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Numero do processo: 13866.000151/2003-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 15/07/2002
OPERADORAS DE PLANO DE SAÚDE. DEDUÇÕES. CONCEITO.
É permitida a dedução dos valores da base de cálculo das contribuições dos eventos listados no inciso III do § 9º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, assim considerados, entre outros, os pagamentos de médicos, hospitais, laboratórios, clinicas.
Numero da decisão: 3302-005.780
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Os Conselheiros Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Jorge Lima Abud e Fenelon Moscoso de Almeida, votaram pelas conclusões, por entender que o fundamento para provimento do recurso está nas alterações legislativas que incluíram os §§ 9º-A e 9º-B ao art. 3º da Lei nº 9.718/98.
(assinado digitalmente)
Fenelon Moscoso de Almeida - Presidente Substituto
(assinado digitalmente)
Walker Araujo - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fenelon Moscoso de Almeida (presidente substituto), Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Walker Araujo, Vinicius Guimaraes (Suplente convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior e Raphael Madeira Abad.
Ausente justificadamente o conselheiro Paulo Guilherme Déroulède.
Nome do relator: WALKER ARAUJO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 15/07/2002 OPERADORAS DE PLANO DE SAÚDE. DEDUÇÕES. CONCEITO. É permitida a dedução dos valores da base de cálculo das contribuições dos eventos listados no inciso III do § 9º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, assim considerados, entre outros, os pagamentos de médicos, hospitais, laboratórios, clinicas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Os Conselheiros Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Jorge Lima Abud e Fenelon Moscoso de Almeida, votaram pelas conclusões, por entender que o fundamento para provimento do recurso está nas alterações legislativas que incluíram os §§ 9ºA e 9ºB ao art. 3º da Lei nº 9.718/98. (assinado digitalmente) Fenelon Moscoso de Almeida Presidente Substituto (assinado digitalmente) Walker Araujo Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fenelon Moscoso de Almeida (presidente substituto), Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Walker Araujo, Vinicius Guimaraes (Suplente convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior e Raphael Madeira Abad. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 86 6. 00 01 51 /2 00 3- 81 Fl. 168DF CARF MF Processo nº 13866.000151/200381 Acórdão n.º 3302005.780 S3C3T2 Fl. 169 2 Ausente justificadamente o conselheiro Paulo Guilherme Déroulède. Relatório Por bem retratar a realidade dos fatos, adoto e transcrevo o relatório da decisão de piso de fls. 8890: Trata o presente de Declaração de Compensação — DCOMP na qual o interessado compensa débito da Cofins do período de apuração fev./2003 com crédito decorrente de pagamento a maior ou indevido da Cofins, referente ao período de apuração jun.12002, crédito esse de valor declarado de R$ 2.179,06 — fls. 1 e 2. A Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) em São José do Rio Preto, através do Despacho Decisório de fls. 51/53, não homologou a compensação, pela não comprovação do direito creditório do interessado, ressaltando que o contribuinte excluiu da0 base de cálculo da COFINS o valor de R$ 417.213,24 a título de Outras Exclusões e, intimado, informou que tal exclusão referese aos valores pagos aos prestadores de serviços, clínicas, hospitais, etc. Ressaltouse, na decisão, que o § 9 0 , do art. 3°, da Lei n° 9.718, de 1998, permitiu deduções da base de cálculo às operadoras de planos de saúde, caso do interessado, apenas nas rubricas descritas no referido dispositivo (transcrito no Despacho Decisório, fls.52/53) e que a exclusão feita pelo interessado não se enquadra nas previstas legalmente. Cientificado em 09/05/2008 (sextafeira), fl. 57, o interessado apresenta manifestação de inconformidade em 09/06/2008, fls. 58/65, alegando, em síntese: a) Que a base de cálculo da Cofins é o faturamento nos termos previstos no art. 195, I, "b", da Constituição Federal, uma vez que foi julgado inconstitucional o conceito definido no art. 3° da Lei n° 9.718, de 1988, no julgamento do Recurso Extraordinário n° 357.950; b) Que é operadora de planos de assistência à saúde., atividade que se rege por regras próprias e não se confunde com outra qualquer; c) Que o conceito de faturamento advém do Direito Comercial e é decorrente do ato de emitir faturas, ato autorizado somente ao comerciante pela Lei n° 5.474/68, e que nos termos do disposto no art. 110 do CTN, a legislação tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o conceito utilizados no Direito Privado; d) Que é ilegal a cobrança do Cofins nos termos do art. 2° e 3° d Lei n° 9.718/98, pois afronta a determinação do art. 110 do CTN, no sentido de que receba como um tipo fechado o conceito de faturamento, termo utilizado no art. 195 da CF/88 para definir a competência da União para cobrar a Cofins; Em 24 de novembro de 2008, a DRJ/RPO, por unanimidade de votos, indeferiu a solicitação feita na manifestação de inconformidade e, manteve o despacho decisório que não homologou a compensação objeto dos autos, com base nos seguintes fundamentos: A manifestação é tempestiva e revestida das formalidades legais, pelo que deve ser conhecida. Fl. 169DF CARF MF Processo nº 13866.000151/200381 Acórdão n.º 3302005.780 S3C3T2 Fl. 170 3 O § 9°, do art. 3°, da Lei n° 9.718, de 1998, inserido pela Medida Provisória n° 2.15835, de 2001, permitiu deduções da base de cálculo do PIS e da Cofins às operadoras de plano de assistência à saúde, caso do interessado, somente das rubricas relacionadas no referido dispositivo legal, a saber: Art. 2°. O art. 3 0 da Lei n° 9.718, de 27 de novembro de 1998, passa a vigorar com a seguinte redação: § 9° Na determinação da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS, as operadoras de planos de assistência à saúde poderão deduzir: I coresponsabilidades cedidas; II a parcela de contraprestações pecuniárias destinadas à constituição de provisões técnicas; III — o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pagos, deduzido das importâncias recebidas a titulo de transferência de responsabilidades. Verificase que no dispositivo transcrito não há previsão para a exclusão, da base de cálculo, dos valores pagos a prestadores de serviços, clínicas, hospitais, etc. Tais pagamentos são custos e despesas próprios e inerentes à atividade exercida pelo interessado. Do exposto, voto pelo indeferimento da solicitação, mantendo a decisão proferida pela DRF em são José do Rio Preto. Intimada da decisão em 10.03.2009 (fls.96), a Recorrente interpôs recurso voluntário em 23.03.2009 (fls.97106), reproduzindo as alegações apresentadas em sua defesa. Em 26 de junho de 2012, o processo foi convertido em diligência nos termos da decisão de fls. 116129, a saber: Isso posto, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência para que a fiscalização: i) verifique se o valor a ser glosado efetivamente é de R$ 417.213,24 ou de R$ 412.818,12, com base na Declaração do contribuinte, o que seria adequado; por outro lado, ii) intime o contribuinte a compor tais valores detalhadamente, de acordo com a sua natureza, para que demonstre ou não que os valores excluídos possuem a mesma natureza daqueles que poderiam ser contabilizados no grupo de contas 3.1.1.7 ou 4.1.2.3, o que pela sua natureza poderá determinar o adequado enquadramento dessas despesas na base de cálculo do tributo. Intimada à fornecer documentos e prestar informações para cumprimento da diligência anteriormente citada, a Recorrente se manifestou através da petição carreada às fls.152157. Ato contínuo a fiscalização apresentou a informação fiscal de fls. 158161, prestando os seguintes esclarecimentos: (...) 5. Intimamos o contribuinte no Termo de Intimação às fls. 142 a 146, para que esclarecesse se entre os prestadores que ele já havia nos apresentado (em resposta à intimação de fl 37, o contribuinte detalhou, às fls. 42 a 44, todos os Fl. 170DF CARF MF Processo nº 13866.000151/200381 Acórdão n.º 3302005.780 S3C3T2 Fl. 171 4 pagamentos feitos à sua rede de prestadores dos serviços médicos) estavam listados profissionais ou estabelecimentos de sua rede própria, considerando a definição de “rede própria” constante da RESOLUÇÃO DE DIRETORIA COLEGIADA – RDC Nº 39, DE 27 DE OUTUBRO DE 2000, in verbis: Art. 2º Para fins desta Resolução, definese como rede própria: I hospitalar: todo e qualquer recurso físico hospitalar de propriedade: a) da operadora; b) de entidade ou empresa controlada pela operadora; c) de entidade ou empresa controladora da operadora; II médica ou odontológica: a constituída por profissional assalariado ou cooperado da operadora 6. Também, consultamos a DIRF/2002 entregue pelo contribuinte, e verificamos que nenhum dos seus assalariados (relação abaixo) constava da lista dos prestadores de serviços médicos de fls. 42 a 44. (...) 7. Em resposta ao Termo de Intimação às fls. 142 a 146, às fls. 152 a 157, o contribuinte confirma que nenhum dos pagamentos feitos à sua rede de prestadores dos serviços médicos referiase a pagamento a profissionais ou estabelecimentos de sua rede própria. 8. Portanto, os valores das contas 4.1.1.1 e 4.4.1.3.4 não incluíram pagamento de eventos à rede própria do São Domingos Saúde. Era o que se tinha a informar. 9. Para constar e surtir os efeitos legais, lavro o presente termo, lavro o presente termo, assinado por AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil e enviado ao Domicílio Tributário Eletrônico (DTE) do contribuinte, em conformidade com o disposto no artigo 23, inciso III, do Decreto nº 70.235/72. 10. É facultado ao interessado manifestarse quanto esta Informação Fiscal, no prazo de 30 (trinta) dias de sua ciência, nos termos do art. 18 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Intimada da informação fiscal, a Recorrente permaneceu silente. É o relatório. Fl. 171DF CARF MF Processo nº 13866.000151/200381 Acórdão n.º 3302005.780 S3C3T2 Fl. 172 5 Voto Conselheiro Walker Araujo Relator I Tempestividade A Recorrente foi intimada da decisão de piso em 10.03.2009 (fls.156) e protocolou Recurso Voluntário em em 23.03.2009 (fls.157166) dentro do prazo de 30 (trinta) dias previsto no artigo 33, do Decreto 70.235/721. Desta forma, considerando que os recursos preenchem os requisitos de admissibilidade, deles tomo conhecimento. II Mérito A discussão sob análise já foi inúmeras vezes analisada por este Conselho, inclusive contra a própria Recorrente. Assim, por se tratar de matéria fartamente debatida neste Tribunal, adoto como razão de decidir o voto proferido no acórdão 3302002.012 (PA 10850.900093/200611) que, envolve a ora Recorrente e matéria idêntica a discutida nos presentes autos, a saber: Conforme se depreende do relatório acima transcrito, os pedidos de restituição e as compensações dele decorrentes foram considerados indevidos uma vez que a fiscalização entendeu como indevidas as deduções da base de calculo efetuadas pela recorrente. As divergências foram assim resumidas: Verificouse que o interessado excluiu da base de cálculo das contribuições para a Cofins, a titulo de "Outras Exclusões" valores pagos a prestadores de serviço, clinicas, hospitais, etc. A recorrente entende que faz jus a exclusão do que ela denomina como sendo atos cooperativos auxiliares (hospitais, clinicas, etc) e os médicos não cooperados, mas que na verdade são valores referentes às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pagos de que trata o inciso III do § 9º do art. 3º da Lei nº 9.718/98. É bom destacar que tal benefício não está relacionado a atividade cooperativista, pois está direcionado as operadoras de plano de assistência à saúde. Sobre este tema são esclarecedores os argumentos externados pela ilustre Conselheira Fabiola C. Keramidas, nos autos do processo nº 13971.002373/200411, que com o brilhantismo de praxe assim pontuou: “Indenizações Referentes a Eventos Ocorridos Este é, seguramente, dos conceitos trazidos pela legislação, o de mais difícil interpretação. As maiores divergências estão justamente no entendimento de sua significação. 1 Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Fl. 172DF CARF MF Processo nº 13866.000151/200381 Acórdão n.º 3302005.780 S3C3T2 Fl. 173 6 Isso porque, a despeito de, assim como nos itens analisados anteriormente, existir uma rubrica contábil indicando quais seriam/onde estariam os eventos ocorridos, fato é que os agentes administrativos têm apresentado o entendimento de que esta não pode ter sido a intenção do legislador, uma vez que o PIS e Cofins incidem sobre o faturamento e ao praticar a exclusão de toda a rubrica contábil, estarseia tributando apenas a receita líquida. Neste sentido, entende a administração que como não é possível a “mudança do conceito de faturamento”, não se admite, ao contribuinte, qualquer exclusão referente a este inciso. De acordo com este raciocínio a fiscalização proferiu várias interpretações no sentido de não permitir aos contribuintes a exclusão das bases de cálculos do PIS e COFINS do valor pago aos credenciados. A meu ver é impossível esta interpretação, sob pena de expressa negativa à aplicação do dispositivo legal, o que não pode ser feito pela administração pública. Que o dispositivo estabeleceu alguma espécie de exclusão, não resta dúvida, e para tal conclusão basta ler os termos da lei. Vejamos os exatos termos trazidos sobre este assunto no parágrafo 9º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, a saber: “§ 9° Na determinação da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS, as operadoras de planos de assistência à saúde poderão deduzir: (...) III — o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pagos, deduzido das importâncias recebidas a titulo de transferência de responsabilidades.” Da análise do texto citado, pareceme que para decifrar a intenção do legislador é preciso repartir o dispositivo em duas partes: (a) indenizações de eventos ocorridos e efetivamente pagos e (b) valores recebidos a titulo de transferência de responsabilidades. A simples leitura do inciso III é suficiente para constatar que se trata de uma DEDUÇÃO seguida de uma ADIÇÃO. Poderão ser excluídas as referidas indenizações, mas deverão ser incluídos os valores recebidos a título de transferência de responsabilidades. A expressão “... poderão deduzir o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pagos...” é óbvia. Inconteste que é possível a exclusão de algum valor, a questão, a meu ver é: qual valor? Ao meu sentir, impedir a exclusão de qualquer valor em relação a este inciso por entender que seria “tributação de receita líquida” é uma discussão que não pertence a este tribunal administrativo e uma interpretação defesa às autoridades administrativas. Se o questionamento é sobre a regularidade/constitucionalidade da lei, no sentido do desvirtuamento da intenção do legislador, é preciso que os órgãos competentes (no caso a Advocacia Geral da União – AGU) tomem as medidas cabíveis para obter a invalidade do dispositivo normativo. Não compete ao auditor fiscal, assim como ao julgador administrativo, deixar de aplicar a lei, sob pena de responsabilidade funcional. É preciso que, ao menos, seja feita a interpretação do dispositivo mencionado. Somente se permite a restrição da redução definida pelo legislador se Fl. 173DF CARF MF Processo nº 13866.000151/200381 Acórdão n.º 3302005.780 S3C3T2 Fl. 174 7 ela for pautada na interpretação do dispositivo legal. Assim, minha questão quanto ao posicionamento adotado pela fiscalização é: se os agentes administrativos entendem que o pagamento aos credenciados e a rede própria não consistem em indenizações dos eventos ocorridos, o que consiste? De pronto, afasto o entendimento de que o inciso III está vinculado aos eventos decorrentes de “cessão de responsabilidade”. Em primeiro lugar porque não existe evento com “cessão de responsabilidade”, esta apenas é possível, inclusive por determinação da ANS, quando se opera a “transferência da responsabilidade pelo beneficiário”. Inclusive, o pagamento por cessão da responsabilidade independe de qualquer evento, é devido simplesmente porque a responsabilidade foi transferida. O simples fato do pagamento para CONGÊNERES e para simples CREDENCIADOS ser realizado de forma diferente (o primeiro fixo por mês, o segundo por evento ocorrido e comprovado) já é suficiente para se constatar a diferença do inciso I e III neste particular. Neste diapasão, em termos operacionais, quando se trata de indenização por evento, automaticamente se exclui a cessão de responsabilidade, razão pela qual todos os valores referentes à transferência de responsabilidade estão localizados no inciso I do citado § 9º. Por idêntica forma, aparto a interpretação de que o legislador não pretendeu excluir da base de cálculo o valor pago a terceiros, pois não resta dúvida de que o inciso I do §9º referese a terceiros (CONGÊNERES), que como dito alhures são espécie de credenciados contratados de forma indireta. Neste sentido, que é possível a exclusão da base de cálculo de valores pagos a terceiros, não tenho dúvida, e em afirmação a isto está o próprio inciso I do dispositivo legal analisado. Com este raciocínio questiono: qual o conceito de eventos ocorridos? O que o legislador pretendeu, ao expressamente conceder a possibilidade de redução da base de cálculo dos tributos em discussão? A despeito do entendimento que vêm sendo apresentado pela fiscalização, conforme se depreende do Plano de Contas da ANS, os eventos ocorridos estão sim definidos na conta “4.1. EVENTOS INDENIZÁVEIS LÍQUIDOS / SINISTROS RETIDOS”. E tratase de identidade de classificação, é exatamente este termo – eventos – que permite a interpretação que a intenção da lei é alcançar esta rubrica contábil. Várias OPS aplicam este entendimento de forma genérica e excluem da base de cálculo o valor referente ao inteiro teor da conta “4.1.1. EVENTOS CONHECIDOS / INDENIZAÇÕES AVISADAS DE ASSISTÊNCIA MÉDICO HOSPITALAR”. Todavia, também não coaduno com este entendimento. É que entendo que, como se trata de benefício fiscal, a lei deve ser analisada em seus termos literais1, lembrando que no ordenamento jurídico não há palavras inúteis. A rubrica 4.1.1. contém registros dos custos incorridos com a rede própria e a rede contratada (no caso terceiros simplesmente credenciados, não congêneres). Ocorre que entendo que os custos com a rede própria não estão incluídos no dispositivo de desoneração legal. Explico. Conforme se depreende do texto legal, o inciso III permite a dedução do “...valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pagos ...” O que significa indenizações de eventos ocorridos efetivamente pagos? Mais uma vez socorrome dos aspectos técnicos específicos do setor. Fl. 174DF CARF MF Processo nº 13866.000151/200381 Acórdão n.º 3302005.780 S3C3T2 Fl. 175 8 É cediço que o setor da saúde é diverso dos demais setores da sociedade, não apenas por tratar de serviço essencial e se sujeitar às regras definidas por Agência Reguladora, mas pela própria operação e exatamente por isso é que a legislação limitou à possibilidade de exclusão da base de cálculo aos eventos ocorridos efetivamente pagos. Em aspectos práticos, para fim de atender as determinações da ANS, a sistemática de procedimento das empresas de saúde geralmente obedece ao seguinte critério: (1)O credenciado presta o serviço para o beneficiário;Janeiro /X1 (2)após o serviço prestado, este credenciado informa à OPS, apresentando a documentação suporte necessária para o ressarcimento do custo, já que a credenciada trabalha por evento (ao contrário da congênere). A OPS reconhece a despesa quando desse aviso/notificação.Fevereiro/X1 (3)apenas após validar a informação da credenciada a OPS realiza o pagamento.Março/X1 As operadoras de saúde possuem sistemas de controles internos contábeis e extracontábeis, integrados com os controles da ANS, e toda esta informação é importante porque justamente com base nesta movimentação de faturamento/ pagamento/ despesas/ utilização de rede credenciada, que a ANS faz todos os seus controles, não necessariamente contábeis. Por exemplo, é com base nesta informação que são feitos os cálculos dos valores que precisarão ser provisionados (as mencionadas Provisões Técnicas que garantem o atendimento aos beneficiários); assim como são controladas as alterações de produto (descredenciamento/alteração de rede credenciada). Podese citar, ainda, o cruzamento de informações com o SUS (que é uma espécie de terceiro, uma vez que as operadoras precisam ressarcilo na hipótese da Rede pública de atendimento médico vir a atender beneficiários das OPS). Neste diapasão, os eventos ocorridos em janeiro/X1, serão reconhecidos contabilmente em fevereiro/X1, quando AVISADOS, e efetivamente pagos a partir de março/X1, quando da validação e aprovação final das contas apresentadas para a OPS, sendo impossível qualquer outro procedimento. Este procedimento específico tem uma razão de ser. Até o momento do pagamento podem ocorrer e efetivamente ocorrem – glosas. Assim, na hipótese de o legislador permitir a contabilização e dedução do valor AVISADO, estaria utilizando valor não definitivo. Por outro giro, ao utilizar o valor PAGO, a legislação adota o custo efetivo do evento, não o valor informado pelo credenciado, mas aquele efetivamente aceito pela OPS contratante e efetivamente pago. Podese dizer que, com este procedimento, o legislador buscou os números finais mais objetivos possíveis, pois a partir do pagamento entendese incabível qualquer tipo de reajuste. Esta “apuração do número final”, inclusive, permite a rastreabilidade dos valores envolvidos, por ser um número definitivo. Procedimento diverso significaria a contabilização de números preliminares sujeitos a ajustes nos meses seguintes, o que macularia a objetividade da apuração da referida exclusão. É uma espécie de exceção aos regimes de caixa e competência, e por isso que se tornou imperioso ao legislador reconhecer a especificidade do setor e determinar que apenas poderia ser deduzido o valor das “indenizações referentes a evento ocorrido efetivamente pago”, sob pena de (i) o benefício não poder ser aplicado ao Fl. 175DF CARF MF Processo nº 13866.000151/200381 Acórdão n.º 3302005.780 S3C3T2 Fl. 176 9 setor; (ii) causar grande confusão nos controles ou, no limite, (iii) serem deduzidos valores preliminares, ainda não pagos, e reconhecidos contabilmente. É exatamente em razão desta especificidade de procedimento do setor que discordo do raciocínio de exclusão total e genérica da conta 4.1.1. É que não são todos os eventos registrados naquela rubrica que podem, a meu ver, ser considerados como “indenizações” ou ‘eventos ocorridos, efetivamente pagos”. A Rede Própria consiste no exercício direto do serviço médico, incluindo portanto todos os custos e despesas operacionais decorrentes da utilização de hospitais, clínicas, ambulatórios, laboratórios, serviços de imagem, inclusive folha de salário dos empregados médicos e paramédicos, depreciação dos imóveis operacionais,...., das OPS. Para tais, não há como tratálos nos limites de definição ao termo “indenização”. Estes eventos não são “indenizados” pelas OPS, mas sim custeados por ela. A folha de pagamento salarial não precisa ser avisada ou aguardar qualquer procedimento de confirmação para ser “efetivamente paga”, é simplesmente elaborada pelas OPS e paga, de forma automática, todos os meses, como em qualquer outra empresa. Não me parece, ao conhecer o procedimento do setor, que os valores referentes à rede própria estejam dentre aqueles imaginados pelo legislador, e esta interpretação decorre justamente da análise dos termos legais. Todavia, é visível a identidade dos dizeres apostos no inciso III com o procedimento adotado para os credenciados. Indiscutível que são estes os valores cuja exclusão foi pretendida pelo legislador. Os credenciados – não congêneres – atuam por evento, e recebem o pagamento para cada serviço prestado, após estar efetivamente confirmado pela OPS contratante. Todavia, é preciso atentar para o fato de que não são todos os eventos AVISADOS pelos terceiros que serão deduzidos, mas apenas aqueles efetivamente pagos, por isso se considera a conta contábil de resultado. Reitero que não se trata de discutir o conceito de faturamento para as OPS, esta questão já foi superada quando definida a base de cálculo. Tratase de dar efetividade à intenção do legislador que foi, claramente, beneficiar esse setor de saúde com a exclusão de determinados valores da base de cálculo constituída para pagamento dos tributos em tela (justamente do valor total do faturamento). Ante os esclarecimentos expostos, entendo que o inciso III, do parágrafo 9º, do artigo 3º, da Lei nº 9.718/98 determinou com absoluta clareza a exclusão dos valores efetivamente pagos aos terceiros (rede credenciada e SUS), não congêneres, os quais se coadunam exatamente com os dispositivos legais mencionados. No que se refere à mencionada ADIÇÃO, também presente neste inciso, mais uma vez deparamonos com o conceito de transferência de responsabilidade. Conforme já analisado, temse a transferência de responsabilidade quando a outra OPS e exerce a função de CONGÊNERE, ou seja, a mesma função da OPS que a contratou, respondendo inclusive civil e penalmente pela prestação do serviço médico. No caso, assim como a Recorrente contrata terceiros para lhe prestar serviços, no exercício de suas atividades é contratada por outras empresas para atender aos beneficiários destas. A OPS contratada assume a totalidade dos RISCOS no atendimento médico hospitalar de determinados usuários da OPS contratante. Dessa forma, as partes estabelecem o valor que a contratada deverá faturar contra a contratante, usualmente em função das quantidades de Fl. 176DF CARF MF Processo nº 13866.000151/200381 Acórdão n.º 3302005.780 S3C3T2 Fl. 177 10 beneficiários a serem assistidos e o tipo do plano de saúde (hospitalar, ambulatorial,...). É cediço que tais contratações são muito comuns neste segmento em virtude da necessária abrangência geográfica dos planos de saúde. É certo que as pessoas estão em constante movimento, e esta mobilidade faz com que, às vezes, tenham que ser atendidas em locais (cidades/estados) diversos daqueles onde a OPS que mantém seu plano de saúde possui estabelecimento, bem como os clientes corporativos que mantém filiais e empregados em vários municípios brasileiros, onde a OPS contratada pelo cliente empresarial, não tem estabelecimento. Assim, para pode atender aos seus beneficiários, e com a devida autorização da ANS, as OPS se servem de outras empresas de saúde, as quais terão condições de atender o beneficiário de acordo com as especificidades e nos locais que estes necessitem. A meu ver, é evidente que esta receita – mensalidade recebida pela Recorrente para atender beneficiários, ainda que de terceiros – é faturamento da Recorrente. Está vinculado ao objeto social da entidade e resulta de sua prestação de serviços. Todavia, assim como exposto alhures, os valores relativos a esta receita, nos termos do Plano de Contas da ANS, não estão registrados no GRUPO 3, que é o vinculado às RECEITAS, ao contrário, estão registrados no GRUPO 4, que é rubrica de CUSTOS e DESPESAS. Neste aspecto, as receitas advindas do FATURAMENTO da OPS contratada como congênere (empresas pertencentes ao mesmo gênero da Recorrente) contra a OPS que a contratou, é classificada contabilmente como uma rubrica redutora dos Custos e Despesas, in verbis: “ CONTA: 4.1.2.3 () RECUPERAÇÃO / RESSARCIMENTO DE EVENTOS/ SINISTROS EM CORESPONSABILIDADE E ASSISTÊNCIA MÉDICO HOSPITALAR” Registro que esta é a exata contraposição da conta contábil 3.1.1.7. conta redutora das Receitas que está expressamente excluída da tributação, conforme inciso I – razão pela qual é necessário o seu reconhecimento e inclusão na base de cálculo dos tributos em questão. Ao obrigar a tributação sobre os valores recebidos a título de transferência de responsabilidades, a legislação garante que aquele que efetivamente prestou o serviço, seja tributado. Pareceme claro que, em relação a este item o legislador pretendeu “ajustar” a base de cálculo do PIS e da COFINS das operadoras de saúde para que a tributação recaísse sobre o seu faturamento total, uma vez que a sua aposição em conta redutora de custos e despesas podia evitar que fosse tributado pelo PIS e Cofins, mesmo consistindo faturamento da operadora. Assim, entendo que devam ser excluídos da base de calculo das contribuições os pagamentos de médicos, hospitais, laboratórios, clinicas, valores estes relacionados ao item III do dispositivo legal ora analisado. Neste contexto são indevidas as glosas efetuadas pela autoridade fiscal relacionadas a pagamentos de médicos, hospitais, laboratórios, clinicas, ente outros, devendo o processo retornar a DRF para que o pedido de restituição e as compensações a ele vinculadas sejam reanalizadas, devendo o crédito ser reconstituído e verificada a sua suficiência para fins da compensação pretendida. Assim, voto por DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, nos termos do voto acima transcrito. Nestes termos, entendo que é direito da Recorrente excluir, da base de cálculo da contribuição aqui tratada, os valores pagos a prestadores de serviços, clínicas, hospitais, etc..., outrora registrados na conta "Outras Exclusões", devendo, assim, o processo Fl. 177DF CARF MF Processo nº 13866.000151/200381 Acórdão n.º 3302005.780 S3C3T2 Fl. 178 11 retornar a DRF para que o pedido de restituição e as compensações a ele vinculadas sejam reanalizadas, devendo o crédito ser reconstituído e verificada a sua suficiência para fins da compensação pretendida. III. Conclusão Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Walker Araujo Fl. 178DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10183.002155/2006-37
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2005
DIÁRIAS. ISENÇÃO.
As diárias pagas exclusivamente para custear as despesas de alimentação e pousada do empregado por serviço eventual realizado em município diferente do da sede de trabalho, até mesmo no exterior, são isentas do imposto de renda, desde que atendidas as condições prescritas nas normas de regência da matéria.
Dispositivos Legais: Lei nº 7.713, de 1998, art. 6º, inc. II; Decreto nº 3000, de 1999, art. 39, inc. XIII; IN SRF nº 15, de 2001, art. 5º, inc. II; Parecer Normativo CST nº 10, de 1992.
Numero da decisão: 2001-000.716
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente e Relator
Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Jorge Henrique Backes (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira, Fernanda Melo Leal.
Nome do relator: JORGE HENRIQUE BACKES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2005 DIÁRIAS. ISENÇÃO. As diárias pagas exclusivamente para custear as despesas de alimentação e pousada do empregado por serviço eventual realizado em município diferente do da sede de trabalho, até mesmo no exterior, são isentas do imposto de renda, desde que atendidas as condições prescritas nas normas de regência da matéria. Dispositivos Legais: Lei nº 7.713, de 1998, art. 6º, inc. II; Decreto nº 3000, de 1999, art. 39, inc. XIII; IN SRF nº 15, de 2001, art. 5º, inc. II; Parecer Normativo CST nº 10, de 1992.
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ISENÇÃO. As diárias pagas exclusivamente para custear as despesas de alimentação e pousada do empregado por serviço eventual realizado em município diferente do da sede de trabalho, até mesmo no exterior, são isentas do imposto de renda, desde que atendidas as condições prescritas nas normas de regência da matéria. Dispositivos Legais: Lei nº 7.713, de 1998, art. 6º, inc. II; Decreto nº 3000, de 1999, art. 39, inc. XIII; IN SRF nº 15, de 2001, art. 5º, inc. II; Parecer Normativo CST nº 10, de 1992. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente e Relator Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Jorge Henrique Backes (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira, Fernanda Melo Leal. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 00 21 55 /2 00 6- 37 Fl. 88DF CARF MF 2 Tratase de Notificação de Lançamento relativa à Imposto de Renda Pessoa Física, isenção sobre diárias. O Recurso Voluntário foi apresentado pelo relator para a Turma, assim como os documentos do lançamento, da impugnação e do acórdão de impugnação, e demais documentos que embasaram o voto do relator. Não se destacaram algumas dessas partes, pois tanto esse acórdão como o inteiro processo ficam disponíveis a todos os julgadores durante a sessão. A ementa do acórdão de impugnação foi a seguinte: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FiSICA IRPF Exercício: 2003 DIÁRIAS São consideradas isentas as diárias destinadas, exclusivamente, ao pagamento de despesas de alimentação e pousada, por serviço eventual realizado em município diferente do da sede de trabalho, ou no exterior, devidamente comprovadas. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. GLOSA DE DEDUÇÃO. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo sujeito passivo. Esse acórdão apresentou a seguinte fundamentação para entender tributáveis as diárias: A legislação tributária prevê que estão isentas do IRPF as diárias, quando destinadas, exclusivamente, ao pagamento de despesas de alimentação e pousada, por serviço eventual realizado em município diferente do da sede de trabalho, inclusive no exterior. Assim preceitua o art. 39, XIII do RIR 1999. No caso em exame, não restou comprovado que tais verbas efetivamente foram utilizadas para a finalidade a que se propõem para fazer jus. A isenção da tributação do imposto, motivo pelo qual não é possível acatar a alegação. Voto Conselheiro Jorge Henrique Backes, Relator Verificada a tempestividade do recurso voluntário, dele conheço e passo à sua análise. Do lançamento restou no recurso voluntário a discussão sobre a percepção de diárias por servidor público, no caso magistrado. Assim dispõe sobre a matéria a Solução de Consulta Cosit nº 73, de 2013: Fl. 89DF CARF MF Processo nº 10183.002155/200637 Acórdão n.º 2001000.716 S2C0T1 Fl. 3 3 A Divisão de Tributação da SRRF na 8ª Região Fiscal, ao ser consultada sobre a matéria em foco, proferiu a Solução de Consulta nº 9, de 26 de janeiro de 2006, na qual, após transcrever o caput do art. 39 do RIR/1999 e o seu inciso XIII, pronunciouse da seguinte forma: “8. Baseada nos dispositivos legais anteriormente citados (o caput do art. 39 do RIR/1999 e o seu inciso XIII), a Instrução Normativa SRF nº 15, de 6 de fevereiro de 2001, estabelece que: ‘Art. 5º Estão isentos ou não se sujeitam ao imposto de renda os seguintes rendimentos: II – diárias destinadas, exclusivamente, ao pagamento de despesas de alimentação e pousada, por serviço eventual realizado em município diferente do da sede de trabalho ou no exterior.’ Como todos os aspectos de remuneração dos servidores públicos, também o pagamento de diárias somente é feito de acordo com determinações legais. Diárias só são pagas a servidores públicos justamente para o custeio de despesas de alimentação e pousada, por serviço eventual realizado em município diferente do da sede de trabalho, inclusive no exterior. A comprovação é realizada pelo setor competente onde se encontra lotado o servidor. Sem comprovação não há pagamento. Observese que as comprovações tem como finalidade comprovar tãosomente o efetivo deslocamento do servidor para município diverso, ou para o exterior, e o número de dias de duração desse deslocamento, não objetiva limitar o valor das diárias ao valor das despesas constantes daquelas provas. Assim, as diárias de servidor se enquadram nos requisitos legais exigidos para concessão de isenção. Observese que pedido sobre as multas a serem cobradas refoge a competência desse julgamento. Conclusão Em razão do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Relator Fl. 90DF CARF MF 4 Fl. 91DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16561.720001/2017-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 09 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1401-000.588
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos termos do voto do Relator (art.24 da LINDB).
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente
(assinado digitalmente)
Cláudio de Andrade Camerano - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Livia de Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Abel Nunes de Oliveira Neto, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga.
