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Numero do processo: 13971.916317/2011-95
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed May 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2003
BASE DE CÁLCULO. REGIME CUMULATIVO.
A declaração de inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, resultou no entendimento de que o conceito de faturamento, para fins de incidência dessas contribuições sociais, corresponde às receitas vinculadas à atividade mercantil típica da pessoa jurídica.
Numero da decisão: 9303-006.443
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Érika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2003 BASE DE CÁLCULO. REGIME CUMULATIVO. A declaração de inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, resultou no entendimento de que o conceito de faturamento, para fins de incidência dessas contribuições sociais, corresponde às receitas vinculadas à atividade mercantil típica da pessoa jurídica.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Érika Costa Camargos Autran.
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ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado FEY PARTICIPAÇÕES E EMPREENDIMENTOS LTDA. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2003 BASE DE CÁLCULO. REGIME CUMULATIVO. A declaração de inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, resultou no entendimento de que o conceito de faturamento, para fins de incidência dessas contribuições sociais, corresponde às receitas vinculadas à atividade mercantil típica da pessoa jurídica. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Érika Costa Camargos Autran. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 91 63 17 /2 01 1- 95 Fl. 154DF CARF MF Processo nº 13971.916317/201195 Acórdão n.º 9303006.443 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto tempestivamente pela Procuradoria da Fazenda Nacional PFN contra o Acórdão nº 3402003.941, de 28/03/2017, proferido pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Terceira Seção do CARF, que fora assim ementado: ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Anocalendário: 2003 COFINS. ART. 3º, §1º DA LEI 9.718/98. BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. RECEITA. ALARGAMENTO. INCONSTITUCIONALIDADE. APLICAÇÃO DO ART. 62, §2º, do RICARF. RESTITUIÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. CABIMENTO. A base de cálculo das contribuições ao PIS e a COFINS é o faturamento e, em virtude de inconstitucionalidade declarada em decisão plenária definitiva do STF, devem ser excluídas da base de cálculo as receitas que não decorram da venda de mercadorias ou da prestação de serviços. Aplicação do art. 62, §2º do RICARF. Recurso Voluntário Provido. Intimada da decisão, a PFN apresentou embargos de declaração, os quais, todavia, foram rejeitados mediante despacho do Presidente da 4ª Câmara. Também interpôs recurso especial, por meio do qual suscita divergência quanto ao conceito de faturamento, especialmente com relação à incidência do PIS/Cofins sobre receitas de aluguéis recebidas por empresa que se dedica à atividade de locação, face à declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718, de 1998. Alega divergência com relação ao que decidido nos Acórdãos nº 3401002.726 e nº 330200.289. O recurso foi admitido por intermédio do Despacho de Admissibilidade do Presidente da 4ª Câmara. Intimada, a contribuinte apresentou contrarrazões ao recurso. É o Relatório. Fl. 155DF CARF MF Processo nº 13971.916317/201195 Acórdão n.º 9303006.443 CSRFT3 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303006.426, de 13/03/2018, proferido no julgamento do processo 13971.916300/201138, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303006.426): "Presentes os demais requisitos de admissibilidade, entendemos que o recurso especial interposto pela PFN deve ser conhecido. Cumpre observar, inicialmente, que o objeto social principal da contribuinte é a exploração das atividades de locação, loteamento e arrendamento de bens próprios, construídos ou a construir, bem como a comercialização de bens móveis e imóveis, abrangendo a compra e venda, permuta, exceto a intermediação, assessoria e orientação técnica em negociações imobiliárias (vide fl. 25). Pois bem. O acórdão recorrido, aplicando decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal STF, deu provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito à restituição dos valores de PIS calculados sobre receitas não operacionais auferidas pela contribuinte com fulcro em dispositivo inconstitucional da Lei nº 9.718/98. As receitas que expressamente reconheceu não tributáveis foram as receitas financeiras ("JUROS RECEBIDOS", "VARIAÇÃO CAMBIAL") e os valores de "ALUGUÉIS RECEBIDOS". O primeiro paradigma, contudo, em flagrante dissenso interpretativo, concluiu o contrário, conforme facilmente comprova a simples leitura de sua ementa: Acórdão nº 3401002.726: LOCAÇÃO DE BENS IMÓVEIS. FATURAMENTO. PIS/PASEP E COFINS. INCIDÊNCIA. Na esteira da jurisprudência dos tribunais superiores, mormente o Superior Tribunal de Justiça, as receitas provenientes da locação de bens imóveis, quando objeto das atividades mercantis da pessoa jurídica, sujeitamse à incidência das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, tanto sob a regência da Lei Complementar nº 70/91, quanto pela Lei nº 9.718/98, não prejudicando tal entendimento a declaração de inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo promovida pelo art. 3º, § 1º deste último diploma legal (g.n.) No mérito, entendemos assistir razão à Recorrente. Como já é do conhecimento geral e referido no acórdão recorrido, o STF considerou incompatível com o então Texto Constitucional a ampliação da base de cálculo do PIS/Cofins (§ 1º do art. 3º da Lei n.º 9.718, de 1998), pacificando o entendimento de que o faturamento corresponde apenas à receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços (Rel. p/ Acórdão Min. Marco Aurélio Mello, RE 346.084, DJ de 1/09/2006). Contudo, alguns votos dos ministros que participaram do julgamento indicaram – e não como obiter dictum – o verdadeiro sentido que a esta expressão deve ser conferido. Fl. 156DF CARF MF Processo nº 13971.916317/201195 Acórdão n.º 9303006.443 CSRFT3 Fl. 5 4 Segundo o Min. Cezar Peluso, que foi acompanhado pelo Min. Sepúlveda Pertence: Faturamento nesse sentido, isto é, entendido como resultado econômico das operações empresariais típicas, constitui a base de cálculo da contribuição, enquanto representação quantitativa do fato econômico tributado. Noutras palavras, o fato gerador constitucional da COFINS são as operações econômicas que se exteriorizam no faturamento (sua base de cálculo), porque não poderia nunca corresponder ao ato de emitir faturas, coisa que, como alternativa semântica possível, seria de todo absurda, pois bastaria à empresa não emitir faturas para se furtar à tributação. (g.n.). E, concluindo, asseverou: Por todo o exposto, julgo inconstitucional o § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, por ampliar o conceito de receita bruta para “toda e qualquer receita”, cujo sentido afronta a noção de faturamento pressuposta no art. 195, I, da Constituição da República, e, ainda, o art. 195, § 4º, se considerado para efeito de nova fonte de custeio da seguridade social. Quanto ao caput do art. 3º, julgoo constitucional, para lhe da r interpretação conforme à Constituição, nos termos do julgamento proferido no RE nº 150.755/PE, que tomou a locução receita bruta como sinônimo de faturamento, ou seja, no significado de “receita bruta de venda de mercadoria e de prestação de serviços”, adotado pela legislação anterior, e que, a meu juízo, se traduz na soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais. (g.n.). Ainda mais preciso, o Min. Ayres Britto, a partir da redação original do art. 195 da Constituição Federal (anterior à promulgação da Emenda Constitucional – EC n.º 20, de 1998), claramente identificou o conceito de faturamento com equivalente à receita operacional: A Constituição de 88, pelo seu art.195, I, redação originária, usou do substantivo “faturamento”, sem a conjunção disjuntiva “ou” receita”. Em que sentido separou as coisas? No sentido de que faturamento é receita operacional, e não receita total da empresa. Receita operacional consiste naquilo que já estava definido pelo Decretolei 2397, de 1987, art.22, § 1º, “a”, assim redigido – parece que o Ministro Velloso acabou de fazer também essa remissão à lei: Art.22 [...] § 1º [...] a) a receita bruta das vendas de mercadorias e de mercadorias e serviços, de qualquer natureza, das empresas públicas ou privadas definidas como pessoa jurídica ou a elas equiparadas pela legislação do Imposto de Renda;” Por isso, estou insistindo na sinonímia “faturamento” e “receita operacional”, exclusivamente, correspondente àqueles ingressos que decorrem da razão social da empresa, da sua finalidade institucional, do seu ramo de negócio, enfim. Logo, receita operacional é receita bruta de tais vendas ou negócios, mas não incorpora outras modalidades de ingresso financeiro: royalties, aluguéis, rendimentos de aplicações financeiras, indenizações etc. (g.n.). E isso porque o inciso I do art. 195 da CF, na redação anterior à EC n.º 20, de receita não falava, mas apenas de faturamento e lucro, como que a abraçar todas as dimensões de riqueza geradas pela pessoa jurídica a partir da realização de seu objeto social. No caso ora em exame, a locação de bens integra, conforme demonstrado, a receita decorrente da realização das atividades típicas da contribuinte, de sorte que constitui, parte Fl. 157DF CARF MF Processo nº 13971.916317/201195 Acórdão n.º 9303006.443 CSRFT3 Fl. 6 5 integrante do seu faturamento – base de cálculo da contribuição. Não, porém, as receitas financeiras. Ante o exposto, com essas considerações, conheço do recurso especial e, no mérito, doulhe provimento, para que, na base de cálculo do PIS, incluamse as receitas com locação de bens." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial da Fazenda Nacional foi conhecido e, no mérito, o colegiado deulhe provimento, para que, na base de cálculo das contribuições, incluamse as receitas com locação de bens. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 158DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11516.001872/2005-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jun 12 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/07/2003 a 01/01/2005
MULTA REGULAMENTAR. APRESENTAÇÃO EXTEMPORÂNEA. DIF-BEBIDAS. REDUÇÃO DA MULTA PELA LEI Nº 12.873/2013. RETROATIVIDADE BENIGNA.
A Lei nº 12.873/2013 alterou o art. 57 da Medida Provisória nº 2158-35/2001 para reduzir a multa por mês-calendário de atraso na entrega de declaração obrigatório de R$ 5.000,00 para 1.500,00. O art. 106, II, "c" do Código Tributário determina a aplicação retroativa da legislação que comine pena menos severa aos casos que ainda não tenham sido definitivamente julgados, inclusive na esfera administrativa.
Numero da decisão: 3402-005.286
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário e ao Recurso de Ofício, para determinar a redução da multa de R$ 5.000,00 para R$ 1.500,00 por mês calendário, para cada declaração em atraso, em razão da aplicação retroativa da Lei nº 12.873/2013.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Augusto Daniel Neto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Rodrigo Mineiro Fernandes, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Pedro Sousa Bispo.
Nome do relator: CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/07/2003 a 01/01/2005 MULTA REGULAMENTAR. APRESENTAÇÃO EXTEMPORÂNEA. DIF-BEBIDAS. REDUÇÃO DA MULTA PELA LEI Nº 12.873/2013. RETROATIVIDADE BENIGNA. A Lei nº 12.873/2013 alterou o art. 57 da Medida Provisória nº 2158-35/2001 para reduzir a multa por mês-calendário de atraso na entrega de declaração obrigatório de R$ 5.000,00 para 1.500,00. O art. 106, II, "c" do Código Tributário determina a aplicação retroativa da legislação que comine pena menos severa aos casos que ainda não tenham sido definitivamente julgados, inclusive na esfera administrativa.
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APRESENTAÇÃO EXTEMPORÂNEA. DIFBEBIDAS. REDUÇÃO DA MULTA PELA LEI Nº 12.873/2013. RETROATIVIDADE BENIGNA. A Lei nº 12.873/2013 alterou o art. 57 da Medida Provisória nº 215835/2001 para reduzir a multa por mêscalendário de atraso na entrega de declaração obrigatório de R$ 5.000,00 para 1.500,00. O art. 106, II, "c" do Código Tributário determina a aplicação retroativa da legislação que comine pena menos severa aos casos que ainda não tenham sido definitivamente julgados, inclusive na esfera administrativa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário e ao Recurso de Ofício, para determinar a redução da multa de R$ 5.000,00 para R$ 1.500,00 por mês calendário, para cada declaração em atraso, em razão da aplicação retroativa da Lei nº 12.873/2013. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Rodrigo Mineiro Fernandes, Carlos Augusto Daniel Neto, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 18 72 /2 00 5- 14 Fl. 233DF CARF MF 2 Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Pedro Sousa Bispo. Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado para exigir crédito tributário relativo a multas regulamentares aplicadas em razão do descumprimento de obrigação acessória prescrita na Instrução Normativa (IN) SRF n° 325, de 30 de abril de 2003, que instituiu a Declaração Especial de Informações Fiscais relativas à Tributação de Bebidas (DIFBebidas). O lançamento fundamentouse nas disposições contidas nos seguintes comandos normativos: art. 505 c/c art. 212 do Decreto n° 4.544, de 26 de dezembro de 2002; artigos 1°, 2° e 30 da Instrução Normativa (IN) SRF n° 325, de 30 de abril de 2003. A metodologia de cálculo foi de R$ 5.000,00 por mês calendário, entre o mês de entrega e o mês em que a transmissão ocorreu, conforme a tabela a seguir: Fl. 234DF CARF MF Processo nº 11516.001872/200514 Acórdão n.º 3402005.286 S3C4T2 Fl. 3 3 O Contribuinte apresentou Impugnação aduzindo: I) inconstitucionalidade da MP nº 215835/2001, cujo art. 57 instituiu a multa aplicada neste caso; II) instituição da DIF Bebidas, por meio da Instrução Normativa (IN) SRF n° 325, de 2003, teve como fundamento legal a competência instituída pelo Decretolei n° 2.124/84, que teria sido revogado pelo art. 25 do ADCT; III) a não entrega das declarações foi simples erro do contribuinte. A DRJ julgou improcedente a impugnação apresentada, em acórdão assim ementado: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS DECLARAÇÃO ESPECIAL DE INFORMAÇÕES FISCAIS DIF BEBIDAS. APRESENTAÇÃO INTEMPESTIVA. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. PENALIDADE. PROCEDÊNCIA. Constatada a falta de apresentação da DIFBebidas, no prazo estabelecido, cabível é o auto de infração para a aplicação da multa estipulada no art. 57 da Medida Provisória n°2.15835, de 2001. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE. As instâncias administrativas não compete apreciar vícios de ilegalidade ou de inconstitucionalidade das normas tributárias, cabendolhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente. ASSUNTO: NORN1AS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO INFRAÇÃO TRIBUTÁRIA. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. A responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato LANÇAMENTO. ATIVIDADE VINCULADA. Ante à constatação de infração à legislação tributária impõese o lançamento da penalidade aplicável, atividade vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Irresignado, o Contribuinte apresentou extenso Recurso Voluntário aduzindo: Fl. 235DF CARF MF 4 I) Preliminarmente: a) nulidade do auto de infração em razão de denúncia espontânea; b) nulidade por cerceamento do direito de defesa; c) nulidade do AI por não conter o dispositivo legal que "em tese" autorizaria a aplicação da multa (MP 215835/2001); II) Mérito: a) Impossibilidade de criação de dever instrumental através de Instrução Normativa; b) ofensa ao princípio da estrita legalidade; c) ofensa ao princípio do não confisco; d) ofensa ao princípio da capacidade contributiva; e) ofensa à proporcionalidade e à razoabilidade; f) excesso na multa bis in idem; g) excesso de multa: termo ad quem da multa. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido por este Colegiado. A matéria em litígio é relativa à exigência de multa regulamentar imposta pelo descumprimento da obrigação acessória prescrita no art. 2° da Instrução Normativa (IN) SRF n° 325/2003, verbis: Art. 2° A DIFBebidas deverá ser apresentada mensalmente, até o filtimo dia útil do mês subseqüente ao da ocorrência dos falos geradores, por intermédio da Internet, utilizandose o Programa Receitanet, que está disponível no endereço referido no § 20 do art. I°. § 1° A DIFBebidas deverá ser entregue em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1° de junho de 2003. § 2° O Recibo de Entrega será gravado no disquete ou no disco rígido, após a transmissão. Frisese que a competência do Secretário da Receita Federal para a instituição de tal obrigação acessória decorre do art. 16 da Lei nº 9.779/99: Art.16.Compete à Secretaria da Receita Federal dispor sobre as obrigações acessórias relativas aos impostos e contribuições por ela administrados, estabelecendo, inclusive, forma, prazo e condições para o seu cumprimento e o respectivo responsável. A penalidade aplicada está disposta no art. 3° da mesma IN SRF no 325/2003, com base no art. 57 da MP nº 215835/2001, verbis: IN SRF nº 325/2003 Art. 3º A pessoa jurídica que deixar de apresentar a DIF Bebidas no prazo estabelecido no artigo anterior, ou que apresentála com incorreções ou omissões, sujeitarseá as seguintes multas: I RS 5.000,00 (cinco mil reais) por mêscalendário, no caso de falta de entrega da declaração ou de entrega após o prazo; Fl. 236DF CARF MF Processo nº 11516.001872/200514 Acórdão n.º 3402005.286 S3C4T2 Fl. 4 5 II cinco por cento, não Werior a RS 100,00 (cem reais), do valor das transações comerciais, próprias da pessoa jurídica ou de terceiros em relação aos quais seja responsável tributário, 110 caso de informação omitida, inexata ou incompleta. Art. 57 da MP 215835/2001 Art.57. O descumprimento das obrigações acessórias exigidas nos termos do art. 16 da Lei no 9.779, de 1999, acarretará a aplicação das seguintes penalidades: IR$ 5.000,00 (cinco mil reais) por mêscalendário, relativamente às pessoas jurídicas que deixarem de fornecer, nos prazos estabelecidos, as informações ou esclarecimentos solicitados; IIcinco por cento, não inferior a R$ 100,00 (cem reais), do valor das transações comerciais ou das operações financeiras, próprias da pessoa jurídica ou de terceiros em relação aos quais seja responsável tributário, no caso de informação omitida, inexata ou incompleta. Antes de passar à análise das questões alegadas, é preciso frisar que o contribuinte trouxe diversas alegações em seu Recurso Voluntário que não constavam em sua Impugnação, incorrendo assim na preclusão temporal determinada pelo art. 16, III, e 17 do Decreto 70.235/72, que regulamente o PAF no âmbito federal: Art. 16. A impugnação mencionará: III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Diante disso, passemos à análise dos pontos alegados: I) Preliminares Em primeiro lugar, a Recorrente aduz uma série de preliminares alegando ocorrência de denúncia espontânea: Assim, ao apresentar espontaneamente a DIFBebidas • em 24/06/2005, antes que tivesse sido instaurado qualquer procedimento administrativo, está o contribuinte beneficiado pela sua conduta a qual, em última análise, foi o fato que deu conhecimento ao fisco sobre a ausência de cumprimento da obrigação assessória [sic] fora do prazo estipulado em lei. Contudo, a apresentação se deu, em rigor, após intimação fiscal exarada em 16/03/2005, constante em fl.05, que solicita a apresentação das Declarações faltantes da empresa isto é, antes da apresentação da mesma, marcando o início de procedimento fiscalizatório e afastando os efeitos da denúncia espontânea prevista no art. 138 do CTN. Fl. 237DF CARF MF 6 Portanto, não houve boafé ou "atuação espontânea" da Recorrente, mas simplesmente reação ao início da fiscalização, além de uma peça recursal que buscou descrever uma situação inverídica, como já demonstrado cabalmente acima. Além disso, a interpretação que o Recorrente dá do §2º do art. 3º da IN SRF 325/2003 é canhestra e incompatível com seu texto. Vejamos o dispositivo: § 2º Para aplicação da multa de que trata o inciso I do caput, será considerado como termo inicial o dia seguinte no término do prazo originalmente fixado para a entrega da declaração e, como termo final, a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, da lavratura do auto de infração. Não se está dizendo, como pretende o Recorrente, que a multa não pode ser aplicada após a entrega extemporânea das declarações em rigor, ela determina a forma de cálculo do valor total da multa, estabelecendo o termo inicial e final de cálculo. Em seguida, alega cerceamento de defesa por não ter o acórdão recorrida analisado questões de inconstitucionalidade, mas tal pleito encontra barreira no art. 26A do Decreto 70.235/72, verbis: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Por fim, alega nulidade em razão do Auto de Infração ter "omitido" em seu texto o comando legal da MP 215835/2001. Ora, a fiscalização indicou, sim, na autuação o dispositivo contrariado, mas não reproduziu o seu inteiro teor em razão da desnecessidade o que a legislação exige é que se indique as disposições infringidas, e não que elas seja completamente reproduzidas. Portanto, nenhuma das preliminares tem o mínimo cabimento, devendo ser rechaçadas integralmente. II) Mérito Quanto aos argumentos relativos a a) impossibilidade de criação de dever instrumental através de Instrução Normativa; b) ofensa ao princípio da estrita legalidade; c) ofensa ao princípio do não confisco; d) ofensa ao princípio da capacidade contributiva; e) ofensa à proporcionalidade e à razoabilidade, todos eles passariam pela declaração de inconstitucionalidade da multa aplicada, ou pela declaração de inconstitucionalidade do art. 16 da Lei nº 9.779/99, que dá competência ao Secretário da RFB para criar e regulamentar tais obrigações acessórias, o que é vedado pelo art. 26A do Decreto 70.235/72 e pela Súmula CARF nº 02. Além disso, quanto à aplicação da sanção, vejase que a mesma não é instituída por meio da Instrução Normativa, mas sim pelo art. 57 da MP 215835/2001, que estabelece a multa e o seu quantum, não havendo qualquer ofensa à legalidade tributária nesse ponto. Quanto às alegações de excesso na multa em razão de bis in idem e em razão do termo final da multa, se verifica que tais matérias não foram alegadas na Impugnação, razão Fl. 238DF CARF MF Processo nº 11516.001872/200514 Acórdão n.º 3402005.286 S3C4T2 Fl. 5 7 pela qual não podem ser conhecidas e apreciadas por este Colegiado, conforme art. 16, III e 17 do Decreto 70.235/72. Tal seria possível se tais questões fossem questões de ordem pública, o que não é o caso, mas sim razões meritórias relativas à interpretação da legislação aplicada. Frisese, inclusive, que a metodologia de cálculo adotada deixa claro que o termo final considerado foi a data da entrega das declarações, conforme planilha juntada nos autos e reproduzida no próprio relatório dessa decisão. Analisadas todas as questões colocadas pelo Recorrente, há que se observar um último ponto, a respeito da aplicação do art. 57 da MP 215835/2001. A partir de 2013, sua redação foi alterada e as multas cominadas foram reduzidas, estando atualmente nos seguintes valores: Art. 57. O sujeito passivo que deixar de cumprir as obrigações acessórias exigidas nos termos do art. 16 da Lei nº 9.779, de 19 de janeiro de 1999, ou que as cumprir com incorreções ou omissões será intimado para cumprilas ou para prestar esclarecimentos relativos a elas nos prazos estipulados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil e sujeitarseá às seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 12.873, de 2013) I por apresentação extemporânea:(Redação dada pela Lei nº 12.766, de 2012) a) R$ 500,00 (quinhentos reais) por mêscalendário ou fração, relativamente às pessoas jurídicas que estiverem em início de atividade ou que sejam imunes ou isentas ou que, na última declaração apresentada, tenham apurado lucro presumido ou pelo Simples Nacional; (Redação dada pela Lei nº 12.873, de 2013) b) R$ 1.500,00 (mil e quinhentos reais) por mêscalendário ou fração, relativamente às demais pessoas jurídicas; (Redação dada pela Lei nº 12.873, de 2013) c) R$ 100,00 (cem reais) por mêscalendário ou fração, relativamente às pessoas físicas; Em razão da redução do montante da multa cobrada por mêscalendário, o art. 106, II, "c" do Código Tributário Nacional determina a sua aplicação imediata a todos os casos ainda não definitivamente julgados, inclusive na esfera administrativa: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: II tratandose de ato não definitivamente julgado: c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Portanto, com o advento da Lei nº 12.873/2013, a norma sancionatória aplicável ao presente caso passou a ser aquela que prescreve a multa de R$ 1.500,00 por mês calendário, e não mais o montante anterior. Frisese que tal ponto não foi aduzido no Recurso Voluntário em razão da redução da multa ter se dado posteriormente à apresentação do mesmo. Todavia, por se tratar Fl. 239DF CARF MF 8 de questão relativa à legalidade do critério utilizado na apuração da multa e envolver a aplicação da retroatividade benigna, tal questão pode e deve ser conhecida de ofício, por se tratar de matéria de ordem pública, como já foi decidido por este Colegiado no Acórdão CARF nº 3402003.176. Desse modo, a multa deve ser reduzida de R$ 5.000,00 para R$ 1.500,00 por mês calendário, para cada declaração em atraso. III) Conclusão Ante o exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário e, de ofício, determino a redução da multa de R$ 5.000,00 para R$ 1.500,00 por mês calendário, para cada declaração em atraso, em razão da aplicação retroativa da Lei nº 12.873/2013. É como voto. Carlos Augusto Daniel Neto Relator Fl. 240DF CARF MF
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Numero do processo: 10925.003058/2009-83
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jun 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006
COFINS. NÃO-CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO.
Para fins de apuração de crédito do PIS/Pasep e da Cofins não-cumulativos, há de se observar o rol de deduções previstos no art. 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, respectivamente, adotando-se, no que tange ao seu inciso II, a interpretação intermediária construída no CARF quanto ao conceito de insumo, tornando-se imperativa para o reconhecimento do direito ao crédito a análise acerca da sua essencialidade.
No caso concreto analisado, há de ser reconhecido o direito ao crédito relativo às despesas com (a) embalagens e (b) fretes, porém, mantida a glosa no que tange às despesas com condomínio.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3301-004.506
Decisão: Acordam os membros do Colegiado em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos seguintes termos: por unanimidade de votos, em dar provimento para admitir o creditamento de embalagens e fretes das embalagens e, por maioria de votos, em negar provimento para manter a glosa relativa à despesa com condomínio, vencidos os Conselheiros Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Suplente convocada) e Semíramis de Oliveira Duro.
(assinado digitalmente)
José Henrique Mauri - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente Substituto), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Suplente convocada), Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: JOSE HENRIQUE MAURI
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Recorrente POMAGRI FRUTAS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 COFINS. NÃOCUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. Para fins de apuração de crédito do PIS/Pasep e da Cofins nãocumulativos, há de se observar o rol de deduções previstos no art. 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, respectivamente, adotandose, no que tange ao seu inciso II, a interpretação intermediária construída no CARF quanto ao conceito de insumo, tornandose imperativa para o reconhecimento do direito ao crédito a análise acerca da sua essencialidade. No caso concreto analisado, há de ser reconhecido o direito ao crédito relativo às despesas com (a) embalagens e (b) fretes, porém, mantida a glosa no que tange às despesas com condomínio. Recurso Voluntário Provido em Parte. Acordam os membros do Colegiado em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos seguintes termos: por unanimidade de votos, em dar provimento para admitir o creditamento de embalagens e fretes das embalagens e, por maioria de votos, em negar provimento para manter a glosa relativa à despesa com condomínio, vencidos os Conselheiros Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Suplente convocada) e Semíramis de Oliveira Duro. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 00 30 58 /2 00 9- 83 Fl. 212DF CARF MF Processo nº 10925.003058/200983 Acórdão n.º 3301004.506 S3C3T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente Substituto), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Suplente convocada), Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Fl. 213DF CARF MF Processo nº 10925.003058/200983 Acórdão n.º 3301004.506 S3C3T1 Fl. 4 3 Relatório Tratase o presente processo de pedido de ressarcimento, cumulado com declarações de compensação, relativo a crédito da Cofins NãoCumulativa, vinculado a receitas de vendas submetidas à alíquota zero (produção e comercialização de maçãs), deferido parcialmente por Despacho Decisório exarado pela unidade de origem. Dessa forma, apenas parte das compensações declaradas foi homologada. Conforme Termo de Verificação e Encerramento da Análise Fiscal constante nos autos, o reconhecimento parcial do crédito decorreu de glosas efetuadas em itens diversos de custo e despesa que compunham o crédito demonstrado pelo contribuinte no Dacon. Cientificado do decisório, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, na qual pede o reconhecimento integral do crédito de ressarcimento, com base nas seguintes razões: (i) Os materiais de embalagens (cantoneiras, bandejas, fitas adesivas, pallets, papelseda, plástico bolha, tampas, fundos, caixas de papelão etc) são indispensáveis ao acondicionamento do produto, não exclusivamente com o fim de transporte, porquanto utilizados para assegurar a integridade da fruta até o seu destino; (ii) O papelseda, fita, cantoneira e outros são insumos na produção da maçã, conforme item acima, de modo que gera creditamento a despesa com o serviço de transporte para adquirilos; (iii) A despesa com condomínio deve ser creditada da mesma forma que a despesa com aluguel, pois o acessório segue o principal; (iv) Não existe lei formal determinando a aplicação do conceito de insumo do IPI à apuração das contribuições nãocumulativas; (v) O critério de insumo utilizado na decisão recorrida não está em conformidade com Soluções de Consulta emanadas das Superintendências da Receita Federal do Brasil (Processo de Consulta nº 99/09 da SRRF6ªRF), com decisões do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Recurso Voluntário nº 146.778) e com a jurisprudência judicial (Acórdão do Tribunal Regional Federal da 3ª Região, de 26 de março de 2009; Agravo Regimental no REsp nº 1.125.253/SC, de 15 de abril de 2010). Ao analisar o caso, a DRJ entendeu por julgar improcedente a impugnação apresentada pelo contribuinte, nos termos do Acórdão nº 08033.963. O contribuinte foi intimado acerca desta decisão e, insatisfeito com o seu teor, interpôs Recurso Voluntário, através do qual requereu: (i) recebimento do recurso voluntário; ii) procedência do recurso para reformar o acórdão recorrido, com o reconhecimento do direito ao crédito de COFINS requerido no pedido de ressarcimento. É o breve relatório. Fl. 214DF CARF MF Processo nº 10925.003058/200983 Acórdão n.º 3301004.506 S3C3T1 Fl. 5 4 Voto Conselheiro José Henrique Mauri, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301004.488, de 22 de março de 2018, proferido no julgamento do processo 10925.003010/200975, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301004.488): "Voto Vencido O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. 1) Do direito ao creditamento de COFINS linhas gerais Consoante acima indicado, a presente demanda versa sobre o direito ao creditamento de COFINS em razão da análise do conceito de insumos disposto na legislação de regência. A DRJ seguiu a legislação do IPI, entendendo que, para que fosse concedido o crédito, seria essencial o desgaste físico no produto no processo produtivo da empresa. Esse entendimento, contudo, encontrase superado por este Conselho, que construiu uma corrente intermediária própria, fugindo tanto às normas atinentes ao IPI quanto às normas atinentes ao IRPJ. E é com base nesta corrente intermediária, com a qual me alinho, que serão analisados a seguir os itens que foram objeto de glosa por parte da fiscalização. Importante destacar que o embasamento da glosa realizada pela fiscalização foi a ausência de previsão legal para autorização do creditamento realizado, e não a falta de comprovação da sua origem. Logo, a questão deve ser apreciada sobre o aspecto de direito. Sobre o creditamento, o art. 3º da Lei nº 10.833/2003 assim dispõe: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, Fl. 215DF CARF MF Processo nº 10925.003058/200983 Acórdão n.º 3301004.506 S3C3T1 Fl. 6 5 exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; III (VETADO) IV – aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. VII edificações e benfeitorias em imóveis de terceiros, quando o custo, inclusive de mãodeobra, tenha sido suportado pela locatária; VIII bens recebidos em devolução, cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei. IX energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica. IX energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica. X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. XI bens incorporados ao ativo intangível, adquiridos para utilização na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços. (Grifos apostos). No que tange à alínea II acima, embora ciente que alguns julgadores deste Conselho adotam interpretação restritiva do conceito de insumos para fins de admissão do crédito, inclusive acolhendo em alguns casos o conceito de insumos inserto na legislação do IPI, tem prevalecido nas decisões proferidas por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais uma posição menos engessada, por meio da análise dos créditos aplicáveis em cada caso concreto, em razão da atividade desempenhada pela empresa. A análise do presente caso, portanto, em determinadas situações, perpassa pela definição do conceito de insumos para o PIS e a COFINS. Nos termos dos recentes julgados proferidos por este Conselho, o conceito de insumos para efeitos do art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.637/2002 e do art. 3º, inciso II da Lei 10.833/2003, deve ser interpretado com critério próprio: o da essencialidade. Referido critério traduz uma posição "intermediária" Fl. 216DF CARF MF Processo nº 10925.003058/200983 Acórdão n.º 3301004.506 S3C3T1 Fl. 7 6 construída pelo CARF, na qual, para definir insumos, buscase a relação existente entre o bem ou serviço, utilizado como insumo e a atividade realizada pelo Contribuinte. Logo, para que determinado bem ou prestação de serviço seja considerado insumo gerador de crédito de PIS e COFINS, imprescindível a sua essencialidade à atividade desempenhada pela empresa, direta ou indiretamente. Esta, inclusive, também é a posição predominante no Superior Tribunal de Justiça, o qual reconhece, para a definição do conceito de insumo, critério amplo/próprio em função da receita, a partir da análise da pertinência, relevância e essencialidade ao processo produtivo ou à prestação do serviço. O entendimento daquela Corte pode ser visualizado no voto do Ministro Relator Mauro Campbell Marques, proferido nos autos do Recurso Especial nº 1.246.317MG: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. VIOLAÇÃO AO ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 98/STJ. CONTRIBUIÇÕES AO PIS/PASEP E COFINS NÃO CUMULATIVAS. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. ART. 3º, II, DA LEI N. 10.637/2002 E ART. 3º, II, DA LEI N. 10.833/2003. ILEGALIDADE DAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF N. 247/2002 E 404/2004. 1. Não viola o art. 535, do CPC, o acórdão que decide de forma suficientemente fundamentada a lide, muito embora não faça considerações sobre todas as teses jurídicas e artigos de lei invocados pelas partes. 2. Agride o art. 538, parágrafo único, do CPC, o acórdão que aplica multa a embargos de declaração interpostos notadamente com o propósito de prequestionamento. Súmula n. 98/STJ: "Embargos de declaração manifestados com notório propósito de prequestionamento não têm caráter protelatório". 3. São ilegais o art. 66, §5º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 247/2002 Pis/Pasep (alterada pela Instrução Normativa SRF n. 358/2003) e o art. 8º, §4º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 404/2004 Cofins, que restringiram indevidamente o conceito de "insumos" previsto no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e n. 10.833/2003, respectivamente, para efeitos de creditamento na sistemática de nãocumulatividade das ditas contribuições. 4. Conforme interpretação teleológica e sistemática do ordenamento jurídico em vigor, a conceituação de "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, não se identifica com a conceituação adotada na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, posto que excessivamente restritiva. Do mesmo modo, não corresponde exatamente aos conceitos de "Custos e Despesas Operacionais" utilizados na legislação do Imposto de Renda IR, por que demasiadamente elastecidos. Fl. 217DF CARF MF Processo nº 10925.003058/200983 Acórdão n.º 3301004.506 S3C3T1 Fl. 8 7 5. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. 6. Hipótese em que a recorrente é empresa fabricante de gêneros alimentícios sujeita, portanto, a rígidas normas de higiene e limpeza. No ramo a que pertence, as exigências de condições sanitárias das instalações se não atendidas implicam na própria impossibilidade da produção e em substancial perda de qualidade do produto resultante. A assepsia é essencial e imprescindível ao desenvolvimento de suas atividades. Não houvessem os efeitos desinfetantes, haveria a proliferação de microorganismos na maquinaria e no ambiente produtivo que agiriam sobre os alimentos, tornandoos impróprios para o consumo. Assim, impõese considerar a abrangência do termo "insumo" para contemplar, no creditamento, os materiais de limpeza e desinfecção, bem como os serviços de dedetização quando aplicados no ambiente produtivo de empresa fabricante de gêneros alimentícios. 7. Recurso especial provido. (REsp 1246317/MG, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 19/05/2015, DJe 29/06/2015) (grifouse) Quanto ao tema, filiome à corrente intermediária acima indicada, pelo que entendo merecer reforma a decisão recorrida quanto aos seus fundamentos, uma vez que, para a compreensão do direito à apuração de créditos de PIS e COFINS no sistema da nãocumulatividade, não deve ser adotado o conceito estrito de insumos constante da decisão recorrida. 2) Dos itens em que o direito ao creditamento restou afastado pela DRJ A empresa em questão planta, produz e comercializa frutas. O recorrente se insurge contra o entendimento da DRJ, argumentando que as despesas com aquisições de embalagens, frete das embalagens e condomínio devem gerar crédito de COFINS por serem todas diretamente necessárias à comercialização do produto. Afirma que tais despesas se relacionam diretamente com a preservação da integridade do produto, transporte de insumos e armazenamento. Com relação ao condomínio, afirma que este é acessório que deve seguir a sorte do principal, que é o aluguel, devendo todas essas despesas gerar créditos de COFINS. A decisão da primeira instância analisou a legislação que trata do conceito de insumo para fins de creditamento da COFINS, e concluiu que o caso dos presentes autos não se enquadra no conceito legal, visto que as embalagens utilizadas pelo contribuinte têm a finalidade única de servir ao transporte das frutas, não havendo comprovação de que acompanham o produto em sua apresentação final ao consumidor, de modo a agregarlhe valor. Fl. 218DF CARF MF Processo nº 10925.003058/200983 Acórdão n.º 3301004.506 S3C3T1 Fl. 9 8 Manteve a glosa do crédito referente ao frete das embalagens por terem sido desconsideradas como insumo. Quanto aos gastos com condomínio, rejeitou o argumento de que o acessório segue o principal em razão de não haver a alegada relação de acessoriedade, visto que o pagamento do condomínio independe da existência de relação locatícia, e que o acolhimento de um brocardo para alargar a hipótese de creditamento iria de encontro ao princípio da legalidade. Além disso, a utilidade decorrente do condomínio é deslocada espaçotemporalmente do processo produtivo da maçã. Por fim, manteve as glosas dos créditos sobre as despesas com gás combustível para as empilhadeiras, por não ter havido a desconstituição pelo contribuinte da constatação de que as empilhadeiras possuem uso geral para transporte de objetos, não estando sua utilidade adstrita à produção das maçãs. Entendo que assiste razão ao contribuinte em seus argumentos, consoante restará devidamente demonstrado nos tópicos a seguir. 2.1. Das embalagens As embalagens aqui analisadas são as seguintes: bandejas (utilizadas nas caixas de papelão para separar e acondicionar as maçãs), cantoneiras (utilizadas nas caixas de papelão, para proteger o produto, durante o transporte até o cliente, evitando o amassamento da caixa e das maçãs), fitas adesivas (para lacrar o fundo das caixas), pallets e seus acessórios (tais como pregos e etiquetas, utilizados no armazenamento e transporte das caixas de maçãs), papelseda (utilizado para embrulhar a maçã), plástico bolha (empregado para envolver a maçãs, evitando o atrito entre elas), caixa e fundos (usados no acondicionamento das frutas), tampas (utilizadas para proteger a fruta do contato com o ambiente externo), cola (utilizada para colar os rótulos nas caixas de madeira), filme PVC (usado para segurar as caixas nos pallets), termógrafo (usado para controlar a temperatura das caixas quando transportadas). Quanto às embalagens, entendo que a legislação admite o direito ao crédito no caso concreto ora analisado, ainda que as embalagens utilizadas. Isso porque, em razão da especificidade dos produtos produzidos pela Recorrente, é inconteste que as embalagens servem não apenas para o mero transporte, mas também para o seu acondicionamento, apresentandose essenciais à conservação da integridade e qualidade do produto. Conforme fundamentos constantes do tópico anterior, entendo desnecessário que as embalagens sejam incorporadas ao produto durante o processo de industrialização para que seja reconhecido o seu direito ao crédito. É imprescindível, na verdade, identificar se o insumo em questão é essencial à atividade produtiva desempenhada pela empresa, direta ou indiretamente, tendo concluído no caso dos presentes autos que sim. Até porque, ainda que se entendesse que as embalagens em questão seriam destinadas apenas ao transporte, o que não é o caso, a legislação atinente à COFINS não acoberta a restrição realizada pela fiscalização para fins de tomada de crédito, a qual levou em consideração a legislação do IPI, cuja aplicável há de ser afastada. Fl. 219DF CARF MF Processo nº 10925.003058/200983 Acórdão n.º 3301004.506 S3C3T1 Fl. 10 9 Estes custos com embalagens para acondicionamento e transporte, em razão da especificidade dos produtos que a Recorrente comercializa, são essenciais a que o produto produzido pela empresa seja colocado à venda, pelo que se insere no conceito de insumo que adoto, nos termos acima analisados. Entendo, ainda, que este item específico também se insere no inciso IX, que expressamente autoriza o creditamento relativo à armazenagem de mercadoria e frete na importação de vendas, quando o ônus for suportado pelo vendedor. Isso porque, verificase que a adoção da embalagem em questão é necessária tanto para a armazenagem quanto para o transporte dos produtos que a recorrente industrializa e comercializa, em razão das suas especificidades. Há de se destacar, inclusive, que a Câmara Superior de Recursos Fiscais, em caso análogo, já se manifestou pelo direito ao crédito em tal caso. É o que se infere da decisão a seguir transcrita: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 PIS/PASEP. REGIME NÃOCUMULATIVO. INSUMOS. CREDITAMENTO. Para se verificar se determinado bem ou serviço prestado pode ser caracterizado como insumo para fins de creditamento do PIS/PASEP, impende analisar se há: pertinência ao processo produtivo (aquisição do bem ou serviço especificamente para utilização na prestação do serviço ou na produção, ou, ao menos, para tornálo viável); essencialidade ao processo produtivo (produção ou prestação de serviço depende diretamente daquela aquisição) e possibilidade de emprego indireto no processo de produção (prescindível o consumo do bem ou a prestação de serviço em contato direto com o bem produzido) TAMBORES UTILIZADOS COMO EMBALAGEM PARA TRANSPORTE. GÁS EMPREGADO EM EMPILHADEIRAS. É legítima a apropriação do crédito da contribuição ao PIS/PASEP nãocumulativo em relação às aquisições de tambores empregados como embalagem de transporte e sobre o gás empregado em empilhadeiras, tendo em vista a relação de pertinência, relevância e essencialidade ao processo produtivo. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 COFINS. REGIME NÃOCUMULATIVO. INSUMOS. CREDITAMENTO. Para se verificar se determinado bem ou serviço prestado pode ser caracterizado como insumo para fins de creditamento da COFINS, impende analisar se há: pertinência ao processo produtivo (aquisição do bem ou serviço especificamente para utilização na prestação do serviço ou na produção, ou, ao Fl. 220DF CARF MF Processo nº 10925.003058/200983 Acórdão n.º 3301004.506 S3C3T1 Fl. 11 10 menos, para tornálo viável); essencialidade ao processo produtivo (produção ou prestação de serviço depende diretamente daquela aquisição) e possibilidade de emprego indireto no processo de produção (prescindível o consumo do bem ou a prestação de serviço em contato direto com o bem produzido) TAMBORES UTILIZADOS COMO EMBALAGEM PARA TRANSPORTE. GÁS EMPREGADO EM EMPILHADEIRAS. É legítima a apropriação do crédito da contribuição à COFINS nãocumulativa em relação às aquisições de tambores empregados como embalagem de transporte e sobre o gás empregado em empilhadeiras, tendo em vista a relação de pertinência, relevância e essencialidade ao processo produtivo. (Acórdão n. 9303004.192, de 04/08/2016). Logo, entendo que a decisão recorrida também deverá ser reformada neste ponto, para fins de admitir o direito ao crédito também no que concerne aos tambores utilizados para acondicionamento e transporte. Sendo assim, entendo que deverá ser reconhecido o direito ao crédito no que concerne às embalagens. 2.2. Dos fretes das embalagens A segunda glosa objeto da presente demanda incidiu sobre o serviço de transporte de material não considerado insumo na produção da maçã, tais como papelseda, fitas, filmes, cantoneira, cola, termógrafo etc. O contribuinte defende que, uma vez considerado insumo o material de embalagem utilizado, a despesa com frete na sua aquisição é capaz de gerar creditamento. No que tange aos fretes das embalagens, uma vez admitido o crédito no que concerne às embalagens, entendo que há de ser admitido o direito ao crédito também no que tange aos fretes das referidas embalagens. Até porque, penso que o gasto com frete pago ou creditado pelo comprador à pessoa jurídica domiciliada no País incorporase ao custo de aquisição do insumo, além de encontrar previsão de desconto de crédito no artigo 3º, inciso IV da Lei nº 10.833/2003, cumulado com o inciso II deste mesmo dispositivo legal. (...) Voto Vencedor (...) Quanto às despesas com condomínio, concluise que não assiste razão ao contribuinte em seu pleito, em razão da ausência de respaldo legal para o creditamento de tal despesa. Por concordar com os fundamentos constantes da decisão recorrida no que concerne a tal despesa, transcrevoo a seguir: 42. Em contraparte, o manifestante sustenta a possibilidade de creditamento com base nas despesas de condomínio, à Fl. 221DF CARF MF Processo nº 10925.003058/200983 Acórdão n.º 3301004.506 S3C3T1 Fl. 12 11 semelhança do que sucede em relação às despesas de aluguel, invocado o velho brocardo de que o acessório segue o principal (accessorium seguitur principale). 43. De fato, o inciso IV do art. 3º das Leis nº 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, prevê a possibilidade de as despesas incorridas com aluguel gerarem crédito na apuração nãocumulativa das contribuições. Entretanto, a máxima não se aplica à espécie, por dois motivos básicos. 44. Em primeiro lugar, não há acessoriedade entre aluguel e encargo de condomínio, uma vez ausente vínculo de causalidade entre eles. Com efeito, pagase condomínio não porque o imóvel é alugado, mas porque se usufrui de utilidades compartilhadas pelos proprietários ou usuários de prédios. 45. Pelo contrato de locação, uma das partes se obriga a ceder o uso e gozo de coisa não fungível, mediante certa retribuição. As despesas de condomínio, por sua vez, são destinadas a gastos relativos ao imóvel respectivo como, por exemplo, salários de empregados, materiais de consumo, equipamentos, serviços prestados ao condomínio, podendo, até mesmo, haver sobra em um mês determinado. Dessa forma, percebese que despesas de condomínio não se relacionam com aluguel. 46. Em segundo lugar, a aplicação de um brocardo não pode resultar na ampliação, por analogia, de hipóteses de creditamento que interferem na determinação da base de cálculo da contribuição, sob pena de ofensa ao princípio da legalidade tributária. 47. Resta verificar se os gastos com condomínio podem ser considerados insumo. 48. Dado que deles resultam utilidades imateriais para o contribuinte, seriam insumos se assim caracterizados sob o aspecto funcional. Entretanto, os serviços de condomínio são completamente deslocados espaçotemporalmente do processo produtivo da maçã. 49. Por essa razão, correta está a glosa das despesas de condomínio. Nesse mesmo sentido, já se manifestou este Conselho, consoante se extrai do Acórdão nº 3302.001.491, a seguir colacionado: (...). COFINS NÃO CUMULATIVA. DIREITO DE CRÉDITO. INSUMO. CONCEITO. Os bens e serviços que geram direito a crédito da contribuição são aqueles conceituados como insumos, assim entendidos os que sejam diretamente utilizados ou consumidos na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Despesa de condomínio incorrida por Fl. 222DF CARF MF Processo nº 10925.003058/200983 Acórdão n.º 3301004.506 S3C3T1 Fl. 13 12 indústria de beneficiamento de carnes não enquadra neste conceito. Nego, portanto, o direito creditório quanto a tal item." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado tanto à COFINS quanto à Contribuição para o PIS/Pasep. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu dar provimento parcial ao recurso voluntário, para admitir o creditamento de embalagens e fretes das embalagens, e para manter a glosa relativa à despesa com condomínio. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Fl. 223DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13899.900221/2006-68
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Apr 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue May 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2001
RECURSO VOLUNTÁRIO. DESISTÊNCIA PARCIAL E PAGAMENTO. DECISÃO RECONHECE VALOR DE SALDO NEGATIVO SUPERIOR AO VALOR DO CRÉDITO INDICADO NA DCOMP. PERDA SUPERVENIENTE DE OBJETO.
