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Numero do processo: 16682.720094/2010-25
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jun 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008
REMUNERAÇÃO. INCENTIVO DE VENDAS. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS.
Integram a base de cálculo de contribuições previdenciárias os valores pagos a título de prêmios de incentivo a vendas. Por depender do desempenho individual do trabalhador, o prêmio tem caráter retributivo, representando contraprestação pelo serviço prestado.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-003.335
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Ausente justificadamente o conselheiro Igor Araújo Soares.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Kleber Ferreira de Araújo - Relator
Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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INCENTIVO DE VENDAS. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. Integram a base de cálculo de contribuições previdenciárias os valores pagos a título de prêmios de incentivo a vendas. Por depender do desempenho individual do trabalhador, o prêmio tem caráter retributivo, representando contraprestação pelo serviço prestado. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Ausente justificadamente o conselheiro Igor Araújo Soares. Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 00 94 /2 01 0- 25 Fl. 558DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/02 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Relatório Tratase de recurso interposto pelo sujeito passivo contra o Acórdão n.º 12 42.985 de lavra da 13.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento – DRJ no Rio de Janeiro I (RJ), que julgou improcedente em parte a impugnação apresentada para desconstituir o Auto de Infração – AI n.º 37.265.0503. Consoante o relatório fiscal, fls. 127/140, constituem fatos geradores das contribuições lançadas (parte dos segurados) o pagamento de verbas a título de “indenização adicional acordo coletivo”, “gratificação especial” e “prêmio de campanha de vendas”. Ao ser intimado a apresentar esclarecimentos sobre as verbas mencionadas, o sujeito passivo assim pronunciouse: “146 – Indenização Adicional Ac Coletivo – Indenização paga de acordo com a Cláusula 36 da Convenção Coletiva de Trabalho do Sindicato dos Securitários de 2007. 455 – Gratificação Especial – Referente a ganho eventual pago em parcela única e, portanto, sem habitualidade, que na forma da legislação aplicável não sofre incidência de encargos. 456 – Prêmio de Campanha de Vendas – Referente a prêmio da campanha “É Flash” de vendas.” Segundo o fisco, a “indenização adicional” era paga aos empregados dispensados sem justa causa e variava de meio a um e meio salário conforme o tempo de efetivo serviço prestado à empresa. A“gratificação especial”, consoante o relatório fiscal, foi paga a dois funcionários em parcela única, no início do pacto laboral e os demais receberam também em parcela única, porém, no curso do contrato de trabalho e em retribuição ao bom desempenho em projetos de interesse da empresa. Para o fisco, o “prêmio de campanha de vendas” representava retribuição ao esforço dos empregados para atingirem as metas estabelecidas pelo empregador, malgrado a empresa tenha justificado que esses pagamentos eram desvinculados dos serviços prestados. Informase que na apuração das contribuições foi considerado o teto legal do saláriodecontribuição. A multa, ressaltase no relatório fiscal, foi imposta levandose em consideração as alterações promovida s pela Lei n.º 11.941/2009, optandose pelo valor mais favorável ao sujeito passivo, quando se comparou a multa aplicada com base na legislação vigente no momento da ocorrência dos fatos geradores e aquela calculada com esteio na norma atual. Em análise aos argumentos apresentados na impugnação, o órgão de primeira instância considerou como não impugnada a parte do lançamento relativa à “indenização adicional” para as competências em que o sujeito passivo apresentou guias de recolhimento que supostamente quitariam as contribuições decorrentes desta parcela. Fl. 559DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/02 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16682.720094/201025 Acórdão n.º 2401003.335 S2C4T1 Fl. 555 3 Para a competência 06/2008, em que não foi apresentada guia de recolhimento, a DRJ afastou a incidência, por entender que a “indenização adicional” paga na rescisão do contrato de trabalho não tinha natureza remuneratória. Também foram excluídas do lançamento as contribuições incidentes sobre a verba denominada “gratificação especial”, uma vez que a DRJ entendeu que se tratava de ganho eventual, portanto, excluída do saláriodecontribuição por força do item 7 da alínea “e” do § 9. do art. 28 da Lei n.º 8.212/1991. Quanto à premiação de vendas, o órgão a quo conclui que os valores pagos aos segurados empregados a esse título retribuíram efetivamente o trabalho prestado, constituindose em ganho efetivo dos empregados, razão pela qual integram o conceito de remuneração. Consta no voto condutor do acórdão de primeira instância que os pagamentos seriam intimamente vinculados ao implemento de uma condição, por isso jamais podem ser tidos como uma eventualidade. O sujeito passivo, em seu recurso, alega que a premiação de campanha de vendas tem caráter eventual não podendo sofrer a incidência de contribuições sociais. Depois passou a apresentar características do seu plano de premiação, o qual afastaria a natureza salarial. Mencionou: a) a concessão das gratificações e prêmios era eventual; b) as gratificações e prêmios não tinham caráter remuneratório, pois não se vinculavam ao serviço prestado, possuindo nítida função de divulgar a marca da empresa; c) os prêmios eram diferentes (brindes, dinheiro) e possuíam baixo valor econômico; d) a elaboração das campanhas decorria do poder diretivo da recorrente e eram fruto de mera liberalidade; e e) as campanhas não objetivavam a simples distribuição de prêmios, mas sim elevar a motivação dos trabalhadores, sendo amplamente divulgadas nas dependências da recorrente. Advoga que os desembolsos não eram direcionados mensalmente aos mesmos segurados, como se constata da listagem elaborada pela auditoria. Apresenta decisões judiciais e administrativas que abonariam sua tese. Ao final, pede o provimento do recurso. É o relatório. Fl. 560DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/02 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Incidência de contribuições sobre verbas pagas a título de premiação por vendas A questão remanescente da lide diz respeito à incidência de contribuições previdenciárias sobre os valores repassados aos empregados da recorrente em razão da campanha de premiação denominada “É Flash”,cujo objetivo constou da cláusula 1.1. do regulamento do programa, nos seguintes termos: 1.1 Ampliar a comercialização dos produtos de Capitalização da Icatu Hartford Capitalização S/A, além de seguros de vida e de previdência da Icatu Hartford Seguros S/A, nos parceiros, promovendo o reconhecimento através de premiação aos profissionais de acordo com o alcance de metas previamente estipuladas e regras descritas abaixo. Os pagamentos em questão constaram das folhas de pagamento do mês de setembro de 2008 e beneficiou os segurados abaixo: número Nome Valor R$ 01 César Luiz da Silva 915,00 02 Luciano Bezerra Fornasier 215,00 03 Lúcio Thiago Brandão Silveira 215,00 04 Lucilie da Fontoura Alves 215,00 05 Michelle Rios Witcel 215,00 06 Maria Helida Socorro Pires de Almeida 665,00 07 Andressa de Souza Abreu 215,00 08 Marilucia Calazans de Lima 215,00 A Recorrente tenta descaracterizar a natureza salarial dos prêmios alegando que são pagos por mera liberalidade da empresa e sem habitualidade, uma vez que o pagamento é vinculado exclusivamente a eventual superação das metas ou expectativas de desempenho determinadas pelo empregador. Tal entendimento não pode prevalecer. A meu ver, a habitualidade não fica caracterizada apenas pelo pagamento em tempo certo, de forma mensal, bimestral, semestral, Fl. 561DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/02 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16682.720094/201025 Acórdão n.º 2401003.335 S2C4T1 Fl. 556 5 ou anual, mas pela garantia do recebimento a cada implemento de condição por parte do trabalhador. O pagamento de prêmios por cumprimento de condição leva tais valores a aderirem ao contrato de trabalho, cuja eventual supressão pode caracterizar alteração prejudicial do contrato de trabalho, o que é vedado pelo art. 468 da Consolidação das Leis do Trabalho, que dispõe neste sentido: Art. 468. Nos contratos individuais de trabalho só é lícita a alteração das respectivas condições por mútuo consentimento, ainda assim, desde que não resultem, direta ou indiretamente, prejuízos ao empregado, sob pena de nulidade da cláusula infringente desta garantia. O entendimento acima encontra respaldo na jurisprudência trabalhista, conforme se verifica nos seguintes julgados: Prêmios. Saláriocondição. Os prêmios constituem modalidade de saláriocondição, sujeitos a fatores determinados. E, como tal, integram a remuneração do autor estritamente nos meses em que verificada a condição”.(RO23976/ 97 – TRT 3ª Reg. – 1ª T –relator juiz Ricardo Antônio Mohallem – DJMG 220199). Comissões e prêmios. Distinção. Comissão é um porcentual calculado sobre as vendas ou cobranças feitas pelo empregado em favor do empregador. O prêmio depende do atingimento de metas estabelecidas pelo empregador. É saláriocondição. Uma vez atingida a condição, a empresa paga o valor combinado.Não se pode querer que o preposto saiba a natureza jurídica entre uma verba e outra”. (Proc. nº 00693200390202007–Ac. 20030282661 – TRT 2ª Reg. 3 ª Turma – relator juiz Sérgio Pinto Martins – DOESP 24.0603). Com isso, entendo que há incidência de contribuições previdenciárias sobre os valores pagos aos segurados empregados a título de premiação por superação de metas relacionadas à atividade da empresa A tese da recorrente é de que esses ganhos seriam eventuais e por isso estariam livres da tributação em razão da norma inserta no item 7 da alínea “e” do § 9. do art. 28 da Lei n. 8.212/1991. A meu ver esse entendimento não se coaduna com a melhor exegese da legislação. Eis a norma citada: § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) e) as importâncias: (...) 7.recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário; Fl. 562DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/02 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 (...) A interpretação do dispositivo acima não pode ser dissociada daquele inserto no “caput” do mesmo artigo, acima transcrito, mas que não custa apresentar mais uma vez: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (...) À luz da legislação citada, o melhor entendimento é o de que somente não incidem contribuições sobre os ganhos eventuais, se esses forem pagos como mera liberalidade do empregador, sem que possuam qualquer caráter de retributividade. O que, tenho certeza, não se aplica a situação de pagamento da gratificação de campanha de vendas. Não há dúvida de que, no caso concreto sob cuidado, as premiações eram disponibilizadas em razão do vínculo contratual estabelecido entre empresa e os trabalhadores. Na verdade, esses pagamentos, malgrado tenham sido concedidos em razão do alcance de determinadas metas fixadas pelo empregador, como demonstrado pela documentação colacionada, não podem ser considerados eventuais, uma vez que o segurado, sabe a priori que, uma vez obtido o resultado fixado no regulamento, fará jus ao bônus. Portanto, afasto a alegada natureza de ganhos eventuais da verba sob comento, até porque a mesma foi disponibilizada aos empregados da recorrente, em razão de incremento na produtividade dos mesmos. Conclusão Voto por negar provimento ao recurso. Kleber Ferreira de Araújo. Fl. 563DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/02 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 15374.913490/2008-09
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jul 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2003
SALDO NEGATIVO. ESTIMATIVAS COMPENSADAS E NÃO HOMOLOGADAS. MATÉRIA NÃO CONTESTADA EM SEDE DE MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. PRECLUSÃO.
A matéria submetida à glosa não contestada na manifestação de inconformidade deve ser reputada como incontroversa e é insuscetível de ser trazida à baila em momento processual subsequente por conta da preclusão.
SALDO NEGATIVO. RETENÇÕES NA FONTE. INSUFICIÊNCIA DO ACERVO PROBATÓRIO PRESENTE NOS AUTOS.
A documentação apresentada nos autos não é suficiente para comprovar que houve o oferecimento dos rendimentos à tributação de forma integral, de modo que o valor do IRRF passível de dedução deve ser proporcional aos rendimentos oferecidos à tributação.
Numero da decisão: 1101-001.089
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade, NÃO CONHECER do recurso voluntário, relativamente às antecipações por estimativa e, na parte conhecida, NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário relativamente às retenções na fonte, nos termos do relatório e do voto que seguem em anexo.
(assinado digitalmente)
EDELI PEREIRA BESSA
Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR
Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Edeli Pereira Bessa (Presidente em exercício), Benedicto Celso Benício Júnior (Relator), Antonio Lisboa Cardoso, Luiz Tadeu Matosinho Machado, José Sérgio Gomes e Marcos Vinícius Barros Ottoni.
Nome do relator: BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2003 SALDO NEGATIVO. ESTIMATIVAS COMPENSADAS E NÃO HOMOLOGADAS. MATÉRIA NÃO CONTESTADA EM SEDE DE MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. PRECLUSÃO. A matéria submetida à glosa não contestada na manifestação de inconformidade deve ser reputada como incontroversa e é insuscetível de ser trazida à baila em momento processual subsequente por conta da preclusão. SALDO NEGATIVO. RETENÇÕES NA FONTE. INSUFICIÊNCIA DO ACERVO PROBATÓRIO PRESENTE NOS AUTOS. A documentação apresentada nos autos não é suficiente para comprovar que houve o oferecimento dos rendimentos à tributação de forma integral, de modo que o valor do IRRF passível de dedução deve ser proporcional aos rendimentos oferecidos à tributação.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade, NÃO CONHECER do recurso voluntário, relativamente às antecipações por estimativa e, na parte conhecida, NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário relativamente às retenções na fonte, nos termos do relatório e do voto que seguem em anexo. (assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Presidente em exercício (assinado digitalmente) BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Edeli Pereira Bessa (Presidente em exercício), Benedicto Celso Benício Júnior (Relator), Antonio Lisboa Cardoso, Luiz Tadeu Matosinho Machado, José Sérgio Gomes e Marcos Vinícius Barros Ottoni.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2003 SALDO NEGATIVO. ESTIMATIVAS COMPENSADAS E NÃO HOMOLOGADAS. MATÉRIA NÃO CONTESTADA EM SEDE DE MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. PRECLUSÃO. A matéria submetida à glosa não contestada na manifestação de inconformidade deve ser reputada como incontroversa e é insuscetível de ser trazida à baila em momento processual subsequente por conta da preclusão. SALDO NEGATIVO. RETENÇÕES NA FONTE. INSUFICIÊNCIA DO ACERVO PROBATÓRIO PRESENTE NOS AUTOS. A documentação apresentada nos autos não é suficiente para comprovar que houve o oferecimento dos rendimentos à tributação de forma integral, de modo que o valor do IRRF passível de dedução deve ser proporcional aos rendimentos oferecidos à tributação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade, NÃO CONHECER do recurso voluntário, relativamente às antecipações por estimativa e, na parte conhecida, NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário relativamente às retenções na fonte, nos termos do relatório e do voto que seguem em anexo. (assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Presidente em exercício AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 91 34 90 /2 00 8- 09 Fl. 722DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA 2 (assinado digitalmente) BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Edeli Pereira Bessa (Presidente em exercício), Benedicto Celso Benício Júnior (Relator), Antonio Lisboa Cardoso, Luiz Tadeu Matosinho Machado, José Sérgio Gomes e Marcos Vinícius Barros Ottoni. Relatório Cuidase, na origem, de pedidos de compensação apresentados nos PER/DCOMP ns. 41105.23924.210704.1.3.020098, 15616.76620.240804.1.3.024463, 18173.88395.290904.1.3.023787, 01628.63730.271006.1.7.027523, 13129.72592.271006.1.7.021021, 38888.76662.271006.1.7.029411, 33751.23838.271006.1.7.023025, 01915.17255.271006.1.7.021258, 30279.44586.271006.1.7.020001 e 07414.77442.271006.1.7.026809, por meio dos quais se pretendeu compensar crédito que a ora Recorrente alega possuir decorrente de saldo negativo de IRPJ apurado na DIPJ relativa ao anocalendário de 2003 com débitos neles declarados. Com todas as PER/DCOMPs mencionadas, era pretendida a compensação do valor global de R$ 4.872.285,02. De acordo com o Despacho Decisório n. 781154437 emitido em 12/08/2008 (fl. 20), não foram homologadas as compensações declaradas nos PER/DCOMP anteriormente relacionados, tendo em vista que: “Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, não foi possível confirmar a apuração do crédito, pois o valor informado na Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) não corresponde ao valor do saldo negativo informado no PER/DCOMP. Valor original do saldo negativo informado no PER/DCOMP com demonstrativo de crédito – R$ 4.877.558,72; Valor do saldo negativo informado na DIPJ – R$ 3.976.997,81”. Irresignada, a ora Recorrente apresentou, em 24/09/2008, manifestação de inconformidade (fl. 14/18), juntamente com diversos documentos (fl. 19/378), na qual esclareceu que: (i) Havia equívocos na DIPJ/2004, mas que, em razão disso, as indicações das informações corretas já tinha sido “objeto de declaração de IRPJ retificadora” (fl. 16); (ii) Com as referidas correções, era possível concluir pela existência de antecipações, referentes ao anobase 2003 (realizadas por meio de Fl. 723DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 15374.913490/200809 Acórdão n.