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Numero do processo: 15586.001870/2008-03
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jan 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Mar 13 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. PRODUTOS COM NOTAÇÃO NT NA TIPI. IMPOSSIBILIDADE.
Não tem direito ao crédito presumido de IPI, de que trata a Lei nº 9.363/96, as pessoas jurídicas que exportam produtos com notação "NT" na Tabela do IPI - TIPI.
Recurso Especial do Procurador Provido
Numero da decisão: 9303-004.573
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e rejeitar, por maioria de votos, a preliminar de retorno dos autos à Unidade de Origem, vencidos os conselheiros Demes Brito e Érika Costa Camargos Autran. No mérito, acordam, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Votou pelas conclusões o conselheiro Júlio César Alves Ramos.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício).
Nome do relator: ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
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PRODUTOS COM NOTAÇÃO NT NA TIPI. IMPOSSIBILIDADE. Não tem direito ao crédito presumido de IPI, de que trata a Lei nº 9.363/96, as pessoas jurídicas que exportam produtos com notação "NT" na Tabela do IPI TIPI. Recurso Especial do Procurador Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e rejeitar, por maioria de votos, a preliminar de retorno dos autos à Unidade de Origem, vencidos os conselheiros Demes Brito e Érika Costa Camargos Autran. No mérito, acordam, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Votou pelas conclusões o conselheiro Júlio César Alves Ramos. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 00 18 70 /2 00 8- 03 Fl. 725DF CARF MF Processo nº 15586.001870/200803 Acórdão n.º 9303004.573 CSRFT3 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício). Fl. 726DF CARF MF Processo nº 15586.001870/200803 Acórdão n.º 9303004.573 CSRFT3 Fl. 4 3 Relatório Tratase de recurso especial de divergência apresentado pela Fazenda Nacional com fundamento no art. 67 do anexo II da Portaria MF nº 256/2009, antigo Regimento do CARF, contra o Acórdão nº 310100941, de 11/11/2011, proferido pela 1ª Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF, o qual possui a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003 IPI RESSARCIMENTO. EXPORTAÇÃO. CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO PISPASEP E COFINS. CONCEITO DE RECEITA DE EXPORTAÇÃO. A norma jurídica instituidora do benefício fiscal atribui ao Ministro de Estado da Fazenda a competência para definir “receita de exportação” e para o período pleiteado a receita deve corresponder a venda para o exterior de produtos industrializados, conforme fato gerador do IPI, não sendo confundidos com produtos “NT” que se encontram apenas fora do campo abrangido pela tributação do imposto. “IPI – CRÉDITO PRESUMIDO – RESSARCIMENTO – AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS – A base de cáculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matérias primas, produtos intermediários, e material de embalagem referidos no art. 1º da Lei nº 9.363, de 13.12.96, do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador (art. 2º da Lei nº 9.363/96). A lei citada referese a “valor total” e não prevê qualquer exclusão. As Instruções Normativas nºs 23/97 e 103/97 inovaram o texto da Lei nº 9.363, de 13.12.96, ao estabelecerem que o crédito presumido de IPI será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas à COFINS e às Contribuições ao PIS/PASEP (IN nº 23/97), bem como que as matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem adquiridos de cooperativas não geram direito ao crédito presumido (IN nº 103/97). Tais exclusões somente poderiam ser feitas mediante Lei ou Medida Provisória, visto que as Instruções Normativas são normas complementares das leis (art. 100 do CTN) e não podem transpor, inovar ou modificar o texto da norma que complementam. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE Fl. 727DF CARF MF Processo nº 15586.001870/200803 Acórdão n.º 9303004.573 CSRFT3 Fl. 5 4 O recurso especial versa somente sobre a parte destacada da ementa acima transcrita e diz respeito à possibilidade de aproveitamento de crédito presumido de IPI na exportação de produtos classificados na TIPI Tabela do IPI como NT (Não Tributados). A DRF/VitóriaES, por meio do Despacho Decisório, fl. 468, deferiu parcialmente pedido de ressarcimento decorrente de crédito presumido de IPI formulado pelo contribuinte, em relação ao 3º trimestre/2003, com base na Lei nº 9.363/96. Entre os valores glosados encontrase os referentes à exportação de produtos NT (fertilizante código TIPI 3103.10.30 e 3105.20.00), por estarem fora do conceito de industrialiação. Os demais valores glosados não interessam à discussão por não estarem submetidos ao presente julgamento. A DRJ/Juiz de ForaMG decidiu referida matéria confirmando o entendimento da fiscalização quanto à impossibilidade de tal creditamento. Transcrevese parte da ementa quanto ao assunto em pauta: (...) 4. CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. EXPORTAÇÃO DE PRODUTO NT. O direito ao crédito presumindo do IPI instituído pela Lei n° 9.363/96 condicionase a que os produtos estejam dentro do campo de incidência do imposto, não estando, por conseguinte, alcançados pelo beneficio os produtos nãotributados (NT). (...) Porém, como vimos, o acórdão recorrido afastou este entendimento, admitindo a possibilidade do crédito presumido de IPI de que trata a Lei nº 9.363/96, nos casos de exportação de produtos notados como NT na TIPI. Em seu recurso especial, fls. 638/648, a Fazenda Nacional combate os argumentos da decisão recorrida. Afirma em síntese que não há previsão legal para a concessão de crédito presumido para os produtos NT e que a Lei nº 9.363/96 somente permitiu referido crédito aos estabelecimentos industriais no conceito restrito estabelecido pela legislação do IPI. O recurso especial da Fazenda Nacional foi admitido, por meio do despacho de fls. 650/652. Devidamente cientificado do acórdão recorrido, do recurso especial e despacho de admissibilidade, o contribuinte apresentou embargos de declaração ao acórdão recorrido, fls. 658/668. Porém os embargos foram rejeitados pelo Acórdão nº 3402003.054, de 28/04/2016, fls. 699/704, cuja ementa abaixo transcrevese: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/07/2003 A 30/09/2003 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO OMISSÃO INEXISTÊNCIA. Fl. 728DF CARF MF Processo nº 15586.001870/200803 Acórdão n.º 9303004.573 CSRFT3 Fl. 6 5 A OMISSÃO DO COLEGIADO SOBRE DETERMINADO ASPECTO DO LITÍGIO DÁ AZO A EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. PORÉM, QUANDO A OMISSÃO NÃO EXISTE, HÁ DE SER REJEITADO OS EMBARGOS DECLARATÓRIOS. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO REJEITADOS. Concomitante à apresentação de referidos embargos, o contribuinte apresentou contrarrazões, fls. 675/692, ao recurso especial da Fazenda Nacional. Defende a manutenção da decisão recorrida nesta matéria e aborda as questões legais pelas quais entende que o crédito presumido do IPI não é restrito aos produtos que constam com alíquota positiva ou zero na TIPI. Afirma que a Lei nº 9.363/96 "vinculou o benefício do crédito presumido do IPI às exportações de mercadorias, e não apenas a produto industrializado, espécie do gênero 'mercadoria'". O contribuinte, após tomar ciência do acórdão que rejeitou os seus embargos de declaração e após o presente processo ter sido distribuído a esse relator para julgamento do recurso especial, apresentou a petição de fls. 716/720, em que afirma que antes do julgamento do recurso especial apresentado pela Fazenda Nacional, o processo deveria retornar à Delegacia da Receita Federal de Julgamento, conforme foi determinado pelo acórdão recorrido. É o relatório. Fl. 729DF CARF MF Processo nº 15586.001870/200803 Acórdão n.º 9303004.573 CSRFT3 Fl. 7 6 Voto Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal Relator. O recurso especial da Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos requisitos formais de admissibilidade. Os acórdãos paradigmas apresentados pela Fazenda Nacional representam bem a divergência de interpretação e, portanto, deve ser conhecido, ressaltando que em suas contrarrazões, o contribuinte não contestou aspectos relativos ao conhecimento do recurso. Inicialmente é necessário destacar que o contribuinte está equivocado em relação ao seu entendimento manifestado na petição de fls. 716/720, na qual defende que, antes do julgamento do recurso especial apresentado pela Fazenda Nacional, o processo deveria retornar à Delegacia da Receita Federal de Julgamento, nos termos em que foi determinado pelo acórdão recorrido. Cumpre esclarecer que para um acórdão ser cumprido é necessário o seu trânsito em julgado. Com a apresentação do recurso especial pela Fazenda Nacional, inclusive em matéria que prejudica o cumprimento dos seus termos, torna obrigatório a sua apreciação por esse colegiado. Mérito Tratase de matéria antiga no âmbito do contencioso administrativo e a controvérsia resumese em saber se há a possibilidade de aproveitamento de crédito presumido de IPI, de que trata o art. 1º da Lei nº 9.363/96, na produção e exportação de produtos classificados na Tabela do IPI com notação "NT" (não tributados). Analisemos então o que consta da Lei nº 9.363/96 que instituiu o benefício do crédito presumido: Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. (...) Art. 3º .... Parágrafo único. Utilizarseá, subsidiariamente, a legislação do Imposto de Renda e do Imposto sobre Produtos Industrializados para o estabelecimento, respectivamente, dos Fl. 730DF CARF MF Processo nº 15586.001870/200803 Acórdão n.º 9303004.573 CSRFT3 Fl. 8 7 conceitos de receita operacional bruta e de produção, matéria prima, produtos intermediários e material de embalagem. Nesse momento é importante destacar que a lei determinou o benefício para a empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais. Se quisesse abarcar todos os exportadores, não necessitaria de incluir a palavra produtora. Seria inócuo. E ao incluir a palavra produtora, determinou no parágrafo único do art. 3º que deve ser utilizada a legislação do IPI para a busca da definição do que se entende por produção. Como é sabido, a lei que trata de concessão de benefícios fiscais deve ter sua aplicação restritiva, com interpretação literal, para atingir somente os casos expressamente permitidos. É o que se extrai, por exemplo, do disposto da leitura do art. 111 do CTN. Sendo assim, a legislação do IPI não considera estabelecimento industrial, ou produtor, para fins do tributo, aqueles que produzem produtos que estão fora do seu campo de incidência. Veja como o Regulamento do IPI disciplina a matéria. Transcrevese abaixo artigos do RIPI/2002 que era o vigente à época dos fatos, mas nada mudou a respeito deste assunto no atual regulamento: Art. 2º O imposto incide sobre produtos industrializados, nacionais e estrangeiros, obedecidas as especificações constantes da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI (Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, art. 1º, e DecretoLei nº 34, de 18 de novembro de 1966, art. 1º). Parágrafo único. O campo de incidência do imposto abrange todos os produtos com alíquota, ainda que zero, relacionados na TIPI, observadas as disposições contidas nas respectivas notas complementares, excluídos aqueles a que corresponde a notação "NT" (nãotributado) (Lei nº 10.451,de 10 de maio de 2002, art. 6º). (...) Art. 8º Estabelecimento industrial é o que executa qualquer das operações referidas no art. 4º, de que resulte produto tributado, ainda que de alíquota zero ou isento (Lei nº 4.502, de 1964, art. 3º). Do conjunto dessa leitura, concluise que os produtos "NT" (NÃO TRIBUTADOS) estão fora do conceito de produtos industrializados estabelecidos pela legislação do IPI. Assim, quem os produz, não são considerados estabelecimentos industriais para fins dessa legislação. Assim vem decidindo este colegiado. Para um melhor entendimento transcrevo abaixo trecho de um voto do exConselheiro Henrique Pinheiro Torres proferido no Acórdão nº 20216.066: (...) A meu sentir, a posição mais consentânea com a norma legal é aquela pela exclusão dos valores correspondentes às exportações dos produtos não tributados (NT) pelo IPI, já que, nos termos do caput do art. 10 da Lei n° 9.363/1996, Fl. 731DF CARF MF Processo nº 15586.001870/200803 Acórdão n.º 9303004.573 CSRFT3 Fl. 9 8 instituidora desse incentivo fiscal, o crédito é destinado, tãosomente, às empresas que satisfaçam, cumulativamente, dentre outras, a duas condições: a) ser produtora; b) ser exportadora. Isso porque os estabelecimentos processadores de produtos NT não são, para efeitos da legislação fiscal, considerados como produtor. Isso ocorre porque, as empresas que fazem produtos não sujeitos ao IPI, de acordo com a legislação fiscal, em relação a eles, não são consideradas como estabelecimentos produtores, pois, a teor do art. 3º da Lei nº 4.502/1964, considera se estabelecimento produtor todo aquele que industrializar produtos sujeitos ao imposto. Ora, como é de todos sabido, os produtos constantes da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI com a notação NT (Não Tributados) estão fora do campo de incidência desse tributo federal. Por conseguinte, não estão sujeitos ao imposto. Ora, se nas operações relativas aos produtos não tributados a empresa não é considerada como produtora, não satisfaz, por conseguinte, a uma das condições a que está subordinado o beneficio em apreço, o de ser produtora. Por outro lado, não se pode perder de vista o escopo desse favor fiscal que é o de alavancar a exportação de produtos elaborados, e não a de produtos primários ou semielaborados. Para isso, o legislador concedeu o incentivo apenas aos produtores, aos industriais exportadores. Tanto é verdade, que, afora os produtoresexportadores, nenhum outro tipo de empresa foi agraciada com tal beneficio, nem mesmo as trading companies, reforçandose assim, o entendimento de que o favor fiscal em foco destinase, apenas, aos fabricantes de produtos tributados a serem exportados. Cabe ainda destacar que assim como ocorre com o crédito presumido, vários outros incentivos à exportação foram concedidos apenas a produtos tributados pelo IPI (ainda que sujeitos à aliquota zero ou isentos). Como exemplo podese citar o extinto créditoprêmio de IPI conferido ao industrial exportador, e o direito à manutenção e utilização do crédito referente a insumos empregados na fabricação de produtos exportados. Neste caso, a regra geral é que o beneficio alcança apenas a exportação de produtos tributados (sujeitos ao imposto); se se referir a NT, só haverá direito a crédito no caso de produtos relacionados pelo Ministro da Fazenda, como previsto no parágrafo único do art. 92 do RIPI/1982. Outro ponto a corroborar o posicionamento aqui defendido é a mudança trazida pela Medida Provisória nº 1.50816, consistente na inclusão de diversos produtos no campo de incidência do IPI, a exemplo dos frangos abatidos, cortados e embalados, que passaram de NT para alíquota zero. Essa mudança na tributação veio justamente para atender aos anseios dos exportadores, que puderam, então, usufruir do crédito presumido de IPI nas exportações desses produtos. Diante de todas essas razões, é de se reconhecer que os produtos exportados pela reclamante, por não estarem incluídos no campo de incidência do IPI, já que constam da tabela como NT (não tributado), não geram crédito presumido de IPI. (...) Cumpre lembrar também recente decisão desta CSRF no Acórdão nº 9303 003.462, de 23/02/2016, relatoria do Presidente da 3ª Seção de Julgamento, Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, que ficou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Fl. 732DF CARF MF Processo nº 15586.001870/200803 Acórdão n.º 9303004.573 CSRFT3 Fl. 10 9 Período de apuração: 01/01/1999 a 31/03/1999 IPI. CRÉDITOS. PRODUTOS NÃO TRIBUTADOS (NT). A exportação de produtos NT não gera direito ao aproveitamento do crédito presumido do IPI, Lei nº 9.363/96, por não estarem os produtos dentro do campo de incidência do imposto. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Diante de tudo exposto, voto por dar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. Ressaltese que não há matéria de direito pendente de julgamento no presente processo, fato que não justifica o retorno dos autos à instância julgadora de primeira instância. O presente processo deve retornar à unidade de origem para liquidação dos valores remanescentes favoráveis ao contribuinte no julgamento do acórdão recorrido. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Relator Fl. 733DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10865.720310/2008-93
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Mar 16 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 03 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2004
ESTIMATIVA. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE.
Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação (Súmula CARF nº 84).
Numero da decisão: 9101-002.654
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento, com retorno dos autos à Unidade de origem para verificação da certeza e liquidez do crédito tributário.
Fez sustentação oral o patrono do contribuinte, Dr. Gustavo Froner Minatel, OAB-SP 210198, escritório Minatel Advogados.
[assinado digitalmente]
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 ESTIMATIVA. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação (Súmula CARF nº 84). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negarlhe provimento, com retorno dos autos à Unidade de origem para verificação da certeza e liquidez do crédito tributário. Fez sustentação oral o patrono do contribuinte, Dr. Gustavo Froner Minatel, OABSP 210198, escritório Minatel Advogados. [assinado digitalmente] Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 72 03 10 /2 00 8- 93 Fl. 268DF CARF MF Processo nº 10865.720310/200893 Acórdão n.º 9101002.654 CSRFT1 Fl. 3 2 Tratase de Recurso Especial apresentado pela Fazenda Nacional contra o Acórdão nº 120100.412, que julgou o recurso voluntário interposto pela contribuinte acerca da possibilidade de compensação de créditos de pagamentos de estimativas. O Acórdão recorrido deu provimento ao recurso voluntário para afastar o argumento jurídico da não homologação, entendendo ser possível a compensação de créditos de pagamentos de estimativas. Em seguida, para comprovar a divergência de interpretação necessária ao conhecimento do seu recurso, a Fazenda Nacional interpôs o presente recurso especial de divergência, por entender que a decisão de reconhecer a possibilidade de compensação do valor indevidamente pago, ou pago a maior, de estimativa é fruto de interpretação da legislação tributária que conflita com a interpretação adotada no acórdão paradigma colacionado aos autos. O recurso foi admitido por meio do despacho do Presidente da Câmara. Após, sobrevieram contrarrazões em que o sujeito passivo defende o acerto da decisão questionada e pugna pela sua manutenção. É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9101002.610, de 16/03/2017, proferido no julgamento do processo 10280.900603/200912, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9101002.610): O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele tomo conhecimento, na forma como foi admitido. O contribuinte apresentou DCOMP apontando indébito oriundo de pagamento a maior de estimativa. Ao apreciar a referida declaração, a Receita Federal não homologou a compensação, sob o fundamento de que o pagamento de estimativa não é passível de compensação, devendo compor a apuração anual do tributo. A decisão recorrida foi no sentido oposto, reconhecendo o direito de o contribuinte compensar o indébito de estimativa, devolvendo os autos para a unidade de origem, para verificação da certeza e liquidez do crédito tributário pleiteado, vez que essa matéria ainda não sofreu apreciação pela Administração Tributária. Fl. 269DF CARF MF Processo nº 10865.720310/200893 Acórdão n.º 9101002.654 CSRFT1 Fl. 4 3 O recurso especial veio para que esta Câmara Superior reforme a decisão recorrida, restabelecendo a declaração de impossibilidade de o contribuinte compensar crédito de estimativa, nos termos da legislação infralegal então em vigor. Todavia, a IN RFB nº 900, de 2008, retirou a referida proibição do ordenamento tributário e é pacífico na jurisprudência administrativa o entendimento de que seus efeitos devem retroagir para alcançar as compensações pendentes de decisão administrativa. Esse entendimento é adotado pela própria Administração Tributária, exteriorizado por meio da Solução de Consulta Interna Cosit n° 19, de 05/12/2011, assim ementada: ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. O art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicandose, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1º de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa. Caracterizase como indébito de estimativa inclusive o pagamento a maior ou indevido efetuado a este título após o encerramento do período de apuração, seja pela quitação do débito de estimativa de dezembro dentro do prazo de vencimento, seja pelo pagamento em atraso da estimativa devida referente a qualquer mês do período, realizado em ano posterior ao do período da estimativa apurada, mesmo na hipótese de a restituição ter sido solicitada ou a compensação declarada na vigência das IN SRF nº 460, de 2004, e IN SRF nº 600, de 2005. A nova interpretação dada pelo art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, aplicase inclusive aos PER/DCOMP retificadores apresentados a partir de 1º de janeiro de 2009, relativos a PER/DCOMP originais transmitidos durante o período de vigência da IN SRF nº 460, de 2004, e IN SRF nº 600, de 2005, desde que estes se encontrem pendentes de decisão administrativa. No âmbito deste Tribunal Administrativo, a matéria foi pacificada por meio da Súmula CARF nº 84: Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Por todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso especial da Procuradoria, com retorno dos autos à unidade de origem para verificação da certeza e liquidez do crédito tributário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, conheço do recurso especial da Fl. 270DF CARF MF Processo nº 10865.720310/200893 Acórdão n.º 9101002.654 CSRFT1 Fl. 5 4 Fazenda Nacional, e, no mérito, negolhe provimento, com retorno dos autos à unidade de origem para verificação da certeza e liquidez do crédito tributário. assinado digitalmente Carlos Alberto Freitas Barreto Fl. 271DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10111.000356/2007-24
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu May 11 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 20/04/2007
OMISSÃO. EMBARGO. CABIMENTO.
Verificado vício de omissão nas decisões exaradas em segunda instância administrativa, cabíveis embargos de declaração, nos moldes do art. 65 do RICARF/2015.
MODIFICAÇÃO DE CRITÉRIO JURÍDICO. MATÉRIA NÃO DEDUZIDA EM IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO. VERIFICAÇÃO.
Constatada a ausência de questionamento em impugnação, in casu, a modificação de critério jurídico do lançamento, considera-se incontroversa a matéria, a teor do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, não sendo admissível a renovação da altercação em sede recurso voluntário, por verificação da preclusão consumativa.
PRÁTICAS REITERADAS. INEXISTÊNCIA. EXCLUSÃO DE MULTA E JUROS. DESCABIMENTO.
Não consubstanciam práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas a adoção de entendimentos exarados por atos administrativos baixados pela RFB, quando obedecida a sua vigência e a aplicação contemporânea aos casos concretos submetidos, não havendo razão para exoneração de multa e juros, com base no art. 100 do Código Tributário Nacional.
Embargos rejeitados.
Numero da decisão: 3401-003.507
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos, reconhecendo-se as omissões, que foram supridas pelo colegiado, sendo rejeitada a demanda pela aplicação, ao caso, do artigo 100 do Código Tributário Nacional (CTN), e não conhecida a alegação de aplicação do artigo 146 da mesma codificação, por preclusão. Os Conselheiros Eloy Eros da Silva Nogueira e André Henrique Lemos votaram pelas conclusões, porque analisavam a alegação referente ao artigo 146 do CTN, e a rejeitavam, no mérito.
Rosaldo Trevisan Presidente
Robson José Bayerl Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge DOliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 20/04/2007 OMISSÃO. EMBARGO. CABIMENTO. Verificado vício de omissão nas decisões exaradas em segunda instância administrativa, cabíveis embargos de declaração, nos moldes do art. 65 do RICARF/2015. MODIFICAÇÃO DE CRITÉRIO JURÍDICO. MATÉRIA NÃO DEDUZIDA EM IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO. VERIFICAÇÃO. Constatada a ausência de questionamento em impugnação, in casu, a modificação de critério jurídico do lançamento, considera-se incontroversa a matéria, a teor do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, não sendo admissível a renovação da altercação em sede recurso voluntário, por verificação da preclusão consumativa. PRÁTICAS REITERADAS. INEXISTÊNCIA. EXCLUSÃO DE MULTA E JUROS. DESCABIMENTO. Não consubstanciam práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas a adoção de entendimentos exarados por atos administrativos baixados pela RFB, quando obedecida a sua vigência e a aplicação contemporânea aos casos concretos submetidos, não havendo razão para exoneração de multa e juros, com base no art. 100 do Código Tributário Nacional. Embargos rejeitados.
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EMBARGO. CABIMENTO. Verificado vício de omissão nas decisões exaradas em segunda instância administrativa, cabíveis embargos de declaração, nos moldes do art. 65 do RICARF/2015. MODIFICAÇÃO DE CRITÉRIO JURÍDICO. MATÉRIA NÃO DEDUZIDA EM IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO. VERIFICAÇÃO. Constatada a ausência de questionamento em impugnação, in casu, a modificação de critério jurídico do lançamento, considerase incontroversa a matéria, a teor do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, não sendo admissível a renovação da altercação em sede recurso voluntário, por verificação da preclusão consumativa. PRÁTICAS REITERADAS. INEXISTÊNCIA. EXCLUSÃO DE MULTA E JUROS. DESCABIMENTO. Não consubstanciam práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas a adoção de entendimentos exarados por atos administrativos baixados pela RFB, quando obedecida a sua vigência e a aplicação contemporânea aos casos concretos submetidos, não havendo razão para exoneração de multa e juros, com base no art. 100 do Código Tributário Nacional. Embargos rejeitados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos, reconhecendose as omissões, que foram supridas pelo colegiado, sendo rejeitada a AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 11 1. 00 03 56 /2 00 7- 24Fl. 772DF CARF MF 2 demanda pela aplicação, ao caso, do artigo 100 do Código Tributário Nacional (CTN), e não conhecida a alegação de aplicação do artigo 146 da mesma codificação, por preclusão. Os Conselheiros Eloy Eros da Silva Nogueira e André Henrique Lemos votaram pelas conclusões, porque analisavam a alegação referente ao artigo 146 do CTN, e a rejeitavam, no mérito. Rosaldo Trevisan – Presidente Robson José Bayerl – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge D’Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório Tratase de auto de infração de classificação fiscal relativo a mercadoria constante da DI 07/05128428, abrangendo multa por erro de classificação e diferenças de tributos. A impugnação argumentou a nulidade do lançamento, por inépcia; discorreu sobre o equipamento importado; defendeu a classificação fiscal adotada, com fulcro em laudo técnico; deduziu razões de ordem econômica para improcedência da autuação; e, aduziu o descabimento das multas e dos juros de mora, com fulcro no art. 100, III, parágrafo único do Código Tributário Nacional. A DRJ Fortaleza/CE manteve o lançamento em decisão assim ementada: “INÉPCIA DO LANÇAMENTO. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. INOCORRÊNCIA. É válido o lançamento cuja descrição das ocorrências e enquadramento legal permitam a perfeita compreensão dos fatos pelo autuado, conforme demonstra o teor da defesa apresentada. TERMINAL MÓVEL DE COMUNICAÇÃO DO SISTEMA OMNISAT. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. O Terminal Móvel de Comunicação do Sistema OmniSAT se enquadra no código 8526.91.00 da Nomenclatura Comum do Mercosul, pois se trata de uma combinação de máquinas cuja função principal é desempenhada pelo receptor GPS nele inserido, que fornece as informações necessárias para a supervisão do deslocamento do veículo em que ele é instalado. ERRO NA CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE PRODUTO IMPORTADO. MULTA ESPECÍFICA. DIFERENÇAS DE TRIBUTOS. Fl. 773DF CARF MF Processo nº 10111.000356/200724 Acórdão n.º 3401003.507 S3C4T1 Fl. 11 3 O erro na classificação fiscal de mercadoria importada configura infração punível com multa específica, sem prejuízo da cobrança de ofício das diferenças de tributos eventualmente apuradas, com os acréscimos legais. COSTUME ADMINISTRATIVO. PUBLICAÇÃO DE ATO FIXANDO O ENTENDIMENTO DA ADMINISTRAÇÃO. FATOS POSTERIORES. Diante da publicação de ato que fixe entendimento diferente do que vinha sendo aceito pela Administração anteriormente, não há falar em costume administrativo em relação aos fatos posteriores a esse ato.” Em recurso voluntário o contribuinte teceu considerações sobre suas atividades e o equipamento importado; defendeu a inaplicabilidade da classificação adotada para aparelhos de radionavegação; citou precedentes do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e soluções de consulta de aparelhos similares; abordou os laudos técnicos apresentados; e, rechaçou a possibilidade de alteração do critério jurídico e também o cabimento das multas e dos juros respectivos. Alicerçada na informação de opção pela via judicial, consubstanciada na Ação Ordinária nº 004787847.2014.4.01.3400, Seção Judiciária do Distrito Federal, Tribunal Regional Federal da 1ª Região, a 1ª Turma Especial, através do Acórdão 3801004.294, de 17/09/2014, declarou a concomitância das discussões e não conheceu do recurso voluntário. Cientificado da decisão, o contribuinte interpôs embargo de declaração alegando omissão do julgado quanto à impossibilidade de modificação de critério jurídico e a inaplicabilidade das multas e juros moratórios, matérias não deduzidas perante o Poder Judiciário. Os embargos foram admitidos pelo presidente do colegiado argüido e, posteriormente, redistribuídos por sorteio, em função de reorganização do órgão, promovida pela Portaria MF 343/2015. É o relatório. Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator Os embargos de declaração manobrados preenchem os requisitos formais de admissibilidade. Preamburlamente, cabe examinar o objeto da demanda judicial instalada e a sua coincidência com as questões postas no contencioso administrativo, bem assim os efeitos processuais daí decorrentes, para então verificar a existência da ventilada omissão. Consoante petição inicial juntada aos autos, o pedido do recorrente, na esfera judicial, no que tange ao mérito, consistiu na i) declaração de inexistência de relação jurídico tributária que autorizasse a União a exigir a classificação na posição 8526.91.00 da NCM, ii) o reconhecimento do direito de classificar o produto importado na posição 8517.62.71 e, ainda, Fl. 774DF CARF MF 4 iii) a determinação da anulação dos autos de infração que cita, dentre eles, o albergado pelo presente processo. Em 26/06/2015 foi proferida sentença julgando procedente o pedido formulado, estando o dispositivo vazado nos seguintes termos: “Ante o exposto, JULGO PROCEDENTE O PEDIDO para: a) DECLARAR a inexistência de relação jurídico tributária oriunda da classificação fiscal do MCT como aparelho de radionavegação, atualmente enquadrado na posição 8526.91.00 da NCM; b) DECLARAR o direito da autora de classificar o MCT na posição reservada a aparelhos de comunicação; c) ANULAR os créditos tributários constituídos contra a autora, em razão da não classificação fiscal do MCT como aparelho de radionavegação (posição 8526.91.00), determinandose, ainda, o cancelamento dos autos de infração descritos no itens b.3 e b.4; d) AFASTAR as penalidades aplicadas e, em especial, a multa do IPI; Condeno a União ao pagamento das custas em ressarcimento e honorários advocatícios sucumbenciais, que fixo em R$10.000,00 (dez mil reais), já observado o disposto no art. 20, §4º, do CPC.” (sublinhado) Atualmente o processo judicial aguarda julgamento de apelação pelo TRF 1ª Região. Como se vê, há pedido expresso, devidamente acolhido, ainda que pendente de recurso, para declarar o cancelamento do lançamento abrigado neste processo administrativo. É certo que, em âmbito judicial, o recorrente não expôs a impossibilidade de modificação de critério jurídico, em sede de revisão aduaneira, tampouco o cabimento das multas e juros, com lastro no art. 100 do Código Tributário Nacional, como fundamento de seu pedido; todavia, o pedido formalizado, tanto administrativa como judicialmente, é idêntico, qual seja, a declaração de improcedência da autuação, de modo que, sob esse ângulo, a concomitância é patente. Dessarte, a delimitação da lide é feita pelo pedido apresentado, que sobre ele deverá se manifestar e decidir a autoridade julgadora correspondente, sendo a parte dispositiva dessa decisão aquela que oferecerá a resposta ao pleito, sendo essa a parte sujeita ao trânsito em julgado e, por via de conseqüência, à imutabilidade típica da coisa julgada. Como existe decisão de mérito no processo judicial, a formação da coisa julgada é inexorável, incidindo na espécie a inteligência do art. 508 do Código de Processo Civil, segundo o qual, transitada em julgado a decisão, considerarseão deduzidas e repelidas todas as alegações e as defesas que a parte poderia opor, tanto ao acolhimento quanto à rejeição do pedido. De qualquer modo, entendo que, mesmo omisso o acórdão arguido, no mérito, não merece acolhida o aclaratório manobrado, haja vista que, em relação à impossibilidade de modificação do critério jurídico, verificouse a preclusão consumativa da Fl. 775DF CARF MF Processo nº 10111.000356/200724 Acórdão n.º 3401003.507 S3C4T1 Fl. 12 5 matéria, a teor dos arts. 16, III e 17 do Decreto nº 70.235/72, porquanto não integrante da impugnação protocolada. Respeitante ao descabimento das penalidades e juros moratórios, com lastro no art. 100, III e parágrafo único do CTN, pela pretensa observância das práticas reiteradas adotadas pelas autoridades administrativas, temse que a aceitação da classificação fiscal empregada pelo contribuinte nas declarações de importação que cita, por parte da fiscalização, é anterior à edição do ADI SRF nº 22, de 20/08/2004, que modificou o entendimento oficial acerca da classificação fiscal da mercadoria importada, como anotado pela decisão recorrida, verbis: “Em sede de pedido alternativo, a impugnante solicita a dispensa dos juros e multas, com base no disposto no art. 100, inciso III e parágrafo único, do CTN. Suscita que desde o início de suas operações vinha promovendo a importação do equipamento em foco, sem que houvesse nenhuma contestação por parte dos fiscais alfandegários. Assim, estaria caracterizada a ocorrência de prática reiteradamente observada pela autoridade administrativa, o que elidiria a cobrança de penalidades e de juros na exação sob exame. Também em relação a esse aspecto não assiste razão à defesa. Com a edição do Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 14/2003, publicado no DOU de 4/9/2003, a Receita Federal oficializou seu entendimento quanto à classificação fiscal dos equipamentos ali indicados, em cuja descrição se enquadrava o caso MCT, conforme se demonstra: (...) Assim, ainda que em períodos anteriores ao referido ADI o MCT viesse sendo desembaraçado em código distinto, como alega a defesa, não há falar em costume administrativo em relação a operações posteriores à publicação desse Ato, realizadas em desconformidade com a orientação nele formalizada. O ADI 14/2003 supriu eventual necessidade de norma complementar para definir a classificação fiscal dos equipamentos nele indicados. As operações contrárias a ele, na realidade, passaram a ser frontalmente ilegais. A partir da vigência desse Ato, embora o mesmo tenha sido revogado pelo ADI SRF nº 22/2004, verificase que a fiscalização aduaneira continuou a classificar o MCT no mesmo código anteriormente definido (8526.91.00). Como o importador insistiu em utilizar classificação fiscal diferente, as importações desse equipamento passaram a ser objeto de autuação, e só foram desembaraçadas sem a Fl. 776DF CARF MF 6 correção do enquadramento tarifário por determinação judicial.” Ou seja, não se identifica qualquer “prática reiterada”, por parte das autoridades fiscais, contemporânea ao registro da declaração de importação lançada, no sentido de acatar a classificação reclamada pelo contribuinte. Portanto, não há qualquer ressalva a ser feita à decisão embargada, que, mesmo não fazendo remissão específica às teses expostas e ora apontadas como omissas, reconheceu acertadamente a concomitância das discussões e a renúncia à discussão administrativa, não havendo qualquer vício de declaração que a conspurque. Com estas considerações, voto por conhecer dos embargos quanto às omissões apontadas e, no mérito, negar provimento ao recurso. Robson José Bayerl Fl. 777DF CARF MF
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Numero do processo: 10925.002977/2007-78
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon May 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2006
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO.
Cabíveis Embargos de Declaração para sanar omissão apontada no Recurso Voluntário.
INEXISTÊNCIA DE PREJUDICIALIDADE.
Não se confundem o objeto do presente processo administrativo (Ressarcimento de Cofins) com ação judicial que tem por objeto o Ressarcimento de Créditos de IPI.
Numero da decisão: 3201-002.630
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os Embargos de Declaração.
(assinado digitalmente)
WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente Substituto
(assinado digitalmente)
TATIANA JOSEFOVICZ BELISÁRIO - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente Substituto), Mércia Helena Trajano D'Amorim; Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, José Luiz Feistauer de Oliveira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Cleber Magalhaes, Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo.
Nome do relator: TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2006 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. Cabíveis Embargos de Declaração para sanar omissão apontada no Recurso Voluntário. INEXISTÊNCIA DE PREJUDICIALIDADE. Não se confundem o objeto do presente processo administrativo (Ressarcimento de Cofins) com ação judicial que tem por objeto o Ressarcimento de Créditos de IPI. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os Embargos de Declaração. (assinado digitalmente) WINDERLEY MORAIS PEREIRA Presidente Substituto (assinado digitalmente) TATIANA JOSEFOVICZ BELISÁRIO Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente Substituto), Mércia Helena Trajano D'Amorim; Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, José Luiz Feistauer de Oliveira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Cleber Magalhaes, Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 00 29 77 /2 00 7- 78 Fl. 830DF CARF MF 2 Relatório Consoante acórdão proferido em sede de Recurso Voluntário, é o relatório do feito: Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto o relato do órgão julgador de primeira instância até aquela fase: Trata o presente processo de Pedido de Ressarcimento, cumulado com pedido de compensação, de créditos de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, nãocumulativa, decorrentes de operações no mercado interno, que remanesceram ao final do quarto trimestre de 2006, após as deduções do valor das contribuições a recolher, concernentes às demais operações. Na apreciação do pleito, manifestouse a Delegacia da Receita Federal em Joaçaba/SC pelo seu deferimento parcial, fazendoo com base no não acatamento da apuração de créditos em relação às seguintes operações: (a) aquisição de embalagens destinadas ao transporte dos produtos industrializados: entendeu a autoridade fiscal que não geram direito de crédito, por não se enquadram no conceito de insumo, as aquisições de materiais empregados em embalagens exclusivamente de transporte. (b) duplicidades: foram glosados valores referentes a despesas com empilhadeiras, informados como insumos no DACON, por já terem sido declarados em linha própria Linha 06 – Despesas de alugueis de máquinas e equipamentos locados de pessoa jurídica; (c) depreciação sobre máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado: foram glosados os créditos efetuados a título de depreciação relativos a bens do ativo imobilizado adquiridos antes de 01/05/2004, face a limitação da utilização desse tipo de crédito imposta pela Lei nº 10.865/2004; os demais créditos foram glosados em razão de a autoridade fiscal considerar que as máquinas e equipamentos não são utilizados na produção de bens destinados à venda, no caso, a produção de maçã. Irresignada com o deferimento apenas parcial de seu pleito, encaminhou a contribuinte sua manifestação de inconformidade, por meio da qual contesta a decisão da DRF/Joaçaba/SC, pelas razões a seguir expostas. A contribuinte inicia contestando a glosa dos créditos relativos às aquisições de embalagens. Primeiro, esclarece que parte do total glosado referese a embalagens de transporte, que independentemente de sua função, consistem de insumos consumidos no processo de industrialização. Em relação à outra parte do valor glosado, afirma referiremse a embalagens aplicadas no Fl. 831DF CARF MF Processo nº 10925.002977/200778 Acórdão n.º 3201002.630 S3C2T1 Fl. 831 3 acondicionamento de seu produto, que por objetivarem destacar e valorizar as frutas aos olhos do consumidor, caracterizamse como sendo de apresentação, e, portanto, dando direito de crédito. Assim argumenta: O acondicionamento da fruta ocorre após ultrapassado a fase de beneficiamento, as frutas dentro das caixas, são dispostas em camadas, assentadas em bandejas especialmente projetadas para separar, em cavidades, uma fruta da outra, mostrando ao consumidor o bom porte da maçã. Inclusive objetivando acentuar a característica da fruta, promovendo o produto. A própria cor da bandeja merece menção em razão de sua notória influência da apresentação da maçã frente ao consumidor, destacando a fruta, de cor vermelha em oposição a cor da bandeja. Referido acondicionamento é feito em caixas de papelão com bom acabamento em sua parte externa, contendo dizeres, figuras e símbolos de fins promocionais, impressos com a finalidade de valorizar o produto. Conforme pode ser observado, o processo de acondicionamento aos quais as maçãs são submetidas possui o objetivo de promover o produto através de sua apuradas apresentação aos olhos dos potenciais consumidores, preservando, também, a sua integridade, mas não somente isso. Argumenta que a legislação em vigor permite a utilização de créditos das compras de embalagens, considerada insumos pela requerente, sem a restrição imposta pela autoridade fiscal. Nesse sentido, faz expressa remissão ao inciso II do art. 3º da Lei nº 10.637 e ao Art. 66 na IN/SRF 247/2002 para fins de afirmar que tanto a Lei quanto os atos da Receita Federal, quando tratam de insumos, o fazem incluindo entre eles as embalagens, sem quaisquer restrições, já que elas (as embalagens) fazem parte do produto final destinado à venda. Traz a consulta respondida pela SRRF da 8.a Região Fiscal, a fim de corroborar a acepção ampla para o conceito de insumo. Menciona, ainda, a contribuinte, dispositivo legal que trata do IPI, no caso o Decreto 4.544/2002, que, a seu juízo, define o que se deve considerar como operação de industrialização (art. 4º) e como embalagem de transporte (art. 6º); e faz referência a uma decisão da DRJ/Juiz de Fora/MG para respaldar seu entendimento de que não cumpridos os requisitos postos no citado decreto, restam caracterizadas as embalagens de que se utiliza como de apresentação. Ao final, alternativamente pugna, caso não se entenda que as embalagens sejam de apresentação, pela realização de diligência à SAORT a fim de que se possa comprovar tal fato. Fl. 832DF CARF MF 4 Em outro item de sua manifestação de inconformidade, a contribuinte contesta a glosa dos créditos vinculados a aquisição de palanques de eucalipto e pote p/mel implável, defendendo que aqueles são empregados no concerto de bins, utilizados no transporte das frutas dos produtos, e estes no acondicionamento do mel produzido em seus pomares, consistindo, portanto, de insumos consumidos no processo produtivo. Por fim, contesta a glosa dos créditos relativos aos encargos com depreciação e amortização de bens incorporados ao ativo imobilizado argumentando que estes são empregados em sua atividade produtiva, que esclarece, pode ser dividida em duas partes: pomares e “packinghouse”. Assim explica: a)Bens utilizados nos pomares: nesse grupo podese dar destaque aos tratores e implementos agrícolas utilizados para produção e desenvolvimento dos frutos. Tais implementos são utilizados no transporte, adubação do solo e na aplicação de defensivos usados no controle de pragas e desenvolvimento dos frutos. Esses procedimentos são efetuados a cada nova safra e visam especificamente a produção dos frutos. Também foram glosadas caixas de apicultura, cujas abelhas são utilizadas para a polinização dos pomares, caixa d’agua e poços artesianos usados para irrigação das plantas e diluição de defensivos e sanitários utilizados nos pomares. Os bens do ativo imobilizado utilizados nos pomares são de fundamental de fundamental importância para o cultivo e produção da maçã, tendo, portanto, ação efetiva sobre o produto final. b) Bens utilizados no “packinghouse”: também foram glosados bens inclusos no packinghouse, tais são utilizados no processo final da industrialização dos frutos aprimorando o processo produtivo. Entre os bens que se encontram no packinghouse, podese dar destaque as estruturas de aço que ficam dentro das câmaras frigoríficas para armazenagem de Bins com frutas sendo uma espécie de “prateleira gigante” (Conjunto porta pallets em aço galvanizado a fogo (drivein), adquirido em 16/12/2004), bem como as peças utilizadas na classificadora de frutas (inversor de frequência e câmara com lente e filtro) que servem para separar os frutos por cor e calibre. (...) Fl. 833DF CARF MF Processo nº 10925.002977/200778 Acórdão n.º 3201002.630 S3C2T1 Fl. 832 5 Nos pomares ocorre todo o cultivo das plantas desde sua implantação até o momento da colheita. Ao longo do ano são realizados vários procedimentos (poda, adubação, irrigação, polinização, tratamentos fotossanitários e colheita) tendo como objetivo chegar a uma safra de qualidade. No “packinghouse” ocorre a industrialização dos frutos produzidos nos pomares. São lavados, selecionados e classificados de acordo com a cor e calibre, e embalados. Após estas etapas são vendidos ou acondicionados em câmaras frias que possuem o objetivo de conservar os produtos para que a venda possa ocorrer ao longo do ano. (...) A descrição dos bens glosados acima demonstra que estes são essenciais ao cultivo e industrialização da maçã, sendo aplicados diretamente no processo produtivo da empresa.... Afirma a contribuinte que seu direito ao crédito está expresso “na Lei n.o 10.833/2003, no seu art. 3º, VI e VII e art. 15, II, que possibilita a apuração de créditos sobre máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, utilizados na fabricação de produtos destinados à venda e também edificações e benfeitorias utilizadas nas atividades da empresa”. A corroborar seu entendimento, transcreve a ementa da Solução de Consulta nº 182 de 27 de dezembro de 2007. Ante essas alegações, pede, a contribuinte, que seja reformado o Despacho Decisório para que sejam incluídos na base de cálculo dos créditos de PIS nãocumulativo os valores contestados. Na decisão de primeira instância, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Florianópolis/SC manteve o lançamento realizado, conforme Decisão DRJ/FNS nº 20.145, de 04/06/2010, fls. 359/373, assim ementada: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário:2006 PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO, COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE No âmbito específico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, é ônus do contribuinte/pleiteante a comprovação minudente da existência do direito creditório. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Anocalendário: 2006 REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. Fl. 834DF CARF MF 6 CONCEITO DE INSUMOS. No regime da nãocumulatividade, só são considerados como insumos, para fins de creditamento de valores: aqueles utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda; as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; e os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. EMBALAGENS. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. Apenas as embalagens que se caracterizam como insumos, ou seja, que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, é que dão direito a crédito. As embalagens que não são incorporadas ao produto durante o processo de industrialização (embalagens de apresentação), mas apenas depois de concluído o processo produtivo e que se destinam tãosomente ao transporte dos produtos acabados (embalagens para transporte), não podem gerar direito a creditamento relativo às suas aquisições. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. DESPESAS COM DEPRECIAÇÃO. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. No âmbito do regime da nãocomutatividade, a pessoa jurídica poderá descontar créditos a título de depreciação de máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado que estejam diretamente associados ao processo produtivo de bens destinados à venda. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Às fls. 374 o contribuinte é intimado, apresentado recurso voluntário de fls. 392/404. Com a apresentação do recurso, é dado seguimento ao processo. Iniciado o julgamento, o processo foi convertido em diligência e, após realizado e intimadas as partes, retorna para julgamento. Em sessão de julgamento ocorrida em 25 de março de 2014, esse Turma Julgadora, à unanimidade, julgou parcialmente procedente o Recurso Voluntário do contribuinte, em acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Fl. 835DF CARF MF Processo nº 10925.002977/200778 Acórdão n.º 3201002.630 S3C2T1 Fl. 833 7 Anocalendário: 2006 TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO. PIS. CRÉDITO. BENS RELACIONADOS AO PROCESSO PRODUTIVO. COMPROVAÇÃO PELA FISCALIZAÇÃO. Tendo a fiscalização comprovado que os bens que determinados bens estão ligados diretamente á produção, deve ser deferido o direto creditório, já que inexistente a controvérsia. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO. PIS. CRÉDITO. BENS RELACIONADOS AO PROCESSO PRODUTIVO. NÃO COMPROVAÇÃO PELA FISCALIZAÇÃO. APLICAÇÃO AO PROCESSO PRODUTIVO. DIREITO AO CRÉDITO. O entendimento exposto pela fiscalização em relação a estes itens não condiz com a previsão legal, motivo pelo qual o crédito deve ser deferido. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO. PIS. CRÉDITO. BENS RELACIONADOS AO PROCESSO PRODUTIVO. NÃO COMPROVAÇÃO PELA FISCALIZAÇÃO. NÃO APLICAÇÃO AO PROCESSO PRODUTIVO. DIREITO AO CRÉDITO NEGADO. Não é possível o creditamento sobre despesas que não guardam relação direta com o processo produtivo do contribuinte ou que não foram devidamente comprovadas. RECURSO VOLUNTÁRIO PARCIALMENTE PROVIDO. Intimada, a Procuradoria da Fazenda Nacional opôs Embargos de Declaração de fls. 821 e seguintes, aduzindo omissão quanto a "questão prejudicial de concomitância arguida pela Embargante em sede de manifestação acerca da diligência." Os referidos Embargos foram admitidos por despacho de fls. 827/829 e a mim distribuídos por sorteio, vez que o Relator original do feito não mais compõe este colegiado. É o Relatório. Fl. 836DF CARF MF 8 Voto Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário Conforme se depreende do Relatório supra, tratase de Embargos de Declaração opostos pela Fazenda Nacional, e admitidos, para que seja saneada omissão constante do acórdão proferido em sede de Recurso Voluntário, assim sintetizada: A Recorrente impetrou mandado de segurança, cuja segurança foi denegada e mantido o provimento tanto pelo Tribunal Regional Federal, quanto pelo e. STJ, seja em sede de recurso especial e de embargos de divergência. Ocorre que o referido processo judicial não transitou em julgado e seu objeto é prejudicial ao processo administrativo em epígrafe. Assim, smj, entendemos que o processo administrativo em epígrafe deve ser sobrestado até o trânsito em julgado da referida ação judicial, sob pena de ofensa ao enunciado nº 1 de Súmula do CARF Os referidos Embargos de Declaração foram opostos pela Fazenda Nacional em 28/08/2014, portanto, já transcorridos mais de 2 anos de sua oposição. Não obstante o prazo transcorrido, em consulta ao sítio eletrônico do Superior Tribunal de Justiça, verificase que não houve qualquer alteração no andamento processual do feito judicial para o qual se examina a prejudicialidade indicada. Pois bem. Para a análise suscitada, necessário observar o objeto do referido Mandado de Segurança que, de acordo com a Fazenda Nacional, seria prejudicial ao presente feito. Conforme se verifica pelas decisões judiciais anexadas aos autos pela Fazenda Nacional para justificar a existência de questão prejudicial (EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA EM RESP Nº 1.135.561 fls. 785/786 e EDcl no RECURSO ESPECIAL Nº 1.135.561 fs. 787/794), tal demanda judicial o seguinte objeto: 1. Na origem, tratase de mandado de segurança impetrado com o objetivo de determinar que a autoridade coatora analisasse e julgasse os pedidos de ressarcimento de créditos do IPI, anteriormente formulados, no prazo de trinta dias, com inclusão de juros da taxa Selic a partir da apuração até o efetivo pagamento/aproveitamento. (fl. 788 grifos nossos) O presente processo Administrativo tem por objeto: Trata o presente processo de Pedido de Ressarcimento, cumulado com pedido de compensação, de créditos de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, não cumulativa, decorrentes de operações no mercado interno, que remanesceram ao final do quarto Fl. 837DF CARF MF Processo nº 10925.002977/200778 Acórdão n.º 3201002.630 S3C2T1 Fl. 834 9 trimestre de 2006, após as deduções do valor das contribuições a recolher, concernentes às demais operações. Ou seja, ao contrário do que restou afirmado pela Embargante, não há qualquer relação de prejudicialidade entre o objeto do presente Processo Administrativo (COFINS não cumulativa) e a demanda judicial indicada pela Fazenda Nacional (de acordo com a Fazenda Nacional, Embargos de Divergência em Resp nº 1.135.561 e EDcl no Recurso Especial nº 1.135.561), que discute ressarcimento de IPI. Pelo exposto, voto por CONHECER e, no mérito, REJEITAR os Embargos de Declaração opostos pela Fazenda Nacional. Tatiana Josefovicz Belisário Relatora Fl. 838DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13896.720684/2015-69
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 14 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Mar 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2010, 2011
LUCRO ARBITRADO. Não subsiste o auto de infração na parte em que demonstrados erros de transcrição (dados do auto de infração incompatíveis com os documentos acostados aos autos) e duplicidade de valores na base de cálculo da autuação (reversão de provisões), bem como na parte em que inclui receitas financeiras na base de cálculo de PIS e COFINS cumulativo (lucro arbitrado), matéria esta já julgada pelo pleno do Supremo Tribunal Federal.
