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Numero do processo: 13896.001468/2006-20
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Data do Fato Gerador: 01/01/2002
SIMPLES FEDERAL. EXCLUSÃO. EFEITO DECLARATÓRIO. ATIVIDADE VEDADA.
Consoante o que dispõe a legislação do Simples Federal, Lei 9.317, de 1996, é cabível a exclusão da pessoa jurídica quando incorrer em situação vedada (atividades desportivas).
O ato de exclusão do Simples possui natureza declaratória, que atesta que o contribuinte já não preenchia os requisitos de ingresso no regime desde data pretérita, efeito esse que não guarda nenhuma relação com o princípio da irretroatividade, que se aplica a litígios envolvendo confrontos entre vigência da lei e data dos fatos.Os efeitos do ato de exclusão do Simples Federal devem observar o disposto na legislação de regência.
No caso de contribuintes que fizeram a opção pelo SIMPLES Federal até 27 de julho de 2001, constatada uma das hipóteses de que tratam os incisos III a XIV, XVII e XVIII do art. 9º da Lei nº 9.317, de 1996, os efeitos da exclusão dar-se-ão a partir de 1º de janeiro de 2002, quando a situação excludente tiver ocorrido até 31 de dezembro de 2001 e a exclusão for efetuada a partir de 2002 (Súmula CARF n.º 56).
PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. MATÉRIA SUMULADA.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF n.º 2).
Recurso Voluntário Negado
Sem crédito em Litígio
Numero da decisão: 1002-000.215
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ailton Neves da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonam Rocha de Medeiros - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (Presidente), Ângelo Abrantes Nunes, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros.
Nome do relator: 00962070432 - CPF não encontrado.
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Data do Fato Gerador: 01/01/2002 SIMPLES FEDERAL. EXCLUSÃO. EFEITO DECLARATÓRIO. ATIVIDADE VEDADA. Consoante o que dispõe a legislação do Simples Federal, Lei 9.317, de 1996, é cabível a exclusão da pessoa jurídica quando incorrer em situação vedada (atividades desportivas). O ato de exclusão do Simples possui natureza declaratória, que atesta que o contribuinte já não preenchia os requisitos de ingresso no regime desde data pretérita, efeito esse que não guarda nenhuma relação com o princípio da irretroatividade, que se aplica a litígios envolvendo confrontos entre vigência da lei e data dos fatos.Os efeitos do ato de exclusão do Simples Federal devem observar o disposto na legislação de regência. No caso de contribuintes que fizeram a opção pelo SIMPLES Federal até 27 de julho de 2001, constatada uma das hipóteses de que tratam os incisos III a XIV, XVII e XVIII do art. 9º da Lei nº 9.317, de 1996, os efeitos da exclusão dar-se-ão a partir de 1º de janeiro de 2002, quando a situação excludente tiver ocorrido até 31 de dezembro de 2001 e a exclusão for efetuada a partir de 2002 (Súmula CARF n.º 56). PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. MATÉRIA SUMULADA. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF n.º 2). Recurso Voluntário Negado Sem crédito em Litígio
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EXCLUSÃO. EFEITO DECLARATÓRIO. ATIVIDADE VEDADA. Consoante o que dispõe a legislação do Simples Federal, Lei 9.317, de 1996, é cabível a exclusão da pessoa jurídica quando incorrer em situação vedada (atividades desportivas). O ato de exclusão do Simples possui natureza declaratória, que atesta que o contribuinte já não preenchia os requisitos de ingresso no regime desde data pretérita, efeito esse que não guarda nenhuma relação com o princípio da irretroatividade, que se aplica a litígios envolvendo confrontos entre vigência da lei e data dos fatos.Os efeitos do ato de exclusão do Simples Federal devem observar o disposto na legislação de regência. No caso de contribuintes que fizeram a opção pelo SIMPLES Federal até 27 de julho de 2001, constatada uma das hipóteses de que tratam os incisos III a XIV, XVII e XVIII do art. 9º da Lei nº 9.317, de 1996, os efeitos da exclusão darseão a partir de 1º de janeiro de 2002, quando a situação excludente tiver ocorrido até 31 de dezembro de 2001 e a exclusão for efetuada a partir de 2002 (Súmula CARF n.º 56). PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. MATÉRIA SUMULADA. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF n.º 2). Recurso Voluntário Negado Sem crédito em Litígio AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 00 14 68 /2 00 6- 20 Fl. 61DF CARF MF Processo nº 13896.001468/200620 Acórdão n.º 1002000.215 S1C0T2 Fl. 62 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ailton Neves da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (Presidente), Ângelo Abrantes Nunes, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros. Relatório Cuidase, o caso versando, de Recurso Voluntário (efls. 79/87) ― autorizado nos termos do art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 6 de março de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, interposto com efeito suspensivo e devolutivo ―, protocolado pela recorrente, indicada no preâmbulo, devidamente qualificada nos fólios processuais, relativo ao inconformismo com a decisão de primeira instância (efls. 34/38), proferida em sessão de 05/07/2007, consubstanciada no Acórdão n.º 0518.412, da 1.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas/SP (DRJ/CPS), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade (efls. 2/15) que pretendia desconstituir o Ato Declaratório Executivo DRF/OSA n.º 559, de 02 de agosto de 2004 (efl. 24), que excluiu o contribuinte do Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte Simples, com efeitos a partir de 1.º de janeiro de 2002, nos termos do artigo 9º, inciso XIII, artigo 12, artigo 14, I, artigo 15, II, da Lei nº 9.317/1996, tendo sido assim ementada a decisão vergastada: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2002 ATIVIDADES DESPORTIVAS. ATIVIDADE IMPEDITIVA. OPÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. A pessoa jurídica que presta serviços de atividades desportivas não pode optar pelo Simples. Solicitação Indeferida Vejase o contexto fático dos autos, incluindo seus desdobramentos, conforme se extrai do relatório constante no Acórdão do juízo a quo: Fl. 62DF CARF MF Processo nº 13896.001468/200620 Acórdão n.º 1002000.215 S1C0T2 Fl. 63 3 Trata o processo de exclusão da sistemática do Simples, por meio do Ato Declaratório Executivo DRF/OSA n.º 559.237, de 2 de agosto de 2004 (fl.21), em virtude de o contribuinte exercer atividade econômica não permitida Código CNAE 92614/99 (outras atividades desportivas). O contribuinte apresentou SRS que foi indeferida, por entender a DRF que se trata de matéria de direito. Cientificado do ato de exclusão em 21/08/2006 (fl.24), apresentou manifestação de inconformidade de fls.01/14, em 19/09/2006, alegando, em síntese e fundamentalmente, que: A sociedade atua no ramo de prática de atividades desportivas, a qual não está expressamente vedada; Quando da solicitação do seu enquadramento não sofreu qualquer espécie de restrição por parte da Receita Federal, motivo pelo qual entende ter direito adquirido a opção efetuada; Sua atividade não depende de habilitação profissional legalmente exigida; Cita o art. 179 da Constituição Federal que fala do tratamento diferenciado a que estão sujeitas as microempresas e empresas de pequeno porte; Alega ofensa ao princípio da isonomia e diz que a única exigência cabível para pessoa jurídica optar pelo Simples é o limite de seu faturamento; Discorda da irretroatividade dos efeitos da exclusão, pois a lei não pode retroagir para prejudicálo, tendo em conta a aplicação do bom senso e da justiça; Comenta sobre o ato jurídico perfeito e diz que o princípio da moralidade deve reger as relações entre os Estados e os indivíduos; Sempre teve intenção inequívoca de aderir ao Simples, cumprindo com todas exigências legais e que a exclusão implicaria em uma responsabilidade tributária maior do que sua capacidade financeira poderia arcar, fato que acarretaria o encerramento de suas atividades. A tese de defesa não foi acolhida pela DRJ. Primeiro, o juízo a quo ponderou que os órgãos administrativos de contencioso não podem apreciar questões relacionadas a suposta transgressões de atos legais e a princípios constitucionais. Segundo, a primeira instância estabeleceu que a Administração Tributária tem o dever de agir de ofício, sendo sua atividade vinculada e obrigatória, não cabendo nenhuma discricionariedade, devendo obedecer os ditames legais e, por isso, sendo a atividade do contribuinte vedada, deve manter a exclusão. Terceiro, a DRJ decidiu que, ainda que haja empresas com faturamento dentro dos parâmetros do Simples, a legislação pode estabelecer vedações, como no caso dos autos para a atividade do contribuinte. Quarto, estabeleceu que o contribuinte foi excluído por exercer atividades desportivas, que é atividade vedada, vez que não pode optar pelo Simples quem exerce atividades de professor, fisicultor, ou assemelhados, no que entende se incluir atividades desportivas, inclusive explica que o termo "assemelhados" tem um sentido não exaustivo para adicionar qualquer atividade de prestação de serviço que tenha similaridade ou semelhança com as enumeradas e conclui que bastaria o exercício da prestação dos serviços de atividades desportivas e treinamento para que a opção pelo Simples seja vedada, ainda que os serviços sejam prestados por outro tipo de profissional ou pessoa não qualificada, pois se terá o exercício de atividades assemelhadas à de professor. Quinto, diz que as atividades do CNAE Fl. 63DF CARF MF Processo nº 13896.001468/200620 Acórdão n.º 1002000.215 S1C0T2 Fl. 64 4 pressupõe o concurso profissional de educação física, atividade regulamentada (professor, fisicultor, ou assemelhados). Por fim, ponderou que os efeitos da exclusão devem se processar a partir de 1º de janeiro de 2002, isto porque, na verdade, há um efeito declaratório, vez que as atividades do contribuinte já o impediam de ingressar/permanecer na sistemática do Simples, tendose efetuado a opção por conta e risco e, portanto, sujeito à fiscalização posterior. Neste ponto a DRJ esclareceu que o fato do contribuinte ter efetuado opção, sem que houvesse manifestação da Administração Tributária já naquele momento, não impede a apreciação posterior da legalidade do ato de opção, visto que a opção é faculdade do próprio contribuinte, que a exerce se e quando o quiser, sujeitandose, apenas, ao controle posterior da fiscalização, tendente a verificar a regularidade. Inconformado com a decisão a quo, sobreveio recurso voluntário no qual, em resumo reiterou os termos da manifestação de inconformidade. Os autos foram encaminhados para este Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), sendo, posteriormente, distribuído para este relator. É o que importa relatar. Passo a devida fundamentação analisando os juízos de admissibilidade e de mérito para, posteriormente, finalizar em dispositivo. Voto Conselheiro Leonam Rocha de Medeiros, Relator Admissibilidade O Recurso Voluntário apresentase tempestivo (efls. 39/40 e 42, face a intimação em 28/11/2010 e o protocolo em 16/12/2008), tendo respeitado o trintídio legal, na forma exigida no art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal. Demais disto, observo a plena competência deste Colegiado, na forma do art. 23B, inciso I, do Regimento Interno do CARF, com redação da Portaria MF n.º 329, de 2017. Isto porque, trata de exclusão do Simples, desvinculado do crédito tributário. Eventual crédito tributário não é exigido nestes autos, bem como não visualizo qualquer critério que justifique a vinculação destes autos a eventual processo de exigibilidade do crédito tributário, não verificando a aplicação de quaisquer das formas de vinculação constantes do art. 6.º, § 1.º, do Anexo II, do RICARF. Sendo assim, a competência é desta Colenda Turma Extraordinária por cuidar os autos de exclusão do Simples, desvinculado de exigência de crédito tributário, a indicar a aplicação do art. 23B, inciso I, do Regimento Interno do CARF, com redação da Portaria MF n.º 329, de 2017. Portanto, dele conheço. Mérito Quanto ao mérito, entendo que não assiste razão ao recorrente. Inicialmente, enfrento as teses da violação da Constituição, especialmente art. 179, e dos Fl. 64DF CARF MF Processo nº 13896.001468/200620 Acórdão n.º 1002000.215 S1C0T2 Fl. 65 5 princípios tributários constitucionais, irretroatividade, isonomia tributária, capacidade contributiva, ato jurídico perfeito e moralidade. Pois bem. Quanto as relativas matérias constitucionais e de legalidade invocadas no Recurso Voluntário, temse que destacar a Súmula CARF n.º 2 dispondo que: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária." A referida súmula teve por suporte os seguintes paradigmas: Acórdão n.º 10194876, de 25/02/2005, Acórdão n.º 10321568, de 18/03/2004, Acórdão n.º 105 14586, de 11/08/2004, Acórdão n.º 10806035, de 14/03/2000, Acórdão n.º 10246146, de 15/10/2003, Acórdão n.º 20309298, de 05/11/2003, Acórdão n.º 20177691, de 16/06/2004, Acórdão n.º 20215674, de 06/07/2004, Acórdão n.º 20178180, de 27/01/2005, Acórdão n.º 20400115, de 17/05/2005. Por corolário lógico, não há que se admitir matérias que pretendem discutir constitucionalidade, limites constitucionais e controle de legalidade de atos normativos, caso contrário, estaria sendo declarada uma inconstitucionalidade incidenter tantum de norma infraconstitucional, o que é vedado no Regimento Interno do CARF (art. 62, Anexo II, aprovado pela Portaria MF n.º 343, de 2015), havendo que se respeitar, demais disto, o enunciado da Súmula CARF n.º 2, acima mencionado. Observese, igualmente, o disposto no art. 26A do Decreto n.º 70.235, de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, com redação dada pela Lei n.º 11.941, de 2009, que enuncia o mesmo entendimento ao dispor que: "No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade." Sendo assim, afasto as referidas teses da violação da Constituição, especialmente art. 179, e dos princípios tributários constitucionais, irretroatividade, isonomia tributária, capacidade contributiva, ato jurídico perfeito e moralidade. Quanto a controvérsia principal da exclusão do Simples, observo que não há efetiva controvérsia quanto ao exercício de atividades desportivas. Discute a contribuinte se tais atividades seriam vedadas, pois insiste que a única vedação seria o faturamento, que a opção foi feita e não houve indeferimento imediato e que as atividades que desempenha não exigem habilitação profissional. Entendo, no entanto, que assiste razão a fiscalização, face a circunstância das atividades desportivas, efetivamente, estarem ligadas a atividade regulamentada de educação fiscal. Penso, assim, que as referidas atividades são vedadas no Simples, nos termos do artigo 9º, inciso XIII, da Lei nº 9.317/1996. Portanto, não vejo óbice no Ato Declaratório de exclusão. Ao meu ver, a norma é bastante clara, não gerando maiores dúvidas, demais disto a fundamentação da fiscalização e o acórdão da DRJ se apresentam bem motivados e não merecem reparos. Não demonstrou o contribuinte fatos e circunstâncias novos aptos a desconstituírem os argumentos da decisão recorrida. Transcrevo, pela oportunidade, a ementa de outro precedente do CARF, Acórdão n.º 180300.714, com igual entendimento, verbis: Fl. 65DF CARF MF Processo nº 13896.001468/200620 Acórdão n.º 1002000.215 S1C0T2 Fl. 66 6 ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2002 SIMPLES. EXCLUSÃO. ATIVIDADES DESPORTIVAS. As academias de ginástica e musculação estão excluídas da sistemática do Simples, por desenvolverem atividade de prestação de serviço profissional assemelhado ao de professor. EFEITOS DA EXCLUSÃO. Para as pessoas jurídicas enquadradas na hipótese do inciso XIII, do art. 9° da Lei n° 9.317/1996, que tenham optado pelo Simples até 27 de julho de 2001, o efeito da exclusão darseá a partir de 1º de janeiro de 2002, quando a situação excludente tiver ocorrido até 31 de dezembro de 2001 e a exclusão for efetuada a partir de 2002. De mais a mais, os efeitos da exclusão são declaratórios e, por conseguinte, retroagem. Isto porque, o ato tem amparo legal no art. 16, bem como no art. 9º, inciso XIII, nos arts. 12, 14, inciso I, todos da Lei nº 9.317, de 1996, bem como no inciso II do art. 15 da Lei 9.317, de 1996, com a redação vigente na época, preceituava que o efeito da exclusão deve ter efeitos a partir do mês subsequente ao que for incorrida a situação excludente e não o momento em que procedida a exclusão, tão pouco o momento em que se tornar definitiva a decisão administrativa que discute a exclusão. Nessa esteira, os efeitos da citada exclusão devem retroagir. Nesse sentido, cito o Acórdão do CARF n.º 1301001.523, assim ementado: EXCLUSÃO DO SIMPLES. EFEITOS. IRRETROATIVIDADE. ATO DECLARATÓRIO. O ato de exclusão do Simples possui natureza declaratória, que atesta que o contribuinte já não preenchia os requisitos de ingresso no regime desde data pretérita, efeito esse que não guarda nenhuma relação com o princípio da irretroatividade, que se aplica a litígios envolvendo confrontos entre vigência da lei e data dos fatos. Com igual posicionamento, destaco: Acórdãos ns.º 2202003.552, da 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária, sessão de 20/10/16; 1302002070, da 3ª Câmara/2ª Turma Ordinária, sessão de 21/03/17; 1201001.843, da 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária, sessão de 15/08/2017. Temse que destacar a Súmula CARF n.º 56 preceituando que: "No caso de contribuintes que fizeram a opção pelo SIMPLES Federal até 27 de julho de 2001, constatada uma das hipóteses de que tratam os incisos III a XIV, XVII e XVIII do art. 9º da Lei nº 9.317, de 1996, os efeitos da exclusão darseão a partir de 1º de janeiro de 2002, quando a situação excludente tiver ocorrido até 31 de dezembro de 2001 e a exclusão for efetuada a partir de 2002." Referida súmula teve por paradigmas: Acórdão nº 30335.893, de 11/12/2008 Acórdão nº 39300.032, de 30/09/2008 Acórdão nº 30238.888, de 09/08/2007 Fl. 66DF CARF MF Processo nº 13896.001468/200620 Acórdão n.º 1002000.215 S1C0T2 Fl. 67 7 Acórdão nº 30238.210, de 09/11/2006 Acórdão nº 30333.776, de 09/11/2006 Acórdão nº 30132.695, de 26/04/2006. Por conseguinte, concluise que o ato de exclusão do Simples pode ter efeitos retroativos, para tanto devendo observar o disposto na legislação de regência. Considerando o até aqui esposado e enfrentadas todas as questões necessárias para a decisão, entendo pela manutenção do julgamento da DRJ. Dispositivo Ante o exposto, de livre convicção, relatado, analisado e por mais o que dos autos constam, voto em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, em lhe negar provimento, mantendo íntegra a decisão recorrida. É como Voto. (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros Relator Fl. 67DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10805.720006/2008-51
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jun 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 20/09/2004, 24/09/2004, 30/09/2004, 08/10/2004
CRÉDITOS FINANCEIROS. DECISÃO JUDICIAL. LIMITES DA CONTENDA. DCOMP. HOMOLOGAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
Os limites da decisão judicial, em tema de repetição/compensação de créditos financeiros (indébitos tributários) contra a Fazenda Nacional, objeto de discussão judicial pendente de trânsito em julgado, com débitos tributários vencidos, devem ser criteriosamente observados pelo contribuinte e pela Autoridade Administrativa competente, inclusive quanto à homologação de Dcomp.
DCOMP. HOMOLOGAÇÃO. CRÉDITO FINANCEIRO. DISCUSSÃO JUDICIAL. TRÂNSITO EM JULGADO. IMPOSSIBILIDADE.
Inexiste amparo legal para a homologação de compensação de crédito financeiro contra a Fazenda Nacional, objeto de discussão judicial, com débito tributário estranho à respectiva ação judicial, ou seja, cuja compensação não foi pleiteada na ação, antes do trânsito em julgado.
É vedada a homologação de Dcomp em que se utilizou crédito financeiro contra a Fazenda Nacional, objeto de discussão judicial, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial, quando a própria decisão condiciona sua realização ao trânsito em julgado da ação.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-006.467
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto a conselheira Tatiana Midori Migiyama.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 20/09/2004, 24/09/2004, 30/09/2004, 08/10/2004 CRÉDITOS FINANCEIROS. DECISÃO JUDICIAL. LIMITES DA CONTENDA. DCOMP. HOMOLOGAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Os limites da decisão judicial, em tema de repetição/compensação de créditos financeiros (indébitos tributários) contra a Fazenda Nacional, objeto de discussão judicial pendente de trânsito em julgado, com débitos tributários vencidos, devem ser criteriosamente observados pelo contribuinte e pela Autoridade Administrativa competente, inclusive quanto à homologação de Dcomp. DCOMP. HOMOLOGAÇÃO. CRÉDITO FINANCEIRO. DISCUSSÃO JUDICIAL. TRÂNSITO EM JULGADO. IMPOSSIBILIDADE. Inexiste amparo legal para a homologação de compensação de crédito financeiro contra a Fazenda Nacional, objeto de discussão judicial, com débito tributário estranho à respectiva ação judicial, ou seja, cuja compensação não foi pleiteada na ação, antes do trânsito em julgado. É vedada a homologação de Dcomp em que se utilizou crédito financeiro contra a Fazenda Nacional, objeto de discussão judicial, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial, quando a própria decisão condiciona sua realização ao trânsito em julgado da ação. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 5. 72 00 06 /2 00 8- 51 Fl. 877DF CARF MF Processo nº 10805.720006/200851 Acórdão n.º 9303006.467 CSRFT3 Fl. 878 2 Marini Cecconello, que lhe deram provimento. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto a conselheira Tatiana Midori Migiyama. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto tempestivamente pelo contribuinte contra o acórdão nº 3402001.852, de 29/07/2012, proferido pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, conforme ementa transcrita abaixo: "PIS PEDIDO DE COMPENSAÇÃO CRÉDITO APURADO EM PROCESSO JUDICIAL COMPENSAÇÃO PRESSUPOSTOS LEGAIS ART. 170A DO CTN E ART. 74 DA LEI Nº 9430/96. Não se confundem os objetos da ação judicial de repetição do indébito tributário (arts. 165 a 168 do CTN) e da forma de sua execução, que se pode dar mediante compensação (art. 170 e 170A do CTN; art. 66 da Lei nº 8383/91; art.74 da Lei 9430/96), com as atividades administrativas de lançamento tributário, sua revisão e homologação, estas últimas atribuídas privativamente à autoridade administrativa, nos expressos termos dos arts. 142, 145, 147, 149 e 150 do CTN. Embora a decisão judicial, que declare ser restituível e compensável determinado crédito, sirva de título para a compensação no âmbito do lançamento por homologação, esta última somente se efetiva após o trânsito em julgado da sentença que reconheceu o direito à repetição do indébito tributário, e mediante a entrega pelo sujeito passivo, da declaração administrativa legalmente prevista, da qual devem necessariamente constar as informações relativas aos supostos créditos utilizados e aos respectivos débitos a serem compensados. O art. 170A do CTN, inserido pela Lei Complementar 104/2001, é aplicável aos pedidos de compensação formulados após a sua vigência." Contra essa decisão, o contribuinte interpôs Embargos de Declaração alegando contradição e omissão. Contudo, os embargos foram rejeitados nos termos do Despacho às fls. 623e/627e. No Recurso Especial às fls. 635e/654e, o contribuinte insurgiu contra a não homologação das Dcomp, alegando, em síntese, que o disposto no art. 170A do Código Tributário Nacional (CTN) não se aplica ao presente caso, tendo em vista que a ação judicial em que discutiu o seu direito de repetir/compensar os indébitos tributários, objeto do Per/Dcomp em discussão, foi impetrada antes da vigência daquele dispositivo legal. Fl. 878DF CARF MF Processo nº 10805.720006/200851 Acórdão n.º 9303006.467 CSRFT3 Fl. 879 3 Por meio do Despacho de Exame de Recurso Especial às fls. 762e/766e, o Presidente Substituto da Terceira Seção do CARF negou seguimento ao recurso especial. Irresignado, o contribuinte apresentou Agravo Regimental que foi analisado e rejeitado pelo Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais, nos termos do despacho às fls. 810e/811e. Intimado daquele despacho, o contribuinte interpôs mandado de segurança (100211176.2017.4.01.0000) visando o seguimento de seu recurso especial e, consequentemente, sua análise e julgamento por esta 3ª Turma. Inicialmente, a liminar foi negada. Contudo, apresentado o respectivo Agravo, a Exa. Excelência Sra. Desembargadora Federal Maria do Carmo Federal deferiu o pedido de antecipação de tutela recursal, determinando o processamento do recurso especial interposto pelo contribuinte. Intimada da decisão judicial, a Fazenda Nacional não apresentou contrarrazões (fls. 859e). É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O Recurso especial do contribuinte foi apresentado com observância do prazo previsto, sem contudo, atender o disposto no art. 67 do RICARF. No entanto, por força da liminar concedida pelo Tribunal Regional Federal (TRF) da 1ª Região, cópia às fls. 843e/845e, que determinou o seu processamento, dele tomo conhecimento. A matéria em discussão restringese ao direito de se compensar crédito financeiro (indébito tributário) contra a Fazenda Nacional, em discussão judicial, antes do trânsito em julgado da respectiva ação judicial, com débito tributário vencido. Inicialmente, destacase que, no presente caso, não se aplica o disposto no art. 62A do RICARF, para que seja adotada a decisão do STJ, no julgamento do REsp nº 1.164.452/MG, sob o rito do art. 543C do CPC. No julgamento do STJ, tanto o crédito financeiro (indébito tributário) como os débitos tributários compensáveis foram objetos da ação judicial, ou seja, foram indicadas as espécies dos créditos pleiteados na discussão judicial e dos débitos tributários compensáveis e/ ou compensados, conforme disposto no art. 66, § 1º da Lei nº 8.383/1991. Além disto, na ação judicial julgada por aquele Tribunal Superior, não havia decisão de segunda instância transitada em julgado que condicionava à compensação do crédito financeiro contra a Fazenda Nacional, somente a partir do trânsito em julgado da respectiva decisão, e ainda limitava a compensação com débitos da mesma espécie. Fl. 879DF CARF MF Processo nº 10805.720006/200851 Acórdão n.º 9303006.467 CSRFT3 Fl. 880 4 No pressente caso, o contribuinte impetrou, inicialmente, em 30/05/1994, medida cautelar, com pedido de liminar, visando assegurar o exercício do seu direito de compensar créditos financeiros decorrentes de recolhimentos indevidos do PIS, com débitos tributários da mesma espécie. Segundo o MM Juiz Federal que julgou a cautelar, nessa ação consignou, literalmente "Aqui, a medida não pretende a compensação em si, mas tem o declarado propósito de assegurar o seu exercício sem as limitações da Instrução Normativa nº 67/92, no que impugnada pelo (a,s) Autor (a, s, es)." A limiar foi deferida nos seguintes termos: "Vislumbro, assim, o fumus boni iuris, na pretensão do (a,s) Requerente (s) em obter (em) a correção plena do valor a ser compensado e bem ainda que tal compensação se faça entre tributos da mesma espécie (v.g. PIS com COFINS) e não limitada aos que tenham idêntico código de arrecadação, o que é bem diverso. Todavia, não vejo óbice à previsão de que a compensação, quando exigida por aquele ato, se faça sob os auspícios da autoridade administrativa, previsão que, afinal, se insere nas condições genéricas a que se referem o art. 170,do CTN, e o parágrafo 4º do art. 66 da Lei nº 8383/91. Em decorrência, presente também o periculum in mora nos limites analisados, em face da postura do (a,s,es) Autor(a,s,es) e da possibilidade de cominações fiscais, defiro parcialmente a liminar, a fim de que, perante a repartição competente, quando couber, seja admitida a compensação apenas entre tributos com o mesmo código de arrecadação, mas se estendendo aos de igual espécie (artigo 40 do CTN), respeitada a correção integral do valor a ser compensado. Ressalvado, porém, à autoridade fazendária, a plena fiscalização sobre os demais aspectos não objeto desta liminar, quanto ac respectivo procedimento de compensação, inclusive números que instruem os autos." (destaque não original) Na ação principal (98.03.0361848), o contribuinte pleiteou o reconhecimento do seu direito à compensação dos valores pagos a maior, a título de PIS, com base nos Decretoslei nº 2.445 e 2.449, ambos de 1998, com débitos do próprio PIS, da Cofins, da CSLL e do IRPJ. O Juízo "a quo" julgou, em 29/07/1996, o pedido parcialmente procedente nos seguintes termos: "Ante o exposto e considerando tudo o mais que dos autos consta, JULGO PARCIALMENTE PROCEDENTE o pedido formulado, para o fim de: (i) reconhecer a inconstitucionalidade dos Decretoleis nºs 2.445 e 2.449, de 1988 e, por conseqüência, assegurar o direito de a parte autora recolher a contribuição destinada ao PIS pela sistemática da Complementar LC 7/70 e legislação que lhe sobreveio; Fl. 880DF CARF MF Processo nº 10805.720006/200851 Acórdão n.º 9303006.467 CSRFT3 Fl. 881 5 (ii) declarar que a parte autora tem direito de compensar, a partir do trânsito em julgado desta sentença (porquanto é este o título, liquido e certo que mune a autora para a compensação, o qual só surte efeito depois de confirmado em Superior Instancia 475 e II, do CPC), os valores efetiva e indevidamente recolhidos a titulo do PIS questionado tal como comprovados nos autos, excedentes da sistemática a que se encontra higidamente submetida à correção dos créditos tributários, com o valor das contribuições vincendas, relativas ao próprio PIS, compensação que se defere nos termos do art. 66 e §§ da Lei nº 8.383/91." (destaque não original) Na apelação, o contribuinte requereu a reforma parcial da sentença apenas e tão somente para que fosse determinada a aplicação dos expurgos inflacionários aos valores compensáveis (indébitos tributários do PIS), conforme prova a cópia do Relatório do julgamento no TRF da 3ª Região às fls. 51e/52e, e também da apelação às fls. 294e. Assim, transitou em julgado a decisão que autorizou a compensação dos indébitos do PIS, somente a partir do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial, e a limitou aos tributos vencidos/vincendos do próprio PIS. Inconformado com a decisão de 2ª Instância (TRF/3ª) que determinou a atualização monetária dos créditos financeiros (indébitos do PIS) a serem repetidos/compensados pelos mesmos índices utilizados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) para cobrança dos débitos tributários federais, o contribuinte apresentou Recursos, Especial e Extraordinário, visando à atualização com aplicação dos expurgos inflacionários. O Recurso Extraordinário não foi admitido, conforme decisão às fls. 393e. Já o Especial foi admitido, nos termos da decisão às fls. 394e. No julgamento do recurso especial, o STJ deulhe provimento parcial, para reconhecer o direito de o contribuinte ter seus créditos financeiros (indébitos do PIS), corrigidos pelos índices constantes do Manual de Orientação de Procedimentos para os Cálculos da Justiça Federal, aprovado pela Resolução 561/CJF, de 02/07/2007, conforme ementa às fls. 427e, relatório às fls. 428e. Segundo a Certidão de Objeto e Pé, às fls. 516e/517e, o acórdão transitou em julgado na data de 14 de agosto de 2008. Conforme demonstrado, a decisão judicial que reconheceu o direito de o contribuinte repetir/compensar os indébitos do PIS, limitou a compensação com indébitos do próprio PIS e somente depois do trânsito em julgado da respectiva decisão. Além disto, conforme se verifica da ação judicial, o contribuinte não pleiteou a compensação dos créditos financeiros (indébitos do PIS) com débitos do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), mas apenas com débitos do próprio PIS, da Cofins, da CSLL e do IRPJ. Contudo, a decisão judicial limitou a compensação somente com débitos do PIS e depois do trânsito em julgado. No presente caso, o contribuinte transmitiu as Dcomp entre as datas de 29/09/2004 e 08/10/2004, visando à compensação dos créditos financeiros (indébitos do PIS), com débitos vencidos de IPI, bem depois da data da decisão de Segunda Instância, em Fl. 881DF CARF MF Processo nº 10805.720006/200851 Acórdão n.º 9303006.467 CSRFT3 Fl. 882 6 29/07/1996, que condicionou a compensação, a partir do trânsito em julgado e somente com débitos do próprio PIS e/ ou da mesma espécie (Cofins). Assim, tendo o contribuinte optado pela esfera judicial para a discussão da repetição/compensação dos indébitos, por força do disposto na Lei nº 6.830, de 1980, art. 38, parágrafo único, e do Decretolei nº 1.737, de 1979, art. 1º, § 2º, deve ser obedecida a decisão judicial. Portanto, no presente caso, não há que se falar em adotar a decisão do STJ, no REsp nº 1.164.452/MG. sob o rito do art. 543C do CPC, nos termos do art. 62A do RICARF, nem na homologação das Dcomp, por força da decisão judicial, não só, pelo fato de que, na data das transmissões da Dcomp, ainda não ter ocorrido o trânsito em julgado, mas principalmente pelo fato de que ela autorizou a compensação dos créditos financeiros, a partir do trânsito em julgado e a limitou aos débitos do PIS e/ ou débitos da mesma espécie (Cofins), não alcançando débitos de IPI, como no presente caso. À luz do exposto, nego provimento ao recurso especial do contribuinte. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 882DF CARF MF Processo nº 10805.720006/200851 Acórdão n.º 9303006.467 CSRFT3 Fl. 883 7 Declaração de Voto Conselheira Tatiana Midori Migiyama Depreendendose da análise dos autos do processo, peço vênia ao ilustre relator, que tanto admiro, para trazer meu entendimento acerca da matéria em debate. Recordo que a lide posta em debate trata de compensações efetuadas em setembro e outubro de 2004 envolvendo débitos de IPI relativos a setembro de 2004 e créditos de PIS recolhidos a maior no período de 1989 a 1993, reconhecidos em ação judicial. Vêse que as compensações foram realizadas, nos termos do art. 74 da Lei 9.430/96 e a ação foi ajuizada em 1994 – antes da vigência da LC 104/01 – que, por sua vez, trouxe o art. 170A do CTN. Para melhor elucidar meu entendimento, proveitoso trazer a linha do tempo exposta pelo patrono – vez que, após analisar os autos, vejo que transparece os acontecimentos ora discutidos: 19891993 1994 2001 2004 2008 No que tange à discussão acerca da aplicabilidade ou não do art. 170A do CTN ao caso em comento – considerando que o crédito ora discutido é objeto de ação judicial ajuizada antes da vigência do Art. 170A do CTN, entendo que assiste razão ao sujeito passivo. Frisese o decidido em REsp 1164452/MG, que firmou a seguinte tese: “Em se tratando de compensação de crédito objeto de controvérsia judicial, é vedada a sua realização “antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial”, conforme prevê o art. 170A do CTN, vedação que, todavia, não se aplica a ações judiciais propostas em data anterior à vigência desse dispositivo, introduzido pela LC 104/2001.” O que, para melhor elucidar o alcance daquela decisão, transcrevo sua ementa (Grifos meus): “EMENTA TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. LEI APLICÁVEL. VEDAÇÃO DO ART. 170A DO CTN. INAPLICABILIDADE A DEMANDA ANTERIOR À LC 104/2001. 1. A lei que regula a compensação tributária é a vigente à data do encontro de contas entre os recíprocos débito e crédito da Fazenda e do contribuinte. Precedentes. 2. Em se tratando de compensação de crédito objeto de controvérsia judicial, é vedada a sua realização "antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial", conforme Fl. 883DF CARF MF Processo nº 10805.720006/200851 Acórdão n.º 9303006.467 CSRFT3 Fl. 884 8 prevê o art. 170A do CTN, vedação que, todavia, não se aplica a ações judiciais propostas em data anterior à vigência desse dispositivo, introduzido pela LC 104/2001. Precedentes. 3. Recurso especial provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/08. ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, decide a Egrégia PRIMEIRA SEÇÃO do Superior Tribunal de Justiça, por unanimidade, dar provimento ao recurso especial, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Arnaldo Esteves Lima, Humberto Martins, Herman Benjamin, Mauro Campbell Marques, Benedito Gonçalves, Hamilton Carvalhido, Eliana Calmon e Luiz Fux votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Castro Meira. Brasília, 25 de agosto de 2010 MINISTRO TEORI ALBINO ZAVASCKI Relator” Sendo assim, considerando que a decisão emanada pelo STJ observou o regime do art. 543C do CPC antigo (Lei 5.869/73) – atualmente arts. 1.036 a 1041 da Lei 13.105/2015 (Novo CPC), tenho que, nos termos do art. 62, § 2º do RICARF/2015 (já alterada pela Portaria MF 151/2016), deve essa Conselheira reproduzir tal decisão para fins de aplicação aos casos discutidos nesse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, “in verbis”: “Art. 62............ [...] § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos Conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF." (NR)” Ademais, não há como se restringir ainda no âmbito administrativo a compensação dos r. créditos com outros tributos, sob o argumento de que a decisão judicial restringiu a compensação somente com débitos de PIS, vez que à época da compensação estava vigente a IN 210/02 – norma superveniente que passou a permitir a compensação de créditos reconhecidos judicialmente com débitos de quaisquer tributos federais. Tanto é assim que o próprio STJ definiu o procedimento em REsp 1.164.452/MG ao estabelecer que a lei que regula a compensação tributária é a vigente à data do encontro de contas entre os recíprocos débitos e crédito da Fazenda e do contribuinte. Proveitoso recordar que tal decisão observou o regime do art. 543C e da Resolução STJ 8/08. Fl. 884DF CARF MF Processo nº 10805.720006/200851 Acórdão n.º 9303006.467 CSRFT3 Fl. 885 9 Cabe ainda trazer que à época da prolação da decisão judicial, não haveria como a decisão judicial ampliar a compensação dos créditos com outros débitos, pois essa norma da Receita Federal somente veio ao ordenamento posteriormente. O que correta a decisão dada à época. Não obstante, vêse que o sujeito passivo deve observar na compensação a norma vigente à época da compensação, em respeito ao art. 170 do CTN, não podendo aplicar a norma de compensação vigente à época da prolação da decisão judicial. O que, por conseguinte, norma de compensação superveniente à decisão judicial que reconheceu os créditos ora discutidos e restringiu os débitos passíveis de compensação com tais créditos, deve ser observada, no presente caso, vez que, nos termos do art. 170 do CTN, deve o sujeito passivo adotar o regramento da Receita Federal aplicável à época desse evento compensação. Nessa linha, a própria Receita Federal do Brasil expôs seu entendimento (Grifos meus): “SOLUÇÃO DE CONSULTA COSIT Nº 29, DE 30 DE MARÇO DE 2016 DOU de 08/04/2016, seção 1, pág. 18 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO EMENTA: COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS RECONHECIDOS POR DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO APÓS A LEI Nº 10.637/2002. RESTRIÇÕES. Como regra geral, desde que observadas as restrições previstas na legislação vigente, os débitos próprios relativos a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB podem ser compensados com os créditos relativos a tributos administrados pela RFB reconhecidos por decisão judicial transitada em julgado, mesmo que essa decisão tenha permitido apenas a compensação com débitos de tributos da mesma espécie. Entre as referidas restrições da legislação em vigor citase, exemplificativa, mas não exaustivamente, a impossibilidade de compensar débitos relativos às contribuições sociais previstas nas alíneas ‘a’, ‘b’, e ‘c’ do parágrafo único do art. 11 da Lei nº 8.212/1991 com créditos relativos aos demais tributos administrados pela RFB. DISPOSITIVOS LEGAIS: CTN, 170; Lei nº 11.457/2007, arts. 2ºe 26, parágrafo único; Lei nº 8.383/1991, art. 66; Lei nº 8.212, art. 89, caput; IN RFB nº 1.300/2012, arts. 41, caput, e 56, caput.” O que entendo correto o entendimento da autoridade fiscal em Solução de consulta, pois observou, para tanto, o disposto no art. 170 do CTN. Fl. 885DF CARF MF Processo nº 10805.720006/200851 Acórdão n.º 9303006.467 CSRFT3 Fl. 886 10 Em vista de todo o exposto, dou provimento ao recurso especial interposto pelo sujeito passivo. (assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Fl. 886DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13604.720257/2014-38
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Apr 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2010
RENDIMENTOS ISENTOS. DOENÇA GRAVE. COMPROVAÇÃO.
