Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,279)
- Segunda Câmara (27,805)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,763)
- Primeira Turma Ordinária (16,221)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,176)
- Primeira Turma Ordinária (16,104)
- Primeira Turma Ordinária (16,039)
- Segunda Turma Ordinária d (15,797)
- Segunda Turma Ordinária d (14,451)
- Primeira Turma Ordinária (13,020)
- Primeira Turma Ordinária (12,381)
- Segunda Turma Ordinária d (12,367)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,422)
- Quarta Câmara (84,834)
- Terceira Câmara (67,389)
- Segunda Câmara (55,826)
- Primeira Câmara (20,245)
- 3ª SEÇÃO (16,176)
- 2ª SEÇÃO (11,281)
- 1ª SEÇÃO (6,836)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (125,132)
- Segunda Seção de Julgamen (114,469)
- Primeira Seção de Julgame (76,587)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,961)
- Câmara Superior de Recurs (37,889)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,615)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,487)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,754)
- HELCIO LAFETA REIS (3,725)
- ROSALDO TREVISAN (3,220)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,925)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,728)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,630)
- WILDERSON BOTTO (2,615)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,840)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,921)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,471)
- 2014 (22,375)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,515)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,135)
- 2017 (16,840)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2026 (13,849)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 10980.012174/2008-48
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 07 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Dec 15 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2008
SIMPLES NACIONAL. EMPRESA EM INÍCIO DE ATIVIDADE.
INCLUSÃO RETROATIVA.
A Microempresa (ME) ou a Empresa de Pequeno Porte (EPP) não poderá efetuar a opção pelo Simples Nacional na condição de empresa em início de atividade depois de decorridos 180 (cento e oitenta) dias da data de abertura constante do CNPJ.
Numero da decisão: 1001-000.144
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(Assinado Digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues.
Nome do relator: LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201711
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2008 SIMPLES NACIONAL. EMPRESA EM INÍCIO DE ATIVIDADE. INCLUSÃO RETROATIVA. A Microempresa (ME) ou a Empresa de Pequeno Porte (EPP) não poderá efetuar a opção pelo Simples Nacional na condição de empresa em início de atividade depois de decorridos 180 (cento e oitenta) dias da data de abertura constante do CNPJ.
turma_s : Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Dec 15 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10980.012174/2008-48
anomes_publicacao_s : 201712
conteudo_id_s : 5808689
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Dec 15 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 1001-000.144
nome_arquivo_s : Decisao_10980012174200848.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA
nome_arquivo_pdf_s : 10980012174200848_5808689.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues.
dt_sessao_tdt : Tue Nov 07 00:00:00 UTC 2017
id : 7058574
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:11:08 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049733443878912
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1306; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C0T1 Fl. 38 1 37 S1C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10980.012174/200848 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1001000.144 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 07 de novembro de 2017 Matéria Simples Nacional Recorrente MAISBOX COM DE PROD PLASTICOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2008 SIMPLES NACIONAL. EMPRESA EM INÍCIO DE ATIVIDADE. INCLUSÃO RETROATIVA. A Microempresa (ME) ou a Empresa de Pequeno Porte (EPP) não poderá efetuar a opção pelo Simples Nacional na condição de empresa em início de atividade depois de decorridos 180 (cento e oitenta) dias da data de abertura constante do CNPJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 01 21 74 /2 00 8- 48 Fl. 38DF CARF MF 2 Tratase de pedido de inclusão retroativa no Simples Nacional. A empresa obteve o registro no CNPJ em 03/12/2007, mas obteve alvará junto à Prefeitura Municipal de Quatro Barras somente em 28/07/2008. Após esta data solicitou a inclusão no Simples Nacional, porém o mesmo foi indeferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Curitiba/PR (Despacho Decisório de fl. 16), pelo motivo da empresa possuir CNPJ emitido com mais de 180 dias. Após tomar ciência do contido no Despacho Decisório a empresa apresentou Manifestação de Inconformidade. O relatório (efl. 28) da decisão recorrida bem descreve os argumentos do recurso: A requerente tem como data de abertura no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ, o dia 03/12/2007, porém o processo de Inscrição Municipal, por inúmeras exigências do fisco municipal, só foi concluído no dia 28/07/2008, com a emissão do Alvará de Licença e Localização pela Prefeitura Municipal de Quatro Barras, Paraná, conforme cópia em anexo. Como a Inscrição Municipal foi obtida depois de decorrido o prazo de 180 (cento e oitenta) dias da data de abertura constante do CNPJ, o que ocorreu em 03/12/2007, a requerente ficou impedida de efetuar a opção pelo Simples Nacional retroativa a data de abertura no CNPJ. Porém a Requerente entende que teria o prazo de 30 (trinta) dias, após o deferimento da última inscrição, seja municipal ou estadual, para fazer a opção pelo Simples Nacional, com efeitos retroativos ao primeiro dia do anocalendário. A vista do exposto, requer seja acolhida a presente manifestação de Inconformidade, com o deferimento do pedido de inclusão no Simples Nacional, com data retroativa a 01/01/2008. Aquela decisão de primeira instância (efls. 27/30) julgou a manifestação de inconformidade improcedente. Cientificada da decisão de primeira instância em 03/05/2013 (AR efl. 33 c/c art 23, § 2° II do Decreto 70.235/72) a Interessada interpôs recurso voluntário, protocolado em de 22/05/2013 (efl. 35), em que repete os argumentos da manifestação de Inconformidade citada. Voto Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa Relator Tratase de indeferimento de pedido de inclusão no Simples Nacional retroativa à data de início de atividade, pedido indeferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Curitiba/PR (Despacho Decisório de fl. 16) e pela decisão recorrida, pelo motivo da empresa possuir CNPJ emitido com mais de 180 dias, visto que o registro no CNPJ deuse em 03/12/2007, mas o alvará junto à Prefeitura Municipal de Quatro Barras somente foi obtido em 28/07/2008. O § 3º do art. 7° da Resolução CGSN nº 4/2007 permite a inclusão retroativa da empresa em início de atividade no Simples Nacional: § 3º No caso de início de atividade da ME ou EPP no ano calendário da opção, deverá ser observado o seguinte: Fl. 39DF CARF MF Processo nº 10980.012174/200848 Acórdão n.º 1001000.144 S1C0T1 Fl. 39 3 I a ME ou a EPP, após efetuar a inscrição no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ), bem como obter a sua inscrição municipal e estadual, caso exigíveis, terá o prazo de até 30 (trinta) dias, contados do último deferimento de inscrição, para efetuar a opção pelo Simples Nacional Mas o § 6° do mesmo artigo impõe um limite de 180 (cento e oitenta) dias da data de abertura constante do CNPJ, para aquele opção retroativa ao início das atividades. "§ 6° A ME ou a EPP não poderá efetuar a opção pelo Simples Nacional na condição de empresa em início de atividade depois de decorridos 180 (cento e oitenta) dias da data de abertura constante do CNPJ, observados os demais requisitos previstos no inciso I do § 3° deste artigo." Ou seja, passados os 180 (cento e oitenta) dias da data de abertura constante do CNPJ resta a empresa optar ao Simples Nacional segundo a regra geral, inscrita no caput do art. 7° já citado: Art. 7º A opção pelo Simples Nacional darseá por meio da internet, sendo irretratável para todo o anocalendário. § 1º A opção de que trata o caput deverá ser realizada no mês de janeiro, até seu último dia útil, produzindo efeitos a partir do primeiro dia do anocalendário da opção, ressalvado o disposto no § 3º deste artigo e observado o disposto no § 3º do art. 21. Desta forma, ultrapassado o prazo regulamentar restava ao contribuinte optar pelo Simples Nacional a partir do ano posterior (2009), seguindo a regra geral do art. 7°, o que foi feito (efl. 18). Observo que não houve opção pelo Simples Nacional para viger a partir de 01/01/2008, razão pela qual não se justifica o pleito do contribuinte aposto no recurso voluntário. Tal opção também não é prevista na Resolução CGSN nº 4/2007, editada segundo o prescrito no § 7º do art. 2º da LC 123/2006, razão pela qual não há respaldo legal para o seu deferimento, mesmo que se constatasse que a demora pela emissão do Alvará de Licença e Localização se devesse a culpa da Prefeitura Municipal de Quatro Barras, Paraná, o que entendo que não restou comprovado. art. 2º (...) § 7º Ao Comitê de que trata o inciso III do caput deste artigo compete, na forma da lei, regulamentar a inscrição, cadastro, abertura, alvará, arquivamento, licenças, permissão, autorização, registros e demais itens relativos à abertura, legalização e funcionamento de empresários e de pessoas jurídicas de qualquer porte, atividade econômica ou composição societária. Desta forma, voto por conhecer e indeferir o recurso voluntário. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Fl. 40DF CARF MF 4 Fl. 41DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13854.720038/2015-98
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Oct 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Exercício: 2015
IPI. ISENÇÃO. TÁXI. MOTORISTA PROFISSIONAL. REQUISITOS PARA HABILITAÇÃO AO EXERCÍCIO DA ATIVIDADE.
O direito à isenção do IPI, destina-se àquele que comprova possuir disponibilidade financeira ou patrimonial compatível com o valor do veículo a ser adquirido, demonstra que sua Carteira Nacional de Habilitação (CNH) conste a informação de que exerce atividade remunerada ao veículo que adquirirá e possui declaração fornecida pelo órgão do poder público concedente, comprobatória de que exerce a atividade de condutor autônomo de passageiros, na categoria de aluguel (táxi), vinculada ao veículo de sua propriedade, que pretende adquirir exclusivamente para o exercício desta profissão (motorista profissional).
Numero da decisão: 3001-000.018
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário apresentado.
assinado digitalmente
Orlando Rutigliani Berri - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri (presidente da turma), Cleber Magalhães, Renato Vieira de Ávila (vice-presidente) e Cássio Schappo.
Nome do relator: ORLANDO RUTIGLIANI BERRI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201709
ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Exercício: 2015 IPI. ISENÇÃO. TÁXI. MOTORISTA PROFISSIONAL. REQUISITOS PARA HABILITAÇÃO AO EXERCÍCIO DA ATIVIDADE. O direito à isenção do IPI, destina-se àquele que comprova possuir disponibilidade financeira ou patrimonial compatível com o valor do veículo a ser adquirido, demonstra que sua Carteira Nacional de Habilitação (CNH) conste a informação de que exerce atividade remunerada ao veículo que adquirirá e possui declaração fornecida pelo órgão do poder público concedente, comprobatória de que exerce a atividade de condutor autônomo de passageiros, na categoria de aluguel (táxi), vinculada ao veículo de sua propriedade, que pretende adquirir exclusivamente para o exercício desta profissão (motorista profissional).
turma_s : Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Oct 31 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 13854.720038/2015-98
anomes_publicacao_s : 201710
conteudo_id_s : 5796778
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Nov 01 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 3001-000.018
nome_arquivo_s : Decisao_13854720038201598.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : ORLANDO RUTIGLIANI BERRI
nome_arquivo_pdf_s : 13854720038201598_5796778.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário apresentado. assinado digitalmente Orlando Rutigliani Berri - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri (presidente da turma), Cleber Magalhães, Renato Vieira de Ávila (vice-presidente) e Cássio Schappo.
dt_sessao_tdt : Thu Sep 28 00:00:00 UTC 2017
id : 7001686
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:09:10 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049733456461824
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1664; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C0T1 Fl. 51 1 50 S3C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13854.720038/201598 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3001000.018 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 28 de setembro de 2017 Matéria ISENÇÃO IPI TAXISTA Recorrente LEVINO DE JESUS SANTANA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Exercício: 2015 IPI. ISENÇÃO. TÁXI. MOTORISTA PROFISSIONAL. REQUISITOS PARA HABILITAÇÃO AO EXERCÍCIO DA ATIVIDADE. O direito à isenção do IPI, destinase àquele que comprova possuir disponibilidade financeira ou patrimonial compatível com o valor do veículo a ser adquirido, demonstra que sua Carteira Nacional de Habilitação (CNH) conste a informação de que exerce atividade remunerada ao veículo que adquirirá e possui declaração fornecida pelo órgão do poder público concedente, comprobatória de que exerce a atividade de condutor autônomo de passageiros, na categoria de aluguel (táxi), vinculada ao veículo de sua propriedade, que pretende adquirir exclusivamente para o exercício desta profissão (motorista profissional). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário apresentado. assinado digitalmente Orlando Rutigliani Berri Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri (presidente da turma), Cleber Magalhães, Renato Vieira de Ávila (vicepresidente) e Cássio Schappo. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 4. 72 00 38 /2 01 5- 98 Fl. 62DF CARF MF 2 Cuidase de recurso voluntário (fls. 41/42) contra o Acórdão nº 1458.885, da 3ª Turma Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto SP (DRJ RPO), da sessão de 18.06.2015 (fls. 36/38), que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo requerente (fls. 24/28), que, na ocasião, não reconheceu o direito ao benefício à aquisição de veículo com isenção de IPI, para uso no transporte de passageiros, na categoria de aluguel (táxi). Do Pedido de Isenção À época, o requerente efetuou, à vista da documentação apresentada, pedido de reconhecimento à fruição da isenção do imposto sobre produtos industrializados (IPI), na aquisição de automóvel destinado ao transporte autônomo de passageiros (táxi), por entender que preenchia os requisitos exigidos pela Lei nº 8.989 de 24.02.1995 e pela Instrução Normativa RFB nº de 22.12.2009. Do Despacho Decisório Em face da análise do referido requerimento, foi exarado o respectivo despacho decisório, que assim concluiu: DESPACHO DECISÓRIO Nº 0280, de 20/03/2015 PROCESSO Nº 13854.720038/201598 (...) Em análise ao processo, de Isenção de IPI (TAXI) supra, para aquisição de veículo na categoria aluguel, em face do disposto na Lei nº 8.989, de 24 de fevereiro de 1995, e na Instrução Normativa RFB nº 987, de 22 de dezembro de 2009, alterada pela IN RFB nº 1.368/2013 foram feitas as seguintes verificações: Quesitos a cumprir Regular Folhas e ou Descrição do fato D Cópia da CNH do requerente em que conste a informação de que exerce atividade remunerada (art. 147 da Lei nº 9.503, de 1997 e art. 4º, § 1°, inciso II, da IN RFB 987, de 2009). NÃO 4 CNH do requerente, desatualizada, sem o indicativo “Exerce atividade remunerada” no campo de observações. J Verificação da existência de um único veículo de passageiro utilizado como táxi no sistema RENAVAM HOD e Sítio do ESTADO (art. 2º, § 3º, da IN RFB 987, de 2009). NÃO INDEFERIDO Requerente não possui veículo na categoria ALUGUEL, o que contraria o Art. 1, I da Lei nº 8.989, de 24 de fevereiro de 1995. (...) AII). ( X ) INDEFIRO o requerimento de isenção de IPI, para a aquisição de veículo na categoria Taxi, face ao não cumprimento dos quesitos, não eventuais, supra assinalados Fl. 63DF CARF MF Processo nº 13854.720038/201598 Acórdão n.º 3001000.018 S3C0T1 Fl. 52 3 como “NÃO Regular”, sendo facultado ao interessado(a) a apresentação de manifestação de inconformidade à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, dentro do prazo de 30 (trinta) dias contados à partir da ciência deste despacho. Da Manifestação de Inconformidade Diante do não reconhecimento da isenção pleiteada, o recorrente apresentou manifestação de inconformidade à época. Que reproduzo (sic): ASSUNTO: REQUERIMENTO DE ISENÇÃO DE IPI Eu, Levino de Jesus Santana, CPF: 203.182.94915, venho através deste apresentar os documentos comprobatórios. I Carteira Nacional de Habilitação nº de registro 01459397872, com validade até o dia 24 de março de 2020, categoria "AD", expedida no dia 26/03/2015, onde citase no campo de observação a seguinte informação "EXERCE ATIVIDADE REMUNERADA". II Possuia automovel, VW/Parati 1.6 comfort. ano FAB/MOD: 1006/2006 de Placa: DBM1070, BebedouroSP, Categoria "ALUGUEL", que foi vendido no dia 05 de Dezembro de 2014, para compra de um veiculo 0 KM, do qual estou solicitando a isenção de IPI, de veiculo na categoria Taxi. OBS: Segue anexo as copias da CNH e Recibo de venda do veiculo. Da Decisão de 1ª Instância Sobreveio a decisão contida no Acórdão nº 1458.885, da 3ª Turma da DRJ/RPO, da sessão de 18 de junho de 2015, que por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, cuja ementa transcrevo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Exercício: 2015 ISENÇÃO. TÁXI. EXERCÍCIO DA ATIVIDADE. PROPRIEDADE DE VEÍCULO. O direito à aquisição de veículo para uso no transporte de passageiros, na categoria de aluguel (táxi), destinase apenas ao motorista profissional que comprovadamente exerce a atividade em veículo de sua propriedade. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio Dessa decisão, importante destacar os seguintes enxertos: Voto Fl. 64DF CARF MF 4 Em sua manifestação de inconformidade, veio a interessada alegar que possui CNH com a citação "exerce atividade remunerada" no campo de observações e que possuía veículo na categoria aluguel, o qual foi vendido para a compra de um novo. O requisito quanto à CNH foi superado com o documento de fl. 25. (...) O art. 3º desta mesma lei determina que “a isenção será reconhecida pela Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda, mediante prévia verificação de que o adquirente preenche os requisitos previstos nesta lei”. A Receita Federal normatizou estes requisitos com a edição de instruções normativas. Atualmente encontrase em vigor a Instrução Normativa (IN) RFB nº 987, de 2009, que considera como destinatário da isenção “o motorista profissional que exerça, comprovadamente, em veículo de sua propriedade, a atividade de condutor autônomo de passageiros, na condição de titular de autorização, permissão ou concessão do Poder Público” (art. 2º, I, “a”). E mais, o § 4º do mesmo dispositivo acrescenta que a propriedade será caracterizada na data do requerimento do benefício pelo interessado. Portanto, à vista dos comandos normativos citados, e tendo em vista que a requerente reconhece ter vendido o veículo antes do requerimento, não logrando comprovar a superação do entrave que motivou o indeferimento combatido (a falta de comprovação do exercício da atividade em veículo de sua propriedade), não há como esta autoridade julgadora reconhecerlhe o direito pleiteado. Do Recurso Voluntário Irresignado, o requerente interpôs recurso voluntário, nos seguintes termos (sic): Eu, Levino de Jesus Santana, RG: 25.260.4763, CPF: 203.182.49915, protocolei na Receita Federal do Brasil, na cidade de Bebedouro, o pedido para isenção de IPI, para ter desconto na compra de um carro para categoria de taxi. Conforme foi solicitado no processo 13854.720038/201598, no despacho decisivo do acordão nº 1458.885 de 18/06/2015, que foi indeferido por: I Conforme cita o veiculo em sua propriedade, tenho ciencia que o veiculo estava em minha propriedade portanto foi vendido para compra de outro veiculo. II A compra de outro veiculo não foi realizada, porque estou requerendo a equipe de insenção de IPI, para que eu possa comprar outro que não foi adquirido até a presente data. Fl. 65DF CARF MF Processo nº 13854.720038/201598 Acórdão n.º 3001000.018 S3C0T1 Fl. 53 5 III E a venda do veiculo que era taxi foi efetuada porque tenho ciencia que não pode ter mais de um veiculo no meu nome, por isso que houve a venda. Certo do deferimento do processo, e da minha necessidade de trabalhar, agradeço. É o relatório. Voto Orlando Rutigliani Berri, Relator Da Admissibilidade O recurso voluntário, conforme depreendese do "Termo de Análise de Solicitação de Juntada" (fl. 43), foi protocolado, via eprocesso, em 15.07.2015 (quartafeira). A ciência ao interessado da decisão de 1º (primeiro) grau, conforme Comunicado nº 01110/2015 (fl. 39), entregue por meio de Aviso de Recebimento "AR" dos Correios (fl. 45), ocorreu em 13.07.2015 (segundafeira). Portanto, nos termos do artigo 73 do Decreto nº 7.574 de 29.09.2011, combinado com o artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 06.03.1972, é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade previstos na legislação; de modo que conheço da peça recursal. Do Mérito A questão dos autos diz respeito à isenção de IPI para aquisição de táxi. Em face da manutenção parcial dos fundamentos do Despacho Decisório nº 0280, exarado em 20.03.2015, por AFRFB integrante da Equipe de Isenção de IPI e IOF, da Superintendência Regional da RFB 8ª Região Fiscal (fl. 20), conforme decidido pela DRJ RPO, a questão posta à esta Turma de Julgamento cingese em definir se o fato de o interessado haver vendido veículo (táxi), até então de sua propriedade, antes do requerimento que deu origem ao presente processo, justifica subtrairlhe o direito de pleitear a referida isenção tributária, quando da aquisição de outro veículo para a mesma finalidade daquele anteriormente alienado. Dispõe a Lei nº 8.989, de 24.02.1995, em seus artigo 1º, incisos I e II, 2º, caput e 7º: Art. 1o Ficam isentos do Imposto Sobre Produtos Industrializados IPI os automóveis de passageiros de fabricação nacional, equipados com motor de cilindrada não superior a dois mil centímetros cúbicos, de no mínimo quatro portas inclusive a de acesso ao bagageiro, movidos a combustíveis de origem renovável ou sistema reversível de combustão, quando adquiridos por: (Redação dada pela Lei nº 10.690, de 16.6.2003) (Vide art 5º da Lei nº 10.690, de 16.6.2003) I motoristas profissionais que exerçam, comprovadamente, em veículo de sua propriedade atividade de condutor autônomo de Fl. 66DF CARF MF 6 passageiros, na condição de titular de autorização, permissão ou concessão do Poder Público e que destinam o automóvel à utilização na categoria de aluguel (táxi); (Redação dada pela Lei nº 9.317, de 5.12.1996) II motoristas profissionais autônomos titulares de autorização, permissão ou concessão para exploração do serviço de transporte individual de passageiros (táxi), impedidos de continuar exercendo essa atividade em virtude de destruição completa, furto ou roubo do veículo, desde que destinem o veículo adquirido à utilização na categoria de aluguel (táxi); (...) Art. 2o A isenção do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI de que trata o art. 1o desta Lei somente poderá ser utilizada uma vez, salvo se o veículo tiver sido adquirido há mais de 2 (dois) anos. (...) Art. 7o No caso de falecimento ou incapacitação do motorista profissional alcançado pelos incisos I e II do art. 1º desta lei, sem que tenha efetivamente adquirido veículo profissional, o direito será transferido ao cônjuge, ou ao herdeiro designado por esse ou pelo juízo, desde que seja motorista profissional habilitado e destine o veículo ao serviço de táxi. (...) Dispõe a Instrução Normativa RFB nº 987, de 22.12.2009 (vigente à época): Art. 1º Esta Instrução Normativa disciplina a aquisição de veículos destinados ao serviço de transporte individual autônomo de passageiros (táxi), com a isenção do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), de que trata a Lei nº 8.989, de 24 de fevereiro de 1995. Parágrafo único. Os procedimentos de que tratam esta Instrução Normativa serão conduzidos por AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil (AFRFB) com o auxílio de servidores da unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). CAPÍTULO I Dos Destinatários da Isenção Art. 2º Poderão adquirir, com isenção do IPI, para utilização na atividade de transporte individual de passageiros, na categoria de aluguel (táxi), automóvel de passageiros, incluído o veículo de uso misto, de fabricação nacional, equipado com motor de cilindrada não superior a 2.000cm3 (dois mil centímetros cúbicos), de no mínimo 4 (quatro) portas, inclusive a de acesso ao bagageiro, movido a combustível de origem renovável, ou sistema reversível de combustão, classificado na posição 87.03 da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (Tipi): I o motorista profissional que: Fl. 67DF CARF MF Processo nº 13854.720038/201598 Acórdão n.º 3001000.018 S3C0T1 Fl. 54 7 a) exerça, comprovadamente, em veículo de sua propriedade, a atividade de condutor autônomo de passageiros, na condição de titular de autorização, permissão ou concessão do Poder Público; ou b) seja titular de autorização, permissão ou concessão para exploração do serviço de transporte individual de passageiros (táxi) e esteja impedido de continuar exercendo essa atividade em virtude de destruição completa, furto ou roubo do veículo; e (...) § 1º O direito à aquisição com o benefício da isenção de que trata o caput poderá ser exercido apenas uma vez a cada 2 (dois) anos, sem limite do número de aquisições, observada a vigência da Lei nº 8.989, de 1995. § 2º Em qualquer hipótese, o prazo de 2 (dois) anos: I para uma nova aquisição de veículo com isenção do IPI deverá ser obedecido, ainda que tenha ocorrido, nesse prazo, destruição completa, furto ou roubo do veículo; e II terá como termo inicial a data de emissão da Nota Fiscal da aquisição anterior com isenção do IPI. § 3º Para efeito de reconhecimento da isenção entendese como condutor autônomo de passageiros o motorista que seja proprietário de apenas um automóvel utilizado como táxi, admitida a propriedade de outros veículos, mesmo que para aluguel, desde que não utilizados como táxi. § 4º A propriedade referida no § 3º será caracterizada na data do requerimento do benefício pelo interessado. Art. 3º Em caso de falecimento ou incapacitação do motorista profissional depois de concedida a autorização sem, entretanto, ter adquirido o veículo com isenção, poderá o direito ao benefício ser transferido ao cônjuge, ao companheiro ou ao herdeiro designado por estes ou pelo juízo, desde que o beneficiário da transferência atenda as condições estabelecidas nesta Instrução Normativa. (...) CAPÍTULO II DOS REQUISITOS PARA HABILITAÇÃO AO BENEFÍCIO Art. 4º Para habilitarse à fruição da isenção, o interessado deverá apresentar à unidade da RFB, da jurisdição do local onde o taxista exerce essa atividade, formulário de requerimento, em 2 (duas) vias, conforme modelo constante do Anexo III, dirigido ao Delegado da Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) ou ao Delegado da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária (Derat). Fl. 68DF CARF MF 8 § 1º O motorista profissional autônomo deverá apresentar, na data do requerimento: I Declaração de Disponibilidade Financeira ou Patrimonial, na forma do Anexo II, compatível com o valor do veículo a ser adquirido; e II cópia da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) em que conste a informação de que exerce atividade remunerada ao veículo (art. 147 da Lei nº 9.503, de 23 de setembro de 1997, que instituiu o Código de Trânsito Brasileiro); III declaração fornecida pelo órgão do poder público concedente (art. 135 da Lei nº 9.503, de 1997), comprobatória de que: a) exerce, em veículo de sua propriedade, a atividade de condutor autônomo de passageiros, na categoria de aluguel (táxi); ou b) é titular de autorização, permissão ou concessão para exploração do serviço de transporte individual de passageiros (táxi), não estando no exercício da atividade em virtude de destruição completa, furto ou roubo do veículo. (...) Verificase, pois, que a exigência da lei e da sua norma regulamentadora, para o benefício de isenção do IPI, diferentemente do manifestado na decisão recorrida, que fundamentou a improcedência da manifestação de inconformidade no fato de o requerente haver reconhecido que alienou o veículo (táxi) antes de formular o referido pleito isencional e, por conseguinte, não logrou êxito em "comprovar a superação do entrave que motivou o indeferimento combatido (a falta de comprovação do exercício da atividade em veículo de sua propriedade)", é no sentido do comprovado exercício de atividade de transporte individual de passageiros, com a devida autorização prévia do Poder Público. Vejamos, pois, os documentos acostados, notadamente a (1) declaração prestada nos moldes do Anexo II da Instrução Normativa RFB nº 1368, de 26.06.2013, cujo texto préimpresso dispõe: "DECLARA, sob as penas da lei, que possui disponibilidade financeira ou patrimonial compatível com o valor do(s) veículo(s) a ser(em) adquirido(s), com a isenção do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) a que se refere o art. 1º da Lei nº 8.989, de 24 de fevereiro de 1995 com a redação dada pela Lei nº 10.690, de 16 de junho de 2003", o (2) declaração prestada, pela Secretaria Municipal de Defesa Social do município de BebedouroSP, "exercia desde 19/08/1999, e continua exercendo a atividade de condutor autônomo de passageiros (taxi), em veículo de sua propriedade, tendo o atual, as seguintes características: Veículo Marca: Volkswagen Modelo: Parati 1.6 Comf. Ano de fabricação: 2006 Placa: DBM1070", a (3) Nota Fiscal de Saída nº 114.293, emitida em 05.07.2006, por COMERI Comercial de Automóveis Ltda., dando conta que na mencionada data o pleiteante adquiriu o Volkswagen, modelo Parati 1.6 Confortline, novo, código Renavan 116665 10, fabricação/Modelo 2006 2006, adquirido de Volkswagen do Brasil Ltda., com a seguinte observação: "Venda sem reserva de domínio e sem alienação fiduciária. Usuário taxista não poderá alienar este veículo nos próximos dois anos sem autorização do Fisco", a (4) "Autorização para Transferência de Veículo" do "Certificado de Registro de Veículo" referente ao veículo VW/Parati 1.6, ano 2006, de placa DBM1070, dando conta o que automóvel foi alienado pelo requerente em 05.12.2014, por R$ 26.000,00 e a (5) "Carteira Nacional de Fl. 69DF CARF MF Processo nº 13854.720038/201598 Acórdão n.º 3001000.018 S3C0T1 Fl. 55 9 Habilitação", emitida em 26.03.2015, dando conta, no campo "Observações", que o requerente (detentor do documento) "Exerce Atividade Remunerada". Da exegese da norma relativa a necessidade de requerimento prévio se extrai que o objetivo do legislador foi de evitar que seja dado ao bem destino outro que não aquele previsto em lei. Portanto, temse que o motorista profissional, pretendendo adquirir automóvel com a finalidade de usálo como táxi, deve apresentar previamente a documentação necessária ao órgão fazendário que defere, preenchidos os demais requisitos, a isenção do tributo. Em consequência, o veículo já é expedido pela montadora sem a cobrança do IPI. Logo, temse que a interpretação constante do Despacho Decisório nº 0280, corroborada pelo Acórdão nº 1458.885, além de desvirtuar a norma de regência, antes reproduzida em parte, ultrapassa os requisitos nela previstos para habilitação ao benefício, pois ao pretendente à aquisição de veículo com as características previstas no artigo 1º da Lei nº 8.989, de 24.02.1995, é exigida demonstração prévia de ser motorista profissional que exerça, comprovadamente, em veículo de sua propriedade, a atividade de condutor autônomo de passageiros, na condição de titular de autorização, permissão ou concessão do Poder Público, e posterior, que o utilize na atividade de transporte individual de passageiros, na categoria de aluguel (táxi), bem como não tenha exercido o direito à aquisição de veículo com o benefício da isenção do IPI, num prazo inferior a 2 (dois) anos, não havendo limite do número de aquisições, nada mais. Dito isto, analisandose os documentos juntados aos autos, verificase que a parte interessada preencheu todos os requisitos exigidos quando da formulação do requerimento à autoridade administrativa, para a compra do veículo. De se ver, nesse caso, a legislação foi interpretada de forma incorreta. Realmente, a mens legis , ao conceder a isenção, visa facilitar a aquisição do automóvel por parte daqueles que sobrevivem dos ganhos obtidos no transporte de passageiros. Não olvidando que os termos da lei isentiva devem ser interpretados de forma restrita (art. 111, II, do CTN). E, na legislação em apreço, há requisito expresso de que beneficiário preencha previamente o pedido junto a autoridade administrativa, tal como o fez o recursante. Assim, deve ser reformada a decisão de primeira instância, para julgar procedente o pedido de isenção de IPI, nos termos da Lei nº 8.986, de 1995. Da Conclusão Ante o exposto, voto por conhecer do recurso voluntário e por lhe dar provimento. assinado digitalmente Orlando Rutigliani Berri Fl. 70DF CARF MF 10 Fl. 71DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.910658/2011-40
