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Numero do processo: 10711.724456/2013-29
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 21 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue May 09 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 03/06/2009
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INOBSERVÂNCIA AO PRAZO ESTABELECIDO PREVISTO EM NORMA. AUSÊNCIA DE PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO.
É obrigação do contribuinte prestar informações sobre a desconsolidação de carga dentro dos prazos previstos no artigo 22 c/c o artigo 50 da IN SRF nº 800/2007, sob pena de sujeitar-se à aplicação da multa prevista no artigo 107, inciso I, IV, alínea "e", do Decreto Lei nº 37/66.
MULTA POR ATRASO NA PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO SOBRE A CARGA. APLICAÇÃO POR MANIFESTO DE CARGA. IMPOSSIBILIDADE. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE.
A multa regulamentar sancionadora da infração por omissão ou atraso na prestação de informação sobre a carga transportada por empresa de transporte internacional de carga deve ser aplicada uma única vez por viagem do veículo transportador e não por cada manifesto de carga da mesma viagem. Contudo, se não estiverem presentes nos autos informações suficientes que comprovem a penalização por cada manifesto de carga, não há como cancelar o lançamento.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3201-002.540
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente Substituto e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Jose Luiz Feistauer de Oliveira, Mercia Helena Trajano Damorim, Cassio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi De Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 03/06/2009 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INOBSERVÂNCIA AO PRAZO ESTABELECIDO PREVISTO EM NORMA. AUSÊNCIA DE PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO. É obrigação do contribuinte prestar informações sobre a desconsolidação de carga dentro dos prazos previstos no artigo 22 c/c o artigo 50 da IN SRF nº 800/2007, sob pena de sujeitar-se à aplicação da multa prevista no artigo 107, inciso I, IV, alínea "e", do Decreto Lei nº 37/66. MULTA POR ATRASO NA PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO SOBRE A CARGA. APLICAÇÃO POR MANIFESTO DE CARGA. IMPOSSIBILIDADE. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. A multa regulamentar sancionadora da infração por omissão ou atraso na prestação de informação sobre a carga transportada por empresa de transporte internacional de carga deve ser aplicada uma única vez por viagem do veículo transportador e não por cada manifesto de carga da mesma viagem. Contudo, se não estiverem presentes nos autos informações suficientes que comprovem a penalização por cada manifesto de carga, não há como cancelar o lançamento. Recurso Voluntário Negado.
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MULTA POR ATRASO NA PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO SOBRE CARGA Recorrente CEVA FREIGHT MANAGEMENT DO BRASIL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 03/06/2009 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INOBSERVÂNCIA AO PRAZO ESTABELECIDO PREVISTO EM NORMA. AUSÊNCIA DE PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO. É obrigação do contribuinte prestar informações sobre a desconsolidação de carga dentro dos prazos previstos no artigo 22 c/c o artigo 50 da IN SRF nº 800/2007, sob pena de sujeitarse à aplicação da multa prevista no artigo 107, inciso I, IV, alínea "e", do Decreto Lei nº 37/66. MULTA POR ATRASO NA PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO SOBRE A CARGA. APLICAÇÃO POR MANIFESTO DE CARGA. IMPOSSIBILIDADE. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. A multa regulamentar sancionadora da infração por omissão ou atraso na prestação de informação sobre a carga transportada por empresa de transporte internacional de carga deve ser aplicada uma única vez por viagem do veículo transportador e não por cada manifesto de carga da mesma viagem. Contudo, se não estiverem presentes nos autos informações suficientes que comprovem a penalização por cada manifesto de carga, não há como cancelar o lançamento. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) WINDERLEY MORAIS PEREIRA Presidente Substituto e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 1. 72 44 56 /2 01 3- 29 Fl. 97DF CARF MF Processo nº 10711.724456/201329 Acórdão n.º 3201002.540 S3C2T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Jose Luiz Feistauer de Oliveira, Mercia Helena Trajano Damorim, Cassio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi De Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario. Relatório Tratase de processo referente à exigência de multa pelo descumprimento da obrigação de prestar informação sobre veículo, operação realizada ou carga transportada, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. A irregularidade identificada consta do tópico "Dos Fatos", parte da Descrição dos Fatos do Auto de Infração. Segundo o relatado, consistiu na prestação intempestiva de informação referente ao conhecimento eletrônico (CE) ali indicado, o que acarretou no bloqueio automático do conhecimento no sistema Carga, conforme extrato anexado aos autos. Diante dos fatos apurados, a fiscalização entendeu configurada a infração tipificada no art. 107, IV, “e”, do DecretoLei nº 37/1966, com redação dada pela Lei nº 10.833/2003, e aplicou a multa ali cominada. Não conformada com a exigência, a contribuinte apresentou Impugnação, cujos argumentos de defesa foram assim sintetizados pela DRJ: a) Princípio da razoabilidade. O atraso incorrido pela impugnante não causou embaraço ao controle aduaneiro, eis que as informações foram prestadas com suficiente antecedência da chegada do navio ao porto, o que comprova, também, o fato de a autuada não ter agido com intuito de cometer qualquer infração. Dessa forma, a aplicação de multa no presente caso ofende ao princípio da razoabilidade, que impõe à Administração Pública o dever de agir com bom senso, prudência e moderação, levando em conta a relação de proporcionalidade entre os meios empregados e a finalidade a ser alcançada, bem como as circunstâncias que envolvem a prática do ato. b) Bis in Idem. A impugnante foi penalizada mais de uma vez pela mesma conduta, uma vez que foram cobradas multas pelo atraso na entrega de informações referentes a cargas transportadas no mesmo navio/viagem, conforme processos administrativos indicados, não podendo subsistir mais de uma penalidade para o mesmo fato, conforme estabelece a legislação de regência. Assim, se infração houve, nesses casos só poderia ser aplicada multa uma única vez, consoante já decidiu a própria Receita Federal na Solução de Consulta Interna (SCI) nº 8, de 14/2/2008. Ao final a impugnante requer que seja cancelado o lançamento ou, subsidiariamente, que seja aplicado o entendimento de que só é cabível uma multa em relação a cada navio/viagem, excluindose as penalidades excedentes. A DRJ/Fortaleza julgou improcedente a impugnação apresentada, mantendo a exigência da penalidade nos termos do Acórdão 08033.123. No recurso voluntário foram repisadas as alegações trazidas na impugnação. É o relatório. Fl. 98DF CARF MF Processo nº 10711.724456/201329 Acórdão n.º 3201002.540 S3C2T1 Fl. 4 3 Voto Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201002.523, de 21 de fevereiro de 2017, proferido no julgamento do processo 10711.724209/201241, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão, (Acórdão 3201002.523): "Conforme o Direito Tributário, a legislação, as provas, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros, conforme portaria de condução e Regimento Interno deste Conselho, apresento e relato o seguinte voto. Por conter matéria preventa desta 3.ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e considerando o tempestivo Recurso Voluntário, dele conheço. A alegação da fiscalização de 'Não Prestação de Informação sobre Carga Transportada' e a consequente aplicação de multa de R$ 5.000,00 prevista no Art. 107 do DL 37/66, em razão do descumprimento do prazo previsto na IN RFB 800/2007, Art. 22, ocorreu em razão da fiscalização ter constatado que o contribuinte era consignatário e deveria ter cumprido o prazo em no máximo até 29/07/09 às 07:58, sendo que desconsolidou o mercante agregado HBL de fls. 23 e 24 às 18:00 do mesmo dia 29. Conforme alegação de bis in idem do contribuinte em seu Recurso Voluntário, a autuação seria atrelada a dois outros autos de infração, Processos Administrativos de n°. 10711.724.250/201218 e 10711.724.251/201262, com os mesmos fatos e penalidade. Vencido no voto de diligência, para que fossem juntadas aos autos cópias dos mencionados processos e fosse verificada a possibilidade da duplicidade da pena, conforme Resolução por mim proposta na sessão de Janeiro deste ano, é certo que devo proceder à análise do mérito desta lide. Em que pese existir precedente favorável à situação do contribuinte, como o encontrado no Acórdão 3102001.988 deste Conselho, que determinou que a multa regulamentar sancionadora da infração por omissão ou atraso na prestação de informação sobre a carga transportada por empresa de transporte internacional de carga deve ser aplicada uma única vez por viagem do veículo transportador e não por cada manifesto de carga da mesma viagem, como fora consignado na autuação, não houve comprovação da existência de duplicidade ou do bis in idem, tampouco argumentos capazes de prejudicar o lançamento fiscal ou contradizer os argumentos utilizados pela turma de origem que afirmou 'que as multas aplicadas foram decorrentes de condutas similares, porém, relativas a fatos distintos'. Fl. 99DF CARF MF Processo nº 10711.724456/201329 Acórdão n.º 3201002.540 S3C2T1 Fl. 5 4 Mas cópias dos Autos de Infração, um demonstrativo analítico, com os registros relativos às operações tratadas em cada processo apontado no recurso, não foram juntados pelo contribuinte. Esta situação (não juntada de documentos ou provas) diverge do previsto no Art. 16, inciso III e §4º, do inciso V , do Decreto nº 70.235/72, bem como do artigo 373, inciso II, do Código de Processo Civil. Nestes termos, considerando que a Recorrente deixou de comprovar suas alegações, não há como acolher o pedido de nulidade do lançamento suscitado pela contribuinte. Restam prejudicados os demais argumentos do contribuinte, pois todos são decorrentes da alegação de bis in idem, exceto pela alegação de aplicação do princípio da razoabilidade, o que certamente teria valia porque é um princípio constitucional, contudo, está correta a fundamentação legal do lançamento, vigente e aplicável aos fatos narrados. O lançamento capitulou corretamente a multa regulamentar pela não prestação de informação sobre veículo ou carga transportada, ou sobre operações que executar, prevista no artigo 107, inciso IV, alínea "e", do Decreto Lei º 37/66, com a redação dada pelo artigo 77 da Lei nº 10.833/2003, pelo fato da Recorrente ter prestado informações sobre a desconsolidação da carga fora do preceitos e prazos previstos nos artigo 22 e 50, da Instrução Normativa SRF nº 800/2007. Assim, deve ser aplicada a multa prevista pela letra “e” do inciso IV, art. 107 do Decreto nº 37, isso é, no montante de R$ 5.000,00 (cinco mil reais). Diante do exposto, votase por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário para manter o lançamento em uma só multa no valor de R$ 5.000,00 (cinco mil reais)." Quanto à questão do bis in idem, da mesma forma que no caso do paradigma a contribuinte não juntou ao presente processo "cópias dos Autos de Infração, um demonstrativo analítico, com os registros relativos às operações tratadas em cada processo apontado no recurso". Não comprovada a ocorrência de duplicidade da exigência, não há como acolher o pleito de nulidade do presente lançamento. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente Winderley Morais Pereira Fl. 100DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10875.906550/2012-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Mar 28 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/03/2003
BASE DE CÁLCULO PIS/PASEP E COFINS. EXCLUSÃO DO ICMS SOBRE VENDAS DEVIDO NA CONDIÇÃO DE CONTRIBUINTE. IMPOSSIBILIDADE.
A parcela relativa ao ICMS, devido sobre operações de venda na condição de contribuinte, inclui-se na base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins.
Recurso Voluntário Negado.
Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3302-003.550
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencida a Conselheira Lenisa Rodrigues Prado, que dava provimento.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Paulo Guilherme Déroulède e Lenisa Rodrigues Prado.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 31/03/2003 BASE DE CÁLCULO PIS/PASEP E COFINS. EXCLUSÃO DO ICMS SOBRE VENDAS DEVIDO NA CONDIÇÃO DE CONTRIBUINTE. IMPOSSIBILIDADE. A parcela relativa ao ICMS, devido sobre operações de venda na condição de contribuinte, inclui-se na base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido.
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BASE DE CÁLCULO. ICMS. Recorrente ATLANTA QUÍMICA INDUSTRIAL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/03/2003 BASE DE CÁLCULO PIS/PASEP E COFINS. EXCLUSÃO DO ICMS SOBRE VENDAS DEVIDO NA CONDIÇÃO DE CONTRIBUINTE. IMPOSSIBILIDADE. A parcela relativa ao ICMS, devido sobre operações de venda na condição de contribuinte, incluise na base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencida a Conselheira Lenisa Rodrigues Prado, que dava provimento. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Paulo Guilherme Déroulède e Lenisa Rodrigues Prado. Relatório Tratase de Pedido de Restituição cujo direito creditório é oriundo de recolhimento informado como indevido ou a maior que o devido a título de Cofins. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 90 65 50 /2 01 2- 41 Fl. 126DF CARF MF Processo nº 10875.906550/201241 Acórdão n.º 3302003.550 S3C3T2 Fl. 3 2 A Delegacia da Receita Federal de jurisdição do contribuinte emitiu despacho decisório eletrônico indeferindo a restituição pleiteada, sob o argumento de que o pagamento foi utilizado na quitação integral de débito(s) do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Após ser intimada, a Contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade que foi julgada improcedente por intermédio do Acórdão 02050.795. Em síntese, entendeu a DRJ que não existe previsão legal para excluir o ICMS da base de cálculo das contribuições, do que resultou mantido o indeferimento do pleito de restituição. Inconformada, a Recorrente interpôs recurso voluntário pugnando pelo reconhecimento de seu direito creditório. O principal argumento da defesa é o de que o ICMS não pode ser considerado como faturamento da empresa, não podendo, desta forma, compor a base de cálculo das contribuições. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302003.520, de 26 de janeiro de 2017, proferido no julgamento do processo 10875.906543/201249, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302003.520): "O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. No que tange à exclusão do ICMS devido nas operações de venda, na condição de contribuinte, o §2º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998 estabeleceu as hipóteses de exclusão da base de cálculo das contribuições, à época dos fatos: § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: I as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; II as reversões de provisões e recuperações de créditos baixados como perda, que não representem ingresso de novas receitas, o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido e os lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição, que tenham sido computados como receita; (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) Fl. 127DF CARF MF Processo nº 10875.906550/201241 Acórdão n.º 3302003.550 S3C3T2 Fl. 4 3 III os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, observadas normas regulamentadoras expedidas pelo Poder Executivo; (Vide Medida Provisória nº 1.99118, de 2000) (Revogado pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) IV a receita decorrente da venda de bens do ativo permanente. Verificase no inciso I, que o ICMS incidente nas operações na condição de contribuinte (próprio) não foi elencado como parcela a ser excluída da base de cálculo. Juridicamente e contabilmente, o ICMS compõe a receita de venda e consiste em redutor da receita bruta. A legislação, ao longo do tempo, dispôs sobre a receita bruta, sempre indicando que os impostos incidentes sobre a venda a compunham. Assim, citamse o artigo 12 do Decretolei nº 1.598/1977, o artigo 187 da Lei nº 6.404, o artigo 31 da Lei nº 8.981/1995, bem como a IN SRF nº 51/1978: Decretolei nº 1.598/1977: Art 12 A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria e o preço dos serviços prestados. Art. 12. A receita bruta compreende: (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) I o produto da venda de bens nas operações de conta própria; (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) II o preço da prestação de serviços em geral; (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) III o resultado auferido nas operações de conta alheia; e (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) IV as receitas da atividade ou objeto principal da pessoa jurídica não compreendidas nos incisos I a III. (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) § 1º A receita líquida de vendas e serviços será a receita bruta diminuída das vendas canceladas, dos descontos concedidos incondicionalmente e dos impostos incidentes sobre vendas. § 1o A receita líquida será a receita bruta diminuída de: (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) I devoluções e vendas canceladas; (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) II descontos concedidos incondicionalmente; (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) III tributos sobre ela incidentes; e (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) IV valores decorrentes do ajuste a valor presente, de que trata o inciso VIII do caput do art. 183 da Lei no 6.404, de 15 de dezembro de 1976, das operações vinculadas à receita bruta. (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) Lei nº 6.404/1976: Art. 187. A demonstração do resultado do exercício discriminará: I a receita bruta das vendas e serviços, as deduções das vendas, os abatimentos e os impostos; II a receita líquida das vendas e serviços, o custo das mercadorias e serviços vendidos e o lucro bruto; Fl. 128DF CARF MF Processo nº 10875.906550/201241 Acórdão n.º 3302003.550 S3C3T2 Fl. 5 4 IN SRF nº 51/1978: 1. A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens, nas operações de conta própria, e o preço dos serviços prestados (artigo 12 do Decretolei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977). 2. Na receita bruta não se incluem os impostos nãocumulativos cobrados do comprador ou contratante impostos nãocumulativos cobrados do comprador ou contratante (imposto sobre produtos industrializados e imposto único sobre minerais do País) e do qual o vendedor dos bens ou prestador dos serviços seja mero depositário. Imposto não cumulativo é aquele em que se abate, em cada operação, o montante de imposto cobrado nas anteriores. 3. Igualmente não se computam no custo de aquisição das mercadorias para revenda e das matériasprimas os impostos mencionados no item anterior, que devam ser recuperados. 4. A receita líquida de vendas e serviços é a receita bruta da vendas e serviços, diminuídas (a) das vendas canceladas, (b) dos descontos e abatimentos concedidos incondicionalmente e (c) dos impostos incidentes sobre as vendas. 4.1 Vendas canceladas correspondentes a anulação de valores registrados como receita bruta de vendas e serviços; eventuais perdas ou ganhos decorrentes de cancelamento de venda, ou de rescisão contratual, não devem afetar a receita líquida de vendas e serviços, mas serão computados nos resultados operacionais. 4.2 Descontos incondicionais são parcelas redutoras do preço de vendas, quando constarem da nota fiscal de venda dos bens ou da fatura de serviços e não dependerem de evento posterior à emissão desses documentos. 4.3 Para os efeitos desta Instrução Normativa reputamse incidentes sobre as vendas os impostos que guardam proporcionalmente com o preço da venda ou dos serviços, mesmo que o respectivo montante integra a base de cálculo, tais como o imposto de circulação de mercadorias, o imposto sobre serviços de qualquer natureza, o imposto de exportação, o imposto único sobre energia elétrica, o imposto único sobre combustíveis e lubrificantes etc. Neste sentido o STJ publicou as súmulas 69 e 94, cujos enunciados dispõem: Súmula n. 68 : "A parcela relativa ao ICM incluise na base de cálculo do PIS". Súmula n. 94: "A parcela relativa ao ICMS incluise na base de cálculo do FINSOCIAL". É de se concluir que a legislação inclui o ICMS incidente sobre as vendas no conceito de receita bruta, excluindoo apenas do conceito de receita líquida. Sobre o tema, há decisões recentes do STJ entendendo pela inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições, como o AgRg no REsp 1576424 / RS, de 10/03/2016, cuja ementa transcrevese: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SUBSTITUTIVA. ARTS. 7º e 8º DA LEI Nº 12.546/2011. BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA. INCLUSÃO DO ICMS. POSSIBILIDADE. APLICAÇÃO, MUTATIS MUTANDIS, DA ORIENTAÇÃO FIRMADA NO RESP Nº 1.330.737/SP, REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA RELATIVA À INCLUSÃO Fl. 129DF CARF MF Processo nº 10875.906550/201241 Acórdão n.º 3302003.550 S3C3T2 Fl. 6 5 DO ISSQN NA BASE DE CÁLCULO DO PIS/PASEP E DA COFINS NA SISTEMÁTICA NÃOCUMULATIVA. 1. A possibilidade de inclusão, na receita bruta, de parcela relativa a tributo recolhido a título próprio foi pacificada, por maioria, pela Primeira Seção desta Corte em 10.6.2015, quando da conclusão do julgamento do recurso representativo da controvérsia REsp nº 1.330.737/SP, de relatoria do Ministro Og Fernandes, ocasião em que se concluiu que o ISSQN integra o conceito maior de receita bruta, base de cálculo do PIS/Pasep e da COFINS. 2. As razões que fundamentam o supracitado recurso especial representativo de controvérsia se aplicam, mutatis mutandis, à inclusão das parcelas relativas ao ICMS na base de cálculo da contribuição substitutiva prevista nos arts. 7º e 8º da Lei nº 12.546/2011. Precedente: REsp nº 1.528.604, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 17.9.2015. 3. A contribuição substitutiva prevista nos arts. 7º e 8º da Lei nº 12.546/2011, da mesma forma que as contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS na sistemática não cumulativa previstas nas Leis n.s 10.637/2002 e 10.833/2003, adotou conceito amplo de receita bruta, o que afasta a aplicação ao caso em tela do precedente firmado no RE n. 240.785/MG (STF, Tribunal Pleno, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 08.10.2014), eis que o referido julgado da Suprema Corte tratou das contribuições ao PIS/Pasep e COFINS regidas pela Lei n. 9.718/98, sob a sistemática cumulativa que adotou, à época, um conceito restrito de faturamento. Precedente. 4. Agravo regimental não provido. Ressaltase que a inclusão do ISS na base de cálculo das contribuições foi considerada legítima e julgada sob a sistemática de recursos repetitivos no REsp 1.330.737/SP, em 10/06/2015, que possuiu a seguinte ementa: TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C DO CPC E RESOLUÇÃO STJ N. 8/2008. PRESTADOR DE SERVIÇO. PIS E COFINS. INCLUSÃO DO ISSQN NO CONCEITO DE RECEITA OU FATURAMENTO. POSSIBILIDADE. INEXISTÊNCIA DE VIOLAÇÃO DOS ARTS. 109 E 110 DO CTN. 1. Para efeitos de aplicação do disposto no art. 543C do CPC, e levando em consideração o entendimento consolidado por esta Corte Superior de Justiça, firmase compreensão no sentido de que o valor suportado pelo beneficiário do serviço, nele incluindo a quantia referente ao ISSQN, compõe o conceito de receita ou faturamento para fins de adequação à hipótese de incidência do PIS e da COFINS. 2. A orientação das Turmas que compõem a Primeira Seção deste Tribunal Superior consolidouse no sentido de que "o valor do ISSQN integra o conceito de receita bruta, assim entendida como a totalidade das receitas auferidas com o exercício da atividade econômica, de modo que não pode ser dedutível da base de cálculo do PIS e da COFINS" (REsp 1.145.611/PR, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe 8/9/2010; AgRg no REsp 1.197.712/RJ, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe 9/6/2011; AgRg nos EDcl no REsp 1.218.448/RS, Rel. Ministro Arnaldo Esteves Lima, Primeira Turma, DJe 24/8/2011; AgRg no AREsp 157.345/SE, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 2/8/2012; AgRg no AREsp 166.149/CE, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, julgado em 28/08/2012, DJe 4/9/2012; EDcl no AgRg no REsp 1.233.741/PR, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 7/3/2013, DJe 18/3/2013; AgRg no AREsp 75.356/SC, Rel. Fl. 130DF CARF MF Processo nº 10875.906550/201241 Acórdão n.º 3302003.550 S3C3T2 Fl. 7 6 Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, julgado em 15/10/2013, DJe 21/10/2013). 3. Nas atividades de prestação de serviço, o conceito de receita e faturamento para fins de incidência do PIS e da COFINS deve levar em consideração o valor auferido pelo prestador do serviço, ou seja, valor desembolsado pelo beneficiário da prestação; e não o fato de o prestador do serviço utilizar parte do valor recebido pela prestação do serviço para pagar o ISSQN Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza. Isso por uma razão muito simples: o consumidor (beneficiário do serviço) não é contribuinte do ISSQN. 4. O fato de constar em nota fiscal informação no sentido de que o valor com o qual arcará o destinatário do serviço compreende quantia correspondente ao valor do ISSQN não torna o consumidor contribuinte desse tributo a ponto de se acolher a principal alegação das recorrentes, qual seja, de que o ISSQN não constituiu receita porque, em tese, diz respeito apenas a uma importância que não lhe pertence (e sim ao município competente), mas que transita em sua contabilidade sem representar, entretanto, acréscimo patrimonial. 5. Admitir essa tese seria o mesmo que considerar o consumidor como sujeito passivo de direito do tributo (contribuinte de direito) e a sociedade empresária, por sua vez, apenas uma simples espécie de "substituto tributário", cuja responsabilidade consistiria unicamente em recolher aos cofres públicos a exação devida por terceiro, no caso o consumidor. Não é isso que se tem sob o ponto de vista jurídico, pois o consumidor não é contribuinte (sujeito passivo de direito da relação jurídicotributária). 6. O consumidor acaba suportando o valor do tributo em razão de uma política do sistema tributário nacional que permite a repercussão do ônus tributário ao beneficiário do serviço, e não porque aquele (consumidor) figura no polo passivo da relação jurídicotributária como sujeito passivo de direito. 7. A hipótese dos autos não se confunde com aquela em que se tem a chamada responsabilidade tributária por substituição, em que determinada entidade, por força de lei, figura no polo passivo de uma relação jurídico tributária obrigacional, cuja prestação (o dever) consiste em reter o tributo devido pelo substituído para, posteriormente, repassar a quantia correspondente aos cofres públicos. Se fosse essa a hipótese (substituição tributária), é certo que a quantia recebida pelo contribuinte do PIS e da COFINS a título de ISSQN não integraria o conceito de faturamento. No mesmo sentido se o ônus referente ao ISSQN não fosse transferido ao consumidor do serviço. Nesse caso, não haveria dúvida de que o valor referente ao ISSQN não corresponderia a receita ou faturamento, já que faticamente suportado pelo contribuinte de direito, qual seja, o prestador do serviço. 8. Inexistência, portanto, de ofensa aos arts. 109 e 110 do CTN, na medida em que a consideração do valor correspondente ao ISSQN na base de cálculo do PIS e da COFINS não desnatura a definição de receita ou faturamento para fins de incidência de referidas contribuições. 9. Recurso especial a que se nega provimento. De fato, as mesmas razões utilizadas no repetitivo acima são aplicáveis na análise da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da Cofins, o que restou configurado no julgamento do REsp nº 1.144.469, em 10/08/2016, sob a sistemática de recursos repetitivos, embora não possa ser aplicado pelo artigo 62 do RICARF, Fl. 131DF CARF MF Processo nº 10875.906550/201241 Acórdão n.º 3302003.550 S3C3T2 Fl. 8 7 pois que ainda não transitado em julgado. A certidão deste julgamento constante no site do Superior Tribunal de Justiça traz o seguinte teor: AUTUAÇÃO RECORRENTE : FAZENDA NACIONAL ADVOGADO : PROCURADORIAGERAL DA FAZENDA NACIONAL RECORRENTE: HUBNER COMPONENTES E SISTEMAS AUTOMOTIVOS LTDA ADVOGADOS: ANETE MAIR MACIEL MEDEIROS HENRIQUE GAEDE E OUTRO(S) RECORRIDO : OS MESMOS ASSUNTO: DIREITO TRIBUTÁRIO Crédito Tributário Base de Cálculo CERTIDÃO Certifico que a egrégia PRIMEIRA SEÇÃO, ao apreciar o processo em epígrafe na sessão realizada nesta data, proferiu a seguinte decisão: "Prosseguindo no julgamento, a Seção, por unanimidade, deu provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional e, por maioria, vencidos os Srs. Ministros Relator e Regina Helena Costa, negou provimento ao recurso especial da empresa recorrente, nos termos do voto do Sr. Ministro Mauro Campbell Marques, que lavrará o acórdão." Votaram com o Sr. Ministro Mauro Campbell Marques os Srs. Ministros Benedito Gonçalves, Assusete Magalhães, Sérgio Kukina, Gurgel de Faria, Diva Malerbi (Desembargadora convocada do TRF da 3a. Região) e Humberto Martins. Quanto à jurisprudência do STF, não obstante o RE 240.785 ter sido julgado favorável à tese defendida pela recorrente, não há, ainda, posicionamento definitivo no STF, uma vez que o RE 574.906 RG/PR, sob repercussão geral, ainda não foi julgado. Assim, enquanto não julgado o recurso extraordinário sob repercussão geral, devese prestigiar a legislação vigente que considera o ICMS das operações próprias como componente do preço de venda. Neste mesmo sentido, é a posição pacífica deste Conselho, como decidido no Acórdão nº 9303003549, de 17/03/2016, cuja ementa transcrevese: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 Cofins. Base de Cálculo. Exclusão ICMS. Por se tratar de imposto próprio, que não comporta a transferência do encargo, a parcela relativa ao ICMS incluise na base de cálculo das contribuições ao PIS e à COFINS. Precedentes do STJ (Súmulas n°s 68 e 94). Às autoridades administrativas e tribunais que não dispõem de função legislativa não podem conceder, ainda que sob fundamento de isonomia, benefícios de exclusão da base de cálculo do crédito tributário em favor daqueles a quem o legislador não contemplou com a vantagem A mesma conclusão se estende à Contribuição ao PIS. Por fim, quanto ao pedido de encaminhamento das notificações ao patrono da recorrente, esclareçase que as intimações no processo administrativo fiscal de exigência de crédito tributário são regidas pelo artigo 23 do Decreto nº 70.235/72, consolidado no artigo 10 do Decreto nº 7.574/2011, o qual prevê as formas pessoal, por via postal, telegráfica ou qualquer outro meio com prova de recebimento no domicílio tributário, ou por meio eletrônico, não sujeitos a ordem de preferência, e, Fl. 132DF CARF MF Processo nº 10875.906550/201241 Acórdão n.º 3302003.550 S3C3T2 Fl. 9 8 ainda, por edital, caso os meios anteriores sejam improfícuos, nos termos abaixo transcritos: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) § 1º Quando resultar improfícuo um dos meios previstos no caput deste artigo ou quando o sujeito passivo tiver sua inscrição declarada inapta perante o cadastro fiscal, a intimação poderá ser feita por edital publicado: (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) I no endereço da administração tributária na internet; (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) II em dependência, franqueada ao público, do órgão encarregado da intimação; ou (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) III uma única vez, em órgão da imprensa oficial local. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 2° Considerase feita a intimação: I na data da ciência do intimado ou da declaração de quem fizer a intimação, se pessoal; II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) III se por meio eletrônico: (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) a) 15 (quinze) dias contados da data registrada no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) b) na data em que o sujeito passivo efetuar consulta no endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, se ocorrida antes do prazo previsto na alínea a; ou (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) c) na data registrada no meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo; (Incluída pela Lei nº 12.844, de 2013) IV 15 (quinze) dias após a publicação do edital, se este for o meio utilizado. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 3o Os meios de intimação previstos nos incisos do caput deste artigo não estão sujeitos a ordem de preferência. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) § 4º Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) Fl. 133DF CARF MF Processo nº 10875.906550/201241 Acórdão n.º 3302003.550 S3C3T2 Fl. 10 9 II o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 5º O endereço eletrônico de que trata este artigo somente será implementado com expresso consentimento do sujeito passivo, e a administração tributária informarlheá as normas e condições de sua utilização e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 6º As alterações efetuadas por este artigo serão disciplinadas em ato da administração tributária. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) Portanto, o pedido efetuado carece de previsão legal. Por todo o exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Fl. 134DF CARF MF
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Numero do processo: 18471.001042/2007-61
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Apr 03 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 03 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2002
(IRPJ/CSLL - 1º, 2º Trimestres de 2002)
(PIS/COFINS - janeiro a julho de 2002)
DECADÊNCIA - TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO - TERMO INICIAL.
Em se tratando de tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício), conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado (art. 173, I, do CTN), nos casos em que constatado dolo, fraude ou simulação do contribuinte, ou ainda, mesmo nas ausências desses vícios, nos casos em que não ocorreu o pagamento antecipado da exação e inexista declaração com efeito de confissão de dívida prévia do débito, conforme entendimento pacificado pelo E. Superior Tribunal de Justiça ao julgar o mérito do Recurso Especial nº 973.733/SC, na sistemática dos recursos repetitivos previsto no artigo 543-C do CPC e da Resolução STJ nº 08/2008, nos termos do que determina o §2º do art. 62 do Anexo II do atual Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015.
Numero da decisão: 9101-002.720
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento.
(documento assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araujo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Jose Eduardo Dornelas Souza, Gerson Macedo Guerra, Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2002 (IRPJ/CSLL - 1º, 2º Trimestres de 2002) (PIS/COFINS - janeiro a julho de 2002) DECADÊNCIA - TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO - TERMO INICIAL. Em se tratando de tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício), conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado (art. 173, I, do CTN), nos casos em que constatado dolo, fraude ou simulação do contribuinte, ou ainda, mesmo nas ausências desses vícios, nos casos em que não ocorreu o pagamento antecipado da exação e inexista declaração com efeito de confissão de dívida prévia do débito, conforme entendimento pacificado pelo E. Superior Tribunal de Justiça ao julgar o mérito do Recurso Especial nº 973.733/SC, na sistemática dos recursos repetitivos previsto no artigo 543-C do CPC e da Resolução STJ nº 08/2008, nos termos do que determina o §2º do art. 62 do Anexo II do atual Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015.