O contribuinte apresentou documentação comprovando doença grave, fazendo jus à isenção de imposto de renda dos rendimentos recebidos em razão de aposentadoria ou pensão.
Numero da decisão: 2001-000.280
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente e Relator
Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Jorge Henrique Backes (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira, Fernanda Melo Leal.
Nome do relator: JORGE HENRIQUE BACKES
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2010 RENDIMENTOS ISENTOS. DOENÇA GRAVE. COMPROVAÇÃO. O contribuinte apresentou documentação comprovando doença grave, fazendo jus à isenção de imposto de renda dos rendimentos recebidos em razão de aposentadoria ou pensão.
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DOENÇA GRAVE. COMPROVAÇÃO. O contribuinte apresentou documentação comprovando doença grave, fazendo jus à isenção de imposto de renda dos rendimentos recebidos em razão de aposentadoria ou pensão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente e Relator Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Jorge Henrique Backes (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira, Fernanda Melo Leal. Relatório Tratase de Notificação de Lançamento relativa à Imposto de Renda Pessoa Física. A Ementa do Acórdão de Impugnação foi prolatada nos seguintes termos: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 4. 72 02 57 /2 01 4- 38 Fl. 82DF CARF MF 2 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2013 RENDIMENTOS ISENTOS. LAUDO MÉDICO OFICIAL. PROFISSIONAL VINCULADO AO ÓRGÃO. A comprovação de doença grave, nos termos da legislação de regência para a isenção de imposto de renda afeta aos rendimentos recebidos em razão de aposentadoria, somente se faz com a apresentação de laudo médico oficial chancelado pelo órgão emissor e firmado por profissional dotado de competência e designado para tal fim. Impugnação Improcedente Outros Valores Controlados Destacamos algumas passagens do Acórdão de Impugnação: De acordo com o expresso no lançamento, não se deu a apresentação de laudo médico oficial, de maneira a permitir a análise de que os rendimentos de aposentadoria do interessado, pagos pela Prefeitura de Itabira/MG, efetivamente se enquadrariam na isenção ora em comento. O laudo anexado à fl. 12 não se encontra chancelado ou contém a identificação de qualquer serviço médico oficial. O carimbo do médico que o firmou, no caso Demerval José Camilo Guimarães de Oliveira, não faz qualquer referência a órgão público apto a lavrar o laudo nos termos previstos pela legislação. A declaração de fl. 13, emitida pela indigitada Prefeitura, informa que: "Declaro para os devidos fins que o Dr. Demerval José Camilo Guimarães de Oliveira, inscrito no CRMMG sob n. 15677 presta atendimento ambulatorial para o Sistema Único de Saúde SUS, no Hospital Carlos Chagas, na área de clínica geral.", o que não confere ao laudo de fl. 12 a oficialidade requerida para a matéria, porquanto não modifica a natureza particular do documento. Para esse mister, caberia àquele ente municipal reconhecer que a produção do laudo ocorreu em face de serviço médico próprio e lavrado por profissional de seu quadro designado para tal atividade; contudo, isso não se fez pela declaração em comento. À luz da SCI, resta patente que o laudo de fl. 12 não fora expedido por serviço médico oficial, porquanto ausentes informações indispensáveis à sua validade, no caso, o órgão emissor, bem como o número de registro no órgão público e a qualificação do profissional do serviço médico oficial responsável pela emissão do laudo pericial, o que, repisese, não se supriu pela declaração de fl. 13. E, em assim sendo, faltou ao interessado apresentar documento necessário à comprovação da doença grave visando à isenção pleiteada, cuja outorga requer a interpretação literal, rígida, do texto legal, de acordo com o que expressa o art. 111, II, do CTN. Os documentos e passagens do Recurso Voluntário, que constam do presente processo, foram vistos pelos conselheiros durante à sessão. Fl. 83DF CARF MF Processo nº 13604.720257/201438 Acórdão n.º 2001000.280 S2C0T1 Fl. 3 3 Voto Conselheiro Jorge Henrique Backes, Relator Verificada a tempestividade do recurso voluntário, dele conheço e passo à sua análise. O contribuinte apresentou laudo médico emitido por profissional que presta atendimento ambulatorial ao SUS, condição atestada por declaração emitida pela Secretaria Municipal de Saúde. O contribuinte apresenta alienação mental, e existe sentença judicial aceitando o Laudo acima para decretar a interdição. Pelo conjunto dos documentos entendo caracterizada a doença grave, supridas as lacunas apontadas no Laudo apresentado. Conclusão Em razão do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Fl. 84DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10954.000008/2005-73
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Nov 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jun 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004
PIS NÃO-CUMULATIVO. HIPÓTESES DE CRÉDITO. CONCEITO DE INSUMO APLICAÇÃO E PERTINÊNCIA COM AS CARACTERÍSTICAS DA ATIVIDADE PRODUTIVA.
O termo insumo utilizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Sua justa medida caracteriza-se como o elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens produzidos, atendidas as demais exigências legais.
PIS. REGIME NÃO-CUMULATIVO. CRÉDITO RELATIVO AOS SERVIÇOS DE MOVIMENTAÇÃO INTERNA.
Geram direito a crédito da contribuição ao PIS, apurado nos termos da Lei 10.637/02, os serviços tomados de pessoas jurídicas para movimentação interna das matérias-primas.
Recurso Especial do Procurador Negado.
Numero da decisão: 9303-005.928
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento. Vencido o Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire (Suplente convocado), que lhe deu provimento. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito e Vanessa Marini Cecconello.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (Suplente convocado), Valcir Gassen (Suplente convocado em substituição à Conselheira Érika Costa Camargos Autran), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Ausente, justificadamente, a Conselheira Érika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 PIS NÃO-CUMULATIVO. HIPÓTESES DE CRÉDITO. CONCEITO DE INSUMO APLICAÇÃO E PERTINÊNCIA COM AS CARACTERÍSTICAS DA ATIVIDADE PRODUTIVA. O termo insumo utilizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Sua justa medida caracteriza-se como o elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens produzidos, atendidas as demais exigências legais. PIS. REGIME NÃO-CUMULATIVO. CRÉDITO RELATIVO AOS SERVIÇOS DE MOVIMENTAÇÃO INTERNA. Geram direito a crédito da contribuição ao PIS, apurado nos termos da Lei 10.637/02, os serviços tomados de pessoas jurídicas para movimentação interna das matérias-primas. Recurso Especial do Procurador Negado.
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 PIS NÃOCUMULATIVO. HIPÓTESES DE CRÉDITO. CONCEITO DE INSUMO APLICAÇÃO E PERTINÊNCIA COM AS CARACTERÍSTICAS DA ATIVIDADE PRODUTIVA. O termo “insumo” utilizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Sua justa medida caracterizase como o elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens produzidos, atendidas as demais exigências legais. PIS. REGIME NÃOCUMULATIVO. CRÉDITO RELATIVO AOS SERVIÇOS DE MOVIMENTAÇÃO INTERNA. Geram direito a crédito da contribuição ao PIS, apurado nos termos da Lei 10.637/02, os serviços tomados de pessoas jurídicas para movimentação interna das matériasprimas. Recurso Especial do Procurador Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento. Vencido o Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire (Suplente convocado), que lhe deu provimento. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito e Vanessa Marini Cecconello. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 4. 00 00 08 /2 00 5- 73 Fl. 334DF CARF MF Processo nº 10954.000008/200573 Acórdão n.º 9303005.928 CSRFT3 Fl. 335 2 (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (Suplente convocado), Valcir Gassen (Suplente convocado em substituição à Conselheira Érika Costa Camargos Autran), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Ausente, justificadamente, a Conselheira Érika Costa Camargos Autran. Relatório Tratase de recurso especial de divergência, tempestivo, interposto pela Fazenda Nacional ao amparo do art. 67, Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, em face do Acórdão nº 3403001.590, cuja ementa é a seguinte: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 PIS REGIME NÃOCUMULATIVO CRÉDITO RELATIVO AOS SERVIÇOS DE MOVIMENTAÇÃO INTERNA Geram direito a crédito da contribuição ao PIS, apurado nos termos da Lei 10.637/02, os serviços tomados de pessoas jurídicas para movimentação interna das matériasprimas. RESSARCIMENTO. CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS APURADOS PELO REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. ACRÉSCIMO DA TAXA SELIC. VEDAÇÃO. Especificamente no caso da COFINS e da contribuição ao PIS apurados pelo regime nãocumulativo, o ressarcimento de saldos credores admitido pelos artigos 5º, §§1º e §2º e 6º, §§1º e 2º das Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, respectivamente, não se sujeita à remuneração pela Taxa SELIC, em virtude de expressa vedação nesse sentido, contida no artigo 13 da Lei nº 10.833/03. O presente processo referese a pedido de Ressarcimento de Crédito da Contribuição para o PIS NãoCumulativa, formulado por DOW CORNING METAIS DO PARÁ INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA., relativo ao quarto trimestre de 2004, e Declarações de Compensações Dcomps eletrônicas vinculadas aos créditos em exame. O pedido de ressarcimento foi analisado pela unidade da RFB de Marabá, PA, que expediu em 12 de fevereiro de 2010, Informações e Despacho Decisório, os quais reconheceram apenas parcialmente o crédito reclamado pelo contribuinte. A manifestação de inconformidade apresentada pelo contribuinte foi julgada improcedente na decisão de primeira instância. A 3ª TO da 4ª Câmara da Terceira de Julgamento do CARF, assim decidiu: (i) por unanimidade de votos, reconheceuse o direito de o contribuinte tomar o crédito relativo Fl. 335DF CARF MF Processo nº 10954.000008/200573 Acórdão n.º 9303005.928 CSRFT3 Fl. 336 3 aos serviços de movimentação interna de matériaprima durante o processo produtivo; e (ii) por maioria de votos, negouse o direito à correção do ressarcimento da contribuição não cumulativa pela taxa Selic. A Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial (fls. 252 a 272), suscitando divergência em relação ao conceito de insumo para fins de creditamento de PIS e COFINS, questionando o direito creditório relativo aos serviços de movimentação interna de matéria prima durante o processo produtivo. O Recurso Especial da Fazenda Nacional foi integralmente admitido pela comprovação da divergência suscitada, no que diz respeito ao conceito de insumo utilizado para fins de creditamento de PIS e COFINS, conforme despacho de admissibilidade às fls. 274 a 276. O sujeito passivo apresentou suas contrarrazões às fls. 286 a 297. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator Conforme relatado, o tempestivo recurso foi integralmente admitido pela comprovação da divergência suscitada, no que diz respeito ao conceito de insumo utilizado para fins de creditamento de PIS e COFINS, conforme despacho de admissibilidade às fls. 274 a 276. Enquanto a Egrégia Turma aplicou uma interpretação própria para o termo “insumo” na legislação de PIS e COFINS para fins de creditamento, ao admitir que movimentação e descarga de carvão, movimentação interna e empilhamento, corte e arrumação de serraria são passíveis de gerar crédito da contribuição, porque estes bens se enquadrariam no conceito de "insumo", os acórdãos paradigmas apresentados decidiram de modo diverso, empregando um alcance mais restritivo do termo “insumo”, que guardaria correspondência com o obtido da legislação do IPI. Diante da comprovação do dissídio jurisprudencial alegado e atendido os demais requisitos de admissibilidade, conheço do recurso. Portanto, a matéria devolvida ao Colegiado cingese à questão do conceito de insumo para fins de creditamento de PIS e COFINS, em especial os serviços de movimentação interna de matériaprima durante o processo produtivo. Os arts. 3º, inciso II, das Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, dispõem sobre a possibilidade de a pessoa jurídica descontar créditos relacionados a bens e serviços, utilizados como “insumo” na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Visando normatizar o termo “insumo” a Receita Federal editou as Instruções Normativas nºs 247/02, art. 66, § 5º, no caso do PIS; e 404/04, art. 8º, § 4º, para a Cofins. Nelas, o Fisco limitou a abrangência do termo “insumos” utilizados na fabricação ou produção Fl. 336DF CARF MF Processo nº 10954.000008/200573 Acórdão n.º 9303005.928 CSRFT3 Fl. 337 4 de bens destinados à venda, à matériaprima, ao produto intermediário, ao material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação. Em se tratando de serviços, os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços. Necessário, ainda, que os bens não estejam incluídos no ativo imobilizado, bem assim, os serviços sejam prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, sendo aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto ou prestação do serviço. De modo a esclarecer o alcance de tais normas em relação a casos concretos, foram editadas diversas Soluções de Consultas, por vezes conflitantes, as quais acabaram por ensejar a elaboração de inúmeras Soluções de Divergência. Na sequência dos acontecimentos, decorridos alguns anos desde a edição das leis criadoras do PIS e da Cofins na sistemática não cumulativa, percebese ser cada vez mais intenso o coro a rejeitar a nãocumulatividade dessas contribuições de modo tão restritivo, nos moldes do IPI. A jurisprudência do CARF caminhou no sentido a considerar que o conceito de insumos trazido pelas normas de regência se posiciona de forma intermediária entre o conceito restritivo do IPI e aquele mais extensivo (do IRPJ). Soluções que aplicam puramente a legislação do IPI ou do IRPJ estão ficando como posições isoladas e não mais tem prosperado, em termos de votação das inúmeras turmas que tratam da matéria. Entendo que o termo “insumo” utilizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Sua justa medida caracterizase como elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens produzidos. Em casos similares de minha relatoria (Acórdão 9303002.630 e 9303 003.195), este colegiado aplicou esse conceito intermediário, entendendo como “insumo” aquele elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens produzidos, atendidas as demais exigências legais. O STJ tem reconhecido o direito aos créditos de PIS e COFINS com base no critério da essencialidade, conforme extraise do excerto da ementa do REsp 1.246.317: 5. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. Com efeito, o conceito a ser utilizado nesse voto será a relação direta com o processo produtivo, dentro do critério da essencialidade (se o bem e o serviço são considerados essenciais na prestação de serviço ou produção, e se a produção ou prestação de Fl. 337DF CARF MF Processo nº 10954.000008/200573 Acórdão n.º 9303005.928 CSRFT3 Fl. 338 5 serviço são dependentes efetivamente da aquisição dos bens e serviços), além de outras permissivas contidas na lei, por óbvio. Feitos todos esses comentários, passemos à análise dos insumos, objeto do presente caso: serviços contratados de pessoas jurídicas empregados na movimentação interna de insumos. Tratase de serviços contratados de pessoas jurídicas e que são empregados na movimentação interna de insumos utilizados na fabricação do silíciometálico e da Sílica Fumê, que demandam intensa movimentação de matériasprimas e insumos utilizados no processo produtivo (minério de quartzo, carvão mineral, cavaco, material lenhoso, tijolos, argamassa e tubos). Constam nos autos diversas notas fiscais de empresas que prestaram serviços de (i) carregamento de carvão, (ii) descarga de carvão, (iii) movimentação interna e (iv) empilhamento, corte e arrumação de serraria. Também consta do laudo técnico apresentado informação que o carvão é insumo na fabricação de bens ou produtos destinados à venda, assim como o quartzo e o minério. Em atendimento ao já referido conceito intermediário de insumo, dentro do critério da essencialidade, considero que tanto as matériasprimas e produtos intermediários utilizadas no processo produtivo do silíciometálico e da SilicaFumê, ou seja, o minério de quartzo, o carvão mineral, o cavaco, o material lenhoso, os tijolos, argamassa e tubos, quanto os serviços vinculados a tais itens, ou seja, o serviço de carregamento e descarga de carvão, a movimentação interna e empilhamento, corte e arrumação de serraria, são considerados como insumos do processo produtivo. Geram, portanto, direito a crédito na sistemática nãocumulativa das contribuições. Assim, considerase como insumo, por se tratar de gastos incorridos essenciais e diretamente ligados ao processo produtivo, os serviços contratados de pessoas jurídicas empregados na movimentação interna de insumos. Tratase de dispêndios compreendidos na despesa operacional da Recorrida, necessárias para a regular execução de sua exploração mineral e fabricação do silíciometálico e da SilicaFumê, nas diversas etapas de produção. Desta forma, entendo ser correto o cômputo dos créditos de PIS/COFINS sobre as despesas incorridas acima relacionadas, no mesmo sentido que decidiu o julgador a quo. Diante do exposto, voto por NEGAR provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 338DF CARF MF
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Numero do processo: 13227.720559/2014-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 02 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 2301-000.694
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para tomar a manifestação da fiscalização em relação às provas das e-fls. 660/764 e, sendo o caso, sejam juntadas aos autos provas de que os correios não atendem o CEP do domicílio da responsável solidária.
João Bellini Júnior Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Maurício Vital, Wesley Rocha, Antônio Sávio Nastureles, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato e João Bellini Júnior (presidente).
Nome do relator: JOAO BELLINI JUNIOR
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João Bellini Júnior – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Maurício Vital, Wesley Rocha, Antônio Sávio Nastureles, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato e João Bellini Júnior (presidente). Relatório Tratase de recurso de ofício e de recurso voluntário em face do Acórdão 04 39.084, exarado pela 2ª Turma da DRJ em Campo Grande (efls. 782 a 798). O auto de infração (efls. 219 a 265) é referente imposto sobre a renda da pessoa física (IRPF) e diz respeito à omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, correspondentes ao anocalendário 2011; foi constituído crédito tributário de R$ 23.515.115,46, dos quais R$ 12.072.034,22 correspondem a imposto, R$ 9.054.025,67 à multa e R$ 2.389.055,57 a juros de mora. A impugnação foi julgada parcialmente procedente, para: (a) limitar a responsabilidade tributária de Degmar Inês Ramos Franco, em solidariedade com o autuado Vanderlei Franco Vieira, à parte do crédito que se RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 32 27 .7 20 55 9/ 20 14 -5 1 Fl. 888DF CARF MF Processo nº 13227.720559/201451 Resolução nº 2301000.694 S2C3T1 Fl. 3 2 refere aos depósitos que transitaram pela conta bancária de que é titular, remanescendo, assim, a responsabilidade quanto ao imposto de R$ 4.940.846,77, ao qual se acrescem multa e juros proporcionais: CREDITO TRIBUTÁRIO RESPONSABILIDADE SOLIDARIA RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS 18.012.222,60 DESCONTO SIMPLIFICADO 13.916,36 BASE DE CÁLCULO 17.998.306,24 ALÍQUOTA 27,5% PARCELA A DEDUZIR 8.687,45 IMPOSTO APURADO 4.940.846,77 (b) reduzir o crédito tributário para R$ 12.047.534,47, reduzindose na mesma proporção a multa e os juros de mora, conforme demonstrado no seguinte quadro: AUTO DE INFRAÇÃO JULGAMENTO RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS 43.943.813,35 43.943.813,35 DESCONTO SIMPLIFICADO 13.916,36 13.916,36 VALOR EXCLUÍDO NO JULGAMENTO 0,00 89.090,00 BASE DE CÁLCULO 43.929.896,99 43.840.806,99 ALÍQUOTA 27,5% 27,5% PARCELA A DEDUZIR 8.687,45 8.687,45 IMPOSTO APURADO 12.072.034,22 12.047.534,47 O acórdão recorrido recebeu as seguintes ementas: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2011 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. INTIMAÇÃO ANTES DA LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO. CONTAS BANCÁRIAS DE TERCEIROS. É necessária, na fase que precede à lavratura do auto de infração, a intimação de todos os cotitulares da conta bancária para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, sob pena de nulidade do lançamento, não se aplicando, entretanto, tal exigência se a conta pertencer a terceiro. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Os valores creditados em contas bancárias geram presunção "juris tantum" de omissão de rendimentos, quando o contribuinte, depois de intimado, deixar de comprovar a origem dos recursos utilizados nas respectivas operações, sendo desnecessário demonstrar a omissão de rendimentos por outros indícios. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO DE ORIGEM. DEMONSTRAÇÃO INDIVIDUAL. Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos feitos nas contas bancárias devem ser analisados individualmente, devendo ser individual a comprovação da respectiva origem dos recursos. Fl. 889DF CARF MF Processo nº 13227.720559/201451 Resolução nº 2301000.694 S2C3T1 Fl. 4 3 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PEQUENO VALOR. A presunção de omissão de rendimentos, no caso de pessoa física, não alcança os depósitos cujos valores, individualmente considerados, sejam iguais ou inferiores a R$ 12.000,00, se o somatório não ultrapassar R$ 80.000,00. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. CONTA CONJUNTA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Na hipótese de lançamento feito com base em depósitos bancários, a responsabilidade solidária do cotitular, no caso de conta conjunta, limitase aos recursos que transitaram por suas contas, não alcançando os valores depósitos em contas de terceiros. IMPOSTO DE RENDA. PESSOA FÍSICA. RESULTADO DA ATIVIDADE RURAL. LIMITAÇÃO A 20% DA RECEITA BRUTA. O resultado da atividade rural, na tributação de pessoa física, está limitado a 20% do total da receita bruta do período, sendo irrelevante o total das despesas de custeio e investimento se elas não forem superiores a 80% da receita bruta, ressalvada a hipótese de compensação de prejuízo de períodos anteriores. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. EXAME NO PROCESSO FISCAL. IMPOSSIBILIDADE. É vedado aos órgãos de julgamento administrativo o controle de constitucionalidade de lei ou ato normativo. MULTA COM EFEITO DE CONFISCO. RAZOABILIDADE. EXAME NA ESFERA ADMINISTRATIVA. VEDAÇÃO. É vedado ao órgão administrativo o exame da constitucionalidade de lei, bem como o de eventuais ofensas pela norma legal aos princípios constitucionais da razoabilidade e da vedação de tributo com efeito de confisco. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Tendo sido exonerada a responsabilização da Sra. Degmar Inês Ramos Franco por tributo e multa em valor superior a R$1.000.000,00, a decisão foi submetida a recurso de ofício, nos termos da Portaria MF n° 3, de 2008. A ciência dessa decisão pelo Sr. Vanderlei Franco Vieira, contribuinte, ocorreu em 09/04/2015 (aviso de recebimento, efl. 804). Não há registro de que tenha havido intimação da responsável tributária, Sra. Degmar Inês Ramos Franco. Em 11/05/2015, o contribuinte apresentou recurso voluntário (efls. 805 a 565), alegando, em síntese: (a) cerceamento do direito de defesa por ofensa ao devido processo legal e ausência de motivação da decisão recorrida; (b) possuir interesse na redução da base de cálculo da suposta receita omitida; Fl. 890DF CARF MF Processo nº 13227.720559/201451 Resolução nº 2301000.694 S2C3T1 Fl. 5 4 (c) o levantamento feito pela fiscalização incluiu indevidamente notas fiscais que não servem para comprovar a origem de qualquer recurso financeiro creditado nas contas; (d) terem sido tributadas: d.1) transferências entre suas contas; d.2) empréstimos financeiros; d.3) crédito originário da alienação de animais; d.4) crédito originário da alienação de imóvel; d.5) movimentação de recursos com origem devidamente comprovada; d.6) créditos individuais em conta bancária inferiores a R$ 12.000,00 e com somatório anual inferior a R$ 80.000,00; (e) haver erro material na apuração. Foi requerido o provimento do recurso, para fins de considerar insubsistente o auto de infração que originou a presente ação fiscal, reiterando todos os demais pedidos.É o relatório. Por despacho de saneamento, os autos foram encaminhados para a autoridade preparadora para que fosse juntada prova da intimação, pela responsável solidária, do acórdão de recurso voluntário (efls. 875 a 878). Em decorrência, a unidade preparadora atestou terem sido efetuadas tentativas de ciência frustradas, em face de domicílio em área não coberta pela entrega dos Correios (efl. 884): Conforme proposto no despacho fls 875 a 878, foram realizadas tentativas de ciência à Srª Degmar Inês Ramos Franco, frustradas pela indicação de domicílio em área não coberta pela entrega dos Correios. Assim, encaminho com proposta de retorno ao CARF para julgamento. Decorrentemente, foi realizada ciência por edital (efl. 883). Não houve manifestação pela responsável solidária. Retornaram os autos. É o relatório. Voto Conselheiro João Bellini Júnior – Relator TRANSFERÊNCIAS ENTRE CONTAS DO PRÓPRIO CONTRIBUINTE Com relação às transferências bancárias realizadas entre contas bancárias de titularidade do próprio recorrente, é alegado que foram juntadas aos autos, juntamente com a impugnação, mais de mais de 100 páginas de extratos bancários comprobatórios da transferência de recursos entre contas de sua titularidade ou de seu cônjuge (tabela de lançamentos anexada ao presente recurso), separados, de forma didática, por instituições financeiras, conforme se infere do "Anexo IV Tabela de Transferências Bancárias entre Contas de Mesma Titularidade/Cônjuge e comprovantes" (efls. 660/764). Fl. 891DF CARF MF Processo nº 13227.720559/201451 Resolução nº 2301000.694 S2C3T1 Fl. 6 5 Considerando que os documentos apresentados às efls. 660 a 764 foram juntados aos autos tão somente por ocasião da impugnação, entendo, em face do prestígio ao contraditório, ser imperativa a manifestação da fiscalização a seu respeito. Assim, a autoridade fiscal deverá examinar os documentos apresentados, elaborar relatório de diligência detalhado e conclusivo, podendo, para isso, intimar o contribuinte a prestar esclarecimentos, prestar informações adicionais e juntar documentos que entender necessários. Após concluída a diligência, a interessada deve ser intimada de seu relatório, concedendose prazo de trinta dias para apresentação de contrarrazões. DA INTIMAÇÃO DA RESPONSÁVEL TRIBUTÁRIA Quanto à intimação da responsável tributária do acórdão recorrido, dispõe o art. 23 do Decreto nº 70.235, de 1972, que a intimação por edital é reservada para os casos em que as tentativas de intimação pessoal, por edital ou por meio eletrônico restarem improfícuas: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar;(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo;(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante:(Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou(Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo.(Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) § 1o Quando resultar improfícuo um dos meios previstos no caput deste artigo ou quando o sujeito passivo tiver sua inscrição declarada inapta perante o cadastro fiscal, a intimação poderá ser feita por edital publicado:(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) I no endereço da administração tributária na internet;(Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) II em dependência, franqueada ao público, do órgão encarregado da intimação; ou(Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) III uma única vez, em órgão da imprensa oficial local.(Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) (Grifouse.) Fl. 892DF CARF MF Processo nº 13227.720559/201451 Resolução nº 2301000.694 S2C3T1 Fl. 7 6 No caso em apreço, apesar de atestada pela unidade preparadora que “foram realizadas tentativas de ciência à Srª Degmar Inês Ramos Franco, frustradas pela indicação de domicílio em área não coberta pela entrega dos Correios”, temos que o aviso de recebimento dos Correios (efl. 882) foi devolvido sem a indicação do motivo pelo qual a destinatária não foi procurada. Em busca de verificar a exatidão do fato, consultei o sítio eletrônico dos correios (http://www2.correios.com.br/sistemas/precosPrazos/restricaoentrega/resultado.cfm), que não indicam restrição para a entrega no endereço da destinatária/responsável tributária: Ademais, verifico que diversas intimações foram entregues, no curso deste processo, no mesmo CEP, no endereço Estrada Projetada KM 01, S/N, caixa postal 70, Bairro Zona Rural, CEP. 76.990000, Chupinguaia, RO (efls. 11, 21, 140, 164, 188, 211, 214, 279, 804), domicílio fiscal do contribuinte, marido da responsável tributária. Assim, considerando que a responsável solidária deve ser intimada do resultado da diligência que está sendo solicitada, deve ser feita, conjuntamente, nova tentativa de intimá la do acórdão recorrido. No caso de os Correios não atenderem o CEP de seu domicílio fiscal, devem ser juntadas aos autos provas nesse sentido. Conclusão Assim, voto por converter o julgamento em diligência para tomar a manifestação da fiscalização em relação às provas das efls. 660/764 e, sendo o caso, sejam juntadas aos autos provas de que os correios não atendem o CEP do domicílio da responsável solidária. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior – Relator Fl. 893DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.722887/2012-61
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jun 25 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 30/11/2009
RECURSO ESPECIAL. CONHECIMENTO. SITUAÇÕES FÁTICAS DIFERENTES. COMPROVAÇÃO DE DIVERGÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE.
