Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,279)
- Segunda Câmara (27,805)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,763)
- Primeira Turma Ordinária (16,221)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,176)
- Primeira Turma Ordinária (16,104)
- Primeira Turma Ordinária (16,039)
- Segunda Turma Ordinária d (15,797)
- Segunda Turma Ordinária d (14,451)
- Primeira Turma Ordinária (13,020)
- Primeira Turma Ordinária (12,381)
- Segunda Turma Ordinária d (12,367)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,422)
- Quarta Câmara (84,834)
- Terceira Câmara (67,389)
- Segunda Câmara (55,826)
- Primeira Câmara (20,245)
- 3ª SEÇÃO (16,176)
- 2ª SEÇÃO (11,281)
- 1ª SEÇÃO (6,836)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (125,132)
- Segunda Seção de Julgamen (114,469)
- Primeira Seção de Julgame (76,587)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,961)
- Câmara Superior de Recurs (37,889)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,615)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,487)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,754)
- HELCIO LAFETA REIS (3,725)
- ROSALDO TREVISAN (3,220)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,925)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,728)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,630)
- WILDERSON BOTTO (2,615)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,840)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,921)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,471)
- 2014 (22,375)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,515)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,135)
- 2017 (16,840)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2026 (13,849)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 10183.721683/2009-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 07 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Mar 15 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004
EMBARGOS DECLARATÓRIOS. ERRO MATERIAL. NECESSIDADE DE SANEAMENTO.
Devem ser acolhidos os embargos declaratórios quando presente erro material entre o decidido nos votos condutores e a parte dispositiva da ementa.
Embargos Acolhidos
Numero da decisão: 2202-003.678
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração para, sanando o vício apontado no Acórdão nº 2202-002.477, de 15/10/2013, alterar a parte dispositiva do acórdão para que conste a seguinte conclusão: "Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário".
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Martin da Silva Gesto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Martin da Silva Gesto, Márcio Henrique Sales Parada, Rosemary Figueiroa Augusto, Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Cecília Dutra Pillar e Dilson Jatahy Fonseca Neto.
Nome do relator: MARTIN DA SILVA GESTO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201702
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2004 EMBARGOS DECLARATÓRIOS. ERRO MATERIAL. NECESSIDADE DE SANEAMENTO. Devem ser acolhidos os embargos declaratórios quando presente erro material entre o decidido nos votos condutores e a parte dispositiva da ementa. Embargos Acolhidos
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Mar 15 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10183.721683/2009-31
anomes_publicacao_s : 201703
conteudo_id_s : 5700162
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Mar 24 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 2202-003.678
nome_arquivo_s : Decisao_10183721683200931.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : MARTIN DA SILVA GESTO
nome_arquivo_pdf_s : 10183721683200931_5700162.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração para, sanando o vício apontado no Acórdão nº 2202-002.477, de 15/10/2013, alterar a parte dispositiva do acórdão para que conste a seguinte conclusão: "Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário". (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Martin da Silva Gesto, Márcio Henrique Sales Parada, Rosemary Figueiroa Augusto, Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Cecília Dutra Pillar e Dilson Jatahy Fonseca Neto.
dt_sessao_tdt : Tue Feb 07 00:00:00 UTC 2017
id : 6688421
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:57:12 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048948262830080
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1582; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 236 1 235 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10183.721683/200931 Recurso nº Embargos Acórdão nº 2202003.678 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 7 de fevereiro de 2017 Matéria IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Embargante FAZENDA NACIONAL Interessado INSTITUTO ECOLÓGICO CRISTALINO ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2004 EMBARGOS DECLARATÓRIOS. ERRO MATERIAL. NECESSIDADE DE SANEAMENTO. Devem ser acolhidos os embargos declaratórios quando presente erro material entre o decidido nos votos condutores e a parte dispositiva da ementa. Embargos Acolhidos Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração para, sanando o vício apontado no Acórdão nº 2202002.477, de 15/10/2013, alterar a parte dispositiva do acórdão para que conste a seguinte conclusão: "Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário". (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Martin da Silva Gesto, Márcio Henrique Sales Parada, Rosemary Figueiroa Augusto, Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Cecília Dutra Pillar e Dilson Jatahy Fonseca Neto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 72 16 83 /2 00 9- 31 Fl. 236DF CARF MF Processo nº 10183.721683/200931 Acórdão n.º 2202003.678 S2C2T2 Fl. 237 2 Relatório Os presentes embargos foram opostos pela Fazenda Nacional em face do Acórdão nº 2202002.477 no processo nº 10183.721683/200931. Este processo trata da Notificação de Lançamento, por meio da qual se exige o pagamento de diferença do Imposto Territorial Rural – ITR do Exercício 2004, acrescido de juros moratórios e multa de ofício, totalizando o crédito tributário de R$ 35.181,52, relativo ao imóvel rural cadastrado na Receita Federal sob nº 0.334.2085, localizado no município de Paranaitá MT. A DRJ de origem julgou improcedente a impugnação. Deste acórdão, foi interposto, pelo contribuinte, recurso voluntário. A obscuridade questionada pela Fazenda diz respeito ao erro formal contido na síntese do voto, em que se fez menção à existência de recurso de ofício, sendo que na conclusão do voto condutor não há referência alguma quanto a tal recurso, in verbis: "Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário e negar provimento ao recurso de ofício" No entanto, a conclusão do voto do Conselheiro Relator Fabio Brun Goldschmidt foi: "Ante todo exposto, julgando o presente caso em conjunto com o processo nº 10183.002185/200724, entendo restar comprovado que o imóvel do recorrente se encontra albergado pela imunidade tributária, razão pela qual voto no sentido de dar provimento ao recurso reconhecendo a imunidade ao Instituto Ecológico Cristalino, desconstituindo o auto de infração lançado." É o relatório. Voto Conselheiro Martin da Silva Gesto Relator Os embargos de declaração foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade Verificase que não há nos autos a interposição de recurso de ofício pela Fazenda Nacional. Aliás, sequer foi exonerado pela DRJ de origem algum valor. Ainda, a conclusão do voto do Conselheiro Relator Fabio Brun Goldschmidt somente foi no sentido da dar provimento ao recurso voluntário. Desta forma, há erro material no acórdão, o qual deve ser sanado. Fl. 237DF CARF MF Processo nº 10183.721683/200931 Acórdão n.º 2202003.678 S2C2T2 Fl. 238 3 Assim, entendo que aonde no acórdão consta "Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário e negar provimento ao recurso de ofício", deveria passar a constar "Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário." Ante o exposto, acolho os embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional, atribuindolhes efeitos infringentes, para fins de corrigir o erro material, de modo que aonde consta "Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário e negar provimento ao recurso de ofício", deve passar a constar "Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário." (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Fl. 238DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10940.901190/2009-64
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jan 31 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL Ano-calendário: 2005 ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. O art. 11 da Instrução Normativa RFB nº 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicandose, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1º de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa. (SCI Cosit nº 19, de 2011).
Numero da decisão: 1803-001.181
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para reconhecer a possibilidade de formação de indébitos em recolhimentos por estimativa, devendo os autos retornarem à unidade de origem para análise do mérito do pedido.
Nome do relator: Selene Ferreira de Moraes
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201201
camara_s : 1ª SEÇÃO
ementa_s : CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL Ano-calendário: 2005 ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. O art. 11 da Instrução Normativa RFB nº 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicandose, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1º de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa. (SCI Cosit nº 19, de 2011).
turma_s : 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
numero_processo_s : 10940.901190/2009-64
conteudo_id_s : 5693628
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Apr 19 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 1803-001.181
nome_arquivo_s : Decisao_10940901190200964.pdf
nome_relator_s : Selene Ferreira de Moraes
nome_arquivo_pdf_s : 10940901190200964_5693628.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para reconhecer a possibilidade de formação de indébitos em recolhimentos por estimativa, devendo os autos retornarem à unidade de origem para análise do mérito do pedido.
dt_sessao_tdt : Tue Jan 31 00:00:00 UTC 2012
id : 6674308
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:57:01 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048948264927232
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1959; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE03 Fl. 1 1 S1TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10940.901190/200964 Recurso nº Acórdão nº 180301.181 – 3ª Turma Especial Sessão de 31 de janeiro de 2012 Matéria CSLL Recorrente COOPERATIVA AGRÍCOLA MISTA DE PONTA GROSSA COOPAGRÍCOLA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2005 ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. O art. 11 da Instrução Normativa RFB nº 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicandose, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1º de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa. (SCI Cosit nº 19, de 2011). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para reconhecer a possibilidade de formação de indébitos em recolhimentos por estimativa, devendo os autos retornarem à unidade de origem para análise do mérito do pedido. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes – Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Sérgio Rodrigues Mendes, Meigan Sack Rodrigues, Selene Ferreira de Moraes. Fl. 162DF CARF MF Impresso em 24/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 24/03 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES 2 Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto o relato do órgão julgador de primeira instância até aquela fase: “Trata o presente processo da compensação declarada por meio do PER/DCOMP n° 28427.30207.171105.1.3.040469 (fls. 1116 e 5458), relativa à compensação do débito de R$ 2.284,87 de CSLL devido por estimativa (código de receita 2484) no mês de outubro/2005, com utilização da parcela de R$ 2.185,01 do direito creditório de R$ 13.066,48 oriundo do pagamento indevido ou a maior da estimativa de CSLL do mês de junho/2005, recolhimento este efetuado em 29/07/2005 (R$ 17.168,15). 2. A DRF/Ponta Grossa, por meio do Despacho Decisório proferido em 25/03/2009 (fls. 10 e 60), não homologou a compensação declarada em 17/11/2005 em face da inexistência do direito creditório indicado, haja vista o recolhimento indevido ou a maior de estimativa mensal somente poder ser utilizado na dedução da CSLL devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de CSLL do período, conforme determina o art.10 da IN SRF n° 600, de 28 de dezembro de 2005. 3. Regularmente cientificada por via postal (AR recebido em 08/04/2009, à fl. 63), a reclamante apresentou, em 05/05/2009, a tempestiva manifestação de inconformidade de fls. 0109, instruída com os documentos de fls. 1052, cujo teor é sintetizado a seguir: a) após discorrer acerca finalidade social das sociedades cooperativas, aduz que a vedação à compensação de créditos pagos a maior assume frontal conflito com o direito legal dos contribuintes; que os arts. 165 e 170 do CTN e o art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996, não fundamentam tal impossibilidade, que se encontra prevista apenas na IN SRF n° 600, de 2005; b) que as instruções normativas, por mais que se tenha respeito a elas e reconheça a sua importância, não têm força de lei e não podem limitar direitos garantidos aos consumidores, sob pena de ferir princípios constitucionais fundamentais, como o da legalidade, especialmente; c) que resta clara a impossibilidade de vedação à compensação solicitada, e a verdade deste fato está no próprio reconhecimento da RFB por meio da IN RFB n° 900, de 2008, em cujo art. 11 foi suprimida tal vedação; que não são valores apurados de retenções, mas de simples pagamentos a maior; d) alternativamente, requer seja considerado que inexiste qualquer óbice à compensação após o período de apuração ou Fl. 163DF CARF MF Impresso em 24/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 24/03 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10940.901190/200964 Acórdão n.º 180301.181 S1TE03 Fl. 2 3 para compor o saldo negativo de IRPJ e CSLL; que, como o crédito não é contestado pela RFB, mas somente sua disponibilidade no período mensal solicitado, a compensação do débito pode ser efetuada, até de ofício; que não faz sentido a incidência de multa sobre o imposto devido em face de o crédito pelo pagamento a maior ser anterior ao débito declarado; e) que, igualmente são importantes para o julgamento da matéria os princípios da proporcionalidade e da boafé e os subprincípios da adequação, da necessidade e da proporcionalidade em sentido estrito; que há de se considerar não só o aspecto formal da declaração, mas o direito em si,visto que o Direito Tributário regese pelo princípio da legalidade; f) ressalta que a correção do crédito deve ocorrer com base na taxa Selic, desde a data do pagamento a maior, conforme previsto no art. 39 da Lei n° 9.250, de 1995; g) ao final requer: 1) recebimento tempestivo da presente manifestação de inconformidade; 2) declaração de procedência, com o reconhecimento de não ser devido o tributo ora cobrado pela existência de crédito a embasar a compensação solicitada ou, em outro sentido, que seja deferido o pedido alternativo formulado; 3) além das provas documentais qu.e apresenta, requer a possibilidade de juntada de todas as informações necessárias à fiel comprovação de seu direito.” A Delegacia de Julgamento julgou improcedente a manifestação, em decisão assim ementada: “PROVA DOCUMENTAL . APRESENTAÇÃO. A apresentação de prova documental deve ser feita durante a fase de impugnação, precluindo o direito de a interessada fazêlo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna por motivo de força maior, refirase a fato ou a direito superveniente ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR . ESTIMATIVA DE CSLL. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO APRESENTADA NA VIGÊNCIA DA IN SRF N° 460, DE 2004. OBRIGATORIEDADE DE UTILIZAÇÃO NA DEDUÇÃO DA CONTRIBUIÇÃO DE VIDA AO FINAL DO PERÍODO DE APURAÇÃO OU PARA COMPOR O SALDO NEGATIVO DE CSLL DO PERÍODO . Aplicase à declaração de compensação apresentada na vigência da IN SRF n° 460, de 2004, a obrigatoriedade de utilização da estimativa de CSLL paga indevidamente ou a maior na dedução da contribuição devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de CSLL do período. Fl. 164DF CARF MF Impresso em 24/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 24/03 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES 4 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO . ESTIMATIVA DE CSLL.VEDAÇÃO À UTILIZAÇÃO COMO DIREITO CREDITÓRIO. Havendo vedação à utilização de estimativa de CSLL como direito creditório oriundo de pagamento indevido ou a maior, é de se confirmar a não homologação da compensação declarada nos autos. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” Contra a decisão, interpôs a contribuinte o presente Recurso Voluntário, em que reitera os argumentos tecidos na impugnação. É o relatório. Voto Conselheira SELENE FERREIRA DE MORAES A contribuinte foi cientificada por via postal, tendo recebido a intimação em 04/07/2011 (AR de fls. 89). O recurso foi protocolado em 02/08/2011, logo, é tempestivo e deve ser conhecido. Este colegiado já manifestou diversas vezes seu entendimento no sentido de que a opção pelo pagamento mensal por estimativa difere para o ajuste anual a possibilidade de os pagamentos efetuados se caracterizarem como indevidos. Ocorre porém que, em 8 de dezembro de 2011 foi publicada a Solução de Consulta Interna Cosit nº 19, cuja ementa a seguir transcrevemos: Estimativas. Pagamento indevido ou a maior.Restituição e compensação. O art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicandose, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1º de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa. Caracterizase como indébito de estimativa inclusive o pagamento a maior ou indevido efetuado a este título após o encerramento do período de apuração, seja pela quitação do débito de estimativa de dezembro dentro do prazo de vencimento, seja pelo pagamento em atraso da estimativa devida referente a qualquer mês do período, realizado em ano posterior ao do período da estimativa apurada, mesmo na hipótese de a restituição ter sido solicitada ou a compensação declarada na Fl. 165DF CARF MF Impresso em 24/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 24/03 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10940.901190/200964 Acórdão n.º 180301.181 S1TE03 Fl. 3 5 vigência das IN SRF nº 460, de 2004, e IN SRF nº 600, de 2005. A nova interpretação dada pelo art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, aplicase inclusive aos PER/DCOMP retificadores apresentados a partir de 1º de janeiro de 2009, relativos a PER/DCOMP originais transmitidos durante o período de vigência da IN SRF nº 460, de 2004, e IN SRF nº 600, de 2005, desde que estes se encontrem pendentes de decisão administrativa.” Por sua vez, o art. 100 do CTN assim dispõe: “Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: I os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas; II as decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa, a que a lei atribua eficácia normativa; III as práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas; IV os convênios que entre si celebrem a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios. Parágrafo único. A observância das normas referidas neste artigo exclui a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo.” Apesar da solução de consulta não ter eficácia normativa, não se pode negar que ela reflete a prática que será observada pelas autoridades administrativas a partir de sua edição, sendo portanto uma norma complementar nos termos do art.100 do CTN . Do ponto de vista processual, poderíamos até afirmar que não há mais litígio, uma vez, que a administração acabou de acolher integralmente os argumentos da recorrente. Há lide quando ocorre uma pretensão resistida. Por isso, transcrevo voto do Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, proferido na sessão de 16 de janeiro de 2012, quando do julgamento de processo do mesmo contribuinte: “6. Entendeu, porém, aquela decisão que “o recolhimento efetuado em 31/10/2006 somente poderia ter sido utilizado na dedução da CSLL devida em 31/12/2006 ou para compor o saldo negativo de CSLL do anocalendário de 2006” (fls. 91verso, item 10). 7. Sucede que esse entendimento não pode, por óbvio, alcançar os valores pagos a título nenhum os denominados “pagamentos sem causa” , já que somente se pode ter como estimativa o que a lei assim estabelecer, e não o que o sujeito passivo, por equívoco, pretender que o seja. 8. Se “tributo”, na forma do art. 3º do Código Tributário Nacional – CTN (Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966), Fl. 166DF CARF MF Impresso em 24/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 24/03 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES 6 corresponde a uma “prestação pecuniária compulsória”, e mais, “instituída por lei”, tudo o que é recolhido pelo sujeito passivo e que venha a extrapolar o “devido em face da legislação tributária aplicável” (art. 165, I, do CTN), tributo não é, configurandose meramente como um pagamento indevido. 9. Igual raciocínio é válido para a sistemática de recolhimento por estimativas: estas apenas podem ser consideradas a esse título se limitadas ao legalmente previsto na norma específica (art. 2º da Lei nº 9.430, de 1996). 10. Dito de outro modo: não é porque o sujeito passivo optou pela sistemática de apuração anual com antecipações mensais calculadas de forma estimada que qualquer valor que este venha a recolher passará, inexoravelmente, a ser considerado e tratado como se fora estimativa. 11. É bem de se ver que, somente as estimativas devidas na forma do art. 2º da Lei nº 9.430, de 1996, são passíveis de dedução na apuração anual do IRPJ ou da CSLL. 12. A esse mesmo entendimento, aliás, chegou a Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), ao suprimir em boa hora do art. 11 da Instrução Normativa SRF nº 900, de 30 de dezembro de 2008, restrição que existia nesse sentido, oriunda do art. 10 das Instruções Normativas SRF nºs 460, de 18 de outubro de 2004, e 600, de 28 de dezembro de 2005. 13. Sendo esse ato meramente interpretativo (interpretação das normas materiais que definem a formação e a constituição do indébito na apuração anual do IRPJ ou da CSLL), retroage ele para atingir as situações anteriores à sua edição. 14. De se recordar, por oportuno, que a própria RFB reconhece a possibilidade de restituição de pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal antes da vigência da IN SRF nº 460, de 2004, conforme se verifica pela leitura de observação presente no Ajuda do programa gerador do Per/Dcomp 4.3: OBS.: Anteriormente à IN SRF nº 460/2004, não era obrigatória a utilização de pagamento indevido ou a maior de CSLL a título de estimativa mensal na dedução da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve o pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de CSLL do período. Assim, o valor pago a maior a título de estimativa de CSLL de janeiro/2004 (R$ 400,00) poderá ser objeto de Pedido de Restituição ou de Declaração de Compensação, pois não foi lançado na DIPJ. 15. Mencionamse, a respeito, os seguintes precedentes administrativos: RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA A MAIOR QUE O DEVIDO O valor do recolhimento a título de estimativa maior que o devido segundo as regras a que está submetido o lucro real anual, é passível de compensação/restituição, a partir do mês seguinte. O valor que está vinculado à apuração no final do ano é a estimativa recolhida de acordo com a legislação de regência do referido Fl. 167DF CARF MF Impresso em 24/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 24/03 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10940.901190/200964 Acórdão n.º 180301.181 S1TE03 Fl. 4 7 sistema.(Acórdão nº 10515.943, da Quinta Câmara Sessão de 17 de agosto de 2006) [...]. ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR.. COMPENSAÇÃO. ADMISSIBILIDADE. Somente são dedutíveis do IRPJ apurado no ajuste anual as estimativas pagas em conformidade com a lei. O pagamento a maior de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento e, com o acréscimo de juros à taxa SELIC, acumulados a partir do mês subsequente ao do recolhimento indevido, pode ser compensado, mediante apresentação de DCOMP. Eficácia retroativa da Instrução Normativa RFB nº 900/2008. (Acórdão nº 110100.330, da 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 1ª Seção Sessão de 9 de julho de 2010) 16. Daquele primeiro precedente, transcrevo os seguintes excertos: A tese defendida pela Turma da DRJ é verdadeira, sim, mas somente em relação ao valor recolhido a título de estimativa dentro das normas que regem tal sistema. Os valores corretamente calculados conforme as regras da estimativa realmente só podem ser compensados quando da apuração do lucro real anual ou base de cálculo da CSLL também anual conforme inciso IV do § 3º do artigo 2º da Lei nº 9.430. A lei, no entanto, não vincula valores recolhidos além do devido como estimativa à apuração anual, pois o inciso IV do § 3º do artigo 2º da Lei 9.430/96, vinculou o valor “do imposto de renda pago na forma deste artigo”, ou seja, no valor exato devido como estimativa, nada disse a respeito de valores excedentes, logo temos uma interpretação restritiva, sem base em lei. Talvez o engano, tanto da DRF como da DRJ foi o de entender a vinculação do valor da estimativa ao apurado no final do ano, de fato têm razão quanto ao valor devido a esse título, porém quanto a quaisquer outros valores recolhidos indevidamente, temos que seguir as normas do CTN, artigo 165 do CTN, verbis: [...]. Cabe ressaltar que a legislação não estabeleceu que quaisquer recolhimentos a maior que os estabelecidos pelas regras da estimativa seriam considerados antecipação daquele a ser apurado no final do ano. Logo, não cabe a interprete restringir o que o legislador não o fez, lembrando que não estamos tratando de nenhuma das hipóteses previstas no artigo 111 do CTN. Assim, conheço do recurso e, no mérito, doulhe provimento. Fl. 168DF CARF MF Impresso em 24/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 24/03 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES 8 17. Destaco, por fim, a Solução de Consulta Interna Cosit nº 19, de 5/12/2011, assim ementada: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. O art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicandose, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1º de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa. 18. Cumpre ressaltar, porém, que a interpretação aqui exposta tem por pressuposto a ocorrência de erro no cálculo ou no recolhimento da estimativa, não abrangendo a mera mudança de opção (com base na receita bruta e acréscimos ou em balanços ou balancetes de suspensão ou redução). 19. Claro está, também, que o sujeito passivo, quando do encerramento do anocalendário, deve confrontar, apenas, as estimativas que considerou devidas, sob pena de duplo aproveitamento do mesmo crédito. 20. Dessa forma, a homologação expressa exige que o sujeito passivo comprove, perante a autoridade administrativa que o jurisdiciona: (a) o erro cometido no cálculo ou no recolhimento da estimativa; (b) a sua adequação para a formação do indébito; e (c) a correspondente disponibilidade, mediante prova de que já não se valeu desse indébito para liquidação da CSLL devida no ajuste anual ou para formação do correspondente saldo negativo. Ante todo o exposto, dou provimento parcial ao recurso, para reconhecer a possibilidade de formação de indébitos em recolhimentos por estimativa, devendo os autos retornarem à unidade de origem para análise do mérito do pedido (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes Fl. 169DF CARF MF Impresso em 24/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 24/03 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES
score : 1.0
Numero do processo: 10855.003085/2002-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 19 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Feb 09 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 1998
NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA.
Comprovada a regularidade do procedimento fiscal, porque atendeu aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN, bem como os requisitos do art. 10 do Decreto n° 70.235/1972, não há que se cogitar em nulidade do lançamento.
AUDITORIA DE DCTF. FALTA DE COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO.
Na falta de comprovação de pagamento, o qual não foi localizado nos sistemas da Receita Federal do Brasil, deve ser mantida a exigência fiscal.
Numero da decisão: 2202-003.625
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, vencido o Conselheiro Dilson Jatahy Fonseca Neto, que deu provimento integral ao recurso.
Assinado digitalmente
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Márcio Henrique Sales Parada, Martin da Silva Gesto, Rosemary Figueiroa Augusto, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Cecília Dutra Pillar, Dílson Jatahy Fonseca Neto e José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado).
Nome do relator: MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201701
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Ano-calendário: 1998 NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. Comprovada a regularidade do procedimento fiscal, porque atendeu aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN, bem como os requisitos do art. 10 do Decreto n° 70.235/1972, não há que se cogitar em nulidade do lançamento. AUDITORIA DE DCTF. FALTA DE COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO. Na falta de comprovação de pagamento, o qual não foi localizado nos sistemas da Receita Federal do Brasil, deve ser mantida a exigência fiscal.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Feb 09 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10855.003085/2002-51
anomes_publicacao_s : 201702
conteudo_id_s : 5677640
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Feb 09 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 2202-003.625
nome_arquivo_s : Decisao_10855003085200251.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
nome_arquivo_pdf_s : 10855003085200251_5677640.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, vencido o Conselheiro Dilson Jatahy Fonseca Neto, que deu provimento integral ao recurso. Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Márcio Henrique Sales Parada, Martin da Silva Gesto, Rosemary Figueiroa Augusto, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Cecília Dutra Pillar, Dílson Jatahy Fonseca Neto e José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado).