RELATÓRIO DIREÇÃO FISCAL ANS. PROVA EMPRESTADA. Informações e documentos do Relatório Final, elaborado por pessoa nomeada pela Agência Nacional de Saúde Complementar - ANS, órgão que assumiu a direção da autuada quando da liquidação extrajudicial, não se trata de prova emprestada, dado que elaborada e fornecida por quem representava a empresa autuada durante o procedimento fiscal.
LUCRO ARBITRADO. Justifica o arbitramento a falta de entrega de documentação idônea que sirva de base aos registros contábeis, assim como a falta de entrega da documentação contábil. É correto o arbitramento no qual a receita bruta conhecida é obtida de informações enviadas à RFB pela própria empresa autuada, sendo tais valores acrescidos de receitas não declaradas apuradas pela fiscalização em diligências.
BASE DE CÁLCULO. ADMINISTRADORA DE PROGRAMA DE ASSISTÊNCIA À SAÚDE OU OPERADORA DE PLANOS DE ASSISTÊNCIA À SAÚDE. NÃO COMPROVAÇÃO. Uma vez provado que a autuada e as demais empresas operavam como um só conglomerado, misto de operadora de planos de saúde e prestadora de serviços na área médica por meio dos hospitais e clínicas ligados, não tendo sido apresentada a documentação que permita separar as receitas de cada espécie dos valores levantadas a partir da ECD pela fiscalização, descabe a argumentação de que a base de cálculo seria aquela aplicável às administradoras de programas de saúde ou operadoras de planos de assistência à saúde.
MULTA DE OFÍCIO. AGRAVAMENTO. Correto o agravamento da multa de ofício, devido à recusa da autuada e seus representantes em entregar a documentação contábil/fiscal solicitada.
MULTA QUALIFICADA. SONEGAÇÃO. FRAUDE. CONLUIO Constatadas as práticas de sonegação, fraude e conluio, cabe a aplicação da multa qualificada.
INCONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO. VEDAÇÃO. Não compete à autoridade administrativa manifestar-se quanto à inconstitucionalidade das leis. Sumula CARF n. 2.
RECURSO VOLUNTÁRIO. RESPONSÁVEL TRIBUTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. A tempestividade é requisito de admissibilidade do recurso, sem o qual não pode ele ser conhecido.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 124, I, DO CTN. O artigo 124, I, do CTN trata de solidariedade que pode atingir o contribuinte (pessoa que tem relação com o fato gerador) ou o responsável (pessoa assim indicada por lei), a depender da configuração do "interesse comum" (e, no caso do responsável, da pressuposta previsão legal que o indique como tal). Tal interesse comum deve ser jurídico e não meramente econômico. Para que se configure o interesse jurídico comum é necessária a presença de interesse direto, imediato, no fato gerador, que acontece quando as pessoas atuam em conjunto na situação que o constitui, isto é, quando participam em conjunto da prática da hipótese de incidência. Essa participação comum na realização da hipótese de incidência pode ocorrer tanto de forma direta, quando as pessoas efetivamente praticam em conjunto o fato gerador, quanto indireta, em caso de confusão patrimonial e/ou quando dele se beneficiam em razão de sonegação, fraude ou conluio.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 135, III, DO CTN. O artigo 135, III, do CTN responsabiliza pessoalmente os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. Trata-se de responsabilidade tributária que ocorrerá caso a pessoa que "presenta" a pessoa jurídica (Pontes de Miranda) atue para além de suas atribuições contratuais/estatutárias ou legais.
Numero da decisão: 1401-001.786
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, (i) por unanimidade de votos NÃO CONHECER dos recursos voluntários apresentados por Biovida Saúde Ltda., R&D Empreendimentos Imobiliários Ltda. e Crossville Overseas Group Inc., porque intempestivos; e (ii) por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso de ofício e CONHECER e NEGAR provimento aos recursos voluntários de Itálica Saúde Ltda., Mar Jull Empreendimentos Imobiliários Ltda., Orlando Marcio de Melo Campos Junior e Roseli Aparecida de Brito, Carlos Martin Lora Garcia e Consultec Consultoria em Saúde Ltda. - ME, e José Carlos dos Santos.
ANTONIO BEZERRA NETO - Presidente.
(assinado digitalmente)
LIVIA DE CARLI GERMANO - Relatora.
(assinado digitalmente)
EDITADO EM: 06/03/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANTONIO BEZERRA NETO (Presidente), LIVIA DE CARLI GERMANO, LUCIANA YOSHIHARA ARCANGELO ZANIN, GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, LUIZ RODRIGO DE OLIVEIRA BARBOSA, ABEL NUNES DE OLIVEIRA NETO, AURORA TOMAZINI DE CARVALHO.
Nome do relator: LIVIA DE CARLI GERMANO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2010, 2011 LUCRO ARBITRADO. Não subsiste o auto de infração na parte em que demonstrados erros de transcrição (dados do auto de infração incompatíveis com os documentos acostados aos autos) e duplicidade de valores na base de cálculo da autuação (reversão de provisões), bem como na parte em que inclui receitas financeiras na base de cálculo de PIS e COFINS cumulativo (lucro arbitrado), matéria esta já julgada pelo pleno do Supremo Tribunal Federal. RELATÓRIO DIREÇÃO FISCAL ANS. PROVA EMPRESTADA. Informações e documentos do Relatório Final, elaborado por pessoa nomeada pela Agência Nacional de Saúde Complementar - ANS, órgão que assumiu a direção da autuada quando da liquidação extrajudicial, não se trata de prova emprestada, dado que elaborada e fornecida por quem representava a empresa autuada durante o procedimento fiscal. LUCRO ARBITRADO. Justifica o arbitramento a falta de entrega de documentação idônea que sirva de base aos registros contábeis, assim como a falta de entrega da documentação contábil. É correto o arbitramento no qual a receita bruta conhecida é obtida de informações enviadas à RFB pela própria empresa autuada, sendo tais valores acrescidos de receitas não declaradas apuradas pela fiscalização em diligências. BASE DE CÁLCULO. ADMINISTRADORA DE PROGRAMA DE ASSISTÊNCIA À SAÚDE OU OPERADORA DE PLANOS DE ASSISTÊNCIA À SAÚDE. NÃO COMPROVAÇÃO. Uma vez provado que a autuada e as demais empresas operavam como um só conglomerado, misto de operadora de planos de saúde e prestadora de serviços na área médica por meio dos hospitais e clínicas ligados, não tendo sido apresentada a documentação que permita separar as receitas de cada espécie dos valores levantadas a partir da ECD pela fiscalização, descabe a argumentação de que a base de cálculo seria aquela aplicável às administradoras de programas de saúde ou operadoras de planos de assistência à saúde. MULTA DE OFÍCIO. AGRAVAMENTO. Correto o agravamento da multa de ofício, devido à recusa da autuada e seus representantes em entregar a documentação contábil/fiscal solicitada. MULTA QUALIFICADA. SONEGAÇÃO. FRAUDE. CONLUIO Constatadas as práticas de sonegação, fraude e conluio, cabe a aplicação da multa qualificada. INCONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO. VEDAÇÃO. Não compete à autoridade administrativa manifestar-se quanto à inconstitucionalidade das leis. Sumula CARF n. 2. RECURSO VOLUNTÁRIO. RESPONSÁVEL TRIBUTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. A tempestividade é requisito de admissibilidade do recurso, sem o qual não pode ele ser conhecido. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 124, I, DO CTN. O artigo 124, I, do CTN trata de solidariedade que pode atingir o contribuinte (pessoa que tem relação com o fato gerador) ou o responsável (pessoa assim indicada por lei), a depender da configuração do "interesse comum" (e, no caso do responsável, da pressuposta previsão legal que o indique como tal). Tal interesse comum deve ser jurídico e não meramente econômico. Para que se configure o interesse jurídico comum é necessária a presença de interesse direto, imediato, no fato gerador, que acontece quando as pessoas atuam em conjunto na situação que o constitui, isto é, quando participam em conjunto da prática da hipótese de incidência. Essa participação comum na realização da hipótese de incidência pode ocorrer tanto de forma direta, quando as pessoas efetivamente praticam em conjunto o fato gerador, quanto indireta, em caso de confusão patrimonial e/ou quando dele se beneficiam em razão de sonegação, fraude ou conluio. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 135, III, DO CTN. O artigo 135, III, do CTN responsabiliza pessoalmente os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. Trata-se de responsabilidade tributária que ocorrerá caso a pessoa que "presenta" a pessoa jurídica (Pontes de Miranda) atue para além de suas atribuições contratuais/estatutárias ou legais.
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Não subsiste o auto de infração na parte em que demonstrados erros de transcrição (dados do auto de infração incompatíveis com os documentos acostados aos autos) e duplicidade de valores na base de cálculo da autuação (reversão de provisões), bem como na parte em que inclui receitas financeiras na base de cálculo de PIS e COFINS cumulativo (lucro arbitrado), matéria esta já julgada pelo pleno do Supremo Tribunal Federal. RELATÓRIO DIREÇÃO FISCAL ANS. PROVA EMPRESTADA. Informações e documentos do Relatório Final, elaborado por pessoa nomeada pela Agência Nacional de Saúde Complementar ANS, órgão que assumiu a direção da autuada quando da liquidação extrajudicial, não se trata de prova emprestada, dado que elaborada e fornecida por quem representava a empresa autuada durante o procedimento fiscal. LUCRO ARBITRADO. Justifica o arbitramento a falta de entrega de documentação idônea que sirva de base aos registros contábeis, assim como a falta de entrega da documentação contábil. É correto o arbitramento no qual a receita bruta conhecida é obtida de informações enviadas à RFB pela própria empresa autuada, sendo tais valores acrescidos de receitas não declaradas apuradas pela fiscalização em diligências. BASE DE CÁLCULO. ADMINISTRADORA DE PROGRAMA DE ASSISTÊNCIA À SAÚDE OU OPERADORA DE PLANOS DE ASSISTÊNCIA À SAÚDE. NÃO COMPROVAÇÃO. Uma vez provado que a autuada e as demais empresas operavam como um só conglomerado, misto de operadora de planos de saúde e prestadora de serviços na área médica por meio dos hospitais e clínicas ligados, não tendo sido apresentada a documentação que permita separar as receitas de cada espécie dos valores levantadas a partir da ECD pela fiscalização, descabe a argumentação de que AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 72 06 84 /2 01 5- 69 Fl. 11409DF CARF MF 2 a base de cálculo seria aquela aplicável às administradoras de programas de saúde ou operadoras de planos de assistência à saúde. MULTA DE OFÍCIO. AGRAVAMENTO. Correto o agravamento da multa de ofício, devido à recusa da autuada e seus representantes em entregar a documentação contábil/fiscal solicitada. MULTA QUALIFICADA. SONEGAÇÃO. FRAUDE. CONLUIO Constatadas as práticas de sonegação, fraude e conluio, cabe a aplicação da multa qualificada. INCONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO. VEDAÇÃO. Não compete à autoridade administrativa manifestarse quanto à inconstitucionalidade das leis. Sumula CARF n. 2. RECURSO VOLUNTÁRIO. RESPONSÁVEL TRIBUTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. A tempestividade é requisito de admissibilidade do recurso, sem o qual não pode ele ser conhecido. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 124, I, DO CTN. O artigo 124, I, do CTN trata de solidariedade que pode atingir o contribuinte (pessoa que tem relação com o fato gerador) ou o responsável (pessoa assim indicada por lei), a depender da configuração do "interesse comum" (e, no caso do responsável, da pressuposta previsão legal que o indique como tal). Tal “interesse comum” deve ser jurídico e não meramente econômico. Para que se configure o interesse jurídico comum é necessária a presença de interesse direto, imediato, no fato gerador, que acontece quando as pessoas atuam em conjunto na situação que o constitui, isto é, quando participam em conjunto da prática da hipótese de incidência. Essa participação comum na realização da hipótese de incidência pode ocorrer tanto de forma direta, quando as pessoas efetivamente praticam em conjunto o fato gerador, quanto indireta, em caso de confusão patrimonial e/ou quando dele se beneficiam em razão de sonegação, fraude ou conluio. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 135, III, DO CTN. O artigo 135, III, do CTN responsabiliza pessoalmente os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. Tratase de responsabilidade tributária que ocorrerá caso a pessoa que "presenta" a pessoa jurídica (Pontes de Miranda) atue para além de suas atribuições contratuais/estatutárias ou legais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, (i) por unanimidade de votos NÃO CONHECER dos recursos voluntários apresentados por Biovida Saúde Ltda., R&D Empreendimentos Imobiliários Ltda. e Crossville Overseas Group Inc., porque intempestivos; e (ii) por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso de ofício e CONHECER e NEGAR provimento aos recursos voluntários de Itálica Saúde Ltda., Mar Jull Empreendimentos Imobiliários Ltda., Orlando Marcio de Melo Campos Junior e Roseli Aparecida de Brito, Carlos Martin Lora Garcia e Consultec Consultoria em Saúde Ltda. ME, e José Carlos dos Santos. Fl. 11410DF CARF MF Processo nº 13896.720684/201569 Acórdão n.º 1401001.786 S1C4T1 Fl. 11.410 3 ANTONIO BEZERRA NETO Presidente. (assinado digitalmente) LIVIA DE CARLI GERMANO Relatora. (assinado digitalmente) EDITADO EM: 06/03/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANTONIO BEZERRA NETO (Presidente), LIVIA DE CARLI GERMANO, LUCIANA YOSHIHARA ARCANGELO ZANIN, GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, LUIZ RODRIGO DE OLIVEIRA BARBOSA, ABEL NUNES DE OLIVEIRA NETO, AURORA TOMAZINI DE CARVALHO. Relatório Tratase de autos de infração relativos aos anoscalendário 2010 e 2011 para a cobrança de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS na sistemática do lucro arbitrado com base no artigo 530, III, do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99 Decreto nº 3.000/1999), porque a contribuinte, notificada a apresentar os documentos em que baseou a escrituração, deixou de fazêlo. A base de cálculo utilizada foi a receita bruta conhecida, obtida na contabilidade (Escrituração Contábil Digital – ECD, transmitida via SPED), acrescida de valores receitas não declaradas. Conforme o TVF, págs. 9.325/9.328, “a base de cálculo utilizada nos autos de infração foi obtida a partir dos lançamentos contábeis relacionados no anexo “Receita Itálica Saúde 2010 e 2011”. Adicionalmente, foram computadas receitas não consideradas em épocas próprias, receitas não contabilizadas do Ministério do Trabalho Espanhol e receitas provenientes de contratos de permuta de serviços, com base em descrição e documentação do relatório da Direção Fiscal da ANS, sendo que este também forneceu subsídios, descritos no TVF, para caracterizar responsabilidade solidária de pessoas físicas e jurídicas. A multa aplicada foi de 225% eis que, desde 19/03/2013 até a data em que foi decretada a liquidação extrajudicial da Italica Saúde e nomeado liquidante, em 10/09/2013, a empresa e seus sócios receberam intimações para apresentar documentação e livros e não os entregaram. Sob o argumento de que a autuada e os demais operavam como um só conglomerado, misto de operadora de planos de saúde e prestadora de serviços na área médica por meio dos hospitais e clínicas ligados, foram lavrados Termos de Responsabilidade Solidária para as pessoas físicas e jurídicas a seguir: a. Ital Saúde Serviços Medicos Especializados Ltda – EPP, CNPJ 04.169.684/000100, com base no art. 124, I do Código Tributário Nacional CTN, Lei nº 5.172/1966 b. Biovida Saúde Ltda, CNPJ 04.299.138/000194, com base no art. 124, I do CTN Fl. 11411DF CARF MF 4 c. Italtac Tecnologia na Area de Cobranças Ltda. – EPP, CNPJ 04.674.217/000138, com base no art. 124, I do CTN d. Hospital e Maternidade Jardins Ltda. CNPJ 69.106.904/000100, com base no art. 124, I do CTN e. R&D Empreendimentos Imobiliários Ltda, CNPJ 07.034.932/000102, com base no art. 124, I do CTN f. MAR JULL Empreendimentos Imobiliários Ltda, CNPJ 07.074.955/000132, com base no art. 124, I do CTN g. EFRA Tecnologia da Informação, Contabilidade e Auditoria Empresarial Ltda – ME, CNPJ 07.688.547/000170, com base no art. 124, I do CTN h. RENTALCAP Locação De Bens Moveis Ltda. – ME, CNPJ 08.335.406/0001 37, com base no art. 124, I do CTN i. CONSULTEC Consultoria Em Saúde Ltda. – ME, CNPJ 08.369.066/000165, com base no art. 124, I do CTN j. Guilhermina Ester Baya, CPF 002.468.94830, com base no art. 124, I e II do CTN k. Roseli Aparecida de Brito, CPF 084.067.86817, com base nos arts. 124, I e II e 135, III do CTN l. Orlando Márcio de Melo Campos Júnior, CPF 093.109.68800, com base nos arts. 124, I e II, e 135, III do CTN m. Sofia Cristiane Baya Schaetzer, CPF 144.123.28856, com base no art. 124, I e II do CTN n. Carlos Martin Lora Garcia, CPF 899.689.48853, com base nos arts. 124, I e II, e 135, III do CTN o. CROSSVILLE Overseas Group Inc, CNPJ 17.849.945/000185, com base no art. 124, I do CTN p. Jose Carlos dos Santos, CPF 008.019.79811, com base nos arts. 124, I e II e 135, II do CTN q. Bruno Sergio Damaceno, CPF 385.268.02801, com base no art. 124, I do CTN r. Pedro Gruber Franchini, CPF 304.216.58843, com base no art. 276 do Código Civil (Lei nº 10.406/2002) e art. 131, II, do CTN s. Márcia Gruber Franchini, CPF 220.066.41840, com base no art. 276 do Código Civil e art. 131, II, do CTN O TVF assim resume os fatos apurados: "Foi verificado durante o procedimento fiscal que a Itálica Saúde Ltda, atualmente em liquidação extrajudicial, era a peça central de um grupo de empresas, cujo mentor era o médico Carlos Martin Lora Garcia, que operava a Itálica Saúde de modo a favorecer a sonegação de impostos e Fl. 11412DF CARF MF Processo nº 13896.720684/201569 Acórdão n.º 1401001.786 S1C4T1 Fl. 11.411 5 contribuições e desviar recursos em benefício dos envolvidos, assim como ocultar ativos, dificultando a cobrança de dívidas, inclusive trabalhistas e previdenciárias. O grupo formava uma rede complexa envolvendo muitas pessoas jurídicas. A base do sistema era composta pelas seguintes empresas: (...). A intervenção da ANS Agência Nacional de Saúde Suplementar na Itálica Saúde Ltda, com a instalação de Direção Fiscal na Operadora em 01/09/2011 (Resolução Operacional nº 1073) até, posteriormente, a decretação da liquidação extrajudicial, em 09/09/2013 (Resolução Operacional nº1514) obrigou os envolvidos a abandonar este sistema, cujas peças principais eram a Itálica Saúde Ltda e a Italtac Tecnologia na Área de Cobranças Ltda EPP. O Termo de Verificação detalhará o funcionamento deste esquema de sonegação fiscal liderado por Carlos Martin Lora Garcia, de que participavam diversas pessoas físicas e jurídicas, cada uma com uma função específica e cujas peças prinicipais eram: a Itálica Saúde, que gerava riquezas com a venda de planos de saúde; a Italtac, a empresabanco, em nome da qual eram abertas as contas correntes por onde circulavam os valores correspondentes à receita da Itálica; a Mar Jull (em 2013 substituída pela R&D Empreendimentos Imobiliários), a empresa patrimonial, em nome da qual eram registrados os bens imóveis e que também recebia parte dos recursos desviados da Itálica por meio das contas aberta em nome da Italtac; e os hospitais (Santo Expedito, São Carlos, Jardins, e em 2011, o Santos Dumont), que tinham suas despesas e custos pagos pela Itálica. O Termo de Verificação também descreverá os fatos geradores dos tributos e contribuições lançados nos autos de infração lavrados." Todos apresentaram impugnações. Em 29 de janeiro de 2016 a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba (PR) julgou parcialmente procedente a impugnação da Itálica Saúde, reduzindo o crédito tributário exigido em razão de erros de transcrição do auto de infração, exclusão de reversão de provisão para perdas e, no caso de PIS e COFINS, também em virtude da exclusão de receitas financeiras da base de cálculo. Além disso, considerou procedentes os Termos de Responsabilidade Solidária das pessoas mencionadas em "a" a "i", "k", "l", e "n" a "p" acima: Ital Saúde Serviços Medicos Especializados Ltda – EPP, Biovida Saúde Ltda., Italtac Tecnologia na Area de Cobranças Ltda. – EPP, Hospital e Maternidade Jardins Ltda., R&D Empreendimentos Imobiliários Ltda., MAR JULL Empreendimentos Imobiliários Ltda., EFRA Tecnologia da Informação, Contabilidade e Auditoria Empresarial Ltda – ME, RENTALCAP Locação De Bens Moveis Ltda. – ME, CONSULTEC Consultoria Em Saúde Ltda. – ME, Roseli Aparecida de Brito, Orlando Márcio de Melo Campos Júnior, Carlos Martin Lora Garcia, com base nos arts. 124, I e II, e 135, III do CTN, CROSSVILLE Overseas Group Inc, Jose Carlos dos Santos. Os Termos de Responsabilidade Solidária de Guilhermina Ester Baya, Sofia Cristiane Baya Schaetzer, Bruno Sergio Damaceno, Pedro Gruber Franchini, Márcia Gruber Franchini foram julgados improcedentes. O acórdão 0654.059 recebeu a seguinte ementa: Fl. 11413DF CARF MF 6 ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 31/03/2010, 30/06/2010, 30/09/2010, 31/12/2010, 31/03/2011, 30/06/2011, 30/09/2011, 31/12/2011 AUTO DE INFRAÇÃO. TERMO DE RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. NULIDADE. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES PARCELADOS. Cabe ao impugnante suprir os dados dos impostos e contribuições que alega terem sido parcelados, que reivindica que deveriam ser excluídos dos exigidos na autuação. DILIGÊNCIA. PEDIDO NÃO FORMULADO. PRESCINDÍVEL. Considerase não formulado o pedido de diligência que deixa de atender aos requisitos do do art. 16, IV, do Decreto nº 70.235, de 1972, pedido que também foi considerado prescindível. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/03/2010, 30/06/2010, 30/09/2010, 31/12/2010, 31/03/2011, 30/06/2011, 30/09/2011, 31/12/2011 SIGILO BANCÁRIO. QUEBRA. INOCORRÊNCIA. PREVISÃO LEGAL. INFORMAÇÕES FORNECIDAS POR INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. O fornecimento de informações sobre o sujeito passivo, pelas instituições financeiras, na forma da Lei Complementar nº 105, de 2001, não constitui quebra de sigilo; é medida que prescinde de autorização judicial se promovida nos termos da lei, durante procedimento fiscal no qual a autoridade tributária constate ser indispensável o exame de documentos, livros e registros de instituições financeiras. SIGILO BANCÁRIO. QUEBRA. ACUSAÇÃO INAPLICÁVEL. Sequer se aplica a acusação de quebra de sigilo bancário à autuação por arbitramento do lucro e da base de cálculo da CSLL sobre receita bruta conhecida, obtida de informações contábeis transmitidas ao SPED Sistema Público de Escrituração Digital, pelo contribuinte. RELATÓRIO DIREÇÃO FISCAL ANS. PROVA EMPRESTADA. Informações e documentos do Relatório Final, elaborado por pessoa nomeada pela Agência Nacional de Saúde Complementar ANS, órgão que assumiu a direção da autuada quando da liquidação extrajudicial, não se trata de prova emprestada, dado que elaborada e fornecida por quem representava a empresa autuada durante o procedimento fiscal. PROVA EMPRESTADA. ADMISSIBILIDADE. O processo administrativo tributário admite todas as provas e meios de provas lícitos, inclusive prova emprestada, indícios e presunções. PIS. COFINS. Aplicamse os percentuais de 0,65% de PIS e 3,0% de Cofins, sobre a receita bruta, à pessoa jurídica cuja apuração é pelo lucro arbitrado. MULTA DE OFÍCIO. AGRAVAMENTO. Correto o agravamento da multa de ofício, devido à recusa da autuada e seus representantes em entregar a documentação de que foi intimada. Fl. 11414DF CARF MF Processo nº 13896.720684/201569 Acórdão n.º 1401001.786 S1C4T1 Fl. 11.412 7 MULTA QUALIFICADA. SONEGAÇÃO. FRAUDE. CONLUIO Constatadas as práticas de sonegação, fraude e conluio, cabe a aplicação da multa qualificada nos termos de legislação em vigor. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. PERCENTUAL. LEGALIDADE O percentual de multa de ofício qualificada é o determinado expressamente em lei. MULTA DE OFÍCIO. AGRAVAMENTO. O percentual de agravamento da multa de ofício é o determinado expressamente em lei. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. APRECIAÇÃO. VEDAÇÃO. Não compete à autoridade administrativa manifestarse quanto à inconstitucionalidade ou ilegalidade das leis, por ser essa prerrogativa exclusiva do Poder Judiciário. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM NÃO COMPROVADO. Descabe a responsabilização tributária solidária, pelo art. 124, I do CTN, de pessoa em relação à qual, mesmo tendo participado de simulação de aquisição de imóvel da empresa, em 2012, não há elementos nos autos que demonstrem sua participação na tomada de decisões ou gerenciamento dos fatos que levaram às autuações fiscais, nos anos 2010 e 2011. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM. SÓCIAS INTERPOSTAS. Descabe a responsabilização solidária, com base no art. 124, I do CTN, de pessoas físicas, sócias nominais da empresa, interpostas pessoas do sócio de fato, considerandose que não há evidências de que participaram na criação da situação que constitui o fato gerador. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM. Se comprovada a atuação conjunta na transferência de recursos entre empresas do mesmo grupo econômico informal e atuação conjunta na realização da situação que constitui o fato gerador, cabe a responsabilização tributária solidária, nos termos do art. 124, I do CTN, das pessoas e empresas envolvidas, que atuam como grupo econômico de fato, informal. RESPONSABILIDADE. ART. 135, III DO CTN. Cabe a responsabilização pessoal, segundo o art. 135, III do CTN, de sócios, dirigentes de fato e de representantes das pessoas jurídicas, uma vez confirmados atos de sonegação, fraude e conluio. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/03/2010, 30/06/2010, 30/09/2010, 31/12/2010, 31/03/2011, 30/06/2011, 30/09/2011, 31/12/2011 LUCRO. ARBITRAMENTO. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do anocalendário, será determinado pelo lucro arbitrado, quando o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os documentos que deram base aos lançamentos da escrituração comercial e fiscal. CONTABILIDADE. FALTA DOS DOCUMENTOS CONTÁBEIS. É inaceitável a apuração do lucro em contabilidade desacompanhada dos documentos que comprovem os lançamentos e não há elementos para que a fiscalização aceite ou glose custos ou despesas e refaça a apuração do imposto e contribuições sobre o lucro assim revisado; por isso, descabe a reivindicação de que, em vez de Fl. 11415DF CARF MF 8 arbitramento, deveria ter sido refeita a apuração de resultados, se a fiscalizada, seja antes, seja depois do processo de liquidação extrajudicial, não apresentou documentos que apoiassem os dados contábeis. SIGILO MÉDICO. DOCUMENTAÇÃO CONTÁBIL. Em vista do sigilo fiscal, que impede aos agentes do fisco divulgar qualquer informação de que tenham conhecimento em função de suas atividades, não há quebra de sigilo médico por entrega de informações comprobatórias de serviços médicohospitalares de contratadas. FALTA DOS DOCUMENTOS CONTÁBEIS. RESPONSABILIDADE. Desacabe a alegação de que Direção Fiscal nomeada pela ANS foi responsável pela não entrega de documentos fiscais da autuada, se as intimações foram dirigidas à empresa, quando a Direção Fiscal não tinha poderes de gestão e posteriormente, iniciada a liquidação extrajudicial, o liquidante notificou os sócios da autuada sobre a necessidade de apresentação desses documentos e também não foi atendido. LUCRO, ARBITRAMENTO. RECEITA BRUTA CONHECIDA. O arbitramento do lucro foi sobre a receita bruta conhecida, obtida das informações contábeis transmitidas ao SPED Sistema Público de Escrituração Digital e as informações constantes dos sistemas informatizados da Receita Federal do Brasil, fornecidos pelo contribuinte, e glosados e receitas não declaradas, obtidas em diligências, não havendo contradição em não ter sido aceita a contabilidade desacompanhada de documentos. ARBITRAMENTO. PERCENTUAL. Cabe aplicar o percentual mais elevado se a autuada e as demais empresas operavam como um só conglomerado, misto de operadora de planos de saúde e prestadora de serviços na área médica, por meio dos hospitais e clínicas ligados, não tendo sido apresentada a documentação que permita separar as receitas de cada espécie a partir dos valores levantados a partir da ECD, para aplicar percentuais diferenciados de arbitramento. ARBITRAMENTO. RECEITAS FINANCEIRAS. BASE DE CÁLCULO. IRPJ. CSLL. Ao valor apurado pela aplicação de percentuais de arbitramento sobre a receita bruta conhecida (de empresa que não seja instituição financeira), devem ser adicionados, entre outros, as receitas financeiras. LUCRO ABRITRADO. IMPOSTOS CONTRIBUIÇÕES FORNECEDORES. Inexiste previsão legal para a dedução dos impostos/contribuições pagos por fornecedores e/ou prestadores de serviços da empresa autuada mediante arbitramento do lucro. RECEITA BRUTA. VARIAÇÕES PROVISÕES TÉCNICAS. As Variações de Provisões Técnicas não foram computadas na Receita Bruta. REVERSÃO PROVISÃO PERDAS SOBRE CRÉDITOS. ARBITRAMENTO. RECEITA BRUTA. Na apuração do lucro real, a provisão para créditos de liquidação duvidosa deixou de ser dedutível para fins fiscais e na hipótese de sua constituição e dedução como despesa, seu valor deverá ser adicionado no Lucro Líquido do exercício para fins de apuração do Lucro Real e da Base de Cálculo (BC) da CSLL, porém, sendo o lançamento fiscal por arbitramento, descabe adicionar à Receita Bruta (nem ao lucro) os valores de Reversões de Provisões de Perdas sobre Créditos, pois não reduziram o lucro no período autuado, que foi arbitrado. Fl. 11416DF CARF MF Processo nº 13896.720684/201569 Acórdão n.º 1401001.786 S1C4T1 Fl. 11.413 9 PROVISÃO PARA EVENTOS OCORRIDOS E NÃO AVISADOS. Registros contábeis com os históricos “crédito cobrança n/mês”, “crédito rendimento multiconta n/mês”, “crédito desbloqueio judicial” não se tratam de Provisões para Eventos Ocorridos e Não avisados. IMPOSTO E CONTRIBUIÇÕES CONFESSADOS, PAGOS OU PARCELADOS. O autuante deduziu, dos valores exigidos de ofício, os valores de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins confessados em DCTF ou pagos e/ou parcelados, descabendo a argumentação de que as receitas teriam sido duplamente tributadas. LANÇAMENTOS REFLEXOS: PIS, COFINS e CSLL Dada a íntima relação de causa e efeito, aplicase aos lançamentos reflexos o decidido no principal. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2010, 2011 ART. 3º, § 9 DA LEI Nº 9.718, DE 1998, COM ALTERAÇÕES POSTERIORES. DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. CORESPONSABILIDADES CEDIDAS. CONSTITUIÇÕES DE PROVISÕES TÉCNICAS INDENIZAÇÕES DE EVENTOS OCORRIDOS Os dispositivos legais invocados pelos contribuintes se aplicam às empresas que atuam como intermediadoras, não representando receita própria; se a autuada funcionou como grupo empresarial, sendo operadora de planos de saúde e a própria prestadora dos serviços, não cabe a aplicação. LEI 9.718, de 1998. RECEITAS FINANCEIRAS. INCONSTITUCIONALIDADE RECONHECIDA PELO PLENÁRIO DO STF. Declarada a inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, em acórdão transitado em julgado e exarado em sessão plenária pelo Supremo Tribunal Federal, que, inclusive, reconheceu a repercussão geral da matéria em questão, impõese, em observância ao art. 26A, §6º, inciso I, do Decreto nº 70.235, de 1972, afastar a exigência da PIS e Cofins sobre receitas não incluídas no conceito de faturamento. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2010, 2011 ART. 3º, § 9 DA LEI Nº 9.718, DE 1998, COM ALTERAÇÕES POSTERIORES. DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. CORESPONSABILIDADES CEDIDAS. CONSTITUIÇÕES DE PROVISÕES TÉCNICAS INDENIZAÇÕES DE EVENTOS OCORRIDOS Os dispositivos legais invocados pelos contribuintes se aplicam às empresas que atuam como intermediadoras, não representando receita própria; se a autuada funcionou como grupo empresarial, sendo operadora de planos de saúde e a própria prestadora dos serviços, não cabe a aplicação. LEI 9.718, de 1998. RECEITAS FINANCEIRAS. INCONSTITUCIONALIDADE RECONHECIDA PELO PLENÁRIO DO STF. Declarada a inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, em acórdão transitado em julgado e exarado em sessão plenária pelo Supremo Tribunal Federal, que, inclusive, reconheceu a repercussão geral da matéria em questão, impõese, em observância ao art. 26A, §6º, inciso I, do Decreto nº 70.235, de 1972, afastar a exigência da PIS e Cofins sobre receitas não incluídas no conceito de faturamento. Fl. 11417DF CARF MF 10 Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Na parte exonerada houve recurso de ofício. A planilha abaixo detalha a ciência do resultado do julgamento e a apresentação dos recursos voluntários pela contribuinte e os responsáveis: Recurso Voluntário de Itálica Saúde Ltda. A peça recursal, assinada por Guilhermina Ester Baya, solicita a reforma da decisão recorrida a fim de se reconhecer: Fl. 11418DF CARF MF Processo nº 13896.720684/201569 Acórdão n.º 1401001.786 S1C4T1 Fl. 11.414 11 Recurso Voluntário de Biovida Saúde Ltda. (Hospital Santo Expedito), anteriormente Somel – Sociedade para Medicina Leste Ltda. Pleiteia inicialmente pela tempestividade do recurso. Alega que a intimação postal da decisão recorrida teria ocorrido no dia 22/02/2016, conforme doc. 2 da peça recursal, Fl. 11419DF CARF MF 12 afirmando que o prazo teria expirado em 23/03/2016. A peça é datada de 14/03/2016 no entanto foi apresentada em 24/03/2016 (fl. 11.153). O doc. 2 do recurso não foi juntado aos autos, conforme atestou o Termo de Análise de Solicitação de Juntada de fl. 11.177: "A ciência do resultado de julgamento da DRJ foi dada à Biovida Saúde em 16/02/2016 por meio eletrônico (fls. 11054). O Recurso Voluntário da Biovida Saúde foi apresentado intempestivamente em 24/03/2016. Os doc. 1 e 2 não foram juntados ao recurso." A fl. 11.054 consta o Termo de Ciência por Abertura de Mensagem, com o seguinte teor: "O destinatário teve ciência dos documentos relacionados abaixo por meio de sua Caixa Postal, considerada seu Domicílio Tributário Eletrônico (DTE) perante a RFB, na data de 16/02/2016 09:30:19, data em que se considera feita a intimação nos termos do art. 23, § 2º, inciso III, alínea 'b' do Decreto nº 70.235/72. Data do registro do documento na Caixa Postal: 16/02/2016 09:26:43 Intimações Outros Intimação nº 0026/2016/ARF/MCS/SP Acórdão de Impugnação" Recurso Voluntário de R&D Empreendimentos Imobiliários Ltda. e de Crossville Overseas Group Inc. Pleiteia inicialmente pela tempestividade do recurso. Alega que a intimação postal da decisão recorrida teria ocorrido no dia 22/02/2016, afirmando que o prazo teria expirado em 23/03/2016. A peça é datada de 21/03/2016 no entanto foi postada em 29/03/2016 (fl. 11.310). Recurso Voluntário de Mar Jull Empreendimentos Imobiliários Ltda. A MAR Jull foi responsabilizada com base no art. 124, I do CTN, sob a motivação: Empresa patrimonial associada à Itálica e a Carlos Martin Lora Garcia, recebeu transferências de recursos desviados da Itálica Saúde, por meio de contas bancárias da Italtac Tecnologia em Cobranças. Em maio e junho de 2012, durante a Direção Fiscal da ANS e pouco antes da alienação da carteira de clientes da Itálica Saúde, alienou todos os seus imóveis a terceiros, também ligados à Operadora e a Carlos Martin Lora Garcia, conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal. Afirma que a Mar Jull é empresa de administração de imóveis próprios, fundada em 2004, que possui a mesma composição societária até hoje e que está em plena atividade. Alega que a Itálica Saúde era locatária de alguns imóveis da Mar Jull, conforme contratos de locação juntados aos autos, sendo este o único vínculo que as empresas mantinham. Fl. 11420DF CARF MF Processo nº 13896.720684/201569 Acórdão n.º 1401001.786 S1C4T1 Fl. 11.415 13 Contesta a imputação do fiscal autuante de que faz parte de grupo econômico com a Itálica Saúde, imputação esta baseada em indícios tais como o fato de a Mar Jull possuir como endereço registrado oficialmente o de um dos imóveis locados a terceiros ou, ainda, de que a empresa Itálica Saúde seria devedora de aluguéis de anos anteriores (antes de 2009). Contesta também a conclusão do acórdão recorrido de que é devida a responsabilização tributária porque a Mar Jull cedia imóveis a empresas de forma gratuita e tinha as despesas pagas pela empresa Italtac, afirmando que a Mar Jull alugava, e não cedia gratuitamente seus imóveis, bem como que a Italtac não custeava suas despesas, mas intermediava o pagamento dos respectivos alugueres, como empresa de cobrança que é. Aduz que mesmo que assim não o fosse, o que admite apenas por argumentar, tais fatos não poderiam ensejar a conclusão de que a Mar Jull teve participação nos fatos geradores a justificar a responsabilização pelo art. 124, I, do CTN. Isso porque as operações de venda de imóveis realizadas pela Mar Jull foram legítimas e pertinentes à realização de seu objeto social, de modo que os indícios que supostamente levariam à conclusão de que a Mar Jull, de fato, confundirseia com a empresa Itálica Saúde são suficientes a, quando muito, caracterizar relação comercial entre as empresas. Recurso Voluntário de Orlando Marcio de Melo Campos Junior e Roseli Aparecida de Brito Orlando e Roseli foram responsabilizados com base nos arts. 124, I e II e 135, III do CTN, sob as motivações: "Roseli Aparecida de Brito Motivação: Sócia da Italtac. Conforme se descreve no Termo de Verificação em anexo, praticava atos de gestão da Itálica e de outras empresas ligadas, das quais tinha procurações, assinando cheques e autorizando pagamentos, em conjunto com Orlando Márcio de Melo Campos. Recebia ordens de Carlos Martin Lora Garcia." "Orlando Márcio de Melo Campos Júnior Motivação: Conforme se descreve no Termo de Verificação em anexo, praticava atos de gestão da Itálica e de outras empresas ligadas, das quais tinha procurações, assinando cheques e autorizando pagamentos, em conjunto com Roseli Aparecida de Brito. Recebia ordens de Carlos Martin Lora Garcia." No recurso, afirmam que Roseli era sócia da Italtac Tecnologia na área de cobranças Ltda. EPP e que Orlando era sócio de Rentalcap Locação de Bens Móveis Ltda. ME, EFRA Tecnologia da Informação Contabilidade e Auditoria. Tais empresas são destinadas à prestação de serviços de cobrança, locação de equipamentos médicos e prestação de serviços de informática e contabilidade, respectivamente. Alegam que a Italica Saude era mera cliente de tais empresas, tendo contrato de prestação de serviços hospitalares com Hospital e Maternidade Jardins Ltda. e Ital Saúde Serviços Médicos Especializados Ltda. EPP e de serviços de locação, contabilidade e informática com as demais, não exercendo qualquer papel de gestão umas às outras. Fl. 11421DF CARF MF 14 Afirma que a Italtac é empresa de cobrança que, dentre outras, possui as ora autuadas/responsaveis como clientes, o que justifica que os pagamentos de umas às outras sejam feitos através dela, haja vista ser sua atividadefim. Contesta o indício de fraude e de formação de grupo econômico fundado em que os pagamentos feitos ao Hospital e Maternidade Jardins e à Ital Saúde Serviços Médicos por sua cliente Itálica Saúde foram realizados em forma de antecipações ao longo do mês e não ao seu final, afirmando que "como grande parte de suas receitas (e também despesas) advinha de tal cliente ("Itálica"), que possuia forte atuação junto à população menos favorecida, exatamente a atendida pelas Recorrentes, faziamse necessários adiantamentos ao longo do mês para viabilizar a manutenção das atividades, muitas vezes, o que não quer dizer que ao final o mês tais Recorrentes não prestavam contas dos serviços prestados". Afirma que ainda que as empresas recorrentes pertencessem a tal suposto grupo econômico esse fato não lhes retiraria sua autonomia e tampouco as tornaria responsáveis tributárias umas pelos débitos das outras. Continua, dizendo que a relação entre as recorrentes e a Itálica Saúde sempre foi meramente negocial, por meio de contratos de prestação de serviços e aluguel, revestidos de todas as formalidades legais, em que a Itálica Saúde remunerava as Recorrentes em contraprestação, sem que houvesse qualquer participação gerencial de umas às outras. Alega, ademais, que Orlando e Roseli sequer eram sócios ou diretores da Itálica Saúde, mas prestadores de serviços sem poder de gerência. Recurso Voluntário de Carlos Martin Lora Garcia e de Consultec Consultoria em Saúde Ltda. ME Consultec foi responsabilizada com base no artigo 124, I, do CTN e Carlos foi responsabilizado com base nos arts. 124, I e II e 135, III do CTN, sob a motivação: Real administrador da Itálica Saúde, era procurador da fiscalizada e das demais empresas ligadas, com amplos poderes de administração, inclusive com poder de venda da sociedade. Era quem tomava as decisões e também o real beneficiário dos recursos da Itálica desviados por meio de contas da Italtac, por retiradas em espécie e planos de previdência privada, dentre outras formas, conforme se detalha no Termo de Verificação Fiscal. A autuação do conjunto das empresas citadas, como se fosse uma só empresa: recebimentos centralizados em contas da Italtac, pagamentos das despesas de todas com estes recursos, procurações, concedendo poderes ilimitados a Carlos Martin Lora Garcia, apontam para um grupo empresarial de fato informal, sob comando deste, justificam sua responsabilização segundo o art. 124, I do CTN. (...) Identificadas fraudes pela interposição de pessoas e sonegação de imposto, confusão patrimonial, justificase a responsabilizacão pelo art. 135,Ill do CTN de Carlos Martin Lora Garcia. (...) Págs∙9.300: (...). Roseli Aparecida de Brito é Sócia da Italtac desde 20/12/2006, e é também sócia da Rentalcap desde 15/02/07 e da Consultec entre 09/10/06 e 21/02/07. Fl. 11422DF CARF MF Processo nº 13896.720684/201569 Acórdão n.º 1401001.786 S1C4T1 Fl. 11.416 15 Tanto Roseli Aparecida de Brito como o outro sócio Luiz Marconi Filho, concederam as Carlos Martin Lora Garcia procurações com poderes ilimitados, págs 304/306. Enquanto que este, págs. 298/303, outorgou procuração a Orlando Márcio de Melo Camps junior e Roseli Aparecida de Brito, para exercerem em conjunto e não com poderes ilimitados. À pág. 9.271/9.271, adiantamentos da Itálica à Consultec: em 2010, R$152.279,48; em 2011, R$283.825,s7; à pág. 9.275, DIPJ ac 2010, totalidade da receita declarada de R$540.000,00 proveniente da Itálica; págs. 8.887/9.237, Conta Razão, adiantamento à Consultec. Seu endereço é o mesmo que o da Italtac, pág. 9.279. Em síntese, não comprovou a prestação de serviços alegada mente contratados pela Itálica, enquanto que suas despesas foram pagar por aquela, com recursos gerados pela Itálica, que forma operados pela Italtac, sob comando de Carlos Martin Lora Garcia; tais elementos justificam a responsabilização da Consultec com base no art. 124, Ido CTN, por ter participado das decisões que conduziram à autuação, e de seus sócio,Carlos Martin Lora Garcia, dirigente de fato do grupo empresarial informal, por ter infringido a legislação tributária, art. 135, III, do CTN"." O recurso está baseado na alegação de que a Consultec é mera prestadora de serviços, devidamente contratada pela Itálica Saúde para a prestação de serviços de consultoria em gestão administrativa e operacional na área de saúde, não tendo com esta qualquer relação gerencial ou financeira. Já Carlos é ser mero administrador da Consultec, não restando presentes os requisitos para a responsabilização solidária de que tratam os art. 124 e 135 do CTN. Afirma que não há ilegalidade em se constituir uma pessoa jurídica sem estrutura física, e que "a existência de um estabelecimento sem dependências físicas ou ausência de funcionários para o desenvolvimento de suas atividades não implica na ilegalidade como o relatório fiscal insinua". Contesta a existência de grupo econômico, afirmando que "Como em toda e qualquer empresa de consultoria, os Recorrentes não exerceram qualquer poder de controle ou poder dominante em relação à Itálica Saúde Ltda., mas somente seu aconselhamento, que poderia ser seguido ou não". Aduz, ademais, que mesmo que considerado um grupo econômico, não é possível se alcançar a solidariedade passiva, citando jurisprudência sobre a necessidade de realização conjunta da situação que enseja o fat gerador para a responsabilização baseada no art. 124 do CTN. Sobre Carlos, afirma que o fato de ele ser sócio administrador de empresa da consultoria ou, ainda, procurador de algumas pessoas físicas e jurídicas que detém alguma ligação com a Itálica não é suficiente para que detivesse um puder de controle ou decisão sobre as atividades delas, aduzindo que isso ocorreu pelas credenciais do Dr. Carlos Lora, as quais Fl. 11423DF CARF MF 16 atestam sua expertise para tentar dar cumprimento efetivo ao objeto do contrato de prestação de serviços profissionais de consultoria. Defende que, nos termos do artigo 135 do CTN, caberia averiguar o que seria o ato lesivo por parte da Consultec capaz de transferir a responsabilidade tributária ao diretor, gerente ou administrador. Além disso, a sua responsabilização com base no art. 124, I, do CTN, também não se sustenta, na medida em que não houve comprovação de que tenha praticado, em conjunto com a devedora principal, os fatos geradores do IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, requisito esse fundamental para a responsabilização pretendida. Recurso Voluntário de José Carlos dos Santos José foi responsabilizado com base nos arts. 124, I e II e 135, III do CTN, sob a motivação: "Participou em 2012 de aquisição de imóveis da Mar Jull Empreendimentos Imobiliários, empresa patrimonial associada à Itálica, sendo que existem evidências de que estas transações não ocorreram de fato, mas destinaramse a ocultar o patrimônio da outra empresa, como está descrito detalhadamente no Termo de Verificação Fiscal. Os imóveis foram transferidos para a R&D Empreendimentos em janeiro de 2013." Alega que as empresas recorrentes são empresas saudáveis, idôneas, autônomas e cumpridoras de suas obrigações fiscais, possuindo sócios e dirigentes que não guardam qualquer relação com a Itálica Saúde. A peça recursal faz poucas menções específicas a José, imitandose a afirmar que este apenas intermediou a compra e venda de imóveis, sem deter nenhuma parte ou propriedade destes, na qualidade de representante no Brasil das sociedades investidoras R&D e Crossville. Afirma ainda que a R&D é terceiro adquirente de imóveis que, um dia pertenceram à Mar Jull, sendo que não há base legal para, por isso, serlhe imputada responsabilidade solidária em relação ao crédito em causa. Nega a formação de grupo econômico, afirmando que ainda que fosse este o caso o STJ já pacificou o entendimento de que tal situação não enseja solidariedade passiva pelo artigo 124, I, do CTN (ERESP 834.044/RS, julgado em 8.09.2010). É o relatório. Voto Conselheira Relatora Livia De Carli Germano Recurso de ofício Primeiramente, cumpre ressaltar que é matéria do recurso de ofício tanto a exclusão de responsáveis quanto a exoneração de valores de tributo, nos termos do artigo 34, I, do DecretoLei 70.235/1972 e art. 70 de seu decreto regulamentador (Decreto 7.574/2011): Art. 34. A autoridade de primeira instância recorrerá de ofício sempre que a decisão: I exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa de valor total (lançamento principal e decorrentes) a ser fixado em ato do Ministro de Fl. 11424DF CARF MF Processo nº 13896.720684/201569 Acórdão n.º 1401001.786 S1C4T1 Fl. 11.417 17 Estado da Fazenda. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) (...) Art. 70. O recurso de ofício deve ser interposto, pela autoridade competente de primeira instância, sempre que a decisão exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa de valor total (lançamento principal e decorrentes) a ser fixado em ato do Ministro de Estado da Fazenda, bem como quando deixar de aplicar a pena de perdimento de mercadoria com base na legislação do IPI (Decreto no 70.235, de 1972, art. 34, com a redação dada pela Lei no 9.532, de 1997, art. 67). § 1o O recurso será interposto mediante formalização na própria decisão. § 2o Sendo o caso de interposição de recurso de ofício e não tendo este sido formalizado, o servidor que verificar o fato representará à autoridade julgadora, por intermédio de seu chefe imediato, no sentido de que seja observada aquela formalidade. § 3º O disposto no caput aplicase sempre que, na hipótese prevista no § 3º do art. 56, a decisão excluir da lide o sujeito passivo cuja exigência seja em valor superior ao fixado em ato do Ministro de Estado da Fazenda, ainda que mantida a totalidade da exigência do crédito tributário. (Incluído pelo Decreto nº 8.853, de 2016) Quanto aos responsáveis, a DRJ excluiu do polo passivo Guilhermina Ester Baya, Sofia Cristiane Baya Schaetzer, Bruno Sergio Damaceno, Pedro Gruber Franchini, Márcia Gruber Franchini em razão da não comprovação do pressuposto para a responsabilização, qual seja, o interesse comum, reconhecendo não haver elementos nos autos que demonstrem sua participação na tomada de decisões ou gerenciamento dos fatos que levaram às autuações fiscais nos anos 2010 e 2011. Com razão a decisão recorrida. Quanto aos valores exigidos, o Acórdão recorrido os reduziu nos seguintes termos: Tributo Valor lançado Valor mantido pela DRJ IRPJ R$19.448.276,72 R$18.240.216,81 CSLL R$5.803.075,64 R$5.440.657,67 PIS R$994.607,75 R$908.526,28 COFINS R$4.590.464,94 R$4.193.165,88 A redução ocorreu em virtude de (i) erros de transcrição do auto de infração, (ii) exclusão de reversão de provisão para perdas e, (iii) no caso de PIS e COFINS, também em virtude da exclusão de receitas financeiras da base de cálculo. (i) erros de transcrição do auto de infração A DRJ reconheceu erro de soma dos valores, mês a mês, na formação da receita anual, no total de R$3.808.565,02, conforme demonstrado na planilha de pág. 22 da impugnação e fl. 9.645 dos autos: Fl. 11425DF CARF MF 18 Não merece reforma a decisão da DRJ, que concluiu assistir razão à Itálica Saúde ao comparar o item Base de Cálculo do TVF à base de cálculo do auto de infração e aos dados do Anexo III, referentes a 01, 04, 10/2010 e 04 e 12/2011, conforme acima. (ii) exclusão de reversão de provisão O acórdão recorrido acolheu a alegação da Itálica Saúde de que deveriam ser excluídos da base de cálculo do arbitramento as reversões de provisão de crédito para liquidação duvidosa, que são contas cumulativas provisionadas de acordo com as normas da ANS (Planos individuais com atraso acima de 60 dias e coletivos acima de 90 dias). Segundo a contribuinte, tais créditos já teriam sido considerados receitas 60 ou 90 dias antes, de modo que a sua não exclusão geraria bis in idem. A análise da documentação acostada aos autos (em especial Anexo III.c ao TVF) comprova que foram consideradas pela fiscalização, na receita bruta, valores a crédito da conta 3399199001 – Reversão provisão Perdas sobre Créditos referentes ao período autuado, nos seguintes termos: Por assistir razão à contribuinte, também nesse ponto a decisão da DRJ deve ser mantida. (iii) exclusão de receitas financeiras da base de cálculo no caso de PIS e COFINS A decisão recorrida excluiu da base de cálculo do PIS e da COFINS o valor das receitas financeiras, tendo em vista que, no lucro arbitrado, a Itálica está sujeita ao regime cumulativo dessas contribuições, nos termos da Lei 9.718/1998. Fl. 11426DF CARF MF Processo nº 13896.720684/201569 Acórdão n.