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Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado COPY CASTEL SERVIÇOS LTDA. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002 (IRPJ/CSLL 1º, 2º Trimestres de 2002) (PIS/COFINS janeiro a julho de 2002) DECADÊNCIA TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO TERMO INICIAL. Em se tratando de tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício), contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado (art. 173, I, do CTN), nos casos em que constatado dolo, fraude ou simulação do contribuinte, ou ainda, mesmo nas ausências desses vícios, nos casos em que não ocorreu o pagamento antecipado da exação e inexista declaração com efeito de confissão de dívida prévia do débito, conforme entendimento pacificado pelo E. Superior Tribunal de Justiça ao julgar o mérito do Recurso Especial nº 973.733/SC, na sistemática dos recursos repetitivos previsto no artigo 543C do CPC e da Resolução STJ nº 08/2008, nos termos do que determina o §2º do art. 62 do Anexo II do atual Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento. (documento assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 10 42 /2 00 7- 61 Fl. 265DF CARF MF Processo nº 18471.001042/200761 Acórdão n.º 9101002.720 CSRFT1 Fl. 3 2 Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente. (documento assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Jose Eduardo Dornelas Souza, Gerson Macedo Guerra, Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN), fundamentado atualmente no art. 67 e seguintes do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), em que se alega divergência jurisprudencial relativamente à contagem de prazo decadencial para constituição de crédito tributário. A recorrente insurgise contra o Acórdão nº 110300.419, de 24/02/2011, por meio do qual a 3a Turma Ordinária da 1a Câmara da 1a Seção de Julgamento do CARF, por maioria de votos, deu provimento parcial a recurso voluntário da contribuinte acima identificada, "para reconhecer a decadência aos fatos geradores anteriores a 27/08/2002". O acórdão recorrido contém a ementa e a parte dispositiva transcritas abaixo: Assunto: Omissão de Receitas — IRPJ e reflexos Anocalendário: 2002 Ementa: DECADÊNCIA — IRPJ E LANÇAMENTOS REFLEXOS DE CSLL, PIS E COFINS Quando ausente dolo, fraude ou simulação, ao teor do disposto no art. 150, § 4º, do CTN (Lei n° 5.172/1966), mesmo que ausentes pagamentos relacionados ao período, o Fisco dispõe de 5 (cinco) anos, a contar do respectivo fato gerador, para revisar o procedimento do contribuinte e, quando for o caso, constituir crédito tributário. Sob este enfoque, no caso, o lançamento, notificado ao contribuinte em 27/08/2007, não pode prosperar em relação aos fatos geradores, mensais ou trimestrais, ocorridos anteriormente a 27/08/2002. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, DAR parcial provimento ao recurso voluntário, para reconhecer a decadência aos fatos geradores anteriores a 27/08/2002. Vencidos os Conselheiros Mário Sérgio Fernandes Barroso e Jose Sérgio Gomes, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Fl. 266DF CARF MF Processo nº 18471.001042/200761 Acórdão n.º 9101002.720 CSRFT1 Fl. 4 3 A PGFN afirma que o acórdão recorrido deu à lei tributária interpretação divergente da que tem sido dada em outros processos, especificamente quanto à contagem de prazo decadencial para constituição de crédito tributário. Para o processamento de seu recurso, a PGFN desenvolve os argumentos descritos abaixo: DA DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL o acórdão recorrido deu provimento ao recurso voluntário para reconhecer a decadência em relação aos fatos geradores anteriores a 27/08/2002, decadência que não houve, uma vez que se deve calcular os cinco anos relativos ao período decadencial, não com base no art. 150, §4º, utilizado pelo julgador "a quo", mas com base no art. 173, I, do CTN, conforme entendimento pacífico e recentemente reafirmado pelo STJ e pela CSRF; com relação à decadência, portanto, a decisão da e. Câmara a quo diverge da decisão proferida pela 2ª Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, constante do Acórdão n° 30238.565 (Acórdão Paradigma): Acórdão nº 30238.565 LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. O prazo decadencial para constituição do crédito tributário pode ser estabelecido da seguinte maneira: (a) em regra, seguese o disposto no art. 173, I, do CTN, ou seja, o prazo é de cinco anos contados "do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado"; (b) nos tributos sujeitos a lançamento por homologação cujo pagamento ocorreu antecipadamente, o prazo é de cinco anos contados do fato gerador, nos termos do art. 150, § 4º, do CTN; (c) em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação cujo pagamento não foi antecipado pelo devedor, incide a regra do art. 173, I, do CTN. assim, temse por configurada a decadência; DOS FUNDAMENTOS PARA REFORMA DO ACÓRDÃO RECORRIDO DA DECADÊNCIA APLICAÇÃO DO ARTIGO 173, INCISO I tendo aplicado o art. 150, §4°, do CTN, entenderam os ilustres Conselheiros que a homologação não é do pagamento, mas sim do seu lançamento. Portanto, aplicarseia o artigo 150, §4°, do CTN independentemente da existência de antecipação de pagamento; o Superior Tribunal de Justiça, ao interpretar a combinação entre os dispositivos do art. 150, §4°, e 173, I, do CTN, entende que, não se verificando recolhimento de exação e montante a homologar, bem havendo dolo, o prazo decadencial para o lançamento dos tributos sujeitos a lançamento por homologação segue, respectivamente, a disciplina normativa do art. 173, inciso I e parágrafo único do CTN (RESP 766.050/PR); consoante essa linha de interpretação, o art. 150, §4°, do CTN estaria dispondo sobre prazo para o ato de "homologação" de um procedimento do contribuinte, e não sobre o prazo para lançamento (que não tem nada a ver com o ato de homologação). Portanto, Fl. 267DF CARF MF Processo nº 18471.001042/200761 Acórdão n.º 9101002.720 CSRFT1 Fl. 5 4 o lançamento de oficio de tributo que deveria ter sido recolhido mediante o sistema de "lançamento por homologação", observa o prazo decadencial disposto no art. 173, I, do CTN, e não o prazo do art. 150, §4°; com efeito, nos casos, como o dos autos, em que o contribuinte não antecipa o pagamento dos tributos recolhidos mediante "lançamento por homologação", a jurisprudência entende que não haveria atividade do contribuinte a homologar; não seria possível realizar a homologação de atividade inexistente, ou efetuada de maneira errônea, mas caberia à autoridade administrativa unicamente proceder ao lançamento de oficio dos valores devidos. E o prazo para o lançamento de oficio não está disposto no art. 150, mas no art. 173 do CTN; observese que, no caso em análise, o auto de infração foi lavrado dentro do prazo disposto no art. 173, I, do CTN, não ocorrendo, portanto, a decadência do direito de lançar qualquer dos fatos geradores constantes do presente lançamento, referentes ao ano calendário de 2002, seja com relação ao IRPJ, sela com relação à CSLL, PIS e Cofins; a Câmara Superior deste Conselho já esboçou posicionamento no sentido de que o prazo para o lançamento de tributos não recolhidos, ainda que para estes tributos a legislação atribua ao contribuinte o dever de antecipar do pagamento, conforme o art. 150 do CTN, é aquele disposto no art. 173, I, do CTN, que cuida do direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário (ementas transcritas); recentemente, o STJ, em sede de julgamento de Embargos de Declaração da Fazenda Nacional, deu aos embargos efeitos infringentes para acolher a tese fazendária, tendo explicitado, inclusive, a forma correta de contagem do prazo decadencial disposto no art. 173, I do CTN (EDcl nos EDcl no AgRg no REsp 674.497/PR, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 09/02/2010, DJe 26/02/2010); desse modo, não se encontram decaídos os lançamentos objeto do presente processo, uma vez que a contagem do prazo para contagem da decadência se inicia em 1° de janeiro de 2004, podendose efetuar o lançamento até 31/12/2008 , conforme decisão da DRJ, (fls. 189); ainda que se adotasse interpretação mais restritiva, o primeiro dia do exercício seguinte seria 1° de janeiro de 2003, podendose efetuar o lançamento até 31 de dezembro de 2007. Tendose que a ciência do contribuinte deuse em 27 de agosto de 2007, não se encontram decaídos os lançamentos objeto do presente processo. Quando do exame de admissibilidade do Recurso Especial da PGFN, o Presidente da 1ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF, por meio do despacho exarado em 02/07/2015, admitiu o recurso especial após a seguinte análise sobre a divergência suscitada: [...] Como retratado, diante de situações fáticas com o mesmo contorno, ou seja, contagem decadencial quando ausentes pagamentos antecipados por parte do sujeito passivo, as decisões colacionadas apresentaram divergência, a recorrida pautando que a regra, exceto nos casos de dolo, fraude ou simulação, fixase nos dizeres do artigo 150, § 4º, do CTN, e o Fl. 268DF CARF MF Processo nº 18471.001042/200761 Acórdão n.º 9101002.720 CSRFT1 Fl. 6 5 paradigma sustentando que, inexistindo recolhimentos antecipatórios, a regra geral do artigo 173, I, do Estatuto Tributário é a que deve ser adotada, para fins da contagem do prazo extintivo para o Fisco perpetrar lançamentos. Pois bem, como o escopo do Recurso Especial é a uniformização da jurisprudência administrativa, e estando constatada a divergência suscitada, entendo cumpridos os preceitos estampados no artigo 67, do Anexo II, do vigente RICARF. Em 20/07/2015, a contribuinte foi intimada do Acórdão nº 110300.419, do recurso especial da PGFN, e do despacho que admitiu esse recurso, mas ela não apresentou nem recurso especial contra a parte da decisão que lhe foi desfavorável, e nem contrarrazões ao recurso da PGFN. É o relatório. Fl. 269DF CARF MF Processo nº 18471.001042/200761 Acórdão n.º 9101002.720 CSRFT1 Fl. 7 6 Voto Conselheiro Rafael Vidal de Araujo, Relator. Conheço do recurso da PGFN, pois este preenche os requisitos de admissibilidade. O presente processo tem por objeto lançamento a título de IRPJ e tributos reflexos (CSLL, PIS e COFINS) sobre fatos geradores ocorridos ao longo do anocalendário de 2002 (especificamente nos meses de janeiro a agosto de 2002) As autuações fiscais decorreram da constatação de omissão de receita apurada a partir de depósitos bancários não comprovados. A apuração de IRPJ/CSLL foi realizada pelo lucro arbitrado (trimestral), enquanto que as contribuições PIS/COFINS foram apuradas sobre bases de cálculo mensais. A ciência dos autos de infração ocorreu em 27/08/2007. O litígio que remanesceu para essa fase de recurso especial diz respeito à decadência, abrangendo os fatos geradores de IRPJ/CSLL nos dois primeiros trimestres de 2002, e os fatos geradores de PIS/COFINS nos meses de janeiro a julho de 2002. Quanto à decadência, o entendimento manifestado na decisão de segunda instância administrativa (acórdão recorrido) aderiu à interpretação de que nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, o prazo decadencial é de 5 (cinco) anos contados da data da ocorrência do fato gerador, independentemente de haver ou não antecipação de pagamento pelo contribuinte. O recurso especial da PGFN voltase exatamente para essa questão, e defende a idéia de que a aplicação do prazo decadencial mais curto, previsto no art. 150, § 4º, do CTN depende da presença ou ausência de pagamento (ainda que parcial), o que teria sido desconsiderado pela decisão recorrida. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ), por ocasião do julgamento do Recurso Especial repetitivo 973.733/SC firmou o seguinte entendimento em relação à questão da decadência: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado Fl. 270DF CARF MF Processo nº 18471.001042/200761 Acórdão n.º 9101002.720 CSRFT1 Fl. 8 7 da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito. (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008). Essa interpretação deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, conforme determina o § 2º do art. 62 do Anexo II do atual Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015: As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. De acordo com o STJ, devese aplicar o artigo 173, I, do CTN, quando, a despeito da previsão legal de pagamento antecipado da exação, o mesmo inocorre e inexiste declaração prévia do débito capaz de constituir o crédito tributário. No sentido inverso, há duas condições para a aplicação do prazo decadencial previsto no art. 150, § 4º, do CTN: 1) haver pagamento ou 2) haver declaração prévia que constitua crédito tributário. Não se pode, portanto, deixar de reconhecer a relevância da existência ou não de pagamento ou declaração/confissão (ainda que parciais) para fins de definição do critério para a contagem de prazo decadencial. Aliás, vale frisar que todo esse debate em torno da relevância do pagamento ou da confissão de débito para análise de decadência de lançamento posteriormente realizado pelo Fisco pressupõem pagamento e/ou confissão parciais mesmo. Até porque o Fisco não realizaria nenhum lançamento de ofício para constituir crédito tributário que já foi em momento anterior integralmente pago ou confessado pelo contribuinte. No caso em análise, o acórdão recorrido, ao tratar da decadência das exações fiscais, considerou irrelevante verificar a presença ou ausência de pagamento, pelo que essa decisão merece ser reformada. Com efeito, está comprometido o seu fundamento, amparado num entendimento já superado, de que o que interessa é a atividade exercida pelo contribuinte, e não a presença ou ausência de pagamento. Como o lançamento ocorreu em 27/08/2007, há diferentes resultados para a decadência dos créditos tributários cujos fatos geradores ocorreram nos dois primeiros trimestres de 2002 (no caso de IRPJ e CSLL), e nos meses de janeiro a julho de 2002 (no caso de PIS e COFINS), conforme se aplica o prazo previsto no art. 150, §4º, ou no art. 173, I, ambos do CTN. Fl. 271DF CARF MF Processo nº 18471.001042/200761 Acórdão n.º 9101002.720 CSRFT1 Fl. 9 8 É que em relação a esses fatos geradores, o termo inicial para a contagem da decadência pela regra do art. 173, I, do CTN, ou seja, o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" seria o dia 01/01/2003, e nesse caso o lançamento realizado em 27/08/2007 deixa de estar fulminado pela decadência. Compulsando os autos, observase que a contribuinte apresentou DIPJ com os campos zerados para o anocalendário de 2002 (efls. 05/39 do vol. 1 do eprocesso), com exceção do mês de junho/2002. Mas também para esse mês, a indicação da DIPJ é de que não houve nenhum pagamento, até porque o valor declarado aparece como "receitas isentas" nos quadros demonstrativos de PIS e COFINS. Além disso, vêse que a decisão de primeira instância administrativa não acolheu a decadência com base no art. 150, §4º, do CTN, justamente porque a contribuinte não tinha realizado qualquer antecipação de pagamento. Em relação a isso, na fase de recurso voluntário, não houve qualquer iniciativa da contribuinte em refutar essa informação. Toda a controvérsia ficou mesmo em torno de ser ou não relevante a presença de pagamento para a definição da regra de prazo decadencial. A decisão de segunda instância administrativa (acórdão ora recorrido) registra inclusive que, de acordo com a decisão da Delegacia de Julgamento, não foi constatado pagamento de IRPJ para o segundo trimestre de 2002 (período que abrangia as receitas declaradas para mês de junho), e, mesmo assim, ou seja diante da ausência de pagamento, entendeu que deveria aplicar o prazo do art. 150, §4º, do CTN, o que não se sustenta diante da referida jurisprudência do STJ. Nesse caso, não havendo pagamento e nem confissão de alguma parte dos referidos débitos, deve ser aplicada a regra do art. 173, I, do CTN, o que resulta no afastamento da decadência que havia sido reconhecida pela decisão recorrida. Assim, voto no sentido de DAR provimento ao recurso especial da PGFN, para afastar a decadência em relação aos débitos de IRPJ e CSLL cujos fatos geradores ocorreram nos dois primeiros trimestres de 2002, e também em relação aos débitos de PIS e COFINS com fatos geradores apurados nos meses de janeiro a julho de 2002. (documento assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Fl. 272DF CARF MF Processo nº 18471.001042/200761 Acórdão n.º 9101002.720 CSRFT1 Fl. 10 9 Fl. 273DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.003463/2005-74
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 23 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Exercício: 2001
DECADÊNCIA. LANÇAMENTO. TERMO INICIAL.
O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do
contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (STJ Recurso Repetitivo).
TAXA DE JUROS SELIC.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC
para títulos federais (Súmula CARF nº 4).
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Exercício: 2001
AUTO DE INFRAÇÃO. PRELIMINAR DE NULIDADE. DESCABIMENTO.
Só se pode cogitar de declaração de nulidade de auto de infração quando for, esse auto, lavrado por pessoa incompetente.
ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI.
O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).
CSLL. PIS. COFINS. DECORRÊNCIA Subsistindo o lançamento principal, igual sorte colhem os lançamentos que tenham sido formalizados por mera decorrência daquele, na medida que
inexistem fatos ou argumentos novos a ensejarem conclusões diversas.
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Exercício: 2001
OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO
COMPROVADA.
Evidencia omissão de receitas a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, de direito ou de fato, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e
idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
Numero da decisão: 1803-000.820
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial ao recurso para reconhecer a decadência das exigências de IRPJ e CSLL relativas ao 1º trimestre de 2000, e de PIS e COFINS relativas aos meses de janeiro, outubro e novembro de 2000, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Matéria: IRPJ - AF- omissão receitas- presunção legal Dep. Bancarios
Nome do relator: Sérgio Rodrigues Mendes
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ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2001 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO. TERMO INICIAL. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (STJ Recurso Repetitivo). TAXA DE JUROS SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4). ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2001 AUTO DE INFRAÇÃO. PRELIMINAR DE NULIDADE. DESCABIMENTO. Só se pode cogitar de declaração de nulidade de auto de infração quando for, esse auto, lavrado por pessoa incompetente. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). CSLL. PIS. COFINS. DECORRÊNCIA Subsistindo o lançamento principal, igual sorte colhem os lançamentos que tenham sido formalizados por mera decorrência daquele, na medida que inexistem fatos ou argumentos novos a ensejarem conclusões diversas. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2001 OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. Evidencia omissão de receitas a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, de direito ou de fato, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2001 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO. TERMO INICIAL. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (STJ Recurso Repetitivo). TAXA DE JUROS SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4). ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2001 AUTO DE INFRAÇÃO. PRELIMINAR DE NULIDADE. DESCABIMENTO. Só se pode cogitar de declaração de nulidade de auto de infração quando for, esse auto, lavrado por pessoa incompetente. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). CSLL. PIS. COFINS. DECORRÊNCIA Fl. 887DF CARF MF Emitido em 05/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/03/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES Assinado digitalmente em 31/03/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, 05/04/2011 por SELENE FERREIRA DE M ORAES Processo nº 19515.003463/200574 Acórdão n.º 180300.820 S1TE03 Fl. 422 2 Subsistindo o lançamento principal, igual sorte colhem os lançamentos que tenham sido formalizados por mera decorrência daquele, na medida que inexistem fatos ou argumentos novos a ensejarem conclusões diversas. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2001 OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. Evidencia omissão de receitas a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, de direito ou de fato, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer a decadência das exigências de IRPJ e CSLL relativas ao 1º trimestre de 2000, e de PIS e COFINS relativas aos meses de janeiro, outubro e novembro de 2000, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Selene Ferreira de Moraes, Benedicto Celso Benício Júnior, Walter Adolfo Maresch, Marcelo Fonseca Vicentini, Sérgio Rodrigues Mendes e Sérgio Luiz Bezerra Presta. Fl. 888DF CARF MF Emitido em 05/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/03/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES Assinado digitalmente em 31/03/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, 05/04/2011 por SELENE FERREIRA DE M ORAES Processo nº 19515.003463/200574 Acórdão n.º 180300.820 S1TE03 Fl. 423 3 Relatório Por bem retratar os acontecimentos do presente processo, adoto o Relatório do acórdão recorrido (fls. 344 a 347): DA AUTUAÇÃO Em procedimento fiscal realizado na empresa em epígrafe, de acordo com o Termo de Verificação Fiscal (fls. 174/176), constatouse que, no anocalendário 2000, o sujeito passivo, optante pelo regime de tributação com base no Lucro Presumido conforme Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica — DIPJ (fls. 07/28), deixou de comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem de créditos efetuados em conta bancária, cujos montantes estão informados na tabela de fls. 175. 2. O referido Termo de Verificação Fiscal informa, ainda, em síntese que: 2.1. O contribuinte foi intimado em 06/09/2005 (fls. 38), e reintimado em 03/10/2005 (fls. 39), para comprovar ou justificar a origem de diversos créditos depositados em instituições financeiras. No entanto, deixou de atender a estas intimações. 2.2. Foram excluídas, dos valores depositados, as parcelas relativas a transferências, aplicações financeiras, empréstimos, devoluções de cheques depositados e receitas já declaradas em DIPJ. 2.3. Os valores creditados sem comprovação de origem caracterizam Omissão de Receita, nos termos do art. 42 da Lei nº 9.430/96. E, neste sentido, foram apresentadas às fls. 175/176 decisões do Egrégio Conselho de Contribuintes. 3. Em decorrência da falta apurada, foram lavrados em 14/12/2005, e cientificados ao contribuinte na mesma data, os seguintes autos de infração: 3.1. Imposto de Renda Pessoa Jurídica — IRPJ (fls. 181/183): Crédito tributário no valor total de R$ 209.496,50 (duzentos e nove mil, quatrocentos e noventa e seis reais e cinquenta centavos), incluídos tributo, multa e juros de mora, com enquadramento legal descrito às fls. 182/183. 3.2. Contribuição para o Programa de Integração Social PIS (fls. 188/190): Crédito tributário no valor total de R$ 22 304,00 (vinte e dois mil, trezentos e quatro reais), incluídos tributo, multa e juros de mora, com enquadramento legal descrito às fls. 190. 3.3. Contribuição para Financiamento da Seguridade Social COFINS (fls. 195/197): Crédito tributário no valor total de R$ 102.942,67 (cento e dois mil, novecentos e quarenta e dois reais e sessenta e sete centavos), incluídos tributo, multa e juros de mora, com enquadramento legal descrito às fls. 196/197. 3.4. Contribuição Social sobre o Lucro Líquido — CSLL (fls. 201/203): Crédito tributário no valor total de R$ 37.487,91 (trinta e sete mil, quatrocentos e oitenta e sete reais e noventa e um centavos), incluídos tributo, multa e juros de mora, com enquadramento legal descrito às fls. 203. Fl. 889DF CARF MF Emitido em 05/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/03/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES Assinado digitalmente em 31/03/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, 05/04/2011 por SELENE FERREIRA DE M ORAES Processo nº 19515.003463/200574 Acórdão n.º 180300.820 S1TE03 Fl. 424 4 DA IMPUGNAÇÃO 4. Inconformada com a presente autuação, a empresa, tempestivamente, apresentou a impugnação de fls. 207/234, acompanhada dos documentos de fls. 235/340 (Procuração, Alteração Contratual de 05/12/2003, Certidão Simplificada da Junta Comercial do Estado de São Paulo, Comprovante de Inscrição e Situação Cadastral, Contrato de Prestação de Serviços, Termo de Início de Fiscalização, Folhas dos Livros Caixa e Razão de 2000, Balancete Mensal Dez/2000, Demonstrativo de Lucros e Prejuízos, Autos de Infração e respectivos Demonstrativos de Apuração, e Extrato de Processo), alegando, em síntese, que: 4.1. O crédito tributário, objeto da presente autuação, especialmente o crédito relativo aos dois primeiros trimestres de 2000, encontrase extinto em razão da decadência nos termos do art. 150, § 4º c/c art. 156, V do Código Tributário Nacional — CTN e art. 1º da Lei nº 9.430/96, devendo, assim, a referida autuação ser anulada. 4.2. Apresentou à Fiscalização toda a documentação, incluindo os livros fiscais (doc. 03 — fls. 256/308), capazes de comprovar a origem dos valores contidos nas contas bancárias que implicaram na omissão de receitas. 4.3. O lançamento fiscal foi feito exclusivamente com base em extratos bancários do Banco do Brasil, agência 11959, contacorrente 5.7568, que existe apenas para trocas de cheques de seus clientes para aquisição de cartelas de bingo ou apostas em máquinas de vídeobingo, já que a Impugnante atua dentro de uma sala de bingo, precisamente no restaurante que ali se encontra, conforme contrato de prestação de serviços (doc. 01 — fls. 245/254), não representando, assim, faturamento, receitas ou rendimento, apenas meros ingressos financeiros que não alteram o patrimônio da autuada. Ademais, ao trocar estes cheques, por vezes sofre prejuízos, em razão da insuficiência de fundos ou em virtude de estes não serem de pessoas idôneas. 4.4. Os supostos rendimentos ou receitas (meras movimentações bancárias) encontramse devidamente contabilizados nos livros fiscais da Autuada, não havendo, assim, omissão alguma. 4.5. Não foi observado o direito ao sigilo bancário, pois o art. 11, § 3º da Lei nº 9.311/96, em sua redação original, vedava a utilização das informações da CPMF para constituição de créditos relativos a outras contribuições ou impostos. Portanto, a Fiscalização não tinha competência para a presente autuação, agindo, assim, com abuso de poder. 4.6. A Constituição Federal de 1988 (CF/88) garante a preservação da intimidade pessoal e do sigilo bancário, que pode ser quebrado mediante requisição judicial. 4.7. A constitucionalidade da LC nº 105/2001 c da Lei nº 10.174/2001 está sob exame do Supremo Tribunal Federal. 4.8. A nova redação do citado art. 11, § 3º da Lei nº 9.311/96, conferida pelo art. 1º da Lei nº 10.174 de 09/01/2001, não se aplica ao exercício de 2000 em face dos princípios da irretroatividade da lei, do tempus regit actum, da segurança jurídica e do direito adquirido, com fulcro no art. 144 do CTN e art. 150, III, “a” da CF/88. E, neste sentido, encontramse decisões administrativas e judiciais, transcritas às fls. 219/221, impondose, assim, a nulidade da autuação. Fl. 890DF CARF MF Emitido em 05/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/03/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES Assinado digitalmente em 31/03/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, 05/04/2011 por SELENE FERREIRA DE M ORAES Processo nº 19515.003463/200574 Acórdão n.º 180300.820 S1TE03 Fl. 425 5 4.9. O Superior Tribunal de Justiça entende que a utilização de movimentações financeiras vicia, desde a origem, os respectivos lançamentos fiscais, conforme ementa transcrita às fls. 221. 4.10. “Ao supormos como válido o entendimento que a autuação fiscal poderia valerse de dados da CPMF, o que se aduz apenas pelo amor ao debate e para demonstrar outros vícios, a ilegalidade do presente auto de infração ainda restaria manchada, pois a base de cálculo arbitrada pelo Ilustre Fiscal para chegar ao quantum devido a título de IRPJ levou em conta, apenas, a movimentação bancária (extrato da contacorrente), o que não tem o condão de demonstrar, comprovar ou afirmar qualquer materialidade tributária (com referência ao aspecto material da hipótese de incidência de qualquer tributo), salvo através da CPMF.” 4.11. Mesmo depois da vigência da Lei Complementar nº 105/2001 e da Lei nº 10.174/2001, a Administração Tributária continua impedida de considerar qualquer ingresso financeiro em conta bancária como rendimento tributável, ainda que não haja comprovação de sua origem ou natureza, que, no presente caso, representa a mera troca de valores que não visam a acrescer o patrimônio do contribuinte, não podendo ser considerada receita ou faturamento. 4.12. É necessária a demonstração de sinais exteriores de riqueza ou de que os ingressos financeiros são sistemáticos, conforme orientação contida em decisão do Conselho de Contribuintes, transcrita às fls. 222/223. E que a mera movimentação financeira jamais refletirá fato tributável, a não ser da CPMF. 4.13. Os autos de infração, lavrados com base em lançamentos de CPMF, configuram desobediência aos princípios constitucionais da irretroatividade, da segurança jurídica, do direito adquirido e invasão de competência da autoridade administrativa em quebrar o sigilo bancário sem autorização judicial. 4.14. O arbitramento do lucro deve pautarse nas hipóteses do art. 47 da Lei nº 8.981/95, o que não ocorreu no presente caso, não havendo razão para a desconsideração da base de cálculo indicada nos livros comerciais e contábeis. Ademais, a impugnante ofereceu todos os documentos suficientes para se evitar o arbitramento do lucro. 4.15. O movimento de um exercício pode ser contaminado pelo exercício seguinte, o que não foi levado em consideração, não conferindo a certeza necessária sobre a movimentação utilizada para o ano de 2000. 4.16. Meros ingressos (trocas de cheques) não agregam o patrimônio e, portanto, não preenchem a materialidade dos tributos em comento. Por outro lado, a fiscalização não comprovou a que título tais valores foram recebidos pelo contribuinte, podendo ser receita tributada pelo IR e CSLL, mas não sofrer incidência de PIS e COFINS. 4.17. O Supremo Tribunal Federal, em recente decisão, decidiu pela inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, que equiparou o faturamento à totalidade das receitas auferidas, independentemente da classificação. Portanto, o PIS somente poderá incidir sobre o faturamento nos termos do art. 195, I, da CF, assim, entendido o valor arrecadado com a prestação de serviços ou o produto da venda de mercadorias. 4.18. O auto de infração não se reveste de prova capaz de demonstrar sua veracidade, uma vez que a fiscalização não comprovou a que título os valores das movimentações financeiras foram recebidos pelo contribuinte, e mesmo que não Fl. 891DF CARF MF Emitido em 05/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/03/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES Assinado digitalmente em 31/03/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, 05/04/2011 por SELENE FERREIRA DE M ORAES Processo nº 19515.003463/200574 Acórdão n.º 180300.820 S1TE03 Fl. 426 6 fossem meros ingressos, não ficou comprovada a materialidade de algum tributo, salvo a CPMF. 4.19. A presunção de legitimidade do ato administrativo não é absoluta, devendo ser oferecidos elementos e suportes fáticos que se subsumam à norma geral e abstrata, a fim de gerar a obrigação tributária. 4.20. O lançamento (art. 142 do CTN), como ato administrativo, necessita, entre outros pressupostos e elementos, de motivação para sua validade, cabendo o ônus da prova à Administração, porém, na presente autuação, inexiste prova, já que as movimentações financeiras não demonstram a renda auferida ou qualquer materialidade tributária. Em outras palavras, não é possível fazer um lançamento com uma base de cálculo fundamentada, única e exclusivamente, em extrato bancário. 4.21. A taxa SELIC não pode ser aplicada com a finalidade de correção monetária e remuneração de créditos tributários, bem como, por ser facultado ao BACEN o aumento ou a redução de seu valor. Devendo, assim, ser substituída pelos juros de 1 % ao mês, nos termos do art. 161, § 1º, do CTN. 4.22. As provas encontramse nos autos. No entanto, a autuada protesta provar o alegado por todos os meios de prova admitidos em direito. 4.23. Diante do exposto, os autos de infração devem ser julgados improcedentes, com posterior arquivamento dos mesmos. 2. A decisão da instância a quo foi assim ementada (fls. 342 e 343): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2000 Ementa: DECADÊNCIA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. IRPJ/PIS/COFINS/CSLL. O Imposto de Renda da Pessoa Jurídica IRPJ, a Contribuição para o Programa de Integração Social PIS, a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS e a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL são tributos, em regra, sujeitos a lançamento por homologação. No entanto, não comprovado o pagamento destes tributos, não há o que se homologar. Nesta hipótese, ocorre o lançamento de ofício, cujo prazo decadencial submetese à norma contida no artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional CTN. OMISSÃO DE RECEITA DEPÓSITO BANCÁRIO. ORIGEM NÃO COMPROVADA. Configuram omissão de receita os valores creditados em conta bancária cuja origem não tenha sido comprovada, mediante documentação hábil e idônea, pelo contribuinte regularmente intimado. PRESUNÇÃO LEGAL. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. ALEGAÇÃO DESPROVIDA DE PROVA. MANUTENÇÃO DA EXIGÊNCIA FISCAL. A presunção legal tem o condão de inverter o ônus da prova, transferindoo para o sujeito passivo, que pode refutar a presunção mediante oferta de provas hábeis e idôneas. Não trazendo aos autos documentos e alegações capazes de elidir, no todo ou em parte, o lançamento fiscal, este fica mantido em sua integralidade. Fl. 892DF CARF MF Emitido em 05/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/03/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES Assinado digitalmente em 31/03/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, 05/04/2011 por SELENE FERREIRA DE M ORAES Processo nº 19515.003463/200574 Acórdão n.º 180300.820 S1TE03 Fl. 427 7 INCONSTITUCIONALIDADE. Não compete à esfera administrativa a análise de questões que versem sobre a constitucionalidade de norma legal regulamente editada. TAXA SELIC. APLICABILIDADE. A utilização da taxa SELIC para o cálculo dos juros de mora decorre de lei, sobre cuja aplicação não cabe aos órgãos do Poder Executivo deliberar. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. COFINS/PIS/CSLL. O decidido quanto ao lançamento do IRPJ deve nortear a decisão dos lançamentos decorrentes, tendo em vista que se originam dos mesmos elementos de prova. PROTESTO POR NOVAS PROVAS. Indeferese o pedido pela produção posterior de provas, quando não são atendidas as exigências contidas na norma de regência do contencioso administrativo fiscal vigente à época da impugnação. INTIMAÇÃO. VIA POSTAL. DOMICÍLIO DO SUJEITO PASSIVO. ENDEREÇO DIVERSO. IMPOSSIBILIDADE. Indeferese o pedido de endereçamento de intimações por via postal ao escritório dos advogados, em razão de inexistência de previsão legal em endereço diverso do domicilio tributário do sujeito passivo. Lançamento Procedente. 3. Cientificada da referida decisão em 05/12/2008 (fls. 374), a tempo, em 18/12/2008, apresenta a interessada Recurso de fls. 388 a 418, nele reiterando os argumentos anteriormente expendidos. Em mesa para julgamento. Fl. 893DF CARF MF Emitido em 05/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/03/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES Assinado digitalmente em 31/03/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, 05/04/2011 por SELENE FERREIRA DE M ORAES Processo nº 19515.003463/200574 Acórdão n.º 180300.820 S1TE03 Fl. 428 8 Voto Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, Relator Atendidos os pressupostos formais e materiais, tomo conhecimento do Recurso. Preliminar de decadência do lançamento 4. Argui a Recorrente, preliminarmente, a decadência do lançamento, em especial do crédito tributário relativo aos dois primeiros trimestres do anocalendário de 2000, fundamentandose nos arts. 150, § 4º, e 156, inciso V, ambos do Código Tributário Nacional – CTN (Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966). 