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Oct 18 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - IOF
Data do fato gerador: 29/01/2005
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA
Inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do Pedido de Restituição no prazo de 5 anos. O art. 150, § 4º do CTN, cuida de regulamentar o prazo decadencial para a homologação do lançamento, não se podendo confundir o lançamento com o Pedido de Restituição. O artigo 74 da Lei nº 9.430/96, cuida de prazo para homologação de Declaração de Compensação, não se aplicando à apreciação de Pedidos de Restituição ou Ressarcimento.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-004.536
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Souza Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201709
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - IOF Data do fato gerador: 29/01/2005 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA Inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do Pedido de Restituição no prazo de 5 anos. O art. 150, § 4º do CTN, cuida de regulamentar o prazo decadencial para a homologação do lançamento, não se podendo confundir o lançamento com o Pedido de Restituição. O artigo 74 da Lei nº 9.430/96, cuida de prazo para homologação de Declaração de Compensação, não se aplicando à apreciação de Pedidos de Restituição ou Ressarcimento. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Oct 18 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 16327.910658/2011-40
anomes_publicacao_s : 201710
conteudo_id_s : 5789336
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Oct 18 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 3402-004.536
nome_arquivo_s : Decisao_16327910658201140.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
nome_arquivo_pdf_s : 16327910658201140_5789336.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Souza Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
dt_sessao_tdt : Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
id : 6986619
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:08:10 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049733460656128
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1618; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 2 1 1 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16327.910658/201140 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3402004.536 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 26 de setembro de 2017 Matéria PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Recorrente BANCO VOLKSWAGEN S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Data do fato gerador: 29/01/2005 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA Inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do Pedido de Restituição no prazo de 5 anos. O art. 150, § 4º do CTN, cuida de regulamentar o prazo decadencial para a homologação do lançamento, não se podendo confundir o lançamento com o Pedido de Restituição. O artigo 74 da Lei nº 9.430/96, cuida de prazo para homologação de Declaração de Compensação, não se aplicando à apreciação de Pedidos de Restituição ou Ressarcimento. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Souza Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 91 06 58 /2 01 1- 40 Fl. 88DF CARF MF Processo nº 16327.910658/201140 Acórdão n.º 3402004.536 S3C4T2 Fl. 3 2 Trata o presente processo de Recurso Voluntário contra a Decisão da DRJ em Ribeirão Preto (SP), que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, mantendo o Despacho Decisório eletrônico proferido, que, por sua vez, indeferiu o Pedido de Restituição, referente a suposto pagamento de IOF a maior no ano de 2005. Conforme o que consta do referido Despacho Decisório, o pleito foi negado tendo em vista que o DARF discriminado no PER estava integralmente utilizado para a quitação do débito de IOF, não restando saldo de crédito disponível para a restituição almejada. Cientificada da decisão proferida, a empresa interpôs a Manifestação de Inconformidade alegando homologação por decurso de prazo, já que ultrapassado o prazo de cinco anos entre a data de envio, tanto do Pedido de Restituição (PER) quanto da Declaração de Compensação (DCOMP) a ele atrelada, e a data de proferimento do Despacho Decisório. Com base nessas considerações requer a reforma da decisão, com a consequente homologação da compensação declarada. No entanto, os argumentos aduzidos pelo Recorrente não foram acolhidos pela primeira instância de julgamento administrativo fiscal, conforme Ementa do Acórdão nº 14061.031, prolatado pela DRJ em Ribeirão Preto (SP): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Data do fato gerador: 29/01/2005 RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO DECLARADO. Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito está integralmente alocado à débito validamente declarado em DCTF. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE. Não há previsão legal para a homologação tácita de pedido de restituição, nem previsão de perda do poder de decidir por decurso de prazo em pedidos desta natureza. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Devidamente cientificada desta decisão a recorrente interpôs, tempestivamente, o presente recurso voluntário, alegando as seguintes razões: (i) consta do Despacho Decisório que "foram localizados pagamentos, mas que foram integralmente utilizados para a quitação de débitos do Recorrente, não restando crédito disponível para restituição". Porém, tanto o Pedido de Restituição (PER) quanto a respectiva Compensação (DCOMP), foram realizados em dezembro/2006, operandose, portanto, a homologação da compensação em dezembro de 2011; Fl. 89DF CARF MF Processo nº 16327.910658/201140 Acórdão n.º 3402004.536 S3C4T2 Fl. 4 3 (ii) cita e transcreve como base legal, o §4º do art. 150 do Código Tributário Nacional (CTN), bem como, registra o Acórdão nº 3801000.530, de 29/09/2010, proferido pelo CARF nos autos do PAF nº 10830.007499/9736; (iii) conclui que, dessa forma operouse a homologação tácita em dezembro de 2011, não havendo sequer a possibilidade de discussão acerca da existência do crédito do Recorrente por meio de Despacho Decisório proferido em 2012, ou seja, após o decurso do mencionado prazo qüinqüenal. Por fim, requer que o presente Recurso Voluntário seja recebido e julgado, com a conseqüente reforma da decisão recorrida e homologação da compensação declarada. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402004.467, de 26 de setembro de 2017, proferido no julgamento do processo 16327.910558/201113, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402004.467): "1. Da admissibilidade do Recurso O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido por este Colegiado. 2. Objeto da lide Verificase que o Recorrente não contesta a inexistência do indébito tributário demonstrada no Despacho Decisório. O que se discute no recurso é a alegação de homologação tácita quanto ao Pedido de Restituição (PER). 3. Análise do Pedido Como relatado, o Recorrente pede o provimento do seu recurso unicamente sob o argumento da homologação tácita do seu Pedido de Restituição (PER) nº 01445.28437.211206.1.2.046453, como base no §4º do art. 150 do Código Tributário Nacional. Aduz que tanto o Pedido de Restituição (PER) quanto a respectiva Compensação (DCOMP), foram realizados em 21 e 26 dezembro de 2006, respectivamente e, como base no §4º do art. 150 do Código Tributário Nacional, operouse a homologação tácita da compensação em 26/12/2011, não havendo sequer a possibilidade de discussão acerca da existência do crédito do Recorrente, por meio de Fl. 90DF CARF MF Processo nº 16327.910658/201140 Acórdão n.º 3402004.536 S3C4T2 Fl. 5 4 Despacho Decisório proferido em 03/01/2012, ou seja, após o decurso do mencionado prazo qüinqüenal. Pois bem. É cediço que o Código Tributário Nacional (CTN), regulamenta o prazo decadencial de 5 anos para o agente fiscal homologar o lançamento por homologação, que ocorre quando o contribuinte, por determinação legal, em substituição ao agente arrecadador, possui a obrigação de apurar o tributo devido, em face da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, efetuar o seu recolhimento e realizar a respectiva declaração. No contexto do procedimento de homologação das compensações, no qual se atesta a existência e a suficiência do direito creditório invocado para a extinção dos débitos compensados, a única limitação imposta à atuação da Administração Tributária é o prazo de cinco anos da data da apresentação das declarações de compensação, depois do qual os débitos compensados devem ser extintos, independentemente da existência e suficiência dos créditos, conforme determina o artigo 74, §5° da Lei n° 9.430, de 1996. Destaco a seguir seu conteúdo: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Medida Provisória nº 66, de 2002) § 1º (...). § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação.(Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) (Grifei). No mesmo sentido, define a Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 2012, assim como as Instruções Normativas que a sucederam na regulamentação dessa matéria. Como se vê, por disposição legal expressa, a homologação tácita é aplicável unicamente à Declaração de Compensação, não havendo possibilidade de sua aplicação aos Pedidos de Restituição e Ressarcimento (PER). Isto ocorre porque quando o contribuinte realiza um pedido de compensação, nada mais está fazendo do que um lançamento por homologação: apura o tributo devido, realiza a declaração, e substitui o pagamento em espécie, por um pagamento com crédito tributário que possui junto ao ente tributante. E é por essa razão que, quando não há a apreciação expressa do pedido de compensação, passados 5 anos após a sua apresentação, ocorre a respectiva homologação. Em última análise, o que há é a homologação do lançamento realizado pelo contribuinte, sendo que o pagamento da obrigação tributária se dá com a utilização do seu direito creditório. Portanto, tal regra não se aplica ao caso do Recorrente com relação ao Pedido de Restituição de fls. 25/27, datado de 21/12/2006, justamente por se tratar de Pedido de Restituição e não de uma Fl. 91DF CARF MF Processo nº 16327.910658/201140 Acórdão n.º 3402004.536 S3C4T2 Fl. 6 5 Declaração de Compensação. O Pedido de Restituição não pode ser confundido com uma Declaração de Compensação, muito embora em ambos os casos esteja a se tratar de direito a um crédito tributário. A compensação está sempre atrelada a um lançamento. E é por isso que a ela se aplica o prazo decadencial de 5 anos previsto no art. 150 do CTN. O pedido de restituição não. Ele é independente de qualquer lançamento e requer necessariamente um pronunciamento do Fisco. Contudo, embora o Fisco deva nortear seus atos observando a eficiência e a celeridade, pois sua ação deve preservar os interesses públicos, nada o impede de, quase seis anos após o Pedido de Restituição (PER) formulado pelo Recorrente, indeferilo, por não vislumbrar o direito pleiteado. Não há a homologação tácita desse pedido, porquanto não ocorre qualquer lançamento que enseje a aplicação do artigo 150, § 4º, do CTN, como defende a Recorrente. Não há previsão legal para essa homologação. De se observar, também, que o Recorrente não rebate a alocação do pagamento (crédito solicitado no PER) ao débito de IOF do período de apuração tratado neste processo, o qual consta confessado em DCTF. Não contesta, portanto, a inexistência do indébito tributário demonstrada no Despacho Decisório, dando margem ao entendimento de que o crédito almejado no Pedido de Restituição, não existe. Desta forma, considerando que o Recorrente se limitou a argüir a homologação tácita do Pedido de Restituição, com base no artigo 150, § 4º, do CTN, sem trazer qualquer documentação ou argumentação que comprovasse a existência de seu crédito, não há mesmo como acatar o seu pedido. 4. Dispositivo Ante tudo acima exposto e o que mais constam nos autos, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 92DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10675.903022/2009-91
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Nov 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Feb 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/09/2000 a 30/09/2000
PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO. LEI 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO STF. REPERCUSSÃO GERAL.
As decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, reconhecidas como de Repercussão Geral, sistemática prevista no artigo 543-B do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pelo contribuinte. Artigo 62-A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais.
Declarado inconstitucional o § 1º do caput do artigo 3º da Lei 9.718/98, integra a base de cálculo da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS e da Contribuição para o PIS/Pasep o faturamento mensal, representado pela receita bruta advinda das atividades operacionais típicas da pessoa jurídica.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9303-005.957
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201711
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/09/2000 a 30/09/2000 PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO. LEI 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO STF. REPERCUSSÃO GERAL. As decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, reconhecidas como de Repercussão Geral, sistemática prevista no artigo 543-B do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pelo contribuinte. Artigo 62-A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Declarado inconstitucional o § 1º do caput do artigo 3º da Lei 9.718/98, integra a base de cálculo da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS e da Contribuição para o PIS/Pasep o faturamento mensal, representado pela receita bruta advinda das atividades operacionais típicas da pessoa jurídica. Recurso Especial do Procurador Provido.
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Fri Feb 02 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10675.903022/2009-91
anomes_publicacao_s : 201802
conteudo_id_s : 5826749
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Feb 02 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 9303-005.957
nome_arquivo_s : Decisao_10675903022200991.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : RODRIGO DA COSTA POSSAS
nome_arquivo_pdf_s : 10675903022200991_5826749.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello.
dt_sessao_tdt : Tue Nov 28 00:00:00 UTC 2017
id : 7102014
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:11:55 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049733487919104
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1924; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 2 1 1 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10675.903022/200991 Recurso nº 1 Especial do Procurador Acórdão nº 9303005.957 – 3ª Turma Sessão de 28 de novembro de 2017 Matéria PIS. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. AÇÃO JUDICIAL. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado BANCO TRIÂNGULO S/A ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/09/2000 a 30/09/2000 PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO. LEI 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO STF. REPERCUSSÃO GERAL. As decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, reconhecidas como de Repercussão Geral, sistemática prevista no artigo 543B do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pelo contribuinte. Artigo 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Declarado inconstitucional o § 1º do caput do artigo 3º da Lei 9.718/98, integra a base de cálculo da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS e da Contribuição para o PIS/Pasep o faturamento mensal, representado pela receita bruta advinda das atividades operacionais típicas da pessoa jurídica. Recurso Especial do Procurador Provido. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 90 30 22 /2 00 9- 91 Fl. 287DF CARF MF Processo nº 10675.903022/200991 Acórdão n.º 9303005.957 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência apresentado pela Fazenda Nacional, com fundamento no art. 67, do anexo II, do antigo regimento interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, em face do Acórdão nº 3402001.717, de 24/04/2012, o qual possui a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/09/2000 a 30/09/2000 BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE. FATURAMENTO. Reconhecida a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo do PIS, essa contribuição deve incidir sobre o faturamento, entendido este como a receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, nos termos da decisão judicial transitada em julgado. Para melhor contextualizar os fatos ocorridos, transcrevo parte do voto da decisão recorrida: "Notese que o deslinde do litígio instaurado neste processo requer tãosomente a interpretação da decisão transitada em julgado proferida nos autos do MS n° 2000.38.03.000.7782, cujo teor transcrevese: 1. Tratase de recurso extraordinário interposto contra acórdão que declarou a constitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, relativo ao alargamento da base de cálculo do PIS. 2. Consistente o recurso. A tese do acórdão recorrido está em aberta divergência com a orientação da Corte, cujo Plenário, em data recente, consolidou, com nosso voto vencedor declarado, o entendimento de inconstitucionalidade apenas do § 1° do art. 3° da Lei n° 9.718/98, que ampliou o conceito de receita bruta, violando assim a noção de faturamento pressuposta na redação original do art. 195, I, b, da Constituição da República, e cujo significado é o estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais (cf RE n° 346 084PR Rel orig Min ILMAR GALVÃO; RE n° 357 950RS, RE n° 358.273RS e RE n° 390.840MG, Rel. MM. MARCO AURÉLIO, todos julgados em 09.11.2005. Ver Informativo STF n° 408, p. 1).(grifo aqui) Diante do exposto, e com fundamento no art. 557, § 1°A do CPC, conheço do recurso e doulhe provimento, para, concedendo a ordem, excluir, da base de incidência do PIS, receita estranha ao faturamento do recorrente, entendido esse nos termos já suso enunciados.Custas ex lege. Publiquese" Na decisão recorrida a Turma não incluiu as receitas financeiras decorrentes das operações bancárias na base de cálculo da contribuição. O provimento foi parcial apenas "devido à necessidade de a unidade preparadora destes autos aferir os cálculos para apuração do valor do indébito tributário (...)". A Fazenda Nacional apresentou, tempestivamente, recurso especial apontando paradigma e demonstrando a divergência quanto à base de cálculo das contribuições Fl. 288DF CARF MF Processo nº 10675.903022/200991 Acórdão n.º 9303005.957 CSRFT3 Fl. 4 3 das instituições financeiras. Em apertada síntese, defendeu o entendimento no sentido de que para as instituições financeiras as receitas decorrentes de prestação de serviços abrangem tanto as advindas da cobrança de taxas e tarifas quanto aquelas de intermediação financeira. Aduz que não pode se depreender da declaração de inconstitucionalidade do STF que o conceito de faturamento é restrito. Isso porque a declaração de inconstitucionalidade, pelo STF, do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98, não alterou, nesse particular, o critério definidor da base de incidência das contribuições como as receitas decorrentes das atividades empresariais típicas, e não somente a venda de mercadorias ou de serviços do contribuinte. Assim, por perfilar desse entendimento, afirma inexistir violação à coisa julgada formada nos autos da ação judicial proposta pelo contribuinte. O recurso especial foi admitido pelo Presidente da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento. O contribuinte apresentou, tempestivamente, contrarrazões, pedindo que seja negado provimento ao recurso. Em resumo, defende que a incidência da Contribuição para o PIS/PASEP deve se dar sobre o faturamento, assim entendido a receita bruta de venda de mercadoria e de prestação de serviço, com a consequente exclusão das receitas financeiras decorrentes das operações bancárias. Assim, no seu entender, a receita de prestação de serviços, que configura o faturamento das instituições financeiras e seguradoras, englobaria apenas as taxas, tarifas e comissões cobradas pelas instituições, sendo que as receitas da atividade financeira propriamente dita estariam fora do conceito de faturamento fixado pelo STF. Assevera ainda que adotar outro entendimento resultaria em ofensa direta à coisa julgada formada nos autos do Mandado de Segurança 2000.38.03.0007782, que, na sua compreensão, teria determinado que a base de cálculo da Contribuição para o PIS/PASEP fosse calculada com base no faturamento, entendido como a receita da venda de mercadorias e a prestação de serviços. Ressaltese que, em suas contrarrazçoes, o contribuinte não contestou aspectos relativos ao conhecimento do recurso. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303005.944, de 28/11/2017, proferido no julgamento do processo 10675.720831/201001, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303005.944): Fl. 289DF CARF MF Processo nº 10675.903022/200991 Acórdão n.º 9303005.957 CSRFT3 Fl. 5 4 "(...) No mérito, discutese entendimento sobre o que vem a ser “receita” para as instituições do mercado financeiro. Como relatado, a Recorrente obteve decisão judicial (Mandado de Segurança 2000.38.03.0007782,) para calcular o PIS utilizando o conceito de faturamento, cujo significado corresponde a receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais. Esse entendimento ficou claro na fundamentação do voto constante da decisão judicial, conforme trechos acima transcritos no Relatório. Portanto, como se vê, a questão referese ao sentido a ser atribuído à expressão “o faturamento, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza”, especificamente para a compreensão do que se entende por “receita de serviços” para as instituições financeiras. Pois bem. No meu entender, a referida decisão judicial efetivamente não adentrou no mérito da discussão sobre o que deve ser entendido por receita de serviços para as instituições financeiras. Logo, não há que se falar em desrespeito a coisa julgada: a decisão judicial apenas afastou a aplicação do §1º do art. 3º da Lei n.º 9.718/98, na esteira do que já restara assentado no Supremo Tribunal Federal, e definiu que a base de cálculo da contribuição deve ser o faturamento, “cujo significado é o estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais”. E mais nada! Contudo, resta ainda a discussão sobre a conceito de “faturamento” para fins de incidência do PIS e da Cofins para as instituições financeiras, ou seja, sobre o que deve ser entendido por “a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza” em relação às instituições financeiras. Como muito bem destacado no voto condutor do Acórdão CSRF nº 9303002940, julgado em 03/06/2014, que tratou especificamente sobre a mesma matéria deste litígio, a controvérsia teve início na promoção do alargamento do conceito de faturamento para efeito de cálculo das Contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, introduzido pela Lei 9.718/98, que incluiu na base de cálculo toda e qualquer receita, independentemente de sua classificação contábil. O Supremo Tribunal Federal ao apreciar a matéria decidiu, em sistemática de Repercussão Geral, nos seguintes termos: EMENTA: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98.Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Decisão O Tribunal, por unanimidade, resolveu questão de ordem no sentido de reconhecer a repercussão geral da questão constitucional, reafirmar a jurisprudência do Tribunal acerca da inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98 e negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional, tudo nos termos do voto do Relator. Vencido, parcialmente, o Senhor Fl. 290DF CARF MF Processo nº 10675.903022/200991 Acórdão n.º 9303005.957 CSRFT3 Fl. 6 5 Ministro Marco Aurélio, que entendia ser necessária a inclusão do processo em pauta. Em seguida, o Tribunal, por maioria, aprovou proposta do Relator para edição de súmula vinculante sobre o tema, e cujo teor será deliberado nas próximas sessões, vencido o Senhor Ministro Marco Aurélio, que reconhecia a necessidade de encaminhamento da proposta à Comissão de Jurisprudência. Votou o Presidente, Ministro Gilmar Mendes. Ausentes, justificadamente, o Senhor Ministro Celso de Mello, a Senhora Ministra Ellen Gracie e, neste julgamento, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. Plenário, 10.09.2008. RE 585.235QO, Min. Cezar Peluso Portanto, tanto a decisão judicial obtida pelo contribuinte quanto o julgado do STF que reconheceu a repercussão geral para a matéria, apenas afastou a aplicação do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98, mas não adentrou no alcance das receitas financeiras, nem tampouco ventilou a possibilidade de exclusão da receita bruta operacional do faturamento. Por outro lado, o Supremo Tribunal Federal já fixou o conceito de receita bruta como sendo não somente aquela decorrente da venda de mercadorias e da prestação de serviços, mas também à soma das receitas oriundas do exercício de atividades empresariais. Nesse sentido, vejamos o leading case RE 390.840/MG, onde o Ministro Cezar Peluzo delimita o conceito de faturamento nos seguintes termos: Faturamento nesse sentido, isto é, entendido como resultado econômico das operações empresariais típicas, constitui a base de cálculo da contribuição, enquanto representação quantitativa do fato econômico tributado. Noutras palavras, o fato gerador constitucional da COFINS são as operações econômicas que se exteriorizam no faturamento (sua base de cálculo), porque não poderia nunca corresponder ao de emitir faturas, coisa que, como alternativa semântica possível, seria de todo absurda, pois bastaria à empresa não emitir faturas para se furtar à tributação”. (negritei) No mesmo sentido, vejamos os trechos dos pronunciamentos dos Ministros Marco Aurélio, Carlos Brito, Cezar Peluzo e Sepúlveda Pertence sobre a matéria, trazidos pela Procuradoria da Fazenda Nacional, na ocasião do julgamento do Pleno do STF dos Recursos Extraordinários nºs 357.9509/RS, 390.8405/MG, 358.2739/RS e 346.0846/PR (leading cases): Min. Marco Aurélio (relator): Presidente, na condição de relator, permitame aos colegas escancarar a questão versada neste processo. Houve a edição da Lei 9.718/98, sob a égide da Carta da redação anterior a Emenda Constitucional nº. 20. O artigo 3º, cabeça, dessa lei preceituou algo que se mostrou consentâneo com o Diploma Maior: “art. 3º. O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde a receita bruta da pessoa jurídica.” O Tribunal estabeleceu a sinonímia “faturamento/receita bruta”, conforme decisão proferida na ADC nº 11/DF – receita bruta evidentemente apanhando a atividade precípua da empresa. O SR. MINISTRO CARLOS BRITO – Receita operacional. O SR. MINISTRO MARCO AURELIO (RELATOR) – Operacional. (...)” Min. Carlos Brito: Receita operacional consiste naquilo que já estava definido pelo DecretoLei 2397, de 1987, art. 22, § 1º, “a”, assim redigido – parece que o Min. Veloso acabou de fazer também essa remissão à lei: Fl. 291DF CARF MF Processo nº 10675.903022/200991 Acórdão n.º 9303005.957 CSRFT3 Fl. 7 6 “a) a receita bruta das vendas de mercadorias e serviços, de qualquer natureza, das empresas públicas ou privadas definidas como pessoa jurídica ou a elas equiparadas pela legislação do imposto de renda; Por isso, estou insistindo na sinonímia “faturamento” e “receita operacional”, exclusivamente, correspondente aqueles ingressos que decorrem da razão social da empresa, da sua finalidade institucional. Min. Cezar Peluso: “Quanto ao caput do art. 3º, julgoo constitucional, para lhe dar interpretação conforme à Constituição, nos termos do julgado proferido no RE 150.755/PE, que tomou a locução receita bruta como sinônimo de faturamento, ou seja, no significado de “receita bruta de venda de mercadoria e de prestação de serviços”, adotado pela legislação anterior, e que , a meu juízo, se traduz na soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais”. Min. Sepúlveda Pertence: “(...) Lamentando não poder nada mais acrescentar a tudo que aqui foi dito hoje, acompanho o voto do Min. Cezar Peluso e, nos outros casos, o do Ministro Marco Aurélio.” Destarte, resta claro que o entendimento assentado no STF é de que faturamento não se restringe unicamente à venda de mercadorias e serviços, mas também às receitas decorrentes de outras atividades empresariais desempenhadas pelo sujeito passivo, como delimita objetivamente o Ministro Cezar Peluzo no RE 444.601ED: “O conceito de receita bruta sujeita à incidência da COFINS envolve, não só aquela decorrente da venda de mercadorias e da prestação de serviços, mas também a soma das receitas oriundas do exercício de outras atividades empresariais." Em conclusão, no meu entender, em consonância com a jurisprudência do STF, o faturamento das instituições financeiras deve compreender não apenas as receitas de prestação de serviços (taxas e tarifas), mas também as demais receitas decorrentes de outras atividades empresariais da recorrente. Pois bem. E quais são as atividades empresariais típicas de um banco? A clara delimitação de quais são as atividades empresariais da Recorrente pode ser extraída do seu próprio Estatuto Social (efls. 79/ss), onde consta: Artigo 2º O objeto social do BANCO TRIÂNGULO S.A. é a prática de operações ativas, passivas e acessórias, inerentes à carteira comercial, à carteira de crédito, financiamento e investimento e à carteira de investimentos, de acordo com as disposições legais e regulamentares em vigor. Percebese, portanto, que o rol de atividades indicadas no objeto social da Recorrente (operações ativas e passivas inerentes às carteiras comercial, de crédito, financiamento e investimento) envolve necessariamente, de forma ampla, todas as receitas decorrentes e/ou provenientes da prestação de serviços de intermediação financeira, dentre as quais podemos citar os “spreads bancários”, prêmios, ágios/deságios na venda de moedas estrangeiras (receitas cambiais), juros oriundos da intermediação ou aplicação de recursos financeiros próprios ou de terceiros, financiamento bancário, negociação de títulos e valores mobiliários, etc..., em suma, todas as receitas ordinárias, típicas, provenientes da prestação de serviços geradas pelos bancos. A meu ver, não há como fazer uma interpretação restritiva para abarcar no conceito de receita bruta apenas aquelas decorrentes das receitas com “taxas e tarifas” cobradas pelas instituições para prestar serviços bancários, como pretende a Recorrente. Fl. 292DF CARF MF Processo nº 10675.903022/200991 Acórdão n.º 9303005.957 CSRFT3 Fl. 8 7 Categoricamente, todos sabem, o negócio principal de um banco não se restringe apenas em cobrar taxas ou tarifas pela prestação de serviços bancários (sobre a abertura ou manutenção de contascorrentes, pela emissão de talonário de cheques, pelo fornecimento de extratos bancários, etc...), até mesmo porque em muitos casos, após um determinado volume de movimentação financeira de seus clientes, estas taxas e tarifas são até mesmo isentadas. Estas últimas representam, a bem da verdade, atividades acessórias àquela principal. A essência da atividade bancária reside justamente na prática de operações ativas e passivas inerente à sua carteira comercial (desconto de duplicatas, com um percentual de deságio, p. ex.), carteira de crédito (os valores depositados por determinados clientes na instituição são oferecidos a outros clientes, por meio de empréstimos, cheques especiais, etc... devidamente remunerados pelos juros cobrados), etc... Aliás, são justamente essas atividades que constam como objeto social no Estatuto Social da Recorrente. Destarte, é de concluirse que as instituições financeiras têm como atividade principal a intermediação de recursos financeiros. Por conseguinte, as receitas oriundas de todas as operações bancárias (receitas operacionais), em sentido lato, aqui incluídas as receitas advindas da cobrança de taxas/tarifas (serviços bancários) e das operações de intermediação financeira, compõem o faturamento porque estão relacionadas ao exercício do objeto social dessas instituições. Por fim, registrese que a jurisprudência desta Câmara Superior tem decidido no mesmo sentido defendido neste voto (Acórdãos nº 9303002.962; 9303002.960, 9303 002.957, dentre outros). Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso especial. " No presente processo o recurso especial foi interposto pela Fazenda Nacional, de sorte que o resultado do julgamento deve ser pelo seu provimento, dado que o resultado do paradigma, no qual o recurso especial foi do contribuinte, foi por negar provimento. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial foi conhecido e, no mérito, o colegiado deulhe provimento. assinado digitalmente Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 293DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16020.000021/2011-98
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Nov 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jan 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/07/1996 a 31/12/2005
DECADÊNCIA. DECISÃO DEFINITIVA DO STJ SOBRE A MATÉRIA. O Superior Tribunal de Justiça - STJ, em acórdão submetido ao regime do artigo 543-C, do CPC (Recurso Especial nº 973.733 - SC) definiu que o prazo decadencial para o Fisco constituir o crédito tributário conta-se da data do fato gerador, quando a lei prevê o pagamento antecipado e este é efetuado (artigo 150, § 4º, do CTN). Por força do art. 62-A, do Anexo II, do RICARF, as decisões definitivas proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça, em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C, do CPC, deverão ser reproduzidas pelos Conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
DECADÊNCIA. CARACTERIZAÇÃO DE PAGAMENTO ANTECIPADO. Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração (Súmula CARF nº 99).