Relatório
Nome do relator: CLAUDIO DE ANDRADE CAMERANO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos termos do voto do Relator (art.24 da LINDB). (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente (assinado digitalmente) Cláudio de Andrade Camerano - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Livia de Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Abel Nunes de Oliveira Neto, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga. Relatório
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos termos do voto do Relator (art.24 da LINDB). (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente (assinado digitalmente) Cláudio de Andrade Camerano Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Livia de Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Abel Nunes de Oliveira Neto, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga. Relatório Tratase de autos de infração para a cobrança de IRPJ e CSLL referentes a fatos geradores ocorridos em 31/12/2012, 31/12/2013 e 31/12/2014. Conforme Termo de Verificação Fiscal a autoridade autuante glosou as despesas com amortização de ágio com base nos seguintes argumentos: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 65 61 .7 20 00 1/ 20 17 -1 3 Fl. 3751DF CARF MF Processo nº 16561.720001/201713 Resolução nº 1401000.588 S1C4T1 Fl. 3.746 2 3. DAS OPERAÇÕES DE REESTRUTURAÇÃO SOCIETÁRIA E DA AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO "T4U" [...] O ágio registrado pela RI HAPPY com a incorporação da empresa T4U não pode ser considerado dedutível para fins de apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL nos termos do artigo 386 do RIR/99, o qual repete os artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997. O ágio amortizado não observa as condições e requisitos impostos pela legislação para o gozo do aludido benefício fiscal. [...] 3.5. DA AUSÊNCIA DE PROPÓSITO NEGOCIAL NA REESTRUTURAÇÃO SOCIETÁRIA EM SI E DA EMPRESA VEÍCULO Na reestruturação societária em epígrafe, do modo como foi conduzida, surge uma questão que não quer calar. Se o objetivo do grupo CARLYLE e de seus fundos de investimento no Brasil era adquirir o grupo RI HAPPY e, por conseguinte, o controle das empresas fabricantes de brinquedos, por que não o fizeram diretamente, pagando os valores diretamente aos antigos sócios da RI HAPPY? Por que se utilizar da empresa T4U para efetuar a transação? A resposta é basicamente simples. Se tivessem feito diretamente a transação, não teriam como gozar da amortização do vultoso ágio pago na operação, tendo em vista que este último seria alocado na contabilidade das empresas FUNDO BRASIL e CTS, os fundos de investimento que faziam a ponte entre o grupo CARLYLE no exterior e o grupo RI HAPPY. Assim, o caminho para poder fazêlo seria mediante a utilização de uma empresa “veículo”, a empresa T4U, que, ao receber o repasse do ágio pago na transação, seria incorporada pela adquirida, de modo que esta, em tese, usufruísse do benefício. No entanto, o procedimento adotado pela RI HAPPY não atende as regras restritivas à amortização do ágio, nos moldes do art. 386 do RIR/99, anteriormente tratadas. Nesse ponto, surge a questão da caracterização da empresa T4U como empresa “veículo”. [...] No tópico 4. DAS OPERAÇÕES DE REESTRUTURAÇÃO SOCIETÁRIA E DA AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO "T4U I", temse, então, o relato de que a T4U I adquiriu, em 27/08/2012, uma participação societária na RI HAPPY, correspondente a 27,09% de seu patrimônio, tendo havido um ágio no valor de R$ 95.423.252,92 (demonstrativo a fl.1156). No tópico 4.2. DA AUSÊNCIA DE INDEPENDÊNCIA ENTRE AS PARTES ENVOLVIDAS E DO "ÁGIO DE SI MESMO", procura demonstrar a autoridade Fl. 3752DF CARF MF Processo nº 16561.720001/201713 Resolução nº 1401000.588 S1C4T1 Fl. 3.747 3 lançadora que não teria havido independência entre as partes na transação da aquisição parcial da RI HAPPY, pois o Grupo Carlyle era o gestor dos fundos envolvidos na transação: RHPBK (controladora da T4U I) e FUNDO BRASIL e CTS (controladores da RY HAPPY). Conforme relato fiscal: De todo o exposto, inferese, portanto, que não é aceitável a reavaliação de si mesmo com base em rentabilidade futura, sem que haja, efetivamente, independência entre as partes na operação em que o ágio foi gerado. 5. DA GLOSA DOS VALORES A RI HAPPY passou a amortizar os ágios referentes a T4U e a T4U I, a partir de 2012 e 2013, respectivamente, lançando as amortizações como despesas excludentes das bases de cálculo do IRPJ e CSLL. (fls. 364 a 368; fl. 529; fl. 614; “Demonstrativos Ri Happy” à fl. 1391; “FCONTs Ri Happy à fl. 1389 e “ECFs AC 2014” à fl. 116). [...] Por todo o exposto, neste e nos tópicos anteriores, não cabem as reduções da base de cálculo tributável do IRPJ e da CSLL, pelas despesas de amortização: a. do ágio “T4U”, visto que a utilização da via indireta (constituição de empresa veículo) teve como único objetivo contornar a restrição da legislação tributária para operacionalizar a amortização do ágio, buscando, assim, os benefícios de se pagar menos tributos. b. do ágio “T4U I”, visto que o ágio é inexistente, tendo em vista o quanto exposto nos tópicos anteriores quanto à diminuição do PL e “ágio de si mesmo”, com os mesmos objetivos de se utilizar indevidamente de benefício fiscal. Impugnada a autuação, a decisão recorrida manteve a autuação quanto à glosa da amortização de ágio (ÁGIO T4U e ÁGIO T4U I) especificamente por entender ter havido, no primeiro ágio a figura de empresa veículo e, no segundo ágio, o ágio interno. A decisão de 29 de agosto de 2017 foi assim ementada, naquilo que se refere à glosa da amortização do ágio: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2012, 2013, 2014 INVESTIDORA FORMAL. INCORPORAÇÃO PELA INVESTIDA. FALTA DE PREENCHIMENTO DOS REQUISITOS PARA DEDUÇÃO Segundo o art. 25 do DecretoLei 1.598/77, com redação dada pelo DecretoLei 1.730/79, as contrapartidas da amortização do ágio não serão computadas na determinação do lucro real. Fl. 3753DF CARF MF Processo nº 16561.720001/201713 Resolução nº 1401000.588 S1C4T1 Fl. 3.748 4 A possibilidade de dedução das amortizações em caso de incorporação é uma exceção à regra da indedutibilidade um benefício fiscal e como tal, deve receber interpretação estrita, de modo que se aplique somente aos casos que o legislador pretendeu desonerar. O uso pela real investidora de uma terceira empresa para figurar como investidora formal e ser incorporada pela investida não preenche os requisitos legais para dedução fiscal das amortizações. Se o legislador pretendesse desonerar também estes casos, teria simplesmente autorizado a dedução independentemente de qualquer incorporação, fusão ou cisão. Entender de forma diversa seria admitir que, por meio de um artifício, a investida pudesse deduzir o ágio pago na sua aquisição, mesmo sem incorporar a investidora; e negar aplicação ao art. 25 do DecretoLei 1.598/77. ÁGIO INTERNO. ART. 22 DA LEI N° 12.973/2014. INDEDUTIBILIDADE. NORMA MERAMENTE DECLARATÓRIA. Embora o art. 22 da Lei 12.973/2014 tenha explicitado a indedutibilidade do ágio por rentabilidade futura (goodwill) decorrente de aquisição de participação societária entre partes sob controle comum, tratase de norma meramente declaratória, pois a vedação já se fundamentava tanto na ausência de riqueza nova em transação dos acionistas com eles próprios quanto na impossibilidade de se apurar o valor econômico de um bem a partir de negociações entre partes dependentes. [...] Cientificada da autuação, a contribuinte apresentou recurso voluntário alegando, dentre outros argumentos, que inexiste vedação legal para a transferência de participação societária adquirida com ágio (ÁGIO T4U e ÁGIO T4U I). Colocado o processo em pauta nesta data, a Recorrente apresentou petição argumentando que a autuação deveria ser cancelada por força da Lei 13.655/2018, já que o procedimento por ela adotado se deu com base nas orientações da época, tendo sido pautado na jurisprudência majoritária do CARF. É o que cabia relatar no momento. Voto Conselheiro Relator Cláudio de Andrade Camerano O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos para a sua admissibilidade, portanto dele conheço. Fl. 3754DF CARF MF Processo nº 16561.720001/201713 Resolução nº 1401000.588 S1C4T1 Fl. 3.749 5 Em virtude da recente publicação da Lei 13.655, de 25 de abril de 2018, a Recorrente apresenta a este colegiado questão inédita, a qual deve ser admitida a discussão, tendo em vista ser relativa a fato ou direito superveniente. Referida lei incluiu o artigo 24 à Lei de Introdução às normas do Direito Brasileiro, de seguinte teor: Art. 24. A revisão, nas esferas administrativa, controladora ou judicial, quanto à validade de ato, contrato, ajuste, processo ou norma administrativa cuja produção já se houver completado levará em conta as orientações gerais da época, sendo vedado que, com base em mudança posterior de orientação geral, se declarem inválidas situações plenamente constituídas. (Incluído pela Lei nº 13.655, de 2018) Parágrafo único. Consideramse orientações gerais as interpretações e especificações contidas em atos públicos de caráter geral ou em jurisprudência judicial ou administrativa majoritária, e ainda as adotadas por prática administrativa reiterada e de amplo conhecimento público. (Incluído pela Lei nº 13.655, de 2018) Aduz a Recorrente que "as operações discutidas nesses autos tiveram início em 2011, de modo que não se pode adotar nenhum precedente ou entendimento deste E.CARF que seja posterior a essa data", e que, sobre a matéria, a jurisprudência do CARF proferida nos anos de 2011 e 2012 era majoritariamente favorável ao contribuinte, citando ementas. Por se tratar de questão nova apresentada nesta data, entendo que é prudente baixar o processo em diligência a fim de oportunizar à Procuradoria da Fazenda Nacional a manifestação sobre a petição de fls. 3.637 a 3.645, garantindose assim a igualdade de tratamento às partes do processo. (assinado digitalmente) Cláudio de Andrade Camerano Fl. 3755DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.723093/2012-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Aug 10 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
GFIP. RETIFICAÇÃO DE INFORMAÇÕES
As declarações em GFIP são de responsabilidade do contribuinte. Os erros porventura detectados neste documento podem e devem ser corrigidos pelo contribuinte antes do início de qualquer medida fiscalizatório relativa as contribuições previdenciárias.
ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE.
Nos termos da Súmula CARF nº 2, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
SELIC.
Nos termos da Súmula CARF nº 4, a partir de 1o de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - Selic para títulos federais.
TERMOS DE SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. GRUPO ECONÔMICO. SÓCIO-ADMINISTRADOR.
As empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações previdenciárias, nos termos do art. 30, IX, da Lei nº 8.212/91.
São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado.
Não elididos os fatos que lhes deram causa, os termos de sujeição passiva solidária devem ser mantidos.
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. GFIP. NÃO INFORMAÇÃO DE FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. (CFL 68)
A apresentação de GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias caracteriza-se como descumprimento da obrigação acessória do art. 32, Inciso IV e § 5º, da Lei n° 8.212/91.
RETROAÇÃO BENIGNA.COMPETÊNCIA. UNIDADE PREPARADORA.
A Lei 11.941/2009 alterou a metodologia de cálculo do valor da multa, ensejando o cotejo do valor assim obtido com o valor da multa aplicada, adotando-se aquele for inferior. Em virtude da peculiaridade da variação do montante da multa dos créditos de obrigação principal de acordo com a fase processual administrativa na qual estes se encontram, a aplicação da retroação benigna deve ficar a cargo do Serviço competente da Delegacia da Receita Federal do Brasil. É a determinação expressa no § 4º do art. 2º da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 14, de 4 de dezembro de 2009.
Numero da decisão: 2301-005.554
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, (a) conhecer em parte do recurso voluntário do contribuinte, não conhecendo da alegação de inconstitucionalidade, (b) na parte conhecida do recurso do contribuinte e dos recursos dos responsáveis solidários, negar-lhes provimento.
(assinado digitalmente)
João Bellini Junior - Presidente
(assinado digitalmente)
Alexandre Evaristo Pinto - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Marcelo Freitas de Souza Costa, Thiago Duca Amoni (suplente convocado), Antônio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, Reginaldo Paixão Emos, João Maurício Vital e Wesley Rocha. Ausente a conselheira Juliana Marteli Fais Feriato.
Nome do relator: ALEXANDRE EVARISTO PINTO
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RETIFICAÇÃO DE INFORMAÇÕES As declarações em GFIP são de responsabilidade do contribuinte. Os erros porventura detectados neste documento podem e devem ser corrigidos pelo contribuinte antes do início de qualquer medida fiscalizatório relativa as contribuições previdenciárias. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. Nos termos da Súmula CARF nº 2, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. SELIC. Nos termos da Súmula CARF nº 4, a partir de 1o de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic para títulos federais. TERMOS DE SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. GRUPO ECONÔMICO. SÓCIOADMINISTRADOR. As empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações previdenciárias, nos termos do art. 30, IX, da Lei nº 8.212/91. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Não elididos os fatos que lhes deram causa, os termos de sujeição passiva solidária devem ser mantidos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 30 93 /2 01 2- 14 Fl. 754DF CARF MF 2 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. GFIP. NÃO INFORMAÇÃO DE FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. (CFL 68) A apresentação de GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias caracterizase como descumprimento da obrigação acessória do art. 32, Inciso IV e § 5º, da Lei n° 8.212/91. RETROAÇÃO BENIGNA.COMPETÊNCIA. UNIDADE PREPARADORA. A Lei 11.941/2009 alterou a metodologia de cálculo do valor da multa, ensejando o cotejo do valor assim obtido com o valor da multa aplicada, adotandose aquele for inferior. Em virtude da peculiaridade da variação do montante da multa dos créditos de obrigação principal de acordo com a fase processual administrativa na qual estes se encontram, a aplicação da retroação benigna deve ficar a cargo do Serviço competente da Delegacia da Receita Federal do Brasil. É a determinação expressa no § 4º do art. 2º da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 14, de 4 de dezembro de 2009. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, (a) conhecer em parte do recurso voluntário do contribuinte, não conhecendo da alegação de inconstitucionalidade, (b) na parte conhecida do recurso do contribuinte e dos recursos dos responsáveis solidários, negarlhes provimento. (assinado digitalmente) João Bellini Junior Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Marcelo Freitas de Souza Costa, Thiago Duca Amoni (suplente convocado), Antônio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, Reginaldo Paixão Emos, João Maurício Vital e Wesley Rocha. Ausente a conselheira Juliana Marteli Fais Feriato. Relatório Tratase de crédito lançado pela fiscalização em face da empresa em epígrafe, que de acordo com o Relatório Fiscal de fls. 32/38, referese a Autos de Infração por descumprimento de obrigação principal – AIOP e Auto de Infração por descumprimento e Obrigação Acessória AIOA a seguir relatados: AIOP Debcad nº 37.391.5870 (EMPRESA, SAT/RAT e GLOSA DE COMPENSAÇÃO) R$ 8.145.994,03 lavrado em 09/01/2013; Fl. 755DF CARF MF Processo nº 19515.723093/201214 Acórdão n.º 2301005.554 S2C3T1 Fl. 3 3 O lançamento inclui as contribuições previdenciárias da parte patronal, apuradas sobre a remuneração paga aos segurados empregados (CLT) e sobre a remuneração paga aos segurados contribuintes individuais, não incluídas em Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP como salário de contribuição, glosa de compensação não comprovadas e multas cominativas no valor acima expresso envolvendo competências de 01/2008 a 13/2008 cuja fundamentação legal encontrase expressa no Relatório de Fundamentação Legal – FLD anexo ao citado Auto de Infração. Informa o Auditor que a empresa regularmente intimada, em 17/09/2012 pelo Termo de Início da Ação Fiscal, fls. 5/6, conforme AR. fl. 4, não apresentou documentação ou esclarecimento algum. Reintimada em 16/10/2012, conforme Termo de Reintimação, fl. 08 e AR. fl. 7, novamente não atendeu a solicitação fiscal. Aduz o Auditor Fiscal que em virtude de embaraço à fiscalização, conforme termo lavrado às fl. 9/10, foram considerados fatos geradores do presente lançamento a remuneração paga aos segurados empregados, declarada na GFIP anterior que contempla a totalidade dos fatos geradores, tomandose como referência a última GFIP válida nos sistemas da RFB retificada pela empresa antes do início da ação fiscal. Verificou que no período de 01 a 04/2008 e 08/2008 a 13/2008 a empresa informou em suas GFIPs a título de compensação, valores que não puderam ser validados em virtude da falta de documentação comprobatória , conforme termos de intimação e reintimação já citados. Incluiu neste lançamento a glosa destes valores os quais estão relacionados na fl. 34 do relatório fiscal de acordo com a respectiva GFIP. AIOP Debcad nº 37.391.5888 – (Terceiros não declarados) R$ 1.645.020,47, lavrado em 09/01/2013. O lançamento inclui as contribuições referentes às Outras Entidades (terceiros) devida pela empresa e multas cominativas no valor acima expresso, apuradas sobre a remuneração paga aos segurados empregados (CLT) e sobre a remuneração paga aos segurados contribuintes individuais, consideradas não declaradas em Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP como salário de contribuição, envolvendo competências de 01/2008 a 13/2008 cuja fundamentação legal encontrase expressa no Relatório de Fundamentação Legal – FLD anexo ao citado Auto de Infração. Observou o Auditor que no período de 01/2008 a 13/2008 a empresa declarou em GFIP código de terceiros 0000, quando o correto seria 3139. Este erro fez com que não fossem declarados os valores relativos aos Terceiros abaixo descritos. Para o cálculo foram aplicadas as alíquotas correspondente à cada entidade conforme tabela abaixo: 2,5% FNDE 0,2% INCRA 0.6% SEBRAE 1,5% SEST Fl. 756DF CARF MF 4 1,0% SENAT AIOA Debcad nº 37.391.5861 – (CFL 68) R$ 102.994,20, lavrado em 09/01/2013 O lançamento referese a Auto de Infração por descumprimento de obrigação acessória – AIOA por apresentar a empresa o documento a que se refere a Lei nº 8.212, de 24.07.91, art. 32, inciso IV e parágrafo 3º, acrescentados pela Lei n. 9.528, de 10.12.97, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, conforme previsto na Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 32, IV e parágrafo 5º, também acrescentado pela Lei n. 9.528, de 10.12.97, combinado com o art. 225, IV e parágrafo 4º, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99. Tendo em vista as alterações promovidas pela Medida Provisória 449/2008, convertida na Lei 11.941, de 27/05/2009, fezse a comparação entre as multas aplicadas de acordo com a legislação vigente na época da ocorrência dos fatos geradores e de acordo com a legislação atual. Esclarece que aplicou para as competências 05 a 07/2008 a legislação anterior por ser mais benéfica ao contribuinte conforme relatório comparativo de multas, fl. 99/100. Assim, o valor da multa é de 100% do valor devido à previdência social que deixou de ser informado em GFIP, limitado a um valor que varia de acordo com o número de empregados. No caso em questão, o limite foi atingido nas competências 05 a 07/2008 corresponde a R$ 1.716,57 (conforme portaria interministerial MPS/MF n 11 de 08/01/2013) X 20 (variável conforme número de empregados de 501 a 1000 empregados), que totaliza R$ 34.331,40. Dessa forma, o valor do auto de infração pelo descumprimento de obrigação acessória é de R$ 34.331,40 x 3 competências , que totaliza R$ 102.994,20. Esclarece a Auditoria fiscal que com base em informações de fiscalizações anteriores contidas no processo 19515.720.480/201207, as quais transcreve para o relatório fiscal, informações colhidas dos bancos de dados da RFB tais com DIPJ 2008, 2009 e 2010, quadro societário e administração comum bem como Agravo de Instrumento interposto pela União Federal deferido pela 1F Vr São Paulo (sic) que reconhece a configuração de grupo econômico e responsabilidade solidária de seus dirigentes, manteve caracterização da sujeição passiva das pessoa jurídica e das pessoas físicas relacionadas nos respectivos termos de sujeição passiva anexos aos autos às fls. 101/127, com base no Art. 30 da Lei 8.212/91 e Art. 135, inciso III do CTN, respectivamente. Cientificada do lançamento por via postal, em 14/01/2013, conforme AR à fl. 153, a empresa apresentou em 04/02/2013, impugnação aos citados Autos de Infração às fls. 159/194, acompanhada dos documentos às fls. 195/444 alegando em apertada síntese que: a documentação fiscal, tais como folhas de pagamento, livro diário e livro razão, sempre estiveram à disposição do auditor fiscal, desde a emissão do termo de intimação; de maneira equivocada, foi surpreendida com o lançamento de contribuições, em relação a GPS quitadas, compensações havidas, créditos aos quais considera que tem direito assegurado pela própria Receita Federal do Brasil, através de atos Fl. 757DF CARF MF Processo nº 19515.723093/201214 Acórdão n.º 2301005.554 S2C3T1 Fl. 4 5 administrativos com o aval da Procuradoria Geral da República e posterior AUTO DE INFRAÇÃO lavrado em face da Secretaria Municipal de Transportes e sujeição passiva de Consórcio que ora integra, juntamente com a VIAÇÃO CAMPO BELO LTDA, CNPJ 01.832.301/000144; a autuação ora impugnada é clara no sentido de que o lançamento referese ao não acatamento de COMPENSAÇÕES, de pagamentos normais efetuados via GPS; a DEFIS DELEGACIA ESPECIAL DE FISCALIZAÇÃO DE SÃO PAULO não tem competência para lançamentos como o que ora se impugna, conforme Art. 222 do Regimento Interno da RFB, aprovado pela Portaria MF 587, de 21/12/2010, que atribui tal competência à DERAT – DELEGACIA ESPECIAL DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA; os fatos jurídicos indispensáveis ao nascimento da obrigação tributária referente à contribuição do art. 31 da Lei nº 8.212/91 não se encontram presentes nos referidos Autos de Infração; foram seguidos todos os preceitos legais e constitucionais conforme demonstra de forma exaustiva toda a documentação apresentada à fiscalização e acostada aos autos; foram recolhidas aos cofres do INSS todas as contribuições cabíveis, tanto dos empregados, como da empregadora, a taxa de acidente de trabalho exatamente na forma prevista na Lei, além das contribuições devidas a outras entidades, ditas terceiros, utilizandose de compensação de retenção de valores nos moldes do artigo 31 da Lei 8.212/91, redação da Lei 9.711/98; o lançamento não pode prosperar, tendo em vista que possui créditos a compensar, através de GPS pagas, de compensação informada em GFIP e lançamento posterior de débito junto à Secretaria Municipal de Transportes para o mesmo período, em que foi alçado à qualidade de sujeito passivo tributário, como solidário, em relação à retenção de 11 % instituída pela Lei 9.711/98 que deu nova redação ao artigo 31 da Lei 8.212/91; opera junto à SÃO PAULO TRANSPORTES S/A, sendo que a Procuradoria Geral Federal entende que este serviço se enquadra no artigo 31 da Lei 8.212, redação da Lei 9.711 e que cabe à SÃO PAULO TRANSPORTES proceder à retenção e recolhimento do percentual de 11% incidente sobre o faturamento; todos os fatos geradores lançados neste AUTO DE INFRAÇÃO já haviam sido devidamente informados pela empresa. Neste período, a empresa que é neste ato tida pela fiscalização como sendo do mesmo grupo econômico da empresa líder do Consórcio Sete, vem a ser participante do referido CONSÓRCIO SETE, em que é líder a Empresa VIAÇÃO CAMPO BELO LTDA. informou em suas GFIPs a utilização de compensação de valores relativos à retenção de 11 % incidente sobre o faturamento do Consórcio Sete. Estas retenções aproveitam a todos os consorciados, conforme artigo 31 da Lei 8212/91, redação da Lei 9711/97. em relação à afirmação do Auditor Fiscal de que não apresentou nenhum documento, afirma que foi apresentada farta documentação relativa aos créditos que Fl. 758DF CARF MF 6 possibilitaram a compensação. São créditos decorrentes do contrato de concessão que na verdade trata de cessão de mão de obra à Secretaria Municipal de Transportes/São Paulo Transportes. referida documentação, inclusive com AUTO DE INFRAÇÃO lavrado em face da Municipalidade e Responsabilidade Solidária dos prestadores em relação à retenção de 11% decorrente do artigo 31 da Lei 8.212/91, redação da Lei 9711/98, está anexa à presente impugnação. deveria ser acolhida a primeira informação postada em GFIP, que contempla as compensações; as informações em GFIP posteriores dizem respeito a retificações determinadas pela Justiça do Trabalho, que determinou a alteração de valores do salário de contribuição em GFIP de vários trabalhadores. em relação a contribuições relativas a terceiros, de 01/2008 a 13/2008, entende que com o advento da Lei 11.457/2007 de 16/03/2007, ocorreu modificação em relação à cobrança dessas contribuições passando a ter as mesmas condições relativas às contribuições previdenciárias, logo, poderão também ser objeto de compensação com créditos relativos a terceiros, caso não sejam estes créditos previdenciários inteiramente absorvidos pelas retenções de 11%. Fundamentase no art. 3º, §§ 2º e 3º da citada Lei. as obrigações acessórias foram devidamente cumpridas, com a informação em GFIP de todos os fatos geradores, conforme documentos ora anexados, período de 01/2008 a 13/2008. No período de 05 a 07/2008 que o auditor fiscal reputa como informado GFIP com apenas um segurado, o mesmo se contradiz afirmando que o lançamento teve como elemento de prova a própria GFIP enviada pelo ora Impugnante e que teria sido substituída. a informação de compensação constante das GFIPS, mesmo que por absurdo não fosse validada, relativa à retenção de 11%, não invalida o cumprimento da obrigação insculpida no artigo 32, IV da Lei de Custeio da Seguridade Social. Apresentou ainda, às fls. 445/475, impugnação conjunta aos termos de sujeição passiva solidária das pessoas físicas e jurídica relacionadas abaixo: MARCELINO ANTONIO DA SILVA, VICENTE DOS ANJOS DINIZ FERRAZ, JOSE RUAS VAZ, FRANCISCO PINTO, ARMELIN RUAS FIGUEIREDO, PAULO JOSE DINIS RUAS e VIAÇÃO CAMPO BELO, acompanhada dos documentos às fls. 476/508. Verificase da leitura dessa peça de defesa a repetição das alegações apresentadas pela autuada, portanto realçase aqui apenas as postulações abaixo: além da flagrante improcedência da autuação fiscal, considera que há vício quanto à imputação de responsabilidade solidária aos sócios e procuradores da impugnante pelo pagamento do crédito tributário; não existem razões para que o lançamento fiscal indique como co responsáveis pelo débito os sócios e procuradores da impugnante, haja vista não serem eles sujeitos passivos da obrigação tributária, seja pela categoria de contribuintes, seja pela categoria de responsáveis; Fl. 759DF CARF MF Processo nº 19515.723093/201214 Acórdão n.º 2301005.554 S2C3T1 Fl. 5 7 por força de lei, somente a impugnante estaria inicialmente obrigada ao cumprimento desta obrigação tributária, e por conseqüência somente contra ela poderia ser lavrada uma notificação ou auto de infração e também dela serem cobradas as contribuições não recolhidas; as hipóteses onde os sócios e procuradores poderiam ser responsabilizados subsidiariamente pelo pagamento das contribuições em comento estão previstas nos artigos 134 e 135 do Código Tributário Nacional, e não ocorreram no presente caso; a COMPENSAÇÃO não pode ser considerada fraude, pois tratase de direito constituído através de decisão judicial, que validou lançamento em período anterior ao ora fiscalizado, em que a UNIÃO lança a cobrança de retenção de 11% em face da SÃO PAULO TRANSPORTES S/A. Referida empresa propôs Mandado de Segurança para trancar a exigibilidade do referido lançamento, sendo vencida em decisão do Tribunal Regional Federal da Terceira Região. Cita os artigos 134 e 135 do CTN, o artigo 79 da Lei 11.941/09 (que revogou o art. 13 da Lei 8.620/93) e o artigo 1.052 do Código Civil como suporte ao seu entendimento. Cita ainda Jurisprudências judiciais e administrativas que considera que lhe sejam favoráveis. Traz também ao texto da peça defensória decisões judiciais que envolvem lançamentos de débitos em nome da empresa São Paulo Transporte S/A em que se reconhece a existências de responsabilidade tributária disposta no art. 31, da Lei 8.212/91, com redação alterada pela Lei 9.711/98. O Acórdão da DRJ (fls. 572 e ss.) julgou a impugnação improcedente, recebendo a seguinte ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 GFIP. RETIFICAÇÃO DE INFORMAÇÕES As declarações em GFIP são de responsabilidade do contribuinte. Os erros porventura detectados neste documento podem e devem ser corrigidos pelo contribuinte antes do início de qualquer medida fiscalizatório relativa as contribuições previdenciárias. TERMOS DE SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. GRUPO ECONÔMICO. SÓCIOADMINISTRADOR. As empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações previdenciárias, nos termos do art. 30, IX, da Lei nº 8.212/91. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Fl. 760DF CARF MF 8 Não elididos os fatos que lhes deram causa, os termos de sujeição passiva solidária devem ser mantidos. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. GFIP. NÃO INFORMAÇÃO DE FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. (CFL 68) A apresentação de GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias caracterizase como descumprimento da obrigação acessória do art. 32, Inciso IV e § 5º, da Lei n° 8.212/91. RETROAÇÃO BENIGNA.COMPETÊNCIA. UNIDADE PREPARADORA. A Lei 11.941/2009 alterou a metodologia de cálculo do valor da multa, ensejando o cotejo do valor assim obtido com o valor da multa aplicada, adotandose aquele for inferior. Em virtude da peculiaridade da variação do montante da multa dos créditos de obrigação principal de acordo com a fase processual administrativa na qual estes se encontram, a aplicação da retroação benigna deve ficar a cargo do Serviço competente da Delegacia da Receita Federal do Brasil. É a determinação expressa no § 4º do art. 2º da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 14, de 4 de dezembro de 2009. Irresignada, a ora Recorrente apresentou Recurso Voluntário (fls. 616 e ss., assim como 632 e ss) arguindo (i) a desconstituição dos créditos tributários decorrentes da glosa de compensação de 11% do art. 31 da Lei 8.212/91, tendo em vista que a Recorrente não é a responsável por esta exação tributária, mas sim a empresa tomadora de serviços SPTRANS; (ii) a viabilidade de se creditar dos recolhimentos realizados por GPS código 2909; (iii) o caráter confiscatório da multa; (iv) descabimento da multa aplicada por descumprimento de obrigação acessória; (v) abusividade da cobrança dos juros e correção monetária. Os devedores solidários também apresentaram Recurso Voluntário (fls. 660 e ss; fls. 705 e ss), alegando, em síntese, a não ocorrência da responsabilidade tributária nos termos dos artigos 124, II e 135, III do CTN, assim como o artigo 30, IX, da Lei 8.212/91 e artigo 124, I, do CTN. É o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Evaristo Pinto Relator O recurso é tempestivo, no entanto, há menção à inconstitucionalidade da multa devido à potencial ofensa ao princípio de vedação ao confisco (fls. 608). Nos termos da Súmula CARF nº 2, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 761DF CARF MF Processo nº 19515.723093/201214 Acórdão n.º 2301005.554 S2C3T1 Fl. 6 9 Diante do exposto, conheço em parte do recurso voluntário, não conhecendo da alegação de inconstitucionalidade supramencionada relativa a potencial ofensa ao princípio da vedação ao confisco. Da Questão do Crédito oriundo de Retenção Tal qual decidido no âmbito da DRJ, em que pese o enorme esforço argumentativo do recurso voluntário, vêse que a impugnante preocupase em provar que se trata de uma prestadora de serviço com cessão de mãodeobra na relação empresarial da qual se diz fazer parte do Consórcio Sete para prestação de serviços rodoviários de transporte de passageiros junto à empresa pública São Paulo Transportes do Município de São Paulo. Com base nisso, insiste que o referido crédito previdenciário seria improcedente tendo em vista as disposições do artigo 31, da Lei 8212/91, que responsabiliza o tomador do serviço a realizar a retenção de 11% do valor da fatura ou notas fiscais e recolher o montante em nome da prestadora. Considera que tais valores seriam suficientes para a quitação do débito e que os utilizou como créditos de compensação quando do envio de suas GFIP, operação que, no cãs,o não foi considerada pela fiscalização que promoveu a glosa de tais valores. No entanto, o presente crédito foi apurado tendo em vista embaraço à fiscalização, com base nas informações contidas em GFIP, embora algumas retificadas, que supostamente continham a totalidade dos fatos geradores, conforme informa a Auditoria Fiscal em seu relatório. A fiscalização promoveu o lançamento para as competências 05 a 07/2008 com base na GFIP anterior, tendo em vista que a empresa retificou as GFIP para essas competências informando apenas um empregado. Portanto, foram apuradas contribuições patronais oriundas de fatos geradores não declarados em GFIP, em decorrência de declaração parcial de remuneração em GFIP retificadora. A impugnante alega que deveria ser considerada válida a primeira GFIP enviada, a qual contém as compensações e que as demais foram emitidas para retificar remunerações de trabalhadores por determinação da Justiça do Trabalho. No entanto, cabe esclarecer que as declarações em GFIP são de responsabilidade do contribuinte e que por determinação normativa, toda GFIP retificadora substitui, integralmente, a anteriormente apresentada se atendidas as quatro condições de formatação de sua chave (CNPJ, FPAS, Competência, Código de recolhimento). Por isso que as GFIP de reclamatória trabalhista são confeccionadas no código de recolhimento 650 para que não substitua as GFIP relativas às folhas de pagamentos normais da empresa (Códigos de Recolhimento 115, 150 ou 155, por exemplo) Assim, observase que os erros porventura detectados nas GFIP podem e devem ser corrigidos pelo contribuinte, antes do início de qualquer procedimento de fiscalização. Fl. 762DF CARF MF 10 Já para o período de 01 a 04/2008 e 08/2008 a 13/2008, a fiscalização verificou que empresa informou em suas GFIPs a título de compensação valores que não puderam ser validados em virtude da falta de documentação comprobatória. Também aqui não assiste razão ao contribuinte, pois não faz juntar aos Autos prova dos créditos que diz ser oriundos da retenção de 11% sobre os contratos de prestação de serviço de transporte rodoviário de passageiros através do consórcio sete do qual faz parte. Examinandose a documentação acostada aos autos não se encontra faturas ou notas fiscais emitidas pela impugnante que espelhem o destaque da referida retenção para que, assim atendidos os requisitos legais, possase presumila feita. Ainda, consultandose a conta corrente da empresa nas bases de dados da RFB, não se encontra para o período nenhum recolhimento em seu nome a título de retenção de 11% sobre a prestação de serviço com cessão de mão de obra. A legislação pertinente à época dos fatos geradores prescrevia as formalidades a serem cumpridas pela empresa contratada para prestação de serviço a fim de se reconhecesse o seu direito à compensação dos valores eventualmente retidos, conforme abaixo se transcreve: Instrução Normativa SRP nº 3, de 14 de julho de 2005 (...) Art. 140 . A empresa contratante de serviços prestados mediante cessão de mãodeobra ou empreitada, inclusive em regime de trabalho temporário, a partir da competência fevereiro de 1999, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal, da fatura ou do recibo de prestação de serviços e recolher à Previdência Social a importância retida, em documento de arrecadação identificado com a denominação social e o CNPJ da empresa contratada, observado o disposto no art. 93 e no art. 172. ( Revogado pela Instrução Normativa nº 971, de 13 de novembro de 2009 ) Parágrafo único. Os valores pagos a título de adiantamento deverão integrar a base de cálculo da retenção por ocasião do faturamento dos serviços prestados. Art. 141 . O valor retido deve ser compensado pela empresa contratada com as contribuições devidas à Previdência Social, na forma prevista no Capítulo II, do Título III. ( Revogado pela Instrução Normativa nº 971, de 13 de novembro de 2009 ) (...) Art. 154 . Quando da emissão da nota fiscal, da fatura ou do recibo de prestação de serviços, a contratada deverá destacar o valor da retenção com o título de "RETENÇÃO PARA A PREVIDÊNCIA SOCIAL", observado o disposto no art. 148. ( Revogado pela Instrução Normativa nº 971, de 13 de novembro de 2009 ) Fl. 763DF CARF MF Processo nº 19515.723093/201214 Acórdão n.