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Numero do processo: 16004.720181/2014-06
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Mar 03 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/06/2011 a 31/12/2013
SOBRESTAMENTO DO FEITO. FALTA DE PREVISÃO LEGAL.
Inexiste suporte legal para determinação de sobrestamento do processo sob cuidado em razão de reconhecimento de repercussão geral pelo STF de matéria nele contida.
UTILIZAÇÃO DE DADOS DO SPED. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Não representa nulidade a utilização de dados obtidos por intermédio do SPED para fundamentar lançamento fiscal.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI OU ATO NORMATIVO. IMPOSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO NA SEARA ADMINISTRATIVA.
À autoridade administrativa, via de regra, é vedado o exame da constitucionalidade ou legalidade de lei ou ato normativo vigente.
PROPOSITURA DE AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA À DISCUSSÃO NO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL.
Importa em renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo.
Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/06/2011 a 31/12/2013
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SOBRE A PRODUÇÃO RURAL DE PRODUTOR PESSOA FÍSICA.
A declaração de inconstitucionalidade pronunciada pelo Supremo Tribunal Federal nos Recursos Extraordinários nº 363.852 (sem repercussão geral) e 596.177 (com repercussão geral) não alcança o art. 25 da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 10.256/2001, sendo válido o lançamento tributário efetuado com base neste dispositivo legal.
DECISÕES JUDICIAIS BENEFICIANDO PRODUTORES. EXCLUSÃO DA OBRIGAÇÃO DO ADQUIRENTE.
Havendo decisão judicial beneficiando os produtores rurais pessoas físicas com o reconhecimento da inexistência da relação jurídico-tributária referente às contribuições incidentes sobre a receita da comercialização rural, deve-se afastar a responsabilidade do adquirente pela retenção e recolhimento dos tributos.
Todavia, somente para os casos em que a recorrente comprovou a existência do provimento judicial é que cabe a retificação da base de cálculo.
SUB-ROGAÇÃO. FATOS GERADORES OCORRIDOS SOB A ÉGIDE DA LEI N.º 10.256/2001.
Inexiste decisão do STF afastando a cobrança por sub-rogação com base nos incisos III e IV do art. 30 da Lei n.º 8.212/1991 para fatos geradores ocorridos na vigência da Lei n.º 10.256/2001.
MULTA QUALIFICADA. FALTA DE FUNDAMENTAÇÃO FÁTICA E JURÍDICA. EXCLUSÃO.
Deve ser afastada a qualificação da multa em razão da falta de fundamentação fática e jurídica que lhe dê sustentação.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2402-005.664
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso, para, na parte conhecida, dar-lhe provimento parcial para excluir da base de cálculo as aquisições feitas aos produtores Dorvalino Granado, Alexandre Gobbi, Mauro Antônio Gobbi e Rogério Gobbi, bem como por afastar a qualificação da multa, que ficará reduzida a 75% do tributo não recolhido.
(assinado digitalmente)
Kleber Ferreira de Araújo - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felícia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/06/2011 a 31/12/2013 SOBRESTAMENTO DO FEITO. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. Inexiste suporte legal para determinação de sobrestamento do processo sob cuidado em razão de reconhecimento de repercussão geral pelo STF de matéria nele contida. UTILIZAÇÃO DE DADOS DO SPED. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não representa nulidade a utilização de dados obtidos por intermédio do SPED para fundamentar lançamento fiscal. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI OU ATO NORMATIVO. IMPOSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO NA SEARA ADMINISTRATIVA. À autoridade administrativa, via de regra, é vedado o exame da constitucionalidade ou legalidade de lei ou ato normativo vigente. PROPOSITURA DE AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA À DISCUSSÃO NO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Importa em renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo. Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/06/2011 a 31/12/2013 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SOBRE A PRODUÇÃO RURAL DE PRODUTOR PESSOA FÍSICA. A declaração de inconstitucionalidade pronunciada pelo Supremo Tribunal Federal nos Recursos Extraordinários nº 363.852 (sem repercussão geral) e 596.177 (com repercussão geral) não alcança o art. 25 da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 10.256/2001, sendo válido o lançamento tributário efetuado com base neste dispositivo legal. DECISÕES JUDICIAIS BENEFICIANDO PRODUTORES. EXCLUSÃO DA OBRIGAÇÃO DO ADQUIRENTE. Havendo decisão judicial beneficiando os produtores rurais pessoas físicas com o reconhecimento da inexistência da relação jurídico-tributária referente às contribuições incidentes sobre a receita da comercialização rural, deve-se afastar a responsabilidade do adquirente pela retenção e recolhimento dos tributos. Todavia, somente para os casos em que a recorrente comprovou a existência do provimento judicial é que cabe a retificação da base de cálculo. SUB-ROGAÇÃO. FATOS GERADORES OCORRIDOS SOB A ÉGIDE DA LEI N.º 10.256/2001. Inexiste decisão do STF afastando a cobrança por sub-rogação com base nos incisos III e IV do art. 30 da Lei n.º 8.212/1991 para fatos geradores ocorridos na vigência da Lei n.º 10.256/2001. MULTA QUALIFICADA. FALTA DE FUNDAMENTAÇÃO FÁTICA E JURÍDICA. EXCLUSÃO. Deve ser afastada a qualificação da multa em razão da falta de fundamentação fática e jurídica que lhe dê sustentação. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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AQUISIÇÃO DE PRODUÇÃO RURAL DE PESSOA FÍSICA. SUBROGAÇÃO. Recorrente FRIGOESTRELA S/A EM RECUPERACAO JUDICIAL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/06/2011 a 31/12/2013 SOBRESTAMENTO DO FEITO. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. Inexiste suporte legal para determinação de sobrestamento do processo sob cuidado em razão de reconhecimento de repercussão geral pelo STF de matéria nele contida. UTILIZAÇÃO DE DADOS DO SPED. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não representa nulidade a utilização de dados obtidos por intermédio do SPED para fundamentar lançamento fiscal. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI OU ATO NORMATIVO. IMPOSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO NA SEARA ADMINISTRATIVA. À autoridade administrativa, via de regra, é vedado o exame da constitucionalidade ou legalidade de lei ou ato normativo vigente. PROPOSITURA DE AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA À DISCUSSÃO NO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Importa em renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/2011 a 31/12/2013 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SOBRE A PRODUÇÃO RURAL DE PRODUTOR PESSOA FÍSICA. A declaração de inconstitucionalidade pronunciada pelo Supremo Tribunal Federal nos Recursos Extraordinários nº 363.852 (sem repercussão geral) e AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 00 4. 72 01 81 /2 01 4- 06 Fl. 11506DF CARF MF 2 596.177 (com repercussão geral) não alcança o art. 25 da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 10.256/2001, sendo válido o lançamento tributário efetuado com base neste dispositivo legal. DECISÕES JUDICIAIS BENEFICIANDO PRODUTORES. EXCLUSÃO DA OBRIGAÇÃO DO ADQUIRENTE. Havendo decisão judicial beneficiando os produtores rurais pessoas físicas com o reconhecimento da inexistência da relação jurídicotributária referente às contribuições incidentes sobre a receita da comercialização rural, devese afastar a responsabilidade do adquirente pela retenção e recolhimento dos tributos. Todavia, somente para os casos em que a recorrente comprovou a existência do provimento judicial é que cabe a retificação da base de cálculo. SUBROGAÇÃO. FATOS GERADORES OCORRIDOS SOB A ÉGIDE DA LEI N.º 10.256/2001. Inexiste decisão do STF afastando a cobrança por subrogação com base nos incisos III e IV do art. 30 da Lei n.º 8.212/1991 para fatos geradores ocorridos na vigência da Lei n.º 10.256/2001. MULTA QUALIFICADA. FALTA DE FUNDAMENTAÇÃO FÁTICA E JURÍDICA. EXCLUSÃO. Deve ser afastada a qualificação da multa em razão da falta de fundamentação fática e jurídica que lhe dê sustentação. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 11507DF CARF MF Processo nº 16004.720181/201406 Acórdão n.º 2402005.664 S2C4T2 Fl. 3 3 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso, para, na parte conhecida, darlhe provimento parcial para excluir da base de cálculo as aquisições feitas aos produtores Dorvalino Granado, Alexandre Gobbi, Mauro Antônio Gobbi e Rogério Gobbi, bem como por afastar a qualificação da multa, que ficará reduzida a 75% do tributo não recolhido. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felícia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci. Fl. 11508DF CARF MF 4 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto pelo sujeito passivo acima identificado contra decisão que declarou parcialmente improcedente a sua impugnação apresentada para desconstituir os Auto de Infração AI que integram o presente processo, quais sejam: a) AI n.º 51.061.1524: exigência de contribuições previdenciárias por sub rogação incidentes sobre a aquisição de produto rural de pessoas físicas; b) AI n.º 51.061.1532: exigência da contribuição destinada ao Serviço Nacional de Aprendizagem Rural SENAR incidentes sobre as mesmas bases. As bases de cálculo foram apuradas com base nas notas fiscais de entradas, notas fiscais emitidas pelos produtores rurais, que foram confirmadas pelos registros contábeis constantes na escrituração da empresa, transmitida pelo Sistema Público de Escrituração Digital – SPED, instituído pelo Decreto nº 6.022, de 22/1/2007. Apresentada a defesa, a decisão de primeira instância deulhe parcial provimento para afastar da tributação as aquisições que comprovadamente foram efetuadas de pessoas jurídicas, bem como para afastar a incidência do Fator Acidentário Previdenciário FAP no cálculo da contribuição destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes de riscos ambientais do trabalho – GILRAT. Inconformado com a decisão, o sujeito passivo interpôs o recurso de fls. 11.313/368, no qual apresentou os argumentos que, em apertada síntese, serão mencionados. Suspensão do PAF O recorrente suscita a existência normas que conduziriam à suspensão do feito. Para demonstrar sua tese cita decisões do Supremo Tribunal Federal STF reconhecendo a repercussão geral das seguintes questões: a) contribuição prevista nos incisos I e II do art. 25 da Lei n.º 8.212/1991, desde a sua redação original, em relação às aquisições de produtos rurais de segurados especiais (pessoas físicas sem empregados). O reconhecimento da repercussão geral deuse no bojo do Recurso Extraordinário RE n.º 761.263SC; b) contribuição prevista nos mesmos dispositivos acima mencionados, após a redação dada pela Lei n.º 10.256/2001, em relação às compras efetuadas de produtores rurais pessoas físicas com empregados. A repercussão geral foi acolhida no julgamento do RE n.º 718.874/RS; e c) contribuição ao SENAR, onde o STF, ao apreciar a inconstitucionalidade do art. 2.º da Lei n.º 8.540/1992, expressamente a inseriu no contexto da repercussão geral apreciada no âmbito RE n.º 816.830SC. Diante deste cenário, argumenta que o novo Código de Processo Civil no inciso II do seu art. 1.037 determina que, havendo o reconhecimento da repercussão geral pelo Fl. 11509DF CARF MF Processo nº 16004.720181/201406 Acórdão n.º 2402005.664 S2C4T2 Fl. 4 5 STF, ficarão suspensos os processamentos de todos os processos pendentes, individuais e coletivos, que versem sobre a questão e tramitem no território nacional. Suspensão da exigibilidade do crédito tributário Afirma que impetrou mandado de segurança contra a exigência da contribuição ao Funrural nos termos da nova legislação, cuja decisão lhe foi desfavorável em julgamento realizado no TRF da 3.ª Região. Contra essa decisão impetrou recurso extraordinário, o qual se encontra sobrestado em razão do reconhecimento da repercussão geral da matéria pela Corte Máxima. Afirma que apresentou uma ação cautelar no tribunal regional, requerendo que fosse conferido efeito suspensivo ao recurso extraordinário. Aduz que seu pedido foi acolhido, tendo a Desembargadora Vice Presidente determinado a suspensão da exigibilidade do crédito. Assim, é de se reconhecer a suspensão da exigibilidade do crédito. Decisões do STF O recorrente advoga que sobre as contribuições objeto do processo sob cuidado os tribunais pátrios já se manifestaram, não havendo base jurídica para manutenção da exigência. Cita o RE n.º 363.852/MG de relatoria do Ministro Marco Aurélio, que declarou a inconstitucionalidade dos incisos I e II do art. 25 e do inciso IV do art. 30 da Lei n.º 8.212/1991, nas redações dadas pelas Leis n.º 8.540/1992 e 9.528/1997. Defende que a subrogação encontrase sepultada pela inconstitucionalidade pronunciada no citado RE, bem como em outros onde a questão foi discutida, a exemplo do RE n.º 596.177/RS, cujo relator foi o Ministro Ricardo Lewandowiski. Afirma que o STF encontrase na iminência de proclamar a inconstitucionalidade do art. 25 da Lei n.º 8.212/1991 em sua integralidade, abrangendo desde a sua redação original até aquela promovida pela Lei n.º 10.256/2001. Decisões judiciais A recorrente alega que inúmeros produtores rurais pessoas físicas estariam se insurgindo contra a cobrança da contribuição lançada, por intermédio de ações judiciais. Nesse sentido diversos de seus fornecedores estariam protegidos por decisões judiciais impeditivas da retenção das contribuições do produtor rural. Assim, a decisão recorrida, ao não atentar para tal situação, estaria promovendo o enriquecimento sem causa da Fazenda Pública, posto que estará ocorrendo a dúplice tributação, pela folha de salários e pela receita da produção. Exemplifica com alguns casos. Mandado de Segurança relativo a Evaldo Claudino da Silva Fl. 11510DF CARF MF 6 Alega o recorrente que apesar da ação proposta por esse produtor ter sido ajuizada após o período do lançamento, a decisão judicial que lhe beneficiou referese ao período lançado, além de que o provimento judicial foi entregue antes da ciência do lançamento. Assevera que, ao manter o lançamento, a DRJ incorreu em descumprimento de decisão judicial. Da qualificação da multa Para a recorrente o fisco não demonstrou a ocorrência de sonegação. A mera divergência de interpretação da legislação tributária não autoriza a imposição da multa exacerbada, ainda mais quando a matéria encontrase em discussão no STF, que, inclusive, reconheceu a sua repercussão geral. Requer que, caso se entenda devido o tributo, apliquese a multa sem considerar a qualificação. Uso indevido do SPED Embora a decisão recorrida cite diversas normas regulamentares para justificar a utilização do Sistema Público de Escrituração Digital SPED, a fundamentação citada não dá guarida a utilização unilateral pelo fisco dos dados extraídos daquele sistema. É que o exame e utilização dos dados contábeis não podem prescindir de autorização judicial ou na formalidade prevista no art. 196 do CTN, independentemente de que a escrituração seja feita por programas eletrônicos. Nos termos do parágrafo único do art. 195 do CTN os livros contábeis e fiscais ficarão à disposição do contribuinte, não sendo permitido que a contabilidade fique hospedada em ambiente onde o fisco tenha livre acesso e possa dela se utilizar unilateralmente. Nos termos do CTN, somente após a emissão de termos específicos contendo a solicitação dos elementos contábeis é que pode o fisco levar a efeito a sua verificação. A utilização do SPED sem essas providências anteriores representa obtenção de provas ilícitas, o que representa desrespeito ao inciso LVI do art. 5.º da Carta Magna. Por outro lado, normas editadas no âmbito do Poder Executivo não têm força para criar obrigações; só a lei tem essa prerrogativa, desde que não contrarie o texto constitucional. Ilegitimidade da parte A recorrente defende que não é válida a fundamentação para a subrogação nas obrigações do produtor rural pessoas física com base nos arts. 2.º e 3.º da Lei n.º 11.457/2007, haja vista que estes dispositivos não criam ou regulam nenhum tributo. Assim, não haveria base legal para que lhe seja exigida a contribuição ao SENAR por subrogação. Em outra linha, assevera que os dispositivos que dão guarida à subrogação, incisos III e IV do art. 30 da Lei n.º 8.212/1991, na redação dada pelas leis n.º 8.540/1992 e n.º 9.528/1997, foram declarados inconstitucionais pelo STF. Fl. 11511DF CARF MF Processo nº 16004.720181/201406 Acórdão n.º 2402005.664 S2C4T2 Fl. 5 7 Além do mais, como a própria contribuição foi declarada inconstitucional, não se poderia exigir a subrogação de contribuição inexistente. Defende que as decisões do STF afastam dos adquirentes não só a sub rogação, mas também a retenção e o recolhimento da contribuição social, atingindo, portanto, a pretensa obrigação prevista no inciso III do art. 30 da Lei n.º 8.212/1991. Contribuição ao SENAR O sujeito passivo defende que a contribuição ao SENAR, prevista no art. 2.º da Lei n.º 8.540/1992, com redação alterada pelo art. 6.º da Lei n.º 9.528/1997 e pelo art. 3.º da Lei n.º 10.256/2001, incidente sobre a receita bruta da comercialização da produção rural, carece de validade constitucional. Contribuição ao Funrural A recorrente defende que não há permissivo legal para exigência da contribuição para o "Funrural", posto que a Lei n.º 10.256/2001 apenas tratou da cabeça do art. 25 da Lei n.º 8.212/1991, nada dispondo sobre os seus incisos. Cita decisões que estariam alinhadas com sua tese. Assevera que a tributação sobre a receita da comercialização rural do produtor pessoa física representa bis in idem, uma vez que os seus fornecedores são obrigados a recolher sobre a mesma base a COFINS e o ICMS. Assim a exação sob discussão entra em frontal choque com a Constituição. Ao final, requer o provimento do recurso pedindo a anulação da decisão recorrida ou a sua reforma. Sem contrarrazões os autos vieram a julgamento. É o relatório. Fl. 11512DF CARF MF 8 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo Relator Admissibilidade O despacho de fl. 11.482 dá conta que o recurso foi apresentado no prazo legal e, por preencher os demais requisitos de admissibilidade, deve ser conhecido. Segundo o relatório fiscal, o sujeito passivo, em atendimento à intimação fiscal, apresentou documentos relativos a processo de Mandado de Segurança nº 003237 86.2010.4.03.6106/SP. Conforme a documentação apresentada, verificouse que a liminar concedida, com o fim de suspender a exigibilidade das contribuições previstas nos artigos 25, inciso I e II da Lei nº 8.212/1991, teve seus efeitos revogados por decisão prolatada em 20/5/2010. O sujeito passivo também moveu Apelação em relação à qual foi negada o seguimento, tendo apresentado embargos de declaração. Observando a peça inaugural do MS referido, constatase que ali se discute a inconstitucionalidade dos arts. 25, I e II, e art. 30, IV, da Lei n.º 8.212/1991, na sua redação atual (ver resposta a intimação, fl. 6). Nesse sentido, as alegações deste recurso que se refiram à inconstitucionalidade das contribuições previdenciárias incidentes sobre a comercialização da produção rural de pessoas físicas, bem como a subrogação do adquirente na obrigação de recolher os tributos não será conhecida em razão da concomitância da discussão da matéria nas instâncias judicial e administrativa. Tal efeito jurídico decorre do que dispõe a Súmula CARF n.º 01, assim redigida: " Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial." Nessa toada, o conhecimento do recurso será apenas parcial, haja vista que não se apreciará questões relativas à inconstitucionalidade da exação, bem como à suspensão da exigibilidade do crédito, que foram matérias levadas ao Judiciário. Suspensão do processo A meu ver o pedido do sujeito passivo não deve ser atendido. Fl. 11513DF CARF MF Processo nº 16004.720181/201406 Acórdão n.º 2402005.664 S2C4T2 Fl. 6 9 No Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF aprovado pela Portaria MF n.º 256, de 22/06/2009 foi introduzida uma alteração, pela Portaria MF n.º 586, de 21/12/2010, visando ao sobrestamento de processos com repercussão geral reconhecida pelo Pretório Excelso. Eis o texto: "Art. 62A. (...) § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes." Todavia no RICARF em vigência, aprovado pela Portaria 343, de 09/06/2015 e alterações, inexiste a previsão de sobrestamento dos processos administrativos fiscais, contendo matéria que esteja sujeita cuja repercussão geral tenha sido reconhecida pelo STF. Não tenho dúvida de que as disposições do CPC mencionadas pelo sujeito passivo não alcançam os tribunais administrativos, a menos que houvesse uma determinação expressa do relator do processo no STF. É essa a exegese que se pode extrair do inciso II do art. 1.037 do CPC: "Art. 1.037 – Selecionados os recursos, o relator no tribunal superior, constatando a presença do pressuposto do caput do art. 1.036, proferirá decisão de afetação, na qual: (...) II – determinará a suspensão do processamento de todos os processos pendentes, individuais ou coletivos, que versem a questão e tramitem no território nacional;" O desconhecimento da existência de determinação de sobrestamento de processos administrativos, levame ao entendimento de que não há suporte legal para que se suste o julgamento do presente recurso. Nesse sentido, inexiste amparo legal para atender ao pedido de sobrestamento do feito. Utilização do SPED A utilização do SPED, ao contrário do que defende a recorrente, não representa produção de prova ilícita, nesse sentido sua tese de nulidade do lançamento não merece acolhida. A Medida Provisória 2.2002, de 24/08/2001, que tem força de lei e ainda continua vigente, dentre outras providências, instituiu a InfraEstrutura de Chaves Públicas Brasileira ICPBrasil prevê a possibilidade de utilização dos documentos eletrônicos para fins tributários. Eis o dispositivo tratando da questão: Fl. 11514DF CARF MF 10 "Art. 11. A utilização de documento eletrônico para fins tributários atenderá, ainda, ao disposto no art. 100 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional." Ao prescrever que a utilização pelo fisco dos documentos eletrônicos deveria atender ao art. 100 do CTN, a MP em questão possibilitou a regulamentação da matéria por ato administrativo. Diante dessa autorização o Poder Executivo editou o Decreto n.º 6.022, de 22/01/2007, instituindo o Sistema Público de Escrituração Digital SPED. Ali se estabelece que os livros e documentos que integram a escrituração contábil e fiscal dos empresários e das pessoas jurídicas serão emitidos de forma eletrônica, com observância ao disposto na MP 22002/2001. Art. 1º Fica instituído o Sistema Público de Escrituração Digital Sped. Art. 2º O Sped é instrumento que unifica as atividades de recepção, validação, armazenamento e autenticação de livros e documentos que integram a escrituração contábil e fiscal dos empresários e das pessoas jurídicas, inclusive imunes ou isentas, mediante fluxo único, computadorizado, de informações. §1º Os livros e documentos de que trata o caput serão emitidos em forma eletrônica, observado o disposto na Medida Provisória no 2.2002, de 24 de agosto de 2001. O art. 3.º do Decreto em questão define quais os órgãos são usuários do SPED e autoriza estes órgãos a estabelecerem a obrigatoriedade, a periodicidade e os prazos para apresentação de livros e documentos por intermédio deste sistema. "Art.3º São usuários do Sped: I a Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda; II as administrações tributárias dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, mediante convênio celebrado com a Secretaria da Receita Federal; e III os órgãos e as entidades da administração pública federal direta e indireta que tenham atribuição legal de regulação, normatização, controle e fiscalização dos empresários e das pessoas jurídicas, inclusive imunes ou isentas. § 1º Os usuários de que trata o caput, no âmbito de suas respectivas competências, deverão estabelecer a obrigatoriedade, periodicidade e prazos de apresentação dos livros e documentos, por eles exigidos, por intermédio do Sped. § 2º Os atos administrativos expedidos em observância ao disposto no § 1º deverão ser implementados no Sped concomitantemente com a entrada em vigor desses atos. Fl. 11515DF CARF MF Processo nº 16004.720181/201406 Acórdão n.º 2402005.664 S2C4T2 Fl. 7 11 § 3º O disposto no § 1º não exclui a competência dos usuários ali mencionados de exigir, a qualquer tempo, informações adicionais necessárias ao desempenho de suas atribuições." O art. 4.º do Decreto do SPED estabelece o acesso às informações por parte dos usuários e das empresas: "Art. 4º O acesso às informações armazenadas no Sped deverá ser compartilhado com seus usuários, no limite de suas respectivas competências e sem prejuízo da observância à legislação referente aos sigilos comercial, fiscal e bancário. Parágrafo único. O acesso previsto no caput também será possível aos empresários e às pessoas jurídicas, inclusive imunes ou isentas, em relação às informações por eles transmitidas ao Sped." Assim, a utilização das informações do SPED para efetuar a apuração que deu ensejo ao presente lançamento não padece de qualquer vício, não havendo razão para que se enxergue aí uma causa de nulidade, ainda mais que as informações obtidas referemse a contribuinte que estava sob ação fiscal, conforme revela o Termo de Início de Fiscalização de fls. 3/5. Suspensão da exigibilidade do crédito Inicialmente cabe frisar que a suspensão da exigibilidade do crédito tributário abrange apenas as contribuições para Seguridade Social, uma vez que a ação ajuizada pelo sujeito passivo não abrange a contribuição destinada ao SENAR. Com relação à inconstitucionalidade da contribuição destina à Seguridade Social esta não será objeto de conhecimento por esse colegiado, posto que como já afirmamos acima ocorreu a concomitância entre a discussão administrativa e a judicial. Ressaltese que quando do lançamento não havia qualquer decisão que impedisse o fisco de constituir o crédito, tampouco, suspendendo a sua exigibilidade. Verifica se que a decisão na cautelar proposta perante o TRF 3.ª Região com esse objeto somente foi prolatada em 17/11/2015, conforme cópia do provimento judicial (fls. 11.371/76). Neste sentido, a alegada suspensão da exigibilidade do crédito acolhida pelo Judiciário não terá interferência nesse julgamento, uma vez que é matéria que está sendo discutida na esfera judicial. Assim, não há que se reconhecer a suspensão da exigibilidade do crédito tributário nessa instância de julgamento, decorrente da ação judicial invocada pelo sujeito passivo. Ressaltando que a própria interposição do recurso suspende a exigibilidade do crédito nos termos do regramento do Processo Administrativo Fiscal Federal. Fl. 11516DF CARF MF 12 Decisões do STF As decisões do STF mencionadas no recurso, RE n.º 363.852/MG e RE n.º n.º 596.177/RS, não projetam efeitos para o processo sob apreciação. Para defender meu entendimento, peço licença para reproduzir integralmente o excelente voto do I. Conselheiro Fábio Piovesan Bozza proferido no julgamento que deu ensejo ao Acórdão n.º 2301004.797, de 16/08/2016: "A presente exigência fiscal encontrase lastreada no art. 25 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 10.256/2001: Art. 25. A contribuição do empregador rural pessoa física, em substituição à contribuição de que tratam os incisos I e II do art. 22, e a do segurado especial, referidos, respectivamente, na alínea a do inciso V e no inciso VII do art. 12 desta Lei, destinada à Seguridade Social, é de: (Redação dada pela Lei nº 10.256, de 2001) I – 2% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). II – 0,1% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção para financiamento das prestações por acidente do trabalho. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). Embora o produtor rural pessoa física seja o contribuinte, a responsabilidade pelo adimplemento dessa obrigação tributária foi legalmente transferida para a pessoa jurídica que adquiriu a produção, nos termos do art. 30, inc. III e IV da Lei nº 8.212/91 (os grifos são nossos): Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (Redação dada pela Lei n° 8.620, de 5.1.93) (...) III – a empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa são obrigadas a recolher a contribuição de que trata o art. 25 até o dia 20 (vinte) do mês subsequente ao da operação de venda ou consignação da produção, independentemente de essas operações terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física, na forma estabelecida em regulamento; (Redação dada pela Lei nº 11.933, de 2009). IV – a empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa ficam subrogadas nas obrigações da pessoa física de que trata a alínea "a" do inciso V do art. 12 e do segurado especial pelo cumprimento das obrigações do art. 25 desta Lei, independentemente de as operações de venda ou consignação terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física, exceto Fl. 11517DF CARF MF Processo nº 16004.720181/201406 Acórdão n.