Considerando que a DRJ, ao recompor a base de cálculo da CSLL da contribuinte, reconheceu valor de saldo negativo superior ao valor do crédito que restou em discussão após a desistência parcial é de se reconhecer a perda superveniente de interesse recursal, homologando-se a compensação pleiteada.
Numero da decisão: 1401-002.408
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, nos termos do dispositivo do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente
(assinado digitalmente)
Livia De Carli Germano - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Livia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Abel Nunes de Oliveira Neto, Leticia Domingues Costa Braga, Daniel Ribeiro Silva e Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa.
Nome do relator: LIVIA DE CARLI GERMANO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, nos termos do dispositivo do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente (assinado digitalmente) Livia De Carli Germano - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Livia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Abel Nunes de Oliveira Neto, Leticia Domingues Costa Braga, Daniel Ribeiro Silva e Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa.
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SALDO NEGATIVO. Recorrente HENKEL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2001 RECURSO VOLUNTÁRIO. DESISTÊNCIA PARCIAL E PAGAMENTO. DECISÃO RECONHECE VALOR DE SALDO NEGATIVO SUPERIOR AO VALOR DO CRÉDITO INDICADO NA DCOMP. PERDA SUPERVENIENTE DE OBJETO. Considerando que a DRJ, ao recompor a base de cálculo da CSLL da contribuinte, reconheceu valor de saldo negativo superior ao valor do crédito que restou em discussão após a desistência parcial é de se reconhecer a perda superveniente de interesse recursal, homologandose a compensação pleiteada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, nos termos do dispositivo do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente (assinado digitalmente) Livia De Carli Germano Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 9. 90 02 21 /2 00 6- 68 Fl. 537DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Livia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Abel Nunes de Oliveira Neto, Leticia Domingues Costa Braga, Daniel Ribeiro Silva e Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa. Relatório Trata o presente processo das PER/DCOMP n°s 16601.45320.080903.1.3.031302 e 10336.63343.130906.1.7.030971 (fls. 01/09 e 10/13), transmitidas em 08/09/2003 e 13/09/2006, para extinção de débitos tributários com crédito originado de saldo negativo de CSLL do anocalendário de 2001, no valor total de R$ 412.986,00. Foi ressaltado nas declarações que o crédito teria origem na empresa sucedida, Henkel Surface Technologies Brasil Ltda., CNPJ 43.425.057/000145, incorporada em 31/12/2001. Nos presentes autos, em fevereiro de 2008 a interessada atendeu a intimações para comprovar determinadas despesas informadas na DIPJ 2001 incorporada Henkel Surface Technologies Brasil Ltda. Em 26/05/2008 a empresa foi intimada do Despacho Decisório que aprovou o Parecer SEORT/DRF/OSA n° 422/2008 de fls. 133/143, o qual indeferiu o direito creditório, em razão de alterações na DIPJ/Ex.2002 analisada, as quais resultaram em CSLL a pagar. Em resumo: Na manifestação de inconformidade apresentada em 25/06/2008 (fls. 145/157) a empresa aduz, conforme relatou a decisão recorrida: Quanto à glosa das despesas com brindes, diz que informou o valor de R$ 708.474,19 na conta contábil 460180, sob a imprecisa denominação de "brindes com relações comerciais", compondo as despesas operacionais apontadas na linha 30, Ficha 05 A da DIPJ/2002. Acusa que, ao contrário da alegação sustentada pela fiscalização, apenas a parcela de R$ 1.521,35 se refere a despesas com brindes, sendo que os R$ 706.952,84 restantes Fl. 538DF CARF MF Processo nº 13899.900221/200668 Acórdão n.º 1401002.408 S1C4T1 Fl. 538 3 referemse a despesas com comissões pagas à empresa Bueno & Cuzziol Representações Comerciais Ltda, por serviços de intermediação de negócios e divulgação de produtos químicos fabricados pela Manifestante para o mercado automobilístico, conforme pode ser visto pela planilha anexa (doc. 09). E para comprovar o alegado, anexa ao processo, por amostragem, cópia de alguns dos recibos emitidos pela empresa Bueno & Cuzziol Representações Comerciais Ltda (doc. 11). Esclarece que a conta contábil 460180 é facilmente identificável no balancete anexo (doc. 10A pág. 62), na petição que entregou para a fiscalização (doc. 08) e nos recibos de comissões ora anexados (does. 9 e 11), protestando pela dedutibilidade das despesas de R$ 706.952,84 da base de cálculo da CSLL. Quanto à omissão de receitas de prestação de serviços, aduz, em suas palavras: "14. (...), a fiscalização adotou um procedimento extremamente simplista e equivocado, qual seja, baseouse supostamente em todas as DIRFs de terceiros em que a Manifestante aparece como beneficiária no anocalendário de 2001, especificamente em relação ao código de receita 1708 (...). 15. (...), verificando que a Manifestante informou em sua DIPJ haver auferido apenas R$ 3.205,66 a título de receita de prestação de serviços (doc. 12), a d. fiscalização considerou a diferença de R$ 430.371,30 como receitas supostamente omitidas, (...). 16. Ora, esse total por si só não se sustenta, uma vez que com uma rápida análise do balancete de 2001 da Manifestante, particularmente quanto à conta contábil na qual consta a "alegada diferença de receita omitida" (conta contábil 409650 doc. 10A pág. 64), demonstra que o total de receitas efetivamente auferido pela Manifestante em 2001 (RS 783.852,91) foi muito superior ao levantado pela d. fiscalização em sua análise nas DIRFs de terceiros (RS 433.576,96). Em outras palavras, análise da d. fiscalização não pode ser tida como exaustiva para a conclusão desse assunto contida no Parecer ora questionado. 16.1. Tais receitas supostamente omitidas foram devidamente contabilizadas pela Manifestante em conta redutora de despesas com serviços prestados para Liofol e Schanko, no valor de R$ 783.852,91 ("409650 Desp. Serv. Prestados p/ Liofol/Scharzko"), como se pode verificar da página anexa, extraída de seu balanço contábil relativo ao anocalendário de 2001 (doc. 10A pág. 64). 16.2. Além disso, informa ainda que o valor dessa conta contábil foi devidamente informado na linha 04 da Ficha 05A da DIPJ relativa ao anocalendário de 2001. 16.3. Apesar de todo o exposto, a Manifestante ressalta que o seu "Lucro Líquido do Período de Apuração"devidamente informado Fl. 539DF CARF MF 4 na DIPJ — Ficha 06A Demonstração do Resultado (contábil) " é de () R$ 1.627.792,34 (doc. 12), o qual nos termos da lei coincide com aquele resultado escriturado em seu balancete (doc.l0A pág.65). Ora, diante disso, somente resta reforçar a conclusão de que a receita contida na conta redutora de despesa de serviços (conta 409650) compõe o resultado que foi devidamente oferecido à tributação da CSLL, apesar de não ter sido na linha 08 da Ficha 06A da DIPJ analisada de forma simplista pela d. fiscalização,"(negrejouse) Quanto aos rendimentos auferidos em operações de SWAP, diz ter incorrido em erro de preenchimento da linha da DIPJ em que os referidos valores foram alocados. Que ao invés de incluir na linha 21 da Ficha 06A ("ganhos auferidos em mercado de renda variável, exceto daytrade"), como determina o MAJUR, incluiu na linha 20 da Ficha 06A ("variações cambiais ativas"), juntamente com as variações cambiais ativas, cujo valor total monta R$ 3.018.135,73 (doe. 14). Esclarece que na própria escrituração contábil tratou suas operações de SWAP conjuntamente com outras operações financeiras relacionadas com o resultado de variações cambiais (doc. 10A págs. 64 e 65), conforme demonstrado às fls. 141. Aponta que é de fácil verificação que o total das receitas de variações cambiais compõe o lucro líquido devidamente contabilizado de R$ 1.627.792,34 (doc. 10A pág. 65), o qual coincide com aquele resultado informado na Ficha 06A da DIPJ (doc. 14), pelo que protesta pela glosa do acréscimo feito pela fiscalização. No que versa sobre os rendimentos relativos a juros sobre o capital próprio, alega: "25. (...) a d. fiscalização verificou que ela teria recebido "dela mesma" (???), no anocalendário de 2001, um total de R$ 2.140.602,06 relativo à juros sobre capital próprio (código de receita 5706). 26. (...). Realmente, (...), a Manifestante aparece como declarante e beneficiária dos juros sobre capital próprio no valor de R$ 2.140.602,06, o que torna claro o equívoco cometido por ela no preenchimento de sua DIRF. (...) _ „.. 27. Neste ponto, perguntase: qual seria a lógica de a Manifestante pagar juros sobre capital próprio para ela mesma? Ora, é impossível a Manifestante ser quotista dela mesmo, o que torna claro o equívoco cometido no preenchimento de sua DIRF, na qual ela informou o seu próprio CNPJ como se fosse a beneficiária dos juros sobre capital próprio, que de fato, foram pagos a sua quotista Henkel KommanditgesellschaftAufAktien. 28.Sendo assim, é evidente que a Recorrente não recebeu qualquer valor relativo a juros sobre capital próprio, o que foi corretamente informado na Linha 23, da Ficha 06 A, de sua DIPJ. Na verdade, os juros sobre capital próprio efetivamente existiram, mas não como receita da Manifestante, e sim como Fl. 540DF CARF MF Processo nº 13899.900221/200668 Acórdão n.º 1401002.408 S1C4T1 Fl. 539 5 despesa sua. Tais juros foram creditados pela Henkel Surface Technologies Brasil Ltda. (incorporada pela ora Manifestante) em favor de sua quotista Henkel Kommanditgesellschaft Auf Aktien. tendo sido efetivamente utilizados por esta empresa para realização de aumento de capital social na Henkel Surface (incorporada pela ora Manifestante). 29. Observese que o referido valor sofreu a retenção de IRRF à alíquota de 15% como determina a legislação tributária, sendo que apenas o valor líquido foi utilizado para fins de aumento de capital. 29.1. Assim, no anocalendário de 2001, a Henkel Surface deliberou pelo pagamento de juros sobre capital próprio no valor de R$ 2.140.602,06, o qual, após exclusão do IRRF à alíquota de 15% (i.e. R$ 321.093,31), foi utilizado para aumento de capital social da Manifestante no valor remanescente de R$ 1.819.511,75, conforme se pode verificar do "Instrumento Particular de 9a Alteração do Contrato Social da Henkel Surface Technologies Brasil Ltda", para aumento de capital de R$ 34.684.703,00para R$ 36.504.214,00 (doc. 17). 30. Em vista disso, resta claro que não merece prosperar o acréscimo de R$ 2.140.602,06 ao lucro da Manifestante, (...)."Por fim, quanto às estimativas glosadas, afirma o seguinte: "resta claro que se trata de inevitável conseqüência das glosas realizadas pela d. fiscalização nos itens anteriores (as quais, como visto, são completamente improcedentes), de forma que esta parte do Parecer SEORT n° 422/2008 deve acompanhar a sorte do que for decidido em relação aos itens anteriores". Encerra protestando pela reforma do Parecer recorrido, homologandose as compensações pleiteadas. Em 9/10/2008 a DRJ em Campinas SP deferiu em parte o direito creditório pleiteado, "para reconhecer o saldo negativo de CSLL, em 31/12/2001, de R$124.920,11, e homologar as compensações até o limite do crédito reconhecido". Referida decisão excluiu da receita considerada como omitida o valor correspondente aos juros sobre o capital próprio, de R$2.140.602,06, pois reunidos nos autos elementos a denotar que referido montante constituiu despesa de sua incorporada. A ementa do julgado foi a seguinte: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2001 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE CSLL. A restituição de saldo negativo da CSLL, com a posterior compensação, condicionase à demonstração da base de cálculo da contribuição, bem como à comprovação do pagamento/compensação das estimativas levadas à dedução, para efeito de determinação da certeza e liquidez do crédito, invocado pelo sujeito passivo. Eventuais erros de classificação contábil e de preenchimento da declaração, bem como a regular escrituração e o cômputo no resultado de rendimentos tributáveis, devem ser comprovados por meio dos livros de escrituração obrigatórios, alicerçados por documentação hábil e idônea. Demonstrado nos autos o erro no preenchimento da DIRF quanto à beneficiária de rendimentos de juros sobre capital próprio, afastase a omissão da receita correspondente. Fl. 541DF CARF MF 6 Intimada em 4/11/2008 (fl. 291), a empresa apresentou recurso voluntário em 4/12/2008 (fl. 299323) reiterando os argumentos expostos na manifestação de inconformidade. Em 26/05/2011, esta Turma resolveu converter o julgamento em diligência para apurar aspectos relativos às operações de swap e à omissão de rendimentos com prestação de serviços, nos seguintes termos: Reproduzo in totum o relatório de diligência constante de fl. 391: A contribuinte atendeu às duas intimações para se manifestar quanto a tal relatório, tendo o Termo de Intimação SEORT 89/2016 exatamente o mesmo teor do Termo de Intimação SEORT 202/2011. Em ambos os casos afirmou o quanto segue, acostando documentos: Fl. 542DF CARF MF Processo nº 13899.900221/200668 Acórdão n.º 1401002.408 S1C4T1 Fl. 540 7 (i) sustenta a nulidade do Parecer SEORT 422/2008, tendo em vista este não ter apresentado elementos fáticos suficientes para permitir sua defesa, fato este que foi evidenciado em virtude da necessidade de conversão do julgamento em diligência; (i) afirma que a diligência determinada por este CARF não foi adequadamente cumprida, eis que o agente fiscal se limitou a indicar as fontes pagadoras responsáveis pelos pagamentos que geraram as receitas supostamente omitidas, sem examinar os documentos trazidos pela empresa aos autos nem intimála para apresentar novas informações e esclarecimentos. (iii) sustenta que erro formal não pode resultar em tributação, sendo descabido o comentário do agente fiscal de que as alegações da empresa relativas a eventuais erros contábeis seriam insubsistentes apenas porque a fiscalização deve estrita obediência quanto ao disposto no MAJUR 2001. Aduz que independentemente da forma como tenham sido contabilizadas as receitas de prestação de serviços e os rendimentos de swap o importante é que referidas receitas foram incluídas tanto na apuração do lucro contábil como do lucro real e base de cálculo da CSLL, tendo sido oferecidas à tributação. (iv) alega que antes da prolação de qualquer decisão com base em DIRFs de terceiros, as autoridades fiscais, ao verificarem inconsistências nas informações prestadas por fontes pagadoras, deveriam intimálas a verificar o motivo da divergência. (v) reitera a necessidade de exame dos documentos juntados aos presentes autos, os quais comprovariam: v.1 quanto às receitas com prestação de serviços: Fl. 543DF CARF MF 8 Fl. 544DF CARF MF Processo nº 13899.900221/200668 Acórdão n.º 1401002.408 S1C4T1 Fl. 541 9 v.2 quanto aos rendimentos em operações de swap: Fl. 545DF CARF MF 10 Importante ressaltar, ademais, que há dois processos apensos ao presente: o processo n. 13899901.031/200668 é referente à cobrança dos valores constantes da DCOMP 16601.45320.080903.1.3.031302, discutida nos presentes autos (crédito total de R$347.299,00 compensado com débitos de estimativa de CSLL de novembro e dezembro de 2002, nos valores de R$106.809,00 e R$240.490,00). o processo n. 10882720.013/200830 é referente à cobrança do valor constante da DCOMP 10336.63343.130906.1.7.030971, discutida nos presentes autos (crédito de R$65.687,00 compensado com débito de Cofins de outubro de 2003 no valor de R$ 78.463,12). A soma dos valores acima mencionados corresponde ao total originalmente discutido nos presentes autos de R$412.986,00. Nos autos do primeiro processo acima mencionado (n. 13899901.031/2006 68) consta petição apresentada em 5/09/2014 informando desistência e anexando um comprovante eletrônico de pagamento efetivado em 25/08/2014 do valor de principal de R$ 240.490,00 "nos termos do art. 8º, §5º da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 13, de 30 de julho de 2014". Não consta daqueles autos procuração para o patrono que assina tal peça, o qual é pessoa diversa e integra escritório diferente do que patrocina o processo objeto dos presentes autos. Em 21 de setembro de 2017 esta Turma resolveu converter o julgamento em diligência a fim de completar a diligência anterior, atendida apenas em parte (i.e., na parte relativa aos rendimentos de operações de swap, silenciando a diligência sobre os rendimentos de prestação de serviços), bem como para realizar algumas verificações adicionais, considerando as informações e documentos trazidos aos autos pelo sujeito passivo e em homenagem ao princípio da verdade material. A Resolução 1401000.485 solicitou expressamente a elaboração de parecer conclusivo, seguida de intimação do sujeito passivo para se manifestar sobre o resultado da diligência, com o posterior retorno dos autos a este CARF para que prossiga o julgamento. Em 30 de outubro de 2017 a DRF de Osasco proferiu o despacho de fls. 533 534, nos seguintes termos (grifos nossos): O presente processo tem origem em duas declarações de compensação eletrônicas (Dcomp's) sob os n°s 16601.45320.080903.1.3.031302 e 10336.63343.130906.1.7.03 0971 Fl. 546DF CARF MF Processo nº 13899.900221/200668 Acórdão n.º 1401002.408 S1C4T1 Fl. 542 11 A Dcomp 16601.45320.080903.1.3.031302 tem como crédito saldo negativo de CSLL Ac 2001, de valor R$ 412.986,00; e dois débitos: CSLL nov/02 (R$ 106.809,00) e CSLL dez/02 (240.490,00). Os débitos dessa Dcomp foram migrados para o processo de cobrança 13899.901.031/200668, onde ficariam sobrestado até a decisão final. A Dcomp 10336.63343.130906.1.7.030971 tem como crédito a "sobra" de crédito da Dcomp anterior. Dos R$ 412.986,00 daquela, esta utiliza o montante de R$ 65.687,00. E tem como débito a COFINS de out/03 no valor de R$ 78.463,12, os quais são administrados no processo de cobrança 10882.720.013/200830, também em sobrestamento. O crédito foi parcialmente reconhecido pela DRJ, em acórdão de 09/10/2008: do total pleiteado, a delegacia de julgamento deferiu R$ 124.920,11. Em 04/12/2008, a empresa apresentou Recurso Voluntário ao CARF, recorrendo da parte indeferida pela DRJ, pedindo o deferimento integral do crédito. Mas em que pese o protocolo do recurso voluntário, a empresa apresentou, em 26/08/2014, desistência da ação recursal, realizando o pagamento integral dos débitos controlados no processo de cobrança 13899.901.031/200668, processo que controlava os débitos da primeira Dcomp, Dcomp 16601.45320.080903.1.3.031302. O pedido de desistência e o darf pago (pagamento confirmado nos sistemas da RFB) foram juntados nas fls. 19/20 do processo de cobrança 13899.901.031/200668, operandose, assim, a extinção do direito creditório na quantia de R$ 347.299,00 (valor esse utilizado como crédito no confronto com os débitos objeto da desistência). Assim sendo, restaria ao Conselho de Contribuintes apenas o julgamento da parte creditória não abarcada pela desistência, qual seja, o crédito de R$ 65.687,00 da segunda Dcomp. Mas, como já houve o reconhecimento pela DRJ de valor superior a esse, vejo o pleito como "perda de objeto", não havendo mais a necessidade de prosseguimento. Por todo o exposto, o SEORT/DRF/OSASCO propõe a revisão da diligência, mas ressaltando a disponibilidade da unidade no cumprimento das determinações do d. Conselho, se este entender de forma diversa. O processo retornou para esta relatora em 29 de novembro de 2017. Fl. 547DF CARF MF 12 Voto Conselheira Livia De Carli Germano Relatora O recurso voluntário é tempestivo. Em resumo, restava em discussão nos presentes autos a não homologação das compensações objeto das DCOMPs 16601.45320.080903.1.3.031302 e 10336.63343.130906.1.7.030971, em virtude de: a) retificação da base de cálculo da CSLL tendo em vista a apuração, pela autoridade fiscal, de: (i) não tributação de rendimentos com prestação de serviços no valor de R$430.371,30; (ii) não tributação de rendimentos com operações de swap no valor de R$487.429,91; (iii) glosa de despesas com brindes no valor de R$708.474,19 b) não comprovação do pagamento das estimativas de janeiro e junho de 2001 no valor total de R$141.701,47, quitadas com saldo negativo de 1999 e 2000. Conforme relatado, o julgamento foi convertido em diligência por duas vezes, tendo em vista que a primeira diligência foi atendida apenas parcialmente. Além disso, a segunda diligência solicitou que algumas verificações adicionais fossem efetuadas, nos seguintes termos (grifamos): Em síntese, orientase que a diligência verifique os documentos acostados aos presentes autos e, se for o caso, intime o sujeito passivo para apresentar esclarecimentos e documentos, para então: (i) quanto aos rendimentos de prestação de serviços: conclua (isto é, responda SIM ou NÃO e PORQUE) se estes foram oferecidos à tributação, manifestandose sobre a alegação do contribuinte de que embora tais rendimentos tenham sido contabilizados a crédito em conta de despesa (conta 409650), em vez de proceder a um débito em conta de receita, isso não alterou seu lucro tributável. (ii) quanto aos rendimentos de operações de swap: conclua (isto é, responda SIM ou NÃO e PORQUE) se estes foram oferecidos à tributação, manifestandose sobre a alegação do contribuinte de que tais rendimentos foram incluídos na linha 20 da Ficha 6A ("variações cambiais ativas") em vez de serem incluídos na Linha 21 da Ficha 6A ("ganhos auferidos em mercado de renda variável, exceto daytrade"). (iii) quanto ao pagamento do valor de R$240.490,00 noticiado nos autos do processo 13899901.031/200668, apenso a este, informe se tal pagamento efetivamente ocorreu e intime o contribuinte para: (a) prestar esclarecimentos sobre o fato e, se for o caso, (b) formalizar a desistência (total ou parcial) nos autos do presente processo, já que o processo 13899 901.031/200668 trata apenas de cobrança e não discute o Fl. 548DF CARF MF Processo nº 13899.900221/200668 Acórdão n.º 1401002.408 S1C4T1 Fl. 543 13 crédito tributário, sendo inócuo o pedido de desistência ali apresentado. No despacho de fls. 533534, a DRF em Osasco propôs a revisão da diligência ao constatar que, após a desistência e pagamento de DARF juntados nas fls. 19/20 do processo de cobrança 13899.901.031/200668, houve a extinção do direito creditório na quantia de R$ 347.299,00, de forma que resta a este CARF apenas o julgamento da parte creditória não abarcada pela desistência, qual seja, o crédito de R$ 65.687,00 da segunda Dcomp. Quanto a este, a DRF em Osasco observou, ademais, que como já houve o reconhecimento pela DRJ de valor superior, o pleito teria perdido o objeto. De fato, as DCOMPs objeto do presente processo indicaram como crédito saldo negativo de CSLL no valor total de R$ 412.986,00, sendo que, após a manifestação de inconformidade, a DRJ em Campinas propôs a recomposição da base de cálculo da CSLL da contribuinte de modo que a base negativa de CSLL de R$ 412.986,36 apontada na ficha 17 da DIPJ 2002 passasse ao valor negativo de R$ 124.920,10 (fl. 289). Assim, considerando a desistência e o pagamento de DARF referente à DCOMP 16601.45320.080903.1.3.031302 (processo de cobrança 13899.901.031/200668), restou apenas a análise do crédito pleiteado na DCOMP 10336.63343.130906.1.7.030971, no valor de R$ 65.687,00. Como o valor do crédito indicado nessa DCOMP é inferior ao saldo negativo já reconhecido pela DRJ (R$ 124.920,10), não há mais interesse recursal, por ausência de necessidade/utilidade do provimento então solicitado. Em resumo, restou prejudicado o recurso voluntário apresentado, por perda superveniente de objeto, ou seja, pela perda de interesse recursal. Ressalto que embora o contribuinte não tenha sido intimado para se manifestar sobre o resultado da segunda diligência, conforme expressamente determinado pela Resolução 1401000.485, esta medida não lhe gerou prejuízo, ante o resultado do julgamento acima proposto. Neste sentido, em homenagem à celeridade processual, proponho a superação desta medida processual e, tendo em vista a desistência e o pagamento efetuado, a unidade de origem deverá reconhecer a homologação integral das DCOMPs 16601.45320.080903.1.3.03 1302 e 10336.63343.130906.1.7.030971. Dispositivo Ante o exposto, oriento meu voto para não conhecer do recurso voluntário por perda superveniente de interesse recursal, devendo a unidade de origem reconhecer a homologação integral das DCOMPs nos termos da diligência já efetuada e que resultou no despacho de fls. 533534. (assinado digitalmente) Livia De Carli Germano Fl. 549DF CARF MF 14 Fl. 550DF CARF MF
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Numero do processo: 15871.000171/2010-37
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri May 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006
SUSPENSÃO. ART. 9º DA LEI Nº 10.925/2004. EFICÁCIA DESDE 1º DE AGOSTO DE 2004.
Em conformidade com o disposto no art. 17, III da Lei nº 10.925/2004, aplica-se desde 1º de agosto de 2004 a suspensão da incidência do PIS e da Cofins prevista no art. 9º da Lei nº 10.925/2004.
AGROINDÚSTRIA. CRÉDITO PRESUMIDO. FORMA DE APROVEITAMENTO.
O crédito presumido da agroindústria previsto no art. 8º da Lei nº 10.925/2004 não se submete à tríplice forma de aproveitamento, só podendo ser utilizado para a dedução das próprias contribuições de PIS/Cofins devidas no período de apuração.
PIS/COFINS. RESSARCIMENTO. SELIC. VEDAÇÃO.
Para as contribuições de PIS/Cofins, o ressarcimento de saldos credores admitido pelas Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003 não se sujeita à remuneração pela taxa Selic em virtude da expressa vedação contida nos arts. 13 e 15 da Lei nº 10.833/03.
Recurso Voluntário provido em parte
Aguardando nova decisão
Numero da decisão: 3402-005.126
Decisão:
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer a vigência do benefício de suspensão de que trata o art. 9º da Lei nº 10.925/2004 a partir de 1º de agosto de 2004, determinando à Unidade de Origem que analise se a contribuinte faz jus a esse benefício e, sendo o caso, efetue o ajuste do saldo do montante a ressarcir ou a compensar.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Vinícius Guimarães (Suplente convocado) e Carlos Augusto Daniel Neto. Ausente justificadamente o Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, que foi substituído pelo Suplente convocado.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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ART. 9º DA LEI Nº 10.925/2004. EFICÁCIA DESDE 1º DE AGOSTO DE 2004. Em conformidade com o disposto no art. 17, III da Lei nº 10.925/2004, aplicase desde 1º de agosto de 2004 a suspensão da incidência do PIS e da Cofins prevista no art. 9º da Lei nº 10.925/2004. AGROINDÚSTRIA. CRÉDITO PRESUMIDO. FORMA DE APROVEITAMENTO. O crédito presumido da agroindústria previsto no art. 8º da Lei nº 10.925/2004 não se submete à tríplice forma de aproveitamento, só podendo ser utilizado para a dedução das próprias contribuições de PIS/Cofins devidas no período de apuração. PIS/COFINS. RESSARCIMENTO. SELIC. VEDAÇÃO. Para as contribuições de PIS/Cofins, o ressarcimento de saldos credores admitido pelas Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003 não se sujeita à remuneração pela taxa Selic em virtude da expressa vedação contida nos arts. 13 e 15 da Lei nº 10.833/03. Recurso Voluntário provido em parte Aguardando nova decisão Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer a vigência do benefício de suspensão de que trata o art. 9º da Lei nº 10.925/2004 a partir de 1º de agosto de 2004, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 87 1. 00 01 71 /2 01 0- 37 Fl. 222DF CARF MF Processo nº 15871.000171/201037 Acórdão n.º 3402005.126 S3C4T2 Fl. 0 2 determinando à Unidade de Origem que analise se a contribuinte faz jus a esse benefício e, sendo o caso, efetue o ajuste do saldo do montante a ressarcir ou a compensar. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Vinícius Guimarães (Suplente convocado) e Carlos Augusto Daniel Neto. Ausente justificadamente o Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, que foi substituído pelo Suplente convocado. Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia de Julgamento em Porto Alegre que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte. Versa o processo sobre PER/DCOMP mediante o qual o contribuinte pleiteia ressarcimento de PIS não cumulativa vinculada à receita do mercado interno. A autoridade administrativa deferiu parcialmente o pedido de ressarcimento, homologando as declarações de compensação até o limite dos créditos e determinando a cobrança dos débitos não compensados. Inconformada a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, alegando, em síntese: a) a suspensão do PIS/Cofins nas vendas de leite in natura foi criada pelo art. 29 da Lei n° 11.051/2004, que entrou em vigor na data da publicação da Lei, ou seja, em 30/12/2004; b) nos termos do art. 17 da Lei nº 11.033/2004 e do art. 16 da Lei n° 11.116/2005, tem direito ao ressarcimento de créditos básicos na aquisição no mercado interno vinculados à receita tributada e do crédito presumido da agroindústria previsto no art. 8º da Lei nº 10.925/2004. O julgador de primeira instância não acatou os argumentos da impugnante, sob os seguintes fundamentos: O art. 9º da Lei nº 10.925/2004, instituiu a suspensão da incidência das contribuições PIS e Cofins não cumulativas sobre diversas operações com produtos agropecuários. A regulamentação desse dispositivo se deu, inicialmente, pela IN SRF nº 636, de 24/03/2006, a qual foi revogada pela vigente IN SRF nº 660, de 17/07/2006, que, por sua vez, determinou a vigência da suspensão a partir de 4 de abril de 2006. Ao contrário do que entende a contribuinte, a Lei nº 10.925/2004 fala apenas em dedução, não mencionando a possibilidade de manutenção ou utilização de eventual saldo, condição indispensável para a subsequente compensação com débitos de outros tributos, ou ressarcimento em dinheiro de valor remanescente. Ademais, o art. 2º do ADI SRF nº 15/2005 refere que não poderão ser objeto de compensação ou ressarcimento eventuais créditos presumidos apurados na forma do art. 16 da Lei nº 11.116/2005. Fl. 223DF CARF MF Processo nº 15871.000171/201037 Acórdão n.º 3402005.126 S3C4T2 Fl. 0 3 Tratandose de ressarcimento de PIS não cumulativo, o art. 13 da Lei nº 10.833/2003 combinado com o art. 15 da mesma Lei vedam a atualização monetária no período entre a protocolização do pedido de ressarcimento e o efetivo pagamento. Cabe aos contribuintes, em defesa ao crédito pretendido, provar o teor das alegações contrapostas aos argumentos da autoridade fiscal para não acatar, total ou parcialmente, o alegado crédito. No caso em tela, entendese que a contribuinte não conduziu aos autos elementos necessários à comprovação de suas alegações. Limitouse a afirmar a existência dos pretendidos créditos, nada apresentando de novo. Cientificada da decisão de primeira instância a contribuinte apresentou recurso voluntário tempestivo, mediante o qual repisa as alegações da manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra , Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402005.118, de 17 de abril de 2018, proferido no julgamento do processo 10820.720440/201148, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402005.118): "Atendidos aos requisitos de admissibilidade, tomase conhecimento do recurso voluntário. O pedido da recorrente para notificação para sustentação oral deve ser indeferido à míngua de previsão legal ou regimental. Ademais, o § 1º do art. 55 do Anexo II do Regimento Interno do CARF RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2016, determina que a pauta de julgamento deve ser publicada no Diário Oficial da União com dez dias de antecedência, sendo perfeitamente possível ao patrono do autuado acompanhar tais publicações para, caso lhe aprouver, formular sustentação oral na sessão de julgamento, em conformidade com os arts. 58 e 59 do referido Regimento Interno. Em análise de vários pedidos de ressarcimento da contribuinte de PIS/Cofins, constantes em diversos processos administrativos, relativos aos períodos de apuração do primeiro trimestre de 2005 até o último trimestre de 2007, concluiu a fiscalização no Termo de Encerramento de Procedimento Fiscal que: Fl. 224DF CARF MF Processo nº 15871.000171/201037 Acórdão n.º 3402005.126 S3C4T2 Fl. 0 4 a) O sujeito passivo tem direito ao ressarcimento ou compensação de saldos credores de créditos básicos da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins calculados sobre aquisições no mercado interno vinculadas à receita tributada à alíquota zero no mercado interno. Os valores desses créditos apurados pela fiscalização estão demonstrados nas planilhas três e quatro; b) O sujeito passivo não tem direito ao ressarcimento de créditos básicos decorrentes de aquisições no mercado interno vinculadas à receita tributada no mercado interno. Os valores apurados pela fiscalização estão demonstrados nas planilhas três e quatro. Tais créditos não são passíveis de ressarcimento ou compensação, por falta de previsão legal, sendo a sua utilização restrita ao abatimento dos débitos da própria contribuição, relativos ao mesmo período ou aos subseqüentes;e, c) O sujeito passivo não tem direito ao ressarcimento de créditos decorrentes de aquisições no mercado interno presumido, relacionados às atividades agroindustriais. Os valores apurados pela fiscalização estão demonstrados nas planilhas três e quatro. Os valores desses créditos não são passíveis de ressarcimento ou compensação, podendo ser utilizados apenas na dedução da própria contribuição devida no mesmo período de apuração ou nos subseqüentes, devendo ser apurados de forma segregada, com o seu saldo controlado durante todo o período de sua utilização. i) Vigência da suspensão: Com relação à suspensão, a fiscalização entendeu que seria aplicável somente a partir de 04.04.2006, com a vigência da Instrução Normativa nº SRF nº 636/2006, posteriormente revogada pela IN SRF nº 660/2006. Sobre a suspensão das contribuições não cumulativas, dispõe o art. 9º da Lei nº 10.925/2004: Art. 9º A incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins fica suspensa no caso de venda: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) I de produtos de que trata o inciso I do § 1º do art. 8º desta Lei, quando efetuada por pessoas jurídicas referidas no mencionado inciso; (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) (...) § 2º A suspensão de que trata este artigo aplicarseá nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal SRF. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) Fl. 225DF CARF MF Processo nº 15871.000171/201037 Acórdão n.º 3402005.126 S3C4T2 Fl. 0 5 Conforme expresso no art. 17 da própria Lei nº 10.925/2004, a referida suspensão deveria produzir efeitos a partir de 1º de agosto de 2004: Art. 17. Produz efeitos: (...) III a partir de 1º de agosto de 2004, o disposto nos arts. 8º e 9º desta Lei; (...) A então Secretaria da Receita Federal veio regulamentar a referida suspensão, nos termos do §2º do art. 9º acima transcrito, com a Instrução Normativa SRF nº 636, de 24/03/2006, que entrou em vigor na data de sua publicação 04/04/2006 , mas produzia efeitos desde 1º de agosto de 2004, em consonância ao disposto no art. 17 da Lei. Ocorre que, posteriormente, essa Instrução Normativa foi revogada pela IN SRF nº 660/2006, a qual veio dispor que a suspensão das contribuições produziria efeitos a partir de 04/04/2006, data da publicação da primeira regulamentação (Instrução Normativa SRF nº 636/2006). Assim, a fiscalização excluiu o benefício da recorrente relativo ao período sob análise, pois anterior a 04/04/2006. A matéria não comporta maiores digressões, eis que a própria Lei nº 10.925/2004 determinou que o referido benefício produziria efeitos a partir de 1º de agosto de 2004. Estando perfeitamente definida a data do início da suspensão pela Lei, é certo que a regulamentação reservada à Secretaria da Receita Federal, nos termos do §2º do art. 9º da referida Lei, não dizia respeito a esse aspecto. Nesse sentido, a primeira regulamentação da suspensão, dada pela Instrução Normativa SRF nº 636/2006, já tinha reconhecido a sua produção de efeitos retroativa, a partir de 1º de agosto de 2004. A matéria já foi objeto de análise por esse CARF no Acórdão nº 3401002.078 da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária desta 3ª Seção, j. 28.11.2012, Relator Emanuel Carlos Dantas de Assis, no qual se fixou o entendimento de que a suspensão das contribuições prevista no art. 9º da Lei nº 10.925/2004 aplicase desde 1º de agosto de 2004, conforme trecho da ementa abaixo: (...) ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 VENDA DE PRODUTOS IN NATURA. SOJA E CAFÉ. SUSPENSÃO. ART. 9º DA LEI Nº 10.925, DE 2004. EFICÁCIA DESDE 1º DE AGOSTO DE 2004. Fl. 226DF CARF MF Processo nº 15871.000171/201037 Acórdão n.º 3402005.126 S3C4T2 Fl. 0 6 Em conformidade com o art. 17, III, da Lei nº 10.925, de 2004, e a Instrução Normativa nº 636, de 2006, aplicase desde 1º de agosto de 2004 a suspensão da incidência do PIS e da Cofins prevista no art. 9º da Lei nº 10.925, de 2004, que atinge a venda de soja e café in natura efetuada pelos cerealistas que exerçam cumulativamente as atividades de secar, limpar, padronizar, armazenar e comercializar os referidos produtos, por pessoa jurídica e por cooperativa que exerçam atividades agropecuárias, para pessoa jurídica tributada com base no Lucro Real. (...) Também no Acórdão nº 3402003.171, 20/07/2016, este Colegiado, por unanimidade de votos, reconheceu o benefício pleiteado de suspensão de que trata o art. 9º da Lei nº 10.925/2004, no período de apuração de 01/01/2006 a 31/03/2006. Assim, há de ser considerado vigente o benefício da suspensão pleiteado no período do presente pedido, reformando se a decisão recorrida nesta parte. ii) Créditos básicos: Conforme consignado no PARECER SAORT, as receitas não tributadas no mercado interno foram constituídas de vendas com alíquota zero, isenção, suspensão ou não incidência. Para tais receitas foram apurados os créditos da contribuição não cumulativa na forma dos arts. 3º da Lei nº 10.637/2002 e da Lei nº 10.833/2003, cuja manutenção na escrita contábil pelo estabelecimento vendedor encontrava amparo legal no art. 17 da Lei nº 11.033/2004, tornandose passíveis de resssarcimento ou compensação com outros tributos administradas pela RFB, com a entrada em vigor, em 19/05/2005, do art. 16, incisos I e II da Lei n° 11.116/2005. A fiscalização considerou a redução a zero das alíquotas do PIS e da Cofins, incidentes sobre a receita bruta de vendas de leite pasteurizado no mercado interno, somente a partir de 30/12/2004. Quanto aos demais produtos fabricados pela contribuinte, a redução da alíquota a zero foi considerada apenas a partir de 1° de março de 2006 (queijos tipo mussarela, minas, prato, queijo de coalho, ricota e requeijão); e de 15 de junho de 2007 (bebidas e compostos lácteos, queijo provolone, queijo parmesão), conforme disposições contidas, respectivamente, nos incisos II e III do art. 3º do Decreto n° 5.630/051. No que nada há a reparar. 1 Art.1o Ficam reduzidas a zero as alíquotas da Contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS incidentes na importação e sobre a receita bruta decorrente da venda no mercado interno de: (...) Xleite fluido pasteurizado ou industrializado, na forma de ultrapasteurizado, destinado ao consumo humano; (Vigência) XIleite em pó, integral ou desnatado, destinado ao consumo humano; e (Vigência) Fl. 227DF CARF MF Processo nº 15871.000171/201037 Acórdão n.º 3402005.126 S3C4T2 Fl. 0 7 Com relação à suspensão, a fiscalização entendeu que seria aplicável somente a partir de 04.04.2006, com a vigência da Instrução Normativa nº SRF nº 636/2006, posteriormente revogada pela IN SRF nº 660/2006, o que deverá ser objeto de reforma conforme item precedente deste Voto. A recorrente não contesta que não tem direito ao ressarcimento de créditos básicos decorrentes de aquisições no mercado interno vinculadas à receita tributada no mercado interno, para os quais a utilização é restrita ao abatimento dos débitos da própria contribuição, relativos ao mesmo período ou aos subsequentes. Apenas questiona: "Como poderá restar saldo credor a ser ressarcido se as receitas de venda são tributadas?" Ora, de todo modo, o ressarcimento, quando permitido, só é possível, obviamente, quando houver saldo de créditos remanescente na escrita da contribuinte. iii) Crédito presumido da agroindústria: Acerca do crédito presumido da agroindústria previsto no art. 8º da Lei nº 10.925/2004, sustenta a recorrente que teria direito ao ressarcimento com relação às vendas efetuadas à alíquota zero, nos termos dos arts. 17 da Lei nº 11.033/2004 e 16 da Lei n° 11.116/2005, que assim dispõem: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação (...) XIIqueijos tipo mussarela, minas, prato, queijo de coalho, ricota e requeijão. (Vigência) XIIIleite em pó semidesnatado, leite fermentado, bebidas e compostos lácteos e fórmulas infantis, assim definidas conforme previsão legal específica, destinados ao consumo humano ou utilizados na industrialização de produtos que se destinam ao consumo humano; (Incluído pelo Decreto nº 6.461, de 2008). XIVqueijo provolone, queijo parmesão e queijo fresco não maturado; (Incluído pelo Decreto nº 6.461, de 2008). XVsoro de leite fluido a ser empregado na industrialização de produtos destinados ao consumo humano. (Incluído pelo Decreto nº 6.461, de 2008). (...) Art.3o Este Decreto entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos a partir de: I30 de dezembro de 2004, em relação ao disposto nos incisos VIII a X do caput do art. 1º deste Decreto; e II1º de março de 2006, em relação ao disposto nos incisos XI e XII do caput do art. 1º deste Decreto. III15 de junho de 2007, em relação ao disposto nos incisos XIII, XIV e XV do caput do art. 1o e no § 3o do mesmo artigo deste Decreto. (Incluído pelo Decreto nº 6.461, de 2008). Art.4o Fica revogado o Decreto no 5.195, de 26 de agosto de 2004. Fl. 228DF CARF MF Processo nº 15871.000171/201037 Acórdão n.º 3402005.126 S3C4T2 Fl. 0 8 II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. (...) Como se vê, o ressarcimento permitido pelo art. 16 da Lei nº 11.116/2005 é cabível somente na hipótese de saldos credores decorrentes da apuração na forma: a) dos arts. 3ºs das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003 ou b) do art. 15 da Lei nº 10.865/2004, não havendo qualquer previsão nesse sentido quanto ao crédito presumido previsto no art. 8º da Lei nº 10.925/2004, para o qual, inclusive, só foi autorizada a dedução dos valores das contribuições devidas em cada período de apuração, nos seguintes termos: Art. 8o As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) (...) Conforme já decidido na Apelação Cível Nº 2006.72.00.0078654/SC, do Tribunal Federal da 4ª Região, "as próprias leis instituidoras dos créditos presumidos em questão previram como modo de aproveitamento destes créditos o desconto das contribuições do PIS e COFINS a pagar, limitando a sua utilização, assim, à esfera das próprias contribuições". Nessa esteira, a Receita Federal do Brasil dispôs em normas complementares, mediante a Instrução Normativa SRF nº 660/2006 e o Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 15/2005 sobre a impossibilidade de compensação ou ressarcimento dos créditos presumidos apurados a partir de 01/08/2004, permitindo apenas deduzilos das contribuições devidas: IN SRF n° 660/2006 Do Crédito Presumido Do direito ao desconto de créditos presumidos Fl. 229DF CARF MF Processo nº 15871.000171/201037 Acórdão n.º 3402005.126 S3C4T2 Fl. 0 9 Art. 5º A pessoa jurídica que exerça atividade agroindustrial, na determinação do valor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins a pagar no regime de não cumulatividade, pode descontar créditos presumidos calculados sobre o valor dos produtos agropecuários utilizados como insumos na fabricação de produtos: I destinados à alimentação humana ou animal, classificados na NCM: (...) Do cálculo do crédito presumido Art. 8º Até que sejam fixados os valores dos insumos de que trata o art. 7 º, o crédito presumido da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins será apurado com base no seu custo de aquisição. (...) § 3º O valor dos créditos apurados de acordo com este artigo: I não constitui receita bruta da pessoa jurídica agroindustrial, servindo somente para dedução do valor devido de cada contribuição; e II não poderá ser objeto de compensação com outros tributos ou de pedido de ressarcimento. Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 15/2005 Art. 1º O valor do crédito presumido previsto na Lei nº 10.925, de 2004, arts. 8º e 15, somente pode ser utilizado para deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) apuradas no regime de incidência nãocumulativa. Art. 2º O valor do crédito presumido referido no art. 1º não pode ser objeto de compensação ou de ressarcimento, de que trata a Lei nº 10.637, de 2002, art. 5º, § 1º, inciso II, e § 2º, a Lei nº 10.833, de 2003, art. 6º,§ 1º, inciso II, e § 2º, e a Lei nº 11.116, de 2005, art. 16. O Superior Tribunal de Justiça também já manifestou seu entendimento, no REsp 1240714/PR (Rel. Ministro ARNALDO ESTEVES LIMA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 03/09/2013, DJe 10/09/2013), conforme ementa abaixo: TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. PIS E COFINS. PRODUTOR RURAL. CRÉDITOS PRESUMIDOS. RESSARCIMENTO OU COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. ART. 8º DA LEI 10.925/04. LEGALIDADE DA ADI/SRF 15/05 E DA IN SRF 660/06. PRECEDENTES DO STJ. MORA DO FISCO. Fl. 230DF CARF MF Processo nº 15871.000171/201037 Acórdão n.º 3402005.126 S3C4T2 Fl. 0 10 INEXISTÊNCIA. RECURSO ESPECIAL CONHECIDO E NÃO PROVIDO. 1. "A jurisprudência firmada por ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ é no sentido de que inexiste previsão legal para deferir restituição ou compensação (art. 170, do CTN) com outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil do crédito presumido de PIS e da COFINS estabelecido na Lei 10.925/2004, considerandose, outrossim, que a ADI/SRF 15/2005 não inovou no plano normativo, mas apenas explicitou vedação já prevista no art. 8º, da lei antes referida" (AgRg no REsp 1.218.923/PR, Rel. Min. BENEDITO GONÇALVES, Primeira Turma, DJe 13/11/12). 2. O Superior Tribunal de Justiça tem entendido ser legítima a atualização monetária de crédito escritural quando há demora no exame dos pedidos pela autoridade administrativa ou oposição decorrente de ato estatal, administrativo ou normativo, postergando o seu aproveitamento, o que não ocorre na hipótese, em que os atos normativos são legais. 3. "O Fisco deve ser considerado em mora (resistência ilegítima) somente a partir do término do prazo de 360 (trezentos e sessenta) dias contado da data do protocolo dos pedidos de ressarcimento, aplicandose o art. 24 da Lei 11.457/2007, independentemente da data em que efetuados os pedidos" (AgRg no REsp 1.232.257/SC, Rel. Min.NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, Primeira Turma, DJe 21/2/13). 4. Recurso especial conhecido e não provido. Nessa linha também foi decidido no Acórdão nº 3401 01.716– 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária, de 15 de fevereiro de 2012, conforme trecho do Voto do Relator Odassi Guerzoni Filho abaixo: (...) Com a devida vênia, não partilho do mesmo entendimento da Recorrente, haja vista a clareza do dispositivo que passou a tratar do crédito presumido do PIS/Pasep e da Cofins, qual seja o artigo 8º da Lei nº 10.925 de 23 de julho de 2004, segundo o qual, “As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, [...], destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nº 10.637, de 30/12/2002, e 10.833, de 29/12/2003, adquiridos de pessoas físicas ou recebidos de cooperado pessoa física.” Fl. 231DF CARF MF Processo nº 15871.000171/201037 Acórdão n.º 3402005.126 S3C4T2 Fl. 0 11 Ora, a menção que referido dispositivo legal faz ao artigo 3º da Lei nº 10.637/2002 e da Lei nº 10.833/2003 tem como único objetivo o de identificar os produtos adquiridos que podem gerar o direito ao crédito presumido e não o de estender a este o mesmo direito de aproveitamento [ressarcimento e compensação] que está contemplado, ressaltese, de forma taxativa, nas hipóteses constantes dos incisos do referido artigo 3º. Nem me valerei aqui das regras específicas trazidas pelas instruções normativas que regem os procedimentos de compensação e de ressarcimento, e tampouco discorrerei sobre o argumento de que o crédito presumido seria uma subvenção financeira, porquanto vislumbro na argumentação da Recorrente mero inconformismo com a forma com que o legislador tratou a matéria. Assim, consoante consta de forma clara no art. 8º da Lei nº 10.925 de 23 de julho de 2004, o crédito presumido somente pode ser deduzido da contribuição eventualmente devida, e não ser aproveitado via ressarcimento e/ou compensação. (...) Dessa forma, a decisão recorrida há de ser mantida também nesta parte. iv) Correção monetária Por fim, requer a recorrente a correção monetária do saldo credor a ser ressarcido, nos termos do § 4º do art. 39 da Lei nº 9.250/1995. No entanto, a pretensão da recorrente encontra obstáculo expresso no art. 13 da Lei nº 10.833/2003, aplicável à Cofins e também ao PIS/Pasep, por força do art. 15 dessa Lei, que assim dispõem: Art. 13 . O aproveitamento de crédito na forma do § 4º do art. 3º, do art. 4º e dos §§ 1º e 2º do art. 6º, bem como do § 2º e inciso II do § 4º e § 5º do art. 12, não ensejará atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores. Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) § 4º O crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subseqüentes. (...) Art. 15. Aplicase à contribuição para o PIS/PASEP nãocumulativa de que trata a Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) Fl. 232DF CARF MF Processo nº 15871.000171/201037 Acórdão n.º 3402005.126 S3C4T2 Fl. 0 12 (...) VI no art. 13 desta Lei. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) De outra parte, a previsão legal de atualização do valor pela taxa Selic, nos termos do art. 39, §4º da Lei 9.250/1995, ora transcrito, somente é aplicável para os casos de compensação e restituição, mas não para o ressarcimento: Art. 39. A compensação de que trata o art. 66 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991, com a redação dada pelo art. 58 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, somente poderá ser efetuada com o recolhimento de importância correspondente a imposto, taxa, contribuição federal ou receitas patrimoniais de mesma espécie e destinação constitucional, apurado em períodos subseqüentes. (...) § 4º A partir de 1º de janeiro de 1996, a compensação ou restituição será acrescida de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir da data do pagamento indevido ou a maior até o mês anterior ao da compensação ou restituição e de 1% relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada. (Vide Lei nº 9.532, de 1997) [negrito desta Relatora] Ademais, como bem esclareceu o Conselheiro Relator Bernardo Motta Moreira, em seu Voto no Acórdão nº 3301 002.088, da 3ª Câmara/1ª Turma Ordinária, em sessão de 23/10/2013, o entendimento veiculado pelo Recurso Especial nº 1.035.847, julgado pela sistemática de recursos repetitivos prevista no artigo 543C do CPC/73, que diz respeito ao ressarcimento de créditos de IPI, não pode ser estendido para o ressarcimento de créditos das contribuições sociais não cumulativas, eis que, para essas, há, na lei, a vedação expressa de atualização monetária, o que não ocorre para o IPI. Assim, pelo exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer a vigência do benefício de suspensão de que trata o art. 9º da Lei nº 10.925/2004 a partir de 1º de agosto de 2004, determinando à Unidade de Origem que analise se a contribuinte faz jus a esse benefício e, sendo o caso, efetue o ajuste do saldo do montante a ressarcir ou a compensar. É como voto." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Fl. 233DF CARF MF Processo nº 15871.000171/201037 Acórdão n.º 3402005.126 S3C4T2 Fl. 0 13 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, o colegiado deu provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer a vigência do benefício de suspensão de que trata o art. 9º da Lei nº 10.925/2004 a partir de 1º de agosto de 2004, determinando à Unidade de Origem que analise se a contribuinte faz jus a esse benefício e, sendo o caso, efetue o ajuste do saldo do montante a ressarcir ou a compensar. assinado digitalmente Waldir Navarro Bezerra Fl. 234DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.722808/2012-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Mar 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu May 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007, 2008, 2009
OMISSÃO DE RECEITAS. JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO.