º 1101001.089 S1C1T1 Fl. 3 3 compensações), no montante de R$3.941.360,04, sendo que já constava, tanto da DIPJ originária quanto da sua retificadora, o pagamento de IR por retenções na fonte no total de R$3.976.997,81; (iii) Como o IR devido apontada em DIPJ alcançava o valor de R$3.040.799,40 (fl. 395), “significa que o saldo negativo do IRPJ anobase de 2003 da requerente totalizava R$4.877.558,46” (fl. 16); (iv) A partir disso, prossegue a Contribuinte, não haveria “procedência no despacho denegatório das compensações efetuadas, sob o entendimento de que não fora possível confirmar a apuração do crédito da Requerente, pois a DIPJ anobase 2003, noticiando a sua existência, já se encontrava, originariamente, na base de dados da Receita Federal desde 30/06/2004” e que, “ainda que pairasse alguma discrepância, não seria procedente refutar integralmente as compensações realizadas objeto dos pedidos transmitidos, posto que elas deveriam, ao menos ser admitidas proporcionalmente ao valor do saldo negativo do IRPJ anobase de 2003 que já fora declarado através da DIPJ apresentada em junho de 2004” (fl. 17). Em sessão de julgamento realizada em 28/08/2009, a 8ª Turma da DRJ/RJ1, esclarecendo que, no caso dos autos, não houvera “análise do direito creditório pleiteado quanto à existência e ao valor, uma vez que a não homologação da compensação teve como único suporte fático a divergência entre os valores declarados a título de saldo negativo na DIPJ e nos PER/DCOMP” (fl. 385), declarou a nulidade do Despacho Decisório n. 781154437 por vício material, determinandose o retorno dos autos à DIORT/DEINF/RJ para que a autoridade competente proferisse nova decisão, agora com a análise do direito creditório e a devida instrução probatória (acórdão n. 1225.926 – fl. 382/387). Na ocasião, também foi declarada a homologação tácita das Dcomp n. 41105.23924.210704.1.3.020098 e n. 15616.766620.240804.1.3.024463. Em 06/10/2011, foi proferido (novo) Despacho Decisório de fl. 450/451 que, tendo por fundamento o contido no Parecer Conclusivo Diort/Demac/RJ nº 180/2011 (fl. 432/439), reconheceu parcialmente o direito creditório pleiteado referente ao saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2003, exercício de 2004, no valor de R$ 2.439.517,27, aproveitando o crédito reconhecido na compensação das DCOMP homologadas tacitamente de ns. 41105.23924.210704.1.3.020098, 15616.76620.240804.1.3.024463 e 18173.88395.290904.1.3.02 3787 (remanescendo parte dos débitos desta DCOMP, porém incobráveis por força do disposto no §5º do art. 74 da Lei nº 9.430/1996) e não homologando as compensações efetuadas através das DCOMP ns. 01628.63730.271006.1.7.027523, 13129.72592.271006.1.7.021021, 38888.76662.271006.1.7.029411, 33751.23838.271006.1.7.023025, 01915.17255.271006.1.7.02 1258, 30279.44586.271006.1.7.020001 e 07414.77442.271006.1.7.026809. Por resumir fielmente o quanto analisado no referido parecer conclusivo (que é parte integrante do despacho decisório), adoto no ponto o relatório produzido pela douta DRJ, in verbis (fl. 534/536): “No Parecer Conclusivo nº 180/2011 consta que: · Em pesquisa aos sistemas informatizados RFB, constatase em DIPJ/2004, anocalendário 2003, retificadora liberada de nº 1326194, que a interessada apurou saldo negativo de IRPJ no valor de R$ 4.877.558,46, oriundo de dedução de Fl. 724DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA 4 IRRF, no valor de R$ 3.976.997,81 e de estimativas no valor de R$ 3.941.360,04, conforme informado em ficha 12A, fl. 393/395; · Na mesma DIPJ/2004 em ficha 11 “Cálculo do IR mensal – Estimativas”, verificase a forma de apuração das estimativas, fl. 396/399 e, em fl. 402/406, foi juntada pesquisa ao sistema DCTFGER, que demonstra os valores das estimativas de IRPJ, ano de 2003, confessadas, e a forma de pagamento dessas antecipações; · Quanto à deduções efetuadas de IRRF, esta só ocorreu no ajuste final no valor de R$3.976.997,81; · Na DIPJ/2004, ficha 53 “Demonstrativo do IRRF”, fl. 400, a interessada informa as fontes, os rendimentos e o imposto retido: CNPJ Cód. de receita Rendimento Ficha 53 IRRF Ficha 53 01.522.368/000182 5273 1.827.829,29 365.565,84 30.278.428/000161 0924 22.319.086,05 3.347.862,91 33.479.023/000180 5273 1.310.585,45 247.777,08 61.472.676/000172 5273 78.959,90 15.791,98 · Em DCOMP com descrição do crédito, de nº 41105.23924.210704.1.3.020098, fl. 04, constam as mesmas informações quanto aos CNPJ das fontes retentoras, códigos de receita e valor do imposto retido; · Consultandose as Declarações de Retenções na Fonte – DIRF relativas ao ano de 2003, tendo como beneficiária a interessada, verificouse que não constava de DIRF o IRRF no valor de R$ 3.347.862,91, relativo aos rendimentos no valor de R$ 22.319.086,05, sob o código de receita 0924 “FICART e demais rendimentos do capital (daytrade)”; · Visando subsidiar a análise do possível direito creditório em tela, a interessada foi intimada, através do Termo de Intimação nº 1.382/2011, a esclarecer e apresentar a documentação conforme ali solicitado às fl. 415/416; · Em resposta apresentou o Comprovante de Rendimentos solicitado juntado em fl. 420; · A legislação, quanto à utilização do IRRF como dedução do imposto devido, dispõe que o mesmo poderá ser utilizado para a dedução do IR a pagar se atender a duas condições: primeira, a comprovação da efetiva retenção; segunda, atender ao disposto no inciso III do §4º do art. 2º da Lei nº 9.430/1996, o qual estabelece que a dedução do IR a pagar com o IRRF é permitida caso as receitas correlatas tenham sido oferecidas à tributação na forma de composição da base de cálculo do imposto; · A primeira condição pode ser satisfeita, nos termos dos artigos 36 e 37 da Lei nº 9.784/1999, com os dados presentes nas Declarações de Imposto de Renda Retido na Fonte – DIRF ou nos informes de rendimentos. E, no caso, as retenções foram comprovadas em DIRF ou comprovante de rendimentos; · Quanto à segunda condição, necessário oferecimento à tributação dos rendimentos correlatos às retenções de IR ocorridas, vêse que a interessada declarou em DIPJ/2004, ficha 06A, linha 24 “outras receitas financeiras” o valor de R$ 12.883.464,00, enquanto que, em DIRF/comprovante de rendimentos e em ficha 53 da DIPJ/2004 constam rendimentos num valor total de R$ 25.536.460,69. A divergência entre os valores de receita levados à tributação em ficha 06A e os informados pelas fontes pagadoras, R$ 12.652.996,69 (R$ 25.536.460,69 – R$ 12.883.464,00) denota que não houve o oferecimento dessa diferença à tributação; · Conforme informado pela interessada em DIPJ/2004, ficha 53 "Demonstrativo do IRRF", fl. 400, e em DCOMP com descrição do crédito, de nº 41105.23924.210704.1.3.020098 (apenas as retenções e os códigos de receita), fl. 06, as retenções ocorridas no ano de 2003 se referem a receitas financeiras, código Fl. 725DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 15374.913490/200809 Acórdão n.º 1101001.089 S1C1T1 Fl. 4 5 0924 "FICART e demais rendimentos do capital (daytrade)" e código 5273 "IRRF operações de SWAP". Referidas receitas deveriam estar declaradas em ficha 06A nas linhas 22 e 21, as quais encontramse zeradas, ou incluídas dentre as demais receitas financeiras, cuja linha 24 informa um valor bem inferior, R$12.883.464,00, conforme acima exposto; · Sendo possível em DIPJ e DCOMP identificar as fontes e os rendimentos que sofreram retenção, e, considerandose que somente foram oferecidos à tributação rendimentos no valor de R$ 12.883.464,00, o valor do IRRF passível de dedução na DIPJ/2004, portanto, deverá ser proporcional aos rendimentos oferecidos à tributação, o que resulta num valor de R$ 1.988.498,91 (R$ 12.883.464,00/R$ 25.536.460,69 x R$ 3.976.997,81). Portanto, esse será o valor da retenção considerado para efeito de dedução no ano de 2003; · Quanto às estimativas, constatouse que as relativas aos meses de janeiro, fevereiro, abril, novembro e parte de dezembro, nos valores de R$ 621.408,60, R$1.100.371,55, R$ 455.472,08 e R$ 816.270,54 e R$ 153.891,96, respectivamente, foram compensadas com saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2001, e, outra parte de dezembro compensada com saldo negativo de IRPJ do ano calendário de 2002, no valor de R$ 793.945,30; · Conforme cópia do parecer/despacho decisório extraída do processo administrativo n°. 15374.723913/200892, as compensações efetuadas com saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2001 foram analisadas, tendo sido consideradas: totalmente homologadas as compensações relativas aos débitos de estimativas dos períodos de janeiro, fevereiro e abril; parcialmente homologada a compensação relativa ao período de novembro; e não homologada a compensação relativa ao período de dezembro; · Quanto à outra parte de dezembro compensada com saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2002, conforme extratos do sistema informatizado RFB SIEF/PROCESSOS, juntadas em fl. 429/431, constatase que as compensações efetuadas foram analisadas no processo administrativo n° 15374.904431/200831, tendo sido considerada totalmente homologada a compensação relativa ao débito parcial de estimativa do período de dezembro; · Após as análises acima efetuadas, tendo em conta que o presente procedimento de análise do direito creditório não possui o alcance e a abrangência de uma auditoria fiscal, é de se concluir pela existência de saldo negativo de IRPJ, relativo ao anocalendário de 2003, exercício de 2004, no valor de R$ 2.439.517,27, conforme tabela abaixo:” Ficha 12A IR 1.884.097,98 Adicional 1.232.065,32 () PAT 75.363,91 () IRRF a ser deduzido 1.988.498,91 () Estimativas a deduzir 3.491.817,75 Saldo de IR 2.439.517,27 Inconformada, a ora Recorrente apresentou manifestação de inconformidade (fl. 477/480), defendendo que (resumo presente no relatório da DRJ – fls. 536/537): · “O Parecer Conclusivo indica que, conforme informado pela requerente em DIPJ/2004, na ficha 53 (Demonstrativo do IRRF), em DCOMP com descrição de Fl. 726DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA 6 crédito de nº 41105.23924.21074.1.3.020098, as retenções ocorridas no ano de 2003 se referem a receitas financeiras (código 0924 – FICART e demais rendimentos do capital e código 5273 – IRRF operações de SWAP). Entretanto, segundo entendimento do d. fiscal, tais receitas deveriam estar declaradas na ficha 06A, nas linhas 21 e 22, cujos campos estariam zerados, ou incluída dentre as demais receitas financeiras, com sua linha 24 informando um valor bem inferior, qual seja R$ 12.883.464,00; · Efetivamente, o montante dos rendimentos informados na ficha 53 traz em sua composição uma parcela no valor de R$ 22.319.086,05, correspondente a dividendos recebidos da empresa BELOCAP PRODUTOS CAPILARES LTDA, inscrita no CNPJ sob o nº 30.278.428/000161, de quem a requerente é sócia quotista majoritária, valor este relativo aos lucros auferidos e acumulados até o exercício de 1995, conforme indicado na Ata de Liberação de Quotistas desta empresa datada de 19.12.2003 (doc. 03), quando tal rubrica, por força de lei, ainda sofria a incidência do Imposto de Renda Pessoa Jurídica, havendo, desta forma, recolhimento de IRRF no valor de R$ 3.347.862,91 (doc. 04); · Por regra contábil, além do já exposto, esse valor de R$ 22.319.086,05 não figura na já mencionada ficha 06A da DIPJ/2004 anobase 2003, por não se tratar de receita financeira auferida no período. · Isso porque, sendo a requerente sócia quotista majoritária e, portanto, controladora da empresa BELOCAP PRODUTOS CAPILARES LTDA, o investimento da requerente em sua controlada é avaliado pelo método de equivalência patrimonial; · Desta forma, os lucros auferidos pela BELOCAP foram refletidos contabilmente nas demonstrações financeiras da requerente nas contas de resultado de equivalência patrimonial nos mesmos anos em que tais lucros foram auferidos pela BELOCAP (no caso em tela, até o ano de 1995), e não na data da sua efetiva distribuição, momento em que os dividendos recebidos pela requerente reduziram o valor contábil de seu investimento; · Fazse mister salientar que a requerente, antes mesmo de receber em 2003 os dividendos referentes aos lucros auferidos por sua controlada até o período de 1995, já havia distribuído às suas sócias quotistas os lucros auferidos no mesmo período, conforme demonstrado nas Atas de Deliberação de Sócios Quotistas da requerente (doc. 05), bem como recolhido o IRRF devido;” Em sessão realizada em 27/03/2012, a 1ª Turma da DRJ/RJ1 julgou improcedente a manifestação de inconformidade. Na ocasião, entendeuse que a parcela de saldo negativo do exercício 2004 relativa a estimativas cujas compensações não foram homologadas não poderia mais ser contestadas pela interessada, eis que, em manifestação de inconformidade, não houve qualquer alegação sobre o tema, de modo a tornar preclusa eventual oportunidade para tanto (R$449.542,29). Já em relação à parcela de IRRF que alegadamente comporia o crédito de saldo negativo do anocalendário 2003, entendeuse, primeiramente, que a apresentação de termo de deliberação sobre destinação de lucros da sociedade Belocap Produtos Capilares Ltda., sem a exibição dos livros contábeis correspondentes, não seria suficiente à comprovação da natureza dos rendimentos. Além disso, secundariamente, afirmouse que "ainda que os referidos rendimentos constituíssem dividendos relativos a lucros auferidos e acumulados até o exercício de 1995 tal como alega, não houve a demonstração (com juntada de documentação hábil) da composição dos referidos valores por período de apuração (anoscalendários), para que se pudesse analisar a legislação sobre o tratamento a ser dado ao IRRF em questão" (fl. Fl. 727DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 15374.913490/200809 Acórdão n.º 1101001.089 S1C1T1 Fl. 5 7 540). No ponto, demonstrou diversas alterações legislativas relacionadas ao caso que se deram especialmente no ano de 1994. O acórdão restou assim ementado: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano calendário: 2003 MATÉRIA NÃO CONTESTADA. COISA JULGADA. Considerase definitivamente julgada matéria não expressamente contestada. DIREITO CREDITÓRIO. COMPROVAÇÃO. Incumbe ao contribuinte o ônus da prova quanto à certeza e liquidez de alegado crédito contra a Fazenda Pública que pretenda compensar com débitos apresentados. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” Contra a r. decisão de 1ª instância, a Contribuinte apresentou Recurso Voluntário (fls. 607/622), acompanhado de documentos (fls. 623/715), no qual apresenta argumentação no sentido de que: (i) “6.2 Como indicado no parecer conclusivo nº. 180/2011, a liquidação de parte das estimativas de dezembro de 2003, via compensação, está sendo discutida no processo administrativo fiscal nº. 15734.904431/200831, ainda pendente de decisão final. / 6.3 O fato de haver um despacho decisório que não homologou parte das compensações referentes às estimativas do ano de 2003, não pode ter seus efeitos externados antes do término do processo em que tais homologações são discutidas, tendo em vista que sua exigibilidade fica suspensa para todos os fins (...) Logo, não cabe se falar em preclusão do direito de, aqui, se debater este tema, tendo em vista que as comprovações pertinentes estão sendo feitas no supracitado processo” (fl. 614); e (ii) Em relação à parcela que comporia o saldo negativo a partir de retenção na fonte não reconhecida, argumenta que (ii.1) ante os documentos juntados no recurso voluntário – cópias dos livros diário da BELOCAP e quadro de evolução patrimonial da referida empresa e cópia dos livros diário da PROCOSA e quadro de evolução patrimonial –, é possível constatar que a ora Recorrente “distribuiu aos seus sócios os lucros que produziu entre 1990 e 1996, portanto, antes de os receber da Belocap” e que “parte dos lucros distribuídos (R$22.319.086,05) para a RECORRENTE pela pela Belocap em 2003, foi efetivamente gerada em 1994 e 1995, logo, até 1995, como se constata na ata de deliberação de sócios quotistas de fls., já juntada aos autos do processo em epígrafe” (fl. 616); e (ii.2) após trazer quadro normativo que entende aplicável aos fatos, afirma ser “inarredável a constatação de que a recorrente possui direito de usufruir o imposto de renda na fonte que foi retido pela Belocap, no valor original de R$3.347.862,91” (fl. 618), pois “embora tenha distribuído em 1996 os lucros de 1994 e 1995, a Recorrente Fl. 728DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA 8 somente os recebeu da Belocap no ano de 2003, mas sob a regência de uma legislação que determinava a retenção de imposto de renda na fonte, com o correspondente direito de compensar com o Imposto de renda que incidisse na distribuição de seus dividendos, lucros e bonificações” (fl 619). Por essas razões, pede, ao final, (i) “em função do status do processo de análise do crédito referente a compensação em que foram liquidadas as estimativas de 2003, mais especificamente o que constitui objeto do processo 15734.904431/200831”; e (ii) “que, quanto ao IRRF sobre os lucros de 1994 e 1995 da Belocap, que lhe foram distribuídos em 2003, seja reconhecido o direito da RECORRENTE de utilizálo para liquidar/compensar tributos administrados pela União Federal” (fl. 622), de modo a que, ao final “seja declarada inteiramente homologada a compensação objeto das PER/DCOMP’s que deram origem ao presente processo”. É o relatório. Voto Contra a r. decisão de 1ª Instância, a Contribuinte apresentou tempestivo Recurso Voluntário, razão por que dele conheço. Em relação à parcela do recurso voluntário que debate a existência de crédito de saldo negativo que teria origem em pagamento de estimativa por compensações – não homologadas – no valor total de R$449.542,29, entendo que a matéria submetida à glosa não contestada na manifestação de inconformidade deve ser reputada como incontroversa e é insuscetível de ser trazida à baila em momento processual subsequente por conta da preclusão. A argumentação apresentada no sentido de que tais valores estariam sendo discutidos em processo administrativo diverso desse não afasta a impossibilidade deste Tribunal analisar a questão. Ainda que assim não fosse, a partir dos elementos constantes dos autos – especialmente às fls. 421/428 – e de consulta efetuada no COMPROT em relação ao Processo Administrativo n. 15374.723913/200892, não é possível concluir que a homologação parcial da Dcomp n. 28533.97038.220908.1.7.028607 e a não homologação da Dcomp n. 33073.88525.220908.1.7.027465 foram objeto de irresignação do contribuinte. Por assim ser, não conheço do recurso voluntário no ponto. No tocante à parcela do recurso em que se discute a existência de crédito de saldo negativo com origem em IRRF, ao compulsar os autos, entendo que os elementos de prova carreados aos autos não são suficientes para dar suporte à argumentação da empresa. Primeiramente, lembrese que devem integrar “o saldo negativo as retenções de imposto devidamente comprovadas pelo sujeito passivo, e correspondentes a rendimentos computados no lucro tributável do período” (Processo Administrativo n. 13804.004490/9903. Cons. Rel. Edeli Pereira Bessa. Acórdão unânime n. 1101000.964. Sessão de 08/10/2013). Fl. 729DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 15374.913490/200809 Acórdão n.º 1101001.089 S1C1T1 Fl. 6 9 Na origem, restou mantido entendimento no sentido de que (i) sendo possível a partir da leitura da DIPJ/2004 e da DCOMP identificar as fontes e os rendimentos que sofreram retenção e (ii) considerandose que somente foram oferecidos à tributação rendimentos no valor de R$12.883.464,00 (vide DIPJ/2004); o valor do IRRF passível de dedução na DIPJ/2004 deveria ser proporcional aos rendimentos oferecidos à tributação, o que resulta num valor de R$ 1.988.498,91 (R$ 12.883.464,00/R$ 25.536.460,69 x R$ 3.976.997,81). Por ocasião do Recurso Voluntário, foram trazidos aos autos os seguintes documentos: (i) evolução dos lucros da Procosa (fl. 699); (ii) cópias dos livros diário da Procosa – de 1996 a 2000 (fls. 559/584), de 1995 e 1994 (fls. 586/599) e de 2003 a (fls. 701/715) –, (iii) evolução dos lucros da Belocap (fl. 639); (iv) os Livros diário da Belocap (fls. 641/697). Na manifestação de inconformidade, já haviam sido juntados (v) diversos termos de deliberação das sóciasquotistas da Belocap (fl. 495/498); (vi) DARF com o recolhimento de R$3.347.862,91, em 02/01/2004, por parte da Belocap (a título de IRRF); e (vii) diversos termos de deliberação das sóciasquotistas da Procosa (fls. 503/528). A DIPJ/2004 da Procosa também já se encontra nos autos (fls. 46/184 e 206/348). Mesmo após a análise conjunta desse acervo probatório, não é possível concluir pelo preenchimento da segunda condição para que seja permitido o aproveitamento do alegado IRRF, qual seja, o oferecimento dos rendimentos à tributação. De fato, o que se vislumbra é que há registros de que o contribuinte auferiu diversas receitas, mas não se consegue vislumbrar por falta de indicação atinente à operação Nesse sentido, à míngua de prova do direito alegado pelo contribuinte, deve se aplicar o consolidado entendimento desse Col. CARF, no sentido de que a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor do imposto de renda retido na fonte, desde que comprovada a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do imposto, in verbis: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Anocalendário: 2003 SALDO NEGATIVO. COMPENSAÇÃO MEDIANTE DCOMP. ANÁLISE DO DIREITO CREDITÓRIO. TERMO DE INICIO. O prazo fixado na legislação para aferição da liquidez e certeza do crédito utilizado em compensação somente se expira cinco anos depois de sua formalização em DCOMP. RETENÇÕES CORRESPONDENTES A RENDIMENTOS NÃO OFERECIDOS À TRIBUTAÇÃO. Na apuração do IRPJ, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor do imposto de renda retido na fonte, desde que comprovada a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do imposto (Súmula CARF nº 80). PEDIDO DE DILIGÊNCIA. PRECLUSÃO. Ausente questionamento, em manifestação de inconformidade, acerca dos motivos expostos para homologação parcial da compensação, operase a preclusão.” (Processo n. 16306.000329/200831. Acórdão n. 1101001.002. Cons. Rel. Edeli Pereira Bessa. Sessão de 06/11/2013) Fl. 730DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA 10 Por assim ser, comprovado na DIPJ/2004 o oferecimento à tributação de montante já devidamente levado em consideração, de forma proporcional, o IRRF que poderá compor o saldo negativo da ora Recorrente, encaminho meu voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário em relação à parcela que debate crédito de saldo negativo oriundo de IRRF. Ante o exposto, NÃO CONHEÇO do recurso voluntário no tocante às antecipações por estimativa, e NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário no tocante às retenções na fonte. É como voto. BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR Relator Fl. 731DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA
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Numero do processo: 10215.720180/2008-43
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jun 02 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007
QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. PREVISÃO NA LEI COMPLEMENTARNº105/2001.
