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Numero do processo: 16327.000545/2009-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 24 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 1201-000.233
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator
Nome do relator: LUIS FABIANO ALVES PENTEADO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA - Presidente. (assinado digitalmente) LUIS FABIANO ALVES PENTEADO - Relator. EDITADO EM: 04/02/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Luis Fabiano Alves Penteado, Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Luiz Paulo Jorge Gomes. Fl. 1579DF CARF MF Processo nº 16327.000545/2009-10 Resolução nº 1101-000233 S1-C1T1 Fl. 2 2 Relatório Tratam os presentes processos - 16327.000545/2009-10 (principal) e 16327.000627/2010-06 (apensado) - de compensações de diversos débitos com crédito relativo a saldo negativo de IRPJ do ano-calendário de 2008, no valor original de R$297.641.892,94. O crédito foi demonstrado no PER/DCOMP nº 01746.94867.300109.1.3.02- 1211 (fls. 31 a 36), que foi retificado pelo PER/DCOMP nº 19135.49648.260411.1.7.02-2013 (fls. 94 a 100). De acordo com esse PER/DCOMP, o crédito pleiteado decorre de: i) IR pago no exterior no montante de R$63.046.071,42; ii) IRRF (código 5706) no valor de R$317.598.637,49; iii) estimativa de IRPJ relativa a fevereiro/2008 no valor de R$667.802,32; iv) estimativa de janeiro/2008 compensada com saldo negativo de período anterior no valor de R$360.506,86 (PER/DCOMP nº 36454.70988.150208.1.3.02-2849). Referido crédito foi utilizado para compensações de diversos débitos, declarados nos PER/DCOMP abaixo relacionados: Além disso, a interessada transmitiu, em 06/01/2009, os PER/DCOMP, abaixo discriminados, para a compensação de diversos débitos com crédito relativo a IRRF incidente sobre juros sobre o capital próprio. Fl. 1580DF CARF MF Processo nº 16327.000545/2009-10 Resolução nº 1101-000233 S1-C1T1 Fl. 3 3 Em 07/07/2010, protocolizou a petição de fls. 38, na qual alega erro no preenchimento dos PER/DCOMP acima relacionados e requer a retificação do tipo de crédito de “IRRF sobre o capital próprio” para “saldo negativo de IRPJ do ano-calendário de 2008”. Acrescenta que não foi possível efetuar a retificação por meio eletrônico e encaminha os formulários de Declaração de Compensação em papel (fls. 50 a 56). DO DESPACHO DECISÓRIO As compensações declaradas pela interessada foram analisadas pela Deinf/SPO/Diort por meio do despacho decisório de fls. 754 a 777. A fim de subsidiar a análise, a interessada foi intimada, por meio do Termo de Intimação nº 146, de 29/05/2012 (fls. 180 a 182), a apresentar demonstrativos e documentos comprobatórios, os quais foram juntados às fls. 183 a 697 dos autos. 2.1. Do pedido de retificação de crédito declarado em PER/DCOMP, a autoridade a quo deferiu o pedido de retificação do crédito informado nos PER/DCOMP de fls. 698 a 732 de “IRRF incidente sobre juros sobre o capital próprio” para “saldo negativo de IRPJ apurado em 31/12/2008”. Assim, os PER/DCOMP eletrônicos de fls. 698 a 732 foram substituídos pelas Declarações de Compensação apresentadas em papel, juntadas às fls. 50 a 56. 2.2. Da denúncia espontânea de débitos, a autoridade a quo verificou que foram transmitidos dois PER/DCOMP após a data de vencimentos dos débitos neles declarados, não tendo sido incluídas as multas moratórias. São eles: Fl. 1581DF CARF MF Processo nº 16327.000545/2009-10 Resolução nº 1101-000233 S1-C1T1 Fl. 4 4 Em relação ao débito de IRRF (código 5706) com vencimento em 06/01/2009, cuja compensação foi declarada no PER/DCOMP nº 01746.94867.300109.1.3.02- 1211, a autoridade a quo informa que a interessada apresentou, em 21/05/2009, a petição de fls. 3, na qual comunica à Receita Federal que efetuou a quitação do débito por compensação, sem a adição de multa moratória, face à denúncia espontânea prevista no art. 138 do Código Tributário Nacional - CTN. Acrescenta que, de acordo com o Termo de Informação Fiscal (fls. 27), o débito denunciado foi lançado de ofício, juntamente com a multa de mora devida pelo atraso na compensação, procedimento que gerou o processo administrativo fiscal nº 16327.001093/2009- 93. Logo, essa multa de mora não é objeto do presente processo. No que tange ao débito de CSLL (código 6758) com vencimento em 30/01/2009, a interessada apresentou, em 19/02/2010, a petição que consta da folha 4 do processo apenso nº 16327.000627/2010-06, na qual comunica à Receita Federal que efetuou a compensação do débito nos termos do artigo 138 do CTN. Alega a autoridade a quo que o débito denunciado não foi declarado em DCTF e nem lançado de ofício. Acrescenta que a interessada informou a compensação do valor principal e dos juros de mora, mas não pagou nem compensou a multa de mora devida, no valor de R$3.405.752,82, correspondente a 20% de R$17.028.764,09. Sustenta a autoridade a quo que a denúncia espontânea somente se caracteriza se houver pagamento do débito em sua acepção primária, não se considerando ocorrida a denúncia espontânea no presente caso, pois a interessada não efetuou o pagamento do débito confessado, mas o compensou. Assim, conclui que a multa moratória, no valor de R$3.405.752,82, deve ser incluída ao se efetivar a compensação do débito. Do saldo negativo de IRPJ apurado em 31/12/2008 A autoridade a quo relata que o crédito de R$297.641.892,94 informado no PER/DCOMP nº 19135.49648.260411.1.7.02-2013 corresponde ao valor do saldo negativo de IRPJ informado na Ficha 12B da DIPJ 2009 retificadora transmitida em 31/05/2010 (fls. 118), na qual constam as seguintes informações: Fl. 1582DF CARF MF Processo nº 16327.000545/2009-10 Resolução nº 1101-000233 S1-C1T1 Fl. 5 5 A seguir, a autoridade a quo passa à análise das parcelas que compuseram o saldo negativo. Do imposto de renda retido na fonte A parcela de R$317.598.637,49 informada na Ficha 12B da DIPJ 2009 referente ao imposto de renda retido na fonte foi confirmada pela autoridade a quo, conforme se verifica nos parágrafos 24 a 28 do despacho decisório (fls. 760 e 761). Do imposto de renda mensal pago por estimativa A autoridade a quo verificou que as estimativas mensais de IRPJ foram pagas ou compensadas conforme demonstrativo abaixo (valores em R$): Em relação à estimativa de fevereiro/2008, a autoridade a quo verificou que o pagamento foi efetuado em atraso, com os benefícios previstos no art. 1º, §3º, inciso I, da Lei nº 11.941/2009 (redução da multa de mora em 100% e dos juros de mora em 45%). Alega que, para fins de restituição, não se pode considerar o valor integral da estimativa paga, devendo ser efetuada a imputação proporcional do pagamento efetuado ao principal, juros e multa de mora que seriam devidos sem considerar os benefícios da Lei nº 11.941/2009. Assim, considerando-se que o total do pagamento efetuado em 30/11/2009 foi de R$735.183,57 e que, sem os benefícios da Lei nº 11.941/2009 seriam devidos juros de 18,36% e multa de 20%, a autoridade a quo concluiu que o valor da estimativa de Fl. 1583DF CARF MF Processo nº 16327.000545/2009-10 Resolução nº 1101-000233 S1-C1T1 Fl. 6 6 fevereiro/2008 a ser considerada na apuração do saldo negativo de IRPJ seria de R$531.355,57 ao invés de R$667.802,32 (diferença de R$136.446,75). Do imposto pago no exterior incidente sobre lucros, rendimentos e ganhos de capital Na Ficha 12B da DIPJ 2009, a contribuinte informou o valor de R$63.046.071,42 a título de imposto pago no exterior incidente sobre lucros, rendimentos e ganhos de capital. Relata a autoridade a quo que, intimada a detalhar esse valor (fls. 180 a 182), a interessada apresentou as explicações de fls. 632 e 633 e cópia do Lalur, juntada às fls. 681 a 697. Informa que, em síntese, a interessada aproveitou saldos não utilizados de R$2.311.382,18 em 31/12/2006 e de R$12.743.778,98 em 31/12/2007, além de compensar o IR pago no exterior em 2008 de R$47.990.910,36, o que totalizou R$63.046.071,42. Do IR pago no exterior em 2008 A autoridade a quo informa que a base legal da compensação do imposto pago no exterior incidente sobre os lucros, rendimentos e ganhos de capital com o imposto de renda devido no Brasil está prevista nas Leis nº 9.249/95, nº 9.430/96 e nº 9.532/97, nos artigos 21 e 74 da Medida Provisória nº 2.158-35/2001, no art. 395 do Decreto nº 3.000/99 e na Instrução Normativa SRF nº 213/2002. Ressalta que o art. 26 da Lei nº 9.249/95 assim dispõe: “Art. 26. A pessoa jurídica poderá compensar o imposto de renda incidente, no exterior, sobre os lucros, rendimentos e ganhos de capital computados no lucro real, até o limite do imposto de renda incidente, no Brasil, sobre os referidos lucros, rendimentos ou ganhos de capital. § 1º Para efeito de determinação do limite fixado no caput, o imposto incidente, no Brasil, correspondente aos lucros, rendimentos ou ganhos de capital auferidos no exterior, será proporcional ao total do imposto e adicional devidos pela pessoa jurídica no Brasil. § 2º Para fins de compensação, o documento relativo ao imposto de renda incidente no exterior deverá ser reconhecido pelo respectivo órgão arrecadador e pelo Consulado da Embaixada Brasileira no país em que for devido o imposto.” Logo, a compensação de imposto pago no exterior sobre lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos por filiais, sucursais, controladas e coligadas está condicionada a: a) adição desses lucros, rendimentos e ganhos de capital ao lucro real apurado no Brasil; Fl. 1584DF CARF MF Processo nº 16327.000545/2009-10 Resolução nº 1101-000233 S1-C1T1 Fl. 7 7 b) observância, na compensação, do limite do imposto de renda incidente, no Brasil, sobre os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior; c) apresentação de documento de arrecadação reconhecido pelo órgão arrecadador e pelo Consulado da Embaixada Brasileira no país em que for devido o imposto. A autoridade a quo relata que as Fichas 34 e 35 da DIPJ 2009 (fls. 129 a 132) demonstram as participações da interessada no exterior, conforme sintetizado na tabela a seguir: Relata que a interessada foi intimada, por meio do Termo de Intimação nº 146, de 29/05/2012 (fls. 180 a 182), a apresentar a comprovação documental dos lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior e os registros contábeis comprobatórios da inclusão desses valores no lucro real apurado em 31/12/2008, além dos comprovantes de pagamento de imposto no exterior. Acrescenta que os documentos apresentados em resposta à intimação encontram-se juntados às fls. 183 a 697. Nos demonstrativos de fls. 741 e 742, a autoridade a quo efetuou o cálculo do limite para compensação previsto no art. 26 da Lei nº 9.249/95 e no art. 14 da Instrução Normativa SRF nº 213/2002, chegando à conclusão de que, caso comprovados os pagamentos no exterior, o limite para compensação seria de R$47.126.289,52, valor R$ 864.620,84 inferior ao compensado pela contribuinte. Assim, conclui a autoridade a quo que houve compensação indevida de IR pago no exterior em 2008 no montante de R$864.620,84, em face da inobservância do limite previsto no caput do art. 26 da Lei nº 9.249/95. Itaú Chile Holdings A autoridade a quo informa que, em relação ao grupo de empresas da Itaú Chile Holdings, a contribuinte apresentou demonstrativo consolidado (fls. 615 a 619) e cópias de documentos intitulados “Declaracion Mensual y Pago Simultaneo de Impuestos – Formulário 29” (fls. 237 a 421). Alega que esse formulário é utilizado para a declaração e pagamento mensal de IVA (imposto sobre valor agregado), conforme pesquisa efetuada no sítio do “Servicio de Impuestos Internos” do Chile (http://www.sii.cl/formularios/form.htm), não sendo possível Fl. 1585DF CARF MF Processo nº 16327.000545/2009-10 Resolução nº 1101-000233 S1-C1T1 Fl. 8 8 identificar, nos formulários apresentados, os valores dos lucros auferidos pelas empresas do grupo Chile Holding durante o ano de 2008. Informa que, embora intimada, a contribuinte não apresentou os comprovantes de pagamento do imposto no exterior, devidamente reconhecidos pelo órgão arrecadador e pelo Consulado da Embaixada Brasileira, conforme determinação contida no §2º do art. 26 da Lei nº 9.249/95. Assim, a autoridade a quo conclui ser indevida a compensação dos impostos alegadamente pagos no exterior pelas empresas do grupo Itaú Chile Holdings, visto que a interessada não comprovou o valor dos lucros apurados em 2008 e também não atendeu ao disposto no art. 26, §2º, da Lei nº 9.249/95. Empresas localizadas no Uruguai – Banco Itaú Uruguay, Oca Casa Financeira e Oca S/A A autoridade a quo informa que, em relação às empresas localizadas no Uruguai, a contribuinte apresentou demonstrativo consolidado (fls. 615 a 619) e cópias de documentos intitulados “Declaracion de Impuestos – Formulario 2176” (fls. 422 a 614 e 648 a 675). Alega que esse formulário é utilizado para a prestação de informações mensais de IVA (Impuesto al Valor Agregado) e de antecipações mensais do IRIC (Impuesto a las Rentas de la Industria Y Comercio) e do IRAE (Impuesto a la Renta de las Actividades Economicas), não sendo possível identificar, nesses formulários, os valores dos lucros auferidos pelas empresas controladas situadas no Uruguai. Acrescenta que, tratando-se de declarações referentes a antecipações mensais de IRIC e de IRAE, não é possível concluir se essas antecipações mensais correspondem ao valor efetivamente devido e pago desses impostos incidentes sobre os lucros. A autoridade a quo informa que, embora intimada, a contribuinte não apresentou os comprovantes de pagamento do imposto no exterior, devidamente reconhecidos pelo órgão arrecadador e pelo Consulado da Embaixada Brasileira, conforme determinação contida no §2º do art. 26 da Lei nº 9.249/95. Assim, a autoridade a quo conclui ser indevida a compensação dos impostos alegadamente pagos no exterior pelas empresas controladas situadas no Uruguai, visto que a interessada não comprovou o valor dos lucros apurados em 2008 e também não atendeu ao disposto no art. 26, §2º, da Lei nº 9.249/95. Do IR pago no exterior em 2006 e em 2007 Relata a autoridade a quo que o saldo negativo de IRPJ do ano-calendário de 2006 foi analisado no processo administrativo fiscal nº 16327.721297/2012-40, no qual se concluiu ser indevida a compensação de IR pago no exterior em 2006, no valor de R$2.311.382,18, com débito do IRPJ apurado no ajuste anual em 2008. Fl. 1586DF CARF MF Processo nº 16327.000545/2009-10 Resolução nº 1101-000233 S1-C1T1 Fl. 9 9 No despacho decisório proferido no processo em comento (fls. 743 a 746), constata-se que a compensação foi considerada indevida pela Deinf/SPO em razão de a mesma ultrapassar o limite previsto no caput do art. 26 da Lei nº 9.249/95. Além disso, no referido processo, a autoridade a quo concluiu que não restou comprovado o imposto pago no exterior e que, ainda que houvesse tal comprovação, a compensação estaria limitada a R$39.118.578,06, valor R$2.311.382,18 inferior ao montante compensado de R$41.429.960,24. No que tange ao imposto pago no exterior em 2007, relata a autoridade a quo que o mesmo foi analisado no processo administrativo fiscal nº 16327.720527/2012-53 (fls. 747 a 749). No despacho decisório proferido no citado processo, constata-se que a autoridade a quo considerou como não comprovado o imposto pago no exterior em 2007. E que, ainda que houvesse comprovação, o saldo compensável com o IRPJ em exercícios posteriores seria de R$12.467.563,43, valor inferior ao montante de R$12.743.778,89 compensado em 2008. Assim, não comprovados os pagamentos de impostos no exterior em 2006 e 2007, conforme decidido nos processos administrativos de números 16327.721297/2012-40 e 16327.720527/2012-53, conclui a autoridade a quo que esses pagamentos não poderiam ser compensados em 2008. Das conclusões acerca da compensação do imposto pago no exterior incidente sobre lucros, rendimentos e ganhos de capital Ante o exposto, a autoridade a quo conclui pela improcedência da compensação do imposto pago no exterior no montante de R$63.046.071,42. 2.4. Do cálculo do IR sobre o Lucro Real A tabela apresentada a seguir sintetiza a apuração do saldo negativo informada pela contribuinte e a apuração efetuada pela autoridade a quo: Fl. 1587DF CARF MF Processo nº 16327.000545/2009-10 Resolução nº 1101-000233 S1-C1T1 Fl. 10 10 Das conclusões do despacho decisório Reproduz-se, a seguir, a parte dispositiva do despacho decisório (fls. 775 e 776): DECISÃO Diante do exposto, com fundamento no Regimento Interno da RFB aprovado pela Portaria MF n° 587, de 21 de dezembro de 2010, e nos termos do disposto no art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996, APROVO a proposição apresentada e DECIDO: RECONHECER PARCIALMENTE o direito creditório contra a Fazenda Nacional relativo ao Saldo Negativo de IRPJ apurado na DIPJ 2009, ano-calendário de 2008, às fls. 118 por Itaú Unibanco Holding S/A, CNPJ nº 60.872.504/0001-23, no valor original de R$234.459.374,77, sobre o qual deverão incidir juros equivalentes à taxa SELIC, conforme legislação em vigor; DEFERIR a petição de fls. 38 do processo principal 16327.000545/2009-10, com substituição para todos os efeitos legais, dos PER/DCOMP às fls. 698/732, pelas Declarações em Papel às fls. 50/56; COBRAR Multa de Mora, conforme relatório de fls. 750/753, pela compensação em atraso, do débito informado na Petição às fls. 04 do processo apensado 16327.000627/2010-06, através do PER/DCOMP 01750.93296.290110.1.3.02- 2020 às fls. 05/08 do processo apensado; HOMOLOGAR PARCIALMENTE as compensações informadas nos PER/DCOMP relacionados no item 5 deste Despacho Decisório, vinculadas ao crédito aqui analisado, nos termos do disposto no art. 74 da Lei n° 9.430/96, conforme relatório de fls. 750/753; Da Manifestação de Inconformidade Fl. 1588DF CARF MF Processo nº 16327.000545/2009-10 Resolução nº 1101-000233 S1-C1T1 Fl. 11 11 Cientificada do despacho decisório em 05/09/2013 (fls. 790), a interessada apresentou, em 20/09/2013, a manifestação de inconformidade de fls. 792 a 804, acompanhada dos documentos de fls. 805 a 898. As alegações apresentadas estão sintetizadas a seguir. Da denúncia espontânea A Recorrente alega que preencheu os requisitos concernentes ao instituto da denúncia espontânea prevista no art. 138 do CTN, devendo ser afastada a cobrança da multa de mora. Sustenta que a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional – PGFN já manifestou seu entendimento, por meio do Ato Declaratório nº 4/2011, no sentido de que a denúncia espontânea importa na exclusão da multa moratória. Alega que o instituto da denúncia espontânea se aplica aos débitos quitados por meio de compensação, conforme decisões do Superior Tribunal de Justiça – STJ e do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF. Assim, requer seja reformado o despacho decisório para excluir a multa de mora relativa ao débito compensado no PER/DCOMP nº 01750.93296.290110.1.3.02-2020. Do saldo negativo de IRPJ apurado em 31/12/2008 Da estimativa paga com o benefício previsto na Lei nº 11.941/2009 Alega a Recorrente que a estimativa de fevereiro/2008, no valor de R$667.802,32, foi quitada com os benefícios da anistia, não havendo fundamento legal para a decisão da autoridade a quo que considerou apenas o valor de R$531.355,58. Do imposto pago no exterior em 2006 e em 2007 A Recorrente alega ser correta a compensação do imposto pago no exterior em 2006 e em 2007, visto que a matéria ainda se encontra em discussão administrativa nos processos de números 16327.721297/2012-40 e 16327.720527/2012-53, respectivamente. Acrescenta que os processos se encontram na DRJ aguardando julgamento da manifestação de inconformidade (doc. 08 e doc 09). Fl. 1589DF CARF MF Processo nº 16327.000545/2009-10 Resolução nº 1101-000233 S1-C1T1 Fl. 12 12 Do imposto pago no exterior em 2008 Itaú Chile Holdings A Recorrente alega que o lucro disponibilizado pelas empresas do grupo Itaú Chile Holdings foi devidamente comprovado mediante a apresentação da DRE ainda na fase de fiscalização. De qualquer forma, para que não reste dúvida quanto ao demonstrado, alega a Recorrente que está juntando aos autos as demonstrações contábeis de 31/12/2007 e de 31/12/2008, com parecer de auditoria independente, na qual demonstrou-se a apuração do lucro líquido da empresa Itaú Chile Holdings Inc., no valor de 143.599 milhares de reais (doc. 05). Quanto à comprovação do imposto pago no exterior, alega a Recorrente que está apresentando o “Form. 22” proveniente do “Servicio de Impuestos Internos” do governo chileno (doc. 06), no qual consta a informação sobre o lucro apurado (campo 18) e sobre o imposto lançado (campo 36). Ressalta que a informação acerca do imposto lançado contida no formulário contém a atualização monetária local, não utilizada no Brasil, visto que o valor utilizado do imposto pago no exterior é convertido em Reais, levando-se em conta a taxa de câmbio da moeda do país de origem, fixada para venda pelo Bacen, na data do seu efetivo pagamento. Empresas localizadas no Uruguai A Recorrente alega que os lucros disponibilizados pelas empresas localizadas no Uruguai, as quais são controladas pela Bicsa Holdings Ltd., encontra-se comprovado pelas demonstrações contábeis de 31/12/2007 e 31/12/2008 (doc. 05), especialmente na Nota 3 – Consolidação das Notas Explicativas às Demonstrações Financeiras. No que tange à comprovação do imposto pago no Uruguai, a Recorrente alega que na “Declaracion de Impuestos – 2149” (doc. 07), consta a individualização do lucro para cada empresa, conforme página 3 da declaração. Acrescenta que a composição do imposto pago pela empresa (IRAE) está devidamente informada no campo “Rubro 6 – liquidacion de impuestos”. Acrescenta que tal declaração é suficiente para comprovar o imposto pago, visto que a legislação do Uruguai estabelece que a liquidação do imposto se dá por meio de declaração do contribuinte. Assim, conclui estar devidamente comprovado o imposto pago no Uruguai e compensado no Brasil. Do limite previsto no art. 26, caput, da Lei nº 9.249/95 Fl. 1590DF CARF MF Processo nº 16327.000545/2009-10 Resolução nº 1101-000233 S1-C1T1 Fl. 13 13 A Recorrente alega que os esclarecimentos e documentos apresentados nos itens anteriores demonstram que tem direito ao crédito do IR pago no exterior conforme pleiteado nos PER/DCOMP apresentados. 3.3. Da multa isolada A Recorrente sustenta que deve ser cancelado o lançamento da multa isolada face à comprovação da totalidade do crédito declarado. Da decisão da DRJ/SPO Através do acórdão 16-59.660 a 10. Turma da DRJ/SPO julgou a Manifestação de Inconformidade parcialmente procedente para reconhecer a parcela de R$ 136.446,75 do direito creditório pleiteado pelo ora Recorrente. Recurso Voluntário Diante desta decisão, foi apresentado Recurso Voluntário que ratificou as alegações trazidas em Manifestação de Inconformidade. É o Relatório. Voto Conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado - Relator Admissibilidade O Recurso Voluntário apresentado é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, portanto, merece ser acolhido. Mérito Do imposto pago no exterior Compõe o saldo negativo de 2008 compensado pela Recorrente, valores decorrente de imposto pago no exterior pelas subsidiárias localizadas no Chile e Uruguai, cujo montante soma R$ 63 milhões. Foram acostados aos autos, os seguintes documentos relacionados: i-) comprovantes do imposto pago no Chile e no Uruguai e que foram declarados em DIPJ; Fl. 1591DF CARF MF Processo nº 16327.000545/2009-10 Resolução nº 1101-000233 S1-C1T1 Fl. 14 14 ii-) DRE e Demonstrações contábeis de 31/12/07 e 31/12/08 onde são demonstrados os resultados (lucro líquido) da empresa Chile Holding; iii-) comprovação do percentual individualizado de participação das controladas diretas e indiretas no Uruguai - nota 3 das Notas Explicativas; iv-) formulário do fisco chileno ( formulário n. 22) no qual são informados o lucro apurado e respectivo imposto devido; v-) legislação chilena e uruguaia aplicável A DRJ entendeu que a Recorrente não atendeu os seguintes requisitos para fazer jus ao aproveitamento do imposto pago no exterior: i-) adição dos lucros, rendimentos e ganhos de capital ao Lucro Real apurado no Brasil; ii-) observância do limite de compensação, restrito ao valor do imposto de renda incidente no Brasil sobre tais lucros, rendimentos e ganhos de capital e iii-) apresentação de comprovante de recolhimento reconhecido pelo órgão arrecadador e pelo Consulado da Embaixada Brasileira no país em que o imposto for devido. Do imposto pago no Chile Segundo a decisão da DRJ, a ausência de tradução para o Português e da autenticação consular dos comprovantes de pagamento do imposto, somado à apresentação incompleta em demonstrações financeiras do resultado da empresa Itaú Chile Holding, inviabilizam o aproveitamento do imposto no Brasil. De fato, já havia sido apresentado pelo Recorrente, os trechos ou páginas do Parecer das Demonstrações Financeiras que demonstrava o valor do lucro da empresa Itaú Chile Holdings. Além disso, fora juntado em conjunto com o Recurso Voluntário a versão completa das demonstrações financeiras de 31/12/07 e 31/12/2008 e parecer dos auditores independentes da empresa Itaú Chile Holdings. Além disso, existia uma divergência de valores entre a DRE e a DIPJ (fichas 34 e 35) do ano calendário 2007, vez que na ficha 34 , o valor do lucro da Itaú Chile Holding soma R$ 174.138.053,86 ao passo que na ficha 35 a soma do lucro líquido e imposto remonta R$ 176.009.920,44. Segundo a Recorrente, tal diferença se refere à ajustes de MEP no montante de R$ 1.871.866,58. Contudo, tal discussão se torna irrelevante ao passo que o valor de R$ 143.598.610,04 informado na ficha 35 como Lucro Líquido apurado no Chile é o mesmo que consta nas demonstrações financeiras e, mais importante, o valor de R$ 32.411.310,40 que consta na ficha 35 como imposto pago no Chile confere com os comprovantes (FORM 29) que forma apresentados. Por fim, em relação à a ausência de tradução do documento "Formulário 22", a Recorrente juntou aos autos em conjunto com o Recurso Voluntário, cópia traduzida e Fl. 1592DF CARF MF Processo nº 16327.000545/2009-10 Resolução nº 1101-000233 S1-C1T1 Fl. 15 15 juramentada de tal formulário, o que acato até mesmo em razão de ausência de previsão legal da exigência de tal tradução. Assim, demonstrada a relação entre o valor do imposto pago no Chile e os valores oferecidos à tributação no Brasil, bem como, cumpridas as exigências formais relacionadas aos comprovantes de pagamento do imposto no exterior, entendo que a Recorrente faz jus ao aproveitamento integral do imposto recolhido em 2008 pela controladas no Chile que perfaz o montante de R$ 32.411.310,40. Do Imposto pago no Uruguai Com relação ao imposto pago no Uruguai, não há qualquer inconsistência entre valores informados na DIPJ e aqueles constantes nas demonstrações financeiras e também nos comprovantes do imposto apurado. O ponto aqui em debate se refere ao fato da documentação acostada que demonstra o imposto apurado, os lucros disponibilizados e o imposto pago no Uruguai, está toda redigida em língua estrangeira. Especificamente, aqui se trata do Formulário 2176 - Declaración de Impuestos que é utilizado para a declaração mensal do IVA, bem como, das antecipações do IRIC, IRAE, PAT e ICOSA. Contudo, conforme se verifica nos autos, entendo que os documentos juntados aos autos, em especial os Formulários 2176 (demonstrativo do imposto pago mensalmente) e 2149 (demonstrativo anual do Imposto de Renda) trazem de forma clara todas as informações requeridas pela legislação. Cabe ressaltar, a lei não obriga o contribuinte a apresentar versão traduzida dos documentos se estes estão devidamente consularizados. Do imposto pago no exterior nos anos de 2006 e 2007 Os valores referentes ao imposto pago no exterior nos anos de 2006 e de 2007 estão sendo discutidos nos processos administrativos 16327.721297/2012-40 e 16327.720527/2012-53 respectivamente. Assim, considerando as decisões emanadas por esta turma nos autos dos mencionados processos, em sessão de julgamento ocorrida nesta mesma data, no sentido de converter o julgamento em diligência para que os comprovantes consularizados dos recolhimentos efetuados no Chile e Uruguai seja devidamente analisados pela Delegacia de origem, entendo que a análise completa do objeto de discussão nos presentes autos resta prejudicada. Fl. 1593DF CARF MF Processo nº 16327.000545/2009-10 Resolução nº 1101-000233 S1-C1T1 Fl. 16 16 Conclusão Diante do exposto, CONHEÇO do Recurso Voluntário para determinar a CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA de forma que os presentes autos retornem à Delegacia de origem e aguardem o resultado das diligências determinadas nos autos dos processos administrativos 16327.721297/2012-40 e 16327.720527/2012-53, para que então retorne juntamente aos processos acima mencionados para julgamento por esta turma. O encaminhamento proposto para diligência deve se realizar de forma vinculada aos processo administrativos 16327.721297/2012-40 e 16327.720527/2012-53. É como voto! (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado - Relator Fl. 1594DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11030.002176/2002-35
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Feb 21 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1997
MULTA DE OFÍCIO E JUROS DE MORA. LANÇAMENTO. EMPRESA EM REGIME FALIMENTAR.