Numero da decisão: 9202-006.204
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões as conselheiras Patrícia da Silva e Ana Paula Fernandes.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada ), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201711
camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/07/1996 a 31/12/2005 DECADÊNCIA. DECISÃO DEFINITIVA DO STJ SOBRE A MATÉRIA. O Superior Tribunal de Justiça - STJ, em acórdão submetido ao regime do artigo 543-C, do CPC (Recurso Especial nº 973.733 - SC) definiu que o prazo decadencial para o Fisco constituir o crédito tributário conta-se da data do fato gerador, quando a lei prevê o pagamento antecipado e este é efetuado (artigo 150, § 4º, do CTN). Por força do art. 62-A, do Anexo II, do RICARF, as decisões definitivas proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça, em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C, do CPC, deverão ser reproduzidas pelos Conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. DECADÊNCIA. CARACTERIZAÇÃO DE PAGAMENTO ANTECIPADO. Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração (Súmula CARF nº 99).
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Mon Jan 08 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 16020.000021/2011-98
anomes_publicacao_s : 201801
conteudo_id_s : 5814616
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jan 08 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 9202-006.204
nome_arquivo_s : Decisao_16020000021201198.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : MARIA HELENA COTTA CARDOZO
nome_arquivo_pdf_s : 16020000021201198_5814616.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões as conselheiras Patrícia da Silva e Ana Paula Fernandes. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada ), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
dt_sessao_tdt : Tue Nov 28 00:00:00 UTC 2017
id : 7077512
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:11:26 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049733492113408
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2104; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 217 1 216 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 16020.000021/201198 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9202006.204 – 2ª Turma Sessão de 28 de novembro de 2017 Matéria DECADÊNCIA Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado LOJAS CEM S/A ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/1996 a 31/12/2005 DECADÊNCIA. DECISÃO DEFINITIVA DO STJ SOBRE A MATÉRIA. O Superior Tribunal de Justiça STJ, em acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC (Recurso Especial nº 973.733 SC) definiu que o prazo decadencial para o Fisco constituir o crédito tributário contase da data do fato gerador, quando a lei prevê o pagamento antecipado e este é efetuado (artigo 150, § 4º, do CTN). Por força do art. 62A, do Anexo II, do RICARF, as decisões definitivas proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça, em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C, do CPC, deverão ser reproduzidas pelos Conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. DECADÊNCIA. CARACTERIZAÇÃO DE PAGAMENTO ANTECIPADO. Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração (Súmula CARF nº 99). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. Votaram pelas conclusões as conselheiras Patrícia da Silva e Ana Paula Fernandes. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 02 0. 00 00 21 /2 01 1- 98 Fl. 217DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada ), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). Relatório Tratavase do processo nº 13876.000336/200708, do Debcad 37.323.8460, em que se discutia Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD referente às Contribuições destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela a cargo da empresa, relativa aos valores pagos a título de "Participação nos Lucros" aos segurados contribuintes individuais e empregados, nas competências de 07/1996 a 12/2005. A ciência do lançamento ocorreu em 04/12/2006. Em sessão plenária de 07/10/2008, foi julgado o Recurso Voluntário, prolatandose o Acórdão nº 20601.351 (fls. 45 a 71), assim ementado: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/1996 a 31/12/2005 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO SALÁRIO INDIRETO PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS DESCUMPRIMENTO DA LEI CORESPONSABILIDADE DOS SÓCIOS. A parcela intitulada "participação nos resultados" quando paga em desacordo com a lei específica possui natureza remuneratória. A fiscalização previdenciária não atribui responsabilidade direta aos sócios, pelo contrário, apenas elencou no relatório fiscal, quais seriam os responsáveis legais da empresa para efeitos cadastrais. Se assim não o fosse, estaríamos falando de uma empresa pessoa jurídica, com capacidade de pensar e agir. PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. NFLD. DECADÊNCIA. 05 ANOS. Na esteira da jurisprudência do STJ, bem como da Câmara Superior de Recursos Fiscais, e da própria sumula nº 8 do Egrégio STF, as contribuições sociais obedecem aos prazos decadenciais previstos no CTN. Recurso Voluntário Provido em Parte” A decisão foi assim registrada: Fl. 218DF CARF MF Processo nº 16020.000021/201198 Acórdão n.º 9202006.204 CSRFT2 Fl. 218 3 “ACORDAM os membros da SEXTA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, I) por unanimidade de votos em declarar a decadência das contribuições apuradas até a competência 11/2000. II) por voto de qualidade em declarar, também, a decadência das contribuições apuradas até a competência 11/2001. Vencidos os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (Relatora), Bernadete de Oliveira Barros, Lourenço Ferreira do Prado e Ana Maria Bandeira, que votaram por declarar a decadência somente até a competência 11/2000. III) por maioria de votos, no mérito, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Rogério de Lellis Pinto, Lourenço Ferreira do Prado e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que votaram por dar provimento parcial ao recurso. O Conselheiro Lourenço Ferreira do Prado, em primeira votação, votou por dar provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor, na parte referente à decadência, o(a) Conselheiro(a) Rogério de Lellis Pinto. Apresentará Declaração de Voto o(a) Conselheiro(a) Lourenço Ferreira do Prado.” Conforme o despacho de fls. 81/82, o processo foi recepcionado na PGFN em 23/06/2009 (RM Relação de Movimentação nº 10.817; às fls. 261 do processo original, nº 13876.000336/200708) e, em 09/07/2009, foi interposto o Recurso Especial de fls. 72 a 80 (RM nº 12.008, às fls. 262 do processo original). O Recurso Especial está fundamentado no art. 7º, inciso I, do antigo Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, c/c art. 4º, da Portaria nº 256, de 2009 (contrariedade à lei), visando rediscutir a decadência até a competência 11/2001. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme o Despacho nº 2400 244/2009, de 21/08/2009 (fls. 81/82). Em seu apelo, a Fazenda Nacional alega, em síntese: é consenso na doutrina e jurisprudência pátrias que, em sede de tributo sujeito a lançamento por homologação, a aplicação do artigo 150, § 4º, somente é possível quando o contribuinte, reconhecendo a ocorrência do fato gerador de determinado tributo, efetua o pagamento, ainda que parcial, possibilitando ao Fisco a conferência posterior dos valores recolhidos, contrapondoos com os efetivamente devidos, efetuando o lançamento de oficio de eventuais diferenças; partindo dessa premissa e pousando a vista sobre o caso dos autos, verifica se, ao contrário do que foi reconhecido pela Câmara a quo, que o contribuinte não efetuou qualquer antecipação de pagamento das contribuições lançadas, razão pela qual a regra a ser utilizada para a contagem do prazo decadencial é a constante do artigo 173, I, do CTN, e não a do artigo 150, § 4º, do mesmo diploma legal; tendo em conta que na decisão recorrida inverteuse a aplicação dos referidos dispositivos legais, afigurase inafastável a conclusão de que houve patente vulneração dos comandos neles encartados; Fl. 219DF CARF MF 4 no voto condutor do acórdão vergastado foi sufragada a concepção de que as contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados devem ser analisadas como um todo, de modo que qualquer adimplemento de exação incidente sobre tal base de cálculo é bastante para configurar o pagamento parcial, ensejando, assim, a aplicação do art. 150, § 4º, do CTN; todavia, o aludido raciocínio não pode prevalecer, sob pena de fulminar com as normas legais de regência e abrir ensanchas para injustiças e inauditas lesões ao Erário; para o exame da ocorrência de pagamento antecipado parcial, para os fins ora colimados, afigurase óbvia a necessidade de verificar se o contribuinte pagou parte do débito tributário objeto de cobrança, e não daqueles afetos a outros fatos; o raciocínio exposto apresentase irretocável, pois a simples circunstância de integrarem a base de cálculo (remuneração) da contribuição previdenciária não tem o condão de conferir a fatos diversos e autônomos a mesma natureza jurídica; na rota desse pensamento, cumpre averbar que se determinado fato relevante ao direito tributário gera contribuição previdenciária a cargo da empresa, nos termos da lei, o pagamento parcial antecipado estaria configurado tão somente se houvesse recolhimento de valores atinentes àquele específico fato, caso contrário, se o pagamento refere se a outras situações fáticas também previstas em lei como geradoras do tributo, temse hipótese diversa e não há como se sustentar a existência de antecipação de pagamento; no caso em apreço, os valores inseridos no lançamento fiscal não foram reconhecidos pelo contribuinte, tampouco adimplidos parcialmente, sendo forçoso concluir que inexiste pagamento antecipado quanto às contribuições previdenciárias exigidas; decorre dessa inferência que deve ser aplicado na espécie, para fins de contagem da decadência, a regra encartada no art. 173, I, do CTN; além dos fundamentos até aqui expendidos, é preciso ter em mente que a indevida aplicação do art. 150, § 4º, do CTN, em detrimento da regra encartada no art. 173, I, daquele diploma legal, tem normalmente como efeito imediato a liberação de exações relativas a diversas competências, já que a decadência vai corroer créditos da União em interstícios nos quais não deveria operar nenhum efeito; além de permitir a extinção de créditos que, a princípio, são inteiramente legítimos, a decisão hostilizada confere ao contribuinte o poder de beneficiarse da sua própria torpeza, já que ao deixar intencionalmente de recolher determinadas exações referentes a fatos que lhes geram a incidência, com o fim de burlar o Fisco, o entendimento aqui hostilizado ainda brinda o inadimplente com a benesse da contagem prevista no art. 150, § 4º, do CTN, cedendo passo a extinção de créditos relativos a diversas competências; por todas essas razões, considerando que o contribuinte sequer reconheceu os valores cobrados como salários de contribuição, ou seja, não reconheceu a ocorrência do fato gerador das contribuições previdenciárias lançadas na espécie, e com isso não efetuou qualquer antecipação de pagamento, ainda que parcial, é imperativa a aplicação do art. 173, I, do CTN ao caso dos autos, para a contagem da decadência. Ao final, a Fazenda Nacional requer o provimento do Recurso Especial, a fim de que a decadência seja contada na forma prevista no art. 173, I, do CTN. Fl. 220DF CARF MF Processo nº 16020.000021/201198 Acórdão n.º 9202006.204 CSRFT2 Fl. 219 5 Cientificada do Acórdão, do Recurso Especial e do despacho que lhe deu seguimento em 09/10/2009 (fls. 83), a Contribuinte ofereceu, em 20/10/2009, as Contrarrazões de fls. 108 a 119, e Interpôs o Recurso Especial de fls. 84 a 107, ao qual foi negado seguimento, conforme despacho de 20/12/2010 (fls. 120 a 122), o que foi confirmado pelo Despacho de Reexame de fls. 123. Nas Contrarrazões, a Contribuinte argumenta, em síntese: Preliminarmente, ausência dos requisitos de admissibilidade o Recurso Especial foi interposto com fundamento no artigo 7°, incisos I e II, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais; no entanto, para que referido recurso seja conhecido é necessário que as decisões apresentadas como paradigmas sejam relativas a casos idênticos ao presente, o que, no caso concreto, não se verifica; para fundamentar sua irresignação, a Fazenda Nacional citou como paradigma acórdão que teve por base a inexistência de antecipação do pagamento, fundamentada em prova preexistente; de fato, no acórdão paradigma colacionado (Acórdão nº 20501.257) verificase que se trata de hipótese em que não havia pagamento do tributo; assim, é indubitável que o paradigma apresentado não se presta ao cumprimento do art. 7º, II, do Regimento Interno da CSRF, visto que enquanto, in casu, é indubitável a existência de pagamento do tributo (tido por parcial), no acórdão adotado como paradigma da divergência, havia constatação na decisão recorrida de total inexistência de qualquer pagamento; além disso, o julgamento do recurso interposto pela Fazenda Nacional pressupõe o reexame de provas, na medida em que deve ser verificada a existência ou não de pagamentos pela Contribuinte, o que em sede de Recurso Especial não é cabível; pelo exposto, é imperioso o não conhecimento do Recurso Especial, seja porque os paradigmas apresentados não obedecem às determinações do art. 7°, II, do Regimento Interno da CSRF (ausência de similitude fática), seja porque o seu julgamento implica, necessariamente, na análise de provas (existência de pagamento parcial), o que não é permitido por essa via processual. Do direito e dos motivos para manutenção da decisão recorrida argumenta a Fazenda Nacional que, no caso concreto, devese aplicar a norma do artigo 173, I, do CTN, uma vez que não houve pagamento parcial das contribuições por parte da Contribuinte; esse entendimento é equivocado e deve ser rejeitado, especialmente em face da existência de pagamentos efetuados pela Contribunte, o que foi reconhecido, inclusive, pela Câmara a quo, o que justifica a aplicação do artigo 150, § 4°, do CTN, como será detalhado a seguir; Fl. 221DF CARF MF 6 o lançamento decorrente da NFLD ora impugnada se refere a supostos fatos geradores ocorridos entre 07/1996 e 12/2005, e foi definitivamente constituído com a notificação da Contribuinte em 04/12/2006; ocorre que, na data da lavratura da NFLD, os fatos geradores referentes a períodos anteriores a 12/2001 não mais poderiam ser objeto de análise para fins de lançamento, tendo em vista o incontestável transcurso do prazo decadencial; assim, nos termos do artigo 150, § 4º , do CTN, é inconteste a ocorrência da decadência dos fatos apurados entre 07/1996 e 11/2001, visto que, por inércia, não foi realizado o lançamento no lapso temporal de cinco anos; contrariamente ao entendimento adotado no recurso impugnado, houve sim pagamento parcial das contribuições pela Contribuinte; de fato, não há como se alegar ausência de pagamento, pois se trata apenas de majoração da base de cálculo da contribuição previdenciária apurada e recolhida pela Contribuinte no período autuado. Ao final, a Contribuinte requer, preliminarmente, o não conhecimento do Recurso Especial e, no mérito, o seu não provimento, com a manutenção do acórdão recorrido no que se refere à decadência. Às fls. 127, consta o Despacho Secat nº 0029/2011, informando que o processo original, nº 13876.000336/200708, foi desmembrado, conforme a seguir: o processo nº 13876.000336/200708, original, foi encaminhado para cobrança do crédito tributário relativo ao período posterior a 12/2001; quanto aos períodos anteriores, o respectivo crédito tributário foi transferido para o processo nº 16020.000021/201198. Distribuído o processo na Instância Especial, o julgamento foi convertido em diligência à Unidade de Origem, para levantamento da ocorrência de pagamentos antecipados nos períodos em litígio, conforme Resolução nº 9202000.035, de 27/09/2016 (efls. 136 a 140). Em cumprimento à Resolução, foram juntadas aos autos as Guias de Recolhimento de efls. 193 a 205 e a Informação Fiscal de efls. 212, com o seguinte teor: "Tratase de processo baixado em diligência para verificação da ocorrência de pagamento antecipado nas competências objeto da autuação referente ao débito de debcad 37.323.8460 desmembrado da Notificação Fiscal de Lançamento de débito – NFLD 35.906.5244 lavrada em 30/11/2006 cuja abertura do procedimento fiscal teve início em 31/05/2006. Em resposta a Intimação 126/2017 o interessado apresentou os pagamentos antecipados juntados em fls. 193/205 os quais se referem às competências contidas no débito de debcad nº 37.323.8460. Pagamentos antecipados apresentados foram confirmados no sistema, fls. 208/211, e tratase de pagamentos efetuados anteriormente à abertura do procedimento fiscal e à lavratura Fl. 222DF CARF MF Processo nº 16020.000021/201198 Acórdão n.º 9202006.204 CSRFT2 Fl. 220 7 do Auto de Infração e são pagamentos referentes às competências constantes no débito de debcad nº 37.323.8460." Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo, restando perquirir acerca do atendimento aos demais pressupostos de admissibilidade. Em sede de Contrarrazões, a Contribuinte pede o não conhecimento do apelo, alegando que o paradigma, Acórdão nº 20501.257, não retrataria situação idêntica a do acórdão recorrido. Ademais, pondera que o recurso demandaria a análise de prova, o que não seria cabível nessa instância. Não obstante, esclareçase que não se trata de Recurso Especial de Divergência, mas sim de Recurso Especial por Contrariedade à Lei ou à Evidencia de Prova. Com efeito, o apelo está fundamentado no art. 7º, inciso I, do antigo Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 147, de 2007, que assim dispunha: Artigo 7º Compete à Câmara Superior de Recursos Fiscais, por suas Turmas, julgar recurso especial interposto contra: I decisão nãounânime de Câmara, quando for contrária à lei ou à evidência da prova; e II decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra Câmara ou a própria Câmara Superior de Recursos Fiscais. § 1º No caso do inciso I, o recurso é privativo do Procurador da Fazenda Nacional; no caso do inciso II, sua interposição é facultada também ao sujeito passivo.(grifei) Assim, tratase de recurso de cognição ampla, reservado à Fazenda Nacional, cujos pressupostos processuais são: decisão não unânime e simples alegação de contrariedade à lei ou à evidência de prova. Vale ressaltar que referido apelo é uma modalidade residual de recurso, vigente no antigo Regimento da Câmara Superior de Recursos Fiscais e garantida, por meio de regra de transição, aos acórdãos proferidos antes da vigência do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009. A regra de transição constava do art. 4º da citada Portaria. Ademais, esta regra foi garantida pela Portaria MF nº 343, de 2015, que assim estabelece: Art. 3º Os recursos com base no inciso I do caput do art. 7º, no art. 8º e no art. 9º do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), aprovado pela Portaria MF nº 147, de Fl. 223DF CARF MF 8 25 de junho de 2007, interpostos contra os acórdãos proferidos nas sessões de julgamento ocorridas em data anterior à vigência do Anexo II da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, serão processados de acordo com o rito previsto nos arts. 15 e 16, no art. 18 e nos arts. 43 e 44 daquele Regimento. Diante do exposto, conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e passo a analisarlhe o mérito. Tratase do Debcad 37.323.8460, Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD referente às Contribuições destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela a cargo da empresa, relativa aos valores pagos a título de "Participação nos Lucros" aos segurados contribuintes individuais e empregados, nas competências de 07/1996 a 12/2005. A ciência do lançamento ocorreu em 04/12/2006. A matéria em discussão é a decadência, sendo que o litígio envolve apenas o período de apuração de 12/2000 a 11/2001. Sobre o tema, a jurisprudência já foi pacificada, no que diz respeito ao prazo de cinco anos para efetivação do lançamento, inclusive no que tange às Contribuições Previdenciárias. Nesse sentido, por imposição do artigo 62A do Regimento Interno do CARF, o Colegiado deve aderir à tese esposada pelo STJ no Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), julgado em 12 de agosto de 2009, sendo relator o Ministro Luiz Fux, que teve o acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC e da Resolução STJ 08/2008, assim ementado: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos Fl. 224DF CARF MF Processo nº 16020.000021/201198 Acórdão n.º 9202006.204 CSRFT2 Fl. 221 9 ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos o lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Assim, nos casos em que há pagamento antecipado, o termo inicial é a data do fato gerador, na forma do § 4º, do art. 150, do CTN. Por outro lado, na hipótese de não haver antecipação do pagamento, o dies a quo é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, conforme prevê o inciso I, do art. 173, do mesmo Código. Destarte, o deslinde da questão passa necessariamente pela verificação da existência ou não de pagamento e, mais especificamente, que tipo de recolhimento poderia ser considerado. No presente caso, a autuação se referiu a verbas de Participação no Lucros pagas aos segurados contribuintes individuais e empregados, parcela da empresa, de sorte que é aplicável a Súmula CARF nº 99: "Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na Fl. 225DF CARF MF 10 competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração)." Nesse passo, foi efetuada diligência à Unidade de Origem, que por meio da Informação Fiscal de efls. 212, confirmou a existência de pagamentos antecipados, relativos ao Debcad em questão, nos períodos em tela: "Em resposta a Intimação 126/2017 o interessado apresentou os pagamentos antecipados juntados em fls. 193/205 os quais se referem às competências contidas no débito de debcad nº 37.323.8460 . Pagamentos antecipados apresentados foram confirmados no sistema, fls. 208/211, e tratase de pagamentos efetuados anteriormente à abertura do procedimento fiscal e à lavratura do Auto de Infração e são pagamentos referentes às competências constantes no débito de debcad nº 37.323.8460." Assim, deve ser aplicado o art. 150, § 4º, do CTN. Como a ciência ao sujeito passivo foi levada a cabo em 04/12/2006 (fls. 02) e os fatos geradores em litígio abrangem as competências de 12/2000 a 11/2001, constatase a ocorrência da decadência até a competência de 11/2001, inclusive. Diante do exposto, conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e, no mérito, negolhe provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 226DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.910631/2011-57
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Oct 18 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - IOF
Data do fato gerador: 12/06/2004
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA
Inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do Pedido de Restituição no prazo de 5 anos. O art. 150, § 4º do CTN, cuida de regulamentar o prazo decadencial para a homologação do lançamento, não se podendo confundir o lançamento com o Pedido de Restituição. O artigo 74 da Lei nº 9.430/96, cuida de prazo para homologação de Declaração de Compensação, não se aplicando à apreciação de Pedidos de Restituição ou Ressarcimento.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-004.516
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Souza Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201709
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - IOF Data do fato gerador: 12/06/2004 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA Inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do Pedido de Restituição no prazo de 5 anos. O art. 150, § 4º do CTN, cuida de regulamentar o prazo decadencial para a homologação do lançamento, não se podendo confundir o lançamento com o Pedido de Restituição. O artigo 74 da Lei nº 9.430/96, cuida de prazo para homologação de Declaração de Compensação, não se aplicando à apreciação de Pedidos de Restituição ou Ressarcimento. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Oct 18 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 16327.910631/2011-57
anomes_publicacao_s : 201710
conteudo_id_s : 5789316
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Oct 18 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 3402-004.516
nome_arquivo_s : Decisao_16327910631201157.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
nome_arquivo_pdf_s : 16327910631201157_5789316.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Souza Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
dt_sessao_tdt : Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
id : 6986579
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:08:09 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049733503647744