O Recurso Especial da Divergência somente deve ser conhecido se restar comprovado que, em face de situações equivalentes, a legislação de regência tenha sido aplicada de forma divergente, por diferentes colegiados.
Hipótese em que os acórdãos paradigmas não enfrentam a tese construída pelo Recorrente.
RECURSO ESPECIAL. REQUISITO FORMAL. AFRONTA AO ART. 67, §4º DO ANEXO II DO RICARF.
Não cabe recurso especial contra decisão de qualquer das turmas que, na apreciação de matéria preliminar, decida pela anulação da decisão de 1ª (primeira) instância por vício na própria decisão, nos termos da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999.
Numero da decisão: 9202-006.663
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo.
Nome do relator: RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 30/11/2009 RECURSO ESPECIAL. CONHECIMENTO. SITUAÇÕES FÁTICAS DIFERENTES. COMPROVAÇÃO DE DIVERGÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE. O Recurso Especial da Divergência somente deve ser conhecido se restar comprovado que, em face de situações equivalentes, a legislação de regência tenha sido aplicada de forma divergente, por diferentes colegiados. Hipótese em que os acórdãos paradigmas não enfrentam a tese construída pelo Recorrente. RECURSO ESPECIAL. REQUISITO FORMAL. AFRONTA AO ART. 67, §4º DO ANEXO II DO RICARF. Não cabe recurso especial contra decisão de qualquer das turmas que, na apreciação de matéria preliminar, decida pela anulação da decisão de 1ª (primeira) instância por vício na própria decisão, nos termos da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999.
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CONHECIMENTO. SITUAÇÕES FÁTICAS DIFERENTES. COMPROVAÇÃO DE DIVERGÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE. O Recurso Especial da Divergência somente deve ser conhecido se restar comprovado que, em face de situações equivalentes, a legislação de regência tenha sido aplicada de forma divergente, por diferentes colegiados. Hipótese em que os acórdãos paradigmas não enfrentam a tese construída pelo Recorrente. RECURSO ESPECIAL. REQUISITO FORMAL. AFRONTA AO ART. 67, §4º DO ANEXO II DO RICARF. Não cabe recurso especial contra decisão de qualquer das turmas que, na apreciação de matéria preliminar, decida pela anulação da decisão de 1ª (primeira) instância por vício na própria decisão, nos termos da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 28 87 /2 01 2- 61 Fl. 697DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo. Relatório Tratase de auto de infração para cobrança de contribuições previdenciárias incidentes sobre as remunerações de segurados empregados e contribuinte individuais (Debcad 51.029.9555 cota patronal e Debcad nº 51.029.9563 contribuições destinadas a terceiros) lavrada em razão da não caracterização do contribuinte como entidade beneficente para fins de utilização da imunidade prevista no art. 195, §7º da CF/88. Para melhor compreensão do lançamento, vale transcrever alguns trechos do relatório fiscal de efls. 33/40: No exercício das funções de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil e em cumprimento ao Mandado de Procedimento Fiscal n° 08.1.90.00.2012034770, para o período de 2009, realizamos fiscalização na entidade Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Hospital Albert Einstein, para verificação dos requisitos legais da entidade declarada de assistência social, com o intuito de verificar o cumprimento das obrigações tributárias relativas às contribuições sociais administradas pela RFB Receita Federal do Brasil. ... Examinada a documentação apresentada foi confrontado o salário de contribuição apontado no total das Folhas de Pagamento com as rubricas detalhadas na Folha e posteriormente com as principais contas de remuneração da Contabilidade onde então foram apuradas as bases da remuneração. Foram confrontados os recolhimentos de DARF no código 8301 através de consultas aos Sistemas SIEF WEB os declarados na DACON e DCTF e os valores das folhas de salário e verificouse que as contribuições referentes ao PIS foram recolhidas em época própria. Verificouse que a empresa declarou em GFIP Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social código FPAS Fundo Previdência e Assistência Social 639 código com isenção, calculando somente segurados; e recolheu as Guia de Recolhimento a Previdência Social com código 2305 empresa filantrópica com isenção Verificouse ainda, que a empresa não tem isenção,ou seja, a entidade teve sua isenção cancelada a partir do Ato Fl. 698DF CARF MF Processo nº 19515.722887/201261 Acórdão n.º 9202006.663 CSRFT2 Fl. 698 3 Cancelatório de Isenção de Contribuições Previdenciárias n° 05/2006 de 07/12/2006 (PA n° 44023.000017/200759, CARF 1a Turma da 3a Câmara da 2a SEJUL, aguardando julgamento de recurso voluntário perante o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF), tendo em vista que a entidade não atendeu a todos os requisitos contidos no artigo 55 da Lei 8.212/91 e desta forma deveria ter declarado em GFIP código FPAS 515 Hospitais, clínicas, casas de saúde ... e recolhido em GPS Guia de Recolhimento a Previdência Social código 2100 calculando segurados, empresa, contribuinte individual, GIL/ RAT Contribuição para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho constante nos incisos I, II e III do art. 22 da Lei 8.212/91 e TERCEIROS Outras Entidades e Fundo, arrecadadas pela Receita Federal do Brasil, conforme art. 3o da Lei 11.457/2007 terceiros (5,8%). Contribuinte apresentou impugnação por meio da qual afirma preencher os requisitos do art. 14 do CTN, estando apto a usufruir da imunidade prevista no art. 195, §7º da Constituição. Destacou ainda: 2.3. que a fiscalização se amparou unicamente no Ato Cancelatório de Isenção nº 05/2006 para lavrar os autos de infração em questão, entretanto o mesmo não está produzindo efeitos, nos termos do art. 206, parágrafo 8º, inciso IV, do Decreto nº 3.048/99, em virtude do recurso voluntário interposto no autos do processo nº 44023.000017/200756, que aguarda julgamento perante o Conselho Administrativo de Recursos CARF; 2.4. que ainda que o ato cancelatório seja mantido pelo CARF, seus efeitos não terão a extensão pretendida pela fiscalização pois quando da sua emissão, em 07/12/2006, foi averiguado o cumprimento, pela impugnante, dos requisitos do art. 55 da Lei 8.212/91 no período de 01/1996 a 12/2005, de modo que não tem cabimento se considerar, de forma automática, que também não houve o cumprimento dos requisitos no período após 12/2005, notadamente no período de 01/2009 a 11/2009, objeto das autuações. 2.5. que, desta forma, a fiscalização, pelo simples fato de ter havido o ato cancelatório de isenção em 2006, relativo a fatos ocorridos entre 1966 a 2005, não poderia desincumbirse do seu poderdever de fiscalizar o cumprimento, por parte da impugnante, dos requisitos legais para o gozo, seja da isenção ou da imunidade, no ano de 2009, que é o período do lançamento. 2.6. que a situação jurídica da impugnante no período de 01/2009 a 11/2009 é a de uma entidade beneficente de assistência social, devidamente certificada como tal, possuidora do CEBAS, renovado nos termos da MP nº 449/2008, e que cumpre todos os requisitos legais;entretanto, a fiscalização não apontou o descumprimento de nenhum requisito, seja de lei Fl. 699DF CARF MF 4 complementar, de lei ordinária, de decreto, de regulamento ou qualquer ato normativo, fundamentando as autuações no ato cancelatório de isenção lavrado em 2006, relativo a fatos ocorridos entre 1995 a 2005 que, sequer está produzindo efeitos, pois ainda não foi definitivamente julgado pelo CARF. Levado a julgamento, a 14ª Turma da DRJ/SP1 converteu o julgamento em diligência para determinar que a autoridade fiscal demonstrasse nos autos quais os requisitos legais foram descumpridos pela autuada, no período de 01/01/2009 a 30/11/2009, determinado a emissão de novo relatório fiscal. O novo relatório foi juntado às fls. 202/206, e esclareceu: É indiscutível que a Receita Federal do Brasil não poderia dispensar a necessidade de nova fiscalização para verificar se a impugnante, que teve o seu CEBAS, para o período de 2009, concedido à luz de nova legislação, eventualmente descumpriu algum requisito para a fruição da imunidade tributária. A entidade autuada tem sim direito à isenção prevista no art. 195, parágrafo 7o, da Constituição Federal, pois atende todos os requisitos legais para tanto, razão pela qual entregou as suas GFIP com o código FPAS 639 (entidades isentas) e somente efetuou os recolhimentos dos valores referentes à contribuição dos segurados empregados e contribuintes individuais, descontados da remuneração paga aos mesmos, sendo, portanto indevidas as contribuições previstas no art, 22 incisos I, II e III, da Lei 8.212/91, além daquelas devidas a terceiras entidades e fundos, arrecadadas pela RFB nos termos do art. 3o da lei 11.457/2007. ... A entidade detém a isenção prevista no artigo 195, § 7o da Constituição Federal, pois atende todos os requisitos legais para tanto, razão pela qual entregou as suas GFIP Guia de Recolhimento do Fundo e Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social com o código FPAS 639 entidades isentas, e somente efetuou os recolhimentos dos valores referentes à contribuição dos segurados empregados e contribuintes individuais, descontados da remuneração paga aos mesmos, sendo portanto indevidas as contribuições previstas no artigo 22 incisos I, II e III da Lei 8212/91, além daquelas devidas a terceiras entidades e fundos, arrecadadas pela RFB Receita Federal do Brasil nos termos do artigo 3o da Lei 11.457/2007. ... Desta forma, atendendo a cada período devido, a entidade preenche os requisitos à filantropia, constantes na Lei 8.212/91 art 55, ao artigo 195 da Constituição Federal, a MP 446/2008 e a Lei 12.101/2009. ... Da analise contábil verificamos o atendimento ao art 14 da Lei n° 5. 172, de 25 de Outubro de 1966, conforme segue: Fl. 700DF CARF MF Processo nº 19515.722887/201261 Acórdão n.º 9202006.663 CSRFT2 Fl. 699 5 ... Verificouse que a entidade teve sua isenção cancelada a partir do Ato Cancelatório de Isenção de Contribuições Previdenciárias n° 05/2006 de 07/12/2006. Face ao exposto, cabe salientar que a presente fiscalização lavrou os Autos de Infração: Auto de Infração (Obrigação Principal) COMPROT Nº 19.515.722.133/201391 DEBCAD N° 37.364.2148 Segurados; COMPROT Nº 19.515.722.134/201336 DEBCAD N° 51.029.9601 Segurados, a fim de se resguardar a decadência, uma vez que poderá sim o Ato Cancelatório de Isenção n° 05/2006 ser julgado perante o Conselho Administrativo de Recursos CARF, procedente. Intimado da diligência, o contribuinte reiterou os argumentos de defesa e destacou o fato de a fiscalização afirmar que foram cumpridos os requisitos necessários para aplicação da imunidade. A DRJ de São Paulo, manteve em parte o lançamento. Analisando o mérito entendeuse que o para o período autuado deveria ser excluído do lançamento a competência relativa ao mês de janeiro e ainda parte do mês de fevereiro, nos termos do art. 241, II da Instrução Normativa nº 971/2009. O restante do lançamento foi mantido por afronta ao art. 55, §1º da Lei nº 8.212/91 e neste ponto concluiu o relator: 5.39. Podese concluir que se após a decisão da 3ª Câmara/1º Turma, do CARF (Acórdão nº 2301003847, de 23/112013), que confirmou o cancelamento de isenção, todos os atributos do Ato Cancelatório de Isenção de Contribuições Sociais nº 21.404/0001/2006, que estavam suspensos, passaram a produzir efeitos, dentre eles a exigência das contribuições previdenciárias do período cancelado. E não é só, pois tendo em vista o disposto no art. 55 § 1º, da Lei 8.212/91, para o período posterior ao cancelamento, um outro efeito seria a necessidade da interessada efetuar novo pedido de isenção, ou melhor, para o período posterior à data de emissão do ato cancelatório (07/12/2006), em que o art. 55 da Lei 8.212/91 ainda vigorava, a impugnante para ter direito à isenção deveria ser detentora de novo ATO DECLARATÓRIO DE ISENÇÃO, expedido pelo órgão competente, nos termos do art. 208 do Decreto 3.048/99 (RPS). 5.40. Observase que a Impugnante, embora tenha perdido a sua isenção em 11/08/2006, em virtude do Ato Cancelatório de Isenção de Contribuições Previdenciárias nº 21.404/005/2006, não efetuou, após o referido cancelamento de isenção, nova requisição de isenção junto ao órgão competente (Receita Federal do Brasil), nos termos do disposto no parágrafo 1º, do artigo 55, da Lei nº 8.212/91. 5.41. Deve ser salientado que tal providência (requerimento de nova isenção) deveria ter sido tomada pela interessada, ora impugnante, mesmo com a interposição do Recurso Voluntário (PTnº 44023.000017/200759) contra o citado Ato Cancelatório, tendo em vista que após decisão definitiva do Conselho Fl. 701DF CARF MF 6 Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, favorável ao Fisco, como de fato ocorreu, os efeitos do cancelamento, até então suspensos, obviamente, retroagem à data do cancelamento. 5.42. Desta forma, de pronto, verificase que no período de 13/02/2009 a 29/11/2009, que corresponde a maior parte crédito tributário em discussão, a Impugnante, tendo em vista que foi confirmado, pelo CARF, o cancelamento de isenção, não faz jus ao benefício previsto no art. 195, § 7º, da Constituição Federal, pois não possui Ato Declaratório de Isenção, exigência prevista no art. 55, § 1º, da Lei 8.212/91, vigente no período, conforme acima demonstrado, razão pela qual deve ser mantido o crédito lançado, correspondente ao referido do período. Contribuinte apresentou Recurso Voluntário alegando que a decisão da DRJ na parte que manteve o crédito tributário usou de fundamentação não considerada pelo fiscal quando do lançamento. Destacou que os Autos de Infração foram fundamentados exclusivamente na existência do Ato Cancelatório de Isenção n.º 05/2006, objeto do PA n.º 44023.000017/200759, que à época da lavratura encontravase pendente de julgamento perante esse Conselho. Em momento algum a isenção foi negada por ausência de requerimento prévio junto ao INSS. A Fazenda Nacional fez juntar contrarrazões ao recurso do contribuinte pugnando pelo seu não provimento e, subsidiariamente, pela declaração de nulidade do lançamento por vício formal. Em tempo o contribuinte apresenta: 1) parecer jurídico da lavra do Professor Roque Antônio Carrazza (fls. 485/606), 2) petição de fls. 609/611 por meio da qual expõe e requer: 5. Ocorre que em 01/09/2015 o MM. Juiz da 6ª Vara Federal do Distrito Federal proferiu r. decisão na Medida Cautelar n.º 4993164.2015.4.01.3400 deferindo o pedido liminar para “SUSPENDER OS EFEITOS DO ATO CANCELATÓRIO DE ISENÇÃO”, ante o reconhecimento incidenter tantum da inconstitucionalidade formal da antiga redação do art. 55 da Lei n.º 55 da Lei 8.212/91 (doc. 01). 6. A decisão judicial encontrase em vigor e a recorrente aguarda o julgamento pelo referido MM. Juízo da ação principal (Autos n.º 005678222.2015.4.01.3400 – doc. 02). Caso seja mantido o entendimento adotado na r. decisão proferida na medida cautelar, permanecerá o reconhecimento da inconstitucionalidade do art. 55 da Lei n.º 8.212/91 e, via de consequência, do Ato Cancelatório de Isenção, o que afeta a presente autuação. 7. Sendo assim, estando suspensos os efeitos do Ato Cancelatório de Isenção no qual a SRFB se fundou para lavrar os autos de infração, o presente processo necessita permanecer sobrestado até o julgamento dos processos judiciais acima mencionados. 8. Também necessita ser levado em consideração pelo E. CARF que em 30/06/2016 o Exmo. Sr. Min. Marco Aurélio do E. STF proferiu r. decisão nos autos do RE n.º 566.622/RS determinando “A SUSPENSÃO DE TODOS OS PROCESSOS QUE QUESTIONEM O ARTIGO 55 DA LEI Nº 8.212/91”. O eminente Fl. 702DF CARF MF Processo nº 19515.722887/201261 Acórdão n.º 9202006.663 CSRFT2 Fl. 700 7 Ministro fundamentou sua determinação no art. 1.035, § 5º, do CPC em vigor, no sentido de que “Reconhecida a repercussão geral, o relator no Supremo Tribunal Federal determinará a suspensão do processamento de todos os processos pendentes, individuais ou coletivos, que versem sobre a questão e tramitem no território nacional”. ... DO PEDIDO 11. Ante o exposto, requer a RETIRADA DE PAUTA do presente processo, a fim de que sejam consideradas as informações ora apresentadas para sobrestar o presente processo até o julgamento da Ação Ordinária n.º 0056782 22.2015.4.01.3400 (ref. à Medida Cautelar n.º 49931 64.2015.4.01.3400) e do Recurso Extraordinário n.º 566.622/RS. Após o trâmite processual, a 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária negou provimento ao recurso de ofício e deu provimento ao recurso voluntário. O acórdão 2402 005.390 recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 30/11/2009 CONTRIBUIÇÕES PARA A SEGURIDADE SOCIAL. IMUNIDADE. ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. LANÇAMENTO. MOTIVAÇÃO. AFIRMAÇÃO DE CUMPRIMENTO DOS REQUISITOS LEGAIS. DECISÃO RECORRIDA. INOVAÇÃO. EXISTÊNCIA. 1. Deve ser cancelado o lançamento que, fundamentado em mero Ato Cancelatório de Isenção, afirma, peremptoriamente, que a contribuinte tem, sim, direito à isenção (imunidade), pois atende a todos os requisitos legais para tanto. 2. A DRJ inovou ao afirmar que o lançamento decorreu do fato de a contribuinte não ter efetuado novo pedido de isenção. Recursos de Oficio Negado e Voluntário Provido. Contra a decisão a Fazenda Nacional, interpôs recurso especial de divergência. Citando como paradigmas os acórdãos 3401002.842 e 10808.967 suscita divergência quanto ao entendimento do acórdão recorrido de anular o acórdão 1663.763 da 14ª Turma da DRJ/SPO e também o lançamento fiscal em razão da suposta inovação operada pelos julgadores da Delegacia de Julgamento. Intimado o Contribuinte apresentou contrarrazões. Pugna pelo não conhecimento da peça recursal por ausência de similitude fática entre os acórdãos paradigmas e recorrido e ainda em razão de haver fundamentos de mérito não atacados pela Recorrente e os quais, autonomamente, são suficientes para manter a decisão. No mérito, pugna pelo não provimento do recurso e faz menção ao encerramento do julgamento do RE 566.622, em sede de repercussão geral. Fl. 703DF CARF MF 8 É o relatório. Voto Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora Dos esclarecimentos: Antes de analisarmos o recurso se faz necessário tecer algumas considerações. Conforme mencionado no relatório, o contribuinte fez juntar aos autos petição e documentos de fls. 609/611, por meio da qual pediu a retirada de pauta do processo antes do julgamento do recurso voluntário. No referido documento é noticiado o ajuizamento de ação cautelar inominada e a concessão de liminar suspendendo o ato cancelatório de isenção nº 05/1996. Por meio de cópia da referida decisão é possível compreender a amplitude do objeto submetido à apreciação do Poder Judiciário: Vale destacar que o acórdão recorrido não se manifestou sobre a petição e as partes deixaram de apresentar recursos sobre essa suposta omissão. Assim, não cabe a este colegiado qualquer manifestação sobre o tema. Por fim, lembramos que a matéria do recurso se limita a definição acerca da nulidade de decisão que mantém lançamento com base em fundamentação não considerada pelo fiscal quando da lavratura do auto de infração. Aqui não iremos discutir acerca dos requisitos da imunidade previdenciária das entidades sem fins lucrativos ou mesmo acerca da constitucionalidade do art. 55 da Lei nº 8.212/91, inexistindo violação à determinação do STF de sobrestamento dos processos administrativos até o trânsito em julgado do RE 566.622/RS. Do conhecimento: Feitos os esclarecimentos iniciais e diante de pedido expresso na peça de contrarrazões, passo a análise do cumprimento dos requisitos formais para conhecimento do recurso interposto. A Fazenda Nacional se insurge contra a decisão proferida pela Turma a quo que entendeu que a DRJ inovou no lançamento, pois se utilizou de fundamentação não aventada pela fiscalização (necessidade de prévio requerimento de isenção, conforme § 1º do Fl. 704DF CARF MF Processo nº 19515.722887/201261 Acórdão n.º 9202006.663 CSRFT2 Fl. 701 9 art. 55 da Lei nº 8.212/91). Afirma que o acórdão recorrido entendeu que essa alteração extemporânea da motivação importaria em vedada mudança de critério jurídico e geraria a nulidade do lançamento. Citando como paradigmas os acórdãos 3401002.842 e 10808.967, a Recorrente assim delimitou a divergência: Na hipótese, o acórdão ora recorrido, apesar de ter entendido que a DRJ inovou o lançamento, na medida em que se utilizou de fundamentação não aventada pela fiscalização (necessidade de prévio requerimento de isenção, conforme § 1º do art. 55 da Lei nº 8.212/91), optou por reconhecer a nulidade da autuação, e não a nulidade da decisão recorrida: ... Os votos condutores desses paradigmas são claros quanto à necessidade de se declarar a nulidade de acórdão da DRJ que inova na motivação e fundamentação do lançamento: ... Portanto, a divergência diz respeito à interpretação e aplicação do art. 142 do CTN, bem como do art. 59, II, do Decreto nº 70.235/72. ... IV – Do pedido Diante do exposto, requer a União seja dado provimento ao recurso especial para que seja: (a) reconhecida a plena validade do lançamento; ou, então (a) anulada a decisão da DRJ e determinado o consequente retorno dos autos à primeira instância. Parece ter ocorrido um erro de premissa na afirmativa do Recorrente no sentido de ter o Colegiado a quo anulado o lançamento quando deveria ter anulado, apenas, a decisão da DRJ. Da leitura do inteiro teor do acórdão recorrido é possível compreender que o Conselheiro Relator além de reconhecer a nulidade da decisão da DRJ, também enfrentou o mérito, e neste aspecto entendeu por bem em dar provimento ao recurso voluntário para cancelar o lançamento haja vista que o próprio relatório fiscal foi enfático ao afirmar que o contribuinte cumpriu, em relação ao período lançado, todos os requisitos para o gozo da imunidade. Vejamos partes do voto que nos leva a essa conclusão: Portanto, e nos dizeres do novo relatório fiscal, o lançamento foi meramente preventivo de decadência, tendo em vista o julgamento, então pendente, do Ato Cancelatório de Isenção (ACI). Como se denota, a autoridade lançadora partiu do pressuposto jurídico de que o Ato Cancelatório tem efeitos prospectivos, pois, Fl. 705DF CARF MF 10 embora emitido no ano de 2006, teria consequências jurídicas para o período de apuração em referência (2009). Chama a atenção, de qualquer forma, a afirmação contida no novo relatório fiscal, de que a entidade tem sim direito à isenção, cumprindo todos os requisitos legais, inclusive aqueles do art. 55 da Lei 8.212/1991 e do art. 14 do CTN. A decisão recorrida, contudo, trazendo nova fundamentação para o lançamento, afirmou que a recorrente deveria ter formulado prévio pedido de isenção. Há uma óbvia diferença entre afirmar que o lançamento decorre do ACI e afirmar que o lançamento decorre do fato de que a contribuinte não a requereu. ... A fiscalização, entretanto, ao invés de apontar as ilegalidades praticadas pela autuada, atestou que ela cumpriu todos os requisitos para o gozo da imunidade, tendo efetuado mero lançamento preventivo de decadência, partindo do pressuposto de que o ACI teria efeitos futuros ... Ao afastar a imunidade com base noutro pressuposto, a DRJ identificou a ocorrência do fato gerador alicerçada em fatos distintos daqueles identificados pela autoridade autuante, fatos, inclusive, cujas consequências jurídicas e processuais são diferentes. A autoridade julgadora não tem competência para lançar, ex vi do art. 142 do CTN, segundo o qual o lançamento é da competência privativa da autoridade administrativa. De toda forma, não deve ser declarada apenas a nulidade da decisão recorrida, mas também do próprio lançamento. Isso porque, se a autoridade administrativa, a qual tinha o dever de demonstrar o descumprimento dos requisitos legais porventura descumpridos pela recorrente, afirmou que eles foram cumpridos, outra medida não se impõe, senão o cancelamento do próprio ato administrativo constitutivo do crédito. Portanto, tivemos declarada a nulidade da decisão da DRJ por alteração do critério jurídico do lançamento e ainda tivemos o cancelamento do próprio lançamento motivado pelo fato de a autoridade competente ter atestado o cumprimento dos requisito para o gozo da imunidade. Contra o segundo ponto (cancelamento do lançamento pela comprovação do cumprimento dos requisitos da imunidade) a Fazenda Nacional não apresentou qualquer contrariedade. Assim, somente teríamos reforma aproveitável à Recorrente se fosse possível conhecer de divergência cuja discussão central devolvesse à Câmara Superior tese semelhante ao seguinte raciocínio: ´devese anular uma decisão que mesmo decretando a nulidade do Fl. 706DF CARF MF Processo nº 19515.722887/201261 Acórdão n.º 9202006.663 CSRFT2 Fl. 702 11 acórdão recorrido analisou o mérito da lide e cancelou o lançamento´. E neste contexto, a Recorrente não logrou êxito em demonstrar a divergência. Analisando o acórdão paradigma nº 3401002.842, temos a conclusão no sentido de anular decisão da DRJ em razão da alteração do critério jurídico, e embora tenha havido a determinação do retorno dos autos, aquele Colegiado não enfrentou expressamente a problemática posta. No que tange ao segundo paradigma, acórdão nº 10808967, deixou a Fazenda Nacional de fazer uso da melhor técnica processual, isso porque, a demonstração da divergência foi feita com base no entendimento constante do voto vencido. Temos aqui uma curiosidade, o voto vencido é convergente com o entendimento do acórdão recorrido, pois superando a existência de nulidade na decisão de primeira instância o relator enfrentou o mérito do lançamento e concluiu pela sua improcedência. Por fim, vale destacar que não foi requerido no recurso a nulidade da decisão proferida pela Turma a quo. O que se pede é a nulidade da decisão da DRJ, o que já ocorreu, e o retorno dos autos para novo julgamento da primeira instância, o que se torna inóquo na medida em que já transitou em julgado o entendimento do relator pelo cancelamento do auto de infração em razão do cumprimento dos requisitos da imunidade. Além das argumentações acima expostas, ainda temos no presente caso a vedação expressa constante do art. 67, §4º do Anexo II do RICARF, o qual define que nos termos da Lei nº 9.784/99 não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que, na apreciação de matéria preliminar, decida pela anulação da decisão de 1ª (primeira) instância por vício na própria decisão. Eis o teor do citado dispositivo: Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à legislação tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. ... § 4º Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que, na apreciação de matéria preliminar, decida pela anulação da decisão de 1ª (primeira) instância por vício na própria decisão, nos termos da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999. Assim, diante do exposto, deixo de conhecer do Recurso Especial interposto. (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Fl. 707DF CARF MF 12 Fl. 708DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13962.000078/2002-78
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/1997 a 30/06/1997
MULTA DE OFÍCIO. LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. APLICAÇÃO. RETROATIVIDADE BENIGNA.