Nos termos do art. 60 da Lei 9.430/96, as entidades submetidas ao regime falimentar estão sujeitas às mesmas normas de incidência dos impostos e contribuições da União aplicáveis às demais pessoas jurídicas.
Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 1997
REAVALIAÇÃO ESPONTÂNEA DE ATIVOS. MATÉRIA NÃO ARGUMENTADA.
Não deve ser conhecida a matéria que não foi objeto de recurso.
Numero da decisão: 1401-001.757
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NÃO CONHECER da CSLL incidente sobre a reavaliação espontânea de ativos, por falta de objeto e, na parte conhecida, NEGAR provimento ao recurso voluntário quanto à aplicação de juros de mora e multa de ofício.
(Assinado Digitalmente)
Antônio Bezerra Neto - Presidente
(Assinado Digitalmente)
Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio Bezerra Neto (Presidente), Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Livia De Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa (Relator), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin e Abel Nunes de Oliveira Neto.
Nome do relator: LUIZ RODRIGO DE OLIVEIRA BARBOSA
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LANÇAMENTO. EMPRESA EM REGIME FALIMENTAR. Nos termos do art. 60 da Lei 9.430/96, as entidades submetidas ao regime falimentar estão sujeitas às mesmas normas de incidência dos impostos e contribuições da União aplicáveis às demais pessoas jurídicas. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 1997 REAVALIAÇÃO ESPONTÂNEA DE ATIVOS. MATÉRIA NÃO ARGUMENTADA. Não deve ser conhecida a matéria que não foi objeto de recurso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NÃO CONHECER da CSLL incidente sobre a reavaliação espontânea de ativos, por falta de objeto e, na parte conhecida, NEGAR provimento ao recurso voluntário quanto à aplicação de juros de mora e multa de ofício. (Assinado Digitalmente) Antônio Bezerra Neto Presidente (Assinado Digitalmente) Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 03 0. 00 21 76 /2 00 2- 35 Fl. 335DF CARF MF Processo nº 11030.002176/200235 Acórdão n.º 1401001.757 S1C4T1 Fl. 336 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio Bezerra Neto (Presidente), Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Livia De Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa (Relator), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin e Abel Nunes de Oliveira Neto. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão da 1ª Turma DRJ/STM de 04/12/2003, que julgou o lançamento procedente. Este Acórdão referese tão somente ao julgamento da incidência da CSLL decorrente de reavaliação de ativos (Infração 1 abaixo), que compreende o período de apuração do 2º Trimestre de 1997 e alcançou o montante de R$ 1.981.921,72, na época da lavratura do auto de infração (em 27/11/2002), incluídos juros de mora e multa de ofício. Mais a frente será demonstrado que o IRPJ, tanto da Infração 1 quanto da Infração 2, não é mais objeto da lide, em razão de seu trânsito de julgado administrativo. Não obstante, trarei abaixo todas as infrações que foram objeto de lançamento no processo administrativo fiscal nº 11030.002176/200235. A descrição dos fatos para lavratura do auto de infração que deu azo à lide tratada neste processo (fls. 6 e ss) se resume pelas seguintes infrações: Infração 1 A Recorrente efetuou reavaliação espontânea de seus ativos. Porém, o laudo de avaliação dos bens do ativo realizada pela Recorrente não satisfazia aos requisitos necessários previstos no artigo 8º da Lei 6.404/1976, sendo que, em razão do disposto no artigo 382 e parágrafos do Regulamento do Imposto de Renda de 1994 (RIR/1994), a fiscalização, de ofício, adicionou o valor da Reserva de Avaliação constituída ao Lucro Líquido do períodobase encerrado em 30/06/1997, lavrando AI de IRPJ e de CSLL. De acordo com a fiscalização (fl. 11), "O contribuinte deixou de adicionar ao lucro líquido do períodobase mês de junho de 1996, para determinação do Lucro Real, do valor de R$ 12.721.963,88, relativos a reserva de reavaliação de bens do seu Ativo Permanente, face a inobservância dos requisitos legais necessários a sua constituição.". Infração 2 A Recorrente deixou de adicionar ao lucro líquido no ano de 1997, na determinação do lucro real, o lucro inflacionário realizado no montante de R$ 377.721,88, ou seja, R$ 94.430,47 por trimestre, não observando o percentual de realização mínima previsto na legislação de regência. Por essa razão, a fiscalização efetuou o lançamento de IRPJ. Conforme narrou a fiscalização na descrição dos fatos do auto de infração (fl. 07), “o contribuinte optante pela realização favorecida do lucro inflacionário acumulado não Fl. 336DF CARF MF Processo nº 11030.002176/200235 Acórdão n.º 1401001.757 S1C4T1 Fl. 337 3 efetuou a realização mínima obrigatória de 10% no ano de 1997 ou 2,5% ao trimestre, tendo em vista a apuração trimestral do resultado. Considerando que o saldo de lucro inflacionário acumulado era em 31/12/1996 de R$ 3.777.218,94, a fiscalizada deixou de realizar R$ 94.430,47 por trimestre, correspondente a 10% ao ano ou 2,5% ao trimestre, sobre o saldo acumulado”. Irresignada, a empresa apresentou Impugnação (fls. 123 e ss.), em que alegou, em suma: Reavaliação dos bens: Não houve aproveitamento ou apropriação por parte da Recorrente da referida reavaliação. Sustenta que, por ter rejeitado o laudo de avaliação, a fiscalização também não o poderia ter admitido para efetuar a tributação. Reavaliação dos bens: Admitindose o procedimento adotado pela fiscalização nos termos do artigo 382 do RIR/94, o lançamento seria na modalidade homologação. Portanto, em face do art. 150, § 4º do CTN, a constituição do crédito tributário já teria sido atingida pela decadência, pois o início da ação fiscal se deu em agosto de 2002, quando já ultrapassado o prazo de cinco anos do fato gerador, que ocorrera no mês de junho de 1997. Reavaliação dos bens: Laudo de Avaliação havia sido retificado por perito nomeado judicialmente nos autos do processo falimentar e houve a correta contabilização. Lucro Inflacionário: A Fiscalização não seguiu o disposto no art. 354, I, do RIR/94, haja vista que a atividade desenvolvida pela Recorrente seria atividade rural. Lucro Inflacionário: Pela leitura conjugada dos artigos 8º, parágrafo único, da Lei 9.065/1995; Artigo 7, §1º, da Lei 9.249/1995; e Artigo 32 da Lei 8.541/1992, conclui que o lucro inflacionário teve sua ocorrência final em 31/12/1995, possibilitando a legislação que seu pagamento fosse feito trimestralmente. Assim, seja pelo disposto no artigo 150, §4º, seja pelo artigo 173, I, ambos do CTN, o crédito já estaria alcançado pelo período decadencial, porquanto a contagem do prazo se iniciou em 01/01/1996. Lucro Inflacionário: Ainda que o critério da contagem do prazo fosse a realização do lucro inflacionário, o direito da Fazenda teria decaído, pois, em razão do não pagamento das parcelas, o vencimento se tornaria antecipado, por força do artigo 913 do RIR/94. Lucro Inflacionário: Exigência da CSLL. A lei 7.689/88, em seu art. 2º, §1º, estabelece que a base de cálculo da contribuição é o valor do resultado do exercício, antes da provisão para o Imposto de Renda, encerrado em 31 de dezembro. Assim, esta contribuição somente pode incidir sobre o lucro real, e não sobre o lucro inflacionário. É de se reparar que a recorrente contestou a autuação da CSLL alegando que tal contribuição não deveria ser exigida sobre o lucro inflacionário. Entretanto, como se pode extrair do auto de infração, a CSLL foi imputada em decorrência da reavaliação espontânea efetuada pela recorrente, e não sobre o lucro inflacionário, o qual somente teve incidência do IRPJ. Fl. 337DF CARF MF Processo nº 11030.002176/200235 Acórdão n.º 1401001.757 S1C4T1 Fl. 338 4 Reavaliação dos bens e Lucro Inflacionário: Multa e juros de mora aplicado violaria o disposto no inciso III, do parágrafo único do artigo 23 do DecretoLei 7.661/45, bem como a Súmula 565 e 192 do Supremo Tribunal Federal. No julgamento da Impugnação, a 1ª Turma de Julgamento da Delegacia Regional de Julgamento de Santa Maria – RS (Acórdão n° 2.188 de 04/12/2033 – Fls. 140 e ss.), por unanimidade de votos, rejeitou as preliminares de nulidade do auto de infração e de decadência e julgou procedentes os lançamentos sobre o Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ e Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido – CSLL, com os devidos acréscimos legais, conforme Ementa abaixo: Assunto: Processo Administrativo Fiscal. Anocalendário: 1997 Ementa: NULIDADE DO LANÇAMENTO. Se o auto de infração possui todos os requisitos necessários a sua formalização, estabelecidos pelo art. 10 do Decreto n° 70.235, de 1972, e se não forem verificados os casos taxativos enumerados no art. 59 do mesmo decreto, não é nulo o lançamento de ofício. NULIDADES. CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. Tendo sido a interessada cientificada plenamente das infrações que lhe foram imputadas, sendolhe concedido prazo regulamentar para apresentação do contraditório, o que ensejou a oportunidade de defesa, não merece acolhida a solicitação de nulidade do procedimento fiscal, uma vez que não restou configurada a violação ao princípio do contraditório e da ampla defesa. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário. Anocalendário: 1997 Ementa: LANÇAMENTO. DECADÊNCIA. IRPJ. A decadência dos tributos lançados por homologação, uma vez havendo antecipação de pagamento, é de cinco anos a contar da data da ocorrência do fato gerador, de acordo com o art. 150, § 4º, do CTN. Em não havendo antecipação de pagamento, hipótese dos autos, aplicase o art. 173,1, do CTN, quando o termo inicial para contagem do prazo decadencial é o primeiro dia do exercício seguinte aquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. LANÇAMENTO. DECADÊNCIA. CSLL O direito de proceder ao lançamento relativo às contribuições sociais destinadas ao orçamento da seguridade social não recolhidas, extinguese no prazo de dez anos a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito respectivo poderia ter sido constituído, de acordo com o inciso I do art. 45 da Lei n° 8.212, de 1991. DECADÊNCIA. LUCRO INFLACIONÁRIO REALIZADO Com referência à realização do lucro inflacionário diferido de períodos anteriores, o prazo decadencial não pode ser contado a partir do exercício em Fl. 338DF CARF MF Processo nº 11030.002176/200235 Acórdão n.º 1401001.757 S1C4T1 Fl. 339 5 que se deu o diferimento, mas a partir de cada exercício em que deve ser tributada sua realização. MULTA DE OFÍCIO E JUROS DE MORA. LANÇAMENTO. FALÊNCIA. Sendo a atividade administrativa do lançamento vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, a autoridade lançadora não pode deixar de exigir a multa de ofício e os juros de mora, apurados em procedimento de ofício, de contribuinte em situação falimentar, pois não há dispositivo legal que impeça a exigência dessas parcelas do crédito tributário. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Anocalendário: 1997 Ementa: REAVALIAÇÃO DE BENS DO ATIVO PERMANENTE A falta de cumprimento dos requisitos estabelecidos no art. 8º da Lei n° 6.404, de 1976, na elaboração do laudo de avaliação, torna tributável a contrapartida do aumento de valor de bens do ativo permanente que está registrada na conta Reserva de Reavaliação. LUCRO DA EXPLORAÇÃO. ATIVIDADE RURAL A partir dos períodosbase iniciados em 01/01/96, não há necessidade do cálculo do Lucro da Exploração das empresas com resultados provenientes da atividade rural, uma vez que as alíquotas do imposto e do adicional se confundem com as alíquotas aplicáveis as empresas que exploram as demais atividades, por força da revogação do art.12 da Lei n° 8.023, de 1990, pelo art. 36, inciso III, da Lei n° 9.249, de 1995. LANÇAMENTO DECORRENTE. Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Dada a íntima relação de causa e efeito que vincula um ao outro, a decisão proferida no lançamento principal é aplicável, no que couber, ao lançamento decorrente. Lançamento Procedente. Devidamente cientificada, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário ao extinto Conselho de Contribuintes, reprisando os argumentos alegados na Impugnação. Os autos foram distribuídos para a 7ª Câmara do extinto Primeiro Conselho, ocasião em que foi acolhida a preliminar de decadência do IRPJ e da CSLL até o período de Setembro de 1997 por maioria de votos, vencidos os Conselheiros Luiz Martins Valero, Marcos Vinícius Neder de Lima (Relator) e Albertina Silva Santos de Lima, que afastavam a decadência em relação à CSLL, por entender que o prazo decadencial para a CSLL seria de 10 anos, em seguimento ao disposto no art. 45, da Lei 8.212/91. Quanto ao mérito, foi negado provimento ao recurso voluntário para manter a autuação do IRPJ referente ao lucro inflacionário do 4º Trimestre de 1997. Fl. 339DF CARF MF Processo nº 11030.002176/200235 Acórdão n.º 1401001.757 S1C4T1 Fl. 340 6 Vejam a ementa da r. decisão: CONTRIBUIÇÃO LANÇAMENTO DE OFÍCIO DECADÊNCIA CTN, ART. 150, PARÁGRAFO 4º APLICAÇÃO. Tendo a Suprema Corte, de forma reiterada, proclamado a natureza tributária das contribuições de seguridade social, determinando, pois, em natureza de decadência, a lei o e direito aplicável, por força do que dispõe o artigo 146, III, “b” da Constituição Federal, aplicamse as regras do CTN em detrimento das dispostas na Lei Ordinária 8.212/91. Interpretação mitigada do disposto na Portaria MF 103/02, isto em face do disposto na Lei 9.784/99 que manda o julgador, na solução da lide, atuar conforme a lei e o Direito. LUCRO INFLACIONÁRIO – DECADÊNCIA. A decadência do direito de constituir o crédito tributário relativo ao lucro inflacionário diferido só se inicia no momento de sua realização efetiva ou no período em que a legislação prescreve sua realização obrigatória, mesmo em percentuais mínimos. Procedente a exigência fiscal em decorrência da falta de realização mínima obrigatória do lucro inflacionário no percentual exigido pela lei. Ciente do resultado do julgamento, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial apenas quanto à declaração de decadência da CSLL, alegando que a decisão recorrida se contrapunha o artigo 45 da Lei 8.212/91, cujo teor dispõe que "O direito da Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extinguese após 10 (dez) anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído ou; da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, a constituição de crédito anteriormente efetuada". O citado recurso foi admitido pelo então Presidente da 7ª Câmara pelas razões que expôs às fls. 211 e seguintes, para posterior remessa às contrarrazões. Nas contrarrazões, a Recorrente alegou que a decisão recorrida não merecia reparos. Convencida de que a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido possui natureza tributária, mencionou RE 138.284 e RE 146.733 do Supremo Tribunal Federal; logo, o prazo decadencial deveria seguir o disposto no artigo 156, V, do CTN, como restou sedimentado no Acórdão do Recurso Voluntário. Assim, os autos foram remetidos por sorteio ao julgamento da Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, em que, por maioria dos votos, negou provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, cujo acórdão transcrevo abaixo: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL. Exercício: 1998 DECADÊNCIA A Contribuição Social sobre o Lucro Líquido tem natureza de tributo e sujeitase à modalidade de apuração por homologação. A ausência ou insuficiência de recolhimento não desnatura o lançamento, pois o que se homologa é a atividade exercida pelo sujeito passivo, da qual pode resultar ou não crédito tributário devido. Em razão da sua natureza e Fl. 340DF CARF MF Processo nº 11030.002176/200235 Acórdão n.º 1401001.757 S1C4T1 Fl. 341 7 modalidade originária de apuração, para a CSLL aplicase a regra decadencial prevista no artigo 150, § 4º do Código Tributário Nacional. Deve, ainda, ser observada a Súmula Vinculante nº 08, editada pelo Supremo Tribunal Federal em 12.06.08, restando impossível a aplicação do prazo previsto no artigo 45 da Lei n° 8.212/91. Recurso especial negado. Inconformada e amparada por decisão em sede de recurso repetitivo do STJ (REsp 973.733/SC), a Procuradoria da Fazenda Nacional (PFN) interpôs Recurso Extraordinário (fls. 262 e ss) com base no art. 9º do antigo Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, publicado pela Portaria MF 147 de 25/06/2007, considerando que na hipótese dos autos não houve recolhimento antecipado de tributos recolhidos mediante lançamento por homologação, fato que deveria deslocar a contagem do prazo decadencial para o disposto no artigo 173, inciso I, do CTN. Segundo a PFN, pelo fato de o Contribuinte não ter efetuado o pagamento da CSLL no período controverso, não haveria o que ser homologado pela autoridade administrativa, razão pela qual o lançamento cabível neste caso seria de ofício, não havendo que se falar em decurso do prazo decadencial, com base no art. 150, §4º, do CTN, para a administração pública proceder ao lançamento. Assim, o prazo inicial para a contagem seria 01/01/1998, ou seja, primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado, nos termos do art. 173, I, do CTN, e o prazo final, então, seria 31/12/2002, sendo tempestivo o lançamento efetuado em 04/12/2002. Em contrarrazões, a Recorrente alega que a contagem do prazo decadencial deve se restringir à sua modalidade de lançamento e não ao pagamento, sendo a CSLL sujeita ao lançamento por homologação, portanto correta a contagem do prazo nos termos do artigo 150, §4º do CTN. Na sessão do dia 07/12/2011, o Pleno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF proferiu acórdão (fls. 310), por unanimidade de votos, no sentido de dar provimento ao Recurso Extraordinário, conforme ementa abaixo: Assunto: IRPJ e CSLL Anocalendário: 1997 Ementa: LANÇAMENTO. HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. Nas exações cujo lançamento se faz por homologação, havendo pagamento antecipado, contase o prazo decadencial a partir da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º do CTN), que é de cinco anos. Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação, é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN. Fl. 341DF CARF MF Processo nº 11030.002176/200235 Acórdão n.º 1401001.757 S1C4T1 Fl. 342 8 Isto porque não se confirmou a existência de pagamentos relativos aos fatos geradores ocorridos nos trimestres do anocalendário de 1997, até porque nesses períodos não foi apurada base de cálculo da CSLL (resultado positivo), conforme cópias das Fichas 07 e 08 da Declaração de Rendimentos, às fls. 40/47. Assim, em não havendo pagamento, inexistiria razão para aplicação da norma específica que norteia os lançamentos por homologação (art. 150, § 4º do CTN), devendose seguir a aplicação da regra geral do artigo 173, I, do Código Tributário Nacional, razão pela qual foi dado provimento ao Recurso Extraordinário, fazendo com que os autos voltassem à Câmara a quo para análise do mérito. Percorridos os trâmites legais, este processo foi redistribuído a esta 4ª Câmara, em que fui designado como Relator para julgamento. É o Relatório. Voto Conselheiro Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Relator Superada a questão controversa sobre o prazo decadencial para lançamento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL objeto, cabe agora a análise do mérito, que por ora encontrase restrito à exigência da CSLL, para determinação de sua base de cálculo do período base de Junho de 1997 no valor de R$ 12.721.963,88, relativos à reavaliação de bens do Ativo Permanente da Recorrente, face à inobservância dos requisitos legais necessários à sua constituição. Conforme se depreende da leitura do Relatório deste Acórdão, a Recorrente alegou, quanto ao mérito, 2 (dois) pontos em relação à CSLL lançada: 1) Impossibilidade de incidência da CSLL sobre o lucro inflacionário. 2) Impossibilidade de aplicação de juros de mora e multa de ofício sobre empresa em regime falimentar. Pois bem. A CSLL incidente sobre a reavaliação espontânea de ativos em desacordo com as disposições contidas na Lei das SAs, que fora objeto de lançamento do auto de infração aqui discutido, não foi contestada pela Recorrente, nem em sede de Impugnação, tampouco no Recurso Voluntário. A Recorrente pugna pelo alcance da decadência referente ao lançamento da CSLL, questão que já foi superada por este Conselho. Quando trata do mérito da exigência da referida contribuição social, a empresa aborda suposta infração decorrente da apuração do lucro inflacionário, que, digase, nem foi objeto de lançamento por parte da fiscalização. Fl. 342DF CARF MF Processo nº 11030.002176/200235 Acórdão n.º 1401001.757 S1C4T1 Fl. 343 9 Nesse sentido, não conheço da CSLL incidente sobre a reavaliação espontânea de ativos, por falta de objeto. Passo, então, a apreciar a arguição da Recorrente quanto à necessidade de aplicação de juros e multa de ofício em desfavor da empresa, que se encontrava em processo falimentar na época do lançamento tributário. A empresa alega que deve ser afastada a incidência de juros e multa de ofício por encontrarse, na época da fiscalização, em processo falimentar. Para isso, traz dispositivos legais da antiga Lei de Falências (DecretoLei nº 7.661/1945), aplicável na época do fato gerador e do lançamento fiscal, veja: “Art. 23. Ao juízo da falência devem concorrer todos os credores do devedor comum, comerciais ou civis, alegando e provando os seus direitos. Parágrafo único. Não podem ser reclamados na falência: [...] III – as penas pecuniárias por infração das leis penais e administrativas. Entretanto, esta regra não pode ser aplicada ao presente caso. A partir do advento da Lei 9.430/96, que teve seus efeitos produzidos desde 01/01/1997, ou seja, antes dos fatos geradores apurados no procedimento fiscal em referência, dispensouse o mesmo tratamento às empresas em processo de falência das demais empresas, veja: Art. 60. As entidades submetidas aos regimes de liquidação extrajudicial e de falência sujeitamse às normas de incidência dos impostos e contribuições de competência da União aplicáveis às pessoas jurídicas, em relação às operações praticadas durante o período em que perdurarem os procedimentos para a realização de seu ativo e o pagamento do passivo. Assim, não compete a este órgão julgador administrativo ponderar sobre a aplicação de multa e juros sobre empresa em processo falimentar. No mesmo sentido, cito os Acórdãos nº 10321.942 e nº 10321.951, deste Conselho Administrativo. Observese que, apesar dos citados julgados tratarem de empresas em liquidação extrajudicial, o tratamento despendido é o mesmo em relação às empresas em processo de falência, pois têm amparo no mesmo dispositivo legal. Veja as respectivas Ementas: ENTIDADE EM LIQUIDAÇÃO EXTRAJUDICIAL. LIMITE À COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS, MULTA E JUROS DE MORA. Nos termos do art. 60 da Lei 9.430/96, as entidades submetidas ao regime de liquidação extrajudicial estão sujeitas às normas de incidência dos impostos e contribuições de competência da União aplicáveis às pessoas jurídicas, em relação às operações praticadas durante o período em que perdurarem os procedimentos para a realização de seu ativo e o pagamento do passivo. Fl. 343DF CARF MF Processo nº 11030.002176/200235 Acórdão n.º 1401001.757 S1C4T1 Fl. 344 10 Aplicamse a essas entidades o limite de 30% para compensação de prejuízos fiscais e de base negativa da CSLL, muita ex officio e juros de mora. ENTIDADE EM LIQUIDAÇÃO EXTRAJUDICIAL. MULTA, JUROS DE MORA E LIMITE A COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS. Nos termos do art. 60 da Lei 9.430/96, as entidades submetidas ao regime de liquidação extrajudicial estão sujeitas às normas de incidência dos impostos e contribuições de competência da União aplicáveis às pessoas jurídicas, em relação às operações praticadas durante o período em que perdurarem os procedimentos para a realização de seu ativo e o pagamento do passivo. Aplicamse a essas entidades o limite de 30% para compensação de prejuízos fiscais e de base negativa da CSLL, multa ex officio e juros de mora. Deste modo, por falta de previsão legal para exclusão dos juros e da multa sobre empresas em processo falimentar, entendo pela manutenção da autuação aqui discutida. Ante o exposto, voto por NÃO CONHECER, por falta de objeto, a questão da CSLL incidente sobre a reavaliação espontânea de ativos, por não ter sido objeto de contestação, e, na parte conhecida, conduzo meu voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO quanto à aplicação de juros de mora e multa de ofício em desfavor da Recorrente. (Assinado Digitalmente) Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa Relator Fl. 344DF CARF MF Processo nº 11030.002176/200235 Acórdão n.º 1401001.757 S1C4T1 Fl. 345 11 Fl. 345DF CARF MF
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Numero do processo: 10980.003884/2005-34
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Feb 21 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2002, 2003
MULTA QUALIFICADA. DCTF E DIPJ COM VALORES INFERIORES AOS REAIS. CONDUTA REITERADA.