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1618; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 2 1 1 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16327.910631/201157 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3402004.516 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 26 de setembro de 2017 Matéria PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Recorrente BANCO VOLKSWAGEN S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Data do fato gerador: 12/06/2004 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA Inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do Pedido de Restituição no prazo de 5 anos. O art. 150, § 4º do CTN, cuida de regulamentar o prazo decadencial para a homologação do lançamento, não se podendo confundir o lançamento com o Pedido de Restituição. O artigo 74 da Lei nº 9.430/96, cuida de prazo para homologação de Declaração de Compensação, não se aplicando à apreciação de Pedidos de Restituição ou Ressarcimento. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Souza Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 91 06 31 /2 01 1- 57 Fl. 88DF CARF MF Processo nº 16327.910631/201157 Acórdão n.º 3402004.516 S3C4T2 Fl. 3 2 Trata o presente processo de Recurso Voluntário contra a Decisão da DRJ em Ribeirão Preto (SP), que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, mantendo o Despacho Decisório eletrônico proferido, que, por sua vez, indeferiu o Pedido de Restituição, referente a suposto pagamento de IOF a maior no ano de 2004. Conforme o que consta do referido Despacho Decisório, o pleito foi negado tendo em vista que o DARF discriminado no PER estava integralmente utilizado para a quitação do débito de IOF, não restando saldo de crédito disponível para a restituição almejada. Cientificada da decisão proferida, a empresa interpôs a Manifestação de Inconformidade alegando homologação por decurso de prazo, já que ultrapassado o prazo de cinco anos entre a data de envio, tanto do Pedido de Restituição (PER) quanto da Declaração de Compensação (DCOMP) a ele atrelada, e a data de proferimento do Despacho Decisório. Com base nessas considerações requer a reforma da decisão, com a consequente homologação da compensação declarada. No entanto, os argumentos aduzidos pelo Recorrente não foram acolhidos pela primeira instância de julgamento administrativo fiscal, conforme Ementa do Acórdão nº 14061.010, prolatado pela DRJ em Ribeirão Preto (SP): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Data do fato gerador: 12/06/2004 RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO DECLARADO. Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito está integralmente alocado à débito validamente declarado em DCTF. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE. Não há previsão legal para a homologação tácita de pedido de restituição, nem previsão de perda do poder de decidir por decurso de prazo em pedidos desta natureza. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Devidamente cientificada desta decisão a recorrente interpôs, tempestivamente, o presente recurso voluntário, alegando as seguintes razões: (i) consta do Despacho Decisório que "foram localizados pagamentos, mas que foram integralmente utilizados para a quitação de débitos do Recorrente, não restando crédito disponível para restituição". Porém, tanto o Pedido de Restituição (PER) quanto a respectiva Compensação (DCOMP), foram realizados em dezembro/2006, operandose, portanto, a homologação da compensação em dezembro de 2011; Fl. 89DF CARF MF Processo nº 16327.910631/201157 Acórdão n.º 3402004.516 S3C4T2 Fl. 4 3 (ii) cita e transcreve como base legal, o §4º do art. 150 do Código Tributário Nacional (CTN), bem como, registra o Acórdão nº 3801000.530, de 29/09/2010, proferido pelo CARF nos autos do PAF nº 10830.007499/9736; (iii) conclui que, dessa forma operouse a homologação tácita em dezembro de 2011, não havendo sequer a possibilidade de discussão acerca da existência do crédito do Recorrente por meio de Despacho Decisório proferido em 2012, ou seja, após o decurso do mencionado prazo qüinqüenal. Por fim, requer que o presente Recurso Voluntário seja recebido e julgado, com a conseqüente reforma da decisão recorrida e homologação da compensação declarada. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402004.467, de 26 de setembro de 2017, proferido no julgamento do processo 16327.910558/201113, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402004.467): "1. Da admissibilidade do Recurso O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido por este Colegiado. 2. Objeto da lide Verificase que o Recorrente não contesta a inexistência do indébito tributário demonstrada no Despacho Decisório. O que se discute no recurso é a alegação de homologação tácita quanto ao Pedido de Restituição (PER). 3. Análise do Pedido Como relatado, o Recorrente pede o provimento do seu recurso unicamente sob o argumento da homologação tácita do seu Pedido de Restituição (PER) nº 01445.28437.211206.1.2.046453, como base no §4º do art. 150 do Código Tributário Nacional. Aduz que tanto o Pedido de Restituição (PER) quanto a respectiva Compensação (DCOMP), foram realizados em 21 e 26 dezembro de 2006, respectivamente e, como base no §4º do art. 150 do Código Tributário Nacional, operouse a homologação tácita da compensação em 26/12/2011, não havendo sequer a possibilidade de discussão acerca da existência do crédito do Recorrente, por meio de Fl. 90DF CARF MF Processo nº 16327.910631/201157 Acórdão n.º 3402004.516 S3C4T2 Fl. 5 4 Despacho Decisório proferido em 03/01/2012, ou seja, após o decurso do mencionado prazo qüinqüenal. Pois bem. É cediço que o Código Tributário Nacional (CTN), regulamenta o prazo decadencial de 5 anos para o agente fiscal homologar o lançamento por homologação, que ocorre quando o contribuinte, por determinação legal, em substituição ao agente arrecadador, possui a obrigação de apurar o tributo devido, em face da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, efetuar o seu recolhimento e realizar a respectiva declaração. No contexto do procedimento de homologação das compensações, no qual se atesta a existência e a suficiência do direito creditório invocado para a extinção dos débitos compensados, a única limitação imposta à atuação da Administração Tributária é o prazo de cinco anos da data da apresentação das declarações de compensação, depois do qual os débitos compensados devem ser extintos, independentemente da existência e suficiência dos créditos, conforme determina o artigo 74, §5° da Lei n° 9.430, de 1996. Destaco a seguir seu conteúdo: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Medida Provisória nº 66, de 2002) § 1º (...). § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação.(Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) (Grifei). No mesmo sentido, define a Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 2012, assim como as Instruções Normativas que a sucederam na regulamentação dessa matéria. Como se vê, por disposição legal expressa, a homologação tácita é aplicável unicamente à Declaração de Compensação, não havendo possibilidade de sua aplicação aos Pedidos de Restituição e Ressarcimento (PER). Isto ocorre porque quando o contribuinte realiza um pedido de compensação, nada mais está fazendo do que um lançamento por homologação: apura o tributo devido, realiza a declaração, e substitui o pagamento em espécie, por um pagamento com crédito tributário que possui junto ao ente tributante. E é por essa razão que, quando não há a apreciação expressa do pedido de compensação, passados 5 anos após a sua apresentação, ocorre a respectiva homologação. Em última análise, o que há é a homologação do lançamento realizado pelo contribuinte, sendo que o pagamento da obrigação tributária se dá com a utilização do seu direito creditório. Portanto, tal regra não se aplica ao caso do Recorrente com relação ao Pedido de Restituição de fls. 25/27, datado de 21/12/2006, justamente por se tratar de Pedido de Restituição e não de uma Fl. 91DF CARF MF Processo nº 16327.910631/201157 Acórdão n.º 3402004.516 S3C4T2 Fl. 6 5 Declaração de Compensação. O Pedido de Restituição não pode ser confundido com uma Declaração de Compensação, muito embora em ambos os casos esteja a se tratar de direito a um crédito tributário. A compensação está sempre atrelada a um lançamento. E é por isso que a ela se aplica o prazo decadencial de 5 anos previsto no art. 150 do CTN. O pedido de restituição não. Ele é independente de qualquer lançamento e requer necessariamente um pronunciamento do Fisco. Contudo, embora o Fisco deva nortear seus atos observando a eficiência e a celeridade, pois sua ação deve preservar os interesses públicos, nada o impede de, quase seis anos após o Pedido de Restituição (PER) formulado pelo Recorrente, indeferilo, por não vislumbrar o direito pleiteado. Não há a homologação tácita desse pedido, porquanto não ocorre qualquer lançamento que enseje a aplicação do artigo 150, § 4º, do CTN, como defende a Recorrente. Não há previsão legal para essa homologação. De se observar, também, que o Recorrente não rebate a alocação do pagamento (crédito solicitado no PER) ao débito de IOF do período de apuração tratado neste processo, o qual consta confessado em DCTF. Não contesta, portanto, a inexistência do indébito tributário demonstrada no Despacho Decisório, dando margem ao entendimento de que o crédito almejado no Pedido de Restituição, não existe. Desta forma, considerando que o Recorrente se limitou a argüir a homologação tácita do Pedido de Restituição, com base no artigo 150, § 4º, do CTN, sem trazer qualquer documentação ou argumentação que comprovasse a existência de seu crédito, não há mesmo como acatar o seu pedido. 4. Dispositivo Ante tudo acima exposto e o que mais constam nos autos, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 92DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13732.000291/2001-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 21 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Oct 23 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 1401-000.486
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente
(assinado digitalmente)
Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Livia De Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva e José Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: LUIZ RODRIGO DE OLIVEIRA BARBOSA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201709
camara_s : Quarta Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Oct 23 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 13732.000291/2001-11
anomes_publicacao_s : 201710
conteudo_id_s : 5792026
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Oct 23 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 1401-000.486
nome_arquivo_s : Decisao_13732000291200111.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : LUIZ RODRIGO DE OLIVEIRA BARBOSA
nome_arquivo_pdf_s : 13732000291200111_5792026.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente (assinado digitalmente) Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Livia De Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva e José Roberto Adelino da Silva.
dt_sessao_tdt : Thu Sep 21 00:00:00 UTC 2017
id : 6991799
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:08:35 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049733506793472
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1201; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 146 1 145 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13732.000291/200111 Recurso nº Voluntário Resolução nº 1401000.486 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 21 de setembro de 2017 Assunto ILL DECADÊNCIA E DISPONIBILIDADE JURÍDICA E ECONÔMICA DE LUCROS EM LTDA Recorrente ORLY VEÍCULOS E PEÇAS S/A (CNPJ 21.483.615/000196), SUCESSORA POR INCORPORAÇÃO DE HALEN VEÍCULOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente (assinado digitalmente) Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Livia De Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva e José Roberto Adelino da Silva. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 37 32 .0 00 29 1/ 20 01 -1 1 Fl. 146DF CARF MF Erro! A origem da referência não foi encontrada. Fls. 147 ___________ RELATÓRIO Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão proferida pela 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I (DRJ/RJO I), que, por meio do Acórdão 1211.465, de 23 de agosto de 2006, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela empresa, mantendo na íntegra a não homologação do crédito tributário pleiteado. Por economia processual, sirvome do relatório constante no Acórdão da DRJ: (início da transcrição do relatório constante no acórdão da DRJ) Trata o presente processo do pedido de restituição/compensação de fls. 01, 38 e 44, no qual a interessada acima identificada alega possuir crédito contra a Fazenda Pública do imposto de renda retido na fonte IRRF sobre rendimentos de participações societárias, código 0764, decorrente de recolhimento a maior/indevido efetuado em 30/04/90, através do documento de Arrecadação de Receitas Federais Darf cujo original foi juntado à fl. 02, e que após as conversões para Real e incidência da taxa Selic até outubro de 2001 resultaria no crédito de R$13.043,69, conforme planilha de cálculos juntada às fls. 14/15. 2. Com o crédito que alega possuir a interessada busca extinguir por compensação os débitos da contribuição para o Programa de Integração Social PIS e da contribuição para o financiamento da seguridade social Cofins referentes a outubro e novembro de 2001, listados às fls. 38 e 44. 3. Foi proferido o Despacho Decisório Saort/DRF Campos RJ nº 31/2006, de fls. 52/57, que não homologou a compensação declarada, concluindo que já teria transcorrido o prazo limite para pleitear a restituição/compensação, previsto no inc. I do art. 168 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional (CTN), ou seja, cinco anos a contar da extinção do crédito tributário. 4. Inconformada com o indeferimento do pedido, a interessada interpôs a manifestação de inconformidade de fls. 60/65, acompanhada dos documentos de fls. 66/82, na qual alega, em síntese, que o prazo decadencial para pleitear a restituição de valores recolhidos com base em dispositivo de lei declarado inconstitucional somente se inicia com a publicação da Resolução do Senado Federal que suspendeu a lei declarada inconstitucional. Assim, argumenta a interessada que não há que se falar em decadência, tendo em vista que protocolizou o pedido de restituição/compensação em 24/10/2001 e o prazo para requerer o crédito alegado somente se encerraria em cinco anos a contar da publicação da Resolução do Senado Federal. Cita jurisprudência administrativa e judicial sobre a matéria. (término da transcrição do relatório constante no acórdão da DRJ) A DRJ manteve a decisão de não homologação do pedido de restituição da empresa, concluindo, assim como a DRF, pela decadência do pedido de restituição do IRRF supostamente pago a maior, por ter decorrido prazo maior que 5 (cinco) anos entre o pagamento a maior do tributo em discussão pagamento em 30/04/1990 e a data do protocolo do pedido de restituição em 24/10/2001. Segue ementa do acórdão da DRJ: Fl. 147DF CARF MF Processo nº 13732.000291/200111 Resolução nº 1401000.486 S1C4T1 Fl. 148 3 Assunto: Processo Administrativo Fiscal Exercício: 2001 Ementa: RESTITUIÇÃO. DECADÊNCIA. PRAZO. O prazo para que o contribuinte possa pleitear a restituição de tributo pago indevidamente extinguese após o transcurso do prazo de cinco anos contados da data da extinção do crédito tributário, que, à luz da interpretação dada pelo art. 3º da Lei Complementar n° 118/2005, coincide com a data do pagamento indevido. Rest/Ress. Indeferido Comp. não homologada Irresignada com a decisão da DRJ, a empresa apresentou recurso voluntário tempestivo em que alega que o pedido de restituição do Imposto sobre o Lucro Líquido pago, segundo ela, indevidamente, fora apresentado tempestivamente dentro do prazo de 5 (cinco) anos. É que, segundo a recorrente, o prazo decadencial deve ser contado da data da publicação da Resolução do Senado nº 82/1996, que suspendeu os efeitos de parte do art. 35 da Lei 7.713/1988, decretado inconstitucional pelo STF. Desta forma, pugna pelo afastamento da decadência do direito de pedir a restituição do tributo em comento, pleiteando pela homologação do crédito objeto do pedido de restituição e de compensação. No CARF, o processo foi distribuído, cabendo a mim sua relatoria. É o relatório. VOTO Conselheiro Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Relator O Recurso preenche os requisitos de admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. A discussão neste processo cingese em verificar se o imposto de renda retido na fonte sobre o lucro líquido ILL, cuja incidência se deu a partir da vigência do art. 35 da Lei 7.713/1988, recolhido pela recorrente em 30/04/1990, é considerado indevido, em razão da decretação da inconstitucionalidade, pelo Supremo Tribunal Federal (STF), de parte deste dispositivo. A DRF e a DRJ convergiram posicionamento de que a restituição fora protocolada além do prazo decadencial constante no inciso I do art. 168 do CTN, razão pela qual indeferiram o pedido de restituição/compensação. Assim, há dois pontos que precisam ser desembaraçados neste voto, para que se conclua sobre o direito do contribuinte de reaver o tributo aqui discutido: Fl. 148DF CARF MF Processo nº 13732.000291/200111 Resolução nº 1401000.486 S1C4T1 Fl. 149 4 1º) análise da decadência1 sobre o pedido de restituição/compensação de tributo que foi decretado inconstitucional pelo STF, com posterior edição de Resolução pelo Senado Federal e publicação de Instrução Normativa pela Secretaria da Receita Federal. Qual o termo inicial do prazo para pedir restituição: do pagamento indevido, da publicação da Resolução do Senado ou da vigência da IN SRF? 2º) caso o direito de solicitar a referida restituição/compensação não esteja decaído, devese avançar e verificar outra condição essencial para que seja reconhecido o direito ao crédito: se há previsão contratual (no contrato social) de distribuição de lucros aos cotistas a ponto de se caracterizar a disponibilidade jurídica ou econômica dos lucros, o que pressupõe a constitucionalidade da norma em relação aos sócios cotistas. Decadência do direito de pleitear restituição de tributo posteriormente declarado inconstitucional Como visto, a fiscalização e a DRJ não homologaram o crédito decorrente do Imposto sobre o Lucro Líquido (ILL) sobre lucros disponibilizados por sócios cotistas tendo em vista que a empresa havia protocolado pedido após o prazo de cinco anos constante no inciso I do art. 168 do CTN. Para tanto, considerou como termo inicial a data do recolhimento a maior do tributo, que posteriormente foi decretado parcialmente inconstitucional pelo STF. Por outro lado, a recorrente alega que a contagem do prazo para pedir restituição do ILL deveria ter como termo inicial a data da publicação do Senado Federal, qual seja, 18/11/1996. Como seu pedido fora protocolado em 24/10/2001, portanto, antes do termo final para o pedido (18/11/2001), não estaria decaído seu direito de petição. Pois bem. Entendo que tem razão a recorrente. O art. 35 da Lei 7.713/1988 comportava a seguinte redação: Art. 35. O sócio quotista, o acionista ou titular da empresa individual ficará sujeito ao imposto de renda na fonte, à alíquota de oito por cento, calculado com base no lucro líquido apurado pelas pessoas jurídicas na data do encerramento do períodobase. Posteriormente, o STF reconheceu a inconstitucionalidade da expressão "o acionista" da redação acima, em análise do RE nº 172.0581/SC. Após, o Senado Federal publicou Resolução (nº 82, de 19/11/1996), em que suspendeu a execução dos efeitos da expressão ("o acionista") ora decretada inconstitucional pelo STF. Como o termo "acionista" é inerente às sociedades por ações, tal exoneração somente alcançou o pagamento de lucros a aos acionistas de uma sociedade por ações, não abrangendo os sócios de uma sociedade limitada (LTDA). 1 Sem adentrar na discussão sobre qual signo é o mais apropriado ao caso de repetição de indébito (prescrição ou decadência), utilizo o termo "decadência" na sua acepção mais ampla, contemplando ambos os signos. Fl. 149DF CARF MF Processo nº 13732.000291/200111 Resolução nº 1401000.486 S1C4T1 Fl. 150 5 O relator do RE, Ministro Marco Aurélio, consignou que a simples apuração de lucro líquido, não se subsumia ao conceito de renda, do art. 43 do CTN, para caracterizar o fato gerador do imposto de renda na modalidade "desconto na fonte". Percebeuse também que a motivação para manutenção da expressão "o sócio cotista" na redação do art. 35 Lei 7.713/1988 era porque a apuração do lucro e sua destinação ensejaria, em regra, a disponibilidade jurídica da renda, fato caracterizador da incidência do imposto sobre a renda. Por outro lado, aduziu o Exmo. Sr. Relator que à sociedade limitada, cujo contrato social não dispusesse sobre a disponibilidade imediata do lucro do exercício, se aplicaria a decisão de inconstitucionalidade de parte da redação do art. 35. Ou seja, o que se deve avaliar é se a sociedade limitada previu a distribuição imediata dos lucros apurados para que a exação seja considerada constitucional. No mesmo sentido, a Receita Federal editou a Instrução Normativa SRF nº 63, de 25/07/1997, que assim dispôs: Art. 1º Fica vedada a constituição de créditos da Fazenda Nacional, relativamente ao imposto de renda na fonte sobre o lucro liquido, de que trata o art. 35 da Lei n° 7.713, de 22 de dezembro de 1988, em relação às sociedades por ações. Parágrafo único: O disposto neste artigo se aplica às demais sociedades nos casos que o contrato social, na data do encerramento do período base de apuração, não previa a disponibilidade, econômica ou jurídica, imediata ao sócio cotista, do lucro líquido apurado. Como dito, a DRF e a DRJ afastaram o direito da recorrente reconhecendo uma questão prejudicial de mérito, que é a decadência conforme disposta no inciso I do art. 168 do CTN, que faz remição aos incisos I e II do art. 165 do CTN, vejase: Art. 168. O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I nas hipótese dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário; (...) Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; II erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; (...) Como visto, o prazo de cinco anos contados da extinção do crédito tributário, no caso, contados do pagamento do tributo, somente pode ser aplicado em relação a pagamento de Fl. 150DF CARF MF Processo nº 13732.000291/200111 Resolução nº 1401000.486 S1C4T1 Fl. 151 6 tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável. A expressão "tributo indevido" devese ser interpretada como um pagamento sobre um tributo (legal e constitucional) que foi recolhido indevidamente por quem não desenvolveu o fato gerador da relação obrigacional tributária. No caso concreto, não foi o que aconteceu. A recorrente recolheu tributo que, à época era considerado devido. Isto porque há uma presunção de constitucionalidade das leis vigentes no ordenamento jurídico, até que decisão superveniente afaste tal regramento. Nessa linha, entendo que a decretação da inconstitucionalidade de um dispositivo "legal" encontra tratamento peculiar no ordenamento jurídico, devendo ser afastada a regra de que o prazo se conta a partir da data da extinção do crédito tributário. A meu ver, a redação do inciso II do art. 168 do CTN, que faz remição ao inciso III do art. 165 do CTN, deve ser aplicada ao caso concreto, vejase: Art. 168. O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: (...) II na hipótese do inciso III do artigo 165, da data em que se tornar definitiva a decisão administrativa ou passar em julgado a decisão judicial que tenha reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisão condenatória. (...) Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: (...) III reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória. Como a decisão do STF referiuse especificamente ao termo "o acionista", entendo que o prazo para contagem do direito de pedir o indébito começou a contar a partir da publicação da Instrução Normativa SRF nº 63, de 25/07/1997, que estendeu, de forma mais aclarada, a suspensão da exigência do imposto de renda na fonte sobre o lucro líquido (ILL) para as sociedades limitadas, desde que não houvesse a disponibilidade jurídica (ou econômica) da renda. Mesmo que se entenda que o STF tenha decidido pela exclusão dos sócios cotistas da sociedades Ltdas, a suspensão dos efeitos de tal norma somente se deu com a publicação do Resolução nº 82 do Senado Federal, na data de 19/11/1996, o que também permitiria que o pedido da recorrente fosse feito na data de 24/10/2001. Desta forma, voto por afastar a decadência reconhecida pela DRJ nos termos do inciso I do art. 168 do CTN, devendo o processo ser explorado na questão de mérito. Fl. 151DF CARF MF Processo nº 13732.000291/200111 Resolução nº 1401000.486 S1C4T1 Fl. 152 7 Não obstante meu posicionamento para afastar a decadência, a proposição abaixo trazida por mim não pressupõe, nesse momento do processo, que os conselheiros desta turma ordinária entendam que a decadência outrora reconhecida pela DRJ deve ser afastada, podendo tal discussão ser trazida novamente no retorno, deste processo, após conclusão da diligência que será abaixo por mim proposta. Aplicação do dispositivo decretado inconstitucional ao caso concreto Ultrapassado isto, devese avaliar se a segunda condição para o direito creditório foi preenchida: que o contrato social temporal não previa a disponibilidade jurídica ou econômica da renda a ser auferida, in casu, os lucros do exercício. Ocorre que, em análise do processo, não verifiquei a anexação do contrato social vigente à época do pagamento do ILL efetuado a maior. Até porque não se avançou ao julgamento do mérito, justamente por ter sido reconhecida a decadência. Como a empresa não foi, em momento algum, notificada a apresentar o referido contrato social, entendo pertinente baixar o processo em diligência para que a unidade de origem intime a empresa fiscalizada a apresentar o contrato social vigente à época do pagamento do ILL efetuado a maior. Após isso, peço que a autoridade fiscal se pronuncie sobre o teor do contrato social, em relação a suposta disponibilidade jurídica ou econômica dos lucros apurados pela empresa, e intime a recorrente a se manifestar sobre o teor de informação fiscal a ser elaborada, concedendo prazo de 30 (trinta) dias para que recorrente eventualmente se manifeste, nos termos do art. 44 da Lei 9.784/1999. Após, favor encaminhar este processo a esta turma do CARF, para o prosseguimento do julgamento deste processo administrativo fiscal É como voto! (assinado digitalmente) Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa Fl. 152DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10882.721304/2014-93
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 17 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Nov 23 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2009, 2010, 2011
NULIDADES. FALTA DE INDICAÇÃO DA INFRAÇÃO E FALTA DE FUNDAMENTAÇÃO. NÃO OCORRÊNCIA.
Não incorre nulidade por falta de indicação da infração ou de fundamentação quando a descrição da autuação aponta todos os elementos em que se baseia e os fundamentos jurídicos que indicam os atos contestados.
DESÁGIO NA AQUISIÇÃO DE INVESTIMENTO. ADIÇÃO AO LALUR NA LIQUIDAÇÃO. NÃO COMPROVAÇÃO. PROCEDÊNCIA.
Não sendo comprovada a adição dos deságios obtidos na aquisição de investimentos quando de sua liquidação. Mantém-se o lançamento de adição na apuração do lucro real.
DEDUÇÃO INDEVIDA DE PERDA EM BAIXA DE APORTE DE CAPITAL. PROCEDÊNCIA.
Os valores entregues à empresa controlada para saneamento de patrimônio líquido negativo não podem ser considerados dedutíveis quando de sua baixa como perda, por se configurar operação de aporte de capital em controlada e não restar caracterizado o cumprimento de determinação legal do órgão regulador.
BAIXA DE DIFERENÇAS IPC x BTNF DE 1990. FALTA DE ADIÇÃO Á À BASE DE CÁLCULO DA CSLL. PROCEDÊNCIA.
Não sendo comprovada a adição das diferenças de IPX x BTNF de 1990 na base de cálculo da CSLL, mantém-se o lançamento de adição na apuração desta mesma base.
PROVISÃO DE ACRÉSCIMOS MORATÓRIOS SOBRE TRIBUTOS SUB JUDICE. FALTA DE ADIÇÃO NA BASE DE CÁLCULO DA CSLL. PROCEDÊNCIA.
Não são dedutíveis as provisões de acréscimos moratórios relativos a tributos sub judice, enquanto mantida esta condição. Valores das provisões devem ser adicionados de ofício à base de cálculo da CSLL quando não comprovada a adição pelo contribuinte.
MULTA ISOLADA. FALTA DE PAGAMENTO DA ESTIMATIVA DO IRPJ E CSLL. ABSORÇÃO PELA MULTA DE OFÍCIO. PRINCÍPIO DA CONSUNÇÃO. IMPROCEDÊNCIA.
Tratando-se a multa isolada pela falta de recolhimento de estimativa de penalidade sobre o mesmo objeto de falta de recolhimento do IRPJ e CSLL anual. A penalidade maior, de ofício, absorve a menor até o montante do seu valor. Incidência do Princípio da Consunção. No caso comprovando-se a absorção total da multa isolada pela multa de ofício aplicada, improcede a aplicação da multa isolada.