º 2402005.664 S2C4T2 Fl. 8 13 no caso do inciso X deste artigo, na forma estabelecida em regulamento; (Redação dada pela Lei 9.528, de 10.12.97) Como fato impeditivo ao lançamento promovido pela fiscalização, a Recorrente afirma que o dispositivo que embasa a exigência fiscal (art. 25 da Lei nº 8.212/91) já teria sido declarado inconstitucional pelo plenário do Supremo Tribunal Federal, ao menos em duas oportunidades, por ocasião dos julgamentos do Recurso Extraordinário nº 363.852, Rel. Min. Marco Aurélio, ocorrido em 03/02/2010, e do Recurso Extraordinário nº 596.177 (repercussão geral), Rel. Min. Ricardo Lewandowski, ocorrido em 17/10/2013. Realmente, tais precedentes contemplam a declaração de inconstitucionalidade de diversos dispositivos pela Suprema Corte, entre eles o art. 25 da Lei nº 8.212/91, principalmente porque a competência para instituição de contribuições sobre receita bruta só veio com a edição da Ementa Constitucional nº 20/98. Todavia, um detalhe é importante e faz toda a diferença no caso ora analisado: a declaração de inconstitucionalidade alcança somente aqueles dispositivos com “as redações decorrentes das Leis nº 8.540/92 e nº 9.528/97”, não afetando a validade do dispositivo na redação dada pela Lei nº 10.256/2001, que serviu de fundamento para o lançamento de ofício em comento. Para corroborar o alegado, citese, primeiramente, a ementa do Recurso Extraordinário nº 363.852 (os grifos são nossos): CONTRIBUIÇÃO SOCIAL – COMERCIALIZAÇÃO DE BOVINOS – PRODUTORES RURAIS PESSOAS NATURAIS – SUBROGAÇÃO– LEI Nº 8.212/91 – ARTIGO 195, INCISO I, DA CARTA FEDERAL – PERÍODO ANTERIOR À EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20/98 – UNICIDADE DE INCIDÊNCIA– EXCEÇÕES – COFINS E CONTRIBUIÇÃO SOCIAL –PRECEDENTE – INEXISTÊNCIA DE LEI COMPLEMENTAR. Ante o texto constitucional, não subsiste a obrigação tributária subrogada do adquirente, presente a venda de bovinos por produtores rurais, pessoas naturais, prevista nos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com as redações decorrentes das Leis nº 8.540/92 e nº 9.528/97. Aplicação de leis no tempo considerações. Depois, a ementa do Recurso Extraordinário nº 596.177, decidido na sistemática da repercussão geral (os grifos são nossos): CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA. EMPREGADOR RURAL PESSOA FÍSICA. INCIDÊNCIA SOBRE A COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO. ART. 25 DA LEI 8.212/1991, NA REDAÇÃO DADA PELO ART. 1º DA LEI 8.540/1992. INCONSTITUCIONALIDADE. I – Ofensa ao art. 150, II, da CF em virtude da exigência de dupla contribuição caso o produtor rural seja empregador. II – Necessidade de lei complementar para a instituição de nova fonte de custeio para a seguridade social. III – RE conhecido e provido para reconhecer a Fl. 11518DF CARF MF 14 inconstitucionalidade do art. 1º da Lei 8.540/1992, aplicandose aos casos semelhantes o disposto no art. 543B do CPC. E, finalmente, a ementa da decisão dos embargos de declaração opostos no Recurso Extraordinário nº 596.177, que exclui peremptoriamente os efeitos da declaração de inconstitucionalidade em relação à Lei nº 10.256/2001 (os grifos são nossos): EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. FUNDAMENTO NÃO ADMITIDO NO DESLINDE DA CAUSA DEVE SER EXCLUÍDO DA EMENTA DO ACÓRDÃO. IMPOSSIBILIDADE DA ANÁLISE DE MATÉRIA QUE NÃO FOI ADEQUADAMENTE ALEGADA NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO NEM TEVE SUA REPERCUSSÃO GERAL RECONHECIDA. INEXISTÊNCIA DE OBSCURIDADE, CONTRADIÇÃO OU OMISSÃO EM DECISÃO QUE CITA EXPRESSAMENTE O DISPOSITIVO LEGAL CONSIDERADO INCONSTITUCIONAL. I – Por não ter servido de fundamento para a conclusão do acórdão embargado, excluise da ementa a seguinte assertiva: “Ofensa ao art. 150, II, da CF em virtude da exigência de dupla contribuição caso o produtor rural seja empregador”(fl. 260). II – A constitucionalidade da tributação com base na Lei 10.256/2001 não foi analisada nem teve repercussão geral reconhecida. III – Inexiste obscuridade, contradição ou omissão em decisão que indica expressamente os dispositivos considerados inconstitucionais. IV – Embargos parcialmente acolhidos, sem alteração do resultado. Outro fato que comprova o alcance limitado das declarações de inconstitucionalidade obtidas nos Recursos Extraordinários nºs 363.852 e 596.177 é a circunstância de o art. 25 da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 10.256/2001, ter sua constitucionalidade impugnada no Recurso Extraordinário nº 718.874, o qual teve repercussão geral reconhecida e aguarda julgamento pela Suprema Corte. Costumase ainda suscitar contra a incidência das contribuições previdenciárias sobre a comercialização da produção rural por pessoa física que, mesmo após a edição da Lei nº 10.256/2001, a regra matriz de incidência teria ficado incompleta, porque a declaração de inconstitucionalidade ocorrida no Recurso Extraordinário nº 363.852 também teria atingido os incisos I e II do art. 25 da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 9.528/97. De início, o argumento impressiona. Contudo, as seguintes circunstâncias acabam relativizandoo e prejudicam seu acolhimento: (i) os efeitos do julgamento do Recurso Extraordinário nº 363.852 estão adstritos somente às partes do respectivo processo; (ii) os efeitos do julgamento do Recurso Extraordinário nº 596.177, este sim de repercussão geral, somente reconheceu a inconstitucionalidade do art. 1º da Lei 8.540/92, nada afirmando sobre a Lei nº 9.528/97; (iii) a constitucionalidade da incidência das contribuições em comento, nos termos do art. 25 da Lei nº 8.212/91, agora na redação dada pela Lei nº 10.256/2001, conforme já dito, foi transferida para o Recurso Extraordinário nº 718.874, de repercussão geral reconhecida, o qual pende de julgamento pelo Supremo Tribunal Federal. A jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais desta 2ª Seção igualmente reflete o entendimento acima esposado, em diversas decisões, merecendo destacar as seguintes (os grifos são nossos): Fl. 11519DF CARF MF Processo nº 16004.720181/201406 Acórdão n.º 2402005.664 S2C4T2 Fl. 9 15 COMERCIALIZAÇÃO DE PRODUTOS RURAIS ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS. SUBROGAÇÃO DA EMPRESA ADQUIRENTE. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. LIMITES. A inconstitucionalidade do art. artigo 1º da Lei nº 8.540, de 1992, declarada pelo STF no RE nº 363.852/MG, não se estende à Lei nº 10.256, de 2001. Acórdão nº 9202004.017, de 12/05/2016 PREVIDENCIÁRIO – AUTO DE INFRAÇÃO – AQUISIÇÃO DE PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA – SUBROGAÇÃO O Acórdão do RE 363.852/MG, declarou a inconstitucionalidade do art. 25 da Lei nº 8.212/1991, com a redação dada pela Lei 9.528/1997, “até que legislação nova, arrimada na Emenda Constitucional nº 20/98, venha a instruir a contribuição”. Com o advento da Lei 10.256/2011, ficou legitimada a cobrança de contribuições sobre a aquisição do produtor rural pessoa física, sem prejuízo do procedimento de subrogação, previsto no art.30, IV, da Lei 8.212/1991, que em momento algum foi considerado inconstitucional. Acórdão nº 9202003.836, de 09/03/2016 Por esses motivos – e considerando que os membros deste CARF, de um lado, somente estão vinculados a reproduzir as decisões definitivas de mérito do STF e do STJ quando julgadas na sistemática de repercussão geral (art. 543B, CPC/73) ou de recurso repetitivo (art. 543C, CPC/73), e, de outro lado, estão proibidos de pronunciar a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2) – afigurase válida a fundamentação legal utilizada pela fiscalização para apoiar o lançamento de ofício promovido, devendo os recursos voluntários da Recorrente e da responsável solidária serem rejeitados." Por adotar o entendimento acima, deixo de acolher a alegação de que a decisão recorrida estaria em dissonância com a jurisprudência do STF. Decisões judiciais protegendo os produtores rurais Para afastar a alegação do sujeito passivo de que estaria sendo exigida a retenção de fornecedores que seriam detentores de decisões judiciais que afastava a retenção sobre a receita da comercialização, o órgão de primeira instância aduziu que a defesa não trouxe aos autos os documentos hábeis a comprovar que a adquirente estaria impedida por decisão judicial de efetuar a retenção. Além disso, mencionouse o caso do produtor Evaldo Claudino da Silva, que somente teria ajuizado a ação em data posterior ao período do lançamento, portanto, não serviria para justificar a impossibilidade da empresa de reter a contribuição do fornecedor. No recurso, a empresa afirma que seria ônus do fisco identificar os produtores acobertados por decisões, de modo a excluílos do lançamento. Passa a citar os casos específicos dos produtores Dorvalino Granado (Apelação Cível 5001237 14.2010.404.7104/RS); Adair Wagner (proc. 500145894.2010.404.7104RS); Edson João Fl. 11520DF CARF MF 16 Zancanaro, Guilherme Luiz Zancanaro e Itacir José Zancanaro (Apelação Cível 5003692 39.2012.404.7117/RS); Alexandre Gobbi, Mauro Antônio Gobbi e Rogério Gobbi (Apelação Cível 500049374.2010.404.7118/RS). Menciona que todos esses casos referemse a apreciação de inconstitucionalidade dos incisos I e II do art. 25 da Lei n.º 8.212/1991 desde sua redação original até aquela dada pela Lei n.º 10.256/2001. Cita ainda o caso do produtor Akio Wakamoto, por meio da ação 0003488 04.2010.4.03.6107, que não tendo obtido êxito nas instâncias inferiores, manejou recurso extraordinário, o qual se encontra sobrestado em razão da repercussão geral da matéria reconhecida pelo STF. Inicialmente cabe tecer uns rápidos comentários acerca da distribuição do ônus probatório no processo administrativo fiscal. É dever do fisco comprovar suas alegações no sentido de identificar o sujeito passivo, demonstrar a ocorrência do fato gerador, quantificar a matéria tributável e calcular o valor do tributo devido. Esse poderdever decorre do disposto no art. 142 do CTN, verbis: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Ao sujeito passivo cabe se contrapor à acusação, apresentando na impugnação todos os elementos de prova que possam infirmar as afirmações do fisco. Essa previsão consta do Decreto n.º 70.235/1972, nos seguintes termos: Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito; V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. (...) Portanto cabe ao sujeito passivo apresentar na sua peça defensória os fatos e o direito que possam modificar ou extinguir a pretensão do fisco, isso conforme o art. 373 do Código de Processo Civil CPC, utilizado de forma subsidiária no processo administrativo: Art. 373. O ônus da prova incumbe: Fl. 11521DF CARF MF Processo nº 16004.720181/201406 Acórdão n.º 2402005.664 S2C4T2 Fl. 10 17 I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. (...) Voltando ao caso concreto, verificase que a autoridade lançadora de posse dos arquivos eletrônicos obtidos do SPED, elaborou relação das aquisições de gado de pessoas físicas feitas pela recorrente, a partir da qual fez sua apuração. O sujeito passivo, imaginase, deveria ter a relação de todos os seus fornecedores amparados por decisão judicial impedindo a retenção, posto que sua responsabilidade somente estaria afastada com a comprovação cabal de que o produtor rural era detentor de provimento judicial afastando a exação. Todavia, na defesa foi apontado apenas um caso de existência de decisão favorável a determinado fornecedor, com o pleito de que aquele caso fosse entendido aos demais. No meu entender decidiu com acerto a DRJ ao apreciar apenas aquela situação onde foi apresentada a prova, posto que cabia ao sujeito passivo comprovar os fatos que modificariam a pretensão fiscal. Vejo que agora no recurso, além do caso específico mencionado na defesa, outras situações de supostas decisões impedindo a retenção foram trazidas. Diante dessas provas não me furtarei de enfrentar a questão de forma individualiza, todavia, não há como estender o fato ocorrido com alguns produtores para todas as situações contempladas no lançamento. Vejamos então. a) Edson João Zancanaro, Guilherme Luiz Zancanaro e Itacir José Zancanaro (Apelação Cível 500369239.2012.404.7117/RS). Verifico às fls. 11.377/87, decisão do TRF da 4.ª Região em que é mantido o direito dos produtores rurais à restituição/compensação de contribuições retidas incidentes sobre a comercialização da produção. Assim é de se concluir que não havia decisão impeditiva da retenção ou mesmo suspensiva da exigibilidade do crédito, ou seja inexistiu provimento declaratório de inexistência de relação jurídica, na verdade, o pleito levado ao judiciário era de outra natureza, consistindo em ação de natureza constitutiva do direito a restituição/compensação das quantias retidas. Essa decisão, s.m.j, não seria suficiente para exonerar a recorrente de efetuar a retenção das contribuições lançadas. b) Dorvalino Granado (Apelação Cível 500123714.2010.404.7104/RS). Para este caso assiste razão à empresa, posto que este produtor obteve em 02/10/2012 decisão declarando a inexistência da relação jurídica, bem como repetição dos valores recolhidos. É o que pode ser visto às fls. 1.392/99. A retificação da base de cálculo para excluir as aquisições feitas a esse produtor encontra amparo na Solução de Consulta COSIT n. 01/2013, segundo a qual não é cabível o lançamento contra a empresa adquirente nos casos em que há medida liminar a Fl. 11522DF CARF MF 18 impedindo de efetuar a retenção. Nestes casos, havendo reversão da liminar o lançamento há de ser efetuado contra o próprio produtor rural. c) Alexandre Gobbi, Mauro Antônio Gobbi e Rogério Gobbi (Apelação Cível 500049374.2010.404.7118/RS). Essa situação é idêntica aquela mencionada no item "b", conforme decisão de 29/02/2012, constante às fls. 11.407/418. d) Akio Wakamoto (ação 000348804.2010.4.03.6107) Neste caso não há sequer necessidade de análise documental, posto que a própria recorrente em seu arrazoado afirma que esse produtor interpôs recurso extraordinário, por não ter obtido sucesso nas instâncias inferiores, o que me deixa tranquilo para concluir que não havia qualquer provimento impedindo a retenção. e) Adair Wagner (proc. 500145894.2010.404.7104RS) Não acatar essa questão pela falta de juntada dos documentos. Essa alegação deixou de ser acatada, uma vez que o sujeito passivo não trouxe aos autos as provas necessárias a demonstrar a existência do alegado provimento judicial. Mandado de Segurança relativo a Evaldo Claudino da Silva Este caso foi tratado em separado no recurso. Ali o sujeito passivo alega que, em data anterior ao lançamento, o produtor em questão foi contemplado com decisão judicial que afastava a retenção das contribuições incidentes sobre a comercialização da produção rural. De fato, consultando às fls. 11.419/39 vislumbrei tal decisão, todavia, o provimento restringese a declarar a inconstitucionalidade do art. 25, I e II, da Lei n.º 8.212/1991 nas redações anteriores à Lei n.º 10.256/2001. Considerando que as competências lançadas são posteriores a esse marco legal, não há de se acolher a pretensão de afastar do lançamento as aquisições feitas a esse produtor. Vejamos a parte dispositiva da mencionada decisão do TRF 1.ª Região: Contribuição ao SENAR Para enfrentar a alegada inconstitucionalidade da contribuição em questão, é necessária uma análise da conformidade de dispositivos legais aplicados pelo Fisco frente ao texto constitucional, daí, é curial que, a priori, façamos uma abordagem acerca da possibilidade de afastamento por órgão de julgamento administrativo de ato normativo por ofensa à Constituição. Sobre esse tema, notese que o escopo do processo administrativo fiscal é verificar a regularidade/legalidade do lançamento à vista da legislação de regência, e não das Fl. 11523DF CARF MF Processo nº 16004.720181/201406 Acórdão n.º 2402005.664 S2C4T2 Fl. 11 19 normas vigentes frente à Constituição Federal. Essa tarefa é de competência privativa do Poder Judiciário. A própria Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, é por demais enfática neste sentido, impossibilitando, regra geral, o afastamento de tratado, acordo internacional, lei ou decreto, a pretexto de inconstitucionalidade, nos seguintes termos: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional , lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; II que fundamente crédito tributário objeto de: a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103A da Constituição Federal; b) Decisão do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos do art. 543B ou 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), na forma disciplinada pela Administração Tributária; c) Dispensa legal de constituição ou Ato Declaratório da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda, nos termos dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; d) Parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, nos termos dos arts. 40 e 41 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993; e e) Súmula da AdvocaciaGeral da União, nos termos do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1993. § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Observese que, somente nas hipóteses ressalvadas no parágrafo único e incisos do dispositivo legal encimado poderá ser afastada a aplicação da legislação de regência. Nessa linha de entendimento, dispõe o enunciado de súmula, abaixo reproduzido, o qual foi divulgado pela Portaria CARF n.º 106, de 21/12/2009 (DOU 22/12/2009): Súmula CARF Nº 2 Fl. 11524DF CARF MF 20 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Essa súmula é de observância obrigatória, nos termos do “caput” do art. 72 do Regimento Interno do CARF1. Como se vê, este Colegiado falece de competência para se pronunciar sobre as alegações de inconstitucionalidade de lei trazida pela recorrente, como é o caso da contribuição ao SENAR. Subrogação Neste tópico iniciemos apreciando a alegada falta de fundamento jurídico para que se exija a contribuição ao SENAR por subrogação. O inciso IV do art. 30 da Lei n.° 8.212/1991 prevê a subrogação do adquirente nas obrigações do produtor rural pessoa física e do segurado especial de recolher as contribuições para a Seguridade Social, nos seguintes termos: "Art. 30 (...) IV a empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa ficam subrogadas nas obrigações da pessoa física de que trata a alínea "a" do inciso V do art. 12 e do segurado especial pelo cumprimento das obrigações do art. 25 desta Lei, independentemente de as operações de venda ou consignação terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física, exceto no caso do inciso X deste artigo, na forma estabelecida em regulamento; (Redação dada pela Lei 9.528, de 10.12.97) Por outro lado, a própria Lei n.° 8.212/1991 estendia às contribuições destinadas aos terceiros as mesmas condições estabelecidas para as contribuições previdenciárias, nos termos do § 1.° do art. 94. Essa regra permaneceu válida até 02/05/2007, quando entrou em vigor a Lei 11.457/2007 (Lei da Super Receita), que trata do tema nos mesmos termos que a norma revogada: Art. 3.º As atribuições de que trata o art. 2o desta Lei se estendem às contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, na forma da legislação em vigor, aplicandose em relação a essas contribuições, no que couber, as disposições desta Lei. § 1.º A retribuição pelos serviços referidos no caput deste artigo será de 3,5% (três inteiros e cinco décimos por cento) do montante arrecadado, salvo percentual diverso estabelecido em lei específica. § 2.º O disposto no caput deste artigo abrangerá exclusivamente contribuições cuja base de cálculo seja a mesma das que incidem sobre a remuneração paga, devida ou creditada a segurados do Regime Geral de Previdência Social ou instituídas sobre outras bases a título de substituição. 1 Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. (...) Fl. 11525DF CARF MF Processo nº 16004.720181/201406 Acórdão n.º 2402005.664 S2C4T2 Fl. 12 21 § 3.º As contribuições de que trata o caput deste artigo sujeitam se aos mesmos prazos, condições, sanções e privilégios daquelas referidas no art. 2.º desta Lei, inclusive no que diz respeito à cobrança judicial." (grifos nossos) Portanto, dúvida não há que a técnica de arrecadação instituída para as contribuições previstas no art. 25 da Lei n.° 8.212/1991, qual seja a subrogação nas obrigações de recolher as contribuições incidentes sobre a receita da comercialização da produção rural da pessoa física com empregados e do segurado especial é aplicável à contribuição destinada ao SENAR, conforme dispositivos legais supramencionados. Essa regra consta inclusive no Regulamento do SENAR, aprovado pelo Decreto n.º 566/1992, na redação dada pelo Decreto n.º 790/1993, conforme se vê no texto abaixo: Art. 14. A arrecadação das contribuições devidas ao SENAR, na forma do disposto nos incisos I e II do art. 11 deste regulamento, será feita pelo Instituto Nacional do Seguro Social e, no inciso VIII, pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária, ou pelo órgão ou entidade designado pelo Poder Executivo, em conjunto com o recolhimento das contribuições para a Seguridade Social e do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural e nas mesmas condições, prazos e sanções, foro e privilégio que lhes são aplicáveis, inclusive no que se refere à cobrança judicial mediante processo de execução fiscal, na forma do disposto na Lei n° 6.830, de 22 de setembro de 1980. Nesse sentido, a exigência da contribuição ao SENAR está em perfeita consonância com a legislação de regência, havendo respaldo legal para que a ela seja aplicada a técnica arrecadatória da subrogação. Passemos então a apreciar a validade dos incisos III e IV do art. 30 da Lei n.º 8.212/1991. Apresentemos inicialmente os dispositivos: Conforme visto acima, não há dúvida que o RE n.º 363.852/MG afastou por inconstitucionalidade o inciso IV do art. 30 da Lei n.º 8.212/1991, nas redações dadas pelas Leis n.º 8.540/1992 e n.º 9.528/1997, todavia, o inciso III do mesmo artigo mantevese incólume, como se pode ver da ementa do julgado: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL – COMERCIALIZAÇÃO DE BOVINOS – PRODUTORES RURAIS PESSOAS NATURAIS – SUBROGAÇÃO– LEI Nº 8.212/91 – ARTIGO 195, INCISO I, DA CARTA FEDERAL – PERÍODO ANTERIOR À EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20/98 – UNICIDADE DE INCIDÊNCIA– EXCEÇÕES – COFINS E CONTRIBUIÇÃO SOCIAL –PRECEDENTE – INEXISTÊNCIA DE LEI COMPLEMENTAR. Ante o texto constitucional, não subsiste a obrigação tributária subrogada do adquirente, presente a venda de bovinos por produtores rurais, pessoas naturais, prevista nos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com as redações decorrentes das Leis nº 8.540/92 e nº 9.528/97. Aplicação de leis no tempo considerações.(grifei) Fl. 11526DF CARF MF 22 Ressaltese que neste RE não houve reconhecimento da repercussão geral, tendo esta sido reconhecida no bojo do RE nº 596.177, que exclui peremptoriamente os efeitos da declaração de inconstitucionalidade em relação à Lei nº 10.256/2001 e, ressaltese, não declara a inconstitucionalidade dos dispositivos alterados pela Lei n.º 9.528/1997: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. FUNDAMENTO NÃO ADMITIDO NO DESLINDE DA CAUSA DEVE SER EXCLUÍDO DA EMENTA DO ACÓRDÃO. IMPOSSIBILIDADE DA ANÁLISE DE MATÉRIA QUE NÃO FOI ADEQUADAMENTE ALEGADA NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO NEM TEVE SUA REPERCUSSÃO GERAL RECONHECIDA. INEXISTÊNCIA DE OBSCURIDADE, CONTRADIÇÃO OU OMISSÃO EM DECISÃO QUE CITA EXPRESSAMENTE O DISPOSITIVO LEGAL CONSIDERADO INCONSTITUCIONAL. I – Por não ter servido de fundamento para a conclusão do acórdão embargado, excluise da ementa a seguinte assertiva: “Ofensa ao art. 150, II, da CF em virtude da exigência de dupla contribuição caso o produtor rural seja empregador”(fl. 260). II – A constitucionalidade da tributação com base na Lei 10.256/2001 não foi analisada nem teve repercussão geral reconhecida. III –Inexiste obscuridade, contradição ou omissão em decisão que indica expressamente os dispositivos considerados inconstitucionais. IV – Embargos parcialmente acolhidos, sem alteração do resultado. É fato que as declarações de inconstitucionalidade obtidas nos Recursos Extraordinários nºs 363.852 e 596.177 não alcança o art. 25 da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 10.256/2001, a qual teve a constitucionalidade impugnada no Recurso Extraordinário nº 718.874, o qual teve repercussão geral reconhecida e aguarda julgamento pela Suprema Corte. Assim, não pode este tribunal administrativo declarar a inconstitucionalidade de dispositivos legais sobre os quais ainda remanesce o debate na Corte Máxima. Nesta toada, enquanto não houver decisão definitiva do STF, a subrogação prevista nos incisos III e IV do art. 30 da Lei n.º 8.212/1991 permanece legítima para os fatos geradores ocorridos após a edição da Lei n.º 10.256/2001. Contribuição ao "Funrural" Os argumentos apresentados no recurso para demonstrar a inconstitucionalidade da contribuição para a Seguridade Social não serão apreciados em obediência à Súmula CARF n.º 01 já mencionada. Com relação à discussão sobre aspectos infraconstitucionais não devo conhecer dos seus argumentos, haja vista que é matéria que foi submetida ao Judiciário por intermédio do MS nº 00323786.2010.4.03.6106/SP, o que representa renúncia à discussão administrativa nos termos da seguinte súmula do CARF: Fl. 11527DF CARF MF Processo nº 16004.720181/201406 Acórdão n.º 2402005.664 S2C4T2 Fl. 13 23 Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Multa qualificada A justificativa do fisco para aplicação da multa qualificada no patamar de 150% das contribuições não recolhidas foi a prática de sonegação, pelo fato do sujeito passivo de forma reiterada não haver declarado na GFIP as aquisições de produtos rurais de pessoas físicas. Eis o que afirmou a autoridade lançadora: O contribuinte adverte que não houve a cabal demonstração pelo fisco da ocorrência de conduta dolosa tendente a suprimir ou retardar o pagamento de tributo, o que afastaria a imposição da multa exacerbada. A DRJ manteve a multa qualificada ao argumento de que o fisco teria conseguido demonstrar a ocorrência de sonegação fiscal, decorrente da reiterada prática da omissão de fatos geradores na GFIP. Afirmase no acórdão recorrido que a imposição da penalidade qualificada está em perfeita consonância com o § 1.º do art. 44 da Lei n.º 9.430/1996. A meu ver a acusação fiscal não conseguiu demonstrar a ocorrência do dolo, consistente na vontade consciente de praticar a conduta contrária ao ordenamento tributário. Vejamos o que diz as normas utilizadas para fundamentar a imposição da multa qualificada, a qual está inserta na Lei n.º 9.430/1996: "Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...) § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007)" Fl. 11528DF CARF MF 24 Pois bem, só cabe a aplicação da multa majorada nos casos em que o fisco consiga demonstrar a ocorrência das condutas de sonegação, fraude e/ou conluio. A mera falta de declaração dos fatos geradores não é suficiente à aplicação de gravame de tamanha monta. Considerese ainda que a recorrente escriturava as compras de gado, tendo a sua contabilidade sido a fonte utilizada para extrair os fatos geradores de contribuição, além de que não se demonstrou qualquer falsidade no lançamento dos registros contábeis. Diante da acusação da ocorrência de sonegação, devemos nos debruçar sobre esses tipos legais constantes na Lei n.º 4.502/1964: Art . 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Observese que o tipo acima exige que haja a comprovação de que ação/omissão sejam praticadas com dolo, que, na seara tributária, consiste num comportamento intencional de suprimir o recolhimento de tributos mediante artifícios que impeçam ou retardem o conhecimento do fato gerador pelo fisco ou, no caso da fraude, excluam/posterguem a ocorrência do fato gerador. Não consigo enxergar na espécie a demonstração inequívoca da existência de conduta dolosa consistente na declaração baseada em documentos falsos ou situação que se comprove inexistente. Concordo com o sujeito passivo quando afirma que a matéria de direito em debate é extremamente controvertida e se encontra em intenso debate nos tribunais pelo país afora, de modo que a mera divergência de interpretação da legislação não é suficiente para demonstrar a ocorrência de falsidade que pudesse justificar a acusação do dolo. É esse entendimento que tem prevalecido nas decisões do CARF, quando se exige comprovação inequívoca da ocorrência da conduta dolosa para qualificação da multa. Trago à colação recente acórdão da Câmara Superior de Recursos Fiscais que manifesta claramente esse linha interpretativa: "MULTA QUALIFICADA. COMPROVAÇÃO DE CONDUTA DOLOSA. Havendo nos autos provas contundentes da conduta dolosa do contribuinte, decorrentes do conjunto de ações irregulares que levaram a lavratura do lançamento tributário, caracterizando está o tipo Fraude previsto no art. 72 da Lei nº 4.502/64. Correta a aplicação da multa qualificada." (Acórdão nº 9202003.827 08/03/2016) Mesmo se verificando que não houve a declaração dos fatos geradores, o meu entendimento é que somente procederia a acusação de sonegação, caso se houvesse demonstrado a ocorrência do ardil de esconder do fisco a ocorrência dos fatos geradores, o que Fl. 11529DF CARF MF Processo nº 16004.720181/201406 Acórdão n.º 2402005.664 S2C4T2 Fl. 14 25 não se configurou, posto que os dados obtidos do SPED, do que consta dos autos, refletiram a realidade econômicofinanceira da autuada. Diante do exposto, entendo que a multa deve ser imposta no patamar ordinário de 75% do tributo devido. Conclusão Voto por conhecer em parte do recurso, para, na parte conhecida, darlhe provimento parcial para excluir da base de cálculo as aquisições feitas aos produtores Dorvalino Granado, Alexandre Gobbi, Mauro Antônio Gobbi e Rogério Gobbi, bem como por afastar a qualificação da multa, que ficará reduzida a 75% do tributo não recolhido. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo. Fl. 11530DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.721610/2011-30
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Feb 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Mar 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2006, 2009
OMISSÃO DE GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE AÇÕES. DUPLICIDADE DE CAPITALIZAÇÃO DE LUCROS E RESERVAS.
Constatada a majoração artificial do custo de aquisição da participação societária alienada, mediante a capitalização de lucros e reservas oriundos de ganhos avaliados por equivalência patrimonial nas sociedades investidoras, seguida de incorporação reversa e nova capitalização, em inobservância da correta interpretação a ser dada ao art. 135 do Decreto no 3.000, de 1999, devem ser expurgados os acréscimos indevidos com a consequente tributação do novo ganho de capital apurado.
JUROS MORATÓRIOS INCIDENTES SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. TAXA SELIC. A redação do art. 161 do CTN prevê que o crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, ou seja a redação do dispositivo permite concluir que o Código Tributário Nacional autoriza a exigência de juros de mora sobre o crédito e ao se referir a crédito, evidentemente o dispositivo está tratando de crédito tributário, que conforme definido pelo citado art. 113, decorre da obrigação principal, na qual estão incluídos tanto o valor do tributo devido como a penalidade dele decorrente.
Numero da decisão: 9202-005.239
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva e Ana Paula Fernandes, que lhe deram provimento; vencido, também, o conselheiro Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado), que lhe deu provimento parcial para excluir os juros de mora sobre a multa de ofício.