A entrega de DCTF com valores sistematicamente inferiores àqueles efetivamente faturados e a apresentação de DIPJ com valores "zerados", em relação ao período fiscalizado, revelam o evidente intuito de fraude, amoldando-se à conduta tipificada no artigo 71 da Lei nº 4.502/1964, a atrair a multa qualificada de 150%, prevista no artigo 44, inciso II, da Lei nº 9.430/1996, vigente à época dos fatos.
Numero da decisão: 1301-002.186
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Waldir Veiga Rocha - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Flávio Franco Corrêa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Veiga Rocha, Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Marcelo Malagoli da Silva e Amélia Wakako Morishita Yamamoto.
Nome do relator: FLAVIO FRANCO CORREA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha - Presidente (documento assinado digitalmente) Flávio Franco Corrêa - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Veiga Rocha, Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Marcelo Malagoli da Silva e Amélia Wakako Morishita Yamamoto.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 19; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1471; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 992 1 991 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10980.003884/200534 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1301002.186 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 25 de janeiro de 2017 Matéria MULTA QUALIFICADA Recorrente MIRAGE ENTRETENIMENTO S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002, 2003 MULTA QUALIFICADA. DCTF E DIPJ COM VALORES INFERIORES AOS REAIS. CONDUTA REITERADA. A entrega de DCTF com valores sistematicamente inferiores àqueles efetivamente faturados e a apresentação de DIPJ com valores "zerados", em relação ao período fiscalizado, revelam o evidente intuito de fraude, amoldandose à conduta tipificada no artigo 71 da Lei nº 4.502/1964, a atrair a multa qualificada de 150%, prevista no artigo 44, inciso II, da Lei nº 9.430/1996, vigente à época dos fatos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Presidente (documento assinado digitalmente) Flávio Franco Corrêa Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Veiga Rocha, Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 38 84 /2 00 5- 34 Fl. 992DF CARF MF Processo nº 10980.003884/200534 Acórdão n.º 1301002.186 S1C3T1 Fl. 993 2 Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Marcelo Malagoli da Silva e Amélia Wakako Morishita Yamamoto. Relatório Retornam os presentes autos para julgamento de questões remanescentes, em cumprimento ao acórdão nº 910100.560, prolatado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, às fls. 790/797 [numeração eletrônica, fls. 803/816], no julgamento de recurso especial do Procurador da Fazenda Nacional. Por bem reproduzir os fatos, trago à colação o relatório do referido acórdão para, em seguir, adotálo: "Com base no permissivo do art. 5º, I do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 55/1998, a Fazenda Nacional interpõe recurso especial em face de acórdão proferido pela extinta 5a Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes assim ementado: "BINGO A parcela destinada à premiação, repassada aos ganhadores dos sorteios de "bingo ", deve ser expurgada da base tributada a título de receita tributável. Recurso voluntário conhecido e provido. " O caso foi assim relatado pela Câmara recorrida, verbis: "MIRAGE ENTRETENIMENTO S/A, já qualificada nestes autos, recorre a este Colegiado, através da petição de fls. 702/722 da decisão prolatada às fls. 674/690, pela 2 "Turma de Julgamento da DRJ CURITIBA (PR), que julgou procedente Auto de Infração do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e seus decorrentes, constante de fls. 614/639. Consta do Auto de Infração que a Recorrente teve o seu lucro arbitrado de ofício em razão da escrituração mantida pelo mesmo ser imprestável para apuração do lucro real, conforme motivos expostos nos itens 1 a 8 fls. 619/620. Ciente do lançamento, tempestivamente a contribuinte apresentou impugnação contra o auto de infração (fls. 644/663). A autoridade julgadora de primeira instância julgou procedente o Auto de Infração conforme decisão n° 8.739 de 30/06/05, cuja ementa reproduzo a seguir: "Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2002, 2003 Fl. 993DF CARF MF Processo nº 10980.003884/200534 Acórdão n.º 1301002.186 S1C3T1 Fl. 994 3 Ementa: APREENSÃO, PELO MINISTÉRIO PÚBLICO ESTADUAL, DE ESCRITURAÇÃO INEPTA E DOCUMENTOS PRESCINDÍVEIS. INOCORRÊNCIA DE CERCEAMENTO DE DEFESA. Não ocorre cerceamento de defesa se a escrituração apreendida é absolutamente inepta para a apuração do lucro real e a contribuinte, além de não ter solicitado cópia dos documentos apreendidos, também não logra comprovar: (i) que estes poderiam evitar o arbitramento do lucro; e (ii) que sua apresentação poderia influir na apreciação do lançamento. ESCRITURAÇÃO INEPTA. ARBITRAMENTO DO LUCRO. CABIMENTO. O arbitramento do lucro é medida necessária quando, além de não existir o LALUR, a contribuinte apresenta apenas livro Diário com as seguintes irregularidades; (i) não registrado em Junta Comercial e (ii) escrituração vertida com inobservância do método de partidas dobradas, e imprestável para a apuração do lucro. BINGO. SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL. CONCEITUAÇÃO Por força do Decreto n° 3.659, de 2000, a exploração de jogos de bingo é serviço público de competência da União a ser executado diretamente pela Caixa Econômica Federal ou, indiretamente, por entidades desportivas por ela autorizadas, hipótese em que apenas a administração da sala de jogos poderá ser entregue a empresa comercial idônea. EMPRESA QUE EXPLORA, SOB SUA RESPONSABILIDADE E POR SUA CONTA E RISCO, BINGO CLANDESTINO. CONCEITO DE RECEITA. PERCENTUAL DO LUCRO ARBITRADO. Empresa não autorizada que explora, sob sua exclusiva responsabilidade e por sua conta e risco, atividade clandestina de bingo não executa serviço público contemplado no Decreto n° 3.659, de 2000. Por isso, é de se entender que todo o valor por ela arrecadado na venda de carteias materializa o auferimento de receitas, uma vez que a empresa se apoderou integralmente de tais valores, não efetuou qualquer dos repasses previstos no aludido Fl. 994DF CARF MF Processo nº 10980.003884/200534 Acórdão n.º 1301002.186 S1C3T1 Fl. 995 4 decreto, e tampouco existe contrato que a obrigue a repassar qualquer valor a entidade desportiva. Estando o percentual de arbitramento do lucro previsto na legislação, deve ser aplicado pelas autoridades fiscais sobre o total da receita auferida. MULTA QUALIFICADA. APRESENTAÇÃO REITERADA DE DCTF E DIPJ OMITINDO OCORRÊNCIA DE FATOS GERADORES DE OBRIGAÇÕES TRIBUTÁRIAS. A contribuinte que, tendo exercido continuamente suas atividades e se tornado sujeito passivo de obrigações tributárias, declara reiteradamente em DIPJ e DCTF, a ausência de movimento e de débitos, obra no propósito inequívoco de impedir ou retardar o conhecimento, pela autoridade administrativa, da ocorrência dos fatos geradores da obrigação tributária principal. Por isso, sua conduta enseja a aplicação da multa de ofício qualificada. DECORRÊNCIA. Aplicamse aos lançamentos decorrentes, no que for cabível, o que restar decidido relativamente ao lançamento matriz. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Anocalendário: 2002, 2003 Ementa: LUCRO ARBITRADO. BASE DE CÁLCULO. Após a vigência da Lei n° 9.430, de 1996, a Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido, na hipótese de arbitramento de lucro, deve ser calculada sobre a base de cálculo prevista em seu artigo 29. DECORRÊNCIA. Aplicamse aos lançamentos decorrentes, no que for cabível, o que restar decidido relativamente ao lançamento matriz." Ciente da decisão de primeira instância em 27/10/05 (AR fls. 696), a contribuinte interpôs recurso voluntário protocolizado às fls. 702 em 23/11/05, onde apresenta as seguintes alegações: DO CONCEITO DE RECEITA BRUTA. Fl. 995DF CARF MF Processo nº 10980.003884/200534 Acórdão n.º 1301002.186 S1C3T1 Fl. 996 5 a) O conceito de receita já está consagrado na doutrina e não pode ser confundido com a simples aquisição de disponibilidade financeira que nunca foi e nem constitui fato gerador de quaisquer tributos ou contribuições. b) A venda de cartões de bingo constitui somente disponibilidade financeira momentânea e, em verdade, para a recorrente a aquisição desta disponibilidade constitui uma dívida ou responsabilidade da operadora para a realização do sorteio e, tanto é verdade que, se não for realizado o sorteio, os valores correspondentes as carteias devem ser devolvidos aos apostadores ou realização de novo sorteio. c) Em verdade, esta disponibilidade financeira está sujeita a uma condição suspensiva até a realização do sorteio e entrega dos respectivos prêmios, a condição suspensiva é resolvida e a taxa de administração passa a ser uma disponibilidade econômica ou receita operacional. d) Os prêmios pagos não constituem custos ou despesas operacionais. Não pode haver custos ou despesas operacionais sem que haja a correspondente receita operacional e como a receita operacional só se configura com a realização do sorteio e entrega do prêmio, a lógica está perfeita. e) Antes da realização do sorteio, o titular da disponibilidade econômica ou jurídica da carteia é o apostador que pode ceder, transferir ou vender as carteias para outros apostadores. f) Alega ser sua receita relativa a taxa de administração e faz citações, a exemplo de consultas respondidas pela Secretaria da Receita Federal quanto a receitas de planos de saúde e de agencias de viagem e turismo e jurisprudência sobre agências de propaganda. g) Transcreve acórdãos do Conselho de Contribuintes que tratam de omissão de receitas em bingos. h) Embora a autuada não tenha assinado o contrato de prestação de serviços em administração de sorteios da modalidade BINGO PERMANENTE com a Federação Paranaense de Hipismo, a impugnante observou a legislação vigente em especial o disposto no Decreto n" 3.659 de 14 de novembro de 2000. i) Que o referido decreto, no artigo 14, estabelece a destinação dos recursos arrecadados em cada sorteio conforme segue: Fl. 996DF CARF MF Processo nº 10980.003884/200534 Acórdão n.º 1301002.186 S1C3T1 Fl. 997 6 1 — Cinquenta e três por cento para a premiação, incluindo a parcela correspondente ao imposto de renda e outros eventuais tributos sobre a premiação. 2 — vinte e oito por cento para custeio de despesas de operação administração e divulgação; 3 sete por cento para as entidades desportivas; 4 — quatro e meio por cento para a união; e, 5 — sete por cento para a Caixa. Entende ser a sua receita o percentual de 28%. Do Arbitramento A fiscalização arbitrou o lucro a 38,4% para o IRPJ e 12% da receita bruta para a CSLL com o que não concorda a Recorrente, pois se a venda de carteias fosse receita, deveria então ser de venda de mercadorias com coeficiente de arbitramento de 9,6%. lucro só poderia ser arbitrado sobre a parcela da receita própria da pessoa jurídica excluindose os prêmios pagos e contabilizados devidamente identificados pela digna autoridade fiscal. Da Multa Qualificada. A fiscalização aplicou a multa qualificada de 150%, pelo fato de a autuada não ter apresentado a DCTF com a indicação de Imposto sobre a Renda na Fonte para recolhimento e classificou a conduta adotada pelo contribuinte como declaração inexata enquanto a decisão recorrida entendeu que a apresentação da DCTF ou DIRF, em valor menor que o devido De forma reiterada, constitui evidente intuito de fraude, dolo ou sonegação. Alega que os casos de evidente intuito de fraude estão definidos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64. É o Relatório." O acórdão acima ementado deu provimento ao recurso voluntário do Contribuinte para cancelar integralmente as exigências relativas ao IRPJ e seus reflexos. Segundo o acórdão, (i) a atividade de bingos desenvolvida pela Contribuinte não seria clandestina, em decorrência de "expressa autorização da autoridade competente e no amparo de lei estadual"; (ii) ao contrário do que expressou a autoridade julgadora, "o Decreto nº 3.659/2000 se aplicava a autorizações pendentes e futuras, restando adequado que a Lei nº 11.035/95 e a nº 11.091/95 permitiam a competência aos Estados a autorizar o funcionamento de sorteios, inclusive bingos''; (iii) os valores correspondentes aos prêmios pagos em sorteios de bingo não deveriam integrar a tributação, "porquanto se tratam de valores repassados aos ganhadores e não integram a receita bruta da empresa"; (iv) por Fl. 997DF CARF MF Processo nº 10980.003884/200534 Acórdão n.º 1301002.186 S1C3T1 Fl. 998 7 abranger valores que não seriam receitas da contribuinte, o lançamento padeceria de vício em um de seus elementos essenciais, qual seja a quantificação do tributo; (v) o fato de apenas parte do período fiscalizado estar coberto pela autorização não ilidiria a conclusão anterior, já que a Fiscalização deveria ter dimencionado (sic) o lançamento "de forma adequada e sem dúvidas", o que não teria sido feito; (vi) em conclusão, pois, se parte da movimentação financeira poderia ter sido tributada, caberia à fiscalização ter apurado com precisão a base de cálculo, "descabendo, tanto com relação ao item anterior quanto a este, competência a este Colegiado para refazer ou promover outro lançamento para sanar as diferenças em sua origem ou refazer a exigência". Em sede de recurso especial (fls. 751/758), argüi (sic) a Fazenda Nacional, em síntese, a contrariedade do acórdão recorrido à lei (Lei nº 9.615/98, Lei nº 9.981/2000, Lei nº 4.502/64 e art. 44, II da Lei nº 9.430/96) e à prova dos autos, sob o fundamento de que (i) a Contribuinte não desenvolveria atividades regulares de bingo na forma estabelecida pela legislação federal, já que não contaria com autorização competente, não teria se vinculado a nenhuma atividade desportiva e também não teria repassado os recursos apontados no art. 14 do Decreto n. 3.659/2000; e (ii) portanto, seria "absolutamente correto considerar que a receita da recorrida corresponde ao total que ingressou em seus cofres, sem deduções de qualquer espécie, e sem equiparála a qualquer entidade desportiva que explore legalmente o serviço público de bingo". No mais, requer a manutenção da qualificação da multa de ofício, em vista da reiteração da conduta da Contribuinte de informar valores substancialmente inferiores àqueles que efetivamente deveriam ser declarados ao Fisco Federal. O recurso especial foi admitido pelo Sr. Presidente do Colegiado a quo (Despacho nº 105067/08 (fls. 764), ante a configuração, em tese, da alegada contrariedade do acórdão à lei e à prova dos autos. Foram apresentadas contra razões pela Contribuinte. É o relatório. Voto Conselheiro ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO O recurso especial é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. Cingese a discussão em saber se a Contribuinte desenvolve (ou não) atividade de bingo na forma regulamentada pelo Decreto nº 3.659/2000 e, por conseguinte, faria jus a ter considerado como receita tributável exclusivamente o percentual de 28% (vinte e oito por cento) das entradas (de recursos) respectivas nos termos do art. 14 do citado Decreto. Por outro lado, afastada a regularidade das atividades desenvolvidas pelo Contribuinte, correta estaria a autuação que tomou por base a integralidade dos' ingressos da Contribuinte como receita tributável, já que esta estaria equiparada a um prestador de serviços ordinário. Do exame da legislação e das provas colacionadas nos autos, entendo que o acórdão recorrido não andou bem ao reconhecer a regularidade das atividades desenvolvidas pela Contribuinte. Conforme salientado em sede de relatório, o acórdão recorrido asseverou que a Contribuinte não desenvolveria atividades clandestinas de bingo pelo fato de ter sido autorizada pelo Serviço de Loteria do Estado do Paraná SERLOPAR a atuar Fl. 998DF CARF MF Processo nº 10980.003884/200534 Acórdão n.º 1301002.186 S1C3T1 Fl. 999 8 como revendedor lotérico da modalidade denominada "TRIBINGO" (fls. 664). Segundo o acórdão recorrido, ainda, seria legítimo aos Estados Federados conceder autorização para funcionamento de bingos, nos termos da jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça preponderante à época dos fatos. Pois bem. Independentemente da discussão sobre a inconstitucionalidade (e respectivos efeitos de declaração) das leis que conferiam aos Estados poderes para conceder autorizações para funcionamento de bingos, em virtude da competência privativa da União Federal para tal finalidade (cf. reconhecido pelo próprio Supremo Tribunal Federal com eficácia vinculante por meio da Súmula nº 21), é certo que nos autos não há qualquer prova de que a atividade da Contribuinte referirseia à exploração da modalidade lotérica denominada "TRIBINGO", à qual, por definição legislativa, difere da modalidade "bingo". Vejase, no particular, texto da (já revogada) Resolução nº 27/2002 citada pelo acórdão recorrido, verbis: "Publicado no Diário Oficial nº 6296 de 19 de Agosto de 2002 Súmula: Instituir o concurso de prognósticos na modalidade lotérica denominada de Tribingo Paranaense. Revoga a Resolução n°26/2002. O SECRETÁRIO DE ESTADO DO GOVERNO, no uso de suas atribuições que lhe conferem o art. 90, inciso II, da Constituição Estadual, a) Considerando que o art. 2° da Lei Federal nº 9.981, de 14 de julho de 2.000, revogou a partir de 31 de dezembro de 2.001, os arts. 59 a 81, da Lei Federal n.° 9.615, de 24 de março de 2.998, que tratavam da regulamentação de jogos de bingo; b) Considerando que, em face dessa revogação, restou sem efeito as disposições da Resolução n. ° 01/01, da Secretaria de Estado do Governo, de 8 de fevereiro de 2.001, a qual determinava ao Serviço de Loteria do Estado do Paraná SERLOPAR que deixasse de credenciar, autorizar e fiscalizar a exploração de jogos de bingo no Estado do Paraná, passando essa responsabilidade à Caixa Econômica Federal, em razão de assim ter disciplinado a Lei Federal n° 9.615/98; c) Considerando que a Lei Estadual nº 11.272, de 21 de dezembro de 1.995, em seu art. 3o, VII, determina que no desempenho de suas atividades compete ao SERLOPAR instituir novos jogos lotéricos com premiação mediante rateio ou prefixada estabelecida em regulamento próprio, baixado pelo Secretário de Estado a que estiver vinculado o SERLOPAR; d) Considerando que a Lei Estadual n° 11.035, de 2 de janeiro de 1.995, alterada pela Lei Estadual n° 11.668, de 28 de janeiro de 1.997, referese a Fl. 999DF CARF MF Processo nº 10980.003884/200534 Acórdão n.º 1301002.186 S1C3T1 Fl. 1000 9 sorteios da modalidade denominada "Bingo ", com premiação mediante rateio; e e) Considerando, por fim, a intenção do SERLOPAR de instituir novo jogo lotérico com premiação prefixada, diferentemente da modalidade denominada "Bingo", que tem premiação mediante rateio; RESOLVE: I Instituir o concurso de prognósticos na modalidade lotérica denominada de TRIBINGO PARANAENSE, para ser operacionalizado, direta ou indiretamente, pelo Serviço de Loteria do Estado do Paraná SERLOPAR, mediante premiação prefixada. II Aprovar o seu Regulamento, na forma do ANEXO que integra a presente Resolução. III Revogamse a Resolução n° 26/2002 e as demais disposições em contrário. IV Esta Resolução entra em vigor nesta data. Curitiba, 19 de agosto de 2.002. José Cid Campelo Filho Secretário de Estado do Governo " Não bastasse tal fato, que por si só seria suficiente para rejeitar as alegações da Contribuinte nesse particular, notese, ainda, ser inverossímil que a Contribuinte tenha explorado a modalidade Tribingo no período a que se refere o auto de infração, pois (i) citada autorização apenas foi a ela concedida em 14.10.2002 (diga se, após a Fiscalização ter obtido confirmação da SERLOPAR em 11.09.2002 de que a Contribuinte não possuía autorização até aquela data) e foi revogada pelo Governador do Estado em 09.04.2003 (cf. Decreto n. 1.046/2003); e (ii) a instalação de máquinas e equipamentos (auditados pelo Estado) indispensáveis à exploração das atividades certamente não é realizada na data em que concedida o certificado, mas, ao contrário, demanda certo tempo para ser realizada e viabilizar regular funcionamento do estabelecimento. O lançamento, por sua vez, referese aos 4 trimestres de 2002 e os 2 primeiros trimestres de 2003. Tal circunstância também não passou despercebida à Delegacia Regional de Julgamentos no exame da escrituração acostada aos autos. Vejase, nesse sentido, trecho da decisão de primeira instância, verbis: "E relevante destacar que, em 30/09/2002, a contribuinte extinguiu o saldo da conta "2.1.01.004.00075 — federação Paranaense de Hipismo" transferindo o valor respectivo (R$ 14.714,52) para a conta "3.1.01.003.00033 Outras Receitas", conforme se vê às fls. 029 do seu livro diário (Anexo II). Já o saldo da 'dívida' supostamente reconhecida na conta Fl. 1000DF CARF MF Processo nº 10980.003884/200534 Acórdão n.º 1301002.186 S1C3T1 Fl. 1001 10 "2.1.01.004.00063 Órgão Regulador" foi extinto por lançamentos em 21/10/2002 e 01/11/2002, quando a impugnante recolheu taxas de credenciamento alusivas ao Tribingo, que se refere a vendas de cartelas do bingo eletrônico promovido pela Serlopar, e nada tem a ver com as vendas de cartelas de bingos promovidos vela própria impugnante ". (grifos nossos) Não se diga, outrossim, que as atividades de bingo desenvolvidas pela Contribuinte estariam albergadas pela legislação federal, em especial o Decreto nº 3.659/2000. Para que este voto não se alongue em demasia nesse particular, digase que é fato incontroverso o de que a Contribuinte deixou de celebrar contrato com entidade desportiva regularmente credenciada pelo Poder Executivo Federal ou a Caixa Econômica Federal, tal como determina o art. 6, VI do citado Decreto, verbis: Art. 6º Caso a administração do bingo eventual ou permanente seja entregue à empresa comercial, a entidade desportiva juntará ao pedido de autorização, além daqueles previstos no art. 5a deste Decreto, os seguintes documentos: VI cópia do instrumento de contrato firmado entre a entidade desportiva e a empresa administradora, cujo prazo máximo será de dois anos, renovável por igual período, sempre exigida a forma escrita. Além disso, há provas nos autos de que a Contribuinte jamais fez qualquer repasse de valores a entidade desportiva ou à Caixa Econômica Federal, conforme referido no Termo de Verificação e Encerramento de Ação Fiscal (fls. 629 a 636) e no trecho da decisão de primeira instância acima citado. Sobre o ponto, esta ainda complementa, verbis: "Significa, portanto, que a contribuinte reconheceu expressamente que o valor que supostamente seria devido à Federação Paranaense de Hipismo, em verdade, lhe pertencia, tanto que foi incorporado às suas receitas. Quanto ao valor que supostamente seria devido ao órgão regulador (Caixa Econômica Federal), seu saldo foi utilizado para justificar o pagamento de taxas devidas para outra entidade, a Serlopar. A conclusão, portanto, é que os registros dessas dívidas — ou provisões como a elas se refere a impugnante — são absolutamente inconsistentes. Todo o valor arrecadado pela impugnante, portanto, lhe pertencia, e a contabilização em contas do passivo foi apenas um disfarce para alterar a verdadeira natureza do ingresso dos recursos em seu Caixa." Fixada a premissa sobre a clandestinidade dos serviços prestados pela Contribuinte, entendo, tal como a decisão de primeira instância, ser incorreta a pretensão da contribuinte de que se considere que sua receita seja somente aquela que seria cabível, se estivesse exercendo a atividade legalmente, por conta e risco de uma terceira entidade, e estivesse também dando à arrecadação a destinação prevista na lei. Tal fato, acrescido da manifesta incerteza sobre os lançamentos feitos a título Fl. 1001DF CARF MF Processo nº 10980.003884/200534 Acórdão n.