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Numero do processo: 10980.723902/2009-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu May 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. DATA DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR.
O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano-calendário. (Súmula CARF nº 38 - Portaria MF nº 383 DOU de 14/07/2010)
DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO.
O imposto sobre a renda pessoa física é tributo sob a modalidade de lançamento por homologação e, sempre que o contribuinte efetue o pagamento antecipado, o prazo decadencial encerra-se depois de transcorridos cinco anos do encerramento do ano-calendário, salvo nas hipóteses de dolo, fraude e simulação.
DEPÓSITO BANCÁRIO. PRESUNÇÃO LEGAL. DISPENSA DA COMPROVAÇÃO DO CONSUMO DE RENDA.
A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. (Súmula CARF nº 26, Portaria nº 383 DOU, de 14 de julho de 2010)
LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. EXCLUSÃO.
A presunção de omissão de rendimentos do artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, não alcança valores cuja origem tenha sido comprovada, cabendo, se for o caso, a tributação segundo legislação específica.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2102-002.903
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar a juntada aos autos de documento apresentado pela defesa durante o julgamento. Vencidas as Conselheiras Alice Grecchi e Roberta de Azevedo Ferreira Pagetti. No mérito, por unanimidade de votos, dar provimento parcial, para excluir da base de cálculo da infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários sem origem comprovada a quantia de R$ 110.000,00. Realizou sustentação oral o Dr. José Aderlei de Souza, OAB/PR nº 37.226.
Assinado digitalmente
JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS Presidente.
Assinado digitalmente
NÚBIA MATOS MOURA Relatora.
EDITADO EM: 22/04/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alice Grecchi, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, José Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho.
Nome do relator: NUBIA MATOS MOURA
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DEPÓSITOS BANCÁRIOS. DATA DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário. (Súmula CARF nº 38 Portaria MF nº 383 DOU de 14/07/2010) DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. O imposto sobre a renda pessoa física é tributo sob a modalidade de lançamento por homologação e, sempre que o contribuinte efetue o pagamento antecipado, o prazo decadencial encerrase depois de transcorridos cinco anos do encerramento do anocalendário, salvo nas hipóteses de dolo, fraude e simulação. DEPÓSITO BANCÁRIO. PRESUNÇÃO LEGAL. DISPENSA DA COMPROVAÇÃO DO CONSUMO DE RENDA. A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. (Súmula CARF nº 26, Portaria nº 383 DOU, de 14 de julho de 2010) LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. EXCLUSÃO. A presunção de omissão de rendimentos do artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, não alcança valores cuja origem tenha sido comprovada, cabendo, se for o caso, a tributação segundo legislação específica. Recurso Voluntário Provido em Parte AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 39 02 /2 00 9- 21 Fl. 474DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 25/04/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10980.723902/200921 Acórdão n.º 2102002.903 S2C1T2 Fl. 471 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar a juntada aos autos de documento apresentado pela defesa durante o julgamento. Vencidas as Conselheiras Alice Grecchi e Roberta de Azevedo Ferreira Pagetti. No mérito, por unanimidade de votos, dar provimento parcial, para excluir da base de cálculo da infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários sem origem comprovada a quantia de R$ 110.000,00. Realizou sustentação oral o Dr. José Aderlei de Souza, OAB/PR nº 37.226. Assinado digitalmente JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS – Presidente. Assinado digitalmente NÚBIA MATOS MOURA – Relatora. EDITADO EM: 22/04/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alice Grecchi, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, José Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. Relatório Contra CLEITON KIELSE BORDINI CRISOSTOMO foi lavrado Auto de Infração, fls. 233/240, para formalização de exigência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF), relativa ao anocalendário 2004, exercício 2005, no valor total de R$ 728.426,06, incluindo multa de ofício e juros de mora, estes últimos calculados até 30/10/2009. A infração apurada pela autoridade fiscal, detalhada no Auto de Infração e no Termo de Verificação e Encerramento Parcial da Ação Fiscal, fls. 221/232, foi omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada. Inconformado com a exigência, o contribuinte apresentou impugnação, fls. 253/280, que foi julgada procedente em parte pela autoridade julgadora de primeira instância, conforme Acórdão DRJ/CTA nº 0633.185, de 23/08/2011, fls. 417/432, de modo que foi excluída da base de cálculo do imposto devido a quantia de R$ 15.692,90, correspondente a subsídios recebidos em razão do exercício da atividade de parlamentar. Fl. 475DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 25/04/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10980.723902/200921 Acórdão n.º 2102002.903 S2C1T2 Fl. 472 3 Cientificado da decisão de primeira instância, por via postal, em 18/10/2011, Aviso de Recebimento (AR), fls. 436, o contribuinte apresentou, em 04/11/2011, recurso voluntário, fls. 437/468, no qual traz as alegações a seguir resumidas: Da decadência do direito ao crédito tributário – Do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, resta claro que o fato gerador, no caso de presunção de omissão de rendimentos por depósitos bancários ocorre no mês em que os valores são creditados na conta bancária do contribuinte. Logo, no presente caso, na data do lançamento, 30/11/2009, já se encontrava alcançado pela decadência o crédito tributário decorrente dos depósitos com data anterior a 1º de novembro de 2004. Da impossibilidade de constituir crédito tributário com base em presunção – Os simples depósitos bancários, por si só, em hipótese alguma configura o ato de auferir renda e proventos de qualquer natureza. Em momento algum a autoridade fiscal apresentou qualquer prova de obtenção de renda ou acréscimo de patrimônio do recorrente diferente da decorrente das rendas já declaradas e devidamente oferecidas à tributação. Da demonstração da origem dos depósitos bancários – A origem dos depósitos levados à tributação justificase nos seguintes elementos: a) premissa fundamental para a comprovação da origem dos depósitos bancários. b) cheques sacados em espécie e posteriormente depositados nas contas correntes, c) depósitos agrupados em suas contas correntes, d) proventos recebidos da Assembléia Legislativa do Estado do Paraná, e) verbas indenizatórias recebidas da Assembléia Legislativa do Estado do Paraná, f) ressarcimento de combustível, g) empréstimo obtido junto à caixa beneficente dos funcionários da Assembléia Legislativa do Estado do Paraná, h) transferências de numerários envolvendo familiares, i) alienação das quotas sociais da sociedade KRBS Comércio de Combustíveis, j) recebimento de mútuos – Marco Antonio Rauen Pinto, k) indenização de sinistro. Da limitação legal ao poder de tributar por presunção de omissão de receitas dos depósitos inferiores a R$ 12.000,00 que não somem R$ 80.000,00 ao ano – Após o acolhimento das razões e comprovações acima aduzidas é mister reconhecer a incidência do parágrafo 3º, inciso II, do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996. Do princípio da verdade material : Juntada de material probatório após a impugnação – Por motivo de força alheia à vontade do recorrente não foram juntados aos autos todos os documentos probatórios do alegado no prazo de trinta dias relativos à impugnação. Logo, deve ser aceita a apresentação posterior e oportuna de nova documentação comprobatória do direito do recorrente, sob pena de ofensa a diversos princípios, em especial, o princípio da verdade material. É o Relatório. Fl. 476DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 25/04/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10980.723902/200921 Acórdão n.º 2102002.903 S2C1T2 Fl. 473 4 Voto Conselheira Núbia Matos Moura, relatora O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Preliminarmente, cumpre dizer que quando da realização da sessão de julgamento o contribuinte trouxe documento, que segundo seu entendimento comprovaria a origem de uma TED realizada em 21/09/2004, no valor de R$ 30.344,64. Nesse aspecto, devese examinar o que estabelece o Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972, no que diz respeito à apresentação de provas: Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. (...) § 4º. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos.(Acrescido pelo art. 67 da Lei n.º 9.532/1997) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Acrescido pelo art. 67 da Lei nº 9.532/1997) Como se vê, o contribuinte deve juntar à sua impugnação os documentos que fundamentam suas alegações, não havendo previsão legal para concessão de prazo para apresentação de provas após a impugnação, ressalvados, apenas, os casos previstos no parágrafo 4° acima transcrito. Importante dizer que em nenhum momento o contribuinte demonstrou a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, sendo relevante dizer que desde o início do procedimento fiscal, o contribuinte eteve ciente de que deveria fazer a prova da origem dos recursos movimentados em suas contas bancárias. Fl. 477DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 25/04/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10980.723902/200921 Acórdão n.º 2102002.903 S2C1T2 Fl. 474 5 No caso, o referido documento, que não estava juntado aos autos até a data da sessão de julgamento se referia, segundo esclarecimento prestado pelo patrono do recorrente, a indenização recebida pelo contribuinte em razão da ocorrência de sinistro ocorrido com veículo de sua propriedade. Ora, por praxe documento é de fácil acesso ao contribuinte, não se justificando que o mesmo somente tenha sido trazido ao conhecimento dos julgadores no momento da sessão, sem que estivesse sequer juntado aos autos. Digase, aqui, que referido processo foi retirado de pauta, a pedido do contribuinte, no mês passado, março de 2014. É usual a afirmação de que no processo judicial vige o princípio da verdade formal e de que no processo administrativo impera o princípio da verdade material. Contudo, com o crescente enrijecimento do processo administrativo – operado por disposições como a que prevê prazos preclusivos para a apresentação de provas , há hoje o reconhecimento de que a verdade material é um mito em qualquer seara, e que o julgador, seja o judicial ou seja o administrativo, na expressiva maioria das vezes acaba chegando apenas a um juízo de verossimilhança, a uma verdade parcial, portanto, a uma verdade que é verdade a partir da realidade restrita dos autos que compõem fisicamente o processo. Há que se dizer que não há dúvida de que o processo administrativo é informado pelos princípios do contraditório, da ampla defesa e da verdade material. Mas parece haver um certo exagero na afirmação de que a limitação temporal à produção de provas macula tais princípios. É certo que no processo administrativo o julgador não pode se contentar apenas com a verdade formal, ou seja, aquela verdade que resulta das provas e alegações trazidas aos autos pelas partes. Ocorre, porém, que tal dever atribuído ao julgador, não pode ser estendido para além dos limites do rito procedimental. A rigor, a verdade material está associada ao poder do julgador de ir para além das versões de fato defendidas pelas partes com base nas provas que produziram tempestivamente. O julgador pode ir para além das provas trazidas tempestivamente, quando entender que elas não espelham a realidade dos fatos. Mas esta prerrogativa, que é do julgador, não deve ser base para o estabelecimento de uma prerrogativa das partes (tanto contribuinte quanto Fazenda Nacional) que extrapola, de forma injustificada os limites de restrições temporais legalmente postas. Nestes termos, negase a juntada aos autos de documento trazido ao conhecimento desta Turma apenas no momento da realização desta sessão de julgamento. Prosseguindo, devese analisar a alegação do recorrente de decadência do crédito tributário, relativos aos fatos geradores ocorridos em data anterior a 1º de novembro de 2004. Entende o recorrente que, em razão do disposto no parágrafo 4º do art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, abaixo transcrito, que o fato gerador do crédito tributário apurado no lançamento seja mensal. Art.42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. (...) Fl. 478DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 25/04/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10980.723902/200921 Acórdão n.º 2102002.903 S2C1T2 Fl. 475 6 §4º Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. Sabese que o IRPF, embora apurado mensalmente, se sujeita ao ajuste anual, e em assim sendo sua apuração somente se faz ao final do exercício, quando é possível definir a base de cálculo e aplicar a tabela progressiva anual. Tratase, pois, de fato gerador complexivo anual. Tal entendimento encontrase, inclusive, traduzido na Súmula CARF nº 38, abaixo transcrita: Súmula CARF nº 38: O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário. (Portaria MF n.º 383 DOU de 14/07/2010) Logo, no presente caso, o fato gerador só se completaria em 31/12/2004, data a ser considerada para fins de contagem do prazo decadencial, que se encerrou em 31/12/2009, nos termos do disposto no art. 150, §4º, da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional (CTN), que é, para o sujeito passivo, a forma mais benéfica de contagem de prazo decadencial. Como o contribuinte tomou ciência do Auto de Infração em 30/11/2009, fls. 236, não há que se falar em decadência do crédito tributário exigido do contribuinte na data do lançamento. Passase, a seguir, ao exame da alegação do recorrente de que depósitos bancários, por si só, não configuram as hipóteses do art. 43 do CTN aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica de renda ou de proventos de qualquer natureza e que a autoridade fiscal não apresentou qualquer prova de obtenção de renda ou acréscimo de patrimônio por parte do recorrente em valor diferente das rendas já declaradas e devidamente oferecidas à tributação. Ora, o art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular da conta bancária, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. Como se vê, o próprio dispositivo legal definiu que os depósitos bancários, de origem não comprovada, caracterizam omissão de receita ou de rendimentos, sendo certo que a falta de demonstração de disponibilidade econômica ou jurídica de renda não tem nenhuma influência no lançamento calcado na presunção legal estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996. Ou seja, o patrimônio do contribuinte não influencia a caracterização da presunção. Aliás, a Súmula CARF nº 26, abaixo transcrita, publicada no DOU, Seção 1, de 22/12/2009, traduz tal entendimento quando afirma que a presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Fl. 479DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 25/04/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10980.723902/200921 Acórdão n.º 2102002.903 S2C1T2 Fl. 476 7 Súmula CARF Nº 26 A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Logo, nesse aspecto não se sustenta a tese defendida pelo recorrente. No que tange à comprovação da origem dos depósitos, o contribuinte traz em sua defesa as mesmas alegações suscitas na impugnação, as quais serão a seguir analisadas: a) premissa fundamental para a comprovação da origem dos depósitos bancários Nesse tópico o contribuinte afirma que a pessoa física não está obrigada a manter escrituração e que em assim sendo na comprovação da origem dos depósitos não haveria necessidade de coincidência de datas e valores. É fato que as pessoas físicas não estão obrigadas a manter escrituração. Contudo, a partir da edição da Lei nº 9.430, de 1996 , as pessoas físicas estão sujeitas a fazer a comprovação da origem dos créditos efetivados em suas contas bancárias, sendo certo que a falta de tal comprovação sujeita o contribuinte ao arbitramento de sua renda na proporção do somatório dos depósitos, cuja origem não foi comprovada. Temse, portanto, que para elidir o lançamento, o contribuinte deve providenciar os documentos necessários para demonstrar a origem dos créditos analisados, sendo certo que não é suficiente que o sujeito passivo faça a indicação e a comprovação de determinados eventos, alegando que estes justificariam a origem dos créditos. É necessário que também seja demonstrada, de forma inequívoca, a vinculação entre o evento e o crédito. Não é suficiente a simples comprovação da ocorrência do evento. Digase, ainda, que o exposto neste item aplicase integralmente às demais alegações trazidas pela defesa no que se refere à comprovação da origem dos depósitos. b) cheques sacados em espécie e posteriormente depositados nas contas correntes c) depósitos agrupados em suas contas correntes A defesa alega que ao receber pagamentos em cheque, procedia ao saque da correspondente quantia e depois em dias subseqüentes fazia depósitos de menor valor em suas contas bancárias e que em outras ocasiões fazia o depósito do cheque acompanhado de pequena quantia em dinheiro. Ora, tal alegação, além se ser pouco plausível, também vem desacompanhada de documentos comprobatórios, o que é inadmissível. Conforme já mencionado, na presunção estabelecida pelo art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, recai sobre o contribuinte o ônus da prova da origem dos recursos movimentados em suas contascorrentes. E quando alguém de fato pode, e legalmente está obrigado a provar alguma coisa, e não o faz, preferindo ficar no terreno das alegações, se sujeita à aplicação do princípio de que alegar e não provar é o mesmo que nada alegar. Repitase é inaceitável a declaração não corroborada por qualquer elemento subsidiário. d) proventos recebidos da Assembléia Legislativa do Estado do Paraná e) verbas indenizatórias recebidas da Assembléia Legislativa do Estado do Paraná Fl. 480DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 25/04/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10980.723902/200921 Acórdão n.º 2102002.903 S2C1T2 Fl. 477 8 f) ressarcimento de combustível De pronto, cumpre dizer que autoridade fiscal esclarece no Termo de Verificação e Encerramento Parcial da Ação Fiscal, fls. 221/232, que os valores recebidos da Assembléia Legislativa do Estado do Paraná foram excluídos do lançamento. No que se refere à planilha II, fls. 286/304, juntada aos autos pela defesa quando da apresentação da impugnação, devese dizer que a decisão recorrida analisou os depósitos ali discriminados, acolhendo como comprovada a origem dos créditos, cuja soma perfaz a quantia de R$ 15.692,90. Os demais créditos listados na planilha II não podem ser excluídos porque já haviam sido excluídos pela autoridade fiscal. Quanto à planilha III, fls. 306/308, o contribuinte juntou documentos emitidos pela Assembléia Legislativa do Estado do Paraná, relativa a liberação de ressarcimento de despesas, cujas datas e valores ali discriminados são coincidentes com datas e valores de alguns depósitos, com histórico depósito em dinheiro, de modo que tais créditos, abaixo discriminados, cuja soma perfaz R$ 110.000,00, devem ser excluídos da tributação: Banco Itaú 16/02 dep. dinheiro 20.000,00 25/03 dep. dinheiro 7.500,00 22/06 dep. dinheiro 20.000,00 22/06 dep. dinheiro 20.000,00 21/07 dep. dinheiro 20.000,00 14/10 dep. dinheiro 6.000,00 11/11 dep. dinheiro 20.000,00 06/12 dep. dinheiro 7.500,00 Banco HSBC 14/10 dep. dinheiro 9.000,00 Os demais créditos discriminados na planilha III não serão excluídos ou porque já o foram pela autoridade fiscal ou porque não existe correlação de datas e valores entre as quantias liberadas pela Assembléia Legislativa do Estado do Paraná e os depósitos investigados. No que tange aos ressarcimentos de combustível, o contribuinte menciona no recurso que foi solicitado à Terceira Secretaria da Assembléia Legislativa do Estado do Paraná a documentação comprobatória. No entanto, até a presente data, abril de 2014, depois de transcorridos mais de 2 anos da data de apresentação do recurso, tal documentação não foi acostada aos autos, sendo certo que alguns valores relativos a esta rubrica já foram excluídos da tributação pela autoridade fiscal quando da lavratura do Auto de Infração. g) empréstimo obtido junto à caixa beneficente dos funcionários da Assembléia Legislativa do Estado do Paraná Nesse ponto, o contribuinte comprovou através de documentos, fls. 312/322, que obteve dois empréstimos junto à Caixa Beneficente dos Funcionários da Assembléia Fl. 481DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 25/04/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10980.723902/200921 Acórdão n.º 2102002.903 S2C1T2 Fl. 478 9 Legislativa do Estado do Paraná, nos valores de R$ 25.000,00 e R$ 43.000,00 e que em razão de tais mútuos recebeu dois cheques do Banco Itaú. Entende o recorrente que tais cheques seriam suficientes para comprovar a origem dos seguintes depósitos efetivados em suas contas bancárias: 05/02/2004 – dep blq no HSBC – 15.000,00 11/02/2004 – CEI dinheiro Itaú – 2.000,00 11/02/2004 – CEI dinheiro Itaú – 2.000,00 11/02/2004 – CEI dinheiro Itaú – 2.000,00 11/02/2004 – CEI dinheiro Itaú – 2.000,00 11/02/2004 – CEI dinheiro Itaú – 2.000,00 14/04/2004 – dep blq no HSBC – 20.083,37 27/05/2004 – dep dinheiro Itaú – 10.100,00 Ora, a alegação formulada pela defesa não é factível, posto que não é possível receber um cheque do Banco Itaú no valor de R$ 25.000,00 e com este fazer um depósito em cheque no banco HSBC em valor diferente. Não há como depositar um cheque de forma fracionada. E mais, não é razoável que alguém faça um empréstimo, com pagamento de juros, para ficar de posse do dinheiro e somente depois de transcorrido alguns dias vir a fazer o depósito da quantia tomada emprestada. Logo, permanecem não justificadas as origens dos créditos acima especificados. h) transferências de numerários envolvendo familiares i) alienação das quotas sociais da sociedade KRBS Comércio de Combustíveis Afirma o recorrente que em suas contas bancárias circularam valores que consistiam em transferências patrimoniais entre familiares. Contudo, importa dizer que o contribuinte deixou de juntar aos autos documentos bancários, tais como extratos das contas bancárias dos familiares ou cópias de cheques ou guias de depósitos, que pudessem demonstrar, de forma inequívoca, suas alegações. Aqui cumpre mais uma vez dizer que não basta que o contribuinte demonstre a ocorrência de eventos, tais como a doença de seu pai ou sua atuação como procurador de seus parentes, sem que se comprove a correlação entre tais eventos e os créditos efetivados em suas contascorrentes. Por exemplo: é fato, perfeitamente demonstrado nos autos, que o contribuinte atuou como procurador de seus familiares na venda das quotas sociais da sociedade KRBS Comércio de Combustíveis, contudo, não está demonstrado nos autos a vinculação dos depósitos havidos em suas contas correntes com este evento. j) recebimento de mútuos – Marco Antonio Rauen Pinto Desta feita cuidase de situação em que o contribuinte alega ter concedido um empréstimo em 2003, que teria sido liquidado em 2004. Todavia, nenhuma documentação Fl. 482DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 25/04/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10980.723902/200921 Acórdão n.º 2102002.903 S2C1T2 Fl. 479 10 bancária das referidas transferências de valores foi apresentada, seja no que se refere à concessão do empréstimo ou da liquidação do mesmo. k) indenização de sinistro Também neste caso, a alegação do recorrente vem desacompanhada da documentação pertinente. Por fim, cumpre dizer que não há que se falar em aplicação do disposto no inciso II do parágrafo 3º do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, dado que o somatório dos depósitos bancários de valor individual menores que R$ 12.000,00, levados à tributação, ultrapassou o montante de R$ 80.000,00. Ante o exposto, voto por DAR PARCIAL provimento ao recurso para excluir da base de cálculo da infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada a quantia de R$ 110.000,00. Assinado digitalmente Núbia Matos Moura Relatora Fl. 483DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 25/04/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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Numero do processo: 10972.720009/2013-20
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jul 01 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2008, 2009
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO. COMPETÊNCIA DE JULGAMENTO.