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
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Nome do relator: RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2006, 2009 OMISSÃO DE GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE AÇÕES. DUPLICIDADE DE CAPITALIZAÇÃO DE LUCROS E RESERVAS. Constatada a majoração artificial do custo de aquisição da participação societária alienada, mediante a capitalização de lucros e reservas oriundos de ganhos avaliados por equivalência patrimonial nas sociedades investidoras, seguida de incorporação reversa e nova capitalização, em inobservância da correta interpretação a ser dada ao art. 135 do Decreto no 3.000, de 1999, devem ser expurgados os acréscimos indevidos com a consequente tributação do novo ganho de capital apurado. JUROS MORATÓRIOS INCIDENTES SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. TAXA SELIC. A redação do art. 161 do CTN prevê que o crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, ou seja a redação do dispositivo permite concluir que o Código Tributário Nacional autoriza a exigência de juros de mora sobre o crédito e ao se referir a crédito, evidentemente o dispositivo está tratando de crédito tributário, que conforme definido pelo citado art. 113, decorre da obrigação principal, na qual estão incluídos tanto o valor do tributo devido como a penalidade dele decorrente.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 24; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2203; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 851 1 850 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 19515.721610/201130 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9202005.239 – 2ª Turma Sessão de 22 de fevereiro de 2017 Matéria IRPF Recorrente GUILHERME DA COSTA PAES Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2006, 2009 OMISSÃO DE GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE AÇÕES. DUPLICIDADE DE CAPITALIZAÇÃO DE LUCROS E RESERVAS. Constatada a majoração artificial do custo de aquisição da participação societária alienada, mediante a capitalização de lucros e reservas oriundos de ganhos avaliados por equivalência patrimonial nas sociedades investidoras, seguida de incorporação reversa e nova capitalização, em inobservância da correta interpretação a ser dada ao art. 135 do Decreto no 3.000, de 1999, devem ser expurgados os acréscimos indevidos com a consequente tributação do novo ganho de capital apurado. JUROS MORATÓRIOS INCIDENTES SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. TAXA SELIC. A redação do art. 161 do CTN prevê que o crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, ou seja a redação do dispositivo permite concluir que o Código Tributário Nacional autoriza a exigência de juros de mora sobre o crédito e ao se referir a crédito, evidentemente o dispositivo está tratando de crédito tributário, que conforme definido pelo citado art. 113, decorre da obrigação principal, na qual estão incluídos tanto o valor do tributo devido como a penalidade dele decorrente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva e Ana Paula Fernandes, que lhe deram provimento; vencido, também, o conselheiro Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado), que lhe deu provimento parcial para excluir os juros de mora sobre a multa de ofício. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 16 10 /2 01 1- 30 Fl. 852DF CARF MF Processo nº 19515.721610/201130 Acórdão n.º 9202005.239 CSRFT2 Fl. 852 2 (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. . Relatório Contra o contribuinte foi lavrado auto de infração para cobrança de crédito tributário decorrente da omissão de ganhos de capital na alienação de ações/quotas de empresa não negociadas em bolsa. Os fatos geradores ocorreram nos anos de 2006 e 2009 e decorreram da alienação, à UBS Brasil Participações Ltda., de 17.011.162 ações de propriedade do contribuinte, de emissão de Banco Pactual S.A. Pelo lançamento cobrase suposta diferença do imposto apurado no ganho de capital decorrente da utilização equivocada do Método de Equivalência Patrimonial, multa pelo lançamento de ofício e juros de mora sobre a totalidade do crédito apurado. Usando o relatório elaborado pela DRJ esclareço que: Segundo o Termo de Verificação Fiscal de fls. 230/247, em dezembro de 2006, após um complexo processo de reorganização societária, o contribuinte alienou à empresa UBS Brasil Participações Ltda a participação que possuía no Banco Pactual, representada por 17.011.162 (dezessete milhões, onze mil, cento e sessenta e duas) ações ordinárias. Tal alienação resultou na apuração de um ganho de capital no valor aproximado de R$ 51,43 milhões e de um imposto de renda pessoa física da ordem de R$ 7,60 milhões, sendo R$ 3,00 milhões no ano de 2006 e R$ 4,60 milhões em 2009 (uma vez que parte do valor da venda foi recebida apenas nessa data, diferindose, assim, sua tributação). Afirma a autoridade lançadora que, antes de concluir a venda de sua participação no Banco Pactual S/A à UBS Brasil Participações Ltda, o contribuinte elevou indevidamente o custo de aquisição dessa participação, utilizandose de sofisticados artifícios contábeis, engendrados através de diversos negócios Fl. 853DF CARF MF Processo nº 19515.721610/201130 Acórdão n.º 9202005.239 CSRFT2 Fl. 853 3 societários, que, resumidamente, consistiram na elevação do capital em empresas investidoras, via equivalência patrimonial com as empresas investidas e a quase simultânea extinção das holdings que detinham participação societária no Banco Pactual, por meio de sucessivas incorporações reversas, culminando com a alienação das ações do Banco diretamente pelos acionistas pessoas físicas da instituição. Com isto, o contribuinte inflou artificialmente o custo das ações que pretendia vender, com o propósito de reduzir o montante de seu ganho de capital e conseqüentemente o valor do IR incidente sobre essa alienação. De acordo ainda com o Termo de Verificação Fiscal, através dessa manobra, o contribuinte promoveu, em 2006, um aumento do custo de aquisição de sua participação no Banco Pactual de incríveis 315,64%, enquanto que, no mesmo período, o patrimônio líquido do Banco experimentou um aumento de 84,45%. Conclui, então, o fiscal autuante que a análise em conjunto de todas as operações que antecederam a alienação das ações representativas do capital social do Banco Pactual, realizadas entre o grupo Pactual e o contribuinte, evidenciam que este incorreu na prática de ato simulado, ao inflar artificialmente o custo de aquisição das ações, com capitalização cumulativa de valores derivados dos lucros apurados por equivalência patrimonial, nas operações de incorporações inversas, com o propósito de lesar terceiros, no caso a Fazenda Nacional, configurandose a hipótese de incidência prevista no inciso I, do parágrafo primeiro, do art. 167 do Código Civil, combinado com seu parágrafo 2º. Assim, para efeito da correta apuração do ganho de capital ocorrido na alienação da participação societária que o contribuinte possuía no Banco Pactual S/A, foi expurgado, para fins de cálculo de seu efetivo custo de aquisição, o efeito produzido pelas capitalizações de lucros e/ou reservas nas empresas Nova Pactual Participações e Pactual Holdings, ocorridas em 13/10/2006, nos respectivos valores de R$ 686 milhões e de R$ 202,5 milhões, uma vez que, como acima evidenciado, esse efeito foi utilizado em duplicidade e está embutido na capitalização de lucros da Pactual S/A, realizada em 03/11/2006, no valor de R$996.087.876,00. Expurgandose o acréscimo promovido pelo contribuinte no custo de aquisição de suas ações, em razão capitalização da empresa Nova Pactual Participações, no valor de R$ 14.883.266,00, foi apurado o valor correto do custo de aquisição das ações alienadas, que somou R$ 24.390.072,67 (R$ 39.273.338,67 R$ 14.883.266,00). Cientificado da autuação em 17/11/2011 (fls. 383), o interessado apresentou, em 30/11/2011, por meio de seu representante legal, a impugnação de fls. 386/425, por meio da qual alega, em síntese, o que segue: Fl. 854DF CARF MF Processo nº 19515.721610/201130 Acórdão n.º 9202005.239 CSRFT2 Fl. 854 4 1. antes da reestruturação, o impugnante era titular de investimentos representativos de 1,9188% da Nova Pactual Participações Ltda, sociedade holding titular de investimentos representativos de 78,18% do capital da empresa Pactual S/A., holding titular de investimentos representativos de 100% do capital do Banco Pactual; 2. os investimentos representativos dos demais 21,82% do capital da Pactual S/A eram de propriedade da Pactual Holdings S/A., sociedade holding na qual o impugnante não tinha qualquer participação; 3. os principais atos da reestruturação questionados pelo Auto de Infração foram: i) aumento de capital da Nova Pactual Participações, realizado em 13/10/2006, mediante a capitalização de lucros gerados pelo Banco Pactual e por ela reconhecidos em razão da aplicação do Método de Equivalência Patrimonial (MEP), resultando em acréscimo do custo dos investimentos do impugnante em R$14.883.266,00; ii) aumento de capital da Pactual Holdings, na mesma data, mediante a capitalização de lucros gerados pelo Banco Pactual e por ela reconhecidos em razão da aplicação do MEP, o qual é irrelevante no caso concreto porque, como visto acima, o impugnante não era titular de investimentos na Pactual Holdings; iii) incorporação da Nova Pactual Participações (e Pactual Holdings, o que não é relevante no caso) pela Pactual S/A, sua controlada (incorporação reversa), e transferência ao impugnante, em substituição à sua participação no capital da incorporada, de investimentos diretos na incorporadora, ou seja, na Pactual S/A; iv) aumento de capital da Pactual S/A, em 03/11/2006, mediante a capitalização de lucros gerados pelo Banco Pactual e por ela reconhecidos em razão da aplicação do MEP, resultando em aumento do custo dos investimentos do impugnante na Pactual S/A em R$14.491.316,00; v) incorporação da Pactual S/A pelo Banco Pactual (incorporação reversa), tendo o impugnante recebido, em substituição à sua participação no capital da incorporada, extinta com a incorporação, investimentos diretos na incorporadora, ou seja, no Banco Pactual; 4. depois da incorporação da Pactual S/A pelo Banco Pactual, as ações deste último, das quais o impugnante se tornou proprietário, foram alienadas à UBS Brasil Participações Ltda, pelo preço total de R$ 78.654.288,42, sendo que uma parcela foi paga a vista, em 2006 (R$ 30.569.095,57), e outra parcela, em 2009 (R$ 45.257.004,00); 5. do montante de R$ 45.257.004,00, parte foi paga em dinheiro (R$ 34.395.322,69) e o restante (R$10.861.680,85), em ações representativas de aumento de capital de BTG Pactual Participações II S/A; 6. após a implementação da reestruturação, o custo dos investimentos do impugnante no Banco Pactual passou a ser de R$ 39.273.338,67; Fl. 855DF CARF MF Processo nº 19515.721610/201130 Acórdão n.º 9202005.239 CSRFT2 Fl. 855 5 7. a capitalização de lucros gerados pelo Banco Pactual, refletida em suas investidoras em razão da aplicação do MEP, seguida da incorporação inversa dessas mesmas investidoras por suas investidas, acarretou majoração do custo de aquisição dos investimentos do impugnante no Banco e a conseqüente redução do montante do ganho de capital e do IRPF sobre ele incidente; 8. no Termo de Verificação Fiscal anexo ao Auto de Infração, a fiscalização afirma que a reestruturação: i) implicou na majoração indevida do custo de aquisição dos investimentos do impugnante no Banco Pactual, a qual decorreria de uma interpretação equivocada do art. 135 do RIR com relação aos efeitos das incorporações inversas; ii) consubstanciou ato simulado cujos efeitos, nos termos do art. 116, § único, do CTN, poderiam ser desconsiderados para fins fiscais; iii) implicou na caracterização cumulativa de todas as hipóteses previstas nos arts. 71 a 73 da Lei n° 4.502/64, quais sejam, sonegação, fraude e conluio, motivando a aplicação da multa de 150%; 9. em razão do exposto, a fiscalização desconsiderou parte do acréscimo do custo de aquisição dos investimentos do impugnante no Banco Pactual, qual seja, aquele decorrente da capitalização de lucros pelas holdings do Banco Pactual (Nova Pactual Participações e Pactual S.A), no que excederam os lucros existentes no próprio Banco Pactual; 10. o auto indica, como enquadramento legal, uma série de dispositivos que apenas contém regras gerais relativas à apuração e à tributação dos ganhos de capital auferidos por pessoas físicas, e nenhum deles foi infringido pelo impugnante; 11. o Grupo Pactual era composto por diversas holdings existentes há mais de dez anos e constituídas em uma época em que as pessoas físicas integrantes do grupo (controladores) sequer cogitavam alienar seus investimentos no Banco Pactual; 12. os objetivos das holdings eram exclusivamente os de organizar o exercício do controle do Banco Pactual e a distribuição de seus resultados e, dessa forma, a alienação do Banco Pactual a terceiros faria com que as mesmas se tornassem totalmente desnecessárias; 13. em tese, as holdings poderiam ser extintas antes ou depois da concretização da venda do Banco Pactual, sendo que, na primeira hipótese, os controladores figurariam no pólo vendedor da operação, ao passo que, na segunda, as holdings ocupariam essa posição; 14. pela natureza do negócio celebrado com o UBS Brasil, optouse pela extinção das holdings antes da realização do negócio; 15. é comum em vendas de instituições financeiras com as características do Banco Pactual, que os acionistas assumam obrigações de caráter personalíssimo, como a de não Fl. 856DF CARF MF Processo nº 19515.721610/201130 Acórdão n.º 9202005.239 CSRFT2 Fl. 856 6 competirem com a sociedade vendida e mesmo de nela continuarem atuando até que seu fundo de comércio tenha se consolidado após a transferência de seu controle acionário; 16. o descumprimento de tais obrigações gerava reflexos no pagamento do preço de venda das ações do Banco e, por isso, caso os acionistas não fossem os vendedores, mas uma das holdings do Grupo, a inadimplência por parte de apenas um dos acionistas acabaria afetando o recebimento do preço pela holding vendedora, com consequência para todos os acionistas; 17. assim, nada mais lógico que eles fossem parte no negócio, e não meros intervenientes. 18. o caminho trilhado pelos controladores para se tornarem vendedores do Banco Pactual foi o mais lógico, rápido e econômico possível e o acréscimo de custo de seus investimentos é mera consequência da aplicação das normas em vigor; 19. entre as diversas variantes que poderiam ser adotadas para fazer com que os controladores figurassem como endedores, tais como: i) a liquidação das holdings com a entrega dos ativos (no que se incluiriam as ações do Banco Pactual) aos controladores em devolução do capital; ii) a redução do capital das holdings, mediante entrega dos investimentos no Banco Pactual aos controladores; iii) incorporações diretas ou tradicionais, cujos inconvenientes são enormes, ressaltando que a incorporação de um banco como o Pactual por outra empresa, sobretudo uma que não seja instituição financeira, seria extremamente complexa e onerosa; iv) a venda, pelos controladores, de investimentos diretos nas holdings, hipótese em que seria desnecessária qualquer reestruturação societária prévia; a última variante disponível, a incorporação reversa das holdings pelo Banco Pactual, sem dúvida, era a mais conveniente do ponto de vista prático, operacional, negocial e fiscal; 20. desde que o art. 8° da Lei n° 9.532, de 10/12/1997, definiu os efeitos fiscais das incorporações inversas, as incorporações de holdings têm sido a primeira opção para a eliminação de empresas cuja existência se torna desnecessária; 21. não procede, assim, a alegação de que a opção pelas incorporações inversas consistiu em um artifício motivado exclusivamente pela economia fiscal; 22. nas incorporações, a incorporadora recebe um conjunto patrimonial (bens, direitos e obrigações) e “paga” aos acionistas da incorporada pelo mesmo, em ações representativas de aumento de seu capital; 23. não se apuram resultados na substituição de ações da incorporada por ações da incorporadora e, por essa razão, as ações da incorporadora recebidas pelos acionistas da incorporada têm o mesmo custo de seus investimentos na incorporada, declarados extintos na incorporação; Fl. 857DF CARF MF Processo nº 19515.721610/201130 Acórdão n.º 9202005.239 CSRFT2 Fl. 857 7 24. a incorporação das holdings pelo Banco Pactual é um exemplo de incorporação “inversa” ou “reversa”, na qual a investida (Banco Pactual) sucede as investidoras (as holdings) em todos os seus bens, direitos e obrigações, dentre os quais figuram os investimentos da investidora/incorporada na investida/incorporadora, cabendo à investida/incorporadora aumentar seu capital social e entregar as ações representativas desse aumento aos acionistas da investidora/incorporada; 25. contudo, a investida/incorporadora passa a ter ações representativas de seu próprio capital social, que são canceladas no próprio ato ou, opcionalmente, mantidas em tesouraria, na hipótese de a investida dispor de lucros ou reservas suficientes à subsistência das ações; 26. ocorre, assim, um aumento de capital (para a emissão de ações destinadas aos acionistas da investidora/incorporada) e uma subsequente redução do capital para cancelamento das ações representativas do próprio capital da investida, caso a mesma não possa ou não queira mantêlas em tesouraria; 27. o conjunto patrimonial destinado à realização do aumento de capital corresponde à diferença entre o valor dos ativos e das obrigações da incorporada, isto é, ao seu patrimônio líquido; 28. a parcela do patrimônio líquido da incorporada, representada por lucros ou reservas de lucro, por exemplo, transformase em capital da incorporadora no processo de incorporação e, por essa razão, é indiferente que, antes da incorporação, os lucros da incorporada sejam ou não capitalizados; 29. a automática conversão de todas as contas do patrimônio líquido da incorporada em capital da incorporadora é reconhecida pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e até mesmo pelo fisco; 30. não fosse a distribuição e capitalização prévia de lucros, a incorporação faria com que as quotas da incorporadora (Pactual S/A.), destinadas aos quotistas da Nova Pactual Participações Ltda em substituição de suas participações na mesma, fossemlhes atribuídas na proporção do capital social, fazendo com que os lucros acumulados até então fossem distribuídos também nesta proporção; 31. em vista disto, os lucros de Nova Pactual Participações foram distribuídos em bases desproporcionais e reaplicados na empresa, acertando as participações dos acionistas no patrimônio líquido antes da incorporação; 32. tal assertiva é comprovada pela simples análise da capitalização de lucros de Nova Pactual Participações, realizada nos termos de sua 4a Alteração Contratual, datada de 13/10/2006 oportunidade em que o capital de Nova Pactual foi aumentado em R$ 686.000.000,00, mediante a conversão de créditos detidos por seus quotistas, créditos estes decorrentes do Fl. 858DF CARF MF Processo nº 19515.721610/201130 Acórdão n.º 9202005.239 CSRFT2 Fl. 858 8 direito ao recebimento de lucros e, como nela se observa a capitalização dos referidos lucros gerou significativa alteração nos percentuais de participações dos acionistas no capital da referida empresa 33. esta foi, portanto, a razão de a capitalização de lucros de Nova Pactual Participações ter sido expressa e não mera decorrência de sua incorporação por Pactual; 34. não se diga, pois, que a capitalizações de lucros verificadas antes das incorporações representaram mero artifício para elevação do custo dos investimentos dos acionistas, pois essa elevação ocorreria independentemente da capitalização prévia dos lucros e, no caso concreto, era essencial à adequada distribuição dos lucros da Nova Pactual Participações; 35. a legislação do Imposto de Renda determina, no art. 130,§1º e art. 135 do RIR, que o custo de aquisição de ações ou quotas de titularidade de uma pessoa física corresponde ao custo original do investimento acrescido do montante dos lucros ou reservas de lucros capitalizados; 36. nas incorporações inversas, se, por um lado, os acionistas da incorporadora recebem ações da incorporada por custo idêntico ao das ações da incorporadora, por outro lado,ocorre a capitalização de lucros ou reservas eventualmente existentes na incorporada e o novo custo de aquisição das ações dos acionistas da incorporada passa a corresponder ao valor original de seu investimento acrescido do montante dos lucros e reservas de lucros da incorporada; 37. no caso concreto, a capitalização de lucros e reservas de lucros das holdings foi deliberada antes da incorporação,mas a capitalização existiria independentemente desta deliberação; 38. o ajuste de custo do valor dos investimentos se verificaria,quer houvesse deliberação expressa específica no sentido da capitalização dos lucros das holdings, como houve, quer não; 39. a legislação em vigor prevê que a capitalização dos lucros gera acréscimo de custo para os acionistas pessoas físicas,sem cogitar da natureza do lucro; 40. quer a capitalização dos lucros das holdings tivesse resultado de deliberação específica, quer houvesse ocorrido no processo de incorporação, seus sócios ou acionista seram os vendedores e, dentre eles, estava o impugnante e,assim, o ajuste do custo dos seus investimentos decorre da aplicação da lei, não havendo como rejeitálo; 41. a opção de eliminaremse as holdings mediante incorporações reversas era o caminho lógico, natural e admitido por lei para viabilizar a venda das ações do Banco Pactual pelos controladores e o aumento de custo das ações do impugnante foi Fl. 859DF CARF MF Processo nº 19515.721610/201130 Acórdão n.º 9202005.239 CSRFT2 Fl. 859 9 mera consequência da adoção dessa opção legítima e essencial aos negócios; 42. ainda que a majoração dos investimentos do impugnante no Banco Pactual seja em montante superior aos lucros auferidos pelo próprio Banco e que esta seja encarada como uma distorção, ela resulta da aplicação das normas societárias em vigor; 43. não se pode esperar que o contribuinte deixe de aplicar a lei em razão de a mesma lhe favorecer, pela peculiaridade de determinada situação; por outro lado, o fisco também não pode deixar de aplicála por considerar que ela beneficia indevidamente o contribuinte; 44. as distorções decorrentes da aplicação do método de equivalência patrimonial ocorrem não só nas hipóteses de incorporações reversas, mas também em outras situações; 45. o 1º Conselho de Contribuintes já decidiu que “a existência de falhas na legislação” não pode ser suprimida pelo julgador, ou, ainda, que “não cabe à autoridade fiscal ignorar o preceito representativo da vontade do legislador”; 46. as distorções que ocorrem devem ser corrigidas por quem tem competência para isso, o legislador, estando o intérprete e o aplicador da lei adstritos aos seus termos, não lhes cabendo deixar de aplicála por considerar que deveria ter tratado de forma diversa uma situação específica; 47. ao afirmar que o impugnante deveria ter baixado uma parcela do custo de aquisição de seus investimentos quando ocorreu a incorporação reversa das holdings do Grupo Pactual, a fiscalização quer impor a adoção de procedimento sem base legal e sequer previsto em norma editada pela Receita Federal do Brasil; 48. além disso, faltaria até lógica a esse procedimento, pois, ao fazêlo, a venda do investimento após a incorporação reversa (e redução de custo) importaria no reconhecimento de injustificável ganho de capital; 49. o art. 167, §1º, inciso I, do Código Civil contempla situação em que pessoas sem qualquer interesse real (as chamadas interpostas pessoas) participam de negócios jurídicos com o único objetivo de ocultar um de seus verdadeiros participantes; 50. no caso concreto, não houve simulação por interposição de pessoa, pois em nenhum momento aparentouse conferir direitos a pessoa distinta com o objetivo de ocultar a que efetivamente os recebeu, não tendo havido em qualquer etapa da reestruturação a interposição de parte oculta; 51. a alienação do Banco Pactual foi celebrada entre seus proprietários e o UBS Brasil, tendo a reestruturação sido feita às claras para viabilizar a negociação das ações do Banco Fl. 860DF CARF MF Processo nº 19515.721610/201130 Acórdão n.º 9202005.239 CSRFT2 Fl. 860 10 Pactual diretamente pelos controladores e, nesse particular, ela não foi contestada; 52. os bens transferidos aos controladores foram ações do Banco Pactual e não direitos caracterizados pela majoração artificial do custo de aquisição das ações alienadas do Banco Pactual S/A; 53. ainda que a legislação vedasse a elevação dos custos do investimento do impugnante, a reestruturação teria ocorrido exatamente da mesma forma que ocorreu, pois ela representava a maneira mais rápida e econômica de viabilizar o negócio; 54. de acordo com a maior parte dos precedentes do 1º CC, a caracterização de simulação por interposta pessoa, prevista no art. 167, §1º, do CC/02, verificase quando direitos são entregues a pessoas que não são seus verdadeiros proprietários e sequer têm ingerência sobre eles; 55. o art. 116, § único, do CTN é inaplicável, seja porque ele não se destina ao combate de atos simulados, seja porque ele é ainda ineficaz, por não ter sido regulamentado; 56. o referido dispositivo não é autoaplicável e o próprio texto faz referência aos “procedimentos a serem estabelecido sem lei ordinária”, sem os quais o referido dispositivo não produz efeitos; 57. a fiscalização não lançou a multa agravada com base nao corrência de simulação, a qual foi suscitada no TVF unicamente para justificar a aplicação do art. 116, § único do CTN; 58. todavia, se este tivesse sido o caso, a inaplicabilidade da multa já teria restado plenamente comprovada, pois,conforme visto, não houve qualquer ato simulado na reestruturação; 59. o fato de o TVF indicar a existência cumulativa de simulação, sonegação, fraude e conluio é um fortíssimo indício de que a fiscalização não se preocupou em comprovar suas alegações, optando por mencionar todas as patologias que lhe ocorreram; 60. tal procedimento contraria a jurisprudência pacífica do CARF e da CSRF, que em numerosos julgados têm decidido que a aplicação da multa agravada está condicionada à comprovação, por parte do fisco, da existência de “evidente intuito de fraude do sujeito passivo”; 61. diante do exposto, fica evidente que não se verificaram, no caso concreto, os pressupostos da aplicação da multa de150%, razão pela qual a cobrança da mesma é improcedente; 62. é descabida a incidência de juros sobre a multa porque isso implicaria numa indireta majoração da própria penalidade e não se pode falar em mora na exigência de multa; Fl. 861DF CARF MF Processo nº 19515.721610/201130 Acórdão n.º 9202005.239 CSRFT2 Fl. 861 11 63. à vista do exposto, requer que seja julgado improcedente o auto de infração, com a consequente extinção do crédito tributário dele decorrente. Acordaram os membros da 16ª Turma da DRJ/SP1, por unanimidade de votos, em julgar improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. Em Recurso Voluntário o Contribuinte reitera suas argumentações e, posteriormente, para reforçar sua tese, junta aos autos decisão favorável proferida pela 1ª Câmara em caso similar (Acórdão nº 210101.938). A 2a. Câmara / 1ª Turma Ordinária, por meio do acórdão 2201002.636, por voto de qualidade, deu provimento parcial ao Recurso Voluntário apenas para afastar a qualificação da multa. Referido julgado recebeu a seguinte emenda: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2007, 2010 Ementa: OMISSÃO DE GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE AÇÕES.DUPLICIDADE DE CAPITALIZAÇÃO DE LUCROS E RESERVAS. Constatada a majoração artificial do custo de aquisição da participação societária alienada, mediante a capitalização de lucros e reservas oriundos de ganhos avaliados por equivalência patrimonial nas sociedades investidoras,seguida de incorporações reversas e nova capitalização, em nítida inobservância da primazia da essência sobre a forma, devem ser expurgados os acréscimos indevidos com a consequente tributação do novo ganho de capital apurado. MULTA QUALIFICADA. INOCORRÊNCIA A existência de correntes doutrinárias divergentes, além de precedentes jurisprudenciais favoráveis ao negócio jurídico praticado pelo contribuinte,demonstra, na verdade, uma hipótese de erro de proibição. Não há como ser reconhecido o dolo necessário à qualificação da multa, quando se percebe dos autos a convicção do recorrente no sentido de estar agindo segundo o permissivo legal, sem ocultação da prática e da intenção final dos seus negócios.JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa SELIC. O contribuinte apresentou Recurso Especial alegando divergência jurisprudencial em relação a duas matéria: quanto a apuração do ganho de capital e quanto à possibilidade de aplicação de juros de mora sobre multa de ofício. Subsidiariamente requer a Fl. 862DF CARF MF Processo nº 19515.721610/201130 Acórdão n.