetivo direito creditório denota, inequivocamente, que as informações constantes da Declaração de Compensação foram repassadas de forma inadvertida, sem lastro na escrituração contábilfiscal, pois, do contrário, nada haveria a ser apurado, mas apenas informado no bojo deste processo. É flagrante a inovação operada em sede de recurso, tratandose de matéria preclusa em razão de sua não exposição na primeira instância administrativa, não tendo sido examinada pela autoridade julgadora de piso, o que contraria o princípio do duplo grau de jurisdição, bem como o do contraditório e o da ampla defesa. A preclusão processual é um elemento que limita a atuação das partes durante a tramitação do processo, imputandolhe celeridade, numa sequência lógica e ordenada dos fatos, em prol da pretendida pacificação social. Humberto Theodoro Júnior1 nos ensina que preclusão é “a perda da faculdade ou direito processual, que se extinguiu por não exercício em tempo útil”. Ainda segundo o mestre, com a preclusão, “evitase o desenvolvimento arbitrário do processo, que só geraria a balbúrdia, o caos e a perplexidade para as partes e o juiz”. O princípio da preclusão conectase ao princípio do impulso processual e destinase “não apenas a proporcionar uma mais rápida solução do litígio, mas bem ainda a tutelar a boafé no processo, impedindo o emprego de expedientes que configurem litigância de máfé” 2. Tal princípio busca garantir o avanço da relação processual e impedir o retrocesso às fases anteriores do processo, encontrandose fixado o limite da controvérsia, no Processo Administrativo Fiscal (PAF), no momento da impugnação/manifestação de inconformidade. 1 HUMBERTO, Theodoro Júnior. Curso de direito processual civil. vol. 1. Rio de Janeiro: Forense, 2003, p. 225 226. 2 GRINOVER, Ada Pellegrini. “Interesse da União, preclusão. A preclusão e o órgão judicial”. In: A Marcha do Processo. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2000, p. 230/241. Disponível em: http://www.ambito juridico.com.br/site/?n_link=revista_artigos_leitura&artigo_id=11781. Acesso em: 15 abr 2013. Fl. 93DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/06/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13502.902333/201216 Acórdão n.º 3803006.241 S3TE03 Fl. 94 4 De acordo com o art. 16, inciso III, do Decreto nº 70.235, de 1972, os atos processuais se concentram no momento da impugnação, cujo teor deverá abranger “os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância, as razões e provas que possuir", considerandose não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante (art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972). Não é lícito inovar no recurso para inserir questão diversa daquela originalmente deduzida na impugnação/manifestação de inconformidade, devendo a inovação ser afastada por se referir a matéria não exposta no momento processual devido. Além disso, mesmo que preclusão não houvesse, o interessado não trouxe aos autos nem mesmo um início de prova, tendo a instrução se dado apenas com documentos societários, nada tendo sido dito acerca da natureza do indébito utilizado em compensação. Não se pode perder de vista que a prova encontrase em poder do próprio Recorrente, e uma vez que foi dele a iniciativa de instauração do presente processo, pois que relativo a um direito que ele alega ser detentor, não se vislumbra razão à preponderância do princípio da verdade material sobre, por exemplo, o princípio constitucional da celeridade processual (art. 5º, inciso LXXVIII, da Constituição Federal de 1988) ou o dever de comprovação dos fatos alegados (art. 16, inciso III, e § 4º do Decreto nº 70.235, de 1972). O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo e presentes nos sistemas internos da Receita Federal (DCTF e sistemas de arrecadação), não cabendo no Processo Administrativo Fiscal (PAF) a requisição de prorrogação de prazos fixados na legislação processual tributária. Nos termos do art. 16 do Decreto n° 70.235/19723, que regula o PAF, aplicável na discussão de processos envolvendo compensação tributária, cabe ao impugnante o 3 Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) – Grifei (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 94DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/06/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13502.902333/201216 Acórdão n.º 3803006.241 S3TE03 Fl. 95 5 ônus da prova de suas alegações contrapostas à decisão de não homologação baseada na DCTF e na base de dados de arrecadação. Nesse contexto, por inovação dos argumentos de defesa, associada à ausência de qualquer elemento de prova do crédito reclamado, voto por NÃO CONHECER do recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator Fl. 95DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/06/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por HELCIO LAFETA REIS
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Numero do processo: 13227.720066/2007-91
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 10 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jul 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2002, 2003, 2004
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OBSCURIDADE. OMISSÃO. CONTRADIÇÃO.
Os embargos de declaração não se prestam a reexaminar matéria já devidamente equacionada. Apenas são cabíveis quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se a turma.
OMISSÃO. AUSÊNCIA DE DECLARAÇÃO DE VOTO. EXPOSIÇÃO DOS FUNDAMENTOS DA MAIORIA QUE APENAS ACOMPANHARAM AS CONCLUSÕES DO RELATOR. NÃO CABIMENTO.
Inexiste a obrigatoriedade de constar do acórdão a declaração de voto, ainda que o Conselheiro exteriorize a intenção de formalizá-la. Somente integrará o acórdão ou a resolução quando formalizada no prazo de quinze dias do julgamento, devendo ser considerada como não formulada em caso de descumprimento de tal prazo (art.63, §§7º e 8º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF). Apenas quando a maioria dos Conselheiros acompanharem apenas as conclusões do Relator, os fundamentos por ela adotados devem constar da ementa e respectivo voto condutor. No caso concreto, nem o Presidente da Turma manifestou a intenção de declarar voto, tampouco a maioria acompanhou pelas conclusões o voto do Relator.
INOVAÇÃO DOS FUNDAMENTOS DA AUTUAÇÃO. NÃO OCORRÊNCIA.
O acórdão embargado está em consonância com os fundamentos de fato e de direito adotados pela fiscalização, ainda que, segundo o Embargante, tenha trazido abordagem distinta quanto a determinados pontos, basicamente em razão das alegações de defesa veiculadas no recurso voluntário.
Numero da decisão: 1103-001.041
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar os embargos, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Aloysio José Percínio da Silva - Presidente
(assinado digitalmente)
Eduardo Martins Neiva Monteiro Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Fábio Nieves Barreira, Breno Ferreira Martins Vasconcelos, Marcos Shigueo Takata e Aloysio José Percínio da Silva.
Nome do relator: EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO
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Lucro Presumido Embargante CASSOL CENTRAIS ELÉTRICAS LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2002, 2003, 2004 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OBSCURIDADE. OMISSÃO. CONTRADIÇÃO. Os embargos de declaração não se prestam a reexaminar matéria já devidamente equacionada. Apenas são cabíveis quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. OMISSÃO. AUSÊNCIA DE DECLARAÇÃO DE VOTO. EXPOSIÇÃO DOS FUNDAMENTOS DA MAIORIA QUE APENAS ACOMPANHARAM AS CONCLUSÕES DO RELATOR. NÃO CABIMENTO. Inexiste a obrigatoriedade de constar do acórdão a declaração de voto, ainda que o Conselheiro exteriorize a intenção de formalizála. Somente integrará o acórdão ou a resolução quando formalizada no prazo de quinze dias do julgamento, devendo ser considerada como não formulada em caso de descumprimento de tal prazo (art.63, §§7º e 8º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF). Apenas quando a maioria dos Conselheiros acompanharem apenas as conclusões do Relator, os fundamentos por ela adotados devem constar da ementa e respectivo voto condutor. No caso concreto, nem o Presidente da Turma manifestou a intenção de declarar voto, tampouco a maioria acompanhou pelas conclusões o voto do Relator. INOVAÇÃO DOS FUNDAMENTOS DA AUTUAÇÃO. NÃO OCORRÊNCIA. O acórdão embargado está em consonância com os fundamentos de fato e de direito adotados pela fiscalização, ainda que, segundo o Embargante, tenha trazido abordagem distinta quanto a determinados pontos, basicamente em razão das alegações de defesa veiculadas no recurso voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 22 7. 72 00 66 /2 00 7- 91 Fl. 595DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13227.720066/200791 Acórdão n.º 1103001.041 S1C1T3 Fl. 596 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar os embargos, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva Presidente (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Fábio Nieves Barreira, Breno Ferreira Martins Vasconcelos, Marcos Shigueo Takata e Aloysio José Percínio da Silva. Relatório Tratase de Embargos de Declaração interpostos pelo contribuinte em face do acórdão nº 110300.578, de 23/11/11, que recebeu a seguinte ementa (fls.495/507): NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Os preceitos estabelecidos no Código Tributário Nacional (Lei nº 5.172, de 1966) e no Processo Administrativo Fiscal (Decreto nº 70.235, de 1972) sobrepõemse às recomendações insertas na Portaria que criou o Mandado de Procedimento Fiscal (MPF), que se consubstancia mero instrumento de controle administrativo, de sorte que eventuais alterações nele inseridas, ou até mesmo a inexistência deste instrumento, não caracterizam vícios insanáveis. RECEITA ADVINDA DA CONTA DE CONSUMO DE COMBUSTÍVEIS FÓSSEIS (CCC) ADMINISTRADA PELA ELETROBRÁS. Os recursos rateados pela Eletrobrás para todas as empresas concessionárias ou autorizadas de energia elétrica, anteriormente tomados do consumidor final pelas distribuidoras e carreados para a Conta de Consumo de Combustíveis Fósseis administrada por aquela sociedade de economia mista, deve ser adicionada à base de cálculo do IRPJ da contribuinte optante pelo lucro presumido, porquanto classificada como demais receitas. Fl. 596DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13227.720066/200791 Acórdão n.º 1103001.041 S1C1T3 Fl. 597 3 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Subsistindo o lançamento principal, na seara do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica, igual sorte colhe o lançamento que tenha sido formalizado em legislação que toma por empréstimo a sistemática de apuração daquele. O Embargante sustenta que o julgado incorreu em omissão, obscuridade, contradição e inovação, tendo apresentado as seguintes razões, em síntese: no acórdão não consta a declaração de voto do titular do “voto de qualidade”, que foi determinante para a decisão embargada. O Presidente do colegiado acompanhou o Relator pelas conclusões, deixando, contudo, de consignar os respectivos fundamentos. A faculdade de apresentar declaração de voto não se aplicaria “...quando o voto ‘pelas conclusões’ é proferido pelo titular do ‘voto de qualidade’. Pois, nesse caso, a decisão ficaria desprovida da necessária ‘motivação’”; ao mencionar a inexistência de erro no critério jurídico do lançamento, o Relator incorrera em obscuridade e omissão; a menção à palavra “benefício” revelaria ambigüidade e omissão. “Pois, se a Defesa dedicou espaço e tempo preponderantes para demonstrar que o defeito do lançamento decorreu do fato de a Fiscalização ignorar, por desconhecimento, engano ou conveniência, que existem dois tipos de benefícios bancados com recursos da CCC, era de se esperar que o Relator viesse a se manifestar em prol de um ou de outro tipo, para, em seguida, revelar as circunstâncias capazes de justificar o tratamento fiscal dispensado ao tipo por ele endossado. 30. Mas o Relator, valendose da mesma redação ambígua adotada pela Fiscalização, optou por referir se a ‘benefício’, no singular, para contornar as argüições da Defesa. 31. Ora, num contexto em que o Relator sabe que os reembolsos recebidos referemse a ‘benefício’ bancado com recursos da CCC, é indispensável que ele, Relator, venha a esclarecer em qual dos dois tipos de benefícios previstos na legislação que regula a CCC, enquadrase o ‘benefício’ ao qual se refere no trecho do voto que foi transcrito no item 20 desta Petição [...]. Assim, a omissão do Relator em citar, logo no início da análise de mérito, que o ‘benefício’ tinha relação com as Resoluções 245/99 e 784/2002, compromete a compreensão dos demais conselheiros sobre o efetivo teor do contencioso”; haveria obscuridade no seguinte parágrafo do acórdão: “Se remanescer concluso que sequer de receita se trata, mas sim de subvenção, e especificamente aquela destinada para investimentos e desde que cumpridos os requisitos, isto implicará no decreto de improcedência do lançamento por incidência de norma de isenção tributária, questão que supera o fundamento esposado pelo lançamento, mas não por suposto erro de critério.”. Ao vincular a conclusão de que inexistência de erro de critério a aspectos não levantados pela fiscalização, o Relator teria inovado o feito; o fato de o Relator não ter entendido as razões da defesa ou não as ter examinado bem, quando considerada a síntese por ele elaborada (“A primeira linha das razões recursais, exaustivamente dissertada na petição complementar, encontrase no sentido de que a receita da Conta de Consumo de Combustíveis (CCC) caracteriza subvenção para investimentos e, como tal, fora do alcance da tributação”), revelaria o vício da omissão; a afirmação de que “Regra geral as subvenções têm natureza de receitas e são, de ordinário, tributáveis, tanto que foram classificadas...”, tratarseia de generalização sem amparo legal levaria a conclusão pela existência de obscuridade do acórdão; Fl. 597DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13227.720066/200791 Acórdão n.º 1103001.041 S1C1T3 Fl. 598 4 “...tendo em vista que o lançamento não foi efetuado sob o fundamento de que, no regime do lucro presumido, as subvenções para investimento devem ser adicionadas à base de cálculo, constatase, no caso, inovação do feito por parte do Relator”; a tese partilhada pelo Relator não se coadunaria com o entendimento da Secretaria da Receita Federal do Brasil, em especial em seu manual “Perguntas e Respostas”; “...Nos quatro últimos parágrafos da fl.551 e nos três primeiros da fl.552, o Relator argumenta que, pelo fato de não ter havido escrituração dos reembolsos em reserva de capital e pelo fato de ter havido distribuição de lucros, o numerário entregue à empresa não caracteriza subvenção para investimento. Tratase de inovação do feito, visto que esses aspectos não foram tomados como motivo do lançamento; sequer foram cogitados no procedimento fiscal”; mereceria reparos a descaracterização, pelo Relator, da subvenção para investimento em razão da inobservância dos requisitos previstos no art.38, §2º, do Decretolei 1.598. Os embargos de declaração foram distribuídos com base no art.65, §2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (“O presidente da Turma poderá designar conselheiro para se pronunciar sobre a admissibilidade dos embargos de declaração”). É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo Martins Neiva Monteiro, Relator. Do juízo de admissibilidade Os embargos de declaração são tempestivos, considerandose a ciência do acórdão recorrido em 4/4/12 (fl.585) e o protocolo em 9/4/12 (fl.560). Nos termos do Regimento Interno do CARF (Anexo II), os embargos de declaração são cabíveis para sanar obscuridade, omissão ou contradição existentes no acórdão: Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. Como relatado, o Embargante sustenta a ocorrência de omissão, obscuridade, contradição e inovação no acórdão embargado. Inicialmente, quanto à alegação de que a formalização de declaração de voto pelo Presidente do colegiado seria necessária em razão de seu voto ter sido decisivo na resolução da controvérsia, é desprovida de amparo legal. O Decreto nº 70.235, de 6/3/72, dispõe que “O julgamento no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais farseá conforme dispuser o regimento interno” (art.37). Por sua vez, o Anexo II do Regimento Interno do CARF dispõe: Fl. 598DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13227.720066/200791 Acórdão n.