Compete à Primeira Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais julgar os recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância que versem sobre exigências que estejam lastreadas em fatos cuja apuração serviu para configurar a prática de infração à legislação pertinente à tributação do IRPJ.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 3101-001.647
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em não conhecer do recurso voluntário, para declinar competência de julgamento em favor da Primeira Seção de Julgamento.
Rodrigo Mineiro Fernandes Presidente substituto e relator.
EDITADO EM: 26/06/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mônica Monteiro Garcia de Los Rios, Valdete Aparecida Marinheiro, José Henrique Mauri, Glauco Antonio de Azevedo Morais, Luiz Roberto Domingo e Rodrigo Mineiro Fernandes.
Nome do relator: RODRIGO MINEIRO FERNANDES
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RECURSO. COMPETÊNCIA DE JULGAMENTO. Compete à Primeira Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais julgar os recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância que versem sobre exigências que estejam lastreadas em fatos cuja apuração serviu para configurar a prática de infração à legislação pertinente à tributação do IRPJ. Recurso Voluntário Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em não conhecer do recurso voluntário, para declinar competência de julgamento em favor da Primeira Seção de Julgamento. Rodrigo Mineiro Fernandes – Presidente substituto e relator. EDITADO EM: 26/06/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mônica Monteiro Garcia de Los Rios, Valdete Aparecida Marinheiro, José Henrique Mauri, Glauco Antonio de Azevedo Morais, Luiz Roberto Domingo e Rodrigo Mineiro Fernandes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 97 2. 72 00 09 /2 01 3- 20 Fl. 968DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/06 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES 2 Relatório Tratase de lançamento de Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários – IOF, pela constatação de insuficiência de declaração e de recolhimento de IOF nas seguintes modalidades: (i) Insuficiência de declaração e recolhimento do IOF/Crédito em relação aos contratos de mútuo celebrados com coligadas no exterior; A fiscalização alegou que as operações de mútuos firmadas entre a CBMM e suas coligadas domiciliadas no exterior não se caracterizavam como operações de crédito externo, a que se refere o § 2º do art. 2º do Decreto nº 6.306/2007, mas sim operações sujeitas ao IOF conforme previsto no artigo 13 da Lei nº 9.779/99. Alega a fiscalização que a norma não afastou a responsabilidade da pessoa jurídica mutuante, unicamente por estar a mutuária situada no exterior. (ii) Insuficiência de declaração e recolhimento do IOF/Crédito sobre o fluxo financeiro decorrente da participação da Companhia de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais ("CODEMIG) na sociedade em conta de participação ("SCP") contratada com a CBMM. A fiscalização alegou ter analisado as relações negociais da CBMM com a CODEMIG, bem como o Contrato que concede 25% de participação desta no lucro liquido daquela, e os direitos a receber registrados pelo contribuinte nas contas analíticas 0011205003 CODEMIG – IMPOSTOS, 0011205008 CODEMIG – ACC, 0011205009 CODEMIG ACE e 0011205011 CODEMIGOUTROS, concluindose que tais direitos a receber caracterizam uma modalidade de empréstimo sujeito à incidência do IOF/Crédito. Segundo alegação fiscal, o contribuinte calculou a participação da CODEMIG sobre o resultado da SCP, antes das provisões dos tributos (IRPJ e CSLL), deixando de observar os termos contratados e a legislação em vigor, transferindo mais recursos a CODEMIG, que são exatamente as parcelas das provisões dos tributos que a esta competia, que deixou de decotar do lucro líquido, que foram apropriados como direitos a receber da CODEMIG no ativo circulante na conta 0011205003 CODEMIG – IMPOSTOS. A fiscalização considerou que, ao calcular o valor da participação da CODEMIG nos resultados da SCP com base no lucro apurado antes das provisões para o IRPJ e a CSLL, a Recorrente colocou recursos financeiros à disposição da CODEMIG, o que caracterizaria uma modalidade de empréstimo sujeita à incidência do IOF/Crédito. Também alegou que nas contas 0011205008 CODEMIG – ACC, 0011205009 CODEMIG ACE e 0011205011 CODEMIGOUTROS, a ora Recorrente promoveu antecipações à CODEMIG, caracterizando as hipóteses previstas no artigo 13 da Lei nº 9.779/99. A ora Recorrente apresentou tempestiva impugnação, na qual alegou, em síntese: (i) que os empréstimos celebrados com pessoas jurídicas residentes no exterior estavam Fl. 969DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/06 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES Processo nº 10972.720009/201320 Acórdão n.º 3101001.647 S3C1T1 Fl. 4 3 sujeitos apenas à incidência do lOF/Câmbio, cuja cobrança exclui a incidência do lOF/Crédito; e (ii) que os fluxos financeiros para a CODEMIG, relativos à sociedade em conta de participação ("SCP"), não configuram operação de crédito, na modalidade de mútuo de recursos financeiros. A 2ª turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora proferiu o Acórdão nº 0944.237, de 28 de maio de 2013, por unanimidade de votos, considerando improcedente a impugnação e procedente o lançamento. O Acórdão 0944.237 foi assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2008, 2009 INCONSTITUCIONALIDADE A autoridade administrativa não possui competência para apreciar inconstitucionalidade ou ilegalidade de lei ou ato normativo do poder público, cabendo tal prerrogativa ao Poder Judiciário. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Anocalendário: 2008, 2009 OPERAÇÕES DE CRÉDITO. MÚTUO. MUTUÁRIAS SITUADAS NO EXTERIOR. As operações de créditos concedidos pela contribuinte, na qualidade de mutuante, a suas subsidiárias no exterior, os quais não caracterizam empréstimo externo, sujeitamse à incidência do IOF na modalidade crédito. OPERAÇÕES DE CRÉDITO. PARTICIPAÇÃO EM SOCIEDADE DE CONTA DE PARTICIPAÇÃO. Uma vez que a participação no resultado de Sociedade em Conta de Participação (SCP) contratada com a contribuinte, considerou valores anteriores ao lucro líquido ajustado, em inobservância, tanto aos critérios de determinação da participação na SCP, quanto à legislação de regência da matéria, sem que tenha havido declaração de IOF, ou seu recolhimento, Mantémse a exigência dos valores provisionados e contabilizados pela contribuinte como direitos a receber. A interessada regularmente cientificada do Acórdão da DRJ Juiz de Fora interpôs o Recurso Voluntário, onde apresenta as seguintes alegações: (i) Preliminarmente alega a repercussão geral do Recurso Extraordinário 590.186; (ii) no mérito, alega a exclusão da incidência do IOF/Crédito as operações de crédito externo, as quais permanecem sujeitas, exclusivamente, à incidência do lOF/Câmbio; (iii) alega a não incidência do IOF/Crédito sobre o fluxo financeiro decorrente da participação da Companhia de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais ("CODEMIG") em sociedade em conta de participação ("SCP"), por não se configurar uma relação de crédito; e (iv) a inaplicabilidade de juros de mora sobre multa de ofício. A Repartição de origem encaminhou os autos, com o Recurso Voluntário, para apreciação do órgão julgador de segundo grau. É o relatório. Fl. 970DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/06 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES 4 Voto Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes, Relator. A matéria deste contencioso versa sobre IOF /Crédito incidente sobre mútuos celebrados com coligadas no exterior e sobre o fluxo financeiro decorrente da participação da Companhia de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais ("CODEMIG) na sociedade em conta de participação ("SCP") contratada com a Recorrente. Apesar de ser de competência da Terceira Seção de Julgamento o julgamento de recurso voluntário que verse sobre a legislação do Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguro e sobre Operações relativas a Títulos e Valores Mobiliários (IOF), os fatos que ensejaram o lançamento em questão também serviram para configurar a prática de infração à legislação pertinente à tributação do IRPJ, conforme constatase nos Autos de Infração para lançamento de IRPJ e de CSLL, objetos do processo 10972.720010/201354. Por força do disposto no inciso IV do artigo 2º do Anexo II do Regimento Interno do Conselho, instituído pela Portaria MF nº 256/2009, é de competência da Primeira Seção deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, o julgamento de recurso voluntário que verse sobre aplicação da legislação de demais tributos, quando procedimentos conexos, decorrentes ou reflexos, assim compreendidos os referentes às exigências que estejam lastreadas em fatos cuja apuração serviu para configurar a prática de infração à legislação pertinente à tributação do IRPJ. Diante do exposto, voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso, declinando competência para a Primeira Seção de Julgamento. Sala das sessões, em 27 de maio de 2014. [Assinado digitalmente] Rodrigo Mineiro Fernandes – Relator Fl. 971DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/06 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES
score : 1.0
Numero do processo: 10980.009796/2008-99
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jun 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
LIVRO CAIXA. DEDUÇÕES.
Somente são dedutíveis da base de cálculo do imposto, as despesas escrituradas no Livro Caixa necessárias à percepção dos rendimentos e que sejam devidamente comprovadas.
LIVRO CAIXA. DESPESAS COM CELULAR.
Aplicando-se o disposto no PN/CST n° 60, de 1978, admite-se a dedução da quinta parte das despesas com celular, quando não é possível comprovar quais as despesas são oriundas da atividade profissional exercida.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2801-003.549
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para acatar a dedução de Livro Caixa no valor de R$ 192,45, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin Presidente.
Assinado digitalmente
Carlos César Quadros Pierre - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Ewan Teles Aguiar, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: CARLOS CESAR QUADROS PIERRE
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005 LIVRO CAIXA. DEDUÇÕES. Somente são dedutíveis da base de cálculo do imposto, as despesas escrituradas no Livro Caixa necessárias à percepção dos rendimentos e que sejam devidamente comprovadas. LIVRO CAIXA. DESPESAS COM CELULAR. Aplicando-se o disposto no PN/CST n° 60, de 1978, admite-se a dedução da quinta parte das despesas com celular, quando não é possível comprovar quais as despesas são oriundas da atividade profissional exercida. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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DEDUÇÕES. Somente são dedutíveis da base de cálculo do imposto, as despesas escrituradas no Livro Caixa necessárias à percepção dos rendimentos e que sejam devidamente comprovadas. LIVRO CAIXA. DESPESAS COM CELULAR. Aplicandose o disposto no PN/CST n° 60, de 1978, admitese a dedução da quinta parte das despesas com celular, quando não é possível comprovar quais as despesas são oriundas da atividade profissional exercida. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para acatar a dedução de Livro Caixa no valor de R$ 192,45, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin – Presidente. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 97 96 /2 00 8- 99 Fl. 243DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 03/ 06/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 10980.009796/200899 Acórdão n.º 2801003.549 S2TE01 Fl. 244 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Ewan Teles Aguiar, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, 4ª Turma da DRJ/CTA (Fls. 219), na decisão recorrida, que transcrevo abaixo: Por meio de auto de infração de fls. 144/148, do qual fazem parte os demonstrativos de apuração de fls. 141, de compensação de valores de fl. 142, de multa e juros de mora de fl. 143, o termo de encerramento de fl. 149 e demais documentos constantes dos autos, exigese R$ 5.715,78 de imposto, RS 4.286,83 de multa de oficio e acréscimos legais. O lançamento, de acordo com as descrições dos fatos e enquadramentos legais de fls. 146/148, apurou omissão de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas, de R$ 6.393,34, e deduções indevidas de despesas de livro caixa de RS 33.310,96. Cientificado do lançamento, em 15/07/2008 (fl. 151), a contribuinte apresentou, em 14/08/2008, por meio de representante (procuração A fl. 166), a impugnação de fls. 152/153, instruída com os anexos de fls. 168/211. Após narrar fatos atinentes ao lançamento, alega, em preliminar, que, "em 2004, comecei a atender no Município de São José dos Pinhais, conforme comprovo em anexo através de endereço veiculado na internet pela UNIMED CURITIBA — SOCIEDADE COOPERATIVA DE MÉDICOS e compra de equipamento oftalmológico conforme nota fiscal 004589 Fenda Instrumental Médica Lida em 16.03.2004. E todas as despesas que foram glosadas na verdade foram reembolsadas conforme declaração em anexo a BW Consultório Oftalmológico SS, e referiramse as despesas para reforma e adequação de uma casa para atender as necessidades da Vigilância Sanitária e poder conseguir o credenciamento junto ao Ministério da Saúde CNES Cadastro Nacional dos Estabelecimentos de Saúde conforme número 206631176440000 de profissional autônomo, sendo que anexei recibo de reembolso das despesas. Considerase despesa de custeio aquela indispensável à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora, como aluguel, água, luz telefone, material de expediente ou de consumo. Sendo que no exercício de 2005 ano calendário 2004 eu ofereci a tributação de R$ 99.627,38 todos recebidos de forma autônoma e para conseguir gerar este montante de receitas eu tive despesas de consultório, gastos com despesas profissionais, como associações médicas, entidades de classe e outra demonstradas através de cópias em anexo". Explica a forma de apropriação Fl. 244DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 03/ 06/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 10980.009796/200899 Acórdão n.º 2801003.549 S2TE01 Fl. 245 3 das despesas de livros caixa e o tratamento dispensado a eventuais excessos de despesas em relação As receitas e cita a legislação. Pede a análise da documentação anexada, com reconsideração das glosas, reafirmando a existência dos gastos necessários à percepção das receitas. Requer o acolhimento da impugnação e cancelamento do debito fiscal reclamado, ou sua adequação "a uma outra realidade ". Passo adiante, a 4ª Turma da DRJ/CTA entendeu por bem julgar a Impugnação Improcedente, em decisão que restou assim ementada: MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Considerase não impugnada a matéria sobre a qual o contribuinte não se manifesta expressamente, ou com a qual concorda. DEDUÇÕES. LIVRO CAIXA. COMPROVAÇÃO. Não são dedutíveis as despesas não comprovadas, as que não sejam necessárias A percepção da receita e i manutenção da fonte produtora e aqueles gastos classificados como aplicações de capital. Cientificada em 02/09/2011 (Fls. 232), a Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 04/10/2011 (fls. 233 e 234), reforçando os argumentos apresentados quando da impugnação. É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos César Quadros Pierre, Relator. Conheço do recurso, posto que tempestivo e com condições de admissibilidade. De início, verifico que a contribuinte recorre apenas contra a manutenção das glosas relativas a reembolso das despesas operacionais e a despesas com celular. Quanto a glosa das despesas pertinentes a reembolso das despesas operacionais, adoto, como razão de decidir, integralmente parte do acórdão recorrido. “Não ha reparos a serem feitos a análise procedida pela autoridade fiscal em relação aos documentos apresentados na fase preparatória do lançamento, fls. 06 a 134, cujas motivações para as glosas são adotadas por esse voto, uma vez que as Fl. 245DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 03/ 06/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 10980.009796/200899 Acórdão n.º 2801003.549 S2TE01 Fl. 246 4 razões trazidas pela impugnante não são suficientes para reverter a medida fiscal quanto a eles, o que se verá a seguir. (...) Os únicos documentos novos, que visam comprovar despesas e que foram trazidos com a impugnação, são os de fls. 168 e 208. No entanto, nenhum deles é passível de acatamento. A nota fiscal de fl. 208 é referente a aquisição de instrumentos e equipamentos médicos, os quais não são consumíveis e duram mais de um ano, tratandose, pois, de aplicações de capital, como já definido anteriormente, não podendo ser deduzidos como despesas de custeio da atividade da impugnante no livro caixa. O recibo de fl. 168, por seu turno, não é hábil à comprovação pretendida, ou seja, de "despesas com aluguel, luz, água, materiais médicos e salários de funcionários pelo uso de dois consultórios uma para consultas e outro para procedimentos clínicos cirúrgicos". Este recibo foi firmado pela suposta contadora da empresa, que, via de regra, não detém poder de representação da empresa, não havendo nos autos nenhum documento que lhe atribua tal poder. Assim, tal documento, do ponto de vista formal, possui vicio que o toma absolutamente inidôneo como meio de prova. Do ponto de vista material, algumas das despesas mencionadas em tal documento já foram objeto de comprovação por meio de outros documentos próprios, em nome da impugnante, a saber: aluguéis, pelos de fls. 100 superior, 111esquerda, 122superior e 131superior; luz, fls. 90, 96, 106, 114, 125 e 133; água, fls. 62, 80, 87, 94, 113, 123 e 132. De outra sorte, mesmo que tal documento fosse válido, não se vislumbra qual seria a natureza da obrigação da impugnante para com a pessoa jurídica que fundamentaria a cobrança, ou reembolso, de tais despesas. O que se verifica é que existe um conflito de interesses entre a pessoa jurídica e a pessoa física da contribuinte, observandose que ela é sócia e representante da pessoa jurídica (fl. 213) e ambos ocupam, no que tange ao exercício das atividades, o mesmo endereço físico, a Rua Jorge Mansos do Nascimento Teixeira, n° 210, sala 01, Bairro São Pedro, São José dos Pinhais/PR, e, pessoa jurídica e pessoa física, prestam o mesmo tipo de serviço médico. Esse tipo de situação leva a confusão patrimonial, não se podendo distinguir o que são despesas de uma ou da outra pessoa, jurídica e física, inviabilizando o uso das deduções, uma vez que os benefícios fiscais só são admitidos quando inequivocamente comprovados. No caso, não foi apresentado nenhum instrumento jurídico próprio estabelecendo as obrigações da impugnante para com a pessoa jurídica e nem a comprovação de que a pessoa jurídica tivesse incorrido nas despesas que estariam sendo objeto de cobrança por parte dela e que teriam sido quitadas conforme recibo de fl. 168. Observese que a relação jurídica invocada, ocupação do mesmo espaço, com rateio de despesas, remete a idéia de condomínio, devendo ser tal situação devidamente Fl. 246DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 03/ 06/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 10980.009796/200899 Acórdão n.º 2801003.549 S2TE01 Fl. 247 5 documentada, com os respectivos registros escriturais. De outra sorte, a situação apresentada, no que tange aos valores pagos, é totalmente incompatível com o alegado reembolso e rateio de despesas, pois todos os supostos pagamentos mensais foram do mesmo valor, R$ 3.210,00, o que não é crivei, não se coadunando com a expectativa normal aplicada a tais despesas, que são variáveis por sua própria natureza. Por pertinente, incumbe dizer que as afirmações constantes de documentos, sejam recibos ou eventuais declarações, não podem ser opostas, incontinenti, a Fazenda Pública, que têm seus próprios mecanismos e poderes. O Código Civil, por seu turno, regula as relações entre particulares. Assim, quando estabelece os requisitos básicos, por exemplo, para que um documento seja considerado prova de quitação, o faz tendo em vista a oposição deste documento em relação aos seus signatários, não em relação a administração Pública. Aliás, a presunção de veracidade, como estatui o artigo 219 do Código Civil (Lei 10.406, de 10 de janeiro de 2002), operase somente em relação aos participantes do ato: "Art. 219. As declarações constantes de documentos assinados presumemse verdadeiras em relação aos signatários". A presunção de veracidade não alcança terceiros, entre os quais o sujeito ativo da obrigação tributária, que mantém uma relação jurídica distinta e completamente independente daquela entre os signatários.(páginas 224 e 225 dos autos) Ressaltese que, apesar dos alertas da DRJ, a contribuinte não apresentou qualquer outro documento. Razões pelas quais entendo pela manutenção das glosas relativas a reembolso das despesas operacionais. Relativamente às despesas com telefone celular, é de se considerar passível de dedução 20% (vinte por cento) dos pagamentos de conta de telefone celular, conforme orientação dada pela RFB em suas publicações “Perguntão”, com base no Parecer Normativo CST nº 60, de 1978, que se transcreve: “Podem ser deduzidas despesas com aluguel, energia, água, gás, taxas, impostos, telefone, telefone celular, condomínio, quando o imóvel utilizado para a atividade profissional é também residência? Admitese como dedução a quinta parte destas despesas, quando não se possa comprovar quais as oriundas da atividade profissional exercida. Não são dedutíveis os dispêndios com reparos, conservação e recuperação do imóvel quando este for de propriedade do contribuinte. Atenção: Fl. 247DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 03/ 06/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 10980.009796/200899 Acórdão n.º 2801003.549 S2TE01 Fl. 248 6 Em relação ao telefone, esse critério aplicase também quando a assinatura for comercial. (PN CST nº 60, de 1978)” (Grifos acrescidos) Assim sendo e considerando os pagamentos efetuados a tal título, conforme documentos indicados pelo contribuinte nas páginas 08 a 12 dos autos, restou comprovado o valor total de R$ 962,27, devendo ser admitido o cômputo de dedução de Livro Caixa a parcela correspondentes a 20% desse valor, que corresponde a R$ 192,45. Ante tudo acima exposto e o que mais constam nos autos, dar provimento parcial ao recurso para acatar a dedução de Livro Caixa no valor de R$ 192,45. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Fl. 248DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 03/ 06/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por TANIA MARA PASCHOAL IN
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Numero do processo: 10850.909637/2011-77
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jul 21 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3801-000.669
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Paulo Sérgio Celani Presidente Substituto.
(assinado digitalmente)
Sidney Eduardo Stahl - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e José Luiz Feistauer de Oliveira.
