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Numero do processo: 10735.000038/2007-26
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 18 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2003 Ementa: NORMAS PROCESSUAIS - CONCOMITÂNCIA DE PROCESSOS NA VIA ADMINISTRATIVA E JUDICIAL - INEXISTÊNCIA DE RENÚNCIA À ESFERA ADMINISTRATIVA - A concomitância de processos na via administrativa e judicial não decorre da simples propositura e coexistência de processos em ambas as esferas, pois somente exsurge quando houver a perfeita identidade no conteúdo material do objeto da ação em discussão e do auto de infração.. AÇÃO JUDICIAL - DECISÃO TRANSITADA EM JULGADO - CONCOMITÂNCIA -. A concomitância perdura até o transito em julgado da decisão judicial, sendo que, a partir daí, a aplicação do direito vigente à época dos fatos em litígio (objeto do processo administrativo) deve levar em conta a norma individual e concreta enunciada pela decisão judicial. Acórdão de primeira instância anulado.
Numero da decisão: 2202-001.543
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, anular a decisão de primeira instância para que outra seja proferida, na boa e devida forma, analisando o mérito., nos termos do voto do Relator.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: ANTONIO LOPO MARTINEZ
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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2003 Ementa: NORMAS PROCESSUAIS - CONCOMITÂNCIA DE PROCESSOS NA VIA ADMINISTRATIVA E JUDICIAL - INEXISTÊNCIA DE RENÚNCIA À ESFERA ADMINISTRATIVA - A concomitância de processos na via administrativa e judicial não decorre da simples propositura e coexistência de processos em ambas as esferas, pois somente exsurge quando houver a perfeita identidade no conteúdo material do objeto da ação em discussão e do auto de infração.. AÇÃO JUDICIAL - DECISÃO TRANSITADA EM JULGADO - CONCOMITÂNCIA -. A concomitância perdura até o transito em julgado da decisão judicial, sendo que, a partir daí, a aplicação do direito vigente à época dos fatos em litígio (objeto do processo administrativo) deve levar em conta a norma individual e concreta enunciada pela decisão judicial. Acórdão de primeira instância anulado.
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AÇÃO JUDICIAL DECISÃO TRANSITADA EM JULGADO CONCOMITÂNCIA . A concomitância perdura até o transito em julgado da decisão judicial, sendo que, a partir daí, a aplicação do direito vigente à época dos fatos em litígio (objeto do processo administrativo) deve levar em conta a norma individual e concreta enunciada pela decisão judicial. Acórdão de primeira instância anulado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, anular a decisão de primeira instância para que outra seja proferida, na boa e devida forma, analisando o mérito., nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann – Presidente (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Relator Fl. 135DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/05/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 24/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 Composição do colegiado: Participaram do julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Guilherme Barranco de Souza, Pedro Anan Junior e Nelson Mallmann. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Helenilson Cunha Pontes. Fl. 136DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/05/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 24/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10735.000038/200726 Acórdão n.º 220201.543 S2C2T2 Fl. 2 3 Relatório Em desfavor do contribuinte, IVAM LOUREIRO DA SILVA, foi lavrado auto de infração de fls.07/11, referente ao imposto de renda pessoa fisica, exercício 2003, ano calendário 2002. 0 crédito tributário apurado está assim constituído: Demonstrativo do Crédito Tributário (em RS) Imposto Suplementar 8.102,09 Multa de Oficio (Passive! de Redução) 6.076,56 Juros de Mora calculados até o lançamento 4.823,17 Total do crédito tributário apurado 19.001,82 No demonstrativo das infrações e enquadramento legal As fl. 08 e 11, as infrações apuradas estão, em síntese, assim descritas: Omissão de Rendimentos do Trabalho com Vinculo Empregatício Recebidos de Pessoa Jurídica — omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, decorrentes do trabalho com vinculo empregatício, relativos ao exercício 2003, anocalendário 2002. Fonte Pagadora: Fundação Petrobras de Seguridade e Secretaria de Administração e Reestruturação do Estado do RJ e Itaú Vida S/A. Valor: R$ 48.717,85. Na apuração do imposto devido, foi compensado o Imposto de Renda Retido (IRRF) sobre os rendimentos omitidos no valor de R$ 234,74; Dedução Indevida de Imposto de Renda Retido na Fonte — glosa de dedução de Imposto de Renda Retido na Fonte — IRRF, pleiteada indevidamente pelo contribuinte na Declaração do Imposto de Renda Pessoa Física do exercício 2003, ano calendário 2002. Valor: R$ 1.458,96. Fonte Pagadora: Fundação Petrobrás de Seguridade. Cientificado(a) do lançamento, conforme aviso de recebimento a fl. 41, o(a) contribuinte apresenta impugnação (fls. 01/02) ao lançamento, alegando, resumidamente, o que se segue: Inicialmente o interessado reconhece a omissão de rendimentos tributáveis recebidos do Governo do Estado do Rio de Janeiro e do Itaii Vida S/A. Informa que o imposto de renda retido na fonte foi depositado em juízo conforme consta do comprovante de rendimentos emitido pela PETROS. Aduz que o beneficio da Previdência Privada — PETROS não está sujeita à incidência do imposto de renda em face da decisão judicial, razão pela qual foi oferecido Fl. 137DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/05/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 24/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 4 à tributação apenas o valor de RS 9.369,43 recebido como rendimentos da Previdência Oficial. Nos autos do processo n° 2000.51010055275 foi declarada a não incidência do imposto de renda sobre a complementação da aposentadoria recebida pelo contribuinte. Ante todo o exposto, entendendo demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, requer seja acolhida a presente impugnação para retificar o débito fiscal. A DRJ ao apreciar os argumentos do contribuinte, entendeu que a impugnação não deveria ser conhecida, nos termos da ementa a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003 CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. A propositura de ação judicial contra a Fazenda Nacional, antes ou posteriormente ao lançamento, com o mesmo objeto, importa em renúncia As instâncias administrativas ou desistência de eventual recurso interposto, tomando definitivo o lançamento. IMPUGNAÇÃO PARCIAL. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada. Os valores correspondentes sujeitam se A imediata cobrança, não sendo, po is, objeto de análise desse julgamento administrativo. Impugnação Não Conhecida Crédito Tributário Mantido Insatisfeito, o interessado interpõe recurso tempestivo, indicando que os seu recurso deveria ter sido conhecido pela DRJ. Segundo o recorrente: “Equivocado o Colegiado em deixar de analisar a referida Impugnação. Afinal, não se está discutindo nesta fase se os Rendimentos são Tributáveis, ou não, porque isto já está pacificado pela Justiça, ao declarar em Sentença Transitada em Julgado a inexistência da relação jurídicotributária sobre os rendimentos recebidos da PETROS a titulo de complementação de aposentadoria. O que se discute é que em razão disso, não pode a Receita Federal considerar tais rendimentos como sendo Tributáveis.” É o relatório. Fl. 138DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/05/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 24/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10735.000038/200726 Acórdão n.º 220201.543 S2C2T2 Fl. 3 5 Voto Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator O recurso preenche as condições de admissibilidade. Dele conheço. A questão em lide é apreciar a pertinência da decisão de primeira instância que não conheceu do recurso por concomitância de processo administrativo e ação judicial na mesma matéria. No voto condutor de sua decisão a autoridade recorrida afirmou: Da análise da documentação trazida aos autos constatase que a contribuinte interpôs medida judicial referente a retenção de imposto de renda retido na fonte incidente sobre verbas recebidos da pessoa jurídica Fundação Petrobrás de Seguridade Social (PETROS). Em procedimento de oficio a fiscalização lançou como omissão de rendimentos as verbas supracitadas, ou seja, os valores pagos pela PETROS. Dessa forma, é possível se concluir que ha concomitância entre as matérias discutidas no presente lançamento e no processo n°2001.51010244532. A discussão do processo, com a devida vênia, para este relator, foi submetida à apreciação do Poder Judiciário, entretanto, a mesma transitou em julgado em 26/08/2005, tal como atesta o documento de fls.148. A concomitância de processos na via administrativa e judicial não decorre da simples propositura e coexistência de processos em ambas as esferas, pois somente exsurge quando houver a perfeita identidade no conteúdo material do objeto da ação em discussão e do auto de infração.. Acrescentese, por pertinente, que a concomitância perdura até o transito em julgado da decisão judicial, sendo que, a partir daí, a aplicação do direito vigente à época dos fatos em litígio (objeto do processo administrativo) deve levar em conta a norma individual e concreta enunciada pela decisão judicial. Ante ao exposto, voto por anular a decisão de primeira instância para que outra seja proferida, na boa e devida forma, analisando o mérito. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 139DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/05/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 24/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 6 Fl. 140DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/05/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 24/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
score : 1.0
Numero do processo: 13830.001530/2006-48
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon May 20 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2002 a 30/09/2004
ESTABELECIMENTO INDUSTRIAL. SAÍDA DE PRODUTOS. SUSPENSÃO. BENEFÍCIO. APROVEITAMENTO.
A saída de produtos do estabelecimento industrial com suspensão do IPI e o aproveitamento do benefício estão condicionados à apresentação de declarações prévias pelos adquirentes, declarando que atendem a todos os requisitos estabelecidos na legislação tributária.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-001.784
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Possas - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Adão Vitorino de Morais - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Possas, Maria Teresa Martinez López, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Paulo Guilherme Debruo e Andréa Medrado Darci.
Nome do relator: JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/10/2002 a 30/09/2004 ESTABELECIMENTO INDUSTRIAL. SAÍDA DE PRODUTOS. SUSPENSÃO. BENEFÍCIO. APROVEITAMENTO. A saída de produtos do estabelecimento industrial com suspensão do IPI e o aproveitamento do benefício estão condicionados à apresentação de declarações prévias pelos adquirentes, declarando que atendem a todos os requisitos estabelecidos na legislação tributária. Recurso Voluntário Negado
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2002 a 30/09/2004 ESTABELECIMENTO INDUSTRIAL. SAÍDA DE PRODUTOS. SUSPENSÃO. BENEFÍCIO. APROVEITAMENTO. A saída de produtos do estabelecimento industrial com suspensão do IPI e o aproveitamento do benefício estão condicionados à apresentação de declarações prévias pelos adquirentes, declarando que atendem a todos os requisitos estabelecidos na legislação tributária. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Possas Presidente. (assinado digitalmente) José Adão Vitorino de Morais Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Possas, Maria Teresa Martinez López, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Paulo Guilherme Debruo e Andréa Medrado Darci. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 0. 00 15 30 /2 00 6- 48 Fl. 729DF CARF MF Impresso em 20/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 27 /03/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 2 Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da DRJ Belém que julgou improcedente a impugnação interposta contra o lançamento do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) referente aos fatos geradores ocorridos no período de competência de outubro de 2002 a setembro de 2004. A constituição do crédito tributário decorreu da falta de lançamento e pagamento do imposto incidente sobre os produtos saídos do estabelecimento industrial com suspensão indevida, pelo fato de a recorrente não ter atendido aos requisitos estabelecidos nas normas legais para gozo desse benefício, conforme Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal às fls. 09/14 e planilhas às fls. 49/73. Inconformada com o lançamento, a recorrente impugnouo (fls. 430/442), alegando razões assim resumidas por aquela DRJ: “(...) Com a admissão de algumas declarações como suficientes a lastrear o beneficio da suspensão do IPI, restou provado que a Autuada, em momento algum, visou obter vantagens indevidas. Ao reverso, apenas exerceu um direito que a legislação lhe confere, e, agora, está sendo surpreendida com a autuação motivada pelo simples descumprimento, no tempo devido, de uma obrigação de índole acessória. Vale dizer: o direito à suspensão é mais do que evidente. Acontece que, por conta do não atendimento de uma mera formalidade, a qual, como já reconhecido pela própria fiscalização, pode ser suprida em momento futuro, fora ele negado. (...) 1) DO PRINCÍPIO DA VERDADE REAL É sabido que os procedimentos administrativos, dentre outros, se governam elo primado da verdade real. Por tal principio, os agentes públicos, sempre que possível o descobrimento da realidade, devem se empenhar para desvendála. Somente em situações excepcionais é que se pode concordar com que impeçam o exercício de um direito baseados em meras presunções. No caso que por ora se submete as vossas serenas apreciações, a busca pela verdade traduzirseia na tarefa de verificar se as pessoas jurídicas adquirentes das mercadorias estampadas nas notas fiscais de saída relacionadas neste Auto de Infração, efetivamente, ao efetuarem as compras, exerciam a atividade preponderante relacionada nos artigos 31 da MP n.° 66/2002 e 29 da Lei n.° 10.637/2002, de modo a garantir, à Autuada, o direito ao beneficio da suspensão do Imposto Sobre Produtos Industrializados. (...) A vontade do legislador quando pretendeu instituir o beneficio de que se cuida não pode ser ignorada pelo mero descumprimento de uma formalidade plenamente relevável e contornável. (...) Por outro lado, foram desmerecidos os documentos – de igual teor aos daqueles ofertados pelos contribuintes mencionados no parágrafo anterior enviados pelas seguintes pessoas jurídicas: Distribuidora Restituir Indústria e Comércio de Fl. 730DF CARF MF Impresso em 20/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 27 /03/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13830.001530/200648 Acórdão n.º 3301001.784 S3C3T1 Fl. 730 3 Massas e Doces Ltda., Petrobom Indústria e Comércio de Pães e Produtos Alimentícios Ltda. ME, Delicias de Areal Alimentos Ltda. ME, Galdino e Dantas Indústria, Comércio Ltda., Artpolpas Distribuidora de Gêneros Alimentícios Ltda. – ME e LP GB Indústria e Comércio de Biscoitos Ltda. Isso também está comprovado pela planilha constante no ANEXO II, que se faz acompanhar pelas declarações respectivas. (...) Fácil de se constatar, desse modo, que grande parte das operações de saída listadas no Auto de Infração guerreado já se encontram acobertadas pelas declarações atestadoras da validade daquelas transações, eis que as destinatárias preenchiam e continuam preenchendo os pressupostos do artigo 29, da Lei n.° 10.637/2002, sendo certo que, em curto espaço de tempo, em função 2) DA INEXISTÊNCIA DE BASE LEGAL PARA A RENOVAÇÃO PERIÓDICA DAS DECLARAÇÕES – NULIDADE DO ATO ADMINISTRATIVO – ABUSO DE PODER (...) Ao que parece, pretendia a fiscalização que lhe fosse apresentada uma declaração para cada qual dos aludidos exercícios financeiros, ou, que em apenas um documento, se fizesse constar a condição que autoriza o beneficio da suspensão do IPI em todo o período fiscalizado, justo porque, se realizada a comprovação no que atine apenas a um ou dois dos períodos, não se validou as operações deflagradas nos remanescentes. (...) Aliás, a Secretaria da Receita Federal, por intermédio da Superintendência Regional da Receita Federal da 6ª Região, na SOLUÇÃO DE CONSULTA N.° 65 (vide documento anexo), de 22 de abril de 2003, entendeu que não existe previsão legal para renovação periódica da declaração a ser fornecida pelos adquirentes de mercadorias vindas com a suspensão do IPI. Não se pode olvidar que os atos da administração pública, para produzir validamente os efeitos que deles irradiam, devem estar em perfeita compatibilidade com os ditames da legislação que lhe dá suporte.” Analisada a impugnação, aquela DRJ, julgoua improcedente, conforme Acórdão nº 0123.298, datado de 25/10/2011, às fls. 693/699, sob as seguintes ementas: “IPI. SUSPENSÃO. ADQUIRENTE PJ ENQUADRADA NO SIMPLES. INAPLICABILIDADE. A suspensão do IPI prevista no caput do art. 29 da Lei nº 10.637, de 2002, não é aplicável quando o adquirente dos insumos seja pessoa jurídica enquadrada no Simples. IPI. SUSPENSÃO. ART. 29, LEI 10.637/02. IN SRF 296/03. INTERPRETAÇÃO LITERAL. A norma que concede suspensão do IPI, por constituir benefício fiscal, deve ser interpretada de forma literal, consoante o que dispõe o art. 111 do CTN , não cabendo, pois, interpretação ampliativa.” Fl. 731DF CARF MF Impresso em 20/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 27 /03/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 4 Cientificada dessa decisão, a recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 709/723), requerendo a sua reforma a fim de que cancele o lançamento, alegando, em síntese, que as saídas dos produtos do seu estabelecimento foram destinadas a pessoas jurídicas que preenchem os requisitos legais para a suspensão do IPI e que a simples falta de apresentação das declarações dos adquirentes dos produtos, previstas nas normas legais, não podem vedar o benefício fiscal e, ainda, que a vedação da suspensão nas saídas de produtos para pessoas jurídicas optantes do Simples, estabelecida na IN SRF nº 296, de 2003, art. 23, inciso I, não tem amparo na lei que instituição a suspensão do imposto. Para fundamentar seu recurso, expendeu extenso arrazoado sobre: 1 – Dos Fatos; 2 – Do Direito; 2.1 – Da Alegada Necessidade de Interpretação Literal; 2.2 – Da Violação à Estrita Legalidade; 2.3 – Do Princípio da Verdade Real, concluindo, ao final, que as saídas de seus produtos do estabelecimento industrial (vendas) atenderam aos requisitos determinados na Lei nº 10.637, de 2002, art. 29. É o relatório. Voto Conselheiro José Adão Vitorino de Morais O recurso apresentado atende, em parte, aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Ao contrário do entendimento da autoridade julgadora de primeira instância, o lançamento em discussão decorreu exclusivamente da glosa do aproveitamento indevido da suspensão do IPI por falta de atendimento dos requisitos determinados na Lei nº 10.637, de 2002, art. 29, conforme consta da Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal às fls. 09/14. Assim, as razões de mérito expendidas pela recorrente, em seu recurso voluntário, por indução daquela autoridade julgadora, quanto à glosa de aproveitamento da suspensão do imposto, sob o fundamento de que há adquirentes pessoas jurídicas optantes do Simples, ficaram prejudicadas. Ressaltamos que o fato de aquela autoridade ter se manifestado sobre tal matéria não implicou quaisquer prejuízos à recorrente nem ao julgamento nesta fase recursal. A questão de mérito, em julgamento, se restringe à glosa do aproveitamento indevido da suspensão do IPI nas saídas dos produtos do estabelecimento industrial da recorrente por descumprimento dos requisitos exigidos para sua fruição. A Lei nº 10.637, de 30/12/2002, que instituiu esse benefício assim dispõe: “Art. 29. As matériasprimas, os produtos intermediários e os materiais de embalagem, destinados a estabelecimento que se dedique, preponderantemente, à elaboração de produtos classificados nos Capítulos 2, 3, 4, 7, 8, 9, 10, 11, 12, 15, 16, 17, 18, 19, 20, 23 (exceto códigos 2309.10.00 e 2309.90.30 e Ex01 no código 2309.90.90), 28, 29, 30, 31 e 64, no código 2209.00.00 e 2501.00.00, e nas posições 21.01 a 21.05.00, da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI, Fl. 732DF CARF MF Impresso em 20/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 27 /03/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13830.001530/200648 Acórdão n.º 3301001.784 S3C3T1 Fl. 731 5 inclusive aqueles a que corresponde a notação NT (não tributados), sairão do estabelecimento industrial com suspensão do referido imposto. [...]. § 7º Para os fins do disposto neste artigo, as empresas adquirentes deverão: I atender aos termos e às condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal; II declarar ao vendedor, de forma expressa e sob as penas da lei, que atende a todos os requisitos estabelecidos. [...].” Em cumprimento ao art. 66 dessa lei, a Secretaria da Receita Federal expediu a Instrução Normativa (IN SRF) nº 235, de 31/10/2002, regulamentando sua aplicação, literalmente: “Art. 16. Sairão do estabelecimento industrial com suspensão do IPI as MP, PI e ME destinados a estabelecimento que se dedique, preponderantemente, à elaboração de produtos classificados nos Capítulos 2 a 4, 7 a 12 , 15 a 20, 28 a 31 e 64, no código 2209.00.00, e nas posições 21.01 a 2105.00 da Tipi, inclusive aqueles a que corresponde a notação NT (não tributados). (*) § 1º Para fins do disposto neste artigo, as empresas adquirentes deverão declarar ao vendedor, de forma expressa e sob as penas da lei, que atendem a todos os requisitos estabelecidos. [...]. § 3º O estabelecimento adquirente de que trata este artigo deverá informar à Delegacia da Receita Federal (DRF) ou quando for o caso à Delegacia da Receita Federal de Fiscalização (Defic) de seu domicilio fiscal os produtos que elabora e as MP, PI e ME que irá adquirir nos mercados interno e externo.” No presente caso, conforme demonstrado nos autos e concordou a recorrente, intimada a apresentar as declarações previstas no inciso II do § 7º do art. 29, da Lei nº 10.637, de 2002, e nos §§ 1º e 3º do art. 16 da IN SRF nº 235, de 2002, citados e transcritos acima, atendeu, em parte, à intimação, deixando de apresentar as declarações dos adquirentes relacionados nas planilhas às fls. 49/73. Ora, segundo os dispositivos legais citados e transcritos acima, a suspensão do imposto e seu aproveitamento estão condicionados à apresentação de declarações dos adquirentes dos produtos de que estes atendem a todos os requisitos estabelecidos naqueles diplomas legais. Neles constam expressamente que sairão do estabelecimento industrial, com suspensão do imposto, as MP, PI e ME destinados a estabelecimento que se dedique, Fl. 733DF CARF MF Impresso em 20/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 27 /03/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 6 preponderantemente, à elaboração de produtos classificados nos Capítulos enumerados cujos adquirentes atendam ao disposto nos incisos I e II do § 7º do art. 29, da Lei nº 10.637, de 2002, e no art. 16, §§ 1º e 3º da IN SRF nº 235, de 2002, citados e transcritos anteriormente. Também, segundo o conteúdo daqueles dispositivos legais, as declarações devem ser apresentadas antes das saídas dos produtos do estabelecimento industrial. Não há amparo para a implementação da suspensão sob condição resolutiva. A suspensão se dá no momento da saída dos produtos do estabelecimento industrial, quando as condições para sua implementação devem estar atendidas. No presente caso, como a recorrente não apresentou as declarações tempestivas referentes às operações, objeto do lançamento em discussão, correta a glosa da suspensão e a exigência do imposto devido. Ressaltamos, ainda, que a obrigação de apresentar as declarações dos adquirentes dos produtos saídos do estabelecimento industrial com suspensão do IPI, nos termos dos dispositivos legais, citados e transcritos anteriormente, é do industrial vendedor. Não compete à Secretaria da Receita Federal do Brasil consultar seus sistemas para verificar se os adquirentes preenchem aqueles requisitos como quer a recorrente. Em face do exposto, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Adão Vitorino de Morais Relator Fl. 734DF CARF MF Impresso em 20/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 27 /03/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Numero do processo: 19740.000057/2004-13
Turma: Terceira Turma Superior
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Sep 20 00:00:00 UTC 2006
Data da publicação: Wed Sep 20 00:00:00 UTC 2006
Ementa: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - IOF
Período de apuração: 30/01/1999 a 19/06/1999
Ementa: INCIDÊNCIA.
É devido o IOF previsto no art. 4º, e § 1º da Portaria MF nº 348/98, nas operações de renda fixa, travestidas de renda variável, através de opções de swap cambial.
ALTERAÇÃO DE ALÍQUOTA.
O parágrafo único do art. 1º da Lei nº 8.894/94 autoriza o Poder Executivo a promover alteração de alíquotas do IOF.
INCONSTITUCIONALIDADE/ILEGALIDADE. ARGÜIÇÃO
A autoridade administrativa é incompetente para apreciar argüição de inconstitucionalidade e/ou ilegalidade de norma vigente.
MULTA QUALIFICADA. SIMULAÇÃO. CABIMENTO.
A existência de diversas provas indiciárias, contundentes, congruentes e convergentes, demonstrando a utilização de condições e cláusulas não verdadeiras, denotam o objetivo de ocultar a ocorrência do fato gerador o que constitui evidente intuito de fraude, fato que autoriza a aplicação de multa agravada.
MULTA DE OFÍCIO. SUCESSÃO. APLICAÇÃO.
O art. 132 do CTN deve ser interpretado em harmonia com o art. 129 do mesmo diploma legal, sendo a sucessora responsável, perante o Fisco, pela regularização da situação fiscal da sucedida. Entendimento diverso significaria privilégio superior ao instituto da denúncia espontânea, incompatível com o sistema coercitivo de cumprimento da norma.
Ademais, a mera alteração do quadro societário e eventual alteração da razão social não constituem sucessão, pois o sujeito passivo permaneceu o mesmo, posto que pessoa jurídica é distinta dos sócios que a compõem.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC.
É jurídica a exigência dos juros de mora com base na taxa Selic.
Recurso negado.
Numero da decisão: 201-79.603
Decisão: ACORDAM os Membros da PRIMEIRA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, em negar provimento ao recurso, nos seguintes termos: I) por unanimidade de votos: a) para considerar sujeitas ao IOF as operações WAVE; e b) quanto à taxa Selic; e II) pelo voto de qualidade, para manter a multa agravada. Vencidos os Conselheiros Roberto Velloso (Suplente), Fernando Luiz da Gama Lobo D'Eça, que apresentou declaração de voto, Fabiola Cassiano Kerarnidas e Gustavo Vieira de Melo Monteiro, que excluíam a multa em razão da sucessão. Fez susrentação oral o Dr. José Andrés Lopes da Costa Cruz, advogado da recorrente.
Matéria: IOF - ação fiscal- (insuf. na puração e recolhimento)
Nome do relator: Maurício Taveira e Silva
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ementa_s : Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - IOF Período de apuração: 30/01/1999 a 19/06/1999 Ementa: INCIDÊNCIA. É devido o IOF previsto no art. 4º, e § 1º da Portaria MF nº 348/98, nas operações de renda fixa, travestidas de renda variável, através de opções de swap cambial. ALTERAÇÃO DE ALÍQUOTA. O parágrafo único do art. 1º da Lei nº 8.894/94 autoriza o Poder Executivo a promover alteração de alíquotas do IOF. INCONSTITUCIONALIDADE/ILEGALIDADE. ARGÜIÇÃO A autoridade administrativa é incompetente para apreciar argüição de inconstitucionalidade e/ou ilegalidade de norma vigente. MULTA QUALIFICADA. SIMULAÇÃO. CABIMENTO. A existência de diversas provas indiciárias, contundentes, congruentes e convergentes, demonstrando a utilização de condições e cláusulas não verdadeiras, denotam o objetivo de ocultar a ocorrência do fato gerador o que constitui evidente intuito de fraude, fato que autoriza a aplicação de multa agravada. MULTA DE OFÍCIO. SUCESSÃO. APLICAÇÃO. O art. 132 do CTN deve ser interpretado em harmonia com o art. 129 do mesmo diploma legal, sendo a sucessora responsável, perante o Fisco, pela regularização da situação fiscal da sucedida. Entendimento diverso significaria privilégio superior ao instituto da denúncia espontânea, incompatível com o sistema coercitivo de cumprimento da norma. Ademais, a mera alteração do quadro societário e eventual alteração da razão social não constituem sucessão, pois o sujeito passivo permaneceu o mesmo, posto que pessoa jurídica é distinta dos sócios que a compõem. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. É jurídica a exigência dos juros de mora com base na taxa Selic. Recurso negado.
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FAZKM3À---. SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES ..keste› PRIMEIRA CÂMARA Processo n° 19740.000057/2004-13 ContribuInte• Recurso n° 130.090 Voluntário to,ssundO retomai de 1.1..ntpuoltcadonTal Matéria IOF ". Rubrico 5 ." Acórdão n° 201-79.603 Rtirtibueeals- Sessão de 20 de setembro de 2006 Recorrente BANCO SANTANDER S.A. Recorrida DRJ em São Paulo - SP Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - 10F Período de apuração: 30/01/1999 a 19/06/1999 Ementa: INCIDÊNCIA. É devido o IOF previsto no art 42, e § 1 2 da Portaria MF n2 348/98, nas operações de renda fixa, travestidas de renda variável, através de opções de swap cambial. ALTERAÇÃO DE ALIQUOTA. O parágrafo único do art. 1 2 da Lei n2 8.894/94 autoriza o Poder Executivo a promover alteração de aliquotas do 10F. 1NCONSTITUCIONALIDADE/ILEGALIDADE. ARGÜIÇÃO A autoridade administrativa é incompetente para apreciar argüição de inconstitucionalidade e/ou ilegalidade de norma vigente. MULTA QUALIFICADA. SIMULAÇÃO. CABIMENTO. A existência de diversas provas indiciárias, contundentes, congruentes e convergentes, demonstrando a utilização de condições e cláusulas não verdadeiras, denotam o objetivo de ocultar a ocorrência do fato gerador o que constitui evidente intuito de fraude, fato que autoriza a aplicação de multa agravada. MULTA DE OFÍCIO. SUCESSÃO. APLICAÇÃO. 1/4\1\-- (ff • MF - SEGUNDO CONSr.:tI. 5.);E CONTRIBUINTES E RECONF ORIGINAL Processo n.°19740.000057/2004-13 CCO2/C01 Acórdão n.°201-79.603 Ernsi:Ta , ti l 2- I 06 Fls. 900 Márcia Cri .inn v ateira Garcia e • . çi2rr:° deve serinterpntado em harmonia com o art. 129 do mesmo diploma legal, sendo a sucessora responsável, perante o Fisco, pela regularização da situação fiscal da sucedida. Entendiménto diverso significaria privilégio superior ao instituto da denúncia espontânea, incompatível com o sistema coercitivo de cumprimento da norma. Ademais, a mera alteração do quadro societário e eventual alteração da razão social não constituem sucessão, pois o sujeito passivo permaneceu o mesmo, posto que pessoa jurídica é distinta dos sócios que a compõem. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. É jurídica a exigência dos juros de mora com base na taxa Selic. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da PRIMEIRA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, em negar provimento ao recurso, nos seguintes termos: I) por unanimidade de votos: a) para considerar sujeitas ao IOF as operações WAVE; e b) quanto à taxa Sele; e II) pelo voto de qualidade, para manter a multa agravada. Vencidos os Conselheiros Roberto Velloso (Suplente), Fernando Luiz da Gama Lobo D'Eça, que apresentou declaração de voto, Fabiola Cassiano Kerarnidas e Gustavo Vieira de Melo Monteiro, que excluíam a multa em razão da sucessão. Fez susrentação oral o Dr. José Andrés Lopes da Costa Cruz, advogado da recorrente. OMOCUlia, iiittütkhit,QA OSE A MARIA COELHO MARQUES Presidente MAU CIO TAVEIRA 1111A Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Walber José da Silva e José Antonio Francisco. cr'''' . "4" CM:TM/UNTES MF SEG',3' ,20 C- Processo n *19740.000057/2004-13 CONK:.;,r_ L CCO2/C01 Acórdão n.° 201-79.603 3 z — Fls. 901... Relatório Márcia CmtaitaSSisatn.a. N. ion .502 GarCi3 BANCO SANTANDER S.A., devidamente qualificado nos autos, recorre a este Colegiado, através do Recurso de fls. 794/837, contra o Acórdão n9 6.732, de 22/03/2005, prolatado pela 8! Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo - SP, fls. 741/780, que julgou procedente o Auto de Infração de fls. 518/520, referente ao Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguro ou relativa:s a Títulos ou Valores Mobiliários - JOE, referente ao período de 24/01/99 a 16/06/99 (fl. 465), perfazendo um total de R$ 50.940.640,77, à época do lançamento, incluindo multa agravada, cuja ciência ocorreu em 29/01/2004. Conforme o "Termo de Verificação Fiscal" de fls. 449/466, o lançamento foi motivado pelo não recolhimento do IOF em operações com títulos e valores mobiliários. Esclareceu, inicialmente, o autuante que a Fiscalização foi instaurada em razão de oficio do Banco Central, Defis/GTPAL-2000/403, de 21/06/2000, cuja cópia foi anexada às fls. 272/273. Como conseqüência, foi conduzida uma ação fiscal que deu origem à exigência do IRRFonte incidente sobre as operações financeiras caracterizadas como de renda fixa, lançado no PAF n2 10768.015833/2001-46. Essas mesmas operações financeiras ensejaram, em outra ação fiscal, o presente lançamento do I0F, pelas razões a seguir arroladas. O Banco Bozano, Simonsen S/A (atual Banco Santander S/A) teria criado um produto financeiro, denominado WAVE, com a aparência de aplicação financeira de renda variável, mas que na realidade era uma aplicação de renda fixa. Com isso teria pretendido que a tributação mais favorável das aplicações financeiras de renda variável fosse empregada em uma aplicação de renda fixa, visto que a alíquota do IRRF, incidente sobre o rendimento obtido em aplicações de renda fixa, em 1997, era de 15% e, em 1998 e 1999, de 20%, enquanto que em aplicações de renda variável era de 10%. Também se verificou preços de resgates cem valores diferentes para um mesmo dia. Este fato é conseqüência de diferentes rentabilidades pactuadas entre o banco e os seus clientes. Tomou-se como exemplo os resgates efetuados no dia 25/05/99 pelos clientes Luz Publicidade Ltda. (CNPJ 34.270.942/0001-01) e Fertilizantes Ouro Verde (CNPJ 60.633.559/0001-80). Foram realizadas diligências junto à Cia. de Eletricidade do Rio de Janeiro - - CERJ, que fez aplicações no produto WAVE, para confirmar o seu entendimento acerca do método adotado para o cálculo do custo de aquisição do investimento. Houve representação fiscal para fins penais, através do Processo n9 19740.000058/2004-50, conforme fls. 528 e 541. Tempestivamente, o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 542/607, aduzindo, em síntese, que: `1Çk- "" • ' ne. CO: !TRUNTES tOF - • " • • t' ' c..4113:Nnt. Processo n.0 19740.000057/2004-13 .._33 r. 3 2-_JS2i-- COWCO I Acém-dito a.• 201-79.603 Fls. 902 Márcia Cri trta eira Carda mit . 111750 1. a fundamentação legal do auto de infração estaria absolutamente equivocada, havendo insanáveis incongruências e contradições no que se refere à determinação do critério jurídico adotado, configurando evidente erro de direito, insusceptível de ser alterado em virtude do consagrado princípio da imutabilidade do lançamento; 2. as transações envolvendo opções de swap cambial série WAVE seriam, inquestionavelmente, de renda variável e ainda que as transações ora examinadas pudessem ser consideradas como se fossem de renda fixa, não se poderia falar na possibilidade de exigir-se o I0F, previsto no art. 63, inciso IV, do CTN, em razão da manifesta inexistência de quaisquer títulos ou valores mobiliários no caso sob análise. Também não poderia o Poder Executivo alterar a alíquota do 10F por decreto e muito menos por portaria ministerial; 3. afirma que não se verificariam os elementos subjetivos e objetivos capazes de autorizar a presunção de dolo, fraude ou simulação, presunção esta que não pode subsistir em qualquer hipótese, seja diante da inexistência de qualquer prova concreta, a menos da declaração da CERJ que, evidentemente, não merece fé e não pode ser utilizada nestes autos pelas razões já expostas, seja em razão da ausência de elementos de fato e de direito capazes de fazer presumir ter havido evasão fiscal ilícita ou, ainda, diante da própria inexistência de norma legal determinando a incidência do 10F/Títulos sobre as transações objeto de questionamento, o que somente veio a ocorrer por ocasião da Portaria MF n 2 348/98, ou seja, em momento posterior ao início das transações no ano de 1997; e 4. a multa de oficio não poderia ser exigida do impugnante, devido a troca de seu controle acionário, ocorrida em 18/01/2000, em face do princípio constitucional da intransferibilidade das penas e em obediência ao disposto no artigo 133 do CTN. Afirma, ainda, que a taxa Selic seria imprestável para a correção de créditos tributários, não teria amparo em lei e sim em normativo do Banco Central do Brasil. Em 25/05/2004, os autos foram baixados em diligência, sendo os mesmos enviados à Delegacia de origem, Difis/Deinf/RJO, para que, em face da economia processual, eventuais provas produzidas naquele, em decorrência de diligência, que pudessem corroborar o entendimento sobre as operações, fossem juntadas aos autos do presente. Como resultado da diligência, a Fiscalização acostou aos autos o Anexo n2 1 composto por 26 (vinte e seis) volumes. Às fls. 672/676, fez constar a relação de clientes do interessado diligenciados e a resposta dada por cada uma delas, no sentido de ter sido a aplicação oferecida pelo banco, de renda fixa ou de renda variável. Do total de 496 clientes, 325 foram diligenciados. Alguns documentos fornecidos pelos diligenciados revelaram que o produto financeiro WAVE era oferecido pelo banco aos seus clientes • com uma garantia de rentabilidade representada por um percentual do CDI, típica das aplicações de renda fixa; o produto WAVE nada mais seria do que o sucessor do produto financeiro denominado EASY, que foi oferecido, pela Bozano, Simonsen S/A DTVM, à época, a seus clientes, no período de janeiro a novembro de 1997. O interessado foi cientificado da diligência em 13/1212004, conforme fl. 715, tendo apresentado as razões aditivas de impugnação, fls. 716/730, em 07/01/2005, alegando em síntese que: _ (, Processo n.° 19740.0000$7/2004-13 _ 43 CCO2/C01 Aceira° n.° 201-79.603 Fls. 903 Marcia Crisun, za, eira Garcia Mal suo,. _ • • 1. os documentos juntados aos autos por ocasião da diligência seriam irrelevantes para o deslinde da controvérsia da exigência do IOF e ainda que as transações ora examinadas pudessem ser consideradas como de renda fixa, mesmo assim não se poderia falar na possibilidade de exigir-se o 10F, uma vez que inexistiriam quaisquer títulos ou valores mobiliários no caso sob análise; 2. a motivação que teria levado o auditor-fiscal a lavrar o auto de infração que formalizou a exigência do IRRF, qual seja, o suposto caráter predeterminado dos rendimentos produzidos, capaz de ensejar a tributação pelo Imposto de Renda segundo os mesmos critérios aplicáveis às operações de renda fixa, nada teria a ver com a motivação que levou à lavratura do auto de infração para exigir o 10F/Títulos; e 3. baseando-se nos princípios da eficiência, celeridade processual e verdade material, o impugnante requereu o desentranhamento do Termo de DPigência Fiscal e os 26 volumes que o acompanham dos autos do presente processo e, caso não fosse acolhido esse pedido, que levassem em consideração comentários sobre os documentos juntados aos autos, quais sejam: a Fiscalização teria formulado perguntas aos clientes do impugnante de forma indutiva e cavilosa; a prova testemunhal seria inválida; e não teria sido correto o critério de amostragem adotado pela Fiscalização. Ainda questionou documentos referidos no Termo de Diligência. A autoridade de primeira instância decidiu, por unanimidade de votos, considerar o lançamento procedente, tendo o Acórdão a seguinte ementa: "Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - IOF Período de apuração: 30/01/1999 a 19/06/1999 Ementa: 10F. INCIDÊNCIA. OPERAÇÕES DE RENDA FIXA. Por expressa disposição na legislação tributária, incide 10F nas aplicações de renda fixg ainda que traves/idas de transações de opções com swap cambial, não sendo necessária a emissão de títulos para a materialização da relação obrigacional. 10F. ALTERAÇÃO DE ALQUOTAS. Dentre as limitações constitucionais ao direito de tributar, é facultado ao Poder Executivo, atendidas as condições e os limites estabelecidos em lei, alterar as aliquotas do 10F. PROVA EMPRESTADA. CARACTERIZAÇÃO. Não existe qualquer . vedação à utilização de informações comidas em outro processo -administrativo fiscal, quando se trata de apurar a ocorrência do fato gerador de tributo diverso, incidente sobre as mesmas operações, devido pelo mesmo contribuinte. FRAUDE TRIBUTARIA. SIMULAÇÃO. Constitui fraude tributária, a prática de operações para simular a realização de operações de aplicação financeira de renda variável, mas que produzem rendimentos predeterminados, apenas para enquadramento em categoria tributária mais favorável. MULTA QUALIFICADA. SIMULAÇÃO. CABIMENTO. A realização habitual de operações simuladas cujo único objetivo é ocultar a ocorrência de fato gerador de tributo com aliquota majorada constitui 43/4k d A _• Vic -SEarn " ' . • Processo n.° 19740.000057/2004-13 53 0.6_ C 02/C0 I AcOrtiao n.° 201-79.603 Fl 904 h evidente intuito de fraude e inap . Ureia C,-irea:sint:71,1,Lairid;L:iirn a. o percentual de 150%. MULTA DE OFÍCIO RESPONSABILIDADE. A simples alteração da denominação da sociedade não elide a responsabilidade por multa de natureza fiscal por infração anteriormente cometida. TAXA SELIC. A utilização da taxa SELIC para o cálculo dos juros de mora decorre de lei, sobre cuja aplicação não cabe aos órgãos do Poder Executivo discutir. Lançamento Procedente". O contribuinte apresentou tempestivamente, em 17/05/2005, recurso voluntário, fls. 794/837, aduzindo as mesmas questões de direito anteriormente apresentadas e requerendo, ao final, desconstituição do lançamento e, na hipótese de ser mantido, sua revisão, a fim de excluir a correção pela taxa Selic, adequando o montante do crédito tributário ao art. 161 do CIN. Requer, ainda, a integral exclusão das multas de oficio, ou sua revisão para o percentual de 75%. No despacho de fl. 843 consta ter sido efetuado o depósito recursal necessário. Posteriormente, em 17/05/2006, o contribuinte apresentou razões aditivas ao recurso voluntário (fls. 847/855), acompanhadas dos anexos de fls. 856/895, consubstanciadas nos acórdãos prolatados pela Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes em sede de Recurso e Embargos de Declaração, este interposto pelo próprio Relator e Presidente da Câmara, sendo ambos referentes ao Processo n 2 10768.015833/2001-46 (Recurso n 2 145.581). O interessado entende ser cabível ajuntada de documentos com fulcro nos arts. 32, inciso III, e 38, da Lei n2 9.784/99, e art. 16, inciso IV (sic), § 4 2, alínea "a", do Decreto n2 70.235/72, pela impossibilidade de apresentação oportuna por motivo de força maior. • Os documentos apresentados dão conta do julgado no processo supramencionado, cuja decorrência com os presentes autos é aduzida pelo recorrente, alegando que ambos "têm por base o mesmo fato-causa, qual seja, a suposta existência de operações de renda fixa, simuladas sob a aparência de renda variável, numa íntima e indissociável relação de decorrência ou reflexividade." (grifos constam do original). Além da decorrência ou reflexividade entre os processos, o autuado apresenta, em apertada síntese, os seguintes argumentos: a) o Acórdão sobre o mesmo fato-base deste processo concluiu pela inexistência de simulação, não restando comprovado o caráter de renda fixa das operações; b) não é admissivel novo exame e valoração da mesma prova por se tratar de coisa julgada administrativa, no âmbito dos Conselhos de Contribuintes e dentro da própria Administração pública; e c) os pressupostos fáticos já decididos ensejam relação de prejudicialidade entre os dois processos. - É o relatório. 