º 1103001.041 S1C1T3 Fl. 599 5 Art. 54. As turmas ordinárias e especiais só deliberarão quando presente a maioria de seus membros, e suas deliberações serão tomadas por maioria simples, cabendo ao presidente, além do voto ordinário, o de qualidade. ..... Art. 63. As decisões dos colegiados, em forma de acórdão ou resolução, serão assinadas pelo presidente, pelo relator, pelo redator designado ou por conselheiro que fizer declaração de voto, devendo constar, ainda, o nome dos conselheiros presentes e dos ausentes, especificandose, se houver, os conselheiros vencidos e a matéria em que o foram, e os impedidos. ..... § 7° As declarações de voto somente integrarão o acórdão ou resolução quando formalizadas no prazo de 15 (quinze) dias do julgamento. § 8° Descumprido o prazo previsto no § 7°, considerase não formulada a declaração de voto. § 9º Na hipótese em que a maioria dos conselheiros acolher apenas a conclusão do voto do relator, caberá ao relator reproduzir, no voto e na ementa do acórdão, os fundamentos adotados pela maioria dos conselheiros. Notase, portanto, que não há obrigatoriedade de o acórdão estar acompanhado de declaração de voto, ainda que Conselheiro mencione em plenário a intenção de formalizála. Além disso, somente nos casos em que a maioria dos Conselheiros acompanharem o Relator pelas conclusões é que necessariamente os fundamentos por ela adotados devem constar da ementa e respectivo voto condutor. No caso concreto, nem o Presidente da Turma manifestou a intenção de declarar voto, tampouco a maioria acompanhou pelas conclusões o voto do Relator, Cons. José Sérgio Gomes, como se verifica do que restou decidido na ocasião, in verbis: “ Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, pelo voto de qualidade, NEGAR provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Marcos Shigueo Takata, Eric Moraes de Castro e Silva e Hugo Correia Sotero. O Conselheiro Aloysio José Percíncio da Silva acompanhou o relator pelas conclusões.” Quanto aos demais argumentos trazidos pelo Embargante, não revelam qualquer omissão, obscuridade ou contradição, como se pode notar do voto condutor, mas mero intuito de se rediscutir a matéria, o que, como sabido por todos, não é possível por meio da estreita via dos embargos de declaração. Na realidade, rebate quase a maioria dos parágrafos do voto e ato contínuo apresenta a interpretação que lhe pareceu ser a adequada à resolução da controvérsia. Passase à reprodução, na íntegra, do tão combatido voto condutor do acórdão embargado, para demonstrar aos demais Conselheiros que na espécie não estão presentes os pressupostos de admissibilidade dos aclaratórios: “Quanto ao mérito, inexiste o invocado erro no critério jurídico do lançamento uma vez que este, ao contrário do asseverado Fl. 599DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13227.720066/200791 Acórdão n.º 1103001.041 S1C1T3 Fl. 600 6 pela Recorrente, não desvirtuou a natureza dos fatos pela transmutação de ‘subvenções para investimento’ em ‘subvenções para custeio’. Na imputação do ilícito fiscal levado a cabo pela autoridade lançadora não há uma menção ou linha sequer neste sentido e sim, tão somente, que o ‘benefício’ referente ao recebimento da conta CCC, à luz dos artigos 521 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR), aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, integra o rol das receitas que não comportam presunção de lucro. Se remanescer concluso que sequer de receita se trata, mas sim de subvenção, e especificamente aquela destinada para investimentos e desde que cumpridos os requisitos, isto implicará no decreto de improcedência do lançamento por incidência de norma de isenção tributária, questão que supera o fundamento esposado pelo lançamento, mas não por suposto erro de critério. Passo seguinte, impõese registrar que a apuração do lucro, base que serve ao cálculo do imposto de renda das pessoas jurídicas, operase em regra geral pelo regime denominado lucro real, o qual tem por diretriz nuclear a existência de regular contabilidade mercantil e demonstrações financeiras donde se extrai o lucro contábil do período considerado. Desta feita, aparelhada com escrituração de livros fiscais, em especial o Livro de Apuração do Lucro Real – LALUR, no qual são lançados os ajustes de direito, sejam adições ou exclusões assim determinadas ou permitidas pela lei fiscal, resulta naquela base tributável (Decretolei nº 5.844, de 23 de setembro de 1973, artigo 43). As empresas, por sua livre opção, e desde que não enquadradas em situações especiais cuja apuração pelo regime do lucro real seja obrigatória, podem oferecer seus resultados à tributação pelo regime do lucro presumido, favorecendose assim com a dispensa de todos os rígidos, complexos e dispendiosos controles contábeis, obrigandose, em contrapartida, a escriturar apenas o Livro Caixa em que fique registrada toda a movimentação financeira, inclusive bancária e o Livro Registro de Inventário indicando os estoques existentes no término do anocalendário, como também, a manter os documentos relativos a esses lançamentos, além de reter o imposto na fonte sobre pagamentos e créditos efetuados e cumprirem obrigações acessórias (Lei nº 6.468, de 1º de novembro de 1977, artigo 1º e Parecer Normativo SRF/CST nº 552, de 1970). Por este sistema de tributação simplificada o lucro é obtido pela somatória de duas parcelas distintas: a) dos valores obtidos mediante a aplicação de percentuais de presunção de lucro sobre a receita bruta da atividade de vendas e de serviços, assim compreendida como o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado nas operações de conta alheia, excluídas as vendas canceladas, as devoluções de vendas e os descontos incondicionais concedidos e b) dos valores afetos a demais receitas, isto é, recebidos e não inclusos no conceito de receita bruta da atividade de vendas e serviços. Fl. 600DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13227.720066/200791 Acórdão n.º 1103001.041 S1C1T3 Fl. 601 7 Este litígio cingese na apuração da natureza jurídica da parcela afeta a ingressos contabilizados a título de ‘Receitas com Reembolso de CC’, sobre a qual a contribuinte aplicou percentual de presunção de lucro de oito por cento ao pressuposto de se tratar de receita da atividade de produção e comercialização de energia elétrica e num segundo momento passou a esposar tese de que sequer tributável é o rendimento, enquanto o entendimento do Fisco, abrigado pela r. decisão recorrida, foi da impossibilidade de apuração de presunção e, assim, pela adição de todo o montante auferido (100% cem por cento) à base tributável. A primeira linha das razões recursais, exaustivamente dissertada na petição complementar, encontrase no sentido de que a receita da Conta de Consumo de Combustíveis (CCC) caracteriza subvenção para investimentos e, como tal, fora do alcance da tributação. Regra geral as subvenções têm natureza de receitas e são, de ordinário, tributáveis, tanto que foram classificadas pela legislação do Imposto de Renda como ‘Outros Resultados Operacionais’ na modalidade subvenção correntes para custeio ou operação (artigo 392 do RIR/99), ou como ‘Resultados não Operacionais’ na modalidade subvenção para investimento de que fala o artigo 443 do RIR/99. As primeiras são sempre tributáveis, as segundas também são tributáveis, mas poderão não o ser, desde que atendidas certas condições impostas pela lei, vejase: ‘Art. 392. Serão computadas na determinação do lucro operacional: I as subvenções correntes para custeio ou operação, recebidas de pessoas jurídicas de direito público ou privado, ou de pessoas naturais (Lei No 4.506, de 1964, art. 44, inciso IV); II as recuperações ou devoluções de custos, deduções ou provisões, quando dedutíveis (Lei No 4.506, de 1964, art. 44, inciso III); III as importâncias levantadas das contas vinculadas a que se refere a legislação do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (Lei No 8.036, de 1990, art. 29). .............................................................................................. ‘Art. 443. Não serão computadas na determinação do lucro real as subvenções para investimento, inclusive mediante isenção ou redução de impostos concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos, e as doações, feitas pelo Poder Público, desde que (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 38, §2º, e DecretoLei nº 1.730, de 1979, art. 1º, inciso VIII): I registradas como reserva de capital que somente poderá ser utilizada para absorver prejuízos ou ser Fl. 601DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13227.720066/200791 Acórdão n.º 1103001.041 S1C1T3 Fl. 602 8 incorporada ao capital social, observado o disposto no art. 545 e seus parágrafos; ou II feitas em cumprimento de obrigação de garantir a exatidão do balanço do contribuinte e utilizadas para absorver superveniências passivas ou insuficiências ativas.’ Negritos acrescidos Assim, na determinação do lucro real a norma exclui, sob certas condições, as subvenções para investimento e as doações feitas pelo Poder Público. Partilho da tese de que a classificação das subvenções, se de custeio ou investimento, só tem importância quando relacionada ao regime de tributação do lucro real, o qual, como cediço, resulta da contraposição de toda sorte de receitas com os custos e despesas incorridos na percepção daquelas e, notadamente, porque requisita a escrituração de todos os livros e demonstrações contábeis previstos na legislação mercantil e fiscal (contabilidade completa). Aqui, contudo, houve a livre opção pelo regime do lucro presumido, descabendo cogitar a tomada de empréstimo de conceitos inerentes ao regime geral, muito menos as qualificadoras. Noutras palavras: subvenções para investimentos não são tributadas no regime do lucro real (desde que atendidas as condições impostas), enquanto no lucro presumido são adicionadas integralmente na base de cálculo. Uma vez exercido o direito de escolha é de se pressupor que a contribuinte tenha sopesado as facilidades e ganhos propiciados por cada um dos regimes, quer na questão do desencargo das obrigações secundárias, mormente a estruturação contábil, seja na principal, a própria carga tributária. Assim, mesmo que de subvenções para investimento se tratasse, não se pode perder de vista que a regra de tributação pelo lucro presumido é de exceção, como já se afirmou, implicando redução da base de cálculo, tanto que nem todas as empresas podem dela usufruir. Para as normas dessa índole existe prescrição específica no Código Tributário Nacional (Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, artigo 111) obrigando a utilização da interpretação literal, ou seja, com observância dos limites impostos pela investigação sintática. Em função disso, não é possível estender a redução estabelecida por esses atos a regimes de tributação não compreendidos em seu texto, como o lucro presumido. E não é só. Ainda que a contribuinte estivesse sob o regime do lucro real, ou mesmo que se admita, como possam entender alguns, que a isenção tributária de aporte financeiro compreendido no conceito de subvenção para investimento independe do regime de tributação adotado pela pessoa jurídica, é de bem ver que, no presente caso, o numerário entregue pelo administrador da CCC (Eletrobrás) não caracteriza subvenção para investimento na medida em que sequer registrado em conta de reserva de capital, Fl. 602DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13227.720066/200791 Acórdão n.º 1103001.041 S1C1T3 Fl. 603 9 condição sine qua non trazida pelo inciso I do artigo 443 do RIR/99, já transcrito. Com efeito, o legislador impôs a escrituração em conta de reserva de capital para que a única destinação desse numerário fosse a absorção de prejuízos ou a destinação ao próprio capital social, cerrando de todo, assim, as possibilidades de incorporação no capital de giro e conseqüente distribuição. A contribuinte assim não procedeu, ao contrário, lançou os aportes financeiros diretamente à conta de resultado (receitas não operacionais), consoante Demonstrações do Resultado do Exercício (DRE) de 31/12/2002, 31/12/2003 e 31/12/2004 (fls. 291, 301 e 313), do que resultou a geração de lucros nesses exercícios, igualmente indicados nessas demonstrações. E referidos lucros vieram a ser distribuídos aos sócios, consoante respectivas declarações de informações econômico fiscais (DIPJs) de fls. 38/39, 74/75 e 112/113, nada obstante a parcial capitalização de fl. 192. Enfim, no período objeto das autuação, qual seja, do quarto trimestre civil de 2002 ao quarto trimestre civil de 2004, a contribuinte auferiu lucros na ordem de R$ 19.967.042,72 e os distribuiu, inclusive em monta maior, na importância de R$22.036.395,45, situação que não se desnatura com o aumento do capital social feito em data de 23 de junho de 2004, já que os R$5.900.461,00 utilizados para dita capitalização tem origem na conta de lucros acumulados do período de 1995 e seguintes. Portanto, ainda que a ciência contábil, em tese, dispusesse ou disponha de meios de retificação dos registros contábeis para fins de reversão das cifras, para dizer que aquilo que era receita agora é capital reservado, remanesceria intransponível o fato de que ditos aportes foram distribuídos sob o vestuário de lucro, ferindo de morte a pretensão isentiva. Não se perca de vista, por fim, que os lucros contábeis apontados nas DREs, embora constituam ponto de partida da base de cálculo do IRPJ e CSLL devidos pelo regime do lucro real, não serviram a estes tributos em vista da opção pelo regime diferenciado do lucro presumido. A segunda frente da defesa, a propósito não apresentada à autoridade julgadora de primeira instância, inaugura discussão de que a dito reembolso possui natureza de custos recuperados, de sorte a atrair a excludente inserta no § 3º do artigo 521 do RIR/99. Referido preceptivo possui a seguinte dicção: ‘Art. 521. Os ganhos de capital, os rendimentos e ganhos líquidos auferidos em aplicações financeiras, as demais receitas e os resultados positivos decorrentes de receitas não abrangidas pelo art. 519, serão acrescidos à base de cálculo de que trata este Subtítulo, para efeito de incidência do imposto e do adicional, observado o disposto nos arts. 239 e 240 e no § 3º do art. 243, quando for o caso (Lei nº 9.430, de 1996, art. 25, inciso II). Fl. 603DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13227.720066/200791 Acórdão n.º 1103001.041 S1C1T3 Fl. 604 10 .............................................................................................. § 3º Os valores recuperados, correspondentes a custos e despesas, inclusive com perdas no recebimento de créditos, deverão ser adicionados ao lucro presumido para determinação do imposto, salvo se o contribuinte comprovar não os ter deduzido em período anterior no qual tenha se submetido ao regime de tributação com base no lucro real ou que se refiram a período no qual tenha se submetido ao regime de tributação com base no lucro presumido ou arbitrado (Lei nº 9.430, de 1996, art.53). ...........................................................................................’ A Recorrente assevera que sempre optou pelo regime simplificado do lucro presumido, daí seu entendimento que os custos ou despesas recuperados não devem ser ofertados à tributação. Evidentemente que só se recupera um custo ou uma despesa que detinha, originariamente, esta qualidade. A aferição dessa premissa realizase, no plano contábil, mediante comprovação do lançamento a tanto destinado, sem prejuízo, no plano tributário, da observância do limite legal: só poderão reduzir a base de cálculo (lucro) os custos e despesas usuais, normais e necessárias no tipo de transações, operações ou atividades da empresa. Em suma: um custo ou despesa regularmente contabilizado como tal, seguido de posterior registro contábil de inversão. Dessa forma, a tese recursal assumiria feição de plausibilidade se a contribuinte apresentasse efetiva comprovação de que, para a percepção dos recursos junto a Eletrobrás, pagou ou incorreu em custos/despesas intrinsicamente relacionados. Ademais, a própria Recorrente admite que sequer adquire combustíveis fósseis (carvão e derivados de petróleo) para a produção de energia elétrica (geração termelétrica) e que recebe o reembolso em forma de benefício pela geração de energia limpa e como prêmio pelos danos que deixa de causar à natureza. Onde, então, a despesa? Tendo em vista o art. 2º da Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988, que determina que a base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido das pessoas jurídicas – CSLL é o valor do resultado do exercício, antes da provisão para o imposto de renda, as conclusões acima são válidas também para esta.” A simples leitura do voto informa que inexiste omissão, obscuridade ou contradição no acórdão, tendo as questões de fato e de direito sido enfrentadas no voto do Relator. Diante da alegação de inovação, acrescentese que os Conselheiros não se prendem a uma espécie de “camisa de força”, que lhes permitiria apenas se moverem no espaço delimitado pela narrativa da fiscalização ou pelos fundamentos da decisão de primeira Fl. 604DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13227.720066/200791 Acórdão n.º 1103001.041 S1C1T3 Fl. 605 11 instância. A defesa, ao apresentar os argumentos que lhe pareceram suficientes para infirmar as conclusões fiscais, obrigou o colegiado, ao analisar o caso em sua complexidade, a debruçarse necessariamente sobre os fatos e argumentos jurídicos suscitados, relacionados à situação sob análise, vinculados à fundamentação dos autos de infração, ainda que não ventilados em sua totalidade pelas autoridades fiscais. A prevalecer a tese do Embargante, os julgados do CARF estariam contaminados pelo suposto vício da inovação sempre que os seus membros apreciassem alegações de defesa não vinculadas diretamente com a descrição dos fatos e indicação dos fundamentos legais realizadas pela fiscalização. Por óbvio, o que é vedado em sede de julgamento é o total distanciamento das razões da autuação de sorte que, ao final, os lançamentos sustentemse em fundamentos estranhos aos autos, o que resultaria na nulidade do próprio acórdão. Contudo, isso não ocorreu! Na verdade, o acórdão embargado está em consonância com os fundamentos de fato e de direito adotados pela fiscalização, ainda que, para o contribuinte, tenha trazido abordagem distinta quanto a determinados pontos. Como visto acima, muito em razão das alegações de defesa veiculadas. Para cotejo com o supracitado voto, vale, finalmente, expor algumas passagens do Termo de Constatação e Verificação Fiscal (fls.320/326) para que, de uma vez por todas, demonstrese não ter havido inovação. In verbis: “[...] Continuando a análise dos livros contábeis, verificouse que o contribuinte utilizou o percentual de 8%, quando do cálculo do Lucro Presumido, para receitas contabilizadas como NãoOperacionais, cuja conta chamase: Receitas com Reembolso de CC. De posse dos livros contábeis relativos aos anos de 2002 e 2004, pois já haviam sido solicitados durante a fiscalização da contribuinte Darcila Terezinha Cassol (CPF: 204.621.58268) (fl.205 a 210), foi constatado que o contribuinte realizou os mesmos procedimentos no cálculo do lucro presumido. 