Nome do relator: SIDNEY EDUARDO STAHL
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1329; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE01 Fl. 194 1 193 S3TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10850.909637/201177 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3801000.669 – 1ª Turma Especial Data 27 de março de 2014 Assunto Restituição Recorrente BRASLATEX INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE BORRACHAS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Paulo Sérgio Celani – Presidente Substituto. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e José Luiz Feistauer de Oliveira. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 50 .9 09 63 7/ 20 11 -7 7 Fl. 197DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 19/07/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 10850.909637/201177 Resolução nº 3801000.669 S3TE01 Fl. 195 2 Relatório Trata o presente de Pedido de Restituição apresentado pelo contribuinte, com a finalidade de ter restituído valores supostamente recolhidos indevidamente, no valor total de R$ 4.698,72. Devidamente processado o pedido de restituição do contribuinte foi proferido despacho decisório que indeferiu o pedido formulado sob a justificativa de que existe um débito confessado pelo contribuinte por meio de DCTF, no valor igual do recolhimento objeto do pedido de restituição, inexistindo, portanto, crédito a ser restituído. Intimado, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade aonde requereu a reunião do presente processo a outros por ele relacionados, justificando que tratam da mesma matéria e possuem os mesmos fundamentos e em sede de preliminar alegou, em síntese, que não foi intimado para prestar quaisquer esclarecimentos quanto o direito ao seu crédito, bem como que a fiscalização não teria tomando conhecimento das razões que justificassem o pedido de restituição. No mérito aduziu que o crédito a que pretende a restituição fora indevidamente recolhido conforme ficou evidenciado na declaração de inconstitucionalidade do artigo 3º, parágrafo 1º da Lei n.º 9.718/1998 pelo STF. Em sede se julgamento da Manifestação de Inconformidade, a DRJ houve por bem julgála improcedente nos termos da seguinte ementa: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/05/2002 AMPLIAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE. A inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep, reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal em recurso extraordinário, não gera efeitos erga omnes, sendo incabível sua aplicação a contribuintes que não façam parte da respectiva ação. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/05/2002 PROVA DOCUMENTAL. PRECLUSÃO. A prova documental do direito creditório deve ser apresentada na manifestação de inconformidade, precluindo o direito de o contribuinte fazêlo em outro momento processual sem que se verifiquem as exceções previstas em lei. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” Fl. 198DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 19/07/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 10850.909637/201177 Resolução nº 3801000.669 S3TE01 Fl. 196 3 Intimado do acórdão proferido pela DRJ, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário, juntando nova documentação e alegando, além dos argumentos de sua Impugnação, que a DCTF não é o único meio de prova da existência do crédito passível de restituição, bem como que os artigos 165 do CTN e artigo 74 da Lei 9.430/96 não condicionam o reconhecimento do crédito a quaisquer retificações de declarações. Ademais, alega que os documentos apresentados em sua Impugnação (planilha de cálculo e livro diário e os respectivos termos de abertura e encerramento) são suficientes para comprovar o seu crédito e que a DRF teria inovado no processo trazendo tais argumentos novos à lide, o que permitiria, inclusive, a apresentação de provas adicionais ao presente processo ao contrário do que esposado no acórdão recorrido, sob pena de afronta ao princípio da verdade material. É o que importa relatar, Fl. 199DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 19/07/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 10850.909637/201177 Resolução nº 3801000.669 S3TE01 Fl. 197 4 Voto O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Examino preliminarmente o pedido de reunião dos processos, e tenho que assiste razão ao acórdão recorrido que entendeu pela impossibilidade de reunião dos processos. Tomo a decisão com base no artigo 1º da Portaria n.º 666/2008 da RFB, cuja redação abaixo se transcreve: “Art. 1 º Serão objeto de um único processo administrativo: I as exigências de crédito tributário do mesmo sujeito passivo, formalizadas com base nos mesmos elementos de prova, referentes: (...) II a suspensão de imunidade ou de isenção ou a nãohomologação de compensação e o lançamento de ofício de crédito tributário delas decorrentes; III as exigências de crédito tributário relativo a infrações apuradas no Simples que tiverem dado origem à exclusão do sujeito passivo dessa forma de pagamento simplificada, a exclusão do Simples e o lançamento de ofício de crédito tributário dela decorrente; IV os Pedidos de Restituição ou de Ressarcimento e as Declarações de Compensação (Dcomp) que tenham por base o mesmo crédito, ainda que apresentados em datas distintas; V as multas isoladas aplicadas em decorrência de compensação considerada não declarada.” Para a reunião dos processos, de acordo com o dispositivo normativo, o pedido de restituição ou de ressarcimento deve ter por base o mesmo crédito, o que não ocorre nos casos dos processos administrativos relacionados pela Recorrente, pois se tratam de crédito cujos período de apuração são distintos, muito embora a argumento para afastar o não reconhecimento do crédito seja o mesmo, ou seja, a inconstitucionalidade do artigo 3º, parágrafo 1º da Lei n.º 9.718/1998. Portanto, rejeito o pedido de reunião dos processos formulado pela Recorrente. Quanto ao mérito, entretanto, apesar da tese esposada no acórdão da DRJ tenho que o presente processo deve seguir caminho diverso. O Pleno do Egrégio Supremo Tribunal Federal (STF), no julgamento dos Recursos Extraordinários n.ºs 357.950/RS, 358.273/RS, 390840/MG, Relator Ministro Marco Aurélio, pacificou o entendimento da inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo das contribuições destinadas ao PIS e à COFINS, promovida pelo § 1º, do artigo 3º, da Lei n.º 9.718/98, conforme ementa abaixo colacionada: CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O Fl. 200DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 19/07/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 10850.909637/201177 Resolução nº 3801000.669 S3TE01 Fl. 198 5 sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. Destacase, nesse aspecto, que a matéria foi reconhecida como de “Repercussão Geral” e julgada pelo Supremo Tribunal Federal, conforme decisão proferida no RE 585.235, abaixo colacionado: Decisão: O Tribunal, por unanimidade, resolveu questão de ordem no sentido de reconhecer a repercussão geral da questão constitucional, reafirmar a jurisprudência do Tribunal acerca da inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98 e negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional, tudo nos termos do voto do Relator. Vencido, parcialmente, o Senhor Ministro Marco Aurélio, que entendia ser necessária a inclusão do processo em pauta. Em seguida, o Tribunal, por maioria, aprovou proposta do Relator para edição de súmula vinculante sobre o tema, e cujo teor será deliberado nas próximas sessões, vencido o Senhor Ministro Marco Aurélio, que reconhecia a necessidade de encaminhamento da proposta à Comissão de Jurisprudência. Votou o Presidente, Ministro Gilmar Mendes. Ausentes, justificadamente, o Senhor Ministro Celso de Mello, a Senhora Ministra Ellen Gracie e, neste julgamento, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. Plenário, 10.09.2008. Assim, considerandose o disposto no art. 62A da Portaria MF n.º 256, de 22 de junho de 2009, alterada pela Portaria MF n.º 586, de 21 de dezembro de 20101 (Regimento Interno do CARF), devese afastar a tributação do PIS e da COFINS exigidas com base no disposto no art. 3º, § 1º, da Lei n.º 9.718, de 1998. Nada obstante, o órgão judicante a quo esqueceuse do dever da autoridade preparadora em zelar pela instrução na busca da verdade material, a teor do disposto na Lei 1 Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (alterações introduzidas pela Port. MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010–DOU de 22.12.2010). Fl. 201DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 19/07/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 10850.909637/201177 Resolução nº 3801000.669 S3TE01 Fl. 199 6 9.784, de 29 de janeiro de 1999, artigo 292, artigo 36, inteligência do artigo 37, artigo 38 e artigo 393. Não considerar tais documentos e negar o direito da contribuinte ao aproveitamento de seu crédito configuraria enriquecimento sem causa do Estado. Especificamente quanto à verdade material, transcrevo oportunas lições de Marcos Vinicius Neder e de Maria Tereza Martinez López: Em decorrência do princípio da legalidade, a autoridade administrativa tem o dever de buscar a verdade material. O processo fiscal tem por finalidade garantir a legalidade da apuração da ocorrência do fato gerador e a constituição do crédito tributário, devendo o julgador pesquisar, exaustivamente se, de fato, ocorreu a hipótese abstratamente prevista na norma e, em caso de impugnação do contribuinte, verificar aquilo que é realmente verdade, independente do alegado e provado, Odete Medauar preceitua que "o princípio da verdade material ou verdade real, vinculado ao princípio da oficialidade, exprime que a Administração deve tomar decisões com base nos fatos tais como se apresentam na realidade, não se satisfazendo com a versão oferecida pelos sujeitos Para tanto, tem o direito de carrear para o expediente todos os dados, informações, documentos a respeito da matéria tratada, sem estar jungida aos aspectos considerados pelos sujeitos. Segundo Alberto Xavier, a lei concede ao órgão fiscal meios instrutórios amplos para que venha formar sua livre convicção sobre os verdadeiros fatos praticados pelo contribuinte. Nesta perspectiva, é lícito ao órgão fiscal agir sponte sua com vistas a corrigir os fatos inveridicamente postos ou suprir lacunas na matéria de fato, podendo ser obtidas novas provas por meio de diligências e perícias. 4 Em que pese o direito da interessada, do exame dos elementos comprobatórios, 2 Art. 29. As atividades de instrução destinadas a averiguar e comprovar os dados necessários à tomada de decisão realizamse de ofício ou mediante impulsão do órgão responsável pelo processo, sem prejuízo do direito dos interessados de propor atuações probatórias. § 1º. O órgão competente para a instrução fará constar dos autos os dados necessários à decisão do processo. § 2º. Os atos de instrução que exijam a atuação dos interessados devem realizarse do modo menos oneroso para estes. 3 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Art. 37. Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias. Art. 38. O interessado poderá, na fase instrutória e antes da tomada da decisão, juntar documentos e pareceres, requerer diligências e perícias, bem como aduzir alegações referentes à matéria objeto do processo. § 1º. Os elementos probatórios deverão ser considerados na motivação do relatório e da decisão. § 2º. Somente poderão ser recusadas, mediante decisão fundamentada, as provas propostas pelos interessados quando sejam ilícitas, impertinentes, desnecessárias ou protelatórias. Art. 39. Quando for necessária a prestação de informações ou a apresentação de provas pelos interessados ou terceiros, serão expedidas intimações para esse fim, mencionandose data, prazo, forma e condições de atendimento. Parágrafo único. Não sendo atendida a intimação, poderá o órgão competente, se entender relevante a matéria, suprir de ofício a omissão, não se eximindo de proferir a decisão. 4 NEDER, Marcos Vinicius; LOPEZ, Maria Tereza Martinez. Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado 2ª ed. São Paulo: Dialética, 2004, p. 74. Fl. 202DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 19/07/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 10850.909637/201177 Resolução nº 3801000.669 S3TE01 Fl. 200 7 constatase que, no caso vertente, os documentos apresentados devem ser devidamente examinados para se apurar se os referidos créditos estão corretos. Ante ao exposto, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência para que a Delegacia de origem: a) Examine os documentos existentes e a escrita fiscal da interessada em relação às compensações requeridas apurando se estão corretos os valores inicialmente pleiteados correspondentes á indevida ampliação da base de cálculo do artigo 3º, da Lei n.º 9.718/98; b) Cientificar a interessada do resultado da diligência, abrindo prazo para manifestação, se assim desejar; c) Retornar o processo a este CARF para julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl, Relator Fl. 203DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 19/07/2014 por PAULO SERGIO CELANI
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Numero do processo: 10665.000562/2009-30
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Aug 05 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2202-000.423
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, decidir pelo sobrestamento do processo, nos termos do voto do Conselheiro Relator. Após a formalização da Resolução o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara que o manterá na atividade de sobrestado, conforme orientação contida no § 3º do art. 2º, da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal.
(Assinado digitalmente)
Nelson Mallmann Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Guilherme Barranco de Souza, Antonio Lopo Martinez, Rafael Pandolfo, Pedro Anan Junior e Nelson Mallmann. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Odmir Fernandes.
Nome do relator: NELSON MALLMANN
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, decidir pelo sobrestamento do processo, nos termos do voto do Conselheiro Relator. Após a formalização da Resolução o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara que o manterá na atividade de sobrestado, conforme orientação contida no § 3º do art. 2º, da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Guilherme Barranco de Souza, Antonio Lopo Martinez, Rafael Pandolfo, Pedro Anan Junior e Nelson Mallmann. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Odmir Fernandes. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 65 .0 00 56 2/ 20 09 -3 0 Fl. 1817DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por NELSON MALLMANN Processo nº 10665.000562/200930 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.423 S2C2T2 Fl. 3 2 Relatório GLAUCIANE MARIA DE SOUZA, contribuinte inscrita no CPF/MF sob o nº 057.582.436 04, com domicílio fiscal na cidade de Pompeu, Estado de Minas Gerais, à Rua Professora Erotildes, n.º 585 – casa – Bairro Volta do Brejo, jurisdicionada a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Divinópolis MG, inconformada com a decisão de Primeira Instância de fls. 692/710, prolatada pela 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte MG, recorre, a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, pleiteando a sua reforma, nos termos da petição de fls. 716/743. Contra a contribuinte acima mencionada foi lavrado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Divinópolis MG, em 20/04/2009, o Auto de Infração de Imposto de Renda Pessoa Física (fls.02/12), com ciência por AR, em 06/05/2009 (fls. 585), exigindose o recolhimento do crédito tributário no valor total de R$ 4.756.450,76 (padrão monetário da época do lançamento do crédito tributário), a título de Imposto de Renda Pessoa Física, acrescidos da multa de lançamento de ofício normal de 75% e dos juros de mora de, no mínimo, de 1% ao mês, calculado sobre o valor do imposto de renda relativo aos exercícios de 2005 a 2006 correspondente aos anoscalendário de 2004 a 2005, respectivamente. A exigência fiscal em exame teve origem em procedimentos de fiscalização de revisão de declaração de ajuste anual referente aos exercícios de 2005 a 2006, onde a autoridade fiscal lançadora entendeu haver omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada. Infração capitulada no art. 42 da Lei 9.430, de 1996; art. 849 do RIR/99; art. 1° da Medida Provisória n° 22/2002 convertida na Lei n° 10.451, de 2002; art. 10 da Lei n° 11.119, de 2005. O AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil responsável pela constituição do crédito tributário lançado esclarece, ainda, através do Termo de Verificação Fiscal, datado de 20/04/2009 (fls.13/31), entre outros, os seguintes aspectos: que em 19/09/2007, foram feitas as Requisições de Informações sobre Movimentações Financeiras RMF aos Bancos, tendo em vista que GLAUCIANE MARTA DE SOUSA, CPF 057.582.43604, não apresentou os extratos bancários e não prestou alguns esclarecimentos como solicitado no Termo de Inicio de Fiscalização e no Termo de Intimação 001 supra referenciados, cujos fatos já caracterizaram a recusa da apresentação dos documentos, prevista no artigo 3° Incisos X e VII do Decreto 3724/2001, c/c o artigo 33, Inciso I da Lei 9.430/96. Constatouse também que a Contribuinte apresentou a relação incompleta dos números das contas movimentadas nos anos de 2004 e 2005; que conciliado a este fato, a contribuinte esclareceu que tal recursos são mera movimentação bancária de recursos de terceiros e freqüentemente assume obrigações creditícias com terceiros, bem como empresta recursos a terceiros, o que justificaria sua movimentação financeira apresentar elevados valores. E ainda, constatouse movimentação financeira elevada com relação aos rendimentos declarado, o que dá indícios da situação de interposta pessoa, como definido nos Incisos X e XI do artigo 3° e o Inciso I do Parágrafo 2° deste mesmo artigo, do Decreto 3.724/2001; Fl. 1818DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por NELSON MALLMANN Processo nº 10665.000562/200930 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.423 S2C2T2 Fl. 4 3 que em 27/12/2007, a contribuinte apresentou documentos e esclarecimentos apenas para os itens 8, 9 e 10, das intimações 002 e 003, ficando sem atendimento os itens 1 a 7 e 11 das Intimações 002 e 003 e itens 12 e 13 da Intimação n° 003. De forma reiterada, solicitou prorrogação de prazo, desta vez, não inferior a noventa dias, sem ater aos prazos legais para apresentar documentos e esclarecimentos e sem apresentar comprovações irrefutáveis da necessidade do prazo solicitado para apresentação dos documentos requisitados pela fiscalização. Destarte, como já mencionado, apenas os itens 1 a 4 daquelas Intimações ora citadas estão vinculadas As documentações bancárias e por ocasião da reiteração das Intimações 002 e 003, através da Intimação no 004 de 16/01/2008, cientificada A Contribuinte em 25/01/2008, já havia transcorrido mais de setenta dias. A Intimação n° 004 de 16/01/2008 consolidou e reiterou todos os itens das Intimações 002 e 003 já relacionados acima, para atendimento no prazo de vinte dias, com vencimento em 18/02/2008, e manteve em destaque os dispositivos legais quanto á omissão de receitas e pessoa interposta, artigo 42 da Lei 9.430/96 e seu § 5° incluído pela Lei 10.637/2002, e as implicações da falta do atendimento às Intimações; que com os constantes pedidos de prorrogação de prazos para a apresentação de documentos constantes nas Intimações, nunca atendidas completamente, e o vencimento da Intimação n° 004 sem atendimento, cujos fatos configuram a recusa de prestar informações e/ou entrega de documentos, conciliados A possível existência de interposta pessoa, nos termos definidos nos Incisos X e XI do artigo 3° e o Inciso I do Parágrafo 2° deste mesmo artigo, do Decreto 3.724/2001, como relatado no item 6 acima deste Termo, foram selecionados documentos para serem solicitados aos Bancos, através de RMF. Tais documentos foram solicitados em 28/02/2008, com os objetivos de (1) confirmar os tipos de operações realizadas pela contribuinte Glauciane Maria de Sousa e declaradas a esta fiscalização, bem como, caracterizar a possível existência de outra(s) pessoa(s) movimentando recursos dela(s) na conta corrente Glauciane Maria de Sousa; que foram feitas Requisições de Informações sobre Movimentação Financeira a diversos Bancos, com base na falta de apresentação de documentos e presença de indícios de que o titular de direito é interposta pessoa do titular de fato, com base e definições estabelecidas pelos artigos 3º, Incisos VII e XI do Decreto 3.724/2001, c/c Inciso I do parágrafo 2° do artigo 3° deste mesmo Decreto e artigo 33, Inciso I da Lei 9.430/1996. Foram constatadas operações comerciais de empréstimos a terceiros, a pessoas físicas e jurídicas, movimentadas nas contas bancárias da CREDIPEU Cooperativa de Crédito Rural de Pompeu, agência 3161, conta 31.6415 e na Caixa Econômica Federal, agência 1426, conta 47195, o que ensejou o procedimento fiscal em separado, conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal n° 001, com a tributação na pessoa jurídica equiparada, tendo em vista o exercício da atividade comercial. Através dos procedimentos de amostragem, proporcionalmente às quantidades movimentadas com relação aos procedimentos das demais contas, foram requisitados aos bancos, (Banco do Brasil Agência 2475 conta 10.2989 e Caixa Econômica Federal, Agência 1426 conta 18.7721), documentos de débitos e créditos, com a finalidade de certificar que tipos de operação eram realizados e a possível vinculação com o Sr. Jamir de Souza Machado, uma vez que a Contribuinte afirmou a concessão de operações de mútuos com o uso de todas as suas contas bancárias, sem vinculação com o Sr. Jamir. Especificamos os documentos apresentados pelo Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal no "ANEXO 1: DOCUMENTOS REQUISITADOS AOS BANCOS, relacionados com este procedimento fiscal (Termo de Verificação n°002). Esses documentos podem ser assim sintetizados, destacandose que a Contribuinte não apresentou nenhum documento que comprovasse as origens dos recursos movimentados em suas contas bancárias; Fl. 1819DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por NELSON MALLMANN Processo nº 10665.000562/200930 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.423 S2C2T2 Fl. 5 4 que contribuinte não apresentou qualquer documento de prova sobre as origens dos recursos e as aplicações dos mesmos. Como já citado e comprovado nos itens anteriores, para as contas bancárias movimentadas no Banco do Brasil, Agência 2475, conta 10.2989 e na Caixa Econômica Federal, Agência 1426, conta n° 18.7721, não surgiram comprovações de que elas foram movimentadas em operações de empréstimos, nem provas da participação do Sr. Jamir de Souza Machado. Declarações feitas sem comprovações ou provas reais e documentais de evidências dos fatos, não podem prosperar. Além do mais, salientamos que cabe à contribuinte comprovar, com documentos, as origens e aplicações dos recursos financeiros, quando solicitados pela Receita Federal, cujo ônus da prova é exclusivamente dela, como preceitua o artigo 925 do Regulamento do Imposto de Renda, Decreto 3.000/99 c/c artigo 42 da Lei 9.430/96. Não merece relevância a intenção e solicitação da contribuinte de transferir à Receita Federal o ônus de controlar, escriturar, provar toda a movimentação e todas as operações realizadas pelas pessoas físicas ou jurídicas. Destarte, sobre este aspecto, foi anexado a este procedimento fiscal o Termo de Verificação n° 001, para compor o relato completo da auditagem efetuada. É relevante ressaltar que os bancos recebem os depósitos em cheques e lançam na conta corrente de seus clientes, com algum destaque e sem efetuar o crédito na conta, ou seja, sem efetuar a alteração do saldo. Transcorrido o prazo da compensação ou por ocasião da sua liberação, isto depende da origem da cidade do emitente do cheque, o banco efetua os créditos disponíveis do dia e faz o debito na conta, relativo aos cheques devolvidos, com destaque no histórico. Assim sendo, para todos os valores creditados deverão ser abatidos todos os cheques depositados que foram devolvidos. Este procedimento foi adotado por esta fiscalização na apuração dos valores sujeitos lançamento. Irresignada com o lançamento a autuada apresenta, tempestivamente, em 05/06/2009, a sua peça impugnatória de fls. 586/620, instruído pelos documentos de fls.621/690, solicitando que seja acolhida a impugnação e determinado o cancelamento do crédito tributário