Tratando-se de ato não definitivamente julgado aplica-se retroativamente a lei nova quando mais favorável ao contribuinte que a lei vigente ao tempo do lançamento, excluindo a multa de ofício pelo fato de os débitos lançados terem sido declarados na respectiva DCTF.
Numero da decisão: 9303-006.544
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/1997 a 30/06/1997 MULTA DE OFÍCIO. LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. APLICAÇÃO. RETROATIVIDADE BENIGNA. Tratandose de ato não definitivamente julgado aplicase retroativamente a lei nova quando mais favorável ao contribuinte que a lei vigente ao tempo do lançamento, excluindo a multa de ofício pelo fato de os débitos lançados terem sido declarados na respectiva DCTF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto tempestivamente pela Fazenda Nacional contra o Acórdão nº 380301.919, de 01/09/2011, proferido pela 3ª Turma AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 96 2. 00 00 78 /2 00 2- 78 Fl. 266DF CARF MF Processo nº 13962.000078/200278 Acórdão n.º 9303006.544 CSRFT3 Fl. 267 2 Especial da 3ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, conforme ementa, transcrita na parte que interessa ao presente litígio: "ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/1997 a 30/06/1997 REVISÃO DE LANÇAMENTO. DOCUMENTOS JUNTADOS PELO FISCO. OMISSÃO DE INTIMAÇÃO DAS CONCLUSÕES DA AUTORIDADE LANÇADORA INFRAÇÃO AO PRINCÍPIO DO DEVIDO PROCESSO LEGAL. NULIDADE. Fere o princípio do devido processo legal a falta de intimação para que o sujeito passivo se manifeste sobre as conclusões e os novos documentos aportados aos autos pela autoridade lançadora, em procedimento de revisão de ofício do lançamento. Exigência jurídicoprocedimental, da qual não se pode desvincular, sob pena de anulação da decisão administrativa por preterição do direito de defesa e do contraditório." Cientificado do acórdão, o Delegado da Receita Federal do Brasil (RFB) em Blumenau/SC apresentou Embargos de Declaração, alegando inexatidões materiais. Os embargos foram analisados e acolhidos, com efeito infringente, para dar provimento parcial ao recurso voluntário do Contribuinte, para afastar a multa de ofício, nos termos do Acórdão nº 3803002.432 (formalizado incorretamente como 380324.432), de 14/02/2012, conforme ementas transcritas abaixo: "ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/1997 a 30/06/1997 ERRO POR LAPSO MANIFESTO. CORREÇÃO. PROVA CONSTANTE DOS AUTOS. OMISSÃO DE ANÁLISE. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Merece conhecimento com Embargos de Declaração a petição de correção de erro no decisum, que se omitiu em analisar documentos comprobatórios da intimação do sujeito passivo das conclusões da revisão de ofício do lançamento. ÔNUS DA PROVA. FATO MODIFICATIVO OU EXTINTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AUTUAÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao recorrente a prova dos fatos que tenha alegado. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/1997 a 30/06/1997 AUTO DE INFRAÇÃO. DÉBITOS DECLARADOS EM DCTF COMO COMPENSADOS COM CRÉDITOS JUDICIALMENTE RECONHECIDOS. Fl. 267DF CARF MF Processo nº 13962.000078/200278 Acórdão n.º 9303006.544 CSRFT3 Fl. 268 3 A não homologação das compensações informadas em DCTF justifica o lançamento de ofício dos débitos descobertos para a respectiva exigência, com os encargos legais cabíveis. MULTA APLICÁVEL NA COBRANÇA DE DÉBITOS DECLARADOS. Os débitos declarados em DCTF devem ser cobrados com multa de mora, ainda que objeto de lançamento de ofício." No recurso especial, a Fazenda Nacional insurge contra o cancelamento da multa de ofício, alegando, em síntese, que a sua exigência tem como fundamento a Lei nº 9.430/1996, art. 44, I, c/c o § 3º, I; o fundamento fático para seu lançamento é a falta de pagamento ou recolhimento; o fato de o contribuinte ter informado os valores em DCTF, não o exime da aplicação da penalidade, quando devidamente comprovado que não recolheu na integralidade o tributo devido. Por meio do despacho às fls. 224/227, o Presidente da Terceira Câmara da Terceira Seção admitiu o recurso especial da Fazenda Nacional. Intimado do acórdão recorrido, do recurso especial da Fazenda Nacional e do despacho de sua admissibilidade, o Contribuinte apresentou contrarrazões (fls. 246/251), requerendo o seu improvimento, alegando, em síntese, que tendo declarado os valores lançados e exigidos, a penalidade cabível é a multa de mora. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O recurso apresentado atende ao pressuposto de admissibilidade e deve ser conhecido. A matéria oposta nesta fase recursal restringese ao cancelamento da multa de ofício determinada pelo Colegiado da Câmara baixa, com a aplicação da retroatividade benigna das leis. O lançamento em discussão se refere ao PIS devido para as competências dos meses de janeiro a junho de 1997, cujas parcelas lançadas e exigidas foram devidamente declaradas nas respectivas DCTF. A multa de ofício teve como fundamento o art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430/1996, pelo fato de o Contribuinte não ter efetuado o pagamento ou recolhimento das parcelas da contribuição que foram lançadas e exigidas de ofício. O art. 18 da Lei nº 10.833/2003 assim dispõe sobre o lançamento de ofício, como no presente caso: "Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitar Fl. 268DF CARF MF Processo nº 13962.000078/200278 Acórdão n.º 9303006.544 CSRFT3 Fl. 269 4 seá à imposição de multa isolada sobre as diferenças apuradas decorrentes de compensação indevida e aplicarseá unicamente nas hipóteses de o crédito ou o débito não ser passível de compensação por expressa disposição legal, de o crédito ser de natureza não tributária, ou em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei no4.502, de 30 de novembro de 1964." Ora, segundo este dispositivo legal, a aplicação de penalidade no lançamento de valores declarados nas respectivas DCTF, em decorrência de compensação indevida, limitarseá à imposição de multa isolada e deverá ser aplicada unicamente nas hipóteses elencadas no art. 18 citado e transcrito acima. No presente caso aquela hipóteses não ocorreram. Assim, por força do princípio da retroatividade benigna, previsto no art. 106, II, "c", do CTN, a multa de ofício, exigida com fundamento no inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430/1996, deve ser exonerada. À luz do exposto, nego provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 269DF CARF MF
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Numero do processo: 13971.721087/2016-92
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 09 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jun 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2011, 2012, 2013
PROCEDIMENTO FISCAL. DECLARAÇÕES E/OU DEPOIMENTOS PRESTADOS À AUTORIDADE TRIBUTÁRIA. DIREITO AO SILÊNCIO. NÃO APLICÁVEL.
O direito ao silêncio, sob o pretexto de vedação à autoincriminação, não pode ser invocado no contexto do direito tributário para afastar a obrigação do contribuinte de prestar informações e/ou esclarecimentos às autoridades fiscais.
PROCEDIMENTO FISCAL. DEPOIMENTO E/OU DECLARAÇÕES. AUSÊNCIA DA PRESENÇA DO ADVOGADO. VALIDADE.
Sem prejuízo de valoração pela autoridade julgadora, é válido como prova o depoimento do fiscalizado ou a declaração prestada por um terceiro, tomado por termo e assinado pelo declarante, ainda que realizado sem a presença de advogado.
PROCEDIMENTO FISCAL. NATUREZA INQUISITÓRIA E INVESTIGATIVA. PERTINÊNCIA E NECESSIDADE DE PRODUÇÃO DE PROVA. AVALIAÇÃO DA FISCALIZAÇÃO.
O procedimento fiscal corresponde a uma fase pré-litigiosa, cuja natureza é inquisitória e investigativa. Compete à autoridade tributária responsável pela execução do procedimento, no primeiro momento, avaliar a pertinência e necessidade da produção de prova para formar a sua convicção acerca do cumprimento das obrigações tributárias pelo sujeito passivo.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS.
A presunção legal de omissão de rendimentos tributáveis, de que trata o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
Numero da decisão: 2401-005.502
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro e Matheus Soares Leite.
Nome do relator: CLEBERSON ALEX FRIESS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2011, 2012, 2013 PROCEDIMENTO FISCAL. DECLARAÇÕES E/OU DEPOIMENTOS PRESTADOS À AUTORIDADE TRIBUTÁRIA. DIREITO AO SILÊNCIO. NÃO APLICÁVEL. O direito ao silêncio, sob o pretexto de vedação à autoincriminação, não pode ser invocado no contexto do direito tributário para afastar a obrigação do contribuinte de prestar informações e/ou esclarecimentos às autoridades fiscais. PROCEDIMENTO FISCAL. DEPOIMENTO E/OU DECLARAÇÕES. AUSÊNCIA DA PRESENÇA DO ADVOGADO. VALIDADE. Sem prejuízo de valoração pela autoridade julgadora, é válido como prova o depoimento do fiscalizado ou a declaração prestada por um terceiro, tomado por termo e assinado pelo declarante, ainda que realizado sem a presença de advogado. PROCEDIMENTO FISCAL. NATUREZA INQUISITÓRIA E INVESTIGATIVA. PERTINÊNCIA E NECESSIDADE DE PRODUÇÃO DE PROVA. AVALIAÇÃO DA FISCALIZAÇÃO. O procedimento fiscal corresponde a uma fase pré-litigiosa, cuja natureza é inquisitória e investigativa. Compete à autoridade tributária responsável pela execução do procedimento, no primeiro momento, avaliar a pertinência e necessidade da produção de prova para formar a sua convicção acerca do cumprimento das obrigações tributárias pelo sujeito passivo. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A presunção legal de omissão de rendimentos tributáveis, de que trata o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
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DECLARAÇÕES E/OU DEPOIMENTOS PRESTADOS À AUTORIDADE TRIBUTÁRIA. DIREITO AO SILÊNCIO. NÃO APLICÁVEL. O direito ao silêncio, sob o pretexto de vedação à autoincriminação, não pode ser invocado no contexto do direito tributário para afastar a obrigação do contribuinte de prestar informações e/ou esclarecimentos às autoridades fiscais. PROCEDIMENTO FISCAL. DEPOIMENTO E/OU DECLARAÇÕES. AUSÊNCIA DA PRESENÇA DO ADVOGADO. VALIDADE. Sem prejuízo de valoração pela autoridade julgadora, é válido como prova o depoimento do fiscalizado ou a declaração prestada por um terceiro, tomado por termo e assinado pelo declarante, ainda que realizado sem a presença de advogado. PROCEDIMENTO FISCAL. NATUREZA INQUISITÓRIA E INVESTIGATIVA. PERTINÊNCIA E NECESSIDADE DE PRODUÇÃO DE PROVA. AVALIAÇÃO DA FISCALIZAÇÃO. O procedimento fiscal corresponde a uma fase prélitigiosa, cuja natureza é inquisitória e investigativa. Compete à autoridade tributária responsável pela execução do procedimento, no primeiro momento, avaliar a pertinência e necessidade da produção de prova para formar a sua convicção acerca do cumprimento das obrigações tributárias pelo sujeito passivo. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A presunção legal de omissão de rendimentos tributáveis, de que trata o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 72 10 87 /2 01 6- 92 Fl. 2254DF CARF MF Processo nº 13971.721087/201692 Acórdão n.º 2401005.502 S2C4T1 Fl. 2.255 2 mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, rejeitar as preliminares e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro e Matheus Soares Leite. Fl. 2255DF CARF MF Processo nº 13971.721087/201692 Acórdão n.º 2401005.502 S2C4T1 Fl. 2.256 3 Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto em face da decisão da 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande (DRJ/CGE), através do Acórdão nº 0441.606, de 28/09/2016, cujo dispositivo considerou improcedente a impugnação apresentada pelo contribuinte, mantendo o crédito tributário lançado pela fiscalização (fls. 2.120/2.129): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2012, 2013, 2014 NULIDADE. NÃO OCORRÊNCIA. Estando presentes todos os requisitos essenciais do auto de infração e inexistindo cerceamento de defesa, não há que se falar em sua nulidade. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM. NÃO COMPROVAÇÃO. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PRESUNÇÃO LEGAL. A Lei nº 9.430, de 1996, no art. 42, estabeleceu, para fatos ocorridos a partir de 01/01/1997, uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação eficaz, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. A Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, no seu art. 42, estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. IMPUGNAÇÃO. PROVA. No âmbito do processo administrativo as alegações apresentadas na impugnação devem ser devidamente comprovadas por documentos hábeis, sob pena de serem desconsideradas. Fl. 2256DF CARF MF Processo nº 13971.721087/201692 Acórdão n.º 2401005.502 S2C4T1 Fl. 2.257 4 SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. Estando comprovado o interesse comum na situação que constituiu o fato gerador da obrigação principal, é cabível a aplicação da sujeição passiva solidária, com fundamento no artigo 124, inciso I, da Lei nº 5.172/1966. Impugnação Improcedente 2. Extraise do Relatório Fiscal, acostado às fls. 19/93, que o processo administrativo é composto da exigência do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (IRPF), relativamente aos anoscalendário de 2011, 2012 e 2013, acrescido de juros de mora e multa de ofício qualificada de 150%, em virtude de omissão de rendimentos caracterizados por depósitos bancários de origem não comprovada. 2.1 Os fatos apurados dizem respeito à movimentação bancária na conta corrente nº 701 junto à Cooperativa Trentocredi, de Nova Trento (SC), mantida, em conjunto, pelo recorrente e sua esposa, Dalma Maria Voltolini. 2.2 Além dos titulares de fato e direito da conta bancária, a fiscalização considerou a existência de mais 2 (dois) cotitulares de fato: Hemerson Voltolini, filho de Fermino e Dalma Maria Voltolini, e o Auto Posto Voltolini Ltda, cujos sócios e administradores são Hermerson Voltolini e sua esposa. 2.3 Com relação aos créditos havidos em conta corrente, em que se deixou de comprovar a sua origem, mediante apresentação de documentação hábil e idônea, a fiscalização dividiu o montante, em partes iguais, equivalentes a 1/4 (um quarto), para os 4 (quatro) cotitulares, Fermino Voltolini, Dalma Maria Voltolini, Hermerson Voltolini e Auto Posto Voltolini Ltda, efetuando o lançamento como omissão de rendimentos da pessoa física ou, no caso da pessoa jurídica, omissão de receita. 2.4 Sobre o crédito tributário lançado, foi aplicada a multa qualificada no importe de 150%, nos termos do § 1º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. 2.5 A cônjuge do recorrente, Dalma Maria Voltolini, em razão do regime de bens adotado pelo casal, a comunhão universal, foi arrolada como responsável solidária relativamente aos créditos tributários constituídos, considerando a origem dos rendimentos omitidos como provenientes de bens comuns (art. 124, inciso I, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, que veicula o Código Tributário Nacional CTN). 3. O Auto de Infração encontrase juntado às fls. 03/17, enquanto a relação de depósitos não comprovados, por data e valor, compõe o Anexo 01 do Relatório Fiscal, observado a exclusão dos cheques depositados e devolvidos e dos créditos bancários expurgados, respectivamente, conforme Anexos 02 e 03 do Relatório Fiscal (fls. 94/163, 164/237 e 238). 4. A ciência da autuação se deu por via postal em 28/04/2016, tendo o contribuinte apresentado impugnação no prazo legal (fls. 1.951/1.953 e 1.956/1.992). Por sua vez, o devedor solidário também impugnou, na mesma data, o lançamento, com adesão à todas as razões de impugnação apresentadas por Fermino Voltolini, por questão de economia processual (fls. 2.086/2.087). Fl. 2257DF CARF MF Processo nº 13971.721087/201692 Acórdão n.º 2401005.502 S2C4T1 Fl. 2.258 5 5. Os sujeitos passivos foram intimados da decisão de piso, por via postal, em 05/10/2016 (fls. 2.131/2.133). O devedor principal apresentou recurso voluntário em 03/11/2016, em que repisa os argumentos de fato e direito da impugnação, a seguir resumidos (fls. 2.135/2.173): (i) há nulidade do lançamento, pois não houve advertência aos autuados que poderiam permanecer em silêncio, na oportunidade em que prestaram informações e esclarecimentos à fiscalização; (ii) há nulidade do lançamento, porque os autuados não estavam acompanhados de defensor quando interrogados pessoalmente pelas autoridades fiscais; (iii) há nulidade do lançamento, por cerceamento do direito de defesa, visto que o agente fiscal negou a produção de provas, mediante a oitiva de pessoas no interesse dos contribuintes fiscalizados; (iv) as provas colhidas durante os trabalhos de fiscalização não são conclusivas e evidentes a ponto de justificar o direcionamento dos créditos havidos na conta corrente como rendimentos/receitas, na proporção de 1/4 de toda movimentação para Hemerson Voltolini e de 1/4 para o Auto Posto Voltolini Ltda; (v) a esposa do recorrente, Dalma Maria Voltolini exercia de maneira informal, desde há tempos, a atividade de empréstimos financeiros (mútuos) e troca de cheques pré datados a diversas pessoas da cidade de Nova Trenta (SC), o que explica as movimentações na conta bancária para os anos calendário de 2011 a 2013; (vi) os registros existentes nos cadernos de notas da Sra. Dalma Maria Voltolini, preenchidos a mão, e as declarações de pessoas da comunidade, inclusive através de instrumentos públicos, constituemse em provas hábeis e idôneas para o fim de demonstrar a real situação da movimentação da conta corrente e justificar a origem dos depósitos; e (vii) adicionalmente, foi produzida prova pericial, na qual atestase que as anotações nos cadernos realmente têm origem do próprio punho da Sra. Dalma Voltolini e correspondem às datas ali mencionadas. É o relatório. Fl. 2258DF CARF MF Processo nº 13971.721087/201692 Acórdão n.º 2401005.502 S2C4T1 Fl. 2.259 6 Voto Conselheiro Cleberson Alex Friess Relator Juízo de admissibilidade 6. Uma vez realizado o juízo de validade do procedimento, verifico que estão satisfeitos os requisitos de admissibilidade do recurso voluntário e, por conseguinte, dele tomo conhecimento. Preliminares 7. Como alegação inicial, o contribuinte reafirma a nulidade do lançamento em decorrência da obtenção ilícita da prova, eis que (fls. 2.140, "ipsis litteris"): "(...) Os depoimentos de Dalma e de Hemerson Voltolini, na forma em que foram coletados junto aos auditores fiscais, sem a presença de advogado e sem a advertência de que poderiam permanecer calados, não pode ser rotulado, de maneira nenhuma, de prova válida. (...)" 8. Não lhe assiste razão. Em primeiro lugar, os fatos trazidos na impugnação e no recurso voluntário não destoam, ao contrário mantêm coerência com os depoimentos de Fermino Voltolini e Dalma Maria Voltolini (fls. 38/43 e 1.447/1.448). 9. Além disso, a autuação fiscal está escorada em presunção legal, decorrente da falta de comprovação, mediante documentação eficaz, da origem dos recursos creditados em conta corrente de titularidade do recorrente, mantida em conjunto com a sua esposa, após regularmente intimados. 10. No direito tributário, a relação jurídica está voltada ao cumprimento da obrigação de recolher o tributo (obrigação principal) e, no interesse da arrecadação e fiscalização, de observância de deveres instrumentais (obrigação acessória), o que não se confunde com a esfera penal. 11. A atividade vinculada da constituição do crédito tributário, por meio do lançamento do tributo e, se for o caso, da aplicação de penalidades, de acordo com o art. 142 do CTN, pressupõe a prerrogativa de fiscalização, que autoriza, por força do princípio da capacidade contributiva, a identificação do patrimônio, rendimentos e atividades econômicas do contribuinte (art. 145, § 1º, da Constituição da República de 1988). Fl. 2259DF CARF MF Processo nº 13971.721087/201692 Acórdão n.º 2401005.502 S2C4T1 Fl. 2.260 7 12. Para conferir efetividade ao caráter pessoal da tributação e respeito à capacidade contributiva do contribuinte, a legislação pátria determina um dever geral de cooperação com o Fisco, que compreende, entre tantos aspectos, a obrigação de prestar, quando intimado, as informações e os esclarecimentos exigidos pelas autoridades tributárias no exercício de suas funções. 13. Em que pese a alusão pelo acórdão recorrido aos arts. 927 e 928 do Regulamento do Imposto de Renda, veiculado pelo Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, abaixo copiados, os dispositivos não contêm normas de caráter infralegal, como faz supor o recurso voluntário, na medida em que organizam e reproduzem os preceitos de lei, compatíveis com a atual ordem constitucional: Art. 927. Todas as pessoas físicas ou jurídicas, contribuintes ou não, são obrigadas a prestar as informações e os esclarecimentos exigidos pelos AuditoresFiscais do Tesouro Nacional no exercício de suas funções, sendo as declarações tomadas por termo e assinadas pelo declarante (Lei nº 2.354, de 1954, art. 7º). Art. 928. Nenhuma pessoa física ou jurídica, contribuinte ou não, poderá eximirse de fornecer, nos prazos marcados, as informações ou esclarecimentos solicitados pelos órgãos da Secretaria da Receita Federal (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 123, DecretoLei nº 1.718, de 27 de novembro de 1979, art. 2º, e Lei nº 5.172, de 1966, art. 197). (...) (DESTAQUEI) 14. Há, inclusive, preceptivos de lei que estabelecem penalidades na hipótese de o sujeito passivo descumprir o seu dever de colaboração com o Fisco, a exemplo do agravamento da multa no § 2º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (...) § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Fl. 2260DF CARF MF Processo nº 13971.721087/201692 Acórdão n.º 2401005.502 S2C4T1 Fl. 2.261 8 § 2º Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1º deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I prestar esclarecimentos; (...) (DESTAQUEI) 15. Em suma, o direito ao silêncio, sob o pretexto da vedação à autoincriminação, ou seja, a produzir prova contra si mesmo, não pode ser invocado no contexto do direito tributário para afastar a obrigação do contribuinte de prestar informações e esclarecimentos à fiscalização. 16. Quanto à necessidade da presença de advogado durante os depoimentos dos autuados, na mesma linha de pensamento da decisão de piso, entendo que o processo administrativo tributário, quer na sua fase investigativa, quer na fase contenciosa, não exige, para fins de validade dos atos, a assistência de advogado, mesmo que para acompanhar a pessoa fiscalizada que presta depoimento ou o terceiro que fornece esclarecimentos à autoridade fiscal, quando tomados por termo e assinados pelo declarante. Tudo isso, evidentemente, sem prejuízo de valoração posterior da prova pela autoridade julgadora no âmbito do contencioso administrativo fiscal. 17. Por outro lado, não há nos autos qualquer indício ou mesmo notícia que não foi permitido o acompanhamento por advogado quando dos depoimentos ou declarações prestadas pelos fiscalizados e/ou terceiros. 18. Aponta o recorrente também a nulidade do processo administrativo por cerceamento de defesa, visto que o agente responsável pelo procedimento de fiscalização negou a produção de provas solicitadas pelos contribuintes, consistente na busca de informações junto a terceiros, bem como a requisição de dados à cooperativa de crédito, onde aberta a conta bancária, com a finalidade de aclarar a realidade e demonstrar a verdade da movimentação financeira. 19. Pois bem. O procedimento fiscal, que ocorre anteriormente à lavratura do auto de infração ou da notificação de débito, é uma fase meramente investigativa e inquisitória, onde colhemse elementos, analisamse documentos e informações e reúnemse provas para motivar um eventual ato de lançamento ou aplicação de penalidade. É uma etapa prélitigiosa, preparatória para a constituição do crédito tributário, em que não há litigante nem acusado, tão somente investigado. 20. O conflito de interesses só aparece posteriormente ao lançamento fiscal, caracterizandose pela resistência do contribuinte à pretensão do Fisco. É com a impugnação que se tem início à situação conflituosa. Em outras palavras, presente o caráter litigioso, estabelecese o processo administrativo em sentido estrito. Fl. 2261DF CARF MF Processo nº 13971.721087/201692 Acórdão n.º 2401005.502 S2C4T1 Fl. 2.262 9 21. Na fase procedimental, a fiscalização não está obrigada a informar o sujeito passivo acerca das investigações em curso, tampouco precisa oferecerlhe ampla oportunidade de manifestar e de apresentar justificativas sobre os fatos investigados, ou mesmo realizar as diligências requeridas pelo fiscalizado. 22. Compete à autoridade tributária responsável pela execução do procedimento avaliar a necessidade de esclarecimentos adicionais para formar a sua convicção acerca do cumprimento das obrigações tributárias pelo sujeito passivo. Em outras palavras, o juízo da pertinência e da necessidade da coleta de prova, cabe, no primeiro momento, à autoridade responsável pelo procedimento fiscal. 23. Após o lançamento, mediante a ciência da exigência fiscal, o sujeito passivo tem direito, propriamente, ao contraditório e à ampla defesa, nos termos estabelecidos no processo administrativo tributário. O direito ao contraditório e à ampla defesa é garantido pelo inciso LV do art. 5º da Carta da República de 1988 apenas aos litigantes em processo administrativo e judicial, bem como aos acusados em geral. 24. Instaurado o litígio, nada impede que o autuado solicite, em qualquer fase do contencioso administrativo tributário, a produção da prova, a qual será submetida à avaliação do julgador quanto à sua utilidade e/ou imprescindibilidade para a solução dos pontos controvertidos no processo em curso. 25. Dessa feita, cabe reconhecer o acerto da decisão de piso que concluiu, após a análise das preliminares, pela inexistência de vícios que levassem à decretação de nulidade do lançamento fiscal. Mérito 26. A autuação fiscal respaldase na aplicação da presunção legal do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, em que se considera omissão de rendimentos tributáveis quando o titular de conta bancária mantida junto à instituição financeira, após regularmente intimado, deixa de comprovar a origem dos recursos creditados: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. (...) § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. (...) Fl. 2262DF CARF MF Processo nº 13971.721087/201692 Acórdão n.º 2401005.502 S2C4T1 Fl. 2.263 10 26.1 Segundo o preceptivo legal, o ônus de comprovar a origem dos depósitos bancários recai sobre o titular ou cotitulares da conta, sob pena de presumirse rendimentos tributáveis omitidos. Tratase, como se vê, de presunção relativa passível de prova em contrário. 27. Com o advento da presunção do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, o agente lançador está dispensado de comprovar a existência de sinais exteriores de riqueza ou acréscimo patrimonial incompatível com os rendimentos declarados pelo contribuinte, tampouco há necessidade de mostrar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. 27.1 É o que diz, de forma sintética, o enunciado sumulado nº 26, deste Conselho Administrativo de Recurso Fiscais: Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. 28. Durante o procedimento fiscal, previamente à lavratura do auto de infração, o recorrente, nem os demais cotitulares, identificaram a origem dos depósitos bancários na conta corrente nº 701, assim entendida procedência e natureza, a ponto de obstar a aplicação da presunção legal do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996. 29. A fim de afastar a presunção legal, há a necessidade de se comprovar, como regra geral, cada depósito de forma individualizada, vedada a justificação de forma generalizada. É razoável haver uma simetria, na medida em que, para efeitos de determinação dos rendimentos omitidos, os créditos são analisados individualmente (art. 42, § 3º, da Lei nº 9.430, de 1996). 30. A linha de defesa do recorrente está centrada na utilização da movimentação bancária para depósito/compensação de cheques trocados com diversas pessoas da comunidade local, bem como decorrentes das operações de mútuo realizadas pela Sra. Dalma Maria Voltolini, esposa do recorrente. 30.1 Nesse sentido, alegase que as provas colhidas durante os trabalhos de fiscalização, em especial os depoimentos dos titulares da conta corrente e as respostas de boa parte das pessoas inquiridas pela fiscalização, confirmam a procedência e o motivo das movimentações, não se podendo considerar os créditos como rendimentos tributáveis. 30.2 Para fortalecer a realidade dos fatos que pretende fazer prevalecer no processo administrativo, o autuado juntou aos autos, quando da impugnação e do recurso voluntário, a seguinte documentação: (i) declarações assinadas com reconhecimento de firma por autenticidade emitidas por pessoas que realizaram operações de empréstimos e/ou troca de cheques (fls. 1.993/2.009); Fl. 2263DF CARF MF Processo nº 13971.721087/201692 Acórdão n.º 2401005.502 S2C4T1 Fl. 2.264 11 (ii) escrituras públicas de declaração, também de pessoas que efetuaram transações de empréstimos e/ou troca de cheques (fls. 2.174/2.223); (iii) imagens de 2 (dois) cadernos de anotações, tipo escolar, utilizados pela Sra. Dalma Maria Voltolini; um deles, para o registro da troca de cheques ou de operações de mútuo com as pessoas da comunidade de Nova Trento (SC); outro, para lançamento dos juros que auferia em cada mês (fls. 2.010/2.083); e (iv) laudo pericial, elaborado a partir da técnica denominada GRAFOSCOPIA, no qual o perito assegura que tais anotações nos cadernos são provenientes do próprio punho da Sra. Dalma Maria Voltolini e correspondem às datas ali mencionadas (fls. 2.095/2.118). 31. Verificase que o contribuinte, com a documentação apresentada, procurou demonstrar a existência de uma realidade de operações de empréstimos com pessoas de confiança e troca de cheques por meio de depósitos e fluxo de numerário na conta bancária, aparentando a pura verdade, contudo não tendo o condão de provar a origem dos depósitos relacionados pelo agente lançador. 32. Com efeito, não há qualquer vinculação entre as operações realizadas e os créditos em conta corrente, nos anos de 2011 a 2013, indicados pela fiscalização às fls. 94/163, através de correspondência entre datas e valores. Dadas as circunstâncias detectadas pelo agente lançador que permeiam as movimentações bancárias na conta corrente, exaustivamente narradas no Termo de Verificação Fiscal, a correlação com os ingressos em conta constituise em uma providência indispensável para permitir o afastamento da presunção legal de omissão de rendimentos. 33. De acordo com o apurado pelo agente fazendário, a conta bancária era usada não apenas pelos titulares de direito, mas simultaneamente para a movimentação de recursos destinados a Hemerson Voltolini, filho do casal, e ao Auto Posto Voltolini Ltda, administrado por Hemerson Voltolini e esposa. 33.1 Ao longo do período fiscalizado, por meio de saques "na boca do caixa" e compensações bancárias com recursos provenientes da conta nº 701, inúmeras transações tiveram como destino o pagamento de títulos emitidos contra Hemerson Voltolini e sua esposa, assim como títulos em nome do Auto Posto Voltolini Ltda (Anexo 04, às fls. 239/265). 33.2 Tal circunstância, comprovada pela autoridade lançadora, põe em dúvida a procedência dos recursos creditados em conta corrente, ao menos uma parte, haja vista a provável falta de vinculação integral dos depósitos com as atividades da Sra. Dalma Maria Voltolini. 34. A existência de um mecanismo de acerto entre o Auto Posto Voltolini Ltda e a Sra. Dalma Maria Voltolini, tendo em conta a facilidade de acesso aos recursos em dinheiro movimentados diariamente no posto de combustíveis, para fins das operações de troca de cheques prédatados, evitandose o deslocamento a agências bancárias, é alegação desprovida Fl. 2264DF CARF MF Processo nº 13971.721087/201692 Acórdão n.º 2401005.502 S2C4T1 Fl. 2.265 12 de qualquer evidência concreta, porque nenhuma das partes apresentou planilhas, anotações ou qualquer outro indício dotado de seriedade para comprovar que realmente havia o controle em separado de recursos e a divisão patrimonial/financeira para a identificação dos rendimentos auferidos pelos contribuintes. 35. As declarações, juntadas aos autos, evidenciam a cobrança de juros compensatórios nas operações de empréstimos ou de troca de cheques prédatados realizadas pela Sra. Dalma Maria Voltolini, se não em todos os negócios realizados, mas certamente em muitos deles (fls. 2.174/2.223). 35.1 Tal prática rotineira foi confirmada pelo recorrente, ao admitir que as anotações nos cadernos da Sra. Dalma Maria Voltolini são indicativas do recebimento a título de juros de um total de R$ 1.245.743,00, relativamente aos anoscalendário de 2011, 2012 e 2013 (fls. 2.172). 35.2 Além disso, embora a sua esposa estivesse a frente da atividade de empréstimos pactuados com juros e troca de cheques prédatados com deságio, não há dúvida que o Sr. Fermino Voltolini igualmente participava dos negócios do casal (por exemplo, item 123 do Relatório Fiscal, às fls. 61). 35.3 Ressalto também que não identifiquei, nos autos, que os rendimentos de juros foram oferecidos pelo recorrente, ou pela sua cônjuge, tempestivamente à tributação do imposto de renda. 36. Caso tivesse havido a comprovação de forma individualizada da origem dos depósitos no curso do procedimento fiscal, ou seja, antes da constituição do crédito tributário, com a demonstração dos juros incidentes nas operações, seria possível à fiscalização aprofundar a investigação para submeter os rendimentos financeiros auferidos pelo casal às normas específicas de tributação do imposto, na forma prevista no § 2º do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996. 37. Uma vez transposta a fase de autuação, sem a comprovação da origem dos depósitos bancários, a presunção do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, somente é elidida com a comprovação, inequívoca, de que os valores depositados não são tributáveis ou que já foram submetidos à tributação, sendo inviável, no presente caso, aceitar uma justificativa generalizada no que tange à procedência e natureza dos créditos bancários, como advoga a petição recursal, para afastar a incidência do imposto de renda sobre a integralidade dos depósitos discriminados na planilha fiscal. 38. Reconheço que o ônus probatório do recorrente, no caso dos autos, possui um certo grau de dificuldade, dado o volume de lançamentos em conta corrente. Porém, a situação desfavorável é resultado tão somente da conduta dos titulares de direito da conta bancária, que, ao que tudo indica, adotavam um acompanhamento rudimentar sobre os empréstimos e as trocas de cheques prédatados mediante deságio, além da falta de transparência no controle das operações realizadas entre pais, filho e pessoa jurídica, da qual o descendente é sócio e administrador, valendose da confiança e cumplicidade no âmbito familiar, consentindo na confusão financeira entre recursos próprios e de titularidade de terceiros. Fl. 2265DF CARF MF Processo nº 13971.721087/201692 Acórdão n.º 2401005.502 S2C4T1 Fl. 2.266 13 39. Por fim, quanto às alegações de que não há provas suficientes para justificar o direcionamento dos créditos havidos na conta corrente como rendimentos de Hemerson Voltolini e o Auto Posto Voltolini Ltda, na condição de cotitulares de fato, cuidase de matéria que não tem maior relevância para o presente processo. 40. Com efeito, a atribuição de cotitularidade da conta bancária pela fiscalização também a tais pessoas, imputando a divisão da movimentação de créditos pela quantidade de titulares, não trouxe prejuízo ao recorrente. Pelo contrário, acabou reduzindo o montante dos rendimentos que lhe cabe, porque adotado critério mais favorável do que a partilha apenas entre os dois titulares de fato e de direito. 41. O mérito do procedimento fiscal, com relação a Hemerson Voltolini e ao Auto Posto Voltolini Ltda, será devidamente avaliado, respectivamente, nos Processos nº 13971.721085/201601 e 13971.721088/201637, mencionados no Termo de Verificação Fiscal. 42. À vista dos motivos acima, cabe, portanto, negar provimento ao recurso voluntário. Conclusão Ante o exposto, CONHEÇO do recurso voluntário, REJEITO as preliminares e, no mérito, NEGOLHE PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Fl. 2266DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15504.726132/2013-94
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon May 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
DECADÊNCIA. CONTAGEM. INÍCIO. PAGAMENTO ANTECIPADO. INEXISTÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO.
