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Numero do processo: 11070.002349/2009-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Apr 06 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/05/2004 a 30/09/2004
Ementa:
REGIME NÃO CUMULATIVO. CRÉDITO PRESUMIDO. ESTOQUE DE ABERTURA.
O crédito presumido correspondente ao estoque de abertura de que trata o art. 12 da Lei nº 10.833, de 2003, pode ser ressarcido/compensado na forma dos mandamentos normativos emitidos pela RFB.
RATEIO PROPORCIONAL. CRÉDITO VINCULADOS AO MERCADO INTERNO. INCLUSÃO NO CÁLCULO.
Todos os créditos normais do contribuinte devem integrar a base de cálculo do rateio proporcional para fins de ressarcimento das exportações, independente de ser ou não o mesmo vinculado ao mercado externo.
CRÉDITO PRESUMIDO DA ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL. CEREALISTA. PREVISÃO LEGAL. PERÍODO DETERMINADO. CONDIÇÕES. INOBSERVÂNCIA.
A legislação que regulamentou o sistema não cumulativo das contribuições sociais previu o direito de apropriação de crédito presumido da atividade agroindustrial para a cerealista, que exerce a atividade de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal especificados, apenas para o período entre fevereiro e julho do ano de 2004.
A concessão do crédito presumido à cerealista estava condicionada à venda dos produtos às empresas identificadas no §5º do artigo 3º da Lei 10.833/03, então vigente.
A partir de agosto de 2004, o crédito presumido ficou restrito às pessoas jurídicas que desenvolvam atividade agroindustrial, nas condições especificadas no art. 8º da Lei nº 10.925/2004.
COOPERATIVA AGROPECUÁRIA. APROVEITAMENTO DE CRÉDITO NAS VENDAS COM TRIBUTAÇÃO SUSPENSA, ISENTAS OU NÃO TRIBUTADAS. IMPOSSIBILIDADE.
Não é permitido o aproveitamento de crédito pelas cooperativas agropecuárias em relação a vendas não tributadas, isentas ou com a tributação suspensa.
A norma contida no §4º do art. 8º da Lei nº 10.925/04 dispõe especificamente acerca das pessoas enumeradas nos incisos de I a III do §1º do art. 8º da Lei n° 10.925/2004, enquanto o art. 17 da Lei nº 11.033/2004 traz uma regra geral. Como uma norma geral não revoga uma norma específica, a vedação do §4º do artigo 8º permanece em vigor.
CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. APROVEITAMENTO.O crédito presumido da agroindústria previsto no art. 8º da Lei nº10.925/2004 não se submete à tríplice forma de aproveitamento, só podendo ser utilizado para o abatimento das contribuições devidas por operações no mercado interno.
Recurso Voluntário provido em parte
Numero da decisão: 3402-003.976
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para: a) que seja recalculado o direito creditório da contribuinte com base no método do rateio proporcional adotado pela contribuinte para a apropriação dos custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, à receita tributada e à receita não tributada no mercado interno; e b) autorizar o ressarcimento/compensação do crédito já reconhecido relativamente ao estoque de abertura em conformidade com o rateio proporcional utilizado pela contribuinte para a apropriação dos créditos de mercado interno e externo. Os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto deram provimento em maior extensão para reconhecer o direito ao crédito da atividade cerealista após a Lei nº 11.196/2005, às exclusões tratadas no item 5 do voto e à correção pela taxa Selic tratada no item 6 do voto. O Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto apresentou declaração de voto. Sustentou pela recorrente o Dr. Everdon Schlindwein, OAB/PR nº 80.356.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Aparecida Martins de Paula - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/05/2004 a 30/09/2004 Ementa: REGIME NÃO CUMULATIVO. CRÉDITO PRESUMIDO. ESTOQUE DE ABERTURA. O crédito presumido correspondente ao estoque de abertura de que trata o art. 12 da Lei nº 10.833, de 2003, pode ser ressarcido/compensado na forma dos mandamentos normativos emitidos pela RFB. RATEIO PROPORCIONAL. CRÉDITO VINCULADOS AO MERCADO INTERNO. INCLUSÃO NO CÁLCULO. Todos os créditos normais do contribuinte devem integrar a base de cálculo do rateio proporcional para fins de ressarcimento das exportações, independente de ser ou não o mesmo vinculado ao mercado externo. CRÉDITO PRESUMIDO DA ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL. CEREALISTA. PREVISÃO LEGAL. PERÍODO DETERMINADO. CONDIÇÕES. INOBSERVÂNCIA. A legislação que regulamentou o sistema não cumulativo das contribuições sociais previu o direito de apropriação de crédito presumido da atividade agroindustrial para a cerealista, que exerce a atividade de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal especificados, apenas para o período entre fevereiro e julho do ano de 2004. A concessão do crédito presumido à cerealista estava condicionada à venda dos produtos às empresas identificadas no §5º do artigo 3º da Lei 10.833/03, então vigente. A partir de agosto de 2004, o crédito presumido ficou restrito às pessoas jurídicas que desenvolvam atividade agroindustrial, nas condições especificadas no art. 8º da Lei nº 10.925/2004. COOPERATIVA AGROPECUÁRIA. APROVEITAMENTO DE CRÉDITO NAS VENDAS COM TRIBUTAÇÃO SUSPENSA, ISENTAS OU NÃO TRIBUTADAS. IMPOSSIBILIDADE. Não é permitido o aproveitamento de crédito pelas cooperativas agropecuárias em relação a vendas não tributadas, isentas ou com a tributação suspensa. A norma contida no §4º do art. 8º da Lei nº 10.925/04 dispõe especificamente acerca das pessoas enumeradas nos incisos de I a III do §1º do art. 8º da Lei n° 10.925/2004, enquanto o art. 17 da Lei nº 11.033/2004 traz uma regra geral. Como uma norma geral não revoga uma norma específica, a vedação do §4º do artigo 8º permanece em vigor. CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. APROVEITAMENTO.O crédito presumido da agroindústria previsto no art. 8º da Lei nº10.925/2004 não se submete à tríplice forma de aproveitamento, só podendo ser utilizado para o abatimento das contribuições devidas por operações no mercado interno. Recurso Voluntário provido em parte
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/05/2004 a 30/09/2004 Ementa: REGIME NÃO CUMULATIVO. CRÉDITO PRESUMIDO. ESTOQUE DE ABERTURA. O crédito presumido correspondente ao estoque de abertura de que trata o art. 12 da Lei nº 10.833, de 2003, pode ser ressarcido/compensado na forma dos mandamentos normativos emitidos pela RFB. RATEIO PROPORCIONAL. CRÉDITO VINCULADOS AO MERCADO INTERNO. INCLUSÃO NO CÁLCULO. Todos os créditos normais do contribuinte devem integrar a base de cálculo do rateio proporcional para fins de ressarcimento das exportações, independente de ser ou não o mesmo vinculado ao mercado externo. CRÉDITO PRESUMIDO DA ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL. CEREALISTA. PREVISÃO LEGAL. PERÍODO DETERMINADO. CONDIÇÕES. INOBSERVÂNCIA. A legislação que regulamentou o sistema não cumulativo das contribuições sociais previu o direito de apropriação de crédito presumido da atividade agroindustrial para a cerealista, que exerce a atividade de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal especificados, apenas para o período entre fevereiro e julho do ano de 2004. A concessão do crédito presumido à cerealista estava condicionada à venda dos produtos às empresas identificadas no §5º do artigo 3º da Lei 10.833/03, então vigente. A partir de agosto de 2004, o crédito presumido ficou restrito às pessoas jurídicas que desenvolvam atividade agroindustrial, nas condições especificadas no art. 8º da Lei nº 10.925/2004. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 07 0. 00 23 49 /2 00 9- 15 Fl. 538DF CARF MF 2 COOPERATIVA AGROPECUÁRIA. APROVEITAMENTO DE CRÉDITO NAS VENDAS COM TRIBUTAÇÃO SUSPENSA, ISENTAS OU NÃO TRIBUTADAS. IMPOSSIBILIDADE. Não é permitido o aproveitamento de crédito pelas cooperativas agropecuárias em relação a vendas não tributadas, isentas ou com a tributação suspensa. A norma contida no §4º do art. 8º da Lei nº 10.925/04 dispõe especificamente acerca das pessoas enumeradas nos incisos de I a III do §1º do art. 8º da Lei n° 10.925/2004, enquanto o art. 17 da Lei nº 11.033/2004 traz uma regra geral. Como uma norma geral não revoga uma norma específica, a vedação do §4º do artigo 8º permanece em vigor. CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. APROVEITAMENTO.O crédito presumido da agroindústria previsto no art. 8º da Lei nº10.925/2004 não se submete à tríplice forma de aproveitamento, só podendo ser utilizado para o abatimento das contribuições devidas por operações no mercado interno. Recurso Voluntário provido em parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para: a) que seja recalculado o direito creditório da contribuinte com base no método do rateio proporcional adotado pela contribuinte para a apropriação dos custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, à receita tributada e à receita não tributada no mercado interno; e b) autorizar o ressarcimento/compensação do crédito já reconhecido relativamente ao estoque de abertura em conformidade com o rateio proporcional utilizado pela contribuinte para a apropriação dos créditos de mercado interno e externo. Os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto deram provimento em maior extensão para reconhecer o direito ao crédito da atividade cerealista após a Lei nº 11.196/2005, às exclusões tratadas no item 5 do voto e à correção pela taxa Selic tratada no item 6 do voto. O Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto apresentou declaração de voto. Sustentou pela recorrente o Dr. Everdon Schlindwein, OAB/PR nº 80.356. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Fl. 539DF CARF MF Processo nº 11070.002349/200915 Acórdão n.º 3402003.976 S3C4T2 Fl. 539 3 Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia de Julgamento em Porto Alegre, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte. Versam os autos sobre PER/DCOMP's com pedido de ressarcimento de valores credores de Cofins não cumulativa vinculados à receita do mercado externo relativamente aos períodos de apuração do 2º e 3º trimestres de 2004 (mai/jul/ago 2004), apurados com base no art. 6º da Lei nº 10.833, de 2003. A autoridade administrativa emitiu Despacho Decisório, mediante o qual reconheceu parcialmente o direito creditório da contribuinte no valor global de R$ 14.940,17 e indeferiu os pedidos de ressarcimento quanto à importância de R$ 832.380,52, glosada pela fiscalização. A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, alegando, em síntese: Critério de rateio (receitas de exportações, receitas no mercado interno tributadas e não tributadas) Ao contrário do equivocado entendimento do agente fiscal, todos os custos, despesas e encargos são comuns e necessários para o desempenho da atividade da cooperativa. Assim, os créditos decorrentes dos custos, despesas e encargos podem ser apropriados pelo método de rateio proporcional da receita bruta de exportação em relação da receita bruta total. O método de rateio para a apropriação dos créditos está legalmente previsto, enquanto a metodologia híbrida adotada agente fiscal neste processo foi realizada sem embasamento legal. Proporção das receitas no mercado interno que não sofrem incidência de PIS e COFINS As cooperativas podem realizar determinadas exclusões da base de cálculo do PIS e da COFINS, podendo, em face das operações, após realizadas as exclusões, não resultar base de cálculo tributável, ou seja, a base será zero. Não resultando base de cálculo tributável, o percentual da receita tributada em relação à receita total ser igual a zero. Assim, os créditos de PIS e COFINS apurados nestes períodos serão vinculados entre a receita de exportação e a receita de mercado interno com suspensão, isenção, alíquota zero e não incidência. A cooperativa agiu conforme a legislação, não tendo efetuado adições em sua receita. Partindo do faturamento, efetuou as exclusões legalmente previstas para as sociedades cooperativas. Ao efetuar estas exclusões, não resultou base de cálculo tributável. Consequentemente, o crédito apurado não deverá ser rateado com a receita do mercado interno tributada, porque não houve base tributável. Portanto, deve ser mantido o rateio dos créditos de acordo com a proporcionalidade apurada pela cooperativa. Vendas com suspensão: ilegalidade da restrição ao aproveitamento de créditos O art. 9º da Lei nº 10.925/2004 possibilitou, a partir de 1º/08/2004, que as vendas de produtos relacionados no art. 8º daquela Lei fossem realizadas com suspensão do PIS e da Cofins. Posteriormente foram editadas as Leis nºs 11.033/2004 e 11.116/2005, onde ficou autorizado expressamente o ressarcimento/compensação dos créditos acumulados. Crédito presumido: aquisições de pessoas físicas e jurídicas com suspensão A cooperativa tem direito ao crédito presumido, eis que: desempenha atividades agroindustriais na produção das mercadorias classificadas nos capítulos 8 a 12 da NCM; adquire de Fl. 540DF CARF MF 4 pessoas físicas e jurídicas que desempenham atividade rural, insumos utilizados no processo produtivo, em conformidade com o inciso II do art. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, e art. 7º da IN SRF 660; bem como realiza o beneficiamento das mercadorias (grãos) através de procedimentos próprios e necessários para obtenção do Padrão Oficial. Restrições da RFB ao ressarcimento do crédito presumido Quanto à mensuração do crédito presumido que trata o art. 8º da Lei nº 10.925/2004, em relação ao processo produtivo desempenhado pela cooperativa nas mercadorias classificadas nos capítulos 10 e 12 da NCM (milho, trigo e soja, todos beneficiados), a RFB pretende restringir, também, a forma de aproveitamento do respectivo crédito, impedindo o ressarcimento em dinheiro ou a compensação com demais débitos da contribuinte, alegando equivocadamente, que os referidos créditos somente podem ser utilizados para a dedução das contribuições devidas para o PIS e COFINS. Através do Ato Declaratório Interpretativo n° 15, de 2005, e do inciso II do § 3º do art. 8º da IN 660, interpreta a seu modo que o crédito previsto no art. 8º da Lei nº 10.925/2004 somente pode ser utilizado com débitos de PIS e COFINS, não podendo ser ressarcido. Tal argumento não procede, pois a previsão legal para a compensação e o ressarcimento do crédito presumido das contribuições para o PIS e COFINS incidentes sobre os produtos agropecuários já existia antes mesmo da edição da Lei nº 10.925/2004, conforme arts. 5º e 6º, respectivamente das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, que autorizavam a compensação e o ressarcimento de créditos vinculados às receitas de exportação. A cooperativa requer que, quantificado o crédito presumido em conformidade com a lei e, ao final, havendo saldo credor, seja permitido sua compensação com seus débitos junto à RFB, e/ou ressarcimento em dinheiro. Crédito presumido do estoque de abertura Entendeu o agente fiscal que o crédito presumido sobre o estoque de abertura não seria passível de ressarcimento, apenas poderia ser utilizado para dedução, por supostamente estes créditos não serem apurados na forma do art. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003. Portando, não haveria previsão legal para ressarcimento. Ocorre que o estoque de abertura é formado pelo custo de aquisição nos bens relacionados no art. 3º daquelas Leis, cuja possibilidade de ressarcimento do crédito apurado é reconhecida pela própria RFB, conforme disciplinado nos arts. 27 e 29 da IN SRF nº 900/2008. Assim, a cooperativa requer o ressarcimento integral do crédito presumido sobre o estoque de abertura na proporção das receitas de exportação, suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência. Apuração da base tributável do PIS e da COFINS: exclusões permitidas às sociedades cooperativas Devem ser consideradas as exclusões da base de cálculo referente aos valores repassados aos associados, às vendas efetuadas a associados, à receita da industrialização da produção do associado e ao custo agregado ao produto agropecuário do associado. Previsão legal para incidência da Taxa SELIC Os créditos da cooperativa devem ser corrigidos pela SELIC, nos termos do § 4º do art. 39 da Lei nº 9.250/1995 a partir do fato gerador, correspondendo, no presente caso, a partir de cada período de apuração, ou seja, a partir do momento que o crédito poderia ter sido aproveitado. Os argumentos da impugnante não foram acolhidos pela DRJ sob os seguintes fundamentos: As receitas auferidas pela pessoa jurídica, em decorrência de vendas realizadas com isenção, não alcançadas pela incidência, com alíquota zero ou de bens do ativo permanente, por não integrarem a receita bruta mensal sujeita à incidência não cumulativa, base de cálculo para a Fl. 541DF CARF MF Processo nº 11070.002349/200915 Acórdão n.º 3402003.976 S3C4T2 Fl. 540 5 aplicação e recolhimento das respectivas alíquotas não cumulativas, também não integram o montante da receita bruta sujeita à incidência não cumulativa utilizado na definição do percentual para o método do rateio proporcional, porque, de fato, sobre referidas receitas não há incidência e recolhimento efetivo da contribuição. Essas receitas também não integram o montante da receita bruta total, auferidas em cada mês, para efeito de estabelecimento do percentual existente entre ambas as receitas, a ser aplicado na apuração de créditos relativos aos custos, despesas e encargos comuns. O aproveitamento do crédito presumido na apuração do valor da contribuição pela sistemática da não cumulatividade se restringe às pessoas jurídicas que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal destinadas à alimentação humana ou animal. Portanto, não sendo possível ampliar a definição do termo produzir trazido pela legislação para a atividade de beneficiamento, ou seja, atividade de limpar, secar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos, entendese correto o posicionamento da Fiscalização para o período alcançado pela auditoria fiscal. A compensação e o ressarcimento admitidos pelo art. 6º da Lei nº 10.833, de 2003, respeitam unicamente aos créditos apurados na forma do art. 3º da referida Lei, donde a conclusão inevitável é a de que o crédito presumido tratado no art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, destinase unicamente à dedução dos valores devidos a título de COFINS no período de apuração. Embora a contribuinte apresente tese contrária, o entendimento no âmbito da RFB é de que o crédito presumido apontado pela interessada, não pode ser objeto de ressarcimento, o que, aliás, consta não só do precitado ADI nº 15, de 2005, mas, também, do art. 8º, § 3º, inciso II, da IN SRF nº 660, de 2006. Verificados os demonstrativos onde constam discriminados os créditos presumidos sobre o estoque de abertura eventualmente passíveis de ressarcimento (fls. 187 e 191 do processo nº 11070.002349/2009151), observase que foram eles integralmente computados nas receitas de mercado interno tributadas, porquanto, no entendimento da Fiscalização, somente eram passíveis de dedução. Embora a legislação de regência contrarie esse entendimento, como a contribuinte não estabeleceu corretamente o critério para apropriação dos créditos de mercado interno e externo (utilizouse de formatação própria para apuração dos créditos ver item Apuração de Créditos. Rateio Proporcional deste Voto), depreendese correto o procedimento do Fisco, não havendo qualquer crédito decorrente deste item em relação às receitas de exportação. Atentese, ainda, que em nenhum momento de sua manifestação a contribuinte apontou eventual valor pretensamente passível de ressarcimento, limitandose a tecer considerações sobre a base legal que lhe permitiria tal petição. Consoante as anotações feitas no Termo de Constatação Fiscal e planilhas anexas, foram procedidos ajustes que visaram restabelecer o correto valor dos créditos passíveis de ressarcimento por parte da cooperativa, estando de acordo com a legislação em vigor. Ademais, as exclusões foram admitidas proporcionalmente ao montante utilizado para formação da base de cálculo de cada espécie de receita (créditos vinculados a operações de mercado interno; mercado interno não tributadas isenção, alíquota zero e nãoincidência e exportação), donde correto entendimento do agente fiscal. Tratandose de ressarcimento de COFINS não cumulativa, o art. 13 da Lei nº 10.833, de 2003, expressamente determina que, nessa hipótese, não há que se falar em atualização monetária ou em incidência de juros sobre os respectivos valores. A contribuinte foi regularmente cientificada da decisão de primeira instância em 21/05/2013, por via postal, tendo apresentado o recurso voluntário em 18/06/2013, repisando os argumentos de primeira instância e acrescentando outros, sob os seguintes tópicos: 1) Do critério de rateio para apropriação dos créditos apurados proporcionais às receitas de exportações, receitas no mercado interno tributadas e não tributadas Fl. 542DF CARF MF 6 2) Das vendas com suspensão do PIS e Cofins Ilegítima restrição ao aproveitamento de créditos 3) Crédito presumido Atividade agroindustrial Produção das mercadorias de origem vegetal classificadas nos capítulos 8 a 12 da NCM 4) Do crédito presumido do estoque de abertura 5) Da apuração da base tributável do PIS e Cofins Exclusões permitidas às sociedades cooperativas 6) Previsão Legal para a incidência da Selic É o relatório. Voto Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, Relatora Atendidos aos requisitos de admissibilidade, tomase conhecimento do recurso voluntário. Consta que a contribuinte é uma sociedade cooperativa agropecuária, sujeita ao regime da não cumulatividade das contribuições para o PIS e Cofins, que atua no ramo de recebimento de produtos agrícolas dos associados e de terceiros; de fornecimento de insumos agrícolas aos associados; de comercialização de produtos agropecuários e sementes; de fábrica de rações e de moinhos de milho e trigo; bem como no ramo de supermercados. 1) Do critério de rateio para apropriação dos créditos apurados proporcionais às receitas de exportações, receitas no mercado interno tributadas e não tributadas No que diz respeito ao critério de apropriação dos créditos do mercado interno e das importações vinculados à receita de exportação, entendeu a fiscalização que: (...) Para a fiscalização os créditos apurados em relação à aquisição de bens para revenda ou utilizados como insumos, serviços utilizados como insumos, bem como em relação à importação de trigo utilizado como matériaprima na produção de farinha, não têm nenhuma vinculação com a receita de exportação, portanto, não cabe a mesma pleitear a restituição/ressarcimento de tais créditos, tendo em vista que a legislação prescreve que podem ser objeto de restituição ressarcimento os créditos apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, observado o disposto nos §§ 8º e 9º do art. 3º da Lei n° 10.833/2003, conforme §3º do art. 6º do diploma legal em questão, o qual transcrevemos a seguir: (...) Para a fiscalização a alocação dos créditos do PIS e da COFINS pelo método da proporcionalidade, conforme inciso II do § 8º do art. 3º da Lei n° 10.833/2003, tem aplicação somente para as pessoas jurídicas que possuam receita sujeita a cumulatividade e a não cumulatividade, o que não é o caso da COTRISA, que tem Fl. 543DF CARF MF Processo nº 11070.002349/200915 Acórdão n.º 3402003.976 S3C4T2 Fl. 541 7 a integralidade da receita sujeita a não cumulatividade do PIS e da COFINS. Ademais, verificamos ainda que o rateio proporcional dos créditos aplicase aos custos, despesas e encargos comuns, ou seja, somente podem ser rateados os créditos comuns. No caso de custos, despesas e encargos específicos o entendimento da fiscalização é que eles devem ser alocados diretamente aos setores a que pertencem. (...) De outra parte entende a recorrente que seria vedado pela legislação a utilização de dois métodos para segregar os custos, despesas e encargos que dão direito ao crédito, como efetuado pela fiscalização, utilizando o critério do rateio proporcional para os créditos comuns e o da apropriação direta para os demais créditos, ferindo o art. 15 da Lei nº 9.779/99 que determina a apuração das contribuições de forma centralizada no estabelecimento matriz. Essa questão já foi abordada no Acórdão nº 3202001.618 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, de 19 de março de 2015, de forma favorável ao entendimento da recorrente, conforme voto da Relatora Tatiana Midori Migiyama, abaixo transcrito: (...) Data venia, em relação ao método de cálculo, considerando que a base de cálculo das contribuições para o PIS e Cofins, é a receita bruta total, e que todos os custos despesas e encargos são comuns e necessários para o desempenho da atividade da contribuinte, estes custos despesas e encargos devem ser apropriados pelo método de rateio proporcional da receita bruta de exportação em relação da receita bruta total. O critério de rateio deve servir para a mesma proporcionalidade para todos os custos, despesas e encargos passíveis de realização de crédito e, que são necessários para o desempenho das atividades da contribuinte. Ora, o art. 6º, § 3º da Lei 10.833/2003, vigente à época dos fatos em dissídio, diz que a compensação dos créditos com débitos administrados pela RFB, pela exportadora de mercadorias, só se aplica aos créditos apurados em relação aos custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, observado o disposto nos §§ 8º e 9º do art. 3º. O art. 3º, § 8º, da Lei 10.833/2003 dispõe: sobre critério do rateio: relação percentual entre receita bruta sujeita à incidência não cumulativa e a receita bruta total auferidas em cada mês. O art. 3º, § 9º, da mesma lei dispõe: critério escolhido tem de ser consistente em todo o anocalendário. É de hialina clareza o sentido da lei, qual seja, só se podem compensar créditos de custos, despesas e encargos vinculados a receita de exportação. E, para se saber quais são esses créditos vinculados a receita de exportação, a lei previu dois métodos. A única interpretação possível, lógica e condizente com o sentido da norma legal é a de que o critério de rateio é somente o método: a relação deve ser entre receita de exportação e receita bruta total, para aplicála sobre os custos e despesas, na definição dos créditos vinculados à exportação, i.e., para quantificar os créditos que podem ser usados para compensação. Fl. 544DF CARF MF 8 (...) Daí, a remissão aos §§ 8º e 9º do art. 3º feita pelo art. 6º, § 3º, todos da Lei 10.833/2003, diz respeito ao método de cálculo para definição de créditos vinculados a receitas de exportação. No caso do método de rateio, a apuração do crédito devese dar pela relação entre receita de exportação e receita bruta total, e aplicar essa relação sobre os custos e despesas, chegandose à determinação do crédito vinculado à exportação, que é compensável com débitos administrados pela RFB. O art. 20, § 2º, da IN SRF 404/2004 (não revogado) confirma essa inteligência, ao dizer que os créditos compensáveis são somente os apurados sobre custos e despesas vinculados à receita de exportação, observados "os métodos" de apropriação previstos no art. 21 (o art. 21, § 2º, II, da IN 404/04 repete a dicção do art. 3º, § 8º, II, da Lei 10.833/2003). O método é que é aplicável. A relação percentual deve ser entre receita de exportação e receita bruta total, e aplicála sobre os custos e despesas, para definição do valor do crédito compensável. (...) No mesmo sentido foi o entendimento constante no Acórdão nº 330201.339– 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, 10 de novembro de 2011, citado pela recorrente, conforme voto do Relator Walber José da Silva que segue abaixo: (...) Assim, a apuração do crédito vinculado à receita de exportação seria feita por um sistema híbrido: parte por apropriação direta e parte por rateio proporcional. Tal modo de apuração não encontra respaldo legal. São claras as disposições do § 8º do art. 3º da Lei nº 10.833/03 de que o crédito será determinado por apropriação direta ou por rateio proporcional. Não há opção de combinar os dois métodos para determinar o crédito vinculado à receita de exportação. O entendimento da recorrente, que concordo, é que todas os custos, despesas e encargos, com direito a crédito normal, que concorreram para a formação da Receita Bruta Total, devem ser incluídos no rateio proporcional e, neste caso, o valor do crédito apurado é exatamente o crédito vinculado à receita de exportação, a que se refere o § 3º, do art. 6º, da Lei nº 10.833/03, porque esta é a forma de se apurar o dito crédito vinculado à receita de exportação. Pelo método de rateio proporcional, uma vez determinado a participação relativa da receita de exportação na receita bruta total, não vejo como deixar de aplicar o percentual encontrado nos custos, despesas ou encargos tidos como exclusivamente vinculado às operações no mercado interno e no mercado externo, fazendo incidir somente sobre os custos, despesas e encargos que tenham alguma vinculação tanto com as operações no mercado interno como as operações no mercado externo. (...) Conforme esclarecido na própria decisão recorrida, a RFB, por meio do Ajuda do programa Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon Mensal Semestral 2.6), definiu que o método de rateio para a apropriação dos custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, de mercado interno não tributada e tributada seria Fl. 545DF CARF MF Processo nº 11070.002349/200915 Acórdão n.º 3402003.976 S3C4T2 Fl. 542 9 idêntico ao estabelecido para as pessoas jurídicas que auferem receitas sujeitas às incidências não cumulativa e cumulativa do PIS e da COFINS, nesses termos: Ficha 01 Dados Iniciais (...) Método de Determinação dos Créditos O programa possibilita o preenchimento do campo "Método de Determinação dos Créditos", conforme o regime de apuração da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins adotado. I) no caso do Regime NãoCumulativo: a) Vinculados à Receita Auferida Exclusivamente no Mercado Interno Deve selecionar este campo a pessoa jurídica que, no período abrangido pelo Demonstrativo, auferir apenas receitas sujeitas à incidência nãocumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, decorrentes exclusivamente de atividades no mercado interno. b) Vinculados à Receita Auferida no Mercado Interno e de Exportação Deve selecionar este campo a pessoa jurídica que, no período abrangido pelo Demonstrativo, auferir receitas sujeitas à incidência nãocumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins e efetuar concomitantemente: I operações de vendas de produtos ou prestação de serviços no mercado interno; e II exportação de produtos para o exterior ou prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas, ou vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. Neste caso, a pessoa jurídica deve indicar o método por ela escolhido, dentre os seguintes: b.1) Com Base na Proporção dos Custos Diretamente Apropriados – que consiste na determinação dos créditos através do método de apropriação direta previsto no inciso I do § 8º do art. 3º das Leis nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, inclusive em relação aos custos, por meio de sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração; ou b.2) Com Base na Proporção da Receita Bruta Auferida – que consiste na determinação dos créditos através do método de rateio proporcional previsto no inciso II do § 8º do art. 3º das Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003, aplicandose aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência não cumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês. Atenção: 1) O método eleito pela pessoa jurídica para determinação do crédito deve ser: a) aplicado consistentemente por todo o anocalendário; b) adotado para todos os custos, despesas e encargos comuns; e c) adotado igualmente na apuração dos créditos relativos à Contribuição para o PIS/Pasep e à Cofins nãocumulativa. Fl. 546DF CARF MF 10 2) Deve também selecionar este campo a pessoa jurídica que auferir receitas nãotributadas no mercado interno que geram direito a crédito, concomitantemente, com receitas tributadas e/ou com exportação. (não grifado no original) (...) Assim, adotando os mesmos fundamentos dos Acórdãos acima referidos, bem como da orientação constante no Dacon acima transcrita, nos termos do art. 50, §1º da Lei nº 9.784/99, a decisão recorrida deve ser reformada nesta parte para que seja recalculado o direito creditório da recorrente com base unicamente no método do rateio proporcional adotado pela contribuinte para a apropriação dos custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação; à receita não tributada e à receita tributada no mercado interno. 2) Das vendas com suspensão do PIS e Cofins Ilegítima restrição ao aproveitamento de créditos Entende a recorrente que a cooperativa teria direito aos créditos nesse período, em conformidade com o art. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, com fundamento no art. 17 da Lei nº 11.033/2004 e no art. 16 da Lei nº 11.116/2005, que assim dispõem: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação (...) II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. (...) No entanto, a norma genérica, que permite a manutenção dos créditos nas vendas com suspensão, não derroga a norma específica que veda expressamente o crédito presumido para as pessoas especificadas, em consonância com o disposto no art. 2º, §2º da Lei de Introdução às normas do Direito Brasileiro: Art.2o Não se destinando à vigência temporária, a lei terá vigor até que outra a modifique ou revogue. (Vide Lei nº 3.991, de 1961) (Vide Lei nº 5.144, de 1966) § 1o A lei posterior revoga a anterior quando expressamente o declare, quando seja com ela incompatível ou quando regule inteiramente a matéria de que tratava a lei anterior. § 2o A lei nova, que estabeleça disposições gerais ou especiais a par das já existentes, não revoga nem modifica a lei anterior. Nesse sentido, já foi decidido no Acórdão nº 340101.255 – 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária, sessão de 28 de fevereiro de 2011, em votação unânime: (...) Fl. 547DF CARF MF Processo nº 11070.002349/200915 Acórdão n.º 3402003.976 S3C4T2 Fl. 543 11 Apesar da suposta divergência das normas, não há conflito, pois a primeira (§4o, do art. 8º, da Lei n° 10.925/2004), traz uma vedação específica para as pessoas listadas nos incisos de I a III, do § 1o, do art. 8º, da Lei n° 10.925/2004, onde estão incluídas as cooperativas de produção agropecuária. O art. 17, da Lei no 11.033/2004, traz uma regra geral, sem revogar a regra específica. Portanto, a vedação do §4º, também do artigo 8º permanece em vigor, de modo que não é permitido o aproveitamento de crédito, por essas cooperativas, em ralação a vendas com tributação suspensa, não tributadas ou isentas. (...) Assim, a decisão recorrida há de ser mantida nesta parte. 3) Crédito presumido Atividade agroindustrial Produção das mercadorias de origem vegetal classificadas nos capítulos 8 a 12 da NCM Período de maio a julho de 2004: Neste período o crédito presumido apurado na aquisição de produtos agrícolas (soja, milho e trigo) foi rateado pela fiscalização em crédito da atividade agroindustrial e crédito da atividade de cerealista nas operações de mercado interno, vez que, na exportação de produtos agrícola in natura, não haveria direito ao crédito presumido por esta atividade, eis que seria vinculado às vendas no mercado interno à agroindústria (art. 3º, §5º da Lei nº 10.833/2003). Nessa esteira, no entender da fiscalização, mesmo alegando a contribuinte que ela realiza as atividades descritas no art. 3º, §5º da Lei nº 10.833/2003, não caberia a apuração do crédito presumido para a atividade de cerealista diante da ausência de documentação capaz de comprovar que os produtos in natura exportados seriam utilizados na produção de mercadorias destinadas à alimentação humana ou animal no exterior. Como se observa nos posteriormente revogados §§ 5º e 11 da Lei 10.833/2003, abaixo transcritos, o crédito presumido da Cofins foi concedido em operações distintas dentro da cadeia produtiva tanto à agroindústria (§5º), qual seja, a pessoa jurídica que produza mercadorias de origem animal ou vegetal especificadas destinadas à alimentação humana ou animal; como ao cerealista (§11) que adquira diretamente de pessoas físicas residentes no País produtos in natura de origem vegetal especificados relativamente às vendas realizadas às agroindústrias (pessoas jurídicas que produzam determinadas mercadorias destinadas à alimentação humana ou animal): § 5o Sem prejuízo do aproveitamento dos créditos apurados na forma deste artigo, as pessoas jurídicas que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2 a 4, 8 a 12 e 23, e nos códigos 01.03, 01.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, 15.07 a 1514, 1515.2, 1516.20.00, 15.17, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da Nomenclatura Comum do Mercosul NCM, destinados à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da COFINS, devida em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens e serviços referidos no inciso II Fl. 548DF CARF MF 12 do caput deste artigo, adquiridos, no mesmo período, de pessoas físicas residentes no País. (Revogado pela Lei nº 10.925, de 2004) § 11. Sem prejuízo do aproveitamento dos créditos apurados na forma deste artigo, as pessoas jurídicas que adquiram diretamente de pessoas físicas residentes no País produtos in natura de origem vegetal, classificados nas posições 10.01 a 10.08 e 12.01, todos da NCM, que exerçam cumulativamente as atividades de secar, limpar, padronizar, armazenar e comercializar tais produtos, poderão deduzir da COFINS devida, relativamente às vendas realizadas às pessoas jurídicas a que se refere o § 5o, em cada período de apuração, crédito presumido calculado à alíquota correspondente a 80% (oitenta por cento) daquela prevista no art. 2o sobre o valor de aquisição dos referidos produtos in natura. (Revogado pela Lei nº 10.925, de 2004) [grifos não são do original] Em relação ao PIS/Pasep, os benefícios são idênticos aos da Cofins, para a agroindústria, nos termos do §10 do art. 3º da Lei nº 10.637/2002, introduzido pela Lei nº 10.684/2003, mais tarde também revogado pela Lei 10.925/2004, e para o cerealista, conforme previsto no §11 do art. 3º da Lei nº 10.833/2003, aplicável ao PIS/Pasep por força do art. 15 dessa Lei. Assim, entendo que foi correta a posição da autoridade fiscal de glosar os créditos presumidos decorrente da atividade de cerealista da contribuinte em relação aos produtos in natura exportados, vez que não comprovado que se tratariam de vendas às "pessoas jurídicas que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2 a 4, 8 a 12 e 23, e nos códigos 01.03, 01.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, 15.07 a 1514, 1515.2, 1516.20.00, 15.17, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da Nomenclatura Comum do Mercosul NCM, destinados à alimentação humana ou animal". Ademais, em se tratando de aquisições de pessoas físicas, não se cogita da possibilidade de creditamento integral com base no inciso II do art. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003 em face da vedação contida no §3º do art. 3º da Lei nº 10.833/2003 aplicável também ao PIS por disposição do art. 15 dessa Lei: § 3o O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; II aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; III aos bens e serviços adquiridos e aos custos e despesas incorridos a partir do mês em que se iniciar a aplicação do disposto nesta Lei. Não procede alegação da recorrente de que a fiscalização teria desconsiderado o seu processo produtivo, pois, como já esclarecido acima, neste período, o crédito presumido na aquisição de soja, milho e trigo foi dividido nas duas atividades da empresa: agroindustrial e ceralista, tendo sido glosadas somente a parte da atividade cerealista relativa aos produtos in natura exportados. Fl. 549DF CARF MF Processo nº 11070.002349/200915 Acórdão n.º 3402003.976 S3C4T2 Fl. 544 13 No mesmo sentido essa questão já foi decidida por este CARF nos acórdãos cujas ementas se seguem: Acórdão nº 3801004.877– 1ª Turma Especial Sessão de 27 de janeiro de 2015 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004 Ementa: CRÉDITO PRESUMIDO DO § 11 DA LEI Nº 10.833/2003. ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL. VENDAS COM O FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. VEDAÇÃO AO CRÉDITO PRESUMIDO. Não tem direito ao crédito presumido de que trata o §11 da Lei nº 10.833/2003 a empresa que venda produtos com fim específico de exportação por falta de amparo legal. Recurso Voluntário Negado Acórdão nº 3102001.829 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 24 de abril de 2013 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004 Ementa: CRÉDITO PRESUMIDO DA ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL. CEREALISTA. PREVISÃO LEGAL. PERÍODO DETERMINADO. CONDIÇÕES. INOBSERVÂNCIA. A legislação que regulamentou o Sistema não cumulativo de apuração da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins previu o direito de apropriação de crédito presumido da atividade agroindustrial para o cerealista, que exerce a atividade de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal, classificados nos códigos 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, 12.01 e 18.01, todos da NCM, apenas para o período entre fevereiro e julho do ano de 2004. A concessão estava condicionada à venda dos produtos às empresas identificadas no § 5º do artigo 3º da Lei 10.833/03, então vigente. Recurso Voluntário Negado Acórdão nº 340100.907 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Sessão de 27 de julho de 2010 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2004 a 30/06/2004 Ementa: CRÉDITO DA COFINS NÃO CUMULATIVA. EMPRESA CEREALISTA. Os produtos de origem vegetal adquiridos de pessoa física só geram crédito da COFINS não cumulativa se forem submetidos à Fl. 550DF CARF MF 14 secagem, lavagem, padronização, armazenagem e vendidos a empresas produtoras de alimentos destinados a consumo humano ou animal. (...) Período de agosto/2004 a dezembro/2008: Relativamente a este período, entendeu a fiscalização autuante que: "A partir de agosto/2004 o crédito presumido ficou restrito às pessoas jurídicas que desenvolvam atividade agroindustrial, as quais apuram o crédito presumido em relação às aquisições de pessoas físicas e recebimentos de pessoas físicas (associados de cooperativas), bem como em relação às aquisições de pessoas jurídicas cuja operação foi realizada com suspensão do PIS e da Cofins. Com isso o crédito presumido apurado pela fiscalização se restringiu à atividade da agroindústria". A Lei nº 10.925/2004 trouxe alteração legislativa ao crédito presumido, permitindoo a partir de agosto de 2004 somente à agroindústria, no caput do art. 8º, para as aquisições de insumo (bens) de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física, e no seu §1º, para as aquisições de cerealistas (inciso I) e outras pessoas jurídicas específicas (incisos II e III): Art. 8º As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos Capítulos 2 a 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 01.03, 01.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 09.01, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. [redação original] Art. 8o As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) (Vigência) (Vide Lei nº 12.058, de 2009) (Vide Lei nº 12.350, de 2010) (Vide Medida Provisória nº 545, de 2011) (Vide Lei nº 12.599, de 2012) (Vide Medida Provisória nº 582, de 2012) (Vide Medida Provisória nº 609, de 2013 (Vide Medida Provisória nº Fl. 551DF CARF MF Processo nº 11070.002349/200915 Acórdão n.º 3402003.976 S3C4T2 Fl. 545 15 609, de 2013 (Vide Lei nº 12.839, de 2013) (Vide Lei nº 12.865, de 2013) § 1º O disposto no caput deste artigo aplicase também às aquisições efetuadas de: I cerealista que exerça cumulativamente as atividades de secar, limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal, classificados nos códigos 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, 12.01 e 18.01, todos da NCM; [redação original] I cerealista que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal, classificados nos códigos 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, 12.01 e 18.01, todos da NCM; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) I cerealista que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal classificados nos códigos 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, e 18.01, todos da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM); (Redação dada pela Lei nº 12.865, de 2013) II pessoa jurídica que exerça cumulativamente as atividades de transporte, resfriamento e venda a granel de leite in natura; e III pessoa jurídica e cooperativa que exerçam atividades agropecuárias. III pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e cooperativa de produção agropecuária.(Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) (...) A partir de então, não mais há a possibilidade de aproveitamento do crédito presumido pelo cerealista, como antes havia no §11 da Lei 10.833/2003, ou pelas pessoas jurídicas descritas nos incisos II e III do §1º do art. 8º da Lei nº 10.865/2004, bem como o crédito em relação às receitas de vendas com suspensão efetuadas a essas pessoas, em face da vedação expressa no §4º do referido art. 8°: § 4o É vedado às pessoas jurídicas de que tratam os incisos I a III do § 1o deste artigo o aproveitamento: I do crédito presumido de que trata o caput deste artigo; II de crédito em relação às receitas de vendas efetuadas com suspensão às pessoas jurídicas de que trata o caput deste artigo. Alega a recorrente que teria direito a crédito presumido já que é produtora de mercadorias de origem vegetal, adquirindo bens diretamente de pessoas físicas residentes no país e efetuando o processo de produção/industrialização, sob a modalidade de beneficiamento. Ocorre, no entanto, que a fiscalização concedeu o crédito presumido para esse período nas atividades em que a contribuinte atuou efetivamente como agroindústria, somente excluindo as atividades de cerealista da empresa, na qual exerceu cumulativamente as atividades de secar, limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de Fl. 552DF CARF MF 16 origem vegetal especificados no inciso I do §1º do art. 8º da Lei nº 10.865/2004, conforme extrato abaixo do Termo de Constatação: (...)Com isso o crédito presumido apurado pela fiscalização se restringiu à atividade da agroindústria o crédito presumido apurado pela fiscalização se restringiu à atividade de agroindústria. O crédito presumido apurado pela fiscalização na COTRISA se refere ao valor das transferências internas de produtos agrícolas (soja, milho e trigo) para a industrialização na fábrica de ração e nos moinhos de milho e trigo. Das transferências realizadas para fábrica de ração excluímos a transferência de farelo de soja (produto industrializado), cujo crédito foi apurado quando da aquisição de pessoas jurídicas. As diferenças dos créditos presumidos residem no fato da contribuinte considerar as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos agrícolas in natura (soja, milho e trigo), como atividades de produção, apurando o correspondente crédito presumido com base no caput do art. 8º da Lei n° 10.925/2004, quando para a fiscalização as atividades realizadas pela contribuinte, para deixar os produtos agrícolas recebidos dos associados e adquiridos de terceiros (não associados) em condições de comercialização, estão descritas literalmente no inciso I do § 1º do art. 8º da Lei n° 10.925/2004 e não no caput do mencionado artigo como pretende a contribuinte. Com relação ao alegado processo de industrialização por "beneficiamento" dos grãos, entendo que ele não se caracteriza como industrialização, como bem esclarecido pelo Ilustre Conselheiro José Fernandes do Nascimento em voto vencedor no Acórdão nº 3302 003.301– 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, de 23 de agosto de 2016, abaixo transcrito: (...) ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007 Ementa: (...) ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL. BENEFICIAMENTO DE GRÃOS. INOCORRÊNCIA. A atividade de beneficiamento de grãos, consistente na sua classificação, limpeza, secagem e armazenagem, não se enquadra na definição de atividade de produção agroindustrial, mas de produção agropecuária. VOTO VENCEDOR (...) Além disso, inexiste controvérsia quanto ao fato de que tais produtos foram submetidos a processo de classificação, limpeza, secagem e armazenagem, conforme se extrai da descrição do processo produtivo apresentada pela própria recorrente. Porém, embora esse processo seja denominado de beneficiamento de grãos, ele não se enquadra na modalidade de industrialização, denominada de beneficiamento, que se encontra definida no art. 4º, II, do Decreto 7.212/2010 (RIPI/2010) [também no RIPI/2002 vigente à época dos fatos deste processo], porque, apesar de serem submetidos ao citado processo de Fl. 553DF CARF MF Processo nº 11070.002349/200915 Acórdão n.º 3402003.976 S3C4T2 Fl. 546 17 “beneficiamento”, os grãos de milho e soja exportados pela recorrente permanecerem na condição de produtos in natura e, portanto, com a anotação NT (Não Tributado) na Tabela de Incidência do IPI (TIPI), o que os exclui da condição de produtos industrializados e, portanto, fora do campo de incidência do imposto, nos termos do parágrafo único do art. 2º do RIPI/2010. Mas, independentemente da abrangência do termo "pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias (...)", veiculado pelo caput do art. 8º da Lei nº 10.865/2004, é certo que dentre essas pessoas não se incluem aquelas especificadas no §1º desse dispositivo, expressamente ressalvadas da dedução do crédito presumido pelo §4º do art. 8° da Lei nº 10.865/2004. De forma que não assiste razão à recorrente no pleito do crédito presumido sobre as atividades especificadas no §1º do dispositivo. No que concerne à forma de utilização do crédito presumido da agroindústria, previstos nos art. 8º e 15 da Lei nº 10.925/2004, por opção do legislador ordinário, o seu aproveitamento pode ser apenas para o abatimento da contribuição devida por operações no mercado interno, ainda que o crédito tenha sido auferido em operações de exportação. Nessa esteira, a Receita Federal do Brasil dispôs em normas complementares, mediante a Instrução Normativa SRF nº 660/2006 e o Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 15/2005 sobre a compensação ou ressarcimento dos créditos presumidos apurados a partir de 01/08/2004, nos termos do art. 8° da Lei n° 10.925/2004, ou seja, decorrentes de atividades agroindustriais, permitindo apenas deduzilos das contribuições devidas: IN SRF n° 660/2006 Do Crédito Presumido Do direito ao desconto de créditos presumidos Art. 5º A pessoa jurídica que exerça atividade agroindustrial, na determinação do valor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins a pagar no regime de nãocumulatividade, pode descontar créditos presumidos calculados sobre o valor dos produtos agropecuários utilizados como insumos na fabricação de produtos: I destinados à alimentação humana ou animal, classificados na NCM: (...) Do cálculo do crédito presumido Art. 8º Até que sejam fixados os valores dos insumos de que trata o art. 7 º, o crédito presumido da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins será apurado com base no seu custo de aquisição. (...) § 3º O valor dos créditos apurados de acordo com este artigo: I não constitui receita bruta da pessoa jurídica agroindustrial, servindo somente para dedução do valor devido de cada contribuição; e II não poderá ser objeto de compensação com outros tributos ou de pedido de ressarcimento. Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 15/2005 Art. 1º O valor do crédito presumido previsto na Lei nº 10.925, de 2004, arts. 8º e 15, somente pode ser utilizado para deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Fl. 554DF CARF MF 18 Financiamento da Seguridade Social (Cofins) apuradas no regime de incidência nãocumulativa. Art. 2º O valor do crédito presumido referido no art. 1º não pode ser objeto de compensação ou de ressarcimento, de que trata a Lei nº 10.637, de 2002, art. 5º, § 1º, inciso II, e § 2º, a Lei nº 10.833, de 2003, art. 6º,§ 1º, inciso II, e § 2º, e a Lei nº 11.116, de 2005, art. 16. [grifos da Relatora] Conforme já decidido na Apelação Cível Nº 2006.72.00.0078654/SC, do Tribunal Federal da 4ª Região, cuja ementa segue abaixo, "as próprias leis instituidoras dos créditos presumidos em questão previram como modo de aproveitamento destes créditos o desconto das contribuições do PIS e COFINS a pagar, limitando a sua utilização, assim, à esfera das próprias contribuições". O Superior Tribunal de Justiça também já manifestou seu entendimento, no REsp 1240714/PR (Rel. Ministro ARNALDO ESTEVES LIMA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 03/09/2013, DJe 10/09/2013), conforme ementa abaixo: TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. PIS E COFINS. PRODUTOR RURAL. CRÉDITOS PRESUMIDOS. RESSARCIMENTO OU COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. ART. 8º DA LEI 10.925/04. LEGALIDADE DA ADI/SRF 15/05 E DA IN SRF 660/06. PRECEDENTES DO STJ. MORA DO FISCO. INEXISTÊNCIA. RECURSO ESPECIAL CONHECIDO E NÃO PROVIDO. 1. "A jurisprudência firmada por ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ é no sentido de que inexiste previsão legal para deferir restituição ou compensação (art. 170, do CTN) com outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil do crédito presumido de PIS e da COFINS estabelecido na Lei 10.925/2004, considerandose, outrossim, que a ADI/SRF 15/2005 não inovou no plano normativo, mas apenas explicitou vedação já prevista no art. 8º, da lei antes referida" (AgRg no REsp 1.218.923/PR, Rel. Min. BENEDITO GONÇALVES, Primeira Turma, DJe 13/11/12). 2. O Superior Tribunal de Justiça tem entendido ser legítima a atualização monetária de crédito escritural quando há demora no exame dos pedidos pela autoridade administrativa ou oposição decorrente de ato estatal, administrativo ou normativo, postergando o seu aproveitamento, o que não ocorre na hipótese, em que os atos normativos são legais. 3. "O Fisco deve ser considerado em mora (resistência ilegítima) somente a partir do término do prazo de 360 (trezentos e sessenta) dias contado da data do protocolo dos pedidos de ressarcimento, aplicandose o art. 24 da Lei 11.457/2007, independentemente da data em que efetuados os pedidos" (AgRg no REsp 1.232.257/SC, Rel. Min.NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, Primeira Turma, DJe 21/2/13). 4. Recurso especial conhecido e não provido. Nessa linha também foi decidido no Acórdão nº 340101.716– 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária, de 15 de fevereiro de 2012, conforme trecho do Voto do Relator Odassi Guerzoni Filho abaixo: (...) Fl. 555DF CARF MF Processo nº 11070.002349/200915 Acórdão n.º 3402003.976 S3C4T2 Fl. 547 19 Com a devida vênia, não partilho do mesmo entendimento da Recorrente, haja vista a clareza do dispositivo que passou a tratar do crédito presumido do PIS/Pasep e da Cofins, qual seja o artigo 8º da Lei nº 10.925 de 23 de julho de 2004, segundo o qual, “As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, [...], destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3o das Leis nº 10.637, de 30/12/2002, e 10.833, de 29/12/2003, adquiridos de pessoas físicas ou recebidos de cooperado pessoa física.” (grifei) Ora, a menção que referido dispositivo legal faz ao artigo 3º da Lei nº 10.637/2002 e da Lei nº 10.833/2003 tem como único objetivo o de identificar os produtos adquiridos que podem gerar o direito ao crédito presumido e não o de estender a este o mesmo direito de aproveitamento [ressarcimento e compensação] que está contemplado, ressaltese, de forma taxativa, nas hipóteses constantes dos incisos do referido artigo 3o. Nem me valerei aqui das regras específicas trazidas pelas instruções normativas que regem os procedimentos de compensação e de ressarcimento, e tampouco discorrerei sobre o argumento de que o crédito presumido seria uma subvenção financeira, porquanto vislumbro na argumentação da Recorrente mero inconformismo com a forma com que o legislador tratou a matéria. Assim, consoante consta de forma clara no art. 8º da Lei nº 10.925 de 23 de julho de 2004, o crédito presumido somente pode ser deduzido da contribuição eventualmente devida, e não ser aproveitado via ressarcimento e/ou compensação. (...) Assim, nada há a reformar na decisão recorrida nesta parte. 4) Do crédito presumido do estoque de abertura Conforme já decidido pela DRJ no processo nº 11070.002343/200948, da própria recorrente, ao contrário do que entendeu a fiscalização, há sim a possibilidade de ressarcimento do crédito presumido sobre o estoque de abertura já reconhecido pela fiscalização, nesses termos: OUTROS CRÉDITOS. CRÉDITO PRESUMIDO DO ESTOQUE DE ABERTURA. FORMA DE UTILIZAÇÃO No caso da COFINS, a apuração do crédito presumido relativo ao estoque de abertura foi definida no art. 12 e parágrafos da Lei n° 10.833, de 2003: Fl. 556DF CARF MF 20 Art. 12. A pessoa jurídica contribuinte da COFINS, submetida à apuração do valor devido na forma do art. 3º, terá direito a desconto correspondente ao estoque de abertura dos bens de que tratam os incisos I e II daquele mesmo artigo, adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País, existentes na data de início da incidência desta contribuição de acordo com esta Lei. § 1º O montante de crédito presumido será igual ao resultado da aplicação do percentual de 3% (três por cento) sobre o valor do estoque. § 2º O crédito presumido calculado segundo os §§ 1º, 9º e 10 deste artigo será utilizado em 12 (doze) parcelas mensais, iguais e sucessivas, a partir da data a que se refere o caput deste artigo. (Redação dada pela Lei nº 10.925, de 2004) (...) Tais créditos (referentes ao estoque de abertura) foram descritos no art. 26 da IN SRF nº 404, de 2004: Art. 26. A pessoa jurídica sujeita a incidência da Cofins não cumulativa, tem direito aos créditos previstos no art. 8º, referentes ao estoque de bens de que trata o seu inciso I, existentes em 1º de fevereiro de 2004, adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País. § 1º O montante de crédito presumido será igual ao resultado da aplicação do percentual de 3% (três por cento) sobre o valor do estoque. § 2º O crédito presumido calculado na forma do disposto no § 1º será utilizado em doze parcelas mensais, iguais e sucessivas, a partir de 1º de fevereiro de 2004. § 3º O disposto no caput aplicase também aos estoques de produtos acabados e em elaboração. (...) § 5º O disposto no § 4º aplicase ao PIS/Pasep nãocumulativo de que trata a Lei nº 10.637, de 2002, com observância da alíquota de 0,65% (sessenta e cinco centésimos por cento), produzindo efeitos a partir de 1º de janeiro de 2003. § 6º O aproveitamento de crédito na forma do § 2º e inciso II do § 4º deve ser efetuado sem atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores. § 7º O disposto no § 6º aplicase ao PIS/Pasep nãocumulativo de que trata a Lei nº 10.637, de 2002. § 8º Para efeito do disposto neste artigo, aplicamse as determinações do art. 21. Em se tratando de sociedades cooperativas de produção agropecuária, a utilização do crédito presumido correspondente aos estoques de abertura encontrase regulada pelo art. 27 da IN SRF n° 635, de 2006: Fl. 557DF CARF MF Processo nº 11070.002349/200915 Acórdão n.