amparado, em síntese, nos seguintes argumentos: que como já relatado, a impugnante foi autuada nos termos do art. 42 da Lei n. 9.430/96, em relação à sua movimentação bancária nas contas correntes do Banco do Brasil n. 10.2899 e da Caixa Econômica Federal n. 18.7721, durante o período de 01 de janeiro de 2004 a 31 de dezembro de 2005; que totalmente descabida a conduta, evidentemente. Conforme noticiado desde o inicio do procedimento fiscal, a impugnante não nega que pactua, contrato de mútuos. Tanto é que, conforme se verifica nos demais Autos de Infrações correlatos, que tem como escopo exatamente verificar as transações pactuadas com terceiros, constatouse a prática destas operações. No presente, sem que nenhuma justificativa plausível fosse apresentada, os doutos fiscais não tiveram nenhum interesse de verificar a veracidade do que foi sustentado — realização continua de mútuo, utilizandose de todas as suas contas bancárias, com idênticos históricos; que conforme se verifica no caput do dispositivo mencionado, a tributação pretendida somente terá vez quando duas situações estiverem concomitantemente juntas: (i) falta de documentação hábil e idônea; (ii) origem dos recursos; que de antemão, oportuno destacar que os documentos apresentados são idôneos e hábeis para justificar toda a transação realizada. A começar com extratos bancários que, com extrema agilidade, a Receita Federal conseguiu perante as instituições financeiras; Fl. 1820DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por NELSON MALLMANN Processo nº 10665.000562/200930 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.423 S2C2T2 Fl. 6 5 que a impugnante apresentou, quando solicitada e da forma mais rápido possível, toda documentação que comprova a movimentação de cheques depositados em suas contas bancárias; que não se pode olvidar que o primeiro requisito que afasta a aplicação do art. 42, acima mencionado, para fins de tributação de Imposto de Renda está presente: existe documentação hábil e idônea para dar suporte em todas as operações; que sendo assim, a tributação pretendida com suporte no art. 42 da Lei 9.430/96 não deve prevalecer, porque os requisitos mínimos para tanto estão ausentes, restando frustradas, portanto, os princípios basilares do Estado Democrático de Direito, tais como, legalidade e tipicidade tributárias; que a realização das operações de mútuo foram comprovadas pela própria auditoria fiscal a partir de inúmeras intimações fiscais feitas a terceiros (mutuários da impugnante) a fim de confirmar as informações prestadas pela impugnante. Conforme ficou asseverado no trecho abaixo retirado do Termo de Verificação Fiscal n. 001, pg. 34; que os juros cobrados pela impugnante são os ganhos (renda) obtidos na realização das operações e, apesar dos auditores fiscais terem afirmado ser "impossível quantificar o real valor dos ganhos", tal afirmativa não se mostra verdadeira, afinal, sendo as operações de mútuo realizadas através de emissão de cheques, transferências, TEDs e DOCs e do recebimento de cheques e depósitos, fica evidente que é possível calcular o montante dos empréstimos realizados e, por conseqüência, aplicar os juros cobrados sobre tal montante para se apurar os ganhos; que para demonstrar a funcionalidade desse método de apuração da renda, a impugnante elaborou uma planilha seguindo o passoapasso acima descrito (documentos anexos). Verificase pelo resultado apurado, que o valor obtido é infinitamente inferior à presunção de que todos os depósitos efetuados nas contas da impugnante seriam receita sujeita a tributação do imposto de renda da pessoa física, nos termos do art. 42 da lei n. 9.430/96; que enquanto na apuração pela sistemática da presunção a base de cálculo do Imposto de Renda atingiu a vultosa e surreal quantia de quase R$ 6 milhões no auto ora impugnado e no outro, relativo às outras contas alcançou R$ 38.032.359,19 (trinta e oito milhões, trinta e dois mil e trezentos e cinqüenta e nove reais e dezenove centavos) com a aplicação do arbitramento, a apuração com base no lucro real, apurado sobre o juros cobrado nas operações de mútuo nas quatro contas não ultrapassou 5% da apurada mediante arbitramento; que não espera a impugnante que a planilha apresentada seja aceita como valor definitivo, pelo contrário, a impugnante deseja e requererá que seja realizada perícia técnica para a apuração precisa dos ganhos obtidos através da cobrança de juros nas operações de mútuos, até porque acredita que um técnico poder á colaborar com a certeza esperada de todo procedimento fiscal; que vale ressaltar que os extratos bancários disponíveis aos auditores fiscais durante o procedimento fiscal podem e devem ser considerados como documentos hábeis para comprovar ES "entradas" e "saídas" de recursos, uma vez que, como foi declarado pela impugnante e confirmado pelos auditores fiscais, todas as operações de mútuo eram concretizadas pela emissão de cheques ou de transferências para os mutuários e concluídas Fl. 1821DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por NELSON MALLMANN Processo nº 10665.000562/200930 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.423 S2C2T2 Fl. 7 6 pelo depósito de cheques dos mutuários, de terceiros, transferências ou depósitos. Todas as operações de mútuo eram realizadas mediante movimentação bancária, os extratos são o próprio livro caixa da impugnante, estando neles registradas todas as operações; que conforme restou comprovado em pormenores na alegação supra, irrefutável que o Auto de Infração deva ser julgado improcedente, anulandose o lançamento do crédito tributário realizado. Isso porque, conforme restou assentado, a Receita não conseguiu diligenciar detidamente e, por conseguinte, concluir ou comprovar que houve o efetivo acréscimo patrimonial ou ingresso de recursos financeiros no patrimônio, de acordo com o dispositivo legal utilizado como suporte, ou seja, art. 42 da Lei n. 9.430/96. Logo, não há que se falar em dever de pagar tributo e o seu corolário, as multas; que não se pode olvidar a real necessidade de afastar a alegação de fraude apresentada pelo fiscal responsável pela lavratura do Auto de Infração. Segundo a fiscalização, a omissão de rendimentos e, ao seu lado, suposta inércia da impugnante, resultaria na aplicação de penalidade qualificada de 150%. Todavia, a penalidade deve ser afastada de plano, pois, além de não ter previsão legal atualmente, ela tem evidente efeito confiscatório; que de acordo com os critérios da razoabilidade e proporcionalidade, a multa de 150% — montante muito superior à quantia devida a titulo de tributo —, deve ser afastada imediatamente, sob pena de violação da Carta Magna. Destaquese: tributo e penalidade tributária não podem ter efeito confiscatório. Logo, multa uma vez e meia superior ao tributo a ser pago, viola o direito a propriedade e, consequentemente, possui caráter de confisco; que, portanto, caso não seja afastada a penalidade imposta, em primeiro lugar, porque inexiste conduta típica, em segundo, em razão de o dispositivo legal utilizado como suporte inexistir no ordenamento jurídico, em terceiro lugar, porque resta flagrante o efeito confiscatório do ato, em total falta de sintonia com art. 150, IV da CRFB, seja a penalidade desqualificada e, por conseguinte, aplicado o enunciado previsto no art. 968 do RIR, conforme previsto no ordenamento jurídico brasileiro e inserido no corpo do texto de todas as cartas; que talvez os fiscais tenham observado indevidamente a legislação em vigência à época da concretização dos supostos fatos geradores. No entanto, ela não terá aplicabilidade ao caso concreto, quer em razão da inexistência de fraude, dolo etc.; quer em virtude da aplicação da lei retroatividade benigna com relação às penalidades, nos termos do art. 106 do CTN; que no caso dos autos, não se pode esquecer que existem três situações evidentes que afastam a fraude: (i) a autoridade fiscalizadora não atendeu aos requisitos legais, isto é, ela não apontou de forma minuciosa e não houve prova nenhuma em relação à suposta conduta fraudulenta; (ii) a autoridade administrativa fundamentou e apurou o crédito tributário por meio de presunções, falsas, no entanto; e (iii) voluntariamente, a contribuinte demonstrou a seriedade dos seus atos, comprovando e fundamentando a. sua interpretação da legislação tributária, inclusive atendendo todas as solicitações durante o processo de fiscalização; que assim sendo, em sede de conclusão, a penalidade não deverá permanecer porque: (i) inexiste conduta atípica que faça incidir multa ou qualquer penalidade tributária; (ii) a penalidade aplicada no Auto de Infração não possui previsão legal no ordenamento jurídico; (iii) a penalidade aplicada não está em sintonia com o texto Fl. 1822DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por NELSON MALLMANN Processo nº 10665.000562/200930 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.423 S2C2T2 Fl. 8 7 constitucional, sendo mais do que evidente a existência de caráter confiscatório; (iv) simples omissão de receita não corresponde necessariamente fraude, motivo pelo qual totalmente imprópria a aplicação da redação antiga da Lei; (v) diante da flagrante inexistência de fraude, conforme salientado, caso tenha que ser mantida penalidade, que, ao invés de 150% do valor do tributo, seja aplicada a penalidade prevista no art. 968 do RIR, conforme destacado pelo fiscal em todos os termos de intimação, ou, quiçá, a redação atual da Lei n. 11.488/07. Após resumir os fatos constantes da autuação e as principais razões apresentadas pela impugnante, os membros da Quinta Turma da Delegacia da Receita do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte MG, concluíram pela improcedência da impugnação e manutenção do crédito tributário lançado, com base, em síntese, nas seguintes considerações: que assim, pode até a contribuinte discordar da exigência, mas, no caso examinado, não ficou configurado nenhum vicio no procedimento fiscal capaz de tornar nula a autuação, notadamente porque foi garantido à autuada o pleno exercício de seu direito de defesa contra o lançamento regularmente constituído; que registrese, entretanto, que o procedimento fiscal observou, fielmente, a legislação vigente sobre o assunto. Como preceitua o CTN, em seu art. 113, a obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, e este, consiste na situação definida em lei como necessária e suficiente à sua ocorrência, conforme disposto no art. 114 do mesmo diploma legal; que fazse necessário esclarecer que o que se tributa, no presente processo, não são os depósitos bancários, como tais considerados, mas a omissão de rendimentos por eles representada. Os depósitos bancários são apenas a forma, o sinal de exteriorização, pelos quais se manifesta a omissão de rendimentos objeto de tributação; que a lei transcrita estabeleceu uma presunção de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular de conta bancária, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento; que as presunções legais, também chamadas presunções jurídicas, dividem se em absolutas (júris et jure) e relativas (júris tantum). Denominase presunção juris et jure aquela que, por expressa determinação de lei, não admite prova em contrario nem impugnação; dizse que a presunção é juris tantum quando a norma legal é formulada de tal maneira que a verdade enunciada pode ser elidida pela prova de sua irrealidade; que a presunção legal de renda, caracterizada por depósitos bancários, é do tipo juris tantum (relativa). Caberia, portanto, ao contribuinte apresentar justificativas validas, devidamente comprovadas, para os ingressos ocorridos em suas contascorrentes; que a presunção em favor do fisco transfere ao contribuinte o ônus de elidir a imputação, mediante a comprovação, no caso, da origem dos recursos. Tratase, afinal, de presunção relativa, passível de prova em contrário; que não comprovada a origem dos recursos, tem a autoridade fiscal o poder/dever de considerar os valores depositados como rendimentos tributáveis e omitidos na declaração de ajuste anual efetuando o lançamento do imposto correspondente; Fl. 1823DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por NELSON MALLMANN Processo nº 10665.000562/200930 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.423 S2C2T2 Fl. 9 8 que nem poderia ser de outro modo, ante a vinculação legal decorrente do principio da legalidade que rege a administração pública, cabendo ao agente tãosomente a inquestionável observância do diploma legal. A decisão de Primeira Instância está consubstanciada nas seguintes ementas: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA MICA IRPF Exercício: 2005, 2006 PRELIMINAR DE NULIDADE. Há de se rejeitar as preliminares de nulidade quando comprovado que a autoridade fiscal cumpriu todos os requisitos pertinentes à formalização do lançamento, e a autuada, devidamente cientificada, manifestou contestação de forma ampla e irrestrita, em consonância com o rito do processo administrativo fiscal. OMISSÃO DE RECEITAS PRESUNÇÃO LEGAL – DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM. NÃO COMPROVADA. Configuram omissão de receita, por presunção legal, os valores creditados em conta de depósito mantida em instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. O MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. A multa de oficio qualificada no percentual de 150% será aplicada quando, em procedimento fiscal, ficar caracterizada ação dolosa do contribuinte, consubstanciada em conduta tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificado da decisão de Primeira Instância, em 20/11/2009, conforme Termo constante à fls. 713, e, com ela não se conformando, a recorrente interpôs, em tempo hábil (22/12/2009), o recurso voluntário de fls. 716/743, instruído pelos documentos de fls. 744/981, no qual demonstra irresignação contra a decisão supra ementada, baseado, em síntese, nas mesmas razões expendidas na fase impugnatória, reforçado pelas seguintes considerações: que pela falta de coerência dos fiscais durante todo o procedimento fiscal. Conforme noticiado desde o inicio do procedimento fiscal, a recorrente afirma que pactua contrato de mútuos. Tanto é que, conforme se verifica nos demais Autos de Infrações correlatos, que tem como escopo exatamente verificar as transações pactuadas com terceiros, constatouse a prática destas operações. No presente, sem que nenhuma justificativa plausível fosse apresentada, os doutos fiscais não tiveram nenhum interesse de verificar a veracidade do que foi sustentado — realização continua de mútuo, utilizandose de todas as suas contas bancárias, com idênticos históricos; Fl. 1824DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por NELSON MALLMANN Processo nº 10665.000562/200930 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.423 S2C2T2 Fl. 10 9 que oportuno reiterar que a necessidade de se apresentar contratos detalhados discorrendo sobre o mútuo pactuado entre a recorrente e terceiros não existem. Isso porque, conforme já dito, a operação é realizada da forma mais simples possível, ou seja, a contribuinte empresta dinheiro — diferentes formas: dinheiro em espécie, transferência etc. —, em contraprestação e para assegurar o negócio, recebe cheque. Fica com eles em mãos até a data de vencimento, conforme pactuado entre as partes envolvidas; que nessa linha, não se pode olvidar que o primeiro requisito que afasta a aplicação do art. 42, acima mencionado, para fins de tributação de Imposto de Renda está presente: existe documentação hábil e idônea para dar suporte em todas as operações; que não se pode olvidar que a imposição legal para tributação está totalmente desmedida de razoabilidade. Ora, não se pode olvidar que a documentação existente é idônea e hábil para assegurar tudo que foi até aqui asseverado; que nada melhor do que a apresentação de extratos bancários e a lista de todos os depósitos de cheque. Ademais, a origem dos recursos resta mais do que evidente, ou seja, os mesmos estavam em plena disponibilidade no final do ano de 2003, nas contas bancárias da recorrente, conforme se verifica; que a movimentação bancária da recorrente deve ser tributada de uma forma uníssona, ou seja, como se defendeu no PTA n. 10665.000564/200984, mediante a apuração do ganho (lucro); que dessa forma, devese concluir que os juros cobrados pela recorrente são os ganhos (renda) obtidos na realização das operações e, apesar dos auditores fiscais terem afirmado ser "impossível quantificar o real valor dos ganhos", tal afirmativa não se mostra verdadeira, afinal, sendo as operações de mútuo realizadas através de emissão de cheques, transferências, TEDs e DOCs e do recebimento de cheques e depósitos, fica evidente que é possível calcular o montante dos empréstimos realizados e, por conseqüência, aplicar os juros cobrados sobre tal montante para se apurar os ganhos; que como no direito pátrio não se admite essa conduta meramente arrecadatória, bem como, com os documentos disponíveis à fiscalização seria possível a apuração do ganho obtido pela recorrente nas operações de mútuo tornase impossível a aplicação da presunção do art. 42 da Lei n. 9.430/96, uma vez que os extratos bancários se mostraram documentos hábeis o suficiente para elidir a presunção e permitir a apuração do imposto mediante a verificação do efetivo ganho da recorrente; que vale destacar que a forma de apuração aqui apresentada tanto pode ser adotada para apuração da renda de pessoa física quanto da pessoa jurídica, assim, ainda que esse d. órgão julgador entenda manter a autuação na pessoa física, poderia ser sustentada a tributação na pessoa jurídica, como fez a d. fiscalização no outro auto de infração, já mencionado, bem como, é totalmente aplicável a tributação da como pessoa física desde que tenha em mente a apuração do ganho real e não a aplicação de presunção abusivas e surreais; que os d. julgadores a quo, tentaram sustentar que apesar dos dispositivos mencionados no auto de infração terem sido revogados as multas aplicadas possuem previsão em outro dispositivo. Ora, tal tentativa é absurda e foge do razoável em se tratando de um Estado Democrático de Direito, onde o principio da legalidade é sustentáculo do direito ao contraditório e a ampla defesa; Fl. 1825DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por NELSON MALLMANN Processo nº 10665.000562/200930 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.423 S2C2T2 Fl. 11 10 que se o contribuinte foi autuado com base num dispositivo legal é contra este que deve se defender, não podendo, em sede de Julgamento Administrativo, os Julgadores alterarem o fundamento da autuação como se isto fosse insignificante e não afetasse diretamente o direito de defesa da Recorrente; que assim, basta a constatação de que os fundamentos legais invocados no auto de infração não se aplicam ao caso dos autos, uma vez que foram revogados, para se concluir que as multas aplicadas não possuem o amparo jurídico legal necessário para sua exigência, devendo a decisão recorrida ser reformada também nesse ponto, para afastar a aplicação das penalidades; que ainda segundo a d. Fiscalização, a omissão de rendimentos e, ao seu lado, suposta inércia da Recorrente, resultariam na aplicação de penalidade qualificada de 150%. Nessa linha, o contribuinte teria agido com dolo e com intuito de sonegar imposto, motivo pelo qual lhe foi imputada penalidade severa, no importe de 150% do valor do tributo. Trouxe A. tona o significado de sonegação e fraude, conforme previsão, respectivamente, dos arts. 71 e 72 da Lei n. 4.502/64; que foge totalmente dos critérios da razoabilidade e da proporcionalidade apontar que a Recorrente teve como escopo fraudar ou agir com dolo. Houve, na realidade, algumas premissas levantadas pela fiscalização, equivocadas por se distanciarem da realidade. Não somente quanto à multa, mas também e, principalmente, no que tange ao tributo. É o Relatório. Fl. 1826DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por NELSON MALLMANN Processo nº 10665.000562/200930 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.423 S2C2T2 Fl. 12 11 Voto Conselheiro Nelson Mallmann, Relator Do exame inicial dos autos verificase que existe uma questão prejudicial à análise do mérito da presente autuação, relacionada com sobrestamento de julgados. Observase às fls. 13/31 do Termo de Verificação Fiscal os seguintes excertos: Com os constantes pedidos de prorrogação de prazos para a apresentação de documentos constantes nas Intimações, nunca atendidas completamente, e o vencimento da Intimação n° 004 sem atendimento, cujos fatos configuram a recusa de prestar informações e/ou entrega de documentos, conciliados A possível existência de interposta pessoa, nos termos definidos nos Incisos X e XI do artigo 3° e o Inciso I do Parágrafo 2° deste mesmo artigo, do Decreto 3.724/2001, como relatado no item 6 acima deste Termo, foram selecionados documentos para serem solicitados aos Bancos, através de RMF. Tais documentos foram solicitados em 28/02/2008, com os objetivos de (1) confirmar os tipos de operações realizadas pela contribuinte Glauciane Maria de Sousa e declaradas a esta fiscalização, bem como, caracterizar a possível existência de outra(s) pessoa(s) movimentando recursos dela(s) na conta corrente Glauciane Maria de Sousa. Foram feitas Requisições de Informações sobre Movimentação Financeira a diversos Bancos, com base na falta de apresentação de documentos e presença de indícios de que o titular de direito é interposta pessoa do titular de fato, com base e definições estabelecidas pelos artigos 3º, Incisos VII e XI do Decreto 3.724/2001, c/c Inciso I do parágrafo 2° do artigo 3° deste mesmo Decreto e artigo 33, Inciso I da Lei 9.430/1996. Foram constatadas operações comerciais de empréstimos a terceiros, a pessoas físicas e jurídicas, movimentadas nas contas bancárias da CREDIPEU Cooperativa de Crédito Rural de Pompeu, agência 3161, conta 31.6415 e na Caixa Econômica Federal, agência 1426, conta 47195, o que ensejou o procedimento fiscal em separado, conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal n° 001, com a tributação na pessoa jurídica equiparada, tendo em vista o exercício da atividade comercial. Através dos procedimentos de amostragem, proporcionalmente às quantidades movimentadas com relação aos procedimentos das demais contas, foram requisitados aos bancos, (Banco do Brasil Agência 2475 conta 10.2989 e Caixa Econômica Federal, Agência 1426 conta 18.7721), documentos de débitos e créditos, com a finalidade de certificar que tipos de operação eram realizados e a possível vinculação com o Sr. Jamir de Souza Machado, uma vez que a Contribuinte afirmou a concessão de operações de mútuos com o uso de todas as suas contas bancárias, sem vinculação com o Sr. Jamir. Especificamos os documentos apresentados pelo Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal no "ANEXO 1: DOCUMENTOS REQUISITADOS AOS BANCOS, relacionados com este procedimento fiscal (Termo de Verificação n°002). Esses documentos podem ser assim sintetizados, destacandose que a Contribuinte não apresentou nenhum documento Fl. 1827DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por NELSON MALLMANN Processo nº 10665.000562/200930 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.423 S2C2T2 Fl. 13 12 que comprovasse as origens dos recursos movimentados em suas contas bancárias. Com visto, resta claro da análise dos autos, que a autoridade administrativa, através da Requisição de Movimentação Financeira – RMF solicitou diretamente às instituições financeiras os extratos bancários. Assim sendo, a discussão sobre os depósitos bancários lançados, por enquanto, não faz sentido haja vista que se trata de mais um caso de sobrestamento de julgado feito, por unanimidade de votos, por esta turma de julgamento, nos termos do art. 62A e parágrafos do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009, verbis: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543 C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543 B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. É de se ressaltar, que a primeira orientação dada era de que se os extratos bancários fossem acostados aos autos mediante o atendimento da Solicitação de Emissão de Requisição de Movimentação Financeira (RMF) solicitada pela autoridade fiscal lançadora, com base no art. 3º do Decreto nº 3.724, de 2001, o processo deveria ser sobrestado até que a repercussão geral fosse julgada. Entretanto, na evolução da discussão sobre o assunto, surgiu a corrente que defende a tese de que somente é possível sobrestar as matérias que o próprio Supremo Tribunal Federal tenha determinado o sobrestamento de Recursos Extraordinário – RE. Para pacificar o assunto o Presidente do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) editou