º 2301005.554 S2C3T1 Fl. 7 11 § 1º O destaque do valor retido deverá ser identificado logo após a descrição dos serviços prestados, apenas para produzir efeito como parcela dedutível no ato da quitação da nota fiscal, da fatura ou do recibo de prestação de serviços, sem alteração do valor bruto da nota, fatura ou recibo de prestação de serviços. § 2º A falta do destaque do valor da retenção, conforme previsto no caput, constitui infração ao § 1º do art. 31 da Lei nº 8.212, de 1991. (...) Art. 203 . A empresa prestadora de serviços que sofreu retenção no ato da quitação da nota fiscal, da fatura ou do recibo de prestação de serviços, conforme previsto nos arts. 140 e 172, poderá compensar o valor retido quando do recolhimento das contribuições devidas à Previdência Social, desde que a retenção esteja destacada na nota fiscal, na fatura ou no recibo de prestação de serviços. ( Revogado pela IN RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008 ) ( Revogado pela Instrução Normativa nº 971, de 13 de novembro de 2009 ) § 1º Se a retenção não tiver sido destacada na nota fiscal, na fatura ou no recibo de prestação de serviços, a empresa contratada poderá efetuar a compensação do valor retido, desde que a contratante tenha efetuado o recolhimento desse valor. § 2º A compensação da retenção somente poderá ser efetuada com as contribuições devidas à Previdência Social, não podendo absorver contribuições destinadas a outras entidades ou fundos, as quais deverão ser recolhidas integralmente pelo sujeito passivo. § 3º Para fins de recolhimento e de compensação da importância retida, será considerada como competência aquela que corresponder à data da emissão da nota fiscal, da fatura ou do recibo de prestação de serviços. E mesmo na legislação atual observase que praticamente foram mantidos os dispositivos da legislação anterior com pequenas alterações: Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009: Art. 112. A empresa contratante de serviços prestados mediante cessão de mãodeobra ou empreitada, inclusive em regime de trabalho temporário, a partir da competência fevereiro de 1999, deverá reter 11% (onze por cento) do valor brutovda nota fiscal, da fatura ou do recibo de Fl. 764DF CARF MF 12 prestação de serviços e recolher à Previdência Social a importância retida, em documento de arrecadação identificado com a denominação social e o CNPJ da empresa contratada, observado o disposto no art. 79 e no art. 145. § 1º Para fins do disposto no caput, a empresa contratada deverá emitir nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços específica para os serviços prestados em condições especiais pelos segurados ou discriminar o valor desses na nota fiscal, na fatura ou no recibo de prestação de serviços. [...] Art. 113. O valor retido na forma do art. 112 poderá ser compensado com as contribuições devidas à Previdência Social ou ser objeto de pedido de restituição por qualquer estabelecimento da empresa contratada, na forma da Instrução Normativa RFB Nº900, de 30 de dezembro de 2008(Nova redação dada pela IN RFB Nº 1.071, de 16/09/2010) [...] ________________________________________________ Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008: Art. 48 . A empresa prestadora de serviços que sofreu retenção no ato da quitação da nota fiscal, da fatura ou do recibo de prestação de serviços, poderá compensar o valor retido quando do recolhimento das contribuições previdenciárias, inclusive as devidas em decorrência do décimo terceiro salário, desde que a retenção esteja: I declarada em GFIP na competência da emissão da nota fiscal, da fatura ou do recibo de prestação de serviços; e (Redação à época dos fatos geradores I declarada em GFIP na competência da emissão da nota fiscal, da fatura ou do recibo de prestação de serviços, pelo estabelecimento responsável pela cessão de mãodeobra ou pela execução da empreitada total; e ( Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 973, de 27 de novembro de 2009 ) II destacada na nota fiscal, na fatura ou no recibo de prestação de serviços ou que a contratante tenha efetuado o recolhimento desse valor. § 1º A compensação da retenção somente poderá ser efetuada com as contribuições previdenciárias, não podendo absorver contribuições destinadas a outras entidades ou fundos, as quais deverão ser recolhidas integralmente pelo sujeito passivo. Fl. 765DF CARF MF Processo nº 19515.723093/201214 Acórdão n.º 2301005.554 S2C3T1 Fl. 8 13 § 2º Para fins de compensação da importância retida, será considerada como competência da retenção o mês da emissão da nota fiscal, da fatura ou do recibo de prestação de serviços. § 3º O saldo remanescente em favor do sujeito passivo poderá ser compensado nas competências subseqüentes, devendo ser declarada em GFIP na competência de sua efetivação, ou objeto de restituição, na forma dos arts. 17 a 19. [...] Desta forma tanto a fiscalização como este julgador estão impedidos de considerar para abatimento do débito possíveis créditos de retenção que a ora recorrente alega ter, já que não atendeu à formalidade exigida nos dispositivos acima transcritos, nem elaborou a correta declaração das informações e dos fatos geradores previdenciários em GFIP. Também para o período de 01/2008 a 13/2008 a fiscalização verificou que a empresa declarou em GFIP código de terceiros 0000, quando o correto seria 3139. Este erro fez com que não fossem declarados os valores relativos às outras entidades (Terceiros), como também já demonstrado. Diante disso, correto o lançamento tributário. Alega a impugnante que diversas GPS com códigos de pagamento 2909 e 2100 não foram aproveitadas pela fiscalização para abatimento do débito. Inobstante, as GPS com código de pagamento 2909 são específicas de Reclamatórias Trabalhistas, razão pela qual não poderão ser aproveitadas para abater o crédito tributário. Vêse que a compensação efetuada não possuía respaldo documental ou judicial para ser realizada, sendo hígida a glosa nos moldes efetuados. Da Questão da Sujeição Passiva Solidária No presente processo, há tanto a discussão sobre a sujeição passiva solidária em virtude de grupo econômico quanto a discussão sobre a sujeição passiva solidária dos administradores. Com relação à sujeição passiva solidária em decorrência de grupo econômico, destaquese que a Auditoria Fiscal identificou, consoante explanação no Relatório Fiscal, a caracterização de grupo econômico de fato com fulcro no inciso IX do art. 30 da Lei nº 8.212/91, o qual preconiza que “as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta Lei”. De acordo com o mencionado dispositivo o legislador quis abarcar grupos econômicos de qualquer natureza. E não poderia ser de outra forma pois, se assim não fosse, estarseia punindo quem, agindo conforme a lei, formalizouse de acordo com as exigências convencionais e legais, e premiaria e incentivaria a instituição de grupos econômicos de fato. Como se nota, o dispositivo da legislação é taxativo, ao mencionar grupo econômico de qualquer natureza, pois não fica restrito aos grupos regularmente constituídos. Assim, não se Fl. 766DF CARF MF 14 trata de considerar somente conceitos doutrinários ou jurisprudenciais a respeito, mas a própria lei 8.212/1991 que assim trata do tema. A abrangência da disposição “de qualquer natureza” do inciso IX do art. 30 da Lei nº 8.212/91 é bem mais ampla do que a prevista na Lei nº 6.404/1976 e, por isso, não necessita se revestir das modalidades jurídicas típicas do Direito Empresarial. Não se exige, sequer, a prova de sua formal institucionalização cartorial: podese acolher a existência do grupo desde que surjam evidências probatórias de que estão presentes os elementos de integração entre as empresas. Esses elementos estão bem caracterizados no relatório fiscal e contra os quais a empresa não apresenta argumentos ou documentos capazes de elidilos: · Confusão Patrimonial; · Endereços coincidentes; · Identidade de objeto Social; · Quadro societário comum; e · Unidade de Gerenciamento. Assim, tais itens que quando analisados no seu conjunto diante da documentação acostada aos Autos permitem afirmar que as empresas compunham um grupo econômico de fato. No tocante à sujeição passiva solidária dos administradores, vale lembrar que foi atribuída responsabilidade solidária pelo crédito tributário apurado às pessoas acima relatadas, na qualidade de sóciosadministradores e administrador da empresa autuada. Tratase de um caso típico de responsabilidade solidária passiva, nos termos do artigo 135, inciso III, do CTN, que assim dispõe: Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I as pessoas referidas no artigo anterior; II os mandatários, prepostos e empregados; III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Cumpre mencionar trecho do relatório fiscal, no qual fica evidente a responsabilidade tributária: 5) Solidariedade e Sujeição Passiva Em consulta às operações fiscais anteriores, verificouse que: a)Em 20/03/2012 a empresa foi fiscalizada (ano calendário 2007) , onde foi lavrado o auto de infração 19515.720.480/2012 07.Nesta ocasião , a empresa forneceu alguns documentos e esclarecimentos , bem como foi possibilitado a auditora fazer Fl. 767DF CARF MF Processo nº 19515.723093/201214 Acórdão n.º 2301005.554 S2C3T1 Fl. 9 15 visitas à empresa , entrevistar funcionários. Abaixo copio relato da auditora , extraído do relatório fiscal do auto supra citado. "Cumpre esclarecer que o domicílio tributário da auditada contém ampla garagem de ônibus, na qual constatamos, de fato, haja vista a enorme quantidade de veículos coletivos com o logotipo "Consórcio 7 Campo Belo", conforme fotos anexas extraídas do local, tratarse da garagem da Empresa Viação Campo Belo Ltda. Não avistamos um único ônibus com qualquer tipo de identificação da auditada. Além disso, os motoristas e cobradores que por lá transitavam estavam todos com o mesmo uniforme, o da Viação Campo Belo." (extraído do processo administrativo fiscal PAF 19515.720.480/201207) "Em razão disso pesquisei o cadastro da empresa Viação Campo Belo Ltda e constatei que o endereço de sua filial CNPJ 01.832.301/000225 é o mesmo da, aqui autuada. Mais ainda, na internet, no site da empresa Viação Campo Belo podese verificar a mesma situação, ou seja, o endereço do estabelecimento "garagem 2" da Viação Campo Belo é o domicílio tributário da auditada." (extraído do processo administrativo fiscal PAF 19515.720.480/201207) "Em entrevista aos empregados da empresa, obtive informações de que, ao contrário da auditada, que apresenta dificuldade em saldar seus débitostributários, a empresa Viação Campo Belo está com suas obrigações tributárias em dia e se encontra em boa situação financeira, inclusive ganhando licitações." (extraído do processo administrativo fiscal PAF 19515.720.480/201207) "Da análise do Sistema Interno Cnisa Cidadão, pude observar que boa parte dos empregados, cujos contratos de trabalho são rescindidos na auditada, são imediatamente contratados pela Viação Campo Belo" (extraído do processo administrativo fiscal PAF 19515.720.480/201207) b) Que o quadro societário e objeto social de ambas as empresas são exatamente o mesmo. c) O cargo de administrador é ocupado nas duas empresas pela mesma pessoa, o sr. Paulo José Dinis Ruas , CPF 128.477.058 30 d) De maneira estapafúrdia , a empresa apenas declara em suas Declarações de Informações Econômicofiscais DIPJs 2008 ,2009,2010 despesas e custos com empregados e outros , sem declarar sequer nenhum centavo de faturamento.Como isso é possível?Uma empresa que só tem custos e despesas, sem faturar nada! Em consulta aos sistemas informatizados da Receita Federal SPED contábil da empresa Campo Belo verificase lançamentos Fl. 768DF CARF MF 16 envolvendo de maneira inequívoca ambas as empresas, de forma que , na situação de fato , é fácil de se caracterizar o surgimento de um Grupo Econômico de Fato. e) Para corroborar o aqui relatado, em anexo encontrase o Agravo de Instrumento de n°. 001419582.2011.4.03.0000/SP, interposto pela União Federal, deferido, cujo documento de origem é o de n°.0342270220054036182 1F Vr São Paulo/SP e que reconhece a configuração de Grupo Econômico e a responsabilidade solidária de seus dirigentes. Conforme acima explicitado verificase que as empresas apresentam um liame inequívoco entre as atividades desempenhadas, interesse comum, e trabalham como se fossem uma só. Na realidade, essas empresas têm apenas aparência de unidades autônomas, sua atuação é complementar, ficando ao nosso modo de ver, plenamente caracterizada, a situação de grupo econômico. Saliento o fato de que a empresa ora fiscalizada não consegue participar de licitações com vistas à concessão de serviços de transportes de pessoas em virtude de seus débitos tributários.Em contrapartida, a empresa Viação Campo Belo, CNPJ 01.832.301/000144, participa das licitações normalmente , utilizandose da estrutura da empresa ora fiscalizada , inclusive seus empregados. Dessa forma, os sócios administradores da autuada praticaram atos de gestão que configuram infração à Lei, conforme descrito nos Termos de sujeição Passiva lavrados pela Auditoria Fiscal. Os Recorrentes não trouxeram aos autos documentos suficientes para demonstrar a improcedência ou insubsistência do lançamento em questão. Neste sentido, sendo mantido o lançamento conforme lavrado, não há como afastar a responsabilização dos sócios administradores. Os responsáveis solidários contestam a aplicação do art. 135, inciso III, do CTN como fundamento da responsabilidade solidária a eles imputada, alegando que por força de lei, somente a recorrente estaria inicialmente obrigada ao cumprimento desta obrigação tributária, e por conseqüência somente contra ela poderia ser lavrada uma notificação ou auto de infração e também dela serem cobradas as contribuições não recolhidas; Não lhes assiste razão, uma vez que o art. 135, III do CTN responsabiliza o sócio que detém poderes de administração ou que tenha praticado qualquer dos atos descritos no caput do art. 135 do CTN. Nessa linha, a Fazenda Nacional, por meio da sua ProcuradoriaGeral, já se manifestou acerca do tema, conforme consta no Parecer/PGFN/CRJ/CAT nº 55/2009, in verbis: (...) VII CONCLUSÃO 106. Em resumo, alinhamos aqui os fundamentos e as conclusões do presente Parecer: Fl. 769DF CARF MF Processo nº 19515.723093/201214 Acórdão n.º 2301005.554 S2C3T1 Fl. 10 17 a) A responsabilidade do dito “sóciogerente”, de acordo com a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, decorre de sua condição de “gerente” (administrador), e não da sua condição de sócio; b) A responsabilidade do administrador, por força do art.135 do CTN, na linha da jurisprudência do STJ, é subjetiva e decorre de prática de ato ilícito; (...) d) A responsabilidade dos administradores, de acordo com a jurisprudência do STJ, não pode ser entendida como exclusiva (responsabilidade substitutiva), porquanto se admite na Corte Superior que a ação de execução fiscal seja ajuizada, ao mesmo tempo, contra a pessoa jurídica e o administrador; (...) j) A jurisprudência do STJ aponta para a responsabilidade solidária, inclusive em precedentes desfavoráveis à Fazenda Nacional, em que se afirma que o “sóciogerente” só pode ser responsabilizado solidariamente se detiver poderes de gerência e se tiver praticado ato ilícito no exercício dessa gerência, na forma do art.135, III, do CTN; (...) u) Sendo solidária a responsabilidade decorrente de ato ilícito praticado pelo administrador, este, uma vez atestada administrativamente sua responsabilidade, está sujeito a todos instrumentos de proteção do crédito tributário, como o arrolamento de bens e direitos, a inscrição no CADIN e a medida cautelar fiscal, estando, sujeito, outrossim, à negativa de expedição de Certidão Negativa de Débito. Cabe mencionar ainda que o crédito tributário foi devidamente constituído no nome da recorrente, emitindose os Termos de Sujeição Passiva Solidária dos sócios administradores e em nome da empresa Viação Campo Belo Ltda, que responde solidariamente com a autuada por integrarem grupo econômico. Alegam ainda os responsáveis solidários que o art. 135, inciso III do CTN é inaplicável ao caso, pela ausência de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. Dessa forma, diante das evidências apontadas na auditoria fiscal e nos respectivos termos de sujeição passiva, correto o procedimento fiscal quanto à identificação dos administradores como responsáveis solidários, nos termos do art. 135, inciso III do CTN, uma vez que os mesmos estavam no exercício pleno da administração dos interesses da empresa autuada e agiram ao arrepio da lei, sendo que, na qualidade de sóciosadministradores da empresa autuada, eram responsáveis por cumprir os ditames da legislação tributária. Ademais, os responsáveis solidários possuíam interesse comum na situação que constituiu o fato gerador dos tributos lançados, devendo ser considerados pessoalmente Fl. 770DF CARF MF 18 responsáveis pelas obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. Da Questão do Descabimento da multa aplicada por descumprimento de obrigação acessória No tocante à questão do potencial descabimento da multa aplicada por descumprimento da obrigação acessória, tratase de subsunção do fato à norma, de modo que não há o que ser discutido no âmbito do processo administrativo tributário. Da Questão dos Juros Selic O uso da Taxa Selic como taxa de juros não pode ser afastado, pois trata de matéria pacificada no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) por meio do enunciado da Súmula nº 4 (Portaria MF no 383, publicada no DOU de 14/07/2010), abaixo transcrito, de observância obrigatória, por força do art. 45, VI, do Regimento Interno do CARF1, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09/06/2015. Súmula CARF nº 4: A partir de 1o de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic para títulos federais. Ademais, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu com base na sistemática dos recursos repetitivos, que é legítima a aplicação da taxa SELIC aos débitos tributários, conforme ementa abaixo: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL SUBMETIDO À SISTEMÁTICA PREVISTA NO ART. 543C DO CPC. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. NÃO OCORRÊNCIA.REPETIÇÃO DE INDÉBITO. JUROS DE MORA PELA TAXA SELIC. ART. 39, § 4º, DA LEI 9.250/95. PRECEDENTES DESTA CORTE. 1. Não viola o art. 535 do CPC, tampouco nega a prestação jurisdicional, o acórdão que adota fundamentação suficiente para decidir de modo integral a controvérsia. 2. Aplicase a taxa SELIC, a partir de 1º.1.1996, na atualização monetária do indébito tributário, não podendo ser cumulada, porém, com qualquer outro índice, seja de juros ou atualização monetária. 3. Se os pagamentos foram efetuados após 1º.1.1996, o termo inicial para a incidência do acréscimo será o do pagamento indevido; no entanto, havendo pagamentos indevidos anteriores à data de vigência da Lei 9.250/95, a incidência da taxa SELIC terá como termo a quo a data de vigência do diploma legal em tela, ou seja, janeiro de 1996. 1 RICARF: Art. 45. Perderá o mandato o conselheiro que: ... VI deixar de observar enunciado de súmula ou de resolução do Pleno da CSRF, bem como o disposto no art. 62; Fl. 771DF CARF MF Processo nº 19515.723093/201214 Acórdão n.º 2301005.554 S2C3T1 Fl. 11 19 Esse entendimento prevaleceu na Primeira Seção desta Corte por ocasião do julgamento dos EREsps 291.257/SC, 399.497/SC e 425.709/SC. 4. Recurso especial parcialmente provido. Acórdão sujeito à sistemática prevista no art. 543C do CPC, c/c a Resolução 8/2008 Presidência/ STJ. (REsp 1111175 / SP, Relatora Ministra Denise Arruda, DJe. 01/07/2009) Conclusão Com base no exposto, (a) conhecer em parte do recurso voluntário do contribuinte, não conhecendo da alegação de inconstitucionalidade, (b) na parte conhecida do recurso do contribuinte e dos recursos dos responsáveis solidários, negarlhes provimento. É como voto. Alexandre Evaristo Pinto Fl. 772DF CARF MF
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Numero do processo: 13839.005689/2007-32
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jul 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2002
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO ENTRE A EMENTA E A CONCLUSÃO DO VOTO CONDUTOR DO ACÓRDÃO EMBARGADO.
Devem os embargos de declaração serem acolhidos para correção da ementa do julgado que estiver em contradição com a conclusão do voto. Neste caso, a ementa deve ser retificada, para esclarecer que as parcelas previstas no art. 3º, § 9º, incisos I a III da Lei nº 9.718/98 podem ser excluídas da base de cálculo, não apenas da COFINS, mas também do PIS.
Embargos Acolhidos, sem efeitos infringentes.
Numero da decisão: 3301-004.798
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração interpostos, para sanar a contradição entre a conclusão do voto e sua ementa.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Semíramis de Oliveira Duro - Relatora
Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO
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CONTRADIÇÃO ENTRE A EMENTA E A CONCLUSÃO DO VOTO CONDUTOR DO ACÓRDÃO EMBARGADO. Devem os embargos de declaração serem acolhidos para correção da ementa do julgado que estiver em contradição com a conclusão do voto. Neste caso, a ementa deve ser retificada, para esclarecer que as parcelas previstas no art. 3º, § 9º, incisos I a III da Lei nº 9.718/98 podem ser excluídas da base de cálculo, não apenas da COFINS, mas também do PIS. Embargos Acolhidos, sem efeitos infringentes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração interpostos, para sanar a contradição entre a conclusão do voto e sua ementa. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro Relatora Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 00 56 89 /2 00 7- 32 Fl. 653DF CARF MF Processo nº 13839.005689/200732 Acórdão n.º 3301004.798 S3C3T1 Fl. 654 2 Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior e Semíramis de Oliveira Duro. Relatório A Fazenda Nacional, em observância aos arts. 64 e 65, do RICARF, interpôs Embargos de Declaração contra o Acórdão nº 3301003.614, de 26 de abril de 2017, assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2002 COOPERATIVAS DE TRABALHO MÉDICO. BASE DE CÁLCULO. CONCOMITÂNCIA DE OBJETO COM AÇÃO JUDICIAL. Não se conhece de mérito coincidente com o objeto de ação judicial demandada pela recorrente. Aplicação da Súmula Carf nº 1. COOPERATIVAS DE TRABALHO MÉDICO. EXCLUSÕES DA BASE DE CÁLCULO. As parcelas previstas no §9º do art. 3º da Lei 9.718/98 podem ser excluídas da base de cálculo da Cofins das cooperativas de trabalho médico. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2002 COOPERATIVAS DE TRABALHO MÉDICO. BASE DE CÁLCULO. As contraprestações pecuniárias das operadoras de planos de saúde, ainda que cooperativas, compõem integralmente a base de cálculo do Pis/Pasep. COOPERATIVAS DE TRABALHO MÉDICO. EXCLUSÕES DA BASE DE CÁLCULO. As parcelas previstas no §9º do art. 3º da Lei 9.718/98 podem ser excluídas da base de cálculo da Cofins das cooperativas de trabalho médico. Recurso de Ofício Não Conhecido Fl. 654DF CARF MF Processo nº 13839.005689/200732 Acórdão n.º 3301004.798 S3C3T1 Fl. 655 3 Recurso Voluntário Provido em Parte Alega a Embargante que o acórdão incorreu em contradição, uma vez que, no tópico da "Contribuição para o PIS/PASEP" a ementa difere da conclusão do voto condutor. Isso porque consta na ementa do julgado, no tópico das contribuições para o PIS/Pasep, que as exclusões (§9º do art. 3º da Lei 9.718/98) podem ser efetuadas da base de cálculo da Cofins, em contradição ao que consta da conclusão do último parágrafo de efls. 641, do acórdão embargado. Sustenta que há a necessidade de se aclarar o acórdão embargado, para sanar a contradição apontada, a fim de não deixar margem de dúvidas para a interposição de recurso especial e/ou execução do julgado. Os Embargos foram admitidos pelo Presidente Luiz Augusto do Couto Chagas, em despacho de 14 de setembro de 2017 (efls. 649652). É o relatório. Voto Conselheira Semíramis de Oliveira Duro, Relatora Conheço dos presentes embargos de declaração, nos termos do despacho de admissibilidade. Passo à análise a seguir. No início do voto do Relator, a matéria litigiosa foi assim delimitada: “Quanto ao mérito, resta decidir sobre a base de cálculo do Pis, e as exclusões permitidas da base de cálculo, tanto do Pis quanto da Cofins.” Por sua vez, a fundamentação do voto condutor foi: As cooperativas de trabalho médico têm como principal fonte de receita as vendas de planos de saúde à população em geral. Os cooperados associados são os médicos, pessoas físicas, que prestam serviços a esses clientes. Desse modo, as receitas das cooperativas advêm de não associados. Além disso, tais cooperativas atendem a esses clientes, eventualmente, por meio de instalações hospitalares e clínicas não associadas. O STJ, no âmbito do REsp 1.164.716, sob o rito dos repetitivos (art. 543C do CPC), com trânsito em julgado em 22/06/2016, decidiu que a tributação de Pis e Cofins somente incide sobre atos não cooperativos: (...) A decisão acima deve ser obrigatoriamente adotada, nos termos do artigo 62 do Anexo II do Regimento Interno do Carf, Portaria MF 343/2015. Fl. 655DF CARF MF Processo nº 13839.005689/200732 Acórdão n.º 3301004.798 S3C3T1 Fl. 656 4 Todavia, resta ainda a questão de se definir, para cooperativas de trabalho médico, quais são os atos cooperativos típicos, uma vez que a receita advém de terceiros não cooperados, isto é, os clientes que adquirem os planos de saúde e pagam suas mensalidades. Além disso, os serviços prestados por terceiros não cooperados, como clínicas e hospitais, não caracterizariam, também, atos cooperativos. Tais questões foram admitidas como em repercussão geral nos RREE 599.362 e 598.085. O RE 599.362 decidiu que o Pis incide sobre receitas advindas de terceiros não cooperados, em cooperativas de trabalho. Transcrevo a ementa: (...) Copio também a tese firmada, conforme a decisão em embargos de declaração: “Decisão: O Tribunal, por unanimidade e nos termos do voto do Relator, apreciando o tema 323 da repercussão geral, acolheu os embargos de declaração para prestar esclarecimentos, sem efeitos infringentes, fixando tese nos seguintes termos: “A receita auferida pelas cooperativas de trabalho decorrentes dos atos (negócios jurídicos) firmados com terceiros se insere na materialidade da contribuição ao PIS/PASEP”. Ausentes, justificadamente, os Ministros Celso de Mello e Teori Zavascki. Presidiu o julgamento o Ministro Ricardo Lewandowski. Plenário, 18.08.2016.” Não ocorreu ainda o trânsito em julgado, porém, tendo em vista tratarse de matéria com repercussão geral reconhecida, considero absolutamente adequado adotar tal entendimento, embora não seja vinculante ainda. Desse modo, a totalidade das receitas de contraprestações pecuniárias (mensalidades dos planos de saúde) são tributáveis pelo Pis. Quanto às exclusões da base de cálculo, são expressamente permitidas as previstas no §9º do art. 3º da Lei 9.718/98: (...) A legislação própria das operadoras de saúde permite que avencem contratos entre si para atendimento de clientes umas das outras, para maior abrangência territorial, em operações conhecidas como de intercâmbio ou transferências de responsabilidades. A Agência Nacional de Saúde ANS define três tipos: repasse em prépagamento, atendimento continuado em custo operacional, e atendimento eventual (Plano de Contas Padrão, RN 290/2012 ANS). Coresponsabilidades cedidas (inciso I do §9º do art. 3º da Lei 9.718/98) são pagamentos a outras operadoras de planos de saúde, para que assumam responsabilidade sobre o atendimento Fl. 656DF CARF MF Processo nº 13839.005689/200732 Acórdão n.º 3301004.798 S3C3T1 Fl. 657 5 a clientes da própria empresa, havendo ou não o efetivo uso pelo cliente. As provisões técnicas (inciso II do §9º do art. 3º da Lei 9.718/98) são fundos obrigatórios, constituídos e contabilizados para cumprimento de regras estabelecidas pela ANS, no sentido de garantir, em síntese, a solvência dos planos. Eventos ocorridos (inciso III do §9º do art. 3º da Lei 9.718/98) são as despesas pagas aos médicos, hospitais e clínicas, pelo atendimento aos clientes, próprios ou de terceiros em intercâmbio. Importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidades (inciso III) são pagamentos recebidos pela empresa, pela coresponsabilidade assumida e/ou atendimento efetivo a clientes de outras operadoras de planos de saúde. Por conseguinte, a conclusão prescreveu: As receitas de contraprestações pecuniárias (mensalidades dos planos de saúde pagas pelos clientes – terceiros não cooperados), são tributáveis pelo Pis (RE 599.362); As receitas de intercâmbio com outras cooperativas e as taxas eventualmente recebidas dos médicos associados não são tributáveis, por serem atos cooperativos, conforme art. 79 da Lei 5.764/71, combinado com a decisão no REsp 1.164.716, já transcrito. Da base de cálculo podem ser excluídos os valores relativos a pagamentos por coresponsabilidades cedidas (§9º, I, §9ºB), as provisões técnicas conforme regramento da ANS (§9º, II), e os eventos efetivamente pagos (despesas com atendimento), tantos dos clientes próprios quanto de outras operadoras, diminuídos dos intercâmbios recebidos (§9º, inciso III e § 9ºA). Pelo exposto, voto pelo não conhecimento do Recurso de Ofício. Voto por não tomar conhecimento do Recurso Voluntário na parte concomitante com ação judicial, e, na parte conhecida, pelo provimento parcial, para excluir das bases de cálculo do Pis e da Cofins as parcelas previstas no §9º, incisos I a III, do artigo 3º da Lei 9.718/98. Entretanto, o teor da ementa foi: (...) ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP (...) Fl. 657DF CARF MF Processo nº 13839.005689/200732 Acórdão n.º 3301004.798 S3C3T1 Fl. 658 6 COOPERATIVAS DE TRABALHO MÉDICO. EXCLUSÕES DA BASE DE CÁLCULO. As parcelas previstas no §9º do art. 3º da Lei 9.718/98 podem ser excluídas da base de cálculo da Cofins das cooperativas de trabalho médico. Observase que está configurada a contradição, uma vez que o Relator admite que as parcelas previstas no art. 3º, § 9º, incisos I a III da Lei nº 9.718/98 podem ser excluídas das bases de cálculo do PIS e da Cofins, todavia a ementa enuncia que tais parcelas podem ser excluídas apenas da base de cálculo da Cofins. Logo, acolho os embargos de declaração, sem efeitos infringentes, para retificar a ementa do voto, para esclarecer que as parcelas previstas no art. 3º, § 9º, incisos I a III da Lei nº 9.718/98 podem ser excluídas da base de cálculo também do PIS. Assim, a ementa do voto passa a ser a seguinte: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2002 COOPERATIVAS DE TRABALHO MÉDICO. BASE DE CÁLCULO. CONCOMITÂNCIA DE OBJETO COM AÇÃO JUDICIAL. Não se conhece de mérito coincidente com o objeto de ação judicial demandada pela recorrente. Aplicação da Súmula Carf nº 1. COOPERATIVAS DE TRABALHO MÉDICO. EXCLUSÕES DA BASE DE CÁLCULO. As parcelas previstas no §9º do art. 3º da Lei 9.718/98 podem ser excluídas da base de cálculo da Cofins das cooperativas de trabalho médico. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2002 COOPERATIVAS DE TRABALHO MÉDICO. BASE DE CÁLCULO. As contraprestações pecuniárias das operadoras de planos de saúde, ainda que cooperativas, compõem integralmente a base de cálculo do Pis/Pasep. COOPERATIVAS DE TRABALHO MÉDICO. EXCLUSÕES DA BASE DE CÁLCULO. Fl. 658DF CARF MF Processo nº 13839.005689/200732 Acórdão n.º 3301004.798 S3C3T1 Fl. 659 7 As parcelas previstas no §9º do art. 3º da Lei 9.718/98 podem ser excluídas da base de cálculo do Pis/Pasep das cooperativas de trabalho médico. Recurso de Ofício Não Conhecido Recurso Voluntário Provido em Parte Diante do exposto, voto por acolher os embargos interpostos, para sanar a contradição entre a conclusão do voto e sua ementa. (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro Relatora Fl. 659DF CARF MF
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Numero do processo: 10380.731015/2013-72
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Oct 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CABIMENTO. ELEMENTOS INTERNOS E EXTERNOS DA DECISÃO.
De acordo com o Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciar-se a Turma. Somente a contradição, omissão ou obscuridade interna é embargável, não alcançando eventual os elementos externos da decisão, circunstância que configura mera irresignação.
ACÓRDÃO. FUNDAMENTAÇÃO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO REJEITADOS. OMISSÃO. INEXISTÊNCIA.
Estando o acórdão fundamentado pelos seus próprios elementos com a devida motivação, contendo todos os requisitos exigidos em Lei, relatório, voto e conclusão, ao qual se debateu todas as matérias trazidas em grau recursal não há razão para dar provimento dos embargos de declaração opostos, tendo sido opostos como mero inconformismo da parte embargante.
Embargo Rejeitados.
Numero da decisão: 2301-005.527
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar os Embargos de Declaração, ratificando o Acórdão nº 2301-004.954, de 14/03/2017, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
João Bellini Júnior Presidente.
(assinado digitalmente)
Wesley Rocha - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Junior, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato, João Maurício Vital, Antônio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, Reginaldo Paixão Emos e Wesley Rocha.