º 9202005.239 CSRFT2 Fl. 862 12 aplicação do parágrafo único do art. 100 do CTN com o cancelamento da penalidade e dos juros. Intimada a Fazenda Nacional apresenta contrarrazões requerendo a manutenção do julgado. É o relatório. Voto Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, portanto dele conheço. Vejamos cada uma das matérias. Da apuração do ganho de capital: Tratase de matéria já debatida neste Conselho, onde após a realização de sustentações orais pelas partes indicando os principais pontos controversos da lide e tecendo suas explicações, esse colegiado, por maioria, vem adotando o entendimento do Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, relator no Acórdão nº 9202003.700. A lide foi delimitada da seguinte forma: O deslinde da questão se resume à correta interpretação da legislação aplicável ao caso de capitalização de lucros de uma pessoa jurídica, no tocante à atualização do custo de aquisição das participações societárias mantidas pelos proprietários dessa pessoa jurídica. Pela complexidade do tema, dividirei meu voto em quatro partes, a saber: (a.I) a delimitação do problema a ser enfrentado, (a.II) a interpretação correta da legislação aplicável, (a.III) a aplicação da legislação ao caso dos autos e (a.IV) conclusão. a.I – Delimitação do Problema Vejamos aqui o dispositivo central da discussão: o parágrafo único do art. 10 da Lei n° 9.249, de 26 de dezembro 1995, base legal do art. 135 do Decreto n° 3.000, de 1999, expressamente referido no auto de infração, in verbis: Art. 10. ... Parágrafo único. No caso de quotas ou ações distribuídas em decorrência de aumento de capital por incorporação de lucros apurados a partir do mês de janeiro de 1996, ou de reservas constituídas com esses lucros, o custo de aquisição será igual à parcela do lucro ou reserva capitalizado, que corresponder ao sócio ou acionista. Com base nesse dispositivo, o aumento de capital, realizado por uma pessoa jurídica, por incorporação de lucros, implica o Fl. 863DF CARF MF Processo nº 19515.721610/201130 Acórdão n.º 9202005.239 CSRFT2 Fl. 863 13 aumento proporcional do custo de aquisição da participação societária de seus proprietários. Para exemplificar essa determinação, considere uma participação societária correspondente a 100% do capital de uma pessoa jurídica (detida por dois sócios, pessoas físicas), adquirida por R$ 1.000,00. Considere, também, que essa pessoa jurídica, em seguida, tenha auferido um lucro de R$ 100,00 e o tenha capitalizado. Considere, por fim, que os sócios tenham alienado essa participação societária a terceiros por R$ 1.500,00. Nesse caso, em que pese os sócios terem adquirido a participação societária por R$ 1.000,00 e, posteriormente, a alienado por R$ 1.500,00, o ganho de capital apurado não seria de R$ 500,00, mas apenas de R$ 400,00. Isso porque os lucros de R$ 100,00, capitalizados, têm o condão de aumentar o custo de aquisição da participação societária e, consequentemente, de diminuir o ganho de capital. Dessa forma, de uma maneira simples e apressada, poderseia concluir que qualquer capitalização de lucros implicaria um aumento do custo da correspondente participação societária. Ocorre que essa interpretação, no entender deste conselheiro, é literal e, considerando exclusivamente o parágrafo único do art. 10 da Lei n° 9.249, de 1995, gera incoerências no sistema jurídico e disfuncionalidades na tributação de operações. Para ilustrar a questão, vejamos uma situação, em tudo semelhante à anterior, porém em que os sócios tenham decidido criar uma holding controladora da pessoa jurídica operacional, que por sua vez, passaria a ser subsidiária integral da holding. Nesse caso: inicialmente, teríamos os sócios, como proprietários da Holding, e esta reconhecendo em seu ativo uma participação societária na pessoa jurídica operacional, avaliada em R$ 1.000,00 por equivalência patrimonial; em seguida, com a pessoa jurídica operacional auferindo lucros de R$ 100,00, a Holding (por equivalência patrimonial) iria refletir esse lucro no valor de sua participação societária, o que resultaria no reconhecimento de lucros, também no valor de R$ 100,00; prosseguindo, a holding capitalizaria o lucro por ela reconhecido por equivalência patrimonial e, consequentemente, os proprietários atualizariam o valor da participação societária, para R$ 1.100,00; em momento posterior, a pessoa jurídica operacional incorporaria a holding, mantendo porém os lucros, de R$ 100,00, em seu patrimônio líquido e, somente então, capitalizaria esses lucros, permitindo que os proprietários atualizassem, mais uma vez, o valor da participação societária, agora para R$ 1.200,00; Fl. 864DF CARF MF Processo nº 19515.721610/201130 Acórdão n.º 9202005.239 CSRFT2 Fl. 864 14 por fim, com os proprietários alienando sua participação societária por R$ 1.500,00, seria apurado um ganho de capital de apenas R$ 300,00. Repare que, em que pese os sócios terem adquirido a participação societária por R$ 1.000,00 e, posteriormente, alienado essa participação societária por R$ 1.500,00, o ganho de capital apurado não foi de R$ 500,00, nem de R$ 400,00, mas de apenas R$ 300,00. Isso ocorreu porque os lucros de R$ 100,00, reconhecidos na Holding por equivalência patrimonial foram capitalizados, aumentando o custo de aquisição da participação societária e, posteriormente, os mesmos lucros de R$ 100,00, auferidos pela pessoa jurídica operacional, em função de suas atividades, também foram capitalizados, aumentando mais uma vez o custo de aquisição da participação societária. Consequentemente, vemos aqui o ganho de capital reduzido duas vezes. Ora, essa situação é – em essência – igual à anterior: (a) uma participação societária adquirida por mil reais, (b) a correspondente empresa – operacional – que aufere 100 reais de lucro e (c) a venda dessa participação societária por mil e 500 reais. Mas apenas pela interposição de uma holding na estrutura societária do grupo econômico, o ganho de capital ficaria reduzido. E o pior, se – ao invés de uma holding – existissem duas ou mais, o ganho de capital seria mais reduzido ainda. Portanto, essa aplicação direta do parágrafo único a qualquer incorporação de lucros leva à incoerente conclusão de que, em se existindo várias holdings interpostas entre os proprietários e a pessoa jurídica, o ganho de capital pode ficar artificialmente reduzido, até a zero ou ainda a valores negativos. E adicionalmente, com essa interpretação, a capitalização de lucros apenas nas Holdings, além de permitir que o ganho de capital fosse reduzido, permitiria que o lucro registrado na pessoa jurídica fosse, posteriormente, distribuído isento, aos proprietários ou então aos futuros adquirentes. O que se discute aqui é o efeito da aplicação da legislação tributária em situações como essa, de capitalização de lucros em uma pessoa jurídica que detenha participação em outras pessoas jurídicas, para fins de cálculo do custo das ações ou cotas dessa primeira pessoa jurídica. Delimitados os problemas a serem enfrentados, passo agora à análise da legislação de regência. a.II Interpretação da Legislação Com efeito, a capitalização de lucros nada mais é do que uma operação que substitui o seguinte procedimento: (i) a distribuição do lucro, pela pessoa jurídica a seus proprietários, (ii) o imediato aumento de capital da pessoa jurídica, no valor Fl. 865DF CARF MF Processo nº 19515.721610/201130 Acórdão n.º 9202005.239 CSRFT2 Fl. 865 15 do lucro distribuído e (iii) a subscrição e integralização do aumento de capital, por esses mesmos proprietários, com os recursos antes recebidos a título de distribuição de lucro. Por outro lado, o método da equivalência patrimonial tem por objetivo refletir no patrimônio de uma pessoa jurídica controladora (ou coligada) de outra, o patrimônio e consequentemente o resultado da investida. Com efeito, ele serve para refletir a situação da investida no patrimônio da investidora. Esclarecendo a questão, Modesto Carvalhosa, em Comentário à Lei de Sociedades Anônimas (Saraiva São Paulo, 1998) ensina que: de início todos os investimentos (inclusive de empresas controladas) eram registrados pelo custo e os respectivos lucros somente eram reconhecidos quando da distribuição de lucros ou dividendos, já no caso de prejuízos, no máximo era aceito o reconhecimento de uma provisão para perdas no investimento; com influência anglosaxã, surgiu a figura da consolidação de balanços e, consequentemente, de reconhecimento do lucro de pessoas jurídicas controladas no patrimônio da controladora; estendendose esse raciocínio a todos os investimentos relevantes, surgiu a equivalência patrimonial, para dar o mesmo efeito da consolidação, trazendose para uma linha do ativo da investidora, uma parte do patrimônio (e do resultado) da investida. Nesse mesmo sentido, no dizer de Eliseu Martins, em Iniciação à Equivalência Patrimonial Considerando Algumas Regras Novas da CVM (IOB São Paulo 1997) o Método da Equivalência Patrimonial é a consolidação de patrimônios em uma linha. A propósito, lembramos que, no procedimento de consolidação, para apresentação da efetiva situação patrimonial, os lucros refletidos por equivalência patrimonial no patrimônio das investidoras devem ser eliminados. Realizaremos, agora, a análise jurídica da legislação, sem perder de vista essas características ontológicas (a) da operação de capitalização de lucros e (b) do método da equivalência patrimonial. Para fins de contextualização histórica da questão, cumpre referir que, nos termos da legislação anteriormente vigente, a capitalização de lucros, assim como a distribuição de ações bonificadas, não tinha qualquer efeito na determinação do custo de aquisição da participação societária dos proprietários da pessoa jurídica. Com efeito, naquele período: o lucro distribuído era passível de tributação; e consequentemente, o custo de aquisição das participações societárias não era alterado quando da capitalização de lucros Fl. 866DF CARF MF Processo nº 19515.721610/201130 Acórdão n.º 9202005.239 CSRFT2 Fl. 866 16 pela pessoa jurídica, inclusive no caso de distribuição de ações bonificadas, cujo valor de aquisição devia ser considerado como igual a zero. Nesse sentido, cabe referência aos arts. 727 e 810 do Decreto 1.041, de 1994. (a) Art. 727 – lucros distribuídos até 1988 eram tributados: Art. 727. Os dividendos, bonificações em dinheiro, lucros e outros interesses, apurados em balanço de períodobase encerrado até 31 de dezembro de 1988, pagos por pessoa jurídica, inclusive sociedade em conta de participação, a pessoa física residente ou domiciliada no País, estão sujeitos à incidência de imposto exclusivamente na fonte, à alíquota de (DecretosLeis n°s 1.790/80, art. 1°, 2.065/83, art. 1°, I, a, e 2.303/86, art. 7° parágrafo único): ... (b) Art. 810 – o custo de participações societárias resultantes de aumento de capital por incorporação de lucro era igual a zero: Art. 810. O custo de aquisição de títulos e valores mobiliários, de quotas de capital ... § 2° O custo é considerado igual a zero (Lei n° 7.713/88, art. 16, § 4°): a) no caso de participações societárias resultantes de aumento de capital por incorporação de lucros ou reservas, apurados até 31 de dezembro de 1988; ... Reparase aqui a coerência dos dispositivos acima referidos. Como, na época, a distribuição de lucros era tributada, a capitalização do lucro não alterava o custo de aquisição da participação societária. Assim, quando a participação societária fosse alienada, o valor do lucro capitalizado seria alcançado pelo ganho de capital. Ora, a partir de 1996, temos uma clara mudança de tratamento na distribuição de lucro, que passou a não ser tributada, nem na fonte, nem na declaração de ajuste, nos termos do disposto no art. 10, da Lei n° 9.249, de 1995. Assim: o lucro distribuído deixou de ser tributado; e consequentemente, o custo de aquisição das participações societárias passou a ser alterado quando da capitalização de lucros distribuíveis pela pessoa jurídica, inclusive no caso de distribuição de ações bonificadas, cujo valor de aquisição devia ser considerado igual ao desse lucro capitalizado. A seguir, encontrase reproduzido o caput do art. 10 da Lei n° 9.249, de 1995, e seu respectivo parágrafo. Fl. 867DF CARF MF Processo nº 19515.721610/201130 Acórdão n.º 9202005.239 CSRFT2 Fl. 867 17 Art. 10. Os lucros ou dividendos calculados com base nos resultados apurados a partir do mês de janeiro de 1996, pagos ou creditados pelas pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real, presumido ou arbitrado, não ficarão sujeitos à incidência do imposto de renda na fonte, nem integrarão a base de cálculo do imposto de renda do beneficiário, pessoa física ou jurídica, domiciliado no País ou no exterior. Parágrafo único. No caso de quotas ou ações distribuídas em decorrência de aumento de capital por incorporação de lucros apurados a partir do mês de janeiro de 1996, ou de reservas constituídas com esses lucros, o custo de aquisição será igual à parcela do lucro ou reserva capitalizado, que corresponder ao sócio ou acionista. Reparase, da mesma forma que no sistema vigente anteriormente, a coerência dos dispositivos acima referidos. Como a distribuição de lucros deixou de ser tributada, a capitalização do lucro distribuível passou a alterar o custo de aquisição da participação societária. Assim, quando a participação societária fosse alienada, o valor do lucro (distribuível isento e capitalizado) não seria alcançado pelo ganho de capital. Portanto, conhecendo a razão histórica do surgimento da legislação, (que foi a alteração de tributação para não tributação da distribuição de lucros), para compreensão da legislação, (a) afastamos a aplicação da interpretação literal e (b) entendemos como mandatória a aplicação da interpretação histórico/teleológica (acima discutida) e, sobretudo, da interpretação sistemática dos dispositivos relativos ao método da equivalência patrimonial, à distribuição e à capitalização de lucros. Ressaltese aqui que todos esses métodos de interpretação convergem. Especificamente quanto à interpretação sistemática é muito fácil perceber que não se deve considerar somente a leitura do parágrafo, mas também (e sobretudo) a leitura do caput do próprio artigo 10 da Lei n° 9.249, de 1995. Aliás, essa é uma regra hermenêutica básica, o parágrafo deve sempre se referir ao caput, sendo que sua consideração em separado gera problemas de contexto e, o que é pior, gera a famosa falácia de ênfase em que, se acentuando um aspecto da realidade, acabase por negar a própria realidade. Ora, no caput, é referido que os lucros ou dividendos pagos ou creditados é que não estarão sujeitos à incidência do imposto de renda. Portanto, interpretando o parágrafo nos limites do que dispõe o caput, concluímos facilmente que a capitalização de lucros que tem o condão de alterar o custo de aquisição de participações societárias é aquela referente a lucros passíveis de efetiva distribuição aos sócios ou acionistas sem tributação. Por seu turno, conforme já colocado no início desse voto, temos que o método da equivalência patrimonial teve por objetivo o Fl. 868DF CARF MF Processo nº 19515.721610/201130 Acórdão n.º 9202005.239 CSRFT2 Fl. 868 18 reconhecimento de lucros de investidas, mesmo antes de sua distribuição. Não se está aqui negando a existência de um lucro decorrente do ajuste de equivalência patrimonial, mas não podemos deixar de levar em conta o fato de o lucro não é efetivamente distribuído mais de uma vez. Com efeito, o lucro decorrente do ajuste por equivalência patrimonial, é somente o reflexo do lucro auferido pela pessoa jurídica operacional (investida), esse último sim, passível de efetiva distribuição. Comprovando a conclusão acima, sabemos que a distribuição de lucro, registrado em decorrência do ajuste de equivalência patrimonial implica a necessidade de contratação de empréstimos ou distribuição de recursos aportados a título de capital. Pois bem, devemos nos lembrar de que a própria operação de capitalização de lucros foi concebida como um atalho para substituição do complexo procedimento de (i) a distribuição do lucro, pela pessoa jurídica a seus proprietários, (ii) o imediato aumento de capital da pessoa jurídica, no valor do lucro distribuído e (iii) a subscrição e integralização do aumento de capital, por esses mesmos proprietários, com os recursos antes recebidos a título de distribuição de lucro. Agora, a partir do que se encontra acima colocado, é possível chegarmos a uma conclusão quanto ao procedimento de aplicação da legislação, no tocante à atualização do custo da participação societária, em função da capitalização de lucros pela pessoa jurídica. Considerando que a efetiva distribuição de lucros deve se dar a partir da pessoa jurídica operacional, essa distribuição, seguida de subscrição de aumento de capital nas empresas componentes de um grupo econômico (a pessoa jurídica operacional e suas holdings) deve ter por efeito patrimonial o aumento de capital em toda a cadeia de entidades relacionadas societariamente. Por óbvio não é possível distribuir mais de uma vez o mesmo lucro (o lucro e seus reflexos por equivalência patrimonial), portanto também não deve ser aceitável, pelo menos para fins fiscais, capitalizálo mais de uma vez. A conclusão acima é inevitável, porque: as disponibilidades passíveis de distribuição estão no patrimônio da pessoa jurídica operacional, que somente pode distribuir o lucro para sua proprietária direta, a holding; já, a holding, somente pode distribuir o lucro aos acionistas, pessoas físicas, após o recebimento dos recursos da pessoa jurídica operacional; os acionistas, por sua vez, somente podem aumentar capital na holding, em que possuem participação direta; e Fl. 869DF CARF MF Processo nº 19515.721610/201130 Acórdão n.º 9202005.239 CSRFT2 Fl. 869 19 por fim, a holding, com os recursos recebidos, poderá aumentar capital da pessoa jurídica operacional. Ora, consequentemente, somente haverá capitalização de lucros efetivamente distribuíveis caso todas as pessoas jurídicas da cadeia societária (holdings e empresa operacional) realizem a capitalização. Ao contrário, caso ocorra apenas a capitalização dos lucros de holdings, o parágrafo único do art. 10 da Lei n° 9.249, de 1995, não incide, devendo ser mantido o valor da participação societária pelos proprietários, até mesmo porque os efetivos lucros da pessoa jurídica operacional ainda poderão ser distribuídos sem tributação (para os próprios sócios) ou para futuros adquirentes. E, ainda, quando houver holdings mistas, com operações próprias, a capitalização de seus lucros, sem que tenha ocorrido a correspondente capitalização dos lucros das investidas, somente poderá ter efeito parcial na atualização do custo da participação societária de seus sócios. Isso é facilmente calculado com base na memória de cálculo abaixo: ( ) Lucro Existente no Patrimônio Líquido da Holding () Lucro/Reservas Existentes na Investida (*) % de participação (=) Lucro passível de distribuição pela Holding (/) Lucro Existente no Patrimônio Líquido da Holding (=) Percentual aceitável para aumento do custo da participação (*) Valor do aumento de custo considerando o total do lucro capitalizado pela Holding (=) Valor aceitável para aumento do custo Reparase que a memória de cálculo acima é simples, utilizando somente as quatro operações matemáticas e os dados constantes dos balancetes da holding e da correspondente investida, na data da capitalização de lucros. Ela atende a aplicação do disposto no Art. 10 da Lei n° 9.249, de 1995, tanto no caso de holdings mistas (com operações próprias), como no caso de distribuição diferenciada de lucros (em percentual diferente daquele da participação societária do acionista). a.III – Aplicação da Legislação ao Caso dos Autos Verifico que, no caso dos autos, somente houve capitalização de lucros nas holdings, tendo sido mantido sem capitalização todo o lucro da pessoa jurídica operacional. Com efeito, no caso dos autos: ocorreram duas capitalizações seguidas de lucros, ambos reconhecidos em decorrência da aplicação do método de equivalência patrimonial às participações societárias de duas holdings (a NOVA PACTUAL e a PACTUAL) e não houve a capitalização dos lucros auferidos pela pessoa jurídica operacional (o BANCO PACTUAL); somente houve glosa da atualização do custo de participação societária, para uma das capitalizações de lucro, mais Fl. 870DF CARF MF Processo nº 19515.721610/201130 Acórdão n.º 9202005.239 CSRFT2 Fl. 870 20 especificamente, para a capitalização ocorrida em NOVA PACTUAL em 13.10.2006, no valor de R$ 30.233.762,00. Portanto, a autoridade autuante entendeu indevida apenas a atualização de custo da participação em decorrência de uma das capitalizações de lucro, em razão da aplicação a ela, pelo autuado, do disposto no art. 135 do Decreto no 3.000, de 26 de março de 1999. Porém, de acordo com a interpretação já apresentada por este conselheiro, entendese que ambas deveriam ter sido glosadas. Isso porque o lucro da pessoa jurídica operacional (ou seja, o lucro efetivamente auferido pelo BANCO PACTUAL) continuou mantido em seu patrimônio líquido, após as incorporações reversas, e consequentemente permaneceu passível de distribuição isenta aos adquirentes, ou terceiros (até mesmos os próprios alienantes), conforme acordo entre as partes. De fato, os alienantes venderam aos adquirentes do Banco o direito de receber os lucros isentos de tributação ou de repasse desse valor a terceiros. Ora, como, (a) em primeiro lugar, a capitalização de lucros que tem o condão de alterar o custo da participação societária é somente aquela relativa aos lucros efetivamente distribuíveis isentos de tributação e como, (b) em segundo lugar, a distribuição de lucros com isenção de tributação foi, no caso, efetivamente transferida (aos adquirentes do banco, ou terceiros por eles determinados), (c) podemos concluir que as capitalizações de lucros realizadas não podem ter qualquer efeito no custo da participação alienada. Conforme exposto no relatório, no presente caso foram alienadas à UBS Brasil Participações Ltda., o montante de 17.011.162 ações de propriedade do contribuinte, de emissão de Banco Pactual S.A. Pelo lançamento somente foi glosado o valor de atualização do custo das ações de uma das duas operações de capitalização de lucros, a de valor R$ 14.883.266,00 (efls. 246). Aplicando aos fatos geradores em questão o critério do Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, os quais adoto como razão de decidir, chegaríamos a crédito apurado bem superior aquele calculado pelo Fiscal, afinal como exposto devem ser desconsiderados para fins de apuração do ganho de capital e do valor aceitável para o aumento do custo das respectivas participações societárias as duas capitalizações de lucro. Considerando o entendimento acima, mas observando a limitação imposta pelo princípio processual da "proibição da reformatio in pejus', que impede o agravamento da situação do Recorrente, mantenho do o acórdão recorrido. Da incidência de juros sobre multa de ofício: No que tange a discussão acerca da incidência de juros de mora sobre a multa de ofício também não há motivos para a reforma do acórdão. Fl. 871DF CARF MF Processo nº 19515.721610/201130 Acórdão n.º 9202005.239 CSRFT2 Fl. 871 21 O art. 113 do CTN nos traz a descrição de quais parcelas compõem o crédito relacionado à obrigação principal: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. §2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela prevista no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. §3º A obrigação acessória, pelo simples fato de sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. Percebese que para o legislador o crédito tributário pode ser composto por três parcelas: I) o crédito decorrente da obrigação principal, II) o crédito gerado em razão de penalidade pecuniária decorrentes dessa obrigação principal e III) o crédito eventualmente decorrente do descumprimento de obrigação acessória. Citado por Leandro Paulsen, o Professor Eurico Marcos Diniz de Santi, assim esclarece: A obrigação principal, criação de expediente técnicojurídico, congrega em um só objeto, em uma só relação jurídica, mediante a operação de soma ou união de relações, os objetos das relações patrimoniais: relação jurídica tributária, relação jurídica da multa pelo nãopagamento, relação jurídica de mora e relação jurídica sancionadora instrumental, prática esta que, se, de um lado, facilita a integração e cobrança do débito fiscal, de outro, dificulta o discernimento das várias categorias e regimes jurídicos díspares que compõem a denominada obrigação tributária principal. A redação do art. 161 do CTN prevê que o crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, ou seja a redação do dispositivo permite concluir que o Código Tributário Nacional autoriza a exigência de juros de mora sobre o crédito e ao se referir a crédito, evidentemente o dispositivo está tratando de crédito tributário, que conforme definido pelo citado art. 113, decorre da obrigação principal, na qual estão incluídos tanto o valor do tributo devido como a penalidade dele decorrente. No âmbito da regulamentação dada à matéria pelas legislação ordinária, devemos citar os dispositivos das leis nº 9.430/1996 e 10.522/2002, que disciplinaram o assunto: Lei nº 9.430/96: “Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, Fl. 872DF CARF MF Processo nº 19515.721610/201130 Acórdão n.º 9202005.239 CSRFT2 Fl. 872 22 serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento.” Lei nº 10.522/2002 Art. 29. Os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional e os decorrentes de contribuições arrecadadas pela União, constituídos ou não, cujos fatos geradores tenham ocorrido até 31 de dezembro de 1994, que não hajam sido objeto de parcelamento requerido até 31 de agosto de 1995, expressos em quantidade de Ufir, serão reconvertidos para real, com base no valor daquela fixado para 1º de janeiro de 1997. (...). Art. 30. Em relação aos débitos referidos no art. 29, bem como aos inscritos em Dívida Ativa da União, passam a incidir, a partir de 1º de janeiro de 1997, juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia – Selic para títulos federais, acumulada mensalmente, até o último dia do mês anterior ao do pagamento, e de 1% (um por cento) no mês de pagamento. Diante do exposto, considerando a abrangência do conceito de crédito tributário, forçoso concluir que há previsão legal para a incidência de juros moratórios sobre a multa de ofício aplicada em razão do não pagamento do tributo devido. Do pedido subsidiário do contribuinte: Em um primeiro momento me manifestei favorável a tese do contribuinte de aplicação ao caso concreto do art. 100, parágrafo único do CTN haja vista a Instrução Normativa SRF nº 84/01. Entretanto, após debates sobre o tema e realizando uma leitura mais detalhada da citada instrução normativa, me curvo ao entendimento proferido no referenciado acórdão nº 9202003.700, haja vista inexistir comando normativo que autorizasse o contribuinte a contabilizar seus ganhos da forma como realizado: Finalmente, quanto ao pedido subsidiário da recorrente de não aplicação de penalidade e juros de mora, a partir do disposto no parágrafo único do art. 100 do Código Tributário Nacional e da observância à Instrução Normativa SRF no 84, de 11 de outubro de 2001, é de se ressaltar que, em nenhum momento, tal Fl. 873DF CARF MF Processo nº 19515.721610/201130 Acórdão n.º 9202005.239 CSRFT2 Fl. 873 23 normativo dá suporte à interpretação do art. 135 do RIR/99 defendida pela autuada, a qual, na forma acima disposta, se entende aqui como totalmente equivocada. Assim, é de se manter a multa de ofício aplicada pela autoridade lançadora, bem como os juros de mora incidentes sobre o principal e sobre a multa de ofício,neste último caso em linha com o explicitado a seguir quando da análise do recurso especial de iniciativa da Fazenda Nacional. Diante do exposto nego provimento ao recurso do contribuinte. (Assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Fl. 874DF CARF MF Processo nº 19515.721610/201130 Acórdão n.º 9202005.239 CSRFT2 Fl. 874 24 Fl. 875DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10872.000136/2010-94
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 15 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Mar 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. NÃO OCORRÊNCIA.
Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se a turma, não se acatando o recurso se não configurada alguma dessas hipóteses.
Numero da decisão: 1201-001.561
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração, nos termos do voto do Relator.
(documento assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Paulo Cezar Fernandes de Aguiar - Relator.
EDITADO EM: 24/02/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Luiz Paulo Jorge Gomes, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli e José Roberto Adelino da Silva (suplente convocado). Ausente o Conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado.
Nome do relator: PAULO CEZAR FERNANDES DE AGUIAR
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2005 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. NÃO OCORRÊNCIA. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se a turma, não se acatando o recurso se não configurada alguma dessas hipóteses.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração, nos termos do voto do Relator. (documento assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida - Presidente. (documento assinado digitalmente) Paulo Cezar Fernandes de Aguiar - Relator. EDITADO EM: 24/02/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Luiz Paulo Jorge Gomes, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli e José Roberto Adelino da Silva (suplente convocado). Ausente o Conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado.