Numero da decisão: 1401-002.099
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, afastar as arguições de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso no que tange: i) falta de adição no LALUR e na Base de Cálculo Negativa da CSLL dos deságios obtidos na aquisição de investimentos em razão de sua liquidação (infração 01); ii) falta de adição de baixa de valores relativos à diferença IPC/BTNF na base de cálculo da CSLL (infração 03); iii) falta de adição de provisão com acréscimos moratórios de tributos sub-judice na base de cálculo da CSLL (infração 04). Por maioria de votos: i) negar provimento ao recurso em relação à glosa de dedução considerada indevida, de baixa de aporte de capital (infração 02). Vencidos os Conselheiros Lívia De Carli Germano e Daniel Ribeiro Silva, que fará declaração de seu voto; ii) dar provimento ao recurso para cancelar a imputação da multa isolada exigida sobre as estimativas não pagas (infração 05). Vencidos os Conselheiros Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa e Luiz Augusto de Souza Gonçalves. Declarou-se impedido de votar o Conselheiro José Roberto Adelino da Silva.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente)
Abel Nunes de Oliveira Neto - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Jose Roberto Adelino da Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Lívia De Carli Germano, Daniel Ribeiro Silva, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa
Nome do relator: ABEL NUNES DE OLIVEIRA NETO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201710
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2009, 2010, 2011 NULIDADES. FALTA DE INDICAÇÃO DA INFRAÇÃO E FALTA DE FUNDAMENTAÇÃO. NÃO OCORRÊNCIA. Não incorre nulidade por falta de indicação da infração ou de fundamentação quando a descrição da autuação aponta todos os elementos em que se baseia e os fundamentos jurídicos que indicam os atos contestados. DESÁGIO NA AQUISIÇÃO DE INVESTIMENTO. ADIÇÃO AO LALUR NA LIQUIDAÇÃO. NÃO COMPROVAÇÃO. PROCEDÊNCIA. Não sendo comprovada a adição dos deságios obtidos na aquisição de investimentos quando de sua liquidação. Mantém-se o lançamento de adição na apuração do lucro real. DEDUÇÃO INDEVIDA DE PERDA EM BAIXA DE APORTE DE CAPITAL. PROCEDÊNCIA. Os valores entregues à empresa controlada para saneamento de patrimônio líquido negativo não podem ser considerados dedutíveis quando de sua baixa como perda, por se configurar operação de aporte de capital em controlada e não restar caracterizado o cumprimento de determinação legal do órgão regulador. BAIXA DE DIFERENÇAS IPC x BTNF DE 1990. FALTA DE ADIÇÃO Á À BASE DE CÁLCULO DA CSLL. PROCEDÊNCIA. Não sendo comprovada a adição das diferenças de IPX x BTNF de 1990 na base de cálculo da CSLL, mantém-se o lançamento de adição na apuração desta mesma base. PROVISÃO DE ACRÉSCIMOS MORATÓRIOS SOBRE TRIBUTOS SUB JUDICE. FALTA DE ADIÇÃO NA BASE DE CÁLCULO DA CSLL. PROCEDÊNCIA. Não são dedutíveis as provisões de acréscimos moratórios relativos a tributos sub judice, enquanto mantida esta condição. Valores das provisões devem ser adicionados de ofício à base de cálculo da CSLL quando não comprovada a adição pelo contribuinte. MULTA ISOLADA. FALTA DE PAGAMENTO DA ESTIMATIVA DO IRPJ E CSLL. ABSORÇÃO PELA MULTA DE OFÍCIO. PRINCÍPIO DA CONSUNÇÃO. IMPROCEDÊNCIA. Tratando-se a multa isolada pela falta de recolhimento de estimativa de penalidade sobre o mesmo objeto de falta de recolhimento do IRPJ e CSLL anual. A penalidade maior, de ofício, absorve a menor até o montante do seu valor. Incidência do Princípio da Consunção. No caso comprovando-se a absorção total da multa isolada pela multa de ofício aplicada, improcede a aplicação da multa isolada.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Nov 23 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10882.721304/2014-93
anomes_publicacao_s : 201711
conteudo_id_s : 5801326
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Nov 23 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 1401-002.099
nome_arquivo_s : Decisao_10882721304201493.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : ABEL NUNES DE OLIVEIRA NETO
nome_arquivo_pdf_s : 10882721304201493_5801326.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, afastar as arguições de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso no que tange: i) falta de adição no LALUR e na Base de Cálculo Negativa da CSLL dos deságios obtidos na aquisição de investimentos em razão de sua liquidação (infração 01); ii) falta de adição de baixa de valores relativos à diferença IPC/BTNF na base de cálculo da CSLL (infração 03); iii) falta de adição de provisão com acréscimos moratórios de tributos sub-judice na base de cálculo da CSLL (infração 04). Por maioria de votos: i) negar provimento ao recurso em relação à glosa de dedução considerada indevida, de baixa de aporte de capital (infração 02). Vencidos os Conselheiros Lívia De Carli Germano e Daniel Ribeiro Silva, que fará declaração de seu voto; ii) dar provimento ao recurso para cancelar a imputação da multa isolada exigida sobre as estimativas não pagas (infração 05). Vencidos os Conselheiros Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa e Luiz Augusto de Souza Gonçalves. Declarou-se impedido de votar o Conselheiro José Roberto Adelino da Silva. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente. (assinado digitalmente) Abel Nunes de Oliveira Neto - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Jose Roberto Adelino da Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Lívia De Carli Germano, Daniel Ribeiro Silva, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa
dt_sessao_tdt : Tue Oct 17 00:00:00 UTC 2017
id : 7024130
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:10:01 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049733510987776
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 59; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1848; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 6.191 1 6.190 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10882.721304/201493 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1401002.099 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 17 de outubro de 2017 Matéria IRPJ Recorrente SILVIO SANTOS PARTICIPAÇÕES S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009, 2010, 2011 NULIDADES. FALTA DE INDICAÇÃO DA INFRAÇÃO E FALTA DE FUNDAMENTAÇÃO. NÃO OCORRÊNCIA. Não incorre nulidade por falta de indicação da infração ou de fundamentação quando a descrição da autuação aponta todos os elementos em que se baseia e os fundamentos jurídicos que indicam os atos contestados. DESÁGIO NA AQUISIÇÃO DE INVESTIMENTO. ADIÇÃO AO LALUR NA LIQUIDAÇÃO. NÃO COMPROVAÇÃO. PROCEDÊNCIA. Não sendo comprovada a adição dos deságios obtidos na aquisição de investimentos quando de sua liquidação. Mantémse o lançamento de adição na apuração do lucro real. DEDUÇÃO INDEVIDA DE PERDA EM BAIXA DE APORTE DE CAPITAL. PROCEDÊNCIA. Os valores entregues à empresa controlada para saneamento de patrimônio líquido negativo não podem ser considerados dedutíveis quando de sua baixa como perda, por se configurar operação de aporte de capital em controlada e não restar caracterizado o cumprimento de determinação legal do órgão regulador. BAIXA DE DIFERENÇAS IPC x BTNF DE 1990. FALTA DE ADIÇÃO Á À BASE DE CÁLCULO DA CSLL. PROCEDÊNCIA. Não sendo comprovada a adição das diferenças de IPX x BTNF de 1990 na base de cálculo da CSLL, mantémse o lançamento de adição na apuração desta mesma base. PROVISÃO DE ACRÉSCIMOS MORATÓRIOS SOBRE TRIBUTOS SUB JUDICE. FALTA DE ADIÇÃO NA BASE DE CÁLCULO DA CSLL. PROCEDÊNCIA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 72 13 04 /2 01 4- 93 Fl. 6224DF CARF MF 2 Não são dedutíveis as provisões de acréscimos moratórios relativos a tributos sub judice, enquanto mantida esta condição. Valores das provisões devem ser adicionados de ofício à base de cálculo da CSLL quando não comprovada a adição pelo contribuinte. MULTA ISOLADA. FALTA DE PAGAMENTO DA ESTIMATIVA DO IRPJ E CSLL. ABSORÇÃO PELA MULTA DE OFÍCIO. PRINCÍPIO DA CONSUNÇÃO. IMPROCEDÊNCIA. Tratandose a multa isolada pela falta de recolhimento de estimativa de penalidade sobre o mesmo objeto de falta de recolhimento do IRPJ e CSLL anual. A penalidade maior, de ofício, absorve a menor até o montante do seu valor. Incidência do Princípio da Consunção. No caso comprovandose a absorção total da multa isolada pela multa de ofício aplicada, improcede a aplicação da multa isolada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, afastar as arguições de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso no que tange: i) falta de adição no LALUR e na Base de Cálculo Negativa da CSLL dos deságios obtidos na aquisição de investimentos em razão de sua liquidação (infração 01); ii) falta de adição de baixa de valores relativos à diferença IPC/BTNF na base de cálculo da CSLL (infração 03); iii) falta de adição de provisão com acréscimos moratórios de tributos subjudice na base de cálculo da CSLL (infração 04). Por maioria de votos: i) negar provimento ao recurso em relação à glosa de dedução considerada indevida, de baixa de aporte de capital (infração 02). Vencidos os Conselheiros Lívia De Carli Germano e Daniel Ribeiro Silva, que fará declaração de seu voto; ii) dar provimento ao recurso para cancelar a imputação da multa isolada exigida sobre as estimativas não pagas (infração 05). Vencidos os Conselheiros Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa e Luiz Augusto de Souza Gonçalves. Declarouse impedido de votar o Conselheiro José Roberto Adelino da Silva. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. (assinado digitalmente) Abel Nunes de Oliveira Neto Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Jose Roberto Adelino da Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Lívia De Carli Germano, Daniel Ribeiro Silva, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa Fl. 6225DF CARF MF Processo nº 10882.721304/201493 Acórdão n.º 1401002.099 S1C4T1 Fl. 6.192 3 Relatório Iniciemos com o relatório da decisão de Piso sobre o caso. Fl. 6226DF CARF MF 4 Fl. 6227DF CARF MF Processo nº 10882.721304/201493 Acórdão n.º 1401002.099 S1C4T1 Fl. 6.193 5 Fl. 6228DF CARF MF 6 Fl. 6229DF CARF MF Processo nº 10882.721304/201493 Acórdão n.º 1401002.099 S1C4T1 Fl. 6.194 7 Fl. 6230DF CARF MF 8 Fl. 6231DF CARF MF Processo nº 10882.721304/201493 Acórdão n.º 1401002.099 S1C4T1 Fl. 6.195 9 Fl. 6232DF CARF MF 10 Fl. 6233DF CARF MF Processo nº 10882.721304/201493 Acórdão n.º 1401002.099 S1C4T1 Fl. 6.196 11 Fl. 6234DF CARF MF 12 Fl. 6235DF CARF MF Processo nº 10882.721304/201493 Acórdão n.º 1401002.099 S1C4T1 Fl. 6.197 13 Fl. 6236DF CARF MF 14 Fl. 6237DF CARF MF Processo nº 10882.721304/201493 Acórdão n.º 1401002.099 S1C4T1 Fl. 6.198 15 Fl. 6238DF CARF MF 16 Fl. 6239DF CARF MF Processo nº 10882.721304/201493 Acórdão n.º 1401002.099 S1C4T1 Fl. 6.199 17 Fl. 6240DF CARF MF 18 Fl. 6241DF CARF MF Processo nº 10882.721304/201493 Acórdão n.º 1401002.099 S1C4T1 Fl. 6.200 19 Fl. 6242DF CARF MF 20 Da análise da acusação em confronto com as alegações da impugnação a Delegacia de Julgamento considerou improcedente a impugnação e manteve, na íntegra, a autuação lavrada. Cientificado da decisão o contribuinte apresentou recurso voluntário no qual apresenta as seguintes alegações: 1) Alega que a operação foi realizada de acordo com as determinações do BACEN e FGC; Que o aporte foi feito por meio da SPP para que não houvesse prejuízo aos outros acionistas do BP, que não sofreram ganho nem perda com a operação; NULIDADES: a) Falta de indicação clara das supostas infrações cometidas. Alega que apesar de extenso, o relatório não é preciso ao indicar o fundamento jurídico que determina a infração à legislação quanto ao procedimento adotado pelo recorrente. NULIDADES: b) Falta de fundamentação para alegação de erro contábil. Alega não ter ocorrido a demonstração clara e precisa da regra contábil que não tenha sido mal aplicada pela empresa. Alega que faltou à fiscalização a demonstração da regra infringida e a de que o posicionamento da fiscalização seria o adequado. MÉRITO. a) Correta Contabilização e baixa do ativo 77. Primeiro, nem a D. Fiscalização (no TVF) e nem a DRJ/BSB (no v. Acórdão recorrido) indicaram qual seria a regra jurídica ou contábil específica (ou interpretação "correta" de regra jurídica ou contábil específica) que, aplicada ao caso dos autos, ensejaria a referida reclassificação contábil do Aporte BP que foi exigida da Requerente. Ou seja, conforme indicado acima, a D. Fiscalização alega, e a DRJ/BSB insiste, que a Requerente teria cometido um "erro contábil," mas ambas apresentam apenas conjecturas e argumentos de autoridade ao invés de propriamente indicar qual regra jurídica ou contábil específica a Requerente teria deixado de aplicar, ou teria aplicado de maneira incorreta. 78. Segundo, o aumento do capital social de uma sociedade anônima é um ato solene e formal, que, nos termos do artigo 166 da Lei n° 6.404/76, depende de aprovação dos acionistas representando pelo menos 51% do capital em assembleia geral convocada para essa finalidade específica, o que de fato não ocorreu, e, no caso especifico de uma instituição financeira, como o Panamericano, de aprovação prévia do BACEN, nos termos da alínea "f" do inciso X do artigo 10, da Lei n° 4.595/64, o que novamente de fato não ocorreu. 80. Terceiro, os Contratos celebrados entre a Requerente e o FGC (que é terceiro sem qualquer vinculo com a Requerente, e que não tinha nenhum interesse patrimonial nas operações próprias da Requerente) contém previsão expressa no sentido de a Fl. 6243DF CARF MF Processo nº 10882.721304/201493 Acórdão n.º 1401002.099 S1C4T1 Fl. 6.201 21 Requerente dever (i) arcar sozinha com a recomposição do patrimônio líquido do Panamericano, e (ii) estar obrigada a fazêlo de uma maneira específica, mediante aporte em conta de Depósito de Acionista, e sem aumento do capital social do Panamericano para não ocasionar diluição dos demais acionistas, dentre os quais se incluía principalmente a Caixa Participações S.A., então com participação de 36,56%. 82. Por fim, em quarto lugar, não consta dos autos (até mesmo porque não existem) quaisquer contratos, manifestações, autorizações ou documentos escritos que pudessem ter sido trocados entre Requerente e os demais acionistas do Panamericano no qual esses acionistas de alguma maneira autorizem ou solicitem que a Requerente faça qualquer aporte no Panamericano em nome deles. 83. Pelo contrário, pois, o que existe é farta evidencia documental no sentido de o BACEN e o FGC terem compelido a Requerente a reconhecer a recomposição patrimonial do Panamericano como uma obrigação exclusiva sua, o que, no entender da Requerente, não representa suporte jurídico adequado para fazer surgir um direito de crédito da Requerente contra qualquer acionista do Panamericano que seja e, muito menos, subsidiar uma cobrança judicial com relação à parcela proporcional do Aporte BP, como sugere a D. Fiscalização às fls. 58/59 do TVF. 91. Essa natureza especial do ativo "Aporte BP" é fundamental, e demanda aprofundamento, pois, tal ativo essencialmente reúne todas as características necessárias para receber o mesmo tratamento aplicável a um aumento de capital (mas sem com ele se confundir, por ausência de cumprimento das formalidades necessárias), conforme interpretação adotada pelo PN CST n° 4/81 e pelos precedentes administrativos descritos acima, bem como expressa e textualmente reconhecido pela D. Fiscalização nas fls. 38/39 do TVF. 92. Assim, tendo em vista que a melhor técnica contábil se orienta para a equiparação do ativo especial representado pelo Aporte BP como elemento intrínseco do investimento mantido pela Requerente no Panamericano, e que não existe outra classificação mais adequada para o referido aporte, como demonstrado acima, a Requerente tem sua contabilização e baixa por correta e adequada. Trecho da conclusão do Parecer do Professor Nelson Carvalho 47. Diante desta realidade, entendemos adequado o tratamento contábil dos recursos aportados pela SSPSA no BPSA reconhecendolhes a natureza de ativo (de SSPSA). Isso porque restam presentes os três elementos para a sua caracterização: (7) a existência de controle dos recursos; (ii) a vinculação do benefício a uma transação passada e (777) a provável existência de futuros benefícios econômicos." b. Obrigação de recompor o patrimônio do Banco Panamericano 103. Assim, ainda que os demais acionistas do Panamericano possam, talvez, ter auferido algum benefício contábil pelo Aporte BP, é fato que o principal beneficiado por essa medida (imposta pelo BACEN, conforme item 6 do doe. n° 9 da Impugnação), foi a própria Requerente, pois, caso assim não fosse, certamente seria responsabilizada por 100% das irregularidades apuradas no Panamericano, bem como estaria sujeita à indisponibilidade de todos os seus bens e responsabilização Fl. 6244DF CARF MF 22 solidária até a conclusão do processo de intervenção ou liquidação extrajudicial daquela instituição. 105. Assim, não se cabendo falar em participação dos minoritários na recomposição patrimonial do Panamericano, de igual maneira não se cabe cogitar de eventual direito de crédito da Requerente em face destes, como bem reconheceu o próprio Acórdão recorrido. B.2. Normalidade, Usualidade e Necessidade do Desembolso Apresente em seu benefício, os argumentos que entende aplicáveis ao caso para caracterizar a possibilidade de dedução da despesa na apuração do resultado. (a) normal: muito embora não exista um parâmetro objetivo para auferir a normalidade de uma despesa com a recomposição patrimonial de uma instituição financeira deficitária, é no mínimo razoável considerar que os valores desembolsados com o beneplácito e supervisão do Banco Central do Brasil e do FGC para fazer frente a prejuízos dessa natureza. Em outras palavras, claramente não se trata, aqui, de um aporte em valor muito superior ao necessário; (b) usual: de maneira semelhante, também é no mínimo razoável considerar que o aporte realizado seja algo habitual dentro da circunstância especial de resgate de uma instituição financeira deficitária, até mesmo porque a lei obriga os controladores a assim proceder, sob pena de serem compelidos a fazêlo pelo Banco Central do Brasil. Portanto, uma vez verificada a ameaça de insolvência, não há nada de conceitualmente extraordinário na circunstancia de seu controlador ser chamado a restabelecer a sua solvência; e (c) necessária: por fim, parece óbvio que a realização de desembolsos previstos em contratos (/.e. os Contratos) celebrados junto a terceiros independentes (/'.e. FGC) por determinação do agente público regulador do sistema bancário, sob pena de responsabilização solidária, indisponibilidade de bens, e possível falência, em caso de recusa, representa um gasto conceitualmente necessário para o desenvolvimento das atividades da Requerente (que, convém ressaltar, é uma sociedade holding) e, portanto, para a manutenção da fonte produtora de seus rendimentos (/.e. detenção de participações societárias). 109. Assim, não sendo o caso de reconhecer os efeitos contábeis e fiscais da Dedução do Aporte BP, na forma descrita na seção anterior, a Requerente requer que as prestações identificadas como o Aporte BP sejam ao menos reconhecidas como despesas contratuais dedutíveis da base de cálculo do IRPJ e da CSLL quando de sua realização. 115. Assim, verificase, em sede de argumentação subsidiária, que a realização dos Aportes BP também poderia ser entendida como um pagamento a título de "indenização" ou "acordo extrajudicial," ambos os quais plenamente dedutíveis como despesas operacionais (contanto que não relacionados a multas regulatórias punitivas, o que não é o caso dos autos), a ensejar o cancelamento dos Autos de Infração na forma em que lavrados. OUTRAS INFRAÇÕES: Fl. 6245DF CARF MF Processo nº 10882.721304/201493 Acórdão n.º 1401002.099 S1C4T1 Fl. 6.202 23 1. Falta de adição dos deságios quando da alienação de investimentos 118. De acordo com a autuação, foram gerados deságios nas aquisições de ações de emissão do BP, nos valores de R$ 953.971,20 em 10.11.2009 e de R$ 41.073.547,36 em 17.11.2010. 119. No entender da D. Fiscalização, estes deságios deveriam ter sido oferecidos à tributação para fins do lucro real e da base de cálculo de CSLL no anocalendário de 2011, quando o investimento no BP foi alienado, reduzindo o saldo de prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa de CSLL daquele período. Como fundamento às suas alegações, a D. Fiscalização indicou os artigos 385 e 391 do RIR/99: 121. DD. Julgadores, em que pese esse entendimento, é preciso também considerar as disposições do artigo 426 do RIR/999 que determina que, no caso de liquidação ou alienação do investimento adquirido com ágio ou deságio, o valor do ágio/deságio deve ser adicionado ao valor patrimonial da participação (independentemente da amortização contábil do ágio) para fins de apuração do ganho ou perda de capital decorrente da liquidação ou alienação do investimento. 122. Nesse contexto, nos termos dos dispositivos legais indicados acima, o deságio não realizado até a alienação não impactará a apuração do eventual ganho de capital, de forma que se tribute apenas o efetivo resultado (ganho ou perda) apurado na baixa do investimento. 123. No momento da alienação do investimento, as parcelas correspondentes aos deságios nas aquisições do BP passaram a compor o resultado do período e foram devidamente tributadas (como lucro líquido). 124. Admitir a adição pretendida pela D. Fiscalização implicaria em onerar os mesmos valores duplamente: por meio da apuração do lucro líquido e também com sua adição à base fiscal. B. Falta de adição de baixa de valores da diferença de correção monetária complementar IPC/BTNF na base da CSLL 128. Em síntese, a Requerente detinha, na conta de investimentos no Panamericano, o montante de R$ 9.608.849,68 (nove milhões, seiscentos e oito mil, oitocentos e quarenta e nove reais e sessenta e oito centavos) decorrentes da correção monetária complementar de 1990, apurada pela diferença entre o IPC e o BTNF. 132. Em que pese o entendimento do V. Acórdão recorrido, o fato é que o valor deduzido da base de cálculo da CSLL já havia sido tributado no ano em que foi procedida a correção das demonstrações financeiras. Assim, a exigência da D. Fiscalização implicaria em tributar uma segunda vez valores que já foram tributados e, portanto, deve ser cancelada. C. Falta de adição na base de cálculo da CSLL de provisão comacréscimos moratórios de tributos com exigibilidade suspensa Fl. 6246DF CARF MF 24 134. No entender da D. Fiscalização, os tributos com exigibilidade suspensa, incluindo os acréscimos moratórios, "tem o caráter de provisão não dedutível na determinação da base de cálculo da CSL" pois "não gozam de certeza e liquidez absoluta," o que foi repetido pelo v. Acórdão recorrido ao afirmar que: " ( . . . ) os tributos com exigibilidade suspensa contabilizados em conta de passivo têm o caráter de provisão, por não possuírem o grau de certeza necessário à configuração das obrigações." 137. Na determinação do lucro real base de cálculo do IRPJ essa vedação é expressa e encontrase atualmente disciplinada pelo artigo 41 da Lei n° 8.981, de 20.1.1995 ("Lei n° 8.981/95") 145. Dessa forma, temos que a regra específica de indedutibilidade, no regime de competência, dos tributos com a exigibilidade suspensa contida no art. 41, §1°, da Lei n°. 8.981/95, não se aplica à CSLL e, portanto, não há previsão legal que vede expressamente as deduções efetuadas pela Recorrente. 146. Nesse cenário, admitir a inclusão desses valores na base de cálculo da CSLL, no limite, implicaria em uma majoração da referida contribuição sem previsão legal expressa, o que, por si só enseja o cancelamento integral da autuação em referência, sob pena de violação ao próprio princípio da legalidade tributária, previsto nos artigos 150, I, da CF e 97, inciso I I , do CTN. 148. Os tributos com exigibilidade suspensa são obrigações já conhecidas e devidas, decorrentes de lei, e, como consequência disso, são, na realidade, despesas registradas como obrigações a pagar, sob o regime de competência. 149. Assim, não há que se falar que a incerteza que permeia um tributo com exigibilidade suspensa seria passível de enquadrálo no conceito de provisão. É importante ter em mente que, uma vez editada a norma e ocorrido o fato gerador, surge em definitivo a obrigação e o respectivo crédito tributário, nos exatos termos no §1° do artigo 113 do CTN 150. Eventuais discussões sobre a validade de normas não têm o condão de afetar o nascimento da obrigação tributária e tampouco a existência da dívida, apenas postergam eventualmente o seu pagamento em razão da suspensão da exigibilidade do crédito. 151. Assim, enquanto a exigibilidade do tributo estiver suspensa, a lei determina que o mesmo é devido, o que o caracteriza como uma despesa incorrida e não como simples provisão. Nesse sentido, se manifestou HUGO DE BRITO MACHADO, in verbis: 153. Diante do exposto, resta evidenciado que as despesas relacionadas aos acréscimos moratórios relativos aos tributos com exigibilidade suspensa não possuem natureza de provisão. Dessa forma, considerando que não há previsão legal que vede expressamente as deduções efetuadas pela Requerente, a exigência relacionada à 4 a infração identificada pela D. Fiscalização deve ser integralmente cancelada. 154. Por fim, vale destacar que ainda que prevaleça o entendimento da D. Fiscalização de que os mencionados encargos são indedutíveis para fins da CSLL, esta indedutibilidade é apenas temporária. Isso porque, em 2011, os tributos e os respectivos acréscimos moratórios foram revertidos contabilmente, gerando receita tributável naquele anocalendário. Com isso, considerando que tais valores foram oferecidos à tributação, não merece ser mantida a glosa efetuada pela D. Fiscalização. D. Aplicação de multa isolada em decorrência da falta de pagamento das estimativas mensais de IRPJ e CSLL Finalmente, neste ponto do recurso, aponta e apresenta diversos precedentes no sentido de ser impossível a aplicação da multa isolada por falta de pagamento por estimativa. DAS CONTRARAZÕES AO RECURSO VOLUNTÁRIO Fl. 6247DF CARF MF Processo nº 10882.721304/201493 Acórdão n.º 1401002.099 S1C4T1 Fl. 6.203 25 A PGFN apresentou contrarazões ao recurso voluntário por meio do memorial de fls. 6133/6161, no qual concorda com os termos da análise promovida pela Delegacia de Julgamento e, repisando os argumentos da acusação e da Decisão de Piso, protesta pela manutenção da autuação em sua integralidade. Voto Conselheiro Abel Nunes de Oliveira Neto Relator Iniciemos com a análise das preliminares levantadas pelo recorrente: NULIDADES: a) Falta de indicação clara das supostas infrações cometidas. Com relação a esta nulidade apontada, entendo não assistir razão ao recorrente. A descrição dos fatos é longa e os fatos que levaram à autuação da empresa decorrem de diversas informações contábeis que o fiscal informa que a empresa deveria ter procedido para atender às normas contábeis. Entretanto, não nos parece ter ocorrido cerceamento de direito de defesa no caso específico. Ora, desde o início do TVF o fiscal já indica que a autuação decorre da impossibilidade de dedução, como despesa do exercício, dos valores que se referem à finalização da operação de crédito para recomposição patrimonial do Banco Panamericano e a alienação da respectiva participação ao BTG Pactual com a consequente dação em pagamento do contrato de alienação ao FGC para quitação dos valores obtidos junto àquele fundo. Ou seja, a defesa da empresa, em que pese a complexidade das operações realizadas e a sua investigação pela fiscalização, se resumiria a demonstrar de forma fundamentada, que os lançamentos realizados à conta de despesa do exercício possuíam fundamento jurídico. Fl. 6248DF CARF MF 26 Assim, demonstrase que não se verifica a nulidade apontada, vez que os fundamentos apontados pela fiscalização permitem entender o fato apontado como irregular e, em consequência apresentar as suas justificativas. O fato de a defesa ter de envidar esforços para contestar os argumentos levantados pela acusação não importa em cerceamento do direito de defesa quando resta bastante claro o fundamento factual e jurídico que levou à glosa das despesas deduzidas pela empresa. Assim, entendo por rejeitar esta preliminar. NULIDADES: b) Falta de fundamentação para alegação de erro contábil Novamente nesta preliminar a recorrente alega que a fiscalização não apresentou indicação clara da regra contábil que alega ter sido infringida pela empresa. Em suas alegações informa que os precedentes apresentados não se relacionam ao caso e que a fiscalização não indicou qualquer pronunciamento contábil ou norma da CVM que tenha sido contrariada. Mais ainda, informa que a fiscalização também não demonstrou os fundamentos que demonstram que seu entendimento é o correto sobre a matéria. Novamente em se tratando de análise de nulidade, para que essa se demonstre é necessário que haja um fundado prejuízo ao direito de defesa do recorrente. Vejase os precedentes do CARF neste sentido. Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2001 NULIDADE. FUNDAMENTAÇÃO LEGAL DEFICIENTE. CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Inexiste a alegada deficiência de fundamentação se o relatório fiscal descreveu minuciosamente as operações societárias realizadas pela recorrente e, apoiado nas normas que regem a matéria, apontou as razões para que a amortização do ágio levada a efeito fosse glosada. Além disso, tendo a recorrente demonstrado, em sua impugnação e recurso voluntário, completo entendimento das acusações fiscais imputadas, trazendo ampla argumentação contra as imputações e escudando o seu procedimento na mesma legislação apontada não Termo de Constatação Fiscal e no Auto de Infração, não há que se cogitar de cerceamento ao direito de defesa. (Acórdão nº 1301001637,de 28 de agosto de 2014) Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2007 CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não ocorre cerceamento de defesa quando o lançamento está revestido de todos requisitos legais e o contribuinte tem a garantia do contraditório e a plenitude do direito de defesa. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. A declaração de nulidade de atos processuais depende da demonstração do efetivo prejuízo, o que não restou comprovado neste processo. O lançamento apresenta o tributo lançado de forma analítica e sintética, contém discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das razões e da metodologia de aferição, dos períodos a que se referem, da fundamentação legal, enfim, contém todos elementos previstos no artigo 142 do CTN. (Acórdão nº 2403002.743 de 07 de outubro de 2014) Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2007, 2008, 2009 FALTA DE INDICAÇÃO DE FUNDAMENTAÇÃO LEGAL DA INFRAÇÃO. Fl. 6249DF CARF MF Processo nº 10882.721304/201493 Acórdão n.º 1401002.099 S1C4T1 Fl. 6.204 27 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. A fundamentação legal não se estabelece somente pela indicação do dispositivo legal a que se refere. Ela também compreende a descrição do fato imponível, daquele que retrata a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, que, a meu ver, é de mais alto relevo do que a própria descrição legal, pois permite à outra parte o perfeito conhecimento do que lhe está sendo arrogado. AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. OUTRAS HIPÓTESES. INOCORRÊNCIA. A nulidade somente se apresenta quando os atos e termos são lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões são proferidos por autoridade incompetente ou quando há preterição do direito de defesa. (Acórdão 1401001.900, de 26 de junho de 2017) No presente caso, a alegação de erro contábil é, em nosso entender, mais uma imprecisão linguística do que um fundamento jurídico. Vejase que o que a fiscalização considerou como erro contábil foi a forma como a recorrente informou contabilmente os fatos econômicos ocorridos na operação. Assim, ela passou a descrever a hipótese que entendia ser correta de aplicação ao caso e, a partir deste entendimento, discorreu os fatos que fundamentaram a autuação. Por isso, assim, como na primeira preliminar, apesar de a fiscalização ter alegado um suposto erro contábil, o que foi informado, em verdade, foram registros contábeis que a fiscalização considerou inadequados para o caso e que a recorrente, em sua defesa precisaria apenas demonstrar que foram feitos de acordo com determinados preceitos ou premissas. Decorre desta análise que não houve prejuízo à defesa no fato de a fiscalização ter apontado com incorreção linguística, a existência de erro contábil quando, na verdade, depreendido de toda a análise apresentada pela fiscalização, ocorreram registros contábeis dos quais a fiscalização entendeu que não eram os corretos e apresentou os lançamentos que considerava adequados ao caso. Nulidades apontadas em relação a simples imprecisões linguísticas da fiscalização não devem ser acatadas quando não decorrem em evidente prejuízo à defesa da empresa. Assim, rejeito também esta preliminar. DO MÉRITO: Estão em discussão no presente recurso os seguintes pontos que foram objeto de autuação por parte da fiscalização. Fl. 6250DF CARF MF 28 Valor da falta de adição: R$ 42.026.591,26 constatado quando da venda pela SSPSA das ações do BP ao BTG PACTUAL. Fl. 6251DF CARF MF Processo nº 10882.721304/201493 Acórdão n.º 1401002.099 S1C4T1 Fl. 6.205 29 As duas operações que geraram os deságios estão acima apresentadas, conforme indicado pelo fiscal em seu TVF. A empresa foi intimada a esclarecer a não adição dos deságios quando da apuração do ganho. Eis as respostas da empresa. Fl. 6252DF CARF MF 30 Ou seja, em suas justificativas a empresa informa que efetivamente não procedeu à adição dos deságios obtidos quando da apuração do ganho de capital, aponta, no entanto, que a falta desta adição não impactou no resultado do exercício tendo em vista que, naquele período fiscalizado foi registrado um prejuízo fiscal e base de cálculo negativa de CSLL da ordem de R$ 101.080.525,69, fazendo com que, na pior das hipóteses, a empresa tivesse apenas de efetuar ajustes nos seus saldos de prejuízo fiscal e base de cálculo negativa, não cabendo autuação quanto a isto. Interessante notar que, em sede de recurso voluntário, ao contestar a autuação e a decisão da DRJ que a manteve neste item, a recorrente apresenta os seguintes argumentos: 122. Nesse contexto, nos termos dos dispositivos legais indicados acima, o deságio não realizado até a alienação não impactará a apuração do eventual ganho de capital, de forma que se tribute apenas o efetivo resultado (ganho ou perda) apurado na baixa do investimento. 123. No momento da alienação do investimento, as parcelas correspondentes aos deságios nas aquisições do BP passaram a compor o resultado do período e foram devidamente tributadas (como lucro líquido). A argumentação, em si nos parece adequada, entretanto sofre de um problema insuperável. O contribuinte não apresentou prova a sustentar que os efeitos da inclusão dos deságios no ganho de capital tivessem sido efetivamente considerados na apuração do ganho de capital. Fl. 6253DF CARF MF Processo nº 10882.721304/201493 Acórdão n.º 1401002.099 S1C4T1 Fl. 6.206 31 Vejase que oportunidades não faltaram ao recorrente de demonstrar a prova de que o que a fiscalização aponta como valores não levados ao resultado do ganho de capital foram tributados pela empresa na apuração do resultado do exercício. Pior ainda, a fiscalização, realizada bem depois do encerramento do exercício, constatou que não foram feitos os lançamentos de baixa dos valores. Disto não cuidou a recorrente e, assim, não há como lhe apontar razão neste item, haja vista que o elemento de prova neste sentido deveria ter sido por ela apresentado. Assim, neste ponto, entendo não assistir razão à recorrente, devendo ser mantida a autuação relativa à infração 01. Da análise da controvérsia trazida a julgamento neste CARF, verificamos que em relação à infração 02, que se refere à glosa de despesas no montante de R$ 3.427.428,400,00, relativa à lançamento que a fiscalização considerou incorreto de baixa de ativo especial registrado no valor original de R$ 3.800.000,000,00 como despesa do exercício, por entender que não poderia o valor ter sido lançado como despesa dedutível . A glosa foi então apurada a partir da alegação de que os 3,8 bilhões repassados pelo FGC ao BP seriam análogos ao aporte de capital, só que, neste caso, sem que os demais acionistas fossem obrigados a fazer aportes semelhantes para a manutenção de suas participações. Desta premissa o fiscal elaborou diversos cálculos de ajustes de equivalência patrimonial no próprio BP e suas subsidiárias, inclusive considerando separadamente oi dois aportes nos valores individuais de 2,5 bilhões e 1,3 bilhões. Vejase a apresentação dos cálculos pelo fiscal. Fl. 6254DF CARF MF 32 Com este seu entendimento do que deveria ser a correta operação o fiscal entendeu haver erro na contabilização realizada pelo banco, apresentando a forma que considerava correta para a realização dos lançamentos e considerou indevida a dedução das despesas relativas ao depósito realizado junto ao BP com os recursos do FGC, por não ser admitida pela legislação. Vejamos alguns outros fatos que servem de norte a esta análise. Assim fez constar no auto de infração: Originalmente o valor de R$ 3.800.000.000,00 foi obtido pela SSP junto ao fundo garantidor de crédito FGC por meio de subscrição de debêntures e mútuo com vistas a suprir patrimônio liquido a descoberto por ordem e legislação societária e do Banco Central. Todo esse valor foi depositado diretamente junto ao Banco Panamericano para regularizar sua situação patrimonial, ficando o recorrente com a dívida junto ao FGC e o crédito . É de se notar que o valor recebido no BP não foi considerado receita tributável para fins de apuração do IRPJ. Fl. 6255DF CARF MF Processo nº 10882.721304/201493 Acórdão n.º 1401002.099 S1C4T1 Fl. 6.207 33 Em menos de dois meses decorridos da primeira operação de regularização (2,5 bilhões) o recorrente conseguiu negociar sua participação junto ao BP ao Banco BTG Pactual. Nesta negociação o BTG ficou obrigado a pagar: R$ 450.000.000,00 corrigidos até 2028 ou o valor integral de R$ 3.800.000.000,00 em 2028 no prazo de vencimento da dívida junto ao FGC, com a escolha da opção de pagamento a ser feita pelo próprio BTG. Deste acordo firmado junto ao BTG, no mesmo dia o crédito a receber foi dado em pagamento ao FGC extinguindo a dívida da SSP junto ao fundo e repassandoa ao BTG por meio do contrato de venda de sua participação. O problema do registro destas operações foi a realização do lançamento de baixa dos créditos a receber junto ao BP. Este lançamento foi feito em contrapartida a despesas e levado a resultado do exercício. Vejamos abaixo os lançamentos registrados na DIPJ do exercício. DESPESAS DO EXERCÍCIO: Incluindo os 3,8 Bilhões repassados pelo FGC diretamente ao Banco Panamericano. fls. 4.848 e baixados após a venda ao BTG Pactual. Fl. 6256DF CARF MF 34 APURAÇÃO DO RESULTADO: Lançamento das receitas pela baixa da dívida da empresa junto ao FGC (linha 39) e do ganho na alienação do investimento em BP (linha 59) Fl. 6257DF CARF MF Processo nº 10882.721304/201493 Acórdão n.º 1401002.099 S1C4T1 Fl. 6.208 35 Num olhar simples, parecenos que das operações de obtenção de recursos e da consequente cessão da participação acionária ao BTG que, apesar de constar um valor nominal de R$ 450.000.000,00 a serem pagos em 2028 atualizados, assumiu integralmente a dívida junto ao FGC, não deveria haver saldo positivo ou negativo. Ocorre, no entanto, que ao visualizarmos os lançamentos contábeis decorrentes da operação, da forma em que foram registrados na contabilidade de SSPSA demonstra que, efetivamente a empresa incluiu como dedutíveis, despesas que não se enquadrariam neste opção. Vejamos os lançamentos e os registros nos razonetes. 1 aquisição das debêntures pelo FGC 2.5 Bi 2 Aporte de 1,3 Bi com o mútuo do FGC 3 Baixa do investimento em BP 4 Venda da participação no BP ao BTG 5 Cessão de crédito ao FGC pela dívida e baixa do ativo Fl. 6258DF CARF MF 36 Ativo Depósito acionista Passivo Debêntures________ Resultado Custo baixado Inv. Em BP 1 2.500.000.000,00 5 3.800.000.000,00 4 2.500.000.000,00 1 2.500.000.000,00 3 73.428.399,20 2 1.300.000.000,00 Resultado Receita de venda BP 446.000.000,00 3 Ativo Investimento em BP Passivo Mutuo com o FGC_______ 3 419.688.902,82 3 490.702.583,12 4 1.300.000.000,00 2 1.300.000.000,00 Resultado Receita operação BP 3 2.414.719,28 3.350.000.000,00 4 R 73.428.399,60 Resultado Desp. Baixa Recomposição BP 5 3.800.000.000,00 Ativo Crédito a receber BTG_____ Passivo Crédito da BF 3 450.000.000,00 4 450.000.000,00 3 4.000.000,00 Como se vê acima, após os registros das operações de crédito junto ao FGC e depois de alienação da participação e baixa da dívida, restou um saldo de R$ 3.800.000.000,00 na conta de Ativo Depósito de acionistas. Para realizar a baixa deste ativo, que deixou de existir com a alienação da participação ao BTG, a recorrente realizou a contrapartida diretamente ao resultado do exercício a débito da conta de resultado Despesas de baixa da recomposição BP. Este é o lançamento que está sendo contestado pela fiscalização. Notese que após a reunião realizada pela empresa no Banco Central, onde se comprometeu a empreender um processo de regularização patrimonial do BP e, depois, com os acordos realizados entre esta o FGC e posteriormente o BTG, ficou estabelecido que os demais acionistas da BP não seriam prejudicados pelas irregularidades verificadas, ou seja, não seriam obrigados a integralizar capital ou assumir perdas com a operação. Vejamos a sequência das operações. Acordo com o FGC para aquisição de debêntures ( R$ 2.500.000.000,00). Fl. 6259DF CARF MF Processo nº 10882.721304/201493 Acórdão n.º 1401002.099 S1C4T1 Fl. 6.209 37 Contrato de Mútuo com o FGC para completar a reconstituição do patrimônio do BP Contrato de venda da participação de SSP no BP ao BTG PACTUAL em 31 de janeiro de 2011. Fl. 6260DF CARF MF 38 Contrato de dação em pagamento pelo qual SSP entrega seu direito de crédito junto ao BTG PACTUAL pela dívida havida contra o FGC, extinguindo suas obrigações para com o fundo. Cessão dos Direitos da venda ao FGC e perdão da dívida junto ao FGC Fl. 6261DF CARF MF Processo nº 10882.721304/201493 Acórdão n.º 1401002.099 S1C4T1 Fl. 6.210 39 Neste ponto devemos verificar que a alegação da acusação de que a despesa em questão seria indedutível encontra respaldo na legislação relativa ao tema. Ao realizar os acordos com o FGC e enviar os recursos diretamente ao BP, a recorrente registrou um crédito contra a controlada. Posteriormente, após a venda ao BTG e dação em pagamento, o valor deste crédito (operação 5 indicada mais acima nos razonetes) teve de ser baixado pois, na verdade, ocorreu uma perda da recorrente em relação a este crédito que não mais seria havido. Esta perda que foi levada a débito de resultado é que, em verdade, demonstra se indedutível na forma do art 340, do Regulamento do Imposto de Renda, que em seu parágrafo sexto dispõe: § 6º Não será admitida a dedução de perda no recebimento de créditos com pessoa jurídica que seja controladora, controlada, coligada ou interligada, bem como com pessoa física que seja acionista controlador, sócio, titular ou administrador da pessoa jurídica credora, ou parente até o terceiro grau dessas pessoas físicas (Lei nº 9.430, de 1996, art. 9º, § 6º). Daí demonstrada a base normativa que, apresentada pela fiscalização tanto no TVF, quanto no auto de infração, provocam a indedutibilidade das despesas, posto que estas referemse a créditos havidos perante empresa controlada. Neste ponto, devemos aqui transcrever trecho do acórdão 110100.766 da 1a. Câmara, da 1a. Turma Ordinária da 1a Seção deste CARF, ao tratar de processo relativo à aquisição de investimento de empresa que já à época da aquisição possuía Patrimônio Líquido a descoberto (semelhante ao do BP). Entende a recorrente que houve uma perda com a renúncia da interessada em receber o crédito. Porém, devese observar que não há, efetivamente, uma renúncia, mas sim uma compensação que extingue o direito de crédito representado pela nota e restabelece, para a investidora, parcela do capital que havia sido consumida pelo excesso de dividas, em relação aos ativos da investida, evidenciada no passivo a descoberto já antes mencionado. Fl. 6262DF CARF MF 40 0 Parecer Normativo CST n° 4/81, invocado pela recorrente, assim interpreta este procedimento, equivalendoo a um aporte de capital: 1. Tendo em vista que a eliminação do prejuízo irá influir na composição do patrimônio liquido e, portanto, na determinação do saldo da conta de correção monetária a que se refere o art. 39., item II, do DecretoLei n°1.598 (art. 347., do Regulamento do Imposto de Renda/80), pretendese saber em que circunstancias será havido corno regular o procedimento contábil em face da legislação tributária. 2. A legislação determina o registro, em conta especial, por ocasião da elaboração do balanço patrimonial, das contrapartidas dos ajustes de correção monetária das contas do ativo permanente e do patrimônio liquido cujo saldo será computado na determinação do lucro real (art. 347. , III e IV, do Regulamento do Imposto de Renda/80). Por conseqüência, qualquer alteração de valores do patrimônio liquido exercerá influência sobre a apuração do saldo da conta especial e do montante do imposto de renda devido. 3. Ao tratar da escrituração contábil, o Parecer Normativo CST n° 347 (Diário Oficial de 29/10/70) já colocou em destaque que... a forma de escriturar suas operações é de livre escolha do contribuinte, dentro dos princípios técnicos ditados pela Contabilidade e a repartição fiscal só a impugnará se a mesma omitir detalhes indispensáveis â determinação do verdadeiro lucro tributável, ficando reconhecido, com isso, o direito de o contribuinte adotar o procedimento que melhor atenda seus interesses, a par do direito de o Fisco impugnálo quando não tenha havido obediência as normas e padrões de Contabilidade geralmente aceitos. 3.1 A propósito, cabe lembrar que o art. 172. do Regulamento do Imposto de Renda/80 determina a apuração do lucro liquido do exercício mediante a elaboração de balanço patrimonial, demonstração do resultado do exercício e demonstração de lucros ou prejuízos acumulados, com observância da lei comercial, em especial, das disposições da Lei n°6.404/76. 4. Na hipótese em exame, o débito à conta dos sócios tem por função precípua a manutenção da integridade do capital social, que se encontra desfalcado pela ocorrência do prejuízo. Assim ao fazerse a absorção deste, em valor igual ao crédito de que o sócio da conta debitada seja titular ,ter seá como regular e amoldada à técnica contábil a eliminação da referida parcela redutora do patrimônio liquido, porque equivale a um aporte de capital. 5. 0 entendimento acima, entretanto, não poderá ser mantido se não houver a referida equivalência, corno no caso em que inexista crédito do sócio. 5.1 Com efeito, o valor debitado, cuja contrapartida, no caso, será um lançamento a crédito da conta de prejuízos acumulados, 1) não transita por conta de resultado e 2) não representa um ingresso efetivo. Fl. 6263DF CARF MF Processo nº 10882.721304/201493 Acórdão n.º 1401002.099 S1C4T1 Fl. 6.211 41 5.2 Os valores que não transitam pelas contas de resultado podem compor as reservas de capital, desde que realizados (Parecer Normativo CST n° 48/79, subitem 4.3). 5.3 Vale assinalar que a parcela de capital subscrito, enquanto não realizada, será deduzida do montante do capital social para efeito de ser determinado o valor de patrimônio liquido (art. 182. da Lei n° 6.404/76, c/c art. 172. do Regulamento do Imposto de Renda/80). 6. Pelo exposto no item anterior, inferese que o débito à conta do sócio, sem que haja saldo credor suficiente, resulta em procedimento inidôneo à elevação do valor do patrimônio líquido, dado que os prejuízos acumulados que foram eliminados graficamente passarão a ser imediatamente substituídos por igual parcela redutora, de capital a realizar. Por conseqüência, tal procedimento o brigará a pessoa jurídica a deduzir do patrimônio liquido, para cálculo de correção monetária, o valor a ele indevidamente acrescido. (negrejouse) A doutrina também faz tal equivalência, ao analisar a questão sob a ótica da caracterização de receitas tributáveis por parte da empresa beneficiada com a extinção da obrigação em face dos sócios. Transcrevese, neste sentido, excerto da obra de Hiromi Higuchi, Fábio Hiroshi Higuchi e Celso Hiroyuki Higuchi, in Imposto de Renda das Empresa — Interpretação e Prática, São Paulo: IR Publicações, 36a Edição, 2011, p. 456: No caso de prejuízo contábil absorvido pelos sócios não há contabilização de receitas porque o valor dos recursos recebidos é contabilizado a débito da conta Caixa ou Bancos e a crédito da conta que registra o prejuízo. Com isso, não há incidência do imposto de renda e nem da CSLL. Se, todavia, a pessoa jurídica tiver receio de autuação da Receita Federal, a solução seria os sócios aumentarem o capital e depois a empresa reduziria o capital para absorver o prejuízo contábil. Mas isto custa dinheiro. Trilham o mesmo caminho as decisão das antigas Primeira e Sétima Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, veiculada em acórdãos assim ementados: ABSORÇÃO DE PREJUIZO CONTÁBIL CRÉDITO DE SÓCIO. A absorção de prejuízo contábil acumulado por crédito de sócio da pessoa jurídica, contra ela própria, sem trânsito por conta de receita, constitui lançamento contábil regular não sujeito à incidência de IRPJ — imposto de renda pessoa jurídica. Tal operação equivale a um aporte de capital pelo sócio. (Acórdão n° 10196.661) ABSORÇÃO DE PREJUÍZOS A CONTA DE SÓCIO EFEITOS TRIBUTÁRIOS RECURSO DE OFÍCIO A absorção de prejuízos contábeis mediante débito à conta na qual estejam registradas dividas da sociedade para com sócio equivale a unia injeção de capital, não implica perdão das dividas e não gera ganho financeiro tributável. (Acórdão n° 10709.575) Esta última decisão, inclusive, nega provimento a recurso de oficio interposto Fl. 6264DF CARF MF 42 pela 3' Turma da DRJ/Belo Horizonte, em acórdão do qual se extrai pertinente interpretação construída pelo I. Julgador Paulo Roberto de Sousa, acerca da natureza da operação aqui em debate: Ainda que não se faça distinção entre créditos demandados judicialmente ou não, a mera absorção de prejuízo por meio de débito à conta de sócio não pode ser entendida como perdão de divida. Em verdade, o que resulta da operação é uma anulação recíproca de obrigações. Os prejuízos acumulados, embora não criem para os sócios o dever imediato e compulsório de fazer novas subscrições e realizações de capital, eles levam a sociedade a reter eventuais lucros futuros, uma vez que a legislação societária obriga a que eles sejam usados para recompor o seu patrimônio liquido na hipótese de haver registro de prejuízos acumulados. Com efeito, o artigo 189 da Lei n° 6.404, de 15.12.1976, dispõe que do resultado do exercício serão deduzidos, antes de qualquer participação, os prejuízos acumulados e a provisão para o Imposto sobre a Renda, e o parágrafo único desse mesmo artigo acrescenta que o prejuízo do exercício será obrigatoriamente absorvido pelos lucros acumulados, pelas reservas de lucros e pela reserva legal, nessa ordem. Para se caracterizar o perdão da divida é preciso que o credor renuncie a seu direito sem impor nenhum ônus ao devedor, sem lhe exigir nada em troca. No caso da absorção de prejuízo a conta de sócio, o credor cede à divida mas obtém do devedor a anulação de igual valor do saldo de prejuízos acumulados. Logo, semelhante operação não se enquadra como perdão de divida. Por ter a conta de prejuízos acumulados saldo devedor, ela atua como conta redutora do patrimônio liquido. Conseguintemente, a absorção de prejuízos tem o efeito de aumentar o patrimônio liquido, de modo que semelhante operação seria mais apropriadamente classificada como uma forma de injeção de capital, ou seja um fato contábil que envolve apenas contas patrimoniais, e não contas de resultado. Isso a distancia definitivamente dum perdão de divida. (negrejou se) ......... A recorrente invoca algumas destas referências para afirmar que o débito de prejuízo a conta de sócios não enseja receita tributável por parte da devedora da obrigação que, assim, liquidada. Contudo, como visto, é majoritário o entendimento de que este procedimento assemelhase a aporte de capital e, assim, além de não caracterizar receita em face do devedor beneficiado, também não se perfaz em perda para o credor, que é beneficiado com o aumento do patrimônio da liquido da investida. Ora, do acima apresentado inferese uma situação que se configura integralmente com a descrita nos autos deste processo. O valor de 3,8 bilhões obtido por SSP junto ao FGC para cobrir o patrimônio negativo de BP não constitui, naquele, receita tributável por se configurar como ato semelhante a aporte de capital do sócio. Por esta razão, em contrapartida a despesa realizada com tal fim que, em verdade se comprova como uma perda, conforme contabilizado pela recorrente esta não pode ser dedutível em face do impedimento do art. 340, § 6º do Regulamento do Imposto de Renda. É de se ressaltar, neste ponto, que não cabe a alegação de que a operação foi formatada por imposição do Banco Central e, assim, tornaria a perda dedutível, consoante pareceres de renomados mestres da contabilidade. Em verdade, o Termo de Comparecimento DESUP/GTSP42010/0003, ao qual o recorrente, o Banco Panamericamo e a Caixapar Fl. 6265DF CARF MF Processo nº 10882.721304/201493 Acórdão n.º 1401002.099 S1C4T1 Fl. 6.212 43 compareceram determina que a Fiscalização do Banco Central, apresentando as normas legais que poderiam ser aplicadas ao Banco Panamericano e aos seus controladores, estabeleceu o prazo de 30 (trinta) dias para a implementação de plano de regularização sem, no entanto, impor condições à realização deste. Vejamos o trecho da ata. Temse, desta forma, que a realização da operação de obtenção de recursos junto ao FGC e entrega dos mesmos ao Banco Panamericano para cobertura do patrimônio a descoberto constitui no crédito de acionista perante a controlada. Por esta operação é que estes valores, no Banco Panamericano, foram considerados não tributados e, assim, a contrapartida que foi a perda deste crédito não pode ser considerada despesa dedutível na controladora. Isto é o que se depreende da leitura da operação e dos lançamentos realizados pela recorrente que demonstram que, ao querer fazer impor o seu entendimento seria beneficiária de maneira desproporcional pois: 1) Os valores obtidos junto ao FGC não seriam tributados no BP; 2) A ocorrência de patrimônio líquido negativo no BP causada, entre outras coisas pela má administração e pela falta de fiscalização adequada da controladora, não provocasse danos equivalentes ao patrimônio desta última e; 3) A baixa pela perda do crédito entregue à controlada ainda pudesse ser considerada dedutível ao arrepio da legislação. Desta forma é que, discordando dos ilustres doutrinadores/pareceristas que apresentaram suas opiniões a respeito da operação, não me parecer ser possível considerar dedutível a despesa quando da contabilização da baixa dos créditos detidos junto ao BP no processo de regularização patrimonial. Por todo o exposto é que, em verdade a fiscalização, em benefício da empresa, não realizou a glosa integral da despesa, mas sim realizou a apuração de perdas por equivalência patrimonial para reduzir o montante da glosa. O que, frisese, só trouxe benefícios Fl. 6266DF CARF MF 44 à empresa ao reduzir o valor da glosa e levou, como resultado, uma glosa menor do que a que poderia efetivamente ter sido realizada. Ao final, juridicamente falando a glosa pelo fato da despesa ser indedutível é inconteste à luz dos dispositivos legais já citados, razão pela qual entendo por negar provimento ao recurso voluntário neste item. E assim continua o fiscal. Fl. 6267DF CARF MF Processo nº 10882.721304/201493 Acórdão n.º 1401002.099 S1C4T1 Fl. 6.213 45 Por seu turno o recorrente traz os seguintes argumentos em sua defesa: Fl. 6268DF CARF MF 46 Novamente, assim como em relação à infração 01, a argumentação aduzida pela recorrente , de per si, nos parece adequada, entretanto sofre de um problema insuperável. O contribuinte não apresentou prova a sustentar que os valores da diferença da correção monetária entre o IPC e o BTNF de 1990 haviam sido tributados anteriormente. Vejase que oportunidades não faltaram ao recorrente de demonstrar a prova de que o que a fiscalização aponta já havia ocorrido anteriormente e, por isso, seria incabível a sua tributação novamente. Disto não cuidou a recorrente e, assim, não há como lhe apontar razão neste item, haja vista que o elemento de prova neste sentido deveria ter sido por ela apresentado. Assim, neste ponto, entendo não assistir razão à recorrente, devendo ser mantida a autuação relativa à infração 03. Fl. 6269DF CARF MF Processo nº 10882.721304/201493 Acórdão n.º 1401002.099 S1C4T1 Fl. 6.214 47 Por seu turno a recorrente traz as seguintes alegações: Apresenta outros argumentos no sentido de que a vedação à dedução aplica se, exclusivamente à apuração do lucro real e não à apuração do lucro líquido que é, em última forma, a base de cálculo da CSLL. Assim, deveria haver norma específica relativa à CSLL que impedisse a dedução, na base de cálculo da CSLL dos valores relativos aos tributos com exigibilidade suspensa e seus consectários. Neste ponto trago à colação as lições apresentadas no voto do Conselheiro Rafael Vidal de Araújo, no acórdão nº 9101002.406 da 1a Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, datado de 16 de agosto de 2016, no qual traz os argumentos com os quais comungo. ........ O conceito de provisão abarca situações variadas. O que caracteriza uma provisão é sua correspondência a situações sobre asQuais paira algum grau de incerteza quanto à existência, ao valor, ao vencimento, etc., de uma obrigação ou de uma perda patrimonial. As provisões não abarcam apenas registros de "riscos" de perda patrimonial, como a "provisão para créditos de liquidação duvidosa". Há também provisões para encargos sociais e trabalhistas. Há ainda a própria "provisão para o imposto de renda" constituída no encerramento do período de apuração, quando já consumado o fato gerador. O próprio texto legal do inciso I do art. 13 da Lei 9.249/1995 não restringe o conceito de provisão às provisões para risco de perda patrimonial, que normalmente apresentam um maior grau de incerteza. Nesse passo, não se pode negar que uma obrigação tributária que está sendo discutida em juízo pela contribuinte, que está com a exigibilidade suspensa Fl. 6270DF CARF MF 48 no contexto do processo Judicial, possui a característica essencial de uma provisão, que é, no caso, a incerteza quanto à sua própria existência. É até contraditório que a contribuinte questione a existência da obrigação tributária, suspendendo inclusive a sua exigibilidade, e ao mesmo tempo defenda sua dedutibilidade como sendo uma obrigação certa. Na segunda parte de seu recurso, a contribuinte faz uma detalhada evolução histórica da legislação sobre o tema, procurando demonstrar contradições e excessos que haveriam no texto legal caso mantida a interpretação defendida pelo Fisco. Mas é preciso ter em mente que a palavra do legislador muitas vezes não esgota as possibilidades de sentido que pode ser a ela atribuído. É sempre a interpretação das normas que dá o seu conteúdo ao longo do tempo, compondo as aparentes contradições e os excessos normativos. E quanto à matéria em questão, o sentido das regras contidas na Lei 8.981/1995 (art. 41, §1º) e na Lei 9.249/1995 (art. 13, I) é o mesmo, ou seja, vedar a dedutibilidade antecipada de tributo com a exigibilidade suspensa, dada a sua condição de incerteza. O conteúdo do acórdão recorrido e a jurisprudência por ele colacionada apontam nesse sentido, conforme transcrito a seguir: O ponto central da discussão é a natureza das despesas com provisões para pagamento de tributos discutidos em juízo e cuja exigibilidade estava suspensa, se despesas efetivamente incorridas, como quer a interessada, ou se provisões, como entende o Fisco. Como corolário dessa questão, discute se também a dedutibilidade, ou não, de tais despesas (ou provisões) para fins de determinação da base de cálculo da CSLL. A matéria é bastante conhecida, e já foi objeto de apreciação por este colegiado, quando do julgamento dos processos nº 16327.000028/200517 e nº 16327.001299/200671, também sob minha relatoria, resultando, respectivamente, os acórdãos nº 130100.275, de 09/03/2010, e nº 130100.642, de 04/08/2011. Por bem refletir meu entendimento sobre o assunto, transcrevo, a seguir, excerto do voto proferido no primeiro processo e reproduzido no segundo, sendo em ambas as ocasiões acompanhado à unanimidade pela Turma. [...] Com efeito, as despesas com tributos, na situação em que estes estão submetidos ao crivo do Poder Judiciário e com exigibilidade suspensa, não se revestem da certeza e da liquidez indispensáveis a que sejam consideradas despesas incorridas a pagar. Em conseqüência, suas contrapartidas, registradas no passivo, se caracterizam como provisões para fazer face a evento futuro e incerto. Não se discute a correção do registro contábil, pertinente à luz dos princípios e convenções da contabilidade, especialmente aquele do Fl. 6271DF CARF MF Processo nº 10882.721304/201493 Acórdão n.