Nome do relator: WESLEY ROCHA
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CABIMENTO. ELEMENTOS INTERNOS E EXTERNOS DA DECISÃO. De acordo com o Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a Turma. Somente a contradição, omissão ou obscuridade interna é embargável, não alcançando eventual os elementos externos da decisão, circunstância que configura mera irresignação. ACÓRDÃO. FUNDAMENTAÇÃO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO REJEITADOS. OMISSÃO. INEXISTÊNCIA. Estando o acórdão fundamentado pelos seus próprios elementos com a devida motivação, contendo todos os requisitos exigidos em Lei, relatório, voto e conclusão, ao qual se debateu todas as matérias trazidas em grau recursal não há razão para dar provimento dos embargos de declaração opostos, tendo sido opostos como mero inconformismo da parte embargante. Embargo Rejeitados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar os Embargos de Declaração, ratificando o Acórdão nº 2301004.954, de 14/03/2017, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 73 10 15 /2 01 3- 72 Fl. 14533DF CARF MF 2 João Bellini Júnior – Presidente. (assinado digitalmente) Wesley Rocha Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Junior, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato, João Maurício Vital, Antônio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, Reginaldo Paixão Emos e Wesley Rocha. Relatório Tratase de embargos de declaração opostos tempestivamente pela Fazenda Nacional contra Acórdão de Recurso Voluntário n.º 2301004.954, proferido pela 1ª Turma, da 3ª Câmara, da 2ª Seção, em 14 de março de 2017, que deu parcial provimento ao Recurso Voluntário, tendo a seguinte ementa: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010 PROVAS COLHIDAS EM BUSCA E APREENSÃO COM ORDEM JUDICIAL. AUSÊNCIA DE NULIDADE. Não há nulidade no procedimento de colheita de provas efetuado pela fiscalização em conjunto com a Polícia Federal, fundado em decisão judicial válida. REMUNERAÇÃO INDIRETA DE CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS E EMPREGADOS. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Os pagamentos das despesas pessoais de contribuintes individuais e empregados que prestam serviços à empresa constituem remunerações indiretas sobre as quais incidem as contribuições previdenciárias. COMPENSAÇÃO PREVIDENCIÁRIA INDEVIDA. PRETENSO CRÉDITO BASEADO EM AÇÃO JUDICIAL. Deve ser mantida a glosa de valores compensados indevidamente, pretensamente com base em decisão judicial, mas calculados de forma incorreta e excedentes ao crédito que realmente caberia à empresa. RETENÇÃO PREVIDENCIÁRIA DE 11% SOBRE O VALOR BRUTO DA NOTA FISCAL OU FATURA. COMPENSAÇÃO. VALOR NÃO DECLARADO OU JÁ UTILIZADO. Deve ser mantida a glosa da compensação da retenção de 11% sobre o valor bruto da nota fiscal/fatura/recibo se resta constatado em ação fiscal que os valores ou já haviam sido compensados ou não foram declarados em Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP. COBRANÇA DE MULTA DE MORA JUNTAMENTE COM MULTA DE OFICIO. IMPOSSIBILIDADE Fl. 14534DF CARF MF Processo nº 10380.731015/201372 Acórdão n.º 2301005.527 S2C3T1 Fl. 3 3 A cobrança de multa de ofício agravada de 150% afasta automaticamente a pretensão de cobrança da multa moratória, sob pena de “bis in idem”. O despacho de admissibilidade assim se pronunciou: "Os autos foram encaminhados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) em 15/05/2017 (efl. 14393), e foram devolvidos em 13/06/2017 (efl. 14408), com a oposição dos presentes embargos (e fls. 14394 a 14407), alegando que: (a) o acórdão combatido, ao se pronunciar acerca da concomitância entre a multa moratória e a multa de 150%, matéria preclusa e com exigência já definitiva na seara administrativa, nos termos dos arts. 14, 16, 17, 33 e 42 do Decreto nº 70.235/72, por não ter sido ventilada nem na impugnação nem no recurso voluntário, teria incorrido em omissão, por ter sido decidido, sem motivação ou fundamentação acerca do conhecimento de ofício da matéria ou do porquê da existência do bis in idem, e em julgamento extra petita e com supressão de instância; (b) o “acórdão embargado é também omisso ao sintetizar toda a sua conclusão em apenas uma fórmula: bis in idem. Contudo não indicou qualquer fundamentação a respeito. Quais as razões que levaram o Colegiado a entender que havia no caso uma cobrança dúplice indevida? As multas possuem a mesma hipótese de incidência? A mesma base de cálculo? Há dispositivo específico vedando a cobrança conjunta das penalidades? O Colegiado não oferece a devida motivação para suas conclusões, razão pela qual mais uma vez é omisso”. (Grifos no original.) Sendo intimada do despacho de admissibilidade de seus embargos, a União alegou que a matéria “b”, retrotranscrita, não fora objeto do despacho de admissibilidade dos embargos, e solicitou sua análise, com a sua admissão". É o relatório. Voto Conselheiro Wesley Rocha Relator DO RECEBIMENTO DOS EMBARGOS DA FAZENDA NACIONAL Os artigos 64 e 65, do Regimento Interno deste Conselho (RICARF Portaria mf nº 343, de 09 de junho de 2015). assim dispõe: "Art. 64. Contra as decisões proferidas pelos colegiados do CARF são cabíveis os seguintes recursos: I Embargos de Declaração; Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto 53 sobre o qual deveria pronunciarse a turma". Fl. 14535DF CARF MF 4 Os embargos de declaração se prestam para sanar contradição, omissão ou obscuridade, e não possui efeitos modificativos da decisão recorrida, salvo casos específicos que pode resultar em efeitos infringentes do julgamento. Esse instrumento, por vezes pode ser considerado sensível em sua análise, uma vez que excepcionalmente pode contribuir com a modificação de interpretação ou resultado anteriormente esposado. Nesse sentido, os embargos servem exatamente para trazer compreensão e clarificação pelo órgão julgador ao resultado final do julgamento proferido, privilegiando, inclusive, o princípio do devido processo legal, entregando às partes e interessados de forma clara e precisa a o entendimento do colegiado julgador. Portanto, os embargos possuem os elementos formais necessários para o seu recebimento, como tempestividade e competência para julgamento por essa turma. DO MÉRITO DOS EMBARGOS A Fazenda Nacional insurge basicamente num único ponto, que se desdobra em dois "subpontos": o afastamento da multa aplicada de 150%, concomitante da multa moratória. Nesse tema, a Fazenda subdivide a insurgência e suposta omissão em dois pontos: "(a) o acórdão combatido, ao se pronunciar acerca da concomitância entre a multa moratória e a multa de 150%, matéria preclusa e com exigência já definitiva na seara administrativa, nos termos dos arts. 14, 16, 17, 33 e 42 do Decreto nº 70.235/72, por não ter sido ventilada nem na impugnação nem no recurso voluntário, teria incorrido em omissão, por ter sido decidido, sem motivação ou fundamentação acerca do conhecimento de ofício da matéria ou do porquê da existência do bis in idem, e em julgamento extra petita e com supressão de instância; (b) o “acórdão embargado é também omisso ao sintetizar toda a sua conclusão em apenas uma fórmula: bis in idem. Contudo não indicou qualquer fundamentação a respeito. Quais as razões que levaram o Colegiado a entender que havia no caso uma cobrança dúplice indevida? As multas possuem a mesma hipótese de incidência? A mesma base de cálculo? Há dispositivo específico vedando a cobrança conjunta das penalidades? O Colegiado não oferece a devida motivação para suas conclusões, razão pela qual mais uma vez é omisso”. (Grifos no original.) No que diz respeito ao item "a" da insurgência, verifico que a irresignação se refere a não ter o contribuinte impugnado de forma específica a multa de 150%. Entretanto, verifico duas situações no processo: i) no recurso voluntário de e fls. n.º 14.311 a 14.344, a recorrente solicita o afastamento de multas em razão do pedido de improcedência principal, que debatia questões judiciais inclusive, em específico na efl. 14.343, com o seguinte pedido: "Ressaltase que tal improcedência deve abranger tanto as autuações dos valores principais quanto das multas e juros incidentes sobre o suposto crédito". Ainda, na fl. 13.976 consta o mesmo pedido na impugnação. Ainda que de forma genérica, entendo que a recorrente obrou realizar seu pedido de afastamento de multas tanto na Fl. 14536DF CARF MF Processo nº 10380.731015/201372 Acórdão n.º 2301005.527 S2C3T1 Fl. 4 5 impugnação, quanto no recurso voluntário; e ii) se o Acórdão embargado mencionou a questão da multa de 150% e da multa moratória, é evidente que houve também voto dos demais conselheiros pelo mesmo sentido, e de forma unânime, inclusive, o que fica consignado que no mínimo houve concordância com o voto proferido, mas também como é de praxe desse colegiado o debate sobre o tema. Assim, entendo que a matéria deveria ser guerreada por meio de Recurso Especial à Câmara Superior, não havendo omissão a ser sanada. Quanto ao item "b" do pedido de embargos, que alega omissão para afastar a multa aplicada, que supostamente teria o condão de ser "duplicada", o relator teria utilizado apenas a fórmula ou definição da ocorrência do "bis in idem". Segundo a Fazenda embargante, não houve não qualquer fundamentação a respeito. Nesse sentido, a fundamentação se baseia em fato simples, conforme o relator menciona, mesmo que de forma singela: "(...) Tal circunstância justifica, a meu ver, a aplicação da multa de 150% aludida pelo art. 89, §10 da Lei nº 8.212/91. No entanto, considero que a cobrança da referida multa de 150% afasta automaticamente a pretensão de cobrança da multa moratória, sob pena de “bis in idem”. Nesse sentido, entendo que o relator teve compreensão de que a multa moratória aplicada seria cobrada em duplicidade pela multa de 150%. Sobre os questionamentos lançados, de quais as razões que levaram o Colegiado a entender que havia no caso uma cobrança dúplice indevida, entendo que essa foi a posição da turma, e que eventual falta de menção do direito aplicado não ensejaria pela via de embargos a modificação do julgado, pois o voto está embasado (justificado), mesmo que de forma sucinta sobre o tema. Assim, verifico que inexiste omissão, apenas irresignação por parte da embargante que não concordou com a aplicação da norma em questão e que deveria, caso assim for do seu entendimento, ser combatido por Recurso Especial à Câmara Superior. Nesse sentido, quanto à omissão alegada, o STJ se pronunciou sistematicamente sobre o tema: "Ementa: PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NOS EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. ENUNCIADO ADMINISTRATIVO 3/STJ. INEXISTÊNCIA DOS VÍCIOS PREVISTOS NO ART. 1.022 DO CPC/2015. INCONFORMISMO DO EMBARGANTE. EFEITOS INFRINGENTES. INVIABILIDADE. PRECEDENTES DO STJ. REJEIÇÃO DOS EMBARGOS DECLARATÓRIOS. 1. A atribuição de efeitos infringentes, em sede de embargos de declaração, somente é admitida em casos excepcionais, os quais exigem, necessariamente, a ocorrência de omissão, Fl. 14537DF CARF MF 6 contradição,obscuridade, ou erro material, vícios previstos no art. 1.022 do Código de Processo Civil de 2015. 2. A omissão no julgado que permite o acolhimento do recurso integrativo configura quando não houver apreciação de teses indispensáveis para o julgamento da controvérsia. 3. No caso dos autos, não existem os defeitos apontados pelo embargante, mas, apenas, entendimento contrário à sua pretensão recursal, de modo que é manifesta a intenção de rever os pontos analisados no julgado embargado, com a atribuição de efeitos infringentes ao recurso, o que é inviável em sede de embargos de declaração, em razão dos rígidos contornos processuais desta espécie de recurso. 4. Embargos de declaração rejeitados". Grifouse. (EDcl nos EAREsp 623637 / AP, Min. Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, órgão Julgador Corte Especial, DJe 11/10/2017). Ainda, esse Colegiado já decidiu que apenas a contradição, omissão ou obscuridade interna é albergada pelos embargos, não abrangendo contradição externa, isto é extensiva às demais peças do processo, ou como pretende ver a embargante ampliar os efeitos do julgado, conforme se constata do acórdão 2301005.036, proferido por esta 3ª Câmara /1ª Turma Ordinária , julgado em 10 de maio de 2017, assim transcrito: "EMENTA. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CABIMENTO. De acordo com o Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a turma. Somente a contradição interna é embargável, não alcançando eventual contradição entre a decisão e outras peças do processo, circunstância que configura mera irresignação". Assim, ainda que o direito esteja de alguma maneira não aplicado de forma adequada como aduz a recorrente, concluo não ser o caso de provimento dos embargos, devendo a decisão ser guerreada por instrumento próprio à Câmara Superior, se assim a embargante entender devido. Conclusão Nessas circunstâncias, voto por não acolher os embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Wesley Rocha Relator Fl. 14538DF CARF MF Processo nº 10380.731015/201372 Acórdão n.º 2301005.527 S2C3T1 Fl. 5 7 Fl. 14539DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.003692/2007-90
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Sep 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 10/04/2002 a 13/10/2006
AUSÊNCIA DE INOVAÇÃO AO LANÇAMENTO.
Não há que se falar em inovação ao lançamento quando o Colegiado a quo apenas fez, conforme sua atribuição, análise mais criteriosa sobre a abrangência da decisão transitada em julgado obtida pelo sujeito passivo - se abarcava somente o direito ao crédito de IPI decorrente de insumos isentos ou sujeitos à alíquota zero ou os produtos não tributados pelo IPI.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO IPI. CRÉDITOS. PRESCRIÇÃO.
Consideram-se prescritos os créditos de IPI apurados em relação aos períodos de apuração anteriores a 5 (cinco) anos da ação judicial proposta com o fim de garantir o direito de sua escrituração.
IMPOSSIBILIDADE DE APROVEITAMENTO DE CRÉDITOS RELATIVOS AS AQUISIÇÕES DE INSUMOS ISENTOS, IMUNES, NÃO TRIBUTADOS OU TRIBUTADOS ALÍQUOTA ZERO. SÚMULA CARF Nº 18.
Nos termos da Súmula CARF nº 18, a aquisição de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem tributados à alíquota zero não gera crédito de IPI. Ademais, há jurisprudência consolidada no Supremo Tribunal Federal no sentido de ser indevido o creditamento do IPI referente à aquisição de insumo não tributado, isento ou sujeito à alíquota zero.
Numero da decisão: 9303-007.459
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(Assinado digitalmente)
Tatiana Midori Migiyama - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: TATIANA MIDORI MIGIYAMA
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PAINEIS E SERRADOS Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 10/04/2002 a 13/10/2006 AUSÊNCIA DE INOVAÇÃO AO LANÇAMENTO. Não há que se falar em inovação ao lançamento quando o Colegiado a quo apenas fez, conforme sua atribuição, análise mais criteriosa sobre a abrangência da decisão transitada em julgado obtida pelo sujeito passivo se abarcava somente o direito ao crédito de IPI decorrente de insumos isentos ou sujeitos à alíquota zero ou os produtos não tributados pelo IPI. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO IPI. CRÉDITOS. PRESCRIÇÃO. Consideramse prescritos os créditos de IPI apurados em relação aos períodos de apuração anteriores a 5 (cinco) anos da ação judicial proposta com o fim de garantir o direito de sua escrituração. IMPOSSIBILIDADE DE APROVEITAMENTO DE CRÉDITOS RELATIVOS AS AQUISIÇÕES DE INSUMOS ISENTOS, IMUNES, NÃO TRIBUTADOS OU TRIBUTADOS ALÍQUOTA ZERO. SÚMULA CARF Nº 18. Nos termos da Súmula CARF nº 18, a aquisição de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem tributados à alíquota zero não gera crédito de IPI. Ademais, há jurisprudência consolidada no Supremo Tribunal Federal no sentido de ser indevido o creditamento do IPI referente à aquisição de insumo não tributado, isento ou sujeito à alíquota zero. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 36 92 /2 00 7- 90 Fl. 4545DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo contra o acórdão nº 3201002.061, da 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que, por unanimidade de votos, afastou as preliminares e, no mérito, deu provimento parcial ao recurso voluntário, exceto quanto à incidência dos juros sobre a multa de ofício, matéria a que se negou provimento por voto de qualidade. O Colegiado, assim, consignou a seguinte ementa: “Assunto: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 10/04/2002 a 13/10/2006 PRELIMINARES DE NULIDADE.INEXISTÊNCIA. Fl. 4546DF CARF MF Processo nº 10980.003692/200790 Acórdão n.º 9303007.459 CSRFT3 Fl. 565 3 Em matéria de processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade caso não se encontrem presentes as circunstâncias previstas pelo art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO IPI. CRÉDITOS. PRESCRIÇÃO. Período de apuração: 10/04/2002 a 13/10/2006 Consideramse prescritos os créditos de IPI apurados em relação aos períodos de apuração anteriores a cinco anos da ação judicial proposta com o fim de garantir o direito de sua escrituração. IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 10/04/2002 a 13/10/2006 AÇÃO JUDICIAL. OBEDIÊNCIA DA DECISÃO PROFERIDA NO ÂMBITO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO A empresa tem direito ao reconhecimento do crédito do IPI decorrente dos insumos isentos e sujeitos à alíquota zero, de acordo com decisão judicial, ainda que extra petita, posto que transitada em julgado, estando válida, vigente e eficaz. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 10/04/2002 a 13/10/2006 ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA DOS CRÉDITOS/CORREÇÃO MONETÁRIA. DECISÃO JUDICIAL. Deve ser efetuada a atualização monetária dos créditos que têm direito, posto que deferida pela sentença do TRF da 4ª Região, aplicandose os índices de atualização monetária (expurgos inflacionários) previstos na Resolução n° 561 do Conselho de Justiça Federal. CRÉDITOS PERTENCENTES A ESTABELECIMENTOS LOCALIZADOS FORA DA CIRCUNSCRIÇÃO DA AUTORIDADE IMPETRADA. APROVEITAMENTO EM ESTABELECIMENTO DIVERSO. O processo foi movido pelo estabelecimento matriz, que realizava apuração centralizada, inaplicável o raciocínio de segregação trazido pela fiscalização. MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. Fl. 4547DF CARF MF 4 A penalidade pecuniária aplicada em decorrência do descumprimento de obrigação acessória convertese em obrigação principal e está sujeita, como tal, a incidência de juros de mora após o seu vencimento. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MULTA DE OFÍCIO E JUROS DE MORA. Constatada a falta de recolhimento da exação impõese a sua exigência por meio de lançamento de oficio, a aplicação da multa de 75%, em conformidade com o art. 44, I e § 1° da Lei n° 9.430/96 e dos juros de mora, com base na taxa Selic. MULTA CONFISCATÓRIA Aplicase Súmula CARF de n° 2. O Carf não é competente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária. TAXA SELIC Aplicase Súmula CARF de n° 4. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Irresignada, a Fazenda Nacional opôs Embargos de Declaração contra o r. acórdão que reconheceu a atualização monetária sobre os créditos de IPI, trazendo, entre outros, que essa matéria foi levada ao Judiciário pelo sujeito passivo – o que, por conseguinte, o colegiado deveria ter se pronunciado em relação ao afastamento da Súmula CARF nº 1. Alega, ainda, contradição entre os fundamentos do voto em relação ao item “Limitação Territorial da Decisão Judicial”. Em Despacho às fls. 4290 a 4293, os embargos foram conhecidos pelo Presidente da 1ª Turma da 2ª Câmara da 3ª Seção do CARF. O Colegiado, assim, apreciou os embargos de declaração, acordando, por unanimidade de votos, rejeitálos. Consignou no acórdão nº 3201002.374 a seguinte ementa: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 10/04/2002 a 13/10/2006 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. PRESSUPOSTO. OMISSÃO. CONTRADIÇÃO. OBSCURIDADE. INEXISTÊNCIA Fl. 4548DF CARF MF Processo nº 10980.003692/200790 Acórdão n.º 9303007.459 CSRFT3 Fl. 566 5 Nos termos do artigo 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, os Embargos de Declaração somente são oponíveis quando o acórdão contiver omissão, contradição ou obscuridade entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. Não identificado tal pressuposto, incabíveis os embargos, especialmente quando pretende dar aos embargos efeitos infringentes. Embargos Rejeitados” Insatisfeita, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial contra o r. acórdão que deu provimento parcial ao recurso voluntário que cancelou as glosas dos créditos de IPI efetuadas pela fiscalização. Traz, em relação: · À apuração de crédito sobre insumos que não são utilizados no processo produtivo da autuada: ü Que o Colegiado recorrido deu provimento parcial ao recurso voluntário, sem se fazer qualquer distinção sobre os insumos que foram efetivamente aplicados no processo produtivo da autuada ou não, e ainda os créditos que decorrem de produtos que não são considerados insumos pela própria legislação do IPI, em clara violação ao art. 11 da Lei 9.779/99 e art. 164, inciso I, do RIPI/02; ü O acórdão do TRF4 tratou apenas de insumos empregados no processo produtivo da autuada, não podendo se afirmar, como o fez o colegiado recorrido, que também afastou a glosa dos créditos de insumos estranhos ao processo produtivo da contribuinte; ü A Lei 9.779/99 estabelece que os créditos serão apurados a partir dos insumos empregados no processo de industrialização da empresa; ü Para que seja dado o tratamento de insumos aos bens que, embora não se integrando ao novo produto, sejam consumidos no processo de industrialização, tais bens Fl. 4549DF CARF MF 6 devem guardar semelhança com as MP e os PI, em sentido estrito, semelhança essa que reside no fato de exercerem, na operação de industrialização, função análoga a das MP e PI, ou seja, se consumirem, em decorrência de um contato físico, ou melhor dizendo, de uma ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, ou por esse diretamente sofrida; ü Assim, andou corretamente a fiscalização ao efetuar a glosa de créditos de produtos totalmente estranhos à composição dos produtos obtidos no processo produtivo, sendo incabível a inclusão, na interpretação da decisão judicial, do aproveitamento de créditos relativos a produtos cuja destinação não está contemplada no conceito de insumos (matériasprimas, produto intermediário e material de embalagem empregados no processo produtivo). Em Despacho às fls. 4319 a 4324, foi negado seguimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. Em resposta à ciência do Despacho que negou seguimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, a União comunicou que irá proceder a devolução dos presentes autos sem recurso. Em Ofício à fl. 4330, foi proposto pela Delegacia da Receita Federal em Curitiba – PR – o que segue: “[...] Como não consta no processo valores discriminados de créditos sobre insumos isentos e sujeitos à alíquota zero (que não a matéria) que comprovadamente possam ser compensados conforme acórdão do CARF acima descrito, proponho encaminhar o presente processo ao SEFIS/DRF/CTA, para apuração dos créditos sobre os insumos isentos e sujeitos à alíquota zero que a interessada teria direito e que não foram considerados pela fiscalização no lançamento, nos termos do acórdão 321.002.061. [...]” Fl. 4550DF CARF MF Processo nº 10980.003692/200790 Acórdão n.º 9303007.459 CSRFT3 Fl. 567 7 Assim, foi emitida Intimação nº 146 ao sujeito passivo, com os seguintes dizeres: Com a finalidade de execução de acórdão exarado pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – Carf, intimamos o contribuinte para que apresente, em relação às mercadorias listadas abaixo que constam da relação de notas fiscais de entrada apresentadas no processo nº 10980.003692/200790, anexos II e III: 1) descrição dos produtos e de sua utilização no processo de industrialização e 2) notas fiscais ou outros documentos que informem as alíquotas de IPI incidentes sobre as mercadorias. O contribuinte dispõe do prazo de trinta dias para a apresentação do que foi solicitado. Devido à opção pelo domicílio tributário eletrônico, a via de apresentação da documentação deve ser preferencialmente a eletrônica (eCAC).” Em resposta à intimação, o sujeito passivo trouxe, entre outros, a descrição dos produtos e de sua utilização no processo de industrialização: [...] 1.1) Tira de Borracha Produto utilizado nas embalagens dos Laminados Finish Foil (FF) de painéis de aglomerado com madeira revestidos, para segurar os fardos para não deslizarem. O material era colado nos fardos na parte dos calços. 1.2) 20142 Emulsão Parafínica: Fl. 4551DF CARF MF 8 Produto aplicado junto à resina na cola, tem como finalidade ajudar a impedir a absorção de umidade pela chapa de MDF, quando exposta em pequeno período de tempo à mesma e, consequentemente, aumentar a estabilidade dimensional da chapa. 1.3) 20150 Emulsão Humocer: Produto aplicado junto à resina na cola, tem como finalidade ajudar a impedir a absorção de umidade pela chapa MDF, quando exposta em pequeno período de tempo à mesma e, consequentemente, aumentar a estabilidade dimensional da chapa. 1.4) Gewax 33: Produto aplicado junto à resina na cola, tem como finalidade ajudar a impedir a absorção de umidade pela chapa MDF, quando exposta em pequeno período de tempo à mesma e, cosequentemente, aumentar a estabilidade dimensional da chapa. Também é utilizado para melhorar a resistência do painel à água. 1.5) Isocat BE CT 1037: É um catalisador para resinas do tipo uréiaformaldeido, que é utilizado nos rolos de aplicação da antiga linha de Laminado Finish Foil (FF) – papel decorativo envernizado e aplicado aos painéis através de um processo de colagem e prensagem, sob ação de calor e pressão. 1.6) Isopat 2925: Desmoldante utilizado no sistema de spray para limpeza da fita de aço da prensa. 1.7) 40084 Borracha EL 200X61: Produto utilizado nas embalagens dos dos Laminados Finish Foil (FF) de painéis de aglomerado com madeira revestidos, para segurar os fardos para não deslizarem. [...]” Contrarrazões foram apresentadas pelo sujeito passivo contra o recurso da Fazenda Nacional. Insatisfeito com a decisão do colegiado a quo, o sujeito passivo interpôs Recurso Especial relativamente ao período prescricional de 5 anos da ação judicial para apuração dos créditos de IPI, ao não reconhecimento do direito da empresa ao crédito de IPI Fl. 4552DF CARF MF Processo nº 10980.003692/200790 Acórdão n.º 9303007.459 CSRFT3 Fl. 568 9 decorrente dos insumos não tributados e que houve inovação no lançamento pela autoridade julgadora. Traz, entre outros, que: · Considerando que não foi contestada pela fiscalização o creditamento de insumos não tributados, a inovação e ampliação do lançamento pela decisão proferida pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não pode ser mantida, com o provimento do presente recurso especial · O reconhecimento dos créditos de IPI deverá alcançar valores pagos no período de dez anos da data em que houve o protocolo da inicial do Mandado de Segurança n.º 98.00209263. · Não obstante a legislação citada no Acórdão, fato é que o Mandado de Segurança impetrado pela contribuinte com a finalidade de obter o reconhecimento do crédito de IPI foi distribuído na data de 23/09/1998, ou seja, antes da entrada em vigor da Lei Complementar 118/2005. Em Despacho às fls. 4526 a 4531, foi dado seguimento ao recurso especial interposto pelo sujeito passivo. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões ao recurso especial. É o relatório. Voto Conselheira Tatiana Midori Migiyama Relatora Depreendendose da análise do recurso especial interposto pelo sujeito passivo, entendo que devo conhecêlo, vez que em relação à lide posta, foi comprovada a divergência. O que concordo com o exame de admissibilidade constante em despacho. Recordase que o sujeito passivo ressurgiu com as seguintes discussões: · Inovação no lançamento; Fl. 4553DF CARF MF 10 · Prescrição; · Direito a crédito relativo aos insumos não tributados. Quanto à discussão acerca da matéria: · Inovação no lançamento, vêse que a decisão recorrida restringiu o crédito quanto aos produtos não tributados, numa possível ampliação do lançamento efetuado; enquanto, as decisões paradigmas entenderam que poderia haver inovação no lançamento promovida pela autoridade julgadora, em fundamentos não considerados no lançamento origina; · Prescrição, a decisão recorrida entendeu que se consideram prescritos os créditos de IPI apurados em relação aos períodos anteriores a cinco anos da ação judicial proposta com o fim de garantir o direito de sua escrituração, as decisões paradigmas confirmaram o entendimento que o prazo para requerer a restituição de tributos sujeitos ao lançamento por homologação seria de 10 anos (tese dos 05 mais 05); · Direito a crédito relativo aos insumos não tributados, a decisão recorrida entendeu que a empresa recorrente teria direito ao reconhecimento do crédito de IPI decorrente dos insumos isentos e sujeitos à alíquota zero, de acordo com a decisão judicial, mas restringiu o crédito quanto aos produtos não tributados, sob o entendimento de que o TRF 4ª Região se limitou a analisar a tese de creditamento de insumos isentos ou tributados à alíquota zero. Entretanto, os acórdãos paradigmas decidiram de forma diversa ao interpretar o direito ao crédito de IPI concedido à Recorrente pelo acórdão do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, transitado em julgado, que entenderam que o benefício contemplaria as matériasprimas isentas, não tributadas ou reduzidas a à alíquota zero. Ventiladas tais considerações, passo a analisar a primeira discussão posta em recurso – qual seja, inovação de lançamento. Fl. 4554DF CARF MF Processo nº 10980.003692/200790 Acórdão n.º 9303007.459 CSRFT3 Fl. 569 11 Recordase que o sujeito passivo alega que houve inovação praticada pela turma julgadora que teria reformulado o lançamento de forma prejudicial ao sujeito passivo, ao restringir o seu direito creditório sobre produtos não tributados pelo IPI. Depreendendose dos autos do processo, entendo que não houve inovação praticada pelo colegiado a quo, vez que o mérito ora analisado envolvia o direito ou não ao crédito de IPI decorrente de matéria prima isenta, não tributada ou sujeita à alíquota zero. O que fez a ilustre exConselheira relatora do acórdão recorrido, Mércia Helena Trajano Damorim, foi analisar, considerando a lide trazida em auto de infração, se a decisão transitada em julgado obtida pelo sujeito passivo abarcava somente o direito ao crédito de IPI decorrente de insumos isentos ou sujeitos à alíquota zero ou os produtos não tributados pelo IPI. Analisando os autos, compartilho do entendimento manifestado pela ex conselheira, o que, sendo irretocável, peço licença para transcrever a parte que interessa: “[...] RECONHECIMENTO DO DIREITO DE SE CREDITAR DO IPI POR FORÇA DO MANDADO DE SEGURANÇA/SENTENÇA JUDICIAL A questão dos insumos foi analisada na resolução demandada, no entanto, será apreciada nesta turma do CARF. A grande questão, já antecipo, a ser dirimida é a seguinte, o que vale para o presente caso: o que foi pedido pelo contribuinte interpretação da sentença pela fiscalização ou o concedido pelo Tribunal? Ou seja: (a) o crédito de IPI decorrente de matéria prima isenta, não tributada ou sujeita à alíquota zero ou (b) o crédito de IPI decorrente de insumos isentos ou sujeitos à alíquota zero? A diferença é que insumo é mais abrangente que matéria prima, envolvendo além desta os produtos intermediários e material de embalagem. Reportandose ao pedido inicial do MS (efl. 23): PEDIDO DA AÇÃO JUDICIAL Fl. 4555DF CARF MF 12 “Por todo o exposto, presentes os pressupostos processuais, requer se digne Vossa Excelência, em conceder medida liminar que reconheça a existência de relação jurídica, que assegure à Impetrante o direito de se creditar do IPI, em relação às aquisições de matérias primas isentas, não tributadas ou reduzidas à alíquota zero, empregadas na fabricação de produtos tributados, com a aplicação das mesmas alíquotas utilizadas nas operações tributadas (8% para o produto aglomerado e 10% para o produto compensado), nas operações pretéritas e futuras, àquelas com obediência ao período não alcançado pela prescrição, obedecida a correção monetária.” – (negritei) Já o acórdão do Tribunal Regional da Quarta Região, que foi favorável ao contribuinte após a sentença negativa ter sido proferida, dispor sobre questões distintas daquelas requeridas na inicial, dispõe: ACÓRDÃO: “IPI — CREDITAMENTO — MERCADORIAS NÃO TRIBUTADAS, ISENTAS OU SUJEITAS À ALÍQUOTA ZERO. Se o contribuinte do IPI pode creditar o valor dos insumos adquiridos sob o regime de isenção, inexiste razão para deixar de reconhecerlhe o mesmo direito na aquisição de insumos favorecidos pela alíquota zero, pois nada extrema, na prática, as duas figuras desonerativas, notadamente quando se trata de aplicar o princípio da não cumulatividade, evitando o fenômeno da superposição tributária.” (negritei) O Tribunal limitouse a analisar a tese de creditamento de insumos isentos ou tributados à alíquota zero. Observese trecho do voto do relator (efl. 42): “Preliminarmente, não há a alegada falta de prova préconstituída de que adquiriu os indigitados insumos geradores do direito ao creditamento, porque a matéria é eminentemente de direito. No mérito, embora impressionado pela jurisprudência do STJ, que parece firmada no sentido de que, "na saída com alíquota zero, se não houve recolhimento do IPI na entrada da matéria prima, não há creditamento" (REsp.19.106, I a T., Min. Garcia Vieira), já tenha votado Fl. 4556DF CARF MF Processo nº 10980.003692/200790 Acórdão n.º 9303007.459 CSRFT3 Fl. 570 13 mais de uma vez na linha prestigiada pela adesão do eminente Relator, amadurecendo as minhas reflexões sobre o tema, terminei convencido de que, data venia, nenhuma razão autoriza distinguir entre "isenção" e "alíquota zero" para reconhecer, num caso, e negar, no outro, o direito ao crédito do tributo não recolhido — em ambos.” negritei Pois bem, enquanto o contribuinte buscou, via judicial, o creditamento na compra de matéria prima isenta, não tributada ou sujeita à alíquota zero; o tribunal concedeu o direito ao creditamento de insumos isentos ou sujeitos à alíquota zero. Não houve Embargos Declaratórios para sanar qualquer tipo de omissão e por consequência o mencionado acórdão transitou em julgado exatamente como proferido. A fiscalização baseouse na orientação do relatório da DISIT/SRRF 9ª RF que concluiu que a decisão judicial abrange tão somente as aquisições de matériasprimas. E que a decisão judicial abrange as aquisições de matérias primas isentas, não tributadas e cuja alíquota tenha sido reduzida a zero. Ou melhor, seguiu pelo pedido do contribuinte, utilizando apenas a parte expositiva do acórdão citado (efl. 43), que mencionava o provimento do recurso nos termos requeridos, a saber: Nessas condições, dou provimento à apelação para, reformando a sentença, conceder a ordem, nos termos requeridos. Custas pela impetrada, sem honorários advocatícios. É o voto.” negritei Pelo exposto, apesar de a decisão judicial ser extra petita no que se tange à abrangência do que foi pedido (matérias primas x insumos), o fato é que ela é válida, vigente e eficaz, até porque nenhuma das partes interpôs qualquer espécie de recurso, como Embargos de Declaração ou Recurso Especial/Extraordinário. Destarte, para o presente caso, a recorrente tem direito ao reconhecimento do crédito decorrente dos insumos isentos e sujeitos à alíquota zero, conforme sentença judicial. Considerando, pois, que o insumo como mais abrangente que matéria prima, envolvendo além desta os produtos intermediários e material de embalagem.” Fl. 4557DF CARF MF 14 Sendo assim, considerando que não houve inovação, mas apenas análise mais criteriosa feita pelo Colegiado a quo sobre a abrangência da decisão transitada em julgado, nessa parte, nego provimento ao recurso do sujeito passivo. Quanto à segunda discussão trazida em recurso, qual seja, Prescrição, entendo que não assiste razão ao sujeito passivo, eis que a LC 118/05 alcança pedido de restituição/compensação, e não de ressarcimento como é o caso vertente. Nessa linha, também me conforto com o entendimento exposto pela ex conselheira Mércia. Peço licença assim para transcrever seu voto nessa parte: “[...] Quanto à questão da aplicação do prazo de dez anos, não há o que se pensar, tendo em vista se tratar de ressarcimento de crédito e não restituição. Na petição inicial do MS, a recorrente solicitou o direito em relação aos créditos não alcançados pela prescrição, mas não requereu que lhe fosse reconhecido direito algum além dos cinco anos. O direito de aproveitamento de créditos do IPI fica sujeito ao prazo prescricional de cinco anos, conforme disposição do art. 1o do Decreto no 20.910, de 6 de janeiro de 1932, de acordo com o Parecer Normativo CST no 515, de 10 de agosto de 1971, publicado na página 6.917 do Diário Oficial da União de 27/08/71, ainda em vigor. Tais créditos têm natureza de “dívida passiva da União” e a norma aplicável (Decreto nº 20.910/32) dispõe: Art. 1º As dívidas passivas da União, dos Estados e dos Municípios, bem assim todo e qualquer direito ou ação contra a Fazenda Federal, Estadual ou Municipal, seja qual for a sua natureza, prescrevem em cinco anos contados da data do ato ou fato do qual se originarem. [...] Portanto, para o caso em discussão, o prazo prescricional é de cinco anos, considerado pela fiscalização. Logo, consideramse prescritos os créditos de IPI apurados em relação aos períodos de apuração anteriores a cinco anos da ação judicial proposta com o fim de garantir o direito de sua escrituração.” Fl. 4558DF CARF MF Processo nº 10980.003692/200790 Acórdão n.º 9303007.459 CSRFT3 Fl. 571 15 Vêse que a LC 118/05, trouxe disposição envolvendo o prazo prescricional de que trata o art. 168 do CTN – que especificamente trata do direito de se pleitear a restituição de determinado crédito. O que não é a hipótese tratada no caso vertente. Sendo assim, entendo que não assiste razão ao sujeito passivo nessa parte. Em relação à última discussão trazida em recurso – qual seja, direito a crédito relativo aos insumos não tributados, vêse que esse Colegiado já apreciou essa matéria. O que trago a ementa do acórdão 9303004.902 da nobre conselheira Vanessa Marini Cecconelo: “IMPOSSIBILIDADE DE APROVEITAMENTO DE CRÉDITOS RELATIVOS AS AQUISIÇÕES DE INSUMOS ISENTOS, IMUNES, NÃO TRIBUTADOS OU TRIBUTADOS ALÍQUOTA ZERO. SÚMULA CARF Nº 18. Nos termos da Súmula CARF nº 18, a aquisição de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem tributados à alíquota zero não gera crédito de IPI. Para melhor elucidar, trago parte do voto da conselheira: “No mérito, centrase a controvérsia na possibilidade de aproveitamento de créditos de IPI decorrentes da aquisição de insumos isentos, não tributados ou sujeitos à alíquota zero. O art. 153, inciso IV da Constituição Federal atribuiu à União a competência para criação e posteriores modificações do Imposto sobre Produtos Industrualizados IPI. Além disso, o §3º do citado dispositivo estabeleceu critério restritivo para a exação, sendo imprescindível a observância dos atributos da seletividade (em razão da essencialidade dos produtos) e da não cumulatividade (compensandose o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas etapas anteriores). Fl. 4559DF CARF MF 16 Com relação à possibilidade de aproveitamento de créditos de IPI decorrentes da aquisição de insumos desonerados (isentos, não tributados ou sujeitos à alíquota zero), o Supremo Tribunal Federal pacificou, em sede de julgamento do RE nº 398.365/RS, pela sistemática da repercussão geral, entendimento pela impossibilidade do Contribuinte creditarse dos referidos valores. O julgado recebeu a seguinte ementa: Recurso extraordinário. Repercussão geral. 2. Tributário. Aquisição de insumos isentos, não tributados ou sujeitos à alíquota zero. 3. Creditamento de IPI. Impossibilidade. 4. Os princípios da não cumulatividade e da seletividade, previstos no art. 153, § 3º, I e II, da Constituição Federal, não asseguram direito de crédito presumido de IPI para o contribuinte adquirente de insumos não tributados ou sujeitos à alíquota zero. Precedentes. 5. Recurso não provido. Reafirmação de jurisprudência. (RE 398365 RG, Relator(a): Min. GILMAR MENDES, julgado em 27/08/2015, PROCESSO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe188 DIVULG 21092015 PUBLIC 22092015) Ainda, a fundamentação do voto proferido em sede de recurso extraordinário pelo Ministro Gilmar Mendes elucida o posicionamento da Corte: [...] Em síntese, discutese se a possibilidade de creditamento de IPI pela aquisição de insumos isentos, não tributados ou sujeitos à alíquota zero. A questão constitucional em debate diz respeito à interpretação do art. 153, § 3º, II, da Constituição Federal, que prevê o princípio da não cumulatividade do IPI com a compensação do que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores, no caso de aquisição de insumos isentos, não tributados ou sujeitos à alíquota zero. Há jurisprudência consolidada na Corte sobre o assunto. O entendimento do Supremo Tribunal Federal é no sentido de ser indevido o creditamento do IPI referente à aquisição de insumo não tributado, isento ou sujeito à alíquota zero. Fl. 4560DF CARF MF Processo nº 10980.003692/200790 Acórdão n.º 9303007.459 CSRFT3 Fl. 572 17 Como é cediço, esse tema tem como paradigmas o RE 353.657/PR, Rel. Min. Marco Aurélio, e o RE 370.682/SC, Rel. Min. Ilmar Galvão, cujas ementas transcrevo abaixo: [...] Conforme fiz ver anteriormente, apenas em 25 de junho de 2007, nos já mencionados Recursos Extraordinários nº 353.657/PR e nº 370.682/SC, presente julgamento relativo a insumos e matériasprimas não tributados e sujeitos à alíquota zero, o Tribunal reviu a posição adotada e passou a proclamar a ausência do direito. Consoante revelado nos votos vencedores, a tese firmada alcança, inclusive, os casos de isenção, no tocante aos quais o crédito também se tornou indevido. Portanto, a mudança ocorreu somente cinco anos depois das últimas decisões do Supremo favoráveis aos contribuintes. Pois bem. Não resta dúvida de que a jurisprudência do STF firmou se no sentido de que os princípios da não cumulatividade e da seletividade não asseguram direito de crédito presumido de IPI para o contribuinte adquirente de insumos não tributados ou sujeitos à alíquota zero. [...] Nos termos do art. 62 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, é de observância obrigatória dos Conselheiros as decisões definitivas do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça proferidas em sede de julgamento realizado nos termos dos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869/1973, ou dos artigos 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105/2015. Assim, deve ser aplicado por este Colegiado o entendimento do Supremo Tribunal Federal, proferido em sede de repercussão geral, quanto à impossibilidade de a Contribuinte creditarse de IPI decorrente da aquisição de insumos isentos, não tributados ou sujeitos à alíquota zero. Fl. 4561DF CARF MF 18 No âmbito do CARF, a vedação ao aproveitamento de créditos de IPI na aquisição de bens sujeitos à alíquota zero foi consolidada na Súmula CARF nº 18, também de efeitos vinculantes para o Colegiado: Súmula CARF n° 18: A aquisição de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem tributados à alíquota zero não gera crédito de IPI. Diante do exposto, conforme art. 62 do RICARF aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, há de ser negado provimento ao recurso especial da Contribuinte.” Sendo assim, ainda que a Súmula CARF não tenha literalmente trazido o termo “insumos não tributados”, considerando a decisão dada pelo STF, cabe concluir que o sujeito passivo não tem razão em seus fundamentos. Em vista de todo o exposto, conheço o Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo, negandolhe provimento. (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Fl. 4562DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.720207/2016-06
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1402-000.695
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente
(assinado digitalmente)
Evandro Correa Dias - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Sergio Abelson (Suplente Convocado), Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Breno do Carmo Moreira Vieira (Suplente Convocado) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente).