04 0,4 44.41A --— MF - SEGUNDO C r)N::::311 .t0 ^2. : -V;r:-.;;;JTES Processo n.° 19740.000057/2004-13 cem.::::::Rë GO , tm;;;INAL CCOVCO I Acárdâo n.° 201-79.603c.cs::ia. t Fls. 905 Márcia Cristi: ore"— -rc ia Ntà: Supà: .à à )x)2 Voto Conselheiro MAURÍCIO TAVEIRA E SILVA, Relator O recurso originariamente apresentado é tempestivo, atende aos requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. Quanto às razões aditivas, extemporaneamente apresentadas, entendo encontrar abrigo para sua apreciação no art. 16, § 4 2, alínea, "a" c/c a "b", do Decreto n2 70.235/72, por se tratar de fato superveniente, qual seja, o julgamento do Processo n2 10768.015833/2001-46, ocorrido posteriormente à entrega do recurso. Os aspectos relevantes dos documentos, posteriormente acostados aos autos, referentes à decisão prolatada no processo anteriormente mencionado, são os que a seguir se relatam. Às fls. 871/892, localiza-se o acórdão proferido pela Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, em cujas fls. 891/892 encontram-se as considerações do i. Conselheiro-Relator do voto condutor sobre os juros moratórios isolados e, ao final, a parte dispositiva do voto, assim consignadas, verbis: "Quanto aos juros moratórias isolados, segundo o Auto de Infração, trata-se de Falta de Recolhimento dos Juros de Mora (1RRF) Imposto de Renda na Fonte recolhido após o vencimento do prazo legal, sem o recolhimento dos respectivos juros de mora, referentes aos meses de janeiro de 1997 a dezembro de 1999. Como visto, da decisão relativa à multa isolada verificou-se que não houve recolhimento de imposto depois de vencido o prazo pela pessoa jurídica autuada. A própria fiscalização deixa registrado que os beneficiários dos rendimentos decorrentes das aplicações recolheram o imposto devido. Há que se considerar, também, neste caso, que os fatos do lançamento não correspondem com a verdadeira situação do contribuinte. Em face do exposto, voto por DAR provimento ao recurso, deixando de examinar as razões de mérito." (grifos constam do original). Em se tratando dos Embargos de Declaração, à fl. 858, assim encontra-se consignado em seu relatório, verbis: "O Conselheiro José Ribamar Barros Penha relator do Acórdão n° 106-15.150, de 07 de dezembro de 2005, que deu provimento ao Recurso Voluntário da interessada, ao assinar o Acórdão considerou oportuna a oposição de Embargos de Declaração, com base no art. 27 do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, aprovado pela Portaria MF n° 55, de 16 de março de 1998, por omissão quanto a apreciação da exigência de juros de mora isolados, conforme os termos do Despacho n° 106-009/2006, fls. 2910-2911, que lido em sessão de fevereiro foi acatado pela Cámara. Registra que 'decidido pelo afastamento da multa isolada por ausência de previsão legal, foi dado provimento ao recurso do contribuinte também quanto aos juros de mora isolados, entendendo-se os fatos não correspondem à verdadeira situação da contribuinte. Sem dúvida, esta • 41'HIA olITES 2 11;n,;4,2rtzi (e):-. Processo a° 19740.000057/2004-13 CCO2/C01 Acórdão a° 201-79.603 Fls. 906 é a matéria de mérito cuia apreciaçãoiartr:1123 mereceu;c' ao devido enj5-entamento do litígio. É o Relatório." Portanto, conforme se constata, os Embargos de Declaração decorreram do enfrentamento inadequado, na opinião do Relator, da exigência dos juros de mora isolados. Nesses Embargos o Relator faz uma série de considerações sobre a operação efetuada pelo contribuinte, entendendo que a Fiscalização não logrou comprovar a ocorrência de simulação Essas considerações levam o contribuinte a argumentar acerca da impossibilidade do enfrentamento da ocorrência ou não de simulação decorrente da aplicação em renda fixa travestida de renda variável, fato que, por ter sido objeto de exame em outro processo administrativo, constitui-se em coisa julgada administrativa. Quanto a esta afirmativa, de plano, não assiste razão ao recorrente, posto que, de forma expressa e diversa, dispõe o art. 469 do CPC, o qual se transcreve, verbis: "Art. 469. Não fazem coisa julgada: I - os motivos, ainda que importantes para determinar o alcance da parte dispositiva da sentença; 11- a verdade dos fatos, estabelecida como fundamento da sentença; - a apreciação da questão prejudicial, decidida incidentemente no processo". Conforme é cediço, apenas o dispositivo da sentença transita em julgado. Sobre • o tema assim leciona o ilustre jurista Luiz Fux em sua obra intitulada "Curso de Direito Processual Civil", ed. Forense, 2001, pp. 705/707: "O que nos interessa estabelecer é o âmbito de imutabilidade do julgado, uma vez que, consoante se afirmou anteriormente, nem tudo o que ojuiz conhece ele julga. 6.) A verdade dos fatos escapa dessa eficácia de imutabilidade posto _ que ditada por amplo subjetivismo do juiz na análise do material cognitivo. O que se revela verdade para um juízo pode llãO sê-lo para outro. Não há qualquer instrumento jurídico processual capaz de revestir essa verdade com a força da coisa julgada. Os motivos determinantes' para concluir, também se encartam na construção subjetiva do julgado, razão pela qual a coisa julgada passa ao largo desse componente do decisum." Complementando o tema, recorre-se ao insigne mestre Chiovenda (apud Fux, cit., p. 707), quanto à justificativa de os motivos se situarem fora do alcance da coisa julgada: • "O juiz enquanto razoa não representa o Estado, presenta-o enquanto afirma a vontade". Acrescentem-se, ainda, os valiosos ensinamentos do consagrado doutrinador Alexandre Freitas Câmara in "Lições de Direito Processual Civil", Vol. I, 61 edição, Ed. Lumen Juris, 2001, p. 404, da qual se extrai o esclarecedor excerto: "Completa-se este sistema com o que vem disposto nas arts. 469 e 470 do CPC. Com base nestes dispositivos se pode afirmar que apenas o dispositivo da sentença transita em julgado. g O relatório, que 1\f\WL ^ Processo n.° 19740.000037/2004-13 CCO2/C01 •SEG BUINTES Acórdão n.°201-79.603 Brasiba_zt___13 JP–€:— Fls. 907 r CONFEREECR°Et SCEOLIHr O u ORIGINAL - i: Márcia Cris na Garcia 302 obviamente não contém q ahpier eleme, e t etámt ' . , em Gaveta julgado. Quanto à motivaçao da sentença, esta não é alcançada pela coisa julgada, como se verifica pela leitura do art. 469 do CPC/3 Pode-se pensar num exemplo capaz de ilustrar o ponto. Imagine-se que Caio propõe ação em face de Tício alegando que sobre o imóvel do réu há uma servidão de caminho em beneficio do seu, e que o réu teria construído um muro que impede a utilização da passagem, razão pela qual pede a sua condenação ao pagamento de uma indenização pelos danos causados. Ticio contesta afirmando inexistir a referida servidão. O juiz, considerando existir a servidão, e tendo em vista a construção do muro, condena Ticio a indenizar Caio, tendo a sentença transitado em julgado. Posteriormente, Tício ajuíza em face de Caio 'ação declaratória de inexistência de servidão', pedindo tão-somente que se declare inexistir, sobre seu imóvel, qualquer servidão em beneficio do prédio do réu!' No sistema vigente entre nós, nada impede que se aprecie esta demanda, sendo mesmo possível que se venha a declarar inexistente a servidão, sem que haja qualquer ofensa à coisa julgada. Isto porque, naquele primeiro processo, apenas o dispositivo da sentença transitou em julgado, o que significa dizer que apenas o comando condenatório da sentença, que determinou que Tício indenizasse Caio, tornou-se imutável e indiscutível, pouco importando os motivos. Note-se que, ainda que se declare a inexistência da servidão, será impossível se pleitear a repetição do que havia sido pago, uma vez que o dispositivo daquela primeira sentença foi coberto pela autoridade de coisa julgada." Portanto, conforme se conclui, a coisa julgada material não abrange as premissas da decisão, razão pela qual este Colegiado deverá apreciar toda a matéria, objeto do presente processo, não havendo que se vincular às considerações, sobretudo àquelas efetuadas em sede de Embargos de Declaração no processo supracitado. Vencida esta etapa, passa-se à apreciação dos fatos inerentes a este processo. Com a devida vênia, os quase vinte anos dedicados à labuta em diversas instituições financeiras pelas quais este Relator transitou, o obrigam a ousar divergir dos entendimentos esposados no voto condutor referente ao processo precitado, julgado na Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes. Desse modo, passa-se a expor os motivos pelos quais se conclui que as operações, objeto deste processo, são, na verdade, operações de renda fixa. A despeito da aparente complexidade do presente processo, este decorre de falta de pagamento do i0F, imposto utilizado com a finalidade de suprir a ausência da CPMF ocorrida no período de 24/01/99 até 16/06/99. Visando uma melhor compreensão dos fatos, faz-se um breve relato da evolução legislativa acerca da matéria. Por meio da EC n2 12/96, da Lei n2 9.311/96 e da Lei n2 9.539/97, foi criada a CPMF, cuja provisoriedade de dois anos vigoraria de 23/01/97 a 23/01/99. Através da EC n2 21, de 18/03/99, sua cobrança é prorrogada por trinta e seis meses. Porém, em obediência ao prazo nonagesimal, sua arrecadação se reiniciou em 17/06/99. Deste modo, durante o período de 24/01/99 até 16/06/99 houve um hiato no recolhimento aos cofres públicos das contribuições decorrentes da CPMF, a qual foi suprida pela edição da Portaria MF n2 348/98, que altera a aliquota de IOF para 0,38% nas situações que menciona. ( MF -SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES CONFERE COMO OR1G!NAL Processo n.° 19740.00005712004-13 Brasilia .) 3 ; tt>6 CCO21C01Acórdão n.° 201-79.603 Fls. 908 Márcia CristiSéeira Garcia Ma: Slap: t 7592 Assim estabelece o art. 42 e § 1 2 da Portaria MF n2 348/98, verbis: "An. 42 Fica alterada para 0,38% a aliquota do 10F incidente sobre operações relativas a títulos ou valores mobiliários. g' 12 O 10F de que trata este artigo incidirá sobre o valor de aquisição do titulo ou valor mobiliário, inclusive quota de fluido de investimento ou de clube de investimento. § 2° Ficam sujeitas à alíquota zero as operações: 1 - de titularidade das instituições financeiras e das demais instituições autorizadas a funcionar pelo Banco Central do Brasil; II - das carteiras dos findos de investimento e dos clubes de investimento;. 111 - do mercado de renda variável, inclusive as realizadas em bolsas de valores, de mercadoria, de futuros e entidades assemelhadas;". (grifei) Portanto, conforme se verifica no presente caso, as operações relativas a títulos e valores mobiliários decorrentes de renda variável não pagarão o I0F, posto que a alíquota é zero, o que não ocorre nas operações de renda fixa, sobre as quais incide a alíquota de 0,38%. Segundo consignado no Termo de Verificação Fiscal, à fl. 449, a operação da qual decorre o presente lançamento foi denominada pelo recorrente de WAVE, sendo que este produto consiste em opções de compra de "swap" de taxa pré e variação cambial com juros, ou • seja; conforme descrito nas Notas de Negociação: "cada opção equivale ao direito de participar como contra-parte e na data de exercício da respectiva série, de um contrato de swap, de valor de base de R$ 1.000,00 (hum mil reais), com as seguintes-características: Serie: WAVE Início: 29/12/2015 • -Vencimento: 29/12/2016 Taxas c/ Indexador: Participante — Pré: 30,0% aa. Contra-Parte — US$ + 6% aa." Pela especificidade da operação, sem o propósito de dissertar, faz-se necessário tecer um breve comentário acerca desse produto, decompondo-se seus elementos, para melhor compreensão da operação e de seus objetivos. Desse modo, analisa-se um dos seus elementos, o "swap", uma espécie de derivativo, cujo objetivo é a troca de posições assumidas. Como exemplo tem-se um empresário que tomou empréstimo em dólar e, por não ser exportador e portanto não vender seus produtos em d6lar, teme uma possível valorização desta moeda, fato que lhe causariá prejuízos. Visando eliminar esse risco de variação cambial, recorre a uma instituição financeira que viabilizará a intermediação, de modo a conseguir-lhe um cliente em posição oposta, ou seja, seja exportador que tenha tomado dinheiro em reais e com interesse em tomá-lo indexado ao dólar, ou, um simples especulador que esteja disposto a assumir o risco no lugar do empresário que originariamente tomou empréstimo em dólar. Quanto à opção de compra, também se trata de uma espécie de derivativo, cujo propósito é permitir ao seu adquirente, mediante o pagamento de um valor relativamente MF • SEGUNDO Wt!rniSELHO DE CCNTRIBUINTES CONFERE COM O ORIGINAL Processo n.° 19740.000057/2004-13 Brzs:lia -13 i .s a- /oç CCO2/COl Ac6rcItIo n.° 201-79.603 Fls. 909 Márcia Cristina or ."ta Garciair Mn Stapc 502 pequeno, optar, em uma data futura predeterminada, por efetivar ou nao a compra do objeto negociado pelo preço anteriormente fixado. Suponha-se que o objeto negociado seja um determinado imóvel de valor atual de R$ 100.000,00, a opção de compra no valor de R$ 4.000,00 e seu vencimento no 7202 (septingentésimo, vigésimo) dia. Transcorridos dois anos, no dia do vencimento, se o valor do imóvel for de R$ 130.000,00, o dono da opção exercerá sua opção de compra, ou seja, pagará o preço anteriormente pactuado de R$ 100.000,00, obtendo um lucro de R$ 26.000,00 [130.000,00 —(4.000,00 +100.000,00)]. Caso, no dia do vencimento, o imóvel esteja valendo R$ 80.000,00, o dono da opção não exercerá seu direito de compra, pois teria que desembolsar R$ 100.000,00, por algo que só vale R$ 80.000,00. Desse modo, limitou sua perda nos R$ 4.000,00, referentes à aquisição da opção. No primeiro caso, se ao final do primeiro ano o valor do imóvel pactuado fosse de R$ 120.000,00, sem adentrar nos sistemas de precificação de opção, a opção de compra estaria valendo cerca de uns R$ 16.000,00, posto que, quem a adquirisse, estaria desembolsando R$ 16.000,00 e mais R$ 100.000,00 dentro de um ano, por um imóvel que hoje vale R$ 120.000,00 e dentro de um ano possivelmente ainda valha mais. Desse modo, enquanto o ativo principal, o imóvel valorizou 20%, a opção quadruplicou de preço. Portanto, conforme se observa, os derivativos decorrem de um ativo principal, cuja oscilação tem o mesmo sentido, porém, uma amplitude muitíssimo mais elevada. Concluindo: quem adquirisse esse produto, estaria apostando que durante o ano de 2016 a variação cambial do dólar, acrescida da taxa de juros de 6%, seria superior à taxa de 30%. Passemos a analisar o que a Fiscalização consigna no Termo de Verificação Fiscal de fls. 449/466, cujas constatações abaixo descritas tendem a demonstrar que o produto WAVE, opções de compra de "swap" de taxa pré e variação cambial com juros, trata-se, na verdade, de uma operação de renda-fixa, indexada a um percentual do CDI: a) conforme demonstram as planilhas de fls. 274/448, "Demonstrativo de Rentabilidade obtida com o produto WAVE - equivalência com uma aplicação de renda fixa pós-fixada" que retratam 7.073 operações, há uma surpreendente regularidade dos rendimentos obtidos nessa modalidade de aplicação; b) não se verifica a ocorrência de perdas, próprias das operações com renda variável; c) além de os rendimentos serem regulares e positivos, em sua esmagadora maioria, próxima à totalidade, são equivalentes à taxa de 90% do CDI, evidenciando a garantia de rentabilidade vinculada a um percentual da taxa do CD!, para o período, conforme demonstrado através do "Demonstrativo de Rentabilidade Obtida com o produto WAVE — equivalência com uma aplicação de renda fixa pós-fixada" de fls. 274/446, elaborado pela Fiscalização; d) o ativo de referência, rentabilidade mensal do dólar, oscilou significativamente no período em questão, conforme se verifica às fls. 220/223. Este evento decorreu das mudanças no câmbio implementadas pelo Banco Central, à época, ocasião em que foi adotado o regime da livre flutuação cambial. Este fato obrigaria a que as operações, caso seguissem quaisquer sistemas de precificação, experimentassem uma volatilidade incomum do produto final WAVE, completamente incongruente e incompatível com a estabilidade verificada; i1/449\., \ MF-SE: CON FERE COM O ORIGINAL Processo n.° 19740.0000571200443 CO2/C01 :4:0 :V.:Elia:H-10 DE Ce_plITRIBUINTES C Acórdão n.° 201-79.603 • Is. 910 Márcia Cri Jna 7.. o "-a Garcia Mal ,..,c 11175112 e) objetivando coibir prátic.i. irregu ares, como, e. g., emissão de contratos efetuados posteriormente ao evento e antedatados, o órgão normatizador, através da Resolução CMN n2 2.138, de 29/12/94, art. 3 2, estabeleceu a obrigatoriedade do registro dessas operações junto à Cetip ou sistemas equivalentes, devidamente autorizados pelo Banco Central do Brasil - Bacen, ou pela CVM, e que atendam às necessidades de fiscalização e controle por parte do Bacen. Seu art. 42 veda a realização de operações de "swap" que não as contempladas na própria Resolução, bem assim a prática de quaisquer outras modalidades de operações de liquidação finura no mercado de balcão; f) o estabelecimento de regras rígidas por parte da autoridade monetária se justifica por não se tratar simplesmente de um contrato entre particulares, mas de prática efetuada por instituição financeira, a qual está obrigada a respeitar as normas que visam à proteção da economia popular. Porém, a despeito da determinação de caráter vinculado obrigando ao registro, conforme consignado no Termo de Verificação Fiscal, à fl. 461, não houve atendimento a esta determinação; g) registre-se, ainda, a ocorrência, em um mesmo dia, de preço unitário de resgate com valores diferentes, fato próprio das operações de renda fixa, em decorrência da necessidade de ajustar o preço do ativo negociado, visando ao cumprimento de acordo remuneratório, ou seja, o preço de compra/recompra do ativo será determinado pelo preço anterior registrado no momento da venda, acrescido da rentabilidade acordada, sendo completamente incompatível com aquisição de ativos de renda variável com características de longo prazo; e h) ocorrência de venda em quantidade fracionária, própria de ativos que, em decorrência de acordos prévios, serão obrigatoriamente recomprados. Fato impossível em se tratando de uma operação normal de renda variável, posto que não se pode negociar meio título. Conforme se verifica no relatório "EXTRATO DAS OPERAÇÕES DE OPÇÃO DE SWAP - PRODUTO WAVE - NO PERÍODO DE 24/01/99 A 16/06/99", às fls. 06/161, a permanência dos investidores nessa modalidade de investimento, ou seja, a aplicação e o posterior resgate, em sua grande maioria ocorreu em prazo inferior a trinta dias, inclusive com aplicações de apenas um dia, tal como as operações de over night. Esta prática de negociação do produto WAVE, muito se assemelha a antiga modalidade de investimento denominada "conta remunerada", através da qual o saldo de conta corrente era direcionado à aquisição de títulos, e resgatados diariamente, na medida do necessário ao atendimento dos saques ou pagamentos efetuados pelo cliente. - - Registre-se que, apesar de desnecessária a diligência efetuada junto aos clientes, de modo a confirmar tratar-se de operação de renda fixa ou variável, dos 496 clientes foram pesquisados 325, desconsiderando-se aqueles cuja situação cadastral encontrava-se suspensa, inapta ou cancelada, e ainda aquelas cujos clientes efetuaram até quatro operações. Das respostas consideradas elucidativas, 95 responderam tratar-se de renda fixa e 79 como sendo de renda variável. Cabe fazer uma retrospectiva sobre a taxa de juros Selic, a qual é considerada a taxa básica de mercado. Enquanto nos dias de hoje essa taxa vem caindo lentamente, encontrando-se no patamar de 14,75% a.a., no período em questão, saiu dos 32,5% a.a. em 24/2001, atingiu 45,0% a.a. em 19/2003, decrescendo para 21,9% a.a. em 16/2006, na tentativa de evitar a escalada do dólar. Esta oscilação da taxa básica do mercado determinaria uma variação significativa no preço do produto "wave", incompatível com a estabilidade dos preços praticados. 4 tõ: e;g3+J)4D0 CNSEU IO DE CeNTR;BUINTES CONFERE C 3M O ORIGINAL Processo n.° 19740.000052/2004-13 c2- liaL 02/C01 Acárdao n.° 201-79.603 .. 911 Márcia is ina ; lar 'ira Garcia ,c .n175112 Em cenários de incertezas po 1 ico-economicas ocorrem oscilações expressivas de preços fazendo com que o mercado se retraia e os negócios se concentrem no curtíssimo prazo, pois os riscos se tornam muito elevados, com reflexos mais significativos nos ativos de longo prazo que, por conseqüência, perdem a liquidez. Nesse quadro são cabíveis algumas indagações: 1) qual o propósito negocial em se adquirir opções de compra de "swap" de taxa pré e variação cambial com juros, com início em 2015 e vencimento em 2016? Corno renda variável, não há lógica. Entretanto, como renda fixa travestida de renda variável, além de se evitar a retenção de imposto na fonte da ordem de 20%, enquanto em renda variável, era de 10% e não era na fonte, evita-se, também, o pagamento de KW. Desse modo, devido ao não pagamento dos impostos pertinentes, é possível o banco oferecer aos seus clientes um produto com uma rentabilidade mais atrativa do que os investimentos tradicionais de renda fixa, e ainda com um custo para o banco, inferior às captações ordinárias; 2) considerando o cenário de incertezas e a conseqüente concentração de negócios no curto prazo, o que levaria uma instituição financeira a negociar ativos de tão longo prazo? Em regra, a necessidade de um instrumento adequado, para lastrear e encobrir acordos verbais pactuados com o cliente. Desse modo, um título de longo prazo atende a três elementos fundamentais: 2.a) pela falta de parâmetro para que se possa estabelecer o preço justo e adequado do ativo, possibilitando maior elasticidade no preço do título visando ao cumprimento de acordos verbais de rentabilidade; 2.b) pela ausência de preços comparativos, torna-se mais difícil a demonstração • da fraude pelos órgãos fiscalizadores; e 2.c) impede que o cliente "quebre" o pacto e resolva assumir que o que vale é o que está escrito, na eventualidade de representar um ganho maior que o anterior e verbalmente acordado. Conforme se pode constatar, a ocorrência concomitante dos fatos precitados é simplesmente i-m-p-o-s-s-f-v-e-1 de se verificar em operações de renda variável. De outra banda, a congruência dos elementos apresentados, todos com as características das operações de renda fixa, são mais do que suficientes para se concluir tratar-se desta modalidade de operação. - - - Registre-se que esta também foi a conclusão a que chegou o Banco Central do Brasil, conforme consignado em seu oficio datado de 21/06/2000, de fls. 272/273, anteriormente mencionado, encaminhado à SRF, do qual se extrai o seguinte excerto: "O Banco Central do Brasil, no exercício de sua atividade fiscalizadora, em inspeção realizada no BANCO BOZANO, SIMONSEN S/A (CGC 33.517.690), situado na Av, Rio Branco, 138, na cidade do Rio de Janeiro (RJ), constatou que aquela instituição não efetuou retenção de Imposto de Renda Retido na Fonte sobre os rendimentos de aplicações financeiras caracterizadas como de renda fixa, feitas por seus clientes. 2. O Banco realizava captações através de produtos denominados: WAVE, que são opções de swap cambial, com início em 29/12/2015 e término em 29/12/2016; e OFC, opções flexíveis de compra de US$, com preço de exercício de R$ 2,58 e vencimento em 02/2000. As 'opções' eram tronsadoitati s ( 3ilak., • - ceNTR;BUNTES Cril•*EX:a GOPA O 0::»?.AL J3 Processo n.° 19740.0000571200413CCC2/C01 AcárrItio n.°201-79.603 Márcia Cristar.ek-e-6. areia Fls. 912 Liat Si4pc 11117502 particular e exclusivamente entre o Banco Bozano, Simonsen e seus clientes, que compram as opções e depois revendem à instituição por um preço maior, sendo a diferença correspondente à variação do índice acumulado da taxa dos Depósitos Interfinanceiros no período entre compra e venda. As cotações das 'opções' variam proporcionalmente à taxa DI, sendo inteiramente insensíveis às variações nas expectativas em relação aos preços dos ativos-base. 3. Em nosso entendimento, tais operações são, em essência, aplicações de renda fixa, indexadas à taxa dos Depósitos Interfinanceiros, simuladas como opções apenas para o enquadramento dos rendimentos, assim auferidos, em categoria de tributação mais favorável e sem retenção pela fonte pagadora. 4. Informamos adicionalmente que: (.) c) essas captações .em 'opções foram interrompidas em julho/99, durante o curso dos trabalhos de campo desta fiscalização. • (4". Dito isto, passa-se à análise da utilização de provas indiretas visando demonstrar a ocorrência de determinados fatos. Para tanto, valho-me dos ensinamentos do ilustre tributarista Ricardo •Mariz de Oliveira, em seu artigo, "Lucros de Coligadas e Controladas no Exterior e Aspectos de Elisão e Evasão Fiscal no Direito Brasileiro e no Internacional": Quando se trata de situações de evasão fiscal, a prova se torna muito difícil, seja porque normahnente os autores da mesma procuram se - cercar de elementos de defesa principalmente baseados na ocultação da realidade, como também, em situações limítrofes entre a elisão e a evasão, circunstâncias mínimas podem assumir decisiva importância - para a formação da convicção do julgador quanto à efetividade dos fatos ou a ser lícita ou ilícita a economia tributária. (.) Pode-se discutir sobre a validade teórica da prova indiciária, quando não acompanhada de outros meios, mas na prática o seu uso ocorre costumeiramerue, e, ademais, não se pode olvidar um antigo acórdão do Supremo Tribunal Federal, segundo o qual 'o Código de Processo Civil, de 1939, art. 252, erige o indicio em rainha das provas, em se tratando de casos de má-fé, dolo, simulação e fraude'. (.) Arruda Alvim explica em seu Mnitial de Direito Processual Civil', Editora Revista dos Tribunais, 60 ed., vol. 2, p. 592: 4. 3 •Processo n.° 19740.00005712004-13 3 1 CCO2/C01 Acórdão n.°201-79.603 Fls. 913 Márci2. Cristi a A ira Garcia y •ez 4:4, • ui 115112 'O indicio é fato provado que, estando na base do raciocínio do juiz, leva a que este creia (como acreditaria qualquer 'homo mediu?) que tenha ocorrido outro fato (o fato principal). A este raciocínio se dá o nome de presunção 'hominis'.' (s) De mais a mais, alguns trechos daquele referido acórdão do Supremo Tribunal Federal demonstram que o assunto insere-se em patamar mais elevado do que apenas a norma inscrita no antigo código processual civil. Eis alguns: 'A simulação, assim como a fraude, o dolo, os atos de má-fé em geral, que invalidam os contratos, dificilmente poderão ser provados pelos meios comuns subministrados pelas provas baseadas na percepção e na representação. Antes, as presunções e indícios, que figuram entre as chamadas provas críticas, é que são específicos para surpreender tais vícios (Ministro Moacyr Amaral Santos, Prova Judiciária no eivai e Comercial, V/458).' Ainda no voto de Baleeiro, é feita menção ao recurso extraordinário n. 57420, onde o Ministro Vilas Boas votou com as seguintes palavras: 'Ora, a simulação demonstra-se por indícios e presunções. 'Considera-se indício a circunstância conhecida e provada que, tendo relação com o fato, autorize, por indução, concluir-se a existência de outra ou outras circunstâncias'.'(C. Pr. Pen., art. 239). Prossegue Baleeiro, citando, além de mencionar outros precedentes da mesma corte: 'Nos embargos, afinou com esse voto o do relator, o eminente Ministro Pedro Chaves: 'A prova indiciária sobre que assentam as presunções é de grande utilidade e aplicação no deslinde das questões presas às argüições de simulação, dolo, fraude e Outras mistificações praticadas contra a boa-fé e é, por essa razão, que a lei em sua função protetora da seriedade dos atos jurídicos, admite a prova das alegações por indícios e circunstâncias (C. Pr. Civ., art. 252) e consagra no art. 253 do C. Pr. Civ. a livre apreciação do juiz, sobre os indícios, levando em consideração a natureza do negócio, a verossimilhança dos fatos e até a reputação dos indiciados. Foi isso que fez o magistrado de primeira instância, foi isso que ensinou o eminente relator do acórdão embargado. O dolo, a fraude, a simulação, não podem prevalecer sobre a boa-fé e a Justiça não deve acobertar os estelionatários civis'.' E conclui: 'Com base nos precedentes já apontados e porque os indícios, - como pareceram também ao eminente Ministro Xavier, - induzem a simulação contra a lei e contra o Fisco, recebo os embargos para anular a escritura de retrovenda, WiL (ird W1=- - .Processo n.° 19740.000057/2004-13 GR:31W CCO2/C01 Acórdão n.° 201-79.603 rmat-... .13 . A 3- t_C7 Fls. 914 Marc i -: Cri lu r Garcia Em suma, não se deve fe ar os ISifiCaliVOS da - existência de práticas legais ou ilegais, principalmente no terreno da elisão ou da evasão fiscal, conforme também se pode aquilatar pelo acompanhamento da jurisprudência administrativa • (.) No campo dos lançamentos tributários e dos autos de infração à legislação tributária, não se trata de admitir simples suspeitas, pois os indícios de que se valem as autoridades fiscais e os órgãos de julgamento devem representar fatos que estejam devidamente comprovados, e também devem conter um nexo de conexão lógica entre o fato provado que se toma como indício e a conclusão que dele se quer tirar. Sendo assim, ordinariamente um só indício não basta', nem dois ou mais que não cheguem a ter representatividade do fato ignorado a ser provado, pois, com tão poucos elementos, quando muito se pode estabelecer uma mera possibilidade da ocorrência do fito, mas não a certeza da mesma acima de uma dúvida razoável. Por isso mesmo, a jurisprudência administrativa, com a sabedoria acumulada pela experiência de muitos julgados, inclina-se sempre por admitir ou não admitir o fato a partir de uma série de indícios e da sua densidade, variando tanto a natureza quanto a quantidade dos fatores indiciários conforme as exigências e o objeto de cada caso." (.)". Ainda sobre as provas indiciarias, sua relevância pode ser de tal magnitude, de modo a possibilitar sua utilização até mesmo na esfera penal, encontrando-se em jogo o direito a liberdade, um dos direitos mais severamente tutelados em nosso ordenamento jurídico, conforme demonstra a ementa abaixo do STJ: "RECURSO ORDINÁRIO EM HABEAS CORPUS N° 14.818 - SP (2003/0140287-0) RELATORA : MINISTRA LAURITA VAZ EMENTA RECURSO EM HABEAS CORPUS. PROCESSUAL PENAL. CRIME DE EXTORSÃO MEDIANTE SEQÜESTRO PRISÃO PREVENTIVA. ALEGAÇÃO DE NULIDADE DO ÉDITO CONSTRITIVO. PROVA ILÍCITA. NÃO OCORRÊNCIA. FUNDAMENTAÇÃO JUDICIAL EMBASADA EM OUTRAS PROVAS 1NDICIÁRIAS ROBUSTAS E AUTÔNOMAS. LIBERDADE PROVISÓRIA. CONDIÇÕES PESSOAIS FAVORÁVEIS. IRRELEVÁNCL4. PRECEDENTES DOS STI I. Restou cabalmente demonstrado e justificado, tanto pelo Juizo monocrático, quanto pelo Tribunal de origem, que a prisão preventiva decretada em desfavor do Recorrente, baseou-se em outras provas indiciárias robustas que, de fato, comprovam a sua participação no indigitado delito. ,1/25VG, Ao contrário das presunções jurídicas, que podem se basear em um único fato previsto nas respectivas normas. -;-fa.GUN7,X: , cv • ;;;UN r<-; Processo n.° 19740.000057/2004-13 t. CCO2/C01 CON'Acórclilo n.°201-79.603 Bast.:a 33 5 pr. 1_0-ç- Fls. 915 M' ‘^-trn5 ço 1:IN jarda 2. A circunstáncia do Re rrente pasiiiici n; esfjavoráveis com . . pritnariedade, bons antece -raia'Ião é suficiente e tão-pouco garantidora de eventual direito de liberdade provisória, quando o segregamento cautelar decorre de outros elementos constantes nos autos que recomendam. 3.Recurso desprovido." Após todas esses considerações sobre a utilização de indícios como forma de demonstrar a ocorrência de determinados fatos, que, no presente caso, encontram-se claramente evidenciados, devido à expressiva quantidade de indícios apresentados e, repise-se, todos convergentes, lastreando a validade do lançamento do modo como se apresenta. Ademais, os argumentos trazidos pelo recorrente em seu recurso não evidenciam fatos capazes de mitigar as conclusões da Fiscalização lastreadas no presente processo. Demonstrado tratar-se de renda fixa, passa-se à análise 'quanto à subsunção ao termo "Título". Nesse tópico, socorro-me da definição constante do Dicionário Jurídico Maria Helena Diniz, 1998, que assim define o referido vocábulo: "... 3. Direito Civil. a) Instrumento público ou particular que autentica ou comprova a aquisição de um direito; ... ... 4. Direito comercial e direito cambiário. a) Papel negociável ou circulável; ...". Analisando o tema, os ilustres autores, Andrea Fernandes Andrezo e Iran Siqueira Lima em sua obra "Mercado Financeiro: Aspectos Históricos e Conceituais", São Paulo, Pioneira Thomson Learning, 2002, p. 161, trazem à baila a interpretação de Hull, que assim se pronuncia a respeito de derivativos: "Futuros e opções são espécies de derivativos. Para HULL, 'derivativos podem ser definidos como títulos cujos valores dependem dos valores de outras variáveis mais básicas "(grifo nosso) Pela profundidade e brilhantismo com que abordou o tema, cabe transcrever a conclusão do ilustre tributarista e prof. Roberto Quiroga Mosquera (in "Tributação no Mercado Financeiro e de Capitais", São Paulo: Dialética, 1998, p. 107/117 e 132), o qual, após dissecar o assunto no capítulo "5. O (sic) Conceitos das Expressões 'Operações de Crédito', 'Operações de Câmbio', 'Operações de Seguro' ou 'Operações Relativas a Títulos ou Valores Mobiliários" (pp.107/117), relata em capítulo posterior (p.I32), o seguinte entendimento: "8. A Regra-Matriz do Imposto sobre Operações Relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - (10/Títulos) 8.1 O critério Material da Regra-Matriz Tributária do 10/Títulos O critério material da regra-matriz do 10/Títulos é realizar operações relativas a títulos ou valores mobiliários, assim entendidos os negócios jurídicos relativos a investimentos oferecidos ao público, sobre os quais o investidor não tem controle direto, cuja aplicação é feita em dinheiro, bens ou serviço, na expectativa de lucro, não sendo necessária a emissão do título para a materialização da relação obrigacional "". 2{5531, • • mp ' CC:Nr Processo n.°19740.000057/2004-13 Brz I 5 C'S CCO2/C01 Acórdão n.°201-79.603 Fls. 916 Márcia Criv na ,v • Garcia ma .* 0502 Importante consignar o entendimento da autoridade monetária, desde 1992, conforme dispõe a Resolução CMN n 2 1.907, de 26/02/92, que, em seu art. 1 2, resolveu, verbis: "Art. 1°. Considerar como valores mobiliários, para os efeitos do inciso III do art. 2° da lei n° 6.385, de 07.12.76, os seguintes títulos: 1- direitos de subscrição de valores mobiliários; II - recibos de subscrição de valores mobiliários; iii - opções de valores mobiliários; • IV - certificados de depósitos de ações." Como se não bastasse, a Lei n2 6.385/76, com redação dada pela Lei n2 .10.303/2001, em seu art. 22, assim define valor mobiliário: "Art. 2° São valores mobiliários sujeitos ao regime desta Lei: (.) VII - os contratos futuros, de opções e outros derivativos, cujos ativos subjacentes sejam valores mobiliários; VIII - outros contratos derivativos, independentemente dos ativos subjacentes; e IX - quando ofertados publicamente, quaisquer outros títulos ou contratos de investimento coletivo, que gerem direito de participação, de parceria ou de remuneração, inclusive resultante de prestação de serviços, cujos rendimentos advêm do esforço do empreendedor ou de . terceiros." Portanto, conforme demonstrado, as negociações (venda/compra) de Opção de Swap, exemplificadas às fls. 216/219 e 252/254, enquadram-se tanto no conceito de títulos quanto no de valores mobiliários, havendo total subsunção ao que dispõe o art. 4 2 e § 1 2 da Portaria MF n2 348/98. Não prospera a alegação da recorrente de que não poderia o Poder Executivo - - - alterar a alíquota do TOF por decreto e muito menos por portaria ministerial. O parágrafo único do art. 1 2 da Lei n2 8.894/94, conforme abaixo transcrito, autoriza o Poder Executivo promover alteração de alíquotas: "Art. 1°. O Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguro, ou relativas a Títulos e Valores Mobiliários será cobrado à alíquota máxima de 1,5% ao dia, sobre o valor das operações de crédito e relativos a títulos e valores mobiliários. Parágrafo único. O Poder Executivo, obedecidos os limites máximos fixados neste artigo, poderá alterar as alíquotas do imposto tendo em vista os objetivos das políticas monetária e fiscal." Quanto à alteração da alíquota efetuada por Portaria do Ministro da Fazenda, decorre de delegação expressa através dos arts. 6 2, parágrafo único, 14; § 32, e 28, § 42, do Decreto n2 2.219/97. Ademais, como é cediço, não cabe às instâncias administrativas apreciar argüição de inconstitucionalidade/ilegalidade, de norma inserida no ordenamento jurídico • 3/4 - SEC Processo n.° 19740.000057/2004-13 13 5 D-.. _ 4 CCO2/C01 Acórdão n.° 201-79.603 Fls. 917 Márcia Crlso. 'ia nacional, cuja presunção é de legalidade. A competência para apreciação dessa matéria acha-se reservada ao Poder Judiciário. Novamente se engana o recorrente quando aduz acerca da inexistência da prova concreta capaz de autorizar a presunção de dolo, fraude ou simulação. O produto WAVE, caracterizado pelas opções de compra de "swap" de taxa pré e variação cambial com juros, trata-se, na verdade, de uma operação de renda-fixa, tendo a contribuinte, reiteradamente, utilizado-se de condições e cláusulas não verdadeiras, agindo dolosamente, de modo a impedir o conhecimento pelo Fisco da ocorrência do fato gerador, posto não se tratar de renda variável, assim como modificar as suas características essenciais, de modo a evitar o pagamento do I0F. Pelo exposto, é de se considerar devida a multa agravada, decorrente da atuação dolosa do recorrente e o seu evidente intuito de fraude, conforme demonstram as provas trazidas pela Fiscalização, as quais o recorrente não logrou infirmar. Sobre a ilegalidade da aplicação da taxa Selic para cálculo dos juros de mora, aplicável aos débitos fiscais, cabe consignar que as Leis n 9.065/95, art. 13, e 9.430/96, art. 61, § 32, que normatizam sua aplicação, estão em perfeita harmonia com o art. 161 do CTN, que autorizou a lei ordinária a dispor de modo diverso do estabelecido na norma complementar e em momento algum exigiu que a taxa fosse fixada pela lei em sentido estrito. Estando o encargo previsto em normas jurídicas emanadas do órgão legiferante competente, só resta à Administração Pública velar pela sua fiel anlicação, restando aos inconformados buscar a tutela de seus alegados direitos na via judicial. Quanto ao argumento da recorrente de que a multa de oficio não poderia lhe ser exigida devido a troca de seu controle acionário, ocorrida em 18/01/2000, não há como prosperar, pois, desse modo, estar-se-ia suprindo os efeitos coercitivos das normas com vistas ao seu cumprimento, através de acordo de vontade dos sócios. • A sucessora tem a obrigação de regularizar a situação da sucedida com o Fisco. Imaginar que, mesmo inerte, sua condição de sucessora enseja a não aplicação da multa a colocaria em posição mais favorável do que a preconizada ao advento da denúncia espontânea, afinal, a espontaneidade _está limitada ao início de procedimento fiscal, enquanto que, pela teoria da recorrente, as penalidades nunca seriam devidas, mesmo que constatadas em - procedimento de fiscalização, o que significaria um inimaginável estímulo à inadimplência. - Assim" sendo, a interpretação do art. 132 do CTN há que ser obtida combinando- o com o art. 129, também do CTN, que introduz a Seção da Responsabilidade dos Sucessores, verbis: "Art. 129. O disposto nesta Seção aplica-se por igual aos créditos tributários definitivamente constituídos ou em curso de constituição à data dos atos nela referidos, e aos constituídos posteriormente aos mesmos atos, desde que relativos a obrigações tributárias surgidas até a referida data." (grifei) Como as multas incluem-se no conceito de crédito tributário e o art. 132 se insere nesta seção, há de se proceder a uma interpretação sistemática do CTN para concluir que a responsabilidade dos sucessores compreende as multas também. (ft- MF - Processo n.° 19740.000057/2004-13 . D, . CCO2C01 Acórdão n.°201-79.603 Fls. 918 Má;e1.1 vit:C ira Garkãl ',ia; Sito: 17502 Citem-se as consideraçõ 'tuStre" oiCtel[..E.1:r'AT-1 -riana Gomes Rêgo Galvão, que em seu voto, no Acórdão n2 201-77.143, brilhantemente abordou o tema, conforme abaixo se transcreve: "Pensar diferente, seria admitir reorganizações societárias com o fito exclusivo de se livrar das multas punitivas, ou seja, seria admitir a possibilidade de alguém se liberar de uma penalidade por mera liberalidade, vez que os eventos de fusão, cisão, incorporação, nada mais são do que o resultado de um ato de vontade dos sócios. Neste sentido já decidiu o Superior Tribunal de Justiça, conforme o Acórdão abaixo transcrito, da lavra do Ministro José Delgado: "TRIBUTÁRIO. EMPRESA INCORPORADORA. SUCESSÃO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DO SUCESSOR. MULTA FISCAL (MORATÓRIA). APLICAÇÃO. ARTS. 132 E 133, DO CTN. PRECEDENTES. I. Recurso Especial interposto contra v. Acórdão segundo o qual não se aplicam os arts. 132 e 133, do CTN, tendo em vista que multa não é • tributo, e, mesmo que se admita que multa moratória seja ressalvada desta inteligência, o que vem sendo admitido pelo STJ, incasu trata-se de multa exclusivamente punitiva, uma vez que constitui sanção pela não apresentação do livro diário geral 2. Os uns. 132 e 133, do CTIV, impõem ao sucessor a responsabilidade integral tanto pelos eventuais tributos devidos quanto pela multa decorrente, seja ela de caráter moratório ou punitivo. A multa aplicada antes da sucessão se incorpora ao patrimônio do contribuinte, podendo ser exigida do sucessor, sendo que, em qualquer hipótese, o sucedido permanece como responsável Portanto, é devida a multa, sem se jazer distinção se é de caráter moratório ou punitivo,' visto ser ela imposição decorrente do não pagamento do tributo na época do vencimento. 3. Na expressão 'créditos tributários' estão incluídas as multas moratórias. 4.A empresa, quando chamada na qualidade de sucessora tributária, é responsável pelo tributo declarado pela sucedida e não pago no vencimento, incluindo-se o valor da multa moratória. 5. Precedentes das 1° e 20 Turmas desta Corte Superior e do colendo STF • 6.Recurso provido." (REsp 432.049, DJ de 23/09/2002, pág. 279) Registre-se, ainda, que, conforme dito anteriormente e consignado no Termo de Verificação Fiscal, o que ocorreu foi uma simples troca de controle acionário e posterior alteração da razão social. A pessoa jurídica não se confunde com os seus acionistas e, nos termos do art. 121 do C1N, "Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária.". Portanto é devida multa de oficio pelo recorrente. 