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. NÃO OCORRÊNCIA. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma, não se acatando o recurso se não configurada alguma dessas hipóteses. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração, nos termos do voto do Relator. (documento assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Presidente. (documento assinado digitalmente) Paulo Cezar Fernandes de Aguiar Relator. EDITADO EM: 24/02/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Luiz Paulo Jorge Gomes, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli e José Roberto Adelino da Silva (suplente convocado). Ausente o Conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 2. 00 01 36 /2 01 0- 94 Fl. 916DF CARF MF 2 Relatório Por bem descrever a matéria, adoto o relatório do despacho de admissibilidade, complementandoo a seguir: Tratase de Embargos de Declaração (fls. 903/906) interpostos em 29/06/2015 (fl. 907 e Comprot) pela FAZENDA NACIONAL, em face da alegada existência de omissões no acórdão nº 1201001.187 (fls. 893/896), proferido pela 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 1ª Seção do e. CARF, em 02/04/2015, cuja relatoria coube ao então Conselheiro João Carlos de Lima Júnior. Analisando os Embargos de Declaração, verificase que os pressupostos e requisitos de admissibilidade fazemse presentes, nos termos do art. 65 Regimento Interno do CARF, in verbis: Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. § 1° Os embargos de declaração poderão ser interpostos, mediante petição fundamentada dirigida ao presidente da Turma, no prazo de cinco dias contado da ciência do acórdão: I por conselheiro do colegiado; II pelo contribuinte, responsável ou preposto; III pelo Procurador da Fazenda Nacional; IV pelos Delegados de Julgamento, nos casos de nulidade de suas decisões; V pelo titular da unidade da administração tributária encarregada da liquidação e execução do acórdão. § 2º O presidente da Turma poderá designar conselheiro para se pronunciar sobre a admissibilidade dos embargos de declaração. § 3° O Presidente não conhecerá os embargos intempestivos e rejeitará, em caráter definitivo, os embargos em que as alegações de omissão, contradição ou obscuridade sejam manifestamente improcedentes ou não estiverem objetivamente apontadas. § 4° Do despacho que rejeitar os embargos de declaração será dada ciência ao embargante. § 5° Os embargos de declaração opostos tempestivamente interrompem o prazo para a interposição de recurso especial. § 6° As disposições deste artigo aplicamse, no que couber, às decisões em forma de resolução. Fl. 917DF CARF MF Processo nº 10872.000136/201094 Acórdão n.º 1201001.561 S1C2T1 Fl. 917 3 Ou seja, para que os ED sejam conhecidos, a Embargante deve: i) interpôlo no prazo de 5 (cinco) dias; ii) estar legitimada para a prática do ato; e iii) alegar, objetivamente, a existência de obscuridade, omissão e/ou contradição. No que tange à tempestividade, este requisito se faz presente. O acórdão proferido pela 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 1ª Seção deste e. CARF em 02/04/2015 (fl. 893) foi encaminhado para a Procuradoria da Fazenda Nacional em 18/06/2015 (fl. 902 e Comprot), uma quintafeira. De acordo com o artigo 23, § 9º, do Decreto nº 70.235/72, os Procuradores da Fazenda Nacional somente são considerados intimados pessoalmente da decisão do CARF “(...) com o término do prazo de 30 (trinta) dias contados da data em que os respectivos autos forem entregues à Procuradoria”. Em outras palavras, o prazo de cinco dias previsto no artigo 65, § 1º, do RICARF apenas começaria a correr trinta dias após o dia 18/06/2015 (data de encaminhamento dos autos fl. 902), ou seja, em 20/07/2015, uma segundafeira, e venceria, como consequência, em 27/07/2015, uma segundafeira. Tendo em vista que os Embargos de Declaração foram interpostos pela Fazenda Nacional em 29/06/2015 (fl. 903 e Comprot), isto é, antes do seu vencimento, não há dúvidas quanto à sua tempestividade. No que se refere à legitimidade, este requisito se faz presente, vez que os Embargos de Declaração foram firmados digitalmente por Procuradora da Fazenda Nacional(fl. 906). Por fim, quanto à matéria, este requisito também se faz presente, pois a Embargante alegou, objetivamente, omissões, quando, na fl. 903 e na fl. 905, disse: 1ª omissão “A 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF cancelou os autos de infração, em virtude de suposta duplicidade de cobrança da multa e dos juros. Contudo, a e. Turma não se pronunciou sobre a supressão de instância. Assim, para afastar esse vício, a e. Turma, data venia, deveria ter determinado a remessa dos autos à DRJ para que essa se manifestasse sobre a suposta duplicidade de lançamento.” – fl. 903. 2ª omissão “Ademais, convém registrar que a suposta duplicidade da cobrança da multa e dos juros não foi levantada pela contribuinte em momento algum da impugnação e do recurso voluntário, fato que impediria a sua apreciação pelo CARF.” – fl. 905. Não é demais lembrar que o juízo de admissibilidade de ED não se confunde com a análise do mérito, cabendo ao Relator, apenas, analisar se a Embargante alegou objetivamente a existência de obscuridade, omissão e/ou contradição. Fl. 918DF CARF MF 4 Quando do julgamento do mérito é que, efetivamente, analisarseá a existência dos vícios. Ademais, restou preenchido o requisito da competência. Nos termos do artigo 49, § 5º, do Anexo II do RICARF1, os processos com embargos de declaração serão distribuídos ao mesmo relator, independentemente de sorteio, salvo aqueles em que o relator não mais pertença ao colegiado, que serão apreciados pela turma de origem, mediante sorteio para qualquer conselheiro da turma. Como o Conselheiro João Carlos de Lima Júnior, que foi o relator do acórdão nº 1201001.187 (fls. 893/896), renunciou ao mandato, conforme noticiado à fl. 909, em09/12/2015, foi feito novo sorteio dentro da mesma turma, em observância ao dispositivo acima, cabendo a este Conselheiro a Relatoria deste PAF (fl. 910). Desse modo, demonstrada está sua competência para apreciação dos presentes Embargos de Declaração. Nesse caminho, em cumprimento ao artigo 65, § 2º, do RICARF, entendo presentes os requisitos de admissibilidade dos Embargos de Declaração, razão pela qual submeto o presente despacho a apreciação do I. Presidente da Turma, conforme determina o artigo 65, § 3º, do RICARF. O exame de admissibilidade ocorreu por meio do despacho de fls. 911 a 914. O processo foi redistribuído em face de o conselheiro a quem havia sido sorteado o recurso não mais fazer parte deste colegiado. É o relatório Voto Conselheiro Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Relator. Admissibilidade. Uma vez que os pressupostos de admissibilidade já foram avaliados no despacho próprio, passase à análise do vício apontado. Omissões. A embargante alega ter havido duas omissões no acórdão proferido pela 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 1ª Seção do CARF, em 2 de abril de 2015: a primeira em face de não ter se pronunciado sobre a supressão de instância e, a segunda, uma vez "a suposta duplicidade da cobrança da multa e dos juros" não ter sido arguida em nenhum momento na impugnação ou no recurso voluntário, fato que impediria a sua apreciação pelo CARF. O artigo 65 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF) dispõe expressamente que cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. Fl. 919DF CARF MF Processo nº 10872.000136/201094 Acórdão n.º 1201001.561 S1C2T1 Fl. 918 5 Em ambos os casos, verificase que omissão não houve, pelo mesmo motivo. Assim está redigido o acórdão, em consonância com o voto do relator: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, EM ACOLHER, de ofício, preliminar de cancelamento dos autos de infração por tratarem dos mesmos fatos já tributados em outros lançamentos e ainda pendentes de julgamento administrativo, com base no art. 145 do CTN, não se conhecendo do mérito, nos termos do caput do art. 59 do Anexo II do Regimento Interno do CARF. (Grifo acrescido) Como pode ser visto, a preliminar de cancelamento dos autos de infração foi acolhida, por unanimidade de votos, de ofício, ou seja, por obrigação e dever do cargo, por autoridade própria, sem provocação das partes. Nesses casos, não há a necessidade de iniciativa ou participação de outros intervenientes que não aqueles que tomaram a decisão. Dessa forma, não há que se falar em supressão de instância. Esta poderia ocorrer no caso de alguma alegação não apreciada na instância a quo o ser na instância ad quem. Contudo, se houve o acolhimento de ofício de uma preliminar nesta segunda instância, não poderia a primeira ter se pronunciado sobre algo que não havia sido sequer alegado na impugnação. Relativamente à alegação de que a matéria não teria sido arguida nem em sede de impugnação, nem de recurso voluntário, o que impediria a apreciação pelo CARF, tem se também não ter havido omissão. Ao contrário, a Turma julgadora pronunciouse sobre matéria que, no seu entendimento, era relevante e conhecível mesmo sem ter sido alegada anteriormente no processo, ou seja, de ofício. Não há, pois, omissão na decisão embargada. Em face de todo o exposto, voto por rejeitar os embargos de declaração. (documento assinado digitalmente) Paulo Cezar Fernandes de Aguiar Relator Fl. 920DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13976.000717/2007-51
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 28 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Exercício: 2003, 2004, 2005, 2006, 2007
RECURSO. PEREMPÇÃO. NÃOCONHECIMENTO.
Não se conhece de recurso perempto, apresentado após o trintídio legal.
Numero da decisão: 1803-000.966
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não
conhecer do recurso, por perempto, nos termos do relatório e votos que integram o presente
julgado.
Nome do relator: Sérgio Rodrigues Mendes
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2003, 2004, 2005, 2006, 2007 RECURSO. PEREMPÇÃO. NÃOCONHECIMENTO. Não se conhece de recurso perempto, apresentado após o trintídio legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por perempto, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Selene Ferreira de Moraes, Marcelo de Assis Guerra, Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Rodrigues Mendes e Sérgio Luiz Bezerra Presta. Fl. 58DF CARF MF Emitido em 19/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/07/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES Assinado digitalmente em 01/07/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, 19/07/2011 por SELENE FERREIRA DE M ORAES Processo nº 13976.000717/200751 Acórdão n.º 180300.966 S1TE03 Fl. 56 2 Relatório Por bem retratar os acontecimentos do presente processo, adoto o Relatório do acórdão recorrido (fls. 36): Versa o presente processo sobre autos de infração (fls. 03, 06, 09, 12, 15 e 18), mediante os quais é exigido da contribuinte em epígrafe o crédito tributário total de R$ 18.709,11, referente à multa por atraso na entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, relativa ao 4º trimestre de 2002, 1º ao 4º trimestre de 2003, 1º ao 4º trimestre de 2004, 1º e 2º semestre de 2005, 1º semestre de 2006. Cientificada da exigência fiscal em 29/11/2007 (AR, fls. 25/30, a interessada, interpôs impugnação (fls. 01/02) em 14/12/2007, na qual requer o cancelamento do presente lançamento, alegando, em síntese, que estaria dispensada da apresentação das DCTF, nos termos do art. 3º, I, da IN/SRF nº 255/2002, relativamente aos períodos sob exame, tendo em vista que o processo de inclusão retroativa no Simples Federal encontravase, à época, pendente de decisão, a qual somente foi expedida em 21/06/2007. 2. A decisão da instância a quo foi assim ementada (fls. 35): ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2002, 2003, 2004, 2005, 2006 MULTA POR ATRASO DA ENTREGA DA DCTF. Mantémse a exigência da multa por atraso na entrega da DCTF, tendo em vista o não reconhecimento de enquadramento da empresa no Simples relativamente ao período autuado. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido. 3. Cientificada da referida decisão em 15/01/2010 (fls. 40), em 17/02/2010, apresenta a interessada Recurso de fls. 41 e 42, instruído com os documentos de fls. 43 a 53, nele reiterando os argumentos anteriormente expendidos. Em mesa para julgamento. Fl. 59DF CARF MF Emitido em 19/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/07/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES Assinado digitalmente em 01/07/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, 19/07/2011 por SELENE FERREIRA DE M ORAES Processo nº 13976.000717/200751 Acórdão n.º 180300.966 S1TE03 Fl. 57 3 Voto Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, Relator Conforme constou do Relatório, a recorrente foi cientificada da decisão de primeira instância em 15/01/2010 (A.R. de fls. 40), uma sextafeira, tendo apresentado a sua petição recursal em 17/02/2010 (fls. 41 e 42), uma quartafeira. Dispõe o art. 33 do Processo Administrativo Fiscal – PAF (Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972): Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos 30 (trinta) dias seguintes à ciência da decisão. Assim, cientificada em 15/01/2010, dispunha a recorrente do prazo de trinta dias para apresentar a sua inconformidade contra a decisão recorrida, prazo esse que se escoou impreterivelmente no dia 16/02/2010, uma terçafeira. Tendo apresentado o seu recurso apenas em 17/02/2010, está este perempto (art. 35 do PAF). Por conseguinte, aplicase ao presente caso o disposto no art. 42, inciso I, do PAF: Art. 42. São definitivas as decisões: I de primeira instância, esgotado o prazo para recurso voluntário sem que este tenha sido interposto; Conclusão Em face do exposto, e considerando tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de NÃO CONHECER DO RECURSO, por perempto. É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Fl. 60DF CARF MF Emitido em 19/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/07/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES Assinado digitalmente em 01/07/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, 19/07/2011 por SELENE FERREIRA DE M ORAES Processo nº 13976.000717/200751 Acórdão n.º 180300.966 S1TE03 Fl. 58 4 Fl. 61DF CARF MF Emitido em 19/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/07/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES Assinado digitalmente em 01/07/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, 19/07/2011 por SELENE FERREIRA DE M ORAES
score : 1.0
Numero do processo: 15504.721848/2011-33
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Mar 16 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 31/01/2007 a 31/12/2008
RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO. RECURSO DE OFÍCIO NEGADO.
O recurso tem prazo inadiável de 30 dias para ser protocolizado, o desrespeito a este prazo gera intempestividade, e por consequência o não conhecimento deste.
Embargos acolhidos.
Numero da decisão: 3301-003.217
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração sem efeitos infringentes.
LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS - Presidente.
VALCIR GASSEN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Augusto do Couto Chagas, José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: VALCIR GASSEN
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 31/01/2007 a 31/12/2008 RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO. RECURSO DE OFÍCIO NEGADO. O recurso tem prazo inadiável de 30 dias para ser protocolizado, o desrespeito a este prazo gera intempestividade, e por consequência o não conhecimento deste. Embargos acolhidos.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
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INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO. RECURSO DE OFÍCIO NEGADO. O recurso tem prazo inadiável de 30 dias para ser protocolizado, o desrespeito a este prazo gera intempestividade, e por consequência o não conhecimento deste. Embargos acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração sem efeitos infringentes. LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS Presidente. VALCIR GASSEN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Augusto do Couto Chagas, José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 72 18 48 /2 01 1- 33 Fl. 1103DF CARF MF Processo nº 15504.721848/201133 Acórdão n.º 3301003.217 S3C3T1 Fl. 1.104 2 Relatório Tratase de Embargos de Declaração interpostos pela Procuradoria da Fazenda Nacional contra decisão consubstanciada no Acórdão nº 3301002.140 (fls. 1.091 a 1.094), de 28 de novembro de 2013, proferido pela 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF – que não conheceu do Recurso Voluntário por intempestividade e negou, por unanimidade, o Recurso de Ofício. Visando a elucidação do caso e a economia processual adoto e cito o relatório do Acórdão ora embargado: Tratase de Recurso Administrativo (recurso voluntario) interposto pelo Município de Ouro Preto contra Acórdão n. 0236.013, de 16 de novembro de 2011 (fls. 1041/1046), proferido pela 1ª Turma da DRJ/BHE, que julgou procedente em parte, os Autos de Infração e termos auxiliares (fls. 02/20), no valor total de R$ 5.055.079,73, relativo ao saldo credor da contribuição ao Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Publico – PASEP, referente aos meses de janeiro de 2007 a dezembro de 2008. A Receita Federal constatou ausência de pagamento no sistema de controle de DCTF, e com isso, deuse inicio a autuação. De acordo com o processo, a fiscalização apurou a base de cálculo do valor devido, baseandose nos documentos apresentados pelo contribuinte (fls. 28/702), Termo de Verificação Fiscal (fls. 16/20) e planilhas demonstrativas (fls. 715/719). Foi apresentado impugnação pelo contribuinte (fls. 974/979), que em síntese, pediu o seguinte: “ Solicita a anulação do auto de infração e do lançamento nele consubstanciado por descumprimento de decisão judicial pela inexistência de vinculação da recorrente para com o Pasep. Requer, alternativamente, o cancelamento do auto de infração e do lançamento do crédito tributário nele consubstanciado, ao menos, até o transito em julgado do mandado de segurança impetrado pela recorrente. Solicita ainda, alternativamente aos pedidos anteriores, que sejam canceladas/desconstituídas a cobrança/incidência de juros de mora e de multa no auto de infração e no lançamento do crédito tributário nele consubstanciado”. A DRJ acolheu em parte as alegações do contribuinte, pois entendeu que o lançamento no que concerne a matéria diferenciada, exonerando a multa de oficio aplicada, nos termos do acordão combatido, cuja ementa segue abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 31/01/2007 a 31/12/2008 PROPOSITURA DE AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. Implica renúncia à instância administrativa a propositura, pelo contribuinte, de ação judicial de qualquer natureza; tornandose definitiva a exigência discutida. NULIDADE. ATOS E TERMOS PROCESSUAIS. Fl. 1104DF CARF MF Processo nº 15504.721848/201133 Acórdão n.º 3301003.217 S3C3T1 Fl. 1.105 3 Somente são nulos os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com cerceamento do direito de defesa. EXIGIBILIDADE SUSPENSA LANÇAMENTO. O lançamento de crédito tributário cuja exigibilidade esteja suspensa por meio de sentença judicial não definitiva destinase a prevenir a decadência, e constitui dever de ofício da autoridade fiscal. ACRÉSCIMOS LEGAIS JUROS DE MORA TAXA SELIC. A partir de 01/04/1995, por expressa disposição legal, os juros de mora serão equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Cientificado do referido acórdão em 30 de novembro de 2011 (AR fl. 1052), o interessado apresentou Recurso Administrativo (Recurso Voluntário) em 02 de janeiro de 2012 (fls. 1053/1059) pleiteando a reforma do decisum e reafirmando seus argumentos apresentados à DRJ. O ora embargado Acórdão traz as seguintes razões que fundamentam o voto (fls. 1.093 a 1.094): Preliminarmente, é dever do julgador apreciar os requisitos de admissibilidade do Recurso Voluntário. O artigo 56 da Lei nº 9.784/99 confirma o direito constitucional de o contribuinte interpor recurso contra as decisões administrativas, determinando que “cabe recurso, em face de razões de legalidade e de mérito”. Vislumbrase que tal fato busca, na verdade, o reexame da decisão por outra autoridade, a fim de obterse um aprimoramento dos julgados na fundamentação de suas decisões, propiciando, desta forma, maior segurança ao sistema. Pois bem, vencido parcialmente em primeira instância, o contribuinte não está obrigado a recorrer, mas, se assim proceder, estará sujeito ao prazo de 30 dias, sob pena de preclusão, para apresentar Recurso Voluntário, conforme preceitua o caput do art. 33, do Decreto nº 70.235/72 c.c. art. 68 do Decreto nº 7.574/2011. Verificase, que se ultrapassado esse período, qual seja, 30 (trinta) dias contados a partir da ciência da decisão, sem a apresentação pelo contribuinte do Recurso Voluntário, estará ele impedido de apresentar referido recurso em outro momento. No caso em tela, a Recorrente foi intimada de modo regular em 30/11/2011 (quarta feira), conforme Aviso de Recebimento – AR (fl. 1052), e só protocolizou seu Recurso Voluntário na data de 02/01/2012 (segundafeira), ou seja, 3 (três) dias após o transcurso do prazo recursal, já que o prazo encerrouse no dia 30/12/2011 (sexta feira). Diante do exposto, não conheço do presente Recurso Administrativo (Recurso Voluntário), por ser intempestivo. Por sua vez, a Procuradoria da Fazenda Nacional ingressou com Embargos de Declaração (fl. 1.096), em 16 de abril de 2015, visando sanar alegada omissão. Foi concedida a admissibilidade dos Embargos de Declaração da Fazenda Nacional por intermédio do Despacho de Exame de Admissibilidade em Embargos S/N, da 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção, em 2 de junho de 2016 (fls. 1.001 a 1.002). Fl. 1105DF CARF MF Processo nº 15504.721848/201133 Acórdão n.º 3301003.217 S3C3T1 Fl. 1.106 4 É o relatório. Voto Conselheiro Valcir Gassen Os Embargos de Declaração (fl. 1.096) interpostos pela Procuradoria da Fazenda Nacional, em face ao Acórdão nº 3301002.140 (fls. 1.091 a 1.094), de 28 de novembro de 2013, proferido pela 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF – que não conheceu do Recurso Voluntário e negou, por unanimidade, o Recurso de Ofício. Conforme o art. 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256 de 22 de junho de 2009, repetidos pelo art. 65 do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015, cabe a interposição de Embargos de Declaração nos seguintes termos: Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a turma. §1º Os embargos de declaração poderão ser interpostos, mediante petição fundamentada dirigida ao presidente da Turma, no prazo de 5 (cinco) dias contado da ciência do acórdão. (Grifou se) Os embargos ora analisados visam sanar omissão presente no Acórdão nº 3301002.140 (fls. 1.091 a 1.094) que tem a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 31/01/2007 a 31/12/2008 RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO. RECURSO DE OFÍCIO NEGADO. O recurso tem prazo inadiável de 30 dias para ser protocolizado, o desrespeito a este prazo gera intempestividade, e por consequência o não conhecimento deste. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, em NÃO CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO, e por unanimidade NEGAR O RECURSO DE OFÍCIO. Alega a Procuradoria da Fazenda Nacional, ora embargante, que houve omissão no que se refere a fundamentação, uma vez que não se verificou a análise do Recurso de Ofício, conforme se verifica no texto dos Embargos (fl. 1.096): A União (Fazenda Nacional), por sua procuradora, com amparo no artigo 65 do Regimento Interno do CARF, vem apresentar EMBARGOS DE DECLARAÇÃO, pelos motivos a seguir aduzidos: Verificando o inteiro teor da decisão em questão, constatase a existência de omissão na sua fundamentação, pois não houve análise do Recurso de Ofício. A motivação das decisões judiciais é princípio constitucional (art. 93, IX da CF). Assim, também, deve ocorrer com as decisões proferidas por esse e. Conselho, com vista a garantia das partes, a possibilitar sua impugnação, através de recurso competente, salientandose, por outro lado, a função política da motivação, com a Fl. 1106DF CARF MF Processo nº 15504.721848/201133 Acórdão n.º 3301003.217 S3C3T1 Fl. 1.107 5 finalidade de se aferir a imparcialidade do julgador, a legalidade e a justiça das decisões. Teresa Arruda Alvim ensina que “não se pode confundir sentença com um ato de imposição pura e imotivada de vontade. Daí a necessidade de que venha expressa sua fundamentação (CF, art. 93, IX)”. Diz a referida autora que “fundamentação deficiente, para todos os efeitos, equivale à falta de fundamentação” (ALVIM, Teresa Arruda. Nulidades da Sentença. 3ª ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, 1993, p. 70). Nesse sentido, são pertinentes as palavras de Piero Calamandrei: “A fundamentação da sentença é sem dúvida uma grande garantia da justiça quando consegue reproduzir exatamente, como num levantamento topográfico, o itinerário lógico que o juiz percorreu para chegar à sua conclusão, pois se esta é errada, pode facilmente encontrarse, através dos fundamentos, em que altura do caminho o magistrado se desorientou”. (CALAMANDREI, Piero. Eles, os juízes, vistos por nós, os advogados. 9ª ed. São Paulo: Clássica Editora, s.d., 78). Em face do exposto, requer a União (Fazenda Nacional) o conhecimento e o provimento do presente recurso para que haja pronunciamento sobre o ponto omitido. A interposição de Recurso de Ofício pode ocorrer quando a decisão exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa de valor total (lançamento principal e decorrentes) superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais); Assim dispõe a Portaria MF n 63, de 9 de fevereiro de 2017: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF ao tratar do conhecimento do Recurso de Ofício assim se pronuncia: Súmula CARF nº 103 : Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. A 1ª Turma de Julgamento da DRJ/BHE decidiu por não apreciar o mérito e exonerar a multa de ofício no valor de R$1.806.743,01 (um milhão, oitocentos e seis mil, setecentos e quarenta e três reais e um centavo). Cabe notar que na análise dos presentes embargos em relação ao Recurso de Ofício, por se reportar a decisão consubstanciada no Acórdão nº 3301002.140, de 28 de novembro de 2013, aplicase a legislação vigente à época, no caso a Portaria MF n. 3, de 3 de janeiro de 2008, que fixava o valor total (lançamento principal e decorrentes) superior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais). Para aplicação da Súmula n 103 há que se perquirir o significado do termo "apreciação". Os julgados que fundamentam a referida Súmula aplicaram o preceito processual do tempus regit actum de tal forma que os requisitos de conhecimento quando analisados em embargos devem ser aqueles vigentes a data do acórdão omisso, contraditório ou obscuro, que não será substítuído, mas apenas integrado. Portanto, os presentes embargos de declaração, entendo, integrarão aquele julgado, no caso o Acórdão nº 3301002.140. Fl. 1107DF CARF MF Processo nº 15504.721848/201133 Acórdão n.º 3301003.217 S3C3T1 Fl. 1.108 6 Com isso posto, passase a análise dos embargos de declaração. Ao analisar os autos do presente processo observase que o referido Acórdão n° 0236.013 da DRJ/BHE (fls. 1.053 a 1.058) possui a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 31/01/2007 a 31/12/2008 PROPOSITURA DE AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. Implica renúncia à instância administrativa a propositura, pelo contribuinte, de ação judicial de qualquer natureza; tornandose definitiva a exigência discutida. NULIDADE. ATOS E TERMOS PROCESSUAIS. Somente são nulos os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com cerceamento do direito de defesa. EXIGIBILIDADE SUSPENSA LANÇAMENTO. O lançamento de crédito tributário cuja exigibilidade esteja suspensa por meio de sentença judicial não definitiva destinase a prevenir a decadência, e constitui dever de ofício da autoridade fiscal. ACRÉSCIMOS LEGAIS JUROS DE MORA TAXA SELIC. A partir de 01/04/1995, por expressa disposição legal, os juros de mora serão equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Acórdão Acordam os membros da 1ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, declarar definitiva a exigência discutida no que se refere à matéria objeto de ação judicial e julgar procedente em parte o lançamento no que concerne à matéria diferenciada, exonerando a multa de ofício aplicada, nos termos do relatório e do voto que passam a integrar o presente julgado. Submetase à apreciação do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, de acordo com o art. 34 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e alterações introduzidas pela Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de1997, e Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008, por força de recurso necessário. A exoneração do crédito procedida por este acórdão só será definitiva após o julgamento em segunda instância. Intimese para pagamento do crédito mantido no prazo de 30 dias da ciência, salvo interposição de recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, em igual prazo, conforme facultado pelo art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 6 de março de 1972, alterado pelo art. 1º da Lei n.º 8.748, de 9 de dezembro de 1993, e pelo art. 32 da Lei 10.522, de 19 de julho de 2002. Diante dessa ementa percebese que foi exonerado crédito por intermédio da decisão da DRJ/BHE e que o acórdão ora embargado é omisso a respeito desta questão. Sendo assim, passo a analisar os fundamentos do Acórdão de primeira instância para que se verifique a possibilidade de confirmar ou não tal entendimento com o intuito de sanar a omissão. Fl. 1108DF CARF MF Processo nº 15504.721848/201133 Acórdão n.º 3301003.217 S3C3T1 Fl. 1.109 7 Discutese no voto do Acórdão da DRJ/BHE a respeito da existência de decisão judicial sobre o objeto do presente processo administrativo, o que, nos termos da legislação vigente, retira da esfera administrativa a competência para discutir a questão. O voto, porém, demonstra que (fl. 1.056): (...) o fato de a matéria tributável estar sub judice não é fator impeditivo à constituição do crédito tributário. Pelo contrário, verificase que mesmo havendo depósito do montante integral, concessão de medida liminar em mandado de segurança ou em outras ações, antecipação de tutela, que são fatores de suspensão da exigibilidade do crédito tributário (art. 151, do CTN), não é defeso ao Fisco constituir o crédito, por meio do lançamento de ofício, cuja exigibilidade (cobrança) fica suspensa até a decisão final da justiça. Neste sentido há de se questionar a respeito da possibilidade de aplicação da multa de ofício e do juro de mora, uma vez que apesar de possível o lançamento pelo Fisco subsiste a suspensão da exigibilidade do crédito tributário. Sendo assim o voto da DRJ/BHE segue o seguinte entendimento (fl. 1.056 a 1.057): Dessa forma, apesar de pendente o julgamento final, concluise que a condição de suspensão da exigibilidade do crédito tributário mantémse inalterada, conforme trata o art. 151, IV do Código Tributário Nacional. Sendo assim, é de se concluir que o vertente caso recai na hipótese de inadmissibilidade da aplicação da multa de que trata o caput do art. 63 da Lei nº 9.430, de 1996, uma vez que se trata de constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, cuja exigibilidade encontra.se suspensa, tendo em vista o referido mandado de segurança. Todavia, cumpre esclarecer que, se a referida decisão vier a ser reformada favoravelmente à Fazenda Pública, resultará daí a inadimplência do sujeito passivo se tal valor não for recolhido. Assim, deixando de recolher o tributo amparado pela decisão, a qual venha posteriormente a perder eficácia, o §2º do art. 63 da Lei nº 9.430, de 1996, asseguralhe o direito de efetuar o recolhimento sem a incidência de multa de mora, no prazo de 30 dias da publicação da decisão judicial que concluir de modo desfavorável à contribuinte. Inferese daí que, por ser óbvio, se recolher o tributo nesse mesmo período, eximese também da multa de ofício. Portanto, essa deverá ser excluída do presente lançamento. Já no que tange a aplicação dos juros de mora o art. 161 do CTN deixa clara a necessária aplicação: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. (Grifouse). O Contribuinte alega, ainda, em sua impugnação pela nulidade do Auto de Infração e do lançamento nele efetuado. Porém a decisão da DRJ entende que os pressupostos processuais necessários para a validade do Auto de Infração foram observados e não concordam com a alegação do Contribuinte. Assim, por unanimidade, os membros da 1ª Turma de Julgamento da DRJ/BHE concluem: Diante do exposto, o presente voto é no sentido de deixar de apreciar o mérito na parte em que há identidade com a matéria submetida ao Poder Judiciário, e, no mais, considerar procedente em parte a impugnação para manter os valores principais Fl. 1109DF CARF MF Processo nº 15504.721848/201133 Acórdão n.º 3301003.217 S3C3T1 Fl. 1.110 8 lançados e exonerar a multa de ofício sobre eles aplicada, no caso R$1.806.743,01. Nesse sentido, entendo corretos os argumentos trazidos nos autos da decisão da DRJ/BHE, consubstanciados no Acórdão nº 0236.013, e consequentemente voto no sentido de manter tal entendimento. Portanto, face a legislação aplicável ao caso e a análise dos autos acolho os Embargos apresentados pela Procuradoria da Fazenda Nacional face ao Acórdão nº 3301 002.140 para suprir a omissão sem efeitos infringentes no sentido de que seja mantida a decisão da DRJ/BHE. Valcir Gassen Relator Fl. 1110DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11040.001401/2008-92
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 06 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu May 11 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2003
DIRPF. DEDUÇÕES. COMPROVAÇÃO. REGULAMENTO DO IMPOSTO DE RENDA/RIR 1999.
Todas as deduções na base de cálculo do imposto previstas pela legislação estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decreto-Lei n° 5.844, de 1943, art. 11, § 3°).
DESPESAS MÉDICAS.
Poderão ser deduzidos os pagamentos referentes a despesas médicas efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes, desde que comprovados mediante documentação hábil e idônea.
O recibo emitido por profissional da área de saúde, com observação das exigências estipuladas no artigo 80 do Regulamento do Imposto de Renda - RIR/1999, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, via de regra faz prova da despesa pleiteada como dedução na declaração de ajuste anual do imposto de renda, salvo quando, a juízo da Autoridade Lançadora, haja razões para que se apresentem documentos complementares, como dispõe o artigo 73 do mesmo Decreto.
DEPENDENTES
Poderão ser deduzidos como dependentes do declarante as pessoas descritas no art. 77, § 1º do RIR.
Numero da decisão: 2202-003.801
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente
(assinado digitalmente)
Cecilia Dutra Pillar - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar e Márcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: CECILIA DUTRA PILLAR
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2003 DIRPF. DEDUÇÕES. COMPROVAÇÃO. REGULAMENTO DO IMPOSTO DE RENDA/RIR 1999. Todas as deduções na base de cálculo do imposto previstas pela legislação estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decreto-Lei n° 5.844, de 1943, art. 11, § 3°). DESPESAS MÉDICAS. Poderão ser deduzidos os pagamentos referentes a despesas médicas efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes, desde que comprovados mediante documentação hábil e idônea. O recibo emitido por profissional da área de saúde, com observação das exigências estipuladas no artigo 80 do Regulamento do Imposto de Renda - RIR/1999, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, via de regra faz prova da despesa pleiteada como dedução na declaração de ajuste anual do imposto de renda, salvo quando, a juízo da Autoridade Lançadora, haja razões para que se apresentem documentos complementares, como dispõe o artigo 73 do mesmo Decreto. DEPENDENTES Poderão ser deduzidos como dependentes do declarante as pessoas descritas no art. 77, § 1º do RIR.