Nome do relator: EVANDRO CORREA DIAS
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FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente (assinado digitalmente) Evandro Correa Dias Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Sergio Abelson (Suplente Convocado), Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Breno do Carmo Moreira Vieira (Suplente Convocado) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 95 15 .7 20 20 7/ 20 16 -0 6 Fl. 3084DF CARF MF Processo nº 19515.720207/201606 Resolução nº 1402000.695 S1C4T2 Fl. 3.085 2 Relatório Adoto, em sua integralidade, o relatório do Acórdão de Impugnação nº. 06 56.670, proferido em 19 de janeiro de 2017, pela 2ª Turma da DRJ/CTA, complementandoo com as pertinentes atualizações processuais. "Trata o processo de autos de infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) e de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), todos relativos ao ano calendário de 2011. 2. O auto de infração de IRPJ (fls. 297/301) exige o recolhimento de R$ 8.481.125,60 de imposto e R$ 6.360.844,20 de multa de lançamento de ofício, além dos encargos legais. O lançamento resultou de procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias da interessada, em que foram apuradas as seguintes infrações, relatadas no Termo de Verificação Fiscal, de fls. 287/296: Custos, despesas operacionais e encargos. Despesas não comprovadas: no período de 31/12/2011. Enquadramento legal no art. 3° da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995; arts. 247, 248, 249 inciso I, 251, 277, 278, 299 e 300, 541 do RIR/1999. Multa de 75%. 3. O auto de infração de CSLL (fls. 302/305) exige o recolhimento de R$ 3.053.205,22 e R$ 2.289.903,91 de multa de lançamento de ofício, além dos encargos legais. Foram apuradas as seguintes infrações, relatadas no Termo de Verificação Fiscal, de fls. 287/296: Custos, despesas operacionais, encargos não comprovados: nos períodos de 31/12/2011. Enquadramento legal nos arts. 2° e 3° da Lei 7.689, de 15 de dezembro de 1988; art. 57 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995; art. 2° da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995; art. 1° da Lei nº 9.316, de 22 de novembro de 1996; art. 28 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Multa de 75%. 4. O auto de infração de IRRF (fls. 306/309) exige o recolhimento de R$ 18.267.039,78 de imposto, R$ 13.700.279,83 de multa de ofício, além de encargos legais. Foram apuradas as seguintes infrações, relatadas no Termo de Verificação Fiscal, de fls. 287/296: Imposto de Renda na Fonte sobre pagamentos a beneficiários não identificados/pagamentos sem causa: no período de 31/12/2011. Enquadramento legal nos arts. 674 e 675 do Decreto 3.000, de 26 de março de 1999 – RIR/99. Multa de 75%; 5. Cientificada em 01/04/2016, conforme AR de fl. 313, tempestivamente, em 03/05/2015, a interessada apresentou impugnação aos lançamentos, às fls. 1302/1336, que se resume a seguir: Fl. 3085DF CARF MF Processo nº 19515.720207/201606 Resolução nº 1402000.695 S1C4T2 Fl. 3.086 3 NULIDADES DA AUTUAÇÃO a. Alega que cabe à Autoridade Fiscal, no ato do lançamento, esclarecer de forma clara a determinação da matéria tributável e seu cálculo, bem como as razões de fato e de direito que a levaram a desconsiderar a documentação apresentada pela IMPUGNANTE e ainda, o correto embasamento legal que levou a glosar as despesas, tidas genericamente como "não identificadas", "pagamentos sem causa" ou "não comprovadas". Estes preceitos decorrem do disposto no art. 142, do CTN e dos artigos 10 e 59, da Lei n. 70.235/72. Contudo, consoante se demonstrará nos tópicos seguintes, a D. Autoridade Fiscal não observou estes preceitos, tendo sido o trabalho fiscal eivado de vícios e precariedades, em manifesto prejuízo à ampla defesa e ao contraditório, o que justifica sua nulidade; Do Trabalho Fiscal Da Determinação da Matéria Tributável e seu Cálculo Ônus da Prova b. Reclama que a primeira nulidade diz respeito ao critério utilizado pelo Auditor Fiscal para definir e apurar os valores ora exigidos que, por si só, já maculam grande parte do valor autuado, pois não obstante o objetivo da autuação tenha sido em parte analisar as despesas apropriadas, o Auditor Fiscal acabou por considerar valores que sequer foram objeto de dedução por parte da IMPUGNANTE. Para melhor se compreender este tópico, mister se faz rememorar o histórico da autuação e as informações fornecidas pela IMPUGNANTE, tomandose como ponto de partida o Relatório Fiscal. Com efeito, da análise do aludido Relatório temse que o presente Auto de Infração foi lavrado para a exigência de IRRF sobre o total das despesas supostamente não comprovadas de R$ 33.924.502,45, bem como para a exigência de IRPJ e CSLL sobre referido valor, não obstante tratarse ele de despesa e não de receita da IMPUGNANTE. Conforme DIPJ do exercício 2012 (anocalendário 2011) foi declarado o valor de R$ 47.618.108,25 na linha 34 da ficha 5A, relativo a "outras despesas operacionais". Através do Termo de Início de Procedimento Fiscal foi solicitado pelo Auditor Fiscal a abertura/composição de referidos valores por meio de planilha detalhada, acompanhada da documentação de suporte. Em razão disso, a IMPUGNANTE apresentou planilha de Excel listando cada conta contábil, bem como explicando a que elas se referiam. Ademais, demonstrou os valores referentes a cada uma delas, totalizando os R$ 47.618.108,25 questionados. Em 17 de março de 2015, o Auditor Fiscal selecionou algumas das contas contábeis , cujo saldo representava um total de R$ 11.133.286,28, requerendo a comprovação da origem especificamente dessas despesas. Para facilitar a análise, vide planilha abaixo, onde constam os valores que estavam em questionamento; Fl. 3086DF CARF MF Processo nº 19515.720207/201606 Resolução nº 1402000.695 S1C4T2 Fl. 3.087 4 Conta Contábil Descrição Conta Contábil Dezembro 2011 641000 FERRAMENTAS STANDARD 404.359,40 691001 SERVIÇOS GBS 60.602,18 842400 SUPRIMENTOS DIVERSOS E SEGURANÇA 1.484.852,51 842401 SUPRIMENTOS DE OPERAÇÕES 416.918,31 844300 MANUTENCAO DE VEICULOS 418.576,29 847999 DIVERSOS 540.388,24 849010 INSTRUCAO / APERFEIÇOAMENTO TECNICO DE EMPREGADOS ‐ DEDUTIVEL 179.270,72 849080 DESPESAS DE VIAGEM 607.954,70 849083 CONVENCAO / REUNIAO DE GERENCIAMENTO 289.013,61 849085 DESPESAS DE VIAGEM ‐ PASSAGEM AEREA 1.362.913,29 849086 DESPESAS DE VIAGEM ‐ HOSPEDAGEM 687.198,06 849087 DESPESAS DE VIAGEM ‐ REFEIÇÃO 287.612,00 849088 DESPESAS DE VIAGEM ‐ TRANSPORTE 448.984,88 849089 DESPESAS DE VIAGEM ‐ OUTROS 936.198,33 849255 EVENTOS ESPORÁDICOS ‐ FCPA 185.126,19 849261 AUDITORIA KPMG 217.542,42 890049 PROJETO ORACLE 357.996,33 890070 DESPESAS DE EXPATRIADOSEXPATRIADOS 783.477,21 890072 HR ADMINISTRATION 1.464.301,61 TOTAL 11.133.286,28 c. Afirma ser indubitável que dos R$ 47.618.108,25 declarados na linha 34 da ficha 5A da DIPJ do exercício de 2012, relativo a "outras despesas operacionais", estavam em questionamento apenas R$ 11.133.286.28. Tendo em vista o volume total das despesas, foi protocolado em 08/04/15 pedido de prorrogação de prazo. Posteriormente, em 14/05/2015, a IMPUGNANTE apresentou resposta à fiscalização destacando que os lançamentos a débito das 19 contas contábeis totalizavam R$ 42.522.804,05, e que a comprovação estava sendo apresentada por amostragem. Tais valores contábeis encontramse discriminados no Livro Razão e no SPED, os quais sempre estiveram à disposição da Fiscalização para análise; d. Ressalta que nem todos os valores (R$ 42.522.804,05) referemse a despesas que foram deduzidas na apuração do IRPJ e da CSLL, tendo sido deduzido apenas o valor de R$ 11.133.286,28. O restante dos valores referese a lançamentos contábeis que sequer deram ensejo à dedução da apuração dos tributos, vez que tratavamse de lançamentos transitórios das contas contábeis que foram realocados antes do término do exercício fiscal. Ou seja, conforme se verifica do Livro Razão e do Sped da IMPUGNANTE, relativamente a essas contas contábeis as despesas ao final do exercício (após o confronto dos lançamentos a débito e a crédito no Livro Razão) corresponderam ao montante apenas de R$ 11.133.286,28. Nesse ponto verificase a manifesta nulidade do procedimento fiscal, na medida em que exige comprovação além dos valores deduzidos, prejudicando o alcance da definição da matéria tributável, elemento essencial do lançamento, nos moldes do citado art. 142, do CTN. Vale dizer, há nítida confusão entre os valores lançados nas contas contábeis e os valores deduzidos na DIPJ da IMPUGNANTE. De toda forma, Fl. 3087DF CARF MF Processo nº 19515.720207/201606 Resolução nº 1402000.695 S1C4T2 Fl. 3.088 5 ainda assim a IMPUGNANTE foi intimada a comprovar o total de R$ 42.522.804,05 constantes das contas contábeis, o que obviamente dificultou a localização dos documentos. Aqui reforçase: foi exigida a comprovação inclusive de lançamentos que não se constituíram como despesas ao final do exercício, o que é absurdo. De toda forma, em razão do volume de lançamentos a débito relativos aos R$ 42.522.804,05 (veja, de lançamentos e não de despesas efetivas) constantes das contas contábeis, o Auditor Fiscal solicitou uma comprovação, por amostragem, tendo a IMPUGNANTE apresentado a comprovação de R$ 23.336.581,84, ou seja, mais da metade dos lançamentos totais. Conforme protocolo de entrega de documentação, fora apresentado mídia física (CD) contendo Planilha de Acompanhamento e Notas Fiscais/Comprovantes de Despesas relativos às despesas de R$ 23.336.581,84; e. Ressalta que quando da apresentação das justificativas, incluiu a IMPUGNANTE em sua resposta, a justificativa dos lançamentos da conta contábil 891001, no valor total de R$ 15.519.230,41, como se fosse da conta 691001, a qual detém como lançamento para o período fiscalizado apenas o valor de R$ 60.602,18. Para ratificar o que se alega, vejase que a conta contábil 891001 não gerou despesa dedutível dentro da linha 34 da ficha 5A da DIPJ citada, tanto que referida conta não faz parte da composição apresentada ao Fisco e que totaliza o valor de R$ 47.618.108,25. Consequentemente, tal conta não era objeto da fiscalização, o que ora se esclarece. Ocorre que, a despeito desse equívoco da IMPUGNANTE ora esclarecido, estranhamente, o Auditor Fiscal, no Relatório Fiscal, declara que do valor de R$ 23.336.581,84 a IMPUGNANTE não teria apresentado as Notas Fiscais (o que contradiz o protocolo de entrega recebido pelo Auditor Fiscal e citado no item 26), mas apenas as razões das contas. Ou seja, alega que dos R$ 42.522.804,05, apenas R$ 8.598.301,60 teriam sido comprovados, razão pela qual autua a IMPUGNANTE sobre o valor de R$ 33.924.502,45, referente às despesas supostamente não comprovadas. Ocorre que o Fisco, quando da análise da documentação apresentada, solicitou a justificativa dos lançamentos contábeis de R$ 42.522.804,05, não obstante apenas o montante de R$ 11.133.286,28 tivesse sido utilizado para dedução do IRPJ e da CSLL. Na planilha abaixo, a primeira coluna corresponde à conta contábil analisada pelo Auditor Fiscal. A segunda coluna corresponde aos valores de referida conta contábil que foram objeto de dedução na Declaração do Imposto de Renda. Por fim, a terceira coluna corresponde aos maiores lançamentos de referidas contas contábeis referente aos quais o fiscal solicitou a comprovação: Fl. 3088DF CARF MF Processo nº 19515.720207/201606 Resolução nº 1402000.695 S1C4T2 Fl. 3.089 6 Contas dentro da Ficha 5_34 Deduções dentro da linha 34 da Ficha 5 Despesa DIPJ Lançamentos Contábeis Apresentados (maiores lançamentos da conta) ‐ não foram despesas que diminuiram a base 641000 404.359,40 R$ 424.037,68 691001 60.602, 18 R$ 15.519.230,41 842400 1.484.852,51 R$ 3.830.777,36 842401 416.918,31 R$ 1.543.084,55 844300 418.576,29 R$ 397.225,73 847999 540.388,24 R$ 6.875.416,08 849010 179.270,72 R$ 77.644,00 849080 607.954,70 R$ 4.050.081,04 849083 289.013,61 R$ 233.468,72 849085 1.362.913,29 R$ 1.427.754,07 849086 687.198,06 R$ 498.335,52 849087 287.612,00 R$ 91.821,43 849088 448.984,88 R$ 151.233,77 849089 936.198,33 R$ 2.397.004,76 849255 185.126,19 R$ 176.164,80 849261 217.542,42 R$ 253.293,73 890049 357.996,33 R$ 1.068.481,11 890070 783.477,21 R$ 1.270.424,76 890072 1.464.301,61 R$ 2.237.324,53 TOTAL 11.133.286,28 R$ 42.522.804,05 f. Ressalta que os valores da segunda coluna, que totalizam o valor de R$ 11.133.286,28 correspondem às despesas apuradas ao final do exercício, enquanto que os valores da terceira coluna correspondem aos valores dos lançamentos contábeis a débito que o Auditor Fiscal solicitou a comprovação. Ou seja, nem todos os valores lançados em referidas contas foram analisados pelo Auditor Fiscal, o qual solicitou apenas a comprovação dos maiores valores. Repitase novamente, de lançamentos a débito e não de despesas apuradas ao final do exercício. Percebese que o Auditor Fiscal passa a considerar os lançamentos contábeis apresentados (nos quais haviam lançamento a débito e a crédito) como se fossem despesas efetivas contabilizadas ao final do exercício, a despeito de não serem. De todo modo, nada impediu a verificação da verdade material pelo Auditor Fiscal, sob pena de ofensa ao art. 112, II, do CTN; g. Cita julgado do CARF; h. Aduz que o lançamento contábil só se torna uma despesa a partir do momento em que o mesmo não é estornado, cancelado ou mesmo reclassificado, ou seja, só é despesa o saldo remanescente na conta com data base de 31/12/2011. Ou seja, na data base de 31/12/2011 apenas R$ 11.133.286,28 era despesa e, por isso, foi deduzido. Assim, o Auditor Fiscal, absurdamente, lavrou Auto de Infração para a exigência de IRRF sobre o total das despesas supostamente não comprovadas, aplicandose a porcentagem da amostragem não comprovada sobre o valor total constantes nas respectivas contas contábeis, declarando que o valor de R$ 33.924.502,45 não estava Fl. 3089DF CARF MF Processo nº 19515.720207/201606 Resolução nº 1402000.695 S1C4T2 Fl. 3.090 7 comprovado, exigindo sobre essa base de cálculo o IRPJ e CSLL Isso, não obstante referido valor ser relativo a despesas e não receitas da IMPUGNANTE! Para facilitar, vejase a planilha abaixo que resume como a Fiscalização chegou, equivocadamente, no respectivo valor; i. Conclui que, da análise do montante total comprovado se verifica que o próprio Fiscal aceitou a comprovação de despesas no total de R$ 8.356.717,96, quando que o valor deduzido de referidas contas contábeis fora de apenas R$ 11.133.286,28. Ou seja, mesmo por amostragem, deixaram de ser comprovadas despesas de apenas R$ 2.776.568,32, e não de R$ 33.924.502,45, como equivocadamente alegado pela Fiscalização. No entanto, o Auditor Fiscal, de maneira extremamente controversa, lavrou Auto de Infração para a exigência de IRRF sobre o total das despesas supostamente não comprovadas de R$ 33.924.502,45, bem como para a exigência de IRPJ e CSLL sobre referido valor, não obstante tratarse ele de despesa e não de receita da IMPUGNANTE. Além disso, a Fiscalização indica o percentual das despesas comprovadas, mas não leva em consideração o montante das despesas deduzidas (conforme DIPJ), mas sim o valor de lançamentos contábeis a débito dentro da Conta Contábil (desconsiderando os lançamentos a crédito). Ora, como visto, deveria ter a fiscalização verificado o percentual da comprovação das despesas deduzidas (R$11.133.286,28) e não o percentual sobre o valor dos lançamentos contábeis realizados, sendo óbvio que se analisado o percentual de comprovação sobre o valor em menção, ao invés da parte deduzida, referido percentual será bem inferior. O raciocínio é óbvio: se o valor total dos lançamentos a débito na conta contábil fosse dedutível, ele teria sido utilizado na ficha 34 da DIPJ. Se não era dedutível (vez que diversos lançamentos eram apenas transitórios e não compuseram o total das despesas em 31/12/2011), não há como se exigira CONTA CONTÁBIL TOTAL COMPROVADAS COMPROVADAS GLOSAS 641000 R$ 424.037,68 70,92% R$ 300.727,52 R$ 123.310,16 691001 R$ 15.519.230,41 0,00% 0 R$ 15.519.230,41 842400 R$ 3.830.777,36 100,00°% R$ 3.830.777,36 R$ 0,00 842401 R$ 1.543.084,55 100,00°% R$ 1.543.084,55 R$ 0,00 844300 R$ 397.225,73 1,51% R$ 5.998,10 R$ 391.227,62 847999 R$ 6.875.416,08 0,00°% 0 R$ 6.875.416,08 849010 R$ 77.644,00 100,00% R$ 77.644 R$ 0,00 849080 R$ 4.050.081,04 40,22% R$ 1.628.942,594 R$ 2.421.138,45 849083 R$ 233.468,72 93,58% R$ 218.480,02 R$ 14.988,69 849085 R$ 1.427.754,07 0,00% 0 R$ 1.427.754,07 849086 R$ 498.335,52 0,00% 0 R$ 498.335,52 849087 R$ 91.821,43 0,00% 0 R$ 91.821,43 849088 R$ 151.233,77 7,55% R$ 11.418,14 R$ 139.815,62 849089 R$ 2.397.004,76 0,00% 0 R$ 2.397.004,76 849255 R$ 176.164,80 82,57% R$ 145.459,27 R$ 30.705,52 849261 R$ 253.293,73 33,66% R$ 85.258,66 R$ 168.035,06 890049 R$ 1.068.481,11 11,05% R$ 118.067,16 R$ 708.830,37 890070 R$ 1.270.424,76 0,00% 0 R$ 1.270.424,76 890072 R$ 2.237.324,53 17,47% R$ 390.860,59 R$ 1.846.463,93 TOTAL R$ 42.522.804,05 TOTAL R$ 33.924.502,45 Fl. 3090DF CARF MF Processo nº 19515.720207/201606 Resolução nº 1402000.695 S1C4T2 Fl. 3.091 8 comprovação da empresa. Dessa maneira, a planilha do Auditor Fiscal em que demonstra o percentual das despesas que foi comprovado é totalmente imprestável, vez que a base de cálculo está errada, a despeito de toda documentação ter sido disponibilizada à Fiscalização, o que macula o lançamento de nulidade. Tal situação é tão evidente que, ao analisar deduções da base de cálculo do IRPJ e da CSLL no montante de R$11.133.286,28 (vez que é apenas essa a parcela analisada) a Fiscalização chega à conclusão de que, desse valor, R$ 33.924.502,45 (parcela não comprovada) seria indedutívell! O CARF, inclusive através da Câmara Superior de Recursos Fiscais, já decidiu que, conforme o art. 142 do CTN, bem como 10 e 59, do Decreto n0 70.235/72, o ônus de provar que despesas contabilizadas pela recorrente não seriam dedutíveis é da Autoridade Administrativa, a qual incumbe definir corretamente a matéria tributável, inclusive à luz do art. 112, do CTN quando há dúvida sobre o fato, sob pena de nulidade; j. Conclui que, seja pelo livre acesso às informações das contas apresentadas ou, ainda, tendo a IMPUGNANTE comprovado, por amostragem, a dedutibilidade da maior parte dos valores deduzidos na apuração do IRPJ e da CSLL, resta configurada a nulidade da autuação fiscal, vez que o Auditor Fiscal não se desincumbiu do seu ônus de demonstrar eventual indedutibilidade, além de ter se utilizado de base de cálculo errada na definição da matéria tributável; IRPJ e CSLL Erro na Capitulação Legal k. Argumenta que uma das formas de preterição do direito de defesa passível de levar à nulidade da autuação fiscal é quando faltar a correspondência entre os fatos que lhe originaram e a norma dita como violada em sua motivação; l. Cita decisão do CARF; m. Alega que, inexistindo a situação fática ou incorrendo amparo legal, ou, ainda, ocorrendo desconformidade na adequação fatonorma, é evidente que o ato será viciado e não preencherá o requisito da validade. Nesse sentido, como já dito, deve o Fisco investigara ocorrência do fato tributário, tendo como finalidade a descoberta da "verdade material". No presente caso, também é nula a exigência do IRPJ e da CSLL vez que ausente a correlação entre os dispositivos supostamente violados pela IMPUGNANTE e a exigência fiscal realizada pelo Auditor Fiscal. Explicase: Conforme consta do "Enquadramento Legal do Auto de Infração", teria a IMPUGNANTE violado os seguintes dispositivos legais: art. 3o da Lei n. 9.249/95, arts. 247, 248, 249, inc. I, 251, 277, 278, 299 e 300 do RIR/99; n. Reclama que nenhum dos dispositivos acima permitem a tributação sobre despesa, como fez o Auditor Fiscal. Como exposto, o mesmo aplicou as alíquotas de 15% do IR, 10% do adicional do IR e de 9% da CSLL sobre o valor das despesas, quando que referidos tributos incidem sobre a renda/lucro! Ressaltese, inclusive, que os citados arts. 277 e 278 do RIR/99, como visto, tratam de lucro e não de despesas. Ademais, nos termos do art. 219 do RIR/99 , a base de cálculo do IR é o lucro, seja no lucro real, presumido ou arbitrado. No entanto, pelos cálculos apresentados pelo Auditor Fiscal, a base de Fl. 3091DF CARF MF Processo nº 19515.720207/201606 Resolução nº 1402000.695 S1C4T2 Fl. 3.092 9 cálculo é o valor das despesas tidas como não comprovadas! Ora, não se está aqui tratando de omissão de receitas, em que poderseia considerar como base de cálculo do tributo o montante omitido. Aqui está se tratando de despesas cuja dedutibilidade está sendo discutida! O presente ato administrativo repitase: o Auto de Infração é lançamento e, portanto, ato administrativo ilegal deve ser retirado do ordenamento jurídico ou desconstituído, seja por controle externo do Judiciário, seja pela própria Administração Pública, face ao Princípio da Autotutela, como se vê na Súmula n. 473 do Supremo Tribunal Federal (reproduzida quase integralmente pelo art. 53 da Lei n. 9.784/93); o. Conclui que, seja pelo erro na definição da matéria tributável, do cálculo dos tributos e agora pelo erro da capitulação legal que não dá amparo ao procedimento adotado de considerar como base de cálculo do IRPJ e da CSLL o montante das despesas teoricamente não comprovadas, clara se mostra a nulidade dos Autos de Infração; DO MÉRITO. Da Ampla Disponibilização dos Documentos e Informações à Fiscalização Elevado Nível de Compliance da Empresa Autuada p. Ainda antes de se adentrar no mérito da presente defesa, é necessário esclarecer o comportamento adotado pela IMPUGNANTE no atendimento à Fiscalização, bem como algumas particularidades a respeito do compliance da empresa autuada, ora IMPUGNANTE. Com efeito, como se verifica dos autos, a IMPUGNANTE apresentou à Fiscalização a comprovação das despesas deduzidas por amostragem, vez que o volume de documentos relativos ao período era extremamente grande. Obviamente, nem todas as justificativas dos lançamentos contábeis foram possíveis apresentar ao Auditor Fiscal em tempo hábil. Tal situação ocorreu basicamente por duas situações: 1a) o volume de documentos era muito grande, tendo a empresa apresentado a amostragem por conta; 2a) a maior parte dos valores constantes nas contas contábeis não correspondia a despesas (não tendo não gerado dedução na apuração do IRPJ e CSLL), pois fora reclassificado antes do término do exercício após lançamentos a crédito. De todo modo, como exposto no tópico da nulidade, o Auditor Fiscal, erroneamente, considerou para fins de autuação lançamentos contábeis a débito como se despesas fossem, valores esses que, portanto, não foram deduzidos; q. Ressalta que, do valor total deduzido na apuração da IMPUGNANTE relativo às contas contábeis em análise (R$ 11.133.286,28), deixaram de ser comprovadas despesas de apenas R$ 2.776.568,32. Relativamente a essas despesas supostamente não comprovadas o Auditor Fiscal não fez qualquer análise no sentido de verificar sua dedutibilidade, não cumprindo com seu dever legal. E sobre esse aspecto, o Auditor Fiscal também poderia ter solicitado as informações e esclarecimentos, haja vista tratarse de empresa amplamente regulada. Com efeito, a General Electric Company (GE) é uma empresa multinacional americana de serviços e de tecnologia. Tratandose de uma das maiores empresas mundiais do segmento, detém elevado rigor de compliance. Assim, todo e qualquer pedido de dispêndio, não importando a natureza, necessita ser solicitado através de um processo para o devido preenchimento do sistema Oracle, processo este que passa por um cadastro tal Fl. 3092DF CARF MF Processo nº 19515.720207/201606 Resolução nº 1402000.695 S1C4T2 Fl. 3.093 10 qual exige a identificação pormenorizada da natureza do pagamento, valores, entre outros, conforme consta das diretrizes do Departamento de Contas a Pagar "GE BuytoPay Policy". Resumidamente, as etapas para a solicitação de valores para pagamentos, de quaisquer natureza, se dá conforme o esquema abaixo (juntado anexo), que demonstra o fluxograma de pagamentos da IMPUGNANTE: r. Apresenta fluxograma; s. Argumenta que pequenas falhas podem existir, mas são extremamente minoradas através da política séria e rígida da IMPUGNANTE para a fiscalização e identificação da razão, origem, justificativa e necessidade de todo e qualquer pagamento, o que, já de antemão, rechaça a impossibilidade de haver a suposta não identificação de valores tão vultosos como tentou fazer crer a autoridade fiscal ao lavrar os Autos de Infração. Obviamente que tais alegações não ficarão no plano da argumentação, o que ora se faz apenas a título de demonstrar que a Autoridade Fiscal foi negligente quando da lavratura dos Autos de Infração o que corrobora a nulidade do lançamento. Outrossim, ad argumentandum, na absurda hipótese das nulidades não serem acatadas, pelos mesmos motivos, no mérito a pretensão fiscal não deve prevalecer; Lançamentos Fiscais versus Lançamentos Contábeis t. Como exposto, a Fiscalização busca através dos Autos de Infração a exigência de valores a título de IRRF, IRPJ e CSLL em decorrência de despesas supostamente não comprovadas. Contudo, como visto no tópico da nulidade, há uma nítida confusão entre os valores registrados nas contas contábeis (conforme Livro Razão e Sped contábil) e os valores efetivamente deduzidos na Declaração de Imposto de Renda da IMPUGNANTE. Há que se ressaltar, novamente, o equívoco da IMPUGNANTE, quando da apresentação das justificativas da conta contábil 691001, apresentou os valores da conta contábil 891001, valores esses que não foram objeto de dedução, vez que referida conta contábil possui natureza meramente transitória. Inclusive, referidos valores são compostos por valores das contas contábeis que estavam em análise pela fiscalização. Todavia, tal fato, como dito, não impediu o Auditor Fiscal de confirmar as informações! Conforme planilha acima, os valores lançados no Livro Razão e no Sped referentes à referida conta contábil foram de R$ 60.602,18, e não de R$ 15.519.230,41, conforme constou da planilha do Auditor Fiscal; u. Voltando à questão das contas contábeis em análise, a fiscalização analisou exclusivamente as seguintes contas: 641000, 691001, 842400, 842401, 844300, 847999, 849010, 849080, 849083, 849085, 849086, 849087, 849088, 849089, 849255, 849261, 890049, 890070 e 890072. Relativamente às referidas contas contábeis, foram deduzidos efetivamente do IRPJ e da CSLL montante de R$11.133.286,28. Por sua vez, a Fiscalização, por amostragem, verificou a comprovação do valor total de R$ 8.356.717,96, ou seja, uma diferença de apenas R$ 2.776.568,32, e não de R$ 33.924.502,45, como absurdamente alegado na Fiscalização. Dessa maneira, mesmo que se considerasse eventualmente alguma despesa como não comprovada, seria de Fl. 3093DF CARF MF Processo nº 19515.720207/201606 Resolução nº 1402000.695 S1C4T2 Fl. 3.094 11 apenas R$ 2.776.568,32, e não R$ 33.924.502,45, como sustentado pela fiscalização. Vale dizer, a grande maioria das despesas efetivamente deduzidas foi comprovada ainda durante a Fiscalização, o que leva à necessidade de cancelamento integral do Auto de Infração; Da Comprovação Integral das Despesas Deduzidas v. Doutos julgadores, não obstante ter a IMPUGNANTE comprovado, por amostragem, a maior parte das despesas deduzidas, através do presente processo administrativo pretende comprovar com os documentos anexos, bem como, posteriormente, por outros complementares que se fizerem necessário, sua totalidade, haja vista o princípio da "verdade material". Há que se ressaltar que as despesas cuja dedutibilidade se discute são no importe de R$ 11.133.286,28, e não de R$ 42.522.804,05. Isso porque foi aquele o valor deduzido na DIPJ, sendo esse último valor o total da conta contábil, cuja parte significativa, por impossibilidade legal, não foi deduzida. Dessa maneira, levandose em consideração a planilha apresentada pelo Auditor Fiscal na qual demonstra os valores comprovados e os não comprovados, constatase a comprovação do total de R$ 8.356.717,96; w. Conforme o entendimento do fiscal constante do "Termo de Verificação Fiscal", do total deduzido (R$ 11.133.286,28), apenas R$ 2.776.568,32 restaria sem comprovação. De toda maneira, apresenta a IMPUGNANTE com a presente Impugnação a comprovação da totalidade das despesas, sendo que, do total de R$ 11.133.286,28, parte é comprovada por Notas Fiscais e parte por comprovantes de rateio de despesas entre empresas do Grupo GE. Vejamos a relação dos valores comprovados com Notas Fiscais; Contas dentro da Ficha 5_34 Deduções dentro da linha 34 da Ficha 5 Despesa DIPJ NF_ND Comprovação das Deduções dentro da linha 34 da Ficha 5 Despesa DIPJ 641000 404.359,40 210.124,66 691001 60.602,18 842400 1.484.852,51 2.685.890,09 842401 416.918,31 1.314.624,83 641000 R$4 24 .037,681 R$300.727,52 69 1001 R$15.5 19.230,41l 0 842400 R$3 .8 30.777, 3 61 R$3.830.777,36 842401 R$1.543.084,55[ R$1.543.084,55 844300 R$397.22 5,731 R$5.998,10 847999 R $6.875.4 1 6,081 0 849010 R$77.644,00l R$77.644l 849080 R$4.050.081,04[ R$1.628.942,59 849083 R$2 3 3.4 68,721 R$218.480,02 849085 R$1.427.754,07l 0 849086 R$498.335,52l 0 849087 R$91 .82 1 ,4 3l 0 849088 R$1 5 1 .2 3 3,771 R$11.418,14 849089 R$2 13972504,761 0 849255 R$ 1 76. 1 64,801 R$145.459,27 849261 R$253.293,73l R$85.258,66 890049 R$1.068.481,11C R$118.067,16 890070 R$1 .270.424,761 0 890072 R$2.2371324, 5 31 R$390.860,59 Tota l R$8.356.717,96 Fl. 3094DF CARF MF Processo nº 19515.720207/201606 Resolução nº 1402000.695 S1C4T2 Fl. 3.095 12 844300 418.576,29 5.965,52 847999 540.388,24 303.928,91 849010 179.270,72 77.644,00 849080 607.954,70 1.935.777,29 849083 289.013,61 228.468,72 849085 1.362.913,29 849086 687.198,06 12.143,38 849087 287.612,00 849088 448.984,88 13.969,02 849089 936.198,33 849255 185.126,19 152.485,30 849261 217.542,42 85.253,00 890049 357.996,33 118.281,85 890070 783.477,21 890072 1.464.301,61 483.249,11 % em NF TOTAL 11.133.286,28 7.627.805,68 68,51% x. Desta forma, é certo que do total deduzido de R$ 11.133.286,28, R$ 7.627.805,68 estão comprovados por meio das Notas Fiscais, sendo que o montante de R$ 3.505.480,60 está comprovado pelos comprovantes de rateio de despesas. Logo, com a comprovação/identificação da destinação de tais valores, a exigência integral deve ser cancelada. A jurisprudência do CARF é forte nesse aspecto. Dessa forma, comprovandose a integralidade das despesas, devem ser cancelados integralmente os Autos de Infração; Da Dedutibilidade das Despesas y. Vejamos a identificação das contas contábeis que originaram a autuação e a devida descrição das operações às quais as mesmas se referem: CONTA CONTÁBIL DESCRIÇÃO 641000 São contabilizados itens abaixo de U$ 2.500,00 relacionados à produção da GE, tais como, martelos, alicate, soquete, chave de catraca, fita elétrica de alta tensão e que não podem ser alocados como Ativo em razão da sua natureza. 691001 Em 2011 o GBS ‐ GE do Brasil Serviços era uma Empresa do Grupo GE responsável pelas áreas administrativas. A GBS englobava áreas administrativas como Contas a Pagar, Fiscal, Folha de Pagamento, Contas a Receber entre outras e que tem suas despesas rateadas pelas empresas do grupo GE. Portanto, os lançamentos se referem a estes serviços prestados a favor da GE Energy. 842400 Despesas referentes a atividades administrativas da GE, incluindo aluguel de salas para reuniões e treinamentos, serviços de pesquisa com clientes, serviços de consultoria de engenharia e produção, entre outras. 842401 Conta contábil com lançamentos de despesas decorrentes de frete, armazenamento e transportes aeroportuários etc. 844300 A GE não possui frota própria de veículos, porém, loca os carros diretamente com empresa terceira (Best Fleet) e lança as despesas nesta conta. Constam também despesas de monitoramento de veículos (Condor Vigilância), manutenção dos carros e relacionados. 847999 Conta com lançamentos de despesas com itens não classificáveis em outras descrições. Fl. 3095DF CARF MF Processo nº 19515.720207/201606 Resolução nº 1402000.695 S1C4T2 Fl. 3.096 13 849010 A GE proporciona ou financia treinamentos técnicos ou especializados para seus funcionários em razão de suas complexidades de operação. Portanto, são debitadas as despesas destes eventos, cursos, treinamentos, feiras, exposições. 