4K. Processo n.°19740.000057/2004-13 CCO2/C01 Acórdão n.° 201-79.603 Fls. 919 Márcia Cris. zira Garcia mal 4 .e ot t7502 Assim decidiu o STJ no REsp n 2 300.180-SP, de 08/11/2005, tendo como relator o Ministro Castro Meira, cuja ementa, abaixo se transcreve: "TRIBUTÁRIO. MULTA. ALTERAÇÃO NO QUADRO SOCIAL ART. 133 DO CTN. 1NAPLICABILIDADE. I. O art. 133 do CTN é de aplicação restrita aos casos em que uma pessoa natural ou jurídica adquire de outra fiado de comércio ou estabelecimento. Não se aplica ao caso de mera alteração no quadro social, pois o sujeito passivo permaneceu o mesmo, não se revestindo de qualquer interesse verificar quem eram os sócios que integravam o seu quadro social, se houve a substituição de um ou alguns por outros tantos. A pessoa jurídica, como se sabe, é distinta dos sócios que a compõem. 2. Recurso especial improvido." Isto posto, nego provimento ao recurso voluntário. Sala das Sessões, em 22 de setembro de 2006. MAtJfrI TAVE • " ILVA 10— . \I" .• • :- Processo n.• 19740.000057/2004-13 . _ CCO2/C01 AcOrdito n.° 201-79.603 Fls. 920 NIxei a islin W.eria-Garc ia M3I SUPC ot17591 DECLARAÇÃ • ISTA VENCIDO CONSELHEIRO FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA Pedi vista desses autos para melhor me inteirar da questão debatida e, examinando-os, ouso divergir parcialmente do ínclito Relator, dando provimento parcial ao recurso voluntário para o fim de excluir do lançamento a multa punitiva aplicada ao sucessor tributário, que reputo indevida, nos expressos termos dos arts. 131, inciso I, 133, inciso II, e 137, do CTN. Com efeito, tratando-se de infração cujo dolo especifico é elementar - como se deduz do agravamento da penalidade e expressamente reconhece o d. Relator -, nos expressos termos dos arts. 131, inciso I, 133, inciso II, e 137, do CTN, a responsabilidade é pessoal do agente e, portanto, intransferível, donde decorre que a penalidade aplicável (multa punitiva) jamais poderia passar da pessoa do infrator (art. 5 2, XLV, CF/88) ou ser transferida ao sucessor tributário que adquire o fundo de comércio do contribuinte infrator. Nesse sentido é pacífica a jurisprudência da Suprema Corte, como se pode ver das seguintes e elucidativas ementas: "I. CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL, ART- 133. O SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL SUSTENTA O ENTENDIMENTO DE QUE O SUCESSOR E RESPONSÁVEL PELOS TRIBUTOS PERTINENTES AO FUNDO OU ESTABELECIMENTO ADQUIRIDO, NÃO, PORÉM, PELA MULTA QUE, MESMO DE NATUREZA TRIBUTÁRIA, TEM O CARÁTER PUNITIVO. 2. RECURSO EXTRAORDINÁRIO DO FISCO PAULISTANO A QUE O STF NEGA CONHECIMENTO PARA MANTER O ACÓRDÃO LOCAL QUE JULGOU INEXIGIVEL DO SUCESSORA MULTA PUNITIVA." (PRIMEIRA TURMA do STF no RE n2 82.754/SP, Rel. Min. ANTONIO NEDER, em sessão de 24/03/1981 publ. in DJU de 10/04/1981 pág. 3174 EMENT VOL- 01207-01 PP-00326 e in RTJ Vol. 98-03 pág. 733) "LC.M. - MULTA FISCAL - SUCESSOR. O ADQUIRENTE DO FUNDO DE COMÉRCIO, NOS TERMOS DO ART. 133 DO CÓDIGO - TRIBUTÁRIO NACIONAL, RESPONDE PELOS TRIBUTOS DEVIDOS PELO ANTECESSOR, MAS NÃO PELAS MULTAS, MORMENTE SE ESTÁS NÃO FORAM IMPOSTAS ANTES DA TRANSFERÊNCIA DO ESTABELECIMENTO. RECURSO EXTRAOR- DINÁRIO PROVIDO EM PARTE." (Acórdão da l e Turma do STF no RE n9 89.334/RJ, Rel. Min. CUNHA PEIXOTO, em sessão de 16/06/1978, pubL in DJU de 25/08/1978, EMENT VOL-01104-01 pág. 467 e in RTJ vol. 94-02, pág. 758) "MULTA FISCAL POR INFRAÇÃO EM QUE O DOLO ESPECÍFICO DO AGENTE É ELEMENTAR. INEXIGIBILIDADE AO SUCESSOR RECURSO EXTRAORDINÁRIO DENEGADO. AGRAVO REGIMENTAL NÃO PROVIDO." (cf. Acórdão da I e Turma do STF no Al ne 63.268/SP, em sessão de 27/05/1975, Rel. Min. RODRIGUES ALCKMIN , publ. in DJU de 24/0611975) l'41; • SEGUNC1:1C0 r:3"-.:.110 r3;:- nas Processo n.° 19740.000057/2004-13 CCO2/COi Acórdão n.°201-79.603 Fls. 921 Maria Garcia M 7SIC "MULTA FISCAL - SUCESSOR. O ADQUIRENTE DO FUNDO DE COMÉRCIO, NOS TERMOS DO ART. 133, DO CTN, RESPONDE PELOS TRIBUTOS DEVIDOS PELO ANTECESSOR, NÃO PORÉM POR MULTAS, SOBRETUDO SE IMPOSTAS A ESTE POSTERIORMENTE A AQUISIÇÃO." (cf. Acórdão da 11 Turma do STF no RE n2 77.47I/SP, em sessão de 09/08/1974, Rel. Min. DJACI FALCAO, publ. in DJU de 06/12/1974). Indiscrepante também a jurisprudência deste Conselho, como se pode ver das seguintes ementas: "(..) IR.P.J - PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - RESPONSABILIDADE DOS SUCESSORES - MULTA - Tributo e multa não se confundem, eis que esta tem caráter de sanção, inexistente naquele. Na responsabilidade tributária do sucessor não se inclui a multa punitiva aplicada à empresa. Inteligência dos artigos 3.° e 132 do C7W. (Decisão do STF no RE n2 92834- MG, relator Ministro Djaci Falcão, REI n2 93, pág. 862). Recursos conhecidos: negado provimento ao ex officio e provido •o voluntário." (Acórdão n2 101-93726, P Câm. do 1 2 CC, Recurso n2 128.196, Processo n2 10840.003024/99-78, em sessão de 23/01/2002, Rel. Cons. Sebastião Rodrigues Cabral) "() RESPONSABILIDADE DOS SUCESSORES - Multa. Tributo e multa não se confundem, eis que esta tem caráter de sanção, inexistente naquele. Na responsabilidade tributária do sucessor não se inclui a multa punitiva aplicada à empresa. Inteligência dos arts. 3.° e 132 do CTIV. (Decisão do STF no RE n.° 90.834- MG, relator o Ministro Djaci Falcão, RTJ n° 93, pág. 862). (..). " (Acórdão n2 101-93587, P Câm. do 1 2 CC, Recurso n2 126.141, Processo n2 10580.002165/00-04, em sessão de 22/08/2001, Rel. Cons. Sebastião Rodrigues Cabral) "MULTA - Na sucessão tributária o sucessor só responde pela multa fiscal quando esta estiver constituída pelo ato administrativo, na data em que ocorrer a sucessão, uma vez que neste caso, o crédito da Fazenda integra o passivo da sociedade extinta (CTN. art. 129). Recurso voluntário conhecido e parcialmente provido." (Acórdão n2 107-07.349, 72 Câm. do 1 2 CC, Recurso n2 135.098, Processo n2 10240.001977/99-24, em sessão de 15/10/2003, Rel. Cons. Éclwal Gonçalves dos Santos) MF - SEGUNDO CONW.1-10 DE CON7R:13UiNTES CONFERE t.‘254 O ORIG:NAL Processo n.° 19740.000057/2004-13 Erasil .J ia.3J CCO2/C01 Acórdão n.• 201-79.603 "" Fls. 922 Márcia Cris, :rirá Garcia t-ht ;ri Isto posto, voto no sentido de DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário para o fim de excluir do lançamento a multa punitiva aplicada ao sucessor tributário, que reputo indevida, nos expressos termos dos arts. 131, inciso I, 133, inciso II, e 137, do CTN. É o meu voto. Sala das Sessões, em 20 de setembro de 2006. \AMAM. 01.004~ - FERNANDO LUIZ DA GAII,LOBO D'EÇA çjt . • _ _ _ Page 1 _0002100.PDF Page 1 _0002300.PDF Page 1 _0002500.PDF Page 1 _0002700.PDF Page 1 _0002900.PDF Page 1 _0003100.PDF Page 1 _0003300.PDF Page 1 _0003500.PDF Page 1 _0003700.PDF Page 1 _0003900.PDF Page 1 _0004100.PDF Page 1 _0004300.PDF Page 1 _0004500.PDF Page 1 _0004700.PDF Page 1 _0004900.PDF Page 1 _0005100.PDF Page 1 _0005300.PDF Page 1 _0005500.PDF Page 1 _0005700.PDF Page 1 _0005900.PDF Page 1 _0006100.PDF Page 1 _0006300.PDF Page 1 _0006500.PDF Page 1
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Numero do processo: 11128.006375/2004-03
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 26 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Obrigações Acessórias
Data do Fato Gerador: 10/12/2003
INAPLICABILIDADE DA MULTA DE EMBARAÇO A FISCALIZAÇÃO NA INFORMAÇÃO PRESTADA INTEMPESTIVAMENTE SOBRE VEÍCULO OU CARGA TRANSPORTADA.
O descumprimento do prazo previsto para informação do veículo e carga transportados não configura a aplicação da penalidade de embaraço a fiscalização, prevista no art. 107, inciso IV, alínea “c”, do Decreto-Lei 37/66.
INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS TRIBUTÁRIAS. INCOMPETÊNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 2 DO CARF.
Este Colegiado é incompetente para apreciar questões que versem sobre constitucionalidade das leis tributárias.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. EXIGÊNCIA DE PROVA.
Não pode ser aceito para julgamento a simples alegação sem a demonstração da existência ou da veracidade daquilo alegado.
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO.
A obstrução à defesa, motivadora de nulidade do ato administrativo de referência, deve apresentar-se comprovada no processo.
Numero da decisão: 3102-001.358
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
Matéria: II/IE/IPIV - ação fiscal - penalidades (isoladas)
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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O descumprimento do prazo previsto para informação do veículo e carga transportados não configura a aplicação da penalidade de embaraço a fiscalização, prevista no art. 107, inciso IV, alínea “c”, do DecretoLei 37/66. INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS TRIBUTÁRIAS. INCOMPETÊNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 2 DO CARF. Este Colegiado é incompetente para apreciar questões que versem sobre constitucionalidade das leis tributárias. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. EXIGÊNCIA DE PROVA. Não pode ser aceito para julgamento a simples alegação sem a demonstração da existência ou da veracidade daquilo alegado. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. A obstrução à defesa, motivadora de nulidade do ato administrativo de referência, deve apresentarse comprovada no processo. Fl. 141DF CARF MF Documento de 8 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP25.1019.10173.GPZ9. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente. Winderley Morais Pereira Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Luciano Pontes de Maya Gomes, Winderley Morais Pereira, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho e Nanci Gama. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da primeira instância que passo a transcrever. “A interessada foi autuada em face da infração "embaraço ou impedimento à ação da fiscalização, inclusive não atendimento à intimação", por ter deixado de registrar os dados de embarque de mercadorias exportadas, na forma e no prazo previsto no artigo 37 da Instrução Normativa SRF nº 28/1994 e na Notícia Siscomex nº 105/1994. Foi aplicada a multa capitulada no artigo 107, IV, "c", do DecretoLei nº 37/1966. Intimada em 4/1/2005, a interessada apresentou impugnação em 28/1/200 (fls. 51 e ss.). Alega, em síntese: 1. Após a formalização do auto de infração, foi publicada no Diário Oficia1 da União (DOU) de 7/1/2005 a Notícia Siscomex Transportador nº 2/2005, que ampliou de 24 horas para 7 dias o prazo para registro no Siscomex dos dados de embarque, quando a via for marítima. 2. Postula a retroatividade da norma acima, citando o artigo 106 do Código Tributário Nacional. 3. A autoridade autuante não apontou qual foi o embaraço ou dificuldade causada à fiscalização em razão do atraso no registro das informações. Entende que não houve embaraço nem impedimento à fiscalização. Fl. 142DF CARF MF Documento de 8 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP25.1019.10173.GPZ9. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 11128.006375/200403 Acórdão n.º 3102 001.393 S3C1T2 Fl. 2 3 4. Razões alheias à vontade da impugnante, como o atraso de terceiros, as declarações de exportação não puderam ser entregues dentro do prazo estabelecido. 5. A própria interessada comunicou à Alfândega o registro das declarações. A fiscalização não havia reparado a sua falta. 6. A conduta da interessada não encontra tipicidade no artigo 107, IV, "c", 10 DecretoLei nº 37/1966. 7. A administração possui 5 anos para apurar eventuais infrações, não sendo alguns dias de atraso na entrega das declarações de exportação que impedem a fiscalização. 8. É inaplicável a penalidade imputada pois documento apresentado a destempo não é a mesma coisa que documento não apresentado, que possa impedir ou dificultar a fiscalização. 9. É aplicável à espécie o disposto no artigo 646, III, "b", do Regulamento Aduaneiro. 10. O prazo de 24 horas não era suficiente para a requerente recolher as informações necessárias e registrálas no Siscomex. Somente o terminal de embarque poderá verificar, em tão exíguo prazo, as cargas que efetivamente foram embarcadas. 11. Há ainda o problema da transmissão eletrônica de dados, vez que nem sempre o sistema está em perfeito funcionamento, podendo, eventualmente, ficar horas sem que os agentes marítimos tenham acesso. 12. O prazo de 24 horas não é razoável. O princípio da razoabilidade determina à administração o dever de atuar em plena conformidade com critérios racionais, sensatos e coerentes. Por isso, o prazo foi ampliado para 7 dias em norma posterior. 13. Houve denúncia espontânea pois as declarações foram inseridas no Siscomex antes da lavratura do auto de infração (artigo 138 do Código Tributário Nacional). 14. A multa não poderia ser superior a R$ 5.000,00 por veículo, nos termos do artigo 647, incisos I e II, do Regulamento Aduaneiro.” A Delegacia da Receita Federal de Julgamento decidiu pela manutenção integral do lançamento. A decisão da DRJ foi assim ementada. “EMBARAÇO À FISCALIZAÇÃO. DESPACHO DE EXPORTAÇÃO. No despacho de exportação o transportador deve registrar os dados do embarque no Siscomex, dentro do prazo previsto na legislação aduaneira. O desatendimento constitui embaraço à fiscalização. Fl. 143DF CARF MF Documento de 8 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP25.1019.10173.GPZ9. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 4 Lançamento Procedente.” Cientificada da decisão da DRJ, a empresa apresentou recurso voluntário, requerendo a reforma da decisão, repisando as alegações apresentadas na impugnação. É o Relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira O recurso é voluntário e tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, merecendo, por isto, ser conhecido. Lançamento em razão da informação intempestiva de dados de embarque O lançamento teve origem no descumprimento do prazo para informação dos dados de embarque, referente a transportes internacionais realizados pela Recorrente. O prazo para informação dos embarques estava definido à época dos fatos no art. 37 da IN SRF nº 28/1994. In verbis. “Art. 37. Imediatamente após realizado o embarque da mercadoria, o transportador registrará os dados pertinentes, no SISCOMEX, com base nos documentos por ele emitidos. Parágrafo único. Na hipótese de embarque de mercadoria em viagem internacional, por via rodoviária, fluvial ou lacustre, o registro de dados do embarque, no SISCOMEX, será de responsabilidade do exportador ou do transportador, e deverá ser realizado antes da apresentação da mercadoria e dos documentos à unidade da SRF de despacho..” Atribuição da Receita Federal para definir obrigações acessórias A Recorrente tece nos seus argumentos diversas considerações acerca da obrigação acessória constante da IN SRF nº 28/94. Para um melhor deslinde da questão fazse Fl. 144DF CARF MF Documento de 8 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP25.1019.10173.GPZ9. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 11128.006375/200403 Acórdão n.º 3102 001.393 S3C1T2 Fl. 3 5 necessário, antes de qualquer discussão, a análise da atribuição da Receita Federal para criar obrigações acessórias A definição de obrigação acessória e assunto pertinente aos órgãos da administração tributária, para confirmar este entendimento, basta a análise da matéria do ponto de vista dos diplomas legais que atribuem competência a Receita Federal para definir obrigações acessórias. O art. 113 do Código Tributário Nacional definiu o que vem a ser obrigação principal e obrigação acessória. “Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária.” Conforme definido no CTN, a obrigação acessória é prestação comissiva ou omissiva previstas na legislação tributária, no interesse da arrecadação ou fiscalização tributária. A obrigação acessória não se confunde com a obrigação principal de recolhimento tributário, mas conforme, descrito no código, visa o controle e a fiscalização. Não há como falar em obrigação acessória ligada a lançamento, mas a obrigação de fazer ou não fazer do sujeito passivo. A alegação que a obrigação acessória somente poderia ser definida em lei e não em normas administrativas, não encontra respaldo nas normas de direito tributário, pois, no art. 113 é esclarecido, de forma cristalina, que a obrigação acessória nasce da legislação tributária. A legislação tributária abarca outras institutos normativos, tais como decretos e normas complementares como preceitua o art. 96 também do CTN. Ao analisar a questão Luciano Amaro define que mesmo nos casos em que a obrigação acessória foi definida por ato de autoridade administrativa, mesmo assim, podese dizer que decorre de “lei”, visto o caráter de vinculação legal da administração tributária. “Parece que ao dizer serem as obrigações acessórias decorrentes da legislação tributária, o Código quis explicitar que a previsão dessas obrigações pode estar não em “lei”, mas em ato de autoridade que se enquadre no largo conceito de “legislação tributária” dado no art. 96; mesmo, porém que se ponha em causa um dever de utilizar certo formulário escrito em Fl. 145DF CARF MF Documento de 8 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP25.1019.10173.GPZ9. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 6 ato de autoridade, melhor seria dizer que a obrigação, em situações como esta, decorre da lei, pois nesta é que estará o fundamento com base no qual a autoridade pode exigir tal ou qual formulário, cujo formato tenha ficado a sua discrição. E, obviamente, também nessas situações, o nascimento do dever de alguém cumprir tal obrigação instrumental surgirá, concretamente, quando ocorrer o respectivo fato gerador”. 1 Detalhando ainda, se restasse dúvida, a atribuição da Receita Federal de definir obrigações tributárias, foi editada a MP 1.788/98, convertida posteriormente na Lei nº 9.779 de 19 de janeiro de 1999, que no seu artigo 16, torna inconteste a atribuição da Receita Federal para dispor sobre as obrigações acessórias. “Art. 16. Compete à Secretaria da Receita Federal dispor sobre as obrigações acessórias relativas aos impostos e contribuições por ela administrados, estabelecendo, inclusive, forma, prazo e condições para o seu cumprimento e o respectivo responsável” Conforme descrito acima a alegação a Receita Federal possui a competência legal para criar e regular obrigações acessórias referente aos tributos por ela administrados. Destarte, quaisquer declarações, controles e prazos referentes a tributos sobre o seu controle, são de cumprimento obrigatório pelos intervenientes do comércio exterior e o seu descumprimento enseja a aplicação das penalidades pertinentes. A inaplicabilidade do principio da boafé e da ausência de dano no descumprimento das obrigações acessórias Quanto a discussão sobre dano ou prejuízo a administração aduaneira e aplicação do principio da boafé no descumprimento das obrigações acessória, também não se aplica nestes casos. A responsabilidade tributária independe da intenção do agente, nos termos previstos no art. 136, do Código Tributário Nacional. In verbis. “Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato.” O art. 136 explicita a posição adotada no Código, de afastar as características subjetivas para análise da responsabilidade. As sanções estão previstas em lei e salvo 1 Luciano Amaro, Direito Tributário Brasileiro, 16ª ed.,São Paulo, Saraiva. pg. 276277. Fl. 146DF CARF MF Documento de 8 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP25.1019.10173.GPZ9. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 11128.006375/200403 Acórdão n.º 3102 001.393 S3C1T2 Fl. 4 7 disposição em contrário, não consideram o instituto da subjetividade, não sendo considerada na aplicação da penalidade, a intenção do agente no ato comissivo ou omissivo. Esta posição adotada pelo Código fica mais óbvia, quando é aplicada aos tributos e controles aduaneiros que por origem, não possuem caráter arrecadatório. As obrigações aduaneiras, tanto principais, quanto acessórias, são determinadas em função de decisões administrativas e políticas de Estado. As obrigações acessórias, definidas no controle aduaneiro, caminham em conjunto com os controles administrativos e fitosanitários. Todas as informações exigidas nas declarações tipicamente aduaneiras são relevantes e determinam critérios de riscos que levam a verificações mais complexas ou mais simples, inclusive podendo definir a ausência total da verificação física das mercadorias importadas. Dai a definição de sanções aplicáveis a descumprimento de obrigações acessórias. As penalidades previstas no descumprimento de obrigações acessórias reafirmam o entendimento, que as declarações são relevantes para a atividade aduaneira, e a falta ou informação em atraso prejudicam sobremaneira o controle, portanto, a sanção aplicada vem no intuito de estimular o correto cumprimento das obrigações acessórias, punindo aquele que falta com as informações nos termos previstos pela norma. Erro no Sistema Siscomex impossibilitando a informação no prazo determinado Alega a Recorrente a existência de erros no sistema Siscomex. O que teria impossibilitado a informação do embarque da carga, no prazo determinado pela IN SRF nº 28/1994. Analisando os documentos constantes do recurso voluntário não foram identificados quaisquer documentos ou fatos que comprovam o erro no Sistema Siscomex que vincula ou demonstre que as informações da carga em discussão nos autos foi impossibilitada por erro deste Sistema. O contribuinte tenta fazer crer, que caberiam ao Serviço Federal de Processamento de Dados e a Receita Federal demonstrar que as informações da carga no Siscomex não ocorreram por erro no Sistema. Neste ponto, cabe ressaltar que a autoridade fiscal tem o ônus da comprovação dos fatos quando do lançamento tributário. Entretanto, estamos tratando de caso diverso. O lançamento foi motivado por informações constantes nos sistemas informatizados e foi demonstrado nos autos. A modificação do lançamento, somente poderia ocorrer com a comprovação da existência de erros no Siscomex vinculados a informação da carga em discussão nos autos. A simples alegação, sem a apresentação de documentação comprobatória, não pode ser analisada, muito menos, obrigar a outra parte que promova a busca das provas necessárias à comprovação dos fatos alegados no recurso. Analisando a situação da necessidade da prova, lembro a lição de Humberto Teodoro Júnior. “Não há um dever de provar, nem à parte contraria assiste o direito de exigir a prova do adversário. Há um simples ônus, de modo que o litigante assume o risco de perder a causa se não provar os fatos alegados dos quais depende a existência de um direito subjetivo Fl. 147DF CARF MF Documento de 8 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP25.1019.10173.GPZ9. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 8 que pretende resguardar através da tutela jurisdicional. Isto porque, segundo máxima antiga, fato alegado e não provado é o mesmo que fato inexistente.” 2 Portanto, sem quaisquer documentos ou fatos que possam comprovar a alegação que ocorreu um erro dos Sistemas Informatizados, impedindo a correta informação da carga, não podem prosperar as alegações do recurso quanto a esta matéria. Erro no enquadramento legal da penalidade aplicada Insurgese a Recorrente contra o enquadramento legal, utilizado no enquadramento da penalidade aplicada, qual seja a alínea “c”, do inciso IV, do art. 107, do DecretoLei nº 37/66. Em razão da falta de informação da carga, não configuraria embaraço a fiscalização e portanto, o enquadramento não poderia ser utilizado no Auto de Infração. Aqui entendo assistir razão a Recorrente, realmente a informação intempestiva dos dados do embarque não caracterizou em nenhum momento embaraço a fiscalização. O dispositivo utilizado como enquadramento da penalidade aplicada, pressupõe a interferência na atividade de fiscalização. A teor do relatado, as informações foram incluídas no sistema Siscomex, sem nenhum intervenção da Fiscalização, portanto, não há como afirmar que houve qualquer impedimento ou dificuldade ao trabalho fiscal. Com este raciocínio, não existindo o embaraço a fiscalização não pode prosperar o lançamento. Conclusão Diante de todo o exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário, cancelando o lançamento, em razão da situação fática, praticada pela recorrente, não estar completamente tipificado, com o enquadramento legal, constante do Auto de Infração. Winderley Morais Pereira 2 Huberto Teodoro Júnior, Curso de Direito Processual Civil, 41ª ed., v. I, p. 387. Fl. 148DF CARF MF Documento de 8 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP25.1019.10173.GPZ9. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por WINDERLEY MORAIS PEREIRA em 26/03/2012 17:23:18. Documento autenticado digitalmente por WINDERLEY MORAIS PEREIRA em 26/03/2012. Documento assinado digitalmente por: LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO em 27/03/2012 e WINDERLEY MORAIS PEREIRA em 26/03/2012. Esta cópia / impressão foi realizada por HIULY RIBEIRO TIMBO em 25/10/2019. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP25.1019.10173.GPZ9 Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: 3B7124AFA65A6C0C81C14BD89C95F3EEB36B628F Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 11128.006375/2004-03. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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Numero do processo: 10880.904537/2009-82
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 11 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon May 13 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 1802-000.200
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Souza - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gustavo Junqueira Carneiro Leão - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marco Antonio Nunes Castilho, Marciel Eder Costa, José de Oliveira Ferraz Correa e Nelso Kichel.
Relatório
Nome do relator: GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Souza Presidente. (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marco Antonio Nunes Castilho, Marciel Eder Costa, José de Oliveira Ferraz Correa e Nelso Kichel. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 04 53 7/ 20 09 -8 2 Fl. 130DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 11/05/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10880.904537/200982 Resolução nº 1802000.200 S1TE02 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo (SP), que por unanimidade de votos julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pela contribuinte. Inicialmente a interessada transmitiu em 26/11/2007 o PER/DCOMP eletrônico n° 40741.42477.261107.1.3.047082, visando utilizar direito creditório fundado em indébito de CSLL, código 2484, no valor de R$ 782.183,11, onde consta: a) débito compensado CSLL estimativa mensal (código de receita 2484) Período de apuração: Julho/2008; vencimento: 29/08/2008 principal: R$ 261.035,75; multa moratória: R$ 0,00; juros de mora: R$ 0,00; Total: R$ 261.035,75. b) crédito utilizado: Nº do PER/DCOMP Inicial: 25291.58415.060608.1.3.045317 Valor Original do Crédito Inicial: R$ 1.374.423,27 Crédito Original na Data da Transmissão: R$ 570.895,32 Crédito Atualizado: R$ 887.799,31 Total dos débitos desta DCOMP: R$ 261.035,75 Total do Crédito Original Utilizado nesta DCOMP: R$ 167.857,85 Saldo do Crédito Original: R$ 403.037,47 A DERAT/DIORT/EQPIR/SPO emitiu Despacho Decisório (fl. 2), onde não homologou a compensação, argumentando que o pagamento discriminado como indébito foi integralmente utilizado para quitação de débito da contribuinte, não restando assim crédito disponível para a desejada compensação, conforme se observa: “Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão Informado no PER/DCOMP: 570.895,32. Fl. 131DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 11/05/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10880.904537/200982 Resolução nº 1802000.200 S1TE02 Fl. 4 3 A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas Integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. (...) Diante inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. Inconformada com essa decisão, a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, cujas razões, em síntese, são as seguintes: que, relativamente ao anocalendário 2004, por estar submetida ao regime de apuração do lucro real anual, antecipou pagamentos do IRPJ e da CSLL, a título de estimativa mensal; que, nesse anocalendário 2004, realizou operações de exportação para clientes situados na América Latina; que a receita de exportação é imune da CSLL pela Constituição Federal (art. 149, § 2º, I), conforme redação dada pela EC nº 33/2001; que, em 09/08/2004, buscou a aplicação dessa imunidade, prevista constitucionalmente, para a CSLL sobre as receitas de exportação, impetrando Ação de Mandado de Segurança Preventivo (fls. 41/63), Processo Judicial nº 2004.61.00.0220237, sendo deferida liminar, em 26/08/2004, pelo TRF/3ª Região para todo o período do ano calendário de 2004; que, a partir da obtenção dessa liminar, excluiu da base de cálculo da CSLL as receitas de exportação; que, entretanto, antecipara recolhimentos da CSLL – estimativa mensal dos meses anteriores à concessão da liminar sem exclusão das receitas de exportação da base de cálculo da CSLL; que na DCOMP, objeto dos autos, utilizou crédito de pagamento indevido ou a maior da CSLL – estimativa mensal do PA março/2004 (pagamento indevido, ocorrido antes da obtenção da liminar, sobre as receitas de exportação); que, porém, a DERAT/São Paulo não deferiu o crédito pleiteado e não homologou a compensação; que, diversamente do entendimento do fisco, tem direito de refazer os débitos informados da CSLL – estimativa mensal dos PA de janeiro/2004 a julho/2004 (períodos anteriores à obtenção da liminar); que, como já dito, a liminar foi concedida em 26/08/2004, nos autos de Agravo de Instrumento no Tribunal Regional Federal da 3ª Região, Agravo sob n° 2004.03.00.048485 7; Fl. 132DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 11/05/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10880.904537/200982 Resolução nº 1802000.200 S1TE02 Fl. 5 4 que a liminar foi mantida por sentença de mérito de 11/12/2007, do juízo da 19ª Vara Cível Federal1ª Subseção Judiciária de São Paulo, que concedeu a segurança autos do processo nº 2004.61.00.0220237 (fl. 38/40); que não efetuou o pagamento do débito confessado na DCOMP objeto dos presentes autos, pois utilizou direito creditório para extinguilo mediante DCOMP, atinente a pagamento indevido ou maior da CSLL estimativa mensal do PA março/2004, em face desse provimento jurisdicional que amparou a não cobrança da CSLL do anocalendário 2004 acerca de receitas de exportação (pagamento indevido ou maior de CSLL estimativa mensal sobre receitas de exportação); que o débito da CSLL informada na DCOMP não homologada está sendo cobrado, com multa e juros de mora; que, entretanto, a compensação tributária configura modalidade de extinção do crédito tributário (CTN, arts. 156, II e 170) e art. 74 da Lei nº 9.430/96; que, como visto, a lei autoriza a compensação tributária de débitos vencidos ou vincendos, com créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública; que, existindo lei disciplinando o procedimento de compensação tributária, o fisco não pode obstaculizar a concretização dessa forma de extinção do crédito tributário; Por fim, com base nessas razões da manifestação de inconformidade, a contribuinte pediu o reconhecimento do crédito pleiteado, homologação da compensação tributária, extinção do débito confessado na DCOMP e arquivamento dos autos. A DRJ de São Paulo (SP) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, consubstanciando sua decisão na seguinte ementa: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Data do fato gerador: 31/08/2004 PER/DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO. DECISÃO JUDICIAL. AUSÊNCIA DE TRÂNSITO EM JULGADO. O crédito reconhecido em decisão judicial não transitada em julgado não apresenta o atributo da certeza, que é necessário à utilização do crédito pela contribuinte mediante restituição ou compensação na via administrativa. SUBSUNÇÃO DA HIPÓTESE AO PROVIMENTO JUDICIAL. O crédito sobre o pagamento considerado indevido na esfera judicial deve ser reconhecido na via administrativa somente se a requerente comprovar que o referido pagamento corresponde, de fato, à CSLL cuja exigibilidade restou afastada pela decisão judicial obtida, qual seja, aquela incidente sobre receitas de exportação. ESTIMATIVA MENSAL. PAGAMENTO INDEVIDO. UTILIZAÇÃO. Fl. 133DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 11/05/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10880.904537/200982 Resolução nº 1802000.200 S1TE02 Fl. 6 5 A pessoa jurídica tributada pelo lucro real que efetuar pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal somente poderá utilizar o valor pago na dedução do tributo devido ao final do período de apuração. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 04/01/2011, a Contribuinte apresentou recurso voluntário em 01/02/2011 onde traz suas argumentações e ao fim requer que o acórdão seja reformado de tal forma a ser homologada a totalidade dos pedidos de restituição/compensação efetuados pela recorrente. É o relatório. Fl. 134DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 11/05/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10880.904537/200982 Resolução nº 1802000.200 S1TE02 Fl. 7 6 Voto Conselheiro Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Relator. O presente recurso é tempestivo, portanto dele tomo conhecimento. O presente processo tem origem no PER/DCOMP n.° 31071.88442.110808.1.3.041604 (fls. 01/03), com objetivo de ver reconhecida a compensação de crédito decorrente de pagamento indevido e/ou a maior de CSLL (código 2484), no valor original de R$ 570.895,32, com débito de estimativa de mesma natureza, referente ao período de Julho/2008. Sobre a análise do PER/DCOMP pela autoridade administrativa originária da Derat/São Paulo/SP, consta que: “Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão Informado no PER/DCOMP: 570.895,32. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas Integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. (...) Diante inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. O referido decisório está arrimado no artigo 10 da Instrução Normativa SRF n° 460, de 2004, abaixo transcrito: Art. 10. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a titulo de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Pelos mesmos fundamentos expendidos no Despacho Decisório acima mencionado, é a decisão de primeira instância proferida no Acórdão nº 1627.812, de 17 de novembro de 2010, ou seja, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo/SP julgou improcedente a manifestação de inconformidade da pessoa jurídica com escora também no artigo 10 da IN SRF n° 460, de 2004 e da IN SRF n° 600, de 2005. Fl. 135DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 11/05/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10880.904537/200982 Resolução nº 1802000.200 S1TE02 Fl. 8 7 Desse modo concluiu que, somente a base negativa de CSLL apurada no encerramento do anocalendário constitui valor passível de restituição/compensação, não sendo cabível, portanto, a solicitação decorrente de eventuais valores relativos a recolhimentos efetuados por estimativa no decorrer do ano calendário. Sobre os mencionados atos normativos a Recorrente alega que nos termos do artigo 106 do Código Tributário Nacional, deve ser admitida a retroatividade benéfica da revogação da Instrução Normativa SRF n° 600/05, pelo artigo 100 da Instrução Normativa RFB n° 900/08 que, inclusive, não mais veda a compensação de créditos relativos a pagamentos de IRPJ e CSLL por estimativa, conforme previsto em seu artigo 11. De fato a restrição contida no artigo 10 da IN SRF n° 460, de 2004 e da IN SRF n° 600, de 2005 não mais se repete na IN SRF nº 900/2008 e alterações posteriores. Com efeito, ressalvadas as situações do parágrafo 3º (créditos não compensáveis) do artigo 74 da Lei nº 9.430/96 que disciplina a matéria relativa à compensação no âmbito federal, o sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo e/ou contribuição administrados pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos vencidos ou vincendos próprios do contribuinte, relativos a quaisquer tributos ou contribuições sob administração do mencionado órgão administrativo, vejamos: “Artigo 74 0 sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele órgão. ... § 3o Além das hipóteses previstas nas leis específicas de cada tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de compensação mediante entrega, pelo sujeito passivo, da declaração referida no § 1o: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) I o saldo a restituir apurado na Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda da Pessoa Física; (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) II os débitos relativos a tributos e contribuições devidos no registro da Declaração de Importação. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) III os débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal que já tenham sido encaminhados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União; (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) IV os créditos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal com o débito consolidado no âmbito do Programa de Recuperação Fiscal Refis, ou do parcelamento a ele alternativo; e (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) Fl. 136DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 11/05/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10880.904537/200982 Resolução nº 1802000.200 S1TE02 Fl. 9 8 IV o débito consolidado em qualquer modalidade de parcelamento concedido pela Secretaria da Receita Federal SRF; (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) V os débitos que já tenham sido objeto de compensação não homologada pela Secretaria da Receita Federal. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) V o débito que já tenha sido objeto de compensação não homologada, ainda que a compensação se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa; e (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) VI o valor objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento já indeferido pela autoridade competente da Secretaria da Receita Federal SRF, ainda que o pedido se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) VIIos débitos relativos a tributos e contribuições de valores originais inferiores a R$ 500,00 (quinhentos reais); (Incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008) VIIIos débitos relativos ao recolhimento mensal obrigatório da pessoa física apurados na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 1988; e (Incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008) IXos débitos relativos ao pagamento mensal por estimativa do Imposto sobre a Renda da Pessoa JurídicaIRPJ e da Contribuição Social sobre o Lucro LíquidoCSLL apurados na forma do art. 2o. (Incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008)” Como visto os fundamentos para o indeferimento do PER/DCOMP, tanto pela DRF quanto pela DRJ, por si só, não encontram amparo na norma legal que rege a matéria. A questão é saber se de fato resta caracterizado o indébito do pagamento de estimativa, comprovado mediante escrituração contábil e fiscal, para que se possa aferir a certeza e liquidez do crédito tributário como dispõe o artigo 170 da Lei nº 5.172/1966 (Código Tributário Nacional CTN). Inconformado com a decisão a quo, a recorrente apresentou recurso voluntário, pedindo a revisão da decisão recorrida, argumentando a existência de duplicidade de pagamento da CSLL – Estimativa Mensal do PA março/2004 e que não se justifica a denegação do crédito pleiteado e não homologação da compensação informada/efetuada, nos presentes autos. Nas razões do recurso, a recorrente informou que a liminar, que estava amparando a exclusão da receitas de exportação da base de cálculo da CSLL a partir de janeiro do anocalendário 2004, foi revogada em setembro/2010. Porém, não juntou cópia dessa decisão aos autos, nem informou se desistiu da demanda judicial. Outrossim, a recorrente informou e comprovou nos autos que, em face da revogação da liminar, de imediato efetuou o pagamento da CSLL – Estimativa Mensal dos períodos que estavam com exigibilidade suspensa desde 2004, inclusive efetuou, novamente, o Fl. 137DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 11/05/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10880.904537/200982 Resolução nº 1802000.200 S1TE02 Fl. 10 9 recolhimento do débito da CSLL – Estimativa Mensal do PA março/2004, conforme cópia do DARF – data de arrecadação 29/10/2010. Como visto, aparentemente houve pagamento em duplicidade da CSLL – Estimativa Mensal do PA julho/2004, pois, além da arrecadação de 29/10/2010 – cópia do DARF (fl.92), o despacho decisório alude a recolhimento da CSLL – Estimativa Mensal do PA março/2004 – data de arrecadação 31/08/2004 (fl. 06). Por conseguinte, o fundamento do pedido de restituição/aproveitamento do direito creditório, no caso, seria pagamento indevido ou a maior (duplicidade de pagamento) do débito do PA julho/2004. Não obstante, compulsando os autos, observamse falhas de instrução processual que não permitem, neste momento, ao julgador a formação de convicção quanto ao mérito da lide objeto dos presentes autos, de modo que se torna necessário o saneamento do processo. Por isso, voto pela conversão do julgamento em diligência para retorno dos autos à DERAT/São Paulo, para: a) confirmar o pagamento em duplicidade do débito da CSLL – Estimativa Mensal do PA julho/2004, valor do principal R$ 1.374.423,27, nas datas de arrecadação de 31/08/2004 e 29/10/2010; b) caso tenha sido efetuado o pagamento em 29/10/2010, confirmar se o mesmo foi suficiente para a quitação do crédito tributário; c) juntar aos autos cópia da DIPJ 2005, anocalendário 2004 e da DCTF do período de apuração julho/2004; d) intimar o contribuinte para juntar aos autos cópia da decisão judicial que revogou a liminar a qual amparava a exclusão das receitas de exportação da base de cálculo da CSLL a partir de janeiro/2004; e) intimar o contribuinte a informar a situação em que se encontra a demanda judicial que demandava o reconhecimento de imunidade de tributação pela CSLL às receitas de exportação, com a devida comprovação. Concluída a diligência fiscal, a DERAT/SP deverá lavrar relatório circunstanciado, pormenorizado e conclusivo dos resulados apurados, mormente se houve, ou não, pagamento em duplicidade da CSLL Estimativa Mensal do PA julho/2004, bem como da demanda judicial. Por tudo que foi exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência, conforme proposto. (documento assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Fl. 138DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 11/05/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 14751.000108/2010-02
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 18 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu May 16 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006
ALÍQUOTA ZERO E OUTRAS HIPÓTESES DESONERATIVAS. MANUTENÇÃO DE CRÉDITO. LEI Nº 11.033, DE 2004.