º 1301002.186 S1C3T1 Fl. 1002 11 de pagamentos de prêmios, torna imperioso considerar que a base de cálculo dos tributos lançados deve corresponder aos ingressos financeiros da Contribuinte, sem qualquer dedução e sem equiparála a qualquer outra entidade que desenvolva regularmente atividades de bingo. Sobre o ponto, ainda, vale citar outro trecho da decisão de primeira instância, cujos fundamentos servem perfeitamente como razão de decidir, verbis: "Conforme ficou demonstrado, esta contribuinte não pode ser equiparada nem às entidades esportivas que exploram regularmente a atividade de bingos, e nem às empresas que, por força de vínculo contratual regula, administram salas de jogos na condição de contratadas por entidades desportivas. Por isso, deve ficar bem claro que, neste caso concreto, descabe perquirir se a receita de entidades que operam o serviço público de bingos, para os fins incidência tributaria. Essa indagação somente seria relevante se esta contribuinte estivesse exercendo a atividade de bingo na forma legal, sujeitandose à fiscalização oficial pertinente e efetuando osrepasses previstos na legislação, o que a toda evidência não ocorreu. Nenhuma dúvida existe de que os totais que ingressaram em seus cofres devem ser considerados como o total de sua receita. Para esse fim, é irrelevante o fato de haver eventualmente distribuído prêmios aos seus clientes apostadores. Tais valores, se é que foram efetivamente pagos, equivalem aos custos de qualquer empreendimento comercial, industrial ou prestador de serviços. Assim como não é lícito àqueles, em se tratando de lucro arbitrado, deduzir tais custos de sua receita, também à contribuinte nenhuma razão autoriza tal dedução. Por tal razão, o total arrecadado deve compor suas receitas para todos os fins tributários. Sobre essa receita deve ser aplicado o percentual de arbitramento previsto na legislação para as empresas prestadoras de serviço (38,4%), posto que a impugnante não vendia mercadorias e tampouco as industrializada. Correto, portanto, o lançamento." Entendo que também não há que se fazer reparos ao percentual de arbitramento de lucro utilizado nos lançamentos (38,4% e 12% para IRPJ e CSLL, respectivamente). No ponto, não pairam dúvidas no sentido de que as atividades de bingo representam efetiva prestação de serviços e, como tal, devem ser tributadas. Tal assertiva é ratificada pela vigente Lei Complementar nº 116/03 (item 19 da lista de serviços). Por fim, entendo que a qualificação da multa deve ser mantida. Filieime no passado à corrente jurisprudencial que assentava o entendimento de que a apresentação de declaração pelo Contribuinte de valores inferiores aos apurados, por si só, não seria suficiente para justificar a qualificação da multa de Fl. 1002DF CARF MF Processo nº 10980.003884/200534 Acórdão n.º 1301002.186 S1C3T1 Fl. 1003 12 ofício aplicada no lançamento, independentemente do montante dos valores que deixavam de ser declarados ou da quantidade de anoscalendário, em vista do fato de esta se caracterizar em mera "declaração inexata" do contribuinte. Contudo, refletindo melhor sobre a questão, pareceme que a prática de ocultar do fisco, mediante apresentação de declaração de valor muito inferior a do efetivo montante da obrigação tributária principal, para eximirse de seu pagamento, sem qualquer justificativa pelo contribuinte, constitui fato que evidencia intuito de fraude e implica qualificação da multa de ofício, nos termos do art. 71 da Lei n. 4.502/64. In casu, o Contribuinte apresentou DCTF's com valores sistematicamente inferiores àqueles efetivamente faturados, como também apresentou DIPJ's zeradas em relação ao período autuado. Essa conduta do contribuinte levou a Fiscalização a (acertadamente) lavrar a autuação com multa qualificada, nos termos do art. 44, II da Lei nº 9.430/96, assim redigido à época dos fatos, verbis: "Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: (Vide Lei n° 10.892, de 2004) (Vide Mpv n"303, de 2006) (Vide Medida Provisória n°351, de 2007) (...) II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. " Por sua vez, dispõem os arts. 71, 72 e 73, da Lei nº 4.502/64, verbis: "Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. " Fl. 1003DF CARF MF Processo nº 10980.003884/200534 Acórdão n.º 1301002.186 S1C3T1 Fl. 1004 13 Desinfluente o fato de os livros fiscais do Contribuinte estarem correta e devidamente escriturados, o que sequer ocorre no caso. No meu entender, a falta de escrituração de receitas ou a dita "conduta reiterada" são apenas algumas das inúmeras formas de o julgador inferir a presença de dolo do agente no caso concreto. Na hipótese, a relevância dos montantes apurados pela Fiscalização, a entrega de declarações "zeradas" e a ausência de justificativa pelo contribuinte no tocante à acusação de omissão de receitas são indicativos seguros da intenção deste de ocultar do Fisco a ocorrência do fato gerador; conduta esta tipificada no art. 71 da Lei nº 4.502/64. O entendimento consubstanciado nesse voto encontra respaldo na recente jurisprudência desta Corte Administrativa. Citese, por oportuno, ementa de acórdão proferido pela extinta Sétima Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes sobre o tema, verbis: "PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL NULIDADE. Os argumentos da autuada para sustentar nulidade dos lançamentos devem ser rejeitados, quando as provas dos autos mostrarem o contrário do alegado. Da mesma forma este Colegiado não acolhe alegações de nulidade, quando os argumentos destoam de pacífica e conhecida jurisprudência da casa. IRPJ DECADÊNCIA CONTAGEM DO PRAZO Na existência de dolo, a regra de decadência do IRPJ, deslocase do art. 150 do CTN para o art. 173 do CTN, hipótese em que o prazo tem início no 1º dia do exercício seguinte àquele em que o tributo era exigível. Para os fatos geradores trimestrais, entendese por exercício, para fins de contagem do prazo de decadência a que se refere o art. 173 do CTN, o anocalendário seguinte àquele em que ocorrido o fato gerador. Assim, as exigências relativas aos fatos geradores trimestrais ocorridos em 31.03.99; 30.06.99 e 31.10.99 devem ser canceladas. O tributo, cujo fato gerador ocorreu em 31.12.99, poderia ser exigido a partir de 1º de janeiro de 2000, logo o prazo decadencial iniciase Iode janeiro de 2001. CSLL DECADÊNCIA A Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido, em conformidade com os arts. 149 e 195, § 4o, da Constituição Federal, têm natureza tributária, consoante decidido pelo Supremo Tribunal Federal, em Sessão Plenária, por unanimidade de votos, no RE nº 146.7339SÃO PAULO, o que implica na observância, dentre outras, às regras do art. 146, III, da Constituição Federal de 1988. Desta forma, a contagem do prazo decadencial da CSLL se faz de acordo com o Código Tributário Nacional no que se refere à decadência, mais precisamente no art. 150, § 4º. Fl. 1004DF CARF MF Processo nº 10980.003884/200534 Acórdão n.º 1301002.186 S1C3T1 Fl. 1005 14 IRPJ/CSLL ARBITRAMENTO DO LUCRO RECEITA BRUTA CONHECIDA A PARTIR DE DOCUMENTOS DE EXPORTAÇÃO VALIDADE É válido lançamento fiscal para exigência dos tributos e contribuições tendo como base o lucro arbitrado a partir de receitas auferidas, provadas por regulares documentos de exportação (Notas Fiscais, Conhecimentos de Embarque e Registros no Siscomex), não tendo o contribuinte apresentado elementos materiais capazes de afastar a conclusão fiscal. MULTA QUALIFICADA SONEGAÇÃO PA TENTE Auferir vultosas receitas de exportação sem declarálas à administração tributária e sem qualquer pagamento de tributos e contribuições, escondendo as mediante apresentação de Declaração de Inatividade é conduta dolosa que se amolda perfeitamente à figura delituosa da sonegação, justificando a qualificação da penalidade. Por unanimidade de votos, REJEITAR as preliminares de nulidade e por unanimidade de votos, ACOLHER a preliminar de decadência do IRPJ nos três primeiros trimestres de 1999. Pelo voto de qualidade, ACOLHER a preliminar de decadência da CSLL nos três primeiros trimestres de 1999, vencidos os Conselheiros Albertina Silva Santos de Lima, Luiz Martins Valero (Relator) e Jayme Juarez Grotto. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Carlos Alberto Gonçalves Nunes, e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso. Marcos Vinícius Neder de Lima Presidente. Por tais fundamentos, voto no sentido de conhecer do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional para, no mérito, darlhe provimento e determinar o retorno dos autos ao Colegiado a quo para exame das demais questões de mérito (multa qualificada, notadamente)." (grifei) É o relatório. Voto Conselheiro Flávio Franco Corrêa, Relator. A Câmara Superior de Recursos Fiscais deu provimento ao recurso especial da Procuradoria da Fazenda Nacional, interposto para hostilizar a decisão de segunda instância que decretara o cancelamento integral das exigências relativas ao IRPJ e CSLL. Tais foram as razões que emprestaram suporte à decisão recorrida: Fl. 1005DF CARF MF Processo nº 10980.003884/200534 Acórdão n.º 1301002.186 S1C3T1 Fl. 1006 15 (i) a atividade de bingos, exercida pela recorrente, não seria clandestina, em decorrência de "expressa autorização da autoridade competente e no amparo de lei estadual"; (ii) ao contrário do que expressara a autoridade julgadora de primeira instância, o Decreto nº 3.659/2000 se aplicava a autorizações pendentes e futuras, uma vez que a Lei nº 11.035/95 e a Lei nº 11.091/95 atribuíam competência aos Estados para autorizar o funcionamento de sorteios, inclusive bingos''; (iii) os valores correspondentes aos prêmios pagos em sorteios de bingo não deveriam integrar a tributação, "porquanto se tratam de valores repassados aos ganhadores e não integram a receita bruta da empresa"; (iv) por abranger valores que não seriam receitas da recorrente, o lançamento padeceria de vício em um de seus elementos essenciais, a quantificação do tributo; (v) o fato de apenas parte do período fiscalizado estar coberto pela autorização não ilidiria a conclusão anterior, já que a Fiscalização deveria ter dimensionado o lançamento "de forma adequada e sem dúvidas", o que não teria sido feito; (vi) se parte da movimentação financeira poderia ter sido tributada, caberia à Fiscalização ter apurado com precisão a base de cálculo, "descabendo, tanto com relação ao item anterior quanto a este, competência a este Colegiado para refazer ou promover outro lançamento para sanar as diferenças em sua origem ou refazer a exigência". Devese ter em conta, entretanto, que os autos de infração de IRPJ e CSLL, cancelados por força da decisão de segunda instância, foram lavrados para a constituição das exigências dos aludidos tributos, aos quais somaramse as respectivas multas, aplicadas de ofício, e os juros moratórios à taxa SELIC, conforme fls. 614/628. Mostrandose inconformada com a pretensão fiscal, a recorrente apresentou impugnação administrativa à autoridade julgadora de primeira instância, às fls. 644/663, na oportunidade em que expôs linha de defesa em contestação, no mérito, à aferição de sua receita bruta pela Fiscalização, ao arbitramento do lucro e à incidência da multa qualificada de 150%. Com o desprovimento da impugnação, restoulhe recorrer ao CARF ao intento de ver reformado o acórdão da Delegacia de Julgamento. Nessa oportunidade, insurgiu se novamente contra o critério de acordo com o qual a Fiscalização apurou sua receita bruta. No ensejo, também atacou o arbitramento do lucro e a imposição de multa qualificada, como já o fizera na etapa anterior, quando da impugnação. É de se notar que, no julgamento do recurso voluntário, a Turma não avançou no exame da multa qualificada, pois derrubou os lançamentos com esteio no entendimento de que a Fiscalização efetuara os lançamentos de ofício para cobrar os citados tributos sobre verbas que não seriam receitas da recorrente. Com o cancelamento das exigências relativas ao IRPJ e à CSLL, desfezse a base sobre a qual se calcula a multa de ofício, motivo pelo qual tornarase desnecessário tratar da questão suscitada pela recorrente, no recurso voluntário, alusiva à sanção. Diante disso, não poderia a Câmara Superior julgar a matéria referente à punição aplicada, no julgamento do recurso especial, considerando que o tema não fora apreciado pela instância a quo. No entanto, assomase o que parece constituir contradição da Câmara Superior, pois o Colegiado expôs fundamentação suficiente à manutenção da multa qualificada, Fl. 1006DF CARF MF Processo nº 10980.003884/200534 Acórdão n.º 1301002.186 S1C3T1 Fl. 1007 16 malgrado a deliberação final no sentido de determinar o retorno dos autos para a Turma recorrida examinar as demais questões de mérito, "notadamente", a multa qualificada. Sou da opinião de que o relator não estava alheio às limitações à cognoscibilidade recursal. Tanto é assim que propôs a baixa dos autos para julgamento de questões que não haviam sido apreciadas pela Turma recorrida. Como já se destacou, a Turma recorrida não adentrou no mérito da multa qualificada, que é um acessório ao tributo exigido no auto de infração. Ora, se a autoridade julgadora se convenceu de que a cobrança do tributo era indevida, seria irrazoável a discussão em torno dos valores acessórios, calculados com base no principal, que fora objeto da decisão administrativa anulatória. Em meu entendimento, o pronunciamento do relator, sobre a multa qualificada, não constitui a ratio decidendi e, sim, afirmação feita de passagem com a finalidade meramente retórica, um componente marginal ao argumento geral, algo dito a propósito do caso concreto, o denominado obiter dictum. Como se sabe, ratio decidendi são os fundamentos que suportam a decisão, a essência da tese jurídica acolhida pelo julgador, suficiente para decidir o caso concreto (rule of the law). Os comentários lançados pelo relator, no julgamento do recurso especial, referentes à multa qualificada, não surtem a menor influência sobre a procedência das exigências do IRPJ e da CSLL. No caso em exame, a validade de tais exigências não se subordina à procedência da sanção aplicada, mas a procedência da sanção aplicada se subordina, embora não exclusivamente, à validade daquelas exigências. Se o relator nada dissesse sobre a multa qualificada, em nada reduziria a força dos argumentos que aduzira para a reforma do acórdão recorrido, que nem de longe tangenciou a questão sobre a legalidade da multa qualificada. Percebase, a propósito, alguns desses argumentos erigidos pelo relator, que os conjugou para fundamentar a decisão de prover o recurso especial: a) "é certo que nos autos não há qualquer prova de que a atividade da Contribuinte referirseia à exploração da modalidade lotérica denominada "TRIBINGO""; (grifei) b) "Não bastasse tal fato, que por si só seria suficiente para rejeitar as alegações da Contribuinte nesse particular, notese, ainda, ser inverossímil que a Contribuinte tenha explorado a modalidade Tribingo no período a que se refere o auto de infração, pois (i) citada autorização apenas foi a ela concedida em 14.10.2002 (digase, após a Fiscalização ter obtido confirmação da SERLOPAR em 11.09.2002 de que a Contribuinte não possuía autorização até aquela data) e foi revogada pelo Governador do Estado em 09.04.2003 (cf. Decreto n. 1.046/2003); e (grifei) (ii) a instalação de máquinas e equipamentos (auditados pelo Estado) indispensáveis à exploração das atividades certamente não é realizada na data em que concedida o certificado, mas, ao contrário, demanda certo tempo para ser realizada e viabilizar regular funcionamento do estabelecimento;" (grifei) c) "Não se diga, outrossim, que as atividades de bingo desenvolvidas pela Contribuinte estariam albergadas pela legislação federal, em especial o Decreto nº 3.659/2000...”; (grifei) d) “...digase que é fato incontroverso o de que a Contribuinte deixou de celebrar contrato com entidade desportiva regularmente credenciada pelo Poder Executivo Fl. 1007DF CARF MF Processo nº 10980.003884/200534 Acórdão n.º 1301002.186 S1C3T1 Fl. 1008 17 Federal ou a Caixa Econômica Federal, tal como determina o art. 6, VI do citado Decreto...” (grifei); e) “...há provas nos autos de que a Contribuinte jamais fez qualquer repasse de valores a entidade desportiva ou à Caixa Econômica Federal...” (grifei) f) “...Tal fato, acrescido da manifesta incerteza sobre os lançamentos feitos a título de pagamentos de prêmios, torna imperioso considerar que a base de cálculo dos tributos lançados deve corresponder aos ingressos financeiros da Contribuinte, sem qualquer dedução e sem equiparála a qualquer outra entidade que desenvolva regularmente atividades de bingo. Por outro lado, os juízos acessórios sobre a multa qualificada são completamente irrelevantes para a decisão que determinou a cobrança do IRPJ e da CSLL. O caráter obter dictum que lhes é próprio não lhes confere a menor importância sobre o conteúdo do provimento da Câmara alta. Nada impede, entretanto, em sede de recurso voluntário, o aproveitamento daqueles mesmos fundamentos, lançados pela Câmara Superior em caráter obter dictum, para serem tomados, dessa feita, como razões de decidir para a manutenção da multa qualificada. Vejase que a recorrente, quanto à multa qualificada, manifestou que a autoridade de primeira instância entendera que a apresentação de DCTF ou DIRF, com valor menor que o devido, de forma reiterada, constitui evidente intuito de fraude, o que não se sustenta, segundo alega, em face da circunstância de que tais declarações não mantêm qualquer implicação com o fato gerador da obrigação principal, já que não passam de meras obrigações acessórias cuja finalidade é o controle da arrecadação. Nesse rumo, assinala que os artigos 71 a 73 da Lei nº 4.502/1964 não se compadecem com a idéia de que o simples descumprimento de obrigação acessória seja acolhido na amplitude do chamado evidente intuito de fraude, antes advertindo que sua conduta está adequada ao conceito de declaração inexata, mencionada no artigo 841 do RIR/99, o que é bastante para repelir a presunção de fraude, sonegação ou conluio. Tais alegações, em sede de recurso voluntário, não surtem o efeito esperado pela recorrente, à vista dos fatos apurados pela Fiscalização, constantes do Termo de Verificação e Encerramento da Ação Fiscal, às fls. 635/636: “Como já dito anteriormente, não houve entrega de DCTF relativas aos trimestres de 2002 e 1º trimestre de 2003, e as relativas aos trimestres de 2003, entregue, não apresentam débito de tributo devido. Considerando que a declaração do contribuinte em DCTF confere liquidez e certeza à obrigação tributária, em relação aos trimestres de 2003 houve declaração inexata por parte do contribuinte de forma proposital e reiterada. Quanto às informações prestadas nas DIPJ 2004 e DIPJ 2003, apresentam valores totalmente zerados, caracterizando, da mesma forma, declaração inexata por parte do contribuinte de forma proposital e reiterada. A efetivação de diversos lançamentos contábeis nas contas 21010040006 e 21010040007, feitos reiteradamente no curso do períodobase de apuração do tributo e desprovidos de qualquer prova documental da sua exigibilidade caracteriza omissão de receita, conforme determina o artigo 40 da Lei n° 9.430/96. Houve, ainda, a omissão sistemática de parte das receitas com vendas de cartelas de jogo de bingo, ao se deduzir desta receita, além dos repasses referidos no parágrafo anterior, os prêmios distribuídos e o IRF sobre referidos prêmios pagos constatando se, também, que referida receita foi contabilizada na conta CAIXA sem a devida Fl. 1008DF CARF MF Processo nº 10980.003884/200534 Acórdão n.º 1301002.186 S1C3T1 Fl. 1009 18 contrapartida de receita, conforme DIÁRIO apresentado às folhas 293/340, em desacordo com as normas contábeis. Considerando que as declarações inexatas em DCTF e DIPJ apresentadas pelo contribuinte, que as propositais omissões das mesmas, quando sabidamente devidas suas apresentações, e, ainda, que às sistêmicas omissões de receitas acima citadas caracterizam ações ou omissões tendentes a modificar as características essenciais do fato gerador da obrigação tributária principal, de modo a reduzir o montante devido ou diferir o seu pagamento, aplicamos a multa majorada de 150%, prevista no inciso II do artigo 44 da Lei n° 9.430/96, pela evidente configuração de intuito de fraude, já que tipifica a intenção dolosa de omitir receita tributável.” Como se adiantou nas linhas precedentes, valhome das palavras já redigidas pela instância ad quem para a composição dos argumentos que, na presente instância, substantivam as razões de decidir da negativa à recorrente. Portanto, pedindo licença ao ilustre relator da Câmara Superior, reproduzoas para a construção dos fundamentos deste voto, verbis: “In casu, o Contribuinte apresentou DCTF's com valores sistematicamente inferiores àqueles efetivamente faturados, como também apresentou DIPJ's zeradas em relação ao período autuado. Essa conduta do contribuinte levou a Fiscalização a (acertadamente) lavrar a autuação com multa qualificada, nos termos do art. 44, II da Lei nº 9.430/96, assim redigido à época dos fatos, verbis: "Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: (Vide Lei n° 10.892, de 2004) (Vide Mpv n"303, de 2006) (Vide Medida Provisória n°351, de 2007) (...) II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. " Por sua vez, dispõem os arts. 71, 72 e 73, da Lei nº 4.502/64, verbis: "Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou Fl. 1009DF CARF MF Processo nº 10980.003884/200534 Acórdão n.º 1301002.186 S1C3T1 Fl. 1010 19 modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. " Desinfluente o fato de os livros fiscais do Contribuinte estarem correta e devidamente escriturados, o que sequer ocorre no caso. No meu entender, a falta de escrituração de receitas ou a dita "conduta reiterada" são apenas algumas das inúmeras formas de o julgador inferir a presença de dolo do agente no caso concreto. Na hipótese, a relevância dos montantes apurados pela Fiscalização, a entrega de declarações "zeradas" e a ausência de justificativa pelo contribuinte no tocante à acusação de omissão de receitas são indicativos seguros da intenção deste de ocultar do Fisco a ocorrência do fato gerador; conduta esta tipificada no art. 71 da Lei nº 4.502/64.” Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Flávio Franco Corrêa Relator Fl. 1010DF CARF MF
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Numero do processo: 10120.729324/2014-24
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 21 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003
RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. MOMENTO A SER CONSIDERADO. VALOR ORIGINÁRIO.