º 1401001.786 S1C4T1 Fl. 11.418 19 O Supremo Tribunal Federal, no julgamento do Recurso Extraordinário 585.2351, resolveu questão de ordem e reafirmou a jurisprudência do Tribunal acerca da inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/1998, que ampliava a base de cálculo desses tributos pretendendo alcançar não apenas as receitas da atividade mas também receitas não operacionais tais como as financeiras. Reproduzo a ementa do julgado citado: RECURSO Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da CiOFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. O § 6o, I, do artigo 26A do Decreto nº 70.235/1972 veda aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar lei sob fundamento de inconstitucionalidade, exceto nos casos em que esta tenha sido declarada inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal. Neste sentido, correta a decisão da DRJ, que excluiu da base de cálculo do PIS e da COFINS os seguintes valores de receitas financeiras: Conclusão Diante do exposto, nego provimento ao recurso de ofício. Recursos voluntários Conforme relatado, os recursos voluntários apresentados por Biovida Saúde Ltda., R&D Empreendimentos Imobiliários Ltda. e Crossville Overseas Group Inc. são intempestivos, portanto não serão admitidos. Fl. 11427DF CARF MF 20 Os recursos voluntários dos seguintes sujeitos passivos preenchem os requisitos de admissibilidade e serão portanto conhecidos: Itálica Saúde Ltda., Mar Jull Empreendimentos Imobiliários Ltda., Orlando Marcio de Melo Campos Junior e Roseli Aparecida de Brito, Carlos Martin Lora Garcia e Consultec Consultoria em Saúde Ltda. ME, e José Carlos dos Santos. Passo a tratar de cada um deles a seguir. Recurso Voluntário da contribuinte Itálica Saúde Ltda. Em seu recurso, Itálica Saúde basicamente repete os seguintes argumentos expostos na peça impugnatória: (i) o Relatório da ANS, que embasou os autos, além de ser questionável, é imprestável à constituição dos créditos tributários, por se tratar de prova emprestada. (ii) inocorrência das hipóteses de arbitramento com base nos incisos II, b e III do art. 530 do RIR, de 1999, eis que é inaplicável ao caso o inciso II, já que sua escrituração permite conhecer seu lucro real e, é igualmente inaplicável o inciso III, que determina tal medida quando o contribuinte deixar de atender à fiscalização, eis que sequer foi dada oportunidade para a Itálica Saúde de fazêlo, já que estava sob a intervenção da ANS. (iii) a base de cálculo utilizada para o arbitramento apresenta os seguintes vícios: (a) não exclui os valores que a própria fiscal autuante atestou que foram incluídos Refis da Crise em 2010 (fls. 89 do Termo de Verificação Fiscal), gerando bitributação; (b) não foram deduzidos da apuração os impostos já pagos pelas empresas que receberam os repasses apontados pela autuante, nem os pagos pela própria Itálica SAúde, em afronta ao o art. 540 do RIR/99, gerando bitributação e, por fim, (c) na apuração da base tributável, não observou o art. 519, §3° do RIR/99, que dispõe que, no caso de atividades diversificadas, será aplicado o percentual correspondente a cada atividade, alegando que, no caso, deveria ter utilizado percentuais para atividades médicohospitalares e prestação de serviços e plano de saúde. (iv) o conceito de receita bruta para as operadoras de planos de saúde é específico, já que a atividade compreende tão somente a intermediação de serviços médico hospitalares. Assim, os valores que transfere aos prestadores de serviços médicohospitalares não integram a sua receita bruta, já que se configuram meros repasses (custos da sua atividade), devendo ser excluídos de sua tributação. Além disto, afirma ainda que: (a) para tais empresas, as receitas financeiras, além de não serem tributadas pelo PIS/COFINS, são dedutíveis do Lucro Real e base de cálculo da CSLL (até o limite das provisões técnicas a que estão obrigadas), o que também deve ser levado em consideração; e (b) o auto de infração incluiu, indevidamente, reversões de provisões não dedutíveis na receita bruta autuada. (v) as Variações das Provisões Técnicas devem ser excluídas da base tributável, pois permitidas pelas Normas da ANS e não representam entrada ou saída de dinheiro ou Receita, sendo constituídas com base numa fórmula matemática atuarial de acordo com as normas sobre o valor das mensalidade ou dos gastos assistenciais que são debitadas em conta própria do grupo 4 Variação da Provisão Técnica (Despesa) e Creditada no Passivo como Provisão para Eventos Ocorridos e Não avisados; mas, quando a constituição desta provisão é menor do que a Provisão anterior, temse o crédito lançado na conta do grupo 3. (vi) ilegalidade da base de cálculo utilizada para cálculo do PIS e da COFINS, haja vista a inobservância do disposto nos §§9°, 9°A e 9°B do art. 3º da Lei n.° 9.718, de 1998, que determinam que as despesas e repasses ocorridos no período dela devem Fl. 11428DF CARF MF Processo nº 13896.720684/201569 Acórdão n.º 1401001.786 S1C4T1 Fl. 11.419 21 ser deduzidas, observando que a Lei 12.873/2013 incluiu o §9A e a Lei n.° 12.995/2014 o §9° B, dispondo acerca da forma pela qual deve interpretado o §9°. (vii) insustentabilidade das multas agravada e qualificada, quer por não ter restado comprovada a hipótese de seus cabimentos, quer porque confiscatórias. Apesar de a fiscalização trazer provas que precisariam ser infirmadas pela recorrente, bem assim a DRJ ter reforçado mais ainda os argumentos da fiscalização, em sede recursal a Itálica Saúde se contenta em repetir as mesmas justificativas que foram reportadas para o fiscal e para a DRJ. Conforme discorreu o Conselheiro Antonio Bezerra Neto, em seu voto no acórdão 1401001.640, julgado em 07.06.2016, os princípios da ampla defesa e do contraditório garantem ao defendente o direito de tomar conhecimento de tudo o que consta nos autos e de se manifestar a respeito, trazendo para o processo todos os elementos tendentes a esclarecer a verdade. Apesar de tais princípios se caracterizarem como direitos dos contribuintes, neles estão implícitos também deveres, de forma a regulamentar o processo para que chegue a um fim. Nesse passo continua ilustre Conselheiro é inerente ao princípio do contraditório que o processo deva caminhar através de um caráter dialético que perpassa, se for o caso, as duas instâncias do Processo Administrativo Fiscal. Dessa forma, é imperioso que, em acontecendo de a lide atingir a segunda instância, se ofereçam razões ou contraargumentações claras e específicas contra não somente a manutenção do lançamento, mas também levando em consideração, um mínimo que seja, o que ficou dito na decisão de primeira instância, mormente em se tratando de matéria probatória, como é o caso. Isso porque as contradições ou erros ainda porventura existentes por ocasião da decisão de primeira instância devem ser apontadas especificamente para que a instância ad quem, tome conhecimento, e se for o caso, corrijaos e supereos pela sua atividade sintetizadora de órgão revisor. Assim, em vista dos argumentos da decisão da DRJ e do que se colocou nos parágrafos anteriores, adoto como razões de decidir os fundamentos utilizados pela decisão recorrida, que a seguir reproduzo: 2.4 PROVA EMPRESTADA. 204. Conforme o TVF, págs. 9.325/9.328, “a base de cálculo utilizada nos autos de infração foi obtida a partir dos lançamentos contábeis relacionados no anexo “Receita Itálica Saúde 2010 e 2011”. 205. Adicionalmente, conforme relatado no TVF, foram computadas receitas não consideradas em épocas próprias, receitas não contabilizadas do Ministério do Trabalho Espanhol e receitas provenientes de contratos de permuta de serviços, com base em descrição e documentação do relatório da Direção Fiscal da ANS, além de que este forneceu subsídios, descritos no TVF, para caracterizar responsabilidade solidária de pessoas físicas e jurídicas. 206. Verificamse duas questões a examinar: o relatório da Direção Fiscal da ANS tratase de prova emprestada? Prova emprestada é admissível, ou ilegal? Fl. 11429DF CARF MF 22 2.4.1 O relatório da Direção Fiscal da ANS. 207. A Agência Nacional de Saúde Complementar – ANS é uma agência reguladora, vinculada ao Ministério da Saúde, responsável pelo setor de planos de saúde no Brasil, o que significa a criação de normas, o controle e a fiscalização de segmentos de mercado explorados por empresas, para assegurar o interesse público. 208. A Diretoria Colegiada da ANS editou a Resolução Operacional – RO nº 1.073 de 01 de setembro de 2011, DOU 05/09/2011 que designou Direção Fiscal na Operadora Itálica Saúde; às págs. 4.359/4.387, Relatório Final relativo a este Processo de Direção Fiscal nº 33902.649944/201136, protocolado na ANS em 05/04/2012, propondo a alienação da carteira seguida de liquidação da Operadora; em 12/09/2012, a Resolução Operacional nº 1.265, determinou a alienação de sua carteira e suspendeu a comercialização de seus planos de saúde; em 17/12/2012, a RO nº 1.312, concedeu o prazo de 60 (sessenta) dias para que os beneficiários exercerem a portabilidade de seus planos de saúde para outras operadoras; a Resolução Operacional – RO nº 1.514, de 09 de setembro de 2013, publicada no D.O U. em 10/09/2013, decretou regime de liquidação extrajudicial da Itálica Saúde Ltda. 209. O procedimento fiscal se iniciou em 19/03/2013, com o Edital Sefis DRF Barueri nº 22/2013, de pág. 2; a ciência dos autos de infração ocorreu em 07/04/2015, quando a empresa se encontrava em liquidação extrajudicial. 210. Resolução Normativa RN n° 316, de 30 de novembro 2012, dispõe sobre os regimes especiais de direção fiscal e de liquidação extrajudicial sobre as operadoras de planos de assistência à saúde e revoga a RDC nº 47, de 3 de janeiro de 2001, e a RN nº 52, de 14 de novembro de 2003. Art. 2° O regime especial de direção fiscal poderá ser instaurado, quando detectadas uma ou mais anormalidades econômicofinanceiras ou administrativas graves que coloquem em risco a continuidade ou a qualidade do atendimento à saúde, conforme abaixo especificadas, sem prejuízo de outras hipóteses que venham a ser identificadas pela ANS. (...) Art. 5º A direção fiscal será conduzida por diretor fiscal, sem poderes de gestão, designado pela ANS. Art. 6º Compete ao Diretor Fiscal: I colher documentos e informações da operadora que possam instruir o processo de acompanhamento de suas atividades administrativas e de sua situação econômicofinanceira, bem como obter cópia do estatuto ou contrato social consolidado da operadora, caso necessário; II proceder à auditoria das contas da operadora, tomando por base o balanço ou balancete contábil mais atualizado; III colher informações com credores e beneficiários da operadora; IV determinar a apresentação pela operadora de Programa de Saneamento com ações e metas que visem à sua recuperação econômicofinanceira; V avaliar o Programa de Saneamento apresentado pela operadora e submetêlo Fl. 11430DF CARF MF Processo nº 13896.720684/201569 Acórdão n.º 1401001.786 S1C4T1 Fl. 11.420 23 à deliberação da ANS; VI determinar à operadora a convocação de reunião de seus órgãos estatutários de administração, podendo participar como ouvinte, quando for o caso; e VII propor à ANS, quando for o caso: a) o afastamento dos administradores que descumprirem suas determinações ou obstruírem sua atuação, observado o disposto no parágrafo único do art. 2º. b) a adoção de providências necessárias à responsabilização de quaisquer pessoas, diante de indícios de condutas ilegais; c) a adoção de medidas perante as instituições públicas ou privadas que possam contribuir para a condução do regime de direção fiscal; d) o encerramento do regime de direção fiscal, quando afastada a gravidade das anormalidades que coloquem em risco a continuidade do atendimento à saúde; e) a transformação do regime de direção fiscal em direção técnica ou a instauração concomitante deste regime, conforme o caso; f) a alienação da carteira da operadora ou a concessão de portabilidade especial a seus beneficiários, ou a decretação da liquidação extrajudicial ou o cancelamento da autorização de funcionamento ou do registro provisório, nas hipóteses previstas nesta Resolução; e g) demais medidas que julgar cabíveis para o cumprimento eficiente do regime. § 1º Os atos do diretor fiscal dirigidos à operadora serão formalizados por meio de Instrução Diretiva ID. § 2º Ao diretor fiscal deverá ser dado conhecimento prévio da realização de quaisquer atos societários ou negócios jurídicos pretendidos pela operadora. (...) Art. 17. A liquidação extrajudicial da operadora poderá ser decretada pela ANS, quando verificada ao menos uma das seguintes situações: I indícios de dissolução irregular; II não alcance dos objetivos de saneamento das anormalidades econômico financeiras ou administrativas graves; III ausência de substituição de administradores inabilitados ou afastados por determinação da ANS, sempre que o abandono ou a omissão continuada dos órgãos de deliberação importar em risco para a continuidade ou a qualidade do atendimento à saúde dos beneficiários; ou IV aplicação de sanção administrativa de cancelamento de sua autorização de funcionamento ou do registro provisório, na forma do art. 25, VI, da Lei nº 9.656, de 1998. Fl. 11431DF CARF MF 24 § 1º A liquidação extrajudicial da operadora poderá ser decretada independentemente de instauração do regime de direção fiscal sempre que a gravidade das anormalidades econômicofinanceiras ou administrativas impliquem risco iminente à manutenção do atendimento à saúde. § 2º A liquidação extrajudicial poderá ser decretada a requerimento dos administradores da operadora, quando autorizados pelos estatutos ou por deliberação em assembléia geral extraordinária, expostos de forma circunstanciada os motivos justificadores da medida. Art. 18. Havendo beneficiários ativos na operadora, a decretação da liquidação extrajudicial será precedida da alienação de sua carteira ou da portabilidade especial a esses beneficiários, na forma definida em resolução específica. (...) Art. 20. A decretação da liquidação extrajudicial produz os seguintes efeitos imediatos: I cancelamento da autorização de funcionamento ou do registro provisório de operadora; II perda dos poderes de todos os órgãos de administração da liquidanda; (...) (Grifouse.) 211. Conforme este dispositivo legal, a Direção Fiscal nomeada pela ANS colhe informações e documentos, analisaos e elabora recomendações, porém não tem poderes de gestão; no caso, a recomendação, acatada, foi pela liquidação extrajudicial da operadora Itálica Saúde Ltda; a partir da instauração da liquidação extrajudicial, a direção da operadora perdeu seus poderes, que passaram ao liquidante. 212. Os fatos objetos da autuação são dos anoscalendário 2010 e 2011, a intervenção da ANS iniciouse em 05/09/2011, relatada no Relatório Final, protocolado na ANS em 05/04/2012. 213. A fiscalização iniciouse em 19/03/2013, devido às irregularidades detectadas e, a partir de 10/09/2013, respondia pela empresa a liquidante Edna Maria Tonolli, CPF 642.165.43804, nomeada pela ANS, pág. 132; substituída por José Carlos Marani, CPF 387.508.56804, pág. 152, em 14/05/2014; e a partir de 15/06/2015, Wilson Roberto Rosalino CPF 107.766.97803, pág. 10.239. 214. Antes de 10/09/2013, as intimações foram dirigidas à empresa foram recebidas/ou não (mudouse, desconhecido), por seus representantes legais, págs. 2/118; relata a autuante no TVF que as intimações requerendo livros contábeis e outros documentos não foram atendidas e diligências não localizaram o domicílio da empresa e que: “As intimações anteriores à data da decretação da liquidação extrajudicial (10/09/2013 não tiveram resposta. Posteriormente a esta data, as intimações foram recebidas pelos liquidantes nomeados pela ANS. No entanto, estes também não apresentaram a documentação solicitada (com exceção dos relatórios de auditoria e a relação de bens da operadora), tendo justificado o fato pela falta de acesso aos livros e documentos da empresa.”. 215. Então, retornando à questão: tendo sido o Relatório Final, do qual informações e documentos foram utilizados pelo autuante na fiscalização, sido Fl. 11432DF CARF MF Processo nº 13896.720684/201569 Acórdão n.º 1401001.786 S1C4T1 Fl. 11.421 25 elaborado por pessoa nomeada por órgão que assumiu a direção da autuada quando da liquidação, descabe o entendimento de que seja prova emprestada, dado que elaborada e fornecida por quem representava a empresa autuada durante o procedimento fiscal. 2.4.2 Prova emprestada é admissível, ou ilegal? 216. Quanto à denominada “prova emprestada”, devese observar que a doutrina processual usualmente utiliza tal denominação para a prova produzida num processo, seja por documento, depoimento pessoal ou exame pericial, que possa ser transladada e aproveitada em outro processo. Cabe observar que o artigo 332 do Código do Processo Civil, utilizado subsidiariamente no Processo Administrativo Fiscal, prescreve que “todos os meios legais, bem como os moralmente legítimos, ainda que não especificados neste Código, são hábeis para provar a verdade dos fatos em que se funda a ação ou a defesa”. Portanto, em termos gerais é perfeitamente válida a utilização de provas produzidas em outros processos, desde que, naturalmente, estas guardem pertinência com os fatos cuja prova se pretenda oferecer. 217. A prova emprestada deve ser admitida principalmente quando agregada a outros elementos de convicção produzidos no curso do procedimento fiscal, sob o crivo do contraditório. 218. Destaquese que o uso de prova emprestada não afetaria a ampla defesa do contribuinte que teve trinta dias para contraditar a autuação e apresentar documentos comprobatórios. Não se sustenta a afirmação da interessada de que não as provas não foram validadas, basta verificar o que foi informado no Termo de Constatação e Descrição dos Fatos, onde as informações da Direção Fiscal da ANS são confrontadas com dados coligidos pela autuante: item 4. Os Demais procedimentos Fiscais – fiscalização n Italtac e diligências nas empresas e pessoas físicas listadas às págs. 9.242/9.243; item Da Documentação Analisada, págs. 9.243/9.246; a análise das informações contábeis da empresa, transmitidas ao SPED – Sistema Público de Escrituração Digital e informações nos sistemas de RFB; as diligências relativas às sociais nominais da autuada e o sócio de fato, e representantes e procuradores, relatadas no TVF, págs. 9.246/9.254; a análise dos dados da Italtac, inclusive bancários e a movimentação financeira no grupo de empresas, págs. 9.254/9.271; interações financeiras da autuada com os hospitais e outras empresas ligadas, págs. 9.271/9.304; a identificação do real sócio Carlos Martin Lora Garcia, págs. 9.304/9.312, exame de documentos bancários da Italtac; movimentação patrimonial do grupo e pessoas jurídicas e físicas envolvidas, págs. 9.312/9.321; falhas na contabilidade, págs. 9.322/9.325. 219. Além de que, é lícita a utilização de provas emprestadas (aquela formada por outra autoridade que não a autuadora), o importante na sua utilização é que sejam respeitados os princípios constitucionais do devido processo legal, da ampla defesa e do contraditório, e isto ocorreu mediante a impugnação que está sendo analisada. 2.5 ARBITRAMENTO. 220. Os litigantes afirmam que não ocorreram as hipóteses de arbitramento do lucro e da base de cálculo da CSLL, dos incisos II, b e III do art. 530 do RIR, de 1999. Fl. 11433DF CARF MF 26 221. No auto de infração consta que a capitulação legal do arbitramento, para todos os períodos autuados deveuse a: (...)o contribuinte notificado a apresentar os documentos em que se baseou a sua escrituração, conforme Termo de Inicio de Fiscalização e termo(s) de intimação em anexo, deixou de apresentálos. 222. A base legal constante dos autos é art. 530, III do RIR de 1999: Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do anocalendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando: III – o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527; 223. No TVF, pág. 9.325, a capitulação legal consta art. 530, II, “b” e III, do RIR de 1999, sendo o inciso II, b, relativo às falhas na contabilidade descritas pela Direção Geral de ANS e confirmadas nas diligências da fiscalização da RFB. 224. O autuante relata que a autuada e as demais empresas operavam como um só conglomerado, misto de operadora de planos de saúde e prestadora de serviços na área médica por meio dos hospitais e clínicas ligados, não tendo sido apresentada a documentação que permita separar as receitas de cada espécie a partir dos valores levantados a partir da ECD pela fiscalização, para aplicar percentuais diferenciados de arbitramento; eis que o art. 537, parágrafo único do RIR de 1999, determina: Art. 537. (...) Parágrafo único. No caso de pessoa jurídica com atividades diversificadas, não sendo possível a identificação da atividade a que se refere a receita omitida, esta será adicionada àquela que corresponder o percentual mais elevado (Lei nº 9.249, de 1995, art. 24, § 1º) 2.5.1 Não apresentação dos documentos da escrituração comercial e fiscal. 225. A fiscalização iniciouse em 19/03/2013, devido às irregularidades detectadas e, a partir de 10/09/2013, respondia pela empresa a liquidante Edna Maria Tonolli, CPF 642.165.43804, nomeada pela ANS, pág. 132; substituída , em 14/05/2014, por José Carlos Marani, CPF 387.508.56804, pág. 152; e a partir de 15/06/2015, por Wilson Roberto Rosalino CPF 107.766.97803, pág. 10.239. 226. Antes de 10/09/2013, as intimações dirigidas à empresa foram recebidas, ou não (mudouse, desconhecido), por seus representantes legais, págs. 2/118; relata a autuante no TVF que as intimações requerendo livros contábeis e outros documentos não foram atendidas e diligências não localizaram o domicílio da empresa e que: “As intimações anteriores à data da decretação da liquidação extrajudicial (10/09/2013 não tiveram resposta. Posteriormente a esta data, as intimações foram recebidas pelos liquidantes nomeados pela ANS. No entanto, estes também não apresentaram a documentação solicitada (com exceção dos relatórios de auditoria e a relação de bens da operadora), tendo justificado o fato pela falta de acesso aos livros e documentos da empresa.”. Fl. 11434DF CARF MF Processo nº 13896.720684/201569 Acórdão n.º 1401001.786 S1C4T1 Fl. 11.422 27 227. De fato, o Termo de Início de Procedimento Fiscal, requerendo Livro Diário, Livro Razão, informações contábeis, entre outros, foi cientificado via Edital, porque o domicílio do contribuinte não havia sido localizado, págs. 7/8 (número inexistente); as sócias intimadas a comparecer, págs. 9/11 enviaram representante legal que tomou ciência do Termo de Início de Procedimento Fiscal, em 19/03/2013, págs. 12/16; às págs. 17/19, Termo de Reintimação, dando conta que, mesmo cientificado o representante, a documentação não foi entregue e intimando a fazelo, novamente via Edital, pelo mesmo motivo anterior; às págs. 20/21, Termo de Intimação Fiscal nº 2, requerendo contratos e notas fiscais do ano 2010; à pág. 22, Edital declarando Inapta a Itálica Saúde Ltda, devido não ter sido localizada no domicílio tributário (posteriormente revertido, depois de a interessada ter corrigido seu cadastro); págs. 23/35, Termo de Intimação e Reintimação Fiscal, para apresentar os contratos requeridos e os documentos que embasaram os lançamentos contábeis que relaciona, cientificado em 29/07/2013; págs. 36/117, Termo de Intimação Fiscal requerendo contratos de prestadoras de serviços, descrição dos serviços por Nota Fiscal, explicar a relação com os mesmos e apresentar os documentos que embasaram os lançamentos contábeis que relaciona e reintima a apresentar os documentos anteriormente requeridos e não entregues, uma vez que até o momento, nenhum documento ou esclarecimento foi apresentado à fiscalização (o AR de págs. 38/39 retorna com a indicação “desconhecido”), posteriormente cientificado ao representante legal em 04/09/2013. 228. O relatado evidencia que desde 19/03/2013 até a data em que foi decretada a liquidação extrajudicial e nomeado liquidante, em 10/09/2013, ou seja, durante meio ano, a empresa e seus sócios receberam intimações para apresentar documentação e livros e não os entregaram. 229. O que remete à reclamação da litigante contra o agravamento em 50%, da multa de ofício, alegando que não teve oportunidade de atender a fiscalização, pois as intimações foram dirigidas à(aos) Diretora(es) Fiscal(is) nomeada(os) pela ANS e est(es) nenhum esforço fizeram para atendêlas. 230. Como se evidencia, durante o meio ano antes da intervenção, a litigante não entregou a documentação solicitada, sendo que neste período a Direção Fiscal não tinha poderes de gestão. 231. Somente a partir da intervenção, o liquidante nomeado pela ANS passou representar a autuada e ao receber a intimação, informou que não tinha acesso aos mesmos, págs. 140/144, em 16/04/2014: 3 Pois bem. Em que pese o requisitado no Termo de Intimação Fiscal, a Liquidante, em representação à exOperadora, informa que, por ocasião alheia à sua vontade não tem meios suficientes para cumprir o exarado na Intimação. 4 Isso porque, a Liquidante assumiu a função para a qual foi designada em 10 de setembro de 2013, com a publicação no Diário Oficial da União DOU. Na ocasião, a exOperadora encontravase em desmobilização operacional, em que todas as suas filiais estavam com as atividades encerradas e não havia em sua sede quaisquer documentos, livros ou outros apontamentos que pudessem ser usados como subsídios para prestar as informações solicitadas pela Receita Federal do Brasil RFB. 5 Como é possível verificar pelo Termo de Arrecadação de Bens, datado de 11 de setembro de 2013 (anexo), os objetos encontrados na sede e na filial Fl. 11435DF CARF MF 28 localizada na Rua Barão de Itapetininga, n° 151, 5o andar, conjunto 52/53, Praça de República, São PauloSP, CEP 06404000 são em número limitado e se restringem a bens tangíveis, assim, de antemão, informase que eles não têm o condão para que se possam extrair as informações pedidas. 232. Destaquese às págs. 155/165, que a liquidante nomeada Edna Maria Tonolli, encaminhou em 11/09/2013, correspondências a dr. Carlos Martin Lora Garcia, a Guilhermina Ester Baya, a Sofia Cristiane Baya Schatzer e a Orlando Marcio de Melo Campos Junior (procurador), recebidas por estes, requerendo entre outros “a indicação do acervo documental da exoperadora (livros contábeis, fiscais, trabalhistas, etc.)” e alertando sobre a obrigatoriedade da prestação dessas informações. 233. Também em 12/11/2014, o liquidante nomeado José Varlos Maran, respondeu: Referimonos ao TERMO DE INTIMAÇÃO FISCAL, lavrado em 30/10/2014, para informar V.Sa. que, até a presente data, ainda não conseguimos contatar os exadministradores da então ITÁLICA SAÚDE LTDA, que se encontra sob o regime de LIQUIDAÇÃO EXTRAJUDICIAL, desde 09/09/2013, decretado pela AGÊNCIA NACIONAL DE SAÚDE SUPLEMENTARANS, por força da Resolução OperacionalRO, n° 1.514. 2. Sem este contato, que foi objeto de Comunicação ao Ministério Público Federal, conforme Ofício LE n° 861/2013, de 18/09/2013, desconhecemos o paradeiro dos documentos fiscocontábeis da exoperadora, razão pela qual restou prejudicado o atendimento ao solicitado neste TERMO, relativamente à empresa MANAGER NETWORK INTERMEDIAÇÕES DE NEGÓCIOS S/C LTDA. (Grifouse.) 234. Confirmada, portanto a falta de entrega de documentação contábil, o que justifica o arbitramento com base no art. 530, III do RIR de 1999. 235. Argumentou adicionalmente que o sigilo de dados médicos impediria os impugnantes que apresentar comprovantes de prestação de serviços médico hospitalares pelas prestadoras, no entanto, não há quebra de sigilo, em relação a informações prestadas ao fisco, em vista do sigilo fiscal, que impede aos agentes do fisco divulgar qualquer informação de que tenham conhecimento em função de suas atividades. 2.5.2 Imprestabilidade da Contabilidade. 236. O arbitramento tomou como base legal o art. 530, II, b e III do RIR de 1999. 237. Conforme o art. 923 do RIR de 1999: Art. 923. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza ou assim definidos em preceitos legais (art. 923 do RIR/99). (Grifouse.) 238. A fiscalização obteve os dados das informações contábeis transmitidas ao SPED – Sistema Público de Escrituração Digital e as informações constantes dos sistemas informatizados da Receita Federal do Brasil (pág. 9.246), ou seja, a Receita Bruta conhecida foi obtida de informações enviadas à RFB pela própria empresa autuada e tais valores foram acrescidos de receitas não declaradas, conforme relatado no TVF e analisado adiante neste voto, no item referente a erros de apuração da Receita Bruta reclamados pelo litigante. Fl. 11436DF CARF MF Processo nº 13896.720684/201569 Acórdão n.º 1401001.786 S1C4T1 Fl. 11.423 29 Estas receitas não contabilizadas foram descritas no Relatório Final da Direção Fiscal da ANS, datado de 30/03/2012, cuja cópia faz parte do processo digital, juntamente com os documentos comprobatórios. São dois diferentes tipos de verbas. O primeiro são receitas obtidas da venda de planos de saúde ao Ministério do Trabalho Espanhol, (pág. 4.377) que era pago por meio de depósitos efetuados numa conta da Itálica do Bradesco, agência 0138, conta 1599437. Seguese a descrição destas verbas no Relatório citado: b.2 )Conta bancária não reconhecida pela Contabilidade b.2.1) Ministério do Trabalho Espanhol Esta Direção Fiscal emitiu a ID n°. 66, em 13 de fevetelro de 2011, solicitando extrato da conta corrente n°. 159.9437 junto ao Bradesco agencia 138 c solicitando cópias das ordens de transferência de numerários realizada nessa conta, razão da conta "Banco Conta Movimento Bradesco 159.9437 e as notas fiscais emitidas pela itálica. Os depósitos foram efetuados pelo Ministério do Trabalho Espanhol e referemse aos pagamentos dos serviços de prestação de serviço de saúde aos seus funcionários, esta receita de R$ 7.305.783,01, não foi registrada na contabilidade da Itálica, conforme extrato da conta e cópia do razão ajustado pela OPS (fls. 313 a 323) A outra receita não contabilizada corresponde à venda de planos de saúde a diversas agências de publicidade, por permuta, e foi descrita desta forma no mesmo Relatório (pág. 4.378): b.2.2 Contratos tipo permuta – prestação de serviço x publicidade (pág. 9.328) Os valores e os períodos das receitas provenientes do Ministério da Espanha e das empresas de publicidade, que foram somados à receita bruta para o cálculo do lucro arbitrado, foram os seguintes: Comp Valor Cliente abr/10 820.600,44 MINISTÉRIO ESPANHA out/10 50.438,40 MINISTÉRIO ESPANHA out/10 896.479,00 MINISTÉRIO ESPANHA abr/11 865.375,50 MINISTÉRIO ESPANHA dez/11 1.100.000,00 MINISTÉRIO ESPANHA dez/11 19.451,52 NIGHT AND DAY PROMOÇÕES LTDA dez/11 12.783,84 MODEL'S ACTION PROMOÇÕES ARTÍSTICAS LTDA dez/11 20.110,80 JORNAIS DE BARROS ASSOCIADOS LTDA 239. Às págs. 9.322/9.324, o autuante transcreveu no TVF, o relatado pela Diretora Fiscal nomeada pela ANS sobre a contabilidade da autuada, bem como as conclusões desta sobre a situação da empresa e sua contabilidade e que a gravidade dos problemas na contabilidade da Itálica foi um dos motivos da intervenção. 2.5.3 Contabilidade em Perfeita Ordem. Glosa de custos e despesas. Fl. 11437DF CARF MF 30 240. A argumentação de que a contabilidade está em perfeita ordem não se sustenta, na medida em que a contabilidade só faz prova a favor do contribuinte, se apoiada por documentação idônea – na falta dos documentos, não faz prova. 241. Tampouco há elementos para que a fiscalização glose custos ou despesas e apure imposto e contribuições sobre o lucro assim revisto – na falta de documentos, resta prejudicada tal análise. 242. Confirmase a correção de se apurar lucro e base de cálculo da CSLL, mediante arbitramento. 243. E, reiterese, a fiscalizada, seja antes, seja depois do processo de liquidação extrajudicial, não apresentou documentos que apoiassem os dados contábeis, o que invalida sua reclamação de que a apuração de resultados deveria ter sido refeita pela fiscalização e glosados eventuais custos e despesas; na falta de documentação, todos seriam glosados!! 2.5.4 Arbitramento. Erros apontados na apuração do Lucro e da Base de Cálculo da CSLL. 244. Reclamam os litigantes que sequer foram excluídos os valores que a própria fiscal autuante atestou que foram incluídos no Refis da Crise em 2010 (fls. 89 do Termo de Verificação Fiscal), gerando bitributação pois foram objeto de novo lançamento acrescido de multas de 225%; a. Consta do TVF, pág. 9326, no item “Receitas não contabilizadas nas épocas próprias”: Sob as ordens da direção fiscal da ANS foram efetuados parcelamentos de impostos e contribuições que não estavam registrados no passivo da empresa e também foram feitos ajustes na contabilidade relativos a valores não contabilizados ou contabilizados incorretamente em exercícios anteriores, em decorrência das instruções Diretivas n° 49 e 66, que foram anexadas ao processo digital, assim como o razão da conta 2563190001 Ajustes de Exercícios Anteriores. Alguns destes ajustes referiamse a receitas de exercícios anteriores, não contabilizadas em épocas próprias, que relaciono a seguir: (...) b. Não há informação a que períodos de apuração e que impostos e contribuições foram parcelados; o fiscal autuante, meramente relata sobre passivos relativos a tributos que não estavam contabilizados e que foram parcelados. c. Na impugnação nada consta acerca de a que períodos de apuração se referiam tais impostos e contribuições parcelados; cabe ao impugnante suprir os dados dos tributos que alega que deveriam ser excluídos dos exigidos na autuação. d. Destaquese que os impostos e contribuições declarados foram subtraídos do imposto/contribuição apurados na autuação, sendo exigida apenas a diferença entre os dois valores: págs. 9.406, 9.408, 9.438, 9.440, 9.469, 9.487/9.489. (...) 246. Reclamam que não foram deduzidos, da apuração, os impostos já pagos pelas empresas que receberam os repasses apontados pela autuante e sequer aqueles pagos pela própria Impugnante, afrontando o o art. 540 do RIR, de 1999, e gerando bitributação i. Quanto aos impostos/contribuições pagos por fornecedores e/ou prestadores de serviços da autuada, não há previsão legal para a dedução destes, de Fl. 11438DF CARF MF Processo nº 13896.720684/201569 Acórdão n.º 1401001.786 S1C4T1 Fl. 11.424 31 imposto/contribuição devido pela autuada; no caso do PIS e Cofins, há previsão de dedução dos créditos sobre as compras somente no regime da não cumulatividade, que não se aplica à empresa no regime de lucro arbitrado. ii. Quanto aos impostos declarados/pagos pela autuada, verificase que foram deduzidos da autuação, págs. 9.406, 9.408, 9.438, 9.440, 9.469, 9.487/9.489. 247. Reclama que, na apuração da base tributável, não se observou o art. 519, §3° do RIR, de 1999, de que, no caso de atividades diversificadas, será aplicado o percentual correspondente a cada atividade, e requerem a aplicação dos percentuais para atividades médicohospitalares e prestação de serviços e plano de saúde: i. O código de atividade declarado pelo contribuinte em 2010 e 2011 foi 65.50 2/00 – Planos de Saúde; ii. O objeto social é “Operação de planos privados de Assistência à saúde” iii. Na impugnação, declarase “empresa operadora de planos de saúde” iv. Ocorre no presente caso caracterizouse um grupo empresarial em que a Itálica Saúde Ltda recebia valores referentes a plano de saúde, valores estes cobrados/recebidos em contas bancárias e utilizados em pagamentos, por outra empresa, a Italtac; esta, por sua vez, efetuava os pagamentos das despesas da Itálica Saúde Ltda e de clínicas e hospitais, que simulava serem empresas contratadas, mas que, na realidade, eram ramificações operacionais da Itálica Saúde Ltda, e ainda de empresa titular dos imóveis do grupo e outras que atuavam como prestadoras de serviços, porém com interpostas pessoas, simulando empresas independentes – dessa forma, a legislação aplicável às operadoras de planos de saúde não se aplica, porque, além de não se ter caracterizado como tal a forma de operação do grupo, não foram apresentados os documentos contábeis requeridos. v. À pág. 9.328, no item Coeficiente e Alíquotas, o autuante apenas especificou que o percentual de arbitramento é 32% acrescido de 20%, ou seja, 38,4%, e o art. 519, § 1º, III, “a” do RIR de 1999; se a autuada exerceu exclusivamente a atividade de operadora de plano de saúde, por se enquadrar no conceito de prestação de serviços, enseja a aplicação do percentual de 32% sobre a receita bruta, tanto para o cálculo do lucro presumido quanto para o da base de cálculo da CSLL; a atividade não é médico hospitalar, conforme fica claro na Lei nº 9.249, de 1995, base legal do artigo invocado e as IN SRF a seguir: Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995 § 1º Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de: (...) III trinta e dois por cento, para as atividades de: a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares e de auxílio diagnóstico e terapia, patologia clínica, imagenologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas, Fl. 11439DF CARF MF 32 desde que a prestadora destes serviços seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa; (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) vi. Instrução Normativa RFB nº 791, de 10 de dezembro de 2007 (Revogado(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1.234, de 11 de janeiro de 2012) Parágrafo único. São também considerados serviços hospitalares, para os fins desta Instrução Normativa, aqueles efetuados pelas pessoas jurídicas: I prestadoras de serviços préhospitalares, na área de urgência, realizados por meio de UTI móvel, instaladas em ambulâncias de suporte avançado (Tipo "D") ou em aeronave de suporte médico (Tipo "E"); e II prestadoras de serviços de emergências médicas, realizados por meio de UTI móvel, instaladas em ambulâncias classificadas nos Tipos "A", "B", "C" e "F", que possuam médicos e equipamentos que possibilitem oferecer ao paciente suporte avançado de vida." (NR) vii. IN SRF nº 1.234, de 2012: Art. 30. Para os fins previstos nesta Instrução Normativa, são considerados serviços hospitalares aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde, prestados pelos estabelecimentos assistenciais de saúde que desenvolvem as atividades previstas nas atribuições 1 a 4 da Resolução RDC nº 50, de 21 de fevereiro de 2002, da Anvisa (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1540, de 05 de janeiro de 2015) Parágrafo único. São também considerados serviços hospitalares, para fins desta Instrução Normativa, aqueles efetuados pelas pessoas jurídicas: I prestadoras de serviços préhospitalares, na área de urgência, realizados por meio de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) móvel instalada em ambulâncias de suporte avançado (Tipo “D”) ou em aeronave de suporte médico (Tipo “E”); e II prestadoras de serviços de emergências médicas, realizados por meio de UTI móvel, instalada em ambulâncias classificadas nos Tipos “A”, “B”, “C” e “F”, que possuam médicos e equipamentos que possibilitem oferecer ao paciente suporte avançado de vida. viii. E, tendo sido arbitrado o lucro, o percentual é acrescido de 20%; (Grifou se.) 248. Reclamam que se descontou da receita bruta os pagamentos efetuados pela Impugnante a título de reembolso mas, ao mesmo tempo, não se descontou os demais lançamentos a débito realizados nas contas de receita, como "valor pro rata mensalidades canceladas" e "valor prorata faturas canceladas": a. O autuante explicou no TVF que não foram considerados os débitos nas contas de receita, com históricos de "Valor prorata mensalidades canceladas" ou "Valor prorata faturas canceladas" por falta de apresentação de documentação comprobatória. (...) b. Também reclamam que as Variações das Provisões Técnicas devem ser excluídas da base tributável, já que tais variações são permitidas pelas Normas da ANS e não representam entrada ou saída de dinheiro ou Receita, sendo Fl. 11440DF CARF MF Processo nº 13896.720684/201569 Acórdão n.º 1401001.786 S1C4T1 Fl. 11.425 33 constituídas com base numa fórmula matemática atuarial de acordo com as normas sobre o valor das mensalidade ou dos gastos assistenciais que são debitadas em conta própria do grupo 4 Variação da Provisão Técnica (Despesa) e Creditada no Passivo como Provisão para Eventos Ocorridos e Não avisados; afirma que, quando a constituição desta provisão é menor do que a Provisão anterior, temse o crédito lançado na conta do grupo 3. (Neste caso o valor apropriado erroneamente pelo auto de infração e que deverá ser excluído é de R$141.446,09, conforme conta contábil 3121999001): i. também neste caso, tais exclusões impactariam no lucro e base de cálculo da CSLL, contudo, sendo o lançamento por arbitramento, tal exclusão é incabível na sistemática; ii. O registro das provisões técnicas no passivo (balanço patrimonial) representa o cálculo dos riscos esperados inerentes às operações de assistência à saúde, regulamentados pela Resolução Normativa – RN, nº 209, de 22 de dezembro de 2009, da Diretoria Colegiada da Agência Nacional de Saúde Suplementar – ANS; iii. No Anexo III, págs. 9.358/9.390, foram consideradas pela fiscalização, na Receita Bruta, valores a crédito da conta 3121999001 – Outras provisões (Históricos: Crédito Cobrança n/mês, Crédito rendimento multiconta n/mês, crédito desbloqueio judicial), págs. 9.368/9.370; iv. Os históricos evidenciam que os valores considerados pela fiscalização tratamse de recebimentos de cobranças e de rendimentos de aplicações, ao contrário do argumento do litigante; v. Por isso, não se vislumbra motivo para excluílos da receita bruta, já que recebimentos de cobranças integram as receitas e os rendimentos de aplicações financeiras deveriam ser somados ao lucro. c. Reclamam que as Receitas Financeiras, por se tratarem de Receitas não Operacionais e a Impugnante ser sujeita ao regime cumulativo das contribuições ao PIS e à Cofins, devem ser igualmente excluídas da base tributável do IRPJ e da CSLL (art. 30 da Lei n.° 9.718/98) – i. O RIR de 1999, determina que: Art. 279. A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia. Art. 373. Os juros, o desconto, o lucro nas operações de reporte e os rendimentos de aplicações financeiras de renda fixa, ganhos pelo contribuinte, serão incluídos no lucro operacional e, quando derivados de operações ou títulos com vencimento posterior ao encerramento do período, poderão ser rateados pelos períodos a que competirem. Art. 532. O lucro arbitrado das pessoas jurídicas, (...) quando conhecida a receita bruta, será determinado mediante a aplicação dos percentuais fixados no art. 519 e parágrafos, acrescidos de vinte por cento. ii. Às págs. 9.358/9.390, Anexo III, estão listados os valores computados na apuração da Receita Bruta, onde estão incluídos Juros s/Cobranças, Aplicação Fl. 11441DF CARF MF 34 renda Fixa CDB DI, ou seja, valores de receitas financeiras, que o art. 373 determina serem incluídos no lucro operacional; iii. Tais valores não devem compor a Receita Bruta, sobre a qual se aplicam os coeficientes de arbitramento do lucro real e da Base de Cálculo da CSLL; iv. Eis que quando conhecida a receita bruta, a base de cálculo do lucro arbitrado será o montante determinado pela soma das seguintes parcelas: 1. o valor resultante da aplicação de percentuais variáveis, conforme o tipo de atividade operacional exercida pela pessoa jurídica, sobre a receita bruta auferida nos respectivos trimestres; 2. ao resultado obtido na forma do item 1 deverão ser acrescidos os ganhos de capital, os rendimentos e ganhos líquidos auferidos em aplicações financeiras (renda fixa e variável), as variações monetárias ativas, as demais receitas e todos os resultados positivos obtidos pela pessoa jurídica, inclusive os juros recebidos como remuneração do capital próprio, os descontos financeiros obtidos, os juros ativos não decorrentes de aplicações e os demais resultados positivos decorrentes de receitas não abrangidas no item anterior. v. O procedimento correto da autuação era: apurar a receita bruta; aplicar os percentuais de arbitramento; ao lucro apurado, somar as receitas financeiras; vi. O autuante aplicou os percentuais de arbitramento sobre a receita bruta, o que é correto; e sobre as receitas financeiras, que deveriam ter sido consideradas na íntegra; conseqüentemente, só considerou uma fração das mesmas... vii. Não se vislumbra motivo para excluir a fração das receitas financeiras que foi considerada pela autuação. 250. Diz que tendo a contabilidade considerada imprestável, foi utilizado como base de cálculo para a apuração de todos os tributos lançados pela sistemática do lucro arbitrado, o total das receitas auferidas, o que afronta o princípio da verdade material e o art. 3º, §9°A da Lei n.° 9.718, de 1998; que se fundamentou o coeficiente e as alíquotas utilizadas no lançamento por arbitramento, no art. 532 do RIR, de 1999, mediante a aplicação dos percentuais fixados no art. 519 do RIR/99 e seus parágrafos, acrescidos de vinte por cento, sobre a receita bruta conhecida; ou seja: a fundamentação do arbitramento é pela imprestabilidade da contabilidade para a determinação do lucro real, enquanto que a fundamentação de sua forma de cálculo é em dispositivo aplicável a quando se conhece a receita bruta que foi extraída, no caso, dessa mesma contabilidade imprestável! a. Repitase explicação já apresentada neste voto: A fiscalização obteve os dados das informações contábeis transmitidas ao SPED – Sistema Público de Escrituração Digital e as informações constantes dos sistemas informatizados da Receita Federal do Brasil (pág. 9.246), ou seja, a Receita Bruta conhecida foi obtida de informações enviadas à RFB pela própria empresa autuada e tais valores foram acrescidos de receitas não declaradas, conforme relatado no TVF e analisado adiante neste voto, no item referente a erros de apuração da Receita Bruta reclamados pelo litigante. b. Não estando custos e despesas apoiados por documentação hábil, restou o arbitramento para apurar o lucro real e a base de cálculo da CSLL. c. O fato de o contribuinte ter informado a Receita Bruta considerada na autuação na DIPJ, não significa que o IRPJ, CSLL, PIS e Cofins que ofereceu à Fl. 11442DF CARF MF Processo nº 13896.720684/201569 Acórdão n.º 1401001.786 S1C4T1 Fl. 11.426 35 tributação sejam os devidos, uma vez que a a autuação apurou valor maiores que os declarados. d. Tampouco significa que as receitas tenham sido duplamente tributadas, uma vez que, após apuração do IRPJ e das contribuições, foram subtraídos das exigências os valores que o contribuinte pagou/confessou como dívida. 2.5.5 Receita Bruta. Operadora de Planos de Saúde. 251. Dizem que o conceito de Receita Bruta para as operadoras de planos de saúde é específico, já que a atividade compreende tão somente a intermediação de serviços médicohospitalares, o que vem sendo reconhecida nos tribunais e pelos entes tributantes e cita a Municipalidade de São Paulo, onde desde 07/2013 vigora a IN SF/SUREM 1, regulamentando a emissão e entrega da DPS Declaração do Plano de Saúde, permitindolhes uma diminuição no recolhimento do ISSQN, mediante a exclusão, da base de cálculo, dos repasses aos prestadores de serviço na área de saúde, desde que declarados; diz que outros municípios seguiram o exemplo; cita julgados do STF. 252. Ocorre no presente caso que se caracterizou um grupo empresarial em que a Itálica Saúde Ltda recebia valores referentes a plano de saúde, valores estes cobrados/recebidos em contas bancárias e utilizados em pagamentos, por outra empresa, a Italtac; esta, por sua vez, efetuava os pagamentos das despesas da Itálica Saúde Ltda e de clínicas e hospitais, que simulava serem empresas contratadas, mas que, na realidade, eram ramificações operacionais da Itálica Saúde Ltda, e ainda de empresa titular dos imóveis do grupo e outras que atuavam como prestadoras de serviços, porém com interpostas pessoas, simulando empresas independentes – dessa forma, a legislação aplicável às operadoras de planos de saúde não se aplica, porque, além de não se ter caracterizado como tal a forma de operação do grupo, não foram apresentados os documentos contábeis requeridos. 253. Cabe destacar que, no julgamento do processo nº 13896.721377/201503, relativo a autos de infração lavrados na empresa Italtac – Tecnologia na Área de Cobrança Ltda, esta justificou parte dos créditos/depósitos que recebeu em contas bancárias de sua titularidade, como receitas do Hospital e Maternidade Jardins Ltda recebidas de terceiros e não da Itálica; também alegou recebimentos de receitas em nome das demais hospitais: Ital, Somel, embora não tenha comprovado a alegação; e os valores que a Italtac recebeu, provenientes de cobranças de clientes da Itálica, não foram por ela declarados, nem sofreram lançamento de ofício no seu nome, sendo exigidos na presente autuação. 254. Citemse trechos do Termo de Verificação Fiscal, págs. 9.271/9.274: 9. HOSPITAIS Analisando a escrituração digital da Itálica Saúde de 2010 e 2011, foi verificada a existência, dentro do grupo de contas 1261196 Adiantamentos, contas de adiantamentos específicas para algumas empresas, cujo movimento anual está resumido nos quadros abaixo: (...) Os adiantamentos para os hospitais São Carlos (Ital), Santo Expedito (Somel/Biovida) e Jardins eram feitos diariamente, no valor necessário para cobrir as despesas diárias. Mensalmente, cada hospital emitia uma Nota Fiscal de valor igual aos adiantamentos feitos naquele mês. A fiscalizada (SOMEL) foi Fl. 11443DF CARF MF 36 intimada a apresentar a descrição dos serviços incluídos em cada Nota Fiscal, com a indicação do nome do paciente atendido e a especificação do atendimento médico prestado, mas não houve resposta. Os três hospitais também foram intimados a apresentar os contratos de prestação de serviços com a Itálica e as Notas Fiscais relativas aos serviços prestados a esta, acompanhadas da relação detalhada dos serviços incluídos em cada Nota Fiscal. Os hospitais foram intimados ainda a apresentar os Livros "Diário" e "Razão" de 2010. Apenas a Somel respondeu, mas o fez de forma inadequada: apresentou os livros contábeis em arquivo "pdf" e não em formato aceito pela RFB. Quanto à relação dos serviços incluídos em cada Nota Fiscal, apresentou os "resumos de serviços prestados", onde constava apenas o número de atendimentos ambulatoriais e de internações. Reintimado a apresentar a documentação, não respondeu. (...) Os Hospitais da Rede Aberta acima, assim como os fornecedores de serviços: Italtac Tecnologia na Área de Cobrança Ltda., Rentalcap Locação de Bens Móveis Ltda., Aweti Com. Serv. e Treinamento, Consultec Consultoria em Saúde Ltda., recebem adiantamentos durante o mês e no final do mês é feito encontro de conta e emitido Nota Fiscal de serviços no valor total dos adiantamentos feita, em desacordo com art. 21 da Lei n°. 9656, de 02/06/98. " (...) Notese que, conforme mostra a contabilidade, a partir do final de 2011, além dos três hospitais e das demais empresas ligadas já citadas neste Termo, recebeu adiantamentos da Itálica ao Hospital Santos Dumont, à Rua Natal., 61 em Santo André/SP. (...) 