A manutenção de créditos prevista na Lei no 11.033, de 2004, refere-se às hipóteses desonerativas criadas pela própria Lei e não alteram o regime de tributação monofásico previsto em legislação anterior.
REGIME NÃO CUMULATIVO. INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. VENDAS EFETUADAS COM ALÍQUOTA ZERO. MANUTENÇÃO DO CRÉDITO. COMERCIANTE ATACADISTA OU VAREJISTA DE CERVEJAS, ÁGUAS E REFRIGERANTES . INEXISTÊNCIA DE DIREITO DE CRÉDITO.
As receitas auferidas pelos comerciantes atacadistas e varejistas com a venda de cervejas, águas e refrigerantes são submetidas à alíquota zero da contribuição, sendo expressamente vedado o aproveitamento de créditos em relação às aquisições desses produtos.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-001.354
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao Recurso. Vencidos os Conselheiros Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Jacques Maurício Ferreira Veloso. O Conselheiro Jacques Maurício Ferreira Veloso apresentará declaração de voto.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Luiz Bordignon - Relator.
EDITADO EM: 25/09/2012
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flavio de Castro Pontes (Presidente), Jose Luiz Bordignon, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sergio Celani, Maria Ines Caldeira Pereira da Silva Murgel e Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo.
Nome do relator: JOSE LUIZ BORDIGNON
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MANUTENÇÃO DE CRÉDITO. LEI Nº 11.033, DE 2004. A manutenção de créditos prevista na Lei no 11.033, de 2004, referese às hipóteses desonerativas criadas pela própria Lei e não alteram o regime de tributação monofásico previsto em legislação anterior. REGIME NÃO CUMULATIVO. INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. VENDAS EFETUADAS COM ALÍQUOTA ZERO. MANUTENÇÃO DO CRÉDITO. COMERCIANTE ATACADISTA OU VAREJISTA DE CERVEJAS, ÁGUAS E REFRIGERANTES . INEXISTÊNCIA DE DIREITO DE CRÉDITO. As receitas auferidas pelos comerciantes atacadistas e varejistas com a venda de cervejas, águas e refrigerantes são submetidas à alíquota zero da contribuição, sendo expressamente vedado o aproveitamento de créditos em relação às aquisições desses produtos. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao Recurso. Vencidos os Conselheiros Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Jacques Maurício Ferreira Veloso. O Conselheiro Jacques Maurício Ferreira Veloso apresentará declaração de voto. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 75 1. 00 01 08 /2 01 0- 02 Fl. 80DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 16/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado d igitalmente em 14/05/2013 por JACQUES MAURICIO FERREIRA VELOSO DE MELO 2 Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) José Luiz Bordignon Relator. EDITADO EM: 25/09/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flavio de Castro Pontes (Presidente), Jose Luiz Bordignon, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sergio Celani, Maria Ines Caldeira Pereira da Silva Murgel e Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo. Fl. 81DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 16/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado d igitalmente em 14/05/2013 por JACQUES MAURICIO FERREIRA VELOSO DE MELO Processo nº 14751.000108/201002 Acórdão n.º 3801001.354 S3TE01 Fl. 81 3 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo a seguir: Trata o presente processo de Pedido de Ressarcimento (PER) apresentado por meio de Pedido de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação (PER/DCOMP) nº 12497.27854.090408.1.1.100060, no qual é declarado crédito no valor original de R$ 140.863,83, referente ao PIS (Mercado Interno) do 1º trimestre de 2006. 2. O Despacho Decisório DRF/JPA nº 606/2010, aprovou o Relatório de Informação Fiscal, indeferindo o pedido de ressarcimento pretendido. 3. Do Relatório de Informação Fiscal citado consta que: 3.1. a empresa foi intimada a apresentar a relação de insumos ou bens adquiridos que deram origem ao crédito objeto do PER, tendo sido apresentado o documento intitulado "Relação dos Bens para revenda que deram origem aos créditos utilizados no PER/DCOMP"; 3.2. a empresa tem como atividade principal o comércio atacadista e varejista de bebidas alcoólicas, refrigerantes e água mineral; 3.3. concluiu a autoridade fiscal que a pretensão do contribuinte em descontar créditos do PIS e da Cofins sobre os produtos em tela, os quais são submetidos à incidência monofásica das contribuições (arts. 49 e 50 da Lei nº 10.833, de 2003), adquiridos para revenda por atacadistas e varejistas, é vedado pela legislação em vigor (art. 3º das Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003, com idêntica redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004). 4. Devidamente cientificado da decisão acima em 07/01/2011, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade em 07/02/2011 com os seguintes argumentos: 4.1. aponta que as receitas oriundas dos produtos sujeitos à incidência monofásica foram excluídas da base de cálculo do PIS e da Cofins não cumulativos, conforme previsão do art. 1º, § 3º, incisos I e IV, da Lei nº 10.833, de 2003, contendo a Lei nº 10.637, de 2002, idênticos dispositivos (art. 1º, §3º, inc. IV, art. 8º, inc. VII, "a"); 4.2. assevera que, na redação originária, a legislação não autorizava o desconto/utilização de crédito dos produtos sujeitos à tributação monofásica, indicando que em 2004, com a edição da Lei nº 10.865, foram introduzidas modificações nas Leis nº Fl. 82DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 16/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado d igitalmente em 14/05/2013 por JACQUES MAURICIO FERREIRA VELOSO DE MELO 4 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003, de maneira que o §3º do art. 1º, que trata da composição da base de cálculo da Cofins, deixou de fazer menção às receitas oriundas das vendas de produtos sujeitos à incidência monofásica, em seu inc. IV; 4.3. relativamente aos créditos, justificou que as alterações promovidas pela Lei nº 10.865, de 2004, ficou impossibilitada a tomada de crédito sobre bens e serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição; 4.4. alega que o art. 17 da Lei nº 11.033, de 21/12/2004, estabeleceu que as vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência do PIS e da Cofins, não impediriam a manutenção pelo vendedor dos créditos vinculados a essas operações; 4.5. acrescenta que o advento da Lei nº 11.116, de 18/05/2005, restou autorizada a compensação do crédito do PIS e da Cofins com outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil; 4.6. aduz que a Medida Provisória nº 413, de 03/01/2008, alterou mais uma vez a Lei nº 10.833, de 2003, ao introduzir o §22 no art. 3º, para impedir a apuração de créditos do PIS e da Cofins pelos contribuintes atacadistas/distribuidores em relação aos produtos sujeitos à tributação monofásica do disposto no art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004; 4.7. conclui que "se a MP em questão excluiu os produtos monofásicos do disposto no art. 17 da Lei nº 11.033/2004, é porque eles anteriormente se encontravam abarcados por tal dispositivo"; 4.8. afirma que a lei de conversão da MP nº 413 (Lei nº 11.727, de 23/06/2008) não trouxe o citado §22; 4.9. sustenta que a MP nº 451, de 15/12/2008, mais uma vez trouxe vedação à tomada de créditos de PIS e Cofins por parte do distribuidor ou comerciante de bens submetidos ao regime monofásico, apontando que a lei de conversão (Lei nº 11.945, de 04/06/2009) o texto foi novamente excluído; 4.10. afirma que é possível o aproveitamento do crédito conforme pretendido pelo recorrente, uma vez que as vedações contidas nas MP nº 413 e 451 não foram mantidas por suas leis de conversão; 4.11. requer, ao final, o acolhimento de seu recurso e reforma da decisão recorrida para reconhecer o seu direito creditório. A Delegacia de Julgamento em Recife proferiu a seguinte decisão, nos termos da ementa abaixo transcrita: REGIME NÃO CUMULATIVO. INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. VENDAS EFETUADAS COM ALÍQUOTA ZERO. MANUTENÇÃO DO CRÉDITO. COMERCIANTE ATACADISTA OU VAREJISTA DE CERVEJAS, ÁGUAS E REFRIGERANTES. INEXISTÊNCIA DE DIREITO DE CRÉDITO. As receitas auferidas pelos comerciantes atacadistas e varejistas com a Fl. 83DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 16/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado d igitalmente em 14/05/2013 por JACQUES MAURICIO FERREIRA VELOSO DE MELO Processo nº 14751.000108/201002 Acórdão n.º 3801001.354 S3TE01 Fl. 82 5 venda de cervejas, águas e refrigerantes são submetidas à alíquota zero da contribuição, sendo expressamente vedado o aproveitamento de créditos em relação às aquisições desses produtos. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, conforme recurso de fls. 60 a 70, reproduzindo, na essência, as razões apresentadas por ocasião da manifestação de inconformidade. DO PEDIDO: Requer se digne esse D. Conselho em acolher o Recurso ora interposto, reformando o acórdão recorrido, reconhecendo, de conseguinte, o direito ao crédito pretendido. É o relatório. Fl. 84DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 16/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado d igitalmente em 14/05/2013 por JACQUES MAURICIO FERREIRA VELOSO DE MELO 6 Voto Conselheiro José Luiz Bordignon, Relator O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Tratase de Pedido de Ressarcimento de Pis/Pasep NãoCumulativo, fls. 02/04, referente ao 1º Trimestre de 2006, no valor de R$ 140.863,83. . Em seu recurso voluntário a recorrente embasa sua defesa, da mesma forma que procedeu quando da apresentação de sua manifestação de inconformidade, nas questões relacionadas com a interpretação e aplicação da legislação à situação em concreto. Assim, a questão central para a solução da controvérsia reside na análise da possibilidade da interessada, uma vez que se ocupa do comércio atacadista e varejista de bebidas alcoólicas, refrigerantes e água mineral, utilizar como crédito os dispêndios realizados com a compra desses produtos. Desse modo, necessário se faz trazer a lume a legislação de regência. Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002. Art. 1o A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo, as receitas: I decorrentes de saídas isentas da contribuição ou sujeitas à alíquota zero; Art. 2o Para determinação do valor da contribuição para o PIS/Pasep aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1o, a alíquota de 1,65% (um inteiro e sessenta e cinco centésimos por cento). § 1o Excetuase do disposto no caput a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) VIII no art. 49 da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e alterações posteriores, no caso de venda de água, refrigerante, cerveja e preparações compostas classificados nos códigos 22.01, 22.02, 22.03 e 2106.90.10 Ex 02, todos da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.925, de 2004) (Vide Lei nº 10.925, de 2004) IX no art. 52 da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e alterações posteriores, no caso de venda de água, refrigerante, cerveja e preparações compostas classificados nos códigos 22.01, 22.02, 22.03 e 2106.90.10 Ex 02, todos da TIPI; (Incluído pela Lei nº 10.925, de 2004) (Vide Lei nº 10.925, de 2004) Fl. 85DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 16/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado d igitalmente em 14/05/2013 por JACQUES MAURICIO FERREIRA VELOSO DE MELO Processo nº 14751.000108/201002 Acórdão n.º 3801001.354 S3TE01 Fl. 83 7 Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) b) no § 1o do art. 2o desta Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. Art. 49. A contribuição para o PIS/PASEP e a COFINS devidas pelos importadores e pelas pessoas jurídicas que procedam à industrialização dos produtos classificados nas posições 22.01, 22.02, 22.03 (cerveja de malte) e no código 2106.90.10 Ex 02 (preparações compostas, não alcoólicas, para elaboração de bebida refrigerante), todos da TIPI, aprovada pelo Decreto no 4.542, de 26 de dezembro de 2002, serão calculadas sobre a receita bruta decorrente da venda desses produtos, respectivamente, com a aplicação das alíquotas de 2,5% (dois inteiros e cinco décimos por cento) e 11,9% (onze inteiros e nove décimos por cento). (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.727, de 2008) (Vigência) Art. 50. Ficam reduzidas a 0 (zero) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e a COFINS em relação às receitas auferidas na venda: (Vide Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.727, de 2008) (Vigência) I dos produtos relacionados no art. 49, por comerciantes atacadistas e varejistas, exceto as pessoas jurídicas a que se refere o art. 2o da Lei no 9.317, de 5 de dezembro de 1996; Como é de conhecimento, o regime de nãocumulatividade das contribuições PIS e COFINS foi instituído pelas Leis nº 10.637/02 e nº 10.833/03, sendo que a Lei nº 10.865/04 introduziu alteração no citado regime (nos artigos 3º, inciso I, alínea "b", das referidas leis), vedando a possibilidade de creditamento nas operações de venda de água, cerveja e refrigerante. Posteriormente foi editada a Lei nº 11.033/04, cujo artigo 17 estabeleceu que “as vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações”, originando a contenda aqui presente. Argui a recorrente que essa norma teria revogado tacitamente aquelas restrições constantes dos artigos 3º, inciso I, alínea “b”, das Leis nº 10.637/02 e nº 10.833/03 (inseridas no regime de nãocumulatividade pela Lei nº 10.865/04). Em razão disso, entende ser de direito o crédito sobre as aquisições de bebidas (água, cerveja e refrigerante), sujeitos a tributação concentrada/monofásica. Quanto à controvérsia especificamente estabelecida nesse processo, fazse necessário tecer algumas considerações. Fl. 86DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 16/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado d igitalmente em 14/05/2013 por JACQUES MAURICIO FERREIRA VELOSO DE MELO 8 Em linhas gerais, ressaltase, a seguir, os regimes de incidência das contribuições para o Pis/Pasep e Cofins. 1. Regime de Incidência Cumulativa. Nesse regime de apuração, a base de cálculo do Pis/Pasep e Cofins é a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza, conforme Lei nº 9.715, de 1998 e LC nº 70/91, cujas alíquotas são 0,65% e 3%, respectivamente. 2. Regime de Incidência NãoCumulativa. O regime da nãocumulatividade das Contribuições para o Pis/Pasep e Cofins, introduzido pela EC (Emenda Constitucional) nº 42, de 2003, foi instituído pela Medida Provisória nº 66/2002 (convertida na Lei nº 10.637/2002) e Medida Provisória nº 135/2003 (convertida na Lei nº 10.833/2003), respectivamente, permitindo, nos exatos termos definidos em lei, o desconto de créditos apurados com base em custos, despesas e encargos da pessoa jurídica. Seu fundamento constitucional está gravado no art. 195, §12 da CF/1988: Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: § 12. A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão nãocumulativas. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 42, de 19.12.2003) Nesse regime, as alíquotas da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins são, respectivamente, de 1,65% e de 7,6%. 3. Regime Diferenciado. Caracterizase pela incidência especial sobre algum tipo de receita e não sobre pessoas jurídicas, devendo as mesmas calcular as contribuições sobre as demais receitas, em existindo, na sistemática cumulativa ou nãocumulativa. Tem seu fundamento constitucional no art. 149, §4º, abaixo colacionado: Art. 149. Compete exclusivamente à União instituir contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse das categorias profissionais ou econômicas, como instrumento de sua atuação nas respectivas áreas, observado o disposto nos arts. 146, III, e 150, I e III, e sem prejuízo do previsto no art. 195, § 6º, relativamente às contribuições a que alude o dispositivo. § 4º A lei definirá as hipóteses em que as contribuições incidirão uma única vez. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 33, de 2001) Fl. 87DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 16/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado d igitalmente em 14/05/2013 por JACQUES MAURICIO FERREIRA VELOSO DE MELO Processo nº 14751.000108/201002 Acórdão n.º 3801001.354 S3TE01 Fl. 84 9 O regime diferenciado de apuração das contribuições para o Pis/Pasep e Cofins pode ser assim especificado, resumidamente em: (i) base de cálculo e alíquota diferenciada; (ii) base de cálculo diferenciada; (iii) alíquota reduzida; (iv) substituição tributária e (v) monofásico ou concentrado. Fazse referência, a seguir, por se tratar do caso em análise, do sistema de apuração das contribuições intitulado de regime monofásico ou de alíquota concentrada. De acordo com esse regime, o importador ou produtor/fabricante tem suas alíquotas majoradas, incidindo uma única vez na cadeia de distribuição dos produtos, ficando os demais elos da referida cadeia desonerados das contribuições. Quanto ao regime de apuração das contribuições para o Pis/Pasep e Cofins na sistemática nãocumulativa do PIS e da Cofins a legislação não previa, de início, a inclusão das receitas sujeitas ao modelo monofásico. Somente a partir da edição da Lei nº 10.865, de 2004, permitiuse para o produtor e importador que o regime nãocumulativo do PIS e da Cofins abrangesse as receitas referente às vendas de produtos tributados com base em alíquotas diferenciadas (modelo concentrado/monofásico) e, com isso, abriuse a possibilidade destes contribuintes descontar créditos em relação a certos custos e despesas previstos nos arts. 3º das Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003. Podese dizer, em remate, que o regime de apuração das contribuições para o Pis/Pasep e Cofins na sistemática da nãocumulatividade é geral, enquanto que o regime de tributação diferenciado na sistemática de apuração concentrada/monofásica é específico e apurado paralelamente àquele. Feitas as considerações acima, convém retornar à análise do art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, abaixo colacionado, bem como o entendimento da recorrente no sentido de que essa norma teria revogado tacitamente aquelas restrições constantes dos artigos 3º, inciso I, alínea “b”, das Leis nº 10.637/02 e nº 10.833/03 (inseridas no regime de nãocumulatividade pela Lei nº 10.865/04), verdadeira razão da controvérsia submetida a esse colegiado. Art. 17 As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Relativamente a revogação tácita invocada pela recorrente, de acordo com o artigo 2º , §§ 1° e 2º, do DecretoLei nº 4.657, de 04 de setembro de 1942 Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro – “a lei posterior revoga a anterior quando expressamente o declare, quando seja com ela incompatível ou quando regule inteiramente a matéria de que tratava a lei anterior” e “a lei nova, que estabeleça disposições gerais ou especiais a par das já existentes, não revoga nem modifica a lei anterior”. Assim, como é incontroverso que não houve revogação expressa, nem tão pouco é possível se admitir que o referido artigo regulou inteiramente a matéria, resta tão somente a possibilidade do novo texto ser incompatível com o anterior. Quanto a esse aspecto, como visto na abordagem dos regimes de incidência das contribuições para o Pis/Pasep e Cofins, a sistemática de apuração nas modalidades não cumulativa e concentrada/monofásica tem fundamentos constitucionais diferentes, o que leva a Fl. 88DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 16/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado d igitalmente em 14/05/2013 por JACQUES MAURICIO FERREIRA VELOSO DE MELO 10 concluir que são sistemas distintos, que não se misturam mesmo quando apurados paralelamente. Assim, da análise do art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, é manifesto que sua aplicação se limita a apuração das contribuições sob a sistemática da nãocumulativa. Portanto, no caso de receita sujeita a tributação concentrada, caso dos autos, referido comando legal é inaplicável. Desse modo, em razão do comando normativo expresso nos artigos 2º, § 1º, I, e 3º, I, “b”, das Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003, respectivamente, com a redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004 (arts. 21 e 37), e pela Lei nº 10.925, de 2004 (arts. 4º e 5º), é expressamente vedado descontar créditos calculados em relação as aquisições de bebidas (água, cerveja e refrigerante), adquiridas para revenda, submetidas ao regime de tributação estabelecido nos artigo 49 e 52 da Lei nº 10.833, de 2003. Por fim, uma vez que as regras da nãocumulatividade das contribuições sociais definidas nas Leis nº 10.637/02 e 10.833/03 tem natureza específica e o art. 17 da Lei nº 11.033/04 é um dispositivo de caráter genérico, cujo comando não previu expressamente a revogação dos artigos 2º, § 1º, I, e 3º, I, “b” das referidas leis, predomina o princípio da especialidade na resolução do aparente conflito das leis no tempo. Significa dizer que as Leis nº 10.637/02 e 10.833/03 não foram atingidas pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/04, inexistindo o direito da recorrente ao ressarcimento buscado através do PER/DCOMP de fls. 02/04. Diante do acima exposto, encaminho meu voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário apresentado pela recorrente. É assim que voto. (assinado digitalmente) José Luiz Bordignon Fl. 89DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 16/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado d igitalmente em 14/05/2013 por JACQUES MAURICIO FERREIRA VELOSO DE MELO Processo nº 14751.000108/201002 Acórdão n.º 3801001.354 S3TE01 Fl. 85 11 Declaração de Voto Conselheiro Jacques Maurício Ferreira Veloso. A questão posta é sobre a possibilidade ou não dos contribuintes que operam com produtos sujeitos ao regime monofásico de contribuição do PIS e COFINS. Para entender o pleito, vejo como necessária uma análise da evolução legislativa sobre o tema e busca daí a melhor forma de sua aplicação, vejamos. As contribuições citadas (Pis e Cofins) foram inseridas no regime não cumulativo de apuração após a publicação das leis 10.627/02 e 10.833/03 respectivamente. Pelos referidos normativos, estava criado o regime nãocumulativo de apuração das contribuições, obrigatório para os contribuintes optantes pelo lucro real, porém fora do referido regime operações realizadas com os produtos sujeitos ao regime monofásico de apuração. Ou seja, com a edição das normas citadas, passamos a ter concomitantemente o regime cumulativo de apuração, o regime nãocumulativo e o regime monofásico. Acontece que com a edição da lei 10.865/04 houve uma significativa alteração no sistema posto, pois pela referida legislação os produtos revendidos pela Recorrente passaram a integrar também o regime nãocumulativo, ou seja, o que antes era tratado pelo legislador como dois regimes distintos, passou a ser uma operação mista, onde o contribuinte sujeito ao recolhimento concentrado (monofásico) também teria o direito de creditamento através regime nãocumulativo. Ou seja, a partir de agosto de 2004, quando entrou em vigência a lei 10.865/04, houve uma mudança no regime monofásico que passou a beneficiar os contribuintes que operam com mercadorias sujeitas a sua sistemática. Tal benefício foi corroborado posteriormente pela lei 11.033/04 que em artigo 17 reconhece o referido crédito, cito: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Não bastasse, o artigo 16 da lei 11.116/05 novamente confirma o crédito e disciplina a sua utilização, inclusive possibilitando o seu uso para compensação com outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, cito: Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao Fl. 90DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 16/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado d igitalmente em 14/05/2013 por JACQUES MAURICIO FERREIRA VELOSO DE MELO 12 final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Parágrafo único. Relativamente ao saldo credor acumulado a partir de 9 de agosto de 2004 até o último trimestrecalendário anterior ao de publicação desta Lei, a compensação ou pedido de ressarcimento poderá ser efetuado a partir da promulgação desta Lei. Vale citar que o artigo supracitado não só reconhece a existência do crédito, como a sua data de início, 09/08/2004, ou seja, início da vigência da lei 10.865/04. O referido crédito e seu aproveitamento chegou inclusive a ser regulamentado no âmbito da Receita Federal, através da IN 600/05, que em seu artigo 42 assim dispunha: Art. 42. Os créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurados na forma do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, que não puderem ser utilizados no desconto de débitos das respectivas contribuições, poderão sêlo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos de que trata esta Instrução Normativa, se decorrentes de: I custos, despesas e encargos vinculados às receitas resultantes das operações de exportação de mercadorias para o exterior, prestação de serviços a pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas, e vendas a empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação; II custos, despesas e encargos vinculados às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou nãoincidência; ou II aquisições de embalagens para revenda pelas pessoas jurídicas comerciais a que se referem os §§ 3º e 4º do art. 51 da Lei nº 10.833, de 2003, desde que os créditos tenham sido apurados a partir de 1º de abril de 2005. III aquisições de embalagens para revenda pelas pessoas jurídicas comerciais a que se referem os §§ 3º e 4º do art. 51 da Lei nº 10.833, de 2003, desde que os créditos tenham sido apurados a partir de 1º de abril de 2005. (Retificada no DOU de 27/01/2009, pág. 11) § 1º A compensação a que se refere este artigo será efetuada pela pessoa jurídica vendedora na forma prevista no § 1º do art. 34. (...) Fl. 91DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 16/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado d igitalmente em 14/05/2013 por JACQUES MAURICIO FERREIRA VELOSO DE MELO Processo nº 14751.000108/201002 Acórdão n.º 3801001.354 S3TE01 Fl. 86 13 § 5º O saldo credor acumulado, na forma do inciso II do caput e do § 4º, no período de 9 de agosto de 2004 até o final do 1º (primeiro) trimestrecalendário de 2005, somente poderá ser utilizado para compensação a partir de 19 de maio de 2005. § 6º A compensação dos créditos de que tratam os incisos II e III do caput e o § 4º somente poderá ser efetuada após o encerramento do trimestrecalendário. § 7º Os créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins a que se refere o inciso I do caput, remanescentes do desconto de débitos dessas contribuições em um mês de apuração, embora não sejam passíveis de ressarcimento antes de encerrado o trimestre do anocalendário a que se refere o crédito, podem ser utilizados na compensação de que trata o caput do art. 34. Importante ressaltar que a IN 600/05 permaneceu inalterada e reconhecendo o direito ao crédito, como posto, até a edição da IN 900/08, ou seja, durante 3 (três) anos a própria administração reconheceu e admitiu a cumulação das sistemáticas de apuração – monofásico e nãocumulatividade. Finalmente, a meu sentir para por uma pá de cal sobre o assunto, foi publicada a MP 413/08 que em seus artigos 14 e 15 alterava as leis 10.637/02 e 10.833/03 para impedir a utilização do crédito de PIS e COFINS nos produtos sujeitos ao regime monofásico de apuração, a partir da regulamentação pela Secretaria da Receita Federal, no que se refere à vedação instituída, ou seja, reconhecendo a validade dos créditos em períodos anteriores. O referido dispositivo foi derrubado no Congresso Nacional sendo convertida a MP 413 na Lei 11.727/08 sem tais disposições, ou seja, mantendo na íntegra o direito ao creditamento. A tentativa de revogação ao direito de crédito foi novamente levada a efeito pelo Poder Executivo na edição da MP 451/08 e novamente os dispositivos que vedavam a utilização do crédito não foram aprovados no processo de conversão da MP na Lei 11.945/09. Ou seja, no meu entendimento, é fato que o Congresso Nacional, Poder responsável pela edição das leis em nosso país, reiterou por diversas vezes seu entendimento de que há o direito ao crédito no caso em análise. Portanto como aplicadores das normas, entendo que não é possível o afastamento deste direito, senão mediante alteração legislativa, o que, como dito, foi buscado por duas vezes e não foi admitido pelo Poder Legislativo. Portanto, voto pelo provimento do recurso. É como voto. Fl. 92DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 16/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado d igitalmente em 14/05/2013 por JACQUES MAURICIO FERREIRA VELOSO DE MELO
score : 1.0
Numero do processo: 10650.902412/2011-46
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon May 13 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/08/2000 a 31/08/2000
PER/DCOMP. AUSÊNCIA DE RETIFICAÇÃO DA DCTF. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA.
Nos casos de PER/Dcomp transmitida sem a correspondente retificação da Dctf, o contribuinte preserva o direito à compensação desde que a mesma ocorra antes da ciência do despacho decisório. A retificação posterior somente é cabível excepcionalmente, por força do princípio da verdade material, condicionada à prova da existência do direito creditório. Ausentes quaisquer desses pressupostos, não cabe a homologação da compensação.
Recurso Voluntário Negado.
Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3802-001.567
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
REGIS XAVIER HOLANDA - Presidente.
(assinado digitalmente)
SOLON SEHN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Regis Xavier Holanda (presidente da turma), Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, Jose´ Fernandes do Nascimento e Solon Sehn. Ausência momentânea do Conselheiro Bruno Maurício Macedo Curi.
Nome do relator: SOLON SEHN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/08/2000 a 31/08/2000 PER/DCOMP. AUSÊNCIA DE RETIFICAÇÃO DA DCTF. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. Nos casos de PER/Dcomp transmitida sem a correspondente retificação da Dctf, o contribuinte preserva o direito à compensação desde que a mesma ocorra antes da ciência do despacho decisório. A retificação posterior somente é cabível excepcionalmente, por força do princípio da verdade material, condicionada à prova da existência do direito creditório. Ausentes quaisquer desses pressupostos, não cabe a homologação da compensação. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) REGIS XAVIER HOLANDA - Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Regis Xavier Holanda (presidente da turma), Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, Jose´ Fernandes do Nascimento e Solon Sehn. Ausência momentânea do Conselheiro Bruno Maurício Macedo Curi.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/08/2000 a 31/08/2000 PER/DCOMP. AUSÊNCIA DE RETIFICAÇÃO DA DCTF. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. Nos casos de PER/Dcomp transmitida sem a correspondente retificação da Dctf, o contribuinte preserva o direito à compensação desde que a mesma ocorra antes da ciência do despacho decisório. A retificação posterior somente é cabível excepcionalmente, por força do princípio da verdade material, condicionada à prova da existência do direito creditório. Ausentes quaisquer desses pressupostos, não cabe a homologação da compensação. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) REGIS XAVIER HOLANDA Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Regis Xavier Holanda (presidente da turma), Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, José AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 65 0. 90 24 12 /2 01 1- 46 Fl. 117DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 10/05/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 2 Fernandes do Nascimento e Solon Sehn. Ausência momentânea do Conselheiro Bruno Maurício Macedo Curi. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora/MG, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo Recorrente, assentado nos fundamentos resumidos na ementa seguinte: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/08/2000 a 31/08/2000 Ementa: ZONA FRANCA DE MANAUS. ISENÇÃO. A isenção prevista no art. 14 da Medida Provisória no 2.03725, de 2000, atual Medida Provisória no 2.15835, de 2001, quando se tratar de vendas realizadas para empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus, aplica se, exclusivamente, às receitas de vendas enquadradas nas hipóteses previstas nos incisos IV, VI, VIII e IX, do referido artigo. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido.” Por bem resumir a controvérsia até a presente fase processual, transcrevese parte do relatório do acórdão da DRJ: “Trata o presente processo de Pedido Eletrônico de Restituição PER, no 14644.40186.290304.1.2.046586 transmitido em 29/03/2004, no valor de R$ 497,43, relativo a parte do recolhimento de PIS/PASEP (P.A. 08/2000) efetuado em 15/09/2000, que o interessado alega ser indevido por referirse a vendas de mercadorias a clientes estabelecidos na Zona Franca de Manaus. A DRF/Uberaba/MG, emitiu Despacho Decisório Eletrônico por meio do qual indeferiu o Pedido de Restituição, por inexistência de crédito, tendo em vista que o pagamento indicado como indevido ou a maior não oferecia saldo disponível para restituição, uma vez que fora integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte. A fundamentação legal da decisão é o art. 165 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN). Cientificado do Despacho Decisório, o interessado apresentou Manifestação de Inconformidade, na qual consta, em síntese: a) Preliminarmente, o contribuinte requer a nulidade do Despacho Decisório por cerceamento do direito de defesa, alegando que sequer tem certeza quanto ao motivo pelo qual o seu direito creditório foi indeferido, dado que o débito de PIS/PASEP apurado foi comprovadamente recolhido a maior e declarado na DCTF. Afirma que está impossibilitado de atacar, de forma certeira, o fundamento da glosa perpetrada. Fl. 118DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 10/05/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10650.902412/201146 Acórdão n.º 3802001.567 S3TE02 Fl. 118 3 b) Alega que naõ constam, no Despacho Decisório, informac ões precisas acerca das supostas incorreções cometidas pelo contribuinte, evidenciando a nulidade do ato administrativo em apreço. c) No mérito, solicita a restituição do PIS e da Cofins incidentes sobre as vendas efetuadas para a Zona Franca de Manaus. Discorre sobre a criac ão da Zona Franca de Manaus, sua manutenção por meio do ADCT, art. 40, da Constituic ão Federal de 1988, concluindo que as vendas de mercadorias para empresas localizadas na Zona Franca de Manaus equivalem a exportac ões para o estrangeiro, gozando as operações de todos os benefícios destas, inclusive a isenção do PIS e da Cofins. d) Afirma que dentre as exclusões expressamente previstas em lei, a Medida Provisória no 18586 determinava que, em relac ão aos fatos geradores ocorridos a partir de 1o de fevereiro de 1999, as receitas de exportac aõ de mercadorias para o exterior são isentas do PIS e da Cofins. e) Aduz que a limitac ão constante na Medida Provisória de que a isenc ão supra não alcanc aria as receitas de vendas efetuadas para empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus foi contestada perante o Supremo Tribunal Federal, na Medida Cautelar no 2.216 1. f) Afirma que o STF, Tribunal que dita o Direito, decidiu que não é permitido à lei/medida provisória suprimir direitos que foram outorgados constitucionalmente aos contribuintes. g) Com relac ão ao direito creditório, aduz que o suposto erro formal contido na DCTF, por ter declarado deb́itos equivocadamente majorados, não é capaz de extinguir o direito creditório originado de pagamentos comprovadamente recolhidos a maior. h) Invoca os princípios da verdade material, da razoabilidade e da proporcionalidade i) Solicita, ao final, com respaldo no disposto no art. 16, inciso IV, do Decreto n.° 70.235/72, a realizac aõ de dilige ncia, para que se comprove a existe ncia do crédito pleiteado. Formula os seus quesitos. j) Solicita que, na remota hipótese de o direito creditório não ser reconhecido, que seja declarada a nulidade do despacho decisório.” A Recorrente, nas razões de fls. 8197, salvo no tocante à preliminar de nulidade, reitera os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade, requerendo, por fim, o provimento do recurso voluntário. É o relatório. Voto Conselheiro Solon Sehn O sujeito passivo teve ciência da decisão no dia 24/05/2012 (fls. 79), interpondo recurso tempestivo em 21/06/2012 (fls. 81). Assim, presentes os demais requisitos de admissibilidade do Decreto no 70.235/1972, o recurso pode ser conhecido. Fl. 119DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 10/05/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 4 A Recorrente, ao transmitir o PER/Dcomp, deixou de retificar a Dctf (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais) do período correspondente, o que fez com que a mesma continuasse atrelada à quitação do débito originário, inviabilizando a homologação da compensação, consoante o despacho decisório a seguir: “3 FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL [...] A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP.” Em casos dessa natureza, a Turma tem reconhecido o direito à compensação, desde que o contribuinte: (i) retifique a Dctf antes da ciência do despacho decisório; ou (ii) ainda que a posteriormente, o faça antes da inscrição do débito em dívida ativa e comprove, de plano, a existência do crédito compensado. Nesse sentido, cumpre destacar os seguintes acórdãos, acompanhados pela unanimidade do colegiado: “PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS A PROLAÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. APRESENTAÇÃO DA PROVA DO CRÉDITO APÓS PROLAÇÃO DA DECISÃO DA DRJ. HIPÓTESE PREVISTA NO ART. 16, § 4º, “C”, DO DECRETO Nº 70.235/1972. POSSIBILIDADE. NATUREZA DO INDÉBITO NÃO DEMONSTRADA. PROVA INSUFICIENTE. RECURSO DESPROVIDO. A prova do crédito tributário indébito, quando destinada a contrapor razões posteriormente trazidas aos autos, pode ser apresentada após a decisão da DRJ, por força do princípio da verdade material e do disposto no art. 16, § 4º, “c”, do Decreto nº 70.235/1972. Sendo insuficiente a prova apresentada, não há como se homologar a compensação. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. (Carf. 3ª S. 2ª T.E. Acórdão nº 380201.125. Rel. Conselheiro Solon Sehn. S. 28/07/2012). “PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS A INSCRIÇÃO DO DÉBITO EM DÍVIDA ATIVA DA UNIÃO. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. AUSÊNCIA DE PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da existência do crédito compensado (art. 12, § 3o, da Instrução Normativa SRF nº. 583/2005, vigente à época da transmissão das DCTF’s retificadoras). A retificação, porém, não produz efeitos quando o débito já foi enviado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em Dívida Ativa. Fl. 120DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 10/05/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10650.902412/201146 Acórdão n.º 3802001.567 S3TE02 Fl. 119 5 Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. (Carf. 3ª S. 2ª T.E.Acórdão nº 380201.078. Rel. Conselheiro Solon Sehn. S. 27/07/2012). “PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROLAÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. APRESENTAÇÃO DA PROVA DO CRÉDITO APÓS DECISÃO DA DRJ. HIPÓTESE PREVISTA NO ART. 16, § 4º, “C”, DO DECRETO Nº 70.235/1972. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. A prova do crédito tributário indébito, quando destinada a contrapor razões posteriormente trazidas aos autos, pode ser apresentada após a decisão da DRJ, por força do princípio da verdade material e do disposto no art. 16, § 4º, “c”, do Decreto nº 70.235/1972. Havendo prova do crédito, a compensação deve ser homologada, a despeito da retificação a posteriori da Dctf. Recurso Voluntário Provido Direito Creditório Reconhecido.”(Carf. 3ª S. 2ª T.E. Acórdão nº 380201.005. Rel. Solon Sehn. S. 22/05/2012). “PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. AUSÊNCIA DE PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova contábil da existência do crédito compensado. A simples retificação após o despacho decisório não autoriza a homologação da compensação do crédito tributário. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido.” (Carf. S3TE02. Acórdão nº 380201.112. Rel. Conselheiro Solon Sehn. S. 27/07/2012). Contudo, no presente caso concreto, verificase que o interessado sequer retificou a Dctf do período correspondente, o que prejudica a homologação da compensação, porquanto o Darf continua atrelado à quitação do débito originário. Votase, assim, pelo conhecimento e integral desprovimento do recurso. (assinado digitalmente) Solon Sehn Relator Fl. 121DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 10/05/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 6 Fl. 122DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 10/05/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA
score : 1.0
Numero do processo: 10803.000082/2009-47
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu May 16 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004, 2005
NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. Não provada violação das disposições contidas no art. 142 do CTN, tampouco dos artigos 10 e 59 do Decreto nº. 70.235, de 1972 e não se identificando no instrumento de autuação nenhum vício prejudicial, não há que se falar em nulidade do lançamento.