A Lei Complementar nº 105/2001 permite a quebra do sigilo por parte das autoridades e dos agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente.
NULIDADE - CARÊNCIA DE FUNDAMENTO LEGAL - INEXISTÊNCIA
As hipóteses de nulidade do procedimento são as elencadas no artigo 59 do Decreto 70.235, de 1972, não havendo que se falar em nulidade por outras razões, ainda mais quando o fundamento argüido pelo contribuinte a título de preliminar se confundir com o próprio mérito da questão.
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA - NULIDADE DO PROCESSO FISCAL
Se foi concedida, durante a fase de defesa, ampla oportunidade de apresentar documentos e esclarecimentos, bem como se o sujeito passivo revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendo-as, uma a uma, de forma meticulosa, mediante extensa e substanciosa defesa, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa.
ILEGITIMIDADE PASSIVA
A titularidade dos depósitos bancários pertence às pessoas indicadas nos dados cadastrais, salvo quando comprovado com documentação hábil e idônea o uso da conta por terceiros (Súmula CARF no.32).
OMISSÃO DE RENDIMENTOS - DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA - ARTIGO 42, DA LEI Nº. 9.430, de 1996
Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS - DO ÔNUS DA PROVA
A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada.Recurso provido em parte (Súmula CARF no.26).
Rejeitar a preliminar
Recurso negado
Numero da decisão: 2202-002.684
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, QUANTO A PRELIMINAR DE PROVA ILÍCITA POR QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO: Pelo voto de qualidade, rejeitar a preliminar. Vencidos os Conselheiros Rafael Pandolfo, Fábio Brun Goldschmidt e Jimir Doniak Junior que acolhiam a preliminar. QUANTO A PRELIMINAR DE NULIDADE: Por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar. QUANTO AO MÉRITO: Por unanimidade de votos, negar provimento do recurso.
(Assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez Presidente em Exercício e Relator
Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Dayse Fernandes Leite (Suplente Convocada), Rafael Pandolfo, Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Fabio Brun Goldschmidt, Jimir Doniak Junior (Suplente Convocado). Ausente justificadamente o Conselheiro Pedro Anan Junior.
Nome do relator: ANTONIO LOPO MARTINEZ
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PREVISÃO NA LEI COMPLEMENTARNº105/2001. A Lei Complementar nº 105/2001 permite a quebra do sigilo por parte das autoridades e dos agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. NULIDADE CARÊNCIA DE FUNDAMENTO LEGAL INEXISTÊNCIA As hipóteses de nulidade do procedimento são as elencadas no artigo 59 do Decreto 70.235, de 1972, não havendo que se falar em nulidade por outras razões, ainda mais quando o fundamento argüido pelo contribuinte a título de preliminar se confundir com o próprio mérito da questão. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA NULIDADE DO PROCESSO FISCAL Se foi concedida, durante a fase de defesa, ampla oportunidade de apresentar documentos e esclarecimentos, bem como se o sujeito passivo revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendoas, uma a uma, de forma meticulosa, mediante extensa e substanciosa defesa, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa. ILEGITIMIDADE PASSIVA A titularidade dos depósitos bancários pertence às pessoas indicadas nos dados cadastrais, salvo quando comprovado com documentação hábil e idônea o uso da conta por terceiros (Súmula CARF no.32). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 21 5. 72 01 80 /2 00 8- 43 Fl. 405DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 30/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 OMISSÃO DE RENDIMENTOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA ARTIGO 42, DA LEI Nº. 9.430, de 1996 Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS DO ÔNUS DA PROVA A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada.Recurso provido em parte (Súmula CARF no.26). Rejeitar a preliminar Recurso negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, QUANTO A PRELIMINAR DE PROVA ILÍCITA POR QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO: Pelo voto de qualidade, rejeitar a preliminar. Vencidos os Conselheiros Rafael Pandolfo, Fábio Brun Goldschmidt e Jimir Doniak Junior que acolhiam a preliminar. QUANTO A PRELIMINAR DE NULIDADE: Por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar. QUANTO AO MÉRITO: Por unanimidade de votos, negar provimento do recurso. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Presidente em Exercício e Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Dayse Fernandes Leite (Suplente Convocada), Rafael Pandolfo, Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Fabio Brun Goldschmidt, Jimir Doniak Junior (Suplente Convocado). Ausente justificadamente o Conselheiro Pedro Anan Junior. Fl. 406DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 30/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10215.720180/200843 Acórdão n.º 2202002.684 S2C2T2 Fl. 3 3 Relatório Contra o contribuinte, HAROLDO OLIVEIRA MARTINS, foi lavrado auto de infração, em procedimento de verificação do cumprimento de obrigações tributárias referente ao IRPF, anoscalendários 2004 a 2006, no qual foi apurada omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em contas de depósito ou de investimento, mantidas em instituições financeiras, em relação aos quais o sujeito passivo, regularmente intimado,não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Noticia o Termo de verificação Fiscal que: A ação fiscal teve origem em razão da presença de "indício de omissão de receitas, caracterizada pela elevada movimentação financeira em relação aos rendimentos declarados ". "O sujeito passivo, quando intimado a comprovar a origem dos depósitos efetuados em suas contas bancárias", "limitouse a informar que o dinheiro depositado em sua conta bancária, excetuado o valor declarado em sua DIRPF, pertencia a empresa Hom Aquarium Ltda, da qual é sócio. Ocorre que o contribuinte não indicou quais dos depósitos se referem a rendimentos seus declarados na DIRPF, tampouco comprovou mediante documentação hábil e idônea qualquer depósito efetuado em suas contas bancárias. Ademais não indicou quais depósitos pertenciam a empresa Hom Aquarium, bem como não apresentou qualquer documento que comprovasse que o dinheiro pertenceria a referida empresa ". Apresenta um tabela com os valores dos depósitos bancários consolidados, fl. 330, acompanhada da seguinte observação: "Os valores dos meses de e outubro estão diminuídos de R$ 625,00 e R$ 120,00, respectivamente e os meses de junho, julho, agosto e dezembro de 2006 estão reduzidos em R$ 440,00, RS 300,00 R$ 512,50 e RS 525,00, respectivamente, referente aos pagamentos de mercadorias decorrentes de vendas da empresa Hom Aquarium Ltda que foram depositados na conta do sujeito passivo ". Resultou a ação fiscal na apuração de um crédito tributário no valor de R$ 1.088.817,79 compreendendo o imposto, a multa proporcional (passível de redução) e os juros de mora calculados até 31/07/2008. Em sua impugnação, fls. 344/354, o Interessado, por meio de seu procurador, fl. 178, alega em síntese, que: "O Auditor Fiscal utilizouse apenas do extrato bancário para fins de presunção de suposta renda nãodeclarada, transferindo o ônus da prova para o Impugnante, que deveria ter comprovado a origem dos depósitos. Ora, tal presunção se demonstra extremamente falha para a apuração de eventuais ilícitos fiscais pois, apesar dos depósitos Fl. 407DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 30/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 4 bancários refletirem sinais exteriores de riqueza, não pode ser taxado de rendimentos. A DRJ julga a impugnação improcedente, nos termos da ementa a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA I R P F Anocalendário: 2004, 2005, 2006 IRPF. PRESUNÇÃO LEGAL. DEFESA. FUNDAMENTAÇÃO. LEGISLAÇÃO VIGENTE. As ementas de julgados e súmulas editadas com fundamento em legislação revogada têm apenas valor histórico. O Direito Positivo é dinâmico, constantemente são editadas novas leis. O impugnante para não desperdiçar a oportunidade de defesa deve ficar atento à fundamentação constante no Auto de Infração. Com base nas leis vigentes na época do fato gerador e, principalmente, das provas que possuem, confeccionar sua impugnação na tentativa de refutar a pretensão do fisco, ainda mais quando o lançamento é realizado sob o manto de uma presunção legal, que exige um esforço probatório preciso por parte do contribuinte. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. ANTERIOR AO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA Apesar da possibilidade de o contribuinte ser chamado a se pronunciar durante a ação fiscal, não se tem nessa participação as características e as garantias próprias da fase processual. A ampla defesa, da qual é parte o contraditório, é garantia constitucional para os litigantes e só há litígio após a protocolização tempestiva da impugnação que resiste a pretensão do Fisco, consubstanciada no lançamento tributário. Ou seja, é inapropriado falar em cerceamento do direito de defesa durante a fase que antecede ao lançamento fiscal. IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO COMPROVADOS. PRESUNÇÃO LEGAL. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. 1 .Caracterizase omissão de rendimentos os valores creditados em conta bancária mantida em instituição financeira, em relação aos quais o sujeito passivo, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, de acordo com a presunção legal insculpida no art. 42 da Lei 9.430/96. 2.Essa presunção júris tantum tem a força de inverter o ônus da prova.Impugnação Improcedente Neste caso, a autoridade lançadora fica dispensada de provar que o depósito bancário não comprovado (fato indiciário) corresponde, efetivamente, ao auferimento de rendimentos (fato jurídico tributário), nos termos do art. 334, IV, do Código de Processo Civil. Cabe ao contribuinte provar que o fato presumido não existiu na situação concreta. 3.Sendo descabida a tentativa de escapar do regime jurídico próprio das presunções legais mediante pedido de diligência a ser realizada pela Administração Tributária. PAF. PRINCÍPIO CONTÁBIL DA OPORTUNIDADE. MEIO DE PROVA. LIVROS FISCAIS. CONFIABILIDADE. ENTREGA TEMPESTIVA. Fl. 408DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 30/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10215.720180/200843 Acórdão n.º 2202002.684 S2C2T2 Fl. 4 5 A confiabilidade da escrituração fiscal está intimamente relacionada à tempestividade dos registros das variações patrimoniais é o que nos informa o Princípio Contábil da Oportunidade. Se o livro contábil foi escriturado tempestivamente não tem razão para não ser apresentado, como meio de prova, durante a ação fiscal, quando solicitado, ou por ocasião da impugnação. Sua entrega posterior a decisão de primeira instância deve ser acompanhada da demonstração da impossibilidade de sua apresentação oportuna, como determinado pela lei do PAF. E a norma processual tributária administrativa estabelecendo, nos moldes do que ocorrem no judiciário, limites temporais à produção das provas. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Intimado do acórdão proferido pela DRJ, o contribuinte interpôs recurso voluntário, onde reitera as razões da impugnação. Da Preliminar de nulidade/inconstitucionalidade do auto de infração por ausência de autorização para quebra de sigilo bancário; Dos depósitos bancário e sua falta de comprovantes; Do cerceamento do direito de defesa, tendo em vista que os depósitos pertencem a Hom Aquarium Ltda; Da transferência de recursos entre contas correntes; Da descaracterização de omissão de receita da pessoa física; Da comprovação da relação da pessoa física com a pessoa jurídica. É o relatório. Fl. 409DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 30/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 6 Voto Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator Os recursos estão dotados dos pressupostos legais de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. Da Preliminar de Nulidade por Quebra do Sigilo Bancário O sigilo bancário sempre foi um tema cheio de contradições e de várias correntes. Antes da edição da Lei Complementar n° 105, de 2001, os Tribunais Superiores tinham a forte tendência de albergar a tese da inclusão do sigilo bancário na esfera do direito à privacidade, na forma da nossa Constituição Federal, sob o argumento que não é cabível a sua quebra com base em procedimento administrativo, amparado no entendimento de que as previsões nesse sentido, inscritas nos parágrafos 5º e 6º do artigo 38, da Lei nº 4.595, de 1964 e no artigo 8º da Lei nº 8.021, de 1990, perdem eficácia, por interpretação sistemática, diante da vedação do parágrafo único do artigo 197, do CTN, norma hierarquicamente superior. Pessoalmente, não me restam dúvidas, que o direito ao sigilo bancário não pode ser utilizado para acobertar ilegalidades. Por outro lado, preservase a intimidade enquanto ela não atingir a esfera de direitos de outrem. Todos têm direito à privacidade, mas ninguém tem o direito de invocála para absterse de cumprir a lei ou para fugir de seu alcance. Tenho para mim, que o sigilo bancário não foi instituído para que se possam praticar crimes impunemente. Desta forma, é indiscutível que o sigilo bancário, no Brasil, para fins tributários, é relativo e não absoluto, já que a quebra de informações pode ocorrer nas hipóteses previstas em lei. No comando da Lei Complementar nº. 105, de 10 de janeiro de 2001, notase o seguinte: “Art. 1° As instituições financeiras conservarão sigilo em suas operações ativas e passivas e serviços prestados. (...) § 3º Não constitui violação do dever de sigilo: I a troca de informações entre instituições financeiras, para fins cadastrais, inclusive por intermédio de centrais de risco, observadas as normas baixadas pelo Conselho Monetário Nacional e pelo Banco Central do Brasil; II o fornecimento de informações constantes de cadastro de emitentes de cheques sem provisão de fundos e de devedores inadimplentes, a entidades de proteção ao crédito, observadas às normas baixadas pelo Conselho Monetário Nacional e pelo Banco Central do Brasil; III o fornecimento das informações de que trata o § 2º do art. 11 da Lei nº 9.311, de 24 de outubro de 1996; IV a comunicação, às autoridades competentes, da prática de ilícitos penais ou administrativos, abrangendo o fornecimento de informações sobre operações que envolvam recursos provenientes de qualquer prática criminosa; V a revelação de informações sigilosas com o consentimento expresso dos interessados; Fl. 410DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 30/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10215.720180/200843 Acórdão n.º 2202002.684 S2C2T2 Fl. 5 7 VI a prestação de informações nos termos e condições estabelecidos nos artigos 2º, 3º, 4º, 5º, 6º, 7º e 9º desta Lei Complementar. (...) Art. 6º As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária. (...) Art. Revogase o art. 38 da Lei n°° 4.595, de 31 de dezembro de 1964.”. Se antes existiam dúvidas sobre a possibilidade da quebra do sigilo bancário via administrativa (autoridade fiscal), agora estas não mais existem, já que é claro na lei complementar, acima transcrita, a tese de que a Secretaria da Receita Federal tem permissão legal para acessar os dados bancários dos contribuintes, está expressamente autorizado pelo artigo 6° da mencionada lei complementar. O texto autorizou, expressamente, as autoridades e agentes fiscais tributários a obter informações de contas de depósitos e aplicações financeiras, desde que haja processo administrativo instaurado. Assim, estaria afastada a pretensa quebra de sigilo bancário de forma ilícita, já que há permissão legal para que o Estado através de seus agentes fazendários, com fins públicos (arrecadação de tributos), visando o bem comum, possa ter acesso aos dados protegidos, originariamente, pelo sigilo bancário. Ficam o Estado e seus agentes responsáveis, por outro lado, pela manutenção do sigilo bancário e pela observância do sigilo fiscal. Desta forma, dentro dos limites estabelecidos pelos textos legais que tratam o assunto, os AuditoresFiscais da Receita Federal poderão proceder a exames de documentos, livros e registros de contas de depósitos, desde que houver processo fiscal administrativo instaurado e os mesmos forem considerados indispensáveis pela autoridade competente. Devendo ser observado que os documentos e informações fornecidos, bem como seus exames, devem ser conservados em sigilo, cabendo a sua utilização apenas de forma reservada, cumprido as normas a prestação de informações e o exame de documentos, livros e registros de contas de depósitos, a que alude a lei, não constitui, portanto, quebra de sigilo bancário. Sempre é bom lembrar que o sigilo fiscal a que se obrigam os agentes fiscais constitui um dos requisitos do exercício da atividade administrativa tributária, cuja inobservância só se consubstancia mediante a verificação material do evento da quebra do sigilo funcional, quando, então, o agente envolvido sofrerá a devida sanção. Requisições de Movimentação Financeira – RMF emitidas seguiram rigorosamente as exigências previstas pelo Decreto nº 3.724/2001, que regulamentou o art. 6º da Lei Complementar 105/2001, inclusive quanto às hipóteses de indispensabilidade previstas no art. 3º, que também estão claramente presentes nos autos. Em verdade, verificase que o contribuinte foi intimada a fornecer seus extratos bancários, no entanto não os apresentou, Fl. 411DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 30/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 8 razão pela qual não restou opção à fiscalização senão a emissão da Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira – RMF. Desse modo, ausente qualquer ilicitude na prova decorrente da transferência de sigilo bancário para a Receita Federal do Brasil, posto que a Lei Complementar 105, de 2001 confere às autoridades administrativas tributárias a possibilidade de acesso aos dados bancários, sem autorização judicial, desde que haja processo administrativo e justificativa para tanto. E é este o caso nos autos. Ademais, a tese de ilicitude da prova obtida não está sendo acolhida pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, conforme a jurisprudência já consolidada. Rejeito, portanto, o questionamento preliminar argüido quanto ilicitude; inconstitucionalidade da prova por quebra do sigilo bancário. Da Preliminar de Nulidade por Cerceamento do Direito de Defesa Nos presentes autos, não ocorreu nenhum vício para que o procedimento seja anulado, como bem discorreu a autoridade recorrida, os vícios capazes de anular o processo são os descritos no artigo 59 do Decreto 70.235/1972 e só serão declarados se importarem em prejuízo para o sujeito passivo, de acordo com o artigo 60 do mesmo diploma legal. A autoridade fiscal ao constatar infração tributária tem o dever de ofício de constituir o lançamento. Constatado que as infrações apuradas foram adequadamente descritas nas peças acusatórias e no correspondente Relatório de Procedimento Fiscal, e que o contribuinte, demonstrando ter perfeita compreensão delas, exerceu o seu direito de defesa, não há que se falar em nulidade do lançamento. As razões para não se aceitar os argumentos do recorrente estão claramente demonstrados tanto no Termo de Verificação do Auto de Infração como na Decisão recorrida. Entendo que não procede a alegação de que a defesa teria sido prejudicada. Uma vez que isso não impediu que o contribuinte apresentase ampla defesa suscitando vários pontos. Acrescentese, por pertinente, que os extratos bancários a partir do qual foram identificados os depósitos bancários, encontramse nos autos. Na realidade no caso concreto não se percebe qualquer nulidade que comprometa a validade do procedimento adotado. Diante disso, é evidente que tal preliminar carece de sustentação fática, merecendo, portanto, a rejeição por parte deste Egrégio Colegiado. Da presunção de omissão baseada em depósitos bancários O lançamento fundamentase em depósitos bancários. A presunção legal de omissão de rendimentos com base nos depósitos bancários está condicionada apenas à falta de comprovação da origem dos recursos que transitaram, em nome do sujeito passivo, em instituições financeiras, ou seja, pelo artigo 42 da Lei n° 9.430/1996, temse a autorização para considerar ocorrido o “fato gerador” quando o contribuinte não logra comprovar a origem dos créditos efetuados em sua conta bancária, não havendo a necessidade do fisco juntar qualquer outra prova. Via de regra, para alegar a ocorrência de “fato gerador”, a autoridade deve estar munida de provas. Mas, nas situações em que a lei presume a ocorrência do “fato gerador” (as chamadas presunções legais), a produção de tais provas é dispensada. Neste caso, ao Fisco cabe provar tãosomente o fato indiciário (depósitos bancários) e não o fato jurídico tributário (obtenção de rendimentos). Fl. 412DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 30/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10215.720180/200843 Acórdão n.