Não se conhece do Recurso de Ofício que não tenha alcançado o limite de alçada na data de julgamento em segunda instância. Considera-se, para verificação desse limite, o valor do tributo e encargos de multa.
Recurso de Ofício Não Conhecido
Numero da decisão: 3301-003.205
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: MARCELO GIOVANI VIEIRA
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ementa_s : Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003 RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. MOMENTO A SER CONSIDERADO. VALOR ORIGINÁRIO. Não se conhece do Recurso de Ofício que não tenha alcançado o limite de alçada na data de julgamento em segunda instância. Considera-se, para verificação desse limite, o valor do tributo e encargos de multa. Recurso de Ofício Não Conhecido
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LIMITE DE ALÇADA. MOMENTO A SER CONSIDERADO. VALOR ORIGINÁRIO. Não se conhece do Recurso de Ofício que não tenha alcançado o limite de alçada na data de julgamento em segunda instância. Considera-se, para verificação desse limite, o valor do tributo e encargos de multa. Recurso de Ofício Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas – Presidente (assinado digitalmente) Marcelo Giovani Vieira – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheirosLuiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Liziane Fl. 594DF CARF MF 2 Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Marcelo Giovani Vieira (suplente convocado), Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen. Relatório Reproduzo parcialmente o Relatório da decisão a quo: “Contra a contribuinte CMC REPRESENTAÇÃO COMERCIAL LTDA foi lavrado auto de infração de fls. 458/477, em 03/12/2014, para a exigência de Cofins referente aos períodos de apuração de novembro de 1999 a novembro de 2003, no valor total, incluídos juros e multa de ofício, de R$ 2.114.871,96. O Relatório de Fiscalização de fls. 478/479 sumaria a peculiaridade do procedimento fiscal, nos seguintes termos: (…) “O lançamento do crédito tributário da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social - COFINS, referente ao período de 11/1999 a 11/2003, é decorrente de anulação, por vício formal, do lançamento anteriormente efetuado, pela - 4a Câmara/1a Turma Ordinária, de 16/04/2014, do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (fls. 97/100). O lançamento a que se refere, foi efetuado em nome da empresa "CEMACO MATERIAIS PARA CONSTRUÇÃO LTDA, CNPJ n° 00.823.435/0001-36, através do processo n° 10120.007640/2004-70, resultante de fiscalização iniciada na referida empresa, em 28/01/2004, conforme "Termo de Início de Fiscalização" (fls.3) e "Descrição dos Fatos" (fls. 101/127), em atendimento ao Mandado de Procedimento Fiscal - Fiscalização n° 01.2.01.00-2004-00045-8 (fls.4/5). A anulação do lançamento do crédito tributário, por vício formal, foi devido a erro de identificação do sujeito passivo. Tendo em vista que a transferência do ativo da CEMACO para a CMC COMÉRCIO DE MATERIAIS PARA CONSTRUÇÃO, CNPJ n° 05.754.708/0001-51, ocorreu em 01/12/2003 e a baixa da CEMACO na Secretaria da Fazenda do Estado em 16/12/2003, enquanto que o Termo de Início da Ação Fiscal ter sido efetivado em 28/01/2004. Conforme consta dos acórdãos: DRF/BSA n° 12.986, de 25 de fevereiro de 2005 e seus relatórios de julgamento (fls.72/86); Acórdão n° 203-10.499, de 20/10/2005 - Segundo Conselho de Contribuintes (fls.87/92). E Embargos de Declaração da Procuradoria- Geral da Fazenda Nacional, recurso n° 129568 (fls.93/96); e Despacho n° 3400-115 - 4a Câmara/1a Turma Ordinária, de 16/04/20014, do Conselho Administrativo de Recursos Fl. 595DF CARF MF Processo nº 10120.729324/2014-24 Acórdão n.º 3301-003.205 S3-C3T1 Fl. 2 3 Fiscais (fls.97/100). Todos extraídos do processo n° 10120.007640/2004-70. Diante dos fatos expostos nos parágrafos anteriores e para garantir o direito da Fazenda Nacional, foi constituído o crédito tributário através do presente auto de infração, referente ao período de apuração de 11/1999 a 11/2003, nos termos do art. 173, inciso II, da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 - CTN. A base de calculo da COFINS foi a receita bruta conhecida através das DPI (fls. 133/231) , sendo descontado da contribuição apurada, os valores pagos e/ou declarados em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais - DCTF (fls.435/438). Ressalta-se que as Declarações Periódicas de Informações - DPI (fls. 133/231), as planilhas de Pagamentos (fls.439/441), Apuração da COFINS (fls.442/446), Apuração de Débitos (fls.447/451), Demonstrativo de Situação Fiscal Apurada (fls.452/456) e demais documento juntados ao processo, exceção feita as cópias de Contrato Social (fls. 06/64) todos foram extraídos do processo n° 10120.007640/2004- 70. Devido a CEMACO ter dado baixa na Secretaria da Fazenda do Estado em 16/12/2003, e o período de fiscalização, não decaído, ser de 11/1999 a 11/2003, as planilhas e demais documentos citados no parágrafo anterior estão em nome da "CEMACO MATERIAIS PARA CONSTRUÇÃO LTDA, CNPJ n° 00.823.435/0001-36. Enquanto que o lançamento do crédito tributário devido, foi efetuado na sucessora CMC REPRESENTAÇÃO COMERCIAL LTDA, CNPJ n° 05.754.708/0001-51, que inclusive tomou ciência, em 22/11/2004, através do TERMO DE RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA (fls.101/127) do auto de infração, lavrado em 19/11/2004, em nome da CEMACO MATERIAIS PARA CONSTRUÇÃO LTDA, CNPJ n° 00.823.435/0001-36. O procedimento de declarar à RFB, reiteradamente, em todos os anos-calendário de 30/11/1999 a 31/12/2002, Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais - DCTF com débitos tributários inferiores a 50% (cinqüenta por cento) dos valores informados nas Declarações Periódicas de Informações - DPI entregues a Secretaria de Fazendo do Estado, conforme Demonstrativo de Débitos Tributários Declarados em DCTF/ Levantados pela Fiscalização (fls.435/438), prestando, portanto, informações falsas em suas declarações ao fisco federal, o que caracteriza, em tese, o intuito de suprimir ou retardar o conhecimento desses tributos por parte da RFB. Razão pela qual foi aplicada Fl. 596DF CARF MF 4 multa de ofício qualificada de 150% (centro e cinqüenta por cento), prevista no Artigo 44, inciso II, da Lei n° 9.430/96, e elaborou Representação Fiscal para Fins Penais contra a contribuinte através do processo n°. 10120- 007.697/2004-79, responsabilidade tributária por sucessão.” CMC REPRESENTAÇÃO COMERCIAL LTDA, irresignada, apresentou a impugnação de fls. 491/514, em 22/12/2014, por meio da qual, em apertada síntese, oferece as seguintes razões de defesa: (1) A impugnante é detentora de decisão administrativa definitiva, proferida no processo nº 10120.007640/2004-70, reconhecendo a nulidade do lançamento por erro material, decorrente da ilegitimidade do sujeito passivo; (2) O Fisco só poderia proceder ao novo lançamento antes de transcorrido o prazo decadencial de 5 anos previsto no art. 150, § 4º do CTN; (3) O Acórdão nº 12.986, do 2º Conselho de Contribuintes, considerou que houve ilegitimidade do sujeito passivo, pois a empresa CEMACO, eleita na ação fiscal como sujeito passivo, deixou de existir formalmente antes do Termo de Início de Fiscalização, anulando todo o lançamento em face da ilegitimidade passiva; (4) O presente lançamento está em desacordo com a orientação do próprio Fisco esposada na Solução de Consulta Interna Cosit nº 8, de 2013; (5) De acordo com o subitem 10.2 da citada Solução de Consulta, o erro na identificação da regra-matriz de incidência, no que concerne ao sujeito passivo da obrigação tributária, gera um lançamento nulo por vício material, não se aplicando a regra especial de contagem do prazo decadencial do art. 173, II, do CTN; (6) Ademais, parte dos doutrinadores entende que, após o advento da Carta Política de 1988, não mais é possível a aplicabilidade do inciso II do art. 173 do CTN, eis que, a partir da sua edição, tal matéria (decadência) passou a ter tratamento constitucional; (7) Além de não ser cabível a exigência do principal, não cabe a aplicação de multa de ofício de 150 % na sucessão, bem assim a incidência de juros sobre a multa de ofício. A DRJ/Brasília/DF decidiu por exonerar todo o crédito tributário, com a seguinte ementa e dispositivo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Fl. 597DF CARF MF Processo nº 10120.729324/2014-24 Acórdão n.º 3301-003.205 S3-C3T1 Fl. 3 5 Ano-calendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003 LANÇAMENTO ANTERIOR ANULADO PELO 2º CONSELHO DE CONTRIBUINTES. APLICAÇÃO DA REGRA ESPECIAL DE CONTAGEM DO PRAZO DECADENCIAL (ART. 173, II, CTN). IMPOSSIBILIDADE, EM FACE DA NÃO DECLARAÇÃO DE EXISTÊNCIA DE VÍCIO FORMAL NO LANÇAMENTO. Por implicar na aplicação de regra especial de contagem do prazo decadencial (art. 173, II, CTN), caberia, se fosse o caso, à Câmara julgadora, expressamente, declarar que a anulação do lançamento anterior teria se dado em face da existência de vício formal no lançamento. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado Acordam os membros da 2ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgar a impugnação procedente, cancelando o crédito tributário exigido. Não houve Recurso Voluntário, mas houve Recurso de Ofício, em razão da exoneração de crédito tributário superior ao limite de alçada, conforme art. 34. do Decreto 70.235/72 e Portaria MF nº 3/2008. É o relatório. Voto Conselheiro Marcelo Giovani Vieira, Relator Trata o presente processo de Auto de Infração de Cofins, matéria pertinente a esta Turma, e o crédito tributário exonerado pela primeira instância administrativa tem o valor original de R$ 2.114.871,96. Até 09/02/2017, o limite de alçada para Recurso de Ofício era de R$1.000.000,00 (um milhão de reais), razão pela qual o presidente da turma a quo determinou o seu encaminhamento ao Carf. Todavia, a partir de 10/02/2017, o limite passou a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais), estabelecido por meio da Portaria MF 63/2017: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). Fl. 598DF CARF MF 6 § 1º O valor da exoneração deverá ser verificado por processo. § 2º Aplica-se o disposto no caput quando a decisão excluir sujeito passivo da lide, ainda que mantida a totalidade da exigência do crédito tributário. Art. 2º Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação no Diário Oficial da União. Art. 3º Fica revogada a Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008 A súmula Carf 103 determina: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Observo ainda que a comparação com o limite de alçada deve ser feita tomando o lançamento pelo valor do tributo e encargo de multa, ou seja, sem atualização com os juros, nos termos da referida Portaria. Desse modo, considerando que nesta data de julgamento, o limite de alçada não foi alcançado, não conheço do Recurso de Ofício. (assinado digitalmente) Conselheiro Marcelo Giovani Vieira, Relator Fl. 599DF CARF MF
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Numero do processo: 10680.012798/2007-69
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 15 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Mar 30 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1997 a 31/03/2006
CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. TERCEIROS.
O pedido de restituição que envolver somente as contribuições para outras entidades e fundos será formulado diretamente à respectiva entidade.
ARRECADAÇÃO DIRETA. OPERAÇÃO CONCOMITANTE. IMPOSSIBILIDADE.
Havendo convênio para arrecadação direta para terceiros, não é possível a operação concomitante no âmbito da RFB.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2401-004.668
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso voluntário, e, no mérito, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Relatora e Presidente.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Cleberson Alex Friess, Carlos Alexandre Tortato, Márcio de Lacerda Martins, Rayd Santana Ferreira, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Andrea Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa.
Nome do relator: MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI
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TERCEIROS. Recorrente MINERAÇÃO RIO VERDE LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1997 a 31/03/2006 CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. TERCEIROS. O pedido de restituição que envolver somente as contribuições para outras entidades e fundos será formulado diretamente à respectiva entidade. ARRECADAÇÃO DIRETA. OPERAÇÃO CONCOMITANTE. IMPOSSIBILIDADE. Havendo convênio para arrecadação direta para terceiros, não é possível a operação concomitante no âmbito da RFB. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso voluntário, e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Relatora e Presidente. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Cleberson Alex Friess, Carlos Alexandre Tortato, Márcio de Lacerda Martins, Rayd Santana Ferreira, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Andrea Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 01 27 98 /2 00 7- 69 Fl. 273DF CARF MF 2 Relatório Tratase de crédito lançado contra a empresa em epígrafe, referente a contribuição social para outras entidades e fundos Senar, no período de 01/97 a 03/06, incidente sobre a remuneração paga a segurados empregados, dos estabelecimentos que têm com objetivo a atividade agropastoril, em virtude do reenquadramento do código FPAS de 507 para 787. Cientificado da autuação, o contribuinte apresentou impugnação, sendo proferido o Acórdão, fls. 209/217, com a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1997 a 31/03/2006 PREVIDENCIÁRIO. REENQUADRAMENTO DE CODIGO FPAS. COBRANÇA DE TERCEIROS. SENAR. O setor rural do produtor rural pessoa jurídica que exerce outras atividades contribui sobre a folha de pagamento, utilizando o código FPAS 787. DECADÊNCIA. ART. 45 DA LEI N° 8.2l2./91. INCONSTITUCIONALIDADE. APLICAÇÃO DA SUMULA VINCULANTE N° 8. O Supremo Tribunal Federal reconheceu através da Súmula Vinculante n° 8 a inconstitucionalidade formal do art. 45 da Lei n° 8.212/91 que fixava em dez anos o prazo de decadência para o lançamento das contribuições sociais. Na ausência de Lei Complementar a fixar especialmente o prazo para constituição de créditos destinados a Seguridade Social, aplicase os prazos previstos no Código Tributário Nacional. Lançamento Procedente em Parte Cientificado do Acórdão em 13/11/09 (Aviso de Recebimento AR de fl. 237), o contribuinte apresentou recurso voluntário em 11/12/09, fls. 238/240, que contém, em síntese: Afirma que a DRJ/BHE concluiu que as contribuições a serem recolhidas são no importe de 1,9% e não 2,5%, que, com o expurgo das parcelas decaídas, era de R$ 15.302,69, passando a ser de R$ 11.610,71. Entretanto, tal retificação não consta no DADR. Requer a retificação do DADR para que contemple o valor correto. Alega que disse ao Sesi e ao Senai a ocorrência das correções feitas a favor do Senar e que estava pleiteando a devolução dos pagamentos indevidos, o que seria feito através de procedimento de compensação, então regulado no artigo 215 da IN SRP 03/05. Entende que a situação está enquadrada para a realização da operação concomitante, conforme art. 215, § 1º, II. Fl. 274DF CARF MF Processo nº 10680.012798/200769 Acórdão n.º 2401004.668 S2C4T1 Fl. 274 3 Requer a retificação do DADR e que seja determinada a operação concomitante para compensação dos valores devidos ao Senar com aqueles pagos ao Senai e ao Sesi. Conforme Resolução de fls. 257/262, os autos foram encaminhados à DRF de origem para informar se ocorreu ou não pedido de parcelamento dos valores lançados, nos termos da Lei 11.941/09. Em Informação Fiscal de fl. 266, consta que apesar do contribuinte ter aderido ao parcelamento da Lei 11.941/09, os valores lançados no debcad 37.040.1123 não foram incluídos em referido parcelamento. É o relatório. Fl. 275DF CARF MF 4 Voto Conselheira Miriam Denise Xavier Lazarini, Relatora. ADMISSIBILIDADE O recurso voluntário foi oferecido no prazo legal, assim, deve ser conhecido. RETIFICAÇÃO DO LANÇAMENTO Assiste razão à recorrente ao afirmar que não foi realizada a retificação determinada pela DRJ/BHE, para o período de 03/02 a 03/06, alterandose a alíquota lançada de 2,5% para 1,9%, passando o valor originalmente apurado de R$ 15.302,69 para R$ 11.610,71. Entretanto, a execução desse julgado não compete a este conselho, devendo qualquer reclamação nesse sentido ser encaminhada ao setor competente da RFB. OPERAÇÃO CONCOMITANTE Consta do acórdão da DRJ/BHE que: Para as competências remanescentes do lançamento, quais sejam de 03/2002 a 03/2006, observo que o débito deverá ser retificado. A empresa celebrou o convênio para pagamento da contribuição de Terceiros diretamente à Entidade destinatária da seguinte forma. Em 10/1998 havia convênio com o SENAI e a partir de 12/1998 havia o convênio com o SENAI e O SESI, ou seja, o recolhimento destinado a Terceiros na Guia da Previdência Social era de 3,3%, já que o recolhimento ao SESI e SENAI era feito diretamente à estas entidades. Para se obter o valor correto das contribuições que deveriam ser exigidas da notificada, devese considerar o percentual de 5,2% resultante do reenquadramento feito no FPAS 787, deduzindo o percentual já recolhido no importe de 3,3%, restando contribuições a serem recolhidas no total de 1,9% sobre o salário de contribuição. Como verifiquei nos relatórios de lançamentos as contribuições devidas foram calculadas utilizandose a alíquota de 2,5%. Os valores obtidos merecem, portanto, um reparo para se chegar ao que é realmente devido. Cabe ressaltar que, nesse caso, os valores recolhidos indevidamente às Entidades devem ter sua restituição pleiteada junto à própria recebedora, visto que os mesmos não entraram nos cofres da Previdência. (grifo nosso) Fl. 276DF CARF MF Processo nº 10680.012798/200769 Acórdão n.º 2401004.668 S2C4T1 Fl. 275 5 O contribuinte requer que os valores recolhidos para o Sesi e Senai sejam compensados com os devidos ao Senar. Cita a IN SRP 03/05, art. 215, § 1º, II. Acontece que, conforme já esclarecido no acórdão recorrido, as contribuições para o Sesi e Senai foram recolhidas diretamente a tais entidades, e sendo indevidos, o pedido de restituição deve ser encaminhado diretamente a elas, o que foi feito pelo sujeito passivo, conforme documentos de fls. 244/249. O Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99, determina: Art. 250. O pedido de restituição ou de compensação de contribuição ou de outra importância recolhida à seguridade social e recebida pelo Instituto Nacional do Seguro Social será encaminhado ao próprio Instituto. § 1º No caso de restituição de contribuições para terceiros, vinculada à restituição de contribuições previdenciárias, será o pedido recebido e decidido pelo Instituto Nacional do Seguro Social, que providenciará a restituição, descontandoa obrigatoriamente do valor do repasse financeiro seguinte ao da restituição, comunicando o fato à respectiva entidade. § 2º O pedido de restituição de contribuições que envolver somente importâncias relativas a terceiros será formulado diretamente à entidade respectiva e por esta decidido, cabendo ao Instituto Nacional do Seguro Social prestar as informações e realizar as diligências solicitadas. (grifo nosso) A IN SRP 03/05, vigente à época da autuação, dispõe que: Art. 139. Compete ao MPS por intermédio da SRP, nos termos do art. 94 da Lei nº 8.212, de 1991, com as alterações decorrentes do art. 3º da Lei nº 11.098, de 2005, arrecadar e fiscalizar as contribuições devidas às outras entidades ou fundos, conforme alíquotas discriminadas na Tabela de Alíquotas por Códigos FPAS, prevista no Anexo III. § 1º O recolhimento dessas contribuições deve ser efetuado juntamente com as contribuições devidas pelo sujeito passivo à Previdência Social, observados os § § 2º, 6º, 9º e 10. § 2º As contribuições devidas a outras entidades ou fundos podem ser recolhidas diretamente à respectiva entidade ou fundo, mediante celebração de convênio, desde que haja previsão legal. § 3º Caso seja feito enquadramento incorreto na Tabela de Códigos FPAS, prevista no Anexo III, a SRP, por meio de sua fiscalização, fará a revisão do enquadramento efetuado pelo sujeito passivo, observadas as atividades por ele exercidas. § 4º O sujeito passivo será cientificado do reenquadramento de que trata o § 3º, havendo ou não lançamento de débito sob o novo código correspondente à entidade e ao fundo para o qual Fl. 277DF CARF MF 6 deve contribuir, para, caso queira, no prazo de quinze dias, apresentar defesa contra o reenquadramento ou o lançamento, conforme o caso. § 5º Na hipótese de enquadramento incorreto, será emitida Representação Administrativa, prevista no art. 615, com o objetivo de comunicar a ocorrência às entidades ou fundos que, de acordo com as atividades econômicas desenvolvidas pelo sujeito passivo são as destinatárias das contribuições, bem como àquelas que deixarão de receber a contribuição em razão do novo enquadramento. Art. 202. No caso de restituição de valores recolhidos para outras entidades ou fundos, vinculados à restituição de valores recolhidos para a Previdência Social, na forma do § 1º do art. 250 do RPS, será o pedido recebido e decidido pela SRP, que providenciará a restituição. § 1º Entendese como valores vinculados, aqueles requeridos no mesmo pedido de restituição de valores recolhidos indevidamente à Previdência Social. § 2º O pedido de restituição que envolver somente importâncias relativas às outras entidades ou fundos, será formulado diretamente à respectiva entidade e por ela decidido, cabendo à SRP prestar as informações e realizar as diligências solicitadas. (grifo nosso) Art. 215. Operação concomitante é o procedimento pelo qual o sujeito passivo liquida créditos constituídos no âmbito da SRP, total ou parcialmente, utilizandose de crédito oriundo de processo de restituição ou de reembolso. (grifo nosso) § 1º A operação concomitante poderá ser realizada: I a pedido do sujeito passivo, por escrito, na hipótese de restituição de créditos oriundos de reembolso ou da retenção prevista no art. 31 da Lei nº 8.212, de 1991; II de ofício pela SRP, na hipótese de restituição de valores recolhidos indevidamente à Previdência social ou a outras entidades ou fundos; III por ação da SRP prevista no acordo de parcelamento, nos termos do § 1º do art. 664, na hipótese do § 6º do art. 216. Vêse, portanto, que o RPS e a IN SRP 03/05, art. 202, § 2º, deixam claro que o pedido de restituição que envolver somente as contribuições para outras entidades e fundos, mesmo que a contribuição tenha sido recolhida em Guia da Previdência Social GPS, o que não é o caso (pois o sujeito passivo recolhe diretamente as contribuições para o Sesi e Senai), será formulado diretamente à respectiva entidade. No mesmo sentido dispõe a IN RFB 1.300/12: Art. 2º Poderão ser restituídas pela RFB as quantias recolhidas a título de tributo sob sua administração, bem como outras receitas da União arrecadadas mediante Darf ou GPS, nas seguintes hipóteses: (grifo nosso) Fl. 278DF CARF MF Processo nº 10680.012798/200769 Acórdão n.º 2401004.668 S2C4T1 Fl. 276 7 [...] § 3º Compete à RFB efetuar a restituição dos valores recolhidos para outras entidades ou fundos, exceto nos casos de arrecadação direta, realizada mediante convênio. (grifo nosso) Assim, não há que se falar em operação concomitante, como quer o recorrente, pois tal operação somente seria possível caso o sujeito possuísse crédito oriundo de processo de restituição no âmbito da RFB e, no presente caso, a restituição que o sujeito passivo faz jus integra processos administrativos a serem analisados pelo Sesi e pelo Senai. Por óbvio, não cabe à RFB restituir ao sujeito passivo valores que não foram por ela arrecadados. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por conhecer do recurso, para negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Fl. 279DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10783.914978/2009-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Apr 20 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/12/2001 a 30/12/2001
COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO. AUSÊNCIA DE PROVAS.