IRPF. DECADÊNCIA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. CONTAGEM DO PRAZO. TERMO INICIAL. Caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial rege-se pelo art. 173, inciso I, do CTN. (Súmula CARF nº 72).
IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. UTILIZAÇÃO DE INTERPOSTA PESSOA. Caracterizado, pelo conjunto probatório aportado aos autos, que o Contribuinte recebia rendimentos por intermédio de interposta pessoa, é lícita a formalização da exigência do imposto sonegado mediante lavratura de auto de infração.
IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. CARACTERIZAÇÃO. Para caracterizar a omissão de rendimentos recebidos por intermédio de terceiros, interpostas pessoas, o Fisco tem o ônus de demonstrar que o Contribuinte foi o efetivo beneficiário dos rendimentos movimentados em nome dos terceiros, não bastando para tanto meros indícios e presunções.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM COMPROVAÇÃO DE ORIGEM. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PRESUNÇÃO LEGAL. Desde 1º de janeiro de 1997, caracteriza-se como omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta bancária, cujo titular, regularmente intimado, não comprove, com documentos hábeis e idôneos, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
LANÇAMENTO DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO DA MULTA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS MEDIANTE UTILIZAÇÃO DE INTERPOSTA PESSOA. Caracteriza o evidente intuito de fraude, a ensejar a qualificação da multa de ofício, a utilização de interposta pessoa com o propósito de dificultar ou impedir o conhecimento por parte do Fisco da aquisição da disponibilidade de renda pelo Contribuinte.
Preliminares rejeitadas
Recurso parcialmente provido.
Numero da decisão: 2201-002.030
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares de nulidade. No mérito, pelo voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso para excluir da exigência o item 1 do Auto de Infração e, relativamente ao item 3 do Auto de Infração, excluir da base de cálculo o valor de R$ 33.156,00. Vencidos os Conselheiros Rodrigo Santos Masset Lacombe e Ricardo Anderle, que deram provimento parcial em maior extensão, e Rayana Alves de Oliveira França, que deu provimento integral ao recurso. Fez sustentação oral o Dr. Filipe Gonçalves Borges, OAB/SP 187764.
Assinatura digital
Maria Helena Cotta Cardozo Presidente
Assinatura digital
Pedro Paulo Pereira Barbosa - Relator
EDITADO EM: 25 de abril de 2013.
Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Pedro Paulo Pereira Barbosa (Relator), Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Rayana Alves de Oliveira França e Ricardo Anderle (Suplente convocado). Ausente justificadamente o Conselheiro Gustavo Lian Haddad
Nome do relator: PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2004, 2005 NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. Não provada violação das disposições contidas no art. 142 do CTN, tampouco dos artigos 10 e 59 do Decreto nº. 70.235, de 1972 e não se identificando no instrumento de autuação nenhum vício prejudicial, não há que se falar em nulidade do lançamento. IRPF. DECADÊNCIA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. CONTAGEM DO PRAZO. TERMO INICIAL. Caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial rege-se pelo art. 173, inciso I, do CTN. (Súmula CARF nº 72). IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. UTILIZAÇÃO DE INTERPOSTA PESSOA. Caracterizado, pelo conjunto probatório aportado aos autos, que o Contribuinte recebia rendimentos por intermédio de interposta pessoa, é lícita a formalização da exigência do imposto sonegado mediante lavratura de auto de infração. IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. CARACTERIZAÇÃO. Para caracterizar a omissão de rendimentos recebidos por intermédio de terceiros, interpostas pessoas, o Fisco tem o ônus de demonstrar que o Contribuinte foi o efetivo beneficiário dos rendimentos movimentados em nome dos terceiros, não bastando para tanto meros indícios e presunções. DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM COMPROVAÇÃO DE ORIGEM. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PRESUNÇÃO LEGAL. Desde 1º de janeiro de 1997, caracteriza-se como omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta bancária, cujo titular, regularmente intimado, não comprove, com documentos hábeis e idôneos, a origem dos recursos utilizados nessas operações. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO DA MULTA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS MEDIANTE UTILIZAÇÃO DE INTERPOSTA PESSOA. Caracteriza o evidente intuito de fraude, a ensejar a qualificação da multa de ofício, a utilização de interposta pessoa com o propósito de dificultar ou impedir o conhecimento por parte do Fisco da aquisição da disponibilidade de renda pelo Contribuinte. Preliminares rejeitadas Recurso parcialmente provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares de nulidade. No mérito, pelo voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso para excluir da exigência o item 1 do Auto de Infração e, relativamente ao item 3 do Auto de Infração, excluir da base de cálculo o valor de R$ 33.156,00. Vencidos os Conselheiros Rodrigo Santos Masset Lacombe e Ricardo Anderle, que deram provimento parcial em maior extensão, e Rayana Alves de Oliveira França, que deu provimento integral ao recurso. Fez sustentação oral o Dr. Filipe Gonçalves Borges, OAB/SP 187764. Assinatura digital Maria Helena Cotta Cardozo Presidente Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa - Relator EDITADO EM: 25 de abril de 2013. Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Pedro Paulo Pereira Barbosa (Relator), Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Rayana Alves de Oliveira França e Ricardo Anderle (Suplente convocado). Ausente justificadamente o Conselheiro Gustavo Lian Haddad
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 36; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2438; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 2 1 1 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10803.000082/200947 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2201002.030 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 12 de março de 2013 Matéria IRPF Recorrente MOACYR ALVARO SAMPAIO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2004, 2005 NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. Não provada violação das disposições contidas no art. 142 do CTN, tampouco dos artigos 10 e 59 do Decreto nº. 70.235, de 1972 e não se identificando no instrumento de autuação nenhum vício prejudicial, não há que se falar em nulidade do lançamento. IRPF. DECADÊNCIA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. CONTAGEM DO PRAZO. TERMO INICIAL. Caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial regese pelo art. 173, inciso I, do CTN. (Súmula CARF nº 72). IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. UTILIZAÇÃO DE INTERPOSTA PESSOA. Caracterizado, pelo conjunto probatório aportado aos autos, que o Contribuinte recebia rendimentos por intermédio de interposta pessoa, é lícita a formalização da exigência do imposto sonegado mediante lavratura de auto de infração. IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. CARACTERIZAÇÃO. Para caracterizar a omissão de rendimentos recebidos por intermédio de terceiros, interpostas pessoas, o Fisco tem o ônus de demonstrar que o Contribuinte foi o efetivo beneficiário dos rendimentos movimentados em nome dos terceiros, não bastando para tanto meros indícios e presunções. DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM COMPROVAÇÃO DE ORIGEM. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PRESUNÇÃO LEGAL. Desde 1º de janeiro de 1997, caracterizase como omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta bancária, cujo titular, regularmente intimado, não comprove, com documentos hábeis e idôneos, a origem dos recursos utilizados nessas operações. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO DA MULTA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS MEDIANTE UTILIZAÇÃO DE INTERPOSTA AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 3. 00 00 82 /2 00 9- 47 Fl. 2680DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/ 05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 2 PESSOA. Caracteriza o evidente intuito de fraude, a ensejar a qualificação da multa de ofício, a utilização de interposta pessoa com o propósito de dificultar ou impedir o conhecimento por parte do Fisco da aquisição da disponibilidade de renda pelo Contribuinte. Preliminares rejeitadas Recurso parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares de nulidade. No mérito, pelo voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso para excluir da exigência o item 1 do Auto de Infração e, relativamente ao item 3 do Auto de Infração, excluir da base de cálculo o valor de R$ 33.156,00. Vencidos os Conselheiros Rodrigo Santos Masset Lacombe e Ricardo Anderle, que deram provimento parcial em maior extensão, e Rayana Alves de Oliveira França, que deu provimento integral ao recurso. Fez sustentação oral o Dr. Filipe Gonçalves Borges, OAB/SP 187764. Assinatura digital Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa Relator EDITADO EM: 25 de abril de 2013. Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Pedro Paulo Pereira Barbosa (Relator), Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Rayana Alves de Oliveira França e Ricardo Anderle (Suplente convocado). Ausente justificadamente o Conselheiro Gustavo Lian Haddad Relatório MOACYR ALVARO SAMPAIO interpôs recurso voluntário contra acórdão da DRJSÃO PAULO/SP II (fls. 2.260) que julgou procedente EM PARTE lançamento, formalizado por meio do auto de infração de fls. 1560/1567, para exigência de Imposto sobre Renda de Pessoa Física – IRPF, referente aos exercícios de 2004 e 2005, no valor de R$ 3.686.981,53, acrescido de multa de ofício (qualificada) e de juros de mora, perfazendo um crédito tributário total lançado de R$ 11.555.414,15. As infrações que ensejaram a autuação estão assim descritas no auto de infração: Fl. 2681DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/ 05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10803.000082/200947 Acórdão n.º 2201002.030 S2C2T1 Fl. 3 3 1) RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOAS JURÍDICAS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS POR PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS – GRUPO MUDE – intermédio do DOLEIRO RENATO LANZUOLO FILHO – LANZA – Omissão de rendimentos auferidos pelo sujeito passivo MOACUR ÁLVARO SAMPAIO por participação nos lucros obtidos de forma ilícita pela empresa MUDE, tendo recebido os recursos financeiros do doleito RENATO LANZUOLO FILHO “LANZA”, nas datas de 17/11/2003, 11/03/2004, 14/05/2004, 22/06/2004 e 04/11/2004, e nos valores respectivos de U$ 17,830.00, 99,619.00, 113,100.00, 226,037.00, 75,468.00 e 189,500.00, conforme assinalado no documento SP20it221, fl. 19, arrecadado pela Polícia Federal em cumprimento a Mandado de Busca e Apreensão Judicial – MBA, para os anoscalendário de 2003 e 2004: nos valores abaixo demonstrados, os quais caracterizados como rendimentos, tem a rxigência do imposto devido por intermédio do competente Auto de Infração, convertendose seus valores de dólar para real pelo valor de compra dos dias de recebimento conforme comprova o ‘Termo de Verificação e Conclusão da Ação Fiscal”, que faz parte integrante e indissociável deste Auto de Infração. A seguir, produzse pela fiscalização, demonstrativo de conversão dos valores (de dólar para real) recebidos pelo sujeito passivo MOACUR ÁLVARO SAMPAIO por participações nos lucros obtidos de forma ilícita pelo Grupo JDTC/MUDE, por intermédio do doleiro RENATO LAZUOLO FILHO “LANZA”, constituindose estes valores na base de cálculo do imposto devido a ser exigido por intermédio do competente Auto de Infração: Recebimento data Valor em U$ Câmbio/dia Valor em R$ / Base de. cálculo Primeiro 17/11/2003 17,860.00 2,9538 52.666,25 Segundo 11/03/2004 99,619.00 2,9124 290.130,38 Terceiro 11/03/2004 113,100.00 2,9124 329.792,00 Quarto 14/05/2004 226,037.00 3,0974 700.127,00 Quinto 22/06/2004 75,468.00 3,1341 236.524,85 Sexto 04/11/2004 189,500.00 2,8203 534.446,95 Identificado o abuso de forma, temos por imperativo por parte da fiscalização, visto o caráter de rendimentos e lucros tributáveis recebidos de forma indireta pelo sujeito passivo utilizando interposta pessoa, a descaracterização dos recursos financeiros recebidos do esquema JDTC/MUDE pelo sujeito passivo Moacyr Álvaro Sampaio, CPF 535.257.60868, no período de janeiro de 2003 a dezembro de 2004, reclassificando a tributação dos valores recebidos de forma indireta por intermédio do doleiro Renato Lanzuolo Filho “lanza”, para a declaração de ajuste da pessoa física do mesmo (verdadeiro contribuinte, contribuinte efetivo, aquele que realizou os fatos geradores), visto a simulação de atos jurídicos praticados pelos envolvidos. Reconstituise, desta forma o verdadeiro ato praticado, excluindose o sujeito passivo da relação jurídica (Interposta Fl. 2682DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/ 05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 4 pessoa) e incluindo o sujeito oculto (sujeito passivo Moacyr Álvaro Sampaio) e assim restabelecendo o fato gerador real e os verdadeiros sujeitos da relação jurídica constitutiva da obrigação tributária decorrente. 2) RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOAS JURÍDICAS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS POR PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS – GRUPO MUDE – Interposta pessoa: APRIL HOLDING OVERSEAS LTD. Constituindose estes valores na base de cálculo do imposto devido a ser exigido por intermédio do competente Auto de Infração, conforme fartamente demonstrado no Termo de Verificação Fiscal e Conclusão da Ação Fiscal, que faz parte integrante e indissociável deste Auto de Infração: Recebim. Primeiro Segundo Terceiro Quarto Data 18/08/2003 27/08/2003 06/04/2004 22/11/2004 Vr. Em U$ 1,300,050,00 220,050.00 650,000.00 1,700,025.00 Câmbio/dia 2,9840 2,9726 2,8735 2,7670 Vr. Em R$. 3.879.349,20 654.120,63 1.867.775,00 4.703.969,18 Identificado o abuso de forma, temos por imperativo por parte da fiscalização, visto o caráter de rendimentos e lucros tributáveis recebidos de forma indireta pelo sujeito passivo utilizando interposta pessoa, a descaracterização dos recursos financeiros recebidos do esquema JDTC/MUDE pelo sujeito passivo Moacyr Álvaro Sampaio,CPF 535.257.60868, no período de janeiro de 2003 a dezembro de 2004, reclassificando a tributação dos valores recebidos de forma indireta pela empresa April Holding Overseas Ltda., para a declaração de ajuste da pessoa física do mesmo (verdadeiro contribuinte, contribuinte efetivo, aquele que realizou os fatos geradores), visto a simulação de atos jurídicos praticados pelos envolvidos. Reconstituise, desta forma o verdadeiro ato praticado, excluindose o sujeito passivo da relação jurídica (Interposta pessoa) e incluindo o sujeito oculto (sujeito passivo Moacyr Álvaro Sampaio) e assim restabelecendo o fato gerador real e os verdadeiros sujeitos da relação jurídica constitutiva da obrigação tributária decorrente. 03) DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS COM ORIGEM NÃO COMPROVADA – Omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em conta(s) de depósito ou de investimento, mantida(s) em Instituição(ões) financeira(s), em relação aos quais o sujeito passivo, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, conforme Termo de Verificação e Conclusão da Ação Fiscal que passa a fazer parte integrante deste Auto de Infração. Destaco, por relevante, o seguinte trecho do relatório fiscal, que bem resume os fatos objeto da autuação. [...] claro está, que a figura da offshore "APRIL HOLDINGS OVERSEAS LTD," nada mais é do que a própria pessoa física do Sujeito Passivo, Moacyr Álvaro Sampaio, que utilizandose de Fl. 2683DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/ 05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10803.000082/200947 Acórdão n.º 2201002.030 S2C2T1 Fl. 4 5 contratos e procurações, tenta dar um aspecto legal a s u a s operações com o único fito de não pagar, ou pagar menos tributo. Condições em q u e se aplica o Artigo 135 do CNT, responsabilizando pessoalmente os sócios e proprietários da empresas. 29 No presente caso, nos anoscalendário de 2003 e 2004, constatouse que o sujeito passivo MOACYR ALVARO SAMPAIO, utilizandose da offshore "APRIL", introduziu no território nacional, sob o disfarce de "aportes de capital", recursos financeiros recebidos no exterior por participações nos lucros do Grupo JDTC/MUDE, os seguintes numerários para integralização de capital, em nome das empresas FERCICA e MOMA, conforme abaixo: O Contribuinte impugnou o lançamento e alegou, em síntese, que o Auto de Infração foi lavrado sem o "Termo de Verificação e de Conclusão Fiscal", já que os fatos apontados constam do "Termo de Verificação e de Conclusão Fiscal" lavrado em 21/12/2009, em documento à parte e não integrante do presente auto de infração, o que afronta o princípio da legalidade e ainda cerceia o direito de defesa; que o auto de infração decorre de Ação Fiscal iniciada em 19/05/2008 (e não no dia 30.11.2007, conforme equivocadamente informado pela Fiscalização às fls. 139); que a Fiscalização teve praticamente 2 (dois) anos para concluir os seus trabalhos, mas o fez apenas duas semanas após o prazo de adesão aos benefícios concedidos pelo chamado "Refis da Crise", instituído pela Lei n° 11.941, de 27 de maio de 2009, que tinha prazo final para a adesão em 30/11/2009; que pretensas provas obtidas para instrução de processo penal ou para fins de investigação criminal não podem ser utilizadas para fins de constituição de crédito tributário; que a Fiscalização não poderia presumir "esquema de importação fraudulento" antes da matéria ser decidida definitivamente no âmbito administrativo e ainda que tal suposto "esquema" tenha gerado ganhos destinados ao impugnante; que o Auto de Infração é nulo de pleno direito, na medida em que não foi precedido de ordem escrita do Delegado, do Superintendente ou do Inspetor da Receita Federal do Brasil autorizando o reexame do anocalendário de 2003, que já foi fiscalizado pela DRF em Osasco; que as conclusões da Fiscalização baseiamse em dados e arquivos magnéticos apreendidos pela Polícia Federal e que se destinavam exclusivamente à apuração de eventuais delitos na esfera criminal, sendo certo que apesar de ter sido concedida autorização judicial destinada à apuração de eventuais créditos tributários supostamente devidos pelo impugnante, tal medida é ilegal e inconstitucional; que o procedimento adotado pela Fiscalização não tem amparo no disposto nos incisos X, XI e XII do artigo 5ºo da Constituição Federal, que somente admite a "flexibilização" dos sigilos de correspondência, comunicações telegráficas, de dados e de comunicações telefônicas mediante ordem judicial e apenas para investigação criminal ou para fins de instrução processual penal; que Referida proteção constitucional resguarda a privacidade das pessoas no que concerne ao seu aspecto financeiro, suas aplicações, as escolhas de investimento, os ganhos e as perdas percebidas, suas despesas ordinárias e extraordinárias, protege a intimidade econômica e financeira, a vida privada da pessoa, protegendo também o relacionamento pessoal e privado, que não tem qualquer relação com apuração de eventuais créditos tributários supostamente devidos pelo impugnante; que a Lei n° 9.296, de 24/07/1996, regulamentou a possibilidade de interceptação telefônica, dispondo inclusive que a interceptação de comunicações telefônicas, de informática ou telemática, com objetivos não autorizados em Lei, constitui crime apenado com reclusão de dois a quatro anos, além de multa; que não há como utilizar pretensas provas obtidas para instrução de processo penal ou para fins de investigação criminal e considerálas válidas para fins tributários, seja Fl. 2684DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/ 05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 6 porque as pretensas provas obtidas em processo penal não provam a ocorrência do fato gerador do IRPF como se demonstrará, seja porque a Constituição Federal e a legislação pertinente não permitem a utilização de tais dados para fins de constituição de eventual crédito tributário; que grande parte do que foi deduzido pela Fiscalização no Termo de Verificação e Conclusão Fiscal referese a fatos relacionados às operações comerciais desenvolvidas pela empresa Mude e nada têm a ver com a ocorrência do fato gerador do IRPF; que foram lavrados autos de infração contra a empresa Mude, sob o entendimento de que seria devido o IPI incidente sobre produtos supostamente importados por terceiros por conta e ordem da empresa Mude; que a Mude apresentou e/ou está em vias de apresentar impugnação a cada um dos AIIM lavrados e que ainda não foram analisados todos os processos mencionados em nome da MUDE pela competente Turma Julgadora da Delegacia da Receita Federal de Julgamento da Receita Federal do Brasil em São Paulo; que a Fiscalização ao lavrar o presente Auto de Infração partiu da premissa equivocada de que o crédito tributário constituído contra a empresa Mude já conteria a presunção de veracidade e legitimidade (próprios dos lançamentos tributários definitivamente constituídos); que se valendo dessa situação (o que demonstra a violação aos princípios da impessoalidade e da motivação, na medida em que esses fatos não têm qualquer relação com a correta apuração do IRPF), a Fiscalização narra no Termo de Verificação e Conclusão Fiscal fatos tributários relacionados à Mude e alega indevidamente que a suposta sonegação demonstrada nos referidos AIIM teria beneficiado o impugnante, o que não se pode admitir já que ainda não existe presunção de veracidade e legitimidade nas acusações feitas contra a Mude; que o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais teve a oportunidade de julgar recentemente caso análogo ao que está sendo discutido pela Mude e houve por bem acatar as alegações do contribuinte, que são as mesmas utilizadas e comprovadas documentalmente pela Mude para demonstrar a insubsistência dos lançamentos fiscais descritos; que portanto, os lançamentos fiscais lavrados em face da Mude fatalmente serão anulados pelo CARF, restando claro e evidente que a inserção de tais questões na lavratura do presente AIIM só pode demonstrar a impessoalidade dos agentes administrativos que fiscalizaram o impugnante ou, a insubsistência do lançamento fiscal, já que tais fatos não têm qualquer relação com a apuração do IRPF do impugnante; que no transcorrer de todo o processo de fiscalização nenhum dos fatos apontados foram trazidos à sua apreciação, motivo pelo qual não deveriam constar da elaboração do AIIM lavrado; que tais questões não guardam nenhuma relação com a ocorrência dos fatos geradores do IRPF e não são necessárias à eventual cobrança de créditos tributários do impugnante; que a RFB já havia procedido ao exame do anocalendário de 2003, não sendo possível o reexame de período já fiscalizado sem a ordem escrita do Superintendente, do Delegado ou Inspetor da RFB, conforme exigência do artigo 906 do Decreto n° 3.000/1999; que a própria RFB lavrou em 27/04/2009 a Notificação de Lançamento n° 2004/608420055742105, objetivando a cobrança de IRPF devido, decorrente de dedução indevida de doações e compensação indevida a título de CarnêLeão; que após alegações e comprovação documental, o Sr. Delegado da RFB cancelou a Notificação, com a conseqüente homologação de todos os fatos geradores ocorridos naquele anocalendário; que, assim, a DRF/Osasco examinou exaustivamente todos os rendimentos auferidos pelo impugnante no anocalendário de 2003, não restando outro exame a ser feito; que a exigência do artigo 906 do Decreto n° 3.000/1999 consagra os princípios da segurança jurídica, da impessoalidade e da eficiência; que tal raciocínio coadunase com o entendimento do Conselho de Contribuintes, acarretando a nulidade do auto de infração complementar; que, quanto ao mérito, ainda que sejam superadas as questões preliminares até esse momento deduzidas, no mérito se demonstrará que o lançamento fiscal ora impugnado é insubsistente e não poderá ser mantido; que o AIIM não aponta de forma clara e precisa a condição jurídica do Impugnante, confundindo os conceitos jurídicos e as suas consequências no campo tributário, o que demonstra a sua falta de motivação e a sua flagrante ilegalidade; que a Auditoria Fiscal não conseguiu definir se o impugnante é ou foi sócio da Mude e se é ou não um dos sócios ocultos dessa empresa ou grupo JDTC/MUDE; que o impugnante não poderia ser sócio oculto da Fl. 2685DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/ 05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10803.000082/200947 Acórdão n.º 2201002.030 S2C2T1 Fl. 5 7 empresa Mude, pois o tipo societário previsto no artigo 991 do Código Civil jamais foi adotado; que essa situação é comprovada em análise às informações apresentadas ao Fisco pela Mude, que nunca preencheu na sua Declaração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica a ficha específica para tais informações; que não poderia ter vendido a Mude no ano de 2002, conforme "Instrumento Particular de Cessão de Ativos e Participações e Outras Avenças" apresentado pela Fiscalização, pois sequer assinou tal documento; que a RFB lavrou autos de infração contra a Mude, objetivando a cobrança de créditos previdenciários, bem como por supostas transgressões de obrigações acessórias, nos quais atribuiu ao Impugnante a responsabilidade solidária pelo pagamento de referidos créditos tributários na condição de sócio gerente da Mude; que tais atos demonstram que efetivamente a RFB considera que o impugnante é sócio da Mude, ou ainda sócio oculto, o que não é verdade; que em linha desse raciocínio, a própria Fiscalização autuou a Mude pelo não pagamento das contribuições previdenciárias supostamente incidentes sobre a alegada retirada de prólabore pelo impugnante e de outros supostos sócios da Mude; que ao fiscalizar a Mude para fins de apuração dos supostos créditos previdenciários, entendeu a Fiscalização que o impugnante seria sócio da empresa, inclusive atribuindo ao impugnante responsabilidade solidária pelo recolhimento das contribuições previdenciárias lançadas contra a empresa; que os atos praticados pela Fiscalização violam o contraditório e obstam o pleno exercício do direito de defesa do impugnante e demonstram que o AIIM ora combatido é frágil, confuso e sem a devida sustentação legal; que nesse contexto, vale citar o art. 5º , inciso LV da Constituição Federal, que garante o direito ao contraditório e ampla defesa e conferem ao contribuinte o direito ao devido processo legal; que não se sabe qual o fundamento legal utilizado pela Fiscalização para desconsiderar a personalidade jurídica da empresa April, o que demonstra a nulidade do auto de infração por violação aos princípios da legalidade e da motivação, prejudicando o seu amplo direito de defesa; que a Fiscalização ignorou a existência da empresa April, para atribuir os supostos créditos efetuados em seu favor para a pessoa física do impugnante a alíquota de 27,5%, sem se dar conta de que, em realidade, tais valores não têm nenhuma relação com a pessoa física do impugnante, ou ainda com a pessoa jurídica denominada April sediada no exterior; que, contudo, mesmo que sejam superadas as alegações até esse momento deduzidas, ainda assim não pode prosperar o presente lançamento já que a Fiscalização da RFB não tem competência para desconsiderar a personalidade jurídica da empresa April; que conforme art. 50 do Código Civil, somente no âmbito judicial é possível desconsiderar a personalidade jurídica de uma empresa, a qual se encontra devidamente constituída sob as Leis Brasileiras e desde que presentes todos os requisitos previstos, quais sejam, o abuso da personalidade jurídica caracterizado pelo desvio de finalidade ou pela confusão patrimonial; que nesse sentido, é o entendimento do CARF, que afirma que a personalidade jurídica somente pode ser desconsiderada no âmbito judicial; que ainda que se admitisse que fosse possível desconsiderar a personalidade jurídica da empresa April da forma como foi feita pela Fiscalização, com base no art. 116 do CTN, ainda assim o procedimento adotado pela Fiscalização não tem fundamento legal, porque o parágrafo único do mesmo artigo 116 depende de regulamentação em lei ordinária, não contendo autoaplicabilidade; que a suposição de que a Fiscalização teria verificado a presença de simulação não é capaz de embasar a desconsideração de uma pessoa jurídica; que, de fato, existe uma pessoa jurídica, com personalidade própria, que desenvolve atividades empresariais no exterior e que deve ser observada pela Fiscalização, inclusive; que não é possível a pretensão da Fiscalização no sentido de simplesmente descaracterizar os rendimentos supostamente creditados em favor da pessoa jurídica, tudo com base em uma planilha (apócrifa, carente de autenticidade, elaborada não se sabe por quem e com qual propósito) e reclassificálos para a pessoa física do impugnante; que admitir tal possibilidade seria instituir uma verdadeira insegurança no país; que superadas as alegações acima deduzidas, ainda assim não pode prosperar o lançamento ora Fl. 2686DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/ 05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 8 impugnado, por conta da inexistência de relação entre os documentos apreendidos pela Polícia Federal e o fato gerador do IRPF, o que além de violentar o princípio da verdade material, demonstra a insubsistência do auto impugnado; que as conclusões da Fiscalização estão calcadas única exclusivamente no matéria apreendido pela Polícia Federal nas residências do impugnante e de outras pessoas físicas (sócios, empregados, prestadores de serviços, contadores e advogados da Mude); que não houve a devida fiscalização da pessoa física do impugnante; que a Fiscalização entendeu que uma planilha, supostamente apreendida na residência dos participantes, teria o condão de conferir veracidade a fatos que na realidade não ocorreram; que a Fiscalização tomou como verdadeiras as informações contidas na planilha de fl. 102 do Termo de Verificação Fiscal, relativa à venda da MUDE, sem se dar ao trabalho de buscar a verdadeira ocorrência dos fatos; que, portanto, a planilha não foi validada por nenhum documento financeiro, contábil ou societário da empresa; que a Fiscalização apontou ainda que a empresa Fercica & Barney, pessoa jurídica destinada a administrar bens próprios, seria destinada a ocultar o verdadeiro patrimônio do impugnante, o que não é verdade; que se trata apenas de uma forma de organização empresarial e patrimonial adotada pelo impugnante, que nada tem de abuso de forma ou simulação nos atos praticados; que todos os atos societários relativos à constituição das empresas April (sediada no exterior), Fercica & Barney, Morna, DS2 Editora e da J. Ida foram devidamente registrados nos órgãos públicos competentes; que a empresa Fercica & Barney passou por um processo de fiscalização da própria DIFIS; que todos os documentos societários, financeiros e contábeis foram apresentados, não sendo apontada nenhuma irregularidade; que muito embora a natureza e a finalidade da empresa Fercica & Barney seja de fácil comprovação, a Fiscalização preferiu ignorar os fatos a ela apresentados, tais como se a sociedade destinase a concentrar os bens próprios da família do impugnante, facilitando sua administração; que a Fiscalização também preferiu ignorar a empresa Morna e seus investimentos, como as empresas DS2 Editora e J. Ida; que tudo foi devidamente documentado e declarado a quem quer que seja, inclusive ao Fisco, já que tudo se encontra perfeitamente refletido em suas DIPJ's e em todos os competentes e necessários órgãos públicos; que em nenhum momento a Fiscalização buscou verificar se os valores imputados ao impugnante em decorrência da suposta "Venda da Mude" teriam sido disponibilizados ao impugnante; que nunca se demonstrou que os valores encontrados nas planilhas supostamente apreendidas para fins de instrução criminal foram de fato disponibilizados à empresa April e, menos ainda, à pessoa física do impugnante e, assim, não há comprovação da ocorrência do fato gerador do IRPF; que as tais planilhas não são de autoria ou ainda estavam em poder do impugnante; que a Fiscalização deixou de buscar a verdade material dos fatos, pois se baseou no material apreendido pela Polícia Federal, bem como em interceptações telefônicas, que não comprovam a ocorrência do fato gerador do IRPF, violando a previsão legal da competência (art. 42 do CTN) e as normas constitucionais e legais (art. 37 da CF e Lei n° 9.784/1999); que todos esses elementos demonstram que a Fiscalização não analisou os documentos apresentados pelo impugnante ou analisou o material entregue pela Polícia Federal sem a devida impessoalidade; que a Fiscalização concluiu por um suposto pagamento ou disponibilização de recursos para a empresa April, no exterior, sem ao menos intimála ou deter qualquer documentação que a levaria a tal conclusão; que não se pode admitir manter a referida conclusão com base na planilha; que configura evidente violação ao princípio da verdade material a conclusão da Fiscalização de que recursos decorrentes das operações comerciais realizadas pela empresa April no exterior retornaram ao País em integralização de capital social das empresas Fercica & Barney e Morna; que não há nenhuma correlação de tais recursos com eventual e suposta operação fraudulenta realizada pela Mude; que a Fiscalização não conseguiu definir se o impugnante vendeu, comprou ou ainda dirigiu a Mude; que somente ocorreria a verificação exigida pelo princípio da verdade material caso a Fiscalização instaurasse procedimento de fiscalização na empresa April; que não se poderia presumir que a empresa recebeu os valores supostamente disponibilizados e que tais valores foram disponibilizados ao impugnante, sem qualquer documento que ao menos indique a existência Fl. 2687DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/ 05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10803.000082/200947 Acórdão n.º 2201002.030 S2C2T1 Fl. 6 9 desses valores na conta da pessoa jurídica sediada no exterior; que o procedimento adotado pela Fiscalização violenta também os princípios constitucionais da eficiência, da finalidade, da motivação, previstos também pela Lei n° 9.784/99; que o ordenamento constitucional conferiu diversas prerrogativas e inúmeros poderes à Administração Pública para que pudesse exercer sua atividade em função da supremacia do interesse público; que tal atividade não se encontra plenamente vinculada apenas à Lei, mas também aos princípios gerais de Direito e, especificamente, aos princípios constitucionais da legalidade, eficiência, da verdade material, da finalidade, da impessoalidade, da moralidade, da motivação, dentre outros; que a Fiscalização preferiu ignorar tais princípios e presumir indevidamente que as planilhas supostamente apreendidas correspondiam a verdadeiras disponibilidades para a pessoa jurídica apontada e para o impugnante; que os princípios da moralidade e da boafé conduzem a entidade administrativa à interpretação da lei em conformidade com os princípios jurídicos que norteiam a atividade administrativa; que a Fiscalização agiu sem obediência ao princípio da moralidade e da boafé, pois o mínimo que se esperaria da RFB seria a verificação real e precisa da ocorrência do fato gerador do IRPF; que o auto de infração carece de certeza e não atende ao princípio da verdade material exigido no processo administrativo, pois cobra débito que sequer existe, razão pela qual se requer sua anulação; que ao tratar da operação intitulada "Venda da Mude", a Fiscalização não conseguiu definir o que de fato aconteceu: se o impugnante vendeu sua participação societária na empresa Mude ou se ele auferiu rendimentos tributáveis no exterior relativos à suposta operação de venda; que o impugnante sequer é signatário do documento que trata da venda da Mude, até porque ele nunca deteve tal participação societária; que a Fiscalização se utilizou de pretensas provas colhidas com o objetivo de instruir o Procedimento Criminal Diverso n° 2005.61.0092851, em trâmite junto à Quarta Vara Federal Criminal da Iª Subseção Judiciária de São Paulo, e não para fins fiscais; que no Termo de Verificação e Conclusão Fiscal, a Fiscalização montou uma estória a partir do material apreendido com vistas à instrução do processo penal e com isso nada concluiu a respeito de eventuais incidências tributárias; que todas as mais de 46 planilhas apontadas em nada guardam relação com verdadeiros documentos que comprovam os fatos supostamente sustentados; que para que tais planilhas tenham o seu devido valor probatório e convençam o julgador, é inafastável a sua sustentação documental; que as informações constantes em qualquer planilha deve ao menos ter cruzamento com as informações vindas de efetivos documentos que sustentam o ocorrência de fatos geradores do 1RPF; que a Fiscalização sequer se deu ao trabalho de cruzar as informações constantes nas planilhas com, por exemplo, extratos bancários, documentos contábeis, financeiros e societários da empresa April; que o mesmo não fez com o extrato de conta corrente do impugnante no exterior, até porque ele não a possui; que quando o fez cruzou três valores informados em uma planilha supostamente encontrada no processo de fiscalização com o extrato bancário da empresa RAYWELL OVERSEAS que nada tem com o impugnante; que a Fiscalização questionou o impugnante a respeito das aludidas planilhas, que esclareceu que desconhecia tanto o conteúdo quanto a origem de referidos demonstrativos; que todo o Termo de Verificação e de Conclusão Fiscal está calcado na suposição de que a vantagem econômica foi transferida ao impugnante, por meio de transferências internacionais realizadas por um doleiro; que se considera que as transferências tenham sido efetuadas pelo Sr. Renato Lanzuolo ou pelo Sr. Renato Lanzuolo Filho, pessoas que o impugnante sequer conhece; que a Fiscalização sequer conseguiu identificar qual das duas pessoas físicas supostamente doleiros teria transferido os recursos ao exterior; que também não há nenhuma comprovação de que essa suposta "vantagem econômica" foi, em algum momento, disponibilizada para a pessoa física do impugnante; que, em relação à suposta operação de venda da Mude, referida operação sequer foi implementada, tendo em vista a desistência das partes signatárias do "Instrumento Particular de Cessão de Ativos e Participações Societárias e Outras Avenças"; que o valor do preço que supostamente o Fl. 2688DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/ 05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 10 impugnante faria jus a receber pela suposta "venda da Mude" seria de US$ 8,982,864.00, tendo recebido em adiantamento o valor de US$ 8,612,981.60, na forma e prazo constantes da planilha ora combatida; que quando da elaboração da Parte III do mesmo Termo de Verificação e de Conclusão Fiscal, a Fiscalização apontou US$ 8,613,146.60, considerados como rendimentos supostamente omitidos da tributação pelo impugnante, já que a Fiscalização considerou que tais valores foram recebidos por meio de supostas transferências ilegais realizadas pelo do Sr. Renato Lanzuolo Filho, ou Renato Lanzuolo, ou por meio de créditos efetuados em favor da empresa April, sediada no exterior; que a Fiscalização não conseguiu comprovar efetivamente qual foi a realidade dos fatos ocorridos e considerou os mesmos valores como sendo "parcela de preço adiantado" ao impugnante na suposta operação de "Venda da Mude" e, ao mesmo tempo, "rendimentos tributáveis" omitidos da tributação por intermédio das empresas April ou ainda recebidas por meio do Sr. Renato Lanzuolo Filho; que os valores foram convertidos de Dólares para Reais, convertendose seu valor pelo valor de compra do dólar no dia do recebimento; que a Fiscalização deveria necessariamente obedecer as regras contidas no art. 16 da IN SRF n° 208/2002, que trata da forma a ser utilizada para a conversão de valores auferidos em moeda estrangeira no exterior, além de determinar a forma de tributação mensal dos rendimentos na modalidade de Carnê Leão e na DIRPF, em ajuste anual; que para a aplicação das regras constantes na IN SRF n° 208/2002 é indispensável a verificação da data do crédito efetuado em conta corrente para determinar o valor em reais dos recursos recebidos; que a Fiscalização buscou demonstrar no Termo de Verificação e de Conclusão Fiscal que os valores apontados na planilha intitulada "Venda da Mude" teriam sido disponibilizados para a empresa April e não a pessoa física do impugnante; que se se tratasse de parcelas correspondentes à alienação da participação societária na empresa Mude pelo impugnante, a alíquota aplicável seria de 15% sobre eventual ganho de capital auferido pela pessoa física do impugnante, o que de fato não ocorreu; que o equívoco contido no auto de infração ao aplicar a alíquota de 27,5% sobre os supostos rendimentos não tem previsão legal e conduz ao reconhecimento da iliquidez da autuação e comprova a sua flagrante nulidade; que em nenhum momento o impugnante foi intimado para esclarecer sobre a referida aquisição da empresa para que, posteriormente, pudesse vendêla; que isso demonstra que a Fiscalização nem tentou ao menos buscar a verdade material dos fatos, o que comprova a fragilidade da ação fiscal; que o que de fato ocorreu foi que no anocalendário de 2006 o impugnante efetuou a compra da Mude, como consta no contrato social da empresa; que tamanha imperícia e contradição terminou por violentar o direito à ampla defesa, pois o impugnante não sabe se contra ele foi constituído crédito tributário em decorrência da apuração de ganho de capital ou por omissão de rendimentos; que mesmo que se admitisse as alegações contidas no auto de infração, ainda assim, o crédito tributário constituído pela Fiscalização foi atingido pela decadência, nos moldes do artigo 150, § 4º o do CTN ou ainda nos moldes do artigo 173, inciso I do CTN e não poderá subsistir; que no caso específico de ganho de capital apurado pela Fiscalização na suposta "Venda da Mude", o IRPF poderia ter sido lançado até o último dia útil do mês subseqüente à ocorrência do suposto fato gerador (ganho de capital), consoante determina o parágrafo único do artigo 142 e o artigo 852, ambos do RIR/99; que, assim, admitindose a aplicação da regra do artigo 150, § 4 o do CTN, o lançamento de ofício relativamente aos créditos imputados pela Fiscalização somente poderia ser efetuado até o dia 30/11/2009, haja vista que todos os supostos fatos geradores ocorreram até o dia 30/11/2004; que até essa data, foram lançados valores que perfazem o montante principal de US$ 4,601,704.00, os quais já foram alcançados pela decadência; que corroborando a conclusão relativa a contagem do prazo de decadência, há o entendimentos do CARF; que caso se entenda pela aplicação da regra do artigo 173, inciso I, do CTN, pois não teria ocorrido pagamento antecipado do imposto supostamente devido ou ainda por ter supostamente sido comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, ainda assim temse que o lançamento só poderia ocorrer no prazo de 5 (cinco) anos contados do primeiro dia do exercício seguinte ao que o lançamento poderia ter sido efetuado e da mesma forma encontrase extinto o crédito tributário Fl. 2689DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/ 05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10803.000082/200947 Acórdão n.