8 – Em 20/06/2007, foi lavrado o Termo de Intimação nº S002/2007 solicitando que o contribuinte apresentasse documentação hábil e idônea comprobatória das receitas, durante o ano de 2003, relativas a reembolsos decorrentes de ‘créditos de carbono’ e venda de energia para as Centrais Elétricas de Rondônia S/A – CERON (fls.211 a 213); 9 – Em carta datada de 27/06/2007, o contribuinte em resposta ao Termo de Intimação nº S002/2007 informou que não recebeu nenhum valor de Crédito de Carbono e que, na verdade, houve recebimento da Conta de Consumo de Combustível – CCC. Foram enviadas cópias das resoluções da ANEEL (fls.214 a 226). 10 – Dessa forma, em 21/08/2007, foi lavrado o Termo de Intimação nº S004/2007 (fls.227/228) solicitando que o contribuinte apresentasse documentação hábil e idônea comprobatória das receitas, durante o ano de 2003, relativas a recebimentos da Conta de Consumo de Combustível – CCC e venda de energia para as Centrais Elétricas de Rondônia S/A – Fl. 605DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13227.720066/200791 Acórdão n.º 1103001.041 S1C1T3 Fl. 606 12 CERON. A ciência ocorreu por via postal mediante aviso de recebimento (AR) em 22/08/2007 (fls.229). 11 – Em 06/09/2007, o contribuinte em resposta ao Termo de Intimação Fiscal nº S004/2007 apresentou os recibos relativos a venda de energia elétrica para as Centrais Elétricas de Rondônia S/A – CERON, além dos recibos relativos aos recebimentos da Conta de Consumo de Combustíveis Fósseis – CCC (fls.230/288). ..... De acordo com as resoluções da ANEEL nº 245/1999 e 784/2002 (fls.214/226), ficou caracterizado que as receitas provenientes da Conta de Consumo de Combustíveis – CCC tratamse de fato de um benefício, conforme transcrição a seguir de trechos da Resolução ANEEL nº 245/1999 (fls.217/218): ..... Diante dos fatos relatados anteriormente, verificouse que o contribuinte utilizou o benefício referente a recebimento da Conta de Consumo de Combustível – CCC, que se trata de uma receita nãooperacional (conforme escriturado nos próprios livros contábeis do contribuinte, fls.291, 301 e 313), como se a mesma fosse uma Receita Bruta e, conseqüentemente, aplicou indevidamente a alíquota de 8% sobre essas receitas para o cálculo do Lucro Presumido. Na verdade, esses valores deveriam ser considerados como ‘demais receitas’, conforme art.521 do RIR/99. O procedimento correto seria adicionar essas receitas diretamente à Base de Cálculo para apuração dos tributos devidos.” Acrescentese, conforme assentado por este colegiado (acórdão nº 1103 000.816, de 05/03/2013, Rel. Cons. Aloysio José Percínio da Silva), com esteio em pacífica jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, que não há necessidade de a decisão cuidar de forma individualizada de cada um dos argumentos das partes, bastando que esteja suficientemente fundamentada. Neste sentido, a título exemplificativo, podem ser mencionadas os seguintes acórdãos proferidos por aquela Corte superior: “PROCESSUAL CIVIL. INEXISTÊNCIA DE VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO DOS DISPOSITIVOS DE LEI INVOCADOS. SÚMULA 211/STJ. 1. Não viola o art. 535 do CPC, nem importa negativa de prestação jurisdicional, o acórdão que, mesmo sem ter examinado individualmente cada um dos argumentos trazidos pelo vencido, adotou, entretanto, fundamentação suficiente para decidir de modo integral a controvérsia [...]”. (STJ, Segunda Turma, AgRg no Resp 1356027/BA, de 19/03/12, DJe 26/03/13, Rel. Min. Humberto Martins) “PROCESSUAL PENAL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO EM RECURSO ESPECIAL. ART. 619 DO CPP. OMISSÃO E CONTRADIÇÃO NÃO CONFIGURADA. ACÓRDÃO EMBARGADO. FUNDAMENTAÇÃO SUFICIENTE. REEXAME DA CONTROVÉRSIA. INFRINGÊNCIA DO JULGADO. IMPOSSIBILIDADE. OBSCURIDADE CONFIGURADA. FUNDAMENTAÇÃO EMPREGADA PELA TURMA PARA Fl. 606DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13227.720066/200791 Acórdão n.º 1103001.041 S1C1T3 Fl. 607 13 RECHAÇAR ALEGADA OFENSA AOS ARTS. 261, 263 E 564, III, "C”, DO CPP. ESCLARECIMENTO SUFICIENTE. DESNECESSIDADE DE MODIFICAÇÃO DA PARTE DISPOSITIVA DO JULGADO. [...] 3. A motivação contrária ao interesse da parte ou mesmo omissa em relação a pontos considerados irrelevantes pelo decisum, não autoriza o acolhimento dos embargos declaratórios, além do que o órgão julgador não está obrigado a se pronunciar acerca de todo e qualquer ponto suscitado pelos litigantes, mas apenas sobre aqueles considerados suficientes para fundamentar sua decisão, como ocorrera in casu [...]” (STJ, Sexta Turma, Edcl no Resp 1183134/SP, de 07/05/13, DJe 15/05/13, Rel. Min. Alderita Ramos de Oliveira) “PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO RECURSO ESPECIAL. RECURSO INTEGRATIVO RECEBIDO COMO AGRAVO REGIMENTAL. AÇÃO DE REINTEGRAÇÃO DE POSSE MOVIDA PELA INFRAERO. USO DE ÁREA AEROPORTUÁRIA. ACÓRDÃO RECORRIDO QUE SE APÓIA NA FUNDAMENTAÇÃO DA SENTENÇA. POSSIBILIDADE. PRETENSÃO RECURSAL QUE ENCONTRA ÓBICE NAS SÚMULAS N. 5, N. 7 E N. 211 DO STJ. [...] 3. Não há violação do art. 535 do CPC, quando o Tribunal de origem julga a matéria, de forma clara, coerente e fundamentada, pronunciandose, suficientemente, sobre os pontos que entendeu relevantes para a solução da controvérsia [...]” (STJ, Primeira Turma, Edcl no Resp 1269355, de 18/09/12, DJe 24/09/12, Rel. Min. Benedito Gonçalves) “AGRAVO REGIMENTAL. RECURSO ESPECIAL. EXCEÇÃO DE PREEXECUTIVIDADE. ALEGAÇÃO DE VIOLAÇÃO DO ARTIGO 535 DO CPC. INEXISTÊNCIA. NÃO PREQUESTIONAMENTO. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO DO FUNDAMENTO DO ACÓRDÃO QUE AFASTOU A PRESCRIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE EXAME DOS PRESSUPOSTOS AUTORIZADORES DA EXCEÇÃO DE PREEXECUTIVIDADE. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 7/STJ. ACÓRDÃO ALINHADO À JURISPRUDÊNCIA DESTA CORTE. AGRAVO REGIMENTAL NÃO PROVIDO. APLICAÇÃO DE MULTA. 1. O julgador, no exame das lides que lhe são submetidas, não está obrigado a responder questionários jurídicos elaborados pelas partes e nem a discorrer sobre todos os dispositivos legais por elas invocados. É de sua obrigação, ao examinar os contornos da lide controvertida, apresentar os fundamentos fáticos e jurídicos em que apoia suas convicções para decidir [...]” (STJ, Quarta Turma, AgRg no Aresp 180224/RJ, de 16/10/12, DJe 23/10/12, Rel. Min. Luis Felipe Salomão). PROCESSO CIVIL EMBARGOS DE DECLARAÇÃO INEXISTÊNCIA DE OMISSÃO. 1. Prestação jurisdicional devidamente entregue, eis que o Tribunal não está obrigado a responder questionários formulados pelas partes. 2. Embargos de declaração rejeitados. (STJ, Primeira Seção, Edcl na Ação Rescisória nº 770/DF, de 09/06/04, DJ 02/08/04, Rel. Min. Eliana Calmon). Fl. 607DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13227.720066/200791 Acórdão n.º 1103001.041 S1C1T3 Fl. 608 14 Pelo exposto, ausentes os pressupostos de admissibilidade, os embargos de declaração não podem ser admitidos. Por todo o exposto, voto no sentido de REJEITAR os embargos de declaração. (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro Fl. 608DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
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Numero do processo: 10630.720368/2007-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 08 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jul 02 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2002, 2003
DIREITO DE SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSABILIDADE PESSOAL. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado.
FISCALIZAÇÃO. ACESSO A INFORMAÇÕES FINANCEIRAS NA POSSE DE INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. LEI COMPLEMENTAR 105, DE 2001. DESNECESSIDADE DE AUTORIZAÇÃO JUDICIAL.
A Autoridade Tributária pode, com base na LC nº 105, de 2001, à vista de procedimento fiscal instaurado e presente a indispensabilidade do exame de informações relativas a terceiros, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas, solicitar destas referidas informações, prescindindo-se da intervenção do Poder Judiciário.
QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. REQUISIÇÃO DE EXTRATOS E DADOS BANCÁRIOS DIRETO PELA RFB. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE INCOMPETÊNCIA DO CARF. SÚMULA 2.
O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, órgão integrante da estrutura administrativa da União, não é competente para enfrentar argüições acerca de inconstitucionalidade de lei tributária.
LUCRO ARBITRADO - O fato de o contribuinte deixar de apresentar documentos fiscais e contábeis, ao ser regularmente intimado, enseja o arbitramento do lucro.
LANÇAMENTOS REFLEXOS - PIS, COFINS E CSL
Aplica-se aos lançamentos de PIS, COFINS e CSL os mesmos reflexos da decisão dada ao IRPJ por terem o mesmo suporte fático que os originou.
Recurso Voluntário Desprovido.
Numero da decisão: 1402-001.626
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausente justificadamente o Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar. Participou do julgamento o Conselheiro Carlos Mozart Barreto Vianna.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto Presidente
(assinado digitalmente)
Carlos Pelá - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Carlos Mozart Barreto Vianna, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez. e Carlos Pelá.
Nome do relator: CARLOS PELA
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Recorrida 1ª Turma da DRJ/Juiz de Fora ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002, 2003 DIREITO DE SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSABILIDADE PESSOAL. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. FISCALIZAÇÃO. ACESSO A INFORMAÇÕES FINANCEIRAS NA POSSE DE INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. LEI COMPLEMENTAR 105, DE 2001. DESNECESSIDADE DE AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. A Autoridade Tributária pode, com base na LC nº 105, de 2001, à vista de procedimento fiscal instaurado e presente a indispensabilidade do exame de informações relativas a terceiros, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas, solicitar destas referidas informações, prescindindose da intervenção do Poder Judiciário. QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. REQUISIÇÃO DE EXTRATOS E DADOS BANCÁRIOS DIRETO PELA RFB. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE INCOMPETÊNCIA DO CARF. SÚMULA 2. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, órgão integrante da estrutura administrativa da União, não é competente para enfrentar argüições acerca de inconstitucionalidade de lei tributária. LUCRO ARBITRADO O fato de o contribuinte deixar de apresentar documentos fiscais e contábeis, ao ser regularmente intimado, enseja o arbitramento do lucro. LANÇAMENTOS REFLEXOS PIS, COFINS E CSL Aplicase aos lançamentos de PIS, COFINS e CSL os mesmos reflexos da decisão dada ao IRPJ por terem o mesmo suporte fático que os originou. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 63 0. 72 03 68 /2 00 7- 18 Fl. 661DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10630.720368/200718 Acórdão n.º 1402001.626 S1C4T2 Fl. 3 2 Recurso Voluntário Desprovido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausente justificadamente o Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar. Participou do julgamento o Conselheiro Carlos Mozart Barreto Vianna. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto – Presidente (assinado digitalmente) Carlos Pelá Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Carlos Mozart Barreto Vianna, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez. e Carlos Pelá. Relatório Trata o presente processo de cobrança de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS dos anoscalendário 2002 e 2003, cumulados com juros e multa qualificada (150%), no qual a fiscalização apurou esses tributos com base no lucro arbitrado, inciso III do art. 530 do RIR/99, em razão da omissão de receitas apurada e de não ter a empresa apresentado os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o livro Caixa. O procedimento fiscal teve início nas pessoas físicas Marcos Antônio Vieira e Alysson Silva Rosa, haja vista as informações constantes dos arquivos da Receita Federal do Brasil no sentido de que tais pessoas haviam movimentado vultosas quantias, incompatíveis com os valores por elas declarados à Receita Federal. Iniciada a fiscalização, uma vez que (i) os titulares das contas bancárias (Srs. Alysson Silva Rosa e Marcos Antônio Vieira) afirmavam não serem os reais responsáveis pelos valores movimentados e não sabiam justificar a origem dos recursos, e (ii) deixaram de atender de forma completa o Termo de Início de Fiscalização reiterado na intimação de 21/02/2006, com relação ao fornecimento de documentos bancários e comprovação da origem dos recursos, a fiscalização requisitou as informações faltantes a respeito das movimentações financeiras (extratos, cópias de cheques, contrato de abertura de conta corrente, cartões de autógrafo, fichas cadastrais, etc) diretamente às instituições financeiras. Fl. 662DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10630.720368/200718 Acórdão n.º 1402001.626 S1C4T2 Fl. 4 3 No curso da ação fiscal, apurouse que a contribuinte Ibituruna Turismo Ltda., sob a administração de seu sócio de fato Sr. Edyr Cordeiro de Paula Silva, realizou atos de comércio consubstanciados em operações de câmbio (compra e venda de dólares) na Av. Minas Gerais, nº. 228, Bairro Centro, em Governador Valadares – MG e que, para acobertar tais práticas, a empresa utilizouse de contas bancárias de interpostas pessoas (Srs. Alysson Silva Rosa e Marcos Antônio Vieira), ligadas por vínculo empregatício a seu sócio de fato. Ressaltese, que a Ibituruna não havia declarado quaisquer valores ou efetuado qualquer recolhimento à Receita Federal do Brasil nos anoscalendário fiscalizados. Diante disso, a Ibituruna foi notificada do MPF nº. 06103.002007002453 e do Termo de Início de Ação Fiscal em 25/09/2007, através do qual foi intimada a apresentar, dentre outro elementos, os livros e documentos de sua escrituração, os documentos comprobatórios das suas operações de câmbio e a origem dos recursos movimentados nas contas bancárias de titularidade do Sr. Alysson Silva Rosa e Marcos Antônio Vieira. Intimada na pessoa jurídica de seu sócio titular (Alysson Silva Rosa, consoante 2ª alteração contratual, que afirmava ser apenas interposta pessoa), contador e sócio de fato (Sr. Edyr), não apresentou seus livros e documentos contábeis ou esclareceu acerca da origem dos depósitos efetuados nas contas bancárias de titularidade dos Srs. Alysson Silva Rosa e Marcos Antônio Vieira, razão pela qual tais valores foram considerados receita omitida da empresa, aplicandose, ainda, a multa de 150% nos termos do inc. II do art. 44 da Lei nº 9.430/96. Conforme Termo de Verificação Fiscal, às fls. 41/101, e Termo de Intimação, às fls. 264/265, com fundamento nos arts. 121, inciso, I, 124, inciso I, e 135, incisos II e III , do CTN, foi arrolado como responsável pelo crédito tributário lançado de oficio o sócio de fato Sr. Edyr Cordeiro de Paula Silva, CPF 409.636.32434. Adoto o relatório proferido pela 1ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Juiz de Fora/MG (fls. 581/596), na parte que esclarece sobre a impugnação apresentada pelo sujeito passivo solidário: Cientificados a empresa contribuinte e o responsável, somente esse último apresentou defesa, às fls, 271/301, com juntada de documentos às fls. 302/573, na qual pediu: " ... pede a esta colenda Delegaciade Julgamento que: (i) seja reconhecida a insubsistência do Auto de Infração por vícios insanáveis, ante as preliminares de nulidade do lançamento suscitadas na presente defesa. quais sejam: (o) nulidade por ausência de intimação e (b) nulidade por excesso ilegal de prazo. para o julgar insubsistente e determinar seu arquivamento; ou (ii) no mérito, seja julgado totalmente procedente a presente a Impugnação e improcedente o Auto de Infração, em virtude: (a) da impossibilidade de equiparar os senhores Alysson e Marcos com pessoas jurídicas, (b) da ausência de provas da responsabilidade do contribuinte pelo lançamento contra a 'Ibituruna': (c) da responsabilidade dos senhores Alysson e Fl. 663DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10630.720368/200718 Acórdão n.º 1402001.626 S1C4T2 Fl. 5 4 Marcos pelo lançamento contra a 'Ibituruna', (d) pela ilegalidade tanto na quebra do sigilo bancário quanto (e) no uso dos dados bancários; e (f) pela inconstitucionalidade da quebra do sigilo.bancário. Requerimentos Requer provar o alegado por todos os meios de prova em direito admitidos na forma previsto no art. 16 III § 4° e art. 18 do Decreto 70.235, em especial a prova documental que ora apresenta e a produção de prova pericial e testemunhal. Requer, outrossim, seja utilizada como prova os documentos referidos pelo contribuinte relativos aos PAF: 10630 720.316/200733 'Datamicro Informática Ltda' e PAF 10630 720.364/200721 'AM Informática Ltda.', a teor do arfo 399 II do Código de Processo Civil a arts. 18 e 29 do Decreto 70.235. Requer, a teor do art. 16 e 33 do Decreto 70.235, seja o Advogado do contribuinte intimado pessoalmente da decisão a ser proferida por esse ilustre Delegacia de Julgamento, bem como dos demais atos a serem lavrados com a instauração do processo tributário administrativo.” Analisando a impugnação, a DRJ julgou procedente o lançamento, conforme ementa a seguir transcrita: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2002, 2003 LANÇAMENTO. NULIDADE. Está afastada a hipótese de nulidade quando o lançamento lavrado por autoridade competente, atende a todos requisitos formais e possibilita ao sujeito passivo o pleno exercício do direito de defesa. FASE PROCEDIMENTAL. CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA. O procedimento preparatório do ato de lançamento é atividade meramente fiscalizatória durante a qual não se aplica o contraditório ou a ampla defesa, pois não há ainda qualquer espécie de pretensão fiscal sendo exigida pela Fazenda Pública, tampouco litígio entre as partes. PROVAS. SIGILO BANCÁRIO. A utilização de informações de movimentação financeira obtidas regularmente pela autoridade fiscal não caracteriza violação de sigilo bancário. SUJEIÇÃO PASSIVA. SOLIDARIEDADE. RESPONSABILIDADE. Respondem solidariamente pelo crédito tributário as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Fl. 664DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10630.720368/200718 Acórdão n.