º 2202002.684 S2C2T2 Fl. 6 9 No texto abaixo reproduzido, extraído de “Imposto sobre a Renda Pessoas Jurídicas” (JustecRJ; 1979:806), José Luiz Bulhões Pedreira sintetiza com muita clareza essa questão: O efeito prático da presunção legal é inverter o ônus da prova: invocandoa, a autoridade lançadora fica dispensada de provar, no caso concreto, que ao negócio jurídico com as características descritas na lei corresponde, efetivamente, o fato econômico que a lei presume cabendo ao contribuinte, para afastar a presunção (se é relativa) provar que o fato presumido não existe no caso. Assim, o comando estabelecido pelo art. 42 da Lei nº 9430/1996 cuida de presunção relativa (juris tantum) que admite a prova em contrário, cabendo, pois, ao sujeito passivo a sua produção. Nesse passo, como a natureza nãotributável dos depósitos não foi comprovada pelo contribuinte, estes foram presumidos como rendimentos. Assim, deve ser mantido o lançamento. Antes de tudo cumpre salientar que a presunção não foi estabelecida pelo Fisco e sim pelo art. 42 da Lei n° 9.430/1996. Tal dispositivo outorgou ao Fisco o seguinte poder: se provar o fato indiciário (depósitos bancários não comprovados), restará demonstrado o fato jurídico tributário do imposto de renda (obtenção de rendimentos). Assim, não cabe ao julgador discutir se tal presunção é equivocada ou não, pois se encontra totalmente vinculado aos ditames legais (art. 116, inc. III, da Lei n.º 8.112/1990), mormente quando do exercício do controle de legalidade do lançamento tributário (art. 142 do Código Tributário Nacional CTN). Nesse passo, não é dado apreciar questões que importem a negação de vigência e eficácia do preceito legal que, de modo inequívoco, estabelece a presunção legal de omissão de receita ou de rendimento sobre os valores creditados em conta de depósito mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações (art. 42, caput, da Lei n.º 9.430/1996). É inadmissível aceitar alegações quando desacompanhadas de provas. Assim, a ocorrência do fato gerador decorre, no presente caso, da presunção legal estabelecida no art. 42 da Lei n° 9.430/1996. Verificada a ocorrência de depósitos bancários cuja origem não foi devidamente comprovada pelo contribuinte, é certa também a ocorrência de omissão de rendimentos à tributação, cabendo ao contribuinte o ônus de provar a irrealidade das imputações feitas. Ausentes esses elementos de prova, resulta procedente o feito fiscal em nome do contribuinte. Notase portanto a coerência do arrazoado da autoridade recorrida, afastando os argumentos que o recorrente suscitou na impugnação. Assim se pronuncia a autoridade recorrida: A defesa do contribuinte consiste basicamente em alegações – muitas embasadas em normas não vigentes e na tentativa de transferir o ônus da prova ora para o Fisco, ora para outras empresas. Mesmo se presumindo não ter dificuldades para apresentar a escrituração contábil, já que é sócio da empresa Hom Aquarium Ltda, optou por não fazer, mesmo tendo sido intimado várias vezes enquanto pessoa física e também foi intimada a pessoa jurídica da qual é sócio gerente. Assim, neste contexto de insuficiência probatória por parte do impugnante, Fl. 413DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 30/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 10 agravada pelas particularidades que caracterizam um lançamento ancorado em presunção legal, em especial a inversão do ônus probatório, resta, pois, como não comprovadas as origens dos depósitos bancários, portanto, mantémse o presente lançamento tributário. Ainda que o recorrente tenha argumentado que a origem dos recursos seriam de atividades de uma empresa, cabe ao recorrente demonstrar o que alega, comprovando cada depósitos individualizadamente. Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus acréscimos patrimoniais. Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Incabível a alegação de ilegitimidade passiva, uma vez que está comprovado nos autos o uso de conta bancária em nome próprio, para efetuar a movimentação de valores tributáveis, situação que torna lícito o lançamento sobre o próprio titular da conta. Sobre esse ponto o CARF já consolidou entendimento: A titularidade dos depósitos bancários pertence às pessoas indicadas nos dados cadastrais, salvo quando comprovado com documentação hábil e idônea o uso da conta por terceiros (Súmula CARF No.32) É inadmissível aceitar alegações quando desacompanhadas de provas. Assim, a ocorrência do fato gerador decorre, no presente caso, da presunção legal estabelecida no art. 42 da Lei n° 9.430/1996. Verificada a ocorrência de depósitos bancários cuja origem não foi devidamente comprovada pelo contribuinte, é certa também a ocorrência de omissão de rendimentos à tributação, cabendo ao contribuinte o ônus de provar a irrealidade das imputações feitas. Ausentes esses elementos de prova, resulta procedente o feito fiscal em nome do contribuinte. É oportuno para o caso concreto, recordar a lição de MOACYR AMARAL DOS SANTOS: “Provar é convencer o espírito da verdade respeitante a alguma coisa.” Ainda, entende aquele mestre que, subjetivamente, prova ‘é aquela que se forma no espírito do juiz, seu principal destinatário, quanto à verdade deste fato”. Já no campo objetivo, as provas “são meios destinados a fornecer ao juiz o conhecimento da verdade dos fatos deduzidos em juízo.” Assim, consoante MOACYR AMARAL DOS SANTOS, a prova teria: a) um objeto são os fatos da causa, ou seja, os fatos deduzidos pelas partes como fundamento da ação; b) uma finalidade a formação da convicção de alguém quanto à existência dos fatos da causa; c) um destinatário o juiz. As afirmações de fatos, feitas pelos litigantes, dirigemse ao juiz, que precisa e quer saber a verdade quanto aos mesmos. Para esse fim é que se produz a prova, na qual o juiz irá formar a sua convicção. Podese então dizer que a prova jurídica é aquela produzida para fins de apresentar subsídios para uma tomada de decisão por quem de direito. Não basta, pois, apenas demonstrar os elementos que indicam a ocorrência de um fato nos moldes descritos pelo Fl. 414DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 30/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10215.720180/200843 Acórdão n.º 2202002.684 S2C2T2 Fl. 7 11 emissor da prova, é necessário que a pessoa que demonstre a prova apresente algo mais, que transmita sentimentos positivos a quem tem o poder de decidir, no sentido de enfatizar que a sua linguagem é a que mais aproxima do que efetivamente ocorreu. O recorrente apresenta argumentos verossímeis, entretanto não logrou comprovar individualizadamente os depósitos realizados, caberia a mesma apresentar provas conclusiva que firmassem a convicção no julgador. As provas tem que ser concentradas na explicação de cada depósito considerado como de origem não comprovada. Ademais, cabe a recorrente por força da presunção legal, compete a ela provar a natureza especifica de cada depósitos, na medida em que, ninguém melhor do que ela própria trazer o comprovante de cada depósito. Dessa forma, cabe a máxima de que “allegatio et non probatio, quase non allegatio” (alegar e não provar é quase não alegar). Ante ao exposto, voto por rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 415DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 30/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
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Numero do processo: 10980.900321/2008-39
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 07 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jul 23 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2002
COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO. DIFERENÇAS ENTRE A DIPJ E PER/DCOMP. ÚNICO FUNDAMENTO PARA INDEFERIR O DIREITO. IMPOSSIBILIDADE.
Não é possível se negar o direito à compensação pelo singelo argumento de que o saldo negativo informado em PER/DCOMP é diferente daquele declarado na DIPJ, em especial quando o contribuinte busca comprovar seu direito com a apresentação de argumentos e provas em sede de impugnação.
No processo administrativo-fiscal, deve-se apurar o crédito a que o contribuinte faça jus, não sendo possível encerrá-lo com base em argumentos formais não previstos em lei, em especial quando não é mais possível se pleitear nova compensação em virtude da superação do prazo quinquenal decadencial e por ser vedado o envio de DCOMP com o uso de crédito que não tenha sido reconhecido pela autoridade competente em outra declaração de compensação.
DIREITO CREDITÓRIO NÃO ANALISADO. NECESSIDADE DE ANÁLISE DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. RETORNO DOS AUTOS COM DIREITO A NOVO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO.
Em situações em que não se admitiu a compensação preliminarmente com base em argumento de direito, caso superado o fundamento da decisão, a unidade de origem deve proceder à análise do mérito do pedido, verificando a existência, suficiência e disponibilidade do crédito pleiteado, permanecendo os débitos compensados com a exigibilidade suspensa até a prolação de nova decisão, e concedendo-se ao sujeito passivo direito a novo contencioso administrativo, em caso de não homologação total.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 1102-001.107
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso para determinar nova análise do direito creditório pela unidade de origem. Declarou-se impedido o conselheiro João Carlos de Figueiredo Neto.
(assinado digitalmente)
___________________________________
João Otávio Oppermann Thomé - Presidente
(assinado digitalmente)
___________________________________
José Evande Carvalho Araujo- Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araujo, João Carlos de Figueiredo Neto, Ricardo Marozzi Gregório, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, e Antonio Carlos Guidoni Filho.
Nome do relator: JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2002 COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO. DIFERENÇAS ENTRE A DIPJ E PER/DCOMP. ÚNICO FUNDAMENTO PARA INDEFERIR O DIREITO. IMPOSSIBILIDADE. Não é possível se negar o direito à compensação pelo singelo argumento de que o saldo negativo informado em PER/DCOMP é diferente daquele declarado na DIPJ, em especial quando o contribuinte busca comprovar seu direito com a apresentação de argumentos e provas em sede de impugnação. No processo administrativo-fiscal, deve-se apurar o crédito a que o contribuinte faça jus, não sendo possível encerrá-lo com base em argumentos formais não previstos em lei, em especial quando não é mais possível se pleitear nova compensação em virtude da superação do prazo quinquenal decadencial e por ser vedado o envio de DCOMP com o uso de crédito que não tenha sido reconhecido pela autoridade competente em outra declaração de compensação. DIREITO CREDITÓRIO NÃO ANALISADO. NECESSIDADE DE ANÁLISE DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. RETORNO DOS AUTOS COM DIREITO A NOVO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. Em situações em que não se admitiu a compensação preliminarmente com base em argumento de direito, caso superado o fundamento da decisão, a unidade de origem deve proceder à análise do mérito do pedido, verificando a existência, suficiência e disponibilidade do crédito pleiteado, permanecendo os débitos compensados com a exigibilidade suspensa até a prolação de nova decisão, e concedendo-se ao sujeito passivo direito a novo contencioso administrativo, em caso de não homologação total. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso para determinar nova análise do direito creditório pela unidade de origem. Declarou-se impedido o conselheiro João Carlos de Figueiredo Neto. (assinado digitalmente) ___________________________________ João Otávio Oppermann Thomé - Presidente (assinado digitalmente) ___________________________________ José Evande Carvalho Araujo- Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araujo, João Carlos de Figueiredo Neto, Ricardo Marozzi Gregório, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, e Antonio Carlos Guidoni Filho.
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SALDO NEGATIVO. DIFERENÇAS ENTRE A DIPJ E PER/DCOMP. ÚNICO FUNDAMENTO PARA INDEFERIR O DIREITO. IMPOSSIBILIDADE. Não é possível se negar o direito à compensação pelo singelo argumento de que o saldo negativo informado em PER/DCOMP é diferente daquele declarado na DIPJ, em especial quando o contribuinte busca comprovar seu direito com a apresentação de argumentos e provas em sede de impugnação. No processo administrativofiscal, devese apurar o crédito a que o contribuinte faça jus, não sendo possível encerrálo com base em argumentos formais não previstos em lei, em especial quando não é mais possível se pleitear nova compensação em virtude da superação do prazo quinquenal decadencial e por ser vedado o envio de DCOMP com o uso de crédito que não tenha sido reconhecido pela autoridade competente em outra declaração de compensação. DIREITO CREDITÓRIO NÃO ANALISADO. NECESSIDADE DE ANÁLISE DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. RETORNO DOS AUTOS COM DIREITO A NOVO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. Em situações em que não se admitiu a compensação preliminarmente com base em argumento de direito, caso superado o fundamento da decisão, a unidade de origem deve proceder à análise do mérito do pedido, verificando a existência, suficiência e disponibilidade do crédito pleiteado, permanecendo os débitos compensados com a exigibilidade suspensa até a prolação de nova decisão, e concedendose ao sujeito passivo direito a novo contencioso administrativo, em caso de não homologação total. Recurso Voluntário Provido em Parte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 90 03 21 /2 00 8- 39 Fl. 289DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/ 05/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 10980.900321/200839 Acórdão n.º 1102001.107 S1C1T2 Fl. 290 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso para determinar nova análise do direito creditório pela unidade de origem. Declarouse impedido o conselheiro João Carlos de Figueiredo Neto. (assinado digitalmente) ___________________________________ João Otávio Oppermann Thomé Presidente (assinado digitalmente) ___________________________________ José Evande Carvalho Araujo Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araujo, João Carlos de Figueiredo Neto, Ricardo Marozzi Gregório, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, e Antonio Carlos Guidoni Filho. Relatório PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO O contribuinte acima identificado solicitou a compensação de débitos de próprios com crédito de saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2002 no valor de R$ 1.780.539,19, por meio do PER/DCOMP de fls. 7 a 13, enviado em 31/10/2003. O despacho decisório eletrônico de fl. 2, emitido em 7/3/2008, não homologou as compensações pelo fato de o valor do saldo negativo informado na PER/DCOMP (R$ 1.780.539,19) ser diferente daquele declarado na DIPJ (R$ 2.146.723,11). MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado dessa decisão, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 14 a 41), acatada como tempestiva. O relatório do acórdão de primeira instância descreveu os argumentos do recurso da seguinte maneira (fls. 243 a 244): 4. Existe crédito suficiente para a compensação dos débitos declarados, o que foi desconsiderado pelo erro formal cometido pelo contribuinte no preenchimento da DIPJ. O saldo negativo de IRPJ tem como origem IRPJ recolhido a maior no ano calendário 2002, através do recolhimento das estimativas mensais, por meio de DARFs, de PER/DCOMP, da utilização de saldo negativo de IRPJ de anterior período – 2001, bem como do Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) por instituições bancárias e por prestadores de serviços. Tudo conforme documentos anexos e detalhamentos fornecidos pelo contribuinte na peça impugnatória. Fl. 290DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/ 05/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 10980.900321/200839 Acórdão n.º 1102001.107 S1C1T2 Fl. 291 3 5. Logo, a recorrente possuía comprovadamente saldo negativo suficiente para amparar as compensações declaradas no PER/DCOMP em questão. Não tem qualquer razoabilidade o indeferimento da compensação sob o argumento da divergência de informações entre a DIPJ e o PER/DCOMP. Vejase que até mesmo o saldo negativo de 2002 era superior àquele que se objetivou compensar. Os erros formais do contribuinte iniciaramse na DIPJ do anocalendário 2001, da qual se originou o saldo negativo utilizado nas estimativas de 2002. A recorrente equivocadamente preencheu errado a linha 18 da ficha 12 A, do 4º trimestre de 2001. ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba (PR) julgou a manifestação de inconformidade improcedente, em acórdão que possui a seguinte ementa (fls. 242 a 249): ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2002 PER/DCOMP. SALDO NEGATIVO DE IRPJ E/OU DE CSLL. DIVERGÊNCIA ENTRE O VALOR INFORMADO NA DIPJ E NO PER/DCOMP. NÃOHOMOLOGAÇÃO. A única via admissível para a efetuação de compensação é por meio da entrega da respectiva declaração, a qual deve, obrigatoriamente, (a) seguir as regras de preenchimento estabelecidas pela RFB, conforme o §14, acima; e (b) informar os créditos que foram utilizados naquela declaração de compensação, conforme o §1º. Portanto, em cumprimento ao disposto no art. 170 do CTN, ao §14 do art. 74 da Lei nº 9.430/96, e à Norma de Execução Codac/Cosit/Cofis/Cocaj/Cotec nº 6, de 21 de novembro de 2007, na hipótese de a origem do direito creditório ser saldo negativo de IRPJ e/ou de CSLL, o direito de compensação do contribuinte está condicionado a que informe no PER/DCOMP idêntico valor de saldo negativo de IRPJ e/ou CSLL, respectivamente, em relação ao que foi informado na DIPJ. Tendo o contribuinte sido intimado a regularizar a divergência, e quedandose inerte, a divergência impede que o Fisco proceda à análise do direito creditório informado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Os fundamentos dessa decisão foram os seguintes: a) conforme o art. 170 do CTN, o contribuinte só terá direito a compensar se, e apenas se, (a) a lei estabelecer esse direito; (b) se forem atendidas as condições estipuladas Fl. 291DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/ 05/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 10980.900321/200839 Acórdão n.º 1102001.107 S1C1T2 Fl. 292 4 diretamente pela lei, ou as condições cuja estipulação a lei delegue às autoridades administrativas competentes; e, ainda, (c) sob as garantias estipuladas pela lei; b) portanto, a única via admissível para se efetuar a compensação é por meio da entrega da respectiva declaração, a qual deve, obrigatoriamente, (a) seguir as regras de preenchimento estabelecidas pela RFB, e (b) informar os créditos que foram utilizados naquela declaração de compensação.; c) a Norma de Execução Codac/Cosit/Cofis/Cocaj/Cotec nº 6, de 21 de novembro de 2007, determina que, diante da divergência entre a DIPJ e o PER/DCOMP, no que se refere ao valor do saldo negativo, devese proceder à intimação do sujeito passivo, para que retifique uma das declarações, de maneira a possibilitar o prosseguimento da análise. Não havendo a compatibilização do valor informado nas declarações, por meio de retificação empreendida pelo contribuinte, revelase inviável o prosseguimento da análise, por não possuir o Fisco as informações necessárias para tal; d) foi feita a devida intimação solicitando providências, como determinado pela Norma de Execução, mas contribuinte quedou inerte. Sua alegação de que não era possível procederse à retificação não é amparada pela realidade, pois a intimação foi cientificada ao contribuinte em 5 de setembro de 2006, período em que era plenamente possível retificar a DIPJ 2003, base 2002, que é a DIPJ que apresenta a informação sobre o saldo negativo objeto deste processo. Além disso, a própria intimação abriu expressamente ao contribuinte a faculdade de retificar suas declarações pertinentes, concedendolhe expressamente o prazo de vinte dias. Por isso, não havia qualquer óbice impeditivo à retificação; e) assim, não tendo o contribuinte retificado suas declarações mesmo tendo sido intimado para tanto, está escorreito o despacho decisório guerreado. RECURSO AO CARF Cientificado da decisão de primeira instância em 23/11/2010 (fl. 252), o contribuinte apresentou, em 22/12/2010, o recurso de fls. 253 a 284, onde afirma que: a) cumpriu todos os requisitos exigidos para a compensação, constantes no art. 170 do CTN, no art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996, e na Instrução Normativa SRF n° 600, de 2010; b) existindo crédito líquido e certo e atendidas às exigências da legislação de regência, não se pode admitir que seu crédito se torne nulo ou inutilizável pelo simples fato de que determinada informação constante na sua DIPJ esteja equivocada. Equívocos nas informações registradas em DIPJ estão sujeitos à sanção própria, conforme prevê o artigo 7º, inciso IV, da Lei n° 10.426, de 2002; c) já a Norma de Execução Codac/Cosit/Cofis/Cocaj/Cotec nº 6, de 21 de novembro de 2007, é simples norma interna de processamento eletrônico de PER/DCOMP, e não está sequer disponível no sítio da Internet da Receita Federal; d) ainda que os sistemas eletrônicos não pudessem processar eletronicamente a DCOMP em questão por falta de informações, todas as informações necessárias à Fl. 292DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/ 05/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 10980.900321/200839 Acórdão n.