dt_sessao_tdt : Thu Jan 19 00:00:00 UTC 2017
id : 6645225
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:55:57 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048948269121536
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1637; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 234 1 233 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10855.003085/200251 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2202003.625 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 19 de janeiro de 2017 Matéria IRRF Auditoria de DCTF Recorrente METSO BRASIL INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 1998 NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. Comprovada a regularidade do procedimento fiscal, porque atendeu aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN, bem como os requisitos do art. 10 do Decreto n° 70.235/1972, não há que se cogitar em nulidade do lançamento. AUDITORIA DE DCTF. FALTA DE COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO. Na falta de comprovação de pagamento, o qual não foi localizado nos sistemas da Receita Federal do Brasil, deve ser mantida a exigência fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, vencido o Conselheiro Dilson Jatahy Fonseca Neto, que deu provimento integral ao recurso. Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Márcio Henrique Sales Parada, Martin da Silva Gesto, Rosemary Figueiroa Augusto, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Cecília Dutra Pillar, Dílson Jatahy Fonseca Neto e José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 00 30 85 /2 00 2- 51 Fl. 234DF CARF MF 2 Por bem descrever os fatos, reproduzo abaixo o relatório da Resolução nº 2102000.201, da 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, de 11/03/2015: Tratase de Recurso Voluntário interposto por METSO BRASIL INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA, em face de acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, assim ementado: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 05/11/1997 DCTF. AUDITORIA INTERNA. AUTO DE INFRAÇÃO. ERRO NO PREENCHIMENTO DA DCTF. PAGAMENTOS. NÃO COMPROVADOS. Não comprovada a alegação de erro no preenchimento da DCTF e não localizados os pagamentos vinculados, é de se manter o lançamento. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Foi lavrado o Auto de Infração nº 0002848/2002 (fl. 70), em face da empresa SVEDALA FAÇO LTDA, que posteriormente passou a se chamar METSO BRASIL INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA, como demonstra a Alteração Contratual de fls. 100. O citado Auto de Infração, no valor inicial de R$116.795,85, foi originado de Auditoria Interna em Declaração de Contribuições e Tributos Federais DCTF, que indicou que alguns pagamentos relativos ao período do quarto trimestre de 1997 foram recolhidos fora do prazo (valor de R$99.721,99) e outro não foi localizado (valor de R$6.430,43). Inconformada com a exigência fiscal, a contribuinte apresentou a impugnação (fls. 3 a 32) com as seguintes razões de defesa: Alegou que o lançamento resulta de revisão de DCTF e, por se tratar de revisão, seria obrigatória a intimação prévia do contribuinte para prestar esclarecimentos, o que não ocorreu. Arguiu, então, a nulidade do Auto de Infração; Alegou que a Delegacia de Julgamento deve se declarar impedida de julgar o mérito, uma vez que, se assim o fizer, estará realizando o trabalho da fiscalização, suprimindo um grau de jurisdição; Alegou que não foram cumpridas as normas pertinentes ao procedimento de cobrança, exigindo multa e juros sobre o que foi pago tempestivamente, não observando os princípios de eficiência e da moralidade administrativa, previstos no art. 37 da Constituição Federal; Alegou que o lançamento deveria ser efetuado somente após a apresentação de esclarecimentos pelo interessado, quanto a eventuais irregularidades, o que não foi feito; Fl. 235DF CARF MF Processo nº 10855.003085/200251 Acórdão n.º 2202003.625 S2C2T2 Fl. 235 3 Alegou ofensa ao art. 6º, X, do Código de Defesa do Consumidor e ao art. 354 do Código de Processo Civil e abuso de autoridade, além da ilegalidade do lançamento por inobservância do devido processo legal, pois não comprovada existência de diferença apurada, mas tão somente inconsistência do programa de revisão eletrônico de DCTF, que não tem competência legal para a revisão do lançamento; Alegou, também, violação ao art. 3º da Lei nº 9.784/99, que determina a facilitação do exercício dos direitos dos administrados e o de apresentar documentos; No mérito, alegou que os recolhimentos foram corretamente efetuados, nos prazos de vencimentos e apresentou guias de DARF para comprovar referidos recolhimentos; Requereu ao final, a nulidade do Auto de Infração, tendo em vista a ausência de oitiva da contribuinte e, caso rejeitada a preliminar, requereu a improcedência do lançamento, uma vez que extinto o aludido crédito tributário pelo pagamento já efetuado; Ainda, caso não acolhidos os pedidos de anulação do Auto de Infração e da improcedência do lançamento, requereu o cancelamento da multa de ofício de 75%, uma vez que, para eventuais recolhimentos após o prazo de vencimento, a penalidade a se aplicar é a multa de mora de 20%, prevista no art. 61, § 2º, da Lei nº 9.430/96, ou a substituição da multa aplicada pelo processo de imputação, nos termos do art. 163 do CTN. Em revisão de ofício (fls. 92 a 93), a Delegacia da Receita Federal em Sorocaba, pelo Serviço de Controle e Acompanhamento Tributário (SETAC), emitiu o Despacho Decisório DRF/SOR/SECAT nº 305/2011, de 29/03/2011, proferindo a seguinte decisão: Considerando todo o exposto e com fundamento no artigo 14 da Lei n° 11.488, de 15 de Junho de 2007, combinado com o artigo 106, inciso II, alínea "c", do CTN, DECIDO cancelar a multa de ofício isolada no valor de R$98.528,30 e manter os valores lançados no anexo III e o valor dos juros não pagos, conforme proposto. Pelo despacho decisório, foi cancelada a multa isolada no valor de R$ 98.528,30 e permaneceram os seguintes créditos tributários: o valor dos juros não pagos de R$ 1.196,69 e o valor lançado sobre o pagamento não encontrado, correspondente a R$ 6.430,43 e seus acréscimos, multa de ofício de 75% e juros de mora calculados até a data da lavratura do Auto de Infração. No referido despacho, em fls. 92, destacase o registro de que, "quanto a falta de recolhimento, foi apresentado uma cópia do recolhimento em fls. 54, entretanto tal pagamento não foi localizado nas pesquisas realizadas em todos os sistemas informatizados da Receita Federal do Brasil". Fl. 236DF CARF MF 4 Ainda sobre essa decisão, registrase que dela tomou conhecimento a Recorrente em 15/04/2011, conforme AR juntado à fl. 96. Na análise das alegações apresentadas em sede de Impugnação, os integrantes da 5ª Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Ribeirão Preto decidiram julgar, por unanimidade de votos, procedente em parte a impugnação, reconhecendo corretas as alegações do interessado quanto aos recolhimentos e/ou erro no preenchimento da DCTF, que justificou a autuação de juros não pagos, mantida, contudo, a autuação em relação aos demais valores, conforme conclusão transcrita a seguir: PAGAMENTOS NÃO LOCALIZADOS – Para a comprovação da extinção do débito de código 0588, do período de apuração 05101997 e vencimento 05/11/1997, no valor de R$ 6.430,43, foi apresentado o DARF de fls 56, onde se verifica a existência de duas autenticações bancárias, sendo que uma está riscada e a outra com data de 05/11/1997. Pesquisa efetuada pela DRF não localizou tal pagamento nos sistemas da Receita Federal do Brasil, conforme informação de fl. 95, ou seja, o documento apresentado não se configura prova do efetivo pagamento do débito e, assim, não pode ser aceito para a comprovação pretendida. (...) Portanto, corretas as alegações do interessado quanto aos recolhimentos e/ou erro no preenchimento da DCTF. De todo o exposto, voto pela procedência parcial da impugnação, mantido o crédito tributário exigido, referente ao débito para o qual o pagamento não foi localizado. Cientificada da referida decisão em 26/09/2012, como atesta o AR de fls. 154, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário em 26/10/2012, por meio do qual contesta a conclusão do acórdão recorrido quanto à parcela mantida, argüindo, em síntese: "Decadência do direito de lançar", ao argumento de que o Despacho Decisório do SECAT constitui "novo lançamento" e que esse lançamento, real e verdadeiro, foi efetuado fora do prazo decadencial, ou seja, mais de 14 anos depois do fato gerador; "Inovação ao feito", ao argumento de que "a base do lançamento eletrônico de 2002: ou era falta de localização ou era declaração inexata. Todavia, AGORA, não se trata mais disso. Agora, tratase de RECUSA DE VALIDADE a DARF rasurado" (fl. 13 do Recurso Voluntário); Fl. 237DF CARF MF Processo nº 10855.003085/200251 Acórdão n.º 2202003.625 S2C2T2 Fl. 236 5 "Cerceamento do direito à ampla defesa", ao argumento de que, somente pela decisão da DRJ, foi trazido "fato novo" ao conhecimento do Recorrente, no caso, a recusa de validade ao DARF apresentado; "Cobrança de tributo extinto pelo pagamento", ao argumento de validade do DARF apresentado, alegando que o documento possui dupla impressão da mesma autenticação, e não dupla autenticação, e que o documento traz todas as informações constantes da DCTF, como nome, período de apuração, código da Receita, data de vencimento e valor do principal, havendo discrepância apenas em erro no preenchimento do CNPJ. Ao final, a Recorrente pede: declaração de improcedência do Auto de Infração; alternativa e sucessivamente, reforma do acórdão atacado para que seja julgada insubsistente a exigência fiscal; alternativa e sucessivamente, cancelada a decisão guerreada por vício de fundamentação, motivação e pela inovação do feito, determinando que seja proferida nova decisão; na eventualidade dos pedidos acima não serem acatados, que seja convertido o julgamento em diligência para verificação e comprovação do pagamento tendo em vista o DARF apresentado pela Recorrente junto ao banco recebedor (ou seu sucessor) em face dos indícios e verossimilhanças das alegações apresentadas; ao final, protesta pela produção de todo tipo de prova admitida em Direito, inclusive pela sustentação oral nos termos regimentais e também pela juntada posterior da declaração do banco sucessor que comprove a veracidade do recolhimento pelo discutido DARF. A 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, na sessão de 11/03/2015, converteu o julgamento em diligência (fls. 196/202), para: (i) intimar a Recorrente a apresentar as provas que dispuser para comprovar o efetivo pagamento e (ii) determinar à autoridade fiscal que verifique a autenticidade do DARF e, caso comprovada a inidoneidade desse comprovante de pagamento, tome as providências legais cabíveis. Conforme despacho de fl. 232, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Sorocaba, em atendimento à diligência solicitada, informou o seguinte: Com a finalidade de atender à Resolução nº 2102000.201 do CARF(fls.196/202), que converteu o julgamento do recurso voluntário em diligência para dirimir controvérsia acerca de arrecadação que não foi confirmada nos sistemas de controle da Fl. 238DF CARF MF 6 RFB, intimamos o contribuinte a apresentar a via original do comprovante de arrecadação. Em 07/10/2015, a via original foi apresentada e retida, mediante lavratura de Termo de Retenção(fl.211), conforme previsto no artigo 8º da Portaria Codac 89/2013. Juntamos cópia do documento de arrecadação retido nas folhas 212/213. Em pesquisas com diversas variantes efetuadas no sistema SIEF Documentos de Arrecadação, não localizamos o registro do documento apresentado. Às fls. 221/224, anexamos telas das pesquisas efetuadas: Consulta aos DARFs recolhidos pelo CNPJ 16.622.284/0001 98 em 05/11/1997. Consulta a todos os recolhimentos registrados no banco 392, agência 0150, em 05/11/1997. Consulta a todos os pagamentos com NI Inválido registrados pela agência 0150 do Banco 392. Consulta a todos os pagamentos no montante de 6.430,43. Consulta pagamentos não inseridos na base e com NI inválido. No Memorando de fl.210, solicitamos à DEINF a verificação de autenticidade do documento de arrecadação apresentado pela empresa. A DEINF intimou o agente arrecadador para certificar o recolhimento(fl.226), e este, em resposta(fl.229), alegou não dispor da comprovação. Em despacho de fl.230, a DEINF/SP restitui o processo ao SECAT/DRF Sorocaba, informando não haver providências a serem tomadas pela SAARF/DEINFSP ante o decurso de prazo superior a 10 anos do suposto recolhimento, não comprovado pela RFB e pelo agente arrecadador. Atendida a diligência, proponho a devolução do presente processo à 1ª Câmara/2ª Turma/CARF/MF/DF para prosseguimento no julgamento do recurso voluntário. Tendo em vista a extinção da 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, o processo foi sorteado para essa 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, para a minha relatoria. É o relatório. Voto Conselheiro MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA Relator O recurso é tempestivo e está dotado dos demais pressupostos legais de admissibilidade, devendo, portanto, ser conhecido. Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão que manteve, em parte, lançamento de ofício, decorrente do Auto de Infração de fls. 72/93, relativo ao Fl. 239DF CARF MF Processo nº 10855.003085/200251 Acórdão n.º 2202003.625 S2C2T2 Fl. 237 7 crédito de R$ 6.430,43, declarado em DCTF, mas cujo pagamento não foi localizado, com acréscimo de juros de mora e multa de 75%. PRELIMINARES Inicialmente, a Recorrente alega "Decadência do Direito de Lançar", sustentando que o Despacho Decisório do SECAT constituise em novo lançamento, efetuado fora do prazo decadencial, ou seja, mais de 14 anos depois do fato gerador. Observase que a ciência pela Contribuinte do Despacho Decisório deuse em 15/04/2011 (fl. 101) e a ciência do Auto de Infração ocorreu em 13/06/2002 (fl. 94). Embora tenha se passado um tempo superior a 5 (cinco) anos entre a ciência do Auto de Infração e o Despacho que revisou o lançamento, não há que se falar em decadência ou em prescrição, tendo em vista o disposto na Súmula CARF nº 11: "Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal". Portanto, não cabe razão à Recorrente. A Contribuinte alega cerceamento do direito de defesa, em face da insuficiência de motivação de fato e de direito. Não lhe assiste razão, porquanto todos os requisitos previstos no art. 10 do Decreto nº 70.235/1972, que regulamenta o Processo Administrativo Fiscal (PAF), foram observados quando da sua lavratura. “Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I – A qualificação do autuado; II – O local, a data e a hora da lavratura; III – A descrição do fato; IV – A disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V – A determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias.” Também não se identificou violação das disposições contidas no artigo 59 do Decreto nº 70.235/72, com as alterações introduzidas pela Lei nº 8.748, de 09 de dezembro de 1993. Art. 59. São nulos: I – os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II – os despachos e decisões proferidas por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. Fl. 240DF CARF MF 8 § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) O Auto de Infração foi lavrado por servidor competente, o sujeito passivo foi devidamente qualificado, foram mencionados os dispositivos legais infringidos e as penalidades aplicáveis, foram discriminados os valores da exigência fiscal, assim como o conteúdo da autuação está especificado. Em resumo, encontramse satisfeitos todos os requisitos legais. Defende, ainda, a Recorrente a ocorrência de inovação no feito, argumentando que a autuação deuse pela não localização do pagamento, mas agora tratase de recusa de validade a DARF rasurado. Pelo Auto de Infração, verificase que não foi localizado o pagamento em questão, o qual constava de DCTF. Em sua defesa, a Recorrente apresentou o DARF e, em diligência interna, que resultou no Despacho Decisório, foi mantido o lançamento, uma vez que não foi identificado o pagamento supostamente comprovado pelo DARF. Não tem razão a Recorrente ao alegar inovação, pois a DRJ mantevese adstrita à análise dos fatos e fundamentos consubstanciados no Auto de Infração, qual seja, a falta de comprovação do pagamento informado em DCTF. Portanto, rejeito as preliminares suscitadas pela Recorrente. MÉRITO Defende a Recorrente a validade do DARF apresentado, alegando que o documento possui dupla impressão da mesma autenticação, e não dupla autenticação, e que traz todas as informações constantes da DCTF, como nome, período de apuração, código da Receita, data de vencimento e valor do principal, havendo discrepância apenas em erro no preenchimento do CNPJ. No DARF apresentado (fl. 56) consta o nome da Recorrente à época do fato, Svedala Faço Ltda., o período de apuração de 31/10/1997, o código da Receita 0588, o vencimento em 05/11/1997 e o valor do principal correspondente a R$ 6.430,43. Sobre o CNPJ informado, apesar de a Recorrente alegar que se trata de número equivocado, observase que, de fato, o número informado está certo, conforme comprovam os atos societários da Requerida, juntados às fls. 105/139. Cabe destacar, no referido DARF, a existência de três autenticações, sendo duas idênticas e uma diferenciada, mas todas referentes ao mesmo valor de R$ 6.430,43. Ressaltese, ainda, que se encontra riscada a autenticação diferenciada. Em atendimento à diligência solicitada, a autoridade fiscal concluiu o seguinte: Em pesquisas com diversas variantes efetuadas no sistema SIEF Documentos de Arrecadação, não localizamos o registro do Fl. 241DF CARF MF Processo nº 10855.003085/200251 Acórdão n.º 2202003.625 S2C2T2 Fl. 238 9 documento apresentado. Às fls. 221/224, anexamos telas das pesquisas efetuadas: Consulta aos DARFs recolhidos pelo CNPJ 16.622.284/0001 98 em 05/11/1997. Consulta a todos os recolhimentos registrados no banco 392, agência 0150, em 05/11/1997. Consulta a todos os pagamentos com NI Inválido registrados pela agência 0150 do Banco 392. Consulta a todos os pagamentos no montante de 6.430,43. Consulta pagamentos não inseridos na base e com NI inválido. No Memorando de fl.210, solicitamos à DEINF a verificação de autenticidade do documento de arrecadação apresentado pela empresa. A DEINF intimou o agente arrecadador para certificar o recolhimento(fl.226), e este, em resposta(fl.229), alegou não dispor da comprovação. Em despacho de fl.230, a DEINF/SP restitui o processo ao SECAT/DRF Sorocaba, informando não haver providências a serem tomadas pela SAARF/DEINFSP ante o decurso de prazo superior a 10 anos do suposto recolhimento, não comprovado pela RFB e pelo agente arrecadador. Atendida a diligência, proponho a devolução do presente processo à 1ª Câmara/2ª Turma/CARF/MF/DF para prosseguimento no julgamento do recurso voluntário. Vêse, portanto, que, apesar dos esforços desprendidos pelo Fisco, não foi possível atestar a autenticidade do DARF em questão, tanto porque ele não consta dos sistemas da Receita Federal do Brasil, como porque o agente arrecadador não teve condições de prestar informações, em função do decurso de prazo superior a 10 anos. Registrese que a Contribuinte também não logrou efetuar a comprovação do pagamento por outros meios, apesar de intimada para tanto (fl. 204). Assim, considerando que o pagamento não foi localizado nos sistemas de pagamento da Receita Federal do Brasil, além da existência de rasuras no DARF em questão, entendo que não restou comprovado o seu recolhimento aos cofres públicos. Dessa forma, voto por NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Relator Fl. 242DF CARF MF 10 Fl. 243DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10860.720057/2008-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 06 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon May 15 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2005
ITR. ÁREA DE INTERESSE ECOLÓGICO. ISENÇÃO.
Comprovado, através do que consta dos autos, estar o imóvel inserido em área de interesse ecológico, assim declarada mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, para a proteção à flora, à fauna, às belezas naturais, bem como para garantir sua utilização a objetivos educacionais, recreativos e científicos, visto estar inserida no Parque Estadual da Serra do Mar, a área deve ser excluída da tributação em conformidade com o art. 10, §1º, II, b, da Lei n.º 9.393/96. Neste caso, o ADA não é o único meio de prova, podendo a comprovação ser realizada por outros documentos.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2202-003.814
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcio Henrique Sales Parada - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: MARCIO HENRIQUE SALES PARADA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201704
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2005 ITR. ÁREA DE INTERESSE ECOLÓGICO. ISENÇÃO. Comprovado, através do que consta dos autos, estar o imóvel inserido em área de interesse ecológico, assim declarada mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, para a proteção à flora, à fauna, às belezas naturais, bem como para garantir sua utilização a objetivos educacionais, recreativos e científicos, visto estar inserida no Parque Estadual da Serra do Mar, a área deve ser excluída da tributação em conformidade com o art. 10, §1º, II, b, da Lei n.º 9.393/96. Neste caso, o ADA não é o único meio de prova, podendo a comprovação ser realizada por outros documentos. Recurso Voluntário Provido.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon May 15 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10860.720057/2008-18
anomes_publicacao_s : 201705
conteudo_id_s : 5720428
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon May 15 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 2202-003.814
nome_arquivo_s : Decisao_10860720057200818.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : MARCIO HENRIQUE SALES PARADA
nome_arquivo_pdf_s : 10860720057200818_5720428.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. (assinado digitalmente) Marcio Henrique Sales Parada - Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar e Marcio Henrique Sales Parada.
dt_sessao_tdt : Thu Apr 06 00:00:00 UTC 2017
id : 6750972
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:59:38 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048948278558720
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1663; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 261 1 260 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10860.720057/200818 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2202003.814 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 06 de abril de 2017 Matéria ITR Recorrente ABRÃO FARAH DE LEMOS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2005 ITR. ÁREA DE INTERESSE ECOLÓGICO. ISENÇÃO. Comprovado, através do que consta dos autos, estar o imóvel inserido em área de interesse ecológico, assim declarada mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, para a proteção à flora, à fauna, às belezas naturais, bem como para garantir sua utilização a objetivos educacionais, recreativos e científicos, visto estar inserida no Parque Estadual da Serra do Mar, a área deve ser excluída da tributação em conformidade com o art. 10, §1º, II, b, da Lei n.º 9.393/96. Neste caso, o ADA não é o único meio de prova, podendo a comprovação ser realizada por outros documentos. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Presidente. (assinado digitalmente) Marcio Henrique Sales Parada Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar e Marcio Henrique Sales Parada. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 0. 72 00 57 /2 00 8- 18 Fl. 261DF CARF MF Processo nº 10860.720057/200818 Acórdão n.º 2202003.814 S2C2T2 Fl. 262 2 Relatório Adoto como relatório, em parte, aquele utilizado por ocasião da Resolução nº 2202000.700, desta Turma Ordinária, de 16 de junho de 2016, complementandoo ao final (fl. 250): Contra o interessado supra foi lavrada a Notificação de Lançamento e respectivos demonstrativos de fls. 01 a 06, por meio do qual se exigiu o pagamento do ITR do Exercício 2005, acrescido de juros moratórios e multa de ofício, totalizando o crédito tributário de R$ 191.981,30, relativo ao imóvel rural denominado "Fazenda Herança Divina", com área de 930,5 ha, NIRF 0.795.2740, localizado no município de Ubatuba/SP. Constou da Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal a citação da fundamentação legal que amparou o lançamento e as seguintes informações, em suma: que, a declaração de ITR do interessado incidiu em malha fiscal nos parâmetros áreas não tributáveis e cálculo do valor da terra nua; após regularmente intimado e transcorrido o prazo fixado, o interessado não apresentou os documentos solicitados que comprovassem as informações contidas em sua declaração, objeto de análise pelo Grupo de Malha Fiscal. O sujeito passivo informou que o imóvel serve como local de subsistência dele, de sua família e empregados. Solicitou, ainda, dispensa dos documentos solicitados. Pela ausência de Laudo Técnico e Ato Declaratório Ambiental, a área declarada como de preservação permanente foi glosada bem como não foi apresentado o Laudo de Avaliação do Imóvel Rural, o VTN declarado foi modificado com base nas informações constantes do Sistema de Preços de Terras SIPT, mantido pela Receita Federal do Brasil. Cientificado do lançamento, por via postal, em 05/11/2008, conforme fl. 78, o interessado apresentou a impugnação de fls. 51 a 54, em 01/12/2008, alegando, em síntese, que: • Em 20 de agosto de 2008, protocolou na Receita Federal os documentos necessários para comprovar que o imóvel rural encontrase em área considerada de preservação permanente; • Os documentos apresentados foram expedidos pelo governo federal, de total credibilidade, não restando quaisquer dúvidas de que o imóvel está inserido em sua quase totalidade em área de preservação permanente, sendo corroborado pelo Ato Declaratório Ambiental ADA, emitido em 27/09/2009; • Só tomou conhecimento da necessidade de elaborar o ADA, ao receber o Termo de Intimação Fiscal; • Anexa aos autos, Certidões expedidas pelo Instituto de Terras e do Governo do Estado de São Paulo, Planta, Relatório de Vistoria Técnica, do Instituto Florestal Núcleo Picinguaba, Fl. 262DF CARF MF Processo nº 10860.720057/200818 Acórdão n.º 2202003.814 S2C2T2 Fl. 263 3 Boletim de Ocorrência Ambiental, entre outros, que comprovam que a propriedade está inserida no Parque Estadual da Serra do Mar; • Está sem explorar o imóvel desde 1999, embora estando na posse da propriedade, pois ainda não recebeu indenização, motivo pelo qual, não possui condições para arcar com o pagamento do imposto, juros e multa de ofício; • Não deve o valor do imposto suplementar, porque os imóveis de sua propriedade são totalmente inexploráveis por estarem inseridos dentro do Parque Estadual da Serra do Mar; • Requer cancelamento da Notificação de Lançamento, em virtude de erro no preenchimento da declaração e, em sendo o caso, da autorização do órgão para providenciar junto ao Ibama o ADA dos exercícios anteriores, por medida de justiça. O julgamento recorrido assim analisou, em resumo, a questão: a) O presente processo versa sobre a glosa total da área de preservação permanente declarada em virtude de o contribuinte não ter apresentado à fiscalização os documentos que foram solicitados no Termo de Intimação Fiscal. Nesta fase, basicamente, a interessada pretende que seja considerada isenção relativa a área do imóvel, porque ele estaria integralmente inserido no Parque Estadual da Serra do Mar, fato que tornaria legítimo o cabimento da isenção, sem necessidade de exigências para tal, e para justificar seus argumentos anexou documentos. Para comprovar estes tipos de preservação permanente bastaria a apresentação de laudo técnico elaborado por profissional habilitado, acompanhado de ART, atentando a existência de florestas, com as dimensões e locais listados de conformidade com a legislação. Além da comprovação da existência da APP, seja mediante laudo técnico e/ou ato específico é indispensável a comprovação da regularização dessas áreas junto ao Ibama, através do ADA, protocolado dentro do prazo legal para o exercício analisado. Não há possibilidade de procederse a apresentação de ADA, de um ou mais exercícios anteriores por não haver retroatividade desse documento. Em que pesem as argumentações do contribuinte, mas não atendido o requisito de protocolização tempestiva do ADA perante o Ibama, apresentação do Laudo Técnico e Ato Específico, a pretensa área de preservação permanente ficará sujeita à tributação. b) No que pertine ao Valor da Terra Nua considerado no lançamento, o interessado nada questionou e a matéria está preclusa, nos termos do artigo 17 do Decreto nº 70.235, de 1972. c) Quanto à multa de 75% exigida no lançamento de ofício, encontra previsão no art. 44,1, da Lei n.° 9.430/1996, combinado com o art. 14, § 2 o da Lei n.° 9.393/1996. Quanto aos juros, o Código Tributário Nacional, em seu artigo 161, caput e § 1º , dispôs que o crédito tributário não pago no Fl. 263DF CARF MF Processo nº 10860.720057/200818 Acórdão n.º 2202003.814 S2C2T2 Fl. 264 4 vencimento, qualquer que fosse o motivo da falta, seria acrescido de juros de mora. c) O imposto pago pelo contribuinte, no valor de R$ 103,77, foi devidamente compensado, sendo mantida a exigência na Notificação de Lançamento da diferença apurada, com os devidos acréscimos legais cabíveis no procedimento de ofício. Assim, reputouse improcedente a impugnação apresentada. Cientificado dessa decisão em 01 de abril de 2011 (AR na folha 128), o contribuinte apresentou recurso voluntário (anexado na folha 97 e ss.), onde, em síntese, assim manifesta sua inconformidade com o acórdão recorrido: a) Requer seja citada a Fazenda do Estado de São Paulo, para integrar a lide, vez que a totalidade do imóvel foi por ela desapropriada para a implantação do Parque Estadual da Serra do Mar, pelo Decreto n° 10.251/77. Logo, se há um devedor esse é a própria Fazenda do Estado de São Paulo. Citando lide judicial entre ele e a Fazenda do Estado de São Paulo, diz que na realidade o imóvel objeto do presente Recurso pertence ao Estado, conforme comprova o Acórdão ora anexo. b) Requer ao CARF que se digne Julgar nulo o lançamento efetuado, uma vez que, no caso, o próprio Decreto Estadual n° 10.251/1977, substitui o ADA, por ser ato emanado do próprio Governo Estadual, logo, é merecedor de toda a credibilidade, de que todo o imóvel do Recorrente é de preservação permanente, reserva legal, de interesse ecológico e imprestável para qualquer exploração agrícola, motivo de excluirse da área tributável. c) Diz que embora não tenha apresentado o ADA em tempo hábil para comprovar que o imóvel objeto desta autuação é área de preservação permanente, reserva legal, de interesse ecológico e imprestável para qualquer exploração agrícola, não muda o fato de a área estar realmente preservada pelo próprio Decreto Estadual. d) Por estar o imóvel improdutivo, não tem como o Recorrente arcar com o exorbitante do valor fixado de ITR, mormente porque sua área foi objeto de desapropriação indireta, por força do Decreto n° 10.251/77 e até a presente data, ainda não recebeu o valor que lhe é devido pelo Estado de São Paulo. PEDE que se traga ao no pólo passivo a Fazenda Estadual, tendo em vista a Ação de Interdito Proibitório acima citada, ou então que seja anulado o lançamento, mas, se assim não se entender, espera e requer que seja acolhido o presente recurso voluntário, para cancelarse o débito reclamado. O recurso foi encaminhado a este CARF que proferiu Resolução a fim de que o julgamento fosse convertido em diligência, nos seguintes termos: Fl. 264DF CARF MF Processo nº 10860.720057/200818 Acórdão n.º 2202003.814 S2C2T2 Fl. 265 5 "Entretanto, para a escorreita aplicação do direito em tela e para que não restem dúvidas de que as áreas declaradas pela Recorrente efetivamente configuramse como de Preservação Permanente, prestigiandose o princípio da verdade material que rege os procedimentos administrativos, é imperioso que o presente processo seja baixado em diligência para que o órgão ambiental em questão informe se a área do imóvel objeto do lançamento se encontra dentro do Parque Estadual da Serra do Mar". Foi cumprida a diligência, com comunicação entre a Unidade da RFB preparadora e os órgãos de competência sobre meio ambiente do Estado de São Paulo, restituindose o processo ao CARF nos seguintes termos: "Em atenção à Resolução 2801000.085 de 30 de novembro de 2011 às fls 130 a 133 foi juntado o Ofício Resposta da Fundação Florestal às fls 206. Isto posto, restituo o presente processo à 2ª Seção de Julgamento do CARF para continuidade". Ao analisar a questão, resolveuse pela conversão do julgamento em diligência, nos seguintes termos (fl. 254): ... pela conversão do julgamento em diligência para que a Unidade preparadora informe qual a data de protocolo do recurso em questão ou, na impossibilidade de fazêlo, manifeste se expressamente. A Unidade preparadora na fl. 258, informando que o recurso foi encaminhado em 27/04/2011, conforme o Aviso de Recebimento que então anexou, na fl. 256. É o relatório. Voto Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, Relator. O recurso é tempestivo, conforme relatado, e, atendidas as demais disposições legais, dele tomo conhecimento. Primeiro observo que a Autoridade lançadora procedeu de ofício a duas alterações nos dados informados pelo contribuinte em sua DITR: a glosa da área de preservação permanente de 895,5 ha e alteração do VTN declarado para R$ 1.909.702,37 (2.052,34 R$/ha), conforme discriminado nas fls. 74/76, cópia da Notificação de Lançamento. No curso deste processo, o contribuinte questiona apenas a glosa da área (APP), não se manifestando sobre a alteração do VTN, matéria que está, portando, fora do litígio, nos termos do artigo 17, do Decreto nº 70.235, de 1972, como já inclusive destacara a Autoridade Julgadora de 1ª instância. Diz a Lei nº 9.393, de 1996: Fl. 265DF CARF MF Processo nº 10860.720057/200818 Acórdão n.º 2202003.814 S2C2T2 Fl. 266 6 Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: I VTN, o valor do imóvel, excluídos os valores relativos a: a) construções, instalações e benfeitorias; b) culturas permanentes e temporárias; c) pastagens cultivadas e melhoradas; d) florestas plantadas; II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei no 12.651, de 25 de maio de 2012; (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) (Vide art. 25 da Lei nº 12.844, de 2013) b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; c) comprovadamente imprestáveis para qualquer exploração agrícola, pecuária, granjeira, aqüícola ou florestal, declaradas de interesse ecológico mediante ato do órgão competente, federal ou estadual; Assim, referida lei, que dispõe sobre o Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, menciona que para efeitos de apuração do ITR considerarseá “área tributável” a área total do imóvel “menos as áreas de preservação permanente e de reserva legal”. O tamanho da área tributável influi no cálculo e, conseqüentemente, no valor a pagar de ITR. A apresentação do ADA – Ato Declaratório Ambiental, para fins de exclusão das áreas de preservação permanente e reserva legal, que outrora era exigida pela RFB com base em norma infralegal, surgiu no ordenamento jurídico com o art. 1º, da Lei nº 10.165/2000, que incluiu o art. 17O, § 1º na Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, para os exercícios a partir de 2001: Art. 17O Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental – ADA, deverão recolher ao Ibama a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei nº 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria. (...) Fl. 266DF CARF MF Processo nº 10860.720057/200818 Acórdão n.º 2202003.814 S2C2T2 Fl. 267 7 §1º A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória. (grifei) A jurisprudência da Câmara Superior deste CARF já se manifestou em julgamento no Acórdão 9202 – 002.383 (processo: 10120.000407/200628, data 13/03/2013, Relatora Susy Gomes Hoffmann): ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. REQUISITO NECESSÁRIO. A fim de obter a isenção quanto à Área de Preservação Permanente (APP) o sujeito passivo deve apresentar documentação sobre a existência. No presente caso, o sujeito passivo apresentou apenas mapa, sem o devido e necessário Ato Declaratório Ambiental (ADA), motivo da não obtenção de isenção da citada área.(grifei) Recurso Especial do Contribuinte Provido em Parte. O Decreto regulamentador do ITR também possui determinação expressa. Decreto 4.382/2002: Art. 10. Área tributável é a área total do imóvel, excluídas as áreas: I de preservação permanente; II – de reserva legal, ... § 1º A área do imóvel rural que se enquadrar, ainda que parcialmente, em mais de uma das hipóteses previstas no caput deverá ser excluída uma única vez da área total do imóvel, para fins de apuração da área tributável. § 3º Para fins de exclusão da área tributável, as áreas do imóvel rural a que se refere o caput deverão: I ser obrigatoriamente informadas em Ato Declaratório Ambiental ADA, protocolado pelo sujeito passivo no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis IBAMA, nos prazos e condições fixados em ato normativo (Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, art. 17O, § 5º, com a redação dada pelo art. 1º da Lei nº 10.165, de 27 de dezembro de 2000); e(grifei) Primeiramente, antes de nossa análise, cabe ressaltar a importância do Ato Declaratório Ambiental (ADA). O ADA é documento de cadastro das áreas do imóvel rural junto ao IBAMA e das áreas de interesse ambiental e possui como função cadastramento as áreas de interesse ambiental declaradas, permitindo o controle e verificação dessas áreas pelo órgão responsável pela área ambiental. Fl. 267DF CARF MF Processo nº 10860.720057/200818 Acórdão n.º 2202003.814 S2C2T2 Fl. 268 8 Com essa declaração aos órgãos responsáveis, em busca da preservação ambiental dessas áreas, o Estado concede isenção tributária quanto ao ITR. Cabe ressaltar que a isenção tributária, como a incidência, decorre de lei. É o próprio poder público competente para exigir tributo que tem o poder de isentar. É a isenção um caso de exclusão tributária, de dispensa do crédito tributário, conforme determina o I, Art. 175 do Código Tributário Nacional (CTN). Buscase, assim, uma conduta determinada dos cidadãos. No caso, o objetivo é a preservação das áreas em comento, pela fiscalização das áreas informadas pelo ADA e o órgão que possui a qualificação técnica para tal é o Ibama. Desta forma, o objetivo da isenção é estimular a preservação e proteção da flora e das florestas e, conseqüentemente, contribuir para a conservação da natureza e proporcionar melhor qualidade de vida. “O postulado da proporcionalidade exige que o Poder Legislativo e o Poder Executivo escolham, para a realização de seus fins, meios adequados, necessários e proporcionais. Um meio é adequado se promove o fim. Um meio é necessário se, dentre todos aqueles meios igualmente adequados para promover o fim, for o menos restritivo relativamente aos direitos fundamentais. E um meio é proporcional, em sentido estrito, se as vantagens que promove superam as desvantagens que provoca”. (ÁVILA, Humberto. Teoria dos Princípios: da definição á aplicação dos princípios jurídicos. São Paulo: Malheiros, 2003, p. 102) A IN Ibama nº 76, de 31 de outubro de 2005, estabeleceu: “Art. 1º O Ato Declaratório Ambiental ADA representa o cadastro indispensável ao reconhecimento das áreas de preservação permanente e de utilização limitada para fins de isenção do Imposto Territorial Rural ITR”. Observo ainda que a Instrução Normativa nº 76 do Ibama traz considerações importantes sobre o ADA e seu disciplinamento, para justificar a necessidade de padrões e prazos. Abaixo transcrevemos alguns: “ Considerando a necessidade de padronizar o modelo de Ato Declaratório AmbientalADA; Considerando a necessidade de regulamentação das modalidades de apresentação do ADA, para fins de isenção e/ou dedução de Imposto Territorial Rural ITR ; Considerando a necessidade de o Ibama instituir um cadastro das propriedades rurais que possuem áreas de interesse ambiental, mediante apresentação do ADA;...(grifei)” Por fim, a IN Ibama nº 76, de 2005 foi expressamente revogada pela IN Ibama nº 5, de 25 de março de 2009, a qual, entre outras determinações, definiu modelo de laudo técnico de vistoria de campo um dos documentos comprobatórios das declarações prestadas no ADA, passível de ser exigido em momento posterior à apresentação do ADA, Fl. 268DF CARF MF Processo nº 10860.720057/200818 Acórdão n.º 2202003.814 S2C2T2 Fl. 269 9 deixou de contemplar o formulário padrão como um dos modelos de apresentação do ADA e determinou o prazo para a apresentação do ADA bem como de sua retificação: “Art. 1º O Ato Declaratório Ambiental – ADA é documento de cadastro das áreas do imóvel rural junto ao IBAMA e das áreas de interesse ambiental que o integram para fins de isenção do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, sobre estas últimas. (...) Art. 6º O declarante deverá apresentar o ADA por meio eletrônico formulário ADAWeb, e as respectivas orientações de preenchimento estarão à disposição no site do IBAMA na rede internacional de computadores www.ibama.gov.br ("Serviços online"). (...) § 3o O ADA deverá ser entregue de 1º de janeiro a 30 de setembro de cada exercício, podendo ser retificado até 31 de dezembro do exercício referenciado. Assim, a exigência do ADA tem previsão legal. E também está disciplinada e pareceme, a partir do excerto que citamos acima, proporcional e adequada. Entendo que o §7º do artigo 10 da Lei nº 9.393/1996, incluído pela MP nº 2.166/2001, ao dizer que: §7º A declaração para fim de isenção do ITR relativa às áreas de que tratam as alíneas a e d do inciso II, § 1º, deste artigo, não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado que a declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis, referese à questão do lançamento do ITR darse por homologação, nos termos do Art. 150 do CTN, e reputo importante destacar os termos “declaração” e “prévia”. Não é necessário que o contribuinte apresente nenhum documento para que em sua declaração faça constar a informação das áreas isentas, de reserva legal e preservação permanente, e, desta feita, conseqüentemente, apure o imposto devido e faça o recolhimento, cabendo ao Fisco simplesmente chancelar tal apuração, quando a entenda correta, mediante homologação expressa ou tácita. Nenhum ato prévio do Fisco, pois, se faz mister. Contudo, entendendo a autoridade fiscal que se faz necessária comprovação, principalmente no que diz respeito a uma isenção pleiteada pelo declarante, cabe a este atendê la. Quando não o faz, na forma prevista em diploma legal, que, portanto, revestese de todas as Fl. 269DF CARF MF Processo nº 10860.720057/200818 Acórdão n.º 2202003.814 S2C2T2 Fl. 270 10 prerrogativas e formalidades que possamos aqui discutir, é de entenderse que restou não comprovada a veracidade da declaração. O caso concreto, contudo, é diverso. Tratase de imóvel que foi inserido em parque estadual criado por ato do Poder Público. Como consta de cópia anexada nas fls. 112, o governo de São Paulo, mediante o Decreto nº 10.251, de 30 de agosto de 1977, criou o Parque Estadual da Serra do Mar com a finalidade de "assegurar integral proteção à flora, à fauna, ás belezas naturais, bem como para garantir sua utilização a objetivos educacionais, recreativos e científicos." No seu artigo 6º, diz ainda o referido decreto que "ficam declaradas de utilidade pública, para fins de desapropriação, por via amigável ou judicial, as terras do domínio particular abrangidas pelo parque ora criado." Da leitura da decisão recorrida, observase que o julgador lança dúvidas sobre dois pontos: se o imóvel estaria integralmente inserido no parque estadual e se as restrições a que estaria submetido de fato impediriam sua utilização, para que fosse considerado isento. Na folha 193 consta cópia do Ofício 389/2009, emitido pela Fundação Florestal do Estado de São Paulo dizendo que "as áreas mencionadas" estão localizadas dentro dos limites do Parque Estadual da Serra do Mar, criado pelo Decreto Estadual nº 10.251, de 1977. Após a diligência determinada por este CARF e interlocução entre a Fundação Florestal e a Unidade da RFB de jurisdição do imóvel, veio aos autos o Ofício nº 1854/2014, em que é ratificado o Ofício 389/2009, encaminhado ao requerente, para dizer que as áreas mencionadas estão de fato dentro dos limites do Parque Estadual. O acompanhamento da exploração dessas áreas já era feito pelos órgãos de controle ambiental há muito tempo, como demonstram o Boletim de Ocorrência e o processo que se seguiu a ele, em que o contribuinte foi responsabilizado por crime ambiental, por mandar cortar 0,9 ha da área para fazer pastagens (fl. 15 e seguintes). Atestou o Ministério Público Estadual, naquela ocasião, que "o Parque Estadual da Serra do Mar, protegido pela própria Constituição Federal, em seu artigo 225, § 4º, é uma Unidade de Conservação de Proteção Integral."(fl. 19) Assim, existem nos autos documentos que possibilitam concluir que o imóvel declarado está inserido no Parque Estadual da Serra do Mar e que o parque tratase de uma área de proteção integral, onde não é permitida qualquer exploração comercial. Registrese que os Parques (Nacional, Estadual ou Municipal), em conformidade com a Lei nº 9.985, de 18 de julho de 2000, que regulamentou o art. 225, § 1o, incisos I, II, III e VII da Constituição da República Federativa do Brasil e instituiu o Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza – SNUC, são Unidades de Proteção Integral, para as quais só é admitido o uso indireto (aquele que não envolve consumo, coleta, dano ou destruição dos recursos naturais) dos seus atributos naturais. Como se vê, as terras inseridas em parques nacionais não se prestam a qualquer tipo de exploração comercial, posto que seu único objetivo é a preservação de ecossistemas naturais, possibilitando, apenas, a realização de pesquisas científicas e o desenvolvimento de atividades de educação ambiental, de recreação e de turismo ecológico. Fl. 270DF CARF MF Processo nº 10860.720057/200818 Acórdão n.º 2202003.814 S2C2T2 Fl. 271 11 Assim, entendo que a área em questão melhor se enquadra na alínea 'b' do inciso II, artigo 10, da Lei nº 9.393, de 1996, acima copiado. Nesse caso, tornarseia desnecessária, pelos motivos expostos, a exigência do ADA como requisito formal para o reconhecimento da isenção, uma vez que suas finalidades, aqui tratadas, perdem sentido, pois a área já é controlada e acompanhada pelo poder público que cria o Parque, mesmo que ainda não tenha sido efetivamente desapropriada em função do longo processo que se desenvolve. Colho na jurisprudência deste CARF: Acórdão 2801003.079, Sessão de 20 de junho de 2013 Exercício: 2005 ITR. ÁREA DE INTERESSE ECOLÓGICO. Não é tributável o imóvel inteiramente localizado em área de interesse ecológico transformada em Parque Estadual instituído por Decreto Estadual. Recurso Voluntário Provido. Acórdão 2301004.857, Sessão de 22 de setembro de 2016 Exercício 2005, 2006, 2007 ITR. ÁREA DE INTERESSE ECOLÓGICO. 1. Comprovada, através da localização do imóvel, ser área de interesse ecológico, para a proteção dos ecossistemas, visto estar inserida no Parque Estadual Serra do Tabuleiro, deve ser excluída da tributação em conformidade com o art. 10, §1º, II, b, da Lei n.º 9.393/96. 2. Para essa exclusão da APP da tributação, o ADA não é o único meio de prova, podendo a comprovação ser realizada por outros meios, no caso dos autos, mediante Laudo de Vistoria e de Uso do Solo. Acórdão 2102002.515 Exercício:2003 ITR. ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA. PARQUE ESTADUAL. Comprovado o fato de que a propriedade está inserida em Parque Estadual criado por meio de Decreto do Governador do Estado, é lícita a sua exclusão da base de cálculo do ITR, na forma do art. 10, § 1º, inciso II, alínea "b", da Lei nº. 9.393/96. CONCLUSÃO Em face do acima exposto, ressaltando que o contribuinte não impugnou a questão do valor da terra nua (VTN), alterado pela Autoridade Fiscal, VOTO por dar provimento ao recurso para restabelecer, para fins de cálculo do ITR, a área de preservação permanente declarada de 895,5 hectares. Fl. 271DF CARF MF Processo nº 10860.720057/200818 Acórdão n.º 2202003.814 S2C2T2 Fl. 272 12 (assinado digitalmente) Marcio Henrique Sales Parada Fl. 272DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11516.724173/2013-56
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 04 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Apr 27 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2011
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. ARTIGO 124, I DO CTN. INTERESSE COMUM NO FATO GERADOR. INTELIGÊNCIA
O interesse comum no fato gerador ocorre quando há pluralidade de pessoas concorrendo para a prática do fato imponível. Exsurge o interesse comum na relação de trabalho quando há seleção de pessoas, operacionalização da contratação e do pagamento e controle da qualidade da prestação de serviços da pessoa física contratada.
MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICADORA. CABIMENTO.
Para que haja a aplicação do percentual em dobro da multa de ofício é necessário que o Fisco comprove a prática, pelo sujeito passivo, de ação dolosa de sonegação, fraude ou conluio, consoante a disposição da Lei nº 9.430/96 .
PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS REMUNERADOS POR PESSOA FÍSICA. HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA. SUJEIÇÃO PASSIVA.
Existindo prestação de serviços remunerados de pessoa física para outrem, haverá incidência de contribuição social previdenciária, devida não só pelo trabalhador como também pelo tomador dessa prestação de serviços. É sujeito passivo da obrigação tributária aquele a quem o trabalho aproveita, que precisou da prestação de serviços para cumprir sua obrigação.
Numero da decisão: 2201-003.554
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso de ofício para dar-lhe provimento parcial, restabelecendo a responsabilidade solidária da Ordem dos Advogados do Brasil, Seção de Santa Catarina, OAB/SC. Quanto ao recurso voluntário, em conhecê-lo, rejeitar a preliminar de nulidade suscitada, e, no mérito, negar-lhe provimento.
CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA - Presidente.
CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA - Relator.
EDITADO EM: 20/04/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, Jose Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton Da Silva Risso, Carlos Alberto Do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra
Nome do relator: CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201704
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2011 RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. ARTIGO 124, I DO CTN. INTERESSE COMUM NO FATO GERADOR. INTELIGÊNCIA O interesse comum no fato gerador ocorre quando há pluralidade de pessoas concorrendo para a prática do fato imponível. Exsurge o interesse comum na relação de trabalho quando há seleção de pessoas, operacionalização da contratação e do pagamento e controle da qualidade da prestação de serviços da pessoa física contratada. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICADORA. CABIMENTO. Para que haja a aplicação do percentual em dobro da multa de ofício é necessário que o Fisco comprove a prática, pelo sujeito passivo, de ação dolosa de sonegação, fraude ou conluio, consoante a disposição da Lei nº 9.430/96 . PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS REMUNERADOS POR PESSOA FÍSICA. HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA. SUJEIÇÃO PASSIVA. Existindo prestação de serviços remunerados de pessoa física para outrem, haverá incidência de contribuição social previdenciária, devida não só pelo trabalhador como também pelo tomador dessa prestação de serviços. É sujeito passivo da obrigação tributária aquele a quem o trabalho aproveita, que precisou da prestação de serviços para cumprir sua obrigação.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Apr 27 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 11516.724173/2013-56
anomes_publicacao_s : 201704
conteudo_id_s : 5714979
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Apr 27 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 2201-003.554
nome_arquivo_s : Decisao_11516724173201356.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 11516724173201356_5714979.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso de ofício para dar-lhe provimento parcial, restabelecendo a responsabilidade solidária da Ordem dos Advogados do Brasil, Seção de Santa Catarina, OAB/SC. Quanto ao recurso voluntário, em conhecê-lo, rejeitar a preliminar de nulidade suscitada, e, no mérito, negar-lhe provimento. CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA - Presidente. CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA - Relator. EDITADO EM: 20/04/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, Jose Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton Da Silva Risso, Carlos Alberto Do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra
dt_sessao_tdt : Tue Apr 04 00:00:00 UTC 2017
id : 6732941
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:58:52 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048948304773120
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 42; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2011; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 12.133 1 12.132 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11516.724173/201356 Recurso nº De Ofício e Voluntário Acórdão nº 2201003.554 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 04 de abril de 2017 Matéria Contribuições Sociais Previdenciárias Recorrentes ESTADO DE DE SANTA CATARINA PROCURADORIA GERAL DO ESTADO FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2011 RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. ARTIGO 124, I DO CTN. INTERESSE COMUM NO FATO GERADOR. INTELIGÊNCIA O interesse comum no fato gerador ocorre quando há pluralidade de pessoas concorrendo para a prática do fato imponível. Exsurge o interesse comum na relação de trabalho quando há seleção de pessoas, operacionalização da contratação e do pagamento e controle da qualidade da prestação de serviços da pessoa física contratada. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICADORA. CABIMENTO. Para que haja a aplicação do percentual em dobro da multa de ofício é necessário que o Fisco comprove a prática, pelo sujeito passivo, de ação dolosa de sonegação, fraude ou conluio, consoante a disposição da Lei nº 9.430/96 . PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS REMUNERADOS POR PESSOA FÍSICA. HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA. SUJEIÇÃO PASSIVA. Existindo prestação de serviços remunerados de pessoa física para outrem, haverá incidência de contribuição social previdenciária, devida não só pelo trabalhador como também pelo tomador dessa prestação de serviços. É sujeito passivo da obrigação tributária aquele a quem o trabalho aproveita, que precisou da prestação de serviços para cumprir sua obrigação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso de ofício para darlhe provimento parcial, restabelecendo a responsabilidade AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 72 41 73 /2 01 3- 56 Fl. 12133DF CARF MF 2 solidária da Ordem dos Advogados do Brasil, Seção de Santa Catarina, OAB/SC. Quanto ao recurso voluntário, em conhecêlo, rejeitar a preliminar de nulidade suscitada, e, no mérito, negarlhe provimento. CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Presidente. CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Relator. EDITADO EM: 20/04/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, Jose Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton Da Silva Risso, Carlos Alberto Do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra Relatório Tratase de recurso de ofício e voluntário interpostos contra a decisão de primeiro grau que manteve parcialmente o crédito tributário constituído por meio de auto de infração (folhas 03 do processo digitalizado), referente às contribuições previdenciárias . Os motivos ensejadores do lançamento tributário se encontram no Relatório Fiscal (fls 24). Na ação fiscal foram constituídos os seguintes documentos de crédito: · Auto de Infração Debcad n° 51.053.8657, no valor de R$ 18.337.013,80, atualizado até dezembro de 2013, referente ao valor do tributo, juros e multa de ofício, relativo à contribuição patronal incidente sobre os valores pagos, no período de janeiro de 2009 até março de 2011, aos segurados contribuintes individuais, constante do presente processo administrativo. · Auto de Infração Debcad n° 51.053.8665, no valor de R$ 6.854.094,62, atualizado até dezembro de 2013, referente ao valor do tributo, juros e multa de ofício, relativo à contribuição não descontada do segurado incidente sobre os valores pagos, no período de janeiro de 2009 até março de 2011, aos contribuintes individuais, constante do presente processo administrativo. · Auto de Infração Debcad n° 51.053.8673, no valor de R$ 4.432.113,30, atualizado até dezembro de 2013, referente ao valor do tributo, juros e multa de ofício, relativo à contribuição descontada do segurado incidente sobre os valores pagos, no período de janeiro de 2009 até março de 2011, aos contribuintes individuais, constante do presente processo administrativo · No processo administrativo 11516.724172/201310 foram lançados os valores relativos à contribuição patronal e do segurado incidente Fl. 12134DF CARF MF Processo nº 11516.724173/201356 Acórdão n.º 2201003.554 S2C2T1 Fl. 12.134 3 sobre os valores pagos, no período de janeiro até dezembro de 2008, aos contribuintes individuais. · No processo administrativo 11516.724175/201345 foram lançados os valores relativos à contribuição patronal e do segurado incidente sobre os valores pagos, no período de maio de 2011até dezembro de 2012, aos contribuintes individuais O crédito constituído, como dito, referese ao período de janeiro de 2009 a março de 2011 e se aperfeiçoou com a ciência pessoal do contribuinte e do responsável solidário, em 17 de dezembro de 2013. Irresignados, o contribuinte e o devedor solidário apresentam, tempestivamente, impugnação ao lançamento (fls. 10599 e 10671, respectivamente), em 15 de janeiro de 2014. A 7ª Turma da DRJ em Ribeirão Preto, em 24 de junho de 2014, dá parcial procedência à impugnação apresentada, proferindo a decisão consubstanciada no Acórdão de Impugnação 1451.077 (fls 12043), no qual já apresenta recurso de ofício. Tal decisão restou assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2009 a 31/03/2011 CONTRIBUIÇÕES DA EMPRESA INCIDENTES SOBRE A REMUNERAÇÃO DE SEGURADOS CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. A empresa ou equiparada é obrigada a recolher as contribuições a seu cargo incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados contribuintes individuais a seu serviço. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS DOS SEGURADOS CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. A empresa ou equiparada é obrigada a arrecadar as contribuições dos segurados contribuintes individuais a seu serviço e recolher o produto arrecadado. MULTA QUALIFICADA. NÃO CARACTERIZADA HIPÓTESE DE APLICAÇÃO. Para que seja aplicável a multa qualificada na alíquota de 150%, deve estar efetivamente caracterizada na conduta do sujeito passivo ao menos uma das hipóteses preconizadas no art. 44, § 1º, da Lei nº 9.430/96. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM. NÃO RECONHECIMENTO. É admitida a imputação da responsabilidade tributária solidária à pessoa física ou jurídica que tenha interesse Fl. 12135DF CARF MF 4 comum na situação que constitua o fato gerador cabendo, no entanto, demonstrarse a existência do inequívoco interesse comum. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte. O acórdão cuja ementa reproduzimos, tem o seguinte relatório, que adoto por sua clareza e precisão (fls 12038): Detalha a fiscalização em continuidade, no item 3.1 do REFISC, toda a documentação e informações solicitadas à OAB SC através dos competentes Termo de Início de Fiscalização e Termos de Intimação Fiscal – TIF e o que foi apresentado pela OAB SC; no item 3.2 do REFISC, registra a documentação e informações solicitadas a PGE e o efetivamente apresentado, e, no item 3.3, registra a documentação e informações solicitadas à SJC e o apresentado. Segundo o REFISC, toda a documentação e informações prestadas fazem parte do presente processo, conforme identificação atribuída pela fiscalização. Na seqüência, a fiscalização faz um breve histórico da legislação que rege a Advocacia Dativa em Santa Catarina. Neste contexto, dispõe que: A defensoria Pública foi contemplada no art. 134 da Constituição Federal como instituição fundamental ao Estado e objetiva assegurar ao cidadão o pleno exercício dos seus direitos sociais e individuais, a liberdade, a segurança, o bem estar, a igualdade e a justiça, em todos os sentidos, dos mais necessitados. Transcreve artigo. Apesar de ser uma obrigação exclusiva dos Entes Estatais, no Estado de SC esteve disciplinada pela Lei Complementar Estadual nº 155/97, que instituiu a Defensoria Pública no Estado de Santa Catarina, atribuindo à OABSC a organização desses serviços, estando ainda obrigada ao controle e pagamento dos serviços prestados pelos advogados que se inscreveram para prestar esses serviços. O regime e a forma de remuneração dos advogados dativos foram estabelecidos nos parágrafos 3º e 4º do art. 4º da Lei Complementar nº 155, de 1997, onde se observa que os recursos destinados aos pagamentos pela prestação de serviços dos advogados são repassados pelo Estado de Santa Catarina à OABSC, em conta bancária específica, a qual deve prestar contas trimestralmente ao Estado; Pela prestação destes serviços, nos termos do art. 5º da Lei Complementar nº 155/97, a OABSC é remunerada no montante de 10% do valor recebido do Estado de Santa Catarina, a título de indenização pelas despesas decorrentes da execução da citada Lei Complementar; Além de elaborar a lista dos advogados que exercerão a Advocacia Dativa (art. 1º, parágrafo 1º, da Lei Complementar nº Fl. 12136DF CARF MF Processo nº 11516.724173/201356 Acórdão n.º 2201003.554 S2C2T1 Fl. 12.135 5 155/97) e remunerálos pelo serviço prestado, era também de competência da OABSC o controle, a fiscalização, a organização e o credenciamento dos profissionais que exercerão a atividade de advocacia dativa nos termos do art. 19 da LC nº 155/97, transcreveo; após a edição da Lei Complementar citada, foi firmado o Convênio nº 67/2005, de 20/12/2005, entre o Poder Judiciário de SC e a OAB SC com o objetivo de "viabilização de desenvolvimento de sistema de informática visando gerenciar os procedimentos relativos à Assistência Judiciária e Defensoria Dativa que entre si fazem o Estado de Santa Catarina por intermédio do Poder Judiciário e a Ordem dos Advogados do Brasil/Seção de Santa Catarina (Doc. 20). Destaca a cláusula décima do citado Convênio, que define o papel da OAB SC no tocante à escolha do profissional a ser indicado para a prestação de serviços. Nas razões para a implantação do novo sistema eletrônico chamado SAJ/Aj para indicação e nomeação do Defensor Dativo, consta que cumpre a OAB SC organizar as listas dos profissionais aptos à prestação de serviços. Em 14/03/2012, através da ADI 3.892 (doc. 33) a Lei Complementar nº 155/97 foi declarada inconstitucional pelo STF, tendo sido determinado ao Estado de Santa Catarina a criação da Defensoria Dativa própria, no prazo de um ano, período em que ainda permaneceu em vigor a Lei Complementar. O período objeto da ação fiscal em análise, estava em plena vigência a referida Lei Complementar. Na seqüência, a fiscalização no capítulo V do REFISC, traz os procedimentos da OAB SC. Apresenta os pilares básicos em que se fundamenta o modelo da Defensoria Dativa em SC, conforme constante no sítio da internet da OAB SC. Resume o papel de cada parte envolvida: * Advogado: Acessa o sítio do Tribunal de Justiça e se inscreve na modalidade que deseja atuar; * Entrevista: Realizada pelo setor existente em cada comarca e operado por um servidor da OAB ou do TJSC. * Nomeação do Advogado: Magistrado acessa o sistema SAJ/Aj e nomeia por via digital. * Após a fixação da remuneração, os Cartórios emitem Certidões de URH que habilitam o advogado a receber a remuneração do Estado pelos serviços prestados e as enviam à OAB SC que tem a incumbência de manter o registro desses documentos e informações. * Mensalmente o Estado deve promover o repasse à OAB SC do numerário suficiente ao pagamento dos serviços dos advogados, e a OAB SC credita o valor Fl. 12137DF CARF MF 6 em conta corrente de cada advogado. Através do Termo de Intimação Fiscal TIF nº 02 (Doc. 08), a OAB SC foi intimada a prestar os seguintes esclarecimentos, respondendo através do Ofício nº 478 (Doc. 09): Quesito a) O critério da escolha do Advogado atuante na Defensoria Dativa, bem como o responsável pela indicação do profissional quando da atuação jurídica no período abrangido pela fiscalização; Resposta: O critério de escolha e o responsável pela indicação do profissional durante o período em que vigorou a Defensoria Dativa era o Tribunal de Justiça do Estado de Santa Catarina, através dos Fóruns pelos assistentes sociais. Quesito b) Como foram definidos os valores dos serviços prestados; Resposta: Os valores estão estabelecidos na Lei Complementar n — 155/97 do Estado de Santa Catarina. Quesito c) Como são controlados os valores dos serviços prestados, qual sistema utilizado para referido controle, bem como o responsável pela alimentação do mesmo, inclusive quando do reconhecimento do valor devido como na liquidação; Resposta: Todas as etapas acima são de competência do Tribunal de Justiça do Estado de Santa Catarina. Os valores dos serviços prestados são estabelecidos na sentença do processo que o Juiz definiu de acordo com a Lei Complementar. O sistema utilizado é o SAJ, que possui um módulo chamado “Assistência Judiciária”. A alimentação do sistema é feita pelo TJSC, inclusive com a checagem de valores devidos. Quesito d) Como se dá a prestação de contas dos valores recebidos pelo Governo do Estado de SC e quais as Secretarias envolvidas; Resposta: Se dá através do relatório de prestação de contas que é encaminhado após o pagamento aos Advogados, ao órgão do Governo Responsável, que foram respectivamente a Procuradoria Geral do Estado (até o mês de julho de 2011) e a Secretaria de Justiça e Cidadania. Quesito e) Detalhadamente o papel da OABSC na organização da prestação de serviços da Advocacia Dativa e a remuneração recebida para tal fim. Resposta: O papel da OAB/SC era de organizar a relação de Advogados com os valores a serem recebidos pelo Governo do Estrado. Esta organização consistia em receber as certidões emitidas pelo TJSC aos Advogados que vinham até a OAB SC, apresentavam a certidão a qual era efetuada a checagem junto ao sistema do TJSC, e em seguida encaminhava para o pagamento, assim que liberado o repasse pelo Estado. Os valores para cada advogado após o repasse era efetuado pela OAB/SC de forma discricionária. Para este serviço, a OAB/SC recebia o valor percentual de 10% (dez por cento) sobre o valor Fl. 12138DF CARF MF Processo nº 11516.724173/201356 Acórdão n.º 2201003.554 S2C2T1 Fl. 12.136 7 total pago pelo Governo do Estado, conforme determinado no artigo 5º da LC nº 155/97. Quesito f) Apresentar os documentos (atas, memorandos, mensagens eletrônicas etc.) no qual foi determinado o desconto dos 11% a título de contribuição previdenciária quando do pagamento ao Profissional, apresentando os recibos assinados pelos mesmos caracterizando tal desconto. Resposta: Em resposta ao Item 2. temos a informar à Vossa Senhoria, que a atual diretoria tomou posse no dia 01 de Janeiro do corrente. Constatamos logo no início da gestão a insuficiência de informações deixadas pela Diretoria anterior em vários setores como tesouraria e secretaria. Tendo em vista que não conseguimos encontrar os documentos solicitados no prazo determinado, solicitamos a prorrogação no prazo de 30 (trinta) dias para entregar os documentos solicitados ou justificar a não entrega. Informamos que foi aberto procedimento interno no intuito de verificar onde se encontram, ou foram arquivados diversos documentos da OAB/SC, sendo que a Chefe de Secretaria informou o que segue nas declarações anexas (Doc. 10). Quesito g) Apresentar as GPS Guias da Previdência Social relativo ao recolhimento os 11% retidos da remuneração dos Advogados ou, na falta, explicar qual o destino dado aos montantes retidos; Resposta: Como mencionado anteriormente, não possuímos os registros ou dados referentes ao pagamento dos recolhimento dos 11% retidos da remuneração uma vez que, o Decreto Estadual ns 3.470 de 23 de agosto de 2010, dispôs sobre a provisão para contingência de recursos destinados ao recolhimento das parcelas relativas ao Imposto e Renda pessoa física e à Contribuição Previdenciária do INSS sobre os valores repassados pela OAB/SC aos advogados que exercem a Defensoria Dativa e a Assistência Judiciária Gratuita no Estado de Santa Catarina, retendo estes valores quando efetuado o repasse para o pagamento dos Advogados. Através do TIF nº 03 (Doc. 18), a OAB SC foi intimada a prestar os seguintes esclarecimentos, respondidos através do Ofício nº 569 (Doc. 22): Quesito 1: Informar quem é o responsável pelo cumprimento das acessórias de preenchimento da GFIP Guia de Recolhimento ao FGTS e Informações à Previdência Social e da DIRF Declaração sobre o Imposto de Renda Retido na Fonte; Resposta:No que tange aos contribuintes individuai, Advogados prestadores de serviço da Defensoria Dativa, as informações de GFIP, FGTS e IRRF não são processadas pela OAB/SC; Fl. 12139DF CARF MF 8 Quesito 2: Informar quem procede a retenção dos 11% da contribuição à previdência social, quando do pagamentos aos Contribuintes Individuais advogados, bem como as contas bancárias em que referidos valores ficaram retidos até o recolhimento e/ou onde referidos recursos foram empregados, com as devidas justificativas; Resposta: No que tange aos contribuintes individuais, advogados prestadores de serviço da Defensoria Dativa, de 2008 a agosto de 2010, não houve retenção. A partir de setembro de 2010, por força do Decreto Estadual n° 3.470/10, o Governo do Estado de Santa Catarina, passou a reter valores a título de contingenciamento da contribuição previdenciária. Quesito 3: Informar quem é o responsável pelo recolhimento das contribuições previdenciárias devidas, inclusive as retidas dos segurados, e do Imposto de Renda na Fonte Retido; Resposta: No que tange aos contribuintes individuais, advogados prestadores de serviço da Defensoria Dativa, não sabemos informar. Através do TIF nº 04 (Doc. 23), a OAB SC foi novamente intimada a prestar os seguintes esclarecimentos, respondidos através do Ofício nº 583 (Doc. 24): Quesito 2: Informar o destino dado ao valor retido dos contribuintes individuais no montante de R$ 5.736.548,00 constante da listagem citada; Resposta: De acordo com a informação já fornecida no Ofício n° 478/2013GP. tentamos obter tais informações nos documentos internos da OAB/SC mas a tentativa restou inexitosa. Como mencionado no expediente, não possuímos os registros contábeis com as informações pertinentes a estas retenções, que foram praticadas e de responsabilidade da Administração anterior, pois como foi dito a atual diretoria assumiu a gestão em 01/01/2013; Quesito3: Resposta quanto à intimação constante do item "2" do Termo de Intimação Fiscal n° 2013/0152005 02 no qual através do Ofício n° 478/2013 GP, de 28/10/2013, foi solicitado prorrogação do prazo vencido em 28/11/2013. Resposta: Ratificamos a informação do Oficio n° 478/2013GP, informando e juntando ao presente, o protocolo n° 08490.01974/201369 e a cópia integral do Ofício n° 568/2013 GP, encaminhado a Superintendência da Polícia Federal em Santa Catarina, comunicando o extravio dos documentos fiscais pertinentes e da contabilidade no período anterior. Em continuidade, dispõe a fiscalização no capítulo VI do REFISC sobre os procedimentos do Governo de Santa Catarina – PGE e SJC. Informa que foram apresentados quesitos quanto a operacionalização da contratação e pagamentos dos profissionais da Defensoria Dativa, conforme se transcreve: Fl. 12140DF CARF MF Processo nº 11516.724173/201356 Acórdão n.º 2201003.554 S2C2T1 Fl. 12.137 9 a) Informar os valores totais mensais de repasses à Ordem dos Advogados do Brasil de Santa Catarina, no período objeto da diligência, com vistas ao pagamento dos advogados atuantes na Defensoria Dativa, objeto da Lei Complementar Estadual n° 155/97; b) Informar quem é órgão responsável pela contratação dos advogados atuantes e como se dá o controle dos serviços prestados; c) Informar quem efetivamente realiza os pagamentos aos advogados, bem como quem é o responsável pelo cumprimento das obrigações acessórias de preenchimento da GFIP Guia de Recolhimento ao FGTS e Informações à Previdência Social e da DIRF Declaração sobre o Imposto de Renda Retido na Fonte; d) Informar quem é o responsável pelo recolhimento das contribuições previdenciárias devidas, inclusive as retidas dos segurados, e do Imposto de Renda na Fonte Retido; Através do Ofício GABS n. 1866/13, de 04/12/2012 (Doe. 28) o Secretário de Estado Justiça e Cidadania e o Procurador Geral do Estado assim se manifestaram: 1) que "tanto o funcionamento do sistema de Defensoria Dativa quanto o encaminhamento de repasses financeiros ocorreram nos exatos termos da Lei Complementar Estadual n. 155, de 15 de abril de 1977"; 2) que "o Estado de Santa Catarina, durante todo o período indagado, não teve nenhuma relação direta, contratual, extracontratual ou financeira com os advogados designados pelos magistrados, no exercício da função judicante, para desenvolver quaisquer dos atos previstos na ler”. (grifo nosso); 3) que "diante disso, a resposta as indagações contidas nos itens 1.b, 1.c e 1.d encontrase nos arts. 4° e 7o da Lei Complementar n. 155/97”. Conclui a auditoria fiscal que o Governo do Estado de Santa Catarina não se manifestou efetivamente quanto à responsabilidade das obrigações principais e acessórias, quando da contratação e pagamentos dos profissionais atuantes na Defensoria Dativa. Ainda no Ofício GABS n. 1866/13, temse a informação que as atividades da OAB SC são as previstas no art. 19 da Lei Complementar 155/97. Conclui ainda que a fiscalização técnica e as atividades da Defensoria Pública não eram realizadas pelo Estado e sim somente a financeira, cabendolhe apenas o repasse dos recursos e a prestação de contas. Fato gerador e sujeito passivo da obrigação tributária. Dispõe sobre as questões primordiais a serem definidas: i) se os pagamentos em discussão se constituem fato gerador da contribuição previdenciária e ii) quem seria o sujeito passivo da obrigação tributária. Traz artigos 114 e 115 do CTN, aduz que o Fl. 12141DF CARF MF 10 fato gerador da contribuição previdenciária é a prestação de serviços remunerada por advogados, na condição de contribuintes individuais, quando do atendimento do cidadão carente. Transcreve art. 22, inciso III, da Lei nº 8.212/91, art. 51 da Instrução Normativa RFB IN nº 971/2009, que substituiu a Instrução Normativa SRP – IN nº 3/2005, art. 52 da mesma IN nº 971/2009, art. 121 do CTN, concluindo a fiscalização que resta claro que a prestação de serviços por contribuintes individuais à empresa e/ou equiparada, inclusive os órgãos da administração pública constituemse em fato gerador da contribuição previdenciária, sendo que o sujeito passivo responsável pelas contribuições devidas são aqueles que tenham relação com o objeto da contratação dos serviços. Das conclusões da Auditoria Fiscal. Resume a fiscalização no Capítulo VIII do REFISC as informações obtidas durante o procedimento fiscal, dispondo que teceu comentários sobre o histórico da Defensoria Dativa no Estado de Santa Catarina, no qual foram descritas as obrigações da OABSC, quanto à gestão deste importante serviço prestado a população, consubstanciada na Lei Complementar Estadual n° 155/97, o modus operandi que envolve a entrevista e inscrição do profissional do direito nas ferramentas do SAJAj, a escolha dos profissionais para prestarem os serviços, através dos Magistrados do Tribunal de Justiça, o reconhecimento e os registros dos valores atribuídos, o repasse das verbas para pagamento dos advogados, por parte do Governo do Estado à OABSC e a comissão recebida por esta para gerenciar o programa. Resume ainda o funcionamento do programa, as respostas dos órgãos envolvidos aos quesitos formulados, concluindo que a situação sui generis demonstrada indica que há uma prestação de serviços que se constitui em fato gerador de contribuição previdenciária, que a Defensoria Dativa, por impositivo constitucional é de responsabilidade do Estado, o qual no período fiscalizado terceirizou a gestão do programa para a OAB SC. Transcreve o art. 57 da IN RFB nº 971/2009, que em seu § 14º dispõe que é responsável pelo recolhimento da contribuição patronal o órgão ao qual incumbe o pagamento da remuneração. Aduz que a Lei Complementar Estadual nº 439/09 alterou o art. 3º da Lei Complementar Estadual nº 155/97, sendo taxativa que a remuneração dos advogados darseia pelo Estado de Santa Catarina. Já o Decreto Estadual nº 3.470, de 23/08/2010, atesta a controvérsia sobre a incidência de contribuição previdenciária sobre os valores repassados à OAB SC e quem seria o sujeito passivo responsável pelo seu recolhimento, estabelecendo um contingenciamento de recursos para esse recolhimento, caso necessário, valores retidos a título de provisão. Junta comunicado existente no sítio da OAB SC, que trata de acordo feito entre o Governo de SC e a OAB SC para pagamento dos valores atrasados devidos aos advogados dativos, no qual é ratificado ser o Estado o responsável pelo recolhimento do IRRF e o pagamento das contribuições previdenciárias, apresenta quadro demonstrativo. Diante de todo esse quadro, conclui a fiscalização, item 8.12 do REFISC: Fl. 12142DF CARF MF Processo nº 11516.724173/201356 Acórdão n.º 2201003.554 S2C2T1 Fl. 12.138 11 8.12 Diante desse quadro, da OABSC ser a responsável pelo recolhimento das contribuições previdenciárias devidas, visto previsão legal contida no Art. 57 da IN/RFB n° 971/09 (Item 8.9) e o Governo do Estado de Santa Catarina ter editado Decreto prevendo o contingenciamento das obrigações patronais pela contratação de contribuintes individuais (Item 8.10), consequentemente inferese que o Governo de Santa Catarina é o devedor principal das obrigações devidas e a OABSC é solidária no presente crédito apurado, não só pelos ditames da IN/RFB n° 971/09, bem como por ter retidos dos profissionais que atuaram os 11% da contribuição individual nos termos do Art. 4o da Lei n° 10.666/2003. Informa em continuidade o REFISC que as bases de cálculo das contribuições previdenciárias lançadas são os valores repassados pelo Governo de Santa Catarina à OAB SC, valores reproduzidos nos Anexos I a V e resumidos no Anexo VI. Das contribuições previdenciárias retidas dos advogados. Dispõe a auditoria fiscal que através do TIF nº 01 a OAB SC apresentou relação dos valores pagos aos advogados, onde constatou a fiscalização que ocorreram valores retidos dos contribuintes individuais, nos termos do Art. 4º da Lei nº 10.666/2003, conforme Anexo VI por ela elaborado. Resume que a OAB SC informou que o Governo de SC passou a proceder a retenção das contribuições dos advogados, a título de contingenciamento, em virtude do Decreto nº 3.470/2010, de 23/08/2010, que informou que não sabia quem era o responsável pelos recolhimentos dessas contribuições devidas e, em outro Ofício, que quanto ao destino da retenção efetuada no montante informado (R$ 5.736.548,00) aduz que não foi possível obter tais informações que teriam sido praticadas pela Administração anterior. Conclui a fiscalização, que ficou comprovado de forma inequívoca a retenção efetuada das contribuições individuais dos advogados e não repassadas à Previdência Social, tendo sido emitida Representação Fiscal para Fins Penais – RFFP, por apropriação indébita, responsabilizando os dirigentes da OAB SC. Registra ainda o auditor fiscal que não foi possível caracterizar o referido procedimento na escrita contábil da OAB SC, uma vez que não lhe foram apresentados os respectivos documentos, e também nos balancetes dos anos de 2008 a 2011 não é possível identificar onde foram lançadas as retenções efetuadas pela OAB SC, idem nos Livros Diário e Razão de 2012. Da sujeição passiva solidária. Novamente dispondo sobre o papel da OAB SC no gerenciamento dos serviços da Defensoria Dativa, aliado ao fato dela ser a responsável pelo recolhimento das contribuições devidas, nos termos do art. 57, § 14, da IN RFB 971/09, inclusive as retidas e não repassadas aos cofres públicos, com a devida comprovação material dos fatos, conclui que a OAB SC tem interesse comum na redução das obrigações tributárias, passando a ser solidária nos termos do inciso I, do art. 124, do CTN. Fl. 12143DF CARF MF 12 Da decadência. Por não terem sido declarados em GFIP os pagamentos realizados no ano de 2008, por nenhum dos órgãos envolvidos, se enquadra a regra da decadência no inciso I do art. 173 do CTN. Informa a auditoria fiscal acerca da multa aplicada nos presentes processos, dispondo que relativamente às contribuições patronais a multa aplicada foi de 75% nos termos do inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430/96, e, que relativamente às contribuições dos segurados contribuintes individuais descontadas de suas remunerações, a multa aplicada foi de 150%, nos termos do § 1º do art. 44 da Lei nº 9.430/96. Discorre ainda sobre os documentos analisados, os demais Autos lavrados na mesma ação fiscal, a documentação anexa ao AIOP e sobre a emissão de Representação Fiscal para Fins Penais – RFFP As autuadas, cientificadas dos lançamentos, apresentam impugnações tempestivas, alegando, em síntese, que: 1 – OAB SC. A Lei Complementar nº 155/97 instituiu a Defensoria Dativa em SC, criando um regime de colaboração entre o Estado e a OAB SC, cujas atribuições estavam bem delimitadas pela referida lei. Enquanto o Estado remunerava os profissionais, a OAB SC limitavase a organizar o cadastro destes, por possuir e fiscalizar seus registros, e distribuir os valores repassados periodicamente pelo ente pagador, mediante verba indenizatória de 10% do valor repassado. O Estado sempre foi o único responsável legal pelo pagamento da remuneração dos defensores dativos, e, por conseqüência, pelos encargos decorrentes. A OAB SC, mera repassadora de valores, não está obrigada, nem mesmo na forma solidária, ao recolhimento dos valores lançados, já que não contratou os trabalhos, não definiu a remuneração, não é fonte financeira ou econômica dos recursos, e obviamente, nunca foi legalmente obrigada a efetuar a referida retenção e recolhimento. Não existe relação jurídico tributária entre OAB SC e União Federal/Previdência Social. Discorre sobre procedimento fiscal anterior em termos similares ao presente, onde a OAB SC foi considerada contribuinte principal, e a 5ª Turma da DRJ Florianópolis declarou nulo o lançamento ante a ilegitimidade passiva, transcreve parte da decisão: "Destarte, considerando haver fato gerador de contribuição previdenciária, por força da prestação de serviços demonstrada, todavia, tendo sido lavrado o auto de infração em nome de pessoa diversa da relação obrigacional tributária, que deveria ser o Estado de Santa Catarina, entendo que deve ser reconhecida, por vício formal, a nulidade do lançamento, sem prejuízo de nova constituição do crédito.". Mesmo que o recurso de ofício ainda esteja pendente de julgamento no CARF, a própria Receita Federal do Brasil RFB firmou entendimento que a pessoa responsável pela obrigação tributária é o Estado de Santa Catarina, o que torna Fl. 12144DF CARF MF Processo nº 11516.724173/201356 Acórdão n.