5. Dispõe o art. 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICarf), aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, com as alterações das Portarias MF nºs 446, de 27 de agosto de 2009, e 586, de 21 de dezembro de 2010 (grifouse): Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. 6. Relativamente à questão da decadência do lançamento do crédito tributário, é o seguinte o entendimento do Superior Tribunal de Justiça (STJ) na sistemática de Recursos Repetitivos (art. 543C do CPC): PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg Fl. 894DF CARF MF Emitido em 05/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/03/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES Assinado digitalmente em 31/03/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, 05/04/2011 por SELENE FERREIRA DE M ORAES Processo nº 19515.003463/200574 Acórdão n.º 180300.820 S1TE03 Fl. 429 9 nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, “Decadência e Prescrição no Direito Tributário”, 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo quinquenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o “primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado” corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, “Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro”, 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, “Direito Tributário Brasileiro”, 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, “Decadência e Prescrição no Direito Tributário”, 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). (...) 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (destaques do original) (REsp 973.733/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009) 7. No presente caso, o acórdão recorrido rejeitou a preliminar arguida, entendendo não ter havido pagamento dos tributos, aplicando, para todos os períodos, o art. 173, inciso I, do CTN (fls. 348, subitem 9.2). 8. Sucede que foram apurados, na Declaração de Informações Econômico fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) respectiva, valores a pagar relativos aos meses de janeiro (1º trimestre) e outubro, novembro e dezembro de 2000 (4º trimestre), conforme fls. 9 e 11 (IRPJ), 13 e 14 (CSLL), 15, 19 e 20 (Pis) e 21, 25 e 26 (Cofins). Constam dos autos, também, cópias dos lançamentos contábeis dos referidos pagamentos (fls. 285 a 288). A própria fiscalização, ao elaborar os demonstrativos da matéria a tributar, excluiu, em seus levantamentos, a receita correspondente a esses meses (fls. 175). Fl. 895DF CARF MF Emitido em 05/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/03/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES Assinado digitalmente em 31/03/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, 05/04/2011 por SELENE FERREIRA DE M ORAES Processo nº 19515.003463/200574 Acórdão n.º 180300.820 S1TE03 Fl. 430 10 9. Dessa forma, e com fundamento no entendimento do STJ acima exarado, de observância obrigatória por parte deste Colegiado, devem ser considerados decaídos, por força do disposto no art. 150, § 4º, do CTN, o 1º trimestre (IRPJ e CSLL) e os meses de janeiro, outubro e novembro (Pis e Cofins), todos do anocalendário de 2000 (lançamentos cientificados em 14/12/2005 fls. 181, 188, 195 e 201). Mérito 10. No mérito, o Recurso apresentado contém, de fls. 392 a 418, o mesmíssimo texto da Impugnação de fls. 208 a 234, já vitoriosamente contraditado pelo acórdão recorrido, de fls. 348 a 371. 11. Assim sendo, permitome adotar, como razões de decidir, excertos do bem elaborado voto do acórdão a quo, de nenhum modo rebatidos pela Recorrente (fls. 350 a 365): 11. O contribuinte foi intimado em 31/01/2005 (fls. 05/06) e, novamente, intimado em 01/06/2005 (fls. 35) a apresentar, dentre outros documentos, os extratos das contas bancárias mantidas no Banco do Brasil S/A, CNPJ: 00.000.000/000191 e no Unibanco União de Bancos Brasileiro S/A, CNPJ: 33.700.394/000140, relativos aos anoscalendário de 2000 e 2001. 12. De posse destes extratos bancários, conforme Termo de Retenção de Livros e Documentos Fiscais, de 28/07/2005 (fls. 36), a fiscalização intimou o interessado, em 06/09/2005 (fls. 38), para comprovar a origem dos depósitos bancários e outros créditos constantes dos referidos extratos bancários. 13. Em 03/10/2005 (fl. 39), o contribuinte foi reintimado a comprovar a origem dos valores creditados em suas contas bancárias. 14. Tendo em vista que o contribuinte não comprovou a origem dos valores creditados nas contas bancárias, conforme relatado no Termo de Verificação Fiscal (fls. 174/176), o Fisco, valendo se da presunção legal estabelecida no art. 42, caput da Lei nº 9.430/96, abaixo transcrito, autuou a empresa, justamente, em razão de a mesma, devidamente intimada, não ter apresentado documentação hábil e idônea capaz de justificar a origem de seus créditos. [...]. 15. Do exposto, depreendese que a lei estabeleceu uma presunção de omissão de receitas. Portanto, não logrando o titular comprovar a origem dos valores creditados em sua conta bancária, temse a autorização para considerar ocorrido o fato gerador, ou seja, para presumir que os recursos creditados representam rendimentos do contribuinte. Neste caso, há a inversão do ônus da prova, característica das presunções legais. [...]. Fl. 896DF CARF MF Emitido em 05/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/03/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES Assinado digitalmente em 31/03/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, 05/04/2011 por SELENE FERREIRA DE M ORAES Processo nº 19515.003463/200574 Acórdão n.º 180300.820 S1TE03 Fl. 431 11 19. Evidente que qualquer movimentação financeira retrata um fato patrimonial. O não interesse em demonstrar a origem dessa movimentação implica na sujeição à tributação com fundamento na presunção legal de que a mesma corresponde a uma receita omitida, ou seja, uma aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica. 20. Fazse necessário destacar e reiterar que o contribuinte foi devidamente intimado a comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos valores creditados em sua conta bancária, porém não o fez, permitindo, assim, ao Fisco lançar o crédito tributário aqui discutido, valendose de uma presunção legal de omissão de receitas. 21. Nesse contexto, licita é a inversão do ônus da prova e a consequente exigência atribuída ao contribuinte de demonstrar que tais valores não são provenientes de rendimentos omitidos. 22. Neste ponto, cumpre esclarecer à Impugnante que não se trata de omissão de escrituração, mas sim da presunção legal de omissão de receitas em razão da não comprovação da origem dos créditos bancários. Nesta esteira, ressaltase que, somente a apresentação de extratos e da escrituração contábil dos valores creditados em suas contas bancárias não tem o condão de comprovar a origem das operações realizadas, as quais devem pautarse em documentos idôneos, os quais não foram disponibilizados pelo contribuinte, que tinha a obrigação legal de mantêlos, nos termos do art. 45 da Lei nº 8.981, de 20/01/1995, in verbis: [...]. 25. Destarte, concluise que a fiscalização agiu acertadamente, ao considerar, como receita omitida, os valores creditados em conta bancária cujas origens o sujeito passivo não demonstrou por meio de documentação hábil e idônea. 12. Abrese um parêntese neste ponto para observar que, de conformidade com a escrituração apresentada pela Recorrente, os depósitos creditados na conta bancária teriam, todos, origem na conta Caixa e, por sua vez, as entradas em Caixa seriam, todas, oriundas de cheques emitidos contra a conta Bancos, num looping infinito, inobstante a existência de diversos depósitos bancários com bloqueio de um ou dois dias úteis e de vários cheques compensados. 13. Dessa “ciranda financeira”, apenas escaparam os depósitos originários de cartões de crédito (Visanet), únicos, aliás, declarados pela Recorrente como receitas. 14. Até mesmo os cheques devolvidos (R$ 657,00, no mês de janeiro de 2000) foram debitados à conta Caixa a crédito de Bancos, como se fora a própria Recorrente quem os tivesse, inadvertidamente, emitido (fls. 271 e 275, respectivamente): Fl. 897DF CARF MF Emitido em 05/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/03/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES Assinado digitalmente em 31/03/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, 05/04/2011 por SELENE FERREIRA DE M ORAES Processo nº 19515.003463/200574 Acórdão n.º 180300.820 S1TE03 Fl. 432 12 26. A Impugnante também alega, contudo não comprova, que as movimentações feitas em sua conta bancária são oriundas de meras trocas de cheques de seus clientes, para que estes pudessem adquirir cartelas de bingo ou apostar em máquinas de vídeobingo. [...]. 27. Como visto anteriormente, o ônus da prova, no presente caso, cabia ao sujeito passivo, e não à fiscalização, como entende, erroneamente, a Impugnante, ou seja, ao contribuinte incumbia a obrigação de demonstrar a que título os referidos valores foram por ele recebidos. Todavia, a Impugnante limitou se a afirmar que os valores creditados em sua conta bancária representavam meros ingressos financeiros decorrentes de trocas de cheques por dinheiro, apresentando somente os documentos acima mencionados e declarando que sua conta bancária era destinada, única e exclusivamente, para tal finalidade. Para tanto, alegou, ainda, que o saldo médio da conta não apresentava variação significativa. No entanto, somente os documentos apresentados e as declarações feitas não têm o condão de demonstrar a referida alegação. 28. Por outro lado, ainda que os valores creditados na citada conta bancária, dos quais foram excluídas, por exemplo, as devoluções de cheques depositados, conforme Termo de Verificação Fiscal (fls. 174/176), não havendo, assim, o que se cogitar a respeito de prejuízos por insuficiência de fundos dos cheques recebidos, ou seja, ainda que os créditos efetivamente recebidos pelo contribuinte decorressem, única e exclusivamente, de trocas de cheques de clientes por dinheiro para aquisição de cartelas de bingo ou apostas em máquinas de vídeobingo, o que se admite apenas a título de argumentação, mesmo assim a Autuada seria responsável pelos tributos em questão. Fl. 898DF CARF MF Emitido em 05/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/03/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES Assinado digitalmente em 31/03/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, 05/04/2011 por SELENE FERREIRA DE M ORAES Processo nº 19515.003463/200574 Acórdão n.º 180300.820 S1TE03 Fl. 433 13 29. Cumpre esclarecer que, nesta hipótese, a responsabilidade tributária pelos tributos decorrentes da exploração dos jogos de bingo é da empresa que administra tal atividade, ainda que, na qualidade de mera administradora ou permissionária, não seja a real detentora da autorização legal para exploração desse negócio, em razão da legislação pertinente. Sendo assim, a sua receita própria decorre, dentre outras atividades, da totalidade dos recursos advindos da exploração do bingo permanente, como as vendas de cartelas de bingo ou apostas em máquinas de vídeobingo, senão vejamos: [...]. 30. Portanto, ainda, que os valores creditados em sua conta corrente estivessem, de fato, exclusivamente, relacionados à exploração de bingo, ainda, assim o contribuinte deveria ter declarado tais valores como receita própria, sujeitandose à incidência dos tributos em questão. No entanto, reiterese que a Impugnante não logrou comprovar esta afirmação. Portanto, a mesma não merece acolhida. 15. Fazse nova pausa para acrescentar que não é verdade que a Recorrente apenas labora “servindo bebidas e comidas aos clientes frequentadores da casa de bingo” (fls. 398): A propósito, não é dispendioso informar, conforme constante no já anexado contrato de prestação de serviços, que a Recorrente labora dentro de uma sala de bingo, precisamente no restaurante que ali se encontra, servindo bebidas e comidas aos clientes frequentadores da casa de bingo. Assim, alguns de seus clientes, no intuito mórbido de comprar cartelas, jogar e apostar, solicitam à ora Recorrente que a mesma “troque” os seus cheques, cuja finalidade é possibilitar que possam comprar, em dinheiro “vivo”, a cartela do tipo bingo, ou apostar em máquinas de vídeobingo. Por sua vez, a Recorrente, no intuito de saciar a vontade de seus clientes exclusivos e de confiança, tem o costume de trocar os cheques deles por dinheiro, visando satisfazêlos. No entanto, alguns desses cheques, vale dizer, não possuem provisão de fundos ou mesmo são de pessoas idôneas, trazendo prejuízos à Autuada. 16. Conforme se observa da Cláusula Primeira do Contrato de Prestação de Serviços de fls. 245 a 254, a Recorrente presta “serviços de implantação, assessoria, gerenciamento e administração de sorteios lotéricos na modalidade bingo permanente” (fls. 246). 17. Das Cláusulas Segunda, Terceira, Décima Primeira, Décima Segunda e Décima Terceira do referido contrato, extraise o seguinte: CLÁUSULA SEGUNDA São obrigações da contratada: [...]; Fl. 899DF CARF MF Emitido em 05/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/03/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES Assinado digitalmente em 31/03/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, 05/04/2011 por SELENE FERREIRA DE M ORAES Processo nº 19515.003463/200574 Acórdão n.º 180300.820 S1TE03 Fl. 434 14 II Equipar, conforme determina a Lei, com todos os aparatos que se façam necessários, tais como maquinários, acessórios, painéis, cabines, mesas e cadeiras, a sala onde se darão os sorteios; III Selecionar, contratar em nome próprio e treinar ou subcontratar os funcionários que irão atuar na operacionalização dos sorteios, inclusive e especialmente aqueles que cuidarão da segurança; IV Gerenciar e administrar, sob o aspecto financeiro, contábil e tributário, a realização dos sorteios, arrecadando a renda bruta deles obtidas devendo, para tanto, proceder com o lançamento diário, em sistema informatizado (microcomputador) dos dados atinentes ao movimento, com a identificação, clara e precisa da receita, das despesas e dos impostos incidentes e a serem recolhidos sobre a exploração da modalidade lotérica objeto deste contrato; [...]. CLÁUSULA TERCEIRA A CONTRATADA será responsável pelo controle e administração dos sorteios do BINGO PERMANENTE, podendo, para tanto, estabelecer os critérios de administração e as diretrizes trabalhistas a serem adotadas para consecução dos objetivos perseguidos por força do presente instrumento. [...]. CLÁUSULA DÉCIMA PRIMEIRA A CONTRATANTE receberá para aplicação em atividades desportivas e pagamentos dos procuradores nomeados para fiscalização das atividades empreendidas pela CONTRATADA, o valor equivalente a 7 % (sete por cento) da receita bruta de arrecadação, auferida com a venda de cartelas relativas aos sorteios do BINGO PERMANENTE realizados pela CONTRATADA no primeiro dia útil de cada mês. PARÁGRAFO PRIMEIRO Ajustam as partes, de mútuo e comum acordo, que o resultado da multiplicação do percentual acima estipulado sobre a receita bruta mensal auferida com a venda de cartelas entre o primeiro e último dia de cada mês não poderá, em hipótese alguma, ser inferior a R$ 6.000,00 (seis mil reais), devendo a CONTRATADA, caso o percentual não atinja tal montante, garantir o pagamento desse mínimo à CONTRATANTE. PARÁGRAFO SEGUNDO A CONTRATADA deverá efetuar o pagamento da quantia apurada e devida à CONTRATANTE sempre até o primeiro dia útil do mês subsequente ao vencido, através de pessoa a ser indicada pela Entidade Desportiva . CLÁUSULA DÉCIMA SEGUNDA Do total da receita mensal auferida com a venda das cartelas dos sorteios do BINGO PERMANENTE, realizados no local indicado na cláusula nona, Fl. 900DF CARF MF Emitido em 05/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/03/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES Assinado digitalmente em 31/03/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, 05/04/2011 por SELENE FERREIRA DE M ORAES Processo nº 19515.003463/200574 Acórdão n.º 180300.820 S1TE03 Fl. 435 15 entre o primeiro e último dia de cada mês, 35 % (trinta e cinco por cento) será destinado ao pagamento das despesas abaixo enumeradas: a. verba a ser destinada à CONTRATANTE para aplicação em atividades desportivas e pagamento da remuneração dos procuradores nomeados para fiscalização da atividade objeto do presente instrumento, cujo valor achase estipulado na cláusula décima primeira deste instrumento; b. despesas com pagamentos dos tributos incidentes sobre a exploração dos sorteios do BINGO PERMANENTE, mesmo que lançadas em nome da CONTRATANTE; c. despesas com pagamento da folha de pagamento dos funcionários a serem contratados pela CONTRATADA e em seu nome para consecução dos objetivos aqui perseguidos; d. despesas com pagamento de encargos incidentes sobre a folha de pagamento dos funcionários que irão trabalhar no BINGO PERMANENTE; e. despesas com manutenção dos maquinários utilizados para realização dos sorteios; f. despesas com pagamentos de impostos e taxas e despesas com BINGO PERMANENTE, mesmo que tais despesas sejam lançadas em nome da CONTRATANTE; g. despesas com aluguel e seguro do imóvel onde se realizarão os sorteios; h. e outras eventuais despesas que se fizerem necessárias para consecução dos sorteios do BINGO PERMANENTE. CLÁUSULA DÉCIMA TERCEIRA A remuneração da CONTRATADA será equivalente ao resultado líquido verificado entre o valor da receita estipulada na cláusula décima segunda acima enumeradas, abatidas as despesas elencadas nos itens a, b, c, d, e, f, g, h, da mesma cláusula. 18. Assim, ainda que os depósitos bancários questionados se tratassem, realmente, de troca de cheques de clientes da Recorrente, isso em nada mudaria o fato de que tais valores compõem o seu faturamento, haja vista que, como por ela mesma admitido (fls. 397 a 400), os valores trocados foram empregados pelos seus clientes na compra de cartelas de bingo ou de fichas para apostas em máquinas de vídeobingo. 31. Outra alegação aduzida pela Impugnante referese à suposta violação de sigilo bancário, com a consequente nulidade da autuação. Contudo, a mesma também não prospera, senão vejamos: 31.1. Inicialmente, destacase que, no âmbito do processo administrativo fiscal, as causas de nulidade estão previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235/1972, in verbis: Fl. 901DF CARF MF Emitido em 05/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/03/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES Assinado digitalmente em 31/03/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, 05/04/2011 por SELENE FERREIRA DE M ORAES Processo nº 19515.003463/200574 Acórdão n.º 180300.820 S1TE03 Fl. 436 16 [...]. 31.2. Os Autos de Infração foram lavrados por pessoa competente, bem como não se verifica, na presente autuação, cerceamento de defesa como restará demonstrado a seguir. Portanto, descabida a nulidade pleiteada. 31.3. Da análise dos autos, verificase que a descrição dos fatos e dos fundamentos legais é clara e precisa, não deixando margem a dúvidas quanto ao fato imputado e às circunstâncias que envolveram o lançamento. Reiterase, ainda, que o ônus da prova competia ao sujeito passivo, por força do art. 42 da Lei nº 9.430/96. Portanto, não há o que se cogitar a respeito de falta de motivação no presente lançamento. A Impugnante teve acesso a todos os elementos constantes das peças de autuação, gozou do prazo de 30 (trinta) dias para apresentar sua impugnação, sendolhe proporcionado o direito ao contraditório e à ampla defesa. Contudo, não logrou êxito em comprovar a origem dos valores creditados em sua conta bancária. 31.4. Por outro lado, a Impugnante afirma que a Constituição Federal resguarda o sigilo bancário que somente pode ser violado pela justiça, bem como que a Lei nº 10.174/01 permitiu a utilização de informações da CPMF para instaurar procedimento fiscal apenas para os fatos ocorridos a partir da vigência desta lei. 31.5. A alegação de que as informações obtidas não poderiam servir de base ao lançamento tributário não encontra respaldo legal. Constatada qualquer irregularidade, a autoridade fiscal tem a obrigação de constituir de ofício o crédito tributário, nos termos do artigo 142 do CTN. 31.6. Destarte, inexistiu qualquer ofensa ao sigilo bancário, tendo em vista que as informações foram obtidas nos termos da legislação em vigor, que a seguir será relatada, e foram utilizadas apenas para a constituição de crédito tributário, e agora estão protegidas pelo sigilo fiscal. Ademais, os extratos bancários foram fornecidos pelo próprio contribuinte. [...]. 32. Destarte, não há o que se cogitar a respeito de violação de sigilo bancário, de abuso de poder, de invasão de competência, de ilegalidade, de ofensa aos princípios da irretroatividade das leis, do tempus regit actum, da segurança jurídica e do direito adquirido no procedimento fiscal realizado. 19. Novo aparte, desta vez para esclarecer que são objeto de reconhecimento da existência de Repercussão Geral, pelo Supremo Tribunal Federal (STF), nos termos do art. 543A, § 1º, do Código de Processo Civil CPC (Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973), as controvérsias relativas ao fornecimento de informações sobre movimentação bancária de contribuintes, pelas instituições financeiras, diretamente ao Fisco, sem prévia autorização judicial, e à possibilidade de aplicação da Lei nº 10.174, de 2001, para apuração de créditos Fl. 902DF CARF MF Emitido em 05/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/03/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES Assinado digitalmente em 31/03/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, 05/04/2011 por SELENE FERREIRA DE M ORAES Processo nº 19515.003463/200574 Acórdão n.º 180300.820 S1TE03 Fl. 437 17 tributários referentes a exercícios anteriores aos de sua vigência (Repercussão Geral em Recurso Extraordinário nº 601.3140SP). 20. Contudo, como bem observado pelo acórdão recorrido, a obtenção dos extratos bancários se deu por intermédio da própria Recorrente (fls. 36), sem que fosse necessária a requisição destes a instituições financeiras, pelo que fica prejudicada essa questão. 21. Com relação à alegada utilização, pela fiscalização, de informações obtidas pela CPMF, temse que o que vedava o art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311, de 24 de outubro de 1996, era apenas a sua utilização para a constituição de crédito tributário, mas não para a instauração de procedimento administrativo tendente a verificar a existência de crédito tributário relativo a impostos e contribuições. Vejase (grifouse): Art. 11. [...]. [...]. § 3º A Secretaria da Receita Federal resguardará, na forma da legislação aplicada à matéria, o sigilo das informações prestadas, vedada sua utilização para constituição do crédito tributário relativo a outras contribuições ou impostos. 22. Assim o que se proibia, até então, era a utilização dessas informações para lançamento, no âmbito do procedimento fiscal, do crédito tributário porventura existente, o que deixou de existir com o advento da Lei nº 10.174, de 9 de janeiro de 2001, art. 1º, que deu nova redação àquele parágrafo (sublinhouse): § 3º A Secretaria da Receita Federal resguardará, na forma da legislação aplicável à matéria, o sigilo das informações prestadas, facultada sua utilização para instaurar procedimento administrativo tendente a verificar a existência de crédito tributário relativo a impostos e contribuições e para lançamento, no âmbito do procedimento fiscal, do crédito tributário porventura existente, observado o disposto no art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e alterações posteriores. 23. Nesse sentido, aliás, a Súmula Carf nº 35 (destacouse): O art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96, com a redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplicase retroativamente. 24. No presente caso, o crédito tributário foi unicamente constituído mediante informações obtidas de extratos bancários, não havendo, pois, qualquer nulidade do procedimento fiscal. 25. Afigurase pertinente, ainda, a referência à Súmula Carf nº 26, de seguinte teor: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Fl. 903DF CARF MF Emitido em 05/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/03/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES Assinado digitalmente em 31/03/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, 05/04/2011 por SELENE FERREIRA DE M ORAES Processo nº 19515.003463/200574 Acórdão n.º 180300.820 S1TE03 Fl. 438 18 26. Quanto a que título teriam sido recebidos pela Recorrente os créditos em sua conta bancária, ela mesma já o reconhece (fls. 397 a 400): foram empregados, depois de convertidos os correspondentes cheques em dinheiro vivo, na compra de cartelas de bingo ou de fichas para apostas em máquinas de vídeobingo. 27. No que se relaciona à citação da Súmula nº 182 do extinto Tribunal Federal de Recursos (TFR), o atual entendimento do STJ é o seguinte (grifouse): TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. AUTUAÇÃO COM BASE APENAS EM DEMONSTRATIVOS DE MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA. POSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA LC 105/01. INAPLICABILIDADE DA SÚMULA 182/TFR. 1. A LC 105/01 expressamente prevê que o repasse de informações relativas à CPMF pelas instituições financeiras à Delegacia da Receita Federal, na forma do art. 11 e parágrafos da Lei 9.311/96, não constitui quebra de sigilo bancário. 2. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça está assentada no sentido de que: “a exegese do art. 144, § 1º do Código Tributário Nacional, considerada a natureza formal da norma que permite o cruzamento de dados referentes à arrecadação da CPMF para fins de constituição de crédito relativo a outros tributos, conduz à conclusão da possibilidade da aplicação dos artigos 6º da Lei Complementar 105/2001 e 1º da Lei 10.174/2001 ao ato de lançamento de tributos cujo fato gerador se verificou em exercício anterior à vigência dos citados diplomas legais, desde que a constituição do crédito em si não esteja alcançada pela decadência” e que “inexiste direito adquirido de obstar a fiscalização de negócios tributários, máxime porque, enquanto não extinto o crédito tributário a Autoridade Fiscal tem o dever vinculativo do lançamento em correspondência ao direito de tributar da entidade estatal” (REsp 685.708/ES, 1ª Turma, Min. Luiz Fux, DJ de 20/06/2005). 3. A teor do que dispõe o art. 144, § 1º, do CTN, as leis tributárias procedimentais ou formais têm aplicação imediata, pelo que a LC nº 105/2001, art. 6º, por envergar essa natureza, atinge fatos pretéritos. Assim, por força dessa disposição, é possível que a administração, sem autorização judicial, quebre o sigilo bancário de contribuinte durante período anterior a sua vigência. 4. Tese inversa levaria a criar situações em que a administração tributária, mesmo tendo ciência de possível sonegação fiscal, ficaria impedida de apurála. 5. Deveras, ressoa inadmissível que o ordenamento jurídico crie proteção de tal nível a quem, possivelmente, cometeu infração. 6. Isto porque o sigilo bancário não tem conteúdo absoluto, devendo ceder ao princípio da moralidade pública e privada, este sim, com força de natureza absoluta. Ele deve ceder todas as vezes que as transações bancárias são denotadoras de ilicitude, porquanto não pode o cidadão, sob o alegado manto de Fl. 904DF CARF MF Emitido em 05/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/03/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES Assinado digitalmente em 31/03/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, 05/04/2011 por SELENE FERREIRA DE M ORAES Processo nº 19515.003463/200574 Acórdão n.º 180300.820 S1TE03 Fl. 439 19 garantias fundamentais, cometer ilícitos. O sigilo bancário é garantido pela Constituição Federal como direito fundamental para guardar a intimidade das pessoas, desde que não sirva para encobrir ilícitos. 7. Outrossim, é cediço que “É possível a aplicação imediata do art. 6º da LC nº 105/2001, porquanto trata de disposição meramente procedimental, sendo certo que, a teor do que dispõe o art. 144, § 1º, do CTN, revelase possível o cruzamento dos dados obtidos com a arrecadação da CPMF para fins de constituição de crédito relativo a outros tributos em face do que dispõe o art. 1º da Lei nº 10.174/2001, que alterou a redação original do art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96” (AgRgREsp 700.789/RS, Rel. Min. Francisco Falcão, DJ 19.12.2005). 8. Precedentes: REsp 701.996/RJ, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ 06/03/06; REsp 691.601/SC, 2ª Turma, Min. Eliana Calmon, DJ de 21/11/2005; AgRgREsp 558.633/PR, Rel. Min. Francisco Falcão, DJ 07/11/05; REsp 628.527/PR, Rel. Min. Eliana Calmon, DJ 03/10/05. 9. Consectariamente, consoante assentado no Parecer do Ministério Público (fls. 272/274): “uma vez verificada a incompatibilidade entre os rendimentos informados na declaração de ajuste anual do ano calendário de 1992 (fls. 67/73) e os valores dos depósitos bancários em questão (fls. 15/30), por inferência lógica se cria uma presunção relativa de omissão de rendimentos, a qual pode ser afastada pela interessada mediante prova em contrário.” 10. A súmula 182 do extinto TFR, diante do novel quadro legislativo, tornouse inoperante, [...]. [...]. (REsp 792.812/RJ, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 13/03/2007, DJ 02/04/2007, p. 242) 28. Prosseguindo: 33. A Impugnante entende, equivocadamente, que foi adotado o lucro arbitrado na presente autuação. No entanto, o lucro utilizado foi o presumido, conforme consta, expressamente, do Demonstrativo de Apuração do Imposto de Renda Pessoa Jurídica (fls. 178/179). 34. Cumpre esclarecer à Impugnante que a presunção legal de omissão de receitas, decorrente da não comprovação da origem de valores creditados em conta bancária, por meio de documentação hábil e idônea, não implica, necessariamente, na apuração do lucro arbitrado. Para tanto, basta observar que a alíquota adotada para o cálculo do lucro presumido foi de 32 % (trinta e dois por cento), com fulcro no art. 519, § 1º, III, “a”, do Decreto nº 3.000/99. Fl. 905DF CARF MF Emitido em 05/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/03/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES Assinado digitalmente em 31/03/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, 05/04/2011 por SELENE FERREIRA DE M ORAES Processo nº 19515.003463/200574 Acórdão n.º 180300.820 S1TE03 Fl. 440 20 35. Caso tivesse sido adotado o lucro arbitrado, como acredita, erroneamente, a Impugnante, a alíquota corresponderia a 38,4 % (trinta e oito vírgula quatro por cento), em razão do disposto no art. 532 do referido decreto. No entanto, esta hipótese não se verifica na presente autuação. 36. Frisese, ainda, que a apuração dos tributos, na presente autuação, feita com base no lucro presumido, encontrase em consonância com o disposto no art. 24 da Lei nº 9.249 de 26/12/1995, in verbis: [...]. 37. Portanto, descabida a alegação de que foi adotado o lucro arbitrado com base no art. 47 da Lei nº 8.981/95. O lançamento teve por fundamento o art. 42 da Lei nº 9.430/96, que, como já visto anteriormente, estabelece, como receita omitida, os valores creditados em conta bancária cuja origem não restou comprovada por meio de documentação hábil e idônea. 38. No tocante à alegação de que o movimento de um exercício pode contaminar outro, frisase que a Impugnante não aponta quaisquer valores que pudessem ratificar esta afirmação. No entanto, ainda assim, verificase, da análise dos autos, que os valores adotados pela Fiscalização foram os créditos efetuados em conta bancária durante os respectivos períodos com as devidas exclusões. Portanto, em princípio, não foram considerados valores relativos a outros exercícios. Contudo, nesta hipótese, caberia à Impugnante demonstrar sua alegação. Como não o fez, considerase a mesma infundada. Demais exigências 29. Subsistindo o lançamento principal, igual sorte colhem os lançamentos que tenham sido formalizados por mera decorrência daquele, na medida que inexistem fatos ou argumentos novos a ensejarem conclusões diversas. Taxa de juros Selic 30. Com relação à pretensa ilegalidade e inconstitucionalidade da adoção da taxa de juros Selic, defendida pela Recorrente, incidem na espécie as Súmulas CARF nºs 2 e 4, de seguinte teor: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Fl. 906DF CARF MF Emitido em 05/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/03/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES Assinado digitalmente em 31/03/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, 05/04/2011 por SELENE FERREIRA DE M ORAES Processo nº 19515.003463/200574 Acórdão n.º 180300.820 S1TE03 Fl. 441 21 Conclusão Em face do exposto, e considerando tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL AO RECURSO, para EXCLUIR DE TRIBUTAÇÃO as matérias relativas ao 1º trimestre (IRPJ e CSLL) e aos meses de janeiro, outubro e novembro (Pis e Cofins), todos do anocalendário de 2000. É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Fl. 907DF CARF MF Emitido em 05/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/03/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES Assinado digitalmente em 31/03/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, 05/04/2011 por SELENE FERREIRA DE M ORAES
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Numero do processo: 13161.000485/2010-11
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Dec 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9202-004.927
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Recurso Especial do Procurador Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 16 1. 00 04 85 /2 01 0- 11 Fl. 423DF CARF MF Processo nº 13161.000485/201011 Acórdão n.º 9202004.927 CSRFT2 Fl. 0 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 10380.005876/200753. A divergência em exame reportase à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial requerendo que a retroatividade benigna fosse aplicada, essencialmente, pelos critérios constantes na Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Cientificado, o sujeito passivo não apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202004.792, de 12/12/2016, proferido no julgamento do processo 10380.005876/200753, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202004.792): O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Fl. 424DF CARF MF Processo nº 13161.000485/201011 Acórdão n.º 9202004.927 CSRFT2 Fl. 0 3 Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Fl. 425DF CARF MF Processo nº 13161.000485/201011 Acórdão n.º 9202004.927 CSRFT2 Fl. 0 4 Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): Fl. 426DF CARF MF Processo nº 13161.000485/201011 Acórdão n.º 9202004.927 CSRFT2 Fl. 0 5 Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. Fl. 427DF CARF MF Processo nº 13161.000485/201011 Acórdão n.º 9202004.927 CSRFT2 Fl. 0 6 § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há Fl. 428DF CARF MF Processo nº 13161.000485/201011 Acórdão n.º 9202004.927 CSRFT2 Fl. 0 7 que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Fl. 429DF CARF MF Processo nº 13161.000485/201011 Acórdão n.º 9202004.927 CSRFT2 Fl. 0 8 Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou Fl. 430DF CARF MF Processo nº 13161.000485/201011 Acórdão n.º 9202004.927 CSRFT2 Fl. 0 9 II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Fl. 431DF CARF MF Processo nº 13161.000485/201011 Acórdão n.º 9202004.927 CSRFT2 Fl. 0 10 Em face ao exposto, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Em face do acima exposto, voto por conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 432DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10183.721683/2009-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 07 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Mar 15 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004
EMBARGOS DECLARATÓRIOS. ERRO MATERIAL. NECESSIDADE DE SANEAMENTO.
Devem ser acolhidos os embargos declaratórios quando presente erro material entre o decidido nos votos condutores e a parte dispositiva da ementa.
Embargos Acolhidos
Numero da decisão: 2202-003.678
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração para, sanando o vício apontado no Acórdão nº 2202-002.477, de 15/10/2013, alterar a parte dispositiva do acórdão para que conste a seguinte conclusão: "Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário".
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Martin da Silva Gesto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Martin da Silva Gesto, Márcio Henrique Sales Parada, Rosemary Figueiroa Augusto, Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Cecília Dutra Pillar e Dilson Jatahy Fonseca Neto.