Aquele que se manifesta contra o Despacho Decisório tem o ônus probatório relativo à comprovação do crédito que alega possuir, o qual deve ser exercido oportunamente e de forma materialmente suficiente à demonstração do direito pleiteado.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-003.892
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e voto do presente acórdão.
(Assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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ÔNUS PROBATÓRIO. AUSÊNCIA DE PROVAS. Aquele que se manifesta contra o Despacho Decisório tem o ônus probatório relativo à comprovação do crédito que alega possuir, o qual deve ser exercido oportunamente e de forma materialmente suficiente à demonstração do direito pleiteado. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e voto do presente acórdão. (Assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 78 3. 91 49 78 /2 00 9- 91 Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10783.914978/200991 Acórdão n.º 3402003.892 S3C4T2 Fl. 3 2 Trata o presente processo de compensação declarada em PER/DCOMP apresentada pelo contribuinte, de crédito referente a valor que teria sido recolhido a maior ou indevidamente, a título de COFINS, atinente ao período de apuração indicado na folha de rosto do acórdão. Por meio de Despacho Decisório eletrônico, negouse homologação à compensação declarada, alegando não restar crédito disponível para a compensação dos débitos informados, em virtude de o pagamento do qual seria oriundo já ter sido integralmente utilizado para quitar débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. O contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade que foi julgada improcedente pela DRJ sob os seguintes fundamentos: i) o contribuinte não indicou como apurou o crédito que alega possuir e indicado na Declaração de Compensação e ii) o contribuinte não juntou quaisquer provas do referido crédito. Irresignado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário no qual alega inauguralmente que a questão não necessitaria de produção de provas, por se tratar de incidência de COFINS sobre receitas financeiras, declarada inconstitucional pelo STF no RE nº 346.084. Ao final, solicita a realização de diligência. É o relatório. Voto Antonio Carlos Atulim, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402003.885, de 28 de março de 2017, proferido no julgamento do processo 10783.914970/200924, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402003.885): "O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido. O Despacho Decisório contestado nesse processo administrativo teve sua homologação negada sob fundamento do crédito alegado ter sido utilizado integralmente para quitar débitos da pessoa jurídica. Desde o início, o contribuinte não juntou qualquer documentação fiscal ou contábil que permita determinar o valor do crédito ou pelo menos um mínimo lastro probatório de sua existência. Menos ainda, sequer articulou argumento que sustentasse as razões para a Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10783.914978/200991 Acórdão n.º 3402003.892 S3C4T2 Fl. 4 3 manutenção do crédito pretendido, limitandose a afirmar a sua existência. O Decreto n° 70.235/72, que regulamenta o processo administrativo fiscal, é expresso no sentido de que o contribuinte deve trazer ao litígio todos os motivos de contrariedade, acompanhados dos elementos probatórios que fundamentem suas alegações. Senão vejamos: Art. 15 A impugnação, formalizado por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de 30(trinta) dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir;(inciso III com redação determinada pela Lei 8. 748/1993) §4. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razoes posteriormente trazidos aos autos. Como precisamente apontado na decisão a quo, aquele que se manifesta contra o Despacho Decisório tem o ônus probatório relativo à comprovação do crédito que alega possuir alegar e não provar é o mesmo que não alegar. Tampouco se vislumbra nos autos quaisquer das exceções previstas no art. 16, §4º do Decreto 70.235/72. Assim, operouse a preclusão acerca do direito do contribuinte de produzir quaisquer provas do seu crédito, o que nos permite seguramente corroborar as conclusões alcançadas pela DRJ. Em seu Recurso Voluntário, o contribuinte traz uma reconstrução da discussão que culminou na declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, §1º da Lei nº 9.718, para afirmar que o crédito se refere a receitas financeiras que compuseram a base de cálculo, o que causou o pagamento indevido das contribuições sociais. Quanto a este argumento, além de encontrar óbice no art. 17 do Decreto 70.235/72 (Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante.), não foi corroborado por qualquer prova nos autos, sequer existindo algum indício disto. Tratase de uma afirmação tão vazia quanto à afirmação do crédito na Manifestação de Inconformidade, não merecendo qualquer guarida deste Colegiado. Por fim, alega o Recorrente: Concluindo, o recolhimento a maior de parte do darf de RS 25.045,85 é decorrente do alargamento da base de cálculo do COFINS (código de receita 2172), a qual deu fundamento para a Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10783.914978/200991 Acórdão n.º 3402003.892 S3C4T2 Fl. 5 4 compensação ora não homologada, o que poderá ser comprovado por mera diligência fiscal. O autor simplesmente alega a necessidade de uma diligência fiscal, mas sem atender aos requisitos do art. 14, IV do Decreto 70.235/72: Art. 16. A impugnação mencionará: IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. A despeito da falha do Recorrente em indicar os elementos necessários para a solicitação de uma diligência, ainda assim o Colegiado poderia propor a conversão do julgamento em diligência se entender necessária, nos termos do art. 18 do Decreto 70.235/72: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. Todavia, a diligência não tem a função de, atuando em lugar do Contribuinte, atender a um ônus probatório que não foi observado por este, mas sim esclarecer fatos que foram aventados no processo. Desse modo, nego o pedido de diligência. Conclusão Forte no exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário, por absoluta ausência de provas no processo." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao Recurso Voluntário, por absoluta ausência de provas no processo. assinado digitalmente Antonio Carlos Atulim Fl. 79DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12466.004561/2006-93
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 20 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Mar 21 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 14/08/2006
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ERRO PASSÍVEL DE CORREÇÃO.
O simples erro de escrita deve ser corrigido em sede de embargos de declaração.
AUSÊNCIA DE OMISSÃO. INCONFORMISMO.
O inconformismo da parte quanto aos fundamentos utilizados pela decisão não autorizam a oposição de embargos de declaração quanto a matéria foi objeto de apreciação e decisão pelo acórdão.
Numero da decisão: 3201-002.513
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolheram-se os embargos para retificação de erro material, sem efeitos infringentes.
WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente Substituto.
TATIANA JOSEFOVICZ BELISÁRIO - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente Substituto), Mércia Helena Trajano D'Amorim; Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, José Luiz Feistauer de Oliveira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo.
Nome do relator: TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 14/08/2006 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ERRO PASSÍVEL DE CORREÇÃO. O simples erro de escrita deve ser corrigido em sede de embargos de declaração. AUSÊNCIA DE OMISSÃO. INCONFORMISMO. O inconformismo da parte quanto aos fundamentos utilizados pela decisão não autorizam a oposição de embargos de declaração quanto a matéria foi objeto de apreciação e decisão pelo acórdão.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolheram-se os embargos para retificação de erro material, sem efeitos infringentes. WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente Substituto. TATIANA JOSEFOVICZ BELISÁRIO - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente Substituto), Mércia Helena Trajano D'Amorim; Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, José Luiz Feistauer de Oliveira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo.
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ERRO PASSÍVEL DE CORREÇÃO. O simples erro de escrita deve ser corrigido em sede de embargos de declaração. AUSÊNCIA DE OMISSÃO. INCONFORMISMO. O inconformismo da parte quanto aos fundamentos utilizados pela decisão não autorizam a oposição de embargos de declaração quanto a matéria foi objeto de apreciação e decisão pelo acórdão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolheramse os embargos para retificação de erro material, sem efeitos infringentes. WINDERLEY MORAIS PEREIRA Presidente Substituto. TATIANA JOSEFOVICZ BELISÁRIO Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente Substituto), Mércia Helena Trajano D'Amorim; Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, José Luiz Feistauer de Oliveira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 46 6. 00 45 61 /2 00 6- 93 Fl. 259DF CARF MF 2 Consoante acórdão proferido em sede de Recurso Voluntário, é o relatório do feito: Em sessão de julgamento ocorrida em 1º de julho de 2010, esse Turma Julgadora, à unanimidade, não conheceu o Recurso Voluntário do contribuinte, em acórdão assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 14/08/2006 AÇÃO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. RENUNCIA. Fl. 260DF CARF MF Processo nº 12466.004561/200693 Acórdão n.º 3201002.513 S3C2T1 Fl. 260 3 A existência de ação judicial proposta pelo contribuinte em face da Fazenda Nacional com o mesmo objeto do auto de infração implica renúncia instância administrativa. Recurso Voluntário Não Conhecido. Intimado, o Contribuinte opôs Embargos de Declaração de fls. 244/248, aduzindo omissão quanto "ao cotejo entre os dois pedidos (Mandado de Segurança e Impugnação ao presente Auto de Infração". Os referidos Embargos foram admitidos por despacho de fls. 255/258 e a mim distribuídos por sorteio, vez que o Relator original do feito não mais compõe este colegiado. É o Relatório. Voto Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário Em sede de Embargos de Declaração o contribuinte aduz a existência de omissão, pelo acórdão embargado, acerca da alegação, contida em sede de Recurso Voluntário, de "inexistência de concomitância entre as vias administrativa e judicial e análise da situação fática com base no Mandado de Segurança nº 2006.50.01.0108474". Afirma, nesse aspecto, que o acórdão embargado "omitiuse quanto à circunstância de que o Mandado de Segurança foi impetrado exclusivamente para liberar as mercadorias apreendidas" , ao passo que o pleito do presente processo administrativo compreende a "desconstituição integral da penalidade aplicada (e não a liberação da mercadoria)." Além disso, os Embargos de Declaração indicam a existência de erro material no julgado, uma vez que o acórdão embargado, ao aduzir a existência de concomitância do pleito administrativo com ação judicial, fez referência à "Medida Cautelar nº 94.00342810, ajuizada pela empresa BORDEAUS BUFFET S/A, empresa estranha a presente lide." Pois bem. Por ser aspecto de simples solução, já de início verifico a procedência do argumento quanto ao equívoco incorrido no acórdão recorrido ao mencionar o número da ação judicial com a qual haveria a concomitância: Fl. 261DF CARF MF 4 Tratase, efetivamente, de mero erro material na confecção do voto vencedor. Pelo próprio relatório do feito é possível constatar que a análise quanto à existência de concomitância foi efetuada tendo por base o Mandado de Segurança nº 2006.50.01.0108474. Desse modo, é cabível a oposição de Embargos de Declaração para a retificação do equívoco material ora apontado, sem qualquer alteração quanto ao resultado do julgamento. Quanto à omissão apontada , passase, ao exame da questão posta. Em síntese, argumenta a Embargante a inexistência de concomitância entre o objeto do presente Auto de Infração e aquele do Mandado de Segurança nº 2006.50.01.010847 4, afirmando que esta conclusão se depreende pelo simples cotejo entre o objeto da ação judicial e aquele arguido na defesa apresentada no caso ora em análise, sobre o qual teria sido omisso o voto condutor. Todavia, noto que inexiste a omissão apontada, mas, sim, verdadeiro inconformismo com o julgado, que desafia recurso próprio (Recurso Especial). Com efeito, o Julgador não está obrigado a analisar todos os fundamentos expostos pela parte. Na hipótese dos autos, o acórdão recorrido superada a questão relativa ao erro incorrido na descrição da ação judicial manifestouse expressamente no sentido de reconhecer a existência da concomitância. Veja o voto condutor: O recurso voluntário é tempestivo e atende aos requisitos legais de admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. O sistema jurisdicional brasileiro adota a jurisdição uma, ou seja, a eleição pelo contribuinte da discussão da matéria pela via judicial, antes ou após ter se iniciado o procedimento fiscal, importa renúncia A. esfera administrativa, conforme o estabelecido no art. 5°, inciso XXXV, da Carta Política de 1988. Desta forma, como no presente feito o contribuinte impetrou a Medida Cautelar n° 94.00342810, não há possibilidade de discussão do mérito tributário nestes autos por concomitância. Neste ponto, não há reparo a ser feito A decisão recorrida, porque, na forma do Ato Declaratório Normativo COSIT n° 3, de 14.02.1996, realmente não pode ser conhecida a impugnação, quando ocorre a concomitância, verbis: Desse modo, tendo sido a questão de direito apreciada e decidida pela decisão recorrida, ainda que por argumentos diversos daqueles que a parte entende serem os mais adequados, não há falar em omissão a ser sanada relativamente ao acórdão rembargado. Pelo exposto, voto pelo ACOLHIMENTO e PARCIAL PROVIMENTO DOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO, SEM EFEITOS INFRINGENTES, para a retificação do erro material no voto vencedor do acórdão recorrido. Onde se lê, à fl. 166 (eprocess): Fl. 262DF CARF MF Processo nº 12466.004561/200693 Acórdão n.º 3201002.513 S3C2T1 Fl. 261 5 Desta forma, como no presente feito o contribuinte impetrou a Medida Cautelar n° 94.00342810, não há possibilidade de discussão do mérito tributário nestes autos por concomitância. Devese ler: Desta forma, como o presente feito o contribuinte impetrou o Mandado de Segurança nº 2006.50.01.0108474, não há possibilidade de discussão do mérito tributário nestes autos por concomitância. É como voto. Tatiana Josefovicz Belisário Relator Fl. 263DF CARF MF
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Numero do processo: 11065.000890/2009-68
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 18 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 30/06/2005 a 31/12/2006
DECLINAÇÃO DE COMPETÊNCIA. LANÇAMENTO DE IPI REFLEXO DO IRPJ. PRIMEIRA SEÇÃO.
Consoante art. 2º, inciso IV do RICARF, compete à Primeira Seção de Julgamento a apreciação de lançamentos do IPI quando reflexos do IRPJ.
Numero da decisão: 3201-002.192
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário. Declinou-se a competência para a Primeira Seção de Julgamento.
CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA - Presidente.
Tatiana Josefovicz Belisário - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Winderley Morais Pereira, Tatiana Josefovicz Belisário, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Jose Luiz Feistauer de Oliveira e Cássio Schappo.
Ausentes, justificadamente, as Conselheiras Mércia Helena Trajano D'Amorim e Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo.