º 2201003.554 S2C2T1 Fl. 12.139 13 absolutamente ilegítima a presente autuação da OAB SC, na condição de responsável solidária. O Estado de SC criou através do Decreto nº 3.470, de 23/08/2010, um fundo para eventual cobertura de contingências relativas à contribuição previdenciária, sob incumbência da PGE. Desde então, o valor global repassado à OAB SC para pagamento dos defensores dativos já contempla a retenção para compor a referida provisão de contingência. Assim, a partir de 09/2010 até 12/2012, por força do Decreto, a OAB SC repassou aos advogados os respectivos pagamentos já com o desconto de 11% realizado pelo Estado na fonte, sendo assinados recibos no qual deram quitação do valor e ciência da retenção. E conclui: Frisese que a OAB nunca realizou a retenção, mas apenas repassou aos advogados os valores já com o desconto realizado na fonte pelo Estado. Não há, portanto, qualquer ato de sonegação ou de apropriação indébita, seja por parte da OAB ou de seus antigos dirigentes, primeiramente porque foi o próprio Estado quem realizou as retenções, como lhe cabia, e ainda porque todos os valores repassados pelo ente pagador foram integralmente transmitidos aos advogados, não restando nenhum valor em posse da entidade, como será demonstrado adiante. Direito. Dispõe sobre a fundamentação legal trazida pela fiscalização, em especial o art. 22, inciso III, da Lei nº 8.212/91, registrando que o Estado de SC é quem assume o pagamento dos advogados, porquanto obrigado constitucionalmente a oferecer assistência judiciária gratuita aos hipossuficientes, cabe a ele o recolhimento dos respectivos tributos. Discorre a obrigação constitucional do Estado supra mencionada, sobre a Lei Complementar nº 155/97, transcreve os artigos 3º e 4º da lei, onde se constata que a remuneração dos advogados é feita pelo Estado de Santa Catarina e o Poder Executivo consignará dotação específica para atender os encargos decorrentes da referida Lei. Entendeu a auditoria fiscal que a OAB SC seria responsável solidária pelo pagamento do tributo, com base no art. 124, inciso I, do CTN, e citou para tanto, o art. 57, § 14, da IN RFB 971/2009, e, embora tenha concluído que a Lei Complementar nº 155/97, na redação da Lei Estadual nº 439/09 é taxativa que a remuneração dos advogados darseia pelo Estado de Santa Catarina, contraditoriamente presumiu que o Decreto nº 3.470/2010 indicaria controvérsia sobre quem seria o sujeito passivo responsável pelo recolhimento destas contribuições, razão pela qual indicou a OAB SC como solidária. Ocorre que a expedição deste Decreto confirma a responsabilidade única e exclusiva do Estado de Santa Catarina, eis que determinou a provisão de recursos próprios previamente à transferência dos valores destinados à OAB SC, para eventual cobertura de contingências relativas às contribuições previdenciárias. E o fez, porque a própria RFB entendeu ser o Estado de Santa Catarina Fl. 12145DF CARF MF 14 que remunera os advogados dativos, no Acórdão nº 0716.217 – 5ª Turma DRJ/FNS. Como se vê o auditor fiscal extrapolou ao promover interpretação extensiva do art. 124, inciso I, do CTN, pois não se apresenta caracterizado o interesse comum citado na norma. Traz decisões do TJSC dispondo sobre o dever do Estado pagar honorários ao advogado nomeado defensor dativo. Discorre fartamente sobre o tema. Ressalta que o Estado de Santa Catarina mantém entendimento da não incidência do tributo sobre a prestação de serviços da Defensoria Pública, razão pela qual decidiu não efetuar os recolhimentos e sim provisionálos. Neste contexto, questionado pela OAB SC acerca das retenções realizadas, houve a manifestação da PGE através do Parecer 080/12, de 13/03/2012, cópia anexa à impugnação, onde se verifica seu entendimento que devem ser imunes da contribuição previdenciária os entes públicos em decorrência do fato de prestarem serviços que transcendem, quer o assistencialismo, quer a benemerência, e, nesse sentido discorre no documento. Cita que o art. 22, III, da Lei nº 8.212/91 traz obrigação para as empresas tomadoras de serviços, ou seja, tratase de imposição que abrange apenas os pagamentos efetuados a segurados individuais a seu serviço. Desta forma, é evidente que tal obrigação não se aplica à OABSC, nem sequer sob a forma solidária, pois esta não é contratante ou tomadora dos serviços prestados pelos advogados da Defensoria Pública do Estado de Santa Catarina, mas, conforme demonstrado acima, apenas auxilia na lista de profissionais aptos à prestação dos serviços e, nos termos da Lei Complementar nº 155/97, gerenciava a distribuição das remunerações devidas a cada advogado pelo Estado de Santa Catarina, mediante prestação de contas trimestral. Aduz ainda que a Lei Complementar Estadual nº 391/2007 define expressamente que quem designa o defensor dativo é o juiz e quem o remunera é o Estado, através de um fundo destinado a complementar os recursos financeiros indispensáveis ao pagamento dos advogados que exercem a Defensoria Dativa e Assistência Judiciária Gratuita. Cita também os artigos 6º e 8ª da mesma Lei, sobre a gestão do fundo pelo próprio Procurador Geral do Estado. Aborda conceitos legais e doutrinários do contribuinte e do responsável, citando art. 121 do CTN, art. 4º, § 2º, da Instrução Normativa INSS nº 71, de 10/05/2002, registrando que a transferência de responsabilidade e a solidariedade não se presumem, ao contrário, conforme o art. 128 do CTN. Alega ainda que se o inciso III do art. 22 da Lei nº 8.212/91 estipulou apenas ao tomador de serviço a obrigação de recolher a contribuição patronal incidente sobre a remuneração paga aos contribuintes individuais a seu serviço, e se em momento algum qualquer lei transferiu tal responsabilidade ao repassador dos valores, constatase que tal dever impõese tão somente ao Estado de Santa Catarina, verdadeiro contratante dos defensores dativos, e não à OABSC, simples transmissora dos pagamentos. Fl. 12146DF CARF MF Processo nº 11516.724173/201356 Acórdão n.º 2201003.554 S2C2T1 Fl. 12.140 15 Contribuição descontada do segurado contribuinte individual. O art. 4º da Lei nº 10.666/2003 trouxe nova obrigação para as empresas tomadoras de serviços, que abrange apenas os pagamentos efetuados pela empresa ou equiparada a segurados contribuintes individuais a seus serviços. Portanto, tal qual a cota patronal, essa obrigação não se aplica à OAB SC mera repassadora de valores, já que o contratante dos serviços prestados pelos advogados dativos é o Estado de Santa Catarina. Cita novamente o decreto nº 3.470/2010, que dispõe sobre a provisão para contingência de recursos destinados ao recolhimento, se for o caso, das parcelas relativas à contribuição previdenciária sobre os valores repassados pela OAB SC aos advogados que exercem a Defensoria Dativa e a Assistência Judiciária Gratuita no Estado de Santa Catarina. Confirma que a partir de 09/2009 do valor global remetido à OAB SC, o Estado previamente reteve uma parte para compor a referida provisão de contingência, de modo que foi repassado ao advogado o valor já com o desconto de 11%. Logo, a OAB SC só replicou ao contribuinte individual a retenção feita pelo Estado. Em continuidade à sua defesa, cita a ação proposta por advogado que visava a restituição do valor retido pelo Estado a título de contribuição previdenciária, com a ação direcionada exclusivamente contra o Estado de Santa Catarina, cuja contestação não argüiu preliminar de ilegitimidade passiva nem tampouco indicou a OAB SC à condição de litisconsorte, tendo o Estado defendido a retenção e a sentença proferida determinando a improcedência do pedido. Aduz ainda sobre os recibos assinados pelos advogados e a análise das prestações de contas, onde se constata que o valor pago à OAB SC era integralmente revertido para o pagamento dos advogados. Cita exemplo e conclui que diante da documentação ora acostada aos autos os valores repassados pelo Estado à OAB SC foram sempre repassados aos advogados não havendo que se falar em apropriação indébita ou sonegação fiscal. Requer que seja declarado nulo o presente lançamento em face da OAB SC ante o reconhecimento da inexistência de relação jurídicotributária entre esta e a União Federal, eximindoa de qualquer responsabilidade referente às contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração dos advogados prestadores de serviços da Defensoria Dativa ao Estado de Santa Catarina, ante o reconhecimento que o Estado é o único responsável direto pelo recolhimento da cota patronal e responsável indireto pela retenção e recolhimento da contribuição dos advogados dativos, inexistindo previsão legal que imponha à OAB SC tal responsabilidade solidária. Requer ainda a apresentação de provas ou razões adicionais que se fizerem necessárias. 2 – Estado de Santa Catarina. A origem da imputação relacionase ao sistema de Defensoria Dativa criada pela Lei Complementar nº 155/97, que transferiu à OAB SC a incumbência de organizar e gerir o programa, Fl. 12147DF CARF MF 16 receber repasses do Estado, efetuando o pagamento dos advogados privados, previamente cadastrados em seu sistema, que prestaram assistência jurídica aos hipossuficientes. Inocorrência do fato gerador. Não há que se falar em contribuição previdenciária quando o mero pagamento é efetuado por pessoa/entidade intermediária, não destinatária do serviço, apresenta jurisprudências relativas a plano de saúde. Discorre sobre o tema, aduz que a estrutura jurídica que envolve o caso destes autos é rigorosamente idêntica, que o Estado e a OAB SC nunca foram destinatários dos serviços prestados pelos advogados dativos, e sim os hipossuficientes. Transcreve o art. 22 inciso III, da Lei nº 8.212/91, e reforça que o serviço foi prestado pelos advogados dativos aos seus clientes, não foi prestado ao Estado, este apenas viabilizou o pagamento dessa elevada função social. O arcabouço legislativo que instituiu a Defensoria Dativa é explícito quanto ao papel do Estado de Santa Catarina no nobre mister de levar assistência judiciária gratuita aos hipossuficientes. Transcreve art. 5º, inciso LXXIV e art. 134 da Constituição Federal. Em continuidade, dispõe sobre a Lei Complementar nº 155/97 que estabeleceu a Defensoria Dativa no âmbito do Estado de Santa Catarina, que em seu art. 1º deixa claro que toda a organização do programa compete a OAB SC e que os serviços seriam prestados por advogados ali devidamente cadastrados. Coube ao Estado de Santa Catarina tão somente o repasse de recursos à OAB SC, que era responsável pelo pagamento dos advogados prestadores dos serviços advocatícios. Traz art. 4º da mesma Lei. É cristalino que a relação de serviços travouse entre necessitado e advogado privado, e não entre este e o Estado. E se o advogado dativo não presta serviços ao Estado de Santa Catarina não há a incidência de inciso III do art. 22 da Lei nº 8.212/91. Se a pessoa física não arca com contribuição previdenciária quando contrata advogados, o mesmo ocorre em face daquele que atua como mero intermediário pagador. Da ausência de responsabilidade do Estado de Santa Catarina. Na hipótese de se entender pela ocorrência de fato gerador, evidente que a sujeição passiva da relação tributária não cai sobre o Estado de Santa Catarina, mas exclusivamente sobre a OAB SC, entidade responsável pela organização de todo o sistema de Defensoria Pública e também pelo pagamento direto dos advogados privados prestadores de serviços aos necessitados. Aduz ainda que, a gestão da Defensoria Pública competia à OAB SC, não sendo de forma gratuita, já que a autarquia, a título de pagamento, permanecia com 10% do montante repassado, conforme art. 5º da Lei Complementar. Inconfundível que o Estado contou com um único prestador de serviços, a OAB SC, pagou pelo trabalho o equivalente a 10% de todos os recursos destinados à manutenção da Defensoria Dativa, portanto, os advogados prestaram serviços unicamente à OAB SC, e não ao Estado de Santa Catarina. Fl. 12148DF CARF MF Processo nº 11516.724173/201356 Acórdão n.º 2201003.554 S2C2T1 Fl. 12.141 17 O fato gerador do tributo pressupõe prestação de serviços por contribuintes individuais à empresa tomadora, assim como a obrigação de reter e recolher a contribuição do segurado contribuinte individual, nos termos do art. 4º da Lei nº 10.666/2003. Reforça que o tomador dos serviços não é o Estado de Santa Catarina e sim a OAB SC. Para afastar qualquer desconfiança que se tenha sobre o tema, importante observar os termos do art. 4º, caput, da Lei Complementar Estadual nº 155/97, transcreve: Art.4º. Para os fins da remuneração de que trata esta Lei, o Poder Executivo consignará, anualmente, no orçamento estadual, dotação específica para atender os encargos decorrentes, tomandose por base as despesas efetuadas no exercício anterior.[...] [grifos nossos] Como se vê, os repasses do Estado à OAB SC possuíam a finalidade expressa: pagamento de todos os encargos decorrentes da execução dos serviços atinentes à Defensoria Dativa. O dispositivo albergou conceito amplo, os repasses atingem a todas as incumbências, inclusive àquelas de natureza tributária. Entende que o legislador agiu com extrema cautela, já que não consignou que os repasses atenderiam ao pagamento dos honorários dos advogados dativos ou então de despesas administrativas, muito menos especificou retenções decorrentes de algum tributo. A OAB SC, como gestora do sistema, receberia os repasses orçamentários e arcaria com todos os ônus financeiros. Traz conceito de “encargo” fornecido por dicionário, entre eles, “ imposto”, “tributo”. Caberia à OAB SC, tão logo recebesse os repasses: i) separar seu próprio pagamento – 10% do total, ii) efetuar o pagamento da contribuição previdenciária patronal – 20% do valor remanescente, iii) pagar os advogados que prestaram serviços, retendolhes 11% atinentes à sua cota de contribuição, iiii) repassar os 11% retidos à Previdência, e iiiii) preencher GFIP, e encaminhala. Essa seria a incumbência daquele que tem o dever legal de arcar com todos os encargos do programa. Enfatiza ainda que somente a OAB SC sabia exatamente o valor a ser pago a cada advogado, ela própria disponibilizou a relação de pagamentos efetuados aos advogados. Por isso, conhecendo os destinatários, somente a OAB SC poderia proceder à retenção dos 11% devidos pelos contribuintes individuais. Traz ainda a nota de rodapé do REFISC em sua fl. 19, assim como texto da fl. 22 do mesmo REFISC, transcrevo, respectivamente: "No período de 09/2010 a 12/2012 a OAB/SC, diferentemente do afirmado, procedeu a retenção dos 11% devidos pelos contribuintes individuais, conforme Capitulo X deste REFISC". “Através do Termo do Intimação Fiscal n. 2013/01520501 (Doc.1) a OABSC apresentou as relações dos valores pagos aos Fl. 12149DF CARF MF 18 advogados (Doc. 6), onde constatamos que ocorreram valores retidos dos contribuintes individuais, nos termos do Art. 4o da Lei 10.666/2003, conforme Anexo VI elaborados por esta fiscalização, [negrito constante do texto original]”. Tal retenção motivou inclusive Representação Fiscal para Fins Penais RFFP em face dos dirigentes da OAB SC. Ou seja, a obrigação era exclusiva da OAB SC. Não se pode alegar qualquer compromisso do Estado de Santa Catarina por força do disposto no art. 124, inciso I, do CTN. Dispõe sobre o assunto, traz manifestações doutrinárias. Ilegalidade da base de cálculo utilizada. Valor total repassado à OAB SC. Ofensa aos artigos 22, 28 e 30 da Lei nº 8.212/91. Falta de previsão legal. Indica a autoridade notificante que a base de cálculo considerada para a cobrança das contribuições previdenciárias foram os valores repassados pelo governo do Estado de Santa Catarina à OAB SC. Os dispositivos legais indicados para o lançamento são diferentes do utilizado, tanto para a cota patronal, como para a retenção. Assim, a fiscalização inseriu no valor cobrado verbas claramente descabidas e deixa claro que tem dúvidas sobre a existência de fato gerador, já que não conseguiu configurar em relação ao Estado de Santa Catarina, um quantum tributável em relação aos contribuintes individuais. Alega que ou utilizouse de base de cálculo inexistente em lei ou indicou incorretamente o parâmetro adotado no documento fiscal, tanto uma situação com a outra levam à nulidade da notificação fiscal. Relata toda a sistemática da prestação de serviços envolvida, dispõe que não existe serviço prestado ao Estado apenas a particulares hipossuficientes, que o Estado não efetuou nenhum pagamento direto aos advogados, pois sequer tinha conhecimento prévio de quem receberia os valores e os valores repassados pelo Estado para pagamento do sistema, se houvesse tributo a recolher, deveriam ser utilizados para isso pelo responsável pelo sistema. Trata do conceito de sujeito passivo constante no art. 121 do CTN, dispondo que não possui relação nenhuma com os supostos fatos geradores e, menos ainda, uma relação pessoal e direta. Reforça que os repasse à OAB SC incluía todas as despesas referentes ao sistema da Defensoria Dativa, não apenas os valores que futuramente chegariam na conta do advogado, inclusive a parcela referente à contribuição previdenciária, o que leva a conclusão que o Estado não possui nenhuma relação com os fatos noticiados no lançamento e a base de cálculo das contribuições previdenciárias além de ilegal, é exorbitante. Necessidade de se verificar se algum advogado já recolhia pelo teto. Determina a lei que deva se verificar, antes de se fazer a retenção de um contribuinte individual, se ele já recolhia pelo teto da Previdência Social. Os advogados deveriam ser chamados para apontar outras fontes pagadoras e, a inocorrência deste procedimento implica em inarredável ilegalidade, excesso de exação e enriquecimento sem causa por Fl. 12150DF CARF MF Processo nº 11516.724173/201356 Acórdão n.º 2201003.554 S2C2T1 Fl. 12.142 19 parte da Fazenda Nacional, o que acarreta a nulidade da notificação. Juros e penalidade de multa. O Estado de Santa Catarina vem há mais de 40 anos remunerando os defensores dativos pelos serviços jurídicos que prestam aos necessitados, sem qualquer dúvida sobre a não ocorrência do fato gerador do tributo ora pleiteado. Se por mais de 40 anos a Fazenda Federal quedouse inerte não pode repentinamente cobrar juros e impor penalidade de multa como se o devedor tributário fosse aquele que, de modo contumaz, deixa de cumprir suas obrigações tributárias. Cita e transcreve art. 100, do CTN, que no inciso III, trata da práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas. Portanto, é vedada a aplicação da penalidade de multa e cobrança de juros por força do artigo supracitado. No caso de dúvida da fiscalização sobre qual ente deveria recolher o tributo, deve ser aplicado o art. 112 do CTN. Aduz que não é o Estado e sim a OAB SC que deve ser responsabilizada pela infração. Ainda dispõe sobre o efeito confiscatória da multa aplicada. Ainda dispõe acerca da impossibilidade de multa em dobro para a contribuição previdenciária descontada, registrando que a OAB SC efetuou a partir de setembro/2010 a retenção das contribuições supostamente devidas, e, em relação a esses valores, aplicouse a multa pelo percentual de 150% e não o de 75%. Transcreve art. 44 da Lei nº 9.430/96 e os artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64, reforçando que a fiscalização entendeu que houve dolo configurador de sonegação ou fraude fiscal. Está clara a inexistência de intenção deliberada dos agentes envolvidos de impedirem ou retardarem o recolhimento da contribuição previdenciária, o que houve foi uma providência acautelatória no escopo de resguardar as quantias que poderiam ser consideradas devidas à Previdência Social. Não houve sonegação ou fraude no caso, o que afasta a duplicação do percentual da multa. Erro de cálculo – nulidade do lançamento. Não há segurança sobre os critérios utilizados pela fiscalização. O contribuinte não tem certeza quanto às alíquotas e índices de correção aplicados. Registra que no mês de junho/2008, haveria incorreção nos valores lançados e apresenta valores que entende corretos como devidos. Requer que se refaça integralmente os cálculos dos valores supostamente devidos, apontandose minuciosamente os critérios e índices devidos. Requer: a) o cancelamento dos autos de infração integrantes do presente processo, tendo em vista a 1) inocorrência do fato gerador, e/ou 2) ausência de responsabilidade do Estado de Santa Catarina, e/ou 3) ilegalidade da base de cálculo utilizada, e/ou 4) impossibilidade de criação de fato gerador por ato normativo infralegal, e/ou 5) inocorrência da sujeição passiva do Estado, e/ou 6) responsabilidade integral da OAB SC, e/ou 7) inexistência de análise quanto ao possível recolhimento acima do teto em face de cada contribuinte individual, e/ou 8) Fl. 12151DF CARF MF 20 ocorrência de flagrante erro nos cálculos que embasam os autos de infração; b) a exclusão da multa e juros haja vista: 1) a prática reiterada da fiscalização em não tributar, 2) o fato de que o Estado não tinha o dever jurídico e condições materiais de calcular o tributo supostamente devido, e 3) a exorbitância dos valores apurados. c) na hipótese de não serem acolhidos os pedidos anteriores, o refazimento dos cálculos, atentandose: 1) para os valores recolhidos pelos contribuintes individuais que eventualmente tenham superado o teto legal, e 2) para o equívoco indicado no item 10 desta impugnação. Protesta pela produção de todos os meios de prova em direito admitidos, em especial a intimação da autoridade fiscalizadora para que junte aos autos documentos que demonstrem o recolhimento previdenciário de cada contribuinte individual, notadamente aqueles que efetuaram no intervalo, pagamentos no limite máximo da contribuição." A devedora solidária foi cientificada da decisão que lhe favoreceu, por via postal, em 23 de julho de 2014 (AR fls. 12089), sobre a qual não se manifestou. Ciente da decisão que parcialmente contrariou seus interesses, em 23 de julho de 2014 (fls. 12088), o Contribuinte apresenta recurso voluntário em 15 de agosto (fls. 12091), do qual constam, em regra, os mesmos argumentos. Por sorteio eletrônico, o presente processo foi para mim distribuído. É o relatório do necessário. Voto Conselheiro CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Os recursos preenchem as condições de admissibilidade. Porém, antes de passar a apreciálos, necessário fixar algumas premissas que conduzirão a decisão. Como relatado, o crédito tributário lançado decorre da ausência de recolhimento de contribuição previdenciária, tanto da quota patronal quanto da devida pelo segurado, incidente sobre os valores pagos aos advogados que atuaram como dativos, defensores públicos "ad hoc", segurados contribuintes individuais segundo a Lei de Custeio da Previdência Social. Importa realçar que a atuação desses segurados decorre da Lei Complementar Estadual nº 155/97, que atribuía à Ordem dos Advogados do Brasil Seção de Santa Catarina OAB/SC a organização da Defensoria Pública para o Governo do Estado de Santa Catarina. Vejamos o texto legal: "Art.1º Fica instituída, pela presente Lei Complementar, na forma do art. 104 da Constituição do Estado de Santa Catarina, a Defensoria Pública, que será exercida pela Fl. 12152DF CARF MF Processo nº 11516.724173/201356 Acórdão n.º 2201003.554 S2C2T1 Fl. 12.143 21 Defensoria Dativa e Assistência Judiciária Gratuita, organizada pela Ordem dos Advogados do Brasil, Seção de Santa Catarina – OAB/SC. § 1º A OAB/SC obrigase a organizar, em todas as Comarcas do Estado, diretamente ou pelas Subseções, listas de advogados aptos à prestação dos serviços da Defensoria Pública e Assistência Judiciária Gratuita. (...) Art.2º Os serviços da Defensoria Pública e Assistência Judiciária Gratuita serão prestados às pessoas que comprovarem insuficiência de recursos, nos termos da Constituição Federal (art. 5º, LXXIV) e da Constituição do Estado de Santa Catarina (art. 4º, II, “e”). (...) Art. 3º Instituise, nesta Lei, o regime de remuneração, pelo Estado de Santa Catarina, em favor dos advogados que, indicados em listas, na forma do art. 1º e seus parágrafos, e designados pela autoridade judiciária competente, promovam, no juízo cível, criminal, varas especializadas e por Escritura Pública lavrada por Tabelião, de que trata os arts. 982 e 1.124 A do Código de Processo Civil CPC, a Defensoria Dativa e Assistência Judiciária às pessoas mencionadas no art. 2º.” Art.4º Para os fins da remuneração de que trata esta Lei, o Poder Executivo consignará, anualmente, no orçamento estadual, dotação específica para atender os encargos decorrentes, tomandose por base as despesas efetuadas no exercício anterior. (...) §5º Os recursos financeiros serão depositados no Banco do Estado de Santa Catarina S/A, em conta específica, vinculada à OAB/SC, vedada a transferência para outra conta ou outro estabelecimento bancário. Art.5º A título de indenização pelas despesas decorrentes da execução desta Lei Complementar, cabe à OAB/SC a importância equivalente a 10% (dez por cento) do total dos repasses financeiros. (...)" A leitura do texto legal é determinante para identificarmos a ocorrência do fato gerador, o sujeito passivo e a base de cálculo da contribuição previdenciária. Segundo a Constituição Federal, artigo 195, I, 'a', é devida contribuição social previdenciária pelo empregador quando pessoa física lhe prestar serviço remunerado, qualquer que seja o vínculo laboral e a duração deste. O inciso II do mesmo artigo 195 da Carta também impõe ao trabalhador o dever de contribuir sobre a remuneração percebida pelo seu labor. Fl. 12153DF CARF MF 22 A Lei de Custeio da Previdência Social, Lei nº 8212/91, dispõe sobre os preceitos constitucionais em seus artigos 22, inciso III e 30, inciso I, imputando ao tomador de serviços a responsabilidade de, além de recolher a contribuição por ele devida, reter e recolher a contribuição do segurado empregado, avulso e do contribuinte individual. Ora, observo que a Lei Complementar nº 155/97 do Estado de Santa Catarina determinou que o Estado, com o fulcro de prestar o serviço de Defensoria Pública, preste tais serviços por meio de advogados especializados mediante remuneração. Observo também a mencionada Lei Complementar determinou que tais serviços serão organizados pela OAB/SC, especificando suas atribuições. Das observações, podemos afirmar que há por expressa determinação legal o dever do Estado de Santa Catarina de contratar pessoas físicas para a prestação de serviços advocatícios para os cidadãos que preencham os requisitos legais. Essa constatação nos permite identificar com segurança a existência do fato gerador, posto que um tomador de serviços contrata uma pessoa física para que lhe preste serviços. No caso concreto, por força de Lei, o Estado de Santa Catarina, por meio de sua Procuradoria Geral, contrata advogado que lhe preste serviços como Defensor Público. A organização de tais serviços, inclusive com a confecção de listas das pessoas prestadores de serviço e o elaboração do pagamento dos serviços prestados, é realizada pela OAB/SC. Inegável a ocorrência, no mundo fático, da hipótese de incidência das contribuições previdenciárias, quando do exercício da defensoria pública por meio do advogado, posto que há uma prestação de serviços remunerado por pessoa física. Logo, ocorre o fato gerador tributário nos exatos termos previstos nos artigos 22, III combinado com o artigo 28, III da Lei nº 8.212/91, instaurandose a obrigação tributária,. É o que explicitam os artigos 113 a 115 do CTN: "Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. Art. 114. Fato gerador da obrigação principal é a situação definida em lei como necessária e suficiente à sua ocorrência. Art. 115. Fato gerador da obrigação acessória é qualquer situação que, na forma da legislação aplicável, impõe a prática ou a abstenção de ato que não configure obrigação principal." Tratando do surgimento e dos efeitos da obrigação tributária, explica o professor titular da Faculdade de Direito do Largo São Francisco, Luís Eduardo Schoueri (Curso de Direito Tributário, Ed. Saraiva, pag 466),: Fl. 12154DF CARF MF Processo nº 11516.724173/201356 Acórdão n.º 2201003.554 S2C2T1 Fl. 12.144 23 "Quando se afirma que na matéria tributária se estabelece uma obrigação, apontase o dever jurídico de alguém (sujeito passivo) pagar a outrem (geralmente o Estado) um valor denominado tributo" (destaquei) Expressos os pontos, as premissas que ainda devemos identificar, posto que verificado o fato gerador: o sujeito passivo e a base de cálculo que, ao lado da alíquota, permitem a definição do quantum debeatur da obrigação. Em primeiro lugar, vamos identificar com segurança o sujeito passivo. Tal determinação é necessária no caso concreto em razão das disposições da Lei Complementar nº 155 que impõe ao Estado de Santa Catarina a prestação dos serviços de defensoria pública organizado pela OAB/SC, que além de elaborar a lista de trabalhadores, os remunera a partir de um fundo percebido do Estado para tanto. Novamente precisamos recorrer à lei, posto que tributo é uma obrigação legalmente imposta. O artigo 121 do CTN estabelece: Art. 121. Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Parágrafo único. O sujeito passivo da obrigação principal diz se: I contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador; II responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei. Sujeito passivo, portanto, é aquele que tem obrigação pessoal e direta com o fato gerador. Fato gerador da contribuição previdenciária é o trabalho remunerado da pessoa física qualquer que seja a forma, contratação ou valor de remuneração. No caso em apreço, o trabalho da pessoa física é relacional, ou seja, há um prestador de serviço e outro tomador de serviço, dito de maneira diversa, o trabalho é prestado por alguém para outrem. O preceito da Lei de Custeio acima mencionado, artigo 22, III, trata especificamente do tema. Vejamos: "Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: (...) III vinte por cento sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços;" (negritei) Fl. 12155DF CARF MF 24 Importa ressaltar que o artigo 15 da mesma Lei nº 8.212/91, explicita: "Art. 15. Considerase: I empresa a firma individual ou sociedade que assume o risco de atividade econômica urbana ou rural, com fins lucrativos ou não, bem como os órgãos e entidades da administração pública direta, indireta e fundacional;" (negritei) Logo, para encontrarmos o sujeito passivo aquele que tem relação pessoal e direta com o fato gerador é necessário identificarmos para quem foi prestado o serviço remunerado e quem os remunerou. Como dito acima, a leitura da Lei Complementar nº 155/97, espanca qualquer dúvida. Explico. Determina a lei complementar que o Estado de Santa Catarina deve instituir sua Defensoria Pública, prevista em sua Constituição Estadual, e o faz por meio da organização da Ordem dos Advogados do Brasil, Seção Estadual, a quem compete selecionar e organizar listas dos profissionais que manifestarem interesse em integrar tal organização. Tal determinação legal é suficiente para identificarmos que a pessoa física irá laborar no cumprimento de uma missão constitucional do Estado, ou seja, sua prestação de serviços se dá na necessidade do Estado de Santa Catarina. É dizer, atuando como defensor público, o advogado, segurado contribuinte individual, presta serviços para o Estado de Santa Catarina. Muito em razão disso que o artigo 3º do mencionado diploma complementar explicita que o Estado de Santa Catarina instituirá regime de remuneração em favor dos advogados que promoverem no juízo cível, criminal e várias especializadas a defensoria dativa e a assistência judiciária. De tais constatações é forçoso reconhecer que a prestação de serviços remunerados pelos contribuintes individuais ocorre para o Estado de Santa Catarina, que por óbvio tem relação pessoal e direta com o fato gerador da contribuição previdenciária, se tornando por força de lei tributária, sujeito passivo dessas contribuições sociais. Identificados o fato gerador e o sujeito passivo, resta apenas reconhecer que a base de cálculo das contribuições previdenciárias, é o valor da remuneração percebida pela pelo contribuinte individual, nos termos do inciso III tanto do artigo 22 quanto do artigo 28 da Lei de Custeio. Assentados na ocorrência do fato gerador, e na identificação do sujeito passivo e do salário de contribuição, assim denominada a base de cálculo da contribuição previdenciária, passemos a apreciar o recurso de ofício e o voluntário na ordem de suas alegações. RECURSO DE OFÍCIO A decisão de piso tem a seguinte parte dispositiva (fls 12037): "Acordam os membros da 7ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgar procedente em parte a impugnação Fl. 12156DF CARF MF Processo nº 11516.724173/201356 Acórdão n.º 2201003.554 S2C2T1 Fl. 12.145 25 apresentada pelo Estado de Santa Catarina, procedente a impugnação apresentada pela OAB SC, mantendose parcialmente o crédito tributário exigido e excluindose do pólo passivo a Ordem dos Advogados do Brasil de Santa Catarina – OAB SC (CNPJ: 82.519.190/000112), vinculada ao débito na qualidade de devedora solidária, tudo nos termos do Voto do Relator. Recorrese de ofício desta Decisão ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, nos termos da legislação vigente, em decorrência da redução da multa aplicada no AIOP Debcad nº 51.053.8690, de 150% para 75%, e da exclusão de devedor solidário do pólo passivo dos lançamentos fiscais cujo montante total é superior ao valor de alçada." (destaquei) Do trecho transcrito, observo que o recurso de ofício versa sobre a exclusão da OAB/SC como devedora solidária do crédito tributário lançado. Assim se manifestou o voto condutor da decisão recorrida (fls. 12074) Em continuidade, no capítulo XI do REFISC, a auditoria fiscal aborda especificamente a questão da responsabilização solidária da OAB SC pelos créditos tributários aqui cobrados, dispondo que tendo em vista o papel da OAB SC quanto ao gerenciamento dos serviços de Defensoria Dativa, aliado ao fato de ser a responsável pelo recolhimento das contribuições devidas, nos termos do art. 57, § 14, da IN RFB 971/2009, inclusive as retidas dos contribuintes individuais e não repassadas à Previdência Social (com a devida comprovação material dos fatos), demonstrou interesse comum na redução das obrigações tributárias, passando a ser solidária nos termos do inciso I do art. 124 do CTN, transcreve artigo: Solidariedade Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; Novamente, quanto aos aspectos da responsabilidade sobre os recolhimentos e sobre a retenção das contribuições dos contribuintes individuais, são assuntos já abordados e que não concorda este julgador com as conclusões da fiscalização no que tange à OAB SC. Relativamente ao interesse comum previsto no art. 124, inciso I, do CTN, necessária a efetiva caracterização desse interesse na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, para que se impute a terceiros a responsabilidade solidária pelos lançamentos. Com efeito, atinente ao instituto da solidariedade leciona Leandro Paulsen em sua conhecida obra “Constituição e Fl. 12157DF CARF MF 26 Código Tributário à Luz da Doutrina e da Jurisprudência1” que “ (...) a rigor, só o contribuinte é sujeito passivo da relação contributiva. Os demais são sujeitos passivos de relações específicas de substituição ou de responsabilidade tributária, com deveres próprios cujo descumprimento pode implicar a obrigação de pagar o montante do tributo devido pelo contribuinte”. Tal é o caso da responsabilidade solidária, assim entendida quando na mesma obrigação concorre mais de um devedor, cada um obrigado à dívida toda (Código Civil, art. 896, parágrafo único). Nesse compasso, o CTN postula que serão solidários ao contribuinte ou responsável tanto as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua fato gerador da obrigação principal (inciso I do art. 124), solidariedade factual (que é a nossa situação), quanto as pessoas expressamente designadas em lei (inciso II), solidariedade de direito. Vêse, desde logo, que não é fácil alcançar o conceito de ‘interesse comum’ para definição da responsabilidade solidária, posto que a lei não o delimitou. Marcos Vinícius Néder2 registra que o texto utilizouse de expressões vagas, que demandam decisão de ordem semântica. Observemos especialmente as palavras “interesse”, que pode ser de fato ou jurídico; “comum”, cujo significado aceita diversas acepções (v.g., coincidente, usual, simples, pertencente a mais de uma pessoa); a expressão “situação que constitua o fato gerador”, que pode ser situação de fato ou de direito. Há necessidade, portanto, de se conceituar o que seja interesse comum “na situação que constitua fato gerador da obrigação principal”. A leitura isolada dos enunciados desse artigo pode levar a interpretação de que a solidariedade aplicase em todos os casos em que houver interesse meramente de fato na situação (v.g., interesse econômico, moral, social), ampliando em demasia a possibilidade de as autoridades fiscais atribuírem a pessoas alheias ao fato jurídico tributário a condição de devedor solidário. Na verdade, a adoção de tal interpretação representaria a subversão das prescrições constitucionais que regulam competência tributária e limitações ao poder de tributar do Estado. ... Alf Ross3, com muita habilidade, faz distinção entre os interesses comuns e os coincidentes. Nos primeiros, as pessoas interessadas são vinculadas por circunstâncias externas Fl. 12158DF CARF MF Processo nº 11516.724173/201356 Acórdão n.