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Numero do processo: 12466.003561/2009-19
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Sep 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Regimes Aduaneiros
Período de apuração: 04/12/2002 a 14/01/2005
LANÇAMENTO. SUPOSTO ERRO DE IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. VÍCIO FORMAL.
Eventual inconsistência de identificação do sujeito passivo, quando do lançamento, pode caracterizar um vício formal ou instrumental, nos termos do artigo 10 do Decreto-Lei nº70.235/72, o vício, por conseqüência, será formal, eis que provenientes de erro de fato, hipótese em que se afigura possível a aplicação da regra inserida no art. 173, II, do CTN.
Numero da decisão: 9303-007.456
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Demes Brito - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
Nome do relator: DEMES BRITO
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SUPOSTO ERRO DE IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. VÍCIO FORMAL. Eventual inconsistência de identificação do sujeito passivo, quando do lançamento, pode caracterizar um vício formal ou instrumental, nos termos do artigo 10 do DecretoLei nº70.235/72, o vício, por conseqüência, será “formal”, eis que provenientes de “erro de fato”, hipótese em que se afigura possível a aplicação da regra inserida no art. 173, II, do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Demes Brito Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 46 6. 00 35 61 /2 00 9- 19 Fl. 3360DF CARF MF Processo nº 12466.003561/200919 Acórdão n.º 9303007.456 CSRFT3 Fl. 3.361 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício). Relatório Tratase de Recurso Especial interposto por HUDSON IMPORTS COMPANY LTDA., na qualidade de responsável solidário a TWS INTERNACIONAL TRADE LTDA., ao amparo do art. 67, do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, contra Acórdão nº 3403003.174, proferido pela 4º Câmara da 3º Turma Ordinária, que decidiu em negar provimento ao Recurso Voluntário, cuja ementa está assim redigida: ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Período de apuração: 04/12/2002 a 14/01/2005 INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. PRESUMIDA E COMPROVADA. A interposição, em uma operação de comércio exterior, pode ser comprovada ou presumida. A interposição presumida é aquela na qual se identifica que a empresa que está importando não o faz para ela própria, pois não consegue comprovar a origem, a disponibilidade e a transferência dos recursos empregados na operação. Assim, com base em presunção legalmente estabelecida (art. 23, § 2o do DecretoLei no 1.455/1976), configurase a interposição e aplicase o perdimento. Seguese, então, a declaração de inaptidão da empresa, com base no art. 81, § 1o da Lei no 9.430/1996, com a redação dada pela Lei no 10.637/2002. A interposição comprovada é caracterizada por um acobertamento no qual se sabe quem é o acobertante e quem é o acobertado. A penalidade de perdimento afeta materialmente o acobertado (em que pese possa a responsabilidade ser conjunta, conforme o art. 95 do decretolei no 37/1966). IMPORTAÇÃO POR CONTA E ORDEM. PRESUNÇÃO. RECURSOS DE TERCEIRO. Conforme art. 27 da Lei no 10.637/2002, a operação de comércio exterior realizada mediante utilização de recursos de terceiro presumese por conta e ordem deste. DANO AO ERÁRIO. PERDIMENTO. DISPOSIÇÃO LEGAL. Nos arts. 23 e 24 do DecretoLei no 1.455/1976 enumeramse as infrações que, por constituírem dano ao Erário, são punidas com a pena de perdimento das mercadorias. É inócua, assim, a discussão sobre a existência de dano ao Erário nos dispositivos citados, visto que o dano ao Erário decorre do texto da própria lei. Fl. 3361DF CARF MF Processo nº 12466.003561/200919 Acórdão n.º 9303007.456 CSRFT3 Fl. 3.362 3 REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. CARF. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA N. 28. O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. Não conformada com tal decisão, a Contribuinte interpõe o presente Recurso, aduz divergência de interpretação da legislação tributária referente à configuração de vício formal para fins de aplicação da regra do inc. II do art. 173 do CTN na contagem do prazo decadencial. Para comprovar a divergência, aponta como paradigma o acórdão nº 3802 00.932. Em seguida, o Presidente da 4º Câmara da 3º Seção do CARF, deu seguimento ao Recurso por entender que a decisão recorrida assentou que, ao contrário do entendimento expresso no acórdão nº 380200.932, de 24/04/2012 não vislumbrou erro material em relação à quantia e ao sujeito passivo solidário autuado. Aduziu que, ainda que se adotasse a mesma fundamentação distintiva de vícios formais e materiais do acórdão indicado, mesmo assim o vício referirseia à pressuposto de formação (procedimento estabelecido normativamente) e não a componente da estrutura interna do ato, conforme depreendese no despacho de admissibilidade, ás fls. 3346/3349. Devidamente cientificada, a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões, às fls.3351/3357, requer que seja negado provimento ao Recurso. No essencial é o Relatório. Voto Conselheiro Demes Brito Relator O recurso foi apresentado com observância do prazo previsto, bem como dos demais requisitos de admissibilidade. Sendo assim, dele tomo conhecimento e passo a decidir. In caso, tratese de auto de infração lavrado em 23/10/2009 (fls. 2 a 61, com ciência à empresa “TWS” Internacional Trade LTDA em 28/01/2010 fl. 1010, figurando como responsável solidária a empresa “HUDSON” Imports Company LTDA), para exigência de multa substitutiva do perdimento (prevista no art. 23, § 3º do Decretolei no 1.455/1976), no valor de R$ 1.348.371,17, em virtude de se ter detectado que a real adquirente das mercadorias importadas pela empresa “TWS” é a empresa “HUDSON” (às fls. 31 e 32 são listadas as declarações de importações correspondentes às mercadorias consumidas e/ou não localizadas). A divergência posta a julgamento nesta E. Câmara Superior, diz respeito quanto à natureza do vício apontado no acórdão recorrido, e suas conseqüências para a contagem do prazo decadencial, uma vez que o auto de infração anteriormente lavrado (no bojo do processo administrativo nº 12466.004797/200519) foi considerado nulo pelo Acórdão nº 079.272/ 06, da DRJ/Florianópolis, entendendo o julgador que deveria ser lavrado um auto de infração específico para cada uma das exigências e respectivo imputado como responsável Fl. 3362DF CARF MF Processo nº 12466.003561/200919 Acórdão n.º 9303007.456 CSRFT3 Fl. 3.363 4 solidário, decisão mantida em definitivo pelo CARF, no Acórdão nº 30239.912, de 12/11/2008 (fls. 7 a 16), o que se faz na segunda autuação, presente neste processo. Com efeito, a decisão recorrida negou provimento ao Recurso Voluntário, assentou que, ao contrário do entendimento expresso no Acórdão nº 380200.932, de 24/04/2012 não vislumbrou erro material em relação à quantia e ao sujeito passivo solidário autuado. Por sua vez, a Contribuinte aduz que não se aplica o disposto no inciso II do artigo 173 do CTN, ao contrário do que fundamentou o acórdão recorrido, pois não se trata de erro formal, mas sim de erro material que ensejou a nulidade do primeiro auto de infração. Compulsando aos autos, verifico que não se trata de vício material, o Relator da decisão recorrida, o Conselheiro Rosaldo Trevisan, fundamentou o decisum de modo correto e irretocável. Vejamos: "Portanto, ao contrário do entendimento expresso no Acórdão no 380200.932, de 24/04/2012 (processo referente a um dos outros 16 reais adquirentes), referido em sede recursal, estamos longe de ver erro material no presente processo, em relação à quantia e ao sujeito passivo solidário autuado. Ainda que adotássemos a mesma fundamentação distintiva de vícios formais e materiais naquele acórdão externada, mesmo assim visualizaríamos que o vício se refere a pressuposto de formação (procedimento estabelecido normativamente) e não a componente da estrutura interna do ato. E os precedentes utilizados naquele acórdão, e citados no recurso voluntário, não guardam relação com o caso especificamente tratado nestes autos (no qual os sujeitos passivos da segunda autuação já figuravam, com responsabilidade delimitada, na primeira autuação, não tendo o autuante atentado para o fato de que a forma eleita para lavrar a autuação em um único processo não permitiria o desmembramento das responsabilidades em relação a cada importação, e ainda cercearia o direito de defesa dos responsáveis solidários em relação às operações nas quais estes sequer tinham atuado ou adiantado recursos). Realmente, nos moldes da autuação lavrada inicialmente, por certo restaria cerceado o direito de defesa da “HUDSON”, por exemplo, em relação aos lançamentos correspondentes a importações nas quais ela sequer atuou (nem diretamente nem antecipando recursos), ou seja, em relação a R$ 7.470.609,83 lançados. Tendo em conta que o vício que ensejou a nulidade da primeira autuação foi formal, aliás, como reconhece o próprio tribunal que havia declarado a nulidade (sendo a segunda decisão da DRJ relatada por membro do colegiado que atuou na primeira, na qual se identificou a nulidade), acordamos com a DRJ que é aplicável ao caso o art. 173, II do Código Tributário Nacional, pelo que se refuta o argumento decadencial apontado. Ademais, destaquese que o argumento sobre ser material o erro ensejador da nulidade sequer é suscitado na impugnação apresentada pela “HUDSON” no presente processo, sendo na ocasião apresentada somente a alegação de que não se aplicaria o art. 173, II porque a empresa não havia Fl. 3363DF CARF MF Processo nº 12466.003561/200919 Acórdão n.º 9303007.456 CSRFT3 Fl. 3.364 5 integrado a autuação anterior. Nas palavras da então impugnante (fl. 1032)." Como visto, não se trata de vício material, o lançamento cumpriu todos os requisitos para se formalizar o Auto de Infração: (i) subsunção dos fatos apurados, identificados no auto de infração, hipótese abstrata presente na norma jurídica instituidora do tributo; (ii) descrição dos fatos e material probatório; (iii) conclusões do auto de infração juridicamente validadas. Tais requisitos, vão ao encontro do que dispõe o art. 142 do CTN, verbis: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. do lançamento original e a formalização de nova exigência fiscal, se ainda dentro do prazo decadencial” 1. Sem embargo, o procedimento administrativo que culmina na lavratura do auto de infração deve se pautar na verificação da efetiva obrigação tributária, sem o quê temse um lançamento desprovido de fundamentação legal e, por conseguinte, desprovido de motivo. Recorrendo a literatura administrativista, temse que a validade do ato administrativo pressupõe a configuração de todos os seus elementos constitutivos, sem os quais inexistirá o próprio ato, quais sejam, sujeito (pressuposto subjetivo), motivo e requisitos procedimentais (pressupostos objetivos), finalidade (pressuposto teleológico), causa (pressuposto lógico) e formalização (pressupostos formalísticos) 2. Com fundamento nesta classificação, é possível distinguir os pressupostos formalísticos ou de formalização dos elementos objetivos e lógicos motivo, requisitos procedimentais e causa. Celso Antônio Bandeira de Mello3, leciona o seguinte:"o motivo é o pressuposto de fato que autoriza ou exige a prática do ato”, não podendo o agente administrativo praticar o ato se não houver ocorrido a situação prevista em lei, pois, nessa hipótese, o motivo não se revela prestante em razão da inexistência de “pertinência lógica” ou de “adequação racional ao conteúdo do ato”, tornandose viciado o ato em que “o motivo de fato for descoincidente com o motivo legal”. 1 NEDER, Marcos Vinicius; LÓPEZ, Maria Tersa Martinez. Processo administrativo fiscal comentado: de acordo com a lei nº 11.941, de 2009, e o Regimento Interno do CARF. 3. ed. São Paulo: Dialética, 2010, p. 209210. 2 MELLO, Celso Antônio Bandeira de. Curso de direito administrativo. 15. ed. São Paulo: Malheiros, 2003, p. 359. 3 MELLO, Celso Antônio Bandeira de. Curso de direito administrativo. 15. ed. São Paulo: Malheiros, 2003, p. 363364. Fl. 3364DF CARF MF Processo nº 12466.003561/200919 Acórdão n.º 9303007.456 CSRFT3 Fl. 3.365 6 Neste contexto, não se está diante de um mero exercício lógicoracional de natureza argumentativa, tendente à elucidação ou a complementação de um procedimento anterior, mas de alteração do conteúdo do próprio ato administrativo, o que não se coaduna com a disciplina do art. 142 do CTN acima reproduzido. Leandro Pausen, aborda a matéria no mesmo sentido. in verbis: Vício Formal x vício material. Os vícios formais são aqueles atinentes ao procedimento e documento que tenha formalizado a existência do crédito tributário. Vícios materiais são os relacionados à validade e à incidência da Lei. 4 Aqui, também, se discriminam os requisitos configuradores dos vícios formal e material; aquele atinente ao procedimento e ao documento e este relativo à validade da aplicação da norma tributária. Os requisitos do lançamento definidos no artigo 142 do CTN abarcam os elementos essenciais à sua constituição, cuja ausência, ainda que apenas de um deles, acarreta a invalidade da autuação e não a mera anulação por vício formal. Destarte, eventual inconsistência de identificação do sujeito passivo, quando do lançamento, pode caracterizar um vício formal ou instrumental, nos termos do artigo 10 do DecretoLei nº70.235/72, o vício, por conseqüência, será “formal”, eis que provenientes de “erro de fato”, hipótese em que se afigura possível a aplicação da regra inserida no art. 173, II, do CTN. Por oportuno, esclareço que o processo administrativo fiscal esta adstrito as regras positivadas do sistema, neste sentido, invoco o magistério do Professor Luiz Orlando Junior Zanon (pg.104,105106) o qual em sua tese de Doutorado, Teoria Complexa do Direito5, esclarece a correta inserção das normas no plano sistêmico. In verbis: "O Positivismo Jurídico pressupõe que o Direito é formado exclusivamente (ou ao menos preponderantemente) por Regras Jurídicas, como sinônimo de Normas Jurídicas positivadas, devidamente fixadas pelos parlamentares (no sistema codificado) ou estabelecidas em precedentes judiciais anteriores (no modelo judiciário ou consuetudinário)6 No primeiro cenário (civil law, statutory law ou code based legal system), a Regra Jurídica é o resultado da interpretação de um texto elaborado pelo legislador, no sentido de 4 PAULSEN, Leandro. Direito tributário: constituição e código tributário à luz da doutrina e da jurisprudência. 10. ed. Porto Alegre: Livraria do Advogado Editora; ESMAFE, 2008, p. 1164. 5 ZANON JUNIOR, Orlando Luiz. Teoria Complexa do Direito. Florianópolis: Cejur, 2013. 6 DIMOULIS, Dimitri. Positivismo jurídico: Introdução a uma teoria do direito e defesa do pragmatismo jurídicopolítico. São Paulo: Método, 2006. p. 68: “Isso indica que ser positivista no âmbito jurídico significa escolher como exclusivo objeto de estudo o direito que é posto por uma autoridade e, em virtude disso, possui validade (direito positivo)”; e, p. 131: “Partindo dessa delimitação negativa, o PJ stricto sensu afirma a absoluta identidade entre o conceito de direito e o direito efetivamente posto pelas autoridades competentes, isto é, pelas autoridades que, em razão de uma constelação de poder, possuem a capacidade de impor o direito”. E FERRAJOLI, Luigi. Principia iuris: teoría del derecho y de la democracia. V 1. Madrid: Trotta, 2011. p. 395457. Especialmente, p. 396: “Las normas son reglas que pertenecen al derecho positivo em cuanto son efectos jurídicos puestos o causados por actos (T8.11, T8.12). Obviamente, em tanto que reglas, las normas son significados de preceptos (T8.13), a los que vienen asociadas em cada caso mediante interpretación jurídica”. Fl. 3365DF CARF MF Processo nº 12466.003561/200919 Acórdão n.º 9303007.456 CSRFT3 Fl. 3.366 7 reconstruir sua intenção ao prolatar o dispositivo normativo, como se fosse um procedimento de adivinhação de qual teria sido a solução dada pelo órgão legiferante, acaso diante do caso concreto. E, no segundo (common law ou judge made law), a Regra Jurídica pode ser extraída não só da legislação, mas também do texto de um precedente anterior, num esforço de verificar qual seria a solução que teria sido dada pelo Poder Legislativo para reger o novo caso, nos pontos relevantes em que é precisamente similar ao julgamento anterior. Em ambas hipóteses, a interpretação e a aplicação do Direito são consideradas, pela generalidade dos juspositivistas [...] (com a notável ressalva de Kelsen), como meramente reprodutoras de sentidos já previamente fixados por Regras Jurídicas anteriores, que já guardam a resposta para solução do novo problema emergido no tecido social”. (pg.104,105106). [...] Dispositivo Ex positis, nego provimento ao Recurso da Contribuinte. É como voto. (assinado digitalmente) Demes Brito Relator Fl. 3366DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13866.000584/2007-60
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2002
RECURSO VOLUNTÁRIO. PEREMPÇÃO.
A interposição do recurso voluntário após o prazo definido no art. 33 do Lei nº 70.235/72 acarreta a sua perempção e o consequente não conhecimento, face à ausência de requisito essencial para a sua admissibilidade.
Numero da decisão: 2002-000.268
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso apresentado.