10. EMPRESAS LIGADAS Além da ITALTAC e dos hospitais, estavam ligadas à Itálica Saúde as empresas RENTALCAP, MARJULL, CONSULTEC e AWETI(ATUAL EFRA), que mantinham contratos formais com a operadora referentes aos seguintes objetos: Rentalcap aluguel de móveis e equipamentos Mar Jull aluguéis de imóveis Consultec serviços de consultoria Aweti serviços de informática A tabela abaixo mostra a receita de cada empresa do grupo (conforme as informações declaradas em DIPJ) e o valor recebido da Itálica no ano de 2010: (¹) (...) Verificase, portanto, que a receita obtida junto à Itálica representa, de acordo com as informações declaradas em DIPJ, a única receita das empresas associadas na maior parte dos casos. Apenas a Somel e o Hospital Jardins declararam receitas obtidas de outras fontes (23% e 5% respectivamente). No caso da Somel, que apresentou a contabilidade, embora de forma inadequada, foi Fl. 11444DF CARF MF Processo nº 13896.720684/201569 Acórdão n.º 1401001.786 S1C4T1 Fl. 11.427 37 possível apurar que 100% da receita declarada veio da Itálica Saúde, como demonstraremos na seção "Receita Somel". Não foi comprovada a real prestação de serviços entre a Itálica e as empresas Aweti, Consultec, Rentalcap e Mar Jull. A Aweti e a Consultec não atenderam às intimações fiscais para apresentar documentação comprobatória da prestação de serviços, mas consta do depoimento de Orlando Campos em 10/01/2014 a afirmação de que recebia parte da sua remuneração por intermédio da Aweti: (...) Quanto a Rentlcap, também localizada no endereço de um escritório virtual, como a Italtac e a Consultec, possui um capital de apenas R$ 8.000,00 e não teve movimentação financeira anterior a 04/2010, não tendo, portanto capacidade financeira para adquirir os bens que teria locado para a Itálica Saúde. 11. Receita – SOMEL (...) Os lançamentos na conta 1261297 não mostram a existência de outras fontes de receita, mas apenas outras transferências de recursos provenientes da Itálica (lançamentos 7 e 9) e o pagamento de despesas com cooperativas de trabalho (lançamentos 1,3,5,10,14,16,19,21,23) por uma fonte externa não identificada na contabilidade. No entanto, os extratos bancários das contas da Italtac mostram que em todos os meses as despesas com cooperativas contabilizadas pela Somel foram pagas por esta empresa, com cobertura do saldo no dia do pagamento pela Itálica Saúde. Por exemplo, em 6 de abril de 2010, a conta 218219102 Fornecedores a Pagar Somel) mostra o pagamento de R$ 136.026,72 à cooperativa de trabalho, com contrapartida na conta 1213195 Bradesco ag 0138 conta 159844 Italtac: (…) O extrato bancário da referida conta confirma o pagamento de R$ 136.026,72 à cooperativa em 06/04, sendo que na mesma data há uma transferência de R$162.000,00 da conta Bradesco, agêncial381 149796, contabilizada pela Itálica Saúde como adiantamento à Somel. (...) O extrato da conta bancária Bradesco 0138/159844 (Italtac) mostra que o valor foi pago à cooperativa por meio de transferência eletrônica em 05/08. Na mesma data, a Italtac transferiu R$180.000,00 da conta Bradesco, agêncial381 149796, tendo sido o valor registrado na contabilidade da Itálica como adiantamento à Somel. Os registros contábeis das transferências na contabilidade da Itálica são mostrados abaixo: (...) Concluise, portanto, que a despeito dos artifícios contábeis utilizados para ocultar este fato, toda a receita conhecida (entendase como declarada em DIPJ e/ou contabilizada) da Somel em 2010 veio da Itálica Saúde. (...) Fl. 11445DF CARF MF 38 255. Das empresas que o autuante menciona, apenas a Somel apresentou a documentação de que foi intimada e concluiu o autuante no TVF que toda a receita que esta declarou foi proveniente da Itálica; explicou também que a Itálica pagava as despesas das empresas ligadas durante o mês e estas emitiam notas fiscais no total desses valores (contabilizados pela Itálica como adiantamentos). 256. A litigante reivindica que esses valores sejam deduzidos da receita bruta para apurar o lucro real e apurar a base de cálculo da CSLL. 257. No entanto, repasses aos hospitais e às demais empresas não são os únicos custos/despesas de uma operadora de planos de saúde. 258. O arbitramento de que a autuada foi alvo, foi em conseqüência de não ter apresentado a documentação contábil a comprovar, entre outros, custos e despesas. 259. Então, a autuada não forneceu elementos para que o autuante apurasse lucro real e não cabe acatar, no julgamento da impugnação, a dedução de valores que supostamente configurariam despesas e cancelar o arbitramento. 260. É pertinente o Parecer Cosit nº 42, de 29 de novembro de 2001: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Ementa: RECEITA BRUTA. DEFINIÇÃO. EMPRESAS DE PLANO DE ASSISTÊNCIA MÉDICA. Para fins de determinação da base de cálculo do imposto, os valores recebidos por empresa administradora de programa de saúde, a titulo de repasse, para pagamento dos prestadores dos serviços médicohospitalares. não integram sua receita ou faturamento, sendo esta composta somente pela taxa de administração pactuada, constante da nota fiscal do serviço de administração prestado. No caso de empresa operadora de plano de saúde, que ofereça serviços médicos ou que receba dos contratantes pelos serviços médicos prestados, a receita bruta de serviços compreende os valores pactuados, constantes da nota fiscal, não importando a denominação das parcelas que compõem o preço dos serviços contratados. Dispositivos Legais: Lei n° 9.718/1998, art. 3º; Lei nº 9.430/1996, art. 48, § 5º; Decreto n° 3.000/1999, art. 279; IN SRF n* 2/1997, art. 12. 261. Em resumo, a autuada e as demais empresas operavam como um só conglomerado, misto de operadora de planos de saúde e prestadora de serviços na área médica por meio dos hospitais e clínicas ligados, não tendo sido apresentada a documentação que permita separar as receitas de cada espécie, dos valores levantadas a partir da ECD pela fiscalização, descabendo a argumentação de que se trata de administradora de programa de saúde e sua base de cálculo do IRPJ seria a diferença entre sua Receita Bruta e os valores repassados a terceiras empresas prestadoras de serviços. 2.6 PIS/COFINS. Inconstitucionalidades das modificações de base de cálculo pela Lei 9.718/98 Fl. 11446DF CARF MF Processo nº 13896.720684/201569 Acórdão n.º 1401001.786 S1C4T1 Fl. 11.428 39 262. Pugnam pela ilegalidade da base de cálculo utilizada para cálculo do PIS e da Cofins, haja vista a inobservância do disposto nos §§9°, 9°A e 9°B do art. 3º da Lei n.° 9.718, de 1998, que determinam que as despesas e repasses ocorridos no período devem ser deduzidos: Art. 3o O faturamento a que se refere o art. 2o compreende a receita bruta de que trata o art. 12 do DecretoLei no 1.598, de 26 de dezembro de 1977. (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) (...) § 9o Na determinação da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS, as operadoras de planos de assistência à saúde poderão deduzir: (Incluído pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) I coresponsabilidades cedidas; (Incluído pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) II a parcela das contraprestações pecuniárias destinada à constituição de provisões técnicas; (Incluído pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) III o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pago, deduzido das importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidades. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) § 9oA. Para efeito de interpretação, o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos de que trata o inciso III do § 9o entendese o total dos custos assistenciais decorrentes da utilização pelos beneficiários da cobertura oferecida pelos planos de saúde, incluindose neste total os custos de beneficiários da própria operadora e os beneficiários de outra operadora atendidos a título de transferência de responsabilidade assumida. (Incluído pela Lei nº 12.873, de 24 de outubro de 2013) § 9oB. Para efeitos de interpretação do caput, não são considerados receita bruta das administradoras de benefícios os valores devidos a outras operadoras de planos de assistência à saúde. (Incluído pela Lei nº 12.995, de 18 de junho de 2014) 263. A pessoa jurídica cuja apuração é pelo lucro presumido ou arbitrado, permanece recolhendo os percentuais de 0,65% de PIS e 3,0% de Cofins, sobre a receita bruta, conforme art. 8º da Lei nº 10.637, de 2002 e art. 10 da Lei 10.833, de 2003. 264. Assim, a autuada é tributada no PIS e Cofins, no regime cumulativo; porém advoga a dedução, da base de cálculo, as "coresponsabilidades cedidas" entre operadoras e hospitais no atendimento aos pacientes, e "constituições de provisões técnicas", que nada mais são que fundos de reserva para o pagamento dos prestadores de serviço filiados aos convênios, e as "indenizações de eventos ocorridos", conforme a Lei nº 12.873, de 24 de outubro de 2013. 265. Os dispositivos legais invocados pelos contribuintes se aplicam às empresas que atuam como intermediadoras, não representando receita própria; concluiu a fiscalização, entretanto, o que se confirma neste voto, que a autuada funcionou Fl. 11447DF CARF MF 40 como grupo empresarial, sendo operadora de planos de saúde e a própria prestadora dos serviços, não cabendo a aplicação dos dispositivos invocados. 266. Além de que, não apresentou a documentação contábil pertinente, mesmo intimada. 2.7 MULTA AGRAVADA. 274. Os impugnantes consideram o agravamento da multa de ofício em 50%, inaplicável, argumentando que a autuada não teve oportunidade de atender a fiscalização, pois as intimações foram dirigidas à(aos) Diretora(es) Fiscal(is) nomeada(os) pela ANS e estes nenhum esforço fizeram para atendêlas, e a autuada estava afastada do controle de suas atividades. 275. Neste mesmo voto, no item “Não apresentação dos livros e documentos da escrituração comercial e fiscal”, relatouse que as intimações e datas de intervenção pela ANS na autuada evidenciaram que, desde 19/03/2013 até a data em que foi decretada a liquidação extrajudicial e nomeado liquidante, em 10/09/2013, ou seja, durante meio ano, a empresa e seus sócios receberam intimações para apresentar documentação e livros e não os entregaram. 276. Como se evidencia, durante o meio ano antes da intervenção, a litigante não entregou a documentação solicitada, sendo que neste meio ano a Direção Fiscal não tinha poderes de gestão, conforme legislação transcrita. 277. Somente a partir da intervenção o liquidante nomeado pela ANS passou representar a autuada e ao receber a intimação, e informou que não tinha acesso aos mesmos, págs. 140/144, em 16/04/2014: 278. E a liquidante nomeada Edna Maria Tonolli, encaminhou em 11/09/2013, correspondências a dr. Carlos Martin Lora Garcia, a Guilhermina Ester Baya, a Sofia Cristiane Baya Schatzer e a Orlando Marcio de Melo Campos Junior (procurador), recebidas por estes, requerendo entre outros “a indicação do acervo documental da exoperadora (livros contábeis, fiscais, trabalhistas, etc.)”e alertando sobre a obrigatoriedade da prestação dessas informações. 279. Também em 12/11/2014, o liquidante nomeado José Varlos Maran, respondeu: “até a presente data, ainda não conseguimos contatar os exadministradores da então ITÁLICA SAÚDE LTDA, (...) 2. Sem este contato, que foi objeto de Comunicação ao Ministério Público Federal, conforme Ofício LE n° 861/2013, de 18/09/2013, desconhecemos o paradeiro dos documentos fisco contábeis da exoperadora, (...) 280. Confirmada, portanto a falta de entrega de documentação requerida pela autoridade fiscal, pela autuada e seus representantes e não por culpa da Direção Fiscal nomeada pela ANS, o que justifica a aplicação do agravamento da multa de ofício. 2.8 MULTA QUALIFICADA. 281. Os litigantes desafiam a provar a existência de intenção dolosa e de sonegação, sem o que descabe a multa de ofício qualificada. 282. Na verdade, há abundantes elementos nos autos a confirmar a justeza de se aplicar a multa qualificada. Fl. 11448DF CARF MF Processo nº 13896.720684/201569 Acórdão n.º 1401001.786 S1C4T1 Fl. 11.429 41 283. A leitura do TVF, págs. 9.330/9.332, é esclarecedora: “DA OCORRÊNCIA DE CRIME DE SONEGAÇÃO FISCAL, FALSIDADE IDEOLÓGICA, FRAUDE E CONLUIO Até a data do início da direção fiscal da ANS junto à Itálica Saúde, em 06/09/2011, o valor declarado em DCTF, pela fiscalizada, como devido em relação ao IRPJ, CSLL, PIS e COFINS não cumulativo do ano de 2010 foi de R$ 332.277,54. Considerando que a receita bruta obtida no ano de 2010 foi de R$ 88.629.461,92, o percentual do imposto declarado até então foi de apenas 0,37% da receita bruta. Por outro lado, os desvios efetuados por meio de contas não contabilizadas, para planos de VGBL, para a Mar Jull, retiradas em espécie, dentre outras formas, como descrito anteriormente neste Termo de Verificação, chegaram a cerca de R$21.000.00,00 durante o mesmo ano, ou seja, 24% das receitas obtidas pela Itálica. Para ocultar das autoridades fazendárias a ocorrência dos fatos gerador dos tributos lançados nos presentes autos de infração, o sujeito passivo utilizouse de um esquema engenhoso, que incluía a movimentação financeira de todos os seus recursos em contas da Italtac e a simulação de despesas fictícias geradas pelas empresas ligadas (serviços de cobrança pela Italtac, aluguel de imóveis pela Mar Jull, aluguel de equipamentos pela Rentalcap, serviços de consultoria pela Consultec, serviços de informática pela Aweti), bem como o pagamento das despesas integrais dos hospitais (Jardins, São Carlos e Santo Expedito). A movimentação financeira em contas de terceiros e a elaboração de contabilidade, transmitida pelo SPED, sem o respeito aos princípios contábeis de competência e entidade, dentre outras irregularidades graves, conforme os fatos descritos anteriormente, demonstram a intenção clara do contribuinte em retardar e dificultar a apuração dos fatos geradores relacionados ao IRPJ/CSLL/COFINS/PIS e caracterizam, em tese, a prática de sonegação, nos termos do art. 71 da Lei 4.502/64, cujo teor transcrevese na sequência. (...) Todos os fatos descritos na seção II¹ deste Relatório fiscal evidenciam a ocorrência de fraude, conforme o artigo 72 da Lei 4.502/64: (...) O artigo 73 da Lei 4.502/64 define o crime de conluio: (...) O funcionamento de esquema descrito minuciosamente neste Termo de Verificação Fiscal foi colocado em prática com a colaboração de todas as seguintes pessoas físicas e jurídicas, configurando crime de conluio: ITÁLICA SAÚDE LTDA, HOSPITAL E MATERNIDADE JARDINS LTDA, ITAL SAÚDE SERVIÇOS MÉDICOS ESPECIALIZADOS LTDA, BIOVIDA SAÚDE LTDA, SANTO ANDRÉ SERVIÇOS ESPECIALIZADOS LTDA, ITALTAC TECNOLOGIA NA AREA DE COBRANÇAS LTDA EPP, MAR JULL EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS LTDA, EFRA TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO, CONTABILIDADE E AUDITORIA, RENTALCAP LOCAÇÃO DE BENS MOVEIS LTDA. ME, CONSULTEC CONSULTORIA EM SAÚDE LTDA, CROSSVILLE OVERSEAS GROUP INC e R&D EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS LTDA, CARLOS MARTIN LORA GARCIA, ORLANDO MÁRCIO DE MELO CAMPOS JR, ROSELI APARECIDA DE BRITO, GUILHERMINA ESTER BAYA e SOFIA CRISTIANE BAYA SCHAETZER. A utilização de pessoas interpostas (Guilhermina Ester Baya e Sofia Cristiane Baya Schaetzer; Roseli Aparecida de Brito e Romilda Ardilia de Brito) para figurar como sócias no contrato social, com o fim de ocultar a verdadeira identidade do responsável pela Fl. 11449DF CARF MF 42 Itálica Saúde e pela Italtac Tecnologia na Área de Cobranças Ltda (Carlos Martin Lora Garcia), conforme descrito neste Termo de Verificação, configura crime de falsidade ideológica, conforme o artigo 299 do Código Penal (Decreto Lei No 2.848, de 7 de Dezembro de 1940): (...) Também se enquadram no mesmo crime as pessoas que informaram ser adquirentes de imóveis nos registros das operações simuladas de compra e venda de imóveis (José Carlos dos Santos, Ana Maria Noronha Gruber Franchini e Bruno Sergio Damasceno), como foi descrito anteriormente.” 284. A Seção II do TVF, págs. 9.238/9.325, descreve, entre outros, os contratos sociais, com sócios interpostos, objetos sociais não condizentes com a realidade, notas fiscais em valores correspondentes às despesas dos prestadores pagas pela Italtac, simulando valor de serviços, contratos de aluguel simulados. 285. De fato, tratamse de fatos que justificam a qualificação da multa, de fato e não “em tese”. 286. Verificase que a sonegação se caracteriza em razão de uma ação ou omissão, de uma simulação ou ocultação, e pressupõe sempre a intenção de causar dano à fazenda pública, num propósito deliberado de se subtrair, no todo ou em parte, ou retardar uma obrigação tributária. Assim, ainda que o conceito de sonegação seja amplo, deve sempre estar caracterizada a presença do dolo, um comportamento intencional, específico, de causar dano à fazenda pública, onde, utilizandose de subterfúgios, escamoteiase ocorrência do fato gerador ou retardase o seu conhecimento por parte da autoridade fazendária; ou seja, o dolo é elemento específico da sonegação, que a diferenciam da mera falta de pagamento do tributo ou da simples omissão de rendimentos na declaração de ajuste, seja ela pelos mais variados motivos que se aleguem. 287. As conclusões deste voto são de que houve sonegação, fraude e conluio. 288. Correto o lançamento da multa qualificada de 150%. 2.9 MULTA AGRAVADA E QUALIFICADA. CONFISCO. 289. Os litigantes acusam de confiscatório o percentual de 225% resultante das multas qualificada e do agravamento e invocam os princípios da proporcionalidade e razoabilidade. 290. Com descrito, constam dos autos elementos que justificam ambas as exações e a a DRJ, autoridade administrativa julgadora, está obrigada à observância da legislação que rege a tributação e os procedimentos de lançamento fiscal, conforme o art. 142 do Código Tributário Nacional CTN, Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, parágrafo único, e Portaria do Ministério da Fazenda MF nº 58 de 17 de março de 2006, que disciplina a constituição das turmas e o funcionamento das Delegacias da Receita Federal de Julgamento – DRJ, art. 7º: Art. 7º O julgador deve observar o disposto no art. 116, III, da Lei nº 8.112, de 1990, bem assim o entendimento da SRF expresso em atos normativos. 291. A Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, determina: Art. 116. São deveres do servidor: (...) III observar as normas legais e regulamentares; Fl. 11450DF CARF MF Processo nº 13896.720684/201569 Acórdão n.º 1401001.786 S1C4T1 Fl. 11.430 43 292. As decisões e ações dos componentes da estrutura administrativatributária estão sujeitas à obediência da legislação e normas legais e administrativas; não há poder discricionário; o presente lançamento de ofício obedeceu à legislação de regência e que consta da base legal da autuação, portanto, se a possibilidade de reduzir o percentual de multa qualificada e de agravamento, não têm previsão legal, não há como atender o pleito do contribuinte. 293. E no que tange a acusações de inconstitucionalidade e/ou ilegalidade da legislação que embasou a autuação, devese esclarecer que, sendo as Delegacias da Receita Federal de Julgamento do Brasil DRJ órgãos do Poder Executivo, não lhes compete apreciar a conformidade de lei, validamente editada segundo o processo legislativo constitucionalmente previsto, com preceitos emanados da própria Constituição Federal ou mesmo de outras leis, a ponto de declararlhe a nulidade ou inaplicabilidade ao caso expressamente previsto, haja vista tratarse de matéria reservada, por força de determinação constitucional, ao Poder Judiciário. Recursos voluntários dos responsáveis: o alcance dos artigos 124, I, e 135, III, do CTN Antes de passar à análise das impugnações apresentadas pelos imputados responsáveis, convém tecer considerações preliminares sobre o alcance da solidariedade e da responsabilidade tributária previstas no Código Tributário Nacional. Inserido no Título III ("Da obrigação tributária") temos o Capítulo IV, dedicado ao "Sujeito Passivo". Este capítulo tem início com o artigo 121 do CTN, o qual define o sujeito passivo da obrigação principal como pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e, em seu parágrafo único, esclarece que existem dois tipos de sujeito passivo: Art. 121 Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Parágrafo único. O sujeito passivo da obrigação principal dizse: I contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador; II responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei. (grifamos) Como assenta a doutrina, "Qualquer pessoa colocada por lei na qualidade de devedora da prestação tributária, será sujeito passivo, pouco importando o nome que lhe seja atribuído ou a sua situação de contribuinte ou responsável" (Bernardo Ribeiro de Moraes, in "Compêndio de Direito Tributário", 2º Volume, 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2002, pág. 279). Assim, o contribuinte (também denominado, na doutrina, de sujeito passivo direto, devedor direto ou destinatário legal tributário) tem relação causal, direta e pessoal com o pressuposto de fato que origina a obrigação tributária (artigo 121, I, do CTN). Já no caso do responsável tributário (por alguns chamado sujeito passivo indireto ou devedor indireto), não necessariamente há tal liame direto e pessoal com o fato jurídico tributário, decorrendo o dever jurídico de previsão legal (artigo 121, II, do CTN). Fl. 11451DF CARF MF 44 Ainda no Capítulo IV, portanto tratando do sujeito passivo (que como vimos pode ser contribuinte ou responsável) temos a previsão constante do artigo 124, I, que prevê como solidariamente obrigadas “as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal” e o artigo 124, II, estabelecendo solidariedade entre "as pessoas expressamente designadas por lei". Mais adiante, o Capítulo V vai tratar especificamente da "Responsabilidade Tributária", iniciando com a previsão do artigo 128: Art. 128. Sem prejuízo do disposto neste capítulo, a lei pode atribuir de modo expresso a responsabilidade pelo crédito tributário a terceira pessoa, vinculada ao fato gerador da respectiva obrigação, excluindo a responsabilidade do contribuinte ou atribuindoa a este em caráter supletivo do cumprimento total ou parcial da referida obrigação. Seguemse então disposições legais específicas tratando da Responsabilidade de Sucessores (Seção II) e da Responsabilidade de Terceiros (Seção III), estando o artigo 135 nesta última. Pois bem. Quanto ao artigo 124, I, tratase de solidariedade que pode atingir seja o contribuinte (pessoa que tem relação com o fato gerador) seja o responsável (pessoa assim indicada por lei), a depender da configuração do "interesse comum" (e, no caso do responsável, da pressuposta previsão legal que o indique como tal). Existe um certo consenso de que o “interesse comum” referido no dispositivo deve ser jurídico e não meramente econômico. O alcance de tal interesse jurídico é que causa maiores discussões. É amplamente aceito que o artigo 124, I, do CTN se aplica a situações em que as pessoas compõem o mesmo pólo da relação jurídica. Assim, Sacha Calmon Navarro Coelho observa: “... o inciso I noticia a solidariedade natural. É o caso de dois irmãos que são coproprietários pro indiviso de um trato de terra. Todos são, naturalmente, codevedores solidários do imposto territorial rural (ITR).” (“Curso de Direito Tributário Brasileiro”. 5 ed. Rio de Janeiro: Forense, 2000, p. 594). No mesmo sentido, Paulo de Barros Carvalho: "... o interesse comum dos participantes no acontecimento factual não representa um dado satisfatório para a definição do vínculo da solidariedade. Em nenhuma dessas circunstâncias cogitou o legislador desse elo que aproxima os participantes do fato, o que ratifica a precariedade do método preconizado pelo inc. I do art 124 do Código. Vale sim, para situações em que não haja bilateralidade no seio do fato tributado, como, por exemplo, na incidência do IPTU, em que duas ou mais pessoas são proprietárias do mesmo imóvel. Tratandose, porém, de ocorrências em que o fato se consubstancie pela presença de pessoas em posições contrapostas, com objetivos antagônicos, a solidariedade vai instalarse entre sujeitos que estiveram no mesmo pólo da relação, se e somente se for esse o lado escolhido pela lei para receber o impacto jurídico da exação. É o que se dá no imposto de transmissão de imóveis, quando dois ou mais são os compradores; no ICMS, sempre que dois ou mais forem os comerciantes vendedores; no ISS, toda vez que dois ou mais sujeitos prestarem um único serviço ao mesmo tomador." ("Curso de Direito Tributário", 8ª ed., São Paulo: Saraiva, 1996, p. 220). Nesse passo, o STJ tem decidido que tal interesse comum pode ocorrer "no ISS, toda vez que dois ou mais sujeitos prestarem um único serviço ao mesmo tomador" (AgRg no Ag 1.288.247∕RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, DJe 03∕11∕2010; AgRg no Ag 1.055.860∕RS, Rel. Ministra Denise Arruda, Primeira Turma, DJe 26∕03∕2009; REsp 884.845∕SC, Rel. Ministro Fl. 11452DF CARF MF Processo nº 13896.720684/201569 Acórdão n.º 1401001.786 S1C4T1 Fl. 11.431 45 Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 05∕02∕2009, DJe 18∕02∕2009, REsp 1.001.450∕RS, 2ª Turma, Rel. Min. Castro Meira, DJe de 27.3.2008). Também se reconhece que o mero fato de pessoas integrarem o mesmo grupo econômico não é suficiente para a responsabilização solidária "1. O entendimento prevalente no âmbito das Turmas que integram a Primeira Seção desta Corte é no sentido de que o fato de haver pessoas jurídicas que pertençam ao mesmo grupo econômico, por si só, não enseja a responsabilidade solidária, na forma prevista no art. 124 do CTN. (...)" (Superior Tribunal de Justiça, EREsp 834.044∕RS, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, Primeira Seção, julgado em 8.9.2010, DJe 29.9.2010.) É que integrar o grupo pode significar interesse (econômico) meramente indireto na realização do fato gerador (ou seja, interesse na participação nos respectivos resultados), mas não necessariamente interesse direto ou realização conjunta de tal situação. Assim, para que se configure o interesse jurídico comum é necessária a presença de tal interesse direto, imediato, no fato gerador, que acontece quando as pessoas atuam em comum na situação que constitui o fato imponível, ou seja, quando participam em conjunto da prática da hipótese de incidência. Esta participação comum na realização da hipótese de incidência ocorre seja de forma direta, quando as pessoas efetivamente praticam em conjunto o fato gerador, seja indireta, em caso de confusão patrimonial e/ou quando dele se beneficiam em razão de sonegação, fraude ou conluio. Nesses termos, Kiyoshi Harada, fazendo referência a trecho de obra de Carlos Jorge Sampaio Costa: "Ensina Carlos Jorge Sampaio Costa: ... a solidariedade dos membros de um mesmo grupo econômico está condicionada a que fique devidamente comprovado: a) o interesse imediato e comum de seus membros nos resultados decorrentes do fato gerador; e∕ou b) fraude ou conluio entre os componentes do grupo. Há interesse comum imediato em decorrência do resultado do fato gerador quando mais de uma pessoa se beneficiam diretamente com sua ocorrência. Por exemplo, a afixação de cartazes de propaganda de empresa distribuidora de derivados de petróleo em postos de gasolina é, geralmente, um fato gerador de taxa municipal cuja ocorrência interessa não somente à empresa distribuidora, beneficiária direta da propaganda, como também ao posto de gasolina, que é solidário com aquela no pagamento da taxa. (...) Na fraude ou conluio, o interesse comum se evidencia pelo próprio ajuste entre as partes, almejando a sonegação. A solidariedade passiva no pagamento de tributos por aqueles que agiram fraudulentamente é pacífica. (...) (Solidariedade passiva e o interesse comum no fato gerador, Revista de Direito Tributário, Ano II, nº 4. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 1978, p. 304)" (Responsabilidade tributária solidária por interesse comum na situação que constitua o fato gerador, Disponível em http://www.investidura.com.br/ufsc/109 direitotributario/3454responsabilidadetributariasolidariaporinteressecomum nasituacaoqueconstituaofatogerador.html, acesso em 20.10.2016) Por sua vez, o artigo 135, III, do CTN, responsabiliza pessoalmente os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes Fl. 11453DF CARF MF 46 ou infração de lei, contrato social ou estatutos. Assim, tratase de responsabilidade tributária que ocorrerá caso a pessoa que "presenta" a pessoa jurídica (Pontes de Miranda) atue para além de suas atribuições contratuais/estatutárias ou legais. Visto isso, passamos a analisar os recursos voluntários apresentados pelas pessoas (físicas e jurídicas) apontadas como responsáveis pelos tributos ora lançados. Recurso Voluntário de Mar Jull Empreendimentos Imobiliários Ltda. O acórdão recorrido entendeu que ser aplicável a responsabilização da Mar Jull com base no art. 124, I do CTN, na medida em que a empresa teve participação nos fatos geradores da autuação, tendo participado das operações do grupo econômico de fato, informal, sendo, observando, ainda: "A Mar Jull, sucedida pela R&D cedia seus imóveis para uso da Itálica e outras empresas do grupo como os hospitais Jardins e Santo Expedito, graciosamente, numa verdadeira confusão patrimonial; suas despesas eram pagas pela Italtac, com recursos de receitas da Itálica; iniciado o processo de acompanhamento pela ANS, os imóveis que compunham a Mar Jull, foram “vendidos” a terceiros e o “comprador pela R&D, os adquiriu deste terceiros, todos na mesma data de 01/2013, conforme já relatado neste voto as aquisições foram pelos mesmos valores da venda (num caso, a valor menor), numa nítida operação de sucessão do patrimônio." Em seu recurso, a empresa nega tal participação, afirmando que o único vínculo que a empresa mantinha com a Itálica Saúde era o de locação de alguns de seus imóveis, conforme contratos de locação juntados aos autos. Apesar de alegar que cobrava pelos alugueis, todavia, não traz qualquer prova neste sentido, e também não traz qualquer argumento capaz de fazer com que, da análise dos indícios apontados pelo TVF, se chegue a uma conclusão diversa da extraída pela autoridade autuante, de que "As evidências relacionadas apontam para a ocorrência de simulação nos contratos de aluguel apresentados pela Mar Jull, que não apresentou nenhuma evidência datada da época dos fatos geradores, como a contabilidade registrada, que pudesse comprovar suas alegações." Dentre os indícios apontados pelo TVF estão: (i) os aluguéis devidos pela Itálica Saúde nunca teriam sido pagos, do início do contrato em 2004 até 2010 (coincidentemente o ano fiscalizado); (ii) a Mar Jull não apresentou a contabilidade ou extratos bancários, mas uma planilha que demonstraria os valores devidos e pagos; (iii) os valores que teriam sido recebidos da Itálica Saúde pela Mar Jull não estão registrados na contabilidade da Itálica, transmitida pelo SPED nas épocas próprias, na conta 463119101 – Aluguel; (iv) os valores atrasados também não constam da contabilidade da Itálica Saúde; (v) não foram localizados nos extratos bancários das contas da Italtac os valores que teriam sido pagos pela Itálica à Mar Jull; (vi) não coincidem os valores informados pela Mar Jull com os valores pagos em 2010 registrados na contabilidade da Itálica Saúde; (vii) a contabilidade da Itálica Saúde registrou alguns pagamentos a partir de setembro de 2011 relacionados aos aluguéis reivindicados pela Mar Jull, sendo que o histórico dos lançamentos deixa claro que o ambulatório é usado pelo Hospital Jardins e não pela Itálica Saúde. A Mar Jull alega que o fato de possuir como endereço registrado oficialmente o de um dos imóveis locados ao Hospital e Maternidade Jardins também não seria indício de confusão patrimonial entre as empresas, limitandose a contraargumentar que sua atividade independe de espaço físico para ser executada diretamente por seus sócios. Fl. 11454DF CARF MF Processo nº 13896.720684/201569 Acórdão n.º 1401001.786 S1C4T1 Fl. 11.432 47 Também contesta genericamente a afirmação de que a Italtac (empresa que, segundo o TVF, concentrava as movimentações bancárias da Itálica Saúde e com ela se confunde patrimonialmente) custeava suas despesas, sem invalidar especificamente os fatos trazidos no TVF que levaram a tal conclusão. Tais alegações meramente repetem o quanto já argumentado na impugnação, sem que tenha sido trazido qualquer fato ou argumento novo capaz de invalidar as conclusões do acórdão da DRJ. Diante disso, não vejo razões para reforma da decisão recorrida. Cumpre destacar que não se trata de lançamento com base em presunção, mas em fatos que caracterizam a confusão patrimonial entre as empresas, capaz de revelar o interesse comum objeto do artigo 124, I, do CTN, conforme se discorreu em tópico próprio acima. Recurso Voluntário de Roseli Aparecida de Brito e de Orlando Marcio de Melo Campos Junior A decisão recorrida considera que, conforme descrito no TVF, Roseli e Orlando praticaram atos de gestão, tais como: Roseli Roseli figura como sócia da Italtac e praticou atos de gestão como: a. Pág. 9.250: A Italtac emite os cheques e/ou TEDs para realizar os pagamentos e conforme reza em contrato tem que ser assinados pela sóciaproprietária da Italtac, Sra. Rosely Aparecida de Brito, e pela Itálica, atualmente é o gestor de atendimento financeiro, Sr. Orlando Marcio de Melo Campos Júnior. b. Pág. 9.250, Diretora Fiscal ANS Edna Tonolli: (...) Todos os atos de gestão realizados pela Itálica são assinados pela sócia quotista Italtac, Sra. Rosely e pelo Sr. Orlando funcionário da Itálica, porém a decisão final é do Dr. Carlos Lora. c. Págs. 9.255: De acordo com o Contrato Social da Italtac, cujo capital social em 2010/2011 era de R$7.000,00, as sócias da empresa são Roseli Aparecida de Brito (99% do capital desde 20/12/2006) e sua mãe, Romilda Ardilia de Brito (1% do capital desde 29/06/2009). A primeira, Roseli Aparecida de Brito, conforme as informações registradas nos sistemas CNIS e GFIPWEB, trabalhou para a Itálica Saúde Ltda até 12/2007, ou seja, quando já era sócia da Italtac, por meio da cooperativa Ettica Coop. Serv. de Apoio Adm. Operacional (CNPJ 08.194.377/000130), tendo como último saláriodecontribuição R$ 1.085,10 em 12/2007 e com CBO Código Brasileiro de Ocupações 4110 (auxiliares administrativos). A segunda, Romilda Ardilia de Brito, nascida em 01/11/1942, de acordo com a Declaração de Imposto de Renda de Pessoa Física de 2007, referente a 2006, não teve nenhum rendimento durante o exercício, mas tornouse sócia da Rentalcap Locação de Bens Moveis Ltda, com participação societária de R$7.200,00 a integralizar, o que teria acontecido no ano seguinte, com a utilização de valores de remuneração recebidos da própria Rentalcap. Romilda Brito não declarou a participação societária na Italtac nas DIRPF. Fl. 11455DF CARF MF 48 d. Págs. 9.262: O credito de R$226.000,00 na conta 159844 do Bradesco, Agencia 1381, foi contabilizado pela Itálica como adiantamento para a Italtac, mas a documentação de suporte ao lançamento no extrato bancário, assinada por Roseli Brito e Orlando Campos, mostra outro histórico, ou seja, "transferência para cobertura de saldo SOMEL". e. Págs. 9.268: Os cheques para pagamentos a fornecedores da Itálica Saúde eram assinados conjuntamente por Roseli Aparecida de Brito, pela Italtac e por Orlando Campos Jr, pela Itálica. A assinatura de Roseli Aparecida de Brito aparece na procuração conferida a Carlos Lora em 20/05/2010 para administração da Italtac, registrada no Livro 22, pg 154, do Cartório de Pedro de Toledo, e subscrita pelo Oficial Designado Cecílio Fernandes Sant'Anna. f. Págs. 9.270: Reproduzo abaixo a imagem de alguns cheques assinados pela sócia Roseli e pelo procurador Orlando, como exemplo: (...) Orlando sócio da EFRA: a. Pág. 9.250: Tanto Orlando Márcio de Melo Campos Júnior quanto Carlos Martin Lora Garcia receberam poderes de administração da sociedade conferidos pelas sócias por meio de procurações. Foram lavradas diversas procurações conferindo amplos poderes de administração da Itálica a Orlando Campos, agindo isoladamente, todas com prazo de validade de um ano. (...) Voltou a trabalhar na Itálica Saúde de março/2009 a janeiro/2013, sendo que até outubro/2009 não tinha uma função definida e, a partir daí, como Diretor Financeiro. b. Pág. 9.250, Diretora Fiscal ANS Edna Tonolli: Os gestores de fato da Operadora Itálica são: Dr. Carlos Martin Lora Gardia e o Sr. Orlando Marcio de Melo Campos Júnior, por força de procuração com plenos poderes. A procuração do Dr. Carlos inclui também o poder de venda da Operadora. Todos os atos de gestão realizados pela Itálica são assinados pela sócia quotista Italtac, Sra. Rosely e pelo Sr. Orlando funcionário da Itálica, porém a decisão final é do Dr. Carlos Lora. c. Págs. 9.262: O credito de R$226.000,00 na conta 159844 do Bradesco, Agencia 1381, foi contabilizado pela Itálica como adiantamento para a Italtac, mas a documentação de suporte ao lançamento no extrato bancário, assinada por Roseli Brito e Orlando Campos, mostra outro histórico, ou seja, "transferência para cobertura de saldo SOMEL". d. Págs. 9.268: Os cheques para pagamentos a fornecedores da Itálica Saúde eram assinados conjuntamente por Roseli Aparecida de Brito, pela Italtac e por Orlando Campos Jr, pela Itálica. e. Págs. 9.270: Reproduzo abaixo a imagem de alguns cheques assinados pela sócia Roseli e pelo procurador Orlando , como exemplo: (...) f. Pág. 9.249, Diretora Fiscal ANS Edna Tonolli: Fui recebida e empossada pelo Sr. Orlando Marcio de Melo Campos Júnior, responsável Administrativo Financeiro e Contábil do Plano de Saúde. Conforme Procuração outorgada pelas sócias da Itálica, Guilhermina Ester Baya e Cristiane Baya Schaetzer, ele tem poderes representálas na ANS Agência Nacional de Saúde Suplementar, conforme fl 05. Fl. 11456DF CARF MF Processo nº 13896.720684/201569 Acórdão n.º 1401001.786 S1C4T1 Fl. 11.433 49 No recurso, Roseli e Orlando reiteram que a Italica Saude era mera cliente de tais empresas, "não exercendo qualquer papel de gestão umas às outras", afirmando ainda que não exerciam qualquer poder de gerência na Italica Saúde. Não obstante tal afirmação, não é trazido qualquer fato ou argumento capaz de desqualificar os atos acima transcritos, ou seja, não se explica o que seriam tais atos ou porque não se trataria de atos de gestão. Uma vez que não foram invalidados os argumentos que levam à conclusão de que Orlando e Roseli participaram ativamente da gestão das empresas consideradas em confusão patrimonial e, uma vez confirmada sonegação, fraude e conluio, caracterizase a sua responsabilização tributária. Mantenho, portanto, a decisão recorrida nesse ponto. Recurso Voluntário de Carlos Martin Lora Garcia e de Consultec Consultoria em Saúde Ltda. ME O TVF relata e apresenta documentos de que Carlos era a pessoa que comandava não somente a Itálica Saúde, mas todas as empresas apontadas como em confusão patrimonial, tendo recebido procurações por prazo indeterminado, e que permitiam agir isoladamente, conferindolhe, além de amplos poderes de administração, poderes especiais para transferência de cotas sociais. Especificamente, a decisão recorrida aponta os seguintes fatos: a. Págs. 9.304: 18. REAL BENEFICIARIO CARLOS MARTIN LORA GARCIA (...) b. Págs. 9.246/9.249: As sócias da Itálica, Guilhermina Éster Baya (995) e Sofia Cristiane Baya Schetzer (1%) são duas pessoas que não apresentam situação econômica compatível, conforme suas DIRPF apresntadas, registros CNIS, padrão das suas residências; e testemunhas relataram que não compareciam à empresa; c. Págs. 248/255, 284/294, 9.251, 9.301/9.302: estas sócias da Itálica forneceram procurações para Carlos Martin Lora Garcia, com o seguinte teor, em 25/05/2010 (revogadas em 18/03/2013): "os mais amplos, gerais e ilimitados poderes de ADMINISTRAÇÃO junto à ITÁLICA SAÚDE LIMITADA, (...) representála perante a Junta Comercial do Estado de São Paulo JUCESP, podendo alterar o contrato social da referida empresa, transferir suas cotas, em parte ou na totalidade; e, transferir a quem de direito, pelas condições que lhe convier; receber, passar recibos e dar quitação; concordar com cláusulas e suas alterações" d. Às págs. 9.301/9.302: pessoas sócias ou representantes das demais empresas apontadas, outorgaram procurações a Carlos Martin Lora Garcia; enquanto que as procurações para Orlando Márcio de Melo Campos Junior, continham restrições, págs. 281/283; e. Págs. 263/280, procurações de sócios de empresas do grupo, concedendo procurações a Carlos Martin Lora Garcia em 2010, vigorando até 03/2013, e nos mesmos moldes; f. Págs. 9.249/9.254: no relatório da Diretora Fiscal, que, como já relatado, não possuía poder de gestão, mas acompanhava e orientava para a elaboração de plano de reestruturação da Fl. 11457DF CARF MF 50 empresa, esta relata sobre a atuação e o poder de decisão de Carlos Martin Lora Garcia na Itálica; publicações reproduzidas no TVF citamno como “presidente da Itálica” g. Págs. 9.254/9.279, 9.294/9.299: a Italtac, cujas sócias igualmente não demonstravam situação compatível com o cargo, recebia as receitas da Itálica, em contas correntes de titularidade da Italtac e efetuava os pagamentos das despesas das empresas (Somel/Sto.Expedito/Biovida Saúde, Italtac, Itálica, H. Mat. Jardins, Consultec, Rentalcap, Mar Jull, São Carlos/Ital, Aweti/Efra, Hosp Santos Dumont, Clínica Adolfo Pinheiro, CAGI...), sendo Carlos Martin Lora Garcia a pessoa que decidia sobre tais pagamentos e assinava cheques e outros documentos financeiros, individualmente; h. Págs. 9.304/9.310; documentos financeiros (cheques, autorizações de transferências) assinados somente por Carlos Martin Lora Garcia, da conta Bradesco ag. 1381, nº 161201, em nome da Italtac, que o beneficiam como pagamento de plano de previdência e retiradas de recursos em espécie (em 2010 – R$8.500.000,00 aproximadamente), e ainda outras contas: Os lançamentos nesta conta compunhamse principalmente de retiradas em espécie e de transferência de valores para planos de previdência privada (Bradesco Vida e Previdência diversos tipos de contrato). A conta 161201 movimentou em 2010 cerca de R$8.500.000,00. Os recursos movimentados nesta conta provinham principalmente da conta 1497960, agência 1381, de titularidade da Italtac. As autorizações das transferências entre estas duas contas eram assinadas por Carlos Lora, como no exemplo abaixo: Foram também identificadas várias transferências, com a autorização assinada isoladamente por Carlos Lora, feitas da conta 149796 da Italtac (mantida com recursos vindos da Itálica) para a conta 1699644, também da agência 0138 do Bradesco, de titularidade da Mar Jull Empreendimentos, como mostra o exemplo abaixo: i. Págs. 9.311/9.312: sua residência e padrão de vida são compatíveis com a posição de presidente do grupo e incompatível com suas DIRPF; Carlos Lora, embora fosse identificado publicamente como dono da Itálica Saúde, uma empresa com movimento anual de cerca de R$100.000.000,00, não tem contas bancárias, nem imóveis ou automóveis em seu nome. Declara como endereço um dos imóveis ocupados pelo Hospital Jardins (Rua Artur Azevedo, 1659). Foi intimado duas vezes neste endereço a comparecer à DRF Barueri, mas somente uma das intimações foi recebida. Ainda assim, não compareceu, nem procurou a fiscalização. (...) Apesar de informar em suas DIRPF de 2011 a 2014, como endereço pessoal, o endereço de um imóvel ocupado por uma das empresas do grupo, conforme mencionado no parágrafo anterior, foi apurado que, em compras de material de construção, feitas durante o ano de 2014, no Estado de São Paulo, forneceu outro endereço ao vendedor das mercadorias, à Rua Tomé Portes, 941, no bairro do Brooklin Paulista, em São Paulo, Suegue abaixo relação de Notas Fiscais com o endereço de Carlos Lora: (...) A imagem do imóvel, obtida pelo "Google maps" (data da imagem: maio de 2014), mostrada abaixo, corresponde a uma casa ampla, localizada em bairro nobre, junto a outras residências de alto padrão: j. À pág. 9.312, do TVF, informase: Fl. 11458DF CARF MF Processo nº 13896.720684/201569 Acórdão n.º 1401001.786 S1C4T1 Fl. 11.434 51 A única empresa em seu nome (isto é, de Carlos Martin Lora Garcia) é a Consultec, mas na DIRPF de 2011 e 2012 (ele) declarou ter obtido sua renda junto a pessoas físicas (em 2010, R$ 56.700,00). Por outro lado, tinha procurações para agir em nome de todas as empresas do grupo e era a pessoa que comandava, não somente a Itálica Saúde, mas todas elas. Em seu recurso, Carlos afirma que o fato de ser sócio administrador de empresa da consultoria ou, ainda, procurador de algumas pessoas físicas e jurídicas que detêm alguma ligação com a Itálica não é suficiente para que detivesse um poder de controle ou decisão sobre as atividades delas, alegando que isso ocorreu pelas suas credenciais e sua expertise, para dar cumprimento ao contrato de prestação de serviços de consultoria pela Consultec. Limitase porém, a alegações genéricas, sem trazer quaisquer subsídios materiais, nem mesmo a título de exemplo, capazes de trazer dúvida quanto às conclusões extraídas pelo TVF dos fatos acima expostos. O que se verifica dos fatos narrados pelo TVF não é uma situação de simples outorga de procurações ou de atuação de Carlos no âmbito de sua expertise (medicina), mas sim que Carlos era o dirigente de fato do grupo empresarial informal, que atuava em flagrante confusão patrimonial, sendo tal infração caso de responsabilização tributária conforme se discorreu em tópico próprio acima. Neste sentido, sem razão ao Recorrente quando este afirma que, nos termos do artigo 135 do CTN, caberia averiguar o que seria o ato lesivo por parte da Consultec capaz de transferir a responsabilidade tributária ao seu administrador, bem como quando sustenta que não pode ser responsabilizado com base no art. 124, I, do CTN, na medida em que não houve comprovação de que tenha praticado, em conjunto com a devedora principal, os fatos geradores do IRPJ, CSLL, PIS e COFINS. Isso porque os fatos narrados pelo TVF alguns deles transcritos acima demonstram exatamente o contrário. Quanto à Consultec, a decisão recorrida aponta que esta mantinha um contrato de consultoria com a Itálica, mas não houve comprovação da real prestação de serviços, não obstante tenha sido intimada a fazêlo. Além disso, recebia pagamentos mensais e tinha suas despesas pagas pela Itálica, com recursos operados pela Italac, sob comando de Carlos Martin Lora Garcia, além de seu endereço ser o mesmo da Italtac (empresa que teve como sócia Roseli Aparecida de Brito, também sócia da Rentalcap e da Consultec). Tais fatos, além de outros indícios apontados ao longo do TVF e sobre os quais já se discorreu acima, levou a decisão recorrida a concluir que tais elementos justificam a responsabilização da Consultec com base no art. 124, I do CTN, por ter participado das decisões que conduziram à autuação. Com razão a decisão recorrida, na medida em que provada a confusão patrimonial. De fato, não há ilegalidade em se constituir uma pessoa jurídica sem estrutura física, desde que tal pessoa jurídica exista materialmente, efetivamente exerça atividades e comprove a prestação dos serviços que alega prestar, o que não ocorreu no caso em questão. Também não se pretende aqui conferir responsabilidade tributária pelo mero exercício de atividade de consultoria. A uma porque sequer foi comprovado que a Consultec prestava tal atividade, como já se observou acima. Que fique claro: a responsabilização aqui Fl. 11459DF CARF MF 52 ocorre em razão da confusão patrimonial entre as ditas pessoas jurídicas, que formavam na verdade uma só "empresa" no sentido de "atividade econômica organizada para a produção ou a circulação de bens ou de serviços" (art. 966 do Código Civil). Neste sentido, não há razão para reforma do acórdão recorrido. Recurso Voluntário de José Carlos dos Santos A decisão recorrida aponta que José era representante e gerente da R&D e representante da Crossville, bem como que os imóveis da Mar Jull foram “vendidos” (via intermediários, dentre eles José) e “comprados” pelo mesmo valor, confirmando a transferência do imobilizado da Mar Jull para a R&D. Aponta, ainda, que José é médico, responsável técnico do Hospital e Maternidade Jardins, tendo recebido pagamentos da Itálica com o histórico de “plantões”. José não entregou nenhuma Declaração de Imposto de Renda de Pessoa Física entre 2012 e 2014, e movimentou em suas contas bancárias cerca de R$350.000,00 em 2012 e menos de R$20.000,00 em 2013, conforme as Declarações de Informações sobre Movimentação Financeira (Dimof) informadas pelos Bancos Itaú e Santander, embora tenha participado de operações de compra de quatro imóveis que pertenciam à Mar Jull em maio e junho de 2012 pelo valor total de R$2.450.000,00. Sua movimentação financeira também não reflete a venda dos mesmos imóveis à R&D Empreendimentos em janeiro de 2013, pelos mesmos preços pelos quais teriam sido comprados. Não foram localizados outros bens em seu nome. Tais indícios levaram a autoridade autuante a concluir que as operações de compra e venda de imóveis teriam sido simuladas, revelando o interesse comum na ocultação do patrimônio e dos fatos geradores dos impostos e contribuições cobrados no auto de infração ora contestado. Em seu recurso, José não contesta nenhuma dessas afirmações, nem traz explicações que levem a questionar as conclusões extraídas pela autoridade autuante dos fatos por ela narrados. Limitase a afirmar que "apenas intermediou a compra e venda de imóveis". De fato, não há base legal para imputar responsabilidade solidária pelo simples fato de se atar como intermediário na compra e venda de imóveis, todavia a acusação fiscal não é esta, como parece crer o recorrente. O TVF aponta indícios suficientes de que as pessoas jurídicas (no sentido formal do termo, já que eram meras "cascas") atuavam em conjunto havendo uma só "atividade econômica organizada", tendo José atuado diretamente, seja em nome próprio, seja na qualidade de representante da R&D e da Crossville, nas operações que visaram a ocultar os fatos geradores dos tributos ora cobrados. Assim, nesse ponto a decisão recorrida merece igualmente ser mantida. Conclusão Diante do exposto, oriento meu voto para (i) não conhecer os recursos voluntários apresentados por Biovida Saúde Ltda., R&D Empreendimentos Imobiliários Ltda. e Crossville Overseas Group Inc., porque intempestivos; (ii) negar provimento ao recurso de ofício; e (iii) conhecer e negar provimento aos recursos voluntários de Itálica Saúde Ltda., Mar Jull Empreendimentos Imobiliários Ltda., Orlando Marcio de Melo Campos Junior e Roseli Aparecida de Brito, Carlos Martin Lora Garcia e Consultec Consultoria em Saúde Ltda. ME, e José Carlos dos Santos. Fl. 11460DF CARF MF Processo nº 13896.720684/201569 Acórdão n.º 1401001.786 S1C4T1 Fl. 11.435 53 Livia De Carli Germano Relatora (assinado digitalmente) Fl. 11461DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16682.720386/2014-91
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 04 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 03 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2009, 2010
MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS MENSAIS. CONCOMITÂNCIA COM A MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE.