º 1402001.626 S1C4T2 Fl. 6 5 Lançamento Procedente Inconformado com a decisão proferida pela DRJ, o responsável solidário protocolou recurso voluntário (fls. 608/620), alegando, em síntese, os mesmos argumentos de sua impugnação. É o Relatório. Voto Conselheiro CARLOS PELÁ, Relator Conheço do recurso por ser tempestivo, por atender aos requisitos de admissibilidade e por conter matéria de competência deste Conselho. Inicialmente, registrese que apenas o sujeito passivo solidário apresentou impugnação e recurso voluntário. Dessa forma, o crédito tributário lançado já se encontra definitivamente constituído em relação à pessoa jurídica Ibituruna. I – Da nulidade Requer o Recorrente que seja anulado o auto de infração por conta de duração excessiva do processo fiscalizatório. O artigo 196 do Código Tributário Nacional discorre sobre o assunto: “Art. 196. A autoridade administrativa que proceder ou presidir a quaisquer diligências de fiscalização lavrará os termos necessários para que se documente o início do procedimento, na forma da legislação aplicável, que fixará prazo máximo para a conclusão daquelas.” Ademais, no caso em concreto o início do procedimento fiscal foi em 25/09/2007 com prazo de duração até 16/01/2008. Como o auto de infração foi lavrado em 14/12/2007, assim dentro do prazo fiscalizatório. Desta forma não deve prosperar o argumento do Recorrente. Adiante, solicita o Recorrente que seja declarada a nulidade da autuação, uma vez que não foi intimado no início do procedimento fiscalizatório que ocorreu em 03/01/2006, com a intimação do Sr. Marcos Antônio Vieira. Ressalta que foi chamado unicamente em 12/11/2007. Assim, não teve ciência dos depoimentos dos Srs. Marcos Antônio Vieira e Alysson Silva Rosa. Alega também que o referido procedimento nada mais é que cerceamento do direito de defesa. Para solucionar essa questão é importante descrever o procedimento de auditoria fiscal que gerou a autuação analisada nesse processo. O que na realidade ocorreu, foi que a Receita Federal iniciou o procedimento fiscalizatório contra as pessoas físicas do Sr. Marcos Antônio Vieira e Alysson Silva Rosa, por conta da excessiva movimentação financeira em sua conta bancária. No decorrer do procedimento fiscalizatório ficou evidenciado que os recursos movimentados nas contas bancárias de tais pessoas físicas eram, em verdade, receitas Fl. 665DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10630.720368/200718 Acórdão n.º 1402001.626 S1C4T2 Fl. 7 6 da atividade da Ibituruna, e que o Sr. Edyr era o verdadeiro responsável pela citada conta bancária. A partir desse momento, foi intimado o Sr. Edyr que passou a ter conhecimento do processo fiscalizatório. Ora, se o titular formal das contas bancárias eram as pessoas físicas dos Srs. Marcos Antônio Vieira e Alysson Silva Rosa, está claro que no início do procedimento fiscalizatório eram tais pessoas físicas que deveriam ter sido intimadas. Mesmo porque, foi somente no curso da ação fiscal que ficou constatado que o sócio de fato se aproveitou da organização formal societária da pessoa jurídica. Assim, não há que se falar em falta de informação bem como em cerceamento no direito de defesa, já que todo o procedimento de auditoria seguiu o rito descrito no Decreto nº. 70.235/72. Por fim, alega o Recorrente acerca da impossibilidade de equiparar pessoas físicas com jurídica, argumentando que não foram atendidos os requisito legais para tal equiparação no presente caso. Resta claro que o presente processo não tem relação com equiparação de pessoa físicas com jurídicas. O que ocorreu foi que ficou comprovado que as contas bancárias dos Srs. Marcos Antônio Vieira e Alysson Silva Rosa eram movimentas sob responsabilidade do Sr. Edyr nas atividades operacionais da Ibituruna Turismo Ltda. Assim, não deve subsistir o argumento do Recorrente quanto a qualquer nulidade no auto de infração. II – Sujeição Passiva e Responsabilidade Tributária No auto de infração a autoridade fiscal considerou como sujeito passivo principal a empresa Ibituruna Turismo Ltda. e como responsável por esta entidade o Sr. Edyr Cordeiro de Paula Silva. Ressaltese que a empresa Ibitura Turismo Ltda. originalmente foi constituída sob denominação de Delta Factoring Ltda. tendo como sócio gerente o Sr. Edyr Cordeiro de Paula Silva e o Sr. Claudionor Nunes Leite. Através de alteração contratual de 01/06/2001 foi modificado a denominação da entidade para Ibituruna Turismo Ltda. e o objeto social passou a ser: “explorar a prestação de serviços em Agência de Viagens e Turismo, prática de operações de câmbio manual”. Por sua vez, a segunda alteração contratual de 10/07/2001 ocorreu alteração no quadro societário com a saída de Edyr Cordeiro de Paula Silva e a entrada de Alysson Silva Rosa como novo sócio gerente. Contudo, no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas (CNPJ) os sócios da empresa são Edyr Cordeiro de Paula Silva e Claudionor Nunes Leite. Ocorre que, com base em diversos depoimentos acostados nos autos, ficou comprovado que o verdadeiro responsável pela entidade era o Sr. Edyr Cordeiro de Paula Silva, sendo que os demais sócios da entidade tratavamse de interpostas pessoas, que assinavam documentos, como cheques, sob ordem expressa do Sr. Edyr. Ademais, com relação à movimentação financeira das contas bancárias dos Srs. Marcos Antônio Vieira e Alysson Silva Rosa, foi comprovado, com base em diversos Fl. 666DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10630.720368/200718 Acórdão n.º 1402001.626 S1C4T2 Fl. 8 7 depoimentos, que tais contas eram utilizadas para movimentar receitas oriundas da Ibituruna, sob responsabilidade do Sr. Edyr Cordeiro de Paula Silva. Portanto, restou comprovado nos autos que o Sr. Edyr se utilizava das contas bancárias do Sr. Alysson Silva Rosa e do Sr. Marcos Antônio Vieira para movimentar recursos relativos à compra e venda de dólares da Ibituruna Turismo, bem como pagar despesas do seu interesse. Vale notar, que: a) o Sr. Alysson Silva Rosa declara que não gerencia a empresa, pois o responsável de fato era o Sr. Edyr. Declara também, que todos os seus atos perante à pessoa jurídica foram efetuados sob ordem do Sr. Edyr que era o seu “patrão”; b) o Sr. Marcos Antônio Vieira declara que era funcionário do Sr. Edyr na empresa Koisas Geladas Ltda. e que todos os saques efetuados em sua conta bancária são de responsabilidade do Sr. Edyr. Para compor o presente voto, colaciono, trecho do acórdão recorrido que cita alguns fatos relatados no TVF, especialmente aqueles resumidos nas fls. 81/85, devidamente comprovados nos autos, conforme documentos indicados pela fiscalização: Movimentação financeira do Sr. Alysson Silva Rosa: o Sr. Alysson movimentou aproximadamente R$ 2.600.000,00 (dois milhões e seiscentos mil reais) no ano de 2002, sendo que não tinha capacidade econômica para tanto, conforme demonstram a renda e os bens informados ao Fisco e ao Banco do Brasil; não obstante a incapacidade econômica do Sr. Alysson, consoante a 2ª Alteração Contratual da Ibituruna, este assumiu o lugar do Sr. Edyr na sociedade da empresa, pagando, a vista, R$ 90.000,00 (noventa mil reais) pelas suas quotas; na declaração de bens do Sr. Alysson constam, além de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) em espécie, apenas as participações no capital social da Ibituruna (R$ 90.000,00) e da AM Informática Ltda (R$ 8.000,00), que, segundo afirmando pelo Sr. Alysson foi aberta pelo Sr. Edyr; vários depoentes confessaram que preenchiam cheques da conta do Sr. Alysson e efetuavam saques a mando do Sr. Edyr (existe também cheque preenchido com letra semelhante a do Sr. Edyr – item 69); o próprio Sr. Alysson, que foi empregado do Sr. Edyr na USA Informática e na Ibituruna, confessou que abriu conta bancária em nome deste para movimentar recursos referentes a um escritório aberto na Av. Minas Gerais, 228 (nesse endereço funcionava, nos fundos, disfarçadamente, a Ibituruna Turismo) onde eram realizadas operações de câmbio; Fl. 667DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10630.720368/200718 Acórdão n.º 1402001.626 S1C4T2 Fl. 9 8 segundo vários depoentes o Sr. Edyr comprava e vendia dólares no endereço acima; a Ibituruna tinha como objeto social a “prestação de serviços de agência de viagens e turismo, práticas de operações de câmbio manual” (sublinhei); a conta bancária do Sr. Alysson foi utilizada para compra e venda de dólares (ver itens 73 e 75) e para pagamento de despesas da empresa Datamicro Informática (ver itens 35 a 37 – no acórdão DRJ/JFA nº. 0918.763, de 28 de fevereiro de 2008. PAF nº. 10630.720316/200733, foi mantida a responsabilização tributária do Sr. Edyr como sócio da Datamicro Informática); na ficha cadastral do Sr. Alysson no Banco do Brasil consta o telefone da Ibituruna Turismo (cuja razão social anterior era Delta Factoring Ltda); vários depoentes afirmaram que o Sr. Edyr tinha empresas, dentre elas a Ibituruna, em nome de terceiros; Movimentação Financeira do Sr. Marcos Antônio Vieira: o Sr. Marcos Antônio Vieira movimentou aproximadamente R$ 7.000.000,00 (sete milhões de reais) nos anos de 2002 e 2003, sendo que não tinha capacidade econômica para tanto, conforme demonstram a renda e os bens informados ao Fisco e ao Banco do Brasil; o Sr. Marcos Antônio, que se encontra em endereço incerto e era empregado do Sr. Edyr, passou procuração (fls. 114/115) conferindo “amplos e gerais poderes”, inclusive para movimentação de contas bancárias, para o Sr. Renato Brasileiro Alvarenga, o qual afirma que a movimentação bancária era efetuada em nome do Sr. Edyr e que já havia aberto outra conta em seu próprio nome também a pedido do Sr. Edyr; o Sr. Marco Antônio afirma que a propriedade e a responsabilidade pela movimentação financeira efetivada em sua conta bancária era do Sr. Edyr ( nesse sentido depuseram os Srs. Renato Brasileiro e Alysson, dentre outras testemunhas); vários depoentes confessaram que preenchiam os cheques da conta do Sr. Marco Antônio e efetuavam saques a mando do Sr. Edyr, que ficava com os talões de cheque (por exemplo, o Sr. Renato Brasileiro afirmou que pegava os cheques com o Sr. Edyr no endereço da Ibituruna; o Sr. Raimundo Castro afirmou que recebeia R$ 20,00 a R$ 30,00 por cheque e que várias vezes entregou dinheiro sacado ao Sr. Edyr na Ibituruna; o Sr. Alexandre Passos afirmou que levava e buscava dólares da Ibituruna para Toninho da Barcelona, com o segurança do Sr. Edyr, tudo a mando desse último; etc – ver itens 79 a 84); Fl. 668DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10630.720368/200718 Acórdão n.º 1402001.626 S1C4T2 Fl. 10 9 segundo o Sr. Marco Antônio, o Sr. Edyr também preenchia cheques de sua conta (existem vários cheques preenchidos com letra semelhante a do Sr. Edyr – ver itens 33 e 34); a conta do Sr. Marcos Antônio foi utilizada para venda de dólares para a empresa Lizmontagem do Brasil (item 39) e, conforme recibos e anotações no verso dos cheques (itens 36 e 37), para pagamento de despesas da empresa Datamicro Informática (no acórdão DRJ/JFA nº. 0918.763, de 28 de fevereiro de 2008. PAF nº. 10630.720316/200733, foi mantida a responsabilização tributária do Sr. Edyr como sócio da Datamicro Informática). Portanto, a partir da leitura de diversos depoimentos acostados nos autos ficou comprovado que o verdadeiro responsável pela Ibituruna Turismo Ltda., cuja movimentação financeira ocorria na conta bancária em nome dos Srs. Marcos Antônio Vieira e Alysson Silva Rosa, era o Sr. Edyr Cordeiro de Paula Silva. Acrescentese, apenas, que a condenação do Sr. Edyr como responsável solidário dos débitos apurados pela Datamicro Informática nos autos do PA nº. 10630.720316/200733 foi confirmada por este Conselho, nos termos do Acórdão nº. 110300.538, proferido pela 3ª Turma Ordinária da 1ª Câmara desta 1ª Seção, em 04/10/2011, relatoria do Conselheiro Marcos Shigueo Takata. Na ocasião, também ficou constatado, por vários depoimentos reduzidos a termo, que o Sr. Edyr era quem tinha a palavra final e era o responsável pelas decisões mais importantes, enfim, que ele era proprietário da Datamicro, muito embora se utilizasse de interpostas pessoas na prática de atos com excesso de poderes e com plena extravagância ao contrato social, exatamente como se comprovou ter acontecido no caso destes autos. Para embasar a sujeição passiva do recorrente, a fiscalização fundamentou utilizando os artigos 121, 124 e 135 do Código Tributário Nacional, o que foi acatado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, in verbis: “Art. 121. Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Parágrafo único. O sujeito passivo da obrigação principal diz se: I contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador; II responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei.” “Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. Fl. 669DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10630.720368/200718 Acórdão n.º 1402001.626 S1C4T2 Fl. 11 10 Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem.” “Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I as pessoas referidas no artigo anterior; II os mandatários, prepostos e empregados; III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado.” O proprietário e administrador de fato da empresa, Sr. Edyr Cordeiro de Paula e Silva, de acordo com os fatos apurados, é pessoalmente responsável pelos créditos tributários resultantes de atos praticados com excesso de poderes e infração à lei, uma vez que foi ele, comprovadamente, que atuou sob a razão social da empresa, utilizandose de interpostas pessoas como titulares da sociedade e como titulares das contas bancárias da empresa, para acobertar a real movimentação financeira da empresa e a prática de atividades ilícitas. Logo, do confronto da legislação aplicável com os fatos descritos acima, mostrase correta a responsabilização solidária do Sr. Edyr Cordeiro de Paula Silva pelo crédito tributário lançado. III – Quebra de sigilo bancário e uso de dados bancários Antes de mais, é preciso esclarecer que as instâncias administrativas de julgamento estão impedidas de afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob o fundamento de inconstitucionalidade, a teor do disposto no artigo 62 da Portaria MF nº. 256/09, que aprova o Regimento Interno do CARF, conforme abaixo: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. A aplicação de normas constitucionais somente é possível nos casos de decisões definitivas do STF e do STJ na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº. 5.869/73 (Código de Processo Civil), conforme art. 62A do RICARF, a saber: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil (g.n.), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Incluído pela Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010) Sobre o tema, aplicase, ainda, o enunciado da Súmula nº. 2 deste Conselho: Fl. 670DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10630.720368/200718 Acórdão n.º 1402001.626 S1C4T2 Fl. 12 11 Súmula CARF Nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária. Nesse passo, como a matéria não foi definitivamente julgada pelo STF, considerase legítima a requisição de dados e extratos bancários pela Receita Federal do Brasil diretamente às instituições financeiras. No caso concreto, (i) os titulares das contas bancárias (Srs. Alysson Silva Rosa e Marcos Antônio Vieira) afirmavam não serem os reais responsáveis pelos valores movimentados e não sabiam justificar a origem dos recursos, e (ii) deixaram de atender de forma completa o Termo de Início de Fiscalização reiterado na intimação de 21/02/2006, com relação ao fornecimento de documentos bancários e comprovação da origem dos recursos. Assim, a fiscalização não teve alternativa senão emitir a requisição das movimentações financeira faltantes (extratos, cópias de cheques, contrato de abertura de conta corrente, cartões de autógrafo, fichas cadastrais, etc) diretamente às instituições financeiras. Diante do contexto que se apresentava, a autoridade fiscal julgou ser indispensável o exame da movimentação financeira das pessoas físicas para a apuração da prática de infração à legislação tributária, entendimento que reputo correto. Logo, não merece reparo o procedimento em comento. IV – Do arbitramento do lucro e da multa de ofício Como demonstrado nos autos, a Ibituruna e seu sócio de fato foram intimados a fornecer os documentos contábeis da empresa, tais como: livro diário, razão, livros auxiliares, Lalur, etc. Entretanto, tais documentos não foram disponibilizados. O artigo 47, inciso III, da Lei nº 8981/95 dispõe que: Art. 47. O lucro da pessoa jurídica será arbitrado quando: (...) III o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o livro Caixa, na hipótese de que trata o art. 45, parágrafo único; Assim, o procedimento adotado pelo Recorrente de não fornecer os documentos contábeis/fiscais da entidade configura em hipótese de arbitramento do lucro. Destarte, importa dizer que a fiscalização calculou os tributos cobrados nesse processo com base em informações obtidas em extratos bancários, já que as DCTF´s não foram enviadas, bem como a DIPJ do ano calendário 2002 foi enviada como se empresa estivesse inativa e a do anocalendário 2003 não foi transmitida. Não bastasse isso, vale lembrar que: (i) a empresa e o Recorrente se utilizaram de interpostas pessoas para ocultar a verdadeira titularidade da empresa e da movimentação financeira realizada na conta dos Srs. Alysson e Marcos Antônio, com evidente intuito de fraude e sonegação. Fl. 671DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10630.720368/200718 Acórdão n.º 1402001.626 S1C4T2 Fl. 13 12 (ii) a empresa efetuou operações de câmbio manual de dólarcabo sem autorização do Banco Central do Brasil e à margem de qualquer controle do Estado. Tais fatos demonstram claramente a prática de ações e omissões dolosas, nos termos dos artigos 71 a 73 da Lei nº 4502/64, in verbis: “Art. 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72”. Dessa forma, correta a aplicação da multa de 150%, nos termos do §1º do artigo 44 da Lei nº 9430/96. V – Dos lançamentos reflexos – CSLL, PIS e COFINS Devido à relação de causa e efeito a que se vincula ao lançamento principal, o mesmo procedimento deve ser adotado com relação aos lançamentos reflexos, em virtude de serem decorrentes. Então, segundo a regra de que o acessório segue ao principal, as mesmas razões adotadas no exame do lançamento principal de IRPJ servem também para os respectivos lançamentos reflexos, no caso de CSLL, PIS e COFINS. Isto posto, VOTO no sentido de NEGAR provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Pelá Fl. 672DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10630.720368/200718 Acórdão n.º 1402001.626 S1C4T2 Fl. 14 13 Fl. 673DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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Numero do processo: 13708.000680/00-47