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DEDUÇÕES. COMPROVAÇÃO. REGULAMENTO DO IMPOSTO DE RENDA/RIR 1999. Todas as deduções na base de cálculo do imposto previstas pela legislação estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei n° 5.844, de 1943, art. 11, § 3°). DESPESAS MÉDICAS. Poderão ser deduzidos os pagamentos referentes a despesas médicas efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes, desde que comprovados mediante documentação hábil e idônea. O recibo emitido por profissional da área de saúde, com observação das exigências estipuladas no artigo 80 do Regulamento do Imposto de Renda RIR/1999, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, via de regra faz prova da despesa pleiteada como dedução na declaração de ajuste anual do imposto de renda, salvo quando, a juízo da Autoridade Lançadora, haja razões para que se apresentem documentos complementares, como dispõe o artigo 73 do mesmo Decreto. DEPENDENTES Poderão ser deduzidos como dependentes do declarante as pessoas descritas no art. 77, § 1º do RIR. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 04 0. 00 14 01 /2 00 8- 92 Fl. 120DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Presidente (assinado digitalmente) Cecilia Dutra Pillar Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar e Márcio Henrique Sales Parada. Relatório Trata o presente processo de Notificação de Lançamento relativa ao Imposto sobre a Renda das Pessoas Físicas, decorrente de revisão da Declaração de Ajuste Anual do IRPF do exercício de 2004, ano calendário de 2003, em que foram glosados valores indevidamente deduzidos a título de despesas médicas (R$ 20.600,00) e dependentes (R$ 6.360,00), por falta de comprovação. A Notificação de Lançamento, fls. 05/09 dos autos digitais, motivou a glosa na falta de atendimento à intimação por parte do contribuinte. A ciência do lançamento foi feita por meio de edital, fls. 23/24, tendo em vista que a remessa pelos correios, endereçada à rua Marcilio Dias, 2950 apto 203, bairro Centro, Pelotas/RS, foi devolvida em 27/12/2007 com o motivo "Desconhecido" , fls. 21. O edital nº 0001/2008 esteve afixado no período de 26/05/2008 a 10/06/2008 na Delegacia da Receita Federal do Brasil em Pelotas/RS. A impugnação foi apresentada em 01/10/2008 (fls. 02/03) onde o contribuinte alegou ter tomado conhecimento de que havia sido notificado quando recebeu o aviso de cobrança, que já não permitia defesa. Diz não compreender o motivo porque não foi encontrado para receber a notificação pois seu endereço estava atualizado na base de dados da Receita Federal. Que a notificação de lançamento foi realizada em vista do não atendimento à intimação para apresentar documentos, intimação esta que jamais chegou a seu conhecimento. Que, embora a notificação de lançamento tenha sido emitida em 26/11/2007, há que se considerar tempestiva a impugnação. Anexa cópia de todas as deduções utilizadas na declaração para comprovar o acerto das informações, requerendo o reconhecimento das despesas médicas e dependentes indevidamente glosados. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre/RS, rejeitando a questão da tempestividade suscitada pelo contribuinte, não conheceu da impugnação por intempestiva Acórdão nº 1026.733, de 06/08/2010, fls. 40/44. Fl. 121DF CARF MF Processo nº 11040.001401/200892 Acórdão n.º 2202003.801 S2C2T2 Fl. 121 3 Irresignado o sujeito passivo interpôs recurso voluntário, fls. 47/49, alegando que lhe foi cerceado o direito de defesa, requerendo que seja considerada a sua impugnação e deferida a revisão das glosas efetuadas conforme os documentos entregues e apensados aos autos. Anexou cópia de sua DIRPF do exercício de 2007, ano calendário 2006, transmitida em 22/04/2007, para comprovar a informação correta quanto a seu endereço. O recurso voluntário foi apreciado pela Segunda Seção de Julgamento do CARF, cujos membros da 1ª Câmara/2ª Turma Ordinária, decidiram, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, cancelando a decisão recorrida e determinando que a Turma de Julgamento da DRJ apreciasse o mérito da impugnação, considerada tempestiva (Acórdão nº 2102002.004, fls. 54/57). Nos termos do despacho 13/2004, fls. 66, e tendo em vista que a Notificação de Lançamento foi emitida sem atendimento à Intimação, o processo foi encaminhado para análise da autoridade lançadora, conforme previsto na IN RFB nº 958/2009, art. 6ºA, acrescentado pela IN RFB nº 1.061/2010. A autoridade fiscal analisando os documentos apresentados, lavrou o Termo Circunstanciado nº 94 e o Despacho Decisório nº 103 (fls. 71/74), concluindo pela revisão do crédito tributário lançado, para aceitar a dedução de R$ 1.272,00 a título de dependentes e de R$ 330,00, de despesas médicas. O contribuinte teve ciência do Termo Circunstanciado e do Despacho Decisório em 11/09/2014, fls. 79, sendolhe concedido o prazo de trinta dias para manifestação. Dentro do prazo legal o interessado manifestouse (fls. 81/87) arguindo sinteticamente que: 1) desde sua impugnação busca essencialmente a reabertura do prazo para apresentação dos documentos originais, o que nunca lhe foi oportunizado. Logrou sucesso junto ao CARF cujo julgamento considerou irregular a intimação da malha fiscal, emitida ainda em 2008, reconhecendo ser incorreta a emissão de correspondência ao endereço antigo do contribuinte, cuja atualização no sistema da RFB já havia sido realizada por ocasião da entrega da declaração anual de ajuste do exercício de 2007. Teve cerceado seu direito de defesa cabendo à Receita Federal do Brasil conceder novo prazo para apresentação dos documentos; 2) a RFB analisou o mérito da impugnação apresentada mas não considerou que a mesma é apenas uma impugnação ao auto de lançamento e não a efetiva apresentação dos documentos exigidos pela malha fiscal. Entende que o lançamento é nulo por não ter havido a regular intimação para apresentação dos documentos comprobatórios das deduções efetuadas; 3) na impugnação teria juntado documentos meramente exemplificativos de seu direito, não podendo ser considerada como o próprio atendimento de malha fiscal. Muito embora reste inviável a análise do mérito do termo circunstanciado e do despacho decisório ante o inequívoco cerceamento de defesa, pelo qual o contribuinte não teve oportunidade de comprovar a veracidade, autenticidade e regularidade das despesas dedutíveis informadas na declaração de ajuste anual do ano calendário de 2003, passa a contestar os critérios adotados pela RFB, nos termos dos documentos citados: Fl. 122DF CARF MF 4 3.1) Dependentes que informou como dependentes seus pais, Edevar Rodrigues Machado e Hermínia Nunes Machado, que não possuíam qualquer rendimento no ano de 2003, estando sob sua dependência econômica. Além destes, a declaração foi entregue em conjunto com a então companheira, Carla Rosana Schiller, razão pela qual justifica a informação e dedução dos pais dela, Sr. Nelson Redu Schiller e Onilda Farri Schiller, que da mesma forma viviam sob dependência do contribuinte. A relação de dependência poderia ser comprovada por prova testemunhal; 3.1) Despesas médicas que os documentos juntados à impugnação foram meramente exemplificativos da existência dos pagamentos. Que possuía receitas médicas e outros documentos que permitem a identificação inequívoca do paciente tratado, e que, pela leitura atenta da legislação pertinente, a indicação do endereço do prestador de serviços demonstra ser um exagero, visto que a falta do recibo autoriza a comprovação da despesa médica e sua dedução da base de cálculo até mesmo pela apresentação da cópia do cheque utilizado para o pagamento. A 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre/RS, julgou improcedente a impugnação em conjunto com a manifestação do contribuinte, conforme acórdão de fls. 93/104, do qual se extrai: (...) Também afirma que “não teve, em momento algum, oportunidade de comprovar a veracidade, autenticidade e regularidade das despesas dedutíveis informadas na declaração anual de ajuste do imposto de renda relativa ao ano calendário de 2003 (...)”. Quanto às assertivas em referência, constatase que o contribuinte equivocase ao afirmar que a decisão proferida pelo CARF considerou irregular a intimação da malha fiscal. A decisão proferida em razão do recurso voluntário apresentado pelo contribuinte ao órgão de julgamento administrativo de 2ª instância (Acórdão nº 2102002.004, fls. 54/57), foi proferida nos seguintes termos: (...) Em julgamento, essa Turma considerou que o fato de ter havido um tempo muito grande, entre a intimação por inicial, encaminhada por via postal, em 10/12/2007 e a intimação por edital em 26/05/2008, não poderia a administração ter utilizado o endereço defasado pelo transcurso desses mais de 5 meses e nova consulta deveria ter sido feita no cadastro do contribuinte que na data do edital já tinha sido atualizado, em 12/04/2008, para nova intimação por via postal. CONCLUSÃO Pelo exposto, VOTO PELO PROVIMENTO DO RECURSO, para cancelar a decisão recorrida, determinando que a Turma de Julgamento da DRJ aprecie o mérito da impugnação, considerada aqui tempestiva. (sem grifos no original) Destacase, assim, da decisão supracitada, que o CARF cancelou o Acórdão de primeira instância administrativa para determinar o exame quanto ao mérito da impugnação apresentada pelo contribuinte, o que não significa ter considerado irregular a intimação da malha fiscal para apresentar documentos, conforme afirma o contribuinte. Fl. 123DF CARF MF Processo nº 11040.001401/200892 Acórdão n.º 2202003.801 S2C2T2 Fl. 122 5 Explicase: na data da intimação da Notificação de Lançamento ocorrida por meio do Edital n° 0001/2008, afixado no prédio da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Pelotas durante o período de 26/05/2008 a 10/06/2008, o endereço do contribuinte já estava atualizado junto à Receita Federal do Brasil desde 12/04/2008. Situação esta constata pelo CARF e motivadora do cancelamento da decisão recorrida. Situação idêntica não ocorre quanto à intimação para apresentação de documentos, já que, reiterese, a atualização de endereço do contribuinte junto à RFB, somente ocorreu posteriormente, em 12/04/2008, de acordo com o extrato de folha 20. Conforme se verifica nos sistemas informatizados da Receita Federal do Brasil, a primeira tentativa de intimação do interessado para apresentação de documentos (Termo de Intimação Fiscal nº 2004/61034011037101), foi realizada por via postal (Aviso de Recebimento nº 674876927), com data de postagem 15/03/2007, e endereçada à Rua Marcílio Dias, 2950, apto 203, Centro, CEP 96020480, Pelotas/RS, endereço este que coincidia, na data de postagem, com o constante dos sistemas da Receita Federal do Brasil. Digase, domicílio tributário indicado pelo contribuinte. A intimação por via postal foi devolvida em 27/03/2007, com o motivo “mudouse”. Resultando improfícua a intimação do interessado para apresentação de documentos, o contribuinte foi intimado a comparecer à unidade da RFB de sua jurisdição, para tomar ciência do Termo de Intimação Fiscal nº 2004/610340110371017, mediante o “Edital Malha Fiscal IRPF nº 00002” de 04 de setembro de 2007. O procedimento adotado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil está de acordo com o disposto no artigo 23 do Decreto 70.235/72, legislação que trata do processo administrativo fiscal e determina a intimação por edital quando resultar improfícuo um dos outros meios previstos na legislação, motivo pelo qual não pode ser aceita a alegação quanto à inexistência de regular intimação para apresentação dos documentos. Ademais, sendo válida a ciência do contribuinte quanto ao Termo de Intimação Fiscal nº 2004/61034011037101 para apresentar documentos, não há previsão legal que faculte seja o contribuinte novamente intimado para tanto. Destaquese, nesse ponto, que se tratando de Notificação de Lançamento emitida sem atendimento à Intimação, o processo foi encaminhado, antes do presente julgamento administrativo de primeira instância, para análise da autoridade lançadora quanto aos documentos apresentados e demais questões de fato integrantes da peça impugnatória, conforme disposto na Instrução Normativa RFB nº 958, de 15 de julho de 2009, art. 6 A, acrescido pela Instrução Normativa RFB nº 1.061, de 04 de agosto de 2010. Fl. 124DF CARF MF 6 Da análise da autoridade lançadora foi lavrado Termo Circunstanciado que resultou na revisão do lançamento para redução da exigência, sendo dada ciência ao contribuinte com abertura do prazo de trinta dias para manifestação acerca do conteúdo do Termo. Portanto, o sujeito passivo teve respeitado seu direito ao contraditório e ampla defesa. Também é de se ver que a descrição objetiva e precisa do conteúdo do Termo Circunstanciado afasta pretensas alegações de cerceamento de defesa, uma vez que o contribuinte teve conhecimento dos motivos que levaram a autoridade fiscal a não aceitar como comprovadas as deduções glosadas e a argumentação desenvolvida pelo contribuinte na manifestação de inconformidade apresentada em 10/10/2014 permite concluir que tais motivos foram compreendidos, tanto que contestados. Destaquese, assim, que após ter conhecimento da Notificação de Lançamento, foram concedidas duas oportunidades para o contribuinte comprovar a veracidade, autenticidade e regularidade das despesas dedutíveis informadas na declaração anual de ajuste do imposto de renda relativa ao ano calendário de 2003. Uma, por ocasião da impugnação; outra, por ocasião da lavratura do Termo Circunstanciado e do competente Despacho Decisório que reduziu a exigência. Concluise, portanto, que não podem ser aceitas as afirmações do impugnante relativas ao cerceamento do direito ao contraditório e ampla defesa. Da Dedução Indevida com Dependentes (...) Segundo o Termo Circunstanciado nº 94, item 2.1, na dedução relativa aos dependentes foi glosado, por ocasião da Notificação de Lançamento, o montante de R$ 6.360,00. Na impugnação examinada não foram anexados documentos comprobatórios da relação de dependência. Entretanto, a autoridade fiscal aceitou a dedução referente a Sra. Hermínia N. Machado (mãe do contribuinte de acordo com informação constante do Cadastro das Pessoas Físicas – CPF), no valor de R$ 1.272,00, sendo mantida a glosa referente aos demais. (...) Quanto aos argumentos apresentados, inicialmente destacase o fato de que o contribuinte teve oportunidade de comprovar a relação de dependência mediante prova documental, no caso não produzida. Todavia, sustenta que somente poderia fazer prova de suas alegações, mediante a oitiva de testemunhas e aduz que tal faculdade não lhe foi ofertada. Ocorre, no tocante à prova testemunhal, que inexiste previsão, no Processo Administrativo fiscal, para uma audiência de instrução em que sejam ouvidas testemunhas que o contribuinte porventura tenha a seu favor, sendo certo que eventuais testemunhos poderiam ter sido trazidos na forma de declarações escritas, para serem analisados em conjunto com demais provas. Fl. 125DF CARF MF Processo nº 11040.001401/200892 Acórdão n.º 2202003.801 S2C2T2 Fl. 123 7 (...) Destaquese, todavia, que a rigor sogro ou sogra não pode ser dependente do genro ou da nora para fins de dedução do imposto de renda, admitindose essa dedução apenas nos casos de declaração em conjunto, englobando os rendimentos auferidos pelo filho ou filha do sogro ou da sogra, de modo a justificar esse abatimento, e desde que estes (sogro ou sogra) não aufiram rendimentos, tributáveis ou não, superiores ao limite de isenção anual, nem estejam declarando em separado. O fato de a filha ser informada na declaração do cônjuge como dependente não permite que seus pais possam ser considerados dependentes do cônjuge declarante. Por outro lado, quando são oferecidos à tributação rendimentos de ambos os cônjuges, estes são declarantes e a declaração de ajuste anual é em conjunto, hipótese em que é admissível a inclusão de dependentes dos dois declarantes. A relação de dependência na verdade, segundo o art. 35, inciso VI, da Lei nº 9.250/1995, não trata de “sogro ou sogra do titular” mas de “pai e mãe do cônjuge que está declarando em conjunto com o titular” e que, portanto, tem direito à dedução de seus próprios genitores. No caso em concreto, na Declaração de Ajuste Anual/2004 revisada no procedimento fiscal, há exclusivamente rendimentos do impugnante, portanto tratase de declaração individual, na qual o cônjuge está incluído apenas como dependente, não se configurando uma declaração conjunta de rendimentos. Daí porque não há condição de se acatar a dedutibilidade dos sogros como dependentes do autuado, uma vez que a previsão legal é expressa em somente autorizar essa dedução aos pais do declarante. Da Dedução Indevida de Despesas Médicas (...) O contribuinte alega que é inadmissível a glosa das despesas médicas, tendo em vista que (a) a apresentação dos documentos juntamente com a impugnação foi meramente exemplificativa da existência dos pagamentos; (b) que juntamente com os recibos de pagamento possuía receitas médicas e outros documentos que permitem a identificação inequívoca do paciente tratado, e a indicação do endereço do prestador de serviços, o que a leitura atenta da legislação pertinente demonstra ser um exagero, visto que a falta do recibo autoriza a comprovação da despesa médica e sua dedução da base de cálculo até mesmo pela apresentação da cópia do cheque utilizado para o pagamento. Ocorre que a apresentação dos documentos juntamente com a impugnação não pode ser considerada como meramente exemplificativa da existência dos pagamentos. Isto porque segundo a norma legal que disciplina a matéria (artigos 15 e 16, inciso III, do Decreto nº 70.235/1972), a impugnação formalizada por escrito e instruída com os documentos em que Fl. 126DF CARF MF 8 se fundamentar, mencionará os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. Também cabe referir que na impugnação apresentada em 01/10/2008, fls. 02/03, o contribuinte requer a consideração das despesas glosadas, mediante a apreciação dos documentos anexados, que segundo afirma são “cópias fiéis de todas as deduções utilizadas na declaração de ajuste”. Vejase, ainda, que a documentação complementar a qual o contribuinte se refere também poderia ter sido apresentada quando da ciência do Termo Circunstanciado nº 94 e do Despacho Decisório, ou seja, quando teve conhecimento dos motivos que levaram a autoridade fiscal a não aceitar como comprovadas as deduções glosadas, sendolhe concedido o prazo de trinta dias para manifestação. A glosa das despesas médicas mantida decorre do fato de que os documentos apresentados para comproválas não contêm todos os requisitos exigidos pela legislação que rege a matéria, já que teve como fundamento os seguintes motivos: documento em nome de pessoa cuja relação de dependência com o declarante não foi comprovada; documento com ausência do endereço do prestador do serviço; documento com ausência de data e ausência da indicação do beneficiário do serviço. O contribuinte questiona os requisitos exigidos pela autoridade fiscal para que os documentos apresentados sejam considerados hábeis na comprovação das despesas médicas. Entretanto, não há dúvidas de que a dedução de despesas médicas, além de restringirse a pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes, está condicionada ainda a que os pagamentos sejam especificados e comprovados com indicação do nome, endereço e CPF ou CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação de cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento. É o que estabelece o Regulamento do Imposto de Renda (artigo 80, parágrafo 1º, incisos II e III). Assim, em princípio, admitese como prova idônea de pagamentos os recibos fornecidos por profissional competente legalmente habilitado, desde que contenha os requisitos essenciais previstos em lei, ou, na falta desses, a indicação de cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento. Nesse ponto cabe observar que o contribuinte não apresentou qualquer cópia de cheque concernente às despesas glosadas. A legislação regente da matéria assim exige e, por conseguinte, devem ser observados pela autoridade fiscal (lançadora e julgadora), cuja atividade administrativa é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, a teor do disposto no art. 142, parágrafo único, do Código Tributário Nacional. Cientificado dessa decisão por via postal em 26/11/2014, (A.R. de fls. 108), o interessado apresentou Recurso Voluntário em 22/12/2014 (fls. 110/112), repisando os argumentos até então trazidos e argumentando que os documentos apresentados na impugnação Fl. 127DF CARF MF Processo nº 11040.001401/200892 Acórdão n.º 2202003.801 S2C2T2 Fl. 124 9 foram no sentido de provar que o endereço estava atualizado e que tinha o direito e ser intimado a apresentar os documentos e justificativas em atendimento da malha fiscal. Não pretendeu discutir o mérito da regularidade ou não das despesas, e sim a injustiça a que fora submetido, buscando a oportunidade de apresentação de suas provas em prazo a serlhe concedido via nova intimação. Alega que à época não dispunha sequer dos termos da intimação, não sabia sequer o que teria de apresentar, mas tão somente que o lançamento tributário realizado referiase à diferença com base na DIRPF do ano calendário de 2003. Não tinha condições de apresentar documentos outros pois impugnou o lançamento tributário e não especificamente as glosas de despesas pois sequer sabia o que estava sendo questionado na sua declaração. Requer a reforma do acórdão que julgou ineficazes os comprovantes das despesas dedutíveis utilizadas e que lhe seja designado novo prazo para apresentação de provas. É o Relatório. Voto Conselheira Cecilia Dutra Pillar, relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais formalidades legais, portanto dele conheço. Da alegação de Cerceamento de Defesa O recorrente alega desde que teve conhecimento da notificação de lançamento, que teria ocorrido cerceamento de defesa pois não foi cientificado da intimação para apresentação de documentos de malha fiscal, em momento anterior à constituição do crédito tributário. Afirma, também, que quando veio aos autos, não sabia sequer quais documentos teria de apresentar, por desconhecer o que estava sendo questionado na sua declaração. Com a máxima vênia, não lhe assiste razão. O fato de não ter sido chamado em momento anterior ao lançamento não lhe retirou nenhum direito, pois a partir da ciência do que lhe estava sendo imputado, teve prazo para impugnar, recorrer, se manifestar e, no caso, finalmente para apresentar este novo recurso. Em todas estas oportunidades ele poderia ter apresentado os documentos que alega possuir. Quando da apresentação da impugnação em 01/10/2008, o contribuinte tinha sim conhecimento do conteúdo da notificação de lançamento, pois historiou a forma como tomou ciência de que havia sido autuado, identificou o número da notificação e fez referência às deduções glosadas, além de ter, naquela oportunidade, juntado documentos pertinentes ao lançamento. Depois de cientificado da primeira decisão da DRJ, que não conheceu da impugnação por intempestiva, o contribuinte apresentou recurso. Após o acórdão do CARF que anulou a decisão de primeira instância e determinou a realização de novo julgamento, o processo foi apreciado pela DRF, emitido Fl. 128DF CARF MF 10 Despacho Decisório e cientificado ao contribuinte, com prazo para manifestação. E o contribuinte, usando de sua prerrogativa, manifestouse. Após a ciência da nova decisão da DRJ o contribuinte teve oportunidade de apresentar recurso voluntário e apresentou. Em todas estas oportunidades, mesmo ciente de quais foram as despesas glosadas em sua declaração, o contribuinte não se furtou a apresentar novas provas, complementares àquelas já trazidas quando da primeira impugnação. O pedido do recorrente para que lhe seja aberto novo prazo para apresentação de documentos e reiniciado o procedimento preparatório do lançamento não encontra respaldo na legislação. Nesta fase em que se encontra o processo, considerando as diversas reaberturas de prazo para manifestação do contribuinte, até mesmo quanto à análise e pertinência dos documentos apresentados em fase de impugnação, descabe o deferimento de solicitação de novo prazo. Ademais, no acórdão recorrido foi discorrido sobre a forma de cientificação do contribuinte quanto ao Termo de Intimação Fiscal nº 2004/610340110371017, ainda no ano de 2007, ocorrida de forma regular, por edital, e o recorrente nada contrapôs. O contencioso administrativo é instaurado com a impugnação do contribuinte ao lançamento. Até a fase da ciência da autuação, temse um procedimento administrativo de caráter inquisitorial ou preparatório, em que os princípios do contraditório e da ampla defesa são mitigados. Entendo que a falta de intimação prévia não causou prejuízo ao autuado, conforme acima largamente discorrido, não se vislumbrando o cerceamento de defesa vindicado. A desnecessidade de audiência prévia do contribuinte para adotar medidas legais obrigatórias por parte da Autoridade Administrativa já foi objeto de diversos julgados pelo Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, cujo entendimento se encontra sintetizado no acórdão cuja ementa adiante transcrevo: AUDIÊNCIA PRÉVIA DO CONTRIBUINTE – Sendo o procedimento de lançamento privativo da autoridade lançadora, não há qualquer nulidade ou sequer cerceamento do direito de defesa pelo fato de a fiscalização lavrar um auto de infração após apurar o ilícito, mesmo sem consultar o sujeito passivo ou sem intimálo a se manifestar, já que esta oportunidade é prevista em lei para a fase de contencioso administrativo (Ac. 1º CC nº 10310.196/1990 – DOU 24/07/1990). Assim, concluindose que a notificação de lançamento foi lavrada por autoridade administrativa plenamente vinculada, respeitando os devidos procedimentos fiscais previstos na legislação, e com a correta identificação do sujeito passivo da obrigação tributária, estão os mesmos norteados dentro do Princípio da Legalidade, respeitando o Art. 142 do CTN. Da Dedução de Dependentes O declarante afirma ter deduzido como seus dependentes, seus pais Edevar Rodrigues Machado e Hermínia Nunes Machado, que não possuíam qualquer rendimento no ano de 2003; sua companheira Carla Rosana Schiller, cuja declaração foi entregue em conjunto e também os pais de sua companheira, Nelson Redu Schiller e Onilda Farri Schiller, que da mesma forma viviam sob dependência do declarante. Fl. 129DF CARF MF Processo nº 11040.001401/200892 Acórdão n.º 2202003.801 S2C2T2 Fl. 125 11 Embora não exista nos autos qualquer comprovação da dependência, o acórdão recorrido aceitou a dedução como dependente apenas da mãe do declarante, por estar identificada com tal no Cadastro das Pessoas Físicas CPF. O Regulamento do Imposto de Renda RIR, aprovado pelo Decreto nº 3.000/1999, determina no art. 73 que todas as deduções deverão ser comprovadas e prevê em seu art. 77 quais as pessoas que podem ser consideradas dependentes do declarante, assim dispondo: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei n° 5.844, de 1943, art. 11, § 3°). (...) Art. 77. Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto, poderá ser deduzida do rendimento tributável a quantia equivalente a noventa reais por dependente (Lei nº 9.250, de 1995, art. 4º, inciso III). § 1º Poderão ser considerados como dependentes, observado o disposto nos arts. 4º, § 3º, e 5º, parágrafo único (Lei nº 9.250, de 1995, art. 35): I o cônjuge; II o companheiro ou a companheira, desde que haja vida em comum por mais de cinco anos, ou por período menor se da união resultou filho; III a filha, o filho, a enteada ou o enteado, até vinte e um anos, ou de qualquer idade quando incapacitado física ou mentalmente para o trabalho; IV o menor pobre, até vinte e um anos, que o contribuinte crie e eduque e do qual detenha a guarda judicial; V o irmão, o neto ou o bisneto, sem arrimo dos pais, até vinte e um anos, desde que o contribuinte detenha a guarda judicial, ou de qualquer idade quando incapacitado física ou mentalmente para o trabalho; VI os pais, os avós ou os bisavós, desde que não aufiram rendimentos, tributáveis ou não, superiores ao limite de isenção mensal; VII o absolutamente incapaz, do qual o contribuinte seja tutor ou curador. § 2º Os dependentes a que referem os incisos III e V do parágrafo anterior poderão ser assim considerados quando maiores até vinte e quatro anos de idade, se ainda estiverem cursando estabelecimento de ensino superior ou escola técnica de segundo grau (Lei nº 9.250, de 1995, art. 35, § 1º). Fl. 130DF CARF MF 12 § 3º Os dependentes comuns poderão, opcionalmente, ser considerados por qualquer um dos cônjuges (Lei nº 9.250, de 1995, art. 35, § 2º). § 4º No caso de filhos de pais separados, poderão ser considerados dependentes os que ficarem sob a guarda do contribuinte, em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente (Lei nº 9.250, de 1995, art. 35, § 3º). § 5º É vedada a dedução concomitante do montante referente a um mesmo dependente, na determinação da base de cálculo do imposto, por mais de um contribuinte (Lei nº 9.250, de 1995, art. 35, § 4º). O recorrente requer que todas as deduções declaradas sejam consideradas, porém não trouxe aos autos qualquer prova da união estável que afirma possuir, seja para justificar a declaração em conjunto e a informação da companheira como sua dependente, seja para possibilitar a dedução dos pais desta, caso não possuam rendimentos e/ou estejam desobrigados da apresentação de DIRPF. Também não justifica e nada comprova da relação de dependência de seu pai. Desta forma, não pode ser acolhido o pedido do contribuinte, mantendose a glosa dos dependentes conforme delineado no acórdão recorrido. Da Dedução de Despesas Médicas As despesas médicas cuja glosa foi mantida pela decisão recorrida, tiveram a glosa motivada no quadro de fls. 103, onde está informado que não podem ser aceitas ou por se tratar de despesa com o sogro do declarante, cuja relação de dependência não foi comprovada, ou porque o documento não contém o endereço do prestador dos serviços e/ou porque o documento apresentado não contém a indicação do beneficiário do serviço e/ou porque não há indicação da data do pagamento. A dedução de despesas médicas e de saúde na declaração de ajuste anual tem como fundamento legal os dispositivos do art. 8º da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, reproduzidos no artigo 80 do RIR que transcrevo: Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"). § 1º O disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 2º): I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; Fl. 131DF CARF MF Processo nº 11040.001401/200892 Acórdão n.º 2202003.801 S2C2T2 Fl. 126 13 III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; (destaquei) (...) A decisão da DRJ está em consonância com o ordenamento jurídico, pois nos termos do incido III do parágrafo 1º, do art. 80 do RIR, a dedução de despesas médicas limita se a pagamentos especificados e comprovados, assim exigindo: Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"). (...) II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento;(destaquei) Portanto, caberia ao contribuinte apresentar recibos de despesas médicas que contivessem todos os requisitos exigidos pela legislação. Os recibos apresentados (fls. 10 a 19) não contém o endereço dos prestadores dos serviços, não podendo ser aceitos para a comprovação das deduções pleiteadas. Assim, mantémse a glosa das despesas médicas conforme decidido no acórdão recorrido, pois os documentos juntados aos autos não contém o endereço dos prestadores dos serviços, conforme exigido pela legislação. CONCLUSÃO Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Cecilia Dutra Pillar Relatora Fl. 132DF CARF MF 14 Fl. 133DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.920359/2009-37
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue May 09 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2006
DATA DA COMPENSAÇÃO. VALORAÇÃO DOS CRÉDITOS E DÉBITOS.