º 1102001.107 S1C1T2 Fl. 293 5 demonstração do crédito objeto da referida DCOMP foram anexados ao presente processo administrativo. O fato de o sistema eletrônico não conseguir processar a DCOMP por conta de alguma informação não constar ou estar equivocada em seu banco de dados, não significa que a autoridade julgadora não possa verificar a presença do direito creditório a partir de outros elementos de prova (DARF's, DCTF's, etc.). Isso não implica a possibilidade de sumariamente, sem a menor análise, indeferirse a utilização de crédito fiscal existente; e) conforme evidenciado no curso do presente processo, houve preenchimento da incorreto da DIPJ, sendo que o valor correto do saldo negativo do ano de 2002 é de R$ 1.783.550,29, como demonstrado nas seções III e IV do recurso (fls. 265 a 283); Ao final, diante da efetiva demonstração da existência de saldo negativo de IRPJ apurado no anocalendário de 2002 e do mero equívoco na DIPJ, requer a homologação integral da compensação declarada. Não sendo esse o entendimento, requer seja reconhecida a nulidade da decisão recorrida, pois ausente qualquer análise das questões fáticas do processo, determinadose a remessa do autos à DRJ de Curitiba para que se realize novo julgamento, analisando o direito creditório à luz da aplicação do princípio da verdade material e, inclusive, determinandose a realização de diligências, caso se entenda necessário. Ad argumentandum, caso se entenda que não possui a totalidade dos créditos objeto da compensação, requer a homologação parcial do PER/DCOMP, seguindose a ordem de compensação do artigo 21, §7°, da Instrução Normativa SRF n° 210, de 2002 (vigente à época de apresentação do PER/DCOMP). Este processo foi a mim distribuído no sorteio realizado em novembro de 2013, numerado digitalmente até a fl. 288. Esclareçase que todas as indicações de folhas neste voto dizem respeito à numeração digital do eprocesso. É o relatório. Voto Conselheiro José Evande Carvalho Araujo, Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. No presente processo, não foram homologadas compensações de débitos próprios com crédito de saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2002, pelo fato de o valor do saldo negativo informado no PER/DCOMP (R$ 1.780.539,19) ser diferente daquele declarado na DIPJ (R$ 2.146.723,11). O acórdão recorrido manteve a decisão, alegando que o contribuinte foi informado da diferença e intimado a retificar a DIPJ ou o PER/DCOMP (fls. 240 a 241), e que nada fez, e que por isso perdeu seu direito à compensação, nos termos da Norma de Execução Codac/Cosit/Cofis/Cocaj/Cotec nº 6, de 21 de novembro de 2007. Isso porque o §14 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, conferiu à Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) competência para disciplinar as regras Fl. 293DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/ 05/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 10980.900321/200839 Acórdão n.º 1102001.107 S1C1T2 Fl. 294 6 sobre a compensação, e as instruções de preenchimento do PER/DCOMP, referentes à PASTA CRÉDITO, estabelecem que o valor do saldo negativo informado para compensação deve ser igual ao da DIPJ. Logo, como a lei delegou à RFB o poder de disciplinar a compensação, e o órgão condicionou esse direito à declaração no PER/DCOMP de valor idêntico de saldo negativo de IRPJ daquele informado na DIPJ, o descumprimento da ordem acarreta a não homologação do encontro de contas. O recorrente, por sua vez, alega que cumpriu todos os requisitos exigidos para a compensação, constantes no art. 170 do Código Tributário Nacional CTN, no art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996, e na Instrução Normativa SRF n° 600, de 28 de dezembro de 2005; que a citada Norma de Execução é simples norma interna de processamento eletrônico de PER/DCOMP, e não está sequer disponível no sítio da Internet da Receita Federal; e que o fato de o sistema eletrônico não conseguir processar a DCOMP por conta de divergência de informações não significa que não se possa verificar a presença do direito creditório a partir de outros elementos de prova. Com razão a defesa. Não é possível se negar o direito à compensação pelo singelo argumento de que o saldo negativo informado em PER/DCOMP é diferente daquele declarado na DIPJ, em especial quando o valor compensado é menor do que o declarado. E menos ainda sustentar essa obrigatoriedade nas instruções de preenchimento do Programa PER/DCOMP e em norma de execução interna que regulamenta o procedimento a ser adotado no processamento eletrônico de declarações de compensação. Isso somente poderia ser admitido caso o contribuinte não trouxesse elementos para se apurar o seu direito creditório. Mas, ao contrário, em sede de impugnação, foram acostados DARFs (fls. 109 a 117), informes bancários (fls. 129 a 138 e 182 a 186) e de retenção (fls. 140 a 147 e 189 a 193), notas fiscais e comprovantes de recebimentos (149 a 180 e 195 a 201), e cópias de DCTFs (222 a 230), além de detalhada explicação do direito, sendo todos esses elementos absolutamente ignorados pelo julgador a quo. Ademais, não é possível se inferir nem na Lei n° 9.430, de 1996, nem na Instrução Normativa SRF n° 600, de 2005, a regra de que a simples diferença de informações entre a DIPJ e o PER/DCOMP implicaria o indeferimento do pedido. E nem tem sido esse o entendimento das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento que, em casos semelhantes, invariavelmente analisam se as provas trazidas nas impugnações são suficientes para comprovar o alegado saldo negativo (ao menos tem sido esse o procedimento adotado nos processos analisados por esta Turma). Não se pode perder de vista que a não homologação da compensação, neste momento, resultaria na própria perda do direito, haja vista que já foi superado o prazo quinquenal decadencial para novo pedido, e ainda porque o inciso XI do § 3o do art. 26 da Instrução Normativa SRF n° 600, de 2005, não permite a apresentação de declaração de compensação com o uso de crédito que não tenha sido reconhecido pela autoridade competente em outra DCOMP (vedação hoje constante do inciso XI do § 3o do art. 41 da Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012). Dessa forma, afastase o fundamento do despacho da decisório e da decisão recorrida de negar o direito à compensação pela simples diferença entre os valores de saldo negativo de IRPJ informados na DIPJ e no PER/DCOMP. Fl. 294DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/ 05/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 10980.900321/200839 Acórdão n.º 1102001.107 S1C1T2 Fl. 295 7 Contudo, há que se observar que não houve a apuração efetiva do direito creditório, pois as provas e argumentos trazidos na impugnação e no voluntário não foram apreciados. Em situações como essa, em que não se admitiu a compensação preliminarmente com base em argumento de direito, penso que, caso superado o fundamento da decisão, a unidade de origem deve proceder à análise do mérito do pedido, garantindose ao contribuinte direito ao contencioso administrativo completo em caso de insucesso ou sucesso parcial. A simples conversão em diligência para decisão por esta Turma suprimiria indevidamente o direito à discussão do mérito em primeira instância. Nessa análise, caso a autoridade fiscal entenda que as provas trazidas aos autos são insuficientes, deve intimar o contribuinte a completála, explicitando detalhadamente quais os documentos que devem ser trazidos, e só então elaborar decisão definitiva sobre a matéria. Dessa forma, deve o processo retornar a unidade de origem para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em compensação, permanecendo os débitos compensados com a exigibilidade suspensa até a prolação de nova decisão, e concedendose ao sujeito passivo direito a novo contencioso administrativo, em caso de não homologação total. Diante do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso para determinar nova análise do direito creditório pela unidade de origem. (assinado digitalmente) José Evande Carvalho Araujo Fl. 295DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/ 05/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME
score : 1.0
Numero do processo: 16349.000030/2008-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Aug 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006
RESSARCIMENTO DO PIS NÃO-CUMULATIVO. COMPENSAÇÃO NA FORMA DO ART. 16, INCISO I, DA LEI Nº 11.116/2005. ACUMULAÇÃO DE CRÉDITO EM OPERAÇÃO TRIBUTADA.
O aproveitamento no crédito do PIS não-cumulativo na forma do art.16, inciso I, da Lei nº 11.116/05, é possível somente se for acumulado em vendas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência PIS ou da COFINS.
CRÉDITO PRESUMIDO DO PIS NÃO-CUMULATIVO. ART. 8º, DA LEI Nº 10.925/04. AGROINDÚSTRIA. IMPOSSIBILIDADE DE APROVEITAMENTO DO CRÉDITO PARA COMPENSAR COM OUTRO TRIBUTO.
O aproveitamento de crédito presumido do PIS, de que trata o Art. 8º, da lei nº 10.925/04, para compensar com outros tributos, não é permitido para as agroindústrias, ainda que eles se acumulem em razão de vendas com tributação suspensa, não tributadas, tributadas à alíquota zero ou isentas.
Numero da decisão: 3401-002.615
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
JULIO CÉSAR ALVES RAMOS - Presidente.
JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl, Jean Cleuter Simões Mendonça, Eloy Eros da Silva Nogueira, Fernando Marques Cleto Duarte e Ângela Sartori.
Nome do relator: JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 RESSARCIMENTO DO PIS NÃO-CUMULATIVO. COMPENSAÇÃO NA FORMA DO ART. 16, INCISO I, DA LEI Nº 11.116/2005. ACUMULAÇÃO DE CRÉDITO EM OPERAÇÃO TRIBUTADA. O aproveitamento no crédito do PIS não-cumulativo na forma do art.16, inciso I, da Lei nº 11.116/05, é possível somente se for acumulado em vendas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência PIS ou da COFINS. CRÉDITO PRESUMIDO DO PIS NÃO-CUMULATIVO. ART. 8º, DA LEI Nº 10.925/04. AGROINDÚSTRIA. IMPOSSIBILIDADE DE APROVEITAMENTO DO CRÉDITO PARA COMPENSAR COM OUTRO TRIBUTO. O aproveitamento de crédito presumido do PIS, de que trata o Art. 8º, da lei nº 10.925/04, para compensar com outros tributos, não é permitido para as agroindústrias, ainda que eles se acumulem em razão de vendas com tributação suspensa, não tributadas, tributadas à alíquota zero ou isentas.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1920; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 543 1 542 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16349.000030/200881 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3401002.615 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 28 de maio de 2014 Matéria DCOMP Recorrente CAMIL ALIMENTOS LTDA Recorrida DRJ SÃO PAULO I / SP ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 RESSARCIMENTO DO PIS NÃOCUMULATIVO. COMPENSAÇÃO NA FORMA DO ART. 16, INCISO I, DA LEI Nº 11.116/2005. ACUMULAÇÃO DE CRÉDITO EM OPERAÇÃO TRIBUTADA. O aproveitamento no crédito do PIS nãocumulativo na forma do art.16, inciso I, da Lei nº 11.116/05, é possível somente se for acumulado em vendas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência PIS ou da COFINS. CRÉDITO PRESUMIDO DO PIS NÃOCUMULATIVO. ART. 8º, DA LEI Nº 10.925/04. AGROINDÚSTRIA. IMPOSSIBILIDADE DE APROVEITAMENTO DO CRÉDITO PARA COMPENSAR COM OUTRO TRIBUTO. O aproveitamento de crédito presumido do PIS, de que trata o Art. 8º, da lei nº 10.925/04, para compensar com outros tributos, não é permitido para as agroindústrias, ainda que eles se acumulem em razão de vendas com tributação suspensa, não tributadas, tributadas à alíquota zero ou isentas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. JULIO CÉSAR ALVES RAMOS Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 34 9. 00 00 30 /2 00 8- 81 Fl. 543DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 18 /07/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 2 JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl, Jean Cleuter Simões Mendonça, Eloy Eros da Silva Nogueira, Fernando Marques Cleto Duarte e Ângela Sartori. Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP transmitida em 28/11/2007 (fls. 05/07), pela qual a Contribuinte pretende o ressarcimento de crédito da COFINS não cumulativa das operações no mercado interno do quarto trimestre de 2006. A delegacia de origem indeferiu parte do ressarcimento por entender que o crédito presumido pode ser utilizado somente para dedução da contribuição (fls. 169/176). A Contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 179/196), mas a DRJ manteve o despacho decisório ao prolatar acórdão (fls. 435/444) com a seguinte ementa: “COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. VENDAS NO MERCADO INTERNO. POSSIBILIDADE DE RESSARCIMENTO. Nas vendas no mercado interno, o ressarcimento de créditos é permitido apenas em relação aos dispêndios vinculados a operações efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência da COFINS. Os créditos relacionados a demais receitas no mercado interno podem ser aproveitados exclusivamente para dedução da contribuição apurada. COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE CRÉDITO PRESUMIDO. RESSARCIMENTO. COMPENSAÇÃO. O crédito presumido de que trata o art. 8º da Lei nº 10.925/2004 somente poderá utilizado para desconto dos valores da COFINS, sendo afastada a hipótese de ressarcimento em dinheiro ou a compensação com outros tributos ou contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido”. A Contribuinte foi intimada do acórdão da DRJ em 13/03/2012 (fl. 446) e interpôs recurso voluntário em 11/04/2012, com as alegações resumidas abaixo: Fl. 544DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 18 /07/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 16349.000030/200881 Acórdão n.º 3401002.615 S3C4T1 Fl. 544 3 1 Sua atividade consiste em industrialização de cereais, principalmente de arroz e feijão, que corresponde a 90% de sua receita. Como a venda desses produtos é tributada à alíquota zero, a Recorrente não consegue utilizar para dedução todos os créditos acumulados; 2 Negar direito de ressarcir ou compensar os créditos acumulados é contrariar a nãocumulatividade; 3 Por ser uma agroindústria, a Recorrente tem direito ao crédito presumido previsto na Lei nº 10.925/04. O art. 16, da Lei nº 11.116/06, autoriza a compensação e o ressarcimento do saldo credor dos créditos acumulados ao final de cada trimestre e, ao contrário do defendido pelo fisco, a Lei nº 10.925/04 não veda o aproveitamento do crédito por compensação; Ao fim, a Recorrente pediu a reforma do acórdão da DRJ para que seja reconhecido integralmente o direito creditório que pretende ressarcir. Alternativamente, pediu a declaração expressa do “direito à utilização do crédito do PIS/COFINS, no regime não cumulativo, referente ao 1º trimestre de 2006, reconhecido no presente processo administrativo para dedução da Contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS) apuradas no regime de incidência não cumulativa”. É o Relatório. Voto Conselheiro Jean Cleuter Simões Mendonça O Recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. A Contribuinte pleiteia dois tipos de crédito: (1) Da COFINS não cumulativa, referente à aquisição de insumos utilizados na industrialização de produtos tributados vendidos no mercado interno; e (2) crédito presumido da COFINS em razão de atividade agroindustrial. Em ambos os casos, a autoridade fiscal entendeu que ele pode ser utilizado somente para dedução das contribuições. Sendo assim, o cerne da questão consiste em saber se é possível a utilização dos créditos pleiteados para ressarcimento e compensação ou se eles podem ser utilizados somente para dedução. Fl. 545DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 18 /07/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 4 1 Dos créditos vinculados às vendas no mercado interno O art. 16, da Lei nº 11.116/2005, na qual se apoia o pedido de compensação da Recorrente, tem o seguinte texto: “Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Parágrafo único. Relativamente ao saldo credor acumulado a partir de 9 de agosto de 2004 até o último trimestrecalendário anterior ao de publicação desta Lei, a compensação ou pedido de ressarcimento poderá ser efetuado a partir da promulgação desta Lei”. (grifo nosso) Assim, a interpretação é que para ter direito a compensação, o crédito deverá ter sido acumulado “em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004”, que, por sua vez, tem a seguinte redação: “Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações”. (destaque nosso) Da interpretação combinada dos dois dispositivos, temse que o art. 16, da Lei nº 11.116/2005, autoriza a utilização dos créditos do PIS e COFINS não cumulativos somente se eles tiverem sido acumulados em razão das vendas dos produtos com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência do PIS/COFINS. Nos presente caso, é incontroverso que o crédito tem origem na aquisição de insumos utilizados em produtos vendidos no mercado e tributados, o que impede a compensação do crédito, permitindo, no máximo, o abatimento da COFINS dos períodos posteriores. 2. Possibilidade de aproveitamento do crédito presumido Fl. 546DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 18 /07/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 16349.000030/200881 Acórdão n.º 3401002.615 S3C4T1 Fl. 545 5 A Recorrente pretende o aproveitamento do crédito presumido da COFINS para compensar com débitos de outros tributos, sob a alegação de permissão legal, pois a maioria das suas vendas são tributadas à alíquota zero, de modo que não há como utilizar todo o crédito no abatimento do PIS e COFINS devidos. O art. 8º e o § 1º Lei n° 10.925/2004, que prevê o crédito presumido do PIS e da COFINS, assim determinam: “Art. 8º As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. § 1º O disposto no caput deste artigo aplicase também às aquisições efetuadas de: I cerealista que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal, classificados nos códigos 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, 12.01 e 18.01, todos da NCM; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) II pessoa jurídica que exerça cumulativamente as atividades de transporte, resfriamento e venda a granel de leite in natura; e III pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e cooperativa de produção agropecuária.(Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004)”. Todavia, o § 4º, também do artigo 8º, trouxe vedação ao aproveitamento do crédito pelas agroindústrias da seguinte forma: “§ 4º É vedado às pessoas jurídicas de que tratam os incisos I a III do § 1º deste artigo o aproveitamento: I do crédito presumido de que trata o caput deste artigo; Fl. 547DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 18 /07/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 6 II de crédito em relação às receitas de vendas efetuadas com suspensão às pessoas jurídicas de que trata o caput deste artigo” No fim de 2004, mais precisamente em 22/12/2004, foi publicada a Lei nº 11.033/2004, a qual trouxe, no seu art. 17, a seguinte redação, na qual se apoia a Recorrente: “Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações”. Apesar da suposta divergência das normas, não há conflito, pois a primeira (§ 4o, do art. 8º, da Lei n° 10.925/2004) traz uma vedação específica para as pessoas listadas nos incisos de I a III, do § 1o, do art. 8º, da Lei n° 10.925/2004, onde estão incluídas as agroindústrias. O art. 17, da Lei no 11.033/2004, traz uma regra geral, sem revogar a regra especificar. Portanto, a vedação do § 4º, também do artigo 8º, permanece em vigor, de modo que não é permitido o aproveitamento de crédito presumido da COFINS pelas agroindústrias em relação às vendas com tributação suspensa, não tributadas, tributadas à alíquota zero ou isentas, para compensar com outros tributos. Ex positis, nego provimento ao recurso voluntário interposto. É como voto. Jean Cleuter Simões Mendonça Relator Fl. 548DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 18 /07/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
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Numero do processo: 10183.904240/2012-80
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jun 20 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/01/2006
CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. PROVA. ÔNUS DO CONTRIBUINTE.
Em processos constituídos por declaração de compensação compete ao contribuinte o ônus da prova quanto ao fato constitutivo do seu direito ao crédito utilizado, que deve revestir-se dos atributos de liquidez e certeza para que logre a sua homologação.