º 3402003.976 S3C4T2 Fl. 548 21 Art. 27 As sociedades cooperativas de produção agropecuária e de consumo sujeitas à incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins no regime de nãocumulatividade, tem direito a crédito presumido correspondente aos estoques de insumos e produtos existentes em 31 de julho de 2004, resultante da aplicação das alíquotas de 0,65% (sessenta e cinco centésimos por cento) e de 3% (três por cento), respectivamente. Parágrafo único. As sociedades cooperativas de produção agropecuária e de consumo que adotaram antecipadamente o regime de incidência nãocumulativa da Contribuição para o PIS/pasep e da Cofins, nos termos do art. 4º da Lei nº 10.892, de 2004, tem direito ao crédito de que trata o caput correspondente aos estoques de insumos e produtos existentes em 30 de abril de 2004. Quanto à utilização do crédito presumido decorrente de estoque de abertura, já dispunha a IN SRF nº 460, de 2004: Art. 21. Os créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins referentes a custos, despesas e encargos vinculados às receitas decorrentes das operações de exportação de mercadorias para o exterior, prestação de serviços a pessoa física ou jurídica domiciliada no exterior, com pagamento em moeda conversível, e vendas a empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação, que não puderem ser deduzidos na forma do inciso I do § 1º do art. 5º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e do inciso I do § 1º do art. 6º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, poderão ser utilizados na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos aos tributos e contribuições administrados pela SRF. Art. 22. Poderão ser objeto de ressarcimento os créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins a que se refere o art. 21 que, ao final de um trimestre do ano civil, remanescerem na escrita contábil da pessoa jurídica após efetuadas as deduções e compensações cabíveis. § 1º O ressarcimento de que trata o caput será requerido à SRF, conforme o caso, mediante o formulário Pedido de Ressarcimento de Créditos da Contribuição para o PIS/Pasep, constante do Anexo II, ou do formulário Pedido de Ressarcimento de Créditos da Cofins, constante do Anexo III. § 2º Os créditos a que se refere o art. 21 somente poderão ter seu ressarcimento requerido à SRF após a entrega pela pessoa jurídica do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon) do trimestrecalendário de apuração. Art. 23. O crédito presumido de Contribuição para o PIS/Pasep e de Cofins, correspondente ao estoque de abertura de que trata o art. 11 da Lei nº 10.637, de 2002, e o art. 12 da Lei nº 10.833, de 2003, poderá ser utilizado na forma prevista nos arts. 21 e 22, observado o percentual entre o valor das receitas previstas no art. 21 e o somatório destas receitas com as decorrentes de vendas e Fl. 558DF CARF MF 22 de prestação de serviços sujeitas ao regime de incidência não cumulativa. (os grifos não constam do original). Tais disposições foram mantidas na IN SRF nº 600, de 2005 (arts. 21 a 23), e na IN RFB nº 900, de 2008 (arts. 27, 29 e 34), sendo pertinente transcreverse os arts. 27, 33 e 41 da IN RFB nº 1.300, de 2012, que hoje regulamenta as questões de restituição, ressarcimento e compensação neste Órgão: Art. 27. Os créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurados na forma do art. 3º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, que não puderem ser utilizados no desconto de débitos das respectivas Contribuições, poderão ser objeto de ressarcimento, somente depois do encerramento do trimestre calendário, se decorrentes de custos, despesas e encargos vinculados: (...) Art. 33. A parcela do crédito presumido da Contribuição para o PIS /Pasep e da Cofins calculado sobre o estoque de abertura, previsto no art. 11 da Lei nº 10.637, de 2002, e no art. 12 da Lei nº 10.833, de 2003, que seja decorrente de bens vinculados às receitas e às vendas de que tratam os incisos I e II do caput do art. 27, poderá ser utilizada na forma prevista nos arts. 27 e 41. § 1º A parcela do crédito presumido de estoque de abertura que terá o tratamento previsto no caput será determinada, a critério da pessoa jurídica, pelo método de: I apropriação direta, por meio de sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração; ou II rateio proporcional, aplicandose ao valor total do crédito presumido a relação percentual existente entre a receita de venda, vinculada aos custos, às despesas e aos encargos de que tratam os incisos I e II do caput do art. 27, e a receita total, vinculada às mercadorias que compõem o estoque de abertura, auferidas em cada mês. § 2º O método eleito pela pessoa jurídica para determinação da parcela do crédito presumido de que trata o caput deve ser o mesmo adotado no ano calendário para o rateio dos demais créditos. Art. 41. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive o crédito decorrente de decisão judicial transitada em julgado, relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos administrados pela RFB, ressalvadas as contribuições previdenciárias, cujo procedimento está previsto nos arts. 56 a 60, e as contribuições recolhidas para outras entidades ou fundos. § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada pelo sujeito passivo mediante apresentação à RFB da Declaração de Compensação gerada a partir do programa PER/DCOMP ou, na impossibilidade de sua utilização, mediante a apresentação à RFB do formulário Declaração de Compensação constante do Fl. 559DF CARF MF Processo nº 11070.002349/200915 Acórdão n.º 3402003.976 S3C4T2 Fl. 549 23 Anexo VII a esta Instrução Normativa, ao qual deverão ser anexados documentos comprobatórios do direito creditório. § 2º A compensação declarada à RFB extingue o crédito tributário, sob condição resolutória da ulterior homologação do procedimento. § 3º Não poderão ser objeto de compensação mediante entrega, pelo sujeito passivo, da declaração referida no § 1º: (...) VIII o crédito que não seja passível de restituição ou de ressarcimento; (...) (os grifos não constam do original) Verificada a legislação transcrita, entendese que, quanto a este item, tem razão a manifestante, devendo o Órgão de origem adotar os necessários procedimentos para efetivar o ressarcimento do direito creditório reconhecido (valores constantes dos demonstrativos de fls. 182/1931). (...) No presente processo decidiu o julgador de primeira instância que teria restado prejudicado o argumento da então manifestante relativamente ao estoque de abertura, vez que a contribuinte não teria estabelecido corretamente o critério para apropriação dos créditos de mercado interno e externo, não obstante a legislação contrarie o entendimento da fiscalização de que esses créditos somente seriam passíveis de dedução das contribuições. Ocorre que, conforme decidido acima neste Voto, foi aceito o critério de rateio da contribuinte para a apropriação dos créditos de mercado interno e externo, de forma que deve ser acatado o argumento da recorrente para que se possa também ser objeto de ressarcimento o valor do estoque de abertura nos períodos de apuração em referência (mai/jul/ago 2004). 5) Da apuração da base tributável do PIS e Cofins Exclusões permitidas às sociedades cooperativas Alega a recorrente que teria direito às exclusões da base de cálculo tributável pleiteadas sem nenhuma condicionante, nos termos do art. 15 da Medida Provisória nº 2.158 35/2001 e art. 11 da IN SRF nº 635/2006, que assim dispõem: Art. 15. As sociedades cooperativas poderão, observado o disposto nos arts. 2o e 3o da Lei no 9.718, de 1998, excluir da base de cálculo da COFINS e do PIS/PASEP: Ios valores repassados aos associados, decorrentes da comercialização de produto por eles entregue à cooperativa; IIas receitas de venda de bens e mercadorias a associados; IIIas receitas decorrentes da prestação, aos associados, de serviços especializados, aplicáveis na atividade rural, relativos a assistência técnica, extensão rural, formação profissional e assemelhadas; IVas receitas decorrentes do beneficiamento, armazenamento e industrialização de produção do associado; Fl. 560DF CARF MF 24 Vas receitas financeiras decorrentes de repasse de empréstimos rurais contraídos junto a instituições financeiras, até o limite dos encargos a estas devidos. §1oPara os fins do disposto no inciso II, a exclusão alcançará somente as receitas decorrentes da venda de bens e mercadorias vinculados diretamente à atividade econômica desenvolvida pelo associado e que seja objeto da cooperativa. §2oRelativamente às operações referidas nos incisos I a V do caput: Ia contribuição para o PIS/PASEP será determinada, também, de conformidade com o disposto no art. 13; IIserão contabilizadas destacadamente, pela cooperativa, e comprovadas mediante documentação hábil e idônea, com a identificação do associado, do valor da operação, da espécie do bem ou mercadorias e quantidades vendidas. Art. 11. A base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, apurada pelas sociedades cooperativas de produção agropecuária, pode ser ajustada, além do disposto no art. 9º, pela: I exclusão do valor repassado ao associado, decorrente da comercialização, no mercado interno, de produtos por ele entregues à cooperativa; II exclusão das receitas de venda de bens e mercadorias ao associado; III exclusão das receitas decorrentes da prestação, ao associado, de serviços especializados aplicáveis na atividade rural, relativos a assistência técnica, extensão rural, formação profissional e assemelhadas; IV exclusão das receitas decorrentes do beneficiamento, armazenamento e industrialização de produto do associado; V dedução dos custos agregados ao produto agropecuário dos associados, quando da sua comercialização; VI exclusão das receitas financeiras decorrentes de repasse de empréstimos rurais contraídos junto a instituições financeiras, até o limite dos encargos a estas devidos, na hipótese de apuração das contribuições no regime cumulativo; e VII dedução das sobras líquidas apuradas na Demonstração do Resultado do Exercício, antes da destinação para a constituição do Fundo de Reserva e do Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social (Fates), previstos no art. 28 da Lei nº 5.764, de 1971. § 1º Para os fins do disposto no inciso I do caput: I na comercialização de produtos agropecuários realizados a prazo, assim como aqueles produtos ainda não adquiridos do associado, a cooperativa poderá excluir da receita bruta mensal o valor correspondente ao repasse a ser efetuado ao associado; e, II os adiantamentos efetuados aos associados, relativos à produção entregue, somente poderão ser excluídos quando da comercialização dos referidos produtos. § 2º Para os fins do disposto no inciso II do caput, a exclusão alcançará somente as receitas decorrentes da venda de bens e mercadorias vinculadas diretamente à atividade econômica desenvolvida pelo associado e que seja objeto da cooperativa, e serão contabilizadas destacadamente pela cooperativa, sujeitas à comprovação mediante documentação hábil e idônea, com a identificação do associado, do valor da operação, da espécie e quantidade dos bens ou mercadorias vendidos. § 3º As exclusões previstas nos incisos II a IV do caput: I ocorrerão no mês da emissão da nota fiscal correspondente a venda de bens e mercadorias e/ou prestação de serviços pela cooperativa; e II terão as operações que as originaram contabilizadas destacadamente, sujeitas à comprovação mediante documentação hábil e idônea, com a identificação do associado, do valor, da espécie e quantidade dos bens, mercadorias ou serviços vendidos. § 4º O disposto no inciso VII do caput aplicase aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de novembro de 1999. Fl. 561DF CARF MF Processo nº 11070.002349/200915 Acórdão n.º 3402003.976 S3C4T2 Fl. 550 25 § 5º As sobras líquidas, apuradas após a destinação para constituição dos fundos a que se refere o inciso VII do caput, somente serão computadas na receita bruta da atividade rural do cooperado quando a ele creditadas, distribuídas ou capitalizadas. § 6º A sociedade cooperativa de produção agropecuária, nos meses em que fizer uso de qualquer das exclusões ou deduções de que tratam os incisos I a VII do caput, deverá, também, efetuar o pagamento da Contribuição para o PIS/Pasep incidente sobre a folha de salários, conforme disposto no art. 28. § 7º A entrega de produção à cooperativa, para fins de beneficiamento, armazenamento, industrialização ou comercialização, não configura receita do associado. § 8º Considerase custo agregado ao produto agropecuário, a que se refere o inciso V do caput, os dispêndios pagos ou incorridos com matériaprima, mãodeobra, encargos sociais, locação, manutenção, depreciação e demais bens aplicados na produção, beneficiamento ou acondicionamento e os decorrentes de operações de parcerias e integração entre a cooperativa e o associado, bem assim os de comercialização ou armazenamento do produto entregue pelo cooperado. § 9º A dedução de que trata o inciso VII do caput poderá ser efetivada a partir do mês de sua formação, devendo o excesso ser aproveitado nos meses subseqüentes. A fiscalização considerou indevidas algumas parcelas das exclusões da base de cálculo tributável das contribuições pela cooperativa, nesses termos: (...) 10.1 Repasse aos Associados Analisando o art. 15 da Medida Provisória nº 2.15835/2001, verificamos que tal dispositivo autorizou excluir da base de cálculo do PIS e da Cofins, os valores repassados aos associados, decorrentes da comercialização dos produtos por eles entregues à cooperativa. A interpretação que temos desse dispositivo é que nas operações em que foi excluída a integralidade da receita, por se tratar de venda sujeita a suspensão do PIS e da COFINS ou exportação, não há que se falar em excluir os valores repassados aos associados, proporcional a essas receitas, tendo em vista que a base de cálculo do PIS e da COFINS foi zerada pela exclusão da integralidade da receita. Considerando que na venda de produtos agrícolas com suspensão ou exportação a receita foi integralmente excluída da base de cálculo do PIS e da COFINS, os repasses aos associados, foram ajustados pela fiscalização, permitido a exclusão do repasse aos associados, proporcional, a receita de venda de produtos agrícolas, somada a receita de venda de bens de fabricação própria tributadas no mercado interno, pela soma da receita total da venda de produtos agrícolas com a venda de bens de fabricação própria. 10.2 Venda de Mercadorias aos Associados (...) Período: agosto/2004 a dezembro/2008 A partir do mês de agosto/2004 os insumos e sementes vendidos aos associados tiveram as alíquotas para o PIS e a COFINS reduzidas a zero, portanto, a receita foi excluída a título de venda de mercadorias alíquota zero, tendo anulado (zerado) as bases de cálculo da venda de mercadorias aos associados. (...) as bases de cálculo do PIS e da COFINS foram zeradas pela exclusão da receita sujeita a alíquota zero, não tendo como excluir outra vez, pois, irá afetar a base de cálculo da receita dos demais setores sujeitos a tributação. Com isto, estamos glosando o valor das mercadorias aos associados a partir do mês de agosto/2004, haja vista Fl. 562DF CARF MF 26 a contribuinte ter informado na resposta ao termo de intimação fiscal n° 0003, tratarse de venda de insumos e sementes que tiveram as alíquotas para o PIS e COFINS reduzidas a zero. 10.3 Receita de beneficiamento, armazenamento, industrialização de produção dos associados. (...) Em nenhum aspecto da legislação verificamos que a legislação autorizou a exclusão da receita de venda de produtos industrializados pela cooperativa, a título de receita de beneficiamento, armazenamento, industrialização de produção dos associados. Na resposta ao termo de intimação fiscal n° 0003, a contribuinte informa que os valores das receitas excluídas a título de beneficiamento, armazenamento, industrialização de produção dos associados é originária da comercialização de produtos industrializados pela cooperativa, por sua conta e risco, adquiridos dos associados. 10.4 Custos Agregados (...) os mesmos somente podem ser considerados se existe base de cálculo tributável pelo PIS e COFINS, no mesmo sentido do valor dos repasses aos associados. O valor do custo agregado foi ajustado de forma proporcional à receita de venda de produtos agrícolas tributados pelo PIS e COFINS. (...) Como se observa no trecho acima, no caso do Repasse aos Associados, Vendas de produtos aos associados e Custos agregados, essas exclusões da base de cálculo das contribuições, específicas das cooperativas, somente são permitidas se a cooperativa apresentar base de cálculo positiva após as exclusões da receita bruta. Conforme já tinha esclarecido a fiscalização à contribuinte no Termo de Intimação nº 001, "Caso a receita bruta da cooperativa tenha sofrido exclusões com base no que determina a legislação que trata das isenções do PIS e da Cofins nas operações de venda no mercado externo (exportação); venda com suspensão, alíquota zero e substituição tributária das mencionadas contribuições, não há que se falar nas exclusões específicas aplicadas às cooperativas (art. da MP 2.15835/2001 e art. 17 da Lei nº 10.684/2003), pois, se a base de cálculo foi zerada não há mais o que ser excluído". No caso, a contribuinte efetuou as exclusões da base de cálculo específicas para as cooperativas sem levar em consideração que já tinha excluído da receita bruta as receitas de exportações e as receitas de venda de produtos com suspensão, alíquota zero ou substituição tributária; ocorrendo a exclusão em duplicidade das mesmas receitas, tanto na receita bruta total como na base de cálculo das contribuições. Assim, entendo correto o procedimento adotado pela fiscalização. Quanto à exclusão da receita de beneficiamento, armazenamento, industrialização de produção dos associados, ela não foi permitida, pois conforme informado pela própria contribuinte, na verdade, tratavamse de receitas obtidas na comercialização de produtos industrializados pela cooperativa, o que não encontra amparo na legislação, nem no inciso IV (receitas de beneficiamento, armazenamento e industrialização de produção do associado) ou no inciso II (receitas de vendas aos associados) do art. 15 da Medida Provisória nº 2.15835, nem em outro dispositivo legal. De forma que não cabe reforma na decisão recorrida nesta parte, relativamente às exclusões das bases de cálculo das contribuições. 6) Previsão Legal para a incidência da Selic Fl. 563DF CARF MF Processo nº 11070.002349/200915 Acórdão n.º 3402003.976 S3C4T2 Fl. 551 27 Por fim, alega a recorrente que os créditos da cooperativa devem ser corrigidos pela Selic, nos termos do § 4º do art. 39 da Lei nº 9.250/1995 a partir do fato gerador, correspondendo, no presente caso, a partir de cada período de apuração, ou seja, a partir do momento que o crédito poderia ter sido aproveitado. No entanto, a pretensão da recorrente encontra obstáculo expresso no art. 13 da Lei nº 10.833/2003, aplicável à Cofins e também ao PIS/Pasep, por força do art. 15 dessa Lei, que assim dispõem: Art. 13 . O aproveitamento de crédito na forma do § 4º do art. 3º, do art. 4º e dos §§ 1º e 2º do art. 6º, bem como do § 2º e inciso II do § 4º e § 5º do art. 12, não ensejará atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores. Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) § 4º O crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subseqüentes. (...) Art. 15. Aplicase à contribuição para o PIS/PASEP não cumulativa de que trata a Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) VI no art. 13 desta Lei. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) De outra parte, a previsão legal de atualização do valor pela taxa Selic, nos termos do art. 39, §4º da Lei 9.250/1995, ora transcrito, somente é aplicável para os casos de compensação e restituição, mas não para o ressarcimento: Art. 39. A compensação de que trata o art. 66 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991, com a redação dada pelo art. 58 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, somente poderá ser efetuada com o recolhimento de importância correspondente a imposto, taxa, contribuição federal ou receitas patrimoniais de mesma espécie e destinação constitucional, apurado em períodos subseqüentes. (...) § 4º A partir de 1º de janeiro de 1996, a compensação ou restituição será acrescida de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir da data do pagamento indevido ou a maior até o mês anterior ao da compensação ou restituição e de 1% relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada. (Vide Lei nº 9.532, de 1997) [negrito desta Relatora] Fl. 564DF CARF MF 28 Ademais, como bem esclareceu o Conselheiro Relator Bernardo Motta Moreira, em seu Voto no Acórdão nº 3301002.088, da 3ª Câmara/1ª Turma Ordinária, em sessão de 23/10/2013, parcialmente transcrito abaixo, o entendimento veiculado pelo Recurso Especial nº 1.035.847, que diz respeito ao ressarcimento de créditos de IPI, não pode ser estendido para o ressarcimento de créditos das contribuições sociais não cumulativas, eis que, para essas, há a vedação expressa de atualização monetária na lei, o que não ocorre para o IPI. Assim, pelo exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário para: a) que seja recalculado o direito creditório da contribuinte com base no método do rateio proporcional adotado pela contribuinte para a apropriação dos custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, à receita tributada e à receita não tributada no mercado interno; e b) autorizar o ressarcimento/compensação do crédito já reconhecido relativamente ao estoque de abertura em conformidade com o rateio proporcional utilizado pela contribuinte para a apropriação dos créditos de mercado interno e externo. (Assinatura Digital) Maria Aparecida Martins de Paula Relatora Fl. 565DF CARF MF Processo nº 11070.002349/200915 Acórdão n.º 3402003.976 S3C4T2 Fl. 552 29 Declaração de Voto Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto Peço vênia para divergir da Ilustre Relatora acerca de dois pontos de seu voto. I) Crédito presumido Atividade agroindustrial Produção das mercadorias de origem vegetal classificadas nos capítulos 8 a 12 da NCM A partir de Agosto/2004, entendeu a fiscalização autuante que "A partir de agosto/2004 o crédito presumido ficou restrito às pessoas jurídicas que desenvolvam atividade agroindustrial, as quais apuram o crédito presumido em relação às aquisições de pessoas físicas e recebimentos de pessoas físicas (associados de cooperativas), bem como em relação às aquisições de pessoas jurídicas cuja operação foi realizada com suspensão do PIS e da Cofins. Com isso o crédito presumido apurado pela fiscalização se restringiu à atividade da agroindústria". A Lei nº 10.925/2004 trouxe alteração legislativa ao crédito presumido, permitindoo a partir de agosto de 2004 somente à agroindústria, no caput do art. 8º, para as aquisições de insumo (bens) de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física, e no seu §1º, para as aquisições de cerealistas (inciso I) e outras pessoas jurídicas específicas (incisos II e III): Art. 8o As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. § 1º O disposto no caput deste artigo aplicase também às aquisições efetuadas de: I cerealista que exerça cumulativamente as atividades de secar, limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal, classificados nos códigos 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, 12.01 e 18.01, todos da NCM; [redação original] I cerealista que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal, classificados nos códigos 09.01, 10.01 Fl. 566DF CARF MF 30 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, 12.01 e 18.01, todos da NCM; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) I cerealista que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal classificados nos códigos 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, e 18.01, todos da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM); (Redação dada pela Lei nº 12.865, de 2013) (...) A partir de então, segundo a fiscalização, não haveria mais a possibilidade de aproveitamento do crédito presumido pelo cerealista, como antes havia no §11 da Lei 10.833/2003, ou pelas pessoas jurídicas descritas nos incisos II e III do §1º do art. 8º da Lei nº 10.865/2004, bem como o crédito em relação às receitas de vendas com suspensão efetuadas a essas pessoas, em face da vedação expressa no §4º do referido art. 8°: § 4o É vedado às pessoas jurídicas de que tratam os incisos I a III do § 1o deste artigo o aproveitamento: I do crédito presumido de que trata o caput deste artigo; II de crédito em relação às receitas de vendas efetuadas com suspensão às pessoas jurídicas de que trata o caput deste artigo. Ocorre, todavia, que um ponto específico não foi enfrentado pela fiscalização e que é normativamente relevante para a qualificação da Recorrente: a alteração do conceito de cerealista pela Lei nº 11.196/2005, cujo dispositivo do art. 63 entrou em vigor a partir de 22/12/2005. O dispositivo alterou o conceito de cerealista para excluir a atividade de secar como requisito cumulativo para esta qualificação jurídica, passando a ser necessário que a cooperativa exerça apenas as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar, cumulativamente. Desse modo, a empresa que realizar outras atividades além das quatro mencionadas no art. 63 da Lei nº 11.196/2005, se enquadraria não mais no conceito de cerealista, mas sim no de agroindústria, fazendo jus ao crédito pretendido pela Recorrente. Neste caso, a empresa realiza atividade de secagem, o que lhe garante, frente à Lei mencionada, a condição de empresa agroindustrial. Nesse sentido, menciono os acórdãos do TRF4 na Apelação nº 500780019.2013.404.7104/RS e Apelação nº 5005427 12.2013.404.7105/RS, neste último se afirmouse: As atividades desenvolvidas pela impetrante de limpeza, secagem, classificação e armazenagem de produtos in natura de origem vegetal enquadramse no conceito de empresa agroindustrial ao beneficiar os grãos que exporta, fazendo jus, por consequência, ao ressarcimento do crédito presumido, apurado na forma do artigo 8º da Lei 10.925/2004. Assim, a partir da data de 22/12/2005, a Recorrente passou a se enquadrar não mais na condição de cerealista, mas sim na de empresa agroindustrial, com fundamento no art. 63 da Lei nº 11.196/2005, fazendo jus, como reconhecido pela fiscalização, ao crédito presumido a partir desta data. Em razão disso, minha divergência em relação ao voto da Conselheira Relatora cingese apenas quanto ao reconhecimento do direito do Recorrente aos créditos após 22/12/2005. Fl. 567DF CARF MF Processo nº 11070.002349/200915 Acórdão n.º 3402003.976 S3C4T2 Fl. 553 31 II) Previsão Legal para a incidência da Selic Alega a recorrente que os créditos da cooperativa devem ser corrigidos pela Selic, nos termos do § 4º do art. 39 da Lei nº 9.250/1995 a partir do fato gerador, correspondendo, no presente caso, a partir de cada período de apuração, ou seja, a partir do momento que o crédito poderia ter sido aproveitado. Por sua vez, a Ilustre Relatora negou tal pretensão afirmando a existência de obstáculo expresso no art. 13 da Lei nº 10.833/2003, verbis: Art. 13 . O aproveitamento de crédito na forma do § 4º do art. 3º, do art. 4º e dos §§ 1º e 2º do art. 6º, bem como do § 2º e inciso II do § 4º e § 5º do art. 12, não ensejará atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores. Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) § 4º O crédito não aproveitado em determinado mês poderá sê lo nos meses subseqüentes. Data vênia, entendo que tal leitura dos dispositivos está equivocada. A restrição legal à atualização diz respeito ao período entre a apuração do crédito e o mês de seu aproveitamento, exclusivamente, não abrangendo o período posterior em que o ressarcimento fica obstado pela resistência ilegítima da fiscalização. Nesse sentido, o Superior Tribunal de Justiça se manifestou no EAg 1.220.942/SP, nos seguintes termos: “Desse modo, a lógica é simples: se há pedido de ressarcimento de créditos de IPI, PIS/COFINS (em dinheiro ou via compensação com outros tributos) e esses créditos são reconhecidos pela Receita Federal com mora, essa demora no ressarcimento enseja a incidência de correção monetária, posto que caracteriza também a chamada “resistência ilegítima” exigida pela Súmula n. 411/STJ. Sendo assim, realinhei a minha opinião no sentido de reconhecer o direito à correção monetária dos créditos por ressarcimento desde o protocolo dos pedidos administrativos, devendo ser aplicados os índices que constam do Manual de Orientação de Procedimentos para os Cálculos da Justiça Federal, aprovado pela Resolução 561/CJF, de 02.07.2007, do Conselho da Justiça Federal, inclusive a taxa Selic” De fato, não faria sentido o contribuinte ser penalizado em seu crédito em razão de discordância da fiscalização que, ao final do processo administrativo, se mostrou infundada. Sem a incidência da SELIC sobre este crédito, seu valor seria dilapidado ao longo do às vezes extenso período de duração do PAF. Portanto, parece que a interpretação mais consentânea com a sistemática de aproveitamento de créditos e com o respeito ao direito do contribuinte é aquela que estende a Fl. 568DF CARF MF 32 restrição do art. 13 da Lei nº 10.833/2003 apenas ao período entre a apuração do crédito e o pedido de ressarcimento. Uma vez solicitado o ressarcimento, o ônus econômico do tempo não pode recair sobre o contribuinte. Assim, voto pela incidência da SELIC sobre o valor do crédito a partir da data de apresentação do pedido de ressarcimento. (Assinatura Digital) Carlos Augusto Daniel Neto Conselheiro Fl. 569DF CARF MF
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Numero do processo: 10830.912316/2012-79
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Apr 20 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3402-000.981
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª Câmara /2ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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ENTIDADES BENEFICENTES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. Recorrente CASA DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE DE VALINHOS GRUPO GENTE NOVO RUMO Recorrida FAZENDA NACIONAL ACORDAM os membros da 4ª Câmara /2ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório eletrônico que indeferiu o Pedido de Restituição Eletrônico PER, referente a alegado crédito de pagamento indevido ou a maior efetuado por meio do DARF. Segundo o Despacho Decisório, o DARF informado no PER foi integralmente utilizado na quitação do respectivo débito, não restando crédito disponível para restituição. Em sua manifestação de inconformidade a interessada argumentou, em resumo, que o pagamento indevido decorre de sua condição de imune às contribuições sociais, nos termos do § 7º do art. 195, c/c 146, inc. II, ambos da Constituição Federal, e do art. 14 do CTN. Isso porque tem a natureza jurídica de associação civil sem fins lucrativos e o objetivo de prestar assistência integral à criança e ao adolescente, na forma dos arts. 203 da CF/88 e 2º do Estatuto da Criança. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 30 .9 12 31 6/ 20 12 -7 9 Fl. 70DF CARF MF Processo nº 10830.912316/201279 Resolução nº 3402000.981 S3C4T2 Fl. 3 2 Uma vez processada a manifestação de inconformidade, esta foi julgada improcedente nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2008 RESTITUIÇÃO. PIS – FOLHA DE PAGAMENTO. ATIVIDADE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. INCIDÊNCIA. São contribuintes do PIS/Pasep incidente sobre a folha de salário, e não sobre o faturamento, as instituições beneficentes de assistência social, de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações, quando atendidas as condições e requisitos legais. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido.. Diante deste quadro, o contribuinte interpôs o recurso voluntário em que alegou, em suma: (i) que é imune ao pagamento do PIS, haja vista o disposto no art. 195, § 7º, c.c. o art. 146, inciso II, ambos da Magna Lex, bem como o disposto no art. 14 do CTN; e, ainda (ii) que a recorrente atende todos os requisitos estabelecidos em lei para gozar da imunidade citada e que, para o período em tela, foi declarada entidade pública federal, nos termos da Portaria Federal n. 685, de 04/04/2007, bem como possui o CEBAS Certificado de Entidades Beneficentes de Assistência Social, sob o n. 71000.114296/200930. É o relatório. Resolução Conselheiro Antonio Carlos Atulim, relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3402000.939, de 28 de março de 2017, proferida no julgamento do processo 10830.912270/201298, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu na Resolução 3402000.939: "5. O presente recurso voluntário preenche os pressupostos formais de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. 6. Como visto alhures, tratase de pedido de ressarcimento com o fito de ver reconhecido crédito de PIS decorrente da imunidade da recorrente, uma vez que a mesma enquadrarseia no conceito de entidade beneficente. Fl. 71DF CARF MF Processo nº 10830.912316/201279 Resolução nº 3402000.981 S3C4T2 Fl. 4 3 7. Para provar sua condição de entidade beneficente, a recorrente anexa à sua manifestação de inconformidade os documentos de fls. 21/28 [(i) certificado de utilidade pública nacional, emitido pelo Ministério da Justiça; (ii) atestado de registro no Conselho Nacional de Assistência Social; (iii) Portaria Municipal que reconhece o caráter assistencial da recorrente; e, ainda, (iv) cópia da lei municipal n. 4.812/2012, que autoriza a concessão de subvenções às entidades assistenciais do Município de Valinhos, dentre as quais encontrase a recorrente]. 8. Não obstante, juntamente com seu recurso voluntário, o contribuinte apresenta outro documento (fl. 65) que atestaria sua condição de entidade beneficente. Tratase do ofício n. 959/20013, emitido pela Coordenação Geral de Certificação das Entidades Beneficentes de Assistência Social, que assim comunica: 9. Da análise de todos os documentos aqui tratados, é possível cogitar que, de fato, a recorrente enquadrase no conceito de entidade assistencial apta a gozar de imunidade tributária. Acontece que, todos os documentos trazidos nos autos pela recorrente com o escopo de provar tal condição referemse à momento posterior ao período do crédito em análise, o qual diz respeito ao mês de fevereiro de 2006 (fl. 32). 10. Neste diapasão, tendo em vista que o acervo probatório trazidos aos autos aparentemente induz à conclusão de que a recorrente preenche as condições para gozar de imunidade tributária, bem com ainda pautado pela ideia de instrumentalidade do processo, resolvo por converter o presente julgamento em diligência para que a unidade preparadora providencie: Fl. 72DF CARF MF Processo nº 10830.912316/201279 Resolução nº 3402000.981 S3C4T2 Fl. 5 4 · a intimação do contribuinte para apresentar o Certificado de Entidades Beneficentes de Assistência Social CEBAS válido para o período do crédito aqui vindicado. 11. É a resolução." Importante frisar que os documentos juntados pela contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório alegado, também foram juntados em cópias nestes autos. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, convertese o presente julgamento em diligência, para que a unidade preparadora intime o contribuinte para apresentar o Certificado de Entidades Beneficentes de Assistência Social CEBAS válido para o período do crédito aqui vindicado. Após, retornemse os autos para julgamento. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Fl. 73DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.695807/2009-59
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue May 09 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2004
DATA DA COMPENSAÇÃO. VALORAÇÃO DOS CRÉDITOS E DÉBITOS.
Na compensação declarada pelo sujeito passivo, os créditos serão acrescidos de juros compensatórios e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos legais até a data da entrega da apresentação do PER/DCOMP, na forma da legislação de regência.
COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO PARCIAL. DATA DA APRESENTAÇÃO DA DCOMP
No caso de apresentação de DCOMP após o vencimento do tributo a ser compensado haverá acréscimos legais ao débito. A falta de equivalência entre o total de crédito e de débitos apontados como compensáveis, valorados na forma da legislação que rege a espécie, impõe a homologação apenas parcial da DCOMP apresentada pelo sujeito passivo.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-003.407
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Marcelo Costa, Maria Eduarda e Valcir Gassen, que davam provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2004 DATA DA COMPENSAÇÃO. VALORAÇÃO DOS CRÉDITOS E DÉBITOS. Na compensação declarada pelo sujeito passivo, os créditos serão acrescidos de juros compensatórios e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos legais até a data da entrega da apresentação do PER/DCOMP, na forma da legislação de regência. COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO PARCIAL. DATA DA APRESENTAÇÃO DA DCOMP No caso de apresentação de DCOMP após o vencimento do tributo a ser compensado haverá acréscimos legais ao débito. A falta de equivalência entre o total de crédito e de débitos apontados como compensáveis, valorados na forma da legislação que rege a espécie, impõe a homologação apenas parcial da DCOMP apresentada pelo sujeito passivo. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Marcelo Costa, Maria Eduarda e Valcir Gassen, que davam provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
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DCOMP TRANSMITIDA APÓS VENCIMENTO DO DÉBITO. Recorrente ESPN DO BRASIL EVENTOS ESPORTIVOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2004 DATA DA COMPENSAÇÃO. VALORAÇÃO DOS CRÉDITOS E DÉBITOS. Na compensação declarada pelo sujeito passivo, os créditos serão acrescidos de juros compensatórios e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos legais até a data da entrega da apresentação do PER/DCOMP, na forma da legislação de regência. COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO PARCIAL. DATA DA APRESENTAÇÃO DA DCOMP No caso de apresentação de DCOMP após o vencimento do tributo a ser compensado haverá acréscimos legais ao débito. A falta de equivalência entre o total de crédito e de débitos apontados como compensáveis, valorados na forma da legislação que rege a espécie, impõe a homologação apenas parcial da DCOMP apresentada pelo sujeito passivo. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Marcelo Costa, Maria Eduarda e Valcir Gassen, que davam provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente e Relator Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 69 58 07 /2 00 9- 59 Fl. 97DF CARF MF Processo nº 10880.695807/200959 Acórdão n.º 3301003.407 S3C3T1 Fl. 3 2 d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório A recorrente acima qualificada apresentou Declaração de Compensação pleiteando a compensação de débitos referentes a impostos e contribuições administrados pela SRF, com créditos de PIS (código de receita 8109), decorrentes de pagamento supostamente indevido ou a maior. Por meio do Despacho Decisório emitido pela DERATSP, a compensação declarada foi homologada parcialmente, sob o fundamento de que constatouse a procedência do crédito original informado no PER/DCOMP, reconhecendose o valor do crédito pretendido. Entretanto, o crédito reconhecido revelouse insuficiente para quitar os débitos informados no PER/DCOMP. Cientificado da decisão, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, tempestivamente, alegando, em síntese, que: a) O valor original utilizado para a compensação, foi recolhido no mesmo prazo de vencimento dos créditos tributários compensados; b) Assim, não se apropriou de juros pela taxa Selic sobre os valores declarados no PER/DCOMP, e não imputou multa e juros sobre os créditos tributários compensados, pois são do mesmo período de apuração; c) Faz planilha para comparação dos períodos de apuração e datas de vencimento. d) Tratase de evidente cobrança equivocada, e apresenta como provas as cópia dos documentos relativos aos lançamentos contestados e a procuração de nomeação do representante legal que assina a manifestação de inconformidade; e) Demonstrada a insubsistência e improcedência do processo, requer seja cancelado o processo reclamado. A DRJ/SP1 indeferiu a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 16038.181. O fundamento adotado foi o de que, na compensação declarada pelo sujeito passivo, os créditos são acrescidos de juros compensatórios e os débitos sofrem a incidência de acréscimos legais até a data da entrega do PER/DCOMP, na forma da legislação de regência. A recorrente repetiu os argumentos da impugnação no recurso voluntário. É o relatório. Voto Fl. 98DF CARF MF Processo nº 10880.695807/200959 Acórdão n.º 3301003.407 S3C3T1 Fl. 4 3 Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301003.231, de 28 de março de 2017, proferido no julgamento do processo 10880.667966/200963, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301003.231): "O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais de admissibilidade, por isso dele tomo conhecimento. Constatase que a controvérsia do processo permanece a mesma desde a 1ª instância, com a contribuinte alegando que o DARF utilizado como pagamento a maior para a compensação foi pago dentro do prazo de vencimento do tributo e por isso, não se conformando com a cobrança de acréscimos legais no momento da efetiva compensação. Entretanto, como veremos adiante, o valor do crédito foi insuficiente para quitar o débito, em função dos acréscimos legais ao débito compensado, atualizados até a data da apresentação do PER/DCOMP, em virtude do atraso entre seu vencimento e a formalização da compensação. A DCOMP em tela, foi formalizada pela interessada para compensar débito de COFINS – não cumulativa (código de receita 5856), vencido em 15/06/2004, com créditos de COFINS (código de receita 2172), cuja data de arrecadação foi 15/06/2004. De acordo com o Despacho Decisório emitido pela DERAT/SP, constatouse a procedência do crédito original informado no PER/DCOMP. No entanto, o mesmo foi insuficiente para quitar os débitos informados em consequência da data de apresentação da DCOMP, e por este motivo a compensação foi homologada parcialmente. A recorrente alega que o valor original utilizado para a compensação foi recolhido no mesmo prazo de vencimento dos créditos tributários compensados, e sendo assim, não poderia haver multa e juros sobre os referidos créditos, pois são do mesmo período de apuração. Como bem dito no acórdão recorrido, a contribuinte equivocouse em relação à forma de valoração do crédito e do débito que informou em sua declaração de compensação, ao não efetuar os cálculos relativos aos acréscimos legais, o que gerou um saldo devedor, e consequentemente, a homologação parcial da compensação. Constatase que a data do envio do PER/DCOMP é quando se formaliza a extinção do débito por compensação, de acordo com o que dispõe a Lei nº 9.430/1996, abaixo transcrita: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição Fl. 99DF CARF MF Processo nº 10880.695807/200959 Acórdão n.º 3301003.407 S3C3T1 Fl. 5 4 administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (...) Portanto, a extinção do débito por compensação ocorre na data de envio do PER/DCOMP. No caso concreto, a interessada enviou a PER/DCOMP em 21/01/2007 para compensar débito cujo vencimento se deu em 15/06/2004, portanto, é fato que o débito já estava vencido quando foi extinto pela compensação. Assim, partir da data do vencimento passaram a incidir sobre o débito os acréscimos legais, quais sejam, multa de mora e juros, nos termos do artigo 61 da Lei 9.430/1996, abaixo transcrito: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º. A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º. O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º. Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. No recurso voluntário, a recorrente repete o argumento de que o pagamento utilizado para a compensação foi realizado no mesmo prazo de vencimento do débito compensado, mas tal fato não a socorre, pois a utilização do crédito tributário ocorre apenas com a apresentação do PER/DCOMP, que ocorreu após o vencimento do débito compensado. Assim, cumpre transcrever o artigo 28 da IN SRF nº 600/2005, em vigor à época da transmissão do PER/DCOMP: Fl. 100DF CARF MF Processo nº 10880.695807/200959 Acórdão n.º 3301003.407 S3C3T1 Fl. 6 5 Art. 28. Na compensação efetuada pelo sujeito passivo, os créditos serão valorados na forma prevista nos arts. 52 e 53 e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos legais, na forma da legislação de regência, até a data da entrega da Declaração de Compensação. § 1º A compensação total ou parcial de tributo ou contribuição administrados pela SRF será acompanhada da compensação, na mesma proporção, dos correspondentes acréscimos legais. (...) Logo, os débitos vencidos, vinculados a PER/DCOMP, serão acrescidos de multa de mora, calculada a partir do primeiro dia subsequente à data de vencimento até a data da entrega do PER/DCOMP, quando se formaliza a compensação; bem como sofrerão a incidência de juros referentes à taxa SELIC, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Em relação aos créditos utilizados na compensação, as regras para valoração vigentes à época da transmissão do PER/DCOMP estão contidas no artigo 52 da IN SRF nº 600/2005, também transcrita: Art. 52. O crédito relativo a tributo ou contribuição administrados pela SRF, passível de restituição, será restituído ou compensado com o acréscimo de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (Selic) para títulos federais, acumulados mensalmente, e de juros de 1% (um por cento) no mês em que: (...) II – houver a entrega da Declaração de Compensação; (...) § 1º No cálculo dos juros Selic de que trata o caput, observarseá, como termo inicial de incidência: (...) III – na hipótese de pagamento indevido ou a maior: a) o mês de janeiro de 1996, se o pagamento tiver sido efetuado antes de 1º de janeiro de 1996; b) a data da efetivação do pagamento, se este tiver sido efetuado entre 1º de janeiro de 1996 e 31 de dezembro de 1997; ou c) o mês subseqüente ao do pagamento, se este tiver sido efetuado após 31 de dezembro de 1997; Por isso, foi apurado o saldo devedor indicado no Despacho Decisório e a compensação foi parcialmente homologada. Portanto, não se está desprezando o princípio da verdade material e nem está havendo enriquecimento sem causa do Fisco, como alega a recorrente. Simplesmente, está sendo cobrado o atraso entre a Fl. 101DF CARF MF Processo nº 10880.695807/200959 Acórdão n.º 3301003.407 S3C3T1 Fl. 7 6 data do vencimento do tributo e o seu necessário pagamento, que, no caso em tela, deuse no momento da apresentação da DCOMP. Assim, tendo em vista tudo o acima exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo a DCOMP foi transmitida em data posterior à do vencimento do(s) débito(s) compensado(s). Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente Luiz Augusto do Couto Chagas Fl. 102DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.015795/2004-34
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 04 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Apr 24 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Exercício: 1999
MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS.
A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44, § 1º, inciso IV, da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício (Súmula CARF nº 105).
Numero da decisão: 9101-002.748
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Adriana Gomes Rêgo, José Eduardo Dornelas Souza, André Mendes de Moura, Luís Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto. Ausente, momentaneamente, a Conselheira Cristiane Silva Costa. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão.
Nome do relator: ADRIANA GOMES REGO
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Exercício: 1999 MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44, § 1º, inciso IV, da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício (Súmula CARF nº 105).
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Adriana Gomes Rêgo, José Eduardo Dornelas Souza, André Mendes de Moura, Luís Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto. Ausente, momentaneamente, a Conselheira Cristiane Silva Costa. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão.
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(atual denominação de MG MASTER LTDA.) ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Exercício: 1999 MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44, § 1º, inciso IV, da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício (Súmula CARF nº 105). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Adriana Gomes Rêgo, José Eduardo Dornelas Souza, André Mendes de Moura, Luís Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto. Ausente, momentaneamente, a Conselheira Cristiane Silva Costa. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 01 57 95 /2 00 4- 34 Fl. 515DF CARF MF Processo nº 10680.015795/200434 Acórdão n.º 9101002.748 CSRFT1 Fl. 516 2 Relatório A FAZENDA NACIONAL recorre a este Colegiado, por meio do Recurso Especial de efls. 488 e ss., contra o acórdão nº 110200.402 (de 22/02/2011, efls. 478 e ss.), que, no mérito e por maioria de votos, deu provimento ao recurso voluntário. Transcrevese a ementa do acórdão recorrido: CSLL 1999 a 2001 Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Liquido CSLL Anocalendário: 1999,2000,2001 Ementa: ESTIMATIVA MENSAL. FALTA DE RECOLHIMENTO. MULTA ISOLADA. A multa isolada constante no art. 44 da Lei n" 9.430/96 tem como objetivo obrigar o sujeito passivo ao recolhimento mensal de antecipações de um possível imposto de renda e contribuição devidos ao final do anocalendário, de modo que a penalidade somente se justifica quando cobrada durante aquele anocalendário. Ao final do exercício, desaparece a base imponivel daquela penalidade (antecipações), surgindo uma nova base, que corresponde à contribuição efetivamente apurada, cabendo tãosomente a cobrança da multa de oficio, que é devida caso a contribuição não seja paga no seu vencimento e apurada exofficio E se inexiste saldo de contribuição a pagar, sequer a base de cálculo da multa de oficio persistirá. O Recurso Especial ora apreciado foi admitido por meio do Despacho de e fls. 505 e ss. A Recorrente aponta divergência jurisprudencial em relação ao acórdão a seguir, cuja ementa está assim redigidas na parte de interesse: Acórdão nº 140100.107: Assunto: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006 (...) IRPJ — CSLL MULTA ISOLADA. Por se referirem a infrações distintas, a multa de oficio exigida isoladamente sobre o valor do imposto apurado por estimativa no curso do anocalendário, que deixou de ser recolhido, aplicável concomitantemente com a multa de oficio calculada sobre o imposto devido com base no Fl. 516DF CARF MF Processo nº 10680.015795/200434 Acórdão n.º 9101002.748 CSRFT1 Fl. 517 3 lucro real, mesmo que o lançamento ocorra após o encerramento do anocalendário. As alegações de mérito da Recorrente, são, em síntese, as seguintes: a) que o colegiado a quo aduziu que não poderia ser exigida a multa isolada por falta de recolhimento de estimativas após o encerramento do ano calendário, mas que essa condicionante não se aplica ao caso, uma vez que a penalidade isolada incide se descumprida a obrigação de antecipação do tributo ao longo do ano, ainda que se apure prejuízo fiscal ou base negativa no final do ano calendário; b) que as infrações apenadas pela chamada "multa de oficio" e pela "multa isolada" são diferentes. A multa de oficio decorre do não pagamento de tributo pelo contribuinte. Já a multa isolada decorre do descumprimento do regime de estimativa; c) que com a multa isolada o contribuinte está sendo penalizado por não auxiliar a União a fazer frente as despesas incorridas no decorrer dos anos, pelo regime de pagamento de estimativas, e não, propriamente, por não pagar o IRPJ ou a CSLL, até por que, como se percebe da Lei n° 9.430/96, tal multa será devida ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de calculo negativa para tais tributos; d) que a multa de oficio e a multa isolada possuem bases de cálculos distintas. Com efeito, a multa de ofício deve incidir sobre o tributo efetivamente devido pelo sujeito passivo, que, no caso, é apurado no momento em que ocorre o Ajuste Anual. Já a multa isolada deve incidir sobre as bases de cálculo estimadas; e) que as multas de oficio e isolada não decorrem da mesma infração, e não incidem sobre a mesma base de cálculo. São multas inteiramente diversas, previstas em lei. Tanto que, mesmo diante da inexistência de saldo a pagar, aplicase a multa isolada conforme expressamente disposto na norma legal que a disciplina; f) que, enfim, a multa de oficio e a multa isolada possuem bases de cálculos distintas. Com efeito, a multa de oficio deve incidir sobre o tributo efetivamente devido pelo sujeito passivo, que, no caso, é apurado no momento em que ocorre o Ajuste Anual. Ao final pede a Recorrente que o presente recurso seja conhecido e provido, para reformar o acórdão recorrido, com o conseqüente restabelecimento da multa isolada. Não constam nos autos contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheira Adriana Gomes Rêgo Relatora O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele tomo conhecimento. Fl. 517DF CARF MF Processo nº 10680.015795/200434 Acórdão n.º 9101002.748 CSRFT1 Fl. 518 4 Conforme se extrai dos autos, a multa isolada foi lançada na autuação fiscal aqui discutida com fundamento no art. 44, § 1º, inciso IV, da Lei nº 9.430, de 1996, isto é, com base na redação do art. 44 anterior à edição Medida Provisória nº 351, de 22 de janeiro de 2007, convertida na Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007. Por clareza, cumpre reproduzir a redação desse artigo antes e depois da edição da MP em tela: Art. 44 da Lei nº 9.430/1996, na redação anterior à MP nº 351, de 2007: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; (...) § 1° As multas de que trata este artigo serão exigidas: I juntamente com o tributo ou a contribuição, quando não houverem sido anteriormente pagos; (...) IV isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2°, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro liquido, no anocalendário correspondente. Art. 44 da Lei nº 9.430/1996, na redação dada pela MP nº 351, de 2007: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. Fl. 518DF CARF MF Processo nº 10680.015795/200434 Acórdão n.º 9101002.748 CSRFT1 Fl. 519 5 Em que pesem os argumentos da Fazenda Nacional, como antes referido, a multa isolada no presente processo foi lançada com fundamento no art. 44, § 1º, inciso IV, da Lei nº 9.430, de 1996. Em sendo assim, aplicase ao presente caso a Súmula CARF nº 105, aprovada pela 1ª Turma da CSRF em sessão de 08/12/2014, cujo enunciado é transcrito a seguir (sublinhouse): A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício. Deve, portanto, ser mantida a exoneração do lançamento de multa isolada procedida pela decisão recorrida. Conclusão Em face do exposto, conheço do recurso e, no mérito, NEGOLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Fl. 519DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11516.721875/2011-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 20 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Mar 22 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008
REGIME DE INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. INSUMO DE PRODUÇÃO OU FABRICAÇÃO. DEDUÇÃO DE CRÉDITOS. SIGNIFICADO E ALCANCE.
No regime de incidência não cumulativa da Cofins, insumo de produção ou fabricação compreende os bens e serviços aplicados diretamente no processo de produção (insumos diretos de produção) e os demais bens e serviços gerais utilizados indiretamente na produção ou fabricação (insumos indiretos de produção), ainda que agregados aos bens ou serviços aplicados diretamente no processo produtivo.
REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. AQUISIÇÃO DE BENS NÃO SUJEITOS AO PAGAMENTO DA CONTRIBUIÇÃO. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE.
Por expressa determinação legal, é vedada a apropriação de crédito da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins em relação à aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento das referidas contribuições.
REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. ATENDIMENTO DOS REQUISITOS LEGAIS. VENDA COM SUSPENSÃO POR PESSOA JURÍDICA OU COOPERATIVA QUE EXERÇA ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL. OBRIGATORIEDADE.
É obrigatória a suspensão da cobrança da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins na operação de venda de insumo destinado à produção de mercadorias de origem animal ou vegetal, realizada por pessoa jurídica que exerça atividade agroindustrial ou por cooperativa agroindustrial, se o adquirente for pessoa jurídica tributada pelo lucro real (art. 9º, III, da Lei 10.925/2004).
CRÉDITO PRESUMIDO AGROINDUSTRIAL. INSUMOS APLICADOS NA PRODUÇÃO DE MERCADORIAS DE ORIGEM ANIMAL. PERCENTUAL DE PRESUNÇÃO DEFINIDO SEGUNDO O TIPO DA MERCADORIA PRODUZIDA. POSSIBILIDADE.
A pessoa jurídica que exerça atividade agroindustrial de produção de bens de origem animal destinados à alimentação humana ou animal, especificado no § 3º, I, do art. 8º da Lei 10.925/2004, independentemente da natureza do insumo agropecuário, tem o direito de apropriar-se do crédito do presumido da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins, calculado pelo percentual de 60% da alíquota normal das referidas contribuições, a ser aplicado sobre o custo de aquisição do insumo utilizado no processo de produção.
VENDAS COM FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS REQUISITOS LEGAIS. MANUTENÇÃO DA ISENÇÃO. IMPOSSIBILIDADE
Para caracterizar as receitas como decorrentes de vendas efetuadas com o fim específico de exportação e, consequentemente, usufruir da isenção da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins, faz-se necessário a comprovação que os produtos foram remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora.
REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. VENDAS A EMPRESAS EXPORTADORAS. ISENÇÃO. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA.
No âmbito do regime não cumulativo das Contribuições para o PIS e da Cofins, a responsabilidade tributária pelo pagamento das contribuições devidas e seus consectários legais, no caso de venda (com fins específicos de exportação) a empresa exportadora sem o preenchimento dos requisitos legais da isenção no momento da venda, é do contribuinte vendedor das mercadorias.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3302-003.604
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares. Por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário quanto à reclassificação dos créditos vinculados às receitas desconsideradas como fim específico de exportação, vencidos os Conselheiros Domingos de Sá Filho e Lenisa Rodrigues Prado. Por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário quanto ao crédito sobre aquisições de pallets, vencido o Conselheiro Hélcio Lafetá Reis que dava provimento em relação ao paletes "one way" e os Conselheiros Lenisa Rodrigues Prado e Walker Araújo que davam provimento total. Por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário quanto aos créditos sobre facas, vencidos os Conselheiros José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar e Hélcio Lafetá Reis. Por qualidade, em dar provimento ao recurso voluntário quanto ao créditos sobre as demais peças, equipamentos para manutenção, vencidos os Conselheiros Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar e Hélcio Lafetá Reis. Por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário quanto ao crédito de gasolina comum combustível, vencidos os Conselheiros Lenisa Rodrigues Prado e Sarah Maria Linhares de Araújo Paes De Souza. Por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário quanto ao crédito de óleo diesel e álcool etílico combustível. Por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário quanto ao crédito sobre produtos de desinfecção e limpeza, vencida a Conselheira Lenisa Rodrigues Prado. Por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário quanto à glosa de créditos de aquisições de PJ com suspensão obrigatória, reconhecendo os créditos presumidos relativos a estas aquisições. Por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário quanto aos créditos de serviços, para reconhecer os créditos sobre "Serviço de Expedição e Armazéns", "Serviço de Transporte de Aves e Serviço de Carga e Descarga (transbordo) e "serviços de sangria". Por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário quanto às glosas de despesas de armazenagem e fretes nas operações na venda. Por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para a aplicação da alíquota de 60% das alíquotas básicas das contribuições a ser aplicada sobre o valor do custo de aquisição de todos insumos utilizados na fabricação dos produtos discriminados no art. 8º, § 3º, I, da Lei 10.925/2004. Por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito ao crédito sobre as aquisições de pintos de 1 dia adquiridos de pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e cooperativa de produção agropecuária, à alíquota de 60% das alíquotas gerais das contribuições. O Conselheiro José Fernandes do Nascimento foi designado para redigir o voto vencedor. Fez sustentação oral: Dr. Fabio Calcini - OAB 197.072 - SP.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
Lenisa Rodrigues Prado - Relatora.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Redator Designado
Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Hélcio Lafetá Reis, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo.