Se a fonte pagadora (empresa investida) dos Juros sobre o Capital Próprio (JCP) deliberou o pagamento de tal rubrica e efetuou a retenção do IR na fonte, correta a tributação por omissão de receitas decorrente de JCP no beneficiário (empresa investidora) do rendimento.
GLOSA DE EXCLUSÃO INDEVIDA. ERRO NO ASPECTO TEMPORAL DO FATO GERADOR.
Se a empresa efetuou o registro de receitas diferidas, decorrentes de eventuais ganhos que teria por aderir a parcelamento previsto pela legislação tributária, e efetuou sua exclusão no LALUR, o procedimento somente estaria incorreto se a fiscalização provasse que a referida receita deveria ser tributada. Posteriormente, ao perceber que incorreu em equívoco na contabilização do valor, se (a empresa) retificou a contabilidade para inserir uma despesa no resultado contábil e efetuou, ao mesmo tempo, uma adição e uma exclusão, todos no mesmo valor, incorreu a empresa em um descompasso na apuração do IRPJ, o que ensejaria tributação por exclusão indevida neste segundo ano-calendário, e não no primeiro ano como entendeu a fiscalização. Improcedência do lançamento que deve ser reconhecida.
DESPESAS COM VARIAÇÃO CAMBIAL. FALTA DE COMPROVAÇÃO. GLOSA.
As despesas com variação cambial devem estar suportadas por documentação comprobatória de suas ocorrências. Caso os documentos apresentados não representam um mínimo de probabilidade da ocorrência da despesa, correto o procedimento de glosa efetuado pela fiscalização.
DESPESAS COM JUROS DECORRENTES DE FINANCIAMENTOS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. DESPESAS INCORRIDAS EM PERÍODO POSTERIOR AO TRÂNSITO EM JULGADO DO PROCESSO JUDICIAL. EMBARGOS À EXECUÇÃO NÃO JULGADO EM DEFINITIVO. NATUREZA DE PROVISÃO.
As despesas com juros decorrentes de financiamentos firmados pela empresa devem estar suportadas por documentação comprobatória. Outrossim, se as despesas se referem a período posterior à decisão judicial que determinou o pagamento dos juros decorrentes de empréstimos em que a empresa se tornou inadimplente, mesmo que a recorrente tenha ingressado com embargos à execução para discutir a taxa de juros aplicada, correto o procedimento de glosa das despesas, pois tais deduções devem ser tratadas como provisão.
DESPESAS COM PRESTADORES DE SERVIÇOS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. GLOSA.
Somente as despesas que estão acompanhadas de documentação que demonstra inequivocadamente que o serviço foi de fato prestado à tomadora devem ser aceitas para fins fiscais.
CSLL. GLOSA DE DESPESAS.
Se a recorrente somente pugna pela aplicação subsidiária à CSLL do quanto decidido em relação ao IRPJ, não cabe ao julgador enfrentar nenhuma outra questão não trazida no recurso voluntário.
CSLL. PIS. COFINS. OMISSÃO DE RECEITAS DE JCP. APURAÇÃO REFLEXA.
Sobre a omissão de receitas decorrentes de recebimento (ou creditamento) de Juros sobre o Capital Próprio incide a CSLL, o PIS e a COFINS por reflexo e por terem previsão contida na legislação tributária.
Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2007, 2008, 2009
PAGAMENTO SEM CAUSA.
Todo pagamento efetuado pela pessoa jurídica a terceiros está sujeito à tributação do Imposto de Renda na Fonte, à alíquota de 35% (trinta e cinco por cento), desde que não restar comprovada a sua causa.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2007, 2008, 2009
MULTA CONFISCATÓRIA. APLICAÇÃO DE MULTA DE OFÍCIO EM PATAMAR REDUZIDO. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA CARF Nº 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 1401-002.289
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Guilherme Adolfo dos Santos Mendes - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Livia De Carli Germano, Aílton Neves da Silva (suplente convocado em substituição ao Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga.
Nome do relator: LUIZ RODRIGO DE OLIVEIRA BARBOSA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2007, 2008, 2009 OMISSÃO DE RECEITAS. JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO. Se a fonte pagadora (empresa investida) dos Juros sobre o Capital Próprio (JCP) deliberou o pagamento de tal rubrica e efetuou a retenção do IR na fonte, correta a tributação por omissão de receitas decorrente de JCP no beneficiário (empresa investidora) do rendimento. GLOSA DE EXCLUSÃO INDEVIDA. ERRO NO ASPECTO TEMPORAL DO FATO GERADOR. Se a empresa efetuou o registro de receitas diferidas, decorrentes de eventuais ganhos que teria por aderir a parcelamento previsto pela legislação tributária, e efetuou sua exclusão no LALUR, o procedimento somente estaria incorreto se a fiscalização provasse que a referida receita deveria ser tributada. Posteriormente, ao perceber que incorreu em equívoco na contabilização do valor, se (a empresa) retificou a contabilidade para inserir uma despesa no resultado contábil e efetuou, ao mesmo tempo, uma adição e uma exclusão, todos no mesmo valor, incorreu a empresa em um descompasso na apuração do IRPJ, o que ensejaria tributação por exclusão indevida neste segundo ano-calendário, e não no primeiro ano como entendeu a fiscalização. Improcedência do lançamento que deve ser reconhecida. DESPESAS COM VARIAÇÃO CAMBIAL. FALTA DE COMPROVAÇÃO. GLOSA. As despesas com variação cambial devem estar suportadas por documentação comprobatória de suas ocorrências. Caso os documentos apresentados não representam um mínimo de probabilidade da ocorrência da despesa, correto o procedimento de glosa efetuado pela fiscalização. DESPESAS COM JUROS DECORRENTES DE FINANCIAMENTOS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. DESPESAS INCORRIDAS EM PERÍODO POSTERIOR AO TRÂNSITO EM JULGADO DO PROCESSO JUDICIAL. EMBARGOS À EXECUÇÃO NÃO JULGADO EM DEFINITIVO. NATUREZA DE PROVISÃO. As despesas com juros decorrentes de financiamentos firmados pela empresa devem estar suportadas por documentação comprobatória. Outrossim, se as despesas se referem a período posterior à decisão judicial que determinou o pagamento dos juros decorrentes de empréstimos em que a empresa se tornou inadimplente, mesmo que a recorrente tenha ingressado com embargos à execução para discutir a taxa de juros aplicada, correto o procedimento de glosa das despesas, pois tais deduções devem ser tratadas como provisão. DESPESAS COM PRESTADORES DE SERVIÇOS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. GLOSA. Somente as despesas que estão acompanhadas de documentação que demonstra inequivocadamente que o serviço foi de fato prestado à tomadora devem ser aceitas para fins fiscais. CSLL. GLOSA DE DESPESAS. Se a recorrente somente pugna pela aplicação subsidiária à CSLL do quanto decidido em relação ao IRPJ, não cabe ao julgador enfrentar nenhuma outra questão não trazida no recurso voluntário. CSLL. PIS. COFINS. OMISSÃO DE RECEITAS DE JCP. APURAÇÃO REFLEXA. Sobre a omissão de receitas decorrentes de recebimento (ou creditamento) de Juros sobre o Capital Próprio incide a CSLL, o PIS e a COFINS por reflexo e por terem previsão contida na legislação tributária. Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Ano-calendário: 2007, 2008, 2009 PAGAMENTO SEM CAUSA. Todo pagamento efetuado pela pessoa jurídica a terceiros está sujeito à tributação do Imposto de Renda na Fonte, à alíquota de 35% (trinta e cinco por cento), desde que não restar comprovada a sua causa. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2007, 2008, 2009 MULTA CONFISCATÓRIA. APLICAÇÃO DE MULTA DE OFÍCIO EM PATAMAR REDUZIDO. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
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JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO. Se a fonte pagadora (empresa investida) dos Juros sobre o Capital Próprio (JCP) deliberou o pagamento de tal rubrica e efetuou a retenção do IR na fonte, correta a tributação por omissão de receitas decorrente de JCP no beneficiário (empresa investidora) do rendimento. GLOSA DE EXCLUSÃO INDEVIDA. ERRO NO ASPECTO TEMPORAL DO FATO GERADOR. Se a empresa efetuou o registro de receitas diferidas, decorrentes de eventuais ganhos que teria por aderir a parcelamento previsto pela legislação tributária, e efetuou sua exclusão no LALUR, o procedimento somente estaria incorreto se a fiscalização provasse que a referida receita deveria ser tributada. Posteriormente, ao perceber que incorreu em equívoco na contabilização do valor, se (a empresa) retificou a contabilidade para inserir uma despesa no resultado contábil e efetuou, ao mesmo tempo, uma adição e uma exclusão, todos no mesmo valor, incorreu a empresa em um descompasso na apuração do IRPJ, o que ensejaria tributação por exclusão indevida neste segundo ano calendário, e não no primeiro ano como entendeu a fiscalização. Improcedência do lançamento que deve ser reconhecida. DESPESAS COM VARIAÇÃO CAMBIAL. FALTA DE COMPROVAÇÃO. GLOSA. As despesas com variação cambial devem estar suportadas por documentação comprobatória de suas ocorrências. Caso os documentos apresentados não representam um mínimo de probabilidade da ocorrência da despesa, correto o procedimento de glosa efetuado pela fiscalização. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 28 08 /2 01 2- 11 Fl. 3293DF CARF MF 2 DESPESAS COM JUROS DECORRENTES DE FINANCIAMENTOS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. DESPESAS INCORRIDAS EM PERÍODO POSTERIOR AO TRÂNSITO EM JULGADO DO PROCESSO JUDICIAL. EMBARGOS À EXECUÇÃO NÃO JULGADO EM DEFINITIVO. NATUREZA DE PROVISÃO. As despesas com juros decorrentes de financiamentos firmados pela empresa devem estar suportadas por documentação comprobatória. Outrossim, se as despesas se referem a período posterior à decisão judicial que determinou o pagamento dos juros decorrentes de empréstimos em que a empresa se tornou inadimplente, mesmo que a recorrente tenha ingressado com embargos à execução para discutir a taxa de juros aplicada, correto o procedimento de glosa das despesas, pois tais deduções devem ser tratadas como provisão. DESPESAS COM PRESTADORES DE SERVIÇOS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. GLOSA. Somente as despesas que estão acompanhadas de documentação que demonstra inequivocadamente que o serviço foi de fato prestado à tomadora devem ser aceitas para fins fiscais. CSLL. GLOSA DE DESPESAS. Se a recorrente somente pugna pela aplicação subsidiária à CSLL do quanto decidido em relação ao IRPJ, não cabe ao julgador enfrentar nenhuma outra questão não trazida no recurso voluntário. CSLL. PIS. COFINS. OMISSÃO DE RECEITAS DE JCP. APURAÇÃO REFLEXA. Sobre a omissão de receitas decorrentes de recebimento (ou creditamento) de Juros sobre o Capital Próprio incide a CSLL, o PIS e a COFINS por reflexo e por terem previsão contida na legislação tributária. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2007, 2008, 2009 PAGAMENTO SEM CAUSA. Todo pagamento efetuado pela pessoa jurídica a terceiros está sujeito à tributação do Imposto de Renda na Fonte, à alíquota de 35% (trinta e cinco por cento), desde que não restar comprovada a sua causa. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007, 2008, 2009 MULTA CONFISCATÓRIA. APLICAÇÃO DE MULTA DE OFÍCIO EM PATAMAR REDUZIDO. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Fl. 3294DF CARF MF Processo nº 19515.722808/201211 Acórdão n.º 1401002.289 S1C4T1 Fl. 3.294 3 (assinado digitalmente) Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Livia De Carli Germano, Aílton Neves da Silva (suplente convocado em substituição ao Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão proferida pela 15ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (DRJ/RPO), que, por meio do Acórdão 1443.103, de 10 de julho de 2013, julgou procedente em parte a impugnação apresentada pela empresa. Reproduzo, por oportuno, o teor do relatório constante no acórdão da DRJ: (início da transcrição do relatório do acórdão da DRJ) Tratase dos Autos de Infração relativos ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ, à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, às Contribuições para o Financiamento da Seguridade Social Cofins e para Integração Social Pis e ao Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF, lavrados em 05/12/2012, que formalizaram o crédito tributário contra a contribuinte em epígrafe no valor total de R$ 109.678.283,25, incluindo multa de ofício (75%) e juros de mora calculados até 30/11/2012, em razão de omissão de receita decorrente de Juros sobre o Capital Próprio (2007 e 2009), de glosa de despesas não comprovadas (2008 e 2009), de exclusões/compensações indevidas na determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL (2008), bem como de pagamentos sem causa e/ou a beneficiários não identificados (2009). Conforme o Termo de Verificação e Constatação Fiscal nº 02, foram lavrados autos de infração parciais, controlados nos processos nºs 19515.721884/201129 (IRPJ e reflexos; Pis e Cofins, relativos ao anocalendário 2007) e 19515.722809/201266 (Pis e Cofins, relativos ao anocalendário 2008). Em mesmo Termo de Verificação e Constatação Fiscal nº 02 foram descritas as infrações tratadas no presente processo, conforme abaixo parcialmente transcrito: “EXERCÍCIO 2008 Fl. 3295DF CARF MF 4 ANO CALENDÁRIO DE 2007 OMISSÃO DE RECEITAS DE JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO Conforme consta no Termo de Constatação Fiscal nº 01, lavrado em 19.02.2012 (vol. 10fl.891 Sumário Auxiliar), o sujeito passivo omitiu a tributação do IRPJ, da CSLL e das Contribuições ao PIS e COFINS o valor de R$ 3.482.058,33 (três milhões quatrocentos e oitenta e dois mil cinqüenta e oito reais e trinta e três centavos) oriundo da receita de Juros sobre o Capital Próprio (JCP) paga ou creditada em dezembro de 2007 pelas Centrais Elétricas Matogrossenses S/A. CEMAT CNPJ 03.467.321/000199. Incidiu sobre este valor o Imposto de Renda Fonte sendo retido pela CEMAT a importância de R$ 522.308,72 (quinhentos e vinte e dois mil trezentos e oito reais e setenta e dois centavos), conforme "Comprovante Anual de Rendimentos Pagos ou Creditados e Retenção de Imposto de Renda FontePessoa Jurídica Ano Calendário 2007" (vol. 10fl. 906Sumário Auxiliar). Considerando que o artigo 9º da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 no seu § 3º diz no seu inciso I que: "O imposto de retido na fonte será considerado: I antecipação do devido na declaração do Imposto de Renda, no caso de beneficiário pessoa jurídica tributada com base no Lucro Real." Tratandose o Imposto de Renda no regime de Fonte, um pagamento feito antes do vencimento da obrigação principal do Imposto de Renda Pessoa Jurídica devido na declaração. Esta fiscalização apurará o Imposto de Renda incidente sobre o valor da Receita dos Juros sobre o Capital Próprio omitido à declaração e compensará o Imposto de Renda retido pela fonte pagadora. Em decorrência o valor de R$ 3.482.058,33 será objeto de lançamento de ofício para constituição dos créditos tributários do Imposto de Renda Pessoa Jurídica, da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, da Contribuição ao Programa de Integração Social, da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social, compensandose, no caso do Imposto de Renda Pessoa Jurídica o Imposto de Renda Fonte retido pela CEMAT, no montante de R$ 522.308,72. (...) EXERCÍCIO DE 2009 ANO CALENDÁRIO DE 2008 EXCLUSÃO IRREGULAR NO AJUSTE DO LUCRO LIQUIDO QUANDO DA DETERMINAÇÃO DO LUCRO REAL e DA BASE DE CÁLCULO DA CSLL Em 31.12.2008 a empresa, segundo suas declarações a esta fiscalização, datadas de 05.05.2012 (vol. 10fls.939Sumário Auxiliar), equivocouse e excluiu ao apurar o Lucro Real e a Base de Cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, no seu Livro de Apuração do Lucro Real LALUR e Livro de Apuração da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido LACS nº 19, referente ao ano calendário de 2008, a importância de R$ 87.000.000,00 (oitenta e sete milhões de reais) contabilizados na conta "3.4.05.2002 Descontos Auferidos", em 30.09.2008, conforme consta na página 38 do citado LALUR "Parte A Registro dos Ajustes do Lucro Liquido do Exercício" a título de "Deferimento dos Ganhos c/Parcelamento ImpostoValor Baixado Parte B, nesta data" fazendoo igualmente na página 28 do LACS onde está a "Demonstração do Cálculo da Contribuição Social" (vol. 13). Fl. 3296DF CARF MF Processo nº 19515.722808/201211 Acórdão n.º 1401002.289 S1C4T1 Fl. 3.295 5 No mesmo ato, adicionou ao Lucro Liquido do Exercício, conforme página 37 do mesmo LALUR e LACS nº 19 o valor de R$ 5.800.000,00 (cinco milhões e oitocentos mil reais), também a título de "Deferimento dos Ganhos com Parcelamento Imposto". Portanto, o Lucro Real e a Base de Cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido do ano calendário de 2008, com estes procedimentos de ajuste do Lucro Líquido feitos pela empresa foi onerado irregularmente em R$ 81.200.000,00 (oitenta e um milhões e duzentos mil reais). Constando haver feito estes ajustes irregulares o sujeito passivo, com o objetivo de sanálos, procedeu em 31.03.2009, na sua contabilidade o estorno de R$ 87.000.000,00, na contabilidade, e adicionou, ao Lucro Liquido do Exercício, conforme folha 06 do LALUR e LACS nº 20, relativo ao ano calendário de 2009, a importância de R$ 81.200.000,00 a título de "Deferimento dos Ganhos c/Parcelamento de Imposto". Contudo, na mesma folha 06 do LALUR e LACS nº 20, excluiu na apuração do Lucro Real a mesma importância também sob a justificativa de haver feito "Deferimento dos Ganhos c/Parcelamento de Imposto". Às folhas 92 do LACS nº 20 consta tanto a adição como a exclusão da importância de R$ 81.200.000,00 quando foi feito o ajuste do Lucro Líquido do exercício no ano calendário de 2009, para fins de apuração da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, também com o histórico "Deferimento dos Ganhos c/parcelamento." Implicando tal procedimento como conseqüência resultado "zero" nos ajustes do Lucro Líquido, em 2009, para fins de correção do erro praticado em 2008, na apuração do Lucro Real e da Base de Cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido. Logo, no ano calendário de 2009 exercício de 2010 não houve, com este procedimento do sujeito passivo, o oferecimento à tributação do valor irregularmente excluído em 2008. De fato, a empresa em 02.02.2012 (vol. 01fl. 47Sumário Auxiliar) na resposta ao termo de intimação lavrado em 05.01.2012 (vol. 01fl. 19Sumário Auxiliar) e sua reiteração de 16.01.2012 (vol.01fl. 39), ambos os atos fiscais relativos à citada exclusão no cálculo das bases tributáveis do Imposto de Renda IRPJ e da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido CSLL, alega apenas que o valor de R$ 87.000.000,00 "Outras Exclusões 2008", do LALUR foi registrado na conta contábil "3.4.05.2002 Descontos Auferidos". Em 19.02.2012 (vol.10fl. 891 Sumário Auxiliar), quanto à exclusão em comento, a INEPAR foi novamente intimada a informar para cada tributo administrado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil o respectivo valor obtido de desconto, devendo juntar a documentação comprobatória da informação, tal que seu alegado direito fosse analisado por esta fiscalização federal. Em correspondência datada de 05.05.2012 (vol.10fl.937/944Sumário Auxiliar), na sua resposta ao termo fiscal de 19.02.2012, empresa diz que: "a escrituração do valor de R$ 87.000.000,00, em 30.09.2008, na conta contábil 3.4.05.2002 foi um "equivoco pontual e involuntário" e que este erro foi corrigido em 2009. Fl. 3297DF CARF MF 6 Contudo, não juntou qualquer documento que comprovasse o seu direito a proceder à dita exclusão de R$ 81.200.000,00, nos ajustes do Lucro Liquido. Em conclusão a sua alegação, de que foi regularizado o erro praticado em 2008, não procede. Lançamentos contábeis sem lastro em documentação hábil e idônea se revelam redução indevida das bases de cálculo do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, bem como, haver adicionado e excluído idênticos valores nos ajustes do Lucro Líquido para apurar as bases tributáveis do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido resulta em soma ZERO o que evidentemente não afeta o resultado tributável de 2009 tanto do Imposto de Renda Pessoa Jurídica como da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido. Logo, não houve, em 2009, a alegada correção do equivoco praticado em 2008. Portanto, procederseá ao lançamento de ofício, via auto de infração, para constituir o crédito tributário do Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ e da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido CSLL incidente sobre a importância de R$ 81.200.000,00, uma vez que o equivoco nos cálculos das bases de cálculo do Imposto de Renda e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido praticado pela empresa em 2008 não foi sanado. (...) DESPESAS COM VARIAÇÃO CAMBIAL A empresa foi intimada, em 19.09.2012 (vol.11fl.1141/1144Sumário Auxiliar) a apresentar documentos necessários à comprovação das despesas contabilizadas na conta 3.4.04.3002 "VARIAÇÃO CAMBIAL" que alcançaram o montante de R$ 6.115.014,72 (seis milhões cento e quinze mil quatorze reais e setenta e dois centavos) no ano calendário de 2008. A fiscalização compareceu, em 05 de novembro de 2012, à sede da empresa para examinar os referidos documentos, conforme exigido na intimação mencionada. Foram lhe apresentados as seguintes cópias de documentos: Comunicação via fax do Banco Bilbao Vizcaya Argentaria S.A., datada de 23.03.2009 reclamando do atraso em pagamentos. Certificação de saldo de conta de crédito, datada de 13.03.2009, emitida pelo mesmo banco, sendo apresentados documentos bancários que atestam a existência da divida em 2008. Conta Corrente de Crédito do período de 15.01.2005 a 13.03.2009. Tais documentos foram apresentados na língua espanhola constando naqueles relativos à Conta Corrente de Crédito a aposição de carimbo da "Notaria de D Pedro de La Herran Matorras Madrid" A empresa na sua resposta informa que R$ 3.577.849,59 do montante de R$ 6.115.014,72 referese à variação passiva deste financiamento internacional. Mas, quanto ao valor de R$ 2.537.166,13, correspondente a diferença entre o total contabilizado como "VARIAÇÃO CAMBIAL", na conta cima indicada, e o valor de R$ 3.577.849,59, dado como comprovado por esta fiscalização, não foi Fl. 3298DF CARF MF Processo nº 19515.722808/201211 Acórdão n.º 1401002.289 S1C4T1 Fl. 3.296 7 apresentada qualquer documentação hábil e idônea que lhe desse suporte, trazendo somente controle interno produzido pela própria empresa. Os controles elaborados pela empresa e apresentados para justificar a despesa de R$ 2.537.166,13 a título de variação cambial não tem os elementos hábeis a dar suporte aos lançamentos contábeis, pois, é prova auto gerada não tendo, assim, a segurança necessária a embasar lançamentos contábeis. Em razão disto será glosado o valor de R$ 2.537.166,13 (dois milhões quinhentos e trinta e seta mil cento e sessenta e seis reais e treze centavos) por haver onerado irregularmente o lucro do ano calendário de 2008, a título de despesas com variação cambial, implicando serem exigidos, via auto de infração, o Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ e a Contribuição Social sobre o Lucro Liquido CSLL incidentes sobre o valor acima indicado. (...) DESPESAS COM JUROS SOBRE EMPRÉSTIMOS A fiscalização exigiu também no termo de intimação fiscal datado de 19.09.2012, prova documental de lançamentos que indicou feitos em 2008 na conta "3.4.1005 JUROS SOBRE EMPRÉSTIMOS" que totalizaram R$ 21.039.904,66 (vinte e um milhões trinta e nove mil novecentos e quatro reais e sessenta e seis centavos). São eles: DATA Valor em Reais 31.08.2008 2.002.789,63 30.09.2008 7.470.422,07 31.10.2008 5.529.587,76 30.11.2008 6.037.105,20 Total 21.039.904,66 A empresa não apresentou, como é seu dever, a documentação emitida pelo Banco Boa Vista, instituição financeira que consta nos lançamentos contábeis como beneficiária destas importâncias, restringindose a apresentar documentos de sua própria lavra para comprovar os expressivos valores de juros contabilizados na conta acima indicada. Alega apenas que: "os valores referemse a atualização das parcelas devidas ao Banco Boa Vista, conforme Certificado de Registro do Banco Central do Brasil nº 541/00270, emitido em 20.10.1997." A Inepar S/A. Indústria e Construções é empresa de porte internacional tendo ações transacionadas em Bolsa de Valores e, por isso, sofrendo auditoria com vista a darlhe, no mercado acionário, respeitabilidade e garantia a seus investidores. Razão porque tem o dever de guardar com a máxima segurança a fim de apresentar a terceiros interessados os documentos de gastos que lhe afete o resultado. A Fazenda Pública Federal é terceiro interessado uma vez que sobre resultado do exercício há incidência dos tributos Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. Fl. 3299DF CARF MF 8 Logo, é dever da empresa apresentar documentação emitida pelos beneficiários dos pagamentos que efetivar quando exigidos pela fiscalização federal. Não o fazendo se sujeita a terem glosados os valores acima indicados cabendo ao fisco o lançamento de oficio do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido sobre a soma dos valores não documentadamente comprovados. (...) EXERCÍCIO DE 2010 ANO CALENDÁRIO DE 2009 OMISSÃO DE RECEITAS DE JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO A empresa, identicamente ao ano calendário de 2007, omitiu a tributação do Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL), das Contribuições ao PIS e COFINS à receita de Juros sobre o Capital Próprio no valor de R$ 4.568.529,33 (quatro milhões quinhentos e sessenta e oito mil quinhentos e vinte e nove reais e trinta e três centavos) pago ou creditado, no ano calendário 2009, pelas Centrais Elétricas Matogrossenses S/A. CEMAT, conforme "Comprovante Anual de Rendimentos Pagos ou Creditados e Retenção de Imposto de Renda na Fonte Pessoa Jurídica" obtido pelo fisco em resposta a intimação no âmbito do procedimento de diligência determinada pelo MPF 08.1.90.00.2011.011873, datada de 25.09.2012 (vol.17fl.1679Sumário Auxiliar) e informado na DIRF pela fonte pagadora (vol.17fl.1683). Esta receita tributável sofreu a retenção de Imposto de Renda Fonte pela CEMAT no valor de R$ 685.279,40 (seis centos e oitenta e cinco mil duzentos e setenta e nove reais e quarenta centavos) como antecipação do imposto a ser pago na declaração das pessoas jurídicas que declaram o Imposto de Renda com base no Lucro Real. Estes fatos serão considerados nos cálculos do lançamento de oficio que a transgressão à Lei praticada pela INEPAR S/A INDÚSTRIA E CONSTRUÇÕES impõem ao fisco. (...) DESPESAS COM SERVIÇOS PROFISSIONAIS TERCEIRIZADOS JURÍDICA Nos termos de intimação lavrados em 23.08.2012 e 12.09.2012 (respectivamente vol.11fl. 1043/1044 e fl.1052/1053), reiterados em 26.09.2012 (vol.11fl. 1161/1162), foi exigida a apresentação de documentos que comprovassem a materialidade de serviços de assessoria e consultoria técnica tidos como prestados por empresas relacionadas pelo fisco nas intimações fiscais no ano calendário de 2009. Em 10.09.2012 a INEPAR apresenta resposta e documentos (vo1.11 f1.1055/1139Sumário Auxiliar), com os quais pretende demonstrar a materialidade dos serviços de assessoria e consultoria prestados por pessoas jurídicas exigidos pela fiscalização, mas faz a ressalva que não foi possível levantar todo o acervo de documentos que objetivam a demonstrar a materialidade desejada pelo fisco. No termo datado de 26.09.2012 (Vol.11f1.1161/1162Sumário Auxiliar) a empresa foi notificada de que não havia cumprido o que lhe foi exigido nos termos de intimação de 23.08.2012 e 12.09.2012, pois, não apresentou os documentos elaborados pelos assessores e consultores que materializassem os serviços descritos Fl. 3300DF CARF MF Processo nº 19515.722808/201211 Acórdão n.º 1401002.289 S1C4T1 Fl. 3.297 9 nos documentos fiscais por eles emitidos, bem como, não lhes comprovou a qualificação técnica. Tratandose de serviços que se concretizam em papéis emitidos pelos assessores e consultores que os descrevem dandolhes substância possíveis de serem confrontadas com seus efeitos na realidade por fornecerem por escrito o registro do trabalho efetuado. Tais como: A descrição dos fatores referentes à extensão do trabalho, considerados no planejamento; Evidenciam os estudos e avaliações sobre o escopo do trabalho; Dão a extensão dos serviços executados e os testes procedidos para implantar suas recomendações; Fornecem informações importantes para fundamentar os relatórios emitidos quanto às investigações técnicas, aos testes, avaliações, recomendações e pareceres e conclusões dos assessores e consultores; Fornecerem à empresa as informações necessárias para avaliar as qualificações dos membros das equipes quanto as suas competências nos assuntos em que vão exercer o trabalho, senso de organização e suas habilidades para planejar e executar o trabalho. Portanto, a empresa necessariamente tem o dever de arquivar estes papéis de trabalho, tanto para seu uso próprio e permanente, como para apresentálos a auditoria contábil fiscal para comprovarlhes a efetividade, como lhe foi exigido. O registro contábil não constitui elemento comprobatório por si só. A simples menção em Notas Fiscais, acompanhados ou não de contratos não são prova suficiente dos gastos com os assessores e consultores se desacompanhados de comprovantes idôneos que os materializem. Mesmo os tributos nelas descritos como retidos não lhes dão força probatória. Em decorrência serão glosados os gastos a seguir especificados contabilizados na conta "4.1.02.1.014 Serviços Profissionais Terc. Jurídica", no ano calendário de 2009. PRESTADORES DE SERVIÇOS VALOR Rovai Infraestrutura e Apoio Negocial Ltda 13.612,50 Support Assessoria e Administração Ltda 157.948,62 Colotto Consultores S/C Ltda 165.887,80 Planagro Ltda 1.682.533,30 Habib Tamer Badio Advocacia & Tribunais S/C 8.153.938,91 Nucleon Engenharia S/C Ltda 44.467,50 Nexia Vilas Rodil Auditores Independentes 474.150,23 Apya Projetos e Participações Ltda 372.983,92 Total 11.065.522,78 (...) Fl. 3301DF CARF MF 10 PAGAMENTOS EFETUADOS SEM COMPROVAÇÃO DA EFETIVIDADE DA OPERAÇÃO OU CAUSA DATA PRESTADORES DE SERVIÇOS VALOR 31/12/2009 Rovai Infraestrutura e Apoio Negocial Ltda 13.612,50 31/12/2009 Support Assessoria e Administração Ltda 157.948,62 31/12/2009 Colotto Consultores S/C Ltda 165.887,80 31/12/2009 Planagro Ltda 1.682.533,30 31/12/2009 Habib Tamer Badio Advocacia & Tribunais S/C 8.153.938,91 31/12/2009 Nucleon Engenharia S/C Ltda 44.467,50 31/12/2009 Nexia Vilas Rodil Auditores Independentes 474.150,23 31/12/2009 Apya Projetos e Participações Ltda 372.983,92 Total 11.065.522,78 Conforme acima demonstrado a INEPAR S/A. INDÚSTRIA E CONSTRUÇÕES no ano calendário de 2009 efetuou pagamentos ou créditos aos beneficiários acima indicados. Regularmente intimada a comprovar a efetividade do recebimento dos serviços constantes dos contratos, resumidamente descritos nos documentos fiscais, não logrou fazêlo. Tal fato produz como conseqüência à tributação destes valores a alíquota de 35% (trinta e cinco por cento), pois, a pessoa jurídica que efetuar pagamento ou crédito e não comprovar que utilizou os serviços contratados e pagos, referidos em documentos, se sujeita a incidência do Imposto de Renda Fonte, com aplicação da alíquota acima citada, a título de pagamento sem causa, ainda que esses pagamentos ou créditos tenham resultado em redução do Lucro Liquido. Os valores sofrem a incidência do Imposto de Renda, exclusive na fonte, cabendo o reajustamento da base de cálculo por ser o rendimento considerado líquido. (...) DESPESAS COM JUROS SOBRE EMPRÉSTIMOS Em 19.09.2012 (vol.11f1.1142Sumário Auxiliar) a empresa foi intimada a apresentar documentos hábeis e idôneos para comprovar o lançamento de R$ 21.702.244,84 . na conta "3.4.1005 Juros s/ empréstimos", no ano calendário de 2009, que segundo o lançamento contábil referese a empréstimo contraído com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social BNDES. O sujeito passivo não apresentou qualquer documento hábil e idôneo para dar suporte legal ao referido lançamento. Alega se trata de lançamento "referente ao complemento do passivo devido ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social BNDES, por conta do contrato n° 97.2.514.3.2, tendo em vista que os valores registrados na contabilidade da Inepar S/A. Indústria e Construções estão em valores menores que os contratuais" (vol.17fl.1687Sumário Auxiliar). Não pode ser aceita pela fiscalização a alegação da empresa. Fl. 3302DF CARF MF Processo nº 19515.722808/201211 Acórdão n.º 1401002.289 S1C4T1 Fl. 3.298 11 Sem o amparo em documentação hábil e idônea não tem segurança e liquidez a operação objeto do lançamento contábil, pois, resta sem provas. A confirmação de lançamentos de despesas exige documentos hábeis e idôneos emitidos pelos beneficiários dos dispêndios, pois são estes que dão materialidade e confirmam a autenticidade dos valores envolvidos. Assim, pela falta de documentos essenciais à prova do lançamento contábil lavrarseá auto de infração para constituir de ofício o crédito tributário do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido incidentes sobre o valor de R$ 21.702.244,84 (vinte e um milhões setecentos e dois mil duzentos e quarenta e quatro reais e oitenta e quatro centavos). (...) REPERCUSSÕES DAS INFRAÇÕES APURADAS NO PROCEDIMENTOS DE FISCALIZAÇÃO DETERMINADOS PELO MPF Nº 08.1.90.002010017380 SOBRE O DEMONSTRATIVO DAS COMPENSAÇÕES DE PREJUÍZOS FISCAIS e DEMONSTRATIVO DAS BASES DE CÁLCULO NEGATIVA DA CSLL ANOS CALENDÁRIO 2007/2008/2009 Decorrente das análises fiscais procedidas nos anos calendário de 2007, 2008 e 2009, no bojo das determinações do MPF 08.1.90.00.2010.017380, nas quais foram constatadas as infrações fiscais relatadas no Termo de Verificação e Constatação Fiscal datado de 28.11.2011 incito no Processo nº 19515.721.884/201129 e neste ato administrativo, os PREJUÍZOS FISCAIS e BASES NEGATIVAS DA CSLL, apurados pela contribuinte, nos anos calendário de 2007, 2008 e 2009, sofreram alterações nos seguintes VALORES TRIBUTÁVEIS, em razão dos Processos Administrativos nº. 19515.721884/201129 e Processo Administrativo nº. 19515.722.808/201211. Ano Calendário 2007 Proc. Admin. Fiscal nº 19515.721884/201129 184.070.460,57 Ano Calendário 2007 Proc. Admin. Fiscal nº 19515.722808/201211 3.482.058,33 Ano Calendário 2007 Proc. Admin. Fiscal nº 19515.722808/201211 104.777.070,79 Ano Calendário 2007 Proc. Admin. Fiscal nº 19515.722808/201211 37.336.296,95 Assim, a empresa é intimada a refazer os cálculos dos ajustes do Lucro Liquido para apuração do Lucro Real e das Bases de Cálculo da CSLL destes anos para compatibilizálos à situação constatada pelo fisco. EXERCÍCIOS 2008/2010 ANOS CALENDÁRIO 2007/2009 SÍNTESE DOS VALORES OBJETO DE TRIBUTAÇÃO DE OFÍCIO NO PROSSEGUIMENTO DOS TRABALHOS DE AUDITORIA CONTÁBIL FISCAL DETERMINADOS PELO MPF SUPRA MENCIONADO DESDE 25.11.2011 ANO CALENDÁRIO 2007 1 Omissão de Receita de juros sobre capital próprio, no valor de R$ 3.482.058,33, com valor a compensar de R$ 522.308,72 referente ao IRRF retido na fonte. ANO CALENDÁRIO 2008 Fl. 3303DF CARF MF 12 1 Exclusão Irregular no Ajuste do Lucro Liquido na Determinação do Lucro Real e da Base de Cálculo da CSLL, no valor de R$ 81.200.000,00 2 Despesas Incomprovadas com Variação Cambial no valor de R$ 2.537.166,13. 3 Despesas Incomprovadas com Juros sobre Empréstimos R$ 21.039.904,66. Portanto, o total de despesas glosadas no ano calendário 2008 foi no montante de R$ 23.577.070,79. ANO CALENDÁRIO 2009 1 Omissão de Receitas de Juros sobre o Capital Próprio, no valor de R$ 4.568.529,33, com valor a compensar de R$ 685.279,40 referente ao IRRF retido na fonte. 2 Despesas com Serviços Profissionais Terceirizados Pessoa Jurídicas Incomprovadas, no montante de R$ 11.065.522,78 3 Despesas com Juros sobre Empréstimos Incomprovadas, no valor de R$ 21.702.244,84. Portanto, o valor total das despesas glosadas no ano calendário de 2009 foi de R$ 32.767.767,62 4 Pagamento sem Causa, R$ 11. 065.522,78 (Imposto de Renda Exclusivo Fonte 35%) Do que, para constar e produzir os efeitos legais é lavrado este Termo de Verificação e Constatação Fiscal n° 02 em três vias de igual teor e forma todas assinadas pelo Auditor Fiscal e pelo representante da empresa, com quem fica uma das vias.” A interessada foi cientificada dos autos de infração em 10/12/2012. Inconformada, apresentou, por intermédio de seus representantes legais, impugnação, em 09/01/2013, acompanhada de documentos. Após breve resumo dos fatos, acusa que a fundamentação legal utilizada não se coaduna com os fatos, com os ditames da legislação aplicável ao caso concreto e com o entendimento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais sobre a matéria, “porquanto (i) não houve a alegada omissão de receitas, de valores recebidos a título de juros sobre o capital próprio das Centrais Elétricas Matogrossenses S.A (CEMAT), das bases de cálculo do IRPJ, da CSLL, da contribuição ao PIS e da COFINS, mas sim a não incidência destas exações nas operações em questão; (ii) o equívoco na contabilização de importâncias incluídas e retiradas do Livro de Apuração da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (LACS) e do Livro de Apuração do Lucro Real (LALUR) não provocou qualquer impacto nas bases de cálculo do IRPJ e da CSLL e tratouse de mero lapso formal na contabilidade que não causou qualquer prejuízo ao Erário; (iii) a totalidade das despesas contabilizadas a título de atualizações financeiras e de juros de contratos de empréstimos/financiamentos e outras despesas operacionais está amparada por documentação hábil e idônea, apta a comprovar a efetiva existência e a exigibilidade das mesmas nos exercícios questionados; (iv) os elementos que integraram o passivo da Recorrente no anobase de 2007, oriundos de saldos de empréstimos, deságios, parcelamentos, dentre outros, encontramse, igualmente, amparados em documentação fiscal fidedigna e idônea; (v) os pagamentos realizados pela Recorrente tiveram como motivação a comprovada prestação de diversos serviços de consultorias e assessorias técnicas específicas, não havendo Fl. 3304DF CARF MF Processo nº 19515.722808/201211 Acórdão n.º 1401002.289 S1C4T1 Fl. 3.299 13 base legal para aplicação da alíquota de 35% (...) de IRRF pretendida pela Autoridade Fiscal, pois há causa para todos os pagamentos questionados; e (vi) o patamar excessivo, confiscatório e desproporcional da multa imputada deve ser revisto, com o seu afastamento integral”. Protesta pela insubsistência do auto de infração e seu consequente cancelamento, inclusive quanto à capitulação e à modalidade, diante das razões abaixo expostas. Antes de adentrar no mérito da questão, historia sua atuação no mercado nacional e internacional, bem como sua atual condição econômicofinanceira, visando justificar as razões que “a conduziram ao passivo suportado nos dias de hoje face a sua reduzida atividade”. Diz que no final da década de 1990 teve forte expansão, passando a ser titular, indiretamente, por meio de controladas, de participação relevante na telefonia fixa e celular (Telemar e Global Telecon), nas Centrais Elétricas do Pará SA CELPA, nas Centrais Elétricas do Mato Grosso SA CEMAT, nas Usinas de Machadinho, Dona Francisca, Ponte de Pedra, Itiquira, no Projeto Iridium e em TV a Cabo. Porém, a partir de 1999, diante da crise mundial, afirma ter se deparado com circunstâncias fora de controle, passando por um processo de reestruturação econômica e financeira, iniciado em 2003, com a ampla renegociação com os credores, “no qual se buscou o alongamento das dívidas então contraídas, redução das taxas de juros e deságios de forma que o fluxo de caixa da empresa fosse compatível com estes compromissos de pagamento”. E que tal conduta não foi aceita por todos credores, dando início a diversas demandas judiciais por meio de ações de cobrança e revisionais, nas quais foram discutidos os critérios e formas de pagamento das obrigações assumidas, lides estas que persistiram ativas por longo período, em especial nos anoscalendário de 2007, 2008 e 2009, repercutindo na apuração dos tributos objeto das autuações combatidas na impugnação. Acerca do direito, inicia dizendo ser inexistente a omissão de receita de R$ 3.482.058,33 (2008) e R$ 4.568.529,33 (2009), referente a juros sobre capital próprio recebidos da CEMAT. Alega que os juros sobre o capital próprio constituem instrumento de estímulo fiscal e possibilitam a remuneração dos sócios e o retorno pelo capital investido de forma antecipada, nos termos da doutrina abaixo: “A figura dos juros sobre capital próprio encontrase prevista no art. 9º da Lei 9.249/95, e foi concebida como um estímulo fiscal que veio atenuar os efeitos da extinção da correção monetária das demonstrações financeiras, afetando de maneira particular as empresas que se encontravam capitalizadas. O mencionado estímulo consistiu em permitir que parte dos resultados da pessoa jurídica, distribuída antecipadamente aos sócios e acionistas, alcançasse uma finalidade fiscal: ser deduzida para efeito de apuração do lucro real, desde que atendidos determinados pressupostos.” (A Figura dos Juros sobre Capital Próprio e as Contribuições Sociais do PIS e da COFINS. Revista Dialética de Direito Tributário nº 169 [Coordenador Valdir de Oliveira Rocha]. São Paulo: Dialética, 2009, p. 73) (grifos nossos) Fl. 3305DF CARF MF 14 Afirma que essa distribuição antecipada dos resultados, desde que atendidos determinados pressupostos, poderá ser abatida (deduzida), pela fonte pagadora (no caso a CEMAT), no cálculo do lucro real e, como já sofreu incidência do IRRF, não deverá ser submetida novamente à tributação pelo IRPJ e pela CSLL, quando do ingresso no patrimônio da Impugnante, sob pena de violação ao seu direito de propriedade. Acusa que a fiscalização agiu com arbitrariedade ao exigir tais exações. Reitera que já foram objeto de tributação quando do auferimento originário do lucro/receita pela CEMAT, não sendo passíveis de se submeterem à nova incidência quando do ingresso no patrimônio da impugnante, diante da violação ao artigo 5º, XXII, da Constituição Federal. De outro lado, julga que a não incidência do Pis e da Cofins, seja mediante distribuição de dividendos ou pagamentos de juros sobre o capital próprio, está delineada no art. 3º, § 2º, II, da Lei nº 9.718/98, reproduzido pelas Leis nº 10.637/02 e 10.833/03, que trata do regime nãocumulativo. Isso, porque os valores registrados como “receita” ou resultado positivo de equivalência patrimonial na contabilidade do titular da participação, in casu, da impugnante, não integram a base de cálculo da contribuição ao Pis e a Cofins. E continua: Importa frisar que as leis afastam do alcance da contribuição ao PIS e da COFINS o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido, sem qualquer distinção ou condição quanto à forma de distribuição aos acionistas desse mesmo resultado, ou seja, para a Lei é indiferente ter sido o lucro distribuído na forma de dividendos ou de juros sobre capital próprio, para fins de classificação como receita bruta. É verdade que, no âmbito da contribuição ao PIS e da COFINS, a legislação afasta de tributação o resultado de equivalência patrimonial, estando nele computado a parcela do lucro investida a que faz jus o titular da participação e que, em momento posterior, poderá ser distribuído mediante o pagamento de juros sobre o capital próprio ou de dividendos. Ora, se a Lei exclui da base de cálculo das contribuições o resultado de equivalência patrimonial, sem restringir o alcance do dispositivo àquelas situações em que o resultado vier a ser distribuído na forma de juros sobre capital próprio, não poderia à Autoridade Fiscal aplicar indistintamente a regra de tributação , a fim de limitar aos lucros distribuídos na forma de dividendos o alcance dos dispositivos atinentes à exclusão da base de cálculo das contribuições em comento. Assim, considerando que a vontade manifesta da lei, ao não incluir na base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS os dividendos recebidos, é desonerar de tributação da receita já tributada, de modo a diminuir o ônus fiscal sobre a produção, o comércio e os serviços, tendo em vista o desenvolvimento sustentado da economia, a forma de distribuição do resultado (pagamento de juros sobre o patrimônio líquido ou de dividendos), a pretensão de se tributar os valores recebidos a título de juros sobre capital próprio não pode se sobrepor à finalidade das leis de não se tributar em duplicidade os valores transferidos pela CEMAT â Recorrente, sendo totalmente nulos, por violação, principalmente, ao direito de propriedade, os lançamentos de IRPJ, CSLL, da contribuição ao PIS e da COFINS perpetrados pela Autoridade Fiscal. Passa a justificar o alegado equívoco contábil no ajuste do lucro líquido do anocalendário 2008, mediante inclusão e exclusão, no LALUR e no LACS, de R$ 81.200.000,00, o que entende não ter causado prejuízo ao erário. Nesse sentido, explica: Fl. 3306DF CARF MF Processo nº 19515.722808/201211 Acórdão n.