º 2201002.030 S2C2T1 Fl. 7 11 constituído pelo lançamento; que o fato gerador do ganho de capital é denominado pela doutrina como fato gerador dinâmico e deve ser verificado mês a mês e não anualmente, tal como reconhecido pelo próprio CARF; que dessa forma, se o contribuinte deixa de efetuar o pagamento do tributo devido até o último dia útil do mês subseqüente à ocorrência do ganho de capital, as Autoridades Fiscais já estão autorizadas a efetuar o lançamento de ofício e exigir o montante do crédito tributário que entende devido; que, assim, o lançamento do Imposto de Renda relativo aos supostos ganhos de capital apurados até setembro de 2004, poderia ocorrer em outubro de 2004, portanto, o primeiro dia do exercício seguinte à data de vencimento do Imposto de Renda seria o dia 1º/11/2004; que assim os supostos fatos geradores ocorridos até setembro de 2004 encontramse decaídos; que, portanto, os créditos decorrentes de ganho de capital que foram supostamente auferidos pelo impugnante no dia 18/08/2003 teria sido atingido pela decadência, pois o lançamento foi realizado apenas em 23/12/2009, ou seja, depois de 5 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte ao que o lançamento de ganho de capital poderia ter sido efetuado; que ainda que se considerasse o exercício de forma anual, no caso do crédito efetuado em 31/12/2003, o lançamento já poderia ser efetuado em 1º/01/2004 e ainda assim referido crédito tributário estaria decaído, porque o crédito ora impugnado somente foi lavrado em 23/12/2009, ou seja, após o transcurso do prazo decadencial de 5 (cinco) anos contados de 1º de janeiro de 2004; que no Termo de Verificação e Conclusão Fiscal a Fiscalização pretendeu demonstrar que as "vantagens financeiras" do suposto "esquema fraudulento" nas operações realizadas pela empresa Mude teriam sido disponibilizadas ao impugnante; que a Fiscalização sustentou que os valores relacionados à suposta "Venda da Mude" teriam sido pagos ao impugnante ou por meio do suposto envio de recursos ao exterior, realizado pelo Sr. Renato Lanzuolo Filho ou por remessas enviadas à empresa April, sediada no exterior; que Referidos valores teriam sido posteriormente internados no Brasil por intermédio de aportes de capital realizados nas empresas Fercica & Barney e Morna, que investiu nas empresas DS2 Editora e J. IDA, concluindo a Fiscalização que estaria configurada a ocorrência de "simulação nos atos praticados"; que nenhuma das situações previstas no artigo 167 e seus incisos I a III do Código Civil, que trata da ocorrência de simulação, estão presentes no caso; que esse dispositivo legal sequer foi citado pela Fiscalização, o que demonstra a falta de fundamentação legal existente e confere flagrante nulidade ao auto; que em nenhum momento o impugnante transferiu ou conferiu direitos às pessoas citadas que não lhe fossem as reais destinatárias de tais direitos; que nunca transferiu direitos seus a outras pessoas jurídicas, conferindolhes verdadeiras interpostas pessoas; que sustentou a Fiscalização que seria possível descaracterizar os negócios jurídicos praticados pelo impugnante, com fundamento no inciso I do artigo 118 do CTN; que referido dispositivo legal não é apto para fundamentar o que se pretende, na medida em que trata da requalificação jurídica de fatos passíveis de tributação, mas nunca de simulação de atos jurídicos; que a ocorrência de simulação somente pode ser decretada privativamente pelo Poder Judiciário, conforme determina o parágrafo único do artigo 168 do Código Civil; que não ocorreu o "abuso de forma" apontado pela Fiscalização, pois conforme definido pela doutrina, o "abuso de forma" ocorre quando o contribuinte se utiliza de uma forma jurídica anormal para a realização de um ato jurídico e o ato jurídico deve ser praticado com conseqüências tributárias menos onerosas em comparação com a forma usual para a realização desse negócio jurídico; que deveria estar comprovado pela Fiscalização que o impugnante poderia ter praticado os atos de outra forma; que a empresa April não tinha outra forma juridicamente possível para remeter suas disponibilidades ao Brasil que não a efetivamente utilizada, de se internar os recursos a título de investimento direto nas pessoas jurídicas sediadas no País, cujos ingressos foram devidamente registrados junto ao Banco Central do Brasil; que cabe relembrar que os recursos financeiros de titularidade da empresa April, que foram internados no País, decorrem de suas atividades empresariais realizadas no exterior e jamais das supostas "operações fraudulentas" Fl. 2690DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/ 05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 12 realizadas pela empresa Mude; que as empresas Fercica & Barney e Morna, que são investimentos diretos da April no Brasil, também se referem a pessoas jurídicas regularmente constituídas; que as empresas DS2 Editora e a J. Idas, investimentos da empresa Morna no País, também mantêm a situação de regularidade junto às autoridades necessárias, inclusive ao Fisco; que as empresas mencionadas desenvolvem cada qual uma atividade distinta e com características particulares, individualmente; que a Fercica & Barney destinase a organizar e administrar os bens próprios do impugnante no país; que não se trata de "ocultação de patrimônio", como quer a Fiscalização, mas de uma forma lícita de organização societária não vedada; que a empresa Morna visa administrar os investimentos comerciais realizados no País pela empresa April, figurando como uma holding operacional; que a empresa J. Ida desenvolve atividades de agropecuária; que as referidas empresas sediadas no País não foram constituídas pelo impugnante com o propósito de "ocultar" o seu patrimônio ou ainda de desenvolver atividades que deveriam ser praticadas pela pessoa física do impugnante; que referidas empresas desenvolveram atividades próprias e de maneira distinta da pessoa física do impugnante; que tais tais empresas organizaram o seu espaço produtivo, firmaram contratos de prestações de serviços, ofereceram serviços a clientes, contrataram empregados e auxiliaram a promover o desenvolvimento de regiões no interior do País, com a promoção e valorização do emprego e pagaram todos os tributos devidos em suas atividades e/ou operações; que além das considerações a respeito das empresas investidas direta ou indiretamente pela April, todos os valores disponibilizados por essa sociedade ao impugnante foram devidamente informados e tributados nas suas DIRPF, o que foi desconsiderado pela Fiscalização; que no valor das faturas pagas pela empresa April constam valores relativos à "representação comercial" dessa empresa no Brasil e no exterior, que não deveriam ser tributados; que as alegações deduzidas pela Fiscalização foram produzidas de forma a não atender ao princípio da impessoalidade e legalidade; que se conclui que a Fiscalização utilizouse do artigo 135 do CTN para fundamentar a desconsideração dos atos e negócios jurídicos praticados pelas empresas April, Fercica & Barney, Morna, e ainda DS2 Editora e J. Ida; que no entanto esse dispositivo legal não é apto para fundamentar o que se pretende a Fiscalização pelo fato que não foi constituído nenhum crédito contra essas empresas e pelo fato que esse dispositivo trata de responsabilidade pessoal pelo pagamento de créditos tributários constituídos em face de uma pessoa jurídica; que, em conclusão, não consta no auto de infração ou no Termo de Verificação e Conclusão Fiscal qualquer dispositivo legal que permita à Fiscalização desconsiderar os negócios jurídicos praticados pelas empresas sediadas no exterior ou ainda no Brasil; que em 29/07/2009 o impugnante foi intimado a comprovar a origem dos depósitos bancários efetuados na conta corrente n° 5361656, mantida no Banco Citibank; que em 26/10/2009 e 06/11/2009, o impugnante protocolou manifestações juntando documentos comprobatórios coincidentes em datas de diversos valores apontados em referida intimação, tendo o impugnante consignado expressamente que não possuía todos os documentos comprobatórios porque muitos deles foram apreendidos pela Polícia Federal em sua residência, e juntou vários documentos que foram ignorados pela Fiscalização; que juntou também reprodução da planilha com os créditos solicitados à identificação, indicando a origem dos demais depósitos bancários e informou à Fiscalização que foi solicitada a 2ª via de tais documentos junto à Instituição Financeira; que a Fiscalização optou por desconsiderar os documentos apresentados, alegando simplesmente que o impugnante não teria comprovado a origem de tais depósitos; que não foi apurada nenhuma variação patrimonial a descoberto em relação às origens e aplicações de recursos realizadas pelo impugnante no período fiscalizado; que tudo o que o impugnante auferiu no período, relativo ao seu recebimento de prólabore e dividendos regularmente distribuídos por suas empresas, foram creditados em suas contas correntes; que a Fiscalização considerou como "tributáveis" valores identificados pelo impugnante como transferências entre contas do próprio impugnante; que ao invés de se utilizar do procedimento previsto pela Lei Complementar n° 105, de 10/01/2001, regulamentada pelo Decreto n° 3.724, de 10/01/2001, que tratam de requisição pela RFB de informações relativas às operações financeiras efetuadas Fl. 2691DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/ 05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10803.000082/200947 Acórdão n.º 2201002.030 S2C2T1 Fl. 8 13 pelos contribuintes junto às Instituições Financeiras, a Fiscalização preferiu se omitir e não buscar a verdade material; que nem se deu ao trabalho de requisitar tais informações junto ao Banco Citibank; que caberia ainda à Fiscalização analisar os documentos apreendidos pela Polícia Federal para fins de investigação criminal e para fins de instrução processual penal para verificar se houve a efetiva ocorrência do fato gerador da obrigação tributária; que a Fiscalização nunca analisou os documentos apreendidos nas hipóteses em que o impugnante não tinha outros meios de provar a origem dos depósitos bancários, ofendendo violentamente o princípio da impessoalidade, pois demonstra que a atitude omissiva da Fiscalização prejudicou sobremaneira o impugnante e a omissão da Fiscalização comprovou a violenta agressão perpetrada ao princípio da verdade material; que o impugnante não tinha outros meios para comprovar a origem dos depósitos bancários que não a análise dos documentos apreendidos pela Polícia Federal ou pela análise das respostas enviadas pelas Instituições financeiras em virtude da expedição das Requisições de Movimentação Financeiras; que no ano de 2003 foram considerados quatorze depósitos de valor inferior a R$ 12.000,00 e cuja soma corresponde à R$ 41.300,55, além de terem sido atingidos pela decadência, esses depósitos de origem supostamente não comprovada deveriam ser desconsiderados pela Fiscalização pois não ultrapassam o valor de R$ 80.000,00 e nenhum deles é superior a R$ 12.000,00, conforme dispõe o inciso II do parágrafo 2o do artigo 849 do RIR/1999; que nesse sentido temse posicionamento do CARF. É absurda a pretensão da Fiscalização ao agravar o lançamento do montante de IRPF supostamente devido com multa qualificada; que ainda que houvesse utilização de interposta pessoa jurídica na realização das operações em análise, conforme entende a Fiscalização, tal situação não seria suficiente para configurar, por si só, a hipótese de aplicação de multa qualificada de 150%; que para que a multa possa ser exigida, é necessário que a Fiscalização demonstre, por intermédio de apresentação de provas inequívocas, que referidas operações foram feitas com evidente intuito doloso por parte do impugnante, nos termos exatos definidos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30/11/1964; que no presente caso, "a Fiscalização apenas acreditou que pudesse afirmar que a empresa April e a empresa Fercica & Barney ou Morna são interpostas pessoas jurídicas, sem ao menos, para tanto, buscar a desconsideração de cada uma delas; que contudo, isto não é suficiente para a caracterização do dolo; que para tanto teria que provar que esta simulação foi praticada com o intuito de fraudar o Fisco, e isto não foi feito"; que o mesmo se pode afirmar em relação à suposta omissão de rendimentos, já que esses valores não foram declarados nas DIRPF do impugnante pelo simples fato de que não foram por ele recebidos, ou ainda, não eram de sua titularidade; que não há como negar que referidas empresas estão regularmente constituídas e são titulares de direitos e de deveres; que todos os atos relativos à sua constituição foram devidamente registrados nos órgão competentes e não cabe à Fiscalização apenas desconsiderá los; que a Fiscalização não comprovou ação ou omissão dolosa por parte do impugnante, uma vez que os fatos a ele atribuídos sequer ocorreram da forma com que foi colocada; que a Fiscalização apenas transcreveu os dispositivos legais, sem apontar as provas que ensejariam a sua aplicação; que todos os atos comerciais praticados pelo impugnante foram devidamente escriturados e declarados às autoridades fiscais e todos os tributos devidos em referidas operações realizadas no País pelas empresas Fercica & Barney, Morna, DS2 Editora e ainda pela J.Ida foram efetivamente recolhidos; que todos os rendimentos auferidos pelo impugnante foram devidamente considerados e informados em suas DIRPF, onde foram considerados todos os bens de propriedade do impugnante; que quem age com intuito de fraude realiza operações proibidas, não escritura em seus registros comerciais e fiscais, não declara essas operações nos formulários de entrega obrigatória e, quando fiscalizado, não entrega a documentação solicitada, procurando sob todas as formas ocultar essas operações; que a Fiscalização informa que as DIRPFs do impugnante foram retificadas somente após a deflagração da "Operação Persona"; que não há nenhum motivo para a Fiscalização fazer constar essa informação já que Fl. 2692DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/ 05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 14 o recebimento das DIRPFs retificadoras não foi questionado pelas autoridades fiscais; que a Fiscalização optou por desconsiderar a informação de que o impugnante efetuou o recolhimento de cerca de R$ 1.000.000,00 (hum milhão de reais) em imposto de renda da pessoa física, devidamente acrescidos de juros de mora devidos na denúncia espontânea do crédito tributário; que o valor do capital social declarado na DIRPF do impugnante em relação à empresa April não é "irrisório" e foi devidamente integralizado com recursos provenientes do exterior; que sobre tais valores, o impugnante procedeu ao recolhimento de IRPF, já que se tratava de "rendimentos auferidos no exterior"; que ao verificar que houve a efetiva "disponibilização" de recursos de sua empresa April para a sua pessoa física, por meio de pagamentos de cartões de crédito e transferências efetuadas para suas contas, sobre tais valores também foi calculado o IRPF, devidamente corrigido pelos acréscimos legais; que tudo foi devidamente informado em suas DIRPFs retificadoras; que nos termos do parágrafo Iº do artigo 7º , da IN RFB n° 918/2009, a declaração retificadora substitui integralmente a declaração retificada; que a Fiscalização sequer apontou qualquer irregularidade na apresentação dessas DIRPF, já que a RFB ainda não havia iniciado o processo de fiscalização do impugnante; que esses dados, além de prejudicar uma decisão imparcial da Turma Julgadora, só acrescenta informações desnecessárias à verificação da ocorrência ou não dos fatos geradores do IRPF; que quem frauda adultera documentos, se utiliza de documentos calçados e paralelos, utilizase ainda de pessoas inexistentes ou ainda de "laranjas", utilizase de documentos falsos e não idôneos; que tudo isso não ficou comprovado em nenhuma passagem do Termo de Verificação e de Conclusão Fiscal; que nenhuma dessas condutas foi praticada pelo impugnante para deixar de pagar tributo; que todas as operações bem como seus efeitos tributários foram devidamente registrados nos documentos fiscais e contábeis de sua empresa; que nada foi omitido a ninguém, sequer as empresas situadas no exterior; que no Termo de Verificação e de Conclusão Fiscal, a Fiscalização referese a empresas situadas no exterior como "constituídas em paraísos fiscais"; que Constituir empresas em tais localidades não é ilegal; que não existe lei que proíba a realização das operações pelo impugnante quer pela utilização de uma pessoa jurídica para concentrar os bens pessoais da família, quer seja na constituição e manutenção da empresa April no exterior, onde desenvolve suas atividades comerciais; que essas empresas não receberam quaisquer das importâncias apontadas pela Fiscalização na planilha, ainda mais decorrentes de uma suposta "Venda da Mude" ou de qualquer "vantagem econômica" decorrente do suposto "esquema fraudulento" da Mude; que, portanto, descartada está a possibilidade de alegação de fraude; que não há que se falar em conluio no presente caso; que a ocorrência de conluio foi apenas considerada pela Fiscalização ao transcrever o dispositivo legal que trata do assunto; que não há em nenhuma passagem a consideração taxativa da ocorrência do conluio, portanto, não se pode admitilo; que conforme evidenciado pela documentação apresentada no curso do processo administrativo e de fiscalização, não existe ação dolosa do impugnante; que muito pelo contrário, todas as operações realizadas por ele ou por sua empresa foram devidamente registradas e contabilizadas e nunca foram omitidas; que não tendo demonstrado que o impugnante praticou qualquer um desses tipos penais, tendentes a impedir o surgimento da obrigação tributária, ainda que fosse possível a exigência de multa de oficio, essa não poderia ser exigida de maneira qualificada; que ainda que pudesse prevalecer qualquer argumentação no sentido de que o impugnante utilizouse de interpostas pessoas jurídicas, não se demonstrou que essa utilização teve o objetivo claro de fraudar o Fisco; que o impugnante não recebeu nenhuma importância a título da operação intitulada "Venda da Mude" nem buscou prejudicar ninguém ao concentrar seus bens pessoais em uma empresa familiar; que não se sabe onde está a operação que visou evitar ou retardar a geração da obrigação tributária; que, assim, a Fiscalização entendeu pela aplicação da multa qualificada de 150% sob a alegação de que ocorreu a utilização de interposta pessoa, transcrevendo os dispositivos legais sem aplicálos, taxativa e comprovadamente, às condutas supostamente praticadas pelo impugnante; que no direito tributário, a exemplo do que ocorre na seara penal, vigora o princípio da tipicidade Fl. 2693DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/ 05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10803.000082/200947 Acórdão n.º 2201002.030 S2C2T1 Fl. 9 15 cerrada, que demanda a descrição pormenorizada do fato capaz de atrair vínculo jurídico tributário, exigindo a previsão de cada um de seus elementos configuradores, tais como o próprio fato gerador, o momento em que se considera implementado, o lugar de sua ocorrência, entre outros; que no Termo de Verificação Fiscal não restou especificado em qual dos artigos (71, 72 ou 73) da Lei n° 4.502/64 a conduta do impugnante se enquadraria, de modo a ensejar a aplicação da multa e não há no Quadro "Do Enquadramento Legal" do auto de infração a consideração de nenhum dos dispositivos legais, o que também enseja o cancelamento do presente auto de infração; que o artigo 50, inciso V, da Lei n° 9.874/99, que dispõe que todos os atos administrativos que decidam recursos deverão ser motivados com a indicação clara e precisa dos fatos e fundamentos jurídicos, foi absolutamente ignorado, na medida em que a Fiscalização se absteve de tipificar a conduta do impugnante especificamente nas hipóteses de aplicação da multa agravada, pretendendo fazêlo pelo caminho mais fácil, que foi o suposto enquadramento em todos os artigos em questão; que não pode prosperar a cobrança dos juros moratórios mediante a utilização da variação da taxa correspondente ao Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (SELIC); que a taxa SELIC foi criada para medir a variação apontada nas operações do SELIC; que a SELIC é uma taxa de juros remuneratórios, que visa a premiar o capital investido pelo aplicador em títulos da dívida pública federal; que sua fixação visa a remuneração do investidor, de uma forma competitiva, e não para ser aplicada como sanção, por atraso no cumprimento de uma obrigação; que a referida Taxa não foi criada e definida em lei, mas por Resoluções do Conselho Monetário Nacional e do Banco Central do Brasil, o que ofende o princípio constitucional da legalidade, bem como o disposto no artigo 161, parágrafo Iº do CTN; que a referida taxa tem natureza remuneratória, sendo inconstitucional a sua aplicação no presente caso. A DRJSÃO PAULO/SP II julgou procedente em parte em parte o lançamento com base nas considerações a seguir resumidas. Inicialmente, ressaltou a DRJÃO PAULO/SP II a regularidade da utilização de provas colhidas em outro processo, desde que sejam legais e moralmente legítimas, conforme preceitua o Código de Processo Civil no seu artigo 332. Observou que em face de instauração de procedimento criminal n° 2005.61.0092851, em curso na 4a Vara Federal Criminal da Iª Subseção Judiciária de São Paulo (SP), os Escritórios de Pesquisa e Investigação ESPEI das 5ª e 8ª Regiões Fiscais da Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB designaram servidores para atuar na investigação criminal, na condição de assistente técnico, nos termos da requisição da Justiça Federal. Registra que, mediante requerimento da Polícia Federal, foi obtida autorização judicial (Ofício n° 3693/2008 S7 SVZ, emitido pelo Juiz Federal Dr. Alexandre Cassettari, em 16/06/2008) para a flexibilização dos sigilos telefônicos e de dados, relativamente às principais pessoas e empresas relacionadas à investigação, sendo que o acesso ao monitoramento foi franqueado aos servidores designados pela RFB que participaram dos trabalhos de análise dos dados. Acrescenta que a força tarefa composta pela Receita Federal do Brasil, Polícia Federal e Ministério Público Federal conseguiu elucidar um esquema fraudulento de importações que se valia de empresas e pessoas interpostas para a prática de sonegação fiscal, sendo os reais beneficiários das operações a empresa Mude Comércio e Serviços Ltda., e a multinacional americana Cisco Systems Inc., ambos ocultos pelas diversas operações simuladas de compra e venda de mercadorias. Daí concluiu ser improfícua a contestação de utilização de dados e arquivos magnéticos apreendidos pela Polícia Federal, posto que os fatos e as provas trazidos aos autos decorreram de criteriosa investigação criminal, que contou com a participação de autoridades policiais federais, membros do Ministério Público Federal e servidores da própria Secretaria da Receita Federal do Brasil, que conseguiu elucidar um esquema fraudulento de importações que se valia de Fl. 2694DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/ 05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 16 empresas e pessoas interpostas para a prática de sonegação fiscal; que a autuação foi fundamentada em elementos sólidos, consistentes e legitimados, dos quais o sujeito passivo não conseguiu demonstrar a idoneidade da documentação trazida aos autos. Sobre a alegada violação ao Princípio da Impessoalidade, a DRJ salienta que a condução das investigações pela autoridade designada para o procedimento fiscal é de exclusiva competência dessa autoridade, a quem cabe efetuar as verificações e solicitar as comprovações que considerar necessárias, no prazo que entender cabível; que no trabalho fiscal desenvolvido, a expedição das intimações ao interessado e a terceiros e a correspondente solicitação de documentos foram realizadas com o devido supedâneo legal, tendo como objetivo o estabelecimento da verdade material; que não se vislumbra a parcialidade que o contribuinte quer imprimir ao trabalho desenvolvido pela fiscalização, pois a autoridade lançadora pautouse, como não poderia deixar de ser em face de seu trabalho ter a característica essencial da impessoalidade e imparcialidade, nos estritos limites das normas legais, obedecendo ao estabelecido no parágrafo único do art. 142 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional), sendo que o tratamento tributário dispensado ao interessado seguiu os preceitos legais pertinentes à espécie. Ainda sobre a motivação, afirma a DRJ que a instauração de uma ação fiscal prescinde de justificativa perante o contribuinte; que a partir do momento em que o contribuinte é incluído pelo setor competente da Receita Federal do Brasil para programar as fiscalizações, é prerrogativa e dever da autoridade fiscal designada para o procedimento fiscal efetuar as verificações e solicitar as comprovações que considerar necessárias; e observa que no presente processo está presente a motivação para o procedimento fiscal instaurado, tendo sido emitido o competente Mandado de Procedimento Fiscal, conforme prevê a Portaria SRF n° 1.265/1.999, o qual foi devidamente assinado pelo Superintendente Adjunto da Receita Federal do Brasil da 8ª RF, no uso da competência que lhe foi subdelegada pela Portaria RFB nº 4.338, de 9 de setembro de 2005, publicada no DOU de 12 de setembro de 2005, e tendo em vista o disposto na Portaria RFB nº. 4.071, de 2 de maio de 2007, publicada no DOU de 2 de maio de 2007, Edição Extra. Anota que, uma vez expedido o Mandado de Procedimento Fiscal MPF, compete à autoridade lançadora investigar, diligenciar, demonstrar e provar a ocorrência ou não do fato tributário, observando os princípios do devido processo legal, da verdade material, do contraditório e da ampla defesa, de acordo com o art. 836 do Decreto n° 3.000, de 1999, Regulamento do Imposto de Renda de 1999 RIR/1999. Quanto à alegação de que a RFB já havia procedido ao exame do ano calendário de 2003, Sustenta a DRJ a legislação abarca a possibilidade de a Fiscalização reexaminar período já fiscalizado conforme previsão contida no artigo 906 do Regulamento do Imposto de Renda (Decreto 3.000/99); que esta norma traz, como única exigência para o início de nova ação fiscal, a autorização escrita do Superintendente, do Delegado ou do Inspetor da Receita Federal; que, portanto, incabível a alegação do impugnante de que não é possível reexame do anocalendário 2003, já fiscalizado anteriormente, acarretando nulidade do auto de infração complementar. No que tange à empresa MUDE, diz a DRJ que, embora a autoridade fiscal tenha feito constar no Termo de Conclusão e Verificação Fiscal todo o histórico dos diversos procedimentos policiais e fiscais nas empresas e pessoas físicas relacionadas com a "Operação Persona", a apuração das infrações tributárias constantes do auto de infração em tela é independente de outras irregularidades atribuídas às outras pessoas envolvidas, sejam físicas ou jurídicas; que as infrações apontadas no presente lançamento não dependem de conclusões feitas em outros procedimentos fiscais ou de decisões posteriores; que as afirmações feitas pela autoridade fiscal no tocante às importações, em tese fraudulentas, realizadas pela MUDE e outras pessoas jurídicas não alteram nem limitam a ocorrência do fato gerador do imposto de renda lançado no presente feito; que os lançamentos em face da MUDE e do contribuinte são Fl. 2695DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/ 05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10803.000082/200947 Acórdão n.º 2201002.030 S2C2T1 Fl. 10 17 distintos e possuem fundamentação diferente, em que pese a investigação ter sido iniciada por meio dos mesmos instrumentos judiciais e administrativos; que a convergência encontrase tão somente na caracterização da fraude tributária, já que a intenção de cometer o ilícito emerge de todo o conjunto probatório coletado pela autoridade fiscal no decorrer de todas as investigações e de todos os procedimentos conduzidos contra todo o grupo. Acrescenta, todavia, que a autoridade fiscal, no que tange à demonstração do intuito fraudulento, pode se valer de quaisquer provas e indícios coletados, já que, por se tratar de aspecto subjetivo (intenção de fraudar), esta demonstração não pode ficar circunscrita a um ou outro documento, mas sim fundamentarse nos mais diversos elementos probatórios. Com respeito ao alegado cerceamento o direito de defesa, a DRJ ressaltar, inicialmente, que os princípios do contraditório e da ampla defesa estão garantidos aos litigantes, tanto no processo administrativo quanto no judicial, por força do art. 5o , inciso LV, da Constituição Federal; que o princípio do devido processo legal representa a garantia inerente ao Estado Democrático de Direito de que ninguém será condenado sem que lhe seja assegurado o direito de defesa; que a ele são inerentes os princípios da ampla defesa e do contraditório; que se constitui num princípio cuja observância não pode faltar no processo administrativo fiscal de determinação e exigência do crédito tributário. Mas observa que, enquanto o contribuinte está sob ação fiscal, estáse na fase inquisitorial, investigativa, em que não existe, ainda, nenhum processo administrativo de constituição e exigência de crédito tributário formalizado, não havendo, a rigor, a possibilidade de observância do princípio do contraditório, ampla defesa e devido processo legal nessa etapa do procedimento fiscal; que o contraditório só se estabelece em momento seguinte à formalização e ciência da exigência do crédito tributário constituída por meio do Auto de Infração ou notificação de lançamento; que é na impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, apresentada ao órgão preparador no prazo de 30 dias contados da data da ciência da intimação, que o contribuinte poderá contestar o lançamento, mencionando os motivos de fato e de direito, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. Sobre as declarações retificadoras, anota a DRJ que o o art. 832, caput, do Regulamento do Imposto de Renda consubstanciado no Decreto n° 3.000, de 29/03/1999 (RIR/99), dispositivo legal aplicável aos anoscalendário em tela, dispõe que a declaração retificadora somente pode ser apresentada antes de iniciado procedimento fiscal em relação ao exercício objeto da retificação; que, portanto, de acordo com o supracitado artigo, é inviável a retificação da declaração de rendimentos após iniciado o processo de lançamento de ofício, exceto nos casos de presença de erro de fato no preenchimento da declaração; que, portanto, não há como acolher as declarações retificadoras dos anoscalendário de 2003 e 2004, entregues em 22/01/2008, considerando que a "Operação Persona" foi deflagrada em 16/10/2007 pela Receita Federal do Brasil, conjuntamente com a Polícia Federal e o Ministério Público. Relativamente à decadência, a DRJ destaca que o lançamento foi decorrente de omissão de rendimentos por participação nos lucros do grupo Mude recebidos por intermédio do doleiro Renato Lanzuolo Filho, omissão de rendimentos por participações nos lucros do grupo Mude recebidos por meio da APRIL HOLDING OVERSEAS LTD. e omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados no Citibank S/A de origem não comprovada; que embora haja alusão no Termo de Verificação e Conclusão Fiscal a uma operação de venda da MUDE, ocorrida em 2002, a suposta transação não repercutiu no lançamento em questão; que a conclusão final a que chegou a fiscalização é de que os valores consignados na planilha designada "Retiradas MS até 31.03.2005" representam, na verdade, o Fl. 2696DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/ 05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 18 pagamento ao contribuinte de sua parte nos lucros obtidos pelo grupo JDTC/MUDE em importações fraudulentas; que tais pagamentos, como já se viu, foram recebidos indiretamente por meio de doleiro e de interposta pessoa jurídica constituídas no exterior unicamente com esse objetivo e não foram oferecidos à tributação nas respectivas declarações de ajuste anual, tendo sido esta a base do lançamento que ora se analisa. Daí concluiu a DRJ não se tratar o caso de omissão de ganho de capital, como quer fazer crer o interessado, mas de omissão de rendimentos tributáveis sujeitos à retenção na fonte e ao ajuste anual. E observa que a partir da edição da Lei n° 8.134, de 27 de dezembro de 1990, o imposto sobre a renda de pessoas físicas, apesar de devido mensalmente, à medida que os rendimentos forem recebidos, tem a sua apuração definitiva na Declaração Anual de Ajuste. E sobre a contagem do prazo decadencial, a DRJ assenta que esta se dá exclusivamente pelo que dispõe o inciso I do art. 173 do Código Tributário Nacional CTN (Lei n.° 5.172, de 25 de outubro de 1966), afastando de plano a contagem do prazo decadencial prevista no art. 150, § 4o , do CTN. A conclui dizendo que, assim procedendo, o lançamento poderia ser efetuado em 2004, em tese, a partir do dia seguinte à data limite prevista para entrega tempestiva da declaração; então, o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, é 01/01/2005. Quanto ao mérito, sobre os recursos recebidos pelo contribuinte a partir da APRIR HOLDING a DRJ rebate a alegação de que a Fiscalização não conseguiu definir se o impugnante é ou foi sócio da Mude; e se é ou não um dos sócios ocultos dessa empresa ou do grupo JDTC/MUDE. Após fazer algumas considerações teóricas e doutrinárias sobre o conceito de simulação, a DRJ concluiu que no caso concreto em análise, de acordo com as considerações anteriores, configurase a simulação; que o conjunto de fatos e documentos apontam a participação efetiva do sujeito passivo no esquema de importação com interposição fraudulenta de pessoas jurídicas, do qual era um dos principais mentores, compondo ao lado de outros, os quadros hierárquicos superiores do grupo JDTC/MUDE; que além de sua atual participação no quadro diretivo da MUDE COMÉRCIO E SERVIÇOS LTDA, o impugnante era um dos sócios ocultos de um grupo ainda maior, cuja holding, a J.D.T.C EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA, tinha na MUDE um dos seus investimentos no país, e considerou válida as conclusões da fiscalização a respeito do modus operandi do grupo para realizar as movimentações financeiras em favor dos participantes do esquema, o que teria ocorrido, no caso do ora Recorrente com o aporte de capital da empresa APRIL nas empresas de propriedade do Contribuinte aqui no Brasil. Sobre este ponto, diz a DRJ: Dentre os inúmeros fatos apurados pela Fiscalização, constatou se que o impugnante, utilizandose da empresa FERCICA & BARNEY PARTICIPAÇÕES E ADMINISTRAÇÃO DE BENS PRÓPRIOS LTDA. era proprietário de quatro veículos e adquiriu desde 1.999 um total de 20 (vinte) imóveis e utilizando se da empresa MOMA PARTICIPAÇÕES LTDA. associase a outras empresas constituídas pela sua família, repassando a estas, sob a forma de investimentos, a maior parte dos recursos financeiros encaminhados pela APRIL. Assim, após a análise de todos os elementos juntados aos autos, fica claro que a empresa APRIL HOLDING OVERSEAS LTD. operou durante sua existência como interposta pessoa, no intuito de acobertar as movimentações financeiras do impugnante, para que este deixasse de recolher os tributos federais sobre as receitas omitidas. A fiscalização levantou provas convincentes deste ilícito, como se justifica a seguir. Fl. 2697DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/ 05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10803.000082/200947 Acórdão n.º 2201002.030 S2C2T1 Fl. 11 19 A comprovação material pode ser feita não somente pela apresentação de prova direta, por si só, concludente, mas também por meio de um conjunto de indícios ou provas indiretas, que se isoladamente nada provam, conjuntamente têm o condão de estabelecer a inequivocidade de uma situação de fato. Nestes casos, a comprovação é deduzida como conseqüência lógica destes vários elementos de prova, não se confundindo com as hipóteses de presunção. Destaca que no caso em concreto, não existem apenas indícios, mas provas contundentes de que a remuneração do sujeito passivo era proveniente de pessoas jurídicas interpostas utilizadas pelo grupo Mude; que ficou evidenciado de forma clara e inequívoca, mediante documentos arrecadados nas residências das pessoas envolvidas na "Operação Persona" da Polícia Federal, em cumprimento de mandados de busca e apreensão e de depoimentos junto àquele Órgão Policial, que o contribuinte recebeu sua remuneração por intermédio da empresa de prestação de serviços APRIL HOLDING OVERSEAS LTD. e por intermédio do doleiro Renato Lanzuolo Filho. Sobre as planilhas, documentos e arquivos magnéticos utilizadas pela Fiscalização a DRJ decorreram de criteriosa investigação criminal, que contou com a participação de autoridades da Policia Federal, membros do Ministério Público Federal e servidores da própria Secretaria da Receita Federal do Brasil; que o trabalho fiscal foi calcado num encadeamento lógico de indícios convergentes que convencem o julgador de que o contribuinte se utilizou de várias pessoas jurídicas com o fito de ocultar a figura do efetivo sujeito passivo, evitar a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal e reduzir a carga tributária, lançando mão de atos simulados, inexistentes de fato, sendo o impugnante devidamente intimado, conforme fls. 752/754, 1305/1312,1350/1403. Especificamente quanto aos valores consignados na planilha designada "Retiradas MS até 31.03.2005", afirma a DRJ que esses valores representam, na verdade, o pagamento ao contribuinte de sua parte nos lucros obtidos pelo grupo JDTC/MUDE em importações fraudulentas; que tais pagamentos foram recebidos indiretamente por meio de doleiro e de interpostas pessoas jurídicas constituídas no exterior unicamente com esse objetivo e não foram oferecidos à tributação nas respectivas declarações de ajuste anual, tendo sido esta a base do lançamento que ora se analisa; que as interceptações telefônicas realizadas antes da deflagração da referida "Operação Persona" indicaram a participação do doleiro Renato Lanzuolo Filho, conhecido como LANZA, no esquema; que muitas das vantagens monetárias distribuídas aos membros do grupo JDTC/MUDE eram transferidas ao doleiro LANZA para que o mesmo remetesse as quantias às contas bancárias das offshores particulares dos membros da organização sediadas em paraísos fiscais, transferências essas que eram realizadas à margem dos controles cambiais brasileiros. Daí conclui que as informações constantes da planilha denominada "Retiradas MS até 31.03.2005", aliadas aos documentos e fatos acima mencionados são suficientes para dar suporte ao lançamento em discussão. Sobre a conversão dos valores de dólar para reais, questionado pelo Contribuinte, a DRJ observa que de acordo com o art. 16, § 2o , da IN SRF n° 208, de 27/09/2002, os rendimentos recebidos em moeda estrangeira devem ser convertidos em dólares dos Estados Unidos da América, pelo valor fixado pela autoridade monetária do país de origem dos rendimentos para a data do recebimento e, em seguida, em reais pela cotação do dólar fixada, para compra, pelo Banco Central do Brasil para o último dia útil da primeira quinzena Fl. 2698DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/ 05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 20 do mês anterior ao do recebimento do rendimento; que aplicandose este critério, chegase a valores inferiores aos apurados pela Fiscalização, realizando, assim, o acerto necessário. Sobre a omissão de rendimentos com base em depósitos bancários a DRJ observou que o lançamento foi decorrente de depósitos de origem não comprovadas, efetuados no CITIBANK S/A (c/c 5361656), em relação aos quais o sujeito passivo, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, o valor total de R$ 41.300,55 no anocalendário de 2003 e de R$ 153.926,46 no anocalendário de 2004. Registra que sobre a omissão de rendimentos de origem não comprovada, a legislação determinou a inversão do ônus da prova, favorecendo o Fisco; que o que existe é uma presunção legal de omissão de rendimentos, quando simultaneamente concorrerem dois fatores; que o texto legal, portanto, permitiu o arbitramento dos rendimentos omitidos, utilizandose depósitos bancários injustificados, desde que demonstrados sinais exteriores de riqueza, caracterizados por gastos incompatíveis com a renda disponível, e que este fosse o critério de arbitramento mais benéfico ao contribuinte; que, portanto, diante da existência de uma presunção legal, não houve por parte da autoridade administrativa qualquer arbitrariedade, ao contrário, houve a interpretação e aplicação da lei seguindo a atividade vinculada de lançamento nos moldes do art. 142 do CTN. Feitas essas considerações preliminares, a DRJ destaca que dos documentos apresentados na impugnação (fls. 2.192 a 2.250) não comprovam a origem dos depósitos bancários; que especificamente, em relação ao documento de fl. 2.208, no valor de R$ 9.800,00, que corresponde a TED recebido da SLW Corretora de Valores e Câmbio Ltda., e em relação aos documentos de fl. 2.209, nos valores de R$ 5.460,00 e R$ 5.248,45, que correspondem a um TED recebido da empresa Fercica & Barney e outro da SLW Corretora, respectivamente, também não são suficientes para comprovar a origem desses valores; que os documentos de fls. 2.192 a 2.220 já haviam sido analisados pela Fiscalização; que quanto aos documentos de fls. 2.221 a 2.250, constatase que são apenas AVISO DE LANÇAMENTO emitidos pelo CITIBANK, que não comprovam a origem dos valores creditados. E quanto à alegação de que alguns depósitos em sua conta corrente seriam relativos ao recebimento de prólabore e dividendos regularmente distribuídos por suas empresas, cabe salientar que a distribuição desses valores, por envolver a pessoa do sócio da empresa, deve estar cercada de elementos seguros de provas que demonstrem, de forma cabal e inequívoca, a efetividade da operação, como, por exemplo, a escrituração em Livro Diário; que, ademais, o impugnante, por ser sócio da empresa, tem acesso e controle facilitados no que tange à produção, a qualquer tempo, de elementos integrantes da escrituração contábil da correspondente pessoa jurídica; que o art. 9º , § 1º , do Decretolei n° 1.598, de 23 de dezembro de 1977, base legal do art. 923 do RIR/1999, determina que os lançamentos contábeis devem estar sempre amparados por elementos que não deixem margem a dúvida quanto à consistência da operação e somente faz prova a favor do contribuinte a escrituração mantida com observância das disposições legais dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis e idôneos, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais; que, portanto, os documentos apresentados na fase impugnatória não têm força probatória suficiente para comprovar a distribuição de lucros ao contribuinte. Sobre a alegação de que no ano de 2003 foram considerados quatorze depósitos de valor inferior a R$ 12.000,00 e cuja soma corresponde à R$ 41.300,55, que deveriam ser desconsiderados pela Fiscalização pois não ultrapassam o valor de R$ 80.000,00 e nenhum deles é superior a R$ 12.000,00, a DRJ acolhe a alegação e determina a exclusão dos depósitos, no ano de 2003, no valor de R$ 41.300,55. E conclui esta parte dizendo que, não tendo o impugnante logrado comprovar, mediante apresentação de documentação hábil e idônea, as movimentações Fl. 2699DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/ 05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10803.000082/200947 Acórdão n.