Nome do relator: LENISA RODRIGUES PRADO
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camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008 REGIME DE INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. INSUMO DE PRODUÇÃO OU FABRICAÇÃO. DEDUÇÃO DE CRÉDITOS. SIGNIFICADO E ALCANCE. No regime de incidência não cumulativa da Cofins, insumo de produção ou fabricação compreende os bens e serviços aplicados diretamente no processo de produção (insumos diretos de produção) e os demais bens e serviços gerais utilizados indiretamente na produção ou fabricação (insumos indiretos de produção), ainda que agregados aos bens ou serviços aplicados diretamente no processo produtivo. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. AQUISIÇÃO DE BENS NÃO SUJEITOS AO PAGAMENTO DA CONTRIBUIÇÃO. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. Por expressa determinação legal, é vedada a apropriação de crédito da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins em relação à aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento das referidas contribuições. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. ATENDIMENTO DOS REQUISITOS LEGAIS. VENDA COM SUSPENSÃO POR PESSOA JURÍDICA OU COOPERATIVA QUE EXERÇA ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL. OBRIGATORIEDADE. É obrigatória a suspensão da cobrança da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins na operação de venda de insumo destinado à produção de mercadorias de origem animal ou vegetal, realizada por pessoa jurídica que exerça atividade agroindustrial ou por cooperativa agroindustrial, se o adquirente for pessoa jurídica tributada pelo lucro real (art. 9º, III, da Lei 10.925/2004). CRÉDITO PRESUMIDO AGROINDUSTRIAL. INSUMOS APLICADOS NA PRODUÇÃO DE MERCADORIAS DE ORIGEM ANIMAL. PERCENTUAL DE PRESUNÇÃO DEFINIDO SEGUNDO O TIPO DA MERCADORIA PRODUZIDA. POSSIBILIDADE. A pessoa jurídica que exerça atividade agroindustrial de produção de bens de origem animal destinados à alimentação humana ou animal, especificado no § 3º, I, do art. 8º da Lei 10.925/2004, independentemente da natureza do insumo agropecuário, tem o direito de apropriar-se do crédito do presumido da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins, calculado pelo percentual de 60% da alíquota normal das referidas contribuições, a ser aplicado sobre o custo de aquisição do insumo utilizado no processo de produção. VENDAS COM FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS REQUISITOS LEGAIS. MANUTENÇÃO DA ISENÇÃO. IMPOSSIBILIDADE Para caracterizar as receitas como decorrentes de vendas efetuadas com o fim específico de exportação e, consequentemente, usufruir da isenção da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins, faz-se necessário a comprovação que os produtos foram remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. VENDAS A EMPRESAS EXPORTADORAS. ISENÇÃO. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. No âmbito do regime não cumulativo das Contribuições para o PIS e da Cofins, a responsabilidade tributária pelo pagamento das contribuições devidas e seus consectários legais, no caso de venda (com fins específicos de exportação) a empresa exportadora sem o preenchimento dos requisitos legais da isenção no momento da venda, é do contribuinte vendedor das mercadorias. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 51; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1963; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 1.562 1 1.561 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11516.721875/201116 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302003.604 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 20 de fevereiro de 2017 Matéria COFINS RESSARCIMENTO Recorrente BRF S/A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008 REGIME DE INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. INSUMO DE PRODUÇÃO OU FABRICAÇÃO. DEDUÇÃO DE CRÉDITOS. SIGNIFICADO E ALCANCE. No regime de incidência não cumulativa da Cofins, insumo de produção ou fabricação compreende os bens e serviços aplicados diretamente no processo de produção (insumos diretos de produção) e os demais bens e serviços gerais utilizados indiretamente na produção ou fabricação (insumos indiretos de produção), ainda que agregados aos bens ou serviços aplicados diretamente no processo produtivo. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. AQUISIÇÃO DE BENS NÃO SUJEITOS AO PAGAMENTO DA CONTRIBUIÇÃO. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. Por expressa determinação legal, é vedada a apropriação de crédito da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins em relação à aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento das referidas contribuições. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. ATENDIMENTO DOS REQUISITOS LEGAIS. VENDA COM SUSPENSÃO POR PESSOA JURÍDICA OU COOPERATIVA QUE EXERÇA ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL. OBRIGATORIEDADE. É obrigatória a suspensão da cobrança da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins na operação de venda de insumo destinado à produção de mercadorias de origem animal ou vegetal, realizada por pessoa jurídica que exerça atividade agroindustrial ou por cooperativa agroindustrial, se o adquirente for pessoa jurídica tributada pelo lucro real (art. 9º, III, da Lei 10.925/2004). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 72 18 75 /2 01 1- 16 Fl. 1562DF CARF MF 2 CRÉDITO PRESUMIDO AGROINDUSTRIAL. INSUMOS APLICADOS NA PRODUÇÃO DE MERCADORIAS DE ORIGEM ANIMAL. PERCENTUAL DE PRESUNÇÃO DEFINIDO SEGUNDO O TIPO DA MERCADORIA PRODUZIDA. POSSIBILIDADE. A pessoa jurídica que exerça atividade agroindustrial de produção de bens de origem animal destinados à alimentação humana ou animal, especificado no § 3º, I, do art. 8º da Lei 10.925/2004, independentemente da natureza do insumo agropecuário, tem o direito de apropriarse do crédito do presumido da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins, calculado pelo percentual de 60% da alíquota normal das referidas contribuições, a ser aplicado sobre o custo de aquisição do insumo utilizado no processo de produção. VENDAS COM FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS REQUISITOS LEGAIS. MANUTENÇÃO DA ISENÇÃO. IMPOSSIBILIDADE Para caracterizar as receitas como decorrentes de vendas efetuadas com o fim específico de exportação e, consequentemente, usufruir da isenção da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins, fazse necessário a comprovação que os produtos foram remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. VENDAS A EMPRESAS EXPORTADORAS. ISENÇÃO. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. No âmbito do regime não cumulativo das Contribuições para o PIS e da Cofins, a responsabilidade tributária pelo pagamento das contribuições devidas e seus consectários legais, no caso de venda (com fins específicos de exportação) a empresa exportadora sem o preenchimento dos requisitos legais da isenção no momento da venda, é do contribuinte vendedor das mercadorias. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares. Por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário quanto à reclassificação dos créditos vinculados às receitas desconsideradas como fim específico de exportação, vencidos os Conselheiros Domingos de Sá Filho e Lenisa Rodrigues Prado. Por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário quanto ao crédito sobre aquisições de pallets, vencido o Conselheiro Hélcio Lafetá Reis que dava provimento em relação ao paletes "one way" e os Conselheiros Lenisa Rodrigues Prado e Walker Araújo que davam provimento total. Por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário quanto aos créditos sobre facas, vencidos os Conselheiros José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar e Hélcio Lafetá Reis. Por qualidade, em dar provimento ao recurso voluntário quanto ao créditos sobre as demais peças, equipamentos para manutenção, vencidos os Conselheiros Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar e Hélcio Lafetá Reis. Por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário quanto ao crédito de gasolina comum combustível, vencidos os Conselheiros Lenisa Rodrigues Prado e Sarah Maria Linhares de Araújo Paes De Souza. Por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário quanto ao crédito de óleo diesel e álcool etílico combustível. Por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário quanto ao Fl. 1563DF CARF MF Processo nº 11516.721875/201116 Acórdão n.º 3302003.604 S3C3T2 Fl. 1.563 3 crédito sobre produtos de desinfecção e limpeza, vencida a Conselheira Lenisa Rodrigues Prado. Por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário quanto à glosa de créditos de aquisições de PJ com suspensão obrigatória, reconhecendo os créditos presumidos relativos a estas aquisições. Por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário quanto aos créditos de serviços, para reconhecer os créditos sobre "Serviço de Expedição e Armazéns", "Serviço de Transporte de Aves e Serviço de Carga e Descarga (transbordo) e "serviços de sangria". Por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário quanto às glosas de despesas de armazenagem e fretes nas operações na venda. Por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para a aplicação da alíquota de 60% das alíquotas básicas das contribuições a ser aplicada sobre o valor do custo de aquisição de todos insumos utilizados na fabricação dos produtos discriminados no art. 8º, § 3º, I, da Lei 10.925/2004. Por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito ao crédito sobre as aquisições de pintos de 1 dia adquiridos de pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e cooperativa de produção agropecuária, à alíquota de 60% das alíquotas gerais das contribuições. O Conselheiro José Fernandes do Nascimento foi designado para redigir o voto vencedor. Fez sustentação oral: Dr. Fabio Calcini OAB 197.072 SP. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) Lenisa Rodrigues Prado Relatora. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Redator Designado Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Hélcio Lafetá Reis, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo. Relatório A questão submetida a este Colegiado tem início em pedido eletrônico de ressarcimento (PER), transmitido em 25/08/2009, de créditos de contribuições para o PIS/Pasep e COFINS de incidência nãocumulativa, vinculados à receita de exportação, apurados no período entre 2006 a 2008. O pedido de ressarcimento foi indeferido pela fiscalização que, após averiguar a situação dos créditos informados no Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (DACON), concluiu pela inexistência de quaisquer créditos. Além das glosas efetuadas, a autoridade fiscal recalculou os valores dos créditos a descontar do PIS/Pasep e da COFINS do período, com o ajuste na base de cálculo da contribuição. A autoridade fiscal relata que, como não houve exportação direta registrada no SISCOMEX e as vendas com fim específico de exportação não cumpriram os requisitos legais, Fl. 1564DF CARF MF 4 não houve a venda para o mercado externo que pudessem ser exoneradas das Contribuições ao PIS e a COFINS. Assim, foram consideradas como receitas auferidas no mercado interno as receitas registradas pela recorrente como decorrentes das vendas de mercadorias com fim específico de exportação (Notas Fiscais com CFOP 5501/6501). A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade contra o despacho decisório, oportunidade na qual alega que a Receita Federal exigiu, indevidamente, os valores decorrentes das contribuições de PIS e da COFINS sobre as operações de vendas com fim específico de exportação. Isso porque o Fisco não admitiu as vendas com a finalidade específica de exportação para a Perdigão Agroindustrial S.A. (habilitada no Siscomex), pelo fato que as mercadorias destinadas a essa adquirente ficaram armazenadas em locais que não seriam entrepostos aduaneiros (foram transportadas para os armazéns Arfrio e Refribras). Ademais não foram reconhecidos créditos vinculados ao regime não cumulativo de PIS e COFINS, relacionados a bens e serviços utilizados como insumos, despesas com armazenagem e frete na operação de venda, bem como o crédito presumido da atividade agroindustrial. Os argumentos defendidos pela contribuinte foram rechaçados pela Delegacia da Receita Federal de Julgamentos em Florianópolis, em acórdão que recebeu a seguinte ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano calendário: 2008 INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano calendário: 2008 NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. Respeitados pela autoridade administrativa os princípios da motivação e do devido processo legal, improcedente é a alegação de cerceamento de defesa e nulidade do feito fiscal. DIREITO DE CRÉDITO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. É do contribuinte o ônus de demonstrar e comprovar ao Fisco a existência do crédito utilizado por meio de desconto, restituição ou ressarcimento e compensação. DILIGÊNCIA. PERÍCIA. Fl. 1565DF CARF MF Processo nº 11516.721875/201116 Acórdão n.º 3302003.604 S3C3T2 Fl. 1.564 5 Em estando presentes nos autos do processo os elementos necessários e suficientes ao julgamento da lide estabelecida, prescindíveis são as diligências e perícias requeridas pelo contribuinte, cabendo a autoridade julgadora indeferilas. DIREITO DE CRÉDITO. ALEGAÇÕES CONTRA O FEITO FISCAL. PROVA. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Nos processos administrativos referentes ao reconhecimento de direito creditório, deve o contribuinte, em sede de contestação ao feito fiscal, provar o teor das alegações que contrapõe aos argumentos postos pela autoridade fiscal para não reconhecer, ou reconhecer apenas parcialmente o direito pretendido. PIS. COFINS. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. APURAÇÃO DO CRÉDITO. DACON. No âmbito do regime não cumulativo das Contribuições para o PIS e da COFINS, a apuração dos créditos é realizada pelo contribuinte por meio do Dacon, não cabendo a autoridade tributária, em sede de contencioso administrativo, assentir com a inclusão, na base de cálculo desses créditos, de custos e despesas não informados ou incorretamente informados neste demonstrativo. PIS. COFINS. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. VENDAS A EMPRESAS EXPORTADORAS. ISENÇÃO. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. No âmbito do regime não cumulativo da Contribuição para o PIS e da Cofins, a responsabilidade tributária pelo pagamento das contribuições devidas e seus consectários legais, no caso de venda a empresa exportadora sem o preenchimento dos requisitos legais da isenção no momento da venda, é do contribuinte vendedor das mercadorias. Assunto: Contribuição para o PIS/PASEP Ano calendário: 2008 PIS. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. HIPÓTESES DE CREDITAMENTO. As hipóteses de crédito no âmbito do regime não cumulativo de apuração da contribuição para o PIS são somente as previstas na legislação de regência, dado que esta é exaustiva ao enumerar os custos e encargos passíveis de creditamento, não estando suas apropriações vinculadas à caracterização de sua essencialidade na atividade da empresa ou à sua escrituração na contabilidade como custo operacional. PIS. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. CONCEITO DE INSUMO. No regime não cumulativo da contribuição para o PIS, somente são considerados como insumos, para fins de creditamento de valores: os combustíveis e lubrificantes, as matérias primas, os Fl. 1566DF CARF MF 6 produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função de sua aplicação direta na prestação de serviços ou no processo produtivo de bens destinados à venda; e os serviços prestados por pessoa jurídica, aplicados ou consumidos na prestação de serviços ou na produção ou fabricação de bens destinados à venda. PIS. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO PRESUMIDO. ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL. No âmbito do regime não cumulativo da contribuição para o PIS, a natureza do bem produzido pela empresa que desenvolva a atividade agroindustrial é considerada para fins de aferir seu crédito ao aproveitamento do crédito presumido, já no cálculo do crédito deve ser observada a alíquota conforme a natureza do insumo adquirido. PIS. NÃO CUMULATIVIDADE. SUSPENSÃO DA INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO. REQUISITOS ESTABELECIDOS NA LEGISLAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. É obrigatória a suspensão estabelecida pelo art. 9º da Lei n. 10.925/2004 na operação de venda dos produtos a que este se refere, quando o adquirente seja pessoa jurídica tributada com base no lucro real, exerça atividade agroindustrial e utilize o produto adquirido com suspensão como insumo na fabricação de produtos de que tratam os incisos I e II do art. 5º da IN SRF 660/2006. PIS. NÃO CUMULATIVIDADE. ISENÇÃO. VENDA COM FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. Para que a operação de venda se enquadre na definição de fim específico de exportação e faça jus à isenção da contribuição o produtorvendedor deve remeter os produtos vendidos a empresa exportadora diretamente para embarque de exportação, por conta e ordem do exportador, ou para recinto alfandegado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Irresignada contra a decisão acima detalhada, a contribuinte interpôs recurso voluntário, oportunidade na qual repisa os argumentos expostos na manifestação de inconformidade. Em 22/07/2014 a 1ª Turma da 1ª Câmara desta 3ª Seção de julgamentos converteu o julgamento do recurso voluntário em diligência, por constatar que a ausência de provas inviabilizaria a devida análise do caso. Naquela oportunidade determinouse que a autoridade preparadora intimasse o contribuinte para que: a) Apresentasse laudo técnico descritivo de todo o processo produtivo da empresa, subscrito por profissional habilitado e com anotação de responsabilidade técnica do órgão regulador profissional, com a indicação individualizada da fase de produção cujos insumos adquiridos, objeto do litígio, foram Fl. 1567DF CARF MF Processo nº 11516.721875/201116 Acórdão n.º 3302003.604 S3C3T2 Fl. 1.565 7 utilizados, incluindo sua completa identificação e descrição funcional dentro do processo; b) Identifique cada insumo à respectiva exigência de órgão público, se assim for, descrevendo o tipo de controle ou exigência, e qual o órgão que exigiu , apresentando o respectivo ato (Portaria, Resolução, Decisão, etc) do órgão público ou agência reguladora. Em resposta a diligência ordenada, o contribuinte trouxe aos autos os seguintes documentos: (i) laudo técnico do INT Instituto Nacional de Tecnologia, onde está retratado o processo de produção e a utilização de diversos insumos; (ii) fluxograma do processo produtivo com a respectiva descrição deste por meio de seu engenheiro responsável; (iii) fluxograma de processo produtivo com ilustrações; (iv) plantas da estrutura dos estabelecimentos; (v) atos regulatórios pertinentes (portarias, resoluções, etc); (vi) planilha descritiva de diversos bens utilizados como insumos. Cumpridas as determinações insertas na resolução, os autos retornaram a este Conselho para julgamento do recurso voluntário. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Relatora Lenisa Prado A contribuinte foi intimada sobre o teor do acórdão proferido no julgamento da manifestação de inconformidade e, tempestivamente interpôs o recurso voluntário em sob julgamento. Por esse motivo, é de rigor o seu conhecimento. Serão apreciados, a seguir, os principais argumentos apresentados no recurso voluntário sob julgamento1. 1. PRELIMINARES. 1 Insta registrar que "não há omissão quando o Tribunal de origem se manifesta fundamentadamente a respeito de todas as questões postas à sua apreciação,(...) o Magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos apresentados pela parte" (RESP 1.146.772/DF, Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça, julgado em 24/02/2010, publicado em 04/03/2010. Fl. 1568DF CARF MF 8 1.1. NULIDADE. AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO CLARA E EXPLÍCITA PARA INDEFERIR OS PEDIDOS DE RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS DE PIS E COFINS. CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA E AO DEVIDO PROCESSO LEGAL ADMINISTRATIVO. A recorrente sustenta que o despacho decisório violou o Princípio da Motivação (art. 2º da Lei n. 9.784/1999), já que não apresentou as razões de fato e de direito que embasaram o indeferimento do pedido de ressarcimento dos créditos das contribuições. Em suas palavras: "O termo de verificação fiscal vinculado ao lançamento de ofício NÃO TRAZ qualquer fundamentação jurídica e fática sobre os créditos glosados, valores e as razões de direito e de fato que permitiriam esta conduta em desfavor do contribuinte (...) Não é possível remeter aos eventuais processos de ressarcimento e compensação. Isto não é motivação! O descumprimento fica ainda mais evidente a partir do fato de que o lançamento de ofício e o termo de verificação é o elemento principal no caso concreto. Equivale dizer: quando os créditos não são suficientes no regime nãocumulativo, primeiro se faz o lançamento de ofício, depois se indefere o ressarcimento/ compensação. O movimento não é inverso. (...) Vale ainda ressaltar que juntamente com a entrega do lançamento de ofício ou mesmo do indeferimento dos pedidos de ressarcimento/compensação, NÃO houve a entrega de uma planilha com os bens, os serviços e itens glosados e as justificativas fáticas e jurídicas. O que se entregou para a recorrente foi o lançamento de ofício com o termo de verificação fiscal, bem como os indeferimentos dos pedidos de ressarcimento/compensação. Não houve, pois, a entrega juntamente com a notificação de qualquer relação dos itens glosados com a respectiva fundamentação fática e jurídica. Muito menos de eventual planilha e documento que dão suporte. Isto pode ser facilmente comprovado pelo TERMO DE CIÊNCIA a própria fiscalização informa que na notificação somente entregou à recorrente o termo de verificação fiscal, demonstrativo consolidado do crédito tributário e autos de infração. Nada mais. Era dever e ônus do Fisco entregar juntamente com o auto de infração, do termo de verificação fiscal e eventual planilha e documentos que davam suporte ao lançamento e glosa, sob pena de nulidade, principalmente, quando inexiste adequada fundamentação e justificativa dos itens e a razão da glosa". Fl. 1569DF CARF MF Processo nº 11516.721875/201116 Acórdão n.º 3302003.604 S3C3T2 Fl. 1.566 9 A recorrente alega que a ausência de fundamentação na decisão que indeferiu seu pedido, a par de ensejar violação direta ao art. 9º do Decreto n. 70.235/19722, também acarreta, por conseqüência, o cerceamento ao direito a ampla defesa. Os documentos que constam nos autos não respaldam a objeção do recorrente. Ao contrário. Como restará demonstrado ao longo deste voto, o documento intitulado Informação Fiscal, acostado às folhas eletrônicas 962 a 993 aponta, de forma suficiente, os motivos que ensejaram as glosas objeto do recurso voluntário sob análise. 1.2. ILEGITIMIDADE PASSIVA. RESPONSABILIDADE DA PERDIGÃO AGROINDUSTRIAL S.A. EXPORTAÇÃO. A recorrente defende que o lançamento é nulo, já que a fiscalização desconsiderou as exportações realizadas e, por esse motivo, lavrou a exigência das contribuições de PIS e COFINS. A recorrente BRF Foods S.A., na qualidade de vendedora dos produtos exportados sustenta ser parte ilegítima para figurar no pólo passivo da ação onde deveria ser alocada a empresa compradora, Perdigão Agroindustrial S.A. de acordo com a lógica retratada nos art. 7º da Lei n.10.637/2002 e 9º da Lei n. 10.833/2003, os quais reproduzo: Lei n. 10.637/2002 Art. 7. A empresa comercial exportadora que houver adquirido mercadorias de outra pessoa jurídica, com o fim específico de exportação para o exterior, que, no prazo de 180 (cento e oitenta) dias, contado da data da emissão de nota fiscal pela vendedora, não comprovar o seu embarque para o exterior, ficará sujeita ao pagamento de todos os impostos e contribuições que deixaram de ser pagos pela empresa vendedora, acrescidos de juros de mora e multa, de mora ou de ofício, calculados na forma da legislação que rege a cobrança do tributo não pago. Lei n. 10.833/2003 Art. 9. A empresa comercial exportadora que houver adquirido mercadorias de outra pessoa jurídica, com o fim específico de exportação para o exterior, que, no prazo de 180 (cento e oitenta) dias, contados da data da emissão da nota fiscal pela vendedora, não comprovar o seu embarque para o exterior, ficará sujeita ao pagamento de todos os impostos e contribuições que deixaram de ser pagos pela empresa vendedora, acrescidos de juros de mora e multa, de mora ou de ofício, calculados na forma da legislação que rege a cobrança do tributo não pago. No entanto, percebese que não existem empresas vendedoras e consumidoras, mas sim sucessão empresarial, de acordo com o que atesta o documento intitulado Informação Fiscal, onde está esclarecido que: 2 Art. 9. A exigência do crédito tributário e a aplicação da penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. Fl. 1570DF CARF MF 10 "A pesquisa no sistema CNPJ comprova a incorporação da Perdigão Agroindustrial Mato Grosso pela Perdigão S.A., CNPJ 01.838.723/000127 (...) Ainda de acordo com o cadastro do CNPJ , a Perdigão S.A. mudou seu nome empresarial para Brasil Foods S.A. e estabeleceu seu domicílio tributário em Itajaí/ SC. Em virtude da incorporação, caracterizase a responsabilidade tributária por sucessão, consoante o art. 129 e 132 do Código Tributário Nacional, e, por esse motivo, a BRF Brasil Foods S.A. foi intimada de todos os atos de ofício". A ora recorrente não se insurge sobre a alegada sucessão empresarial informada e a conseqüente transmissão de responsabilidades tributárias (artigos 129 e 132 do CTN). Deste modo, devem ser considerados verídicos e incontestes os fatos sobre a sucessão empresarial. 2. MÉRITO 2.1. SOBRE A EXISTÊNCIA DE CRÉDITOS. DOS FATOS INCONTROVERSOS QUE COMPROVAM QUE OS PRODUTOS FORAM EXPORTADOS. A recorrente inicia seus argumentos esclarecendo que às operações de exportação, a Constituição Federal lhes confere imunidade tributária objetiva, destinada à desonerar os custos de exportação (§ 2º do art. 149 da Constituição Federal de 1988), e não isenção. Nessa mesma linha, é o conteúdo dos art. 5º da Lei n. 10.637/20023 e art. 6º da Lei n. 10.833/20034, bem como os artigos 44 e 45 do Decreto n. 4.524/20025, que desoneram as exportações das Contribuições PIS e COFINS. Deste modo, conclui que não poderia a fiscalização simplesmente desconsiderar as operações de exportação pelo fato que as mercadorias vendidas à exportadora foram alocadas nos armazéns Arfrio e Refribras, e não em entrepostos aduaneiros. 3 Art. 5º. A contribuição para o PIS/Pasep não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: I exportação de mercadorias para o exterior; (...) III vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. 4 Art. 6º. A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: I exportação de mercadorias para o exterior; (...) III vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. 5 Art. 44. O PIS/Pasep nãocumulativo não incide sobre as receitas decorrentes das operações de I exportação de mercadorias para o exterior; II prestação de serviços para pessoa física ou jurídica domiciliada no exterior, com pagamento em moeda conversível, e; III vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. Art. 45. São isentas do PIS/Pasep e da Cofins as receitas: (...) VIII de vendas realizadas pelo produtorvendedor às empresas comerciais exportadoras nos termos do Decreto lei n. 1.248, de 29 de novembro de 1972, e alterações posteriores, desde que destinadas ao fim específico de exportação para o exterior; e (...) IX de vendas, com fim específico de exportação para o exterior, a empresas exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio. §1º Consideramse adquiridos com o fim específico de exportação os produtos remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora. Fl. 1571DF CARF MF Processo nº 11516.721875/201116 Acórdão n.º 3302003.604 S3C3T2 Fl. 1.567 11 Sustenta que existem nos autos "diversos fatos relevantes e incontroversos capazes de conduzir à correta conclusão no sentido de que a recorrente realizou a exportação, mesmo que indireta, por meio da venda com fim específico". São os fatos apontados pela recorrente que corroboram a comprovação da exportação: 1. Não há no relatório fiscal uma afirmação ou um dado sequer que sustente a assertiva que os produtos não foram exportados pela Perdigão Agroindustrial S.A; 2. As exportações ocorreram dentro do prazo de 180 dias previsto nas normas de regência; 3. Como a recorrente comercializou as mercadorias com o fim específico de exportação, essa receita não gera créditos no regime não cumulativo das Contribuições de PIS e COFINS; 4. As notas fiscais e a escrituração contábil da recorrente demonstram que as vendas realizadas para a Perdigão Agroindustrial S.A. tinham a finalidade específica de exportação. Diante desses fatos, a contribuinte concluiu que a questão dos autos é, ao que tudo consta, a apuração de mera irregularidade perpetrada pela empresa Perdigão Agroindustrial S.A., já que foi a responsável pelo depósito das mercadorias por ela adquiridas. Por ser essencial ao deslinde da questão submetida a julgamento, reproduzo os fundamentos adotado pela autoridade fiscal na decisão que indeferiu o pedido do ora recorrente: "Segundo os DACON, a contribuinte teria auferido em 2008 receitas de exportação ou de vendas, com fim específico de exportação, que foram incluídas das bases de cálculo de PIS e COFINS. No entanto, durante o procedimento de verificação, constatamos que não houve qualquer exportação direta para o exterior registrada no SISCOMEX no período em tela e que quase todas as vendas de mercadorias com fim específico de exportação destinaramse à filial 108 da Perdigão Agroindustrial S.A., situada na rua Jorge Tzachel, 475, Itajaí/SC. (...) Tendo em vista que a unidade 108 da Perdigão Agroindustrial S.A. não é armazém alfandegado, foram tomadas duas providências: primeiro, foi intimada a Perdigão Agroindustrial S.A., por meio do Termo de Intimação Fiscal n. 004/01109 a explicar o funcionamento da filial 108; depois, foi intimada a Perdigão Agroindustrial Mato Grosso Ltda., por meio do Termo de Intimação 003/01111, a prestar esclarecimentos e juntar documentos acerca das vendas com fim específico de exportação. Novamente, é preciso lembrar que as duas intimações foram entregues à BRF Brasil Foods S.A., que é sucessora de ambas. Sinteticamente, a BRF Brasil Foods informou (..) que: (a) a Perdigão Agroindustrial depositava em oito armazéns as mercadorias recebidas de terceiros com fim específico de exportação e que, destes, três eram alfandegados (Brasfrigo, Fl. 1572DF CARF MF 12 Martini e Ponta do Felix) e cinco não eram alfandegados (Arfrio dois, Refribrás, Safrio e Itazem); (b) que a exportação era efetuada após o contêiner ser 'estufado'; e (c) que estava autorizada por atos administrativos a proceder ao embarque antecipado da mercadoria destinada à exportação. (...) Regularmente intimada, a BRF Brasil Foods informou, em relação à Perdigão Agroindustrial Mato Grosso Ltda que: (a) as vendas eram feitas para as filiais 107 e 108 da Perdigão Agroindustrial S.A. e que ambas eram 'trading companies'; (b) relacionou os mesmos recintos onde eram depositadas as mercadorias; (c) que os depósitos eram de uso público e não de uso privativo da Perdigão Agroindustrial S.A. Apresentou, também, planilha detalhando as vendas com fim específico de exportação".(grifos nosso). Percebese que a conclusão adotada pela autoridade fiscal e rechaçada pela recorrente está amparada, essencialmente, nas seguintes premissas: 1. Não existem registros no SISCOMEX sobre as supostas exportações diretas para o exterior realizada pela recorrente para o período sob fiscalização, e; 2. Todas as mercadorias destinadas à exportação foram remetidas à filial 108 da Perdigão Agroindustrial S.A. É importante considerar que o SISCOMEX (Sistema Integrado de Comércio Exterior) é o procedimento regulamentar disponibilizado pela administração pública para obtenção das autorizações, certificações e licenças para exportar produtos brasileiros. O fato de terem sido exportadas as mercadorias, ainda que sem o registro no SISCOMEX, não convalida a conclusão da autoridade fiscal, já que tratarseiam, em tese, de vendas promovidas pela recorrente para trading company. A fiscalização desconsiderou essa peculiaridade e considerou, apenas, o fato que as mercadorias foram entregues a recintos não alfandegados. Transcrevo a conclusão do fiscal : "Ao apreciar a planilha que detalha as vendas com fim específico de exportação (doc. 857 a 961), constatamos que a maior parte das operações não cumpriu os requisitos minuciosamente estudos acima porque as mercadorias eram entregues em recintos não alfandegados de uso público. Concluímos, a partir das informações prestadas e dos documentos apresentados pela contribuinte e obtidos junto à Perdigão Agroindustrial S.A. que , na maior parte das vendas com CFOP 5501/6501, não se configurou o 'fim específico de exportação', de acordo com as normas detalhadas acima". Sobre a remessa dos produtos à filial 108 da Perdigão Agroindustrial (suposta trading company), a recorrente afirma que estava autorizada por atos administrativos a proceder o embarque antecipado das mercadorias destinadas à exportação, remetendoos aos recintos não alfandegados (Arfrio, Refribrás, Sagrio e Itazem) e que esses entrepostos eram de uso público, o que lhes conferia a característica própria de recinto alfandegado. Importa esclarecer que a recorrente apresentou os documentos que atestam a autorização administrativa conferida e, sobre tais documentos, o fiscal autuante não teceu considerações. Fl. 1573DF CARF MF Processo nº 11516.721875/201116 Acórdão n.º 3302003.604 S3C3T2 Fl. 1.568 13 Não se questiona, diante de uma interpretação sistêmica e ajustada do §2º do art.39 da Lei n. 9.532/1997 que as vendas às empresas comerciais exportadoras podem ser incluídas no cálculo de crédito presumido, e não apenas as vendas as empresas favorecidas pelo tratamento tributário conferido pelo DecretoLei n. 1.248/1972. Isso porque o artigo 39 da Lei n. 9.532/1997 prevê a suspensão do IPI não apenas quando da aquisição por empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação, como também quando o produto for remetido à recintos alfandegados ou outros locais onde se processo o despacho aduaneiro da exportação. A propósito: Art. 39. Poderão sair do estabelecimento industrial, com suspensão do IPI, os produtos destinados à exportação, quando: I adquiridos por empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação; II remetidos a recintos alfandegados ou a outros locais onde se processo o despacho aduaneiro de exportação. § 1º. Fica assegurada a manutenção e utilização do crédito do IPI relativo às matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem utilizados na industrialização dos produtos a que se refere este artigo. § 2º. Consideramse adquiridos com o fim específico de exportação os produtos remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora. § 3º. A empresa comercial exportadora fica obrigada ao pagamento do IPI que deixou de ser pago na saída dos produtos do estabelecimento industrial, nas seguintes hipóteses: a) transcorridos 180 dias da data da emissão da nota fiscal de venda pelo estabelecimento industrial, não houver sido efetivada a exportação; b) os produtos forem revendidos no mercado interno; c) ocorrer a destruição, o furto ou roubo dos produtos. Importa ressaltar que vendido o produto para empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação, passa a ser dela a responsabilidade pela exportação no prazo de 180 dias. De modo que a empresa exportadora tem, portanto, 180 dias para demonstrar a exportação dos produtos, caso contrário deverá arcar com o tributo suspenso quando da sua aquisição. Recintos alfandegados são áreas demarcadas pela autoridade aduaneira competente, na zona primária dos portos organizados ou na zona secundária a estes vinculada, a fim de que nelas possam ocorrer, sob controle aduaneiro pela Receita Federal, movimentação, armazenagem e despacho aduaneiro de mercadorias procedentes do exterior, a para lá destinadas, inclusive sob regime aduaneiro especial. Fl. 1574DF CARF MF 14 A questão é regulamentada pelo Decreto n. 6.759/09, artigo 9º, Incisos I a III, que assim dispõe: Art. 9º. Os recintos alfandegados serão assim declarados pela autoridade aduaneira competente, na zona primária ou na zona secundária, a fim de que neles possam ocorrer, sob controle aduaneiro, movimentação, armazenagem e despacho aduaneiro de: I – mercadorias procedentes do exterior, ou a ele destinadas, inclusive sob regime aduaneiro especial; II – bagagem de viajantes procedentes do exterior, ou a ele destinados, e; III – remessas postais internacionais. Parágrafo único. Poderão ainda ser alfandegados, em zona primária, recintos destinados à instalação de lojas francas. Sobre o tema, importa conhecer os termos do Decreto Lei n. 1.455, de 7 de abril de 1976, que traz a seguinte exceção: Art. 10. O regime de entreposto aduaneiro na exportação compreende as modalidades de regimes comum e extraordinário e permite a armazenagem da mercadoria destinada a exportação, em local alfandegado I – de uso público, com suspensão do pagamento de impostos, no caso da modalidade de regime comum; II – de uso privativo, com direito a utilização dos benefícios fiscais previstos para incentivo à exportação, antes do seu efetivo embarque para o exterior, quando se tratar de modalidade de regime extraordinário. §1º. O regime de entreposto aduaneiro na exportação, na modalidade extraordinário, somente poderá ser outorgado a empresa comercial exportadora constituída na forma prevista pelo DecretoLei n. 1.248, de 29 de novembro de 1972, mediante autorização da Secretaria da Receita Federal § 2º Na hipótese de que trata o § 1º, as mercadorias que forem destinadas a embarque direto para o exterior, no prazo estabelecimento em regulamento, poderão ficar armazenadas em local não alfandegado Aqui evidenciase o equívoco na interpretação conferida pelo fiscal, já que o parágrafo segundo do art. 10 do Decreto lei 1.455/19766 expressamente dispõe sobre a entrega 6 Sobre a exceção prevista no Decreto Lei acima transcrito, a Superintendência Regional da Receita Federal da 6ª Região Fiscal, ao responder a processo de consulta, reconhece que na hipótese de venda a comercial exportadora é possível a remessa dos produtos ao recinto não alfandegado: "Considerase fim específico de exportação a remessa direta dos produtos vendidos a embarque de exportação ou a recinto alfandegado, por conta e ordem da empresa comercia exportadora. Se a venda for feita a comercial exportadora constituída nos termos do Decreto lei n. 1.248, de 1972, também se considera fim específico de exportação a remessa direta dos produtos vendidos ao recinto de uso privativo de que trata o art. 14 da Instrução Normativa SRF 241, de 20026". (Processo de Consulta n. 40/12, Superintendência Regional da Receita Federal SRRF/ 6ª RF). Fl. 1575DF CARF MF Processo nº 11516.721875/201116 Acórdão n.º 3302003.604 S3C3T2 Fl. 1.569 15 das mercadorias nesses locais, em operação por conta e ordem da empresa comercial exportadora. Ou seja, o parágrafo segundo admite a possibilidade, na hipótese de venda com fim específico de exportação, que a empresa comercial exportadora que adquire o produto, mas, por sua conta e ordem, manda entregálo diretamente para exportação ou para recinto alfandegado. Mas, naturalmente, essa regra não significa que a empresa comercial exportadora não pode adquirir diretamente e contar com a entrega do produto em seu estabelecimento, pois, como o próprio artigo 39 estabelece que ela dispõe de 180 dias para efetivar a exportação da venda realizada pela industrializadora, que, no presente caso, é a Recorrente. Desta forma, resta evidente que o dispositivo estabelece obrigação não para a Recorrente, na qualidade de industrial, mas sim para a comercial exportadora, porém em hipótese específica, quando, por sua conta e ordem, determinar a entrega do produto por ela adquirido para embarque de exportação ou recinto alfandegado. No presente caso, a recorrente tomou o cuidado não apenas de comprovar a venda por ela realizada, mas também comprovou que a exportação foi efetivamente realizada dentro do prazo legalmente determinado. Dai porque assiste razão a recorrente, de tal forma que as receitas de tais operações devem ser incluídas no cálculo presumido, pois demonstrada a venda para comercial exportadora com fim específico de exportação7. Ademais, o próprio auditor não contesta a alegação que os produtos foram efetivamente exportados dentro do prazo de 180 (cento e oitenta) dias, sequer a afirmação que a filial 108 da Perdigão Agroindustrial é uma trading company. Diante da precariedade de fundamentos que ensejaram a resposta da autoridade, é de rigor reconhecer o acerto nos argumentos da recorrente e a validade para fins de apuração de crédito das vendas realizadas sob o CFOP 5501/6501, já que amparado pelas provas e normas pertinentes. 2.2. SOBRE AS GLOSAS. CRÉDITOS DE INSUMOS. PIS E COFINS. A recorrente apresenta a cronologia das normas e leis sobre o aproveitamento de créditos no regime não cumulativo, bem como robusta doutrina e recentes precedentes deste Conselho. Mais especificamente sobre cada glosa, a recorrente aponta os desacertos das autuação e motivos pelos quais não devem prevalecer: Ficha 6A Linha 02 Bens utilizados como insumos * foram glosados os valores empenhados na aquisição de bens porque que não se enquadrariam na definição restritiva de insumos adotada na legislação de regência do IPI. Esta glosa também padece da ausência de descrição dos produtos rechaçados; 7 Nesse mesmo sentido é o voto proferido pelo Cons. Luiz Rogério Sawaya Batista no julgamento do recurso voluntário objeto do Processo Administrativo n. 10840.901468/200841 pela 3ª Turma da 4ª Câmara da 3ª Seção em 10/12/2014, que resultou na publicação do Acórdão n. 3403003.440 Fl. 1576DF CARF MF 16 * a fiscalização não descreve no termo de autuação qualquer item, mesmo que exemplificativamente, que demonstrem que os bens utilizados como insumos foram adquiridos à alíquota zero de PIS/COFINS; * não estão descritas nos termos de autuação quais foram os itens glosados sob a justificativa que as notas fiscais apresentam códigos de operação que não concedem os créditos reclamados. Ficha 6A Linha 03 Serviços utilizados como insumos * foram glosados os valores empenhados na contratação de serviços porque que não se enquadrariam na definição restritiva de insumos adotada na legislação de regência do IPI. Esta glosa também padece da ausência de descrição dos serviços contratados; * não estão descritas nos termos de autuação quais foram os itens glosados sob a justificativa que as notas fiscais apresentam códigos de operação que não concedem os créditos reclamados. Ficha 6A Linha 04 Despesas com energia elétrica * Foram glosados o valor das notas fiscais em valor inferior ao lançado em DACON. A recorrente alega que os valores foram lançados em livros fiscais e se presumem verdadeiros. Requer diligência ou perícia para comprovar a diferença Ficha 6A Linha 07 Despesas com armazenagem e frete na operação de venda *A fiscalização desconsiderou os créditos devidos pelos serviços portuários de carga e descarga (transbordo) e outros não identificados nas operações de venda (art. 3º, IX, da Lei n. 10.637/2002). Ficha 16A Linhas 25 e 26 Crédito presumido da atividade agroindustrial (art. 8º da Lei n.10.925/2004) * A recorrente informa que os motivos que ensejaram as glosas sobre os créditos oriundos da atividade agroindustrial foram: (i) aplicação incorreta do percentual de 60% (art. 8º, § 3º, I da Lei n. 10.925/2004); (ii) inclusão de aquisições que não se enquadram no conceito de insumos (animais reprodutores, animais para lactação, animais para recria, laudo técnicos, lenha, retentores, e; (iii) inclusão de insumos sujeitos à alíquota zero (pinto de 1 dia, pois este não está sujeito à suspensão, mas sim à alíquota zero). A recorrente considera que tais glosas refletem a interpretação incongruente e desconexa da lei (Lei n. 10.925/2004, artigo 8º) com a realidade, isto porque: "dentro da cadeia produtiva deste setor, os produtos dos Capítulos 2 a 4, 16 e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e as misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18, que permitem a alíquota de 60% para apuração do crédito presumido, são os produzidos por esta e não adquiridos". A Relação das Notas Fiscais Glosadas (folhas 489 a 505) apresenta, de forma detalhada, os itens que não foram admitidos para fins de contabilização do pedido de ressarcimento feito pelo ora recorrente. Naquele documento, a fiscalização apresenta os códigos que informam o motivo de cada um das glosas8. Por ser demasiadamente repetitiva a 8 NI Não é insumo,serviço, frete ou armazenagem com direito a crédito CFOP O Código fiscal de operação indica operação sem direito a crédito Fl. 1577DF CARF MF Processo nº 11516.721875/201116 Acórdão n.º 3302003.604 S3C3T2 Fl. 1.570 17 relação, para melhor compreender o que foi indeferido pela fiscalização e quais os motivos, podemos organizar os itens em 6 grupos: a) pallets, b) peças de reposição, conserto e equipamentos, c) combustíveis em geral e energia elétrica. d) produtos químicos vinculados à desinfecção e limpeza, e) serviços, e f) crédito presumido da atividade agroindustrial (art. 8º da Lei n.10.925/2004). *SOBRE O CONCEITO DE INSUMO: A recorrente aponta que a divergência entre seu posicionamento e o das autoridades fiscais e julgadoras repousa, unicamente, no conceito de insumos para fins de apuração de créditos de PIS e COFINS. Sustenta que o seu pedido de ressarcimento foi indevidamente negado, pois adotado pelos fiscais o conceito restritivo de insumo, equivalente àquele adotado na legislação que rege o IPI. Sobre a questão, é pacífico o entendimento deste Conselho9 no sentido que não se aplica, para apuração do insumo de PIS ou COFINS não cumulativos (previsto no art. 3º da Lei n. 10.833/2003) o critério estabelecido para insumos do sistema não cumulativo de IPI/ICMS, uma vez que não importa, no caso das contribuições, se o insumo consumido obteve ou não algum contato com o produto final comercializado. Da mesma forma, não interessa em que momento do processo de produção o insumo foi utilizado. Por outro giro, também não se aplica o conceito específico do imposto de renda que define custo e despesas necessárias. Isso porque os sistema da não cumulatividade do IPI se diferencia do sistema do PIS/COFINS, na medida em que no IPI a técnica utilizada é imposto contra imposto (inciso II, do § 3º do art. 153 da CF/88), enquanto no PIS/COFINS a técnica é de base contra base (§ 12, do art. 195 da CF/88 c/c com o § 1º dos arts. 2º e 3º das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003). É no mesmo sentido a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça que confirma que a "a conceituação de insumos, para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002 e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, não se identifica com a conceituação adotada na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, posto que excessivamente restritiva" (RESP n. 1.246.317/MG, relatoria do Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 29/06/2015). O Parecer Normativo CST n. 65/79 consigna a interpretação adotada pela Fazenda Nacional que, para que sejam gerados créditos de IPI, o produto intermediário deve assemelharse à matériaprima, pois a base de incidência do IPI é o produto industrializado. A NT Mercadoria sujeita a alíquota zero de PIS/PASEP e COFINS. Dentro do grupo de notas glosadas pela justificativa NT, a fiscalização apresentou a subdivisão dos motivos determinantes: CAPT78 e 0407ovos Lei n. 10.865/04, art. 28, inciso III CORR25 Lei n. 10.925/04, art. 1, inciso IV Defensivo Lei n. 10.925/04, art. 1º, inciso II FARMilho Lei n. 10.925/04, art.1º, inciso IX Inc V Lei n. 10.925/04, art. 1º, inciso V LEITE Lei n. 10.925/04, art. 1º, inciso XI (Lei n. 11.196/05) NA Não é armazenagem 9 Sobre o tema adoto os fundamentos contidos no Acórdão n. 3302002.260, este proferido no julgamento do recurso voluntário interposto pela Sucocítrico Cutrale Ltda, nos autos do Processo Administrativo n. 12893.000208/200785, sob a relatoria da Conselheira Fabíola Cassiano Keramidas. Fl. 1578DF CARF MF 18 partir dessa premissa é certo afirmar que para se apropriar de créditos oriundos dos produtos intermediários, esse que não se incorpora ao produto final, é imprescindível que este sofra desgaste ou alteração em suas propriedades químicas ou físicas quando em contato direto com o produto em sua fabricação. Já no regime não cumulativo das contribuições ao PIS e à COFINS, os eventos que dão direito à apuração do crédito estão citados no art. 3º das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003, onde se percebe que houve uma ampliação das hipóteses que conferem créditos em relação àquelas previstas na legislação do IPI. Concluise, da leitura dos dispositivos mencionados, que a diferença entre os regimes jurídicos do IPI e das contribuições PIS/COFINS não cumulativas está que no IPI o direito a crédito vinculase ao produto industrializado, já no âmbito nas contribuições está relacionados ao processo produtivo. Contudo, tal ampliação do conceito de insumo não autoriza a inclusão de todos os custos e despesas operacionais a que alude a legislação do Imposto de Renda, pois no rol de despesas operacionais existem gastos que não estão diretamente relacionados ao processo produtivo da empresa. Ou seja, para o regime não cumulativo das contribuições PIS/COFINS, adotase o conteúdo semântico de insumos mais amplo do que aquele previsto na legislação que rege o IPI, porém mais restrito do que aquele previsto nas normas do Imposto de Renda, abrangendo os bens e serviços que não sendo expressamente vedados em lei, forem essenciais ao processo produtivo para que se obtenha o produto ou serviço desejado. Como visto, o conceito de insumo para o sistema não cumulativo do PIS e da COFINS é próprio, sendo que deve ser considerado insumo aquele que for utilizado direta ou indiretamente pelo contribuinte na produção/fabricação de produtos/serviços; for indispensável para a formação do produto/serviço final e for relacionado ao objeto social do contribuinte. Em virtude dessas especificidades, os créditos oriundos dos insumos postulados no recurso voluntário devem ser analisados individualmente. Para análise, item a item, dos produtos e serviços que foram glosados pela fiscalização, é oportuno lembrar que a recorrente é (em sua própria definição): "tradicional e importante agroindústria, tendo por objeto social as atividades no mercado interno e externo de industrialização, comercialização e exploração de alimentos em geral, principalmente, derivados de proteína animal e produtos alimentícios que utilizem a cadeia de frio como suporte e distribuição, industrialização, e comercialização de ração, prestação de serviços de alimentação em geral, industrialização e refino de óleos vegetais, exploração, conservação, armazenamento, ensilagem e comercialização de grãos, entre outras atividades". A. PALLETS A fiscalização considerou que os pallets de madeira não são insumos da atividade econômica praticada pela recorrente. Por sua vez, a recorrente afirma (amparada no laudo técnico apresentado em resposta à diligência ordenada), que: Fl. 1579DF CARF MF Processo nº 11516.721875/201116 Acórdão n.º 3302003.604 S3C3T2 Fl. 1.571 19 "os pallets são amplamente aplicados dentro do processo produtivo da requerenda, sendo essenciais. São relevantes e participam do processo produtivo, uma vez que são utilizados na: (i) industrialização (emprego para movimentar as matérias primas e os produtos em fase de industrialização a serem utilizados); (ii) armazenagem de matériasprimas em condições de higiene para serem utilizados no processo fabril; (iii) armazenagem de produto industrializado a ser comercializado, e; (iv) armazenagem durante o ciclo de industrialização". Está esclarecido no laudo técnico apresentado em resposta à diligência que: "No sistema de movimentação de cargas de pequenas dimensões, na maioria aquelas que possam ser empilhadas manualmente, empregase uma espécie de estrado com geometria plana que facilita e aumenta a velocidade de transporte de arrumação dos produtos sobre ele empilhados. Tratase de dispositivo denominado pallet que foi normalizado nacional e internacionalmente com o objetivo de garantir segurança na carga em movimentação, mecanização para levantamento e deslocamento da massa transportada, entre outros, e principalmente, buscar a unitização de todo um quantitativo de produtos ou até mesmo de matériasprimas entre fornecedor e cliente, entre setores produtivos internos a uma mesma unidade industrial e, ainda, com a possibilidade do pallet ser retornável ou não". "Em suma, os pallets são relevantes para toda a indústria, especialmente a alimentícia, pois, participa do processo produtivo, uma vez que são utilizados na própria industrialização para movimentação das matériasprimas e dos produtos em fase de industrialização a serem utilizados, evitando que estes fiquem em contato direto com o solo (diminuindo o risco de contaminação)". E a utilização dos pallets é indispensável para atender aos requisitos das normas de vigilância sanitária, a qual a recorrente deve obediência. A propósito e a título ilustrativo, trago a conhecimento o conteúdo da Portaria SVS/MS (Secretaria de Vigilância Sanitária do Ministério da Saúde) n. 326, de 30 de julho de 1997, que aprova o Regulamento Técnico; “Condições HigiênicosSanitárias e de Boas Práticas de Fabricação para Estabelecimentos Produtores/Industrializadores de Alimentos”: “5.3.10Os insumos, matériasprimas e produtos terminados devem estar localizados sobre estrados e separados das paredes para permitir a correta higienização do local” “8.8Armazenamento e transporte de matériasprimas e produtos acabados; 8.8.1 – As matériasprimas e produtos acabados devem ser armazenados e transportados segundo as boas práticas respectivas de forma a impedir a contaminação e/ou a proliferação de microrganismos e que protejam contra a alteração ou danos ao recipiente ou embalagem. Durante o Fl. 1580DF CARF MF 20 armazenamento deve ser exercida uma inspeção periódica dos produtos acabados, a fim de que somente sejam expedidos alimentos aptos para consumo humano e sejam cumpridas as especificações de rótulo quanto as condições e transporte, quando existam”. A utilização de pallets, portanto, atende a exigência de acondicionamento e transportes previstas pelo Ministério da Saúde, e tem por finalidade impedir a contaminação do produto final, o que lhe garante a característica de insumo para as atividades da recorrente. B. PEÇAS DE REPOSIÇÃO, CONSERTO E EQUIPAMENTOS Algumas peças de reposição, conserto e equipamentos foram excluídas do cálculo pela fiscalização, a fiscalização considerou que os códigos CFOP registrados nas Notas Fiscais indicavam produtos que não conferiam direito ao crédito reclamado, por que não condiziam com operações de aquisição de insumos. O laudo técnico acostado aos autos descreve da seguinte forma a finalidade de alguns produtos descartados pela fiscalização: *Rolamentos Utilizado na produção de mortadela, steaks, frango, bacon. Também é utilizado na caldeira. *Esteira Utilizada na produção de steak e presunto. *Correias São utilizadas nas linhas de corte de frango, de suínos, e na produção de bacon. *Respirador São utilizados nas granjas. *Mangueiras são peças de reposição de empilhadeiras e também existem as que são utilizadas nas produção de mortadela, bacon. *Mangote é utilizado em toda indústria. *Chapas São utilizadas na produção de lingüiças. *Parafusos e porcas São utilizados nas produções de mortadelas, bacon, steak. *Bucha É utilizada na produção de mortadela . *Suporte Bronze Mordaça São utilizados no processo de abate do frango. *Lateral Mordaça É utilizada no processo de abate do frango. *Bucha Bronze É utilizada no processo de abate do frango. *Pinto de 1 dia (macho e fêmea) São utilizados na integração das aves no primeiro dia de granja. *Faca Inox São utilizadas nos cortes dos frangos *Peneira Moinho É utilizada na fabricação da ração moinho da fábrica e moinho de milho. *Filtro de ar é utilizado no abate de frango, na sala de cortes e na fabricação de ração e farinhas. Fl. 1581DF CARF MF Processo nº 11516.721875/201116 Acórdão n.º 3302003.604 S3C3T2 Fl. 1.572 21 *Filtro de óleo é utilizado no abate de frango, na sala de cortes e na fabricação de ração e farinhas. Considerando as informações contidas no laudo técnico e a simples descrição dos produtos feita pelo próprio fiscal, considero que os produtos efetivamente são insumos (em conformidade com a definição adotada e já esclarecida), já que evidentemente indispensáveis para a industrialização dos produtos comercializados pela recorrente. C. COMBUSTÍVEIS EM GERAL E ENERGIA ELÉTRICA Dentro dessa categoria, foram glosados os seguintes itens: GAS GLP 13 Óleo diesel combustível Gasolina Comum Álcool etílico. Por sua vez, conta no laudo técnico que tais produtos têm finalidades diversas além da típica (abastecer veículos automotores) como, por exemplo, manter em funcionamento o equipamento que serve para manter a temperatura de frigoríficos. Trago a conhecimento as utilidades: *Óleo Diesel É utilizado para geração de energia do frigorífico, da incubadora e das caldeiras. *Álcool combustível É utilizado nos túneis de congelamento. *Gasolina combustível É utilizada nos veículos da empresa. Vêse, portanto, que os combustíveis, diante do que esclarece o laudo técnico, é integrado ao próprio processo produtivo da recorrente, já que sem ele não seria possível obter o produto final comercializado. Como já esclarecido, é coerente afirmar que os insumos que propiciam ao contribuinte a obtenção de créditos estão relacionados à prestação de serviços ou industrialização. Seguindo tal raciocínio, o Superior Tribunal de Justiça, ao julgar recurso interposto por indústria de alimentos considerou que é possível o creditamento de PIS e COFINS dos custos incorridos pela aquisição de combustíveis. Transcrevo a ementa do julgamento: TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÕES AO PIS E COFINS NÃO CUMULATIVAS. CREDITAMENTO. COMBUSTÍVEIS, LUBRIFICANTES E PEÇAS UTILIZADAS COMO INSUMOS NA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE ENTREGA DE Fl. 1582DF CARF MF 22 MERCADORIAS VENDIDAS PELA PRÓPRIA EMPRESA. ARTS. 3º, II, DAS LEIS N. 10.647/2002 E 10.833/2003. 1. O creditamento pelos insumos previsto nos arts. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003 e 10;637/2002 abrange os custos com peças, combustíveis e lubrificantes utilizados por empresa que, conjugada com a venda de mercadorias, exerce também a atividade de prestação de serviços de transporte da própria mercadoria que revende. 2. Recurso especial provido. (Recurso Especial n. 1.235.979/RS, julgado em , sob a relatoria do Ministro Herman Benjamin pela Primeira Seção). Nesse mesmo sentido assim decidiu a 3ª Turma da 4ª Câmara desta 3ª Seção de julgamentos: CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CARF Terceira Seção MATÉRIA: COFINS RESSARCIMENTO ACÓRDÃO: 3403002.915 Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 COFINS. CRÉDITOS DE ICMS CEDIDOS A TERCEIROS. NÃO INCIDÊNCIA. RE 606.107/RSRG. Não incidem a Contribuição para o PIS/PASEP e a COFINS sobre créditos de ICMS cedidos a terceiros, conforme decidiu definitivamente o pleno do STF no RE no 606.107/RS, de reconhecida repercussão geral, decisão esta que deve ser reproduzida por este CARF, em respeito ao disposto no art. 62A de seu Regimento Interno. COFINS. NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, conseqüentemente, à obtenção do produto final. São exemplos de insumos os combustíveis utilizados em caminhões da empresa para transporte de matérias primas, produtos intermediários e embalagens entre seus estabelecimentos. Por outro lado, não constituem insumos os combustíveis utilizados em veículos de passeio, motocicletas, e kombis que eventualmente transportam funcionários. Considerando que além das finalidades atípicas, os combustíveis são necessários para o transporte dos insumos vivos (frangos, suínos, bovinos) das granjas para o abatedouro, entendo que devem ser considerados como insumos para fins de creditamento, diante da evidente essencialidade e indispensabilidade dos produtos para a recorrente. Fl. 1583DF CARF MF Processo nº 11516.721875/201116 Acórdão n.º 3302003.604 S3C3T2 Fl. 1.573 23 No que concerne os gastos com energia elétrica, entendo que concluiu mal o auditor fiscal ao glosar tal insumo. Isso porque o inciso IX do art. 3º da Lei n. 10.637/200210 e o inciso III do art. 3º da Lei n. 10.833/200311 expressamente permitem o desconto de créditos das contribuições do PIS e da COFINS correspondente aos valores gastos pelos custos de energia elétrica utilizadas pelas pessoas jurídicas. Assim, por estar em evidente desalinho com a previsão legal, entendo que é de rigor o cancelamento da glosa sobre os gastos com energia elétrica. D. PRODUTOS QUÍMICOS VINCULADOS À DESINFECÇÃO E LIMPEZA Sobre as glosas determinadas pela fiscalização sobre os produtos químicos utilizados para limpeza e desinfecção, a recorrente esclarece que são indispensáveis para atender as determinações dos órgãos reguladores e fiscalizadores aos quais está submetida por ser frigorífico e produtor de alimentos para consumo humano (Anvisa, Ministério da Agricultura, Ministério da Saúde, dentre outros). Cita, como exemplo, a regulamentação prevista na Resolução n.10, de 31/07/1984 emitida pelo Ministério da Agricultura, que determina a forma de conservação dos produtos industrializados perecíveis até a chegada ao consumidor final. Além dos motivos já apresentados no item a pallets, entendo que os produtos químicos glosados são essenciais para a desinfecção e limpeza dos abatedouros e locais de processamento dos produtos da recorrente. Adoto como fundamentos específicos aqueles apresentados pelo Ministro Mauro Campbell Marques ao julgar recurso que trata sobre matéria similar a que aqui está submetida a julgamento: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. VIOLAÇÃO AO ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 98/STJ. CONTRIBUIÇÕES AO PIS/PASEP E COFINS NÃO CUMULATIVAS. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. ART. 3º, II, DA LEI N. 10.637/2002 E ART. 3º, II, DA LEI N. 10.833/2003. ILEGALIDADE DAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF N. 247/2002 E 404/2004. (...) 4. Conforme interpretação teleológica e sistemática do ordenamento jurídico em vigor, a conceituação de "insumos", para efeitos do art.3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, não se identifica com a conceituação adotada na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, posto que excessivamente restritiva. Do mesmo modo, não corresponde exatamente aos conceitos de 10 Art. 3º. Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos em relação a: IX energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica. 11 Art. 3º.Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos em relação a: III energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica. Fl. 1584DF CARF MF 24 "Custos e Despesas Operacionais" utilizados na legislação do Imposto de Renda IR, por que demasiadamente elastecidos. 5. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n.10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. 6. Hipótese em que a recorrente é empresa fabricante de gêneros alimentícios sujeita, portanto, a rígidas normas de higiene e limpeza. No ramo a que pertence, as exigências de condições sanitárias das instalações se não atendidas implicam na própria impossibilidade da produção e em substancial perda de qualidade do produto resultante. A assepsia é essencial e imprescindível ao desenvolvimento de suas atividades. Não houvessem os efeitos desinfetantes, haveria a proliferação de microorganismos na maquinaria e no ambiente produtivo que agiriam sobre os alimentos, tornandoos impróprios para o consumo. Assim, impõese considerar a abrangência do termo "insumo" para contemplar, no creditamento, os materiais de limpeza e desinfecção, bem como os serviços de dedetização quando aplicados no ambiente produtivo de empresa fabricante de gêneros alimentícios. 7. Recurso especial provido. (REsp 1246317/MG, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 19/05/2015, DJe 29/06/2015 grifos nossos) Diante do exposto, considero que conferem direito a crédito os valores despendido para aquisição dos produtos químicos destinados à limpeza e desinfecção do estabelecimento industrial da recorrente. E. SERVIÇOS Os serviços não reconhecidos como insumos para fins de apuração de crédito foram aqueles elencados na linha 03, da ficha 06A dos DACONS12. A recorrente defende que os serviços são insumos, por constituírem custos essenciais no processo produtivo. Os serviços não reconhecidos pelo auditor fiscal são: Serviço de mãodeobra Serviço de expedição e armazenagem de cereais Serviço técnico mecânicos Serviços gerais Serviço de transporte de funcionários Serviço imobilizado geral Serviço apanhe de animais Serviço de carga e descarga Fl. 1585DF CARF MF Processo nº 11516.721875/201116 Acórdão n.º 3302003.604 S3C3T2 Fl. 1.574 25 Serviço de sangria. Transbordo Armazenagem e frete Consta no parecer técnico oportunamente acostado aos autos as seguintes definições: *Serviços de Expedição e Armazéns São necessários na produção de rações. *Serviços de Transporte de Aves São utilizados nas granjas de matrizes e transferem as aves das granjas de recria para as granjas de produção. *Serviços de Carga e Descarga São necessárias para realizar o recebimento de cereais que serão utilizados na composição das rações. É de fácil conclusão que os serviços acima listados e descritos são empregados na atividade precípua da recorrente fabricação de alimentos para consumo humano. São essenciais para as etapas descritas no laudo técnico e, percebese ainda, que não são passíveis de substituição pelas máquinas, o que reforça a essencialidade e indiscutível característica de insumo. Mais especificamente sobre o serviço de sangria, o laudo técnico informa que: "A unidade industrial do interessado em Carambei/PR produz frangos que são exportados para o Oriente Médio e, por isso, contratualmente por exigência dos clientes as aves são abatidas conforme os preceitos da religião islâmica. As exigências contratuais incluem a forma em que é feita a sangria que inclui a impossibilidade de automação da linha de corte e, mais ainda, que seja feita por pessoas com formação espiritual islâmica e nunca por funcionários da própria BRF S.A. Para viabilizar este requisito do contrato de exportação existe pessoal que atende a estes princípios e que são organizados para prestarem seus serviços nesta etapa de produção industrial". Percebese que a essencialidade do serviço de sangria decorre da atuação da recorrente no mercado internacional, o que torna indiscutível o seu reconhecimento como insumo para fins do creditamento reclamado. A Secretaria da Receita Federal do Brasil adota a conceituação de transbordo13 como sendo a transferência direta de mercadoria de um para outro veículo. No caso da agroindústria, admitese o creditamento não só dos bens e serviços qualificados, com insumos na própria industrialização, mas também daqueles insumos utilizados na fase agrícola que lhe precede14. Não encontra amparo no inciso IX do art. 3º das 13 Disponível em http://idg.receita.fazenda.gov.br/orientacao/aduaneira/manuais/transito aduaneiro/topicos/controledoregime/transbordoebaldeacao 14 Nesse mesmo sentido está o Acórdão n. 3402003.041, lavrado no julgamento do recurso voluntário apresentado pela Usina Moema Açúcar e Álcool objeto do Processo Administrativo n. 16004.720550/201371, julgado pela 2ª Turma da 4ª Câmara da 3ª Seção de julgamentos em 27 de abril de 2016. Fl. 1586DF CARF MF 26 Leis n. 10.833/2003 e 10.637/2002, a pretensão de descontar os valores das contribuições das despesas que não são de armazenagem, mas que corroboram essa atividade. Há de se ter em mente o laudo técnico que esclarece que os animais vivos são transportados em caminhões, dentro de caixas com controle de temperatura. Assim que chegam ao local do abate, não são desembarcados um a um. A caixa em que chegam é transbordada para o caminhão que percorre os vários locais dentro da planta industrial (alimentação, limpeza e abate dos animais). São custos com serviços indispensáveis para o transporte dos insumos dentro da indústria da recorrente, já que existem peculiaridades técnicas que exigem a manutenção da temperatura e a diminuição dos fatores que possam estressar os animais antes do momento do abate. O transbordo é, ao meu ver, essencial para o processo produtivo, já que sem a prestação desse serviço não é possível obter o produto final. No que concerne os créditos oriundos dos serviços de frete e armazenagem considero que tais são devidos, sem sobra de dúvidas. Isso porque o inciso IX do art. 3º da Lei n. 10.833/2003 permite expressamente que a contribuinte desconte créditos calculados em relação a "armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, no caso dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor". F. CRÉDITO PRESUMIDO DA ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL (ART. 8º DA LEI N. 10.925/2004). De forma sucinta, os motivos que ensejaram as glosas sobre os créditos oriundos da atividade agroindustrial foram: (i) aplicação incorreta do percentual de 60% (art. 8º, § 3º, I da Lei n. 10.925/2004); (ii) inclusão de aquisições que não se enquadram no conceito de insumos (animais reprodutores, animais para lactação, animais para recria, laudo técnicos, lenha, retentores, e; (iii) inclusão de insumos sujeitos à alíquota zero (pinto de 1 dia, pois este não está sujeito à suspensão, mas sim à alíquota zero). Sobre as aquisições se enquadrarem ou não no conceito de insumos, não houve qualquer esclarecimento mais específico no laudo técnico apresentado. Assim, por ausência de fundamentos aptos a ensejar a reforma da decisão recorrida, esta deve ser mantida (apenas no que concerne esses insumos: animais reprodutores, para lactação, para recria, lenha, laudos técnicos e retentores). Já no que concerne a interpretação do inciso I, do § 3º do artigo 8º da Lei n. 10.925/2004, passo a tecer as seguintes considerações. Ao julgar o Recurso Especial n. 993.164/MG, este submetido a sistemática dos recursos repetitivos e apontado como paradigma da tese, o Superior Tribunal de Justiça definiu que é ilegal ato que exclui da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI as aquisições, relativamente aos produtos oriundos de atividade rural, de matériaprima e insumos de fornecedores não sujeito à tributação pelo PIS/Pasep e COFINS. E trouxe o seguinte esclarecimento: “É que (i) a COFINS e o PIS oneram em cascata o produtor rural e, por isso, estão embutidos no valor do produto final adquirido pelo produtorexportador, mesmo não havendo incidência na sua última aquisição; (ii) o Decreto n. 2.367/98 – Regulamento do IPI , posterior à Lei n. 9.363/96, não fez restrição às aquisições de produtos rurais, e; (iii) a base de cálculo do ressarcimento é o valor total das aquisições dos Fl. 1587DF CARF MF Processo nº 11516.721875/201116 Acórdão n.º 3302003.604 S3C3T2 Fl. 1.575 27 insumos utilizados no processo produtivo (art. 2º), sem condicionantes”. Estabelecida a premissa inicial que é ilegal a exclusão da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI as aquisições, relativamente aos produtos oriundos de atividade rural, de matériaprima e insumos de fornecedores não sujeito à tributação pelo PIS/Pasep e COFINS passo ao seguinte ponto, que é definir o percentual a que a recorrente tem direito. Da leitura sistemática da Lei n. 10.925/2004 é possível concluir que o critério de definição dos percentuais de crédito é a natureza dos produtos a que dá saída. Sendo os produtos de origem animal, configura devido os 60% defendidos pela recorrente. E tal conclusão é robustecida pelo texto da Lei n. 12. 865/2013 que em seu artigo 33 acrescentou o § 10 ao artigo 8º da Lei n. 10.925/2004, que passou a constar nos seguintes termos: §10. Para efeito de interpretação do inciso I do § 3º, o direito ao crédito na alíquota de 60% (sessenta por cento) abrange todos os insumos utilizados nos produtos ali referidos. Esse dispositivo é nitidamente interpretativo, de modo que deve prestar os seus efeitos benéficos ao contribuinte ora recorrente, nos moldes do que determina o inciso I do artigo 106 do Código Tributário Nacional. Diante do exposto, voto por dar provimento integral nessa parte. Lenisa Prado Relatora Voto Vencedor Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Redator Designado. Na Sessão do dia 26 de janeiro de 2017, este Conselheiro pediu vistas deste processo, para melhor análise do litígio. Após minuciosa análise dos autos, não se vislumbra qualquer dissenso quanto os fundamentos do voto da i. Relatora sobre às questões preliminares suscitadas pela recorrente. Já no que tange às questões de mérito, este Relator, com a devida vênia, discorda parcialmente do entendimento da nobre Relatora, pelas razões a seguir aduzidas. Do lote de processos que este integra Inicialmente, cabe esclarecer que, o presente processo, faz parte de um lote composto de 9 (nove) processos, sendo um relativo a auto de infração (processo n° 11516.721009/201214) e os demais relativos a pedidos de ressarcimento de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins dos 1º ao 4º trimestres de 2008, a seguir relacionados: TRIMESTRE PROCESSO DO PIS PROCESSO DA COFINS 1º TRI/2008 10183.905478/201141 11516.721881/201173 Fl. 1588DF CARF MF 28 2º TRI/2008 11516.721876/201161 11516.721884/201115 3º TRI/2008 11516.721875/201116 11516.721882/201118 4º TRI/2008 11516.721877/201113 11516.721883/201162 Os processos de n°s 11516.721009/201214 (autos de infração) e 10183.905478/201141 (PIS 1º trimestre de 2008), na Sessão de 9/12/2015, foram distribuídos para o Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, integrante da 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara desta Seção. Na Sessão de 11/7/2016, com respaldo no art. 6º, do Anexo II, do RICARF/2015, por meio da Resolução nº 3402000.799, o processo de n° 11516.721009/2012 14 (autos de infração) foi convertido em diligência perante a DRF Florianópolis (SC), para fim de aguardar a conclusão do julgamento dos demais (oito) processos acima referenciados e, que após concluído o dito julgamento, retornasse ao CARF, com os respectivos julgados anexados (a este PAF), com vistas ao prosseguimento do julgamento do recurso voluntário colacionados aos presentes autos. Por sua vez, na Sessão de 20/7/2016, o processo de n°10183.905478/201141 (PIS 1º trimestre de 2008) foi submetido a julgamento, formalizado por meio do Acórdão nº 3402003.153, em que, por maioria, o Colegiado deu provimento parcial ao recurso voluntário, para reverter as glosas quanto “aos itens ‘peças de reposição de máquinas e equipamentos’, discriminados no item 8.1.3 do voto; óleo diesel e álcool combustível, conforme item 8.1.4 do voto; e crédito presumido das atividades agroindustriais.” Em 13/9/2016, a Fazenda Nacional interpôs recurso especial perante a 3ª Turma da CSRF, o qual encontrase em fase de triagem no âmbito deste Conselho, conforme informação extraída do sítio do CARF no dia 6/2/201715 Os demais processos do lote (sete), incluindo este, foram distribuídos para a Conselheira Lenisa Rodrigues Prado, integrante deste Colegiado, na Sessão de 22/7/2016. Com exceção do processo nº 11516.721882/201118 (Cofins 3º trimestre de 2008), os restantes foram colocados na pauta de julgamento do dia 26 de janeiro de 2017, quando, após leitura parcial do voto da Relatora, este Conselheiro pediu vistas, para melhor análise do litígio. Com base nesses breves esclarecimentos, fica evidenciado que os 8 (oito) processos que tratam dos pedidos de ressarcimento estão vinculados por conexão, conforme definido no art. 6º, § 1º, I, do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF 343/2015 (RICARF/2015). Logo, por força dessa condição, antes de prolatada a decisão, todos os processos conexos poderiam ter sido distribuídos ao conselheiro prevento, ou seja, aquele que primeiro recebeu um ou parte dos processos conexos. Entretanto, no caso em tela, essa providência revelase impossibilitada, haja vista que, os dois processos distribuídos ao Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, integrante da 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara desta 3ª Seção, já foram julgados, o que afasta a possibilidade de remessa dos demais processos conexos, ainda pendentes de julgamento, ao citado Conselheiro, por expressa disposição do art. 6º16, § 2º, do Anexo II do RICARF/2015. 15 Disponível em: <https://carf.fazenda.gov.br/sincon/public/pages/ConsultarInformacoesProcessuais/ exibirProcesso.jsf> 16 "Art. 6º Os processos vinculados poderão ser distribuídos e julgados observandose a seguinte disciplina: § 1º Os processos podem ser vinculados por: I conexão, constatada entre processos que tratam de exigência de crédito tributário ou pedido do contribuinte fundamentados em fato idêntico, incluindo aqueles formalizados em face de diferentes sujeitos passivos; Fl. 1589DF CARF MF Processo nº 11516.721875/201116 Acórdão n.