º 1401002.289 S1C4T1 Fl. 3.300 15 Em 30.09.2008, a Recorrente efetuou lançamento contábil de desconto parcial de impostos a pagar no montante de R$ 87.000.000,00 (oitenta e sete milhões de reais) por conta de pedidos de parcelamento de débitos, no seguinte sentido (doc. 02): "Lançamentos contábeis Débito: 2.2.02.1.0.019 Descontos Obtidos s/ Impostos (Passivo não circulante) Crédito: 3.4.05.2.0.02 Descontos Auferidos (conta de resultado) Lançamento da conta de resultados 3.4.05.2.0.02 Livro Razão de Julho à Setembro de 2008 página 165 Livro Diário lançamento nº 267 página 154 Livro LALUR nº 19 lançamento na coluna exclusão no importe de R$ 87.000.000,00 página 26" Como houve o pagamento de parcela destes débitos, totalizando R$ 5.800.000,00 (cinco milhões e oitocentos mil reais) a Recorrente efetuou os seguintes lançamentos contábeis (doc. 02): 30.09.2008 no valor de R$ 3.625,000,00 lançado na página 25 do LALUR nº 19, na coluna adições; 30.10.2008 no valor de R$ 4.350.000,00 lançado na página 29 do LALUR nº 19, na coluna adições; 30.11.2008 no valor de R$ 5.0875.000,00 lançado na página 33 do LALUR nº 19, na coluna adições; e 31.12.2008 no valor de R$ 5.800.000,00 lançado na página 37 do LALUR nº 19, na coluna adições. Ao final do exercício de 2008, foi lançado o valor de R$ 87.000.000,00 (oitenta e sete milhões de reais) na coluna de exclusões, R$ 5.800.000,00 (cinco milhões na coluna de adições, permanecendo, assim, o valor liquido diferido de R$ 81.200.000,00 (oitenta e um milhões e duzentos mil reais), como é possível verificar, respectivamente, nas páginas 38 e 37, do Livro LALUR nº 19, acostado à presente impugnação (doc. 02). Por conseguinte, em 31.12.2009, no Livro Razão de Outubro a Dezembro de 2009 página 197, e no Livro Diário n° 272 página 162 (doc. 02), a Recorrente efetuou o estorno dos lançamentos de 30.09.2008 descritos acima, em razão de não ter havido a efetivação dos parcelamentos de débitos almejados, na importância do desconto outrora contabilizado. Para regularizar os lançamentos contábeis em questão, a Recorrente efetuou diversos lançamentos na coluna de adições e exclusões, nos meses compreendidos entre janeiro/2009 a dezembro/2009, do Livro LALUR nº 20, no importe de R$ 81.200.000,00 (oitenta e um milhões e duzentos mil reais) que não produziram nenhum efeito fiscal e, conseqüentemente prejuízo ao Erário, como se constata da documentação pertinente acostada a presente impugnação (doc. 02). A Autoridade Fiscal foi informada deste cenário no curso do procedimento de Fiscalização, mas preferiu, em detrimento ao princípio da verdade material, analisar superficialmente a situação, sem se aprofundar nas razões que conduziram a realização de tais lançamentos e, principalmente, a ausência de qualquer reflexo fiscal/econômico nas operações em questão. Fl. 3307DF CARF MF 16 Certa de que este contexto deve ser levado em consideração quando esta Autoridade Julgadora confrontarse com os equívocos de conceitos na contabilização que não ensejaram prejuízo ao Erário e/ou se geraram o que não se acredita, deveriam ter sido apurados de acordo com a diferença dos tributos tido como devidos e aqueles efetivamente recolhidos. Nesta linha, os reflexos de tais equívocos contábeis, juridicamente, não equivalem à magnitude dos lançamentos firmados, de modo que a subsunção da norma aos fatos que subsidia o auto de infração combatido encontrase, data venia, carente de amparo legal, sendo, portanto, nula de pleno direito. Diante deste cenário, considerando a ausência de prejuízo ao Erário decorrente dos registros contábeis perpetrados pela Recorrente, detalhadamente narrados e comprovados pela documentação anexa (doc. 02), temse que os lançamentos guerreados foram efetuados de forma precipitada e destoam das diretrizes do respeito ao princípio da legalidade, por equívoco na subsunção dos fatos à norma, devendo, portanto, serem totalmente anulados/cancelados. Acerca da glosa de despesas com variação cambial não comprovada, de R$ 2.537.166,13, apresenta as seguintes razões de defesa: A conta contábil analisada pela Autoridade Fiscal, cujos valores não estariam comprovados na ótica desta, está detalhadamente exposta abaixo: Conta Contábil: 3.4.04.3.002 Variação Cambial Fornecedores ME Mês de Apuração Conta Contábil: 3.4.04.3.002 Variação Cambial Referência Janeiro/2008 17.122,14 Fornecedores Exterior Fevereiro/2008 186.587,14 Adiantamentos Exterior Março/2008 162.242,95 Fornecedores Exterior Abril/2008 123.643,29 Adiantamentos Exterior Maio/2008 114.961,27 Adiantamentos Exterior Junho/2008 72.149,48 Adiantamentos Exterior Julho/2008 51.200,40 Adiantamentos Exterior Agosto/2008 148.413,72 Fornecedores Exterior Setembro/2008 675.738,92 Fornecedores Exterior Outubro/2008 464.612,87 Fornecedores Exterior Novembro/2008 515.484,72 Fornecedores Exterior Dezembro/2008 5.009,23 Fornecedores Exterior Sub Total 2.537.166,13 Nesse passo, cabe à Recorrente esclarecer que o valor de R$ 2.537.166,13 (dois milhões, quinhentos e trinta e sete mil, cento e sessenta e seis reais, treze centavos), contabilizado na conta de variação passiva, sob a qual recaiu a glosa de despesa aproveitada para dedução da base de cálculo do IRPJ e da CSLL é composto da seguinte forma: Variação cambial dos fornecedores 1.988.624,55 Variação cambial dos adiantamentos 548.541,58 Em 2008, a contabilidade da Recorrente registrava dívidas e saldos de adiantamentos com determinados fornecedores estrangeiros de matéria prima em sua moeda originária e, mensalmente, contabilizada a variação cambial decorrente das alterações na cotação de cada moeda, sendo certo que neste período houve tanto variação para maior (passiva) quanto para menor (ativa). A existência de tais dívidas e saldos de adiantamentos está devidamente comprovada pela juntada da documentação anexa (doc. 03) consistente em notas fiscais e declarações de importação de diversos produtos fornecidos à época que geraram as despesas oportunamente apropriadas pela recorrente. Fl. 3308DF CARF MF Processo nº 19515.722808/201211 Acórdão n.º 1401002.289 S1C4T1 Fl. 3.301 17 Novamente, a Autoridade Fiscal não perquiriu a verdade material ou analisou a situação com parcimônia necessária, tendo avaliado somente as variações cambiais passivas, sem sequer mencionar a apreciação das variações cambiais ativas ocorridas no mesmo período (ano calendário de 2008). Neste prisma, a Autoridade Fiscal a quo, com a maxima venia, andou mal ao lavrar o Auto de Infração ora combatido, pois de forma totalmente arbitrária, em detrimento ao princípio da verdade material, considerou equivocadamente valores que haviam sido regularmente apropriados como despesa para fins de IRPJ e da CSLL, devidamente comprovados pela documentação anexa (doc. 03), o que demonstra a total imprecisão do levantamento dos valores efetuados no curso do procedimento de fiscalização e macula de vício insanável os lançamentos combatidos. Sobre as despesas com juros sobre empréstimos com o Banco Boa Vista, registrado na conta “3.4.1005 – JUROS SOBRE EMPRÉSTIMOS”, de R$ 21.039.904,66, cuja origem, existência e exigibilidade não restaram comprovados, acusa que a fiscalização desconsiderou os esclarecimentos prestados, “vinculando expressamente a dívida ao Certificado de Registro do contrato de empréstimo emitido pelo BACEN”, presumindo a inexistência de tais dispêndios. Diz que as informações poderiam ter sido aferidas por outros meios probatórios se os únicos pontos a serem verificados, no anocalendário 2008, para validação das despesas seriam: (i) se ainda existia a dívida originada no contrato de empréstimo; (ii) se estava exigível; e (iii) se perfazia a quantia indicada na contabilidade. Apresenta cópia do contrato firmado com o Boavista Banking Limited, bem como cópia de requerimento protocolado junto ao BACEN, na qual estão descritas as condições e valores envolvidos no contrato objeto do Certificado de Registro nº 541/000270 (doc. 04). Acrescenta que este mesmo fato está sendo analisado nos autos do processo administrativo nº 19515.721884/201129, pendente de julgamento na DRJ de São Paulo, “no qual se encontram outros fundamentos que corroboram o quanto alegado na presente impugnação e poderão ser trazidos aos presentes autos, nos termos do artigo 37, da Lei nº 9.784/99”. E continua: Ou seja, a Recorrente submeteu ao órgão regulador financeiro requerimento descrevendo analiticamente as condições do contrato, objeto do Certificado do Registro nº 541/000270, indevidamente rejeitado pela Autoridade Fiscal como amparo para as despesas glosadas, o qual se encontra válido e vigente até os dias de hoje. Dessa forma, temse por necessário que os Nobres Julgadores considerem as provas documentais apresentadas, comprobatórias da existência da despesa de R$ 21.039.904,66 (vinte e um milhões, trinta e nove mil, novecentos e quatro reais e sessenta e seis centavos), a qual reflete o saldo devedor, existente e exigível, decorrente do contrato de empréstimo firmado com o Boavista Banking Limited (doc. 04), revelandose imperiosa a determinação de cancelamento da glosa das despesas aproveitadas relacionadas aos valores em questão de IRPJ e da CSLL. Acerca das despesas com juros sobre empréstimos com o BNDES, registrado na conta “3.4.1005 – JUROS SOBRE EMPRÉSTIMOS”, de R$ 21.702.244,84, vinculado ao Contrato de Financiamento Mediante abertura de Crédito (nº 97.2.514.3.2 – doc. 05), também considerados não comprovados sob o fundamento Fl. 3309DF CARF MF 18 de que “o sujeito passivo não apresentou qualquer documento hábil e idôneo para dar suporte legal o referido lançamento”, diz que, muito embora a autoridade fiscal já tenha analisado referido contrato “quando da lavratura do auto de infração controlado nos autos do Processo Administrativo nº 19515.721884/201129, que atualmente aguarda julgamento na DRJ de São Paulo”, novamente narrará as peculiaridades do instrumento: BNDES Contrato nº 97.2.514.3.2: firmado em 01/12/1997 no valor R$ 56.580.383,65 (cinquenta e seis milhões, quinhentos e oitenta mil, trezentos e oitenta e três reais e sessenta e cinco centavos), dividido no "Subcrédito A", equivalente a R$ 32.331.647,81 (trinta e dois milhões, trezentos e trinta e um mil, seiscentos e quarenta e sete reais e oitenta e um centavos), e no "Subcrédito B", equivalente a R$ 24.248.735,84 (vinte e quatro milhões, duzentos e quarenta e oito mil, setecentos e trinta e cinco reais e oitenta e quatro centavos) (doc. 05): Alega a Autoridade Fiscal que "sem amparo em documentação hábil e idônea não tem segurança e liquidez a operação objeto do lançamento contábil, pois, resta sem provas", sem que tivessem sido analisados/solicitados os demais documentos vinculados à dívida em pauta, o que desqualifica, sobremaneira as informações/controles contábeis apresentados. Agindo assim a Autoridade Fiscal, novamente, desconsiderou o contexto de dificuldade econômica vivenciado pela Recorrente no período da realização desta operação, bem como as restrições advindas de sua conduta devedora impostas pelas instituições financeiras credoras que, optaram por exigir o adimplemento da obrigação contratada na via Judicial. Nesta linha, o único documento que satisfaria a Autoridade Fiscal na comprovação da existência das despesas oriundas do contrato de empréstimo em análise seria eventual extrato/declaração em papel timbrado fornecido pelo BNDES, documento este que a Recorrente apresenta nesta oportunidade, consubstanciado na Carta do BNDES AC/DEREC n° 003/12, de 18.01.2012. informando o saldo devedor dos contratos da Recorrente, incluindo o de n° 97.2.514.3.2 (doc. 05). Com efeito, se os únicos pontos a serem verificados para validação dos valores lançados como despesa seriam (i) se nesta época a dívida originada no contrato de empréstimo firmado com o BNDES ainda existia, (ii) se estava exigível e (iii) se perfazia a quantia indicada na contabilidade da Recorrente, certo é que tais informações estão todas ratificadas no documento oficial, emitido pelo BNDES, consubstanciado na Carta do BNDES AC/DEREC n° 003/12, de 18,01.2012, informando o saldo devedor dos contratos da Recorrente, incluindo o de n° 97.2.514.3.2 (doc. 05). Nesse contexto, são inquestionáveis a existência, a exigibilidade e o valor da divida entre a Recorrente e o BNDES no anobase de 2009, que gerou a dedução, como despesa, dos encargos de atualização/juros inerentes a esta operação de crédito, os quais são passíveis de serem deduzidos da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, conforme previsto no RIR/99. Passando à comprovação das despesas incorridas com profissionais terceirizados e da materialidade dos serviços prestados, acusa ausência de amparo fático para as conclusões consignadas pela autoridade fiscal. Relaciona as pessoas jurídicas prestadoras dos serviços questionados, no total de R$ 11.065.522,78, dizendo que as despesas deduzidas estão de acordo com os arts. 299 e 300 do RIR/99. Acusa que, em total descompasso com o princípio da legalidade, a autoridade fiscal ainda lançou o IRRF à alíquota de 35% sobre tais pagamentos, com fundamento na seguinte alegação: “a pessoa jurídica que efetuar pagamento ou crédito e não comprovar que utilizou os serviços contratados e pagos, referidos em documentos, se sujeita a incidência do Imposto de Renda – Fonte, com aplicação da alíquota acima citada, a título de pagamento sem causa, ainda que esses Fl. 3310DF CARF MF Processo nº 19515.722808/201211 Acórdão n.º 1401002.289 S1C4T1 Fl. 3.302 19 pagamentos ou créditos tenham resultado em redução do Lucro Líquido” e em suposta conformidade com o art. 674 do RIR/99. Expõe detalhadamente os fatos e pretende comprovar a materialidade das operações, conforme abaixo: Roval Infraestrutura e Apoio Negocial Ltda. Tratase da contratação de parecer da lavra do causídico Armando Luiz Rovai para apresentação no processo judicial n° 60448/2006, movido pelo Instituto de Resseguros do Brasil (IRB) contra a Recorrente em Nova Iorque, nos Estados Unidos da América. Para comprovar a materialidade da prestação de serviços, subsidiar a legalidade da despesa aproveitada e comprovar a inexistência de pagamento sem causa apto a ensejar a aplicação da alíquota de 35% (trinta e cinco por cento) de IRRF, a Recorrente apresenta o anexo parecer em inglês e português objeto da contratação em questão (doc. 06). Logo, dúvida não resta quanto à materialidade dos serviços em questão, sendo, portanto, totalmente improcedentes os lançamentos de IRPJ e de CSLL, decorrentes da glosa das despesas correlatas, e de IRRF, uma vez que o contexto fático não se subsume a regra contida no artigo 674, do RIR/99. Support Assessoria e Administração Ltda. A Support Assessoria e Administração presta serviços à Recorrente de assessoria jurídica na área trabalhista acompanhando processos trabalhistas em todo o país, como consta do objeto contido na cláusula 2a do contrato de prestação de serviços e na descrição das notas fiscais (doc. 07). Para comprovar a materialidade da prestação de serviços, subsidiar a legalidade da despesa aproveitada e comprovar a inexistência de pagamento sem causa apto a ensejar a aplicação da alíquota de 35% (trinta e cinco por cento) de IRRF, a Recorrente apresenta cópia de uma procuração por instrumento público nomeando advogados da Support para representála em Juízo e, exemplificativamente, cópia de peças extraídas de processos trabalhistas corroborando a participação dos advogados indicados na procuração em questão (doc. 07). Logo, dúvida não resta quanto à materialidade dos serviços em questão, sendo, portanto, totalmente improcedentes os lançamentos de IRPJ e de CSLL, decorrentes da giosa das despesas correlatas, e de IRRF, uma vez que o contexto fático não se subsume a regra contida no artigo 674, do RIR/99. Colotto Consultores S/C Ltda. A Colotto Consultores S/C Ltda. presta serviços à Recorrente de consultoria em gestão de desenvolvimento de projetos e negócios na área de transmissão e distribuição de energia elétrica e de desenvolvimento de novos negócios, como consta do objeto contido na cláusula 1a do contrato de prestação de serviços e na descrição das notas fiscais (doc. 08). Para comprovar a materialidade da prestação de serviços, subsidiar a legalidade da despesa aproveitada e comprovar a inexistência de pagamento sem causa apto a ensejar a aplicação da alíquota de 35% (trinta e cinco por cento) de IRRF, a Recorrente apresenta cópia de estudo submetido à apreciação dos consultores da Colotto, que versa sobre novos negócios na área de aproveitamento de lixo para geração de energia e também pedidos/comprovantes de reembolso de despesas incorridas na prestação da consultoria em questão (doc. 08). Logo, dúvida não resta quanto à materialidade dos serviços em questão, sendo, portanto, totalmente improcedentes os lançamentos de 1RPJ e de CSLL, decorrentes da glosa Fl. 3311DF CARF MF 20 das despesas correlatas, e de IRRF, uma vez que o contexto fático não se subsume a regra contida no artigo 674, do RIR/99. Planagro Ltda. A Planagro Ltda. presta serviços de consultoria à Recorrente, especialmente ro acompanhamento de processos de interesse desta, em diversos órgãos Públicos, como consta do objeto contido na cláusula 2a do contrato de prestação de serviços e na descrição das notas fiscais (doc. 09). Para comprovar a materialidade da prestação de serviços, subsidiar a legalidade da despesa aproveitada e comprovar a inexistência de pagamento sem causa apto a ensejar a aplicação da alíquota de 35% (trinta e cinco por cento) de IRRF, a Recorrente apresenta cópia dos extratos dos processos judiciais que foram verificados peia Planagro (doc. 09). Logo, dúvida não resta quanto à materialidade dos serviços em questão, sendo, portanto, totalmente improcedentes os lançamentos de IRPJ e de CSLL, decorrentes da glosa das despesas correlatas, e de IRRF, uma vez que o contexto fático não se subsume a regra contida no artigo 674, do RIR/99. Habib Tamer Badião Advocacia & Tribunais S/C A Habib Tamer Badião Advocacia & Tribunais S/C presta serviços jurídicos à Recorrente de assessoria jurídica na área tributária, atuando no acompanhamento de diversos processos, como consta do objeto contido na cláusula 2ª do contrato de prestação de serviços e na descrição das notas fiscais (doc. 10), Para comprovar a materialidade da prestação de serviços, subsidiar a legalidade da despesa aproveitada e comprovar a inexistência de pagamento sem causa apto a ensejar a aplicação da alíquota de 35% (trinta e cinco por cento) de IRRF, a Recorrente apresenta cópia da carta de circularização emitida em conformidade com as exigências dos auditores independentes e cópia de relatórios processuais emitidos pelo Habib Tamer Badião Advocacia & Tribunais S/C, que atestam a existência de quantidade significativa de processos sob o seu patrocínio (doc. 10). Logo, dúvida não resta quanto à materialidade dos serviços em questão, sendo, portanto, totalmente improcedentes os lançamentos de IRPJ e de CSLL, decorrentes da glosa das despesas correlatas, e de IRRF, uma vez que o contexto fático não se subsume a regra contida no artigo 674, do RIR/99. Nucleon Engenharia S/C Ltda. A Nucleon Engenharia S/C Ltda. presta serviços à Recorrente de assessoria societária e foi contratada para representála no Conselho de Administração da Andritz Hydro Inepar do Brasil S.A., como consta do objeto contido na cláusula 1a do contrato de prestação de serviços e na descrição das notas fiscais (doc. 11). Para comprovar a materialidade da prestação de serviços, subsidiar a legalidade da despesa aproveitada e comprovar a inexistência de pagamento sem causa apto a ensejar a aplicação da alíquota de 35% (trinta e cinco por cento) de IRRF, a Recorrente apresenta cópia de Atas de Reunião do Conselho de administração da Andritz Hydro Inepar do Brasil S.A., nas quais constam a participação do representante da Nucleon Engenharia (doc. 11). Logo, dúvida não resta quanto à materialidade dos serviços em questão, sendo, portanto, totalmente improcedentes os lançamentos de IRPJ e de CSLL, decorrentes da glosa das despesas correlatas, e de IRRF, uma vez que o contexto fático não se subsume a regra contida no artigo 674, do RIR/99. Nexia Vilas Rodil Auditores Independentes A Nexia Vilas Rodil Auditores Independentes foi contratada pela Recorrente para elaboração de estudo visando a avaliação de eventual lançamento de ações no mercado, medida esta que por razões diversas não se concretizou, como consta do objeto da proposta de prestação de serviços e na descrição das notas fiscais correlatas (doc. 12). Fl. 3312DF CARF MF Processo nº 19515.722808/201211 Acórdão n.º 1401002.289 S1C4T1 Fl. 3.303 21 Para comprovar a materialidade da prestação de serviços, subsidiar a legalidade da despesa aproveitada e comprovar a inexistência de pagamento sem causa apto a ensejar a aplicação da alíquota de 35% (trinta e cinco por cento) de IRRF, a Recorrente apresenta cópias das apresentações elaboradas pela Nexia Vilas Rodil Auditores Independentes visando a quantificação dos ativos e a consolidação das informações necessárias para viabilizar o desiderato do contrato em questão (doc. 12). Logo, dúvida não resta quanto ã materialidade dos serviços em questão, sendo, portanto, totalmente improcedentes os lançamentos de IRPJ e de CSLL, decorrentes da glosa das despesas correlatas, e de IRRF, uma vez que o contexto fático não se subsume a regra contida no artigo 674, do RIR/99. Apya Projetos e Participações Ltda. A Apya Projetos e Participações Ltda. presta serviços de consultoria societária à Recorrente, estudando e analisando a estrutura desta para propor a melhor forma de organização de acordo com os objetivos negociais futuros, como consta do objeto da proposta de prestação de serviços e na descrição das notas fiscais correlatas (doc. 13). Para comprovar a materialidade da prestação de serviços, subsidiar a legalidade da despesa aproveitada e comprovar a inexistência de pagamento sem causa apto a ensejar a aplicação da alíquota de 35% (trinta e cinco por cento) de IRRF, a Recorrente apresenta cópia da Ata da 72a Assembléia Geral Extraordinária, realizada em 12.11.2009, na qual foi materializado o resultado dos estudos elaborados pela Apya Projetos e Participações Ltda. (doc. 13). Logo, dúvida não resta quanto à materialidade dos serviços em questão, fendo portanto, totalmente improcedentes os lançamentos de IRPJ e de CSLL, decorrentes da glosa das despesas correlatas, e de IRRF, uma vez que o contexto fático não se subsume a regra contida no artigo 674, do RIR/99. Feitas as considerações e a apresentação das provas anexas a presente impugnação (does. 06 a 13) de forma analítica para cada caso, temse que todos os serviços descritos acima, cujos valores foram deduzidos como despesas da base de cálculo do IRPJ e da CSLL foram glosados pela Autoridade Fiscal, acompanhados do lançamento de IRRF à alíquota de 35 (trinta e cinco por cento) por suposto pagamento sem causa, tiveram a sua materialidade inequivocamente comprovada e, portanto, devem ser integralmente cancelados os lançamentos guerreados que tiveram como base tais contextos fáticos, em homenagem ao princípio da legalidade. Protesta pela busca da verdade material mediante análise da documentação ofertada e/ou realização de diligência para elucidação das dúvidas que viciam os lançamentos combatidos, no intuito de ver satisfeito o princípio da eficiência, nos termos do art. 37 da Constituição Federal. Salienta que, embora a autoridade fiscal tenha intimado a impugnante no curso da auditoria, não foi plenamente satisfeito o princípio da verdade material, “pois o Auto de Infração guerreado, nos pontos em questão, fundamentouse em presunções, o que não se pode admitir no processo administrativo tributário”. Alega que colaborou com a fiscalização, “mas como não foi indagada a apresentar as justificativas, acompanhadas da competente documentação comprobatória das condutas praticadas, que entendesse cabíveis para fazer frente ao suposto descompasso de informações detectado pela Receita Federal do Brasil, de modo que a Autoridade Fiscal chamou para si a responsabilidade integral pela persecução probatória da existência/validade do crédito tributário ora combatido”. Fl. 3313DF CARF MF 22 Acusa que, no presente caso, “tratase de equívoco na interpretação dos fatos e das provas acostadas aos autos no curso da Fiscalização, que culminou com a presunção de determinada situação, que, por certo, não pode se sobrepor à real apuração contábil/fiscal da Recorrente”. Discorre acerca da atividade do lançamento, com base no art. 142 do CTN, na doutrina e jurisprudência. No mais, questiona a multa de ofício aplicada. Fundamentase nos arts. 5º, XXII, e 150, IV, da Constituição Federal. Cita doutrina e jurisprudência, protestando pela inconstitucionalidade da exigência: “Sem prejuízo das arbitrariedades e das nulidades apontadas nos tópicos anteriores, cumprese aplicar drástica redução do percentual da multa exigida, através de um limite/patamar máximo razoável (10%), que não represente confisco do patrimônio e não seja desproporcional à infração supostamente praticada, sob pena de enriquecimento ilícito do Fisco e de violação aos princípios da razoabilidade, da proporcionalidade e da vedação ao confisco.” Encerra com as seguintes conclusões e pedido: IV DAS CONCLUSÕES Por todo exposto, podese chegar às seguintes conclusões: (I) a pretensão de se tributar os valores recebidos a título de juros sobre capital próprio não pode se sobrepor à finalidade das leis de não se tributar em duplicidade os valores transferidos pela CEMAT à Recorrente, sendo totalmente nulos, por violação, principalmente, ao direito de propriedade, os lançamentos de IRPJ, CSLL, da contribuição ao PIS e da COFINS perpetrados pela Autoridade Fiscal; (ii) em relação ao equívoco contábil narrado no tópico "III.b" da presente impugnação, considerando a ausência de prejuízo ao Erário decorrente dos registros contábeis perpetrados pela Recorrente, detalhadamente explicitados e comprovados pela documentação anexa (doc. 02), temse que os lançamentos guerreados foram efetuados de forma precipitada e destoam das diretrizes do respeito ao principio da legalidade, por equívoco na subsunção dos fatos à norma, devendo, portanto, serem totalmente anulados/cancelados; (iii) a Autoridade Fiscal a quo andou mal ao lavrar o Auto de Infração ora combatido, pois de forma totalmente arbitrária, em detrimento ao princípio da verdade material, considerou equivocadamente valores que haviam sido regularmente apropriados como despesa para fins de IRPJ e da CSLL, devidamente comprovados pela documentação anexa (doc 03), o que demonstra a total imprecisão do levantamento dos valores efetuados no curso do procedimento de fiscalização e macula de vício insanável os lançamentos combatidos; (iv) é necessário considerar as provas documentais apresentadas, comprobatórias da existência da despesa de R$ 21.039.904,66 (vinte e um milhões, trinta e nove mil, novecentos e quatro reais e sessenta e seis centavos), a qual reflete o saldo devedor, existente e exigível, decorrente do contrato de empréstimo firmado com o Boavista Banking Limited (doc. 04), revelandose imperiosa a determinação de cancelamento da glosa das despesas aproveitadas relacionadas aos valores em questão de IRPJ, da CSLL; (v) são inquestionáveis a existência, a exigibilidade e o valor da dívida entre a Recorrente e o BNDES no anobase de 2009, inclusive ratificadas no documento oficial, emitido pelo BNDES, consubstanciado na Carta do BNDS AC/DEREC n° 003/12, de 18.01,2012, informando o saldo devedor dos contratos da Recorrente, incluindo o de n° 97.2.514.3.2 (doc. 05) que gerou a dedução, como despesa, dos encargos de atualização/juros inerentes a esta operação de crédito, os quais são passíveis de serem deduzidos da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, conforme previsto no RIR/99; Fl. 3314DF CARF MF Processo nº 19515.722808/201211 Acórdão n.º 1401002.289 S1C4T1 Fl. 3.304 23 (vi) a partir das provas anexas à presente impugnação (does. 06 a 13) e das explicações analíticas acerca de cada situação, foi comprovada a materialidade dos serviços prestados pela Rovai Infraestrutura e Apoio Negocial Ltda, Support Assessoria e Administração Ltda., Colotto Consultores S/C Ltda., Planagro Ltda., Habib Tamer Badião Advocacia & Tribunais S/C, Nucleon Engenharia S/C Ltda., Nexia Vilas Rodil Auditores Independentes e Apya Projetos e Participações Ltda., sendo totalmente nulos a glosa das despesas de IRPJ e de CSLL e os lançamentos de IRRF perpetrados pela Autoridade Fiscal; (vii) ante a insubsistência dos elementos basilares para a interpretação defendida pela Autoridade Fiscal, não pode prosperar a constituição dos créditos tributários relativos ao IRPJ, IRRF, CSLL, contribuição ao PIS e CO FINS, uma vez que a Autoridade Fiscal baseouse em presunções e não perquiriu a verdade material para delimitação dos fatos sobre os quais recaíram as imputações fiscais guerreadas, sendo, portanto, inquestionável a necessidade de cancelamento integral dos Autos de Infração ora combatidos; (viü) a Autoridade Fiscalizadora, ao imputar a multa nos patamares praticados acabou por confiscar, desproporcionalmente, relevante parte do patrimônio da Recorrente, uma vez que a suposta infração cometida, mesmo que fosse verdadeira, não justificaria a aplicação de multa extorsiva sem um limite/patamar a ser obedecido. V DO PEDIDO Diante todo o exposto, conforme detalhadamente sustentado na presente impugnação, sem prejuízo da realização de diligências que se mostrem imperiosas para a noi/^ta percepção dos fatos e da verdade material, inclusive da posterior juntada de novas provas, requer seja reconhecida a procedência integral dos argumentos narrados na presente Impugnação, para que sejam anulados os Autos de Infração combatidos, com o cancelamento das cobranças efetivadas pela Autoridade Fiscal, e declarada a improcedência da totalidade dos lançamentos guerreados, das glosas praticadas e das multas imputadas, por não ter sido configurada qualquer infração às disposições legais vigentes à época dos fatos. Subsidiariamente, caso não seja reconhecida a totalidade dos argumentos da Recorrente o que não se acredita , requer sejam reduzidas as multas desproporcionais e confiscatórias aplicadas peia Autoridade Fiscal, para que reflitam percentuais condizentes com a situação concreta, por ser medida de JUSTIÇA FISCAL! Protesta, outrossim, pela nulidade da determinação para contida no Relatório de Verificação Fiscal n° 02 noticiando a alteração dos valores de Prejuízos Fiscais e Base de Cálculo, dos períodos de apuração de 2007, 2008 e 2009, em respeito ao principio da ampla defesa e do contraditório, uma vez que os créditos tributários objeto dos PAs n°s 19515.721884/201129 e 19515.722808/201211, sequer foram validados pela autoridade administrativa hierarquicamente superior, competente para decidir, em definitivo, a controvérsia travada, bem como estão com a exigibilidade suspensa. (término da transcrição do relatório do acórdão da DRJ) A DRJ, por meio do Acórdão 1443.103, de 10 de julho de 2013, julgou procedente em parte a impugnação apresentada pela empresa, conforme a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007, 2008, 2009 Provas. No âmbito do Processo Administrativo Fiscal a prova documental deve ser apresentada no momento da impugnação, precluindo o direito de fazêlo em Fl. 3315DF CARF MF 24 outro momento processual, a menos que demonstrado, justificadamente, o preenchimento de um dos requisitos constantes do art. 16, § 4º, do Decreto nº 70.235, de 1972, o que não se logrou atender neste caso. Diligências e Perícias. Indeferese o pedido de diligência e perícia quando presentes nos autos elementos capazes de formar a convicção do julgador, bem como quando não preenchidos os requisitos legais previstos para sua formulação. Limite da Lide. O julgado limitase à lide, ou seja, aos fatos perfeitamente descritos e identificados e devidamente enquadrados nos dispositivos legais que suportam a exação impugnada, não constituindo a impugnação, portanto, instrumento hábil a questionar determinação fiscal para observância de obrigação acessória instituída no interesse da fiscalização, in casu, aquela atinente ao dever de atualização dos registros constantes dos livros de controle do prejuízo fiscal e base de cálculo negativa. Cerceamento do Direito de Defesa. Inexiste ofensa ao princípio da ampla defesa e do contraditório quando o sujeito passivo demonstra ter pleno conhecimento dos fatos imputados pela fiscalização, bem como da legislação tributária aplicável, exercendo seu direito de defesa de forma ampla na impugnação. Nulidade. Não procedem as arguições de nulidade quando não se vislumbram nos autos quaisquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007, 2008, 2009 Receita de Juros sobre o Capital Próprio. Omissão. AnosCalendário 2007 e 2009. A natureza dos JSCP como receita/despesa financeira é regra de caráter estritamente fiscal e não guarda conformação com a regulação imposta pela Deliberação CVM, que conceitua os JSCP como destinação de parte do resultado apurado. Caracterizase como omissão de receita a falta de declaração das receitas de juros sobre o capital próprio. Despesas Financeiras. Juros sobre Empréstimos. AnosCalendário 2008 e 2009. Quando comprovada a efetividade do empréstimo, os juros passíveis de dedução na determinação do lucro real, como despesa financeira, são aqueles previstos no respectivo contrato válido no período de apropriação da despesa. Quando vencido o contrato de empréstimo sem a prova da repactuação válida nos anoscalendário analisados, cabível a glosa da despesa financeira apropriada indevidamente. Variações Cambiais. Anocalendário: 2008. Não comprovada, no período, a manutenção de direitos e obrigações em moeda estrangeira, mantémse a glosa da despesa com variação cambial passiva. Fl. 3316DF CARF MF Processo nº 19515.722808/201211 Acórdão n.º 1401002.289 S1C4T1 Fl. 3.305 25 Lucro Real. Ajustes. Anocalendário: 2008. Cabível a adição do valor excluído indevidamente na determinação do lucro real, porque efetuada pela contribuinte a respectiva exclusão de forma equivocada e ao desamparo da documentação comprobatória. Despesas com Profissionais Terceirizados. Anocalendário 2009. Somente são dedutíveis, para fins fiscais, as despesas cuja efetividade da operação reste comprovada e que atendam aos requisitos da necessidade, normalidade e usualidade, em relação às atividades operacionais da pessoa jurídica. No caso de despesas rateadas entre um grupo de empresas é necessário que o rateio seja efetuado através de critérios objetivos e previamente ajustado. Restabelecese a despesa de interesse da própria contribuinte e/ou de suas incorporadas, na proporção dos valores comprovados, mantendose a glosa das despesas cuja materialidade da operação não restou demonstrada, bem como quando realizadas perante empresas controladas/coligadas. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2009 IRRF. Pagamento a Beneficiário Não Identificado e/ou sem comprovação da Operação e/ou da Causa. Cancelase a tributação apenas na proporção dos valores das despesas correspondentes aos pagamentos cuja comprovação da operação e/ou da causa restou demonstrada, de interesse da própria contribuinte e/ou de suas incorporadas. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2008 Base de Cálculo. Ajustes. Cabível a adição do valor excluído indevidamente na determinação da base de cálculo da CSLL, porque efetuada pela contribuinte a respectiva exclusão de forma equivocada e ao desamparo da documentação comprobatória. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007, 2008, 2009 Multa de Lançamento de Ofício. A multa de lançamento de ofício decorre de expressa determinação legal, e é devida nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata, não cumprindo à administração afastála sem lei que assim regulamente, nos termos do art. 97, inciso VI, do CTN. Inconstitucionalidade. Instâncias Administrativas. Competência. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade, restringindose a instância Fl. 3317DF CARF MF 26 administrativa ao exame da validade jurídica dos atos praticados pelos agentes do fisco. Tributação Reflexa. CSLL. PIS. COFINS Lavrado o Auto principal, devem também ser lavrados os Autos reflexos, nos termos do art. 142, parágrafo único, do Código Tributário Nacional, devendo as exigências reflexas seguirem a mesma orientação decisória daquela da qual decorrem. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Cientificada da decisão da DRJ eletronicamente na data de 30/10/2013 (efls. 2.962 e 2.963) e, não satisfeita com a decisão da delegacia de piso, apresentou recurso voluntário em 29/11/2013 (efls. 2.964 a 3.003), conforme protocolo de efl. 2.964, repetindo basicamente os argumentos apresentados na impugnação. Em julgamento no CARF, esta turma julgadora em outra composição resolveu baixar o processo em diligência para que a fiscalização analisasse questão atinente à rubrica de glosa de exclusão supostamente efetuada indevidamente no Livro de Apuração do Lucro Real e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, no ano de 2008, que supostamente seria decorrente do desconto de multa e juros que a empresa obteria caso cumprisse o parcelamento que havia aderido, mas que não se efetivou. Eis a proposta da turma julgadora (efls. 3.079 e 3.080): Apesar de concordar que a defesa da Recorrente poderia ser mais precisa, o que me parece aqui é que tanto a Recorrente não compreendeu o discurso do Fiscal, quanto o Fiscal não compreendeu o discurso da Recorrente. E isso precisa mesmo ser melhor averiguado, sob pena de se cobrar algo indevidamente. Explicome. Quando a Recorrente diz que cometeu um equívoco em 2008 quer me parecer que ela foca no aspecto contábil e é nesse aspecto que ela tenta fazer, certo ou errado, a correção no ano seguinte. O lucro contábil, que foi impactado de forma a aumentálo com os lançamentos referentes aos descontos (diferidos), ela tenta corrigilo no ano seguinte. Por isso ela diz “(...) Para regularizar os lançamentos contábeis em questão (...)” E quando ela diz isso, pressupõe outra coisa: que no ano anterior não teve repercussão tributária alguma. E isso estaria implícito para mim na duas premissas iniciais do seu discurso justificativo: "Lançamentos contábeis [2008] Débito: 2.2.02.1.0.019 Descontos Obtidos s/ Impostos (Passivo não circulante) Crédito: 3.4.05.2.0.02 Descontos Auferidos (conta de resultado) (...) Livro LALUR nº 19 lançamento na coluna exclusão no importe de R$ 87.000.000,00 página 26" Fl. 3318DF CARF MF Processo nº 19515.722808/201211 Acórdão n.