Nome do relator: MARTIN DA SILVA GESTO
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ERRO MATERIAL. NECESSIDADE DE SANEAMENTO. Devem ser acolhidos os embargos declaratórios quando presente erro material entre o decidido nos votos condutores e a parte dispositiva da ementa. Embargos Acolhidos Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração para, sanando o vício apontado no Acórdão nº 2202002.477, de 15/10/2013, alterar a parte dispositiva do acórdão para que conste a seguinte conclusão: "Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário". (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Martin da Silva Gesto, Márcio Henrique Sales Parada, Rosemary Figueiroa Augusto, Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Cecília Dutra Pillar e Dilson Jatahy Fonseca Neto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 72 16 83 /2 00 9- 31 Fl. 236DF CARF MF Processo nº 10183.721683/200931 Acórdão n.º 2202003.678 S2C2T2 Fl. 237 2 Relatório Os presentes embargos foram opostos pela Fazenda Nacional em face do Acórdão nº 2202002.477 no processo nº 10183.721683/200931. Este processo trata da Notificação de Lançamento, por meio da qual se exige o pagamento de diferença do Imposto Territorial Rural – ITR do Exercício 2004, acrescido de juros moratórios e multa de ofício, totalizando o crédito tributário de R$ 35.181,52, relativo ao imóvel rural cadastrado na Receita Federal sob nº 0.334.2085, localizado no município de Paranaitá MT. A DRJ de origem julgou improcedente a impugnação. Deste acórdão, foi interposto, pelo contribuinte, recurso voluntário. A obscuridade questionada pela Fazenda diz respeito ao erro formal contido na síntese do voto, em que se fez menção à existência de recurso de ofício, sendo que na conclusão do voto condutor não há referência alguma quanto a tal recurso, in verbis: "Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário e negar provimento ao recurso de ofício" No entanto, a conclusão do voto do Conselheiro Relator Fabio Brun Goldschmidt foi: "Ante todo exposto, julgando o presente caso em conjunto com o processo nº 10183.002185/200724, entendo restar comprovado que o imóvel do recorrente se encontra albergado pela imunidade tributária, razão pela qual voto no sentido de dar provimento ao recurso reconhecendo a imunidade ao Instituto Ecológico Cristalino, desconstituindo o auto de infração lançado." É o relatório. Voto Conselheiro Martin da Silva Gesto Relator Os embargos de declaração foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade Verificase que não há nos autos a interposição de recurso de ofício pela Fazenda Nacional. Aliás, sequer foi exonerado pela DRJ de origem algum valor. Ainda, a conclusão do voto do Conselheiro Relator Fabio Brun Goldschmidt somente foi no sentido da dar provimento ao recurso voluntário. Desta forma, há erro material no acórdão, o qual deve ser sanado. Fl. 237DF CARF MF Processo nº 10183.721683/200931 Acórdão n.º 2202003.678 S2C2T2 Fl. 238 3 Assim, entendo que aonde no acórdão consta "Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário e negar provimento ao recurso de ofício", deveria passar a constar "Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário." Ante o exposto, acolho os embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional, atribuindolhes efeitos infringentes, para fins de corrigir o erro material, de modo que aonde consta "Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário e negar provimento ao recurso de ofício", deve passar a constar "Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário." (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Fl. 238DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10940.901190/2009-64
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jan 31 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL Ano-calendário: 2005 ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. O art. 11 da Instrução Normativa RFB nº 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicandose, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1º de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa. (SCI Cosit nº 19, de 2011).
Numero da decisão: 1803-001.181
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para reconhecer a possibilidade de formação de indébitos em recolhimentos por estimativa, devendo os autos retornarem à unidade de origem para análise do mérito do pedido.
Nome do relator: Selene Ferreira de Moraes
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1959; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE03 Fl. 1 1 S1TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10940.901190/200964 Recurso nº Acórdão nº 180301.181 – 3ª Turma Especial Sessão de 31 de janeiro de 2012 Matéria CSLL Recorrente COOPERATIVA AGRÍCOLA MISTA DE PONTA GROSSA COOPAGRÍCOLA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2005 ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. O art. 11 da Instrução Normativa RFB nº 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicandose, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1º de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa. (SCI Cosit nº 19, de 2011). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para reconhecer a possibilidade de formação de indébitos em recolhimentos por estimativa, devendo os autos retornarem à unidade de origem para análise do mérito do pedido. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes – Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Sérgio Rodrigues Mendes, Meigan Sack Rodrigues, Selene Ferreira de Moraes. Fl. 162DF CARF MF Impresso em 24/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 24/03 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES 2 Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto o relato do órgão julgador de primeira instância até aquela fase: “Trata o presente processo da compensação declarada por meio do PER/DCOMP n° 28427.30207.171105.1.3.040469 (fls. 1116 e 5458), relativa à compensação do débito de R$ 2.284,87 de CSLL devido por estimativa (código de receita 2484) no mês de outubro/2005, com utilização da parcela de R$ 2.185,01 do direito creditório de R$ 13.066,48 oriundo do pagamento indevido ou a maior da estimativa de CSLL do mês de junho/2005, recolhimento este efetuado em 29/07/2005 (R$ 17.168,15). 2. A DRF/Ponta Grossa, por meio do Despacho Decisório proferido em 25/03/2009 (fls. 10 e 60), não homologou a compensação declarada em 17/11/2005 em face da inexistência do direito creditório indicado, haja vista o recolhimento indevido ou a maior de estimativa mensal somente poder ser utilizado na dedução da CSLL devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de CSLL do período, conforme determina o art.10 da IN SRF n° 600, de 28 de dezembro de 2005. 3. Regularmente cientificada por via postal (AR recebido em 08/04/2009, à fl. 63), a reclamante apresentou, em 05/05/2009, a tempestiva manifestação de inconformidade de fls. 0109, instruída com os documentos de fls. 1052, cujo teor é sintetizado a seguir: a) após discorrer acerca finalidade social das sociedades cooperativas, aduz que a vedação à compensação de créditos pagos a maior assume frontal conflito com o direito legal dos contribuintes; que os arts. 165 e 170 do CTN e o art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996, não fundamentam tal impossibilidade, que se encontra prevista apenas na IN SRF n° 600, de 2005; b) que as instruções normativas, por mais que se tenha respeito a elas e reconheça a sua importância, não têm força de lei e não podem limitar direitos garantidos aos consumidores, sob pena de ferir princípios constitucionais fundamentais, como o da legalidade, especialmente; c) que resta clara a impossibilidade de vedação à compensação solicitada, e a verdade deste fato está no próprio reconhecimento da RFB por meio da IN RFB n° 900, de 2008, em cujo art. 11 foi suprimida tal vedação; que não são valores apurados de retenções, mas de simples pagamentos a maior; d) alternativamente, requer seja considerado que inexiste qualquer óbice à compensação após o período de apuração ou Fl. 163DF CARF MF Impresso em 24/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 24/03 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10940.901190/200964 Acórdão n.º 180301.181 S1TE03 Fl. 2 3 para compor o saldo negativo de IRPJ e CSLL; que, como o crédito não é contestado pela RFB, mas somente sua disponibilidade no período mensal solicitado, a compensação do débito pode ser efetuada, até de ofício; que não faz sentido a incidência de multa sobre o imposto devido em face de o crédito pelo pagamento a maior ser anterior ao débito declarado; e) que, igualmente são importantes para o julgamento da matéria os princípios da proporcionalidade e da boafé e os subprincípios da adequação, da necessidade e da proporcionalidade em sentido estrito; que há de se considerar não só o aspecto formal da declaração, mas o direito em si,visto que o Direito Tributário regese pelo princípio da legalidade; f) ressalta que a correção do crédito deve ocorrer com base na taxa Selic, desde a data do pagamento a maior, conforme previsto no art. 39 da Lei n° 9.250, de 1995; g) ao final requer: 1) recebimento tempestivo da presente manifestação de inconformidade; 2) declaração de procedência, com o reconhecimento de não ser devido o tributo ora cobrado pela existência de crédito a embasar a compensação solicitada ou, em outro sentido, que seja deferido o pedido alternativo formulado; 3) além das provas documentais qu.e apresenta, requer a possibilidade de juntada de todas as informações necessárias à fiel comprovação de seu direito.” A Delegacia de Julgamento julgou improcedente a manifestação, em decisão assim ementada: “PROVA DOCUMENTAL . APRESENTAÇÃO. A apresentação de prova documental deve ser feita durante a fase de impugnação, precluindo o direito de a interessada fazêlo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna por motivo de força maior, refirase a fato ou a direito superveniente ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR . ESTIMATIVA DE CSLL. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO APRESENTADA NA VIGÊNCIA DA IN SRF N° 460, DE 2004. OBRIGATORIEDADE DE UTILIZAÇÃO NA DEDUÇÃO DA CONTRIBUIÇÃO DE VIDA AO FINAL DO PERÍODO DE APURAÇÃO OU PARA COMPOR O SALDO NEGATIVO DE CSLL DO PERÍODO . Aplicase à declaração de compensação apresentada na vigência da IN SRF n° 460, de 2004, a obrigatoriedade de utilização da estimativa de CSLL paga indevidamente ou a maior na dedução da contribuição devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de CSLL do período. Fl. 164DF CARF MF Impresso em 24/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 24/03 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES 4 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO . ESTIMATIVA DE CSLL.VEDAÇÃO À UTILIZAÇÃO COMO DIREITO CREDITÓRIO. Havendo vedação à utilização de estimativa de CSLL como direito creditório oriundo de pagamento indevido ou a maior, é de se confirmar a não homologação da compensação declarada nos autos. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” Contra a decisão, interpôs a contribuinte o presente Recurso Voluntário, em que reitera os argumentos tecidos na impugnação. É o relatório. Voto Conselheira SELENE FERREIRA DE MORAES A contribuinte foi cientificada por via postal, tendo recebido a intimação em 04/07/2011 (AR de fls. 89). O recurso foi protocolado em 02/08/2011, logo, é tempestivo e deve ser conhecido. Este colegiado já manifestou diversas vezes seu entendimento no sentido de que a opção pelo pagamento mensal por estimativa difere para o ajuste anual a possibilidade de os pagamentos efetuados se caracterizarem como indevidos. Ocorre porém que, em 8 de dezembro de 2011 foi publicada a Solução de Consulta Interna Cosit nº 19, cuja ementa a seguir transcrevemos: Estimativas. Pagamento indevido ou a maior.Restituição e compensação. O art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicandose, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1º de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa. Caracterizase como indébito de estimativa inclusive o pagamento a maior ou indevido efetuado a este título após o encerramento do período de apuração, seja pela quitação do débito de estimativa de dezembro dentro do prazo de vencimento, seja pelo pagamento em atraso da estimativa devida referente a qualquer mês do período, realizado em ano posterior ao do período da estimativa apurada, mesmo na hipótese de a restituição ter sido solicitada ou a compensação declarada na Fl. 165DF CARF MF Impresso em 24/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 24/03 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10940.901190/200964 Acórdão n.º 180301.181 S1TE03 Fl. 3 5 vigência das IN SRF nº 460, de 2004, e IN SRF nº 600, de 2005. A nova interpretação dada pelo art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, aplicase inclusive aos PER/DCOMP retificadores apresentados a partir de 1º de janeiro de 2009, relativos a PER/DCOMP originais transmitidos durante o período de vigência da IN SRF nº 460, de 2004, e IN SRF nº 600, de 2005, desde que estes se encontrem pendentes de decisão administrativa.” Por sua vez, o art. 100 do CTN assim dispõe: “Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: I os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas; II as decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa, a que a lei atribua eficácia normativa; III as práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas; IV os convênios que entre si celebrem a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios. Parágrafo único. A observância das normas referidas neste artigo exclui a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo.” Apesar da solução de consulta não ter eficácia normativa, não se pode negar que ela reflete a prática que será observada pelas autoridades administrativas a partir de sua edição, sendo portanto uma norma complementar nos termos do art.100 do CTN . Do ponto de vista processual, poderíamos até afirmar que não há mais litígio, uma vez, que a administração acabou de acolher integralmente os argumentos da recorrente. Há lide quando ocorre uma pretensão resistida. Por isso, transcrevo voto do Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, proferido na sessão de 16 de janeiro de 2012, quando do julgamento de processo do mesmo contribuinte: “6. Entendeu, porém, aquela decisão que “o recolhimento efetuado em 31/10/2006 somente poderia ter sido utilizado na dedução da CSLL devida em 31/12/2006 ou para compor o saldo negativo de CSLL do anocalendário de 2006” (fls. 91verso, item 10). 7. Sucede que esse entendimento não pode, por óbvio, alcançar os valores pagos a título nenhum os denominados “pagamentos sem causa” , já que somente se pode ter como estimativa o que a lei assim estabelecer, e não o que o sujeito passivo, por equívoco, pretender que o seja. 8. Se “tributo”, na forma do art. 3º do Código Tributário Nacional – CTN (Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966), Fl. 166DF CARF MF Impresso em 24/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 24/03 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES 6 corresponde a uma “prestação pecuniária compulsória”, e mais, “instituída por lei”, tudo o que é recolhido pelo sujeito passivo e que venha a extrapolar o “devido em face da legislação tributária aplicável” (art. 165, I, do CTN), tributo não é, configurandose meramente como um pagamento indevido. 9. Igual raciocínio é válido para a sistemática de recolhimento por estimativas: estas apenas podem ser consideradas a esse título se limitadas ao legalmente previsto na norma específica (art. 2º da Lei nº 9.430, de 1996). 10. Dito de outro modo: não é porque o sujeito passivo optou pela sistemática de apuração anual com antecipações mensais calculadas de forma estimada que qualquer valor que este venha a recolher passará, inexoravelmente, a ser considerado e tratado como se fora estimativa. 11. É bem de se ver que, somente as estimativas devidas na forma do art. 2º da Lei nº 9.430, de 1996, são passíveis de dedução na apuração anual do IRPJ ou da CSLL. 12. A esse mesmo entendimento, aliás, chegou a Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), ao suprimir em boa hora do art. 11 da Instrução Normativa SRF nº 900, de 30 de dezembro de 2008, restrição que existia nesse sentido, oriunda do art. 10 das Instruções Normativas SRF nºs 460, de 18 de outubro de 2004, e 600, de 28 de dezembro de 2005. 13. Sendo esse ato meramente interpretativo (interpretação das normas materiais que definem a formação e a constituição do indébito na apuração anual do IRPJ ou da CSLL), retroage ele para atingir as situações anteriores à sua edição. 14. De se recordar, por oportuno, que a própria RFB reconhece a possibilidade de restituição de pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal antes da vigência da IN SRF nº 460, de 2004, conforme se verifica pela leitura de observação presente no Ajuda do programa gerador do Per/Dcomp 4.3: OBS.: Anteriormente à IN SRF nº 460/2004, não era obrigatória a utilização de pagamento indevido ou a maior de CSLL a título de estimativa mensal na dedução da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve o pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de CSLL do período. Assim, o valor pago a maior a título de estimativa de CSLL de janeiro/2004 (R$ 400,00) poderá ser objeto de Pedido de Restituição ou de Declaração de Compensação, pois não foi lançado na DIPJ. 15. Mencionamse, a respeito, os seguintes precedentes administrativos: RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA A MAIOR QUE O DEVIDO O valor do recolhimento a título de estimativa maior que o devido segundo as regras a que está submetido o lucro real anual, é passível de compensação/restituição, a partir do mês seguinte. O valor que está vinculado à apuração no final do ano é a estimativa recolhida de acordo com a legislação de regência do referido Fl. 167DF CARF MF Impresso em 24/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 24/03 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10940.901190/200964 Acórdão n.º 180301.181 S1TE03 Fl. 4 7 sistema.(Acórdão nº 10515.943, da Quinta Câmara Sessão de 17 de agosto de 2006) [...]. ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR.. COMPENSAÇÃO. ADMISSIBILIDADE. Somente são dedutíveis do IRPJ apurado no ajuste anual as estimativas pagas em conformidade com a lei. O pagamento a maior de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento e, com o acréscimo de juros à taxa SELIC, acumulados a partir do mês subsequente ao do recolhimento indevido, pode ser compensado, mediante apresentação de DCOMP. Eficácia retroativa da Instrução Normativa RFB nº 900/2008. (Acórdão nº 110100.330, da 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 1ª Seção Sessão de 9 de julho de 2010) 16. Daquele primeiro precedente, transcrevo os seguintes excertos: A tese defendida pela Turma da DRJ é verdadeira, sim, mas somente em relação ao valor recolhido a título de estimativa dentro das normas que regem tal sistema. Os valores corretamente calculados conforme as regras da estimativa realmente só podem ser compensados quando da apuração do lucro real anual ou base de cálculo da CSLL também anual conforme inciso IV do § 3º do artigo 2º da Lei nº 9.430. A lei, no entanto, não vincula valores recolhidos além do devido como estimativa à apuração anual, pois o inciso IV do § 3º do artigo 2º da Lei 9.430/96, vinculou o valor “do imposto de renda pago na forma deste artigo”, ou seja, no valor exato devido como estimativa, nada disse a respeito de valores excedentes, logo temos uma interpretação restritiva, sem base em lei. Talvez o engano, tanto da DRF como da DRJ foi o de entender a vinculação do valor da estimativa ao apurado no final do ano, de fato têm razão quanto ao valor devido a esse título, porém quanto a quaisquer outros valores recolhidos indevidamente, temos que seguir as normas do CTN, artigo 165 do CTN, verbis: [...]. Cabe ressaltar que a legislação não estabeleceu que quaisquer recolhimentos a maior que os estabelecidos pelas regras da estimativa seriam considerados antecipação daquele a ser apurado no final do ano. Logo, não cabe a interprete restringir o que o legislador não o fez, lembrando que não estamos tratando de nenhuma das hipóteses previstas no artigo 111 do CTN. Assim, conheço do recurso e, no mérito, doulhe provimento. Fl. 168DF CARF MF Impresso em 24/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 24/03 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES 8 17. Destaco, por fim, a Solução de Consulta Interna Cosit nº 19, de 5/12/2011, assim ementada: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. O art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicandose, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1º de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa. 18. Cumpre ressaltar, porém, que a interpretação aqui exposta tem por pressuposto a ocorrência de erro no cálculo ou no recolhimento da estimativa, não abrangendo a mera mudança de opção (com base na receita bruta e acréscimos ou em balanços ou balancetes de suspensão ou redução). 19. Claro está, também, que o sujeito passivo, quando do encerramento do anocalendário, deve confrontar, apenas, as estimativas que considerou devidas, sob pena de duplo aproveitamento do mesmo crédito. 20. Dessa forma, a homologação expressa exige que o sujeito passivo comprove, perante a autoridade administrativa que o jurisdiciona: (a) o erro cometido no cálculo ou no recolhimento da estimativa; (b) a sua adequação para a formação do indébito; e (c) a correspondente disponibilidade, mediante prova de que já não se valeu desse indébito para liquidação da CSLL devida no ajuste anual ou para formação do correspondente saldo negativo. Ante todo o exposto, dou provimento parcial ao recurso, para reconhecer a possibilidade de formação de indébitos em recolhimentos por estimativa, devendo os autos retornarem à unidade de origem para análise do mérito do pedido (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes Fl. 169DF CARF MF Impresso em 24/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 24/03 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES
score : 1.0
Numero do processo: 10855.003085/2002-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 19 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Feb 09 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 1998
NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA.
Comprovada a regularidade do procedimento fiscal, porque atendeu aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN, bem como os requisitos do art. 10 do Decreto n° 70.235/1972, não há que se cogitar em nulidade do lançamento.
AUDITORIA DE DCTF. FALTA DE COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO.
Na falta de comprovação de pagamento, o qual não foi localizado nos sistemas da Receita Federal do Brasil, deve ser mantida a exigência fiscal.
Numero da decisão: 2202-003.625
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, vencido o Conselheiro Dilson Jatahy Fonseca Neto, que deu provimento integral ao recurso.
Assinado digitalmente
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Márcio Henrique Sales Parada, Martin da Silva Gesto, Rosemary Figueiroa Augusto, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Cecília Dutra Pillar, Dílson Jatahy Fonseca Neto e José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado).
Nome do relator: MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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INOCORRÊNCIA. Comprovada a regularidade do procedimento fiscal, porque atendeu aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN, bem como os requisitos do art. 10 do Decreto n° 70.235/1972, não há que se cogitar em nulidade do lançamento. AUDITORIA DE DCTF. FALTA DE COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO. Na falta de comprovação de pagamento, o qual não foi localizado nos sistemas da Receita Federal do Brasil, deve ser mantida a exigência fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, vencido o Conselheiro Dilson Jatahy Fonseca Neto, que deu provimento integral ao recurso. Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Márcio Henrique Sales Parada, Martin da Silva Gesto, Rosemary Figueiroa Augusto, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Cecília Dutra Pillar, Dílson Jatahy Fonseca Neto e José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 00 30 85 /2 00 2- 51 Fl. 234DF CARF MF 2 Por bem descrever os fatos, reproduzo abaixo o relatório da Resolução nº 2102000.201, da 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, de 11/03/2015: Tratase de Recurso Voluntário interposto por METSO BRASIL INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA, em face de acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, assim ementado: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 05/11/1997 DCTF. AUDITORIA INTERNA. AUTO DE INFRAÇÃO. ERRO NO PREENCHIMENTO DA DCTF. PAGAMENTOS. NÃO COMPROVADOS. Não comprovada a alegação de erro no preenchimento da DCTF e não localizados os pagamentos vinculados, é de se manter o lançamento. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Foi lavrado o Auto de Infração nº 0002848/2002 (fl. 70), em face da empresa SVEDALA FAÇO LTDA, que posteriormente passou a se chamar METSO BRASIL INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA, como demonstra a Alteração Contratual de fls. 100. O citado Auto de Infração, no valor inicial de R$116.795,85, foi originado de Auditoria Interna em Declaração de Contribuições e Tributos Federais DCTF, que indicou que alguns pagamentos relativos ao período do quarto trimestre de 1997 foram recolhidos fora do prazo (valor de R$99.721,99) e outro não foi localizado (valor de R$6.430,43). Inconformada com a exigência fiscal, a contribuinte apresentou a impugnação (fls. 3 a 32) com as seguintes razões de defesa: Alegou que o lançamento resulta de revisão de DCTF e, por se tratar de revisão, seria obrigatória a intimação prévia do contribuinte para prestar esclarecimentos, o que não ocorreu. Arguiu, então, a nulidade do Auto de Infração; Alegou que a Delegacia de Julgamento deve se declarar impedida de julgar o mérito, uma vez que, se assim o fizer, estará realizando o trabalho da fiscalização, suprimindo um grau de jurisdição; Alegou que não foram cumpridas as normas pertinentes ao procedimento de cobrança, exigindo multa e juros sobre o que foi pago tempestivamente, não observando os princípios de eficiência e da moralidade administrativa, previstos no art. 37 da Constituição Federal; Alegou que o lançamento deveria ser efetuado somente após a apresentação de esclarecimentos pelo interessado, quanto a eventuais irregularidades, o que não foi feito; Fl. 235DF CARF MF Processo nº 10855.003085/200251 Acórdão n.º 2202003.625 S2C2T2 Fl. 235 3 Alegou ofensa ao art. 6º, X, do Código de Defesa do Consumidor e ao art. 354 do Código de Processo Civil e abuso de autoridade, além da ilegalidade do lançamento por inobservância do devido processo legal, pois não comprovada existência de diferença apurada, mas tão somente inconsistência do programa de revisão eletrônico de DCTF, que não tem competência legal para a revisão do lançamento; Alegou, também, violação ao art. 3º da Lei nº 9.784/99, que determina a facilitação do exercício dos direitos dos administrados e o de apresentar documentos; No mérito, alegou que os recolhimentos foram corretamente efetuados, nos prazos de vencimentos e apresentou guias de DARF para comprovar referidos recolhimentos; Requereu ao final, a nulidade do Auto de Infração, tendo em vista a ausência de oitiva da contribuinte e, caso rejeitada a preliminar, requereu a improcedência do lançamento, uma vez que extinto o aludido crédito tributário pelo pagamento já efetuado; Ainda, caso não acolhidos os pedidos de anulação do Auto de Infração e da improcedência do lançamento, requereu o cancelamento da multa de ofício de 75%, uma vez que, para eventuais recolhimentos após o prazo de vencimento, a penalidade a se aplicar é a multa de mora de 20%, prevista no art. 61, § 2º, da Lei nº 9.430/96, ou a substituição da multa aplicada pelo processo de imputação, nos termos do art. 163 do CTN. Em revisão de ofício (fls. 92 a 93), a Delegacia da Receita Federal em Sorocaba, pelo Serviço de Controle e Acompanhamento Tributário (SETAC), emitiu o Despacho Decisório DRF/SOR/SECAT nº 305/2011, de 29/03/2011, proferindo a seguinte decisão: Considerando todo o exposto e com fundamento no artigo 14 da Lei n° 11.488, de 15 de Junho de 2007, combinado com o artigo 106, inciso II, alínea "c", do CTN, DECIDO cancelar a multa de ofício isolada no valor de R$98.528,30 e manter os valores lançados no anexo III e o valor dos juros não pagos, conforme proposto. Pelo despacho decisório, foi cancelada a multa isolada no valor de R$ 98.528,30 e permaneceram os seguintes créditos tributários: o valor dos juros não pagos de R$ 1.196,69 e o valor lançado sobre o pagamento não encontrado, correspondente a R$ 6.430,43 e seus acréscimos, multa de ofício de 75% e juros de mora calculados até a data da lavratura do Auto de Infração. No referido despacho, em fls. 92, destacase o registro de que, "quanto a falta de recolhimento, foi apresentado uma cópia do recolhimento em fls. 54, entretanto tal pagamento não foi localizado nas pesquisas realizadas em todos os sistemas informatizados da Receita Federal do Brasil". Fl. 236DF CARF MF 4 Ainda sobre essa decisão, registrase que dela tomou conhecimento a Recorrente em 15/04/2011, conforme AR juntado à fl. 96. Na análise das alegações apresentadas em sede de Impugnação, os integrantes da 5ª Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Ribeirão Preto decidiram julgar, por unanimidade de votos, procedente em parte a impugnação, reconhecendo corretas as alegações do interessado quanto aos recolhimentos e/ou erro no preenchimento da DCTF, que justificou a autuação de juros não pagos, mantida, contudo, a autuação em relação aos demais valores, conforme conclusão transcrita a seguir: PAGAMENTOS NÃO LOCALIZADOS – Para a comprovação da extinção do débito de código 0588, do período de apuração 05101997 e vencimento 05/11/1997, no valor de R$ 6.430,43, foi apresentado o DARF de fls 56, onde se verifica a existência de duas autenticações bancárias, sendo que uma está riscada e a outra com data de 05/11/1997. Pesquisa efetuada pela DRF não localizou tal pagamento nos sistemas da Receita Federal do Brasil, conforme informação de fl. 95, ou seja, o documento apresentado não se configura prova do efetivo pagamento do débito e, assim, não pode ser aceito para a comprovação pretendida. (...) Portanto, corretas as alegações do interessado quanto aos recolhimentos e/ou erro no preenchimento da DCTF. De todo o exposto, voto pela procedência parcial da impugnação, mantido o crédito tributário exigido, referente ao débito para o qual o pagamento não foi localizado. Cientificada da referida decisão em 26/09/2012, como atesta o AR de fls. 154, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário em 26/10/2012, por meio do qual contesta a conclusão do acórdão recorrido quanto à parcela mantida, argüindo, em síntese: "Decadência do direito de lançar", ao argumento de que o Despacho Decisório do SECAT constitui "novo lançamento" e que esse lançamento, real e verdadeiro, foi efetuado fora do prazo decadencial, ou seja, mais de 14 anos depois do fato gerador; "Inovação ao feito", ao argumento de que "a base do lançamento eletrônico de 2002: ou era falta de localização ou era declaração inexata. Todavia, AGORA, não se trata mais disso. Agora, tratase de RECUSA DE VALIDADE a DARF rasurado" (fl. 13 do Recurso Voluntário); Fl. 237DF CARF MF Processo nº 10855.003085/200251 Acórdão n.º 2202003.625 S2C2T2 Fl. 236 5 "Cerceamento do direito à ampla defesa", ao argumento de que, somente pela decisão da DRJ, foi trazido "fato novo" ao conhecimento do Recorrente, no caso, a recusa de validade ao DARF apresentado; "Cobrança de tributo extinto pelo pagamento", ao argumento de validade do DARF apresentado, alegando que o documento possui dupla impressão da mesma autenticação, e não dupla autenticação, e que o documento traz todas as informações constantes da DCTF, como nome, período de apuração, código da Receita, data de vencimento e valor do principal, havendo discrepância apenas em erro no preenchimento do CNPJ. Ao final, a Recorrente pede: declaração de improcedência do Auto de Infração; alternativa e sucessivamente, reforma do acórdão atacado para que seja julgada insubsistente a exigência fiscal; alternativa e sucessivamente, cancelada a decisão guerreada por vício de fundamentação, motivação e pela inovação do feito, determinando que seja proferida nova decisão; na eventualidade dos pedidos acima não serem acatados, que seja convertido o julgamento em diligência para verificação e comprovação do pagamento tendo em vista o DARF apresentado pela Recorrente junto ao banco recebedor (ou seu sucessor) em face dos indícios e verossimilhanças das alegações apresentadas; ao final, protesta pela produção de todo tipo de prova admitida em Direito, inclusive pela sustentação oral nos termos regimentais e também pela juntada posterior da declaração do banco sucessor que comprove a veracidade do recolhimento pelo discutido DARF. A 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, na sessão de 11/03/2015, converteu o julgamento em diligência (fls. 196/202), para: (i) intimar a Recorrente a apresentar as provas que dispuser para comprovar o efetivo pagamento e (ii) determinar à autoridade fiscal que verifique a autenticidade do DARF e, caso comprovada a inidoneidade desse comprovante de pagamento, tome as providências legais cabíveis. Conforme despacho de fl. 232, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Sorocaba, em atendimento à diligência solicitada, informou o seguinte: Com a finalidade de atender à Resolução nº 2102000.201 do CARF(fls.196/202), que converteu o julgamento do recurso voluntário em diligência para dirimir controvérsia acerca de arrecadação que não foi confirmada nos sistemas de controle da Fl. 238DF CARF MF 6 RFB, intimamos o contribuinte a apresentar a via original do comprovante de arrecadação. Em 07/10/2015, a via original foi apresentada e retida, mediante lavratura de Termo de Retenção(fl.211), conforme previsto no artigo 8º da Portaria Codac 89/2013. Juntamos cópia do documento de arrecadação retido nas folhas 212/213. Em pesquisas com diversas variantes efetuadas no sistema SIEF Documentos de Arrecadação, não localizamos o registro do documento apresentado. Às fls. 221/224, anexamos telas das pesquisas efetuadas: Consulta aos DARFs recolhidos pelo CNPJ 16.622.284/0001 98 em 05/11/1997. Consulta a todos os recolhimentos registrados no banco 392, agência 0150, em 05/11/1997. Consulta a todos os pagamentos com NI Inválido registrados pela agência 0150 do Banco 392. Consulta a todos os pagamentos no montante de 6.430,43. Consulta pagamentos não inseridos na base e com NI inválido. No Memorando de fl.210, solicitamos à DEINF a verificação de autenticidade do documento de arrecadação apresentado pela empresa. A DEINF intimou o agente arrecadador para certificar o recolhimento(fl.226), e este, em resposta(fl.229), alegou não dispor da comprovação. Em despacho de fl.230, a DEINF/SP restitui o processo ao SECAT/DRF Sorocaba, informando não haver providências a serem tomadas pela SAARF/DEINFSP ante o decurso de prazo superior a 10 anos do suposto recolhimento, não comprovado pela RFB e pelo agente arrecadador. Atendida a diligência, proponho a devolução do presente processo à 1ª Câmara/2ª Turma/CARF/MF/DF para prosseguimento no julgamento do recurso voluntário. Tendo em vista a extinção da 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, o processo foi sorteado para essa 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, para a minha relatoria. É o relatório. Voto Conselheiro MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA Relator O recurso é tempestivo e está dotado dos demais pressupostos legais de admissibilidade, devendo, portanto, ser conhecido. Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão que manteve, em parte, lançamento de ofício, decorrente do Auto de Infração de fls. 72/93, relativo ao Fl. 239DF CARF MF Processo nº 10855.003085/200251 Acórdão n.º 2202003.625 S2C2T2 Fl. 237 7 crédito de R$ 6.430,43, declarado em DCTF, mas cujo pagamento não foi localizado, com acréscimo de juros de mora e multa de 75%. PRELIMINARES Inicialmente, a Recorrente alega "Decadência do Direito de Lançar", sustentando que o Despacho Decisório do SECAT constituise em novo lançamento, efetuado fora do prazo decadencial, ou seja, mais de 14 anos depois do fato gerador. Observase que a ciência pela Contribuinte do Despacho Decisório deuse em 15/04/2011 (fl. 101) e a ciência do Auto de Infração ocorreu em 13/06/2002 (fl. 94). Embora tenha se passado um tempo superior a 5 (cinco) anos entre a ciência do Auto de Infração e o Despacho que revisou o lançamento, não há que se falar em decadência ou em prescrição, tendo em vista o disposto na Súmula CARF nº 11: "Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal". Portanto, não cabe razão à Recorrente. A Contribuinte alega cerceamento do direito de defesa, em face da insuficiência de motivação de fato e de direito. Não lhe assiste razão, porquanto todos os requisitos previstos no art. 10 do Decreto nº 70.235/1972, que regulamenta o Processo Administrativo Fiscal (PAF), foram observados quando da sua lavratura. “Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I – A qualificação do autuado; II – O local, a data e a hora da lavratura; III – A descrição do fato; IV – A disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V – A determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias.” Também não se identificou violação das disposições contidas no artigo 59 do Decreto nº 70.235/72, com as alterações introduzidas pela Lei nº 8.748, de 09 de dezembro de 1993. Art. 59. São nulos: I – os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II – os despachos e decisões proferidas por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. Fl. 240DF CARF MF 8 § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) O Auto de Infração foi lavrado por servidor competente, o sujeito passivo foi devidamente qualificado, foram mencionados os dispositivos legais infringidos e as penalidades aplicáveis, foram discriminados os valores da exigência fiscal, assim como o conteúdo da autuação está especificado. Em resumo, encontramse satisfeitos todos os requisitos legais. Defende, ainda, a Recorrente a ocorrência de inovação no feito, argumentando que a autuação deuse pela não localização do pagamento, mas agora tratase de recusa de validade a DARF rasurado. Pelo Auto de Infração, verificase que não foi localizado o pagamento em questão, o qual constava de DCTF. Em sua defesa, a Recorrente apresentou o DARF e, em diligência interna, que resultou no Despacho Decisório, foi mantido o lançamento, uma vez que não foi identificado o pagamento supostamente comprovado pelo DARF. Não tem razão a Recorrente ao alegar inovação, pois a DRJ mantevese adstrita à análise dos fatos e fundamentos consubstanciados no Auto de Infração, qual seja, a falta de comprovação do pagamento informado em DCTF. Portanto, rejeito as preliminares suscitadas pela Recorrente. MÉRITO Defende a Recorrente a validade do DARF apresentado, alegando que o documento possui dupla impressão da mesma autenticação, e não dupla autenticação, e que traz todas as informações constantes da DCTF, como nome, período de apuração, código da Receita, data de vencimento e valor do principal, havendo discrepância apenas em erro no preenchimento do CNPJ. No DARF apresentado (fl. 56) consta o nome da Recorrente à época do fato, Svedala Faço Ltda., o período de apuração de 31/10/1997, o código da Receita 0588, o vencimento em 05/11/1997 e o valor do principal correspondente a R$ 6.430,43. Sobre o CNPJ informado, apesar de a Recorrente alegar que se trata de número equivocado, observase que, de fato, o número informado está certo, conforme comprovam os atos societários da Requerida, juntados às fls. 105/139. Cabe destacar, no referido DARF, a existência de três autenticações, sendo duas idênticas e uma diferenciada, mas todas referentes ao mesmo valor de R$ 6.430,43. Ressaltese, ainda, que se encontra riscada a autenticação diferenciada. Em atendimento à diligência solicitada, a autoridade fiscal concluiu o seguinte: Em pesquisas com diversas variantes efetuadas no sistema SIEF Documentos de Arrecadação, não localizamos o registro do Fl. 241DF CARF MF Processo nº 10855.003085/200251 Acórdão n.º 2202003.625 S2C2T2 Fl. 238 9 documento apresentado. Às fls. 221/224, anexamos telas das pesquisas efetuadas: Consulta aos DARFs recolhidos pelo CNPJ 16.622.284/0001 98 em 05/11/1997. Consulta a todos os recolhimentos registrados no banco 392, agência 0150, em 05/11/1997. Consulta a todos os pagamentos com NI Inválido registrados pela agência 0150 do Banco 392. Consulta a todos os pagamentos no montante de 6.430,43. Consulta pagamentos não inseridos na base e com NI inválido. No Memorando de fl.210, solicitamos à DEINF a verificação de autenticidade do documento de arrecadação apresentado pela empresa. A DEINF intimou o agente arrecadador para certificar o recolhimento(fl.226), e este, em resposta(fl.229), alegou não dispor da comprovação. Em despacho de fl.230, a DEINF/SP restitui o processo ao SECAT/DRF Sorocaba, informando não haver providências a serem tomadas pela SAARF/DEINFSP ante o decurso de prazo superior a 10 anos do suposto recolhimento, não comprovado pela RFB e pelo agente arrecadador. Atendida a diligência, proponho a devolução do presente processo à 1ª Câmara/2ª Turma/CARF/MF/DF para prosseguimento no julgamento do recurso voluntário. Vêse, portanto, que, apesar dos esforços desprendidos pelo Fisco, não foi possível atestar a autenticidade do DARF em questão, tanto porque ele não consta dos sistemas da Receita Federal do Brasil, como porque o agente arrecadador não teve condições de prestar informações, em função do decurso de prazo superior a 10 anos. Registrese que a Contribuinte também não logrou efetuar a comprovação do pagamento por outros meios, apesar de intimada para tanto (fl. 204). Assim, considerando que o pagamento não foi localizado nos sistemas de pagamento da Receita Federal do Brasil, além da existência de rasuras no DARF em questão, entendo que não restou comprovado o seu recolhimento aos cofres públicos. Dessa forma, voto por NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Relator Fl. 242DF CARF MF 10 Fl. 243DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10860.720057/2008-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 06 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon May 15 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2005
ITR. ÁREA DE INTERESSE ECOLÓGICO. ISENÇÃO.