Na compensação declarada pelo sujeito passivo, os créditos serão acrescidos de juros compensatórios e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos legais até a data da entrega da apresentação do PER/DCOMP, na forma da legislação de regência.
COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO PARCIAL. DATA DA APRESENTAÇÃO DA DCOMP
No caso de apresentação de DCOMP após o vencimento do tributo a ser compensado haverá acréscimos legais ao débito. A falta de equivalência entre o total de crédito e de débitos apontados como compensáveis, valorados na forma da legislação que rege a espécie, impõe a homologação apenas parcial da DCOMP apresentada pelo sujeito passivo.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-003.424
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Marcelo Costa, Maria Eduarda e Valcir Gassen, que davam provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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DCOMP TRANSMITIDA APÓS VENCIMENTO DO DÉBITO. Recorrente ESPN DO BRASIL EVENTOS ESPORTIVOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2006 DATA DA COMPENSAÇÃO. VALORAÇÃO DOS CRÉDITOS E DÉBITOS. Na compensação declarada pelo sujeito passivo, os créditos serão acrescidos de juros compensatórios e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos legais até a data da entrega da apresentação do PER/DCOMP, na forma da legislação de regência. COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO PARCIAL. DATA DA APRESENTAÇÃO DA DCOMP No caso de apresentação de DCOMP após o vencimento do tributo a ser compensado haverá acréscimos legais ao débito. A falta de equivalência entre o total de crédito e de débitos apontados como compensáveis, valorados na forma da legislação que rege a espécie, impõe a homologação apenas parcial da DCOMP apresentada pelo sujeito passivo. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Marcelo Costa, Maria Eduarda e Valcir Gassen, que davam provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente e Relator Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 92 03 59 /2 00 9- 37 Fl. 105DF CARF MF Processo nº 10880.920359/200937 Acórdão n.º 3301003.424 S3C3T1 Fl. 3 2 d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório A recorrente acima qualificada apresentou Declaração de Compensação pleiteando a compensação de débitos referentes a impostos e contribuições administrados pela SRF, com créditos de PIS (código de receita 8109), decorrentes de pagamento supostamente indevido ou a maior. Por meio do Despacho Decisório emitido pela DERATSP, a compensação declarada foi homologada parcialmente, sob o fundamento de que constatouse a procedência do crédito original informado no PER/DCOMP, reconhecendose o valor do crédito pretendido. Entretanto, o crédito reconhecido revelouse insuficiente para quitar os débitos informados no PER/DCOMP. Cientificado da decisão, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, tempestivamente, alegando, em síntese, que: a) O valor original utilizado para a compensação, foi recolhido no mesmo prazo de vencimento dos créditos tributários compensados; b) Assim, não se apropriou de juros pela taxa Selic sobre os valores declarados no PER/DCOMP, e não imputou multa e juros sobre os créditos tributários compensados, pois são do mesmo período de apuração; c) Faz planilha para comparação dos períodos de apuração e datas de vencimento. d) Tratase de evidente cobrança equivocada, e apresenta como provas as cópia dos documentos relativos aos lançamentos contestados e a procuração de nomeação do representante legal que assina a manifestação de inconformidade; e) Demonstrada a insubsistência e improcedência do processo, requer seja cancelado o processo reclamado. A DRJ/SP1 indeferiu a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 16038.226. O fundamento adotado foi o de que, na compensação declarada pelo sujeito passivo, os créditos são acrescidos de juros compensatórios e os débitos sofrem a incidência de acréscimos legais até a data da entrega do PER/DCOMP, na forma da legislação de regência. A recorrente repetiu os argumentos da impugnação no recurso voluntário. É o relatório. Voto Fl. 106DF CARF MF Processo nº 10880.920359/200937 Acórdão n.º 3301003.424 S3C3T1 Fl. 4 3 Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301003.231, de 28 de março de 2017, proferido no julgamento do processo 10880.667966/200963, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301003.231): "O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais de admissibilidade, por isso dele tomo conhecimento. Constatase que a controvérsia do processo permanece a mesma desde a 1ª instância, com a contribuinte alegando que o DARF utilizado como pagamento a maior para a compensação foi pago dentro do prazo de vencimento do tributo e por isso, não se conformando com a cobrança de acréscimos legais no momento da efetiva compensação. Entretanto, como veremos adiante, o valor do crédito foi insuficiente para quitar o débito, em função dos acréscimos legais ao débito compensado, atualizados até a data da apresentação do PER/DCOMP, em virtude do atraso entre seu vencimento e a formalização da compensação. A DCOMP em tela, foi formalizada pela interessada para compensar débito de COFINS – não cumulativa (código de receita 5856), vencido em 15/06/2004, com créditos de COFINS (código de receita 2172), cuja data de arrecadação foi 15/06/2004. De acordo com o Despacho Decisório emitido pela DERAT/SP, constatouse a procedência do crédito original informado no PER/DCOMP. No entanto, o mesmo foi insuficiente para quitar os débitos informados em consequência da data de apresentação da DCOMP, e por este motivo a compensação foi homologada parcialmente. A recorrente alega que o valor original utilizado para a compensação foi recolhido no mesmo prazo de vencimento dos créditos tributários compensados, e sendo assim, não poderia haver multa e juros sobre os referidos créditos, pois são do mesmo período de apuração. Como bem dito no acórdão recorrido, a contribuinte equivocouse em relação à forma de valoração do crédito e do débito que informou em sua declaração de compensação, ao não efetuar os cálculos relativos aos acréscimos legais, o que gerou um saldo devedor, e consequentemente, a homologação parcial da compensação. Constatase que a data do envio do PER/DCOMP é quando se formaliza a extinção do débito por compensação, de acordo com o que dispõe a Lei nº 9.430/1996, abaixo transcrita: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição Fl. 107DF CARF MF Processo nº 10880.920359/200937 Acórdão n.º 3301003.424 S3C3T1 Fl. 5 4 administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (...) Portanto, a extinção do débito por compensação ocorre na data de envio do PER/DCOMP. No caso concreto, a interessada enviou a PER/DCOMP em 21/01/2007 para compensar débito cujo vencimento se deu em 15/06/2004, portanto, é fato que o débito já estava vencido quando foi extinto pela compensação. Assim, partir da data do vencimento passaram a incidir sobre o débito os acréscimos legais, quais sejam, multa de mora e juros, nos termos do artigo 61 da Lei 9.430/1996, abaixo transcrito: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º. A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º. O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º. Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. No recurso voluntário, a recorrente repete o argumento de que o pagamento utilizado para a compensação foi realizado no mesmo prazo de vencimento do débito compensado, mas tal fato não a socorre, pois a utilização do crédito tributário ocorre apenas com a apresentação do PER/DCOMP, que ocorreu após o vencimento do débito compensado. Assim, cumpre transcrever o artigo 28 da IN SRF nº 600/2005, em vigor à época da transmissão do PER/DCOMP: Fl. 108DF CARF MF Processo nº 10880.920359/200937 Acórdão n.º 3301003.424 S3C3T1 Fl. 6 5 Art. 28. Na compensação efetuada pelo sujeito passivo, os créditos serão valorados na forma prevista nos arts. 52 e 53 e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos legais, na forma da legislação de regência, até a data da entrega da Declaração de Compensação. § 1º A compensação total ou parcial de tributo ou contribuição administrados pela SRF será acompanhada da compensação, na mesma proporção, dos correspondentes acréscimos legais. (...) Logo, os débitos vencidos, vinculados a PER/DCOMP, serão acrescidos de multa de mora, calculada a partir do primeiro dia subsequente à data de vencimento até a data da entrega do PER/DCOMP, quando se formaliza a compensação; bem como sofrerão a incidência de juros referentes à taxa SELIC, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Em relação aos créditos utilizados na compensação, as regras para valoração vigentes à época da transmissão do PER/DCOMP estão contidas no artigo 52 da IN SRF nº 600/2005, também transcrita: Art. 52. O crédito relativo a tributo ou contribuição administrados pela SRF, passível de restituição, será restituído ou compensado com o acréscimo de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (Selic) para títulos federais, acumulados mensalmente, e de juros de 1% (um por cento) no mês em que: (...) II – houver a entrega da Declaração de Compensação; (...) § 1º No cálculo dos juros Selic de que trata o caput, observarseá, como termo inicial de incidência: (...) III – na hipótese de pagamento indevido ou a maior: a) o mês de janeiro de 1996, se o pagamento tiver sido efetuado antes de 1º de janeiro de 1996; b) a data da efetivação do pagamento, se este tiver sido efetuado entre 1º de janeiro de 1996 e 31 de dezembro de 1997; ou c) o mês subseqüente ao do pagamento, se este tiver sido efetuado após 31 de dezembro de 1997; Por isso, foi apurado o saldo devedor indicado no Despacho Decisório e a compensação foi parcialmente homologada. Portanto, não se está desprezando o princípio da verdade material e nem está havendo enriquecimento sem causa do Fisco, como alega a recorrente. Simplesmente, está sendo cobrado o atraso entre a Fl. 109DF CARF MF Processo nº 10880.920359/200937 Acórdão n.º 3301003.424 S3C3T1 Fl. 7 6 data do vencimento do tributo e o seu necessário pagamento, que, no caso em tela, deuse no momento da apresentação da DCOMP. Assim, tendo em vista tudo o acima exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo a DCOMP foi transmitida em data posterior à do vencimento do(s) débito(s) compensado(s). Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente Luiz Augusto do Couto Chagas Fl. 110DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10865.900284/2008-85
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Mar 10 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2001
RESTITUIÇÃO - INEXISTÊNCIA DE PRESCRIÇÃO AQUISITIVA E DE DECADÊNCIA DO DIREITO DO FISCO PERQUIRIR DIREITO CREDITÓRIO
O evento da decadência veda as atividades inerentes ao ato de lançamento, no que toca à verificação da ocorrência do fato gerador, à determinação da matéria tributável, ao cálculo do montante do tributo devido, etc.
Deste modo, realmente não há que se pensar em adição de receitas omitidas, glosa de despesas, alteração em coeficientes de apuração ou alíquota, etc.
Mas o que se discute especificamente neste processo é a legitimidade do indébito a ser restituído/compensado, e, para isso, considero perfeitamente possível averiguar a efetiva ocorrência dos pagamentos que o geraram, notadamente pelo fato do Fisco está dentro do quinquídio legal para análise do pedido de compensação formulado pelo contribuinte, nos termos do §5º, do art.74 da Lei n.º 9.430/96.
COMPENSAÇÃO - ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO E/OU PEDIDO
Uma vez demonstrado o erro no preenchimento da declaração e/ou pedido, deve a verdade material prevalecer sobre a formal.
IRPJ. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ESTIMATIVA MENSAL. RECONHECIMENTO COMO SALDO NEGATIVO. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE
As estimativas mensais, quer calculadas sobre base estimada, quer a partir de balanços ou balancetes de suspensão ou redução, não são extintivas do crédito tributário, vez que constituem mera antecipação do tributo a ser apurado ao final do ano-calendário.
Dessa forma, sendo mera antecipação, não há que se falar em pagamento indevido ou a maior passível de repetição. Assim, trataremos o presente caso como compensação de saldo negativo do IRPJ, pois o mero erro formal do Contribuinte em indicar nos PER/DCOMP os recolhimentos individuais de estimativa em vez de indicar o saldo negativo formado pelo conjunto destas mesmas estimativas, não é fator impeditivo do reconhecimento do seu direito creditório como tal (saldo negativo), razão pela qual também há que se negar a incidência de juros de mora a partir do pagamento indevido, mas sim a partir de 1 de janeiro de 2002.
Numero da decisão: 1302-002.025
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR a preliminar de decadência suscitada, e, no mérito, em DAR provimento PARCIAL ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO - Presidente.
(assinado digitalmente)
MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA - Relator.
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Rogério Aparecido Gil, Júlio Lima Souza Martins (Suplente Convocado), Talita Pimenta Félix e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2001 RESTITUIÇÃO - INEXISTÊNCIA DE PRESCRIÇÃO AQUISITIVA E DE DECADÊNCIA DO DIREITO DO FISCO PERQUIRIR DIREITO CREDITÓRIO O evento da decadência veda as atividades inerentes ao ato de lançamento, no que toca à verificação da ocorrência do fato gerador, à determinação da matéria tributável, ao cálculo do montante do tributo devido, etc. Deste modo, realmente não há que se pensar em adição de receitas omitidas, glosa de despesas, alteração em coeficientes de apuração ou alíquota, etc. Mas o que se discute especificamente neste processo é a legitimidade do indébito a ser restituído/compensado, e, para isso, considero perfeitamente possível averiguar a efetiva ocorrência dos pagamentos que o geraram, notadamente pelo fato do Fisco está dentro do quinquídio legal para análise do pedido de compensação formulado pelo contribuinte, nos termos do §5º, do art.74 da Lei n.º 9.430/96. COMPENSAÇÃO - ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO E/OU PEDIDO Uma vez demonstrado o erro no preenchimento da declaração e/ou pedido, deve a verdade material prevalecer sobre a formal. IRPJ. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ESTIMATIVA MENSAL. RECONHECIMENTO COMO SALDO NEGATIVO. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE As estimativas mensais, quer calculadas sobre base estimada, quer a partir de balanços ou balancetes de suspensão ou redução, não são extintivas do crédito tributário, vez que constituem mera antecipação do tributo a ser apurado ao final do ano-calendário. Dessa forma, sendo mera antecipação, não há que se falar em pagamento indevido ou a maior passível de repetição. Assim, trataremos o presente caso como compensação de saldo negativo do IRPJ, pois o mero erro formal do Contribuinte em indicar nos PER/DCOMP os recolhimentos individuais de estimativa em vez de indicar o saldo negativo formado pelo conjunto destas mesmas estimativas, não é fator impeditivo do reconhecimento do seu direito creditório como tal (saldo negativo), razão pela qual também há que se negar a incidência de juros de mora a partir do pagamento indevido, mas sim a partir de 1 de janeiro de 2002.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR a preliminar de decadência suscitada, e, no mérito, em DAR provimento PARCIAL ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO - Presidente. (assinado digitalmente) MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA - Relator. (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Rogério Aparecido Gil, Júlio Lima Souza Martins (Suplente Convocado), Talita Pimenta Félix e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001 RESTITUIÇÃO INEXISTÊNCIA DE PRESCRIÇÃO AQUISITIVA E DE DECADÊNCIA DO DIREITO DO FISCO PERQUIRIR DIREITO CREDITÓRIO O evento da decadência veda as atividades inerentes ao ato de lançamento, no que toca à verificação da ocorrência do fato gerador, à determinação da matéria tributável, ao cálculo do montante do tributo devido, etc. Deste modo, realmente não há que se pensar em adição de receitas omitidas, glosa de despesas, alteração em coeficientes de apuração ou alíquota, etc. Mas o que se discute especificamente neste processo é a legitimidade do indébito a ser restituído/compensado, e, para isso, considero perfeitamente possível averiguar a efetiva ocorrência dos pagamentos que o geraram, notadamente pelo fato do Fisco está dentro do quinquídio legal para análise do pedido de compensação formulado pelo contribuinte, nos termos do §5º, do art.74 da Lei n.º 9.430/96. COMPENSAÇÃO ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO E/OU PEDIDO Uma vez demonstrado o erro no preenchimento da declaração e/ou pedido, deve a verdade material prevalecer sobre a formal. IRPJ. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ESTIMATIVA MENSAL. RECONHECIMENTO COMO SALDO NEGATIVO. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE As estimativas mensais, quer calculadas sobre base estimada, quer a partir de balanços ou balancetes de suspensão ou redução, não são extintivas do crédito tributário, vez que constituem mera antecipação do tributo a ser apurado ao final do anocalendário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 90 02 84 /2 00 8- 85 Fl. 3296DF CARF MF Processo nº 10865.900284/200885 Acórdão n.º 1302002.025 S1C3T2 Fl. 3.297 2 Dessa forma, sendo mera antecipação, não há que se falar em pagamento indevido ou a maior passível de repetição. Assim, trataremos o presente caso como compensação de saldo negativo do IRPJ, pois o mero erro formal do Contribuinte em indicar nos PER/DCOMP os recolhimentos individuais de estimativa em vez de indicar o saldo negativo formado pelo conjunto destas mesmas estimativas, não é fator impeditivo do reconhecimento do seu direito creditório como tal (saldo negativo), razão pela qual também há que se negar a incidência de juros de mora a partir do pagamento indevido, mas sim a partir de 1 de janeiro de 2002. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR a preliminar de decadência suscitada, e, no mérito, em DAR provimento PARCIAL ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Presidente. (assinado digitalmente) MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA Relator. (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Rogério Aparecido Gil, Júlio Lima Souza Martins (Suplente Convocado), Talita Pimenta Félix e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório Por bem sintetizar o processo, adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto SP a seguir transcrito: Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório em que foi apreciada Declaração de Compensação (PER/DCOMP), por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar Fl. 3297DF CARF MF Processo nº 10865.900284/200885 Acórdão n.º 1302002.025 S1C3T2 Fl. 3.298 3 débitos de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (IRPJ estimativa, código de arrecadação 2362), concernente ao período de apuração 03/2001. Por despacho decisório, não foi reconhecido direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, não homologada a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que os pagamentos informados foram integralmente utilizados para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando, em síntese, de acordo com suas próprias razões: que seria nulo o despacho decisório recorrido por ausência de fundamentação e motivação do indeferimento do pedido, com afronta a dispositivos legais e constitucionais; que os dados sobre o alegado crédito foram devidamente informados em PER/DCOMP, não havendo razão para o indeferimento do pedido sob alegação de que os valores são inexistentes; que os dados sobre o alegado crédito foram devidamente informados em PER/DCOMP, não havendo razão para o indeferimento do pedido sob alegação de que os valores são inexistentes; que caberia as autoridades fiscais diligenciar junto à empresa para averiguar os valores informados em PER/DCOMP, em observância ao princípio da verdade material e as disposições constitucionais que regem a administração pública; que “a simples declaração da existência de um crédito a ser restituído e/ou compensado com outros débitos administrados pela Receita Federal já é suficiente para que a fiscalização federal utilize todos os meios hábeis para comprovar a veracidade do pedido do contribuinte, em especial a comprovação da existência de um crédito tributário”; Fl. 3298DF CARF MF Processo nº 10865.900284/200885 Acórdão n.º 1302002.025 S1C3T2 Fl. 3.299 4 Ao final requer seja julgada procedente a Manifestação de Inconformidade, anulando o despacho decisório recorrido e restabelecidas as compensações efetuadas. Como mencionado, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP manteve a negativa em relação à compensação, na conformidade da ementa abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001 DCOMP. CRÉDITO. INDEFERIMENTO. Pendente, nos autos, a comprovação do crédito indicado na declaração de compensação formalizada, impõese o seu indeferimento. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Em sua decisão, a Delegacia de Julgamento afirmou que as estimativas mensais não poderiam caracterizar pagamento a maior passível de compensação, dada a sua Fl. 3299DF CARF MF Processo nº 10865.900284/200885 Acórdão n.º 1302002.025 S1C3T2 Fl. 3.300 5 natureza de mera antecipação. Contudo, entendeu que deveria examinar eventual apuração, pela Contribuinte, de saldo negativo de IRPJ no período em questão (2001), já que este poderia indicar a existência de crédito líquido e certo passível de compensação. Nesse contexto, fez uma série de considerações e enumerou requisitos para a caracterização de saldo negativo a ser restituído/compensado, firmando que a Contribuinte não havia apresentado qualquer documentação em sua peça impugnatória. Inconformada com a decisão de primeira instância administrativa, da qual tomou ciência em 28/07/2010, a Contribuinte apresentou em 26/08/2010 o recurso voluntário de fls. 48 a 65, com os argumentos abaixo: DOS FATOS Em virtude das antecipações efetuadas a título de imposto de renda durante o anocalendário 2001, ao final do exercício a Recorrente apurou saldo negativo de IRPJ, razão pela qual decidiu solicitar a restituição/compensação dos valores pagos a maior, por meio da transmissão de diversas Declarações de Compensação utilizando o indigitado crédito (Doc. 03); DA PROVA Inicialmente, importante destacar a necessidade do conhecimento dos documentos acostados ao presente recurso voluntário que atestam a legitimidade do crédito proveniente da apuração de saldo negativo de IRPJ no exercício de 2001 (Doc. 04 – DARF´s; Doc. 05 DIPJ/2001; e Doc. 06 LALUR/2001), em obediência ao princípio da verdade material que norteia o procedimento administrativo fiscal federal; É imperioso o conhecimento do presente recurso voluntário e a análise dos argumentos expostos, que indubitavelmente acarretarão no reconhecimento integral dos créditos de IRPJ e, por consectário, na extinção dos débitos compensados; Fl. 3300DF CARF MF Processo nº 10865.900284/200885 Acórdão n.º 1302002.025 S1C3T2 Fl. 3.301 6 Ainda que a existência do crédito não tenha sido comprovada quando da apresentação da Manifestação de Inconformidade, em razão da necessidade de se observar o princípio da verdade material, a Recorrente pode fazêlo neste momento sem prejuízos; DO DIREITO DO CRÉDITO PLEITEADO A Recorrente adotava a sistemática de apuração do IRPJ por estimativa mensal, tendo efetuado pagamentos estimados no decorrer do ano calendário de 2001 (vide doc. 04) e, com o fechamento de seu balanço contábil, verificou o pagamento a maior do referido tributo, gerando, desta forma, o denominado saldo negativo (vide doc. 05); Referida sistemática encontra respaldo no artigo 6°, § 1°, inciso II, da Lei n° 9.430/96; Da análise dos documentos fiscais acostados pela Recorrente é possível constatar a apuração do saldo negativo de IRPJ no importe de R$ 140.283,14 vide doc. 05 DIPJ/2001), sendo certo que esse crédito é suficiente para liquidar o débito debatido no presente procedimento administrativo, bem como todos os demais débitos extintos com a utilização do referido saldo negativo através da transmissão de PER/DCOMP's; A Recorrente possuía um crédito no valor de R$ 140.283,14, o qual foi corretamente utilizado para quitar débitos administrados pela Receita Federal do Brasil; Inclusive, remanesceu em favor do Recorrente saldo credor de R$ 40.887,18, mesmo após ter efetuado as compensações supra mencionadas; Em que pese a Recorrente tenha informado nas PER/DCOMP's o valor dos recolhimentos por estimativa, e não o saldo negativo, é certo que esse procedimento não fulmina a existência do seu crédito tributário; Da análise dos documentos fiscais acostados ao recurso, e principalmente da DIPJ/2001 e das guias DARF´s, é visível que todos os recolhimentos mensais Fl. 3301DF CARF MF Processo nº 10865.900284/200885 Acórdão n.º 1302002.025 S1C3T2 Fl. 3.302 7 por estimativa (vide docs. 04 e 05) geraram recolhimentos a maior, os quais são passíveis de compensação; O crédito utilizado pela Recorrente é líquido e certo, não havendo razão para a manutenção do indeferimento da presente compensação, nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional e artigo 74 da Lei n° 9.430/96; Diante da comprovação da existência do saldo negativo de IRPJ através da DIPJ anocalendário 2001, não obstante o preenchimento do PER/DCOMP tenha sido efetuado com o valor do IRPJ recolhido por estimativa, não há razão para o não reconhecimento do direito creditório pleiteado; Um simples vício formal não tem o condão de extinguir o direito da Recorrente, mesmo porque a Receita Federal do Brasil, através de seu banco de dados, tem como verificar os valores efetivamente recolhidos a título de IRPJ; A D. Autoridade Julgadora, por ter todas as informações em seu sistema, poderia ter verificado a sua existência, ou ter intimado a Recorrente a apresentar documentos capazes de comprovar o crédito, não podendo simplesmente indeferir o pleito da Recorrente; A simples ocorrência de erro formal não macula a existência do crédito apurado em decorrência dos recolhimentos a maior efetuados pela Recorrente no anocalendário de 2001 a título de IRPJ; Tendo em vista que no caso em tela o crédito pleiteado decorre de recolhimentos efetuados a maior, devidamente comprovados através do saldo negativo apurado no anocalendário 2001 (vide docs. 04 e 05), e compensados dentro do prazo legal, é de rigor o reconhecimento do direito creditório pleiteado pela Recorrente, com a consequente extinção do débito compensado; DA DECADÊNCIA Fl. 3302DF CARF MF Processo nº 10865.900284/200885 Acórdão n.º 1302002.025 S1C3T2 Fl. 3.303 8 Cabe destacar, ainda, que no caso em tela o crédito de IRPJ apurado no anocalendário 2001 não pode ser objeto de questionamento por parte das autoridades fiscais, em razão da decadência; O saldo negativo apurado em 2001 foi homologado tacitamente em 2007, extinguindose o direito do Fisco de discutir o crédito compensado, nos termos do artigo 150, § 4°, do Código Tributário Nacional; Sendo o IRPJ um tributo sujeito ao lançamento por homologação, o contribuinte apura o valor do tributo, o declara e efetua o pagamento do montante que considera devido, sendo certo que no caso em discussão, a Recorrente ao invés de apurar saldo devedor de IRPJ, no final do exercício de 2001, apurou crédito, o qual foi devidamente discriminado na DIPJ ano calendário 2001; Assim, caberia ao Fisco o dever de fiscalizar os procedimentos adotados pelo contribuinte, e realizar o lançamento das eventuais diferenças apuradas dentro do quinquídio legal; Uma vez que o saldo negativo apurado pela Recorrente nunca foi alvo de contestação pela D. Autoridade Fiscal, é certo que as informações declaradas na DIPJ do anocalendário 2001 encontramse homologados, ainda que tacitamente; O saldo negativo apurado pela Recorrente no ano de 2001 foi tacitamente homologado em 2007, com a consequente ausência do direito da D. Autoridade Fiscal em discordar da compensação efetuada pela Recorrente; A decisão administrativa proferida em 24/04/2008 é manifestamente extemporânea, haja vista que o ano de 2007 o saldo negativo de IRPJ não era mais passível de glosa por parte da D Autoridade Fiscal. Exatamente nesse sentido é a jurisprudência firmada por este Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (decisões transcritas); E nem que se diga que a DIPJ retificadora, transmitida em 08/03/2004, tenha alterado o marco inicial para o decurso do prazo decadencial, haja Fl. 3303DF CARF MF Processo nº 10865.900284/200885 Acórdão n.º 1302002.025 S1C3T2 Fl. 3.304 9 vista que, como consabido, o prazo decadencial não é interrompido ou suspenso. Além disso, a referida declaração não alterou a composição do saldo negativo apurado originalmente no anocalendário de 2001; Contandose o prazo de 5 (cinco) anos previsto no artigo 150, § 4º, do Código Tributário Nacional, a apuração do saldo negativo referente ao ano de 2001, utilizado para a quitação de tributos administrados pela Receita Federal do Brasil, foi tacitamente homologado no ano de 2007, motivo pelo qual, mais uma vez, devem ser reconhecidas como legítimas as compensações efetuadas pela Recorrente; DO PEDIDO A Recorrente solicita seja o presente recurso conhecido e provido para que seja reconhecido o direito creditório pleiteado, bem como para que sejam homologadas as compensações efetuadas. Vindo os autos para julgamento por este Egrégio Conselho, o mesmo foi convertido em diligência para esclarecer os seguintes pontos (174/180), litteris: Contudo, devido a não determinação pela origem da validade das provas juntadas neste recurso, bem como, da possível necessidade de outros elementos para sua configuração, é de se encaminhar os autos à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Limeira/SP, para que aquela unidade, à luz dos documentos contábeis e fiscais apresentados pela recorrente e de outros que se entenda necessários apure, seu direito ao crédito e homologue a compensação até o limite da disponibilidade do crédito. Realizada a diligência, deve ser elaborado relatório circunstanciado, do qual deve ser dado ciência à recorrente para sua manifestação, se do seu interesse, no prazo de 30 (trinta dias). Após, retornemse os autos. Em resposta à diligência que lhe foi demandada pelo CARF, a DRF/Limeira/SP prestou a Informação Fiscal de efls. 183/188, com os seguintes enxertos: Fl. 3304DF CARF MF Processo nº 10865.900284/200885 Acórdão n.º 1302002.025 S1C3T2 Fl. 3.305 10 Trata este processo de recurso apresentado contra a não homologação da compensação declarada no documento n.º 0554.90266.130504.1.7.041479, retificador do documento n.º 19851.53731.150404.1.3.043390, em que houve a utilização do pagamento do IRPJ devido por estimativa no mês de março de 2001, no valor de R$ 27.375,82, para compensação do IRPJ apurado no 4ª trim/2002. A não homologação foi decorrente da utilização integral do pagamento para quitação do débito correspondente e foi mantida pela Delegacia de Julgamento. Na análise do recurso, o CARF baixou o processo para diligência com base nas seguintes premissas: [...] Notese que ele determina que haja uma lei que estabeleça as condições e garantias para que a compensação ocorra e que o crédito seja líquido e certo. No caso de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, desde a edição da Lei n.