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campêlo, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: CLAUDIA CRISTINA NOIRA PASSOS DA COSTA DEVELLY MONTEZ
1.0 = *:*
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RECURSO INTEMPESTIVO. PEREMPÇÃO. Recorrente IZALTINA MARIA DONNINI BOGES Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2002 RECURSO VOLUNTÁRIO. PEREMPÇÃO. A interposição do recurso voluntário após o prazo definido no art. 33 do Lei nº 70.235/72 acarreta a sua perempção e o consequente não conhecimento, face à ausência de requisito essencial para a sua admissibilidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso apresentado. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campêlo, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 86 6. 00 05 84 /2 00 7- 60 Fl. 85DF CARF MF Processo nº 13866.000584/200760 Acórdão n.º 2002000.268 S2C0T2 Fl. 86 2 Relatório Notificação de lançamento Trata o presente processo de Auto de Infração AI (fls. 9/14), relativo a imposto de renda da pessoa física, pela qual se procedeu a alterações na declaração de ajuste anual da contribuinte acima identificada, relativo ao exercício de 2003. A autuação implicou na alteração do resultado apurado de saldo de imposto a restituir declarado de R$2.253,69 para saldo de imposto a pagar de R$6.408,64. O auto de infração consigna a omissão de rendimentos recebidos do IPESP, conforme detalhado à fl.11. Impugnação Cientificado à contribuinte em 30/11/2007, o AI foi objeto de impugnação, em 28/12/2007, à fl. 2/24 dos autos, na qual a contribuinte alega que seria portadora de moléstia grave e que os rendimentos decorrentes de ação judicial não seriam passíveis de tributação. A impugnação foi apreciada na 7ª Turma da DRJ/SP2 que, por unanimidade, julgou a impugnação improcedente por (fls. 42/46) em decisão assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2002 PORTADOR DE MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇÃO. A isenção de imposto de renda sobre proventos de aposentadoria de portador de moléstia grave sera concedida quando invocada pelos contribuintes que sofram das patologias elencadas no texto legal que dispõe sobre esse beneficio e deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. Recurso voluntário A ciência do acórdão de impugnação se deu em 19/8/2010 (fls. 50/53). Posteriormente, em 6/10/2010 (fl.59), foi encaminhada carta cobrança à contribuinte (fl.58). Em 8/11/2010 (fl. 61), o sujeito passivo apresentou recurso voluntário, às fls. 61/74, no qual alega, em apertado resumo, que: Fl. 86DF CARF MF Processo nº 13866.000584/200760 Acórdão n.º 2002000.268 S2C0T2 Fl. 87 3 ao não acatar o laudo apresentado, a decisão recorrida violaria o artigo 6º, inciso XIV, da Lei nº 7.713, de 1988. o laudo pericial teria sido preenchido pelo médico que a acompanha desde 1998. Teria havido um acordo entre os médicos para que o laudo fosse preenchido e assinado no rodapé por seu médico, ficando o médico oficial responsável pelo preenchimento final e a assinatura oficial. Por equívoco, houve um engano por ocasião das assinaturas. indica a juntada de novo laudo, defendendo o cancelamento da cobrança diante da robustez desse documento e pela existência de fato da doença. Processo distribuído para julgamento em Turma Extraordinária, tendo sido observadas as disposições do artigo 23B, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, e suas alterações (fl.80/81). Fl. 87DF CARF MF Processo nº 13866.000584/200760 Acórdão n.º 2002000.268 S2C0T2 Fl. 88 4 Voto Conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Relatora Admissibilidade A recorrente foi cientificada da decisão de primeira instância em 19/8/2010 (fl.53), quintafeira. Assim, o prazo de 30 dias previsto no artigo 33 do Decreto nº 70.235, de 1972, começou a fluir em 20/8/2010, findando em 20/9/2010. Como o recurso voluntário foi interposto somente em 8/11/2010 (fl.61), forçoso concluir por sua intempestividade, não podendo ser conhecido. Conclusão Pelo exposto, voto no sentido de não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Fl. 88DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13819.906239/2012-64
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2010
RECURSO VOLUNTÁRIO. JUNTADA DE DOCUMENTOS. POSSIBILIDADE. DECRETO 70.235/1972, ART. 16, §4º. LEI 9.784/1999, ART. 38.
É possível a juntada de documentos posteriormente à apresentação de impugnação administrativa, em observância ao princípio da formalidade moderada e ao artigo 38, da Lei nº 9.784/1999.
COMPENSAÇÃO.
Ultrapassa-se o obstáculo da impossibilidade de retificação da declaração de imposto de renda, em razão do decidido em solução de consulta, com o conseqüente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para verificação da liquidez e certeza do crédito pretendido em compensação.
Numero da decisão: 1301-003.310
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso do contribuinte para ultrapassar o obstáculo da impossibilidade de retificação da declaração de imposto de renda, em razão do decidido em solução de consulta, com o conseqüente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para verificação da liquidez e certeza do crédito pretendido em compensação, retomando-se, a partir daí, o rito processual habitual, oportunizando, ainda, ao contribuinte a possibilidade de apresentação de documentos ou esclarecimentos que entender necessários.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2010 RECURSO VOLUNTÁRIO. JUNTADA DE DOCUMENTOS. POSSIBILIDADE. DECRETO 70.235/1972, ART. 16, §4º. LEI 9.784/1999, ART. 38. É possível a juntada de documentos posteriormente à apresentação de impugnação administrativa, em observância ao princípio da formalidade moderada e ao artigo 38, da Lei nº 9.784/1999. COMPENSAÇÃO. Ultrapassa-se o obstáculo da impossibilidade de retificação da declaração de imposto de renda, em razão do decidido em solução de consulta, com o conseqüente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para verificação da liquidez e certeza do crédito pretendido em compensação.
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JUNTADA DE DOCUMENTOS. POSSIBILIDADE. DECRETO 70.235/1972, ART. 16, §4º. LEI 9.784/1999, ART. 38. É possível a juntada de documentos posteriormente à apresentação de impugnação administrativa, em observância ao princípio da formalidade moderada e ao artigo 38, da Lei nº 9.784/1999. COMPENSAÇÃO. Ultrapassase o obstáculo da impossibilidade de retificação da declaração de imposto de renda, em razão do decidido em solução de consulta, com o conseqüente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para verificação da liquidez e certeza do crédito pretendido em compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso do contribuinte para ultrapassar o obstáculo da impossibilidade de retificação da declaração de imposto de renda, em razão do decidido em solução de consulta, com o conseqüente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para verificação da liquidez e certeza do crédito pretendido em compensação, retomandose, a partir daí, o rito processual habitual, oportunizando, ainda, ao contribuinte a possibilidade de apresentação de documentos ou esclarecimentos que entender necessários. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 90 62 39 /2 01 2- 64 Fl. 193DF CARF MF Processo nº 13819.906239/201264 Acórdão n.º 1301003.310 S1C3T1 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte acima identificado contra o acórdão proferido pela 4ª Turma da DRJ/REC, que, ao apreciar a Manifestação de Inconformidade apresentada, entendeu, por unanimidade de votos, considerá la improcedente, não reconhecendo o direito creditório e não homologando a compensação declarada. Tratase de Dcomp que visou a compensar crédito decorrente de pagamento indevido/maior de IRPJ, no período especificado. Referida compensação não foi homologada, via Despacho Decisório eletrônico, à razão de que, dadas as características do Darf discriminado naquela Dcomp, localizouse pagamento integralmente utilizado para quitação de débitos, não restando crédito disponível para compensação do débito nela declarado. Na manifestação de inconformidade, é aduzido, em síntese, que constituiu e pagou PIS e COFINS que não eram devidos, com amparo em legislação que reduziu a zero as alíquotas do PIS e da COFINS incidentes sobre a receita bruta decorrente da execução de industrialização por encomenda de produtos de perfumaria, de toucador ou de higiene pessoal; quando percebeu o erro, já havia pago as contribuições, surgindose crédito de pagamento indevido/a maior; e, que aproveitou o crédito em Dcomp, porém olvidou a retificação da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF). Naquela oportunidade, a r.turma julgadora entendeu pela improcedência da Manifestação de Inconformidade apresentada, ratificando a decisão recorrida, vez que o contribuinte não trouxe aos autos argumentos para defender a existência do crédito pleiteado. Ciente do acórdão recorrido, e com ele inconformado, a recorrente apresentou, tempestivamente, recurso voluntário, acompanhado de documentos, pugnando pelo provimento, onde apresenta argumentos que serão a seguir analisados. É o relatório. Fl. 194DF CARF MF Processo nº 13819.906239/201264 Acórdão n.º 1301003.310 S1C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1301003.306, de 26/07/2018, proferido no julgamento do Processo nº 13819.906236/2012 21, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1301003.306): "O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos regimentais de admissibilidade, portanto, dele conheço. Da Juntada de Novos Documentos em sede de Recurso Voluntário Preliminarmente, deve ser submetida à deliberação deste colegiado a possibilidade de juntada de novos documentos, e que eles sejam admitidos como provas no processo. Esses documentos foram juntados quando da apresentação do recurso voluntário. Em relação a esse ponto, é importante destacar a disposição contida no §4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que trata da apresentação da prova documental na impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual. Em que pese existir entendimento pela não admissão destes documentos com fulcro no dispositivo citado, penso que não se deve cercear o direito de defesa do contribuinte, impedindoo de apresentar provas em sua defesa, sob pena de ferir o princípio da verdade material, princípio da formalidade moderada, entre outros, e por isso, deve estes princípios prevalecerem sobre a aplicação do dispositivo contido no 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/1972, pois podem revestirse de elementos suficientes para a confirmação, pelo menos em parte, do direito creditório pleiteado. Semelhante raciocínio chegou o CSRF, no julgamento do Acórdão nº 9101002.781, que ocorreu na sessão de 06 de abril de 2017, onde foi reconhecida a possibilidade de juntada de documentos posterior à apresentação de impugnação administrativa, em observância a estes princípios e ao artigo 38, da Lei nº 9.784/1999: Fl. 195DF CARF MF Processo nº 13819.906239/201264 Acórdão n.º 1301003.310 S1C3T1 Fl. 5 4 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004 RECURSO VOLUNTÁRIO. JUNTADA DE DOCUMENTOS. POSSIBILIDADE. DECRETO 70.235/1972, ART. 16, §4º. LEI 9.784/1999, ART. 38. É possível a juntada de documentos posteriormente à apresentação de impugnação administrativa, em observância ao princípio da formalidade moderada e ao artigo 38, da Lei nº 9.784/199 (G.N) Por entender pertinente, colaciono trechos extraídos do voto vencedor deste mesmo acórdão, exarado pela I. Conselheira Cristiane Silva Costa, cujos argumentos evidenciam o atual posicionamento da CSRF sobre a matéria: Com a devida vênia ao Ilustre Relator, divirjo da interpretação conferida ao artigo 16, do Decreto nº 70.235/1972. Como mencionado pelo Ilustre Relator, prescreve o artigo 16, do Decreto nº 70.235/1972: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) A interpretação isolada do artigo 16 e seu §4º poderia implicar na interpretação bastante rigorosa da impossibilidade de juntada de documentos depois da apresentação de impugnação administrativa, ressalvadas as hipóteses dos incisos do §4º, acima colacionado (impossibilidade de apresentação oportuna, por motivo de força maior, refirase a fato ou direito superveniente ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos). No entanto, não me parece seja o caso de adotar interpretação tão rigorosa. A Lei nº 9.784/1999 trata dos processos administrativos no âmbito da Administração Pública Federal, explicitando a necessidade de observância aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade proporcionalidade, ampla defesa e contraditório: Art. 2º A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade,proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: A mesma Lei acrescenta que os processos administrativos devem atender aos critérios dos quais se destacam: Fl. 196DF CARF MF Processo nº 13819.906239/201264 Acórdão n.º 1301003.310 S1C3T1 Fl. 6 5 Art. 2º: (...) Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: I atuação conforme a lei e o Direito; (...) VI adequação entre meios e fins, vedada a imposição de obrigações, restrições e sanções em medida superior àquelas estritamente necessárias ao atendimento do interesse público; VII indicação dos pressupostos de fato e de direito que determinarem a decisão; VIII observância das formalidades essenciais à garantia dos direitos dos administrados; IX adoção de formas simples, suficientes para propiciar adequado grau de certeza, segurança e respeito aos direitos dos administrados; X garantia dos direitos à comunicação, à apresentação de alegações finais, à produção de provas e à interposição de recursos, nos processos de que possam resultar sanções e nas situações de litígio. Os processos administrativos, portanto, devem atender a formalidade moderada, com a adequação entre meios e fins, assegurandose aos contribuintes a produção de provas e, principalmente, resguardandose o cumprimento à estrita legalidade, para que só sejam mantidos lançamentos tributários que efetivamente atendam à exigência legal. Especificamente sobre a possibilidade de juntada de provas, o artigo 38, da Lei nº 9.784/1999 prescreve que: Art. 38. O interessado poderá, na fase instrutória e antes da tomada da decisão, juntar documentos e pareceres, requerer diligências e perícias, bem como aduzir alegações referentes à matéria objeto do processo. § 1º Os elementos probatórios deverão ser considerados na motivação do relatório e da decisão. § 2º Somente poderão ser recusadas, mediante decisão fundamentada, as provas propostas pelos interessados quando sejam ilícitas, impertinentes, desnecessárias ou protelatórias. Ao tratar do artigo 16, §4º, do Decreto nº 70.235/1972, são as pertinentes considerações de Marcos Vinicius Neder e Maria Teresa Martínez López: Ao se levar às últimas consequências, as regras atualmente vigentes para o Decreto nº 70.235/72, estarseia mitigando a aplicação de um dos princípios mais caros ao processo administrativo que é o da verdade material. (...) Assim, revela destacar que a depender da situação é possível flexibilizar a norma, desde que evidentemente, a prova apresentada seja inconteste e nesse sentido Fl. 197DF CARF MF Processo nº 13819.906239/201264 Acórdão n.º 1301003.310 S1C3T1 Fl. 7 6 independa da análise de uma instância inferior, eis que a preclusão ligase ao princípio do impulso processual. (...) Na prática, quer nos parecer que, o direito à parte à produção de provas comporta graduação a critério da autoridade julgadora, com fulcro em seu juízo de valor acerca da utilidade e necessidade, de modo a assegurar o equilíbrio entre a celeridade desejável e a segurança indispensável na realização da justiça. (Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado, 3ª edição, Dialética, 2010, fls. 305 e 306.) Diante de tais razões, voto por dar provimento ao recurso especial do contribuinte, determinando a baixa dos autos para que a Turma a quo aprecie os documentos apresentados pelo contribuinte. Assim, embora o artigo 16, §4ª, do Decreto nº 70.235/72, estabeleça regra atribuindo o efeito de preclusão a respeito de prova documental, enfatizando que a prova documental seja apresentada juntamente com a impugnação do contribuinte, isso não impede, segundo meu juízo, com base em outros princípios contemplados no processo administrativo fiscal, em especial princípio da verdade material e formalidade moderada, além da própria disposição contida no artigo 38, da Lei nº 9.784/1999, que o julgador conheça e analise novos documentos apresentados após a defesa inaugural, sobretudo quando se prestam a corroborar com tese aventada em sede de primeira instância e contemplada pelo Acórdão recorrido. Dessa forma, os documentos apresentados pelo recorrente em sede de recurso devem ser admitidos e apreciados. Da Análise do Recurso Voluntário Inferese dos autos que a discussão se reporta a direito creditório proveniente de suposto recolhimento indevido ou a maior de IRPJ, efetuado no anocalendário de 2010, via DARF, apresentado através de Dcomp. Em suas razões de recurso, discorre o contribuinte que não se trata de crédito oriundo de pagamento indevido de PIS e COFINS e sim de recolhimento indevido ou a maior de IRPJ, tal como declarado em sua Dcomp. Pontua que promoveu o pagamento do PIS e da COFINS pelo regime cumulativo, antes de realizar a opção pelo lucro real quando do pagamento do imposto de renda e da contribuição social, situação essa que lhe causou dúvida sobre o acerto de sua opção. Em face disso, apresentou Consulta Administrativa ao órgão competente, solucionada, nos termos a seguir transcritos: a) a entrega espontânea da DCTF onde informa que o regime de apuração é pelo lucro presumido, combinado com as informações referentes às contribuições ao Fl. 198DF CARF MF Processo nº 13819.906239/201264 Acórdão n.º 1301003.310 S1C3T1 Fl. 8 7 Pis/Pasep e a Cofins bem como seus respectivos pagamentos pelo regime cumulativo, também informados na Dacon, constituem opção pelo lucro presumido sendo tal opção definitiva para todo o ano calendário. b) Eventuais diferenças dos tributos e contribuições recolhidos no regime de lucro real, caso sejam estes (IRPJ, CSLL, Pis/Pasep e Cofins) inferiores aos valores apurados pelo lucro presumido, poderão ser recolhidas até o trigésimo dia seguinte ao da ciência da Solução de Consulta, sem aplicação de multa e de juros de mora, de acordo com art. 14 da Instrução Normativa RFB nº 740, de 02 de maio de 2007. Ou seja, entendeu a RFB, através de Solução de Consulta (documento se encontra nos autos e apresentado juntamente com o recurso voluntário) que o contribuinte fez a opção pelo lucro presumido, quando da entrega da DCTF e quando realizou os pagamentos das contribuições ao PIS e a COFINS pelo regime cumulativo, sendo esta opção definitiva para todo o anocalendário, dizendo ainda que eventuais diferenças deveriam ser recolhidas até o trigésimo dia seguinte ao da ciência da referida Solução de Consulta, sem aplicação de multa e de juros de mora, nos termos da legislação vigente. Porém, de acordo com o contribuinte, não havia pagamento a menor e sim, pagamento a maior por ter efetuado o recolhimento erroneamente na forma de tributação pelo lucro real quando deveria ter sido apurado na forma presumida, o que lhe daria o direito de pleitear a compensação desse montante. Apresentada a Dcomp, a mesma foi indeferida, sob a alegação de que o recolhimento encontravase inteiramente alocado, não havendo saldo para compensação. O motivo para que o cotejo de dados não tenha resultado em favor do contribuinte, pelo que se vê, é que não houve a retificação dos valores informados como devidos ao fisco na declaração do imposto de renda do período. Como se sabe, descabe a retificação da declaração de rendimentos apresentada para tributação com base do lucro real, para substituíla por declaração optando pelo lucro presumido. Nada podendo apresentar a declaração retificadora porque o sistema eletrônico da Secretaria da Receita Federal não permite, devese, ao meu ver, ultrapassar esse obstáculo, permitindo ao contribuinte provar a existência do alegado direito creditório, através de documentos hábeis e idôneos, para análise da liquidez e certeza do crédito pleiteado. Ante o exposto, voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso do contribuinte, para ultrapassar o obstáculo da impossibilidade de retificação da declaração de imposto de renda em razão do que decidido na Solução de Consulta, com o conseqüente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para verificação da liquidez e certeza do crédito pretendido em compensação, retomandose, a partir daí, o rito Fl. 199DF CARF MF Processo nº 13819.906239/201264 Acórdão n.º 1301003.310 S1C3T1 Fl. 9 8 processual habitual, oportunizando, ainda, ao contribuinte a possibilidade de apresentação de documentos ou esclarecimentos que entender necessários." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por dar parcial provimento ao recurso do contribuinte para ultrapassar o obstáculo da impossibilidade de retificação da declaração de imposto de renda, em razão do decidido em solução de consulta, com o conseqüente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para verificação da liquidez e certeza do crédito pretendido em compensação, retomandose, a partir daí, o rito processual habitual, oportunizando, ainda, ao contribuinte a possibilidade de apresentação de documentos ou esclarecimentos que entender necessários, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Fl. 200DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.996342/2012-56
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Sep 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 29 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2006
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL E PROCESSO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO.