Comprovado, através do que consta dos autos, estar o imóvel inserido em área de interesse ecológico, assim declarada mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, para a proteção à flora, à fauna, às belezas naturais, bem como para garantir sua utilização a objetivos educacionais, recreativos e científicos, visto estar inserida no Parque Estadual da Serra do Mar, a área deve ser excluída da tributação em conformidade com o art. 10, §1º, II, b, da Lei n.º 9.393/96. Neste caso, o ADA não é o único meio de prova, podendo a comprovação ser realizada por outros documentos.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2202-003.814
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcio Henrique Sales Parada - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: MARCIO HENRIQUE SALES PARADA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2005 ITR. ÁREA DE INTERESSE ECOLÓGICO. ISENÇÃO. Comprovado, através do que consta dos autos, estar o imóvel inserido em área de interesse ecológico, assim declarada mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, para a proteção à flora, à fauna, às belezas naturais, bem como para garantir sua utilização a objetivos educacionais, recreativos e científicos, visto estar inserida no Parque Estadual da Serra do Mar, a área deve ser excluída da tributação em conformidade com o art. 10, §1º, II, b, da Lei n.º 9.393/96. Neste caso, o ADA não é o único meio de prova, podendo a comprovação ser realizada por outros documentos. Recurso Voluntário Provido.
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ÁREA DE INTERESSE ECOLÓGICO. ISENÇÃO. Comprovado, através do que consta dos autos, estar o imóvel inserido em área de interesse ecológico, assim declarada mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, para a proteção à flora, à fauna, às belezas naturais, bem como para garantir sua utilização a objetivos educacionais, recreativos e científicos, visto estar inserida no Parque Estadual da Serra do Mar, a área deve ser excluída da tributação em conformidade com o art. 10, §1º, II, b, da Lei n.º 9.393/96. Neste caso, o ADA não é o único meio de prova, podendo a comprovação ser realizada por outros documentos. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Presidente. (assinado digitalmente) Marcio Henrique Sales Parada Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar e Marcio Henrique Sales Parada. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 0. 72 00 57 /2 00 8- 18 Fl. 261DF CARF MF Processo nº 10860.720057/200818 Acórdão n.º 2202003.814 S2C2T2 Fl. 262 2 Relatório Adoto como relatório, em parte, aquele utilizado por ocasião da Resolução nº 2202000.700, desta Turma Ordinária, de 16 de junho de 2016, complementandoo ao final (fl. 250): Contra o interessado supra foi lavrada a Notificação de Lançamento e respectivos demonstrativos de fls. 01 a 06, por meio do qual se exigiu o pagamento do ITR do Exercício 2005, acrescido de juros moratórios e multa de ofício, totalizando o crédito tributário de R$ 191.981,30, relativo ao imóvel rural denominado "Fazenda Herança Divina", com área de 930,5 ha, NIRF 0.795.2740, localizado no município de Ubatuba/SP. Constou da Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal a citação da fundamentação legal que amparou o lançamento e as seguintes informações, em suma: que, a declaração de ITR do interessado incidiu em malha fiscal nos parâmetros áreas não tributáveis e cálculo do valor da terra nua; após regularmente intimado e transcorrido o prazo fixado, o interessado não apresentou os documentos solicitados que comprovassem as informações contidas em sua declaração, objeto de análise pelo Grupo de Malha Fiscal. O sujeito passivo informou que o imóvel serve como local de subsistência dele, de sua família e empregados. Solicitou, ainda, dispensa dos documentos solicitados. Pela ausência de Laudo Técnico e Ato Declaratório Ambiental, a área declarada como de preservação permanente foi glosada bem como não foi apresentado o Laudo de Avaliação do Imóvel Rural, o VTN declarado foi modificado com base nas informações constantes do Sistema de Preços de Terras SIPT, mantido pela Receita Federal do Brasil. Cientificado do lançamento, por via postal, em 05/11/2008, conforme fl. 78, o interessado apresentou a impugnação de fls. 51 a 54, em 01/12/2008, alegando, em síntese, que: • Em 20 de agosto de 2008, protocolou na Receita Federal os documentos necessários para comprovar que o imóvel rural encontrase em área considerada de preservação permanente; • Os documentos apresentados foram expedidos pelo governo federal, de total credibilidade, não restando quaisquer dúvidas de que o imóvel está inserido em sua quase totalidade em área de preservação permanente, sendo corroborado pelo Ato Declaratório Ambiental ADA, emitido em 27/09/2009; • Só tomou conhecimento da necessidade de elaborar o ADA, ao receber o Termo de Intimação Fiscal; • Anexa aos autos, Certidões expedidas pelo Instituto de Terras e do Governo do Estado de São Paulo, Planta, Relatório de Vistoria Técnica, do Instituto Florestal Núcleo Picinguaba, Fl. 262DF CARF MF Processo nº 10860.720057/200818 Acórdão n.º 2202003.814 S2C2T2 Fl. 263 3 Boletim de Ocorrência Ambiental, entre outros, que comprovam que a propriedade está inserida no Parque Estadual da Serra do Mar; • Está sem explorar o imóvel desde 1999, embora estando na posse da propriedade, pois ainda não recebeu indenização, motivo pelo qual, não possui condições para arcar com o pagamento do imposto, juros e multa de ofício; • Não deve o valor do imposto suplementar, porque os imóveis de sua propriedade são totalmente inexploráveis por estarem inseridos dentro do Parque Estadual da Serra do Mar; • Requer cancelamento da Notificação de Lançamento, em virtude de erro no preenchimento da declaração e, em sendo o caso, da autorização do órgão para providenciar junto ao Ibama o ADA dos exercícios anteriores, por medida de justiça. O julgamento recorrido assim analisou, em resumo, a questão: a) O presente processo versa sobre a glosa total da área de preservação permanente declarada em virtude de o contribuinte não ter apresentado à fiscalização os documentos que foram solicitados no Termo de Intimação Fiscal. Nesta fase, basicamente, a interessada pretende que seja considerada isenção relativa a área do imóvel, porque ele estaria integralmente inserido no Parque Estadual da Serra do Mar, fato que tornaria legítimo o cabimento da isenção, sem necessidade de exigências para tal, e para justificar seus argumentos anexou documentos. Para comprovar estes tipos de preservação permanente bastaria a apresentação de laudo técnico elaborado por profissional habilitado, acompanhado de ART, atentando a existência de florestas, com as dimensões e locais listados de conformidade com a legislação. Além da comprovação da existência da APP, seja mediante laudo técnico e/ou ato específico é indispensável a comprovação da regularização dessas áreas junto ao Ibama, através do ADA, protocolado dentro do prazo legal para o exercício analisado. Não há possibilidade de procederse a apresentação de ADA, de um ou mais exercícios anteriores por não haver retroatividade desse documento. Em que pesem as argumentações do contribuinte, mas não atendido o requisito de protocolização tempestiva do ADA perante o Ibama, apresentação do Laudo Técnico e Ato Específico, a pretensa área de preservação permanente ficará sujeita à tributação. b) No que pertine ao Valor da Terra Nua considerado no lançamento, o interessado nada questionou e a matéria está preclusa, nos termos do artigo 17 do Decreto nº 70.235, de 1972. c) Quanto à multa de 75% exigida no lançamento de ofício, encontra previsão no art. 44,1, da Lei n.° 9.430/1996, combinado com o art. 14, § 2 o da Lei n.° 9.393/1996. Quanto aos juros, o Código Tributário Nacional, em seu artigo 161, caput e § 1º , dispôs que o crédito tributário não pago no Fl. 263DF CARF MF Processo nº 10860.720057/200818 Acórdão n.º 2202003.814 S2C2T2 Fl. 264 4 vencimento, qualquer que fosse o motivo da falta, seria acrescido de juros de mora. c) O imposto pago pelo contribuinte, no valor de R$ 103,77, foi devidamente compensado, sendo mantida a exigência na Notificação de Lançamento da diferença apurada, com os devidos acréscimos legais cabíveis no procedimento de ofício. Assim, reputouse improcedente a impugnação apresentada. Cientificado dessa decisão em 01 de abril de 2011 (AR na folha 128), o contribuinte apresentou recurso voluntário (anexado na folha 97 e ss.), onde, em síntese, assim manifesta sua inconformidade com o acórdão recorrido: a) Requer seja citada a Fazenda do Estado de São Paulo, para integrar a lide, vez que a totalidade do imóvel foi por ela desapropriada para a implantação do Parque Estadual da Serra do Mar, pelo Decreto n° 10.251/77. Logo, se há um devedor esse é a própria Fazenda do Estado de São Paulo. Citando lide judicial entre ele e a Fazenda do Estado de São Paulo, diz que na realidade o imóvel objeto do presente Recurso pertence ao Estado, conforme comprova o Acórdão ora anexo. b) Requer ao CARF que se digne Julgar nulo o lançamento efetuado, uma vez que, no caso, o próprio Decreto Estadual n° 10.251/1977, substitui o ADA, por ser ato emanado do próprio Governo Estadual, logo, é merecedor de toda a credibilidade, de que todo o imóvel do Recorrente é de preservação permanente, reserva legal, de interesse ecológico e imprestável para qualquer exploração agrícola, motivo de excluirse da área tributável. c) Diz que embora não tenha apresentado o ADA em tempo hábil para comprovar que o imóvel objeto desta autuação é área de preservação permanente, reserva legal, de interesse ecológico e imprestável para qualquer exploração agrícola, não muda o fato de a área estar realmente preservada pelo próprio Decreto Estadual. d) Por estar o imóvel improdutivo, não tem como o Recorrente arcar com o exorbitante do valor fixado de ITR, mormente porque sua área foi objeto de desapropriação indireta, por força do Decreto n° 10.251/77 e até a presente data, ainda não recebeu o valor que lhe é devido pelo Estado de São Paulo. PEDE que se traga ao no pólo passivo a Fazenda Estadual, tendo em vista a Ação de Interdito Proibitório acima citada, ou então que seja anulado o lançamento, mas, se assim não se entender, espera e requer que seja acolhido o presente recurso voluntário, para cancelarse o débito reclamado. O recurso foi encaminhado a este CARF que proferiu Resolução a fim de que o julgamento fosse convertido em diligência, nos seguintes termos: Fl. 264DF CARF MF Processo nº 10860.720057/200818 Acórdão n.º 2202003.814 S2C2T2 Fl. 265 5 "Entretanto, para a escorreita aplicação do direito em tela e para que não restem dúvidas de que as áreas declaradas pela Recorrente efetivamente configuramse como de Preservação Permanente, prestigiandose o princípio da verdade material que rege os procedimentos administrativos, é imperioso que o presente processo seja baixado em diligência para que o órgão ambiental em questão informe se a área do imóvel objeto do lançamento se encontra dentro do Parque Estadual da Serra do Mar". Foi cumprida a diligência, com comunicação entre a Unidade da RFB preparadora e os órgãos de competência sobre meio ambiente do Estado de São Paulo, restituindose o processo ao CARF nos seguintes termos: "Em atenção à Resolução 2801000.085 de 30 de novembro de 2011 às fls 130 a 133 foi juntado o Ofício Resposta da Fundação Florestal às fls 206. Isto posto, restituo o presente processo à 2ª Seção de Julgamento do CARF para continuidade". Ao analisar a questão, resolveuse pela conversão do julgamento em diligência, nos seguintes termos (fl. 254): ... pela conversão do julgamento em diligência para que a Unidade preparadora informe qual a data de protocolo do recurso em questão ou, na impossibilidade de fazêlo, manifeste se expressamente. A Unidade preparadora na fl. 258, informando que o recurso foi encaminhado em 27/04/2011, conforme o Aviso de Recebimento que então anexou, na fl. 256. É o relatório. Voto Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, Relator. O recurso é tempestivo, conforme relatado, e, atendidas as demais disposições legais, dele tomo conhecimento. Primeiro observo que a Autoridade lançadora procedeu de ofício a duas alterações nos dados informados pelo contribuinte em sua DITR: a glosa da área de preservação permanente de 895,5 ha e alteração do VTN declarado para R$ 1.909.702,37 (2.052,34 R$/ha), conforme discriminado nas fls. 74/76, cópia da Notificação de Lançamento. No curso deste processo, o contribuinte questiona apenas a glosa da área (APP), não se manifestando sobre a alteração do VTN, matéria que está, portando, fora do litígio, nos termos do artigo 17, do Decreto nº 70.235, de 1972, como já inclusive destacara a Autoridade Julgadora de 1ª instância. Diz a Lei nº 9.393, de 1996: Fl. 265DF CARF MF Processo nº 10860.720057/200818 Acórdão n.º 2202003.814 S2C2T2 Fl. 266 6 Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: I VTN, o valor do imóvel, excluídos os valores relativos a: a) construções, instalações e benfeitorias; b) culturas permanentes e temporárias; c) pastagens cultivadas e melhoradas; d) florestas plantadas; II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei no 12.651, de 25 de maio de 2012; (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) (Vide art. 25 da Lei nº 12.844, de 2013) b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; c) comprovadamente imprestáveis para qualquer exploração agrícola, pecuária, granjeira, aqüícola ou florestal, declaradas de interesse ecológico mediante ato do órgão competente, federal ou estadual; Assim, referida lei, que dispõe sobre o Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, menciona que para efeitos de apuração do ITR considerarseá “área tributável” a área total do imóvel “menos as áreas de preservação permanente e de reserva legal”. O tamanho da área tributável influi no cálculo e, conseqüentemente, no valor a pagar de ITR. A apresentação do ADA – Ato Declaratório Ambiental, para fins de exclusão das áreas de preservação permanente e reserva legal, que outrora era exigida pela RFB com base em norma infralegal, surgiu no ordenamento jurídico com o art. 1º, da Lei nº 10.165/2000, que incluiu o art. 17O, § 1º na Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, para os exercícios a partir de 2001: Art. 17O Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental – ADA, deverão recolher ao Ibama a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei nº 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria. (...) Fl. 266DF CARF MF Processo nº 10860.720057/200818 Acórdão n.º 2202003.814 S2C2T2 Fl. 267 7 §1º A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória. (grifei) A jurisprudência da Câmara Superior deste CARF já se manifestou em julgamento no Acórdão 9202 – 002.383 (processo: 10120.000407/200628, data 13/03/2013, Relatora Susy Gomes Hoffmann): ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. REQUISITO NECESSÁRIO. A fim de obter a isenção quanto à Área de Preservação Permanente (APP) o sujeito passivo deve apresentar documentação sobre a existência. No presente caso, o sujeito passivo apresentou apenas mapa, sem o devido e necessário Ato Declaratório Ambiental (ADA), motivo da não obtenção de isenção da citada área.(grifei) Recurso Especial do Contribuinte Provido em Parte. O Decreto regulamentador do ITR também possui determinação expressa. Decreto 4.382/2002: Art. 10. Área tributável é a área total do imóvel, excluídas as áreas: I de preservação permanente; II – de reserva legal, ... § 1º A área do imóvel rural que se enquadrar, ainda que parcialmente, em mais de uma das hipóteses previstas no caput deverá ser excluída uma única vez da área total do imóvel, para fins de apuração da área tributável. § 3º Para fins de exclusão da área tributável, as áreas do imóvel rural a que se refere o caput deverão: I ser obrigatoriamente informadas em Ato Declaratório Ambiental ADA, protocolado pelo sujeito passivo no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis IBAMA, nos prazos e condições fixados em ato normativo (Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, art. 17O, § 5º, com a redação dada pelo art. 1º da Lei nº 10.165, de 27 de dezembro de 2000); e(grifei) Primeiramente, antes de nossa análise, cabe ressaltar a importância do Ato Declaratório Ambiental (ADA). O ADA é documento de cadastro das áreas do imóvel rural junto ao IBAMA e das áreas de interesse ambiental e possui como função cadastramento as áreas de interesse ambiental declaradas, permitindo o controle e verificação dessas áreas pelo órgão responsável pela área ambiental. Fl. 267DF CARF MF Processo nº 10860.720057/200818 Acórdão n.º 2202003.814 S2C2T2 Fl. 268 8 Com essa declaração aos órgãos responsáveis, em busca da preservação ambiental dessas áreas, o Estado concede isenção tributária quanto ao ITR. Cabe ressaltar que a isenção tributária, como a incidência, decorre de lei. É o próprio poder público competente para exigir tributo que tem o poder de isentar. É a isenção um caso de exclusão tributária, de dispensa do crédito tributário, conforme determina o I, Art. 175 do Código Tributário Nacional (CTN). Buscase, assim, uma conduta determinada dos cidadãos. No caso, o objetivo é a preservação das áreas em comento, pela fiscalização das áreas informadas pelo ADA e o órgão que possui a qualificação técnica para tal é o Ibama. Desta forma, o objetivo da isenção é estimular a preservação e proteção da flora e das florestas e, conseqüentemente, contribuir para a conservação da natureza e proporcionar melhor qualidade de vida. “O postulado da proporcionalidade exige que o Poder Legislativo e o Poder Executivo escolham, para a realização de seus fins, meios adequados, necessários e proporcionais. Um meio é adequado se promove o fim. Um meio é necessário se, dentre todos aqueles meios igualmente adequados para promover o fim, for o menos restritivo relativamente aos direitos fundamentais. E um meio é proporcional, em sentido estrito, se as vantagens que promove superam as desvantagens que provoca”. (ÁVILA, Humberto. Teoria dos Princípios: da definição á aplicação dos princípios jurídicos. São Paulo: Malheiros, 2003, p. 102) A IN Ibama nº 76, de 31 de outubro de 2005, estabeleceu: “Art. 1º O Ato Declaratório Ambiental ADA representa o cadastro indispensável ao reconhecimento das áreas de preservação permanente e de utilização limitada para fins de isenção do Imposto Territorial Rural ITR”. Observo ainda que a Instrução Normativa nº 76 do Ibama traz considerações importantes sobre o ADA e seu disciplinamento, para justificar a necessidade de padrões e prazos. Abaixo transcrevemos alguns: “ Considerando a necessidade de padronizar o modelo de Ato Declaratório AmbientalADA; Considerando a necessidade de regulamentação das modalidades de apresentação do ADA, para fins de isenção e/ou dedução de Imposto Territorial Rural ITR ; Considerando a necessidade de o Ibama instituir um cadastro das propriedades rurais que possuem áreas de interesse ambiental, mediante apresentação do ADA;...(grifei)” Por fim, a IN Ibama nº 76, de 2005 foi expressamente revogada pela IN Ibama nº 5, de 25 de março de 2009, a qual, entre outras determinações, definiu modelo de laudo técnico de vistoria de campo um dos documentos comprobatórios das declarações prestadas no ADA, passível de ser exigido em momento posterior à apresentação do ADA, Fl. 268DF CARF MF Processo nº 10860.720057/200818 Acórdão n.º 2202003.814 S2C2T2 Fl. 269 9 deixou de contemplar o formulário padrão como um dos modelos de apresentação do ADA e determinou o prazo para a apresentação do ADA bem como de sua retificação: “Art. 1º O Ato Declaratório Ambiental – ADA é documento de cadastro das áreas do imóvel rural junto ao IBAMA e das áreas de interesse ambiental que o integram para fins de isenção do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, sobre estas últimas. (...) Art. 6º O declarante deverá apresentar o ADA por meio eletrônico formulário ADAWeb, e as respectivas orientações de preenchimento estarão à disposição no site do IBAMA na rede internacional de computadores www.ibama.gov.br ("Serviços online"). (...) § 3o O ADA deverá ser entregue de 1º de janeiro a 30 de setembro de cada exercício, podendo ser retificado até 31 de dezembro do exercício referenciado. Assim, a exigência do ADA tem previsão legal. E também está disciplinada e pareceme, a partir do excerto que citamos acima, proporcional e adequada. Entendo que o §7º do artigo 10 da Lei nº 9.393/1996, incluído pela MP nº 2.166/2001, ao dizer que: §7º A declaração para fim de isenção do ITR relativa às áreas de que tratam as alíneas a e d do inciso II, § 1º, deste artigo, não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado que a declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis, referese à questão do lançamento do ITR darse por homologação, nos termos do Art. 150 do CTN, e reputo importante destacar os termos “declaração” e “prévia”. Não é necessário que o contribuinte apresente nenhum documento para que em sua declaração faça constar a informação das áreas isentas, de reserva legal e preservação permanente, e, desta feita, conseqüentemente, apure o imposto devido e faça o recolhimento, cabendo ao Fisco simplesmente chancelar tal apuração, quando a entenda correta, mediante homologação expressa ou tácita. Nenhum ato prévio do Fisco, pois, se faz mister. Contudo, entendendo a autoridade fiscal que se faz necessária comprovação, principalmente no que diz respeito a uma isenção pleiteada pelo declarante, cabe a este atendê la. Quando não o faz, na forma prevista em diploma legal, que, portanto, revestese de todas as Fl. 269DF CARF MF Processo nº 10860.720057/200818 Acórdão n.º 2202003.814 S2C2T2 Fl. 270 10 prerrogativas e formalidades que possamos aqui discutir, é de entenderse que restou não comprovada a veracidade da declaração. O caso concreto, contudo, é diverso. Tratase de imóvel que foi inserido em parque estadual criado por ato do Poder Público. Como consta de cópia anexada nas fls. 112, o governo de São Paulo, mediante o Decreto nº 10.251, de 30 de agosto de 1977, criou o Parque Estadual da Serra do Mar com a finalidade de "assegurar integral proteção à flora, à fauna, ás belezas naturais, bem como para garantir sua utilização a objetivos educacionais, recreativos e científicos." No seu artigo 6º, diz ainda o referido decreto que "ficam declaradas de utilidade pública, para fins de desapropriação, por via amigável ou judicial, as terras do domínio particular abrangidas pelo parque ora criado." Da leitura da decisão recorrida, observase que o julgador lança dúvidas sobre dois pontos: se o imóvel estaria integralmente inserido no parque estadual e se as restrições a que estaria submetido de fato impediriam sua utilização, para que fosse considerado isento. Na folha 193 consta cópia do Ofício 389/2009, emitido pela Fundação Florestal do Estado de São Paulo dizendo que "as áreas mencionadas" estão localizadas dentro dos limites do Parque Estadual da Serra do Mar, criado pelo Decreto Estadual nº 10.251, de 1977. Após a diligência determinada por este CARF e interlocução entre a Fundação Florestal e a Unidade da RFB de jurisdição do imóvel, veio aos autos o Ofício nº 1854/2014, em que é ratificado o Ofício 389/2009, encaminhado ao requerente, para dizer que as áreas mencionadas estão de fato dentro dos limites do Parque Estadual. O acompanhamento da exploração dessas áreas já era feito pelos órgãos de controle ambiental há muito tempo, como demonstram o Boletim de Ocorrência e o processo que se seguiu a ele, em que o contribuinte foi responsabilizado por crime ambiental, por mandar cortar 0,9 ha da área para fazer pastagens (fl. 15 e seguintes). Atestou o Ministério Público Estadual, naquela ocasião, que "o Parque Estadual da Serra do Mar, protegido pela própria Constituição Federal, em seu artigo 225, § 4º, é uma Unidade de Conservação de Proteção Integral."(fl. 19) Assim, existem nos autos documentos que possibilitam concluir que o imóvel declarado está inserido no Parque Estadual da Serra do Mar e que o parque tratase de uma área de proteção integral, onde não é permitida qualquer exploração comercial. Registrese que os Parques (Nacional, Estadual ou Municipal), em conformidade com a Lei nº 9.985, de 18 de julho de 2000, que regulamentou o art. 225, § 1o, incisos I, II, III e VII da Constituição da República Federativa do Brasil e instituiu o Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza – SNUC, são Unidades de Proteção Integral, para as quais só é admitido o uso indireto (aquele que não envolve consumo, coleta, dano ou destruição dos recursos naturais) dos seus atributos naturais. Como se vê, as terras inseridas em parques nacionais não se prestam a qualquer tipo de exploração comercial, posto que seu único objetivo é a preservação de ecossistemas naturais, possibilitando, apenas, a realização de pesquisas científicas e o desenvolvimento de atividades de educação ambiental, de recreação e de turismo ecológico. Fl. 270DF CARF MF Processo nº 10860.720057/200818 Acórdão n.º 2202003.814 S2C2T2 Fl. 271 11 Assim, entendo que a área em questão melhor se enquadra na alínea 'b' do inciso II, artigo 10, da Lei nº 9.393, de 1996, acima copiado. Nesse caso, tornarseia desnecessária, pelos motivos expostos, a exigência do ADA como requisito formal para o reconhecimento da isenção, uma vez que suas finalidades, aqui tratadas, perdem sentido, pois a área já é controlada e acompanhada pelo poder público que cria o Parque, mesmo que ainda não tenha sido efetivamente desapropriada em função do longo processo que se desenvolve. Colho na jurisprudência deste CARF: Acórdão 2801003.079, Sessão de 20 de junho de 2013 Exercício: 2005 ITR. ÁREA DE INTERESSE ECOLÓGICO. Não é tributável o imóvel inteiramente localizado em área de interesse ecológico transformada em Parque Estadual instituído por Decreto Estadual. Recurso Voluntário Provido. Acórdão 2301004.857, Sessão de 22 de setembro de 2016 Exercício 2005, 2006, 2007 ITR. ÁREA DE INTERESSE ECOLÓGICO. 1. Comprovada, através da localização do imóvel, ser área de interesse ecológico, para a proteção dos ecossistemas, visto estar inserida no Parque Estadual Serra do Tabuleiro, deve ser excluída da tributação em conformidade com o art. 10, §1º, II, b, da Lei n.º 9.393/96. 2. Para essa exclusão da APP da tributação, o ADA não é o único meio de prova, podendo a comprovação ser realizada por outros meios, no caso dos autos, mediante Laudo de Vistoria e de Uso do Solo. Acórdão 2102002.515 Exercício:2003 ITR. ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA. PARQUE ESTADUAL. Comprovado o fato de que a propriedade está inserida em Parque Estadual criado por meio de Decreto do Governador do Estado, é lícita a sua exclusão da base de cálculo do ITR, na forma do art. 10, § 1º, inciso II, alínea "b", da Lei nº. 9.393/96. CONCLUSÃO Em face do acima exposto, ressaltando que o contribuinte não impugnou a questão do valor da terra nua (VTN), alterado pela Autoridade Fiscal, VOTO por dar provimento ao recurso para restabelecer, para fins de cálculo do ITR, a área de preservação permanente declarada de 895,5 hectares. Fl. 271DF CARF MF Processo nº 10860.720057/200818 Acórdão n.º 2202003.814 S2C2T2 Fl. 272 12 (assinado digitalmente) Marcio Henrique Sales Parada Fl. 272DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11516.724173/2013-56
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 04 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Apr 27 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2011
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. ARTIGO 124, I DO CTN. INTERESSE COMUM NO FATO GERADOR. INTELIGÊNCIA
O interesse comum no fato gerador ocorre quando há pluralidade de pessoas concorrendo para a prática do fato imponível. Exsurge o interesse comum na relação de trabalho quando há seleção de pessoas, operacionalização da contratação e do pagamento e controle da qualidade da prestação de serviços da pessoa física contratada.
MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICADORA. CABIMENTO.
Para que haja a aplicação do percentual em dobro da multa de ofício é necessário que o Fisco comprove a prática, pelo sujeito passivo, de ação dolosa de sonegação, fraude ou conluio, consoante a disposição da Lei nº 9.430/96 .
PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS REMUNERADOS POR PESSOA FÍSICA. HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA. SUJEIÇÃO PASSIVA.
Existindo prestação de serviços remunerados de pessoa física para outrem, haverá incidência de contribuição social previdenciária, devida não só pelo trabalhador como também pelo tomador dessa prestação de serviços. É sujeito passivo da obrigação tributária aquele a quem o trabalho aproveita, que precisou da prestação de serviços para cumprir sua obrigação.
Numero da decisão: 2201-003.554
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso de ofício para dar-lhe provimento parcial, restabelecendo a responsabilidade solidária da Ordem dos Advogados do Brasil, Seção de Santa Catarina, OAB/SC. Quanto ao recurso voluntário, em conhecê-lo, rejeitar a preliminar de nulidade suscitada, e, no mérito, negar-lhe provimento.
CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA - Presidente.
CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA - Relator.