º 9.430, de 27 de dezembro de 1996, o instituto da compensação é regido por aquela lei e a leitura atenta daquele artigo já afasta a premissa de que não há requisitos formais para a compensação: [...] O parágrafo primeiro é bem claro ao determinar que a compensação seja feita por meio de declaração de compensação e que esta deverá conter as informações sobre o crédito, de forma que o entendimento de que um crédito pode ser trocado por outro afronta o texto da lei. No presente caso, foi analisado apenas parte do pagamento da estimativa de IRPJ do mês de março de 2001, enquanto que para a apuração do saldo negativo tem que ser verificadas as estimativas de todos os outros meses. Além disso, o contribuinte utilizou parte deste mesmo pagamento para compensação na declaração de compensação n.º 32542.00828.150604.1.3.043050 a qual Fl. 3305DF CARF MF Processo nº 10865.900284/200885 Acórdão n.º 1302002.025 S1C3T2 Fl. 3.306 11 também se encontra em discussão no CARF, no processo 10865.900233/200853, que está com outro julgador: [...] Ora, se este julgador converte o pagamento indevido em saldo negativo de IRPJ e o outro julgador também o faz, isto por si só já caracteriza o risco de se duplicar indevidamente o crédito, o que lança dúvidas se este procedimento está correto. [...] Em consulta aos sistemas da RFB, verificouse que os processos elencados pelo contribuinte se referem todos a declarações de compensação com utilização de pagamentos indevidos de estimativas de IRPJ do ano calendário de 2001 e não de saldo negativo de IRPJ: [...] A quantidade de processos só agrava o risco levantado no item anterior, pois dificilmente os processos serão distribuídos para o mesmo julgador, como realmente não foram e, ainda que assim fosse, este teria que juntar todos eles numa única análise e cada documento pode chegar ao CARF em momentos distintos e dependendo do valor sequer vão para as turmas especiais. Mantido o entendimento de converter pagamento indevido de estimativa em saldo negativo, um crédito total de R$ 196.334,11, que sequer existe, pode se transformar em R$1.543.114,54 (140.283,14 X11), sem contar o valor que já foi utilizado para compensação homologada pela Secretaria da Receita Federal do Brasil e para o qual logicamente não houve interposição de recurso e o risco de que o verdadeiro saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2001 já ter sido utilizado para compensações não informadas à RFB, pois somente a partir da Lei n.º 10.637, de 30 de dezembro de 2002 é que houve esta exigência. [...] Fl. 3306DF CARF MF Processo nº 10865.900284/200885 Acórdão n.º 1302002.025 S1C3T2 Fl. 3.307 12 Claro está que existe sim uma fase probatória específica no âmbito do contencioso administrativo da Secretaria da Receita Federal do Brasil e a Administração está a ele vinculado pelo princípio da legalidade. O entendimento proferido pelo Carf demonstra desconhecimento das normas que regem o processo administrativo no âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil ou deveria afastar a aplicação de seu artigo 16 por ilegalidade, prerrogativa exclusiva do Superior Tribunal de Justiça, ou seja, o Carf também está impedido de assim proceder. [...] Ora, não tem sentido a Secretaria da Receita Federal do Brasil importunar contribuintes com intimações inoportunas para que ele confirme se o crédito que ele pediu realmente é aquele, pois partese do princípio de que o contribuinte sabe o que está fazendo. Devese sempre premiar a celeridade e a Secretaria da Receita Federal do Brasil vem trabalhando neste sentido, eximindo o contribuinte de comparecer a suas unidades para protocolar documentos toda vez que ele quer fazer uma compensação, trata os documentos de forma eletrônica e somente vai intimálo quando houver um fato relevante que o justifique. Isto só vem enfatizar mais uma vez a importância de o contribuinte informar corretamente o tipo de crédito que pretende pleitear e evidencia mais uma vez a temeridade de se alterar o tipo de crédito. [...] Desta forma, a DRF/Limeira está impedida de reconhecer qualquer direito creditório ou homologar compensação, por falta de competência e ainda que se propusesse a atender o quanto solicitado, seria inócuo, pois seu ato seria nulo, nos termos do artigo 59 da Decreto n.º 70.235/1972: [...] Em síntese, a DRF/Limeira/SP registra: Fl. 3307DF CARF MF Processo nº 10865.900284/200885 Acórdão n.º 1302002.025 S1C3T2 Fl. 3.308 13 que a decisão do CARF implica na concomitância de pedidos do mesmo crédito; que a decisão do CARF em converter a compensação de estimativa em compensação de saldo negativo é temerária e; que o pagamento de estimativa não pode ser convertido em saldo negativo. Diante destes comentários, a DRF/Limeira devolveu o processo ao CARF, para que este órgão se manifeste sobre a manutenção de seu entendimento. Em nova resolução expedida pelo CARF (fls.190/197), processo foi baixado novamente em diligência, para que a unidade preparadora atenda ao já demandado na Resolução nº 1802000.300, proferida por esta 2ª Turma Especial da 1ª Seção de Julgamento do CARF em 06/08/2013. Baixado os autos novamente em diligência, foi produzido relatório circunstanciado pela Delegacia da Receita Federal de Limeira/SP, aduzindo, resumidamente, o seguinte (fls. 3262/3266): 2 O valor do saldo negativo de IRPJ é de R$ 140.283,14, mas o crédito utilizado pelo contribuinte para compensação limitouse ao valor do pagamento, esclarecendo que não foi utilizado o pagamento de R$ 106,87, feito para o mês de maio de 2001: Fl. 3308DF CARF MF Processo nº 10865.900284/200885 Acórdão n.º 1302002.025 S1C3T2 Fl. 3.309 14 3 Não há previsão legal para restituição de ofício. Portanto o crédito original a ser reconhecido na totalidade dos processos não pode ser superior a R$ 94.185,13. Intimada do relatório de diligência, a recorrente pleiteia que seja homologada a sua PERDCOMP tendo em visto o reconhecimento na integralidade do valor do seu saldo negativo de IRPJ no montante de R$ 140.283,14. É o relatório. Voto Conselheiro MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA O presente Recurso Voluntário foi apresentado em conformidade com o que dispõe o art. 33, do Decreto 70.235/72, portanto, dele conheço. Quanto ao argumento da decadência trazido pela recorrente, entendemos que não é aplicável ao caso vertente. É certo que após o transcurso do prazo decadencial, não pode o Fisco realizar procedimento fiscal visando modificar a base de cálculo do tributo, seja para exigir débitos, ou para reverter/reduzir prejuízo fiscal. O evento da decadência veda as atividades inerentes ao ato de lançamento, no que toca à verificação da ocorrência do fato gerador, à determinação da matéria tributável, ao cálculo do montante do tributo devido, etc. Deste modo, realmente não há que se pensar em adição de receitas omitidas, glosa de despesas, alteração em coeficientes de apuração ou alíquota, etc. Mas o que se discute especificamente neste processo é a legitimidade do indébito a ser restituído/compensado, e, para isso, considero perfeitamente possível averiguar a efetiva ocorrência dos pagamentos que o geraram, notadamente pelo fato do Fisco está dentro do quinquídio legal para análise do pedido de compensação formulado pelo contribuinte, nos termos do §5º, do art.74 da Lei n.º 9.430/96. Por isso a alegação de decadência não tem o efeito pretendido pela recorrente, no sentido de justificar uma restituição automática do alegado direito creditório. Superada essa questão, passamos a análise do mérito propriamente dito. Compulsando a PERDCOMP (05554.90266.130504.1.7.041479) objeto da presente lide, observase que o contribuinte pleiteou a compensação de seu débito tributário com crédito decorrente de pagamento indevido ou maior de IRPJ referente a estimativa do mês de março de 2001, senão vejamos: Fl. 3309DF CARF MF Processo nº 10865.900284/200885 Acórdão n.º 1302002.025 S1C3T2 Fl. 3.310 15 Fl. 3310DF CARF MF Processo nº 10865.900284/200885 Acórdão n.º 1302002.025 S1C3T2 Fl. 3.311 16 O despacho decisório não reconheceu o direito creditório da recorrente pelo seguinte motivo (fls.07): Fl. 3311DF CARF MF Processo nº 10865.900284/200885 Acórdão n.º 1302002.025 S1C3T2 Fl. 3.312 17 Pela legislação relativa à apuração do imposto de renda (IRPJ), para as pessoas jurídicas optantes pelo lucro real, temse que os pagamentos efetuados pela contribuinte no decorrer dos meses do ano civil são recolhimentos por estimativa, configurando antecipações do tributo devido no final do período anual de apuração. Ou seja, a interessada, porquanto fez a opção prevista no artigo 2° da Lei n° 9.430/96, fica obrigada aos recolhimentos mensais por estimativa, com base na receita bruta, devendo, ao final do anocalendário, proceder a apuração do tributo devido, sendo autorizada a dedução dos valores anteriormente recolhidos por estimativa, para efeitos de determinação do tributo a pagar. Da leitura do texto legal podese inferir que o lucro real, deve ser apurado trimestralmente, como regra, e que a apuração anual é uma alternativa que, para seu exercício requer pagamentos mensais por estimativa nos termos dos artigos 222, 223, 228 a 230 do RIR/99. Assim, a pessoa jurídica, ao optar pela apuração do imposto de renda com base no lucro real anual, poderá suspender ou reduzir o pagamento do tributo devido em cada mês, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do tributo, calculado com base no lucro real do período em curso. O levantamento de balanços ou balancetes mensais equivale ao próprio ajuste efetuado entre o mês de janeiro e o mês de levantamento do balanço ou balancete. O tributo calculado com base no lucro real daquele período (janeiro ao mês de levantamento do balanço) será comparado com todo o tributo recolhido sobre as operações de janeiro até mês anterior ao do levantamento do balanço ou balancete. Se a soma dos pagamentos efetuados for maior que o tributo devido apurado com base no balanço ou balancete, a empresa não terá que pagar o tributo relativo ao mês de levantamento do balanço. Se o tributo apurado no balanço ou balancete for maior, a empresa deverá pagar a diferença. Portanto, as estimativas mensais, quer calculadas sobre base estimada, quer a partir de balanços ou balancetes de suspensão ou redução, não são extintivas do crédito tributário, vez que constituem mera antecipação do tributo a ser apurado ao final do ano calendário. Dessa forma, sendo mera antecipação, não há que se falar em pagamento indevido ou a maior passível de repetição. Assim, trataremos o presente caso como compensação de saldo negativo do IRPJ, pois o mero erro formal do Contribuinte indicar nos PER/DCOMP os recolhimentos individuais de estimativa em vez de indicar o saldo negativo formado pelo conjunto destas mesmas estimativas, não é fator impeditivo do reconhecimento do seu direito creditório como tal (saldo negativo), razão pela qual também há que se negar a incidência de juros de mora a partir do pagamento indevido, mas sim a partir de 1 de janeiro de 2002. Passando a análise do mérito do caso em apreço, o pedido formalizado em PER/DCOMP tem por objeto o crédito do tipo "pagamento indevido ou a maior" de IRPJ estimativa mensal de março de 2001, código de arrecadação 2362. O relatório de diligência ao analisar de forma pormenorizada o cálculo do Imposto de Renda por estimativa no anocalendário de 2001 afirmou o seguinte: Fl. 3312DF CARF MF Processo nº 10865.900284/200885 Acórdão n.º 1302002.025 S1C3T2 Fl. 3.313 18 3 No anocalendário de 2001, o contribuinte apurou os seguintes valores de IRPJ devido por estimativa: Fl. 3313DF CARF MF Processo nº 10865.900284/200885 Acórdão n.º 1302002.025 S1C3T2 Fl. 3.314 19 O total de imposto de renda retido na fonte deduzido na apuração do imposto de renda devido por estimativa é de R$ 26.432,29 e para validar o saldo negativo apurado, o contribuinte teria que ter sofrido retenção no valor total de R$ 45.991,14 e ter oferecido a receita correspondente à tributação. A retenção feita pela fonte pagadora Bradesco já comprova a retenção deduzida bem como o valor oferecido à tributação. Assim, o valor do saldo negativo de IRPJ confirmado é de R$ 140.283,14. (...) Fl. 3314DF CARF MF Processo nº 10865.900284/200885 Acórdão n.º 1302002.025 S1C3T2 Fl. 3.315 20 Diante da análise pormenorizada efetuada pela unidade preparadora, não restam dúvidas quanto ao direito creditório do contribuinte. Contudo, andou bem a unidade preparadora ao chamar a atenção deste colegiado que o contribuinte não pleiteou a compensação do seu saldo negativo de IRPJ (R$ 140.283,14), mas sim do pagamento indevido ou a maior por ele pleiteado em suas DCOMP´s, totalizando a quantia de R$ 94.185,13, isto é, o seu direito creditório está limitado a tal montante. Ante o exposto, voto no sentido de REJEITAR a preliminar de decadência suscitada, e, no mérito em DAR provimento PARCIAL ao recurso voluntário, reconhecendo a compensação efetivada como saldo negativo do IRPJ até o limite do seu direito creditório que totaliza a quantia original de R$ 94.185,13, conforme tabela abaixo enumerada, incidindo correção monetária a partir de 1 de janeiro de 2002. É como voto. Fl. 3315DF CARF MF Processo nº 10865.900284/200885 Acórdão n.º 1302002.025 S1C3T2 Fl. 3.316 21 MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA Relator Fl. 3316DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13656.000495/2002-84
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 21 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 26/02/1999, 10/05/1999
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. HIPÓTESES DE CABIMENTO.
Os embargos de declaração somente cabem quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se a turma. A obscuridade eventual que não altere os fundamentos da decisão não permite alterar o julgado com efeitos infringentes.
Embargos de Declaração Acolhidos Parcialmente, sem Efeitos Infringentes
Numero da decisão: 3301-003.202
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher parcialmente os embargos de declaração, sem efeitos infringentes, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: MARCELO GIOVANI VIEIRA
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HIPÓTESES DE CABIMENTO. Os embargos de declaração somente cabem quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se a turma. A obscuridade eventual que não altere os fundamentos da decisão não permite alterar o julgado com efeitos infringentes. Embargos de Declaração Acolhidos Parcialmente, sem Efeitos Infringentes Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher parcialmente os embargos de declaração, sem efeitos infringentes, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas – Presidente (assinado digitalmente) Marcelo Giovani Vieira – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheirosLuiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Liziane Fl. 1164DF CARF MF 2 Angelotti Meira, Marcelo Giovani Vieira (suplente convocado), Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen. Declarou-se impedida a Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões. Fez sustentação oral o Dr. Rafael Pascoto Fugimoto, OAB/SP 329.271. Relatório Trata-se de embargos de declaração opostos tempestivamente pela contribuinte, em face do Acórdão nº 3101-001.679, cuja ementa transcrevo: “DRAWBACK SUSPENSÃO. EXIGÊNCIA DE VINCULÇÃO FÍSICA ENTRE OS INSUMOS IMPORTADOS E OS PRODUTOS EXPORTADOS. INADIMPLEMENTO. A fruição ao benefício do regime aduaneiro especial de drawback suspensão condiciona-se ao cumprimento dos termos e condições estabelecidos na legislação de regência (art. 78 do Decreto-lei nº 37/66), que determina como requisito essencial a submissão à vinculação entre o insumo importado e o produto objeto de exportação.” E o dispositivo: “ACORDAM os membros da 1º Câmara / 1º Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por qualidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.” À fl. 1.160 consta Despacho que admitiu os embargos. Voto Conselheiro Marcelo Giovani Vieira, Relator Conforme se verifica na ementa, o acórdão embargado decidiu que, no caso presente, a vinculação física dos insumos importados ao objeto da exportação é condição necessária para adimplemento do regime de drawback suspensão. O voto vencedor apresenta, para tanto, duas razões de decidir: a) o princípio da vinculação física é inerente ao regime de drawback, conforme jurisprudência pacificada; b) a permissão para substituição de produtos fungíveis, e portanto, a desvinculação física para tais produtos, somente teve vigência a partir da edição da MP 497/2010, posterior aos fatos geradores destes autos. Copio o art. 17 da Lei 11.774/2008, com a redação alterada pela Lei 12.350/2010, por conversão da MP 497/2010: Fl. 1165DF CARF MF Processo nº 13656.000495/2002-84 Acórdão n.º 3301-003.202 S3-C3T1 Fl. 2 3 Art. 17. Para efeitos de adimplemento do compromisso de exportação nos regimes aduaneiros suspensivos, destinados à industrialização para exportação, os produtos importados ou adquiridos no mercado interno com suspensão do pagamento dos tributos incidentes podem ser substituídos por outros produtos, nacionais ou importados, da mesma espécie, qualidade e quantidade, importados ou adquiridos no mercado interno sem suspensão do pagamento dos tributos incidentes, nos termos, limites e condições estabelecidos pelo Poder Executivo. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) § 1 o O disposto no caput aplica-se também ao regime aduaneiro de isenção e alíquota zero, nos termos, limites e condições estabelecidos pelo Poder Executivo. (Renumerado do parágrafo único pela Lei nº 12.350, de 2010) § 2 o A Secretaria da Receita Federal do Brasil e a Secretaria de Comércio Exterior disciplinarão em ato conjunto o disposto neste artigo. (Incluído pela Lei nº 12.350, de 2010) A conclusão “b” do voto vencedor fundamentou-se em dois argumentos: I- o art. 17 da Lei 11.774/2008 não é interpretativo, e portanto, não tem eficácia retroativa, por constituir-se em inovação legal no sistema aduaneiro, diferente do drawback anterior cuja natureza implica a vinculação física; II - a permissão depende de evento futuro, a regulamentação pelo Poder Executivo, cf. §2º do art. 17. A embargante aponta 3 vícios, identificados pelos excertos seguintes: “(i) padece de absoluta obscuridade a conclusão de que o legislador, ao prescrever que 'os produtos importados ou adquiridos no mercado interno com suspensão do pagamento dos tributos incidentes podem ser substituídos por outros produtos, nacionais ou importados, da mesma espécie, qualidade e quantidade, importados ou adquiridos no mercado interno sem suspensão do pagamento dos tributos incidentes' conferiu mera faculdade ao aplicador da lei, o que se baseia na premissa de que, caso assim não fosse, teria ele se utilizado do verbo 'devem' ou invés de 'podem' (sic) (...)... (ii) igualmente obscura é a conclusão do julgado no sentido de que não se aplicaria a retroatividade benigna ao caso com base na premissa de que a novel legislação mais benéfica é posterior aos fatos (...) (iii) é omissa a conclusão do julgado no sentido de que a aplicação da retroatividade benigna seria impossível diante da ausência de regulamentação da norma.”: Fl. 1166DF CARF MF 4 Analiso a primeira obscuridade alegada. No voto vencedor, o redator designado tece consideração quanto ao uso do termo “podem” no referido art. 17, ao invés de “devem”. Transcrevo o referido trecho do voto vencedor: “Em nosso entendimento, o que o legislador trouxe no referido dispositivo legal foi a permissão, de forma excepcional, (grifo do original) de utilização de outros produtos, nacionais ou importados, da mesma espécie, qualidade e quantidade, importados ou adquiridos no mercado interno sem suspensão do pagamento dos tributos incidentes, nos termos, limites e condições estabelecidos pelo Poder Executivo, para fins de comprovação do compromisso de exportar. Percebe-se que o legislador colocou a questão não como uma determinação expressa (“devem”), mas sim como uma possibilidade (“podem”), para fins de comprovação do compromisso de exportar. Não concebo a finalidade de tal consideração, que, na minha leitura, é mesmo obscura. Com efeito, a substituição desses termos desvirtua completamente o sentido do dispositivo legal, convertendo-o em ordem de substituição dos produtos, o que não faz nenhum sentido dentro do sistema drawback. Não obstante, tais considerações não fundamentam a decisão, ou, ao menos, não constituem fundamento exclusivo. Os fundamentos, conforme relatado, são dois principais (itens “a” e “b” acima relatados) , sendo o item “b” subdividido em duas motivações (itens “I” e “II” acima relatados), que são ambos e cada um per se suficientes para a decisão tomada. Portanto, embora haja a obscuridade apontada, tal obscuridade não importa em alteração da decisão. A segunda obscuridade apontada refere-se ao efeito retroativo do art. 17 citado. Transcrevo trecho do voto vencedor acerca desse tema (fls. 1.125 e 1.126) : “Trata-se de uma nova possibilidade de comprovação do compromisso de exportação no drawback suspensão, desde que atendidos os limites e condições estabelecidos pelo Poder Executivo. Entendemos que não se trata de uma norma interpretativa, mas sim de uma nova previsão legal, ainda condicionada a evento futuro (regulamentação, com os termos, limites e condições estabelecidos pelo Poder Executivo). Dessa forma, entendemos não ser possível dar tratamento retroativo à norma, visto que a previsão de substituição dos itens importados por outros equivalentes apenas passou a existir a partir da edição do referido ato, ainda assim sujeito ao atendimento das condições fixadas pelo Poder Executivo. O que podemos afirmar é a existência de um novo Regime Aduaneiro Especial de Drawback Suspensão, mais flexível, com vigência a partir da edição da MP 497, diferente daquele regime regido pelo Decreto-lei nº 37/1966 e pela Lei nº 11.945/2009, que devem seguir exclusivamente suas regras. Fl. 1167DF CARF MF Processo nº 13656.000495/2002-84 Acórdão n.º 3301-003.202 S3-C3T1 Fl. 3 5 Atos posteriores à edição da MP 497 e sua regulamentação, regem-se pelas novas normas e pela aceitação, de forma excepcional, do princípio da fungibilidade/equivalência, desde que atendidos os requisitos estabelecidos pelo Poder Executivo.” A embargante sustenta assim a alegada omissão: “Por conseguinte, ao afastar a retroatividade benigna ao caso concreto com base no fundamento de que a norma é posterior aos fatos o acórdão ora embargado incorre em flagrante obscuridade, porquanto tal benesse do artigo 106, II, alínea a, do Código Tributário Nacional pressupõe justamente a aplicação retroativa de norma posterior a fatos pretéritos, desde que ainda não definitivamente julgados.” Ora, o mero fato de a alteração ser posterior não foi o fundamento do acórdão embargado, conforme se viu. O fundamento foi o entendimento de que houve instituição de novo regime de drawback, distinto do anterior drawback, o qual, por sua natureza, implicaria a vinculação física. Portanto, não verifico a obscuridade pretendida. (iii) A embargante aponta ainda omissão no julgado, por entender que a ausência de regulamentação do dispositivo (art. 17) não mais se aplicaria, verbis, “haja vista que a regulamentação da Lei nº 12.350/2012 com relação à fungibilidade foi finalmente publicada em 03.09.2014, após o julgamento do feito por este Colegiado, mas ainda em tempo de sua consideração, eis que norma já posta e estando o feito ainda submetido a esta Corte”. O argumento não procede. Evidente que a regulamentação posterior à Sessão de julgamento, em 19 de agosto de 2014, não pode inquinar o acórdão de omissão, já que inexistente então. Também não existe possibilidade de, em sede de embargos de declaração, reapreciar questão decidida sem omissão, neste específico ponto. Com efeito, o artigo 65, caput, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF 256, de 22 de junho de 2009, dispõe: “Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se a turma.” Portanto, não existe omissão e contradição no julgado. Considerando que a primeira obscuridade apontada, embora existente, não interferiu no resultado e é independente das razões de decidir do acórdão embargado, os embargos devem ser acolhidos parcialmente, porém sem efeitos infringentes, mantendo a decisão anterior. Fl. 1168DF CARF MF 6 (assinado digitalmente) Conselheiro Marcelo Giovani Vieira, Relator Fl. 1169DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10480.910485/2012-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Mar 27 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/07/2004 a 31/07/2004
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. ERRO EM DECLARAÇÃO.
O contribuinte possui o ônus de prova do direito invocado mediante a apresentação de escrituração contábil e fiscal, lastreada em documentação idônea que dê suporte aos seus lançamentos. As informações prestadas unicamente na DIPJ não têm o condão de provar o direito creditório que o contribuinte alega possuir.
Recurso Voluntário Negado.
Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3302-003.662
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente Substituto e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Orlando Rutigliani Berri, Domingos de Sá Filho, Lenisa Rodrigues Prado, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 01/07/2004 a 31/07/2004 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. ERRO EM DECLARAÇÃO. O contribuinte possui o ônus de prova do direito invocado mediante a apresentação de escrituração contábil e fiscal, lastreada em documentação idônea que dê suporte aos seus lançamentos. As informações prestadas unicamente na DIPJ não têm o condão de provar o direito creditório que o contribuinte alega possuir. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido.
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ÔNUS DA PROVA. Recorrente ARMAZÉM CORAL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/07/2004 a 31/07/2004 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. ERRO EM DECLARAÇÃO. O contribuinte possui o ônus de prova do direito invocado mediante a apresentação de escrituração contábil e fiscal, lastreada em documentação idônea que dê suporte aos seus lançamentos. As informações prestadas unicamente na DIPJ não têm o condão de provar o direito creditório que o contribuinte alega possuir. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente Substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Orlando Rutigliani Berri, Domingos de Sá Filho, Lenisa Rodrigues Prado, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 91 04 85 /2 01 2- 91 Fl. 246DF CARF MF Processo nº 10480.910485/201291 Acórdão n.º 3302003.662 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de PER/DCOMP em que a Contribuinte informa ter efetuado recolhimento a maior que o devido. A DRF/Recife proferiu Despacho Decisório indeferindo o pleito sob o fundamento de que o DARF discriminado no PER/DCOMP foi localizado, mas encontrase integralmente utilizado para quitação de débitos declarados do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição/compensação. Cientificada da decisão, a Recorrente apresentou manifestação de inconformidade alegando, em síntese, que houve mera falha em não retificar a DCTF, mas que devem ser reconhecidas as informações de sua DIPJ retificadora, que atesta a ocorrência de pagamento a maior. Em análise dos argumentos apresentados pela Recorrente, a DRJ/Recife julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão 11049.540. O Colegiado a quo entendeu que a Contribuinte não havia comprovado o suposto pagamento a maior. Cientificada da decisão de piso, a Recorrente interpôs recurso voluntário sustentando, em síntese: (i) que o erro cometido pela Recorrente de não retificar as DCTFs não anula a existência dos créditos, vez que decorrem da realização de pagamento efetuados a maior; e (ii) que a existência de pagamento a maior é constatada pela simples verificação das DIPJs retificadoras, onde constam os ajustes necessários para atestar a existência do crédito pleiteado. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulede, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302003.657, de 22 de fevereiro de 2017, proferido no julgamento do processo 10480.910482/201258, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302003.657): "I Tempestividade Fl. 247DF CARF MF Processo nº 10480.910485/201291 Acórdão n.º 3302003.662 S3C3T2 Fl. 4 3 A Recorrente foi intimada da decisão de piso 25.06.2013 e protocolou Recurso Voluntário em 01.07.2013, dentro do prazo de 30 (trinta) dias previsto no artigo 33, do Decreto 70.235/721. Desta forma, considerando que o recurso preenche os requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. II Questões de Mérito Conforme exposto anteriormente, a Recorrente alega (i) que o erro cometido pela Recorrente de não retificar as DCTFs não anula a existência dos créditos, vez que decorrem da realização de pagamento efetuados a maior; e (ii) que a existência de pagamento a maior é constatada pela simples verificação das DIPJs retificadoras, onde constam os ajustes necessários para atestar a existência do crédito pleiteado. Com todo respeito aos argumentos explicitados pela Recorrente, não concordo com suas alegações. Isto porque, a alegação de que a existência do crédito poderia ser facilmente comprovado por meio das Declarações de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (DIPJ) em nada socorre a Recorrente, posto que além da DIPJ não se constituir em confissão de dívida como é o caso da DCTF, não consta dos autos qualquer documento, a exemplo de livros e documentos fiscais e contábeis, que viesse evidenciar a apuração da contribuinte na sua DIPJ retificadora. Com efeito, a DIPJ contêm dados e informações declarados pelo próprio contribuinte que devem ser lastreados com a correspondente documentação fiscal que comprove os lançamentos contábeis, do contrário, o direito ao crédito não deve ser reconhecido. Ora, a simples apresentação de cópias das referidas declarações são insuficientes para comprovar a origem do pretenso crédito almejado pela Recorrente, inviabilizando a confirmação dos valores registrados nas declarações. Não bastasse isso, os argumentos apresentados pela Recorrente não fazem prova de crédito algum, sequer demonstram qual a composição e/ou origem do crédito que ela alegar possuir. Mais uma vez, repitase, que é necessário que sejam colacionados aos autos excertos da escrituração contábil e fiscal do contribuinte, lastreados em documentação idônea que dê suporte a tais lançamentos. Logo, dúvida não há quanto a inexistência do direito creditório perseguido pela Recorrente. Diante deste cenário, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário." No que diz respeito à tempestividade, o recurso apresentado neste processo também é tempestivo (ciência em 24/04/2015, apresentação do RV em 21/05/2015). E, da mesma forma que no processo paradigma, a Contribuinte também não juntou nestes autos "excertos da escrituração contábil e fiscal do contribuinte, lastreados em documentação idônea" capaz de comprovar a legalidade e materialidade do direito creditório alegado. 1 Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Fl. 248DF CARF MF Processo nº 10480.910485/201291 Acórdão n.º 3302003.662 S3C3T2 Fl. 5 4 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 249DF CARF MF
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