A propositura, pelo contribuinte, de ação judicial com o mesmo objeto do processo administrativo fiscal, implica renúncia à discussão da matéria na via administrativa.
Numero da decisão: 1201-002.541
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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CONCOMITÂNCIA. RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. A propositura, pelo contribuinte, de ação judicial com o mesmo objeto do processo administrativo fiscal, implica renúncia à discussão da matéria na via administrativa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 99 63 42 /2 01 2- 56 Fl. 140DF CARF MF Processo nº 10880.996342/201256 Acórdão n.º 1201002.541 S1C2T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de processo administrativo decorrente de Pedido de Restituição eletrônico PER/DCOMP, transmitido pelo contribuinte a fim de compensar pretenso saldo credor de CSLL referente ao 3º trimestre/2006. Por meio do despacho decisório de fls., o pedido foi indeferido, sob a alegação de que o DARF informado como origem do crédito já teria sido integralmente utilizado para quitar outro débito declarado. O contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade. Alega, em síntese: (i) que o crédito é legítimo, uma vez que, por exercer atividade consistente na prestação de serviço hospitalar, faria jus ao direito de aplicação do percentual de presunção do lucro de 12% para CSLL, e não de 32%, como equivocadamente considerou nas suas apurações; e (ii) que retificou as declarações (DIPJ e DCTF), ainda que em momento posterior ao despacho decisório. A DRJ, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, por entender que o contribuinte não faria jus ao enquadramento do percentual de presunção de 12%. Cientificada da decisão de piso, a empresa interpôs recurso voluntário por meio do qual reitera as razões de defesa, bem como alega que possui decisão judicial que reconheceu o direito de aplicar o percentual de 12%, e não 32%. É o relatório. Fl. 141DF CARF MF Processo nº 10880.996342/201256 Acórdão n.º 1201002.541 S1C2T1 Fl. 4 3 Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa Relatora O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1201002.511, de 21/09/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10880.662116/2012 74, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1201002.511): Conforme visto no tópico do relatório, o presente litígio diz respeito ao enquadramento ou não do objeto social da Recorrente no conceito de serviços hospitalares. Assim, caso seja verificado que a empresa presta serviço hospitalar, cabível o reconhecimento do direito creditório. Caso contrário, ou seja, uma vez verificado que a atividade desenvolvida é outra, correto o indeferimento do pedido de restituição. Nesse contexto, e por mais esforços que a autoridade fiscal responsável pelo lançamento e a decisão da DRJ tenham empreendido no sentido de afastar o enquadramento da atividade da empresa enquanto serviço hospitalar, o fato é que a Recorrente ajuizou ação judicial que tem por objeto justamente o reconhecimento do direito de se valer do referido percentual de 8% às suas atividades. De fato, o contribuinte possui sentença que deu provimento à ação judicial por ele ajuizada e, inclusive, já transitou em julgado o reconhecimento do direito de se valer do percentual de 8% para fins de lucro presumido. Abaixo copio o quadro do movimento do processo disponibilizado eletronicamente e transcrevo o resumo da demanda, respectivamente: PROCESSO 002259987.2013.4.03.6100 MOVIMENTAÇÃO PROCESSUAL Todas as Movimentações Seq Data Descrição 40 23/01/2015 ARQUIVAMENTO DOS AUTOS Receb.Guia: 542/2014 (7a. Vara) Pac.: 610007000412 39 05/12/2014 BAIXA DEFINITIVA ARQUIVO conf. Guia n.542/2014 (7a. Vara) Fl. 142DF CARF MF Processo nº 10880.996342/201256 Acórdão n.º 1201002.541 S1C2T1 Fl. 5 4 38 28/11/2014 DECURSO DE PRAZO Nome da Parte: AUTORA Complemento Livre: DESPACHO DE FLS. 91 37 30/10/2014 DISPONIBILIZACAO D. ELETRONICO DE DESPACHO/DECISAO ,PAG. 39/41 36 08/10/2014 REMESSA PARA PUBLICACAO DE DESPACHO/DECISAO 35 08/10/2014 RECEBIMENTO DO JUIZ C/ DESPACHO/DECISAO 34 06/10/2014 AUTOS COM (CONCLUSAO) JUIZ PARA DESPACHO/DECISAO 33 06/10/2014 TRANSITO EM JULGADO Data do Último Prazo: 23/09/2014 Complemento Livre: PARA PARTES 32 27/08/2014 RECEBIMENTO DA FAZENDA NACIONAL 31 27/08/2014 RECEBIMENTO NA SECRETARIA 30 18/08/2014 REMESSA EXTERNA PROCURADORIA DA FAZENDA NACIONAL VISTA 29 12/08/2014 DECURSO DE PRAZO Nome da Parte: AUTORA Complemento Livre: 28 16/07/2014 DISPONIBILIZACAO D. ELETRONICO DE SENTENCA ,PAG. 35/55 27 02/07/2014 REMESSA PARA PUBLICACAO DE SENTENCA Tratase de ação ordinária, com pedido de tutela antecipada, em que postula a autora a inexigibilidade do percentual de presunção de 32% na aplicação do Imposto de Renda sobre a Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido pelo regime de apuração do lucro presumido às atividades hospitalares, reconhecendose como corretos os percentuais de 8% e 12%, respectivamente.Alega que, por se tratar de pessoa jurídica prestadora de serviços médicos de pronto socorro junto ao Hospital São Luiz Unidade Itaim, atendendo em média 7.600 pacientes por mês, tem direito ao recolhimento dos tributos pelas alíquotas menores asseguradas aos prestadores de serviços hospitalares.Sustenta que a Receita Federal vinha reconhecendo às clínicas médicas o enquadramento tributário na qualidade de prestadores de serviços hospitalares, entendimento que foi alterado após a edição do Ato Declaratório Interpretativo 19/2007 e da Instrução Normativa RFB n 791/2007, com as alterações da IN n 1234/2012, que restringiram a possibilidade de enquadramento da grande maioria das clínicas na tributação presumida da renda sob os percentuais minorados.Entende que a Receita Federal não poderia criar um novo conceito de serviços hospitalares dissociado do Direito Privado, o que determina sejam afastados os atos impugnados. Como se nota, a discussão que foi travada no processo judicial direito à aplicação do percentual de 8% para fins de IRPJ no lucro presumido tem o mesmo objeto do que se postula no recurso voluntário ora interposto. Fl. 143DF CARF MF Processo nº 10880.996342/201256 Acórdão n.º 1201002.541 S1C2T1 Fl. 6 5 Nesses casos, cabível a aplicação da Súmula CARF nº 1, que assim dispõe: importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Em razão, então, da concomitância apontada, NÃO CONHEÇO do RECURSO VOLUNTÁRIO. É como voto. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por não conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Fl. 144DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11128.730090/2014-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Oct 31 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 16/03/2012 a 20/02/2013
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. NÃO COMPROVADA A CONTRADIÇÃO. REJEIÇÃO.
Inexistindo obscuridade, omissão ou contradição no acórdão embargado, impõe-se a rejeição dos embargos de declaração.
Numero da decisão: 3302-006.028
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
Walker Araujo - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado), Vinícius Guimarães (suplente convocado), Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus e Diego Weis Júnior.
Nome do relator: WALKER ARAUJO
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 16/03/2012 a 20/02/2013 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. NÃO COMPROVADA A CONTRADIÇÃO. REJEIÇÃO. Inexistindo obscuridade, omissão ou contradição no acórdão embargado, impõese a rejeição dos embargos de declaração. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) Walker Araujo Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado), Vinícius Guimarães (suplente convocado), Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus e Diego Weis Júnior. Relatório Tratase de Embargos de Declaração opostos pela devedora solidária Multiesferas Comércio, Importação e Exportação de Esferas Ltda., informando que não foi AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 73 00 90 /2 01 4- 51 Fl. 693DF CARF MF Processo nº 11128.730090/201451 Acórdão n.º 3302006.028 S3C3T2 Fl. 694 2 intimada para tomar ciência da decisão proferida pela DRJ/FNS, situação que a impossibilitou de exercer os direitos e garantias que são atribuídos pela CF/88. Às folhas 691692, foi proferido despacho admitindo os Embargos de Declaração para sanar o vício noticiado pela Embargante nos seguintes termos: Compulsando os autos, constatase que, de fato, a responsável solidária não tomou ciência do acórdão de primeira instância de julgamento e, por conseguinte, não teve oportunidade de se defender da decisão a quo, que lhe foi desfavorável. A despeito da titulação dada pela recorrente aos embargos, fato é que trata se, sem dúvida, de um ponto sobre o qual o acórdão embargado deveria ter se manifestado. Uma vez que já haja decisão colegiada proferida em relação à embargante, creio que seja prudente submeter a matéria à Turma, para que nova decisão seja tomada, indicando a melhor solução para o saneamento do processo. É o relatório. Voto Conselheiro Walker Araujo Relator Os embargos de declaração opostos pela devedora solidária Multiesferas Comércio, Importação e Exportação de Esferas Ltda., teve o exame de admissibilidade processado regularmente, dele tomo conhecimento. Conforme exposto anteriormente, a devedora solidária Multiesferas Comércio, Importação e Exportação de Esferas Ltda., ora Embargante, alega que não foi intimada a tomar ciência da decisão de primeira instância, ficando, assim, impedida de exercer seu amplo direito de defesa, no presente caso, interpor recurso voluntário contra decisão de piso. Requer, nestes termos, seja sanado o vício apontado com a anulação do acórdão nº 3302004145 (fls. 653661) proferido por este Colegiado e, consequentemente seja feita a sua intimação acerca da decisão de piso, oportunizando, assim, a apresentação de recurso voluntário. Contudo, analisando o processo, constatase que a ora Embargante teve ciência integral de todos os documentos dos autos em 21.03.2016, conforme se verifica no Termo de Ciência, Vista e Entrega de Cópia e Processo Digital, período este, posterior a disponibilização/publicidade da decisão de piso no processo. Referido termo deixou expresso que o contribuinte estava sendo cientificado de todos os atos processuais já ocorridos nos autos, sem que isso anulasse as intimações/ciência ocorridas em datas anteriores, a saber: Fl. 694DF CARF MF Processo nº 11128.730090/201451 Acórdão n.º 3302006.028 S3C3T2 Fl. 695 3 Vale registrar, que a pessoa que assinou o Termo de Ciência detinha poderes para tanto, conforme se verifica na procuração carreada as fls. 590. Neste necessário, a Embargante teve ciência da decisão de piso e, deixou de apresentar seu recurso no prazo previsto em lei. Este fato, inclusive, constou do acórdão nº 3302004.415: Não há recurso voluntário por parte da responsável solidária MULTIESFERA COMÉRCIO, IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO DE ESFERAS LTDA. Não é demais lembrar que o Decreto nº 70.235/72, traz em seu artigo 23 os meios pelos quais serão feitas as intimações, dentre os quais destacase o inciso I, aplicável ao presente caso: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) Portanto, não há nulidade à ser sanada nos autos. Diante do exposto, voto por rejeitar os Embargos de Declaração. É como voto (assinado digitalmente) Walker Araujo Fl. 695DF CARF MF
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Numero do processo: 10314.721095/2016-94
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2012
PRELIMINAR DE NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA
Não constitui cerceamento de defesa, quando a interessada teve a oportunidade de apresentar a documentação no curso da ação fiscal e deliberadamente não o fez, reiterando sua conduta quando da impugnação e do recurso voluntário.
Com o início da fase litigiosa, a contribuinte tem o direito de exercer plenamente seu direito de defesa, podendo apresentar todos os elementos de prova contra o lançamento. Não há, portanto, cerceamento do direito à ampla defesa se o Termo de Verificação Fiscal e o respectivo Auto de Infração, lavrado pelo Fisco, descreve em detalhe cada uma das infrações que são imputadas ao sujeito passivo com os respectivos enquadramentos legais.
OMISSÃO DE RECEITA. DIFERENÇAS DE ESTOQUE.
Se o interessado não apresenta comprovação, com documentação pertinente, para justificar as diferenças de estoque apuradas pela fiscalização, a presunção de omissão de receita encontra respaldo na legislação pátria.
Caracterizam-se como omissão de receitas as diferenças de quantidades de produtos apuradas no estoque final, considerando-se o estoque inicial, as compras e as vendas registradas na escrituração contábil da empresa.
IMPUGNAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
As alegações apresentadas na impugnação devem vir acompanhadas das provas documentais necessárias e suficientes, sob risco de impedir sua apreciação pelo julgador administrativo.
MULTA QUALIFICADA. NULIDADE PARCIAL DO AUTO DE INFRAÇÃO POR FALTA DE MOTIVAÇÃO.
A falta de descrição dos motivos de fato que ensejaram a aplicação da multa qualificada encerram nulidade parcial do auto de infração justamente por importar em cerceamento de defesa do contribuinte.
CSLL, PIS/PASEP E COFINS.
Aplicam-se aos lançamentos da CSLL, do PIS/Pasep e da Cofins os mesmos argumentos esposados para o IRPJ, naquilo em que há similitude dos motivos do lançamento e das razões de impugnação.
Numero da decisão: 1302-003.127
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade suscitadas e, no mérito, em negar provimento aos recursos voluntário e de ofício, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gustavo Guimarães da Fonseca - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado, Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca.