º 1401002.289 S1C4T1 Fl. 3.306 27 O que ela está dizendo aqui é que fez o lançamento contábil de receita e anulou a sua repercussão tributária naquele mesmo ano. E dessa forma, diferentemente do raciocínio do Fiscal e da DRJ não haveria assim mais a necessidade de em 2009 fazer alguma exclusão para compensar o erro cometido em 2008, quando se descobre que o parcelamento deixou de existir. Portanto, segundo ela, os lançamentos em 2009 que seriam uma tentativa de acertar 2008 em uma outra competência não teve também repercussão tributária, e isso é o que importa para ela. Não houve repercussão tributária desse fato nem em 2008 e nem em 2009. Portanto, em respeito a princípio da verdade material e de este julgador ter ficado também em dúvida a respeito da interpretação dos fatos relatados, proponho que o julgamento seja convertido em diligência para que o Fiscal apure mais profundamente essa linha de entendimento acima esposada, intimando o contribuinte a se pronunciar ou trazer novos documentos caso seja necessário. Ao fim, elaborar relatório conclusivo das verificações efetuadas. Entregar cópia do relatório à interessada e conceder prazo de 30 (trinta) dias para que ela se pronuncie sobre as suas conclusões, após o que, o processo deverá retornar a este CARF para prosseguimento do julgamento. Terminada a diligência, a fiscalização preparou Relatório Fiscal em que apresentou as seguintes conclusões (efls. 3.260, 3.272 e 3.273): 2 Concluímos que Houve Repercussão Tributária em 2008, na Infração de Exclusão do lucro real Indevidamente de R$ 81.200.000,000: Verificamos que o que parece a primeira vista estar correto, a alegação que fez o lançamento contábil de receita em 2008 e anulou a sua repercussão tributária, não está correta e não anulou, pois ao aprofundarmos a análise do fato, contábil, fiscaltributário, e da legislação tributária, concluímos que houve infração com repercussão tributária em 2008, de exclusão indevida na apuração do lucro real tributário, sem previsão legal específica, diminuiu o lucro real e portanto diminuiu os tributos devidos sobre o lucro real. (...) 4.6 Concluímos que independente dos motivos, independente do histórico e nome dos lançamentos, que este lançamento contábil conexo acima em 31/12/09 de Outras Despesas Operacionais desestornou/desanulou/desreverteu o lançamento contábil societário em 31/12/2009 de Descontos Auferidos, e que Contabilmente em 31/12/2009 o fato contábil foi que o contribuinte lançou e acresceu despesa não comprovada e indedutível de 77M (art. 280 receita líquida, impostos incidentes sobre vendas; art. 299 despesas desnecessárias; art. 264 conservação de documentos, do RIR/99), que deveria ser glosa no lucro da despesa não comprovada ou adicionada no lalur na apuração do lucro real tributário, mas não foi (art. 249, inciso I do RIR/99 falta de adição de despesa indedutível não comprovada), diminui indevidamente o lucro real tributário, ou seja, o tira e põe de 31/12/09 se anulam, e repercutiu e mantém a diminuição indevida do lucro real tributário de 30/09/08 (de exclusão indevida e ilegal), que é a base de cálculo do IRPJ e da CSLL, e diminuiu os tributos devidos a pagar. Fl. 3319DF CARF MF 28 4.6.1 Em síntese, concluímos que lançamento contábil conexo acima em 31/12/09 de Outras Despesas Operacionais desestornou/desanulou/desreverteu o lançamento contábil societário em 31/12/2009 de Descontos Auferidos, e que o fato contábil de acréscimo de despesa não comprovada e indedutível, que pela falta de glosa no lucro da despesa não comprovada ou da falta de adição no Lalur, diminuiu indevidamente o lucro real tributário, ou seja, o tira e põe de 31/12/09 se anulam, e repercutiu e mantém a diminuição indevida do lucro real tributário de 30/09/08 (de exclusão indevida e ilegal), que é a base de cálculo do IRPJ e da CSLL, e diminuiu os tributos devidos a pagar. No CARF, coube a mim a relatoria do processo. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Omissão de receitas de Juros sobre o Capital Próprio recebidos da CEMAT Em seu discurso, a recorrente pugna pelo afastamento da autuação fiscal, em razão de suposta duplicidade de tributação do rendimento. Segundo a empresa, como as Centrais Elétricas Matogrossenses S/A (CEMAT) já haviam tributado o resultado que gerou, posteriormente franqueou o direito à recorrente a receber os juros sobre o capital próprio sem tributação. Alega também que a receita de JCP não pode ser tributada pelo Pis e pela Cofins. Não entendo assistir razão à recorrente. A receita de JCP, para fins fiscais, é considerada como receita financeira, e, como tal, é tributada tanto pelo IRPJ e CSLL, quanto pelo Pis e pela Cofins. Incabível também o argumento de que a tributação da receita que supostamente tenha ensejado o direito de pagar o JCP à ora recorrente dá o direito à recorrente a não oferecer a receita de JCP à tributação. A recorrente confunde, ou quer fazer confundir, que os Juros sobre o Capital Próprio deve ter o mesmo tratamento fiscal da distribuição de dividendos, que, por sua vez, possui regra própria de que a tributação do resultado fiscal na fonte pagadora dos dividendos permite a não tributação do recebedor dos dividendos. No caso dos JCP, a legislação permite à fonte pagadora deduzir a despesa (financeira) de JCP da base de tributação do IRPJ e da CSLL, diferentemente dos dividendos Fl. 3320DF CARF MF Processo nº 19515.722808/201211 Acórdão n.º 1401002.289 S1C4T1 Fl. 3.307 29 pagos, mas impõe que o beneficiário do rendimento ofereça à tributação o quanto auferido. É a regra da compensação da despesa (de um lado) com a receita (de outro lado). Caso se permitisse a não inclusão da receita de JCP no beneficiário do rendimento, esta regra estaria desequilibrada, havendo tão somente benefício para ambos os lados da relação societária (investidora e investida), o que foge ao primado das regras fiscais. A recorrente também apresenta argumentos para não tributação do PIS e da COFINS, invocando ter os juros sobre o capital próprio natureza de dividendos, e, por isso, livre de tributação. Também não entendo ter razão a recorrente. A legislação é muito clara quanto à incidência da contribuição para o Pis e da Cofins. Conforme disposto abaixo, as empresas sujeitas à regra da não cumulatividade dos referidos tributos devem tributar as receitas decorrentes dos Juros sobre o Capital Próprio. Veja na redação legal: Contribuição para o PIS Lei nº 10.637, de 30/12/2002 Art. 1º A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1º Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. § 2º A base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep é o valor do faturamento, conforme definido no caput. § 3º Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo, as receitas: I decorrentes de saídas isentas da contribuição ou sujeitas à alíquota zero; II (VETADO) III auferidas pela pessoa jurídica revendedora, na revenda de mercadorias em relação às quais a contribuição seja exigida da empresa vendedora, na condição de substituta tributária; IV de venda dos produtos de que tratam as Leis n º 9.990, de 21 de julho de 2000, nº 10.147, de 21 de dezembro de 2000, ou quaisquer outras submetidas à incidência monofásica da contribuição; IV de venda de álcool para fins carburantes; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004)( Vide Medida Provisória n° 413, de 3 de janeiro de 2008 )( Vide art. 42 da Lei nº 11.727, de 23 de junho de 2008 ) ( Revogado pela Lei nº 11.727, de 23 de junho de 2008) Fl. 3321DF CARF MF 30 V referentes a: a) vendas canceladas e aos descontos incondicionais concedidos; b) reversões de provisões e recuperações de créditos baixados como perda, que não representem ingresso de novas receitas, o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido e os lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição, que tenham sido computados como receita. VI não operacionais, decorrentes da venda de ativo imobilizado. ( Incluído pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003 ) VII (Vide Art. 8º e Art. 22 da Medida Provisória nº 451, de 15/12/2008) VII decorrentes de transferência onerosa a outros contribuintes do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS de créditos de ICMS originados de operações de exportação, conforme o disposto no inciso II do § 1 o do art. 25 da Lei Complementar nº 87, de 13 de setembro de 1996. ( Redação dada pela Lei nº 11.945, de 4 de junho de 2009 ). COFINS Lei nº 10.833, de 29/12/2003: Art. 1º A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência nãocumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1º Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. § 2º A base de cálculo da contribuição é o valor do faturamento, conforme definido no caput . § 3º Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo as receitas: I isentas ou não alcançadas pela incidência da contribuição ou sujeitas à alíquota 0 (zero); II nãooperacionais, decorrentes da venda de ativo permanente; III auferidas pela pessoa jurídica revendedora, na revenda de mercadorias em relação às quais a contribuição seja exigida da empresa vendedora, na condição de substituta tributária; IV de venda dos produtos de que tratam as Leis n os 9.990, de 21 de julho de 2000, 10.147, de 21 de dezembro de 2000, Fl. 3322DF CARF MF Processo nº 19515.722808/201211 Acórdão n.º 1401002.289 S1C4T1 Fl. 3.308 31 10.485, de 3 de julho de 2002, e 10.560, de 13 de novembro de 2002, ou quaisquer outras submetidas à incidência monofásica da contribuição; IV de venda de álcool para fins carburantes; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Medida Provisória n° 413, de 3 de janeiro de 2008 ) (Vide art. 42 da Lei nº 11.727, de 23 de junho de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.727, de 23 de junho de 2008) V referentes a: a) vendas canceladas e aos descontos incondicionais concedidos; b) reversões de provisões e recuperações de créditos baixados como perda que não representem ingresso de novas receitas, o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido e os lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição que tenham sido computados como receita. VI (Vide Art. 9º e Art. 22 da Medida Provisória nº 451, de 15/12/2008) VI decorrentes de transferência onerosa a outros contribuintes do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS de créditos de ICMS originados de operações de exportação, conforme o disposto no inciso II do § 1º do art. 25 da Lei Complementar nº 87, de 13 de setembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.945, de 4 de junho de 2009). Como se vê, todas as receitas auferidas pela empresa sujeita ao regime não cumulativo estão sujeitas à tributação do Pis e da Cofins, somente sendo permitidas as não incidências contidas nos dispositivos legais acima. Quanto às receitas financeiras, o Decreto nº 5.164/2004 revogado pelo Decreto nº 5.442/2005 reduziu à 0 (zero) as alíquotas do Pis e da Cofins. Entretanto, esta benesse não se aplicou às receitas decorrentes de recebimento de juros sobre o capital próprio, pois a própria regra fiscal excepcionou a tributação do JCP, mantendo a incidência do Pis e da Cofins com as alíquotas de 1,65% e 7,6%, respectivamente, conforme as redações abaixo: Decreto nº 5.164/2004 Art. 1º Ficam reduzidas a zero as alíquotas da Contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS incidentes sobre as receitas financeiras auferidas pelas pessoas jurídicas sujeitas ao regime de incidência nãocumulativa das referidas contribuições. Fl. 3323DF CARF MF 32 Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica às receitas financeiras oriundas de juros sobre capital próprio e as decorrentes de operações de hedge. (destaquei) Decreto nº 5.442/2005 Art. 1º Ficam reduzidas a zero as alíquotas da Contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS incidentes sobre as receitas financeiras, inclusive decorrentes de operações realizadas para fins de hedge, auferidas pelas pessoas jurídicas sujeitas ao regime de incidência nãocumulativa das referidas contribuições. Parágrafo único. O disposto no caput: I não se aplica aos juros sobre o capital próprio; (destaquei) Desta forma, proponho a manutenção da autuação das receitas de Juros sobre o Capital Próprio em relação aos anoscalendário de 2007 e 2009, tanto para o IRPJ e CSLL, quanto para o PIS e COFINS. Glosa de Exclusão Indevida no anocalendário de 2008 A fiscalização autuou a empresa por exclusão efetuada indevidamente no Lalur, no anocalendário de 2008. Veja nos exatos termos a descrição dos fatos e o fundamento da autuação: Em 31.12.2008 a empresa, segundo suas declarações a esta fiscalização, datada de 05.05.2012 (vol. 10fl.939Sumário Auxiliar), equivocouse e excluiu ao apurar o Lucro Real e a Base de Cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, no seu Livro de Apuração do Lucro Real LALUR e Livro de Apuração da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido LACS nº 19, referente ao ano calendário de 2008, a importância de R$ 87.000.000,00 (oitenta e sete milhões de reais) contabilizados na conta "3.4.05.2002 Descontos Auferidos", em 30.09.2008, conforme consta na página 38 do citado LALUR "Parte A Registro dos Ajustes do Lucro Liquido do Exercício" a título de "Deferimento dos Ganhos c/Parcelamento ImpostoValor Baixado Parte B, nesta data" fazendoo igualmente na página 28 do LACS onde está a "Demonstração do Cálculo da Contribuição Social" (vol. 13). No mesmo ato, adicionou ao Lucro Liquido do Exercício, conforme página 37 do mesmo LALUR e LACS nº 19 o valor de R$ 5.800.000,00 (cinco milhões e oitocentos mil reais), também a título de "Deferimento dos Ganhos com Parcelamento Imposto". Portanto, o Lucro Real e a Base de Cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido do ano calendário de 2008, com estes procedimentos de ajuste do Lucro Líquido feitos pela empresa foi onerado irregularmente em R$ 81.200.000,00 (oitenta e um milhões e duzentos mil reais). Constando haver feito estes ajustes irregulares, o sujeito passivo, com o objetivo de sanálos, procedeu em 31.03.2009, na sua contabilidade o estorno de R$ 87.000.000,00, na contabilidade, e adicionou, ao Lucro Liquido do Exercício, conforme folha 06 do LALUR e LACS nº 20, relativo ao ano calendário de 2009, a Fl. 3324DF CARF MF Processo nº 19515.722808/201211 Acórdão n.º 1401002.289 S1C4T1 Fl. 3.309 33 importância de R$ 81.200.000,00 a título de "Deferimento dos Ganhos c/Parcelamento de Imposto". Contudo, na mesma folha 06 do LALUR e LACS nº 20, excluiu na apuração do Lucro Real a mesma importância também sob a justificativa de haver feito "Deferimento dos Ganhos c/Parcelamento de Imposto". Às folhas 92 do LACS nº 20 consta tanto a adição como a exclusão da importância de R$ 81.200.000,00 quando foi feito o ajuste do Lucro Líquido do exercício no ano calendário de 2009, para fins de apuração da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, também com o histórico "Deferimento dos Ganhos c/parcelamento." Implicando tal procedimento como conseqüência resultado "zero" nos ajustes do Lucro Líquido, em 2009, para fins de correção do erro praticado em 2008, na apuração do Lucro Real e da Base de Cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido Logo, no ano calendário de 2009 exercício de 2010 não houve, com este procedimento do sujeito passivo, o oferecimento à tributação do valor irregularmente excluído em 2008. De fato, a empresa em 02.02.2012 (vol. 01fl.47Sumário Auxiliar) na resposta ao termo de intimação lavrado em 05.01.2012 (vol. 01fl.l9Sumário Auxiliar) e sua reiteração de 16.01.2012 (vol.01fl.39), ambos os atos fiscais relativos à citada exclusão no cálculo das bases tributáveis do Imposto de Renda IRPJ e da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido CSLL, alega apenas que o valor de R$ 87.000.000,00 "Outras Exclusões 2008", do LALUR foi registrado .ia conta contábil "3.4.05.2002 Descontos Auferidos" Em 19.02.2012 (vol.l0fl.891Sumário Auxiliar), quanto à exclusão em comento, a INEPAR foi novamente intimada a informar para cada tributo administrado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil o respectivo valor obtido de desconto, devendo juntar a documentação comprobatória da informação, tal que seu alegado direito fosse analisado por esta fiscalização federal. Em correspondência datada de 05.05.2012 (vol.10fl.937/944Sumario Auxiliar), na sua resposta ao termo fiscal de 19.02.2012, empresa diz que: "a escrituração do valor de R$ 87.000.000,00, em 30.09.2008, na conta contábil 3.4.05.2002 foi um "equivoco pontual e involuntário" e que este erro foi corrigido em 2009. Contudo, não juntou qualquer documento que comprovasse o seu direito a proceder à dita exclusão de R$ 81.200.000,00, nos ajustes do Lucro Liquido. Em conclusão a sua alegação, de que foi regularizado o erro praticado em 2008, não procede. Como visto, a empresa contabilizou uma receita (no resultado contábil) no montante de R$ 87.000.000,00, referente aos descontos de juros de mora e de multa obtidos por aderir a parcelamento concedido pela Receita Federal do Brasil, vejase: Contabilidade de 2008 (efl. 1.925) Fl. 3325DF CARF MF 34 Para anular o efeito da contabilização da receita, a empresa excluiu o mesmo montante de R$ 87.000.000,00 na parte A do Lalur de 2008, confirmada (exclusão) na DIPJ: LALUR de 2008 (efls. 1.396 e 1.398) Fl. 3326DF CARF MF Processo nº 19515.722808/201211 Acórdão n.º 1401002.289 S1C4T1 Fl. 3.310 35 DIPJ anocaledário 2008 ficha 09A (efl. 1.606) Ou seja, vêse que a recorrente anulou os efeitos do lançamento contábil. Percebo que a fiscalização fundamentou seu voto na falta de previsão legal para a exclusão, e não em razão de uma receita que deveria ser tributada e foi excluída indevidamente, o que são fundamentos totalmente díspares. Veja novamente em trecho do Termo de Constatação Fiscal: Em correspondência datada de 05.05.2012 (vol.10fl.937/944Sumario Auxiliar), na sua resposta ao termo fiscal de 19.02.2012, empresa diz que: "a escrituração do valor de R$ 87.000.000,00, em 30.09.2008, na conta contábil 3.4.05.2002 foi um "equivoco pontual e involuntário" e que este erro foi corrigido em 2009. Contudo, não juntou qualquer documento que comprovasse o seu direito a proceder à dita exclusão de R$ 81.200.000,00, nos ajustes do Lucro Liquido. Em conclusão a sua alegação, de que foi regularizado o erro praticado em 2008, não procede. (negritei) E esse para mim é o ponto crucial da solução da controvérsia. Isto porque não houve questionamento da fiscalização em relação à natureza das receitas auferidas com os descontos obtidos, para verificar se a receita deveria ser tributada, mas tão somente em relação à falta de base legal para sua exclusão. Este ponto se confirma Fl. 3327DF CARF MF 36 quando a fiscalização corrobora com a justificativa da fiscalizada em relação ao erro contábil cometido no ano de 2008, conforme se verifica acima do trecho do TVF. E, mesmo que no relatório fiscal a autoridade fiscal diligenciante tenha alegado que a receita deveria ser tributada por se tratar de ganho decorrente de baixa de passivos o que geraria um ganho passível de tributação no ano de 2008 , entendo que tal fundamentação não pode ser aceita por este julgador porque extrapola ao que fora abalizado o lançamento fiscal. Veja o trecho do relatório da diligência fiscal (efl. 3.263): f) O fato de efetuar uma Baixa no Passivo de Tributos a Recolher, ou de Dívidas a Pagar, ou de Fornecedores/Conta a Pagar, sem efetuar o devido pagamento do Passivo, em consequência ocorre um ganho/receita (artigo 392 inciso II do RIR/99) para o contribuinte pois não pagou pela baixa/cancelamento a Dívida/Passivo a Pagar. Ora, é notório que não foi esse o fundamento da fiscalização; mas sim de que o erro cometido em 2008 não foi corrigido em 2009, em razão da adição e exclusão do mesmo montante em 2009, o que desaguaria na impossibilidade da exclusão em 2008. E isto se confirma com a fundamentação legal do auto de infração, efetuada nos termos dos arts. 247 e 250 do RIR/99 (hipóteses de exclusão), e não do art. 392, II, do RIR/99 (lucro operacional a ser tributado), como tratou a autoridade diligenciante. Veja no Termo de Constatação Fiscal (efl. 1.788) a fundamentação legal utilizada pela fiscalização: Quer dizer, a fiscalização aceitou como verdade o fato da empresa ter cometido o equívoco no ano de 2008, e assim entendeu que não havia base legal para exclusão de tal valor no ano de 2008. Partindo da premissa utilizada pela fiscalização, de que a receita não existiu em 2008, não posso concluir de outra maneira a não ser pela correção no procedimento adotado pela empresa, que aumentou seu resultado contábil com a receita dos descontos obtidos, mas anulou tal efeito no Lalur de 2008. E mesmo que a receita tivesse ocorrido efetivamente em 2008 e, por conseguinte, tivesse sido contabilizada corretamente, sem a necessidade de estorno no ano de 2009, ainda entendo que a tributação dependeria da verificação da natureza do ganho. Por exemplo, se decorresse (a receita) mediante desconto obtido por meio do parcelamento especial da Lei nº 11.941/2009, o parágrafo único do artigo 4º da referida lei estabeleceu que tais descontos não resultariam em tributação pelo IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, vejase: Parágrafo único. Não será computada na apuração da base de cálculo do Imposto de Renda, da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, da Contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS a parcela equivalente à redução do valor das multas, Fl. 3328DF CARF MF Processo nº 19515.722808/201211 Acórdão n.º 1401002.289 S1C4T1 Fl. 3.311 37 juros e encargo legal em decorrência do disposto nos arts. 1º, 2º e 3º desta Lei. Desta forma e nesta hipótese, independentemente do suposto equívoco cometido pela recorrente na contabilização dos valores no ano de 2008, a exclusão estaria respaldada em base legal. Talvez, um ponto que deveria ser analisado, em se aceitando a premissa de que houve erro na contabilização em 2008, é se houve distribuição de dividendos que tivessem como base o valor da receita contabilizada e excluída no resultado fiscal. Se assim o fosse, como a fiscalização iniciou o procedimento fiscal após o reconhecimento do erro cometido pela ora recorrente, deveria avaliar se no ano de 2008 a empresa distribuíra dividendos a maior e tributar a empresa e os eventuais beneficiários pela suposta distribuição em excesso, o que também não ocorreu. Em continuidade, também entendo que não cabe avaliarmos se a empresa efetuou corretamente os ajustes fiscais em relação ao ano de 2009, para concluirmos pela exoneração da autuação fiscal. Explico. No ano de 2009, ao entender que havia cometido um erro na contabilização da receita dos descontos obtidos, a recorrente reverteu o lançamento contábil, contabilizando uma despesa (no resultado contábil) no montante de R$ 87.000.000,00 e, para anular também o efeito trazido na contabilidade para a base de tributação do IRPJ e da CSLL, a empresa efetuou uma adição do mesmo montante da despesa contábil apenas ajustado de acordo com o que fora informado em relação ao valor de R$ 5.800.000,00, que não causou efeito fiscal em 2008. Veja nos lançamentos efetuados pela empresa: Contabilidade de 2008 (efl. 1.941) Fl. 3329DF CARF MF 38 Veja os ajustes do Lalur de 31/12/2009, que foram reproduzidos também na DIPJ 2010, ac 2009: Lalur adições (efl. 1.521) DIPJ ac 2009 ficha 09A (efl. 1.674) Entretanto, a fiscalização advertiu em seu Termo de Constatação Fiscal (efl. 1.782 e ss) que a empresa também efetuou uma exclusão no mesmo montante do valor adicionado, causando a referendada distorção na base do IRPJ e da CSLL para o ano de 2009, que justificou, segundo o fisco, o lançamento em relação ao ano de 2008. Bem. Não entendo merecer razão o entendimento da fiscalização, por dois motivos: Primeiro, porque a fiscalização se utiliza da exclusão efetuada no mês de março de 2009, mas que permanece apenas até o mês de novembro de 2009, veja (efl. 1.519): No mês de dezembro de 2009, que é o mês de encerramento do período de apuração do IRPJ e da CSLL do ano de 2009 em razão da opção da recorrente pelo lucro real anual não vejo que o lançamento de R$ 81.200.000,00 tenha influenciado o resultado fiscal da recorrente, o que já obstaria a justificativa da fiscalização para a manutenção da autuação. Lalur exclusões (efl. 1.521) Fl. 3330DF CARF MF Processo nº 19515.722808/201211 Acórdão n.º 1401002.289 S1C4T1 Fl. 3.312 39 Lalur Demonstração do Lucro Real de 31/12/2009 (efl. 1.522) A não ser que o valor de R$ 81.200.000,00 estivesse incluído no montante de R$ 156.528.237,59, cujo histórico é "Ganhos c/ parcelamentos Lei 11.941/2009". E, segundo, mesmo que o montante de R$ 81.200.000,00 estivesse incluído na exclusão efetuada em 12/2009, ou seja, que o resultado fiscal tivesse sido reduzido em R$ 81.200.000,00, o lançamento tributário deveria recair sobre o anocalendário de 2009, e não sobre o anocalendário de 2008, pois foi em 2009 que o resultado fiscal teria sido supostamente influenciado. Outro ponto que poderia ser analisado é se o resultado fiscal foi reduzido nos meses em que o valor de R$ 81.200.000,00 foi indevidamente excluído, para fins de aplicação Fl. 3331DF CARF MF 40 da multa isolada por falta de recolhimento de estimativa monitorada, com base em balancete de suspensão, conforme havia escolhido a ora recorrente. Mas este procedimento também não foi feito. Desta forma, sob qualquer ângulo que se possam avistar os fatos incorridos, a regra matriz de incidência contém um vício insanável relativo ao momento do aperfeiçoamento do fato gerador, o que me faz afirmar que o fato gerador não se concretizou no anocalendário de 2008, pelo que proponho dar provimento ao recurso voluntário quanto a este ponto. Despesas com Variação Cambial A tributação das variações cambiais é regulada no art. 378, seguidas dos artigos 375 e 377, todos do RIR/99: "Art. 378. Compreendemse nas disposições dos arts. 375 e 377 as variações monetárias apuradas mediante: I compra ou venda de moeda ou valores expressos em moeda estrangeira, desde que efetuada de acordo com a legislação sobre câmbio; conversão do crédito ou da obrigação para moeda nacional, ou novação dessa obrigação, ou sua extinção, total ou parcial, em virtude de capitalização, dação em pagamento, compensação, ou qualquer outro modo, desde que observadas as condições fixadas pelo Banco Central do Brasil; atualização dos créditos ou obrigações em moeda estrangeira, registrada em qualquer data e determinada no encerramento do período de apuração em função da taxa vigente." (destaques acrescidos) (...) Variações Ativas "Art. 375. Na determinação do lucro operacional deverão ser incluídas, de acordo com o regime de competência, as contrapartidas das variações monetárias, em função da taxa de câmbio ou de índices ou coeficientes aplicáveis, por disposição legal ou contratual, dos direitos de crédito do contribuinte, assim como os ganhos cambiais e monetários realizados no pagamento de obrigações (DecretoLei n° 1.598, de 1977, art. 18, Lei n° 9.249, de 1995, art. 8°). Parágrafo único. As variações monetárias de que trata este artigo serão consideradas, para efeito da legislação do imposto, como receitas ou despesas financeiras, conforme o caso (Lei nº 9.718, de 1998, art. 9º). Variações Passivas Art. 377. Na determinação do lucro operacional poderão ser deduzidas as contrapartidas de variações monetárias de obrigações e perdas cambiais e monetárias na realização de Fl. 3332DF CARF MF Processo nº 19515.722808/201211 Acórdão n.º 1401002.289 S1C4T1 Fl. 3.313 41 créditos, observado o disposto no parágrafo único do art. 375 (DecretoLei n° 1.598, de 1977, art. 18, parágrafo único, Lei n°9.249, de 1995, art. 8°)." (destaques acrescidos) Em síntese, os dispositivos transcritos comandam que as variações cambiais devem integrar o resultado da pessoa jurídica como receita ou despesa financeira, conforme o caso, observandose o regime de competência ou de caixa, a partir do ano 2000, atendidos certos requisitos. A DRJ, em síntese, fundamentou os seguintes pontos para negar o pedido de cancelamento das glosas combatidas: (...) Em sua defesa, aduz a impugnante que o montante glosado é composto das parcelas de R$ 1.988.624,55 (variação cambial de fornecedores) e R$ 548.541,58 (variação cambial dos adiantamentos). (...) Conforme já explanado neste voto, o Fisco centrou a análise no valor informado como variação cambial passiva, constante da citada L36/F06A da DIPJ/2009, deduzido como despesa financeira, eis que a variação cambial ativa possui campo próprio na declaração (L18/F06A), no qual a contribuinte informou a receita financeira correspondente, de R$ 5.571.895,38 (fls. 1605). Vêse que ao longo da auditoria a contribuinte também apresentou o Demonstrativo da Composição do Passivo (DCP), no qual não se confirma a presença da relação dos fornecedores destacada na conta 2.1.01.2.001, acima reproduzida, que teria ensejado a variação cambial passiva na parcela de R$ 1.988.624,55, controlada na conta "3.4.04.3.002 Variação Cambial /Importações", em análise. (...) De fato, observase da relação de fornecedores (conta 2.1.01.2.001), antes reproduzida, a coluna de entrada e de vencimento da obrigação originado em períodos bastante anteriores ao anocalendário em análise, o que, por si só, não justifica a permanência de tais obrigações no passivo da contribuinte do ano fiscalizado (2008) e, por consequência, a apropriação da variação cambial respectiva. Além disso, a relação de fornecedores em comento (conta 2.1.01.2.001) aponta uma variação cambial positiva (despesa financeira) de R$ 15.037,38, na data base de 31/12/2008, muito inferior à alegada por ora da impugnação (R$ 1.988.624,55); uma variação cambial negativa (receita financeira) de R$ 10.028,15 e uma variação cambial líquida (resultante positiva) de R$ 5.009,23. Da mesma forma, verificase da relação de Pagamentos Antecipados (conta 1.1.10.4.002) o registro do direito originado em períodos bastante anteriores ao do anocalendário em análise (2008), sendo que a interessada não apresentou cronograma do respectivo cumprimento da obrigação pelo fornecedor estrangeiro (entrega de matériaprima) que pudesse justificar a manutenção do alegado direito no ativo da interessada em 2008, de modo a ensejar a apropriação de variação cambial no ano em questão. (...) Fl. 3333DF CARF MF 42 Como se vê, dos trechos acima citados, mas sobretudo de todo o escopo do voto da DRJ, a mesma conseguiu fazer uma análise bastante pormenorizada de toda a matéria, encontrando diversas inconsistências e contradições que precisavam necessariamente serem infirmadas pela Recorrente em sede recursal. Porém, a mesma não o fez, apesar de insinuar têlo feito. Eis suas palavras: Como a eminente Autoridade Julgadora a quo não vislumbrou esse cenário, consistente na correta apropriação dos valores em questão como despesa para fins de IRPJ e da CSLL, a Recorrente detalha na planilha abaixo e apresenta provas adicionais visando explicitar as operações praticadas, no intuito de comprovar, em consonância com o princípio da verdade material, o, data venia, equívoco incorrido no v. acórdão guerreado: O que faz a seguir é meramente repetir os mesmos dados e detalhes já traçados anteriormente, sem trazer uma única prova adicional, sequer para corroborar sua defesa, diferentemente do que alegou. Assim, em função da absoluta falta de provas e das contradições e inconsistências flagrantemente visíveis, reitero todas as razões de decidir da DRJ considerandoas como se todas estivessem aqui transcritas, para então negar provimento ao recurso neste item. Despesas com Juros sobre Financiamentos Banco Boa Vista Em relação às despesas com financiamento do Banco Boa Vista, a fiscalização efetuou o lançamento com base no seguinte: A empresa não apresentou, como é seu dever, a documentação emitida pelo Banco Boa Vista, instituição financeira que consta nos lançamentos contábeis como beneficiária, destas importâncias restringindose a apresentar documentos de sua própria lavra para comprovar os expressivos valores de juros contabilizados na conta acima indicada. Alega apenas que: "os valores referemse a atualização das parcelas devidas ao Banco Boa Vista, conforme Certificado de Registro do Banco Central do Brasil nº 541/00270, emitido em 20.10.1997." A DRJ efetuou análise percuciente sobre os documentos apresentados e manteve o lançamento fiscal com base em fundamentos sólidos, que passo a reproduzir (efls. 2.912 a 2.916): (início do trecho do voto da DRJ) Passase às despesas relativas ao anocalendário 2008, frente ao Banco Boavista Banking Limited (Bahamas), a título de juros (conta 3.4.1005 JUROS SOBRE EMPRÉSTIMOS), no total de R$ 21.039.904,66, as quais foram consideradas pela fiscalização como não comprovadas. Em sua defesa, a contribuinte apresenta a cópia do contrato firmado com o citado Banco (versão original), do Certificado de Registro no Bacen (CR) nº 541/000270, bem como do requerimento feito perante o Bacen, no qual estão descritas as condições e valores envolvidos na operação (doc. 04), protestando se Fl. 3334DF CARF MF Processo nº 19515.722808/201211 Acórdão n.º 1401002.289 S1C4T1 Fl. 3.314 43 traga ao presente os fundamentos e as provas ofertadas nos autos do PAF nº 19515.721884/201129, também hábeis a justificar a despesa aqui glosada. Compulsandose o processo nº 19515.721884/201129, verificase nele terem sido apresentadas as mesmas razões de defesa e documentação comprobatória, acrescentandose, tão somente, a cópia do contrato com o Banco Boavista na versão de tradução juramentada (doc. 18 daqueles autos). Do CR Bacen nº 541/000270, depreendese que o Banco Boavista atuou na qualidade de credor (agente) frente à remessa de divisas declaradas como decorrente da operação de obtenção de capital de giro mediante “fixed rate notes” no euromercado, no valor de USD 10.640.000,00, a taxa de juros de 13% a.a. incidentes sobre o saldo devedor do principal a partir de 02.10.96, com vencimento final no prazo de 8 anos, ou seja, em 02.10.2004. Consta do documento a seguinte ressalva: “o presente Certificado foi emitido com base nas declarações e nos documentos apresentados pelo credor e pelo devedor, podendo o Banco Central do Brasil apurar a veracidade dessas informações, na forma do artigo 62 do Decreto nº 55762, de 17.02.65. A cobrança ou o pagamento, a qualquer título, em moeda nacional ou estrangeira, de ônus ou encargos que não estejam expressamente aprovados pelo Banco Central do Brasil ou, ainda, a falsidade das declarações ou dos documentos, tornarão sem efeito, automaticamente, este Certificado”. (destaques acrescidos) No CR Bacen nº 541/000270 não consta qualquer aditivo, nele tendo sido consignadas oito remessas de juros de USD 691.600,00, sendo a última na data de 31.10.2000. Em que pese a contribuinte ter apresentado requerimento protocolado em 23.12.2011 junto ao Bacen, pretendendo comprovar a renegociação da dívida nas condições abaixo, não se trouxe ao processo a devida ratificação pelo próprio Bacen, tão pouco se trouxe as Demonstrações Financeiras da companhia acompanhadas das correspondentes notas explicativas relatando as condições e o prazo do alegado refinanciamento. De outro lado, o contrato firmado em 02.10.96 entre a contribuinte (emissora) e o Banco Boavista (agente pagadora) é de pagamento de agência, no qual referido banco foi nomeado como agente pagador da autuada frente à Promissória (ou Nota) Global em Euro do Papel Comercial, a ser por ela emitida no valor de USD 10.640.000,00, devendo o Banco manter registro dos titulares da Promissória (Notas), a serem informados pela interessada. Acerca dos pagamentos, propriamente ditos, dispõe o contrato que serão feitos de acordo com as Notas (promissórias) e as disposições nelas contidas, que foram assim acordadas no anexo A: Anexo A Formulário da Promissória A Promissória é emitida referente à emissão de um Papel Comercial em Euro da Inepar S.A., Indústria e Construções e é regida pelas disposições do Contrato de Pagamento da Agência datado de 2 de outubro de 1996 entre a Inepar S.A., Indústria e Construções e a Boavista Banking Limited, na qualidade de Agente Pagadora. Fl. 3335DF CARF MF 44 US$ 10,640,000.00 2 de outubro de 1996. PELO VALOR RECEBIDO, a abaixoassinada Inepar S.A., Indústria e Construções, ("Emissora") uma empresa constituída e existente de acordo com as leis da República Federativa do Brasil, PELO PRESENTE, COMPROMETESE A PAGAR INCONDICIONALMENTE, à Boavista Banking Limited, Nassau, Bahamas, na qualidade de Agente Pagadora ("Agente Pagadora") em 4 de outubro de 2004 ("Data Mensal") ou em uma data anterior a que a Promissória se torne reembolsável, o valor do principal de US$ 10,640,00.00 de Dólares dos Estados Unidos e os juros sobre o mesmo de acordo com as condições abaixo. A Emissora se compromete a pagar incondicionalmente os juros sobre o valor do principal não pago a partir da data de vencimento do mesmo, mas excluindo a data em que esse principal será pago totalmente, na taxa de 13% ao ano esses pagamentos em atraso serão feitos semestralmente (a cada 360, por ano, e 30 dias, por mês de acordo com as Definições da Associação de 1991 da International Swap Delaers Association) em 2 de abril e 2 de outubro de cada ano e na data de vencimento. A Emissora, pode, a seu exclusivo critério, e mediante uma notificação por escrito com 30 dias de antecedência à Agente Pagadora resgate ou faça com que uma pessoa designada pela emissora para adquirir essa Promissória pelo valor do principal juntamente com o juros acumulado sobre a mesma (se houver). Se o valor de principal desta promissória não for válido quando devido, esse valor não pago do principal acarretará em juros a partir da data de vencimento da mesma até a data em que o pagamento for recebido pela Agente Pagadora (tanto antes como depois da decisão) de taxa de 13% ao ano. A Emissora, pelo presente, renuncia a todas as obrigações referentes à diligência, denúncia, demanda de pagamento, protesto e notificação de qualquer tipo com relação a esta Promissória. 1. Pagamento. A Emissora fará o pagamento desta Promissória até o 12:00 (horário de Nova York) no último dia útil anterior a data de vencimento por meio de uma transferência, em Dólares dos Estados Unidos no mesmo dia, dos fundos para uma conta que será especificada à Emissora por escrito por meio de uma Notificação da Agente Pagadora. Se qualquer pagamento que deve ser feito de acordo com presente se tornar devido em uma data em que o banco não estiver abeto por não ser um Dia Útil em Nova York, então esse pagamento será feito no próximo dia útil a data de vencimento, desde que seja um dia útil em Nova York. Como se pode depreender, os pagamentos devem ser feitos aos titulares das Notas (promissórias), incidindo juros a taxa de 13% a.a. desde o vencimento da promissória até o pagamento da mesma. Ou seja, o real credor é o titular das Notas, que não foi devidamente identificado nos documentos trazidos aos autos. No contrato foi oferecido ao banco Boavista a seguinte garantia: “A Agente pagadora estará isenta e não deverá sofrer com qualquer obrigação decorrente de qualquer ação tomada ou sofrida por ela por confiar que a Promissória ou qualquer outro documento fosse legítimo e por ter assinado por ser uma das devidas partes, (...)”. Como visto, a contribuinte não apresentou contrato de empréstimo válido para o período em análise (2008), mas apenas documentação comprovando remessa de divisas, entre 1996 a 2000, para um agente pagador o Banco Boavista, sediado em paraíso fiscal (Bahamas), que atua como mero intermediário no repasse do dinheiro a um suposto credor, mediante informação ao Bacen, sujeita a confirmação, de que a operação corresponde à captação de recursos (capital de giro), sem a efetiva comprovação da natureza da operação e da identificação do cedente dos recursos Fl. 3336DF CARF MF Processo nº 19515.722808/201211 Acórdão n.º 1401002.289 S1C4T1 Fl. 3.315 45 que teriam sido tomados, cuja obrigação, ainda, teria vencimento em 2004, ou seja, em período anterior ao fiscalizado. Também, o contrato firmado com o Banco Boavista não identifica a causa da emissão do Papel Comercial em Euro de que trata a Promissória no valor de USD 10.640.000,00, nem os titulares das Notas, que tão pouco foram identificados pela impugnante, tendo sido excluída do Banco qualquer responsabilidade acerca da legitimidade das informações prestadas na Promissória pelo seu emissor. De outro giro, sequer a alegada repactuação do chamado empréstimo restou comprovada. Ainda que tivesse sido acolhida a dita repactuação, esta seria válida para período posterior ao aqui analisado, consoante cronograma apresentado pela contribuinte perante o Bacen (taxa de juros a partir de 30/09/2011). Confiramse as condições apresentadas ao Bacen pela impugnante: ______________________________________________________________ Pelos motivos acima a Inepar S/A Indústria e Construções passou e ainda está passando por um processo de reestruturação Econômica e Financeira que iniciou em 2003 com um amplo processo de renegociação com todos os credores onde se buscou o alongamento das dívidas, redução das taxas de juros e deságios de forma que o fluxo de caixa da empresa fosse compatível com estes compromissos de pagamento. Atualmente estamos ainda em fase de renegociações de contratos junto ao BNDES, Debenturistas da segunda Emissão e da operação conforme certificado acima marginado. Praticamente estamos em fase final da renegociação dos valores desta dívida e para assinatura do contrato de renegociação o credor insiste para que a Inepar proceda esta consulta ao Banco Central de forma que o mesmo se manifeste sobre a viabilidade da autorização por este Banco das remessas das dividas conforme demonstramos abaixo: · Valor da dívida atualizada conforme contrato Certificado de Registro nº 541/00270 em 02/10/2004: U$ 17,450,992.06. Tal valor está descrito no quadro abaixo: PMT Descrição Venc. Vlr. PMT Data Correção Vlr. Corrigido 9 Parcela de Juros 02/04/01 691,600.00 02/10/04 1,011,023.14 10 Parcela de Juros 02/10/01 691,600.00 02/10/04 965,319.91 11 Parcela de Juros 02/04/02 691,600.00 02/10/04 919,866.42 12 Parcela de Juros 02/10/02 691,600.00 02/10/04 874,163.19 13 Parcela de Juros 02/04/03 691,600.00 02/10/04 828,709.70 14 Parcela de Juros 02/10/03 691,600.00 02/10/04 783,006.47 15 Parcela de Juros 02/04/04 691,600.00 02/10/04 737,303.23 16 Parcela de Juros 02/10/04 691,600.00 02/10/04 691,600.00 16 Valor Principal 02/10/04 10,640,000.00 02/10/04 10,640,000.00 Total 16,172,800.00 17,450,992.07 · Valor da dívida corrigida até 30/09/2011, conforme Certificado: U$ 32,366,806.11 · Renegociação entre as partes: U$ 21,693,066.08; · Taxa de juros a partir de 30/09/2011: Libor, 3 meses, acrescido de mais 1,5% ao mês. Fl. 3337DF CARF MF 46 · Prazo de pagamento: Entrada mais 32 parcelas trimestrais, totalizando 8 anos, conforme descrito no gradiente abaixo e com início de pagamento até 01/02/2012. Descrição: Entrada Ano 1 Ano 2 Ano 3 Ano 4 Ano 5 Ano 6 Ano 7 Ano 8 % a.a.: 15,00% 10,61% 8,14% 11,04% 11,04% 11,04% 11,04% 11,04% 11,04% % a.m.: 2,65% 2,04% 2,76% 2,76% 2,76% 2,76% 2,76% 2,76% Coincidentemente estamos sendo fiscalizados pela Receita Federal conforme auto de infração de número MPF: 08.1.90.002010.017380 de 28/11/2011 e para tanto precisamos comprovar que os valores referidos acima constam dos registros do Banco Central do Brasil (modalidade papel) e necessitamos da confirmação deste Banco que os pagamentos a critério da devedora poderão ser efetivados após registro no Banco Central desta renegociação ora concretizada e assinadas pelas partes, e desta forma não se caracteriza como um passivo oculto. ______________________________________________________________ Nesse contexto, à falta de demais elementos de prova, permanece incomprovada a despesa questionada a título de Juros sobre Empréstimos frente o Banco Boavista, razão pela qual se mantém a glosa correspondente. (término do trecho do voto da DRJ) Em seu recurso voluntário, a recorrente não oferece outros elementos que pudessem corroborar suas justificativas. Ou seja, mesmo ciente da fundamentação da DRJ, a empresa não traz nada de novo ao processo. Desta forma, por entender pertinentes os fundamentos da DRJ, passo a adotá los como razão de decidir, pelo que proponho negar provimento quanto a este ponto. BNDES Em relação às despesas com financiamento do BNDES, a recorrente pede que seja analisado o teor do processo nº 19515.721884/201129, que tratou da mesma infração aqui discutida, só que se refere ao anocalendário 2007. Compulsando tal processo, verifiquei a DRJ julgou procedente a impugnação apresentada pela empresa e o CARF manteve a exoneração do lançamento fiscal quanto a este ponto. Entenderam as autoridades julgadoras que os documentos apresentados pela recorrente seriam suficientes para comprovar a exigência do valor emprestado pelo BNDES à empresa ora recorrente, assim como os juros incidentes sobre o valor mutuado. Por outro lado, no caso destes autos, a DRJ manteve o lançamento fiscal por entender que, no período de 2009, a recorrente já tinha em seu desfavor uma decisão judicial desde o ano de 2007, que atualizou os juros incorridos sobre o contrato até a data de 31/12/2007. E, mesmo que tivesse ainda pendente de análise de embargos à execução promovidos pela ora recorrente, em razão de seu pedido pela aplicação de taxa de juros diversa daquela outrora acordada no contrato com o BNDES, entendeu a DRJ que os juros deveriam ser provisionados, e não considerados como despesas para fins de dedução do IRPJ e da CSLL. Vejase nos fundamentos da DRJ (efls. 2.916 a 2.922): Fl. 3338DF CARF MF Processo nº 19515.722808/201211 Acórdão n.