EDITADO EM: 20/04/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, Jose Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton Da Silva Risso, Carlos Alberto Do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra
Nome do relator: CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA
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ARTIGO 124, I DO CTN. INTERESSE COMUM NO FATO GERADOR. INTELIGÊNCIA O interesse comum no fato gerador ocorre quando há pluralidade de pessoas concorrendo para a prática do fato imponível. Exsurge o interesse comum na relação de trabalho quando há seleção de pessoas, operacionalização da contratação e do pagamento e controle da qualidade da prestação de serviços da pessoa física contratada. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICADORA. CABIMENTO. Para que haja a aplicação do percentual em dobro da multa de ofício é necessário que o Fisco comprove a prática, pelo sujeito passivo, de ação dolosa de sonegação, fraude ou conluio, consoante a disposição da Lei nº 9.430/96 . PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS REMUNERADOS POR PESSOA FÍSICA. HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA. SUJEIÇÃO PASSIVA. Existindo prestação de serviços remunerados de pessoa física para outrem, haverá incidência de contribuição social previdenciária, devida não só pelo trabalhador como também pelo tomador dessa prestação de serviços. É sujeito passivo da obrigação tributária aquele a quem o trabalho aproveita, que precisou da prestação de serviços para cumprir sua obrigação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso de ofício para darlhe provimento parcial, restabelecendo a responsabilidade AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 72 41 73 /2 01 3- 56 Fl. 12133DF CARF MF 2 solidária da Ordem dos Advogados do Brasil, Seção de Santa Catarina, OAB/SC. Quanto ao recurso voluntário, em conhecêlo, rejeitar a preliminar de nulidade suscitada, e, no mérito, negarlhe provimento. CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Presidente. CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Relator. EDITADO EM: 20/04/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, Jose Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton Da Silva Risso, Carlos Alberto Do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra Relatório Tratase de recurso de ofício e voluntário interpostos contra a decisão de primeiro grau que manteve parcialmente o crédito tributário constituído por meio de auto de infração (folhas 03 do processo digitalizado), referente às contribuições previdenciárias . Os motivos ensejadores do lançamento tributário se encontram no Relatório Fiscal (fls 24). Na ação fiscal foram constituídos os seguintes documentos de crédito: · Auto de Infração Debcad n° 51.053.8657, no valor de R$ 18.337.013,80, atualizado até dezembro de 2013, referente ao valor do tributo, juros e multa de ofício, relativo à contribuição patronal incidente sobre os valores pagos, no período de janeiro de 2009 até março de 2011, aos segurados contribuintes individuais, constante do presente processo administrativo. · Auto de Infração Debcad n° 51.053.8665, no valor de R$ 6.854.094,62, atualizado até dezembro de 2013, referente ao valor do tributo, juros e multa de ofício, relativo à contribuição não descontada do segurado incidente sobre os valores pagos, no período de janeiro de 2009 até março de 2011, aos contribuintes individuais, constante do presente processo administrativo. · Auto de Infração Debcad n° 51.053.8673, no valor de R$ 4.432.113,30, atualizado até dezembro de 2013, referente ao valor do tributo, juros e multa de ofício, relativo à contribuição descontada do segurado incidente sobre os valores pagos, no período de janeiro de 2009 até março de 2011, aos contribuintes individuais, constante do presente processo administrativo · No processo administrativo 11516.724172/201310 foram lançados os valores relativos à contribuição patronal e do segurado incidente Fl. 12134DF CARF MF Processo nº 11516.724173/201356 Acórdão n.º 2201003.554 S2C2T1 Fl. 12.134 3 sobre os valores pagos, no período de janeiro até dezembro de 2008, aos contribuintes individuais. · No processo administrativo 11516.724175/201345 foram lançados os valores relativos à contribuição patronal e do segurado incidente sobre os valores pagos, no período de maio de 2011até dezembro de 2012, aos contribuintes individuais O crédito constituído, como dito, referese ao período de janeiro de 2009 a março de 2011 e se aperfeiçoou com a ciência pessoal do contribuinte e do responsável solidário, em 17 de dezembro de 2013. Irresignados, o contribuinte e o devedor solidário apresentam, tempestivamente, impugnação ao lançamento (fls. 10599 e 10671, respectivamente), em 15 de janeiro de 2014. A 7ª Turma da DRJ em Ribeirão Preto, em 24 de junho de 2014, dá parcial procedência à impugnação apresentada, proferindo a decisão consubstanciada no Acórdão de Impugnação 1451.077 (fls 12043), no qual já apresenta recurso de ofício. Tal decisão restou assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2009 a 31/03/2011 CONTRIBUIÇÕES DA EMPRESA INCIDENTES SOBRE A REMUNERAÇÃO DE SEGURADOS CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. A empresa ou equiparada é obrigada a recolher as contribuições a seu cargo incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados contribuintes individuais a seu serviço. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS DOS SEGURADOS CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. A empresa ou equiparada é obrigada a arrecadar as contribuições dos segurados contribuintes individuais a seu serviço e recolher o produto arrecadado. MULTA QUALIFICADA. NÃO CARACTERIZADA HIPÓTESE DE APLICAÇÃO. Para que seja aplicável a multa qualificada na alíquota de 150%, deve estar efetivamente caracterizada na conduta do sujeito passivo ao menos uma das hipóteses preconizadas no art. 44, § 1º, da Lei nº 9.430/96. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM. NÃO RECONHECIMENTO. É admitida a imputação da responsabilidade tributária solidária à pessoa física ou jurídica que tenha interesse Fl. 12135DF CARF MF 4 comum na situação que constitua o fato gerador cabendo, no entanto, demonstrarse a existência do inequívoco interesse comum. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte. O acórdão cuja ementa reproduzimos, tem o seguinte relatório, que adoto por sua clareza e precisão (fls 12038): Detalha a fiscalização em continuidade, no item 3.1 do REFISC, toda a documentação e informações solicitadas à OAB SC através dos competentes Termo de Início de Fiscalização e Termos de Intimação Fiscal – TIF e o que foi apresentado pela OAB SC; no item 3.2 do REFISC, registra a documentação e informações solicitadas a PGE e o efetivamente apresentado, e, no item 3.3, registra a documentação e informações solicitadas à SJC e o apresentado. Segundo o REFISC, toda a documentação e informações prestadas fazem parte do presente processo, conforme identificação atribuída pela fiscalização. Na seqüência, a fiscalização faz um breve histórico da legislação que rege a Advocacia Dativa em Santa Catarina. Neste contexto, dispõe que: A defensoria Pública foi contemplada no art. 134 da Constituição Federal como instituição fundamental ao Estado e objetiva assegurar ao cidadão o pleno exercício dos seus direitos sociais e individuais, a liberdade, a segurança, o bem estar, a igualdade e a justiça, em todos os sentidos, dos mais necessitados. Transcreve artigo. Apesar de ser uma obrigação exclusiva dos Entes Estatais, no Estado de SC esteve disciplinada pela Lei Complementar Estadual nº 155/97, que instituiu a Defensoria Pública no Estado de Santa Catarina, atribuindo à OABSC a organização desses serviços, estando ainda obrigada ao controle e pagamento dos serviços prestados pelos advogados que se inscreveram para prestar esses serviços. O regime e a forma de remuneração dos advogados dativos foram estabelecidos nos parágrafos 3º e 4º do art. 4º da Lei Complementar nº 155, de 1997, onde se observa que os recursos destinados aos pagamentos pela prestação de serviços dos advogados são repassados pelo Estado de Santa Catarina à OABSC, em conta bancária específica, a qual deve prestar contas trimestralmente ao Estado; Pela prestação destes serviços, nos termos do art. 5º da Lei Complementar nº 155/97, a OABSC é remunerada no montante de 10% do valor recebido do Estado de Santa Catarina, a título de indenização pelas despesas decorrentes da execução da citada Lei Complementar; Além de elaborar a lista dos advogados que exercerão a Advocacia Dativa (art. 1º, parágrafo 1º, da Lei Complementar nº Fl. 12136DF CARF MF Processo nº 11516.724173/201356 Acórdão n.º 2201003.554 S2C2T1 Fl. 12.135 5 155/97) e remunerálos pelo serviço prestado, era também de competência da OABSC o controle, a fiscalização, a organização e o credenciamento dos profissionais que exercerão a atividade de advocacia dativa nos termos do art. 19 da LC nº 155/97, transcreveo; após a edição da Lei Complementar citada, foi firmado o Convênio nº 67/2005, de 20/12/2005, entre o Poder Judiciário de SC e a OAB SC com o objetivo de "viabilização de desenvolvimento de sistema de informática visando gerenciar os procedimentos relativos à Assistência Judiciária e Defensoria Dativa que entre si fazem o Estado de Santa Catarina por intermédio do Poder Judiciário e a Ordem dos Advogados do Brasil/Seção de Santa Catarina (Doc. 20). Destaca a cláusula décima do citado Convênio, que define o papel da OAB SC no tocante à escolha do profissional a ser indicado para a prestação de serviços. Nas razões para a implantação do novo sistema eletrônico chamado SAJ/Aj para indicação e nomeação do Defensor Dativo, consta que cumpre a OAB SC organizar as listas dos profissionais aptos à prestação de serviços. Em 14/03/2012, através da ADI 3.892 (doc. 33) a Lei Complementar nº 155/97 foi declarada inconstitucional pelo STF, tendo sido determinado ao Estado de Santa Catarina a criação da Defensoria Dativa própria, no prazo de um ano, período em que ainda permaneceu em vigor a Lei Complementar. O período objeto da ação fiscal em análise, estava em plena vigência a referida Lei Complementar. Na seqüência, a fiscalização no capítulo V do REFISC, traz os procedimentos da OAB SC. Apresenta os pilares básicos em que se fundamenta o modelo da Defensoria Dativa em SC, conforme constante no sítio da internet da OAB SC. Resume o papel de cada parte envolvida: * Advogado: Acessa o sítio do Tribunal de Justiça e se inscreve na modalidade que deseja atuar; * Entrevista: Realizada pelo setor existente em cada comarca e operado por um servidor da OAB ou do TJSC. * Nomeação do Advogado: Magistrado acessa o sistema SAJ/Aj e nomeia por via digital. * Após a fixação da remuneração, os Cartórios emitem Certidões de URH que habilitam o advogado a receber a remuneração do Estado pelos serviços prestados e as enviam à OAB SC que tem a incumbência de manter o registro desses documentos e informações. * Mensalmente o Estado deve promover o repasse à OAB SC do numerário suficiente ao pagamento dos serviços dos advogados, e a OAB SC credita o valor Fl. 12137DF CARF MF 6 em conta corrente de cada advogado. Através do Termo de Intimação Fiscal TIF nº 02 (Doc. 08), a OAB SC foi intimada a prestar os seguintes esclarecimentos, respondendo através do Ofício nº 478 (Doc. 09): Quesito a) O critério da escolha do Advogado atuante na Defensoria Dativa, bem como o responsável pela indicação do profissional quando da atuação jurídica no período abrangido pela fiscalização; Resposta: O critério de escolha e o responsável pela indicação do profissional durante o período em que vigorou a Defensoria Dativa era o Tribunal de Justiça do Estado de Santa Catarina, através dos Fóruns pelos assistentes sociais. Quesito b) Como foram definidos os valores dos serviços prestados; Resposta: Os valores estão estabelecidos na Lei Complementar n — 155/97 do Estado de Santa Catarina. Quesito c) Como são controlados os valores dos serviços prestados, qual sistema utilizado para referido controle, bem como o responsável pela alimentação do mesmo, inclusive quando do reconhecimento do valor devido como na liquidação; Resposta: Todas as etapas acima são de competência do Tribunal de Justiça do Estado de Santa Catarina. Os valores dos serviços prestados são estabelecidos na sentença do processo que o Juiz definiu de acordo com a Lei Complementar. O sistema utilizado é o SAJ, que possui um módulo chamado “Assistência Judiciária”. A alimentação do sistema é feita pelo TJSC, inclusive com a checagem de valores devidos. Quesito d) Como se dá a prestação de contas dos valores recebidos pelo Governo do Estado de SC e quais as Secretarias envolvidas; Resposta: Se dá através do relatório de prestação de contas que é encaminhado após o pagamento aos Advogados, ao órgão do Governo Responsável, que foram respectivamente a Procuradoria Geral do Estado (até o mês de julho de 2011) e a Secretaria de Justiça e Cidadania. Quesito e) Detalhadamente o papel da OABSC na organização da prestação de serviços da Advocacia Dativa e a remuneração recebida para tal fim. Resposta: O papel da OAB/SC era de organizar a relação de Advogados com os valores a serem recebidos pelo Governo do Estrado. Esta organização consistia em receber as certidões emitidas pelo TJSC aos Advogados que vinham até a OAB SC, apresentavam a certidão a qual era efetuada a checagem junto ao sistema do TJSC, e em seguida encaminhava para o pagamento, assim que liberado o repasse pelo Estado. Os valores para cada advogado após o repasse era efetuado pela OAB/SC de forma discricionária. Para este serviço, a OAB/SC recebia o valor percentual de 10% (dez por cento) sobre o valor Fl. 12138DF CARF MF Processo nº 11516.724173/201356 Acórdão n.º 2201003.554 S2C2T1 Fl. 12.136 7 total pago pelo Governo do Estado, conforme determinado no artigo 5º da LC nº 155/97. Quesito f) Apresentar os documentos (atas, memorandos, mensagens eletrônicas etc.) no qual foi determinado o desconto dos 11% a título de contribuição previdenciária quando do pagamento ao Profissional, apresentando os recibos assinados pelos mesmos caracterizando tal desconto. Resposta: Em resposta ao Item 2. temos a informar à Vossa Senhoria, que a atual diretoria tomou posse no dia 01 de Janeiro do corrente. Constatamos logo no início da gestão a insuficiência de informações deixadas pela Diretoria anterior em vários setores como tesouraria e secretaria. Tendo em vista que não conseguimos encontrar os documentos solicitados no prazo determinado, solicitamos a prorrogação no prazo de 30 (trinta) dias para entregar os documentos solicitados ou justificar a não entrega. Informamos que foi aberto procedimento interno no intuito de verificar onde se encontram, ou foram arquivados diversos documentos da OAB/SC, sendo que a Chefe de Secretaria informou o que segue nas declarações anexas (Doc. 10). Quesito g) Apresentar as GPS Guias da Previdência Social relativo ao recolhimento os 11% retidos da remuneração dos Advogados ou, na falta, explicar qual o destino dado aos montantes retidos; Resposta: Como mencionado anteriormente, não possuímos os registros ou dados referentes ao pagamento dos recolhimento dos 11% retidos da remuneração uma vez que, o Decreto Estadual ns 3.470 de 23 de agosto de 2010, dispôs sobre a provisão para contingência de recursos destinados ao recolhimento das parcelas relativas ao Imposto e Renda pessoa física e à Contribuição Previdenciária do INSS sobre os valores repassados pela OAB/SC aos advogados que exercem a Defensoria Dativa e a Assistência Judiciária Gratuita no Estado de Santa Catarina, retendo estes valores quando efetuado o repasse para o pagamento dos Advogados. Através do TIF nº 03 (Doc. 18), a OAB SC foi intimada a prestar os seguintes esclarecimentos, respondidos através do Ofício nº 569 (Doc. 22): Quesito 1: Informar quem é o responsável pelo cumprimento das acessórias de preenchimento da GFIP Guia de Recolhimento ao FGTS e Informações à Previdência Social e da DIRF Declaração sobre o Imposto de Renda Retido na Fonte; Resposta:No que tange aos contribuintes individuai, Advogados prestadores de serviço da Defensoria Dativa, as informações de GFIP, FGTS e IRRF não são processadas pela OAB/SC; Fl. 12139DF CARF MF 8 Quesito 2: Informar quem procede a retenção dos 11% da contribuição à previdência social, quando do pagamentos aos Contribuintes Individuais advogados, bem como as contas bancárias em que referidos valores ficaram retidos até o recolhimento e/ou onde referidos recursos foram empregados, com as devidas justificativas; Resposta: No que tange aos contribuintes individuais, advogados prestadores de serviço da Defensoria Dativa, de 2008 a agosto de 2010, não houve retenção. A partir de setembro de 2010, por força do Decreto Estadual n° 3.470/10, o Governo do Estado de Santa Catarina, passou a reter valores a título de contingenciamento da contribuição previdenciária. Quesito 3: Informar quem é o responsável pelo recolhimento das contribuições previdenciárias devidas, inclusive as retidas dos segurados, e do Imposto de Renda na Fonte Retido; Resposta: No que tange aos contribuintes individuais, advogados prestadores de serviço da Defensoria Dativa, não sabemos informar. Através do TIF nº 04 (Doc. 23), a OAB SC foi novamente intimada a prestar os seguintes esclarecimentos, respondidos através do Ofício nº 583 (Doc. 24): Quesito 2: Informar o destino dado ao valor retido dos contribuintes individuais no montante de R$ 5.736.548,00 constante da listagem citada; Resposta: De acordo com a informação já fornecida no Ofício n° 478/2013GP. tentamos obter tais informações nos documentos internos da OAB/SC mas a tentativa restou inexitosa. Como mencionado no expediente, não possuímos os registros contábeis com as informações pertinentes a estas retenções, que foram praticadas e de responsabilidade da Administração anterior, pois como foi dito a atual diretoria assumiu a gestão em 01/01/2013; Quesito3: Resposta quanto à intimação constante do item "2" do Termo de Intimação Fiscal n° 2013/0152005 02 no qual através do Ofício n° 478/2013 GP, de 28/10/2013, foi solicitado prorrogação do prazo vencido em 28/11/2013. Resposta: Ratificamos a informação do Oficio n° 478/2013GP, informando e juntando ao presente, o protocolo n° 08490.01974/201369 e a cópia integral do Ofício n° 568/2013 GP, encaminhado a Superintendência da Polícia Federal em Santa Catarina, comunicando o extravio dos documentos fiscais pertinentes e da contabilidade no período anterior. Em continuidade, dispõe a fiscalização no capítulo VI do REFISC sobre os procedimentos do Governo de Santa Catarina – PGE e SJC. Informa que foram apresentados quesitos quanto a operacionalização da contratação e pagamentos dos profissionais da Defensoria Dativa, conforme se transcreve: Fl. 12140DF CARF MF Processo nº 11516.724173/201356 Acórdão n.º 2201003.554 S2C2T1 Fl. 12.137 9 a) Informar os valores totais mensais de repasses à Ordem dos Advogados do Brasil de Santa Catarina, no período objeto da diligência, com vistas ao pagamento dos advogados atuantes na Defensoria Dativa, objeto da Lei Complementar Estadual n° 155/97; b) Informar quem é órgão responsável pela contratação dos advogados atuantes e como se dá o controle dos serviços prestados; c) Informar quem efetivamente realiza os pagamentos aos advogados, bem como quem é o responsável pelo cumprimento das obrigações acessórias de preenchimento da GFIP Guia de Recolhimento ao FGTS e Informações à Previdência Social e da DIRF Declaração sobre o Imposto de Renda Retido na Fonte; d) Informar quem é o responsável pelo recolhimento das contribuições previdenciárias devidas, inclusive as retidas dos segurados, e do Imposto de Renda na Fonte Retido; Através do Ofício GABS n. 1866/13, de 04/12/2012 (Doe. 28) o Secretário de Estado Justiça e Cidadania e o Procurador Geral do Estado assim se manifestaram: 1) que "tanto o funcionamento do sistema de Defensoria Dativa quanto o encaminhamento de repasses financeiros ocorreram nos exatos termos da Lei Complementar Estadual n. 155, de 15 de abril de 1977"; 2) que "o Estado de Santa Catarina, durante todo o período indagado, não teve nenhuma relação direta, contratual, extracontratual ou financeira com os advogados designados pelos magistrados, no exercício da função judicante, para desenvolver quaisquer dos atos previstos na ler”. (grifo nosso); 3) que "diante disso, a resposta as indagações contidas nos itens 1.b, 1.c e 1.d encontrase nos arts. 4° e 7o da Lei Complementar n. 155/97”. Conclui a auditoria fiscal que o Governo do Estado de Santa Catarina não se manifestou efetivamente quanto à responsabilidade das obrigações principais e acessórias, quando da contratação e pagamentos dos profissionais atuantes na Defensoria Dativa. Ainda no Ofício GABS n. 1866/13, temse a informação que as atividades da OAB SC são as previstas no art. 19 da Lei Complementar 155/97. Conclui ainda que a fiscalização técnica e as atividades da Defensoria Pública não eram realizadas pelo Estado e sim somente a financeira, cabendolhe apenas o repasse dos recursos e a prestação de contas. Fato gerador e sujeito passivo da obrigação tributária. Dispõe sobre as questões primordiais a serem definidas: i) se os pagamentos em discussão se constituem fato gerador da contribuição previdenciária e ii) quem seria o sujeito passivo da obrigação tributária. Traz artigos 114 e 115 do CTN, aduz que o Fl. 12141DF CARF MF 10 fato gerador da contribuição previdenciária é a prestação de serviços remunerada por advogados, na condição de contribuintes individuais, quando do atendimento do cidadão carente. Transcreve art. 22, inciso III, da Lei nº 8.212/91, art. 51 da Instrução Normativa RFB IN nº 971/2009, que substituiu a Instrução Normativa SRP – IN nº 3/2005, art. 52 da mesma IN nº 971/2009, art. 121 do CTN, concluindo a fiscalização que resta claro que a prestação de serviços por contribuintes individuais à empresa e/ou equiparada, inclusive os órgãos da administração pública constituemse em fato gerador da contribuição previdenciária, sendo que o sujeito passivo responsável pelas contribuições devidas são aqueles que tenham relação com o objeto da contratação dos serviços. Das conclusões da Auditoria Fiscal. Resume a fiscalização no Capítulo VIII do REFISC as informações obtidas durante o procedimento fiscal, dispondo que teceu comentários sobre o histórico da Defensoria Dativa no Estado de Santa Catarina, no qual foram descritas as obrigações da OABSC, quanto à gestão deste importante serviço prestado a população, consubstanciada na Lei Complementar Estadual n° 155/97, o modus operandi que envolve a entrevista e inscrição do profissional do direito nas ferramentas do SAJAj, a escolha dos profissionais para prestarem os serviços, através dos Magistrados do Tribunal de Justiça, o reconhecimento e os registros dos valores atribuídos, o repasse das verbas para pagamento dos advogados, por parte do Governo do Estado à OABSC e a comissão recebida por esta para gerenciar o programa. Resume ainda o funcionamento do programa, as respostas dos órgãos envolvidos aos quesitos formulados, concluindo que a situação sui generis demonstrada indica que há uma prestação de serviços que se constitui em fato gerador de contribuição previdenciária, que a Defensoria Dativa, por impositivo constitucional é de responsabilidade do Estado, o qual no período fiscalizado terceirizou a gestão do programa para a OAB SC. Transcreve o art. 57 da IN RFB nº 971/2009, que em seu § 14º dispõe que é responsável pelo recolhimento da contribuição patronal o órgão ao qual incumbe o pagamento da remuneração. Aduz que a Lei Complementar Estadual nº 439/09 alterou o art. 3º da Lei Complementar Estadual nº 155/97, sendo taxativa que a remuneração dos advogados darseia pelo Estado de Santa Catarina. Já o Decreto Estadual nº 3.470, de 23/08/2010, atesta a controvérsia sobre a incidência de contribuição previdenciária sobre os valores repassados à OAB SC e quem seria o sujeito passivo responsável pelo seu recolhimento, estabelecendo um contingenciamento de recursos para esse recolhimento, caso necessário, valores retidos a título de provisão. Junta comunicado existente no sítio da OAB SC, que trata de acordo feito entre o Governo de SC e a OAB SC para pagamento dos valores atrasados devidos aos advogados dativos, no qual é ratificado ser o Estado o responsável pelo recolhimento do IRRF e o pagamento das contribuições previdenciárias, apresenta quadro demonstrativo. Diante de todo esse quadro, conclui a fiscalização, item 8.12 do REFISC: Fl. 12142DF CARF MF Processo nº 11516.724173/201356 Acórdão n.º 2201003.554 S2C2T1 Fl. 12.138 11 8.12 Diante desse quadro, da OABSC ser a responsável pelo recolhimento das contribuições previdenciárias devidas, visto previsão legal contida no Art. 57 da IN/RFB n° 971/09 (Item 8.9) e o Governo do Estado de Santa Catarina ter editado Decreto prevendo o contingenciamento das obrigações patronais pela contratação de contribuintes individuais (Item 8.10), consequentemente inferese que o Governo de Santa Catarina é o devedor principal das obrigações devidas e a OABSC é solidária no presente crédito apurado, não só pelos ditames da IN/RFB n° 971/09, bem como por ter retidos dos profissionais que atuaram os 11% da contribuição individual nos termos do Art. 4o da Lei n° 10.666/2003. Informa em continuidade o REFISC que as bases de cálculo das contribuições previdenciárias lançadas são os valores repassados pelo Governo de Santa Catarina à OAB SC, valores reproduzidos nos Anexos I a V e resumidos no Anexo VI. Das contribuições previdenciárias retidas dos advogados. Dispõe a auditoria fiscal que através do TIF nº 01 a OAB SC apresentou relação dos valores pagos aos advogados, onde constatou a fiscalização que ocorreram valores retidos dos contribuintes individuais, nos termos do Art. 4º da Lei nº 10.666/2003, conforme Anexo VI por ela elaborado. Resume que a OAB SC informou que o Governo de SC passou a proceder a retenção das contribuições dos advogados, a título de contingenciamento, em virtude do Decreto nº 3.470/2010, de 23/08/2010, que informou que não sabia quem era o responsável pelos recolhimentos dessas contribuições devidas e, em outro Ofício, que quanto ao destino da retenção efetuada no montante informado (R$ 5.736.548,00) aduz que não foi possível obter tais informações que teriam sido praticadas pela Administração anterior. Conclui a fiscalização, que ficou comprovado de forma inequívoca a retenção efetuada das contribuições individuais dos advogados e não repassadas à Previdência Social, tendo sido emitida Representação Fiscal para Fins Penais – RFFP, por apropriação indébita, responsabilizando os dirigentes da OAB SC. Registra ainda o auditor fiscal que não foi possível caracterizar o referido procedimento na escrita contábil da OAB SC, uma vez que não lhe foram apresentados os respectivos documentos, e também nos balancetes dos anos de 2008 a 2011 não é possível identificar onde foram lançadas as retenções efetuadas pela OAB SC, idem nos Livros Diário e Razão de 2012. Da sujeição passiva solidária. Novamente dispondo sobre o papel da OAB SC no gerenciamento dos serviços da Defensoria Dativa, aliado ao fato dela ser a responsável pelo recolhimento das contribuições devidas, nos termos do art. 57, § 14, da IN RFB 971/09, inclusive as retidas e não repassadas aos cofres públicos, com a devida comprovação material dos fatos, conclui que a OAB SC tem interesse comum na redução das obrigações tributárias, passando a ser solidária nos termos do inciso I, do art. 124, do CTN. Fl. 12143DF CARF MF 12 Da decadência. Por não terem sido declarados em GFIP os pagamentos realizados no ano de 2008, por nenhum dos órgãos envolvidos, se enquadra a regra da decadência no inciso I do art. 173 do CTN. Informa a auditoria fiscal acerca da multa aplicada nos presentes processos, dispondo que relativamente às contribuições patronais a multa aplicada foi de 75% nos termos do inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430/96, e, que relativamente às contribuições dos segurados contribuintes individuais descontadas de suas remunerações, a multa aplicada foi de 150%, nos termos do § 1º do art. 44 da Lei nº 9.430/96. Discorre ainda sobre os documentos analisados, os demais Autos lavrados na mesma ação fiscal, a documentação anexa ao AIOP e sobre a emissão de Representação Fiscal para Fins Penais – RFFP As autuadas, cientificadas dos lançamentos, apresentam impugnações tempestivas, alegando, em síntese, que: 1 – OAB SC. A Lei Complementar nº 155/97 instituiu a Defensoria Dativa em SC, criando um regime de colaboração entre o Estado e a OAB SC, cujas atribuições estavam bem delimitadas pela referida lei. Enquanto o Estado remunerava os profissionais, a OAB SC limitavase a organizar o cadastro destes, por possuir e fiscalizar seus registros, e distribuir os valores repassados periodicamente pelo ente pagador, mediante verba indenizatória de 10% do valor repassado. O Estado sempre foi o único responsável legal pelo pagamento da remuneração dos defensores dativos, e, por conseqüência, pelos encargos decorrentes. A OAB SC, mera repassadora de valores, não está obrigada, nem mesmo na forma solidária, ao recolhimento dos valores lançados, já que não contratou os trabalhos, não definiu a remuneração, não é fonte financeira ou econômica dos recursos, e obviamente, nunca foi legalmente obrigada a efetuar a referida retenção e recolhimento. Não existe relação jurídico tributária entre OAB SC e União Federal/Previdência Social. Discorre sobre procedimento fiscal anterior em termos similares ao presente, onde a OAB SC foi considerada contribuinte principal, e a 5ª Turma da DRJ Florianópolis declarou nulo o lançamento ante a ilegitimidade passiva, transcreve parte da decisão: "Destarte, considerando haver fato gerador de contribuição previdenciária, por força da prestação de serviços demonstrada, todavia, tendo sido lavrado o auto de infração em nome de pessoa diversa da relação obrigacional tributária, que deveria ser o Estado de Santa Catarina, entendo que deve ser reconhecida, por vício formal, a nulidade do lançamento, sem prejuízo de nova constituição do crédito.". Mesmo que o recurso de ofício ainda esteja pendente de julgamento no CARF, a própria Receita Federal do Brasil RFB firmou entendimento que a pessoa responsável pela obrigação tributária é o Estado de Santa Catarina, o que torna Fl. 12144DF CARF MF Processo nº 11516.724173/201356 Acórdão n.º 2201003.554 S2C2T1 Fl. 12.139 13 absolutamente ilegítima a presente autuação da OAB SC, na condição de responsável solidária. O Estado de SC criou através do Decreto nº 3.470, de 23/08/2010, um fundo para eventual cobertura de contingências relativas à contribuição previdenciária, sob incumbência da PGE. Desde então, o valor global repassado à OAB SC para pagamento dos defensores dativos já contempla a retenção para compor a referida provisão de contingência. Assim, a partir de 09/2010 até 12/2012, por força do Decreto, a OAB SC repassou aos advogados os respectivos pagamentos já com o desconto de 11% realizado pelo Estado na fonte, sendo assinados recibos no qual deram quitação do valor e ciência da retenção. E conclui: Frisese que a OAB nunca realizou a retenção, mas apenas repassou aos advogados os valores já com o desconto realizado na fonte pelo Estado. Não há, portanto, qualquer ato de sonegação ou de apropriação indébita, seja por parte da OAB ou de seus antigos dirigentes, primeiramente porque foi o próprio Estado quem realizou as retenções, como lhe cabia, e ainda porque todos os valores repassados pelo ente pagador foram integralmente transmitidos aos advogados, não restando nenhum valor em posse da entidade, como será demonstrado adiante. Direito. Dispõe sobre a fundamentação legal trazida pela fiscalização, em especial o art. 22, inciso III, da Lei nº 8.212/91, registrando que o Estado de SC é quem assume o pagamento dos advogados, porquanto obrigado constitucionalmente a oferecer assistência judiciária gratuita aos hipossuficientes, cabe a ele o recolhimento dos respectivos tributos. Discorre a obrigação constitucional do Estado supra mencionada, sobre a Lei Complementar nº 155/97, transcreve os artigos 3º e 4º da lei, onde se constata que a remuneração dos advogados é feita pelo Estado de Santa Catarina e o Poder Executivo consignará dotação específica para atender os encargos decorrentes da referida Lei. Entendeu a auditoria fiscal que a OAB SC seria responsável solidária pelo pagamento do tributo, com base no art. 124, inciso I, do CTN, e citou para tanto, o art. 57, § 14, da IN RFB 971/2009, e, embora tenha concluído que a Lei Complementar nº 155/97, na redação da Lei Estadual nº 439/09 é taxativa que a remuneração dos advogados darseia pelo Estado de Santa Catarina, contraditoriamente presumiu que o Decreto nº 3.470/2010 indicaria controvérsia sobre quem seria o sujeito passivo responsável pelo recolhimento destas contribuições, razão pela qual indicou a OAB SC como solidária. Ocorre que a expedição deste Decreto confirma a responsabilidade única e exclusiva do Estado de Santa Catarina, eis que determinou a provisão de recursos próprios previamente à transferência dos valores destinados à OAB SC, para eventual cobertura de contingências relativas às contribuições previdenciárias. E o fez, porque a própria RFB entendeu ser o Estado de Santa Catarina Fl. 12145DF CARF MF 14 que remunera os advogados dativos, no Acórdão nº 0716.217 – 5ª Turma DRJ/FNS. Como se vê o auditor fiscal extrapolou ao promover interpretação extensiva do art. 124, inciso I, do CTN, pois não se apresenta caracterizado o interesse comum citado na norma. Traz decisões do TJSC dispondo sobre o dever do Estado pagar honorários ao advogado nomeado defensor dativo. Discorre fartamente sobre o tema. Ressalta que o Estado de Santa Catarina mantém entendimento da não incidência do tributo sobre a prestação de serviços da Defensoria Pública, razão pela qual decidiu não efetuar os recolhimentos e sim provisionálos. Neste contexto, questionado pela OAB SC acerca das retenções realizadas, houve a manifestação da PGE através do Parecer 080/12, de 13/03/2012, cópia anexa à impugnação, onde se verifica seu entendimento que devem ser imunes da contribuição previdenciária os entes públicos em decorrência do fato de prestarem serviços que transcendem, quer o assistencialismo, quer a benemerência, e, nesse sentido discorre no documento. Cita que o art. 22, III, da Lei nº 8.212/91 traz obrigação para as empresas tomadoras de serviços, ou seja, tratase de imposição que abrange apenas os pagamentos efetuados a segurados individuais a seu serviço. Desta forma, é evidente que tal obrigação não se aplica à OABSC, nem sequer sob a forma solidária, pois esta não é contratante ou tomadora dos serviços prestados pelos advogados da Defensoria Pública do Estado de Santa Catarina, mas, conforme demonstrado acima, apenas auxilia na lista de profissionais aptos à prestação dos serviços e, nos termos da Lei Complementar nº 155/97, gerenciava a distribuição das remunerações devidas a cada advogado pelo Estado de Santa Catarina, mediante prestação de contas trimestral. Aduz ainda que a Lei Complementar Estadual nº 391/2007 define expressamente que quem designa o defensor dativo é o juiz e quem o remunera é o Estado, através de um fundo destinado a complementar os recursos financeiros indispensáveis ao pagamento dos advogados que exercem a Defensoria Dativa e Assistência Judiciária Gratuita. Cita também os artigos 6º e 8ª da mesma Lei, sobre a gestão do fundo pelo próprio Procurador Geral do Estado. Aborda conceitos legais e doutrinários do contribuinte e do responsável, citando art. 121 do CTN, art. 4º, § 2º, da Instrução Normativa INSS nº 71, de 10/05/2002, registrando que a transferência de responsabilidade e a solidariedade não se presumem, ao contrário, conforme o art. 128 do CTN. Alega ainda que se o inciso III do art. 22 da Lei nº 8.212/91 estipulou apenas ao tomador de serviço a obrigação de recolher a contribuição patronal incidente sobre a remuneração paga aos contribuintes individuais a seu serviço, e se em momento algum qualquer lei transferiu tal responsabilidade ao repassador dos valores, constatase que tal dever impõese tão somente ao Estado de Santa Catarina, verdadeiro contratante dos defensores dativos, e não à OABSC, simples transmissora dos pagamentos. Fl. 12146DF CARF MF Processo nº 11516.724173/201356 Acórdão n.