Nome do relator: GUSTAVO GUIMARAES DA FONSECA
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CERCEAMENTO DE DEFESA Não constitui cerceamento de defesa, quando a interessada teve a oportunidade de apresentar a documentação no curso da ação fiscal e deliberadamente não o fez, reiterando sua conduta quando da impugnação e do recurso voluntário. Com o início da fase litigiosa, a contribuinte tem o direito de exercer plenamente seu direito de defesa, podendo apresentar todos os elementos de prova contra o lançamento. Não há, portanto, cerceamento do direito à ampla defesa se o Termo de Verificação Fiscal e o respectivo Auto de Infração, lavrado pelo Fisco, descreve em detalhe cada uma das infrações que são imputadas ao sujeito passivo com os respectivos enquadramentos legais. OMISSÃO DE RECEITA. DIFERENÇAS DE ESTOQUE. Se o interessado não apresenta comprovação, com documentação pertinente, para justificar as diferenças de estoque apuradas pela fiscalização, a presunção de omissão de receita encontra respaldo na legislação pátria. Caracterizamse como omissão de receitas as diferenças de quantidades de produtos apuradas no estoque final, considerandose o estoque inicial, as compras e as vendas registradas na escrituração contábil da empresa. IMPUGNAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. As alegações apresentadas na impugnação devem vir acompanhadas das provas documentais necessárias e suficientes, sob risco de impedir sua apreciação pelo julgador administrativo. MULTA QUALIFICADA. NULIDADE PARCIAL DO AUTO DE INFRAÇÃO POR FALTA DE MOTIVAÇÃO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 72 10 95 /2 01 6- 94 Fl. 2992DF CARF MF Processo nº 10314.721095/201694 Acórdão n.º 1302003.127 S1C3T2 Fl. 2.993 2 A falta de descrição dos motivos de fato que ensejaram a aplicação da multa qualificada encerram nulidade parcial do auto de infração justamente por importar em cerceamento de defesa do contribuinte. CSLL, PIS/PASEP E COFINS. Aplicamse aos lançamentos da CSLL, do PIS/Pasep e da Cofins os mesmos argumentos esposados para o IRPJ, naquilo em que há similitude dos motivos do lançamento e das razões de impugnação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade suscitadas e, no mérito, em negar provimento aos recursos voluntário e de ofício, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Gustavo Guimarães da Fonseca Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado, Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca. Relatório Cuida do feito de autos de infração lavrados em desfavor do recorrente, a fim de se lhe exigir o recolhimento de créditos tributários afeitos ao IRPJ e, reflexamente, à CSLL, PIS e COFINS, apurados no anocalendário de 2012, em que, ainda, fora cominada multa de ofício qualificada, no percentual de 150%. Pelo que se extrai do Termo de Verificação Fiscal de efls. 1.983/1.987, a Autoridade Lançadora teria identificado incongruências nos lançamentos constantes da DIPJ/2012 do contribuinte, notadamente entre o valor do custo dos produtos de fabricação própria vendidos, inseridos na ficha 4a, linha 23 1º a 4º trimestres , no importe de R$ 10.296.685,73, e o montante relativo à receita líquida das atividades R$ 1.899.662,04, informado na linha 16 da ficha 06 da mesma declaração. Em vista disso, intimouo a justificar semelhante diferença e, ainda, a comprovar a composição do saldo, em 31.12.2012, da conta contábil de nº 210200000021200 denominada Fornecedores, no valor de R$ 14.039.388,25, instandoo a apresentar as notas fiscais e duplicatas pertinentes. Após a expedição de termo de reintimação, seguido de um pedido de prorrogação postulado pelo Recorrente, foram apresentadas as notas fiscais alegadamente Fl. 2993DF CARF MF Processo nº 10314.721095/201694 Acórdão n.º 1302003.127 S1C3T2 Fl. 2.994 3 relativas ao custo do produtos. O contribuinte, então, solicitou por duas vezes, a prorrogação dos prazos para atendimento à intimação fiscal tendo entregado, "em 12/04/2016, um envelope cont endo recibos de pagamentos de duplicatas para empresa Texrem Ind. e Com de Vestiário Ltda EPP, CNPJ 07.314.755/000100 e um pen drive com a planilha relativa à composição do saldo da conta de fornecedores, em 31.12.2012". Passo seguinte, a Fiscalização intimou novamente o contribuinte a justificar as divergências relativas aos custos de produtos de fabricação própria e o valor da receita líquida, já apontadas anteriormente. Através da resposta juntada à efls. 59, sem apresentação de quaisquer documentos adicionais, a empresa asseverou: A incompatibilidade existente entre os Custos dos Produtos de Fabricação Própria Vendidos e as receitas líquida (sic) das atividades lançadas na DIPJ2012, devese a custos de anos anteriores não apropriados nas épocas próprias. A D. Auditoria, então, procedeu ao levantamento quantitativo, por espécie de produtos, dos estoques e, verificando a existência de diferenças negativas e positivas, e com espeque nos preceitos do art. 281, caput e 286 e §§ do RIR, autuou o contribuinte por omissão de receitas, calculando as exações fiscais com base no lucro real, regime a que se submetia, então, a empresa autuada. Irresignado, o contribuinte opôs a sua impugnação administrativa sustentando, num primeiro momento, preliminar de cerceamento de defesa, mormente por não lhe ter sido, pretensamente, oportunizado explicar as divergências, segundo ele, apuradas por amostragem e de forma unilateral; reforça este o pleito com o argumento de que os autos de infração já estaria "prontos e acabados" antes da lavratura do termo de encerramento da ação fiscal (afirmando, neste passo, que não teria como explicar as preditas divergências se a autuação já estava pronta, finalizada "e em sistema" antes do encerramento, insistase, do procedimento fiscal). Sustenta, em seguida, ser descabida a multa qualificada (equivocadamente descrita como "agravada") ante a ausência de intento fraudulento. Finalmente, o contribuinte se insurge contra o mérito da autuação em si, reprisando que as divergências encontradas teriam se dado a partir de erro de terceiro (contabilidade) que teria deixado de apropriar os preditos custos na competência a que de fato pertenciam; dito isto, afirma, as informações constantes de sua DIPJ seriam resultado de um mero ajuste contábil e que semelhante assertiva teria sido comprovada a partir da resposta juntada à efls. 26 a 51 (recibos de pagamentos de duplicadas e planilha de composição da conta "fornecedores"). Em seguida, critica, novamente, o trabalho fiscal mormente pela análise, apenas, de amostragem das notas trazidas e, ainda, pela falta de cotejo entre os documentos apresentados e os valores por ele declinados em sua DIPJ, repetindo a alegação de violação ao primado do art. 142 e o desrespeito à regra de distribuição do ônus probatório. Ao analisar o caso, a DRJ de Campo Grande houve por bem dar parcial provimento á defesa do contribuinte, ainda que, tão só, para afastar a qualificação da multa de Fl. 2994DF CARF MF Processo nº 10314.721095/201694 Acórdão n.º 1302003.127 S1C3T2 Fl. 2.995 4 ofício, centrando tal decisum na Súmula 14 deste CARF e no fato do TVF não declinar os motivos para a majoração da penalidade. Transcrevo, a seguir, a ementa do julgado em testilha: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2012 PRELIMINAR DE NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA Não constitui cerceamento de defesa, quando a interessada teve a oportunidade de apresentar a documentação no curso da ação fiscal e deliberadamente não o fez, reiterando sua conduta quando da impugnação do crédito constituído. Com o início da fase litigiosa, a contribuinte tem o direito de exercer plenamente seu direito de defesa, podendo apresentar todos os elementos de prova contra o lançamento. Não há, portanto, cerceamento do direito à ampla defesa se o Termo de Verificação Fiscal e o respectivo Auto de Infração, lavrado pelo Fisco, descreve em detalhe cada uma das infrações que são imputadas ao sujeito passivo com os respectivos enquadramentos legais. OMISSÃO DE RECEITA. DIFERENÇAS DE ESTOQUE. Se o interessado não apresenta comprovação, com documentação pertinente, para justificar as diferenças de estoque apuradas pela fiscalização, a presunção de omissão de receita encontra respaldo na legislação pátria. Caracterizamse como omissão de receitas as diferenças de quantidades de produtos apuradas no estoque final, considerandose o estoque inicial, as compras e as vendas registradas na escrituração contábil da empresa. IMPUGNAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. As alegações apresentadas na impugnação devem vir acompanhadas das provas documentais necessárias e suficientes, sob risco de impedir sua apreciação pelo julgador administrativo. MULTA QUALIFICADA. INAPLICABILIDADE. Somente cabe a qualificação da multa para o percentual de 150% quando comprovada a intenção do agente em praticar fraude. A multa de 150% exige a demonstração do dolo de impedir ou retardar o conhecimento, pela autoridade fiscal, da ocorrência do fato gerador CSLL, PIS/PASEP E COFINS. Aplicamse aos lançamentos da CSLL, do PIS/Pasep e da Cofins os mesmos argumentos esposados para o IRPJ, naquilo em que há similitude dos motivos do lançamento e das razões de impugnação. Em razão da exclusão de parte do crédito tributário, resultante do afastamento da qualificação da multa de ofício, e, tendo em conta o fato de que o montante total exonerado Fl. 2995DF CARF MF Processo nº 10314.721095/201694 Acórdão n.º 1302003.127 S1C3T2 Fl. 2.996 5 (R$ 2.765.605,95 conforme planilha constante da página 15 do acórdão recorrido) ultrapassava o valor de alçada preconizado pela Portaria MF 63/17, recorreu de ofício à este Conselho. A empresa foi cientificada do julgamento supra em 10.05.2017, como se depreende do AR juntado à efls. 2.950, tendo interposto o seu recurso voluntário em 08.06.2017 (tal qual se dessume do Termo de Solicitação de Juntada de efls. 2.954), por meio do que, em linhas gerais, repete os argumentos já deduzidos em suas razões de impugnação. Este é o relatório. Voto Conselheiro Gustavo Guimarães da Fonseca Relator O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de cabimento, razão pela qual, dele, tomo conhecimento. Também conheço do Recurso de Ofício já que, como já apontado no relatório, o valor total exonerado ultrapassa os limites apostos na Portaria/MF de nº 63/2017. I Recurso Voluntário. I.1 Preliminar de cerceamento de defesa. A preliminar em análise pode ser dividida em dois argumentos distintos, um de cunho substancial/material e outro de natureza formal. Ambos, todavia, pelas razões recursais, conformariam um alegado cerceamento de defesa. O primeiro argumento, mais palpável, digase, cinge à alegação de que o contribuinte, em especial, os seus representantes legais, não teriam sido instados a explicar as divergências apuradas pela fiscalização que, caso os tivesse ouvido, não teria concluído pela omissão de receitas. De fato, caso fosse demonstrada a falta de intimação do contribuinte para provar por meios e documentos hábeis e idôneos a inocorrência de infração sobre a qual recai a presunção legal, estaríamos, efetiva e irremediavelmente, diante de hipótese de nulidade insanável. Ocorre, entretanto, e o recorrente parece ignorar, que a Fiscalização, atendendo aos estritos do preceito do art. 281, caput, do RIR, intimou o contribuinte por três vezes, para, conforme Termos de Intimação Fiscal de efls 4/7 (Termo de Início de Ação Fiscal), 21/25 (Termo de Intimação Fiscal de nº 5) e 54/57 (Termo de Intimação Fiscal de nº 7), ""justificar a incompatibilidade entre o Custo dos Produtos de Frabricação Própria Vendidos lançados na DIPJ anocalendário de 2012, na ficha 4a, linha 23, referente ao 1º, 2º, 3º e 4º trimestre, no montante de R$ 10.296.685,73 (...) em relação as (sic) receitas líquida (sic) das atividades lançadas na DIPJ anocalendário de 2012, na ficha 06a, linha 16, no montante de R$ 1.899.662,04 (...)". Fl. 2996DF CARF MF Processo nº 10314.721095/201694 Acórdão n.º 1302003.127 S1C3T2 Fl. 2.997 6 E, após sucessivos pedidos de prorrogação, o contribuinte apresentou a lacônica resposta de efls. 59, que, não obstante já transcrita no relatório, peço vênia para reproduzir: A incompatibilidade existente entre os Custos dos Produtos de Fabricação Própria Vendidos e as receitas líquida (sic) das atividades lançadas na DIPJ2012, devese a custos de anos anteriores não apropriados nas épocas próprias. Ora vamos, ha um limite imposto à Fiscalização, até por força do princípio da eficiência, à perquirição dos fatos cujo ônus, destaquese, e será reprisado mais adiante, era do recorrente, por força de previsão legal expressa (se as presunções preconizadas pela legislação não respeitam o primado da legalidade ou da verdade material, é questão que deve ser dirimida no foro próprio). Não há dúvidas, no caso, de que o contribuinte teve, sim, inúmeras oportunidades para explicar e comprovar, por meio de provas hábeis e idôneas, os motivos da relevante disparidade entre as informações por ele mesmo prestadas em suas declarações fiscais, não se observando, pois, no caso, qualquer desrespeito à legislação de regência. Quanto ao segundo argumento, ainda relacionado ao alegado cerceamento de defesa, e de cunho formal, a empresa autuada questiona o fato do auto de infração ter sido concluído antes mesmo do encerramento da ação fiscal... além de me ser difícil, objetivamente, entender o que pretendia o recorrente com semelhante assertiva (daí afirmar ser menos "palpável" tal argumento), imagino (e só posso imaginar) que o que pretendia, aqui, é que o fisco lhe disponibilizasse a minuta dos termos da autuação antes mesmo de sua concreta intimação para opor a sua impugnação. E em sendo isto, realmente, o que pretendia o insurgente, venia concessa, não haverá, aqui, qualquer embasamento legal, processual ou razoavelmente admissível para justificar semelhante alegação. Como bem asseverou a DRJ, neste ponto, o contencioso, e, portanto, a observância ao contraditório (tirante as intimações para afastar eventual presunção legal assumida como pressuposto da exigência fiscal, já tratada acima), só se impõe com a oportunização ao oferecimento da competente impugnação. Até lá, o procedimento fiscal é investigativo... não há, propriamente, contraditório... se, entende o recorrente, a D. Auditoria deixou de apurar fatos pretensamente relevantes para as conclusões contidas nos autos de infração, que se questione a incerteza do crédito tributário e, por conseguinte, a improcedência da autuação (por desrespeito ao art. 142 do CTN como, aliás, o faz o contribuinte quando ataca o mérito da exigência fiscal). A falta de instrução completa ou a desconsideração de fatos, provas ou documentos que demonstrariam as premissas da defesa porventura oposta, são questões afeitas ao mérito da discussão, não representando qualquer empecilho ao exercício lato, irrestrito, suficiente da ampla defesa. E, com o devido respeito, não me pronunciarei sobre fato, apenas, noticiado pelo recorrente, concernente à anulação de um primeiro auto de infração e a sua substituição por outro; é que esta questão foi aventada apenas para fomentar a alegação de vício formal, anteriormente enfrentada, sem que se opusesse, o contribuinte, ao procedimento adotado pela Fiscalização com espeque nos preceitos do art. 149 do CTN. Fl. 2997DF CARF MF Processo nº 10314.721095/201694 Acórdão n.º 1302003.127 S1C3T2 Fl. 2.998 7 Assim, tal como corretamente apontado pela DRJ, não se observa no caso qualquer tipo de violação à garantia constitucional da ampla defesa, sendo de se afastar a preliminar em testilha. I.2 Mérito. Omissão de receitas. I.2.1 Prefacialmente. O cerne das razões de defesa do recorrente cinge à alegação de que as divergências apuradas no curso da ação fiscal (e para as quais não foram juntados documentos, provas, planilhas, sugestões ou mesmo dicas), decorreriam de, como já transcrito alhures, erro de escrituração de custos que pertenceriam a outro período de apuração e que, portanto, teriam sido apontados na DIPJ como mero ajuste contábil. De início, vale ressaltar que cheguei a cogitar a conversão deste julgamento em diligência a fim de que fossem juntados ao feito as cópias das notas fiscais apresentadas pelo contribuinte em resposta ao Termo de Intimação Fiscal de nº 5, mormente porque o recorrente alega que tais notas fariam prova da sua alegação. Diversas razões, todavia, me levaram a reconsiderar este meu impulso inicial... Vejam bem, se, realmente, os valores concernentes aos estoques de 2011 e 2012 estavam equivocados, porque apropriados fora da competência efetivamente devida, caberia ao recorrente lançar mão das regras descritas no art, 186, §1º, da Lei 6.404/75, cujos ditames reproduzo a seguir: § 1º Como ajustes de exercícios anteriores serão considerados apenas os decorrentes de efeitos da mudança de critério contábil, ou da retificação de erro imputável a determinado exercício anterior, e que não possam ser atribuídos a fatos subseqüentes. Em outras palavras, se efetivamente a empresa insurgente incorreu em erro por falta de lançamento de suas compras no período competente, cabialhe fazer e registrar contabilmente tais ajustes, a fim de, hábil e idoneamente, demonstrar que incorrera não em omissão de receitas, mas, isto sim, em postergação dos custos. O problema é que eventual ajuste, aqui, ainda teria que obedecer as regras encartadas no § 2º do art. 247 do RIR, segundo o qual "os valores que, por competirem a outro período de apuração, forem, para efeito de determinação do lucro real, adicionados ao lucro líquido do período de apuração, ou dele excluídos, serão, na determinação do lucro real do período de apuração competente, excluídos do lucro líquido ou a ele adicionados, respectivamente, observado o disposto no parágrafo seguinte". Ou seja, acaso o contribuinte tivesse procedido, como afirma, ao ajuste de seus custos mediante apropriação destes em exercício posterior, por força do preceito supra transcrito, deveria ter procedido à sua adição ao lucro líquido do exercício e 2012 (já que tais custos só poderiam impactar os exercícios concernentes às competências a que se referem). Da DIPJ juntada à efls. 83/168, em especial da Ficha 9A, não se observa qualquer adição concernente a semelhante "postergação"; não há, pois, na própria DIPJ que o contribuinte aponta como prova da apropriação destes custos no ano de 2012 nenhuma informação, dado Fl. 2998DF CARF MF Processo nº 10314.721095/201694 Acórdão n.º 1302003.127 S1C3T2 Fl. 2.999 8 ou valor que, nem de longe, indicie a veracidade da assertiva lançada pela empresa para justificar as divergências apontadas pela D. Auditoria no TVF. Outrossim, e como já dito, o recorrente insiste em afirmações lacônicas e genéricas de que as notas fiscais por ele apresentadas (e não juntadas ao feito pela Fiscalização) demonstrariam que os citados custos pertenceriam a outra competência, sem, contudo, fazer o cotejo destas notas, seja com o seus Livros de Registro de Inventário, seja, como já dito, com o próprio Livro Razão (também não localizado nos autos), que deveria conter conta específica de "ajuste decorrente de períodos anteriores" (como preconiza o mencionado art. 186, §1º). Por esta razão, vejam bem, entendo impertinente e contraproducente a juntada das preditas notas fiscais porque, quando muito, revelarão a data da ocorrência das operações nelas retratadas; sem a correção, todavia, entre estas notas e os livros de inventário e razão, particularmente quanto a este último, com eventual conta contábil de ajuste de períodos anteriores, tais documentos são inúteis e irrelevantes. I.2.2 Da presunção legal e do ônus probatório e da acusação de falta de atendimento ao art. 142 do CTN. Entendo que as considerações acima já seriam suficientes à fundamentar, de antemão, a manutenção integral da autuação. Isto porque o único fundamento de fato, insista se, tratado tanto na impugnação como no recurso voluntário, foi a questão do "erro da contabilidade" e posterior ajuste... considerandose, neste particular, as disposições do, por vezes citado, art. 281, caput, da RIR, que contempla a hipótese de presunção relativa com distribuição do ônus probatório ao contribuinte, a inação deste ou mesmo a sua ação lacônica e genérica, com já dito , torna líquido e certo crédito apurado pela D. Auditoria Fiscal . Vale lembrar, reforçandose o que já afirmara o acórdão recorrido, que uma vez verificada a situação de fato que concretizaria o fatotipo da norma legal, concernente à presunção de omissão de receitas, a atuação fiscal se torna restrita. Ou seja, identificada a omissão, impende à Autoridade Lançadora, tão só, instar o contribuinte à apresentação de documentos, provas e argumentos hábeis e idôneos à ilidir a presunção, nada mais. O ônus probatório, insistase, deslocase do fisco para o contribuinte, impondoselhe, na forma do artigo 333, II, do CPC, desimcumbir deste ônus. Neste sentido, confirase a seguinte ementa de julgado recente deste Conselho: DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO ESCRITURADOS E DE ORIGEM NÃO COMPROVADA (LEI Nº 9.430/96, ART. 42). OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO LEGAL. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. Caracterizam como omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito, poupança e/ou investimento, junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa fÍsica ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Para imputação por presunção legal da infração omissão de receitas (fato probando) basta que o fisco comprove a ocorrência do fato indiciário, ou seja, a existência de extratos Fl. 2999DF CARF MF Processo nº 10314.721095/201694 Acórdão n.º 1302003.127 S1C3T2 Fl. 3.000 9 bancários de conta corrente cuja movimentação financeira bancária não foi registrada na escrituração contábil/fiscal e a pessoa jurídica, embora intimada, não comprove a origem dos recursos ingressados a crédito na conta corrente bancária. A partir do fato indiciário depósitos bancários não escriturados e de origem não comprovada (fato conhecido) presumese a ocorrência ou existência de omissão de receitas à margem da tributação (fato probando). A presunção legal de omissão de receitas, além de inverter o ônus da prova, tem caráter relativo. O ônus probatório da não ocorrência do fato probando omissão de receitas portanto é do sujeito passivo, que poderá afastála mediante produção de prova apta, idônea, cabal. (Acórdão 1301003.160, publicado em 28/08/2018). Nada obstante, o contribuinte sustenta, ainda, que, mesmo quanto a verificação da situação que autorizaria a assunção da presunção encartada no predito art. 281 do RIR, haveria vícios importantes no trabalho fiscal, por, alegadamente, ter procedido ao levantamento quantitativo físico a partir, exclusivamente, de amostras... Apenas por dever de ofício, e para que não recaia sobre esse julgador a pecha de omisso, vale destacar que o levantamento quantitativo foi realizado a partir do livro de registro de inventário e com base nas informações contidas na DIPJ do contribuinte. Prova disso se encontra juntada nos anexos I a III do TVF, que trazem os demonstrativos de apuração concernentes, respectivamente, ao estoque (efls. 900 a 950), aos valores de compras (951 a 953) e à produção (954 e 955). Daí é possível extrair que o lançamento não foi realizado por amostragem, mas, isto sim, de forma individualizada e por produtos e mercadorias. As vendas também foram obtidas a partir de informações e notas fiscais registradas no livro de registro de saída (devolvido ao contribuinte, conforme termo de devolução de efls. 1.906) tendo, a D. Auditoria, realizado o cotejo destas com os demais dados tratados nos mencionados anexos I a III, sumarizando os seus cálculos no anexo juntado à efls. E a recorrente, frisese, em momento algum, faz quaisquer críticas concretas aos lançamentos constantes destes demonstrativos limitandose, e apenas, à genérica alegação de violação ao art. 142 do CTN e ao princípio da verdade material. E aqui me permitam uma quebra de protocolo... o Recorrente faz três perguntas ao final de sua peça recursal, cujas as respostas por ele apresentadas, seriam negativas e, ato contínuo, evidenciariam a improcedência da autuação. Suas respostas, todavia, lastreiamse na equivocada premissa de que estariamos tratando de lançamento de tributos não encartados em dispositivo que, reprisese, encerra presunção legal relativa. Assim, quanto ao questionamento afeito à existência de prova da omissão de receitas (a que ele responde com um sonoro não), ignora a própria confissão com a qual abriu os seus argumentos: os seus registros de inventário e sua a DIPJ teriam sido equivocadamente anotados por sua contabilidade. Ora, foi justamente este "erro" (não comprovado, não demonstrado e sequer aprofundado por suas razões recursais), que culminou com as Fl. 3000DF CARF MF Processo nº 10314.721095/201694 Acórdão n.º 1302003.127 S1C3T2 Fl. 3.001 10 divergências apontadas, desde o início, pela ação fiscal... a prova, no caso, são os registro contábeis e fiscais produzidos pelo próprio recorrente. Em seguida, questiona se a empresa teria deixado de cumprir qualquer obrigação acessória Federal, Municipal ou Estadual; no que toca a esta pergunta vale destacar a sua irrelevancia... se o recorrente deixou de escriturar notas fiscais ou mesmo deixou de emití las, é fato estranho ao objeto da autuação. A omissão de receita é presumida, por força de lei... se o contribuinte emitiu as notas, se as registrou em seus livros fiscais e contábeis, esta era uma prova que lhe cabia produzir que, não obstante todas as chances que lhe foram franqueadas, nada disse, provou ou demonstrou. Finalmente, pergunta se houve cautela por parte da D. Auditoria a fim de efetivar uma conciliação entre os seus registros contábeis e as notas fiscais por ele trazidas e a resposta revolve tudo o que já disse anteriormente: tal mister era seu, e apenas seu, já que estamos diante de hipótese de presunção legal. Enfim, o trabalho fiscal e o respectivo lançamento seguiram a risca os ditames legais, não havendo reparos a fazer, nem quanto aos autos lavrados, nem tampouco quanto as conclusões contidas no acórdão recorrido, razão pela qual, é de se negar provimento ao recurso voluntário. II Do recurso de ofício. Permissa venia, mas invocação, pela DRJ, dos preceitos da Sumula 14 ao caso era, a toda monta, despicienda... a D. Fiscalização não fundamentou a qualificação da multa na ocorrência da omissão de receitas, per se. Pelo que se dessume do TVF (efls 1.983/1.987), a Autoridade Lançadora, simples e objetivamente, não motivou a predita qualificação. Não foi deduzida uma única linha sobre os motivos que teriam convencido o D. Auditor a aplicar a multa de ofício qualificada, na forma do art. 44 da Lei 9.430. A questão, portanto, perpassa, tão só, pela falta de descrição dos motivos de fato que permitiram tipificar as hipóteses dos art. 71 e ss da Lei 4.502, faltando, por isso mesmo, ao ato administrativo (quanto a este ponto, tão só) elemento essencial a sua validade e ao atendimento à garantia da ampla defesa, qual seja, a motivação. Sem motivar o ato, retirase do contribuinte até mesmo a possibilidade de saber contra o que se insurgir revelando, pois, como já pude me manifestar em casos similares, inegável cerceamento de defesa, impondose a anulação, ainda que parcial, da autuação, com espeque nos preceitos do art. 59, II, do Decreto 70.235/72. Por isso, a despeito de qualquer ilação adicional, não vejo motivos para se reformar a decisão de primeira instância. III Conclusão. Diante do exposto, voto por negar provimento aos Recurso Voluntário e de Ofício. (assinado digitalmente) Gustavo Guimarães da Fonseca Fl. 3001DF CARF MF Processo nº 10314.721095/201694 Acórdão n.º 1302003.127 S1C3T2 Fl. 3.002 11 Fl. 3002DF CARF MF
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Numero do processo: 10320.003830/2010-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007, 2008
DECADÊNCIA. IMPOSTO DE RENDA. FATO GERADOR
"O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano-calendário"(Súmula CARF nº 38).
OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA RENDIMENTOS CONFESSADOS NAS DECLARAÇÕES DE AJUSTE ANUAL TRÂNSITO PELAS CONTAS DE DEPÓSITOS EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DO IMPOSTO LANÇADO POSSIBILIDADE.
Uma vez que se pode presumir relação entre os rendimentos tributáveis declarados e os créditos bancários caracterizados como rendimentos omitidos, deve-se fazer a competente exclusão da base de cálculo do imposto lançado dos rendimentos tributáveis constantes da declaração de ajuste anual do contribuinte.
MULTA CARÁTER CONFISCATÓRIO
" O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária." Súmula CARF nº 2.
INAPLICABILIDADE DA TAXA SELIC
"A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais" Súmula CARF nº 4.
JUROS DE MORA E MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. CTN E LEGISLAÇÃO FEDERAL. PRECEDENTES STJ.
A incidência de juros de mora sobre a multa de ofício encontra fulcro legal em diversos dispositivos do CTN e da legislação tributária federal, sendo acolhida também nas decisões do STJ a respeito do tema.
Numero da decisão: 2202-004.661
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de decadência e, no mérito, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para admitir sejam excluídos do lançamento os valores declarados como tributáveis nas DIRPF´s de e-fls. 1155, 1162, 1169 e 1176, salvo aqueles já considerados pela fiscalização conforme informado na e-fl.15, item "II" da descrição dos fatos do auto de infração, vencidos os conselheiros Júnia Roberta Gouveia Sampaio (relatora) e Martin da Silva Gesto, que deram provimento ao recurso em maior extensão. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Ronnie Soares Anderson.
(Assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente e Redator Designado.
(Assinado digitalmente)
Júnia Roberta Gouveia Sampaio - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocada), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson (Presidente).
Nome do relator: JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO
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IMPOSTO DE RENDA. FATO GERADOR "O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário"(Súmula CARF nº 38). OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA RENDIMENTOS CONFESSADOS NAS DECLARAÇÕES DE AJUSTE ANUAL TRÂNSITO PELAS CONTAS DE DEPÓSITOS EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DO IMPOSTO LANÇADO POSSIBILIDADE. Uma vez que se pode presumir relação entre os rendimentos tributáveis declarados e os créditos bancários caracterizados como rendimentos omitidos, devese fazer a competente exclusão da base de cálculo do imposto lançado dos rendimentos tributáveis constantes da declaração de ajuste anual do contribuinte. MULTA CARÁTER CONFISCATÓRIO " O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária." Súmula CARF nº 2. INAPLICABILIDADE DA TAXA SELIC "A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais" Súmula CARF nº 4. JUROS DE MORA E MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. CTN E LEGISLAÇÃO FEDERAL. PRECEDENTES STJ. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 32 0. 00 38 30 /2 01 0- 18 Fl. 1601DF CARF MF 2 A incidência de juros de mora sobre a multa de ofício encontra fulcro legal em diversos dispositivos do CTN e da legislação tributária federal, sendo acolhida também nas decisões do STJ a respeito do tema. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de decadência e, no mérito, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para admitir sejam excluídos do lançamento os valores declarados como tributáveis nas DIRPF´s de efls. 1155, 1162, 1169 e 1176, salvo aqueles já considerados pela fiscalização conforme informado na efl.15, item "II" da descrição dos fatos do auto de infração, vencidos os conselheiros Júnia Roberta Gouveia Sampaio (relatora) e Martin da Silva Gesto, que deram provimento ao recurso em maior extensão. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Ronnie Soares Anderson. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente e Redator Designado. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocada), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson (Presidente). Relatório Tratase de autuação de Imposto de Renda Pessoa Física IRPF em razão das seguintes glosas; a) dedução de despesas médicas e previdência privada; b) omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada ocorrida nos anoscalendários de 2005 a 2008; c) omissão de rendimentos em razão dos depósitos efetuados na conta corrente de Luzia de Jesus Campos por ordem do autuado; A glosa das despesas mencionadas no item "a" não foram impugnadas. Fl. 1602DF CARF MF Processo nº 10320.003830/201018 Acórdão n.º 2202004.661 S2C2T2 Fl. 1.602 3 Em relação aos itens "b" e "c" o contribuinte apresentou impugnação na qual alega, resumidamente, o seguinte: a) Decadência dos lançamentos relativos aos fatos geradores relativos ao período de 01/2005 à 11/2005, uma vez que o auto de infração foi lavrado em 26/11/2010 e os fatos geradores são mensais; b) Os depósitos de origem não comprovada referemse à valores recebidos à título de pro labore e distribuição de lucros, devidamente declarados à receita devidamente declarados em suas declarações de ajuste anual e representam a quantia de R$ 2.048.738,89. Alega que tais valores correspondem ao dobro do valor de todos os depósitos relacionados pelos fiscais. c) algumas vezes os valores recebidos das empresas eram representados por diferentes depósitos dentro do mês. Se é correto afirmar que em determinados meses a soma daqueles depósitos era superior ao total efetivamente recebido a título de pro labore ou distribuição de lucros, não menos verdadeiro é que em muitos outros meses o montante depositado era inferior ao que a autuada fazia jus; d) O Auto de Infração em questão parte da premissa de que os depósitos bancários são provas suficientes para indicar a omissão de receita. Todavia, os tribunais administrativos e judiciais já, por várias vezes, se manifestaram no sentido de que um simples depósito não é evidência suficiente de omissão de receita; e) que os próprios fiscais admitem a existência do contrato de mútuo, mas desconsideram tais operações. Alegam também que os contratos de mútuo não necessitam de contrato escrito para sua validade e, sendo assim, não há razão para autuar o impugnante por omissão de rendimentos sob a alegação de ausência de comprovação relativa aos mencionados contratos; f) que a multa de 75% é confiscatória e abusiva; g) Inaplicabilidade da taxa SELIC, uma vez que não criada por lei; h) A multa de ofício configura sanção, penalidade e não tem natureza tributária. Assim sendo, não há’razão para ser aplicada a taxa de juros SELIC sobre o seu valor. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro (RJ) negou provimento ao recurso em decisão cuja a ementa é a seguinte: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005, 2006, 2007, 2008 APRESENTAÇÃO DE PROVAS. IMPUGNAÇÃO. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; refirase a fato ou a direito superveniente; ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Fl. 1603DF CARF MF 4 ALEGAÇÕES DE VIOLAÇÃO DE PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. Não compete à autoridade administrativa a apreciação de arguições de ilegalidade e de inconstitucionalidade de atos legais e infralegais legitimamente inseridos no ordenamento jurídico nacional ou de violação a qualquer princípio constitucional de natureza tributária. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões administrativas proferidas pelo Conselho de Recursos Administrativos Fiscais e pela Câmara Superior de Recursos Fiscais não vinculam as instâncias julgadoras, restringindose às matérias e às partes envolvidas no litígio. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007, 2008 DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO INDEVIDA DE PREVIDÊNCIA PRIVADA / FAPI. MATÉRIAS NÃO IMPUGNADAS. Se o interessado concorda com uma parcela da autuação ou deixa de impugnála, a matéria correspondente situase fora dos limites da lide, consolidandose administrativamente o crédito tributário a ela pertinente. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO. TERMO INICIAL. DATA DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. A ocorrência do fato gerador do Imposto de Renda devido no Ajuste Anual deve tomar como data para o seu aperfeiçoamento o último dia do anocalendário, não sendo válido o raciocínio de que a contagem do prazo decadencial deve ser feita de forma parcelada, em relação a cada mês, à medida que as receitas vão sendo apuradas. Sendo o IRPF tributo sujeito a lançamento por homologação e tendo havido pagamento antecipado, o prazo de decadência do direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário é de cinco anos, contados da ocorrência do fato gerador (§ 4º do art. 150 do CTN). DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PRESUNÇÃO LEGAL. Caracterizase omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. MULTA DE OFÍCIO. JUROS. TAXA SELIC. APLICABILIDADE. COMPETÊNCIA DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. Fl. 1604DF CARF MF Processo nº 10320.003830/201018 Acórdão n.º 2202004.661 S2C2T2 Fl. 1.603 5 Uma vez instaurado o procedimento de ofício, o crédito tributário apurado pela autoridade fiscal somente pode ser satisfeito com os encargos do lançamento de ofício, cabendo à Administração Pública cumprimento da lei no sentido de aplicar sobre o imposto apurado a multa de ofício e os juros Selic. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, após o seu vencimento, decorre de expressa disposição legal. Cientificado o contribuinte apresentou o Recurso Voluntário de fls. 1561/1593 no qual reitera as razões suscitadas quando da Impugnação É o relatório Voto Vencido Conselheira Júnia Roberta Gouveia Sampaio Relatora O recurso preenche os pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual, dele conheço. 1) PRELIMINARES 1.1) DA DECADÊNCIA DOS CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS RELATIVOS AO PERÍODO DE JANEIRO À NOVEMBRO DE 2005. De acordo com o Recorrente seus rendimentos estão sujeitos à tributação mensal. Sendo assim, no prazo de 5 (cinco) anos a contar do fim de determinado mês terá ocorrido a decadência do direito à constituição do crédito tributário correspondente ao IRPF relativo ao período de janeiro à novembro de 2005. Sem razão o Recorrente. Conforme demonstrado na decisão recorrida, a regra geral trazida pela Lei nº 7.713/88 é de que a apuração mensal constitui apenas uma antecipação do valor devido anualmente. As exceções estão previstas no artigo 83 do RIR/99 sujeitas à tributação exclusiva na fonte, dentre as quais, não se inclui a situação do Recorrente. Ademais, é entendimento pacífico no âmbito do CARF que "O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário"(Súmula CARF nº 38) . Sendo assim, não há que se falar em decadência dos lançamentos relativos ao perído de janeiro à novembro de 2005. 2) MÉRITO 2.1) DA OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. EXCLUSÃO DOS VALORES TRIBUTÁVEIS CONSTANTES DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL DAA Fl. 1605DF CARF MF 6 Quanto ao mérito, o Recorrente discorre sobre o conceito de renda e a impossibilidade de inversão do ônus da prova estabelecido pelo artigo 42 da Lei nº 9.430/96. É correta a afirmação do Recorrente no sentido de que o simples depósito em conta corrente não significa renda. No entanto, é pacífico que uso de presunções em matéria tributária é admitido, desde que tais presunções sejam relativas, como é o caso da presunção estabelecida no artigo 42 da Lei nº 9.430/96, o qual dispõe: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2° Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$12.000,00 (doze mil Reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$80.000,00 (oitenta mil Reais). §4° Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. Como destaca Ricardo Mariz de Oliveira1 as razões que justificam a aceitação do uso de presunções relativas no direito tributário são as seguintes: a ocorrência do fato gerador é constatada a partir de fatos conhecidos e comprovadamente existentes; há correlação lógica entre o fato conhecido (índices de produção, consumo de materiais, sinais exteriores de riqueza, acréscimos patrimoniais, saldo credor de caixa) e o fato desconhecido cuja existência se quer provar (fato gerador); 1 OLIVEIRA, Ricardo Mariz de Presunções no Direito Tributário. In Martins Ives Gandra da Silva (coord.). Presunções no Direito Tributário. São Paulo: Centro de Estudos de Extensão Universitária e Editora Resenha Tributária, 1984. (Caderno de Pesquisas Tributárias, 9) p. 299300 Fl. 1606DF CARF MF Processo nº 10320.003830/201018 Acórdão n.º 2202004.661 S2C2T2 Fl. 1.604 7 o método de interpretação e aplicação da lei a partir da presunção é previsto e autorizado por lei, e não decorre apenas de suposição do agente lançador; a presunção não é absoluta, admitindo prova em contrário pelo contribuinte, característica implícita em toas as citadas hipóteses legais, quando não expressa; tratase de mero meio de prova, com inversão do ônus da prova da inocorrência do gerador, pela comprovação de outros fatos, também desconhecidos, mas hábeis a excluir a incidência tributária. (grifamos) A exigência fiscal em exame decorre de expressa previsão legal, pela qual existe uma presunção em favor do Fisco, que fica dispensado de provar o fato que originou a omissão de rendimentos, cabendo ao contribuinte elidir a imputação, comprovando a origem dos recursos. Conforme previsão do art. 42 da Lei nº 9.430/96, é necessário comprovar, individualizadamente, a origem dos recursos, identificandoos como decorrentes de renda já oferecida à tributação ou como rendimentos isentos/não tributáveis. Tratase,portanto, de ônus exclusivo do contribuinte, a quem cabe comprovar, de maneira inequívoca, a origem dos valores que transitaram por sua conta bancária, não sendo bastante alegações e indícios de prova. No curso do procedimento fiscal, na impugnação e no recurso voluntário que ora se aprecia, o interessado se restringiu a alegar que os depósitos bancários não comprovados no valor total de R$ 1.022.984,32 estariam devidamente justificados se considerado o total líquido dos valores recebidos a título de pro labore e distribuição de lucros, devidamente declarados à Receita nos termos de suas declarações de ajuste anuais, que representam a quantia de R$ 2.408.738,89. A Câmara Superior de Recursos Ficais entendeu que tais valores devem ser abatidos do montante lançado como omitido em virtude de depósitos bancários de origem não comprovada, conforme se verifica pela decisão constante do Acórdão nº 92020005.632 abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA RENDIMENTOS CONFESSADOS NAS DECLARAÇÕES DE AJUSTE ANUAL TRÂNSITO PELAS CONTAS DE DEPÓSITOS EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DO IMPOSTO LANÇADO POSSIBILIDADE. Uma vez que se pode presumir relação entre os rendimentos tributáveis declarados e os créditos bancários caracterizados como rendimentos omitidos, devese fazer a competente exclusão da base de cálculo do imposto lançado dos rendimentos Fl. 1607DF CARF MF 8 tributáveis constantes da declaração de ajuste anual do contribuinte. Todavia, é importante destacar que, conforme consta do voto vencedor do Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior, não são quaisquer valores constantes da DAA que deverão ser considerados para a dedução da base de cálculo dos depósitos bancários de origem não comprovada, mas apenas aqueles valores declarados como tributáveis, conforme se verifica pelo trecho abaixo transcrito: Ainda, rejeito a necessidade de extensão de tal posicionamento aos rendimentos isentos e não tributáveis também declarados, pelo fato de que, notese, o que se está a presumir, com fulcro no permissivo legal estabelecido pelo art. 42 da Lei no. 9.430, de 1996, é que todos os depósitos bancários, quando não comprovados através de documentação hábil e idônea pelo contribuinte, passam a se constituir em omissão de rendimentos tributáveis (daí sua tributação quando da utilização da presunção), não havendo qualquer consequência, assim, que se possa associar diretamente aos rendimentos isentos e não tributáveis declarados, que destarte, restaram aceitos na forma que declarados pelo contribuinte. Em face do exposto, dou parcial provimento ao recurso para admitir a dedução dos valores declarados como tributáveis constantes das DIRPF´s de fls. 1155, 1162, 1169 e 1176. 