º 2201002.030 S2C2T1 Fl. 12 21 financeiras na conta do Citibank, resta à autoridade julgadora excluir os depósitos efetuados no anocalendário de 2003 e manter o lançamento da parte não comprovada. Finalmente, sobre a qualificação da multa de ofício e os juros calculados com base na taxa Selic, a DRJ concluiu estarem presentes os elementos caracterizadores do evidente intuito de fraude, mantendo a exigência quanto a este ponto, e quanto aos juros, observou que se trata de exigência baseada em disposição expressa de lei. O Contribuinte tomou ciência da decisão de primeira instância em 25/10/2011 (fls. 2.353) e, em 24/11/2011, interpôs o recurso voluntário de fls. 2.359/2.544, que ora se examina, e no qual reitera, em síntese, as alegações e argumentos da impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa Relator O Recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Fundamentação Examino, inicialmente, as preliminares arguidas, começando pela de nulidade do lançamento por alegado cerceamento de direito de defesa. Afirma o Contribuinte que o auto de infração lhe foi entregue sem o Termo de Verificação e Conclusão Fiscal onde se encontra o detalhamento da imputação; que o referido termo lhe foi enviado previamente, sem que lhe tenha sido dado prazo para manifestação, o que configuraria cerceamento de direito de defesa. A alegação não merece prosperar. Se, como afirma, o Termo de Verificação e Conclusão Fiscal que foi enviado previamente, diferentemente do que afirma o Recorrente, lhe foi dado amplo conhecimento da imputação. E se não lhe foi concedido prazo para manifestação antes da autuação é porque tal procedimento não é necessário na fase inquisitorial do procedimento fiscal. O exercício do contraditório, o qual, neste caso, foi exercido plenamente, inaugurase com a formalização da exigência, quando se abre o prazo para impugnação. O que se verifica neste caso é que a autuação, além do auto de infração, traz uma alentada descrição dos fatos, em que a autoridade lançadora se esmerou em descrever minuciosamente os fatos apurados e as conclusões a que chegou e que levaram à formalização da exigência do imposto, permitindo ao Contribuinte o amplo conhecimento da imputação que lhe foi feita, dos seus fundamentos legais e de fato, permitindolhe o amplo exercício do direito de defesa, o qual, vale ressaltar, foi exercido na sua plenitude. A referência à Lei nº 9.784, de 1999 é impertinente, pois, conforme dispõe esta própria lei na sua parte final, ela aplicase apenas subsidiariamente nos casos em que, como no processo administrativo fiscal, há norma processual própria. Assim, não vislumbro o vício apontado, razão pela qual rejeito a preliminar. Fl. 2700DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/ 05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 22 Sobre a alegação de que a autuação se deu apenas poucos dias antes do prazo final de adesão ao chamado Refis da Crise, instituído pela Lei nº 11.941, de 2009, é questão circunstancial e irrelevante. A atuação fiscal não pode e não deve se pautar por critérios outros que não o da própria condução da ação fiscal; por outro lado, se o Contribuinte pretendesse aderir ao programa poderia têlo feito antes da autuação, quando teve bastante tempo para isso. Também não vislumbro neste fato a pessoalidade a que se refere o Recorrente. Ao contrário, o procedimento teria se pautado pela pessoalidade se o agente fiscal considerasse circunstâncias especiais com a pretensão de o Fiscalizado pretender aderir a este o àquele programa. Não vislumbro neste aspecto, pois, nenhum vício que macule a higidez da autuação. Sobre a autorização para reexame de período fiscalizado, é importante ressaltar que a ação fiscal objeto deste processo foi devidamente autorizada por meio de Mandado de Procedimento Fiscal, assinada pelo Superintentende Regional da Receita Federal na 8ª Região Fiscal (fls. 2.284), autoridade competente para tanto. Portanto, tratase de ação fiscal autorizada por quem detinha a competência para fazêlo. Por outro lado, não há nenhum óbice legal ao reexame de período já fiscalizado, o que há e a necessidade de que tal ação seja autorizada, e, neste caso, foi. O Contribuinte também se insurge contra a utilização, como meios de prova, de interceptação telefônica, documentos e arquivos em meio magnéticos apreendidos pela Polícia Federal, os quais, segundo afirma, foram obtidos única e exclusivamente para a instrução do processo criminal; que tais elementos carecem de comprovação de autenticidade; afirma que o procedimento fiscal, quanto a este aspecto não tem amparo no disposto nos incisos X, XI e XII do art. 5° da Constituição Federal, que somente admite a flexibilização dos sigilos de correspondência, comunicações telegráficas, de dados e telefônicas mediante ordem judicial e apenas para investigação criminal ou para fins de instrução processual penal; que assim é que a Lei n° 9.296, de 24/07/1996. Sobre este ponto, é importante destacar que as provas do processo criminal foram transferidas para a Receita Federal por decisão judicial a qual delimitou as condições de sua obtenção e apuração, conforme sentença, cujo trecho que fere este ponto, para maior clareza, reproduzo a seguir: Assim, como estamos diante de pedidos de utilização de provas emprestadas em relação a fatos direta ou indiretamente relacionados com os fatos apurados nesse procedimento criminal, com objetivos fiscais administrativos, entendo cabível a autorização de uso desses dados sigilosos. Ao contrário do pedido feito pela Receita Federal no início do procedimento, esse novo pedido é próprio e delimitado, não genérico. Indica mandado de procedimento fiscal específico com o fim específico de apuração fiscal em relação às pessoas indicadas. Obviamente, a autoridade administrativa só poderá utilizar os dados sigilosos das pessoas indicadas para o fim específico de apuração administrativa referente às próprias pessoas ou às pessoas jurídicas que integrem como diretoras ou sócias, bem como para o fim específico da solicitação feita a este Juízo, devendo ser mantido o sigilo dos dados em relação a terceiros. Com essas limitações, fica deferida a obtenção de copias de documentos e dados referentes às pessoas indicadas no pedido, Fl. 2701DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/ 05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10803.000082/200947 Acórdão n.º 2201002.030 S2C2T1 Fl. 13 23 devendo os auditores fiscais indicarem quais os elementos de prova têm interesse para, por sua vez, a Secretaria e a Autoridade Policial (quando retirada diretamente das mãos da Polícia) certificarem ou indicarem nos autos quais documentos ou provas foram entregues à Receita Federal nos termos dessa decisão. Assim, não se pode afirmar que as provas foram obtidas ilicitamente. E quanto à utilização dos dados assim obtidos para fundamentar a formalização de exigência em matéria tributária, ao contrário do que afirma o Recorrente, não há vedação legal alguma. A Constituição federal, ao prever o sigilo de dados e de informações, certamente não teve o propósito de proteger eventuais sonegadores de imposto, vedando a utilização dos dados que comprovem a prática desse tipo de infração por parte do Fisco. A garantia é de que a utilização desses dados seja feita de forma regular, com controle por parte do Poder Judiciário, e, quanto a este aspecto, tanto a obtenção dos dados quanto a sua utilização se deram dentro dos limites determinados pela decisão judicial que franqueou os dados ao Fisco. Não vislumbro, assim, também quanto a este aspecto nenhum vício no procedimento fiscal. O Contribuinte alega que não conseguiu obter de imediato cópia dos autos, pois o processo se encontrava em trânsito. Independentemente da verificação ou não sete fato, o importante para o desfecho do processo é que o Contribuinte não teve o exercício do seu direito de defesa prejudicado, conforme já ressaltado anteriormente. E, como já observado acima, o Contribuinte recebeu a alentada descrição dos fatos antes da ciência da própria autuação, o que lhe municiou de elementos para adiantar a articulação de suas razões de defesa. Assim, também quanto a este ponto, não há falar em vício no procedimento fiscal. O Contribuinte alega que a Fiscalização não poderia desconsiderar a personalidade de jurídica de pessoas jurídicas, sem motivação e fundamentação legal; que ao proceder da forma como procedeu quanto a este ponto, a autoridade fiscal incorreu em violação aos princípios da legalidade e motivação constantes no artigo 5°, inciso II e artigo 37, caput, da Constituição Federal, e art. 3°, do Código Tributário Nacional, bem como do art. 2° da Lei n° 9.784/99. Esta matéria, todavia, se confunde com o mérito, e será examinada mais adiante. Ainda como preliminar, o Contribuinte argúi a decadência do direito de o Fisco proceder ao lançamento relativamente aos fatos geradores ocorridos até 30/11/2004. Argumenta o Contribuinte que parte do crédito tributário lançado referese a ganho de capital pela alienação da sua participação societária na empresa MUDE. Argumenta que o crédito tributário constituído pela Fiscalização foi atingido pela decadência, nos moldes do artigo 150, § 4º o do CTN ou ainda nos moldes do artigo 173, inciso I do CTN e não poderá subsistir; que no caso específico de ganho de capital apurado pela Fiscalização na suposta "Venda da Mude", o IRPF poderia ter sido lançado até o último dia útil do mês subseqüente à ocorrência do suposto fato gerador (ganho de capital), consoante determina o parágrafo único do artigo 142 e o artigo 852, ambos do RIR/99; que, assim, admitindose a aplicação da regra do artigo 150, § 4 o do CTN, o lançamento de ofício relativamente aos créditos imputados pela Fiscalização Fl. 2702DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/ 05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 24 somente poderia ser efetuado até o dia 30/11/2009, haja vista que todos os supostos fatos geradores ocorreram até o dia 30/11/2004. Pois bem, sobre a alegação de que parte do crédito lançado se refere a ganho de capital, embora se trate de questão de mérito e, como tal, será analisado mais detidamente quando da análise do mérito, adianto, por enquanto, que a autuação, em momento algum, referese à imputação de ganho de capital. E se se concluir que se tratava de ganho, ao invés de rendimento sujeito ao ajuste anual, o destino do lançamento será a extinção do crédito tributário com base na inconsistência do lançamento quanto ao mérito, e não a extinção pelo reconhecimento da decadência. Assim, examinarei a questão da decadência considerando os fatos conforme constam da autuação, isto é, o lançamento por omissão de rendimentos sujeitos ao ajuste anual. Pois bem, o período mais remoto lançado foi o exercício de 2004 (ano calendário de 2003) e a ciência do lançamento ocorreu em 27/12/2009. Assim, quanto ao fato gerador ocorrido em 31/12/2004, ainda que se considere a regra do artigo 150, § 4º, ainda assim o lançamento poderia ser formalizado até 31/12/2004 que estaria dentro do prazo qüinqüenal. Em relação a este período, não se cogita, pois, de decadência. Quanto ao anocalendário de 2003, pela regra do art. 150 §4º haveria decadência, e não haveria decadência se considerada a regra do art. 713, I do CTN. A aplicação de uma ou de outra regra, no caso, depende da manutenção ou não da qualificação da multa de ofício, uma vez que se trata de rendimentos sujeitos ao ajuste anual e o Contribuinte antecipou o pagamento de imposto DIRPF, fls. 68). Assim, conforme entendimento do Superior Tribunal de Justiça – STJ submetido ao efeito repetitivo, neste caso aplicase a regra do artigo 150, § 4º do CTN, salvo se presente o evidente intuito de fraude, quando a regra aplicável é a do 173, I do mesmo CTN. Ocorre que a verificação da ocorrência do evidente intuito de fraude se confunde com o mérito do lançamento, que será examinado mais adiante. Assim, deixo de apreciar a questão da decadência relativamente ao anocalendário de 2003 juntamente com o exame do mérito sobre a mantença ou não da qualificação da multa de ofício. Pois bem, sobre a alegação de que parte do crédito lançado se refere a ganho de capital, embora se trate de questão de mérito e, como tal, será analisado mais detidamente quando da análise do mérito, adianto, por enquanto, que a autuação, em momento algum, referese à imputação de ganho de capital. E se se concluir que se tratava de ganho, ao invés de rendimento sujeito ao ajuste anual, o destino do lançamento será a extinção do crédito tributário com base na inconsistência do lançamento quanto ao mérito, e não a extinção pelo reconhecimento da decadência. Assim, examinarei a questão da decadência considerando os fatos conforme constam da autuação, isto é, o lançamento por omissão de rendimentos sujeitos ao ajuste anual. Pois bem, o período mais remoto lançado foi o exercício de 2004 (ano calendário de 2003) e a ciência do lançamento ocorreu em 16/12/2009. Assim, quanto ao fato gerador ocorrido em 31/12/2004, ainda que se considere a regra do artigo 150, § 4º, ainda assim o lançamento poderia ser formalizado até 31/12/2004 que estaria dentro do prazo qüinqüenal. Em relação a este período, não se cogita, pois, de decadência. Quanto ao anocalendário de 2003, pela regra do art. 150 §4º haveria decadência, e não haveria decadência se considerada a regra do art. 713, I do CTN. A aplicação de uma ou de outra regra, no caso, depende da manutenção ou não da qualificação da multa de ofício, uma vez que se trata de rendimentos sujeitos ao ajuste anual e o Contribuinte antecipou Fl. 2703DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/ 05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10803.000082/200947 Acórdão n.º 2201002.030 S2C2T1 Fl. 14 25 o pagamento de imposto DIRPF, fls. 68). Assim, conforme entendimento do Superior Tribunal de Justiça – STJ submetido ao efeito repetitivo, neste caso aplicase a regra do artigo 150, § 4º do CTN, salvo se presente o evidente intuito de fraude, quando a regra aplicável é a do 173, I do mesmo CTN. Ocorre que a verificação da ocorrência do evidente intuito de fraude se confunde com o mérito do lançamento, que será examinado mais adiante. Assim, deixo de apreciar a questão da decadência relativamente ao anocalendário de 2003 juntamente com o exame do mérito sobre a mantença ou não da qualificação da multa de ofício. Quanto ao mérito, cuidase de valores que, segundo a Fiscalização, foram recebidos pelo Contribuinte por via indireta, através das empresas MOMA PARTICIPAÇÕES LTDA e FERCICA & BARNEY PARTICIPAÇÕES E ADMINISTRAÇÃO DE BENS PRÓPRIOS LTDA. e do doleiro Renato Lanzuolo Filho, o “Lanza”. Tais valores teriam origem em um esquema de importação irregular, com subfaturamento, destinado a sonegar impostos incidentes sobre essas operações: IPI, Imposto de Imposto de importação, etc. Antes, portanto, de examinar a análise da imputação feita ao ora recorrente, cumpre pois, ainda que brevemente, analisar como operava o referido esquema de impostação regular e qual a participação do ora Recorrente em tal atividade. Segundo o alentado relatório fiscal, tratase de esquema, desvendado pela chamada “operação persona” e consistia na importação de mercadorias – em geral produtos de informática – feito por meio de interpostas pessoas (várias empresas) criadas especificamente para este fim, no exterior e no Brasil, muitas delas em “paraísos fiscais”. O conjunto dessas empresas constituía o que foi designado por grupo JDTC/MUDE. Segundo a descrição dos fatos do auto de infração, o grupo tinha a seguinte estrutura: 1) empresas chamadas offshores operacionais, constituídas por empresas sediadas em paraísos fiscais e que atuavam para ocultar das autoridades brasileiras os verdadeiros beneficiários do esquema de importação fraudulento; receber recursos à margem dos controles cambiais brasileiros, mediante o chamado dólar “cabo” (doleiros); distribuir recursos financeiros aos membros do grupo; realizar pagamentos a fornecedores; realizar pagamentos da CISCO CAPITAL e GE TRANSAMÉRICA; realizar pagamentos aos escritórios responsáveis pela criação e administração das empresas offshores. 2) offshores particulares, empresas sediadas em paraísos fiscais e de propriedade dos membros do grupo e que se destinavam principalmente ao recebimento, pelos membros do grupo, dos recursos financeiros gerados das operações irregulares. 3) Empresas inexistentes de prestação de serviços, sediadas em escritórios de contabilidade ou em residências particulares, de propriedade dos membros da organização e se destinavam a receber recursos da MUDE COMÉRCIO E SERVIÇOS e aumentar os custos dessa empresa e diminuir seu lucro tributável. 4) Investimentos no Brasil: empresas de propriedade do grupo, constituídas no Brasil mediante integralização de capital das offshores operacionais. Pois bem, a principal atividade do grupo era distribuir, no Brasil, os produtos fabricados pela multinacional americana CISCO SYSTEM INC., que respondia por cerca de 90% dos produtos vendidos pela MUDE. As importações eram realizadas por intermédio de diversos canais de importação (empresas interpostas: BRASTEC, ABC, PRIME, WAYTEC, D’LUCK, SPCOM, ARCO, TECNOSUL, COMTEC, todas elas controladas pela MUDE) cuja principal finalidade era ocultar os verdadeiros exportadores e importadores. Fl. 2704DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/ 05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 26 As principais empresas offshores operacionais do grupo eram FULFILL, HOLDING, RAYWELL OVERSEAS, CANSON INVESTMENT, NORDSTROM, TRADING, SINBOLD E DBRO HOLDING, todas elas controladas pelo grupo, basicamente mediante procurações com amplos poderes. Segundo o relato fiscal, também teria atuação destacada no grupo o doleiro Renato Lanzuolo Filho, vulgo “Lanza”. Sua atuação consistiria na movimentação de recursos monetários, destacadamente a distribuição de vantagens financeiras a membros do grupo para que fossem remetidos para as contas bancárias das empresas offshores particulares dos membros da organização. A MUDE COMÉRCIO E SERVIÇOS, antes FULFILL DISTRIBUIDORA foi sempre controlada indiretamente pelo grupo JDTC/MUDE por intermédio de offshores operacionais: o grupo controlava as offshores operacionais, que controlavam a MUDE. A partir do ano de 2006, a MUDE COMÉRCIO E SERVIÇO, que antes era composta por 98,88% de capital da empresa NORDSTROM, uma offshore operacional do grupo, e por LUIZ SCARELLI FILHO, que detinha as cotas restantes, teve seu quadro societário modificado pela 9ª alteração contratual passando a figurar Helio Benetti Pereira com participação de 25% e por Fernando Machado Grecco, com 75% do capital. As vantagens financeiras aos membros do grupo eram pagas através de movimentação financeira das offshores operacionais para as offshores particulares de cada membro. Os recursos repassados a essas offshores particulares ingressavam no país na forma de investimentos de empresas estrangeiras no País, em geral empresas patrimoniais cujo único objetivo era ocultar os reais beneficiários das remessas. O Senhor Moacyr Alvaro Sampaio, além de participar do quadro societária da MUDE COMERCÍO E SERVIÇO e de várias empresas que se relacionavam com o grupo, praticava atos de gestão dos negócios relacionados ao esquema de importação fraudulenta. Algumas offshores em nome de terceiros (laranjas) pertenceriam de fato ao ora Recorrente. Desenhado este quadro, cumpre examinar os valores atribuídos ao Contribuinte e a obtenção como rendimentos tributáveis provenientes desse esquema. Inicialmente, imputase ao contribuinte o recebimento de valores na forma de aumentos de capitais feitos nas empresas FERCICA & BARNEY PARTICIPAÇÕES LTDA. E MOMA PARTICIPAÇÕES LTDA, pela empresa April Holding Overseas Ltd. A acusação fiscal é de que as integralizações de capital nessas empresas objetivaram, na verdade, encobrir a transferência dos recursos financeiros obtidos através do esquema de importações fraudulentas realizadas pelo grupo MUDE/JDTC, ao impugnante e, com isto, blindar o patrimônio pessoal da pessoa física do ora recorrente, evitando, assim, a imputação de qualquer responsabilidade ao mesmo. Pois bem, quanto à participação do ora recorrente no esquema de importação fraudulenta este é evidente. Sobejam provas nos autos da existência do esquema e da participação do ora Recorrente neste esquema. E quanto ao ingresso dos recursos para integralização do capital das ditas empresa, tendo como origem a April, o fato também é comprovado com documentos apresentados pelas próprias empresas em resposta a intimação. Portanto, quanto ao fato, este é incontroverso. Cumpre examinar, pois, a sua qualificação como simulação da verdadeira natureza da operação, qual seja, a remuneração pela participação do ora Recorrente no esquema fraudulento. Sobre este aspecto, destaco os seguintes fatos: Fl. 2705DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/ 05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10803.000082/200947 Acórdão n.º 2201002.030 S2C2T1 Fl. 15 27 1) O memorando de constituição da sociedade April Overseas Ltd, foi encontado na residência do ora Recorrente (fls. 712) e ali se vê que o seu endereço é o mesmo do da filial do escritório ALEMAN, CODEIRO, GALINDO & LEE TRUST na Ilhas Virgens; 2) Também na residência do ora Recorrente foi encontrado o certificado da empresa April; 3) A offshores April foi registrada no Brasil tendo como responsável perante a Receita Federal Anielo Visciato, que vem a ser contador particular de membros do Grupo JDTC/MUDE e representante legal de várias offshores de membros do grupo; 4) Por meio de procuração com amplos poderes foi nomeado o ora Recorrente para representa a empresa April, ali mencionandose, especificamente, os poderes para a realização de aportes de recursos nas empresas MOMA PARTICIPAÇÕES LTDA e FERCICA & BARNEY PARTICIPAÇÕES E ADMINISTRAÇÃO DE BENS PRÓPRIOS LTDA. Estes fatos são mais do que suficientes para comprovarem a vinculação entre a movimentação de capitais feitos através das empresas offshore APRIL e as empresa MOMA PARTICIPAÇÕES LTDA e FERCICA & BARNEY PARTICIPAÇÕES E ADMINISTRAÇÃO DE BENS PRÓPRIOS LTDA, e o esquema de importação fraudulento comandado pelo grupo JDTC/MUDE, do qual o ora recorrente era partícipe. Também demonstram que o ora Recorrente era o controlador de fato da APRIL. Ademais, o esquema adotado neste caso para movimentar os recursos é coerente com o modus operandi adotado por outras pessoas, de utilização de offshores operacionais e offshores particulares como forma de brindar as pessoas físicas participantes do grupo. Assim, a meu juízo, resta perfeitamente caracterizado que os aportes de capital feito pela empresa April Holding Overseas Ltd nas empresas MOMA PARTICIPAÇÕES LTDA e FERCICA & BARNEY PARTICIPAÇÕES E ADMINISTRAÇÃO DE BENS PRÓPRIOS LTDA, foi uma forma disfarçada de distribuição dos resultados das operações realizadas pelo grupo JDTC/MUDE decorrentes do esquema de importação fraudulenta. O Contribuinte se insurge contra a desconsideração dos negócios jurídicos envolvendo as empresas April Holding Overseas Ltd, MOMA PARTICIPAÇÕES LTDA e FERCICA & BARNEY PARTICIPAÇÕES E ADMINISTRAÇÃO DE BENS PRÓPRIOS LTDA. Cumpre examinar, portanto, a possibilidade jurídica de se desconsiderar os atos societários e se considerar a pura e simples aquisição da disponibilidade da renda pelo ora Recorrente. Marco Aurélio Greco, em seu respeitado estudo sobre o tema da elisão e da simulação deixa claro que estão fora da discussão sobre a elisão fiscal as situações caracterizadas como meros exercícios da opção fiscal, por um lado, e por outro, aquelas em que a prática seja caracterizada como simulação e, indo mais além, quando estejam contaminadas por outras patologias. Exclui do campo da elisão fiscal toda ilicitude, aí incluídas as ilicitudes penais, mas, também, aquelas cometidas à luz do Código Civil e de outros ordenamentos, seja de natureza extratributária ou tributária. Nas suas palavras: “Ou seja, toda operação que tenha por efeito minimizar a carga tributária mediante atos ilícitos está fora de nossa análise. Vale Fl. 2706DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/ 05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 28 dizer, se alguém disser: aqui houve um planejamento com o uso de uma falsidade, a rigor não está se referindo a um planejamento porque falsidade é ato ilícito; ou então afirmar que houve uma ação do contribuinte que está enquadrada na Lei nº 8.137 também não é tratarse de um planejamento. Todas as operações que se viabilizem através de atos ilícitos estão fora da nossa análise, pois não configuram planejamento.”1 É claro que a prática da simulação com o propósito de escamotear a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária é conduta ilícita, referida expressamente no Código Tributário Nacional, no seu art. 149, VII, como hipótese de realização de lançamento de ofício. Portanto, não há falar em elisão fiscal, quando a conduta, por meio da qual o Contribuinte procura obter a economia de tributos, pode ser caracterizada como simulação. Ricardo Lobo Torres, referindose ao parágrafo único do art. 116 do CTN, introduzido pela Lei Complementar nº 104, de 2001, também se ocupa de fazer essa diferenciação. Diz ele: “A nova regra do art. 116, parágrafo único do CTN, na redação da LC nº 101/01, é autêntica norma antielisiva, que recepcionou o modelo francês. Nada tem que ver com a norma antisimulação, que já existia no direito brasileiro (art. 149, VII, do CTN) e que tem outra estrutura e fenomenologia. A recente regra antielisiva tem as seguintes características: permite à autoridade administrativa requalificar os atos e negócios praticados, que subsistem para efeitos jurídicos não tributários; atinge a dissimulação do fato gerador abstrato, para proceder à adequação entre o intentio facti e a intentio júris, o que é característica da elisão, na qual o fingimento se refere à hipótese de incidência, e não ao fato concreto, como acontece na simulação relativa ou dissimulação no sentido do direito civil.”2 O que é importante reter dessas duas contribuições é que só há falar em elisão fiscal naquelas situações nas quais o ato ou negócio jurídico é efetivamente praticado e não se cogita de qualquer ilicitude, e, portanto, esses atos ou negócios produzem todos os seus efeitos. A aplicação da norma antielisiva se limita, em tal hipótese, a desconsiderar esse ato ou negócio jurídico apenas quanto aos seus efeitos fiscais. Como acentua Lobo Torres, referindose à LC nº 104, de 2001: “A recente regra antielisiva tem as seguintes características: permite à autoridade administrativa requalificar os atos ou negócios praticados, que subsistem para efeitos jurídicos não tributários; atinge apenas a dissimulação do fato gerador abstrato, para proceder à adequação entre a intentio facti e a intentio juirs, o que é característica a elisão, na qual o fingimento se refere à hipótese de incidência, e não a fatos concretos, como acontece na simulação relativa ou dissimulação no sentido do direito civil.” (pp. 122/123) Não é disso que aqui se trata. Na presença de práticas caracterizadas como dolo, fraude, ou simulação, com o propósito de omitir ou reduzir o valor do imposto devido, estamos diante de infração à legislação tributária sujeita ao lançamento de ofício e, nesse caso, não se cogita de desconsideração do negócio jurídico, mas de apuração do imposto devido, considerando o fato gerador efetivamente ocorrido. 1 GRECO, Marco Aurélio, Op. Cit. P. 78. 2 TORRES, Ricardo Lobo –Elisão Fiscal (CTN, Art. 116, Parágrafo único – 104/2001), in FORMUM DE DIREITO TRIBUTÁRIO. v.1, n. 1 (jan/fev 2003) – Belo Horizonte: Editora Fórum, 2003. p.122/123. Fl. 2707DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/ 05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10803.000082/200947 Acórdão n.º 2201002.030 S2C2T1 Fl. 16 29 A questão central, portanto, é identificar, no caso concreto, a presença (ou ausência) dessas infrações. No caso em exame. A licitude ou ilicitude, neste caso, não deve ser averiguada pela análise dos atos individualmente considerados, mas em seu conjunto, numa apreciação crítica das operações realizadas pelo Contribuinte. De uma qualificação dos fatos, antes de subsumilos à norma. E penso que, no caso concreto, em assim procedendo, as conclusões não favorecem à defesa. Penso que estamos diante situação típica caracterizada como conduta tendente a esconder a ocorrência do fato gerador, mediante a utilização de empresas criadas para figurarem como verdadeiras interpostas pessoas, no caso, as empresas April Holding Overseas Ltd, MOMA PARTICIPAÇÕES LTDA e FERCICA & BARNEY PARTICIPAÇÕES E ADMINISTRAÇÃO DE BENS PRÓPRIOS LTDA. Embora analisadas isoladamente, a criação de empresa, no Brasil e no exterior, a integralização do capital sejam práticas válidas, a realização dessas operações, sem propósito negocial e nas condições amplamente descritas nos autos, envolvendo todo o esquema fraudulento do qual o ora Recorrente era partícipe direto, configura situação típica definidora da simulação. Não se trata aqui, pois, de desconsideração das integralizações de capital. O fundamento fático para o lançamento é o de que as operações foram mero disfarce para desnaturar o verdadeiro beneficiário dos rendimentos. As empresas envolvidas eram meras interpostas pessoas, e a utilização de interposta pessoa é uma das formas típicas de simulação relativa, conforme artigo 167 do Código Civil Brasileiro, a saber: Art. 167. É nulo o negócio jurídico simulado, mas subsistirá o que se dissimulou, se válido for na substância e na forma. § 1º Haverá simulação nos negócios jurídicos quando: I – aparentarem conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas daquelas às quais realmente se conferem, ou transferem; II – contiverem declaração, confissão, condição ou cláusula não verdadeira; III – Os instrumentos particulares forem antedatados, ou pós datados. O dispositivo referese a três espécies de simulação: quanto às pessoas (inciso I), quanto à substância do negócio jurídico (inciso II), e quanto ao tempo de sua realização (inciso III). Há simulação quando há desconformidade entre a realidade fática e a aparência do negócio jurídico, quanto à pessoa a quem se confere ou transmite direitos, quanto ao momento em que se realiza o negócio jurídico, e quanto à própria substância deste. O caso de que se cuida neste processo subsumese plenamente à hipótese referida no inciso I do art. 167, acima transcrito. É dizer, o verdadeiro beneficiário das operações envolvendo as duas empresas foi, diretamente, o ora recorrente, sendo a integralização de capital mero disfarce. Na preciosa síntese de MOREIRA ALVES: “Três são os requisitos da simulação. Para que haja simulação é preciso, primeiramente, que exista divergência entre a vontade interna e a vontade manifestada. (...) Em segundo lugar é preciso que um acordo simulatório ocorra entre as partes, havendo, Fl. 2708DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/ 05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 30 portanto, necessidade de um acordo. Conseqüentemente, ambas as partes sabem exatamente o que estão fazendo. Finalmente, esse negócio simulado há de ter por objeto enganar terceiros estranhos a esse ato simulado.” No caso, o descompasso entre a vontade interna e a vontade manifestada é evidente, pois a integralização de capital em uma empresa não pode ter outro propósito que não o de permitir que esta atue segundo as finalidades para as quais foi constituída. E, neste caso, a atuação da empresa praticamente se limitou a adquirir bens particulares no interesse do ora recorrente. O acordo simulatório também é evidente e facilitado, neste caso, pelo fato de que o ora Recorrente, como demonstrado nos autos, detinha o controle de ambas as empresas. Por fim, o propósito de enganar é evidente. O fato de os atos societários terem sido formalmente praticados não diminui, antes reforça essa intenção simulatória. É que estas se constituem em medidas preparatórias indispensáveis para alcançar o resultado pretendido: esconder o verdadeiro beneficiário dos ingressos dos recursos no território nacional. Questão relevante, portanto, é como se comprova a simulação. É que esse tipo de infração não gera provas documentais de sua prática. Provase a simulação demonstrando, a partir de uma análise do caso concreto, pela apreciação crítica dos fatos que há um descompasso entre a vontade e a declaração, forjada conscientemente com o propósito específico de produzir o engano e, com isso, obter uma vantagem. É preciso, portanto, desvendar, da análise dos fatos, a presença daqueles requisitos acima referidos: o descompasso entre a vontade interna e a vontade manifestada, o intuído de enganar e o conluio. É dizer, a identificação da simulação deve ser buscada não na aparência dos negócios praticados, mas no conjunto das operações. No caso concreto, sobejam elementos que indicam o recebimento por parte do ora Recorrente de recursos provenientes da operações ilícitas desenvolvidas pelo esquema JDTC/MUDE, há elementos que demonstram o modus oprandi para a distribuição dos resultados dessas atividades. Entendo, portanto, no mesmo sentido dos fundamentos embasaram o lançamento, e concordando com as conclusões da decisão Recorrida, que estamos na presença de situação caracterizada como infração fiscal. SIMULAÇÃO. Quanto aos valores imputados ao contribuinte e que teriam sido recebidos através do doleiro Renato Lanzuolo Filho, os elementos carreados aos autos que demonstram essa relação não são suficientes, a meu juízo, para caracterizar a aquisição da renda pelo ora Recorrente. Em verdade, o único elemento aportado aos autos é uma planilha, sem identificação de autoria, apreendida pelo Polícia Federal, onde constam vários itens com o histórico “pago ao Lanza” e a constatação de que o referido “Lanza” é doleiro conhecido. Embora plausível a suposição de que recursos foram movimentados para os membros da organização através de doleiro, penso que a mera suposição, sem outros elementos que as corrobore, não é suficiente para caracterizar a ocorrência do fato gerador do imposto. É certo, como ressaltado pela decisão de primeira instância, que em operações envolvendo fraude, como neste caso, há uma dificuldade natural de se produzir provas da efetividade dos ganhos pelos partícipes de tais operações, dada a ausência de documentos a formalizarem as movimentações financeiras, mas tal dificuldade não dispensa o Fisco de comprovar a aquisição da disponibilidade da renda, o que faz é ampliar os meios de prova admissíveis que, certamente, não são os mesmos daquelas obtidas quando se cuida de Fl. 2709DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/ 05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10803.000082/200947 Acórdão n.º 2201002.030 S2C2T1 Fl. 17 31 operações regulares. Mas uma simples planilha com a indicação e valores e sem a referência expressa ao Recorrente, mesmo nas circunstâncias do caso analisado, não permite concluir tratase de rendimentos pagos ao Recorrente. Quanto à omissão de rendimentos apurada com base em depósitos bancários sem comprovação de origem, registrese de plano a regularidade desse tipo de autuação, que tem previsão legal expressa. Tratase do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, o qual para melhor clareza, transcrevo a seguir, já com as alterações e acréscimos introduzidos pela Lei nº 9.481, de 1997 e 10.637, de 2002, verbis: Lei nº 9.430, de 1996: Art. 42 Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. §1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. §2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. §3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00 (doze mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00 (oitenta mil reais). §4º Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. § 5o Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento. § 6o Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em Fl. 2710DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/ 05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 32 separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares." Como assinala Alfredo Augusto Becker (Becker, A. Augusto. Teoria Geral do Direito Tributário. 3ª Ed. – São Paulo: Lejus, 2002, p.508): As presunções ou são resultado do raciocínio ou são estabelecidas pela lei, a qual raciocina pelo homem, donde classificamse em presunções simples; ou comuns, ou de homem (praesumptiones hominis) e presunções legais, ou de direito (praesumptionies júris). Estas, por sua vez, se subdividem em absolutas, condicionais e mistas. As absolutas (júris et de jure) não admitem prova em contrário; as condicionais ou relativas (júris tantum), admitem prova em contrário; as mistas, ou intermédias, não admitem contra a verdade por elas estabelecidas senão certos meios de prova, referidos e previsto na própria lei. E o próprio Alfredo A. Becker, na mesma obra, define a presunção como sendo "o resultado do processo lógico mediante o qual do fato conhecido cuja existência é certa se infere o fato desconhecido cuja existência é provável" e mais adiante averba: "A regra jurídica cria uma presunção legal quando, baseandose no fato conhecido cuja existência é certa, impõe a certeza jurídica da existência do fato desconhecido cuja existência é provável em virtude da correlação natural de existência entre estes dois fatos". Pois bem, o lançamento, na parte ora examinada, baseouse em presunção juris tantum, onde o fato conhecido é a existência de depósitos bancários de origem não comprovada e a certeza jurídica decorrente desse fato é o de que tais depósitos foram feitos com rendimentos subtraídos ao crivo da tributação. Tal presunção pode ser ilidida mediante prova em contrário, a cargo do autuado. No caso concreto, o Contribuinte aponta algumas origens para alguns dos créditos, que passo a examinar. 1) Crédito de R$ 7.000,00, em 31/03/2004 – O documento de fls. 2241 comprova que este crédito teve como origem a empresa SLW Corretora de Valores e Câmbio Ltda; 2) Crédito de R$ 9.800,00, em 23/09/2004 – O documento de fls. 2239 comprova que este crédito teve como origem a empresa SLW Corretora de Valores e Câmbio Ltda; 3) Crédito de R$ 2.070,00, em 29/10/2004 O documento de fls. 2254 comprova que este crédito teve como origem a empresa Business 2 Business S/C Ltda; 4) Crédito de R$ 4.274,00, em 17/03/2004 O documento de fls. 2269 comprova que este crédito teve como origem o próprio Contribuinte, mediante transferência de cota da Caixa Econômica Federal; Fl. 2711DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/ 05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10803.000082/200947 Acórdão n.º 2201002.030 S2C2T1 Fl. 18 33 5) Crédito de R$ 2.780,50, em 26/04/2004 – O documento de fls. 2269 comprova que este crédito teve como origem a empresa Fercica & Barney Participações; 6) Crédito de R$ 4.414.33, em 09/08/2004 O documento de fls. 2269 comprova que este crédito teve como origem o próprio Contribuinte, mediante transferência de cota da Caixa Econômica Federal; 7) 2.818,00 – 12/03/2003 O documento de fls. 2270 comprova que este crédito teve como origem a empresa Fercica & Barney Participações. Quanto aos demais depósitos, embora em relação a muitos deles o Contribuinte apresente comprovante de depósito, neles não estão identificados os depositantes e, portanto, não estão comprovadas as suas origens. Os depósitos de origens comprovadas, portanto, são aqueles relacionados acima, que totalizam R$ 33.156,00. A comprovação das origens dos depósitos implica, necessariamente,m no afastamento da tributação com amparo no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996. Poderia o Fisco, eventualmente, exigir o imposto com base na legislação específica. Os depósitos de origens comprovadas, portanto, devem ser excluídos da base de cálculo. Sobre a qualificação da multa de ofício, conforme observado quando do exame do mérito a respeito da exigência do imposto, o Contribuinte se valia de interpostas pessoas como meio para receber recursos decorrentes das operações ilícitas amplamente descritas. Tratase, portanto, de evidente caso de simulação. Pois bem, o art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996 prevê a qualificação da multa nos casos de dolo, fraude ou simulação, conforme definido nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.503, de 1966. Reproduzo a seguir os referidos dispositivos: Art . 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. Como se vê, a simulação configura evidentemente prática tendente a modificar as características do fato gerador, com vista a retardar ou impedir o conhecimento deste por parte do Fisco. É caso típico, portanto, de evidente intuito de fraude. Fl. 2712DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/ 05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 34 Assim, deve ser mantida a qualificação da multa de ofício. Neste ponto, podemos retornar ao exame da decadência, que ficou suspenso. Caracterizada a simulação, o prazo decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I do CTN, conforme entendimento consolidado no âmbito do CARF e consolidado na Súmula CARF nº 72, com o seguinte enunciado: Caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial regese pelo art. 173, inciso I, do CTN. Rejeito, portanto, a preliminar de decadência. Conclusão Ante o exposto, encaminho meu voto no sentido de rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial para excluir o item 01 da autuação e reduzir da base de cálculo do lançamento, referente ao item 03, o valor de R$ 33.156,00 Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa Fl. 2713DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/ 05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10803.000082/200947 Acórdão n.º 2201002.030 S2C2T1 Fl. 19 35 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS 2ª CÂMARA/2ª SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº: 10803.000082/200947 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão nº. 2201002.030. Brasília/DF, 25 de abril de 2013. Assinatura digital Maria Helena Cotta Cardozo Presidente da Segunda Câmara da Segunda Seção Ciente, com a observação abaixo: ( ) Apenas com Ciência ( ) Com Recurso Especial ( ) Com Embargos de Declaração Fl. 2714DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/ 05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 36 Fl. 2715DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/ 05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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Numero do processo: 10855.005311/2002-38
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 26 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/11/1998 a 30/06/1999 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO. Considera-se não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada na impugnação, não competindo ao CARF apreciá-la. Recurso Voluntário não Conhecido.
Numero da decisão: 3302-001.656
Decisão: Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Vencidos os conselheiros Gileno Gurjão Barreto, Fabiola Cassiano Keramidas e Alexandre Gomes que conheciam do recurso voluntário para excluir a multa de ofício.