849080 Conta Contábil para lançamento das despesas relacionadas a deslocamento e viagens de funcionários da GE Energy. A GE contrata uma empresa (Carlson Wagonlit) especializada em reserva de passagens, agenciamento e viagens para assessorar no deslocamento de funcionários. Nesta conta são lançados os valores de pagamento deste serviço e afins. 849083 Nesta conta contábil são lançadas despesas relacionadas a eventos ou reuniões profissionais da empresa para funcionários e clientes e envolvem aluguel de espaço, coffee breaks, etc. 849085 Conta Contábil para lançamento das despesas relacionadas a deslocamento e viagens de funcionários da GE Energy. Em resumo, trata‐se do reembolso de passagem que o empregado tenha adquirido para fins profissionais. A forma de reembolso de despesas desta natureza ocorre através de sistema próprio, chamado Concur/T&L, no qual o usuário é obrigado a anexar o ticket/passagem na requisição para receber a restituição. 849086 Conta Contábil para lançamento das despesas relacionadas a hospedagem de funcionários da GE Energy. Em resumo, trata‐se do reembolso de despesas que o empregado tenha gasto em hospedagem no decorrer de viagens pela GE. A forma de reembolso de despesas desta natureza ocorre através de sistema próprio, chamado Concur/T&L, no qual o usuário é obrigado a anexar o comprovante na requisição para receber a restituição. 849087 Despesas relacionadas a refeições de funcionários da GE Energy. Em resumo, trata‐ se do reembolso de despesas alimentares que empregado tenha feito. A forma de reembolso de despesas desta natureza ocorre através de sistema próprio, chamado Concur/T&L, no qual o usuário é obrigado a anexar o comprovante na requisição para receber a restituição. 849088 Despesas relacionadas a deslocamento e viagens de funcionários da GE Energy com veículos particulares, translados, taxis etc. A forma de reembolso de despesas desta natureza ocorre através de sistema próprio, chamado Concur/T&L, no qual o usuário é obrigado a anexar o comprovante na requisição para receber a restituição. 849089 Conta onde são feitos lançamentos de despesas de viagem dos funcionários, porém, no momento de preencher o sistema interno de reembolso, passaram conta distinta da correta. Algumas parametrizações são feitas nesta conta. 849255 Contabilização das despesas relacionadas ao aluguel de espaços para eventos, como salões de hoteis e também empresas especializadas na organização de eventos profissionais ou promocionais. 849261 Despesas oriundas dos serviços de auditoria independente feita pela KPMG no decorrer do ano, envolvendo a parte contábil, fiscal e outros projetos afins. 890049 Despesas relacionadas a implementação e consultoria de sistemas Oracle para as filiais da GE Energy. O sistema Oracle requer atualizações constantes e acompanhamento contínuo por parte das empresas especializadas, sendo que o pagamento destes serviços são debitados nesta conta. (Existem lançamentos de despesas para projetos específicos relacionados ao tipo de atividade da filial ‐ Projeto Wave II). 890070 Valores incorridos com funcionários expatriados e suas respectivas despesas. 890072 Nesta conta são debitadas as despesas relacionadas as atividades do time de Recursos Humanos, tais como pagamento de empresas de contratação de funcionários, programas de liderança internas, eventos de RH, etc. z. Ressaltese que, tendo a IMPUGNANTE comprovado 100% das quantias relacionadas às contas contábeis 842400, 842401 e 849010, não houve a exigência de valores relacionados às mesmas. Com relação às demais Fl. 3096DF CARF MF Processo nº 19515.720207/201606 Resolução nº 1402000.695 S1C4T2 Fl. 3.097 14 contas contábeis há que se ressaltar, que o Auditor Fiscal autuante em nenhum momento discutiu a dedutibilidade ou não das despesas a elas relativas. A alegação do mesmo foi apenas de que não restou comprovada a realização efetiva das despesas. De toda forma, cumpre à IMPUGNANTE esclarecer que todas as despesas acima citadas, sem qualquer exceção, são despesas dedutíveis na apuração do IRPJ e da CSLL, vez que se tratam de despesas nitidamente operacionais da empresa. Inclusive, todos os pagamentos realizados possuem causa (vide a descrição de cada conta contábil constante da tabela acima), bem como os beneficiários são identificados através de todos os documentos que ora são carreados aos autos. Assim, não tendo sido demonstrada a indedutibilidade de quaisquer das despesas o que sequer constou do lançamento, há que ser cancelada a autuação fiscal. De todo modo, demonstrando sua boa fé e apenas a título de exemplo, demonstra a IMPUGNANTE especificamente a dedutibilidade de algumas das despesas. Quais sejam, as relacionadas às contas contábeis 849080, 849085, 849086, 849087, 849088 e 849089 são todas relacionadas a despesas de viagens. Também em relação à dedutibilidade das despesas referentes à manutenção de veículos, lançadas na conta contábil 844300, já decidiu o CARF. Ainda, demonstrase também a já reconhecida dedutibilidade das despesas relacionadas à conta contábil 849010, que se refere às despesas com cursos e aperfeiçoamento dos funcionários; aa. Cita doutrina e julgados; bb. Dessa forma, comprovase a dedutibilidade de todas as despesas, o que reforça a necessidade de cancelamento integral do Auto de Infração; Errônea Apuração do IRPJ e da CSLL Recomposição do Lucro Tributável cc. Como já adiantado em preliminar de nulidade, quanto aos Autos de Infração relacionados ao IRPJ e à CSLL é necessário dizer que, ainda que realmente não fossem comprovados tais dispêndios, não poderia a Autoridade Fiscal ter se utilizado da mesma base de cálculo que utilizou para a incidência do IRRF para fazer incidir o IRPJ e a CSLL, sob pena de nulidade. Tendo em vista que despesa, como já demonstrado, não é base de cálculo de IRPJ e de CSLL, caso entendesse o Auditor Fiscal pela indedutibilidade das mesmas, deveria, no mínimo, terlhes glosado das apurações dos tributos e exigido o novo valor apurado através da recomposição do lucro tributável; dd. No caso em análise, inclusive, nem ao menos foi realizada a glosa das despesas, mas ocorreu a tributação sobre o valor integral da própria despesa, o que é absurdo! Dessa forma, nos Autos de Infração lavrados para a exigência do IRPJ e da CSLL, caso não reconhecida sua nulidade, no mínimo, devese proceder à recomposição do lucro tributável; Do IRRF Comprovação e Identificação dos Beneficiários ee. Em relação ao IRRF, esclarecese que a autuação se deu com fundamento nos artigos 675 do RIR/99. Ocorre que todas as despesas foram comprovadas, bem como os beneficiários foram identificados, como demonstrado na presente peça de Impugnação e nos documentos carreados nos Fl. 3097DF CARF MF Processo nº 19515.720207/201606 Resolução nº 1402000.695 S1C4T2 Fl. 3.098 15 autos na fase de fiscalização e no presente momento. Ademais, já decidiu o CARF que existem requisitos a serem observados para que um pagamento seja enquadrado como "sem causa", apto à incidência da alíquota de 35% de IRRF. Ora, partindose do entendimento já adotado pelo CARF, é evidente que todos os pagamentos ora em análise possuem causa (vide a descrição de cada conta contábil constante da tabela acima), bem como os beneficiários são identificados, razão pela qual deve também ser cancelado o Auto de Infração lavrado para a exigência do IRRF; DA CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA ff. Diante de todos os equívocos demonstrados, a fim de corroborar todos os argumentos arguido, requerse a conversão do julgamento em diligências para apresentação e ou complementação de documentos e informações, o que se fizerem necessários, bem como para que sejam esclarecidos os seguintes pontos: 1) Considerandose somente as despesas apuradas ao final do exercício e deduzidas na DIPJ da IMPUGNANTE, quais os percentuais, por contas contábeis, das despesas foram comprovados durante a Fiscalização e através da Impugnação? 2) Quais as despesas deduzidas devem ser consideradas não comprovadas após a Impugnação? 3) Quais as despesas foram consideradas indedutíveis? 4) Qual o valor do IRPJ e da CSLL devido no caso de glosa das despesas consideradas não comprovadas/indedutíveis, após a reapuração do lucro tributável? DO PEDIDO gg. Diante de todo o exposto, requer a IMPUGNANTE seja recebida e acolhida a presente Impugnação, com o cancelamento integral das Autuações pelas nulidades demonstradas ou, no mérito, pela comprovação integral das despesas deduzidas, bem como pelas inconsistências dos Autos de Infração. Requer outrossim, considerandose necessário, seja convertido o julgamento em diligências, nos termos expostos, bem como protesta a IMPUGNANTE por provar todo o alegado por meio de informações e documentação complementar. 6. Às fls. 2684/2686 consta despacho proferido por esta DRJ/Curitiba, em 29/08/2016, solicitando diligência à DRF de origem para tomar as seguintes providências e esclarecer os seguintes pontos: i) juntar a documentação faltante (intimações e documentos apresentados pelo contribuinte durante ação fiscal); ii) apurar se os valores deduzidos como despesas na DIPJ a partir das referidas contas contábeis questionadas correspondem ao alegado pela impugnante; iii) pronunciarse quanto à eventual discrepância a maior entre o valor glosado e o valor deduzido; iv) pronunciarse quanto às alegações atinentes à conta contábil 691001; v) analisar a documentação juntada na impugnação e pronunciarse quanto à alegação de que, do total deduzido de R$ 11.133.286,28, R$ 7.627.805,68 estariam comprovados por meio de notas fiscais e R$ 3.505.480,60 estariam comprovados pelos comprovantes de rateio de despesas; vi) quaisquer outros esclarecimentos que se fizer necessário. Fl. 3098DF CARF MF Processo nº 19515.720207/201606 Resolução nº 1402000.695 S1C4T2 Fl. 3.099 16 7. A Defis/São Paulo cumpriu o solicitado, conforme Relatório de Diligência de fls. 2893/2895. O contribuinte foi cientificado da diligência e apresentou as contra razões de fls. 2905/2917, abaixo resumido: Juntar documentação faltante (intimações e documentos apresentados pelo contribuinte durante a ação fiscal) hh. Segundo alegado pela Fiscalização, teriam sido juntados às fls. 2694 a 2769 as intimações dadas ao contribuinte durante a ação fiscal, às fls. 2770 a 2887 as respostas do contribuinte às referidas intimações e às fls. 2888 à 2890 as planilhas eletrônicas apresentadas pelo contribuinte. ii. Sobre as intimações de fls. 2694 a 2769, há que se ressaltar que não foram as únicas emitidas, tendo o Auditor Fiscal solicitado documentação até mesmo por email e telefone, conforme se comprova dos emails anexos. Vejamos a transcrição de alguns trechos: “Rafael, Em meu Termo de Constatação fiscal 0001 de 30/09/2015, no penúltimo paragrafo solicitei um demonstrativo das provisões constituídas classificadas em outras despesas, bem como quais foram dedutíveis e quais não o foram. Em sua resposta de 08/10 você nada menciona a respeito, tem o demonstrativo? pode me mandar ? Att Edivaldo Rangel (15/10/2015)”; jj. Ressaltese que o Auditor Fiscal, em suas alegações, solicitava, inclusive, que a documentação fosse entregue em sua residência, sendo em algumas das vezes recepcionados por sua empregada doméstica sem qualquer comprovante de recebimento. Em email enviado em 08/10/2015, inclusive, a IMPUGNANTE solicitou confirmação desse procedimento via e mail: “Olá Edivaldo, Boa noite! Estou encaminhando meu contato para que possamos confirmar a entrega das informações em sua residência. Neste instante estou finalizando o conjunto de documentos e apresentarei um resultado substancial para sua análise. Irei pedir para entregarem ainda hoje no seu edifício ou, se preferir, em mãos pela manhã. (...) Rafael Freitas de Oliveira Manager GE Corporate Tax – Brazil”. kk. Não obstante a não concordância com referido procedimento, a IMPUGNANTE se viu obrigado a seguilo, evitandose, assim, eventual penalização. ll. Há que se ressaltar, inclusive, que não se localiza do Processo Administrativo vários dos documentos que acompanharam as respostas à Fiscalização. mm. Vejam, por exemplo, que na manifestação datada de 08/10/2015 há a menção expressa de CD com documentação apresentado. Contudo, referidos documentos não encontramse anexados ao Processo Administrativo, o que é absurdo. nn. Ainda, às fls. 2770/2887 o Auditor anexa, extemporaneamente, as respostas às intimações apresentadas pela IMPUGNANTE. Fl. 3099DF CARF MF Processo nº 19515.720207/201606 Resolução nº 1402000.695 S1C4T2 Fl. 3.100 17 oo. Contudo, vários dos documentos apresentados, inclusive digitais validados através de SVA, não encontramse acostados aos autos. Como exemplo citase o arquivo que possui o Código de Identificação Geral n. fbdde6a6791dd40122d44c3bcd86ac65, cujo relatório foi gerado em 10/12/2014 e que consta às fls. 8/11 do documento 19515720207201606_02770_02887_RESPOSTAAINTIMACAO.PDF. pp. O mesmo ocorre com os documentos apresentados em mídia cujo comprovante de validação (SVA) consta das fls. 18 do mesmo documento 1951572020720160&J)2770JK887JiESPOSTAA1l\mMACAO.PDF. qq. Questionase também onde encontramse os documentos apresentados em CD mencionados na petição datada de 14/05/2014, constada das fls. 22/25 do mesmo documento. rr. Ainda, questionase onde está nos autos o documento referente ao Recibo de Entrega de Arquivos Digitais constante às fls. 33 do mesmo documento? ss. Com relação aos documentos entregues juntamente com a petição de fls. 38/42 do mesmo documento fazse o mesmo questionamento. tt. Dessa forma, a alegação de que a empresa apresentou "pouquíssimos comprovantes" referentes às despesas deduzidas não é verídica, tendo a IMPUGNANTE apresentado farta documentação, a qual, contudo, não foi devidamente analisada pelo Auditor Fiscal autuante. Apurar se os valores deduzidos como despesas na D1PJ a partir das referidas contas contábeis questionadas correspondem ao alegado pela impugnante uu. Sobre esse ponto, alegou o Auditor Fiscal que: “Em 05/01/2015 a empresa apresentou planilha relacionando as contas que compuseram a linha 34 da ficha 05^5/c; de sua DIPJ totalizando R$ 47.618.108,25, e estes foram os valores deduzidos pela empresa em sua DIPJ e não o valor de R$ 11.133.286,28 como alega a empresa." vv. Desse comentário concluise que o Auditor Fiscal, no mínimo, não leu atentamente a IMPUGNAÇÃO apresentada, vez que não se alegou em nenhum momento que o valor deduzido fora de R$ 11.133.286,28. Vejamos os exatos termos do alegado na petição nos itens 14 e 15: “Em razão disso, a IMPUGNANTE apresentou planilha de Excel listando cada conta contábil, bem como explicando a que elas se referiam. Ademais, demonstrou os valores referentes a cada uma delas, totalizando os R$ 47.618.108,25 questionados. Em 17 de março de 2015, o Auditor Fiscai selecionou algumas das contas contábeis, cujo saldo representava um total de R$ 11.133.286,28, requerendo a comprovação da origem especificamente dessas despesas.” ww. Ou seja, o que foi demonstrado é que dos R$ 47.618.108,25 deduzidos, estavam em análise apenas R$ 11.133.288,28. Para melhor explicar a situação, reproduzimos o que foi informado nos itens 18 e 20 da IMPUGNAÇÃO: “Tendo em vista o volume total das despesas, foi protocolado Fl. 3100DF CARF MF Processo nº 19515.720207/201606 Resolução nº 1402000.695 S1C4T2 Fl. 3.101 18 em 08/04/15 pedido de prorrogação de prazo. Posteriormente, em 14/05/2015, a IMPUGNANTE apresentou resposta à fiscalização destacando que os lançamentos a débito das 19 contas contábeis totalizavam R$ 42.522.804,05, e que a comprovação estava sendo apresentada por amostragem. (...) Ressaltese, aqui, que nem todos os valores (R$ 42.522.804,05) referemse a despesas que foram deduzidas na apuração do IRPJ e da CSLL, tendo sido deduzido apenas o valor de R$ 11.133.286,28. O restante dos valores referese a lançamentos contábeis que sequer deram ensejo à dedução da apuração dos tributos, vez que tratavamse de lançamentos transitórios das contas contábeis que foram realocados antes do término do exercício fiscal.” xx. Ocorre que, conforme demonstrado no item 24 da IMPUGNAÇÃO, o Auditor Fiscal requereu a comprovação das despesas totais das contas contábeis apresentadas (no valor de R$ 42.522.804,05), não observando que dentre tais valores encontravamse valores transitórios e que, por isso, não foram deduzidos pela empresa, vez que não mais compunham a formação do saldo da conta contábil ao final do exercício. Vejam: ”De toda forma, ainda assim a IMPUGNANTE foi intimada a comprovar o total de R$ 42.522.804,05 constantes das contas contábeis, o que obviamente dificultou a localização dos documentos. Aqui reforçase: foi exigida a comprovação inclusive de lançamentos que não se constituíram como despesas ao final do exercício, o que é absurdo.” yy. 21. Uma ilustração da real situação é apresentada no quando abaixo: Despesas Dedutíveis Despesas Transitórias A C Contas Contábeis não analisadas A + B = 47.618.108,25 Contas Contábeis 641000, R$ 36.484.821,97 R$XXX,XX 691001, 842400, 842401, 844300, 847999, 849010, R$ 11.133.286,28 R$ 31.389.517,77 8490S0,849083, 849085, 849086,849087, 849088, B D 849089,849255, 849261, 89004»,890070 e 890072 B + D ‐ R$ 42.522.804,05 Fl. 3101DF CARF MF Processo nº 19515.720207/201606 Resolução nº 1402000.695 S1C4T2 Fl. 3.102 19 zz. Ora, não há que se falar em comprovação dos valores constantes nos quadros C e D, vez que essas despesas não foram objeto de dedução ao final do ano calendário, por trataremse de lançamentos meramente transitórios. aaa. Vejam que a Impugnante comprovou quase a totalidade dos valores questionados (R$ 11.133.286,28), sendo que os valores tidos como não comprovados são constantes do quadro D, os quais realmente não terão comprovação por serem transitórios, ou seja, não constavam da conta contábil ao final do exercício. bbb. Notese que não se está falando em falta de comprovação dos valores constantes do quadro A, vez que os mesmos não foram objeto da análise na fiscalização. Como informado, a Fiscalização solicitou a comprovação dos valores constantes do quadro B. ccc. Ao que parece, o Auditor Fiscal confunde os valores em discussão relativamente à soma dos quadros A e B, que totaliza R$ 47.618.108,25 com aqueles relativamente à soma dos quadros B e D, que totaliza R$ 42.522.804,05. ddd. Isso se confirma de simples análise do quadro apresentado pelo mesmo no Relatório Fiscal de Diligência em que o valor total das contas analisadas é de RS 42.522.804,05 (B + D) e não de R$ 47.618.108,25 (A + B). eee. Ora, se o valor deduzido fora esse último, de onde surgiu o valor de R$ 42.522.804,05? A resposta é: de uma confusão do Auditor Fiscal que incluiu na análise das deduções referentes ao quadro B valores meramente transitórios, representados pelo quadro D. fff. O que a IMPUGNANTE reafirma é que não devem ser analisados os R$ 42.522.804,05, vez que neles constam os valores referentes ao quadro D, que não foram objeto de dedução. ggg. Por outro lado, os valores referentes ao quadro A não foram objeto da análise pela fiscalização, razão pela qual não foi apresentada documentação comprobatória, pelo simples fato que ela não foi solicitada. hhh. Dessa maneira, totalmente equivocado o argumento do Auditor Fiscal, motivo pelo reiterase os fundamentos iniciais, requerendose o cancelamento integral da autuação. Pronunciarse quanto às alegações atinentes à conta contábil 691001 iii. Conforme demonstrado na IMPUGNAÇÃO, quando da resposta à intimação fiscal, incluiu a IMPUGNANTE em sua resposta, a justificativa dos lançamentos da conta contábil 891001, no valor total de R$ 15.519.230,41, como se fosse da conta 691001, a qual detém como lançamento para o período fiscalizado apenas o valor de R$ 60.602,18. Fl. 3102DF CARF MF Processo nº 19515.720207/201606 Resolução nº 1402000.695 S1C4T2 Fl. 3.103 20 jjj. Para ratificar afirmação, demonstrou que a conta contábil 891001 não gerou despesa dedutível dentro da linha 34 da ficha 5A da DiPJ citada, tanto que referida conta não faz parte da composição apresentada ao Fisco e que totaliza o valor de R$ 47.618.108,25. Consequentemente, tal conta não era objeto da fiscalização. kkk. Contudo, sendo questionado por essa Delegacia de Julgamento, o Auditor Fiscal se restringiu a alegar que: “Em relação a esta conta embora o vaior tenha sido informado pela própria empresa e de fato na contabilidade da empresa o valor se refere a conta 891001, e se refere a rateio de despesas de outras empresas do grupo, também não foram comprovadas e entendemos que deva continuar sendo glosadas.” lll. Ao que parece novamente, o Auditor Fiscal não compreendeu o que fora argumentado. Ora, se como demonstrado os valores não foram objeto de dedução, bem como a referida conta (891001) não foi objeto de análise, estando dentro do quadro C acima, não há comprovação a ser feita. mmm. Ilustres julgadores, o Auditor Fiscal está alegando que valores não analisados e que não geraram dedução devem ser comprovados, o que chega às raias da máfé. Vejam que referidos valores não fazem parte de nenhum dos quadros acima (A, B, C ou D); nnn. Dessa maneira, não há como se acolher os argumentos apresentados, razão pela qual reiterase os argumentos e pedidos iniciais também quanto a esse ponto. Analisar a documentação juntada na impugnação e pronunciarse quanto à alegação de que, do total deduzido de R$ 11.133.286,28, R$ 7.627.805,68 estariam comprovados por meio de notas fiscais e R$ 3.505.480,60 estariam comprovados pelos comprovantes de rateio de despesas ooo. Por fim, há que se ressaltar que o Auditor Fiscal simplesmente desconsiderou toda a documentação comprobatória acostada aos autos, alegando simplesmente que: “Conforme já explanado no item ii, o valor deduzido em DIPJ foi de R$ 47.618.108,25, e não de R$ 11.133.286,28 como alega a empresa, e os valores comprovados através de NF achamse na Planilha constante em nosso Relatório Fiscal. Em relação aos rateios de despesa a empresa não apresentou nenhum comprovante da efetiva realização destas despesas nas empresas do grupo em que alega que as mesmas foram realizadas, apresentando apenas lançamentos contábeis de rateio das empresas sem nenhum documento de suporte razão pela qual as mesmas foram consideradas como não comprovadas.” ppp. Vejam que o Auditor Fiscal não menciona quaisquer dos documentos carreados na IMPUGNAÇÃO bem como na petição acostada aos autos em 17/08/2016, limitandose a alegar que não foram apresentados documentos comprobatórios. qqq. Ora, ilustres julgadores, foram apresentados documentos de comprovação relativos a todas as contas contábeis, individualmente, documentos Fl. 3103DF CARF MF Processo nº 19515.720207/201606 Resolução nº 1402000.695 S1C4T2 Fl. 3.104 21 esses que o Auditor Fiscal sequer faz qualquer menção em sua manifestação, demonstrando total descaso pela Diligência solicitada por essa Delegacia de Julgamento. rrr. 40. Contudo, de uma simples análise dos referidos "Documentos Comprobatórios" é possível verificar que há sim nos autos elementos probatórios apresentados pela IMPUGNANTE já na fase de Defesa (além daqueles apresentados durante a Fiscalização) aptos a respaldar o cancelamento integral da cobrança. sss. 41. Dessa maneira, não podem ser levadas em consideração as argumentações superficiais e equivocadas do Auditor Fiscal. Repitase que, nas conclusões de seu Relatório Fiscal de Diligência, o Auditor Fiscal inclui planilha com relação aos percentuais de comprovação de cada conta contábil em que utiliza como valor total (100% das contas) o valor de RS 42.522.804.05 (B + D) e não de RS 47.618.108.25 (A + B), valor esse que foi o deduzido pela empresa. ttt. Não bastasse os equívocos acima apontados, na planilha que integra o Relatório Fiscal de Diligência, assim se manifestou o Auditor Fiscal: “"Em relação as contas que não foram objeto de amostragem, aplicamos sobre as mesmas a média de comprovação das amostras, retificando assim as despesas não comprovadas conforme planilha abaixo:" uuu. O procedimento adotado não encontra amparo estatístico que o sustente. Primeiro, porque as contas que não foram objeto da amostra não integram a população da qual ela foi extraída e, portanto, não a representam estatisticamente, por assim dizer. Segundo, porque a amostra não foi determinada segundo critérios estatísticos tecnicamente válidos. Portanto, o resultado da amostra não pode ser extrapolado para toda a população, i.e., o saldo de todas as contas sem amostra. vvv. Notese, com isso, que a manifestação fiscal é absolutamente imprestável, motivo pelo qual reiterase o pedido inicial de cancelamento integral da exigência. 8. É o relatório." Passase a complementar o relatório acima transcrito. A impugnação da Recorrente foi julgada procedente em parte, conforme a seguinte ementa do Acórdão da DRJ: "ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2011 NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. FALTA OU ERRO NO ENQUADRAMENTO LEGAL. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO. Não cabe alegar nulidade por cerceamento do direito de defesa, sob alegação de falta ou erro no enquadramento legal, já que o contribuinte não se defende do Fl. 3104DF CARF MF Processo nº 19515.720207/201606 Resolução nº 1402000.695 S1C4T2 Fl. 3.105 22 enquadramento legal mas sim dos fatos a ele imputados, desde que estes estejam descritos no TVF com clareza suficiente para a compreensão da acusação. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. DEDUÇÃO DE DESPESAS. ÔNUS DA PROVA. Indeferese pedido de produção de prova pericial, para o fim de comprovar despesas, cujo ônus da prova compete ao contribuinte, sobretudo quando os quesitos formulados foram satisfatoriamente respondidos no acórdão. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2011 GLOSA DE DESPESAS. INTIMAÇÃO SOBRE TODOS OS LANÇAMENTOS A DÉBITO. SALDO DA CONTA DE DESPESAS AO FINAL DO PERÍODO. LIMITE DA GLOSA. Se a fiscalização intima o contribuinte a comprovar despesas sobre todos os lançamentos contábeis a débito cujo total supera o saldo da conta ao final do período, não cabe a glosa sobre esse excesso, já que o limite é o total efetivamente deduzido na apuração do resultado. GLOSA DE DESPESAS. COMPROVAÇÃO. DÚVIDA QUANTO À EFETIVA DEDUÇÃO. ÔNUS DA PROVA. Da mesma forma que não cabe a glosa sobre valores que não compuseram o saldo da conta de despesa ao final do período, não se aceitam documentos diante de dúvida se o gasto correspondente efetivamente foi deduzido na apuração do resultado, levando em conta que, em matéria de despesas, o ônus da prova compete ao contribuinte. GLOSA DE DESPESAS. NECESSIDADE, USUALIDADE, NORMALIDADE. AUSÊNCIA DE PROVA DA EXISTÊNCIA DA DESPESA. A comprovação da despesa, mediante apresentação de documentação hábil, é prérequisito de sua dedutibilidade, cuja falta torna inútil qualquer alegação de necessidade, usualidade ou normalidade do dispêndio. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2011 CSLL. DECORRÊNCIA. LANÇAMENTO REFLEXO. Versando sobre as mesmas ocorrências fáticas, aplicase ao lançamento reflexo alusivo à CSLL o que restar decidido no lançamento do IRPJ. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2011 IRRF. PAGAMENTOS A BENEFICIÁRIOS NÃO IDENTIFICADOS. DESPESAS NÃO COMPROVADAS. Sujeitase à incidência do imposto de renda, exclusivamente na fonte, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, que inclui as despesas efetuadas sem a apresentação de documentação que permita identificar o beneficiário ou a operação ou a sua causa. " Fl. 3105DF CARF MF Processo nº 19515.720207/201606 Resolução nº 1402000.695 S1C4T2 Fl. 3.106 23 A 2ª Turma da DRJ/CTA, por unanimidade de votos, julgou parcialmente procedentes os lançamentos, para: i) reduzir as exigências de IRPJ de R$ 8.481.125,62 para R$ 1.922.205,09; ii) reduzir as exigências de CSLL de R$ 3.053.205,22 para R$ 691.993,83; iii) reduzir as exigências de IRRF de R$ 18.267.039,78 para R$ 4.140.134,02; todos com respectivas multas e juros de mora. Consequentemente, recorreuse de ofício ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), em conformidade com o art. 34, I, do Decreto n.º 70.235/1972. Para esclarecimentos, transcrevese a seguir o detalhamento do voto que trata da redução das exigências de IRPJ, CSLL e IRRF. " Mérito. IRPJ e CSLL. Glosa de despesas. 9. Pelo “Termo de Intimação Fiscal Despesas a Comprovar”, às fls. 2696/2759, recebido pela empresa em 19/03/2015, a empresa foi intimada a comprovar as despesas relacionadas nas planilhas anexas ao referido termo, relativas ao ano calendário 2011. Na “Planilha 1” a autoridade fiscal relacionou uma série de contas que compõem as despesas informadas na linha 34 da ficha 5A da DIPJ/2012 (“Outras Despesas Operacionais”), totalizando R$ 47.873.670,14. Na seqüência, constam cópias de contas de despesas no Razão indicando lançamentos a débito, nos seguintes montantes: CONTA DESCRIÇÃO VALOR 641000 FERRAMENTAS STANDARD 424.037,68 842400 SUPRIMENTOS DIVERSOS E SEGURANÇA 3.830.777,36 842401 SUPRIMENTOS DE OPERAÇÕES 1.543.084,55 844300 MANUTENÇÃO DE VEÍCULOS 397.225,73 847999 DIVERSOS 6.875.416,08 849010 INSTRUÇÃO / APERFEIÇOAMENTO TÉCNICO DE EMPREGADOS DEDUTÍVEL 77.644,00 849080 DESPESAS DE VIAGEM 4.050.081,04 849083 CONVENÇÃO / REUNIÃO DE GERENCIAMENTO 233.468,72 849085 DESPESAS DE VIAGEM PASSAGEM AÉREA 1.427.754,07 849086 DESPESAS DE VIAGEM HOSPEDAGEM 498.335,52 849087 DESPESAS DE VIAGEM REFEIÇÃO 91.821,43 849088 DESPESAS DE VIAGEM TRANSPORTE 151.233,77 849089 DESPESAS DE VIAGEM OUTROS 2.397.004,76 849255 EVENTOS ESPORÁDICOS FCPA 176.164,80 849261 AUDITORIA KPMG 253.293,73 890049 PROJETO ORACLE 1.068.481,11 890070 DESPESAS DE EXPATRIADOSEXPATRIADOS 1.270.424,76 890072 HR ADMINISTRATION 2.237.324,53 891001 SERVIÇOS GBS 15.519.230,41 TOTAL 42.522.804,05 Fl. 3106DF CARF MF Processo nº 19515.720207/201606 Resolução nº 1402000.695 S1C4T2 Fl. 3.107 24 10. Na resposta, às fls. 2791/2794, o contribuinte declara ter justificado os dez maiores lançamentos de cada conta contábil, que totalizam R$ 23.336.581,84. A autoridade fiscal afirma que foram apresentadas apenas razões das contas e não notas fiscais. 11. Houve novo pedido para apresentação da comprovação das despesas, conforme “Termo de Intimação Fiscal n° 02 Desp. a comprovar” de fls. 2763/2765, recebido em 02/07/2015. Em 31/07/2015 a empresa encaminhou a resposta de fls. 2807/2811. Segundo a fiscalização, a nova documentação apresentada continuou inconsistente, o que motivou as glosas de despesas calculadas conforme planilha abaixo reproduzida: Conta Cont. TOTAL AMOSTRA COMPROVADA S GLOSAS 641000 424.037,68 346.247,95 70,92% 123.310,16 691001 15.519.230,41 0,00% 15.519.230,41 842400 3.830.777,36 1.898.257,21 100,00% 0,00 842401 1.543.084,55 771.972,53 100,00% 0,00 844300 397.225,73 397.225,73 1,51% 391.227,62 847999 6.875.416,08 0,00% 6.875.416,08 849010 77.644,00 77.644,00 100,00% 0,00 849080 4.050.081,04 1.084.058,03 40,22% 2.421.138,45 849083 233.468,72 126.301,75 93,58% 14.988,69 849085 1.427.754,07 0,00% 1.427.754,07 849086 498.335,52 0,00% 498.335,52 849087 91.821,43 0,00% 91.821,43 849088 151.233,77 105.749,25 7,55% 139.815,62 849089 2.397.004,76 0,00% 2.397.004,76 849255 176.164,80 172.164,80 82,57% 30.705,52 849261 253.293,73 253.293,37 33,66% 168.035,06 890049 1.068.481,11 556.635,78 11,05% 708.830,37 890070 1.270.424,76 0,00% 1.270.424,76 890072 2.237.324,53 571.946,45 17,47% 1.846.463,93 TOTAL 42.522.804,05 6.361.496,85 33.924.502,45 12. Na peça de defesa a impugnante alega que: i) o Auditor Fiscal selecionou algumas das contas contábeis (641000, 691001, 842400, 842401, 844300, 847999, 849010, 849080, 849083, 849085, 849086, 849087, 849088, 849089, 849255, 849261, 890049, 890070 e 890072), cujo saldo representava um total de R$ 11.133.286,28, e requereu a comprovação da origem especificamente dessas despesas; ii) naquelas contas, houve lançamentos a débito cujos maiores valores foram objeto da intimação pela fiscalização, totalizando R$ 42.522.804,05. Fl. 3107DF CARF MF Processo nº 19515.720207/201606 Resolução nº 1402000.695 S1C4T2 Fl. 3.108 25 Enfatiza que o auditor fiscal considerou os lançamentos contábeis apresentados (nos quais havia lançamentos a débito e a crédito) como se fossem despesas efetivas contabilizadas ao final do exercício, a despeito de não serem. 