Havendo pagamento antecipado das contribuições previdenciárias e não comprovada a existência de qualquer conduta dolosa, fraudulenta ou simulada, o início da contagem do prazo decadencial ocorre na data da ocorrência do fato gerador.
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. CONDIÇÕES. INSTRUMENTO PRÉVIO. REGRAS CLARAS E OBJETIVAS. INOBSERVÂNCIA. SALÁRIO-DE-CONTRIBUIÇÃO.
Os valores pagos a título de PLR em desconformidade com as exigências estabelecidas na legislação de regência, seja porque não estão suportados em instrumento de negociação prévio ao período de apuração do lucro/resultado a ser distribuído, seja pela carência de regras claras e objetivas quanto aos resultados/metas a serem alcançados, constituem salário-de-contribuição, base de cálculo para a contribuição previdenciária.
GRATIFICAÇÃO. PAGAMENTO EVENTUAL. NÃO INCIDÊNCIA.
Os valores pagos sem habitualidade e sem natureza contraprestacional não devem integrar o salário de contribuição para fins de cálculo da contribuição previdenciária.
SOLIDARIEDADE. GRUPO ECONÔMICO.
Não podem ser avaliados em via administrativa argumentos com os quais busca-se afastar a eficácia de norma legal em vigor (Enunciado nº 2 da Súmula CARF).
Numero da decisão: 2201-004.374
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, por voto de qualidade, após votações sucessivas, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para (i) reconhecer a decadência do crédito tributário relativo às competências compreendidas no período de 01 a 06/2008; (ii) afastar a exigência no que diz respeito à incidência da contribuição previdenciária sobre os pagamentos realizados como remuneração pelos serviços prestados por cooperados através de cooperativas de trabalho; (iii) determinar a exclusão da base de cálculo tributável dos valores relativos à "gratificação por liberalidade", da "gratificação anual" e "média da gratificação anual". Vencidos os Conselheiros Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Dione Jesabel Wasilewski (Relatora), Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, que deram provimento parcial ao recurso voluntário em menor extensão, por não concordarem com a proposta vencedora de exclusão da base de cálculo tributável dos valores relativos às rubrica "gratificação anual" e "média da gratificação anual". Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente e redator designado.
(assinado digitalmente)
Dione Jesabel Wasilewski - Relatora.
EDITADO EM: 23/04/2018
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: DIONE JESABEL WASILEWSKI
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 DECADÊNCIA. CONTAGEM. INÍCIO. PAGAMENTO ANTECIPADO. INEXISTÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. Havendo pagamento antecipado das contribuições previdenciárias e não comprovada a existência de qualquer conduta dolosa, fraudulenta ou simulada, o início da contagem do prazo decadencial ocorre na data da ocorrência do fato gerador. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. CONDIÇÕES. INSTRUMENTO PRÉVIO. REGRAS CLARAS E OBJETIVAS. INOBSERVÂNCIA. SALÁRIODECONTRIBUIÇÃO. Os valores pagos a título de PLR em desconformidade com as exigências estabelecidas na legislação de regência, seja porque não estão suportados em instrumento de negociação prévio ao período de apuração do lucro/resultado a ser distribuído, seja pela carência de regras claras e objetivas quanto aos resultados/metas a serem alcançados, constituem saláriodecontribuição, base de cálculo para a contribuição previdenciária. GRATIFICAÇÃO. PAGAMENTO EVENTUAL. NÃO INCIDÊNCIA. Os valores pagos sem habitualidade e sem natureza contraprestacional não devem integrar o salário de contribuição para fins de cálculo da contribuição previdenciária. SOLIDARIEDADE. GRUPO ECONÔMICO. Não podem ser avaliados em via administrativa argumentos com os quais buscase afastar a eficácia de norma legal em vigor (Enunciado nº 2 da Súmula CARF). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 72 61 32 /2 01 3- 94 Fl. 3335DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, por voto de qualidade, após votações sucessivas, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para (i) reconhecer a decadência do crédito tributário relativo às competências compreendidas no período de 01 a 06/2008; (ii) afastar a exigência no que diz respeito à incidência da contribuição previdenciária sobre os pagamentos realizados como remuneração pelos serviços prestados por cooperados através de cooperativas de trabalho; (iii) determinar a exclusão da base de cálculo tributável dos valores relativos à "gratificação por liberalidade", da "gratificação anual" e "média da gratificação anual". Vencidos os Conselheiros Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Dione Jesabel Wasilewski (Relatora), Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, que deram provimento parcial ao recurso voluntário em menor extensão, por não concordarem com a proposta vencedora de exclusão da base de cálculo tributável dos valores relativos às rubrica "gratificação anual" e "média da gratificação anual". Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente e redator designado. (assinado digitalmente) Dione Jesabel Wasilewski Relatora. EDITADO EM: 23/04/2018 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório Tratase de recursos voluntários apresentados pela contribuinte (fls. 3072/3134) e responsáveis solidárias (fls. 2956/2970) em face do Acórdão nº 1655.597, da 12ª Turma da DRJ/SP1 (fls. 2848/2927), que deu parcial provimento às impugnações formuladas ao auto de infração lavrado para constituição de créditos das contribuições previdenciárias correspondentes à parte patronal, inclusive a destinada ao financiamento de benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa resultantes dos riscos ambientais do trabalho GILRAT. O AI Debcad nº 37.397.3527, no valor total de R$ 20.650.241,95, referese às competências compreendidas no período de 01/2008 a 12/2008 e está composto pelos seguintes levantamentos: Fl. 3336DF CARF MF Processo nº 15504.726132/201394 Acórdão n.º 2201004.374 S2C2T1 Fl. 3.335 3 Portanto, a base de cálculo das contribuições exigidas nesse processo está composta por pagamentos realizados a empregados a título de participações nos lucros e resultados PLR, atribuições estatutárias e gratificações (levantamentos A1, A2, C1, D1 e D2); pagamentos de vantagem pessoal a diretor não empregado (levantamento B1) e pagamentos a cooperativas de trabalho (levantamentos F1 e F2). Benefícios Concedidos a Empregados (levantamentos A1/A2/C1/D1/D2) Em relação ao pagamento de gratificações e atribuições estatutárias, é informado, no relatório fiscal, que: 2.1.1.4 – Para que os benefícios concedidos pela empresa aos seus empregados, sob a forma de “gratificações” e “atribuição estatutária”, não se constituam em base de incidência de contribuições previdenciárias, urge que os mesmos sejam concedidos com observância de algumas regras, ou seja, sua concessão deve ser feita estritamente em conformidade com os textos legais retro citados. 2.1.1.4.1 – Da análise das folhas de pagamento, foi constatado que no período acima, a empresa pagou a seus empregados parcelas por conta de gratificação por liberalidade, gratificação anual e médias gratificação anual, de forma não eventual, conforme se verifica das planilhas Anexos XI e XII deste relatório, não se enquadrando, portanto, no disposto no inciso “V”, alínea “j” do § 9º do já citado artigo 214 do Decreto 3.048/99. 2.1.1.4.2 – Os Acordos Coletivos de Trabalho – 2008 / 2009 e 2009 / 2010, celebrados, por seus respectivos representantes legais, de um lado o SINDICATO DOS TRABALHADORES NAS INDÚSTRIAS METALÚRGICAS, MECÂNICAS E DE MATERIAL ELÉTRICO, MATERIAL ELETRÔNICO, DESENHOS/PROJETOS E INFORMÁTICA DE JOÃO MONLEVADE, RIO PIRACICABA, BELA VISTA DE MINAS E SÃO DOMINGOS DO PRATAMG e, de outro lado, a Arcelormittal Monlevade, por si e assistida pelo SINDICATO DAS INDÚSTRIAS METALÚRGICAS, MECÂNICAS E DE MATERIAL ELÉTRICO E ELETRÔNICO DE JOÃO MONLEVADEMG, de forma idêntica, ajustaram o pagamento da gratificação anual Fl. 3337DF CARF MF 4 e médias de gratificação anual em sua cláusula vigésima oitava, cujo texto reproduzimos a seguir: CLÁUSULA VIGÉSIMAOITAVA GRATIFICAÇÃO ANUAL A Arcelormittal Monlevade concederá a todos os seus empregados uma gratificação de 62,50% (sessenta e dois vírgula cinqüenta por cento) do saláriobasemês, a ser paga na forma e limites a seguir especificados: I) A gratificação será paga na data do pagamento do salário do mês do início das férias, caso seu término se dê até o 10º (décimo) dia do mês subseqüente, e será paga na data do pagamento do salário do mês de retorno das férias, caso seu término se dê após o 10º (décimo) dia do mês subseqüente ao do início das referidas férias; II) O saláriobasemês para o cálculo da referida gratificação será o do mês de início do gozo das férias, caso o retorno do empregado ao trabalho se dê até o 10º (décimo) dia do mês subseqüente, e será o do mês do término das férias, caso este se dê após o 10º (décimo) dia do mês subseqüente ao seu início; III) Caso as férias não sejam gozadas no transcurso do ano, a gratificação a que se refere esta cláusula será paga antecipadamente na folha de pagamento do mês de novembro, tendo como referência o saláriobase deste mês; IV) Serão computadas as faltas e adotados os mesmos critérios do cálculo do 13º salário. (grifamos) 2.1.1.4.2.1 – Os incisos II e IV da cláusula retro reproduzida deixa evidente que a concessão deste benefício está claramente vinculada ao salário do empregado, bem como aos fatores assiduidade ou absenteísmo e, a despeito do nome convencionado entre as partes para esta verba, sua natureza é salarial, e se constitui numa verdadeira remuneração adicional, paga anualmente e de forma contumaz (para alguns empregados em mais de uma parcela no ano). 2.1.1.4.3 – Dessa forma, concluise que a inclusão dessas verbas, de forma regular e ineventual, no contracheque de parte de seus empregados, não condiz com o disposto no inciso “V”, alínea ”j” do § 9º do artigo 214 do Decreto 3.048/99. Em relação ao pagamento de Participação nos Lucros e Resultados de que trata a Lei nº 10.101, de 2000, a fiscalização afirma que dentre os acordos apresentados nem todos trataram de PLR e os que o fizeram não contemplaram regras claras e objetivas quanto à fixação de metas e objetivos a serem alcançados, bem como que não foram apresentados acordos prévios de 2007, base para os pagamentos de 2008. Intimada a apresentar os acordos firmados nos termos da Lei nº 10.101, de 2000, a empresa teria apresentado apenas em relação a alguns estabelecimentos e teria também noticiado a existência de ação judicial na qual discute o recolhimento das contribuições previdenciárias sobre parcelas pagas aos seus empregados com base na Cláusula Décima do Acordo Coletivo de Trabalho, firmado com o Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e Material Elétrico de Belo Horizonte e Contagem. A fiscalização informa que o crédito tributário que é discutido nesse processo judicial está no processo nº 15504726.138.201361. Fl. 3338DF CARF MF Processo nº 15504.726132/201394 Acórdão n.º 2201004.374 S2C2T1 Fl. 3.336 5 Resumese abaixo a avaliação feita pela autoridade fiscal quanto a cada um dos acordos que foram apresentados: CNPJ: 17.469.701/000177 ACORDO COLETIVO, sem negociação de metas e indicadores, foi assinado em 30 de outubro de 2007, tendo como signatários Arcelormittal Brasil S.A. e o Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Metalúrgicas Mecânicas e de Material Elétrico de Belo Horizonte e Contagem, o valor concedido pela empresa em função da comparação entre o volume de vendas previsto e o realizado (fls. 918/927). Obs.: este acordo referese ao resultado obtido no anocalendário de 2007 (informação da relatora). CNPJ: 17.469.701/003273 ACORDO COLETIVO, tendo como período de apuração janeiro a outubro de 2008, foi assinado em 16 de outubro de 2008, tendo como signatários ARCELORMITTAL BRASIL – UNIDADE DE SABARÁ e o Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Metalúrgicas Mecânicas e de Material Elétrico de Sabará, estabelece um valor mínimo a ser pago de R$ 5.100,00 e máximo de R$ 5.495,00 (fls. 932/933). CNPJ: 17.469.701/003435 – TERMO DE ACORDO COLETIVO, tendo como período de apuração janeiro a novembro de 2008, foi assinado em 21 de novembro de 2008, tendo como signatários o Sindicato dos Trabalhadores nas Industrias Metalúrgicas, Mecânicas, Material Elétrico, Siderurgia e Fundição, Montadoras de Veículos, Auto Peças, Reparação de Veículos e Acessórios de Juiz de Fora, Matias Barbosa, Rio Novo, Rio Pomba, Santos Dumont, São João Nepomuceno, Bicas e Ewbanck Da Câmara, MG, e a Arcelormittal Brasil – Unidade de Juiz de Fora (fls. 972/973). CNPJ: 17.469.701/003869 – ACORDO DE PARTICIPAÇÃO DOS TRABALHADORES NOS LUCROS OU RESULTADOS DA EMPRESA, o período de apuração é janeiro a outubro de 2008, foi assinado em 30 de abril de 2008, tendo como signatários A ARCELORMITTAL BRASIL S/A e a Comissão de negociação de PLR, com participação Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Metalúrgicas Mecânicas e de Material Elétrico de Belo Horizonte e Contagem (fls. 2600/2603). CNPJ`s: 17.469.701/004326 e 17.469.701/004830 ACORDO COLETIVO DE TRABALHO, o período de apuração é janeiro a outubro de 2008, foi assinado em 27 de novembro de 2008, tendo como signatários ARCELORMITTAL BRASIL S/A – Unidade Arcelormittal São Paulo e Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Metalúrgicas Mecânicas e Material Elétrico de São Paulo, Mogi das Cruzes SP (fls. 974/975). CNPJ: 17.469.701/004911 ACORDO COLETIVO DE TRABALHO, o período de apuração é janeiro a outubro de 2008, foi assinado em 14 de novembro de 2008, para implementar o programa de participação nos lucros ou resultados da empresa (2008), tendo como signatários Fl. 3339DF CARF MF 6 ARCELORMITTAL BRASIL S/A, a Equipe de Empregados e o Sindicato dos Trabalhadores nas IndústriasMetalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico de Piracicaba, Rio das Pedras e Saltinho (fls. 934/936). CNPJ: 17.469.701/005306 ACORDO COLETIVO DE TRABALHO 2008/2009, o período de apuração é janeiro a outubro de 2008, foi assinado em 01 de outubro de 2008, tendo como signatários ARCELORMITTAL CARIACICA, e o Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico e Eletrônico no Estado do Espírito Santo – SINDIMETALES (fls. 976/984). CNPJ: 17.469.701/006612 ACORDO COLETIVO DE TRABALHO 2008/2009, o período de apuração é janeiro a outubro de 2008, foi assinado em 01 de outubro de 2008, tendo como signatários o Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e De Material Elétrico, Material Eletrônico, Desenhos / Projetos e Informática de João Monlevade, Rio Piracicaba, Bela Vista de Minas e São Domingos do PrataMG e, de Outro Lado, A Arcelormittal Monlevade, Por si e assistida pelo Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico e Eletrônico de João Monlevade –MG (fls. 985/989). Em relação a esses estabelecimentos, destaca ainda a autoridade fiscal: 2.1.1.5.2.1 (...) Ressaltese, entretanto, que em relação aos estabelecimentos identificados mais adiante, deixou de atender a intimação formalizada na alínea "c" do referido Termo de Intimação para Apresentação de Esclarecimentos TIAE nº 02, não comprovando, por estabelecimento, de maneira clara e analítica, o cumprimento dos objetivos traçados e a aferição das metas, locais e individuais, com detalhamento do cumprimento das metas estabelecidas em relação a cada indicador, com as respectivas ponderações, permitindo de forma conclusiva, avaliarmos se as condições previstas nos instrumentos de negociação foram satisfeitas, de modo a justificar os pagamentos verificados nos exercícios de 2008 e 2009. (grifouse) Portanto, no que diz respeito ao PLR, o lançamento foi justificado na ausência de pactuação prévia, inexistência de fixação de regras claras e objetivas e na falta de comprovação de aferição das informações pertinentes ao acordado. Cooperativas de trabalho Também houve lançamento relativo ao período 01/2008 a 12/2008 relativo às contribuições incidentes sobre pagamentos efetuados a cooperativas de trabalho não declarados em GFIP, cuja fundamentação legal é o art. 22, IV da Lei nº 8.212, de 1991. Quanto a essa matéria, não me aprofundarei no relatório porque ela se encontra prejudicada, conforme se verá na fundamentação. Contribuintes Individuais Fl. 3340DF CARF MF Processo nº 15504.726132/201394 Acórdão n.º 2201004.374 S2C2T1 Fl. 3.337 7 O levantamento B1 diz respeito à vantagem pessoal a diretor não empregado não declarado em GFIP e seria relativo à competência 04/2008. Os pagamentos seriam identificados como bônus e atribuição estatutária. Grupo econômico A fiscalização arrolou as seguintes empresas como componentes do grupo econômico para fins da responsabilidade solidária de que trata o art. 30, IX, da Lei nº 8.212, de 1991: EMPRESA CNPJ PARTICIPAÇÃO % TRANSPORTE DE PRODUTOS SIDERÚGICOS LTDA. 23.158.504/000130 99,00 ITAUNA SIDERÚRGICA LTDA. 04.005.928/000110 99,99 BMB BELGO MINEIRA BEKAERT ARTEFATOS DE ARAME LTDA. 18.786.988/000121 55,50 ARCELORMITTAL SISTEMAS S/A 25.549.361/000112 100 BELGO MINEIRA COMERCIAL EXPORTADORA S/A 17.633.108/000114 99,99 BELGO BEKAERT ARAMES LTDA 61.074.506/000130 55,00 ARCELORMITTAL TUBARÃO COMERCIAL S/A 27.251.974/000102 100,00 Foi também formalizado processo de Representação Fiscal para Fins Penais uma vez que teriam sido identificados "outros fatos que, "em tese", configuram crimes contra a Seguridade Social e contra a ordem tributária". As impugnações ao auto de infração foram analisadas pela 12ª Turma da DRJ/SP1, no Acórdão 1655.597, Sessão de 25 de fevereiro de 2014, que lhes deu parcial provimento apenas para retificar o valor lançado em virtude da identificação de uma duplicidade na base de cálculo. Esta decisão tem a seguinte ementa: CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. SERVIÇOS PRESTADOS POR SEGURADOS EMPREGADOS, CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS E COOPERADOS ATRAVÉS DE COOPERATIVA DE TRABALHO. OBRIGAÇÃO DO RECOLHIMENTO. A empresa é obrigada a recolher, nos prazos definidos em lei, as contribuições incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados empregados e contribuintes individuais a seu serviço, e quinze por cento sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio das cooperativas de trabalho. ARGÜIÇÃO DE NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Fl. 3341DF CARF MF 8 O Relatório Fiscal e os Anexos do Auto de Infração (AI), bem como os demais elementos constantes dos autos, oferecem as condições necessárias para que o contribuinte conheça o procedimento fiscal e apresente a sua defesa ao lançamento, estando discriminados, nestes, a situação fática constatada e os dispositivos legais que amparam a autuação. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. Com a declaração de inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n.º 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal (STF), por meio da Súmula Vinculante n.º 8, publicada no Diário Oficial da União em 20/06/2008, o lapso de tempo de que dispõe a Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) para constituir os créditos relativos às contribuições previdenciárias será regido pelo Código Tributário Nacional (CTN Lei n.º 5.172/66). O lançamento foi realizado no prazo qüinqüenal previsto no CTN, não havendo que se falar em decadência. SALÁRIODECONTRIBUIÇÃO. PARCELAS INTEGRANTES. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. “ATRIBUIÇÃO ESTATUTÁRIA”. “VANTAGEM PESSOAL DIRETOR NÃO EMPREGADO”. GRATIFICAÇÕES. Entendese por salário de contribuição a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma. Integra o saláriodecontribuição a parcela recebida pelo segurado empregado a título de participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada em desacordo com lei específica, bem como as parcelas pagas habitualmente, pela empresa, aos segurados que lhe prestam serviços, a título de gratificação. As rubricas pagas pela empresa aos administradores, sob a denominação “Atribuição Estatutária” e “Vantagem Pessoal Diretor Não Empregado” integram o salário de contribuição, base de incidência das contribuições sociais previdenciárias, uma vez que não estão incluídas nas hipóteses liberadas de tributação pela legislação previdenciária. Somente as exclusões arroladas exaustivamente no parágrafo 9º do artigo 28 da Lei n.º 8.212/91 não integram o saláriode contribuição. GRUPO ECONÔMICO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. No âmbito previdenciário, verificada a existência de um grupo econômico, o reconhecimento da responsabilidade solidária é impositivo de lei. RELATÓRIO DE VÍNCULOS. O Relatório de Vínculos não tem como escopo incluir os administradores da empresa no pólo passivo da obrigação tributária, mas sim listar todas as pessoas físicas e jurídicas de interesse da administração em razão de seu vínculo com o Fl. 3342DF CARF MF Processo nº 15504.726132/201394 Acórdão n.º 2201004.374 S2C2T1 Fl. 3.338 9 sujeito passivo, indicando sua qualificação e período de atuação, que, eventualmente, poderão ser responsabilizados na esfera judicial, nas hipóteses previstas em lei e após o devido processo legal. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. A emissão de Representação Fiscal para Fins Penais (RFFP) constitui dever funcional dos AuditoresFiscais, não cabendo no julgamento administrativo a apreciação do conteúdo desta peça, à qual será enviada às autoridades competentes em momento oportuno. LEGALIDADE. CONSTITUCIONALIDADE. A declaração de inconstitucionalidade de lei ou atos normativos federais, bem como de ilegalidade destes últimos, é prerrogativa outorgada pela Constituição Federal ao Poder Judiciário. PEDIDOS DE DILIGÊNCIA E PERÍCIA. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis. RETIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO. Procedida a retificação do lançamento, sendo excluídos do presente Auto de Infração os valores lançados em duplicidade, pela fiscalização. Pelo documento de fls. 2938, a contribuinte tomou ciência desta Decisão em 15/04/2014 e apresentou tempestivamente, em 15/05/2014, seu recurso voluntário (fls. 3072 3134). As responsáveis solidárias tiveram ciência em diferentes datas a partir de 15/04/2014 (fls. 29392951) e apresentaram em conjunto e tempestivamente seu recurso voluntário em 15/05/2014 (fls. 29562970). A empresa fiscalizada argumenta, em seu recurso voluntário, de forma bastante sintética, que: 1. O auto de infração que deu origem a este processo é vinculado a dois outros AI nº 37.397.3535 cota de terceiros e AI nº 51.041.0588 descumprimento de obrigação acessória, de forma que, preliminarmente, solicita que haja conexão dos feitos no âmbito da segunda instância; 2. Inexistência de sujeição passiva solidária: solicita a decretação da nulidade dos termos de sujeição passiva lavrados, pois não haveria previsão no CTN de pessoas solidariamente obrigadas que não possuam qualquer relação com a prática do fato imponível que ensejou a cobrança do tributo; 3. Não há justificativa para a atribuição de responsabilidade às pessoas arroladas no relatório de vínculos; Fl. 3343DF CARF MF 10 4. A Representação Fiscal para Fins Penais é nula em virtude da ausência de conduta típica; 5. Deve ser deferida a prova pericial requerida para demonstrar o enquadramento dos pagamentos realizados nos termos da legislação; 6. A autuação é nula porque os lançamentos relativos a períodos anteriores a novembro de 2008 deveriam ter sido alocados na autuação lavrada com exigibilidade suspensa, e os de novembro e dezembro de 2008 foram lançados em duplicidade com o lançamento constante do AI 37.397.3543; 7. A autuação é nula em relação às gratificações, vantagem pessoal e atribuição estatutária porque a fiscalização não explicitou os motivos da autuação; 8. O período anterior a julho de 2008 já foi atingido pela decadência, nos termos do art. 150, § 4º do CTN, posto que houve pagamento do tributo, embora inferior ao que o Fisco entende devido (cópia das GPS referentes ao período que teria decaído doc. 2); 9. O pagamento de PLR não pode sofrer incidência porque foi excluído da remuneração por comando constitucional autoaplicável, que não pode ser restringido pela Lei nº 10.101, de 2000; 10. O comandos da Lei nº 10.101, de 2000, são indutivos, mas não obrigatórios; 11. Pelo comandos da Lei nº 10.101, de 2000, basta que haja negociação coletiva e que dela resultem regras claras e objetivas, combinando de que forma e quando haverá liberação dos valores negociados; 12. Em relação ao acordo firmado em 30/10/2007 relativo à sede (pagamentos de janeiro a maio de 2008), não há obrigatoriedade de que do acordo conste metas, indicadores e índices de produtividade e, não obstante isso, foi demonstrado que esses elementos estão no plano de gestão adotado para os empregados não operacionais; 13. A alegação da fiscalização de que o plano de metas, resultados e prazos não foi pactuado previamente ao início do exercício, argumento que alcançaria o ACT2008 da sede e todos os ACTs das outras unidades, consiste em requisito que não tem respaldo na lei; 14. As glosas realizadas relativas a abril de 2008 a título de vantagens pessoais a diretores e pagamentos a título de atribuição estatutária aos diretores empregados da sede da empresa não contém qualquer motivação; 15. Os pagamentos de PLR a diretores, empregados ou não, têm como parâmetro de cálculo o programa de gestão (baseado na Lei nº 10.101, de 2000) e como limite a Lei nº 6.404, de 1976, portanto estão baseados em lei; 16. A fiscalização pleiteou contribuições incidentes sobre gratificações pagas pela recorrente a seus empregados, mas não fundamentou essa exigência; 17. O ACT firmado pela ArcelorMittal Joaõ Monlevade foi mencionado pela fiscalização, contudo há pagamentos efetuados por outras filiais e pela sede, isso prejudicaria seu direito de defesa, já que não consegue demonstrar que os abonos são legais se não ficar evidenciado o motivo da sua glosa; Fl. 3344DF CARF MF Processo nº 15504.726132/201394 Acórdão n.º 2201004.374 S2C2T1 Fl. 3.339 11 18. A fiscalização glosou três tipos distintos de gratificações: por liberalidade, anual e média da gratificação anual. A primeira é pagamento isolado, sem qualquer vinculação obrigatória e feito de maneira eventual, estando portanto ao amparo do art. 28, § 9º, e, 7º, da Lei nº 8.212, de 1991; 19. A gratificação anual é um abono pago com base em ACT e não integra a base de cálculo das contribuições previdenciárias; 20. A média da gratificação anual é mero ajuste da anterior; 21. As exigências relativas aos pagamentos efetuados a cooperativas de trabalho devem ser anuladas porque não especificam a base de incidência e porque padecem de inconstitucionalidade, conclusão a que chegou o próprio STF em julgamento submetido à sistemática do art. 543B do CPC/1973; As empresas componentes do grupo econômico, às quais foi atribuída responsabilidade solidária, também apresentaram tempestivamente em 15/05/2014 recurso voluntário, no qual se alega: 1. A nulidade da intimação feita às empresas solidárias, uma vez que a notificação da decisão de primeira instância só foi realizada em relação a cinco delas; 2. A atribuição de responsabilidade solidária não poderia se dar através de norma ordinária como a Lei nº 8.212, de 1991, sendo necessária a edição de lei complementar para tanto; 3. Não existe relação jurídica entre o fato gerador da obrigação tributária e as empresas enquadradas como solidariamente obrigadas, por isso não há interesse comum exigido pelo CTN; 4. A autuação já foi realizada em relação à Empresa Líder do suposto grupo econômico, que é a real detentora de capacidade econômica. Após a apresentação dos recursos, a empresa autuada voltou a peticionar para informar que uma das empresas listadas como coresponsáveis, a Arcelormittal Tubarão Comercial S.A. foi extinta por incorporação à Arcelormittal Brasil S.A. É o que havia para ser relatado. Voto Vencido Conselheira Relatora Dione Jesabel Wasilewski Relatora Os recursos apresentados preenchem os requisitos de admissibilidade e deles conheço. Preliminares Decadência Fl. 3345DF CARF MF 12 O lançamento diz respeitos às competências 01 a 12 de 2008 e dele tomou ciência o sujeito passivo em 02/07/2013 (fls. 3). Nesse caso, deve ser considerado inicialmente que o STF, através do enunciado nº 8 da Súmula Vinculante, considerou inconstitucionais o parágrafo único do art. 5º do DecretoLei nº 1.569, de 1977, e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212, de 1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Como conseqüência, foi afastado o prazo decenal para constituição dos créditos previdenciários e para terceiros, passando a matéria a ser regida pelos arts. 173, I, e 150, § 4º, do Código Tributário Nacional. Com respeito à forma de contagem de prazos relativos às contribuições sociais previdenciárias e às contribuições para terceiros, o Ministro da Fazenda aprovou, em 18 de agosto de 2008, o Parecer PGFN/CAT nº 1617/2008, que estabelece orientações a serem observadas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil e pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, em face da edição da Súmula Vinculante nº 8, nos seguintes termos: 49. (...) a) A Súmula Vinculante nº 8 não admite leitura que suscite interpretação restritiva, no sentido de não se aplicar efetivamente o prazo de decadência previsto no Código Tributário Nacional; é o regime de prazos do CTN que deve prevalecer, em desfavor de quaisquer outras orientações normativas, a exemplo das regras fulminadas; b) apresentada a declaração pelo contribuinte (GFIP ou DCTF, conforme o tributo) não há necessidade de lançamento pelo fisco do valor declarado, podendo ser lançado apenas a eventual diferença a maior não declarada (lançamento suplementar); c) na hipótese do subitem anterior, caso o Fisco tenha optado por lançar de ofício, por meio de NFLD, as diferenças declaradas e não pagas em sua totalidade, aplicase o prazo decadencial dos arts. 150, § 4º, ou 173 do CTN, conforme tenha havido antecipação de pagamento parcial ou não, respectivamente; o prazo prescricional, ainda, e por sua vez, contase da constituição definitiva do crédito tributário; d) para fins de cômputo do prazo de decadência, não tendo havido qualquer pagamento, aplicase a regra do art. 173, inc. I do CTN, pouco importando se houve ou não declaração, contandose o prazo do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; e) para fins de cômputo do prazo de decadência, tendo havido pagamento antecipado, aplicase a regra do § 4º do art. 150 do CTN; f) para fins de cômputo do prazo de decadência, todas as vezes que comprovadas as hipóteses de dolo, fraude e simulação deve se aplicar o modelo do inciso I, do art. 173, do CTN; (...) Portanto, dois fatores são fundamentais para determinar a regra a ser aplicada: a existência de pagamento antecipado e a comprovação de hipóteses de dolo, fraude e simulação. Fl. 3346DF CARF MF Processo nº 15504.726132/201394 Acórdão n.