2.2) DA OMISSÃO DE RENDIMENTOS EM RAZÃO DOS DEPÓSITOS EFETUADOS EM CONTA CORRENTE DE TERCEIROS. Em relação aos valores depositados na conta corrente de Luzia de Jesus Campos de Sousa é fato incontroverso que tais valores, depositados por Fernando Antonio Bastos Cabral e por PBL Engenharia e Consultoria Ltda, eram de propriedade do Recorrente. Tanto no curso da ação fiscal quanto na impugnação, o interessado afirma que os referidos depósitos dizem respeito a uma transação comercial envolvendo um imóvel de sua propriedade e a contratos de mútuo realizados com Flávio Barbosa Lima e Gianfranco Antonio Vitório Artur Perasso. Alega, ainda, que foram juntados aos autos documentos comprobatórios de que todas as partes envolvidas atestam a existência, tanto da operação comercial realizada, quanto dos contratos de mútuo. Como bem observado pela decisão recorrida: Depreendese, do anteriormente exposto, que a impugnação apresentada pelo interessado e por ele assinada, juntamente com o Termo de Declarações de Fernando Antonio Bastos Cabral (fl. 521/523) e as Declarações de Flávio Barbosa Lima e Gianfranco Antonio Vitorio Artur Perasso (fl. 524/525) não constituem documentos hábeis a comprovar os fatos por eles alegados, quais sejam, a transação comercial e contratos de mútuo. (...) Fl. 1608DF CARF MF Processo nº 10320.003830/201018 Acórdão n.º 2202004.661 S2C2T2 Fl. 1.605 9 Por fim, diversamente do que alega o interessado em sua impugnação, consta na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fl. 20) que “quanto aos empréstimos, o mesmo afirma que as operações foram iniciadas e concluídas no mesmo exercício e, portanto, não constam de sua Declaração de Imposto de Renda." Portanto, correto o entendimento da fiscalização, qual seja, “Assim, não tendo o contribuinte comprovado de forma alguma que os depósitos se referiam a operações comerciais realizadas ou contratos de mútuo, caracterizada fica a intenção de omitir receitas próprias, que foram ocultadas através de depósitos efetuados em conta corrente de Luzia de Jesus Campos de Sousa, por sua ordem.” Em face do exposto, improcedentes as alegações do Recorrente. 2.3) DO CARÁTER CONFISCATÓRIO DA MULTA DE 75% Em relação à aplicação da multa de ofício no montante de 75% alega a Recorrente que o mencionado percentual ofende a garantia prevista no artigo 150. IV da Constituição Federal. Tal alegação não deve ser conhecida, pois, nos termos da Súmula 2 deste Conselho "o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária." 2.4) DA INAPLICABILIDADE DA TAXA SELIC Por fim, alega o Recorrente que, caso mantidos os valores discutidos integral ou parcialmente, impõese a verificação dos meios utilizados pela Fazenda a fim de atualizar o suposto débito aqui debatido, mais precisamente os juros SELIC Sistema Especial de Liquidação e Custódia, instituída pelo artigo 13, da Lei no 9.065, de 20 de junho de 1995, que a partir de abril de 1995, alterou o artigo 84 da Lei no 8.981/95, e passou a incidir sobre os débitos de natureza tributária, na forma de juros remuneratórios, disfarçados e contrários a determinação legal (art. 161, §, 1º do CTN) que apenas determina a exclusão dos juros moratórios. A aplicação da taxa SELIC é matéria pacificada no âmbito desse Conselho conforme se verifica pela Súmula CARF nº 4 abaixo transcrita: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. 2.5) DA INCIDÊNCIA DOS JUROS SOBRE MULTA Por fim, alega que a cobrança de juros Selic sobre a multa de oficio lançada não encontra respaldo legal, uma vez que os juros de mora à taxa Selic só incidem sobre o valor do tributo, não alcançando o valor da multa aplicada. Fl. 1609DF CARF MF 10 Este Conselho já apreciou a presente matéria, no Acórdão nº 110200.060 (julgado na sessão de 28/08/2009), a Conselheira Sandra Maria Faroni, bem sintetiza o argumentação que permite a conclusão não incidência dos juros sobre a multa de ofício, vejamos: “A obrigação tributária pode ser principal, consistindo em obrigação de dar (pagar tributo ou multa) e acessória, obrigação de fazer (deveres instrumentais). De acordo com o art. 139 do CTN, o crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. Portanto, compreendemse no crédito tributário o valor do tributo e o valor da multa. O Decretolei n° 1.736/79 determinou a incidência dos juros de mora sobre o "valor originário" , definindo como "valor originário" o débito, excluídas apenas as parcelas relativas a correção monetária, juros de mora, multa de mora e encargo do DL 1.025/69. Ou seja, não previu a exclusão da multa de oficio. O art. 161 do CTN determina que o crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, ressalvando apenas a pendência de consulta formulada dentro do prazo legal para pagamento do crédito. Seu § 1° determina que, se a lei não dispuser de forma diversa, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. No caso de multa por lançamento de oficio, seu vencimento é no prazo de 30 dias contados da ciência do auto de infração. Assim, o valor da multa lançada, se não pago no prazo de impugnação, sujeitase aos juros de mora. Além dos artigos 2° e 3° do DL 1.736/79, tratam dos juros de mora os seguintes dispositivos de leis ordinárias: Lei 8.383/91, art. 59; Lei 8.981/95, art. 13; Lei 9.430/96, art. 5°, § 3°, art. 43, parágrafo único e art. 61, § 3°, Lei n° 10.522/2002, (cuja origem foi a MP 1.62131/98), arts. 29 e 30. O artigo 61 da Lei 9.430/96 regula a incidência de acréscimos moratórios sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 01 de janeiro de 1997, não alcançando, pois, a multa por lançamento de oficio, uma vez que: (a) a multa não decorre do tributo, mas do descumprimento do dever legal de pagálo; (b) entendimento contrário implicaria concluir que sobre a multa de oficio incide a multa de mora. O artigo 30 da Lei 10.522/2002 determina a submissão, a partir de 10 de janeiro de 1997, a juros de mora calculados segundo a Selic, dos débitos cujos fatos geradores tenham ocorrido até 31 de dezembro de 1994 e que não tenham sido objeto de parcelamento, e dos créditos inscritos na Dívida Ativa da União. Em síntese, em se tratando de débitos de tributos cujos fatos geradores ocorreram a partir de 1° de janeiro de 1995 só há dispositivo legal autorizando a cobrança de juros de mora à taxa SELIC sobre multa no caso de multa lançada isoladamente; não porém quando ocorrer a formalização da exigência do tributo Fl. 1610DF CARF MF Processo nº 10320.003830/201018 Acórdão n.º 2202004.661 S2C2T2 Fl. 1.606 11 acrescida da multa proporcional. Nesse caso, só podem incidir juros de mora à taxa de 1%, a partir do trigésimo dia da ciência do auto de infração, conforme previsto no § 1° do art. 161 do CTN.” A fim de demonstrar o entendimento majoritário do CARF no sentido acima exposto, colaciono a ementa de diversos julgados: JUROS DE MORA. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TAXA SELIC. — É cabível, no lançamento de oficio, a cobrança de juros de mora sobre o tributo ou contribuição, calculados com base na variação acumulada da Taxa Selic. Referidos juros não incidem sobre a multa de oficio lançada juntamente com o tributo ou contribuição, decorrente de fatos geradores ocorridos a partir de 1/01/1997, por absoluta falta de previsão legal. (Acórdão 20216.397, sessão de 14.07.2005). JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFICIO INAPLICABILIDADE Os juros de mora só incidem sobre o valor do tributo, não alcançando o valor da multa aplicada. (Acórdão 101 96.008, sessão de 1/03/2007). INCIDÊNCIA DE JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO INAPLICABILIDADE Não incidem os juros com base na taxa Selic sobre a multa de oficio, vez que o artigo 61 da Lei n.° 9.430/96 apenas impõe sua incidência sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições. Igualmente não incidem os juros previstos no artigo 161 do CTN sobre a multa de oficio.(Acórdão 10196.607, sessão de 06/03/2008). Inclusive há decisão da Câmara Superior de Recursos Fiscais, conforme se verifica pelo Acórdão 910100.722 (1a. Turma da CSRF), julgado na sessão de 8 de novembro de 2010, de relatoria da Conselheira Karem Jureidini Dias: RECURSO ESPECIAL – CONHECIMENTO. Não deve ser conhecido o Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional quando inexiste similitude fática entre o acórdão paradigma e o acórdão recorrido. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO INAPLICABILIDADE Os juros de mora só incidem sobre o valor do tributo, não alcançando o valor da multa ofício aplicada. A fundamentação do referido acórdão da 1a. Turma da CSRF é de que a regra veiculada pelo art. 61 da Lei n.° 9.430/96 referese à incidência de acréscimos moratórios sobre ‘débitos decorrentes de tributos e contribuições’, sendo certo que a penalidade pecuniária não decorre de tributo ou contribuição, mas do descumprimento do dever legal de declarálo e/ou pagálo, de onde se extrai a conclusão de ser inaplicável os juros de mora a taxa Selic sobre a multa de oficio. Assim, a conclusão é de que a taxa SELIC só incidirá sobre multas isoladas, aplicadas nos termos do art. 43 da Lei nº 9.430/97. Por tais razões, afasto a incidência dos juros aplicáveis sobre a multa de ofício. 3) CONCLUSÃO Fl. 1611DF CARF MF 12 Em face do exposto, rejeito a preliminar de decadência e, no mérito, dou parcial provimento ao recurso para admitir a exclusão dos valores declarados como tributáveis constantes das DIRPF fls. 1155, 1162, 1169 e 1176 salvo aqueles que já tenham sido considerados pela autoridade lançadora às fls. 15, item 31, II, do Auto de Infração, bem como excluir a incidência dos juros sobre a multa de ofício. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio. Voto Vencedor Conselheiro Ronnie Soares Anderson O caput do art. 161 do CTN assim dispõe: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. Na sistemática do CTN, a obrigação tributária principal é de ínsita natureza pecuniária, sendo composta por tributo e multa, nos termos do seu art. 113 e §§. Os arts. 139 e 142 do Código deixam claro que o crédito tributário tem a mesma natureza da obrigação principal, podendo ser assim, composto tanto por tributo quanto por multa. Destarte, o art. 161 supra, quando trata do crédito tributário, está tratando da obrigação principal revestida de exigibilidade, a qual, não paga no vencimento, está sujeita a juros de mora. Portanto, a incidência dos juros em apreço sobre as multas que porventura componham o crédito tributário é preceito estabelecido no CTN. O legislador ordinário respeitou os parâmetros da lei complementar, ao regrar no art. 61 da Lei nº 9.430/96, que os débitos decorrentes de tributos e contribuições sofrem incidência de juros de mora. A saber, o termo"decorrente" significa consequente, ou seja, além do tributo propriamente dito, os débitos que lhe dele são resultantes, ainda que não necessariamente, tais como as multas de ofício proporcionais, as quais também deverão ser acrescidas dos juros. Em consonância com esse entendimento, vale lembrar que o § 8º do art. 84 da Lei nº 8.981/95, reza que os juros de mora se aplicam aos demais créditos da Fazenda Nacional, cuja inscrição e cobrança como Dívida Ativa da União seja de competência da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, categoria na qual se incluem, logicamente, as multas de ofício, sejam proporcionais ou lançadas isoladamente. A jurisprudência do STJ consolidouse nesse sentido, conforme se depreende da leitura da ementa do acórdão do AgRg no REspnº 1.335.688/PR (1ª Turma, Rel. Min. Benedito Gonçalves, DJe de 10/12/2012) : PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE Fl. 1612DF CARF MF Processo nº 10320.003830/201018 Acórdão n.º 2202004.661 S2C2T2 Fl. 1.607 13 SEGURANÇA. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMA QUE COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. 1. Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ no sentido de que: "É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário." (REsp 1.129.990/PR, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 14/9/2009). De igual modo: REsp 834.681/MG, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010. 2. Agravo regimental não provido. (grifei) Do REsp nº 1.129.990/PR (2ª Turma, Rel. Min. Castro Meira, DJe de 14/9/2009) convém colacionar o seguinte trecho do Voto condutor, aclarando a questão: De maneira simplificada, os juros de mora são devidos para compensar a demora no pagamento. Verificado o inadimplemento do tributo, advém a aplicação da multa punitiva que passa a integrar o crédito fiscal, ou seja, o montante que o contribuinte deve recolher ao Fisco. Se ainda assim há atraso na quitação da dívida, os juros de mora devem incidir sobre a totalidade do débito, inclusive a multa que, neste momento, constitui crédito titularizado pela Fazenda Pública, não se distinguindo da exação em si para efeitos de recompensar o credor pela demora no pagamento. Em suma, o crédito tributário compreende a multa pecuniária, o que legitima a incidência de juros moratórios sobre a totalidade da dívida, ponto acerca do qual, portanto, divirjo do encaminhamento de voto da D. Relatora. Ante o exposto, voto por rejeitar a preliminar de decadência e, no mérito, por dar provimento parcial ao recurso para admitir sejam excluídos do lançamento os valores declarados como tributáveis nas DIRPF´s de efls. 1155, 1162, 1169 e 1176, salvo aqueles já considerados pela fiscalização conforme informado na efl.15, item "II" da descrição dos fatos do auto de infração. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Fl. 1613DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15940.000365/2010-71
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Aug 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 29 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2005
RECURSO ESPECIAL. SITUAÇÕES FÁTICAS DIFERENTES. COMPROVAÇÃO DE DIVERGÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE.
O Recurso Especial da Divergência somente deve ser conhecido se restar comprovado que, em face de situações equivalentes, a legislação de regência tenha sido aplicada de forma divergente, por diferentes colegiados.
Numero da decisão: 9202-007.182
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo.
Nome do relator: RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo.