A alteração legislativa promovida pela Medida Provisória nº 351, de 2007, no art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996, deixa clara a possibilidade de aplicação de duas penalidades em caso de lançamento de ofício frente a sujeito passivo optante pela apuração anual do lucro tributável. A redação alterada é direta e impositiva ao firmar que "serão aplicadas as seguintes multas". A lei ainda estabelece a exigência isolada da multa sobre o valor do pagamento mensal ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base negativa no ano-calendário correspondente.
No caso em apreço, não tem aplicação a Súmula CARF nº 105, eis que a penalidade isolada foi exigida após alterações promovidas pela Medida Provisória nº 351, de 2007, no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996.
Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2009, 2010
LANÇAMENTOS REFLEXOS OU DECORRENTES.
Pela íntima relação de causa e efeito, aplica-se o decidido quanto ao lançamento principal ou matriz de IRPJ também ao lançamento reflexo ou decorrente de CSLL.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2009, 2010
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO.
A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic.
Numero da decisão: 9101-002.749
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte. No mérito, acordam em negar-lhe provimento (i) por maioria de votos, quanto à concomitância, vencidos os Conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto e Daniele Souto Rodrigues Amadio, que lhe deram provimento; e (ii) por voto de qualidade, quanto aos juros sobre a multa, vencidos os Conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Adriana Gomes Rêgo, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luís Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão.
Nome do relator: ADRIANA GOMES REGO
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CONCOMITÂNCIA COM A MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. A alteração legislativa promovida pela Medida Provisória nº 351, de 2007, no art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996, deixa clara a possibilidade de aplicação de duas penalidades em caso de lançamento de ofício frente a sujeito passivo optante pela apuração anual do lucro tributável. A redação alterada é direta e impositiva ao firmar que "serão aplicadas as seguintes multas". A lei ainda estabelece a exigência isolada da multa sobre o valor do pagamento mensal ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base negativa no ano calendário correspondente. No caso em apreço, não tem aplicação a Súmula CARF nº 105, eis que a penalidade isolada foi exigida após alterações promovidas pela Medida Provisória nº 351, de 2007, no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2009, 2010 LANÇAMENTOS REFLEXOS OU DECORRENTES. Pela íntima relação de causa e efeito, aplicase o decidido quanto ao lançamento principal ou matriz de IRPJ também ao lançamento reflexo ou decorrente de CSLL. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2009, 2010 JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 03 86 /2 01 4- 91 Fl. 2110DF CARF MF Processo nº 16682.720386/201491 Acórdão n.º 9101002.749 CSRFT1 Fl. 2.111 2 A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte. No mérito, acordam em negarlhe provimento (i) por maioria de votos, quanto à concomitância, vencidos os Conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto e Daniele Souto Rodrigues Amadio, que lhe deram provimento; e (ii) por voto de qualidade, quanto aos juros sobre a multa, vencidos os Conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Adriana Gomes Rêgo, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luís Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão. Relatório GLOBO COMUNICAÇÃO E PARTICIPAÇÕES S/A recorre a este Colegiado por meio do Recurso Especial de efls. 1848/1882, contra o Acórdão nº 1402 002.263 (de 9/8/2016, efls. 1756/1766), que, no mérito e por voto de qualidade, negou provimento ao recurso voluntário. O presente processo trata dos lançamentos de ofício de IRPJ, CSLL e de multas isoladas pela falta de recolhimento desses tributos sobre as bases de cálculo estimadas, referentes aos anoscalendário 2009 e 2010. Foram apuradas as seguintes irregularidades: dedução indevida de ágio na determinação da base de cálculo; compensação indevida de prejuízos operacionais em montante superior ao saldo existente; e falta de recolhimento de estimativas. A Contribuinte apresentou pedido de desistência parcial, às efls. 1578/1633, restando a discussão a respeito da multa isolada sobre estimativas não recolhidas ou recolhidas a menor e da incidência dos juros de mora sobre essas multas. Foi então proferido o acórdão ora recorrido, no qual se decidiu negar provimento ao recurso voluntário, mantendose a exigência de multa isolada e a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. Transcrevese a ementa do acórdão recorrido: Fl. 2111DF CARF MF Processo nº 16682.720386/201491 Acórdão n.º 9101002.749 CSRFT1 Fl. 2.112 3 Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2009, 2010 INSUFICIÊNCIA NO RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. MULTA ISOLADA. A partir das alterações no art. 44, da Lei nº 9.430/96, trazidas pela MP nº 351/2007, convertida na Lei nº 11.488/2007, em função de expressa previsão legal deve ser aplicada a multa isolada sobre os pagamentos que deixaram de ser realizados concernentes ao imposto de renda a título de estimativa, seja qual for o resultado apurado no ajuste final do período de apuração e independentemente da imputação da multa de ofício exigida em conjunto com o tributo. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. Irresignada com o acórdão supra, a Recorrente apresentou Embargos de Declaração (efls. 1775/1780), os quais foram rejeitados, por meio do despacho de efl. 1838. O Recurso Especial ora apreciado foi admitido por meio do Despacho de e fls. 2081/2084. A Recorrente aponta divergência jurisprudencial em relação a (i) impossibilidade de cumulação da multa isolada com a multa de ofício e (ii) improcedência da exigência de juros sobre multa de ofício. Em relação à primeira divergência suscitada, transcrevese a ementa dos acórdãos indicados como paradigmas, no que interessa ao exame da matéria: Acórdão nº 1103001.006 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2003, 2004, 2005, 2006, 2007 MULTA ISOLADA CONCOMITÂNCIA COM MULTA DE OFÍCIO Até agosto de 2007, a recorrente estava coberta pela autoridade da coisa julgada, sendo indevida multa isolada sobre as estimativas de CSLL até esse mês. Multa isolada para as demais estimativas igualmente descabida. Apenado o continente, incabível apenar o conteúdo. Penalizar pelo todo e ao mesmo tempo pela parte do todo seria uma contradição de termos lógicos e axiológicos. Princípio da consunção em matéria apenatória. A aplicação da multa de ofício de 75% sobre as CSLL exigidas exclui a aplicação da multa de ofício de 50% sobre CSLL por estimativa dos mesmos anoscalendário. Acórdão nº 1201001.450 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Fl. 2112DF CARF MF Processo nº 16682.720386/201491 Acórdão n.º 9101002.749 CSRFT1 Fl. 2.113 4 Anocalendário: 2008, 2009 MULTA ISOLADA. IMPOSSIBILIDADE DE CUMULAÇÃO. Incabível a aplicação concomitante da multa por falta de recolhimento de tributo sobre bases estimadas e da multa de ofício exigida no lançamento para cobrança de tributo, haja vista que ambas penalidades têm como base o valor das receitas tidas como não tributadas pela Fiscalização. No que se refere à segunda divergência suscitada, foram apresentados os seguintes paradigmas: Acórdão nº 9202002.600 JUROS DE MORA COM BASE NA TAXA SELIC SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. INAPLICABILIDADE. Os juros de mora à taxa SELIC só incidem sobre o valor do tributo, não alcançando o valor da multa de ofício aplicada proporcionalmente. Acórdão nº 180200.981 COBRANÇA DE JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO LANÇADA JUNTAMENTE COM TRIBUTO OU CONTRIBUIÇÃO NÃO CABIMENTO Os juros com base na taxa Selic não devem incidir sobre a multa de ofício lançada juntamente com tributo ou contribuição, vez que o artigo 61 da Lei n.º 9.430/96 apenas impõe sua incidência sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições. Igualmente, não incidem os juros previstos no artigo 161 do CTN sobre a multa de ofício. As polêmicas e controvérsias sobre esse assunto vem de longa data, o que já fragiliza a tese em favor da incidência, pois, tratandose de norma punitiva, com implicação direta na dimensão da pena, não poderia o texto legal dar margem a tantas dúvidas. No âmbito das normas jurídicas de natureza punitiva, nenhuma pena, via de regra, vai sendo agravada com o decurso do tempo. Para que isso pudesse ocorrer (juros sobre a multa/penalidade), a Lei deveria ser muito clara a respeito, o que não se verifica no texto normativo vigente. As alegações de mérito da Recorrente em relação ao tema da concomitância das multas, são, em síntese, as seguintes: a) que tanto a multa de ofício, quanto a multa isolada, foram aplicadas em decorrência da mesma infração, qual seja, não pagamento de IRPJ e CSLL em razão da dedução supostamente indevida de despesa com amortização de ágio, representando bis in idem a cumulação das multas; b) que em face do princípio da consunção, reconhecido pela Súmula CARF nº 105, a penalidade decorrente do não recolhimento do tributo apurado ao final do ano (multa proporcional) absorve a penalidade decorrente do não recolhimento de determinado valor a título de estimativa mensal (multa isolada). Além disso, em face do mesmo princípio, as multas isoladas são absorvidas pelas multas de ofício porque o recolhimento das estimativas mensais Fl. 2113DF CARF MF Processo nº 16682.720386/201491 Acórdão n.º 9101002.749 CSRFT1 Fl. 2.114 5 de IRPJ e CSLL constitui uma etapa preparatória no ato de recolher o IRPJ e a CSLL devidos no encerramento do anobase; c) que o fato da Súmula CARF nº 105 ter se baseado na redação primitiva do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996 não impede a sua aplicação ao presente caso, uma vez que as alterações promovidas pela Lei nº 11.488, de 2007 apenas autorizaram a cobrança de multa isolada quando o contribuinte encerra seu períodobase com prejuízo fiscal ou com base negativa; d) que é indiscutível a identidade de base tributável das multas, uma vez que a glosa da despesa com amortização de ágio sofre dupla imposição de multas, reafirmando a aplicação do princípio da absorção ou consunção; e) que a cobrança cumulativa das multas resulta em uma penalidade total acima de 100% do valor do tributo que deixou de ser recolhido, configurando sua manutenção em violação ao princípio do não confisco, consagrado pela jurisprudência do STF; f) que a imposição de multa isolada na hipótese de não cumprimento de obrigação principal ofende o art. 97, V, combinado com o art. 113, do Código Tributário Nacional (CTN), que somente autorizam a cobrança de multa isolada na hipótese de descumprimento de obrigação acessória; g) que o lançamento das multas isoladas deveria ter sido formalizado por meio de auto de infração específico, conforme dispõe o art. 9º do Decreto 70.235, de 1972 e o art. 38 do Decreto nº 7.574, de 2011. Já no que se refere ao tema da incidência dos juros de mora sobre a multa, as alegações da Recorrente podem ser assim sintetizadas: a) que o parágrafo único do art. 16 do Decretolei nº 2.323, de 1987, com a redação dada pelo Decretolei nº 2.331, de 1987, ao disciplinar a incidência de juros de mora sobre débitos de qualquer natureza perante a Fazenda Nacional, dispõe expressamente que juros de mora não incidem sobre o valor da multa (ainda que de mora), entendimento que deve ser aplicado também às multas de ofício isoladas; b) que o art. 59 da Lei nº 8.383, de 1991, e art. 61, da Lei nº 9.430, de 1996, que disciplinam a cobrança de acréscimos legais sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições administrados pela SRF não recolhidos no vencimento, não prevêem a possibilidade de cobrança dos juros na forma pretendida pela Fiscalização; c) que há jurisprudência da CSRF no sentido de que não há previsão na legislação ordinária para a aplicação dos juros moratórios sobre as multas de ofício, já que o art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, prevê a aplicação da Taxa Selic apenas sobre os débitos decorrentes de tributos, sem mencionar a multa de ofício. Ao final, pede a Recorrente que seja dado integral provimento ao Recurso Especial, com a reforma do acórdão recorrido e o cancelamento do crédito tributário. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões (efls. 2086/2102), aduzindo, em essência, em relação ao tema da concomitâncias das multas, que: Fl. 2114DF CARF MF Processo nº 16682.720386/201491 Acórdão n.º 9101002.749 CSRFT1 Fl. 2.115 6 a) não há óbice a que sejam aplicadas ao contribuinte faltante, diante de duas infrações tributárias, duas penalidades distintas, uma vez que a proibição do bis in idem pretende evitar a dupla penalização por um mesmo ato ilícito; b) no caso dos autos a aplicação de multa de ofício, prevista no art. 44, I, da Lei nº 9.430, de 1996, resultou de infrações às regras de determinação do lucro real praticadas pelo sujeito passivo (falta de recolhimento do tributo e/ou declaração inexata). Por outro lado, a denominada multa isolada, fundada no art. 44, II, alínea "b" da Lei nº 9.430, de 1996, foi aplicada em razão do descumprimento do modo de pagamento da IRPJ sobre base de cálculo estimada, tratandose de infrações diferentes; c) na sistemática de pagamento do IRPJ e CSLL sobre a base de cálculo estimada o contribuinte auxilia a União a fazer frente às despesas incorridas durante o ano calendário, o que não ocorreria se a exação fosse paga apenas no exercício seguinte; d) a multa de ofício somente será devida caso exista imposto a pagar por ocasião do Ajuste Anual, ao passo que a multa isolada será devida ainda que, ao final do período, não reste imposto a recolher, já que a infração da qual resulta essa multa consiste, simplesmente, no descumprimento da sistemática de pagamento por estimativa, não possuindo qualquer relação com o pagamento em si do imposto; e) a multa de ofício e a multa isolada possuem bases de cálculos distintas. A primeira deve incidir sobre o tributo efetivamente devido pelo sujeito passivo, que, no caso, é apurado no momento em que ocorre o ajuste anual, ao passo que a segunda deve incidir sobre as bases de cálculo estimadas, sendo que essas antecipações não equivalem ao tributo efetivamente devido, mas, consoante a jurisprudência pacificada do CARF, são meros adiantamentos do tributo; f) acrescenta que se infere que o recorrente procurou atenuar o suposto rigor do art. 44, II, alínea "b" da Lei nº 9.430, de 1996, mas que esse raciocínio não deve prevalecer à medida que cria nova hipótese de dispensa de multa isolada, inovando no ordenamento jurídico. Menciona que o juízo de eqüidade tem de estar expressamente autorizado por lei, o que aqui não ocorre. Assinala que o art. 108, IV, § 2º do CTN estatui que o emprego da equidade não poderá resultar na dispensa do pagamento do tributo devido; g) conclui asseverando que, se por uma lado sempre foi cabível a cobrança concomitante da multa isolada por falta de recolhimento de estimativas com a multa de ofício, após o advento da MP nº 351, de 2007, que alterou a redação do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, como é o caso, não há sequer espaço para discussão do assunto, em face da clareza do texto legal. No que toca à incidência dos juros moratórios sobre a multa de ofício, as alegações da PFN são sintetizadas a seguir: a) a partir do art. 113, § 1º, combinado com o art. 139, do CTN, defende que por ser a multa indubitavelmente obrigação principal, não se pode chegar a outra conclusão que não a de que o crédito tributário engloba o tributo e a multa. Assim, como determina o § 1º do art. 161 do CTN, deve incidir juros tanto sobre o tributo (principal) quanto sobre a multa; b) que o art. 61, caput, e seu § 3º da Lei nº 9.430, de 1996 utilizam, respectivamente, as expressões "débitos para com a União" e "débitos a que se refere este Fl. 2115DF CARF MF Processo nº 16682.720386/201491 Acórdão n.º 9101002.749 CSRFT1 Fl. 2.116 7 artigo", sendo que os débitos a que se referem são os créditos tributários devidos à União e não somente o valor do tributo. Assim, "os juros incidirão sobre o principal e a multa de ofício aplicada", como manda o citado § 3º; c) que a Lei nº 9.430, de 1996 dispôs de modo diverso do § 1º do art. 161 do CTN e expressamente mandou aplicar aos créditos tributários da União a "taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento, que é a taxa SELIC"; d) que a partir da leitura do art. 2º, § 2º, da Lei nº 6.830, de 1980, verificase que o crédito que a Fazenda está apta a executar abrange os juros de mora, além dos demais acréscimos legais. Acrescenta o disposto no art. 39, § 2º, da Lei nº 4.320, de 1964, asseverando que pelas normas apresentadas fica claro que os juros de mora incidem sobre a Dívida Ativa da União, de forma que o afastamento da incidência dos juros de mora sobre as multas tornaria a legislação tributária incoerente; e) que os arts. 29 e 30 da Lei nº 10.522, de 2002 (conversão da MP 1.621 31/98) determinam a incidência da taxa Selic sobre débitos de qualquer natureza devidos à União. Ao final, pede a Fazenda Nacional que seja negado provimento ao recurso especial. É o relatório. Voto Conselheira Adriana Gomes Rêgo Relatora O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele tomo conhecimento. Aplicação simultânea da multa isolada por falta de recolhimento das estimativas mensais com a multa de ofício No mérito, a primeira questão a ser dirimida no presente recurso diz respeito à possibilidade de serem aplicadas, simultaneamente, a multa isolada pela falta de recolhimento de estimativas mensais, e a multa de ofício pela falta de recolhimento do tributo devido no ajuste anual. A lei determina que as pessoas jurídicas sujeitas à apuração do lucro real, apurem seus resultados trimestralmente. Como alternativa, facultou, o legislador, a possibilidade de a pessoa jurídica, obrigada ao lucro real, apurar seus resultados anualmente, desde que antecipe pagamentos mensais, a título de estimativa, que devem ser calculados com base na receita bruta mensal, ou com base em balanço/balancete de suspensão e/ou redução. Observese: Lei nº 9.430, de 1996 (redação original): Fl. 2116DF CARF MF Processo nº 16682.720386/201491 Acórdão n.º 9101002.749 CSRFT1 Fl. 2.117 8 Art. 2º A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§ 1º e 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995. § 1º O imposto a ser pago mensalmente na forma deste artigo será determinado mediante a aplicação, sobre a base de cálculo, da alíquota de quinze por cento. § 2º A parcela da base de cálculo, apurada mensalmente, que exceder a R$ 20.000,00 (vinte mil reais) ficará sujeita à incidência de adicional de imposto de renda à alíquota de dez por cento. § 3º A pessoa jurídica que optar pelo pagamento do imposto na forma deste artigo deverá apurar o lucro real em 31 de dezembro de cada ano, exceto nas hipóteses de que tratam os §§ 1º e 2º do artigo anterior. § 4º Para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor: I dos incentivos fiscais de dedução do imposto, observados os limites e prazos fixados na legislação vigente, bem como o disposto no § 4º do art. 3º da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995; II dos incentivos fiscais de redução e isenção do imposto, calculados com base no lucro da exploração; III do imposto de renda pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real; IV do imposto de renda pago na forma deste artigo. [...] Vêse, então, que a pessoa jurídica, obrigada a apurar seus resultados de acordo com as regras do lucro real trimestral, tem a opção de fazêlo com a periodicidade anual, desde que, efetue pagamentos mensais a título de estimativa. Essa é a regra do sistema. No presente caso, a pessoa jurídica fez a opção por apurar o lucro real anualmente, sujeitandose, assim, e de forma obrigatória, aos recolhimentos mensais a título de estimativas. Como se vê nos autos de infração de IRPJ e CSLL (efls. 1392 e ss), a multa isolada aplicada pela falta de recolhimento das estimativas mensais desses tributos, referentes aos anoscalendário 2009 e 2010, teve fulcro no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, mais precisamente em seu inciso II, alínea "b", com as modificações introduzidas pela Lei nº 11.488, de 2007. O colegiado a quo, no julgamento do Recurso Voluntário, manteve a exigência da multa isolada, sob o fundamento de que a partir da MP nº 351/2007, convertida na Fl. 2117DF CARF MF Processo nº 16682.720386/201491 Acórdão n.º 9101002.749 CSRFT1 Fl. 2.118 9 Lei nº 11.488/2007, "em função de expressa previsão legal deve ser aplicada a multa isolada sobre os pagamentos que deixaram de ser realizados concernentes ao imposto de renda a título de estimativa, seja qual for o resultado apurado no ajuste final do período de apuração e independentemente da imputação da multa de ofício exigida em conjunto com o tributo". De outro modo, a exemplo do que argumenta a Contribuinte em suas razões, há aqueles que alegam que as alterações promovidas no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, pela Medida Provisória nº 351, de 2007, posteriormente convertida na Lei nº 11.488, de 2007, não teriam afetado, substancialmente, a infração sujeita à aplicação da multa isolada, apenas reduzindo o seu percentual de cálculo e mantendo a vinculação da base imponível ao tributo devido no ajuste anual. Nesse sentido, muitas vezes, invocam a própria Exposição de Motivos da Medida Provisória nº 351, de 2007, que limitouse a esclarecer que a alteração do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, efetuada pelo art. 14 do Projeto, tem o objetivo de reduzir o percentual da multa de ofício, lançada isoladamente, nas hipóteses de falta de pagamento mensal devido pela pessoa física a título de carnêleão ou pela pessoa jurídica a título de estimativa, bem como retira a hipótese de incidência da multa de ofício no caso de pagamento do tributo após o vencimento do prazo, sem o acréscimo da multa de mora. E, ainda que se entenda que a identidade de bases de cálculo foi superada pela nova redação do dispositivo legal, para essas pessoas subsistiria o fato de as duas penalidades decorrerem de falta de recolhimento de tributo, o que imporia o afastamento da penalidade menos gravosa. Ora, a vinculação entre os recolhimentos antecipados e a apuração do ajuste anual é inconteste, até porque a antecipação só é devida porque o sujeito passivo opta por postergar para o final do anocalendário a apuração dos tributos incidentes sobre o lucro. Contudo, a sistemática de apuração anual demanda uma punição diferenciada em face de infrações das quais resulta falta de recolhimento de tributo pois, na apuração anual, o fluxo de arrecadação da União está prejudicado desde o momento em que a estimativa é devida, e se a exigência do tributo com encargos ficar limitada ao devido por ocasião do ajuste anual, além de não se conseguir reparar todo o prejuízo experimentado à União, há um desestímulo à opção pela apuração trimestral do lucro tributável, hipótese na qual o sujeito passivo responderia pela infração com encargos desde o trimestre de sua ocorrência. Na redação original do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, esta penalidade foi prevista nos mesmos termos daquela aplicável ao tributo não recolhido no ajuste anual, ou seja, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição, inclusive no mesmo percentual de 75%, e passível de agravamento ou qualificação se presentes as circunstâncias indicadas naquele dispositivo legal. Vejase: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades Fl. 2118DF CARF MF Processo nº 16682.720386/201491 Acórdão n.º 9101002.749 CSRFT1 Fl. 2.119 10 administrativas ou criminais cabíveis. (Vide Lei nº 10.892, de 2004) § 1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: I juntamente com o tributo ou a contribuição, quando não houverem sido anteriormente pagos; [...] III isoladamente, no caso de pessoa física sujeita ao pagamento mensal do imposto (carnêleão) na forma do art. 8º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de fazêlo, ainda que não tenha apurado imposto a pagar na declaração de ajuste; IV isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2º, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano calendário correspondente; V isoladamente, no caso de tributo ou contribuição social lançado, que não houver sido pago ou recolhido. (Revogado pela Medida Provisória nº 1.725, de 1998) (Revogado pela Lei nº 9.716, de 1998) [...] A redação original do dispositivo legal resultou, assim, em punições equivalentes para a falta de recolhimento de estimativas e do ajuste anual. E, decidindo sobre este conflito, a jurisprudência administrativa posicionouse majoritariamente contra a subsistência da multa isolada, porque calculada a partir da mesma base de cálculo punida com a multa proporcional, e ainda no mesmo percentual desta. Frente a tais circunstâncias, o art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, foi alterado pela Medida Provisória nº 351, de 2007, para prever duas penalidades distintas: a primeira de 75% calculada sobre o imposto ou contribuição que deixasse de ser recolhido e declarado, e exigida conjuntamente com o principal (inciso I do art. 44), e a segunda de 50% calculada sobre o pagamento mensal que deixasse de ser efetuado, ainda que apurado prejuízo fiscal ou base negativa ao final do anocalendário, e exigida isoladamente (inciso II do art. 44). Além disso, as hipóteses de qualificação (§1º do art. 44) e agravamento (2º do art. 44) ficaram restritas à penalidade aplicável à falta de pagamento e declaração do imposto ou contribuição. Observese: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8º da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; Fl. 2119DF CARF MF Processo nº 16682.720386/201491 Acórdão n.º 9101002.749 CSRFT1 Fl. 2.120 11 b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. I (revogado); II (revogado); III (revogado); IV (revogado); V (revogado pela Lei nº 9.716, de 26 de novembro de 1998). As consequências desta alteração foram apropriadamente expostas pelo Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão no voto condutor do Acórdão nº 9101002.251: Logo, tendo sido alterada a base de cálculo eleita pelo legislador para a multa isolada de totalidade ou diferença de tributo ou contribuição para valor do pagamento mensal, não há mais qualquer vínculo, ou dependência, da multa isolada com a apuração de tributo devido. Perfilhando o entendimento de que não se confunde a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição com o valor do pagamento mensal, apurado sob base estimada ao longo do ano, é vasta a jurisprudência desta CSRF, valendo mencionar dos últimos cinco anos, entre outros, os acórdãos nºs 910100577, de 18 de maio de 2010, 910100.685, de 31 de agosto de 2010, 910100.879, de 23 de fevereiro de 2011, nº 9101001.265, de 23 de novembro de 2011, nº 9101001.336, de 26 de abril de 2012, nº 9101001.547, de 22 de janeiro de 2013, nº 9101001.771, de 16 de outubro de 2013, e nº 9101002.126, de 26 de fevereiro de 2015, todos assim ementados (destaquei): O artigo 44 da Lei nº 9.430, de 1996, preceitua que a multa de ofício deve ser calculada sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição, materialidade que não se confunde com o valor calculado sob base estimada ao longo do ano. Daí porque despropositada a decisão recorrida que, após reconhecer expressamente a modificação da redação do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996 pela Lei nº 11.488, de 2007, e transcrever os mesmos dispositivos legais acima, abruptamente conclui no sentido de que (efls. 236): Portanto, cabe excluir a exigência da multa de ofício isolada concomitante à multa proporcional. Em despacho de admissibilidade de embargos de declaração por omissão, interpostos pela Fazenda Nacional contra aquela decisão, e rejeitados, foi dito o seguinte (efls. 247): Por fim, reafirmo a impossibilidade da aplicação cumulativa dessas multas. Isso porque é sabido que um dos fatores que levou à mudança da redação do citado art. 44 da Lei 9.430/1996 foram os julgados deste Conselho, sendo que à época da edição da Lei Fl. 2120DF CARF MF Processo nº 16682.720386/201491 Acórdão n.º 9101002.749 CSRFT1 Fl. 2.121 12 11.488/2007 já predominava esse entendimento. Vejamos novamente a redação de parte [das] disposições do art. 44 da Lei 9.430/1996 alteradas/incluídas pela Lei 11.488/2007: [...]. Ora, o legislador tinha conhecimento da jurisprudência deste Conselho quanto à impossibilidade de aplicação cumulativa da multa isolada com a multa de oficio, além de outros entendimentos no sentido de que não poderia ser exigida se apurado prejuízo fiscal no encerramento do anocalendário, ou se o tributo tivesse sido integralmente pago no ajuste anual. Todavia, tratou apenas das duas últimas hipóteses na nova redação, ou seja, deixou de prever a possibilidade de haver cumulatividade dessas multas. E não se diga que seria esquecimento, pois, logo a seguir, no parágrafo § 1º, excetuou a cumulatividade de penalidades quando a ensejar a aplicação dos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/1964. Bastava ter acrescentado mais uma alínea no inciso II da nova redação do art. 44 da [Lei nº] 9.430/1996, estabelecendo expressamente essa hipótese, que aliás é a questão de maior incidência. Ao deixar de fazer isso, uma das conclusões factíveis é que essa cumulatividade é mesmo indevida. Ora, o legislador, no caso, fez mais do que faria se apenas acrescentasse “mais uma alínea no inciso II da nova redação do art. 44 da [Lei nº] 9.430/1996”. Na realidade, o que, na redação primeira, era apenas um inciso subordinado a um parágrafo do artigo (art. 44, § 1º, inciso IV, da Lei nº 9.430, de 1996), tornouse um inciso vinculado ao próprio caput do artigo (art. 44, inciso II, da Lei nº 9.430, de 1996), no mesmo patamar, portanto, do inciso então preexistente, que previa a multa de ofício. Vejase a redação do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, dada pela Lei nº 11.488, de 2007 (sublinhei): Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinquenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: [...]; Dessa forma, a norma legal, ao estatuir que “nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas”, está a se referir, iniludivelmente, às duas multas em conjunto, e não mais em separado, como dava a entender a antiga redação do dispositivo. Nessas condições, não seria necessário que a norma previsse “a possibilidade de haver cumulatividade dessas multas”. Pelo contrário: seria necessário, sim se fosse esse o caso, que a norma excetuasse essa possibilidade, o que nela não foi feito. Por conseguinte, não há que se falar como pretendeu o sujeito passivo, por ocasião de seu recurso voluntário em “identidade Fl. 2121DF CARF MF Processo nº 16682.720386/201491 Acórdão n.º 9101002.749 CSRFT1 Fl. 2.122 13 quanto ao critério pessoal e material de ambas as normas sancionatórias”. Se é verdade que as duas normas sancionatórias, pelo critério pessoal, alcançam o mesmo contribuinte (sujeito passivo), não é verdade que o critério material (verbo + complemento) de uma e de outra se centre “no descumprimento da relação jurídica que determina o recolhimento integral do tributo devido”. O complemento do critério material de ambas é, agora, distinto: o da multa de ofício é a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição; já o da multa isolada é o valor do pagamento mensal, apurado sob base estimada ao longo do ano, cuja materialidade, como visto anteriormente, não se confunde com aquela. (grifos do original) Destaquese, ainda, que a penalidade agora prevista no art. 44, inciso II da Lei nº 9.430, de 1996, é exigida isoladamente e mesmo se não apurado lucro tributável ao final do anocalendário. A conduta reprimida, portanto, é a inobservância do dever de antecipar, mora que prejudica a União durante o período verificado entre data em que a estimativa deveria ser paga e o encerramento do anocalendário. A falta de recolhimento do tributo em si, que se perfaz a partir da ocorrência do fato gerador ao final do anocalendário, sujeitase a outra penalidade e a juros de mora incorridos apenas a partir de 1º de fevereiro do ano subseqüente1. Diferentes, portanto, são os bens jurídicos tutelados, e limitar a penalidade àquela aplicada em razão da falta de recolhimento do ajuste anual é um incentivo ao descumprimento do dever de antecipação ao qual o sujeito passivo voluntariamente se vinculou, ao optar pelas vantagens decorrentes da apuração do lucro tributável apenas ao final do anocalendário. E foi, justamente, a alteração legislativa acima que motivou a edição da referida Súmula CARF nº 105. Explico. O enunciado de súmula em referência foi aprovado pela 1ª Turma da CSRF em 08 de dezembro de 2014. Antes, enunciado semelhante foi, por sucessivas vezes, rejeitado pelo Pleno da CSRF, e mesmo pela 1ª Turma da CSRF. Vejase, abaixo, os verbetes submetidos a votação de 2009 a 2014: PORTARIA Nº 97, DE 24 DE NOVEMBRO DE 20092 [...] ANEXO I I ENUNCIADOS A SEREM SUBMETIDOS À APROVAÇÃO DO PLENO: [...] 12. PROPOSTA DE ENUNCIADO DE SÚMULA nº : 1 Neste sentido é o disposto no art. 6º, §1º c/c §2º da Lei nº 9.430, de 1996. 2 Diário Oficial da União, Seção 1, p. 112, em 27 de novembro de 2009. Fl. 2122DF CARF MF Processo nº 16682.720386/201491 Acórdão n.º 9101002.749 CSRFT1 Fl. 2.123 14 Até a vigência da Medida Provisória nº 351/2007, a multa isolada decorrente da falta ou insuficiência de antecipações não pode ser exigida concomitantemente com a multa de ofício incidente sobre o tributo apurado no ajuste anual. [...] PORTARIA Nº 27, DE 19 DE NOVEMBRO DE 20123 [...] ANEXO ÚNICO [...] II ENUNCIADOS A SEREM SUBMETIDOS À APROVAÇÃO DA 1ª TURMA DA CSRF: [...] 17. PROPOSTA DE ENUNCIADO DE SÚMULA nº: Até 21 de janeiro de 2007, descabe o lançamento de multa isolada em razão do não recolhimento do imposto de renda devido em carnêleão aplicada em concomitância com a multa de ofício prevista no art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430/96. Acórdãos precedentes: 10422036, de 09/06/2006; 3401 00078, de 01/06/2009; 340100047, de 06/05/2009; 10423338, de 26/06/2008; 920200.699, de 13/04/2010; 920201.833, de 25/ 10/ 2011. [...] III ENUNCIADOS A SEREM SUBMETIDOS À APROVAÇÃO DA 2ª TURMA DA CSRF: [...] 22. PROPOSTA DE ENUNCIADO DE SÚMULA nº: Até 21 de janeiro de 2007, descabe o lançamento de multa isolada em razão do não recolhimento do imposto de renda devido em carnêleão aplicada em concomitância com a multa de ofício prevista no art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430/96. Acórdãos precedentes: 10422036, de 09/06/2006; 3401 00078, de 01/06/2009; 340100047, de 06/05/2009; 10423338, de 26/06/2008; 920200.699, de 13/04/2010; 920201.833, de 25/ 10/ 2011. [...] PORTARIA Nº 18, DE 20 DE NOVEMBRO DE 20134 [...] ANEXO I I Enunciados a serem submetidos ao Pleno da CSRF: [...] 9ª. PROPOSTA DE ENUNCIADO DE SÚMULA 3 Diário Oficial da União, Seção 1, p. 19, em 27 de novembro de 2012. 4 Diário Oficial da União, Seção 1, p. 71, de 27 de novembro de 2013. Fl. 2123DF CARF MF Processo nº 16682.720386/201491 Acórdão n.º 9101002.749 CSRFT1 Fl. 2.124 15 Até a vigência da Medida Provisória nº 351, de 2007, incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas e de ofício pela falta de pagamento de tributo apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício. Acórdãos Precedentes: 9101001261, de 22/11/11; 9101 001203, de 22/11/11; 9101001238, de 21/11/11; 9101001307, de 24/04/12; 1402001.217, de 04/10/12; 110200748, de 09/05/12; 1803001263, de 10/04/12. [...] PORTARIA Nº 23, DE 21 DE NOVEMBRO DE 20145 [...] ANEXO I [...] II Enunciados a serem submetidos à 1ª Turma da CSRF: [...] 13ª. PROPOSTA DE ENUNCIADO DE SÚMULA A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício. Acórdãos Precedentes: 9101001.261, de 22/11/2011; 9101 001.203, de 17/10/2011; 9101001.238, de 21/11/2011; 9101 001.307, de 24/04/2012; 1402001.217, de 04/10/2012; 1102 00.748, de 09/05/2012; 1803001.263, de 10/04/2012. [...] É de se destacar que os enunciados assim propostos de 2009 a 2013 exsurgem da jurisprudência firme, contrária à aplicação concomitante das penalidades antes da alteração promovida no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, pela Medida Provisória nº 351, de 2007, convertida na Lei nº 11.488, de 2007. Jurisprudência esta, aliás, que motivou a alteração legislativa. De outro lado, a discussão acerca dos lançamentos formalizados em razão de infrações cometidas a partir do novo contexto legislativo ainda não apresentava densidade suficiente para indicar qual entendimento deveria ser sumulado. Considerando tais circunstâncias, o Pleno da CSRF, e também a 1ª Turma da CSRF, rejeitou, por três vezes, nos anos de 2009, 2012 e 2013, o enunciado contrário à concomitância das penalidades até a vigência da Medida Provisória nº 351, de 2007. As discussões nestas votações motivaram alterações posteriores com o objetivo de alcançar redação que fosse acolhida pela maioria qualificada, na forma regimental. Com a rejeição do enunciado de 2009, a primeira alteração consistiu na supressão da vigência da Medida Provisória nº 351, de 2007, substituindoa, como marco temporal, pela referência à data de sua publicação. Também foram separadas as hipóteses 5 Diário Oficial da União, Seção 1, p. 12, de 25 de novembro de 2014. Fl. 2124DF CARF MF Processo nº 16682.720386/201491 Acórdão n.º 9101002.749 CSRFT1 Fl. 2.125 16 pertinentes ao IRPJ/CSLL e ao IRPF, submetendose à 1ª Turma e à 2ª Turma da CSRF os enunciados correspondentes. Seguindose nova rejeição em 2012, o enunciado de 2009 foi reiterado em 2013 e, mais uma vez, rejeitado. Este cenário deixou patente a imprestabilidade de enunciado distinguindo as ocorrências alcançadas a partir da expressão "até a vigência da Medida Provisória nº 351, de 2007", ou até a data de sua publicação. E isto porque a partir da redação proposta havia o risco de a súmula ser invocada para declarar o cabimento da exigência concomitante das penalidades a partir das alterações promovidas pela Medida Provisória nº 351, de 2007, apesar de a jurisprudência ainda não estar consolidada neste sentido. Para afastar esta interpretação, o enunciado aprovado pela 1ª Turma da CSRF em 2014 foi redigido de forma direta, de modo a abarcar, apenas, a jurisprudência firme daquele Colegiado: a impossibilidade de cumulação, com a multa de ofício proporcional aplicada sobre os tributos devidos no ajuste anual, das multas isoladas por falta de recolhimento de estimativas exigidas com fundamento na legislação antes de sua alteração pela Medida Provisória nº 351, de 2007. Omitiuse, intencionalmente, qualquer referência às situações verificadas depois da alteração legislativa em tela, em razão da qual a multa isolada por falta de recolhimento de estimativas passou a estar prevista no art. 44, inciso II, alínea "b", e não mais no art. 44, §1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, sempre com vistas a atribuir os efeitos sumulares6 à parcela do litígio já pacificada. Assim, a Súmula CARF nº 105 tem aplicação, apenas, em face de multas lançadas com fundamento na redação original do art. 44, §1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, ou seja, tendo por referência infrações cometidas antes da alteração promovida pela Medida Provisória nº 351, de 2007, publicada em 22 de janeiro de 2007, e ainda que a exigência tenha sido formalizada já com o percentual reduzido de 50%, dado que tal 6 Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, e alterado pela Portaria MF nº 586, de 2010: [...] Anexo II [...] Art. 18. Aos presidentes de Câmara incumbe, ainda: [...] XXI negar, de ofício ou por proposta do relator, seguimento ao recurso que contrarie enunciado de súmula ou de resolução do Pleno da CSRF, em vigor, quando não houver outra matéria objeto do recurso; [...] Art. 53. A sessão de julgamento será pública, salvo decisão justificada da turma para exame de matéria sigilosa, facultada a presença das partes ou de seus procuradores. [...] § 4° Serão julgados em sessões não presenciais os recursos em processos de valor inferior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais) ou, independentemente do valor, forem objeto de súmula ou resolução do CARF ou de decisões do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça na sistemática dos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil. [...] Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. [...] § 2° Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que aplique súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da Câmara Superior de Recursos Fiscais ou do CARF, ou que, na apreciação de matéria preliminar, decida pela anulação da decisão de primeira instância. [...] Fl. 2125DF CARF MF Processo nº 16682.720386/201491 Acórdão n.º 9101002.749 CSRFT1 Fl. 2.126 17 providência não decorre de nova fundamentação do lançamento, mas sim da retroatividade benigna prevista pelo art. 106, inciso II, alínea "c", do CTN. Neste sentido, vale observar que os precedentes indicados para aprovação da súmula reportamse, todos, a infrações cometidas antes de 2007: Acórdão nº 9101001.261: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Anocalendário: 2001 Ementa: APLICAÇÃO CONCOMITANTE DE MULTA DE OFICIO E MULTA ISOLADA NA ESTIMATIVA — Incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas no curso do período de apuração e de oficio pela falta de pagamento de tributo apurado no balanço. A infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. Pelo critério da consunção, a primeira conduta é meio de execução da segunda. O bem jurídico mais importante é sem dúvida a efetivação da arrecadação tributária, atendida pelo recolhimento do tributo apurado ao fim do anocalendário, e o bem jurídico de relevância secundária é a antecipação do fluxo de caixa do governo, representada pelo dever de antecipar essa mesma arrecadação. Acórdão nº 9101001.203: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Exercício: 2000, 2001 Ementa: MULTA ISOLADA. ANOSCALENDÁRIO DE 1999 e 2000. FALTA DE RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. CONCOMITÂNCIA COM MULTA DE OFICIO EXIGIDA EM LANÇAMENTO LAVRADO PARA A COBRANÇA DO TRIBUTO. Incabível a aplicação concomitante da multa por falta de recolhimento de tributo sobre bases estimadas e da multa de oficio exigida no lançamento para cobrança de tributo, visto que ambas penalidades tiveram como base o valor das glosas efetivadas pela Fiscalização. Acórdão nº 9101001.238: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF Exercício: 2001 [...] MULTA ISOLADA. ANOCALENDÁRIO DE 2000. FALTA DE RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. CONCOMITÂNCIA COM MULTA DE OFICIO EXIGIDA EM LANÇAMENTO LAVRADO PARA A COBRANÇA DO TRIBUTO. Incabível a aplicação concomitante da multa por falta de recolhimento de tributo sobre bases estimadas e da multa de oficio exigida no lançamento para cobrança de tributo, visto que ambas Fl. 2126DF CARF MF Processo nº 16682.720386/201491 Acórdão n.º 9101002.749 CSRFT1 Fl. 2.127 18 penalidades tiveram como base o valor da receita omitida apurado em procedimento fiscal. Acórdão nº 9101001.307: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Anocalendário: 1998 [...] MULTA ISOLADA APLICAÇÃO CONCOMITANTE COM A MULTA DE OFICIO — Incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas no curso do período de apuração e de oficio pela falta de pagamento de tributo apurado no balanço. A infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. Pelo critério da consunção, a primeira conduta é meio de execução da segunda. O bem jurídico mais importante é sem dúvida a efetivação da arrecadação tributária, atendida pelo recolhimento do tributo apurado ao fim do anocalendário, e o bem jurídico de relevância secundária é a antecipação do fluxo de caixa do governo, representada pelo dever de antecipar essa mesma arrecadação. Acórdão nº 1402001.217: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 [...] MULTA DE OFICIO ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS MENSAIS CONCOMITANTE COM A MULTA DE OFICIO. INAPLICABILIDADE. É inaplicável a penalidade quando existir concomitância com a multa de oficio sobre o ajuste anual (mesma base). [...] Acórdão nº 1102000.748: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2000, 2001 Ementa: [...] LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PENALIDADE. MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. Devem ser exoneradas as multas isoladas por falta de recolhimento de estimativas, uma vez que, cumulativamente foram exigidos os tributos com multa de ofício, e a base de cálculo das multas isoladas está inserida na base de cálculo das multas de ofício, sendo descabido, nesse caso, o lançamento concomitante de ambas. Fl. 2127DF CARF MF Processo nº 16682.720386/201491 Acórdão n.º 9101002.749 CSRFT1 Fl. 2.128 19 [...] Acórdão nº 1803001.263: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 [...] APLICAÇÃO CONCOMITANTE DE MULTA DE OFÍCIO E MULTA ISOLADA NA ESTIMATIVA Incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas no curso do período de apuração e de ofício pela falta de pagamento de tributo apurado no balanço. A infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. Pelo critério da consunção, a primeira conduta é meio de execução da segunda. O bem jurídico mais importante é sem dúvida a efetivação da arrecadação tributária, atendida pelo recolhimento do tributo apurado ao fim do anocalendário, e o bem jurídico de relevância secundária é a antecipação do fluxo de caixa do governo, representada pelo dever de antecipar essa mesma arrecadação. Frente a tais circunstâncias, ainda que precedentes da súmula veiculem fundamentos autorizadores do cancelamento de exigências formalizadas a partir da alteração promovida pela Medida Provisória nº 351, de 2007, não são eles, propriamente, que vinculam o julgador administrativo, mas sim o enunciado da súmula, no qual está sintetizada a questão pacificada. Digo isso porque esses precedentes têm sido utilizados para se tentar aplicar outra tese no sentido de afastar a multa, qual seja a do princípio da consunção. Ora se o princípio da consunção fosse fundamento suficiente para inexigibilidade concomitante das multas em debate, o enunciado seria genérico, sem qualquer referência ao fundamento legal dos lançamentos alcançados. A citação expressa do texto legal prestase a firmar esta circunstância como razão de decidir relevante extraída dos paradigmas, cuja presença é essencial para aplicação das consequências do entendimento sumulado. Da mesma forma que faz a Contribuinte em seu recurso, há quem argumente que o princípio da consunção veda a cumulação das penalidades. Sustentam os adeptos dessa tese que o não recolhimento da estimativa mensal seria etapa preparatória da infração cometida no ajuste anual e, em tais circunstâncias o princípio da consunção autorizaria a subsistência, apenas, da penalidade aplicada sobre o tributo devido ao final do anocalendário, prestigiando o bem jurídico mais relevante, no caso, a arrecadação tributária, em confronto com a antecipação de fluxo de caixa assegurada pelas estimativas. Ademais, como a base fática para imposição das penalidades seria a mesma, a exigência concomitante das multas representaria bis in idem, até porque, embora a lei tenha previsto ambas penalidades, não determinou a sua aplicação simultânea. E acrescentam que, em se tratando de matéria de penalidades, seria aplicável o art. 112 do CTN. Entretanto, com a devida vênia, discordo desse entendimento. Para tanto, aproveitome, inicialmente, do voto proferido pela Conselheira Karem Jureidini Dias na Fl. 2128DF CARF MF Processo nº 16682.720386/201491 Acórdão n.º 9101002.749 CSRFT1 Fl. 2.129 20 condução do Acórdão nº 9101001.135, para trazer sua abordagem conceitual acerca das sanções em matéria tributária: [...] A sanção de natureza tributária decorre do descumprimento de obrigação tributária – qual seja, obrigação de pagar tributo. A sanção de natureza tributária pode sofrer agravamento ou qualificação, esta última em razão de o ilícito também possuir natureza penal, como nos casos de existência de dolo, fraude ou simulação. O mesmo auto de infração pode veicular, também, norma impositiva de multa em razão de descumprimento de uma obrigação acessória obrigação de fazer – pois, ainda que a obrigação acessória sempre se relacione a uma obrigação tributária principal, revestese de natureza administrativa. Sobre as obrigações acessórias e principais em matéria tributária, vale destacar o que dispõe o artigo 113 do Código Tributário Nacional: “Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária.” Fica evidente da leitura do dispositivo em comento que a obrigação principal, em direito tributário, é pagar tributo, e a obrigação acessória é aquela que possui características administrativas, na medida em que as respectivas normas comportamentais servem ao interesse da administração tributária, em especial, quando do exercício da atividade fiscalizatória. O dispositivo transcrito determina, ainda, que em relação à obrigação acessória, ocorrendo seu descumprimento pelo contribuinte e imposta multa, o valor devido convertese em obrigação principal. Vale destacar que, mesmo ocorrendo tal conversão, a natureza da sanção aplicada permanece sendo administrativa, já que não há cobrança de tributo envolvida, mas sim a aplicação de uma penalidade em razão da inobservância de uma norma que visava proteger os interesses fiscalizatórios da administração tributária. Assim, as sanções em matéria tributária podem ter natureza (i) tributária principal quando se referem a descumprimento da obrigação principal, ou seja, falta de recolhimento de tributo; (ii) administrativa – quando se referem à mero descumprimento de obrigação acessória que, em verdade, tem por objetivo auxiliar os agentes públicos que se encarregam da fiscalização; ou, ainda (iii) penal – quando qualquer dos ilícitos antes mencionados representar, também, ilícito penal. Significa dizer que, para definir a natureza da sanção aplicada, necessário se Fl. 2129DF CARF MF Processo nº 16682.720386/201491 Acórdão n.