º 1401002.099 S1C4T1 Fl. 6.215 49 conservadorismo. Também não se trata de glosa de despesas tidas por desnecessárias ou não usuais. O ponto central é que as despesas discutidas são incertas tanto para o contribuinte, que as considera indevidas e as discute judicialmente, quanto para o ente tributante, que se vê na dependência de manifestação do Poder Judiciário para que possa exigir o tributo. Isso ficou bem claro no voto condutor do acórdão recorrido, no trecho a seguir transcrito: 13 A obrigatoriedade de pagar os valores dependem de eventos futuros e incertos, ou seja, dependem de decisão judicial. Se for incerto, não pode ser classificado como contas a pagar, que por sua natureza, impõe liquidez e certeza. A provisão, por sua vez, não possui um dos elementos, quais sejam liquidez e certeza, pois se assim fosse, um termo seria sinônimo do outro. 14 – Ao interpor a ação judicial o interessado pretende ver dispensado do recolhimento do tributo. Para a administração tributária demonstra que, segundo seu entendimento, o valor não é devido, como também demonstra para seus sócios e terceiros que luta para não recolher o tributo. Em suma, tanto o interessado, quanto a administração tributária, não têm certeza sobre seus direitos. Ambos aguardam o pronunciamento do poder judiciário. Demonstrada a natureza de provisão dos valores ora discutidos, impõese sua adição para fins de apuração da base de cálculo da CSLL, ex vi do art. 13, inciso I, da Lei nº 9.249/1995. Tal foi exatamente o procedimento do Fisco, o qual reputo correto. [...] A jurisprudência administrativa é farta nessa linha, como se verifica das ementas a seguir transcritas, a título exemplificativo: CSLL — PROVISÕES NÃO DEDUTÍVEIS — TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA — Por configurar uma situação de solução indefinida, que poderá resultar em efeitos futuros favoráveis ou desfavoráveis à pessoa jurídica, os tributos ou contribuições cuja exigibilidade estiver suspensa nos termos do art. 151 do Código Tributário Nacional, são indedutíveis para efeito de determinação da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, por traduzirse em nítido caráter de provisão. (Ac. 10194.491, de 29/01/2004. Rec. 136.214. Rel. Cons. Valmir Sandri) (No mesmo sentido, Ac. 10323.053, de 13/06/2007, Rec. 156.141. Rel. Cons. Leonardo de Andrade Couto) (No mesmo sentido, Ac. 10517.358, de 17/12/2008. Rec. 164.752. Rel. Cons. Marcos Rodrigues de Mello) Fl. 6272DF CARF MF 50 CSLL — PROVISÕES NÃO DEDUTÍVEIS — TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA — Por configurar uma situação de solução indefinida, que poderá resultar em efeitos futuros favoráveis ou desfavoráveis à pessoa jurídica, os tributos ou contribuições cuja exigibilidade estiver suspensa nos termos do art. 151 do Código Tributário Nacional, são indedutíveis para efeito de determinação da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, por traduzirse em nítido caráter de provisão. JUROS DE MORA SOBRE TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA POR FORÇA DE MEDIDAS JUDICIAIS — Por constituírem acessório dos tributos sobre os quais incidem, os juros de mora sobre tributos cuja exigibilidade esteja suspensa por força de medidas judiciais seguem a norma de dedutibilidade do principal. (Ac. 10195.727, de 20/09/2006. Rec. 135.395. Rel. Cons. Paulo Roberto Cortez) IRPJ — CSLL — PROVISÕES NÃO DEDUTIVEIS — TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA — Por configurar uma situação de solução indefinida, que poderá resultar em efeitos futuros favoráveis ou desfavoráveis à pessoa jurídica, os tributos ou contribuições cuja exigibilidade estiver suspensa nos termos do art. 151 do Código Tributário Nacional, são indedutíveis para efeito de determinação da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, por traduzirse em nítido caráter de provisão. Assim, a dedutibilidade de tais rubricas somente ocorrerá por ocasião de decisão final da justiça, desfavorável à pessoa jurídica. JUROS DE MORA SOBRE TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA POR FORÇA DE MEDIDAS JUDICIAIS — Por constituírem acessório dos tributos sobre os quais incidem, os juros de mora sobre tributos cuja exigibilidade esteja suspensa por força de medidas judiciais a seguem a norma de dedutibilidade do principal. (Ac. 10196.008,de 01/03/2007. Rec. 151.401. Rel. Cons.Paulo Roberto Cortez) CSLL. DEDUTIBILIDADE DE TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. ANOCALENDÁRIO 1998. Os tributos e contribuições que estejam com exigibilidade suspensa, nos termos do art. 151, II a IV, do CTN, constituem provisões e não despesas incorridas, estando vedada sua dedução para apuração da base de cálculo da CSLL. (Ac. 10323.031, de 24/05/2007. Rec. 156.083. Rel. Cons. Aloysio José Percínio da Silva) Fl. 6273DF CARF MF Processo nº 10882.721304/201493 Acórdão n.º 1401002.099 S1C4T1 Fl. 6.216 51 PROVISÕES — provisões somente podem ser deduzidas das bases de cálculo da CSSL se assim a lei expressamente autorizar. Classificamse como tais, os elementos do passivo, cuja exigibilidade, montante ou data de liquidação, isolada ou conjuntamente, não são certos e determináveis no período de apuração. Assim, valores registrados como tributos, contribuições e demais acréscimos, não passíveis de serem exigidos por força de medida judicial, quadramse nesta classificação e devem ser adicionados à base de cálculo da contribuição social sobre o lucro, se seu registro contábil reduziu o resultado do exercício. (Ac. 10323.037, de 24/05/2007. Rec. 156.322. Rel. Cons. Guilherme Adolfo dos Santos Mendes) CSLL — BASE DE CÁLCULO — DEDUTIBILIDADE DE TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA — Os tributos e contribuições que estejam com exigibilidade suspensa, nos termos do art. 151, inciso II do CTN, constituem provisões e não despesas incorridas, estando vedada sua dedução para apuração da base de cálculo da CSLL, conforme regra do art. 13, inciso I, da Lei 9.249/95. (Ac. 10808.126, de 02/12/2004. Rec. 139.544. Rel. Cons. Luiz Alberto Cava Macieira) Quanto à alegação de inaplicabilidade da IN SRF nº 390/2004 (art. 50), é de se esclarecer que o Fisco não baseou a autuação naquele normativo, mas tão somente invocou suas disposições como forma de esclarecimento e reforço de seu entendimento. Correto o posicionamento adotado pelo acórdão recorrido. Agregando os fundamentos transcritos acima ao que já foi dito anteriormente, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso especial da contribuinte quanto a essa primeira divergência. Assim, do acima apresentado e comungando do mesmo entendimento, entendo por correta a fiscalização neste ponto por considerar ser indedutível a referida despesa de juros sobre os tributos enquanto suspensa a exigibilidade do crédito tributário a que se referem os juros. Fl. 6274DF CARF MF 52 Com relação ao auto de infração relativo a aplicação de multa isolada pela falta de recolhimento por estimativa, por diversas vezes este tema foi objeto de discussão nesta Câmara, existindo três diferentes vertentes de opinião: 1) A primeira segue no sentido de que a aplicação de multa de ofício relativo ao período de apuração anual do imposto impede a aplicação da multa isolada pela falta de recolhimento por estimativa em função de tratarse, em essência do mesmo tributo exigido no exercício e, assim, o contribuinte estaria sendo penalizado em duplicidade. 2) A segunda corrente advoga no sentido de que as multas de ofício e isolada punem condutas distintas e assim, podem subsistir concomitantemente sem qualquer empecilho, visto que os fatos geradores são distintos e também distintas as bases de cálculo. 3) A terceira posição interpretativa segue no sentido de que os fatos geradores sendo complementares as sanções, visto que uma pune a falta de antecipação durante o exercício e a outra pune a falta do pagamento no ajuste anual, a maior penalidade deve prevalecer até o montante em que consuma integralmente a punição pela falta de antecipação, somente subsistindo esta se comportar montante maior do que a multa de ofício. Pessoalmente sou adepto da terceira corrente e da adoção do princípio da consunção. Por isso, transcrevo os valiosos fundamentos do Conselheiro Guilherme Adolfo Mendes no Acórdão 1201000.235: As regras sancionatórias são em múltiplos aspectos totalmente diferentes das normas de imposição tributária, a começar pela circunstância essencial de que o antecedente das primeiras é composto por uma conduta antijurídica, ao passo que das segundas se trata de conduta lícita. Dessarte, em múltiplas facetas o regime das sanções pelo descumprimento de obrigações tributárias mais se aproxima do penal que do tributário. Pois bem, a Doutrina do Direito Penal afirma que, dentre as funções da pena, há a PREVENÇÃO GERAL e a PREVENÇÃO ESPECIAL. A primeira é dirigida à sociedade como um todo. Diante da prescrição da norma punitiva, inibese o comportamento da coletividade de cometer o ato infracional. Já a segunda é dirigida especificamente ao infrator para que ele não mais cometa o delito. É, por isso, que a revogação de penas implica a sua retroatividade, ao contrário do que ocorre com tributos. Uma vez que uma Fl. 6275DF CARF MF Processo nº 10882.721304/201493 Acórdão n.º 1401002.099 S1C4T1 Fl. 6.217 53 conduta não mais é tipificada como delitiva, não faz mais sentido aplicar pena se ela deixa de cumprir as funções preventivas. Essa discussão se torna mais complexa no caso de descumprimento de deveres provisórios ou excepcionais. Hector Villegas, (em Direito Penal Tributário. São Paulo, Resenha Tributária, EDUC, 1994), por exemplo, nos noticia o intenso debate da Doutrina Argentina acerca da aplicação da retroatividade benigna às leis temporárias e excepcionais. No direito brasileiro, porém, essa discussão passa ao largo há muitas décadas, em razão de expressa disposição em nosso Código Penal, no caso, o art. 3°: Art. 3" A lei excepcional ou temporária, embora decorrido o período de sua duração ou cessadas as circunstâncias que a determinaram, aplicase ao fato praticado durante sua vigência. O legislador penal impediu expressamente a retroatividade benigna nesses casos, pois, do contrário, estariam comprometidas as funções de prevenção. Explico e exemplifico. Como é previsível a cessação da vigência de leis extraordinárias e certo, em relação às temporárias, a exclusão da punição implicaria a perda de eficácia de suas determinações, uma vez que todos teriam a garantia prévia de, em breve, deixarem de ser punidos. É o caso de uma lei que impõe a punição pelo descumprimento de tabelamento temporário de preços. Se após o período de tabelamento, aqueles que o descumpriram não fossem punidos e eles tivessem a garantia prévia disso, por que então cumprir a lei no período em que estava vigente? Ora, essa situação já regrada pela nossa codificação penal é absolutamente análoga à questão ora sob exame, pois, apesar de a regra que estabelece o dever de antecipar não ser temporária, cada dever individualmente considerado é provisório e diverso do dever de recolhimento definitivo que se caracterizará no ano seguinte. Nada obstante, também entendo que as duas sanções (a decorrente do descumprimento do dever de antecipar e a do dever de pagar em definitivo) não devam ser aplicadas conjuntamente pelas mesmas razões de me valer, por terem a mesma função, dos institutos do Direito Penal. Nesta seara mais desenvolvida da Dogmática Jurídica, aplicase o Princípio da Consunção. Na lição de Oscar Stevenson, "pelo princípio da consunção ou absorção, a norma definidora de um crime, cuja execução atravessa fases em si representativas desta, bem como de outras que incriminem fatos anteriores e posteriores do agente, efetuados pelo mesmo fim prático". Para Delmanto, "a norma incriminadora de fato que é Fl. 6276DF CARF MF 54 meio necessário, fase normal de preparação ou execução, ou conduta anterior ou posterior de outro crime, é excluída pela norma deste". Como exemplo, os crimes de dano, absorvem os de perigo. De igual sorte, o crime de estelionato absorve o de falso. Nada obstante, se o crime de estelionato não chega a ser executado, punese o falso. É o que ocorre em relação às sanções decorrentes do descumprimento de antecipação e de pagamento definitivo. Uma omissão de receita, que enseja o descumprimento de pagar definitivamente, também acarreta a violação do dever de antecipar. Assim, punese com multa proporcional. Todavia, se há uma mera omissão do dever de antecipar, mas não do de pagar, punese a não antecipação com multa isolada. No presente caso, percebese que a multa de ofício excede o valor da multa isolada pelo não recolhimento da estimativa, absorvendoa integralmente. Desta forma entendo por negar provimento ao lançamento da multa isolada em razão desta ter sido integralmente abrangida pela multa de ofício. Do exposto voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso para excluir da autuação o lançamento de multa isolada por falta de pagamento de estimativa do IRPJ e CSLL. Abel Nunes de Oliveira Neto Relator Fl. 6277DF CARF MF Processo nº 10882.721304/201493 Acórdão n.º 1401002.099 S1C4T1 Fl. 6.218 55 Declaração de Voto Conselheiro Daniel Ribeiro da Silva Com a devida vênia divirjo do nobre colega relator quanto à Infração 02. Da análise da controvérsia trazida a julgamento neste CARF, verificamos que em relação à infração 02, originalmente o valor de R$ 3.800.000.000,00 foi obtido pela SSP junto ao fundo garantidor de crédito FGC por meio de subscrição de debêntures e mútuo com vistas a suprir passivo a descoberto por ordem e legislação societária e do Banco Central. Todo esse valor foi depositado diretamente junto ao Banco Panamericano para regularizar sua situação patrimonial, ficando o recorrente com a dívida junto ao FGC. Em menos de dois meses decorridos da primeira operação de regularização (2,5 bilhões) o recorrente conseguiu negociar sua participação junto ao BP ao Banco BTG Pactual. Nesta negociação o BTG ficou obrigado a pagar: R$ 450.000.000,00 corrigidos até 2028 ou o valor integral de R$ 3.800.000.000,00 em 2028 no prazo de vencimento da dívida junto ao FGC, com a escolha da opção de pagamento a ser feita pelo próprio BTG.. Deste acordo firmado junto ao BTG, no mesmo dia o crédito a receber foi dado em pagamento ao FGC extinguindo a dívida da SSP junto ao fundo e repassandoa ao BTG por meio do contrato de venda de sua participação. A SSP ao realizar o registro das operações em sua contabilidade, registrou como receitas o valor de R$ 3.350.000.000,00, enquanto que registrou como despesa o montante total de R$ 3.800.000.000,00, levando à ocorrência de um prejuízo no exercício de mais de R$ 350.000.000,00 que levou às desconfianças quanto à contabilização da operação. Ao meu ver, das operações de obtenção de recursos e da conseqüente cessão da participação acionária ao BTG que, apesar de constar um valor nominal de R$ 450.000.000,00 a serem pagos em 2028 atualizados, assumiu integralmente a dívida junto ao FGC, não deveria haver saldo positivo ou negativo. Pela lógica comum, não jurídica, nem contábil, a recorrente cobriu os problemas do BTG com os recursos do FGC e, posteriormente, repassou essa dívida ao BTG que assumiu toda a dívida e tornouse sócio controlador do BP na posição ocupada pelo SSP. Como as operações possuíram valores idênticos (vejase que se considera que os nominais R$ 450.000.000,00 a serem pagos atualizadamente em 2028 equivaleriam aos R$ 3.800.000.000,00 na mesma data) não haveria resultado positivo ou negativo a ser registrado contabilmente. Notese que em toda esta operação o prejuízo sofrido pelo SSP ocorreu na perda de seu patrimônio, posto que perdeu sua participação acionária no BP sem nada receber em troca. O outro prejuízo, pelo menos aparente, foi sofrido pelo FGC que, em teoria disponibilizou recursos para regularização do BP e obteve como pagamento um crédito a ser liquidado em 2028 com base nos valores já acertados, cuja decisão de qual das opções será exercida será efetuada pelo adquirente BTG que assumiu a dívida de SSP. Fl. 6278DF CARF MF 56 Como se pode observar de toda a sequência de contratos e obrigações assumidas pela SSP, a recorrente em nenhum momento teve liberdade de decidir acerca de conveniências da operação ou ganhos a serem auferidos. Desde o primeiro contrato com o FGC onde foram entregues R$ 2,5 bilhões diretamente ao BP à conta de garantias de SSP, ficou estabelecido que esse socorro financeiro visava a reestruturar financeiramento o BP para que a participação de SSP neste fosse imediatamente vendida. Neste ponto vale repisar as alegações da acusação fiscal de que a baixa da conta depósito de acionista não poderia ser deduzida em resultado por dois argumentos: I Que houve a contabilização incorreta por não ter reclassificado a conta para investimento em face do aporte de capital realizado. II Que não seria dedutível a despesa por não ser usual ou necessária na forma da legislação. Ora, em relação ao primeiro item nos surpreende que a fiscalização, apesar do tempo decorrido na análise de toda a operação, tenha insistido na tese que os valores obtidos junto ao FGC e direcionados diretamente ao BP configurariam aportes de capital e que, assim, a empresa teria realizado incorretamente a contabilização destes fatos por não ter feito os devidos ajustes de equivalência patrimonial. Não vejo a situação neste prisma. Esta operação, em que pese a tentativa da fiscalização de considerar como uma operação normal, em nada teve de normal. Esta foi uma operação de socorro no qual o FGC, cumprindo sua missão institucional, disponibilizou recursos para resolver os problemas contábeis do BP e garantir a não liquidação da instituição e a desestabilização do mercado financeiro. Basta realizar uma rápida pesquisa na internet para ver as notícias da operação de socorro ocorrida entre 2010 e 2011. Assim não há que se falar em aporte de capital na operação, com a conseqüente modificação da participação societária dos outros acionistas quando, neste caso, a cláusula 1.2.3 do contrato de subscrição das debêntures pelo FGC estabelecia que não poderia haver modificação nestas participações, até mesmo por que dentre os outros acionistas estava CAIXAPAR, empresa pública vinculada à Caixa Econômica Federal, que não deveria arcar com os prejuízos decorrentes da má administração da empresa. Em decorrência destes detalhes da operação é que não posso comungar do entendimento da fiscalização de que a contabilização deveria ser considerada como aporte de capital. A determinação para contabilização em conta de depósito de acionistas foi feita no próprio contrato com o FGC para disponibilização dos recursos. Por isso, não entendo ser possível aplicar as regras de ajustes de participação que seriam decorrentes de um normal aporte de capital que, mais das vezes, não ocorreu no presente caso. Este valor depositado junto ao BP para cobrir as irregularidades, foi registrado como um crédito da SSP junto ao BP que ficou vinculado à dívida de igual montante relativo aos valores obtidos junto ao FGC. Destes valores, decorreria um futuro encontro de contas quando da alienação final da participação que era, desde o início, o objetivo final da operação. Vejase que, conforme consulta aos contratos de alienação ao BTG Pactual e a dação em pagamento deste contrato ao FGC como liquidação das dívidas, não houve nenhum ganho financeiro na operação obtido por SSP. Os valores das dívidas e direito se equivaleram Fl. 6279DF CARF MF Processo nº 10882.721304/201493 Acórdão n.º 1401002.099 S1C4T1 Fl. 6.219 57 pela aceitação, por parte do FGC, dos valores da alienação e assunção da dívida pelo BTG Pactual. Desta forma, entendo não proceder o entendimento da fiscalização quanto aos ajustes de equivalência patrimonial apresentados no item I dos motivos da autuação. Quanto ao motivo II, de que a despesa contabilizada no valor de R$ 3.800.000,00, não estaria caracterizada dentro dos critérios de usualidade e necessidade, também apresento minha discordância às alegações da fiscalização. Quanto à usualidade parece evidente que este tipo de despesa não é usual, até mesmo porque não é usual a existência de fraudes contábeis escondidas em empresas cuja participação é detida por outra e que esta é instada a socorrer. Neste ponto estaria certa a acusação fiscal. Quanto à necessidade já entendo de modo diverso. Na qualidade de acionista controlador do BP a SSP tinha o dever legal de cobrir os desajustes patrimoniais da sua controlada. Este era o dever estabelecido pela Lei das S/A ao acionista controlador. Como entender que o cumprimento de uma obrigação legal não seria uma despesa necessária? Este Conselheiro não consegue entender deste modo. Despesas Necessárias Art. 299. São operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47). § 1º São necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, § 1º). § 2º As despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, § 2º). § 3º O disposto neste artigo aplicase também às gratificações pagas aos empregados, seja qual for a designação que tiverem. Ora a necessidade desta despesa, como se verifica, decorre da necessidade de manter viva a fonte produtora de rendas. Notese que a SSP é uma empresa de participações, ou seja, suas rendas decorrem dos ganhos auferidos nas participações e investimentos detidos. Acaso não fosse feita a cobertura aos prejuízos do BP este seria liquidado e, conseqüentemente, a fonte produtora de renda seria extinta. Não há como não se considerar esta despesa como necessária à manutenção da fonte produtora de renda. Por isso, discordo da acusação também neste ponto por considerar que a despesa era sim necessária e, portanto, dedutível na apuração do resultado. Vejamos alguns precedentes do CARF em relação à necessidade das despesas para fins de sua dedutibilidade: Fl. 6280DF CARF MF 58 Titulo ACÓRDÃO 10196.152 órgão 1º Conselho de Contribuintes 1a. Câmara Decisão 1º Conselho de Contribuintes / 1a. Câmara / ACÓRDÃO 10196.152 em 23.05.2007 IRPJ E OUTRO Ex(s): 1998 a 2000 Recorrentes : 4ª TURMA/DRJRECIFE/PE e PMPAR S RECURSO EX OFFICIO DESPESAS OPERACIONAIS GLOSA DE DESPESAS CONSIDERADAS DESNECESSÁRIAS As despesas efetivamente suportadas pela pessoa jurídica, que guardem conexão com as atividades por ela desenvolvidas, sendo usuais e normais devem ser consideradas dedutíveis para efeito de se determinar o lucro tributável. DESPESAS COM JUROS E VARIAÇÃO MONETÁRIA DECORRENTES DE AQUISIÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA As despesas com Juros e Variação Monetária decorrentes da assunção da dívida permutada pela participação societária no caso de empresas cujo objeto é a participação em outras empresas, são dedutíveis por serem necessárias à aquisição do investimento. RECURSO VOLUNTÁRIO IRPJ DECADÊNCIA LUCRO REAL ANUAL O prazo decadencial do direito do fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, para as pessoas jurídicas que optarem pela apuração do lucro real anual é de cinco anos, contados a partir da data da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, ou seja, contarseá do final do anocalendário respectivo, salvo se comprovada a ocorrência de fraude, dolo ou simulação. NORMAS PROCESSUAIS NULIDADE IMPROCEDÊNCIA Não há que se falar em nulidade do auto de infração quando o mesmo possui todos os elementos necessários à compreensão inequívoca da exigência e dos fatos que o motivaram, encontrando se ainda, com o correto enquadramento legal da infração fiscal. NULIDADE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA Não restando comprovada a ocorrência de preterição do direito de defesa nem de qualquer outra hipótese expressamente prevista na legislação, não há que se falar em nulidade do lançamento. Se a autuada revela conhecer as acusações que lhe foram imputadas, rebatendoas de forma meticulosa, com impugnação que abrange questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa. IRPJ OMISSÃO DE RECEITAS É procedente a exigência decorrente da ação fiscal que resultou em lançamento a título de omissão de receitas apurada por meio do cotejo entre o valor constante nos comprovantes fornecidos por instituições financeiras com a escrituração mercantil da empresa. IRPJ DESPESAS OPERACIONAIS PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS COMPROVAÇÃO GLOSA Uma vez reconhecido que os serviços contratados são de natureza imaterial, cuja prova há de ser feita indiretamente, e tendo a empresa apresentado as únicas provas possíveis, quais sejam, notas fiscais de prestação de serviços, comprovantes dos pagamentos e a efetividade do registro contábil, documentos esses não contestados pela fiscalização, a escrituração faz prova em favor do contribuinte, cabendo ao fisco demonstrar sua inveracidade. IRPJ GLOSA DE DESPESAS FALTA DE COMPROVAÇÃO Deve ser mantida a glosa de despesas por falta de comprovação, quando a pessoa jurídica deixa de atender os dispositivos previstos na legislação tributária, além da existência no processo, de evidências que não foram envidados esforços para a necessária comprovação. IRPJ GLOSA DE DESPESA DECORRENTE DE ASSUNÇÃO DE OBRIGAÇÕES NA ALIENAÇÃO DE CONTROLE ACIONÁRIO Uma vez que se trata de operações normalmente praticadas na alienação de participação acionária majoritária, comprovadas por contratos de transferência de direitos e obrigações e sobre as quais não pairam quaisquer dúvidas quanto à sua efetividade, legítima sua dedução para fins de apuração do lucro real. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO Havendo falta ou insuficiência no recolhimento do tributo, impõese a aplicação da multa de lançamento de ofício sobre o valor do imposto ou contribuição devido, nos termos do artigo 44, I, da Lei nº 9.430/96. JUROS MORATÓRIOS TAXA SELIC Súmula 1º CC nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso de ofício e, quanto ao recurso voluntário, REJEITAR as preliminares de decadência e de nulidade suscitadas e, no mérito, DAR provimento PARCIAL ao recurso para: 1) excluir da exigência os subitens 2.2.02; 2.2.03; 2.2.07; 2.2.08; 2.2.09; 2.2.11; 2.2.12, bem como os itens 3 e 4 do Termo de Verificação Fiscal; 2) admitir a compensação do IRFONTE sobre as aplicações financeiras tributadas a menor pela recorrente. Manoel Antonio Gadelha Dias Presidente. Publicado no DOU em: 20.08.2007 Relator: Paulo Roberto Cortez Data de decisão: 23/05/2007 Data de publicação: 20/08/2007 Acórdão 1201001.530 – 2a. Câmara – 1a Turma Ordinária – 1a. Seção em 06 e outubro de 2016. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2008, 2009, 2010 DEDUTIBILIDADE DAS DESPESAS. COMPROVAÇÃO, NORMALIDADE. NECESSIDADE. Se as despesas incorridas pelo contribuinte são necessárias e possuem vínculo direto com sua atividade fim, bem como, estão devidamente comprovadas, não há razão para glosa da dedução. CONSTITUIÇÃO DE CONSÓRCIO DE EMPRESAS. NECESSÁRIA DISTINÇÃO ENTRE O CONSÓRCIO E OS PARTICIPANTES QUE A COMPÕEM. PRINCÍPIO DA ENTIDADE. Fl. 6281DF CARF MF Processo nº 10882.721304/201493 Acórdão n.º 1401002.099 S1C4T1 Fl. 6.220 59 O consórcio é formado pela reunião dos recursos aportados pelas participantes, mas não se confunde com as participantes em si, não existindo fundamento legal para presumir ou exigir que os sócios apliquem a totalidade dos recursos que possuem nas atividades do consórcio. PLANEJAMENTO FISCAL. ADOÇÃO DO LUCRO PRESUMIDO PELAS EMPRESAS PRESTADORAS DE SERVIÇOS. ERRO NA DEFINIÇÃO DA SUJEIÇÃO PASSIVA. ERRO NA DEFINIÇÃO DA INFRAÇÃO. Se a autuação decorre de eventual abusividade ou fraude na adoção do Lucro Presumido pelas empresas prestadoras de serviços, há claro erro na definição do sujeito passivo e no enquadramento da infração quando a autuação conclui pela glosa da despesa incorrida pela empresa prestadora do serviço. Pelo exposto, apesar de todo o esforço empreendido pela fiscalização para demonstrar a viabilidade de sua acusação, não entendo assistir razão à mesma, razão pela qual discordo do voto do Nobre Colega Relator. Numa operação em que os débitos e créditos obtidos para socorro da controlada se equivalem. Em que o valor da alienação e a conseqüente aceitação da dação em pagamento também se equivalem. Operação na qual não houve o recebimento de nenhum centavo líquido pelo recorrente. No qual se verifica a perda da participação societária sem nenhum ganho financeiro. Não faz sentido se tributar um pretenso ganho que, em verdade, inexistiu. Por todo o exposto e verificado que a contabilização realizada pela empresa obedeceu aos fatores específicos decorrentes da excepcional situação verificada e que, constatase que a despesa se caracteriza como necessária à manutenção da fonte produtora de renda, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário e cancelar a autuação relativa à infração nº 02. Nos demais pontos, acompanho integralmente o voto do Relator. É como voto. (assinado digitalmente) Daniel Ribeiro da Silva Fl. 6282DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13851.902228/2009-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 19 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Dec 21 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2002
DCTF - PRAZO PARA RETIFICAÇÃO - HOMOLOGAÇÃO
O prazo para o contribuinte retificar sua declaração de débitos e créditos federais coincide com o prazo homologatório atribuído à Fazenda Nacional e sendo tributo sujeito à homologação, assinala-se o prazo previsto no §4° do artigo 150 do CTN.