º 2201004.374 S2C2T1 Fl. 3.340 13 Na hipótese em análise, embora o relatório fiscal faça menção a "outros fatos que, "em tese", configuram crimes contra a Seguridade Social e contra a ordem tributária", o que teria justificado a formalização de representação fiscal para fins penais, esses fatos não foram relatados nesse processo e, por isso, não podem ser usados para fins de aplicação de um prazo desfavorável ao contribuinte. Devese registrar, ainda, que a multa de ofício foi lançada no percentual de 75%. Diante disso, havendo pagamento das contribuições previdenciárias relativas a esses períodos, ainda que parcial, a regra a ser aplicada será a do art. 150, § 4º do CTN. Nesse sentido, é de se destacar o enunciado nº 99 da Súmula do Carf: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Tendo isso em vista, e considerando a data em que houve ciência do auto de infração (02/07/2013), as competências compreendidas no período de 01 a 06 de 2008 poderiam estar fulminadas pela decadência caso tenham ocorrido pagamento de contribuição previdenciária relativa a elas. Considerando apenas esse período, vêse que o lançamento compreende: estabelecimento 17.469.701/000177: competências de 01 a 06/2008; estabelecimento 17.469.701/003273: competências 05 e 06/2008; estabelecimento 17.469.701/003435: competências 05 e 06/2008; estabelecimento 17.469.701/003869: competências 05 e 06/2008; estabelecimento 17.469.701/004326: competência 05/2008; estabelecimento 17.469.701/004830: competência 05/2008; estabelecimento 17.469.701/004911: competências 01, 02 e 05/2008; estabelecimento 17.469.701/005306: competências 02, 04 e 05/2008; estabelecimento 17.469.701/006612: competências de 01 a 06/2008. Às fls. 32313255 a recorrente juntou os comprovantes de GPS. Comparando os documentos juntados com os fatos geradores acima, vêse que ela conseguiu demonstrar ter recolhido a contribuição previdenciária em relação à grande maioria das competências. O que a recorrente não logrou comprovar foram os seguintes recolhimentos: Fl. 3347DF CARF MF 14 estabelecimento 17.469.701/003273: competência 06/2008; estabelecimento 17.469.701/005306: competência 02/2008; estabelecimento 17.469.701/006612: competência 03/2008. Ocorre, entretanto, que, analisandose o anexo IV do auto de infração, há registro de pagamentos: para o estabelecimento 17.469.701/005306, competência 02/2008, na página 39; para o estabelecimento 17.469.701/006612, competência 03/2008, na página 40; para o estabelecimento 17.469.701/003273, competência 06/2008, na página 44. A despeito do esforço empreendido nos parágrafos anteriores, é oportuno destacar que entendo caber à fiscalização alegar ausência de pagamento nas competências lançadas, de modo a justificar a aplicação da regra do art. 173, I, do CTN, fato de que não há registro nesse processo. Em conclusão, quanto à decadência, dou provimento ao recurso voluntário para excluir do lançamento os créditos tributários relativos às competências 01 a 06/2008, que já se encontravam fulminados pela decadência. Com isso, resta prejudicada a análise do tema "vantagem pessoal diretor não empregado", que se restringia à competência já atingida pela decadência. Conexão De acordo com a recorrente, o auto de infração que deu origem a este processo é vinculado a dois outros: AI nº 37.397.3535 cota de terceiros e AI nº 51.041.058 8 descumprimento de obrigação acessória, de forma que, preliminarmente, solicita que haja conexão dos feitos no âmbito da segunda instância. O AI nº 37.397.3535 deu origem ao processo 15504.726134/201383 e o AI nº 51.041.0588 deu origem ao processo 15504.726135/201328, ambos foram distribuídos a esta Relatora por conexão e serão julgados na mesma oportunidade em que o processo em análise. Sujeição passiva solidária Alega a recorrente a inexistência de sujeição passiva solidária das empresas que compõem o grupo econômico e a ausência de justificativa para a atribuição de responsabilidade às pessoas arroladas no relatório de vínculos. Quanto à primeira matéria, sujeição passiva solidária, está a defender em nome próprio direito alheio, para o que não está legitimada. A despeito disso, os argumentos de defesa relativos a essa matéria serão tratados mais adiante, quando se tratar das impugnações apresentadas por quem tem legitimidade e interesse para tanto: as responsáveis solidárias. No que tange ao arrolamento dos diretores e contadores no Relatório de Vínculos do Auto de Infração, cumpre mencionar que este relatório não tem como escopo incluir as pessoas nele identificadas no pólo passivo da obrigação tributária, mas sim relacionar as pessoas físicas ou jurídicas de interesse da administração em razão de seu vínculo com o sujeito passivo, representantes legais ou não, indicando o tipo de vínculo existente e o período de atuação correspondente. Fl. 3348DF CARF MF Processo nº 15504.726132/201394 Acórdão n.º 2201004.374 S2C2T1 Fl. 3.341 15 Não há, nesse momento, que se falar, em coresponsabilidade dos diretores e contadores pelo crédito constituído por meio deste AI. Representação Fiscal para Fins Penais Quanto a essa matéria, cumpre registrar que o relatório fiscal afirma que a representação tem por objeto fatos estranhos a este processo. Além disso, incide, na espécie, o seguinte enunciado com caráter vinculante: Súmula CARF nº 28 (VINCULANTE): O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. Prova pericial Cabe ao julgador avaliar a necessidade de prova pericial, o que não se verifica nesse processo, em que a recorrente procura suprir, através desse mecanismo, sua incapacidade em demonstrar os fatos que alega. Rejeito, portanto, o pedido de realização de perícia, por entender que o processo encontrase suficientemente instruído. Nulidades Quanto às alegações de nulidade, a primeira diz respeito à suposta ausência de fundamentação do auto de infração no que diz respeito às gratificações. Em uma análise perfunctória, entendo que o auto contém fundamentação suficiente quanto a essa matéria, uma vez que a autoridade fiscal logrou demonstrar a existência de pagamentos realizados pela empresa para os seus empregados em decorrência do contrato de trabalho e que a fiscalizada não teria, na visão da fiscalização, demonstrado que esses pagamentos correspondem a verbas excluídas do saláriodecontribuição. Assim, da maneira como vejo a distribuição do ônus probatório, entendo que cabe à fiscalização demonstrar a existência de pagamentos vinculados à relação de trabalho e à empresa demonstrar que esses pagamentos preenchem os requisitos legais para que sejam excluídas da base de cálculo das contribuições previdenciárias. É claro que, como garantida ao contraditório e à ampla defesa, também incumbe à fiscalização valorar as alegações e documentos apresentados pela fiscalizada e justificar quando são desconsiderados na autuação, mas esse esforço deve ser proporcional às informações prestadas e documentos fornecidos. Alegações genéricas são refutadas de forma também genérica, alegações específicas devem ser tratadas com o mesmo grau de profundidade. Analisandose os esclarecimentos que foram prestados pela empresa (fls. 1221/1245), penso que não há desproporção entre eles e os fundamentos adotados pelo auto de infração. As duplicidades apontadas em relação à competência 12/2008 foram corrigidas pela decisão da DRJ e não são suficientes para macular o auto de infração. No que diz respeito às rescisões juntadas como doc. 7 da impugnação, vejo que apenas duas delas se referem ao segundo semestre de 2008 (Rubens Pereira de Araújo e Fl. 3349DF CARF MF 16 Vilma Menezes Furutami), período cuja decadência não foi reconhecida. Em relação a esses pagamentos, caberia à recorrente demonstrar que os valores lançados estavam com a exigibilidade suspensa, através dos demonstrativos de cálculo que evidenciassem sua vinculação com a matéria em discussão no processo judicial. Entretanto, não se desincumbiu desse ônus. Por isso, não identifico elementos no processo que me permitam afirmar que há suspensão da exigibilidade em relação à contribuição previdenciária lançada sobre ambos os pagamentos de PLR. Rejeito as alegações de nulidade. Mérito Participação nos lucros e resultados Para avaliar se os pagamentos realizados a título de participação nos lucros e resultados preenchem os requisitos legais para que sejam considerados como PLR nos termos prescritos pela Lei nº 10.101, de 2000, e, por isso, possam ser excluídos do conceito de salário decontribuição para fins de incidência das contribuições previdenciárias, tomo a liberdade de transcrever trecho do voto proferido pelo Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira, que estabelece as balizas para a correta análise dos fatos trazidos à colação nesse processo: Como regra geral, as contribuições previdenciárias têm por base de cálculo a remuneração percebida pela pessoa física pelo exercício do trabalho. É dizer: toda pessoa física que trabalha e recebe remuneração decorrente desse labor é segurado obrigatório da previdência social e dela contribuinte, em face do caráter contributivo e da compulsoriedade do sistema previdenciário pátrio. De tal assertiva, decorre que a base de cálculo da contribuição previdenciária é a remuneração percebida pelo segurado obrigatório em decorrência de seu trabalho. Nesse sentido caminha a doutrina. Eduardo Newman de Mattera Gomes e Karina Alessandra de Mattera Gomes (Delimitação Constitucional da base de cálculo das contribuições sociais previdenciárias ‘in’ I Prêmio CARF de Monografias em Direito Tributário 2010, Brasília: Edições Valentim, 2011. p. 483.), entendem que: “...não se deve descurar que, nos estritos termos previstos no art. 22, inciso I, da Lei nº 8.212/91, apenas as verbas remuneratórias, ou seja, aquelas destinadas a retribuir o trabalho, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo disponibilizado ao empregador, é que ensejam a incidência da contribuição previdenciária em análise” (grifos originais) Academicamente (OLIVEIRA, Carlos Henrique de. Contribuições Previdenciárias e Tributação na Saúde ‘in’ HARET, Florence; MENDES, Guilherme Adolfo. Tributação da Saúde, Ribeirão Preto: Edições Altai, 2013. p. 234.), já tivemos oportunidade de nos manifestar no mesmo sentido quando analisávamos o artigo 214, inciso I do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, que trata do salário de contribuição: “O dispositivo regulamentar acima transcrito, quando bem interpretado, já delimita o salário de contribuição de maneira definitiva, ao prescrever que é composto pela totalidade dos rendimentos pagos como retribuição do trabalho. É dizer: a base de cálculo do fato gerador tributário previdenciário, ou seja, o trabalho remunerado do empregado, é o total da sua remuneração pelo seu labor” (grifos originais) Fl. 3350DF CARF MF Processo nº 15504.726132/201394 Acórdão n.º 2201004.374 S2C2T1 Fl. 3.342 17 O final da dessa última frase ajudanos a construir o conceito que entendemos atual de remuneração. A doutrina clássica, apoiada no texto legal, define remuneração como sendo a contraprestação pelo trabalho, apresentando o que entendemos ser o conceito aplicável à origem do direito do trabalho, quando o sinalagma da relação de trabalho era totalmente aplicável, pois, nos primórdios do emprego, só havia salário se houvesse trabalho. Com a evolução dos direitos laborais, surge o dever de pagamento de salários não só como decorrência do trabalho prestado, mas também quando o empregado "está de braços cruzados à espera da matériaprima, que se atrasou, ou do próximo cliente, que tarda em chegar", como recorda Homero Batista (Homero Mateus Batista da Silva. Curso de Direito do Trabalho Aplicado, vol 5: Livro da Remuneração.Rio de Janeiro, Elsevier. 2009. pg. 7). O dever de o empregador pagar pelo tempo à disposição, ainda segundo Homero, decorre da própria assunção do risco da atividade econômica, que é inerente ao empregador. Ainda assim, cabe o recebimento de salários em outras situações. Numa terceira fase do direito do trabalho, a lei passa a impor o recebimento do trabalho em situações em que não há prestação de serviços e nem mesmo o empregado se encontra ao dispor do empregador. São as situações contempladas pelos casos de interrupção do contrato de trabalho, como, por exemplo, nas férias e nos descansos semanais. Há efetiva responsabilização do empregador, quando ao dever de remunerar, nos casos em que, sem culpa do empregado e normalmente como decorrência de necessidade de preservação da saúde física e mental do trabalhador, ou para cumprimento de obrigação civil, não existe trabalho. Assim, temos salários como contraprestação, pelo tempo à disposição e por força de dispositivos legais. Não obstante, outras situações há em que seja necessário o pagamento de salários A convenção entre as partes pode atribuir ao empregador o dever de pagar determinadas quantias, que, pela repetição ou pela expectativa criada pelo empregado em recebêlas, assumem natureza salarial. Típico é o caso de uma gratificação paga quando do cumprimento de determinado ajuste, que se repete ao longo dos anos, assim, inserese no contrato de trabalho como dever do empregador, ou determinado acréscimo salarial, pago por liberalidade, ou quando habitual. Nesse sentido, entendemos ter a verba natureza remuneratória quando presentes o caráter contraprestacional, o pagamento pelo tempo à disposição do empregador, haver interrupção do contrato de trabalho, ou dever legal ou contratual do pagamento. Assentados no entendimento sobre a base de cálculo das contribuições previdenciárias, vejamos agora qual a natureza jurídica da verba paga como participação nos lucros e resultados. O artigo 7º da Carta da República, versando sobre os direitos dos trabalhadores, estabelece: Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: (...) XI – participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei; Fl. 3351DF CARF MF 18 De plano, é forçoso observar que os lucros e resultados decorrem do atingimento eficaz do desiderato social da empresa, ou seja, tanto o lucro como qualquer outro resultado pretendido pela empresa necessariamente só pode ser alcançado quando todos os meios e métodos reunidos em prol do objetivo social da pessoa jurídica foram empregados e geridos com competência, sendo que entre esses estão, sem sombra, os recursos humanos. Nesse sentido, encontramos de maneira cristalina que a obtenção dos resultados pretendidos e do conseqüente lucro foi objeto do esforço do trabalhador e portanto, a retribuição ofertada pelo empregador decorre dos serviços prestados por esse trabalhador, com nítida contraprestação, ou seja, com natureza remuneratória. Esse mesmo raciocínio embasa a tributação das verbas pagas a título de prêmios ou gratificações vinculadas ao desempenho do trabalhador, consoante a disposição do artigo 57, inciso I, da Instrução Normativa RFB nº 971, de 2009, explicitada em Solução de Consulta formulada junto à 5ªRF (SC nº 28 – SRRF05/Disit), assim ementada: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias PRÊMIOS DE INCENTIVO. SALÁRIODECONTRIBUIÇÃO. Os prêmios de incentivo decorrentes do trabalho prestado e pagos aos funcionários que cumpram condições préestabelecidas integram a base de cálculo das contribuições previdenciárias e do PIS incidente sobre a folha de salários. Dispositivos Legais: Constituição Federal, de 1988, art. 195, I, a; CLT art. 457, §1º; Lei nº 8.212, de 1991, art. 28, I, III e §9º; Decreto nº 3.048, de 1999, art. 214, §10; Decreto nº 4.524, de 2002, arts. 2º, 9º e 50. (grifamos) Porém, não só a Carta Fundamental como também a Lei nº 10.101, de 2000, que disciplinou a Participação nos Lucros e Resultados (PLR), textualmente em seu artigo 3º determinam que a verba paga a título de participação, disciplinada na forma do artigo 2º da Lei, “não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade” o que afasta peremptoriamente a natureza salarial da mencionada verba. Ora, analisemos as inferências até aqui construídas. De um lado, concluímos que as verbas pagas como obtenção de metas alcançadas tem nítido caráter remuneratório uma vez que decorrem da prestação pessoal de serviços por parte dos empregados da empresa. Por outro, vimos que a Constituição e Lei que instituiu a PLR afastam – textualmente – o caráter remuneratório da mesma, no que foi seguida pela Lei de Custeio da Previdência Social, Lei nº 8.212, de 1991, que na alínea ‘j’ do inciso 9 do parágrafo 1º do artigo 28, assevera que não integra o salário de contribuição a parcela paga a título de “participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica” A legislação e a doutrina tributária bem conhecem essa situação. Para uns, verdadeira imunidade pois prevista na Norma Ápice, para outros isenção, reconhecendo ser a forma pela qual a lei de caráter tributário, como é o caso da Lei de Custeio, afasta determinada situação fática da exação. Não entendo ser o comando constitucional uma imunidade, posto que esta é definida pela doutrina como sendo um limite dirigido ao legislador competente. Fl. 3352DF CARF MF Processo nº 15504.726132/201394 Acórdão n.º 2201004.374 S2C2T1 Fl. 3.343 19 Tácio Lacerda Gama (Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico, Ed. Quartier Latin, pg. 167), explica: "As imunidades são enunciados constitucionais que integram a norma de competência tributária, restringindo a possibilidade de criar tributos" Ao recordar o comando esculpido no artigo 7º, inciso XI da Carta da República não observo um comando que limite a competência do legislador ordinário, ao reverso, vejo a criação de um direito dos trabalhadores limitado por lei. Superando a controvérsia doutrinária e assumindo o caráter isentivo em face da expressa disposição da Lei de Custeio da Previdência, mister algumas considerações. Nesse sentido, Luis Eduardo Schoueri (Direito Tributário 3ªed. São Paulo: Ed Saraiva. 2013. p.649), citando Jose Souto Maior Borges, diz que a isenção é uma hipótese de não incidência legalmente qualificada. Nesse sentido, devemos atentar para o alerta do professor titular da Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, que recorda que a isenção é vista pelo Código Tributário Nacional como uma exceção, uma vez que a regra é que: da incidência, surja o dever de pagar o tributo. Tal situação, nos obriga a lembrar que as regras excepcionais devem ser interpretadas restritivamente. Paulo de Barros Carvalho, coerente com sua posição sobre a influência da lógica semântica sobre o estudo do direito aliada a necessária aplicação da lógica jurídica, ensina que as normas de isenção são regras de estrutura e não regras de comportamento, ou seja, essas se dirigem diretamente à conduta das pessoas, enquanto aquelas, as de estrutura, prescrevem o relacionamento que as normas de conduta devem manter entre si, incluindo a própria expulsão dessas regras do sistema (abrogação). Por ser regra de estrutura a norma de isenção “introduz modificações no âmbito da regra matriz de incidência tributária, esta sim, norma de conduta” (CARVALHO, Paulo de Barros. Curso de Direito Tributário. 25ª ed. São Paulo: Ed. Saraiva, 2013. p. 450), modificações estas que fulminam algum aspecto da hipótese de incidência, ou seja, um dos elementos do antecedente normativo (critérios material, espacial ou temporal), ou do conseqüente (critérios pessoal ou quantitativo). Podemos entender, pelas lições de Paulo de Barros, que a norma isentiva é uma escolha da pessoa política competente para a imposição tributária que repercute na própria existência da obrigação tributária principal uma vez que ela, como dito por escolha do poder tributante competente, deixa de existir. Tal constatação pode, por outros critérios jurídicos, ser obtida ao se analisar o Código Tributário Nacional, que em seu artigo 175 trata a isenção como forma de extinção do crédito tributário. Voltando uma vez mais às lições do Professor Barros Carvalho, e observando a exata dicção da Lei de Custeio da Previdência Social, encontraremos a exigência de que a verba paga a título de participação nos lucros e resultados “quando paga ou creditada de acordo com lei específica” não integra o salário de contribuição, ou seja, a base de cálculo da exação previdenciária. Ora, por ser uma regra de estrutura, portanto condicionante da norma de conduta, para que essa norma atinja sua finalidade, ou seja impedir a exação, a exigência constante de seu antecedente lógico – que a verba seja paga em concordância com a lei que regula a PLR – deve ser totalmente cumprida. Fl. 3353DF CARF MF 20 Objetivando que tal determinação seja fielmente cumprida, ao tratar das formas de interpretação da legislação tributária, o Código Tributário Nacional em seu artigo 111 preceitua que se interprete literalmente as normas de tratem de outorga de isenção, como no caso em comento. Importante ressaltar, como nos ensina André Franco Montoro, no clássico Introdução à Ciência do Direito (24ªed., Ed. Revista dos Tribunais, p. 373), que a: “interpretação literal ou filológica, é a que toma por base o significado das palavras da lei e sua função gramatical. (...). É sem dúvida o primeiro passo a dar na interpretação de um texto. Mas, por si só é insuficiente, porque não considera a unidade que constitui o ordenamento jurídico e sua adequação à realidade social. É necessário, por isso, colocar seus resultados em confronto com outras espécies de interpretação”. (grifos nossos) Nesse diapasão, nos vemos obrigados a entender que a verba paga à título de PLR não integrará a base de cálculo das contribuições sociais previdenciárias se tal verba for paga com total e integral respeito à Lei nº 10.101, de 2000, que dispõe sobre o instituto de participação do trabalhador no resultado da empresa previsto na Constituição Federal. Isso porque: i) o pagamento de verba que esteja relacionada com o resultado da empresa tem inegável cunho remuneratório em face de nítida contraprestação que há entre o fruto do trabalho da pessoa física e a o motivo ensejador do pagamento, ou seja, o alcance de determinada meta; ii) para afastar essa imposição tributária a lei tributária isentiva exige o cumprimento de requisitos específicos dispostos na norma que disciplina o favor constitucional. Logo, imprescindível o cumprimento dos requisitos da Lei nº 10.101 para que o valor pago a título de PLR não integre o salário de contribuição do trabalhador. Vejamos quais esses requisitos. Dispõe textualmente a Lei nº 10.101/00: Art. 2o A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão paritária escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. § 1o Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. § 2o O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. ... Art. 3º ... Fl. 3354DF CARF MF Processo nº 15504.726132/201394 Acórdão n.º 2201004.374 S2C2T1 Fl. 3.344 21 (...) § 2o É vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em mais de 2 (duas) vezes no mesmo ano civil e em periodicidade inferior a 1 (um) trimestre civil. (grifamos) Da transcrição legal podemos deduzir que a Lei da PLR condiciona, como condição de validade do pagamento: i) a existência de negociação prévia sobre a participação; ii) a participação do sindicato em comissão paritária escolhida pelas partes para a determinação das metas ou resultados a serem alcançados ou que isso seja determinado por convenção ou acordo coletivo; iii) o impedimento de que tais metas ou resultados se relacionem à saúde ou segurança no trabalho; iv) que dos instrumentos finais obtidos constem regras claras e objetivas, inclusive com mecanismos de aferição, sobre os resultados a serem alcançados e a fixação dos direitos dos trabalhadores; v) a vedação expressa do pagamento em mais de duas parcelas ou com intervalo entre elas menor que um trimestre civil. Com as premissas estabelecidas no texto transcrito, resta evidenciado que estão superados os argumentos da empresa autuada quando afirma que a regra constitucional é autoaplicável e que os comandos da Lei nº 10.101, de 2000, não teriam natureza cogente. Registrese ainda que, a partir da idéia de que a regra constitucional estabelece uma isenção e que o direito à fruição desse benefício fiscal estaria condicionado ao atendimento de todos os critérios estabelecidos em lei, basta que o programa de PLR tenha deixado de atender a um desses critérios para que os pagamentos feitos ao seu amparo sejam considerados como parcelas sujeitas à incidência previdenciária. Isto posto, controvertese no processo em questão se foram atendidas as exigências legais quanto: à existência de negociação prévia sobre a participação; a existência de regras claras e objetivas, tal como estabelecido pela legislação de regência. Além disso, argumenta a fiscalização que a empresa não logrou demonstrar como chegou aos valores efetivamente pagos aos trabalhadores, de modo a evidenciar sua vinculação com metas e critérios préestabelecidos. Existência de negociação prévia sobre a participação Quanto a essa matéria, há divergência na jurisprudência deste Conselho a respeito da necessidade ou não do ajuste ser prévio ao período de obtenção do lucro a ser distribuído, havendo quem defenda que basta ser anterior ao pagamento. Contudo, filiome à corrente que entende que a conclusão do acordo deve anteceder ao período de referência, pois essa é uma decorrência lógica da finalidade para a qual o benefício é instituído. O benefício fiscal, nesse caso, é instrumento para estimular as empresas a adotarem programas de participação nos lucros e resultados, e estes, por sua vez, visam promover a integração entre capital e trabalho, estabelecendo estímulos ao trabalhador através das metas a serem alcançadas e da premiação delas decorrentes. Nesse aspecto, não me sensibilizam argumentos quanto à inexistência de expressa previsão legal estabelecendo prazo para que o acordo seja firmado, pois as leis contém certa racionalidade em sua elaboração e exigem a mesma racionalidade em sua interpretação e aplicação. Ou seja, a lei não precisa estabelecer textualmente aquilo que decorre naturalmente do bom senso e da função social dos institutos regulados. Nesse diapasão, o Fl. 3355DF CARF MF 22 estabelecimento de metas e critérios claros para a obtenção e aferição do direito, e que funcionem como estímulo à produtividade, só fazem sentido se estabelecidos previamente. O que constitui também uma garantia para o trabalhador. Esse entendimento encontra eco na jurisprudência desse colegiado, do que serve como exemplo a seguinte manifestação da Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, no voto condutor do Acórdão nº 2401003.492 da 4ª Câmara/1ª TO, sessão de 15 de abril de 2014: Como é sabido, o grande objetivo do pagamento de participação nos lucros e resultados e a participação do empregado no capital da empresa (essa é a base do texto constitucional), de forma que esse se sinta estimulado a trabalhar em prol do empreendimento, tendo em vista que o seu engajamento, resultará em sua participação no capital (na forma de distribuição dos lucros alcançados). Assim, como falar em envolvimento do empregado na empresa, se o mesmo não tem conhecimento prévio do quanto a sua dedicação irá refletir em termos de participação. É nesse sentido, que entendo que a lei exigiu não apenas o acordo prévio ao trabalho do empregado, ou seja, no início do exercício, bem como o conhecimento por parte do trabalhador de quais as regras (ou mesmo metas), que deverá alcançar para fazer jus ao pagamento. Da mesma forma, vislumbrase a necessidade de critérios para que se mensure o alcance dos resultados inicialmente estipulados, assim, como descreveu a autoridade fiscal. Assim, não acato de forma alguma o argumento do recorrente de que as metas já eram conhecidas ou mesmo que não há grande alteração das mesmas razão, pela qual a pactuação, mesmo tardia, não fere o disposto na lei, pelo contrário ao adotar tal entendimento estaria o julgador violando o texto constitucional e o reconhecimento dos acordos coletivos, o que não venho a concordar. Novamente, entendo que o auditor não desconstitui o pagamento da verba, muito menos os reflexos trabalhistas ajustados entre empregado e empregador, mas tão somente não acata o acordo ali firmado para que a verba paga à título de participação nos lucros esteja excluída do conceito de salário de contribuição. Se assim, não fosse, poderseia vislumbrar que o trabalho exaustivo do empregado durante todo um ano, com a promessa por parte do empregador de uma futura participação nos lucros, resultasse no incremento ínfimo em sua remuneração. Ou seja, para que possa sentirse estimulado o empregado, tem que ter a mínima noção do quanto esse seu empenho, trarlheá de resultados, até para que o mesmo verifique seu interesse em dedicarse de forma mais profícua. Outro ponto, que merece destaque é o fato que um dos requisitos a serem apurados diz respeito a absenteísmo. Ora, em julho, ago, set ou mesmo dezembro é que o empregado saberá o quanto sua faltas irão influenciar no PLR que já está em curso??? No mesmo sentido, extraise do voto do relator do Acórdão nº 9202004.347 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos: Fl. 3356DF CARF MF Processo nº 15504.726132/201394 Acórdão n.