º 3302003.604 S3C3T2 Fl. 1.576 29 Dessa forma, passase analisar as questões de mérito em relação as quais não há concordância com as razões de decidir apresentadas pela nobre Relatora. A) DAS QUESTÕES DE MÉRITO Nos presentes autos, o mérito da controvérsia cingese às razões que motivaram o indeferimento integral do Pedido Eletrônico de Ressarcimento (PER) do saldo remanescente dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep de incidência não cumulativa do 3º trimestrecalendário de 2008, vinculados à receita de exportação do respectivo período de apuração. Portanto, aqui não serão analisadas as questões atinentes ao auto de infração integrante do processo nº 11516.721009/201214, por ser matéria estranha. De acordo com a Informação Fiscal de fls. 962/993, o motivo do indeferimento foi (i) a glosa parcial dos valores de determinados itens integrantes da base cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins e (ii) reclassificação de parte do valor da receita de exportação (isenta) para receita de venda no mercado interno (tributada). I DA GLOSA DA BASE DE CÁLCULO DOS CRÉDITOS. As glosas recaíram sobre os valores, totais ou parciais, dos seguintes itens informados no Dacon e memória de cálculo pela recorrente: a) bens utilizados como insumos; b) serviços utilizados como insumos; c) despesas com energia elétrica; d) despesas de armazenagem e fretes na operação de venda; e e) crédito presumido agroindustrial. 1 Da glosa dos Bens Utilizados Como Insumos (Ficha 16A Linha 02) Em relação aos bens utilizados como insumos, as glosas foram realizadas sobre os valores das (i) aquisições de bens que não se enquadram no conceito de insumo, (ii) aquisição de bens sujeitos à alíquota zero, (iii) notas fiscais cujo CFOP não representa aquisição de insumos e nem outra operação com direito a crédito e (iv) notas fiscais que representam aquisições de pessoas jurídicas, que deveriam ter ocorrido com suspensão obrigatória da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins. Na “Relação De Notas Fiscais Glosadas de 2008” de fls. 489/505, elaborada pela autoridade fiscal, estão identificadas todas as notas fiscais, valores glosados e a indicação clara e precisa dos respectivos motivo e fundamentação legal da glosa, o que é suficiente para demonstrar a improcedência da alegação de nulidade do procedimento fiscal, bem como a desnecessidade da produção da requerida prova pericial. 1.1 Da aquisição de bens que não se enquadram no conceito de insumo (Grupo NI) II decorrência, constatada a partir de processos formalizados em razão de procedimento fiscal anterior ou de atos do sujeito passivo acerca de direito creditório ou de benefício fiscal, ainda que veiculem outras matérias autônomas; e III reflexo, constatado entre processos formalizados em um mesmo procedimento fiscal, com base nos mesmos elementos de prova, mas referentes a tributos distintos. § 2º Observada a competência da Seção, os processos poderão ser distribuídos ao conselheiro que primeiro recebeu o processo conexo, ou o principal, salvo se para esses já houver sido prolatada decisão. § 3º A distribuição poderá ser requerida pelas partes ou pelo conselheiro que entender estar prevento, e a decisão será proferida por despacho do Presidente da Câmara ou da Seção de Julgamento, conforme a localização do processo. [...]" Fl. 1590DF CARF MF 30 De acordo com a referida Informação Fiscal, a autoridade fiscal glosou os valores das aquisições dos bens que não se enquadravam no conceito insumo, veiculado pelo art. 8º, § 4º, I, “a”, da Instrução Normativa SRF 404/2004. De outra parte, a recorrente alegou a improcedência das referidas glosas, baseada no entendimento de que de todos os dispêndios ocorridos que contribuíram, direta ou indiretamente, para a obtenção da receita auferida e submetida à tributação da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins. Assim, fica evidenciado que o cerne da controvérsia gira em torno do significado e alcance do termo insumo, utilizado no art. 3º, II, das Leis 10.637/2002 10.833/2003, a seguir transcrito: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, [...]; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) grifos não originais O entendimento deste Relator é um pouco mais amplo do que aquele apresentado pela autoridade fiscal (extraído da legislação do IPI), porém, um pouco mais restrito do que o utilizado pela recorrente (veiculado pela legislação do Imposto sobre Renda da Pessoa Jurídica). Cabe ainda consignar que, no âmbito da jurisprudência deste Conselho, vem se firmando também entendimento intermediário, que considera insumo tanto as matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem utilizados diretamente na produção ou fabricação do bem destinado à venda, que, em termos financeiros, equivalem aos custos diretos de produção ou fabricação, quanto os bens e serviços gerais utilizados indiretamente na produção ou fabricação dos citados bens, que, em termos financeiros, equivalem aos custos indiretos de produção ou fabricação. Com a ressalva de que insumo e custo são termos que representam a mesma realidade de forma dista. O insumo representa a coisa, o bem material ou imaterial (ou serviço), enquanto que o custo representa o valor financeiro despendido na aquisição do respectivo bem. Em outros termos, o insumo representa o fluxo físico, enquanto o custo representa o fluxo financeiro da mesma realidade. E, no âmbito da pessoa jurídica, enquanto o fluxo financeiro é relevante para a contabilidade, o fluxo físico interessa à administração e auditoria do estoque. Com base nessa breve digressão, entende este Relator, com a devida vênia aos que entendem diferente, essa é a definição que melhor reflete o significado e alcance jurídico do termo insumo, veiculado pelos citados preceitos legais. Assim, respaldado nesse entendimento, podese asseverar que, no âmbito do regime não cumulativo da referida contribuição, enquadramse na definição de insumo tanto a matéria prima, o produto intermediário e o material de embalagem, que integram o produto final, quanto aqueles bens ou serviços aplicados ou consumidos no processo de produção ou fabricação, que compreendem os insumos diretos de produção. Também são considerados insumos os bens ou serviços previamente incorporados aos bens ou serviços diretamente aplicados no processo produtivo, desde que estes bens ou serviços propiciem direito a créditos da referida contribuição. Fl. 1591DF CARF MF Processo nº 11516.721875/201116 Acórdão n.º 3302003.604 S3C3T2 Fl. 1.577 31 Por outro lado, não integram a definição de insumo de produção ou fabricação os bens e serviços não aplicados ou consumidos no processo de produção ou fabricação. Em outras palavras, todos os bens ou serviços utilizados antes do início ou após a conclusão do processo de produção ou fabricação, que incluem os bens e serviços utilizados (i) na etapa anterior ao processo de produção ou fabricação, que, em termos financeiros, compreende às despesas préindustriais, ou (ii) na etapa posterior ao processo de produção ou fabricação, que, em termos financeiros, equivalem às despesas operacionais ou não operacionais da pessoa jurídica (as despesas de propaganda, administrativas, de vendas, financeiras etc.). Com base nesse entendimento, aqui será analisada as glosas dos créditos apropriados sobre os valores de aquisição de bens e serviços utilizados como insumo de fabricação pela recorrente. Inicialmente, rejeitase a alegação da recorrente de que os itens glosados a título “de bens que não se enquadram no conceito de insumo” não foram identificados pela fiscalização. Diferentemente do alegado, na referida “Relação De Notas Fiscais Glosadas de 2008” consta, além do número da nota fiscal, o grupo e motivo da glosa e a correspondente descrição do bem adquirido. E se da simples leitura da referida descrição foi possível a este Relator identificar o tipo de bens descritos, certamente, não se revela crível que a recorrente, que dispõe de todos os dados sobre os bens adquiridos, conforme se verifica na memória de cálculo por ela elaborada, não tenha identificado os itens glosados. Pela mesma razão, afastase o alegado cerceamento do direito de defesa, por falta de motivação. Ainda em relação a presente glosa, a recorrente afirmou que os itens glosados, a exemplo do barbante e pallets, davam direito a crédito por serem produtos utilizados direta ou indiretamente no seu processo produtivo. Esclareceu que o barbante era utilizado dentro do processo produtivo industrial para costura e também embalagem dos bens produzidos e destinados ao comércio. Acerca dos pallets acrescentou: O pallet e demais produtos glosados e não identificados em relatório são relevantes e participam do processo produtivo, uma vez que são utilizados na: (i) industrialização (emprego para movimentar as matériasprimas a serem utilizados); (ii) – armazenagem de matériasprimas em condições de higiene para serem utilizadas no processo fabril; (iii) armazenagem de produto industrializado a ser comercializado; (iv) armazenagem durante o ciclo de industrialização. [...] Portanto, tais materiais objetivam garantir regras de higiene e limpeza, como enuncia a ANVISA e MINISTÉRIO DA AGRICULTURA (SIF). As alegações genéricas dispensam qualquer análise e rejeitase de plano, por se revelarem improcedentes. No que tange ao barbante, compulsando a coluna da “Descrição do Material” da referida “Relação De Notas Fiscais Glosadas de 2008”, não foi encontrada menção à glosa do custo de aquisição desse tipo de produto, o que dispensa qualquer consideração a respeito. Fl. 1592DF CARF MF 32 Em relação aos pallets, cabe trazer a lume os esclarecimentos apresentados no Relatório Técnico nº 000.903/13 (fls. 1405/1454), da lavra do Instituto Nacional de Tecnologia (INT), anexado pela recorrente em atendimento ao pedido de diligência deste Conselho, que se encontra colacionado aos autos (fls. 1405 e ss.). Especialmente, a partir do item 13, em que apresentadas a descrição e forma de utilização, no estabelecimento da interessada, dos vários tipos pallets. De todos, merece destaque especial o item 15, que segue transcrito: No caso da BRF S. A., nas unidades visitadas, foi apurado que existem três tipos de paletes em uso sendo dois de madeira e outro em fibra de vidro (sic). Nos casos das peças fabricadas em madeira há um tipo que é retornável (denominado PBR) e outro que é enviado para o cliente e descartado pelo mesmo (denominado “one way”), ambos utilizados sempre nas movimentações externas às linhas de produção. Já no ambiente interno, onde são utilizados para armazenar e transportar matériasprimas e produtos em elaboração no interior da unidade produtora, há exigência do Serviço de Inspeção Federal – SIF para que sejam utilizados somente paletes de fibra de vidro [...] (sic). destaques não originais. Com base no texto transcrito, fica esclarecido que a recorrente utiliza três tipos de pallets: um de fibra de vidro e os outros dois de madeira. E conforme explicitado, apenas os pallets de fibra de vidro são utilizados nas linhas de produção, logo, os custos de aquisição, se não ativados, são considerados insumo de produção. E assim entendeu a autoridade fiscal, uma vez que não houve glosa desse tipo de pallet, conforme se infere da leitura da citada “Relação De Notas Fiscais Glosadas de 2008”. No que concerne aos pallets de madeira há um tipo que é retornável e o outro descartável. E conforme explicitado no texto transcrito, ambos são utilizados nas “movimentações externas às linhas de produção”. Logo, inferese que tais pallets não são utilizados no processo produtivo, portanto, não são considerados insumos de produção, incluindo os descartáveis. E dada essa forma de utilização, chegase a conclusão de que, no âmbito da atividade da recorrente, os pallets de madeira são considerados meros equipamentos de transporte dos produtos acabados. Aliás, sabidamente, os pallets são considerados unidades de carga destinadas a viabilizar a otimização do transporte dos produtos acabados, por meio do uso de paleteiras e empilhadeiras. Logo, em face dessa condição e forma utilização, os referidos pallets de madeira, em hipótese alguma, podem ser considerados insumos de produção, porque utilizados exclusivamente no transporte dos produtos acabados, e tampouco despesas de armazenagem ou de frete, conforme alegado, alternativamente, pela recorrente, especialmente, aqueles retornáveis, que, dependendo do prazo de vida útil, devem ser registrados no ativo permanente e não contabilizados como despesas. E como não se trata de insumo nem despesa de armazenagem ou de frete, obviamente, não tem qualquer relevância para o deslinde da controvérsia o fato de a utilização dos referidos pallets atender ou não exigências referentes à higiene e limpeza determinada em normas da Anvisa e do Ministério da Agricultura. Por todas essas considerações e tendo em conta que os custos de aquisição dos pallets de madeira não são considerados insumos de produção nem despesa de armazenagem ou frete, conforme definido no art. 3º, II e IX, das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, por falta de previsão legal, não integram a base de cálculo dos créditos da Fl. 1593DF CARF MF Processo nº 11516.721875/201116 Acórdão n.º 3302003.604 S3C3T2 Fl. 1.578 33 Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins, portanto, deve ser mantida, integralmente, a glosa realizada pela fiscalização. 1.2 Da aquisição de bens sujeitos à alíquota zero Com base nos dados da memória de cálculo apresentada pela recorrente, a autoridade fiscal procedeu a glosa das aquisições dos bens sujeitos à alíquota zero, para os quais há expressa vedação à apropriação de créditos das referidas contribuições, nos termos do art. 3º, § 2º, II, das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, a seguir reproduzido: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] § 2º Não dará direito a crédito o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) [...] II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) grifos não originais Na manifestação de inconformidade e no recurso em apreço, a recorrente alegou cerceamento do direito de defesa, por falta de identificação dos itens glosados e da motivação da glosa. No entanto, contraria o alegado, a afirmação da própria recorrente de que “diversos produtos descritos como tributados por meio de alíquota zero, nos moldes da Lei nº 10.925/2004, em seu art. 1º, não se tipificam nas classificações fiscais descritas” e cita o manjericão como “provável” item glosado indevidamente. No mesmo sentido, a simples leitura da referida “Relação De Notas Fiscais Glosadas de 2008” evidencia a improcedência da referida alegação. No referido documento, verificase que, para cada nota fiscal glosada, além da descrição e valor de aquisição do bem, há expressa indicação do motivo da glosa, acompanhado da menção ao respectivo dispositivo legal, que reduziu a zero a alíquota das citadas contribuições. E ao perceber o equívoco de tal alegação, ao se manifestar sobre o resultado da diligência, a recorrente alegou que: Temos ainda produtos químicos, desinfetantes e afins que são bens utilizados especialmente no processo produtivo da recorrente, inclusive, em razão de normas que regulam a atividade e emitidas por órgãos reguladores e fiscalizadores, tais como ANVISA, MAPA, SIF, entre outros. Neste sentido foram glosados: Calc. Calcit. Pá 38% Cálcilo, Desinfetante Hipoclorito Sódio, DL Metionina Pà 99%, Desinfetante Enilconazole, Desinfetante Glut 40%, Desinfetante TEK, Ceftiofur, Treonina 98,5%, Antibiótico Amoxicilina 50%, Sulfato de Beomicina 50%. Fl. 1594DF CARF MF 34 Na seqüência, a recorrente concluiu que: [...] não pode a Receita Federal desconsiderar um custo ou despesa vinculado à atividade empresarial que é obrigatória e necessária ao próprio desempenho desta. A noção de insumo é técnica e, muitas vezes, os órgãos que fiscalizam e orientam determinada atividade, possuem mais condições de evidenciar o que é relevante para aquela atividade. No caso, inexiste controvérsia de que o motivo da glosa foi o fato de os referidos produtos terem sido adquiridos sem a tributação das referidas contribuições (produtos sujeitos à alíquota zero). Por conseguinte, a condição deles serem insumos de produção ou não, induvidosamente, não tem qualquer relevância para infirmar o motivo da glosa, já que a natureza produto não teve qualquer influência em ralação ao motivo da glosa. Também não procede a alegação da recorrente de que era totalmente viável a manutenção do crédito em relação aos produtos “vinculados à noção de insumos”, tais como “vacinas, antibióticos, treonina, ivermectina, entre outros”, pinto de 1 dia (macho e fêmea) etc. A razão, segundo a recorrente, era evidente: se não houve cobrança das referidas contribuições na aquisição desses produtos, logo, era vedado o direito de apropriação de crédito, por expressa determinação no citado preceito legal. Enfim, por expressa proibição, determinada no art. 26A do Decreto 70.235/1972, no âmbito deste Conselho, não cabe a análise da alegação no sentido de que a glosa de créditos, na hipótese de aquisição sem tributação, se sujeita à tributação na operação posterior, viola o princípio da não cumulatividade e da capacidade contributiva, bem como implica efeito confiscatório. Aliás, em conformidade com essa proibição, exisnte o entendimento manifestado no enunciado da Súmula CARF nº 02, de acatamento obrigatório por todos os integrante deste Conselho, por força do disposto no art. 62 do Anexo II do RICARF/2015. Em relação à aquisição dos produtos agropecuários (por exemplo, pinto de 1 dia, entre outros), relacionados no art. 8º da Lei 10.925/2004, em caráter alternativo, a recorrente pleiteou a manutenção, pelo menos, do crédito presumido, “pois esta lei especial se sobrepõe ao art. 3º, § 2º, II, da Lei nº 10.637/2002 e 10.833/2003, como também art. 1º, da Lei n. 10.925”. Assiste razão à recorrente apenas no que tange às aquisições dos pintos de 1 dia, desde que, adquiridos de pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e cooperativa de produção agropecuária, nos termos do art. 8º, § 3º, III, da Lei 10.925/2004, uma vez que, inequivocamente, tais animais integram o processo produtivo dos produtos de origem animal da posição 02.07 “carnes e miudezas, comestíveis, frescas, refrigeradas ou congeladas, das aves da posição 01.05”, produzidos pela recorrente e destinados à alimentação humana. Assim, ainda que tais bens tenham sido adquiridos com alíquota zero das referidas pessoas jurídicas, sobre tais aquisições a recorrente faz jus a apropriação do crédito presumido previsto no art. 8º da Lei 10.925/2004. Por todas essas razões, restabelecese apenas o direito de a recorrente apropriar, parcialmente, do crédito presumido agroindustrial, calculados mediante a aplicação do percentual de 60% das alíquotas normais das contribuições, previsto no art. 8º, § 3º, I, da Lei 10.925/2004, sobre o valor das aquisições dos pintos de 1 dia. 1.3 Notas fiscais com CFOP de operação sem direito a crédito Fl. 1595DF CARF MF Processo nº 11516.721875/201116 Acórdão n.º 3302003.604 S3C3T2 Fl. 1.579 35 De acordo com a citada Informação Fiscal, foram glosados os valores das notas fiscais, listadas na “Relação De Notas Fiscais Glosadas de 2008”, cujo CFOP não representava operação de aquisição de bens e nem outra operação com direito a crédito. Da leitura da referida listagem, constatase que as notas fiscais glosadas em razão de o CFOP “indicar operação sem direito de crédito” estão identificadas na coluna "Motivo glosa" com a informação “CFOP”, que significa “Código Fiscal da operação indica operação sem direito a crédito”. As referidas glosas foram integralmente mantidas pela decisão recorrida, com base nos seguintes argumentos, in verbis: [...] os CFOP de tais notas não representam operações que consistam de aquisição de bens ou outra operação que dê direito a crédito, tais como as representadas pelas notas com os seguintes: os CFOP 2.556 Compra de material para uso ou consumo e 1.653 Compra de combustível ou lubrificante por consumidor ou usuário final. De outro turno, tendo em conta a "Descrição do Material", verificase que os bens claramente não consistem de insumo ou não há como afirmar que o sejam, haja vista não ser possível identificar sua real natureza e aplicação dentro da atividade da empresa. Na manifestação de inconformidade e no recurso em apreço, a recorrente limitouse em alegar a legitimidade dos créditos, por serem bens “caracterizados pela utilidade, inerência e relevância no processo produtivo”. Evidentemente, tratase de alegação genérica, desprovida de qualquer respaldo probatório. Já na manifestação sobre o resultado da diligência, a recorrente apresentou novas alegações, a seguir analisadas. 1.3.1 Das Peças, equipamentos e ferramentas em geral Na referida manifestação, com base nos fluxogramas integrantes do Laudo Técnico do INT, a recorrente informou que, na relação de bens glosados, havia peças e diversos itens de reposição de máquinas, equipamentos e ferramentas utilizados no processo produtivo, tais como: Suporte Bronze Mordaça, Lateral Mordaça, Bucha Bronze, Anel vedante, Anel trava, Rolamento, Fuso, Gancho, Engrenagem, Mola, Bucha, Placa Sincronizadora, Retentor, Pistão Hidráulico, Arruela Lisa, Correias do carro, Espátula, Bloco alumínio, Bucha Inox, Módulo completo, Acoplamento, Mangueira, Chave bloco, chave segurança, Bloco Bronze, Anel elástico, Cilindro bomba, Reparo de Pistão, Conectores, Faca Inox, Esteira placa quente, Peneira Moinho, Filtro Ar, Filtro óleo, Frezas Sep. vísceras PM 300, Navalha CW System e Filtro de óleo. E, em seguida, alegou que tais itens: São peças, equipamentos, ferramentas em geral destinadas à manutenção e consecução do processo produtivo. A mais disso, o próprio Laudo técnico deixa evidente que tais itens estão vinculados ao processo produtivo da recorrente, Fl. 1596DF CARF MF 36 especialmente, diante de sua atividade e plantas industriais juntadas. Ora, se a própria recorrente afirmou que tais bens eram “peças, equipamentos, ferramentas em geral destinadas à manutenção e consecução do processo produtivo”, certamente, eles não eram insumos de produção. E pelas características e aplicação, informadas na “planilha complementar referente aos insumos utilizados na produção” (fls. 1555/1557), apresentada após a referida manifestação, inferese que, se efetivamente utilizados na produção, o custo de aquisição de tais bens era passível de apropriação como créditos, mas sob forma de encargo de depreciação, nos termos do art. 3º, VI, e § 1º, III, das Lei 10.637/2002 e 10.833/2003, a seguir reproduzido: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2oa pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços;(Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) [...] § 1o Observado o disposto no § 15 deste artigo, o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2º desta Lei sobre o valor: (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) [...] III dos encargos de depreciação e amortização dos bens mencionados nos incisos VI, VII e XI do caput, incorridos no mês;(Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) grifos não originais. Assim, em vez da apropriação como crédito de insumo de produção, como equivocadamente fez a recorrente, com suporte nos citados preceitos legais, se aplicados na produção, a apropriação correta e permitida do crédito sobre o valor do custo de aquisição dos referidos bens era sob forma de encargo mensal de depreciação, segundo os procedimento determinados por legislação específica, o que não foi feito pela recorrente. Por essas razões, fica demonstrado que os referidos bens não eram insumo produção, portanto, não merece reparo a glosa dos créditos calculados sobre o valor do custo de aquisição dos mencionados bens. 1.3.2 Dos combustíveis em geral Sobre a glosa dos combustíveis, na referida manifestação, a recorrente alegou o seguinte: Temos ainda, os combustíveis (Óleo Diesel), Álcool Combustível, Gasolina Combustível, etc), que além de existir expressa previsão legal para o crédito, também se vinculam diretamente ao processo de produção, como se pode notar claramente dos fluxogramas e laudo juntado. Fl. 1597DF CARF MF Processo nº 11516.721875/201116 Acórdão n.º 3302003.604 S3C3T2 Fl. 1.580 37 Na referida planilha complementar, a recorrente informou que o Óleo Diesel fora utilizado no gerador de energia do Frigorífico, no gerador do Incubatório e nas Caldeiras 1 e 2, enquanto que o Álcool Combustível fora utilizado no setor de Embalagem final e nos Túneis de congelamento (diminuição do gelo acumulado no frigorífico). Como tais itens foram utilizados na área fabril, eles são considerados insumos de produção e como tal o valor do custo de aquisição foram corretamente apropriado como créditos das referidas contribuições. Consta da referida planilha a Gasolina Comum Combustível fora utilizada nos veículos da empresa, o que desqualifica tal produto como insumo de produção, logo, deve ser mantida a glosa. Dessa forma, fica restabelecido o direito de a recorrente apropriarse apenas do valor do crédito calculado sobre o valor de aquisição do Óleo Diesel e do Álcool Etílico Combustível. Em relação aos demais combustíveis, fica mantida a glosa dos créditos apurada pela fiscalização. 1.4 Das aquisições de pessoas jurídicas sujeitas à obrigatória suspensão da cobrança da contribuição. De acordo com a referida Informação Fiscal, o que motivou a glosa dos créditos normais apurados sobre os valores das aquisições de pessoas jurídicas de frangos vivos (Posição 0105) e demais produtos agropecuários, utilizados como insumos de produção pela recorrente, foi o fato de tais aquisições não estarem sujeitas à cobrança, mas à obrigatória suspensão da cobrança da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins, nos termos dos arts. 8º, 9º e 15 da Lei 10.925/2004. Segundo a autoridade fiscal, as operações de venda de produtos agropecuários, para a pessoa jurídica Perdigão Agroindustrial Mato Grosso Ltda, preenchiam todos os requisitos fixados no art. 4º da Instrução Normativa SRF 660/2006, logo, por força do disposto nos referidos arts. 8º e 9º, tais aquisições não estavam sujeitas a cobrança das referidas contribuições. Porém, asseverou a autoridade fiscal, caso o vendedor tivesse apurado e recolhido as ditas contribuições sobre as vendas dos citados produtos, tal recolhido era indevido. E, sabidamente, o pagamento indevido não assegurava o direito ao crédito ao comprador, mas repetição de indébito ao contribuinte, no caso o vendedor, conforme preceituava o art. 165, I, do CTN. Por sua vez, a recorrente defendeu a manutenção integral do crédito, sob o argumento de que as aquisições ocorreram mediante tributação de 9,25% (Cofins + Contribuição para o PIS/Pasep) e que a Lei 10.925/2005 somente era aplicável, nas condições estipuladas, quando houvesse venda com suspensão das referidas contribuições; se houve aquisição de insumo sem a suspensão, aplicavase o art. 3º das Leis 10.833/2003 e 10.637/2002. Alegou ainda que se podia concluir, da redação descrita pela IN SRF 660/2006 e a posterior alteração dada pela IN RFB 977/2009, que antes desta última IN a suspensão da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins era uma faculdade e dependia de procedimentos formais (declaração). Alternativamente, a interessada pleiteou que se reconhecesse a procedência parcial do crédito, mediante aplicação do percentual do crédito presumido agroindustrial, previsto no art. 8º da Lei 10.925/2004. A partir da vigência da Lei 10.925/2005, foi permitido às pessoas jurídicas produtoras de mercadorias de origem animal ou vegetal, destinadas à alimentação humana ou animal, classificadas nos capítulos e códigos mencionados no caput do art. 8º da referida lei, Fl. 1598DF CARF MF 38 deduzirem da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido calculado mediante a aplicação de alíquota diferenciada sobre o montante dos insumos adquiridos de pessoa jurídica com atividade agropecuária ou de cooperativa de produção agropecuária. Em decorrência, suspendeu a cobrança das referidas contribuição nas vendas dos referidos insumos, realizadas pelas pessoa jurídicas que exerçam atividade agropecuária e cooperativa de produção agropecuária, nos termos do art. 9º da citada Lei que segue transcrito: Art. 9º A incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins fica suspensa no caso de venda: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) I de produtos de que trata o inciso I do § 1º do art. 8º desta Lei, quando efetuada por pessoas jurídicas referidas no mencionado inciso; (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) II de leite in natura, quando efetuada por pessoa jurídica mencionada no inciso II do § 1º do art. 8º desta Lei; e (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) III de insumos destinados à produção das mercadorias referidas no caput do art. 8º desta Lei, quando efetuada por pessoa jurídica ou cooperativa referidas no inciso III do § 1º do mencionado artigo. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) § 1º O disposto neste artigo: (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) I aplicase somente na hipótese de vendas efetuadas à pessoa jurídica tributada com base no lucro real; e (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) II não se aplica nas vendas efetuadas pelas pessoas jurídicas de que tratam os §§ 6º e 7º do art. 8º desta Lei. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) § 2º A suspensão de que trata este artigo aplicarseá nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal SRF. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) grifos não originais Da simples leitura do referido preceito legal, inferese que, uma vez existentes as condições nele estabelecidas, a pessoa jurídica vendedora, obrigatoriamente, adotará o regime suspensão da cobrança das referidas contribuições. Se a assim não procedeu, a citada pessoa jurídica agiu descompasso com a lei e se cobrança houve das referidas contribuições, elas foram indevidas e assim devem ser tratadas. Em consonância com o disposto no transcrito art. 9º, § 2º, o assunto foi regulamentado, inicialmente, por meio da Instrução Normativa SRF 636/2006, depois revogada pela Instrução Normativa SRF 660/2006, com as alterações da Instrução Normativa SRF 977/2009. Como a recorrente alegou que antes das alterações da Instrução Normativa SRF 977/2009 a suspensão da cobrança da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins era uma faculdade e dependia de procedimentos formais (declaração), reveste de todo oportuno, para melhor análise, transcrever os seguintes trechos relevantes da redação originária da Instrução Normativa SRF 660/2006: Fl. 1599DF CARF MF Processo nº 11516.721875/201116 Acórdão n.º 3302003.604 S3C3T2 Fl. 1.581 39 Art. 1º Esta Instrução Normativa disciplina a comercialização de produtos agropecuários na forma dos arts. 8º, 9º e 15 da Lei nº 10.925, de 2004. Da Suspensão da Exigibilidade das Contribuições Dos produtos vendidos com suspensão Art. 2º Fica suspensa a exigibilidade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda: [...] III de produto in natura de origem vegetal destinado à elaboração de mercadorias classificadas no código 22.04, da NCM; e IV de produtos agropecuários a serem utilizados como insumo na fabricação dos produtos relacionados no inciso I do art. 5º. § 1º Para a aplicação da suspensão de que trata o caput, devem ser observadas as disposições dos arts. 3º e 4º. § 2º Nas notas fiscais relativas às vendas efetuadas com suspensão, deve constar a expressão "Venda efetuada com suspensão da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS", com especificação do dispositivo legal correspondente. Das pessoas jurídicas que efetuam vendas com suspensão Art. 3º A suspensão de exigibilidade das contribuições, na forma do art. 2º, alcança somente as vendas efetuadas por pessoa jurídica: [...] III que exerça atividade agropecuária ou por cooperativa de produção agropecuária, no caso dos produtos de que tratam os incisos III e IV do art. 2º. §1º Para os efeitos deste artigo, entendese por: [...] II atividade agropecuária, a atividade econômica de cultivo da terra e/ou de criação de peixes, aves e outros animais, nos termos do art. 2º da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990; e [...] Das condições de aplicação da suspensão Art. 4º Aplicase a suspensão de que trata o art. 2º somente na hipótese de, cumulativamente, o adquirente: I apurar o imposto de renda com base no lucro real; Fl. 1600DF CARF MF 40 II exercer atividade agroindustrial na forma do art. 6º; e III utilizar o produto adquirido com suspensão como insumo na fabricação de produtos de que tratam os incisos I e II do art. 5º. § 1º Para os efeitos deste artigo as pessoas jurídicas vendedoras relacionadas nos incisos I a III do caput do art. 3º deverão exigir, e as pessoas jurídicas adquirentes deverão fornecer: I a Declaração do Anexo I, no caso do adquirente que apure o imposto de renda com base no lucro real; ou II a Declaração do Anexo II, nos demais casos. § 2º Aplicase o disposto no § 1º mesmo no caso em que a pessoa jurídica adquirente não exerça atividade agroindustrial. [...] Do Crédito Presumido Do direito ao desconto de créditos presumidos Art. 5º A pessoa jurídica que exerça atividade agroindustrial, na determinação do valor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins a pagar no regime de não cumulatividade, pode descontar créditos presumidos calculados sobre o valor dos produtos agropecuários utilizados como insumos na fabricação de produtos: I destinados à alimentação humana ou animal, classificados na NCM: [...] Dos insumos que geram crédito presumido Art. 7º Somente gera direito ao desconto de créditos presumidos na forma do art. 5º os produtos agropecuários: I adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País com o benefício da suspensão da exigibilidade das contribuições, na forma do art. 2º; II adquiridos de pessoa física residente no País; ou III recebidos de cooperado, pessoa física ou jurídica, residente ou domiciliada no País. (grifos não originais) Dos referidos comandos regulamentares, extraise que, se atendidas as condições estabelecidas nos incisos I a III do art. 4º, acima transcrito, obrigatoriamente, a receita de venda auferida pelas referidas pessoas jurídicas fica sujeita a suspensão da cobrança das referidas contribuições e, em decorrência dessa situação, a pessoa jurídica vendedora obrigase a exigir e a compradora obrigase a fornecer as declarações mencionadas nos incisos I e II do § 1º do citado artigo. Logo, temse que as condições estabelecidas nos incisos do art. 4º são necessárias e suficientes para a adoção obrigatório do regime de suspensão em comento, enquanto que os incisos do § 1º do art 4º apenas estabelecem obrigações acessórias a serem cumpridas pelas partes envolvidas na operação. Fl. 1601DF CARF MF Processo nº 11516.721875/201116 Acórdão n.º 3302003.604 S3C3T2 Fl. 1.582 41 Diferentemente do alegado pela recorrente, antes da edição da Instrução Normativa SRF 977/2009, que deu nova redação ao art. 4º em comento, deixou expressa a obrigatoriedade da referida suspensão e revogou o § 1º, que previa a exigência de apresentação da referida obrigação, com vigência desde 4 de abril de 2006, conforme explicitado na nova redação, que segue transcrita: Art. 4º Nas hipóteses em que é aplicável, a suspensão disciplinada nos arts. 2º e 3º é obrigatória nas vendas efetuadas a pessoa jurídica que, cumulativamente: (Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 977, de 14 de dezembro de 2009) I apurar o imposto de renda com base no lucro real; II exercer atividade agroindustrial na forma do art. 6º; e III utilizar o produto adquirido com suspensão como insumo na fabricação de produtos de que tratam os incisos I e II do art. 5º. § 1º (Revogado pela Instrução Normativa RFB nº 977, de 14 de dezembro de 2009) §2º (Revogado pela Instrução Normativa RFB nº 977, de 14 de dezembro de 2009) § 3º É vedada a suspensão quando a aquisição for destinada à revenda. (Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 977, de 14 de dezembro de 2009) [...] Art.11. Esta Instrução Normativa entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos: I em relação à suspensão da exigibilidade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins de que trata o art. 2º, a partir de 4 de abril de 2006, data da publicação da Instrução Normativa nº 636, de 24 de março de 2006, que regulamentou o art. 9º da Lei nº 10.925, de 2004; (grifos não originais) Portanto, não foi a edição da Instrução Normativa SRF 660/2006 e tampouco a referida alteração que tornaram obrigatória a suspensão da cobrança das contribuições em apreço. Tal obrigatoriedade, certamente, já existia desde a vigência dos arts. 8º e 9º da Lei 10.925/2004. As referidas normas regulamentares apenas explicitaram tal obrigatoriedade, bem como os requisitos implícitos nos referidos preceitos legais. Assim, resta demonstrado que a venda com suspensão constitui direito do vendedor, quando presente as condições estabelecidas implicitamente no referido preceito legal e expressamente no referido preceito regulamentar. Assim, se tal operação de venda foi indevidamente tributada pelo vendedor, essa condição não permite que o adquirente se aproprie do crédito normal (integral) das contribuições, por se tratar de procedimento contrário ao prescrito nos mencionados comandos normativos. No caso, se houve pagamento de contribuição indevida, em tese, o direito de repetir o indébito pertencente à pessoa jurídica vendedora. Entretanto, por falta de amparo legal, essa circunstância não assegura à pessoa jurídica compradora o direito de apropriarse do crédito normal (integral) das contribuições. Fl. 1602DF CARF MF 42 Enfim, em caráter alternativo, a recorrente solicitou o restabelecimento parcial do crédito glosado, “mediante aplicação do percentual do crédito presumido”, instituído no art. 8º do da Lei 10.925/2004. O referido pedido alternativo merece acolhida, porque as referidas aquisições de insumos aplicados na produção de mercadoria de origem animal foram feitas de pessoa jurídica que exercem atividade agropecuária e cooperativa de produção agropecuária, portanto, em conformidade com disposto no art. 8º, § 1º, III, combinado com o disposto no art. 9º, III, da Lei 10.925/2004, tais operações asseguram ao estabelecimento agroindustrial adquirente o direito de deduzir crédito presumido em destaque, calculado mediante aplicação do percentual de 60% sobre o valor das aquisições dos insumos agropecuários aplicados na produção dos produtos de origem animal destinados à alimentação humana ou animal. Com base nessas considerações, deve ser restabelecido, parcialmente, o direito de a recorrente apropriarse do valor do crédito presumido agroindustrial, calculado mediante aplicação do percentual de 60% das alíquotas normais das contribuições sobre o valor dos insumos agropecuários adquiridos de pessoas jurídicas sujeitas à suspensão, mas indevidamente tributadas. 2 Da glosa dos Serviços Utilizados Como Insumos (Ficha 06A, Linha 03) De acordo com a Informação Fiscal, a autoridade fiscal glosou as aquisições de serviços que não se enquadravam no conceito de insumo, nos termos do o art. 8º, § 4º, I, “b” da Instrução Normativa SRF 404/2004. A glosa compreende os valores das notas fiscais cujo CFOP não representa aquisição de serviços e nem outra operação com direito a crédito. A recorrente contestou essa glosa remetendo “a todos os fundamentos ventilados até o momento” acerca da “noção de insumo no sistema não cumulativo de PIS e COFINS” e aduziu que o termo de verificação fiscal não mencionava expressamente um item sequer glosado e a razão fática e jurídica. Diferentemente do alegado, embora não tenha sido mencionado na informação fiscal, há na “Relação De Notas Fiscais Glosadas de 2008” identificação das notas fiscais glosadas, descrição e valor do serviço, bem como o motivo da glosa, procedido da informação “NI” que indica que o serviço “Não é insumo”. E da leitura da descrição das operações glosadas, não é possível saber se os serviços são ou não insumos de produção e não há elementos suficientes para essa confirmação, haja vista não ser possível identificar sua real natureza e aplicação dentro da atividade da empresa. Para ratificar o afirmado, a título de exemplo, apresentase a descrição das seguintes operações: SERVIÇOS GERAIS, SERVICO MÃODEOBRA, SERVICO IMOBILIZADO GERAL. Na manifestação sobre a diligência, a recorrente informou que “com clareza meridiana são considerados insumos, em especial: Serviços de Expedição e Armazéns, Serviço Técnico Mecânico, Serviço de transporte de aves, Serviço de carga e descarga, entre outros.” Na referida planilha complementar, nos itens 53 a 56, foi informado o local onde era prestado o serviço e a sua descrição. Com base nessas informações e tendo em conta o conceito de insumo aqui adotado, são considerados insumos apenas os seguintes serviços: “Serviço de Expedição e Armazéns”, “Serviço de Transporte de Aves” e “Serviço de Carga e Descarga”. Fl. 1603DF CARF MF Processo nº 11516.721875/201116 Acórdão n.º 3302003.604 S3C3T2 Fl. 1.583 43 Em relação aos demais serviços cujos créditos foram glosados, a recorrente não se dignou apresentar elementos adequados e suficientes, com vistas a demonstrar que eles eram insumos de produção, portanto, deve ser mantida a glosa. Por essas razões, deve ser restabelecido apenas o crédito glosado apurado sobre o valor da prestação dos seguintes serviços: Serviço de Expedição e Armazenagem Gerais, Serviço de Transporte de Aves, Serviço de Sangria e Serviço de Carga e Descarga. 3 Das Despesas com Energia Elétrica (Ficha 06A Linha 04) De acordo com a “Relação De Notas Fiscais Glosadas de 2008”, verificase que foram glosados os valores informados na Ficha 06A Linha 04 do Dacon, que não representavam despesas com energia elétrica consumida. As operações glosadas, por exemplo, tinha a seguinte descrição: PALLET MAD 120X100X14CM EXPORT PL7 REFO, CALC. CALCIT. Pà 38% CALCIO BAG 1300KG, PINTO 01 DIA MATRIZ COBB FEMEA, ANTIB AMOXICILINA 50% BALDE 5KG SC 200G. Com base apenas na descrição, já fica demonstrados que tais operações não são despesas com energia elétrica. Entretanto, diante tão evidente equívoco, a recorrente teve a coragem de alegar que os valores das despesas com energia foram lançados em livros fiscais, que se presumia verdadeiros, pelo que requereu a realização diligência ou perícia com o objetivo de comprovar a diferença mediante ofício à concessionária de energia. Inacreditável! Em vez de apresentar as provas do que alegara, invertendo as regras sobre ônus da prova, sem qualquer justificativa plausível, a recorrente alegou que era autoridade fiscal que deveria provar que aquisição de pallet de madeira era despesa de energia elétrica consuma. Assim, na ausência de provas de que os valores registrados não eram despesas com energia elétrica ou térmica, mantém a glosa integral determinada pela fiscalização. 4 Despesas de Armazenagem e Fretes na Operação de Venda (Ficha 16A Linha 07) De acordo com a planilha que integra a Informação Fiscal, foram excluídos da base de cálculo (glosados) as diferenças entre os valores informados no Dacon e os informados na memória de cálculo, apresentada pela recorrente. Segundo a autoridade fiscal, a referida glosa diz respeito aos custos com “SERVICO CARGA E DESCARGA (TRANSBORDO) e outros, que não se enquadravam no prescrito pelo art. 3º, inciso IX, da Lei nº 10.833/2003”. Cabe informa ainda que não há na “Relação De Notas Fiscais Glosadas de 2008” a indicação de notas fiscais para Linha 07 da Ficha 16A do Dacon, porque as glosas referemse às diferenças apuradas entre os valores informados no Dacon e os informados na memória de cálculo, para cada mês do trimestre. Fl. 1604DF CARF MF 44 A recorrente alegou que o frete na venda e armazenagem “inclui o procedimento a fim de realizar a exportação do transbordo” por tratarse de “serviço natural e essencial ligado ao frete para a exportação do bem”. Sem razão à recorrente. O teor do art. 3º, IX, das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 não comporta sentido e alcance tão amplo, de modo a incluir os demais serviços relacionados ao transporte do bem. Além disso, a recorrente não apresentou qualquer documento que comprovasse a realização da parcela das despesas glosadas. Por todas essas razões, deve mantida a glosa realizada pela autoridade fiscal. 5 Créditos Presumidos das Atividades Agroindustriais (Ficha 06A Linhas 25 e 26) Da referida Informação Fiscal, extraise que, em relação aos insumos não pertencentes ao inciso I do § 3º do art. 8º da Lei 10.925/2004, no cálculo do crédito a alíquota aplicada foi reduzida de 60% da alíquota normal da contribuição, percentual utilizada pela interessada, para 35% da alíquota normal, nos termos do inciso III do mesmo parágrafo. No corpo do relatório fiscal, encontrase uma listagem contendo os insumos adquiridos com o benefício do crédito presumido que sofreram glosa, totalizados por descrição em cada mês, e na planilha “Crédito Presumido – Detalhe” (fls. 506/856) encontramse individualizadas as notas fiscais correspondentes. A recorrente, por seu turno, alegou que o art. 8º da Lei 10.925/2004, ao definir os percentuais (60% ou 35% da alíquota da contribuição) para fins de cálculo do crédito presumido a ser apropriados pelas pessoas jurídicas que produzissem mercadorias de origem animal, destinadas à alimentação humana e classificadas nos capítulos e códigos indicados, não vincula tais percentuais ao tipo de bem que é adquirido pela pessoa jurídica, mas sim ao tipo de produto que é fabricado com o bem adquirido. Com base nesse entendimento, a recorrente defendeu a legitimidade do crédito presumido apurado no percentual de 60% da alíquota normal da contribuição, em relação aos insumos destinados à fabricação dos produtos destinados a alimentação humana ou animal, descritos nos Capítulos 2 a 4, 6 da NCM e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e às misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18. Do cotejo entre os dois posicionamentos, fica evidenciado que a controvérsia cingese ao parâmetro de definição do percentual de apuração do crédito presumido agroindustrial. Para a recorrente, seria a natureza do bem produzido pela pessoa jurídica que desenvolvesse a atividade agroindustrial, ao passo que, para autoridade fiscal, seria a natureza do insumo adquirido pelo referido estabelecimento agroindustrial. Para melhor compreensão da controvérsia, veja o teor do caput e do § 3º, I e III, do art. 8º da Lei 10.925/2004, na época vigentes, que seguem transcritos: Art. 8º As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, Fl. 1605DF CARF MF Processo nº 11516.721875/201116 Acórdão n.º 3302003.604 S3C3T2 Fl. 1.584 45 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) [...] § 3º O montante do crédito a que se referem o caput e o § 1odeste artigo será determinado mediante aplicação, sobre o valor das mencionadas aquisições, de alíquota correspondente a: I 60% (sessenta por cento) daquela prevista no art. 2odas Leis nos10.637, de 30 de dezembro de 2002, e10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os produtos de origem animal classificados nos Capítulos 2 a 4, 16, e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e as misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18; e [...] III 35% (trinta e cinco por cento) daquela prevista no art. 2º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os demais produtos. (Incluído pela Lei nº 11.488, de 2007) No âmbito deste Conselho, até a vigência do art. 33 da Lei 12.865/2013, que acrescentou o § 12 ao art. 8º da Lei 10.925/2004, havia amplo dissenso sobre a questão. A partir de então, em face da natureza interpretativa do novel preceito legal, por força do disposto no art. 106, I, do CTN, passou a ser aplicada o entendimento em que o percentual de presunção seria definido em função da natureza do produto industrializado e não dos insumos nele aplicado. Senão, veja como ficou a redação do citado § 10: Art. 8º [...] [...] § 10. Para efeito de interpretação do inciso I do § 3o, o direito ao crédito na alíquota de 60% (sessenta por cento) abrange todos os insumos utilizados nos produtos ali referidos. (Incluído pela Lei nº 12.865, de 2013) grifos não originais Com base nessas considerações, deve ser restabelecido o direito de a recorrente apropriarse do valor do crédito presumido agroindustrial, mediante a utilização do percentual de 60% da alíquota normal das referidas contribuições, respectivamente, definidas no art. 2o das Leis 10.637/2002 e10.833/2003, a ser aplicado sobre o valor do custo de aquisição de todos insumos utilizados na fabricação dos produtos discriminados no art. 8º, § 3º, I, da Lei 10.925/2004, independente do tipo, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física, ou de pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e de cooperativa agropecuária, na forma do art. 8º, § 1º, da Lei 10.925/2004. Fl. 1606DF CARF MF 46 II DA RECLASSIFICAÇÃO DAS RECEITAS COM FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO De acordo com referida Informação Fiscal, a autoridade fiscal apurou que a recorrente não havia registrado operação de exportação no Siscomex o ano de 2008 e que grande parte das vendas com fim específico de exportação, realizadas com CFOP 5501/6501, não cumpriram os requisitos da legislação de regência, porque as mercadorias eram entregues em recintos não alfandegados de uso público. A autoridade fiscal ainda informou que: Em verdade, era a Perdigão Agroindustrial S/A, em seu próprio nome, que “estufava” os contêineres e realizava as exportações. Dessarte, as vendas da Perdigão Agroindustrial Mato Grosso Ltda para a Perdigão agroindustrial S/A eram vendas normais no mercado interno. Em decorrência dessa constatação, a autoridade procedeu a reclassificação das referidas vendas do grupo das receitas de exportação para o das receitas de vendas tributadas no mercado interno, bem como procedeu o recálculo das proporções entre os valores das receitas de vendas no mercado interno (tributadas e não tributadas) e das receitas de exportação, para fim de determinação do novo percentual de rateio dos créditos das referidas contribuições, passíveis de ressarcimento e compensação, nos termos da legislação vigente. A relação das notas fiscais glosadas, emitidas pela recorrente em nome da exportadora Perdigão Agroindustrial S/A., encontramse discriminadas na Planilha denominada “Listagem de locais de entrega das vendas com fim específico de exportação fornecida pelo contribuinte e formatada pela fiscalização” (fls. 857/961), em que, além de outras, consta a informação do local onde foram armazenados os produtos remetidos pela recorrente. Assim, fica demonstrado que o motivo da glosa em apreço foi a descaracterização da receita de venda com fim específico de exportação em razão do descumprimento dos requisitos estabelecido para o referido regime de isenção. No recurso em apreço, a recorrente alegou que a não incidência (desonerações) das referidas contribuições sobre as receitas decorrentes das operações de exportação de mercadorias para o exterior, estabelecida nas Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, não se tratava de hipótese de isenção, mas de imunidade tributária objetiva, prevista no art. 149, § 2º, I, da Constituição Federal de 1988 (CF/1988), que objetivava “desonerar receitas vinculadas (direta ou indiretamente) à exportação”. Além de ser matéria estranha ao motivo da glosa em apreço, para a recorrente não existe diferença entre a imunidade tributária da operação de exportação, estabelecida no art. 149, § 2º, I, da CF/1988, e a isenção das operações de “vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação”, previstas no art. 5º17, III, da Lei 10.637/2002 e no art. 6º18, III, da Lei 10.833/2002, respectivamente, para a Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins do regime de incidência não cumulativa. 17 “Art. 5º A contribuição para o PIS/Pasep não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: I exportação de mercadorias para o exterior; [...] III vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação.” 18 “Art. 6º A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: I exportação de mercadorias para o exterior; [...] III vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação.” Fl. 1607DF CARF MF Processo nº 11516.721875/201116 Acórdão n.º 3302003.604 S3C3T2 Fl. 1.585 47 No caso, diferentemente do regime de imunidade tributária das operações de exportação, o regime de isenção em comento está condicionado a que a venda seja feita (i) a empresa comercial exportadora e (ii) para o fim específico de exportação. Logo, tratase matéria regulada por lei, cuja análise de compatibilidade com a CF/1988 é expressamente vedada aos integrantes deste Conselho pelo art. 26A do Decreto 70.235/1972. Assim, uma vez demonstrada a impossibilidade de afastamento dos referidos preceitos legais, passase a analisar o significado e alcance do disposto nos referidos comando normativos. No ordenamento jurídico do País, existem duas espécies de empresas comerciais exportadoras: (i) a empresa comercial exportadora comum, constituída de acordo com a legislação comum (Código Civil e legislação esparsa) e registrada como exportadora no Registro de Exportadores e Importadores (REI) da Secex e (ii) a trading company (ou ECE), constituída na forma do art. 2º19 do Decretolei 1.248/1972. Enquanto que as vendas com o fim específico de exportação devem os requisitos estabelecidos no parágrafo único do art. 1º Decretolei 1.248/1972, a seguir transcrito: Art.1º As operações decorrentes de compra de mercadorias no mercado interno, quando realizadas por empresa comercial exportadora, para o fim específico de exportação, terão o tratamento tributário previsto neste DecretoLei. Parágrafo único. Consideramse destinadas ao fim específico de exportação as mercadorias que forem diretamente remetidas do estabelecimento do produtorvendedor para: a) embarque de exportação por conta e ordem da empresa comercial exportadora; b) depósito em entreposto, por conta e ordem da empresa comercial exportadora, sob regime aduaneiro extraordinário de exportação, nas condições estabelecidas em regulamento. (grifos não originais) Na exportação, o regime de entreposto aduaneiro, que compreende as modalidades de regimes comum e extraordinário, encontrase definido no art 10 do Decretolei nº 1.455/1976, a seguir reproduzido: 19 "Art. 2º O disposto no artigo anterior aplicase às empresas comerciais exportadoras que satisfizerem os seguintes requisitos mínimos: I Registro especial na Carteira de Comércio Exterior do Banco do Brasil S/A. (CACEX) e na Secretaria da Receita Federal, de acordo com as normas aprovadas pelo Ministro da Fazenda; II Constituição sob forma de sociedade por ações, devendo ser nominativas as ações com direito a voto; III Capital mínimo fixado pelo Conselho Monetário Nacional. § 1º O registro a que se refere o item I deste artigo poderá ser cancelado, a qualquer tempo, nos casos: a) de inobservância das disposições deste DecretoLei ou de quaisquer outras normas que o complementem; b) de práticas fraudulentas ou inidoneidade manifesta. § 2º Do ato que determinar o cancelamento a que se refere o parágrafo anterior caberá recurso ao Conselho Monetário Nacional, sem efeito suspensivo, dentro do prazo de 30 (trinta) dias, contados da data de sua publicação. § 3º O Conselho Monetário Nacional poderá estabelecer normas relativas à estrutura do capital das empresas de que trata este artigo, tendo em vista o interesse nacional e, especialmente, prevenir práticas monopolísticas no comércio exterior." Fl. 1608DF CARF MF 48 Art. 10. O regime de entreposto aduaneiro na exportação compreende as modalidades de regimes comum e extraordinário e permite a armazenagem de mercadoria destinada a exportação, em local alfandegado: (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) I de uso público, com suspensão do pagamento de impostos, no caso da modalidade de regime comum; (Incluído pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) II de uso privativo, com direito a utilização dos benefícios fiscais previstos para incentivo à exportação, antes do seu efetivo embarque para o exterior, quando se tratar da modalidade de regime extraordinário. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) § 1º O regime de entreposto aduaneiro na exportação, na modalidade extraordinário, somente poderá ser outorgado a empresa comercial exportadora constituída na forma prevista peloDecretoLei no1.248, de 29 de novembro de 1972, mediante autorização da Secretaria da Receita Federal. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) § 2º Na hipótese de que trata o § 1o, as mercadorias que forem destinadas a embarque direto para o exterior, no prazo estabelecido em regulamento, poderão ficar armazenadas em local não alfandegado. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) O entreposto aduaneiro na exportação encontrase regulamentado nos arts. 410 a 415 do Decreto 6.759/2009 (Regulamento Aduaneiro de 2009 RA/2009), dos quais, pela pertinência, transcrevese os arts. 410 e 411 a seguir: Art. 410. O regime especial de entreposto aduaneiro na exportação é o que permite a armazenagem de mercadoria destinada a exportação (DecretoLei nº 1.455, de 1976, art. 10, caput, com a redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 69). Art. 411. O entreposto aduaneiro na exportação compreende as modalidades de regime comum e extraordinário (DecretoLei nº 1.455, de 1976, art. 10, caput, com a redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 69). § 1º Na modalidade de regime comum, permitese a armazenagem de mercadorias em recinto de uso público, com suspensão do pagamento dos impostos federais (DecretoLei nº1.455, de 1976, art. 10, caput, inciso I,com a redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 69). (Redação dada pelo Decreto nº 8.010, de 2013) § 2º Na modalidade de regime extraordinário, permitese a armazenagem de mercadorias em recinto de uso privativo, com direito a utilização dos benefícios fiscais previstos para incentivo à exportação, antes do seu efetivo embarque para o exterior (DecretoLei nº 1.455, de 1976, art. 10, inciso II,com a redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 69). Fl. 1609DF CARF MF Processo nº 11516.721875/201116 Acórdão n.º 3302003.604 S3C3T2 Fl. 1.586 49 § 3º O regime de entreposto aduaneiro na exportação, na modalidade extraordinário, somente poderá ser outorgado a empresa comercial exportadora constituída na forma prevista no art. 229, mediante autorização da Secretaria da Receita Federal do Brasil (DecretoLei nº 1.455, de 1976, art. 10, §1º, com a redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 69). § 4º Na hipótese de que trata o § 3o, as mercadorias que forem destinadas a embarque direto para o exterior, no prazo estabelecido pela autoridade aduaneira, poderão ficar armazenadas em local não alfandegado (DecretoLei nº 1.455, de 1976, art. 10, § 2º, com a redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 69). Com base nos referidos comandos normativos, inferese que as vendas com fim específico de exportação, para serem beneficiadas com a isenção das referidas contribuições e integrarem a receita de exportação, para fim rateio do crédito apropriado, depende do cumprimento dos seguintes requisitos: a) remessa das mercadorias para embarque de exportação ou entrega em entreposto aduaneiro de regime comum ou extraordinário, nas vendas para trading companies; e b) remessa das mercadorias para embarque de exportação ou entrega em entreposto aduaneiro de regime comum, nas vendas para demais comerciais exportadoras comuns. Assim, quer os produtos sejam vendidos a trading companies, quer o sejam vendidos a empresas exportadoras comuns, para usufruir dos benefícios fiscais de incentivo à exportação, o produtorvendedor deve remetêlos diretamente para embarque de exportação, por conta e ordem da empresa adquirente, ou para depósito alfandegado de uso público ou privativo (neste último caso, se a venda foi feita para trading company). A única exceção a exigência de armazenamento em local não alfandegado, encontrase prevista no art. 411, § 4º, do RA/2009. Porém, ela se aplica apenas às vendas realizadas à trading company e para “as mercadorias que forem destinadas a embarque direto para o exterior, no prazo estabelecido pela autoridade aduaneira”, situação que não se vislumbra no caso em apreço, em que a adquirente dos produtos fora uma empresa comercial exportadora comum. Dessa forma, para que as vendas fossem consideradas com fim específico de exportação, a remessa das mercadorias deveriam ter sido realizadas sob a forma de (i) embarque direto para o exterior ou (ii) armazenagem das mercadorias em recinto alfandegado de uso público sob regime de entreposto aduaneiro comum. Nos presentes autos, inexiste controvérsia quanto ao fato de que a recorrente não cumpriu nenhum dos dois requisitos. De fato, a própria recorrente reconheceu que, o caso concreto envolvia a venda com fim específico de exportação da recorrente (Perdigão Agroindustrial Mato Grosso S/A.) para a Perdigão Agroindustrial S/A., “a qual, após estufar contêineres, realiza a exportação dentro do prazo de 180 dias do recebimento dos produtos.” Para a recorrente, a fiscalização se apegou a formalismo desnecessário (desproporcional), ao descaracterizar as vendas com fim específico exportação e reenquadrá las como vendas normais no mercado interno, “na medida em que os fatos confirmam Fl. 1610DF CARF MF 50 claramente que houve uma exportação, atingindo claramente a finalidade normativa, desde a Constituição Federal até as demais legislações”. Com a devida vênia, diferentemente da recorrente, entendese que as formalidades estabelecidas na referida legislação não são desnecessárias e tampouco desproporcionais. Deveras, tais requisitos visam assegurar o controle da utilização do regime de isenção e dos benefícios fiscais de incentivo à exportação, especificamente, para evitar que haja utilização da isenção e utilização em duplicidade dos correspondentes benefícios fiscais. Também não procede a alegação da recorrente de que o suposto descumprimento da exigência do depósito da mercadoria em armazém alfandegado não se dera por mera liberalidade sua, mas em razão da falta de estrutura do próprio Estado, uma vez que, diante da quantidade de produtos exportados pela recorrente, a Receita Federal não tinha locais suficientes. A uma, porque não há provas do alegado. A duas, porque parte das mercadorias foram depositadas em depósito alfandegado, o que não justifica que as demais não o tenham. A recorrente alegou ainda que a responsabilidade e a culpa por esta “mera irregularidade” não podia serlhe imputada, mas a pessoa jurídica adquirente dos produtos. Sem razão a recorrente. Ora, se cabia a recorrente o cumprimento da exigência legal, para que a venda por ela realizada fosse caracterizada com fim específico de exportação, logo somente se a operação tivesse sido feita de acordo com os requisitos legais, certamente, ela deixaria de ser a responsável por quaisquer créditos tributários decorrentes de tais operações, mesmo que a exportação eventualmente não fosse efetivada pela adquirente/exportadora. Porém, no caso em tela, não foi o que aconteceu, conforme anteriormente demonstrado. Por todas essas razões, deve ser mantida integralmente a reclassificação do valor da receita das vendas com fim específico de exportação, conforme proposto pela fiscalização. B) DA CONCLUSÃO Por todo o exposto, no mérito, votase pelo PROVIMENTO PARCIAL do recurso, para restabelecer: a) o direito ao crédito da contribuição a ser calculado sobre (i) o custo de aquisição do Óleo Diesel e do Álcool Etílico Combustível e (ii) custo de prestação dos seguintes serviços: Serviço de Expedição e Armazenagem Gerais, Serviço de Transporte de Aves e Serviço de Carga e Descarga, nos trimestres em que adquiridos tais insumos; e b) o direito de apropriarse do valor do crédito presumido agroindustrial, mediante a utilização do percentual de 60% da alíquota normal das referidas contribuições, a ser aplicado sobre o valor do custo de aquisição de todos os insumos aplicados na fabricação dos produtos de origem animal utilizados na alimentação humana e animal, discriminados no art. 8º, § 3º, I, da Lei 10.925/2004, incluindo o valor (i) das aquisições dos pintos de 1 dia, adquiridos com alíquota zero de pessoa jurídica com atividade agropecuária e cooperativa de produção agropecuária e (ii) das aquisições de pessoa jurídica com atividade agropecuária e cooperativa de produção agropecuária, sujeitas a obrigatória suspensão, mas indevidamente tributadas pelas contribuições. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 1611DF CARF MF Processo nº 11516.721875/201116 Acórdão n.º 3302003.604 S3C3T2 Fl. 1.587 51 Fl. 1612DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.909061/2011-79
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Dec 07 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Feb 23 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/09/2005 a 30/09/2005
CONTRATOS. PREÇO PREDETERMINADO. ÍNDICE DE REAJUSTE. DESCARACTERIZAÇÃO.
Incumbe à empresa postulante à manutenção na sistemática cumulativa da contribuição a demonstração de que o índice empregado cumpre os requisitos legais, expressamente a de que a variação dos custos efetivamente ocorrida seria igual ou superior à praticada com base no índice contratualmente definido.
Numero da decisão: 9303-004.467
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Erika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado) e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento.
RODRIGO DA COSTA PÔSSAS Presidente em exercício.
JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Relator.
EDITADO EM: 13/02/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrgio da Costa Possas, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: JULIO CESAR ALVES RAMOS
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PREÇO PREDETERMINADO Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado COMPANHIA ESTADUAL DE GERAÇÃO E TRANSMISSÃO DE ENERGIA ELÉTRICA CEEEGT ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/09/2005 a 30/09/2005 CONTRATOS. PREÇO PREDETERMINADO. ÍNDICE DE REAJUSTE. DESCARACTERIZAÇÃO. Incumbe à empresa postulante à manutenção na sistemática cumulativa da contribuição a demonstração de que o índice empregado cumpre os requisitos legais, expressamente a de que a variação dos custos efetivamente ocorrida seria igual ou superior à praticada com base no índice contratualmente definido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Erika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado) e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. RODRIGO DA COSTA PÔSSAS – Presidente em exercício. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 90 90 61 /2 01 1- 79 Fl. 576DF CARF MF 2 EDITADO EM: 13/02/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrgio da Costa Possas, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Impugna a Fazenda Nacional acórdão que entendeu que a correção dos preços pelo IGPM não descaracteriza a natureza de preço predeterminado para os efeitos da tributação pela COFINS não cumulativa incidente sobre contratos de longo prazo firmados antes de 31 de outubro de 2003, conforme previsão contida no inciso XI, b, do artigo 10 e inciso V do artigo 15 da Lei nº 10.833/2003. A decisão recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/09/2005 a 30/09/2005 CONTRATOS. PREÇO PREDETERMINADO. ÍNDICE DE REAJUSTE. DESCARACTERIZAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. O preço predeterminado em contrato não perde sua natureza simplesmente pela previsão de reajuste decorrente da correção monetária. Se a pretensão do legislador, a partir da Lei nº 10.833/03, fosse não abarcar os contratos com cláusula de reajuste, o termo apropriado seria preço fixo, que não se confunde com o preço predeterminado. Precedentes judiciais e administrativos Diversamente de outros processos já julgados neste colegiado, em que estavam em discussão autos de infração lavrados pela sistemática não cumulativa, aqui cuida se de Declaração de Compensação que utiliza como crédito pagamentos da contribuição para o PIS nos períodos de apuração julho a dezembro de 2004, maio de 2005 e julho a dezembro de 2005, que seriam a maior porquanto apurada a contribuição na sistemática nãocumulativa. Para comprovar a divergência de interpretação necessária ao conhecimento do seu recurso, a Fazenda Nacional aponta decisões que enfrentaram exatamente a mesma situação mesmo setor econômico, mesmo índice em discussão e concluíram de modo antagônico cujas ementas transcreve, na íntegra, no corpo do seu recurso. Após, sobrevieram contrarrazões em que o sujeito passivo defende o acerto da decisão questionada e pugna pela sua manutenção. É o Relatório. Voto Fl. 577DF CARF MF Processo nº 11080.909061/201179 Acórdão n.º 9303004.467 CSRFT3 Fl. 3 3 Conselheiro JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS O recurso cumpre os requisitos regimentais para que seja apreciado; dele conheço. Começo com o registro de que concordo com quase todos os fundamentos da decisão recorrida, da lavra do douto e coerente exmembro desta casa, o dr. Belchior Melo de Souza. De fato, apenas discordo dele quando vislumbra diferença semântica relevante entre as locuções presentes na lei ("reajuste em função de ...") e no ato normativo que buscou regulamentar o assunto ("reajuste em percentual ... "). Para mim, nenhuma diferença há aí: reajuste "em função de" quer dizer exatamente "aplicando o percentual previsto no" índice. O que se tem de ver é se o índice cumpre os requisitos da lei, isto é refletir "a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do §1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995". É que, como já reiteradamente transcrito, a norma que temos de aplicar autoriza a adoção de dois critérios alternativos e mutuamente excludentes para fixação do reajuste do preço: pode ele expressar a variação dos custos ou se basear em índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. Por "variação dos custos", entendo eu, quer o ato legal se referir à variação efetivamente ocorrida e devidamente apurada pela empresa em sua escrita contábil. Já o índice que se empregue pode, em princípio, ser qualquer um objeto do acordo celebrado com o cliente, mas não pode superar a efetiva variação dos custos. A meu sentir, a norma sob análise decorre das especificidades do setor em discussão. Como é bem sabido, tratase de uma atividade essencialmente monopolizada, na qual prestador e tomador acordam condições que prevalecerão por períodos de tempo bastante longos. Nesses casos, inexistente um "mercado fixador", o preço é contratualmente definido, especificando o contrato também a forma de reajuste que o preserve dos efeitos inflacionários. Outra especificidade do setor diz com o elevado aporte de capital necessário a sua exploração, o que o fez, até há duas décadas, exclusivamente estatal. A privatização do setor, ocorrida nos idos dos anos 90 do século passado, exigia, por isso, que se garantisse (até onde possível) uma remuneração ao capital privado suficiente a estimular o seu ingresso. E na fixação desse percentual, obviamente, um fator essencial é a "margem de contribuição", no dizer dos contabilistas, ou o markup, na dos economistas: em ambos as acepções, a diferença entre o preço e o custo (unitário, na primeira; marginal, na segunda). E tal diferença, sabidamente, é influenciada pela tributação que incida sobre o setor. É por isso que o legislador, a meu ver acertadamente, previu que o reajuste do preço em percentual "compatível" com a variação efetiva dos custos, por si só, não afetaria a forma de tributação pelas contribuições PIS e COFINS que vigia quando os contratos foram assinados. A rigor, tal regra limitaria a correção dos preços à efetiva variação ocorrida nos custos, mas o legislador a ampliou ao deferir que fosse usado índice, desde que ele refletisse a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. É importante aqui considerar, como minudentemente feito no voto do dr. Belchior, a diferença entre reajuste, recomposição e repactuação. Citoo: Fl. 578DF CARF MF 4 Nesse passo, importa identificar três formas de fixação de preços nos contratos em andamento: a repactuação ou revisão, a recomposição e o reajuste. A autorizada doutrina de Marçal Justen Filho1 define o que vêm a ser recomposição e reajuste. “A recomposição é o procedimento destinado a avaliar a ocorrência de evento que afeta a equação econômico financeira do contrato e promove adequação das cláusulas contratuais aos parâmetros necessários para recompor o equilíbrio original. Já o reajuste é procedimento automático, em que a recomposição se produz sempre que ocorra a variação de certos índices, independentemente de averiguação efetiva do desequilíbrio” A recomposição, também chamada de revisão, decorre de fatos imprevisíveis: caso de força maior, caso fortuito, fato do príncipe ou álea econômica extraordinária. O reajuste objetiva reconstituir os preços praticados no contrato em razão de fatos previsíveis, é dizer, álea econômica ordinária, no momento da contratação, ante a realidade existente, como a variação inflacionária. Por decorrência, o reajuste deve retratar a alteração dos custos de produção a fim de manter as condições efetivas da proposta contratual, embora muitas vezes não alcance este desiderato relativamente a certo segmento ou agente econômico. A repactuação visa à adequação dos preços contratuais aos novos preços de mercado e, no âmbito da Administração Pública Federal, encontrase regulamentada no art. 5º do Decreto nº 2.271, de 7 de julho de 19972. A possibilidade de repactuação prevista neste decreto não se faz acompanhar de disciplina acerca dos seus efeitos tributários, valendo a citação apenas para destacar a definição do signo repactuação. Novamente, em nada posso divergir dessa conceituação, mas tampouco posso concordar com a conclusão que dela extrai meu celebrado colega: para mim, a possibilidade de o contrato estabelecer cláusula de alteração em consequência de mudança tributária que venha a afetar o preço, implementada posteriormente à assinatura do contrato, está exatamente a validar o meu entendimento. É que ela seria totalmente desnecessária (ao menos no tocante às contribuições em tela) se fosse possível mantêlo no regime cumulativo pela aplicação de qualquer índice contratual, pois, nesse caso, nunca haveria impacto tributário do reajuste. Penso que, ao contrário, ela pode se dar (caso a correção pelo índice leve à tributação não cumulativa) o que atrai o procedimento de recomposição. 1 Filho, Marçal Justen. Comentários à lei de licitações e contratos administrativos. São Paulo: Dialética, 10. ed., 2004, p. 389. 2 Art. 5º Os contratos de que trata este Decreto, que tenham por objeto a prestação de serviços executados de forma contínua poderão, desde que previsto no edital, admitir repactuação visando à adequação aos novos preços de mercado, observados o interregno mínimo de um ano e a demonstração analítica da variação dos componentes dos custos do contrato, devidamente justificada. Fl. 579DF CARF MF Processo nº 11080.909061/201179 Acórdão n.º 9303004.467 CSRFT3 Fl. 4 5 Divirjo, portanto, dos que entendem (como parece ser a conclusão da decisão recorrida) que a autorização legal esteja a permitir que a empresa adote um determinado índice e não mais precise averiguar se ele é inferior ou superior à efetiva variação dos seus custos. É óbvio que se for inferior, não estará autorizada a deixar de aplicar o índice contratualmente previsto para reajuste. Aplicamse, nesse caso, as disposições contratuais relativas à recomposição e/ou repactuação, conforme didaticamente exposto pelo dr. Belchior em seu voto. O que isso não implica, porém, é que, em qualquer caso, mantémse o regime cumulativo, pois não é isso o que diz o ato legal. Necessário, pois, provar. Quando se trata de lançamento de ofício, essa prova, a meu sentir, há de ser exigida e desconstituída fundamentadamente pela fiscalização para que possa ser mantido o lançamento. Já nos casos, como o presente, em que é a própria empresa quem postula administrativamente a sistemática cumulativa, ela deve ser a primeira peça a instruir o seu pleito. No presente caso, do relatório da decisão recorrida e da leitura da íntegra do processo, não encontro qualquer prova, no entanto, ainda que a empresa tenha afirmado em seu recurso voluntário que: "(...) em nenhum momento foram aferidos os custos de produção do contribuinte no período fiscalizado. Nesse caso, mesmo considerando que o IGPM desfigura o conceito normativo de preço predeterminado, não poderia ter sido ignorada outra prerrogativa legal, a qual estabelece um percentual não superior ao acréscimo do custo de produção". Como já repetidamente afirmado, tal prova competia a ela, postulante, e não à fiscalização. Fora isso, a defesa da empresa lastreiase essencialmente no ato da ANEEL, que efetivamente afirma que o IGPM cumpre o requisito legal relativo à tributação aqui discutida. Isso não obstante, rejeito o argumento, pois a competência da ANEEL não alcança matéria tributária. Com efeito, entre as atribuições daquela agência reguladora, exaustivamente elencadas na própria lei que a criou3, nada há acerca da tributação incidente sobre o setor. Assim, as Notas Técnicas e as Resoluções daquela agência reguladora aplicamse às questões inerentes à geração e à distribuição de energia elétrica e às atividades correlatas. Sua competência, pois, restringese à seara dos contratos, dos preços da energia e da remuneração das concessionárias e permissionárias desses serviços públicos. Por óbvio, entre tais atribuições está dizer que possa ser contratualmente previsto o IGPM. O que não pode é dizer que isso implica tal ou qual consequência tributária. No presente caso, como já afirmado, embora postule a compensação, nada trouxe a empresa que comprovasse a adequação do índice aos ditames legais. Voto, pois, por dar provimento ao recurso da Fazenda Nacional. 3 Lei 9.427/96, arts. 3º e 4º Fl. 580DF CARF MF 6 JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Relator Fl. 581DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13646.000261/2005-07
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 21 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Mar 15 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005
PIS - COFINS. INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE
Tratando-se de aquisições sujeitas à aliquota "0" (zero), ainda que se trate de produto com incidência monofásica, não é cabível o crédito da contribuição em conformidade com a vedação disposta nos §§ 2º das Leis 10.833, de 2003, para a Cofins e 10.637, de 2002, para o PIS/Pasep.