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 31 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/1999 a 28/02/1999
CRÉDITO DE IPI. RESSARCIMENTO. LEI N.º 9.779, DE 1999.
Os créditos de IPI relativos a matéria-prima (MP), produto intermediário (PI) e material de embalagem (ME), adquiridos para emprego nos produtos industrializados, devem ser registrados na escrita fiscal. O seu aproveitamento dar-se-á, inicialmente, por compensação do imposto devido pelas saídas dos produtos do estabelecimento industrial no período de apuração vigente à época da escrituração. Apenas no caso de remanescer saldo credor ao final de cada trimestre-calendário, esse poderá ser utilizado para ressarcimento ou compensação.
PEDIDOS DE RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO.
Nos processos referentes a pedidos de compensação ou ressarcimento, a comprovação dos créditos ensejadores incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes, escriturados na forma da legislação de regência.
Recurso voluntário negado.
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Numero da decisão: 3202-001.077
Decisão:
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Irene Souza da Trindade Torres - Presidente.
Charles Mayer de Castro Souza - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres (presidente), Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/1999 a 28/02/1999 CRÉDITO DE IPI. RESSARCIMENTO. LEI N.º 9.779, DE 1999. Os créditos de IPI relativos a matéria-prima (MP), produto intermediário (PI) e material de embalagem (ME), adquiridos para emprego nos produtos industrializados, devem ser registrados na escrita fiscal. O seu aproveitamento dar-se-á, inicialmente, por compensação do imposto devido pelas saídas dos produtos do estabelecimento industrial no período de apuração vigente à época da escrituração. Apenas no caso de remanescer saldo credor ao final de cada trimestre-calendário, esse poderá ser utilizado para ressarcimento ou compensação. PEDIDOS DE RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. Nos processos referentes a pedidos de compensação ou ressarcimento, a comprovação dos créditos ensejadores incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes, escriturados na forma da legislação de regência. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Irene Souza da Trindade Torres - Presidente. Charles Mayer de Castro Souza - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres (presidente), Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama.
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RESSARCIMENTO Recorrente IPECOL S/A Indústria de Envelopes Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/1999 a 28/02/1999 CRÉDITO DE IPI. RESSARCIMENTO. LEI N.º 9.779, DE 1999. Os créditos de IPI relativos a matériaprima (MP), produto intermediário (PI) e material de embalagem (ME), adquiridos para emprego nos produtos industrializados, devem ser registrados na escrita fiscal. O seu aproveitamento darseá, inicialmente, por compensação do imposto devido pelas saídas dos produtos do estabelecimento industrial no período de apuração vigente à época da escrituração. Apenas no caso de remanescer saldo credor ao final de cada trimestrecalendário, esse poderá ser utilizado para ressarcimento ou compensação. PEDIDOS DE RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. Nos processos referentes a pedidos de compensação ou ressarcimento, a comprovação dos créditos ensejadores incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes, escriturados na forma da legislação de regência. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Irene Souza da Trindade Torres Presidente. Charles Mayer de Castro Souza Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 70 8. 00 06 80 /0 0- 47 Fl. 548DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 4/03/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres (presidente), Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama. Relatório A interessada apresentou pedido de ressarcimento, cumulado com pedidos de compensação de débitos próprios, com fundamento na Lei n.º 9.779, de 1999, no valor de R$ 24.354,02, referente aos meses de janeiro e fevereiro de 1999. Por bem retratar os fatos constatados nos autos, transcrevo o Relatório da decisão de primeira instância administrativa, in verbis: A interessada solicita o ressarcimento de saldo credor de IPI originado da aquisição de insumos — matériaprima, produtos intermediários e material de embalagem — utilizados na industrialização de produtos isentos, imunes ou tributados alíquota zero, nos termos do artigo 11 da Lei n° 9.779/99 e IN SRF n° 033/99, referente aos meses de janeiro e fevereiro de 1999, no valor de R$24.354,02, conforme fl. 02. Na mesma data foi solicitada a compensação do referido crédito com os débitos relacionados no pedido fl. 01. Posteriormente, em atendimento ao despacho de fl. 71, a contribuinte apresentou as três vias do Pedido de Ressarcimento As fls. 77/79. O despacho exarado pela DERAT no Rio de Janeiro em 03/05/2005, nas fls. 130/137, ratificou os termos da Informação Fiscal na fl. 126 e indeferiu o pedido de ressarcimento, deixando também de homologar a Declaração de Compensação. Segundo a citada informação, a diligência realizada constatou o que segue: o valor pleiteado não corresponde a nenhum saldo de trimestre registrado no Livro de Apuração do IPI; o referido livro apresenta escrituração em períodos mensais (ao invés de decendial); o que a interessada fez foi somar alguns créditos de notas fiscais de compras para industrialização de tal forma que o total coincidisse com os valores a serem compensados, sem levar em conta o saldo credor efetivamente existente; o processo está tecnicamente mal instruído e sem condições de saneamento. Insurgiuse a interessada contra o indeferimento, podendo o arrazoado de inconformismo (fls. 140/142) ser assim resumido: a contribuinte faz jus ao beneficio relativo à aquisição de insumos — matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem — utilizados na industrialização de produtos tributados à alíquota zero (envelopes), nos termos do artigo 11, da Lei n° 9.779/99 e da IN SRF n° 033/99; em 31 de dezembro possuía um saldo credor de R$158.023,06; só utilizou o beneficio a partir de janeiro/2000; o presente pedido de compensação foi feito de forma clara e objetiva, tendo sido apresentada toda a documentação necessária, inclusive cópias das notas fiscais; quando do pleito, a empresa optou pela manutenção de seus créditos, quer pelo saldo acumulado, quer Fl. 549DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 4/03/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 13708.000680/0047 Acórdão n.º 3202001.077 S3C2T2 Fl. 549 3 pela diferença entre o valor a ser ressarcido e aquele a ser compensado. A solicitante finaliza sua peça pleiteando seja reconhecido o direito ao crédito de in e à compensação com os débitos apontados. É como relato. A 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora/MG julgou, noutros termos, improcedente a manifestação de inconformidade, proferindo o Acórdão DRJ/JFA n.º 10.668, de 14/07/2005 (fls. 368/376). Irresignada, a interessada apresentou, no prazo legal, recurso voluntário de fls. 388/392, por meio do qual sustenta: Apesar de gozar do beneficio do crédito do IPI relativo à aquisição de insumos adquiridos para industrialização de produtos (Envelopes) tributados à alíquota zero, crédito demonstrado no Livro Registro de apuração do IPI – RAIPI, escriturado por decêndio, acumulando a cada período o crédito respectivo, de conformidade com a legislação em vigor, é oportuno salientar que a empresa só utilizouse do referido beneficio para exercer a compensação dos Impostos e Contribuições Administrados pela Secretaria da Receita Federal, a partir do ano calendário de 2000, dessa forma, em 31 de dezembro de 1999, possuía um crédito de IPI no valor de R$ 158.023,06, em conformidade com a legislação em vigor, como demonstrado no quadro demonstrativo da apuração do referido crédito, bem como nas cópias das fls. do livro. Em 14 de abril de 2000, utilizou o valor de R$ 24.354,02, referente a uma parte do crédito maior acumulado existente em 31 de março de 2000, no total de R$ 224.984,18, para compensar os débitos apurados em 31/03/2000, no valor de R$ 19.420,38. O pedido de compensação em apreço fora feito de maneira clara e objetiva, através de Requerimento ao Sr. Delegado da Receita Federal no Rio de Janeiro Região Centro Norte, norteada com toda documentação, ou seja, do Pedido de Compensação, do Pedido de Ressarcimento de Parte do Credito de IPI como fora dito anteriormente, do quadro discriminativo, contendo data da emissão, nome do fornecedor e do valor do credito do IPI, bem como acompanhado de toda as notas fiscais devidamente autenticadas. Por opção, somente compensou parte do referido crédito. É importante salientar ainda que, quando do pleito do crédito de IPI e da compensação, através do Processo de n° 13708.000680/0047, de 14 de abril de 2000, a empresa optou pela manutenção de seus créditos, “quer pelo saldo acumulado do IPI, bem como entre a diferença do valor solicitado no total de R$ 24.354,02 e o da compensação no valor de R$ 19.420,38, portanto, observase que a empresa neste processo, ainda mantém um credito a seu favor de R$ 4.933,64”. O processo foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. Fl. 550DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 4/03/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 4 O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. A Recorrente teve o seu pedido de ressarcimento indeferido, ao fundamento de que, além de não comprovada a existência material do crédito vindicado, a escrituração no RAIPI se deu por períodos mensais, em desacordo com as normas jurídicas que disciplinavam, à época, a apuração do IPI. Notese que, conforme registrado no despacho de fl. 262/274, a fiscalização também constatou: a) que o crédito pleiteado, no montante de R$ 24.354,02, não correspondia a nenhum saldo de decêndio ou de trimestrecalendário registrado no RAIPI; e b) a Recorrente apenas somou alguns créditos de notas fiscais de compras de forma a que o total coincidisse com os valores a serem compensados, sem nada apurar. Vale reproduzir, para melhor esclarecer o assunto, o seguinte trecho da decisão recorrida, em que são tratadas mais algumas irregularidades cometidas pela Recorrente: Por ocasião da interposição de sua manifestação de inconformidade, a interessada apresentou, juntamente com seus argumentos, os elementos às fls. 143/182, entre os quais se incluem o "Quadro Demonstrativo dos Créditos do IPI Para Beneficio do Art. 11 da Lei 9779/1999 Conforme Livro Registro de Apuração. do IPI Modelo8" e cópias xerográficas, sem autenticação, do Registros de Apuração do IPI, em períodos decendiais. A principio, estaria assim corrigida a irregularidade apontada. Entretanto, restaria um outro ponto a ser verificado: segundo o autor da diligência fiscal, o que a interessada fez foi somar alguns créditos de notas fiscais de compras para industrialização de tal forma que o total coincidisse com os valores a serem compensados, sendo que o valor pleiteado não corresponde a nenhum saldo de trimestre registrado no Livro de Apuração do IPI. Conforme destacado na legislação acima, a IN SRF n°33/99, em seu artigo, 2°, § 2°, incisos I e II, estabelece que o saldo credor remanescente de cada período de apuração será transferido para o período de apuração subsequente e que, ao final de cada trimestrecalendário, permanecendo saldo credor, esse poderá ser utilizado para ressarcimento ou compensação, na forma da Instrução Normativa SRF n.° 21/1997. A interessada formalizou vários processos solicitando ressarcimento/compensação de créditos de 1PI, sendo que aqueles abaixo elencados tiveram as manifestações de inconformidade a eles correlatas recentemente apreciadas por esta DRJ: (omissis) Neste processo e naqueles acima relacionados, a contribuinte adotou procedimento inverso àquele que determina a legislação ao invés de proceder à apuração do saldo credor trimestral; solicitando o ressarcimento desse valor e, concomitantemente, sua compensação com débitos de sua titularidade, ela centrou seu foco nos débitos, "pescando" os créditos existentes em sua contabilidade para quitálos. Em consequência, as vezes temos um processo referindose a créditos de períodos que pertencem Fl. 551DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 4/03/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 13708.000680/0047 Acórdão n.º 3202001.077 S3C2T2 Fl. 550 5 a trimestrescalendários diferentes e as vezes temos vários processos para um mesmo trimestre. Assim nos temos, por exemplo, que o processo n° 13710.00001376/0003 requer o direito creditório sobre saldos existentes em novembro e dezembro/I999 e Janeiro e fevereiro/2000; por usa vez, a processo n°' 13710.001464/0061 reportase a créditos de janeiro, fevereiro, março e abril/2000; situação inversa ocorre para o 30 trimestre/2000, quando e temos cinco processos pleiteando o direito creditório sobre saldos registrados; os créditos do mês de setembro/2000 são pleiteados em três processos distintos. Acrescentese à situação acima o fato de existirem ainda na unidade de origem, para análise, quase duas dezenas de processos de ressarcimento/compensação, sendo que alguns deles referindose a saldos credores registrados em 2000; mesmo período de alguns dos processos acima relacionados.(g.n.) Nesse contexto, não havia como conceder o crédito pretendido, tampouco compensálo com débitos próprios. É que existem requisitos legais que são de tal ordem importantes, que, quando não observados, tornam absolutamente impossível a obtenção do direito material. Os exemplos pululam: requerer em juízo por meio de uma petição inicial descurando dos requisitos previstos no art. 282 do CPC, efetuar lançamento tributário sem a observância daqueles estabelecidos no art. 142 do CTN etc. etc etc. O mesmo ocorre com relação ao saldo credor de IPI de que trata o art. 11 da Lei n.º 9.779, de 1999. Os créditos devem ser primeiramente aproveitados com os débitos do imposto apurados no período de apuração correto (à época do pedido, apuração decendial). Somente depois de efetuada essa compensação, é que, ao final do trimestrecalendário (janeiro a março, abril a junho, julho a setembro, outubro a dezembro), havendo saldo credor, este poderá ser utilizado para ressarcimento ou compensação com outros tributos. Nada disso foi feito pela Recorrente. Não se trata de mera formalidade, cabe ressaltar por oportuno, mas requisito essencial à concessão do pedido de ressarcimento. No entanto, a defesa neste Colegiado apenas repetiu argumentos já direcionados à instância a quo, quando apenas se afirmou que o pedido fora feito de forma clara e objetiva, com base em documentação pertinente. Não é, como se viu, a realidade dos autos. Absolutamente correta a decisão recorrida, uma vez que os equívocos cometidos pela Recorrente impossibilitaram o deferimento do pedido de ressarcimento e, consequentemente, das compensações a ele vinculadas. Cumpre enfatizar, por importante, não caber à RFB, mas ao contribuinte, o ônus de elaborar o pedido na forma correta, o que em nada se confunde com a correção de erros pontuais, a serem corrigidos mediante alerta e orientação da RFB. Não é o caso, contudo. Fl. 552DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 4/03/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 6 Ante o exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário. É como voto. Charles Mayer de Castro Souza Fl. 553DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 4/03/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 10768.101509/2005-73
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL
Anocalendário:
2000
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. EFEITOS INFRINGENTES.