13. Diante da dúvida sobre se os montantes de despesas glosadas incluíram lançamentos que não compuseram a rubrica “Outras Despesas Operacionais”, deduzidas na linha 34 da ficha 5A da DIPJ/2012, causada sobretudo pela ausência de juntada ao processo de parte da documentação produzida pela fiscalização e parte das respostas do contribuinte, solicitei diligência (fls. 2684/2686) junto à Defis/SP para que: i) fosse esclarecido se os valores deduzidos como despesas na DIPJ a partir das referidas contas contábeis questionadas correspondem ao alegado pela impugnante; ii) pronunciarse quanto à eventual discrepância a maior entre o valor glosado e o valor deduzido. Também foi solicitada a juntada de documentação faltante, e outros questionamentos foram feitos. Cumprindo o solicitado, a autoridade fiscal assim se justificou, às fls. 2893/2895: · A ação fiscal teve inicio em 22/10/2014 com o recebimento pelo contribuinte do Termo de Inicio de Procedimento Fiscal, já neste termo solicitamos: Planilha detalhada acompanhada da documentação que deu suporte, aos valores informados na linha 34 da Ficha 05 A da DIPJ. Em 05/01/2015 a empresa apresentou planilha relacionando as contas que compuseram a linha 34 da ficha 05A de sua DIPJ totalizando R$ 47.618.108,25, e estes foram os valores deduzidos pela empresa em sua DIPJ e não o valor de R$ 11.133.286,28 como alega a empresa. Cumpre destacar que embora tenha apresentado a planilha com a composição das contas a empresa apresentou pouquíssimos comprovantes destas contas, alegando a época seu representante Sr Rodrigo que os arquivos da empresa ficavam na Cidade do México razão pela qual a empresa não estava conseguindo apresentar a documentação solicitada; · Utilizamos o critério de amostragem com base nas planilhas fornecidas pela empresa e no cotejo com os comprovantes apresentados pela empresa e com base nestes critérios efetuamos a glosa nos percentuais das despesas não comprovadas; · Conforme já explanado no item ii, o valor deduzido em DIPJ foi de R$ 47.618.108,25, e não de R$ 11.133.286,28 como alega a empresa, e os valores comprovados através de NF acham se na Planilha constante em nosso Relatório Fiscal. 14. Nas contrarazões da diligência, às fls. 2905/2917, a interessada basicamente repete as mesmas alegações já formuladas na impugnação quanto a esse ponto. 15. O auditor fiscal tem razão, quando afirma que o valor deduzido na DIPJ foi de R$ 47.618.108,25, e não de R$ 11.133.286,28. Entretanto, não há como Fl. 3108DF CARF MF Processo nº 19515.720207/201606 Resolução nº 1402000.695 S1C4T2 Fl. 3.109 26 desconsiderar o argumento da impugnante, que alega que a fiscalização requereu a comprovação das despesas especificamente das dezenove contas mencionadas, cujo saldo ao final de 2011 totalizava R$ 11.133.286,28. Examinemos o já mencionado “Termo de Intimação Fiscal Despesas a Comprovar”, às fls. 2696/2759. Na “Planilha 1” a autoridade fiscal relacionou uma série de contas (total de 106 contas) que compõem as despesas informadas na linha 34 da ficha 5A da DIPJ/2012 (“Outras Despesas Operacionais”), totalizando R$ 47.873.670,14. Na seqüência, constam cópias das citadas dezenove contas de despesas no Razão indicando lançamentos a débito, que totalizam R$ 42.522.804,05. 16. Nesse Termo, a fiscalização intimou o contribuinte a apresentar as documentações referentes às planilhas em anexo. Dessa forma, ainda que conste detalhamento das 19 contas, seria possível aceitar que a fiscalização pediu a comprovação das despesas de todas as 106 contas que compuseram as “Outras Despesas Operacionais” informadas na DIPJ. Por outro lado, a forma como a autoridade fiscal apurou a base de cálculo dos lançamentos deixa claro que a auditoria das despesas circunscreveuse ao rol das 19 contas. De fato, no auto de infração de IRPJ, às fls. 297/301, a base de cálculo para o lançamento foi o valor de R$ 33.924.502,45, valor este que coincide com o total de glosas de despesas demonstrado na tabela acima copiada. Cada glosa (coluna GLOSAS) foi calculdada a partir da aplicação do percentual de comprovação (coluna COMPROVADAS) sobre a amostra (coluna AMOSTRA), e posterior dedução desse montante do total de débitos (coluna TOTAL). E as glosas foram calculadas somente para as 19 contas. 17. Em suma, a fiscalização não levou em conta os dados das demais contas (as complementares das 19 relativamente ao universo de 106) em seus cálculos. Conseqüentemente, eventuais correções a serem feitas no presente voto devem limitarse às 19 contas, tendo em vista que as demais não foram objeto da auditoria, ou seja, não fazem parte do litígio. 18. Efetivamente, correções precisam ser feitas. Com esse procedimento adotado, a autoridade fiscal acabou glosando despesas em valores superiores ao que o contribuinte deduziu em sua apuração do lucro real, o que é incabível. Isso ocorreu devido ao fato de a fiscalização ter ignorado que, na maioria das contas de despesas auditadas, o saldo ao final do período era bem inferior à soma dos lançamentos a débito. Entendo que a correção deve ser feita com base nos mesmos critérios utilizados pela fiscalização, por questão de coerência. Como os cálculos foram feitos mediante aplicação de percentuais de comprovação e de amostragem, o mesmo raciocínio prevalecerá, mas partindo do saldo das contas, e não da soma dos lançamentos a débito. Afinal de contas, foram os saldos finais de cada conta que compuseram a rubrica “Outras Despesas Operacionais”, devendo ser estes saldos o ponto de partida. A partir disso, devem ser glosadas as parcelas tidas como nãocomprovadas. 19. Prosseguindo, a fiscalização obteve o percentual de comprovação de cada uma das contas (coluna COMPROVADAS), que corresponde à fração das despesas comprovadas, relativamente ao volume de amostras apresentadas pelo contribuinte. Mediante raciocínio indutivo, a autoridade fiscal inferiu que o Fl. 3109DF CARF MF Processo nº 19515.720207/201606 Resolução nº 1402000.695 S1C4T2 Fl. 3.110 27 mesmo percentual de comprovação deveria aplicarse à base de cálculo utilizada, no caso, a soma dos lançamentos a débito. Essa mesma indução deve ser aplicada sobre a base correta, ou seja, sobre os saldos de cada conta de despesa considerada. Com isso, temse o seguinte demonstrativo de correção da base de cálculo: TABELA 1 – DEMONSTRATIVO DE CORREÇÃO DE BASE DE CÁLCULO Conta Cont. SALDO DA CONTA AMOSTRA COMPROVADA S GLOSAS 641000 404.359,40 346.247,95 70,92% 117.587,71 691001 60.602,18 0,00% 60.602,18 842400 1.484.852,51 1.898.257,21 100,00% 0,00 842401 416.918,31 771.972,53 100,00% 0,00 844300 418.576,29 397.225,73 1,51% 412.255,79 847999 540.388,24 0,00% 540.388,24 849010 179.270,72 77.644,00 100,00% 0,00 849080 607.954,70 1.084.058,03 40,22% 363.435,32 849083 289.013,61 126.301,75 93,58% 18.554,67 849085 1.362.913,29 0,00% 1.362.913,29 849086 687.198,06 0,00% 687.198,06 849087 287.612,00 0,00% 287.612,00 849088 448.984,88 105.749,25 7,55% 415.086,52 849089 936.198,33 0,00% 936.198,33 849255 185.126,19 172.164,80 82,57% 32.267,49 849261 217.542,42 253.293,37 33,66% 144.317,64 890049 357.996,33 556.635,78 11,05% 318.437,74 890070 783.477,21 0,00% 783.477,21 890072 1.464.301,61 571.946,45 17,47% 1.208.488,12 TOTAL 11.133.286,28 6.361.496,85 7.688.820,32 20. A partir da base de cálculo corrigida, os novos valores das exigências de IRPJ e de CSLL ficam assim demonstrados: Fl. 3110DF CARF MF Processo nº 19515.720207/201606 Resolução nº 1402000.695 S1C4T2 Fl. 3.111 28 TABELA 2 – DEMONSTRATIVO DE REDUÇÃO DE IRPJ E CSLL ITEM LANÇAMENTO ACÓRDÃO IRPJ A 15% Valor Tributável 33.924.502,45 7.688.820,32 () Compensação de Prejuízos 0,00 0,00 (=) Valor Tributável após compensação 33.924.502,45 7.688.820,32 Imposto apurado (15%) 5.088.675,37 1.153.323,05 IRPJ ADICIONAL Lucro real declarado (DIPJ) 77.446.495,05 77.446.495,05 (+) Valor apurado 33.924.502,45 7.688.820,32 () Parcela não sujeita ao adicional 240.000,00 240.000,00 (=) Base de cálculo do adicional 111.130.997,50 84.895.315,37 Adicional total (10%) 11.113.099,75 8.489.531,54 () Adicional declarado (DIPJ) 7.720.649,50 7.720.649,50 (=) Imposto adicional devido 3.392.450,25 768.882,04 IRPJ TOTAL 8.481.125,62 1.922.205,09 CSLL Valor Tributável 33.924.502,45 7.688.820,32 () Base negativa compensada 0,00 0,00 (=) Valor Tributável após compensação 33.924.502,45 7.688.820,32 CSLL apurada (9%) 3.053.205,22 691.993,83 21. Em síntese, as exigências de IRPJ devem ser reduzidas de R$ 8.481.125,62 para R$ 1.922.205,09; e as de CSLL, de R$ 3.053.205,22 para R$ 691.993,83." IRRF Comprovação e Identificação dos Beneficiários. 22. A falta de comprovação das despesas motivou a exigência de imposto de renda retido na fonte, com fulcro nos artigo 674 do RIR/99, que assim estabelece: Pagamento a Beneficiário não Identificado Art. 674. Está sujeito à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais (Lei nº 8.981, de 1995, art. 61). Fl. 3111DF CARF MF Processo nº 19515.720207/201606 Resolução nº 1402000.695 S1C4T2 Fl. 3.112 29 § 1º A incidência prevista neste artigo aplicase, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa (Lei nº 8.981, de 1995, art. 61, § 1º). § 2º Considerase vencido o imposto no dia do pagamento da referida importância (Lei nº 8.981, de 1995, art. 61, § 2º). § 3º O rendimento será considerado líquido, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto sobre o qual recairá o imposto (Lei nº 8.981, de 1995, art. 61, § 3º). 23. A exigência do IRRF é inequívoca, já que o caso enquadrase tanto no caput como no parágrafo primeiro. A fiscalização cuidou de proceder ao reajustamento da base de cálculo, levando em conta que o valor do pagamento é considerado como rendimento líquido, conforme parágrafo terceiro do referido artigo. 24. Contudo, como houve redução da base de cálculo das exigências de IRPJ e de CSLL, que coincidem com as do IRRF, impõese a redução dos lançamentos de imposto de renda retido na fonte, conforme abaixo demonstrado: TABELA 3 – DEMONSTRATIVO DE REDUÇÃO DE IRRF Recurso Voluntário Inconformada com a procedência parcial de seus pedidos, a fiscalizada interpôs Recurso Voluntário (fls. 3005 a 3022) a esta Colenda Turma, requerendo : i) A nulidade pelo cerceamento de defesa e incerteza e iliquidez dos AIs, haja vista que a cobrança foi mantida com base na dúvida em relação aos documentos de prova apresentados pela RECORRENTE os quais foram desconsiderados pela DRJ/CTA; ii) Cancelar integralmente os Als em discussão, confirmandose o direito à dedutibilidade da base de cálculo do IRPJ e da CSLL das despesas glosadas, pela comprovação integral das mesmas, sobretudo pela comprovação do efetivo rateio de despesas entre as empresas do GRUPO GE; e, ainda iii) Cancelar a cobrança do IRRF sobre os mesmos valores de suporte à cobrança do IRPJ e CSLL, uma vez que se referem ao rateio de despesas que não configuram pagamento, mas sim reconhecimento de gasto/custo suportado por outra empresa do GRUPO GE; ou ITEM LANÇAMENTO ACÓRDÃO Rendimento pago 33.924.502,45 7.688.820,32 Rendimento reajustado 52.191.542,23 11.828.954,34 IRRF (35%) 18.267.039,78 4.140.134,02 Fl. 3112DF CARF MF Processo nº 19515.720207/201606 Resolução nº 1402000.695 S1C4T2 Fl. 3.113 30 iv) Subsidiariamente, seja convertido o julgamento em diligência, para que seja afastada a dúvida quanto à documentação de prova apresentada nos autos, relativa às despesas deduzidas da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, especialmente no que se refere ao rateio de despesas, sob pena de ilegalidade. A recorrente apresenta os seguintes fatos e argumentos para sustentar a reforma da decisão a quo: Preliminarmente (a) Nulidade Cerceamento de Defesa e Incerteza e Iliquidez do Auto de Infração 5. Da leitura do v. acórdão depreendese que com base na suposta clareza do Termo de Verificação Fiscal e ausência de prejuízo à defesa, o cerceamento de defesa alegado na Impugnação foi afastado, sob o argumento de que este somente pode ser alegado em face de decisões e despachos (fls. 2981). 6. Ocorre que no presente caso, o cerceamento de defesa se consubstancia na desconsideração das provas documentais apresentadas e na ausência de diligência para confirmar/ratificar os fatos ocorridos que embasaram a acusação fiscal. 7. Esse procedimento de verificação e confirmação da ocorrência do fato gerador de suporte do lançamento de ofício teve início no procedimento de fiscalização e resultou no lançamento de tributo sobre a totalidade dos valores a débito das contas contábeis e não sobre o seu valor final. 8. Destaquese que mesmo diante da correção desse erro pela DRJ/CTA, não foi realizada análise pormenorizada dos fatos e argumentos de direito apresentados na impugnação, tanto é que mantida a desconsideração das provas constantes nos autos. 9. Por exemplo, vejase que a RECORRENTE apresentou aos autos cópias de Notas Fiscais comprobatórias dos lançamentos realizados na conta contábil 691001, as quais seguem novamente carreadas a este recurso (Doe. 03), sendo certo que tais elementos de prova não foram considerados, haja vista que às fls. 2991 consta a indicação de 0% de prova no demonstrativo elaborado pela autoridade fiscal e ratificado pela DRJ/CTA. 10. Ora, se as NFs possuem valores superiores àqueles deduzidos da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, isso não afasta a força da prova do valor deduzido para fins de base de cálculo do IRPJ e da CSLL 11. Entretanto, esse foi o entendimento da DRJ/CTA, o que se constata da leitura das assertivas de fls. 2991 "Mesmo nas contas em que houve acréscimo de provas, em relação ao apresentado durante a ação fiscal, em valor inferior ao saldo final da conta, não é possível a aceitação do acréscimo Fl. 3113DF CARF MF Processo nº 19515.720207/201606 Resolução nº 1402000.695 S1C4T2 Fl. 3.114 31 de dedução, visto que não há segurança de que tais valores efetivamente compuseram o saldo da conta ao final de 2011...)" 12. Nesse contexto, diante da dúvida relativa a composição dos saldos das contas de despesas, caberia a DRJ/CTA buscar e considerar todos os elementos que pudessem influir no seu convencimento, especialmente em observância ao quanto disposto no art. 142 do CTN, ou seja, no dever de verificar a ocorrência do fato gerador e determinar a matéria tributável. 13. Ora se despesa dedutível não é fato gerador de IRPJ e CSLL, não há justificativa para desconsiderar as NFs apresentadas em montante superior àquele indicado na DIPJ como deduzido e tão pouco o contrato de rateio que segue novamente aos autos (Doe. 04). Até mesmo porque, a RECORRENTE não pretende aumentar a dedução, mas sim, comprovar que as deduções têm suporte documental e legal, o que evidencia o cerceamento de defesa ocorrido nos presentes autos, o qual somente não se verificaria se observadas TODAS AS PROVAS . 14. Além disso, o princípio da verdade material que norteia o Processo Administrativo Fiscal, deve se sobrepor a qualquer entendimento subjetivo do julgador, conforme disposto nos arts. 147, § 29, do CTN c/c art. 32 do Decreto 70.235/72 . 15. Até mesmo porque, a desconsideração de tais provas sem oportunizar apresentação de esclarecimentos e/ou justificativas, bem como outros documentos adicionais, impõe à RECORRENTE ônus probatório intransponível e não falta de apresentação de provas como consignado no v. acórdão. 16. Pelo exposto, resta consubstanciado o cerceamento de defesa, sobretudo pela ausência de cotejo entre os documentos apresentados pela RECORRENTE desde o procedimento de fiscalização, bem como pela manutenção da acusação fiscal com base na dúvida sem que fosse oportunizada apresentação de esclarecimentos e documentos adicionais, de modo que, desde já se requer a realização de diligência, nos termos do art. 18 do Decreto 70.235/72, Do Direito (A) Da comprovação das despesas deduzidas. Inexistência de pagamentos sem identificação do beneficiário e/ou causa Rateio de Despesas 17. Como aduzido na impugnação, a RECORRENTE apresentou à Fiscalização a comprovação das despesas deduzidas por amostragem, vez que o volume de documentos relativos ao período era extremamente grande, valendo repisar os argumentos já apresentados e não considerados pela DRJ/CTA, 18. Obviamente, nem todas as justificativas dos lançamentos contábeis foram possíveis de serem apresentadas em tempo hábi^ em razão de duas Fl. 3114DF CARF MF Processo nº 19515.720207/201606 Resolução nº 1402000.695 S1C4T2 Fl. 3.115 32 situações: Ia) o volume de documentos é muito grande, tendo a empresa apresentado a amostragem por conta; 2a) a maior parte dos valores constantes nas contas contábeis não correspondia a despesas (não tendo gerado dedução na apuração do IRPJ e CSLL), pois fora reclassificado antes do término do exercício, após lançamentos a crédito. 19. Com efeito, a General Electric Company (GE) é uma empresa multinacional americana de serviços e de tecnologia e tratandose de uma das maiores empresas mundiais do segmento, detém elevado rigor de compliance. 20. Assim, todo e qualquer pedido de dispêndio, não importando a natureza, necessita ser solicitado através de um processo para o devido preenchimento do sistema Oracle, processo este que passa por um cadastro tal qual exige a identificação pormenorizada da natureza do pagamento, valores, entre outros, conforme consta das diretrizes do Departamento de Contas a Pagar "GE Buy toPay Policy". 21. Resumidamente, as etapas para a solicitação de pagamentos de qualquer natureza se dá conforme o esquema abaixo (juntado com Impugnação), que demonstra o fluxograma de pagamentos, 22. Desse modo, impossível a realização de qualquer pagamento sem haver a suposta identificação de valores e beneficiários, especialmente em valores vultosos. 23. Destaquese que em que pese a DRJ/CTA ter corrigido o lançamento inicial para considerar os saldos finais das contas contábeis de despesa em análise nos presentes autos, acabou por não analisar os documentos de prova e, ainda desconsiderar aqueles que implicaram em dúvida. 24. Frisese, ainda, que a RECORRENTE apresentou com a Impugnação a comprovação da totalidade das despesas, sendo que, do total de R$ 11.133.286,28, parte é comprovada por Notas Fiscais e parte pelos razões contábeis e contrato de rateio de despesas entre empresas do Grupo GE (razões carreados na impugnação e contrato de rateio Doe.Q4 deste recurso). Vejamos, novamente, a relação dos valores 25. Sob esse aspecto, esclareçase que a diferença do valor de R$ 7.627.805,68 para o total de R$ 11.133.286,28 se refere às despesas rateadas do GRUPO GE as quais não possuem como contrapartida um pagamento, por se tratar de reconhecimento de despesa cujo gasto/custo foi suportado por outra empresa do mesmo grupo, conforme contrato anexo (Doc.04). 26. Ora, se existiu dúvida sobre a prova apresentada, caberia à DRJ/CTA, investigar a acusação fiscal, e não ratificála com base na dúvida, haja vista que a RECORRENTE não se refutou à prova, ao contrário, trouxe aos autos provas incontestes, desconsideradas e não analisadas de forma pormenorizada como caberia à autoridade competente. 27. Como sabido, a RECORRENTE é integrante do GRUPO GE, o que se verifica nos atos societários carreados aos autos, de modo que o rateio de Fl. 3115DF CARF MF Processo nº 19515.720207/201606 Resolução nº 1402000.695 S1C4T2 Fl. 3.116 33 despesas entre as empresas do grupo é registrado diretamente na contabilidade, o que foi comprovado por razões contábeis correlatos e contrato de rateio (Doe. 04) não considerados pela DRJ/CTA que sequer buscou confirmar a existência de outros documentos e/ou provas do mencionado rateio diante do lastro de provas contrárias ao quanto consignado na acusação fiscal, sendo essa a diferença não comprovada por Notas Fiscais. 28. Logo, com a comprovação/identificação da destinação de tais valores, a exigência integral deve ser cancelada, conforme jurisprudência do CARF4, 29. Portanto, no contexto que lhe foi imposto a RECORRENTE apresentou as provas necessárias e pertinentes, que impactam diretamente na liquidez e certeza do lançamento fiscal, de modo que de ver ser integralmente cancelado, ou ao menos, ser realizada diligência para investigação do quanto alegado. (B) Da Dedutibilidade das Despesas 30. A dedutibilidade das despesas não foi questionada pela autoridade fiscal e pela DRJ/CTA, no entanto, vale frisar que todas as despesas em questão são despesas dedutíveis na apuração do IRPJ e da CSLL, vez que se tratam de despesas nitidamente operacionais da empresa, 31. Além disso, é de se frisar que todos os pagamentos realizados possuem causa, bem como os beneficiários são identificados através de todos os documentos carreados aos autos, o que por si só, evidencia a boafé da RECORRENTE e, especialmente, inexistência de fraude ou simulação nas operações objeto das despesas deduzidas da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, conforme decidiu este CARF. 32. Assim, não tendo sido demonstrada a indedutibilidade de quaisquer das despesas o que sequer constou do lançamento, bem como inexistência de fraude ou simulação nas operações que ensejaram tais despesas, há que ser cancelada a autuação fiscal. 33. De todo modo, considerando que as despesas relacionadas às contas contábeis 849080, 849085, 849086, 849087, 849088 e 849089 são todas relacionadas a despesas de viagens, as quais estão intimamente ligadas ao desenvolvimento da atividade empresarial da RECORRENTE, inadmissível sua glosa integrai , assim como à conta contábil 844300 referente à despesa com manutenção de veículos , conforme já decidiu este CARF: 34. Ainda, demonstrase também a já reconhecida dedutibilidade das despesas relacionadas à conta contábil 849010, que se refere às despesas com cursos e aperfeiçoamento dos funcionários. 35. Por fim, sobre o rateio de despesas administrativas, Hiromi Higuchi leciona que, comprovada a estrutura de coligada para realização da atividade empresarial, deve ser acolhida como despesa dedutível o custo que competir como rateio, que vai ao encontro do entendimento deste CARF. Fl. 3116DF CARF MF Processo nº 19515.720207/201606 Resolução nº 1402000.695 S1C4T2 Fl. 3.117 34 36. Dessa forma, comprovase a dedutibilidade de todas as despesas, o que reforça a necessidade de reforma do v. acórdão para cancelamento integral do Auto de Infração. (B) Errônea Apuração do IRPJ e da CSLL Recomposição do Lucro Tributável 37. Alega a DRJ/CTA que o valor tributável coincidiu com o total das glosas de despesas e que essa situação não implica em irregularidade (fls. 2994). 38. Ocorre que como aduzido na impugnação, quanto aos Autos de Infração relacionados ao IRPJ e à CSLL é necessário dizer que, ainda que realmente não fossem comprovados tais dispêndios, não poderia a Autoridade Fiscal ter se utilizado da mesma base de cálculo que utilizou para a incidência do IRRF para fazer incidir o IRPJ e a CSLL, sob pena de nulidade. 39. Tendo em vista que despesa, não é base de cálculo de IRPJ e de CSLL, caso entendesse o Auditor Fiscal pela indedutibilidade das mesmas, deveria, no mínimo, terlhes glosado das apurações dos tributos e exigido o novo valor apurado através da recomposição do lucro tributável, sob pena de ilegalidade, conforme entendimento deste CARF: 40. No caso em análise, inclusive, nem ao menos foi realizada a glosa das despesas, mas ocorreu a tributação sobre o valor integral da própria despesa, não sendo admissível a alegação de coincidência para fins de exigência de tributo como pretende a DRJ/CTA, sob pena de ilegalidade. 41. Até mesmo porque, como já exposto, em observância a norma disposta no art. 142 do CTN, é dever da autoridade administrativa, verificar a ocorrência do fato gerador, determinar a matéria tributável e calcular o tributo devido. 42. No presente caso, não houve a verificação do fato gerador, haja vista que o lucro tributável não foi recomposto para fins de exigência fiscal. 43. Dessa forma, nos Ais lavrados para a exigência do IRPJ e da CSLL, no mínimo, devese proceder à recomposição do lucro tributável sob pena de ilegalidade, o que implica na reforma do v. acórdão nesse ponto para cancelamento integral dos Ais. D Do IRRF Inexistência de pagamento Rateio de Despesas. 44. Ao analisar essa exigência a DRJ/CTA manteve a acusação fiscal sobre a nova base de cálculo relativa aos saldos das contas de despesas apurados no final do exercício, sob o mesmo argumento de ausência de indicação do beneficiário e/ou não comprovação da operação ou, sua causa, dos pagamentos realizados no período, nos termos do art. 675 do RIR/999. 45. Ocorre que, como exposto, parte das despesas deduzidas da base de cálculo do IRPJ e da CSLL do ano calendário de 2011, se referem aos registros contábeis relativos ao rateio de despesas, devidamente comprovados Fl. 3117DF CARF MF Processo nº 19515.720207/201606 Resolução nº 1402000.695 S1C4T2 Fl. 3.118 35 por meio dos razões contábeis (confirmado as fls. 2991) e o contrato de rateio que novamente se apresenta nestes autos(Doc. 04) 46. Logo, não há que se falar em ausência de identificação e falta de prova da operação ou causa do pagamento, até mesmo porque, como aduzido, os lançamentos contábeis relativos aos rateios de despesa não possuem como contrapartida um pagamento por se tratar de mero reconhecimento do gasto/custo suportado por outra empresa do GRUPO GE. 47. Desse modo, como já decidiu o CARF , para ser considerado "sem causa" devem ser observados os requisitos dispostos no mencionado artigo 675 do RIR para que um pagamento seja classificado como "sem causa", apto à incidência da alíquota de 35% de IRRF, os quais não se verificam nos presentes autos. 48. Pelo exposto, evidente que a suposta diferença que serviu de base para manutenção da cobrança do IRRF, não se refere à realização de pagamentos, mas sim ao reconhecimento de despesa cujo gasto/custo foi suportado por outra empresa do GRUPO, os quais restaram comprovados e estão devidamente identificados, razão pela qual deve ser reformado o v. acórdão para cancelamento integral do Al. III DA DILIGÊNCIA. 49. Não obstante o direito à dedutibilidade das despesas glosadas nos Ais em questão e, ainda ilegalidade da exigência de IRRF sobre as mesmas bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, sobretudo diante dos documentos trazidos, há que se destacar a necessidade de ser realizada diligência para sanar as dúvidas levantadas pela D. DRJ/CTA, para a apuração de todo o alegado. 50. Tal providência, prevista no art. 18 do Decreto 70.235/72, coadunase com os princípios da eficiência e legalidade que regem a administração pública (art. 37 da CF/88), e deve ser realizada in casu para a averiguação da comprovação das despesas glosadas e, ainda, recomposição do lucro tributável e confirmação dos requisitos que afastam a incidência do IRRF no presente caso, o que está lastreado nos documentos já apresentados, os quais confirmam o incerteza e iliquidez dos Ais. 51. Destarte, com lastro na legislação de regência e nos princípios da verdade material, da eficiência e da legalidade, requerse a determinação da conversão do julgamento em diligência a fim de comprovar o alegado, inclusive, com a juntada de novos documentos, sob pena de ilegalidade. 51. Destarte, com lastro na legislação de regência e nos princípios da verdade material, da eficiência e da legalidade, requerse a determinação da conversão do julgamento em diligência a fim de comprovar o alegado, inclusive, com a juntada de novos documentos, sob pena de ilegalidade. Fl. 3118DF CARF MF Processo nº 19515.720207/201606 Resolução nº 1402000.695 S1C4T2 Fl. 3.119 36 Voto Conselheiro Evandro Correa Dias, Relator. Os recursos voluntário e de ofício atendem aos pressupostos de admissibilidade, pelo que deles se toma conhecimento. A Recorrente alega cerceamento de defesa, motivado pela desconsideração das provas documentais apresentadas e na ausência de diligência para confirmar os fatos ocorridos que embasaram a acusação fiscal. Argumenta que o procedimento de verificação e confirmação da ocorrência do fato gerador de suporte do lançamento de ofício teve início no procedimento de fiscalização e resultou no lançamento de tributo sobre a totalidade dos valores a débito das contas contábeis e não sobre o seu valor final. A Recorrente destaca que mesmo diante da correção desse erro pela DRJ/CTA, não foi realizada análise pormenorizada dos fatos e argumentos de direito apresentados na impugnação, tanto é que mantida a desconsideração das provas constantes nos autos. Por exemplo, vejase que apresentou aos autos cópias de Notas Fiscais comprobatórias dos lançamentos realizados na conta contábil 691001, as quais seguem novamente carreadas a este recurso (Doc. 03), sendo certo que tais elementos de prova não foram considerados, haja vista que às fls. 2991 consta a indicação de 0% de prova no demonstrativo elaborado pela autoridade fiscal e ratificado pela DRJ/CTA. A Recorrente alega o cerceamento de defesa, sobretudo pela ausência de cotejo entre os documentos apresentados pela RECORRENTE desde o procedimento de fiscalização, bem como pela manutenção da acusação fiscal com base na dúvida sem que fosse oportunizada apresentação de esclarecimentos e documentos adicionais, de modo que, desde já se requer a realização de diligência, nos termos do art. 18 do Decreto 70.235/72. Não assiste razão à Recorrente quanto à alegação de oportunidade de apresentação de esclarecimentos e documentos adicionais, pois poderia ter apresentado esclarecimentos e documentos adicionais no momento de apresentação de sua Impugnação. Tanto que apresentou documentos nestas oportunidades. Quanto à alegação da ausência de análise pormenorizada dos documentos comprobatórios, de fato, não se verificou na diligência realizada pela Autoridade Fiscal, conforme detalhado a seguir. Verificase que foi solicitado à DRF de origem, através de diligência, dentre outras providências, o seguinte: [...] ii) apurar se os valores deduzidos como despesas na DIPJ a partir das referidas contas contábeis questionadas correspondem ao alegado pela impugnante; iii) pronunciarse quanto à eventual discrepância a maior entre o valor glosado e o valor deduzido; Fl. 3119DF CARF MF Processo nº 19515.720207/201606 Resolução nº 1402000.695 S1C4T2 Fl. 3.120 37 [...] v) analisar a documentação juntada na impugnação e pronunciarse quanto à alegação de que, do total deduzido de R$ 11.133.286,28, R$ 7.627.805,68 estariam comprovados por meio de notas fiscais e R$ 3.505.480,60 estariam comprovados pelos comprovantes de rateio de despesas; (grifo nosso). Em resposta aos quesitos constantes da diligência, a Autoridade Fiscal prestou a seguintes informações: [...] ii) Em 05/01/2015 a empresa apresentou planilha relacionando as contas que compuseram a linha 34 da filha 05A de sua DIPJ totalizando R$47.618.108,25 e estes foram os valores deduzidos pela empresa em sua DIPJ e não o valor de R$ 11.133.286,28 como alega a empresa. iii) Utilizamos o critério de amostragem com base nas planilhas fornecidas pela empresa e no cotejo com os comprovantes apresentados pela empresa e com base nestes critérios efetuamos a glosa nos percentuais das despesas não comprovadas. [...] v) Conforme já explanado no item ii o valor deduzido em DIPJ foi de R$ 47.618.108,25, e não de R$ 11.133.286,28 como alega a empresa, e os valores comprovados através de NF achamse na Planilha constante em nosso Relatório Fiscal. Em relação aos rateios de despesa a empresa não apresentou nenhum comprovante da efetiva realização destas despesas nas empresas do grupo em que alega em que as mesmas foram realizadas, apresentando apenas lançamentos contábeis de rateio das empresas sem nenhum documento de suporte razão pela qual as mesmas foram consideradas como não comprovadas. No Acórdão de 1ª Instância, cotejouse o volume dos documentos que compuseram a amostra apresentada na fiscalização com os apresentados na impugnação, concluise que o contribuinte pouco acrescentou na peça de defesa, passando de um total de R$ 6.361.496,85 para R$ 7.627.805,68, conforme abaixo resumido: Fl. 3120DF CARF MF Processo nº 19515.720207/201606 Resolução nº 1402000.695 S1C4T2 Fl. 3.121 38 A Autoridade Julgadora observou que o contribuinte se vale do mesmo procedimento utilizado pela