º 1401002.289 S1C4T1 Fl. 3.316 47 (início do trecho do voto da DRJ) Questionada pela fiscalização, a interessada alegou que o lançamento “referente ao complemento do passivo devido ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social – BNDES, por conta do contrato nº 97.2.514.3.2, tendo em vista que os valores registrados na contabilidade da Inepar S/A Indústria e Construções estão em valores menores que os contratuais”. Por ora da defesa, diz a interessada que o referido contrato já fora analisado pela autoridade fiscal quando da lavratura do auto de infração controlado no PAF nº 19515.721884/201129, tendo sido desconsiderado o contexto econômico vivido pela impugnante, que motivou a cobrança judicial da citada dívida pelo credor. Apresenta a prova que julga cabível a comprovar a despesa (doc. 05), a qual corresponde a declaração que teria sido firmada pela instituição financeira informando o saldo devedor do contrato em questão. Da análise do contrato em questão, vêse que foi firmado em 01.12.1997 com liquidação na última prestação vencida em 15.12.2007, em período anterior, portanto, àquele objeto de análise (2009). O crédito concedido foi de R$ 56.580.383,65, dividido em dois subcréditos de R$ 32.331.647,81 (subcrédito A) e R$ 24.248.735,84 (subcrédito B), tendo sido estipulada, sobre o principal da dívida, a incidência de juros de 5% a.a. acima da TJLP, divulgada pelo Bacen, observada a seguinte sistemática: I Quando a TJLP for superior a 6% (seis por cento) ao ano: a) O montante correspondente à parcela da TJLP que vier a exceder 6% (seis por cento) ao ano será capitalizado no dia 15 (quinze) de cada mês da vigência deste Contrato e no seu vencimento ou liquidação, observado o disposto na Cláusula Décima Quinta, e apurado mediante a incidência do seguinte termo de capitalização sobre o saldo devedor, aí considerados todos os eventos financeiros ocorridos no período: TC = [(1 + TJLP)/1,06]n/360 1 (termo de capitalização igual a, abre colchete, razão entre a TJLP acrescida da unidade, e um inteiro e seis centésimos, fecha colchete, elevado à potência correspondente à razão entre "n" e trezentos e sessenta, deduzindose de tal resultado a unidade), sendo: TC termo de capitalização; TJLP Taxa de Juros de Longo Prazo, divulgada pelo Banco Central do Brasil; e n número de dias existentes entre a data do evento financeiro e a data de capitalização, vencimento ou liquidação da obrigação; considerandose como evento financeiro todo e qualquer fato de natureza financeira do qual resulte ou possa resultar alteração do saldo devedor deste Contrato. b) O percentual de 5% (cinco por cento) ao ano acima da TJLP ("spread"), referido no caput desta Claúsula, acrescido da parcela não capitalizada da TJLP de 6% (seis por cento) ao ano, incidirá sobre o saldo devedor, nas datas de exigibilidade dos juros mencionadas no Parágrafo Segundo ou na data de vencimento ou liquidação deste Contrato, observado o disposto no alínea "a", e considerado, para o Fl. 3339DF CARF MF 48 cálculo diário de juros, o número de dias decorridos entre a data de cada evento financeiro e as datas de exigibilidade acima citadas. II Quando a TJLP for igual ou inferior a 6% (seis por cento) ao ano: O percentual de 5% (cinco por cento) ao ano acima da TJLP ("spread"), referido no caput desta Claúsula, incidirá sobre o saldo devedor, nas datas de exigibilidade dos juros mencionadas no Parágrafo Segundo ou na data de vencimento ou liquidação deste Contrato, sendo considerado, para o cálculo diário de juros, o número de dias decorridos entre a data de cada evento financeiro e as datas de exigibilidade acima citadas. PARÁGRAFO PRIMEIRO O montante referido no inciso I, alínea "a", que será capitalizado, incorporandose ao principal da dívida, será exigível nos termos da cláusula sexta. PARÁGRAFO SEGUNDO O montante referido no inciso I, alínea "b", ou do inciso II será capitalizado até 15 de junho de 1999, e exigível semestralmente no dia 15 (quinze) do mês de dezembro de 1999, no dia 15 (quinze) do mês de junho de 2000, e, juntamente com as parcelas da amortização do principal, mês de dezembro dos anos 2001, 2002, 2003, 2004, 2005, 2006 e 2007 e no vencimento ou liquidação deste Contrato, observado o disposto na Cláusula Décima Quinta. PARÁGRAFO TERCEIRO Se forem utilizados recursos originários do Fundo de Participação PIS/PASEP, de que trata a Lei Complementar nº 26, de 11 de setembro de 1975, considerarseão, desde já, abrangidas nos juros estipulados no caput desta Cláusula as comissões remuneratórias devidas, na forma da legislação pertinente ao aludido Fundo. Observase que a credora acordou ser a responsável pela emissão de aviso de cobrança à devedora do principal e encargos a serem quitados em cada vencimento estipulado no contrato, consoante a cláusula abaixo: QUINTA PROCESSAMENTO A cobrança do principal e encargos será E COBRANÇA DA DÍVIDA feita mediante Aviso de Cobrança expedido pelo BNDES, com antecedência, para a BENEFICIÁRIA liquidar aquelas obrigações nas datas de seus vencimentos. Foi oferecida em garantia à dívida ações ordinárias e preferenciais (nominativas), representativas de 30,42% do capital social da CEMAT, bem como 727 debêntures conversíveis em ações ordinárias e preferenciais (nominativas) da CEMAT, garantia esta passível de execução, com observância dos procedimentos legais cabíveis. Compulsandose o PAF nº 19515.721884/201129, citado pela impugnante, observase nele também constar a glosa de despesa a título de juros sobre empréstimo, relativa ao anocalendário 2007, atribuída pela contribuinte à mesma operação de crédito perante o BNDES. Da impugnação apresentada no processo acima referido, extraise que o credor em questão teria executado a dívida, diante do inadimplemento, conforme Ação de Execução por Quantia Certa contra Devedores Solventes, processo nº 2005.51.01.0228209 20ª Vara Cível da Seção Judiciária do Rio de Janeiro (doc. 07c do PAF citado), sobrevindo sentença nos embargos a execução em 11.02.2009 (processo nº 2006.51.01.0190405), tendo sido oferecidas em penhora ações da Fl. 3340DF CARF MF Processo nº 19515.722808/201211 Acórdão n.º 1401002.289 S1C4T1 Fl. 3.317 49 CEMAT, para liquidação da dívida, cujo vencimento foi antecipado, diante da previsão contratual. Na referida ação de embargos à execução (processo nº 2006.51.01.0190405), observase que a interessada questiona o saldo final da dívida, contrapondose à taxa de juros estipulada contratualmente, inclusive, a qual teria ensejado a despesa financeira contabilizada no ano de 2009, protestando pela aplicação do INPC, incidência de juros simples de 6% a.a., expurgo da capitalização de juros. Nesse sentido, confirase a sentença judicial na ação citada, parcialmente transcrita abaixo: Do exame do laudo pericial bem como do acervo probatório produzido, é possível verificar, de acordo com a discriminação do valor executado pelo BNDES (resposta do perito nº 06 da INEPAR, fl. 215), que o embargado obedeceu às cláusulas contratuais, bem como àquelas constantes das Disposições Aplicáveis aos Contratos do BNDES, fatos confirmados pelo expert no 'pontos de maior relevância' do laudo (fl. 213), nos quais este afirma que o BNDES efetuou os cálculos da dívida de acordo com as normas contratuais e que não há equívocos cometidos na elaboração das planilhas (resposta ao quesito nº 01 do BNDES, fl. 225). No que concerne à capitalização de juros, cabe ressaltar que há previsão contratual (cláusula quarta, fl. 34) e legal (Lei nº 9.365/96) permitindo sua aplicação. O Superior Tribunal de Justiça já consagrou entendimento relativo à possibilidade da utilização da Taxa de Juros de Longo Prazo como indexador de contratos bancários: Súmula 288: A Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP) pode ser utilizada como indexador de correção monetária nos contratos bancários. A Lei nº 9.365/96, ao instituir a TJLP, previu sua adoção na remuneração dos recursos repassados ao BNDES e, consequentemente, na indexação dos contratos de financiamento firmados por esta Empresa Pública. Se a lei instituidora da TJLP prevê sua capitalização no que excede 6% aa, resta autorizada tal metodologia de cálculo nos contratos que prevêem a aplicação da referida taxa, o que vai ao encontro do entendimento jurisprudencial a respeito da matéria, segundo o qual a contagem de juros sobre juros somente é possível quando expressamente prevista em lei. Por outro lado, indevida é a cobrança da multa por ajuizamento (cláusula décima segunda, fl. 39), pois caracterizaria dupla incidência de pena convencional, a qual vem sendo regularmente cobrada, conforme o artigo 42, das Disposições Aplicáveis aos Contratos do BNDES. Assim, neste ponto, a pretensão da embargante merece acolhida. Quanto aos demais requerimentos apresentados pela INEPAR, por não restar configurada ilegalidade das cláusulas contratuais e em nome da força vinculativa dos contratos, mister assegurarse a integridade do ajuste pactuado, não havendo, destarte, que se considerar a pretensão da embargante no sentido de se promover alteração de dispositivos, pois estes foram elaborados de acordo com as normas atinentes aos contratos celebrados com o BNDES e com o pleno conhecimento da embargante. Ademais, não há argumento legal ou contratual hábil em justificar as modificações nos moldes pretendidos pela INEPAR (aplicação do INPC, incidência Fl. 3341DF CARF MF 50 de juros simples de 6% aa, expurgo de capitalização de juros), uma vez que o ajuste e a Resolução nº 665/87 dispõem de modo diverso. Por fim, ressalto que, das quinze parcelas de amortização previstas originalmente, a INEPAR quitou duas, com vencimentos em 18 de fevereiro e 10 de julho de 2000, e, mesmo após ter sido notificada pelo BNDES, em julho de 2005, não demonstrou interesse em adimplir a obrigação, dando origem ao vencimento antecipado da dívida, conforme os artigos 39 e 40, da Resolução nº 665/87. Notase que o cálculo apresentado pela contribuinte na impugnação, que teria sido elaborado pelo BNDES, tem como data base justamente aquela do limite contratual, qual seja, de 31.12.2007, acrescida da multa pelo ajuizamento. Da documentação citada, depreendese que não houve a repactuação e/ou renegociação do empréstimo com vigência válida para o ano de 2009, mas sim a execução judicial do contrato, com penhora dos bens dados em garantia. Acerca do não cumprimento de cláusulas contratuais de empréstimo, vejase o que dispõe o Manual de Contabilidade das Sociedades por Ações, 7ª ed., Ed. Atlas, pg. 249: “i) CLÁUSULAS CONTRATUAIS – NÃOCUMPRIMENTO O nãocumprimento pela empresa de determinadas cláusulas contratuais deverá também ser cuidadosamente analisado, pois poderá ter reflexos significativos nas demonstrações financeiras. De fato, alguns contratos prevêem que o descumprimento de determinadas cláusulas poderá gerar multas ou outras penalidades, tais como o vencimento imediato do total da dívida e mesmo a execução de garantias etc. Assim, na existência do nãocumprimento, devese analisar a natureza do problema e suas conseqüências. Por exemplo, pode ocorrer o nãocumprimento de certas cláusulas, mas com o consentimento do financiador, o que deve ser formalizado entre as partes, evitando qualquer consequência. No entanto, em outros casos, haverá o risco das penalidades previstas. Se forem penalidades monetárias, seu valor deverá ser provisionado. Se for vencimento imediato, em certos casos, poderá ser necessário classificar todo o financiamento como a curto prazo. De qualquer forma, fatos como esse cujos efeitos sejam relevantes para a empresa devem ser mencionados e esclarecidos nas demonstrações contábeis por meio de notas explicativas.”(destaques acrescidos) De outro lado, os juros passíveis de dedução na determinação do lucro real, como despesa financeira, são aqueles previstos no contrato, não mais incorrendo o dispêndio, portanto, após o vencimento final da obrigação acordada entre as partes. É o que se extrai da inteligência do art. 374 do RIR/99: “Art.374.Os juros pagos ou incorridos pelo contribuinte são dedutíveis, como custo ou despesa operacional, observadas as seguintes normas (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 17, parágrafo único): I os juros pagos antecipadamente, os descontos de títulos de crédito, e o deságio concedido na colocação de debêntures ou títulos de crédito deverão ser apropriados, pro rata temporis, nos períodos de apuração a que competirem; Fl. 3342DF CARF MF Processo nº 19515.722808/201211 Acórdão n.º 1401002.289 S1C4T1 Fl. 3.318 51 II os juros de empréstimos contraídos para financiar a aquisição ou construção de bens do ativo permanente, incorridos durante as fases de construção e préoperacional, podem ser registrados no ativo diferido, para serem amortizados. Parágrafo único. Não serão dedutíveis na determinação do lucro real, os juros, pagos ou creditados a empresas controladas ou coligadas, domiciliadas no exterior, relativos a empréstimos contraídos, quando, no balanço da coligada ou controlada, constar a existência de lucros não disponibilizados para a controladora ou coligada no Brasil (Lei nº 9.532, de 1997, art. 1º, §3º).”(destaques acrescidos) Portanto, no caso do inadimplemento do contrato, deve a contribuinte constituir provisão para a liquidação da dívida consolidada e objeto de ação judicial de execução (p.e., provisão para riscos fiscais, trabalhistas e cíveis), especialmente quando questionada a taxa de juros contratualmente definida, na respectiva demanda. Nesse sentido, recorrese, mais uma vez, ao Manual de Contabilidade das Sociedades por Ações, 7ª ed., Ed. Atlas (pg. 289): “19.3 EXEMPLO DE PROVISÕES Como comentado anteriormente, de acordo com a Deliberação nº 489/05, a contingência passiva julgada provável em exercício futuro deve ser registrada contabilmente por meio da formação da provisão, quando for possível estimar seu valor. Alguns exemplos de contingências que podem gerar o reconhecimento de provisões são: a) garantias de produtos; b) danos ambientais causados pela entidade; c) provisão para reestruturação; d) multas previsíveis por quebras de contratos; e) possíveis devoluções feitas por clientes de mercadorias defeituosas vendidas com garantia. O registro contábil será a débito de despesa do exercício no qual se registrou a receita, que acabará por ser a origem da perda (como no caso de garantias concedidas, acordo de recompra etc), ou, quando isso não for possível, no exercício em que a empresa se apercebeu da existência do respectivo passivo. A conta de provisão poderá, dependendo da época prevista para sua liquidação, ser inserida tanto no exigível a longo prazo como no passivo circulante. 19.3.1 Provisão para Riscos Fiscais, Trabalhistas e Cíveis Os casos mais comuns de reconhecimento de provisões estão relacionados à existência de ações judiciais exigindo o pagamento de autuações fiscais, reclamações trabalhistas ou indenizações a fornecedores ou clientes. (...).” (destaques acrescidos) Ressaltese, por outro lado, que, nos termos do art. 335 do RIR/99, somente são dedutíveis as provisões expressamente autorizadas no Regulamento, quais Fl. 3343DF CARF MF 52 sejam, aquelas previstas nos arts. 336 a 339 do mesmo instrumento legal, nelas não se encontrando aquelas constituídas em razão de ação judicial de execução de garantia em empréstimo. Por tais razões, mantémse a glosa da despesa em questão. (término do trecho do voto da DRJ) Concordo com as razões da DRJ. O referido contrato não está mais em vigor. O que se busca agora pende de decisão judicial. No caso, os juros supostamente incorridos devem ser provisionados, pois estão pendentes de decisão judicial. Desta forma, proponho negar provimento quanto a este ponto. Despesas com Prestadores de Serviços Quanto às despesas com prestadores de serviços, a fiscalização entendeu que a recorrente não apresentou documentação hábil e idônea a fim de comprovar a veracidade dos serviços prestados. A tabela abaixo reproduz os valores glosados por prestador de serviço: PRESTADORES DE SERVIÇOS VALOR Rovai Infraestrutura e Apoio Negocial Ltda 13.612,50 Support Assessoria e Administração Ltda 157.948,62 Colotto Consultores S/C Ltda 165.887,80 Planagro Ltda 1.682.533,30 Habib Tamer Badio Advocacia & Tribunais S/C 8.153.938,91 Nucleon Engenharia S/C Ltda 44.467,50 Nexia Vilas Rodil Auditores Independentes 474.150,23 Apya Projetos e Participações Ltda 372.983,92 Total 11.065.522,78 A DRJ, por sua vez, exonerou R$ 75.449,80 da base de cálculo do IRPJ e da CSLL referentes às despesas decorrentes dos serviços prestados pela empresa Support Assessoria e Administração Ltda. Ou seja, do total glosado pela fiscalização (R$ 157.948,62), somente R$ 82.498,82 (R$ 157.948,62 R$ 75.449,80) serão objeto de análise neste recurso voluntário. Como o valor de exoneração restou abaixo o limite de alçada para o recurso de ofício, a DRJ não recorreu a este CARF. Pois bem. Inicialmente, convém ressaltar que uma despesa, para ser considerada como comprovada, ela deve estar acompanhada de documentação mínima que confirme sua existência. Assim, notafiscal, comprovante de pagamento, relatórios de serviços prestados e demais documentos servem para comprovar a ocorrência da despesa. Ultrapassado isto, deve se avaliar se a despesa é dedutível para fins fiscais. Conforme já dito, na análise do Termo de Constatação Fiscal (TCF), a fiscalização fundamentou sua autuação na falta de comprovação das despesas. Veja nos trechos do TCF (efls. 1.791 e 1.792): No termo datado de 26.09.2012 (Vol.11.f1.1161/1162Sumário Auxiliar) a empresa foi notificada de que não havia cumprido o que lhe foi exigido nos termos Fl. 3344DF CARF MF Processo nº 19515.722808/201211 Acórdão n.º 1401002.289 S1C4T1 Fl. 3.319 53 de intimação de 23.08.2012 e 12.09.2012, pois, não apresentou os documentos elaborados pelos assessores e consultores que materializassem os serviços descritos nos documentos fiscais por eles emitidos, bem como, não lhes comprovou a qualificação técnica. (...) Portanto, a empresa necessariamente tem o dever de arquivar estes papéis de trabalho, tanto para seu uso próprio e permanente, como para apresentálos a auditoria contábil fiscal para comprovarlhes a efetividade, como lhe foi exigido. O registro contábil não constitui elemento comprobatório por si só. A simples menção em Notas Fiscais, acompanhados ou não de contratos não são prova suficiente dos gastos com os assessores e consultores se desacompanhados de comprovantes idôneos que os materializem. Mesmo os tributos nelas descritos como retidos não lhes dão força probatória. Em decorrência serão glosados os gastos a seguir especificados contabilizados na conta "4.1.02.1.014 — Serviços Profissionais Terc. Jurídica", no ano calendário de 2009. Apesar dos argumentos apresentados pela empresa em sua peça impugnatória, a DRJ manteve a autuação com exceção do valor exonerado de R$ 75.449,80 elaborando trabalho percuciente sobre cada despesa atribuída aos prestadores de serviço da recorrente. Como a recorrente não apresentou demais documentos e elementos junto ao recurso voluntário, reproduzi o voto da delegacia de piso em relação a alguns prestadores, por concordar com seus fundamentos. A única divergência, em relação aos fundamentos da DRJ, que me atrevo a destacar é que não entendo que a descrição na notafiscal como "serviços de consultoria e assessoria" sirva, por si só, como motivação para glosar alguma despesa. A glosa deve estar motivada por outros elementos (ou falta deles), como principalmente, a não comprovação da efetividade da prestação de serviço. Digo isto porque percebo hodiernamente que há uma desconfiança por parte de muitos até com razão de ser, tendo em vista que pessoas se utilizavam desse expediente (emissão de notafiscal sem a execução do serviço) para pagar propina de que uma notafiscal com descrição de "serviços de consultoria e assessoria" é necessariamente inidônea. Entendo que não pode a exceção virar a regra. Por isso, cabe avaliar cada caso e constatar se os demais documentos e elementos apresentados servem ou não de prova para que a despesa seja considerada dedutível para fins fiscais. Desta feita, passo a analisar cada despesa glosada: Rovai Infraestrutura e Apoio Negocial Ltda No contrato com o prestador, consta como objeto a elaboração de parecer técnico para constar em processo judicial em que a recorrente era parte. O referido parecer elaborado foi devidamente traduzido e se refere à finalização do serviço prestado pelo advogado Armando Luiz Rovai. Fl. 3345DF CARF MF 54 Em pesquisa, constatei que o prestador do serviço é advogado conceituado na área jurídica, é professor das faculdades de direito da Puc/SP e Mackenzie1, e elaborou parecer, a meu ver, pertinente com o propósito pelo qual fora contratado. Além do parecer, a recorrente juntou a notafiscal de prestação de serviços e a cópia da ordem de compra referente à contratação do referido prestador. Assim, entendo que a despesa foi comprovada, pelo que proponho DAR provimento quanto a este ponto, exonerando do lançamento o valor de R$ 13.612,50. Support Assessoria e Administração Ltda Como já falado, a DRJ exonerou parte do lançamento da glosa das despesas pagas à Support, com análise bem detalhada sobre os processos atribuídos a prestador de serviços, cabendo avaliarmos se a recorrente comprova o dispêndio de R$ 82.498,82, mantido pela delegacia de piso. Pois bem. A recorrente não traz mais elementos capazes de infirmar o quanto decidido pela DRJ, o que me faz afastar o seu pedido e adotar como razões de decidir o quanto deliberado por aquela delegacia de julgamento (2.925 a 2.930). Reproduzo, por oportuno, trechos do voto da DRJ: Documentação apresentada (doc. 07): Contrato de Serviços de Assessoria Jurídica para Processos Trabalhistas, datado de 01/09/2000; Notas Fiscais dos Serviços Prestados em 2009 para a filial de Araraquara/SP; Procuração da Inepar aos advogados da Support Assessoria e Administração Ltda, datada de 16/12/2007; Comprovantes da Prestação de Serviços, relativos aos Processos: 1749200300122001 (1ª Vara Teresina/PI Sade Vigesa Industrial e Serviços Ltda), 01552200707901002 (79ª Vara Rio de Janeiro/RJ – Sade Vigesa Industrial e Serviços Ltda) e 01902200103701003 (37ª Vara Rio de Janeiro/RJ Sade Vigesa Industrial e Serviços Ltda); Carta de Circularização dos Processos Trabalhistas Administrados pela Support, data base de 31/12/2009. Observase que o contrato de serviços determina que a contratada (Support) apresente à contratante (autuada) relatórios mensais com a situação atualizada de cada processo trabalhista existente e demais relatórios auxiliares, bem como relatórios anuais com a posição atualizada de todos processos com seus valores unitários e totais; além disso, estipula a remuneração mensal dos serviços, de R$ 43,00 por unidade de processo (data base de setembro/2000 reajustável pelo IGPM), com base no quantitativo acusado no relatório do mês anterior ao do serviço e no número de processos acusado no primeiro dia do mês do relatório, acrescido dos processos iniciados no curso de tal mês. A Carta de Circularização trazida veio acompanhada dos relatórios elaborados pela Support, que identificam, além da impugnante, outras empresas à frente das demandas trabalhistas cuja assessoria foi prestada, algumas das quais não constam do cadastro CNPJ como sucedidas pela autuada, apesar de fazerem parte do grupo Inepar. Ainda, os relatórios identificam individualmente as ações trabalhistas perante a autuada e as demais empresas do grupo, entre as quais se encontram aquelas 1 extraído do site: https://www.rovaidelmasso.com Fl. 3346DF CARF MF Processo nº 19515.722808/201211 Acórdão n.º 1401002.289 S1C4T1 Fl. 3.320 55 relativas aos processos nºs 1749200300122001, 01552200707901002 e 01902200103701003, cuja cópia foi trazida pela impugnante, confirmando que tais demandas judiciais foram opostas à Sade Vigesa Industrial e Serviços S/A (incorporada), bem como a atuação de advogado integrante da empresa Support Assessoria e Administração Ltda (Youssef Boukai), consoante se depreende da procuração acostada à impugnação, o que denota a prestação da assessoria indagada pela fiscalização. Confiramse os resumos presentes nos relatórios citados, abaixo transcritos: (a DRJ colaciona planilha que trata dos processos acompanhados) Segundo o cadastro CNPJ, as empresas incorporadas pela impugnante são as seguintes: Sade Vigesa Industrial e Serviços S/A (CNPJ: 00.763.754/000101); Inepar Equipamentos Elétricos Ltda (CNPJ: 73.321.333/000196); IBR Indústria Brasileira de Reles S/A (CNPJ: 77.384.857/000187); Inepar Componentes Eletromecânicos Ltda (CNPJ: 77.755.551/000190) ; Inepar Sistemas de Energia e de Telecomunicações S/A (CNPJ: 82.589.920/000151) e Iesa Internacional de Engenharia S/A (CNPJ: 29.505.799/000150). De outro lado, compulsandose a Ficha 62 da DIPJ/2010, anocalendário 2009 (fls. 1726), notase que a contribuinte possui participação permanente nas seguintes coligadas ou controladas: (i) Andritz Hydro Inepar do Brasil (CNPJ: 02.216.876/000286); (ii) Inepar Energia S/A (CNPJ: 02.225.714/000123); (iii) Inepar Equipamentos e Montagens S/A (CNPJ: 02.258.422/000197); (iv) Ibrafem Estruturas Metálicas S/A (CNPJ: 07.116.287/000169); e (v) Iesa Projetos Equipamentos e Montagens S/A (CNPJ: 29.918.943/000856). Os termos do contrato, mais os relatórios elaborados, permitem ratear as despesas a cada coligada/controlada, tais como as empresas Inepar Equipamentos e Montagens S/A e Iesa Projetos Equipamentos e Montagens, não passíveis de dedução. As notas fiscais apresentadas discriminam serviços de assessoria prestado à filial de Araraquara/SP (CNPJ: 76.627.504/001684), relativos aos processos trabalhistas da “Antiga Sade Vigesa” (incorporada), “Antiga Iesa” (incorporada), “Antiga Obra” (autuada), “Iesa Projetos” (investida) e “Outras Diversas”, de acordo com os números indicados mensalmente nos resumos dos relatórios acima reproduzidos, cujos quantitativos totais foram calculados ao preço unitário de R$ 69,22, sendo aceitas as despesas da competência de 2009, quando vinculadas às operações da autuada e de suas incorporadas, identificadas nos documentos fiscais, conforme quadro abaixo: (a DRJ colaciona planilha sobre os valores aceitos e os valores não aceitos em relação aos argumentos da ora recorrente) Desta feita, proponho NEGAR provimento quanto a este ponto, mantendo a glosa no montante de R$ 82.498,82. Colotto Consultores S/C Ltda Fl. 3347DF CARF MF 56 Segundo a recorrente, a Colotto Consultores prestou serviços de consultoria em gestão de desenvolvimento de projetos e negócios na área de transmissão e distribuição de energia elétrica e de desenvolvimento de novos negócios. A DRJ manteve o lançamento fiscal por concluir que um dos sócios da Colotto (Sérgio Colotto) também é sócio diretor da empresa Inepar Sistemas de Energia S/A, pertencente ao grupo Inepar e, por haver uma confusão entre confirmar se o referido sócio prestou serviço pela Colotto ou pela própria Inepar, decidiu por manter o lançamento fiscal. Concordando com as razões de decidir da DRJ, mantenho o lançamento fiscal e transcrevo trecho do voto da delegacia: Compulsandose o estudo trazido na defesa, vêse que consiste em cópia de apresentação em mídia digital, cuja data e autenticidade da elaboração não pode ser comprovada. O trabalho corresponde a aproveitamento energético de RSU em Campo Grande, mediante convênio com a Prefeitura Municipal de Campo Grande, o qual teria sido feito por Amílcar Guerreiro, pessoa ligada à Empresa de Pesquisa Energética – EPE, não tendo sido apresentado documento algum que vinculasse referido estudo à atuação da empresa contratada. Já as notas de reembolso de despesas, relativas a conta telefônica a serviço da empresa e viagem aérea com destino ao Rio de Janeiro (Petrobrás), foram destinadas em favor de Sergio Colotto, que assina pela empresa contratada, mas também responde em Curitiba/PR pela empresa Inepar Sistemas de Energia S/A, consoante se denota dos emails acostados ao processo. De fato, consulta aos sistemas informatizados da RFB acusa que Sergio Colotto figura na condição de sócio diretor da Inepar Sistemas de Energia S/A (CNPJ: 10.538.131/000180), empresa integrante do Grupo Inepar. Nesse contexto, a descrição nas notas de reembolso emitidas pela Inepar de “despesas (...) a serviço da empresa” também não permite, por si só, concluir se o serviço ali referido teria se dado no âmbito daquele vinculado ao contrato perante a empresa Colotto Consultores S/C Ltda ou em razão do exercício do cargo de direção por Sergio Colotto na empresa pertencente ao Grupo Inepar. Assim, não restou devidamente demonstrada a efetividade do serviço prestado pela empresa Colotto Consultores S/C Ltda, impondose a manutenção da glosa da despesa, bem como a manutenção da incidência do IRRF sobre o pagamento efetuado sem comprovação da operação e/ou causa. No caso, o que me fez entender por correta a glosa da despesa é que a efetividade do serviço não foi comprovada, independentemente de quem tenha contratado com a recorrente. Desta feita, proponho NEGAR provimento quanto a este ponto, mantendo a glosa no montante de 165.887,80. Planagro Ltda Segundo a recorrente, a Planagro presta serviço de consultoria à recorrente, especialmente no acompanhamento de processos de interesse daquela. Alega que juntou à impugnação extratos dos processos judiciais que foram verificados pela Planagro. Não obstante a juntada dos citados extratos, a DRJ manteve o lançamento fiscal. Por bem detalhado e bem debatido, entendo por correto o voto da DRJ e o adoto como razões de decidir: Fl. 3348DF CARF MF Processo nº 19515.722808/201211 Acórdão n.º 1401002.289 S1C4T1 Fl. 3.321 57 Observase que o contrato foi firmado em 02/06/2008 com prazo determinado, coincidente com a duração das demandas judiciais, estimado inicialmente em 12 (doze) meses, estipulando que a contratada (Planagro) promova à contratante e aos patronos das causas, até o trânsito em julgado das ações, assessoria fiscocontábil consistente no levantamento e auditoria de todos os valores referentes ao objeto dos seguintes procedimentos judiciais, em trâmite na Justiça Federal – DF: Processos Varas Autor Data trânsito em Julgado 2003.34.00.0173476 22ª Vara Federal/DF/TRF1 Inepar Administração e Participações S/A (SÓCIA) 05/09/2011 2003.34.00.0259159 21ª Vara Federal/DF/TRF1 Inepar Administração e Participações S/A (SÓCIA) nihill 2002.34.00.0101366 4ª Vara Federal/DF/TRF1 Inepar Energia S/A (INVESTIDA) nihill 2003.34.00.0384134 4ª Vara Federal/DF/TRF1 Inepar Energia S/A (INVESTIDA) 11/11/2009 2002.34.00.0134066 9ª Vara Federal/DF/TRF1 Inepar S/A Indústria e Construções 24/08/2010 2003.34.00.0314172 13ª Vara Federal/DF/TRF1 Inepar S/A Indústria e Construções 28/10/2010 2003.34.00.0384148 3ª Vara Federal/DF/TRF1 Inepar S/A Indústria e Construções 25/08/2010 2003.34.00.0173462 17ª Vara Federal/DF/TRF1 Cidetron Consultoria e Serviços em Eletrônica Ltda 24/08/2010 2003.34.00.0384062 5ª Vara Federal/DF/TRF1 RJA Produções e Comunicações Artísticas Ltda 14/10/2009 2002.34.00.0118757 17ª Vara Federal/DF/TRF1 RP Comércio de Sistemas Eletrônicos Ltda 24/08/2010 Foi estabelecida a remuneração equivalente a 10% (dez por cento) do valor total dos créditos fiscais que vierem a ser reconhecidos em seu favor nas ações relacionadas, a ser paga até 30 (trinta) dias úteis contados do trânsito em julgado de cada demanda, mediante envio prévio da nota fiscal de prestação de serviços, sendo tais créditos, preferencialmente, liquidados com as próprias Apólices da Dívida Pública. Também, foi estabelecido que eventuais despesas de custeio previamente acordadas, até o limite de R$ 1.700.000,00, serão deduzidas dos honorários estabelecidos, a serem pagos no final do processo; além de reembolso de despesas com telefone, fax, fotocópias, viagens, alimentação, estadia, etc., mediante apresentação de recibo acompanhado dos comprovantes. Não consta do referido contrato a identificação das pessoas que assinam pelas contratante, contratada e testemunhas. Também, não foi trazido ao processo qualquer levantamento e/ou auditoria dos valores discutidos nas demandas judiciais comprovando o efetivo exercício pelo contratado do serviço estipulado. Ainda, mesmo se restasse comprovada a efetiva prestação do serviço contratado, o que não se demonstrou no presente caso, somente seriam passíveis de dedução as despesas de assessoria fiscocontábil frente as ações de interesse da contribuinte e de suas incorporadas, diante da submissão do dispêndio ao princípio contábil da entidade e da condição de dedutibilidade imposta no art. 299 do RIR/99, já esclarecida neste voto. Além do mais, vêse que a remuneração do serviço contratado – a própria despesa de assessoria foi condicionada ao trânsito em julgado das ações favorável aos respectivos autores, ou seja, o dispêndio só ocorreria se e quando encerrada a lide judicial com ganho de causa. O histórico da consulta processual trazida pela Fl. 3349DF CARF MF 58 impugnante, resumido na tabela supra, não indica, frente as ações de interesse da contribuinte e de suas incorporadas, a ocorrência de tal condição no ano da presente autuação (2009), período no qual a despesa foi considerada como incorrida pela impugnante. Assim, proponho NEGAR provimento quanto a este ponto, mantendo a glosa no montante de R$ 1.682.533,30. Habib Tamer Badio Advocacia & Tribunais S/C A recorrente alega que a Habib Tamer presta serviços de assessoria jurídica na área tributária, atuando no acompanhamento de diversos processos. Para comprovar a materialidade da prestação dos serviços, colaciona cópia de 2 (dois) contratos de prestação de serviços, carta de circularização de auditores independentes e cópia de relatórios processuais emitidos pela empresa prestadora. Não obstante os documentos apresentados, a DRJ manteve a autuação fiscal., por entender que: i) em um dos contratos apresentados, a recorrente não figurou como contratante, mas sim uma empresa do grupo; e ii) em relação ao outro contrato, o objetivo almejado não foi alcançado. No recurso voluntário, a recorrente apresentou os mesmos argumentos, não adicionando demais elementos e documentos ao processo. Assim, como a DRJ embrenhouse nas minúcias que o caso requer, adoto como razões de decidir o quanto deliberado pela instância a quo, cujos fundamentos passo a transcrever: (início de trecho do voto da DRJ) Observase que o primeiro contrato foi firmado pela sócia da autuada, Inepar Administração, Bens, Serviços e Participações S/A, CNPJ: 45.542.602/000109, em 08/11/2001, e tem como objeto “a prestação de serviços para promover compensações dos débitos referentes a impostos federais (...) vencidos e vincendos, adotando para tal, ativo financeiro oriundo da Dívida Pública Fundada Federal, cujas compensações deverão ser efetuadas mensalmente, sendo em ambos os casos, feitos através de propositura de Ação Declaratória de Inexistência de Relação Jurídica Obrigacional Tributária, ou com juntada, com a finalidade de no prazo de 30 dias após tais procedimentos, suspender a exigibilidade dos tributos na forma da Lei”. Foi também estabelecido à contratada a realização de todas as defesas que se fizerem necessárias, inclusive assistir a obtenção e transferência de Apólices e/ou Títulos da Dívida Pública Federal, de terceiros, que irão lastrear as competentes ações judiciais, no valor total de R$ 97.000.000,00 para os débitos vencidos e R$ 37.500.000,00 para os débitos vincendos. A contratante se responsabilizou por todas despesas necessárias para a realização do objeto do contrato, tais como viagens, custas, taxas, etc, mediante prestação de contas e anuência, estipulando honorários advocatícios calculados à base de 12% do valor global atualizado dos débitos, a serem pagos conforme abaixo: VIII CONDIÇÕES DE PAGAMENTO DOS DÉBITOS VENCIDOS 1. 2% (dois por cento) A SEREM PAGOS DA SEGUINTE FORMA: Fl. 3350DF CARF MF Processo nº 19515.722808/201211 Acórdão n.º 1401002.289 S1C4T1 Fl. 3.322 59 A) UMA PARCELA NO VALOR DE R$ 194.000,00 (CENTO E NOVENTA E QUATRO MIL REAIS), A SER PAGA A 5 (CINCO) DIAS DA DATA DA ASSINATURA DO CONTRATO. B) 9 (NOVE) PARCELAS FIXAS NO VALOR DE R$ 194.000,00 (CENTO E NOVENTA E QUATRO MIL REAIS), A SEREM PAGAS NOS DIAS 15 DE CADA MÊS SUBSEQUENTE AO DA ASSINATURA DO CONTRATO. 2. OS VALORES RESTANTES DE 10% (dez por cento), NO IMPORTE DE R4 9.700.000,00 (NOVE MILHÕES E SETECENTOS MIL REAIS), SERÃO PAGOS EM 24 PARCELAS MENSAIS, IGUAIS E SUCESSIVAS, NO VALOR DE R$ 404.166,67 (QUATROCENTOS E QUATRO MIL CENTO E SESSENTA E SEIS REAIS E SESSENTA E SETE CENTAVOS), VENCÍVEIS TODO DIA 25 DE CADA MÊS SUBSEQUENTE AO DA ASSINATURA DO CONTRATO. Parágrafo primeiro Se o débito do contratante, objeto deste contrato, for superior ao valor indicado no parágrafo único da cláusula segunda ensejará aditamentos complementares, a fim de acertos da prestação dos serviços, e em pagamento ao ativo financeiro necessário, tendo por base os valores já estipulados. Parágrafo segundo Os honorários deverão ser pagos via "Bloquetos Bancários", que serão remetidos mensalmente à CONTRATADA, ou pelo sistema "ON LINE", disponível pelo atual sistema bancário, no Banco Itaú (341), agência 0656, conta corrente 335577, em nome de ADVOCACIA & TRIBUNAIS CNPJ 37.039.146/000150. O primeiro aditivo ao contrato supra citado foi firmado em 05/12/2001 alterando os serviços contratados e as condições de pagamento, nos seguintes termos: Cláusula Primeira: Fica alterado o ITEM III Dos serviços Contratados, Cláusula II em seu Parágrafo Único, o qual passa a ter a seguinte redação: Parágrafo Único A CONTRATADA se compromete a realizar os procedimentos acima discriminados e promover todas as defesas que se fizerem necessárias, inclusive assistir a obtenção e transferência de apólices e/ou Títulos da Dívida Pública Federal, de terceiros, que irão lastrear as competentes ações judiciais, no valor total de R$ 229.801.742,20 (duzentos e vinte e nove milhões oitocentos e um mil setecentos e quarenta e dois reais e vinte centavos), para débito vencidos e vincendos. Cláusula Primeira: No ITEM VIII Condições de Pagamento, incluise o seguinte inciso: 3. O valor de R$ 132.801.742,20 (cento e trinta e dois milhões oitocentos e um mil setecentos e quarenta e dois reais e vinte centavos), resultante da diferença entre o valor inicialmente contratado para débitos vencidos de R$ 97.000.000,00 (noventa e sete milhões de reais), e o total das apólices nºs 11046 a 11049 e 11.059, objeto do Processo nº 2001.68982/1500, que totalizam R$ 229.801.742,20 (duzentos e vinte nove milhões oitocentos e um mil setecentos e quarenta e dois reais e vinte centavos). Sobre a diferença de R$ 132.801.742,20 (cento e trinta e dois milhões oitocentos e um mil setecentos e quarenta e dois reais e vinte (centavos), deverão ser pagos o percentual de 12%, que corresponde a R$ 15.936.209,06 (quinze milhões novecentos e trinta e seis mil duzentos e nove reais e Fl. 3351DF CARF MF 60 seis centavos), em 24 parcelas mensais, iguais e sucessivas no valor de R$ 664.008,71 (seiscentos e sessenta e quatro mil e oito reais e setenta e um centavos), vencíveis todo dia 10 de cada mês a partir de 10 de abril de 2002. Cláusula Terceira: Permanecem inalteradas as demais Cláusulas e Condições Contratuais, não alteradas pelo presente instrumento. O segundo contrato foi firmado pela própria contribuinte em 04/06/2009, com prazo de duração de 6 meses, contados da assinatura, podendo ser antecipado “caso a homologação dos débitos tributários ocorra antes deste prazo” ou prorrogado de acordo com interesse e anuência das partes, e tem como objeto a prestação de serviços para promover todo o processo de opção e homologação dos seus débitos tributários no programa de parcelamento da Lei 11.941/2009, especificamente: 1 Migrar as empresas da 449 para Lei 11.941 e agilizar sua homologação aproveitando os processos já impetrados; 2 Buscar a homologação dos acordos e seus efeitos para a expedição das CND's; 3 Acompanhar os procedimentos de baixas de débitos ganhos e créditos a aproveitar, como o prejuízo fiscal e a base negativa da CSLL; 4 Atuar diretamente nos procedimentos de inclusão dos débitos e suas respectivas reduções para o fim de homologar o menor valor possível no parcelamento; 5 Confirmar na esfera judicial e administrativa dos atos que atentem contra o patrimônio das Organizações Inepar e envolvem o parcelamento; 6 E outros atos que se fizerem necessários à inclusão e baixa de débitos no parcelamento. Parágrafo único A CONTRATADA se compromete a realizar os procedimentos acima discriminados e promover todas as defesas que se fizerem necessárias no que concerne à baixa e as respectivas inclusões no parcelamento. A contratante (contribuinte) se responsabilizou por todas despesas necessárias para a realização do objeto do contrato, tais como viagens, custas, taxas, etc, mediante prestação de contas e anuência, estipulando honorários advocatícios equivalentes a 6 (seis) parcelas de R$ 250.000,00 mensais, a serem pagas todo dia 20 de cada mês, contra a apresentação das respectivas notas fiscais, sendo o vencimento da primeira parcela em 20/06/2009, sendo que “na antecipação do prazo do contrato, (...), as parcelas mencionadas na cláusula quinta serão devidas até a data da antecipação”. Como visto, o primeiro contrato citado não pode ser aceito como prova das despesas da autuada, porque de interesse da sócia da autuada, o que inviabiliza a aceitação das notas fiscais correspondentes, das cartas de circularização e dos relatórios de acompanhamento das ações judiciais, tudo amparado no serviço de que trata o referido contrato. Por outro lado, vêse que o segundo contrato citado, este sim firmado pela própria autuada, destinouse a cobrir assessoria advocacia para adesão e acompanhamento do parcelamento previsto na Lei nº 11.491/2009 (Refis da crise). Fl. 3352DF CARF MF Processo nº 19515.722808/201211 Acórdão n.