O deferimento dos embargos de declaração pode ter, em alguns casos, efeitos infringentes, no sentido de determinar a modificação do julgamento anteriormente realizado (Acórdão nº 1301162 desta mesma Turma Ordinária), razão pela qual retificase
o referido Acórdão, cuja ementa e decisório passam a ter a seguinte redação:
PAGAMENTO ANTERIOR OU CONCOMITANTE À RETIFICAÇÃO DE
DCTF. DENÚNCIA ESPONTÂNEA CONFIGURADA. MULTA DE
MORA AFASTADA.
Entendese
por denúncia espontânea aquela que é feita antes de a autoridade
administrativa tomar conhecimento da infração ou antes do início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização relacionada com a infração denunciada. Se o contribuinte, espontaneamente e antes do início de
qualquer procedimento fiscal relacionado com a infração, denuncia o ilícito cometido, efetuando, se for o caso, concomitantemente, o pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ficará excluído da responsabilidade pela infração à legislação tributária. Ou seja, não poderá ser dele exigida a multa de mora ou de ofício.
Numero da decisão: 1301-001.416
Decisão: Acordam os membros deste colegiado, por unanimidade de votos, acolher e prover os Embargos de Declaração para retificar o Acórdão 1301001.162, 07/03/2013, com efeitos infringentes, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. Ausente,
momentaneamente o Conselheiro Valmar Fonseca de Menezes, presente o Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado (Suplente Convocado). O Conselheiro Wilson Fernandes
Guimarães presidiu o julgamento
Nome do relator: Paulo Jakson da Silva Lucas
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EFEITOS INFRINGENTES. O deferimento dos embargos de declaração pode ter, em alguns casos, efeitos infringentes, no sentido de determinar a modificação do julgamento anteriormente realizado (Acórdão nº 1301162 desta mesma Turma Ordinária), razão pela qual retificase o referido Acórdão, cuja ementa e decisório passam a ter a seguinte redação: PAGAMENTO ANTERIOR OU CONCOMITANTE À RETIFICAÇÃO DE DCTF. DENÚNCIA ESPONTÂNEA CONFIGURADA. MULTA DE MORA AFASTADA. Entendese por denúncia espontânea aquela que é feita antes de a autoridade administrativa tomar conhecimento da infração ou antes do início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização relacionada com a infração denunciada. Se o contribuinte, espontaneamente e antes do início de qualquer procedimento fiscal relacionado com a infração, denuncia o ilícito cometido, efetuando, se for o caso, concomitantemente, o pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ficará excluído da responsabilidade pela infração à legislação tributária. Ou seja, não poderá ser dele exigida a multa de mora ou de ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros deste colegiado, por unanimidade de votos, acolher e prover os Embargos de Declaração para retificar o Acórdão 1301001.162, 07/03/2013, com efeitos infringentes, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. Ausente, momentaneamente o Conselheiro Valmar Fonseca de Menezes, presente o Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado (Suplente Convocado). O Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães presidiu o julgamento AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 76 8. 10 15 09 /2 00 5- 73 Fl. 497DF CARF MF Impresso em 21/07/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 23/ 04/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES 2 (assinado digitalmente) Wilson Fernandes Guimarães Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmir Sandri, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior, Carlos Augusto de Andrade Jenier e Luiz Tadeu Matosinho Machado. Fl. 498DF CARF MF Impresso em 21/07/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 23/ 04/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 10768.101509/200573 Acórdão n.º 1301001.416 S1C3T1 Fl. 11 3 Relatório Trata de Embargos de Declaração opostos pela contribuinte acima qualificada nos seguintes termos: DO ERRO MATERIAL E OMISSÃO Para evidenciar o erro material existente no Acórdão ora embargado, a Embargante servese do “Voto” do Acórdão ora combatido, o qual assim descreve os fatos relacionados ao presente processo administrativo: Resume a lide em saber se o pagamento constante do DARF (doe.07), através do qual se recolheu a CSLL relativa ao período de apuração ocorrido em 31/12/1999, vencido em 31/01/2000 e recolhido em 15/05/2000, somente com juros de mora, seria suficiente para liquidar o débito ou se como procedeu a autoridade fiscal em considerar o débito liquidado parcialmente eis que deveria ter sido recolhido com multa de mora. Como visto acima, a questão posta a análise desta Corte Administrativa, diz respeito a exigência ou não da multa de mora, nos casos de pagamento do tributo principal acrescido de juros de mora, antes de qualquer procedimento de fiscalização e/ou de declaração do sujeito passivo informando o tributo devido. Ao contrário do que afirma a contribuinte na parte final da peça recursal de que "Acrescentese ainda que, a Recorrente recolheu os tributos antes mesmo de declarar seus débitos nas declarações que são apresentadas ao Fisco", constatase que o auto de infração em tela decorreu da diferença entre o valor apurado e recolhido a titulo de CSLL, informado na DCTF do 4 o trimestre de 1999, entregue em 31/08/2004. Logo a situação posta nestes autos se relaciona quando o contribuinte informa ao Fisco o tributo devido por intermédio de declaração (DCTF) e só vem a pagálo após o prazo legal. Aduz, mais: O que se verifica é que a informação acima destacada não corresponde à realidade dos fatos, uma vez que a Embargante realizou o pagamento do débito de CSLL, referente ao 4o. trimestre de 1999, em 15/05/2000, no valor principal de R$ 2.677.683,13 (valor sobre qual incidiu a multa de mora de 20% discutida no presente processo), após o prazo legal, qual seja, 31/01/2000, acrescido de juros de mora, mas antes da apresentação da DCTF correspondente ao 4o. trimestre/1999, que se deu em 21/06/2000, e não 31/08/2004 como informado no “Voto”. Na verdade em tal data (31/08/2004) se tratou da apresentação de DCTF retificadora sem qual quer alteração das informações com relação ao débito de CSLL (docs. 04 a 06). Fl. 499DF CARF MF Impresso em 21/07/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 23/ 04/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES 4 Ademais, o Acórdão ora embargado foi omisso com relação aos seguinte pontos de ordem pública: a) Lei 10.522/2002, artigo 19, II e RICARF, artigo 62A e da decadência. É o relatório, no essencial. Fl. 500DF CARF MF Impresso em 21/07/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 23/ 04/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 10768.101509/200573 Acórdão n.º 1301001.416 S1C3T1 Fl. 12 5 Voto Conselheiro Paulo Jakson da Silva Lucas Recebidos nos termos dos artigos 49, parágrafo 7o., 64 e 65, do Anexo II da Portaria MF 256, de 22/06/2009, que aprovou o Regimento Interno do CARF – RICARF. Esclareço, inicialmente, que merece acolhimento os embargos interpostos pela contribuinte, eis que configurada o erro material e a omissão apontados em face do Acórdão 1301001.162, 07/03/2013, desta Turma Julgadora. Com efeito, no presente caso, com relação ao erro material apontado, de fato consta do voto ora embargado que a DCTF do 4o. trimestre/1999, da qual consta o valor da CSLL em discussão, fora entregue (transmitida) em 31/08/2004. Da realidade dos fatos a embargante tem razão. Constatase dos autos que a DCTF original relativa ao 4o. trimestre/1999, de fato, foi entregue em 21/06/2000 (doc. entregue juntamente com os presentes embargos de declaração). Em 31/08/2004 foi entregue DCTF retificadora sem qual quer alteração das informações com relação ao débito de CSLL em lide. Do todo exposto verificase que a lide que se impõe gira em torno do alcance da denúncia espontânea, que está disciplinada no art. 138 do Código Tributário Nacional (Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966): Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. Assim, entendese por denúncia espontânea aquela que é feita antes de a autoridade administrativa tomar conhecimento da infração ou antes do início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização relacionada com a infração denunciada. Se o contribuinte, espontaneamente e antes do início de qualquer procedimento fiscal relacionado com a infração, denuncia o ilícito cometido, efetuando, se for o caso, concomitantemente, o pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ficará excluído da responsabilidade pela infração à legislação tributária. Ou seja, não poderá ser dele exigida a multa de mora ou de ofício. Fl. 501DF CARF MF Impresso em 21/07/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 23/ 04/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES 6 O objetivo do art. 138 do CTN é o de estimular o contribuinte infrator a regularizar a sua situação, denunciando fatos desconhecidos por parte do Fisco, sendo certo que sua conduta – denúncia espontânea – tem por conseqüência o recolhimento de tributo devido acompanhado dos juros de mora, cujo recolhimento não fora efetuado dentro do prazo legal e que não fosse sua iniciativa, talvez nunca viesse a lhe ser exigido de ofício. Por outro lado, não configura denúncia espontânea a situação em que o contribuinte apresenta declarações que constituem o crédito tributário, tais como DCTF, DIRPF, Dcomp, etc. e em momento posterior quita o débito, mediante pagamento ou compensação. No presente caso, configurase, destarte, a denúncia espontânea, sendo indevida a exigência da multa de mora. Em face do exposto, voto no sentido de acolher e prover os Embargos de Declaração, com efeito infringentes, retificandose o Acórdão nº 1301001.162, Sessão de 07 de março de 2013, dandose provimento ao recurso voluntário para os fins de anular a multa de mora que se cobra. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator Fl. 502DF CARF MF Impresso em 21/07/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 23/ 04/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES
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Numero do processo: 10580.722010/2008-35
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 17 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Aug 12 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005,2006,2007
IRPF. RENDIMENTO RECEBIDO ACUMULADAMENTE. APLICAÇÃO DO REGIME DE COMPETÊNCIA.