º 2201004.374 S2C2T1 Fl. 3.345 23 Com relação à data de assinatura do PLR, acompanho o entendimento do voto do relator da decisão recorrida. Com efeito, entendo que a assinatura do acordo em data posterior à do período de apuração dos lucros ou resultados a serem distribuídos, retira da verba paga uma de suas características essenciais, a recompensa pelo esforço conjunto entre o capital e o trabalho, para alcance de metas, o que traria competitividade à empresa e, em última análise ao país. No caso dos autos, conforme esclarecido na decisão ora recorrida, todos os acordos para os anos de 2006, 2007 e 2008, foram pactuados no fim do exercício a que se referem, ou seja, o cumprimento ou não das metas já eram praticamente fatos pretéritos. Acompanho o entendimento do acórdão recorrido e, para fins de ilustração, encontrase reproduzido o entendimento do conselheiro relator do voto condutor do acórdão recorrido, nesse ponto: Não procede, portanto, a alegação de que quando a Lei nº 10.101/2000 fala de pactuação prévia, ela o faz no sentido de que o acordo deve ser negociado e celebrado previamente ao pagamento de qualquer valor, o que não implica a impossibilidade de se assinar o instrumento no início do período de apuração; Tendo a PLR a finalidade de incentivar o trabalhador a realizar e oferecer à empresa um plus de produtividade que exceda ao resultado rotineiro e ordinário decorrente do contrato de trabalho, avulta que acordo tem que ser assinado antes do início do período de apuração, para que os trabalhadores saibam, com precisão, o quê, como, quando, quanto precisam fazer, para auferir o ganho patrimonial que lhes é prometido por intermédio do plano ajustado. Antes do início do período de apuração necessitam ter o claro e preciso conhecimento de quanto e quando irão ganhar, sob que forma, e como serão avaliados, para poderem decidir se vale ou não a pena se empenhar de maneira excessiva à ordinária e comum. São as tais das REGRAS CLARAS E OBJETIVAS quanto aos direitos substantivos dos trabalhadores. Portanto, é de se negar provimento do Recurso Especial do Sujeito passivo também quanto a esta matéria. No processo em questão, segundo alega a fiscalização, os acordos que justificariam o pagamento de PLR teriam sido assinados nas seguintes datas: CNPJ: 17.469.701/000177 ACORDO COLETIVO, relativo ao período de apuração janeiro a dezembro de 2007, foi assinado em 30 de outubro de 2007. CNPJ: 17.469.701/003273 ACORDO COLETIVO, tendo como período de apuração janeiro a outubro de 2008, foi assinado em 16 de outubro de 2008. Fl. 3357DF CARF MF 24 CNPJ: 17.469.701/003435 – TERMO DE ACORDO COLETIVO, tendo como período de apuração janeiro a novembro de 2008, foi assinado em 21 de novembro de 2008. CNPJ: 17.469.701/003869 – ACORDO DE PARTICIPAÇÃO DOS TRABALHADORES NOS LUCROS OU RESULTADOS DA EMPRESA, tendo como período de apuração janeiro a outubro de 2008, foi assinado em 30 de abril de 2008. CNPJ`s: 17.469.701/004326 e 17.469.701/004830 ACORDO COLETIVO DE TRABALHO, tendo como período de apuração janeiro a outubro de 2008, foi assinado em 27 de novembro de 2008. CNPJ: 17.469.701/004911 ACORDO COLETIVO DE TRABALHO, tendo como período de apuração janeiro a outubro de 2008, foi assinado em 14 de novembro de 2008. CNPJ: 17.469.701/005306 ACORDO COLETIVO DE TRABALHO 2008/2009, tendo como período de apuração janeiro a outubro de 2008, foi assinado em 01 de outubro de 2008. CNPJ: 17.469.701/006612 ACORDO COLETIVO DE TRABALHO 2008/2009, tendo como período de apuração janeiro a outubro de 2008, foi assinado em 01 de outubro de 2008. Neste caso, temse que os acordos foram, em regra, firmados no encerramento do período a que se referiam ou mesmo após o seu encerramento. Com isso nenhum deles atende à exigência de que sejam prévios ao período de apuração dos lucros ou resultados, o que já é suficiente para descaracterizar os pagamentos feitos com base neles como PLR nos termos da Lei nº 10.101, de 2000. Em tempo, considerandose os precedentes desta 1ª Turma Ordinária, registro que os acordos apresentados fazem referência a "metas e indicadores de resultados negociados", como critério para pagamento de PLR. Regras claras e objetivas A partir da conclusão apresentada no tópico anterior, entendo prejudicada a análise quanto à existência ou não de regras claras e objetivas, uma vez que essas, mesmo que estabelecidas, teriam sido a destempo, hipótese em que serviriam apenas para convalidar o pagamento que pretendia realizar a interessada, sem cumprir, contudo, a finalidade visada pela norma de regência. A despeito disso, serão feitas algumas considerações sobre a matéria, e a primeira tem por objetivo refutar a alegação da recorrente de que a fiscalização utilizou o fundamento da inexistência de metas e indicadores apenas em relação ao acordo coletivo de 30/10/2007. Essa alegação é afastada pelo seguinte trecho do relatório fiscal: 2.1.1.5.2 Em atendimento ao Termo de Início e Procedimento Fiscal relativamente ao item, Regulamento da Participação nos Lucros ou Resultados PLR, foram apresentados alguns Acordos e Convenções Coletivas de Trabalho que, ao tratarem da Fl. 3358DF CARF MF Processo nº 15504.726132/201394 Acórdão n.º 2201004.374 S2C2T1 Fl. 3.346 25 Participação dos empregados nos Lucros ou Resultados (nem todos os instrumentos abordaram o assunto), não contemplaram regras claras e objetivas quanto a fixação de metas e objetivos a serem alcançados, inclusive a forma e mecanismo de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, de forma a respaldar os pagamentos efetuados pela empresa a este título, com efeitos financeiros nos exercícios de 2008 e 2009, ressaltese ainda que não foram apresentados instrumentos de negociação da participação dos empregados, firmados previamente no exercício de 2007, de modo a justificar os pagamentos efetuados, principalmente, no início do exercício de 2008. (fl. 34) Em relação às alegações específicas quanto aos pagamentos realizados para funcionários de nível superior e gerentes vinculados ao CNPJ 17.469.701/000177, que teriam por base o que a recorrente chama de "Plano de Gestão, negociado de forma espontânea e em apartado, mas ratificado pelo parágrafo nono do Acordo Coletivo de Trabalho", registro que essa questão foi submetida ao judiciário e o lançamento relativo a essas parcelas consta de processo próprio, por isso, não vejo sentido em enfrentar aqui essa questão. A despeito disso, registro meu entendimento de que apenas os programas implantados através de uma das duas modalidades descritas na lei justificam o pagamento de PLR ao seu amparo. Não há nada na legislação de regência que permita concluir que a empresa, empregados e sindicato possam livremente dispor quanto a esses mecanismos. Portanto, se essa matéria estivesse submetida ao meu crivo, planos próprios que não observaram o rito legal não seriam considerados aptos para justificar pagamentos de PLR. Afirma ainda a recorrente, como base em precedentes deste Conselho, que "não há na lei a expressa determinação de que do ACT conste obrigatoriamente metas, indicadores e índices de lucratividade e produtividade, tratandose de norma facultativa". Mais uma vez não posso concordar com os argumentos de defesa. Voltando ao texto legal, temse que: Art. 2º (...) § 1o Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. Resta claro do texto legal que o instrumento de negociação deve conter regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos do trabalhador e também quanto a mecanismos de aferição para verificação do seu cumprimento. Logo, é inexorável que o instrumento deve conter critérios e condições de pagamento, cuja observância sejam passíveis de aferição. Fl. 3359DF CARF MF 26 Os incisos são, com efeito, exemplificativos, mas deles pode ser extraída a racionalidade que orienta a regra. O fato de que não sejam obrigatórios esses critérios e condições, não quer dizer que o PLR pode ser fixado sem qualquer critério ou condição. Ou ainda que seja fixado com critérios e condições sem qualquer pertinência lógica com os exemplos fornecidos pela lei, de onde resulta clara a intenção de que o modelo escolhido seja uma expressão do resultado obtido a partir do esforço adicional empreendido pelos empregados. Isto posto, tomandose como exemplo o Acordo coletivo que se encontra à fls. 918/919, temse que "em decorrência dos resultados alcançados, a ArcelorMittal Brasil concederá a todos os empregados operacionais no mês de novembro de 2007 a Participação nos Lucros e Resultados no valor de..." A partir desse texto perguntase: foi efetivamente estabelecido um critério para pagamento de PLR? Qual era o resultado esperado e qual foi o obtido segundo o critério estabelecido? Como aferir a correção do cálculo realizado a partir dessa previsão? A resposta é que não se estabeleceu qualquer critério e a referência a resultados obtidos não passe de retórica, sem qualquer efeito prático. No acordo de fls. 928 e ss, vêse que foi estabelecido em valor mínimo de R$ 5.100,00 e um valor máximo de R$ 5.495,00. Se o desempenho da empresa ficar abaixo de determinado patamar, será pago o valor mínimo, se acima, o valor máximo. Pareceme que há neste acordo regras para pagamento do PLR, mas só no que diz respeito à diferença entre valor mínimo e máximo, porque o mínimo será pago em qualquer circunstância. Algo semelhante ocorre com o acordo de fls. 934 e ss., em que o valor mínimo será pago caso seja atingido percentual inferior a 100% (cem por cento) da meta e o máximo caso esse percentual seja superior. Ou seja, em qualquer hipótese, o mínimo será pago, o que evidencia que não há sobre ele qualquer àlea ou eventualidade. Quando o pagamento não está sujeito a qualquer variável que não a passagem do tempo e a continuidade da relação de emprego, não há critério efetivamente fixado. Ou seja, as regras claras e objetivas exigidas pela norma de regência não existem como afirmou a fiscalização. Com base nisso, nego provimento ao recurso voluntário no que diz respeito à inclusão, na base de cálculo das contribuições previdenciárias, dos pagamentos feitos a título de PLR nos períodos em que não reconhecida a decadência. Pagamento de gratificações A fiscalização identificou o pagamento de três modalidade de gratificação: por liberalidade, gratificação anual e médias gratificação anual. Entende que esses valores são pagos de forma não eventual, o que impediria seu enquadramento no inciso V, alínea J, do § 9º do art 214 do Decreto nº 3.048, de 1999: Art. 214. Entendese por saláriodecontribuição: (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição, exclusivamente: (...) Fl. 3360DF CARF MF Processo nº 15504.726132/201394 Acórdão n.º 2201004.374 S2C2T1 Fl. 3.347 27 V as importâncias recebidas a título de: (...) j) ganhos eventuais e abonos expressamente desvinculados do salário por força de lei; A adequada interpretação do alcance desse dispositivo foi dada no voto condutor do Acórdão 2401004.107 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária desta 2ª Sessão do CARF, de relatoria do Conselheiro André Luís Mársico Lombardi: Superada esta questão, é preciso definir o que seriam “ganhos eventuais” e o que seriam “abonos expressamente desvinculados do salário”. Do ponto de vista do Direito do Trabalho, dispõe o § 1° do art. 457 da CLT que integram “o salário não só a importância fixa estipulada, como também as comissões, percentagens, gratificações ajustadas, diárias para viagens e abonos pagos pelo empregador”. Quanto às utilidades, assim como a legislação previdenciária, depreendese do art. 458 da CLT que a regra é que ostentem natureza salarial, para todos os efeitos legais, as “prestações in natura que a empresa, por fôrça do contrato ou do costume, fornecer habitualmente ao empregado” exceção seja feita à educação, assistência médica, hospitalar e odontológica, seguros de vida e de acidentes pessoais, previdência privada e valecultura, nos termos do § 2° do mesmo artigo. Atentese que há abertura para que os ganhos eventuais, mesmo em pecúnia, não integrem o salário (fins trabalhistas) se não forem previamente ajustados (liberalidade) e, ao mesmo tempo, se caracterizarem pela não habitualidade (em caso contrário, será considerado ajuste “tácito”, nos termos do art. 442 da CLT). Nessas hipóteses, poderão ser enquadrados como gratificações não ajustadas, que não se enquadram como salário a teor do dispositivo mencionado, que se refere a “gratificações ajustadas”. Portanto, na hipótese de pagamento em pecúnia, a não habitualidade e a eventualidade são critérios válidos para se identificar uma gratificação não ajustada, o que afastaria a natureza salarial. Para as utilidades, mostrase determinante a habitualidade, tanto sob a perspectiva trabalhista, como sob a perspectiva previdenciária, sendo de somenos importância a questão do ajuste prévio ou tácito (eventualidade), embora este possa ser um meio para se comprovar a habitualidade. Tal regra, é bom que se esclareça, será válida desde que a verba não se enquadre nas exclusões legais referidas e que sirva como retribuição pelo trabalho e não como instrumento para o trabalho (requisito da onerosidade ou comutatividade – lembrando sempre que o sinalagma é no conjunto e não prestação por prestação – vide Súmula 367 do TST sobre utilidades “in natura” para a realização do trabalho). Fl. 3361DF CARF MF 28 É de se ressaltar ainda que, para fins trabalhistas, não há um dispositivo legal que delimite o que se possa entender, em termos gerais, como habitualidade ou eventualidade, tanto para pagamentos em pecúnia como em utilidades. A dificuldade é ainda maior quando se verifica que tais critérios (habitualidade e eventualidade) são utilizados na seara trabalhista não apenas para a apuração da natureza salarial da verba, mas também para a verificação de sua incorporação ao saláriobase (investigação sobre os respectivos reflexos, como DSR, adicionais, etc.) ou de sua incorporação ao contrato de trabalho (direito adquirido à prestação). Na legislação de custeio previdenciário o quadro normativo é outro, mas há uma aproximação muito grande. A primeira questão de interesse é notar que, tanto no art. 28, I, como no art. 22, I, da Lei n° 8.212/91, a expressão “ganhos habituais” vem acompanhada do complemento “sob a forma de utilidades”. Isto parece ocorrer porque os pagamentos, em regra, sempre serão integrantes do conceito de remuneração, ainda que não habituais (“total das remunerações”). Portanto, a princípio, até pelo que se afirmou de início quanto à amplitude conceitual e normativa da remuneração, todo pagamento que remunere, ou seja, que não constitua reposição patrimonial, mas acréscimo, é base de incidência de contribuições previdenciárias. Todavia, é hora de retornar à análise da hipótese isentiva contida no art. 28, § 9°, e, item 7. Neste dispositivo, particularmente, não há o complemento “sob a forma de utilidades” (como no art. 28, I, e no art. 22, I, da Lei n° 8.212/91), pelo que se conclui que o ganho eventual pode ser em pecúnia ou em utilidade, pois onde a lei não distingue não pode o intérprete distinguir (ubi lex non distinguit nec nos distinguere debemus), ou ainda, “as coisas expressas prejudicam; não assim as não expressas” (expressa nocent, non expressa non nocent – Lei 195 – Regras de Justiniano in França. Rubens Limongi. Brocardos jurídicos: As regras de Justiniano. 3ª ed. São Paulo: Ed. Revista dos Tribunais, 1977, p. 135). Portanto, a despeito de os “ganhos eventuais” remunerarem segurados (lembrese, novamente, que o contrato de trabalho é sinalagmático no todo e não prestação por prestação), estão cobertos pela hipótese isentiva contida no art. 28, § 9°, e, item 7, da Lei n° 8.212/91. Ocorre que, assim como no Direito do Trabalho, a análise da legislação leva ao mesmo dilema: definir o que é eventual e o que é habitual. Isso porque, em nossa compreensão, o que faz com que determinada verba não sofra incidência de contribuição previdenciária é o seu ganho ser eventual, no sentido de ser aleatório, de não ter sido previamente ajustado, de ser inesperado, não alcançando, portanto, situações em que os pagamentos foram pactuados, combinados, prometidos, quando, em verdade, a natureza dos pagamentos é de prêmio ou de gratificação e não da isenção contida no artigo 28, § 9°, e, item 7, da Lei n° 8.212/91. Eventual, portanto, é aquilo que é acidental, aleatório, inesperado, imprevisto, ocasional, contingente, fortuito e casual, enquanto que habitual é o que é costumeiro, cotidiano, repetido, Fl. 3362DF CARF MF Processo nº 15504.726132/201394 Acórdão n.º 2201004.374 S2C2T1 Fl. 3.348 29 usual, consuetudinário, regular, constante, costumado, frequente e rotineiro. Como se vê, um não é antônimo do outro. Assim, o ganho fortuito não sofre incidência de contribuição previdenciária. Sobre as utilidades, ainda que o recebimento não seja fortuito, se o recebimento não for regular, também não haverá incidência. Quanto ao fato de o pagamento ou de a utilidade estar prevista em acordo ou convenção coletiva, é de se ressaltar que, no Direito do Trabalho, especialmente diante do disposto no art. 7°, XXVI, da CF, que dá sustentação ao quanto disposto em acordos e convenções coletivas, a jurisprudência reconhece ampla liberdade das partes para deliberarem sobre a natureza jurídica das verbas, seja para integrar ao salário, seja para afastar a natureza salarial, principalmente quando tal é feito em prol dos trabalhadores (hierarquia dinâmica das fontes do Direito do Trabalho – ora vale a lei, ora vale o que convencionado por Acordo ou Convenção Coletiva). Assim foi concebido o Direito do Trabalho para que fosse possível incentivar ou ao menos não desestimular a concessão de certas benesses aos trabalhadores, sem embargo de que, no silêncio das normas coletivas, a verba ou utilidade integre o salário pelo critério da habitualidade, conjugado com o parâmetro da liberalidade. No Direito Previdenciário a lógica é distinta. Tratandose de Direito Público e, em matéria de custeio previdenciário, de tributo e, não há praticamente nenhuma liberdade para as partes pactuarem natureza da verba, salvo quando expressamente autorizado por lei e, ainda assim, desde que atendidos todos os requisitos para o gozo daquilo que chamamos de isenção (vide Lei n° 10.101/00 – participação nos lucros). Nesse sentido, pode se concluir, com segurança, que não há correlação necessária entre o que se estipula no campo trabalhista e o que vale para fins previdenciários. Quanto aos abonos, no Direito do Trabalho a regra é a sua integração ao salário, pois, como visto, dispõe o § 1° do art. 457 da CLT que integram “o salário não só a importância fixa estipulada, com o também as comissões, percentagens, gratificações ajustadas, diárias para viagens e abonos pagos pelo empregador”. Claro que a lei poderá excepcionar esta regra, como o fez no art. 144 da CLT, e inclusive aceitase que o acordo e convenção coletiva o façam, pelas mesmas razões expostas quanto aos ganhos eventuais (vide OJSDI1346). Na legislação previdenciária não integrará o conceito de remuneração se, como visto, estiver expressamente desvinculado do salário. Mas o que seria “expressamente desvinculado do salário”? Entendemos que a desvinculação somente pode decorrer de lei, pois, do contrário, poderiam as próprias partes estabelecer a natureza dos abonos, o que afronta o princípio da estrita legalidade e, portanto toda a lógica vigente no custeio previdenciário. Esta interpretação é Fl. 3363DF CARF MF 30 consentânea ao disposto no art. 214, § 9o, V, j, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto no 3.048/99. Ainda que o dispositivo legal não tendo especifique se a desvinculação deva ser por lei ou pelas partes, a conclusão é extraída do ordenamento, pois a principiologia em matéria de custeio previdenciário é calcada na reserva de lei, mormente para o estabelecimento de isenção (art. 176 do CTN), nunca permitindo às próprias partes convencionarem tal benesse. Com efeito, as partes, quando muito, cumprem os requisitos da lei para o gozo de isenção, mas, no Direito Previdenciário e no Direito Tributário, jamais, definem a natureza jurídica da verba por condição potestativa, ainda que por intermédio de Acordo ou Convenção Coletiva. Se aqui vale invocar o art. 7°, XXVI, da CF, como sói ocorrer no Direito do Trabalho, em qualquer outra situação do Direito Previdenciário será lícito às partes convencionar a natureza jurídica das verbas. É verdade que onde a lei não distingue não pode o intérprete distinguir (ubi lex non distinguit nec nos distinguere debemus). Mas aqui a situação é diferente. Tratase de distinguir em razão da inexorável presença do princípio da reserva de lei (Direito Tributário). Portanto, não estamos entrando em contradição ao afirmarmos que o silêncio da lei deve ser interpretado no sentido de que a desvinculação somente pode decorrer de lei. Como se sabe, o princípio tem função normativa, razão pela qual cabe a sua invocação sempre que for apto a complementar o texto legal. Como visto, diante da principiologia e das próprias regras jurídicas aludidas, o Direito do Trabalho efetivamente permite que, em negociação coletiva, as partes estipulem a natureza das verbas. Ocorre que no Direito Previdenciário o quadro normativo é outro, razão pela qual somente a lei pode desvincular o abono. Em resumo, concluímos até aqui que: os ganhos eventuais podem ser em pecúnia ou em utilidades e não sofrem incidência de contribuição previdenciária e que as utilidades não habituais também não sofrem a referida incidência. Quanto aos abonos, somente deixam de sofrer incidência de contribuição previdenciária se legalmente desvinculados do salário. Ocorre que os abonos podem constituir ganhos eventuais. Portanto, podemos concluir que os abonos não sofrem incidência de contribuição previdenciária se legalmente desvinculados do salário ou se constituírem ganhos eventuais. É verdade que, originalmente, o abono, representava – e por vezes ainda representa um adiantamento ou uma substituição de reajuste pela defasagem salarial, a fim de amenizar a defasagem salarial (normalmente, habituais) ou substituir reajuste de salários inadimplidos no tempo devido (normalmente, eventuais), mas nem sempre isto ocorre, bastando citar o “abono assiduidade” ou o “abono de férias” que por vezes são encontrados como formas de remuneração. Fl. 3364DF CARF MF Processo nº 15504.726132/201394 Acórdão n.º 2201004.374 S2C2T1 Fl. 3.349 31 Em qualquer dessas hipóteses, tais ganhos podem ocorrer com constância ou eventualmente. Assim, haverá abonos previstos, repetidamente, em Acordos ou Convenções Coletivas de Trabalho, pagos ano a ano, de forma habitual e que, por tal razão, não poderão ser enquadrados no conceito de “ganhos eventuais”, mas, para tanto, deve a autoridade fiscal demonstrar a habitualidade dos pagamentos. Para estes, concluiríamos pela natureza de verba remuneratória, ainda que previstos em Acordos em Convenções Coletivas. Devese atentar ainda que é lição elementar de Direito que a natureza jurídica dos atos praticados, dos fatos ocorridos ou das relações jurídicas que se estabelecem decorrem da forma como efetivamente se mostram na realidade, não podendo ser feito o seu enquadramento legal tomando por base o nomen iuris atribuído pelas partes ou por terceiros. Aqui podemos citar o princípio da verdade material ou o princípio da primazia da realidade, que vão no sentido da ideia que se propõe. Portanto, desde que constituam verdadeiros ganhos eventuais, as verbas podem ser denominadas de bônus, gratificação, prêmio, bonificação, abono, que sempre serão ganhos eventuais. E o contrário é verdadeiro, pode ser denominada de prêmio, por exemplo, que é verba tributável, a rigor, que se restar demonstrado o caráter absolutamente eventual, não haverá incidência de contribuição previdenciária pela regra isentiva exaustivamente invocada. É verdade que a eventualidade (ocorrência da isenção) deve ser demonstrada pelo contribuinte, mas, para isto, é preciso que a autoridade fiscal lhe exija a comprovação. Dentre as gratificações pagas, a denominada "por liberalidade" não teria qualquer previsão em acordo ou convenção coletiva e, de acordo com o que alega a recorrente, seria paga uma vez por ano por empregado, o que evidenciaria seu caráter eventual. Analisandose o anexo XII deste processo (fls. 312/316), vêse que essa gratificação é paga apenas a alguns empregados e em valores variáveis e, como afirmou a consulente, há o registro de um pagamento por ano. Isso não é suficiente para atestar a eventualidade do pagamento, contudo, o anexo III do Processo 15504.726133/201339 (fls. 40 e ss.) contém a mesma planilha, mas também com os pagamento realizados no anocalendário 2009. Comparandose os beneficiários dos pagamentos nos dois anos, vêse que não há identidade entre eles, o que, a meu ver, é suficiente para confirmar as alegações de defesa, no sentido de que o pagamento é eventual. Por essa razão, dou provimento ao recurso para excluir da base de cálculo do lançamento os valores relativos à gratificação por liberalidade. Continuando na análise das gratificações pagas, é preciso ressaltar que em face de interpretação dada ao dispositivo legal em análise pelo Superior Tribunal de Justiça STJ em reiteradas decisões, o Parecer PGFN nº 2114, de 2011, veio a estabelecer que: "o abono previsto em Convenção Coletiva de Trabalho, sendo desvinculado do salário e pago sem habitualidade, não sofre a incidência de contribuição previdenciária." Fl. 3365DF CARF MF 32 Quanto aos efeitos desse parecer, o voto anteriormente citado, faz a seguinte análise: A despeito de discordamos das premissas contidas nas decisões que deram origem ao Ato Declaratório n° 16/2011, em atenção ao princípio da eficiência da Administração Pública, poderíamos cogitar de sua aplicação. Todavia, diferentemente do que defende a recorrente, as situações não são coincidentes. O Ato Declaratório somente teria ensejo se o “abono único”, cumulativamente: (i) fosse pago de maneira não habitual: o que não ocorre em nenhuma das situações, como visto; (ii) fosse desvinculado do salário, no sentido de não representar um percentual deste (pagamento em valor único para todos os empregados, por exemplo): do que consta dos autos, tanto a “gratificação contingente” como a “compensação financeira” correspondem a percentuais da remuneração, sendo que não se sabe ao certo a origem regulamentar do “abono gerencial” (Acordo, Convenção, Regulamento, Contrato de Trabalho de Trabalho, etc.) e, conseqüentemente, não se tem certeza quanto à forma exata do pagamento; e (iii) estivesse previsto em norma coletiva: como afirmado acima, não se encontrou no Acordo Coletivo a previsão do “abono gerencial. A partir desses parâmetros, a recorrente alega que as gratificações "anual" e "média de gratificação anual" teriam por base o Acordo Coletivo de Trabalho firmado pela filial CNPJ 17.469.701/006612, na seguinte cláusula: CLÁUSULA VIGÉSIMAOITAVA GRATIFICAÇÃO ANUAL A Arcelormittal Monlevade concederá a todos os seus empregados uma gratificação de 62,50% (sessenta e dois vírgula cinqüenta por cento) do saláriobasemês, a ser paga na forma e limites a seguir especificados: I) A gratificação será paga na data do pagamento do salário do mês do início das férias, caso seu término se dê até o 10º (décimo) dia do mês subseqüente, e será paga na data do pagamento do salário do mês de retorno das férias, caso seu término se dê após o 10º (décimo) dia do mês subseqüente ao do início das referidas férias; II) O saláriobasemês para o cálculo da referida gratificação será o do mês de início do gozo das férias, caso o retorno do empregado ao trabalho se dê até o 10º (décimo) dia do mês subseqüente, e será o do mês do término das férias, caso este se dê após o 10º (décimo) dia do mês subseqüente ao seu início; III) Caso as férias não sejam gozadas no transcurso do ano, a gratificação a que se refere esta cláusula será paga antecipadamente na folha de pagamento do mês de novembro, tendo como referência o saláriobase deste mês; IV) Serão computadas as faltas e adotados os mesmos critérios do cálculo do 13º salário. Fl. 3366DF CARF MF Processo nº 15504.726132/201394 Acórdão n.º 2201004.374 S2C2T1 Fl. 3.350 33 Conforme se verifica de seu próprio texto, a gratificação em questão corresponde a um percentual do salário do empregado e não tem natureza eventual, considerando o significado que foi dado a esse termo no texto acima copiado. Por outro lado, considerando que o pagamento é atribuído diretamente em função de uma atitude valorada positivamente pelo empregador (faltas), é um prêmio: Os prêmios consistem em parcelas contraprestativas pagas pelo empregador ao empregado em decorrência de um evento ou circunstância tida como relevante pelo empregador e vinculada à conduta individual do obreiro ou coletiva dos trabalhadores da empresa. (Curso do Direito do Trabalho. Maurício Godinho Delgado. 7ª ed. São Paulo: LTR, 2008, p. 750) Quanto a essas gratificações, e analisandose os termos do acordo acima mencionado, o relatório fiscal afirma: 2.1.1.4.2.1 – Os incisos II e IV da cláusula retro reproduzida deixa evidente que a concessão deste benefício está claramente vinculada ao salário do empregado, bem como aos fatores assiduidade ou absenteísmo e, a despeito do nome convencionado entre as partes para esta verba, sua natureza é salarial, e se constitui numa verdadeira remuneração adicional, paga anualmente e de forma contumaz (para alguns empregados em mais de uma parcela no ano). 2.1.1.4.3 – Dessa forma, concluise que a inclusão dessas verbas, de forma regular e ineventual, no contracheque de parte de seus empregados, não condiz com o disposto no inciso “V”, alínea ”j” do § 9º do artigo 214 do Decreto 3.048/99. Por essa razão, entendo infundadas as alegações preliminares da recorrente, quando procura defender a nulidade do lançamento, por ausência de fundamentação para a glosa realizada. Por outro lado, os anexos juntados ao processo pela própria autoridade fiscal já seriam suficientes para demonstrar a improcedência da alegação fiscal de que a gratificação por liberalidade é paga de forma não eventual. Com base no exposto, em relação às gratificações, dou parcial provimento ao apelo para excluir da base de cálculo as gratificações por liberalidade. Pagamentos a cooperativas O fundamento legal do auto de infração no que diz respeito aos pagamentos realizados à cooperativas é o art. 22, IV da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, que tem a seguinte redação: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: (...) IV quinze por cento sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são Fl. 3367DF CARF MF 34 prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho. (...) Conforme foi noticiado pela recorrente, esse dispositivo teve sua constitucionalidade questionada perante o Supremo Tribunal Federal STF, no RE 595.838, tendo sido reconhecida sua repercussão geral, o que o submeteu a julgamento na sistemática do art. 543B do Código de Processo Civil de 1973 (Lei nº 5.869, de 1973). Julgando o mérito, o STF declarou a inconstitucionalidade da norma impugnada, em acórdão cuja ementa tem a seguinte redação: EMENTA Recurso extraordinário. Tributário. Contribuição Previdenciária. Artigo 22, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99. Sujeição passiva. Empresas tomadoras de serviços. Prestação de serviços de cooperados por meio de cooperativas de Trabalho. Base de cálculo. Valor Bruto da nota fiscal ou fatura. Tributação do faturamento. Bis in idem. Nova fonte de custeio. Artigo 195, § 4º, CF. 1. O fato gerador que origina a obrigação de recolher a contribuição previdenciária, na forma do art. 22, inciso IV da Lei nº 8.212/91, na redação da Lei 9.876/99, não se origina nas remunerações pagas ou creditadas ao cooperado, mas na relação contratual estabelecida entre a pessoa jurídica da cooperativa e a do contratante de seus serviços. 2. A empresa tomadora dos serviços não opera como fonte somente para fins de retenção. A empresa ou entidade a ela equiparada é o próprio sujeito passivo da relação tributária, logo, típico “contribuinte” da contribuição. 3. Os pagamentos efetuados por terceiros às cooperativas de trabalho, em face de serviços prestados por seus cooperados, não se confundem com os valores efetivamente pagos ou creditados aos cooperados. 4. O art. 22, IV da Lei nº 8.212/91, com a redação da Lei nº 9.876/99, ao instituir contribuição previdenciária incidente sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura, extrapolou a norma do art. 195, inciso I, a, da Constituição, descaracterizando a contribuição hipoteticamente incidente sobre os rendimentos do trabalho dos cooperados, tributando o faturamento da cooperativa, com evidente bis in idem. Representa, assim, nova fonte de custeio, a qual somente poderia ser instituída por lei complementar, com base no art. 195, § 4º com a remissão feita ao art. 154, I, da Constituição. 5. Recurso extraordinário provido para declarar a inconstitucionalidade do inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99. A União interpôs Embargos de Declaração em face dessa decisão, buscando a modulação dos seus efeitos. Esses embargos, entretanto, foram rejeitados, conforme evidencia a ementa do acórdão: Embargos de declaração no recurso extraordinário. Tributário. Pedido de modulação de efeitos da decisão com que se declarou a inconstitucionalidade do inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99. Declaração de inconstitucionalidade. Ausência de excepcionalidade. Lei aplicável em razão de efeito repristinatório. Infraconstitucional. Fl. 3368DF CARF MF Processo nº 15504.726132/201394 Acórdão n.º 2201004.374 S2C2T1 Fl. 3.351 35 1. A modulação dos efeitos da declaração de inconstitucionalidade é medida extrema, a qual somente se justifica se estiver indicado e comprovado gravíssimo risco irreversível à ordem social. As razões recursais não contêm indicação concreta, nem específica, desse risco. 