º 2201003.554 S2C2T1 Fl. 12.140 15 Contribuição descontada do segurado contribuinte individual. O art. 4º da Lei nº 10.666/2003 trouxe nova obrigação para as empresas tomadoras de serviços, que abrange apenas os pagamentos efetuados pela empresa ou equiparada a segurados contribuintes individuais a seus serviços. Portanto, tal qual a cota patronal, essa obrigação não se aplica à OAB SC mera repassadora de valores, já que o contratante dos serviços prestados pelos advogados dativos é o Estado de Santa Catarina. Cita novamente o decreto nº 3.470/2010, que dispõe sobre a provisão para contingência de recursos destinados ao recolhimento, se for o caso, das parcelas relativas à contribuição previdenciária sobre os valores repassados pela OAB SC aos advogados que exercem a Defensoria Dativa e a Assistência Judiciária Gratuita no Estado de Santa Catarina. Confirma que a partir de 09/2009 do valor global remetido à OAB SC, o Estado previamente reteve uma parte para compor a referida provisão de contingência, de modo que foi repassado ao advogado o valor já com o desconto de 11%. Logo, a OAB SC só replicou ao contribuinte individual a retenção feita pelo Estado. Em continuidade à sua defesa, cita a ação proposta por advogado que visava a restituição do valor retido pelo Estado a título de contribuição previdenciária, com a ação direcionada exclusivamente contra o Estado de Santa Catarina, cuja contestação não argüiu preliminar de ilegitimidade passiva nem tampouco indicou a OAB SC à condição de litisconsorte, tendo o Estado defendido a retenção e a sentença proferida determinando a improcedência do pedido. Aduz ainda sobre os recibos assinados pelos advogados e a análise das prestações de contas, onde se constata que o valor pago à OAB SC era integralmente revertido para o pagamento dos advogados. Cita exemplo e conclui que diante da documentação ora acostada aos autos os valores repassados pelo Estado à OAB SC foram sempre repassados aos advogados não havendo que se falar em apropriação indébita ou sonegação fiscal. Requer que seja declarado nulo o presente lançamento em face da OAB SC ante o reconhecimento da inexistência de relação jurídicotributária entre esta e a União Federal, eximindoa de qualquer responsabilidade referente às contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração dos advogados prestadores de serviços da Defensoria Dativa ao Estado de Santa Catarina, ante o reconhecimento que o Estado é o único responsável direto pelo recolhimento da cota patronal e responsável indireto pela retenção e recolhimento da contribuição dos advogados dativos, inexistindo previsão legal que imponha à OAB SC tal responsabilidade solidária. Requer ainda a apresentação de provas ou razões adicionais que se fizerem necessárias. 2 – Estado de Santa Catarina. A origem da imputação relacionase ao sistema de Defensoria Dativa criada pela Lei Complementar nº 155/97, que transferiu à OAB SC a incumbência de organizar e gerir o programa, Fl. 12147DF CARF MF 16 receber repasses do Estado, efetuando o pagamento dos advogados privados, previamente cadastrados em seu sistema, que prestaram assistência jurídica aos hipossuficientes. Inocorrência do fato gerador. Não há que se falar em contribuição previdenciária quando o mero pagamento é efetuado por pessoa/entidade intermediária, não destinatária do serviço, apresenta jurisprudências relativas a plano de saúde. Discorre sobre o tema, aduz que a estrutura jurídica que envolve o caso destes autos é rigorosamente idêntica, que o Estado e a OAB SC nunca foram destinatários dos serviços prestados pelos advogados dativos, e sim os hipossuficientes. Transcreve o art. 22 inciso III, da Lei nº 8.212/91, e reforça que o serviço foi prestado pelos advogados dativos aos seus clientes, não foi prestado ao Estado, este apenas viabilizou o pagamento dessa elevada função social. O arcabouço legislativo que instituiu a Defensoria Dativa é explícito quanto ao papel do Estado de Santa Catarina no nobre mister de levar assistência judiciária gratuita aos hipossuficientes. Transcreve art. 5º, inciso LXXIV e art. 134 da Constituição Federal. Em continuidade, dispõe sobre a Lei Complementar nº 155/97 que estabeleceu a Defensoria Dativa no âmbito do Estado de Santa Catarina, que em seu art. 1º deixa claro que toda a organização do programa compete a OAB SC e que os serviços seriam prestados por advogados ali devidamente cadastrados. Coube ao Estado de Santa Catarina tão somente o repasse de recursos à OAB SC, que era responsável pelo pagamento dos advogados prestadores dos serviços advocatícios. Traz art. 4º da mesma Lei. É cristalino que a relação de serviços travouse entre necessitado e advogado privado, e não entre este e o Estado. E se o advogado dativo não presta serviços ao Estado de Santa Catarina não há a incidência de inciso III do art. 22 da Lei nº 8.212/91. Se a pessoa física não arca com contribuição previdenciária quando contrata advogados, o mesmo ocorre em face daquele que atua como mero intermediário pagador. Da ausência de responsabilidade do Estado de Santa Catarina. Na hipótese de se entender pela ocorrência de fato gerador, evidente que a sujeição passiva da relação tributária não cai sobre o Estado de Santa Catarina, mas exclusivamente sobre a OAB SC, entidade responsável pela organização de todo o sistema de Defensoria Pública e também pelo pagamento direto dos advogados privados prestadores de serviços aos necessitados. Aduz ainda que, a gestão da Defensoria Pública competia à OAB SC, não sendo de forma gratuita, já que a autarquia, a título de pagamento, permanecia com 10% do montante repassado, conforme art. 5º da Lei Complementar. Inconfundível que o Estado contou com um único prestador de serviços, a OAB SC, pagou pelo trabalho o equivalente a 10% de todos os recursos destinados à manutenção da Defensoria Dativa, portanto, os advogados prestaram serviços unicamente à OAB SC, e não ao Estado de Santa Catarina. Fl. 12148DF CARF MF Processo nº 11516.724173/201356 Acórdão n.º 2201003.554 S2C2T1 Fl. 12.141 17 O fato gerador do tributo pressupõe prestação de serviços por contribuintes individuais à empresa tomadora, assim como a obrigação de reter e recolher a contribuição do segurado contribuinte individual, nos termos do art. 4º da Lei nº 10.666/2003. Reforça que o tomador dos serviços não é o Estado de Santa Catarina e sim a OAB SC. Para afastar qualquer desconfiança que se tenha sobre o tema, importante observar os termos do art. 4º, caput, da Lei Complementar Estadual nº 155/97, transcreve: Art.4º. Para os fins da remuneração de que trata esta Lei, o Poder Executivo consignará, anualmente, no orçamento estadual, dotação específica para atender os encargos decorrentes, tomandose por base as despesas efetuadas no exercício anterior.[...] [grifos nossos] Como se vê, os repasses do Estado à OAB SC possuíam a finalidade expressa: pagamento de todos os encargos decorrentes da execução dos serviços atinentes à Defensoria Dativa. O dispositivo albergou conceito amplo, os repasses atingem a todas as incumbências, inclusive àquelas de natureza tributária. Entende que o legislador agiu com extrema cautela, já que não consignou que os repasses atenderiam ao pagamento dos honorários dos advogados dativos ou então de despesas administrativas, muito menos especificou retenções decorrentes de algum tributo. A OAB SC, como gestora do sistema, receberia os repasses orçamentários e arcaria com todos os ônus financeiros. Traz conceito de “encargo” fornecido por dicionário, entre eles, “ imposto”, “tributo”. Caberia à OAB SC, tão logo recebesse os repasses: i) separar seu próprio pagamento – 10% do total, ii) efetuar o pagamento da contribuição previdenciária patronal – 20% do valor remanescente, iii) pagar os advogados que prestaram serviços, retendolhes 11% atinentes à sua cota de contribuição, iiii) repassar os 11% retidos à Previdência, e iiiii) preencher GFIP, e encaminhala. Essa seria a incumbência daquele que tem o dever legal de arcar com todos os encargos do programa. Enfatiza ainda que somente a OAB SC sabia exatamente o valor a ser pago a cada advogado, ela própria disponibilizou a relação de pagamentos efetuados aos advogados. Por isso, conhecendo os destinatários, somente a OAB SC poderia proceder à retenção dos 11% devidos pelos contribuintes individuais. Traz ainda a nota de rodapé do REFISC em sua fl. 19, assim como texto da fl. 22 do mesmo REFISC, transcrevo, respectivamente: "No período de 09/2010 a 12/2012 a OAB/SC, diferentemente do afirmado, procedeu a retenção dos 11% devidos pelos contribuintes individuais, conforme Capitulo X deste REFISC". “Através do Termo do Intimação Fiscal n. 2013/01520501 (Doc.1) a OABSC apresentou as relações dos valores pagos aos Fl. 12149DF CARF MF 18 advogados (Doc. 6), onde constatamos que ocorreram valores retidos dos contribuintes individuais, nos termos do Art. 4o da Lei 10.666/2003, conforme Anexo VI elaborados por esta fiscalização, [negrito constante do texto original]”. Tal retenção motivou inclusive Representação Fiscal para Fins Penais RFFP em face dos dirigentes da OAB SC. Ou seja, a obrigação era exclusiva da OAB SC. Não se pode alegar qualquer compromisso do Estado de Santa Catarina por força do disposto no art. 124, inciso I, do CTN. Dispõe sobre o assunto, traz manifestações doutrinárias. Ilegalidade da base de cálculo utilizada. Valor total repassado à OAB SC. Ofensa aos artigos 22, 28 e 30 da Lei nº 8.212/91. Falta de previsão legal. Indica a autoridade notificante que a base de cálculo considerada para a cobrança das contribuições previdenciárias foram os valores repassados pelo governo do Estado de Santa Catarina à OAB SC. Os dispositivos legais indicados para o lançamento são diferentes do utilizado, tanto para a cota patronal, como para a retenção. Assim, a fiscalização inseriu no valor cobrado verbas claramente descabidas e deixa claro que tem dúvidas sobre a existência de fato gerador, já que não conseguiu configurar em relação ao Estado de Santa Catarina, um quantum tributável em relação aos contribuintes individuais. Alega que ou utilizouse de base de cálculo inexistente em lei ou indicou incorretamente o parâmetro adotado no documento fiscal, tanto uma situação com a outra levam à nulidade da notificação fiscal. Relata toda a sistemática da prestação de serviços envolvida, dispõe que não existe serviço prestado ao Estado apenas a particulares hipossuficientes, que o Estado não efetuou nenhum pagamento direto aos advogados, pois sequer tinha conhecimento prévio de quem receberia os valores e os valores repassados pelo Estado para pagamento do sistema, se houvesse tributo a recolher, deveriam ser utilizados para isso pelo responsável pelo sistema. Trata do conceito de sujeito passivo constante no art. 121 do CTN, dispondo que não possui relação nenhuma com os supostos fatos geradores e, menos ainda, uma relação pessoal e direta. Reforça que os repasse à OAB SC incluía todas as despesas referentes ao sistema da Defensoria Dativa, não apenas os valores que futuramente chegariam na conta do advogado, inclusive a parcela referente à contribuição previdenciária, o que leva a conclusão que o Estado não possui nenhuma relação com os fatos noticiados no lançamento e a base de cálculo das contribuições previdenciárias além de ilegal, é exorbitante. Necessidade de se verificar se algum advogado já recolhia pelo teto. Determina a lei que deva se verificar, antes de se fazer a retenção de um contribuinte individual, se ele já recolhia pelo teto da Previdência Social. Os advogados deveriam ser chamados para apontar outras fontes pagadoras e, a inocorrência deste procedimento implica em inarredável ilegalidade, excesso de exação e enriquecimento sem causa por Fl. 12150DF CARF MF Processo nº 11516.724173/201356 Acórdão n.º 2201003.554 S2C2T1 Fl. 12.142 19 parte da Fazenda Nacional, o que acarreta a nulidade da notificação. Juros e penalidade de multa. O Estado de Santa Catarina vem há mais de 40 anos remunerando os defensores dativos pelos serviços jurídicos que prestam aos necessitados, sem qualquer dúvida sobre a não ocorrência do fato gerador do tributo ora pleiteado. Se por mais de 40 anos a Fazenda Federal quedouse inerte não pode repentinamente cobrar juros e impor penalidade de multa como se o devedor tributário fosse aquele que, de modo contumaz, deixa de cumprir suas obrigações tributárias. Cita e transcreve art. 100, do CTN, que no inciso III, trata da práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas. Portanto, é vedada a aplicação da penalidade de multa e cobrança de juros por força do artigo supracitado. No caso de dúvida da fiscalização sobre qual ente deveria recolher o tributo, deve ser aplicado o art. 112 do CTN. Aduz que não é o Estado e sim a OAB SC que deve ser responsabilizada pela infração. Ainda dispõe sobre o efeito confiscatória da multa aplicada. Ainda dispõe acerca da impossibilidade de multa em dobro para a contribuição previdenciária descontada, registrando que a OAB SC efetuou a partir de setembro/2010 a retenção das contribuições supostamente devidas, e, em relação a esses valores, aplicouse a multa pelo percentual de 150% e não o de 75%. Transcreve art. 44 da Lei nº 9.430/96 e os artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64, reforçando que a fiscalização entendeu que houve dolo configurador de sonegação ou fraude fiscal. Está clara a inexistência de intenção deliberada dos agentes envolvidos de impedirem ou retardarem o recolhimento da contribuição previdenciária, o que houve foi uma providência acautelatória no escopo de resguardar as quantias que poderiam ser consideradas devidas à Previdência Social. Não houve sonegação ou fraude no caso, o que afasta a duplicação do percentual da multa. Erro de cálculo – nulidade do lançamento. Não há segurança sobre os critérios utilizados pela fiscalização. O contribuinte não tem certeza quanto às alíquotas e índices de correção aplicados. Registra que no mês de junho/2008, haveria incorreção nos valores lançados e apresenta valores que entende corretos como devidos. Requer que se refaça integralmente os cálculos dos valores supostamente devidos, apontandose minuciosamente os critérios e índices devidos. Requer: a) o cancelamento dos autos de infração integrantes do presente processo, tendo em vista a 1) inocorrência do fato gerador, e/ou 2) ausência de responsabilidade do Estado de Santa Catarina, e/ou 3) ilegalidade da base de cálculo utilizada, e/ou 4) impossibilidade de criação de fato gerador por ato normativo infralegal, e/ou 5) inocorrência da sujeição passiva do Estado, e/ou 6) responsabilidade integral da OAB SC, e/ou 7) inexistência de análise quanto ao possível recolhimento acima do teto em face de cada contribuinte individual, e/ou 8) Fl. 12151DF CARF MF 20 ocorrência de flagrante erro nos cálculos que embasam os autos de infração; b) a exclusão da multa e juros haja vista: 1) a prática reiterada da fiscalização em não tributar, 2) o fato de que o Estado não tinha o dever jurídico e condições materiais de calcular o tributo supostamente devido, e 3) a exorbitância dos valores apurados. c) na hipótese de não serem acolhidos os pedidos anteriores, o refazimento dos cálculos, atentandose: 1) para os valores recolhidos pelos contribuintes individuais que eventualmente tenham superado o teto legal, e 2) para o equívoco indicado no item 10 desta impugnação. Protesta pela produção de todos os meios de prova em direito admitidos, em especial a intimação da autoridade fiscalizadora para que junte aos autos documentos que demonstrem o recolhimento previdenciário de cada contribuinte individual, notadamente aqueles que efetuaram no intervalo, pagamentos no limite máximo da contribuição." A devedora solidária foi cientificada da decisão que lhe favoreceu, por via postal, em 23 de julho de 2014 (AR fls. 12089), sobre a qual não se manifestou. Ciente da decisão que parcialmente contrariou seus interesses, em 23 de julho de 2014 (fls. 12088), o Contribuinte apresenta recurso voluntário em 15 de agosto (fls. 12091), do qual constam, em regra, os mesmos argumentos. Por sorteio eletrônico, o presente processo foi para mim distribuído. É o relatório do necessário. Voto Conselheiro CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Os recursos preenchem as condições de admissibilidade. Porém, antes de passar a apreciálos, necessário fixar algumas premissas que conduzirão a decisão. Como relatado, o crédito tributário lançado decorre da ausência de recolhimento de contribuição previdenciária, tanto da quota patronal quanto da devida pelo segurado, incidente sobre os valores pagos aos advogados que atuaram como dativos, defensores públicos "ad hoc", segurados contribuintes individuais segundo a Lei de Custeio da Previdência Social. Importa realçar que a atuação desses segurados decorre da Lei Complementar Estadual nº 155/97, que atribuía à Ordem dos Advogados do Brasil Seção de Santa Catarina OAB/SC a organização da Defensoria Pública para o Governo do Estado de Santa Catarina. Vejamos o texto legal: "Art.1º Fica instituída, pela presente Lei Complementar, na forma do art. 104 da Constituição do Estado de Santa Catarina, a Defensoria Pública, que será exercida pela Fl. 12152DF CARF MF Processo nº 11516.724173/201356 Acórdão n.º 2201003.554 S2C2T1 Fl. 12.143 21 Defensoria Dativa e Assistência Judiciária Gratuita, organizada pela Ordem dos Advogados do Brasil, Seção de Santa Catarina – OAB/SC. § 1º A OAB/SC obrigase a organizar, em todas as Comarcas do Estado, diretamente ou pelas Subseções, listas de advogados aptos à prestação dos serviços da Defensoria Pública e Assistência Judiciária Gratuita. (...) Art.2º Os serviços da Defensoria Pública e Assistência Judiciária Gratuita serão prestados às pessoas que comprovarem insuficiência de recursos, nos termos da Constituição Federal (art. 5º, LXXIV) e da Constituição do Estado de Santa Catarina (art. 4º, II, “e”). (...) Art. 3º Instituise, nesta Lei, o regime de remuneração, pelo Estado de Santa Catarina, em favor dos advogados que, indicados em listas, na forma do art. 1º e seus parágrafos, e designados pela autoridade judiciária competente, promovam, no juízo cível, criminal, varas especializadas e por Escritura Pública lavrada por Tabelião, de que trata os arts. 982 e 1.124 A do Código de Processo Civil CPC, a Defensoria Dativa e Assistência Judiciária às pessoas mencionadas no art. 2º.” Art.4º Para os fins da remuneração de que trata esta Lei, o Poder Executivo consignará, anualmente, no orçamento estadual, dotação específica para atender os encargos decorrentes, tomandose por base as despesas efetuadas no exercício anterior. (...) §5º Os recursos financeiros serão depositados no Banco do Estado de Santa Catarina S/A, em conta específica, vinculada à OAB/SC, vedada a transferência para outra conta ou outro estabelecimento bancário. Art.5º A título de indenização pelas despesas decorrentes da execução desta Lei Complementar, cabe à OAB/SC a importância equivalente a 10% (dez por cento) do total dos repasses financeiros. (...)" A leitura do texto legal é determinante para identificarmos a ocorrência do fato gerador, o sujeito passivo e a base de cálculo da contribuição previdenciária. Segundo a Constituição Federal, artigo 195, I, 'a', é devida contribuição social previdenciária pelo empregador quando pessoa física lhe prestar serviço remunerado, qualquer que seja o vínculo laboral e a duração deste. O inciso II do mesmo artigo 195 da Carta também impõe ao trabalhador o dever de contribuir sobre a remuneração percebida pelo seu labor. Fl. 12153DF CARF MF 22 A Lei de Custeio da Previdência Social, Lei nº 8212/91, dispõe sobre os preceitos constitucionais em seus artigos 22, inciso III e 30, inciso I, imputando ao tomador de serviços a responsabilidade de, além de recolher a contribuição por ele devida, reter e recolher a contribuição do segurado empregado, avulso e do contribuinte individual. Ora, observo que a Lei Complementar nº 155/97 do Estado de Santa Catarina determinou que o Estado, com o fulcro de prestar o serviço de Defensoria Pública, preste tais serviços por meio de advogados especializados mediante remuneração. Observo também a mencionada Lei Complementar determinou que tais serviços serão organizados pela OAB/SC, especificando suas atribuições. Das observações, podemos afirmar que há por expressa determinação legal o dever do Estado de Santa Catarina de contratar pessoas físicas para a prestação de serviços advocatícios para os cidadãos que preencham os requisitos legais. Essa constatação nos permite identificar com segurança a existência do fato gerador, posto que um tomador de serviços contrata uma pessoa física para que lhe preste serviços. No caso concreto, por força de Lei, o Estado de Santa Catarina, por meio de sua Procuradoria Geral, contrata advogado que lhe preste serviços como Defensor Público. A organização de tais serviços, inclusive com a confecção de listas das pessoas prestadores de serviço e o elaboração do pagamento dos serviços prestados, é realizada pela OAB/SC. Inegável a ocorrência, no mundo fático, da hipótese de incidência das contribuições previdenciárias, quando do exercício da defensoria pública por meio do advogado, posto que há uma prestação de serviços remunerado por pessoa física. Logo, ocorre o fato gerador tributário nos exatos termos previstos nos artigos 22, III combinado com o artigo 28, III da Lei nº 8.212/91, instaurandose a obrigação tributária,. É o que explicitam os artigos 113 a 115 do CTN: "Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. Art. 114. Fato gerador da obrigação principal é a situação definida em lei como necessária e suficiente à sua ocorrência. Art. 115. Fato gerador da obrigação acessória é qualquer situação que, na forma da legislação aplicável, impõe a prática ou a abstenção de ato que não configure obrigação principal." Tratando do surgimento e dos efeitos da obrigação tributária, explica o professor titular da Faculdade de Direito do Largo São Francisco, Luís Eduardo Schoueri (Curso de Direito Tributário, Ed. Saraiva, pag 466),: Fl. 12154DF CARF MF Processo nº 11516.724173/201356 Acórdão n.º 2201003.554 S2C2T1 Fl. 12.144 23 "Quando se afirma que na matéria tributária se estabelece uma obrigação, apontase o dever jurídico de alguém (sujeito passivo) pagar a outrem (geralmente o Estado) um valor denominado tributo" (destaquei) Expressos os pontos, as premissas que ainda devemos identificar, posto que verificado o fato gerador: o sujeito passivo e a base de cálculo que, ao lado da alíquota, permitem a definição do quantum debeatur da obrigação. Em primeiro lugar, vamos identificar com segurança o sujeito passivo. Tal determinação é necessária no caso concreto em razão das disposições da Lei Complementar nº 155 que impõe ao Estado de Santa Catarina a prestação dos serviços de defensoria pública organizado pela OAB/SC, que além de elaborar a lista de trabalhadores, os remunera a partir de um fundo percebido do Estado para tanto. Novamente precisamos recorrer à lei, posto que tributo é uma obrigação legalmente imposta. O artigo 121 do CTN estabelece: Art. 121. Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Parágrafo único. O sujeito passivo da obrigação principal diz se: I contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador; II responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei. Sujeito passivo, portanto, é aquele que tem obrigação pessoal e direta com o fato gerador. Fato gerador da contribuição previdenciária é o trabalho remunerado da pessoa física qualquer que seja a forma, contratação ou valor de remuneração. No caso em apreço, o trabalho da pessoa física é relacional, ou seja, há um prestador de serviço e outro tomador de serviço, dito de maneira diversa, o trabalho é prestado por alguém para outrem. O preceito da Lei de Custeio acima mencionado, artigo 22, III, trata especificamente do tema. Vejamos: "Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: (...) III vinte por cento sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços;" (negritei) Fl. 12155DF CARF MF 24 Importa ressaltar que o artigo 15 da mesma Lei nº 8.212/91, explicita: "Art. 15. Considerase: I empresa a firma individual ou sociedade que assume o risco de atividade econômica urbana ou rural, com fins lucrativos ou não, bem como os órgãos e entidades da administração pública direta, indireta e fundacional;" (negritei) Logo, para encontrarmos o sujeito passivo aquele que tem relação pessoal e direta com o fato gerador é necessário identificarmos para quem foi prestado o serviço remunerado e quem os remunerou. Como dito acima, a leitura da Lei Complementar nº 155/97, espanca qualquer dúvida. Explico. Determina a lei complementar que o Estado de Santa Catarina deve instituir sua Defensoria Pública, prevista em sua Constituição Estadual, e o faz por meio da organização da Ordem dos Advogados do Brasil, Seção Estadual, a quem compete selecionar e organizar listas dos profissionais que manifestarem interesse em integrar tal organização. Tal determinação legal é suficiente para identificarmos que a pessoa física irá laborar no cumprimento de uma missão constitucional do Estado, ou seja, sua prestação de serviços se dá na necessidade do Estado de Santa Catarina. É dizer, atuando como defensor público, o advogado, segurado contribuinte individual, presta serviços para o Estado de Santa Catarina. Muito em razão disso que o artigo 3º do mencionado diploma complementar explicita que o Estado de Santa Catarina instituirá regime de remuneração em favor dos advogados que promoverem no juízo cível, criminal e várias especializadas a defensoria dativa e a assistência judiciária. De tais constatações é forçoso reconhecer que a prestação de serviços remunerados pelos contribuintes individuais ocorre para o Estado de Santa Catarina, que por óbvio tem relação pessoal e direta com o fato gerador da contribuição previdenciária, se tornando por força de lei tributária, sujeito passivo dessas contribuições sociais. Identificados o fato gerador e o sujeito passivo, resta apenas reconhecer que a base de cálculo das contribuições previdenciárias, é o valor da remuneração percebida pela pelo contribuinte individual, nos termos do inciso III tanto do artigo 22 quanto do artigo 28 da Lei de Custeio. Assentados na ocorrência do fato gerador, e na identificação do sujeito passivo e do salário de contribuição, assim denominada a base de cálculo da contribuição previdenciária, passemos a apreciar o recurso de ofício e o voluntário na ordem de suas alegações. RECURSO DE OFÍCIO A decisão de piso tem a seguinte parte dispositiva (fls 12037): "Acordam os membros da 7ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgar procedente em parte a impugnação Fl. 12156DF CARF MF Processo nº 11516.724173/201356 Acórdão n.º 2201003.554 S2C2T1 Fl. 12.145 25 apresentada pelo Estado de Santa Catarina, procedente a impugnação apresentada pela OAB SC, mantendose parcialmente o crédito tributário exigido e excluindose do pólo passivo a Ordem dos Advogados do Brasil de Santa Catarina – OAB SC (CNPJ: 82.519.190/000112), vinculada ao débito na qualidade de devedora solidária, tudo nos termos do Voto do Relator. Recorrese de ofício desta Decisão ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, nos termos da legislação vigente, em decorrência da redução da multa aplicada no AIOP Debcad nº 51.053.8690, de 150% para 75%, e da exclusão de devedor solidário do pólo passivo dos lançamentos fiscais cujo montante total é superior ao valor de alçada." (destaquei) Do trecho transcrito, observo que o recurso de ofício versa sobre a exclusão da OAB/SC como devedora solidária do crédito tributário lançado. Assim se manifestou o voto condutor da decisão recorrida (fls. 12074) Em continuidade, no capítulo XI do REFISC, a auditoria fiscal aborda especificamente a questão da responsabilização solidária da OAB SC pelos créditos tributários aqui cobrados, dispondo que tendo em vista o papel da OAB SC quanto ao gerenciamento dos serviços de Defensoria Dativa, aliado ao fato de ser a responsável pelo recolhimento das contribuições devidas, nos termos do art. 57, § 14, da IN RFB 971/2009, inclusive as retidas dos contribuintes individuais e não repassadas à Previdência Social (com a devida comprovação material dos fatos), demonstrou interesse comum na redução das obrigações tributárias, passando a ser solidária nos termos do inciso I do art. 124 do CTN, transcreve artigo: Solidariedade Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; Novamente, quanto aos aspectos da responsabilidade sobre os recolhimentos e sobre a retenção das contribuições dos contribuintes individuais, são assuntos já abordados e que não concorda este julgador com as conclusões da fiscalização no que tange à OAB SC. Relativamente ao interesse comum previsto no art. 124, inciso I, do CTN, necessária a efetiva caracterização desse interesse na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, para que se impute a terceiros a responsabilidade solidária pelos lançamentos. Com efeito, atinente ao instituto da solidariedade leciona Leandro Paulsen em sua conhecida obra “Constituição e Fl. 12157DF CARF MF 26 Código Tributário à Luz da Doutrina e da Jurisprudência1” que “ (...) a rigor, só o contribuinte é sujeito passivo da relação contributiva. Os demais são sujeitos passivos de relações específicas de substituição ou de responsabilidade tributária, com deveres próprios cujo descumprimento pode implicar a obrigação de pagar o montante do tributo devido pelo contribuinte”. Tal é o caso da responsabilidade solidária, assim entendida quando na mesma obrigação concorre mais de um devedor, cada um obrigado à dívida toda (Código Civil, art. 896, parágrafo único). Nesse compasso, o CTN postula que serão solidários ao contribuinte ou responsável tanto as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua fato gerador da obrigação principal (inciso I do art. 124), solidariedade factual (que é a nossa situação), quanto as pessoas expressamente designadas em lei (inciso II), solidariedade de direito. Vêse, desde logo, que não é fácil alcançar o conceito de ‘interesse comum’ para definição da responsabilidade solidária, posto que a lei não o delimitou. Marcos Vinícius Néder2 registra que o texto utilizouse de expressões vagas, que demandam decisão de ordem semântica. Observemos especialmente as palavras “interesse”, que pode ser de fato ou jurídico; “comum”, cujo significado aceita diversas acepções (v.g., coincidente, usual, simples, pertencente a mais de uma pessoa); a expressão “situação que constitua o fato gerador”, que pode ser situação de fato ou de direito. Há necessidade, portanto, de se conceituar o que seja interesse comum “na situação que constitua fato gerador da obrigação principal”. A leitura isolada dos enunciados desse artigo pode levar a interpretação de que a solidariedade aplicase em todos os casos em que houver interesse meramente de fato na situação (v.g., interesse econômico, moral, social), ampliando em demasia a possibilidade de as autoridades fiscais atribuírem a pessoas alheias ao fato jurídico tributário a condição de devedor solidário. Na verdade, a adoção de tal interpretação representaria a subversão das prescrições constitucionais que regulam competência tributária e limitações ao poder de tributar do Estado. ... Alf Ross3, com muita habilidade, faz distinção entre os interesses comuns e os coincidentes. Nos primeiros, as pessoas interessadas são vinculadas por circunstâncias externas Fl. 12158DF CARF MF Processo nº 11516.724173/201356 Acórdão n.