A incidência monofásica não se compatibiliza com a técnica do creditamento.
MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. CRÉDITO SOBRE DEPRECIAÇÃO.
A pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados sobre encargos de depreciação em relação às máquinas e aos equipamentos adquiridos e utilizados diretamente na fabricação de produtos destinados à venda.
CESSÃO DE ICMS. INCIDÊNCIA DO PIS/Pasep.
A cessão de direitos de ICMS não compõe a base de cálculo para a contribuição.
Recurso Voluntário parcialmente provido
Numero da decisão: 3301-003.212
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado: 1. Quanto à possibilidade de aumentar a base de cálculo da contribuição ao PIS em pedidos de restituição ou compensação: por unanimidade, negar provimento ao Recurso Voluntário. 2.1. A respeito dos créditos referentes as aquisições de GLP e álcool hidratado: por maioria de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos o Relator e as Conselheiras Maria Eduarda Simões e Semíramis de Oliveira Duro. Redator designado: José Henrique Mauri. 2.2. Encargos de depreciação de máquinas e equipamentos, alocados nos centros de custos AGU (Abastecimento e Tratamento de Água) e ENE (Subestação Energia Elétrica): 2.2.1. Abastecimento e tratamento de água 2.2.2. Subestação Energia Elétrica: por unanimidade, dar provimento ao Recurso Voluntário. 2.3. Glosa dos encargos de depreciação de outros itens do ativo imobilizado: por maioria de votos, dar provimento ao Recurso Voluntário apenas quanto ao item 12 da tabela, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros José Henrique Mauri e Marcelo Costa Marques D´Oliveira, que davam provimento também quanto ao item 7 e 10, e a Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, que dava provimento também quanto aos itens 2, 3, 5, 7, 9 e 10. 2.4. Glosa de encargos de depreciação de itens do ativo imobilizado adquiridos antes de 30 de abril de 2004: por unanimidade, negar provimento ao Recurso Voluntário. 3. Cessão de créditos do ICMS: por unanimidade, dar provimento ao Recurso Voluntário.
LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS - Presidente.
VALCIR GASSEN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Augusto do Couto Chagas, José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: VALCIR GASSEN
1.0 = *:*
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: 1. Quanto à possibilidade de aumentar a base de cálculo da contribuição ao PIS em pedidos de restituição ou compensação: por unanimidade, negar provimento ao Recurso Voluntário. 2.1. A respeito dos créditos referentes as aquisições de GLP e álcool hidratado: por maioria de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos o Relator e as Conselheiras Maria Eduarda Simões e Semíramis de Oliveira Duro. Redator designado: José Henrique Mauri. 2.2. Encargos de depreciação de máquinas e equipamentos, alocados nos centros de custos AGU (Abastecimento e Tratamento de Água) e ENE (Subestação Energia Elétrica): 2.2.1. Abastecimento e tratamento de água 2.2.2. Subestação Energia Elétrica: por unanimidade, dar provimento ao Recurso Voluntário. 2.3. Glosa dos encargos de depreciação de outros itens do ativo imobilizado: por maioria de votos, dar provimento ao Recurso Voluntário apenas quanto ao item 12 da tabela, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros José Henrique Mauri e Marcelo Costa Marques D´Oliveira, que davam provimento também quanto ao item 7 e 10, e a Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, que dava provimento também quanto aos itens 2, 3, 5, 7, 9 e 10. 2.4. Glosa de encargos de depreciação de itens do ativo imobilizado adquiridos antes de 30 de abril de 2004: por unanimidade, negar provimento ao Recurso Voluntário. 3. Cessão de créditos do ICMS: por unanimidade, dar provimento ao Recurso Voluntário. LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS - Presidente. VALCIR GASSEN - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Augusto do Couto Chagas, José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
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INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE Tratandose de aquisições sujeitas à aliquota "0" (zero), ainda que se trate de produto com incidência monofásica, não é cabível o crédito da contribuição em conformidade com a vedação disposta nos §§ 2º das Leis 10.833, de 2003, para a Cofins e 10.637, de 2002, para o PIS/Pasep. A incidência monofásica não se compatibiliza com a técnica do creditamento. MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. CRÉDITO SOBRE DEPRECIAÇÃO. A pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados sobre encargos de depreciação em relação às máquinas e aos equipamentos adquiridos e utilizados diretamente na fabricação de produtos destinados à venda. CESSÃO DE ICMS. INCIDÊNCIA DO PIS/Pasep. A cessão de direitos de ICMS não compõe a base de cálculo para a contribuição. Recurso Voluntário parcialmente provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: 1. Quanto à possibilidade de aumentar a base de cálculo da contribuição ao PIS em pedidos de restituição ou compensação: por unanimidade, negar provimento ao Recurso Voluntário. 2.1. A respeito dos créditos referentes as aquisições de GLP e álcool hidratado: por maioria de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos o Relator e as Conselheiras Maria Eduarda Simões e Semíramis de Oliveira Duro. Redator designado: José Henrique Mauri. 2.2. Encargos de depreciação de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 64 6. 00 02 61 /2 00 5- 07 Fl. 835DF CARF MF Processo nº 13646.000261/200507 Acórdão n.º 3301003.212 S3C3T1 Fl. 836 2 máquinas e equipamentos, alocados nos centros de custos AGU (Abastecimento e Tratamento de Água) e ENE (Subestação Energia Elétrica): 2.2.1. Abastecimento e tratamento de água 2.2.2. Subestação Energia Elétrica: por unanimidade, dar provimento ao Recurso Voluntário. 2.3. Glosa dos encargos de depreciação de outros itens do ativo imobilizado: por maioria de votos, dar provimento ao Recurso Voluntário apenas quanto ao item 12 da tabela, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros José Henrique Mauri e Marcelo Costa Marques D´Oliveira, que davam provimento também quanto ao item 7 e 10, e a Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, que dava provimento também quanto aos itens 2, 3, 5, 7, 9 e 10. 2.4. Glosa de encargos de depreciação de itens do ativo imobilizado adquiridos antes de 30 de abril de 2004: por unanimidade, negar provimento ao Recurso Voluntário. 3. Cessão de créditos do ICMS: por unanimidade, dar provimento ao Recurso Voluntário. LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS Presidente. VALCIR GASSEN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Augusto do Couto Chagas, José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 415 a 455) interposto pelo Contribuinte contra decisão consubstanciada no Acórdão nº 0930.125 (fls. 388 a 398), de 23 de junho de 2010, proferido pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora (MG) – DRJ/JFA – que julgou, por unanimidade de votos, improcedente a manifestação de inconformidade do Contribuinte. Visando a elucidação do caso e a economia processual adoto e cito o relatório do Acórdão ora recorrido: Tratase o presente das Declarações de Compensação de débitos, no valor total de R$7.205.623,91, com crédito da Cofins — regime não cumulativo, relativo ao 4° trimestre de 2005, constantes dos processos relacionados às fls. 192 e 193. Os processos acima mencionados foram apensados ao presente processo para análise em conjunto, uma vez que se referem ao mesmo crédito solicitado. Da verificação da legitimidade do crédito solicitado resultou o Relatório Fiscal Final (fls. 161 a 168), do qual se extrai as seguintes glosas: bens utilizados como insumos (gás liquefeito do petróleo GLP e álcool etílico, produtos adquiridos sujeitos à alíquota zero) encargos de depreciação de bens do ativo imobilizado: (i) sobre máquinas e Fl. 836DF CARF MF Processo nº 13646.000261/200507 Acórdão n.º 3301003.212 S3C3T1 Fl. 837 3 equipamentos nos centros de custos AGU — Abastecimento e Tratamento de Água e ENE — Subestação de Energia Elétrica por não afetarem a produção diretamente; (ii) móveis e equipamentos não utilizados na fabricação dos produtos vendidos; (iii) equipamentos formados por aquisições de peças e serviços antes de 30/04/2004 ajuste negativo do crédito (aumento da base de cálculo da contribuição, adicionando valores relativos à cessão de créditos de ICMS). A DRFUberaba/MG emitiu Despacho Decisório, no qual homologa parcialmente a compensação pleiteada, até onde as contas se encontrarem, fls. 192 a 200, nos seguintes termos: Conforme os fundamentos acima e com base na Lei n210.833, de 29 de dezembro de 2003, DECIDO: 1) RECONHECER O DIREITO CREDITÓRIO no valor de RS1.977.219,51 referente a outubro/2005; R$2.083.823,53 a novembro/2005 e R$2.955.545,64 a dezembro/2005, perfazendo o valor de R$7.016.588,68 (Sete milhões, dezesseis mil, quinhentos e oitenta e oito reais e sessenta e oito centavos), dos créditos relativos a Cofins, 4° Trimestre/2005; 2) HOMOLOGAR PARCIALMENTE as compensações realizadas, respeitada as vinculações dos respectivos períodos de apuração até onde as contas se encontrarem; 3) EXIGIR os débitos indevidamente nelas compensados, com base no § 6° do art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996 e § 4° do art. 34 da IN RFB n° 900, de 2008. Fica a empresa ciente que deverá executar em seus livros fiscais e contábeis, a adequação de seus registros e de suas informações prestadas a RFB, através dos sistemas informatizados disponíveis, em decorrência dos valores apurados em diligência fiscal e da parte do crédito pleiteado que foi objeto de glosa. Nos termos do Decreto n° 70.235, de 1972 com as alterações posteriores; do § 9° do art. 74 da Lei 9.430, de 1996 e do art. 66 da IN RFB n° 900, de 2008, cabe manifestação de inconformidade contra o despacho decisório, dirigida à DRJ de Juiz de Fora/MG, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência deste despacho decisório. À Sarac, para cientificar a interessada, intimar o sujeito passivo a efetuar o pagamento dos débitos indevidamente compensados no prazo de 30 (trinta) dias, contados da ciência deste despacho decisório, na forma do § 70 do art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996 e art. 37 da IN RFB n° 900, de 2008 e adotar as demais providências a seu cargo. A empresa apresenta manifestação de inconformidade (fls. 256 a 285), na qual após as alegações deduzidas, requer: Por todo o exposto, seja com base nas preliminares, seja com fundamento nas razões de mérito, concluise que deve o r. despacho decisório ser modificado "in totum ", para o fim de (i) cancelar as glosas realizadas na apuração dos créditos da COFINS,• (ii) determinar a exclusão dos montantes recebidos em contrapartida à cessão dos créditos do ICMS, da base de cálculo daquela exação; (iii) refazer o cálculo do percentual de rateio de créditos entre o mercado interno e externo (iv) homologar integralmente as compensações realizadas pela requerente, nos autos dos processos n. 13646.00026112005 07; 13646.0002751200542; 13646.0002951200593; 13646.00030012005 68; 136460003041200546 e 13646.0003181200560; e (v) cancelar as respectivas Cartas Cobrança. Fl. 837DF CARF MF Processo nº 13646.000261/200507 Acórdão n.º 3301003.212 S3C3T1 Fl. 838 4 Protesta a requerente provar o alegado por todos os meios de prova admitidos, especialmente a produção de perícia e ajuntada de documentos. Em atendimento ao disposto no inciso V do art. 16 do Decreto n. 70235, de 63.1972, a requerente informa que a matéria objeto desta manifestação de inconformidade não foi submetida à apreciação judicial. Termos em que, Pede deferimento. Diante do relatório acima posto, a DRJ em Juiz de Fora/MG indeferiu o pedido do Contribuinte e manteve o ressarcimento já deferido no despacho decisório da DRF, bem como homologando parcialmente as compensações declaradas. O acórdão recorrido ficou assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. BENS NÃO SUJEITOS AO PAGAMENTO DA CONTRIBUIÇÃO. Não dará direito a crédito o valor da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. CRÉDITO SOBRE DEPRECIAÇÃO. A pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados sobre encargos de depreciação, somente em relação às máquinas e aos equipamentos adquiridos para utilização na fabricação de produtos destinados à venda. CESSÃO DE ICMS. INCIDÊNCIA DA COFINS. A cessão de direitos de ICMS compõe a receita do contribuinte, sendo base de cálculo para a contribuição. PRODUÇÃO DE NOVAS PROVAS. PEDIDO DE PERÍCIA. Não atendidos os requisitos legais de admissibilidade, indeferese pedido de juntada de novas provas e considerase não formulado o pedido de realização de perícia. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O Contribuinte pleiteia (fls. 455) a reforma da decisão “(...) cancelandose as glosas realizadas na apuração dos créditos da COFINS, determinandose a exclusão dos montantes recebidos em contrapartida à cessão dos créditos do ICMS, da base de cálculo daquela exação, bem como homologando integralmente as compensações realizadas pela recorrente, nos autos dos processos nº 13646.000261/200507; 13646.000275/200512; 13646.000295/200593; 13646.000300/200568; 13646.000304/200546, 13646.000318/2005 60 e 15253.000088/20104”. Por intermédio da Resolução nº 3101000.188 (fls. 491 a 497), da 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, em 11 de novembro de 2011, acordaram os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. A Resolução n° 3101000.188 prescreveu o seguinte (fls. 497): Fl. 838DF CARF MF Processo nº 13646.000261/200507 Acórdão n.º 3301003.212 S3C3T1 Fl. 839 5 1) intime a recorrente, para trazer aos autos, em prazo razoável, não inferior a 60 dias, laudo de perito competente, que descreva o processo produtivo da empresa, e que aponte a existência, ou não, e em que medida, da utilização dos centros de custos AGU – Abastecimento e Tratamento de Água, ENE – Subestação Energia Elétrica, e dos móveis e equipamentos relacionados no item 5.2 do Relatório Fiscal, na produção de bens destinados à venda, ou na prestação de serviços; 2) ato contínuo à juntada do laudo, promova diligência fiscal in loco, para verificar as conclusões do laudo pericial, elaborando Relatório conclusivo e sucinto acerca da utilização dos centros de custos AGU – Abastecimento e Tratamento de Água ENE – Subestação Energia Elétrica, e dos móveis e equipamentos relacionados no item 5.2 do Relatório Fiscal, em quadro pormenorizado. Após a anexação do Relatório Fiscal aos autos, dêse ciência desse à recorrente, em prestigio da ampla defesa e do contraditório, para manifestarse, querendo, no prazo de trinta dias. O Contribuinte apresenta em laudo detalhado (fls. 508 a 601), em 11 de junho de 2012, a descrição de cada etapa do processo produtivo em análise nos autos, em resposta a Intimação nº 10/2012/ARF/AXA/MG. O Relatório de Diligência (fls. 627 e 628) é apresentado visando suprir as dúvidas levantadas pela Resolução do CARF supracitada e responde da seguinte forma: (...) 3 Dentre os diversos bens relacionados no Laudo, somente quatro constam do Relatório Fiscal. Um, no subitem 5.1, e três, no subitem 5.2. Portanto, a diligência se restringiu a estes bens, conforme a seguir. 4 Bens objetos da diligência: a) A bomba modelo Bek/16 vedação para gaxeta, imobilizado n° 6945, está relacionada no subitem 5.1 do Relatório Fiscal e no item 30, fls. 26, do Laudo. Conforme descrito no referido Laudo, alimenta de água a caldeira que gera vapor utilizado na produção; b) O armário alto fechado, imobilizado n° 6888, está relacionado no subitem 5.2 do Relatório Fiscal e no item 66, fls. 55, do Laudo. Localizase em sala de comando de operações e destinase a arquivo de manuais e outros documentos utilizados na planta industrial; c) O aparelho de ar condicionado Gree K7 4100, imobilizado nº 6904, está relacionado no subitem 5.2 do Relatório Fiscal e no item 102, fls. 77, do Laudo. Está instalado em sala de operações e, conforme descrito no Laudo, destinase a reduzir a temperatura ambiente para proteger equipamentos sensíveis ao calor; d) O rádio VHF mod em 2004 canais, imobilizado nº 7058, está relacionado no subitem 5.2 do relatório Fiscal e no item 127, fls. 93, do Laudo. Situase em sala de operações e, conforme descrito no Laudo, é instrumento de comunicação indispensável às operações da planta industrial. 5 – É o Relatório. O Contribuinte, por sua vez, apresentou manifestação (fls. 632 a 639) em relação ao Relatório de Diligência alegando que a análise da fiscalização foi insuficiente, pois não verificou parte dos bens constantes no laudo de funcionalidade e objeto da glosa fiscal. O Contribuinte apresentou Requerimento (fls. 669 a 671) em 15 de abril de 2013, ao Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, Presidente da 1ª Turma Ordinária, da 1ª Câmara da 3ª Seção, do CARF com o seguinte teor: Fl. 839DF CARF MF Processo nº 13646.000261/200507 Acórdão n.º 3301003.212 S3C3T1 Fl. 840 6 1. Dos fatos. Tratase de recurso voluntário interposto contra o v. acórdão n. 0930125, de 23.6.2010, proferido pela l a Turma da DRJ em Juiz de Fora — MG, que manteve integralmente o despacho decisório, de 15.3.2010, por meio do qual a fiscalização homologou parcialmente as declarações de compensação apresentadas pela ora requerente de créditos da contribuição para o financiamento da seguridade social (COFINS), apurada no regime nãocumulativo, relativos ao quarto trimestre de 2005, com débitos relativos a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. O julgamento do recurso voluntário, em 11.11.2011, foi convertido em diligência pela lª Turma Ordinária, lª Câmara, da 3ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos. Determinouse, na ocasião, a elaboração de laudo que atestasse a vinculação dos bens objeto da glosa fiscal ao processo produtivo da requerente, bem como uma análise in loco, por parte das autoridades fiscais, da validade das informações constantes do referido laudo. Devidamente intimada da Resolução, a requerente acostou o laudo aos autos, o qual apresenta com minúcias a funcionalidade de diversos itens não reconhecidos pela fiscalização. Ato continuo, promoveuse a diligência à unidade produtiva da requerente, a fim de validar as informações constantes do laudo. Não obstante a amplitude do laudo apresentado nos autos, a fiscalização constatou, erroneamente, e sem justificar seu comportamento, que apenas pequena parcela de itens glosada constava do laudo, mais precisamente quatro deles, o que a levou a limitar o objeto da diligência tão somente àqueles bens. É possível que a análise da fiscalização tenha se limitado a quatro itens, em razão de a descrição dos bens, no laudo e no relatório que acompanhou as glosas fiscais, às vezes, variar por conta de uma palavra, ou de um código na nomenclatura do bem. Ocorre que essas variantes não interferem na natureza dos bens, que é exatamente a mesma, conforme se verifica na planilha anexa (doc. 01). Seja como for, se dúvidas havia quanto à identidade dos bens, não deveria a fiscalização proceder à análise de apenas quatro deles, sem intimar a requerente a prestar esclarecimentos porventura necessários. Fato é que a requerente não pode, de modo algum, ser prejudicada em seu direito em razão da análise insuficiente promovida pela fiscalização. Nesse sentido, com o intuito de dirimir eventuais dúvidas, a requerente pede vênia para acostar aos autos laudo de funcionalidade complementar, o qual demonstra, de forma cabal, a intrínseca relação dos itens indevidamente glosados pela fiscalização ao seu processo produtivo (doc. 02). 2. Requerimento final Face ao que precede, e reportandose a tudo o mais que dos autos consta, a requerente postula o conhecimento e provimento de seu recurso, de modo que o acórdão recorrido seja reformado, reconhecendose a validade do creditamento da COFINS, bem assim o caráter indevido da inclusão dos ingressos derivados da cessão de credito de 1CMS na base de cálculo daquela contribuição. Caso assim não se entenda, o que se admite apenas para fins de argumentação, a requerente postula a realização de nova diligência para verificação da verossimilhança das informações contidas no laudo apresentado, que não foram apreciadas na diligência fiscal em foco. Fl. 840DF CARF MF Processo nº 13646.000261/200507 Acórdão n.º 3301003.212 S3C3T1 Fl. 841 7 A 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 3ª Seção do CARF emitiu, em 23 de abril de 2013, a Resolução nº 3101000.273 (fls. 700 a 703) que converte, novamente, por unanimidade de votos, o julgamento em diligência, requerendo que: 1) a recorrente seja intimada a apontar de maneira taxativa a correspondência entre os itens constantes do laudo técnico juntado aos autos e do Relatório Fiscal Final (do qual foram extraídas as glosas a título de encargos de depreciação de bens do ativo imobilizado, ora sub analisis) em prazo de 60 dias. 2) Ato contínuo à manifestação da recorrente em virtude do item supra, promova nova diligência fiscal in loco, para verificar de forma ampla as conclusões do laudo pericial, levando em consideração a correspondência entre os itens constantes do laudo técnico juntado aos autos e do Relatório Fiscal Final e elaborando Relatório conclusivo e sucinto acerca da utilização dos centros de custos AGU – Abastecimento e Tratamento de Água, ENE – Subestação Energia Elétrica, e dos móveis e equipamentos relacionados no item 5.2 do Relatório Fiscal, em quadro pormenorizado. Após a anexação do Relatório de Diligência aos autos, dêse ciência desse à recorrente, em prestigio da ampla defesa e do contraditório, para manifestarse, querendo, no prazo de trinta dias. Em cumprimento à Resolução n° 3101000.273 o Contribuinte apresenta, em 20 de dezembro de 2013, Laudo de Funcionalidade (fls. 710 a 805) com o fito de contemplar as demonstrações e os esclarecimentos objeto da diligência fiscal. Com a apresentação por parte do Contribuinte do Laudo de Funcionalidade, a administração fiscal apresentou, em 29 de abril de 2014, o Relatório de Diligência (fls. 806 a 809) em atendimento à Resolução nº 3101000.273. Por sua vez o Contribuinte apresentou manifestação em 10 de junho de 2014 (fls. 812 a 823) em face do citado Relatório de Diligência, requerendo que sejam acolhidos os fundamentos apresentados, reconhecendose o crédito postulado. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Valcir Gassen O Recurso Voluntário interposto pelo Contribuinte, em face da decisão consubstanciada no Acórdão nº 0930.125, de 23 de junho de 2010, é tempestivo e atende os pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser conhecido. Conforme se verifica nos autos, a lide está vinculada 1) à discussão da possibilidade de aumentarse a base de cálculo da Cofins em pedidos de compensação e ou restituição; 2) às glosas realizadas na apuração de créditos da contribuição, e, 3) se os ingressos financeiros decorrentes da cessão de créditos de ICMS integram a base de cálculo da Contribuição. Assim, as compensações foram homologadas parcialmente em razão de glosas dos créditos apurados na Cofins. Fl. 841DF CARF MF Processo nº 13646.000261/200507 Acórdão n.º 3301003.212 S3C3T1 Fl. 842 8 1. Quanto à possibilidade de aumentar a base de cálculo da contribuição à Cofins em pedidos de restituição ou compensação. Alega o Contribuinte a impossibilidade de a administração fiscal alterar a base de cálculo de incidência da contribuição, no caso específico majorandoa, em pedidos de ressarcimento ou de declaração de compensação de créditos da Cofins. Fato ocorrido em razão do entendimento do fisco de que determinadas receitas deveriam ser computadas pelo Contribuinte e, no caso, não foram. O Contribuinte sustenta no Recurso Voluntário da impossibilidade do referido aumento da base de cálculo nestes termos (fls. 418 e 419): Contudo, equivocamse as d. autoridades julgadoras de primeira instância administrativa, que não atentaram para a totalidade do ordenamento jurídico, especialmente para as regras do Código Tributário Nacional, relativas às modalidades de lançamento. Com efeito, o inciso V do art. 149 desse Código prescreve que "o lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa" quando restar comprovada a omissão ou a inexatidão do sujeito passivo, no exercício da atividade denominada de lançamento por homologação. Ou seja, de acordo com a regra inserta naquele dispositivo legal, as omissões e as inexatidões, quaisquer que sejam elas, comprovadas pela fiscalização, na verificação dos lançamentos por homologação, devem ser objeto de lançamento de ofício. Não por outra razão, o antigo 2° Conselho de Contribuintes, em situações semelhantes à destes autos, entendeu que, em pedidos de restituição, compensação e ressarcimento, não pode ser modificada a base de cálculo da COFINS, visto que, para tanto, seria necessário formalizar lançamento de ofício. Melhor dizendo, ainda que a fiscalização entendesse que a base de cálculo daquela contribuição social, no quarto trimestre de 2005, foi incorretamente apurada, pois não foram nela computadas as supostas receitas decorrentes da cessão de créditos de ICMS, tais equívocos não poderiam ser corrigidos neste processo administrativo, que decorre de declarações de compensação apresentadas pela recorrente, mas deveriam ser objeto de lançamento de ofício. No acórdão ora recorrido a decisão se dá no sentido da possibilidade de majoração da base de cálculo da contribuição em análise, acarretando a inclusão de receitas que deixaram de ser consideradas pelo Contribuinte na restituição ou compensação de créditos referentes à Cofins, conforme se verifica no trecho a seguir do voto (fls. 392 a 393): Necessidade de lançamento A contribuinte aduz que, ainda que a fiscalização entendesse incorreta a apuração da base de cálculo da contribuição em foco, porque não foram computadas as supostas receitas decorrentes da cessão de créditos de ICMS, ela não poderia, em sede de declarações de compensação, corrigir tais equívocos. Cumpre salientar, por oportuno, que, na sistemática da não cumulatividade, instituída pela Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002, no caso do PIS/Pasep, e pela Lei n° 10.833, de 29 de dezembro de 2003, no caso da Cofins, há o encontro entre o valor devido da contribuição e o crédito a descontar, sendo que somente o saldo devedor da contribuição é objeto de confissão de dívida por meio da declaração competente, ou de lançamento de oficio, nos termos da legislação de regência. No presente caso, a fiscalização constatou erro na apuração do crédito da contribuição em foco, que se deu em virtude da exclusão indevida de valores Fl. 842DF CARF MF Processo nº 13646.000261/200507 Acórdão n.º 3301003.212 S3C3T1 Fl. 843 9 relativos à cessão para terceiros de crédito de ICMS na base de cálculo da citada exação. Conforme demonstrado nas tabelas de fl. 163 e 164, a recomposição do valor total das receitas auferidas pela contribuinte, representada pela inclusão dos ingressos relativos à transferência, para terceiros, de créditos de ICMS, acarretou o aumento na receita total a ser considerada no cálculo do crédito solicitado, e a conseqüente alteração nos percentuais de rateio dos créditos do mercado interno e externo e nos valores dos respectivos créditos. O aumento da base de cálculo da contribuição, em razão da mencionada inclusão, ensejou a insuficiência de recolhimento da contribuição nos importes de R$6.264,65, R$6.748,98 e R$6.421,75, nos meses de outubro, novembro e dezembro, respectivamente, mesmo após o aproveitamento dos créditos discriminados na tabela de fl. 167, item 2.6.1, relativos ao mercado interno, apurado pela autoridade fiscal, e ao mercado externo, descontado pela: contribuinte na Dacon juntada à fl. 100verso. Para a parcela da contribuição deduzida dos créditos a descontar não cabe formalização de exigência tributária, contudo, é diferente o tratamento a ser dado à parcela do débito remanescente após a dedução, para a qual houve, inclusive, lançamento de oficio, processo n° 13646.000061/201011. É de se concluir do exposto que prescindem do lançamento de oficio os ajustes efetuados no presente processo, que cuida das Declarações de Compensação, sendo obrigatório contudo para exigência dos créditos tributários originados das verificações procedidas, objeto do processo do Auto de Infração acima mencionado. (grifouse). Percebese assim que, por um lado, a fiscalização procedeu os ajustes nas Declarações de Compensação, e, por outro lado, inclusive de acordo com o alegado pelo Contribuinte, de que os equívocos deveriam ser objeto de lançamento de ofício, realizou o lançamento de ofício em relação a parcela do débito remanescente após a dedução por intermédio do processo n° 13646.000061/201011. Por entender correta a decisão da DRJ/JFA, sem entrar no mérito dos ajustes procedidos pela autoridade fiscal acerca à cessão de créditos de ICMS, nego provimento ao Recurso Voluntário no que tange a este ponto. 2. Quanto às glosas realizadas na apuração dos créditos da contribuição Insta observar por primeiro que há, na legislação pátria, a divisão entre tributos cumulativos e nãocumulativos. Inicialmente a não cumulatividade aplicavase apenas ao IPI e ICMS, conforme determinação constitucional constante nos artigos 153, IV, § 3º, II, e 155, II, § 2º, I, e posteriormente passou a abranger também o PIS/PASEP e a Cofins, normatizado por meio das Leis nº 10.637 de 2002 (PIS/PASEP), 10.833 de 2003 (Cofins) e 10.865 de 2004 (PIS/PASEP e CofinsImportação). Considerando como critério as fases do processo produtivo ou do ciclo comercial, e a incidência dos tributos sobre uma ou mais, podese, no caso destes últimos classificálos em cumulativos e não cumulativos. Tratase de uma classificação quanto à técnica de aplicação dos tributos multifásicos. Fl. 843DF CARF MF Processo nº 13646.000261/200507 Acórdão n.º 3301003.212 S3C3T1 Fl. 844 10 Tributo cumulativo ou também denominado em cascata é aquele que incide em várias fases de circulação do bem sem, contudo, deduzirse o valor que já incidiu nas anteriores, isto é, não é permitida a dedução do tributo suportado no decorrer da atividade produtiva/comercial. Já o tributo não cumulativo é aquele que incide em várias fases do processo produtivo apenas sobre o valor que naquela se agregou, significa isto que se pode também gravar todo o valor acumulado do bem, desde que se desconte, se deduza, o valor que gravou as fases anteriores. A questão central nesta discussão reside na caracterização do que será considerado insumo na cadeia produtiva, possibilitando com isso a dedução ou não dos tributos suportados a montante nas fases anteriores do sistema produtivo. A legislação é extremamente restritiva na caracterização do insumo para crédito no caso do IPI e é ampla quando se trata do IRPJ. Quanto a aplicação à Cofins as normas e a doutrina entendem que a aplicação deve se dar de forma intermediária entre os dois extremos citados, ou seja, mais abrangente que o conceito aplicado ao IPI e menos amplo que aquele aplicado ao IRPJ. Cito aqui trecho do voto do Conselheiro Henrique Pinheiro Torres no acórdão nº 930301.035 de 23/08/2010, processo nº 11065.101271/200647, que bem elucida a questão: (...) A Secretaria da Receita Federal do Brasil estendeu o alcance do termo insumo, previsto na legislação do IPI (o conceito trazido no Parecer Normativo CST n° 65/79), para o PIS/Pasep e a para a Cofins não cumulativos. A meu sentir, o alcance dado ao termo insumo, pela legislação do IPI não é o mesmo que foi dado pela legislação dessas contribuições. No âmbito desse imposto, o conceito de insumo restringese ao de matériaprima, produto intermediário e de material de embalagem, já na seara das contribuições, houve um alargamento, que inclui até prestação de serviços, o que demonstra que o conceito de insumo aplicado na legislação do IPI não tem o mesmo alcance do aplicado nessas contribuições . Neste ponto, socorrome dos sempre precisos ensinamentos do Conselheiro Julio Cesar Alves Ramos, em minuta de voto referente ao Processo n° 13974.000199/200361, que, com as honras costumeiras, transcrevo excerto linhas abaixo: “Destarte, aplicada a legislação do ao caso concreto, tudo o que restaria seria a confirmação da decisão recorrida. Isso a meu ver, porém, não basta. É que, definitivamente, não considero que se deva adotar o conceito de industrialização aplicável ao IPI, assim como tampouco considero assimilável a restritiva noção de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem lá prevista para o estabelecimento do conceito de ‘insumos’ aqui referido. A primeira e mais óbvia razão está na completa ausência de remissão àquela legislação na Lei 10.637. Em segundo lugar, ao usar a expressão ‘insumos’, claramente estava o legislador do PIS ampliando aquele conceito, tanto que ai incluiu ‘serviços’, de nenhum modo enquadráveis como matérias primas, produtos intermediários ou material de embalagem. Fl. 844DF CARF MF Processo nº 13646.000261/200507 Acórdão n.º 3301003.212 S3C3T1 Fl. 845 11 Ora, uma simples leitura do artigo 3º da Lei 10.637/2002 é suficiente para verificar que o legislador não restringiu a apropriação de créditos de Pis/Pasep aos parâmetros adotados no creditamento de IPI. No inciso II desse artigo, como asseverou o insigne conselheiro, o legislador incluiu no conceito de insumos os serviços contratados pela pessoa jurídica. Esse dispositivo legal também considerou como insumo combustíveis e lubrificantes, o que, no âmbito do IPI, seria um verdadeiro sacrilégio. Mas as diferenças não param aí, nos incisos seguintes, permitiuse o creditamento de aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa, máquinas e equipamentos adquiridos para utilização na fabricação de produtos destinados à venda, bem como a outros bens incorporados ao ativo imobilizado etc. Isso denota que o legislador não quis restringir o creditamento do Pis/Pasep as aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e ou material de embalagens (alcance de insumos na legislação do IPI) utilizados, diretamente, na produção industrial, ao contrário, ampliou de modo a considerar insumos como sendo os gastos gerais que a pessoa jurídica precisa incorrer na produção de bens ou serviços por ela realizada. Vejamos o dispositivo citado: [...] Com isso, entendese que há de se aplicar o princípio da essencialidade para a caracterização do bem ou serviço como insumo, ou seja, deve ser levado em conta se tais produtos utilizados como base do creditamento das contribuições são essenciais para a produção daqueles bens em questão, com o intuito de atender o disposto na legislação pertinente sobre a não cumulatividade. Posto isso como referencial para compreender o litígio em questão passo a decidir sobre os pontos controversos acerca das glosas realizadas na apuração dos créditos da contribuição. 2.1. A respeito dos créditos referentes as aquisições de GLP e álcool hidratado O ora recorrido Acórdão entende, assim como a fiscalização, que os custos referentes as aquisições de GLP e álcool hidratado devem ser excluídos do cálculo dos créditos das contribuições por estarem sujeitos a aplicação da alíquota zero, respeitando assim o art. 3º, § 2º, II da Lei nº 10.833 de 2003 no que se refere a Cofins e o art. 3º, §2º, II da Lei nº 10.637 de 2002 no caso de PIS/Pasep. Cito trecho do voto para elucidar a questão (fls. 393 e 394): A fiscalização excluiu do cálculo do crédito das contribuições os custos do gás GLP e do álcool etílico sob o argumento de que as respectivas aquisições estavam sujeitas à alíquota zero, enquadrandose na hipótese do inciso II do §2° do art. 3° da Lei n° 10.833, de 2003, no caso da Cofins, e do inciso II, §2° do art. 3° da Lei n° 10.637, de 2002, no caso do PIS/Pasep. Em sua defesa aduz a requerente que as aquisições do GLP e do álcool etílico hidratado, realizadas pela requerente, estão sujeitas à alíquota zero da contribuição em exame, contudo esses produtos sofreram incidência antecipada da exação em foco, quando da venda realizada por seus produtores e distribuidores. Neste ponto, vale transcrever os arts. 21 e 37 da Lei n° 10.865, de 30 de abril de Fl. 845DF CARF MF Processo nº 13646.000261/200507 Acórdão n.º 3301003.212 S3C3T1 Fl. 846 12 2004, que assim assevera: "Art. 21. Os arts, 1° 2°, 3°, 6°, 10, 12, 15, 25, 27, 32, 34, 49, 50, 51, 52, 53, 56 e 90 da Lei n° 10.833, de 29 de dezembro de 2003, passam a vigorar com a seguinte redação: (...) Art. 3° ............. (...) § 2° Não dará direito a crédito o valor: I de mãodeobra paga a pessoa fisica; e II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à aliquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição." (grifouse) (...) Art. 37. Os arts. 1°, 2°, 3° 5°, 5°A e 11 da Lei n°10.637, de 30 de dezembro de 2002, passam a vigorar com a seguinte redação: Art. 3°.................... (...) § 2° Não dará direito a crédito o valor: I de mãodeobra paga a pessoa física; e II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição." (grifouse) A leitura dos dispositivos acima revela que o legislador, ao permitir a apuração de créditos na forma do art. 3° da Lei n° 10.637, de 2002, e do art. 30 da Lei n° 10.833, de 2003, determinou que esta não se daria de forma ampla e irrestrita, pois, a admissibilidade de aproveitamento de créditos, que repousa necessariamente nos custos, despesas e encargos classificados nos seus incisos, encontrou outro ponto limitador da norma, qual seja, a vedação acima transcrita, onde o legislador expressamente excluiu o aproveitamento de créditos sobre valores de aquisições de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento das contribuições. Por sua vez o Contribuinte, nas razões do ora analisado Recurso Voluntário, entende que a interpretação legal cabível ao caso permite que sejam compensados os créditos referentes as aquisições de GLP e álcool hidratado, conforme se verifica em trecho do Recurso Voluntário (fls. 431 e 432): Com o advento da Lei n. 9718, de 27.11.1998, a apuração da contribuição ao PIS e da COFINS sobre as receitas decorrentes das vendas de derivados de petróleo, que incluem o GLP e o álcool etílico hidratado passou a ser com base nos regimes de tributação denominados "incidência monofásica", que se caracteriza pela "concentração" do ônus tributário em determinada etapa da cadeia produtiva. No período fiscalizado os produtores e importadores deveriam recolher a COFINS, incidentes sobre as vendas de GLP e álcool etílico hidratado, com base em alíquotas mais evadas do que a "genérica", correspondentes a 47,4% e 6,74%, respectivamente. Fl. 846DF CARF MF Processo nº 13646.000261/200507 Acórdão n.º 3301003.212 S3C3T1 Fl. 847 13 Ou seja, em última análise, os produtores e importadores de GLP e álcool etílico hidratado eram os responsáveis pelo recolhimento da contribuição social em foco devida na etapa seguinte da cadeia produtiva. Em compensação, e até por decorrência lógica desse regime especial de tributação, as "revendas" desses produtos não eram tributadas por aquela exação. Nesse contexto, não se pode dizer que os insumos em questão não estavam sujeitos ao pagamento da COFINS, o que inviabilizaria a apuração do crédito dessa contribuição sobre o respectivo custo de aquisição. Isso porque, muito embora as aquisições do GLP e álcool etílico hidratado, realizadas pela recorrente, estejam sujeitas à alíquota zero daquela contribuição social, esses produtos sofreram a incidência antecipada da exação em foco, quando da venda realizada por seus produtores. Em relação ao entendimento diverso entre o Contribuinte e o Fisco, cabe observar que em relação à Cofins a Lei n° 10.833, de 29 de dezembro de 2003, assim prescreve: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2° a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: a) no inciso III do § 3° do art. 1° desta Lei; b) nos §§ 1° e 1°A do art. 2° desta Lei; II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2° da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (grifouse) Já o disposto no mesmo artigo assim prevê em seguida: Art. 3° (...) § 2º Não dará direito a crédito o valor: II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. Não há no caso em exame contradição entre os dispositivos legais aplicados ao caso, visto que o Art. 3°, § 2°, é preciso no sentido de que não darseá credito a aquisição de bens ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), desde que não sujeitos ao pagamento da contribuição, não alcançados pela contribuição. Os insumos GLP e álcool hidratado estão sujeitos à alíquota 0 (zero), mas, salientase, foram em fases anteriores sujeitos ao pagamento da contribuição. Portanto, neste caso, pelo fato de suportar tributo a montante os bens objeto da análise, pela incidência antecipada, e, também pelo fato de que os combustíveis são essenciais no processo produtivo realizado pelo Contribuinte, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário afastando a glosa dos créditos referentes as aquisições de GLP e álcool hidratado. Fl. 847DF CARF MF Processo nº 13646.000261/200507 Acórdão n.º 3301003.212 S3C3T1 Fl. 848 14 2.2. Encargos de depreciação de máquinas e equipamentos, alocados nos centros de custos AGU (Abastecimento e Tratamento de Água) e ENE (Subestação Energia Elétrica) 2.2.1. Abastecimento e tratamento de água O Relatório de Diligência apresentado pela Receita Federal do Brasil (fls. 806 a 809) indica que os bens referentes a esta questão são uma bomba modelo Bek/16 e um relé de proteção do motor, os quais são utilizados para circulação de água na caldeira e para proteção do motor contra sobrecargas, respectivamente. No entendimento da Fiscalização estes bens não foram utilizados na produção de forma específica, “mas no bombeamento e reaproveitamento da água que circula nas plantas industriais” (fls. 808). (Grifouse). Por sua vez o Contribuinte argumenta no sentido de que os equipamentos utilizados no tratamento e bombeamento de água, assim como o abastecimento, são imprescindíveis para sua atividade produtiva, inclusive cita procedimentos em que a água se faz essencial para a produção, conforme se verifica no trecho da Manifestação ao Relatório de Diligência feito pelo Contribuinte (fls. 818): É importante dizer que, no processo produtivo do nióbio, a água é elemento fundamental, na medida em que serve de “veículo” do minério de uma fase a outra do processo produtivo. Aqui importa destacar em caráter especial o parágrafo 64 do laudo elaborado pela requerente, o qual se transcreve aqui nas partes necessárias: “Nesse sentido, observese que, na concentração, o processo de flotação ocorre essencialmente em meio aquoso, sendo as partículas de pirocloro expostas a reagentes químicos e coletadas em bolhas de ar dentro deste meio. Os processos que se valem de fornos utilizam água para resfriamento e granulação de materiais e escória. Por sua vez, a produção de óxidos de nióbio, dada a pureza do material, necessita de água desmineralizada para o seu processo, justificando os ativos relacionados à desmineralização da água.” Entendese, com isso, que o Contribuinte não teria condições de processar os minérios para transformálos em produto final sem a utilização da água, fazendo com que esta seja indispensável no sistema produtivo realizado pelo Contribuinte. Tendo isto claro, respeitando o critério da essencialidade deste insumo, visto que a água é elemento fundamental no processo produtivo do nióbio, e sem a água nas diversas fases do processo produtivo não é possível processar os minérios objeto da atividade do Contribuinte, voto no sentido de considerar que a depreciação das máquinas e os equipamentos utilizados no tratamento e abastecimento de água permitem o creditamento na Cofins não cumulativa, visto que são utilizados na produção de bens destinados à venda. 2.2.2. Subestação Energia Elétrica O Relatório de Diligência (fls. 806 a 809) entende que softwares de supervisão e controle da energia da subestação, módulo de protocolo que permite a comunicação entre equipamentos, sistema de medição de faturamento de energia e serviços para instalação do sistema de medição de faturamento não tem qualquer relação com o processo produtivo e que os bens do centro de custo não são utilizados na produção, mas no controle, conversão e adaptação da energia. Fl. 848DF CARF MF Processo nº 13646.000261/200507 Acórdão n.º 3301003.212 S3C3T1 Fl. 849 15 Portanto, a administração fiscal, por entender que o desgaste desses bens não decorre do processo produtivo, nega ao Contribuinte o direito de creditamento da depreciação destes equipamentos e serviços no que se refere à Cofins. Já a posição do Contribuinte é diversa e desta forma argumenta às fls. 819: (...) Diante da informação constante do laudo elaborado pela requerente sobre o rateio de energia elétrica entre suas diferentes unidades no sentido de que 99% da energia é consumida nos processos produtivos, o Relatório de Diligência afirmou que tal percentual seria “parcial e insustentável, pois os fatos demonstram que várias unidades que constam do Anexo III não tem qualquer relação com o processo produtivo”. A requerente não conseguiu identificar quais centros de custo foram considerados pela fiscalização como desvinculados do processo produtivo. É que a afirmação das autoridades fiscais, neste particular, foi vaga, lacônica, não tendo havido, no Relatório de Diligência, análise de cada unidade produtiva e informação sobre quais unidades, ao ver dos agentes fiscais, não possuíram qualquer relação com o processo produtivo. Como está claro nos autos a atividade de produção de nióbio pelo Contribuinte requer, além do sistema de abastecimento e tratamento de água, a existência de uma subestação de energia elétrica, visto que a energia elétrica recebida da concessionária CEMIG precisa, necessariamente, receber um processo de adequação da tensão para que possa ser aplicada aos equipamentos industriais. Observase ademais que no laudo elaborado pela requerente (fls. 710 a 805) se demonstra que 99% da energia consumida é destinada ao processo produtivo do Contribuinte e que menos de 1% destinase as atividades administrativas da indústria. Em conclusão, a água e a energia elétrica são indispensáveis as atividades de processamento do minério pelo Contribuinte, e, assim sendo, os equipamentos e as máquinas utilizados no tratamento desses insumos com o fito de tornar possível a sua utilização, pela adequação técnica que a atividade requer, devem ser considerados como itens utilizados no processo produtivo de acordo com o previsto na Lei n° 10.833/03, que assim dispõe: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; Logo, respeitando o princípio da essencialidade, é cabível o creditamento dos valores relativos a depreciação do Centro de Custo ENE – Subestação Energia Elétrica, visto que está sendo diretamente utilizado, no sentido de necessário e essencial, ao sistema produtivo em discussão, portanto, voto em prover o Recurso Voluntário neste tema. 2.3. Glosa dos encargos de depreciação de outros itens do ativo imobilizado O Relatório de Diligência apresentado elencou 13 itens (fl. 808) que estão instalados nas plantas industriais e que são considerados pelo Contribuinte como bens utilizados na fabricação dos produtos vendidos. Fl. 849DF CARF MF Processo nº 13646.000261/200507 Acórdão n.º 3301003.212 S3C3T1 Fl. 850 16 Para melhor precisar a glosa efetuada de depreciação de outros itens do ativo imobilizado vejase a tabela abaixo: Nº Bens Utilização 1 Armários São utilizados para: guardar pertences pessoais do Empregados, manuais, relatórios, ferramentas, amostras, etc. 2 Ar condicionado, aparelho de ar condicionado, central de ar condicionado. Utilizados para resfriar o ambiente, protegendo pessoas, equipamentos ou ambos. 3 Serviço de montagem de ar condicionado. Serviço aplicado na instalação de ar condicionado na planta industrial. 4 Licença software MS Office STD português. Programas instalados em computadores da unidade. 5 Rádios fixos e portáteis, conjunto de rádios. Viabiliza a comunicação entre os operadores. 6 Reservatório de 2000 litros. Destinado a armazenagem de substância que atua no sistema de resfriamento de água. 7 Poltronas, cadeiras. Usadas pelos trabalhadores e visitantes das seções. 8 Tanque de água fresca, fabricado em fibra. 9 Motosserras. Cortar eletrodos utilizados na unidade. 10 Caixa d´água etc Armazena água desmineralizada utilizada nas unidades. 11 Mesas, gaveteiros. Usados nas tarefas rotineiras das unidades. 12 Detector de radiação G606/650 Separador magnético – escória produto. 13 Sistema de alta voz com corneta. Utilizado na comunicação dos operadores da unidade. Dos itens relacionados na tabela acima a autoridade administrativa fiscal reconheceu o item 12, detector de radiação G606/650, responsável pela separação da escória, como um bem que se desgasta ou danificase no processo produtivo, reconhecendo que sobre este o crédito deve ser admitido. O Contribuinte requer em sua Manifestação (fls. 822) ao Relatório de Diligência a inclusão de todos os demais itens, em especial, armários (item 1), aparelho ar condicionado (item 2) e motosserras (item 9). O Contribuinte afirma que (fls. 291): Muito embora, à primeira vista, possam surgir dúvidas acerca da utilização de alguns desses itens no processo de produção do minério, que é vendido pela recorrente, se se investigar a fundo esse processo, verificarseá que eles são, nos dizeres da norma legal, "máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado (..) para utilização na produção de bens destinados à venda". Entretanto, não vejo demonstrado nos autos de forma cabal a relação destes outros itens com o processo produtivo, uma vez que são bens necessários para viabilizar as atividades da maioria das empresas, não estando vinculados diretamente com o produto final da atividade do Contribuinte. Logo, voto por não admitir crédito sobre suas cotas de depreciação, negandose assim provimento ao Recurso Voluntário em relação a todos os itens com exceção do item 12 da tabela, ao qual dou provimento. 2.4. Glosa de encargos de depreciação de itens do ativo imobilizado adquiridos antes de 30 de abril de 2004 A decisão da DRJ/JFA, consubstanciada no acórdão ora recorrido, acabou por desconsiderar os encargos de depreciação do Forno Feixe de Elétrons II, do Forno Elétrico Túnel para Calcinação Óxido de NB e do Sistema de Briquetagem Reciclagem de Finos Fl. 850DF CARF MF Processo nº 13646.000261/200507 Acórdão n.º 3301003.212 S3C3T1 Fl. 851 17 Gerados, visto que as partes e peças desses equipamentos foram adquiridas antes de 31 de abril de 2004. A base legal que fundamentou a decisão recorrida é a Lei nº 10.865 de 2004 que assim estabelece: Art. 31. É vedado, a partir do último dia do terceiro mês subseqüente ao da publicação desta Lei, o desconto de créditos apurados na forma do inciso III do § 1o do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, relativos à depreciação ou amortização de bens e direitos de ativos imobilizados adquiridos até 30 de abril de 2004. §1º Poderão ser aproveitados os créditos referidos no inciso III do § 1o do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, apurados sobre a depreciação ou amortização de bens e direitos de ativo imobilizado adquiridos a partir de 1o de maio. De forma diversa entende o Contribuinte, que alega em seu Recurso Voluntário, que não se pode aplicar tal dispositivo por haver assim ofensa ao seu direito adquirido referente ao desconto dos créditos da Cofins calculados sobre os encargos de depreciação do ativo imobilizado acima mencionado. Cito trecho do recurso analisado como elucidação de seus argumentos (fls. 439 e 440): Com efeito, segundo as regras previstas no art. 3º da Lei n. 10833/03, o direito ao creditamento daquela contribuição "nasce" no momento em que os bens do ativo imobilizado são adquiridos pela pessoa jurídica. Contudo, a dedução dos respectivos créditos é diferida para o momento em que forem reconhecidas as correspondentes quotas de depreciação ou amortização, nos termos do inciso III do parágrafo 1° daquele dispositivo legal. Por essa simples razão, não pode a norma do art. 31 da Lei n. 10865/04 ser aplicada retroativamente para alcançar os créditos relativos aos bens do ativo imobilizado, que tenham sido adquiridos antes de 30.4.2004, conforme reconhecido pela Corte Especial do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, no julgamento do Incidente de Arguição de Inconstitucionalidade na AMS n. 2005.70.00.0005940/PR, em 26.6.2008, assim ementado: "TRIBUTÁRIO. INCIDENTE DE ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. SISTEMÁTICA NÃO CUMULATIVA DO PIS E DA COFINS. CREDITAMENTO REFERENTE DEPRECIAÇÃO DE BENS INCORPORADOS AO ATIVO IMOBILIZADO. ART. 31, CAPUT, DA LEI 10865/2004. LIMITAÇÃO TEMPORAL. OFENSA AO DIREITO ADQUIRIDO E À IRRETROATIVIDADE DA LEI TRIBUTÁRIA. PRINCIPIO DA SEGURANÇA JURÍDICA. INCONSTITUCIONALIDADE. 1 A nãocumulatividade do PIS/COFINS depende, para sua efetivação, de um conjunto de deduções, previstas em lei, que digam respeito a determinadas operações realizadas pela empresa, que possam representar a incidência de contribuições em etapas anteriores da cadeia produtiva. 2 As deduções elencadas no art. 3° das Leis 10637/2002 e 10833/2003 não figuram na ordem tributária como benesse fiscal, mas como pressupostos da nãocumulatividade, uma contrapartida ao aumento das alíquotas de PIS e COFINS. Outra não pode ser a interpretação, pois, pretendendo a lei criar um sistema nãocumulativo, deve estabelecer as hipóteses em que o contribuinte terá direito a créditos compensáveis, como uma decorrência da regra da não cumulatividade. Fl. 851DF CARF MF Processo nº 13646.000261/200507 Acórdão n.º 3301003.212 S3C3T1 Fl. 852 18 3 A ocorrência de qualquer das hipóteses mencionadas no caput do art. 30 das Leis 10637/2002 e 10833/2003 é por si suficiente para fazer surgir o direito de crédito em favor do contribuinte, que se incorpora ao patrimônio da empresa. 4 O art. 31, caput, da Lei 10865/2004 limitou temporalmente o aproveitamento dos créditos decorrentes das aquisições de bens para o ativo imobilizado realizadas até 30 de abril de 2004. 5 No entanto, os créditos decorrentes da aquisição de bens para o ativo imobilizado se tomaram parte do patrimônio da empresa antes da edição da Lei 10865/2004. Assim, as disposições do art. 31caput, da referida lei, acabaram por atingir fatos pretéritos, ofendendo o direito adquirido e a regra da irretroatividade da lei tributária. 6 A vedação do aproveitamento de créditos, instituída por lei no curso da sistemática da nãocumulatividade, quando inúmeros contribuintes já haviam realizado investimentos em maquinário, equipamentos, entre outros, ofende o Princípio da Segurança Jurídica e a regra da nãosurpresa, implícitos na Carta de 1988. 7 Declarada a inconstitucionalidade do art. 31, caput, da Lei 10865/2004." Pelas razões acima expostas, deve ser reformado o v. acórdão recorrido, também nessa parte, de modo que seja cancelada a glosa dos encargos de depreciação do Forno Feixe de Elétrons II, do Forno Elétrico Túnel para Calcinação óxido de NB e do Sistema de Briquetagem Reciclagem de Finos Gerados. Apesar dos argumentos do Contribuinte não há como negar a clareza da norma em questão quando define que é vedado o desconto de créditos relativos a depreciação ou amortização de bens e direitos de ativos imobilizados adquiridos até a data de 30 de abril de 2004. Logo, não se trata de uma ofensa ao direito adquirido do Contribuinte, mas sim a simples e necessária aplicação da legislação pertinente a matéria discutida. Com isso, haja visto a legislação aplicável ao caso, voto no sentido de negar provimento ao pedido do Contribuinte referente a este ponto. 3. A cessão de créditos do ICMS A decisão ora recorrida entende que a cessão do crédito referente ao ICMS deve compor a base de cálculo das contribuições, conforme se demonstra nesse trecho do voto do referido Acórdão (fls. 396 e 397): Relativamente à cessão de créditos de ICMS, o artigo 1° da Lei 10.833/2003, que trata da incidência nãocumulativa da Cofins, e o mesmo artigo da Lei nº 10.637/2002, que trata do PIS/Pasep nãocumulativo, estabelecem, de forma clara, o fato gerador dessas contribuições, qual seja, "o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil". (...) No caso, a cessão de direitos de ICMS, que o contribuinte adquire no momento da compra de um bem ou direito, é uma nova operação jurídica/contábil com este direito do contribuinte, gerando uma nova receita, que pode ou não gerar lucro. Em se tratando de receita, auferida com a cessão de créditos de ICMS admitida pela legislação estadual, cumpre analisar o cabimento ou não de sua tributação pelo PIS/Pasep e pela Cofins. A operação de transferência dos créditos do ICMS Fl. 852DF CARF MF Processo nº 13646.000261/200507 Acórdão n.º 3301003.212 S3C3T1 Fl. 853 19 configura uma cessão de créditos em que a pessoa jurídica vendedora toma o lugar do cedente; o adquirente, o do cessionário e a Unidade da Federação, o do cedido. Conforme o disposto nas Leis n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002 (PIS não cumulativo) e nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003 (incidência nãocumulativa da Cofins), estas contribuições têm como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil, sendo que o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. Constatase que a opção do legislador foi a generalização do alcance da incidência das contribuições em tela. Já ao tratar das hipóteses de exclusão da base de cálculo, a norma foi bastante seletiva, restringindoas a um pequeno rol, numerus clausus. Observase que o negócio jurídico ora analisado não se enquadrava em nenhuma das exclusões da base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins previstas na legislação pertinente. Tanto é assim que a hipótese de exclusão da base de cálculo da Cofins e do PIS/Pasep, relativamente a receitas decorrentes de transferência onerosa, a outros contribuintes do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, de créditos de ICMS originados de operações de exportação conforme o disposto no inciso II do 12 do art. 25 da Lei Complementar n° 87, de 13 de setembro de 1996, somente passou a existir a partir da edição da MP 451, de 15 de dezembro de 2008, convertida na Lei n° 11.945, de 04 de junho de 2009, que incluiu o inciso VI ao §3° do artigo 1° da Lei n° 10.833/2003 e o VII ao §3° do artigo 1° da Lei n° 10.637/2002. Destacase quanto aos efeitos da citada MP sobre a matéria, seu art. 22, que assim dispõe: Art. 22. Esta Medida Provisória entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos: I a partir de 1° de janeiro de 2009, em relação ao disposto: (...) b) no art. 8°, relativamente ao inciso VII do §3°do art. 1° da Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2003 c) no art. 9°, relativamente ao inciso VI do §3°art. 1°, e ao art. 58J, da Lei n° 10.833, de 29 de dezembro de 2003; (...) (sem grifo no original). Por sua vez, o Contribuinte alega em seu Recurso Voluntário, citando jurisprudência do próprio CARF, que os valores decorrentes de cessão de créditos do ICMS não podem ser considerados sob o conceito de receita passível de tributação pela Cofins, conforme se verifica no seguinte trecho retirado do Recurso ora em análise (fls. 440): Na manifestação de inconformidade, restou demonstrado que, no quarto trimestre de 2005, a recorrente efetuou, nos termos da legislação do ICMS do Estado de Minas Gerais, a cessão de seus créditos desse imposto a terceiros, sem ágio ou com deságio. Confiramse, a título meramente exemplificativo, os documentos anexados à sua manifestação de inconformidade. Ao verificar a apuração da COFINS, relativa àqueles meses, a fiscalização constatou que a recorrente emitiu "notas fiscais faturas, relativas à transferência de crédito acumulado de ICMS", sem que fossem os correspondentes valores incluídos na base Fl. 853DF CARF MF Processo nº 13646.000261/200507 Acórdão n.º 3301003.212 S3C3T1 Fl. 854 20 de cálculo dessa contribuição social. Partindo da premissa de que não há previsão legal expressa de que os valores recebidos pela recorrente nessas operações podem ser excluídos da apuração da contribuição em foco, os Srs. AFRFB adicionaram tais montantes à sua base de cálculo. Como se vê, a fiscalização e as d. autoridades julgadoras “a quo” entendem que os ingressos decorrentes das cessões de créditos do ICMS representam receitas tributáveis e, não havendo norma legal que afaste a incidência da COFINS nesses casos, os respectivos valores devem ser computados em sua base de cálculo. Mas, o raciocínio por elas desenvolvido está equivocado, na medida em que, em momento algum, aprofundaram o exame da natureza jurídica da contraprestação da cessão de créditos de ICMS, verificando se ela se amolda ao conceito de receita. Percebese, quando da leitura da Ata de Assembleia Geral Extraordinária da Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração, de 30 de junho de 2008, que dispõe sobre a reforma integral do estatuto social da Companhia, que tem por objeto social (fls. 469): (i) a indústria, o comércio, a importação e a exportação de minérios, produtos químicos, fertilizantes e produtos metalúrgicos, e a exploração e o aproveitamento de jazidas minerais no território nacional; (ii) a representação de outras sociedades, nacionais ou estrangeiras; e; (iii) a participação em outras sociedades, como sócia ou acionista; e (iv) o desenvolvimento de outras atividades correlatas, de interesse da Companhia. (grifouse). Neste sentido, como o Contribuinte desenvolve a atividade de exportação de minérios e requer a retirada da base de cálculo da cessão de créditos do ICMS, cabe considerar a decisão proferida no Recurso Extraordinário n° 606.107/RS que ficou assim ementado: EMENTA RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. IMUNIDADE. HERMENÊUTICA. CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. NÃO INCIDÊNCIA. TELEOLOGIA DA NORMA. EMPRESA EXPORTADORA. CRÉDITOS DE ICMS TRANSFERIDOS A TERCEIROS. I Esta Suprema Corte, nas inúmeras oportunidades em que debatida a questão da hermenêutica constitucional aplicada ao tema das imunidades, adotou a interpretação teleológica do instituto, a emprestarlhe abrangência maior, com escopo de assegurar à norma supralegal máxima efetividade. II A interpretação dos conceitos utilizados pela Carta da República para outorgar competências impositivas (entre os quais se insere o conceito de “receita” constante do seu art. 195, I, “b”) não está sujeita, por óbvio, à prévia edição de lei. Tampouco está condicionada à lei a exegese dos dispositivos que estabelecem imunidades tributárias, como aqueles que fundamentaram o acórdão de origem (arts. 149, § 2º, I, e 155, § 2º, X , “a”, da CF) . Em ambos os casos, tratase de interpretação da Lei Maior voltada a desvelar o alcance de regras tipicamente constitucionais, com absoluta independência da atuação do legislador tributário. III – A apropriação de créditos de ICMS na aquisição de mercadorias tem suporte na técnica da não cumulatividade, imposta para tal tributo pelo art. 155, § 2º, I, da Lei Maior, a fim de evitar que a sua incidência em cascata onere demasiadamente a atividade econômica e gere distorções concorrenciais. IV O art. 155, § 2º, X, “a”, da CF – cuja finalidade é o incentivo às exportações, desonerando as mercadorias nacionais do seu ônus econômico, de modo a permitir que as empresas brasileiras exportem produtos, e não tributos , imuniza as operações de exportação e assegura “a manutenção e o aproveitamento do montante do imposto cobrado nas operações e prestações anteriores”. Não incidem, pois, a Fl. 854DF CARF MF Processo nº 13646.000261/200507 Acórdão n.º 3301003.212 S3C3T1 Fl. 855 21 COFINS e a contribuição ao PIS sobre os créditos de ICMS cedidos a terceiros, sob pena de frontal violação do preceito constitucional. V – O conceito de receita, acolhido pelo art. 195, I, “b”, da Constituição Federal, não se confunde com o conceito contábil. Entendimento, aliás, expresso nas Leis 10.637/02 (art. 1º) e Lei 10.833/03 (art. 1º), que determinam a incidência da contribuição ao PIS/PASEP e da COFINS não cumulativas sobre o total das receitas, “independentemente de sua denominação ou classificação contábil”. Ainda que a contabilidade elaborada para fins de informação ao mercado, gestão e planejamento das empresas possa ser tomada pela lei como ponto de partida para a determinação das bases de cálculo de diversos tributos, de modo algum subordina a tributação. A contabilidade constitui ferramenta utilizada também para fins tributários, mas moldada nesta seara pelos princípios e regras próprios do Direito Tributário. Sob o específico prisma constitucional, receita bruta pode ser definida como o ingresso financeiro que se integra no patrimônio na condição de elemento novo e positivo, sem reservas ou condições. VI O aproveitamento dos créditos de ICMS por ocasião da saída imune para o exterior não gera receita tributável. Cuidase de mera recuperação do ônus econômico advindo do ICMS, assegurada expressamente pelo art. 155, § 2º, X, “a”, da Constituição Federal. VII Adquirida a mercadoria, a empresa exportadora pode creditarse do ICMS anteriormente pago, mas somente poderá transferir a terceiros o saldo credor acumulado após a saída da mercadoria com destino ao exterior (art. 25, § 1º, da LC 87/1996). Porquanto só se viabiliza a cessão do crédito em função da exportação, além de vocacionada a desonerar as empresas exportadoras do ônus econômico do ICMS, as verbas respectivas qualificamse como decorrentes da exportação para efeito da imunidade do art. 149, § 2º, I, da Constituição Federal. VIII Assenta esta Suprema Corte a tese da inconstitucionalidade da incidência da contribuição ao PIS e da COFINS não cumulativas sobre os valores auferidos por empresa exportadora em razão da transferência a terceiros de créditos de ICMS. IX Ausência de afronta aos arts. 155, § 2º, X, 149, § 2º, I, 150, § 6º, e 195, caput e inciso I, “b”, da Constituição Federal. Recurso extraordinário conhecido e não provido, aplicandose aos recursos sobrestados, que versem sobre o tema decidido, o art. 543B, § 3º, do CPC. A decisão proferida no RE 606.107/RS, de relatoria de Rosa Weber, em sede de repercussão geral, implica no respeito ao disposto no RICARF desta forma: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Assim sendo, de acordo com a legislação e a jurisprudência aplicável ao tema, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário e afastar da base de cálculo da contribuição o produto oriundo da cessão de créditos do ICMS. Conclusão Fl. 855DF CARF MF Processo nº 13646.000261/200507 Acórdão n.º 3301003.212 S3C3T1 Fl. 856 22 Observada a legislação e a jurisprudência aplicáveis ao caso e os laudos técnicos trazidos aos autos nas duas diligências realizadas, voto no sentido de dar provimento parcial ao Recurso Voluntário interposto pelo Contribuinte. Valcir Gassen Relator Fl. 856DF CARF MF Processo nº 13646.000261/200507 Acórdão n.º 3301003.212 S3C3T1 Fl. 857 23 Voto Vencedor Conselheiro José Henrique Mauri Redator designado O presente voto vencedor referese unicamente à glosa dos créditos referentes as aquisições de GLP e álcool hidratado, posto que, quanto aos demais itens, o voto do Relator fora mantido pelo colegiado. Entendeu o Conselheiro Relator em Dar Provimento ao Recurso Voluntário, no pormenor ora cuidado, afastando a glosa dos créditos referentes as aquisições de GLP e álcool hidratado, sob fundamento de tratarse de incidência monofásica e assim sendo ocorre a incidência antecipada da contribuição, eis o dispositivo do voto vencido: "Portanto, neste caso, pelo fato de suportar tributo a montante os bens objeto da análise, pela incidência antecipada, e, também pelo fato de que os combustíveis são essenciais no processo produtivo realizado pelo Contribuinte, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário." Em que pese o bem fundamentado voto, ouso divergir dele para Negar Provimento ao Recurso Voluntário, com os fundamentos a seguir explicitado. Conforme relatado, a fiscalização excluiu do cálculo do crédito das contribuições os custos do gás GLP e do álcool etílico sob o argumento de que "as respectivas aquisições estavam sujeitas à aliquota zero, enquadrandose na hipótese do inciso II do §2° do art. 3° da Lei n° 10.833, de 2003, no caso da Cofins, e do inciso II, §2° do art. 3° da Lei n° 10.637, de 2002, no caso do PIS/Pasep". Em sua defesa aduz a requerente que as aquisições do GLP e do álcool etílico hidratado estão sujeitas à alíquota zero da contribuição em exame, contudo esses produtos sofreram incidência antecipada da exação em foco, quando da venda realizada por seus produtores e distribuidores. Eis o que dispõe a Lei nº 10.833, de 2003 e, em igual inciso, a Lei nº 10.637, de 2002: Art. 3° [...] § 2° Não dará direito a crédito o valor: [...] II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à aliquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição." [...] Fl. 857DF CARF MF Processo nº 13646.000261/200507 Acórdão n.º 3301003.212 S3C3T1 Fl. 858 24 A leitura dos dispositivos acima revela que o legislador, ao permitir a apuração de créditos, expressamente excluiu o aproveitamento de créditos sobre valores de aquisições de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento das contribuições. A meu ver, a concentração da tributação no produtor (incidência monofásica) não descaracteriza a "alíquota 0 (zero)" para fins de enquadramento na vedação prevista nos §§ 2º das Leis 10.833, de 2003 e 10.637, de 2002. Ademais, Pela sistemática da tributação de incidência monofásica, o tributo recolhido pelo produtor não significa antecipação do que seria devido nas etapas subseqüentes, diferentemente do sistema de substituição tributária. Assim, a incidência das mencionadas contribuições sobre os produtores, bem como os pagamentos por eles realizados são considerados definitivos. Nessa mesma esteira caminha a jurisprudência1 do Superior Tribunal de Justiça (STJ) ao consolidar entendimento segundo o qual a incidência monofásica não se compatibiliza com a técnica do creditamento. No julgamento do REsp 1.140.723/RS, a Ministra Eliana Calmon sintetizou a impossibilidade de creditamento na incidência monofásica ao dispor que "a técnica do creditamento é incompatível com a incidência monofásica porque não há cumulatividade a ser evitada, razão maior da possibilidade de que o contribuinte deduza da base de cálculo destas contribuições (faturamento ou receita bruta) o valor da contribuição incidente na aquisição de bens, serviços e produtos relacionados à atividade do contribuinte. Permitir a possibilidade do creditamento destas contribuições na incidência monofásica, além de violar a lógica jurídica da adoção do direito à nãocumulatividade, implica em ofensa à isonomia e ao princípio da legalidade, que exige lei específica (cf. art. 150, § 6º da CF/88) para a concessão de qualquer benefício fiscal. E sem dúvida a permissão de creditamento de PIS e da COFINS em regime de incidência monofásica é concessão de benefício fiscal". TRIBUTÁRIO PROCESSO CIVIL PIS COFINS INCIDÊNCIA MONOFÁSICA CREDITAMENTO IMPOSSIBILIDADE [...]. 1. [...] 2. A Constituição Federal remeteu à lei a disciplina da nãocumulatividade das contribuições do PIS e da COFINS, nos termos do art. 195, § 12 da CF/88. 3. A incidência monofásica, em princípio, é incompatível com a técnica do creditamento, cuja razão é evitar a incidência em cascata do tributo ou a cumulatividade tributária. [...] 6. Recurso especial não provido. (REsp 1.140.723/RS, Rel. Min. Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe 22.09.2010) 1 Precedentes do STJ: REsp n° 1.218.561/SC, Rel. Min. MAURO CAMPBELL MARQUES, DJe de 15/04/2011. AgRg no REsp n° 1.219.450/SC, Rel. Min. HERMAN BENJAMIN, DJe de 15/03/2011. AgRg no REsp n° 1.224.392/RS, Rel. Min. HAMILTON CARVALHIDO, DJe de 10/03/2011. Fl. 858DF CARF MF Processo nº 13646.000261/200507 Acórdão n.º 3301003.212 S3C3T1 Fl. 859 25 Assim, tratandose de aquisições sujeitas à aliquota "0" (zero), ainda que se trate de produto com incidência monofásica, não é cabível o crédito da contribuição em conformidade com a vedação disposta nos §§ 2º das Leis 10.833, de 2003, para a Cofins e 10.637, de 2002, para o PIS/Pasep, bem assim porque a incidência monofásica não se compatibiliza com a técnica do creditamento. Portanto correta a glosa efetuada pela autoridade fiscal. Dispositivo Ante o todo exposto voto por Negar Provimento ao Recurso Voluntário para excluiu do cálculo do crédito das contribuições os custos do gás GLP e do álcool etílico. Conselheiro José Henrique Mauri Redator designado Fl. 859DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15563.720215/2012-94
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Apr 24 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
ENTIDADE BENEFICENTE. REQUISITOS PARA GOZO DA ISENÇÃO.