º 1401002.289 S1C4T1 Fl. 3.323 61 No entanto, a consulta aos sistemas informatizados da RFB, abaixo colacionada, acusa que a contribuinte não formalizou adesão ao Refis da crise. ___ REFIS, ADESAO, CONSULTA (CONSULTA INFORMACOES DA OPÇAO) ___________ DATA : 19/06/2013 HORA : 15:32 USUÁRIO : MAURICIO INFORME O NÚMERO DO CNPJ: CNPJ : 76627504 / 0001 06 PF3=SAI (02) Contribuinte nao efetuou opcao pelo REFIS De outro lado, referido contrato não se mostra válido para cobrir eventual despesa de assessoria na adesão da interessada no Paex (Novo Refis), porque foi firmado em momento posterior, em 04/06/2009, na vigência do Refis da crise, regime de parcelamento ao qual expressamente o documento se reporta (Lei nº 11.941, de 27/05/2009). E a interessada não trouxe aos autos prova da efetiva prestação do serviço contratado, de assessoria para adesão ao parcelamento da Lei nº 11.941/2009. As cartas de circularização e os relatórios apresentados na defesa dizem respeito, tão somente, ao acompanhamento das ações judiciais de que trata o primeiro contrato aqui citado (ações declaratórias), que foi firmado por outra empresa do grupo, nada guardando relação com o contrato firmado pela contribuinte com o mesmo escritório de advocacia, visando assessoria para adesão ao parcelamento da Lei nº 11.941/2009. Nesse contexto, o contrato e as notas fiscais de fls. 2423, 2425, 2427, 2429 e 2430, relativas ao pagamento dos honorários de assessoria visando a adesão ao referido parcelamento da Lei nº 11.941/2009, por si sós, não constituem prova hábil da efetividade da prestação do serviço neles descritos, mormente porque não confirmada a adesão ao pretendido parcelamento. Por tais razões, também aqui permanece incomprovada a despesa questionada, razão pela qual se mantém a correspondente glosa, bem como a incidência do IRRF sobre o pagamento efetuado sem comprovação da operação e/ou causa. (término de trecho do voto da DRJ) De todos os fundamentos da DRJ para a manutenção do lançamento, o mais relevante, a meu ver, trata da falta de comprovação de efetivação do serviço contratado. Desta forma, proponho NEGAR provimento quanto a este ponto, mantendo a glosa no montante de R$ 8.153.938,91. Fl. 3353DF CARF MF 62 Nucleon Engenharia S/C Ltda Segundo a recorrente, a Nucleon prestou serviços de assessoria societária e foi contratada para representála no Conselho de Administração da Andritz Hydro Inepar do Brasil. Juntou contrato, notasfiscais e a ata de reunião do conselho de administração da Andritz Hydro Inepar do Brasil, em que consta o nome de Alexander Bialer, sócio administrador da Nucleon. Neste caso, percebo que há comprovação do serviço prestado. E esta comprovação não é obstada pela relação existente entre o prestador e a ora recorrente, em razão de têla representado no Conselho de Administração da empresa vinculada à recorrente. Ora, o papel da empresa controladora é se fazer representar em reunião de Conselho de Administração de empresa controlada. A questão a ser enfrentada, mas que não é objeto desta autuação, é saber se o referido prestador de serviços seria uma pessoa física de fato, apesar de ser constituído como pessoa jurídica. Mas isto seria uma questão a ser discutida pela legislação trabalhista e previdenciária em relação a suposto vínculo existente entre o prestador a empresa tomadora , que, a meu ver, não tem qualquer pertinência com o objeto de discussão neste processo. O que vale para este caso é verificar se o serviço foi efetivamente comprovado, o que vejo que a recorrente conseguiu comprovar. Além disso, a descrição na notafiscal nº 085 de que o serviço havia sido prestado no período de 09 a 12/2008, ou seja, fora do período objeto de lançamento, neste caso também não pode valer como obstrução à dedução da despesa. Isto porque a emissão da nota fiscal foi feita em 2009, posteriormente à prestação de serviços, o que não indica ter havido, em uma primeira análise, nenhum prejuízo ao fisco ou planejamento efetuado pela recorrente, mas tão somente uma prática na dedução de despesa contábil e fiscal no período de emissão da notafiscal. Desta feita, proponho DAR provimento quanto a este ponto, exonerando do lançamento o valor de R$ 44.467,50. Nexia Vilas Rodil Auditores Independentes A empresa foi contratada para elaborar estudos de avaliação de futura oferta pública de ações. Entendo que o serviço foi efetivamente comprovado. Veja abaixo a documentação apresentada pela empresa recorrente: Documentação apresentada (doc. 12): proposta para prestação de serviço relativo a elaboração de laudo técnico de avaliação para oferta pública de ações; notas fiscais de serviços; cópia de apresentação em mídia digital de estudos da Nexia Villas Rodil (versões 1 a 3); ata da 72ª assembléia geral extraordinária de 12/11/2009 Fl. 3354DF CARF MF Processo nº 19515.722808/201211 Acórdão n.º 1401002.289 S1C4T1 Fl. 3.324 63 Ao contrário do que entendeu a DRJ, percebo que a cópia de mídia digital entregue pela fiscalizada comprova a prestação de serviço, mesmo que no contrato tenha havido previsão de apresentação de laudo mediante relatório. O que vale para a dedução fiscal é a comprovação da prestação serviço, independentemente da forma com que determinado serviço foi prestado. E, neste caso, o serviço foi concluído com a elaboração da ata da 72ª assembléia geral extraordinária, datada de 12/11/2009, período contemplado pelo lançamento fiscal. Desta feita, proponho DAR provimento quanto a este ponto, exonerando do lançamento o valor de R$ 474.150,23. Apya Projetos e Participações Ltda A empresa foi contratada para elaborar estudos de avaliação de futura oferta pública de ações. A DRJ manteve a autuação com base nos seguintes fundamentos: Documentação apresentada (doc. 13): notas fiscais de serviços; proposta de prestação de serviço de consultoria; ata da 72ª assembléia geral extraordinária de 12/11/2009. Observase que a cópia de proposta de prestação de serviço foi assinada em 20/06/2009, na qual, mediante pagamento de honorário de R$ 825.000,00, dividido em seis parcelas, a primeira correspondente a 50% do total (vencendo no prazo de 120 dias do aceite da proposta) e as demais equivalentes a 10% do total (vencendo em 28/11/2009, 28/12/2009, 28/01/2010, 28/02/2010 e 28/03/2010), objetivase: (i) análise e entendimento dos negócios da INEPAR, sua estrutura organizacional e societária, sua estrutura de ativos e passivos, seu desempenho econômicofinanceiro e suas perspectivas de crescimento e rentabilidade; e (ii) análise e definição, juntamente com seus controladores/administradores, das melhores alternativas para sua reestruturação societária e aperfeiçoamento da sua estrutura de governança, que atenda ao cumprimento de seus objetivos de crescimento, rentabilidade e competitividade. Foi estipulado que os serviços seriam executados pela Apya em conjunto com a Contempus Consultoria Corporativa Ltda, devendo a remuneração combinada ser paga diretamente a cada empresa, na proporção de 80% e 20%, respectivamente. Não consta da proposta um prazo para realização do serviço e nada foi apresentado em comprovação da sua efetivação. A ata da 72ª assembléia geral extraordinária é a mesma referida no item anterior, nada fazendo menção ao serviço aqui analisado. Portanto, também aqui permanece incomprovada a despesa questionada, razão pela qual se mantém a correspondente glosa, bem como a incidência do IRRF sobre o pagamento efetuado sem comprovação da operação e/ou causa. Fl. 3355DF CARF MF 64 Como visto, diferentemente do prestador Nexia Vilas Rodil, a recorrente não comprovou a efetividade da prestação de serviços, limitandose apenas a apresentar notas fiscais de serviços, a proposta de prestação de serviço de consultoria e a ata da 72ª assembléia geral extraordinária de 12/11/2009. Desta feita, proponho NEGAR provimento quanto a este ponto, mantendo a glosa no montante de R$ 372.983,92. IRRF PAGAMENTO SEM CAUSA A fiscalização entendeu que os serviços prestados pelas empresas acima descritas não comportaram uma causa fiscal justificável, e assim imputou à recorrente o lançamento de IRRF tipificado no art. 674 do RIR/99 (base legal art. 61 da Lei nº 8.981/1995), verbis: Art. 674. Está sujeito à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais (Lei nº 8.981, de 1995, art. 61). § 1º A incidência prevista neste artigo aplicase, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa (Lei nº 8.981, de 1995, art. 61, § 1º). A fiscalização não efetuou o reajustamento da base de cálculo do IRRF, conforme preconiza o §3º do art. 674 do RIR/1999. § 3º O rendimento será considerado líquido, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto sobre o qual recairá o imposto (Lei nº 8.981, de 1995, art. 61, § 3º). Não obstante, a recorrente apenas foi beneficiada com a redução da base de cálculo, o que não invalida o lançamento fiscal. A recorrente não ataca especificamente a infração do pagamento sem causa, mas somente se refere ao lançamento como se fosse decorrente do lançamento de IRPJ pela glosa das despesas com a prestação de serviços. Desta forma, replico para o IRRF a mesma decisão prolatada quanto à glosa das despesas, propondo dar provimento parcial ao recurso voluntário, para somente exonerar do lançamento fiscal o valor pago às empresas Rovai Infraestrutura e Apoio Negocial Ltda, Nucleon Engenharia S/C Ltda e Nexia Vilas Rodil Auditores Independentes. MULTA CONFISCATÓRIA Sobre a argüição de ser confiscatória a multa aplicada, cumpre ditar que não cabe ao julgador administrativo se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária, mas sim cabe somente aplicála. Este é teor da Súmula CARF nº 2: Fl. 3356DF CARF MF Processo nº 19515.722808/201211 Acórdão n.º 1401002.289 S1C4T1 Fl. 3.325 65 Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Além disso, cabe afastar o pedido de que deveria se aplicar a multa no limite/patamar de 10%. A aplicação da multa de 75% está prevista em norma legal (art. 44, I, da Lei nº 9.430/1996) e plenamente em vigor, não cabendo seu afastamento, tampouco sua redução, como pretende a Recorrente. Desta forma, afasto o pedido da recorrente. TRIBUTAÇÃO REFLEXA Não havendo contestação específica em relação à tributação da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido quanto à glosa das despesas não comprovadas, o decidido para o IRPJ se aplica por reflexo à CSLL. Quanto ao PIS e à COFINS incidentes sobre a receita de Juros sobre o Capital Próprio, já me manifestei no capítulo específico do assunto, para propor a manutenção do lançamento fiscal, bem como em relação à CSLL. Conclusão Diante do exposto, voto por DAR PARCIAL provimento ao recurso voluntário, para exonerar do lançamento fiscal do IRPJ e da CSLL os valores de base de cálculo de R$ 81.200.000,00 (glosa de exclusão indevida), de R$ 13.612,50 (glosa de dedução sobre os serviços prestados pela Rovai Infraestrutura e Apoio Negocial Ltda), de R$ 44.467,50 (glosa de dedução sobre os serviços prestados pela Nucleon Engenharia S/C Ltda) e de R$ 474.150,23 (glosa de dedução sobre os serviços prestados pela Nexia Vilas Rodil Auditores Independentes), assim como exonerar do lançamento do IRRF os valores de base de R$ 13.612,50 (pagamento a Rovai Infraestrutura e Apoio Negocial Ltda), R$ 44.467,50 (pagamento a Nucleon Engenharia S/C Ltda) e R$ 474.150,23 (pagamento a Nexia Vilas Rodil Auditores Independentes). (assinado digitalmente) Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa Fl. 3357DF CARF MF 66 Fl. 3358DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.721584/2012-72
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Apr 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008
GLOSA DE AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. EXPECTATIVA DE RENTABILIDADE FUTURA. ÁGIO INTERNO. INCORPORAÇÃO ÀS AVESSAS. EMPRESA VEÍCULO.
Não produz o efeito tributário a incorporação de pessoa jurídica, em cujo patrimônio constava registro de ágio com fundamento em expectativa de rentabilidade futura, sem qualquer finalidade negocial ou societária, sobretudo se os eventos relacionados ocorreram em exíguo lapso temporal, e se tinham o mesmo administrador. Neste caso, resta caracterizada a utilização da empresa incorporada como mero artifício para transferência do ágio à incorporadora.
DESPESA DECORRENTE DE ATOS SIMULADOS.
É indedutível a despesa decorrente de ato apurado cuja respectiva operação societária não teve seus efeitos tributários reconhecidos.
MULTA QUALIFICADA. Não restando comprovada nos autos a conduta dolosa, com evidente intuito de fraude, do contribuinte, é aplicável a multa no percentual de 75%, nos termos do § 1º, do artigo 44, da Lei nº 9.430/96.
MULTA ISOLADA ESTIMATIVA.
A falta recolhimento das estimativas sujeita a pessoa jurídica à penalidade da multa isolada, de acordo com a legislação.
Numero da decisão: 1301-002.725
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, dar provimento parcial ao recurso voluntário para reduzir as multas de ofício para o percentual de 75%, nos seguintes termos: I) em relação à amortização de ágio: (i) por unanimidade de votos negar provimento ao recurso; e (ii) por maioria de votos reduzir a multa de ofício para 75%, vencidos os Conselheiros Bianca Felícia Rothschild, Milene de Araújo Macedo e Fernando Brasil de Oliveira Pinto que votaram por manter a multa de 150% ; II) em relação à dedução de despesas financeiras: (i) por maioria de votos negar-lhe provimento, vencida a Conselheira Amélia Wakako Morishita Yamamoto que votou por cancelar a infração; e (ii) por maioria de votos reduzir a multa de ofício para o percentual de 75%, vencidas as Conselheiras Bianca Felícia Rothschild e Milene de Araújo Macedo que votaram por negar-lhe também nesse ponto; III) por unanimidade de votos negar-lhe provimento em relação à exigência de CSLL devida em 31/12/2008, e à exigência de multa isolada por falta de recolhimento das estimativas declaradas e não recolhidas. Designado redator do voto vencedor o Conselheiro Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente
(assinado digitalmente)
Bianca Felícia Rothschild - Relatora
(assinado digitalmente)
Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro - Redator Designado
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto e Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: BIANCA FELICIA ROTHSCHILD
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2008 GLOSA DE AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. EXPECTATIVA DE RENTABILIDADE FUTURA. ÁGIO INTERNO. INCORPORAÇÃO ÀS AVESSAS. EMPRESA VEÍCULO. Não produz o efeito tributário a incorporação de pessoa jurídica, em cujo patrimônio constava registro de ágio com fundamento em expectativa de rentabilidade futura, sem qualquer finalidade negocial ou societária, sobretudo se os eventos relacionados ocorreram em exíguo lapso temporal, e se tinham o mesmo administrador. Neste caso, resta caracterizada a utilização da empresa incorporada como mero artifício para transferência do ágio à incorporadora. DESPESA DECORRENTE DE ATOS SIMULADOS. É indedutível a despesa decorrente de ato apurado cuja respectiva operação societária não teve seus efeitos tributários reconhecidos. MULTA QUALIFICADA. Não restando comprovada nos autos a conduta dolosa, com evidente intuito de fraude, do contribuinte, é aplicável a multa no percentual de 75%, nos termos do § 1º, do artigo 44, da Lei nº 9.430/96. MULTA ISOLADA ESTIMATIVA. A falta recolhimento das estimativas sujeita a pessoa jurídica à penalidade da multa isolada, de acordo com a legislação.
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EXPECTATIVA DE RENTABILIDADE FUTURA. ÁGIO INTERNO. INCORPORAÇÃO ÀS AVESSAS. EMPRESA VEÍCULO. Não produz o efeito tributário a incorporação de pessoa jurídica, em cujo patrimônio constava registro de ágio com fundamento em expectativa de rentabilidade futura, sem qualquer finalidade negocial ou societária, sobretudo se os eventos relacionados ocorreram em exíguo lapso temporal, e se tinham o mesmo administrador. Neste caso, resta caracterizada a utilização da empresa incorporada como mero artifício para transferência do ágio à incorporadora. DESPESA DECORRENTE DE ATOS SIMULADOS. É indedutível a despesa decorrente de ato apurado cuja respectiva operação societária não teve seus efeitos tributários reconhecidos. MULTA QUALIFICADA. Não restando comprovada nos autos a conduta dolosa, com evidente intuito de fraude, do contribuinte, é aplicável a multa no percentual de 75%, nos termos do § 1º, do artigo 44, da Lei nº 9.430/96. MULTA ISOLADA ESTIMATIVA. A falta recolhimento das estimativas sujeita a pessoa jurídica à penalidade da multa isolada, de acordo com a legislação. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 15 84 /2 01 2- 72 Fl. 516DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, dar provimento parcial ao recurso voluntário para reduzir as multas de ofício para o percentual de 75%, nos seguintes termos: I) em relação à amortização de ágio: (i) por unanimidade de votos negar provimento ao recurso; e (ii) por maioria de votos reduzir a multa de ofício para 75%, vencidos os Conselheiros Bianca Felícia Rothschild, Milene de Araújo Macedo e Fernando Brasil de Oliveira Pinto que votaram por manter a multa de 150% ; II) em relação à dedução de despesas financeiras: (i) por maioria de votos negarlhe provimento, vencida a Conselheira Amélia Wakako Morishita Yamamoto que votou por cancelar a infração; e (ii) por maioria de votos reduzir a multa de ofício para o percentual de 75%, vencidas as Conselheiras Bianca Felícia Rothschild e Milene de Araújo Macedo que votaram por negarlhe também nesse ponto; III) por unanimidade de votos negar lhe provimento em relação à exigência de CSLL devida em 31/12/2008, e à exigência de multa isolada por falta de recolhimento das estimativas declaradas e não recolhidas. Designado redator do voto vencedor o Conselheiro Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente (assinado digitalmente) Bianca Felícia Rothschild Relatora (assinado digitalmente) Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro Redator Designado Participaram do presente julgamento os conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto e Bianca Felícia Rothschild. Fl. 517DF CARF MF Processo nº 10580.721584/201272 Acórdão n.º 1301002.725 S1C3T1 Fl. 517 3 Relatório Inicialmente, adotase parte do relatório da decisão recorrida, o qual bem retrata os fatos ocorridos e os fundamentos adotados até então: Em procedimento de fiscalização na empresa Gotemburgo Veículos LTDA, CNPJ 02.233.622/000195, ficou constatado a existência da chamada “incorporação às avessas”, na qual sua controladora, Calmac Eldorado Veículos S/A, CNPJ 09.240.044/000163, que possuía participação acionária na Gotemburgo adquirida com ágio, teve seu patrimônio incorporado pela controlada (Gotemburgo), com intuito de proporcionar a dedução desse ágio produzido de si mesma em sua apuração do IRPJ e CSLL. Além do acima descrito, foi verificado que a Gotemburgo deduziu despesas financeiras, pois, para a Calmac adquirir a participação descrita com ágio precisou de empréstimo bancário, e essas despesas após a incorporação pela Gotemburgo foram aproveitadas pela mesma. Ressaltase que ambas empresas possuíam como administrador o SR. Ricardo Bernadino Pamplona, caracterizando a dependência entre as partes, antes durante a após toda a operação societári ocontábil que gerou o ágio de si mesma. CALMAC A Calmac (empresa veículo) foi criada em 17 de outubro de 2007, com capital a integralizar de R$ 100,00, sem resultado operacional, informação corroborada pela ficha 06 – Demonstração do resultado PJ em geral DIPJ. Em 18 de março de 2008, foi realizado uma assembléia geral que a transformou em sociedade anônima. Manteve o mesmo capital social de R$ 100,00, dividido em 100 ações ordinárias, todas nominativas e sem valor nominal. Caltabiano Mciarty Participações S. A –98%, Brasil Americam Auto Group LTDA 1%, WEB Participações LTDA No dia 28 de abril, foi realizado uma assembléia geral extraordinária para aprovar o aumento do capital social da empresa no valor de R$ 13.805.714,00, integralizado por meio de notas promissórias em caráter prósoluto, dos sócios Caltabiano e RP Empreendimentos e Participações S/ A . No dia 02 de junho de 2008, foi realizado uma assembléia geral extraordinária para aprovar a incorporação da Sociedade pela Gotemburgo. Os acionistas da Calmac passam a ser sócios da Gotemburgo, recebendo nesta data quotas de: Caltabiano 55% e RP Empreendimentos e Participações S/A 45%. Informações coletadas nos sistemas da previdência social: Sistema de arrecadação DATAPREV – CCORGFIP – Consulta valores a recolher X Valores recolhidos X LDCG/DCG e GFIP WEB, demonstram que a Calmac não teve funcionários durante todo o período de sua existência. Gotemburgo Fl. 518DF CARF MF 4 Na décima terceira alteração contratual 10/05/2004 a sócia majoritária OX Comércio de Veículos e Participações LTDA, foi incorporada totalmente pela Volvo do Brasil LTDA, CNPJ 43.999.424/000114. Em 15/05/2006, foi nomeado o Sr. Ricardo Bernadino Pamplona como administrador da Gotemburgo. Décima sétima alteração contratual 15/05/2007 – a quotista Volvo resolveu integralizar capital, que ficou assim distribuído 13.805.604 quotas para Volvo, 10 quotas para o Sr. Gregórius Wilhelmus Keja, cada quota com valor nominal de R$ 1,00. Vigésima alteração contratual –31/03/2008 os sócios Volvo e Gregórius Wilhelmus Keja, cedem e transferem a totalidade de suas quotas representativas do capital social para a Calmac, representada pelos seus diretores Sr. Bruno Rosário Caltabiano e Ricardo Pamplona. A Calmac tranfere 1 quota representativa do capital Social para a Caltabiano Mclarty Participações S/A . Dessa forma o capital social da Gotemburgo ficou:Calmac, 99% e 1 quota para Caltabiano Mclarty Participações S/A . 02/06/2008 os sócios Calmac, Caltabiano Mclarty Participações S/A, e RP Empreendimentos e Participações resolveram: a) Incorporação do acervo líquido da Calmac pelo valor de R$572.663,00, apurado no laudo de avaliação e descrito no protocolo e justificação da incorporação da Calmac, e declarar extinta a mesma; b) Em consequência da incorporação e da extinção das ações que compunham o capital social da Calmac Eldorado Veículos S/A, o Capital Social da Gotemburgo Veículos Ltda. é diminuído em R$13.232.951,00 (treze milhões, duzentos e trinta e dois mil, novecentos e cinqüenta e um reais) passando de 13.805.614,00 (treze milhões, oitocentos e cinco mil, seiscentos e quatorze reais) para R$572.663,00 (quinhentos e setenta e dois mil e seiscentos e sessenta e três reais), distribuído em 572.663 quotas no valor de R$1,00 (um real) cada uma. c) Os acionistas da Calmac Eldorado Veículos S/A passam a ser sócios da Gotemburg Veículos Ltda, recebendo nesta data, na proporção de suas respectivas participações, 572.663 quotas do Capital Social da Gotemburg Veículos Ltda, assim distribuídas entre eles: Caltabiano Mclarty Participações S/A, 314.965 quotas, R$ 314.965,00,55% e RP Empreendimentos e Participações Ltda, 257.698 quotas, R$257.698,00. 45%. Da incorporação da Controladora pela Controlada — Promessa de Compra e Venda de Quotas da Gotemburgo Veículos Ltda. A Volvo do Brasil Veículos Ltda. e Gregorius Wilhelmus Keja únicos sócios da Gotemburg Veículos Ltda, firmaram Promessa de Compra e Venda, em 20 de março de 2008, com o objetivo de alienar 100% do Capital Social para Calmac Eldorado Veículos S/A, pelo preço certo e determinado de R$25.302.000,00, a ser pago á vista, até a data de 31 de março de 2008. Tendo como intervenientes: Caltabiano Mclarty Participações S/A e RP Empreendimentos e Participações Ltda. Fl. 519DF CARF MF Processo nº 10580.721584/201272 Acórdão n.º 1301002.725 S1C3T1 Fl. 518 5 Da Compra da Gotemburgo Toda esta engenharia societária e tributária teve um objetivo claro: a compra da Gotemburgo pela Caltabiano Maclarty Participações S/A e RP Empreendimentos e Participações Ltda, com a respectiva amortização do ágio de si mesmo e a dedução de despesas financeiras da base de Cálculo do IRPJ e da CSLL. Realmente, foi o que aconteceu subtraindose o período de 17/10/2007 a 02/05/2008, da criação, transformação, compra das quotas, incorporação e extinção da Calmac (empresa veículo), cujos respectivos acionistas passaram a deter participação na Gotemburgo, na proporção das ações detidas na Calmac. Conseqüentemente, em 02 de maio de 2008, o capital social da Gotemburgo ficou assim dividido: Da Simulação do Propósito Negocial O negócio jurídico só deve ser considerado como real quando os propósitos negociais concretos que o cercam devem guardar correlação com a função econômicosocial que se encontra subjacente ao próprio negócio. O Código Civil do Brasil, aprovado pela Lei nº 10.406, de 2002, estabelece que: Art. 167. É nulo o negócio jurídico simulado, mas subsistirá o que se dissimulou, se válido for na substância e na forma. § 1o Haverá simulação nos negócios jurídicos quando: I aparentarem conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas daquelas às quais realmente se conferem, ou transmitem; (…)” A simulação, tal qual se verifica na espécie, pressupõe que se procure fingir, disfarçar, mostrar o irreal como verdadeiro, dissimulara verdade. Para o caso concreto, das análises das justificativas contidas nas atas das assembléias extraordinárias e documentos correlatos das empresas envolvidas, Fl. 520DF CARF MF 6 quando estudadas em conjunto, percebese uma grande contradição entre os objetivos descritos formalmente e a substância econômica desses negócios jurídicos utilizados. No dia 02 de maio de 2008, foi firmado entre a Gotemburg Veículos Ltda, denominada incorporadora, representada por seus administradores: Bruno Rosário Caltabiano e Ricardo Bernardino Pamplona, e Calmac Eldorado Veículos S/A denominada incorporada, representada por seus diretores: Bruno Rosário Caltabiano e Ricardo Bernardino Pamplona. um Protocolo e Justificativa de Incorporação, que merecem serem destacados os seguintes itens: "1. JUSTIFICAÇÃO A CALMAC e a GOTEMBURGO, após minuciosas análises, entenderam que a incorporação da primeira, pela segunda, atende plenamente os interesses das sociedades e de seus sócios e acionistas, tendo em vista a similaridade de suas atividades sócias, resultando a união de seus patrimônios em inegável benefício para seus sócios e acionistas em virtude da centralização das decisões e da redução de custos administrativos e operacionais. 5. SUCESSÃO E PASSIVO EXIGÍVEL DA CALMAC A GOTEMBURGO sucederá a CALMAC a título universal, em todos os bens, direitos e obrigações que lhe forem transferidos em decorrência da incorporação ora pactuada. As obrigações sociais e demais exigibilidades assumidas ou incorridas pela CALMAC até a data da incorporação ora ajustada, referentes aos elementos patrimoniais vertidos à GOTEMBURGO serão de exclusiva responsabilidade desta última, por ser a sociedade incorporadora. " Toda essa visita aos atos praticados pelas empresas envolvidas, representadas pelos mesmos administradores/dirigentes: Bruno Rosário Caltabiano e Ricardo Bernardino Pamplona. levaram a Fiscalização identificar que por mais que tenham sido formalmente realizadas as reorganizações das empresas, o seu resultado final vai de encontro ao propósito negocial ou as justificativas expressadas, e camufla o objetivo de levar o ágio de si mesmo e as despesas financeiras sobre empréstimo bancário contidos na Calmac (Empresa Veículo) para serem utilizados na Gotemburgo, por meio de reorganização societária, realizando os seus atos com a finalidade de reduzir o impacto da carga tributária. Infração — Glosa de Amortização Ágio de si mesmo A fiscalização justifica que o reconhecimento de um ágio de si mesmo não encontra respaldo na contabilidade, ou seja, não é possível reconhecer uma mais valia de um investimento quando originado de transação comercial com os mesmos Administradores/Dirigentes, em incorporação de ações da interessada por empresa veículo, haja vista a ausência de substância econômica na operação e de não resultar de um processo imparcial de valoração, num ambiente de livre mercado e de independência entre as duas companhias. Neste sentido caminha o parecer dos professores Eliseu Martins e Jorge Vieira da Costa Júnior ("A Incorporação Reversa com ágio gerado internamente: Conseqüências da Elisão Fiscal sobre a Contabilidade"), consoante excerto que se transcreve: "2. Contabilização do Agio: Como fazêla à luz da Teoria Contábil? (...) Em síntese, o ágio (ou, por vezes, o deságio) surge do confronto entre o valor justo (fair value) de uma dada entidade (valor de saída), precificado por intermédio de uma transação envolvendo terceiros independentes, e o valor contábil (valor de Fl. 521DF CARF MF Processo nº 10580.721584/201272 Acórdão n.º 1301002.725 S1C3T1 Fl. 519 7 entrada) do patrimônio líquido dessa mesma entidade (considerando, é claro, a participação acionária adquirida). Logo, em termos de Teoria da Contabilidade, a rigor, em uma transação admitese tão só a figura do ágio, que vem a ser um resultado econômico obtido em um processo de compra e venda de ativos líquidos (net assets). quando estiverem envolvidas partes independentes não relacionadas. Enfim, quando o ágio for resultado de um processo de barganha negocial não viciado, que concorra para a formação de um preço justo dos ativos líquidos em apreço. Resta justificado, dessa forma, pelo exposto, que definitivamente, à luz da Teoria da Contabilidade, é inadmissível o surgimento de ágio em uma operação realizada dentro de um mesmo grupo econômico. Não é permitido contabilmente o reconhecimento de ágio gerado internamente, tampouco o lucro resultante.” Devese ressaltar que desde a décima sexta alteração contratual — 15/05/2006 — a Gotemburgo possuía o Sr. Ricardo Bernadino Pamplona, como administrador da sociedade. A Calmac conforme promessa de compra e venda, em 20/03/2008, adquiriu 100% das quotas da Gotemburgo, pelo valor de R$25.302.000,00 (vinte e cinco milhões, trezentos e dois mil de reais), sendo R$3.212.563,00 (três milhões, duzentos e doze mil, quinhentos e sessenta e três reais) pelo Patrimônio Líquido e o restante a título de ágio. E que posteriormente ocorreu a incorporação da Calmac pela própria Gotemburgo. Observase que a Gotemburgo contabilizou a débito, o valor de R$2.577.100,96 (dois milhões, quinhentos e setenta e sete mil, cem reais e noventa e seis centavos), a título de amortização sobre o ágio de si mesmo contabilizado pela Calmac para a aquisição das ações da própria Gotemburgo, na conta de resultado "Armotização de Ágio" código n° 3.1.2.1.1.6.1.2.08, da Demonstração de Resultado do Exercício, cujos dados foram extraídos da sua escrituração digital apresentada, para o anocalendário de 2008. Diante do exposto, concluise que com a realização da "Incorporação às Avessas" ficou formalmente possibilitado a Gotemburgo a contabilização de amortização de ágio de si mesmo adquirido pela Calmac, para compra da própria Gotemburgo, no valor de R$ 2.577.100,96 (dois milhões, quinhentos e setenta e sete mil, cem reais e noventa e seis centavos) no anocalendário de 2008, que deve ser glosado da apuração da Base de Cálculo do IRPJ. Acrescentese que a glosa em questão se deu em razão da constatação de despesas de amortização de ágio de si mesmo consideradas indevidas, e assim o que as tornam indedutíveis, também da base de cálculo da Contribuição Social é o próprio conceito de resultado do exercício apurado com observância da legislação comercial. Infração — Glosa de Despesas Indedutíveis Tratandose de despesa financeira, que é um tipo despesa operacional, devese preencher todos os requisitos previstos para a dedutibilidade, quais sejam os contidos no art. 299, § 1º e § 2º do RIR/99. Das disposições acima a fiscalização entendeu que não há de se contemplar como dedutível qualquer despesa financeira contabilizada na pessoa jurídica, mas tão somente aquelas despesas que estejam revestidas dos predicados de usualidade e Fl. 522DF CARF MF 8 normalidade e guardem uma natural e íntima relação com a atividade da empresa e com a manutenção da respectiva fonte produtora. Em suma, é necessário que sejam consideradas despesas indispensáveis. A Calmac contraiu empréstimo bancário ao Bradesco, em 27/03/2008, no valor de R$26.000.000,00 (vinte e seis milhões de reais) para a compra com ágio das ações da Gotemburgo, tendo como 55% aval de Bruno Rosário Caltabiano e Caltabiano Mclarty Participações S/A. Mas até 20 de abril de 2008, a empresa Calmac só possuía um Capital Social a Integralizar de R$100,00 (cem reais), não apresentava nenhum resultado operacional e nenhum funcionário. Considerando que posteriormente ocorreu a incorporação da Calmac pela própria Gotemburgo, caracterizada está a desnecessidade dos referidos empréstimos bancários contraídos pelo contribuinte, e, conseqüentemente, a indedutibilidade dos valores pagos a título de encargos financeiros. Observase que a Gotemburgo contabilizou a débito, o valor de R$3.149.726,65 (três milhões, cento e quarenta e nove mil, setecentos e vinte e seis reais e sessenta e cinco centavos), a título de pagamentos das despesas financeiras sobre o empréstimo bancário transferido pela Calmac para a aquisição da própria Gotemburgo, na conta de resultado "Outras Despesas Não Operacionais" código n° 3.1.2.1.1.6.12.01, da Demonstração de Resultado do Exercício, cujos dados foram extraídos da sua escrituração digital apresentada, para o anocalendário de 2008. Diante do exposto, a fiscalização concluiu que com a realização "Incorporação às Avessas" ficou formalmente possibilitado a Gotemburgo a contabilização de despesas financeiras do empréstimo bancário adquirido pela Calmac, para compra e pagamento do ágio da própria Gotemburgo, no valor de R$ 3.149.726,65 (três milhões, cento e quarenta e nove mil, setecentos e vinte e seis reais e sessenta e cinco centavos) no ano calendário de 2008, que deve ser glosado da apuração da Base de Cálculo do IRPJ. Acrescentese que a glosa em questão se deu em razão da constatação de despesas financeiras consideradas desnecessárias, e assim o que as tornam indedutíveis, também da base de cálculo da Contribuição Social é o próprio conceito de resultado do exercício apurado com observância da legislação comercial. Multa Qualificada O art. 386 do RIR/99 (Lei n0 9.532, de 1997, arts.7º e 8º) inovou o mundo jurídico com a possibilidade de dedução do ágio cujo fundamento econômico fosse o valor da rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros. Diante dessa novação, as empresas Caltabiano Mclarty Participações S/A, onde constava como Diretor o Sr. Bruno Rosário Caltabiano e a RP Empreendimentos e Participações Ltda, cujo representante legal era o Sr. Ricardo Bernardino Pamplona, estabeleceram que deveriam criar uma situação jurídica para se inserir neste universo legal. A solução encontrada foi a criação de uma empresa veículo (Calmac), que desde a sua constituição, 17 de outubro de 2007, até 20 de abril de 2008, só possuía um Capital Social a Integralizar de R$100,00 (cem reais), não apresentava nenhum resultado operacional e nem sequer tinha quadro de funcionários. Devese ressaltar que a Calmac (empresa veículo) e Gotemburgo eram integralmente administradas/dirigidas, por Bruno Rosário Caltabiano e Ricardo Bernardino Pamplona. Verificase que as operações que resultarem no reconhecimento de acréscimo de riqueza, em decorrência de transação dos acionistas Fl. 523DF CARF MF Processo nº 10580.721584/201272 Acórdão n.º 1301002.725 S1C3T1 Fl. 520 9 com eles próprios, não se deram num processo imparcial de valoração, num ambiente de livre mercado e de independência entre as duas companhias. Dessa forma, nos termos em que foram configurados os passos seqüenciais e conexos da reorganização societária, temse a convicção de uma intenção, isto é: todas as ações foram fruto de uma vontade, houve um desejo, cujo resultado não se deu por acaso; revelando condutas delituosas enquadradas no disposto nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 1964, e praticadas com o objetivo de eximir total ou parcialmente o contribuinte do pagamento de tributos federais devidos. Assim, em função dessa conduta, a Fiscalização procedeu à qualificação da multa para 150%, conforme o inciso II do artigo 957 do RIR/99, com fundamento no art. 44, inciso l, §1° da Lei n° 9.430, de 1996, com a redação da Lei n° 11.488, de 15 de junho de 2007, conversão da Medida Provisória n° 351, de 22 de janeiro de 2007, ao tempo que realizará Representação Fiscal para Fins Penais. Infração Multa pelo não recolhimento de estimativas mensais e da CSLL devidas em 31/12/2008. Tendo em vista que, para o anocalendário de 2008, a empresa optou pela forma de tributação do IRPJ e da CSLL com base no lucro real anual, através de balancetes de suspensão e pagamento de estimativas mensais, constatouse que a empresa deixou de efetuar diversos pagamentos do IRPJ e da CSLL estimados e da CSLL devida em 31/12/2008. A contribuinte impugna (resumo): Como narrado na peça acusatória, a impugnante, Gotemburgo Veículos Ltda., incorporou a empresa que anteriormente detinha o seu controle societário, Calmac Eldorado Veículos S/A ("incorporação às avessas"). Para a fiscalização, esta última seria empresa veículo, criada com o único objetivo de viabilizar o aproveitamento de ágio na operação realizada com a Volvo do Brasil, que anteriormente figurava no quadro societário da Gotemburgo. Data vénia, o que se observa neste auto de infração é a existência de uma série de ilações. A fiscalização simplesmente constatou alguns fatos para, a partir deles, concluir por uma suposta e inexistente fraude. Não serão, pois, as elucubrações das autoridades fazendárias que terão o condão de invalidar operações societárias perfeitas. E necessário ter vista, outrossim, que ao contrário do assentado até agora no processo, a Calmac teve, sim, razão de existir. Não se pode afirmar, da forma procedida pela fiscalização, que a Calmac foi criada apenas para viabilizar a fruição de ágio na compra da Gotemburgo. Na verdade tratavase de empresa concebida para expansão da área de atuação do Grupo Caltabiano, mas ocorreram situações inesperadas que alteraram os rumos inicialmente traçados. Todas as operações societárias foram legítimas e acatadas pelos órgãos responsáveis, inclusive CADE, que aprovou a operação sem restrições (doc, anexo). A improcedente pecha de fraude, sustentada pela fiscalização, não condiz com a realidade dos fatos e vai de encontro ao princípio da legalidade, pois o procedimento adotado pela empresa se encontra totalmente amparado na Lei n° 9.532/97. As sugestões da fazenda, de interpretar a situação pelas aparências por ela colhidas, induz a uma insegurança jurídica totalmente inaceitável. Aplicar a lei desta forma leva tributações totalmente injustas, por dotar a fiscalização de uma Fl. 524DF CARF MF 10 subjetividade incabível (art. 142, do CTN). A lei não pode ser relativizada como pretende a autoridade notificante. De fato, vigora no sistema juridicotributário nacional o princípio da legalidade. Por tal motivo, somente a lei, formalmente compreendida, é instrumento legítimo para a instituição e definição de elementos essenciais da hipótese de incidência de um tributo (arts. 97, IV, e 99, do CTN; e arte. 5o , II, 150,1, e § 6o , da CF/88). Isto é, a lei deve delimitar, expressa e exaustivamente, todos os aspectos do fato jurídico tributário. Essa é a lição da doutrina mais idônea, da qual se registra o escólio de Paulo de Barros Carvalho1, que assevera: "Assinalese que à lei instituidora do gravame é vedado deferir atribuições legais a normas de inferior hierarquia, devendo, ela mesma, desenhar a plenitude da regra matriz da exação, motivo por que é inconstitucional certa prática, cediça no ordenamento brasileiro, e consistente na delegação de poderes para que órgãos administrativos completem o perfil dos tributos" Destarte, temse que o aplicador da lei, seu intérprete, inclusive o judicial, verificando falhas na lei, não pode substituir o legislador, ampliando a hipótese de incidência para fatos não contemplados ou excluídos por aquela2. Incumbelhe, única e exclusivamente, aplicála, sempre que possível, sem quaisquer acréscimos. Ao caso, interessam especificamente as disposições da Lei n° 9.532/97, nos seguintes pontos: Art. 7º A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977: (Vide Medida Provisória nº 135, de 30.10.2003) I deverá registrar o valor do ágio ou deságio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "a" do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, em contrapartida à conta que registre o bem ou direito que lhe deu causa; II deverá registrar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "c" do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, em contrapartida a conta de ativo permanente, não sujeita a amortização; III poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "b" do § 2° do art. 20 do Decretolei n° 1.598, de 1977, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração; (Redação dada pela Lei nº 9.718, de 1998) IV deverá amortizar o valor do deságio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "b" do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados durante os cinco anoscalendários subseqüentes à incorporação, fusão ou cisão, à razão de 1/60 (um sessenta avos), no mínimo, para cada mês do período de apuração. Fl. 525DF CARF MF Processo nº 10580.721584/201272 Acórdão n.