º 2201003.554 S2C2T1 Fl. 12.146 27 formadoras de solidariedade (consciência de grupo) que os une; enquanto, nos coincidentes, o vínculo visa apenas a uma necessidade específica (tarefa). Já Rubens Gomes de Sousa4, embora ressalvando que o interesse comum das pessoas não é revelado pelo interesse econômico no resultado ou no proveito da situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, deduz que “(...) é solidária a pessoa que realiza conjuntamente com outra, ou outras pessoas, a situação que constitui o fato gerador ou que, em comum com outras pessoas, esteja em relação econômica com o ato, fato ou negócio que dá origem a tributação, por outras palavras (...) pessoa que tira uma vantagem econômica do ato, fato ou negócio jurídico” No caso em comento, o fato gerador da obrigação tributária decorre do pagamento da remuneração aos segurados obrigatórios da Previdência Social. Sendo o Estado de Santa Catarina o contratante e quem remunera os advogados dativos, na execução dos serviços previstos constitucionalmente e de responsabilidade única do Estado, utilizouse da OAB SC para organizar, ser um facilitador dos serviços de cunho eminentemente social, realizar a tarefa específica de auxiliar o Estado na prestação de serviços da Defensoria Dativa aos hipossuficientes, não há para a OAB SC a citada relação econômica com o fato que dá origem à tributação, não tira ela vantagem econômica nenhuma do negócio jurídico. Diante de todo o já explicitado nesse Voto, fica caracterizado o interesse coincidente das partes envolvidas, no sentido da realização da tarefa de se prestar serviços relativos à Defensoria Dativa aos hipossuficientes, mas não o interesse comum, necessário a configuração da responsabilidade solidária da OAB SC. Assim, entende esse julgador que OAB SC não pode ser responsabilizada individualmente pela integral dívida tributária (o que é característica da solidariedade), ou seja, deve ser afastada a responsabilidade solidária da OAB SC relativamente aos créditos tributários lançados na presente ação fiscal, já que não caracterizado o interesse comum previsto no inciso I do art. 124 do CTN, e nem se mantém as assertivas da fiscalização no que tange à responsabilidade sobre os recolhimentos das respectivas contribuições previdenciárias e sobre a retenção das contribuições dos contribuintes individuais." Não se pode concordar com a decisão "a quo". Há interesse comum entre o Estado de Santa Catarina e a OAB/SC. Senão, vejamos. Como dito na decisão de piso, por interesse comum na ocorrência do fato gerador, devese entender a existência de mais um partícipe da relação jurídica tributária. Recordemos as palavras de Rubens Gomes de Souza, citadas pelo julgador de piso: “(...) é solidária a pessoa que realiza conjuntamente com outra, ou outras pessoas, a situação que constitui o fato gerador ou que, em comum com outras pessoas, esteja em relação Fl. 12159DF CARF MF 28 econômica com o ato, fato ou negócio que dá origem a tributação, por outras palavras No sentido da lição de Rubens Gomes de Souza, o exemplo clássico, o mais comum, é o de dois irmãos que sejam proprietário de um mesmo terreno urbano. Por ostentarem a condição de proprietários, os dois, mesmo que meeiros do terreno, são solidários por todo o IPTU devido. Tal entendimento é um tanto quanto pacífico na doutrina. Schoueri (ob. cit., pág 525) explicita que "interesse comum só têm as pessoas que estão no mesmo polo na situação que constitui o fato jurídico tributário". Regina Helena Costa (Curso de Direito Tributário, Ed. Saraiva, 3ª ed. pag. 212) na mesma linha, adverte: "A solidariedade tributária, que é sempre passiva,somente pode existir entre dois sujeitos que figurem nesse polo da relação obrigacional. Importa salientar que a solidariedade, sob este fundamento, não constitui modalidade de sujeição passiva indireta, como sustentam alguns doutrinadores, visto que os devedores solidários não são terceiros porquanto realizam a situação fática descrita na hipótese de incidência" Assentemos. É responsável solidário aquele que tem interesse comum no fato gerador tributário, assim entendido aquele que concorreu a partir da mesma conduta com o sujeito passivo na consecução do fato gerador tributário. Voltemos à imputação fiscal. Encontramos às folhas 46: "11 O exame de todo o relato deste REFISC, notadamente o papel da Ordem dos Advogados do Brasil em Santa Catarina quanto ao papel de gerenciamento no serviços da Defensoria Dativa, aliado ao fato de ser a responsável pelo recolhimento das contribuições devidas, nos termos do Art. 57 § 14 da IN RFB n° 971/2009, inclusive as retidas dos contribuintes individuais e não repassadas à Previdência Social (com a devida comprovação material dos fatos), demonstrou o interesse comum na redução das obrigações tributárias, passando a ser "solidária" nos termos do inciso I, do art. 124 do CTN que estabelece: (...)" Na visão do Fisco, por ter organizado, escolhido, operacionalizado inclusive o pagamento e fiscalizado a prestação de serviços do contribuinte individual, exsurge o interesse comum na ocorrência do fato gerador. Assiste razão ao Auditor Fiscal, pois a OAB/SC atuou no sentido da remuneração da pessoa física que prestava um serviço que lhe interessava. Ao recordarmos que a hipótese de incidência das contribuições sociais previdenciárias é o trabalho remunerado da pessoa física e que no caso em apreço esse trabalho era se consubstanciava na atuação como advogado dativo para o Governo do Estado, com organização, escolha, operacionalização e controle por parte da Ordem dos Advogados de Santa Catarina, não cabe a menor dúvida na existência de interesse comum na ocorrência do Fl. 12160DF CARF MF Processo nº 11516.724173/201356 Acórdão n.º 2201003.554 S2C2T1 Fl. 12.147 29 fato gerador, posto que parte das atividades típicas do 'tomador de serviços', do empregador em sentido amplo, era realizada pela OAB/SC. Tanto assim o é que, a própria sujeição passiva foi objeto de análise não só pela autoridade lançadora, como também objeto de insurgência pelo sujeito passivo e pela própria OAB, o que levou a decisão de piso a enfrentar a questão. Ora, diante do fatos narrados não se pode admitir, como fez a decisão recorrida que não há interesse comum no fato gerador, somente interesse coincidente, quando segundo a própria doutrina de Rubens Gomes de Souza, apresentada pelo julgador de primeiro grau, se entende que “(...) é solidária a pessoa que realiza conjuntamente com outra, ou outras pessoas, a situação que constitui o fato gerador ou que, em comum com outras pessoas, esteja em relação econômica com o ato, fato ou negócio que dá origem a tributação, por outras palavras (...) pessoa que tira uma vantagem econômica do ato, fato ou negócio jurídico”, ou seja, o Governo do Estado e a OAB por força de Lei se unem no sentido de prover a Defensoria Pública, sendo que o primeiro obrigado a prestar o serviço contrata quem o faz e arca com seu custo; já o segundo legalmente designado como organizador e operacionalizador executa todas as tarefas necessárias para que o serviços seja prestado, e é por isso remunerado. Diante do exposto, dou provimento ao recurso de ofício nessa parte, determinando a manutenção da solidariedade da Ordem dos Advogados do Brasil, Seção de Santa Catarina, pelo crédito tributário constituído. DA MULTA QUALIFICADA A decisão recorrida afastou a multa qualificada aplicada pela Autoridade Lançadora, que assim motivou, no relatório fiscal, a majoração da sanção (fls.47): "XIII DA MULTA APLICADA 13 A multa aplicada relativo as contribuições patronais (01/2009 a 03/2011) e as contribuições dos contribuintes individuais não descontadas (01/2009 a 06/2010) correspondeu a 75% do valor devido, nos termos do inciso I, do art. 44 da lei n° 9430, de 27/12/1996 13.1 A multa aplicada relativo as contribuições dos contribuintes individuais descontadas dos mesmos (09/2010 a 03/2011) correspondeu a 150% do valor devido, nos termos do §1° do art. 44 da lei n° 9430, de 27/12/1996." Examinando a questão, a turma recorrida decidiu (fls 12.080): "Dispõe o Estado de Santa Catarina acerca da impossibilidade de multa em dobro para a contribuição previdenciária descontada, já que a fiscalização aplicou no AIOP Debcad nº 51.053.8690 a multa pelo percentual de 150% e não o de 75%. Transcreve art. 44 da Lei nº 9.430/96 e os artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64, reforçando que a fiscalização entendeu que houve dolo configurador de sonegação ou fraude fiscal. Aduz ainda que está clara a inexistência de intenção deliberada dos agentes envolvidos de impedirem ou retardarem o recolhimento Fl. 12161DF CARF MF 30 da contribuição previdenciária, o que houve foi uma providência acautelatória no escopo de resguardar as quantias que poderiam ser consideradas devidas à Previdência Social, não tendo havido sonegação ou fraude no caso, o que afasta a duplicação do percentual da multa. Observese que o § 1º do art. 44 da Lei nº 9.430/96 prevê a aplicação de multa em percentual duplicado (150%) quando presentes alguma das hipóteses contidas nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64, que tratam da sonegação, fraude ou conluio, produzidos de forma dolosa. Para tanto, necessário se faz a efetiva caracterização da ocorrência de uma dessas hipóteses. Nesse contexto, importante registrar que no REFISC não há qualquer referência às razões que levaram a fiscalização a qualificar a multa aplicada, não há a caracterização inequívoca da presença da conduta dolosa tipificada nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64, pressupostos indispensáveis para a aplicação da multa no percentual de 150%. Pelo contrário, reforcese, nenhuma referência aos motivos que levaram à aplicação da multa do § 1º do artigo 44 da Lei nº 9.430/96 existe no REFISC, apenas no item 13.1 existe a informação de aplicouse o percentual de 150% conforme dispositivo da Lei nº 9.430/96 citado. Por ter aplicado a multa qualificada apenas no AIOP referente às contribuições previdenciárias descontadas dos segurados contribuintes individuais, pressupõe este julgador que o motivo da duplicação da multa foi a ocorrência de retenção não repassada aos cofres públicos, o que não caracteriza por si só, a conduta ensejadora da aplicação da multa com base no § 1º do artigo 44 da Lei nº 9.430/96, pelo percentual de 150%. Desta forma, não restando comprovada a conduta dolosa do contribuinte prevista na legislação acima abordada, não há que se falar em aplicar a multa qualificada no percentual de 150%, devendo ser reduzida ao patamar de 75%, conforme requereu a impugnante." (destaquei) Não merece reparo a decisão de primeiro grau. Como muito bem asseverado, não havendo a comprovação de prática pelo sujeito passivo das condutas previstas na Lei nº 9.430/96, não se aplica a majoração da multa de ofício. É ônus do Fisco tal comprovação. Mera leitura dos preceitos da Lei nº 94360/96 demonstra tal necessidade: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; Fl. 12162DF CARF MF Processo nº 11516.724173/201356 Acórdão n.º 2201003.554 S2C2T1 Fl. 12.148 31 (...) § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis." Por seu turno, a Lei nº 4.502/64 preceitua: "Art . 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72." Havendo a ação ou omissão dolosa no sentido da fraude, da sonegação ou do conluio, termos explicitados na lei tributária, haverá a imputação da multa de ofício em dobro, consoante se observa na Lei nº 9.430/96. Logo, não se pode admitir o gravame da sanção sem a explicitação pela Autoridade Fiscal de qual conduta foi praticada pelo sujeito passivo e mais, a comprovação da ocorrência da conduta. Reconheço que tal encargo é de difícil cumprimento, isto é, por vezes é oneroso ao Fisco tal comprovação, porém não se pode alargar por interpretação aquilo de o legislador optou pela explicitar na letra fria da lei. Como bem apontado pelo julgador a quo, o Auditor Fiscal não só não comprovou a conduta sonegadora ou dolosa como também nem explicitou qual delas em seu entendimento ocorreu. Por todo o exposto, nego provimento ao recurso de ofício nessa parte. Em conclusão, voto por dar provimento parcial ao recurso de ofício para restabelecer a solidariedade passiva entre a OAB/SC e a Secretaria do Estado de Santa Catarina de Justiça e Cidadania. RECURSO VOLUNTÁRIO Fl. 12163DF CARF MF 32 Passo agora a apreciar o recurso voluntário na ordem de suas alegações. INOCORRÊNCIA DE FATO GERADOR. INEXISTÊNCIA DE QUALQUER RELAÇÃO JURÍDICA ENTRE O ESTADO DE SANTA CATARINA E OS ADVOGADOS. Segundo a Recorrente ( fls. 12093), não há qualquer relação jurídica ou fática entre o Estado e os advogados, o que afasta a ocorrência do fato gerador. São seus argumentos: "A r. Decisão recorrida afastou a afirmação de inexistência de fato gerador a ser tributado, algo que contraria a lei, a constituição federal e a jurisprudência. Não há falarse em contribuição previdenciária quando o. mero pagamento é efetuado por pessoa/entidade intermediária, não destinatária do serviço prestado. Nesse sentido, o Egrégio Superior Tribunal de Justiça possui jurisprudência pacífica. A Corte chegou à conclusão após apreciar inúmeras demandas envolvendo planos de saúde. As seguintes ementas bem ilustram o aleagdo: (...)" (negritei e sublinhei) Não se pode concordar com as alegações da Recorrente. Como demonstrado no preâmbulo do presente voto, o Estado de Santa Catarina, cumprindo o dever constitucionalmente imposto, instituiu sua Defensoria Pública por meio da contratação de advogados devidamente cadastrados, para atuação nas causas de interesse dos cidadãos com direito à assistência jurídica do Estado. A Lei Complementar Estadual nº 155/97, confirma a afirmação e mais, determina que a Ordem dos Advogados do Brasil, Seção Santa Catarina, organize, operacionalize, controle e fiscalize a atuação desses profissionais em nome do Estado de Santa Catarina, que arca com as despesas de tal estrutura. É nesse sentido que o fato da OAB/SC saber do quanto devido e para quem é devido o valor pela prestação de serviços a não a torna a tomadora destes, posto que tal atribuição é imposta a ela pela lei complementar, uma vez que a ela cabe toda a operacionalização da prestação dos serviços dos advogados dativos e não a destinação deste, que é como dito, o cumprimento do dever constitucional imposto ao Estado. Assim, como foi explicitado linhas atrás, existe a prestação de serviços por pessoa física ao Estado de Santa Catarina, que remunera os trabalhadores, que atuam para que o Estado cumpra seu mister de prestar assistência jurídica aos necessitados. Logo, recordando que a prestação de serviços remunerados por pessoa física é fato gerador de contribuição previdenciária, observo a ocorrência do fato gerador. Por fim, importante ressaltar que as alegações de que os serviços dos advogados dativos foram prestados para a OAB/SC, já foram enfrentados anteriormente, quando da demonstração da relação entre as pessoas físicas e o Estado de Santa Catarina. Nem se diga que as retenções relativas às contribuições devidas pelos segurados contribuintes individuais foram realizadas pela OAB/SC. Fl. 12164DF CARF MF Processo nº 11516.724173/201356 Acórdão n.º 2201003.554 S2C2T1 Fl. 12.149 33 Sobre o tema, reproduzo a decisão de piso, que por sua clareza e precisão, conta com minha total anuência (fls 12071): De tudo que se vê nos autos e do resumo acima, este julgador não concorda com a conclusão a que chegou a auditoria fiscal que existe comprovação inequívoca de que a OAB SC procedeu à retenção dos valores das contribuição dos contribuintes individuais, advogados dativos. Isto porque: Os documentos juntados aos autos e que a própria fiscalização aponta como base para os lançamentos que efetuou, Anexos I a VI e Doc. 6, apresentam valores retidos efetivamente a partir de 09/2010 em diante. Informa a OAB SC que o Estado de Santa Catarina começou a proceder à retenção dos 11% a partir do Decreto Estadual nº 3.470, de 23/08/2010, publicado exatamente antes do início das retenções efetuadas, 09/2010. Para melhor visualizarmos a questão, transcrevo trecho do referido Decreto: "Considerando: a) a existência de controvérsia ainda a dirimir na esfera administrativa e judicial sobre a incidência ou não de contribuição previdenciária sobre os valores repassados pela Ordem dos Advogados do Brasil, Seção de Santa Catarina, aos advogados que exercem funções de Defensoria Dativa e Assistência Judiciária Gratuita no Estado de Santa Catarina, bem como sobre qual seria a pessoa jurídica responsável pelo respectivo recolhimento; e b) a decisão constante do Acórdão n2 0716.216, da 5a Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal em Florianópolis, proferida nos Autos do Processo ns 11516.006368/200853, entendendo ser do Estado de Santa Catarina, e não da Ordem dos Advogados do Brasil, a responsabilidade pelo recolhimento da contribuição supostamente devida, bem como a tendência de vir o Estado de Santa Catarina a receber notificação de lançamento, DECRETA: Art. 1 Sobre o valor transferido à Ordem dos Advogados do Brasil Seção de Santa Catarina para fins de pagamento aos advogados que exercem as funções de Defensoria Dativa e Assistência Judiciária Gratuita, a Secretaria de Estado da Fazenda SEF, pelo Diretor do Tesouro, deverá fazer, previamente ao respectivo repasse, provisão para contingência em conta específica das parcelas relativas ao Imposto de Renda Pessoa Física e à Contribuição Previdenciária ao Instituto Nacional do Seguro Social INSS.(grifos nossos) Fl. 12165DF CARF MF 34 Art. 2 Os valores depositados a título de provisão ficarão retidos até que seja dirimida a controvérsia quanto incidência das exações fiscais e à responsabilidade pelo recolhimento, devendo qualquer imposição futura de penalidade ou juros ser suportada pelos recursos da conta específica, eximido de responsabilidade o ordenador da despesa relativa à transferência do valor a que se refere o artigo anterior. Art. 3 Este Decreto entra em vigor na data de sua publicação. Ora, constatase no texto acima que ficou claramente definido que a responsabilidade pela retenção da contribuição dos advogados dativos, feita a título de provisionamento para contingência, é do Estado de Santa Catarina através do Diretor do Tesouro da Secretaria de Estado da Fazenda, e não da OAB SC, e feita antes do repasse à OAB SC. Ou seja, os valores relativos ao pagamento dos advogados dativos quando chegam à OAB SC já estão com a retenção deduzida. De fato. Por amostragem, este julgador analisou os recibos de pagamento juntados pela fiscalização no processo, Doc. 26 e a relação dos contribuintes individuais na prestação de contas da OAB SC para com o Estado de Santa Catarina, doc. 25, e constatou que: O recibo de pagamento, emitido pela OAB SC, informa que o Estado de Santa Catarina pagou ao advogado, identifica a parcela retida do INSS e o valor líquido recebido pelo profissional e que o Estado reteve a contribuição de 11% do contribuinte individual. Pegando o recibo de André do Amaral Pereira, de fevereiro de 2012, às fls. 10.386, constatase que ele recebeu o valor líquido de R$ 132,61. Já na relação prestação de contas que a OAB SC faz com o Estado, às fls. 10.332, temse que ele recebeu os mesmos R$ 132,61, ou seja, fica efetivamente caracterizado que o repasse foi feito dos valores líquidos, já que são esses que a OAB SC se utiliza para prestar contas. Da mesma forma, temse com o recibo de Giovana Gnecco Colombo, de julho de 2012, às fls. 10.394, e a prestação de contas às fls. 10.349, pelo valor líquido de R$ 530,44. Também por amostragem, cotejamos os recibos de pagamento juntados pela fiscalização e os documentos de prestação de contas da OAB SC junto ao Estado de Santa Catarina trazidos pela impugnante anexos à sua defesa, apesar destas não estarem autenticadas pela RFB. Neste contexto, também se confirma o repasse e a prestação de contas de valores líquidos repassados aos advogados dativos: Na competência 09/2010, temse às fls. 10.366 o recibo de pagamento de José Zanella, pelo montante líquido de R$ 1.134,75, mesmo valor apresentado na prestação de contas de fls. 10.944 trazida na defesa. Na mesma competência, o advogado José Zanin recebe o mesmo valor líquido, comprovado pelo recibo de pagamento de fls. 10.368 e prestação de contas de fls. 10.944. Fl. 12166DF CARF MF Processo nº 11516.724173/201356 Acórdão n.º 2201003.554 S2C2T1 Fl. 12.150 35 Na competência 12/2010, temse às fls. 10.374 o recibo de pagamento de Valdir Mendes, pelo montante líquido de R$ 1.134,75, mesmo valor apresentado na prestação de contas de fls. 11.068 trazida na defesa. Ainda, na competência 03/2011, o advogado Ronaldo Silva recebe o valor líquido de R$ 1.223,75, comprovado pelo recibo de pagamento de fls. 10.381 e prestação de contas de fls. 11.212. Dispõe também a fiscalização não ter identificado nos documentos fiscais apresentados, balancetes 2008 a 2011 e Livros Diário e Razão contábil 2012, onde a OAB SC lançou as retenções efetuadas, o que, pelo acima exposto, também se mostra correto, já que não procedeu à referida retenção. Quanto a resposta ao quesito formulado pela fiscalização relativamente ao destino da retenção efetuada no montante de R$ 5.736.548,00 (valor, inclusive, que este julgador não logrou êxito em localizar no processo, mas que possivelmente, diante de todo o conjunto, referese às retenções efetuadas de 09/2010 em diante, conforme Anexo VI, cujo valor se aproxima) e que a OAB SC informa não ter sido possível obter tais informações que teriam sido praticadas pela Administração anterior, não nos parece conclusivas para, diante dos elementos acima, afirmarmos inequivocamente que a OAB SC procedeu a estas retenções. Indica, na verdade, que diante da falta de documentos para poder atender à intimação do fisco, a diretoria apontou os responsáveis por qualquer ato praticado naquele período, qual seja, a administração anterior. Portanto, reforço, entendo não ter restado inequivocamente comprovada a retenção feita pela OAB SC nos pagamentos dos advogados dativos, conforme alega a própria OAB SC, tendo sido o Estado de Santa Catarina quem procedeu à referida retenção, em perfeita consonância com o determinado no Decreto Estadual nº 3.470, de 23/08/2010." (negritei) Pelo exposto, e pelos motivos e fundamentos acima apresentados, nego provimento ao Recurso Voluntário nessa parte. ILEGALIDADE DA BASE DE CÁLCULO UTILIZADA. VALOR TOTAL REPASSADO À OAB. Sobre a base de cálculo utilizada pelo lançamento, a Recorrente alega ilegalidade. Vejamos (fls. 12105): "0 relatório da notificação fiscal, ao indicar a base de cálculo adotada para o lançamento, demonstra com clareza a incompatibilidade do parâmetro adotado com aquele previsto em lei. Indica a autoridade notificante: Fl. 12167DF CARF MF 36 "9.1 — Foram consideradas bases de cálculo das contribuições previdenciárias os valores repassados pelo Governo do Estado de Santa Catarina à OABSC (Doe. 6), estando reproduzidos nos ANEXOS I a V e resumidos no ANEXO VI, valores estes que passam a ser saláriodecontribuição, nos termos do Art. 28, III da Lei n. 8.212/91" Ora, os dispositivos legais indicados para o lançamento são flagrantemente diferentes do utilizado, seja para a contribuição previdenciária patronal quanto para passível de retenção: (...) Com efeito, ao indicar que foi utilizada como base de cálculo o valor repassado para a OAB pelo Estado a Receita Federal deixa claro que inseriu no valor cobrado verbas claramente descabidas e que tem dúvidas sobre a existência do fato gerador, já que não conseguiu configurar, em relação ao Estado de Santa Catarina, um quantum tributável em relação aos contribuintes individuais." (negrito não consta do recurso) Não se pode concordar com o argumento, posto que dista da realidade fática constante dos autos. A autoridade lançadora utilizou o valor destinado a cada contribuinte individual como salário de contribuição, nos termos da legislação vigente. Vejamos, por pequena amostragem, o conteúdo dos anexos mencionados no recurso: Fl. 12168DF CARF MF Processo nº 11516.724173/201356 Acórdão n.º 2201003.554 S2C2T1 Fl. 12.151 37 Simples leitura demonstra o flagrante equívoco do Recorrente. Não foi adotado o valor repassado à OAB e sim os valores individualmente repassados, inclusive com os destaques das retenções devidas, isso a partir de quando o Recorrente passa a reconhecer a sua obrigação tributária. Recurso voluntário negado também nessa parte. CONSIDERAÇÕES SOBRE O FATO GERADOR. ART. 22, 28 E 30 DA LEI 8.212/91. Alega o Recorrente a inexistência do fato gerador, posto que, em sua visão não houve prestação de serviços para o Estado e sim para os cidadãos. Por via de consequência não houve pagamento, posto que o Estado nem tinha conhecimento prévio de quem receberia os valores e se houvesse tributo a ser recolhido isto seria de responsabilidade da OAB/SC. O tema já foi largamente discutido no preâmbulo deste voto. Despiciendas novas considerações. Tal desnecessidade de novo enfrentamento dos argumentos recursais, posto que enfrentados alhures, também ocorre quanto às alegações de que o Estado de Santa Catarina não é o sujeito passivo da relação jurídica tributária e de que a base de cálculo utilizada no lançamento está incorreta Recurso voluntário negado também nessas partes. AUSÊNCIA DE CONFERÊNCIA DA SITUAÇÃO DE CADA ADVOGADO PARA LANÇAMENTO DO TRIBUTO. NECESSIDADE DE CONSTATAÇÃO SE ALGUM JÁ RECOLHIA PELO TETO DE CONTRIBUIÇÃO. Com base no artigo 28, III da Lei de Custeio, o Recorrente entende que o Fisco deveria ter verificado se cada advogado já não recolheu a contribuição por ele devida, em razão do teto estabelecido para a contribuição do segurado. Fl. 12169DF CARF MF 38 Sobre a questão, assim se pronunciou a decisão de piso (fls 12078): "Dispõe a legislação que presumese feita a retenção das contribuições dos contribuintes individuais pelo contratante, ou seja, é obrigação legal do Estado de Santa Catarina proceder à retenção e repasse aos cofres públicos dessa contribuição. Não o tendo feito não lhe é cabível alegar que a fiscalização deveria proceder a verificação dos recolhimentos dos advogados contribuintes individuais para se eximir dessa sua obrigação. E ainda, é responsabilidade do contribuinte individual, caso já tenha sofrido retenção que supere ao limite legal do teto de contribuição, informar ao seu contratante e comprovar tal fato, ficando então, este contratante dispensado de proceder à referida retenção, desde que tudo devidamente comprovado. Tudo isto está acima demonstrado, e, assim, não procedem as alegações em sentido contrário do impugnante." (destaquei). Não obstante os acertados argumentos da decisão de primeira instância, necessário ainda recordar que a dialética da provas exige que o contribuinte apresente, e comprove, fatos impeditivos, modificativos ou extintivos do direito de crédito do Fisco constante do lançamento e, no caso, devidamente corroborado por provas. Tal exegese, no sentido da exigência de comprovação dos fatos alegados pelas partes constantes do processo administrativo tributário, consta do Decreto nº 70.235 em especial dos artigos 9º e 15. Como bem apontado pela decisão de piso, não pôde o Recorrente se desvencilhar do encargo probatório, não se permitindo, portanto, admitir tal argumento. Por ser fato modificativo do direito de crédito do Fisco, posto que há um limite legal para a contribuição do segurado, cabe ao Recorrente a comprovação de tal fato ocorreu, ou seja, que para os segurados x, y e z, não é devida a retenção da contribuição incidente sobre a remuneração por ele percebida Tal comprovação é ônus do Recorrente, não cabendo à Administração Tributária tal encargo. Cabe à empresa o dever de reter e recolher a contribuição dos segurados que lhe prestam serviços durante o mês, consoante expressa disposição da Lei de Custeio. Para se eximir do desconto, o segurado deverá comprar ao substituto tributário (a empresa para o qual presta serviço), que houve o desconto da contribuição naquele mês por outro empregador. Recurso voluntário negado também nessa parte Por fim, argumenta no sentido da relevação dos juros e multas em razão da mudança de entendimento da Receita Federal do Brasil que, na visão do Recorrente, entendia que não havia tributação dos valores pagos pelo Estado aos advogados dativos por intermédio da OAB/SC. Entende ser aplicável os preceitos do CTN sobre a prática reiterada da Administração Tributária integrar a legislação tributária. Alega ainda não ser possível imputar multa ao Estado de Santa Catarina, mero repassador de recursos à OAB/SC e aplicação do princípio do não confisco para excluir a multa. Não se pode concordar com o Recorrente. Fl. 12170DF CARF MF Processo nº 11516.724173/201356 Acórdão n.º 2201003.554 S2C2T1 Fl. 12.152 39 O surgimento da obrigação tributária, seja a principal, seja a acessória, decorre de lei. Seu inadimplemento enseja aplicação da sanção legalmente prevista, independentemente da intenção do agente. Nesse sentido, e em face da minha total concordância com os motivos e os fundamentos da decisão de piso, reproduzoa e tomo com a devida permissão como minha: "Discorre o Estado de Santa Catarina em sua impugnação sobre os valores de juros e multas aplicadas, requerendo a não aplicação em virtude de: i) Defensoria Dativa – pratica reiterada da fiscalização não tributar. O Estado de Santa Catarina vem há mais de 40 anos remunerando os defensores dativos pelos serviços jurídicos que prestam aos necessitados, sem qualquer dúvida sobre a não ocorrência do fato gerador do tributo ora pleiteado. Se por mais de 40 anos a Fazenda Federal quedouse inerte não pode repentinamente cobrar juros e impor penalidade de multa como se o devedor tributário fosse aquele que de modo contumaz deixa de cumprir suas obrigações tributárias. Cita e transcreve art. 100, do CTN, que no inciso III, trata da práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas. Incabível seu pleito, já que o art. 100 deve ser aplicado como norma complementar às leis, não sendo aplicável na situação alegada pela autuada. ii) Da impossibilidade de cobrança de multa do Estado de Santa Catarina. Aduz que não é o Estado e sim a OAB SC que deve ser responsabilizada pela infração, uma vez que apenas repassa recursos à OAB SC. No caso de dúvida da fiscalização sobre ente deveria recolher o tributo, deve ser aplicado o art. 112 do CTN. Não há dúvida por todo o exposto Voto de quem é o ente responsável pelas contribuições lançadas, não procedem suas argumentações. iii) Da exorbitância dos valores aplicados. No que diz respeito especificamente ao caráter confiscatório da multa aplicada nos AIOP, não se pode acatar esta tese da impugnante. A argumentação de que a Constituição Federal proíbe o confisco, não prospera, eis que a vedação constitucional ao confisco, antes de tudo, é dirigida ao legislador ordinário, que deve respeitála no processo de elaboração legislativa, cabendo às autoridades administrativas o papel de aplicar as determinações legais emanadas dos poderes competentes e zelar pelo cumprimento Fl. 12171DF CARF MF 40 das obrigações tributárias por parte dos contribuintes. O lançamento é uma atividade vinculada e obrigatória, não cabendo juízo de valor quanto a este suposto aspecto alegado pela impugnante. Nesse contexto, há que se destacar que um dos princípios basilares da administração pública é o da legalidade, princípio que obsta a aplicação da discricionariedade pelo gestor público, ou seja, existe a obrigação de cumprir e respeitar as leis em vigor. Assim, a lei, cuja invalidade ou inconstitucionalidade não tenha sido declarada pelos órgãos competentes do Poder Judiciário, surtirá efeito enquanto vigente e será obrigatoriamente cumprida pela administração por força do ato administrativo vinculado. Não é possível, em sede administrativa, afastar a aplicação de legislação em vigor, conforme estabelece o art. 18 da Portaria RFB nº 10.875, de 16/08/2007 (DOU de 24/08/2007) e art. 26A do Decreto 70.235/1972, acrescentado pela MP 449, de 03/12/2008, transformada na Lei nº 11.941/2009, este transcrito abaixo: “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.” Também o CARF – Conselho Administrativo de Recursos Fiscais já se manifestou sobre o assunto, através da Súmula CARF nº 2, comprovando o entendimento pacífico na jurisprudência administrativa: “Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Sendo assim, a Administração deve absterse de reconhecer ou declarar a inconstitucionalidade ou sua ilegalidade e, sobretudo, de aplicar tal reconhecimento ou declaração nos casos concretos, de leis, dispositivos legais e atos normativos que não tenham sido assim expressamente declarados pelos órgãos competentes. No âmbito do procedimento administrativo tributário, cabe exclusivamente verificar se o ato praticado pelo agente está, ou não, conforme a legislação, sem emitir juízo sobre a legalidade ou a constitucionalidade das normas jurídicas que embasam aquele ato. Isto posto, não compete à instância administrativa de julgamento manifestarse sobre eventuais violações a princípios constitucionais ou de inconstitucionalidade ou ilegalidade de dispositivos legais, que assim não tenham sido declarados, observandose que a atuação do fisco restringiuse aos comandos determinados em dispositivos legais vigentes e constantes no REFISC e no anexo Fundamentos Legais do Débito – FLD dos AIOP. Assim, no que tange ao acima tratado, tendo a fiscalização aplicado multas e juros em cumprimento a leis vigentes em nosso ordenamento jurídico, não cabe ser acatado neste esfera Fl. 12172DF CARF MF Processo nº 11516.724173/201356 Acórdão n.º 2201003.554 S2C2T1 Fl. 12.153 41 de julgamento qualquer entendimento diverso externado pelo contribuinte em sua defesa." (destaquei) Pelo exposto, nego provimento ao recurso voluntário também nesta parte. ERRO DE CÁLCULO NULIDADE DO LANÇAMENTO A recorrente aponta erro no cálculo do tributo lançado, o que causa nulidade do ato administrativo do lançamento. Aduz (fls 12121): "Como já mencionado, a notificação exarada estampou vultosas quantias supostamente devidas pelo Estado de Santa Catarina. Contudo, não há segurança sobre os critérios utilizados pela Fiscalização na obtenção dos valores apontados. O contribuinte, in casu, não tem certeza quanto às alíquotas e índices de correção utilizados. A título de exemplo, no mês de junho de 2008 consta no Anexo I o valor total de pagamentos no montante de R$ 1.179.663,17 e o valor devido de contribuição previdenciária cota do contribuinte individual de R$ 1.205.578,03. Já no auto de infração n. 37.409.5701 foi considerado o valor de R$ 239.757, 02 como devido no mês de junho de 2008. Só esse fato já demonstra uma contradição entre o valor do Anexo I e o valor do auto de infração. Não bastasse isso, verificase que o valor realmente devido para o mês de junho de 2008, a titulo de contribuição previdenciária cota do contribuinte individual seria de R$ 129.762,95, ou seja, R$ 109.994,07 a menos do que o apontado no auto de infração" (destaques não constam do recurso) Não cabe razão à Recorrente. Em primeiro lugar, todos as bases de cálculo, alíquotas aplicáveis e fundamento legal do débito se encontram perfeitamente apresentadas e explicitadas nos diversos relatórios que compõe o Auto de Infração, sendo importante mencionar que o Contribuinte tomou ciência pessoal todos eles, quando por certo foram prestados todos os esclarecimentos necessários e oportunizado que eventuais dúvidas fossem esclarecidas pela Autoridade Fiscal. Tal afirmação decorre da declaração, constante da comprovação de entrega de todos os demais relatórios e anexos integrantes do auto de infração, firmada no Termo de Sujeição Passiva (fls 10593/10595) Fl. 12173DF CARF MF 42 Não obstante o exposto, mister ressaltar que a alegação de erro de cálculo além de não comprovada documentalmente, o que como visto acima, não tem o condão de permitir que o Colegiado firme posição (inteligência do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72 ), não se refere a período constante do auto de infração que se discute no presente processo administrativo, por óbvio não integrando a presente lide tributária. Nesse sentido, nego provimento ao recurso também nessa parte. CONCLUSÃO Por todo o exposto e com base nos fundamentos apresentados, voto por conhecer do recurso de ofício, para darlhe provimento parcial, mantendo a responsabilidade solidária da Ordem dos Advogados do Brasil, Seção de Santa Catarina, OABSC e a exclusão da qualificadora da multa de ofício . Quanto ao recurso voluntário, voto por conhecer do recurso e rejeitar a preliminar de nulidade suscitada, para, no mérito, negar provimento. assinado digitalmente CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Relator Fl. 12174DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.000526/2004-73
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 04 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Apr 24 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 1999
RECURSO ESPECIAL. PARADIGMAS QUE CONTRARIAM SÚMULA DO CARF. INADMISSIBILIDADE.