a Portaria CARF nº 001, de 03 janeiro de 2012, determinando os procedimentos a serem adotados para o sobrestamento de processos, da qual extraio os seguintes excertos: Art. 1º. Determinar a observação dos procedimentos dispostos nesta portaria para realização do sobrestamento do julgamento de recursos em tramitação no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, em processos referentes a matérias de sua competência em que o Supremo Tribunal Federal – STF tenha determinado o sobrestamento de Recursos Extraordinários – RE, até que tenha transitado em julgado a respectiva decisão nos termos do art. 543B da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil. Parágrafo único. O procedimento de sobrestamento de que trata o caput somente será aplicado a casos em que tiver comprovadamente sido determinado pelo Supremo Tribunal Federal – STF o Fl. 1828DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por NELSON MALLMANN Processo nº 10665.000562/200930 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.423 S2C2T2 Fl. 14 13 sobrestamento de processos relativos à matéria recorrida, independentemente da existência de repercussão geral reconhecida para o caso. Resta evidente, nos autos, de que se trata de imposto de renda incidente sobre depósitos bancários com origem não comprovada, onde o fornecimento das informações sobre a movimentação bancária do contribuinte, pelas instituições financeiras, foi realizada diretamente ao Fisco por meio de procedimento administrativo, sem prévia autorização judicial (art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001). Ou seja, o fornecimento das informações sobre movimentação bancária do contribuinte foram obtidas pelo fisco por meio de procedimento administrativo, sem prévia autorização judicial, assunto na esfera das matérias de repercussão geral no Supremo Tribunal Federal, conforme o recurso extraordinário 601314. O Recurso Extraordinário (RE) 601314 chegou ao Supremo contra uma decisão que considerou legal o artigo 6° da Lei Complementar nº 105, de 2001, que permite a entrega das informações, por parte dos bancos, a pedido do Fisco. Para o autor do recurso, contudo, este dispositivo seria inconstitucional, uma vez que permite a entrega de informações de contribuintes, sem autorização judicial, configuraria quebra de sigilo bancário, violando o artigo 5°, X e XII da Constituição Federal. De acordo com o relator, a matéria discutida no RE 601314, a eventual inconstitucionalidade de quebra de sigilo bancário pelo Poder Executivo (Receita Federal) atinge todos os contribuintes, conforme a ementa, de 20/11/2009, abaixo transcrita: CONSTITUCIONAL. SIGILO BANCÁRIO. FORNECIMENTO DE INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA DE CONTRIBUINTES, PELAS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS, DIRETAMENTE AO FISCO, SEM PRÉVIA AUTORIZAÇÃO JUDICIAL (LEI COMPLEMENTAR 105/2001). POSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DA LEI 10.174/2001 PARA APURAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES A EXERCÍCIOS ANTERIORES AO DE SUA VIGÊNCIA. RELEVÂNCIA JURÍDICA DA QUESTÃO CONSTITUCIONAL. EXISTÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL. (RE 601314 RG, Relator (a): Min. RICARDO LEWANDOWSKI, julgado em 22/10/2009, DJe218 DIVULG 19112009 PUBLIC 20112009 EMENT VOL0238307 PP01422) Em data posterior (15/12/2010) a decretação da repercussão geral o Pleno do Supremo Tribunal Federal decidiu, por cinco votos a quatro, que a Receita Federal não tem poder de decretar, por autoridade própria, a quebra do sigilo bancário do contribuinte, durante julgamento do Recurso Extraordinário interposto pela GVA Indústria e Comércio contra medida do Fisco (RE 389.808), cuja ementa é a seguinte: SIGILO DE DADOS – AFASTAMENTO. Conforme disposto no inciso XII do artigo 5º da Constituição Federal, a regra é a privacidade quanto à correspondência, às comunicações telegráficas, aos dados e às comunicações, ficando a exceção – a quebra do sigilo – submetida ao crivo de órgão equidistante – o Judiciário – e, mesmo assim, para efeito de investigação criminal ou instrução processual penal. SIGILO DE DADOS BANCÁRIOS – RECEITA FEDERAL. Conflita com a Carta da República norma legal atribuindo à Receita Federal – parte na relação jurídicotributária – o afastamento do sigilo de dados relativos ao contribuinte. Fl. 1829DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por NELSON MALLMANN Processo nº 10665.000562/200930 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.423 S2C2T2 Fl. 15 14 Observase que a discussão girou em torno do respaldo constitucional dos dispositivos da Lei nº 10.174, de 2001, da Lei Complementar nº 105, de 2001 e do Decreto nº 3.724, de 2001, usados pela Receita para acessar dados da movimentação financeira. O relator do caso, ministro Marco Aurélio, destacou em seu voto que o inciso 12 do artigo 5º da Constituição diz que é inviolável o sigilo das pessoas salvo duas exceções: quando a quebra é determinada pelo Poder Judiciário, com ato fundamentado e finalidade única de investigação criminal ou instrução processual penal, e pelas Comissões Parlamentares de Inquérito. “A inviabilidade de se estender essa exceção resguarda o cidadão de atos extravagantes do Poder Público, atos que possam violar a dignidade do cidadão”. Por maioria de votos, o STF entendeu ser indispensável à prévia manifestação do Poder Judiciário para que seja legítimo o acesso da Receita Federal às informações que se encontram protegidas pelo sigilo bancário. E assim o fez em virtude de regra clara e inequívoca, constante do artigo 5º, inciso XII, da Constituição Federal, que prescreve que o sigilo de dados somente pode ser afastado mediante prévia autorização judicial. Em seu voto o ministro Celso de Mello, a equação direito ao sigilo — dever de sigilo exige — para que se preserve a necessária relação de harmonia entre uma expressão essencial dos direitos fundamentais reconhecidos em favor da generalidade das pessoas (verdadeira liberdade negativa, que impõe, ao Estado, um claro dever de abstenção), de um lado, e a prerrogativa que inquestionavelmente assiste ao Poder Público de investigar comportamentos de transgressão à ordem jurídica, de outro — que a determinação de quebra de sigilo bancário provenha de ato emanado de órgão do Poder Judiciário, cuja intervenção moderadora na resolução dos litígios, insistase, revelase garantia de respeito tanto ao regime das liberdades públicas quanto à supremacia do interesse público. Os efeitos dessa decisão por ora estão limitados ao caso concreto e não vinculam as instâncias inferiores. Porém, ela reafirma entendimento pacificado do Supremo Tribunal Federal. Não se pode esquecer, pois, que se trata de decisão do Pleno da mais alta corte do país e como tal deve ser entendida e respeitada. Isso quer dizer, na prática, que mesmo que o Supremo ainda não tenha julgado definitivamente a matéria (várias ações diretas de inconstitucionalidade contra a lei complementar ainda aguardam para ser julgadas na corte, além do Recurso Extraordinário 601.314), sua decisão em relação à Lei Complementar nº 105, de 2001, poderá ser o argumento para os próximos julgados. Em decisão monocrática publicada em março de 2011, a ministra Cármen Lúcia afirma categoricamente que não cabe mais discussão sobre o assunto. "No julgamento do Recurso Extraordinário 389.808 (…), com repercussão geral reconhecida, o Supremo Tribunal Federal afastou a possibilidade de ter acesso a Receita Federal a dados bancários dos contribuintes", disse ela ao julgar o Recurso Extraordinário 387.604, verbis: RE 387.604 RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONSTITUCIONAL. QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO PELA RECEITA FEDERAL: IMPOSSIBILIDADE. RECURSO AO QUAL SE NEGA SEGUIMENTO. Relatório 1. Recurso extraordinário interposto com base no art. 102, inc. III, alínea a, da Constituição da República contra o seguinte julgado do Tribunal Regional Federal da 4ª Região: Fl. 1830DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por NELSON MALLMANN Processo nº 10665.000562/200930 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.423 S2C2T2 Fl. 16 15 “EMBARGOS INFRINGENTES. QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO PELA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. COLISÃO DE DIREITOS FUNDAMENTAIS. INTIMIDADE E SIGILO DE DADOS VERSUS ORDEM TRIBUTÁRIA HÍGIDA. ART. 5º, X E XII. PROPORCIONALIDADE. 1. O sigilo bancário, como dimensão dos direitos à privacidade (art. 5º, X, CF) e ao sigilo de dados (art. 5º, XII, CF), é direito fundamental sob reserva legal, podendo ser quebrado no caso previsto no art. 5º, XII, 'in fine', ou quando colidir com outro direito albergado na Carta Maior. Neste último caso, a solução do impasse, mediante a formulação de um juízo de concordância prática, há de ser estabelecida através da devida ponderação dos bens e valores, in concreto, de modo a que se identifique uma 'relação específica de prevalência' entre eles. 2. No caso em tela, é possível verificarse a colisão entre os direitos à intimidade e ao sigilo de dados, de um lado, e o interesse público à arrecadação tributária eficiente (ordem tributária hígida), de outro, a ser resolvido, como prega a doutrina e a jurisprudência, pelo princípio da proporcionalidade. 3. Com base em posicionamentos do STF, o ponto mais relevante que se pode extrair desse debate, é a imprescindibilidade de que o órgão que realize o juízo de concordância entre os princípios fundamentais a fim de aplicálos na devida proporção, consoante as peculiaridades do caso concreto, dandolhes eficácia máxima sem suprimir o núcleo essencial de cada um revistase de imparcialidade, examinando o conflito como mediador neutro, estando alheio aos interesses em jogo. Por outro lado, ainda que se aceite a possibilidade de requisição extrajudicial de informações e documentos sigilosos, o direito à privacidade, deve prevalecer enquanto não houver, em jogo, um outro interesse público, de índole constitucional, que não a mera arrecadação tributária, o que, segundo se dessume dos autos, não há. 4. À vista de todo o exposto, o Princípio da Reserva de Jurisdição tem plena aplicabilidade no caso sob exame, razão pela qual deve ser negado provimento aos embargos infringentes” (fl. 275). 2. A Recorrente alega que o Tribunal a quo teria contrariado o art. 5º, inc. X e XII, da Constituição da República. Argumenta que “investigar a movimentação bancária de alguém, mediante procedimento fiscal legitimamente instaurado, não atenta contra as garantias constitucionais, mas configura o estrito cumprimento da legislação tributária. Assim, (...) mesmo se considerarmos o sigilo bancário como um consectário do direito à intimidade, não podemos esquecer que a garantia é relativa, podendo, perfeitamente, ceder, se houver o interesse público envolvido, tal como o da administração tributária” (fl. 284). Fl. 1831DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por NELSON MALLMANN Processo nº 10665.000562/200930 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.423 S2C2T2 Fl. 17 16 Analisados os elementos havidos nos autos, DECIDO. 3. Razão jurídica não assiste à Recorrente. 4. No julgamento do Recurso Extraordinário n. 389.808, Relator o Ministro Marco Aurélio, com repercussão geral reconhecida, o Supremo Tribunal Federal afastou a possibilidade de ter acesso a Receita Federal a dados bancários de contribuintes: “O Plenário, por maioria, proveu recurso extraordinário para afastar a possibilidade de a Receita Federal ter acesso direto a dados bancários da empresa recorrente. Na espécie, questionavamse disposições legais que autorizariam a requisição e a utilização de informações bancárias pela referida entidade, diretamente às instituições financeiras, para instauração e instrução de processo administrativo fiscal (LC 105/2001, regulamentada pelo Decreto 3.724/2001). Inicialmente, salientou se que a República Federativa do Brasil teria como fundamento a dignidade da pessoa humana (CF, art. 1º, III) e que a vida gregária pressuporia a segurança e a estabilidade, mas não a surpresa. Enfatizouse, também, figurar no rol das garantias constitucionais a inviolabilidade do sigilo da correspondência e das comunicações telegráficas, de dados e das comunicações telefônicas (art. 5º, XII), bem como o acesso ao Poder Judiciário visando a afastar lesão ou ameaça de lesão a direito (art. 5º, XXXV). Aduziuse, em seguida, que a regra seria assegurar a privacidade das correspondências, das comunicações telegráficas, de dados e telefônicas, sendo possível a mitigação por ordem judicial, para fins de investigação criminal ou de instrução processual penal. Observouse que o motivo seria o de resguardar o cidadão de atos extravagantes que pudessem, de alguma forma, alcançálo na dignidade, de modo que o afastamento do sigilo apenas seria permitido mediante ato de órgão eqüidistante (Estadojuiz). Assinalouse que idêntica premissa poderia ser assentada relativamente às comissões parlamentares de inquérito, consoante já afirmado pela jurisprudência do STF”. O acórdão recorrido não divergiu dessa orientação. 5. Nada há, pois, a prover quanto às alegações da Recorrente. 6. Pelo exposto, nego seguimento ao recurso extraordinário (art. 557, caput, do Código de Processo Civil e art. 21, § 1º, do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal). Publiquese. Brasília, 23 de fevereiro de 2011. Ministra CÁRMEN LÚCIA Relatora. Nesta linha de raciocínio, é de se notar, ainda, que nas demais decisões o Supremo Tribunal Federal tem determinado o sobrestamento de tal matéria, conforme é possível se verificar nos julgados abaixo: Fl. 1832DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por NELSON MALLMANN Processo nº 10665.000562/200930 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.423 S2C2T2 Fl. 18 17 Decisão: Vistos. Verifico que a discussão acerca da violação, ou não, aos princípios constitucionais que asseguram ser invioláveis a intimidade e o sigilo de dados, previstos no art. 5º, X e XII, da Constituição, quando o Fisco, nos termos da Lei Complementar 105/2001, recebe diretamente das instituições financeiras informações sobre a movimentação das contas bancárias dos contribuintes, sem prévia autorização judicial teve sua repercussão geral reconhecida no RE nº 601.314/SP, Relator o Ministro Ricardo Lewandowski. Dessa forma, dados os reflexos da decisão a ser proferida no referido recurso, no deslinde do caso concreto, determino o sobrestamento do presente feito, até o julgamento do citado RE nº 601.314/SP. Publique se. Brasília, 13 de junho de 2012. Ministro Dias Toffoli Relator Documento assinado digitalmente (RE 410054 AgR, Relator(a): Min. DIAS TOFFOLI, julgado em 13/06/2012, publicado em DJe120 DIVULG 19/06/2012 PUBLIC 20/06/2012). DECISÃO REPERCUSSÃO GERAL ADMITIDA – PROCESSOS VERSANDO A MATÉRIA – SIGILO DADOS BANCÁRIOS – FISCO – AFASTAMENTO – ARTIGO 6º DA LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001 – BAIXA À ORIGEM. 1. Reconsidero o ato de folhas 343 a 344. 2. O Tribunal, no Recurso Extraordinário nº 601.314/SP, relator Ministro Ricardo Lewandowski, concluiu pela repercussão geral do tema relativo à constitucionalidade de o Fisco exigir informações bancárias de contribuintes mediante o procedimento administrativo previsto no artigo 6º da Lei Complementar nº 105/2001. 3. Ante o quadro, considerado o fato de o recurso veicular a mesma matéria, havendo a intimação do acórdão de origem ocorrido posteriormente à data em que iniciada a vigência do sistema da repercussão geral, bem como presente o objetivo maior do instituto – evitar que o Supremo, em prejuízo dos trabalhos, tenha o tempo tomado com questões repetidas – , determino a devolução dos autos ao Tribunal Regional Federal da 3ª Região. Façoo com fundamento no artigo 328, parágrafo único, do Regimento Interno deste Tribunal, para os efeitos do artigo 543B do Código de Processo Civil. 4. Publiquem. Brasília, 3 de novembro de 2011. Ministro MARCO AURÉLIO Relator(AI 714857 AgR, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, julgado em 03/11/2011, publicado em DJe 217 DIVULG 14/11/2011 PUBLIC 16/11/2011). Ora, o presente tema tem sido muito discutido após a Lei nº 10.174, de 2001 (que alterou a Lei nº 9.311, de 1996, e passou a admitir a utilização de dados da extinta CPMF para fins de apuração de outros tributos) e, sobretudo, a Lei Complementar nº 105, de 2001 (cujos artigos 5º e 6º admitem o acesso, pelas autoridades fiscais da União, Estados e municípios, das contas de depósito e aplicações financeiras em geral), tem reflexo direto em inúmeros lançamentos que são fundamentados na existência de movimentação bancária incompatível com os rendimentos e receitas declarados pelo contribuinte. Como visto, anteriormente, o primeiro julgamento de relevância adveio na ação cautelar nº 33 – ajuizada para o fim de atribuir efeito suspensivo a recurso extraordinário – em que, por seis votos a quatro, admitiuse a quebra independentemente de autorização judicial. Votaram a favor do Fisco os ministros Joaquim Barbosa, Gilmar Mendes, Dias Toffoli, Carmen Lúcia, Ayres Britto e Ellen Gracie, enquanto, contrariamente à quebra sem ordem judicial, posicionaramse os ministros Marco Aurélio, Cezar Peluso, Ricardo Lewandowski e Celso de Mello. Todavia, poucas semanas após o próprio recurso extraordinário (nº 389.808) Fl. 1833DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por NELSON MALLMANN Processo nº 10665.000562/200930 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.423 S2C2T2 Fl. 19 18 veio a ser apreciado, desta vez com resultado diverso. O ministro Gilmar Mendes mudou de posição e, como o ministro Joaquim Barbosa não participou do julgamento, o placar foi favorável aos contribuintes, por cinco a quatro. Apesar da decisão monocrática da ministra Cármen Lúcia afirmado categoricamente que não cabe mais discussão sobre o assunto, entendo, que a questão não está resolvida. Tivesse o ministro Joaquim Barbosa participado do julgamento (no pleno do STF) e mantido sua posição adotada na cautelar, o resultado teria ficado empatado (cinco a cinco). Além disso, existem várias Adins que aguardam julgamento (nºs 2.386, 2.390, 2.397 e 4.010) e o tema já teve sua repercussão geral reconhecida (RE nº 601.314), porém, ainda pendente de julgamento. Por outro lado, existe noticias na jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, que o mesmo tem determinado o sobrestamento de processos onde a discussão abrange o fornecimento das informações sobre a movimentação bancária do contribuinte, pelas instituições financeiras, diretamente ao Fisco por meio de procedimento administrativo, sem prévia autorização judicial (art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001). Assim, resta evidente, que o assunto se encontra na esfera das matérias de repercussão geral no Supremo Tribunal Federal, conforme o recurso extraordinário 601314 e que os processos estão sobrestados. É de se ressaltar, que caso a posição definitiva do Supremo Tribunal Federal STF seja no sentido da possibilidade da quebra sem autorização judicial, os autos de infração em curso deverão ser mantidos pelos órgãos administrativos de julgamento, o mesmo sucedendo com os processos judiciais, ressalvadas as questões peculiares envolvidas em cada caso. Contudo, se declarada a inconstitucionalidade dos diplomas que permitem a quebra pelas autoridades administrativas, será preciso verificar com maior critério as consequências nos procedimentos em curso. Isso porque nem sempre o lançamento é motivado apenas na existência de movimentação financeira incompatível com os rendimentos declarados. Nos casos, por exemplo, de omissão de receitas (artigo 42, da Lei nº 9.430, de 1996) fundamentados exclusivamente na existência de valores em instituições financeiras, não há dúvida de que, declarada a inconstitucionalidade da quebra sem autorização judicial, os lançamentos restarão viciados e deverão assim ser declarados pelo órgão administrativo ou judicial competente. No entanto, há casos em que a existência de recursos financeiros eventualmente não comprovados é apenas um dos indícios que fundamentam a ação fiscal. No caso em questão, resta claro, nos autos, de que se trata de imposto de renda incidente sobre depósitos bancários com origem não comprovada, onde o fornecimento das informações sobre a movimentação bancária do contribuinte, pelas instituições financeiras, foi realizada diretamente ao Fisco por meio de procedimento administrativo, sem prévia autorização judicial (art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001). Ou seja, os extratos bancários foram acostados aos autos mediante o atendimento da Solicitação de Emissão de Requisição de Movimentação Financeira (RMF) solicitada pela autoridade fiscal lançadora, com base no art. 3º do Decreto nº 3.724, de 2001. É conclusivo, que no julgamento do Recurso Extraordinário n. 389.808, não aplicável a repercussão geral, o Pleno do Supremo Tribunal Federal afastou a possibilidade de ter acesso a Receita Federal a dados bancários de contribuintes: Fl. 1834DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por NELSON MALLMANN Processo nº 10665.000562/200930 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.423 S2C2T2 Fl. 20 19 SIGILO DE DADOS – AFASTAMENTO. Conforme disposto no inciso XII do artigo 5º da Constituição Federal, a regra é a privacidade quanto à correspondência, às comunicações telegráficas, aos dados e às comunicações, ficando a exceção – a quebra do sigilo – submetida ao crivo de órgão equidistante – o Judiciário – e, mesmo assim, para efeito de investigação criminal ou instrução processual penal. SIGILO DE DADOS BANCÁRIOS – RECEITA FEDERAL. Conflita com a Carta da República norma legal atribuindo à Receita Federal – parte na relação jurídicotributária – o afastamento do sigilo de dados relativos ao contribuinte. Decisão O Tribunal, por maioria e nos termos do voto do Senhor Ministro Marco Aurélio (Relator), deu provimento ao recurso extraordinário, contra os votos dos Senhores Ministros Dias Toffoli, Cármen Lúcia, Ayres Britto e Ellen Gracie. Votou o Presidente, Ministro Cezar Peluso. Falou, pelo recorrente, o Dr. José Carlos Cal Garcia Filho e, pela recorrida, o Dr. Fabrício Sarmanho de Albuquerque, Procurador da Fazenda Nacional. Plenário, 15.12.2010. Naquele julgado, o Plenário, por maioria, proveu recurso extraordinário para afastar a possibilidade de a Receita Federal ter acesso direto a dados bancários da empresa recorrente. Na espécie, questionavamse disposições legais que autorizariam a requisição e a utilização de informações bancárias pela referida entidade, diretamente às instituições financeiras, para instauração e instrução de processo administrativo fiscal (Lei Complementar nº 105, de 2001, regulamentada pelo Decreto nº 3.724, de 2001). Não há duvidas de que o Supremo Tribunal Federal, em sua composição plenária, naquela ocasião, declarou, por maioria de votos, a impossibilidade de acesso aos dados bancários dos contribuintes através de procedimento administrativo efetuado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil diretamente as instituições financeiras, entretanto a decisão, ainda, não transitou em julgado e não se aplica na solução da repercussão geral em discussão, razão pela qual entendo que se faz necessário sobrestar o presente julgado até a solução final da repercussão geral em questão. Assim sendo, resta evidente nos autos de que se trata de imposto de renda incidente sobre depósitos bancários com origem não comprovada e parte da discussão se concentra sobre o fornecimento de informações sobre movimentação bancária do contribuinte obtida pelo fisco por meio de procedimento administrativo, sem prévia autorização judicial, assunto na esfera das matérias de repercussão geral no Supremo Tribunal Federal, conforme o recurso extraordinário 601314. A vista disso seja o presente processo encaminhado à Secretaria da 2ª Câmara da 2ª Seção para as devidas providencias no sentido de atender o sobrestamento do julgamento. Observando que, após solucionada a questão, o presente processo será novamente incluído em pauta publicada. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann Fl. 1835DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por NELSON MALLMANN
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Numero do processo: 14041.000210/2009-72
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jun 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/08/1996 a 30/09/1996
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO.
Os embargos de declaração não se prestam para a rediscussão de matéria enfrentada no acórdão embargado.
Constatada a inexistência de obscuridade, omissão ou contradição no acórdão embargado, rejeita-se a pretensão da embargante.