Conforme entendimento fixado pelo STJ, em sede de recursos repetitivos, o imposto de renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente deve ser calculado pelo regime de competência, tendo em vista que o art. 12 da Lei nº 7.713/1988 disciplina o momento da incidência, e não a forma de calcular o imposto.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2801-003.596
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso para cancelar a exigência fiscal relativa à omissão de rendimentos recebidos acumuladamente. Votou pelas conclusões o Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada. Vencido o Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida que dava provimento parcial ao recurso para excluir a multa de ofício de 75%.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente e Relatora.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Mara Eugenia Buonanno Caramico, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: TANIA MARA PASCHOALIN
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RENDIMENTO RECEBIDO ACUMULADAMENTE. APLICAÇÃO DO REGIME DE COMPETÊNCIA. Conforme entendimento fixado pelo STJ, em sede de recursos repetitivos, o imposto de renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente deve ser calculado pelo regime de competência, tendo em vista que o art. 12 da Lei nº 7.713/1988 disciplina o momento da incidência, e não a forma de calcular o imposto. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso para cancelar a exigência fiscal relativa à omissão de rendimentos recebidos acumuladamente. Votou pelas conclusões o Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada. Vencido o Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida que dava provimento parcial ao recurso para excluir a multa de ofício de 75%. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente e Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Mara Eugenia Buonanno Caramico, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 20 10 /2 00 8- 35 Fl. 237DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 11/08/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10580.722010/200835 Acórdão n.º 2801003.596 S2TE01 Fl. 238 2 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 3ª Turma de Julgamento da DRJ/SDR/BA. Por bem descrever os fatos, reproduzse abaixo o relatório da decisão recorrida: Tratase de auto de infração relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física –IRPF correspondente aos anos calendário de 2004, 2005 e 2006, para exigência de crédito tributário, no valor de R$ 158.525,09, incluída a multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora. Conforme descrição dos fatos e enquadramento legal constantes no auto de infração, o crédito tributário foi constituído em razão de ter sido apurada classificação indevida de rendimentos tributáveis na Declaração de Ajuste Anual como sendo rendimentos isentos e não tributáveis. Os rendimentos foram recebidos do Ministério Público do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”, em 36 (trinta e seis) parcelas no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, em decorrência da Lei Complementar do Estado da Bahia nº 20, de 08 de setembro de 2003. As diferenças recebidas teriam natureza eminentemente salarial, pois decorreram de diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para URV em 1994, conseqüentemente, estariam sujeitas à incidência do imposto de renda, sendo irrelevante a denominação dada ao rendimento. O contribuinte foi cientificado do lançamento fiscal e apresentou impugnação, alegando, em síntese, que: a) o lançamento fiscal é improcedente, pois teve como objeto valores recebidos pelo impugnante a título de diferenças de URV, que não estão sujeitos à incidência do imposto de renda, em razão do seu caráter indenizatório, não se enquadrando nos conceitos de renda ou proventos de qualquer natureza, previstos no art. 43 do CTN; b) o STF, através da Resolução nº 245, de 2002, reconheceu a natureza indenizatória das diferenças de URV recebidas pelos magistrados federais, e que por esse motivo estariam isentas da contribuição previdenciária e do imposto de renda. Este tratamento seria extensível aos valores a mesmo título recebidos pelos membro do magistrados estaduais; c) o Estado da Bahia abriu mão da arrecadação do IRRF que lhe caberia ao estabelecer no art. 3º da Lei Estadual Complementar nº 20, de 2003, a natureza indenizatória da verba paga, sendo a União parte ilegítima para exigência de tal tributo. Além disso, se a fonte pagadora não fez a retenção que estaria obrigada, e Fl. 238DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 11/08/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10580.722010/200835 Acórdão n.º 2801003.596 S2TE01 Fl. 239 3 levou o autuado a informar tal parcela como isenta em sua declaração de rendimentos, não tem este último qualquer responsabilidade pela infração; d) caso os rendimentos apontados como omitidos de fato fossem tributáveis, deveriam ter sido submetidos ao ajuste anual, e não tributados isoladamente como no lançamento fiscal; e) parcelas dos valores recebidos a título de diferenças de URV se referiam à correção incidente sobre 13º salários e a férias indenizadas (abono férias), que respectivamente estão sujeitas à tributação exclusiva e isenta, portanto, não deveriam compor a base de cálculo do imposto lançado; f) ainda que as diferenças de URV recebidas em atraso fossem consideradas como tributáveis, não caberia tributar os juros e correção monetária incidentes sobre elas, tendo em vista sua natureza indenizatória; g) mesmo que tal verba fosse tributável, não caberia a aplicação da multa de ofício e juros moratórios, pois o autuado teria agido com boafé, seguindo orientações da fonte pagadora, que por sua vez estava fundamentada na Lei Estadual Complementar nº 20, de 2003, que dispunha acerca da natureza indenizatória das diferenças de URV. Foi determinada diligência fiscal para que o órgão de origem adotasse as medidas cabíveis para ajustar o lançamento fiscal ao Parecer PGFN/CRJ/Nº 287/2009, de 12 de fevereiro de 2009, da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, que, em razão de jurisprudência pacificada no Superior Tribunal de Justiça, concluiu pela dispensa de apresentação de contestação, de interposição de recursos e pela desistência dos já interpostos, desde que inexistisse outro fundamento relevante, com relação às ações judiciais que visassem obter a declaração de que, no cálculo do imposto renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente, deveriam ser levadas em consideração as tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se referem tais rendimentos, devendo o cálculo ser mensal e não global. O presente processo foi devolvido sem a realização da referida diligência, tendo em vista a suspensão do Ato Declaratório PGFN nº 01/2009 pelo Parecer PGFN/CRJ nº 2331/2010. Ao examinar o pleito, a 3ª Turma da DRJ/SDR/BA julgou improcedente a impugnação, conforme Acórdão de fls.119/124, que restou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2004, 2005, 2006 DIFERENÇAS DE REMUNERAÇÃO. INCIDÊNCIA IRPF. As diferenças de remuneração recebidas pelos membros do Ministério Público do Estado da Bahia, em decorrência do art. Fl. 239DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 11/08/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10580.722010/200835 Acórdão n.º 2801003.596 S2TE01 Fl. 240 4 2º da Lei Complementar do Estado da Bahia nº 20, de 2003, estão sujeitas à incidência do imposto de renda. MULTA DE OFÍCIO. INTENÇÃO. A aplicação da multa de ofício no percentual de 75% sobre o tributo não recolhido independe da intenção do contribuinte. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Regularmente cientificado daquele Acórdão em 28/03/2011 (fl. 130), o interessado, representado por seu advogado (fl. 103), interpôs recurso voluntário de fls. 129/216, em 11/04/2011, no qual reitera os argumentos trazidos na impugnação. Conforme Resolução 2801000.152, às fls. 232/236, foi sobrestado o julgamento do recurso, nos termos do art. 62A, §§1º e 2º do Regimento do CARF, tendo em vista que a constitucionalidade da regra estabelecida no art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988, foi levada à apreciação, em caráter difuso, por parte do Supremo Tribunal Federal (RE nº 614.406), o qual reconheceu a repercussão geral do tema e determinou o sobrestamento, na origem, dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543B, §1º, do CPC. Com a revogação dos §§1º e 2º do art. 62A do Regimento do CARF, conforme Portaria nº 545 de 18 de novembro de 2013, publicada no DOU de 20 de novembro de 2013, o recurso voluntário foi incluído em pauta para julgamento. A numeração de folhas citada nesta decisão referese à serie de números do arquivo PDF. É o relatório. Voto Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Cuida o presente lançamento de omissão de rendimentos recebidos acumuladamente, a título de "Valores Indenizatórios de URV” (diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para a Unidade Real de Valor URV em 1994), decorrentes de ação judicial movida contra o Ministério Público do Estado da Bahia, e cuja tributação ocorreu sob a regra estabelecida no art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988. Em relação aos rendimentos recebido acumuladamente, cabe registrar que a Procuradoria da Fazenda Nacional – PGFN, diante da jurisprudência do STJ sobre rendimentos recebidos acumuladamente e com base no Parecer PGFN/CRJ/nº 287/2009, editou o Ato Declaratório nº 1/2009 publicado no Diário Oficial da União de 14/05/2009 e aprovado conforme despacho do Ministro da Fazenda publicado em 13/05/2009, e que teve efeito Fl. 240DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 11/08/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10580.722010/200835 Acórdão n.º 2801003.596 S2TE01 Fl. 241 5 vinculante sobre o Fisco, com determinação para o cálculo do imposto ser mensal e não global, tanto para rendimentos de aposentaria quanto para rendimentos do trabalho. O referido Ato Declaratório teve sua eficácia suspensa pelo Parecer PGFN/CRJ/nº 2.331/2010, em razão de o Supremo Tribunal Federal, em 20/10/2010, reconhecer repercussão geral aos Recursos Extraordinários nº 614232 e 614406 que versam sobre a tributação de rendimentos recebidos acumuladamente e cujos julgamentos ainda não foram concluídos. Aliás, Conforme exposição de motivos interministerial nº 111/MF/MP/ME/MCT/MDIC/MT/ de 23/10/2010, com a edição da Medida Provisória nº497, a qual, em seu art. 20, modificou a Lei nº 7.713/1988, acrescentando lhe o art 12A, a legislação foi alterada por iniciativa do Poder Executivo para contemplar a jurisprudência firmada pelo Superior Tribunal da Justiça, a qual já havia sido adotada pela Administração por meio da Aprovação do Ato Declaratório PGFN nº 1/2009, em relação aos rendimentos recebidos acumuladamente, seja do trabalho ou de aposentadoria. Importa que, após reiteradas decisões no sentido de que o art. 12 da Lei nº 7.713/1988 disciplina o momento da incidência, e não a forma de calcular o imposto, o Superior Tribunal de Justiça STJ fixou o entendimento, em sede de recurso repetitivo, de que o imposto de renda incidente sobre benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado pelo regime de competência, nos termos da seguinte ementa: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. AÇÃO REVISIONAL DE BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS DE FORMA ACUMULADA. 1. O Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Precedentes do STJ. 2. Recurso Especial não provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC e do art. 8º da Resolução STJ 8/2008. Resp 1.118.429/SP, julgado em 24/03/2010 Verificase, em julgados recentes, que o STJ tem adotado a orientação firmada pela Primeira Seção do STJ, por ocasião do julgamento do recurso repetitivo REsp 1.118.429/SP para também afastar a tributação dos rendimentos do trabalho recebidos acumuladamente pelo regime de caixa, determinando que o imposto de renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente deve ser calculado com base nas tabelas e alíquota próprias a que se referem tais rendimentos, haja vista a ementa da seguinte Decisão: TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. IMPOSTO DE RENDA DA PESSOA FÍSICA IRPF. NÃO INCIDÊNCIA SOBRE JUROS DE MORA PAGOS NO CONTEXTO DE RESCISÃO DO CONTRATO DE TRABALHO. ACÓRDÃO DO TRIBUNAL DE ORIGEM EM CONSONÂNCIA COM A JURISPRUDÊNCIA DO STJ QUANTO AO TRATAMENTO TRIBUTÁRIO DE PARCELAS PAGAS ACUMULADAMENTE Fl. 241DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 11/08/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10580.722010/200835 Acórdão n.º 2801003.596 S2TE01 Fl. 242 6 EM CUMPRIMENTO DE DECISÃO JUDICIAL. TEMAS JÁ JULGADOS PELA SISTEMÁTICA INSTITUÍDA PELO ART. 543C DO CP. 1.... 2. Em relação ao ponto do recurso especial em que a Procuradoria da Fazenda Nacional alega contrariedade ao art. 12 da Lei n. 7.713/88 e impugna o capítulo do acórdão do Tribunal de origem sob a rubrica "Da incidência mês a mês do imposto de renda", consta da decisão ora agravada que o mencionado recurso não procede porque a decisão proferida pelo Tribunal de origem está em consonância com a orientação firmada pela Primeira Seção do STJ, por ocasião do julgamento do recurso repetitivo REsp 1.118.429/SP (Rel. Min. Herman Benjamin, DJe de 14.5.2010), cuja ementa assim enuncia: "O imposto de renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente." 3. Ao dispor sobre os rendimentos recebidos acumuladamente, o art. 12 da Lei 7.713/88 disciplina o momento da incidência do imposto de renda, porém nada diz a respeito das alíquotas aplicáveis a tais rendimentos. Assim, no julgamento do recurso especial, não ocorreu violação do art. 97 da Constituição da República, tampouco contrariedade à Súmula Vinculante n. 10/STF. Como já proclamou a Quinta Turma, ao julgar os EDcl no REsp 622.724/SC (Rel. Min. Felix Fischer, REVJMG, vol. 174, p. 385), "não há que se falar em violação ao princípio constitucional da reserva de plenário (art. 97 da Lex Fundamentalis) se, nem ao menos implicitamente, foi declarada a inconstitucionalidade de qualquer lei". 4. Agravo regimental não provido. (AgRg no AgRg no REsp 1332443 / PRAGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES 2012/0138520 DJe 08/02/2013)(grifei e sublinhei) É de se concluir, portanto, que, na espécie, existe erro de cunho material na apuração do imposto devido, por aplicação incorreta do art. 12 da Lei nº 7.713/1988, consoante interpretação dada pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de Recurso Especial com a atribuição da sistemática do artigo 543–C do CPC, e que deve ser de aplicação obrigatória pelos Conselheiros do CARF, conforme disposto no art. 62A do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria nº 256, de 22 de junho de 2009, com as alterações das Portarias MF nºs 446, de 27 de agosto de 2009, e 586, de 21 de dezembro de 2010, in verbis: Artigo 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Fl. 242DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 11/08/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10580.722010/200835 Acórdão n.º 2801003.596 S2TE01 Fl. 243 7 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso para cancelar a exigência fiscal relativa à omissão de rendimentos recebidos acumuladamente. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Fl. 243DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 11/08/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN
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Numero do processo: 10073.001970/2007-15
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jul 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/05/1994 a 31/12/1998
NULIDADE. VÍCIO MATERIAL.
O vício material ocorre quando o auto de infração não preenche aos requisitos constantes do art. 142 do Código Tributário Nacional, havendo equívoco na construção do lançamento quanto à verificação das condições legais para a exigência do tributo ou contribuição do crédito tributário, enquanto que o vício formal ocorre quando o lançamento contiver omissão ou inobservância de formalidades essenciais, de normas que regem o procedimento da lavratura da auto, ou seja, da maneira de sua realização.
PREVIDENCIÁRIO. DECADÊNCIA
Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo decadencial das Contribuições Previdenciárias é de 05 (cinco) anos, nos termos do art. 150, § 4º do CTN, quando houver antecipação no pagamento, mesmo que parcial, por força da Súmula Vinculante nº 08, do Supremo Tribunal Federal.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2403-002.600
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, para reconhecer a decadência do lançamento por quaisquer dos critérios do CTN. Os conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro votaram pelas conclusões.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Marcelo Magalhães Peixoto - Relator
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Magalhães Peixoto, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Ivacir Júlio de Souza, Daniele Souto Rodrigues e Paulo Maurício Pinheiro Monteiro.