Não se admite recurso especial quando os acórdãos paradigmas indicados contrariam Súmula ou Resolução do Pleno do CARF.
Numero da decisão: 9101-002.732
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Adriana Gomes Rêgo, José Eduardo Dornelas Souza, André Mendes de Moura, Luís Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto. Ausente, momentaneamente, a Conselheira Cristiane Silva Costa. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão.
Nome do relator: ADRIANA GOMES REGO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201704
camara_s : 1ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Exercício: 1999 RECURSO ESPECIAL. PARADIGMAS QUE CONTRARIAM SÚMULA DO CARF. INADMISSIBILIDADE. Não se admite recurso especial quando os acórdãos paradigmas indicados contrariam Súmula ou Resolução do Pleno do CARF.
turma_s : 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Mon Apr 24 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10680.000526/2004-73
anomes_publicacao_s : 201704
conteudo_id_s : 5713598
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Apr 24 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 9101-002.732
nome_arquivo_s : Decisao_10680000526200473.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : ADRIANA GOMES REGO
nome_arquivo_pdf_s : 10680000526200473_5713598.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Adriana Gomes Rêgo, José Eduardo Dornelas Souza, André Mendes de Moura, Luís Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto. Ausente, momentaneamente, a Conselheira Cristiane Silva Costa. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão.
dt_sessao_tdt : Tue Apr 04 00:00:00 UTC 2017
id : 6727469
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:58:46 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048948320501760
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1509; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT1 Fl. 480 1 479 CSRFT1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10680.000526/200473 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9101002.732 – 1ª Turma Sessão de 4 de abril de 2017 Matéria CONCOMITÂNCIA DAS MULTAS ISOLADA E DE OFÍCIO Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado LIONE COMÉRCIO DE ARTIGOS ESPORTIVOS LTDA. (atual denominação de MG MASTER LTDA., sucessora de EUROSPORTS CALÇADOS LTDA) ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 1999 RECURSO ESPECIAL. PARADIGMAS QUE CONTRARIAM SÚMULA DO CARF. INADMISSIBILIDADE. Não se admite recurso especial quando os acórdãos paradigmas indicados contrariam Súmula ou Resolução do Pleno do CARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Adriana Gomes Rêgo, José Eduardo Dornelas Souza, André Mendes de Moura, Luís Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto. Ausente, momentaneamente, a Conselheira Cristiane Silva Costa. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 00 05 26 /2 00 4- 73 Fl. 480DF CARF MF Processo nº 10680.000526/200473 Acórdão n.º 9101002.732 CSRFT1 Fl. 481 2 Relatório A FAZENDA NACIONAL recorre a este Colegiado, por meio do Recurso Especial de efls. 438 e ss., contra o acórdão nº 120100.219 (de 29/01/2010, efls. 427 e ss.), que, no mérito e por maioria de votos, deu provimento ao recurso voluntário para afastar a exigência de multa isolada. O presente processo trata do lançamento de multa isolada por falta de recolhimento de CSLL sobre base de cálculo estimada mensal referente a período dentro do AC 1998. A falta de recolhimento das estimativas decorreu de diferença originada de lançamento de receita omitida na venda de mercadorias, sendo que a multa isolada foi lançada no percentual qualificado de 150%. No presente processo já houve julgamento de Recurso Especial por esta 1ª Turma da CSRF (acórdão de efls. 411 e ss.). Nesse julgamento foi dado provimento ao recurso fazendário, que peticionava pela reversão da exclusão da cobrança de multa na sucedida procedida pelo acórdão que julgou o Recurso Voluntário. Foi determinado, também, o retorno dos autos à Turma ordinária para julgamento de matérias sobre as quais o colegiado não havia se pronunciado. Foi então proferido o acórdão ora recorrido, no qual, por maioria de votos, se decidiu "dar provimento ao recurso para afastar a exigência da multa isolada, vencido o conselheiro Marcelo Cuba Netto (Suplente Convocado), que dava provimento parcial para reduzir o percentual da multa isolada ao patamar de 50%". Transcrevese a ementa do acórdão recorrido: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Liquido CSLL Exercício: 1999 Ementa: MULTA — CARÁTER CONFISCATORIO — afastar sanções pecuniárias expressamente previstas em diplomas legais sob o fundamento de seu caráter confiscatórw, implicaria declarar a inconstitucionalidade de lei, o que não é da competência de órgãos de "jurisdição" administrativa. RETROATIVIDADE BENIGNA o inciso II, art. 44, da Lei 9.430/96, que estabelecia multa isolada de 75% pelo não recolhimento de estimativas, bem como o inciso 131, § 1° do mesmo artigo que qualificava a sanção para o patamar de 150% em razão do elemento volitivo da infração, foram alterados pela Lei 11.488/07, a qual reduziu o índice da multa isolada, em ambos os casos, para 50%. Desse modo, deve a autoridade julgadora, por dever de oficio, aplicar o menor dos percentuais por força da retroatividade benigna, prevista no art. 106, inciso II, do CTN, que determina tal procedimento para os atos não definitivamente julgados. MULTA ISOLADA — a multa isolada pelo descumprimento do dever de recolhimentos antecipados deve ser aplicada sobre o total que deixou de ser recolhido ainda que a apuração definitiva Fl. 481DF CARF MF Processo nº 10680.000526/200473 Acórdão n.º 9101002.732 CSRFT1 Fl. 482 3 após o encerramento do exercício redunde em montante menor. Pelo princípio da absorção ou consunção, contudo, não deve ser aplicada penalidade pela violação do dever de antecipar, na mesma medida em que houver aplicação de sanção sobre o dever de recolher em definitivo. Esta penalidade absorve aquela até o montante em que suas bases se identificarem, o que ocorreu integralmente no presente lançamento. O Recurso Especial ora apreciado foi admitido por meio do Despacho de e fls. 440 e ss. A Recorrente aponta divergência jurisprudencial em relação aos acórdãos a seguir, cujas ementas estão assim redigidas na parte de interesse: Acórdão nº 19300.018: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 1998, 1999, 2000, 2001, 2002, 2003 (...) CONCOMITÂNCIA DE MULTA ISOLADA COM MULTA ACOMPANHADA DO TRIBUTO. A multa de oficio aplicada isoladamente sobre o valor do imposto apurado por estimativa, que deixou de ser recolhido, no curso do Anocalendário,é aplicável concomitantemente com a multa de oficio calculada sobre o imposto devido com base no lucro real anual igualmente não recolhido, em face de se tratar de infrações distintas. Acórdão nº 10194.858: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO — AC 1998 (...) MULTA DE OFÍCIO ISOLADA — FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA — Cabível a aplicação de multa de ofício, aplicada isoladamente, na falta de recolhimento da CSLL com base na estimativa dos valores devidos, por expressa previsão legal. MULTA DE OFÍCIO — MESMA BASE DE CÁLCULO — APLICAÇÃO EM DUPLICIDADE — O lançamento de duas multas de ofício, sobre a mesma base de cálculo, é possível, visto tratarse de duas infrações à lei tributária, tendo por conseqüência a aplicação de duas penalidades distintas. As alegações de mérito da Recorrente, são, em síntese, as seguintes: a) que se não é legítima a aplicação de mais de uma penalidade em razão do cometimento da mesma infração tributária, não há óbice que sejam aplicadas ao mesmo contribuinte faltante, diante de duas infrações tributárias, duas penalidades distintas. Não há bisinidem como entendeu a Turma recorrida; Fl. 482DF CARF MF Processo nº 10680.000526/200473 Acórdão n.º 9101002.732 CSRFT1 Fl. 483 4 b) que no caso dos autos a aplicação de multa de ofício, prevista no art. 44, I, da Lei nº 9.430/96, resultou de infrações às regras de determinação do lucro real praticadas pelo sujeito passivo (falta de recolhimento do tributo e/ou declaração inexata). Por outro lado, a denominada multa isolada, fundada no art. 44, II, alínea "b" da Lei nº 9.430/96, foi aplicada em razão do descumprimento do modo de pagamento da CSLL sobre base de cálculo estimada, tratandose de infrações diferentes; c) que na sistemática de pagamento do IRPJ e CSLL sobre a base de cálculo estimada o Contribuinte auxilia a União a fazer frente às despesas incorridas durante o ano calendário, o que não ocorreria se a exação fosse paga apenas no exercício seguinte; d) que a multa de ofício somente será devida caso exista imposto a pagar por ocasião do Ajuste Anual, ao passo que a multa isolada será devida ainda que, ao final do período, não reste imposto a recolher, já que a infração da qual resulta essa multa consiste, simplesmente, no descumprimento da sistemática de pagamento por estimativa, não possuindo qualquer relação com o pagamento em si do imposto; e) que as multas isolada e de ofício possuem bases de cálculo distintas. A multa de ofício incide sobre o tributo efetivamente devido apurado no momento que ocorre o Ajuste Anual, enquanto que a multa isolada incide sobre as bases de cálculo estimadas; f) cita julgado do TRF da 5ª Região em favor do que argumenta e traz à baila as considerações tecidas no primeiro paradigma e no acórdão nº 10808.962, registrando que espelham o entendimento sedimentado no CARF; g) acrescenta que se infere que o acórdão recorrido procurou atenuar o suposto rigor do art. 44, II, alínea "b" da Lei nº 9.430/96, mas que esse raciocínio não deve prevalecer à medida que cria nova hipótese de dispensa de multa isolada, inovando no ordenamento jurídico. Menciona que o juízo de eqüidade tem de estar expressamente autorizado por lei, o que aqui não ocorre. Assinala que o art. 108, IV, § 2º do CTN estatui que o emprego da eqüidade não poderá resultar na dispensa do pagamento do tributo devido. Ao final pede a Recorrente que o presente recurso seja conhecido e provido, para reformar o acórdão recorrido, "com o conseqüente restabelecimento da multa isolada". Não constam nos autos contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheira Adriana Gomes Rêgo Relatora O recurso é tempestivo, porém, no tocante à admissibilidade, merece ser reanalisado, haja vista a publicação da Súmula CARF nº 105, aprovada pela 1ª Turma da CSRF em sessão de 08/12/2014, portanto, após a sua interposição. É que referida súmula assim dispõe (sublinhouse): Fl. 483DF CARF MF Processo nº 10680.000526/200473 Acórdão n.º 9101002.732 CSRFT1 Fl. 484 5 A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício. Cotejando o disposto nos acórdãos paradigmas com o entendimento sumulado, é possível se verificar que ambos os paradigmas contrariam o entendimento sumular, uma vez que adotam a tese da manutenção de ambas as multas para períodos anteriores a 2007, cujo fundamento legal para a multa isolada é art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996 . Por conseguinte, é de se aplicar o art. 67, §12, inciso III, do Anexo II do RICARF, para não conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional. Conclusão Em face do exposto, voto por NÃO CONHECER do Recurso Especial da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Fl. 484DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11128.006426/2005-70
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Feb 15 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Mar 24 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Data do fato gerador: 22/05/2001, 17/05/2002
MULTA POR FALTA DE LICENÇA DE IMPORTAÇÃO (LI). PRODUTO DISPENSADO DE CONTROLE ADMINISTRATIVO E DE LICENCIAMENTO. INAPLICABILIDADE.
É condição necessária para a prática da infração administrativa ao controle da importação por falta de Licença de Importação (LI) que produto importado esteja sujeito ao controle administrativo e ao licenciamento, previamente ao embarque no exterior ou ao despacho aduaneiro, conforme o caso. Nos presentes autos, inaplicável a multa por falta de LI, pois os produtos importados estavam dispensados de controle administrativo e de licenciamento.
Recurso Especial do Procurador negado
Numero da decisão: 9303-004.640
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Procurador e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Erika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201702
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Classificação de Mercadorias Data do fato gerador: 22/05/2001, 17/05/2002 MULTA POR FALTA DE LICENÇA DE IMPORTAÇÃO (LI). PRODUTO DISPENSADO DE CONTROLE ADMINISTRATIVO E DE LICENCIAMENTO. INAPLICABILIDADE. É condição necessária para a prática da infração administrativa ao controle da importação por falta de Licença de Importação (LI) que produto importado esteja sujeito ao controle administrativo e ao licenciamento, previamente ao embarque no exterior ou ao despacho aduaneiro, conforme o caso. Nos presentes autos, inaplicável a multa por falta de LI, pois os produtos importados estavam dispensados de controle administrativo e de licenciamento. Recurso Especial do Procurador negado
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Fri Mar 24 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 11128.006426/2005-70
anomes_publicacao_s : 201703
conteudo_id_s : 5700587
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Mar 24 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 9303-004.640
nome_arquivo_s : Decisao_11128006426200570.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
nome_arquivo_pdf_s : 11128006426200570_5700587.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Procurador e, no mérito, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Erika Costa Camargos Autran.
dt_sessao_tdt : Wed Feb 15 00:00:00 UTC 2017
id : 6689180
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:57:36 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048948351959040
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1670; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 373 1 372 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 11128.006426/200570 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9303004.640 – 3ª Turma Sessão de 15 de fevereiro de 2017 Matéria IMPORTAÇÃO. MULTA. LICENCIMENTO. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado EXXONMOBIL QUÍMICA LTDA. ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 22/05/2001, 17/05/2002 MULTA POR FALTA DE LICENÇA DE IMPORTAÇÃO (LI). PRODUTO DISPENSADO DE CONTROLE ADMINISTRATIVO E DE LICENCIAMENTO. INAPLICABILIDADE. É condição necessária para a prática da infração administrativa ao controle da importação por falta de Licença de Importação (LI) que produto importado esteja sujeito ao controle administrativo e ao licenciamento, previamente ao embarque no exterior ou ao despacho aduaneiro, conforme o caso. Nos presentes autos, inaplicável a multa por falta de LI, pois os produtos importados estavam dispensados de controle administrativo e de licenciamento. Recurso Especial do Procurador negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Procurador e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 64 26 /2 00 5- 70 Fl. 373DF CARF MF 2 Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Erika Costa Camargos Autran. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto tempestivamente pela Procuradoria da Fazenda Nacional – PFN contra o Acórdão nº 310200.952, de 02/03/2011, proferido pela 2ª Turma da 1ª Câmara 3ª Seção do CARF, que fora assim ementado: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 22/05/2001, 17/05/2002 NOMENCLATURA COMUM DO MERCOSUL (NCM). MISTURA DE ÉSTERES GLICÍDICOS DERIVADOS DE ÁCIDO CARBOXÍLICOS, DENOMINADO COMERCIALMENTE “GLYDEXX N10”. ENQUADRAMENTO TARIFÁRIO. O produto químico denominado comercialmente “Glydexx N10”, identificado em laudo técnico como sendo uma “mistura de ésteres glicidílicos de ácido carboxílicos saturados e ramificados, com predominância do ácido com 10 Carbonos (ácido neodecanóico; ácido versático)”, classificase no código NCM 3824.90.29. MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. FALTA DE PRÉVIO CRITÉRIO JURÍDICO INTRODUZIDO POR ATO DE OFÍCIO. CONDIÇÃO NECESSÁRIA. INOCORRÊNCIA. Para que haja mudança de critério jurídico é imprescindível que a autoridade fiscal tenha adotado um critério jurídico anterior, por meio de ato de lançamento de ofício, realizado contra o mesmo sujeito passivo, o que não ocorreu no presente caso, uma vez que o primeiro ato de ofício praticado pela autoridade fiscal foi exatamente a lavratura dos presentes autos de infração. MULTA POR FALTA DE LICENÇA DE IMPORTAÇÃO (LI). PRODUTO DISPENSADO DE LICENCIAMENTO. INAPLICABILIDADE. É condição necessária para a prática da infração administrativa ao controle das importação por falta de Licença de Importação (LI) que produto importado esteja sujeito ao licenciamento não automático, previamente ao embarque no exterior ou ao despacho aduaneiro. Nos presentes autos, inaplicável a multa por falta de LI, pois os produtos importados estavam dispensados de licenciamento. MULTA POR CLASSIFICAÇÃO TARIFÁRIA INCORRETA. APLICABILIDADE. O incorreto enquadramento tarifário do produto na NCM subsumese a hipótese fática da infração por erro de classificação fiscal, prevista no inciso I do art. 84 da Medida Fl. 374DF CARF MF Processo nº 11128.006426/200570 Acórdão n.º 9303004.640 CSRFT3 Fl. 374 3 Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, sancionada com a multa de 1% (um por cento) do valor da mercadoria. MULTA DE OFÍCIO. DECLARAÇÃO INEXATA. ERRÔNEA CLASSIFICAÇÃO FISCAL. CORRETA DESCRIÇÃO DO PRODUTO. INEXISTÊNCIA DE DOLO OU MÁFÉ. DESCARACTERIZADA. INAPLICABILIDADE. A classificação tarifária errônea do produto na NCM não constitui infração punível com a multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento), prevista no art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, se o produto estiver corretamente descrito, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário, e que não se constate intuito doloso ou má fé por parte do importador (ADN Cosit nº 10, de 1997). Recurso Voluntário Provido em Parte. No Recurso Especial, por meio do qual pleiteou, ao final, a reforma do decisum, a Recorrente insurgiuse contra a exoneração da multa por falta de licença de importação. Alega divergência de interpretação em relação ao que decidido nos Acórdãos nº 30133.363 e 30132.955. O exame de admissibilidade do Recurso Especial encontrase às fls. 225/226. A contribuinte apresentou contrarrazões ao recurso especial (fls. 233/244). É o Relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. Presentes os demais requisitos, entendemos, tal como proposto no exame de admissibilidade, que o recurso especial interposto pela PFN deve ser conhecido. Com efeito, enquanto, no acórdão recorrido, entendeuse não aplicável a multa pela falta de Licença de Importação – LI, porque os produtos importados estavam dispensados de controle administrativo e, portanto, da obrigatoriedade de sua emissão, independentemente da classificação fiscal adotada, nos acórdãos paradigmas chegouse à conclusão diversa: para afastar a exigência da mesma multa, seria imprescindível que o produto importado houvesse sido corretamente descrito na Declaração de Importação DI, com todos os elementos necessários à classificação, independentemente de tratarse, o caso examinado, de licenciamento automático ou não automático. Contudo, embora conhecido, ao recurso especial devese negar provimento. É que, em linha com o que já decidido nesta mesma Turma da CSRF (Acórdãos nº 930301.567, sessão de 06/07/2011, 9303001.706, de 05/10/2011 e 9303 002.780, de 22/01/2014), entendemos que o mero erro na indicação da classificação fiscal, ainda que acompanhado de falha na descrição da mercadoria, não é suficiente para imposição da multa por falta de licença de importação, sendo indispensável que reste caracterizado prejuízo ao controle administrativo das importações. Fl. 375DF CARF MF 4 Como os motivos do nosso convencimento coincidem, na totalidade, com os fundamentos expostos no voto proferido pelo il. Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, nos autos do processo administrativo n.º 11128.007425/9989 (Acórdão 3ª Turma/CSRF nº 9303 01.567, sessão de 06/07/2011), passamos a adotálos, também aqui, como razão de decidir. Ei los: Passando ao julgamento da matéria sobre a qual deve este Colegiado se manifestar, entendo que razão assiste ao sujeito passivo. Como é cediço, o regime de licenciamento de importações é regido pelo Acordo sobre Procedimentos para o Licenciamento de Importações (APLI), negociado no âmbito da Rodada do Uruguai, aprovado pelo Decreto Legislativo nº 30, de 15 de dezembro de 1994, e promulgado pelo Decreto nº 1.355, de 30 de dezembro de 1994, em cujo artigo 1 se lê: Artigo 1 Disposições Gerais 1. Para os fins do presente Acordo, o licenciamento de importações será definido como os procedimentos administrativos utilizados na operação de regimes de licenciamento de importações que envolvem a apresentação de um pedido ou de outra documentação (diferente daquela necessária para fins aduaneiros) ao órgão administrativo competente, como condição prévia para a autorização de importações para o território aduaneiro do Membro importador. (destaquei) Pois bem, na vigência do APLI, parte significativa das operações de comércio exterior deixa de ser alvo de licenciamento prévio, que somente passa a ser exigido de maneira residual. Com efeito, analisando os artigos 2 e 3 do já citado acordo, responsáveis, respectivamente, pelo disciplinamento do Licenciamento Automático e NãoAutomático, vêse que, em verdade, ambas as modalidades definidas naquele ato negocial alcançam o universo de mercadorias que estão sujeitas a alguma modalidade de controle administrativo. Nas hipóteses em que esse controle não é exercido não há que se falar em licenciamento. Vejase a redação da alínea “b”, do item 2 do art. 2 do Acordo: (b) os Membros reconhecem que o licenciamento automático de importações poderá ser necessário sempre que outros procedimentos adequados não estiverem disponíveis. O licenciamento automático de importações poderá ser mantido na medida em que as circunstâncias que o originaram continuarem a existir e seus propósitos administrativos básicos não possam ser alcançados de outra maneira. Por outro lado, esclarece o art. 3: Artigo 3 Licenciamento Não Automático de Importações Fl. 376DF CARF MF Processo nº 11128.006426/200570 Acórdão n.º 9303004.640 CSRFT3 Fl. 375 5 1. Além do disposto nos parágrafos 1 a 11 do Artigo 1, as seguintes disposições aplicarseão a procedimentos não automáticos para o licenciamento de importações. Os procedimentos nãoautomáticos para licenciamento de importações serão definidos como o licenciamento de importações que não se enquadre na definição prevista no parágrafo 1 do Artigo 2. Segundo a definição do parágrafo 1 do art. 2: 1. O licenciamento automático de importações será definido como o licenciamento de importações cujo pedido de licença é aprovado em todos os casos e de acordo com o disposto no parágrafo 2(a). Ou seja, o licenciamento automático é sempre concedido, desde que cumpridos os ritos definidos pela legislação do Estado parte. O nãoautomático, normalmente utilizado para controle de cotas, pode ser concedido ou não. Comparando esses dispositivos com o contexto do licenciamento realizado no âmbito do Siscomex, disciplinado pela Portaria Secex nº 21, de 1996, cujos procedimentos foram alvo do Comunicado Decex nº 12, de 1997, chegase à conclusão de que o regime que se convencionou denominar licenciamento automático, em verdade, representa a dispensa desse controle administrativo, o qual relembrese, segundo o art 1 do APLI, alcança exclusivamente controles que envolvem “a apresentação de um pedido ou de outra documentação diferente daquela necessária para fins aduaneiros”. Nesse aspecto, é importante trazer à colação o que dispõe o art. 4º da Portaria Interministerial nº 109, de 12 de dezembro de 1996, que trata do processamento das operações de importação no Sistema Integrado de Comércio Exterior Siscomex. Art. 4º Para efeito de licenciamento da importação, na forma estabelecida pela SECEX, o importador deverá prestar as informações específicas constantes do Anexo II. § 1º No caso de licenciamento automático, as informações serão prestadas por ocasião da formulação da declaração para fins do despacho aduaneiro da mercadoria. § 2º Tratandose de licenciamento não automático, as informações a que se refere este artigo devem ser prestadas antes do embarque da mercadoria no exterior ou do despacho aduaneiro, conforme estabelecido pela SECEX. § 3º As informações referidas neste artigo, independentemente do momento em que sejam prestadas, e uma vez aceitas pelo Sistema, serão aproveitadas para fins de processamento do despacho aduaneiro da mercadoria, de forma automática ou mediante a indicação, pelo importador, do respectivo número da Fl. 377DF CARF MF 6 licença de importação, no momento de formular a declaração de importação. Extraise do referido ato interministerial pelo menos três elementos que, a meu ver, corroboram com o entendimento ora defendido: a) no “controle” que os órgãos governamentais nacionais denominaram licenciamento automático, conforme consignado no § 1º, não se exige qualquer informação ou procedimento diverso da declaração de instrução do despacho de importação; b) quando necessárias, as providências inerentes ao controle administrativo, por definição, são sempre adotadas em data anterior ao embarque da mercadoria. Cabe aqui lembrar a multa especificada no art. 526, VI, do regulamento aduaneiro vigente à época do fato. Se a LI automática tivesse realmente substituído a Guia de Importação todas as mercadorias sujeitas àquela modalidade de licenciamento estariam sujeitas à penalidade, já que a “LI” é “solicitada” juntamente com registro da Declaração de Importação que, regra geral, só ocorre após a chegada da carga; c) na hipótese do chamado licenciamento automático, não é gerado qualquer documento, físico ou informatizado, que o identifique, até porque, como se viu, nenhum órgão anuente intervém nesse processo. Dessa forma, forçoso é concluir que, sob a égide da Portaria Secex nº 21, de 1996, aquilo que os atos administrativos licenciamento automático, em verdade, alcança as hipóteses em que a mercadoria não está sujeita a licenciamento. Nesse diapasão, não vejo como imputar a multa em questão à importação de mercadorias sujeitas exclusivamente a controle tarifário. Se a mercadoria não estava sujeita a controle administrativo, salvo melhor juízo, seria um contrasenso aplicar uma penalidade própria do descumprimento deste último controle. Outra discussão comumente travada no âmbito deste Colegiado diz respeito aos efeitos do erro de classificação sobre o licenciamento da mercadoria. Uma tese recorrentemente trazida à baila é a de o erro de classificação não seria suficiente para caracterizar o descumprimento do regime de licenciamento e, nessa condição, não haveria como se considerar que a mercadoria importada não estava licenciada. Na esteira do que se discutiu quando da diferenciação entre licenciamento automático e nãoautomático, em que se demonstrou que, a partir da Rodada do Uruguai, o Brasil passou a tratar o controle administrativo das importações de maneira seletiva, penso que essa interpretação, com o máximo respeito, não pode prosperar. Nesse novo contexto, o elemento que identifica se a mercadoria está ou não sujeita a licenciamento nãoautomático e, em caso Fl. 378DF CARF MF Processo nº 11128.006426/200570 Acórdão n.º 9303004.640 CSRFT3 Fl. 376 7 afirmativo, quais os procedimentos que devem ser seguidos para sua obtenção dessa autorização, é a classificação fiscal. Vejase o que ditava o Comunicado Decex nº 12, de 06 de maio de 1997, vigente à época dos fatos: 2. Estão relacionados no Anexo II deste Comunicado os produtos sujeitos a condições ou procedimentos especiais no licenciamento automático, bem como os produtos sujeitos a licenciamento não automático. 2.1 Quando os procedimentos listados no Anexo II referiremse, genericamente, a Capítulo, posição ou subposição da Nomenclatura Comum do Mercosul NCM, deverá ser observado o tratamento administrativo específico por item tarifário consignado na tabela "Tratamento Administrativo" do Sistema Integrado de Comércio Exterior SISCOMEX, aplicável ao produto objeto do licenciamento.(grifei) Ou seja, o erro de classificação, por si só, de fato não é suficiente para caracterizar a conduta sujeita a multa, é necessário que tal erro prejudique o tratamento administrativo da mercadoria, como ocorreria, v.g., na hipótese do código tarifário original estava sujeito a LI automática e o corrigido, a nãoautomática. Neste caso, forçoso é concluir que a mercadoria não passou pelos controles próprios da etapa de licenciamento e, conseqüentemente, teria sido importada desamparada de documento equivalente à Guia de Importação. Por outro lado, se, tanto a classificação empregada pelo importador, quanto definida pela autoridade autuante não estiver sujeita a licenciamento ou, se sujeita, possuir o mesmo tratamento administrativo da classificação original, não há que se falar em falta de licenciamento por erro de classificação. Da mesma forma, sem ao menos saber se a mercadoria estava sujeita a licenciamento, não se pode assumir que a descrição inexata, por si, tenha prejudicado tal controle administrativo. Trazendo tal discussão para o presente litígio, estou convicto de que, de fato o Fisco não logrou êxito em demonstrar que a nova classificação estaria sujeita a algum tratamento administrativo diverso do empregado, limitandose a apontar como motivadora da autuação a prestação de declaração inexata. A fim de demonstrar, transcrevo trecho da descrição dos fatos que trata da infração: Tendo em vista que o produto não está corretamente descrito com todos os elementos necessários a sua identificação e ao enquadramento fiscal pleiteado, caracterizouse a condição de declaração inexata, constituindo infração administrativa ao controle das importações, nos termos do inciso II do art. 526 do R.A., aprovado pelo Decreto 91.030/85 (Ato Declaratório nr. 12/97). Fl. 379DF CARF MF 8 No caso ora em julgamento, sequer informado no auto de infração o tipo de licenciamento ou controle administrativo a que estava sujeito o produto identificado e reclassificado para o código NCM 3824.90.29. Confirase o que informou a autoridade autuante no campo “Descrição dos Fatos” (fl. 7): Isto posto, por tratarse de classificação tarifária errônea e necessitar novo licenciamento, automático ou não, e considerando, que a mercadoria não foi corretamente descrita, com todos os elementos necessários a sua identificação e ao enquadramento tarifário, constituiu infração administrativa ao controle das importações (Ato Declaratório Normativo COSIT no. 12/97), o que sujeita o contribuinte ao recolhimento da multa capitulada no artigo 526, inciso II do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto n° 91.030/85. Nesse contexto, tendo se limitado a autoridade autuante a asseverar que o motivo da aplicação da penalidade isolada decorrera da alteração da classificação fiscal, conjugado com a situação de o produto não ter sido corretamente descrito na Declaração de Importação, descabe a aplicação da multa prevista no art. 169, I, “b”, do Decretolei n.º 37, de 1966, porque ausente um dos requisitos necessários a sua aplicação. Ante o exposto, conheço do recurso especial e, no mérito, negolhe provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 380DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10073.721821/2013-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 07 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Mar 07 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2010
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ALUGUÉIS
Configuram rendimentos omitidos os aluguéis recebidos de pessoa jurídica pela contribuinte, constantes em DIRF, que não foram informados na declaração de ajuste anual.
RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÃO NO ÂMBITO DO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE.
O contencioso administrativo se desenvolve no limite do litígio, o qual é estabelecido pela infração apontada no lançamento e pelos argumentos trazidos na impugnação para afastá-la.
A retificação da declaração de ajuste anual, para saneamento de erros, somente é possível antes de iniciado o processo de lançamento de ofício.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2202-003.679
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Assinado digitalmente
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente.
Assinado digitalmente
Rosemary Figueiroa Augusto - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Rosemary Figueiroa Augusto, Martin Da Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar, Márcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: ROSEMARY FIGUEIROA AUGUSTO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201702
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2010 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ALUGUÉIS Configuram rendimentos omitidos os aluguéis recebidos de pessoa jurídica pela contribuinte, constantes em DIRF, que não foram informados na declaração de ajuste anual. RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÃO NO ÂMBITO DO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. O contencioso administrativo se desenvolve no limite do litígio, o qual é estabelecido pela infração apontada no lançamento e pelos argumentos trazidos na impugnação para afastá-la. A retificação da declaração de ajuste anual, para saneamento de erros, somente é possível antes de iniciado o processo de lançamento de ofício. Recurso Voluntário Negado
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Mar 07 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10073.721821/2013-14
anomes_publicacao_s : 201703
conteudo_id_s : 5690092
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Mar 07 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 2202-003.679
nome_arquivo_s : Decisao_10073721821201314.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : ROSEMARY FIGUEIROA AUGUSTO
nome_arquivo_pdf_s : 10073721821201314_5690092.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente. Assinado digitalmente Rosemary Figueiroa Augusto - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Rosemary Figueiroa Augusto, Martin Da Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar, Márcio Henrique Sales Parada.
dt_sessao_tdt : Tue Feb 07 00:00:00 UTC 2017
id : 6666342
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:56:46 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048948373979136
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1403; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 92 1 91 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10073.721821/201314 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2202003.679 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 7 de fevereiro de 2017 Matéria IRPF omissão de rendimentos de aluguéis Recorrente GERALDO TADEU DE BARROS FONSECA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2010 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ALUGUÉIS Configuram rendimentos omitidos os aluguéis recebidos de pessoa jurídica pela contribuinte, constantes em DIRF, que não foram informados na declaração de ajuste anual. RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÃO NO ÂMBITO DO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. O contencioso administrativo se desenvolve no limite do litígio, o qual é estabelecido pela infração apontada no lançamento e pelos argumentos trazidos na impugnação para afastála. A retificação da declaração de ajuste anual, para saneamento de erros, somente é possível antes de iniciado o processo de lançamento de ofício. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 3. 72 18 21 /2 01 3- 14 Fl. 92DF CARF MF Processo nº 10073.721821/201314 Acórdão n.º 2202003.679 S2C2T2 Fl. 93 2 Assinado digitalmente Rosemary Figueiroa Augusto Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Rosemary Figueiroa Augusto, Martin Da Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar, Márcio Henrique Sales Parada. Relatório Tratase de notificação de lançamento de IRPF (fls. 23/28), relativa ao exercício 2010, anocalendário 2009, por omissão de rendimentos de aluguéis recebidos de duas fontes pagadoras: Serrão Cezar Vidros Ltda., no valor de R$ 20.400,00; e Rede Rio Sul de Pneus Ltda., no valor de R$ 46.800,00 (compensandose o IRRF de R$ 4.914,72), apurado com base em Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF). Foi apresentada a impugnação e documentos às fls. 04/20, na qual o contribuinte informou ter tido problemas de saúde durante a ação fiscal, o que prejudicou o atendimento das intimações. Pediu a anulação do lançamento e a devolução do prazo para apresentar "documentos de rendimento e pagamento". Disse que há pagamentos não declarados que modificam o resultado do imposto, como dependentes e despesas médicas. Na análise prévia desses documentos a autoridade fiscal às fls. 35/37, registrou que embora "o contribuinte tenha solicitado devolução de prazo para atender à intimação a ele feita", alegando que ficou internado de 16/06/2013 a 07/07/2013, "vale ressaltar que o prazo final para cumprimento da referida intimação apenas terminou em 18/07/2013", contudo, nenhum rendimento foi declarado na DAA. Também mencionou que todas as deduções declaradas foram utilizadas na apuração da base de cálculo do imposto de renda, acrescentando que o momento para utilizar deduções é na apresentação da própria declaração original ou na sua retificadora, desde que ainda não submetido à início de procedimento fiscal de ofício. Mantevese a notificação. O contribuinte apresentou ainda a manifestação e documentos de fls. 43/73. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Brasília (DF) julgou improcedente a impugnação, sob os fundamentos de que não ocorreu nenhuma hipótese de nulidade do lançamento; e que não há amparo legal para aceitar retificação da declaração nesta fase contenciosa do lançamento. Inconformado, o recorrente apresentou o recurso voluntário de fls. 85/86, acompanhado dos documentos de fls. 87/88, no qual relata que reside em área rural e que, conforme demonstram os documentos já acostados aos autos, foi acometido por graves problemas de doença no período de 16/06/2013 a 22/07/2013, sendo internado de 16/06/2013 a 07/07/2013 e se fixando em residência provisória (de seu filho) de 08/07/2013 a 22/07/2013, períodos esses que coincidem com os prazos concedidos na ação fiscal. Diz que na impugnação Fl. 93DF CARF MF Processo nº 10073.721821/201314 Acórdão n.º 2202003.679 S2C2T2 Fl. 94 3 apresentou comprovantes de despesas dedutíveis com educação e saúde, que não foram aceitos. Torna a pedir a inclusão de comprovantes de pagamentos de despesas dedutíveis para novo cálculo e respectivamente nova apuração do crédito tributário lançado, pois estava impossibilitado da apresentálos quando da intimação fiscal, pelos motivos já mencionados. Apela pelos princípios da razoabilidade para aplicação da legislação vigente diante das razões e documentos trazidos. É o relatório. Voto Conselheira Rosemary Figueiroa Augusto, Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. O objeto da presente notificação é a infração por omissão de rendimentos de aluguéis. Observase que o contribuinte não contesta essa infração e não trouxe nenhum documento que refute os rendimentos de aluguéis considerados omitidos pelo fisco. Apenas alega que dispunha de comprovantes de despesas dedutíveis com educação e saúde, não informados na declaração de ajuste anual; e que não pôde apresentar esses comprovantes no prazo da intimação em razão de seus graves problemas de saúde, ocorridos no ano de 2013, requerendo a aceitação desses documentos para dedução na apuração do cálculo do imposto de renda. Portanto, o contribuinte pretende, em sede de contencioso administrativo, que sejam retificadas as informações que prestou em sua Declaração do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (DIRPF) em relação ao anocalendário de 2009. De início, se vê que o pedido do recorrente foge ao limite do litígio estabelecido no contencioso administrativo, o qual é demarcado pela infração apontada no lançamento e pelos argumentos trazidos na impugnação para afastar tal infração. Dessa forma, como a infração ora discutida se refere à omissão de rendimentos de aluguel, não há como acatar o pleito do contribuinte de que sejam aceitos documentos que comprovariam despesas dedutíveis de educação e saúde, a fim de retificar sua declaração, posto que tais elementos são estranhos ao objeto do lançamento e, por conseguinte, estão fora do litígio instaurado. Nesse sentido, citase o Acórdão nº 2201003.236, proferido em 15/06/2016 pela 1ª Turma Ordinária da 2ª Seção do CARF: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2010 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. RECONHECIMENTO DA INFRAÇÃO. INCLUSÃO DE NOVAS DESPESAS NÃO DECLARADAS IMPOSSIBILIDADE. Fl. 94DF CARF MF Processo nº 10073.721821/201314 Acórdão n.º 2202003.679 S2C2T2 Fl. 95 4 Ao contrário da declaração retificadora em que o contribuinte é livre para alterar qualquer campo de sua declaração, o recurso voluntário limitase ao objeto do lançamento e ao valor do crédito tributário constituído. O processo administrativo fiscal se presta para a alteração de questões controversas objeto do auto de infração, mediante o contraditório e a ampla defesa, não servindo de via para a retificação da Declaração com inclusão de despesas estranhas ao processo. Além disso, a retificação da DIRPF é um procedimento que o contribuinte pode realizar, desde que antes do início do processo de lançamento de ofício, conforme art. 832 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR), aprovado pelo Decreto nº 3.000/99, a seguir: Art. 832. A autoridade administrativa poderá autorizar a retificação da declaração de rendimentos, quando comprovado erro nela contido, desde que sem interrupção do pagamento do saldo do imposto e antes de iniciado o processo de lançamento de ofício (DecretoLei nº 1.967, de 1982, art. 21, e DecretoLei nº 1.968, de 23 de novembro de 1982, art. 6º). Entretanto, após o início da ação fiscal, o contribuinte perde a espontaneidade em relação aos atos anteriores, conforme determina o § 1º, do art. 7º, do Decreto nº 70.235/72, abaixo transcrito: Art. 7º O procedimento fiscal tem início com: (...) § 1° O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. Assim, em que pese os argumentos trazidos pelo recorrente, não é possível aceitar, no âmbito do contencioso administrativo e com a finalidade de retificar sua declaração, os documentos que alega serem relativos a despesas médicas e de educação. Diante do exposto, voto por NEGAR provimento ao recurso voluntário. Assinado digitalmente Rosemary Figueiroa Augusto Relatora Fl. 95DF CARF MF Processo nº 10073.721821/201314 Acórdão n.º 2202003.679 S2C2T2 Fl. 96 5 Fl. 96DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.001758/2004-25
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Feb 14 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Mar 13 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. REGIME ALTERNATIVO. LEI 10.276/2001. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS. POSSIBILIDADE.
Mantém-se a possibilidade de aproveitamento do crédito presumido do IPI, exercido na forma alternativa da Lei nº 10.276/2001, nas aquisições de insumos de pessoas físicas e cooperativas. Aplicação dos mesmos fundamentos utilizados pelo STJ no RESP nº 993.164, que foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos - art. 543-C do CPC.
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. OPOSIÇÃO ILEGÍTIMA DO FISCO. TAXA SELIC. POSSIBILIDADE.
As decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos, por força do § 2º do art. 62 do Regimento Interno do CARF, devem ser observadas no Julgamento deste Tribunal Administrativo.
Constatada a oposição ilegítima do fisco em negar direito a ressarcimento de crédito presumido do IPI, em decorrência de reversão de entendimento pelas instâncias julgadoras administrativas, autoriza a incidência da taxa Selic sobre os valores do ressarcimento que não foram devolvidos em face do óbice estatal.
CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. RECEITA DE EXPORTAÇÃO. INCLUSÃO DE PRODUTOS NT. IMPOSSIBILIDADE.
Não é possível a inclusão, na receita de exportação, das vendas de produtos "NT". De acordo com a legislação do IPI, quem produz produtos "NT" não é estabelecimento industrial.
Numero da decisão: 9303-004.682
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento parcial para determinar a exclusão das exportações de produtos não tributados do cômputo da receita de exportação para fins de cálculo do crédito presumido do IPI, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201702
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. REGIME ALTERNATIVO. LEI 10.276/2001. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS. POSSIBILIDADE. Mantém-se a possibilidade de aproveitamento do crédito presumido do IPI, exercido na forma alternativa da Lei nº 10.276/2001, nas aquisições de insumos de pessoas físicas e cooperativas. Aplicação dos mesmos fundamentos utilizados pelo STJ no RESP nº 993.164, que foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos - art. 543-C do CPC. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. OPOSIÇÃO ILEGÍTIMA DO FISCO. TAXA SELIC. POSSIBILIDADE. As decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos, por força do § 2º do art. 62 do Regimento Interno do CARF, devem ser observadas no Julgamento deste Tribunal Administrativo. Constatada a oposição ilegítima do fisco em negar direito a ressarcimento de crédito presumido do IPI, em decorrência de reversão de entendimento pelas instâncias julgadoras administrativas, autoriza a incidência da taxa Selic sobre os valores do ressarcimento que não foram devolvidos em face do óbice estatal. CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. RECEITA DE EXPORTAÇÃO. INCLUSÃO DE PRODUTOS NT. IMPOSSIBILIDADE. Não é possível a inclusão, na receita de exportação, das vendas de produtos "NT". De acordo com a legislação do IPI, quem produz produtos "NT" não é estabelecimento industrial.
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Mon Mar 13 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 19515.001758/2004-25
anomes_publicacao_s : 201703
conteudo_id_s : 5700069
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Mar 24 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 9303-004.682
nome_arquivo_s : Decisao_19515001758200425.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
nome_arquivo_pdf_s : 19515001758200425_5700069.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento parcial para determinar a exclusão das exportações de produtos não tributados do cômputo da receita de exportação para fins de cálculo do crédito presumido do IPI, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
dt_sessao_tdt : Tue Feb 14 00:00:00 UTC 2017
id : 6688328
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:57:07 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048948393902080
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 16; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1944; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 2 1 1 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 19515.001758/200425 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9303004.682 – 3ª Turma Sessão de 16 de fevereiro de 2017 Matéria Crédito Presumido de IPI Ressarcimento Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado TINTO HOLDING LTDA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. REGIME ALTERNATIVO. LEI 10.276/2001. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS. POSSIBILIDADE. Mantémse a possibilidade de aproveitamento do crédito presumido do IPI, exercido na forma alternativa da Lei nº 10.276/2001, nas aquisições de insumos de pessoas físicas e cooperativas. Aplicação dos mesmos fundamentos utilizados pelo STJ no RESP nº 993.164, que foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos art. 543C do CPC. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. OPOSIÇÃO ILEGÍTIMA DO FISCO. TAXA SELIC. POSSIBILIDADE. As decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos, por força do § 2º do art. 62 do Regimento Interno do CARF, devem ser observadas no Julgamento deste Tribunal Administrativo. Constatada a oposição ilegítima do fisco em negar direito a ressarcimento de crédito presumido do IPI, em decorrência de reversão de entendimento pelas instâncias julgadoras administrativas, autoriza a incidência da taxa Selic sobre os valores do ressarcimento que não foram devolvidos em face do óbice estatal. CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. RECEITA DE EXPORTAÇÃO. INCLUSÃO DE PRODUTOS NT. IMPOSSIBILIDADE. Não é possível a inclusão, na receita de exportação, das vendas de produtos "NT". De acordo com a legislação do IPI, quem produz produtos "NT" não é estabelecimento industrial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 17 58 /2 00 4- 25 Fl. 1396DF CARF MF Processo nº 19515.001758/200425 Acórdão n.º 9303004.682 CSRFT3 Fl. 3 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento parcial para determinar a exclusão das exportações de produtos não tributados do cômputo da receita de exportação para fins de cálculo do crédito presumido do IPI, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Fl. 1397DF CARF MF Processo nº 19515.001758/200425 Acórdão n.º 9303004.682 CSRFT3 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Recurso Especial de divergência tempestivo interposto pela Fazenda Nacional (fls. 1202/1231), ao amparo do art. 67, Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 25 de junho de 2009. Para o bom entendimento dos fatos, transcrevo abaixo parte do relatório elaborado pela DRJ/Ribeirão Preto, por ocasião do julgamento de primeira instância administrativa: Tratase de manifestação de inconformidade apresentada pela requerente ante Despacho Decisório de autoridade da Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária em São Paulo (784/788), que deferiu parcialmente o pedido de ressarcimento de IPI. A contribuinte solicitou o ressarcimento de crédito presumido de IPI de que trata a Lei nº 9.363 de 1996, pelo sistema alternativo previsto na Lei nº 10.276/2001, no valor de R$ 66.641.683,40, relativamente ao 4º trimestre do ano de 2002. O pedido foi deferido parcialmente, tendo sido aprovado o crédito de R$ 40.235.699,42, e glosado o valor de R$ 26.405.983,98, com base na informação fiscal de fls. 770/777, em virtude das seguintes retificações efetuadas no cálculo do incentivo fiscal: 1. Ao proceder os ajustes no pedido retificador do primeiro trimestre de 2002, a empresa considerou os saldos totais de produtos em elaboração e acabados existentes no início do ano calendário, o que obrigou a fiscalização a corrigir o cálculo, considerandose apenas a participação dos insumos nos estoques de produtos acabados e em elaboração; também foi retificado o estoque de 31/12/2002; 2. Exclusão de valores de compras de insumos não contemplados pela legislação regente do crédito presumido, tais como, aquisições de não contribuintes, insumos importados e fretes; 3. Exclusão do total de receita de exportação, das exportações de produtos NT. (...) Destas glosas, o contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade que foi totalmente indeferida pela DRJ/Ribeirão Preto. Apresentado o Recurso Voluntário, a 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento, deu provimento parcial, proferindo o Acórdão nº 3402001.733 de 24/04/2012. Após esta decisão foram admitidos embargos de declaração, sem efeitos infringentes, apresentados pela Fazenda Nacional, por meio do Acórdão de Embargos nº 3402 Fl. 1398DF CARF MF Processo nº 19515.001758/200425 Acórdão n.º 9303004.682 CSRFT3 Fl. 5 4 002.078, de forma que após a integração pósembargos, assim ficou a ementa do acórdão recorrido: IPI CRÉDITO PRESUMIDO BASE DE CÁLCULO AQUISIÇÕES DE INSUMOS A PESSOAS FÍSICAS E SOCIEDADES COOPERATIVAS INCLUSÃO LEI 9.363/96 IN/SRFs nºs 23/97 e 103/97 RESTRIÇÕES INDEVIDAS ARTS. 96, 99 E 100 DO CTN. Incluemse na base de cálculo do beneficio as aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem a pessoas físicas e a cooperativas de produtores, ainda que não tenham sofrido a incidência da contribuição para o PIS e da COFINS. A IN/SRF 23/97 extrapolou a regra prevista no art. 1º, da Lei 9.363/96 ao excluir da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI as aludidas aquisições feitas de pessoas físicas e de cooperativas de produtores, incidindo em violação ao disposto nos arts. 96, 99 e 100 do CTN. CRÉDITO PRESUMIDO IPI RESSARCIMENTO CORREÇÃO MONETÁRIA TAXA SELIC. Incidindo a Taxa SELIC sobre a restituição a partir de 01.01.96 (art. 39, § 4º da Lei nº 9.250/95) e, sendo o ressarcimento uma espécie do gênero restituição, a referida Taxa incide também sobre o ressarcimento de créditos de IPI. Precedentes da CSRF. PRODUTOS EXPORTADOS CLASSIFICADOS NA TIPI COMO NÃO TRIBUTADOS A Lei n° 9.363/96 não exige para o gozo do incentivo que o produto exportado seja industrializado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos deuse provimento parcial ao recurso para admitir a inclusão dos valores dos insumos adquiridos de pessoa e de cooperativa no cálculo do crédito presumido do IPI, admitir a incidência da taxa Selic no valor a ser ressarcimento de crédito presumido do IPI e a inclusão na receita de exportação dos produtos “NT”. A Fazenda Nacional apresentou recurso especial de divergência sobre as três matérias em que o contribuinte obteve provimento, sendo que este foi admitido integralmente por meio do despacho de fls. 1292/1293. Por sua vez, o contribuinte apresentou tempestivas contrarrazões, fls. 1300/1317, ao recurso especial. É relatório. Fl. 1399DF CARF MF Processo nº 19515.001758/200425 Acórdão n.º 9303004.682 CSRFT3 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, Relator. O recurso especial da Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais de admissibilidade. Como em suas contrarrazões o contribuinte não apresentou nenhuma preliminar a respeito do conhecimento do recurso passemos então à sua análise de mérito. 1) Possibilidade de inclusão no crédito presumido dos valores dos insumos adquiridos de pessoas físicas e de cooperativa, segundo o regime alternativo previsto na Lei nº 10.276/2001. O acórdão recorrido afastou as glosas decorrentes de aquisição de pessoas físicas e cooperativas, utilizando como fundamento as decisões do STJ que entenderam por afastar a aplicação da IN SRF nº 23/97 a qual estaria extrapolando os mandamentos do art. 1º da Lei nº 9.363/96. A Fazenda Nacional, no recurso especial, afirma que não é cabível a aplicação do decidido pelo STJ no RESP 993.164, pois nele houve a declaração da ilegalidade da IN SRF nº 23/97, tendo como referência a aplicação da Lei nº 9.363/96, sendo que no presente processo a discussão é quanto à aplicação do art. 1º da Lei nº 10.276/2001. Argumenta que este dispositivo legal dispõe categoricamente que a base de cálculo do crédito presumido será a soma dos custos sobre os quais incidiram as contribuições para o PIS e a Cofins, disposição esta que não estaria presente na Lei nº 9.363/96. Em princípio concordo com a afirmativa da recorrente de que o STJ no julgamento do RESP nº 993.164 tratou somente da IN SRF nº 23/97 e da Lei nº 9.363/96, porém após uma leitura mais acurada da referida decisão e dos respectivos normativos legais, concluí que os fundamentos são idênticos de forma que deve ser aplicada a mesma solução. O RESP nº 993.164, julgado sob a sistemática do art. 543C do CPC, recursos repetitivos, fato que nos vincula por força do § 2º do art. 62 do anexo II do atual Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, possui a seguinte ementa: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO DO VALOR DO PIS/PASEP E DA COFINS. EMPRESAS PRODUTORAS E EXPORTADORAS DE MERCADORIAS NACIONAIS. LEI 9.363/96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 23/97. CONDICIONAMENTO DO INCENTIVO FISCAL AOS INSUMOS ADQUIRIDOS DE FORNECEDORES SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO PELO PIS E PELA COFINS. EXORBITÂNCIA DOS LIMITES IMPOSTOS PELA LEI ORDINÁRIA. SÚMULA VINCULANTE 10/STF. OBSERVÂNCIA. INSTRUÇÃO NORMATIVA (ATO NORMATIVO SECUNDÁRIO). Fl. 1400DF CARF MF Processo nº 19515.001758/200425 Acórdão n.º 9303004.682 CSRFT3 Fl. 7 6 CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 535, DO CPC. INOCORRÊNCIA. 1. O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, não poderia ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF 23/97, ato normativo secundário, que não pode inovar no ordenamento jurídico, subordinandose aos limites do texto legal. 2. A Lei 9.363/96 instituiu crédito presumido de IPI para ressarcimento do valor do PIS/PASEP e COFINS, ao dispor que: "Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. (...) 5. Nesse segmento, o Secretário da Receita Federal expediu a Instrução Normativa 23/97 (revogada, sem interrupção de sua força normativa, pela Instrução Normativa 313/2003, também revogada, nos mesmos termos, pela Instrução Normativa 419/2004), assim preceituando: (...) § 2º O crédito presumido relativo a produtos oriundos da atividade rural, conforme definida no art. 2º da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990, utilizados como matériaprima, produto intermediário ou embalagem, na produção bens exportados, será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições, efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas às contribuições PIS/PASEP e COFINS ." 6. Com efeito, o § 2º, do artigo 2º, da Instrução Normativa SRF 23/97, restringiu a dedução do crédito presumido do IPI (instituído pela Lei 9.363/96), no que concerne às empresas produtoras e exportadoras de produtos oriundos de atividade rural, às aquisições, no mercado interno, efetuadas de pessoas jurídicas sujeitas às contribuições destinadas ao PIS/PASEP e à COFINS. 7. Como de sabença, a validade das instruções normativas (atos normativos secundários) pressupõe a estrita observância dos limites impostos pelos atos normativos primários a que se subordinam (leis, tratados, convenções internacionais, etc.), sendo certo que, se vierem a positivar em seu texto uma exegese Fl. 1401DF CARF MF Processo nº 19515.001758/200425 Acórdão n.º 9303004.682 CSRFT3 Fl. 8 7 que possa irromper a hierarquia normativa sobrejacente, viciar seão de ilegalidade e não de inconstitucionalidade (Precedentes do Supremo Tribunal Federal: (...). 8. Consequentemente, sobressai a "ilegalidade" da instrução normativa que extrapolou os limites impostos pela Lei 9.363/96, ao excluir, da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI, as aquisições (relativamente aos produtos oriundos de atividade rural) de matériaprima e de insumos de fornecedores não sujeito à tributação pelo PIS/PASEP e pela COFINS (Precedentes das Turmas de Direito Público: (...). (...) 17. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008 Evidentemente, a decisão abarca somente as restrições impostas pela IN SRF nº 23/97, e as que lhe sucederam, em delimitar o crédito presumido somente nas aquisições de pessoas jurídicas, situação esta não delimitada pela Lei nº 9.363/96. Porém, embora leis diferentes, elas tratam do mesmo assunto, crédito presumido de IPI como forma de ressarcimento das contribuições ao PIS e à Cofins onerados nas aquisições de insumos nas cadeias de consumo antecedentes. Na verdade, a Lei nº 10.276/2001 apenas dá uma opção ao produtor/exportador de fazer o cálculo do crédito presumido de uma forma alternativa, mas o direito já veio lá da Lei nº 9.363/96, sendo que a lei nova também não trouxe a limitação que o RESP 993.164 afastou. Não procede o argumento da recorrente de que somente na Lei 10.276/2001 teria havido disposição expressa de que o crédito presumido só seria permitido quando houvesse incidência do PIS e da Cofins na aquisição dos insumos. Na minha leitura, as duas leis trouxeram de forma cristalina essa condição. Na verdade a redação das duas, no que interessa ao presente exame, são muito parecidas. Veja a comparação: Lei nº 9.363/96 Lei nº 10.276/2001 Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. (...) Art. 1º Alternativamente ao disposto na Lei nº 9.363, de 13 de dezembro de 1996, a pessoa jurídica produtora e exportadora de mercadorias nacionais para o exterior poderá determinar o valor do crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), como ressarcimento relativo às contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PIS/PASEP) e para a Seguridade Social (COFINS), de conformidade com o disposto em regulamento. § 1º A base de cálculo do crédito presumido será o somatório dos seguintes custos, sobre os quais incidiram as contribuições referidas no caput: (...) Fl. 1402DF CARF MF Processo nº 19515.001758/200425 Acórdão n.º 9303004.682 CSRFT3 Fl. 9 8 No caso a Lei nº 9.363/96 autorizou, ao produtor/exportador, a apropriação de crédito presumido de IPI, como ressarcimento do PIS e da Cofins, incidentes sobre as respectivas aquisições. Já a Lei nº 10.276/2001 autorizou, ao produtor/exportador, a apropriação de crédito presumido de IPI, como ressarcimento do PIS e da Cofins aos custos de insumos sobre os quais incidiram o PIS e a Cofins. Não há diferença nas redações. A leitura que faço das duas é que o crédito presumido de IPI só poderia ser apropriado em relação à aquisição de insumos onerados pelo PIS e pelo Cofins pelo seu fornecedor direto. Então, no caso, se os produtos adquiridos de pessoas físicas e de cooperativas rurais não sofriam a tributação direta pelas contribuições, não haveria que se falar em apropriação do crédito presumido do IPI previsto nas duas leis. Mas não foi esse o entendimento do STJ ao julgar o RESP 993.164, conforme transcrito acima. Conclusão outra não há: se não houve a limitação ao crédito presumido nas aquisições de não contribuintes por parte da Lei nº 9.363/96, também não houve essa limitação pela Lei nº 10.276/2001. Inclusive, o precedente gerou a edição da Súmula STJ nº 494, na qual a sua redação está bastante abrangente: O benefício fiscal do ressarcimento do crédito presumido do IPI relativo às exportações incide mesmo quando as matérias primas ou os insumos sejam adquiridos de pessoa física ou jurídica não contribuinte do PIS/PASEP. Nesse sentido vem decidindo o STJ, como por exemplo no julgamento do RESP 1313043/RS: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. CRÉDITO PRESUMIDO ALTERNATIVO DE IPI. RESSARCIMENTO DE PIS/COFINS. ARTS 1º E 6º, DA LEI N. 9.363/96 E LEI N. 10.276/2001. ILEGALIDADE DO ART. 5º, 2º, DA IN/SRF N. 420/2004. CORREÇAO MONETÁRIA. SÚMULA N. 411/STJ. 1. O art. 2º, 2º, da Instrução Normativa n. 23/97, impôs limitação ilegal ao art. 1º da Lei n. 9.363/96, quando condicionou gozo do benefício do crédito presumido do IPI, para ressarcimento de PIS/PASEP e COFINS, somente às aquisições efetuadas de pessoas jurídicas sujeitas às contribuições para o PIS/PASEP e COFINS. Tema já julgado pelo recurso representativo da controvérsia REsp. n. 993.164/MG, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 13.12.2010. Lógica que também se aplica ao art. 5º, 2º, da IN/SRF n. 420/2004, especifica para o crédito presumido alternativo previsto na Lei n. 10.276/2001, por possuir idêntica redação. (...) Portanto, nego provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional nesta matéria. Fl. 1403DF CARF MF Processo nº 19515.001758/200425 Acórdão n.º 9303004.682 CSRFT3 Fl. 10 9 2) Da incidência da taxa Selic. Oposição ilegítima do Fisco. Ao julgar o recurso voluntário apresentado pelo contribuinte o acórdão recorrido entendeu por autorizar a incidência da taxa Selic a ser aplicada sobre os créditos decorrentes do ressarcimento. Pronunciouse a esse respeito da seguinte forma, na ementa, no acórdão, no voto e na conclusão: CRÉDITO PRESUMIDO IPI – RESSARCIMENTO CORREÇÃO MONETÁRIA TAXA SELIC. Incidindo a Taxa SELIC sobre a restituição a partir de 01.01.96 (art. 39, § 4º da Lei nº 9.250/95) e, sendo o ressarcimento uma espécie do gênero restituição, a referida Taxa incide também sobre o ressarcimento de créditos de IPI. Precedentes da CSRF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos (...) admitir a incidência da taxa Selic no valor a ser ressarcimento de crédito presumido do IPI (...) (...) Entretanto, a correção monetária dos créditos do IPI somente deve incidir sobre o direito creditório não reconhecido oportunamente pelo Fisco... (...) Isto posto, voto no sentido de DAR PARCIAL PROVIMENTO ao do presente Recurso Voluntário para reformar parcialmente a r. decisão recorrida e, (...) na esteira da jurisprudência do STJ e da CSRF reconhecer o direito ao crédito presumido de IPI como ressarcimento das contribuições relativas às aquisições de Pessoas Físicas e de Sociedades Cooperativas, e inclusão na receita de exportação dos produtos NT incidindo a Taxa SELIC sobre o referido ressarcimento tal como pacificamente reconhecido pela Jurisprudência da C. CSRF. A Fazenda Nacional insurgese contra essa decisão com os seguintes argumentos em síntese: não pode incidir a taxa Selic sobre os valores ressarcidos por falta de previsão legal, ressaltando serem diferentes os institutos da restituição e do ressarcimento; entende que não é aplicável ao presente caso a Súmula nº 411 do STJ, pois ela trataria somente do crédito de IPI decorrente do princípio da não cumulatividade e não de créditos incentivados de IPI como é o caso do crédito presumido do IPI que é tratado no presente processo; que não haveria tido a resistência ilegítima do fisco, preconizada na decisão do STJ, pois "o Fisco apenas seguiu os trâmites procedimentais próprios afetos ao pedido de ressarcimento" ou que teria apenas ocorrido "divergência de teses" e que esse fato não torna a "recusa ilegítima". Fl. 1404DF CARF MF Processo nº 19515.001758/200425 Acórdão n.º 9303004.682 CSRFT3 Fl. 11 10 Apesar de concordar com a Fazenda Nacional de que os institutos da restituição e do ressarcimento são diferentes e também que não caberia, por falta de previsão legal, a aplicação da taxa Selic sobre os valores ressarcidos decorrentes do crédito presumido do IPI, entendo que no presente caso é aplicável sim a decisão do STJ sob a sistemática do art. 543C do CPC. É importante ressaltar que o STJ, no julgamento do RESP nº 1.035.847, na sistemática do art. 543C do CPC, decidiu, como regra, que não é cabível a correção monetária sobre o crédito de IPI, por falta de previsão legal, salvo se houver oposição indevida da Administração Tributária. Veja sua ementa com destaques ao tema: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. 