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SITUAÇÕES FÁTICAS DIFERENTES. COMPROVAÇÃO DE DIVERGÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE. O Recurso Especial da Divergência somente deve ser conhecido se restar comprovado que, em face de situações equivalentes, a legislação de regência tenha sido aplicada de forma divergente, por diferentes colegiados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 94 0. 00 03 65 /2 01 0- 71 Fl. 387DF CARF MF Processo nº 15940.000365/201071 Acórdão n.º 9202007.182 CSRFT2 Fl. 388 2 Relatório Contra o contribuinte foi lavrado auto de infração para cobrança de Imposto de Renda Pessoa Física, anocalendário 2005, haja vista a descaracterização dos valores declarados como decorrentes de atividades rural. Foi lançado ainda multa qualificada, pois segundo a autoridade fiscal a inclusão na apuração do resultado da atividade rural de rendimentos auferidos em outras atividades que não as previstas no art. 2º da Lei no 8.023/90 e IN SRF nº 83/01, com objetivo de desfrutar de tributação mais favorecida, constitui fraude e sujeita o infrator à multa de cento e cinqüenta por cento do valor da diferença do imposto devido. Intimado do lançamento o Contribuinte apresenta impugnação por meio da qual suscita preliminar de nulidade do lançamento, discorre sobre a forma como era desenvolvida sua atividade rural de cultivo e venda de mudas de plantas. Subsidiariamente, defende a exclusão do lançamento dos valores relativos ao imposto declarado e pago, contesta a aplicação da multa qualificada diante da falta de prova substancial da efetiva ocorrência de dolo, fraude ou simulação. A Delegacia de Julgamento manteve em parte o lançamento, determinando apenas a exclusão dos valores do imposto declarado e pago pelo Contribuinte. Foram feitos os seguintes apontamentos pelo DRJ: 24. O cerne do presente litígio reside no fato da fiscalização ter considerado as notas fiscais n°s 1 a 20, As fls. 19/33, ideologicamente falsas, em face de toda a argumentação desenvolvida no Termo de Verificação Fiscal de fls. 161/165; de modo especial, o sequenciamento da numeração das notas fiscais, o curto intervalo de tempo da emissão das mesmas, a falta de escrituração e do pagamentos das quantias ali informadas. Tais documentos serviram tão somente para cobrir receita de origem desconhecida, no valor de R$ 899.900,00, do que resultou a reclassificação das mesmas para a tributação comum de rendimentos, com base na tabela progressiva anual, sem qualquer beneficio de redução de tributo aplicado a rendimentos da atividade rural. ... 26. É falaciosa a sua alegação de que, por não ser proprietário de nenhuma área rural, não podia obter a inscrição estadual de produtor perante a Secretaria de Estado da Fazenda de São Paulo e emitir sua nota fiscal do produtor; necessitando, para tanto, utilizar área rural de terceiros, terceiros esses que emitiam os documentos fiscais de venda da produção rural. ... 29. Caso assim quisesse, poderia, sim, o litigante já ter sua inscrição de produtor rural junto à Secretaria de Estado da Fazenda de São Paulo, adquirir as mudas dos fornecedores em seu nome e emitir suas próprias notas fiscais, desde o inicio de sua atividade rural, independente da existência de imóvel rural Fl. 388DF CARF MF Processo nº 15940.000365/201071 Acórdão n.º 9202007.182 CSRFT2 Fl. 389 3 em seu nome; já que inexiste tal obrigatoriedade, como se infere da leitura da legislação tributária estadual acima mencionada. ... 32. 0 sujeito passivo não logrou demonstrar de forma clara e inequívoca toda a trajetória de sua atividade como produtor rural, desde o seu inicio, causando estranheza diversos fatos trazidos aos autos em apuração feita pela fiscalização, entre eles, a comercialização de 3.750 mudas de coco, 2.500 mudas de goiaba, 2.500 mudas de amora, 2.500 mudas de manga, 84.550 mudas de eucalipto, 2.700 mudas de jabuticaba, 2.000 mudas de amendoim, 2.000 mudas de ameixa, 2.075 mudas de ipê roxo, 2.075 mudas de ipê amarelo, 2.075 mudas de ipê branco, 2.000 mudas de pau d'alho, 2.000 mudas de tarumã, 2.000 mudas de paineira, 4.375 mudas de ingá, 2.000 mudas de jaca e 2.000 mudas de jambolão, conforme notas fiscais de fls. 19/33, sem ficar patente como o sujeito passivo as obteve nos anos anteriores. ... 38.1 A fiscalização informa A fl. 162 que o sujeito passivo foi intimado a comprovar a transferência dos valores de todas as notas fiscais de fls. 19/33, no valor total de R$ 899.900,00. Em resposta, o sujeito passivo nada comprovou, informando tão somente que recebeu a quantia em espécie, em diversos pagamentos, e que tais informações solicitadas ficam dificeis de serem atendidas, em face do tempo decorrido. 38.2. Maior estranheza ainda para o fato das transferências de recursos de que tratam as notas fiscais de fls. 19/33 terem se operado totalmente em espécie; mormente, quando se lida com valores expressivos e incomuns no diaadia das pessoas. 39. Vêse que o litigante apresentou seus pontos de defesa, desprovidos de qualquer documentação comprobatória, cuja argumentação se construiu sobre informações infundadas e inverídicas. ... 48. Marchou bem a fiscalização no seu feito, cabendo apenas a revisão do cálculo da apuração do crédito tributário, para exclusão dos valores declarados e pagos pelo sujeito passivo, como por ele pleiteado em sua peça impugnatória, a seguir demonstrado (valores em reais): ... Em sede de Recurso Voluntário o contribuinte pugna pela nulidade da decisão a qual teria partido de conclusões genéricas deixando de pontuar acerca das provas juntadas aos autos. Em relação aos demais pontos, reitera as argumentações postas na Impugnação. Fl. 389DF CARF MF Processo nº 15940.000365/201071 Acórdão n.º 9202007.182 CSRFT2 Fl. 390 4 Após o trâmite processual, a 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso e cancelou o lançamento por nulidade face a violação ao art. 9º do Decreto nº 70.235/72. O Acórdão 2102003.099, recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Exercício: 2006 IRPF. NULIDADE. OCORRÊNCIA. ERRO DE ENQUADRAMENTO LEGAL. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS RENDIMENTOS. Para exigir tributação sobre omissão de rendimentos desconsiderando aqueles da atividade rural informados na declaração de ajuste anual, deve o Fisco comprovar o auferimento de tais rendimentos, não bastando apenas descaracterizar a atividade constante da D.A.A. Assim, para caracterizar a infração de omissão de rendimentos a prova indiciária deve ser constituída de indícios que sejam veementes, graves, precisos e convergentes, que examinados em conjunto levem ao convencimento do julgador da origem dos rendimentos que foram base do imposto de renda lançado. Por ser assim, não tendo o Fisco provado a auferição de qualquer rendimento, ou sequer a respectiva origem, não pode subsistir o Auto de Infração lavrado com fundamento em classificação indevida de rendimentos. Recurso Provido Intimada a Fazenda Nacional apresentou Recurso Especial. Citando como paradigmas os acórdãos 2101001.429 e 10248093, defende que a presunção legal relativa a omissão de receitas ou rendimentos prevista no art. 42 da Lei 9.430/96, somente será afastada no caso do contribuinte, através de documentação hábil e idônea, comprovar a origem dos valores depositados/creditados em sua conta bancária. Contribuinte apresentou contrarrazões requerendo o não conhecimento do recurso por ausência de similitude fática entre os acórdãos recorrido e paradigmas, ausência de cotejo analítico e prequestionamento, e impossibilidade de reanálise de provas. No mérito pugna pela manutenção da decisão. É o relatório. Voto Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Relatora Do conhecimento: Fl. 390DF CARF MF Processo nº 15940.000365/201071 Acórdão n.º 9202007.182 CSRFT2 Fl. 391 5 Antes de analisarmos o mérito, diante das argumentações expostas em sede de contrarrazões, passamos à analise do cumprimento dos requisitos necessários ao conhecimento do Recurso. Conforme consta do relatório estamos diante de lançamento para cobrança de imposto de renda pessoa física. No presente caso os valores declarados pelo contribuinte como provenientes de atividade rural foram desconsiderados, a autoridade fiscal assim concluiu no Termo de Verificação Fiscal: O sequenciamento das notas flscais,o curto intervalo de tempo de sua emissão, a falta de escrituração, a falta de documentos que provem o pagamento da operação e um superfaturamento do produto vendido indicam se tratar de notas que foram emitidas somente para cobrir uma receita de origem desconhecida, haja vista que esta operação de venda não existiu. Desta forma, concluímos que não houve foi provada a receita advinda de atividade rural como o contribuinte afirmou em sua Declaração de Imposto de Renda de 2006. Portanto, descaracterizamos a declaração de receita de R$899.900,00 como advinda de atividade rural, e emitindo um Auto de Infração por classificação indevida de rendimentos declarados na DIRPF, em anexo. A Fazenda Nacional, citando como paradigmas os acórdãos 2101001.429 e 10248093, requer a reforma da decisão sob a fundamentação de que no caso o ônus da prova seria do Contribuinte. Ocorre que, toda argumentação da Recorrente parte de premissa equivocada a qual acaba por descaracterizar a similitude fática entre os julgados apta a permitir o conhecimento do recurso. Na peça recursal é afirmado que da "análise do Termo de Verificação Fiscal e demais documentos do auto de infração permitem concluir que se trata de omissão de rendimentos decorrente de depósitos bancários de origem não comprovada. A descrição dos fatos permite o conhecimento do ilícito que lhe é imputado, não podendo o contribuinte esquivarse da infração, cabendolhe o ônus de comprovar a origem dos valores". Entretanto, conforme esclarecido, o lançamento não está baseado em omissão de rendimento decorrentes de valores transitados por instituições bancárias. O lançamento se baseia exclusivamente nas informações prestadas pelo Contribuinte em sua declaração anual do imposto, e é exatamente este o ponto que levou a Turma a quo a cancelar a autuação. Restou concluído que no caso concreto a fiscalização, embora pudesse ter optando pela presunção do acréscimo patrimonial a descoberto, se limitou a tributar os valores da forma como informado pelo autuado. Analisando os fatos o Colegiado recorrido, por unanimidade, cancelou o lançamento sob o entendimento de que a mera desclassificação de rendimento declarados como de atividade rural, por si só não autoriza a incidência do imposto de renda, devendo a autoridade fiscal apontar os indícios que levaram à conclusão de ter o contribuinte auferido renda. Tal exigência somente não existiria se o lançamento tivesse tomado como base suposto acréscimo patrimonial a descoberto. Nos dizeres da Conselheira Relatora: Assim, ainda que fosse correta a descaracterização da atividade rural, posto que não comprovada pelo contribuinte, poderia o Auditor Fiscal autuar aquele por acréscimo patrimonial a Fl. 391DF CARF MF Processo nº 15940.000365/201071 Acórdão n.º 9202007.182 CSRFT2 Fl. 392 6 descoberto, e não o fazendo, abriu mão da presunção legal, cabendo a ele comprovar, se descaracterizada a atividade, qual a origem dos rendimentos percebidos pelo contribuinte. Portanto, incorreta a autuação em que descaracteriza a atividade rural declarada pelo contribuinte, autuando por classificação indevida de rendimentos, tendo o Fisco neste caso, o ônus de comprovar a efetiva auferição de tais rendimentos. Da análise dos autos, tendo sido os valores declarados como provenientes da atividade rural, os quais coincidem com o acréscimo patrimonial, repiso, poderia o Fisco ter lavrado o lançamento por acréscimo patrimonial a descoberto, o qual, fora mencionado no relatório fiscal, no entanto, não o fez, abrindo mão da presunção legal. Neste caso, para caracterizar a infração de omissão de rendimentos a prova indiciária deve ser constituída de indícios que sejam veementes, graves, precisos e convergentes, que examinados em conjunto levem ao convencimento do julgador da origem dos rendimentos que foram base do imposto de renda lançado. Por ser assim, não tendo o Fisco provado a auferição de qualquer rendimento, em substituição aos aqueles oriundos da atividade rural informados pelo contribuinte e desclassificados pela autoridade fiscal, ademais, sequer comprovado a respectiva origem dos rendimentos autuados como “Classificação Indevida de Rendimentos”, não pode subsistir o Auto de Infração lavrado com tal fundamento. Percebemos que a discussão não evolve o ônus da prova em razão da constatação de omissão de rendimentos decorrentes de depósitos bancários de origem não comprovada, o que permitiria a aplicação da presunção do art. 42 da Lei nº 9.430/96 e a transferência da responsabilidade da comprovação dos fatos. Importante mencionar que auto de infração possui como fundamentação legal os arts. 1º a 3º, da Lei nº 7.713/88; arts. lº a 3º, da Lei nº 8.134/90; arts. 39 e 43 do RIR/99; art. 10 da Lei nº 11.119/05 e art. 18 da Lei nº 8.023/90, ou seja, não foi objeto de análise pelo câmara baixa a interpretação da regra do citado art. 42 da lei nº 9.430/96. Ambos acórdãos paradigmas tratam de situações onde um contribuinte foi instado a comprovar valores que transitaram por suas contas bancárias. Como defesa a parte alegou que tratavamse de valores vinculados a atividade rural justificando assim uma tributação diferenciada. No acórdão 2101001.429 foi negado provimento ao recurso voluntário sob o entendimento de que "não se comprovando que os depósitos bancários tiveram sua origem na atividade rural, impossível a tributação somente de 20% dos valores depositados"; já no acórdão 10248093 concluiu que o "fato de a quase totalidade dos rendimentos e recursos declarados pelo contribuinte serem oriundos da atividade rural não é fator determinante, por si só, para que às omissões de rendimentos apuradas com base nos depósitos bancários sejam aplicadas as normas da tributação da atividade rural (base de cálculo de no máximo 20% da receita bruta). Para tanto, é necessário que o contribuinte faça prova de que tais valores são mesmo oriundos da comercialização de produtos agrícolas omitidos em sua DIRPF". Fl. 392DF CARF MF Processo nº 15940.000365/201071 Acórdão n.º 9202007.182 CSRFT2 Fl. 393 7 Embora os paradigmas tratem da comprovação de atividade rural, esses somente serviriam se estivéssemos diante de lançamento decorrente de apuração de imposto com base em omissão de depósitos bancários, ocorre que no presente caso o lançamento se limitou a desclassificar os valores declarados pelo contribuinte como decorrentes de atividade rural. Assim, diante da ausência de similitude fática entre os acórdãos recorrido e paradigmas, deixo de conhecer do recurso especial interposto. (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Fl. 393DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15504.728238/2017-56
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 01 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2016
COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE IRRF. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PROCEDÊNCIA.
Caracterizada a indevida compensação de imposto de renda retido na fonte, é procedente o lançamento efetuado pela RFB para glosar os valores declarados a título de IRRF.
Numero da decisão: 2402-006.611
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
Luís Henrique Dias Lima - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Gregório Rechmann Junior e Renata Toratti Cassini.
Nome do relator: LUIS HENRIQUE DIAS LIMA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2016 COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE IRRF. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PROCEDÊNCIA. Caracterizada a indevida compensação de imposto de renda retido na fonte, é procedente o lançamento efetuado pela RFB para glosar os valores declarados a título de IRRF.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Gregório Rechmann Junior e Renata Toratti Cassini.
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LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PROCEDÊNCIA. Caracterizada a indevida compensação de imposto de renda retido na fonte, é procedente o lançamento efetuado pela RFB para glosar os valores declarados a título de IRRF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Gregório Rechmann Junior e Renata Toratti Cassini. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário (efls. 51/59) em face do Acórdão n. 12 93.577 20ª. Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro (RJ) DRJ/RJO (efls. 40/43), que julgou improcedente a impugnação de efl. 02 e AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 72 82 38 /2 01 7- 56 Fl. 72DF CARF MF Processo nº 15504.728238/201756 Acórdão n.º 2402006.611 S2C4T2 Fl. 102 2 manteve o crédito tributário consignado no lançamento constituído em 02/01/2017 (efl. 18) mediante a Notificação de Lançamento IRPF n. 2016/127174224640190 Exercício 2016 no valor total de R$ 48.705,42 sendo R$ 35.744,48 de imposto (Cód. Receita 0211); R$ 7.148,89 de multa de mora não passível de redução; e R$ 5.812,05 de juros de mora calculados até 31/08/2017 (efls. 03/07), com fulcro em compensação indevida de imposto de renda retido na fonte. Irresignado com o lançamento, o sujeito passivo apresentou a impugnação de efls. 02, julgada improcedente pela DRJ/RJO, nos termos do Acórdão n. 1293.577 (efls. 40/43), de cujo teor tomou ciência em 28/11/2017 (efls. 47/48), havendo interposto recurso voluntário na data de 07/12/2017. Sem contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Luís Henrique Dias Lima, Relator. O Recurso Voluntário (efls. 51/59) é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n. 70.235/72 e alterações posteriores, portanto, dele CONHEÇO. O cerne da presente lide concentrase em compensação indevida de imposto de renda retido na fonte (IRRF), vez que, no entendimento do Recorrente, a responsabilidade pelo não recolhimento do tributo é exclusiva da fonte pagadora, tendo em vista que o reteve e, supostamente, não procedeu ao recolhimento. Muito bem. Para uma melhor contextualização da análise em curso, é oportuno resgatar que o Recorrente apresentou a DIRPF/2016 ND 06/90.240.344 Data de Entrega: 18/01/2017 informando rendimentos tributáveis de R$ 215.100,89 e IRRF de R$ 36.728,54, configuração que lhe conferia imposto a pagar de R$ 5.867,69. Todavia, em razão da glosa de IRRF R$ 35.744,48 decorrente do trabalho de Malha Fiscal, resultou um lançamento com fulcro em compensação indevida de IRRF de R$ 48.705,42, conforme discriminado na Notificação de Lançamento IRPF n. 2016/127174224640190 (efls. 03/07). O Recorrente, ressaltese, é sócioadministrador (diretor) da fonte pagadora Estamparia S/A CNPJ 19.791.987/000138 (efl. 39), que declarou em DIRF o IRRF no valor de R$ 35.744,48 (efls. 28/30), objeto de glosa pela Fiscalização da RFB. Com relação a este fato, assim se pronuncia a decisão recorrida: No presente caso, apesar de ciente da motivação da glosa, que claramente indicou que "na condição de administrador (Diretor) da referida fonte pagadora, o contribuinte não apresentou os comprovantes do recolhimento do Imposto de Renda Retido na Fonte, pedidos de compensação e DCTF, solicitados no Termo de Fl. 73DF CARF MF Processo nº 15504.728238/201756 Acórdão n.º 2402006.611 S2C4T2 Fl. 103 3 Intimação Fiscal ..."(fl. 5), o Contribuinte apresentou tão somente o já citado comprovante de rendimentos. Ressaltese que, por meio de consultas aos sistemas informatizados da RFB, verificamos que não há, até a data do presente julgamento, qualquer DARF recolhido que corresponda ao IRRF (código 0561 rendimentos do trabalho assalariado) do ano de 2015 ora em análise. Assim, na condição de sócioadministrador, o Recorrente é responsável solidário com a empresa pelos créditos tributários decorrentes do não recolhimento do IRRF (art. 8°. do DecretoLei n. 1.736/1979 e art. 723 do RIR/99), o que condiciona a compensação do IRRF em seu desfavor do imposto devido apurado na declaração de ajuste anual, à comprovação do devido recolhimento do valor retido (no caso concreto, R$ 35.744,48), não sendo prova bastante a DIRF emitida pela fonte pagadora, nem muito menos o comprovante de rendimentos pagos e de IRRF, quando desacompanhadas do referido comprovante de recolhimento. É oportuno ressaltar que o Recorrente, na peça recursal de efls. 51/59, ou em qualquer outro momento processual, não ilide a natureza de seu vínculo com a fonte pagadora Estamparia S/A CNPJ 19.791.987/000138. No tocante à alegação de que os tributos devidos teriam sido compensados mediante Per/Dcomp, cabe destacar que tratase de inovação recursal, vez que não foram objeto de préquestionamento na impugnação (efl. 02), incidindo, destarte, a preclusão prevista nos arts. 15 e 16, III, do Decreto n. 70.235/1972, estando, assim, fora do escopo desta análise. É cediço que é ônus do Recorrente em fazer acompanhar do recurso voluntário todo o conjunto probatório necessário a amparar as suas alegações (arts. 15 e 16, III, do Decreto n. 70.235/1972). No caso concreto, o Recorrente não comprova o efetivo recolhimento do IRRF ainda que por qualquer dos meios previstos no art. 156 do CTN declarado em DIRF e no comprovante de rendimentos (efls. 13 e 28/30). Nessa perspectiva, não merece reparo a decisão recorrida. Ante o exposto, voto no sentido de CONHECER do Recurso Voluntário (e fls. 51/59) para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Fl. 74DF CARF MF
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Numero do processo: 11073.000107/2006-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 31 00:00:00 UTC 2011
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES
Ano-calendário: 2002
SIMPLES. EXCLUSÃO. ATIVIDADE VEDADA.