Numero da decisão: 3803-006.098
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Demes Brito.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2006 a 31/01/2006 CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. PROVA. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Em processos constituídos por declaração de compensação compete ao contribuinte o ônus da prova quanto ao fato constitutivo do seu direito ao crédito utilizado, que deve revestirse dos atributos de liquidez e certeza para que logre a sua homologação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Demes Brito. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 90 42 40 /2 01 2- 80 Fl. 67DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/06/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 19/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Esta Contribuinte transmitiu Declaração de Compensação servindose de crédito de PIS/Cofins Não Cumulativa, decorrente de alegado pagamento a maior. Despacho Decisório do DRF/Cuiabá indeferiu a DComp, tendo em vista que, a partir das características do DARF discriminado, foram localizados um ou mais pagamentos abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando saldo disponível a compensar Em manifestação de inconformidade apresentada, a Contribuinte alegou que: a) a alegação de que não restou crédito disponível não pode ser entendida como fundamento para o despacho decisório; b) a autoridade administrativa quedouse inerte na análise de qualquer situação que legitima o crédito postulado; c) a não homologação desta compensação ocorreu por uma questão de sistema de informática, porque o crédito propriamente dito sequer foi apreciado. Pelo que, concluiu que se trata do encontro de contas realizado pelo sistema da Receita Federal entre o débito recolhido e o crédito declarado em DCTF; d) há diversas situações que acarretam a restituição de valor recolhido: a inclusão indevida de valores na base de cálculo; erro de fato na apuração do imposto; situações que autorizam o contribuinte a reduzir valores da base de cálculo e que são regulamentadas pela IN 900/2008; e) a autoridade administrativa furtouse em analisar qualquer das possibilidades que ensejaria a restituição postulada. Não homologar a compensação sem explicar os motivos da suposta indisponibilidade do crédito, torna a decisão totalmente nula, por não oferecer os elementos necessários para que a empresa possa promover sua defesa e a prova da existência deste crédito; f) calculou a contribuição utilizandose de base de cálculo com valores que incluiu não só a receita decorrente de seu faturamento, ou seja, de suas vendas, mas também as demais receitas que não devem compôla; g) utilizouse de algumas teses tributárias já julgadas pelo STF de forma favorável ao contribuinte; h) “o pedido formulado tem como base a declaração de inconstitucionalidade, em total consonância com o disposto na Lei 9.430/96”; i) postulou o reconhecimento do crédito somente pela via administrativa, já que a inconstitucionalidade desta ampliação já foi declarada e cuja ação já transitou em julgado; j) é legítima a sua pretensão em verse restituída do que foi pago sobre base de cálculo indevidamente ampliada. Em julgamento da lide a DRJ/Campo Grande apresentou a justificação contida no despacho decisório de não homologação e rejeitou a preliminar de nulidade da decisão administrativa, tendo declarado não haver nenhuma das suas hipóteses. Fl. 68DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/06/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 19/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10183.904240/201280 Acórdão n.º 3803006.098 S3TE03 Fl. 68 3 Rejeitou, ainda, o pedido de diligência para apresentação das provas que, a teor do art. 16, § 4º, a, b, c, e § 5º, do Decreto nº 70.235, de 1972, deveria ter acompanhado a manifestação de inconformidade No mérito, a improcedência da manifestação de inconformidade foi assentada sobre a falta de certeza e liquidez do crédito utilizado na DComp, comprovação de que deveria terse desincumbido a Manifestante, porquanto seu este ônus. Cientificada da decisão em 25 de outubro de 2013, irresignada, a Recorrente apresentou recurso voluntário em 25 de novembro de 2013, em que levanta como argumento de defesa apenas a nulidade do despacho decisório, por ferir o princípio da motivação dos atos administrativos por não ter fundamentado a decisão e o princípio da ampla defesa – por não dispor a Manifestante das razões de decidir do ato administrativo, de sorte a poder aparelhar a sua manifestação de inconformidade. Ao final, requereu a reforma da decisão recorrida, por manter o despacho decisório exarado nas circunstâncias que descreve. É o relatório. Voto Conselheiro Belchior Melo de Sousa Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele conheço. A Recorrente maneja em seu recurso apenas o argumento de nulidade do despacho decisório e clama pela reforma da decisão recorrida. Com efeito, o Colegiado a quo bem explicou os fatos subjacentes no despacho decisório, deixando claro o motivo que deu suporte à decisão de não reconhecimento do direito creditório e não homologação da compensação: o DARF do qual foi destacado o suposto crédito estava inteiramente alocado ao débito por ela mesma confessado em DCTF. Eis os seus termos: Se o Darf indicado como crédito foi utilizado para pagamento de um tributo declarado pelo próprio contribuinte, conforme demonstra o quadro do despacho decisório “Fundamentação, Decisão e Enquadramento Legal – Utilização dos pagamentos encontrados para o Darf discriminado no PerDcomp” e o quadro resumo das declarações do contribuinte a seguir, a decisão da RFB de indeferir o pedido de restituição ou de não homologar a compensação está correta.[grifei] A decisão mencionou a falta de demonstração, pela Manifestante (i) do erro em que se fundara a sua original apuração do débito, (ii) do fundamento em que se baseara a redução da base de cálculo, e (iii) dos elementos de prova, em especial a escrita contábil/fiscal, das alegações. Eis os termos em que se pode identificar este roteiro na decisão: Assim, para modificar o fundamento desse ato administrativo, cabe ao recorrente demonstrar erro no valor declarado ou nos cálculos efetuados pela RFB. Se não o fizer, o motivo do Fl. 69DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/06/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 19/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 indeferimento permanece. Entretanto, o contribuinte não trouxe aos autos nenhum documento contábil ou fiscal que demonstrasse suas afirmações genéricas de que o seu crédito provêm de receitas contabilizadas de maneira equivocada. Informa que se utilizou de algumas teses tributárias já julgadas pelo STF de forma favorável ao contribuinte, mas não relata quais são essas ações e se faz parte delas.[grifei] Somente calcada nos requisitos acima destacados, a defesa teria a aptidão de infirmar o encontro de contas processado pela RFB, em que foram considerados os dados informados pela própria Contribuinte. Em contraposição, a Manifestante fora, de fato, genérica na justificativa da origem do seu crédito, como afirmado no acórdão. O delineamento desenhado pelas razões de decidir constituise numa luz que deveria se projetar sobre os argumentos da Recorrente na composição do recurso voluntário. Ainda que não tivesse trazido os citados elementos de prova das bases de cálculo anexados à manifestação de inconformidade, poderia têlo feito no recurso. Somente com o suprimento desta lacuna da defesa, se poderia ter como legítimo o reclamo da Recorrente pelo exercício da ampla defesa, pelo afastamento da preclusão, com base no fato de o despacho decisório não tê la conclamado, expressamente, a apresentar provas, juntamente com a manifestação de inconformidade. A menção na intimação que compõe o despacho decisório, da necessidade de o contribuinte anexar provas na manifestação de conformidade, teria a função de mera lembrança, não é defeito do ato administrativo, porquanto o comando para cumprir este requisito de defesa é legal, segundo regência do art. 16 do Decreto nº 70.235/72. É ônus do contribuinte. O lançamento por homologação é atividade cometida por lei ao contribuinte, a quem compete apurar o quanto devido do tributo e antecipar o pagamento sem prévia apreciação de autoridade administrativa. Por meio dessa atividade o próprio contribuinte abastece os sistemas de controle da Fazenda, que, assim, já dispõe dos dados para efetuar eventual compensação por ele declarada. A par dessa atividade do contribuinte, a declaração de compensação consubstancia o exercício de direito potestativo de contribuinte que apure crédito perante a Receita Federal do Brasil, nos termos do art. 74 da Lei nº 9.430/96. A consequência dessa sistemática é que débito informado na DComp é extinto pelo contribuinte independentemente de apreciação prévia da Administração Tributária. Esta, dispõe de cinco anos para homologá la. Sob esse rito legal, tornase do contribuinte o ônus de comprovar o direito que ele mesmo constitui por meio da DComp qual seja, a extinção do débito. Com fulcro nos fundamentos acima, mostrase improcedente o argumento da Recorrente de falta de motivação do despacho decisório, ficando configurado que não se desincumbiu do seu ônus de substanciar a recurso com os elementos faltantes na manifestação de inconformidade, já possuindo orientação suficiente da decisão recorrida para tanto. Assim, não merece prosperar o seu pedido de reforma do acórdão guerreado. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. Sala das sessões, 24 de abril de 2014 (assinado digitalmente) Fl. 70DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/06/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 19/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10183.904240/201280 Acórdão n.º 3803006.098 S3TE03 Fl. 69 5 Belchior Melo de Sousa Fl. 71DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/06/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 19/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 18471.001547/2005-64
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue May 06 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jun 06 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 01/03/2000, 03/05/2000, 12/06/2000, 15/06/2000, 21/06/2000
DECADÊNCIA. IRRF. PAGAMENTO SEM CAUSA OU A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. ANTECIPAÇÃO DE RECOLHIMENTO. INEXISTÊNCIA.
O art. 62-A do RICARF obriga a utilização da regra do REsp nº 973.733 - SC, decidido na sistemática do art. 543-C do Código de Processo Civil, o que faz com que a ordem do art. 150, §4º, do CTN, só deva ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173 nas demais situações.
A antecipação do pagamento deve ser verificada para cada fato gerador ocorrido.
No caso, o fato gerador é o pagamento do valor e não foi identificado recolhimento do tributo específico para os fatos geradores em questão.
Recurso especial provido.
Numero da decisão: 9202-003.182
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria votos, em dar provimento ao recurso, com retorno dos autos à Câmara de origem para análise das demais questões. Vencidos os Conselheiros Elias Sampaio Freire (Relator), Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado) e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
(Assinado digitalmente)
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
(Assinado digitalmente)
Elias Sampaio Freire Relator
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos Redator-Designado
EDITADO EM: 20/05/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Gustavo Lian Haddad, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire.
Nome do relator: ELIAS SAMPAIO FREIRE
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ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 01/03/2000, 03/05/2000, 12/06/2000, 15/06/2000, 21/06/2000 DECADÊNCIA. IRRF. PAGAMENTO SEM CAUSA OU A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. ANTECIPAÇÃO DE RECOLHIMENTO. INEXISTÊNCIA. O art. 62A do RICARF obriga a utilização da regra do REsp nº 973.733 SC, decidido na sistemática do art. 543C do Código de Processo Civil, o que faz com que a ordem do art. 150, §4º, do CTN, só deva ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173 nas demais situações. A antecipação do pagamento deve ser verificada para cada fato gerador ocorrido. No caso, o fato gerador é o pagamento do valor e não foi identificado recolhimento do tributo específico para os fatos geradores em questão. Recurso especial provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria votos, em dar provimento ao recurso, com retorno dos autos à Câmara de origem para análise das demais questões. Vencidos os Conselheiros Elias Sampaio Freire (Relator), Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado) e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 15 47 /2 00 5- 64 Fl. 680DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/06/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 22/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assin ado digitalmente em 22/05/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 2 (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Elias Sampaio Freire – Relator (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos – RedatorDesignado EDITADO EM: 20/05/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Gustavo Lian Haddad, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório A Fazenda Nacional, inconformada com o decidido no Acórdão nº. 104 23.588, proferido pela Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes em 05 de novembro de 2008, interpôs, dentro do prazo regimental, recurso especial de divergência à Câmara Superior de Recursos Fiscais. A decisão recorrida, por maioria de votos, acolheu a argüição de decadência relativamente aos fatos geradores ocorridos até 17/10/2000 e, no mérito, por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso. Seguem abaixo as suas ementas: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF Exercício: 2001 PAGAMENTO SEM CAUSA DECADÊNCIA. A regra de incidência de cada tributo é que define a sistemática de seu lançamento. O pagamento efetuado sem a comprovação da operação ou causa está sujeito à incidência na fonte, cuja apuração e recolhimento devem ser realizados na ocorrência do pagamento. A incidência tem característica de tributo cuja legislação atribui ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa e amoldase à sistemática de lançamento denominado por homologação, onde a contagem do prazo decadencial deslocase da regra geral do artigo 173 do Código Tributário Nacional, para encontrar respaldo no § 4º do artigo 150, do mesmo Código, hipótese em que os cinco anos têm como termo inicial a data da ocorrência do fato gerador. MÚTUO DE BENS FUNGÍVEIS. O empréstimo de ações cuja liquidação se efetive com a devolução do equivalente da mesma Fl. 681DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/06/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 22/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assin ado digitalmente em 22/05/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 18471.001547/200564 Acórdão n.º 9202003.182 CSRFT2 Fl. 11 3 espécie de valor mobiliário, não constitui fato gerador do imposto de renda sobre ganho líquido. DIVIDENDOS E JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO REEMBOLSO. Não constituem rendimentos, os valores distribuídos pela companhia emissora das ações e repassados ao emprestador, durante o decurso do contrato de empréstimo. Arguição de decadência acolhida. Recurso provido. A ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional entende que o r. acórdão diverge da jurisprudência mantida pelo CARF e pelo STJ sobre o prazo decadencial para a constituição de créditos tributários sujeitos a lançamento por homologação, quando não houver recolhimento antecipado do imposto, devendo, portanto, ser reformado. Apresenta dois acórdãos paradigmas das 2ª e 4ª Câmaras do 1º Conselho de Contribuintes, cujas ementas seguem abaixo: 10246.273 IRPF LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO DECADÊNCIA DATA DE INÍCIO DO PRAZO É A PREVISTA NO INC. I, DO ART. 173, DO CTN O direito de a Fazenda Pública constituir de ofício o crédito tributário relativo ao imposto de renda da pessoa física, inclusive na hipótese de lançamento por homologação, extinguese após 5 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (CTN, art. 173, inc. 1). 10420.839 IRPF LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO DECADÊNCIA TERMO INICIAL Na falta de pagamento antecipado do imposto, o termo inicial para contagem do prazo decadencial do direito de a Fazenda Nacional constituir o crédito tributário pelo lançamento é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado ou a data da entrega da declaração referente ao período se esta for apresentada antes dessa data (art. 173,1 e parágrafo único). Junta a esses paradigmas, o Informativo nº 250 do STJ, que firma o entendimento de que, não havendo recolhimento antecipado do tributo sujeito a lançamento por homologação, o prazo decadencial para a constituição do respectivo crédito tributário regerse á pelo disposto no art. 173, inciso I do CTN, como segue abaixo: LANÇAMENTO. HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. Nas exações cujo lançamento se faz por homologação, havendo pagamento antecipado, contase o prazo decadencial a partir da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4 o , do CTN), que é de cinco anos. Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação, é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN. A suspensão da exigibilidade do crédito tributário na via judicial impede o Fisco de praticar Fl. 682DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/06/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 22/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assin ado digitalmente em 22/05/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 4 qualquer ato contra o contribuinte visando à cobrança de seu crédito, tais como inscrição em dívida, execução e penhora, mas não impossibilita a Fazenda de proceder à regular constituição do crédito tributário para prevenir a decadência do direito de lançar. A Seção, ao prosseguir o julgamento, conheceu dos embargos e deulhes provimento. Precedentes citados: EREsp 101.407SP, DJ 8/5/2000; EREsp 278.727DF, DJ 28/10/2003; REsp 75.075RJ, DJ 14/4/2003, e REsp 106.593SP, DJ 31/8/1998. E R E s p 572.603PR. Rei. Min. Castro Meira, julgados em 8/6/2005. Argumenta que, no caso dos autos, em que não houve antecipação de pagamento de tributos, não há atividade do contribuinte a homologar, cabendo à autoridade administrativa unicamente proceder ao lançamento de ofício dos valores devidos, de acordo com o art. 173, I do CTN. Conclui, portanto, que tendo sido lavrado o auto de infração em 17/10/2005 em relação a fatos geradores ocorridos nos meses de março, abril e junho de 2000, não teria ocorrido a decadência do direito do Fisco proceder ao lançamento, uma vez que esse prazo se extinguiria somente em 31/12/2006. Finaliza, requerendo o afastamento da decadência do lançamento e, em conseqüência, a determinação da apreciação do mérito do recurso voluntário do contribuinte ou a manutenção do acórdão de primeira instância. Nos termos do Despacho nº. 220000.342/2011, foi dado seguimento ao pedido em análise. O contribuinte apresentou contrarrazões. Ressalta que o entendimento da PGFN está equivocado, uma vez que, pela análise das Declarações de Débitos e Créditos do anocalendário de 2000, houve apuração e recolhimento tanto de IRPJ como IRRF. Assim, mesmo que seja adotado o entendimento defendido pela PGFN, havia o que ser homologado pelas autoridades fiscais, de modo que não há razão para o afastamento da regra decadencial prevista no parágrafo 4º do artigo 150 do CTN. Argumenta que, mesmo que não houvesse sido antecipado o pagamento, ainda assim estaria equivocado o entendimento de que a homologação prevista no art. 150 do CTN só acontece quando há a antecipação do pagamento pelo sujeito passivo da obrigação tributária. Frisa que, embora haja decisões do STJ que pareçam amparar essa tese defendida pela PGFN, na verdade, quando se examinam cuidadosamente os casos em que o Superior Tribunal de Justiça aplicou o art. 173 a tributos lançados por homologação em razão de falta de pagamento, notase que o contribuinte, além de não pagar, não efetuou qualquer atividade no sentido de apurar o valor do tributo porventura devido. Tanto é assim que, para as situações em que o contribuinte exerce a apuração do valor do tributo que deveria ser pago em determinado período de apuração mas não o paga, ou seja, em que ele "declara mas não paga", o Superior Tribunal de Justiça, de forma pacífica, afirma não ser caso de contagem de prazo decadencial, mas de prazo prescricional, na medida em que a apuração do quantum devido pelo contribuinte dispensa a constituição formal do crédito, fazendo iniciar imediatamente prazo prescricional para o ajuizamento de execução fiscal para a cobrança do valor declarado e não pago. Fl. 683DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/06/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 22/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assin ado digitalmente em 22/05/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 18471.001547/200564 Acórdão n.