Para verificação do cumprimento dos requisitos exigidos para fruição da isenção relativa à entidade beneficente deverá ser observada a legislação vigente no momento do fato gerador.
IMUNIDADE. ENTIDADES BENEFICENTES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. NECESSIDADE CUMPRIMENTO REQUISITOS PREVISTOS EM LEI ORDINÁRIA.
As entidades beneficentes que prestam assistência social, inclusive no campo da educação e da saúde, para gozarem da imunidade constante do § 7º do art. 195 da Constituição Federal, deveriam, à época dos fatos geradores, atender ao rol de exigências determinado pelo art. 55 da Lei 8.212/91.
A isenção, no período anterior à vigência da Lei 12.101, de 27/11/2009, devia ser requerida perante o órgão competente, que após a verificação do cumprimento, pela requerente, dos requisitos previstos no art. 55, da Lei 8.212/91, emitia Ato Declaratório de Isenção de Contribuições Previdenciárias. A fruição da isenção somente tinha início a partir do protocolo do pedido, caso deferido.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS.
A empresa é obrigada a arrecadar as contribuições dos segurados empregados e contribuintes individuais a seu serviço e recolher o produto arrecadado juntamente com as contribuições previdenciárias a seu cargo.
SEGURADO EMPREGADO.
É segurado obrigatório da Previdência Social como empregado aquele que presta serviço de natureza urbana ou rural à empresa, em caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração.
Se o Auditor Fiscal da RFB constatar que o segurado contratado como contribuinte individual, trabalhador avulso, ou qualquer outra denominação, preenche as condições de empregado, deverá desconsiderar o vínculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurado empregado.
CONTRIBUIÇÕES OUTRAS ENTIDADES E FUNDOS.
A empresa é obrigada a recolher as contribuições para outras entidades e fundos a seu cargo.
AUTO DE INFRAÇÃO. OMISSÃO DE FATOS GERADORES.
Apresentar GFIP com erros ou omissões não relacionados com fatos geradores de contribuição previdenciária constitui infração à legislação previdenciária.
Numero da decisão: 2401-004.613
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso. Quanto à preliminar de isenção, por unanimidade, negar provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Maria Cleci Coti Martins, Cleberson Alex Friess, Marcio de Lacerda Martins e Miriam Denise Xavier Lazarini. Quanto ao mérito, por voto de qualidade, dar-lhe provimento parcial para: a) quanto ao lançamento de crédito tributário relativo à obrigação principal DEBCAD 37.306.440-3, excluir do lançamento os levantamentos TT, UM, UM2, UO, UO2, VE e VE2; b) quanto ao lançamento de crédito tributário relativo à obrigação principal DEBCAD 37.306.441-1, manter o lançamento; e c) quanto ao auto de infração por descumprimento de obrigação acessória, DEBCAD 37.306.439-0, excluir do cálculo da multa os valores relacionados aos levantamentos TT, UM, UM2, UO, UO2, VE e VE2. Vencidos o relator e os conselheiros Rayd Santana Ferreira, Andrea Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa que davam provimento parcial em maior extensão. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Miriam Denise Xavier Lazarini.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente
(assinado digitalmente)
Carlos Alexandre Tortato - Relator
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Redatora designada
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Marcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto, Maria Cleci Coti Martins, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: CARLOS ALEXANDRE TORTATO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 ENTIDADE BENEFICENTE. REQUISITOS PARA GOZO DA ISENÇÃO. Para verificação do cumprimento dos requisitos exigidos para fruição da isenção relativa à entidade beneficente deverá ser observada a legislação vigente no momento do fato gerador. IMUNIDADE. ENTIDADES BENEFICENTES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. NECESSIDADE CUMPRIMENTO REQUISITOS PREVISTOS EM LEI ORDINÁRIA. As entidades beneficentes que prestam assistência social, inclusive no campo da educação e da saúde, para gozarem da imunidade constante do § 7º do art. 195 da Constituição Federal, deveriam, à época dos fatos geradores, atender ao rol de exigências determinado pelo art. 55 da Lei 8.212/91. A isenção, no período anterior à vigência da Lei 12.101, de 27/11/2009, devia ser requerida perante o órgão competente, que após a verificação do cumprimento, pela requerente, dos requisitos previstos no art. 55, da Lei 8.212/91, emitia Ato Declaratório de Isenção de Contribuições Previdenciárias. A fruição da isenção somente tinha início a partir do protocolo do pedido, caso deferido. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. A empresa é obrigada a arrecadar as contribuições dos segurados empregados e contribuintes individuais a seu serviço e recolher o produto arrecadado juntamente com as contribuições previdenciárias a seu cargo. SEGURADO EMPREGADO. É segurado obrigatório da Previdência Social como empregado aquele que presta serviço de natureza urbana ou rural à empresa, em caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração. Se o Auditor Fiscal da RFB constatar que o segurado contratado como contribuinte individual, trabalhador avulso, ou qualquer outra denominação, preenche as condições de empregado, deverá desconsiderar o vínculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurado empregado. CONTRIBUIÇÕES OUTRAS ENTIDADES E FUNDOS. A empresa é obrigada a recolher as contribuições para outras entidades e fundos a seu cargo. AUTO DE INFRAÇÃO. OMISSÃO DE FATOS GERADORES. Apresentar GFIP com erros ou omissões não relacionados com fatos geradores de contribuição previdenciária constitui infração à legislação previdenciária.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso. Quanto à preliminar de isenção, por unanimidade, negar provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Maria Cleci Coti Martins, Cleberson Alex Friess, Marcio de Lacerda Martins e Miriam Denise Xavier Lazarini. Quanto ao mérito, por voto de qualidade, dar-lhe provimento parcial para: a) quanto ao lançamento de crédito tributário relativo à obrigação principal DEBCAD 37.306.440-3, excluir do lançamento os levantamentos TT, UM, UM2, UO, UO2, VE e VE2; b) quanto ao lançamento de crédito tributário relativo à obrigação principal DEBCAD 37.306.441-1, manter o lançamento; e c) quanto ao auto de infração por descumprimento de obrigação acessória, DEBCAD 37.306.439-0, excluir do cálculo da multa os valores relacionados aos levantamentos TT, UM, UM2, UO, UO2, VE e VE2. Vencidos o relator e os conselheiros Rayd Santana Ferreira, Andrea Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa que davam provimento parcial em maior extensão. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Miriam Denise Xavier Lazarini. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente (assinado digitalmente) Carlos Alexandre Tortato - Relator (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini - Redatora designada Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Marcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto, Maria Cleci Coti Martins, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira.
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REQUISITOS PARA GOZO DA ISENÇÃO. Para verificação do cumprimento dos requisitos exigidos para fruição da isenção relativa à entidade beneficente deverá ser observada a legislação vigente no momento do fato gerador. IMUNIDADE. ENTIDADES BENEFICENTES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. NECESSIDADE CUMPRIMENTO REQUISITOS PREVISTOS EM LEI ORDINÁRIA. As entidades beneficentes que prestam assistência social, inclusive no campo da educação e da saúde, para gozarem da imunidade constante do § 7º do art. 195 da Constituição Federal, deveriam, à época dos fatos geradores, atender ao rol de exigências determinado pelo art. 55 da Lei 8.212/91. A isenção, no período anterior à vigência da Lei 12.101, de 27/11/2009, devia ser requerida perante o órgão competente, que após a verificação do cumprimento, pela requerente, dos requisitos previstos no art. 55, da Lei 8.212/91, emitia Ato Declaratório de Isenção de Contribuições Previdenciárias. A fruição da isenção somente tinha início a partir do protocolo do pedido, caso deferido. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. A empresa é obrigada a arrecadar as contribuições dos segurados empregados e contribuintes individuais a seu serviço e recolher o produto arrecadado juntamente com as contribuições previdenciárias a seu cargo. SEGURADO EMPREGADO. É segurado obrigatório da Previdência Social como empregado aquele que presta serviço de natureza urbana ou rural à empresa, em caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 56 3. 72 02 15 /2 01 2- 94 Fl. 1958DF CARF MF 2 Se o Auditor Fiscal da RFB constatar que o segurado contratado como contribuinte individual, trabalhador avulso, ou qualquer outra denominação, preenche as condições de empregado, deverá desconsiderar o vínculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurado empregado. CONTRIBUIÇÕES OUTRAS ENTIDADES E FUNDOS. A empresa é obrigada a recolher as contribuições para outras entidades e fundos a seu cargo. AUTO DE INFRAÇÃO. OMISSÃO DE FATOS GERADORES. Apresentar GFIP com erros ou omissões não relacionados com fatos geradores de contribuição previdenciária constitui infração à legislação previdenciária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 1959DF CARF MF Processo nº 15563.720215/201294 Acórdão n.º 2401004.613 S2C4T1 Fl. 1.959 3 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso. Quanto à preliminar de isenção, por unanimidade, negar provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Maria Cleci Coti Martins, Cleberson Alex Friess, Marcio de Lacerda Martins e Miriam Denise Xavier Lazarini. Quanto ao mérito, por voto de qualidade, darlhe provimento parcial para: a) quanto ao lançamento de crédito tributário relativo à obrigação principal DEBCAD 37.306.4403, excluir do lançamento os levantamentos TT, UM, UM2, UO, UO2, VE e VE2; b) quanto ao lançamento de crédito tributário relativo à obrigação principal DEBCAD 37.306.4411, manter o lançamento; e c) quanto ao auto de infração por descumprimento de obrigação acessória, DEBCAD 37.306.4390, excluir do cálculo da multa os valores relacionados aos levantamentos TT, UM, UM2, UO, UO2, VE e VE2. Vencidos o relator e os conselheiros Rayd Santana Ferreira, Andrea Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa que davam provimento parcial em maior extensão. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Miriam Denise Xavier Lazarini. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente (assinado digitalmente) Carlos Alexandre Tortato Relator (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Redatora designada Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Marcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto, Maria Cleci Coti Martins, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira. Fl. 1960DF CARF MF 4 Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 1777/1911) em face do Acórdão nº. 02 51.918 da 8ª Turma da DRJ/BHE (1719/1741), que restou assim ementado: ENTIDADE BENEFICENTE/REQUISITOS PARA GOZO DA ISENÇÃO. Para verificação do cumprimento dos requisitos exigidos para fruição da isenção relativa à entidade beneficente deverá ser observada a legislação vigente no momento do fato gerador. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. A empresa é obrigada a arrecadar as contribuições dos segurados empregados e contribuintes individuais a seu serviço e recolher o produto arrecadado juntamente com as contribuições previdenciárias a seu cargo. CONTRIBUIÇÕES OUTRAS ENTIDADES E FUNDOS. A empresa é obrigada a recolher as contribuições para outras entidades e fundos a seu cargo. AUTO DE INFRAÇÃO. OMISSÃO DE FATOS GERADORES. Apresentar GFIP com erros ou omissões não relacionados com fatos geradores de contribuição previdenciária constitui infração à legislação previdenciária. MULTA RETROATIVIDADE. MOMENTO DO CÁLCULO. A lei aplicase a fato pretérito quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. A comparação para determinação da multa mais benéfica apenas pode ser realizada por ocasião do pagamento. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Tratase de Autos de Infração lavrados contra o sujeito passivo em epígrafe, cujos créditos tributário são os seguintes: · DEBCAD nº. 37.306.4403: exigência de contribuições destinadas à previdência social, inclusive para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho GILRAT, relativas às competências de 01/2008 a 13/2008, parte patronal; · DEBCAD nº. 37.306.4411: exigência de contribuições destinadas a Outras Entidades e Fundos denominados Terceiros Salário Educação Fl. 1961DF CARF MF Processo nº 15563.720215/201294 Acórdão n.º 2401004.613 S2C4T1 Fl. 1.960 5 (FNDE), Incra, Senac, SESC e Sebrae incidentes sobre a remuneração de empregados, referente às competências de 01/2008 a 13/2008; · DEBCAD nº. 37.306.4390: exigência referente ao descumprimento de obrigação acessória por infringência ao que dispunha, na época da infração, a Lei nº. 8.212/91, art. 32, IV e § 5º c/c RPS, art. 225, IV e § 4º (CFL nº. 68), sendo aplicadas multas relativas à erros e omissões no preenchimento das Guias de Recolhimento do FGTS e informações à Previdência Social GFIP de 01/2008 a 11/2008. Nos termos do Relatório Fiscal (fls. 101/152), temos que a descrição dos fatos e infrações a seguir narrados, os quais são extraídos também do acórdão recorrido que pormenorizadamente discorreu item a item dos fatos que ensejaram a autuação fiscal. Em todo o período fiscalizado o sujeito passivo enviou GFIP com o código de FPAS 639, declarandose como entidade em gozo de isenção das contribuições previdenciárias. Contudo, verificou a fiscalização a ocorrência de descumprimento dos requisitos previstos na legislação vigente na época de ocorrência dos fatos geradores para que o contribuinte fruísse de tal direito. Tal constatação por parte do AFRFB levou à conclusão de que o contribuinte não tinha direito ao gozo de isenção relativamente às contribuições previdenciárias. Para a análise da autoridade fiscal, foram considerados os requisitos existentes no art. 55 da Lei nº. 8.212/91 (de 01/01/2008 a 09/11/2008 e de 12/02/2009 a 29/11/2009), na MP nº. 446/2008 (de 10/01/2008 a 11/02/2009) e art. 29 da Lei nº. 12.101/2009 (a partir de 30/11/2009). A partir dos documentos solicitados ao contribuinte no curso do processo de fiscalização, foram constatados fatos que representam o descumprimento dos requisitos legais acima expostos, os quais foram sintetizados no Relatório Fiscal e abaixo reproduzimos (fl. 103/104): Fl. 1962DF CARF MF 6 a) Da não apresentação de requerimento de isenção ou de comprovação de estar em gozo de direito adquirido Intimado para apresentar comprovante de requerimento à RFB para gozo de isenção das contribuições previdenciárias, o contribuinte apresentou, em resposta (fl. 852) apenas o Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos CEFF de 10/12/1981. Segundo a fiscalização, a entidade foi declarada como de utilidade pública federal em 02/10/1981 (publicação em 05/10/1981), portanto, não teria direito adquirido à isenção, já que, para tanto, a declaração como de utilidade pública federal deveria ter ocorrido até 01/09/1977. A fiscalização juntou aos autos cópia do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social CEBAS, conferido pelo Conselho Nacional de Assistência Social _ CNAS, de 04/05/2007, com validade de 04/05/2007 a 03/05/2010 (fl. 844). Foi juntado, também, cópia do requerimento de renovação do CEBAS junto ao Ministério da Educação (fls. 845/846) e cópias de certidões exaradas pelo Ministério da Justiça que informam quando se deu o reconhecimento da entidade como de utilidade pública federal. Concluise, por fim, que não houve o cumprimento do requisito contido na Lei nº. 8.212/91, artigo 55, § 1º, aplicável de 25/07/1991 a 09/11/2008 e de 12/02/2009 a 29/11/2009, pois inexistia qualquer pedido de emissão de ato declaratório reconhecendo o contribuinte como em gozo de isenção. Assim, de 01/01/2008 a 09/11/2008 e de 12/02/2009 a 29/11/2009 a fiscalização considerou que não havia direto ao gozo de isenção. b) Da existência de débito exigível Nos termos do Relatório Fiscal, por meio de pesquisas aos sistemas informatizados da RFB constatouse que o contribuinte esteve em débito durante todo o período fiscalizado (01/2008 a 12/2009), sendo seus pedidos de CND repetidamente indeferidos. Fl. 1963DF CARF MF Processo nº 15563.720215/201294 Acórdão n.º 2401004.613 S2C4T1 Fl. 1.961 7 Consta nos sistemas informatizados da RFB que a última CND, de nº. 001502005/17.022.010, foi emitida em 21/01/2005). Todos os relatórios que apontaram restrições para concessão de CND indicaram a existência de débito exigível. A fiscalização discriminou os motivos das divergências a cada pedido efetuado de 13/11/2007 a 16/12/2009 (fls. 105/109). Fez constar, assim, a existência de débitos e diferenças entre os valores declarados e os recolhidos entre 13/11/2007 a 16/09/2009. Assim, segundo a fiscalização, não foram cumpridos os requisitos do art. 55, § 6º, da Lei nº. 8.212/91 (vigente em relação ao período de 01/01/2008 a 09/11/2008 a 12/02/2009 a 29/11/2009), do art. 28, VI da MP nº. 446/2008 (em relação ao período de 10/11/2008 a 11/02/2009) e do 29, I da Lei nº. 12.101/2009 (vigente a partir de 30/11/2009). c) Dos valores pagos sob o título de arrendamento do Campus 1 ao Presidente Valdir Vilela sem lastro no contrato que trata dessa operação Segundo a fiscalização, por meio das declarações prestadas pelo contribuinte, o Sr. Valdir Vilela auferiu rendimentos de R$ 424.515,07, no ano de 2008, e R$ 342.809,25, em 2009, sob o código de receita 3208 (Alugueis e royalties pagos a pessoa física). Intimado a prestar informações, especialmente os documentos de caixa e contratos e a esclarecer a contabilização referente a esses pagamentos, o contribuinte apontou que (fl. 225): 1) tais pagamentos se referiam a valores pagos a título de arrendamento de imóveis de propriedade do Sr. Valdir Vilela; 2) que os valores pagos correspondem, por força de dispositivo contratual, a 5% de receita de cada unidade que se utiliza do imóvel arrendado; 3) que os valores pagos são apurados com base nos relatórios de "receitas obtidas" e que tal despesa tem como contrapartida a conta de arrendamento a pagar; O contribuinte apresentou, além dos esclarecimentos acima, demonstrativos que detalhavam mês a mês, por unidade, as bases de cálculo de tais pagamentos, os valores de imposto de renda deduzidos e os valores a pagar. Também foram apresentados documentos denominados "Balancetes financeiros", os quais apontam os valores de receitas obtidos, por campus, em cada mês, e o percentual a pagar pelo arrendamento. Após a atualização dos valores previstos no contrato de arrendamento empregando os índices nele estabelecidos, entendeu a fiscalização que a soma dos valores pagos sob essa denominação ao Sr. Valdir Vilela são superiores àqueles amparados e devidos contratualmente. A diferença apontada, além de a obrigação contratual, foi de R$ 275.029,75 para o ano de 2008 e R$ 305.032,24 em 2009. Verificouse, com relação ao imóvel situado à Rua Itaiara, 301, Belford Roxo, que o instrumento contratual relativo ao arrendamento desse imóvel, onde funciona o Campus 1 da ABEU, datado de 28/4/1993, fixa o valor do arrendamento em 80 milhões de cruzeiros, reajustáveis de acordo com o índice de variação da Taxa Referencial Diária ou qualquer índice que venha a substituílo na hipótese de sua extinção. O termo de aditamento contratual de 4/2/2008 prorroga a vigência do contrato até 1/2/2023, silenciando em relação ao valor do arrendamento. Fl. 1964DF CARF MF 8 Os valores informados nos demonstrativos e nos Balancetes financeiros apresentados pelo contribuinte foram conciliados com os valores registrados na contabilidade (conta 210301 – Arrendamento a pagar) indicados no demonstrativo “Lançamentos contábeis a débito da conta Arrendamento a pagar e a crédito de Caixa ou Bancos” (fl. 153). Para apuração dos valores pagos a maior relativamente ao Campus 1, foram excluídos os valores pagos relativamente ao Campus 7. Foram juntados aos autos demonstrativos com os índices aplicados e as respectivas atualizações mês a mês (fls. 154/155) e elaborada tabela às fls. 114/115, apontando, por competência: o valor devido com base no que determina o contrato e aditivo devidamente reajustado, o valor bruto efetivamente pago e a diferença paga além da obrigação contratual. Concluiuse que os pagamentos desses valores, efetuados ao presidente Valdir Vilela, sem amparo no contrato de arrendamento a que se referem os registros contábeis, configuravam remuneração desse dirigente/administrador. Tal circunstância também configurou o descumprimento do requisito previsto na Lei nº 8.212/1991, artigo 55, inciso IV (vigente em relação ao período de 1/1/2008 a 9/11/2008 e de 12/2/2009 a 29/11/2009), na MP nº 446/2008, artigo 28, inciso II (vigente em relação ao período de 10/11/2008 a 11/2/2009) e na Lei nº 12.101/2009, artigo 29, inciso I (vigente a partir de 30/11/2009). d) Dos valores pagos a título de arrendamento do Campus 7 ao Sr. Valdir Vilela A entidade foi intimada (TIF nº. 02) a apresentar todos os contratos e aditivos relacionados ao arrendamento de imóveis do Sr. Valdir Vilela. Ainda, foi solicitado o contrato de arrendamento relativo ao imóvel onde funciona o Campus 7 da ABEU (referido nos demonstrativos e balancetes apresentados pelo contribuinte). O contribuinte não apresentou nenhum documento referente aos pagamentos efetuados ao presidente Sr. Valdir Vilela, que fossem relativos a arrendamento do imóvel situado na Av. Benjamim Pinto, 955, Belford Roxo (RJ), onde funciona o campus 7 (conforme consta em seus demonstrativos e balancetes). Foram apresentados apenas: escrituras de imóveis de Nilópolis, Belford Roxo e Nova Iguaçu, plantas dos imóveis, balancetes financeiros de 02/2008 e 03/2008 (que ainda não haviam sido entregues). Após ser novamente intimado, por meio do TIF nº 5, de 21/6/2012, a apresentar os contratos e aditivos referentes aos pagamentos realizados em 02/2008, e de 04/2008 a 12/2008, a título de arrendamento do imóvel do Campus 7, o sujeito passivo manifestouse em 28/6/2012, apontando que tais valores foram incluídos indevidamente nas bases de cálculo das importâncias pagas a título de arrendamento, mas que em 4/1/2011 esse erro foi corrigido pelo registro contábil na conta 11020202 como desconto dos valores a serem pagos posteriormente. Nessa ocasião, o contribuinte apresentou folha do Livro Razão que tratava dessa conta e folhas número 73 e 74 do Livro Diário nº 33, registrado no Cartório do 3º Ofício de Justiça de Belford Roxo, em 21/5/2012, sob os números 9431 e 9432, que refletiriam essas retificações. Constatouse, com base na contabilidade da entidade (conforme demonstrativo “Lançamentos contábeis a débito de arrendamento e a crédito de caixa ou bancos”, fl. 153) e com base nos balancetes financeiros (apresentados pelo contribuinte), que foram efetivamente pagos valores com o título de arrendamento de imóvel do Campus 7 (filial com final do CNPJ 001373), ao presidente Valdir Vilela, nas competências 02/2008, 04/2008, Fl. 1965DF CARF MF Processo nº 15563.720215/201294 Acórdão n.º 2401004.613 S2C4T1 Fl. 1.962 9 05/2008, 06/2008, 07/2008, 09/2008 e 10/2008. Esses pagamentos, com exceção dos realizados em 09/2008 e 10/2008, foram contabilizados de forma agrupada com os pagamentos/despesas de arrendamento do Campus 1. Concluiuse, por essa razão, que a retificação contábil informada pelo contribuinte referente aos pagamentos efetuados em 9/12/2008 (lançamento nº 203343 que seria referente a arrendamento em 09/2008) e em 17/2/2009 (lançamento nº 205817 que seria referente a arrendamento em 10/2008), e não atingiu a totalidade dos pagamentos realizados a Valdir Vilela, a título de arrendamento do imóvel, com base na receita do respectivo Campus 7. Além disso, constatouse que a retificação indicada foi concretizada somente após a intimação fiscal para apresentação dos documentos que embasaram tais pagamentos (termos contratuais e aditivos). Isso porque a ação fiscal se iniciou em 30/8/2011, e em 19/3/2012 o contribuinte foi intimado a apresentar os contratos de arrendamento do imóvel do campus 7, bem como os aditivos contratuais, mas não apresentou nenhum desses documentos. Novamente intimado, o sujeito passivo somente teria apresentado os esclarecimentos referidos em 28/6/2012. Contudo, embora os lançamentos contábeis retificados referidos datem de 4/1/2011, o acerto financeiro com o Sr. Valdir Vilela somente ocorreu em 15/5/2012 conforme demonstrariam os documentos de caixa apresentados em 9/7/2012, sendo que o Livro Diário com tais retificações somente teria sido registrado em 21/5/2012 (data posterior à intimação). Concluiuse que os valores creditados/pagos ao presidente da instituição,Sr. Valdir Vilela, com base na receita do Campus 7, referentes aos meses 02/2008, 04/2008,05/2008, 06/2008, 07/2008, 09/2008 e 10/2008, não são relativos à arrendamento de imóvel onde esse campus funciona, mas à remuneração a título de prólabore. Tal fato também representa o descumprimento do requisito para gozo de isenção das contribuições previdenciárias, conforme dispõe a Lei nº 8.212/1991, artigo 55, inciso IV, a MP nº 446/2008, artigo 28, inciso II, e a Lei nº 12.101/2009. Com relação ao ressarcimento de valores pagos ao presidente, segundo o que dispõe a IN RFB nº 971/2009, artigo 229, § 1º, inciso I, a isenção ficará suspensa desde o mês de ocorrência da remuneração até a efetiva reversão de recursos ao patrimônio da entidade (o que se deu em 21/5/2012). Tal dispositivo prevê ainda, que esse ressarcimento será reajustado com base no índice previsto no Regulamento da Previdência Social – RPS, artigo40, § 1º, o que não ocorreu. e) Utilização para fins particulares dos serviços prestados pela sociedade TCA TONELLI ASSESSORIA E ARQUITETURA LTDA. Segundo a fiscalização, o contribuinte, após ser intimado, apresentou notas fiscais emitidas pela sociedade TCA Tonelli Assessoria e Arquitetura Ltda. Pela análise dessas notas fiscais, o AFRFB constatou que todas tinham o mesmo histórico/descrição de serviços: "serviços de avaliações de imóveis". Em virtude da ausência de contrato escritos, foram emitidos os TIFs n. 08 e 09, de 17/7/2012 e 13/08/2012, respectivamente, solicitando os laudos/relatórios elaborados por empresas prestadoras de serviços, dentre as quais, a TCA Tonelli, que comprovassem a efetividade dos serviços. Em 05/09/2012 a entidade informou que a referida sociedade prestou serviços de avaliação de vários imóveis, e a título de exemplo, apresentou dois laudos, dentre eles, o Fl. 1966DF CARF MF 10 relativo ao imóvel situado na Rua Itaiara, nº. 301, Bairro das Garças, Belford Roxo/RJ )fls. 1329/1394), o qual não pertence à entidade, conforme se verificou pela análise dos registros efetuados em sua contabilidade e ativo imobilizado, pela apreciação das escrituras e das plantas (fl. 1395) e conforme relação de imóveis apresentados pelo contribuinte. Referido imóvel, que pertence ao Sr. Valdir Vilela e é arrendado para a ABEU, foi avaliado para fins de identificar o seu valor de mercado para compra e venda. Com vistas a identificar os imóveis objetos dos serviços prestados pela TCA Tonelli Assessoria, o contribuinte foi intimado, por meio do TIF nº. 12, de 02/10/2012, a apresentar cópias de todos os laudos de avaliação elaborados por essa sociedade e a apontar os custos de cada laudo, uma vez que nas notas fiscais consta a descrição genérica de "serviços de avaliação de imóveis". O sujeito passivo nada informou a respeito dos custos de cada laudo, tendo sido em razão dessa omissão, lavrado o AI DEBCAD 51.109.0979. Assim, a conclusão fiscal foi que o Sr. Valdir Vilela, presidente da ABEU, se utilizou, para atender a interesses particulares (avaliação de imóvel de sua propriedade), de serviços de avaliação de imóveis que foram custeados pelo contribuinte. Tal situação, verificada nas competências 06/2008, 07/2008, 08/2008, 03/2009, 04/2009 e 05/2009 (correspondentes aos meses de emissão das notas de serviços de avaliação pela TCA Tonelli), configura vantagem indireta a dirigente/administrador de natureza remuneratória (fato gerador de contribuições previdenciárias) e também representa o descumprimento de requisito para fruição de isenção previsto na Lei nº. 8.212/91, art. 55, inciso IV. Foram juntadas aos autos cópias de algumas notas fiscais emitidas contra o contribuinte por esses serviços (fls. 1323/1328). f) Utilização, para fins particulares, de veículo do contribuinte Intimado a apresentar as apólices de seguro referentes aos registros contábeis efetuados na conta “Seguros a vencer” e relativas diversos veículos, dentre os quais, o de placa LAX 6855 (conforme descritivo de fl. 194), o contribuinte apresentou a apólice de seguros nº 531.02.363.1837 (fls. 1.396/1.403) na qual constam a marca e o modelo do veículo e a finalidade do veículo: Mercedez Benz C280 Elegance 2.8 L6, ano 1995, placa LAX 6855, uso particular. Também constam no questionário de risco, contido na apólice, informações sobre o condutor e sobre a utilização do veículo, quais sejam: que o principal condutor é o Sr. Valdir Vilela, que o veículo não é utilizado como meio de transporte para o trabalho ou estudo, e que fica na garagem da residência do condutor. Pela análise dos lançamentos contábeis efetuados na conta Seguros, código 3408, verificouse a apropriação de despesas com seguros relativas ao veículo LAX 6855 durante todo o período fiscalizado. Constatouse que o veículo de propriedade do contribuinte ficou a disposição do Sr. Valdir Vilela, presidente da instituição, para uso particular durante todo o período fiscalizado. Concluise, que tal fato caracteriza remuneração in natura (fato gerador de contribuição previdenciária) e que ocorreu descumprimento de um dos requisitos para gozo de isenção das contribuições previdenciárias previsto na Lei nº 8.212/1991, artigo 55, inciso IV, na MP nº 446/2008, artigo 28, inciso II e na Lei nº 12.101/2009, artigo 29, inciso I. Foi juntado aos autos a cotação obtida na tabela FIPE (fl. 1.404) e a simulação efetuada no sítio na internet na empresa locadora de veículos Unidas que serviu para identificação do valor de locação de veículo modelo “econômico” (fl. 1.405). Fl. 1967DF CARF MF Processo nº 15563.720215/201294 Acórdão n.º 2401004.613 S2C4T1 Fl. 1.963 11 g) Utilização de interposta pessoa jurídica por gestores/integrantes do Conselho Técnico da ABEU a fim de auferir valores superiores de remuneração Segundo o Relatório Fiscal, após verificado com base nas informações prestadas em DIRF, que o contribuinte, mesmo intimado não havia apresentados todos os contratos e notas fiscais de prestação de serviços no período, foi realizada a intimação por meio do TIF nº. 02, a apresentar todos os contratos/notas fiscais/faturas e laudos relativos à prestação de serviços, dentre os quais, os referentes à empresa Parc Consultoria Empresaria Ltda., CNPJ nº 09.182.971/000174. Em relação a essa sociedade teriam sido identificados pagamentos efetuados pela ABEU no montante de R$ 474.256,67, em 2008, R$ 410.674,92, em 2009. O contribuinte apresentou o contrato de prestação de serviços (fls. 996/998) e parte das notas fiscais. No dia 17/7/2012, por meio do TIF nº 08, o sujeito passivo foi novamente intimado a apresentar os laudos/relatórios produzidos pela Parc Consultoria que comprovassem a efetividade dos serviços prestados e a esclarecer a contabilização de nota de número 24 emitida por essa empresa. Com relação a essa nota fiscal, teria havido o registro incorreto de uma operação que nunca existiu, o que acarretaria, também, na inexistência de despesa referente à indenização judicial cível no valor de R$ 25.727,71 que foi a contrapartida de parte do lançamento como despesa de consultoria. A Nota fiscal de nº 024 tem o valor de face de R$ 8.026,56. O contribuinte informou genericamente que, conforme contrato, essa empresa teria atuado em várias campanhas de marketing e solicitou (em 5/8/2012) a prorrogação de prazo para prestar os esclarecimentos acerca da contabilização na nota fiscal nº 24. Como o pedido de esclarecimentos e de apresentação de documentos efetuados por meio do TIF nº 08 não foi atendido, tal pedido foi reiterado por meio do TIF nº 09, de 13/8/2012. Em 20/8/2012, o contribuinte solicitou nova dilação de prazo e em 5/9/2012, manifestouse limitandose a repetir os esclarecimentos prestados em 5/8/2012 e aduzindo, com relação ao lançamento contábil relativo à contabilização da nota fiscal nº 24 por valor superior àquele constante no documento, que não teria conseguido identificar o motivo “da aparente duplicidade”, solicitando mais prazo. Assim, como o prazo para apresentação de documentos e esclarecimentos transcorreu sem o atendimento da intimação, o contribuinte foi autuado por meio do AI DEBCAD 51.019.0979 (AI CFL 35). Por meio de consultas aos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB (cópia impressa à fl. 1.267) foi verificado que a Parc Consultoria iniciou suas atividades em 31/10/2007 e tinha como sede o local situado na Rua Marechal Floriano Peixoto, 1.480, sala 327. Porém, verificouse que nesse endereço não havia o desenvolvimento de atividades dessa empresa. Foi encontrada apenas uma empregado do escritório de contabilidade, que, segundo ele, era responsável pela contabilidade da Parc Consultoria. Por essa razão, a intimação para diligência realizada nessa sociedade foi enviada para o endereço de um dos sócios da Parc, o Sr. Antônio Carlos de Santana Costa. Intimada, a Parc Consultoria apresentou contrato social e 1ª alteração contratual, Livro Razão, Talonário de notas fiscais emitidas em 2008 e 2009 e contrato de prestação de serviço com o contribuinte (fls. 996/1.008). Pela análise desses documentos constatouse que a sociedade prestou serviços apenas para o contribuinte. Não restou comprovada a efetiva prestação de serviços por essa pessoa jurídica. Além disso, pelo fato de Fl. 1968DF CARF MF 12 não terem sido apresentados os extratos bancários (pois apesar de ter movimentado R$ 708.659,51 em 2008 e R$ 306.087,08 em 2009 foi informado conforme documento de fl. 1.263 que a Parc não possuía conta em instituição financeira) não foi possível identificar a efetividade dos ingressos financeiros e as suas aplicações no empreendimento. Por meio dessa diligência constatouse que o quadro societário da Parc Consultoria, compôsse de exempregados da ABEU, conforme segue: Carlos Alberto de Oliveira, sócio administrador desde 31/10/2007 (readmitido em 1/4/2009), Paulo Roberto de Menezes Chaves, sócio administrador desde 31/10/2007 (readmitido em 1/6/2009), Antônio Carlos de Santana Costa, sócio administrador de 31/10/2007 a 21/7/2010 (readmitido em 1/4/2009, demitido em 1/3/2012 e novamente readmitido em 2/4/2012), e Célio de Oliveira Duarte, sócio administrador de 31/10/2007 a 21/7/2010 (integrante do quadro de empregados durante todo o período fiscalizado). Constatouse, ainda, que com exceção de Célio de Oliveira Duarte, os demais sócios voltaram a ser empregados da ABEU em 2009. Nos arquivos digitais, apresentados pelo contribuinte, relativamente ao período fiscalizado, consta que: de 04/2009 a 12/2009, o Sr. Antônio Carlos de Santana Costa foi remunerado como gestor do Campus 1, na Coordenação Administrativa; de 04/2009 a 12/2009, o Sr. Carlos Alberto de Oliveira foi remunerado como Gerente de Marketing na Assessoria de Comunicação; e de 06/2009 a 12/2009, o Sr. Paulo Roberto de Menezes Chaves foi remunerado como próreitor. Verificouse que o contador da sociedade Parc Consultoria, Arlindo de Oliveira Freitas, possui vínculo empregatício com o contribuinte, como Coordenador de Curso Superior, e foi remunerado como tal de 01/2008 a 06/2009; que houve o pagamento, registrado na contabilidade e declarado por meio de GFIP, de remuneração efetuada em 05/2009 no valor de R$ 10.384,02 a Paulo Roberto de Menezes Chaves como contribuinte individual; que tal consultoria foi remunerada exclusivamente pelo contribuinte (por meio de análise das DIRF da Parc); e que todos os rendimentos de pessoas físicas, declarados por ela somente se referem a pagamentos efetuados aos sócios. Por meio de pesquisa na internet localizouse o Jornal Conexão Uniabeu (cópia impressa às fls. 984/995) referente aos meses de julho e agosto de 2008 que relacionam ocupantes de cargo estratégico da ABEU, dentre eles, figuram os sócios da Parc, Antônio Carlos de Santana Costa, Carlos Alberto de Oliveira e Paulo Roberto de Menezes Chaves. Analisandose os registros contábeis do contribuinte identificouse a ocorrência de ressarcimentos de despesas a Paulo Roberto de Menezes Chaves, tendo sido elaborado o quadro à fl. 108 do relatório fiscal, discriminando esses lançamentos contábeis. Ao verificarse, por amostragem, os documentos de caixa do mês de 11/2008 (que continham comprovantes de despesas contabilizadas em 14/11/2008) constatouse que no documento de prestação de contas o Sr. Paulo Roberto Menezes Chaves se identifica (por meio de carimbo) e assina como próreitor de relações institucionais e que quase a totalidade dessas despesas é lançada em centro de custo específico da próreitoria. Em nota fiscal, emitida pelo Hotel Accor Brasil S. A. (fl. 1.019) contra o contribuinte, consta, como endereço eletrônico institucional registrado, àquele pertencente ao Sr. Paulo Roberto de Menezes Chaves (pmrc@abeu.com.br). O Sr. Paulo Roberto de Menezes Chaves foi responsável pelo relatório de atividades da ABEU apresentado à RFB em 30/4/2009. Em relação aos demais sócios da Parc Consultoria, foram identificados documentos de caixa nos quais constam rubricas/assinaturas e carimbos como fito de convalidar as operações efetuadas pela ABEU. Foi elaborado um quadro, às fl. 129/130, no Fl. 1969DF CARF MF Processo nº 15563.720215/201294 Acórdão n.º 2401004.613 S2C4T1 Fl. 1.964 13 qual constam algumas despesas realizadas pelo contribuinte relativas ao fornecimento de materiais, energia elétrica, água e com telefonia em que se verificou a atuação de Célio de Oliveira Duarte, Carlos Alberto de Oliveira e Antônio Carlos de Santana Costa. Analisandose as notas fiscais emitidas pela Parc contra o contribuinte percebeuse existir uma constância nos valores faturados, sendo de R$54.512,26 até 04/2009 e de R$ 9.782,00 a partir de 05/2009. A redução nos valores faturados guarda relação com a readmissão dos sócios da Parc nos quadros do contribuinte. Constatase que houve nos pagamentos nos meses de 11/2008, 12/2008 e 12/2009 um acréscimo dos valores habituais que corresponderia ao valor de mais de um mês de serviço a semelhança de pagamento de 13º salário. Somente houve variações nos valores de despesas com Parc no mês de 01/2008, em face da contabilização de despesa sem lastro (já que a nota nº 024 emitida pela Parc referida no registro contábil não alcança a quantia faturada), e nos meses de 06/2008 e 08/2008 já que a nota fiscal nº 66, emitida em 08/2008, foi contabilizada, equivocadamente, em 06/2008. Além disso, os valores pagos não guardam relação com os devidos conforme contrato firmado em 1/10/2007 (data anterior ao registro da Parc na JUCERJA, que ocorreu em 31/10/2007), cuja cláusula 4ª prevê o pagamento de R$ 32.000,00, no dia 10 de cada mês, sendo esse valor reajustado com base no índice INPC acumulado de março a fevereiro do ano subsequente. O objeto contratual é genérico: prestação de serviços e divulgação e apoio a eventos educacionais. Em função de todos esses fatos e tendo em vista que o contribuinte não conseguiu comprovar a efetividade dos serviços prestados pela pessoa jurídica Parc Consultoria, concluise que a prestação de serviços se deu pelos integrantes do quadro societário dessa sociedade e que o contrato firmado entre o contribuinte e essa empresa buscou apenas formalizar uma situação que não existia. Além disso, pelo fato dos sócios da Parc, durante o todo período fiscalizado, terem prestado serviços de forma pessoal, habitual, subordinada à ABEU e com onerosidade, considerouse que eles atuaram, em relação à ABEU, como segurados empregados. Tais circunstâncias também demonstram a utilização de interposta pessoa com o fito de ocultar a remuneração de segurados empregados. No estatuto social da ABEU consta como um dos órgãos da instituição,o Conselho Técnico, composto por pessoas indicadas pelo presidente, cujas atribuições estão indicadas no mesmo instrumento (artigo 46). Intimada a informar quem eram, durante o período fiscalizado, os integrantes desse conselho, a ABEU apresentou a Portaria GP nº 04/2008 pela qual foram nomeados os conselheiros. Consta ainda nessa portaria, artigo 4º, que tal função não deve ser remunerada. Dentre os conselheiros nomeados estão Paulo Roberto de Menezes Chaves e Antônio Carlos de Santana Costa. Formalmente, a partir de 04/2009, o conselheiro Antônio Carlos de Santana Costa também passou a integrar o quadro de empregados do contribuinte e o conselheiro Paulo Roberto de Menezes Chaves foi remunerado como autônomo em 05/2009 e retornou ao quadro de empregados da ABEU em 06/2009. Constatouse, com base nas folhas de pagamento apresentadas, que durante todo o período fiscalizado, os sócios da Parc Consultoria ABEU, não conselheiros, ocuparam cargos/funções na ABEU. Os conselheiros prestaram serviços, como se viu, durante parte do período fiscalizado, com interposição de pessoa jurídica. Foi elaborado demonstrativo (fl. 137) evidenciado a remuneração efetiva dos segurados apurada (coluna opção utilizada pela ABEU), considerandose os valores pagos em folha de pagamento e os valores pagos que foram formalizados por meio de emissão de nota Fl. 1970DF CARF MF 14 fiscal de serviços da Parc Consultoria. Nesse demonstrativo consta, ainda, a comparação entre opção remuneratória dos segurados sócios da Parc, efetivamente adotada pela ABEU (remuneração por meio de formalização da prestação de serviços da pessoa jurídica Parc Consultoria) e os valores de remuneração totais, caso não houvesse a formalização da prestação de serviços com a utilização de pessoa jurídica. Constatouse que com a utilização da Parc Consultoria, os segurados que integram essa sociedade, dentre os quais os conselheiros Antônio Carlos de Santana Costa e Antônio Carlos de Santana Costa, auferiram remuneração superior àquela contida nas folhas de pagamento. Para a fiscalização, tal situação configura o descumprimento de requisito para o gozo de isenção das contribuições previdenciárias previsto na Lei nº 8.212/1991, artigo 55, inciso IV, na MP nº 446/2008, artigo 28, inciso II e na Lei nº 12.101/2009, artigo 29, inciso I. h) Valores pagos a cooperativas de trabalho não declarados em GFIP Alega a fiscalização ter sido constatado, por meio das DIRFs que o sujeito passivo efetuou pagamentos a cooperativas de trabalho. Solicitada a apresentação dos contratos e das notas fiscais de cooperativas que lhe prestaram serviços, foram apresentados os documentos referentes à Unimed Nova Iguaçu Cooperativa de Trabalhos Médicos Ltda. e Uniodonto Nova Iguaçu. Assim, constatou a fiscalização que não foram declarados valores pagos a cooperativas de trabalho, o que representaria descumprimento de obrigação acessória estabelecida na Lei nº 8.212/1991, artigo 32, inciso IV, § 5º, combinado com o disposto no RPS, artigo 225, inciso IV, § 4º. Ainda, entendeu o AFRFB que o desatendimento de obrigação acessória (como no caso) representa o desatendimento de um dos requisitos para o gozo de isenção previsto na MP nº 446/2008, artigo 28, inciso XI (vigente de 10/11/2008 a 11/2/2009) e na Lei nº 12.101/2009, artigo 29, inciso VII (vigente a partir de 30/11/2009). i) Glosa de Bolsa Capacitação A fiscalização verificou nas folhas de pagamento a realização de pagamentos sob a rubrica "bolsa capacitação" que não foram considerados como salário contribuição. A ABEU foi intimada a esclarecer a natureza jurídica dessa rubrica, quem foram seus beneficiários e os critérios para seu pagamento. Em resposta o contribuinte apresentou a Portaria nº 200, de 2/2/2008 e um relatório com os beneficiários/valores das bolsas de 07/2008 a 12/2009. Conforme contido no artigo 1º, essa Portaria criou o Proape, que tem por objetivo fomentar a produção científica, tecnológica e as atividades de extensão universitárias docentes e discentes. No artigo 4º consta que para cada projeto aprovado, com parecer favorável pela instituição, será concedida uma bolsa no valor de R$ 1.500,00 referente à carga horária de trinta horas semanais para o desenvolvimento das atividades propostas. Para a fiscalização, como a bolsa conferida a docentes não se refere à educação profissional ou tecnológica e nem visa à educação básica dos empregados nos termos da Lei nº 9.394/1996 e sim remunerar o professor pelo acompanhamento extra dos projetos a serem desenvolvidos pelos alunos, concluise que tal valor, por ter natureza de contraprestação dependente de carga horária trabalhada, é fato gerador de contribuições previdenciárias e para outras entidades e fundos. Os valores de bolsas de capacitação consideradas e os respectivos beneficiários estão indicados no demonstrativo “Planilha valores pagos a título de bolsa capacitação” (fls. 156/170 e fls. 829/843). Fl. 1971DF CARF MF Processo nº 15563.720215/201294 Acórdão n.º 2401004.613 S2C4T1 Fl. 1.965 15 j) Glosa de SalárioFamília Foram também lançados valores referentes à glosa de saláriofamília pago a maior. Cientificado por meio de demonstrativo juntado aos TIF nº 01 e nº 08, dos casos de saláriofamília pagos a maior, o contribuinte apresentou documentos e esclarecimentos que, depois de confrontados com as folhas de pagamento, resultaram na elaboração de outro demonstrativo denominado “Glosa de saláriofamília” (fls. 173/183) que indica, por trabalhador, o motivo da glosa. i) Descumprimento de obrigação acessória AI CFL 68 Por ter enviado GFIP relativas às competências de 01/2008 a 11/2008, omitindo fatos geradores e contribuições previdenciárias, foi lavrado o AI CFL 68 DEBCAD37.306.4390. Em razão da infração praticada foi aplicada a multa de R$ 355.766,40, apurada conforme determina a Lei nº 8.212/1991, artigo 32, § 5º e no Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/1999, artigo 284, inciso II, e artigo 373. O valor da multa foi atualizado conforme Portaria Interministerial MPS/MF nº 2, de 6/1/2012, publicada no DOU de 9/1/2012. O cálculo da multa foi demonstrado às fls. 102/195. Em razão das alterações efetuadas pela Medida Provisória nº 449/2008 na Lei 8.212/1991, foi efetuado o comparativo (fl. 151) entre os valores apurados seguindose a legislação anterior à edição da MP e a posterior, com vistas a aplicar aquela mais favorável ao contribuinte, conforme dispõe o CTN, artigo 106, inciso II, alínea “c”. Por essa razão foi aplicada a multa apurada conforme a legislação de regência em todas as competências de 01/2008 a 11/2008. Intimado em 13/01/2014 (fl. 1767) do Acórdão nº. 0251.918 da 8ª Turma da DRJ/BHE (1719/1741), o contribuinte apresentou tempestivamente em 10/02/2014, via postal (fls. 1952/1954), o seu recurso voluntário (fls. 1777/1911), onde alega as razões a seguir reproduzidas, visando combater os fatos alegados pelo AFRFB no Relatório Fiscal de fls. 101/152. 1) Da imunidade tributária Defenda a imunidade tributária, seus fundamentos, finalidades. Afirma que a regulamentação da imunidade, nos termos que dispõe a CF, artigo 146, se dá pelo disposto nos artigos 9 e 14 do CTN. Apresenta considerações sobre o direito constitucional à educação, sobre o papel do Estado e a participação das entidades de assistência social para viabilização desse direito. Alega que promove assistência social prestando serviços de educação, concedendo bolsas de estudos integrais. Que não recebe doações ou subvenções, que aplica integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais, que aplica integralmente suas rendas e recursos no território nacional. Que não distribui lucros, dividendos, bonificações, participações ou parcelas do seu patrimônio sob alguma forma ou pretexto, que não recebem seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores, benfeitores ou equivalentes, remuneração, vantagens ou benefícios, por qualquer forma ou título, em razão das competências ou atividades que lhes são atribuídas pelo respectivo estatuto social, que mantém escrituração contábil formalizada de acordo com a legislação específica e como os princípios fundamentais da contabilidade. Fl. 1972DF CARF MF 16 2) Do direito adquirido ao gozo da isenção A recorrente goza de direito adquirido oriundo da declaração de isenção por atender os requisitos pretéritos sob o manto da Lei nº. 3.577/59. A não apresentação do requerimento citado não encontrase elencado nos incisos I, II, III, IV e V do art. 55 da Lei nº. 8.212/91 que disciplina os requisitos a serem observados. O § 1º do art. 55 da Lei nº. 8.212/91, revogado pela Lei nº. 12.101/2009, não recepcionou a exigência do requerimento de isenção à previdência social. Assim, aplicase a retroatividade benigna da norma conforme preceitua o art. 106 do CTN. Por ocasião do procedimento fiscal a recorrente encontravase legitimamente detentora do CEBAS em vigor e portanto em pleno gozo da imunidade tributária. Débitos anteriores, apontados como existentes, estavam submetidos ao REFIS a ensejar a conceituação de situação regular perante às contribuições previdenciárias, conforme se comprovou pelas CND´s acostadas aos autos. No período de 01/2008 a 12/2009 a recorrente não tinha débitos, uma vez que todos os débitos desde o exercício de 2007, bem como os encargos sociais, encontramse totalmente quitados. Os encargos previdenciários referentes ao período de 2005 a 2006 foram satisfatoriamente regularizados mediante o parcelamento enfocado a culminar com as Certidão Positiva com Efeitos de Negativa colacionada (fls. 1950/1951). Ainda, destaca a imunidade tributária concedida às entidades de ensino sem fins lucrativos de caráter beneficente e assistencial revestese de uma grande troca social: o contribuinte recebe a isenção, mas em contrapartida concede bolsas de estudo à universalidade de alunos carentes. O elemento nuclear, qual seja, as bolsas de ensino, foram integralmente cumpridas pela recorrente. Não foi encontrada qualquer irregularidade a respeito. Algumas e eventuais falhas de informações e registros, sem maiores significações, não podem dar azo a tão pesadas sanções. Pagarseão multa por alguns deslizes leves sem maiores consequências. 3) Dos valores pagos a título de arrendamento do Campus I e Campus 7 ao presidente Valdir Vilela Ficou cabalmente demonstrado a seguinte antítese: por mais de sessenta anos, a recorrente figura como locatário dos imóveis de propriedade de Valdir Vilela. Posteriormente, após os arrendamentos, a relação jurídica evoluiu para o contrato de direito de superfície a ensejar a transferência do direito de propriedade com todos os reflexos do cânon que não pode ser amalgamado com "vantagens ou benefícios a qualquer título". As vantagens auferidos por Valdir Vilela (proprietário) foram a título de legítima contraprestação pela concessão do direito de superfície à recorrente. Os valores (crédito/débito) sofrem as mutações constantes a título de ALugueis/Alugueis a Receber. 4) Da utilização para fins particulares dos serviços prestados pela TCA Tonelli Assessoria e Arquitetura Fl. 1973DF CARF MF Processo nº 15563.720215/201294 Acórdão n.º 2401004.613 S2C4T1 Fl. 1.966 17 Consiste no pagamento pelos serviços de avaliação de imóveis que foram objeto de atualização para efeitos patrimoniais, visando a lavratura de escritura pública com vistas à transferência das propriedades (direito de superfície). Quem recebeu os valores correspondentes obviamente foi aquela empresa. O dirigente Valdir Vilela que nada recebeu a respeito não pode alcançar qualquer tipo de vantagens, se essas, ao reverso, foram obtidas exclusivamente pela ABEU. 5) Da utilização para fins particulares de veículo da ABEU Não é verdadeira a firmação da fiscalização de que o Sr. Valdir Vilela é o principal condutor. O condutor do veículo é motorista profissional, funcionário da recorrente. O veículo é utilizado para transporte de diretores, professores, autoridades, palestrantes, conferencistas, congressistas, líderes políticos e, sobretudo, para a locomoção de fiscais do MEC que se deslocam funcionalmente de longínquas localidades até a Baixada Fluminense para vistoria, exame, visitas técnicas, entre outros que se operam comumente in loco em todos os campus do centro universitário por meio de comissão técnica do MEC. A declaração do principal condutor, constante da apólice de seguro, devese ao fato da redução do prêmio em virtude do perfil do responsável maior. É óbvio que a apólice reclama a designação de uma das pessoas que irá utilizar o veículo. Não pode recair sobre terceiros ou usuários de hierarquia inferior a da presidência da instituição conforme se configura lógico. A recorrente possui personalidade jurídica abstrata. É uma ficção jurídica. Ela não conduz veículos. 6) Da utilização de interposta pessoa jurídica por gestores/integrantes do conselho técnico da ABEU Foi comprovada a relação jurídica entre PARC e ABEU, mediante contrato social, contrato de locação, notas fiscais emitidas etc. Os sócios da prestadora de serviços específicos de marketing também são empregados da recorrente ao exercerem funções outras (gestão de unidade de ensino, pró reitoria, gerência de marketing). Os sócios da Parc e outros profissionais técnicos integram o Conselho Técnico da ABEU, sem qualquer remuneração pertinente conforme constatado pela própria auditoria fiscal. Entre os sócios da Parc e o Conselho Técnico não existem dirigentes, diretores, conselheiros, sócios, instituidores etc. A questão da simulação (art. 9º da CLT) somente poderá ser dirimida na esfera especializada judicial trabalhista, conforme competência material prevista na Constituição Federal. Há absoluta ausência de dirigentes porquanto atuaram pessoas envolvidas na qualidade de empregados; sócios da Parc e conselheiros integrantes do Conselho Técnico que não recebem remunerações correspondentes, são condições que não acarretam qualquer violação ao requisito previsto no artigo 5, IV, da Lei nº. 8.212/91. 7) Dos valores pagos às Cooperativas de trabalho Fl. 1974DF CARF MF 18 Os valores foram efetivamente pagos e, portanto, a não informação em GFIP, infringência de obrigação acessória, não pode ser migrada para a obrigação principal inexistente. Tal fato não se enquadra em momento algum em "vantagens ou benefícios a qualquer título" a diretores, conselheiros etc. Os tributos pertinentes foram satisfeitos pelos pagamentos. 8) Da bolsa capacitação A bolsa de capacitação profissional concedida aos docentes se corresponde à salário ou não cingese no âmbito do direito do trabalho e não pode ter repercussão sob qualquer pretexto envolvendo descumprimento do inciso IV da Lei nº. 8.212/91, até porque professores favorecidos não são dirigentes. A bolsa capacitação sob exame não tem natureza salarial e por isso não podia ser incluída na base de cálculo para fins de contribuição social, não sendo informada na GFIP por isso. Não se trata na espécie de salário in natura como deixa entrever a fiscalização, haja vista que os valores pagos a tais títulos tem o condão de contribuir com a formação profissional do docente. 9) Do saláriofamília A recorrente informou à fiscalização que quando o empregado tem seu labor em duas ou mais unidades para efeito de salário família devem ser somadas, visando aferir a base de cálculo. Inexistente cogitarse sobre lançamentos de diferenças pagas a maior a tal título. Assim sendo, a recorrente tivera cautela de promover o pagamento do salário família na unidade onde a remuneração atingia o valor legal, sem qualquer acréscimo, pois por intuitivo a recorrente não estaria desfrutando de qualquer vantagem. Quanto aos valores glosados, é a própria auditoria, ao admitir que o pagamento respectivo se efetivou na unidade quando atingia o valor legal e assim não há que ser mantidos os valores referentes a salário família glosados. É o relatório. Fl. 1975DF CARF MF Processo nº 15563.720215/201294 Acórdão n.º 2401004.613 S2C4T1 Fl. 1.967 19 Voto Vencido Conselheiro Carlos Alexandre Tortato Relator Admissibilidade O recurso voluntário é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade. Mérito 1. Do Gozo da Isenção e/ou Imunidade Tributária (vigência do art. 55 da Lei nº. 8.212/91 e da MP 446/2008) O presente lançamento reportase aos fatos geradores que abrangem as competências de 01/2008 a 13/2008, assim, os requisitos e condições para o gozo da isenção são disciplinados pelos instrumentos legais conforme já mencionado pela fiscalização no seu TVF, sendo esse o mesmo critério a ser utilizado no presente voto: Lei nº 8.212/1991 (aplicável em relação às competências de 01/2008 a 10/2008 e de 02/2009 a 10/2009) e MP nº 446/2008 (aplicável em relação às competências de 11/2008 a 01/2009). A Lei nº. 8.212/91, com vigência entre 25/07/1991 a 09/11/2008 e de 12/02/2009 a 29/11/2009, cuja redação é a seguinte: Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente: [...] IV não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração e não usufruam vantagens ou benefícios a qualquer título; [...] § 1º Ressalvados os direitos adquiridos, a isenção de que trata este artigo será requerida ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, que terá o prazo de 30 (trinta) dias para despachar o pedido. [...] §6 A inexistência de débitos em relação às contribuições sociais é condição necessária ao deferimento e à manutenção da isenção de que trata este artigo, em observância ao disposto no § 3º do art. 195 da Constituição. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.18713, de 2001). (grifo nosso) Já a MP 446/2008 teve sua vigência em relação ao período de 10/11/2008 a 11/02/2009), e possuía a seguinte redação: Fl. 1976DF CARF MF 20 Art. 28. A entidade beneficente certificada na forma do Capítulo II fará jus à isenção do pagamento das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, desde que atenda, cumulativamente, aos seguintes requisitos: [...] II não percebam, seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração, vantagens ou benefícios, direta ou indiretamente, por qualquer forma ou título, em razão das competências, funções ou atividades que lhes sejam atribuídas pelos respectivos atos constitutivos; [...] VI apresente certidão negativa ou certidão positiva com efeito de negativa de débitos relativos aos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil e à dívida ativa da União, certificado de regularidade do Fundo de Garantia do Tempo de ServiçoFGTS e de regularidade em face do Cadastro Informativo de Créditos não Quitados do Setor Público Federal CADIN; [...] XI cumpra as obrigações acessórias estabelecidas na legislação tributária; e [...] Art. 30 O direito à isenção das contribuições sociais poderá ser exercido pela entidade a contar da data da sua certificação pela autoridade competente, desde que atendidas as disposições da Seção I deste Capítulo. (grifo nosso) Art.31. Constatado o descumprimento pela entidade dos requisitos indicados na Seção I deste Capítulo, a fiscalização da Secretaria da Receita Federal do Brasil lavrará o auto de infração relativo ao período correspondente e relatará os fatos que demonstram o nãoatendimento de tais requisitos para o gozo da isenção. §1º O lançamento terá como termo inicial a data da ocorrência da infração que lhe deu causa. (grifo nosso) Assim, pela análise preliminar da legislação vigente, teríamos que em relação ao período de 01/2008 a 10/2008, a entidade não seria isenta por sua própria natureza, mesmo que atendesse aos requisitos do artigo 55 da Lei nº. 8.212/91. O regramento vigente exigia que a entidade além de cumprir os requisitos, fizesse requerimento expresso para ser atestada tal condição, sendo que, se deferido, produziria efeitos a partir da data do protocolo do pedido. Segundo a recorrente, bastaria ser entidade beneficente de assistência social para não sofrer a incidência das contribuições previdenciárias por força da disposição constitucional (CF art. 146). Também, pela disposição do artigo 14 do CTN, também já lhe estaria conferida referida condição. Fl. 1977DF CARF MF Processo nº 15563.720215/201294 Acórdão n.º 2401004.613 S2C4T1 Fl. 1.968 21 Nesse ponto, a análise dos argumentos apresentados pelo recorrente merece ser divida em três subtópicos, quais sejam: da sua condição de imune/isenta por expressa disposição constitucional; da exigência do requisito de requerimento de gozo da isenção (§ 1º do art. 55 da Lei nº. 8.212/91) e do direito adquirido ao gozo da isenção por força do Decreto Lei nº. 1.572/77. Vejamos. 