Embargos Rejeitados.
Numero da decisão: 2402-004.128
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos opostos.
Julio Cesar Vieira Gomes - Presidente
Ronaldo de Lima Macedo - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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Os embargos de declaração não se prestam para a rediscussão de matéria enfrentada no acórdão embargado. Constatada a inexistência de obscuridade, omissão ou contradição no acórdão embargado, rejeitase a pretensão da embargante. Embargos Rejeitados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos opostos. Julio Cesar Vieira Gomes Presidente Ronaldo de Lima Macedo Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 04 1. 00 02 10 /2 00 9- 72 Fl. 148DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/06/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Relatório Tratase de Embargos de Declaração, oposto pela Fazenda Nacional (PGFN), em face do Acórdão nº 240203.914 da 2ª Turma Ordinária da 4a Câmara da 2a Seção de Julgamento do CARF. No Acórdão em questão, ficou consignado na parte dispositiva o seguinte: “[...] Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para declarar a nulidade do lançamento por vício material por falta de elementos comprobatórios da ciência do resultado do julgamento que declarou a nulidade por vício formal, nos termos do voto do relator, vencido o Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes que votou pela inexistência de decadência. [...]” A Embargante (Fazenda Nacional) afirma ter ocorrido contradição ou omissão nos fundamentos do voto condutor do acórdão ora embargado, eis que a matéria em debate encontrarseia fundamentada em fato incontroverso, já que “o Embargado foi intimado 18 de fevereiro de 2008, por via postal, dos r. acórdãos nº: 02/002488/2003 e 02/02487/2003, prolatados pela 2ª Câmara de Julgamento do CRPS (sic)”, nos seguintes termos: “[...] Segundo o voto condutor, “a autoridade fiscal não comprovou o marco inicial do prazo decadencial para o lançamento substituto, qual seja, a data da intimação da Recorrente das decisões que anularam os lançamentos anteriores. Consequentemente, não restou comprovado que o lançamento substituto foi efetuado dentro do prazo decadencial previsto no artigo 173, II, do CTN”. Contudo, o acórdão embargado foi omisso e contraditório, pois é fato incontroverso neste feito que o recorrido foi intimado em 18 de fevereiro de 2004, por via postal, dos acórdãos proferidos em 31/10/2003 pela 2ª Câmara de Julgamento do CRPS que anulou, por erro de fundamentação legal, as NFLD’s nos 35.019.6095 e 35.019.6087. (...) Nesse contexto, cabe observar que em suas peças de insurgência o contribuinte demonstra ter pleno conhecimento não apenas dos acórdãos prolatados pelo CRPS que anularam as NFLD’s nº 35.019.6095 e nº 35.019.6087, mas também da intimação a que se referiu a fiscalização, inclusive trazendo seu teor à colação na peça recursal (CARTA/SERVREC/ 23.401.3 n° 95/04, emitida em BrasíliaDF, em 18 de fevereiro de 2004), como se vê, exemplificativamente, à fls. 126 dos autos (impugnação). (...) Como visto, nada alegou o contribuinte sobre o fato de não ter sido intimado dos acórdãos que anularam as NFLD’s nº 35.019.6095 e nº 35.019.6087. Fl. 149DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/06/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 14041.000210/200972 Acórdão n.º 2402004.128 S2C4T2 Fl. 3 3 Na verdade, o próprio contribuinte trouxe aos autos a intimação a que se referiu a fiscalização: CARTA/SERVREC/ 23.401.3 n° 95/04, emitida em BrasíliaDF, datada de 18 de fevereiro de 2004. Portanto, a teor do disposto no art. 334 do CPC, não dependem de prova os fatos admitidos, no processo, como incontroversos, nem aqueles afirmados por uma parte e confessados pela outra, verbis: (...) Desse modo, ainda que se entenda não existir prova do recebimento da intimação, cabe reconhecer que o embargado foi intimado quinze dias após a data da expedição da intimação. Portanto, revelase a necessidade de se aclarar o acórdão, sanando as omissões/contradições/obscuridades acima apontadas, a fim de que a decisão deste Colegiado mostrese consentânea com tudo o que destes autos consta, bem como para que seu conteúdo reste claro e completo, não deixando qualquer margem de dúvidas para a interposição de eventual recurso especial ou mesmo para a execução do julgado. [...]” Enfim, a Embargante requer o recebimento e acolhimento do presente embargos, para sanar/retificar todos os vícios existentes no acórdão, acima apontados. É o relatório. Fl. 150DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/06/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator O Recurso é tempestivo e dele farei apreciação. Esclarecemos que a apreciação não significa conhecimento, porquanto, para se conhecer do recurso, fazse necessário não só a satisfação dos requisitos extrínsecos recursais, tais como a tempestividade, garantia de instância, dentre outros, mas também, e fundamentalmente, a presença dos requisitos intrínsecos dos recursos, tais como o cabimento, o interesse de agir e a legitimidade para tanto. Diante das considerações efetuadas pela Embargante, entendese que não lhe assiste razão quanto à contradição ou omissão apontada tanto na análise da nulidade por vício material como na análise de que a matéria em debate encontrarseia fundamentada em fato incontroverso, já que “o Embargado foi intimado 18 de fevereiro de 2008, por via postal, dos r. acórdãos nº: 02/002488/2003 e 02/02487/2003, prolatados pela 2ª Câmara de Julgamento do CRPS (sic)”. O vício apontado no lançamento referese à falta de provas inequívocas da data exata da cientificação ao sujeito passivo das decisões de nulidade por vício formal – proferidas em 31/10/2003. Assim, o voto condutor entendeu que a data de início da contagem do prazo decadencial estampada no artigo 173, II, do CTN é a data da cientificação ao sujeito passivo da decisão que declarou nulo os lançamentos anteriores (NFLD’s n°s 35.019.6095 e 35.019.6087). O acórdão ora embargado registrou o seguinte: “[...] Para que o ato administrativo, veiculado por meio do acórdão que anulou o lançamento fiscal anterior, tornese perfeito e eficaz, é necessário ele completar o seu ciclo de formação, este será ocasionado no momento em que percorrer todas as fases necessárias para sua produção. Com isso, no âmbito do contencioso administrativo fiscal, a ciência ao sujeito passivo também será uma dessas fases de formação da decisão proferida em segunda instância, pois esta decisão é simplesmente um ato administrativo que produzirá efeitos na esfera do administrado (Recorrente). Essa ciência ao sujeito passivo da decisão proferida em segunda instância fará com que tal lançamento produza os seus efeitos previstos na legislação tributária. É bom esclarecer que a publicidade do ato administrativo é diferente de sua publicação. Esta é a divulgação do ato por meios oficiais, exemplo Diário Oficial da União; ou seja, a publicação tratase de uma forma de publicidade. Assim, a publicidade da decisão de segunda instância não se esgota apenas em se publicarem os atos no órgão oficial, também será imprescindível uma publicidade restrita, sendo que esta acontecerá com a ciência do interessado (sujeito passivo) da decisão proferida pela Corte Administrativa. Fl. 151DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/06/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 14041.000210/200972 Acórdão n.º 2402004.128 S2C4T2 Fl. 4 5 Com isso, entendese que a decisão de segunda instância, proferida no âmbito do contencioso administrativo federal, somente será válida, perfeita e eficaz após a sua cientificação ao sujeito passivo da obrigação tributária, tornandose nesse momento uma decisão definitiva, eis que não pode ser dado o atributo de definitividade a um ato administrativo que sequer cumpriu todos os requisitos de validade previstos na legislação. Assim, a data de início da contagem do prazo decadencial estampada no artigo 173, II, do CTN é a data da cientificação ao sujeito passivo da decisão que declarou nulo os lançamentos anteriores (NFLD’s n°s 35.019.6095 e 35.019.6087). Constatase que a ciência do lançamento substitutivo, ora analisado, ocorreu em 18/02/2009 – conforme Aviso de Recebimento (AR) de fl. 03 –, e os documentos acostados aos autos, pelo Fisco e pela Recorrente, não apontam a data exata da cientificação ao sujeito passivo das decisões de nulidade por vício formal – proferidas em 31/10/2003. Com isso, não constam dos autos elementos probatórios suficientes para a averiguação se o lançamento fiscal substitutivo está em consonância com o prazo legal de 5 (cinco) anos previsto no art. 173, II, do CTN. Como esse tributo era sujeito a lançamento de ofício, o Fisco tinha 5 anos para fazer o lançamento, contados da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vicio formal, o lançamento anteriormente efetuado, conforme prevê o art. 173, inciso II, do CTN. (...) Em outras palavras, não constam dos autos elementos probatórios suficientes para estabelecer o termo inicial do prazo decadencial para que a Fazenda Pública fizesse o lançamento do tributo. Logo, essa data do termo inicial é importante para averiguar a decadência, que é uma causa de extinção do crédito tributário (art. 156, V, do CTN), ou para averiguar se o prazo se encerrou sem que houvesse o lançamento fiscal. (...) Desse modo, percebese que o Fisco deixou de fundamentar o termo inicial do prazo decadencial, fato imprescindível para que ele realizasse o lançamento do tributo, no Relatório Fiscal, acompanhado de seus anexos, e nas oportunidades concedidas pelo órgão julgador no âmbito administrativo, eis que nestes documentos não há as circunstâncias de fato e de direito que justifiquem a imposição fiscal, de modo a garantir ao sujeito passivo o pleno exercício de seu direito de defesa, dandolhe ciência daquilo que se deve defender. [...]” (g.n.) Nesse passo, a decisão do acórdão embargado concluiu que, da análise do caso concreto, podese inferir que a ciência do lançamento substitutivo, ora analisado, ocorreu em 18/02/2009 – conforme Aviso de Recebimento (AR) de fl. 03 –, e os documentos acostados aos autos, pelo Fisco e pela Recorrente, não apontam a data exata da cientificação ao sujeito Fl. 152DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/06/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 passivo das decisões de nulidade por vício formal – proferidas em 31/10/2003. Com isso, o Fisco deixou de fundamentar o termo inicial do prazo decadencial, fato imprescindível para que ele realizasse o lançamento do tributo. Assim, verificase que não há contradição ou omissão no voto condutor, eis que o seu conteúdo abordou de forma suficiente a matéria concernente à nulidade por vício material, sendo que os argumentos da Embargante apontam para uma nova discussão da matéria, não cabível em sede de Embargos de Declaração. Esse entendimento decorre do fato de que os Embargos de Declaração representam uma via estreita e não se prestam para a modificação da decisão embargada que não contenha omissão, contradição ou obscuridade. Registrase que, além de ser matéria de ordem pública, não se trata de fato incontroverso a análise da decadência tributária, já que a Recorrente postulou o fato tanto na peça de impugnação quanto na peça recursal. Apenas a título de realce, no âmbito da matéria submetida à apreciação deste Conselho, o grau de devolutividade é definido pela Recorrente nas razões de seu recurso. Tratase da aplicação do princípio tantum devoluntum quantum appellatum. Assim, a matéria a ser apreciada pelo CARF estaria delimitada pelas razões apresentadas nos recurso. Para tanto, foi nesse sentido que foi proferido o conteúdo do voto ora embargado com a apreciação e julgamento de todas as questões suscitadas e discutidas no processo, ainda que a decisão de primeira instância não as tenha julgado por inteiro (art. 515, §1o, do CPC), encaminhando para a nulidade, por vício material, em decorrência do Fisco não demonstrar a data da ciência do sujeito passivo da decisão definitiva dos processos referentes às NFLD’s n°s 35.019.6095 e 35.019.6087. Em se tratando de matéria de ordem pública, como é o caso da decadência tributária, e revelandose patente que se tratava de lançamento substitutivo, pode o julgador averiguar se o Fisco observou ou não o lapso qüinqüenal da decadência prevista no art. 173, inciso II, do CTN, ainda que não tenha sido alvo direto da matéria registrada na peça recursal o marco temporal do dia 18/02/2009 (data da ciência do sujeito passivo do presente lançamento fiscal). Portanto, a simples alegação da Embargante de que a averiguação da decadência é fato incontroverso não pode aniquilar o conteúdo do acórdão ora embargado, e a presunção de que o Fisco comprovou o termo inicial do prazo decadencial para a realização do lançamento substitutivo não pode ceder diante da falta de provas insofismáveis constatadas nos autos. Ou seja, não constam dos autos os elementos probatórios suficientes para estabelecer o termo inicial do prazo decadencial para que a Fazenda Pública fizesse o lançamento do tributo. Na seara de quem deverá produzir os elementos informativos da cientificação do sujeito passivo da decisão que declarou nulo os lançamentos anteriores (NFLD’s n°s 35.019.6095 e 35.019.6087), entendese que tal atribuição compete ao Fisco, já que se trata de um fato constitutivo do lançamento fiscal. Ademais, o Fisco encontrase em melhores condições de produzir a prova essencial ao deslinde do litígio ora instaurado, consubstanciado na teoria dinâmica de distribuição do ônus da prova, pois as informações da nulidade, por vício formal, do lançamento anterior e dos termos de ciência do sujeito passivo deverão permanecer nos autos dos processos originais. Esse entendimento está consubstanciado na regra estabelecida pelo art. 333 do CPC, eis que cabe ao autor (Fisco) o ônus de provar os fatos constitutivos de seu direito – no qual foi apontado no Relatório Fiscal e seus anexos que se tratava de lançamento fiscal substitutivo, e cabe à Recorrente comprovar à existência de qualquer fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do Fisco. Código de Processo Civil – CPC: Art. 333. O ônus da prova incumbe: Fl. 153DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/06/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 14041.000210/200972 Acórdão n.º 2402004.128 S2C4T2 Fl. 5 7 I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. (g.n.) Nesse caminhar, percebese que não há espaço fático nem jurídico para aplicação da regra prevista nos incisos III e IV do art. 334 do Código de Processo Civil, como pretende a Embargante. E deixo consignado que o entendimento, manifestado no acórdão ora embargado, de que a data em que o sujeito passivo tomou ciência definitiva da decisão que declarou nulo os lançamentos anteriores (NFLD’s n°s 35.019.6095 e 35.019.6087) é o marco inicial para a contagem de cinco anos do prazo decadencial do lançamento substitutivo está consubstanciado no princípio da legalidade (art. 173, parágrafo único, do CTN: ... contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação ...), no princípio do paralelismo de forma (se o termo final é o dia da ciência do lançamento substitutivo, no caso em tela o dia 18/02/2009, não restará dúvida que o termo inicial será o dia da ciência ao sujeito passivo da decisão que declarou nulo os lançamentos anteriores) e no princípio da actio nata (princípio universal em que a decadência só começa a correr quando o titular do direito violado toma conhecimento do fato e da extensão de suas conseqüências). De mais a mais, em condições de normalidade, que é o caso dos autos, a comprovação da data em que o sujeito passivo tomou ciência definitiva da decisão que declarou nulo os lançamentos anteriores (NFLD’s n°s 35.019.6095 e 35.019.6087) deverá ser lastreada em um elemento idôneo que evidencie tal fato, e não por meio de afirmações ou alegações do Fisco, nem por meio de conjecturas da Embargante. Esse entendimento está consubstanciado no fato de que, para determinadas questões, no caso em dela a decadência, o lançamento fiscal não comporta a incerteza, nem uma ideia com fundamento incerto, já que não consta nos autos qualquer elemento material apontando a data em que o sujeito passivo tomou ciência definitiva da decisão que declarou nulo os lançamentos anteriores. Assim, o cômputo do prazo decadencial deverá ser aferível por meio de elemento eminentemente objetivo (elemento material), não comportando juízo eminentemente subjetivo, eis que o reconhecimento do termo inicial da decadência requer a comprovação por meio de documento hábil, fato este não evidenciado nos autos. A falta de comprovação da data em que o sujeito passivo tomou ciência definitiva da decisão que declarou nulo os lançamentos anteriores é tão evidente nos autos, que a Embargante sugere: “(...) ainda que se entenda não existir prova do recebimento da intimação, cabe reconhecer que o Embargado foi intimado quinze dias após a data da expedição da intimação”. Neste particular, entendese que não há espaço jurídico nem fático para se adotar a tese de que o sujeito passivo foi intimado quinze dias após a expedição da intimação, eis que tal tese somente poderia ser aplicada se houvesse a comprovação nos autos do envio da decisão que declarou nulo os lançamentos anteriores, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo e se essa data de recebimento estivesse omissa na documentação, fatos estes não evidenciados nos autos, a teor do art. 23, inciso II, §2o e inciso II, do Decreto 70.235/19972. Decreto 70.235/19972: Art. 23. Farseá a intimação: (...) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (...) Fl. 154DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/06/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 § 2° Considerase feita a intimação: (...) II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; (g.n.) Após o delineamento das questões fáticas e jurídicas expostas anteriormente, entendo que a decisão desta Corte Administrativa, manifestada por meio do acórdão ora embargado, apresenta os requisitos necessários para sua validade, pois nela se verifica a congruência interna e externa. Esta diz respeito à necessidade de que a decisão seja correlacionada com os sujeitos envolvidos no presente processo, enquanto a congruência interna referese aos atributos de clareza, certeza e liquidez. Logo, percebese que esse Acórdão guarda congruência em relação aos sujeitos do processo, com os fundamentos e pedidos apresentados e com os demais documentos acostados nos autos. Com isso, entendese que o acórdão embargado, da forma como tratou a matéria, não foi omisso, nem obscuro, nem contraditório, e, como consequência, o seu julgamento resultou em conclusão plenamente válida. E, por consectário lógico, os Embargos de Declaração opostos pela Embargante não possuem os requisitos de admissibilidade, previstos no art. 65, Anexo II, da PORTARIA MF no 256/2009, impondo que não seja acolhida a pretensão da aludida contradição ou omissão. Diante do exposto e de tudo o mais que dos autos consta. Voto no sentido de REJEITAR OS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO opostos pela Fazenda Nacional, nos termos do voto. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 155DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/06/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 13976.000960/2002-64
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Aug 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2001 a 31/03/2002
RESSARCIMENTO. CRÉDITO IPI. PERÍODO ANTERIOR A VIGÊNCIA DA LEI Nº 9.779/99. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA CARF Nº 16.
O direito ao aproveitamento/utilização, nas condições estabelecidas no art. 11, da Lei nº 9.779, de 1999, do saldo credor do IPI, decorre somente de aquisições, pelo contribuinte do imposto, de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, ingressados no estabelecimento à partir de 01/01/1999, onerados pelo imposto e aplicados na industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente.
Numero da decisão: 3202-001.094
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
Assinado digitalmente
IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA - Presidente.
Assinado digitalmente
TATIANA MIDORI MIGIYAMA - Relatora.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Gilberto de Castro Moreira Júnior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama (Relatora).
Nome do relator: TATIANA MIDORI MIGIYAMA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/07/2001 a 31/03/2002 RESSARCIMENTO. CRÉDITO IPI. PERÍODO ANTERIOR A VIGÊNCIA DA LEI Nº 9.779/99. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA CARF Nº 16. O direito ao aproveitamento/utilização, nas condições estabelecidas no art. 11, da Lei nº 9.779, de 1999, do saldo credor do IPI, decorre somente de aquisições, pelo contribuinte do imposto, de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, ingressados no estabelecimento à partir de 01/01/1999, onerados pelo imposto e aplicados na industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente.