Incumbe ao fisco demonstrar por prova direta que as atividades exercidas pela contribuinte impedem a sua opção pelo Simples.
Numero da decisão: 1302-000.552
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR
PROVIMENTO ao recurso.
Matéria: Simples - ação fiscal - insuf. na apuração e recolhimento
Nome do relator: IRINEU BIANCHI
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Recorrida 2ª TURMA/DRJSANTA MARIA/RS ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2002 SIMPLES. EXCLUSÃO. ATIVIDADE VEDADA. Incumbe ao fisco demonstrar por prova direta que as atividades exercidas pela contribuinte impedem a sua opção pelo Simples. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso. MARCOS RODRIGUES DE MELLO Presidente. “documento assinado digitalmente” IRINEU BIANCHI Relator. “documento assinado digitalmente” Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Rodrigues de Mello (Presidente), Eduardo de Andrade, Sandra Maria Dias Nunes, Wilson Fernandes Guimarães e Irineu Bianchi. Relatório Fl. 1DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/09/2011 por IRINEU BIANCHI, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por I RINEU BIANCHI, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 11073.000107/200614 Acórdão n.º 1302000.552 S1C3T2 Fl. 312 2 Adoto o relatório da decisão recorrida, como segue: Inicialmente houve Representação Administrativa do INSS — Instituto Nacional do Seguro Social, em 09/02/2004 (fls. 07 a 09), instruída com originais e/ou cópias de documentos de folhas 10 a 24, pela constatação de que a empresa teria prestado "serviços complementares à construção civil", o que estaria comprovado pelas cópias das notas fiscais que anexou. Mais tarde, em 15/09/2004, houve nova representação do INSS – Instituto Nacional do Seguro Social (fls. 23 a 26) pela constatação de que a interessada prestou serviços de instalação de circuito de vapor na agroindústria (NF n° 572) e instalação e manutenção de equipamentos industriais (NF 637). A instrução da representação do INSS consta nas folhas 27 a 90. Atendendo do Mandado de Procedimento Fiscal Fiscalização n° 0.1.08.00 2006.002037 autoridade representou para fins de exclusão da interessada do Simples (fls. 01 e 02) pela constatação de que a interessada presta serviços de instalação, manutenção e assistência técnica de máquinas para agroindústria, o que vedaria a opção pelo Simples nos termos do inciso XIII do artigo 9° da Lei n° 9.317, de 1996. A representação foi aceita e a empresa foi excluída do Sistema Integrado de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte — SIMPLES conforme Ato Declaratório Executivo n° 26, de 13/12/2006 (fl. 93), com efeitos a partir de 01/02/2002, pelo exercício das atividades econômicas vedadas, acima referidas. A interessada tomou ciência da exclusão, em 31/01/2007, conforme Aviso de Recebimento AR que consta à folha 93 (no próprio ADE). Dando prosseguimento do MPF, já referido, a interessada foi intimada para apresentar livros e documentos fiscais (fl. 04). Na resposta à intimação (fls. 05 e 06) a empresa esclarece que atua no ramo de comércio e prestação de serviços. Esclarece que a prestação de serviços consiste no "conserto de equipamentos, tais como pasteurizadores, bombas de sucção,embaladeiras e outros equipamentos congêneres". Acrescenta que os serviços são prestados quase exclusivamente por seus sócios. Diante da exclusão da interessada do Simples foram lavrados autos de infração relativos à diferença do IRPJ, PIS, CSLL e Cofins, com base no faturamento da empresa nos anos da 2002, 2003, 2004, 2005 e até junho no ano de 2006. A fiscalização também esclarece (fl. 156) que os valores recolhidos pelo Simples, que compreendem IRPJ, PIS, CSLL, Cofins e INSS, foram compensados nos autos de infração, exceto os referentes ao INSS. A seguir faz os demonstrativos dos valores não recolhidos (fls. 157 a 166). Esclarece, ainda, que a diferença dos valores não recolhidos foi apurada com base no lucro presumido por a empresa não possuir escrituração contábil. Então foram lavrados os autos de infração do Imposto de Renda Pessoa Jurídica — IRPJ (fls. 168 a 183); Programa de Integração Social PIS (fls. 184 a 199); Contribuição para Financiamento da Seguridade Social — Cofins (fls. 200 a 215); e, Contribuição Social sobre o Lucro Liquido — CSLL (fls. 216 a 232) para exigência de imposto Fl. 2DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/09/2011 por IRINEU BIANCHI, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por I RINEU BIANCHI, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 11073.000107/200614 Acórdão n.º 1302000.552 S1C3T2 Fl. 313 3 e contribuições no valor de R$10.509,71, R$3.175,77; R$5.550,50; e, R$4.511,20 respectivamente e multa de ofício nos valores de R$7.882,09; R$2.381,61; R$4.162,68; e, R$3.383,18 também respectivamente. O Demonstrativo consolidado do crédito tributário do processo consta na folha 95 dos autos e representa R$49.772,55, incluídos impostos, contribuições, multa de oficio e juros de mora. A interessada apresentou sua manifestação de inconformidade (impugnação), em 02/03/2007, conforme consta às folhas 237 a 244, instruída com cópias e/ou originais de documentos de folhas 245 a 254, argumentando, em síntese, como segue: inicia destacando que a exigência do crédito tributário lançado além das multas que advirão da exclusão do Simples (DCTF, DACON e DIPJ), mais os valores já recolhidos, chegariam a R$100.000,00, o que extrapola as condições financeiras da contribuinte; informa que no período fiscalizado (anocalendário de 2002 a junho de 2006) a receita bruta da interessada foi 514.000,00; conclui que a autuação e as multas e os valores já recolhidos representam mais de 20% do seus faturamento, o que acha um absurdo; destaca que os serviços prestados não chegam a 30% do faturamento; diz que a autuação decorre do entendimento de que presta serviços de engenheiro o que é totalmente equivocado; insiste que mantida a autuação tratarseá de exigência impossível de ser cumprida sem a liquidação total do patrimônio da empresa e dos sócios; clama por justiça tributária, obrigações tributárias justas e uma interpretação correta da legislação; então faz uma reprodução do "Demonstrativo consolidado do crédito tributário do processo" e conclui que não foram compensados integralmente os valores pagos pelo Simples; Da improcedência do ADE de exclusão do Simples: diz que não está configurada a prestação de serviços de engenheiro; diz que sua atividade é o comércio de equipamentos para laticínios e agroindústrias, tais como embaladeiras, bombas, pasteurizados e congêneres e que presta serviços de instalação e conservação de tais equipamentos; afirma que tais serviços são prestados pelos sócios e, normalmente, com o auxílio de um funcionário; destaca que nem seus sócios, nem seus funcionários possuem qualquer habilitação em profissão regulamentada; diz que há divergência na interpretação de fiscais e auditores; nesse sentido diz que o INSS entendeu tratarse de atividade complementar à construção civil, a qual vedaria a opção pelo Simples nos termos do inciso V do artigo 9° da Lei n° 9.317, de 1996; Fl. 3DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/09/2011 por IRINEU BIANCHI, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por I RINEU BIANCHI, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 11073.000107/200614 Acórdão n.º 1302000.552 S1C3T2 Fl. 314 4 argumenta que nunca exerceu serviços complementares à construção civil, prestando os serviços já referidos (instalação a manutenção de máquinas); diz que tal interpretação contraria o disposto no artigo 107 do CTN; diz que numa outra representação o INSS entendeu tratarse de cessão ou locação de mãodeobra, atividade que vedaria a opção pelo Simples nos termos do inciso XII, letra "f', do artigo 9° da Lei n° 9.317/1996; argumenta que tal interpretação é absurda; então traz seu entendimento sobre o que seria cessão ou locação de mãodeobra; finalmente diz que a interpretação do Fisco Federal é ainda mais absurda ao enquadrar a empresa com prestadora de serviços privativos de engenheiro; transcreve o artigo 7° da Lei n° 5.194, de 24/12/1966, que relaciona as atividades e atribuições profissionais do engenheiro; diz que o Simples foi vedado para as empresas que prestam serviços típicos de profissões regulamentadas; transcreve o inciso XIII do artigo 90 da Lei n° 9.317/96; sustenta que entender que a atividade exercida pela interessada está no campo da engenharia é interpretar de forma ampliativa o que está disposto no inciso XII do artigo 9° da Lei n° 9.317, de 1996; sustenta que a vedação disposta na lei é para o exercício de profissão que dependa de habilitação profissional legalmente exigida e no caso em tela não há prova do exercício de atividade econômica enquadrada nesse conceito; conclui que não há como persistir sua exclusão do Simples; diz que não são utilizadas técnicas que dependam de profissional habilitado; que os serviços executados não dependem de qualquer aptidão técnica; argumenta que o Fisco não pode alterar a definição e o conceito da legislação ordinária; cita o artigo 110 do CTN; insiste novamente na divergência de entendimentos entre as fiscalizações do INSS e da Receita Federal; insiste na pequena parcela que representa a prestação de serviços (R$ 141.000,00 a partir de 2002 até junho de 2006); argumenta que esse serviço não pertence ao campo da engenharia e está atrelada aos equipamentos vendidos; lembra que a interpretação da legislação tributária deve ser literal; que não qualquer disposição expressa no sentido de que as atividades exercidas pela empresa vedem a opção pelo Simples; por fim o princípio vigente in dúbio pro contribuinte; Requer o cancelamento da sua exclusão do Simples e, logicamente, o cancelamento da exigência fiscal. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/09/2011 por IRINEU BIANCHI, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por I RINEU BIANCHI, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 11073.000107/200614 Acórdão n.º 1302000.552 S1C3T2 Fl. 315 5 A Segunda Turma Julgadora da DRJ em Santa Maria(RS) indeferiu a solicitação e manteve parcialmente a exigência fiscal, nos termos do acórdão n° 18.11.253 (fls. 257/270), cujos fundamentos achamse consubstanciados na respectiva ementa, in verbis: INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. A apreciação de eventuais argüições de inconstitucionalidade ou ilegalidade de leis ou atos administrativos está deferida ao Poder Judiciário, por força do texto constitucional. SIMPLES. SERVIÇOS DE MONTAGEM E MANUTENÇÃO DE MÁQUINAS INDUSTRIAIS. OPÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. É vedada a opção pelo Simples ou indevida a permanência nesse Sistema para as pessoas jurídicas que prestem serviços montagem e manutenção de máquinas industriais em face do disposto na legislação de regência. EXCLUSÃO. EFEITOS. A exclusão do Simples pelo exercício de atividade que veda a opção por essa sistemática surge a partir do mês subseqüente àquele em que incorrida a situação excludente. PESSOA JURÍDICA EXCLUÍDA DO SIMPLES. TRIBUTAÇÃO. A pessoa jurídica excluída do Simples sujeitarseá, a partir do período em que ocorrerem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. A verificação de insuficiência de recolhimento do imposto e/ou contribuição calculados pelo regime do lucro presumido, após deduzido o valor recolhido pela sistemática do Simples, constitui infração que autoriza a lavratura do competente auto de infração, para a constituição do crédito tributário. PIS. COFINS. CSLL. DECORRÊNCIA. LANÇAMENTO REFLEXO. Versando sobre as mesmas ocorrências fáticas, aplicase ao lançamento reflexo alusivo ao PIS, à Cofins e à CSLL o que restar decidido no lançamento do IRPJ. Cientificada da decisão (fls. 286), tempestivamente, a interessada interpôs o recurso voluntário de fls. 287/292), tornando a suscitar os argumentos da impugnação. É o Relatório. Voto Fl. 5DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/09/2011 por IRINEU BIANCHI, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por I RINEU BIANCHI, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 11073.000107/200614 Acórdão n.º 1302000.552 S1C3T2 Fl. 316 6 Conselheiro IRINEU BIANCHI O recurso voluntário é tempestivo e reúne os demais pressupostos de admissibilidade, devendo ser conhecido. Cuidase de pedido de impugnação a exclusão do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte — Simples, instituído pela Lei n° 9.317/96. Assinalo inicialmente que não encontro nos autos qualquer despacho decisório. Concluo assim que a exclusão do Simples ocorreu em face de duas representações administrativas do INSS. A primeira denuncia a constatação de que a contribuinte teria prestado serviços complementares à construção civil, o que estaria comprovado pelas cópias das notas fiscais que anexou. A segunda denuncia a constatação de que a empresa prestou serviços de instalação de circuito de vapor na agroindústria e a instalação e manutenção de equipamentos industriais. Por seu turno, o Ato Declaratório Executivo reportase às informações contidas no processo administrativo e exclui a interessada do Simples pelo exercício de atividade econômica vedada à opção (engenheiro). Entendo por isto que os limites da lide a ser dirimida deverão levar em conta apenas se as atividades da recorrente são típicas da engenharia ou não. Para aqui decidir, louvome em parte do voto proferido no acórdão n° 1701 00.217, tendo como relatora a Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, que reproduzo com as alterações pertinentes ao caso em exame: O tratamento diferenciado, simplificado e favorecido aplicável às microempresas e às empresas de pequeno porte relativo aos impostos e às contribuições estabelecido em cumprimento ao que determina o disposto no art. 179 da Constituição Federal de 1988 pode ser usufruído desde que as condições legais sejam preenchidas. A Lei n° 9.317, de 1996, fixa: Art. 9º Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica. [...] XIII que preste serviços profissionais de corretor,representante comercial, despachante, ator, empresário, diretor ou produtor de espetáculos, cantor, músico, dançarino, médico,dentista, enfermeiro, veterinário, engenheiro, arquiteto, físico, químico, economista, contador, auditor, consultor, estatístico, administrador, programador, analista de sistema, advogado, psicólogo, professor, jornalista, publicitário, fisicultor, ou assemelhados, e de qualquer outra profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida; Fl. 6DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/09/2011 por IRINEU BIANCHI, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por I RINEU BIANCHI, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 11073.000107/200614 Acórdão n.º 1302000.552 S1C3T2 Fl. 317 7 A hipótese de indeferimento da opção da Recorrente pelo Simples, pressupõe a obtenção de receita proveniente da prestação de serviço profissional de engenheiro, qualquer que seja a sua proporção em relação à totalidade auferida pela pessoa jurídica. Tenho manifestado de que a simples previsão de determinadas atividades no objeto social das empresas não são, por si só, suficientes à caracterização do exercício de fato e de direito da atividade. O Contrato Social quer dizer previsão do exercício, mas não constituiu o fato gerador. Digo de fato e de direito, pois, o exercício in concreto de uma das atividades previstas dentre os objetivos sociais depende de tradução em linguagem competente. Ou seja, a fiscalização deve apurar e trazer aos autos comprovação da prática da infração, in casu o exercício de atividade vedada pelo regime simplificado. Não há óbice para as atividades da indústria e comércio na legislação do regime simplificado. Há restrição para serviços listados e assemelhados. Desde já registro minha crítica sobre a impropriedade técnica da legislação tributária que não pode lançar mão de expressões dúbias e/ou ambíguas — apesar de árduo trabalho, reconheço — sob pena de se verificarem zonas cinzentas como esta, seja para o contribuinte, seja para o aplicador da lei. Assim, me inclino a entender que a subsunção dos eventos (fatos in concreto) aos conceitos hipotéticos, deve ser analisada com vistas também à largueza do conceito que se impõe. Ora, a legislação que pretenda tributar os "assemelhados" a algo ou a alguém abre espaço para que as materialidades e as provas que as infirmam ou afirmam registrem a subsunção do fato ao conceito da lei. Explico: A necessidade da contratação de engenheiro ("ou assemelhado") em matéria de empresas optantes pelo Regime SIMPLES deve ser verificada in concreto sob pena de impor penalidade a micro e pequenas empresas que desenvolvem seu objeto sem a necessidade efetiva de manutenção destes profissionais no quadro. O conceito de assemelhados nos abre duas frentes de interpretação uma extensiva e outra restritiva. Pela interpretação extensiva adotase que a classificação de uma atividade como profissional regulamentada é suficiente para vedação da adesão ao programa. Analisando restritivamente como devem ser as "conceitostipo" do direito tributário entendo que somente a constatação de que determinada atividade social desenvolvida in concreto, apesar da vedação legal imposta pode ensejar a exclusão do programa ou vedação da opção. No presente caso, a prova da atividade fática é nenhuma, pois nem mesmo as notas fiscais acostadas são capazes de comprovar a efetiva atividade da interessada, uma vez que a discriminação dos serviços prestados é genérica. Portanto, não vejo nos autos a prova do exercício do fato impeditivo à opção pelo regime. ISTO POSTO, conheço do recurso voluntário e voto no sentido de DAR LHE PROVIMENTO para manter a recorrente no sistema simplificado assim como para declarar insubsistente o auto de infração. Sala das Sessões, em 31 de março de 2011 Fl. 7DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/09/2011 por IRINEU BIANCHI, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por I RINEU BIANCHI, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 11073.000107/200614 Acórdão n.º 1302000.552 S1C3T2 Fl. 318 8 “documento assinado digitalmente” IRINEU BIANCHI Relator Fl. 8DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/09/2011 por IRINEU BIANCHI, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por I RINEU BIANCHI, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO
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