º 2201003.554 S2C2T1 Fl. 12.146 27 formadoras de solidariedade (consciência de grupo) que os une; enquanto, nos coincidentes, o vínculo visa apenas a uma necessidade específica (tarefa). Já Rubens Gomes de Sousa4, embora ressalvando que o interesse comum das pessoas não é revelado pelo interesse econômico no resultado ou no proveito da situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, deduz que “(...) é solidária a pessoa que realiza conjuntamente com outra, ou outras pessoas, a situação que constitui o fato gerador ou que, em comum com outras pessoas, esteja em relação econômica com o ato, fato ou negócio que dá origem a tributação, por outras palavras (...) pessoa que tira uma vantagem econômica do ato, fato ou negócio jurídico” No caso em comento, o fato gerador da obrigação tributária decorre do pagamento da remuneração aos segurados obrigatórios da Previdência Social. Sendo o Estado de Santa Catarina o contratante e quem remunera os advogados dativos, na execução dos serviços previstos constitucionalmente e de responsabilidade única do Estado, utilizouse da OAB SC para organizar, ser um facilitador dos serviços de cunho eminentemente social, realizar a tarefa específica de auxiliar o Estado na prestação de serviços da Defensoria Dativa aos hipossuficientes, não há para a OAB SC a citada relação econômica com o fato que dá origem à tributação, não tira ela vantagem econômica nenhuma do negócio jurídico. Diante de todo o já explicitado nesse Voto, fica caracterizado o interesse coincidente das partes envolvidas, no sentido da realização da tarefa de se prestar serviços relativos à Defensoria Dativa aos hipossuficientes, mas não o interesse comum, necessário a configuração da responsabilidade solidária da OAB SC. Assim, entende esse julgador que OAB SC não pode ser responsabilizada individualmente pela integral dívida tributária (o que é característica da solidariedade), ou seja, deve ser afastada a responsabilidade solidária da OAB SC relativamente aos créditos tributários lançados na presente ação fiscal, já que não caracterizado o interesse comum previsto no inciso I do art. 124 do CTN, e nem se mantém as assertivas da fiscalização no que tange à responsabilidade sobre os recolhimentos das respectivas contribuições previdenciárias e sobre a retenção das contribuições dos contribuintes individuais." Não se pode concordar com a decisão "a quo". Há interesse comum entre o Estado de Santa Catarina e a OAB/SC. Senão, vejamos. Como dito na decisão de piso, por interesse comum na ocorrência do fato gerador, devese entender a existência de mais um partícipe da relação jurídica tributária. Recordemos as palavras de Rubens Gomes de Souza, citadas pelo julgador de piso: “(...) é solidária a pessoa que realiza conjuntamente com outra, ou outras pessoas, a situação que constitui o fato gerador ou que, em comum com outras pessoas, esteja em relação Fl. 12159DF CARF MF 28 econômica com o ato, fato ou negócio que dá origem a tributação, por outras palavras No sentido da lição de Rubens Gomes de Souza, o exemplo clássico, o mais comum, é o de dois irmãos que sejam proprietário de um mesmo terreno urbano. Por ostentarem a condição de proprietários, os dois, mesmo que meeiros do terreno, são solidários por todo o IPTU devido. Tal entendimento é um tanto quanto pacífico na doutrina. Schoueri (ob. cit., pág 525) explicita que "interesse comum só têm as pessoas que estão no mesmo polo na situação que constitui o fato jurídico tributário". Regina Helena Costa (Curso de Direito Tributário, Ed. Saraiva, 3ª ed. pag. 212) na mesma linha, adverte: "A solidariedade tributária, que é sempre passiva,somente pode existir entre dois sujeitos que figurem nesse polo da relação obrigacional. Importa salientar que a solidariedade, sob este fundamento, não constitui modalidade de sujeição passiva indireta, como sustentam alguns doutrinadores, visto que os devedores solidários não são terceiros porquanto realizam a situação fática descrita na hipótese de incidência" Assentemos. É responsável solidário aquele que tem interesse comum no fato gerador tributário, assim entendido aquele que concorreu a partir da mesma conduta com o sujeito passivo na consecução do fato gerador tributário. Voltemos à imputação fiscal. Encontramos às folhas 46: "11 O exame de todo o relato deste REFISC, notadamente o papel da Ordem dos Advogados do Brasil em Santa Catarina quanto ao papel de gerenciamento no serviços da Defensoria Dativa, aliado ao fato de ser a responsável pelo recolhimento das contribuições devidas, nos termos do Art. 57 § 14 da IN RFB n° 971/2009, inclusive as retidas dos contribuintes individuais e não repassadas à Previdência Social (com a devida comprovação material dos fatos), demonstrou o interesse comum na redução das obrigações tributárias, passando a ser "solidária" nos termos do inciso I, do art. 124 do CTN que estabelece: (...)" Na visão do Fisco, por ter organizado, escolhido, operacionalizado inclusive o pagamento e fiscalizado a prestação de serviços do contribuinte individual, exsurge o interesse comum na ocorrência do fato gerador. Assiste razão ao Auditor Fiscal, pois a OAB/SC atuou no sentido da remuneração da pessoa física que prestava um serviço que lhe interessava. Ao recordarmos que a hipótese de incidência das contribuições sociais previdenciárias é o trabalho remunerado da pessoa física e que no caso em apreço esse trabalho era se consubstanciava na atuação como advogado dativo para o Governo do Estado, com organização, escolha, operacionalização e controle por parte da Ordem dos Advogados de Santa Catarina, não cabe a menor dúvida na existência de interesse comum na ocorrência do Fl. 12160DF CARF MF Processo nº 11516.724173/201356 Acórdão n.º 2201003.554 S2C2T1 Fl. 12.147 29 fato gerador, posto que parte das atividades típicas do 'tomador de serviços', do empregador em sentido amplo, era realizada pela OAB/SC. Tanto assim o é que, a própria sujeição passiva foi objeto de análise não só pela autoridade lançadora, como também objeto de insurgência pelo sujeito passivo e pela própria OAB, o que levou a decisão de piso a enfrentar a questão. Ora, diante do fatos narrados não se pode admitir, como fez a decisão recorrida que não há interesse comum no fato gerador, somente interesse coincidente, quando segundo a própria doutrina de Rubens Gomes de Souza, apresentada pelo julgador de primeiro grau, se entende que “(...) é solidária a pessoa que realiza conjuntamente com outra, ou outras pessoas, a situação que constitui o fato gerador ou que, em comum com outras pessoas, esteja em relação econômica com o ato, fato ou negócio que dá origem a tributação, por outras palavras (...) pessoa que tira uma vantagem econômica do ato, fato ou negócio jurídico”, ou seja, o Governo do Estado e a OAB por força de Lei se unem no sentido de prover a Defensoria Pública, sendo que o primeiro obrigado a prestar o serviço contrata quem o faz e arca com seu custo; já o segundo legalmente designado como organizador e operacionalizador executa todas as tarefas necessárias para que o serviços seja prestado, e é por isso remunerado. Diante do exposto, dou provimento ao recurso de ofício nessa parte, determinando a manutenção da solidariedade da Ordem dos Advogados do Brasil, Seção de Santa Catarina, pelo crédito tributário constituído. DA MULTA QUALIFICADA A decisão recorrida afastou a multa qualificada aplicada pela Autoridade Lançadora, que assim motivou, no relatório fiscal, a majoração da sanção (fls.47): "XIII DA MULTA APLICADA 13 A multa aplicada relativo as contribuições patronais (01/2009 a 03/2011) e as contribuições dos contribuintes individuais não descontadas (01/2009 a 06/2010) correspondeu a 75% do valor devido, nos termos do inciso I, do art. 44 da lei n° 9430, de 27/12/1996 13.1 A multa aplicada relativo as contribuições dos contribuintes individuais descontadas dos mesmos (09/2010 a 03/2011) correspondeu a 150% do valor devido, nos termos do §1° do art. 44 da lei n° 9430, de 27/12/1996." Examinando a questão, a turma recorrida decidiu (fls 12.080): "Dispõe o Estado de Santa Catarina acerca da impossibilidade de multa em dobro para a contribuição previdenciária descontada, já que a fiscalização aplicou no AIOP Debcad nº 51.053.8690 a multa pelo percentual de 150% e não o de 75%. Transcreve art. 44 da Lei nº 9.430/96 e os artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64, reforçando que a fiscalização entendeu que houve dolo configurador de sonegação ou fraude fiscal. Aduz ainda que está clara a inexistência de intenção deliberada dos agentes envolvidos de impedirem ou retardarem o recolhimento Fl. 12161DF CARF MF 30 da contribuição previdenciária, o que houve foi uma providência acautelatória no escopo de resguardar as quantias que poderiam ser consideradas devidas à Previdência Social, não tendo havido sonegação ou fraude no caso, o que afasta a duplicação do percentual da multa. Observese que o § 1º do art. 44 da Lei nº 9.430/96 prevê a aplicação de multa em percentual duplicado (150%) quando presentes alguma das hipóteses contidas nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64, que tratam da sonegação, fraude ou conluio, produzidos de forma dolosa. Para tanto, necessário se faz a efetiva caracterização da ocorrência de uma dessas hipóteses. Nesse contexto, importante registrar que no REFISC não há qualquer referência às razões que levaram a fiscalização a qualificar a multa aplicada, não há a caracterização inequívoca da presença da conduta dolosa tipificada nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64, pressupostos indispensáveis para a aplicação da multa no percentual de 150%. Pelo contrário, reforcese, nenhuma referência aos motivos que levaram à aplicação da multa do § 1º do artigo 44 da Lei nº 9.430/96 existe no REFISC, apenas no item 13.1 existe a informação de aplicouse o percentual de 150% conforme dispositivo da Lei nº 9.430/96 citado. Por ter aplicado a multa qualificada apenas no AIOP referente às contribuições previdenciárias descontadas dos segurados contribuintes individuais, pressupõe este julgador que o motivo da duplicação da multa foi a ocorrência de retenção não repassada aos cofres públicos, o que não caracteriza por si só, a conduta ensejadora da aplicação da multa com base no § 1º do artigo 44 da Lei nº 9.430/96, pelo percentual de 150%. Desta forma, não restando comprovada a conduta dolosa do contribuinte prevista na legislação acima abordada, não há que se falar em aplicar a multa qualificada no percentual de 150%, devendo ser reduzida ao patamar de 75%, conforme requereu a impugnante." (destaquei) Não merece reparo a decisão de primeiro grau. Como muito bem asseverado, não havendo a comprovação de prática pelo sujeito passivo das condutas previstas na Lei nº 9.430/96, não se aplica a majoração da multa de ofício. É ônus do Fisco tal comprovação. Mera leitura dos preceitos da Lei nº 94360/96 demonstra tal necessidade: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; Fl. 12162DF CARF MF Processo nº 11516.724173/201356 Acórdão n.º 2201003.554 S2C2T1 Fl. 12.148 31 (...) § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis." Por seu turno, a Lei nº 4.502/64 preceitua: "Art . 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72." Havendo a ação ou omissão dolosa no sentido da fraude, da sonegação ou do conluio, termos explicitados na lei tributária, haverá a imputação da multa de ofício em dobro, consoante se observa na Lei nº 9.430/96. Logo, não se pode admitir o gravame da sanção sem a explicitação pela Autoridade Fiscal de qual conduta foi praticada pelo sujeito passivo e mais, a comprovação da ocorrência da conduta. Reconheço que tal encargo é de difícil cumprimento, isto é, por vezes é oneroso ao Fisco tal comprovação, porém não se pode alargar por interpretação aquilo de o legislador optou pela explicitar na letra fria da lei. Como bem apontado pelo julgador a quo, o Auditor Fiscal não só não comprovou a conduta sonegadora ou dolosa como também nem explicitou qual delas em seu entendimento ocorreu. Por todo o exposto, nego provimento ao recurso de ofício nessa parte. Em conclusão, voto por dar provimento parcial ao recurso de ofício para restabelecer a solidariedade passiva entre a OAB/SC e a Secretaria do Estado de Santa Catarina de Justiça e Cidadania. RECURSO VOLUNTÁRIO Fl. 12163DF CARF MF 32 Passo agora a apreciar o recurso voluntário na ordem de suas alegações. INOCORRÊNCIA DE FATO GERADOR. INEXISTÊNCIA DE QUALQUER RELAÇÃO JURÍDICA ENTRE O ESTADO DE SANTA CATARINA E OS ADVOGADOS. Segundo a Recorrente ( fls. 12093), não há qualquer relação jurídica ou fática entre o Estado e os advogados, o que afasta a ocorrência do fato gerador. São seus argumentos: "A r. Decisão recorrida afastou a afirmação de inexistência de fato gerador a ser tributado, algo que contraria a lei, a constituição federal e a jurisprudência. Não há falarse em contribuição previdenciária quando o. mero pagamento é efetuado por pessoa/entidade intermediária, não destinatária do serviço prestado. Nesse sentido, o Egrégio Superior Tribunal de Justiça possui jurisprudência pacífica. A Corte chegou à conclusão após apreciar inúmeras demandas envolvendo planos de saúde. As seguintes ementas bem ilustram o aleagdo: (...)" (negritei e sublinhei) Não se pode concordar com as alegações da Recorrente. Como demonstrado no preâmbulo do presente voto, o Estado de Santa Catarina, cumprindo o dever constitucionalmente imposto, instituiu sua Defensoria Pública por meio da contratação de advogados devidamente cadastrados, para atuação nas causas de interesse dos cidadãos com direito à assistência jurídica do Estado. A Lei Complementar Estadual nº 155/97, confirma a afirmação e mais, determina que a Ordem dos Advogados do Brasil, Seção Santa Catarina, organize, operacionalize, controle e fiscalize a atuação desses profissionais em nome do Estado de Santa Catarina, que arca com as despesas de tal estrutura. É nesse sentido que o fato da OAB/SC saber do quanto devido e para quem é devido o valor pela prestação de serviços a não a torna a tomadora destes, posto que tal atribuição é imposta a ela pela lei complementar, uma vez que a ela cabe toda a operacionalização da prestação dos serviços dos advogados dativos e não a destinação deste, que é como dito, o cumprimento do dever constitucional imposto ao Estado. Assim, como foi explicitado linhas atrás, existe a prestação de serviços por pessoa física ao Estado de Santa Catarina, que remunera os trabalhadores, que atuam para que o Estado cumpra seu mister de prestar assistência jurídica aos necessitados. Logo, recordando que a prestação de serviços remunerados por pessoa física é fato gerador de contribuição previdenciária, observo a ocorrência do fato gerador. Por fim, importante ressaltar que as alegações de que os serviços dos advogados dativos foram prestados para a OAB/SC, já foram enfrentados anteriormente, quando da demonstração da relação entre as pessoas físicas e o Estado de Santa Catarina. Nem se diga que as retenções relativas às contribuições devidas pelos segurados contribuintes individuais foram realizadas pela OAB/SC. Fl. 12164DF CARF MF Processo nº 11516.724173/201356 Acórdão n.º 2201003.554 S2C2T1 Fl. 12.149 33 Sobre o tema, reproduzo a decisão de piso, que por sua clareza e precisão, conta com minha total anuência (fls 12071): De tudo que se vê nos autos e do resumo acima, este julgador não concorda com a conclusão a que chegou a auditoria fiscal que existe comprovação inequívoca de que a OAB SC procedeu à retenção dos valores das contribuição dos contribuintes individuais, advogados dativos. Isto porque: Os documentos juntados aos autos e que a própria fiscalização aponta como base para os lançamentos que efetuou, Anexos I a VI e Doc. 6, apresentam valores retidos efetivamente a partir de 09/2010 em diante. Informa a OAB SC que o Estado de Santa Catarina começou a proceder à retenção dos 11% a partir do Decreto Estadual nº 3.470, de 23/08/2010, publicado exatamente antes do início das retenções efetuadas, 09/2010. Para melhor visualizarmos a questão, transcrevo trecho do referido Decreto: "Considerando: a) a existência de controvérsia ainda a dirimir na esfera administrativa e judicial sobre a incidência ou não de contribuição previdenciária sobre os valores repassados pela Ordem dos Advogados do Brasil, Seção de Santa Catarina, aos advogados que exercem funções de Defensoria Dativa e Assistência Judiciária Gratuita no Estado de Santa Catarina, bem como sobre qual seria a pessoa jurídica responsável pelo respectivo recolhimento; e b) a decisão constante do Acórdão n2 0716.216, da 5a Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal em Florianópolis, proferida nos Autos do Processo ns 11516.006368/200853, entendendo ser do Estado de Santa Catarina, e não da Ordem dos Advogados do Brasil, a responsabilidade pelo recolhimento da contribuição supostamente devida, bem como a tendência de vir o Estado de Santa Catarina a receber notificação de lançamento, DECRETA: Art. 1 Sobre o valor transferido à Ordem dos Advogados do Brasil Seção de Santa Catarina para fins de pagamento aos advogados que exercem as funções de Defensoria Dativa e Assistência Judiciária Gratuita, a Secretaria de Estado da Fazenda SEF, pelo Diretor do Tesouro, deverá fazer, previamente ao respectivo repasse, provisão para contingência em conta específica das parcelas relativas ao Imposto de Renda Pessoa Física e à Contribuição Previdenciária ao Instituto Nacional do Seguro Social INSS.(grifos nossos) Fl. 12165DF CARF MF 34 Art. 2 Os valores depositados a título de provisão ficarão retidos até que seja dirimida a controvérsia quanto incidência das exações fiscais e à responsabilidade pelo recolhimento, devendo qualquer imposição futura de penalidade ou juros ser suportada pelos recursos da conta específica, eximido de responsabilidade o ordenador da despesa relativa à transferência do valor a que se refere o artigo anterior. Art. 3 Este Decreto entra em vigor na data de sua publicação. Ora, constatase no texto acima que ficou claramente definido que a responsabilidade pela retenção da contribuição dos advogados dativos, feita a título de provisionamento para contingência, é do Estado de Santa Catarina através do Diretor do Tesouro da Secretaria de Estado da Fazenda, e não da OAB SC, e feita antes do repasse à OAB SC. Ou seja, os valores relativos ao pagamento dos advogados dativos quando chegam à OAB SC já estão com a retenção deduzida. De fato. Por amostragem, este julgador analisou os recibos de pagamento juntados pela fiscalização no processo, Doc. 26 e a relação dos contribuintes individuais na prestação de contas da OAB SC para com o Estado de Santa Catarina, doc. 25, e constatou que: O recibo de pagamento, emitido pela OAB SC, informa que o Estado de Santa Catarina pagou ao advogado, identifica a parcela retida do INSS e o valor líquido recebido pelo profissional e que o Estado reteve a contribuição de 11% do contribuinte individual. Pegando o recibo de André do Amaral Pereira, de fevereiro de 2012, às fls. 10.386, constatase que ele recebeu o valor líquido de R$ 132,61. Já na relação prestação de contas que a OAB SC faz com o Estado, às fls. 10.332, temse que ele recebeu os mesmos R$ 132,61, ou seja, fica efetivamente caracterizado que o repasse foi feito dos valores líquidos, já que são esses que a OAB SC se utiliza para prestar contas. Da mesma forma, temse com o recibo de Giovana Gnecco Colombo, de julho de 2012, às fls. 10.394, e a prestação de contas às fls. 10.349, pelo valor líquido de R$ 530,44. Também por amostragem, cotejamos os recibos de pagamento juntados pela fiscalização e os documentos de prestação de contas da OAB SC junto ao Estado de Santa Catarina trazidos pela impugnante anexos à sua defesa, apesar destas não estarem autenticadas pela RFB. Neste contexto, também se confirma o repasse e a prestação de contas de valores líquidos repassados aos advogados dativos: Na competência 09/2010, temse às fls. 10.366 o recibo de pagamento de José Zanella, pelo montante líquido de R$ 1.134,75, mesmo valor apresentado na prestação de contas de fls. 10.944 trazida na defesa. Na mesma competência, o advogado José Zanin recebe o mesmo valor líquido, comprovado pelo recibo de pagamento de fls. 10.368 e prestação de contas de fls. 10.944. Fl. 12166DF CARF MF Processo nº 11516.724173/201356 Acórdão n.º 2201003.554 S2C2T1 Fl. 12.150 35 Na competência 12/2010, temse às fls. 10.374 o recibo de pagamento de Valdir Mendes, pelo montante líquido de R$ 1.134,75, mesmo valor apresentado na prestação de contas de fls. 11.068 trazida na defesa. Ainda, na competência 03/2011, o advogado Ronaldo Silva recebe o valor líquido de R$ 1.223,75, comprovado pelo recibo de pagamento de fls. 10.381 e prestação de contas de fls. 11.212. Dispõe também a fiscalização não ter identificado nos documentos fiscais apresentados, balancetes 2008 a 2011 e Livros Diário e Razão contábil 2012, onde a OAB SC lançou as retenções efetuadas, o que, pelo acima exposto, também se mostra correto, já que não procedeu à referida retenção. Quanto a resposta ao quesito formulado pela fiscalização relativamente ao destino da retenção efetuada no montante de R$ 5.736.548,00 (valor, inclusive, que este julgador não logrou êxito em localizar no processo, mas que possivelmente, diante de todo o conjunto, referese às retenções efetuadas de 09/2010 em diante, conforme Anexo VI, cujo valor se aproxima) e que a OAB SC informa não ter sido possível obter tais informações que teriam sido praticadas pela Administração anterior, não nos parece conclusivas para, diante dos elementos acima, afirmarmos inequivocamente que a OAB SC procedeu a estas retenções. Indica, na verdade, que diante da falta de documentos para poder atender à intimação do fisco, a diretoria apontou os responsáveis por qualquer ato praticado naquele período, qual seja, a administração anterior. Portanto, reforço, entendo não ter restado inequivocamente comprovada a retenção feita pela OAB SC nos pagamentos dos advogados dativos, conforme alega a própria OAB SC, tendo sido o Estado de Santa Catarina quem procedeu à referida retenção, em perfeita consonância com o determinado no Decreto Estadual nº 3.470, de 23/08/2010." (negritei) Pelo exposto, e pelos motivos e fundamentos acima apresentados, nego provimento ao Recurso Voluntário nessa parte. ILEGALIDADE DA BASE DE CÁLCULO UTILIZADA. VALOR TOTAL REPASSADO À OAB. Sobre a base de cálculo utilizada pelo lançamento, a Recorrente alega ilegalidade. Vejamos (fls. 12105): "0 relatório da notificação fiscal, ao indicar a base de cálculo adotada para o lançamento, demonstra com clareza a incompatibilidade do parâmetro adotado com aquele previsto em lei. Indica a autoridade notificante: Fl. 12167DF CARF MF 36 "9.1 — Foram consideradas bases de cálculo das contribuições previdenciárias os valores repassados pelo Governo do Estado de Santa Catarina à OABSC (Doe. 6), estando reproduzidos nos ANEXOS I a V e resumidos no ANEXO VI, valores estes que passam a ser saláriodecontribuição, nos termos do Art. 28, III da Lei n. 8.212/91" Ora, os dispositivos legais indicados para o lançamento são flagrantemente diferentes do utilizado, seja para a contribuição previdenciária patronal quanto para passível de retenção: (...) Com efeito, ao indicar que foi utilizada como base de cálculo o valor repassado para a OAB pelo Estado a Receita Federal deixa claro que inseriu no valor cobrado verbas claramente descabidas e que tem dúvidas sobre a existência do fato gerador, já que não conseguiu configurar, em relação ao Estado de Santa Catarina, um quantum tributável em relação aos contribuintes individuais." (negrito não consta do recurso) Não se pode concordar com o argumento, posto que dista da realidade fática constante dos autos. A autoridade lançadora utilizou o valor destinado a cada contribuinte individual como salário de contribuição, nos termos da legislação vigente. Vejamos, por pequena amostragem, o conteúdo dos anexos mencionados no recurso: Fl. 12168DF CARF MF Processo nº 11516.724173/201356 Acórdão n.º 2201003.554 S2C2T1 Fl. 12.151 37 Simples leitura demonstra o flagrante equívoco do Recorrente. Não foi adotado o valor repassado à OAB e sim os valores individualmente repassados, inclusive com os destaques das retenções devidas, isso a partir de quando o Recorrente passa a reconhecer a sua obrigação tributária. Recurso voluntário negado também nessa parte. CONSIDERAÇÕES SOBRE O FATO GERADOR. ART. 22, 28 E 30 DA LEI 8.212/91. Alega o Recorrente a inexistência do fato gerador, posto que, em sua visão não houve prestação de serviços para o Estado e sim para os cidadãos. Por via de consequência não houve pagamento, posto que o Estado nem tinha conhecimento prévio de quem receberia os valores e se houvesse tributo a ser recolhido isto seria de responsabilidade da OAB/SC. O tema já foi largamente discutido no preâmbulo deste voto. Despiciendas novas considerações. Tal desnecessidade de novo enfrentamento dos argumentos recursais, posto que enfrentados alhures, também ocorre quanto às alegações de que o Estado de Santa Catarina não é o sujeito passivo da relação jurídica tributária e de que a base de cálculo utilizada no lançamento está incorreta Recurso voluntário negado também nessas partes. AUSÊNCIA DE CONFERÊNCIA DA SITUAÇÃO DE CADA ADVOGADO PARA LANÇAMENTO DO TRIBUTO. NECESSIDADE DE CONSTATAÇÃO SE ALGUM JÁ RECOLHIA PELO TETO DE CONTRIBUIÇÃO. Com base no artigo 28, III da Lei de Custeio, o Recorrente entende que o Fisco deveria ter verificado se cada advogado já não recolheu a contribuição por ele devida, em razão do teto estabelecido para a contribuição do segurado. Fl. 12169DF CARF MF 38 Sobre a questão, assim se pronunciou a decisão de piso (fls 12078): "Dispõe a legislação que presumese feita a retenção das contribuições dos contribuintes individuais pelo contratante, ou seja, é obrigação legal do Estado de Santa Catarina proceder à retenção e repasse aos cofres públicos dessa contribuição. Não o tendo feito não lhe é cabível alegar que a fiscalização deveria proceder a verificação dos recolhimentos dos advogados contribuintes individuais para se eximir dessa sua obrigação. E ainda, é responsabilidade do contribuinte individual, caso já tenha sofrido retenção que supere ao limite legal do teto de contribuição, informar ao seu contratante e comprovar tal fato, ficando então, este contratante dispensado de proceder à referida retenção, desde que tudo devidamente comprovado. Tudo isto está acima demonstrado, e, assim, não procedem as alegações em sentido contrário do impugnante." (destaquei). Não obstante os acertados argumentos da decisão de primeira instância, necessário ainda recordar que a dialética da provas exige que o contribuinte apresente, e comprove, fatos impeditivos, modificativos ou extintivos do direito de crédito do Fisco constante do lançamento e, no caso, devidamente corroborado por provas. Tal exegese, no sentido da exigência de comprovação dos fatos alegados pelas partes constantes do processo administrativo tributário, consta do Decreto nº 70.235 em especial dos artigos 9º e 15. Como bem apontado pela decisão de piso, não pôde o Recorrente se desvencilhar do encargo probatório, não se permitindo, portanto, admitir tal argumento. Por ser fato modificativo do direito de crédito do Fisco, posto que há um limite legal para a contribuição do segurado, cabe ao Recorrente a comprovação de tal fato ocorreu, ou seja, que para os segurados x, y e z, não é devida a retenção da contribuição incidente sobre a remuneração por ele percebida Tal comprovação é ônus do Recorrente, não cabendo à Administração Tributária tal encargo. Cabe à empresa o dever de reter e recolher a contribuição dos segurados que lhe prestam serviços durante o mês, consoante expressa disposição da Lei de Custeio. Para se eximir do desconto, o segurado deverá comprar ao substituto tributário (a empresa para o qual presta serviço), que houve o desconto da contribuição naquele mês por outro empregador. Recurso voluntário negado também nessa parte Por fim, argumenta no sentido da relevação dos juros e multas em razão da mudança de entendimento da Receita Federal do Brasil que, na visão do Recorrente, entendia que não havia tributação dos valores pagos pelo Estado aos advogados dativos por intermédio da OAB/SC. Entende ser aplicável os preceitos do CTN sobre a prática reiterada da Administração Tributária integrar a legislação tributária. Alega ainda não ser possível imputar multa ao Estado de Santa Catarina, mero repassador de recursos à OAB/SC e aplicação do princípio do não confisco para excluir a multa. Não se pode concordar com o Recorrente. Fl. 12170DF CARF MF Processo nº 11516.724173/201356 Acórdão n.º 2201003.554 S2C2T1 Fl. 12.152 39 O surgimento da obrigação tributária, seja a principal, seja a acessória, decorre de lei. Seu inadimplemento enseja aplicação da sanção legalmente prevista, independentemente da intenção do agente. Nesse sentido, e em face da minha total concordância com os motivos e os fundamentos da decisão de piso, reproduzoa e tomo com a devida permissão como minha: "Discorre o Estado de Santa Catarina em sua impugnação sobre os valores de juros e multas aplicadas, requerendo a não aplicação em virtude de: i) Defensoria Dativa – pratica reiterada da fiscalização não tributar. O Estado de Santa Catarina vem há mais de 40 anos remunerando os defensores dativos pelos serviços jurídicos que prestam aos necessitados, sem qualquer dúvida sobre a não ocorrência do fato gerador do tributo ora pleiteado. Se por mais de 40 anos a Fazenda Federal quedouse inerte não pode repentinamente cobrar juros e impor penalidade de multa como se o devedor tributário fosse aquele que de modo contumaz deixa de cumprir suas obrigações tributárias. Cita e transcreve art. 100, do CTN, que no inciso III, trata da práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas. Incabível seu pleito, já que o art. 100 deve ser aplicado como norma complementar às leis, não sendo aplicável na situação alegada pela autuada. ii) Da impossibilidade de cobrança de multa do Estado de Santa Catarina. Aduz que não é o Estado e sim a OAB SC que deve ser responsabilizada pela infração, uma vez que apenas repassa recursos à OAB SC. No caso de dúvida da fiscalização sobre ente deveria recolher o tributo, deve ser aplicado o art. 112 do CTN. Não há dúvida por todo o exposto Voto de quem é o ente responsável pelas contribuições lançadas, não procedem suas argumentações. iii) Da exorbitância dos valores aplicados. No que diz respeito especificamente ao caráter confiscatório da multa aplicada nos AIOP, não se pode acatar esta tese da impugnante. A argumentação de que a Constituição Federal proíbe o confisco, não prospera, eis que a vedação constitucional ao confisco, antes de tudo, é dirigida ao legislador ordinário, que deve respeitála no processo de elaboração legislativa, cabendo às autoridades administrativas o papel de aplicar as determinações legais emanadas dos poderes competentes e zelar pelo cumprimento Fl. 12171DF CARF MF 40 das obrigações tributárias por parte dos contribuintes. O lançamento é uma atividade vinculada e obrigatória, não cabendo juízo de valor quanto a este suposto aspecto alegado pela impugnante. Nesse contexto, há que se destacar que um dos princípios basilares da administração pública é o da legalidade, princípio que obsta a aplicação da discricionariedade pelo gestor público, ou seja, existe a obrigação de cumprir e respeitar as leis em vigor. Assim, a lei, cuja invalidade ou inconstitucionalidade não tenha sido declarada pelos órgãos competentes do Poder Judiciário, surtirá efeito enquanto vigente e será obrigatoriamente cumprida pela administração por força do ato administrativo vinculado. Não é possível, em sede administrativa, afastar a aplicação de legislação em vigor, conforme estabelece o art. 18 da Portaria RFB nº 10.875, de 16/08/2007 (DOU de 24/08/2007) e art. 26A do Decreto 70.235/1972, acrescentado pela MP 449, de 03/12/2008, transformada na Lei nº 11.941/2009, este transcrito abaixo: “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.” Também o CARF – Conselho Administrativo de Recursos Fiscais já se manifestou sobre o assunto, através da Súmula CARF nº 2, comprovando o entendimento pacífico na jurisprudência administrativa: “Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Sendo assim, a Administração deve absterse de reconhecer ou declarar a inconstitucionalidade ou sua ilegalidade e, sobretudo, de aplicar tal reconhecimento ou declaração nos casos concretos, de leis, dispositivos legais e atos normativos que não tenham sido assim expressamente declarados pelos órgãos competentes. No âmbito do procedimento administrativo tributário, cabe exclusivamente verificar se o ato praticado pelo agente está, ou não, conforme a legislação, sem emitir juízo sobre a legalidade ou a constitucionalidade das normas jurídicas que embasam aquele ato. Isto posto, não compete à instância administrativa de julgamento manifestarse sobre eventuais violações a princípios constitucionais ou de inconstitucionalidade ou ilegalidade de dispositivos legais, que assim não tenham sido declarados, observandose que a atuação do fisco restringiuse aos comandos determinados em dispositivos legais vigentes e constantes no REFISC e no anexo Fundamentos Legais do Débito – FLD dos AIOP. Assim, no que tange ao acima tratado, tendo a fiscalização aplicado multas e juros em cumprimento a leis vigentes em nosso ordenamento jurídico, não cabe ser acatado neste esfera Fl. 12172DF CARF MF Processo nº 11516.724173/201356 Acórdão n.º 2201003.554 S2C2T1 Fl. 12.153 41 de julgamento qualquer entendimento diverso externado pelo contribuinte em sua defesa." (destaquei) Pelo exposto, nego provimento ao recurso voluntário também nesta parte. ERRO DE CÁLCULO NULIDADE DO LANÇAMENTO A recorrente aponta erro no cálculo do tributo lançado, o que causa nulidade do ato administrativo do lançamento. Aduz (fls 12121): "Como já mencionado, a notificação exarada estampou vultosas quantias supostamente devidas pelo Estado de Santa Catarina. Contudo, não há segurança sobre os critérios utilizados pela Fiscalização na obtenção dos valores apontados. O contribuinte, in casu, não tem certeza quanto às alíquotas e índices de correção utilizados. A título de exemplo, no mês de junho de 2008 consta no Anexo I o valor total de pagamentos no montante de R$ 1.179.663,17 e o valor devido de contribuição previdenciária cota do contribuinte individual de R$ 1.205.578,03. Já no auto de infração n. 37.409.5701 foi considerado o valor de R$ 239.757, 02 como devido no mês de junho de 2008. Só esse fato já demonstra uma contradição entre o valor do Anexo I e o valor do auto de infração. Não bastasse isso, verificase que o valor realmente devido para o mês de junho de 2008, a titulo de contribuição previdenciária cota do contribuinte individual seria de R$ 129.762,95, ou seja, R$ 109.994,07 a menos do que o apontado no auto de infração" (destaques não constam do recurso) Não cabe razão à Recorrente. Em primeiro lugar, todos as bases de cálculo, alíquotas aplicáveis e fundamento legal do débito se encontram perfeitamente apresentadas e explicitadas nos diversos relatórios que compõe o Auto de Infração, sendo importante mencionar que o Contribuinte tomou ciência pessoal todos eles, quando por certo foram prestados todos os esclarecimentos necessários e oportunizado que eventuais dúvidas fossem esclarecidas pela Autoridade Fiscal. Tal afirmação decorre da declaração, constante da comprovação de entrega de todos os demais relatórios e anexos integrantes do auto de infração, firmada no Termo de Sujeição Passiva (fls 10593/10595) Fl. 12173DF CARF MF 42 Não obstante o exposto, mister ressaltar que a alegação de erro de cálculo além de não comprovada documentalmente, o que como visto acima, não tem o condão de permitir que o Colegiado firme posição (inteligência do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72 ), não se refere a período constante do auto de infração que se discute no presente processo administrativo, por óbvio não integrando a presente lide tributária. Nesse sentido, nego provimento ao recurso também nessa parte. CONCLUSÃO Por todo o exposto e com base nos fundamentos apresentados, voto por conhecer do recurso de ofício, para darlhe provimento parcial, mantendo a responsabilidade solidária da Ordem dos Advogados do Brasil, Seção de Santa Catarina, OABSC e a exclusão da qualificadora da multa de ofício . Quanto ao recurso voluntário, voto por conhecer do recurso e rejeitar a preliminar de nulidade suscitada, para, no mérito, negar provimento. assinado digitalmente CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Relator Fl. 12174DF CARF MF
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