º 9101002.749 CSRFT1 Fl. 2.130 21 faz verificar o antecedente da norma sancionatória, identificando a relação jurídica desobedecida. Aplicamse às sanções o princípio da proporcionalidade, que deve ser observado quando da aplicação do critério quantitativo. Neste ponto destacamos a lição de Helenilson Cunha Pontes a respeito do princípio da proporcionalidade em matéria de sanções tributárias, verbis: “As sanções tributárias são instrumentos de que se vale o legislador para buscar o atingimento de uma finalidade desejada pelo ordenamento jurídico. A análise da constitucionalidade de uma sanção deve sempre ser realizada considerando o objetivo visado com sua criação legislativa. De forma geral, como lembra Régis Fernandes de Oliveira, “a sanção deve guardar proporção com o objetivo de sua imposição”. O princípio da proporcionalidade constitui um instrumento normativoconstitucional através do qual podese concretizar o controle dos excessos do legislador e das autoridades estatais em geral na definição abstrata e concreta das sanções”. O primeiro passo para o controle da constitucionalidade de uma sanção, através do princípio da proporcionalidade, consiste na perquirição dos objetivos imediatos visados com a previsão abstrata e/ou com a imposição concreta da sanção. Vale dizer, na perquirição do interesse público que valida a previsão e a imposição de sanção”. (in “O Princípio da Proporcionalidade e o Direito Tributário”, ed. Dialética, São Paulo, 2000, pg.135) Assim, em respeito a referido princípio, é possível afirmar que: se a multa é de natureza tributária, terá por base apropriada, via de regra, o montante do tributo não recolhido. Se a multa é de natureza administrativa, a base de cálculo terá por grandeza montante proporcional ao ilícito que se pretende proibir. Em ambos os casos as sanções podem ser agravadas ou qualificadas. Agravada, se além do descumprimento de obrigação acessória ou principal, houver embaraço à fiscalização, e, qualificada se ao ilícito somarse outro de cunho penal – existência de dolo, fraude ou simulação. A MULTA ISOLADA POR NÃO RECOLHIMENTO DAS ANTECIPAÇÕES A multa isolada, aplicada por ausência de recolhimento de antecipações, é regulada pelo artigo 44, inciso II, alínea “b”, da Lei nº 9.430/96, verbis: [...] A norma prevê, portanto, a imposição da referida penalidade quando o contribuinte do IRPJ e da CSLL, sujeito ao Lucro Real Anual, deixar de promover as antecipações devidas em razão da disposição contida no artigo 2º da Lei nº 9.430/96, verbis: [...] A natureza das antecipações, por sua vez, já foi objeto de análise do Superior Tribunal de Justiça, que manifestou entendimento no sentido de considerar que as antecipações se referem ao pagamento de tributo, conforme se depreende dos seguintes julgados: Fl. 2130DF CARF MF Processo nº 16682.720386/201491 Acórdão n.º 9101002.749 CSRFT1 Fl. 2.131 22 “TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. IMPOSTO DE RENDA. CSSL. RECOLHIMENTO ANTECIPADO. ESTIMATIVA. TAXA SELIC. INAPLICABILIDADE. 1. "É firme o entendimento deste Tribunal no sentido de que o regime de antecipação mensal é opção do contribuinte, que pode apurar o lucro real, base de cálculo do IRPJ e da CSSL, por estimativa, e antecipar o pagamento dos tributos, segundo a faculdade prevista no art. 2° da Lei n. 9430/96" (AgRg no REsp 694278RJ, relator Ministro Humberto Martins, DJ de 3/8/2006). 2. A antecipação do pagamento dos tributos não configura pagamento indevido à Fazenda Pública que justifique a incidência da taxa Selic. 3. Recurso especial improvido.” (Recurso Especial 529570 / SC Relator Ministro João Otávio de Noronha Segunda Turma Data do Julgamento 19/09/2006 DJ 26.10.2006 p. 277) “AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO ESPECIAL TRIBUTÁRIO IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA IRPJ E CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO CSSL APURAÇÃO POR ESTIMATIVA PAGAMENTO ANTECIPADO OPÇÃO DO CONTRIBUINTE LEI N. 9430/96. É firme o entendimento deste Tribunal no sentido de que o regime de antecipação mensal é opção do contribuinte, que pode apurar o lucro real, base de cálculo do IRPJ e da CSSL, por estimativa, e antecipar o pagamento dos tributos, segundo a faculdade prevista no art. 2° da Lei n. 9430/96. Precedentes: REsp 492.865/RS, Rel. Min. Franciulli Netto, DJ25.4.2005 e REsp 574347/SC, Rel. Min. José Delgado, DJ 27.9.2004.Agravo regimental improvido.” (Agravo Regimental No Recurso Especial 2004/01397180 Relator Ministro Humberto Martins Segunda Turma DJ 17.08.2006 p. 341) Do exposto, inferese que a multa em questão tem natureza tributária, pois aplicada em razão do descumprimento de obrigação principal, qual seja, falta de pagamento de tributo, ainda que por antecipação prevista em lei. Debates instalaramse no âmbito desse Conselho Administrativo sobre a natureza da multa isolada. Inicialmente me filiei à corrente que entendia que a multa isolada não poderia prosperar porque penalizava conduta que não se configurava obrigação principal, tampouco obrigação acessória. Ou seja, mantinha o entendimento de que a multa em questão não se referia a qualquer obrigação prevista no artigo 113 do Código Tributário Nacional, na medida em que penalizava conduta que, a meu ver à época, não podia ser considerada obrigação principal, já que o tributo não estava definitivamente apurado, tampouco poderia ser considerada obrigação acessória, pois evidentemente não configura uma obrigação de caráter meramente administrativo, uma vez que a relação jurídica prevista na norma primária dispositiva é o “pagamento” de antecipação. Nada obstante, modifiquei meu entendimento, mormente por concluir que tratase, em verdade, de multa pelo não pagamento do tributo que deve ser antecipado. Ainda que tenha o contribuinte declarado e recolhido o montante devido de IRPJ e CSLL ao final do exercício, fato é que caberá multa isolada Fl. 2131DF CARF MF Processo nº 16682.720386/201491 Acórdão n.º 9101002.749 CSRFT1 Fl. 2.132 23 quando o contribuinte não efetua a antecipação deste tributo. Tanto assim que, até a alteração promovida pela Lei nº 11.488/07, o caput do artigo 44 da Lei nº 9.430/96, previa que o cálculo das multas ali estabelecidas seria realizado “sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição”. Frente a estas considerações, releva destacar que a penalidade em debate é exigida isoladamente, sem qualquer hipótese de agravamento ou qualificação e, embora seu cálculo tenha por referência a antecipação não realizada, sua exigência não se dá por falta de "pagamento de tributo", dado o fato gerador do tributo sequer ter ocorrido. De forma semelhante, outras penalidades reconhecidas como decorrentes do descumprimento de obrigações acessórias são calculadas em razão do valor dos tributos devidos7 e exigidas de forma isolada. Sob esta ótica, o recolhimento de estimativas melhor se alinha ao conceito de obrigação acessória que à definição de obrigação principal, até porque a antecipação do recolhimento é, em verdade, um ônus imposto aos que voluntariamente optam pela apuração anual do lucro tributável, e a obrigação acessória, nos termos do art. 113, §2º do CTN, é medida prevista não só no interesse da fiscalização, mas também da arrecadação dos tributos. Vejase, aliás, que as manifestações do Superior Tribunal de Justiça acima citadas expressamente reconhecem este ônus como decorrente de uma opção, e distinguem a antecipação do pagamento do pagamento em si, isto para negar a aplicação de juros a partir de seu recolhimento no confronto com o tributo efetivamente devido ao final do anocalendário. É certo que a Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça já consolidou seu entendimento contrariamente à aplicação concomitante das penalidades em razão do princípio da consunção, conforme evidencia a ementa de julgado recente proferido no Agravo Regimental no Recurso Especial nº 1.576.289/RS: TRIBUTÁRIO. MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO. ART. 44, I E II, DA LEI 9.430/1996 (REDAÇÃO DADA PELA LEI 11.488/2007). EXIGÊNCIA CONCOMITANTE. IMPOSSIBILIDADE NO CASO. PRECEDENTES. 7 Lei nº 10.426, de 2002: Art. 7º O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF e Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon, nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de nãoapresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal SRF, e sujeitarseá às seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) I de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante do imposto de renda da pessoa jurídica informado na DIPJ, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3º; II de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante dos tributos e contribuições informados na DCTF, na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica ou na Dirf, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega destas Declarações ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3º; III de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante da Cofins, ou, na sua falta, da contribuição para o PIS/Pasep, informado no Dacon, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo; e (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) IV de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) [...] Fl. 2132DF CARF MF Processo nº 16682.720386/201491 Acórdão n.º 9101002.749 CSRFT1 Fl. 2.133 24 1. A Segunda Turma do STJ tem posição firmada pela impossibilidade de aplicação concomitante das multas isolada e de ofício previstas nos incisos I e II do art. 44 da Lei 9.430/1996 (AgRg no REsp 1.499.389/PB, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 28/9/2015; REsp 1.496.354/PR, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, DJe 24/3/2015). 2. Agravo Regimental não provido. As razões do Recurso Especial, aliás, fazem referência ao REsp 1.496.354/PR, mencionado na ementa acima. Todavia, referidos julgados não são de observância obrigatória na forma do art. 62, §1º, inciso II, alínea "b" do Anexo II do Regimento Interno do CARF aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015. Além disso, a interpretação de que a falta de recolhimento da antecipação mensal é infração abrangida pela falta de recolhimento do ajuste anual, sob o pressuposto da existência de dependência entre elas, sendo a primeira infração preparatória da segunda, desconsidera o prejuízo experimentado pela União com a mora subsistente em razão de o tributo devido no ajuste anual sofrer encargos somente a partir do encerramento do ano calendário. Favorece, assim, o sujeito passivo que se obrigou às antecipações para apurar o lucro tributável apenas ao final do anocalendário, conferindolhe significativa vantagem econômica em relação a outro sujeito passivo que, cometendo a mesma infração, mas optando pela regra geral de apuração trimestral dos lucros, suportaria, além do ônus da escrituração trimestral dos resultados, os encargos pela falta de recolhimento do tributo calculados desde o encerramento do período trimestral. Quanto à transposição do princípio da consunção para o Direito Tributário, vale a transcrição da oposição manifestada pelo Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior no voto condutor do Acórdão nº 1302001.823: Da inviabilidade de aplicação do princípio da consunção O princípio da consunção é princípio específico do Direito Penal, aplicável para solução de conflitos aparentes de normas penais, ou seja, situações em que duas ou mais normas penais podem aparentemente incidir sobre um mesmo fato. Primeiramente, há que se ressaltar que a norma sancionatória tributária não é norma penal stricto sensu. Vale aqui a lembrança que o parágrafo único do art. 273 do anteprojeto do CTN (hoje, art. 112 do CTN), elaborado por Rubens Gomes de Sousa, previa que os princípios gerais do Direito Penal se aplicassem como métodos ou processos supletivos de interpretação da lei tributária, especialmente da lei tributária que definia infrações. Esse dispositivo foi rechaçado pela Comissão Especial de 1954 que elaborou o texto final do anteprojeto, sendo que tal dispositivo não retornou ao texto do CTN que veio a ser aprovado pelo Congresso Nacional. À época, a Comissão Especial do CTN acolheu os fundamentos de que o direito penal tributário não tem semelhança absoluta com o direito penal (sugestão 789, p. 513 dos Trabalhos da Comissão Especial do CTN) e que o direito penal tributário não é Fl. 2133DF CARF MF Processo nº 16682.720386/201491 Acórdão n.º 9101002.749 CSRFT1 Fl. 2.134 25 autônomo ao direito tributário, pois a pena fiscal mais se assemelha a pena cível do que a criminal (sugestão 787, p.512, idem). Não é difícil, assim, verificar que, na sua gênese, o CTN afastou a possibilidade de aplicação supletiva dos princípios do direito penal na interpretação da norma tributária, logicamente, salvo aqueles expressamente previstos no seu texto, como por exemplo, a retroatividade benigna do art. 106 ou o in dubio pro reo do art. 112. Oportuna, também, a citação da abordagem exposta em artigo publicado por Heraldo Garcia Vitta8: O Direito Penal é especial, contém princípios, critérios, fundamentos e normas particulares, próprios desse ramo jurídico; por isso, a rigor, as regras dele não podem ser estendidas além dos casos para os quais foram instituídas. De fato, não se aplica norma jurídica senão à ordem de coisas para a qual foi estabelecida; não se pode pôr de lado a natureza da lei, nem o ramo do Direito a que pertence a regra tomada por base do processo analógico.[15 Carlos Maximiliano, Hermenêutica e aplicação do direito, p.212] Na hipótese de concurso de crimes, o legislador escolheu critérios específicos, próprios desse ramo de Direito. Logo, não se justifica a analogia das normas do Direito Penal no tema concurso real de infrações administrativas. A ‘forma de sancionar’ é instituída pelo legislador, segundo critérios de conveniência/oportunidade, isto é, discricionariedade. Competelhe elaborar, ou não, regras a respeito da concorrência de infrações administrativas. No silêncio, ocorre cúmulo material. Aliás, no Direito Administrativo brasileiro, o legislador tem procurado determinar o cúmulo material de infrações, conforme se observa, por exemplo, no artigo 266, da Lei nº 9.503, de 23.12.1997 (Código de Trânsito Brasileiro), segundo o qual “quando o infrator cometer, simultaneamente, duas ou mais infrações, serlheão aplicadas, cumulativamente, as respectivas penalidades”. Igualmente o artigo 72, §1º, da Lei 9.605, de 12.2.1998, que dispõe sobre sanções penais e administrativas derivadas de condutas lesivas ao meio ambiente: “Se o infrator cometer, simultaneamente, duas ou mais infrações [administrativas, pois o disposto está inserido no Capítulo VI – Da Infração Administrativa] serlheão aplicadas, cumulativamente, as sanções a elas cominadas”. E também o parágrafo único, do artigo 56, da Lei nº 8.078, de 11.9.1990, que regula a proteção do consumidor: “As sanções [administrativas] previstas neste artigo serão aplicadas pela autoridade administrativa, no âmbito de sua atribuição, podendo ser aplicadas cumulativamente, inclusive por medida cautelar antecedente ou incidente de procedimento administrativo”.[16 Evidentemente, se ocorrer, devido ao acúmulo de sanções, perante a hipótese concreta, pena exacerbada, mesmo quando 8 http://www.ambitojuridico.com.br/site/index.php?n_link=revista_artigos_leitura&artigo_id=2644 Fl. 2134DF CARF MF Processo nº 16682.720386/201491 Acórdão n.º 9101002.749 CSRFT1 Fl. 2.135 26 observada imposição do mínimo legal, isto é, quando a autoridade administrativa tenha imposto cominação mínima, estabelecida na lei, ocorrerá invalidação do ato administrativo, devido ao princípio da proporcionalidade.] No Direito Penal são exemplos de aplicação do princípio da consunção a absorção da tentativa pela consumação, da lesão corporal pelo homicídio e da violação de domicílio pelo furto em residência. Característica destas ocorrências é a sua previsão em normas diferentes, ou seja, a punição concebida de forma autônoma, dada a possibilidade fática de o agente ter a intenção, apenas, de cometer o crime que figura como delitomeio ou delito fim. Já no caso em debate, a norma tributária prevê expressamente a aplicação das duas penalidades em face da conduta de sujeito passivo que motive lançamento de ofício, como bem observado pelo Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão no já citado voto condutor do Acórdão nº 9101002.251: [...] Ora, o legislador, no caso, fez mais do que faria se apenas acrescentasse “mais uma alínea no inciso II da nova redação do art. 44 da [Lei nº] 9.430/1996”. Na realidade, o que, na redação primeira, era apenas um inciso subordinado a um parágrafo do artigo (art. 44, § 1º, inciso IV, da Lei nº 9.430, de 1996), tornouse um inciso vinculado ao próprio caput do artigo (art. 44, inciso II, da Lei nº 9.430, de 1996), no mesmo patamar, portanto, do inciso então preexistente, que previa a multa de ofício. Vejase a redação do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, dada pela Lei nº 11.488, de 2007 (sublinhei): Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinquenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: [...]; Dessa forma, a norma legal, ao estatuir que “nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas”, está a se referir, iniludivelmente, às duas multas em conjunto, e não mais em separado, como dava a entender a antiga redação do dispositivo. Nessas condições, não seria necessário que a norma previsse “a possibilidade de haver cumulatividade dessas multas”. Pelo contrário: seria necessário, sim se fosse esse o caso, que a norma excetuasse essa possibilidade, o que nela não foi feito. Por conseguinte, não há que se falar como pretendeu o sujeito Fl. 2135DF CARF MF Processo nº 16682.720386/201491 Acórdão n.º 9101002.749 CSRFT1 Fl. 2.136 27 passivo, por ocasião de seu recurso voluntário em “identidade quanto ao critério pessoal e material de ambas as normas sancionatórias”. Se é verdade que as duas normas sancionatórias, pelo critério pessoal, alcançam o mesmo contribuinte (sujeito passivo), não é verdade que o critério material (verbo + complemento) de uma e de outra se centre “no descumprimento da relação jurídica que determina o recolhimento integral do tributo devido”. O complemento do critério material de ambas é, agora, distinto: o da multa de ofício é a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição; já o da multa isolada é o valor do pagamento mensal, apurado sob base estimada ao longo do ano, cuja materialidade, como visto anteriormente, não se confunde com aquela. (grifos do original) A alteração legislativa promovida pela Medida Provisória nº 351, de 2007, portanto, claramente fixou a possibilidade de aplicação de duas penalidades em caso de lançamento de ofício frente a sujeito passivo optante pela apuração anual do lucro tributável. Somente desconsiderandose todo o histórico de aplicação das penalidades previstas na redação original do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, seria possível interpretar que a redação alterada não determinou a aplicação simultânea das penalidades. A redação alterada é direta e impositiva ao firmar que "serão aplicadas as seguintes multas". Ademais, quando o legislador estipula na alínea "b" do inciso II do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, a exigência isolada da multa sobre o valor do pagamento mensal ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base negativa no anocalendário correspondente, claramente afirma a aplicação da penalidade mesmo se apurado lucro tributável e, por conseqüência, tributo devido sujeito à multa prevista no inciso I do seu art. 44. Acrescentese que não se pode falar, no caso, de bis in idem sob o pressuposto de que a imposição das penalidades teria a mesma base fática. Basta observar que as infrações ocorrem em diferentes momentos, o primeiro correspondente à apuração da estimativa com a finalidade de cumprir o requisito de antecipação do recolhimento imposto aos optantes pela apuração anual do lucro, e o segundo apenas na apuração do lucro tributável ao final do anocalendário. A análise, assim, não pode ficar limitada, por exemplo, à omissão de receitas ou ao registro de despesas indedutíveis, especialmente porque, para fins tributários, estas ocorrências devem, necessariamente, repercutir no cumprimento da obrigação acessória de antecipar ou na constituição, pelo sujeito passivo, da obrigação tributária principal. A base fática, portanto, é constituída pelo registro contábil ou fiscal, ou mesmo sua supressão, e pela repercussão conferida pelo sujeito passivo àquela ocorrência no cumprimento das obrigações tributárias. Como esta conduta se dá em momentos distintos e com finalidades distintas, duas penalidades são aplicáveis, sem se cogitar de bis in idem. Neste sentido, aliás, são as considerações do Conselheiro Alberto Pinto Souza Júnior no voto condutor do Acórdão nº 1302001.823: Ainda que aplicável fosse o princípio da consunção para solucionar conflitos aparentes de norma tributárias, não há no caso em tela qualquer conflito que justificasse a sua aplicação. Conforme já asseverado, o conflito aparente de normas ocorre quando duas ou mais normas podem aparentemente incidir sobre um mesmo fato, o que não ocorre in casu, já que temos duas Fl. 2136DF CARF MF Processo nº 16682.720386/201491 Acórdão n.º 9101002.749 CSRFT1 Fl. 2.137 28 situações fáticas diferentes: a primeira, o não recolhimento do tributo devido; a segunda, a não observância das normas do regime de recolhimento sobre bases estimadas. Ressaltese que o simples fato de alguém, optante pelo lucro real anual, deixar de recolher o IRPJ mensal sobre a base estimada não enseja per se a aplicação da multa isolada, pois esta multa só é aplicável quando, além de não recolher o IRPJ mensal sobre a base estimada, o contribuinte deixar de levantar balanço de suspensão, conforme dispõe o art. 35 da Lei no 8.981/95. Assim, a multa isolada não decorre unicamente da falta de recolhimento do IRPJ mensal, mas da inobservância das normas que regem o recolhimento sobre bases estimadas, ou seja, do regime. [...] Assim, demonstrado que temos duas situações fáticas diferentes, sob as quais incidem normas diferentes, resta irrefutável que não há unidade de conduta, logo não existe qualquer conflito aparente entre as normas dos incisos I e IV do § 1º do art. 44 e, consequentemente, indevida a aplicação do princípio da consunção no caso em tela. Noutro ponto, refuto os argumentos de que a falta de recolhimento da estimativa mensal seria uma conduta menos grave, por atingir um bem jurídico secundário – que seria a antecipação do fluxo de caixa do governo. Conforme já demonstrado, a multa isolada é aplicável pela não observância do regime de recolhimento pela estimativa e a conduta que ofende tal regime jamais poderia ser tida como menos grave, já que põe em risco todo o sistema de recolhimento do IRPJ sobre o lucro real anual – pelo menos no formato desenhado pelo legislador. Em verdade, a sistemática de antecipação dos impostos ocorre por diversos meios previstos na legislação tributária, sendo exemplos disto, alem dos recolhimentos por estimativa, as retenções feitas pelas fontes pagadoras e o recolhimento mensal obrigatório (carnêleão), feitos pelos contribuintes pessoas físicas. O que se tem, na verdade são diferentes formas e momentos de exigência da obrigação tributária. Todos esses instrumentos visam ao mesmo tempo assegurar a efetividade da arrecadação tributária e o fluxo de caixa para a execução do orçamento fiscal pelo governo, impondose igualmente a sua proteção (como bens jurídicos). Portanto, não há um bem menor, nem uma conduta menos grave que possa ser englobada pela outra, neste caso. Ademais, é um equívoco dizer que o não recolhimento do IRPJ estimada é uma ação preparatória para a realização da “conduta mais grave” – não recolhimento do tributo efetivamente devido no ajuste. O não pagamento de todo o tributo devido ao final do exercício pode ocorrer independente do fato de terem sido recolhidas as estimativas, pois o resultado final apurado não guarda necessariamente proporção com os valores devidos por estimativa. Ainda que o contribuinte recolha Fl. 2137DF CARF MF Processo nº 16682.720386/201491 Acórdão n.º 9101002.749 CSRFT1 Fl. 2.138 29 as antecipações, ao final pode ser apurado um saldo de tributo a pagar, com base no resultado do exercício. As infrações tributárias que ensejam a multa isolada e a multa de ofício nos casos em tela são autônomas. A ocorrência de uma delas não pressupõe necessariamente a existência da outra, logo inaplicável o princípio da consunção, já que não existe conflito aparente de normas. Tais circunstâncias são totalmente distintas das que ensejam a aplicação de multa moratória ou multa de ofício sobre tributo não recolhido. Nesta segunda hipótese, sim, a base fática é idêntica, porque a infração de não recolher o tributo no vencimento foi praticada e, para compensar a União o sujeito passivo poderá, caso não demande a atuação de um agente fiscal para constituição do crédito tributário por lançamento de ofício, sujeitarse a uma penalidade menor9. Se o recolhimento não for promovido depois do vencimento e o lançamento de ofício se fizer necessário, a multa de ofício fixada em maior percentual incorpora, por certo, a reparação que antes poderia ser promovida pelo sujeito passivo sem a atuação de um Auditor Fiscal. Imprópria, portanto, a ampliação do conteúdo expresso no enunciado da súmula a partir do que consignado no voto condutor de alguns dos paradigmas. É importante repisar, assim, que as decisões acerca das infrações cometidas depois das alterações promovidas pela Medida Provisória nº 351, de 2007, no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, não devem observância à Súmula CARF nº 105 e os Conselheiros têm plena liberdade de convicção. Somente a essência extraída dos paradigmas, integrada ao enunciado no caso, mediante expressa referência ao fundamento legal aplicável antes da edição da Medida Provisória nº 351, de 2007 (art. 44, §1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996) , representa o entendimento acolhido pela 1ª Turma da CSRF a ser observado, obrigatoriamente, pelos integrantes da 1ª Seção de Julgamento. Nada além disso. De outro lado, releva ainda destacar que a aprovação de um enunciado não impõe ao julgador a sua aplicação cega. As circunstâncias do caso concreto devem ser analisadas e, caso identificado algum aspecto antes desconsiderado, é possível afastar a aplicação da súmula. Vejase, por exemplo, que o enunciado da Súmula CARF nº 105 é omisso acerca de outro ponto que permite interpretação favorável à manutenção parcial de exigências formalizadas ainda que com fundamento no art. 44, §1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996. Neste sentido é a declaração de voto da Conselheira Edeli Pereira Bessa no Acórdão nº 1302 001.753: 9 Lei nº 9.430, de 1996, art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Medida Provisória nº 1.725, de 1998) (Vide Lei nº 9.716, de 1998) Fl. 2138DF CARF MF Processo nº 16682.720386/201491 Acórdão n.º 9101002.749 CSRFT1 Fl. 2.139 30 A multa isolada teve em conta falta de recolhimento de estimativa de CSLL no valor de R$ 94.130,67, ao passo que a multa de ofício foi aplicada sobre a CSLL apurada no ajuste anual no valor de R$ 31.595,78. Discutese, no caso, a aplicação da Súmula CARF nº 105 de seguinte teor: A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício. Os períodos de apuração autuados estariam alcançados pelo dispositivo legal apontado na Súmula CARF nº 105. Todavia, como evidenciam as bases de cálculo das penalidades, a concomitância se verificou apenas sobre parte da multa isolada exigida por falta de recolhimento da estimativa de CSLL devida em dezembro/2002. Importa, assim, avaliar se o entendimento sumulado determinaria a exoneração de toda a multa isolada aqui aplicada. A referência à exigência ao mesmo tempo das duas penalidades não possui uma única interpretação. É possível concluir, a partir do disposto, que não subsiste a multa isolada aplicada no mesmo lançamento em que formalizada a exigência do ajuste anual com acréscimo da multa de ofício proporcional, ou então que a multa isolada deve ser exonerada quando exigida em face de antecipação contida no ajuste anual que ensejou a exigência do principal e correspondente multa de ofício. Além disso, podese interpretar que deve subsistir apenas uma penalidade quando a causa de sua aplicação é a mesma. Os precedentes que orientaram a edição da Súmula CARF nº 105 auxiliam nesta interpretação. São eles: [...] Observase nas ementas dos Acórdãos nº 9101001.261, 9101 001.307 e 1803001.263 a abordagem genérica da infração de falta de recolhimento de estimativas como etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano, e que por esta razão é absorvida pela segunda infração, devendo subsistir apenas a punição aplicada sobre esta. Sob esta vertente interpretativa, qualquer multa isolada aplicada por falta de recolhimento de estimativas sucumbiria frente à exigência do ajuste anual com acréscimo de multa de ofício. Porém, os Acórdãos nº 9101001.203 e 9101001.238, reportam se à identidade entre a infração que, constatada pela Fiscalização, enseja a apuração da falta de recolhimento de estimativas e da falta de recolhimento do ajuste anual, assim como os Acórdãos nº 1402001.217 e 1102000.748 fazem referência a aplicação de penalidades sobre a mesma base, ou ao fato de a base de cálculo das multas isoladas estar contida na base de cálculo da multa de ofício. Tais referências permitem concluir que, para identificação da concomitância, deve ser Fl. 2139DF CARF MF Processo nº 16682.720386/201491 Acórdão n.º 9101002.749 CSRFT1 Fl. 2.140 31 avaliada a causa da aplicação da penalidade ou, ao menos, o seu reflexo na apuração do ajuste anual e nas bases estimativas. A adoção de tais referenciais para edição da Súmula CARF nº 105 evidencia que não se pretendeu atribuir um conteúdo único à concomitância, permitindose a livre interpretação acerca de seu alcance. Considerando que, no presente caso, as infrações foram apuradas de forma independente estimativa não recolhida em razão de seu parcelamento parcial e ajuste anual não recolhido em razão da compensação de bases negativas acima do limite legal e assim resultaram em distintas bases para aplicação das penalidades, é válido concluir que não há concomitância em relação à multa isolada aplicada sobre a parcela de R$ 62.534,89 (= R$ 94.130,67 R$ 31.595,78), correspondente à estimativa de CSLL em dezembro/2002 que excede a falta de recolhimento apurada no ajuste anual. Divergência neste sentido, aliás, já estava consubstanciada antes da aprovação da súmula, nos termos do voto condutor do Acórdão nº 120100.235, de lavra do Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes: [...] O valor tributável é o mesmo (R$ 15.470.000,00). Isso, contudo, não implica necessariamente numa perfeita coincidência delitiva, pois pode ocorrer também que uma omissão de receita resulte num delito quantitativamente mais intenso. Foi o que ocorreu. Em razão de prejuízos posteriores ao mês do fato gerador, o impacto da omissão sobre a tributação anual foi menor que o sofrido na antecipação mensal. Desse modo, a absorção deve é apenas parcial. Conforme o demonstrativo de fls. 21, a omissão resultou numa base tributável anual do IR no valor de R$ 5.076.300,39, mas numa base estimada de R$ 8.902.754,18. Assim, deve ser mantida a multa isolada relativa à estimativa de imposto de renda que deixou de ser recolhida sobre R$ 3.826.453,79 (R$ 8.902.754,18 – R$ 5.076.300,39), parcela essa que não foi absorvida pelo delito de não recolhimento definitivo, sobre o qual foi aplicada a multa proporcional. Abaixo, segue a discriminação dos valores: Base estimada remanescente: R$ 3.826.453,79 Estimativa remanescente (R$ 3.826.453,79 x 25%): R$ 956.613,45 Multa isolada mantida (R$ 956.613,45 x 50%): R$ 478.306,72 Multa isolada excluída (R$ 1.109.844,27 – R$ 478.306,72: R$ 631.537,55 Fl. 2140DF CARF MF Processo nº 16682.720386/201491 Acórdão n.º 9101002.749 CSRFT1 Fl. 2.141 32 [...] A observância do entendimento sumulado, portanto, pressupõe a identificação dos requisitos expressos no enunciado e a análise das circunstâncias do caso concreto, a fim de conferir eficácia à súmula, mas não aplicála a casos distintos. Assim, a referência expressa ao fundamento legal das exigências às quais se aplica o entendimento sumulado limita a sua abrangência, mas a adoção de expressões cujo significado não pode ser identificado a partir dos paradigmas da súmula confere liberdade interpretativa ao julgador. Como visto, no caso em apreço, não tem aplicação a Súmula CARF nº 105, eis que a penalidade isolada foi exigida para fatos ocorridos após alterações promovidas pela Medida Provisória nº 351, de 2007, no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, sendo ambas as multas devidas. No que se refere à alegação de que a cobrança cumulativa das multas isoladas e de ofício implica violação ao princípio do não confisco, impende aplicar a Súmula nº 2 deste CARF, que assim enuncia: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Finalmente, sustenta a recorrente que "o lançamento das multas isoladas deveria ter sido formalizado por meio de auto de infração específico, uma vez que o objetivo do legislador (...) no art. 9º do Decreto nº 70.235/72 seria o de separar em peças específicas as penalidades que não tivessem veiculação com a falta de recolhimento do tributo". Conforme exposto no voto condutor do acórdão recorrido, "na situação em questão, a aplicação do art. 9º do Decreto nº 70.235/72 envolve a apuração da exigência de forma bem definida, a fim de que permitir o pleno exercício de defesa, sem que para isso haja obrigatoriedade de autuação específica". Com a devida vênia, divirjo da interpretação conferida pela recorrente ao caput do mencionado art. 9º. É que tal dispositivo exige autuação em separada por tributo ou penalidade, interpretandose essa dissociada de tributo, como por exemplo, uma multa regulamentar para a qual não haja um tributo específico. A prevalecer a interpretação de que o Decreto nº 70.235, de 1972 exige a lavratura de autos separados por penalidade, terseia que entender que a multa de ofício sobre um determinado tributo é uma penalidade e, como tal, deveria ser lavrado em autos separados. O que sequer soa razoável, haja vista a condição de dependência de a multa de ofício proporcional tem em relação ao tributo principal. Além disso, tal como afirmado já na decisão recorrida, não se vislumbra, portanto, qualquer prejuízo ao pleno exercício de defesa, não assistindo razão à Recorrente. Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Especial da contribuinte, mantendose a exigência da multa isolada por irregularidade nos recolhimentos de IRPJ e CSLL por estimativas. Incidência de Juros de Mora sobre a Multa de Ofício Fl. 2141DF CARF MF Processo nº 16682.720386/201491 Acórdão n.º 9101002.749 CSRFT1 Fl. 2.142 33 A contribuinte questiona a incidência dos juros de mora devidos à taxa Selic sobre a multa isolada aplicada de ofício. Apresentou como paradigmas os acórdãos nº 9202 002.600, de 7/3/2013, e 180200.981, de 3/10/2011, cujas ementas foram reproduzidas no relatório. Quanto ao tema, em recente julgado proferi meu voto no sentido de afirmar a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício (acórdão 9101002.349, de 14/06/2016), o qual foi ratificado pela maioria dos Conselheiros da 1ª Turma da CSRF, conforme razões a seguir. A Lei nº 9.430, de 1996, estabelece, em seu art. 61, § 3º, que sobre os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal incidirão juros de mora à taxa Selic. Vejase: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento.(grifo nosso) De outra banda, está estampado na Súmula CARF nº 5 que são devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento. Confirase (sublinhei): Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Ora, dos arts. 113, § 1º, e 139 do CTN deflui que o crédito tributário, que decorre da obrigação principal, compreende tanto o tributo em si quanto a penalidade pecuniária, o que inclui, à toda evidência, a multa de oficio proporcional de caráter punitivo. Vale transcrever os dispositivos: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. Fl. 2142DF CARF MF Processo nº 16682.720386/201491 Acórdão n.º 9101002.749 CSRFT1 Fl. 2.143 34 Sendo assim, outra não pode ser a interpretação da expressão “débitos decorrentes de tributos e contribuições” expressa no retrotranscrito art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, senão a de que abarca a integralidade do crédito tributário, incluindo a multa de oficio proporcional punitiva e a multa isolada, constituídas por ocasião do lançamento. Resta evidente que a multa isolada e a multa de ofício proporcional lançada juntamente com o tributo devido, se não paga no vencimento, sujeitase a juros de mora por força do disposto no art. 61, caput, da Lei nº 9.430, de 1996. Aliás, se a intenção do legislador fosse limitar a aplicação do art. 61 apenas aos débitos principais de tributos e contribuições, como sustenta a recorrente, bastaria suprimir o termo "decorrente", como bem pontua o Conselheiro Adolfo dos Santos Medes, no voto condutor do Acórdão nº 1401001.653: É importante notar que no caput do art. 61, o texto é “débitos [...] decorrentes de tributos e contribuições” e não meramente “débitos de tributos e contribuições”. O termo “decorrentes” evidencia que o legislador não quis se referir, para todas as situações, apenas aos tributos e contribuições em termos estritos. Além disso, o CTN claramente permite a aplicação de juros sobre "crédito", conceito no qual se insere a multa de ofício. O art. 161, caput, do Código, estabelece a incidência de juros de mora sobre o "crédito não integralmente pago no vencimento", dispondo o seguinte: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. (Grifei) Não há dúvida de que multa não é tributo, pela própria dicção do art. 3º do CTN: "Tributo é toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada". Todavia, a coerência interna do CTN evidencia, com clareza, conforme revelam os arts. 113, § 1º, e 139, que a penalidade pecuniária é também objeto da obrigação tributária principal e assim integra o conceito de crédito, objeto da relação jurídica estabelecida entre o Fisco e o sujeito passivo, beneficiandose de todas as garantias a ele asseguradas por lei, inclusive o acréscimo de juros de mora. Adotando estas premissas, o Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa também concluiu, no voto condutor do Acórdão nº 220101.630, que, se o art. 113 do CTN incorpora à obrigação principal o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária, e o art. 139 do CTN estipula que o crédito tributário tem a mesma natureza da obrigação principal, é evidente que a penalidade pecuniária integra o conceito de crédito tributário. Em acréscimo, o Conselheiro expõe que: Nesse mesmo sentido, no art. 142, que define o procedimento de lançamento, por meio do qual se constitui o crédito tributário, o legislador não esqueceu de mencionar a imposição da penalidade. Da mesma forma, o art. 175, II, ao se referir à Fl. 2143DF CARF MF Processo nº 16682.720386/201491 Acórdão n.º 9101002.749 CSRFT1 Fl. 2.144 35 anistia como forma de exclusão do crédito tributário, afasta qualquer dúvida que ainda pudesse remanescer sobre a inclusão da penalidade pecuniária no crédito tributário, pois não seria lícito atribuir ao legislador ter dedicado um inciso especificamente para tratar da exclusão do crédito tributário de algo que nele não está contido. Poderseia argumentar em sentido contrário dizendo que, mesmo estando a penalidade pecuniária contida no crédito tributário, ao se referir a “crédito” no artigo 161, o Código não estaria se referindo ao crédito tributário, mas apenas ao tributo. Questionase, por exemplo, o fato de a parte final do caput do artigo fazer referência à imposição de penalidade e, portanto, se os juros seriam devidos, sem prejuízo da aplicação de penalidades, estas não poderiam estar sujeitas aos mesmos juros. Inicialmente, conforme a advertência de Carlos Maximiliano, não vejo como, num artigo de lei, em um capítulo que versa sobre a extinção do crédito tributário e numa seção que trata do pagamento, forma de extinção do crédito tributário, a expressão “o crédito não integralmente pago” possa ser interpretado em acepção outra que não a técnica, de crédito tributário. Sobre a alegada contradição entre a parte inicial e a parte final do dispositivo que essa interpretação ensejaria, penso que tal imperfeição de fato existe. Mas se trata aqui de situação como a que me referi nas considerações iniciais, em que as limitações da linguagem ou mesmo as imperfeições técnicas que o processo legislativo está sujeito produzem textos imprecisos, às vezes obscuros ou contraditórios, mas que tais ocorrências não permitem concluir que a melhor interpretação do texto é aquela que harmoniza a própria estrutura gramatical do texto, e não aquela que melhor harmoniza esse dispositivo com os demais que integram o diploma legal. É interessante notar que em outro artigo do mesmo CTN o legislador incorreu na mesma aparente contradição ao se referir conjuntamente a crédito tributário e a penalidade. Refirome ao art. 157, segundo o qual “a imposição de penalidade não ilide o pagamento integral do crédito tributário”. Uma interpretação apressada poderia levar à conclusão de que a penalidade não é parte do crédito tributário, pois a sua imposição não poderia excluir o pagamento dela mesma. Porém, essa inconsistência gramatical não impediu que a doutrina, de forma uníssona, embora a remarcando, mas não por causa dela, extraísse desse texto a prescrição de que a penalidade não é substitutiva do próprio tributo, estremando nesse ponto o Direito Tributário de certas normas do Direito Civil em que penalidade é substitutiva da obrigação; de que o fato de se aplicar uma penalidade pelo não pagamento do tributo, por exemplo, não dispensa o infrator do pagamento do próprio tributo. [...] Fl. 2144DF CARF MF Processo nº 16682.720386/201491 Acórdão n.º 9101002.749 CSRFT1 Fl. 2.145 36 Não é preciso grande esforço de interpretação, portanto, para se concluir que o crédito tributário compreende o tributo e a penalidade pecuniária, interpretação que harmoniza os diversos dispositivos do CTN, ao contrário da tese oposta. Acrescentese, supletivamente, que, como se verá com detalhes mais adiante, a legislação ordinária de há muito vem prevendo a incidência dos juros sobre a multa de ofício, sem que se tenha notícia da invalidação dessas normas pelo Poder Judiciário, por falta de fundamento de validade. Concluo, assim, no sentido de que o art. 161 do CTN autoriza a cobrança de juros sobre a multa de ofício. Porém, conforme disposto no seu parágrafo primeiro, esses deverão ser calculados à taxa de 1% ao mês, salvo se lei dispuser de modo diverso, o que introduz a segunda questão: a da existência ou não de lei prevendo a incidência de juros sobre a multa de ofício com base na taxa Selic. Corroborando o entendimento de que o crédito e a obrigação tributária são compostos pelo tributo devido e pelas penalidades eventualmente exigíveis, em 1º de setembro de 2009, a 2ª Turma do Superior Tribunal de Justiça assim decidiu nos autos do Recurso Especial nº 1.129.990/PR, sob a condução do Ministro Castro Meira: TRIBUTÁRIO. MULTA PECUNIÁRIA. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA. LEGITIMIDADE. 1. É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário. 2. Recurso especial provido. Analisouse, no caso, norma estadual questionada sob o argumento de que a multa por inadimplemento de ICMS não integraria o crédito tributário. Interpretando o art. 161 do CTN em conjunto com os arts. 113 e 139 do CTN, o Ministro concluiu que o crédito e a obrigação tributária são compostos pelo tributo devido e pelas penalidades eventualmente exigíveis e, tendo em conta que o art. 161 do CTN ao se referir ao crédito, está tratando de crédito tributário, concluiu que referido dispositivo autoriza a exigência de juros de mora sobre multas. Este foi, aliás, o entendimento da 1ª Turma Superior Tribunal de Justiça STJ, como se vê no julgamento do Agravo Regimental no Recurso Especial nº 1.335.688/PR, em 4/12/2012, Relator Min. Benedito Gonçalves: AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMA QUE COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. 1. Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ no sentido de que: "É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário." (REsp 1.129.990/PR, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 14/9/2009). De igual modo: REsp 834.681/MG, Rel. Min.Teori Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010. 2. Agravo regimental não provido Fl. 2145DF CARF MF Processo nº 16682.720386/201491 Acórdão n.º 9101002.749 CSRFT1 Fl. 2.146 37 Vale destacar o seguinte trecho da decisão: Quanto ao mérito, registrou o acórdão proferido pelo TRF da 4ª Região à fl. 163: "... os juros de mora são devidos para compensar a demora no pagamento. Verificado o inadimplemento do tributo, é possível a aplicação da multa punitiva que passa a integrar o crédito fiscal, ou seja, o montante que o contribuinte deve recolher ao Fisco. Se ainda assim há atraso na quitação da dívida, os juros de mora devem incidir sobre a totalidade do débito, inclusive a multa que, neste momento, constitui crédito titularizado pela Fazenda Pública, não se distinguindo da exação em si para efeitos de recompensar o credor pela demora no pagamento."(grifo nosso) Em julgado recente, a 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais decidiu pela incidência de juros de mora sobre a multa de ofício proporcional, conforme se verifica a partir da ementa do Acórdão nº 9101002.514, de 13 de dezembro de 2016, do qual foi relator o Conselheiro Rafael Vidal de Araújo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004, 2005, 2006 [...] JUROS SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. Por ser parte integrante do crédito tributário, a multa de ofício sofre a incidência dos juros de mora, conforme estabelecido no art. 161 do CTN. Precedentes do STJ. Portanto, não assiste razão à Contribuinte quando afirma que a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício não encontra respaldo na legislação. Como se viu, a exigência dos juros de mora sobre a multa de ofício decorrem da lei. Em relação ao argumento apresentado pela Recorrente de que o disposto no parágrafo único do art. 16 do Decretolei nº 2.323/87 deve ser aplicado também às multas de ofício isoladas, não vejo qualquer embasamento legal para tal entendimento. O referido dispositivo trata expressamente sobre multa de mora, em perfeita consonância com o caput: Art. 16. Os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional, para com o Fundo de Participação PISPasep, assim como aqueles decorrentes de empréstimo compulsórios, serão acrescidos, na via administrativa ou judicial, de juros de mora, contados do mês seguinte ao do vencimento, à razão de um por cento ao mês calendário ou fração e calculados sobre o valor monetariamente atualizado na forma deste decretolei. (Redação dada pelo Decretolei nº 2.331, de 1987) Parágrafo único. Os juros de mora não incidem sobre o valor da multa de mora de que trata o artigo anterior. (Redação dada pelo Decretolei nº 2.331, de 1987) Por fim, conforme o antes transcrito § 3º do art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, a taxa aplicável ao débitos de que aqui se trata, aí incluídos, como se viu, os decorrentes da Fl. 2146DF CARF MF Processo nº 16682.720386/201491 Acórdão n.º 9101002.749 CSRFT1 Fl. 2.147 38 aplicação de multa de ofício, é aquela "a que se refere o § 3º do art. 5º", qual seja a taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic. Vejase: Art. 5º (...) §3º As quotas do imposto serão acrescidas de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do primeiro dia do segundo mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. Pelo exposto, mantendo a aplicação dos juros de mora à taxa SELIC sobre a multa, negando provimento ao recurso do contribuinte no que diz respeito também a este tema. Conclusão Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Especial. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Fl. 2147DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16561.720065/2013-82
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 14 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Mar 10 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2009
NULIDADE PARCIAL DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA.