º 9202003.182 CSRFT2 Fl. 12 5 Esclarece, neste ponto, que a inscrição em dívida ativa de tributo declarado e não pago independentemente de ato formal de lançamento de ofício somente é juridicamente possível porque, quando a fiscalização, ao verificar os dados apurados e declarados pelo contribuinte, concorda com tal apuração, homologando a atividade do contribuinte. Ressalta que, o que a fiscalização homologa, portanto, não é o pagamento efetuado pelo contribuinte, mas a atividade deste ao apurar o montante do tributo a ser pago ou mesmo quando não há tributo algum a pagar (nos casos em que o contribuinte, no período de apuração, por exemplo, não praticar fato gerador, ou tiver créditos superiores ao montante de tributo gerado, ou ainda, contar com um estoque de prejuízos ou de créditos tributários compensáveis que resulte no não pagamento do tributo). Conclui que não é necessária a existência de pagamento para que se opere a decadência mediante a homologação tácita de que trata o art. 150, parágrafo 4º do CTN, bastando, para tanto, que o sujeito passivo tenha efetuado regularmente a atividade de apuração do tributo devido (se houver), com o correspondente registro ou entrega de declaração, na forma que estabelecer a legislação pertinente. Requer ainda que, caso seja provido o recurso especial da Fazenda Nacional, e consequentemente, for ser analisada a matéria referente à ocorrência de pagamentos sem causa realizados nos meses de março, abril e junho de 2000, que seja considerado o seu argumento – já apresentado em sua impugnação de que não houve os supostos pagamentos sem causa e sim, uma mera transferência de recursos da Recorrida para os seus dois intermediários, os quais seriam utilizados para pagar pela compra de duas unidades imobiliárias, mas que jamais ocorreu, e que, portanto, foram devidamente devolvidos. Finaliza, observando que esses fatos poderiam ter sido examinados tanto pela autoridade lançadora quanto pelos julgadores de primeira instância, que os descartaram sem qualquer justificativa como se fossem irrelevantes em razão da premissa equivocada segundo a qual fatos ocorridos em momento posterior ao suposto pagamento sem causa são imprestáveis para o afastamento da presunção fiscal. Ao final, requer o não provimento do recurso da Fazenda Nacional. É o relatório. Fl. 684DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/06/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 22/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assin ado digitalmente em 22/05/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 6 Voto Vencido Conselheiro Elias Sampaio Freire, Relator O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. No que diz respeito à decadência dos tributos lançados por homologação temos o Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), julgado em 12 de agosto de 2009, sendo relator o Ministro Luiz Fux, que teve o acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC e da Resolução STJ 08/2008, assim ementado: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL .ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à Fl. 685DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/06/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 22/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assin ado digitalmente em 22/05/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 18471.001547/200564 Acórdão n.º 9202003.182 CSRFT2 Fl. 13 7 ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. O Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, através de alteração promovida pela Portaria do Ministro da Fazenda n.º 586, de 21.12.2010 (Publicada no em 22.12.2010), passou a fazer expressa previsão no sentido de que “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF” (Art. 62A do anexo II). Em suma, inexistindo a comprovação de ocorrência de dolo, fraude ou simulação por parte do contribuinte, o termo inicial será: (a) o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) o Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4º). No presente caso, o lançamento referese a falta de recolhimento de imposto de renda retido na fonte sobre pagamento sem causa ou de operação não comprovada, com fatos geradores ocorridos em: 01/03/2000, 03/05/2000, 12/06/2000, 15/06/2000. Apontou o contribuinte que as Declarações de Débitos e Créditos do ano calendário de 2000 (fls. 569 a 644) comprovam que houve apuração e recolhimento tanto de IRPJ como IRRF. Entretanto, entendo que somente resta configurada a antecipação de pagamento para o fato gerador ocorrido na data de 01/03/2000 (fls. 575 e 577), posto que, nas Fl. 686DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/06/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 22/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assin ado digitalmente em 22/05/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 8 Declarações de Débitos e Créditos do anocalendário de 2000, apesar de não haver recolhimento do IRRF para os códigos de receita a que se referem os fatos geradores que tratam do presente lançamento, constatase que houve para o período de apuração (1a semana de março de 2000) o recolhimento de IRRF para outros códigos de receita. Saliento que para o mês de maio somente houve comprovação de antecipação de pagamento de IRRF para a 3a semana (fls. 595), cujo período de apuração não corresponde a data do fato gerador, que foi 03/05/2000. Igualmente, para o mês de junho, somente houve comprovação de antecipação de pagamento de IRRF para a 1a semana (fls. 596 e 598), cujo período de apuração não corresponde a data dos fatos geradores, que foram 12, 15 e 21/06. Destarte, quando o contribuinte foi cientificado do auto de infração, em 17/10/2005, já se encontrava decaído o direito da Fazenda Pública em constituir o crédito tributário, por ter transcorrido o prazo de cinco contados do fato gerador, relativamente ao fato gerador ocorrido em 01/03/2000. Por outro lado, para os fatos geradores ocorridos em 03/05, 12, 15 e 21/06, ante a ausência de antecipação de pagamento, ao se aplicar a regra do art. 173, I do CTN, o prazo inicial somente tem início em 01/01/2001, com termo final em 31/12/2005, tenho que não está consumada a decadência. Pelo exposto, voto por DAR PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, para afastar a decadência declarada referente aos fatos geradores ocorridos em 03/05, 12, 15 e 21/06, devendo os presentes autos retornarem ao colegiado a quo para apreciação das demais matérias constantes em recurso voluntário do contribuinte. (Assinado digitalmente) Elias Sampaio Freire Fl. 687DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/06/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 22/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assin ado digitalmente em 22/05/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 18471.001547/200564 Acórdão n.º 9202003.182 CSRFT2 Fl. 14 9 Voto Vencedor Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Designado Em que pesem a clareza e objetividade esposadas no voto do Sr. Conselheiro Relator, peço vênia para divergir quanto ao critério de verificação de antecipação do tributo, para fins de definição do termo inicial para contagem do prazo decadencial. Pois bem, tenho como fundamental a utilização do conceito de fato gerador como elemento identificador do recolhimento apto a caracterizar antecipação. Esse critério decorre da leitura do Art. 150, § 4º da Lei nº 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional), a seguir reproduzido: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. ... § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Repare a referência expressa ao prazo contado da ocorrência do fato gerador, no parágrafo, e à antecipação de pagamento, no caput do dispositivo acima apresentado. Aplicando esse critério ao caso dos autos, temos o pagamento a beneficiário não identificado ou sem causa comprovada como sendo o fato gerador do Imposto de Renda na Fonte. Portanto, deverá ser verificado recolhimento de tributo sobre o valor de cada pagamento discutido. É bem verdade que, em alguns casos – mesmo sem uma prova direta – pode se concluir ter havido antecipação de pagamento do tributo devido, relativo ao fato gerador discutido, quando: para o período de apuração referente ao pagamento, haja algum recolhimento de valor no código de receita correspondente a pagamentos com beneficiário não identificado ou sem causa comprovada; ou, ainda mesmo quando o recolhimento se referir a outro código de receita, houver prova de que ele está relacionado ao pagamento discutido. Fl. 688DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/06/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 22/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assin ado digitalmente em 22/05/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 10 Ocorre que nenhuma dessas duas situações se verifica nos autos. Com efeito, nos períodos referentes aos pagamentos em litígio, há apenas recolhimento de Imposto de Renda na Fonte claramente relacionado a outros fatos geradores, notadamente o pagamento de salários. Por esses motivos, voto no sentido de dar provimento ao recurso da Fazenda Nacional, para aplicação do art. 173, I do CTN ao cálculo do prazo decadencial, com retorno do processo à Câmara a quo, para análise das demais questões do recurso voluntário, com relação aos períodos não alcançados pela decadência. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 689DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/06/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 22/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assin ado digitalmente em 22/05/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Numero do processo: 35570.000146/2007-50
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jul 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1996 a 31/01/1998
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO.
Constatada a existência de obscuridade, omissão ou contradição no Acórdão exarado pelo Conselho correto o acolhimento dos embargos de declaração visando sanar o vicio apontado.
DECADÊNCIA. VÍCIO MATERIAL DA ANULAÇÃO QUE NÃO INDUZ A APLICAÇÃO DO ART. 173, INCISO II DO CTN.
Quando o lançamento original é anulado por vício que se constata ser material, não se aplica a regra decadencial do art. 173, inciso II do CTN. Assim, a decadência resta caracterizada considerando-se a data de ciência do lançamento original.
Numero da decisão: 2301-003.967
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em acolher os embargos, nos termos do voto da Relatora; II) Por maioria de votos:a ) em negar provimento aos embargos, nos termos do voto do Redator, devido à qualificação do vício como material. Vencida a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, que conceituou o vício como formal.
Marcelo Oliveira - Presidente.
Bernadete De Oliveira Barros - Relator.
Mauro José Silva. - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antonio De Souza Correa, Mauro Jose Silva, Bernadete de Oliveira Barros, Manoel Coelho Arruda Junior, Adriano Gonzales Silvério.
Nome do relator: BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
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ACOLHIMENTO. Constatada a existência de obscuridade, omissão ou contradição no Acórdão exarado pelo Conselho correto o acolhimento dos embargos de declaração visando sanar o vicio apontado. DECADÊNCIA. VÍCIO MATERIAL DA ANULAÇÃO QUE NÃO INDUZ A APLICAÇÃO DO ART. 173, INCISO II DO CTN. Quando o lançamento original é anulado por vício que se constata ser material, não se aplica a regra decadencial do art. 173, inciso II do CTN. Assim, a decadência resta caracterizada considerandose a data de ciência do lançamento original. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em acolher os embargos, nos termos do voto da Relatora; II) Por maioria de votos:a ) em negar provimento aos embargos, nos termos do voto do Redator, devido à qualificação do vício como material. Vencida a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, que conceituou o vício como formal. Marcelo Oliveira Presidente. Bernadete De Oliveira Barros Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 57 0. 00 01 46 /2 00 7- 50 Fl. 443DF CARF MF Impresso em 11/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 19/06/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS 2 Mauro José Silva. Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antonio De Souza Correa, Mauro Jose Silva, Bernadete de Oliveira Barros, Manoel Coelho Arruda Junior, Adriano Gonzales Silvério. Fl. 444DF CARF MF Impresso em 11/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 19/06/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Processo nº 35570.000146/200750 Acórdão n.º 2301003.967 S2C3T1 Fl. 332 3 Relatório Tratase de Embargos de Declaração, opostos pela Fazenda Nacional contra o Acórdão 20501.356 (fls. 320), da Quinta Câmara, do Segundo Conselho de Contribuintes, que deu provimento ao recurso interposto pela empresa notificada, reconhecendo a decadência total do débito, com a aplicação do prazo previsto no art.173, I, do CTN. A embargante alega, em apertada síntese, que a decisão foi omissa no que tange à informação contida no Relatório Fiscal da NFLD (fls. 28/31), que indica expressamente tratarse de auto de infração lançado em substituição à NFLD 35.007.3546, anulada pela 4a Câmara de Julgamentos, consoante acórdão 724/2005. Entende que mostrase equivocado o reconhecimento da decadência em tela, na medida em que o julgado considerou a existência de vicio formal na autuação anterior, possibilitando novo lançamento com esteio na interrupção prevista legalmente do prazo decadencial, consoante disposto no inciso II, do art. 173, do CTN Os embargos foram acolhidos pelo então Presidente da 3a Câmara, Julio Cesar Vieira Gomes, conforme despacho nº 2301176 (fls. 333) e designada Relatora “ad hoc” a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, conforme disposto no parágrafo 7º, Art. 49, do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho administrativo de Recursos Fiscais (RICARF) É o relatório. Fl. 445DF CARF MF Impresso em 11/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 19/06/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS 4 Voto Vencido Conselheiro Bernadete de Oliveira Barros A ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional – PGFN opôs Embargos de Declaração (fls. 388), por entender que houve omissão/contradição no contra o Acórdão 205 01.356, da extinta Quinta Câmara, do Segundo Conselho de Contribuintes, da 4a Câmara. A embargante entende que a decisão foi omissa em relação a fato indispensável ao deslinde da controvérsia posta à apreciação, relativo ao caráter substitutivo do lançamento formalizado nestes autos. Sustenta que o reconhecimento da decadência está equivocado, na medida em que o julgado considerou a existência de vício formal na autuação anterior. De fato, verificase a omissão apontada pela embargante, uma vez que o Acórdão embargado aplicou a regra decadencial sem levar em conta o caráter substitutivo do lançamento discutido por meio do presente processo administrativo fiscal. Consta, do Relatório Fiscal, que tratase de NFLD substitutiva de uma outra julgada nula por meio do Acórdão 724/2005, do CRPS. Todavia, em nenhum momento a autoridade lançadora afirmou, no Relatório Fiscal, que a NFLD originária tenha sido julgada nula por vício formal. Em sua defesa, a recorrente alega que o vício que causou a nulidade da NFLD substituída possui natureza material. Já a decisão de primeira instância afirma que a NFLD 35.007.354 6 foi anulada em razão de vícios formais, quais sejam, omissão, nos Fundamentos Legais do Débito, do dispositivo legal que autoriza o arbitramento, e pela inclusão, em uma única notificação fiscal, de débitos relativos a 169 contratos de prestação de serviços. Entretanto, consultando os sistemas informatizados do CRPS, constatase que a então relatora do acórdão 724/2005, que anulou a NFLD, não deixou consignado, em seu voto ou no dispositivo do acórdão, a natureza do vício. Portanto, cabe a esse colegiado decidir se os vícios apontados pelo CRPS para a nulidade da NFLD são formais ou materiais. Entendo que a ausência do dispositivo legal que autoriza o arbitramento no FLD e a inclusão de todos os contratos de prestação de serviços em uma única NFLD se constituem em vícios de forma. Entendo que vício material diz respeito à existência da dívida, como não ocorrência do fato gerador, sujeito passivo incorreto, sujeito ativo incorreto; e vício de forma consiste na omissão ou na observância incompleta ou irregular de formalidades indispensáveis à existência do ato. Fl. 446DF CARF MF Impresso em 11/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 19/06/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Processo nº 35570.000146/200750 Acórdão n.º 2301003.967 S2C3T1 Fl. 333 5 No caso da NFLD tornada nula, o sujeito passivo tinha pleno conhecimento da acusação que lhe foi imputada, pois não houve insuficiência na descrição dos fatos ou contradição entre seus elementos. Houve, sim, omissão da autoridade lançadora quanto ao apontamento, no FLD, do fundamento legal que autoriza o procedimento adotado, e incorreção na formalização do lançamento, já que foi lavrado uma única NFLD incluindo todos os prestadores de serviços. Tais equívocos consistem em vício de forma, pois é o instrumento que dá materialidade ao ato é que se encontra viciado com a ausência da indicação de um dispositivo legal no FLD, e com a contemplação de todos os prestadores em uma única NFLD, contrariando os normativos que regiam o lançamento, à época. Ou seja, a autoridade lançadora, na lavratura da NFLD 35.007.3546, deixou de observar os requisitos formais do lançamento, previstos no art.37 da Lei n° 8.212. E como não houve o preenchimento de todas as formalidades necessárias a validação do ato administrativo, concluo que a referida NFLD foi anulada por vício formal. Dessa forma, entendo que deva ser aplicado, ao caso, o disposto no art. 173, do CTN. Assim, por serem procedentes as alegações da embargante, entendo que devam ser acolhidos embargos opostos pela Fazenda Nacional, para suprir a omissão apontada, e negar provimento ao recurso voluntário. CONCLUSÃO Nesse sentido, voto em acolher os embargos opostos, para negar provimento ao recurso voluntário. É como voto. Bernadete de Oliveira Barros Relator Fl. 447DF CARF MF Impresso em 11/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 19/06/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS 6 Voto Vencedor Conselheiro Mauro José Silva, Redator Designado Apresentamos nossas considerações em sintonia com os aspectos do Acórdão para os quais fomos designados como Redator do voto vencedor. Apresentamos algumas considerações sobre a qualificação do vício em casos de anulação de lançamento. Sendo ato administrativo, por força do CTN – lei materialmente complementar , o ato administrativo de lançamento tributário traz implicitamente as nulidades próprias dos atos administrativos. Sobre estas, a doutrina foi buscar no art. 2º da Lei da Ação Popular (Lei 4.717/65) seu delineamento. Vejamos a literalidade do referido dispositivo legal: “Art. 2º São nulos os atos lesivos ao patrimônio das entidades mencionadas no artigo anterior, nos casos de: a) incompetência; b) vício de forma; c) ilegalidade do objeto; d) inexistência dos motivos; e) desvio de finalidade. Parágrafo único. Para a conceituação dos casos de nulidade observarseão as seguintes normas: a) a incompetência fica caracterizada quando o ato não se incluir nas atribuições legais do agente que o praticou; b) o vício de forma consiste na omissão ou na observância incompleta ou irregular de formalidades indispensáveis à existência ou seriedade do ato;” d) a inexistência dos motivos se verifica quando a matéria de fato ou de direito, em que se fundamenta o ato, é materialmente inexistente ou juridicamente inadequada ao resultado obtido; e) o desvio de finalidade se verifica quando o agente pratica o ato visando a fim diverso daquele previsto, explícita ou implicitamente, na regra de competência. Fl. 448DF CARF MF Impresso em 11/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 19/06/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Processo nº 35570.000146/200750 Acórdão n.º 2301003.967 S2C3T1 Fl. 334 7 Tomando o conteúdo de tal dispositivo, podemos identificar os vícios dos atos administrativos como vícios de incompetência ou relativo ao sujeito, de forma, de ilegalidade do objeto, de inexistência de motivos ou motivação e de desvios de finalidade. Os vícios de forma, a seu turno, consistem “na omissão ou na observância incompleta ou irregular de formalidades indispensáveis à existência ou seriedade do ato”. Diversamente, os vícios quanto ao motivo são verificados quando “a matéria de fato ou de direito, em que se fundamenta o ato, é materialmente inexistente ou juridicamente inadequada ao resultado obtido”. A jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) tem acolhido tal entendimento: Acórdão nº 10249047 do Processo 13709002025200110 NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO VÍCIO MATERIAL A falta da adequada descrição da matéria tributária, com o conseqüente enquadramento legal das infrações apuradas torna nulo o ato administrativo de lançamento e, em conseqüência, insubsistente a exigência do crédito tributário constituído. Preliminar acolhida. Portanto, fora de dúvidas que o vício no caso em questão, envolvendo, falta de adequada motivação e/ou fundamentação legal, deve ser qualificado como material. A qualificação do vício como material não induz a aplicação da regra decadencial do art. 173, inciso II do CTN, obrigando seja a decadência considerada observandose a data de ciência do lançamento original já havia sido feito no Acórdão embargado. Portanto, nego provimento aos Embargos. (assinado digitalmente) Mauro José Silva – Redator Designado Fl. 449DF CARF MF Impresso em 11/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 19/06/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
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Numero do processo: 11080.918337/2012-91
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/05/2010 a 31/05/2010
DIREITO A RESTITUIÇÃO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA.
Havendo prova suficiente nos autos para comprovar o direito à restituição, devem os mesmos serem recebidos como prova do alegado em homenagem ao princípio da verdade material.
INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ART. 3º DA LEI 9.718.
Matéria pacificada pelo STF,, com dispositivo inclusive, revogado pela Lei nº 11.941, em seu artigo 79, inciso XII.
Recurso Provido.
Numero da decisão: 3801-003.484
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso nos termos do relatório e voto.
(assinatura digital)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinatura digital)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/05/2010 a 31/05/2010 DIREITO A RESTITUIÇÃO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Havendo prova suficiente nos autos para comprovar o direito à restituição, devem os mesmos serem recebidos como prova do alegado em homenagem ao princípio da verdade material. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ART. 3º DA LEI 9.718. Matéria pacificada pelo STF,, com dispositivo inclusive, revogado pela Lei nº 11.941, em seu artigo 79, inciso XII. Recurso Provido.