2. Modular os efeitos no caso dos autos importaria em negar ao contribuinte o próprio direito de repetir o indébito de valores que eventualmente tenham sido recolhidos. 3. A segurança jurídica está na proclamação do resultado dos julgamentos tal como formalizada, dandose primazia à Constituição Federal. 4. É de índole infraconstitucional a controvérsia a respeito da legislação aplicável resultante do efeito repristinatório da declaração de inconstitucionalidade do inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99. Tendo isso em vista, e considerando a previsão contida no § 2º do art. 62 do Regimento Interno deste Conselho, pelo qual as decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF na sistemática do art. 543B da Lei nº 5.869, de 1973, devem ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento administrativo, voto por dar provimento ao Recurso Voluntário no que diz respeito ao lançamento efetuado com base nos pagamentos efetuadas às cooperativas de trabalho como remuneração pelos serviços prestados por seus cooperados. Recurso das Responsáveis Solidárias Em seu recurso voluntário (fls. 2956/2970), as responsáveis solidárias alegam, em sede preliminar, nulidade por ausência de intimação da decisão recorrida em relação às empresas Transporte de Produtos Siderúrgicos Ltda. e Itaúna Siderúrgica Ltda. Quanto a esse argumento, registro que há AR juntado ao processo em relação a esta última (fls. 2952/2953), com data de entrega 23/04/2014, e ciência eletrônica por decurso do prazo em relação à primeira, com data de ciência em 30/04/2014 (fls. 2949), o que afasta a alegada nulidade. Em relação ao mérito, a fiscalização afirma a existência de grupo econômico tendo em vista o grau de participação societária verificada. As recorrentes não contestam a existência desse grupo, na verdade, chegam a afirmálo ao defender que quem detém o controle sobre as empresas arroladas como solidárias é a empresa autuada (fl. 2968). Os argumentos de defesa são centrados na impossibilidade de que responsabilidade tributária seja tratada por norma que não tenha a envergadura de Lei Complementar. Aduzse que a responsabilidade só pode ser atribuída para as pessoas que tenham interesse comum na ocorrência do fato gerador da respectiva obrigação (art. 124, I, do CTN) ou que tenham vinculação direta com esse fato (art. 128 do CTN). Com essa linha de argumentação, vêse que as responsáveis solidárias procuram negar validade a texto de lei que se encontra em vigor e produzindo todos os seus Fl. 3369DF CARF MF 36 efeitos (artigo 30, IX da Lei nº 8.212, de 1991), o que equivale à declaração de sua inconstitucionalidade. A análise dessa linha de argumentação é vedada aos componentes desse colegiado, conforme evidencia o seguinte enunciado da Súmula CARF: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Pelas razões acima, nego provimento ao recurso voluntário apresentado pelas responsáveis solidárias. Conclusão: Com base no exposto, voto por conhecer dos recursos apresentados para negar provimento ao apelo das responsáveis solidárias e dar parcial provimento ao recurso da contribuinte, para reconhecer a decadência das competências compreendidas no período de 01 a 06/2008; afastar a exigência no que diz respeito à incidência da contribuição previdenciária sobre os pagamentos realizados como remuneração pelos serviços prestados por cooperados através de cooperativas de trabalho e determinar a exclusão da base de cálculo tributável dos valores relativos à gratificação por liberalidade. (assinado digitalmente) Dione Jesabel Wasilewski Relatora Fl. 3370DF CARF MF Processo nº 15504.726132/201394 Acórdão n.º 2201004.374 S2C2T1 Fl. 3.352 37 Voto Vencedor Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira, Redator designado. Em que pesem o brilhantismo e a logicidade jurídica do voto da ilustre Relatora, ouso, com a devida permissão, dele discordar em parte. Minha divergência se instaura somente quanto à incidência das contribuições sociais sobre os valores pagos a título de 'gratificação anual' e 'média da gratificação anual'. Explico. Consta do voto: "Continuando na análise das gratificações pagas, é preciso ressaltar que, em face de interpretação dada ao dispositivo legal em análise pelo Superior Tribunal de Justiça STJ em reiteradas decisões, o Parecer PGFN nº 2114, de 2011, veio a estabelecer que: "o abono previsto em Convenção Coletiva de Trabalho, sendo desvinculado do salário e pago sem habitualidade, não sofre a incidência de contribuição previdenciária." Quanto aos efeitos desse parecer, o voto anteriormente citado, faz a seguinte análise: A despeito de discordamos das premissas contidas nas decisões que deram origem ao Ato Declaratório n° 16/2011, em atenção ao princípio da eficiência da Administração Pública, poderíamos cogitar de sua aplicação. Todavia, diferentemente do que defende a recorrente, as situações não são coincidentes. O Ato Declaratório somente teria ensejo se o “abono único”, cumulativamente: (i) fosse pago de maneira não habitual: o que não ocorre em nenhuma das situações, como visto; (ii) fosse desvinculado do salário, no sentido de não representar um percentual deste (pagamento em valor único para todos os empregados, por exemplo): do que consta dos autos, tanto a “gratificação contingente” como a “compensação financeira” correspondem a percentuais da remuneração, sendo que não se sabe ao certo a origem regulamentar do “abono gerencial” (Acordo, Convenção, Regulamento, Contrato de Trabalho de Trabalho, etc.) e, conseqüentemente, não se tem certeza quanto à forma exata do pagamento; e (iii) estivesse previsto em norma coletiva: como afirmado acima, não se encontrou no Acordo Coletivo a previsão do “abono gerencial. A partir desses parâmetros, a recorrente alega que as gratificações "anual" e "média de gratificação anual" teriam por base o Acordo Coletivo de Trabalho firmado pela filial CNPJ 17.469.701/006612, na seguinte cláusula: Fl. 3371DF CARF MF 38 CLÁUSULA VIGÉSIMAOITAVA GRATIFICAÇÃO ANUAL A Arcelormittal Monlevade concederá a todos os seus empregados uma gratificação de 62,50% (sessenta e dois vírgula cinqüenta por cento) do saláriobasemês, a ser paga na forma e limites a seguir especificados: I) A gratificação será paga na data do pagamento do salário do mês do início das férias, caso seu término se dê até o 10º (décimo) dia do mês subseqüente, e será paga na data do pagamento do salário do mês de retorno das férias, caso seu término se dê após o 10º (décimo) dia do mês subseqüente ao do início das referidas férias; II) O saláriobasemês para o cálculo da referida gratificação será o do mês de início do gozo das férias, caso o retorno do empregado ao trabalho se dê até o 10º (décimo) dia do mês subseqüente, e será o do mês do término das férias, caso este se dê após o 10º (décimo) dia do mês subseqüente ao seu início; III) Caso as férias não sejam gozadas no transcurso do ano, a gratificação a que se refere esta cláusula será paga antecipadamente na folha de pagamento do mês de novembro, tendo como referência o saláriobase deste mês; IV) Serão computadas as faltas e adotados os mesmos critérios do cálculo do 13º salário. Conforme se verifica de seu próprio texto, a gratificação em questão corresponde a um percentual do salário do empregado e não tem natureza eventual, considerandose o significado que foi dado a esse termo no texto acima copiado. Por outro lado, tendo em vista que o pagamento é atribuído diretamente em função de uma atitude valorada positivamente pelo empregador (faltas), é um prêmio: Os prêmios consistem em parcelas contraprestativas pagas pelo empregador ao empregado em decorrência de um evento ou circunstância tida como relevante pelo empregador e vinculada à conduta individual do obreiro ou coletiva dos trabalhadores da empresa. (Curso do Direito do Trabalho. Maurício Godinho Delgado. 7ª ed. São Paulo: LTR, 2008, p. 750) Quanto a essas gratificações, e analisandose os termos do acordo acima mencionado, o relatório fiscal afirma: 2.1.1.4.2.1 – Os incisos II e IV da cláusula retro reproduzida deixa evidente que a concessão deste benefício está claramente vinculada ao salário do empregado, bem como aos fatores assiduidade ou absenteísmo e, a despeito do nome convencionado entre as partes para esta verba, sua natureza é salarial, e se constitui numa verdadeira remuneração adicional, paga anualmente e de forma contumaz (para alguns empregados em mais de uma parcela no ano). 2.1.1.4.3 – Dessa forma, concluise que a inclusão dessas verbas, de forma regular e ineventual, no contracheque de parte de seus empregados, não condiz com o disposto no inciso “V”, alínea ”j” do § 9º do artigo 214 do Decreto 3.048/99. Fl. 3372DF CARF MF Processo nº 15504.726132/201394 Acórdão n.º 2201004.374 S2C2T1 Fl. 3.353 39 Por essa razão, entendo infundadas as alegações preliminares da recorrente quando procura defender a nulidade do lançamento, por ausência de fundamentação para a glosa realizada em relação às gratificações. Por outro lado, os anexos juntados ao processo pela própria autoridade fiscal já seriam suficientes para demonstrar a improcedência da alegação fiscal, de que a gratificação por liberalidade é paga de forma não eventual." (sublinhados e negritos não constam do voto) A leitura do excerto do voto, nos permite deduzir que o motivo da Relatora em negar provimento ao voluntário, nessa parte, decorre da habitualidade do pagamento e da vinculação deste ao salário dos empregados. Esse é o cerne da minha divergência. Antes de explicitála, creio serem necessárias algumas considerações teóricas sobre a remuneração. Academicamente já nos pronunciamos sobre o tema no livro Tributação da Sáude (Contribuições Previdenciárias das Empresas da Área da Saúde "in" HARET, Florence; MENDES, Guilherme Adolfo.Tributação da Saúde. Ed. Atai, 2013) "Tal forma de contratação recebe, no Brasil, forte influência das chamadas “fontes heterônomas” do Direito do Trabalho, ou seja, das leis trabalhistas. Além dessas, a relação de emprego também é regida pelas fontes autônomas, as fontes emanadas da vontade das partes, as oriundas dos acordos e convenção coletivas, além é claro do regulamento das empresas e das disposições do contrato de trabalho. Todo esse intróito não pode ser desprezado em face da enorme importância que essas fontes exercem sobre a relação de emprego, mormente quanto às parcelas remuneratórias e quanto às parcelas percebidas pelo empregado e que não têm o caráter de contraprestação pelo trabalho, ou seja, não têm natureza salarial e, portanto, como visto alhures, não integram o salário de contribuição. O Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº. 3.048, de 1999, dispõe em seu art. 214, inciso I, que se entende por salário de contribuição: “I – para o empregado e o trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa;(...)” (grifos não constam de texto legal) O dispositivo regulamentar acima transcrito, quando bem interpretado, já delimita o salário de contribuição de maneira Fl. 3373DF CARF MF 40 definitiva, ao prescrever que este é composto pela totalidade dos rendimentos pagos como retribuição do trabalho. É dizer: a base de cálculo do fato gerador tributário previdenciário, ou seja, o trabalho remunerado do empregado é o total da sua remuneração pelo seu labor. Tudo o mais percebido se não decorrer do trabalho, se não for oriundo da retribuição pelo trabalho ou pelo tempo à disposição, não é salário de contribuição segundo o Regulamento da Previdência Social (RPS). Daqui decorre nosso verdadeiro mantra das aulas de Direito Previdenciário de Custeio: é salário de contribuição do empregado tudo o que é pago pelo trabalho, e não é salário de contribuição tudo o que é para o trabalho, e mais as verbas indenizatórias, por óbvio." (sublinhados nossos, negritos originais) A Carta Magna, ao definir os contornos para atribuir competência à União para instituir as contribuições incidentes sobre a o trabalho da pessoa humana destinadas ao custeio do Sistema de Seguridade Social, explicitou no inciso I do artigo 195: "I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei incidente sobre a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo que sem vínculo empregatício." (negritamos) A leitura atenta das disposições constitucionais e das constantes da Lei de Custeio da Previdência não permitem outra conclusão que não a que assevera que incidência tributária previdenciária se dá sobre valores pagos à título de remuneração. Como mencionado acima, o conceito de remuneração engloba não só as parcelas pagas como sinalagma direta da relação de trabalho, ou seja, não só a contraprestação pelo trabalho, pelos serviços prestados. Também o tempo à disposição do empregador, os casos de interrupção dos efeitos do contrato de trabalho, e as disposições contratuais, sejam elas individuais ou coletivas, além por óbvio das disposições legais, integram o conceito de remuneração. Mesmo diante da amplidão conceitual da remuneração, restam ainda verbas corriqueiramente pagas pelo empregador ao empregado que não são abarcadas por esse amplo conceito. Remuneração não é um buraco negro na amplidão cósmica. Bens ofertados igualmente a todos os trabalhadores sem caráter contraprestacional, os chamados benefícios como por exemplo os seguros de vida, as assistências médicas, os auxílios farmácia não integram o conceito de remuneração. Não se observa natureza remuneratória nos instrumentos de trabalho, ou bens que mesmo utilizados pelo trabalhador fora dos horários de prestação de serviços ao empregador como um veículo de um vendedor externo posto que destinados ao próprio trabalho avençado. Também não ostenta natureza salarial as indenizações. Por óbvio que não. O conceito mais puro de indenização, que diz essa se destinar a repor a situação ao status quo ante, à condição existente anteriormente, quando devidamente Fl. 3374DF CARF MF Processo nº 15504.726132/201394 Acórdão n.º 2201004.374 S2C2T1 Fl. 3.354 41 compreendido, por si só demonstra a impossibilidade pertinência da verba indenizatória ao conceito de remuneração. E mais, as gratificações não integram a remuneração, posto que liberalidades ofertadas pelo empregador ao trabalhador, sem motivação, exceto o sentimento de gratidão de satisfação, de reconhecimento pelo esforço e dedicação da pessoa que presta serviço àquele que dele necessita. Tais considerações devem ser objetivadas, para a decisão aqui prolatada seja de fácil compreensão. Segundo a delegação de competência da Carta da República ao legislador ordinário federal, as contribuições sociais devem incidir sobre a remuneração da pessoa física que presta serviços a quem deles necessita, qualquer que seja o vínculo de trabalho estabelecido. Logo, é a remuneração a base de cálculo das contribuições sociais previdenciárias, e no caso do empregado, tal conceito abarca verbas pagas: i) como contraprestação do trabalho; ii) nos casos de tempo à disposição do empregador; iii) como decorrência da interrupção dos efeitos do contrato de trabalho; iv) por força de disposição de lei ou avença constante do contrato de trabalho, seja ele individual ou coletivo. Portanto, as gratificações não sofrem incidência, exceto se pagas como decorrência de ajustes contratuais ou como nítido caráter contraprestacional, vez que provavelmente não seriam pagas como tempo ao dispor do empregado ou ainda no caso de interrupção dos efeitos do contrato de trabalho. Nesse ponto, necessário uma elucidação do porquê do entendimento que uma verba habitual, ou vinculada ao salário, assume feição remuneratória, esclarecimento que também se torna aplicável, como veremos, às gratificações. Iniciemos pela questão da vinculação da verba ao salário. A lei tributária previdenciária, ao utilizar afastar a tributação dos abonos "expressamente desvinculados do salário", inequivocamente, não quis dizer que os abonos calculados com base no salário, ou seja, que adotem como valor um percentual desse, assumiriam natureza remuneratória, Decerto que não. A interpretação da disposição legal só pode ser realizada no sentido de que os valores pagos como contraprestação do trabalho, ou em razão do tempo à disposição ou ainda nos casos de interrupção dos efeitos do contrato de trabalho são vinculados ao salário, ou seja, ostentam natureza remuneratória. Não se pode, sob pena de ofensa ao primado da lógica jurídica, entender que uma gratificação (expressa liberalidade paga uma única vez), ou um indenização (como ajuda de custo por alteração de condições de trabalho inicialmente pactuadas), por terem sido pagas com base no valor do salário do trabalhador sejam consideradas vinculadas ao salário. Ora, indubitavelmente, tratase de mera quantificação do valor do reconhecimento externalizado em pecúnia, ou da verba indenizatória concedida. Fl. 3375DF CARF MF 42 Analisemos agora a não eventualidade. Sempre causa alguma inquietude intelectual a afirmação que o pagamento habitual de verba, de nítido caráter não remuneratório, tem o condão de mudar a natureza jurídica de tal estipêndio. Por que a repetição do pagamento de verba não remuneratória, a não eventualidade desse pagamento, tem o condão de mudar a natureza jurídica de tal valor? A resposta se obtêm na lei trabalhista, na CLT, que explicita serem os usos e costumes integrativos ao contrato de trabalho para todos os fins, posto que nas relações de emprego vige o princípio da primazia da realidade, ou seja, independentemente do acordado, devese considerar o efetivamente ocorrido. Logo, sendo uma verba paga reiteradamente pelo empregador, tal fato passa a integrar a esfera de expectativas do trabalhador em perceber tal valor, passando esse a contar com tal rendimento. Ao ver essa expectativa reiteradamente satisfeita, ou seja, existindo o costume de tal pagamento relativo à verba destinada, inicialmente, ao reconhecimento pelo serviços prestados, ou pela dedicação do trabalhador, ou mesmo pela atenção dedicada aos bens ou clientes do empregador, ou seja, valor com nítido conteúdo de gratidão, de agradecimento passa a integrar o pacote de remuneração do trabalhador, por força do contrato de trabalho que foi integrado por tal costume, por tal conduta, surgindo nova obrigação de pagar ao empregador. Destarte, a repetição do pagamento, a habitualidade deste é condição essencial para que verba paga a título de gratificação seja considerada remuneratória. Mister ressaltar que há habitualidade, segundo a jurisprudência e doutrina trabalhistas, quando ocorre a terceira repetição da conduta que se analisa, isto é, uma gratificação só poderá ser considerada habitual depois da constatação do terceiro pagamento num período máximo de dois anos. Com essas considerações, passemos a demonstrar o motivo do dissenso com a Conselheira Relatora. Adianto: não há habitualidade no pagamento das verbas 'gratificação anual' e 'média da gratificação anual'. Como podemos verificar no relatório fiscal, tais verbas eram pagas em razão de disposição constante do contrato coletivo estipulado entre a empresa e o sindicato representativo da categoria de determinado estabelecimento. Recordemos seu teor: "CLÁUSULA VIGÉSIMAOITAVA GRATIFICAÇÃO ANUAL A Arcelormittal Monlevade concederá a todos os seus empregados uma gratificação de 62,50% (sessenta e dois vírgula cinqüenta por cento) do saláriobasemês, a ser paga na forma e limites a seguir especificados: I) A gratificação será paga na data do pagamento do salário do mês do início das férias, caso seu término se dê até o 10º (décimo) dia do mês subseqüente, e será paga na data do pagamento do salário do mês de retorno das férias, caso seu término se dê após o 10º (décimo) dia do mês subseqüente ao do início das referidas férias; II) O saláriobasemês para o cálculo da referida gratificação será o do mês de início do gozo das férias, caso o retorno do empregado ao trabalho se dê até o 10º (décimo) dia do mês Fl. 3376DF CARF MF Processo nº 15504.726132/201394 Acórdão n.º 2201004.374 S2C2T1 Fl. 3.355 43 subseqüente, e será o do mês do término das férias, caso este se dê após o 10º (décimo) dia do mês subseqüente ao seu início; III) Caso as férias não sejam gozadas no transcurso do ano, a gratificação a que se refere esta cláusula será paga antecipadamente na folha de pagamento do mês de novembro, tendo como referência o saláriobase deste mês; IV) Serão computadas as faltas e adotados os mesmos critérios do cálculo do 13º salário. " (grifos nossos) A leitura do trecho transcrito deixa claro que o pagamento de tal gratificação ocorrerá quando do gozo das férias, e caso tal direito não seja fruído no ano calendário de vigência do contrato coletivo, tal valor será pago no mês de novembro. Ao verificarmos a validade do acordo coletivo, encontraremos o prazo de um ano. Assim, ao observarmos que tal cláusula se repete no ACT de 2008/2009, podemos concluir que, no máximo, cada empregado recebeu tal gratificação por duas vezes num período de dois anos, o que, como visto acima, não caracteriza a necessária habitualidade a ensejar a incidência das contribuições previdenciárias sobre verba que não ostenta, em face da eventualidade de seu pagamento, caráter remuneratório. A leitura do anexo IX do relatório fiscal, comprova tal afirmação. No máximo cada trabalhador recebeu a verba por duas vezes no período da fiscalização. Não houve a comprovação da habitualidade pelo Fisco. Não há caráter remuneratório nas verbas gratificação anual e média de gratificação anual. Recurso provido nessa parte. Conclusão Diante do exposto e pelos fundamentos apresentados, e ainda, por concordar com os demais pontos do voto da Conselheira Relatora, inclusive quanto aos fundamentos e razões de decidir, voto por rejeitar as preliminares arguídas e, no mérito, por dar provimento parcial ao recurso para (i) afastar a exigência no que diz respeito à incidência da contribuição previdenciária sobre os pagamentos realizados como remuneração pelos serviços prestados por cooperados através de cooperativas de trabalho; (ii) determinar a exclusão da base de cálculo tributável dos valores relativos à "gratificação por liberalidade", da "gratificação anual" e "média da gratificação anual". (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Fl. 3377DF CARF MF 44 Fl. 3378DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11850.000110/2008-42
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed May 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 15/08/2008
MULTA ADMINISTRATIVA. ATRASO E/OU ERRO NA PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES SOBRE VEÍCULO OU CARGA NELE TRANSPORTADA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. NÃO CABIMENTO.
O benefício da denúncia espontânea não se aplica ao descumprimento de obrigações acessórias, como a de prestar informações sobre veículo ou carga transportada.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-006.492
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Érika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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MULTA POR ATRASO NA PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES SOBRE VEÍCULO OU CARGA NELE TRANSPORTADA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. Recorrente LUFTHANSA CARGO A G Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 15/08/2008 MULTA ADMINISTRATIVA. ATRASO E/OU ERRO NA PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES SOBRE VEÍCULO OU CARGA NELE TRANSPORTADA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. NÃO CABIMENTO. O benefício da denúncia espontânea não se aplica ao descumprimento de obrigações acessórias, como a de prestar informações sobre veículo ou carga transportada. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Érika Costa Camargos Autran. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 85 0. 00 01 10 /2 00 8- 42 Fl. 311DF CARF MF Processo nº 11850.000110/200842 Acórdão n.º 9303006.492 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto tempestivamente pela contribuinte contra o Acórdão nº 3802000.813, de 22/11/2011, proferido pela 2ª Turma Especial da Terceira Seção do CARF, assim ementado: Assunto: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 15/08/2008 MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO SOBRE CARGA. No caso de carga aérea procedente do exterior, constatado que o transportador não prestou as informações no sistema Mantra, na forma e no prazo previstos pela IN SRF nº 102/94, tornase aplicável a multa regulamentar prevista pelo art. 107, IV, “e”, do DecretoLei nº 37/66, com a redação dada pelo art. 77 da Lei nº 10.833/2003. Recurso Voluntário Negado Intimada da decisão, a contribuinte apresentou embargos de declaração, os quais foram parcialmente acolhidos, mas sem efeitos infringentes. Também apresentou recurso especial alegando a necessidade da exclusão da penalidade aplicada em razão da denúncia espontânea, bem como a violação ao princípio da verdade material. Alega divergência com relação ao que decidido nos Acórdãos nº 3101000.997 e 3402002.224 (primeiro tema) e 302 39.947 e 30334.671 (segundo tema). O recurso foi admitido mediante despacho do então Presidente da Segunda Câmara da Terceira Seção do CARF. Intimada, a PFN apresentou contrarrazões ao recurso. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303006.482, de 14/03/2018, proferido no julgamento do processo 11850.000098/200876, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303006.482): Fl. 312DF CARF MF Processo nº 11850.000110/200842 Acórdão n.º 9303006.492 CSRFT3 Fl. 4 3 "Presentes os demais requisitos de admissibilidade, entendemos que o recurso especial interposto pela contribuinte deve ser conhecido. Com relação à primeira matéria – a denúncia espontânea em penalidades por descumprimento de obrigações acessórias –, entendeu o acórdão recorrido que, para tais infrações, descaberia a sua aplicação, entendimento divergente dos paradigmas, que sustentaram que, no âmbito da legislação aduaneira, o instituto da denúncia espontânea aplica se para a exclusão de penalidade de natureza tributária ou administrativa. No mérito, entendemos não assistir razão à Recorrente. O fundamento em que se escora a alegação da denúncia espontânea é, como se sabe, o art. 102 do Decretolei nº 37, de 1966, na redação conferida pela Medida Provisória nº 497, de 2010, posteriormente convertida na Lei nº 12.350, de 2010, que passou a prever que a denúncia espontânea excluiria a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, de modo que, no caso tratado nos autos, a penalidade seria inexigível. Confira se: Art.102 A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade.(Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada:(Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria;(Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração.(Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 2o A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento.(Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) (g.n.) Todavia, é entendimento consolidado que os efeitos da denúncia espontânea não se estendem às penalidades pelo descumprimento de obrigações acessórias autônomas. Portanto, o dispositivo acima só alcançaria as obrigações tributária principal e administrativa, motivo por que, a propósito, editado o Verbete de jurisprudência CARF nº 49, segundo o qual “A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega da declaração.” O Poder Judiciário nunca discrepou desse entendimento. Para ilustrar: TRIBUTÁRIO. MULTA MORATÓRIA. ART. 138 DO CTN. ENTREGA EM ATRASO DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. 1.A denúncia espontânea não tem o condão de afastar a multa decorrente do atraso na entrega da declaração de rendimentos, uma vez que os efeitos do artigo 138 do CTN não se estendem às obrigações acessórias autônomas.Precedentes. 2. Recurso especial não provido. (STJ, Segunda Turma, RESP nº 1129202, Data da Publicação: 29/06/2010). No caso em análise, ademais, a penalidade aplicada não tem, a nosso juízo, natureza “aduaneira”, como entendem alguns, no sentido de constituirse uma outra modalidade, diversa das tributárias ou administrativas. O que se quer dizer com isso é que a penalidade aplicada pela legislação aduaneira, seja ela qual for, apresentase, conforme o caso, com a natureza tributária ou a administrativa. Fl. 313DF CARF MF Processo nº 11850.000110/200842 Acórdão n.º 9303006.492 CSRFT3 Fl. 5 4 Assim, a multa por falta de licenciamento não automático, quando o produto importado o requer, é administrativa, porque não tem por objeto prestações, positivas ou negativas, no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos (art. 113, § 2º, do CTN), senão que ao controle administrativo das importações. Diversa, contudo, é a penalidade aplicada nos autos, pois a finalidade de sua instituição é a de permitir o controle das operações de comércio exterior pelo Fisco, não pelos órgãos intervenientes, como o caso antes referido. O interesse, desnecessário até enfatizar, é da arrecadação e da fiscalização tributária. É cediço, aliás, que as normais gerais em Direito Tributário são matéria reservada alei complementar (como as que estabelecem os contornos da denúncia espontânea), tanto que o Supremo Tribunal Federal, por meio da Súmula Vinculante nº 8, pacificou o entendimento de que são inconstitucionais o parágrafo único do art. 5º do DecretoLei nº 1.569/1977e os arts. 45e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam da prescrição e decadência do crédito tributário. A matéria, como se sabe, já foi apreciada nesta mesma Turma, em decisão que restou assim ementada: PENALIDADE ADMINISTRATIVA. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A modificação introduzida pela Lei 12.350, de 2010, no § 2º do artigo 102 do Decretolei 37/66, que estendeu às penalidades de natureza administrativa o excludente de responsabilidade da denúncia espontânea, não se aplica nos casos de penalidade decorrente do descumprimento dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira. Recurso Especial do Contribuinte Negado. (Acórdão nº 9303003.648, de 26/04/2016). Com relação à segunda matéria, ela está umbilicalmente imbricada com a primeira. Os seguintes parágrafos dos embargos interpostos pela Recorrente bem o comprovam: Ora, a referência ao princípio da verdade material teve o claro desiderato de reconhecer o fato de que foi a Recorrente que procurou corrigir o seu erro. Entretanto, ainda que assim tenha ocorrido, esse fato, pela razões antes expostas, não tem o menor relevo para os fins de reconhecimento da denúncia espontânea, simplesmente porque, como visto, ela não alcança as obrigações tributárias acessórias. Ante o exposto, conheço do recurso especial, e, no mérito, negolhe provimento." Fl. 314DF CARF MF Processo nº 11850.000110/200842 Acórdão n.º 9303006.492 CSRFT3 Fl. 6 5 Deixouse de transcrever a declaração de voto da Conselheira Tatiana Midori Migiyama por representar entendimento que restou vencido, não se aplicando à solução do litígio neste processo. A íntegra da mencionada declaração encontrase no acórdão 9303 006.482 (paradigma). Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial do contribuinte foi conhecido e, no mérito, o colegiado negoulhe provimento. assinado digitalmente Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 315DF CARF MF
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