É parcialmente nula a decisão de primeira instância que se recusa a apreciar ponto da impugnação relativo a um dos potenciais efeitos da decisão a ser proferida. Todavia, a nulidade parcial não vicia inteiramente o acórdão, cabendo o retorno dos autos à Delegacia de Julgamento, para que profira decisão complementar sobre o capítulo da impugnação acerca da incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício.
Numero da decisão: 1302-002.038
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao recurso voluntário para declarar a nulidade parcial da decisão recorrida e determinar o retorno dos autos à Turma Julgadora de primeira instância para se pronunciar sobre matéria suscitada pela impugnante, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Wipprich Relatora
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil, Ana de Barros Fernandes Wipprich, Talita Pimenta Félix e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2009 NULIDADE PARCIAL DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. É parcialmente nula a decisão de primeira instância que se recusa a apreciar ponto da impugnação relativo a um dos potenciais efeitos da decisão a ser proferida. Todavia, a nulidade parcial não vicia inteiramente o acórdão, cabendo o retorno dos autos à Delegacia de Julgamento, para que profira decisão complementar sobre o capítulo da impugnação acerca da incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2009 NULIDADE PARCIAL DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. É parcialmente nula a decisão de primeira instância que se recusa a apreciar ponto da impugnação relativo a um dos potenciais efeitos da decisão a ser proferida. Todavia, a nulidade parcial não vicia inteiramente o acórdão, cabendo o retorno dos autos à Delegacia de Julgamento, para que profira decisão complementar sobre o capítulo da impugnação acerca da incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao recurso voluntário para declarar a nulidade parcial da decisão recorrida e determinar o retorno dos autos à Turma Julgadora de primeira instância para se pronunciar sobre matéria suscitada pela impugnante, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Wipprich– Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil, Ana de Barros Fernandes Wipprich, Talita Pimenta Félix e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 56 1. 72 00 65 /2 01 3- 82 Fl. 2759DF CARF MF 2 Relatório Tratamse de Recurso Voluntário e de Ofício interpostos pela empresa em epígrafe e pela Quinta Turma de Julgamento da DRJ em São Paulo, respectivamente, contra o Acórdão nº 1668.677/15, efls. 2457 a 2514, que decidiu considerar a impugnação: · por unanimidade de votos: (1) PROCEDENTE, quanto à glosa das despesas de juros e (2) PROCEDENTE EM PARTE, quanto à tributação de lucros no exterior, nos termos do voto do relator; e · por maioria de votos (vencido o relator): IMPROCEDENTE, quanto à glosa da amortização de ágio, nos termos do voto da julgadora Noêmia Naoe Murakami, designada para redigir o voto vencedor. Assim restou ementado o acórdão recorrido: AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Tendo sido o lançamento efetuado com observância dos pressupostos legais, incabível falar em nulidade do Auto de Infração. LUCROS AUFERIDOS NO EXTERIOR. DISPONIBILIZAÇÃO E TRIBUTAÇÃO. REGRA GERAL. STF. Os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos por controlada ou coligada no exterior para fins de determinação da base de cálculo do imposto de renda e da CSLL, serão considerados disponibilizados para a controladora ou coligada no Brasil na data do balanço no qual tiverem sido apurados. Norma considerada inaplicável em relação às coligadas localizadas fora de "paraísos fiscais". TRATADO INTERNACIONAL BRASILARGENTINA. A aplicação do disposto no artigo 74 da MP nº 2.15835/2001 não viola os tratados internacionais para evitar a dupla tributação que seguem o modelo da OCDE (no caso, firmado entre o Brasil a Argentina). CONCLUSÃO. EXIGÊNCIA EXONERADA EM PARTE. Exonerase a exigência relativa aos lucros no exterior auferidos por coligadas localizadas fora de "paraísos fiscais", mantendose a relativa aos lucros auferidos por controlada. ÁGIO. AMORTIZAÇÃO. ANÁLISE DE FATOS PASSADOS. PRECLUSÃO. INEXISTÊNCIA. A obrigação tributária e, conseqüentemente, o início do prazo para o Fisco constituir o crédito tributário através do lançamento surgem apenas com a ocorrência do fato gerador, ou seja, no caso em tela, a cada dedução indevida das despesas de amortização de ágio. Antes das amortizações, não poderia a fiscalização questionar a formação do ágio ou a sua transferência para a contribuinte, pois tais fatos não tinham, até então, reflexos fiscais (não representavam fatos geradores de obrigações tributárias). Alegação de preclusão rejeitada. UTILIZAÇÃO DE EMPRESASVEÍCULO PARA ILEGAL PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO. INEXISTÊNCIA. Fl. 2760DF CARF MF Processo nº 16561.720065/201382 Acórdão n.º 1302002.038 S1C3T2 Fl. 3 3 Não se verifica, no caso, a figura de “empresasveículo”, utilizadas apenas para a execução de um ilegal planejamento tributário. ÁGIO NA AQUISIÇÃO DE EMPRESAS ESTRANGEIRAS VINCULADAS. LIMITAÇÃO INAPLICÁVEL. Não se aplica ao caso a limitação da amortização de ágio na “aquisição de investimentos em sociedades estrangeiras coligadas ou controladas que não funcionem no País”, visto que as empresas adquiridas, apesar de sociedades estrangeiras, não eram coligadas ou controladas. AMORTIZAÇÃO FISCAL DE ÁGIO TRANSFERIDO EM SUBSCRIÇÃO DE CAPITAL MEDIANTE APORTE DE INVESTIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Não se admite a amortização fiscal do ágio transferido mediante aporte de investimento proveniente da sociedade investidora, que efetivamente suportou o pagamento do ágio, por ausência de previsão legal e porque tal hipótese possibilitaria o duplo aproveitamento fiscal do ágio. DESPESA DE JUROS ENTRE COLIGADAS. REGISTRO NO BACEN. Ao se equiparar o lançamento de FRNs com mútuo entre coligadas, há também que se equiparar o registro dessas FRNs no BACEN (efetuado pela contribuinte) ao registro de contrato de mútuo, admitindose como dedutíveis “os juros determinados com base na taxa registrada”, exonerandose a exigência correspondente à glosa das despesas de juros. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. Tratandose de aspecto que não faz parte da presente lide, concernente à cobrança do crédito tributário, a autoridade julgadora não se manifesta a respeito de juros sobre multa de ofício. CSLL. DECORRÊNCIA. O decidido quanto ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica aplicase à tributação decorrente dos mesmos fatos e elementos de prova. (grifos não pertencem ao original) Sem adentrarse ao mérito das questões confrontadas entre as partes neste momento, deparase com questão processual, deflagrada de pronto, pelo que até aqui é o suficiente para este relatório. A empresa recorrente tomou ciência do acórdão recorrido em 10/06/2015 (e fls. 2522) e interpôs, devidamente representada, o Recurso Voluntário, efls. 2524 a 2689, em 01/07/2015 (efls. 2524). Em sessão, fez sustentação oral pela recorrente, dr. Roberto Quiroga. OAB/SP nº 83.755. Fl. 2761DF CARF MF 4 Voto Conselheira Ana de Barros Fernandes Wipprich, Relatora Conheço do Recurso Voluntário, por tempestivo. Em prejudicial, esta Turma Julgadora tem se manifestado contrariamente ao entendimento esposado no acórdão recorrido sobre o declínio da atividade do julgamento de matéria suscitada pela empresa impugnante no concernente à incidência dos juros sobre a multa de ofício. Esta matéria foi, inclusive, suscitada no recurso interposto. Aproveito o voto proferido no recente Acórdão nº 1302001.948, em sessão realizada em 09 de agosto de 2016, de lavra do Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior, integrante deste colegiado, sobre a questão: Preliminarmente, ressalto que a decisão recorrida expressamente se esquivou de apreciar questão levantada pela defesa em sua peça impugnatória, se não vejamos o seguinte excerto do voto condutor da referida decisão: “Quanto à incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, cabe ressaltar que essa matéria não faz parte da presente lide, pois na exigência consubstanciada nos Autos de Infração objeto do presente processo os juros de mora estão incidindo apenas sobre o valor do tributo, e não sobre a multa de ofício. Quanto à possibilidade de isso vir a ocorrer, cumpre observar que o efetivo cálculo dos juros configura matéria a ser discutida no âmbito da cobrança do tributo lançado, no qual não atua esta Delegacia de Julgamento, em função de sua atribuição específica. Os juros serão calculados e atualizados até a data do efetivo pagamento, na fase de execução do acórdão e de cobrança do crédito tributário mantido, após tornarse definitiva, na esfera administrativa, a decisão acerca do lançamento impugnado. Assim, esta autoridade julgadora não se manifesta a respeito dos critérios legais de cálculo dos juros incidentes sobre o crédito tributário a ser recolhido em fase de cobrança administrativa.” Com a devida vênia, não tem razão a autoridade de primeira instância, pois a cobrança dos juros de mora sobre a multa de ofício é um dos efeitos de eventual decisão pela manutenção da multa de ofício e o fato de o valor (dos juros sobre a multa) não estar mensurado no auto de infração não pode ser óbice ao exercício do direito de defesa da recorrente. Todavia, mais grave do que isso é o fato de que, tendo sido renovada a questão no recurso voluntário, não poderá este CARF enfrentála, sob pena de restar configurada a supressão de instância, com flagrante cerceamento do direito de defesa da recorrente. Ressalto que a jurisprudência pacífica deste Colegiado é de que a questão em tela deve ser enfrentada pela instância administrativa. Em situações processuais parecidas com a ora posta em julgamento, o Supremo Tribunal Federal tem decidido pela nulidade parcial da sentença, se não vejamos o seguinte Acórdão: “Processo: HC 94888 SP Fl. 2762DF CARF MF Processo nº 16561.720065/201382 Acórdão n.º 1302002.038 S1C3T2 Fl. 4 5 Relator(a): Min. ELLEN GRACIE Órgão Julgador: Segunda Turma PENAL. HABEAS CORPUS. DOSIMETRIA DA PENA. NULIDADE PARCIAL DA SENTENÇA. PRECEDENTES STF. ORDEM DENEGADA. 1. A presente impetração visa ao reconhecimento de nulidade da sentença condenatória prolatada em desfavor do paciente, sob o fundamento de ausência de fundamentação na dosimetria da pena aplicada. 2. O Supremo Tribunal Federal tem entendimento de que nulidade quanto à dosimetria da pena "não vicia inteiramente a sentença e o acórdão das instâncias inferiores, mas diz respeito, apenas ao critério adotado para a fixação da pena. Tudo o mais neles decidido é válido, em face do princípio utile per inutile non vitiatur." (HC 59.950/RJ, Rel. Min. Moreira Alves, DJ 01.11.1982). 3. Habeas corpus denegado.”. Mutatis mutandi, por mais que me cause espécie a declaração parcial de nulidade de sentença, sustento que seja essa a melhor solução processual para o presente caso. Destarte, há que se obstar o julgamento deste litígio e devolvêlo para a complementação da sentença a quo com a devida apreciação da matéria suscitada pela impugnante. Voto em dar provimento em parte ao recurso voluntário para declarar a nulidade parcial da decisão recorrida e determinar o retorno dos autos à Turma Julgadora de primeira instância para se pronunciar sobre a incidência dos juros sobre a multa de ofício. Resta prejudicado o julgamento do recurso de ofício no presente momento, devendo ser sobrestado e aguardar a nova decisão de DRJ para prosseguir a sua apreciação em conjunto à totalidade do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Wipprich Fl. 2763DF CARF MF 6 Fl. 2764DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10850.003250/2007-29
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 21 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Mar 02 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3402-000.873
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o presente julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram a presente Resolução.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Augusto Daniel Neto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim (Presidente), Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO
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Numero do processo: 10860.720255/2010-04
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Apr 12 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2007
NULIDADE DO LANÇAMENTO.
Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa.
ITR. VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO. SIPT. CAPACIDADE POTENCIAL DA TERRA. APTIDÃO AGRÍCOLA.
A subavaliação do Valor da Terra Nua (VTN) declarado pelo contribuinte autoriza o arbitramento do VTN pela Receita Federal. O lançamento de ofício deve considerar, por expressa previsão legal, as informações referentes a levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas, que considerem a localização e dimensão do imóvel e a capacidade potencial da terra.
O laudo técnico apresentado pelo recorrente não será aceito por faltar-lhe consistências necessárias para sua caracterização como fundamentação e precisão II, conforme determina o item 9.2.3.5, letra b, da NRB 14.6533 da ABNT
ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. APP. OBRIGATORIEDADE DE APRESENTAÇÃO DO ADA TEMPESTIVO.
A partir do exercício de 2001, é indispensável apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) como condição para o gozo da isenção relativa às áreas de preservação permanente, considerando a existência de lei estabelecendo expressamente tal obrigação. Introdução do artigo 17-O na Lei nº 6.938, de 1981, por força da Lei nº 10.165, de 2000.
ACEITAÇÃO DAS PROVAS. MOMENTO PROCESSUAL DA APRESENTAÇÃO. PRECLUSÃO. ATENUAÇÃO. VERDADE MATERIAL. CERTIDÃO DA PREFEITURA.
O direito da parte à produção de provas posteriores, até o momento da decisão administrativa comporta graduação, a critério da autoridade julgadora, com fulcro em seu juízo de valor acerca da utilidade e da necessidade, de modo a assegurar o equilíbrio entre a celeridade, a oficialidade, a segurança indispensável, a ampla defesa e a verdade material, para a consecução dos fins processuais, afastando-se a preclusão em alguns casos excepcionais, como aqueles que se referem a fatos notórios ou incontroversos, no tocante a documentos que permitem o fácil e rápido convencimento do julgador.
CERTIDÃO DA PREFEITURA. ÁREA URBANA.
Em certidão apresentada com o recurso, o Órgão Municipal informa que na propriedade em questão encontram-se inseridas glebas e loteamentos reconhecidos e cadastrados por esssa municipalidade com suas respectivas inscrições imobiliárias que assim se descreve..., o que motiva a exclusão dessas áreas do cálculo do ITR.
Numero da decisão: 2202-003.697
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares. No mérito, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da área tributável 403,87 ha, vencidos os Conselheiros Martin da Silva Gesto (relator), Junia Roberta Gouveia Sampaio e Dilson Jatahy Fonseca Neto, que deram provimento integral ao recurso. Foi designado o Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Martin da Silva Gesto - Relator.
(assinado digitalmente)
Marcio Henrique Sales Parada - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Martin da Silva Gesto, Márcio Henrique Sales Parada, Rosemary Figueiroa Augusto, Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Cecília Dutra Pillar e Dílson Jatahy Fonseca Neto.
Nome do relator: MARTIN DA SILVA GESTO
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Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. ITR. VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO. SIPT. CAPACIDADE POTENCIAL DA TERRA. APTIDÃO AGRÍCOLA. A subavaliação do Valor da Terra Nua (VTN) declarado pelo contribuinte autoriza o arbitramento do VTN pela Receita Federal. O lançamento de ofício deve considerar, por expressa previsão legal, as informações referentes a levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas, que considerem a localização e dimensão do imóvel e a capacidade potencial da terra. O laudo técnico apresentado pelo recorrente não será aceito por faltarlhe consistências necessárias para sua caracterização como fundamentação e precisão II, conforme determina o item 9.2.3.5, letra “b”, da NRB 14.6533 da ABNT ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. APP. OBRIGATORIEDADE DE APRESENTAÇÃO DO ADA TEMPESTIVO. A partir do exercício de 2001, é indispensável apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) como condição para o gozo da isenção relativa às áreas de preservação permanente, considerando a existência de lei estabelecendo expressamente tal obrigação. Introdução do artigo 17O na Lei nº 6.938, de 1981, por força da Lei nº 10.165, de 2000. ACEITAÇÃO DAS PROVAS. MOMENTO PROCESSUAL DA APRESENTAÇÃO. PRECLUSÃO. ATENUAÇÃO. VERDADE MATERIAL. CERTIDÃO DA PREFEITURA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 0. 72 02 55 /2 01 0- 04 Fl. 510DF CARF MF Processo nº 10860.720255/201004 Acórdão n.º 2202003.697 S2C2T2 Fl. 511 2 O direito da parte à produção de provas posteriores, até o momento da decisão administrativa comporta graduação, a critério da autoridade julgadora, com fulcro em seu juízo de valor acerca da utilidade e da necessidade, de modo a assegurar o equilíbrio entre a celeridade, a oficialidade, a segurança indispensável, a ampla defesa e a verdade material, para a consecução dos fins processuais, afastandose a preclusão em alguns casos excepcionais, como aqueles que se referem a fatos notórios ou incontroversos, no tocante a documentos que permitem o fácil e rápido convencimento do julgador. CERTIDÃO DA PREFEITURA. ÁREA URBANA. Em certidão apresentada com o recurso, o Órgão Municipal informa que na propriedade em questão encontramse “inseridas glebas e loteamentos reconhecidos e cadastrados por esssa municipalidade com suas respectivas inscrições imobiliárias que assim se descreve...”, o que motiva a exclusão dessas áreas do cálculo do ITR. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares. No mérito, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da área tributável 403,87 ha, vencidos os Conselheiros Martin da Silva Gesto (relator), Junia Roberta Gouveia Sampaio e Dilson Jatahy Fonseca Neto, que deram provimento integral ao recurso. Foi designado o Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator. (assinado digitalmente) Marcio Henrique Sales Parada Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Martin da Silva Gesto, Márcio Henrique Sales Parada, Rosemary Figueiroa Augusto, Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Cecília Dutra Pillar e Dílson Jatahy Fonseca Neto. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo nº 10860.720255/201004, em face do acórdão nº 0427.834, julgado pela 1ª. Turma da Delegacia Fl. 511DF CARF MF Processo nº 10860.720255/201004 Acórdão n.º 2202003.697 S2C2T2 Fl. 512 3 da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande (DRJ/CGE) no qual os membros daquele colegiado entenderam por julgar improcedente a impugnação apresentada pelo contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório do ilustre Conselheiro Rafael Pandolfo, quando da Resolução nº 2202000.573, pois estava ele como Relator deste processo: 1 Procedimento de Fiscalização A DITR do recorrente incidiu em Malha Fiscal nos parâmetros: Áreas Não Tributáveis e Cálculo do Valor da Terra Nua VTN. Em 22/03/10 o recorrente foi intimado (fls. 11/13) a apresentar os seguintes documentos: a) identificação do contribuinte; b) matrícula atualizada do registro imobiliário ou, em caso de posse, documento que comprovasse a posse e a inexistência de registro de imóvel rural; c) CCIR do INCRA; d) referentes às DITR/2005, 2006 e 2007: (i) ADA requerido dentro do prazo legal junto ao Ibama; (ii) laudo técnico emitido por engenheiro agrônomo/florestal acompanhado de ART registrado no CREA que comprovasse as APP’s declaradas, identificando o imóvel rural e detalhando a localização e dimensão dessas áreas, previstas no termos das alíneas “a” até “h” do art. 2º da Lei nº 4.771/65, e que identificasse a localização do imóvel através de um conjunto de coordenadas geográficas definidoras dos vértices de seu perímetro, preferivelmente georeferenciadas ao sistema geodésico brasileiro; (iii) certidão de órgão público competente, caso o imóvel ou parte dele estivesse inserido em área declarada como APP, nos termos do art. 3º da Lei nº 4.771/65, acompanhado do ato do poder público que assim a declarou; (iv) ato específico de órgão competente federal ou estadual, caso o imóvel ou parte dele fosse declarado como área de interesse ecológico, que ampliem as restrições de uso para as APP’s e reserva legal; (v) ato específico de órgão competente federal ou estadual que tenha declarado a área do imóvel como área de interesse ecológico, comprovadamente imprestável para a atividade rural; e) referentes à comprovação do VTN: laudo de avaliação do VTN do imóvel emitido por engenheiro agrônomo ou florestal, conforme estabelecido na NRB 14.653 da ABNT com grau de fundamentação e precisão II, acompanhado de ART registrada no CREA, contendo todos os elementos de pesquisa identificados e planilhas de cálculo, preferivelmente pelo método comparativo direto de dados de mercado, ou, alternativamente, o contribuinte poderia se valer de avaliação efetuada pelas Fazendas Públicas Estaduais (exatorias) ou Municipais, assim como aquelas efetuadas pela Emater, apresentando os métodos de avaliação e as fontes pesquisadas que levaram à convicção do valor atribuído ao imóvel, os valores deveriam comprovar o VTN na data de 01/01/05, a preço de mercado. A fiscalização salientou que a falta de comprovação do VTN declarado ensejaria o seu arbitramento com base nas informações do SIPT da RFB, nos termos do art. 14 da Lei nº 9.393/96: VTN/ha do município de localização do imóvel para 01/01/05 no valor de R$ 6.452,64 (cultura/lavoura), R$ 3.232,86 Fl. 512DF CARF MF Processo nº 10860.720255/201004 Acórdão n.º 2202003.697 S2C2T2 Fl. 513 4 (pastagem/pecuária), R$ 2.542,70 (terra de campo ou reflorestamento) e R$ 2.052,34 (campos); para 01/01/06 no valor de R$ 8.898,07 (cultura/lavoura – solos superiores planos), R$ 6.234,81 (cultura/lavoura – solos regulares planos ou acidentados), R$ 4.375,30 (pastagem/pecuária), R$ 3.052,34 (terras de campo ou reflorestamento) e R$ 2.517,22 (campos); para 01/01/07 no valor de R$ 7.176,31 (pastagem/pecuária), R$ 9.779,61 (cultura/lavoura – solos superiores planos), R$ 10.192,84 (cultura/lavoura – solos regulares planos ou acidentados), R$ 3.780,99 (campos) e R$ 4.386,52 (terra de campo ou reflorestamento). Em 07/04/10 foi concedida prorrogação do prazo, por 30 dias, para a apresentação de documentos referentes à Declaração do ITR dos exercícios 2005 a 2007 por parte do recorrente (fl. 17). O recorrente apresentou, em 06/05/10, os seguintes documentos: a) identificação do contribuinte (fls. 23/24) ; b) certidão de óbito (fl. 25); c) identificação do representante legalinventariante (fls. 26/27); d) termo de inventariante (fl. 28); e) escritura e matrícula do imóvel (fls. 2933); f) certificado de cadastro de imóvel rural – CCIR (fl. 34); g) ADA 2007 (fl.35); h) Planta de Levantamento Ambiental e ART (fls. 38/39 e fl. 81); i) Memorial Descritivo (fls. 41/45); j) Requerimento de Certidão do Instituto Floresta – Protocolo (fls. 46/48); k) Decreto Estadual nº 10.251/77 (fls. 49/50); l) Decreto Estadual nº 49.215/04 (fls. 51/57); m) Laudo de Avaliação da Terra Nua (fls. 58/80). Na oportunidade, o recorrente destacou que: a) os trabalhos de campo só foram realizados em 2007, o que só então possibilitou a declaração do ADA a partir desse ano; b) foram utilizadas as informações do ADA de 2007 para as declarações de ITR de 2005 e 2006, já que as bases legais ambientais que dão suporte a esse trabalho são anteriores aos exercícios mencionados; c) foi requerida a emissão de certidão que comprova que o imóvel está inserido em área de interesse ecológico e de preservação permanente, Parque Estadual da Serra do Mar, em 04/05/10 junto ao Instituto Florestal (fls. 20/21). 2 Notificação do Lançamento Fl. 513DF CARF MF Processo nº 10860.720255/201004 Acórdão n.º 2202003.697 S2C2T2 Fl. 514 5 Em 04/10/10, a autoridade administrativa efetuou lançamento de ofício (fls. 0108), embasado na falta de comprovação das informações contidas na DITR/2007. Dentre as informações não comprovadas pelo recorrente, a autoridade fiscal ressaltou as seguintes: a) a isenção da área de preservação permanente no imóvel rural, pois o recorrente não apresentou: (i) laudo técnico emitido por engenheiro agrônomo/florestal, acompanhado ART registrada no CREA que comprovasse as APP’s; (ii) certidão de órgão público competente acompanhado de ato do poder público que declarou a área como APP; b) a isenção da área declarada a título de interesse ecológico no imóvel rural, pois o recorrente não apresentou: (i) ato específico do órgão competente federal ou estadual que ampliasse as restrições de zuso para as APP’s e Reserva Legal; (ii) ato específico do órgão competente federal ou estadual que tenha declarado área do imóvel como área de interesse ecológico, comprovadamente imprestável para a atividade rural; c) o valor da terra nua declarado, pois o não consta do laudo apresentado pelo contribuinte a identificação dos dados de mercado, nem o que não levou à convicção do valor atribuído ao imóvel na DIRT/2006. Foi utilizado o VTN para o exercício 2007, de R$ 3.780,99/ha, perfazendo um total de R$ 6.5444.893,69. O total do crédito tributário constituído foi de R$ 1.158.565,77, incluídos imposto suplementar apurado, multa de ofício de 75% e juros moratórios. 3 Impugnação Indignado com a autuação, o recorrente apresentou impugnação (fls. 84122) tempestiva esgrimindo os seguintes argumentos: a) a nulidade da autuação, pois não há descrição dos fatos que fundamentem a autuação quanto à imposição da multa de ofício, nem dos dispositivos legais que a lastreiam, ou ainda da penalidade aplicável, restando impossível ao contribuinte tomar conhecimento de sua suposta conduta ilícita quanto à legislação tributária. Esse vício importa em afronta ao que dispõe o art. 10, III e IV, do Decreto nº 70.235/72; b) o laudo ambiental elaborado pelo engenheiro agrônomo, devidamente instruído com ART, satisfaz as condições de prova técnica suficiente a comprovar as alegações feitas; c) a gleba objeto da incidência do ITR é composta por 1.016,90 ha de Floresta Nativa Ombrófila Densa, 71,20 ha de Floresta Nativa de Transição Restinga Encosta, 442 ha de Floresta Nativa de Restinga, 93,30 ha de Mangue e 70,10 ha de Área Antropizada. Da extensão total da gleba, constatouse através do laudo técnico que, aproximadamente 988 ha da área estão Fl. 514DF CARF MF Processo nº 10860.720255/201004 Acórdão n.º 2202003.697 S2C2T2 Fl. 515 6 insertos dentro do Parque Estadual da Serra do Mar, o que representa cerca de 58,32% da área; d) conforme consta do laudo técnico, na composição vegetal da gleba foi constatada a existência de diversas situações que a legislação (arts. 2º e 3º do Código Florestal) define como sendo APP, independentemente de quaisquer atos do poder público, cuja soma tem a extensão de 1.141,20 ha e representa, aproximadamente, 67,37% da extensão total da área: (i) 12,5 ha de nascente ou olhos d’água – área de preservação permanente (art. 11, “c”, da Lei nº 9.393/96); (ii) 83,60 ha de rios e suas faixas de proteção – área de preservação permanente (art. 11, “a” e incisos, da Lei nº 9.393/96); (iii) 409,30 ha de topos de morro – área de preservação permanente (art. 11, “d”, da Lei nº 9.393/96); (iv) 93,3 ha de áreas de mangue – área de preservação permanente (art. 11, “b” e incisos da Lei nº 9.393/96); e (v) 442,50 ha de floresta de restinga – área de preservação permanente (art. 11, “f”, da Lei nº 9.393/96); e) a regra da isenção tributária do ITR tem expressa previsão legal de suas hipóteses, cabendo ao contribuinte comprovar sua ocorrência por meio idôneo, que no caso se apresenta pelo laudo técnico definindo as áreas de preservação permanente e de interesse ecológico, o que independe da apresentação do ADA; f) conforme dispõe o art. 10, § 1º, II, “e” são áreas não tributáveis, para efeito de incidência do ITR, as áreas cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração. Tal previsão legal se coadune com as informações trazidas pelo laudo técnico acerca da vegetação florestal nativa encontrada na gleba que atesta a existência de: (i) 1.016,90 ha de floresta nativa ombrófila densa em estágio avançado de regeneração; e (ii) 71,20 ha de floresta nativa de transição restinga encosta em estágio avançado de regeneração. g) em se tratando de áreas que se encontram no Bioma Mata Atlântica, como é o caso da gleba objeto do lançamento, o Governo Federal instituiu o Decreto nº 750/93 criou restrições específicas para as áreas de Mata Atlântica, vedando quase que totalmente qualquer tipo de atividade exploratória ou extrativista dessas áreas. Além do mais, da análise sistemática do Código Florestal, arts. 2º e 3º, forçoso se reconhecer que as áreas constantes do Bioma Mata Atlântica são APP’s; h) o laudo técnico atesta que aproximadamente 998 ha do imóvel sobrepõese ao Parque Estadual da Serra do Mar, o equivalente a 58,32% da área total da gleba. A vegetação sobreposta pelo Parque é composta por Floresta Nativa Ombrófila Densa e em estado avançado de regeneração, nela, nos termos do art. 10, §1º, II, “e”, da Lei nº 9.393/96, não há incidência do ITR; i) há declaração lavrada pela Fundação para a Conservação e a Produção Florestal do Estado de São Paulo – órgão vinculado à Secretaria Estadual do Meio Ambiente – no sentido de que a área sobrepõe aproximadamente 1.003 ha ao Parque Estadual da Serra do Mar; Fl. 515DF CARF MF Processo nº 10860.720255/201004 Acórdão n.º 2202003.697 S2C2T2 Fl. 516 7 j) a Lei nº 9.985/00, que instituiu o Sistema Nacional da Unidade de Conservação – SNUC, em seu arts. 7º, I, e 8º, III, define os parques estaduais como áreas de proteção integral que têm por escopo precípuo a preservação de ecossistemas naturais de grande relevância ecológica. O Decreto Estadual que instituiu o Parque Estadual da Serra do Mar como meio de proteger a fauna e a flora locais é ato do Poder Público legítimo para declarar o Parque como APP; k) a legislação do ITR, ao elencar suas hipóteses de não incidência, dispõe expressamente que o tributo não incidirá nas áreas de interesse ecológico, que podem ser definidas como meio de extensão das medidas de proteção imposta às APP’s; l) o ADA tem por escopo fornecer ao órgão ambiental subsídios para que pratique os atos necessários à preservação, impor a sua apresentação como condição essencial ao reconhecimento da regra de não incidência tributária é desvirtuar a função e a natureza jurídica do ato; m) o valor atribuído à terra pela fiscalização foi de R$ 2.517,22/ha, valor muito superior ao verificado pelo laudo técnico juntado aos autos. Ademais, o VTN atribuído pela autoridade fiscal não foi acompanhado dos dados constantes do SIPIT, nem informa sobre ter havido qualquer procedimento fiscalizatório in loco no imóvel, assim o descumprimento de preceitos expressamente determinados pela lei que permitem a retificação do VTN pelo fisco torna nulo o procedimento; n) não pode ser admitida a simples alegação de que o laudo técnico apresentado pelo contribuinte deve ser desconsiderado por carecer de critérios técnicos sem que se apresente as fontes, e que se dê publicidade aos dados que lastrearam o cálculo feito através do SIPIT; o) parte da área do recorrente encontrase abaixo dos limites do Parque Estadual da Serra do Mar, como perímetro urbano, classificada como zonas urbanas Z6 (zona incompatível com o turismo) e Z10 (zona dos bairros internos, destinada à expansão urbana dos bairros Sertão do Quina, Fundos da Maranduva, Corcovado e Taquaral) com 657,67 ha. Essa área urbana é tombada pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico CONDEPHAAT. Sendo, portanto, a área sujeito ao lançamento do IPTU pelo Município; p) conforme se observa do laudo técnico, a área sem vegetação, sobre a qual haveria incidência do ITR, tem a extensão de 70,10 ha, equivalente ao percentual de 4,14% da área total. Considerando a área de 70,10 ha, a alíquota do ITR aplicável, nos termos do anexo à Lei nº 9.393/96, é aquela prevista para as áreas de perímetro entre 50 ha a 200 ha, com Grau de Utilização de até 30%, que impõe uma alíquota de 2% sobre o VTN; O recorrente requereu a produção de prova técnica pericial, nos termos do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, em razão da Fl. 516DF CARF MF Processo nº 10860.720255/201004 Acórdão n.º 2202003.697 S2C2T2 Fl. 517 8 complexidade técnica de definir cada uma das características ambientais encontradas na gleba, bem como de dimensionar a área urbanizada, e ainda valorar o VTN à época dos lançamentos. Indicou como perito técnico o Engenheiro Agrônomo Nirceu Eduardo Vicente (fl. 123). Anexos à impugnação, foram juntados os seguintes documentos: a) notificação de lançamento (fls. 124/127); b) matrícula do imóvel (fls. 132/133); c) laudo técnico ambiental acompanhado de ART e mapa (fls. 134/148); d) declaração da Fundação para a Conservação e a Produção Floresta do Estado de São Paulo (fl. 149); e) ADA/2007 (fl. 150); f) laudo VTN acompanhado de ART (fls. 151/181); g) Lei Municipal iptunº 711/84 (fls. 187/215); h) Resolução nº 40/85 (fls. 216/224); i) declaração da Prefeitura Municipal da Estância Balneária de Ubatuba – SP (fl. 225); j) mapa (fls. 226/227); 4 Acórdão de Impugnação A impugnação foi julgada improcedente pela 1ª Turma da DRJ/CGE, por unanimidade (fls. 247/258),mantido o crédito tributário exigido. Os fundamentos foram os seguintes: a) a improcedência e a carência de fundamentação legal do pedido de nulidade do lançamento, pois a Notificação de Lançamento foi lavrada em observâncias aos requisitos legais estabelecidos no art. 11 do Decreto nº 70.235/72, identificando as irregularidades apuradas e motivando cada alteração efetuada na DIRT/2007 de forma clara e em consonância com a ampla defesa e o contraditório, além disso, o contribuinte tomou ciência da notificação de lançamento e exerceu, dentro do prazo, o seu direito de defesa; b) não cabe discussão da constitucionalidade de lei em sede administrativa conforme estabelece o caput do art. 26A do Decreto nº 70.235/72; c) a perícia não se faz necessária no processo, o ônus da prova documental deve ser do contribuinte, a realização de perícia somente se justifica se o exame das provas apresentadas não puder ser realizado pelo julgador em razão de sua complexidade e/ou da necessidade de conhecimentos técnicos específicos. No caso, a perícia visa apenas suprimir material probatório, que deveria ser apresentado pelo interessado para comprovação dos Fl. 517DF CARF MF Processo nº 10860.720255/201004 Acórdão n.º 2202003.697 S2C2T2 Fl. 518 9 fatos alegados em sua defesa, vez que cabe a ele o ônus da prova. A apresentação de provas pelo contribuinte deve ser feita no momento da impugnação, sendo possível a junta posterior de documentos; d) na instância administrativa prevalece o entendimento de que a dispensa de comprovação relativa às áreas de interesse ambiental (art. 10, § 7º, da Lei nº 9.393/96), diz respeito apenas à dispensa de comprovação da efetiva existência de tais áreas no imóvel quando da entrega da declaração, não dispensando o contribuinte de, uma vez sob procedimento administrativo de fiscalização, comprovar com documentos hábeis o cumprimento de exigências legais previstas na legislação ambiental e tributária para justificar a exclusão das áreas ambientais por ele declaradas de incidência do ITR; e) as ementas do CARF não afetam o lançamento, pois esses julgados não possuem efeitos vinculante, nem constituem normas complementares da legislação tributária, porquanto não existe lei que lhes confira efetividade de caráter normativo. Já as jurisprudências dos Tribunais Superiores citadas na impugnação apenas aproveitam às partes integrantes das lides, nos limites dos julgados, em conformidade com o art. 472 do Código de Processo Civil. Não tendo o contribuinte comprovado ter sido parte em ação judicial transitada em julgado e cuja decisão lhe tenha sido favorável quanto à matéria impugnada, não cabe à autoridade administrativa absterse de cumprir a legislação; f) para beneficiarse da redução do ITR deve o contribuinte apresentar o ADA protocolizado tempestivamente no Ibama. No caso, o ADA foi protocolizado no Ibama após o prazo previsto na Instrução Normativa Ibama nº 76/05; g) quanto à área de interesse ecológico, o contribuinte não apresentou ato específico do órgão competente federal ou estatual para comprovar que o imóvel, ou parte dele, foi declarado de interesse ecológico, ampliando as restrições de uso para as APP’s e reserva legal, ou ato específico do órgão competente federal ou estadual que tenha declarado a área como tal, e comprovadamente imprestável para a atividade rural. Ademais, o ADA é intempestivo para o exercício; h) as áreas cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração, não averbadas como reserva legal ou não enquadradas nas outras definições de áreas afastadas da tributação, somente foram afastadas da tributação pelo ITR com o advento da Lei nº 11.428/06. Referidas áreas estão isentas a partir do Exercício 2007, desde que apresentado ADA protocolado tempestivamente no Ibama; i) não há justificativa para reconhecer que as áreas ocupadas com vegetação primária existente na Mata Atlântica, indicadas no Decreto nº 750/93, estavam isentas de ITR antes da Lei nº 11.428/06. Por isso, as áreas informadas a esse título na documentação apresentada pelo contribuinte somente serão Fl. 518DF CARF MF Processo nº 10860.720255/201004 Acórdão n.º 2202003.697 S2C2T2 Fl. 519 10 aceitas no lançamento relativo ao exercício 2007 desde que sejam reconhecidas mediante ADA protocolizado tempestivamente junto ao Ibama; j) a alegação de que o imóvel ou parte dele encontrase inserido no Bioma Mata Atlântica sendo APP, não é suficiente para comprovar a isenção; k) o fato de imóvel rural, com posse e domínio útil privados, encontrarse dentro dos limites da área do Parque Estadual não caracteriza condição suficiente para a imunidade/isenção do ITR deste; l) a alíquota de cálculo considerada no lançamento foi a mesma informada pelo contribuinte por não ter declarado nenhuma atividade rural no imóvel; m) o procedimento utilizado pela fiscalização para a apuração do VTN, com base nos valores constantes em sistema da Receita Federal, encontra amparo no art. 14 da Lei nº 9.393/96. O valor do SIPT só é utilizado quando, após intimado, o contribuinte não apresenta elementos suficientes para comprovar o valor por ele declarado, da mesma forma, o valor apurado pela fiscalização fica sujeito a revisão quando o contribuinte comprova o VTN efetivo de seu imóvel; n) o VTN por hectare utilizado para o cálculo do imposto foi extraído do SIPT, conforme consulta à fl. 15, para o exercício 2007, e referese ao menor valor por aptidão agrícola conforme ali previsto; o) o laudo técnico apresentado pelo recorrente não será aceito como grau de fundamentação e precisão II, por apresentar algumas inconsistências como (i) a avaliação do imóvel não se refere a 01/01/07; (ii) consta a data de elaboração do laudo 05/11/10; (iii) não foi usado o número mínimo de 5 dados de mercado efetivamente utilizados (transações efetivas), necessárias para a caracterização do laudo como fundamentação e precisão II, conforme determina o item 9.2.3.5, letra “b”, da NRB 14.6533 da ABNT, tendo sido utilizadas apenas opiniões da Imobiliária SATEPE (Engenharia de Avaliações), anexas ao laudo apresentado. Os dados de mercado coletado (no mínimo cinco) devem, ainda, se referir à data do fato gerador do ITR (01/01/07); p) da análise da documentação apresentada pelo contribuinte, não há como vincular a parte da área do imóvel em que ocorreu a expansão urbana, pois as fichas estão em nome de diversos proprietários, sem especificação da área que deu origem aos terrenos ali especificados; (...) Assim, tendo a DRJ de origem compreendido pela improcedência da impugnação apresentada pelo contribuinte, o contribuinte, inconformado, apresentou recurso voluntário às fls. 293/344, onde são reiterados os argumentos já lançados em impugnação, bem Fl. 519DF CARF MF Processo nº 10860.720255/201004 Acórdão n.º 2202003.697 S2C2T2 Fl. 520 11 como acrescentados novos, que foram assim sintetizados pelo Conselheiro Rafael Pandolfo, quando da Resolução nº 2202000.574: 5 Recurso Voluntário Notificado da decisão em 24/04/12, o recorrente, não satisfeito com o resultado do julgamento, interpôs recurso voluntário (fls. 377/428 do eprocesso) em 24/05/12, repisando as alegações da impugnação, acrescentando os seguintes argumentos: a) a nulidade em decorrência da ausência da correta identificação e assinatura da autoridade fiscal. Não há, na notificação de lançamento, a assinatura do Delegado da RFB, Dr. Hailton de Paula, autoridade fiscal responsável pela notificação, ademais, na notificação consta como sua matrícula o número 00017080, todavia, em consulta ao site governamental “Portal da Transparência”, vêse o mesmo funcionário público com o número de matrícula 00096702; b) a incidência da Súmula nº 21 do CARF; c) a dispensa da instauração do MPF como instrumento de constituição do crédito, implica em flagrante violação à legislação que rege o procedimento administrativo fiscal, impondo a nulidade por vício procedimental insanável; d) o lançamento decorreu da suposta constatação de infração à legislação tributária após análise das informações prestadas pelo recorrente, enquadrandose no § 2º, do art. 2º, da Instrução Normativa RFB nº 958/09, que prevê que em tal situação, será lavrado o competente auto de infração. Em violação ao dispositivo regulamente, foi lavrado, erroneamente, notificação de lançamento, constituindo vício procedimental; e) ausência de comunicação o encerramento da fase instrutória do processo. Tal conduta incorre em violação ao procedimento administrativo, e macula o direito ao contraditório e à ampla defesa do contribuinte, pois é seu direito, encerrada a instrução, manifestarse no prazo de 10 dias, conforme disposto no art. da Lei nº 9.784/99; f) o entendimento exarado no v. acórdão quanto à produção de prova pericial não se coadune com os fundamentos que rechaçaram os documentos produzidos pelo recorrente, de modo que viola, por via obliqua, o exercício do direito constitucional à ampla defesa; g) a incoerência nos fundamentos do indeferimento da prova pericial atenta contra certos princípios da administração pública (princípios da razoabilidade, proporcionalidade, e do interesse público) garantidos pela Constituição e também expressos no art. 2º da Lei nº 9.784/99; h) a fundamentação da autoridade julgadora para manter o lançamento tributário, tal como originariamente lavrado, foi unicamente a de que não foi apresentado o ADA Fl. 520DF CARF MF Processo nº 10860.720255/201004 Acórdão n.º 2202003.697 S2C2T2 Fl. 521 12 tempestivamente e nos termos da legislação tributária, o que configura modalidade oblíqua do cerceamento do direito à ampla defesa da recorrente; i) a legislação que institui o ADA, não definiu prazo legal para sua apresentação, sendo certo que a única menção a prazo consta do art. 9º, I. § 3º, da IN SRF nº 256/02, assim, o ADA é mera obrigação acessória que não traz como consequente normativo a incidência ou mensuração do valor do ITR; j) os laudos técnicos e documentos públicos demonstram, inequivocamente, as áreas em que não houve incidência do ITR, e devem ser reconhecidas como meios idôneos de prova; k) conforme se depreende do laudo técnico, e da planta de detalhamento da área, a gleba objeto da incidência do ITR, cuja extensão total é de 1.694,00 ha, é composta pela seguinte vegetação e topografia: (i) a cota de altura mais alta da gleba (100 m), o equivalente a 1.016,90 ha, é composta de Floresta Nativa Ombrófila Densa em estágio avançado de regeneração; (ii) na área coberta pela Floresta Nativa, que de per si é isenta da incidência do ITR, estão inseridas na mesma APP’s: 366,39 ha de APP – Topo do Morro; 12,50 ha APP – Nascente do Rio; 101,45 ha de APP – de Curso de Rio; (iii) sobrepostos às áreas cobertas pela Floresta Nativa e as APP’s, 1.003 ha de extensão da propriedade estão inseridos no Parque Estadual da Serra do Mar, sendo que este, por força de expressa disposição legal, goza de especial proteção ambiental, e configurase área com limitação administrativa total e, portanto, imprestável para qualquer atividade; (iv) na cola abaixo da área supra descrita, a propriedade é composta por 71,20 ha de Floresta Nativa de Transição Restinga/Encosta em Estágio Avançado de Regeneração, dos quais 8,89 ha são APP – de Curso de Rio, além de 93,30 ha de mangue, também legalmente definido como APP (grande parte dessa área tem lançamento de IPTU, conforme documento oficial da Prefeitura Municipal de Ubatuba, o que afasta a incidência do ITR); (v) a área remanescente, que totaliza 53,66 ha, foi transformada em perímetro urbano do município, estando, portanto, totalmente abarcada pela incidência do IPTU, conforme documento oficial da Prefeitura Municipal de Ubatuba, o que afasta a incidência do ITR; (vi) a parte mais baixa da gleba existem 93,30 ha de mangue, que também são consideradas APP’s. l) a área, em sua totalidade, sofre restrições legais e administrativas, não tendo aproveitamento para o contribuinte, o que impõe a não incidência do ITR; m) ao contrário do que consta no acórdão recorrido, a empresa que elaborou o laudo de avaliação de fls. 152/183, Setape Engenharia de Avaliações é especializada em avaliações imobiliárias, amplamente conhecida no mercado, com sede em São Paulo e filial no Rio de Janeiro, e cuja higidez no procedimento e metodologia de avaliação constante do laudo é inequívoca, logo, verificase o equívoco da autoridade julgadora Fl. 521DF CARF MF Processo nº 10860.720255/201004 Acórdão n.