Nome do relator: Relator
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(DENOMINAÇÃOANTERIOR: INDUSTRIAL DANELLO DE CALÇADOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 30/06/2005 a 31/12/2006 DECLINAÇÃO DE COMPETÊNCIA. LANÇAMENTO DE IPI REFLEXO DO IRPJ. PRIMEIRA SEÇÃO. Consoante art. 2º, inciso IV do RICARF, compete à Primeira Seção de Julgamento a apreciação de lançamentos do IPI quando reflexos do IRPJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário. Declinouse a competência para a Primeira Seção de Julgamento. CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Presidente. Tatiana Josefovicz Belisário Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Winderley Morais Pereira, Tatiana Josefovicz Belisário, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Jose Luiz Feistauer de Oliveira e Cássio Schappo. Ausentes, justificadamente, as Conselheiras Mércia Helena Trajano D'Amorim e Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 00 08 90 /2 00 9- 68 Fl. 9971DF CARF MF 2 O feito foi assim relatado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre (RS): Tratase de Auto de Infração lavrado em 18/05/2009, referente ao período de 30/06/2005 a 31/12/2006, fls. 5218/5221, para exigir o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, assim como os respectivos juros de mora e multa de ofício de 150%, decorrente de lançamento de Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ e seus reflexos, objeto do processo administrativo n° 11065.000966/200955, em que se apurou omissão de receitas, caracterizada pela prática de depósitos bancários de origem não comprovada, vendas por cartão de crédito/débito, desconto de cheques prédatados . O crédito tributário lançado está constituído dos seguintes montantes: Imposto = R$ 4.648.759,51 Juros de mora = R$ 1.668.447,99 Multa proporcional = R$ 6.973.139,21 Valor total = R$ 13.290.346,71 O procedimento de fiscalização, determinado pelo Mandado de Procedimento Fiscal MPF, n° 10.1.07.002008001618 (fl. 02), da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Novo Hamburgo, e as conclusões dele decorrentes, estão relatadas no Relatório de Procedimento Fiscal (RPF) de fls. 5132/ 5217. Conforme consta relatado, o referido MPF consistiu na verificação e apuração do IRPJ e reflexos dos anoscalendários 2005 e 2006, sendo que no curso da ação fiscal foram constatadas infrações que produziram efeitos em outros tributos, motivo pelo qual o procedimento fiscal foi ampliado para verificação de IRF e IPI, com a devida alteração do MPF e ciência do contribuinte. Em seguida, a fiscalização informa que a empresa fabricante da marca DATELLI, tem por objeto social a industrialização, comercialização, importação e exportação de calçados, artigos de couro, de vestuário em geral, para a prática de esportes, de jogos, de perfumaria e toucador, de ótica e relojoaria, de papelaria, de utilidades domésticas, de roupa de camamesa banho, artigos para fumantes, bem como a participação social em outras empresas (fls. 4381), e que o procedimento foi acompanhado pelo sócio Jony Jesus Carvalho Hernandez e pelo seu "controller, José Antônio Lidório (fls. 04/08). Aduz ainda que nos anoscalendários 2005 e 2006 apresentou Declarações de Informações EconômicasFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ pelo Lucro Real. Segue relatando, que da profunda análise da escrita contábil da fiscalizada, foram constatadas as seguintes presunções de omissão de receita previstas na legislação tributária: saldo credor de caixa, passivo inexiste, manutenção no passivo de Fl. 9972DF CARF MF Processo nº 11065.000890/200968 Acórdão n.º 3201002.192 S3C2T1 Fl. 9.972 3 obrigações já pagas, pagamentos não escriturados e depósitos bancários sem origem comprovada. Funcionamento do Sistema Datelli A seguir, aborda o funcionamento da empresa, o qual compreende: a) Fabricante Licenciado Jolly Indústria de Calçados Ltda. (antiga Industrial Danello de Calçados Ltda.) b) Franqueadora Budelli Assessoria Comercial Ltda. c) Varejistas — Lojas franqueadas (aproximadamente 80 lojas) e cinco filiais da Jolly Indústria de Calçados Ltda. Análise do passivo a) Banco Safra Relata que foram contabilizados a débito da conta caixa valores a título de empréstimo no Banco Safra que não correspondem as operações de crédito do contribuinte com referido Banco. Tal constatação se deu a partir da análise da relação de todas as operações de crédito do contribuinte, posição consolidada do passivo, contratos de descontos, mútuos, origem de alguns valores creditados, etc, após Requisição de Movimentação Financeira RMF junto ao Banco Safra. Foi elaborada planilha de fls. 5141, em que constam as operações de crédito junto ao Banco Safra não comprovadas. Na sequência, aduz que também foram constatados outros lançamentos incorretos na baixa dos empréstimos tomados junto ao Banco Safra, a título exemplificativo, relacionou o lançamento efetuado a crédito de despesa PERDA POR BX ESTOQUE e a débito de BANCO SAFRA SA (passivo), no dia 21/02/2006, no valor de 86.000,00 (fls. 3418), lançamento que a empresa alegou "erro" no lançamento, "ao invés de debitar o estoque, por um erro de digitação foi levado a débito da conta Banco Safra". A fiscalização, após alegação da fiscalizada, confrontou o livro registro de inventário com o mesmo saldo na contabilidade (fls. 3418verso e 3419) e verificou que todas as perdas com baixas de estoque até então foram registradas, sem estorno, concluindo que não houve o alegado erro de lançamento. Informa que este lançamento foi apenas um dentre muitos. Refere, a seguir, que intimou o contribuinte (item 05 do Termo de Intimação n° 04, fls. 105, 107 a 125), para prestar esclarecimentos sobre dívidas baixadas no valor total de R$ 14.801.565,87, em contrapartida de crédito de várias despesas, nos seguintes termos: "5. Prestar esclarecimentos acerca dos lançamentos contábeis constantes das planilhas em anexo a este termo, num total de RS 4.788.839,31 em 2005 e RS 10.012.726,56 em 2006, efetuados a Fl. 9973DF CARF MF 4 crédito de despesas e a débito de contas representativas de passivos junto a bancos, apresentando documentos que comprovem as operações. Informar se e quando os lançamentos foram estornados, trazendo cópia dos livros contábeis respectivos. " Disse que não foi surpresa a resposta da fiscalizada (fl. 128), ao se manifestar nos seguintes termos: "No item "5" o Fisco pede esclarecimentos acerca de lançamentos contábeis, por totais especificados no item, cujos não puderam ser localizados nas planilhas anexas ao Termo de Intimação. Se houve eventuais estornos, como afirma o Fisco na formulação do item, estes estarão lançados nos livros contábeis, em parte já em poder do Fisco, ou disponíveis nas sede da empresa. " Dada a resposta do contribuinte, a fiscalização pelo Termo de Intimação n° 05, fls. 138, intimouo a prestar esclarecimentos quanto aos lançamentos de baixa do passivo, especificamente quanto à contrapartida usada em cada lançamento relacionado. Segue relatando, que a fiscalizada mais uma vez não esclareceu o motivo da baixa de quase quinze milhões de reais de seu passivo usando como contrapartida contas representativas de despesas como comissões de cartões de crédito, despesas financeiras, despesas indedutíveis, juros TJLP sobre parcelamento REFIS, baixa de estoque, dizendo que a contabilidade não permite a identificação da escrituração na forma pedida, o que, no entender da fiscalização, se opõe aos fatos, pois as cópias dos livros juntados às fls. 3420 a 3473 identificam claramente os lançamentos, com partida e contrapartida. Na seqüência informa que a fiscalizada não esclareceu o porquê de que com baixas de estoque em vultosas somas no total de R$ 12.240.000,00 em 2005 e 2006, não solicitou à RFB o devido laudo de destruição para que pudesse aproveitar estes custos na apuração do IRPJ e da CSLL (RIR/99, artigo 291). Na conclusão deste item, a fiscalização elabora planilhas para os anos de 2005 e 2006, em que demonstra a composição do passivo da Jolly com o Banco Safra, contabilizado; e a composição da real composição do passivo da Jolly com o Banco Safra, de acordo com a documentação apresentada relativa a sua movimentação financeira. Constatando, ao final, uma diferença de passivo contabilizado de R$ 4.632.337,62 a maior que o real em 31/12/2005 e R$ 2.918033,25 a maior que o real em 31/12/2006. b) Banco Itaú No período de 19/12/2005 e 29/12/2005, relata que nenhum dos empréstimos tomados no Banco Itaú, fl. 3475, teve como contrapartida a conta da Jolly no Itaú, pois teriam sido depositados no Bradesco, no Safra e na Caixa Econômica Federal, que examinados os extratos do Banco Safra e do Bradesco, constatou que os lançamentos possuem históricos incompatíveis com a operação contabilizada. Demonstra em tabela, fls. 5146, os depósitos indevidamente contabilizados como empréstimos no Itaú. Fl. 9974DF CARF MF Processo nº 11065.000890/200968 Acórdão n.º 3201002.192 S3C2T1 Fl. 9.973 5 c) Maria Cristina Balzano Bortoluzzi e Cia. Ltda. Na seqüência, relata que havia na contabilidade empréstimos relevantes no montante de R$ 2.155.000,00 tomado da pessoa jurídica Maria Cristina Balzano Bortoluzzi e Cia. Ltda. em 2005, e que a fiscalizada foi intimada para a comprovação dos empréstimos e da sua quitação. Do resultado desta diligência, diz que identificou outros dois depósitos, cuja origem a fiscalizada não conseguiu explicar. d) Análise da conta caixa, fls 5147 a 5156, Ressalta a fiscalização que intimou o contribuinte para prestar esclarecimentos quanto às seguintes constatações: 1) ocorrência de saldo credor na conta caixa em diversas datas, chegando a um pico de R$ 1.293.913,16 em 27/12/2006 (Termo de Intimação n° 1, fls. 37/40); 2) identificação de vários cheques lançados a crédito da conta corrente no banco Bradesco e a débito de caixa que, mesmo após compensação bancária, permaneceram compondo o saldo de caixa, num total de R$ 1.899.370,11 (extratos às fls. 547 a 629 e 3301 a 3379), (Termo de Intimação n° 3, item 2, fls. 45/54, Termo de reintimação, fls. 131, Termo de Intimação n° 6, fls. 155, e Termo de Intimação n° 7, fls. 170); 3) identificação de cheques emitidos pela Jolly e lançados como suprimento de caixa que excedem o total de pagamentos que saem da conta caixa nas respectivas datas, mesmo tendo sido compensados na mesa data em que entraram no caixa, no valor total de R$ 5.027,566,18, resultando a permanência de cheques liquidados na conta caixa indefinidamente. (Termo de Intimação n° 5, fls. 140, 147 e 148), Relata que a autuada, quanto ao item 1, respondeu em 08 de abril de 2008, fls. 41, que os lançamentos a crédito de caixa e a débito de bancos ou cartões a receber correspondem aos pagamentos efetuados pelos clientes ao sujeito passivo, sendo a baixa das duplicatas efetuada em lançamento posterior, com crédito em clientes e débito em caixa. Entretanto, ao ser intimada (Termo de Intimação n° 2, fls. 143; Termo de Intimação n° 4, item 8, fls. 104; Termo de Intimação n° 5, itens 5 e 6, ), para comprovar as operações descritas na referida resposta ao Termo de Intimação n° 2, a autuada não vinculou todos os recebimentos de clientes às baixas de suas respectivas contas contábeis, dizendo não ter controle específico sobre tais operações. Quanto aos itens 2 e 3, disse que a autuada não atendeu a nenhuma das intimações referidas. Registra que a identificação dos beneficiários de algumas operações dentre as muita que não foram contabilizadas, se deu através de RMF ao Banco Bradesco. Fl. 9975DF CARF MF 6 Junta nas fls. 1613 a 1660 os documentos que originaram a tabela de fls. 5155. A análise da conta Caixa nos dois anos fiscalizados está demonstrada nas tabelas de fls. 5150/5151, em que a fiscalização concluiu que as diferenças de valores entre suprimentos de Caixa vindo dos Bancos e os pagamentos saindo do Caixa (R$ 42.426.207,89), bem como, as diferenças de valores existentes entre o recebimento dos Clientes (por débito na conta Caixa) e a baixa da conta Clientes (por crédito em duplicatas a receber) (R$ 55.745.294,48) evidenciaria a ocultação de recebimentos com a finalidade de se efetuar registros na contabilidade sem a devida contrapartida nas contas de receita com vendas. e) Operações de factoring não contabilizadas A fiscalização, pelo cotejo da relação de operações prestadas pela Exicon Exportação, Importação e Consultoria e a contabilidade da Jolly com a relação de operações apresentada pelo contribuinte, constatou diversos pagamentos não contabilizados. A título exemplificativo, a fiscalização demonstra várias operações de vendas de cheques, dentre estas a que se refere ao termo aditivo firmado em 10/11/2006 que de um total de R$ 76.985,45 em títulos vendidos ao factoring, resultando num líquido de R$ 72.857,61 (fls. 1678 e 1684verso), somente R$ 2.357,99 foram contabilizados na conta da Jolly no Safra (fl. 1680), e contabilizados como remessa vinda da Exicon. f) Cheques descontados no banco Safra e não contabilizados Relata ainda que intimou o contribuinte a apresentar documentos relativos a determinadas operações de adiantamento de títulos efetuadas junto ao Banco Safra e registradas na conta "adiantamento de Títulos Negociados Banco Safra SA, e que foram apresentados relatórios de remessa de nove das treze operações solicitadas. Após exame dos relatórios, verificou que as operações são relativas a descontos de cheques prédatados, concluindo que a maioria dos cheques nunca foi contabilizada, ou foram ocultados através de crédito na conta caixa ou através de baixas irregulares do passivo. Na seqüência, fls. 5164/5172, sob título "da apuração da receita bruta", faz uma síntese das irregularidades apontadas, demonstra como foi efetivada a apuração das receitas com vendas, e apresenta o demonstrativo da receita omitida de origem nãocomprovada, conforme quadro de fls. 5175. Segue registrando que a atividade principal do contribuinte é a industrialização de produtos sujeitos ao Imposto Sobre Produtos Industrializados (IPI), e que está sendo exigido neste auto de infração, com fundamento no § 2o do art. 448 o Decreto 4.544/02 RIPI/02, o IPI incidente sobre a receita omitida, inclusos juros de mora e multa de ofício, oriunda da saída do estabelecimento industrial de "bolsas, mesmo a tiracolo, incluídas as que não possuem alças com a superfície exterior de couro envernizado, classificadas na posição 4202.21.00 da TIPI. Diz que, Fl. 9976DF CARF MF Processo nº 11065.000890/200968 Acórdão n.º 3201002.192 S3C2T1 Fl. 9.974 7 considerando o disposto no § I o do art. 448 do regulamento citado, foi aplicada a alíquota de 10% (a mais elevada dentre as aplicáveis aos produtos fabricados pela fiscalizada, conforme notas fiscais acostadas nas fls. 4280 a 4283). Informa que não há saldos de créditos a deduzir do IPI lançado no auto de infração, conforme livros de apuração do IPI (fls. 4259 a 4279) e as DIPJ (fls. 09 a 27) apresentadas. Em razão de entender caracterizada a hipótese do artigo 71 da Lei 4.502/1964, a autoridade fiscal aplicou a multa de 150% prevista no art. 80 da citada Lei, para todas as infrações apuradas, e fez a representação fiscal para Fins Penais a ser encaminhada ao Ministério Público Federal. Na seqüência, sob o título "Da interposição fraudulenta", a fiscalização traça um histórico da evolução societária de duas empresas do grupo Datelle, e após extenso relato, fls. 5179/5216, conclui que Luiz Eduardo Dutra Abichequer e César Dutra Abichequer são os reais controladores das pessoas jurídicas Jolly Indústria de Calçados Ltda. e Budeli Assessoria Comercial Ltda., assim como os principais beneficiários de seus resultados econômicos. Conclui ainda que restou comprovado que as finanças das duas pessoas jurídicas antes mencionadas estavam intimamente ligadas, sendo recursos ocultos na primeira utilizados para adquirir o patrimônio da segunda, e, que as duas pessoas físicas (Luiz Eduardo Dutra Abichequer e César Dutra Abichequer) e a pessoa jurídica Budelli Assessoria Comercial Ltda. tinham e têm interesse comum nos fatos geradores praticados pela Jollty. Relata que diante dessas constatações foram lavrados termos de Sujeição Passiva Solidária, no qual foi considerada a existência da sujeição passiva das pessoas físicas Luiz Eduardo Dutra Abichequer e César Dutra Abichequer, e da pessoa jurídica Budelli Assessoria Comercial Ltda. O sujeito passivo foi cientificado do lançamento em 19/05/2009, fls. 5219, tendo apresentado sua impugnação em 17/06/2009, conforme peça de fls. 5237/5311, na qual, após breve relato dos fatos, alega, em resumo, o que segue. Observa, inicialmente, em sua impugnação, que, embora não conste no Relatório do IPI o capítulo do arbitramento, este trás no capitulo "3" uma crítica à contabilidade que merece contestação. Alega que as pretensas presunções de omissão de receita relacionadas, mas não comprovadas pelo fisco, não autorizam, legalmente, a desclassificação da escrita. Diz que todas as omissões de receita baseadas em presunção assentada na movimentação financeira, especificadas e quantificadas como sendo o montante supostamente desviado do giro normal da fiscalizada, de forma nenhuma representam base de cálculo do IPI. Fl. 9977DF CARF MF 8 Diz que o arbitramento, conforme relatado, foi adotado pela fiscalização porque a empresa teria deixado de contabilizar custos, inviabilizando a apuração do lucro real. Pondera, a partir deste fato, que o Fisco, para fins de justificar o arbitramento do lucro, considera decisiva a suposta não contabilização de custos, mas esquece, que quando o procedimento é voltado para o IPI, aqueles custos gerariam créditos. Refuta as pretensas omissões de receitas consideradas como base de cálculo do IPI que foram identificadas a partir de depósitos efetuados em contas bancárias da Impugnante por empresas administradoras de cartões de crédito, que em sua grande maioria pertencem a terceiras empresas que operam com produtos da marca Datelli. Refuta a pretensa omissão de receita inferida a partir de aproximadamente oito mil depósitos bancários sem origem comprovada, pois tais depósitos, todos contabilizados, não podem caracterizar, por presunção, omissão de receitas e base de cálculo do IPI, já que têm suas origens comprovadas. Impugna a pretensa omissão de receitas identificada a partir da constatação de cheques prédatados descontados pela empresa junto ao Banco Safra e junto a empresas de factoring para "fazer caixa", em razão destes cheques integrarem a receita declarada, pois tem origem em adiantamento de lojas franqueadas, cheques emitidos pela própria Jolly, exclusivamente para "fazer caixa", não podendo essas operações ser tributadas pelo IPI por falta de amparo legal. Contesta a quantificação da pretensa receita omitida. Aduz que a exação lançada neste processo de IPI é reflexiva de procedimento voltado ao IRPJ, onde teria sido identificada pretensa omissão de receita, presumida a partir de créditos efetuados nas contas bancárias do impugnante, nos valores referidos nas colunas "a", "b", "c" do mapa de fls. 44/84 do RPF; que estas omissões teriam originado a omissão líquida que está mencionada na coluna "g" do referido mapa, que serviu de base de cálculo para cobrança do IPI; aduz que as omissões foram identificadas no período de 06/2005 e 12/2006, cujos efeitos, além do IRPJ e reflexos de CSLL, PIS e COFINS, foram estendidos ao IPI, apesar de ausente fundamento legal que o autorize. Desenvolve seu entendimento partindo da definição legal de fato gerador do IPI, art. 34 do RIPI, diz em as pretensas omissões de receitas que teriam sido verificadas não podem ser submetidas à tributação do IPI, pois tais fatos não estão subsumidos no fato gerador do IPI. Reconhece, em tese, que de fato existe fundamento legal para presumir omissão de receita com base em depósitos bancários incomprovados (art. 42 da Lei n° 9.532/96), mas que não há embasamento legal para se concluir que tal movimentação financeira é proveniente integralmente de omissão de Receita Bruta e muito menos de omissão de vendas de produtos industrializados, ainda mais quando a empresa Fl. 9978DF CARF MF Processo nº 11065.000890/200968 Acórdão n.º 3201002.192 S3C2T1 Fl. 9.975 9 opera em diversos estabelecimentos, e apenas um é industrial. Cita decisão do Conselho de Contribuintes neste sentido. Na seqüência alega a falta de amparo legal para a exigência do IPI, pois somente o "caput " do art. 448 do RIPI/02 tem fundamento em Lei, e neste não há autorização para se considerar presumida omissão de receita como base de cálculo para o IPI. Os dois parágrafos, por não estarem amparados em Lei, contrariam o disposto no art. 146, III, "a", da Carta Suprema, não servindo de fundamento para exigência do IPI. Destaca, a seguir que o lançamento foi acrescido de multa de ofício de 150%, embora não comprovadas irregularidades que permitissem inferir dolo, fraude ou simulação, além de ter incidido sobre tributo calculado a partir de receitas derivadas de supostas omissões identificadas por presunção, motivo que entende ser capaz de afastar a possibilidade de qualificação da multa. Cita e transcreve decisões do Conselho de Contribuintes sobre o assunto. Ao final , requer seja avaliado o sobrestamento do presente processo reflexo até o julgamento do processo matriz de IRPJ (processo n° 11065.000966/200955). O acórdão proferido julgou improcedente a impugnação apresentada pelo contribuinte, mantendo integralmente o lançamento: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS I P I Período de apuração: 30/06/2005 a 31/12/2006 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. A decisão proferida no processo decorrente deve seguir a mesma orientação decisória prolatada no processo principal. OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO LEGAL. SAÍDA DE PRODUTOS SEM A EMISSÃO DE NOTAS FISCAIS. Apuradas receitas cuja origem não seja comprovada, estas serão consideradas provenientes de vendas não registradas. INCONSTITUCIONALIDADE. A autoridade julgadora de instância administrativa não é competente para apreciar aspectos relacionados com a legalidade ou constitucionalidade das normas tributárias regularmente editadas, tarefa privativa do Poder Judiciário. MULTA MAJORADA POR INFRAÇÃO QUALIFICADA. A prática de sonegação justifica a imposição da multa majorada de 150%, por infração qualificada. O Contribuinte apresentou Recurso Voluntário por meio do qual reiterou os argumentos expostos em sede de Impugnação. Fl. 9979DF CARF MF 10 Após, os autos foram remetidos a este CARF e a mim redistribuídos por sorteio. É o relatório. Voto Conselheira Relatora Tatiana Josefovicz Belisário Conforme se verifica dos autos tratase de lançamento de IPI decorrente de IRPJ, consoante fl. 9861 (Relatório DRJ): Tratase de Auto de Infração lavrado em 18/05/2009, referente ao período de 30/06/2005 a 31/12/2006, fls. 5218/5221, para exigir o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, assim como os respectivos juros de mora e multa de ofício de 150%, decorrente de lançamento de Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ e seus reflexos, objeto do processo administrativo n° 11065.000966/200955, em que se apurou omissão de receitas, caracterizada pela prática de depósitos bancários de origem não comprovada, vendas por cartão de crédito/débito, desconto de cheques prédatados . Diante da recente alteração do RICARF promovida pela Portaria MF nº 152, de 2016, a matéria tornouse competência da 1ª Seção de Julgamento deste órgão. Confirase: Art. 2º À 1ª (primeira) Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de 1ª (primeira) instância que versem sobre aplicação da legislação relativa a: (...) IV CSLL, IRRF, Contribuição para o PIS/Pasep ou Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), Contribuição Previdenciária sobre a Receita Bruta (CPRB), quando reflexos do IRPJ, formalizados com base nos mesmos elementos de prova; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Assim, declino a competência para julgamento do presente feito para a 1ª Seção deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. TATIANA JOSEFOVICZ BELISÁRIO Relatora. Fl. 9980DF CARF MF Processo nº 11065.000890/200968 Acórdão n.º 3201002.192 S3C2T1 Fl. 9.976 11 Fl. 9981DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19740.000086/2009-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Apr 05 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005
IRRF. Dedução do Imposto Devido. Oferecimento da Receita à Tributação. Matéria Sumulada.
Na apuração do IRPJ, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor do imposto de renda retido na fonte, desde que comprovada a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do imposto. (Súmula CARF nº 80)
Numero da decisão: 1302-002.077
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Wipprich Relatora
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil, Ana de Barros Fernandes Wipprich e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH
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DE SEGUROS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 IRRF. DEDUÇÃO DO IMPOSTO DEVIDO. OFERECIMENTO DA RECEITA À TRIBUTAÇÃO. MATÉRIA SUMULADA. Na apuração do IRPJ, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor do imposto de renda retido na fonte, desde que comprovada a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do imposto. (Súmula CARF nº 80) Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Wipprich– Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil, Ana de Barros Fernandes Wipprich e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 74 0. 00 00 86 /2 00 9- 81 Fl. 937DF CARF MF 2 Este litígio foi objeto da Resolução nº 1801000.356, deliberada em 22 de outubro de 2014, efls. 513 a 516. O processo trata de litígio instaurado em decorrência da lavratura de Autos de Infração para as exigências de IRPJ e CSLL, relativos ao anocalendário de 2005, com multa de ofício regular (75%), por faltas de recolhimento constatadas do cotejo entre os valores informados em DIPJ e DCTF, bem como exigência de multas isoladas pelo não recolhimento de estimativas mensais, acrescidos os valores também de juros moratórios. No curso da fiscalização, a contribuinte efetuou recolhimentos, apresentou retificadoras de DCTF, DIPJ e Per/Dcomp pretendendo quitar estimativas dos tributos em aberto. Posteriormente, procedeu ao parcelamento parcial dos valores exigidos nos Autos de Infração a título dos tributos, parcelando integralmente as multas isoladas. Defendeu que o valor do IRRF a compensar na DIPJ pertinente perfaz o montante de R$ 114.986,28 e não R$ 93.811,43 como atribuído pela fiscalização. A Turma Julgadora da DRJ no Rio de Janeiro, pelo Acórdão nº 1237.459/11, efls. 442 a 448, deu procedência em parte à impugnação para reconhecer como IRRF devido a ser deduzido no ajuste anual as parcelas de R$ 944,50, R$ 5,20 e R$ 49,98, não reconhecidas pela fiscalização, perfazendo IRRF no total de R$ 94.811,11. Assim concluiu na parte dispositiva do acórdão ora recorrido: Do exposto, VOTO no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL À IMPUGNAÇÃO da Interessada, para cobrar o crédito abaixo demonstrado. No presente processo: IRPJ: R$20.175,17, com multa proporcional de 75%, e juros de mora quando do efetivo pagamento. No processo de parcelamento n°. PAn°. 19740.000111/200927. conforme extrato de fls.411/412: IRPJ: R$81.141,31, com multa proporcional de 75%; Multa Isolada IRPJ: R$71.206,32; CSLL: R$39.204,11, multa proporcional de 75%; Multa Isolada: R$19.602,05. Apresentado o Recurso Voluntário, constatouse que o litígio resumiuse à admissão, ou não, do IRRF no valor de R$ 11.650,93, a título de parcela redutora do IRPJ devido pela recorrente, apurado na DIPJ relativa ao anocalendário de 2005. A recorrente anexou aos autos uma Nota de Negociação de Títulos Públicos e Privados para comprovar que sofreu retenção de IRRF no valor pleiteado de R$ 11.650,93. Todavia, nos termos da Súmula CARF nº 80, o documento exibido em fase recursal não é suficiente. Há que ser feita prova que o valor de R$ 497.676,46 (vlr. líquido; Vlr. bruto = R$ 509.327,39), recebido pelo referido título, foi contabilizado e oferecido à tributação, razão pela qual foi determinada a diligência formalizada na Resolução nº 1801000.356 efls. 513 a 516. Em resposta à diligência efetuada, a autoridade designada conclui com o Relatório Fiscal de efls. 904 a 910. Fl. 938DF CARF MF Processo nº 19740.000086/200981 Acórdão n.º 1302002.077 S1C3T2 Fl. 3 3 A recorrente, devidamente intimada das conclusões fiscais, apresentou a manifestação de efls. 912 a 915. É o suficiente para o relatório. Passo ao voto. Voto Conselheira Ana de Barros Fernandes Wipprich, Relatora A tempestividade do Recurso Voluntário já foi verificada na ocasião da deliberação da Resolução, pelo que resta conhecido. Constatase que a recorrente não logrou comprovar, contabilmente, que ofereceu à tributação o valor bruto do rendimento espelhado na Nota de negociação de Títulos Públicos e Privados, no valor de R$ 509.327,39, trazido aos autos em fase recursal, para respaldar o seu direito a deduzir do IRPJ o valor de IRRF correspondente ao rendimento, pleiteado no valor de R$ 11.650,93, apesar das intimações fiscais, esclarecimentos solicitados e documentos apresentados efls. 521 a 903. Assim se depreende do teor das diligências efetuadas em resposta às intimações fiscais provocadas pela Resolução deliberada anteriormente neste julgamento: [...] [...] Fl. 939DF CARF MF 4 [...] Outra vez reintimado, não logrou comprovar o oferecimento do valor das receitas correspondentes ao IRRF pleiteado à tributação, fosse no anocalendário em tela, fosse em outro ano, devido ao regime de competências alegado. Na manifestação oferecida em resposta ao Relatório Fiscal, a recorrente repetiu: Fl. 940DF CARF MF Processo nº 19740.000086/200981 Acórdão n.º 1302002.077 S1C3T2 Fl. 4 5 A suposição da recorrente em afirmar que é impossível relacionar o reconhecimento das receitas, por ser obrigada a observar o regime de competências, com a retenção do IRRF correspondente, por ser realizado pelo regime de caixa (quando do resgate), não procede. A contabilidade permite que os controles sejam feitos perfeitamente, pois as fichas do Razão (analítico) são mantidas exatamente com este propósito. Deve existir uma ficha para cada conta contábil (no caso, uma ficha para cada uma das aplicações financeiras), permitindo a escrituração do registro de todas as operações econômicofinanceiras da pessoa jurídica (aplicações, resgates, retenções de impostos), as quais devem estar fielmente espelhada em sua contabilidade. Tanto os ingressos como saídas de numerários obrigatoriamente devem ser contabilizados de forma a permitir à administração tributária verificar a origem e tributação (se devida) de todos os valores que transitam pela pessoa jurídica. A qualquer momento a pessoa jurídica deve ser capaz de explicar quais os valores que informa nas DIPJ, bem como as origens, analiticamente. A presunção lógica é que se não consegue fazêlo é porque estes valores transitaram sem ser contabilizados. Da análise dos documentos e esclarecimentos trazidos em razão da realização de diligências, portanto, concluise que a recorrente não procedeu ao registro contábil do valor recebido e nem o ofereceu à tributação, seja no anocalendário em que ocorreu a retenção, ou em anos anteriores, fracionado ou não, e, por consequência, não faz jus a compensar o respectivo valor do imposto que lhe foi retido. Neste sentido é o teor da Súmula CARF nº 80: Na apuração do IRPJ, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor do imposto de renda retido na fonte, desde que comprovada a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do imposto. Voto em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Wipprich Fl. 941DF CARF MF 6 Fl. 942DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10510.000367/2005-40
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Feb 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/09/2002 a 30/09/2002, 01/01/2003 a 31/01/2003, 01/10/2003 a 31/10/2003
COFINS. RETENÇÃO POR ÓRGÃO PÚBLICO.