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CRÉDITO IPI. PERÍODO ANTERIOR A VIGÊNCIA DA LEI Nº 9.779/99. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA CARF Nº 16. O direito ao aproveitamento/utilização, nas condições estabelecidas no art. 11, da Lei nº 9.779, de 1999, do saldo credor do IPI, decorre somente de aquisições, pelo contribuinte do imposto, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, ingressados no estabelecimento à partir de 01/01/1999, onerados pelo imposto e aplicados na industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Assinado digitalmente IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Presidente. Assinado digitalmente TATIANA MIDORI MIGIYAMA Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Gilberto de Castro Moreira Júnior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama (Relatora). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 6. 00 09 60 /2 00 2- 64 Fl. 608DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 03/08/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 13976.000960/200264 Acórdão n.º 3202001.094 S3C2T2 Fl. 609 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por ECOFLEX FÁBRICA DE ESPUMAS E COLCHÕES LTDA contra Acórdão nº 1437.947, de 13 de junho de 2012 (de fls. 588 a 594), proferido pela 2ª Turma da DRJ/RPO, que julgou por unanimidade de votos, improcedente a manifestação de inconformidade. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório integrante da decisão recorrida, a qual transcrevo a seguir: “Trata o presente de manifestação de inconformidade contra DespachoDecisório que parcialmente homologou as compensações declaradas, em razão de apenas parte do direito creditório, decorrente de pedido de ressarcimento de créditos básico e presumido do IPI, ter sido reconhecido, sendo que, dentre as irregularidades constatadas pela fiscalização constou que, dentre os créditos extemporâneos escriturados, constavam saldos credores apurados em abril e maio de 1997, que não poderiam ser ressarcidos ao teor dos artigos 4º e 5º da IN SRF nº 33/99 e que na revisão da escrituração do contribuinte ocorreram estornos a maior, gerando saldos devedores indevidos, cujo recolhimentos não mais poderiam ser objeto de restituição, por já estarem decaídos, conforme artigo 168I do CTN. Contra tais fundamentos o interessado apresentou sua manifestação de inconformidade alegando ,em síntese que, com relação aos créditos extemporâneos apurados antes da 01/01/99, seu direito ao ressarcimento estaria resguardado pelo princípio constitucional da nãocumulatividade e pela aplicação retroativa da Lei nº 9779/99. Quanto aos recolhimentos indevidos, na medida que os mesmos foram reconhecidos pela SRF, deveriam ter sido aproveitados na compensação, nos termos do artigo 165 do CTN, e pelo disposto no artigo 3ºIII da IN SRF nº 210, que determina a restituição de ofício.” A DRJ acolheu em parte as alegações do contribuinte e manteve em parte o crédito tributário em acórdão com a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/07/2001 A 31/03/2002 Fl. 609DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 03/08/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 13976.000960/200264 Acórdão n.º 3202001.094 S3C2T2 Fl. 610 3 IPI. RESSARCIMENTO O direito ao aproveitamento/utilização, nas condições estabelecidas no art. 11, da Lei nº 9.779, de 1999, do saldo credor do IPI, decorre somente de aquisições, pelo contribuinte do imposto, de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem, ingressados no estabelecimento à partir de 01/01/1999, onerados pelo imposto e aplicados na industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente. RESTITUIÇÃO. DECADÊNCIA. O direito de o contribuinte pleitear a restituição de tributo ou contribuição pago indevidamente, ou em valor maior que o devido, extinguese após o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos, contado da data da extinção do crédito tributário.” Cientificado do referido acórdão em 6 de julho de 2012 (fl. 597), a interessada apresentou recurso voluntário em 8 de agosto de 2012 (fls. 603 a 606), pleiteando a reforma do decisum e reafirmando seus argumentos apresentados à DRJ. É o relatório. Voto Conselheira Tatiana Midori Migiyama, Relatora Da admissibilidade Por conter matéria desta E. Turma da 3ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário tempestivamente interposto pelo contribuinte, considerando que a recorrente teve ciência da decisão de primeira instância em 6 de julho de 2012, quando, então, iniciouse a contagem do prazo de 30 (trinta) dias para apresentação do presente recurso voluntário – apresentando a recorrente recurso voluntário em 8 de agosto de 2012. Pelo presente processo, vêse que o cerne da questão se resume ao direito ao aproveitamento do saldo credor do IPI que, por sua vez, decorre de aquisições pelo contribuinte do imposto de matériasprimas, produto intermediários e material de embalagem, ingressados Fl. 610DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 03/08/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 13976.000960/200264 Acórdão n.º 3202001.094 S3C2T2 Fl. 611 4 no estabelecimento, bem como ao prazo a ser observado para pedido de restituição do r. crédito tributário vinculado. Para melhor elucidar, temse que, depreendendose da análise do Recurso Voluntário interposto pela recorrente, insurge que: · apresentou Pedido de Restituição no valor de R$ 622.833,90 e Declaração de Compensação, no mesmo valor, referente a restituição de débitos de IPI indevidamente recolhidos; · Após análise dos pedidos apresentados, foi indeferido o pedido; · apresentada a manifestação de inconformidade, fundamentada na tese de que para fins de restituição e/ou compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação e recolhidos indevidamente ou em valor maior que o devido, o prazo decadencial é de 5 anos da data do pagamento; · Carece do mais completo fundamento legal o não reconhecimento ao direito de restituição e/ou compensação de créditos referentes ao IPI; · Inconformada com a decisão arbitrária e principalmente contrária à lei, apresentou novo recurso, trazendo que: ü entre novembro de 2002 a janeiro de 2003 houve recolhimento indevido de saldo devedores de IPI, reconhecidos pela receita Federal em despachos decisórios exarados nos procedimentos administrativos; ü As decisões foram exaradas quando já transcorridos o prazo de 5 anos entre a data do pedido do recorrente e a data do despacho, por conseguinte, já configurada a decadêrncia; ü Não há que se falar em decadência do direito dos pagamentos indevidos efetuados pelo contribuinte; ü O pedido de restituição feito tão logo o pagamento indevido, e por inércia ou ainda, máfé do representante da Receita Federal, a decisão nos processos administrativos só foi prolatada quando findo o prazo dos 5 anos; Fl. 611DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 03/08/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 13976.000960/200264 Acórdão n.º 3202001.094 S3C2T2 Fl. 612 5 ü O artigo 168 do CTN é claro ao dispor que é o direito de pleitear a restituição que extinguese com o decurso do prazo de 5 anos, e este foi devidamente exercido pelo contribuinte; ü a decadência atinge os processos já protocolados, ardilosamente demorou mais do que o necessário na decisão a ser proferida pelo representante da Receita Federal que se manifestou depois de passados 5 anos da data do protocolo dos pedidos; ü portanto, o termo inicial do prazo decadencial será a data que se tornou definitiva a decisão, não havendo decadência do direito de pleitear a restituição do IPI como alegam os representantes da Secretaria da Fazenda Federal. Não obstante as alegações da contribuinte sobre o prazo a ser observado pela contribuinte para pedido de restituição, importante trazer que se trata de discussão de crédito básicos decorrentes das aquisições de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem, entrados no estabelecimento antes de 01/01/1999. No tocante a este crédito, entendo pela impossibilidade de seu aproveitamento, em razão da irretroatividade da Lei nº 9.779/99. Tal entendimento se encontra, inclusive, sumulado neste Egrégio CARF, verbis: Súmula CARF nº 16: O direito ao aproveitamento dos créditos de IPI decorrentes da aquisição de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem utilizados na fabricação de produtos cuja saída seja com isenção ou alíquota zero, nos termos do art. 11 da Lei nº 9.779, de 1999, alcança, exclusivamente, os insumos recebidos pelo estabelecimento do contribuinte a partir de 1º de janeiro de 1999. Assim sendo, em razão do direito creditório se referir a período anterior a vigência da Lei nº 9.779/99, matéria objeto de entendimento sumulado neste Douto CARF, deixo de examinar os demais argumentos do recurso, considerando que ainda que não tivesse ocorrido a prescrição, o contribuinte não teria direito ao ressarcimento de créditos. Fl. 612DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 03/08/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 13976.000960/200264 Acórdão n.º 3202001.094 S3C2T2 Fl. 613 6 Pelas razões, conheço do recurso voluntário para lhe negar provimento, de modo a manter o acórdão recorrido. Assinado digitalmente Tatiana Midori Migiyama Fl. 613DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 03/08/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES
score : 1.0
Numero do processo: 19515.003486/2010-46
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 15 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Aug 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/02/2006 a 31/12/2009
LANÇAMENTO. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA.
Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, com esteio na legislação que disciplina a matéria.
Recurso Voluntário Negado.
A empresa é obrigada a preparar folha de pagamento da remuneração paga, devida ou creditada a todos os segurados a seu serviço, devendo destacar as parcelas integrantes e não integrantes da remuneração e os descontos legais.
Numero da decisão: 2401-003.024
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar a preliminar de nulidade; e II) no mérito, negar provimento ao recurso.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim e Ricardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/02/2006 a 31/12/2009 LANÇAMENTO. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, com esteio na legislação que disciplina a matéria. Recurso Voluntário Negado. A empresa é obrigada a preparar folha de pagamento da remuneração paga, devida ou creditada a todos os segurados a seu serviço, devendo destacar as parcelas integrantes e não integrantes da remuneração e os descontos legais.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar a preliminar de nulidade; e II) no mérito, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire - Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim e Ricardo Henrique Magalhães de Oliveira.
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A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do autode infração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar a SRP na administração previdenciária. Inobservância do artigo 32, I da Lei n.º 8.212/91 c/c artigo 225, I do RPS, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99. A empresa é obrigada a preparar folha de pagamento da remuneração paga, devida ou creditada a todos os segurados a seu serviço, devendo destacar as parcelas integrantes e não integrantes da remuneração e os descontos legais. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/02/2006 a 31/12/2009 LANÇAMENTO. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, com esteio na legislação que disciplina a matéria. Recurso Voluntário Negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 34 86 /2 01 0- 46 Fl. 329DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar a preliminar de nulidade; e II) no mérito, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim e Ricardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 330DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 19515.003486/201046 Acórdão n.º 2401003.024 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório Trata o presente auto de infração de obrigação acessória, lavrado sob o n. 37.308.8540, em desfavor da recorrente, originado em virtude do descumprimento do art. 32, I da Lei n ° 8.212/1991 c/c art. 225, I e § 9º e art. 283, I, “a” do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999. Segundo a fiscalização previdenciária, a recorrente deixou de elaborar folha de pagamento com todas as remunerações dos segurados que lhe prestaram serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidas pelo INSS. Conforme descrito no Relatório Fiscal do AIOP (fls. 08 a 10 a Companhia têm como atividade preponderante a comercialização varejista e atacadista de produtos alimentícios, artigos de bazar, vestuário, eletroeletrônicos e outros produtos, atuando através de diversos formatos a saber: hipermercados, supermercados, lojas especializadas, lojas de departamentos, lojas de conveniência e por meio da Internet. O contribuinte foi cientificado em 26/05/2009, através de Termo de Início da Ação Fiscal, expedido nos termos do parágrafo único do artigo 49 , da Portaria RFB n.e 11.371, de 12/12/2007 (DOU de 20/12/2007), de encontrarse sob ação fiscal e, intimado, nos termos do disposto nos artigos 910 a 922, 927 e 928 e seus parágrafos do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo decreto 3.000 de 26/03/99, a apresentar os documentos e a prestar os esclarecimentos e as informações solicitadas referentes ao período de 01/2006 a 12/2009, sob pena de autuação. Foi constatado que o contribuinte efetuou diversos pagamentos de verbas salariais (participações nos resultados) sem os devidos registros nas folhas de pagamentos do período de 01/2006 a 12/2009, e, portanto, em desacordo com o inciso I, do artigo 32, da Lei 8.212/91. Esses pagamentos, referentes a parcelas não inclusas entre as nãointegrantes do saláriodecontribuição, conforme o § 9 do art. 28 da Lei n.B 8.212/91, foram efetuados por meio de créditos nas contas de um seleto grupo de funcionários participantes de um plano corporativo de previdência complementar contratado com a seguradora ITAÚ UNIBANCO VIDA E PREVIDÊNCIA S/A, CNPJ 92.661.388/000190, no período de 01/2006 a 12/2009. 1.5. Restou comprovado após análise da documentação apresentada —dados fornecidos pela seguradora Itaú Unibanco, Folhas de Pagamento, Regulamento do Programa de Participação nos Resultados, Livros Diário e Razão e Declarações do Imposto de renda na Fonte (DIRF) — que os valores referentes às participações nos resultados pagas a 863 funcionários foram efetuados por meio de contribuições ao referido plano de previdência e não transitaram pelas folhas de pagamento (vide tabela abaixo). Importante, destacar que a lavratura da NFLD deuse em 28/10/2010, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido em 02/10/2010. Inconformado com a NFLD, a notificada apresentou defesa, conforme fls. 15 a 45. Foi exarada a Decisão de Primeira instância que confirmou a procedência do lançamento, fls. 216 a 237. Fl. 331DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 4 ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/02/2006 a 31/12/2009 AUTO DE INFRAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. Constitui infração por descumprimento de obrigação acessória, deixar a empresa de preparar folhas de pagamentos, com a inclusão do total da remuneração paga aos segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidas pelo órgão competente da Seguridade Social. Artigo 32 (inciso I, parágrafo 9o ) da Lei 8.212/91. SALÁRIODECONTRIBUIÇÃO. Considerase saláriode contribuição do empregado a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas e os ganhos habituais sob a forma de utilidades. Art. 28, I, da Lei 8.212/91 e art. 214, I, do Decreto 3.048/99. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. Integram o saláriodecontribuição as verbas a título de participação nos lucros ou resultados, quando pagas em desacordo com a legislação correlata, recebendo a incidência das contribuições sociais previdenciárias e das destinadas a outras entidades (terceiros). Art. 28, § 9o , " j " , da Lei 8.212/91 e Art. 214, § 9o , X, e § 10, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.040/99. PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR. Integram o saláriode contribuição os aportes efetuados pela empresa por conta de plano de previdência privada complementar, quando tal benefício não for acessível a todos os empregados e dirigentes da empresa. Art. 28, § 9o , "p", da Lei 8.212/91 e art. 214, § 9o , XV, e § 10, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA.Os créditos constituídos em decorrência de descumprimento de obrigação acessória relativa às contribuições previdenciárias, sujeitamse aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (Selic) incidentes sobre o valor da multa aplicada. Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso, conforme fls. 278 a 297, onde, em síntese a recorrente alegou o seguinte: 1. Preliminarmente, nulidade da autuação considerando que Pelo simples exame do Termo de Verificação Fiscalentre outras citações constantes do Termo os AFRFB afirmam categoricamente que, selecionaram e entrevistaram 5 (cinco) EXEMPREGADOS da empresa, com o objetivo de "obter informações" a respeito do plano de previdência da Seguradora Itaú Unibanco Vida e Previdência. Com base nessa entrevista unilateral e preparada, os agentes do fisco entenderam que estava comprovada toda a "engenharia" que montaram para impor à Recorrente as contribuições previdenciárias lançadas na "fiscalização previdenciária" anterior, bem como a penalidade aplicada por meio do Fl. 332DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 19515.003486/201046 Acórdão n.º 2401003.024 S2C4T1 Fl. 4 5 presente Al, conexa e relacionada com a anterior, que diz respeito à suposta infração cometida pela empresa. 2. Acrescentese, por oportuno, que os depoimentos dos exempregados "escolhidos" pela fiscalização como essenciais para a fundamentação do Al, se apresentam, no mínimo, frágeis e tendenciosos, até mesmo pela própria situação de exfuncionários da empresa, além do inconstitucional procedimento adotado pelo fisco, de não intimar a Recorrente para exercer o legítimo princípio do contraditório no curso da inquirição e nem mesmo permitindo aos depoentes que se fizessem acompanhar de advogados. 3. Conforme já exposto nos itens acima, os AFRFB utilizaramse de argumentos frágeis e provas testemunhais unilaterais e preparadas, sem assegurar a ampla defesa e o contraditório à empresa, para chegar à falsa conclusão de que os pagamentos feitos aos seus empregados a título de participação nos lucros e resultados por meio de contribuições extraordinárias para participação destes no plano de benefícios de previdência da "Seguradora Itaú Vida e Previdência", caracterizamse como parcelas de natureza salarial. 4. Observese que esse plano está em conformidade com a Lei Complementar n° 109, de 29 de maio de 2001 e funcionando de acordo com todas as normas regulamentares legalmente previstas pelo Conselho de Gestão da Previdência Complementar (CGPC), Conselho Nacional de Seguros Privados (CNSP) e Superintendência de Seguros Privados (SUSEP), por delegação de competência oriunda da Lei Complementar n° 109, de 2001, conforme citações constantes do Anexo 37 deste auto de infração. 5. Da análise do texto constitucional se conclui que a PLR é um direito do trabalhador, que não depende, somente, da existência de lucro, mas, também, da obtenção de um resultado; a PLR não se constitui em remuneração, desde que paga ou creditada conforme definido em lei. 6. Portanto, as finalidades da lei são integração entre capital e trabalho e ganho de produtividade. Deve haver uma negociação entre empresa e empregados, por meio de acordo coletivo ou comissão de trabalhadores: clareza e objetividade das condições a serem satisfeitas (regras adjetivas) para a participação nos lucros ou resultados (direito substantivo). Entre outros, podem ser considerados como critérios ou condições: produtividade, qualidade, lucratividade, programas de metas e resultados mantidos pela empresa. 7. Com efeito, ao contrário do que afirma a fiscalização, todos os requisitos previstos na legislação acima apontada foram cumpridos. De início, cumpre esclarecer que a Recorrente e os empregados optaram por fazer negociação coletiva por meio de "Acordo Nacional de Participação nos Resultados", celebrado com o Sindicato dos Empregados do Comércio de São Paulo, exatamente nos termos do artigo 2o , inciso II, da Lei n° 10.101, de 2000. 8. Ora, conforme já sobejamente demonstrado na impugnação relativa ao processo n° 19515.003483/201011, pelas mesmas razões (exigência de contribuições previdenciárias incidentes sobre valores pagos a título de PLR, tidos como verbas de natureza salarial pela fiscalização), observase que os agentes fiscais extrapolaram as suas atribuições e efetuaram lançamento com suporte em "requisitos" que eles mesmos criaram, fazendo exigências além daquelas previstas na Lei n° 10.101, de 2000, que a própria lei que lhes Fl. 333DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 6 dá amparo para a tipificação da natureza jurídica dos pagamentos do PLR (Lei n° 8.212. de 1991, art. 28, § 9°, alínea "i"), remete a definição dos requisitos para a lei específica. 9. Todas as informações, detalhes e especificações (não exigidas pela Lei n° 10.101, de 2000), denominadas "Programas de PLR", foram amplamente divulgadas aos empregados, assim como as metas a serem alcançadas e a quem eram aplicáveis, tudo de acordo com as diretrizes estabelecidas nos Acordos de PLR, de forma transparente, que os AFRFB tiveram acesso e, inclusive, se referiram a eles (Programas de PLR) no Termo de Verificação Fiscal. 10. Não se pode, contudo, admitir a interferência da fiscalização no conteúdo dos Acordos, que as partes (empresa e sindicato de empregados) livremente pactuaram em conformidade com a lei específica que disciplina a matéria, pois tornaria as disposições legais criadas por determinação da Constituição Federal, art. 7o , inciso XI, letra morta. 11. A participação nos resultados também consta do acordo, consistindo em um pagamento anual e será feito conforme o grau alcançado na análise de desempenho individual ou por equipes, de acordo com procedimentos e critérios da empresa. 12. Acrescentese que, as metas e os objetivos mais específicos não constaram por escrito dos acordos porque são dados sigilosos que não podiam ser expostos para o público externo, mas que seus empregados foram cientificados das metas e objetivos a serem alcançados, fato notório e divulgado internamente pela empresa. 13. Por outro lado, em todos os Acordos Coletivos constou previsão expressa para pagamentos superiores ao teto estabelecido, estando assim redigidos os dispositivos pactuados. 14. Destaquese, ainda, que a Lei n° 10.101 de 2000 não proíbe o pagamento da PLR com assentimento dos empregados, por meio de depósitos em plano de previdência. 15. Quanto à afirmação de que os pagamentos efetuados à Seguradora Itaú Vida e Previdência não transitaram pelas folhas de pagamento, é óbvio que, por se tratarem de aportes que poderiam ou não se converter em planos de benefícios de previdência, dependendo da opção que cada beneficiário desse ao seu quinhão, não poderiam integrar a folha de pagamento, dada a sua natureza. Ademais, o fato da PLR ter sido paga por meio de conta de previdência privada, não tem o condão de alterar a natureza jurídica de verba nãosalarial. 16. Por outro lado, quando os agentes fiscais afirmam que para alguns empregados que receberam o PLR por meio de depósitos na Seguradora, não foi respeitado o § 2o do art. 3o da Lei n° 10.101, de 2000, nenhuma razão lhes assiste visto que, conforme mencionado na defesa do Al relativo ao processo n° 19515.003483/201011, parte dos depósitos não se tratam de PLR e sim de esporádicas gratificações liberais ou bônus de contratação, que não integram a base de cálculo das contribuições previdenciárias, razão pela qual não podem ser consideradas no cômputo da semestralidade previsto no dispositivo citado. Acrescentese, ainda, que os Auditores não apontaram especificamente estes casos, o que torna imponderável a contestação. 17. Assim, a Recorrente, visando assegurar a sua função social, realizou, com a concordância de seus empregados, os pagamentos por meio de depósitos junto ao Plano de Previdência Privada. Não obstante os argumentos expendidos, ainda que não se entendesse que os pagamentos fossem relativos ao PLR, que a Lei n° 8.212, de 1991, artigo 28, § 9o , alínea Fl. 334DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 19515.003486/201046 Acórdão n.º 2401003.024 S2C4T1 Fl. 5 7 "j", exclui da base de cálculo das contribuições previdenciárias, as verbas, forçosamente, deveriam ser enquadradas na hipótese de exclusão prevista na alínea "p" do mesmo parágrafo 9o , que dispõe que não integra o saláriodecontribuição "o valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couber, os arts. 9o e 468 da CLT." 18. Em todos os pagamentos efetuados a título de PLR, observouse, rigorosamente, a semestralidade exigida pela Lei n° 10.101, de 2000. Observese que, parte dos pagamentos efetuados nas contas de previdência privada não se referem a PLR e sim à gratificações liberais e bônus de contratação relativos a profissionais extremamente qualificados circunstância comum no mercado de trabalho de Executivos. Esses pagamentos não têm natureza salarial e, portanto, não integram a base de cálculo das contribuições previdenciárias. 19. Não obstante, e tendo em vista o princípio da eventualidade, a Recorrente requer desde já que, na remota hipótese de Vossas Senhorias entenderem que esses pagamentos foram feitos a título de PLR, que sejam apenas eles mantidos no presente Al, excluindo todos os outros. 20. Quanto à suposta natureza remuneratória dos pagamentos efetuados a título de gratificações e bônus de contratação que, a juízo da Turma Julgadora (item 4.48 do acórdão proferido no processo n° 19515.003483/201011), não merecem qualquer reparo, nenhuma razão lhes assiste visto que, além de não compor a base de cálculo das contribuições, no Anexo de Fundamentos Legais não consta especificamente, a legislação infringida nesse particular. 21. A fiscalização alegou em suas razões, que a Recorrente revelou a evidente intenção de sonegar contribuições previdenciárias e IRRF ao não incluir nas declarações tributárias (DIRF e GFIP), nas folhas de pagamentos e acordos os valores pagos; ao deixar de efetuar lançamentos contábeis em títulos não próprios e, principalmente, os depoimentos dos exempregados. 22. Ora, a fraude, o dolo e a simulação não podem ser definidos por mera presunção. Para a sua caracterização, a autoridade deve apresentar provas concretas e obtidas de forma legal e com respeito à ampla defesa e o pleno exercício do contraditório. Na vertente hipótese, como já mencionado anteriormente na preliminar de cerceamento de defesa, os AFRFB se basearam, principalmente (vide Termo de Verificação Fiscal), nos ilegais depoimentos dos exempregados, colhidos de forma ilegal e sem assegurar o contraditório à empresa. 