º 2202003.697 S2C2T2 Fl. 522 13 ao informar que a empresa que elaborou o laudo é “apenas uma imobiliária”; Em anexo foram juntados os seguintes documentos: a) Portal da Transparência” (fl. 429 do eprocesso); b) relatório fotográfico complementar ao laudo técnico (fls. 431/444 do eprocesso); c) foto aerofotogamétrica da gleba (fls. 447/448 do eprocesso) ; d) notificação de lançamento do exercício 1997 (fls. 450454); e) certidão nº 292/2012, emitida em 10/05/12 pela Prefeitura Municipal da Estância Balneária de Ubatuba (fls. 455/475 do e processo); f) Decreto nº 750/93 (fls. 476 do eprocesso). É o relatório. Com a chegada deste processo ao CARF, foi ele colocado em pauta de julgamento, tendo em 19/02/2014 resolvido pelos Conselheiros membros da 2ª. Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência para apresentação de mapas das áreas. Foi cumprida a diligência, tendo sido juntados aos autos cópia integral dos mapas existentes nos autos físicos deste processo. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Martin da Silva Gesto Relator O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Preliminares de Nulidade Preliminarmente, observase que é improcedente e carece de fundamentação legal o pedido de nulidade do lançamento, pois a Notificação de Lançamento foi lavrada com observação dos requisitos legais estabelecidos no art. 11, do Decreto n° 70.235/72, que rege o Processo Administrativo Fiscal, trazendo todas as informações obrigatórias previstas nos incisos I, II, III e IV, principalmente as necessárias para que se estabeleça o contraditório e a ampla defesa do autuado, conforme demonstrado. O art. 11 do Decreto n° 70.235/72, assim dispõe: "Art. 11 — A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; Fl. 522DF CARF MF Processo nº 10860.720255/201004 Acórdão n.º 2202003.697 S2C2T2 Fl. 523 14 II — o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matricula; Parágrafo único. Prescinde de assinatura a notificação de lançamento emitida por processo eletrônico." No presente caso, a notificação de lançamento identificou as irregularidades apuradas e motivou, de conformidade com a legislação, cada alteração efetuada na DITR/2007, de forma clara, como se depreende na "Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal" de fls. 02 a 06, em consonância, com os princípios constitucionais da ampla defesa e do contraditório, possibilitando assim, que o interessado apresentasse sua defesa, onde expôs os motivos de fato e de direito, os pontos discordantes da autuação, suscitando preliminares e o mérito relativamente As matérias envolvidas. O que realmente importa, é que o contribuinte tenha tomado ciência da Notificação de Lançamento e tenha exercido, dentro do prazo, o seu direito de defesa, consubstanciado na impugnação apresentada As fls. 84 a 123 e os documentos constantes dos autos. O art. 59 do Decreto n.° 70.235/1972 dispõe que "silo nulos: 17 os atos e termos lavrado por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa". Não tendo sido constatado nos autos qualquer dessas situações, não há justificativa para se declarar a nulidade do presente lançamento. Sobre este assunto, ressaltase que o lançamento é ato privativo da Administração Pública pelo qual se verifica e registra a ocorrência do fato gerador, a fim de apurar o quantum devido pelo sujeito passivo da obrigação tributária, prevista no artigo 113 do CTN. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, como previsto no parágrafo primeiro do art. 142 do CTN. Inicialmente, não cabe discussão da constitucionalidade de lei em sede administrativa consoante estabelece o caput do art. 26A do Decreto n° 70.235/1972, na redação dada pelo art. 25 da Lei n° 11.941, de 27 de maio de 2009: "Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade." Solicitação de Perícia Quanto ao pedido de perícia, temos a salientar que a mesma não se faz necessária no presente processo. O ônus da prova documental deve ser do contribuinte, não cabendo A autoridade administrativa produzir provas relativas ao imóvel fiscalizado, não há matéria controversa ou de complexidade que demande a realização de perícia pleiteada. Fl. 523DF CARF MF Processo nº 10860.720255/201004 Acórdão n.º 2202003.697 S2C2T2 Fl. 524 15 A realização de diligência/perícia somente se justificaria se o exame das provas apresentadas não pudesse ser realizado pelo julgador, em razão de sua complexidade e da necessidade de conhecimentos técnicos específicos. Enfim, esse tipo de prova tem por finalidade a elucidação de questões que suscitem dúvidas para o julgamento da lide, principalmente quando a análise da prova apresentada demande conhecimento técnico especializado, fora do campo de atuação da autoridade julgadora. Assim, o deferimento do pedido dessa natureza pressupõe a necessidade de se conhecer uma determinada matéria, que o exame dos autos não seja suficiente para dirimir a dúvida. No presente caso, a perícia visa apenas suprir material probatório, que deveria ser apresentado pelo interessado para comprovação dos fatos alegados em sua defesa, vez que cabe a ele o ônus da prova. Pelo exposto, nenhuma circunstância há que justifique a perícia pleiteada. O lançamento limitouse a formalizar a exigência apurada a partir do conteúdo estrito dos dados apresentados em nome do contribuinte, não havendo matéria controversa ou de complexidade que justifique Parecer Técnico Complementar, até porque o contribuinte apresentou juntamente com a impugnação farta documentação e, observase que os quesitos por ele elaborados já foram praticamente respondidos. Assim, em observância ao artigo 18, do Decreto n° 70.235/1972, indeferese o pedido de perícia. Laudo. ADA apresentado Conforme se depreende do laudo técnico, e da planta de detalhamento da área, a gleba objeto da incidência do ITR, cuja extensão total é de 1.694,00 ha, é composta pela seguinte vegetação e topografia: (i) a cota de altura mais alta da gleba (100 m), o equivalente a 1.016,90 ha, é composta de Floresta Nativa Ombrófila Densa em estágio avançado de regeneração; (ii) na área coberta pela Floresta Nativa, que de per si é isenta da incidência do ITR, estão inseridas na mesma APP’s: 366,39 ha de APP – Topo do Morro; 12,50 ha APP – Nascente do Rio; 101,45 ha de APP – de Curso de Rio; (iii) sobrepostos às áreas cobertas pela Floresta Nativa e as APP’s, 1.003 ha de extensão da propriedade estão inseridos no Parque Estadual da Serra do Mar, sendo que este, por força de expressa disposição legal, goza de especial proteção ambiental, e configura se área com limitação administrativa total e, portanto, imprestável para qualquer atividade; (iv) na cola abaixo da área supra descrita, a propriedade é composta por 71,20 ha de Floresta Nativa de Transição Restinga/Encosta em Estágio Avançado de Regeneração, dos quais 8,89 ha são APP – de Curso de Rio, além de 93,30 ha de mangue, também legalmente definido como APP (grande parte dessa área tem lançamento de IPTU, conforme documento oficial da Prefeitura Municipal de Ubatuba, o que afasta a incidência do ITR); (v) a área remanescente, que totaliza 53,66 ha, foi transformada em perímetro urbano do município, estando, portanto, totalmente abarcada pela incidência do IPTU, Fl. 524DF CARF MF Processo nº 10860.720255/201004 Acórdão n.º 2202003.697 S2C2T2 Fl. 525 16 conforme documento oficial da Prefeitura Municipal de Ubatuba, o que afasta a incidência do ITR; (vi) a parte mais baixa da gleba existem 93,30 ha de mangue, que também são consideradas APP’s. Embora o laudo apresentado pelo contribuinte não tenha seguido, segundo a fiscalização, todas as especificações da ABNT, entendo que este deve ser considerado como prova do alegado. A DRJ de origem compreendeu o seguinte: "Convém salientar que para as Areas de preservação permanente, além da comprovação do cumprimento da obrigação de protocolar o Ato Declaratorio Ambiental ADA junto ao Ibama, dentro do prazo estipulado na legislação tributária, sua existência deve ser comprovada com a apresentação de Laudo Técnico emitido por Engenheiro Agrônomo/Florestal, acompanhado da ART, que apresente uma perfeita indicação do total de Areas do imóvel que se enquadram nessa definição e mencione especificamente em que artigo da Lei n.° 4.771/1965 (Código Florestal), com as alterações da Lei n.° 7.803/1989, a Area se enquadra. São consideradas de preservação permanente as areas definidas nos artigos 2° e 30 da Lei n.° 4.771/1965, sendo necessária a identificação dessas Areas por meio de laudo técnico, com indicação dos dispositivos legais em que se enquadram, tendo em vista que, para as indicadas no art. 3°, também é exigida declaração por ato do Poder Público, consoante previsão nele contida. Para comprovar a Area de preservação permanente, o interessado apresentou nos autos Laudo Técnico Ambiental acompanhado de mapas/plantas da propriedade, com informações sobre a distribuição das Areas do imóvel, indicando características diversas para as mesmas Areas, sendo que essa sobreposição de Areas não permite identificação correta do tamanho da Area do imóvel que se enquadra em cada uma isenções previstas no art. 10, §1° e incisos da Lei n.° 9393/1996. Por outro lado, é necessário destacar que se o contribuinte pretende se beneficiar da redução do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR deve apresentar o Ato Declaratório Ambiental — ADA protocolizado tempestivamente no Ibama. A base legal para apresentação do ADA está disposta no art. 170, § 1°, da Lei n° 6.938, de 1981, com a redação dada pelo art. 1° da Lei no 10.165, de 2000. O prazo para entrega do ADA, de acordo com o art. 9° da Instrução Normativa lbama n° 76, de 31 de outubro de 2005, é de 1° de janeiro a 31 de setembro do exercício de 2007. No presente caso, o ADA constante dos autos foi protocolizado no Ibama em 30/11/2007, ou seja, após o prazo previsto na Instrução Normativa ora mencionada." (grifouse) Fl. 525DF CARF MF Processo nº 10860.720255/201004 Acórdão n.º 2202003.697 S2C2T2 Fl. 526 17 Os documentos juntados aos autos comprovam as alegações do contribuinte. Apesar de alguns terem sido juntados na fase de recurso, pelo princípio de verdade material, é posição desse colegiado, aceitar tal documento de sorte a se buscar a real verdade dos fatos, caso contrário estaríamos cerceando o direito de defesa do contribuinte. O artigo 8º, da Lei 9.393 de 1996, determina que o VTN refletirá o valor de mercado no dia 1º de janeiro de cada exercício. O VTN poderá ser demonstrado através de laudo de avaliação. O dados do SIPT só devem permanecer se o contribuinte não conseguir demonstrar o valor adequado de mercado. No caso, verificase que não há base de cálculo para o ITR. Deste modo, entendo que não há a incidência de ITR no imóvel em questão, seja pelas conclusões do laudo juntado aos autos em impugnação e pela farta documentação apresentada em impugnação e impugnação complementar, bem como pelos documentos anexados em recurso voluntário, quais sejam a) impresso do “Portal da Transparência” (fl. 429 do eprocesso); b) relatório fotográfico complementar ao laudo técnico (fls. 431/444 do e processo); c) foto aerofotogamétrica da gleba (fls. 447/448 do eprocesso) ; d) notificação de lançamento do exercício 1997 (fls. 450/454); e) certidão nº 292/2012, emitida em 10/05/12 pela Prefeitura Municipal da Estância Balneária de Ubatuba (fls. 455/475 do eprocesso); f) Decreto nº 750/93 (fls. 476 do eprocesso). Quanto ao Ato Declaratório Ambiental — ADA, entendo que, tratandose de área de preservação permanente, devidamente comprovada mediante documentação hábil e idônea trazida à colação pelo contribuinte, ainda que apresentado o ADA intempestivamente, impõese o restabelecimento de referida área, glosada pela fiscalização, para efeito da fruição da isenção em comento, sob pena se fazer prevalecer o formalismo em detrimento do princípio da verdade material. Neste sentido é a jurisprudência deste Conselho: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2001 ITR. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. EXERCÍCIO POSTERIOR A 2001. COMPROVAÇÃO VIA ADA INTEMPESTIVO. VALIDADE. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. HIPÓTESE DE ISENÇÃO. Tratandose de área de preservação permanente, devidamente comprovada mediante documentação hábil e idônea, notadamente Ato Declaratório Ambiental ADA, ainda que apresentado/protocolizado intempestivamente, mas antes da ação fiscal, impõese o reconhecimento de aludida área, glosada pela fiscalização, para efeito de cálculo do imposto a pagar, em observância ao princípio da verdade material. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. TEMPESTIVIDADE. INEXIGÊNCIA NA LEGISLAÇÃO HODIERNA. APLICAÇÃO RETROATIVA. Inexistindo na Lei n° 10.165/2000, que alterou o artigo 17O da Lei n° 6.938/81, exigência à observância de qualquer prazo para requerimento do ADA, não se pode cogitar em impor como Fl. 526DF CARF MF Processo nº 10860.720255/201004 Acórdão n.º 2202003.697 S2C2T2 Fl. 527 18 condição à isenção sob análise a data de sua requisição/apresentação, sobretudo quando se constata que fora requerido anteriormente ao início da ação fiscal. Recurso especial negado. (Acórdão nº 9202003.515, julgado em 11/12/2014, Relator Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira) Assim, tratandose de área de preservação permanente, devidamente comprovada mediante documentação hábil e idônea, notadamente Ato Declaratório Ambiental ADA, ainda que apresentado/protocolizado intempestivamente, mas antes da ação fiscal, impõese o reconhecimento de aludida área, glosada pela fiscalização, para efeito de cálculo do imposto a pagar, em observância ao princípio da verdade material. Conclusão. Ante o exposto, voto por conhecer do recurso, rejeitar as preliminares e, no mérito, darlhe provimento. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Voto Vencedor Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, redator designado. Peço vênia ao ilustre Relator, Conselheiro Martin da Silva Gesto, para divergir das disposições de mérito de seu voto, pelas razões que passo a expor. Primeiramente, concordo com as disposições do Julgador de 1ª instância, que foram relatadas, no seguinte sentido: d) na instância administrativa prevalece o entendimento de que a dispensa de comprovação relativa às áreas de interesse ambiental (art. 10, § 7º, da Lei nº 9.393/96), diz respeito apenas à dispensa de comprovação da efetiva existência de tais áreas no imóvel quando da entrega da declaração, não dispensando o contribuinte de, uma vez sob procedimento administrativo de fiscalização, comprovar com documentos hábeis o cumprimento de exigências legais previstas na legislação ambiental e tributária para justificar a exclusão das áreas ambientais por ele declaradas de incidência do ITR; (...) f) para beneficiarse da redução do ITR deve o contribuinte apresentar o ADA protocolizado tempestivamente no Ibama. No caso, o ADA foi protocolizado no Ibama após o prazo previsto na Instrução Normativa Ibama nº 76/05; Fl. 527DF CARF MF Processo nº 10860.720255/201004 Acórdão n.º 2202003.697 S2C2T2 Fl. 528 19 (...) h) as áreas cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração, não averbadas como reserva legal ou não enquadradas nas outras definições de áreas afastadas da tributação, somente foram afastadas da tributação pelo ITR com o advento da Lei nº 11.428/06. Referidas áreas estão isentas a partir do Exercício 2007, desde que apresentado ADA protocolado tempestivamente no Ibama; (sublinhei) Em resumo, entendo que no caso, para a exclusão da tributação das áreas peliteadas, seria necessária a apresentação do ADA, tempestivamente, na forma da legislação aplicável. Conforme disse no Acórdão 2202003.204, Sessão de 18/02/2016: ÁREA DE RESERVA LEGAL. APP. OBRIGATORIEDADE DE APRESENTAÇÃO DO ADA TEMPESTIVO. A partir do exercício de 2001, é indispensável apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) como condição para o gozo da isenção relativa às áreas de preservação permanente e de utilização limitada, considerando a existência de lei estabelecendo expressamente tal obrigação. Introdução do artigo 17O na Lei nº 6.938, de 1981, por força da Lei nº 10.165, de 2000. (...) A Lei nº 9.393/1996, que dispõe sobre o Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, em seu artigo 10, que trata da apuração e pagamento do imposto, menciona que para efeitos de apuração do ITR considerarseá “área tributável” a área total do imóvel “menos as áreas de preservação permanente e de reserva legal”, previstas na Lei nº 4.771 de 15 de setembro de 1965, com redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989. O tamanho da área tributável influi no cálculo e, conseqüentemente, no valor a pagar de ITR. A apresentação do ADA – Ato Declaratório Ambiental, para fins de exclusão das áreas de preservação permanente e reserva legal, que outrora era exigida pela RFB com base em norma infra legal, surgiu no ordenamento jurídico com o art. 1º, da Lei nº 10.165/2000, que incluiu o art. 17O, § 1º na Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, para os exercícios a partir de 2001: Art. 17O Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental – ADA, deverão recolher ao Ibama a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei nº 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria. (...) Fl. 528DF CARF MF Processo nº 10860.720255/201004 Acórdão n.º 2202003.697 S2C2T2 Fl. 529 20 §1º A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória. (grifei) Assim, por expressa previsão legal, o ADA não se presta tão somente ao recolhimento de Taxa de Vistoria ao Ibama e também observo que a Lei 6.938 é de 1981, mas a alteração foi procedida em 2000, portanto posterior à Lei 9.393/1996. A jurisprudência da Câmara Superior deste CARF já se manifestou em julgamento no Acórdão 9202 – 002.383 (processo: 10120.000407/200628, data 13/03/2013, Relatora Susy Gomes Hoffmann): ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. REQUISITO NECESSÁRIO. A fim de obter a isenção quanto à Área de Preservação Permanente (APP) o sujeito passivo deve apresentar documentação sobre a existência. No presente caso, o sujeito passivo apresentou apenas mapa, sem o devido e necessário Ato Declaratório Ambiental (ADA), motivo da não obtenção de isenção da citada área.(grifei) Recurso Especial do Contribuinte Provido em Parte. O Decreto regulamentador do ITR também possui determinação expressa. Decreto 4.382/2002: Art. 10. Área tributável é a área total do imóvel, excluídas as áreas: I – de preservação permanente; II – de reserva legal, ... § 1º A área do imóvel rural que se enquadrar, ainda que parcialmente, em mais de uma das hipóteses previstas no caput deverá ser excluída uma única vez da área total do imóvel, para fins de apuração da área tributável. § 3º Para fins de exclusão da área tributável, as áreas do imóvel rural a que se refere o caput deverão: I ser obrigatoriamente informadas em Ato Declaratório Ambiental ADA, protocolado pelo sujeito passivo no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis IBAMA, nos prazos e condições fixados em ato normativo (Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, art. 17O, § 5º, com a redação dada pelo art. 1º da Lei nº 10.165, de 27 de dezembro de 2000); e (grifei) Primeiramente, cabe ressaltar a importância do Ato Declaratório Ambiental (ADA). O ADA é documento de cadastro Fl. 529DF CARF MF Processo nº 10860.720255/201004 Acórdão n.º 2202003.697 S2C2T2 Fl. 530 21 das áreas do imóvel rural junto ao IBAMA e das áreas de interesse ambiental e possui como função cadastramento as áreas de interesse ambiental declaradas, permitindo o controle e verificação dessas áreas pelo órgão responsável pela área ambiental. Com essa declaração aos órgãos responsáveis, em busca da preservação ambiental dessas áreas, o Estado concede isenção tributária quanto ao ITR. Relembrase que a isenção tributária, como a incidência, decorre de lei. É o próprio poder público competente para exigir tributo que tem o poder de isentar É a isenção um caso de exclusão tributária, de dispensa do crédito tributário, conforme determina o I, Art. 175 do Código Tributário Nacional (CTN). Buscase, assim, uma conduta determinada dos cidadãos. No caso, o objetivo é a preservação das áreas em comento, pela fiscalização das áreas informadas pelo ADA e o órgão que possui a qualificação técnica para tal é o Ibama. Desta forma, o objetivo da isenção é estimular a preservação e proteção da flora e das florestas e, conseqüentemente, contribuir para a conservação da natureza e proporcionar melhor qualidade de vida. “O postulado da proporcionalidade exige que o Poder Legislativo e o Poder Executivo escolham, para a realização de seus fins, meios adequados, necessários e proporcionais. Um meio é adequado se promove o fim. Um meio é necessário se, dentre todos aqueles meios igualmente adequados para promover o fim, for o menos restritivo relativamente aos direitos fundamentais. E um meio é proporcional, em sentido estrito, se as vantagens que promove superam as desvantagens que provoca”. (ÁVILA, Humberto. Teoria dos Princípios: da definição á aplicação dos princípios jurídicos. São Paulo: Malheiros, 2003, p. 102) O órgão de controle, Ibama, a seu turno, por meio da Portaria nº 162, de 18 de dezembro de 1997, cuidou, entre outras providências, de estabelecer o modelo do ADA, bem como instruções para preenchimento (pelos solicitantes) e recepção dos correspondentes formulários. Estabeleceu, em seu art. 1º: “Art. 1º. O Ato Declaratório Ambiental ADA conforme modelo apresentado no anexo I da presente Portaria, representa a declaração indispensável ao reconhecimento das áreas de preservação permanente e de utilização limitada para fins de apuração do ITR.” (Grifos acrescidos) A IN Ibama nº 76, de 31 de outubro de 2005, que expressamente revogou a supra mencionada Portaria, estabeleceu: “Art. 1º O Ato Declaratório Ambiental ADA representa o cadastro indispensável ao reconhecimento das áreas de preservação permanente e de utilização limitada para fins de isenção do Imposto Territorial Rural ITR”. Fl. 530DF CARF MF Processo nº 10860.720255/201004 Acórdão n.º 2202003.697 S2C2T2 Fl. 531 22 Observo ainda que a Instrução Normativa nº 76 do Ibama traz considerações importantes sobre o ADA e seu disciplinamento, para justificar a necessidade de padrões e prazos. Abaixo transcrevemos alguns: “ Considerando a necessidade de padronizar o modelo de Ato Declaratório Ambiental ADA; Considerando a necessidade de regulamentação das modalidades de apresentação do ADA, para fins de isenção e/ou dedução de Imposto Territorial Rural ITR; Considerando a necessidade de o Ibama instituir um cadastro das propriedades rurais que possuem áreas de interesse ambiental, mediante apresentação do ADA;...(grifei)” Por fim, a IN Ibama nº 76, de 2005 foi expressamente revogada pela IN Ibama nº 5, de 25 de março de 2009, a qual, entre outras determinações, definiu modelo de laudo técnico de vistoria de campo um dos documentos comprobatórios das declarações prestadas no ADA, passível de ser exigido em momento posterior à apresentação do ADA, deixou de contemplar o formulário padrão como um dos modelos de apresentação do ADA e determinou o prazo para a apresentação do ADA bem como de sua retificação: “Art. 1º O Ato Declaratório Ambiental – ADA é documento de cadastro das áreas do imóvel rural junto ao IBAMA e das áreas de interesse ambiental que o integram para fins de isenção do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, sobre estas últimas. (...) Art. 6º O declarante deverá apresentar o ADA por meio eletrônico formulário ADAWeb, e as respectivas orientações de preenchimento estarão à disposição no site do IBAMA na rede internacional de computadores www.ibama.gov.br ("Serviços online"). (...) § 3o O ADA deverá ser entregue de 1º de janeiro a 30 de setembro de cada exercício, podendo ser retificado até 31 de dezembro do exercício referenciado. Bem, não estamos discutindo a existência da área de utilização limitada ou de preservação permanente, frisese. A não existência ou a não preservação poderia ensejar, para o proprietário, outras repercussões ou sanções previstas na legislação ambiental/penal. Na esfera tributária, o que nos cabe discutir e avaliar, creio, é se os requisitos estabelecidos para que seja aproveitada uma isenção estão presentes. Não me parece que a exigência do ADA não tenha previsão legal. Tampouco que ela não esteja Fl. 531DF CARF MF Processo nº 10860.720255/201004 Acórdão n.º 2202003.697 S2C2T2 Fl. 532 23 disciplinada e ainda que não seja, a partir do excerto que citamos acima, proporcional e adequada. (...) Com o devido respeito a entendimentos divergentes existentes neste CARF, entendo que o §7º do artigo 10 da Lei nº 9.393/1996, incluído pela MP nº 2.166/2001, ao dizer que: §7º A declaração para fim de isenção do ITR relativa às áreas de que tratam as alíneas a e d do inciso II, § 1º, deste artigo, não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado que a declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis, referese à questão do lançamento do ITR darse por homologação, nos termos do Art. 150 do CTN, e reputo importante destacar os termos “declaração” e “prévia”. Não é necessário que o contribuinte apresente nenhum documento para que em sua declaração faça constar a informação das áreas isentas, de reserva legal e preservação permanente, e, conseqüentemente, apure o imposto devido e faça o recolhimento, cabendo ao Fisco simplesmente chancelar tal apuração, quando a entenda correta, mediante homologação expressa ou tácita. Nenhum ato prévio do Fisco, pois, se faz mister. Nestes autos, apesar de alertado pela DRJ, no Julgamento de 1ª instância, o contribuinte não comprova que tenha apresentado o ADA ao Ibama. Ao contrário, cita jurisprudência e doutrina para entenderse desobrigado de tal Ato Declaratório, para fins de exclusão das áreas, na apuração do imposto. Essa questão da desnecessidade de apresentação "prévia" de qualquer documento na apuração de imposto sujeito a lançamento por homologação, relembro, ocorre analogamente no imposto sobre a renda. O contribuinte declara as deduções legais que entende pertinentes e apura e paga o imposto, antecipadamente, sem qualquer manifestação do Fisco. Não se desincumbe, entretanto, da obrigatória apresentação da documentação prevista em lei e especificada em regulamento, no caso de posterior intimação decorrente de procedimento fiscal. As isenções podem ter caráter fiscal e extrafiscal. Sem dúvida que esta que aqui se discute enquadrase na segunda hipótese. Concedese a mesma no interesse extrafiscal do incentivo à preservação ambiental. O objetivo último da isenção não é, portanto, reduzir o imposto a pagar, mas incentivar a preservação e controlar as áreas de interesse ambiental, como a reserva legal e a preservação permanente. Por isso, além dos requisitos materiais, que o contribuinte entende suficientes, existem requisitos formais, que não foram cumpridos. Fl. 532DF CARF MF Processo nº 10860.720255/201004 Acórdão n.º 2202003.697 S2C2T2 Fl. 533 24 Para controle das áreas preservadas existe um órgão específico do Poder Público Federal que é o IBAMA. Não me parece lógico que o contribuinte possa beneficiarse da isenção, sem que cumpra o requisito formal de cadastrar e informar o órgão competente sobre as áreas preservadas, para efeitos de controle. PRAZO PARA APRESENTAÇÃO DO ADA Em relação à não observância do prazo para a apresentação do ADA, após longos debates, a jurisprudência da 2a Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais passou a admitir a apresentação do ADA até o início da ação fiscal, desde que as áreas deduzidas fossem devidamente comprovadas com documentação complementar. Vejase, como exemplo, a seguinte decisão: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2002 ITR. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E RESERVA LEGAL. EXERCÍCIO POSTERIOR A 2001. COMPROVAÇÃO VIA AVERBAÇÃO ANTERIOR AO FATO GERADOR, LAUDO PERICIAL E ADA INTEMPESTIVO. VALIDADE. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. HIPÓTESE DE ISENÇÃO. Tratandose de áreas de reserva legal e preservação permanente, devidamente comprovadas mediante documentação hábil e idônea, notadamente averbação à margem da matrícula do imóvel antes da ocorrência do fato gerador (reserva legal) e Laudo Pericial do próprio IBAMA, ainda que apresentado ADA intempestivo, impõese o reconhecimento de aludidas áreas, glosadas pela fiscalização, para efeito de cálculo do imposto a pagar, em observância ao princípio da verdade material. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. TEMPESTIVIDADE. INEXIGÊNCIA NA LEGISLAÇÃO HODIERNA. APLICAÇÃO RETROATIVA. Inexistindo na Lei n° 10.165/2000, que alterou o artigo 17O da Lei n° 6.938/81, exigência à observância de qualquer prazo para requerimento do ADA, não se pode cogitar em impor como condição à isenção sob análise a data de sua requisição/apresentação, sobretudo quando se constata que fora requerido anteriormente ao início da ação fiscal. Recurso Especial do Procurador Negado. (Acórdão nº 920201.843, sessão de 26/10/2011, Relator Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira)(grifei) Mais uma vez, com o devido respeito à jurisprudência administrativa, peço vênia para discordar, por dois aspectos: o primeiro, de cunho formal, entendendo que a lei não fixou prazo para apresentação do ADA e não deveria mesmo fazelo, competindo aos órgãos administrativos disciplinarem esta entrega, estabelecendo modelos, formulários, vias de Fl. 533DF CARF MF Processo nº 10860.720255/201004 Acórdão n.º 2202003.697 S2C2T2 Fl. 534 25 apresentação e prazo. É o que é feito em todas as declarações a serem apresentadas pelo contribuinte e estava previsto no Decreto que regulamenta o ITR, nº 4.382/2002, já transcrito. O segundo, de interesse material, pois como a idéia subjacente a essa finalidade, da exigência do ADA, é de informar ao órgão ambiental sobre as áreas isentas do ITR, para que este possa, se assim desejar, verificar a real existência dessas áreas, deve haver um “tempo” para tal, não podendo o contribuinte fazer isso a seu bel prazer. Considerando que existe fixada a data de ocorrência do fato gerador, o prazo para entrega de declaração do ITR, o prazo decadencial para eventual constituição de crédito tributário, não creio razoável aceitar que o contribuinte possa entregar o ADA até o início da ação fiscal, o que não daria tempo ao IBAMA de verificar se as áreas realmente existem, efetuar o controle ambiental e informar à RFB a eventual irregularidade, a ser considerada na mesma ação fiscal. Quando fixa o prazo posterior para a entrega do ADA, no caso aqui em questão foi fixado um prazo excepcional, devido às alterações na legislação, conforme acima citado, a IN mostrase benéfica ao contribuinte, já que, se não o fizesse, o cumprimento da exigência deveria se reportar então à data de ocorrência do fato gerador, onde se apura a situação do imóvel para efeitos de lançamento do imposto, sujeito a lançamento por homologação. Por essas razões, divirjo das conclusões do nobre Relator e VOTO por manter o entendimento proferido pela 1ª instância de julgamento, em relação a APP. ARBITRAMENTO DO VTN. SIPT. LAUDO TÉCNICO. E assim, havendo área a ser tributada, também devem prevalecer as conclusões do Acórdão recorrido acerca do arbitramento com base no SIPT (tela informativa na fl. 18, com indicação dos preços de terra por aptidão agrícola, para o exercício em questão) e da ineficácia do Laudo Técnico apresentado, por não atender aos requisitos mínimos para a fixação do valor do imóvel, com base na ABNT, quais sejam: l) a alíquota de cálculo considerada no lançamento foi a mesma informada pelo contribuinte por não ter declarado nenhuma atividade rural no imóvel; m) o procedimento utilizado pela fiscalização para a apuração do VTN, com base nos valores constantes em sistema da Receita Federal, encontra amparo no art. 14 da Lei nº 9.393/96. O valor do SIPT só é utilizado quando, após intimado, o contribuinte não apresenta elementos suficientes para comprovar o valor por ele declarado, da mesma forma, o valor apurado pela fiscalização fica sujeito a revisão quando o contribuinte comprova o VTN efetivo de seu imóvel; n) o VTN por hectare utilizado para o cálculo do imposto foi extraído do SIPT, conforme consulta à fl. 15, para o exercício 2007, e referese ao menor valor por aptidão agrícola conforme ali previsto; o) o laudo técnico apresentado pelo recorrente não será aceito como grau de fundamentação e precisão II, por apresentar algumas inconsistências como (i) a avaliação do imóvel não se refere a 01/01/07; (ii) consta a data de elaboração do laudo Fl. 534DF CARF MF Processo nº 10860.720255/201004 Acórdão n.º 2202003.697 S2C2T2 Fl. 535 26 05/11/10; (iii) não foi usado o número mínimo de 5 dados de mercado efetivamente utilizados (transações efetivas), necessárias para a caracterização do laudo como fundamentação e precisão II, conforme determina o item 9.2.3.5, letra “b”, da NRB 14.6533 da ABNT, tendo sido utilizadas apenas opiniões da Imobiliária SATEPE (Engenharia de Avaliações), anexas ao laudo apresentado. Os dados de mercado coletado (no mínimo cinco) devem, ainda, se referir à data do fato gerador do ITR (01/01/07); (destaquei) Cito ainda o seguinte Acórdão, desta Turma: Acórdão 2202003.204, Sessão de 18/02/2016 ITR. VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO. SIPT. CAPACIDADE POTENCIAL DA TERRA. APTIDÃO AGRÍCOLA. A subavaliação do Valor da Terra Nua (VTN) declarado pelo contribuinte autoriza o arbitramento do VTN pela Receita Federal. O lançamento de ofício deve considerar, por expressa previsão legal, as informações referentes a levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas, que considerem a localização e dimensão do imóvel e a capacidade potencial da terra. ÁREA URBANA. CERTIDÃO DA PREFEITURA. Por outro lado, verifico que o Relatório elaborado pelo ilustre Relator traz a informação de que em sede de recurso, o contribuite apresentou: e) certidão nº 292/2012, emitida em 10/05/12 pela Prefeitura Municipal da Estância Balneária de Ubatuba (fls. 455/475 do e processo); Nessa Certidão, o órgão Municipal informa que na propriedade de Luiz Carlos Julio encontramse “inseridas glebas e loteamentos reconhecidos e cadastrados por esssa municipalidade com suas respectivas inscrições imobiliárias que assim se descreve...” Seguese discriminação com áreas de lotes que, somadas conforme debates durante a Sessão de Julgamentos, importam em 403,87 hectares. Em relação à aceitação dessa prova de que parte da área do imóvel estaria inserida em zona urbana e loteada para fins também urbanos, ou seja, seria urbana tanto pelo critério da localização quanto pelo da utilização, cito o seguinte posicionamento, que vem sendo acompanhado por esta Turma: Acórdão 2202003.454, Sessão de 15/06/2016: ACEITAÇÃO DAS PROVAS. MOMENTO PROCESSUAL DA APRESENTAÇÃO. PRECLUSÃO. ATENUAÇÃO. VERDADE MATERIAL. NÃO COMPROVAÇÃO DAS ALEGAÇÕES POR PARTE DO RECORRENTE. AUSÊNCIA DE DOCUMENTOS. O direito da parte à produção de provas posteriores, até o momento da decisão administrativa comporta graduação, a Fl. 535DF CARF MF Processo nº 10860.720255/201004 Acórdão n.º 2202003.697 S2C2T2 Fl. 536 27 critério da autoridade julgadora, com fulcro em seu juízo de valor acerca da utilidade e da necessidade, de modo a assegurar o equilíbrio entre a celeridade, a oficialidade, a segurança indispensável, a ampla defesa e a verdade material, para a consecução dos fins processuais, afastandose a preclusão em alguns casos excepcionais, como aqueles que se referem a fatos notórios ou incontroversos, no tocante a documentos que permitem o fácil e rápido convencimento do julgador.(...) Entendo que seja o caso da Certidão da Prefeitura, supracitada. Dessa feita, finalmente, VOTO pela exclusão da área de 403,87 hectares da área total declarada do imóvel. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Fl. 536DF CARF MF
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Numero do processo: 11050.001661/2009-20
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Feb 16 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/10/2004 a 31/10/2004
REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DE EMBARQUE. MULTA DO ART. 107, IV, E DO DL 37/1966 (INs SRF 28/1994 E 510/2005). VIGÊNCIA E APLICABILIDADE.
O sujeito passivo que praticar uma ação ou omissão que configura fato típico previsto em norma tributária estará sujeito às penalidades ali prescritas, independentemente de alterações posteriores no prazo de cumprimento das obrigações acessórias.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9303-003.929
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento parcial para manter a multa aos casos em que o sujeito passivo excedeu o prazo de sete dias para o registro dos dados de embarque.
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/10/2004 a 31/10/2004 REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DE EMBARQUE. MULTA DO ART. 107, IV, “E” DO DL 37/1966 (INs SRF 28/1994 E 510/2005). VIGÊNCIA E APLICABILIDADE. O sujeito passivo que praticar uma ação ou omissão que configura fato típico previsto em norma tributária estará sujeito às penalidades ali prescritas, independentemente de alterações posteriores no prazo de cumprimento das obrigações acessórias. Recurso Especial do Procurador Provido. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento parcial para manter a multa aos casos em que o sujeito passivo excedeu o prazo de sete dias para o registro dos dados de embarque. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 05 0. 00 16 61 /2 00 9- 20 Fl. 146DF CARF MF Processo nº 11050.001661/200920 Acórdão n.º 9303003.929 CSRFT3 Fl. 147 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional contra o Acórdão nº 3202000.353, que deu provimento ao recurso voluntário. O colegiado a quo afastou a exigência da multa por atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada sob o fundamente de que a expressão “imediatamente após”, constante da redação original do art. 37 da IN SRF nº 28/1994, traduz subjetividade, e não se constitui em prazo certo e induvidoso para o cumprimento da obrigação de prestar informações à autoridade aduaneira. Cientificada do acórdão acima indicado a Fazenda Nacional apresentou recurso especial. Foi suscitada divergência quanto ao entendimento de que a exigência da penalidade em foco somente teria aplicação após 15/02/2005, quando entrou em vigor a IN SRF nº 510/2005, que, pela primeira vez, estabeleceu um prazo certo para o cumprimento da obrigação em foco. O recurso foi admitido por intermédio de despacho do Presidente da Câmara recorrida, e o contribuinte apresentou contrarrazões. É o relatório, em síntese. Voto Carlos Alberto Freitas Barreto, Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303003.914, de 07/06/2016, proferido no julgamento do processo 10715.002502/200919, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303003.914): "Quanto à expressão constante da IN SRF 28, de 1994 (imediatamente após), filiome à interpretação dada pelo acórdão paradigma. Esta matéria já foi, por diversas vezes, objeto de apreciação no CARF. O conselheiro José Luís Novo Rossari já enfrentou essa questão. Porém, ouso discordar do ilustre conselheiro. Eis o entendimento do ilustre conselheiro, que constou de vários acórdãos de sua lavra. 'A lide respeita à exigência feita pelo Fisco da multa prevista no art. 107, IV, “e”, do Decretolei no 37/1966, na redação que lhe deu o art. 77 da Lei no 10.833/2003, em razão de a recorrente ter registrado no Siscomex após o prazo de 2 (dois) dias fixado no art. 37 da IN SRF no 28/1994, com a redação dada pelo art. 1o da IN Fl. 147DF CARF MF Processo nº 11050.001661/200920 Acórdão n.º 9303003.929 CSRFT3 Fl. 148 3 SRF no 510/2005, os dados de embarque de mercadorias em despachos de exportação. Para melhor compreensão a respeito da matéria, cumpre sejam transcritas as normas legais e administrativas pertinentes aos fatos. A Instrução Normativa SRF no 28, de 27/4/1994, estabeleceu em seus arts. 37, caput, e 44 que, verbis: “Art. 37. Imediatamente após realizado o embarque da mercadoria, o transportador registrará os dados pertinentes, no SISCOMEX, com base nos documentos por ele emitidos. (destaquei) Art. 44. O descumprimento, pelo transportador, do disposto nos arts. 37, 41 e § 3o do art. 42 desta Instrução Normativa constitui embaraço à atividade de fiscalização aduaneira, sujeitando o infrator ao pagamento da multa prevista no art. 107 do Decretolei no 37/66 com a redação do art. 5o do Decretolei no 751, de 10 de agosto de 1969, sem prejuízo de sanções de caráter administrativo cabíveis.” O art. 107 do Decretolei no 37/1966, na redação do art. 5o do Decretolei no 751/1969, citado na transcrição acima, assim dispunha originalmente, tendo sido alterado apenas no tocante à atualização do valor da multa (última atualização constante do art. 646, I, do Decreto no 4.543/2002 – Regulamento Aduaneiro), verbis: “Art. 107 Aplicamse, ainda, as seguintes multas: I de 103,56 (cento e três reais e cinquenta e seis centavos) a quem, por qualquer meio ou forma, desacatar agente do Fisco, embaraçar, dificultar ou impedir sua ação fiscalizadora; (...)” (destaquei) O caput do art. 37 antes transcrito foi alterado pelo art. 1o da IN SRF no 510, de 14/2/2005, que lhe deu a seguinte redação, verbis: "Art. 37. O transportador deverá registrar, no Siscomex, os dados pertinentes ao embarque da mercadoria, com base nos documentos por ele emitidos, no prazo de dois dias, contado da data da realização do embarque.” (destaquei) No caso ora sob exame, o Fisco aplicou à empresa transportadora a multa específica prevista no art. 107, IV, “e”, do DecretoLei no 37, de 1966, com a nova redação que lhe foi dada pelo art. 61 da Medida Provisória no 135, de 30/10/2003 (DOU de 31/10/2003), que veio a ser convertido no art. 77 da Lei no 10.833, de 29/12/2003, que estabeleceu, verbis: “Art. 77. Os arts. 1o, 17, 36, 37, 50, 104, 107 e 169 do DecretoLei no 37, de 18 de novembro de 1966, passam a vigorar com as seguintes alterações: "Art. 37. O transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações Fl. 148DF CARF MF Processo nº 11050.001661/200920 Acórdão n.º 9303003.929 CSRFT3 Fl. 149 4 sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado. (...) "Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (...) IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (...) c) a quem, por qualquer meio ou forma, omissiva ou comissiva, embaraçar, dificultar ou impedir ação de fiscalização aduaneira, inclusive no caso de nãoapresentação de resposta, no prazo estipulado, a intimação em procedimento fiscal; (...) e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; e (...)”Feitas essas transcrições, impõese ressaltar que na vigência da IN SRF no 28/1994 a inobservância da obrigação estabelecida no seu art. 37 era entendida pela SRF como caracterizadora de embaraço à atividade de fiscalização aduaneira, conforme disposto em seu art. 44. No entanto, a partir da superveniência da Medida Provisória no 135/2003, convertida na Lei no 10.833/2003, foi estabelecida para o transportador a obrigação de “prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas”, como se verifica da redação retrotranscrita, emprestada ao art. 37 do Decretolei no 37/1966 pelo art. 77 da Lei no 10.833/2003. Destarte, com a entrada em vigor dessa nova norma legal, o descumprimento da obrigação de prestar à SRF, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, passou a ser cominada com a multa de R$ 5.000,00 prevista no inciso IV, “e”, do art. 107 do Decretolei no 37/1966, e não mais aquela prevista por embaraço, que veio a ser tipificada no inciso IV, “c”. Para a caracterização de ilícito sujeito à aplicação da referida multa, há que ser apurado o descumprimento da obrigação, o que implica, no caso, a inobservância de prazo fixado pela SRF para a apresentação dos dados relativos ao embarque. Verificase que, por ocasião dos fatos que geraram a aplicação das multas, vigia a redação original do art. 37 da IN SRF no 28/1994, que estabelecia que a obrigação devia ser satisfeita “imediatamente após realizado o embarque da mercadoria”. Ora, temse por evidente que, por não conter regramento certo e inequívoco que permita seu cumprimento sem a permanência de dúvidas, a imposição normativa constante desse ato administrativo é destituída de força cogente para a finalidade a que se propõe, de imposição de penalidade.' Fl. 149DF CARF MF Processo nº 11050.001661/200920 Acórdão n.º 9303003.929 CSRFT3 Fl. 150 5 A minha discordância se dá em relação à conclusão exposta no último parágrafo. Não há que se falar em falta de força normativa da IN 28/1994 para a imposição da multa, já que a norma fala em imediatamente após. Não é um prazo certo, porém não se autoriza a entrega da declaração dias após o embarque. A lei não contém palavras inúteis e se fosse a intenção de não se penalizar a conduta prescrita na norma, não haveria razão para a sua existência. Tampouco há que se falar em retroatividade benigna, já que não houve alteração da penalidade. O que ocorreu foi apenas uma mudança no prazo de entrega da declaração o que não altera em nada o fato típico e nem a penalidade. No meu entender, não há que se falar em ausência de penalidade pela falta de um prazo certo. O fato de a norma dizer "imediatamente após" não tem o condão de excluir a multa. Se assim fosse não era para a norma dizer nada. Existe um comando legal e uma penalidade. O descumprimento desse comando obrigação acessória enseja a aplicação da penalidade prevista na norma. Portanto, devese reformar o acórdão recorrido e restabelecer a exigência da penalidade aplicada pela autoridade fiscal. Pelo exposto, voto por dar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, para restabelecer a exigência da penalidade." Aplicandose a decisão do processo paradigma acima transcrita ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, dáse provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, para restabelecer a exigência da penalidade. Carlos Alberto Freitas Barreto Fl. 150DF CARF MF
score : 1.0