Comprovada a retenção de COFINS por órgãos públicos, cabe a sua exclusão e, por conseqüência, o recálculo da diferença de COFINS que deixou de ser recolhida.
COFINS. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO PELA TAXA SELIC. IMPOSSIBILIDADE.
A atualização monetária autorizada por lei, relativamente à restituição ou compensação de indébitos, não abrange o ressarcimento de valores de PIS e Cofins retidos pelas fontes pagadoras, órgãos públicos.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/11/1999 a 31/01/2000, 01/06/2001 a 30/06/2001, 01/06/2002 a 30/06/2002, 01/09/2002 a 30/09/2002, 01/10/2003 a 30/10/2003
PIS. RETENÇÃO POR ÓRGÃO PÚBLICO.
Comprovada a retenção de PIS por órgãos públicos, cabe a sua exclusão e, por conseqüência, o recálculo da diferença de PIS que deixou de ser recolhida.
PIS. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO PELA TAXA SELIC. IMPOSSIBILIDADE.
A atualização monetária autorizada por lei, relativamente à restituição ou compensação de indébitos, não abrange o ressarcimento de valores de PIS e Cofins retidos pelas fontes pagadoras, órgãos públicos.
Numero da decisão: 3201-002.433
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Por unanimidade de votos deu-se parcial provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Fez sustentação oral pela Recorrente, o Advogado Leonardo Fonseca Borges, OAB nº 357304/SP.
Winderley Morais Pereira - Presidente.
José Luiz Feistauer de Oliveira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Mércia Helena Trajano Damorim, Paulo Roberto Duarte Moreira, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo.
Nome do relator: JOSE LUIZ FEISTAUER DE OLIVEIRA
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camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/09/2002 a 30/09/2002, 01/01/2003 a 31/01/2003, 01/10/2003 a 31/10/2003 COFINS. RETENÇÃO POR ÓRGÃO PÚBLICO. Comprovada a retenção de COFINS por órgãos públicos, cabe a sua exclusão e, por conseqüência, o recálculo da diferença de COFINS que deixou de ser recolhida. COFINS. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO PELA TAXA SELIC. IMPOSSIBILIDADE. A atualização monetária autorizada por lei, relativamente à restituição ou compensação de indébitos, não abrange o ressarcimento de valores de PIS e Cofins retidos pelas fontes pagadoras, órgãos públicos. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/11/1999 a 31/01/2000, 01/06/2001 a 30/06/2001, 01/06/2002 a 30/06/2002, 01/09/2002 a 30/09/2002, 01/10/2003 a 30/10/2003 PIS. RETENÇÃO POR ÓRGÃO PÚBLICO. Comprovada a retenção de PIS por órgãos públicos, cabe a sua exclusão e, por conseqüência, o recálculo da diferença de PIS que deixou de ser recolhida. PIS. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO PELA TAXA SELIC. IMPOSSIBILIDADE. A atualização monetária autorizada por lei, relativamente à restituição ou compensação de indébitos, não abrange o ressarcimento de valores de PIS e Cofins retidos pelas fontes pagadoras, órgãos públicos.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Por unanimidade de votos deu-se parcial provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Fez sustentação oral pela Recorrente, o Advogado Leonardo Fonseca Borges, OAB nº 357304/SP. Winderley Morais Pereira - Presidente. José Luiz Feistauer de Oliveira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Mércia Helena Trajano Damorim, Paulo Roberto Duarte Moreira, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo.
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RETENÇÃO POR ÓRGÃO PÚBLICO. Comprovada a retenção de COFINS por órgãos públicos, cabe a sua exclusão e, por conseqüência, o recálculo da diferença de COFINS que deixou de ser recolhida. COFINS. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO PELA TAXA SELIC. IMPOSSIBILIDADE. A atualização monetária autorizada por lei, relativamente à restituição ou compensação de indébitos, não abrange o ressarcimento de valores de PIS e Cofins retidos pelas fontes pagadoras, órgãos públicos. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/11/1999 a 31/01/2000, 01/06/2001 a 30/06/2001, 01/06/2002 a 30/06/2002, 01/09/2002 a 30/09/2002, 01/10/2003 a 30/10/2003 PIS. RETENÇÃO POR ÓRGÃO PÚBLICO. Comprovada a retenção de PIS por órgãos públicos, cabe a sua exclusão e, por conseqüência, o recálculo da diferença de PIS que deixou de ser recolhida. PIS. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO PELA TAXA SELIC. IMPOSSIBILIDADE. A atualização monetária autorizada por lei, relativamente à restituição ou compensação de indébitos, não abrange o ressarcimento de valores de PIS e Cofins retidos pelas fontes pagadoras, órgãos públicos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 51 0. 00 03 67 /2 00 5- 40 Fl. 518DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Por unanimidade de votos deuse parcial provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Fez sustentação oral pela Recorrente, o Advogado Leonardo Fonseca Borges, OAB nº 357304/SP. Winderley Morais Pereira Presidente. José Luiz Feistauer de Oliveira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Mércia Helena Trajano Damorim, Paulo Roberto Duarte Moreira, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo. Relatório Por se tratar de processo com retorno de diligência, transcrevo o relatório da resolução redigida por este Conselho (fls. 467 a 469): Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os Membros da Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência à Repartição de Origem, nos termos do voto do relator. JOEL MIYAZAKI – Presidente LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES Relator. EDITADO EM: 14/10/2014 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carlos Alberto Nascimento e Daniel Mariz Gudiño. Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto o relato do órgão julgador de primeira instância até aquela fase: Tratase de Auto de Infração (fls. 04/08) lavrado contra a contribuinte acima identificada, que pretende a cobrança da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins, relativa aos períodos de apuração de 2002 e 2003 acima identificados. Em face da edição da Portaria RFB nº 666, de 2008, o presente processo também pretende a cobrança da Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS (Auto de Infração fls. 121/126), pertinente aos períodos de apuração de 1999, 2000, 2001, 2002 e 2003 acima identificados. Nos autos de infração o autuante descreve que encontrou diferenças entre os valores escriturados pela empresa e os Fl. 519DF CARF MF Processo nº 10510.000367/200540 Acórdão n.º 3201002.433 S3C2T1 Fl. 3 3 declarados/pagos ao Fisco. O auditorfiscal apresenta, ainda, planilhas demonstrando a situação fiscal apurada (fls. 14 e 131). Cientificada da exigência fiscal em 24.02.05, a autuada apresenta Impugnação em 24.03.05 (Cofins fls. 18/20 e PIS fls. 139/141), alegando, em síntese, que os valores constantes dos autos de infração referemse a créditos retidos pelos órgãos públicos federais, como demonstrado na escrita comercial e nas Declarações de Informações da Pessoa Jurídica (DIPJ). Considerando que o lançamento de ofício se deu com base nas diferenças encontradas entre os valores escriturados e os valores declarados em DCTF, sem referência expressa às retenções escrituradas, o processo foi encaminhado à DRF/Aracaju, em diligência (fls. 39 e 168), para confirmar as alegadas retenções na fonte ocorridas por pagamentos efetuados por órgãos públicos (art. 64 da Lei nº 9.430, de 1996), conforme declarado em DIPJ. No procedimento de diligência a contribuinte foi intimada (fls. 40 e 169) a comprovar as retenções na fonte de PIS e Cofins efetuadas por órgãos públicos. Em resposta, a contribuinte informou que restava impossível o cumprimento integral da intimação, visto que já não conservava mais os livros e documentos fiscais do período, em face do prazo decadencial. No Termo de Diligência (fls. 103 e 235) o auditorfiscal lembra que o prazo decadencial só impede a União de lançar, não eximindo a contribuinte de comprovar as alegações de defesa. Na decisão de primeira instância, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Salvador/BA julgou improcedente o pedido da recorrente, conforme Decisão DRJ/SDR nº 18.738: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/09/2002 a 30/09/2002, 01/01/2003 a 31/01/2003, 01/10/2003 a 31/10/2003 RETENÇÃO POR ÓRGÃO PÚBLICO. O contribuinte possui o ônus probatório de apresentar os comprovantes de retenção por órgãos públicos. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/11/1999 a 31/01/2000, 01/06/2001 a 30/06/2001, 01/06/2002 a 30/06/2002, 01/09/2002 a 30/09/2002, 01/10/2003 a 30/10/2003 RETENÇÃO POR ÓRGÃO PÚBLICO. O contribuinte possui o ônus probatório de apresentar os comprovantes de retenção por órgãos públicos. Lançamento procedente. O contribuinte é intimado da decisão, apresentando recurso voluntário. É o relatório. Fl. 520DF CARF MF 4 Em primeira análise, essa 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 3ª Seção, houve por bem converter o processo em diligência, nos seguintes termos: Voto O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade. Como vemos, trata o processo administrativo único decorrente da lavratura de dois autos de infração para cobrança de créditos fiscais por suposto recolhimento insuficiente de COFINS, nos períodos de 2002 e 2003 e contribuição ao PIS, nos períodos de 1999 a 2003, respectivamente, em face de divergências entre os valores escriturados e aqueles declarados/pagos pelo Recorrente. A recorrente alega que a divergência apurada se deu em face da retenção daquelas contribuições por Órgãos Públicos, as quais foram deduzidas na apuração das citadas contribuições. Ao analisar a defesa, a DRJ a negou, sob fundamento de falta de provas. A recorrente, a seu turno, junta documentos que, a priori, demonstram a validade de sua tese recursal. Ainda, constam no processo documentos de retenção do INSS juntados após o julgamento da DRJ, fls.270/273, por exemplo. Somente uma diligência poderá comprovar se o valor ora exigido é devido ou não. Ante o exposto, voto por converter o julgamento em diligência para que a autoridade preparadora verifique se, com os documentos ora juntados, temse a comprovação da regularidade dos recolhimentos de PIS e COFINS realizados pela recorrente. Caso seja verificado que é parcial, que seja informado qual o débito remanescente. Após, deve ser dado vista ao recorrente, pelo prazo de quinze dias e, assim, serem encaminhados os autos para este Conselho, para fins de julgamento. Em diligência realizada, a Autoridade Fiscal concluiu (fls. 481/482): O Livro Razão apresentado pelo contribuinte, no presente processo, de fls. 193 a 250, mostra que todo o valor retido referente ao código 6188 – Financeiras –Retenção em Pagamento por Órgão Público – é escriturado em uma única conta de número 17078, sem segregar o que corresponde a IRPJ, CSLL, PIS e COFINS. Em análise na referida conta, verificase que os valores nela lançados são utilizados para “compensar” sem qualquer controle pelo menos não consta do processo qualquer controle paralelo da conta 17078 débitos de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS. Assim, a fim de determinar o quantum retido de PIS e COFINS na retenção total lançada na conta sob análise, elaboramos a Fl. 521DF CARF MF Processo nº 10510.000367/200540 Acórdão n.º 3201002.433 S3C2T1 Fl. 4 5 planilha intitulada “DEMONSTRATIVO DE RETENÇÕES COM CÓDIGO 6188 DE PIS E COFINS”, a partir dos documentos de fls. 384, 385, 386, 387, 388, 389, emitidos pelo INSS e o de fl. 391, emitido pelo SIAFI, referentes a retenções na fonte, sem, contudo, terem sua confirmação através de DIRF, bem como das DIRF constantes no sistema da Receita Federal e dos demonstrativos apresentados pelo contribuinte nas fls. 407, 411, 417, 419, 421, 425, 427 e 429. Destaquese, nesta planilha, que além de restringirmos os cálculos aos tributos lançados (PIS e COFINS), também fizemos referência somente aos períodos informados pelo contribuinte como deduzidos. Outra observação, não menos relevante, é que deixamos de considerar nesta apuração, diferentemente das informações prestadas pela empresa, a correção dos valores originais por falta de previsão legal. Já nas planilhas “DEMONSTRATIVO DE UTILIZAÇÃO DA DEDUÇÃO DO PIS” e “DEMONSTRATIVO DE LANÇAMENTO DO PIS” – nomes semelhantes foram utilizados para a COFINS, apuramos os valores passíveis de exoneração e de manutenção, respeitando as indicações feitas pela empresa nas deduções – ver exemplo abaixo, bem como os valores já exonerados pela DRJ, caso este órgão julgador considere os documentos apresentados pelo contribuinte como suficientes para comprovação da efetiva retenção na fonte. Tributo: PIS Fato Gerador: Novembro/1999 Lançamento passível de ser exonerado: Deduzidas as retenções deste tributo nos anos de 1997 e 1998. Para constar e produzir os seus efeitos legais, lavramos o presente Termo em 02 (duas) vias de igual teor e forma, assinado pelo AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil cuja ciência do contribuinte se dará via postal com Aviso de Recebimento (AR), podendo este se manifestar sobre o mesmo no prazo de 15 (quinze) dias, se assim o desejar. Os demonstrativos produzidos pela Autoridade se encontram às fls. 483 a 486. Concedida vista à Recorrente, essa se manifestou (fls. 489 a 497) para discordar da conclusão fiscal, onde inicialmente ressalta que, do valor total exigido, o resultado da diligência concluiu pela manutenção de apenas R$ 30.100,63 (trinta mil e cem reais e sessenta e três centavos). Na seqüência, a Recorrente aponta que a autoridade administrativa teria reconhecido inteiramente que houve a efetiva retenção de valores referentes ao PIS e à COFINS, por órgãos públicos, a partir do anocalendário 1997 e deduzidos na apuração das citadas contribuições pela Recorrente. Desta forma, a única inconformidade restante com às conclusões da diligência seria em relação à correção monetária dos valores retidos, para a qual a diligência apontou que não haveria previsão legal. Fl. 522DF CARF MF 6 Procura sustentar sua argumentação com base no Art. 5º da IN SRF/STN/SFC nº 04, de 18 de agosto de 1997, vigente à época dos fatos, onde haveria previsão expressa que autorizaria a compensação de impostos e contribuições da mesma espécie devidos relativamente a fatos geradores ocorridos a partir do mês da retenção. No caso, informa que teria se utilizado dos valores retidos em anos anteriores, conforme reconhecidos na diligência, para deduzir os valores de PIS e COFINS apurados e provisionados nos anos de 1999 a 2003, informando ainda que os referidos créditos foram corrigidos pela taxa SELIC até o mês da utilização/compensação com débitos de PIS e COFINS, objeto da presente autuação. Entende que o Art. 39, § 4º da Lei 9.250/95 autorizaria que, a partir de 01/01/96, a compensação ou a restituição de tributos federais fosse acrescida de juros calculados pela taxa SELIC, bem como o Decreto nº 2.138/97 teria equiparado os institutos da restituição e do ressarcimento tributários, o que atribuiria direito à utilização da taxa SELIC para atualizar os créditos pleiteados via ressarcimento. Cita, ainda, o Parecer AGU nº CQ96, que teria esclarecido que a falta de expressa previsão legal para a atualização monetária do indébito não autorizaria o Fisco a negar a correção monetária de quantia passível de restituição. Conclui, então que a recuperação de qualquer crédito tributário deveria ser acompanhada pela necessária atualização monetária calculada pelos índices legais. Para amparar seus argumentos neste sentido, transcreve ementas de julgados anteriores deste Conselho. Encerra com o pedido para que sejam "plenamente acatadas" as suas razões apresentadas na manifestação, para "reconhecer integralmente a improcedência da autuação, dando provimento ao Recurso Voluntário". Após, os autos foram remetidos a este CARF e, considerando que o Relator original do feito não mais integra este órgão, foram a mim redistribuídos por sorteio. É o relatório. Voto Conselheiro Relator José Luiz Feistauer de Oliveira Conforme já exposto no relatório acima, o Recurso Voluntário do contribuinte (fls. 306 a 330) anexou novos documentos, apresentados após o julgamento pela DRJ, que levaram a Turma, à época, a decidir pela conversão do julgamento em diligência, para que a autoridade preparadora verificasse, com os novos documentos juntados, se haveria a comprovação da regularidade dos recolhimentos de PIS e COFINS realizados conforme alegado pela Recorrente. O resultado da diligência, fls. 481 a 487, concluiu que haveria a possibilidade de exoneração de parte significativa dos valores lançados, conforme discriminado nos demonstrativos de fls. 483 a 486, caso neste julgamento se conclua pela admissibilidade da documentação juntada pela recorrente, fls. 363 a 429, como suficiente para a comprovação da efetiva retenção na fonte. Neste ponto, entendo que já houve uma concordância tácita daquela composição da turma, quando decidiu pela conversão em diligência, de que os documentos juntados aos autos pela Recorrente poderiam comprovar as alegadas retenções por órgãos públicos. Assim, a diligência teria ocorrido com o objetivo de se quantificar o montante das retenções passível de dedução, para examinar a regularidade dos recolhimentos de PIS e COFINS, ou parte deles, objeto do lançamento. Do contrário, estaríamos admitindo uma Fl. 523DF CARF MF Processo nº 10510.000367/200540 Acórdão n.º 3201002.433 S3C2T1 Fl. 5 7 hipótese onde a turma teria determinado uma diligência para ser efetuada com base em documentação que já entenderia sem valor probatório, a qual entendo que não se pode cogitar. A partir do resultado da diligência solicitada, a Recorrente novamente se manifestou nos autos, fls. 489 a 497, onde discorda apenas quanto à exclusão dos valores relativos à atualização monetária pela taxa SELIC. Quanto à esta matéria devese consignar que de fato não existe amparo legal para a correção monetária conforme pleiteada pela Recorrente, restando correta a conclusão do resultado da diligência fiscal neste ponto. A atualização monetária autorizada por lei, relativamente à restituição ou compensação de indébitos, não abrange o ressarcimento de valores de PIS e Cofins retidos pelas fontes pagadoras, órgãos públicos. A hipótese tratada nos autos, referese a ressarcimento, uma vez que houve uma permissão concedida por instrução normativa vigente à época, conforme ressaltado pela própria Recorrente, para se compensar valores retidos com impostos e contribuições da mesma espécie, devidos relativamente a fatos geradores ocorridos a partir do mês da retenção. Ou seja, não se trata aqui de valores pagos indevidamente ou a maior, hipótese de que trata o Art. 39, § 4º, da Lei nº 9.250 de 1995, que diz respeito a casos que envolvem compensação ou restituição, mas não abordou a hipótese de ressarcimento. Dispõe o § 3º do art. 66 da Lei nº 8.383 de 30 de dezembro de 1991, que: “Art. 66. Nos casos de pagamento indevido ou a maior de tributos e contribuições federais, inclusive previdenciárias, mesmo quando resultante de reforma, anulação revogação ou rescisão de decisão condenatória, o contribuinte poderá efetuar a compensação desse valor no recolhimento de importância correspondente a períodos subsequentes. § 1º (...) § 2º (...) § 3º A compensação ou restituição será efetuada pelo valor do imposto ou contribuição corrigido monetariamente com base na variação da UFIR.” (Grifouse). Dentro dos princípios da hermenêutica jurídica, a interpretação do conteúdo de um parágrafo deve ser efetuada em conjunto com o caput do artigo e não isoladamente. Assim, o parágrafo completa o sentido do artigo ou acrescenta exceções ao seu enunciado. Verificase, portanto, que, ao estabelecer que a compensação ou restituição será efetuada pelo valor corrigido, o § 3º está completando o sentido do caput do art. 66, que trata exclusivamente de pagamento indevido ou maior que o devido de tributos e contribuições federais. O art. 39, § 4º, da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, estabeleceu: “Art. 39. A compensação de que trata o art. 66 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991, com a redação dada pelo art. 58 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, somente poderá ser efetuada com o recolhimento de importância correspondente a imposto, taxa, contribuição federal ou receitas patrimoniais de Fl. 524DF CARF MF 8 mesma espécie e destinação constitucional, apurado em períodos subseqüentes. 1º (VETADO) 2° (VETADO) 3° (VETADO) 4º A partir de 1º de janeiro de 1996, a compensação ou restituição será acrescida de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir da data do pagamento indevido ou a maior até o mês anterior ao da compensação ou restituição e de 1% relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada.” (Grifou se). Assim, ao se reportar ao art. 66 da Lei nº 8.383, de 1991, e dentro dos princípios da hermenêutica jurídica, verificase que o art. 39, § 4º, da Lei nº 9.250, de 1995, é aplicável apenas nos casos de pagamento indevido ou a maior que o devido de tributos e contribuições federais, o que não é a hipótese tratada nos presentes autos. Devese ainda esclarecer que, ao contrário do que afirma a Recorrente, não existe, no aludido Decreto nº 2.138, de 29 de janeiro de 1997, qualquer dispositivo que declare, expressamente, que os institutos da restituição e do ressarcimento estariam equiparados. Tal decreto dispõe sobre a compensação de créditos tributários com créditos do sujeito passivo decorrentes de restituição ou ressarcimento de tributos ou contribuições, regulamentando o disposto nos artigos 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Da mesma forma, o citado Parecer AGU nº CQ96 também tratou especificamente de repetição (restituição) de indébito, o que, como já visto, não se aplica à hipótese tratada nos autos. Finalmente, cabe informar que atualmente existe norma expressa na Lei nº 10.833, de 29/12/2003 (conversão da MP 135, de 31/10/2003, que tratou da cofins não cumulativa), vedando, para o ressarcimento da Cofins e do PIS a correção monetária e a aplicação dos juros de mora. Confirase (grifo nosso): “Art. 13. O aproveitamento de crédito na forma do § 4o do art. 3o, do art. 4o e dos §§ 1o e 2o do art. 6o, bem como do § 2o e inciso II do § 4o e § 5o do art. 12, não ensejará atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores. ... Art. 15. Aplicase à contribuição para o PIS/PASEP não cumulativa de que trata a Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto nos incisos I e II do § 3o do art. 1o, nos incisos VI, VII e IX do caput e nos §§ 1o, incisos II e III, 10 e 11 do art. 3o, nos §§ 3o e 4o do art. 6o, e nos arts. 7o, 8o, 10, incisos XI a XIV, e 13.” Sobre a jurisprudência trazida à colação pela Recorrente, devese contrapor que se tratam de decisões isoladas, que não se enquadram ao caso em exame e nem vinculam o presente julgamento, podendo cada instância decidir livremente, de acordo com suas convicções. Além disso, tratamse de precedentes que não constituem normas complementares, não têm força normativa, nem efeito vinculante para a administração tributária, pela inexistência de lei nesse sentido, conforme exige o art. 100, II, do CTN. Alertandose para a Fl. 525DF CARF MF Processo nº 10510.000367/200540 Acórdão n.º 3201002.433 S3C2T1 Fl. 6 9 estrita vinculação das autoridades administrativas ao texto da lei, no desempenho de suas atribuições, sob pena de responsabilidade, motivo pelo qual tais decisões não podem ser aplicadas fora do âmbito dos processos em que foram proferidas. Diante do exposto, decido por ratificar o resultado da diligência, que exonerou parte do lançamento. Neste sentido, entendo que sobraram devidos os valores de PIS e COFINS, com os devidos acréscimos legais, apurados na forma dos demonstrativos apresentados como resultado da diligência fiscal, cujos resultados finais constam da coluna intitulada como "Lançamento Possível de Ser Mantido" conforme discriminado nas tabelas às efls. 485 (PIS) e 486 (COFINS). Assim, voto por DAR PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário do Contribuinte, para exonerar parte do lançamento e manter apenas os valores resultantes da diligência fiscal, que constam da coluna intitulada como "Lançamento Possível de Ser Mantido" conforme discriminado nas tabelas às efls. 485 (PIS) e 486 (COFINS). José Luiz Feistauer de Oliveira Relator Fl. 526DF CARF MF
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