1.1. Da imunidade/isenção por disposição constitucional A Constituição Federal dispõe acerca da imunidade das contribuições para a seguridade social, nos termos do § 7º do art. 195 da Constituição Federal: Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: (...) § 7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei. (grifei) Em que pese o texto se utilizar do termo "isenção", não há maiores discussões quanto a verdadeira natureza de imunidade do comando constitucional. Todavia, ainda que por se tratar de imunidade, não significa que haja inconstitucionalidade (do próprio texto constitucional) por sr incumbido à lei a tarefa de detalhar os requisitos a serem atendidos pelas entidades beneficentes de assistência social a fim de usufruírem do benefício. Assim, dado o comando do legislador constituinte, cabe sim ao legislador infraconstitucional dispor acerca das regras e requisitos para tal fruição, como mencionado. E, eventuais discussões acerca da medida legal cabível para tal (se lei complementar, lei ordinária) não têm o condão de produzir efeitos no presente processo administrativo, ao passo que é defeso a este Conselho, afastar a aplicação ou deixar de observar lei sob o fundamento de inconstitucionalidade, como pleiteia o recorrente em seu recurso voluntário. Eis a redação da Súmula CARF nº. 02: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. E, destaquese, ainda, que o próprio Supremo Tribunal Federal, no julgamento do Recurso Extraordinário nº. 636.941/RS, sob relatoria do Ministro Luiz Fux, julgado na sistemática da repercussão geral (art. 543B do CPC vigente à época) reafirmou o entendimento daquela Corte constitucional no sentido de que lei ordinária pode regulamentar os requisitos formais sobre a constituição e o funcionamento das entidades que postulem usufruir da imunidade prevista no § 7º do art. 195 da CF. Para melhor didática, eis o excerto do referido acórdão: Fl. 1978DF CARF MF 22 15. A Suprema Corte, guardiã da Constituição Federal, indicia que somente se exige lei complementar para a definição dos seus limites objetivos (materiais), e não para a fixação das normas de constituição e de funcionamento das entidades imunes (aspectos formais ou subjetivos), os quais podem ser veiculados por lei ordinária, como sois ocorrer com o art. 55, da Lei nº 8.212/91, que pode estabelecer requisitos formais para o gozo da imunidade sem caracterizar ofensa ao art. 146, II, da Constituição Federal, ex vi dos incisos I e II, verbis: Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente: (Revogado pela Lei nº 12.101, de 2009) I seja reconhecida como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal; (Revogado pela Lei nº 12.101, de 2009); II seja portadora do Certificado e do Registro de Entidade de Fins Filantrópicos, fornecido pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos; (Redação dada pela Lei nº 9.429, de 26.12.1996). (grifei) Assim, rejeito as alegações trazidas no recurso voluntário de que a condição de isenção/imunidade do recorrente adviria diretamente do texto constitucional sendo, assim, necessário sim o atendimento aos requisitos e condições estabelecidos pelo legislador ordinário. 1.2. Da exigência do § 1º do art. 55 da Lei n. 8.212/91 Nos termos do entendimento do AFRFB, a recorrente não faria jus a isenção por (dentre outros motivos) não ter apresentado requerimento do gozo de isenção nos termos do § 1º do art. 55 da Lei nº. 8.212/91. Primeiramente, importante destacar que referida exigência fora revogada quando da promulgação da Lei nº. 12.101/2009, que data de 30/11/2009, e o presente processo administrativo fiscal ofereceu ciência ao contribuinte das autuações já no anocalendário de 2012 (portanto, na vigência da Lei nº. 12.101/2009). A Lei nº. 12.101/2009 revogou a disposição do § 1º do art. 55 da Lei nº. 8.212/91, não sendo mais exigível para as entidades de assistência social, por exemplo, que realizassem um requerimento de pedido de isenção ao INSS. No presente caso, como reconhecido pelo próprio AFRFB, a recorrente apresentou o CEBAS Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social concedido pelo Conselho Nacional de Assistência Social, porém não atendeu a já mencionada exigência do § 1º do art. 55 da Lei nº. 8.212/91. Como já mencionado anteriormente, a autoridade fiscal justificou a presente autuação com base nos dispositivos legais vigentes à época dos fatos geradores abrangidos no presente lançamento. Todavia, entendo que, na análise da exigência específica, importante a observância do disposto no art. 106, II, do CTN: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; Fl. 1979DF CARF MF Processo nº 15563.720215/201294 Acórdão n.º 2401004.613 S2C4T1 Fl. 1.969 23 b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.(grifamos) No presente caso, o § 1º do art. 55 exigia a formalidade de que só poderiam gozar do benefício da isenção quem protocolasse requerimento com essa pretensão junto ao INSS. Posteriormente, tal dispositivo fora revogado, sendo inconteste que a novel legislação apresentavase mais favorável ao contribuinte, ainda que ocorridos fatos geradores na vigência da lei revogada, devendo assim ser aplicada a retroatividade benigna da nova norma. Ressaltese que a Lei nº. 12.101/2009 revogou a exigência do requerimento específico, entendolhe absolutamente dispensável, sem contudo alterar ou revogar outras exigências que continuaram previstas. Simplesmente revogouse a exigência do § 1º do art. 55 e esta não fora substituída por nenhuma outra. Assim, entendo que não deverá ser imputada à recorrente a impossibilidade do gozo de isenção por infração ao disposto no § 1º do art. 55 da Lei nº. 8.212/91, posto que esta encontravase revogada quando da lavratura dos presentes autos de infração. No mesmo sentido, demonstro o entendimento de turmas julgadoras deste Conselho, em julgados realizados pelo voto da maioria, onde restaram vencidos somente o relator em cada um dos casos abaixo relacionados: CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. ISENÇÃO. NÃO APRESENTAÇÃO DE ATO DECLARATÓRIO DE ISENÇÃO JUNTO AO INSS NOS TERMOS DO § 1° DO ART. 55 DA LEI 8.212/1991. A Recorrente foi autuada sob o fundamento de que, apesar de reconhecidamente de natureza filantrópica, não atendeu a formalidade prevista no § 1° do art. 55 da Lei 8.212/1991, segundo a qual a entidade deveria protocolar pedido de isenção junto ao INSS, a ser apreciado em 30 (trinta) dias e, somente a partir do deferimento, estaria alcançada pela isenção. DISPOSITIVO REVOGADO À ÉPOCA DA AUTUAÇÃO. APLICAÇÃO DO ART. 106, II, DO CTN. RETROATIVIDADE DE NORMA SE MAIS BENÉFICA AO CONTRIBUINTE. O art. 55 da Lei 8.212/1991, à época da autuação, já se encontrava revogado pela Lei 12.101/2009. A partir da revogação e com a nova redação dada à matéria em questão, passouse a desconsiderar a indispensabilidade do requerimento previsto pelo §1°. Apesar de a autoridade fiscal ter justificado a autuação por terem os fatos geradores ocorrido quando da vigência do dispositivo, patente a observância do quanto disposto no art. 106, II, do Código Tributário Nacional (CTN). Uma vez revogado o §1° do art. 55 da Lei 8.212/1991, ainda que Fl. 1980DF CARF MF 24 ocorridos supostos fatos geradores quando de sua vigência, se a nova disposição legal for mais favorável ao contribuinte, possível a aplicação retroativa da nova norma. Portanto, ante a inexistência na norma vigente de previsão que imponha procedimento de formalidade junto ao INSS para fins de gozo da isenção, aplicase ao caso o quanto dispõe o art. 106, II, do CTN. (CARF, Acórdão nº. 2402004.672, 2ª T.O., 4ª Câm., 2ª Seção. Sessão de 11/03/2015. Red. designado Ronaldo de Lima Macedo) CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. ISENÇÃO. APRESENTAÇÃO DO CEBAS NÃO ACOMPANHADO DE ATO DECLARATÓRIO DE ISENÇÃO JUNTO AO INSS NOS TERMOS DO § 1° DO ART. 55 DA LEI N° 8.212/91. A Recorrente é entidade portadora do CEBAS Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social que sofreu autuação sob o fundamento de que, apesar de reconhecidamente de natureza filantrópica, não atendeu a formalidade prevista no § 1° do art. 55 da Lei n° 8.212/91, segundo a qual a entidade deveria protocolar pedido de isenção junto ao INSS, a ser apreciado em 30 (trinta) dias e, somente a partir do deferimento, estaria esta alcançada pela isenção. DISPOSITIVO REVOGADO À ÉPOCA DA AUTUAÇÃO. APLICAÇÃO DO ART. 106, II, DO CTN. RETROATIVIDADE DE NORMA SE MAIS BENÉFICA AO CONTRIBUINTE. O art. 55 da Lei n° 8.212/91, à época da autuação, já se encontrava revogado pela Lei n° 12.101/09. A partir da revogação e com a nova redação dada à matéria em questão, passouse a desconsiderar a indispensabilidade do requerimento previsto pelo §1°. Apesar de a autoridade fiscal ter justificado a autuação por terem os fatos geradores ocorrido quando da vigência do dispositivo, patente a observância do quanto disposto no art. 106, II, do Código Tributário Nacional. Uma vez revogado o dispositivo, ainda que ocorridos supostos fatos geradores quando de sua vigência, se a nova disposição legal for mais favorável ao contribuinte, possível a aplicação retroativa da nova norma. Portanto, ante a inexistência na norma vigente de previsão que imponha procedimento de formalidade junto ao INSS para fins de gozo da isenção, aplicase ao caso o quanto dispõe o art. 106, II, do CTN. CERTIFICADO DE ENTIDADE BENEFICENTE. ATO DECLARATÓRIO. EFEITO EX TUNC. Analisando a lógica imposta tanto pela previsão constitucional de imunidade quanto pela Lei n° 12.101/09, não se pode chegar a conclusão distinta daquela no sentido de que a concessão do CEBAS é ato meramente declaratório da condição da entidade e, em assim sendo, possua efeitos ex tunc. Neste sentido o Superior Tribunal de Justiça pacificou entendimento. Citese como exemplo o julgamento do REsp n° 768.889/DF, de relatoria do Min. Castro Meira. Assim, considerando o quanto disposto no art. 106, II, do Código Tributário Nacional, bem como os efeitos retroativos concedidos ao CEBAS, voto pelo conhecimento e provimento do Recurso Voluntário, para reconhecer que a entidade Recorrente encontravase alcançada pela imunidade/isenção de contribuições previdenciárias. (CARF, Acórdão nº. 2402 003.247, 2ª T.O., 4ª Câm., 2ª Seção. Sessão de 22/01/2013. Red. designado Thiago Taborda Simões) Fl. 1981DF CARF MF Processo nº 15563.720215/201294 Acórdão n.º 2401004.613 S2C4T1 Fl. 1.970 25 Assim, para todo o período de apuração 1abrangido pelos lançamentos do presente processo administrativo fiscal (01/01/2008 a 13/2008), afasto o lançamento com fulcro na ausência de cumprimento do requisito do § 1º do art. 55 da Lei nº. 8.212/91, por força da retroatividade da Lei nº. 12.101/2009 c/c art. 106, II, do CTN. Em que pese o entendimento apresentado acima, esta r. turma julgadora entendeu de forma diversa, sendo o posicionamento vencedor o de que se exige, sim, a a requisição de isenção perante a Receita Federal do Brasil, nos termos do § 1º do art. 55 da Lei nº. 8.212/91, o qual poderia ser dispensado pelo entendimento deste relator, conforme razões acima. Dessa maneira, por força regimental, cabe a simples menção ao entendimento vencedor, já que para este, independentemente da apresentação ou não do requerimento de isenção, a mera dispensa deste por força da retroatividade da Lei nº. 12.101/2009 c/c art. 106, II, do CTN, não teria o condão de oferecer à recorrente o gozo da isenção ante o fato de serem vários os requisitos que devem ser cumpridos, de forma cumulativa. Portanto, em virtude do não cumprimento de outros requisitos, os quais serão apontados inclusive por este relator, entendeu a r. turma julgadora por afastar o entendimento apresentado no presente tópico, o qual não terá o condão de alterar o resultado do presente julgamento, nos termos do voto deste relator. 1.3. Do direito adquirido ao gozo da isenção A recorrente alega possuir direito adquirido, nos termos do DecretoLei nº. 1.572/1977 (DOU 01/09/1977), assim disposto: Art. 1º Fica revogada a Lei nº 3.577, de 4 de julho de 1959, que isenta da contribuição de previdência devida aos Institutos e Caixas de Aposentadoria e Pensões unificados no Instituto Nacional de Previdência Social INPS, as entidades de fins filantrópicos reconhecidas de utilidade pública, cujos diretores não percebam remuneração. § 1º A revogação a que se refere este artigo não prejudicará a instituição que tenha sido reconhecida como de utilidade pública pelo Governo Federal até à data da publicação deste Decreto lei, seja portadora de certificado de entidade de fins filantrópicos com validade por prazo indeterminado e esteja isenta daquela contribuição. (grifo nosso) A recorrente, e a própria fiscalização, reconhecem (fls. 849/851 e fl. 1.575) que a ABEU foi reconhecida como sendo de utilidade pública federal em 02/10/1981 (DOU 05/10/1981), ou seja, posterior a publicação do DecretoLei acima reproduzido. Nesse contexto, não há que se admitir o reconhecimento de isenção da recorrente por direito adquirido com base nas disposições do DecretoLei nº. 1.572/1977 (DOU 01/09/1977), posto que a recorrente teve o seu reconhecimento como entidade de Utilidade Pública Federal somente no ano de 1981, ou seja, posterior ao referido Decreto. 2. Da existência de débitos exigíveis e a ausência de CND ou CPDEN Fl. 1982DF CARF MF 26 Nos termos da fiscalização, o contribuinte estaria em débito em todo o período fiscalizado, tendo reiteradamente indeferidos os pedidos de CND. As fls. 105/109 a fiscalização discriminou os motivos, os quais reproduzimos: Fl. 1983DF CARF MF Processo nº 15563.720215/201294 Acórdão n.º 2401004.613 S2C4T1 Fl. 1.971 27 Assim, com base nas informações contidas, entendeu a fiscalização que estaria infringido o § 6º do art. 55 da Lei nº. 8.212/91, que exige a inexistência de débitos para manutenção da isenção. No tocante à MP 446/2008, estaria infringido o art. 28, VI, que exige a certidão negativa ou positiva com efeitos de negativa para fazer jus à isenção. Já na vigência da Lei nº. 12.101/2009, estaria infringido o disposto no art. 29, III, que exige para a isenção a apresentação de CND e CPDEN. O RPS (Decreto 3.049/1999), art. 206, VII, exige a "situação regular em relação às contribuições sociais". Pois bem. A recorrente apresentou CPDEN (fl. 1950) em seu recurso voluntário, datada de 20/01/2014, e já constava em sede de impugnação a CPDEN de fls. 1577/1580 (datada de 14/10/2009). Assim, não fora apresentada prova cabal da inexistência de débitos no período compreendido entre 01/2008 a 13/2009 (ou até o pedido de processamento da CND de fls. 1293/1297 datada de 16/03/2009), já que o recorrente afirma ter incluído eventuais débitos existentes (sem mencionar os seus períodos) no REFIS da Lei nº. 11.941/2009. O que alega o recorrente é que tal exigência seria requisito para a concessão de isenção, ao passo que faz jus à imunidade. Todavia, conforme se infere dos documentos de fls. 1278/1322, a recorrente possuía sim débitos em aberto no período abrangido pelo presente lançamento, os quais se referiam tanto a períodos anteriores quanto ao próprio anocalendário de 2008. O mesmo entendimento se aplica ao período de vigência da MP nº. 446/2008 (11/2008 a 01/2009), posto que não apresentada CND ou CPDEN referente a este período. Isto posto, ante a inexistência de provas que comprovem a ausência de débitos da entidade nos períodos em análise, verificase a infração aos dispositivos legais supramencionados e a procedência do lançamento quando ao descumprimento do requisito específico. 3. Da utilização de veículo da entidade por dirigente para fins particulares Conforme relatado, a acusação fiscal baseiase na verificação das apólices de seguro do veículo de placa LAX 6855 para determinar que tratase de uso particular por dirigente da entidade. Ora, em que pesem as razões apresentadas pela fiscalização, entendo que estas não são suficientes para atestar o uso do veículo para fins particulares pelo Sr. Vilela. Eventuais formalidades na elaboração da apólice do seguro não são provas cabais de tal afirmação, do mesmo modo que não seria caso fosse o contrário: e se não estivesse o Sr. Vilela na apólice, isto seria fundamento para afirmar que ele não era o condutor? No caso específico, entendo que a fiscalização deixou de efetivamente produzir provas a respeito de suas alegações, o que, nos parece, carece de comprovação e, via Fl. 1984DF CARF MF 28 de consequência, não deve prosperar a alegação de remuneração indireta, razão pela qual tal alegação deve ser afastada do lançamento. 4. Dos valores pagos a título de arrendamento de imóveis ao Sr. Valdir Vilela No tocante à acusação de pagamento de remuneração indireta ao Sr. Valdir Vilela, mediante a alegação de se tratar de arrendamento de imóveis utilizados pela entidade, entendo que o contribuinte apresentou suas alegações que, embora factíveis, carecem de comprovação fática e documental suficiente. Nada há de ilegal que determinada pessoa física alugue/arrende imóveis a determinada instituição de ensino, mesmo que aquela seja um dos seus fundadores ou atual presidente. Ocorre que, justamente por se tratar de uma entidade que se identifica como de assistência social, tais cuidados deveriam ser potencializados para se evitar, justamente, acusações como a presente. Entendo que no presente caso, confrontando as demonstrações da recorrente e da acusação fiscal, correto o lançamento na parte excedente ao que estipulado previamente em contrato. Não vejo problemas em serem realizados pagamentos a título de aluguel e ou arrendamento vinculados ao faturamento da instituição ou da atividade exercida no referido imóvel, todavia, tais disposições devem ser claramente dispostas em contratos, com cláusulas claras e práticas a nível normal das práticas de mercado. Não sendo essa a situação verificada nestes autos, entendo que deve ser considerado procedente o lançamento quanto aos valores pagos referente aos alugueis/arrendamentos dos imóveis de Campus 1 e 7. 5. Da remuneração indireta de dirigente por serviços prestados à ABEU pela TCA Tonelli Segundo a acusação fiscal, serviços prestados pela referida empresa, especificamente "avaliações de imóvel", seriam na verdade em benefício do presidente da instituição, Sr. Valdir Vilela, ao passo que as avaliações realizadas foram em face de imóveis de propriedade deste. As avaliações realizadas, conforme apontadas, para identificar o valor de mercado para compra e venda dos respectivos imóveis, necessariamente não significam que se dão em benefício do seu proprietário. Ora, avaliação de imóvel pode ser solicitada por um proprietário de um imóvel, por um terceiro interessado, ou por um terceiro que, ainda que não interessado no imóvel analisado, pode estar em busca de informações do valor de imóveis situados na região específica. Por se tratar, no caso, da instituição de ensino, que aluga imóveis de propriedade do Sr. Valdir Vilela, os quais possuem relações diretas e, também, valor de aluguel/arrendamento vinculados ao faturamento da empresa, não há nada de ilegal ou Fl. 1985DF CARF MF Processo nº 15563.720215/201294 Acórdão n.º 2401004.613 S2C4T1 Fl. 1.972 29 inapropriado em se realizar a avaliação desses imóveis, que podem servir como prévias a uma futura compra, bem como um pedido de revisão de valor de aluguel/arrendamento. Nesse caso, ante a ausência de comprovação cabal de que tais serviços prestados se deram para interesse e benefício única e exclusivamente do Sr. Valdir Vilela, entendo que deve ser afastado o lançamento a esse título. 6. Dos valores pagos a cooperativas de trabalho Ainda, o AFRFB também realizou o lançamento decorrente da contratação de serviços de cooperativas de trabalho contratados pela recorrente, nas modalidades de nos termos do art. 22, IV, da Lei nº. 8.212/91. Todavia, como de conhecimento público, o Supremo Tribunal Federal, por meio do RE nº. 595.838, julgado em 23/04/2014, julgou inconstitucional a cobrança da referida contribuição, sob a sistemática do art. 543B do CPC, nos seguintes termos: EMENTA Recurso extraordinário. Tributário. Contribuição Previdenciária. Artigo 22, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99. Sujeição passiva. Empresas tomadoras de serviços. Prestação de serviços de cooperados por meio de cooperativas de Trabalho. Base de cálculo. Valor Bruto da nota fiscal ou fatura. Tributação do faturamento. Bis in idem. Nova fonte de custeio. Artigo 195, § 4º, CF. 1. O fato gerador que origina a obrigação de recolher a contribuição previdenciária, na forma do art. 22, inciso IV da Lei nº 8.212/91, na redação da Lei 9.876/99, não se origina nas remunerações pagas ou creditadas ao cooperado, mas na relação contratual estabelecida entre a pessoa jurídica da cooperativa e a do contratante de seus serviços. 2. A empresa tomadora dos serviços não opera como fonte somente para fins de retenção. A empresa ou entidade a ela equiparada é o próprio sujeito passivo da relação tributária, logo, típico “contribuinte” da contribuição. 3. Os pagamentos efetuados por terceiros às cooperativas de trabalho, em face de serviços prestados por seus cooperados, não se confundem com os valores efetivamente pagos ou creditados aos cooperados. 4. O art. 22, IV da Lei nº 8.212/91, com a redação da Lei nº 9.876/99, ao instituir contribuição previdenciária incidente sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura, extrapolou a norma do art. 195, inciso I, a, da Constituição, descaracterizando a contribuição hipoteticamente incidente sobre os rendimentos do trabalho dos cooperados, tributando o faturamento da cooperativa, com evidente bis in idem. Representa, assim, nova fonte de custeio, a qual somente poderia ser instituída por lei complementar, com base no art. 195, § 4º com a remissão feita ao art. 154, I, da Constituição. 5. Recurso extraordinário provido para declarar a inconstitucionalidade do inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91, Fl. 1986DF CARF MF 30 com a redação dada pela Lei nº 9.876/99. (RE 595838, Relator(a): Min. DIAS TOFFOLI, Tribunal Pleno, julgado em 23/04/2014, ACÓRDÃO ELETRÔNICO DJe196 DIVULG 07 102014 PUBLIC 08102014) Assim, por força do art. 62, § 1º, II, b, do Regimento Interno do CARF (RICARF), as decisões definitivas de mérito julgadas pelo Supremo Tribunal Federal, na sistemática do art. 543B da Lei nº. 5.869/73, devem ser seguidas e reproduzidas pelos conselheiros: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal o u do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei n º 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Isto posto, aplico o entendimento do acórdão acima mencionado e, via de consequência, deve ser afastado o lançamento com base na contratação de serviços de cooperativas nos termos do art. 22, IV da Lei nº. 8.212/91. 7. Da utilização de interposta pessoa jurídica para remuneração de diretores Segundo a fiscalização, haveria a contratação de interposta pessoa jurídica (Parc Consultoria Ltda.) para desconfigurar o real pagamento que seria, na verdade, para as pessoas físicas sócias desta empresa e que, também, seriam (em períodos diversos) empregados ou contribuintes individuais da entidade recorrente. Os fatos específicos, muito bem detalhados, foram esposados no relatório fiscal, bem como a defesa da recorrente, que alega terem sido prestados serviços de promoção educacional, marketing etc. Sem se adentrar na análise das questões específicas, valores, comprovação da comprovação dos serviços, etc., entendo que a discussão no presente caso passa, necessariamente, pelo que dispõe a Lei nº. 11.196/2005, em seu artigo 129: Art. 129. Para fins fiscais e previdenciários, a prestação de serviços intelectuais, inclusive os de natureza científica, artística ou cultural, em caráter personalíssimo ou não, com ou sem a designação de quaisquer obrigações a sócios ou empregados da sociedade prestadora de serviços, quando por esta realizada, se sujeita tãosomente à legislação aplicável às pessoas jurídicas, sem prejuízo da observância do disposto no art. 50 da Lei no 10.406, de 10 de janeiro de 2002 Código Civil. Nesse caso, temos que, se simplesmente os sócios da pessoa jurídica Pac estivessem prestando serviços a entidade, tal fato, por si só, não configuraria infração, posto Fl. 1987DF CARF MF Processo nº 15563.720215/201294 Acórdão n.º 2401004.613 S2C4T1 Fl. 1.973 31 que albergados pela disposição do art. 129 acima que, permitira àqueles, utilizaremse do manto da pessoa jurídica para a prestação dos serviços educacionais (os quais são, sem dúvida, de natureza intelectual). Ainda, faltou a comprovação, pela fiscalização, de que especificamente aquelas pessoas físicas, referentes aos pagamentos individualizados pelo AFRFB, teriam se enquadrados nos requisitos legais que significariam serem, na verdade, empregados da recorrente. Portanto, para que se realize o lançamento, ainda que com base na primazia da verdade material basta a demonstração, individualizada, das características da prestação de serviço de cada uma das pessoas jurídicas acima mencionadas e o seu enquadramento como pessoa física empregada da recorrente. Todavia, o AFRFB deixou de realizar o elo entre os fundamentos teóricos por ele trazidos ao Relatório Fiscal e a realidade fática INDIVIDUALIZADA da pessoa jurídica descaracterizada e, em especial, aos seus sócios. Assim, entendo que o lançamento, por ausência de fundamentação legal adequada da fiscalização, em especial a indicação da ocorrência do fato gerador, fere o lançamento tributário, por ausência de cumprimento de requisito intrínseco ao lançamento tributário, nos termos do art. 142 do CTN: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Portanto, entendo não presente a correta comprovação do fato gerador, qual seja, a relação de emprego entre os sócios das pessoas jurídicas apontadas pela fiscalização e a empresa recorrente, motivo pelo qual deve ser cancelado o Auto de Infração de obrigação principal, por vício material. Nesse sentido, este Conselho e esta colenda turma: QUALIFICAÇÃO DO VÍCIO DA NULIDADE. VÍCIO MATERIAL QUE SE CARACTERIZA NA AUSÊNCIA OU INSUFICIÊNCIA DOS PRESSUPOSTOS DE FATO E DE DIREITO DO ATO ADMINISTRATIVO. Quando o ato administrativo do lançamento traz fundamentação legal equivocada (pressuposto de direito) e/ou quando a descrição dos fatos trazida pela fiscalização (pressuposto de fato) é omitida ou deficiente, temos configurado um vício de motivação ou vício material. (CARF, Acórdão nº. 2301 003.427,1ª T.O., 3ª Câm., 2ª Seção. Sessão de 14/03/2013. Red. Designado Mauro José Silva) CARACTERIZAÇÃO DE PESSOAS JURÍDICAS PRESTADORAS DE SERVIÇO COMO EMPREGADOS DA TOMADORA. NECESSIDADE DE FUNDAMENTAÇÃO POR PARTE DA AUTORIDADE FISCAL. DEMONSTRAÇÃO Fl. 1988DF CARF MF 32 ESPECÍFICA E PORMENORIZADA DOS FATOS E CARACTERÍSTICAS DE CADA UMA DAS PESSOAS JURÍDICAS À PESSOA JURÍDICA APONTADA COMO EMPREGADORA. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO POR VÍCIO MATERIAL. Deixando o AFRFB de comprovar, pormenorizadamente, a caracterização de cada uma das pessoas jurídicas prestadoras de serviço como empregados da tomadora, implicase na improcedência do lançamento por ofensa ao art. 142 do CTN, ante a ausência de comprovação do fato gerador da contribuição previdenciária a cargo da pessoa jurídica. Recurso Voluntário Provido. (CARF, Acórdão nº. 2401004.063, 1ª T.O., 4ª Câm. 2ª Seção. Sessão de 28/01/2016. Rel. Carlos Alexandre Tortato) Assim, ante a insuficiência de fundamentação do AFRFB, que permita a subsunção dos fatos (relação de emprego) à norma (incidência de contribuições sociais previdenciária a cargo da pessoa jurídica), deve ser cancelado o lançamento de obrigação principal, por vício material, e a multa de ofício aplicada. Via de consequência, o Auto de Infração de obrigação acessória deve também ser alterado quanto à parte correspondente a este fato, ante a ausência de infração do recorrente no preenchimento das GFIPs. 8. Da bolsa capacitação Alega a fiscalização que o pagamento de bolsa capacitação realizado pela entidade, aos seus professores, não faria jus a isenção disposta no art. 28, § 9º, t), refere a concessão de bolsas de estudos para cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa. Embora não entenda que referido dispositivo deva restringirse a somente cursos de capacitação profissional, mas sim estendido a cursos de graduação, pósgraduação e todos "relacionados" as atividades empresariais, no presente caso, não assiste razão à recorrente. Conforme apresentado nas próprias razões de impugnação e recurso voluntário, tratase de remuneração vinculado à projetos de bolsas de estudo fornecidos pela universidade em parceria com o Ministério da Educação. Nesse caso, não se trata de investimento da entidade para qualificar os seus empregados, mas sim, de remuneração vinculada à horas trabalhadas desses profissionais ao assumirem novos projetos/funções dentro da entidade. Procedente o lançamento neste ponto específico. 9. Do saláriofamília A fiscalização apresenta valores referentes à glosa de saláriofamília, conforme planilha de fls. 173/183, que teriam sido pagos a maior. As razões apresentadas pelo contribuinte, especificamente de que os valores pagos foram de acordo com o máximo legal daquela unidade onde realizado o pagamento, não Fl. 1989DF CARF MF Processo nº 15563.720215/201294 Acórdão n.º 2401004.613 S2C4T1 Fl. 1.974 33 são suficientes para contrastar a conclusão fiscal, que apresentou pormenorizadamente os beneficiários e os valores pagos a maior. Nesse passo, entendo que deve ser mantida a glosa a título de saláriofamília. 10. Da omissão de fatos geradores e contribuições devidas em GFIP No lançamento de multa por descumprimento das obrigações acessórias, entendeu a fiscalização que a infração foi cometida pela recorrente por ter omitido fatos geradores das contribuições previdenciárias e ter se declarado como entidade isenta (informando Código FPAS 639). Quanto ao cálculo da multa aplicada, o AFRFB já aplicou os benefícios contidos nas reduções de multa previstas na Lei nº. 11.941/2009, aplicandose assim a multa mais benéfica ao contribuinte, conforme demonstrado no relatório fiscal, razão pela qual mantenho parcialmente o presente lançamento, que deverá repercutir eventuais exclusões de valores da base de cálculo nos termos das razões de mérito do decidido acima. 11. Das imputações mantidas e excluídas Assim, para melhor elucidação, em contraponto ao quadro elaborado pela fiscalização (fls. 103/104) e reproduzido no relatório acima, com as infrações imputadas ao contribuinte em cada um dos períodos analisados sob a vigência dos respectivos consectários legais, apresento o mesmo quadro de acordo com as conclusões apresentadas no presente voto: Fato Período com suspensão de isenção Fundamento Legal do requisito infringido 1 Não apresentação de requerimento de isenção junto à RFB / não comprovação de eventual situação de direito adquirido 2 Existência de débito em todo o período / não apresentar CND ou CPDEN em relação às contribuições administradas pela RFB 01/2008 a 12/2009 Lei nº. 8.212/91, art. 55, § 6º; MP 446/2008, art. 28, VI; Lei nº. 12.101/2009, art. 29, III. 3 Valor de arrendamento do Campus 1 a maior, configurando remuneração do Sr. Presidente 01/2008 a 12/2009 Lei nº. 8.212/91, art. 55, IV; MP 446/2008, art. 28, II; Lei nº. 12.101/2009, art. 29, I. 4 Valor de arrendamento do Campus 7 indevido, configurando remuneração do Sr. Presidente 02/2008, 04/2008 a 07/2008, 09/2008 e 10/2008 Lei nº. 8.212/91, art. 55, IV 5 Pagamento a Cooperativas de Trabalho Não Informação em GFIP Descumprimento de Obrigação Fl. 1990DF CARF MF 34 Acessória 6 Utilização de serviços prestados pela empresa TCA Tonelli à ABEU para atender interesses pessoais, configurando remuneração do Sr. Presidente 7 Utilização de veículo da ABEU para uso particular, pelo seu Presidente 8 Utilização de interposta pessoa jurídica por gestores/integrantes do Conselho Técnico da ABEU, a fim de auferir valores superiores de remuneração Assim, por entender infringidos os dispositivos acima indicados, nos períodos também delimitados, referentes aos fatos "2", "3" e "4", deve ser mantido o lançamento fiscal. CONCLUSÃO Ante o exposto, voto no sentido de conhecer e dar PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário, mantendo parcialmente o crédito tributário lançado, nos seguintes termos: a) quanto ao lançamento de crédito tributário relativo à obrigação principal DEBCAD 37.306.4403, excluir do lançamento os levantamentos TT, UM, UM2, UO, UO2, VE e VE2; b) quanto ao lançamento de crédito tributário relativo à obrigação principal DEBCAD 37.306.4411, manter o lançamento; e c) quanto ao auto de infração por descumprimento de obrigação acessória, DEBCAD 37.306.4390, excluir do cálculo da multa os valores relacionados aos levantamentos TT, UM, UM2, UO, UO2, VE e VE2 (assinado digitalmente) Carlos Alexandre Tortato. Fl. 1991DF CARF MF Processo nº 15563.720215/201294 Acórdão n.º 2401004.613 S2C4T1 Fl. 1.975 35 Voto Vencedor Conselheira Miriam Denise Xavier Lazarini Redatora Designada AUSÊNCIA DE ISENÇÃO Quanto à isenção, votei pelas conclusões com o relator, pois a autuada descumpriu vários requisitos legais, não fazendo jus ao benefício legal. Entretanto, discordo do entendimento do relator de que "não deverá ser imputada à recorrente a impossibilidade do gozo de isenção por infração ao disposto no § 1º do art. 55 da Lei nº. 8.212/91, posto que esta encontravase revogada quando da lavratura dos presentes autos de infração." A Constituição da República estabeleceu no § 7º do seu art. 195 serem isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei. Por sua vez, a Lei 8.212/91, no art. 55, vigente à época de parte dos fatos geradores, assim dispõe: Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente: I seja reconhecida como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal; II seja portadora do Registro e do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, fornecidos pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos; III promova, gratuitamente e em caráter exclusivo, a assistência social beneficente a pessoas carentes, em especial a crianças, adolescentes, idosos e portadores de deficiência; IV não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração e não usufruam vantagens ou benefícios a qualquer título; V aplique integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais apresentando, anualmente ao órgão do INSS competente, relatório circunstanciado de suas atividades. §1º Ressalvados os direitos adquiridos, a isenção de que trata este artigo será requerida ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, que terá o prazo de 30 (trinta) dias para despachar o pedido. Fl. 1992DF CARF MF 36 Diante de tal quadro normativo legal e constitucional, para que uma entidade seja sujeito de direito à isenção em realce, é indispensável que comprove ser entidade beneficente e de assistência social e que seja reconhecida formalmente como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal, além de atender, cumulativamente, aos demais requisitos fixados no art. 55 da Lei 8.212/91. Assim, não basta à entidade beneficente ser reconhecida pelos órgãos certificadores, nem mesmo ser detentora dos certificados de entidade beneficente de assistência social, para poder usufruir do direito à isenção em foco. De acordo com o §1º do art. 55 da Lei 8.212/91, fulgura como condição sine qua non que a entidade, atendendo a todos os requisitos elencados na lei, requeira o reconhecimento à isenção ao Instituto Nacional do Seguro Social INSS (ou SRFB, conforme a época), o qual terá o prazo de 30 dias para despachar o pedido. Não há que se falar em retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN, pois o auto de infração foi lavrado na vigência da Lei 12.101/09, que dispõe que basta tão somente a entidade certificada atender aos requisitos previstos no art. 29 do mesmo diploma legal para gozar da isenção prevista na CR/88, art. 195, § 7º. Não é possível retroagir a Lei 12.101/2009, que suprimiu a exigência de Ato Declaratório específico. Não se vislumbra nesse novo regramento qualquer das hipóteses previstas na legislação pátria capazes de ensejar a sua aplicação a fatos geradores pretéritos. No tocante à retroação prevista no CTN, devese analisar seu art. 106 que excepciona a regra da irretroatividade. O referido dispositivo legal permite a lei voltarse ao passado, dispensandose, pois, disposição expressa de lei, nas hipóteses de lei interpretativa e de lei mais branda quanto a infrações ou penalidades. Assim dispõe o art. 106 do CTN: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Da simples leitura do dispositivo, vêse que o inciso I não tem aplicação ao presente caso, pois não estamos diante de lei interpretativa. Também não estamos diante de norma que trata de definição de infração ou de cominação de penalidade, o que também afasta o inciso II da discussão. Ressaltese que o art. 106 do CTN é direito excepcional e, como se sabe, é regra elementar de hermenêutica que as exceções sejam interpretadas restritivamente. Não há como estender a retroatividade benigna a assuntos alheios às sanções tributárias. Fl. 1993DF CARF MF Processo nº 15563.720215/201294 Acórdão n.º 2401004.613 S2C4T1 Fl. 1.976 37 Portanto, como não houve expressa disposição da lei, nem lei interpretativa, nem regulação de sanções, não há se falar em retroatividade no caso em exame. Na verdade, aplicase à hipótese o art. 144 do CTN, segundo o qual o lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Ressaltese que a exceção prevista no § 1º do citado art. 144 do CTN não encontra aplicação ao caso, pois a Lei 12.101/09 não instituiu qualquer novo critério de apuração ou processo de fiscalização, não ampliou poderes de investigação, nem outorgou ao crédito maiores garantias ou privilégios. Sendo assim, aplicase a norma vigente à época dos fatos geradores para verificação dos requisitos necessários ao gozo da isenção, inclusive o § 1º do art. 55 da Lei 8.212/91. FATOS GERADORES Quanto aos fatos geradores do crédito tributário em análise, a única discordância do voto do relator se refere aos levantamentos DP e DP2, relativos à utilização de interposta pessoa jurídica por gestores/integrantes do Conselho Técnico da ABEU, a fim de auferir valores superiores de remuneração. Segundo a fiscalização, haveria a contratação de interposta pessoa jurídica (Parc Consultoria Ltda.) para desconfigurar o real pagamento que seria, na verdade, para as pessoas físicas sócias desta empresa e que, também, seriam (em períodos diversos) empregados ou contribuintes individuais da entidade recorrente. Entendeu o relator que "faltou a comprovação, pela fiscalização, de que especificamente aquelas pessoas físicas, referentes aos pagamentos individualizados pelo AFRFB, teriam se enquadrados nos requisitos legais que significariam serem, na verdade, empregados da recorrente.", devendo os levantamentos DP e DP2 serem excluídos. Contudo, por voto de qualidade, mantevese o lançamento efetuado nos levantamentos DP e DP2. Consta no Relatório Fiscal, fls. 120/133, todos os elementos avaliados que levou a fiscalização a concluir: · Considerando o princípio da verdade material, concluise que o contrato firmado entre a PARC e a ABEU buscou apenas caracterizar uma situação formal, que não existia na prática. As situações fáticas evidenciaram a existência de vínculo empregatício entre as pessoas físicas e o contribuinte autuado, pois constatouse que os sócios da PARC prestaram pessoalmente os serviços em caráter não eventual, mediante remuneração e sob subordinação da fiscalizada. · Na prática os sócios da PARC exerceram funções inerentes a cargos estratégicos da ABEU. · Nãoeventualidade/habitualidade os serviços executados são diretamente ligados aos empreendimentos do contribuinte. Verificou se que os sócios da PARC, considerados empregados da ABEU, Fl. 1994DF CARF MF 38 validaram documentos de despesas da ABEU, identificandose como gestores/diretores. As notas fiscais emitidas pela PARC são sequenciais e com exclusividade para a ABEU. · Pessoalidade os serviços foram prestados pelos próprios sócios da PARC, considerados empregados da ABEU, pois atuavam assinando despesas e sendo identificados no organograma da empresa como gestores. Constatouse também o uso de email institucional. · Onerosidade verificada pelo pagamento face aos serviços prestados. Constatouse um provável décimo terceiro embutido nas notas fiscais referentes aos meses 11/08, 12/08 e 12/09. · Subordinação em razão das funções exercidas pelos segurados, não há dúvida de que lavoravam sujeitos ao poder de direção e a hierarquia, comandando também seus inferiores.Os prestadores não assumem o risco da atividade econômica, sendo ressarcidos pelas despesas despendidas. O serviço é executado nas dependências da ABEU. Esses trabalhadores, ocupam na estrutura empresarial do contribuinte cargos de confiança em atividade estritamente ligado aos objetivos sociais da empresa, quais sejam: gestores/diretores e pró reitor de relações institucionais. Sobre a caracterização de segurados como empregados, é inerente à função de fiscalização constatar a existência ou não da relação empregatícia entre a empresa fiscalizada e as pessoas físicas que lhe prestam serviço independentemente da forma como foram contratadas. É aplicável também à relação previdenciária o princípio da primazia da realidade, que significa que os fatos relativos ao contrato de trabalho devem prevalecer em relação à aparência que, formal ou documentalmente, possam oferecer. Em qualquer hipótese, os fatos devem prevalecer sobre o contido nos documentos. Na verificação fática durante a ação fiscal, a fiscalização constatou que estão presentes os pressupostos característicos da relação empregatícia, constantes do artigo 12, inciso I, alínea ‘a’ da Lei 8.212/91, abaixo transcrito: Art. 12 São segurados obrigatórios da Previdência Social as seguintes pessoas físicas: I como empregado: a) aquele que presta serviço de natureza urbana ou rural à empresa em caráter não eventual, sob subordinação e mediante remuneração, inclusive como diretor empregado. Se uma pessoa presta serviços nas condições definidas no artigo 3º da CLT, ainda que sem qualquer registro, a fiscalização tem o poder e o dever de considerála como empregado para fins de exigir contribuições previdenciárias devidas pelo empregador. No presente caso, conforme apurado pela fiscalização, estão presentes os pressupostos básicos da relação de emprego: pessoalidade, não eventualidade, subordinação e onerosidade. Fl. 1995DF CARF MF Processo nº 15563.720215/201294 Acórdão n.º 2401004.613 S2C4T1 Fl. 1.977 39 O contrato de trabalho é um contrato realidade. A qualificação jurídica que as partes venham a dar para a relação do trabalho é irrelevante. Constatada a relação de emprego: não eventualidade dos serviços, subordinação, salário e pessoalidade, estabelecese o vínculo do segurado com a previdência social na categoria empregado, sendo devidas as contribuições previdenciárias. Pelo exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário, acompanhando o voto do relator, exceto quanto ao lançamento efetuado nos levantamentos DP e DP2, que deve ser mantido. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Fl. 1996DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12259.000878/2008-68
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Apr 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/07/2003 a 31/12/2005
FISCALIZAÇÃO. COMPETÊNCIA.
Para o lançamento de contribuição previdenciária, a Secretaria da Receita Federal do Brasil possui competência para a caracterização da condição de segurado empregado sempre que presentes os elementos do vínculo empregatício: subordinação jurídica, pessoalidade, não eventualidade e onerosidade.
DESCARACTERIZAÇÃO DO VINCULO PACTUADO. RELAÇÃO DE EMPREGO. PREVALÊNCIA DA VERDADE MATERIAL SOBRE A FORMA.
Presentes os pressupostos da relação de emprego entre a empresa contratante e a pessoa física prestadora de serviços, dissimulada como pessoa jurídica, deve ser considerado o vínculo laborai do obreiro com o tomador dos serviços, fundamentação: artigos 12, I, "a" e 33 da Lei n° 8.212/91 c/c art. 229, §2° do Regulamento da Previdência Social - RPS, aprovado pelo Decreto n°3.048/99, com a alteração do Decreto n° 3.265/99.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2301-004.915
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Voluntário, para rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
Andrea Brose Adolfo - Presidente Substituta
Julio Cesar Vieira Gomes - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: ANDREA BROSE ADOLFO, JULIO CESAR VIEIRA GOMES, FABIO PIOVESAN BOZZA, JORGE HENRIQUE BACKES, ALEXANDRE EVARISTO PINTO e MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS.
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Voluntário, para rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Andrea Brose Adolfo - Presidente Substituta Julio Cesar Vieira Gomes - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: ANDREA BROSE ADOLFO, JULIO CESAR VIEIRA GOMES, FABIO PIOVESAN BOZZA, JORGE HENRIQUE BACKES, ALEXANDRE EVARISTO PINTO e MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS.
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COMPETÊNCIA. Para o lançamento de contribuição previdenciária, a Secretaria da Receita Federal do Brasil possui competência para a caracterização da condição de segurado empregado sempre que presentes os elementos do vínculo empregatício: subordinação jurídica, pessoalidade, não eventualidade e onerosidade. DESCARACTERIZAÇÃO DO VINCULO PACTUADO. RELAÇÃO DE EMPREGO. PREVALÊNCIA DA VERDADE MATERIAL SOBRE A FORMA. Presentes os pressupostos da relação de emprego entre a empresa contratante e a pessoa física prestadora de serviços, dissimulada como pessoa jurídica, deve ser considerado o vínculo laborai do obreiro com o tomador dos serviços, fundamentação: artigos 12, I, "a" e 33 da Lei n° 8.212/91 c/c art. 229, §2° do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n°3.048/99, com a alteração do Decreto n° 3.265/99. Recurso Voluntário Negado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 25 9. 00 08 78 /2 00 8- 68 Fl. 156DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Voluntário, para rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Andrea Brose Adolfo Presidente Substituta Julio Cesar Vieira Gomes Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: ANDREA BROSE ADOLFO, JULIO CESAR VIEIRA GOMES, FABIO PIOVESAN BOZZA, JORGE HENRIQUE BACKES, ALEXANDRE EVARISTO PINTO e MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS. Fl. 157DF CARF MF Processo nº 12259.000878/200868 Acórdão n.º 2301004.915 S2C3T1 Fl. 157 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou procedente a autuação fiscal lavrada com ciência em 08/03/2007 para constituição de crédito tributário de contribuição previdenciária sobre remunerações a segurado empregado, assim caracterizado pela fiscalização em razão da suposta presença das características da relação de emprego, fls. 38 e s.. Segue transcrição de trechos da decisão recorrida: CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. CARACATERIZAÇÃO DE SEGURADO EMPREGADO. Verificada a prestação de serviços por segurados que preenchem os requisitos do art. 12, inciso I, alínea “a” da Lei 8212/91, não importando qual tenha sido a forma de contratação, é competente o auditor fiscal do INSS para lançar as contribuições devidas e incidentes sobre a remuneração paga. O contrato de trabalho, sendo um contrato realidade, não está vinculado ao aspecto formal, eis que prevalecem as circunstâncias reais em que são prestados os serviços. LANÇAMENTO PROCEDENTE ... 2. De acordo com o relatório fiscal, de fls. 37/41, o levantamento tem origem na caracterização como empregado do segurado CASSIANO RICARDO RITTER FONTOURA considerado pela notificada como microempresário, por verificados os requisitos da relaçäo de emprego, definidos no art. 12, inciso I, alínea “a”, da Lei 8212/91 c/c art. 3° da CLT. Acrescenta o autor do lançamento que o segurado é sócio gerente da empresa BITSITES INFORMÁTICA LTDA, passando, a partir de 02/2004, a emitir mensalmente e em ordem seqüencial notas fiscais de prestação de serviços em informática, caracterizando o trabalho exclusivo e habitual, bem como sua natureza não eventual e diretamente ligada à atividade fim da empresa. Ressalta, ainda, a autoridade lançadora que o vínculo foi reconhecido pela empresa p o fato de o segurado ter recebido parcela de remuneração pertinente apenas aos segura empregados (premium card), além de que em 26/06/06 (fora do período do Mandado de Procedimento Fiscal), o segurado foi registrado como funcionário da empresa na função de Analista de Desenvolvimento de Projetos. Contra a decisão, o recorrente interpôs recurso voluntário, onde se reiteram as alegações trazidas na impugnação: Fl. 158DF CARF MF 4 O débito lançado é nulo, pois a autoridade administrativa, além de ter agido desprovida de amparo legal, excedeu as atribuições que lhe são conferidas, invadindo a competência constitucionalmente assegurada à Justiça do Trabalho para desconsiderar a personalidade jurídica de empresas prestadoras, legalmente contratadas, e presumir o vínculo entre os sócios e a empresa contratante; Houve cerceamento de defesa, uma vez que, na esfera judicial, teria a autuada instrumentos mais amplos e eficaz e para se defender, reproduzindo o art. 93, inciso IX, da Constituição Federal; O lançamento de débito vultoso, sem o contraditório e ampla defesa judiciais, afigurase procedimento assaz arbitrário; Os débitos foram lançados de modo unilateral e parcial, ressaltando que a presunção do art. 204 do CTN não dispensa a autoridade lançadora de apurar os fatos que entende serem tributáveis, com a diligência necessária para sua aferição. A existência de relação de emprego não deve ser meramente presumida, mas a autoridade fiscal usou somente suas presunções para descaracterizar os contratos de prestação de serviço; A desconsideração da personalidade jurídica só poderá ser aplicada quando estiver efetivamente comprovada a dissimulação, o que não foi demonstrado na NFLD; A possibilidade de desconsideração de atos ou negócios jurídicos foi introduzida através da Lei Complementar 104/2001 (parágrafo único do art. 116) como medida antielisiva, tornando imprescindível a adoção, pelos agentes fiscais, dos procedimentos que ainda serão estabelecidos em lei ordinária, reproduzindo jurisprudência em favor de sua tese; A teor do art. 150, III, da Constituição Federal e considerando o principio da irretroatividade da lei, ainda que aguardada a lei ordinária, esta não poderá alcançar a presente NFLD, sendo totalmente nulo o débito lançado; O presidente Lula aprovou a Lei 11.457, de 16 de março de 2007, inobstante ter vetado a emenda 3, sendo que o fato de ter sido esta aprovada pelo Congresso demonstra a grande polemica na qual está inserida esta questão, podendo ainda ser derrubado o veto presidencial; indicando a concordância de que na regulamentação do artigo 116 do CTN não pode ser violado o Principio da Separação dos Poderes, concluindose que a autoridade administrativa não goza de atribuições para desconsideração da personalidade jurídica. Avaliar a legalidade de uma contratação não é da alçada do Fisco, sendo ínsita à sua atividade, tãosomente, a apreciação do denominado mérito administrativo, ou seja a valoração sobre a conveniência e oportunidade do ato, mas não a legalidade ou ilegalidade dos mesmos; A pessoa jurídica contratada foi constituída legalmente, não havendo vedação para sua contratação, cabendo exclusivamente Fl. 159DF CARF MF Processo nº 12259.000878/200868 Acórdão n.º 2301004.915 S2C3T1 Fl. 158 5 às partes, nos termos do art. 170, IV, da Constituição da República, deliberar acerca do regime tributário aplicável, ou seja, optar entre a CLT e a mera prestação de serviços, não podendo ser imposto o regime celetista a toda relação de trabalho; Não houve ocultação ou fraude a qualquer tipo de vínculo empregatício, já que a única relação existente foi a de prestação de serviços, que possui conteúdo de obrigação de fazer, portanto, sem natureza trabalhista, restrita ao âmbito civil contratual; Como o ramo de informática é altamente dinâmico, surge a necessidade de se contratar prestadores de serviço para o desenvolvimento de programas e projetos específicos e determinados, que não se incluem nas atividades normais da empresa; A fiscalização não informa e nem tampouco comprova qual seria o tipo de atividade desenvolvida pela prestadora de serviços e, mesmo que se trate de atividadefim semelhante à desenvolvida pela impugnante, tal fato não é suficiente para caracterizar a relação de emprego, transcrevendo jurisprudência sobre a matéria; A documentação anexa é inidônea a ensejar o vínculo, já que os serviços não se revestem das características inerentes ao contrato de trabalho, por serem não pessoais, esporádicos, não exclusivos e não subordinados, não havendo também pessoalidade, já que a prestadora não é pessoa física; A própria pessoa física a quem o fisco atribuiu vinculo empregatício com a impugnante vem declarar, sob as penas da lei, que essa não é a verdade fática, conforme declaração anexa; Durante todo o procedimento fiscal em momento algum a empresa se recusou ou sonegou qualquer informação ou documento, mas, ao contrário, disponibilizou equipe para atendimento à fiscalização, o que torna descabida a adoção do método de aferição indireta, com fundamento neo art. 33, §§3° e 6° da Lei nº 8.212/91 reproduzido na defesa; Deve ser aplicado o art. 112 do CTN, que objetiva proteger o contribuinte, não podendo prosperar a exigência fiscal diante da ausência de elementos e provas suficientes de convicção da ocorrência do fato gerador, devendo ser considerada improcedente a presente Notificação. É o Relatório. Fl. 160DF CARF MF 6 Voto Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Relator Preliminares O procedimento da fiscalização e formalização da autuação cumpriram todos os requisitos dos artigos 10 e 11 do Decreto n° 70.235, de 06/03/72, verbis: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. O recorrente foi devidamente intimado de todos os atos processuais, assegurandolhe a oportunidade de exercício da ampla defesa e do contraditório, nos termos do artigo 23 do mesmo Decreto: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) Fl. 161DF CARF MF Processo nº 12259.000878/200868 Acórdão n.º 2301004.915 S2C3T1 Fl. 159 7 II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) III por edital, quando resultarem improfícuos os meios referidos nos incisos I e II. (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) A decisão recorrida também atendeu às prescrições que regem o processo administrativo fiscal: enfrentou todas as alegações do recorrente, com indicação precisa dos fundamentos e se revestiu de todas as formalidades necessárias. Não contém, portanto, qualquer vício que suscite sua nulidade, passando, inclusive, pelo crivo do Egrégio Superior Tribunal de Justiça: Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993). “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. NULIDADE DO ACÓRDÃO. INEXISTÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SERVIDOR PÚBLICO INATIVO. JUROS DE MORA. TERMO INICIAL. SÚMULA 188/STJ. 1. Não há nulidade do acórdão quando o Tribunal de origem resolve a controvérsia de maneira sólida e fundamentada, apenas não adotando a tese do recorrente. 2. O julgador não precisa responder a todas as alegações das partes se já tiver encontrado motivo suficiente para fundamentar a decisão, nem está obrigado a aterse aos fundamentos por elas indicados “. (RESP 946.447RS – Min. Castro Meira – 2ª Turma – DJ 10/09/2007 p.216) Portanto, em razão do exposto e nos termos de regras disciplinadoras do processo administrativo fiscal, não se identificam vícios capazes de tornar nulo quaisquer dos atos praticados: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Quanto à competência do auditorfiscal para a caracterização da condição segurado empregado para fins de lançamento da contribuição previdenciária, a matéria foi julgada neste CARF através de outros processos do mesmo recorrente e originados da mesma fiscalização. Como precedente, assim, cito o processo nº 35582.002130/200742, in verbis: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/10/2004 331/12/2005 Fl. 162DF CARF MF 8 Ementa: PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. NFLD. TERCEIR/ZAÇÃO. SIMULAÇÃO. DESCARACTERIZAÇÃO. SEGURADO EMPREGADO. I – A fiscalização da SRP tem poderes para declarar a existência de pacto laborai onde o contribuinte entendia ou simulava não, haver, devendo apenas ter a cautela de demonstrar de forma inequívoca a existência dos seus elementos peculiares. II – Exposta à situação fática, e verificado que há a presença de vinculo empregatício em suposta prestação por pessoa jurídica, correto é o lançamento de oficio. III – A legalidade formal na constituição das empresas, contratadas pela Notificada, não se sobrepõe à ilegalidade na prestação dos serviços propriamente ditos, que como visto mascaravam a presença dos elementos da relação de labor. IV A liberdade constitucional de contratar, não permite a adoção de meios evasivos, objetivando a fuga da tributação imposta a todos. Recurso Voluntário Negado ... Nesse diapasão, insta mencionar que ao considerar um pacto laborai onde o contribuinte entendia ou simulava não haver, a fiscalização da Secretária da Receita Previdenciária — SRP, não está a invadir a competência outorgada à Justiça do Trabalho, na medida em que sua ação não está voltada para fins relacionados ao direito trabalhista, ma sim ao cumprimento fiel e irrestrito da legislação previdenciária, e encontra respaldo egal no § 2° do artigo 229 do Dec. N° 3.048/99, que assim giza: Art. 229: (omissis). §2º Se o Auditor Fiscal da Previdência Social constatar que o segurado contratado como contribuinte individual, trabalhador avulso, ou sob qualquer outra denominação, preenche as condições referidas no inciso 1 do caput do art. 92, deverá desconsiderar o vinculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurado empregado. E de fato existe regra de competência nesse sentido prevista no Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06 de maio de 1999, com nova redação dada pelo Decreto n° 3.265, de 29 de novembro de 1999, que assim dispõe: art. 229 (...) §2° Se o Auditor Fiscal da Previdência Social constatar que o segurado contratado como contribuinte individual, trabalhador avulso, ou sob qualquer outra denominação, preenche as condições referidas no inciso I do caput do art. 9°, deverá desconsiderar o vinculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurado empregado. Portanto, no presente caso não se trata propriamente de aplicação da cláusula geral antielesiva prevista no artigo 116 Parágrafo único do CTN, o que implicaria para todos os Fl. 163DF CARF MF Processo nº 12259.000878/200868 Acórdão n.º 2301004.915 S2C3T1 Fl. 160 9 fins a desconsideração da personalidade jurídica das supostas empresas interpostas entre o recorrente e as pessoas físicas; o que não é o caso. Pontualmente, tratase da constatação de uma situação real que prevalece sobre a forma e que, para fins de tratamento tributário, a relação jurídica com o recorrente é direta e pessoal das pessoas físicas e não das pessoas jurídicas interpostas: art. 116 (...) Parágrafo único. A autoridade administrativa poderá desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, observados os procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária. (Incluído pela Lcp nº 104, de 2001) Assim, o entendimento deve ser aqui reproduzido. A preliminar suscitada não merece acolhida. Passamos a examinar a presença das características da relação de emprego. No mérito A comprovação da dissimulação pelo recorrente e conseqüente caracterização da condição de segurado empregado fundamentase nos seguintes elementos, fls. 38 e s.: a) formalmente, o segurado era sócio gerente de uma interposta empresa prestadora de serviços de natureza afim ao objeto social do recorrente; b) a suposta empresa prestadora de serviços emitia mensal, exclusiva e seqüencialmente notas fiscais; c) o segurado, antes da constituição de sua suposta empresa, já prestara serviços ao recorrente e se remunerava da mesma forma, ou seja, através da emissão de notas fiscais de serviços por uma empresa, sendo que em relação a essa não mantinha qualquer vínculo, seja como empregado ou sócio; d) a suposta empresa prestadora de serviços não possui empregados; e) em 26/06/2006 o recorrente admitiu o segurado como empregado formalmente registrado; e f) o segurado percebeu do recorrente valores a título de participação nos lucros pagos a empregados. A verdade material aponta para uma realidade que prevalece sobre o vínculo formal pactuado: o segurado é empregado da recorrente e prestava serviços de informática necessário à consecução do objeto social do empregador. O fato de emitir notas fiscais exclusiva e seqüencialmente afasta a interposta pessoa jurídica do conceito de empresa. Isto porque o artigo 15 da Lei nº 8.212/91 coloca o risco econômico como elemento central do conceito. De outra forma, não haveria a autonomia necessária para que se constitua um ente independente da personalidade de seus sócios: Art. 15. Considerase: Fl. 164DF CARF MF 10 I empresa a firma individual ou sociedade que assume o risco de atividade econômica urbana ou rural, com fins lucrativos ou não, bem como os órgãos e entidades da administração pública direta, indireta e fundacional; Reforça essa conclusão o fato de que as supostas pessoas jurídicas prestam todos os seus serviços ao recorrente somente através dos sócios gerentes, de forma pessoal, sem dispor de um quadro de empregados próprios. Outro fato, descrito ainda no relatório, demonstra a pessoalidade e subordinação. Antes da constituição da suposta pessoa jurídica o segurado já prestava os mesmos serviços ao recorrente. Ainda que seja suficiente para considerar a condição de segurado empregado em decorrência da dissimulação de uma situação real através de uma "arquitetura" formal artificial, o TST tem limitado a terceirização de vários segmentos sob o argumento da invalidade da contratação de serviços relacionados às atividades inerentes do contratante. Nesse sentido a Súmula 331 do TST: CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. LEGALIDADE (nova redação do item IV e inseridos os itens V e VI à redação) Res. 174/2011, DEJT divulgado em 27, 30 e 31.05.2011 I A contratação de trabalhadores por empresa interposta é ilegal, formandose o vínculo diretamente com o tomador dos serviços, salvo no caso de trabalho temporário (Lei nº 6.019, de 03.01.1974). Por fim, o vínculo foi reconhecido pela empresa quando em 26/06/06, ainda que em período posterior ao coberto pela fiscalização, o segurado foi registrado como funcionário da empresa na função de Analista de Desenvolvimento de Projetos. Face o exposto, os serviços contratados por intermédio da pessoa jurídica visavam apenas dissimular pagamentos a pessoas físicas. Por tudo, voto por negar provimento ao recurso voluntário. É como voto. Julio Cesar Vieira Gomes Fl. 165DF CARF MF
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Numero do processo: 13005.721904/2013-05
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Feb 10 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Regimes Aduaneiros
Exercício: 2008, 2009, 2010, 2011, 2012
DRAWBACK. COMPETÊNCIA PARA FISCALIZAÇÃO. RFB (AFRFB).
O Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil tem competência para fiscalizar o cumprimento dos requisitos do regime de drawback na modalidade isenção, aí compreendidos o lançamento do crédito tributário, sua exclusão em razão do reconhecimento de beneficio, e a verificação, a qualquer tempo, da regular observação, pela importadora, das condições fixadas na legislação pertinente.
"DRAWBACK-ISENÇÃO" BRASILEIRO. ETAPAS PRESSUPOSTAS.
O "drawback-isenção" brasileiro pressupõe, então, três etapas: (1) uma importação de mercadorias, com incidência normal de tributos, que deve ser comprovada com uma Declaração de Importação (DI); (2) uma exportação de produto no qual se utilizem as mercadorias importadas, que deve ser comprovada com um Registro de Exportação (RE), vinculado a uma declaração de exportação que tenha sido averbada; e (3) uma solicitação do benefício para a SECEX, que emite um Ato Concessório, autorizando a empresa a importar com isenção as mercadorias especificadas no documento.
Numero da decisão: 3401-003.288
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, preliminarmente, em relação às alegações apresentadas da tribuna, constantes de requerimento avulso anexado ao processo, mas não de recurso voluntário, acerca da ocorrência de decadência do direito de lançar e exclusão de multa e juros (art. 100 do CTN), por maioria de votos, pelo conhecimento apenas em relação à decadência, e pela preclusão do tema remanescente, vencido o Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira, que conhecia as duas questões. Relativamente à preliminar de decadência, por unanimidade de votos, negou-se provimento. Concernente ao mérito, por maioria de votos, negou-se provimento ao recurso, vencido o Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira, que declarava a nulidade do lançamento.
ROBSON JOSÉ BAYERL - Presidente.
ROSALDO TREVISAN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Robson José Bayerl (presidente), Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, André Henrique Lemos, Rodolfo Tsuboi (suplente) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Regimes Aduaneiros Exercício: 2008, 2009, 2010, 2011, 2012 DRAWBACK. COMPETÊNCIA PARA FISCALIZAÇÃO. RFB (AFRFB). O Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil tem competência para fiscalizar o cumprimento dos requisitos do regime de drawback na modalidade isenção, aí compreendidos o lançamento do crédito tributário, sua exclusão em razão do reconhecimento de beneficio, e a verificação, a qualquer tempo, da regular observação, pela importadora, das condições fixadas na legislação pertinente. "DRAWBACK-ISENÇÃO" BRASILEIRO. ETAPAS PRESSUPOSTAS. O "drawback-isenção" brasileiro pressupõe, então, três etapas: (1) uma importação de mercadorias, com incidência normal de tributos, que deve ser comprovada com uma Declaração de Importação (DI); (2) uma exportação de produto no qual se utilizem as mercadorias importadas, que deve ser comprovada com um Registro de Exportação (RE), vinculado a uma declaração de exportação que tenha sido averbada; e (3) uma solicitação do benefício para a SECEX, que emite um Ato Concessório, autorizando a empresa a importar com isenção as mercadorias especificadas no documento.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, preliminarmente, em relação às alegações apresentadas da tribuna, constantes de requerimento avulso anexado ao processo, mas não de recurso voluntário, acerca da ocorrência de decadência do direito de lançar e exclusão de multa e juros (art. 100 do CTN), por maioria de votos, pelo conhecimento apenas em relação à decadência, e pela preclusão do tema remanescente, vencido o Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira, que conhecia as duas questões. Relativamente à preliminar de decadência, por unanimidade de votos, negou-se provimento. Concernente ao mérito, por maioria de votos, negou-se provimento ao recurso, vencido o Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira, que declarava a nulidade do lançamento. ROBSON JOSÉ BAYERL - Presidente. ROSALDO TREVISAN - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Robson José Bayerl (presidente), Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, André Henrique Lemos, Rodolfo Tsuboi (suplente) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Exercício: 2008, 2009, 2010, 2011, 2012 DRAWBACK. COMPETÊNCIA PARA FISCALIZAÇÃO. RFB (AFRFB). O AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil tem competência para fiscalizar o cumprimento dos requisitos do regime de drawback na modalidade isenção, aí compreendidos o lançamento do crédito tributário, sua exclusão em razão do reconhecimento de beneficio, e a verificação, a qualquer tempo, da regular observação, pela importadora, das condições fixadas na legislação pertinente. "DRAWBACKISENÇÃO" BRASILEIRO. ETAPAS PRESSUPOSTAS. O "drawbackisenção" brasileiro pressupõe, então, três etapas: (1) uma importação de mercadorias, com incidência normal de tributos, que deve ser comprovada com uma Declaração de Importação (DI); (2) uma exportação de produto no qual se utilizem as mercadorias importadas, que deve ser comprovada com um Registro de Exportação (RE), vinculado a uma declaração de exportação que tenha sido averbada; e (3) uma solicitação do benefício para a SECEX, que emite um Ato Concessório, autorizando a empresa a importar com isenção as mercadorias especificadas no documento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, preliminarmente, em relação às alegações apresentadas da tribuna, constantes de requerimento avulso anexado ao processo, mas não de recurso voluntário, acerca da ocorrência de decadência do direito de lançar e exclusão de multa e juros (art. 100 do CTN), por maioria de votos, pelo conhecimento apenas em relação à decadência, e pela preclusão do tema remanescente, vencido o Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira, que conhecia as duas questões. Relativamente à preliminar de decadência, por unanimidade de votos, negouse provimento. Concernente ao mérito, por AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 00 5. 72 19 04 /2 01 3- 05 Fl. 971DF CARF MF 2 maioria de votos, negouse provimento ao recurso, vencido o Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira, que declarava a nulidade do lançamento. ROBSON JOSÉ BAYERL Presidente. ROSALDO TREVISAN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Robson José Bayerl (presidente), Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, André Henrique Lemos, Rodolfo Tsuboi (suplente) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). Relatório Versa o presente sobre o Autos de Infração de fls. 2 a 2431, lavrados em 03/10/2013, para exigência de imposto de importação (no valor original de R$ 3.397.910,84), de imposto sobre produtos industrializados vinculado à importação (no valor original de R$ 1.383.434,81), de contribuição para o PIS/PASEPimportação (no valor original de R$ 549.476,93), e de COFINSimportação (no valor original de R$ 2.530.924,34), totalizando, com acréscimos de juros de mora e de multa de ofício, R$ 16.713.886,10. No Relatório de Fiscalização de fls. 211 a 243, que compõe a autuação, narra a fiscalização que: (a) o procedimento objetivou a verificação do cumprimento das condições estabelecidas em três Atos Concessórios (no 169008/0000052, concedido em 29/01/2008, e com validade até 29/01/2010, sendo prorrogado até 04/01/2013; no 169008/0000230, concedido em 13/08/2008, e válido até 13/08/2009; e no 169011/0000012, concedido em 05/01/2011, e com validade até 04/01/2012, sendo prorrogado até 04/01/2013) relativos ao regime de drawback, na modalidade isenção; (b) conforme as Portarias SECEX no 36/2007, no 25/2008, no 10/2010 e no 23/2011, vigentes durante o período de validade dos atos concessórios, são condições básicas para fruição do benefício: (b1) utilização somente de declaração de importação (DI) ou nota fiscal (NF) não anterior a 2 anos da data do pedido; (b2) (embarque para) importações dentro da validade de um ano do ato concessório correspondente, respeitadas as alterações do ato solicitadas dentro do prazo de validade; e (b3) preenchimento de Relatório Unificado de Drawback RUD, identificando os registros efetuados no SISCOMEX relativos a importações e exportações, e as NF de venda e aquisições no mercado interno vinculadas ao regime, se for o caso; (c) a fiscalização teve início em 05/07/2013, em diligência realizada na sede da empresa, tendo sido, na ocasião, retidas folhas de "consumo de matériaprima e perda de material", e intimada a empresa a apresentar laudos técnicos sobre o processo produtivo; (d) as infrações detectadas foram, basicamente, importação de mercadorias sob o regime não amparadas em importações anteriores e não amparadas em exportações ocorridas; (e) no Ato Concessório no 169008/0000052, detectouse que: (e1) há incompatibilidades entre as mercadorias importadas com pagamento de tributos (tabela 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 972DF CARF MF Processo nº 13005.721904/201305 Acórdão n.º 3401003.288 S3C4T1 Fl. 972 3 à fl. 217) e as importadas, posteriormente, com isenção (tabela à fl. 218); e (e2) a partir dos laudos técnicos e das respostas a intimações feitas pela fiscalização, foi possível identificar a quantidade de mercadoria necessária à fabricação de cada produto exportado (Anexo VII da autuação e tabela à fl. 220), e comparar a quantidade importada com isenção e a anteriormente utilizada na fabricação dos produtos exportados, segundo o método PEPS ("o primeiro que entra é o primeiro que sai"), visualizando claramente as quantidades não utilizadas (tabela às fls. 221/223); (f) no Ato Concessório no 169008/0000230, detectouse que: (f1) há incompatibilidades entre as mercadorias importadas com pagamento de tributos (tabela às fls. 225/226) e as importadas, posteriormente, com isenção (tabela às fls. 226/227); e (f2) a partir dos laudos técnicos e das respostas a intimações feitas pela fiscalização, foi possível identificar a quantidade de mercadoria necessária à fabricação de cada produto exportado (Anexo X da autuação e tabela à fl. 228), e comparar a quantidade importada com isenção e a anteriormente utilizada na fabricação dos produtos exportados, segundo o método PEPS, visualizando claramente as quantidades não utilizadas (tabela à fl. 230); (g) no Ato Concessório no 1690 11/0000012, detectouse que: (g1) há incompatibilidades entre as mercadorias importadas com pagamento de tributos (tabela à fl. 233) e as importadas, posteriormente, com isenção (tabela à fl. 234); e (g2) a partir dos laudos técnicos e das respostas a intimações feitas pela fiscalização, foi possível identificar a quantidade de mercadoria necessária à fabricação de cada produto exportado (Anexo XIII da autuação e tabela à fl. 236), e comparar a quantidade importada com isenção e a anteriormente utilizada na fabricação dos produtos exportados, segundo o método PEPS, visualizando claramente as quantidades não utilizadas (tabela às fls. 237/238); e (h) diante das irregularidades verificadas, foram exigidos, na autuação, os tributos incidentes sobre a importação das mercadorias importadas indevidamente com isenção alegando como fundamento o regime. Cientificada da autuação em 11/10/2013 (fl. 655), a empresa apresentou Impugnação em 08/11/2013 (fls. 658 a 665), argumentando, em síntese, que: (a) os Atos Concessórios emitidos pela Secretaria de Comércio Exterior (SECEX), do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) detalharam as mercadorias a serem importadas e os produtos a serem exportados (fl. 661); e (b) o regime foi integralmente cumprido, e as diferenças encontradas se devem ao fato de que a fiscalização não considerou determinadas adições das DI, sendo que: (b1) no caso do Ato Concessório no 169008/000005 2, foram desconsideradas a adição 03 da DI no 09/14157676, a adição 01 da DI no 08/15761893, e a adição 04 da DI no 09/08731234; (b2) em relação ao Ato Concessório no 169008/0000230, foram desconsideradas a adição 03 da DI no 09/09251333 e a adição 02 da DI no 08/15761893; e (b3) no que se refere ao Ato Concessório no 160111/0000012, foram desconsideradas as adições 01, 03 e 04 da DI no 11/13304091. Em 26/03/2014 ocorre o julgamento de primeira instância (fls. 834 a 841), no qual se decide unanimemente pela improcedência da impugnação, visto que as DI às quais se refere a interessada como não consideradas pela fiscalização são correspondentes a importações com isenção, e não com pagamento de tributos, destacando ainda que a análise feita pela defesa foi apenas quantitativa, e que não houve demonstração dos insumos importados com pagamento nos produtos exportados, e somente demonstrando tal utilização teria a empresa direito a isenção na reposição de seus estoques. Cientificada da decisão da DRJ em 09/04/2014 (fl. 842), a empresa apresentou Recurso Voluntário em 09/05/2014 (fls. 845 a 854), reafirmando que comprovou documentalmente em sua impugnação o cumprimento integral do regime, tendo importado mercadoria em quantidade e qualidade equivalente, destinada à reposição de insumos Fl. 973DF CARF MF 4 importados anteriormente, com pagamento de tributos, e utilizada na fabricação de produto exportado, reiterando a justificativa constante na impugnação sobre as diferenças apuradas pela fiscalização. Colaciona ainda ementa do Acórdão no 310100.323, que dispõe que é de competência exclusiva da SECEX a análise do cumprimento dos requisitos necessários à obtenção e ao deferimento do drawback, não cabendo à fiscalização aduaneira da RFB declarar a nulidade do ato vigente por vício formal ou material na concessão. Acrescenta, por fim, que os bens são fungíveis, não havendo necessidade de vinculação física, como já entendeu o Conselho de Contribuintes, e na linha da alteração trazida pelo Decreto no 8.010/2013 ao artigo 402A, § 1o do Regulamento Aduaneiro. Em 09/12/2015 o processo foi distribuído a este relator, por sorteio (fl. 880). O processo foi pautado para as sessões de maio, de junho e de julho de 2016, sendo retirado de pauta, em todas as ocasiões, por motivo de falta de tempo para julgamento. Em agosto de 2016, o processo foi retirado de pauta a pedido da recorrente. Em setembro de 2016, pediu vista o Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira. Em outubro de 2016, o processo foi indicado para pauta, em sessão suspensa por determinação do CARF, assim como em novembro e dezembro do mesmo ano. Em 16/01/2017 a empresa apresenta peça que denomina de “razões finais” (fls. 897 a 906), na qual repisa a argumentação externada em sede recursal e sustenta ter havido decurso do prazo decadencial para a revisão do ato administrativo atinente à expedição do ato concessório exarado por órgão independente da RFB (a SECEX). Acrescenta ainda documentos que alega comprovarem que a SECEX analisava detidamente a quantidade de insumos importados em cotejo com os utilizados nas exportações, e “opinião técnica”, que afirma atestarem que os cálculos da RFB estariam incorretos. Na sustentação oral regimentalmente admitida, o patrono da recorrente sustentou ainda, além das disposições referentes a competência da SECEX e decadência, que deveria haver exclusão de multa e juros (art. 100 do Código Tributário Nacional), pedindo ao colegiado que, em nome da verdade material, analisasse o argumento. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Aspectos preliminares Do "drawback brasileiro" e do "drawback isenção" No Brasil, a expressão "drawback" é equivocadamente utilizada. Assim, é preciso logo de início esclarecer que ao tratar de um “drawback” brasileiro, estáse a analisar um regime que tem pouca relação com o que se entende no restante do planeta como “drawback”. Fl. 974DF CARF MF Processo nº 13005.721904/201305 Acórdão n.º 3401003.288 S3C4T1 Fl. 973 5 Internacionalmente, o “drawback” é, como sugere a própria formação da palavra, em inglês (“drawback”), uma devolução ou restituição de direitos de importação (ou mesmo de impostos sobre o consumo). Drawback, assim, é “o montante de direitos e taxas na importação restituídos por aplicação do regime de drawback”.2 E o regime de drawback, por sua vez, é internacionalmente definido como: o regime aduaneiro que permite, por ocasião da exportação de mercadorias, obter a restituição (total ou parcial) dos direitos e taxas que incidiram sobre a importação dessas mercadorias ou dos materiais nelas contidos ou consumidos na sua produção.3 Foi exatamente com esse sentido que o regime foi inicialmente tratado na legislação brasileira, no Decreto no 994, de 28/7/1936: como uma restituição, ou, na terminologia usada no decreto, uma devolução dos direitos pagos (integralmente) na importação (a norma usa ainda o termo “remissão”).4 A Lei no 3.244, de 14/8/1957 manteve o drawback como “remissão”, em seu art. 37, dispondo que seria concedida “remissão total ou parcial do imposto relativo a produto utilizado na composição de outro a exportar (‘drawback’), nos termos do Regulamento a ser baixado por proposta do Conselho de Política Aduaneira”. E o regulamento (Decreto no 50.485, de 25/4/1961) dispôs, em seu art. 6o, que “o desembaraço aduaneiro das mercadorias importadas com aplicação do ‘drawback’ será autorizado com suspensão do recolhimento dos tributos devidos”. Estava “criado” pela norma infralegal o drawbacksuspensão, distante de toda a terminologia internacionalmente adotada, nascendo ainda a expressa determinação de vinculação física, no texto do art. 18: “nenhuma mercadoria objeto de ‘drawback’ poderá ser utilizada fora da finalidade prevista sem o prévio recolhimento dos tributos devidos”. 2 Definição extraída do Anexo Especifico “F” da Convenção Internacional para Simplificação e Harmonização de Regimes/Procedimentos Aduaneiros” (Convenção de Quioto Revisada). A Convenção de Quioto foi adotada em 1973 (nos idiomas oficiais da Organização Mundial das Aduanas OMA, inglês e francês, respectivamente, “International Convention on the Simplification and Harmonization of Customs Procedures” e “Convention Internationale pour la Simplification et L’harmonisation des Regimes Douaniers”), e entrou em vigor em 25/09/1974, tendo passado por um processo de revisão no período de 1995 a 1999, resultando na chamada “Convenção de Quioto Revisada”, ou "Revista", que entrou em vigor em 03/02/2006, e hoje é aplicada em países que representam mais de 80% do comércio mundial (o Brasil, que é o único dos doze maiores países do mundo que ainda não aderiu à Convenção, manifestou expressamente interesse na adesão em novembro de 2011, em conferência da Organização Mundial de Aduanas realizada em São Paulo/2011, e já foram iniciados os trâmites para incorporação do texto da Convenção a nosso ordenamento jurídico). O texto da definição corresponde a tradução livre das versões em francês ("drawback: le montant des droits et taxes à l’ importation remboursé en application du régime du drawback”), e em inglês (“drawback: means the amount of import duties and taxes repaid under the drawback procedure”). O texto da convenção revisada, em ambos os idiomas, está disponível em: <www.wcoomd.org>. Acesso em: 29.nov.2014. Sobre a Convenção de Quioto Revisada, ver ainda: MORINI, Cristiano. A Convenção de Quioto Revisada e a Modernização da Administração Aduaneira. In: TREVISAN, Rosaldo. Temas Atuais de Direito Aduaneiro II. São Paulo: Lex, 2015, p. 163198. 3 Idem. Tradução livre da versão em francês ("régime du drawback: le régime douanier qui permet, lors de l’ exportation de marchandises, d’ obtenir le remboursement total ou partiel des droits et taxes à l’ importation qui ont frappé, soit ces marchandises, soit les produits contenus dans les marchandises exportées ou consommées au cours de leur production”), equivalente à versão em inglês, o outro idioma oficial da OMA (“drawback procedure: means the Customs procedure which, when goods are exported, provides for a repayment total or partial to be made in respect of the import duties and taxes charged on the goods, or on materials contained in them or consumed in their production”), do Anexo F da Convenção de Kyoto Revisada. 4 Sobre o histórico do drawback, no Brasil, e em experiências comparadas, remetese ainda a: MACHADO, Luiz Henrique Travassos. Curso de Drawback. São Paulo: Aduaneiras, 2015, p. 117162. Fl. 975DF CARF MF 6 Três anos depois, estava revogado o decreto regulamentar pelo Decreto no 53.967, de 16/6/1964, que, em seu art. 3o, deu ao drawback a configuração tripartida (suspensão, isenção e restituição) que persiste nas normas até os dias atuais, mantendose a necessidade de que as mercadorias importadas não fossem desviadas das finalidades para as quais foram admitidas no regime (art. 8o).5 Depois de cerca de uma década de disciplina infralegal, o DecretoLei no 37, de 18/11/1966, em seu art. 78, incisos I a III, passa a dispor (sem utilizar a expressão drawback)6 sobre restituição, total ou parcial, dos tributos que hajam incidido sobre a importação de mercadoria exportada após beneficiamento, ou utilizada na fabricação, complementação ou acondicionamento de outra exportadaque; sobre suspensão do pagamento dos tributos sobre a importação de mercadoria a ser exportada após beneficiamento, ou destinada à fabricação, complementação ou acondicionamento de outra a ser exportada; e sobre isenção dos tributos que incidirem sobre importação de mercadoria, em quantidade e qualidade equivalentes à utilizada no beneficiamento, fabricação, complementação ou acondicionamento de produto exportado. Apesar de a base legal (corretamente7) não se referir a drawback, o Decreto no 68.904, de 12/7/1971, entretanto, afirma em sua ementa estar regulamentando “o instituto do drawback previsto no art. 78 do DecretoLei no 37, de 18/11/1966”, reiterando a linha tripartida (suspensão, isenção e restituição), sendo tal postura mantida pelos Regulamentos Aduaneiros de 1985 (aprovado pelo Decreto no 91.030, de 05/03/1985, art. 314), de 2002 (Decreto no 4.543, de 26/12/2002, art. 335) e de 2009 (Decreto no 6.759, de 05/02/2009, art. 383). Concordamos com LOPES FILHO, quando este afirma que, apesar de a regulamentação do art. 78 da Lei Aduaneira denominar as três modalidades ali previstas como drawback, devese entender que o drawback corresponde tãosomente à “restituição, total ou parcial, dos tributos que hajam incidido sobre a importação de mercadoria exportada após beneficiamento, ou utilizada na fabricação, complementação ou acondicionamento de outra exportada” (inciso I do art. 78), caracterizandose as modalidades previstas nos incisos II e III do artigo, respectivamente, como beneficiamento ativo e reposição de estoques.8 Contudo, preferimos a designação aperfeiçoamento ativo, que veio a se consagrar depois da obra do ex Secretário da Receita Federal, para a modalidade prevista no inciso II. Temos, assim, que: a) o ‘drawbackisenção’ constitui, como o próprio nome sugere, uma hipótese de isenção (conhecida como reposição de estoques)9 como tantas outras 5 Dispunha o artigo: “A aplicação do regime do ‘drawback’ farseá mediante: a) suspensão do pagamento do imposto devido, condicionada a plano de importação e exportação previamente aprovado, até a comprovação da exportação; b) franquia do imposto sobre importação posterior de mercadoria, em quantidade e qualidade equivalente à de origem estrangeira utilizada no produto exportado; e c) restituição do imposto pago. 6 Não obstante tenha sido alguns meses antes publicada a Lei no 5.025, de 10/06/1966, tratando em dois artigos de “drawback” (um deles, o art. 55, especificamente referindose a isenção). 7 Visto que internacionalmente a expressão drawback designava exclusivamente a restituição, e o Decretolei, em sua Exposição de Motivos (no 867, de 18/11/1966), expressamente afirmava espelharse em “Códigos Aduaneiros modernos” na disciplina da temática aduaneira. 8 LOPES FILHO, Osíris de Azevedo. Regimes aduaneiros especiais. São Paulo: Revista dos Tribunais, 1983, p. 9192. 9 A título ilustrativo, citese que o Glossário de Termos Aduaneiros e Comércio Exterior da ALADI define como ‘reposição de matériasprimas’ o “regime aduaneiro que permite importar, com isenção dos gravames respectivos, mercadorias equivalentes a outras que, havendo pago anteriormente esses gravames, foram utilizadas na produção de artigos exportados previamente a título definitivo” (Disponível em: <http://www.aladi.org/nsfaladi/glosario.nsf>. Acesso em: 09.jul.2014). MEIRA denomina esta ‘modalidade’ de Fl. 976DF CARF MF Processo nº 13005.721904/201305 Acórdão n.º 3401003.288 S3C4T1 Fl. 974 7 decorrentes de lei ou acordo internacional, compiladas no art. 136 do atual Regulamento Aduaneiro10; b) o ‘drawbackrestituição’, ou simplesmente ‘drawback’, nome pelo qual é conhecido no restante do mundo, é uma hipótese de restituição que busca incentivar as exportações11; e c) o ‘drawbacksuspensão’ (único que constitui propriamente um regime aduaneiro) é, em realidade, um aperfeiçoamento ativo.12 Reparese que a inadequação terminológica não macula, hoje, a aplicação de nenhuma das três ‘modalidades de drawback’ no Brasil, pois, relevandose os nomes, todas possuem supedâneo legal.13 Mas a confusão infralegal acabou por contaminar leis, como as de no 8.402/1992 (art. 3o, § 2o), no 11.945/2009 (arts. 13 e 14) e no 12.350/2010 (que passou a ter um Capítulo intitulado “Do Drawback” arts. 31 a 33, que nada trata sobre restituição), deixando o Brasil cada vez mais distante daquilo que o restante do mundo denomina “drawback”. No presente processo se discute aquilo que no Brasil foi denominado de "drawbackisenção", com disciplina legal estabelecida no art. 78 do Decretolei no 37/1966: "Art. 78. Poderá ser concedida, nos termos e condições estabelecidas no regulamento: (...) III isenção dos tributos que incidirem sobre importação de mercadoria, em quantidade e qualidade equivalentes à utilizada no beneficiamento, fabricação, complementação ou acondicionamento de produto exportado. drawbacksubstituição (MEIRA, Liziane Angelotti. Regimes aduaneiros especiais. São Paulo: IOB, 2002, p. 219). 10 Aliás, tal isenção está relacionada no art. 136 (inciso II, alínea ‘g’). A disciplina da isenção, contudo, foi deslocada da Seção de Isenções para o Livro referente a Regimes Aduaneiros Especiais, pela adoção da nomenclatura inadequada, que remonta à década de 60. Fossem as isenções regimes aduaneiros especiais, todas deveriam estar disciplinadas no Livro IV do Regulamento Aduaneiro. Fosse o drawbackisenção um regime aduaneiro especial, e não uma isenção concedida no regime comum de importação, não haveria necessidade de tê lo expressamente mantido na Lei no 8.032, de 12/4/1990 (arts. 2o, II, ‘g’, e 3o, I). 11 Assim como defendemos o posicionamento da disciplina do drawbackisenção na Seção referente a isenções do Regulamento Aduaneiro, o drawbackrestituição melhor ficaria posicionado ao lado das restituições, em decorrência do regime comum de importação, no art. 110 do mesmo regulamento. 12 No Capítulo 1 do Anexo Específico ‘F’ da Convenção de Kyoto revisada encontramos a definição de aperfeiçoamento ativo: “regime aduaneiro que permite receber em um território aduaneiro, com suspensão dos tributos incidentes na importação, certas mercadorias destinadas a sofrer uma transformação, processamento ou reparo e a serem posteriormente exportadas”. O texto corresponde à tradução livre da versão em francês ("perfectionnement actif: le régime douanier qui permet de recevoir dans un territoire douanier, en suspension des droits et taxes à l’ importation, certaines marchandises destinées à subir une transformation, une ouvraison ou une réparation et à être ultérieurement exportées”), equivalente à versão em inglês, o outro idioma oficial da OMA (“inward processing: means the Customs procedure under which certain goods can be brought into a Customs territory conditionally relieved from payment of import duties and taxes, on the basis that such goods are intended for manufacturing, processing or repair and subsequent exportation”), e está disponível, em ambos os idiomas, em: <www.wcoomd.org>. Acesso em: 09.jul.2014. 13 A situação, em verdade, é ainda pior, dado que normas de hierarquia inferior a decreto acabaram por criar ainda verdadeiras submodalidades de drawback (v.g. Portaria SECEX no 23, de 14/07/2011 que trata de drawback intermediário art. 88, drawback embarcação art. 69, I, e drawback para fornecimento no mercado interno art. 69, II). Fl. 977DF CARF MF 8 A filosofia da isenção é a seguinte: (a) uma empresa importa matériaprima para fabricação de determinado produto, com incidência normal de tributos; (b) após a industrialização, acaba por exportar o produto que fabricou com a matériaprima importada anteriormente; e (c) com a comprovação da exportação, utilizando a matériaprima importada com incidência normal de tributos, adquire o direito de importar novamente a matériaprima (em quantidade/qualidade equivalente), agora com isenção, e sem a necessidade de que haja exportação. Daí o nome comumente empregado de "reposição de estoques". E, reparese, que ao invés de repor seu estoque, a empresa que realizou os procedimentos descritos nas letras "a" e "b" deste parágrafo poderia, com a comprovação da exportação, utilizando a matériaprima importada com incidência normal de tributos, simplesmente pedir restituição dos tributos pagos (aquilo que no Brasil é conhecido como "drawbackrestituição", e, no resto do mundo, simplesmente como "drawback"). E, no Brasil, o chamado "drawbackisenção" é concedido pela SECEX (Secretaria de Comércio Exterior, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior), por meio de Ato Concessório, e fiscalizado pela RFB (Secretaria da Receita Federal do Brasil, do Ministério da Fazenda). Essa afirmação já é suficiente para que se esclareça que as documentações emitidas pela SECEX não atestam conclusivamente a regularidade do regime, que pode ser objeto de fiscalização pela RFB. Vejase que a SECEX não detém competência para atestar a regularidade do regime, por manusear apenas documentos, sequer verificando mercadoria ou processo produtivo, competências que são exclusivas da RFB, por meio de seus auditoresfiscais (AFRFB). A matéria já é, inclusive, sumulada no âmbito deste CARF, no que se refere ao "drawback suspensão": Súmula CARF no 100: O AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil tem competência para fiscalizar o cumprimento dos requisitos do regime de drawback na modalidade suspensão, aí compreendidos o lançamento do crédito tributário, sua exclusão em razão do reconhecimento de beneficio, e a verificação, a qualquer tempo, da regular observação, pela importadora, das condições fixadas na legislação pertinente. E nada muda em relação ao drawback isenção, pois, de forma idêntica, é concedido pela SECEX (apenas com base em documentos, o que resta óbvio, até pela impossibilidade de a SECEX fiscalizar nos portos, aeroportos e pontos de fronteira, diante de sua estrutura centralizada) e fiscalizado efetivamente pela RFB, por meio de seus auditores fiscais (AFRFB). Assim, seguese a análise do "drawbackisenção" já sob a premissa de que a autoridade competente para fiscalizar e atestar a regularidade do regime não é a SECEX (encarregada exclusivamente da concessão do regime), mas da RFB. Com isso se afasta a argumentação da recorrente de que suas operações estariam regulares em virtude haver concessão ou reconhecimento pela SECEX. Ademais, a situação aqui em análise guarda pouca relação com a referida no acórdão colacionado pela recorrente (não versando estes autos sobre nulidade de ato concessório, mas sobre fiscalização de cumprimento de ato concessório), que foi objeto de recurso, e ainda tramita neste CARF. O "drawbackisenção" brasileiro pressupõe, então, três etapas: 1) uma importação de mercadorias, com incidência normal de tributos, que deve ser comprovada com uma Declaração de Importação (DI); Fl. 978DF CARF MF Processo nº 13005.721904/201305 Acórdão n.º 3401003.288 S3C4T1 Fl. 975 9 2) uma exportação de produto no qual se utilizem as mercadorias importadas, que deve ser comprovada com um Registro de Exportação (RE), vinculado a uma declaração de exportação que tenha sido averbada; e 3) uma solicitação do benefício para a SECEX, que emite um Ato Concessório, autorizando a empresa a importar com isenção as mercadorias especificadas no documento. Percebese, pelo exposto, que todas as operações realizadas nas diferentes fases são documentadas. Basta à fiscalização, assim, verificar se o teor dos documentos é condizente com a realidade da operação. E, para tanto, deve o fisco analisar as entradas e saídas de mercadorias, e a movimentação do estoque, para saber se houve efetivo cumprimento de cada fase. E foi esse o objetivo do procedimento fiscal iniciado em 05/07/2013, que trata do caso em análise. Do procedimento de fiscalização no caso em análise No procedimento de fiscalização, foram estabelecidas premissas compatíveis com as três etapas acima, mas já com os prazos constantes das Portarias SECEX de regência, e comparandose, a cada Ato Concessório, as mercadorias importadas e exportadas, chegandose a tabelas onde foram verificadas incompatibilidades entre as mercadorias importadas com pagamento de tributos (etapa 1), e as importadas, posteriormente, com isenção (etapa 3), e importações (etapa 3) não amparadas em exportações ocorridas (etapa 2). A recorrente, em sua defesa, justifica as diferenças apuradas no fato de ter a fiscalização desconsiderado algumas adições de declarações de importação, que aqui organizamos em ordem cronológica, apondo, entre parênteses, as páginas correspondentes no presente processo (numeração eletrônica): DI no 08/15761893/adições 01 e 02 (fls. 752 a 757); DI no 09/08731234/adição 04 (fls. 758 a 765); DI no 09/09251333/adição 03 (fls. 778 a 784); DI no 09/14157676/adição 03 (fls. 744 a 751); e DI no 11/13304091/adições 01, 03 e 04 (fls. 791 a 798). Como bem percebeu a DRJ, todas as importações, nas adições citadas, foram efetuadas com isenção (etapa 3), não se prestando a comprovar a etapa 1: importações normais com pagamento de tributos. Estaria, assim, a empresa, "repondo estoques" de mercadorias que já importou com isenção, o que é absolutamente incompatível com o regime. Não atentou a recorrente para o próprio critério claramente informado pela fiscalização (fls. 213/214): "6. Com base nessas condições, na fiscalização dos atos concessórios de drawback isenção, emitidos para a sociedade empresária POLO, verificamos os seguintes pontos: (...) (iii) Se a quantidade de mercadorias importadas com isenção, posteriormente à emissão dos atos concessórios, era compatível em quantidade e qualidade às importadas originalmente com pagamento de tributos; Fl. 979DF CARF MF 10 (iv) Se, após a análise iii, a quantidade de mercadorias importadas com isenção, posteriormente à emissão dos atos concessórios, era compatível com a quantidade utilizada em produtos exportados previamente à emissão do ato concessório, considerandose, conforme a legislação de regência, as perdas no processo produtivo." (grifo nosso) Parece entender a recorrente que pode justificar a importação posterior com isenção mediante uma declaração de importação antecedente que também foi efetuada com isenção. Em outras palavras, que uma importação efetuada com isenção poderia ser usada como antecedente (etapa 1) de um processo de "drawback isenção". E isso é absolutamente avesso ao comando do artigo 78 do Decretolei no 37/1966, aqui reproduzido. E avesso também ao que dispõem os Regulamentos Aduaneiros (RA) de 2002 e 2009, ao disciplinar a matéria, em suas redações originais. E, no RA de 2009, o artigo 402A, mencionado pela recorrente, foi inserido para disciplinar o artigo 17 da Lei no 11.774/2008, permitindo a utilização de mercadoria equivalente apenas a partir da edição de ato normativo específico conjunto entre SECEX e RFB. Tal ato foi emitido em 17/12/2010 (Portaria Conjunta RFB/SECEX no 3, vigente a partir de 21/02/2011), mas sua aplicação ao caso demandaria providência explícita por parte da recorrente (v.g., conforme artigos 5o e 10), ainda assim, somente em relação ao Ato Concessório no 169011/0000012, providência que não se detecta nas cópias do Ato Concessório carreadas aos autos (fls. 727/728). No que se refere à necessidade de vinculação física, expressamente referida pela DRJ, temos que é incabível tal discussão nestes autos, tendo em vista que a autuação não usa a expressão e a impugnação não discute especificamente o tema, limitandose a afirmar que as operações estariam comprovadas pelas DI registradas com isenção. Assim, a defesa não alega que as diferenças se devem a utilização de produtos equivalentes, mas a importações de mercadorias isentas, com benefício, restando, então, uma "etapa" em aberto no drawback, pois tais mercadorias são resultantes (etapa 3), e não pressupostos (etapa 1) da isenção. Improcedentes, portanto, as alegações de defesa. Considerações Finais Cabe ainda, derradeiramente, analisar argumento suscitado pela recorrente após o prazo para interposição de recurso voluntário, referente a decadência, como matéria de ordem pública, visto que o colegiado deliberou majoritariamente por sequer conhecer a respeito da outra preliminar intempestivamente suscitada, referente à aplicação do artigo 100 do Código Tributário Nacional, ao caso. Na hipótese de drawbackisenção brasileiro, o prazo regular para lavratura da autuação, segundo o Regulamento Aduaneiro (Decreto no 6.759/2009 artigo 752, § 3o, II), que acolheu o entendimento majoritário do CARF sobre a matéria, é de cinco anos a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele no qual foi registrada a declaração de importação com isenção. No caso em análise, que trata de declarações de importação registradas a partir de 2008, tal prazo seria 01/01/2014. Como a ciência da lavratura do auto de infração se Fl. 980DF CARF MF Processo nº 13005.721904/201305 Acórdão n.º 3401003.288 S3C4T1 Fl. 976 11 deu em 11/10/2013 (fl. 655), é forçoso concluir que não há vestígio da ocorrência de decadência, no presente processo. A recorrente parece ainda fazer certa confusão, com vínculo indevido entre o prazo decadencial e a emissão do ato concessório, que, repitase, é ato formal da SECEX, órgão sem competência fiscalizatória do regime, competência esta que é restrita à RFB. Não há revisão de ato, no caso, mas fiscalização de ato pelo órgão competente, dentro dos prazos permitidos na legislação aduaneira. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário apresentado. Rosaldo Trevisan Fl. 981DF CARF MF 12 Declaração de Voto Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira, Peço permissão para declarar meu voto, e justificar, assim, minha proposição de nulidade da autuação, face ao extremamente fundamentado voto do relator, o ilustre Conselheiro Rosaldo Trevisan. Creio que deveríamos decretar a nulidade do Auto por cerceamento de defesa e falta de fundamentação lógica (erro na descrição do fato e na subsunção à hipótese legal artigos 10 e 59 do Decreto no 70.235, de 1972). Nas próximas linhas explico essa minha convicção. Peço a paciência de todos para trazer a essa declaração parte do Termo Fiscal, trecho em que a autoridade fiscal procura demonstrar as evidências para a sua conclusão (selecionei apenas o referente a um dos atos concessórios, como ilustração, mas o modelo de análise se reproduz aos outros atos). Percorramos com vagar o texto do auto de infração: 3.1. ATO CONCESSÓRIO N° 169008/000052 [...] 16. A terceira tarefa realizada (análise 3) foi determinar a quantidade de produtos importados com pagamento de tributos (DIs relacionadas no RUD) e comparar com a quantidade de produtos importados com isenção de tributos (DIs obtidas no Siscomex a partir das informações prestadas pelo contribuinte quando do registro das mesmas, em especial o no do AC). 17. A partir do RUD obtemos os números das DIs que foram registradas com pagamentos de tributos. Com esses números, esta fiscalização extraiuas do Siscomex e classificou as mercadorias importadas (conforme laudo técnico) e as respectivas quantidades, em kg, conforme Anexo V. 18. A partir dos dados do Anexo V, é possível separar, por mercadoria, a quantidade, em KG, de mercadoria importada com pagamento de tributos, conforme tabela 1 abaixo: Tabela 1 Mercadoria | Quantidade (KG) COPOLIMERO INEOS ELTEX P KS 409 / ELTEX PKS 407 / ELTEX PKS 607 1.608.750 PROPILCO 03H77MAB 267.500 RESINA MATE CONSTAB MAT 2440 / AMPACET MATIF 97 8.675 Schilman Polybatch FASPS 2950 / Schulman Polybatch FASPS 2950 W Constab ATG 4509 PP / Ampacet Anslip 75 / Ampacet Anslip 12 429.750 SCHULMAN MASTERBATCH PF 42 N / SCHULMAN MASTERBATCH PF 52 N / SCHULMAN MASTERBATCH PF 61 V / CONSTAB FK 80103 PP / MULTIBASE MP 52720 / AMPACET WHOP 2P 460.000 SCHULMAN POLYBATCH ASPA 2485 1.500 Schulman Polybatch FASPS ABVT 22 SC / CONSTAB AB 6060 / AMPACET SEABLOCK 4 / AMPACET SEABLOCK 2 18.750 TERPOLIMERO INEOS ELTEX P KS 359 / ELTEX PKS 357 / BASELL ADSYL 5C 30F 2.139.750 Fl. 982DF CARF MF Processo nº 13005.721904/201305 Acórdão n.º 3401003.288 S3C4T1 Fl. 977 13 19. Seguindo a análise, resta obter a quantidade de mercadorias importadas com isenção de tributos utilizando o benefício do ato concessório de drawback n° 169008/0000052. Tais DIs foram extraídas do Siscomex, a partir das informações prestadas pelo contribuinte quando do registro no sistema, e classificadas por mercadoria e quantidade, em kg, conforme Anexo VI: 20. A partir dos dados do Anexo VI, é possível separar, por mercadoria, a quantidade, em KG, de mercadoria importada com isenção de tributos, conforme tabela 2 abaixo: Tabela 2 Mercadoria | Quantidade (KG) COPOLIMERO INEOS ELTEX P KS 409 / ELTEX PKS 407 / ELTEX PKS 607 1.563.550 COPOLIMEROS DE PROPILENO ADSYL 7416 XCP 1.375 COPOLIMEROS DE PROPILENO ADSYL 7434 1.375 PROPILCO 03H77MAB 229.500 Schilman Polybatch FASPS 2950 / Schulman Polybatch FASPS 2950 W Constab ATG 4509 PP / Ampacet Anslip 75 / Ampacet Anslip 12 295.625 SCHULMAN MASTERBATCH PF 42 N / SCHULMAN MASTERBATCH PF 52 N / SCHULMAN MASTERBATCH PF 61 V / CONSTAB FK 80103 PP / MULTIBASE MP 52720 / AMPACET WHOP 2P 621.373 SCHULMAN POLYBATCH ABPP 05 5.375 SCHULMAN POLYBATCH ABVT 34 SC / AMPACET TASC 25 2.750 SCHULMAN POLYBATCH ASPA 2485 70.000 Schulman Polybatch FASPS ABVT 22 SC / CONSTAB AB 6060 / AMPACET SEABLOCK 4 / AMPACET SEABLOCK 2 123.750 Schulman Polybatch FASPS ABVT 22 SC / CONSTAB AB 6060 / AMPACET SEABLOCK 4 / AMPACET SEABLOCK 2 123.750 TERPOLIMERO DE PROPILENO ADSYL 7410 XCP 27.500 TERPOLIMERO INEOS ELTEX P KS 359 / ELTEX PKS 357 / BASELL ADSYL 5C 30F 2.096.724 TERPOLIMERO INEOS ELTEX P KS 399 / TERPOLIMERO INEOS ELTEX P KS 689 49.500 21. Analisando preliminarmente as tabelas 1 e 2, observamos que há uma divergência considerável entre as mercadorias e quantidades importadas com pagamento de tributos e as importadas com isenção tributária, evidenciando que o benefício de drawback não está sendo utilizado da maneira correta pelo interessado. 22. A quarta tarefa realizada (análise 4) foi determinar a quantidade teoricamente necessária de mercadoria importada para produzir o produto que foi exportado, segundo o RUD e laudos técnicos fornecidos pela própria POLO (anexo II e III), com suas quantidades e relações insumo importado x produto exportado, bem como as perdas inerentes aos processos produtivos desses produtos exportados. Fl. 983DF CARF MF 14 23. Importante ressaltar que os laudos técnicos com a composição dos produtos exportados, apresentados pelo interessado, possuem 3 períodos de referência (Julho de 2006 a Setembro de 2007, Junho de 2008 e Dezembro de 2009) para os mesmos produtos, conforme anexo III. 24. Os períodos de referência de julho de 2006 a Setembro de 2007 e de Junho de 2008 são exatamente iguais, ou seja, possuem as mesmas relações de insumo importado x produto exportado. Já os laudos de dezembro de 2009 possuem relações de insumo importado x produto exportados diferentes dos anteriores. Como as exportações do ato concessório n° 1690 08/0000052 ocorreram nos anos de 2006 e 2007, foram considerados os laudos técnicos do período de referência de julho de 2006 a setembro de 2007 para efeitos de análise. 25. A partir do RUD, dos laudos apresentados e de respostas a intimações feitas por esta fiscalização (anexo II, III e IV), é possível identificar a que laudo técnico pertence cada produto exportado. Tais informações encontramse no Anexo VII. 26. A partir dos dados do Anexo VII, é possível identificar, por laudo técnico, a quantidade, em KG, de mercadoria necessária à fabricação dos produtos exportados, conforme tabela 3 abaixo: Tabela 3 Mercadoria Quantidade (KG) TSY 8.293.474,64 TSB 685.460,80 TMS 933.223,45 TPY 338.828,36 TBP TOB 407.786,28 MB400 162.454,2 TFA 98.774,5 THB 78.247,2 MF503 20.625 PKS 359 7.500 27. A simples multiplicação da relação insumo x produto pela quantidade de produto exportado, adicionado do percentual de perdas do processo produtivo, nos fornecerá, sem quaisquer outras considerações de datas de importação, de quantidades importadas anteriormente e posteriormente às exportações etc, a quantidade teórica de produtos utilizados para fabricação das mercadorias exportadas. Tais valores encontramse na tabela 4 abaixo: Tabela 4 (Produtos exportados sem perdas no processo produtivo) Mercadoria NCM Produto Exportado Quantidade (KG) Quantidade (KG) + perdas (5%) Homopolímero Braskem e Ipiranga H 504 XP / Homopolimero Ineos H03G01 / Homopolimero Braskem H 520 HS 39202019 9.922.300,86 10.418.415,9 0 PROPILCO 03H77MAB 39202019 72.300,41 75.915,43 Schilman Polybatch FASPS 2950 / Schulman Polybatch FASPS 2950 W Constab ATG 4509 PP / Ampacet Anslip 75 / Ampacet Anslip 12 39202019 127.878,93 134.272,88 SCHULMAN POLYBATCH ABPP 05 39202019 11.759,91 12.347,90 SCHULMAN POLYBATCH ASPA 2485 39202019 8.097,99 8.502,89 SCHULMAN MASTERBATCH PF 42 N / SCHULMAN MASTERBATCH PF 52 N / 39202019 59.292,12 62.256,73 Fl. 984DF CARF MF Processo nº 13005.721904/201305 Acórdão n.º 3401003.288 S3C4T1 Fl. 978 15 SCHULMAN MASTERBATCH PF 61 V / CONSTAB FK 80103 PP / MULTIBASE MP 52720 / AMPACET WHOP 2P Schulman Polybatch FASPS ABVT 22 SC / CONSTAB AB 6060 / AMPACET SEABLOCK 4 / AMPACET SEABLOCK 2 39202019 30.962,21 32.510,32 COPOLIMERO INEOS ELTEX P KS 409 / ELTEX PKS 407 / ELTEX PKS 607 39202019 670.474,37 703.998,09 TERPOLIMERO INEOS ELTEX P KS 359 / ELTEX PKS 357 / BASELL ADSYL 5C 30F 39202019 645.095,05 677.349,81 SCHULMAN POLYBATCH ABVT 34 SC / AMPACET TASC 25 39202019 0,00 0,00 TERPOLIMERO INEOS ELTEX P KS 399 / TERPOLIMERO INEOS ELTEX P KS 689 39202019 0,00 0,00 RESINA HIDROGENADA CONSTAB MA0929 CPP / RESINA HIDROGENADA CONSTAB MA0937 CPP 39202019 0,00 0,00 RESINA MATE CONSTAB MAT 2440 / AMPACET MATIF 97 39202019 0,00 0,00 MF503* 39023000 7.500 7.500,00 PKS 359* 39029000 20.625 20.625,00 28. Recordando, o regime especial de drawback isenção é aquele que permite importar mercadoria, com isenção dos tributos incidentes na importação, em quantidade e qualidade equivalente à utilizada no beneficiamento, fabricação, complementação ou acondicionamento de produto anteriormente exportado. A quantidade e qualidade dos produtos exportados estão relacionadas na tabela 4 acima. Já as importações com isenção estão relacionadas na tabela 2 acima. Dessa forma, partindo dos dados da tabela 2, comparandoos com os da tabela 4, obtemos a tabela 5 abaixo: Tabela 5 Mercadoria Quantidade importada com isenção de Tributos (KG) Quantidade anteriormente utilizada na fabricação dos produtos exportados (KG) Quantidade NÃO utilizada para fabricação dos produtos exportados (KG) COPOLIMERO INEOS ELTEX P KS 409 / ELTEX PKS 407 / ELTEX PKS 607 1.563.550,00 703.998,09 859.551,91 29. Conforme tabela 5 acima, concluise que uma grande quantidade de mercadorias importadas com isenção de tributos não foi utilizada na fabricação de produtos exportados. Dessa forma, tais mercadorias foram glosadas por esta fiscalização, cabendo a cobrança dos tributos incidentes devidos, mas não recolhidos na data de registro das respectivas DI. Ao fazermos essa cobrança, utilizamos o método "PEPS" (o primeiro a entrar é o primeiro a sair), exigindo os tributos não recolhidos das DIs mais recentes, o que tem por conseqüência a imposição de um valor menor a título de juros. 30. Na análise dos dois atos concessórios restantes usaremos as mesmas considerações essenciais e o mesmo método e sistema de cálculos utilizados na análise deste ato concessório. Fl. 985DF CARF MF 16 Esse foi um trecho do termo fiscal, por meio do qual a autoridade demonstra como identificou e quantificou os bens em que não se pagou os tributos devidos. Fica evidente o domínio técnico da autoridade de lançamento sobre o seu modelo de análise. Não é esse meu questionamento. Foco nas condições de compreensão da contribuinte a respeito do modelo de análise e de suas implicações para a determinação do fato considerado infração. Segundo o relator do julgamento a quo, a acusação seria de inadimplemento do regime drawback isenção, pois teria sido constatado que a contribuinte não faria jus à isenção por que ela não comprovara que os bens importados antes do ato concessório ter sido emitido haviam sido aproveitados nos exportados. Reproduzo a seguir o trecho do acórdão da DRJ onde há o relatório do procedimento fiscal e da sua conclusão: Em uma primeira análise foi verificada a compatibilidade das datas de registro das Declarações de Importação pertencentes ao regime de drawback isenção com a data de validade do ato concessório. Consultando o Siscomex, observase que as importações sob o regime estavam dentro do prazo autorizado pela Secex. Em uma segunda análise foi verificada a compatibilidade das datas de registro das Declarações de Importação originais (importações anteriores às exportações) com a data do pedido do ato concessório. Foram consideradas válidas todas as Declarações de Importação informadas no RUD. A quarta análise realizada foi para determinar a quantidade teoricamente necessária de mercadoria importada para produzir o produto que foi exportado, segundo o RUD e laudos técnicos fornecidos pela própria POLO, com suas quantidades e relações insumo importado X produto exportado, bem como as perdas inerentes aos processos produtivos desses produtos exportados. Desta análise, concluiuse que uma grande quantidade de mercadorias importadas com isenção de tributos não foi utilizada na fabricação de produtos exportados. Dessa forma, tais mercadorias foram glosadas por esta fiscalização, cabendo a cobrança dos tributos incidentes devidos, mas não recolhidos na data de registro das respectivas Declarações de Importação. Segundo a Fiscalização, as infrações ao regime aduaneiro especial de drawback cometidas pela empresa Pólo são as seguintes: I) Importações de mercadorias sob o regime de drawback isenção não amparadas em importações ocorridas com pagamento de tributos; II) Importações de mercadorias sob o regime de drawback isenção não amparadas em exportações ocorridas. A Fiscalização cita o artigo 120 do Regulamento Aduaneiro (Decreto n° 6.759, de 05 de fevereiro de 2009) e aduz que a desconsideração das quantidades informadas para efeito da comprovação do compromisso maior da POLO, o qual era a reposição de mercadoria anteriormente importada com recolhimento dos tributos incidentes, utilizada na produção de produto exportado, tem como resultado a exigência dos tributos incidentes no momento das importações sob o regime, mas não recolhidos. Fl. 986DF CARF MF Processo nº 13005.721904/201305 Acórdão n.º 3401003.288 S3C4T1 Fl. 979 17 Ou seja, a sociedade empresária POLO não fazia jus ao benefício pleiteado, no caso a isenção dos tributos devidos na importação, no momento do registro das importações das quantidades de mercadorias que restaram glosadas, pois tais quantidades não possuíam correspondência com mercadorias anteriormente importadas e utilizadas em produto exportados. (GRIFOS ACRESCIDOS) Notemos, senhores Conselheiros, que a autoridade fiscal descreve seu procedimento como passando por quatro análises. Em sua 3ª análise compara a quantidade da 1ª importação (antes da exportação e do respectivo ato concessório) com a quantidade da 2ª importação (depois do ato concessório) e conclui que o contribuinte usa o regime de forma incorreta por que a quantidade importada com isenção diverge substancialmente com a quantidade importada com pagamento de tributo. Mas prossigamos em nossa ponderação a respeito da autuação. Notemos que na 4ª análise a autoridade fiscal revê os parâmetros que embasaram as quantidades autorizadas no ato concessório. E ela conclui que a contribuinte teria direito a menos bens importados com isenção do que havia sido autorizado no ato concessório e menos do que havia sido importado com isenção. O Ilustre Julgador da DRJ, ao desenvolver o argumento, em seu voto, para concluir pela manutenção da exigência, desconsidera a 3ª análise e sua conclusão e concentra se na 4ª análise. Vejamos: A fiscalização, utilizando os RUD, extrações do Siscomex e laudos técnicos fornecidos pelo contribuinte, elaborou as planilhas constantes no relatório de Fiscalização. Nestas planilhas, a quantidade de cada um dos insumos importados, em cada ato concessório, é comparada com aquelas exportadas nos REs que foram utilizados para adimplemento do compromisso de exportar. A análise das referidas planilhas indica que, de modo geral, o contribuinte não conseguiu adimplir, na totalidade, o compromisso de exportação assumido nos referidos atos concessórios. Nesses atos houve, à época do vencimento do prazo de vigência do regime, sobra de insumo importado com isenção de tributos. Ou seja, a quantidade de insumo total exportado é inferior àquela que foi importada ao amparo do regime. (GRIFOS ACRESCIDOS) Os julgadores a quo apreciam os argumentos de defesa da contribuinte e manifestam que eles não parecem ser assertivos com relação ao fato imputado. E manifestam ainda que o contribuinte pecou por falta de provas para sustentar suas alegações e seu direito. Vejamos: Frente às argumentações da Fiscalização, as alegações da impugnante não têm fundamento. Ao defender que determinadas adições não foram consideradas, não houve clareza suficiente sobre qual impacto teria nas análises realizadas pela Fiscalização. A interessada ao dizer que há falta de inclusão de determinada adição de uma Declaração de Fl. 987DF CARF MF 18 Importação, baseada em análise somente quantitativa, não justifica o uso dos insumos corretamente. Ressaltase que as Declarações de Importação às quais a interessada se refere como não consideradas pela Fiscalização são as Declarações de Importação com isenção tributária. Sem contar que, por exemplo, a impugnante se engana ao dizer que a Fiscalização não considerou a adição 03 da Declaração de Importação n° 09/14157676. Esta adição faz parte das planilhas relacionadas às folhas 431 e 644. Além do mais, se determinada adição de uma Declaração de Importação não foi considerada, esta deveria ser adicionada ao valor total das Declarações de Importação com isenção. Logicamente, com mais essas adições, se constataria que teriam sido importados mais insumos do que deveria, ou seja, haveria sobra de insumos importados com isenção. Assim, esta alegação somente vem prejudicar a posição do contribuinte. Sem contar que o contribuinte somente fez analise quantitativa, e não qualitativa, ao comparar somente valores totais das Declarações de Importação originais com pagamentos de tributos e Declarações de Importação com isenção. Pela análise qualitativa, a empresa beneficiária do regime deveria comprovar a utilização dos insumos importados (1a importação) na elaboração dos produtos exportados. Pois, somente demonstrando esta utilização é que a impugnante teria direito à isenção dos impostos na reposição de seus estoques (2a importação). Como visto, da leitura dos autos verifica que a impugnante não se esforçou minimamente para demonstrar, efetivamente, a utilização dos insumos importados nos produtos exportados. Cabe às partes em litígio ao fazerem suas alegações e afirmações apresentarem as provas que as embasam. Devem demonstrar os fatos que alegam de forma a esclarecer o julgador, proporcionandolhe o conhecimento dos mesmos e auxiliar na formação de seu convencimento. Ante a tudo o que foi exposto, fica evidenciado que a Impugnante não demonstrou que os insumos importados foram utilizados na elaboração de produtos exportados. (GRIFOS ACRESCIDOS) A meu ver, fica claro que a contribuinte, à luz o que constava no termo fiscal, havia chegado a entendimento do fato infracional diferente do entendimento esposado pelos Julgadores a quo. Se esse entendimento da contribuinte foi equivocado, ao perquirir o que ela argumentou em sua impugnação e ao cotejálo com o termo fiscal, podemos inferir que esse equívoco se deve em parte à descrição apresentada pela autoridade de lançamento. Por isso fui ao Termo Fiscal, e constatei que a minha leitura dele ganha clareza quando apoiome na interpretação e resumo da decisão de 1º piso, e adquiro ainda maior compreensão após ler o relatório e voto do Conselheiro Rosaldo Trevisan. Por isso, deduzo que a leitura exclusiva do termo fiscal não é suficiente para se compreender o fato imputado. Os julgadores a quo não aventaram a hipótese de que a contribuinte não estava apresentando argumentos eficientes ou eficazes por que lhe faltara provas, mas por que Fl. 988DF CARF MF Processo nº 13005.721904/201305 Acórdão n.º 3401003.288 S3C4T1 Fl. 980 19 haviam chegado a entendimento do fato apurado que seria revelado distinto do entendimento elaborado pelos próprios julgadores de seu recurso. Notemos que a contribuinte não percebera que a autoridade fiscal estava revisando as bases do próprio ato concessório emitido pela SECEX. A contribuinte não questionara esse procedimento da Receita Federal em sua impugnação. A recorrente não conseguira entender isso somente com o texto do Termo Fiscal. Ela somente compreendeu esse procedimento, parte do fato apurado, depois da decisão proferida pela DRJ. Ela incluiu então em seu recurso voluntário o questionamento da Receita Federal estar revisando o ato administrativo de outro órgão (no caso a SECEX, emissor do ato concessório em drawback isenção). A meu ver, houve cerceamento ao amplo exercício do direito de defesa, pois insuficiente a descrição do fato imputado e sua subsunção à hipótese dada pela lei para definir a infração, de modo a permitir ao acusado entender a acusação e poder dela se defender tempestiva e amplamente. Essa situação se enquadra na hipótese prevista na combinação do artigo 10 com o artigo 59 do Decreto no 70.235, de 1972. Adiciono ainda uma consideração. De plano, reafirmo que o voto do mui ilustre relator Conselheiro Rosaldo Trevisan é claro e didático quanto a apresentar e explicar o regime drawback isenção. Entretanto, respeitosamente, peço escusas para apontar que em seu relatório, voto e argumentação em sessão sugere que o contribuinte havia usado de importação isenta (e não somente de importações com pagamento) para obter o ato concessório. Essa interpretação argumentativa e analítica, em minha visão, vem ao encontro do diagnóstico que fiz. O Termo Fiscal não traz uma descrição dos fatos que seja compreensível, em primeira leitura, para a contribuinte. E essa descrição fiscal suscitou leituras diferentes entre os especialistas da matéria, cujas divergências foram sendo decantadas e revisadas ao longo do contraditório, principalmente nas peças de defesa da contribuinte. Faço notar que não há nos autos qualquer dado ou prova incluída pela autoridade fiscal de que o Ato Concessório teria sido emitido aproveitando DI originária que tinham já aproveitado isenção, como desejou sugerir o relator. Por essas razões é que propus a nulidade da autuação. Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira Fl. 989DF CARF MF
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