Nome do relator: MARCELO MAGALHAES PEIXOTO
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VÍCIO MATERIAL. O vício material ocorre quando o auto de infração não preenche aos requisitos constantes do art. 142 do Código Tributário Nacional, havendo equívoco na construção do lançamento quanto à verificação das condições legais para a exigência do tributo ou contribuição do crédito tributário, enquanto que o vício formal ocorre quando o lançamento contiver omissão ou inobservância de formalidades essenciais, de normas que regem o procedimento da lavratura da auto, ou seja, da maneira de sua realização. PREVIDENCIÁRIO. DECADÊNCIA Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo decadencial das Contribuições Previdenciárias é de 05 (cinco) anos, nos termos do art. 150, § 4º do CTN, quando houver antecipação no pagamento, mesmo que parcial, por força da Súmula Vinculante nº 08, do Supremo Tribunal Federal. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 3. 00 19 70 /2 00 7- 15 Fl. 302DF CARF MF Impresso em 18/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/07 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 2 ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, para reconhecer a decadência do lançamento por quaisquer dos critérios do CTN. Os conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro votaram pelas conclusões. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Marcelo Magalhães Peixoto Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Magalhães Peixoto, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Ivacir Júlio de Souza, Daniele Souto Rodrigues e Paulo Maurício Pinheiro Monteiro. Fl. 303DF CARF MF Impresso em 18/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/07 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10073.001970/200715 Acórdão n.º 2403002.600 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de Acórdão que julgou procedente o lançamento consubstanciado no DEBCAD 37.048.3952, cuja notificação se deu em 26/12/2006, referente ao período de 05/1994 a 12/1998. A autuação almeja o recolhimento de contribuições sociais correspondentes à parte empresa, parte devida pelos segurados (não objeto de retenção por parte da empresa) e à destinada ao financiamento da complementação das prestações por acidentes do trabalho – SAT (para as competências até 06/97) e ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (para as competências a partir de 07/97. A importância financeira do presente caso é de R$ 24.984,91 (vinte e quatro mil novecentos e oitenta e quatro reais e noventa e um centavos). Segundo o Relatório Fiscal, fls. 41/44, a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito acima foi lavrada em substituição da NFLD 35.007.3546, que foi anulada pela 4ª Câmara de julgamento – Acórdão 724/2005 – Ofício n. 10/4ª/CAJ/CRPS, de 04/04/2006. O mesmo relatório afirma que as contribuições foram aferidas com base nas notas fiscais/faturas/recibos de serviços executados mediante cessão de mãodeobra, pelas quais, a contratante responde solidariamente, nos termos do art. 31 da Lei n. 8.212/91, podendo apenas elidirse da responsabilidade no caso de prova do recolhimento prévio das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados. Durante a ação fiscal, foram solicitados à empresa, mediante TIAD, a comprovação dos recolhimentos das contribuições previdenciárias, inclusive as incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados incluída nas notas fiscais/faturas/recibos dos serviços executados. Os referidos documentos não foram apresentados, o que levou a auditoria fiscal lançar a contribuição por arbitramento, art. 33, parágrafo 3º da Lei 8.212/91. Os valores dos documentos relacionados foram identificados através de notas fiscais e dos lançamentos contábeis (livros Razão e Diário) apresentados na fiscalização anterior. Via AR foi intimada a Companhia Siderúrgica Nacional – CSN, em 26 de dezembro de 2006, fl. 45, assim como a solidária TRANSNUNES TRANSPORTES NUNES LTDA, na mesma data, fl. 46. DA IMPUGNAÇÃO Inconformada com o lançamento, a Companhia Siderúrgica Nacional – CSN, apresentou impugnação nas fls. 106/125. DO ACÓRDÃO DA DRJ Fl. 304DF CARF MF Impresso em 18/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/07 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 4 Em análise da impugnação ofertada a Décima Segunda Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I, prolatou na sessão de 15 de dezembro de 2010, o Acórdão n. 1234.831, 234/247, reconhecendo em parte a decadência no caso concreto, trazendo para tanto a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/1996 a 31/11/1998 TRIBUTÁRIO – PREVIDENCIÁRIO – CUSTEIO RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA – CESSÃO DE MÃODE OBRA O art. 31, parágrafo 3º da Lei 8.212/91, na redação da Lei 9.032/95, bem como o art. 46, parágrafo 2º do Regulamento de Organização e Custeio da Seguridade Social, aprovado pelo Dec. 612/92 (vigente até a competência março de 1997) e o Art. 42, parágrafo 2º do Regulamento de Organização e Custeio da Seguridade Social, aprovado pelo Dec. 2173/97 (aplicado até a competência dezembro de 1998) definem a forma de elisão da responsabilidade solidária. Não cumpridos estes requisitos, a tomadora é responsável pelas contribuições previdenciárias oriundas do fato gerador comum. A solidariedade passiva, legalmente imposta, pode unir diversos devedores que responderão, cada qual, pela dívida toda. A Secretaria da Receita Federal do Brasil tem o direito de escolher e de exigir, de acordo com seu interesse e conveniência, o valor total do crédito constituído, sem que o devedor tenha qualquer benefício de ordem. DECADÊNCIA. NULIDADE POR VÍCIO FORMAL. APLICAÇÃO DO ARTIGO 173, II CTN. ABRANGÊNCIA. LANÇAMENTO SUBSTITUTIVO. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário substitutivo, com fundamento no artigo 173, II do CTN, abrange as contribuições relativas à totalidade das obrigações tributárias ainda não atingidas pela decadência quando da lavratura do lançamento tornado nulo. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte DO RECURSO VOLUNTÁRIO Irresignada, a Recorrente, Companhia Siderúrgica Nacional – CSN, interpôs, tempestivamente, Recurso Voluntário, fls. 255/275, requerendo a reforma do Acórdão da DRJ, utilizandose, para tanto, dos seguintes argumentos: o vício declarado na NFLD anterior não foi meramente formal, mas sim de conteúdo material, por ferir a ampla defesa e o contraditório; a ausência de comprovação da existência do débito exigido; a observância do princípio da razoável duração do processo. DEMAIS INFORMAÇÕES Nos autos consta a informação de que o contribuinte ajuizou dois processos que versam sobre matérias correlatas aos dos presentes autos, no entanto, entendo não se amoldar à aplicação da Súmula CARF n. 01. Fl. 305DF CARF MF Impresso em 18/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/07 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10073.001970/200715 Acórdão n.º 2403002.600 S2C4T3 Fl. 4 5 O primeiro trata do Mandado de Segurança n. 2007.51.10.0000350, fl. 6123 do processo 10073.001965/200702, distribuído à 05ª Vara Federal de São João do Meriti, em que o contribuinte pede, em sede de mérito, a anulação dos lançamentos notificados em 01/12/2006. O segundo trata da Ação Anulatória n. 2008.51.01.0105666, fl. 218/226 dos presentes autos, em que se discute a anulação das NFLD`s n. 37.048.3545, 37.048.3570, 37.048.3556 distribuída à 07ª Vara Federal da Seção Judiciária no Rio de Janeiro. Ambas as ações discutem lançamentos (NFLD`s/DEBCAD’s) decorrentes daquele anulado pela 4ª Câmara de Julgamento do CRPS em 12/04/2006, NFLD 35.007.3546, fls. 215/219 do processo 10073.001965/200702 e mantido em sede de pedido de uniformização de jurisprudência, fl. 222/224 também do processo 10073.001965/200702. No entanto, apesar de serem decorrentes do mesmo procedimento, não se tratam dos mesmos processos o que afasta por si só o alcance do instituto da renúncia à esfera administrativa. É o relatório. Fl. 306DF CARF MF Impresso em 18/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/07 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 6 Voto Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto, Relator DA ADMISSIBILIDADE Conforme documentos de fl. 286, temse que o recurso é tempestivo e reúne os pressupostos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. DA NATUREZA DA NULIDADE DO ACÓRDÃO ANTERIOR – DA DECADÊNCIA O Acórdão 724/2005 da 4ª Câmara de Julgamento do CRPS foi acostado pela então impugnante nas fls. 215/219 nos autos do processo 10073.001965/200702, que possui a seguinte ementa: PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. ARTIGO 31 DA LEI N. 8.212/91. AFERIÇÃO INDIRETA. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. NULIDADE ABSOLUTA. A ausência de fundamentação legal do arbitramento das contribuições previdenciárias é vício insanável e gera a nulidade absoluta da notificação em referência. NFLD ANULADA. Analisando o inteiro teor do acórdão, percebese que três foram as razões para declaração da nulidade do acórdão: a) a falta de indicação do dispositivo legal que prevê a aferição indireta no relatório específico intitulado Fundamentação Legal de Débito – FLD; b) o cerceamento do direito de defesa em razão da forma pela qual a fiscalização lançou o auto, em razão da falta de clareza na descrição do fato gerador, o qual englobou uma quantidade imensa de contratos como base de cálculo sem discriminar a base decorrente de cada um individualmente e; c) não ter intimado os contribuintes solidários o que caracteriza cerceamento do direito de defesa. Ocorre que não se chegou a tratar expressamente acerca da natureza da nulidade declarada, se material ou formal. Entendo que a nulidade ali declarada é de natureza material e não formal, como faz crer a fiscalização. Ademais, se formal fosse, o CRPS teria se referido expressamente sobre a sua anulação com base no art. 173, II do CTN. Desde já, impende salientar que a partir da leitura do Termo de Encerramento de Procedimento Fiscal, vários foram os autos de infração lavrados contra o contribuinte, os quais seguiram trâmite independente. Dentre eles, o processo 11330.000493/200747, já foi submetido a julgamento por esta Segunda Seção de Julgamento, que concluiu da mesma forma pela qual se está fundamentando o presente voto, ou seja, pelo reconhecimento da nulidade material e da consequente decadência no presente caso, conforme acórdão de n. 2301002.663, Fl. 307DF CARF MF Impresso em 18/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/07 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10073.001970/200715 Acórdão n.º 2403002.600 S2C4T3 Fl. 5 7 de 13 de março de 2012, de relatoria do Conselheiro Leonardo Henrique Pires Lopes, da 3ª Câmara da 1ª Turma Ordinária, cuja ementa segue transcrita, in verbis: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Período de Apuração: 01/1996 a 12/1998 NULIDADE DO LANÇAMENTO. VÍCIO MATERIAL. Ocorre vício material quando cerceado o direito de defesa do contribuinte, consistente na ausência de indicação no lançamento do dispositivo legal que fundamenta o lançamento e a existência da própria obrigação tributária. O vício material é aquele que atinge um dos pressupostos do art. 142 do Código Tributário Nacional, cujo texto segue abaixo reproduzido, in verbis: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. No caso concreto, percebo que houve malferimento especificamente com relação a dois pressupostos do lançamento: a) determinação da matéria tributável e b) identificação do sujeito passivo. Cumpre destacar também que a nulidade em razão ao cerceamento do direito de defesa também está presente no Decreto 70.235/72, no art. 59, in verbis: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) A natureza material da nulidade é assente neste tribunal, conforme se percebe de julgamentos desta Segunda Seção, que já decidiu desta forma no Recurso Voluntário n. Fl. 308DF CARF MF Impresso em 18/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/07 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 8 151.240, nos autos do Processo n. 36474.007407/200632, em 21 de setembro de 2010, que resultou no Acórdão n. 240201.175, advindo da 4ª Câmara, 2ª Turma Ordinária. Com os mesmos fundamentos, a Primeira Seção de Julgamento, 4ª Câmara, 1ª Turma Ordinária, nos autos do processo n. 10875.004309/200475, na sessão de 19 de outubro de 2011, prolatou o acórdão 140100.665, que possui a seguinte redação: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 30/06/1999, 31/07/1999, 30/11/1999 AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO. NULIDADE. A ausência de indicação correta e completa da matéria tributável, mediante a adequada descrição do fato imputável e das disposições legais infringidas, caracteriza vício material do lançamento, impondose a decretação de nulidade do feito, por cerceamento de direito de defesa. Da mesma forma foi o julgamento do Acórdão n. 10808.174 de 23/02/2005 da Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL NULIDADE VÍCIO FORMAL LANÇAMENTO FISCAL COM ALEGADO ERRO DE IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO INEXISTÊNCIA Os vícios formais são aqueles que não interferem no litígio propriamente dito, ou seja, correspondem a elementos cuja ausência não impede a compreensão dos fatos que baseiam as infrações imputadas. Circunscrevemse a exigências legais para garantia da integridade do lançamento como ato de ofício, mas não pertencem ao seu conteúdo material. O suposto erro na identificação do sujeito passivo caracteriza vício substancial, uma nulidade absoluta, não permitindo a contagem do prazo especial para decadência previsto no art. 173, II, do CTN. Também, há de se destacar o julgamento no Recurso 129.310, Processo 10247.000082/0091 em 09 de julho de 2002, Acórdão n. 10706.695, ementado da seguinte forma: (...) RECURSO EX OFFICIO NULIDADE DO LANÇAMENTO VÍCIO FORMAL. A verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação, a determinação da matéria tributável, o cálculo do montante do tributo devido a indentificação do sujeito passivo, definidos no art. 142 do Código Tributário Nacional CTN, são elementos fundamentais intrínsecos, do lançamento, sem cuja delimitação precisa não se pode admitir a existência da obrigação tributária em concreto. O levantamento e observância desses elementos básicos antecedem o são preparatórios à sua formalização, a qual se dá no momento seguinte, mediante a lavratura do auto de infração, seguida da notificação ao sujeito passivo, quando, aí sim, deverão estar presentes os seus requisitos formais, extrínsecos, como, por função e o número de Fl. 309DF CARF MF Impresso em 18/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/07 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10073.001970/200715 Acórdão n.º 2403002.600 S2C4T3 Fl. 6 9 matrícula, a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado, com a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. (...) No decorrer do voto condutor do acórdão, o relator, Dr. Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz , afirma: Mal comparando, poderíamos dizer que o vício substancial está para a constituição do crédito tributário assim como o cálculo estrutural está para a edificação, no ramo da construção civil, enquanto que a forma seria, para o lançamento de ofício, o equivalente ao acabamento, à "fachada", na edificação civil. Deduzse daí que o vício substancial pressupõe a ocorrência de defeito na estrutura que é o sustentáculo de toda edificação, seja na construção civil ou na constituição do crédito tributário, possuindo sua ocorrência, assim, efeito demolidor, que joga por terra a obra erigida com esse insanável vício. Em outro passo, o defeito de forma, de acabamento ou na "fachada", não possui os tais efeitos devastadores causados pelo vício de estrutura, sendo contomáveis, sem que dano de morte cause à edificação. Fazemse os acertos ou até mesmo as modificações pertinentes, porém, sem reflexo algum sobre as bases em que a obra tenha sido erigida ou à sua própria condição de algo que existe, apesar dos defeitos. e, a meu ver, são esses "defeitos menores"que o legislador quis contemplar quando admite que tais vícios, apenas eles, podem e devem ser sanados e que somente a partir da decisão que declarar a nulidade desse ato é que passaria a fluir o prazo de decadência para o sujeito ativo da obrigação tributária, exercer o direito a novo lançamento de ofício. No mesmo norte, é o julgamento do Acórdão n. 19200 015 IRPF, de 14/10/2008 da Segunda Turma Especial do Primeiro Conselho de Contribuintes: O vício material ocorre quando o auto de infração não preenche aos requisitos constantes do art. 142 do Código Tributário Nacional, havendo equívoco na construção do lançamento quanto à verificação das condições legais para a exigência do tributo ou contribuição do crédito tributário, enquanto que o vício formal ocorre quando o lançamento contiver omissão ou inobservância de formalidades essenciais, de normas que regem o procedimento da lavratura da auto, ou seja, da maneira de sua realização. A nulidade declarada no Acórdão 724/2005 de 04/04/2006, é de natureza material, não podendo o fisco realizar lançamento substitutivo nos termos do art. 173, II do CTN, uma vez que este dispositivo se refere apenas às hipóteses de decretação de nulidade por vício formal, o que não é o presente caso, uma vez que foram declaradas as nulidades por ausência de tipificação legal, assim como por cerceamento do direito de defesa tanto do contribuinte à época intimado, quanto do solidário sequer citado. Fl. 310DF CARF MF Impresso em 18/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/07 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 10 Por essa razão deve ser analisada a decadência à luz do disposto no art. 150, parágrafo 4º, ou mesmo do art. 173, I. O Supremo Tribunal Federal, em Sessão Plenária de 12 de Junho de 2008, aprovou a Súmula Vinculante nº 8, nos seguintes termos: “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do DecretoLei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Referida Súmula declara inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91, que impõem o prazo decadencial e prescricional de 10 (dez) anos para as contribuições previdenciárias, o que significa que tais contribuições passam a ter seus respectivos prazos contados em consonância com os artigos 150, § 4º, 173 e 174, do Código Tributário Nacional: CTN Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (...) Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; De acordo com o art. 103A, da Constituição Federal, a Súmula Vinculante nº 8 vincula toda a Administração Pública, inclusive este Colegiado. In casu, como se trata de contribuições sociais previdenciárias que são tributos sujeitos a lançamento por homologação, contase o prazo decadencial nos termos do art. 150, § 4º do CTN, caso se verifique a antecipação de pagamento (mesmo que parcial) ou, nos termos do art. 173, I, do CTN, quando o pagamento não foi antecipado pelo contribuinte. Ocorre que o período de apuração compreendeu as competências 07/1996 a 11/1998 e a notificação ocorreu apenas em 26/12/2006, por essa razão, fora ultrapassado mais de 08 (oito) anos da data do fato gerador mais recente lançado. Logo, o prazo decadencial ocorreu em relação a todo o período, por quaisquer dos critérios do Código Tributário Nacional. Face todo o exposto, merece provimento o recurso voluntário, uma vez que a nulidade declarada pela 4ª Câmara de Julgamento fora de natureza material, por malferir o art. 142 do Código Tributário Nacional, e, tendo o lançamento substitutivo sido realizado em prazo Fl. 311DF CARF MF Impresso em 18/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/07 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10073.001970/200715 Acórdão n.º 2403002.600 S2C4T3 Fl. 7 11 posterior ao previsto no art. 150 parágrafo 4º, bem como art. 173, I do CTN, há que se reconhecer a decadência no presente caso. CONCLUSÃO Ante o exposto, conheço do recurso voluntário para reconhecer a decadência integral por quaisquer dos critérios do Código Tributário Nacional. Marcelo Magalhães Peixoto. Fl. 312DF CARF MF Impresso em 18/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/07 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI
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