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LIQUIDEZ E CERTEZA. Havendo prova suficiente nos autos para comprovar o direito à restituição, devem os mesmos serem recebidos como prova do alegado em homenagem ao princípio da verdade material. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ART. 3º DA LEI 9.718. Matéria pacificada pelo STF,, com dispositivo inclusive, revogado pela Lei nº 11.941, em seu artigo 79, inciso XII. Recurso Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso nos termos do relatório e voto. (assinatura digital) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Redator designado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 91 83 37 /2 01 2- 91 Fl. 52DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11080.918337/201291 Acórdão n.º 3801003.484 S3TE01 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 53DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11080.918337/201291 Acórdão n.º 3801003.484 S3TE01 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o acórdão, julgado pela 2ª. Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Porto Alegre (DRJ/POA), em que foi julgada improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte, sendo indeferida a restituição pleiteada. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia Regional de Julgamento de origem, que assim relatou os fatos: “Trata o presente processo de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório emitido eletronicamente pela DRF de origem em exame de Declaração de Restituição enviada pela empresa, nos quais não foi concedida a restituição por ausência de valores de indébito. Inconformada, insurgese alegando que foi solicitada restituição da contribuição porque houve a tributação sobre receitas financeiras, conforme declarado em DACON, na ficha demais receitas e na ficha contribuição a pagar, refletindo na DCTF mensal, sendo que traz comprovantes bancários dos rendimentos financeiros do período. Estas receitas financeiras não seriam componentes da base de cálculo da contribuição (PIS ou Cofins) cumulativa, pois o art.79, inciso XII da Lei 11.941, de 27/05/2009, com efeito a partir de sua publicação, excluiuas do conceito de faturamento (vendas de bens e serviços), que é o conceito do fato gerador da contribuição (PIS ou Cofins) cumulativa.” A manifestação de inconformidade, embora denominada de “impugnação”, foi conhecida pela DRJ de origem, sendo julgada improcedente. O acórdão da DRJ/POA possui a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS LIQUIDEZ E CERTEZA PROVA ÔNUS. A comprovação de liquidez e certeza do crédito solicitado, nos termos do art.165 e 170 do Código Tributário Nacional, é obrigação de quem o requer. Então, cabe ao contribuinte provar, de forma inconteste, os fatos/atos que alega, conforme determina o art.333, inciso II, do Código de Processo Civil. Fl. 54DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11080.918337/201291 Acórdão n.º 3801003.484 S3TE01 Fl. 5 4 Inconformada com a improcedência da impugnação, a contribuinte interpôs, recurso a qual denominou de “Impugnação”, onde em suas razões, requer seja concedido o pedido de restituição. Apresenta junto com o recurso os seguintes documentos para provar o seu direito: Demonstrativo de cálculo da PIS e DACON do período. É o sucinto relatório. Fl. 55DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11080.918337/201291 Acórdão n.º 3801003.484 S3TE01 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. O recurso voluntário, embora denominado pela recorrente de “impugnação” foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço, aplicandose ao caso o princípio da fungibilidade recursal. A recorrente alega suas razões já expostas na manifestação de inconformidade, porém apresentando desta vez documentos para comprovar seu direito, quais sejam, Demonstrativo de cálculo da PIS e DACON do período. Analisandose os documentos juntados, verificase na DACON do período que a contribuinte declara como “demais receitas – alíquota de 0,65%”, valor este idêntico ao considerado como “receita financeira (aplicações financeiras)”, conforme Demonstrativo de cálculo da PIS. Ainda, ao realizar a análise dos rendimentos obtidos pela recorrente no período, através dos extratos de movimentação bancária anexados aos autos, verificase que aqueles são idênticos ao declarados na DACON e no Demonstrativo de cálculo, havendo portanto correspondência entre ambos. A contribuinte comprova ter receitas financeiras em que somadas coincidem com o valor a restituir. Assim, temse que a recorrente traz prova suficiente para comprovar o seu direito à restituição. Diante disto, pelo princípio da verdade material, os documentos juntados em recurso voluntário devem ser recebidos como prova do alegado, inclusive conforme determina o art. 3º, inc. III, da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999. Necessário ainda destacar que o pedido de restituição elaborado pela contribuinte possui respaldo em firme decisão do Tribunal Pleno do Supremo Tribunal Federal, quando do julgamento do RE 357.950, que declarou a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718, sendo possível, consoante restou decidido pela Câmara Superior de Recursos Fiscais (Acórdão 9303002.763, 3ª. Turma, sessão de 21 de janeiro de 2014), sua aplicação pelas autoridades julgadoras de segundo grau à contribuinte diverso daquele beneficiado pela decisão do STF, consoante disposição do art. 26A do Decreto 70.235/72, introduzido pelo art. Fl. 56DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11080.918337/201291 Acórdão n.º 3801003.484 S3TE01 Fl. 7 6 26 da Lei 11.941. Registrase ainda que a norma tida como inconstitucional pelo STF já foi, inclusive, revogada pela Lei nº 11.941, em seu artigo 79, inciso XII. É importante consignar que compete a autoridade administrativa, com base na escrita fiscal e contábil, efetuar os cálculos e apurar o valor do direito creditório. Ante ao exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário interposto pela interessada para reconhecer o direito à restituição dos pagamentos a maior da contribuição, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998. É assim que voto. Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator Relator Fl. 57DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 13888.002377/2008-72
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Aug 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2007
SALÁRIO INDIRETO. BOLSAS DE ESTUDO
Incidem contribuições previdenciárias sobre a remuneração atribuída ao empregado em desacordo com as previsões de não incidência contidas no § 9º do art. 28 da Lei 8.212/91.
A concessão de bolsas de estudo aos dependentes dos segurados empregados e contribuinte individual, não se coaduna com a excludente do salário de contribuição exposta no parágrafo 9º, letra t da Lei n.º 8.212/91, se consubstanciando, tais valores, em verbas passíveis de incidência contributiva previdenciária.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-003.118
Decisão: Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso voluntário para manter a exigência contida no auto de infração, já que a concessão de "bolsas de estudo" a dependentes não está ao abrigo da excludente do salário-de-contribuição exposta na letra t do parágrafo 9º, do artigo 28 da Lei n.º 8.212/91, na redação vigente à época dos fatos geradores.
Liege Lacroix Thomasi Relatora e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Andre Luís Mársico Lombardi, Bianca Delgado Pinheiro Maria Anselma Coscrato dos Santos.
Nome do relator: LIEGE LACROIX THOMASI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2007 SALÁRIO INDIRETO. BOLSAS DE ESTUDO Incidem contribuições previdenciárias sobre a remuneração atribuída ao empregado em desacordo com as previsões de não incidência contidas no § 9º do art. 28 da Lei 8.212/91. A concessão de bolsas de estudo aos dependentes dos segurados empregados e contribuinte individual, não se coaduna com a excludente do salário de contribuição exposta no parágrafo 9º, letra t da Lei n.º 8.212/91, se consubstanciando, tais valores, em verbas passíveis de incidência contributiva previdenciária. Recurso Voluntário Negado
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1906; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T2 Fl. 329 1 328 S2C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13888.002377/200872 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2302003.118 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 15 de abril de 2014 Matéria Salário Indireto: Educação Recorrente KOELLE LTDA. EDUCAÇÃO E CULTURA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2007 SALÁRIO INDIRETO. BOLSAS DE ESTUDO Incidem contribuições previdenciárias sobre a remuneração atribuída ao empregado em desacordo com as previsões de não incidência contidas no § 9º do art. 28 da Lei 8.212/91. A concessão de bolsas de estudo aos dependentes dos segurados empregados e contribuinte individual, não se coaduna com a excludente do salário de contribuição exposta no parágrafo 9º, letra “t” da Lei n.º 8.212/91, se consubstanciando, tais valores, em verbas passíveis de incidência contributiva previdenciária. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso voluntário para manter a exigência contida no auto de infração, já que a concessão de "bolsas de estudo" a dependentes não está ao abrigo da excludente do saláriodecontribuição exposta na letra “t” do parágrafo 9º, do artigo 28 da Lei n.º 8.212/91, na redação vigente à época dos fatos geradores. Liege Lacroix Thomasi – Relatora e Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 00 23 77 /2 00 8- 72 Fl. 329DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/07/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Andre Luís Mársico Lombardi, Bianca Delgado Pinheiro Maria Anselma Coscrato dos Santos. Fl. 330DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/07/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13888.002377/200872 Acórdão n.º 2302003.118 S2C3T2 Fl. 330 3 Relatório Trata o presente de Auto de Infração de Obrigação Principal, lavrado em 11/06/2008 e cientificado ao sujeito passivo em 12/06/2008, referente a contribuições previdenciárias incidentes sobre valores pagos aos segurados empregados e contribuinte individual (diretor) a título de “Bolsas de Estudo” concedidas a dependentes, nas competências de 01/2004 a 12/2007. De acordo com o Relatório Fiscal de fls. 34/41, por força de Convenção Coletiva de Trabalho a autuada concede bolsas de estudo no percentual de 100% do valor da mensalidade/matrícula aos filhos de seus professores e auxiliares de administração, bem como ao filho do diretor da instituição, contabilizando tais despesas como gratuidade. Após impugnação, Acórdão de fls. 271/276, pugnou pela procedência do lançamento. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário, onde alega em síntese: a) que o legislador ordinário excluiu da saláriode contribuição os valores relativos a planos educacionais; b) que atendeu aos requisitos legais para que averba não integre o saláriodecontribuição; c) que a concessão de bolsas não remunera o trabalhador; d) que a bolsa é concedida aos filhos dos empregados, sendo um benefício assistencial e não ganho do empregado; e) que as bolsas não são habituais, tem caráter transitório, não há contraprestação do trabalho, possuindo natureza eminentemente social; f) que a jurisprudência entende que tal pagamento não integra o saláriodecontribuição; g) que como o auxíliocreche que tem natureza indenizatória, a bolsa de estudos não Serpa recebida pelo trabalhador na sua aposentadoria; h) que a concessão da bolsa de estudos não gera prejuízo ao funcionário, apenas lhe traz benefícios, não podendo ser prejudicada por cumprir as normas estipuladas em convenção coletiva. Fl. 331DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/07/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 Requer o provimento do recurso para declarar a insubsistência e improcedência do lançamento. É o relatório. Fl. 332DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/07/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13888.002377/200872 Acórdão n.º 2302003.118 S2C3T2 Fl. 331 5 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi, Relatora Cumprido o requisito de admissibilidade, frente à tempestividade, conheço do recurso e passo ao seu exame. Referese o lançamento ao fornecimento de bolsas de estudo aos dependentes de segurados que prestam serviço para a recorrente. A questão de mérito reside no fato de tal benefício integrar ou não a remuneração dos segurados. De acordo com o previsto no art. 28 da Lei n ° 8.212/1991, para o segurado empregado entendese por saláriodecontribuição a totalidade dos rendimentos destinados a retribuir o trabalho, incluindo nesse conceito os ganhos habituais sob a forma de utilidades, nestas palavras: Art.28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) A matéria de ordem tributária é de interesse público, por isso é a lei que determina as hipóteses em que valores pagos aos empregados não integram o salário de contribuição, ficando isentos da incidência de contribuições sociais. A retribuição em virtude de um contrato de trabalho está no campo de incidência de contribuições sociais, mas existem parcelas que, apesar de estarem no campo de incidência, não se sujeitam às contribuições previdenciárias, seja por sua natureza indenizatória ou assistencial, tais verbas estão arroladas no art. 28, § 9º da Lei n ° 8.212/1991, nestas palavras: Art. 28 (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Fl. 333DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/07/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 a) os benefícios da previdência social, nos termos e limites legais, salvo o saláriomaternidade; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) b) as ajudas de custo e o adicional mensal recebidos pelo aeronauta nos termos da Lei nº 5.929, de 30 de outubro de 1973; c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976; d) as importâncias recebidas a título de férias indenizadas e respectivo adicional constitucional, inclusive o valor correspondente à dobra da remuneração de férias de que trata o art. 137 da Consolidação das Leis do TrabalhoCLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) e) as importâncias: (Alínea alterada e itens de 1 a 5 acrescentados pela Lei nº 9.528, de 10/12/97, e de 6 a 9 acrescentados pela Lei nº 9.711, de 20/11/98) 1. previstas no inciso I do art. 10 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias; 2. relativas à indenização por tempo de serviço, anterior a 5 de outubro de 1988, do empregado não optante pelo Fundo de Garantia do Tempo de ServiçoFGTS; 3. recebidas a título da indenização de que trata o art. 479 da CLT; 4. recebidas a título da indenização de que trata o art. 14 da Lei nº 5.889, de 8 de junho de 1973; 5. recebidas a título de incentivo à demissão; 6. recebidas a título de abono de férias na forma dos arts. 143 e 144 da CLT; 7. recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário; 8. recebidas a título de licençaprêmio indenizada; 9. recebidas a título da indenização de que trata o art. 9º da Lei nº 7.238, de 29 de outubro de 1984; f) a parcela recebida a título de valetransporte, na forma da legislação própria; g) a ajuda de custo, em parcela única, recebida exclusivamente em decorrência de mudança de local de trabalho do empregado, na forma do art. 470 da CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) h) as diárias para viagens, desde que não excedam a 50% (cinqüenta por cento) da remuneração mensal; Fl. 334DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/07/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13888.002377/200872 Acórdão n.º 2302003.118 S2C3T2 Fl. 332 7 i) a importância recebida a título de bolsa de complementação educacional de estagiário, quando paga nos termos da Lei nº 6.494, de 7 de dezembro de 1977; j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; l) o abono do Programa de Integração SocialPIS e do Programa de Assistência ao Servidor PúblicoPASEP; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) m) os valores correspondentes a transporte, alimentação e habitação fornecidos pela empresa ao empregado contratado para trabalhar em localidade distante da de sua residência, em canteiro de obras ou local que, por força da atividade, exija deslocamento e estada, observadas as normas de proteção estabelecidas pelo Ministério do Trabalho; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) n) a importância paga ao empregado a título de complementação ao valor do auxíliodoença, desde que este direito seja extensivo à totalidade dos empregados da empresa; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) o) as parcelas destinadas à assistência ao trabalhador da agroindústria canavieira, de que trata o art. 36 da Lei nº 4.870, de 1º de dezembro de 1965; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) p) o valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couber, os arts. 9º e 468 da CLT; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) q) o valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, despesas médicohospitalares e outras similares, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) r) o valor correspondente a vestuários, equipamentos e outros acessórios fornecidos ao empregado e utilizados no local do trabalho para prestação dos respectivos serviços; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) s) o ressarcimento de despesas pelo uso de veículo do empregado e o reembolso creche pago em conformidade com a legislação trabalhista, observado o limite máximo de seis anos de idade, quando devidamente comprovadas as despesas realizadas; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Fl. 335DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/07/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI 8 t) o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 20/11/98) u) a importância recebida a título de bolsa de aprendizagem garantida ao adolescente até quatorze anos de idade, de acordo com o disposto no art. 64 da Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) v) os valores recebidos em decorrência da cessão de direitos autorais; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) x) o valor da multa prevista no § 8º do art. 477 da CLT. (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) A interpretação para exclusão de parcelas da base de cálculo é literal. A isenção é uma das modalidades de exclusão do crédito tributário e, desse modo, interpretase literalmente a legislação que disponha sobre esse benefício fiscal, conforme prevê o Código Tributário Nacional em seu artigo 111, I, nestas palavras: Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; Portanto, onde o legislador não dispôs de forma expressa, não pode o aplicador da lei estender a interpretação, sob pena de violarse os princípios da reserva legal e da isonomia. Caso o legislador tivesse desejado excluir da incidência de contribuições previdenciárias a parcela referente à concessão de ensino a dependentes dos segurados empregados e contribuintes individuais, teria feito remissão expressa na legislação previdenciária, o que não ocorreu. A Lei n ° 10.243/2001 alterou a CLT, mas não interferiu na legislação previdenciária, pois esta é específica. O art. 458 referese ao salário para efeitos trabalhistas, para incidência de contribuições previdenciárias há o conceito de saláriodecontribuição, com definição própria e possuindo parcelas integrantes e não integrantes. As parcelas não integrantes estão elencadas exaustivamente no art. 28, § 9º da Lei n ° 8.212/1991, conforme já referido. Ademais a Constituição Federal, em seu art. 201, parágrafo 4º – hoje transformado no parágrafo 11º desse mesmo artigo pela Emenda Constitucional n.º 20, de 15 de dezembro de 1998 – determina, expressamente: Os ganhos habituais do empregado, a qualquer título, serão incorporados ao salário para efeito de contribuição previdenciária e conseqüente repercussão em benefícios, nos casos e na forma da lei. [sem grifos no original] De acordo com a disposição constitucional, "todos os ganhos habituais”, à qual a lei acrescenta “sob a forma de utilidades”, integram o saláriodecontribuição. Significa dizer que, além dos pagamentos diretos, abrange também os salários indiretos (utilidades ou salário in natura), não importando a forma ou título. Fl. 336DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/07/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13888.002377/200872 Acórdão n.º 2302003.118 S2C3T2 Fl. 333 9 O salário, para todos os efeitos legais, inclui alimentação, habitação, vestuário ou outras prestações in natura que a empresa, por força do contrato ou do costume, fornecer habitualmente ao empregado. No caso em tela, o oferecimento de ensino aos filhos de funcionários é sem dúvida uma vantagem para estes, sem a qual para alcançála teriam que arcar com o respectivo ônus. É indubitável que a concessão do benefício amplia o patrimônio do trabalhador, já que o mesmo não despende dos valores para custear o ensino de seus dependentes. Ao contrário do que afirma a recorrente, a verba paga a título de bolsa de estudo possui natureza remuneratória. Tal ganho ingressou na expectativa dos segurados em decorrência do contrato de trabalho e da prestação de serviços à recorrente, sendo portanto uma verba paga pelo trabalho e não para o trabalho. Estando portanto, no campo de incidência do conceito de remuneração e não havendo dispensa legal para incidência de contribuições previdenciárias sobre tais verbas, no período objeto do presente lançamento, conforme já analisado, deve persistir o lançamento. Quanto ao fato da concessão das bolsas de estudo encontrar respaldo nas Convenções Coletivas de Trabalho firmadas entre a recorrente e seus empregados, isto não tem o condão de eximir a verba da incidência da contribuição previdenciária, instituída por lei. O Código Tributário Nacional é taxativo no seu artigo 123, ao dizer que as convenções e acordo havidos entre os particulares não podem ser opostos à Fazenda Pública Art. 123. Salvo disposições de lei em contrário, as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes. Várias ementas em decisões dos Tribunais pátrios referemse ao aludido artigo: “Ementa: .... I. Descabe figurar no pólo ativo da demanda aquele que não tem relação com o Fisco, já que não podem ser a ele impostos ajustes particulares relativos à responsabilidade pelo pagamento de tributos (art. 123 do CTN) ....” (STJ. REsp 374694/ SC. Rel.: Min. Eliana Calmon. 2ª Turma. Decisão: 03/04/03. DJ de 12/05/03, p. 264.) “Ementa: .... III. As convenções particulares não são oponíveis, como matéria de defesa, na discussão de relação jurídico tributária (CTN, art. 123). ....” (TRF1ª Região. AC 93.01.330237/MG. Rel.: Des. Federal Olindo Menezes. 3ª Turma. Decisão: 16/12/ 97. DJ de 20/03/98, p. 165.) “Ementa: .... II. As convenções particulares, relativas às responsabilidades pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias respectivas. ....” (TRF Fl. 337DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/07/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI 10 1ª Região. AC 95.01.246922/MG. Rel.: Des. Federal Mário César Ribeiro. 4ª Turma.Decisão: 1º/04/97. DJ de 24/04/97, p. 26.743.) “Ementa: .... II. As convenções particulares não poderão ser levantadas pelo contribuinte inadimplente para se furtar à responsabilidade quanto a pagamentos de tributos contra a Fazenda Pública. ....” (TRF5ª Região. AC 2001.05.00.016707 7/CE.Rel.: Des. Federal Paulo Roberto de Oliveira Lima. 2ª Turma. Decisão: 26/03/02. DJ de 21/03/03, p. 917.) Portanto, ao conceder bolsas de estudo a dependentes de segurados empregados e ao dependente de contribuinte individual, a recorrente sujeitase à incidência contributiva previdenciária sobre a verba fornecida, que não está ao abrigo da excludente do saláriodecontribuição exposta na letra”t”, do parágrafo 9º, do artigo 28 da Lei n.º 8.212/91. Por todo o exposto, Voto por negar provimento ao recurso. Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 338DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/07/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI
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