23. Como então caracterizar o evidente intuito de fraude, se a própria fiscalização alega que a empresa também forneceu os documentos e as informações que serviram de base para o lançamento? 24. A jurisprudência das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento e do Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) entende, de forma reiterada, que não basta a existência de indícios da ocorrência de dolo, devendo ser comprovada de forma inequívoca a conduta atípica do sujeito passivo. Fl. 335DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 8 25. Por essas razões, a Recorrente requer o acolhimento das preliminares suscitadas e, na inconcebível hipótese de não ser acatada, que essa d. Turma Julgadora, pelos fundamentos de mérito, decida pela total improcedência do presente auto de infração, pelos fundamentos arrolados nos itens 2.1 a 2.2 visto que, sendo Indevida a obrigação principal, a acessória também é. 26. 3.2. Caso V. Senhorias, em. julgadores, não decidam pelo acolhimento total do mérito, nos termos dos itens 2.1 e 2.2, que o acolham em parte, conforme fundamentos de fato e de direito expostos no item 2.3. A DRFB encaminhou o recurso a este Conselho para Julgamento. É o relatório. Fl. 336DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 19515.003486/201046 Acórdão n.º 2401003.024 S2C4T1 Fl. 6 9 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 799. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DAS PRELIMINARES AO MÉRITO DA NULIDADE DA AUTUAÇÃO Destacase, ainda em sede de preliminar que o procedimento fiscal atendeu todas as determinações legais, não havendo, pois, nulidade por cerceamento de defesa, ou ofensa ao princípio do contraditório e da ampla defesa, tampouco pela falta de fundamentação legal. Destacase como passos necessários a realização do procedimento: autorização por meio da emissão do Mandato de Procedimento Fiscal – MPF F e complementares, com a competente designação do auditor fiscal responsável pelo cumprimento do procedimento. Intimação para a apresentação dos documentos conforme Termos de Intimação para Apresentação de Documentos – TIAD, intimando o contribuinte para que apresentasse todos os documentos capazes de comprovar o cumprimento da legislação previdenciária. Autuação dentro do prazo autorizado pelo referido mandato, com a apresentação ao contribuinte dos fatos geradores e fundamentação legal que constituíram a lavratura da NFLD ora contestado, com as informações necessárias para que o autuado pudesse efetuar as impugnações que considerasse pertinentes. O fato de a autoridade fiscal, ter entrevistado exempregados da autuada, de modo a identificar pagamentos, ou mesmo identificar salários indiretos não nulidifica o lançamento. Pelo contrário a autoridade fiscal tem a prerrogativa de diligênciar, sempre que entender necessário na busca de fatos que possam melhor esclarecer como se dava a prestação de serviços. No caso, a entrevista não consubstanciou o lançamento, muito menos houve arbitramento de base de cálculo, como base nas entrevista. O que se identificou, foi o aporte de recursos a entidades de previdência privada complementar, tendo por meio de auditoria nas contas da autuada e de processo de diligência junto ao Banco Itau, identificado a autoridade fiscal, diversos desembolsos por parte da autuada em benefício de determinados empregados de nível gerencial. Assim, as entrevistas serviram tão somente para identificar a existência dos pagamentos, mas, a apuração dos mesmos deuse na forma devida, qual seja, auditoria nas contas contábeis da autuada e apuração junto a instituição financeira Itaú, que recebia e repassava os aportes de recursos aos empregados nos cargos de direção. Ademais,, a própria empresa em sua impugnação argumenta que os valores descritos nas contas contábeis consistem em pagamentos de PLR. As informações fornecidas nas entrevistas foram descritas pelo autoridade lançadora, que indicou todas as contas onde encontrou os valores ora lançados. Assim, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa, nem tampouco nulidade da autuação. Da mesma forma, entendo desnecessário Fl. 337DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 10 DO MÉRITO O procedimento adotado pelo AFPS na aplicação do presente autode infração seguiu a legislação previdenciária, conforme fundamentação legal descrita. Notese, que a base para a autuação, da obrigação acessória em questão, está prevista na Lei n ° 8.212/1991 em seu artigo 32, I, nestas palavras: Art. 32. A empresa é também obrigada a: I preparar folhasdepagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente da Seguridade Social; Como se percebe, a própria lei conferiu poderes ao INSS e posteriormente RP, atual RFB, para definir o padrão e as normas de elaboração dos documentos. A elaboração das folhas de pagamentos está disciplinada no art. 225 do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999, nestas palavras: Art.225. A empresa é também obrigada a: I preparar folha de pagamento da remuneração paga, devida ou creditada a todos os segurados a seu serviço, devendo manter, em cada estabelecimento, uma via da respectiva folha e recibos de pagamentos; (...) § 9º A folha de pagamento de que trata o inciso I do caput, elaborada mensalmente, de forma coletiva por estabelecimento da empresa, por obra de construção civil e por tomador de serviços, com a correspondente totalização, deverá: I discriminar o nome dos segurados, indicando cargo, função ou serviço prestado; IIagrupar os segurados por categoria, assim entendido: segurado empregado, trabalhador avulso, contribuinte individual; (Redação dada pelo Decreto nº 3.265, de 29/11/99) III destacar o nome das seguradas em gozo de salário maternidade; IV destacar as parcelas integrantes e não integrantes da remuneração e os descontos legais; e V indicar o número de quotas de saláriofamília atribuídas a cada segurado empregado ou trabalhador avulso. Assim, era obrigação da recorrente o preparo das folhas de pagamentos seja para os segurados empregados e contribuintes individuais, seja em relação as parcelas integrantes e não integrantes da remuneração. Assim, mesmo que entendesse indevida a inclusão de determinadas verbas no conceito de remuneração deveria a empresa, incluílas em folha de pagamento, conforme preceitua a lei. Conforme comprovado nos autos, tal elaboração não foi realizada na forma estabelecida. Fl. 338DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 19515.003486/201046 Acórdão n.º 2401003.024 S2C4T1 Fl. 7 11 Justificável apenas a necessária apreciação do desfecho do julgamento da AIOP que indicou os fatos geradores, Processo n. 19515003483201011 (patronal) em julgamento nessa mesma sessão. Vejamos ementa do acordão proferido referente a parcela patronal, devendo ambos serem observados para recalculo da multa, considerando a procedência parcial dos mesmos. Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2009 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO PRINCIPAL – SEGURADOS EMPREGADOS – PAGAMENTOS INDIRETOS DESCUMPRIMENTO DA LEI INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO Uma vez estando no campo de incidência das contribuições previdenciárias, para não haver incidência é mister previsão legal nesse sentido, sob pena de afronta aos princípios da legalidade e da isonomia. CUSTEIO – NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO – CONTRIBUIÇÕES SOBRE A REMUNERAÇÃO PAGA AOS SEGURADOS EMPREGADOS – PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR – NATUREZA SALARIAL – NÃO EXTENSÃO A TODOS OS EMPREGADOS E DIRIGENTES No caso dos benefícios de “previdência complementar, descumpriu o recorrente o preceito legal básico descrito na lei para excluir os valores da base de cálculo, qual seja, a extensão do benefício a todos os empregados, assim, correto o lançamento em relação a essas verbas. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS – DESCUMPRIMENTO DOS PRECEITOS LEGAIS – ESTIPULAÇÃO AUSÊNCIA DE ASSINATURA DO SINDICATO. Não demonstrou o recorrente que as metas foram acordadas pela comissão de empregados, o que fere o disposto na lei 10.101. Ao descumprir os preceitos legais e efetuar pagamentos de participação nos lucros, em periodicidade superior ao permitido em lei, e em valores superiores ao acordado, o recorrente assumiu o risco de não se beneficiar pela possibilidade de que tais valores estariam desvinculados do salário. BÔNUS DE PERMANÊNCIA – GRATIFICAÇÕES E PRÊMIOS – PAGAMENTO POR LIBERALIDADE – NATUREZA SALARIAL O pagamento de bônus ou gratificações possuem nítida natureza salarial, uma vez que pagos em decorrência do atingimento de metas, ou mesmos de pactos realizados em decorrência de contratos de trabalho. Fl. 339DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 12 MULTA – QUALIFICADA – COMPROVAÇÃO DA INTENÇÃO DE OMITIR BASE DE CÁLCULO DE CONTRIBUIÇÕES O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nosarts. 71, 72 e 73 da Lei no4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis.(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Demonstrou a autoridade fiscal os elementos fáticos que demonstraram a intenção de omitir base de cálculo de contribuições previdenciárias. TERCEIROS – COMPETÊNCIA DA AUDITORIA PREVIDENCIÁRIA A fiscalização previdenciária possui competência para arrecadar e fiscalizar as contribuições destinadas a terceiros, conforme art. 94 da Lei 8.212/91. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/02/2006 a 31/12/2009 LANÇAMENTO. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, com esteio na legislação que disciplina a matéria. O fato de ter entrevisto exempregados Recurso Voluntário Negado Assim, a exigência da fiscalização não foi desmedida, pois a solicitação foi realizada no prazo estabelecido na legislação. A AuditoraFiscal agiu de acordo com a norma aplicável, e não poderia deixar de fazêlo, uma vez que sua atividade é vinculada. Desse modo, a recorrente praticou a infração, pois a não contabilização em títulos próprios acarreta a responsabilidade do infrator pela penalidade prevista na legislação previdenciária. Destacase que as obrigações acessórias são impostas aos sujeitos passivos como forma de auxiliar e facilitar a ação fiscal. Por meio das obrigações acessórias a fiscalização conseguirá verificar se a obrigação principal foi cumprida. Como é sabido, a obrigação acessória é decorrente da legislação tributária e não apenas da lei em sentido estrito, conforme dispõe o art. 113, § 2º do CTN, nestas palavras: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. Fl. 340DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 19515.003486/201046 Acórdão n.º 2401003.024 S2C4T1 Fl. 8 13 § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. A legislação engloba as leis, os tratados e as convenções internacionais, os decretos e as normas complementares que versem, no todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes, conforme dispõe o art. 96 do CTN. Por todo o exposto o lançamento fiscal seguiu os ditames previstos, devendo ser mantido nos termos da Decisão, haja vista que os argumentos apontados pelo recorrente, são incapazes de refutar a presente notificação. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto pelo CONHECIMENTO do recurso para rejeitar a preliminar de nulidade e no mérito NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 341DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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Numero do processo: 10073.902055/2009-01
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 10 00:00:00 UTC 2014
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Numero da decisão: 3802-003.113
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano DAmorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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AUSÊNCIA DE LIQUIDEZ E CERTEZA DO DIREITO CREDITÓRIO É ônus do contribuinte comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório, conforme determina o caput do art.170 do CTN, devendo demonstrar de maneira inequívoca a sua existência. Bem como o contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF. Recurso Voluntário o qual se nega provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano D’Amorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 3. 90 20 55 /2 00 9- 01 Fl. 121DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 9/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 O interessado acima identificado recorre a este Conselho de Contribuintes, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro I/RJ. Tratase de Declaração de Compensação Eletrônica, cujo suposto crédito pleiteado é oriundo de pagamento a maior, a título de PIS/COFINS, referente ao período de apuração indicado. Por meio do Despacho Decisório emitido eletronicamente, a DRF Volta Redonda, não homologou a compensação declarada, alegando não restar crédito disponível para a compensação dos débitos informados, em virtude de o pagamento do qual seria oriundo já ter sido integralmente utilizado para quitar débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificada, a Interessada alega em sede de manifestação de inconformidade que: A Empresa apurou créditos de tributos e contribuições pagos indevidamente ou a maior a qual se utilizou dos benefícios legais e que no momento do procedimento das compensações — PER/DCOMP informou corretamente todos os dados constantes no DARF como também o crédito, já identificado no despacho decisório. Tratase então, de apenas proceder as retificações das respectivas DCTFs — Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais, o que não invalida o direito de proceder a compensação do pagamento efetuado indevidamente ou a maior. O pleito foi indeferido, no julgamento de primeira instância, ou seja, o julgamento foi pela improcedência da manifestação de inconformidade, no sentido de manter a não homologação da compensação, por falta de direito creditório, nos seguintes termos: INDÉBITO FISCAL. COMPENSAÇÃO. Somente com a comprovação do pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido, em face da legislação tributária aplicável, cogitase o reconhecimento de indébito fiscal, e da sua utilização na compensação de outros tributos e contribuições. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/09/2001 a 30/09/2001 ÔNUS DA PROVA. ALEGAÇÃO DESACOMPANHADA DE PROVA.PRECLUSÃO. A prova do crédito, que suporta Declaração de Compensação, cabe à contribuinte, devendo ser apresentada até o momento da Manifestação de Inconformidade, sob pena de preclusão, salvo em casos excepcionais legalmente previstos. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. Fl. 122DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 9/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10073.902055/200901 Acórdão n.º 3802003.113 S3TE02 Fl. 123 3 Portanto, o julgamento foi no sentido de não acolher a pretensão pela falta de liquidez e certeza do aludido crédito de compensação. Consta a informação que tendo em vista a greve dos correiosETC, não foi possível precisar data do AR, pois o mesmo foi extraviado, dessa forma fica o recurso voluntário aceito. Regularmente cientificado do Acórdão proferido, a recorrente, protocolizou o Recurso Voluntário, no qual, reproduz as razões de defesa constantes em sua peça impugnatória. O processo digitalizado foi distribuído e encaminhado a esta Conselheira para prosseguimento. É o Relatório. Voto Conselheiro MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM O presente recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. Trata o presente da não conformidade pela não homologação da compensação do débito declarado, por falta de direito creditório contra a Fazenda Nacional, já que o alegado recolhimento indevido não fora suficiente. O cerne da questão é a comprovação ou não do direito creditório para fins da compensação/restituição. No caso da compensação, o marco inicial do contencioso é declaração produzida pelo próprio contribuinte, que constitui a relação de indébito do Fisco (pagamento indevido) e promove atos para a extinção da obrigação tributária, nos termos do art. 156, II do CTN, que fica sujeita a posterior homologação, ou seja, submetese ao poderdever da Administração de verificação de sua regularidade. A não homologação, não obstante, localizado o pagamento apontado na DCOMP como origem do crédito, o valor correspondente fora utilizado para a extinção anterior de outros débitos. De fato, tal constatação decorre diretamente do exame de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF apresentada pelo próprio contribuinte e na qual o pagamento apontado na DCOMP é utilizado totalmente para a quitação do débito indicado. Portanto, a análise das declarações prestadas à Receita Federal mostra que o crédito utilizado na compensação declarada não é suficiente. Não havendo saldo disponível para suporte de uma nova extinção, por meio de compensação. Não há a disponibilidade, tampouco suficiência de tal direito creditório, muito menos a efetividade e regularidade da compensação alegada, por meio da apresentação da escrituração contábil e fiscal. Observase, portanto, que a Receita Federal em dados constantes de seus sistemas informatizados, alimentados por informações prestadas pelo próprio contribuinte, por Fl. 123DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 9/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 meio de declarações fiscais próprias, constatou que o pagamento informado foi integralmente utilizado para quitar tributo informado, logo, tributo considerado devido, não restando crédito disponível para a compensação declarada. Assim sendo, o Despacho Decisório foi lançado perfeitamente, com base nas informações disponíveis à Receita Federal. Como sabido, a Lei nº 9.430/96 prevê que somente os créditos passíveis de restituição e compensação poderão ser utilizados na compensação tributária. Quanto à retificação da DCTF, como argumenta a recorrente, mesmo que tivesse sido efetuada, não dispensa o dever de comprovar a origem do crédito alegado na PerdComp. Este dever está vinculado a quem solicita, inclusive com prova contábilfiscal robusta para suportar sua alegação, o que não ocorreu ao caso. Esta turma tem admitido a DCTF retificadora mesmo quando posterior à ciência do despacho decisório, desde que acompanhada da prova de erro na DCTF retificada, por meio da escrituração e dos documentos fiscais e contábeis. São exemplos deste entendimento os Acórdãos 3802001.290, de 25/09/2012, relatado pelo Conselheiro José Fernandes do Nascimento, e 3802001.593, de 27/02/2013, relatado pelo Conselheiro Francisco José Barroso Rios, dentre outros. Assim sendo, é ônus do recorrente de comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório, conforme determina o caput do art.170 do CTN, devendo demonstrar de maneira inequívoca a sua existência, e, por conseguinte, o erro em que se fundou a não – homologação dos créditos. A recorrente não comprova a alegação. Não junta aos autos qualquer documento contábilfiscal que pudesse corroborar o direito alegado. Para que o alegado direito a crédito fosse comprovado, a contribuinte deveria ter trazido aos autos o demonstrativo de apuração das contribuições acompanhado da escrituração contábil e fiscal que pudesse lastrear as informações nele contidas. Em face do exposto, observase que a inércia da recorrente, que detém o ônus da prova para comprovar a liquidez e certeza do direito creditório é determinante pelo não reconhecimento do direito creditório reivindicado. No que tange à prova, é de se observar o esclarecimento de Paulo Celso B. Bonilha (Da Prova no Processo Administrativo Tributário, 2ª Edição, Dialética, São Paulo, 1997): “Embora de maior amplitude, o poder de prova das autoridades administrativas deve ser, por uma questão de princípio, distinto do direito de prova a ser exercido pela Fazenda na relação processual. Essa conclusão elementar decorre da própria estrutura da relação processual administrativa, visto que ela pressupõe modos de atuação distintos da Administração: não se confundem as atribuições de defesa da pretensão fiscal e a de julgamento, por isso mesmo desempenhadas por órgãos autônomos. Essas premissas, a nosso ver, justificam as seguintes assertivas: o poder instrutório das autoridades de julgamento (aqui englobamos a de preparo) deve se nortear pelo esclarecimento dos pontos controvertidos , mas sua atuação não pode implicar invasão dos campos de exercício de prova do contribuinte ou da Fazenda. Em outras palavras, o caráter Fl. 124DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 9/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10073.902055/200901 Acórdão n.º 3802003.113 S3TE02 Fl. 124 5 oficial da atuação dessas autoridades e o equilíbrio e imparcialidade com que devem exercer suas atribuições, inclusive a probatória, não lhes permite substituir as partes ou suprir a prova que lhes incumbe carrear para o processo.” (Grifado) Por essa razão, não se pode aceitar a compensação em discussão, com base nas alegações da recorrente sem documentação necessária à comprovação da consistência dos créditos, que pretende compensar. Por todo o acima exposto, nego provimento ao recurso voluntário, prejudicados os demais argumentos. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator Fl. 125DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 9/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Numero do processo: 36624.002699/2007-37
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jul 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 12/12/1999
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO.
Constatada a existência de obscuridade, omissão ou contradição no Acórdão exarado pelo Conselho, correto o acolhimento dos embargos de declaração visando sanar o vicio apontado.
Numero da decisão: 2301-004.059
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em acolher os embargos, nos termos do voto da Relatora; b) acolhidos os embargos, corrigir as datas citadas, nos termos do voto da Relatora.
MARCELO OLIVEIRA - Presidente.
BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antonio De Souza Correa, Mauro Jose Silva, Bernadete de Oliveira Barros, Manoel Coelho Arruda Junior, Adriano Gonzales Silvério.
Nome do relator: BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em acolher os embargos, nos termos do voto da Relatora; b) acolhidos os embargos, corrigir as datas citadas, nos termos do voto da Relatora. MARCELO OLIVEIRA - Presidente. BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antonio De Souza Correa, Mauro Jose Silva, Bernadete de Oliveira Barros, Manoel Coelho Arruda Junior, Adriano Gonzales Silvério.
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FATOS GERADORES Embargante COMPANHIA BRASILEIRA DE DISTRIBUIÇÃO Interessado COMPANHIA BRASILEIRA DE DISTRIBUIÇÃO ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 12/12/1999 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO. Constatada a existência de obscuridade, omissão ou contradição no Acórdão exarado pelo Conselho, correto o acolhimento dos embargos de declaração visando sanar o vicio apontado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em acolher os embargos, nos termos do voto da Relatora; b) acolhidos os embargos, corrigir as datas citadas, nos termos do voto da Relatora. MARCELO OLIVEIRA Presidente. BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antonio De Souza Correa, Mauro Jose Silva, Bernadete de Oliveira Barros, Manoel Coelho Arruda Junior, Adriano Gonzales Silvério. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 36 62 4. 00 26 99 /2 00 7- 37 Fl. 2717DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 09 /06/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA 2 Relatório Tratase de embargos de declaração opostos pela COMPANHIA BRASILEIRA DE DISTRIBUIÇÃO, contra os acórdãos 230100.750 e 2301003.272. A embargante alega, em apertada síntese, que foi indicado, na ementa do acórdão embargado, o período de apuração 01/01/2002 a 30/05/2003, quando o lançamento ora em análise se refere, na verdade, ao período de 01/99 a 12/99. Quanto ao período decadencial, frisa que o Sr Agente fiscal constatou sim recolhimentos a título de contribuição previdenciária sobre a folha de salários da embargante, não havendo como prevalecer o entendimento da Relatora no sentido de ser aplicável a regra do art. 173, I, do CTN. Conclui que há fundamento para aplicação do art. 150, § 4o, do CTN, e o entendimento da Relatora do acórdão embargado decorre de omissão quanto à análise de todo o procedimento fiscal originário da NFLD objeto do presente processo administrativo. É o relatório Fl. 2718DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 09 /06/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 36624.002699/200737 Acórdão n.º 2301004.059 S2C3T1 Fl. 2.718 3 Voto Conselheiro Bernadete de Oliveira Barros A COMPANHIA BRASILEIRA DE DISTRIBUIÇÃO opôs Embargos de Declaração contra os acórdãos 230100.750 e 2301003.272, por entender que houve contradição entre a ementa e o período do lançamento, e que houve omissão quanto ao recolhimento antecipado de contribuição, para efeitos de aplicação da regra decadencial. Da análise dos acórdãos embargados, verificase que há razão, em parte, na oposição dos embargos e em seus fundamentos, pois o acórdão 230100.750 contém a contradição descrita. De fato, verificase que na Ementa do Acórdão 230100.750 restou consignado período de 01/01/2002 a 30/05/2003, e o lançamento objeto do processo administrativo em análise se refere ao período de 01/99 a 12/99. Relativamente à alegação de omissão quanto à análise de todo o procedimento fiscal originário da NFLD, razão não assiste à recorrente. Observase que a Relatora do Acórdão embargado deixou claro, em seu voto, que foi aplicada a regra do art. 173, do CTN, tendo em vista que o fato gerador que ensejou a lavratura da NFLD em tela é o pagamento de verbas que a empresa entendia como não integrantes da base de cálculo da contribuição previdenciária, tratandose, portanto, de lançamento de ofício, para o qual não houve pagamento antecipado da contribuição. Esse era o entendimento vigente à época e verificase que não houve omissão de qualquer natureza no acórdão embargado. Assim, por serem parcialmente procedentes as alegações da embargante, entendo que devam ser acolhidos, em parte, os embargos opostos pela embargante, para suprir a contradição apontada, e corrigir o Período de apuração do débito. Portanto, parcialmente procedentes as alegações da embargante. Em razão do exposto, entendo que devam ser acatados, em parte, os embargos opostos. CONCLUSÃO Nesse sentido, voto em acolher os embargos opostos, para fazer constar, no dispositivo do Período de apuração, o período de 01/01/1999 a 12/12/1999. É como voto. Bernadete de Oliveira Barros Relator Fl. 2719DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 09 /06/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA 4 Fl. 2720DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 09 /06/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA
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