Nome do relator: WALBER JOSE DA SILVA
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PRECLUSÃO. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada na impugnação, não competindo ao CARF apreciála. Recurso Voluntário não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Vencidos os conselheiros Gileno Gurjão Barreto, Fabiola Cassiano Keramidas e Alexandre Gomes que conheciam do recurso voluntário para excluir a multa de ofício. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator. EDITADO EM: 29/06/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Fl. 253DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por WALBER JOSE DA SILVA 2 Contra a empresa CONSTRUTORA SOROCABA LTDA foi lavrado auto de infração para exigir o pagamento de PIS, relativa a fatos geradores ocorridos entre novembro de 1998 e junho de 1999, tendo em vista o indeferimento, em 06/06/2000, do pedido de compensação vinculado ao pedido de restituição, controlado no Processo nº 10855.001183/00 66, que também restou indeferido. Inconformada com a autuação a empresa interessada impugnou o lançamento, cujas razões estão sintetizadas no relatório do acórdão recorrido, que leio em sessão. Por meio da Resolução nº 628, de 11/08/2006, a DRJ em Ribeirão Preto SP determinou que a UL da RFB de origem aguardasse a decisão definitiva do processo no qual se discutia o crédito pleiteado pela recorrente (Processo nº 10855.001183/0066). Transitado em julgado a decisão administrativa, restou indeferido o pleito da recorrente e o processo foi encaminhado para a DRJ julgar a impugnação da empresa autuada. A 4a Turma de Julgamento da DRJ em Ribeirão Preto SP julgou improcedente a impugnação, nos termos do Acórdão no 1434.641, de 21/07/2011 flse. 209/216. Ciente desta decisão em 18/08/2011 (AR à fle. 220), a interessada ingressou, no dia 19/09/2011, com o recurso voluntário de fls. 226/246, com os seguintes fundamentos: 1 em sede de preliminar: 1.1 Discorre sobre diversos aspectos do lançamento tributário para concluir que, no caso em apreço, a constituição do crédito tributário se deu com a entrega da DCTF, restando ao Fisco tão somente a sua execução judicial, sendo desnecessário a sua constituição de ofício. 1.2 Considerando que o crédito tributário foi definitivamente constituído no momento da entrega da DCTF e, em conseqüência, concluiu que ocorreu a prescrição do direito da Fazenda Nacional efetuar a cobrança do débito, cuja contagem do prazo tem início na data da apresentação da DCTF, fato que ocorreu no dia 28/02/2002. 2 no mérito, discorre sobre a aplicação do art. 90 da MP nº 2.15835/2001, com as alterações do art. 18 da Lei nº 10.833/03, para concluir que deve ser aplicado ao caso o princípio da retroatividade benigna (art. 106 do CTN) posto que a nova redação do citado art. 90 autoriza o lançamento da multa nos casos que especifica (p. ex. arts. 71 e 72 da Lei nº 4.502/64), sendo que em nenhum deles se enquadra nos fatos destes autos. Na forma regimental, o recurso voluntário foi distribuído a este Conselheiro Relator. É o Relatório. Voto Conselheiro Walber José da Silva, Relator. Fl. 254DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10855.005311/200238 Acórdão n.º 330201.656 S3C3T2 Fl. 2 3 O Recurso Voluntário é tempestivo mas, pelas razões abaixo expostas, não merece ser conhecido. A empresa Recorrente foi autuada porque apresentou pedido de compensação dos débitos objeto do auto de infração com suposto crédito de Finsocial que restou não sendo reconhecido pela autoridade fazendária. O pedido de compensação e a decisão da DRF ocorreram antes da edição da Medida Provisória nº 66/2002 (Lei nº 10.637/02), que instituiu a declaração de compensação. As razões da impugnação apresentada contra o auto de infração estão resumidas no Relatório do acórdão recorrido, nos seguintes termos: Cientificada, a interessada apresentou a impugnação de fls. 84/110, na qual alegou a nulidade do auto de infração por ter sido lavrado fora do estabelecimento autuado. Argumentou que o processo de compensação havia tido sua decisão de primeira instância anulada pelo Conselho de Contribuintes, e estaria aguardando nova decisão a ser proferida por esta DRJ, razão pela qual a autuação não poderia ter ocorrido. Aduziu ter havido imprecisão na narração dos fatos, pois não teria ocorrido falta de recolhimento, mas sim compensação sem remanescer diferença; falta de fundamentação legal, de provas e do devido processo legal, pois enquanto não decidido definitivamente o processo de compensação, a exigibilidade dos créditos está suspensa. Esses vícios ensejariam a nulidade insanável do auto de infração. Reclamou da dupla constituição do crédito tributário, uma vez que os créditos exigidos no auto de infração já haviam sido constituídos pela própria declaração da contribuinte no processo de compensação. Discordou do procedimento de ter sido efetuado o lançamento sem que a contribuinte fosse intimada a esclarecer a diferença encontrada, o que feriu o devido processo legal. Discorreu sobre a extinção do crédito pela compensação, a teor do art. 156, II do CTN, e sobre a impossibilidade do lançamento da multa pelo seu caráter confiscatório e por ter se configurada a denúncia espontânea. Tratou de seu direito à compensação com Finsocial recolhido à alíquota superior a 0,5%, extinguindo o presente crédito. Alegou que os juros de mora exigidos são abusivos, pois o CTN previu sua cobrança no percentual de 1% ao mês. Por fim, enumerou afrontas a vários princípios constitucionais, requerendo o cancelamento da autuação por nulidade ou Fl. 255DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por WALBER JOSE DA SILVA 4 insubsistência, alternativamente a exclusão da multa ou redução a "patamares suportáveis entre 2% a 10%" e dos juros ao percentual de 1% ao mês. Como se disse no Relatório, no recurso voluntário a empresa argumenta o seguinte: 1 em sede de preliminar: 1.1 Discorre sobre diversos aspectos do lançamento tributário para concluir que, no caso em apreço, a constituição do crédito tributário se deu com a entrega da DCTF, restando ao Fisco tão somente a sua execução judicial, sendo desnecessário a sua constituição de ofício. 1.2 Considerando que o crédito tributário foi definitivamente constituído no momento da entrega da DCTF e, em conseqüência, concluiu que ocorreu a prescrição do direito da Fazenda Nacional efetuar a cobrança do débito, cuja contagem do prazo tem início na data da apresentação da DCTF, fato que ocorreu no dia 28/02/2002. 2 no mérito, discorre sobre a aplicação do art. 90 da MP nº 2.15835/2001, com as alterações do art. 18 da Lei nº 10.833/03, para concluir que deve ser aplicado ao caso o princípio da retroatividade benigna (art. 106 do CTN) posto que a nova redação do citado art. 90 autoriza o lançamento da multa nos casos que especifica (p. ex. arts. 71 e 72 da Lei nº 4.502/64), sendo que em nenhum deles se enquadra os fatos destes autos. A impugnação estabelece a fase litigiosa do procedimento e o momento de sua apresentação é aquele estabelecido no art. 15 do Decreto no 70.235/72. Estabelece, também, o art. 17 deste mesmo diploma legal, que “considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante”. Nenhum dos três argumentos trazidos no recurso voluntário (desnecessidade de lavratura de auto de infração de débitos declarados em DCTF, prescrição do direito da Fazenda Nacional propor ação de execução de débito declarado em DCTF e aplicação retroativa das alterações sofridas pelo art. 90 da MP nº 2.15835/2001) constavam da impugnação. Conseqüentemente, sobre nenhuma dessas matérias há litígio. Sem litígio, não há apreciação pelo julgador de primeira instância. Não tendo sido objeto de julgamento na primeira instância, por não constar como razão da impugnação, não há como este Conselho apreciar estas matérias, posto que preclusas. O préquestionamento, entendido como a necessidade de o tema objeto do recurso haver sido examinado pela decisão atacada, constitui exigência do Decreto nº 70.235/72 (arts. 17 e 37 c/c art. 1º do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009), impondose como requisito inafastável ao conhecimento do recurso voluntário. Mais uma vez, não tendo sido contestada e examinada explicitamente pela instância ordinária a integralidade das matérias objeto do presente recurso voluntário, dele não se conhece. Isto posto, voto no sentido de não conhecer do recurso voluntário. Fl. 256DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10855.005311/200238 Acórdão n.º 330201.656 S3C3T2 Fl. 3 5 (assinado digitalmente) Walber José da Silva Fl. 257DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por WALBER JOSE DA SILVA
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Numero do processo: 10865.002601/2008-04
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 07 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/12/2003 a 31/12/2007
RESPONSABILIDADE DOS ADMINISTRADORES. RELAÇÃO DE CO-RESPONSÁVEIS. AFASTAMENTO.
Sem que haja a configuração nos autos dos requisitos dos arts. 134 e 135 do CTN, não pode prevalecer a responsabilização dos sócios.
IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO DE ARGUMENTO FUNDADO EM INCONSTITUCIONALIDADE DE TRATADO, ACORDO INTERNACIONAL, LEI OU DECRETO.
Por força do art. 26-A do Decreto 70.235/72, no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.
MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA DO ARTIGO 106 DO CTN, NECESSIDADE DE AVALIAR AS ALTERAÇÕES PROVOCADAS PELA LEI 11.941/09. Incide na espécie a retroatividade benigna prevista na alínea “c”, do inciso II, do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, devendo ser a multa lançada na presente autuação calculada nos termos do artigo 35 caput da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, se mais benéfica ao contribuinte.
DA VEDAÇÃO AO CONFISCO COMO NORMA DIRIGIDA AO LEGISLADOR E NÃO APLICÁVEL AO CASO DE PENALIDADE PECUNIÁRIA
O Princípio de Vedação ao Confisco está previsto no art. 150, IV, e é dirigido ao legislador de forma a orientar a feitura da lei, que deve observar a capacidade contributiva e não pode dar ao tributo a conotação de confisco. Portanto, uma vez positivada a norma, é dever da autoridade fiscal aplicá-la . Além disso, é de se ressaltar que a multa de ofício é devida em face da infração à legislação tributária e por não constituir tributo, mas penalidade pecuniária estabelecida em lei, é inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso IV do art. 150 da Constituição Federal.
TAXA SELIC. LEGALIDADE. SÚMULA 4 DO CARF E ART. 34 DA LEI 8.212/91. Em conformidade com a Súmula do CARF, é cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liqüidação e Custódia - Selic para títulos federais.
Acrescente-se que, para os tributos regidos pela Lei 8.212/91, o art. 34 do referido diploma legal prevê a aplicação da Taxa Selic
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2301-002.615
Decisão: Acordam os membros do colegiado, a) Por maioria de votos: a) em dar provimento ao recurso voluntário, nas preliminares, para afastar a responsabilidade dos listados no CORESP, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Marcelo Oliveira que votou em dar provimento parcial para deixar claro que o rol de co-responsáveis é apenas uma relação indicativa de representantes legais arrolados pelo Fisco, já que, posteriormente, poderá servir de consulta para a Procuradoria da Fazenda Nacional; b) em manter a aplicação da multa, nos termos do voto do Redator Designado. Vencido o Conselheiro Mauro José Silva, que votou pelo total afastamento da multa; c) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do Redator Designado. Vencido o Conselheiro Marcelo Oliveira, que votou em manter a multa aplicada.; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Redator: Adriano Gonzáles Silvério.
Matéria: CPSS - Contribuições para a Previdencia e Seguridade Social
Nome do relator: MAURO JOSE SILVA
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BATIMENTO FP E GFIP Recorrente MG COMÉRCIO SERVIÇOS E REPRESENT LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/2003 a 31/12/2007 RESPONSABILIDADE DOS ADMINISTRADORES. RELAÇÃO DE CORESPONSÁVEIS. AFASTAMENTO. Sem que haja a configuração nos autos dos requisitos dos arts. 134 e 135 do CTN, não pode prevalecer a responsabilização dos sócios. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO DE ARGUMENTO FUNDADO EM INCONSTITUCIONALIDADE DE TRATADO, ACORDO INTERNACIONAL, LEI OU DECRETO. Por força do art. 26A do Decreto 70.235/72, no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA DO ARTIGO 106 DO CTN, NECESSIDADE DE AVALIAR AS ALTERAÇÕES PROVOCADAS PELA LEI 11.941/09. Incide na espécie a retroatividade benigna prevista na alínea “c”, do inciso II, do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, devendo ser a multa lançada na presente autuação calculada nos termos do artigo 35 caput da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, se mais benéfica ao contribuinte. DA VEDAÇÃO AO CONFISCO COMO NORMA DIRIGIDA AO LEGISLADOR E NÃO APLICÁVEL AO CASO DE PENALIDADE PECUNIÁRIA O Princípio de Vedação ao Confisco está previsto no art. 150, IV, e é dirigido ao legislador de forma a orientar a feitura da lei, que deve observar a capacidade contributiva e não pode dar ao tributo a conotação de confisco. Fl. 157DF CARF MF Impresso em 27/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 04/06 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/05/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 22/05/2012 por MAURO JOSE SILVA 2 Portanto, uma vez positivada a norma, é dever da autoridade fiscal aplicála . Além disso, é de se ressaltar que a multa de ofício é devida em face da infração à legislação tributária e por não constituir tributo, mas penalidade pecuniária estabelecida em lei, é inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso IV do art. 150 da Constituição Federal. TAXA SELIC. LEGALIDADE. SÚMULA 4 DO CARF E ART. 34 DA LEI 8.212/91. Em conformidade com a Súmula do CARF, é cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liqüidação e Custódia Selic para títulos federais. Acrescentese que, para os tributos regidos pela Lei 8.212/91, o art. 34 do referido diploma legal prevê a aplicação da Taxa Selic Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, a) Por maioria de votos: a) em dar provimento ao recurso voluntário, nas preliminares, para afastar a responsabilidade dos listados no CORESP, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Marcelo Oliveira que votou em dar provimento parcial para deixar claro que o rol de coresponsáveis é apenas uma relação indicativa de representantes legais arrolados pelo Fisco, já que, posteriormente, poderá servir de consulta para a Procuradoria da Fazenda Nacional; b) em manter a aplicação da multa, nos termos do voto do Redator Designado. Vencido o Conselheiro Mauro José Silva, que votou pelo total afastamento da multa; c) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do Redator Designado. Vencido o Conselheiro Marcelo Oliveira, que votou em manter a multa aplicada.; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Redator: Adriano Gonzáles Silvério. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Relator. (assinado digitalmente) Adriano Gonzáles Silvério – Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Damião Cordeiro de Moraes, Adriano González Silvério, Mauro José Silva e Marcelo Oliveira. Fl. 158DF CARF MF Impresso em 27/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 04/06 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/05/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 22/05/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10865.002601/200804 Acórdão n.º 230102.615 S2C3T1 Fl. 156 3 Relatório Tratase de Lançamento por meio de Auto de Infração, lavrado em 08/08/2008, por ter a empresa acima identificada, segundo Relatório Fiscal da Infração, fls. 33/34, deixado de recolher contribuições previdenciárias dos empregados sobre diferenças apuradas na comparação entre folhas de pagamento e GFIP, nas competências 12/2003 a 12/2007, tendo resultado na constituição de crédito tributário de R$ 19.551,72. Após tomar ciência pessoal da autuação em 11/08/2008, fls. 01, a recorrente apresentou impugnação, fls. 40/74, na qual apresentou argumentos similares aos constantes do recurso voluntário. A 9ª Turma da DRJ/Ribeirão Preto, no Acórdão de fls. 111/117, julgou o lançamento , tendo a recorrente sido cientificada do decisório em 14/04/2009, fls. 120. O recurso voluntário, apresentado em 11/05/2009, fls. 124/150, apresentou argumentos conforme a seguir resumimos. Solicita a exclusão dos diretores como coresponsáveis por entender que não foram atendidos os requisitos dos arts. 134 e 135 do CTN. Sustenta a nulidade do lançamento, tendo em vista que não houve uma adequada motivação e descrição dos fatos geradores. Informa que a exigência tributária tem por base recusa ilegal do enquadramento no SIMPLES e que há exigência em duplicidade, tendo em vista que recolheu o DARFSIMPLES. Tece considerações sobre cessão de mão de obra e utilidade alimentação. Afirma que a multa aplicada tem efeito confiscatório, não podendo prevalecer pois contraria o art. 150, inciso IV da Constituição Federal. Entende que a Taxa Selic não pode ser aplicada, pois utiliza componentes e cálculos não especificamente previstos em lei, mas em norma do BACEN. É o relatório. Fl. 159DF CARF MF Impresso em 27/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 04/06 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/05/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 22/05/2012 por MAURO JOSE SILVA 4 Voto Conselheiro Mauro José Silva, Relator Reconhecemos a tempestividade do recurso apresentado e dele tomamos conhecimento. Exclusão dos diretores do anexo “CORESP” Em suas razões recursais o contribuinte tece considerações defendendo a exclusão dos sóciosgerentes da empresa da lista de ‘coresponsáveis’. E, no meu sentir, tem razão a empresa recorrente. É que, uma vez arrolados os sóciosgerentes da empresa na anexa lista, o documento terá como escopo a garantia de inclusão das pessoas nele indicadas no pólo passivo da obrigação tributária numa futura execução fiscal. Portanto não se trata de uma simples lista de todas as “pessoas físicas e jurídicas representantes legais do sujeito passivo”, como defendido pela Fazenda. Além do aspecto formal, a questão também deve ser analisada sob a perspectiva dos efeitos práticos e imediatos na vida dos contribuintes. E o prejuízo é patente, pois com o exaurimento do contencioso administrativo, o débito lançado será de pronto inscrito no CADIN, em nome do autuado e também de todos os coresponsáveis listados na relação anexa a NFLD, sem que haja uma única oportunidade concreta de defesa. Não é demais falar que no caso da pessoa jurídica, ela é quase sempre a responsável pelas suas obrigações tributárias, pois, além de ser o sujeito da relação jurídica tributária, tem também, na maioria das vezes, o dever legal de pagar o tributo. Contudo, a lei prevê que, como exceção à regra geral, quando houver inadimplemento da pessoa jurídica, a responsabilidade pelo pagamento dos tributos pode ser transferida para seus diretores, gerentes ou responsáveis, sob determinadas condições. Nesse sentido, dispõe o inciso III do artigo 135, do Código Tributário Nacional que: “Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I – (...) II – (...) III – os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado.” Fl. 160DF CARF MF Impresso em 27/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 04/06 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/05/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 22/05/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10865.002601/200804 Acórdão n.º 230102.615 S2C3T1 Fl. 157 5 Desta forma, diante do referido comando, a responsabilidade só poderá ser transferida para a pessoa do sóciogerente responsável ou para o representante legal capaz. Além disso, somente poderá acontecer quando houver prova que praticaram qualquer um dos atos irregulares descritos no caput do artigo. Encerrado o processo administrativo com a confirmação da procedência da dívida e não havendo pagamento, será emitida a Certidão da Dívida Ativa, que fundamentará a execução fiscal. Nela deve constar o nome do responsável pelo pagamento e, caso se tenha apurado alguma irregularidade capaz de imputar aos sóciosgerentes ou ao representante legal a responsabilidade pelo pagamento, deverá conter a respectiva indicação, posto que nossos tribunais somente aceitam a citação dos coresponsáveis cujos nomes estejam mencionados na CDA, e apenas nessa hipótese poderá constar o nome do coresponsável. Isso porque partese do pressuposto de que, como a CDA tem presunção de certeza e liquidez, estando o nome do sóciogerente ou do representante nela incluído, presumirseá, da mesma forma, que houve uma apuração de responsabilidade no processo administrativo, que garantiu o direito de defesa do incluído. No entanto, no âmbito das execuções fiscais de contribuições previdenciárias, até a revogação do art. 13, da Lei n. 8.620/93, o chamamento dos coresponsáveis ocorria de imediato, independentemente de restarem infrutíferas as tentativas de localização de bens da própria empresa ou da prova da prática de algum dos atos previstos no art. 135 do CTN. Nesse aspecto, o Superior Tribunal de Justiça, tem farta jurisprudência determinando que se o nome do coresponsável estiver inscrito na CDA, tal fato é suficiente para a sua sujeição passiva solidária, cabendo ao coresponsável apenas via embargos à execução (cuja oposição é imprescindível a penhora), fazer contraprova à sua condição de sujeito passivo, inclusive com a inversão do ônus da prova para pessoa do sócio ou do diretor arrolado na Certidão. Nesse sentido colhese a seguinte decisão ementada: “PROCESSUAL CIVIL – AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO – SÚMULA 211/STJ – NÃOALEGAÇÃO DE VIOLAÇÃO DO ARTIGO 535 DO CPC – RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA – REDIRECIONAMENTO CONTRA SÓCIO CUJO NOME CONSTA NA CDA – POSSIBILIDADE. 1. Descumprido o necessário e indispensável exame dos artigos pelo acórdão recorrido, apto a viabilizar a pretensão recursal da recorrente, a despeito da oposição dos embargos de declaração. Incidência da Súmula 211/STJ. 2. A Primeira Seção, no julgamento dos EREsp 702.232/RS, de relatoria do Min. Castro Meira, assentou que, se a execução fiscal foi promovida contra a pessoa jurídica e o sóciogerente ou se a execução foi ajuizada apenas contra a pessoa jurídica, mas o nome do sócio consta da CDA, compete ao sócio o ônus da prova de demonstrar que não incorreu em nenhuma das hipóteses previstas no mencionado art. 135 do CTN, em face da presunção juris tantum de liquidez e certeza da referida certidão. 3. Na hipótese dos autos, a Certidão de Dívida Ativa, conforme verificado pelo Tribunal de origem, incluiu o sócio como Fl. 161DF CARF MF Impresso em 27/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 04/06 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/05/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 22/05/2012 por MAURO JOSE SILVA 6 corresponsável tributário, cabendo à executada o ônus de provar os requisitos do art. 135 do CTN. Agravo regimental improvido.” (AgRg nos EDcl no Ag 1162734/SP, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 05/11/2009, DJe 17/11/2009) Ressaltese ainda, que mesmo depois da publicação da Lei 11.941/09, que revogou o art. 13 da Lei 8.620/93, que permitia a responsabilização solidária do coresponsável independentemente da prática de qualquer fato previsto no art. 135 do CTN, o próprio STJ já sinaliza em recentes julgados, que muito embora tenha havido a revogação do dispositivo acima mencionado, ainda assim constando o nome na CDA é cabível a sua inclusão no pólo passivo da execução fiscal até que seja feita prova em contrário. Resta claro o prejuízo para as pessoas arroladas como responsáveis com a sua inclusão na relação anexa ao presente lançamento, independentemente da prática de qualquer ato previsto no art. 135 do CTN, pois a relação servirá de base para uma futura inscrição do débito em dívida ativa. Feitas essas considerações, acato esta preliminar a fim de afastar a co responsabilidade dos sóciosgerentes listados no CORESP. Nulidade por inconsistências no lançamento Ao contrário do que afirma a recorrente, o lançamento foi lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam a matéria, tendo o agente notificante demonstrado, de forma clara e precisa, a ocorrência do fato gerador da contribuição previdenciária e das obrigações acessórias, fazendo constar, nos relatórios que compõem a autuação, os fundamentos legais que amparam o procedimento adotado e as rubricas lançadas, cumprindo adequadamente os preceitos do art. 142 do CTN. O Relatório Fiscal, juntamente com todos os anexos do AI constantes dos autos, traz todos os elementos que motivaram a lavratura do lançamento e o relatório Fundamentos Legais do Débito – FLD, encerra todos os dispositivos legais que dão suporte ao procedimento do lançamento, separados por assunto e período correspondente, garantindo, dessa forma, o exercício do contraditório e ampla defesa à notificada. Incabível a declaração de nulidade de lançamento que traz um enquadramento legal das infrações que permite ao sujeito passivo identificar os dispositivos legais aplicáveis de modo a construir adequadamente sua defesa. O enquadramento legal contido no lançamento de ofício não contém qualquer vício que resulta na nulidade. No mesmo sentido há vários julgados deste Colegiado: CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA INEXISTÊNCIA Inexiste nulidade no auto que contém a descrição dos fatos e seu enquadramento legal, permitindo amplo conhecimento da alegada infração. ( Ac. 1º CC 10805.383) PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL NULIDADE Fl. 162DF CARF MF Impresso em 27/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 04/06 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/05/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 22/05/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10865.002601/200804 Acórdão n.º 230102.615 S2C3T1 Fl. 158 7 Contendo o auto de infração completa descrição dos fatos e enquadramento legal, mesmo que sucintos, atendendo integralmente ao que determina o art. 10 do Decreto nº 70.235/72, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa, especialmente quando a infração detectada foi simples falta de recolhimento de tributo. ( Ac. 2º CC 20211700) PRELIMINAR DE NULIDADE DO LANÇAMENTO CERCEAMENTO DE DEFESA Incabível a argüição de nulidade do procedimento fiscal quando este atender as formalidades legais e for efetuado por servidor competente. Estando o enquadramento legal e a descrição dos fatos aptos a permitir a identificação da infração imputada ao sujeito passivo, não há que se falar em nulidade do lançamento por cerceamento de defesa. O cerceamento do direito de defesa não prevalece quando todos os valores utilizados na autuação se originam de documentos e demonstrativos constantes nos autos do processo. (Acórdão 1º CC, 10613409) Entendemos que o lançamento cumpriu as exigências do art. 142 do CTN, o que resulta em afastarmos o argumento de nulidade do lançamento. Ressaltamos que os argumentos sobre auxílio alimentação e cessão de mão de obra são impertinentes ao caso, visto que aqui tratamos apenas de diferenças entre folha de pagamento e GFIP. Igualmente inaplicáveis os argumentos sobre o SIMPLES, uma vez que o lançamento diz respeito às contribuições dos empregados e não da empresa. Inconstitucionalidade de tratado, acordo internacional, lei ou decreto. Não podem ser apreciados os argumentos baseados em inconstitucionalidade de tratado, acordo internacional, lei ou decreto pelas razões que a seguir serão expostas. A competência para decidir sobre a constitucionalidade de normas foi atribuída especificamente ao Judiciário pela Constituição Federal no Capítulo III do Título IV. Em tais dispositivos, o constituinte teve especial cuidado ao definir quem poderia exercer o controle constitucional das normas jurídicas. Decidiu que caberia exclusivamente ao Poder Judiciário exercêla, especialmente ao Supremo Tribunal Federal. Por seu turno, a Lei 11.941/2009 incluiu o art. 26A no Decreto 70.235/72 prescrevendo explicitamente a proibição dos órgãos de julgamento no âmbito do processo administrativo fiscal acatarem argumentos de inconstitucionalidade, in verbis: “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.” Fl. 163DF CARF MF Impresso em 27/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 04/06 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/05/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 22/05/2012 por MAURO JOSE SILVA 8 Acatando tais imposições constitucionais e legais, o Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais insiste na referida vedação, bem como já foi editada Súmula do Colegiado sobre o assunto, conforme podemos conferir a seguir: “Portaria MF nº 256, de 23 de junho de 2009 (que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF): Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Súmula CARF Nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária” Portanto, deixamos de apreciar todos os argumentos da recorrente fundados em discussão sobre constitucionalidade de tratado, acordo internacional, lei ou decreto. Multas no lançamento de ofício após a edição da MP 449 convertida na Lei 11.941/2009. Antes da MP 449, se a fiscalização das contribuições previdenciárias constatasse o não pagamento de contribuições, sejam aquelas já declaradas em GFIP, omitidas da GFIP ou mesmo omitidas da escrituração ocorria a aplicação de multa de mora, sendo que esta partia de 12% e poderia chegar a 100%, segundo o inciso II do art. 35 da Lei 8.212/91. Além disso, a fiscalização lançava as multas dos §§4º, 5º e 6º do art. 32 por incorreções ou omissões na GFIP. O §4º tratava da não apresentação da GFIP, o §5º da apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores e o §6º referiase a apresentação do documento com erro de preenchimento nos dados não relacionados aos fatos geradores. Com a edição da referida MP, foi instituído o art. 32A da Lei 8.212/91 que trata da falta de apresentação da GFIP, bem como trata da apresentação com omissões ou incorreções. Porém, foi também previsto, no art. 35A, a aplicação do art. 44 da Lei 9.430/96 para os casos de lançamento de ofício. Interessanos o inciso I do referido dispositivo no qual temos a multa de 75% sobre a totalidade do imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. Tais inovações legislativas associadas ao fato de a fiscalização realizar lançamento que abrangem os últimos cinco anos e de existirem lançamentos pendentes de definitividade na esfera administrativa no momento da edição da novel legislação colocamnos diante de duas situações: • lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos geradores posteriores esta; • lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449, porém ainda não definitivamente julgados na esfera administrativa. Fl. 164DF CARF MF Impresso em 27/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 04/06 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/05/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 22/05/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10865.002601/200804 Acórdão n.º 230102.615 S2C3T1 Fl. 159 9 Vamos analisar individualmente cada uma das situações. Lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos geradores posteriores a esta Para os lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos geradores posteriores a esta, o procedimento de ofício está previsto no art. 35A da Lei 8.212/91, o que resulta na aplicação do art. 44 da Lei 9.430/96 e na impossibilidade de aplicação da multa de mora prevista no art. 35 da Lei 8.212/91. Assim, se constatar diferença de contribuição, a fiscalização, além do próprio tributo, lançará a multa de ofício que parte de 75% e pode chegar a 225% nas hipóteses de falta de recolhimento, falta de declaração ou declaração inexata. A falta de recolhimento é uma hipótese nova de infração que, portanto, só pode atingir os fatos geradores posteriores a MP 449. Por outro lado, com relação às contribuições previdenciárias, a falta de declaração e a declaração inexata referemse a GFIP e são infrações que já eram punidas antes da MP 449. A falta de GFIP era punida pelo §4º do art. 32 da Lei 8.212/91 e a declaração inexata da GFIP era punida tanto pelo §5º quanto pelo 6º do mesmo artigo, a depender da existência (§5º) ou não (§6º) de fatos geradores da contribuição relacionados com as incorreções ou omissões. É certo que, a princípio, podemos vislumbrar duas normas punitivas para a não apresentação e a apresentação inexata da GFIP relacionada a fatos geradores de contribuições: o art. 32A da Lei 8.212/91 e o inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96. Tendo em conta o princípio geral do Direito Tributário de que a mesma infração não pode ser sancionada com mais de uma penalidade, temos que determinar qual penalidade aplicar. Numa primeira análise, vislumbramos que o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 seria aplicável para os casos relacionados à existência de diferença de contribuição ao passo que o art. 32A da Lei 8.212/91 seria aplicável aos casos nos quais não houvesse diferença de contribuição. No entanto, tal conclusão não se sustenta se analisarmos mais detidamente o conteúdo do art. 32A da Lei 8.212/91. No inciso II, temos a previsão da multa de “de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, (...)”. Claramente, o dispositivo em destaque estipula a multa aplicável quando houver contribuições apuradas, recolhidas ou não, nos casos nos quais a GFIP não for apresentada ou for apresentada fora de prazo. Logo, podemos concluir que tal inciso aplicase também àquelas situações em que há apuração de diferença de contribuição. Confirmando tal conclusão, temos o inciso II do §3º do mesmo artigo que estipula a multa mínima aplicável nos casos de omissão de declaração com ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária. Portanto, diversamente do que preliminarmente concluímos, tanto o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 quanto o art. 32A da Lei 8.212/91 são aplicáveis aos casos de falta de declaração ou declaração inexata de GFIP quando for apurada diferença de contribuição em procedimento de ofício. Temos, então, configurado um aparente conflito de normas que demanda a aplicação das noções da teoria geral do Direito para sua solução. Três critérios são Fl. 165DF CARF MF Impresso em 27/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 04/06 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/05/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 22/05/2012 por MAURO JOSE SILVA 10 normalmente levados em conta para a solução de tais antinomias: critério cronológico, critério da especialidade e critério hierárquico. O critério cronológico (norma posterior prevalece sobre norma anterior) não nos ajuda no presente caso, uma vez que a determinação de aplicarmos o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 e a inclusão do art. 32A da Lei 8.212/91 foram veiculados pela mesma Lei 11.941/2009. O critério hierárquico também não soluciona a antinomia, posto que são normas de igual hierarquia. Restanos o critério da especialidade. Observamos que o art. 44, inciso I da Lei 9.430/86 referese, de maneira genérica, a uma falta de declaração ou declaração inexata, sem especificar qual seria a declaração. Diversamente, o art. 32A faz menção específica em seu caput à GFIP no trecho em que diz “o contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei(...)”. Logo, consideramos que no conflito entre o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 e o art. 32A da Lei 8.212/91, este último é norma específica no tocante à GFIP e, seguindo o critério da especialidade, deve ter reconhecida a prevalência de sua força vinculante. Em adição, a aplicação do art. 32A da Lei 8.212/91 pode ser justificada pelo nítido caráter indutor que a penalidade do art. 32A assume, facilitando , no futuro, o cálculo do benefício previdenciário. Pretende a norma do art. 32A estimular a apresentação da GFIP na medida em que a penalidade é reduzida à metade se a declaração for apresentada antes de qualquer procedimento de ofício (§2º, inciso I); ou reduzida a 75% se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação(§2º, inciso II). Esse estímulo pode ser compreendido em benefício do trabalhador na medida em que as informações da GFIP servirão como prova a favor deste no cálculo da benefício previdenciário, tendo em conta que, segundo o §3º do art. 29 da Lei 8.213/91, “serão considerados para cálculo do saláriodebenefício os ganhos habituais do segurado empregado, a qualquer título, sob forma de moeda corrente ou de utilidades, sobre os quais tenha incidido contribuições previdenciárias, exceto o décimo terceiro salário (gratificação natalina).” Se o cálculo do saláriodebenefício considerará a base de cálculo das contribuições, certamente a GFIP é um importante meio de prova dos valores sobre os quais incidiram as contribuições. Se aplicássemos o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96, não haveria qualquer mecanismo de estímulo ao empregador para apresentar a GFIP. Iniciado o procedimento de ofício, seria aplicada, no mínimo, a multa de 75% sobre a diferença das contribuições sem que a apresentação da GFIP pudesse alterar tal valor. O empregador poderia simplesmente pagar a multa e continuar omisso em relação à GFIP, deixando o empregado sem este importante meio de prova para o cálculo do benefício de aposentadoria. Assim, a hermenêutica sistemática considerando o regime jurídico previdenciário reforça a necessidade de prevalência do art. 32A. Portanto, seja pela aplicação do critério da especialidade ou pela hermenêutica sistemática considerando o regime jurídico previdenciário, temos justificada a aplicação do art. 32A no caso de omissão na apresentação da GFIP ou apresentação desta com informações inexatas. Acrescentamos que não há no regime jurídico do procedimento de ofício previsto na MP 449, convertida na Lei 11.941/2009, a previsão para multa de mora pelo fato de ter ocorrido atraso no recolhimento. Tratase de infração – o atraso no recolhimento que Fl. 166DF CARF MF Impresso em 27/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 04/06 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/05/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 22/05/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10865.002601/200804 Acórdão n.º 230102.615 S2C3T1 Fl. 160 11 deixou de ser punida por meio de procedimento de ofício. Outra infração similar, mas não idêntica, foi eleita pela lei: a falta de recolhimento. Nesses termos, temos como delineado o novo regime jurídico das multas em lançamento de ofício das contribuições previdenciárias previsto pela MP 449, convertida na Lei 11.941/2009, aplicável aos fatos geradores ocorridos após a edição da referida MP. Lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449, porém ainda não definitivamente julgados na esfera administrativa. Com base nesse novo regime jurídico vamos determinar a penalidade aplicável à outra situação, ou seja, para os casos de lançamento relacionado aos fatos geradores anteriores à edição da MP porém ainda não definitivamente julgados na esfera administrativa. Para tanto, devemos tomar o conteúdo do art. 144 do CTN em conjunto com o art. : Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. § 1º Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. § 2º O disposto neste artigo não se aplica aos impostos lançados por períodos certos de tempo, desde que a respectiva lei fixe expressamente a data em que o fato gerador se considera ocorrido. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Fl. 167DF CARF MF Impresso em 27/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 04/06 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/05/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 22/05/2012 por MAURO JOSE SILVA 12 A interpretação conjunta desses dois dispositivos resulta na conclusão de que devemos aplicar o regime jurídico das penalidades conforme a lei vigente na data da ocorrência dos fatos geradores, salvo se lei posterior houver instituído penalidade menos severa ou houver deixado de definir um fato como infração. Para os lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449, de plano devemos afastar a incidência da multa de mora, pois a novo regime jurídico do lançamento de ofício deixou de punir a infração por atraso no recolhimento. O novo regime pune a falta de recolhimento que, apesar de similar, não pode ser tomada como idêntica ao atraso. O atraso é graduado no tempo, ao passo que a falta de recolhimento é infração instantânea e de penalidade fixa. No regime antigo, o atraso era punido com multa de mora de 12% a 100%, ao passo que no regime atual o atraso não é punível em procedimento de ofício e pode atingir até 20% nos casos em que não há lançamento de ofício. Nossa conclusão de afastar a multa de mora pode também ser amparada no princípio da isonomia. Vejamos um exemplo. Duas empresas, A e B, atuam no mesmo ramo, tem a mesma estrutura de pessoal e de remuneração, bem como utilizam o mesmo escritório contábil para tratar de sua vida fiscal. A empresa A foi fiscalizada em 2007 com relação aos fatos geradores de 2006 e teve contra si lançada a contribuição, a multa de mora e a multa por incorreções na GFIP prevista no art. 32, §5º da Lei 8.212/91. Quando do julgamento de seu processo, considerando o novo regime de multas segundo nossa interpretação, o órgão julgador manteve o lançamento, mas determinou que a multa relacionada à GFIP fosse comparada com a multa do 32A da Lei 8.212/91. A empresa B foi fiscalizada em 2009 com relação aos fatos geradores de 2006 e teve contra si lançada a contribuição, sem aplicação de multa de mora, e a multa pela declaração inexata da GFIP com base no art. 32A da Lei 8.212/91 ou com base no art. 32, §5º da Lei 8.212/91, o que lhe for mais favorável. Facilmente pode ser notado que a empresa B responde por crédito tributário menor que a empresa A, pois não foi aplicada a multa de mora. Somente com a aplicação do art. 106, inciso II, alínea “a” do CTN para afastar a multa de mora no caso da empresa A é que teremos restaurada a situação de igualdade entre as empresas A e B. No tocante às penalidades relacionadas com a GFIP, deve ser feito o cotejamento entre o novo regime – aplicação do art. 32A para as infrações relacionadas com a GFIP – e o regime vigente à data do fato gerador – aplicação dos parágrafos do art. 32 da Lei 8.212/91, prevalecendo a penalidade mais benéfica ao contribuinte em atendimento ao art. 106, inciso II, alínea “c”. Tal procedimento aplicase, inclusive, para a multa de ofício aplicada com fundamento no art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 motivada por falta de declaração ou declaração inexata. Efeito confiscatório da multa de ofício Em relação ao argumento despendido pela recorrente em relação ao elevado valor da multa, que no seu entender configuraria agressão ao princípio constitucional da vedação ao confisco (artigo 150, inciso IV, da Constituição Federa), devese esclarecer que, sendo o Conselho de Contribuintes órgãos do Poder Executivo, não lhe compete apreciar a Fl. 168DF CARF MF Impresso em 27/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 04/06 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/05/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 22/05/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10865.002601/200804 Acórdão n.º 230102.615 S2C3T1 Fl. 161 13 conformidade de lei validamente editada segundo o processo legislativo constitucionalmente previsto, com preceitos emanados da própria Constituição Federal, a ponto de declararlhe a nulidade ou inaplicabilidade ao caso, haja vista tratarse de matéria reservada, por força de determinação constitucional, ao Poder Judiciário. Ademais, o art 62 do Regimento Interno deste Colegiado, Portaria MF nº 256/2009, veda aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Por fim, sabendose que o art. 72 da Portaria MF 256/2006 tornou obrigatória a observância por parte dos membros do CARF das súmulas do colegiado e que o assunto é objeto da Súmula CARF nº 2 a seguir transcrita, não é possível apreciarmos o pedido da recorrente referente ao efeito confiscatório da multa de ofício que está prevista em diploma legal que está validamente surtindo efeitos no ordenamento jurídico pátrio. “Súmula CARFnº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Súmulas 2 do 1º e 2º CC” Legalidade da Taxa SELIC como juros de mora A insurgência da recorrente contra a aplicação da Taxa Selic como juros moratórios não pode prosperar, uma vez que se trata de matéria sumulada neste Tribunal Administrativo no sentido de sua legalidade, conforme podemos conferir a seguir: Súmula CARF No 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.. Acrescentese que, para os tributos regidos pela Lei 8.212/91, o art. 34 do referido diploma legal prevê a aplicação da Taxa Selic. Por todo o exposto, voto no sentido de CONHECER e DAR PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário de modo: (a) afastar a responsabilidade dos sócios listados no anexo CORESP; (b) afastar a multa de mora. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Voto Vencedor Fl. 169DF CARF MF Impresso em 27/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 04/06 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/05/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 22/05/2012 por MAURO JOSE SILVA 14 Conselheiro Adriano Gonzáles Silvério, Redator Designado Não obstante o aprofundado voto do Ilustre Conselheiro relator há de se registrar que o dispositivo legal da multa aplicada foi alterado pela Lei 11.941, de 27 de maio de 2009, merecendo verificar a questão relativa à retroatividade benigna prevista na alínea “c”, do inciso II, do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966. Segundo as novas disposições legais, a multa de mora que antes respeitava a gradação prevista na redação original do artigo 35, da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, passou a ser prevista no caput desse mesmo artigo, mas agora limitada a 20% (vinte por cento), uma vez que submetida às disposições do artigo 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Incabível a comparação da multa prevista no artigo 35A da Lei nº 8.212/91, já que este dispositivo veicula multa de ofício, a qual não existia na legislação previdenciária à época do lançamento e, de acordo com o 106 do Código Tributário Nacional deve ser verificado o fato punido. Ora se o fato “atraso” aqui apurado era punido com multa moratória, consequentemente, com a alteração da ordem jurídica, só pode lhe ser aplicada, se for o caso, a novel multa moratória, prevista no caput do artigo 35 acima citado. Aqui reside a divergência com o voto do Ilustre Conselheiro Relator. Em princípio houve beneficiamento da situação do contribuinte, motivo pelo qual incide na espécie a retroatividade benigna prevista na alínea “c”, do inciso II, do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, devendo ser a multa lançada na presente autuação calculada nos termos do artigo 35 caput da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, se mais benéfica ao contribuinte. Por todo o exposto, voto no sentido de CONHECER e DAR PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário para determinar a aplicação da multa prevista no artigo 35 caput da Lei 8.212/91, se mais benéfica ao contribuinte. Adriano Gonzáles Silvério – Redator Designado Fl. 170DF CARF MF Impresso em 27/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 04/06 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/05/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 22/05/2012 por MAURO JOSE SILVA
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