1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da nãocumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. 3. Destarte, a vedação legal ao aproveitamento do crédito impele o contribuinte a socorrerse do Judiciário, circunstância que acarreta demora no reconhecimento do direito pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos judiciais. 4. Consectariamente, ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses créditos, com o consequente ingresso no Judiciário, postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Precedentes da Primeira Seção: EREsp 490.547/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.09.2005, DJ 10.10.2005; EREsp 613.977/RS, Rel. Ministro José Delgado, julgado em 09.11.2005, DJ 05.12.2005; EREsp 495.953/PR, Rel. Ministra Denise Arruda, julgado em 27.09.2006, DJ 23.10.2006; EREsp 522.796/PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, julgado em 08.11.2006, DJ 24.09.2007; EREsp 430.498/RS, Rel. Ministro Humberto Martins, julgado em 26.03.2008, DJe 07.04.2008; e EREsp 605.921/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 12.11.2008, DJe 24.11.2008). 5. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. De fato ao analisar o conteúdo desta decisão teríamos que restringir a sua aplicação aos créditos de IPI decorrentes da aplicação do princípio da nãocumulatividade do Fl. 1405DF CARF MF Processo nº 19515.001758/200425 Acórdão n.º 9303004.682 CSRFT3 Fl. 12 11 IPI e não aos créditos incentivados do IPI. Porém, posteriormente, o próprio STJ, no julgamento do RESP nº 993.164, também julgado sob a sistemática do art. 543C do CPC, decidiu estender o mesmo entendimento em relação ao crédito presumido do IPI. Veja abaixo parte da ementa com os destaques sobre o tema: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO DO VALOR DO PIS/PASEP E DA COFINS. EMPRESAS PRODUTORAS E EXPORTADORAS DE MERCADORIAS NACIONAIS. LEI 9.363/96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 23/97. CONDICIONAMENTO DO INCENTIVO FISCAL AOS INSUMOS ADQUIRIDOS DE FORNECEDORES SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO PELO PIS E PELA COFINS. EXORBITÂNCIA DOS LIMITES IMPOSTOS PELA LEI ORDINÁRIA. SÚMULA VINCULANTE 10/STF. OBSERVÂNCIA. INSTRUÇÃO NORMATIVA (ATO NORMATIVO SECUNDÁRIO). CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 535, DO CPC. INOCORRÊNCIA. 1. O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, não poderia ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF 23/97, ato normativo secundário, que não pode inovar no ordenamento jurídico, subordinandose aos limites do texto legal. (...) 12. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da não cumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009). 13. A Tabela Única aprovada pela Primeira Seção (que agrega o Manual de Cálculos da Justiça Federal e a jurisprudência do STJ) autoriza a aplicação da Taxa SELIC (a partir de janeiro de 1996) na correção monetária dos créditos extemporaneamente aproveitados por óbice do Fisco (REsp 1150188/SP, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 20.04.2010, DJe 03.05.2010). (...) 15. Recurso especial da empresa provido para reconhecer a incidência de correção monetária e a aplicação da Taxa Selic. Fl. 1406DF CARF MF Processo nº 19515.001758/200425 Acórdão n.º 9303004.682 CSRFT3 Fl. 13 12 16. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. 17. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. A existência da oposição ilegítima está caracterizada pelo fato de que, somente no âmbito da última instância administrativa de julgamento é que foi possível ver o seu direito creditório garantido, ou seja, na parte em que teve negado o seu direito pelo despacho decisório da Delegacia da Receita Federal de origem. No meu entender, houve oposição ilegítima do Fisco quanto ao seu direito. Penso não ser cabível aqui a discussão se foi ou não em decorrência de "divergência de teses" como alega a Fazenda Nacional em seu recurso especial, até porque as decisões de base foram tomadas no estrito cumprimento de orientações normativas emanadas pela própria Receita Federal. O fato é que a negativa do direito demonstrouse incorreta por parte do fisco, não podendo o contribuinte arcar sozinho com o ônus desta demora, sob pena de enriquecimento sem causa por parte do Fisco. Portanto, é sim o caso de aplicação do art. 62A do antigo Regimento Interno do CARF, atualizado pelo § 2º do art. 62 do atual Regimento, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015: § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Assim, diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional nessa matéria, ratificando o acórdão recorrido no sentido de ser cabível no presente caso a aplicação da taxa Selic aos valores de ressarcimento reconhecidos somente no âmbito do julgamento administrativo, aplicáveis a partir do protocolo do seu pedido de ressarcimento. 3) Da inclusão ou não dos produtos NT na receita de exportação para efeito do cálculo do crédito presumido do IPI A fiscalização e a DRJ excluíram da base de cálculo do crédito presumido, mais precisamente da receita de exportação, os valores decorrentes da exportação de produtos NT. Entenderam que compõe a receita de exportação somente os ingressos decorrentes de vendas de produtos industrializados dentro do conceito da legislação do IPI. O acórdão recorrido, já em sede de embargos, manifestouse pela inclusão das exportações de produtos NT na composição da receita de exportação. Argumenta em síntese que a Lei nº 9.363/96 não concedeu o benefício do crédito presumido somente para as produtoras/exportadoras contribuintes do IPI, mas a todas produtoras e exportadoras, aí incluídas as produtoras de produtos NT. Por entender da mesma forma que a fiscalização, a Fazenda Nacional apresentou o recurso especial, pedindo a exclusão dos valores decorrentes da exportação dos produtos NT da base de cálculo do crédito presumido, mais especificamente do cômputo da Fl. 1407DF CARF MF Processo nº 19515.001758/200425 Acórdão n.º 9303004.682 CSRFT3 Fl. 14 13 receita de exportação. Somente a título de informação, conforme Termo de Verificação Fiscal, fl. 776, tratase exportação esporádica de sebo bovino em bruto, classificação fiscal 15.02.00.11, no grupo de produtos "NT". Analisemos então o que consta da Lei nº 9.363/96 que instituiu o benefício do crédito presumido: Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. (...) Art. 3o Para os efeitos desta Lei, a apuração do montante da receita operacional bruta, da receita de exportação e do valor das matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem será efetuada nos termos das normas que regem a incidência das contribuições referidas no art. 1o, tendo em vista o valor constante da respectiva nota fiscal de venda emitida pelo fornecedor ao produtor exportador. Parágrafo único. Utilizarseá, subsidiariamente, a legislação do Imposto de Renda e do Imposto sobre Produtos Industrializados para o estabelecimento, respectivamente, dos conceitos de receita operacional bruta e de produção, matéria prima, produtos intermediários e material de embalagem. (...) Art. 6o O Ministro de Estado da Fazenda expedirá as instruções necessárias ao cumprimento do disposto nesta Lei, inclusive quanto aos requisitos e periodicidade para apuração e para fruição do crédito presumido e respectivo ressarcimento, à definição de receita de exportação e aos documentos fiscais comprobatórios dos lançamentos, a esse título, efetuados pelo produtor exportador Da leitura dos dispositivos legais, pareceme inconteste que o benefício fiscal foi concedido somente para as pessoas jurídicas produtoras e exportadoras de mercadorias nacionais, que se encaixem no conceito restrito da legislação do IPI a respeito do seu alcance e conteúdo. Vale lembrar, neste momento, o disposto no art. 111 do CTN, o qual dispõe sobre a necessidade de se fazer interpretação literal da legislação tributária quando essa dispõe sobre outorga de isenção, lembrando que renúncia fiscal, no meu entender, é uma espécie de isenção. Pois bem o art. 8º do Regulamento do IPI, Decreto nº 4.544/2002, assim dispõe sobre estabelecimento industrial: Art. 8º Estabelecimento industrial é o que executa qualquer das operações referidas no art. 4º, de que resulte produto tributado, Fl. 1408DF CARF MF Processo nº 19515.001758/200425 Acórdão n.º 9303004.682 CSRFT3 Fl. 15 14 ainda que de alíquota zero ou isento (Lei nº 4.502, de 1964, art. 3º). Do conjunto dessa leitura, concluise que os produtos "NT" (NÃO TRIBUTADOS) estão fora do conceito de produtos industrializados estabelecidos pela legislação do IPI. Assim, quem os produz, não são considerados estabelecimentos industriais para fins dessa legislação. Como vimos, o crédito presumido discutido no presente processo e na sua forma alternativa prevista na Lei nº 10.276/2001, in verbis: Art. 1º Alternativamente ao disposto na Lei nº 9.363, de 13 de dezembro de 1996, a pessoa jurídica produtora e exportadora de mercadorias nacionais para o exterior poderá determinar o valor do crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), como ressarcimento relativo às contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PIS/PASEP) e para a Seguridade Social (COFINS), de conformidade com o disposto em regulamento. § 1º A base de cálculo do crédito presumido será o somatório dos seguintes custos, sobre os quais incidiram as contribuições referidas no caput: I de aquisição de insumos, correspondentes a matériasprimas, a produtos intermediários e a materiais de embalagem, bem assim de energia elétrica e combustíveis, adquiridos no mercado interno e utilizados no processo produtivo; II correspondentes ao valor da prestação de serviços decorrente de industrialização por encomenda, na hipótese em que o encomendante seja o contribuinte do IPI, na forma da legislação deste imposto. § 2o O crédito presumido será determinado mediante a aplicação, sobre a base de cálculo referida no § 1o, do fator calculado pela fórmula constante do Anexo. § 3o Na determinação do fator (F), indicado no Anexo, serão observadas as seguintes limitações: I o quociente será reduzido a cinco, quando resultar superior; II o valor dos custos previstos no § 1o será apropriado até o limite de oitenta por cento da receita bruta operacional. § 4o A opção pela alternativa constante deste artigo será exercida de conformidade com normas estabelecidas pela Secretaria da Receita Federal e abrangerá, obrigatoriamente: I o último trimestrecalendário de 2001, quando exercida neste ano; II todo o anocalendário, quando exercida nos anos subseqüentes. Fl. 1409DF CARF MF Processo nº 19515.001758/200425 Acórdão n.º 9303004.682 CSRFT3 Fl. 16 15 § 5o Aplicamse ao crédito presumido determinado na forma deste artigo todas as demais normas estabelecidas na Lei no 9.363, de 1996. Do anexo, do qual consta a fórmula de cálculo do Fator "F" temse as seguintes premissas: F = (0,0365)Rx/(Rt C), onde: F é o fator (alíquota a ser aplicada sobre a base de cálculo); Rx é a receita de exportação; Rt é a receita operacional bruta; C é o custo de produção determinado conforme o § 1º do art. 1º da Lei nº 10.276/2001, acima transcrito. Vimos que o art. 6º da Lei nº 9.363/96, acima transcrito, deu poderes ao Ministro da Fazenda para definir o conceito de receita de exportação para fins do gozo do benefício fiscal. Utilizando dessa prerrogativa legal foi editada a Portaria MF nº 64, de 24/03/2003, vigente à época dos fatos, que assim dispunha sobre a apuração do crédito presumido do IPI: Art. 1º O crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), como ressarcimento das contribuições para o PIS/Pasep e da Contribuição para a Seguridade Social (Cofins), incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas (MP), produtos intermediários (PI) e materiais de embalagem (ME) utilizados na industrialização de produtos destinados à exportação para o exterior, de que trata a Lei nº 9.363, de 13 de dezembro de 1996, com as alterações da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, será apurado e utilizado de conformidade com o disposto nesta Portaria. (...) Art. 3º .... (...) § 11. Os conceitos de produção, MP, PI e ME são os constantes da legislação do IPI. § 12. Para os efeitos deste artigo, considerase: I receita operacional bruta, o produto da venda de produtos industrializados pela pessoa jurídica produtora e exportadora nos mercados interno e externo; II receita bruta de exportação, o produto da venda para o exterior e para empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação, de produtos industrializados nacionais; Fl. 1410DF CARF MF Processo nº 19515.001758/200425 Acórdão n.º 9303004.682 CSRFT3 Fl. 17 16 (...) Portanto, para a legislação do IPI, os produtos com notação "NT" na Tabela de IPI, não são produtos industrializados e não devem compor nem a receita de exportação e nem a receita operacional bruta, de forma que a sua venda no mercado interno ou sua exportação não interferem no base de cálculo do crédito presumido do IPI de que tratam as Leis 9.363/96 e 10.276/2001. Desta forma, diante do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso especial da Fazenda Nacional em relação a esta matéria. Conclusão: Voto por dar provimento parcial ao recurso especial da Fazenda Nacional, determinando a exclusão das exportações de produtos "NT" do cômputo da receita de exportação e também do cômputo da Receita Operacional Bruta, para fins de cálculo do crédito presumido do IPI. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Relator Fl. 1411DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.731269/2013-38
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 03 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Apr 26 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2009
IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DO TRABALHO COM VÍNCULO EMPREGATÍCIO RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. LANÇAMENTO COM BASE EM DIRF. PRESUNÇÃO RELATIVA.
De conformidade com a jurisprudência administrativa, a Dirf não pode ser considerada como elemento de prova isolado, hábil a sustentar a exigência. Como qualquer outra declaração prestada por terceiro, tem valor de prova relativo, o qual deve ser afastado quando o sujeito passivo tem sucesso em comprovar o erro em que se funda, o que se vislumbra na hipótese dos autos, onde o autuado apresentou provas robustas demonstrando que os dados constantes da DIRF, fundamento da autuação, não representava a realidade dos fatos, notadamente em relação aos pretensos rendimentos do trabalho com vínculo empregatício, recebidos de pessoa jurídica.
Numero da decisão: 2401-004.694
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso, e, no mérito, dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente
(assinado digitalmente)
Rayd Santana Ferreira - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Marcio de Larceda Martins, Andrea Viana Arrais Egypto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: RAYD SANTANA FERREIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201704
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2009 IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DO TRABALHO COM VÍNCULO EMPREGATÍCIO RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. LANÇAMENTO COM BASE EM DIRF. PRESUNÇÃO RELATIVA. De conformidade com a jurisprudência administrativa, a Dirf não pode ser considerada como elemento de prova isolado, hábil a sustentar a exigência. Como qualquer outra declaração prestada por terceiro, tem valor de prova relativo, o qual deve ser afastado quando o sujeito passivo tem sucesso em comprovar o erro em que se funda, o que se vislumbra na hipótese dos autos, onde o autuado apresentou provas robustas demonstrando que os dados constantes da DIRF, fundamento da autuação, não representava a realidade dos fatos, notadamente em relação aos pretensos rendimentos do trabalho com vínculo empregatício, recebidos de pessoa jurídica.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Apr 26 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 11080.731269/2013-38
anomes_publicacao_s : 201704
conteudo_id_s : 5714505
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Apr 26 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 2401-004.694
nome_arquivo_s : Decisao_11080731269201338.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : RAYD SANTANA FERREIRA
nome_arquivo_pdf_s : 11080731269201338_5714505.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso, e, no mérito, dar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Marcio de Larceda Martins, Andrea Viana Arrais Egypto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira.
dt_sessao_tdt : Mon Apr 03 00:00:00 UTC 2017
id : 6730621
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:58:49 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048948400193536
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1377; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 111 1 110 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11080.731269/201338 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2401004.694 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 03 de abril de 2017 Matéria IRPF OMISSÃO DO RENDIMENTOS Recorrente SERGIO LUIZ SANDIM AFFONSO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2009 IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DO TRABALHO COM VÍNCULO EMPREGATÍCIO RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. LANÇAMENTO COM BASE EM DIRF. PRESUNÇÃO RELATIVA. De conformidade com a jurisprudência administrativa, a Dirf não pode ser considerada como elemento de prova isolado, hábil a sustentar a exigência. Como qualquer outra declaração prestada por terceiro, tem valor de prova relativo, o qual deve ser afastado quando o sujeito passivo tem sucesso em comprovar o erro em que se funda, o que se vislumbra na hipótese dos autos, onde o autuado apresentou provas robustas demonstrando que os dados constantes da DIRF, fundamento da autuação, não representava a realidade dos fatos, notadamente em relação aos pretensos rendimentos do trabalho com vínculo empregatício, recebidos de pessoa jurídica. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 73 12 69 /2 01 3- 38 Fl. 136DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso, e, no mérito, darlhe provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Marcio de Larceda Martins, Andrea Viana Arrais Egypto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira. Fl. 137DF CARF MF Processo nº 11080.731269/201338 Acórdão n.º 2401004.694 S2C4T1 Fl. 112 3 Relatório SERGIO LUIZ SANDIM AFFONSO, contribuinte, pessoa física, já qualificado nos autos do processo em referência, recorre a este Conselho da decisão da 3a Turma da DRJ em Salvador/BA, Acórdão nº 1534.568/2014, às fls. 63/65, que julgou procedente em parte a Notificação de Lançamento concernente ao Imposto de Renda Pessoa Física IRPF, decorrente da constatação de omissão de rendimentos de trabalho com vínculo e/ou sem vínculo empregatício recebidos de pessoa jurídica, em relação ao exercício 2010, conforme peça inaugural do feito, às fls. 05/09, e demais documentos que instruem o processo. Tratase de Notificação de Lançamento, lavrada em 26/09/2013, nos moldes da legislação de regência, contra o contribuinte acima identificado, constituindose crédito tributário no valor consignado na folha de rosto da autuação. Com mais especificidade, no decorrer da ação fiscal, a partir da confrontação com as importâncias declaradas em DIRF pelas fontes pagadores, apurouse omissão de rendimentos recebidos da empresa ALTERNATIVA CONSULTORIA, notadamente a diferença de R$ 22.029,86, objeto de tributação nesta autuação. A autoridade julgadora de primeira instância entendeu acolher em parte a pretensão do contribuinte, afastando parte da exigência fiscal relativamente ao valor recebido a título de aluguel, o qual fora lançado a maior. Inconformado com a Decisão recorrida, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, às fls. 72/73, procurando demonstrar a sua improcedência, desenvolvendo em síntese as seguintes razões. Após breve relato das fases processuais, bem como dos fatos que permeiam o lançamento, suscita que os rendimentos recebidos pela fonte pagadora pessoa jurídica são provenientes de alugueis e não de remuneração como afirma a notificação fiscal, requerendo seja afastada a tributação imputada a este título. Explicita que desde 1972, quando formado em medicina, elabora os ajustes na sua declaração de imposto de renda com 100% de veracidade, nunca omitindo renda. Alega laborar em tempo total no Hospital Nossa Senhora da Conceição e Hospital Cristo Redentor, além de receber rendimentos do INSS decorrente da aposentadoria, não fazendo sentido a conclusão de que possui vínculo empregatício com o inquilino. Contrapõese à conclusão do julgador de primeira instância, aduzindo que formalizou sua Declaração de imposto de renda pertinente ao exercício em questão de acordo com a DIMOB fornecida pela imobiliária, tendo conferido todos os dados ali constantes, os quais se apresentam correto, consoante documentação acostada aos autos. Insurgese contra a exigência consubstanciada na peça vestibular do feito, sustentando que nunca recebeu rendimentos do trabalho da empresa ALTERNATIVA CONSULTORIA, sendo um verdadeiro absurdo e incoerência receber alugueis e salário de Fl. 138DF CARF MF 4 uma mesma fonte pagadora, sobretudo por exercer ofício de médico e a empresa ser do ramo de comunicação. Em defesa de sua pretensão, colaciona aos autos nesta oportunidade sua carteira profissional com o fito de demonstrar os vínculos empregatícios que possuiu no período objeto da autuação. Assevera quando tomou conhecimento da conclusão fiscal, quanto ao pretenso vínculo empregatício com aludida empresa, procurou a sua proprietária para verificar o ocorrido, tendo sido informado que aquela pessoa jurídica não tem mais contato com o contador responsável a época, não sabendo a proprietária informar o que aconteceu. Diante desse cenário, o contribuinte sustenta só pode ter havido erro de preenchimento da declaração por parte do contador da empresa, que ao invés de preencher como pagamentos de aluguéis, o fez como pagamentos de salário, o que não condiz com a realidade. Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar a Notificação de Lançamento, tornandoa sem efeito e, no mérito, sua absoluta improcedência. Não houve apresentação de contrarrazões. Regular processamento do feito, o processo foi pautado para julgamento no dia 17 de fevereiro de 2016 por este Nobre Conselheiro que subscreve, integrante desta Colenda Turma, onde naquela oportunidade o Colegiado, por qualidade, decidiu por transformar o julgamento em diligência nos termos da Resolução n° 2401000.490, in verbis: "(...) II. DA CONVERSÃO DO JULGAMENTO DO RECURSO VOLUNTÁRIO EM DILIGÊNCIA. Em que pesem as valiosas considerações expostas pelo Ilustre Relator, ouso divergir data vênia do desfecho proposto ao presente feito. Colhemos dos autos que o lançamento remanescente aviado na Notificação de Lançamento nº 2010/881333057167804, a fls. 05/09, tem por fatos geradores os rendimentos de aluguel e royalties (cod. 3208) no valor de R$ 19.738,48 recebidos da empresa Alternativa Consultoria em Educação e Comunicação Social Ltda, a qual declara em sua DIRF, também o Recorrente como beneficiário de rendimentos do trabalho assalariado (cód. 0561) no montante de R$ 18.558,58, conforme especificado na Declaração do Imposto sobre a Renda Retido na Fonte da Declarante, a fls. 61/62. Em sede de defesa administrativa, o Contribuinte afirma que os rendimentos recebidos da fonte pagadora acima citada são provenientes de alugueis e não de remuneração, contrariando assim o declarado pela pessoa jurídica em tela, em sua DIRF a fls. 61/62. Ocorre que os elementos de prova acostados pelo Recorrente aos autos não se revelaram suficientes para infirmar, de maneira categórica, as informações prestadas pela Fonte Pagadora a fls. Fl. 139DF CARF MF Processo nº 11080.731269/201338 Acórdão n.º 2401004.694 S2C4T1 Fl. 113 5 61/62, se prestando, ao meu sentir, como meras peças indiciárias da tese por ele desenvolvida nos autos. De acordo com o Art. 29 do Dec. nº 70.235/72, na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. Nesse contexto, em atenção ao princípio da Verdade Material, e visando à consolidação da convicção deste subscritor, propondo a conversão do julgamento do Recurso Voluntário em diligência , para que a Autoridade Lançadora promova sindicância perante a empresa Alternativa Consultoria em Educação e Comunicação Social Ltda, visando a verificar a fidedignidade das informações prestadas em sua DIRF e, se for o caso, retificálas." Em resposta a diligência encimada, foram anexados ao processo os documentos de efls. 124/127, quais sejam: DIRF Retificadora da Alternativa Consultoria em Educação e Comunicação Social Ltda. e DIRF do contribuinte, após retorno ao Egrégio Conselho, os autos retornaram a minha relatoría e conseguinte inclusão em pauta. É o relatório. Fl. 140DF CARF MF 6 Voto Conselheiro Rayd Santana Ferreira Relator Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso e passo ao exame das alegações recursais. Conforme se depreende dos elementos que instruem o processo, com base na confrontação da DIRPF da contribuinte com informações constantes das DIRF´s das fontes pagadoras, apurouse na presente autuação omissão de rendimentos recebido da empresa ALTERNATIVA CONSULTORIA, notadamente a diferença de R$ 22.029,86, objeto de tributação nesta autuação. Em sua defesa inaugural, a contribuinte sustentou não ter havido omissão de rendimentos, os quais foram declarados corretamente, de conformidade com a DIMOB apresentada pela imobiliária responsável pela administração do aluguel do imóvel em referência. A autoridade julgadora de primeira instância entendeu acolher em parte a pretensão do contribuinte, afastando parte da exigência fiscal relativamente ao valor recebido a título de aluguel, o qual fora lançado a maior, com base nos seguintes fundamentos: "[...] O contribuinte refere apenas rendimentos de aluguel em sua impugnação. Mas a Alternativa Consultoria em Educação, Cultura e Comunicação Social Ltda o declara beneficiário de rendimentos por ela pagos no ano 2009 a título de aluguel (R$19.738,48) e do trabalho com vínculo empregatício (R$18.558,48). É o que consta da declaração de imposto de renda retido na fonte (Dirf), apresentada por essa fonte pagadora (fls.61/62). Sobre o rendimento bruto de aluguéis recebidos, R$19.738,48, cabe deduzir a comissão da administradora do imóvel, no percentual de 10%, como consta da declaração de informações sobre atividades imobiliárias (Dimob): 1 Rendimento de aluguel (19.738,481.973,84) 17.764,64 2 Rendimento do trabalho com vínculo empregatício 18.558,48 3 Total de rendimentos recebidos da Alternativa [1]+[2] 36.323,12 4 Rendimentos declarados dessa fonte pagadora 16.267,11 5 Omissão de rendimentos apurada [3][4] 20.056,01 Dessa forma, é cabível a alteração do lançamento que se demonstra a seguir: AC2009 VALOR(R$) Fl. 141DF CARF MF Processo nº 11080.731269/201338 Acórdão n.º 2401004.694 S2C4T1 Fl. 114 7 1) Base de cálculo apurada no lançamento 440.817,19 2) Omissão de rendimentos descaracterizada (22.029,8520.056,01) 1.973,84 3) Base de cálculo alterada [1][2] 438.843,35 4) Imposto devido (27,5% 7.955,36) 112.726,56 5) Total de imposto pago declarado 106.857,87 6) IRRF sobre infração 52,03 7) Saldo do imposto a pagar após alterações [4][5][6] 5.816,66 8) Saldo do imposto a pagar declarado 400,83 9) Imposto suplementar [7][8] 5.415,83 Isso posto, voto pela procedência parcial da impugnação, para exonerar o contribuinte do valor de R$542,80 e manter o imposto suplementar, no valor de R$5.415,83 e a multa de ofício respectiva, com os acréscimos legais pertinentes. [...]" Em suma, a manutenção de parte da exigência fiscal com base exclusivamente na DIRF, às fls. 61/62, apresentada pela fonte pagadora, Alternativa Consultoria em Educação, Cultura e Comunicação Social Ltda., a qual declarou o contribuinte ter pago ao contribuinte no exercício sob análise os seguintes valores: R$ 19.738,48, a título de aluguel; e R$ 18.558,48, decorrente do trabalho com vínculo empregatício. Ainda irresignado com a autuação e, bem assim, a decisão recorrida, o contribuinte interpôs recurso voluntário, asseverando que os rendimentos recebidos pela fonte pagadora pessoa jurídica são provenientes de alugueis e não de remuneração como afirma a notificação fiscal, tendo formalizado sua Declaração de imposto de renda pertinente ao exercício em questão de acordo com a DIMOB fornecida pela imobiliária, requerendo seja afastada a tributação imputada a este título. A fazer prevalecer seu entendimento, elucida que desde 1972, quando formado em medicina, elabora os ajustes na sua declaração de imposto de renda com 100% de veracidade, nunca omitindo renda. Alega que labora em tempo total no Hospital Nossa Senhora da Conceição e Hospital Cristo Redentor, além de receber rendimentos do INSS decorrente da aposentadoria, não fazendo sentido a conclusão de que possui vínculo empregatício com o inquilino. Insurgese contra a exigência consubstanciada na peça vestibular do feito, sustentando que nunca recebeu rendimentos do trabalho da empresa ALTERNATIVA CONSULTORIA, sendo um verdadeiro absurdo e incoerência receber alugueis e salário de uma mesma fonte pagadora, sobretudo por exercer ofício de médico e a empresa ser do ramo de comunicação. Em defesa do seu entendimento, colaciona aos autos nesta oportunidade sua carteira profissional objetivando demonstrar os vínculos empregatícios que possuiu no período objeto da autuação. Fl. 142DF CARF MF 8 Alega que ao tomar conhecimento da conclusão fiscal, quanto ao pretenso vínculo empregatício com aludida empresa, procurou a sua proprietária para verificar o ocorrido, tendo sido informado que aquela pessoa jurídica não tem mais contato com o contador responsável a época, não sabendo a proprietária informar o que aconteceu. Diante desse cenário, o contribuinte sustenta só pode ter havido erro de preenchimento da declaração por parte do contador da empresa, que ao invés de preencher como pagamentos de aluguéis, o fez como pagamentos de salário, o que não condiz com a realidade. Não obstante as substanciosas razões de fato e de direito ofertadas pelas autoridades lançadora e julgadora de primeira instancia, a pretensão do contribuinte merece acolhimento, como passaremos a demonstrar. Destarte, o lançamento encontrase escorado exclusivamente na DIRF apresentada pela fonte pagamento, ALTERNATIVA CONSULTORIA, documento que se apresenta como meio hábil para realizar lançamento, mas não como uma verdade absoluta. Tratase, portanto, de uma presunção "juris tantum" (presunções discutíveis), onde fato conhecido induz à veracidade de outro, até a prova em contrário. Elas recuam diante da comprovação contrária ao presumido. Serve de bom exemplo a presunção de liquidez e certeza da dívida inscrita, que pode ser ilidida por prova inequívoca, nos termos do artigo 204, parágrafo único, do Código Tributário Nacional. A jurisprudência administrativa, aliás, já se debruçou sobre o tema, reconhecendo que o lançamento fundado exclusivamente em informações constantes das DIRF's de fontes pagadores, em que pese serem válidos, podem ser rechaçados quando o contribuinte consegue comprovar que os dados ali inseridos não representam a realidade dos fatos. É o que se extrai do Acórdão n° 1276.284, da lavra da 7ª Turma da DRJ no Rio de Janeiro, exarada nos autos do processo administrativo n° 10735.720403/201441, com a seguinte ementa: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2011 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Deve ser cancelado o lançamento, no tocante à omissão de rendimentos, cujo recebimento foi contestado, quando não há nos autos prova da infração cometida. DIRF VALOR DE PROVA. A Dirf não pode ser considerada como elemento de prova isolado, hábil a sustentar a exigência. Como qualquer outra declaração prestada por terceiro, tem valor de prova relativo, o qual deve ser afastado quando o sujeito passivo tem sucesso em comprovar o erro em que se funda. Impugnação Procedente Crédito Tributário Mantido em Parte." Na hipótese dos autos, a contribuinte logrou comprovar que, de fato, houve verdadeiro equívoco nos dados constantes da DIRF da fonte pagadora, ALTERNATIVA Fl. 143DF CARF MF Processo nº 11080.731269/201338 Acórdão n.º 2401004.694 S2C4T1 Fl. 115 9 CONSULTORIA, quanto as informações relativas os rendimentos pagos por conta de vínculo empregatício, senão vejamos: Os rendimentos líquidos recebidos pelo contribuinte da empresa ALTERNATIVA CONSULTORIA, a título de aluguel, no valor de R$ 16.267,11, é exatamente o mesmo que consta da DIMOB, às fls. 12/14. A rigor, se analisarmos o Informe do Imposto de Renda, de fl. 15, fornecida pela empresa administradora do imóvel, constatase que o rendimento líquido declarado, após o IRF, é ainda maior do que o efetivamente recebido, R$ 16.111,66. Relativamente aos pretensos rendimentos recebidos por conta do trabalho com vínculo empregatício, o contribuinte desde o primeiro momento nega que tenha prestado serviços àquela empresa, trazendo à colação para comprovar sua alegação a Carteira de Trabalho, às fls. 84/97, não havendo qualquer anotação pertinente à Alternativa Consultoria. Não bastasse isso, cumpre acolher, igualmente, o argumento do contribuinte no sentido de não ser crível que um médico preste serviços, ou seja, mantenha vínculo empregatício, com sua inquilina, empresa de consultoria na área de comunicação. Corroborando as alegações do contribuinte, bem como o entendimento já exarado por este Conselheiro, após retorno de diligência, foi anexado ao processo a DIRF retificadora da empresa Alternativa Consultoria, onde não consta o nome do contribuinte na lista de beneficiários para o ano em questão. Assim, não há que se falar na pretensa omissão de rendimentos, pois o auditor efetuou o lançamento com base nas informações constantes da Declaração da Alternativa Consultoria, ou seja, não constando na DIRF retificadora a informação que ensejou a notificação, esta não tem o condão de prosperar. Por todo o exposto, estando a Notificação de Lançamento, sub examine, em dissonância com as normas legais que regulamentam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO, e, no mérito, DARLHE PROVIMENTO, decretando a improcedência da infração pertinente aos rendimentos do trabalho com vínculo empregatício recebidos de pessoa jurídica, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. É como voto. (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Fl. 144DF CARF MF
score : 1.0