fiscalização, que ele enfaticamente criticou, ao considerar, como comprovado, valores que não fizeram parte do saldo final das contas de despesas. Para se chegar a essa conclusão, basta constatar a existência de totais comprovados em valores superiores ao saldo das respectivas contas. Ora, da mesma forma que não é razoável glosar despesas que não foram deduzidas, tampouco procede justificar trazendo documentos relativos a operações que não fizeram parte do saldo final da conta. (grifo nosso) A Autoridade Julgador acrescenta que mesmo nas contas em que houve acréscimo de provas, em relação ao apresentado durante a ação fiscal, em valor inferior ao saldo final da conta, não é possível a aceitação do acréscimo de dedução. É que não há qualquer segurança de que tais valores efetivamente compuseram o saldo da conta ao final de 2011, ou seja, se foram de fato deduzidos pela empresa em sua apuração do resultado. Caberia à impugnante demonstrar, para cada conta auditada, quais lançamentos a débito permaneceram ao final do período e comprovar documentalmente as operações correspondentes. Essa afirmação decorre do entendimento de que, em matéria de despesas, o ônus da prova é do contribuinte, conforme vários julgados recentes do CARF. Constatase que os documentos adicionais apresentados na impugnação não foram analisados, pois a Autoridade Fiscal, na diligência realizada, repisou as afirmações do Termo de Verificação. Embora solicitado à DRF de origem, não foi realizado nem a análise da documentação juntada na impugnação nem a pronúncia quanto à alegação de que, do total deduzido de R$ 11.133.286,28, R$ 7.627.805,68 estariam comprovados por meio de notas fiscais e R$ 3.505.480,60 estariam comprovados pelos comprovantes de rateio de despesas. Notase também que a Recorrente apresenta documentos na impugnação em valores superiores aos saldos das contas, utilizados na apuração do Lucro. A própria amostra, após os ajustes realizados na decisão recorrida, apresenta valores superiores ao total das contas de despesas. Portanto, concordase com o argumento de que não há segurança sobre os valores Fl. 3121DF CARF MF Processo nº 19515.720207/201606 Resolução nº 1402000.695 S1C4T2 Fl. 3.122 39 que efetivamente compuseram o saldo da conta ao final de 2011, ou seja, se foram de fato deduzidos pela empresa em sua apuração do resultado. Se por um lado cabe à Recorrente demonstrar, para cada conta auditada, quais lançamentos a débito permaneceram ao final do período e comprovar documentalmente as operações correspondentes, por outro, cabe à Fiscalização analisar de forma exaustiva e individualizada todos os documentos apresentados pelo contribuinte e pronunciarse quanto à alegação de que , R$ 7.627.805,68 estariam comprovados por meio de notas fiscais e R$ 3.505.480,60 estariam comprovados pelos comprovantes de rateio de despesas. Quanto ao citado rateio de despesas, a Recorrente não apresentou nenhum comprovante da efetiva realização destas despesas nas empresas do grupo em que alega que as mesmas foram realizadas, apresentando apenas lançamentos contábeis de rateio das empresas sem nenhum documento de suporte razão pela qual as mesmas foram consideradas como não comprovadas. Observase para que os valores em razão do citado rateio de custos e despesas sejam dedutíveis do IRPJ, exigese que correspondam a custos e despesas necessárias, normais e usuais, devidamente comprovadas e pagas; que sejam calculados com base em critérios de rateio razoáveis e objetivos, previamente ajustados, formalizados por instrumento firmado entre os intervenientes; que correspondam ao efetivo gasto de cada empresa e ao preço global pago pelos bens e serviços; que a empresa centralizadora da operação aproprie como despesa tãosomente a parcela que lhe cabe de acordo com o critério de rateio, assim como devem proceder de forma idêntica as empresas descentralizadas beneficiárias dos bens e serviços, e contabilize as parcelas a serem ressarcidas como direitos de créditos a recuperar; e, finalmente, que seja mantida escrituração destacada de todos os atos diretamente relacionados com o rateio das despesas administrativas. Diante dos documentos e alegações trazidas pela Recorrente em seu recurso, formei convencimento de que se faz necessário converter o julgamento em diligência para que seja oportunizado à Recorrente esclarecer quais lançamentos a débito permaneceram ao final do período e comprovar documentalmente as operações correspondentes, e para que a fiscalização da unidade local faça a análise pormenorizada de todos os documentos apresentados pela recorrente, inclusive os apresentados na Impugnação, para verificar a dedutibilidade das despesas. Conforme o entendimento da DRJ, o qual acompanho, a fiscalização não levou em conta os dados das demais contas (as complementares das 19 relativamente ao universo de 106) em seus cálculos. Conseqüentemente, eventuais correções a serem feitas no presente voto devem limitarse às referidas 19 contas, tendo em vista que as demais não foram objeto da auditoria, ou seja, não fazem parte do litígio. Fl. 3122DF CARF MF Processo nº 19515.720207/201606 Resolução nº 1402000.695 S1C4T2 Fl. 3.123 40 Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de converter o julgamento do recurso em diligência, remetendose os autos do presente feito à unidade local, para: 1) Intimar a recorrente a: 1.1) Tomar ciência da presente resolução; 1.2) Confirmar os valores que efetivamente compuseram o saldo das seguintes contas ao final de 2011; Conta Contábil Descrição Conta Contábil Dezembro 2011 641000 FERRAMENTAS STANDARD 404.359,40 691001 SERVIÇOS GBS 60.602,18 842400 SUPRIMENTOS DIVERSOS E SEGURANÇA 1.484.852,51 842401 SUPRIMENTOS DE OPERAÇÕES 416.918,31 844300 MANUTENCAO DE VEICULOS 418.576,29 847999 DIVERSOS 540.388,24 849010 INSTRUCAO / APERFEIÇOAMENTO TECNICO DE EMPREGADOS ‐ DEDUTIVEL 179.270,72 849080 DESPESAS DE VIAGEM 607.954,70 849083 CONVENCAO / REUNIAO DE GERENCIAMENTO 289.013,61 849085 DESPESAS DE VIAGEM ‐ PASSAGEM AEREA 1.362.913,29 849086 DESPESAS DE VIAGEM ‐ HOSPEDAGEM 687.198,06 849087 DESPESAS DE VIAGEM ‐ REFEIÇÃO 287.612,00 849088 DESPESAS DE VIAGEM ‐ TRANSPORTE 448.984,88 849089 DESPESAS DE VIAGEM ‐ OUTROS 936.198,33 849255 EVENTOS ESPORÁDICOS ‐ FCPA 185.126,19 849261 AUDITORIA KPMG 217.542,42 890049 PROJETO ORACLE 357.996,33 890070 DESPESAS DE EXPATRIADOSEXPATRIADOS 783.477,21 890072 HR ADMINISTRATION 1.464.301,61 TOTAL 11.133.286,28 1.3) Demonstrar, para cada uma das contas auditadas, quais lançamentos a débito permaneceram ao final do período. Fl. 3123DF CARF MF Processo nº 19515.720207/201606 Resolução nº 1402000.695 S1C4T2 Fl. 3.124 41 1.4) Apresentar documentos que comprovem a dedutibilidade das operações correspondentes aos lançamentos à débito, que permaneceram ao final do período, nas contas auditadas; 1.5) Apresentar demonstrativo vinculando, individualmente, os documentos apresentados aos lançamentos à débito, que permaneceram ao final do período, nas contas auditadas; 1.5) Apresentar comprovantes e esclarecimentos quanto ao citado rateio de despesas; 1.6) Apresentar demais documentos que a Autoridade Fiscal, julgar necessários. 2) Realizar a análise, considerando todos os documentos apresentados pela recorrente, inclusive na Impugnação, para verificar a dedutibilidade das despesas das contas acima relacionadas. 3) Elaborar planilha com a análise de todos os itens/documentos apresentados para justificar a dedutibilidade das despesas das contas acima relacionadas, com base nos critérios utilizados no auto de infração. 4) Elaborar demonstrativo, com os valores das despesas consideradas dedutíveis, e os valores sujeitos à glosa. 5) Elaborar demonstrativo dos valores remanescentes de IRPJ, CSLL e IRRF. 6) Pronunciarse quanto à alegação de que , R$ 7.627.805,68 estariam comprovados por meio de notas fiscais e R$ 3.505.480,60 estariam comprovados pelos comprovantes de rateio de despesas. 7) Elaborar relatório, trazendo demonstrativos e a fundamentação das constatações alcançadas, com justificativas e explicações claras. Fl. 3124DF CARF MF Processo nº 19515.720207/201606 Resolução nº 1402000.695 S1C4T2 Fl. 3.125 42 8) Após a formulação e juntada do Relatório de Diligência, deverá ser dado vista à Recorrente, para que se manifeste, dentro do prazo legal vigente, garantindo o contraditório e a ampla defesa. 9) Devolver o presente processo ao CARF para prosseguimento. (assinado digitalmente) Evandro Correa Dias Fl. 3125DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.918850/2015-46
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Sep 19 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1402-000.586
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Luis Pagano Gonçalves - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Demetrius Nichele Macei, Marco Rogerio Borges, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Evandro Correa Dias, Edgar Bragança Bazhuni e Paulo Mateus Ciccone.
Relatório
Nome do relator: LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES
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Por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Demetrius Nichele Macei, Marco Rogerio Borges, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Evandro Correa Dias, Edgar Bragança Bazhuni e Paulo Mateus Ciccone. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 18 85 0/ 20 15 -4 6 Fl. 144DF CARF MF Processo nº 10880.918850/201546 Resolução nº 1402000.586 S1C4T2 Fl. 145 2 Relatório Tratase de DCOMPs, nas quais foram utilizados créditos decorrentes de pagamento indevido/a maior de CSLL, sob o código da receita 2484, realizada por equívoco da Recorrente, referente ao período de apuração de dezembro/2013, cuja arrecadação foi feita em fevereiro/2014 (com atraso), no valor total (principal, multa e juros) de R$212.482,23 (duzentos e doze reais quatrocentos e oitenta e dois reais e vinte e três centavos), visando à extinção definitiva de diversos débitos relativos a tributos federais. A DCTF originalmente apresentada com o código 2484, apontava um débito de estimativa de CSLL de dezembro/2013 de R$ 202.441,16, valor recolhido por DARF, acrescido de encargos pelo pagamento a destempo, e é por isso que o direito creditório não foi reconhecido. O crédito está vinculado a tal débito apontado na DCTF original. A Recorrente não fundamentou o motivo pela qual o débito de dezembro de 2013 tinha sido pago quando apresentou a DCTC retificada. Para melhor explicar os fatos ocorridos, utilizo a parte da manifestação de inconformidade da Recorrente abaixo colacionada. Fl. 145DF CARF MF Processo nº 10880.918850/201546 Resolução nº 1402000.586 S1C4T2 Fl. 146 3 Devido a tal constatação, a Recorrente apresentou PER/DCOMP utilizando o suposto crédito de R$ 147.119,38, relativo ao pagamento a maior feito por meio do DARF, adiante discriminado: As compensações pretendidas foram parcialmente homologadas, pois o pagamento estaria quase inteiramente utilizado para quitação da estimativa de CSLL de dezembro/2013, código de receita 2484, conforme demonstrado no despacho decisório: A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 3 a 6) alegando que, em que pese tenha efetuado recolhimento de estimativa de CSLL relativa a dezembro/2013, em verdade não apurou estimativa a pagar, conforme comprovaria a DIPJ juntada ao processo. Teria havido erro de fato no preenchimento da DCTF, corrigido com a retificação dela. Houve o reconhecimento de direito creditório de R$ 668,04. Assim, o valor em litígio neste processo é de R$ 146.451,34 (147.119,38 – 668,04). A 5 Turma da DRT julgou improcedente a manifestação de inconformidade (Acórdão fls.104/107), mantendo o Despacho Decisório de fl. 92, deixando de homologar as DCOMPs em razão da não comprovação da regularidade do crédito. É o relatório. Fl. 146DF CARF MF Processo nº 10880.918850/201546 Resolução nº 1402000.586 S1C4T2 Fl. 147 4 Voto Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves Relator Recurso Voluntário: O Recurso Voluntário é tempestivo, trata de matéria de competência desta Corte Administrativa e preenche todos os demais requisitos de admissibilidade previstos em lei, portanto, dele tomo conhecimento. O erro cometido pela Recorrente no preenchimento da DCTF inicial foi corrigido após ter sido proferido e cientificado do Despacho Decisório que reconheceu apenas R$ 668,04. Tal procedimento pode ser feito e não existe na legislação qualquer impedimento para que a DCTF seja retificada após a ciência do Despacho Decisório. Tal matéria inclusive foi superada pela decisão recorrida no sentido de que inexiste óbice a retificação da DCTF após o Despacho Decisório. Vejamos a ementa do acórdão. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Data do fato gerador: 31/12/2013 PROCEDIMENTO DE COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS A CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. INEXISTÊNCIA DE OUTROS IMPEDIMENTOS. POSSIBILIDADE. Se não há óbice de outra natureza, admitese a retificação da DCTF após a ciência do Despacho Decisório, porém, a referida Declaração, seja original ou retificadora, não faz prova dos requisitos da certeza e liquidez do crédito proveniente de pagamento de tributo indevido ou maior que o devido. PROVA DO INDÉBITO. ÔNUS DO SUJEITO PASSIVO. DESCUMPRIMENTO. NÃO HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO. No âmbito do procedimento de compensação, o ônus da prova do indébito tributário recai sobre o declarante, que, se não exercido ou exercido inadequadamente, implica não homologação da compensação declarada, por ausência de comprovação do crédito utilizado. Fl. 147DF CARF MF Processo nº 10880.918850/201546 Resolução nº 1402000.586 S1C4T2 Fl. 148 5 Sendo assim a controversa restante nos autos se refere ao fato de estar ou não comprovado a certeza e liquidez do crédito proveniente do pagamento indevido ou a maior feito por meio da DARF. A Recorrente juntou aos autos a DIPJ, a DARF com o pagamento do valor da estimativa de dezembro de 2013 e a DCTF retificada. Na Ficha 11 da DIPJ ( fl. 19 da DIPJ de fls. 47/89 dos autos), indica que não existia estimativa a pagar. Consta nos autos a DARF com o código da receita 2484 (fl. 19) com o pagamento do valor de R$ 212.482,23 referente a estimativa de dezembro de 2013. E por fim constam a DCTF original e a retificada. Ao analisar os documentos constantes nos autos verifiquei que as alegações feitas pela Recorrente restaram devidamente comprovadas. O acórdão recorrido fundamentou a improcedência da manifestação de inconformidade no fato de não restar comprovado o crédito relativo ao pagamento indevido/a maior. Da leitura da decisão, se pode verificar que não foram devidamente analisados os documentos constantes nos autos para comprovar o crédito. Também não consta nos autos que tal crédito foi utilizado em outro pedido de compensação ou processo de restituição. Ou seja, para pagar outro débito da Recorrente. Sendo assim, voto no sentido de converter o julgamento em diligência para que a Recorrente seja intimada para se manifestar nos autos de forma conclusiva e juntar documentos passíveis de comprovar que não existia estimativa a pagar no mês de dezembro de 2013. Em seguida, remetamse os autos para a Unidade de Origem para que se manifeste sobre os documentos juntados aos autos pela Recorrente e elabore Relatório Circunstânciado definitivo informando se restou comprovado a liquidez e certeza do crédito, bem como que tal montante não foi utilizado em outro processo de compensação. (assinado digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves Fl. 148DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10850.900422/2014-33
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 15 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1402-000.702
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente Substituto e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Ailton Neves da Silva (Suplente Convocado), Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Barbara Santos Guedes (Suplente Convocada) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente Substituto).
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente Substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Ailton Neves da Silva (Suplente Convocado), Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Barbara Santos Guedes (Suplente Convocada) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente Substituto). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 50 .9 00 42 2/ 20 14 -3 3 Fl. 144DF CARF MF Processo nº 10850.900422/201433 Resolução nº 1402000.702 S1C4T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra v. Acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento a quo, que negou provimento à Manifestação de Inconformidade apresentada pela Contribuinte, mantendo o r. Despacho Decisório que expressamente deixou de reconhecer, integralmente, o suposto crédito de IRPJ, utilizado em DCOMP, por não ter sido constatada qualquer monta de recolhimento a maior ou indevido. Em sua Manifestação de Inconformidade, em suma, alegou a ora Recorrente que houve preenchimento equivocado de suas DIPJ e DCTF. Desse modo, inicialmente, não seria detectável tal direito creditório em face desse erro escusável, tendo, então, prontamente promovido a retificação eficaz das declarações, denotando o total de IRRF percebido no ano calendário de 2010, bem como o recolhimento de IRPJ, procedido já no anocalendário de 2011, que configurouse indevido fatos estes que, conjuntamente, dariam margem ao crédito pleiteado. Também relata que o suposto crédito fora utilizado em 17 pedidos de compensação diferentes, requerendo a reunião dos feitos em que tramitam. Acrescenta, ao final, que diante da procedência de seu direto, não haveria prejuízo ao Erário na homologação das compensações. Acosta documentos que supostamente registrariam a origem e a apuração do crédito pretendido. Ao seu turno, a DRJ a quo proferiu o v. Acórdão, ora recorrido, negando provimento integral à defesa, entendendo que, pelo sistema DIRF, consta saldo de IRRF sofrido muito menor do que o alegado pela ora Recorrente, confirmados tais valores na própria documentação trazida aos autos em sede de Manifestação de Inconformidade, a qual aponta que o montante de IRRF excedente, que permitiria a existência do crédito nos termos alegados, teria sido efetuado sob razão e CNPJ de terceiro. Este foi o fundamento da denegação do crédito pela C. Instância anterior. Diante de tal revés, a Contribuinte interpôs o Recurso Voluntário, agora sob análise, primeiramente esclarecendo que os valores de IRRF retidos em nome de terceiros, na verdade, são de titularidade de Consórcio de empresas do qual fazia parte na época dos fatos, tendo direito ao seu aproveitamento. No mais, reitera suas demais alegações acerca da retificação de declarações e histórico da origem do crédito. Traz novos documentos em relação à existência do mencionado Consórcio. Na sequência, os autos foram encaminhados para este Conselheiro relatar e votar. É o relatório. Fl. 145DF CARF MF Processo nº 10850.900422/201433 Resolução nº 1402000.702 S1C4T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 1402000.698, de 16/08/2018, proferida no julgamento do Processo nº 10850.900418/201475, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 1402000.698): "O Recurso Voluntário é manifestamente tempestivo e sua matéria se enquadra na competência desse N. Colegiado. Os demais pressupostos de admissibilidade igualmente foram atendidos. Conforme relatado, em r. Despacho Decisório eletrônico, o crédito pretendido foi rejeitado, posto que não houve a comprovação da sua existência, constando em observação que o valor do IRRF do anocalendário de 2010 informado pelas Fontes Pagadoras foi deveras menor do que aquele declarado pela Contribuinte, de modo que o recolhimento efetuado já em 2011 não configurou a existência de nenhum direito creditório, mas apenas saldou débito apurado no período, sem ultrapassar a monta apurada e devida. Por sua vez, mesmo tendo a Recorrente esclarecido em Manifestação de Inconformidade a origem do crédito, apontando para erro escusável em suas declarações do exercício de 2011 e a devida retificação posteriormente promovida, a DRJ a quo entendeu que não houve a demonstração ou comprovação da existência do crédito, constatando inclusive que a precisa monta controversa dos recolhimentos de IRRF valor que observouse no r. despacho decisório que não constava das informações fornecidas pelas Fontes Pagadoras deramse em nome de outra Pessoa Jurídica beneficiária, no caso Consórcio Sistema Fácil Empreendimento Green Tambore CNPJ nº 08.727.318/00018: Assim, temos que o fundamento do v. Acórdão recorrido foi de reconhecer que as retenções de IRRF que formariam o suposto crédito pretendido são de terceiro. Em sede de Recurso Voluntário, em razão de tal nova constatação da DRJ, a Recorrente informa que fazia parte de tal Fl. 146DF CARF MF Processo nº 10850.900422/201433 Resolução nº 1402000.702 S1C4T2 Fl. 5 4 Consórcio, o qual não possui personalidade jurídica, sendo ela a titular, na proporção de sua participação, de parte dos valores de IRRF retidos. Provando o alegado, traz cópia de 1º Alteração do Contrato de Constituição de Consórcio, onde efetivamente consta como parte e consorciada. Pois bem, primeiro, no que tange aos aspectos processuais da demanda, cabe aqui registrar a aceitação de tal nova demonstração e documentação, vez que ausentes na Manifestação de Inconformidade. Devese ter em vista que o r. Despacho Decisório, contra o qual fora oposta a Manifestação de Inconformidade fundamentou a negativa do crédito na ausência de comprovação da existência de pagamento indevido ou a maior e, observou, que nas informações das Fontes Pagadoras, a monta dos recolhimentos era inferior àquela declarada pela Contribuinte. Apenas isso. Não se mencionou terceiros ou Consórcio nessa primeira decisão denegatória. Ao seu turno, a DRJ a quo corretamente aprofundou a investigação dos fatos e constatou que essa diferença de retenções de IRRF correspondia a valores retidos em nome de outra Pessoa Jurídica beneficiária, no caso Consórcio Sistema Fácil Empreendimento Green Tambore inclusive espontaneamente consultando sistemas da Receita Federal do Brasil. Fica, então, claro que o fundamento de que as retenções ainda controversas foram efetuadas em nome de terceiro é motivação nova e incidental na demanda, sendo objetivamente trazida apenas em sede de julgamento da Manifestação de Inconformidade. Antes disso, não se falava em outra pessoa jurídica, e muito menos em Consórcio, para denegar as compensações declaradas. Desse modo, entendese que os documentos trazidos, principalmente a cópia da 1ª Alteração do Contrato de Consórcio, devem ser aceitos e deles deve se conhecer, considerando a previsão da alínea "c" do § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/721, a qual deve ser interpretada sistematicamente com as demais normas de regência do processo administrativo fiscal, especialmente o art. 18 daquele mesmo Decreto, o Código de Processo Civil vigente e à luz do princípio da busca pela verdade material. Dito isso, primeiramente temos que a Recorrente combateu com eficácia a fundamentação da DRJ a quo para denegar o crédito. Nesse sentido, a constatação e correspondente afirmação dos I. Julgadores a quo de que os comprovantes de rendimentos em nome de outra Pessoa Jurídica beneficiária, no caso Consórcio Sistema Fácil Empreendimento Green Tambore tornamse ineficazes 1 § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (...) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Fl. 147DF CARF MF Processo nº 10850.900422/201433 Resolução nº 1402000.702 S1C4T2 Fl. 6 5 para afastar totalmente a pretensão da Parte pugnante, vez que demonstrado que a Contribuinte participava desse mesmo Consórcio, sendo, comprovadamente, titular de parte das retenções de IRRF. É certo que os Consórcios de empresas não possuem personalidade jurídica. Logo, a própria designação outra Pessoa Jurídica beneficiária utilizada pela DRJ revelase data maxima venia equivocada. Ainda que passível/obrigado a possuir de registro no CNPJ, assim como hoje em dia também ocorre com as Sociedades em Conta de Participação, tal comando, de forma alguma, é capaz de, per si, atribuir personalidade jurídica aos Consórcios. Seguramente, os Consórcios podem ser descritos como uma reunião por meio contratual de empresas, que visa propiciar a divisão das receitas, custos e despesas de uma determinada atividade ou empreita a ser desenvolvida, proporcionalmente ao avençado entre as partes celebrantes. Tal figura de Direito Comercial é até hoje regulada pelos arts. 278 e 279 da Lei das S/A2, sendo alterado este último dispositivo pela Lei nº 11.941/2009. Ainda que uma maior e mais detalhada regulamentação na esfera tributária tenha apenas ocorrido com o advento da Lei nº 12.402/2011 e da correspondente IN nº 1.119/2011, tal figura contratual e interempresarial há muito já guardava relevância fiscal, com regulação presente em pontuais normativos que reconheciam e atribuíam efeito tributário a tal contrato, assim como às suas estipulações, encaixandose na exceção inicial do art. 123 do CTN. 2 Art. 278. As companhias e quaisquer outras sociedades, sob o mesmo controle ou não, podem constituir consórcio para executar determinado empreendimento, observado o disposto neste Capítulo. Art. 279. O consórcio será constituído mediante contrato aprovado pelo órgão da sociedade competente para autorizar a alienação de bens do ativo não circulante, do qual constarão: I a designação do consórcio se houver; II o empreendimento que constitua o objeto do consórcio; III a duração, endereço e foro; IV a definição das obrigações e responsabilidade de cada sociedade consorciada, e das prestações específicas; V normas sobre recebimento de receitas e partilha de resultados; VI normas sobre administração do consórcio, contabilização, representação das sociedades consorciadas e taxa de administração, se houver; VII forma de deliberação sobre assuntos de interesse comum, com o número de votos que cabe a cada consorciado; VIII contribuição de cada consorciado para as despesas comuns, se houver. Parágrafo único. O contrato de consórcio e suas alterações serão arquivados no registro do comércio do lugar da sua sede, devendo a certidão do arquivamento ser publicada. Fl. 148DF CARF MF Processo nº 10850.900422/201433 Resolução nº 1402000.702 S1C4T2 Fl. 7 6 Por exemplo, IN nº 105/84 já obrigava a inscrição dos Consórcios no CNPJ se estes pagassem, individualmente, rendimentos sujeitos à retenção na fonte ou auferisse rendimentos em decorrência de suas atividades. Confirmando o afirmado e complementando a demonstração acima expedida, confirase o comentário de Hiromi Higuchi3, ainda sobre a regulamentação tributária dos Consórcios, antes de 2011 (as retenções referentes à presente lide são referentes a 2010): O ADN nº 21, de 081184, esclareceu que o fato de aplicar se aos consórcios o mesmo regime tributário a que estão sujeitas as pessoas jurídicas, não os obriga, nem autoriza, a apresentar declaração de rendimentos. Esclarece ainda que para efeito de aplicação do referido regime tributário, os rendimentos decorrentes das atividades desses consórcios devem ser computadas nos resultados das empresas consorciadas, proporcionalmente à participação de cada uma no empreendimento. O seu item 3 dispõe que o valor do imposto retido na fonte sobre rendimentos auferidos pelos consórcios será compensado na declaração de rendimentos das pessoas jurídicas consorciadas, no exercício financeiro competente, proporcionalmente à participação contratada. (destacamos) Oportunamente digase aqui que a previsão expressa e específica de retenção de tributos na fonte, sobre recebimentos dos Consórcios, em nome individual das empresas consorciadas, somente surge com o advento da IN nº 1.199/20114. A única exceção na legislação infralegal anterior a 2011, que determinava retenção em nome das empresas participantes, era o art. 16 da IN nº 480/2004, que regulava apenas pagamentos advindos do Poder Público que não é, aqui, o caso. Diante disso, temos cenário em que certamente não estáse diante de retenções efetuadas em favor de outra pessoa jurídica, vez que as empresas participantes de Consórcio são as titulares da retenções efetuadas em seu nome, devendo ser, desde já, afastada a fundamentação do V. Acórdão recorrido. As cópias da 1ª Alteração de Contrato de Consórcio juntadas, que possuem todos os sinais de registro cartorial, já fazem prova da existência do dito Consórcio e da participação da Recorrente em tal pacto. Desse modo, tendo em vista o tratamento tributário de tais valores à época dos pagamentos e retenções, resta certo que a Contribuinte faz jus a parte desses valores de IRRF, compensável com 3 Imposto de Renda das Empresas. 41ª Ed. São Paulo : IR Publicações, 2016. p. 216. 4 Art. 7º Nos recebimentos de receitas decorrentes do faturamento das operações do consórcio sujeitas à retenção do imposto sobre a renda, da CSLL, da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, na forma da legislação em vigor, a retenção deve ser efetuada em nome de cada pessoa jurídica consorciada, proporcionalmente à sua participação no empreendimento. Fl. 149DF CARF MF Processo nº 10850.900422/201433 Resolução nº 1402000.702 S1C4T2 Fl. 8 7 o IRPJ devido no anocalendário de 2010, proporcionalmente à sua participação no Consórcio. Ocorre que, o conjunto probatório que se apresenta é incompleto, não podendo da Alteração Contratual se verificar a precisa proporção da Recorrente em tal reunião contratual pactuada. Tampouco está clara a contabilização específica, individual e proporcional das receitas auferidas por meio do referido Consórcio, correspondente ao IRRF em questão. Mesmo sendo ônus do contribuinte a prova do seu direito creditório, temos que no presente caso já foi demonstrada, com eficácia, a improcedência do fundamento adotado pelo v. Acórdão recorrido, não podendo prevalecer tal decisão. Considerando a necessidade de reforma de tal posição jurisdicional anterior e a existência de provas idôneas e fortes indícios de procedência, ainda que parcial, do pleito original da Contribuinte, entendese ser, aqui, cabível a determinação de diligência. Diante do exposto, resolvese por encaminhar os autos à D. Unidade Local de fiscalização, para que: 1) seja intimada a Recorrente a apresentar: 1.a) Cópia do Contrato de Consórcio original, pelo qual fora constituído o Consórcio Sistema Fácil Empreendimento Green Tambore (CNPJ nº 08.727.318/00018), apontando em arrazoado a ser apresentado junto de tal documentação a percentagem de sua participação nas receitas referentes ao IRRF retido; 1.b) Cópias das todas as eventuais alterações contratuais do Consórcio, procedidas até ao final do anocalendário de 2010; 1.c) Demonstração, por meio de documentos idôneos e arrazoado explicativo, da contabilização das receitas correspondentes ao IRRF retido pelo Consórcio Sistema Fácil Empreendimento Green Tambore, bem como a sua oferta à tributação, na proporção de sua participação no referido Consórcio, mencionada no Item 1.a; 2) Após, a D. Unidade Local, à luz do Parecer COSIT nº 02/2018, deverá analisar a documentação trazida, os arrazoados apresentados, as declarações fiscais e as demonstrações presentes nos autos, elaborando Relatório, claro, fundamentado e conclusivo, no qual seja atestado se houve ou não a comprovação satisfatória de que o crédito pretendido pela Contribuinte é procedente, considerando em tal análise as retenções efetuadas pelas Fontes Pagadoras em nome do Consórcio Sistema Fácil Empreendimento Green Tambore, na proporção de sua participação em tal contrato. 3) Deverá ser dada ciência ao Contribuinte do Relatório elaborado, com a abertura do devido prazo legal para manifestação formal, antes do retorno dos autos para julgamento." Fl. 150DF CARF MF Processo nº 10850.900422/201433 Resolução nº 1402000.702 S1C4T2 Fl. 9 8 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por converter o julgamento em diligência, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Fl. 151DF CARF MF
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