DIPJ. CONFISSÃO DE DÍVIDA. SÚMULA CARF N.º 92
A DIPJ, desde a sua instituição, não constitui confissão de dívida, nem instrumento hábil e suficiente para a exigência de crédito tributário nela informado.
ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA.
Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso.
Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72.
Numero da decisão: 1302-002.533
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso do recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Guimarães da Fonseca, e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Ausente, justificadamente o Conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201710
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2002 DCTF - PRAZO PARA RETIFICAÇÃO - HOMOLOGAÇÃO O prazo para o contribuinte retificar sua declaração de débitos e créditos federais coincide com o prazo homologatório atribuído à Fazenda Nacional e sendo tributo sujeito à homologação, assinala-se o prazo previsto no §4° do artigo 150 do CTN. DIPJ. CONFISSÃO DE DÍVIDA. SÚMULA CARF N.º 92 A DIPJ, desde a sua instituição, não constitui confissão de dívida, nem instrumento hábil e suficiente para a exigência de crédito tributário nela informado. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso. Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Dec 21 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 13851.902228/2009-11
anomes_publicacao_s : 201712
conteudo_id_s : 5810220
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Dec 21 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 1302-002.533
nome_arquivo_s : Decisao_13851902228200911.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
nome_arquivo_pdf_s : 13851902228200911_5810220.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso do recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Guimarães da Fonseca, e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Ausente, justificadamente o Conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo.
dt_sessao_tdt : Thu Oct 19 00:00:00 UTC 2017
id : 7068590
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:11:12 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049733522522112
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1747; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 2 1 1 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13851.902228/200911 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 1302002.533 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 19 de outubro de 2017 Matéria COMPENSAÇÃO Recorrente SUNFLOWER SCHOOL ESCOLA DE IDIOMAS LTDA ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002 DCTF PRAZO PARA RETIFICAÇÃO HOMOLOGAÇÃO O prazo para o contribuinte retificar sua declaração de débitos e créditos federais coincide com o prazo homologatório atribuído à Fazenda Nacional e sendo tributo sujeito à homologação, assinalase o prazo previsto no §4° do artigo 150 do CTN. DIPJ. CONFISSÃO DE DÍVIDA. SÚMULA CARF N.º 92 A DIPJ, desde a sua instituição, não constitui confissão de dívida, nem instrumento hábil e suficiente para a exigência de crédito tributário nela informado. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso. Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso do recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 1. 90 22 28 /2 00 9- 11 Fl. 44DF CARF MF Processo nº 13851.902228/200911 Acórdão n.º 1302002.533 S1C3T2 Fl. 3 2 Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Guimarães da Fonseca, e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Ausente, justificadamente o Conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face do indeferimento da Manifestação de Inconformidade apresentada em face do Despacho Decisório, em que foi apreciada a Declaração de Compensação (PER/DCOMP), por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débito(s) (COFINS e PIS/PASEP) de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (IRPJ). Como resultado da análise foi proferido despacho decisório que não reconheceu qualquer direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, não homologou a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que o pagamento informado como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, “não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. Cientificada do despacho decisório, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade onde argumenta, em síntese, que se equivocou no preenchimento da DCTF e que a existência do crédito tem fundamento na Solução de Divergência n° 14, de 07/08/2003, que reduziu o percentual de 32% para 16% sobre a receita bruta, para fins de apuração da base de cálculo do lucro presumido, bastandose comparar os valores apresentados na DIPJ retificadora (Declaração de Informações EconômicoFiscais) com a guia de recolhimento do tributo. A DRJ ao apreciar a matéria assim decidiu, litteris: RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. O reconhecimento do indébito depende da efetiva comprovação do alegado recolhimento indevido ou maior do que o devido. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. [...] Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada com o decisum, a recorrente interpôs Recurso Voluntário, alegando, em síntese, os mesmos argumentos da impugnação, acrescentando que é dever do Fl. 45DF CARF MF Processo nº 13851.902228/200911 Acórdão n.º 1302002.533 S1C3T2 Fl. 4 3 Fisco analisar os pedidos de compensação, quer pela garantia que a RFB deve ter em relação a valores, quer em relação a defesa do interesse público envolvido, bem como o fato de não ser razoável que a Administração Pública desconsidere as informações prestadas pelo Contribuinte na DCOMP e DIPJ, as quais apresentam presunção de legitimidade, valendose apenas e tão somente da informação prestada em DCTF para promover a cobrança. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado, Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende aos pressupostos legais e regimentais, devendo ser conhecido. A controvérsia instaurada devese a pedido de compensação de débito(s) de responsabilidade da interessada com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (IRPJ). O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302002.403, de 19.10.2017, proferido no julgamento do processo nº 13851.902171/200942, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302002.403): O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. No caso em tela, a contribuinte restringe a controvérsia à existência do crédito reportado na DCOMP, buscando comprovar suas alegações, essencialmente, por intermédio de sua DIPJretificadora e cópia do documento de arrecadação federal. Salientese que a contribuinte não apresentou qualquer retificação em sua DCTForiginal, nem prova documental que abrigue a alegada alteração dos importes que foram levados a efeito para fins de constituição definitiva do imposto, sob a modalidade de lançamento por homologação, cuja informação confessada na declaração original serviu de base para certificação da inexistência de crédito tipificado na modalidade de pagamento indevido ou a maior. Nesse sentido, cumpre observar que a DIPJ, desde o ano calendário de 1999, tem caráter meramente informativo, isto é, as informações nela prestadas não configuram confissão de dívida a Instrução Normativa n° 127, de 30 de outubro de Fl. 46DF CARF MF Processo nº 13851.902228/200911 Acórdão n.º 1302002.533 S1C3T2 Fl. 5 4 1998, que extinguiu, em seu art. 6°, inciso I, a DIRPJ Declaração .de Rendimentos da Pessoa Jurídica e instituiu, em seu art. 10, a DIPJ — Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica, deixou de fazer referência à confissão de tributos ou contribuições a pagar, cabendo apenas a DCTF está função. O tema é pacificado no âmbito deste Conselho Administrativo, nos termos da Súmula 92: “A DIPJ, desde a sua instituição, não constitui confissão de dívida, nem instrumento hábil e suficiente para a exigência de crédito tributário nela informado.” Feitas essas considerações, passaremos a análise do presente caso. O documento intitulado Declaração de Compensação (DCOMP) se presta, assim, a formalizar o encontro de contas entre o contribuinte e a Fazenda Pública, por iniciativa do primeiro a quem cabe, portanto, a responsabilidade pelas informações sobre os créditos e os débitos, cabendo à autoridade tributária a sua necessária verificação e validação. De fato, o pedido de compensação delimita a amplitude de exame do direito creditório alegado pelo sujeito passivo quanto ao preenchimento dos requisitos de liquidez e de certeza necessários à extinção de créditos tributários. Instaurado o contencioso, não se admite que o contribuinte altere o pedido mediante a modificação do direito creditório aduzido na declaração de compensação, posto que tal procedimento desnatura o próprio objeto do processo. Eventual manifestação da instância julgadora sobre a legitimidade de crédito tributário não admitido junto à autoridade responsável pelo exame de pedidos dessa natureza representaria verdadeira usurpação da competência da referida autoridade, o que também não se pode admitir. O Decreto nº 70.235/72 (art. 32) que regula o Processo Administrativo Fiscal Federal fala o seguinte sobre as inexatidões materiais: Art. 32. As inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculos existentes na decisão poderão ser corrigidos de ofício ou a requerimento do sujeito passivo. Logo, por inexatidões materiais, no preenchimento dos PER/DCOMP primitivos ou originais, entendese serem os lapsos manifestos que se percebem primo ictu oculi; que, de plano, se verifica não traduzirem o pensamento ou vontade do contribuinte; consistem, em suma, em pequenos erros involuntários, desvinculados da vontade, cuja correção não inova o teor do ato objeto de correção. Fl. 47DF CARF MF Processo nº 13851.902228/200911 Acórdão n.º 1302002.533 S1C3T2 Fl. 6 5 Assim, são exemplos de inexatidões materiais: inversão ou troca da ordem dos dígitos, equívoco de datas, erros ortográficos de digitação, troca de campos no preenchimento etc. A pretensão da recorrente, como já dito, não se trata de mera correção de inexatidão material, mas, sim, de inovação (retificação de DCTF para disponibilização do seu direito creditório almejado), exigindose, quanto à compensação dos débitos em aberto, a apresentação de DCTF retificador, situação que não ocorreu no presente caso. Como bem defendido no acórdão recorrido, é vedada a retificação de DCTF após o decurso do prazo de 5 anos, sendo este o prazo que tem direito o contribuinte para proceder à retificação da DCTF, no que se refere às alterações e retificações pertinentes aos impostos e contribuições federais. Dessa forma, evidenciase que a DCTForiginal, reportada na manifestação de inconformidade da contribuinte, fora transmitida em 13/11/2001. Portanto já transcorrido 5 (cinco) anos da ocorrência do fato gerador correlato ao IRPJ, código de receita: 2089, inerente ao 3° trimestre de 2001, encontrase formalmente homologada e definitivamente extinta perante a Fazenda Nacional, em conformidade com os termos do art. 150, § 4° do CTN. Noutra senda, tomando por substrato os atributos essenciais pertinentes ao crédito para sua restituição/compensação (certeza e liquidez), o reconhecimento de um direito creditório e a consequente homologação (total ou parcial) ou não de uma compensação estão condicionados à perfeita identificação do crédito pela postulante (origem e valor), haja vista ser o instituto da compensação eletrônica procedimento efetuado por conta e risco tanto da Administração Federal quanto do contribuinte, correndo contra a primeira o prazo de homologação, que uma vez decorrido impede a recuperação de eventuais valores compensados indevidamente, e de outro lado, sobre o contribuinte, que tem o dever de evidenciar o crédito em todos os seus atributos, visto que, uma vez analisado o PER/DCOMP, não é mais admitida qualquer alteração do seu conteúdo por imposição legal. Assim, à luz dos elementos constantes no pedido (DCOMP), não poderia a autoridade a quo reconhecer crédito algum para a recorrente, haja vista a não identificação correta da origem do crédito pleiteado e que o crédito aludido pelo contribuinte já foi totalmente alocado para quitação de outro débito, não havendo saldo disponível para pleitear o pagamento indevido ou a maior. Por fim, verificase que a recorrente sem acostar documentos comprobatórios aos presentes autos, em seu recurso voluntário, faz referências genéricas aos fatos que motivaram a prolação do despacho decisório, bem como em relação a decisão proferida em primeira instância, sem com isto trazer objetivamente os fundamentos e provas com base nas quais pede para que seja homologado o seu pedido de compensação. Fl. 48DF CARF MF Processo nº 13851.902228/200911 Acórdão n.º 1302002.533 S1C3T2 Fl. 7 6 Para esse Relator, fica claro que a recorrente se insurge contra decisão proferida pela DRJ de forma genérica, fazendo mera referência parte das razões apresentadas em sede da impugnação e a necessidade de observação das provas já juntadas aos autos, não merecendo prosperar e, por conseguinte, não surte o efeito pretendido em alterar a decisão do julgador a quo. Nesse sentido já decidiu esta Corte Administrativa, conforme se extrai do decidido nos autos do processo nº 10935.720364/2013 45 que teve como relator Amílcar Barca Teixeira Júnior, como segue: "(...) 1. O contribuinte, em seu recurso, no concernente à obrigação principal, limitas se a prestar informações genéricas e não ataca o mérito, situação que não o favorece, enquadrando se, assim, na disciplina do art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972 (Acórdão n.°2803003.497. Rel. Amílcar Barca Teixeira Júnior. Sessão de 12/08/2014)." Diante do exposto, NEGO provimento ao Recurso Voluntário. Ante ao exposto e, em face da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, adoto os fundamentos do acórdão paradigma acima transcritos e voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 49DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.000159/2007-66
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Nov 28 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2002, 2003
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. EMBARGOS INOMINADOS.
Não havendo a legitimidade do oponente dos Embargos, não há como considerar a omissão, contradição ou obscuridade. Tanto os embargos de declaração quanto os embargos inominados, não podem ser conhecidos, com fundamento nos Art. 65, §1, e 66 do Ricarf, assim como item 5.1.1.2 do manual do conselheiro.
Numero da decisão: 3201-003.206
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer os Embargos de Declaração.
(assinatura digital)
WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente Substituto.
(assinatura digital)
PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisario e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201710
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2002, 2003 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. EMBARGOS INOMINADOS. Não havendo a legitimidade do oponente dos Embargos, não há como considerar a omissão, contradição ou obscuridade. Tanto os embargos de declaração quanto os embargos inominados, não podem ser conhecidos, com fundamento nos Art. 65, §1, e 66 do Ricarf, assim como item 5.1.1.2 do manual do conselheiro.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Nov 28 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 16327.000159/2007-66
anomes_publicacao_s : 201711
conteudo_id_s : 5804942
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Dec 07 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 3201-003.206
nome_arquivo_s : Decisao_16327000159200766.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA
nome_arquivo_pdf_s : 16327000159200766_5804942.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer os Embargos de Declaração. (assinatura digital) WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente Substituto. (assinatura digital) PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisario e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
dt_sessao_tdt : Tue Oct 24 00:00:00 UTC 2017
id : 7037673
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:10:16 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049733556076544
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1373; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 809 1 808 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16327.000159/200766 Recurso nº Embargos Acórdão nº 3201003.206 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 25 de outubro de 2017 Matéria Embargos Declaratórios Embargante DELEGACIA ESPECIAL DE INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS EM SÃO PAULO DEINF/SP Interessado COOPERATIVA DE ECONOMIA E CRÉDITO MÚTUO DOS MÉDICOS E DEMAIS PROFISSIONAIS DE NÍVEL SUPERIOR DA ÁREA DE SAÚDE DE CAMPINAS E REGIÃO UNICRED CAMPINAS ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2002, 2003 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. EMBARGOS INOMINADOS. Não havendo a legitimidade do oponente dos Embargos, não há como considerar a omissão, contradição ou obscuridade. Tanto os embargos de declaração quanto os embargos inominados, não podem ser conhecidos, com fundamento nos Art. 65, §1, e 66 do Ricarf, assim como item 5.1.1.2 do manual do conselheiro. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer os Embargos de Declaração. (assinatura digital) WINDERLEY MORAIS PEREIRA Presidente Substituto. (assinatura digital) PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 01 59 /2 00 7- 66 Fl. 809DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisario e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Relatório Tratamse de Embargos de Declaração, com roupagem de embargos inominados, opostos pela DELEGACIA ESPECIAL DE INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS EM SÃO PAULO EINF/SP em fls. 699, em face do Acórdão deste Conselho de fls. 493, em razão de lapso manifesto e inexatidão material. O Presidente desta Turma de julgamento admitiu os Embargos, conforme Despacho de Admissibilidade fls. 719, transcrito a seguir: "A Delegacia Especial das Instituições Financeiras em São Paulo Deinf/SP interpôs, em 07/11/2012, ao amparo do art. 66 do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, o "Pedido de Correção de Inexatidões Materiais" (fls. 699/701) em face do Acórdão nº 3201000.638, de 01/03/2011 (fls. 493/509), por suposta inexatidão material nesse decisum. O acórdão embargado possui o seguinte enunciado de ementa: AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. DEPÓSITO JUDICIAL. Anocalendário: 1999,2000,2001 DEPÓSITO JUDICIAL. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DESNECESSIDADE DE LANÇAMENTO FORMAL PELO FISCO. PRECEDENTES DA PRIMEIRA SEÇÃO DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. O depósito judicial do montante integral pelo contribuinte substitui o lançamento, nos tributos por homologação, sendo desnecessário o lançamento para prevenir a decadência. A Embargante alega que ocorreu inexatidão material no acórdão recorrido, tendo em vista que a decisão deixou de confrontar a realidade fática com as alegações produzidas pela contribuinte, quanto à efetivação de depósito judicial referente à parcela controvertida da Cofins discutida judicialmente. As alegações e argumentos da embargante extraídas de seu pedido são transcritas a seguir: Em momento algum no Recurso Voluntário , ou na Impugnação o contribuinte alega a existência de depósito para o período em tela, e também não apresenta cópia de depósito judicial. Entretanto ao proferir o Acórdão nº 3201000.638 , a 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, fundamentouo como se existisse depósito prévio do montante integral do débito. Depreendeu o CARF que além de suspensa a exigibilidade dos débitos desnecessária seria a constituição por lançamento de ofício (...) (...) Fl. 810DF CARF MF Processo nº 16327.000159/200766 Acórdão n.º 3201003.206 S3C2T1 Fl. 810 3 Ocorre, que para que se decidisse nesse sentido , ao menos deveriam existir nos autos as guias de depósitos, para que se pudesse confrontálas, examinar o conjunto concreto das circunstâncias comparar valores datas de depósito, assim, cometeuse um erro na mensuração dos fatos. (...) Somente após a decisão do CARF, o contribuinte foi intimado a apresentar a Planilha com composição dos citados depósitos, demonstrando detalhadamente os períodos de apuração, e foi apresentada a planilha de fls. 673 onde se verifica a existência de valor depositado para o PA de 12/2001 e que é significativamente inferior ao valor aqui constituído. A partir da citada planilha, confrontada com o pagamento localizado no SINAL08, foi elaborado SICALC para a imputação do depósito ao débito, apurandose o montante da insuficiência do depósito, restando cabalmente demonstrado que o mesmo não é do montante integral. Em consulta ao sistema SINAL08 localizaramse os depósitos efetuados pelo contribuinte, e eles foram efetivados em 25/04/2008, gizese não havia depósito judicial antes da autuação, havia liminar em sede de agravo, situação muito distinta da alegada pelo contribuinte, e suficiente e necessária para a constituição dos débitos via lançamento de ofício. Por fim, aduziu que, considerando o lapso manifesto em decorrência de erro na mensuração dos fatos, requereu a reapreciação e correção das inexatidões materiais. São esses os fatos. A parte legitimada para interpor embargos de declaração também está legitimada a interpor embargos inominados nos casos de comprovada inexatidão material devida a lapso manifesto ou erro de escrita existente na decisão proferida pelos órgãos Colegiado do CARF, conforme previsto no artigo 66 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015, a seguir transcrito: Art. 66. As alegações de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão, provocados pelos legitimados para opor embargos, deverão ser recebidos como embargos inominados para correção, mediante a prolação de um novo acórdão. § 1º Será rejeitado de plano, por despacho irrecorrível do presidente, o requerimento que não demonstrar a inexatidão ou o erro. § 2º Caso o presidente entenda necessário, preliminarmente, será ouvido o conselheiro relator, ou outro designado, na impossibilidade daquele. Fl. 811DF CARF MF 4 § 3º Do despacho que indeferir requerimento previsto no caput, darseá ciência ao requerente. Analisando o acórdão vergastado, verificase que a suspensão da exigibilidade do crédito tributário teve por respaldo o depósito judicial que a contribuinte alegou ter efetuado nos termos do art. 151, II, do CTN. Contudo, comprovouse a inexistência do depósito realizado à época da lavratura do auto de infração, pois que em verdade foi efetuado em data posterior à constituição do crédito tributário (fl. 707), e ainda em valores inferiores ao montante integral, conforme exigido no dispositivo mencionado alhures. Constatase, desta forma, a existência de inexatidão material no acórdão embargado, devida a lapso manifesto, fazendose necessária a admissibilidade dos embargos para enfrentamento da lide, vez que a matéria suspensão da exigibilidade do crédito tributário constituise de ordem pública. Com essas considerações, fica demonstrado que houve inexatidão material no julgado embargado. Em decorrência, devem ser Admitidos os embargos inominados interpostos pela Deinf/SP, para fim de correção do citado julgado, mediante a prolação de um novo acórdão. Em atenção ao disposto no artigo 49, § 5º, do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, determino a inclusão deste processo em lote para sorteio no âmbito desta Turma de Julgamento, uma vez que o Relator não mais integra nenhum dos colegiados desta 3ª Seção." Com prestígio ao devido processo legal, o contribuinte se manifestou em fls. 725, oportunidade em que solicitou a improcedência da autuação de cofins, alegou que transitou em julgado decisão do CARF porque a procuradoria não recorreu, alegou que independentemente dos depósitos judiciais, logrou êxito em âmbito judicial com sentença favorável transitada em julgado, alegou ser desnecessária a análise dos depósitos judiciais e pede manutenção da decisão deste Conselho. Após, os autos foram distribuídos e pautados nos moldes do regimento interno deste Conselho. Relatório proferido. Voto Conselheiro Relator Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Conforme o Direito Tributário, a legislação, os fatos, as provas, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros, conforme portaria de condução e Regimento Interno deste Conselho, apresentase este voto. Fl. 812DF CARF MF Processo nº 16327.000159/200766 Acórdão n.º 3201003.206 S3C2T1 Fl. 811 5 Apesar conter matéria preventa desta 3.ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e presentes alguns requisitos de admissibilidade, os tempestivos Embargos de Declaração/inominados não devem ser conhecidos. Conforme se verifica dos autos, o Delegado, que possui a legitimidade para opor os Embargos, informou em fls. 514 que não iria apresentar Embargos de Declaração. Não havendo a legitimidade do oponente dos Embargos, registrado nas fls. 699, não há como considerar a omissão, contradição ou obscuridade. Assim, os embargos de declaração com roupagem de inominados não podem ser conhecidos, com fundamento nos Art. 65, §1, e 66 do Ricarf, assim como item 5.1.1.2 do manual do conselheiro. Inclusive, ao verificar o julgamento passado, é importante registrar que, além da matéria do depósito ter sido enfrentada, o julgamento tratou também da concomitância, conforme dispositivo transcrito a seguir: Em fls. 801 dos autos está o dispositivo da decisão judicial proferida no âmbito do TRF3, que reconheceu a intangibilidade dos atos cooperativos ao Pis e Cofins, transcrita parcialmente a seguir: Diante de todo o exposto, votase para que os Embargos Declaratórios, com roupagem de inominados, NÃO SEJAM CONHECIDOS. Voto proferido. (assinatura digital) Fl. 813DF CARF MF 6 Conselheiro Relator – Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Fl. 814DF CARF MF
score : 1.0