º 1301002.725 S1C3T1 Fl. 521 11 § 1º O valor registrado na forma do inciso I integrará o custo do bem ou direito para efeito de apuração de ganho ou perda de capital e de depreciação, amortização ou exaustão. § 2º Se o bem que deu causa ao ágio ou deságio não houver sido transferido, na hipótese de cisão, para o patrimônio da sucessora, esta deverá registrar: a) o ágio, em conta de ativo diferido, para amortização na forma prevista no inciso III; b) o deságio, em conta de receita diferida, para amortização na forma prevista no inciso IV. § 3º O valor registrado na forma do inciso II do caput: a) será considerado custo de aquisição, para efeito de apuração de ganho ou perda de capital na alienação do direito que lhe deu causa ou na sua transferência para sócio ou acionista, na hipótese de devolução de capital; b) poderá ser deduzido como perda, no encerramento das atividades da empresa, se comprovada, nessa data, a inexistência do fundo de comércio ou do intangível que lhe deu causa. § 4º Na hipótese da alínea "b" do parágrafo anterior, a posterior utilização econômica do fundo de comércio ou intangível sujeitará a pessoa física ou jurídica usuária ao pagamento dos tributos e contribuições que deixaram de ser pagos, acrescidos de juros de mora e multa, calculados de conformidade com a legislação vigente. § 5º O valor que servir de base de cálculo dos tributos e contribuições a que se refere o parágrafo anterior poderá ser registrado em conta do ativo, como custo do direito. Art. 8º O disposto no artigo anterior aplicase, inclusive, quando: a) o investimento não for, obrigatoriamente, avaliado pelo valor de patrimônio líquido; b) a empresa incorporada, fusionada ou cindida for aquela que detinha a propriedade da participação societária. Das regras supratranscritas colhese que a utilização de ágio procedida pela Gotemburgo foi absoluta e estritamente pautada nos limites que a legislação permite. Com efeito, não restam dúvidas de que na operação de compra da Gotemburgo pela Calmac houve pagamento de ágio, apurado com base em laudo de expectativa de rentabilidade futura, que tomou por parâmetro o acervo líquido avaliado a preços de mercado, dando lugar à incorporação daquela rubrica no ativo permanente da Calmac. A propósito, vale registrar que o laudo de avaliação econômica acima mencionado (fl. 129 e ss.) dá conta de que o valor de mercado da Gotemburgo, Fl. 526DF CARF MF 12 tomando por base a perspectiva de rentabilidade futura, é até mesmo superior ao montante pelo qual a mesma restou negociada. Vale dizer, se fosse intenção das empresas burlar o fisco (o que se cogita por hipótese), como defende a autoridade notificante, é evidente que as mesmas fariam uma operação para majorar o benefício decorrente da avaliação do valor de mercado da empresa. Realmente, é necessário ter em vista que, conforme linhas acima, a Calmac teve sim razão de existir, mas a alteração de rumos do Grupo Caltabiano levou à incorporação às avessas. E totalmente incorreto defender que aquela empresa teria sido constituída com o objetivo único de viabilizar a fruição de ágio. Esta é uma assertiva que não confere, em absoluto, com a realidade dos fatos. Sob este aspecto, calha destacar que o protocolo e justificativa de incorporação (fl. 259 e ss.) é expresso em afirmar que a incorporação da Calmac pela Gotemburgo "atende plenamente os interesses das sociedades e de seus sócios e acionistas, tendo em vista a similaridade de suas atividades sociais, resultando a união de seus patrimônios em inegável benefício para seus sócios e acionistas em virtude da centralização das decisões e da redução de custos administrativos e operacionais". Lembrese, a teor do disposto no art. 2o , § 3o , da Lei n° 6.404/76, que "A companhia pode ter por objeto participar de outras sociedades; ainda que não prevista no estatuto, a participação é facultada como meio de realizar o objeto social, ou para beneficiarse de incentivos fiscais". A propósito da discussão em foco, citamse os seguintes precedentes do E. CARF: "DEDUÇÃO DE ÁGIO INCORPORAÇÃO ÀS AVESSAS. O tratamento previsto no artigo 7° da Lei n° 9.532/1997 aplica se também às ditas incorporações às avessas, isto é, quando a sociedade incorporada detém investimentos na incorporadora"3 (grifado agora). "ÁGIO NA AQUISIÇÃO DE AÇÕES AMORTIZAÇÃO A pessoa jurídica que, por opção, avaliar investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor de patrimônio líquido e absorver patrimônio da investida, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, pode amortizar o valor do ágio com fundamento econômico com base em previsão de resultados nos exercícios futuros, contabilizados por ocasião da aquisição do investimento. A amortização poderá ser feita a razão de um sessenta avos, mensais, a partir da primeira apuração do lucro real subseqüente ao evento da absorção. No caso de deságio deverá amortizar na apuração do lucro real levantado a partir do primeiro anocalendário seguinte ao evento. O ágio também poderá ser amortizado por terceira pessoa jurídica que incorporar a investidora que pagou o ágio e incorporou sua investida. O LEGISLADOR NÃO ESTABELECEU ORDEM DE SEQÜÊNCIA DOS ATOS DE INCORPORAÇÃO, FUSÃO OU CISÃO. NÃO CABENDO AO INTERPRETE VEDAR AQUILO QUE A NÃO PROIBIU" (grifado agora). É um erro laborar pela prevalência das impressões da fiscalização em detrimento de procedimento absolutamente legal da contribuinte. Se a lei não é boa, sob a ótica da fazenda, incumbe a esta adotar os caminhos democráticos que lhe assistem, para alterála. Fl. 527DF CARF MF Processo nº 10580.721584/201272 Acórdão n.º 1301002.725 S1C3T1 Fl. 522 13 A mesma não pode simplesmente tornar morta a letra da Lei n° 9.532/97, atualmente em vigor, pelo que o auto de infração deve ser integralmente cancelado neste particular. DIREITO À DEDUÇÃO DE DESPESAS COM EMPRÉSTIMO CONTRAÍDO PELA EMPRESA INCORPORADA Outro ponto da autuação gira em torno da dedução de despesas relacionadas a empréstimo bancário contraído pela Calmac para aquisição das quotas sociais da Gotemburgo. Segundo a fiscalização, "Considerando que posteriormente ocorreu a incorporação da Calmac pela própria Gotemburgo, caracterizada está a desnecessidade dos referidos empréstimos bancários contraídos pelo contribuinte e, conseqüentemente, a indedutibilidade dos valores pagos a título de encargos financeiros". No caso concreto, do contrato social da Calmac constava a participação em outras sociedades como parte integrante do seu objeto. Assim, é evidente que as despesas correspondentes poderiam ser deduzidas por ela, e na sua incorporação pela Gotemburgo, esta a sucedeu em todo o seu ativo e passivo (contrato de "porteira fechada" art. 1.116, do CC/20027), com o que esta passou a ser a devedora do contrato, suportando despesas financeiras e dando o lugar, via de conseqüência, à dedução pretendida. De fato, o nó górdio da questão certamente circunda os conceitos de necessidade, usualidade, normalidade e habitualidade, muitas vezes deturpados pelo fisco, que reduz indevidamente o alcance dos mesmos e impede os contribuintes de deduzirem despesas operacionais. Realmente, "podese dizer, sem medo de errar, que uma despesa é necessária quando ela for inerente à atividade da empresa ou à sua fonte produtiva, ou for dela decorrente, ou com ela for relacionada, ou surgir em virtude da simples existência da empresa e do papel social que ela desempenha" Na realidade, a despesa é necessária não por conta de uma obrigatoriedade em incorrer na mesma, mas sim porque os caminhos percorridos pela empresa, na consecução do seu objeto social, a levaram a tal dispêndio, dedutível do IRPJ e da CSLL. Com efeito, até mesmo a jurisprudência administrativa, sempre tão sensível às questões de interesse do fisco, não vacila ao confirmar o que ora se defende, a teor dos seguintes precedentes: "IRPJ DESPESAS OPERACIONAIS DEDUTIBILIDADE NECESSIDADE COMPROVAÇÃO. O art. 47 da Lei n° 4.506/64, consolidado no art. 191 do RIR/80, ao estabelecer que são operacionais as despesas não computáveis nos custos, necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora, criou na área do imposto de renda o que comumente se denomina de cláusula geral. Isto significa que o legislador evitou baixar norma exemplificativa ou, muito menos, taxativa. Se a pessoa jurídica consegue provar, por qualquer meio lícito de prova, que o gasto existiu e se trata de despesa normal ou usual no tipo de transações, operações ou atividades da empresa, ainda que Fl. 528DF CARF MF 14 mediante simples notas fiscais simplificadas, não há como se glosar tal gasto" (grifado agora). "RECURSO EX OFFICIO DESPESAS OPERACIONAIS GLOSA DE DESPESAS CONSIDERADAS DESNECESSÁRIAS As despesas efetivamente suportadas pela pessoa jurídica, que GUARDEM CONEXÃO COM AS ATIVIDADES por ela desenvolvidas, sendo usuais e normais devem ser consideradas dedutíveis para efeito de se determinar o lucro tributável. (...)" (grifado agora). Nesta linha de entendimento, a regra geral é de que todas as despesas suportadas pela empresa, relacionadas ao seu objeto social, são dedutíveis, à exceção dos casos legalmente previstos. "Fora dessas hipóteses expressas na lei, aplicase sempre e tão somente a regra geral objetiva, sem espaço para conclusões pessoais baseadas no achar ou não achar isto ou aquilo" Já os conceitos de usualidade, normalidade e habitualidade podem ser extraídos de diversos Pareceres Normativos exarados pela Receita Federal, tal como o de n° 32/81, em que restou assentou o seguinte: "despesa normal é aquela que se verifica comumente no tipo de operação ou transação efetuada e que, na realização do negócio, se apresenta de forma usual, costumeira ou ordinária. O requisito de usualidade deve ser interpretado na acepção de habitual na espécie de negócio". Com efeito, é normal, usual e habitual a aquisição de empresas por outras pessoas jurídicas, estando ou não a atividade prevista no estatuto social (art. 2o , § 3o , da Lei n° 6.404/76), o que certamente implica em determinadas despesas, das mais variadas espécies, inclusive financiamentos bancários. Data vênia, não há como prevalecer o entendimento cristalizado no auto de infração, pois tendo o IRPJ e a CSLL por base de cálculo a diferença entre receitas e despesas, a desconsideração das despesas de financiamento contraído por empresa incorporada, com assunção do ônus pela incorporadora, implica em majorar artificialmente o lucro da pessoa jurídica, ao arrepio da legislação aplicável à espécie. A MULTA DE 150% DEVE SER REVISTA Imprescindível, portanto, a prova da prática dolosa dos crimes de sonegação, fraude e/ou conluio, eis que o dolo é elemento ínsito a essas condutas, sendo certo que o dolo não se presume, se prova. Para que possa caracterizar a prática de atos supostamente fraudulentos ou dolosos, é indispensável que o ato praticado, a que se pretende imputar a pecha desses vícios, não pudesse ser realizado por vedação legal ou qualquer outra razão. Não é este, à evidência, o que está a ocorrer nos autos, pois, como visto e demonstrado acima, fatores alheios ao planejamento dos negócios do Grupo Caltabiano (morte dos seus principais executivos) impuseram, até mesmo para a concretização de boas práticas de conduta administrativa, que as operações fossem centralizados em uma única empresa. Anexa jurisprudência. A MULTA ISOLADA DEVE SER EXTINTA A penalidade aplicada não pode prosperar, visto que, a teor dos documentos constantes dos autos (fls.), o imposto de renda e a CSLL apurados no encerramento do anobase de 2008 superaram, em muito, os montantes estimados inicialmente, tendo a contribuinte os recolhido integralmente. Fl. 529DF CARF MF Processo nº 10580.721584/201272 Acórdão n.º 1301002.725 S1C3T1 Fl. 523 15 Ora, se o objetivo da multa em foco é garantir o recebimento de valores pela Receita Federal, e ao final das contas os mesmos foram integralmente pagos, a exigência de penalidade, em tal contexto, não é razoável e nem tampouco proporcional, devendo ser integralmente extinta, sem dúvida. Ao final das contas a conduta pretendida pela norma foi atendida. De mais a mais, aplicável ao caso o instituto da denúncia espontânea, visto que, antes de qualquer procedimento fiscal, a empresa já havia quitado os valores relativos às estimativas, quando do encerramento do exercício e apuração definitiva do lucro. Desta forma, não restam dúvidas quanto à necessidade da multa isolada ser integralmente anulada, seja pela aplicação ao caso dos princípios da proporcionalidade/razoabilidade, seja pela configuração de denúncia espontânea, nos termos acima lançados. Não bastasse todos esses argumentos, suficientes ao cancelamento integral da multa, não se olvide, ademais, a impossibilidade de a multa isolada ser cumulada com a multa de ofício, como pretendeu a autoridade notificante. ILIQUIDEZ/INCERTEZA Como é cediço, o crédito apurado no processo administrativo deve se revestir dos requisitos de liquidez e certeza, a fim de viabilizar a cobrança executiva (arts. 586 e 618,1, do CPC; ao art. 204, caput e § único do CTN; e ao art. 3º, caput e § único da Lei n° 6.830/80; caso contrário, o processo deve ser extinto sem resolução de mérito, com arrimo no art. 267, inciso IV, ante a ausência de pressupostos ao seu regular desenvolvimento). In casu, como visto, não restam dúvidas de que, na pior das hipóteses, parte do "débito" exigido não pode prosperar, ante os sólidos argumentos que guarnecem a contribuinte e impõe o seu cancelamento, denotando, sem dúvida, a iliquidez/incerteza da notificação. O processo foi baixado em diligência, para a aferição da tempestividade. Como resultado, o despacho de fl. 417 atesta que o expediente na Receita Federal do Brasil em Salvador no dia 17 de fevereiro de 2012 fora suspenso. A decisão da autoridade de primeira instancia julgou improcedente a impugnação do contribuinte, cuja acórdão encontrase as fls. 418 e segs. e ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano calendário: 2008 GLOSA DE AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. EXPECTATIVA DE RENTABILIDADE FUTURA. ÁGIO INTERNO. INCORPORAÇÃO ÀS AVESSAS. EMPRESA VEÍCULO. Não produz o efeito tributário a incorporação de pessoa jurídica, em cujo patrimônio constava registro de ágio com fundamento em expectativa de rentabilidade futura, sem Fl. 530DF CARF MF 16 qualquer finalidade negocial ou societária, sobretudo se os eventos relacionados ocorreram em exíguo lapso temporal, e se tinham o mesmo administrador. Neste caso, resta caracterizada a utilização da empresa incorporada como mero artifício para transferência do ágio à incorporadora. DESPESA DECORRENTE DE ATOS SIMULADOS A despesa decorrente de ato apurado mediante simulação é indedutível. Considerase simulada a apuração de ágio sem fundamenTo econômico e com o intuito exclusivo de obtenção de vantagens fiscais. MULTA. QUALIFICAÇÃO. PROCEDÊNCIA. Como os fatos retratados não deixam dúvida da intenção do contribuinte de, por meio de atos societários diversos, desprovidos de substância econômica e propósito negocial, reduzir a base de incidência de tributos, cabe manter a qualificação da penalidade promovida pela autoridade autuante. MULTA ISOLADA ESTIMATIVA A falta recolhimento das estimativas sujeita a pessoa jurídica à penalidade da multa isolada, de acordo com a legislação. Cientificado da decisão de primeira instancia em 22/10/2013, o contribuinte apresentou, fl. 444 e segs, em 20/11/2013, recurso voluntário, apenas repisando os argumentos levantados em sede de impugnação. É o relatório. Fl. 531DF CARF MF Processo nº 10580.721584/201272 Acórdão n.º 1301002.725 S1C3T1 Fl. 524 17 Voto Vencido Conselheira Bianca Felícia Rothschild Relatora O recurso voluntário é TEMPESTIVO e uma vez atendidos também às demais condições de admissibilidade, merece, portanto, ser CONHECIDO. FATOS Em procedimento de fiscalização, ficou constatado a existência da chamada “incorporação às avessas”, na qual a empresa Calmac, que possuía participação acionária adquirida com ágio na Gotemburgo, teve seu patrimônio incorporado por esta. Gotemburgo teria, então, amortizado parte do ágio gerado na venda de sua própria participação acionária, o que configuraria a Infração 01 glosa de amortização de ágio em si mesmo. Além do acima descrito, foi verificado que a Gotemburgo deduziu despesas financeiras, pois, para a Calmac adquirir a participação descrita com ágio precisou de empréstimo bancário, e essas despesas após a incorporação às avessas pela Gotemburgo foram aproveitadas pela mesma, o que configuraria a Infração 02 glosa de despesas financeiras indedutíveis. As infrações 03 e 04 dizem respeito a multa qualificada e multa isolada sobre a falta de recolhimento de CSLL sobre base estimada. Infração 01 Glosa de Amortização Ágio de si mesmo A insurgência recursal em relação a este item gira em torno da alegação, por parte do contribuinte, de que é possível a dedução do ágio chamado "interno". Defende que o art. 7º e 8º da Lei nº 9.532/97 justificam tal dedução, invocando, inclusive, doutrina especializada. Alerta, ainda, que não foram consideradas pela decisão recorrida as razões invocadas em sede de impugnação para a criação da Calmac, de que teria sido fruto de planos estratégicos do Grupo Caltabiano para expansão geográfica e, portanto, não seria empresa veículo simplesmente criada para viabilizar a fruição da dedução de ágio. Alega, no entanto, que com o falecimento de dois executivos da empresa no acidente da TAM em Julho/07 os rumos do grupo foram alterados. Neste sentido, houve um realinhamento de estratégias e decisão pela incorporação às avessas. Defende que o fundamento econômico da operação reside na expectativa de rentabilidade futura conforme laudo de fl. 129. Acrescento que é incontroverso nestes autos que a tributação é de ágio “interno”, isto é, originado dentro do grupo econômico. Tanto assim que a própria Recorrente traz em suas razões recursais alegações de que seria legítimo o ágio interno. Fl. 532DF CARF MF 18 Considerando todo o acima relatado, entendo, em linha com a decisão de primeira instancia, que tratase de caso de incorporação às avessas com aproveitamento de ágio gerado internamente entre empresas do mesmo grupo econômico, sem propósito negocial. Os dispositivos legais que regem o ágio por expectativa de rentabilidade futura (artigo 20, do Decreto 1598/77 e 7º, da Lei nº 9.532/1997, reproduzidos no RIR/99) são claros em exigir: aquisição de participação societária. No caso destes autos, não me parece que a vontade das partes fosse deveras a de transferência de participação societária. Com efeito, neste sentido, a decisão a quo manteve a glosa e despesas com ágio, pelas razões a seguir colacionadas: Com efeito, no caso concreto, não se vislumbra o ganho que possa ter sido auferido pelas partes com as operações realizadas, que refletem apenas a troca de participações societárias entre o mesmo grupo econômico. O preço ou custo de aquisição somente surge quando há o dispêndio para se obter algo de terceiros. Por essa razão, não há, do ponto de vista econômico, geração de riqueza decorrente de transação consigo mesmo. Esse impedimento decorre da Ciência Contábil e foi consagrado pelo Conselho Federal de Contabilidade quando editou a Resolução CFC n° 1.292/2010 que em seu item 125, assim determina: "A NBC TG 04 — Ativo Intangível proíbe o reconhecimento de ágio por expectativa de rentabilidade futura (goodwill) gerado internamente. Qualquer aumento no valor recuperável do ágio pago por expectativa de rentabilidade futura (goodwill) nos períodos subsequentes ao reconhecimento de perda por desvalorização para esse ativo é equivalente ao reconhecimento de ágio por expectativa de rentabilidade futura gerado internamente (goodwill gerado internamente) e não reversão de perda por desvalorização reconhecida para o ágio pago por expectativa de rentabilidade futura (goodwill)." Nesse sentido, vale citar o entendimento irretocável da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), emitido no Ofício Circular/ CVM/SNC/SEP nº 01/2007 e abordado pela decisão recorrida: OFÍCIOCIRCULAR/ CVM/SNC/SEP nº 01/2007 (...). 20.1.7 “Ágio” gerado em operações internas. A CVM tem observado que determinadas operações de reestruturação societária de grupos econômicos (incorporação de empresas ou incorporação de ações) resultam na geração artificial de “ágio”. Uma das formas que essas operações vêm sendo realizadas, iniciase com a avaliação econômica dos investimentos em controladas ou coligadas e, ato contínuo, utilizasse do resultado constante do laudo oriundo desse processo como referência para subscrever o capital numa nova empresa. Essas operações podem, ainda, serem seguidas de uma incorporação. Outra forma observada de realizar tal operação é a incorporação de ações a valor de mercado de empresa pertencente ao mesmo grupo econômico. Em nosso entendimento, ainda que essas operações atendam integralmente os requisitos societários, do ponto de vista econômico contábil é preciso esclarecer que o ágio surge, única e exclusivamente, quando o preço (custo) pago pela aquisição ou subscrição de um investimento a ser avaliado pelo método da equivalência patrimonial, supera o valor patrimonial desse investimento. E mais, Fl. 533DF CARF MF Processo nº 10580.721584/201272 Acórdão n.º 1301002.725 S1C3T1 Fl. 525 19 preço ou custo de aquisição somente surge quando há o dispêndio para se obter algo de terceiros. Assim, não há, do ponto de vista econômico, geração de riqueza decorrente de transação consigo mesmo. Qualquer argumento que não se fundamente nessas assertivas econômicas configura sofisma formal e, portanto, inadmissível. Não é concebível, econômica e contabilmente, o reconhecimento de acréscimo de riqueza em decorrência de uma transação dos acionistas com eles próprios. Ainda que, do ponto de vista formal, os atos societários tenham atendido à legislação aplicável (não se questiona aqui esse aspecto), do ponto de vista econômico, o registro de ágio, em transações como essas, somente seria concebível se realizada entre partes independentes, conhecedoras do negócio, livres de pressões ou outros interesses que não a essência da transação, condições essas denominadas na literatura internacional como “arm’s length”. Portanto, é nosso entendimento que essas transações não se revestem de substância econômica e da indispensável independência entre as partes, para que seja passível de registro, mensuração e evidenciação pela contabilidade. Acrescentese, também o Pronunciamento Técnico CPC04, que em seu item 47, asseverou: O ágio derivado da expectativa de rentabilidade futura (goodwill) gerado internamente não deve ser reconhecido como ativo. Assim, nesse caso, a proximidade temporal das operações corrobora a assertiva de que as operações realizadas faziam parte de uma seqüência de etapas, tendo como objetivo, não a aquisição participação societária pelo seu valor de mercado, mas, sim, a criação de um ágio fictício. Por oportuno, vale trazer à colação as conclusões dos professores Jorge Vieira da Costa Junior e Eliseu Martins, na obra “A incorporação reversa com ágio gerado internamente: Consequências da elisão fiscal sobre a contabilidade”. O surgimento do ágio em operações de combinação de negócios, realizadas dentro de um mesmo grupo societário, não tem sentido econômico. A Contabilidade, sabiamente, expurga essa informação ao considerar o grupo societário uma entidade única, quando reporta suas demonstrações consolidadas. O correto, contabilmente, é fazer o mesmo nas demonstrações individuais também. Entretanto, o respaldo em legislação tributária para o fenômeno – ágio gerado internamente – dá sentido econômico à operação. Há de fato riqueza sendo gerada pelo grupo societário nesses arranjos só que, no caso, está sendo transferida do Estado para o grupo via renúncia fiscal. É bem verdade que referido respaldo legal concorre, ainda que indiretamente, para o retrocesso do estágio avançado de desenvolvimento em que se encontra a Contabilidade Brasileira. A bem da verdade, pavimenta um caminho tortuoso: o fomento à indústria do ágio. Com efeito, um processo de reestruturação societária, submetido a uma única vontade, eis que realizado entre empresas pertencentes ao mesmo Grupo Econômico, realizado em um espaço curto de tempo, e totalmente desprovido de substância econômica, não encontra guarida nas disposições dos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 1997, de modo a tornar o ágio, nascido de si próprio, dedutível. Fl. 534DF CARF MF 20 A contrario sensu, tivesse a citada reestruturação envolvido partes independentes e revelado efetiva substância econômica, de modo que o preço do negócio (custo de aquisição) fosse formado sem interferência, poderseia admitir a dedutibilidade pretendida. (...) Dessa análise, percebese que o conjunto de eventos societários ocorridos no lapso temporal de sete meses de sua existência da Calmac (empresa veículo), teve por objetivo a prática de Planejamento Tributário Abusivo, simulado, por meio de reorganização societária, realizando os seus atos com a finalidade de reduzir o impacto da carga tributária, que não seria possível caso a operação comercial fosse feita diretamente entre Caltabiano Mclarty Participações S/A, RP Empreendimentos e Participações Ltda e a Gotemburgo. Conseqüentemente, a empresa veículo deve ser desconsiderada para fins fiscais e a operação ser tributada como se ela não existisse. Notase que a máxima da decisão recorrida não se trata de desconsiderar a Calmac como empresa veículo, apesar do alegado na peça recursal, mas sim uma análise sistêmica de toda a operação resultando na conclusão da falta de substancia econômica e propósito negocial da mesma. Outro dado que vale enfatizar é que o argumento da contribuinte de que os planos estratégicos da Gotemburgo tiveram que ser realinhados após o falecimento de seus dois principais executivos não é capaz de justificar a artificialidade da operação, tendo em vista que o infeliz acidente da TAM ocorreu em Julho/07 e a criação da Calmac se deu em Outubro/07, tendo a operação de incorporação se concretizado em apenas 7 meses da existência desta. Diante disso, voto por negar provimento ao recurso especial da contribuinte, mantendo o acórdão recorrido quanto ao ágio. Infração 02 Glosa de Despesas Indedutíveis No caso em análise, conforme relatado, a Calmac contraiu empréstimo bancário para a compra com ágio das ações da Gotemburgo. Considerando que poucos meses depois ocorreu a incorporação da Calmac pela própria Gotemburgo, caracterizada está a desnecessidade dos referidos empréstimos bancários contraídos, e, conseqüentemente, a indedutibilidade dos valores pagos a título de encargos financeiros. A Gotemburgo contabilizou a débito, o valor de R$3.149.726,65 (três milhões, cento e quarenta e nove mil, setecentos e vinte e seis reais e sessenta e cinco centavos), a título de pagamentos das despesas financeiras sobre o empréstimo bancário transferido pela Calmac para a aquisição da própria Gotemburgo, na conta de resultado "Outras Despesas Não Operacionais" código n° 3.1.2.1.1.6.12.01, da Demonstração de Resultado do Exercício, cujos dados foram extraídos da sua escrituração digital apresentada, para o ano calendário de 2008. Neste sentido, nos termos da legislação de regência, mais especificamente o art. 299 do RIR/99, entendo que o aproveitamento pela Gotemburgo das despesas financeiras do empréstimo bancário adquirido pela Calmac, para compra e pagamento do ágio da própria Gotemburgo, mostrase totalmente desnecessária. Para justificarse como dedutível, a despesa, simultânea e inequivocamente, deverá se mostrar ser lícita, necessária, usual ou normal, requisitos que não se mostram presentes no caso ora analisado. Fl. 535DF CARF MF Processo nº 10580.721584/201272 Acórdão n.º 1301002.725 S1C3T1 Fl. 526 21 Sendo assim, voto por negar provimento ao recurso especial da contribuinte, mantendo o acórdão recorrido quanto a glosa de despesas financeiras indedutíveis. Infração 03 Da Multa Qualificada Avaliase a qualificação da multa considerando aspectos já mencionados acima, de que o ágio interno foi gerado em operação de combinação de negócios e em transações que não se revestem de substância econômica e da indispensável independência entre as partes, verificase que não há outra justificativa para a operação do que objetivar a criação de condições artificiais para possibilitar a amortização indevida do ágio e dedução de despesas financeiras de empréstimos bancários e, em conseqüência, evitar dolosamente a ocorrência de parte do fato gerador da obrigação tributária principal, de modo a reduzir o montante do imposto devido, situação enquadrada na hipótese prevista no art. 72 da Lei n° 4.502, de 1964. A contribuinte utilizou uma série d e ações tomadas sob o manto de reorganizações societárias, compostas de várias etapas seqüenciais de transformação, compra de controle acionário e incorporação, cujos propósitos negociais vistos com um todo, se contradizem e levam a concluir que o real motivo dessas operações era burlar a legislação tributária federal. Observase que a Calmac (empresa veículo) e Gotemburgo eram integralmente administradas/dirigidas, por Bruno Rosário Caltabiano e Ricardo Bernardino Pamplona. Assim, as operações que resultaram no reconhecimento de acréscimo de riqueza, em decorrência de transação dos acionistas com eles próprios, não se foram num processo imparcial de valoração. Dessa forma, agindo dolosamente por meio de ato simulado a multa de 150% é devida. Infração 04 Da multa isolada De acordo com os autos, a contribuinte não recolhera as estimativas mensais e CSLL, portanto, a multa foi perfeitamente aplicada. Não havendo maiores argumentos de defesa em relação a este item, sendo matéria simplesmente de fato e de fácil constatação, concluo pela correta aplicação da multa em questão. CONCLUSÃO Diante de todo o exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Bianca Felícia Rothschild. Fl. 536DF CARF MF 22 Voto Vencedor Conselheiro Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro Em que pese os argumentos do ilustre Relator, divirjo, com a devida vênia, de seu voto quanto às exigências decorrentes da multa qualificada tanto em relação à amortização do ágio quanto em relação à dedução de despesa. Em relação à aplicação da multa qualificada, não antevejo dolo na conduta do contribuinte, vez que esta perfez os estritos limites legais. A Fiscalização entendeu que a contribuinte reduziu o montante de impostos devidos mediante a realização de atos societários sem a devida substância econômica. Dessa forma, considerou sua conduta como dolosa quando do aproveitamento fiscal do ágio decorrente das operações societárias praticadas. Entendo, contudo, que todos os atos praticados pelo contribuinte perfizeram os requisitos formais exigidos pela legislação, não restando caracterizada as hipóteses de fraude, dolo ou simulação do contribuinte. De plano, pois, afasto a possibilidade de sonegação fraude ou conluio, pois tais prática pressupõe dolo, nos termos dos arts. 70 a 73 da Lei nº 4.502/64. Ademais, inexiste vedação expressa aos procedimentos adotados pelo contribuinte, logo, não há que se falar em fraude à lei. Ora, inobstante a intenção da contribuinte em obter ganhos e economia com a amortização do ágio, não se pode presumir dolo nos atos praticado do Contribuinte quando da série de operações societárias, pois as interpretou como válidas e amparadas na lei. Logo, ainda que a contribuinte possa ter realizado algum procedimento que se considere doloso, certamente não pode ser considerado uma conduta que "demonstre a existência de artifício doloso na prática da infração, ou que importe em agravar as suas conseqüências ou em retardar o seu conhecimento pela autoridade fazendária", conforme o artigo 68 da Lei nº 4.502/64. Em face do exposto, entendo que a qualificação da multa de ofício não restou justificada, devendo ser reduzida a 75%. Diante do exposto, encaminho meu voto para DAR parcial provimento ao recurso voluntário para determinar a redução proporcional da multa de ofício para 75%. É como voto (assinado digitalmente) Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro Redator designado Fl. 537DF CARF MF Processo nº 10580.721584/201272 Acórdão n.º 1301002.725 S1C3T1 Fl. 527 23 Fl. 538DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10909.720881/2014-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed May 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 04/03/2013
INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA COMPROVADA NA IMPORTAÇÃO. MULTA. CABIMENTO
A ocultação do sujeito passivo, do real comprador ou do responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros, consistem em infrações puníveis com a pena de perdimento, devendo ser substituída por multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou tenha sido consumida.
DA RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA POR INFRAÇÕES. DA SUJEIÇÃO PASSIVA.
Respondem de forma conjunta ou isoladamente, o importador e o adquirente/encomendante de mercadoria de procedência estrangeira, no caso de importação realizada por conta e ordem deste, por intermédio de pessoa jurídica importadora, não cabendo benefício de ordem.
Respondem pela infração, conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie.
Numero da decisão: 3302-005.379
Decisão: Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, em negar provimento aos recursos voluntários.
[assinado digitalmente]
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
[assinado digitalmente]
Maria do Socorro Ferreira Aguiar - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Jorge Lima Abud, Diego Weis Júnior, Raphael Madeira Abad e Walker Araújo.
Nome do relator: MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR
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MULTA. CABIMENTO A ocultação do sujeito passivo, do real comprador ou do responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros, consistem em infrações puníveis com a pena de perdimento, devendo ser substituída por multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou tenha sido consumida. DA RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA POR INFRAÇÕES. DA SUJEIÇÃO PASSIVA. Respondem de forma conjunta ou isoladamente, o importador e o adquirente/encomendante de mercadoria de procedência estrangeira, no caso de importação realizada por conta e ordem deste, por intermédio de pessoa jurídica importadora, não cabendo benefício de ordem. Respondem pela infração, conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 9. 72 08 81 /2 01 4- 12 Fl. 1566DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, em negar provimento aos recursos voluntários. [assinado digitalmente] Paulo Guilherme Déroulède Presidente. [assinado digitalmente] Maria do Socorro Ferreira Aguiar Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Jorge Lima Abud, Diego Weis Júnior, Raphael Madeira Abad e Walker Araújo. Relatório Por bem descrever os fatos ocorridos até o presente momento processual, os quais foram relatados de forma minudente, adoto o relatório da r. decisão recorrida, conforme a seguir transcrito: Cuidam os autos da exigência de crédito da União, relativos à cobrança da multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias importadas (R$ 316.960,38), pela impossibilidade de sua apreensão, em desfavor de DM8 COMÉRCIO E SERVIÇOS EIRELI, MAMO CONFECÇÕES LTDA, FEP CONFECÇÕES LTDA e FRANCISCO EVILÁSIO DE PAIVA SILVA, em decorrência da ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, do comprador ou do responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros, conforme Auto de Infração, às fls. 02 103, a seguir explanado de forma sintética, a fim de se obter uma fiel compreensão dos fatos mencionados: O importador visava nacionalizar, por meio da Declaração de Importação (DI) nº 13/04120289, diversas peças de vestuário descritas como jaquetas, blusas, camisas, batas e cintos de diversos tamanhos/cores/composições, todas de origem chinesa. À vista de elementos indicativos da ocorrência de ocultação do real adquirente das mercadorias a operação foi incluída em procedimento especial de controle aduaneiro. Encerrado o procedimento especial de controle aduaneiro, e diante dos fatos apurados e provas coletadas, restou comprovada a infração definida como ocultação do sujeito passivo, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros, ficando as mercadorias, inicialmente retidas, sujeitas à aplicação da pena de perdimento. A MAMO Confecções Ltda ME, CNPJ nº 11.268.411/0001 89, real adquirente das mercadorias, pretendia burlar os controles aduaneiros exercidos pela Receita Federal do Brasil – RFB no que tange aos limites de valor para importar, concedidos em procedimento de habilitação para operar no comércio exterior. Fl. 1567DF CARF MF Processo nº 10909.720881/201412 Acórdão n.º 3302005.379 S3C3T2 Fl. 1.567 3 Assim, a declaração de importação da DM8, simulada como importação direta, por sua própria conta, realizada com o objetivo de burlar os controles aduaneiros da União e ocultar o real adquirente MAMO, configura a interposição fraudulenta de terceiros na importação, fraude punível com a pena de perdimento das mercadorias. A DI nº 13/04120289, registrada em 04/03/2013 por DM8, foi parametrizada para o canal cinza de conferência aduaneira na data do respectivo registro, segundo critérios estabelecidos pela CoordenaçãoGeral de Administração Aduaneira da Secretaria da Receita Federal do Brasil (COANA). Em análise preliminar das suspeitas no que se refere ao preço declarado das mercadorias, segundo critérios de valoração e elementos indiciários de fraude fixados pela COANA, foram colhidos outros indícios de infração punível com o perdimento das mercadorias. Ao ser promovida a análise documental da operação de importação, foi constatada a indicação da empresa MAMO nos campos “Marks and Number” e “Ordered to”. Em atenção aos limites de importações da MAMO permitidos em sua habilitação para operar em comércio exterior, pessoa jurídica habilitada na submodalidade limitada, verificouse que o sistema Siscomex não permitiria o registro da DI com a MAMO figurando como adquirente. Desta forma, o importador DM8 decidiu ocultar o real adquirente da operação. Procedeuse à interrupção do despacho no Siscomex em 22/03/2013 com exigência de apresentação de documentos e informações. Em 28/03/2013 o despacho aduaneiro de importação foi interrompido, com exigência fiscal, para fins de que o importador tomasse ciência do Termo de Intimação Fiscal Nº 84/2013SAFIA/ALF/ITJ. Em 01/04/2013 o contribuinte foi cientificado, através de seu representante legal, do início do Procedimento Especial de Controle Aduaneiro. Na mesma data foi também cientificado da Intimação Fiscal para providências iniciais de sua parte, através da qual foram solicitados documentos comprobatórios da regularidade da operação de importação amparada pela DI nº 13/04120289, registrada em 04/03/2013 pela DM8. O contribuinte foi cientificado em 01/04/2013 do Termo de Intimação Fiscal Nº 84/2013 por meio do qual foi dado conhecimento da aplicação do procedimento especial, da possível irregularidade que motivou a sua instauração, da base legal e prazos do mesmo, sendo intimado a apresentar, dentro de 30 (trinta) dias, informações, documentos comprobatórios da regularidade da operação de importação das mercadorias, além de prestar esclarecimentos relativos a 16 (dezesseis) itens constantes do referido Termo. Fl. 1568DF CARF MF 4 Decorridos 22 (vinte e dois) dias, em resposta ao Termo de Intimação Fiscal Nº 84/2013, o importador por meio do protocolo nº 004.359/201389, recebido em 23/04/2013, apresentou Extrato da Solicitação de Retificação da DI, alegando ter sido retificada a DI “conforme exigência fiscal”. Em 07/05/2013 o importador DM8 protocolizou requerimento no CAC desta Alfândega, sob o nº 004.184/201318, para solicitar a liberação das mercadorias, mediante depósito em dinheiro. A Solicitação de Retificação da DI foi indeferida em13/05/2013, sendo registrado o motivo “sob procedimento especial de controle aduaneiro, registrado sob o nº 0927800 2013005221”. Alega a Fiscalização que, em nenhum momento, firmou exigência para que a DI fosse retificada, haja vista ter sido relatado no Termo de Início a suspeita de ocultação. Em 13/05/2013 o contribuinte ficou cientificado de que primeiramente à análise do Requerimento para a entrega das mercadorias deveria ser atendido o Termo de Intimação Fiscal Nº 84/2013. Da negativa na via administrativa, o importador ingressou na esfera judicial para fins de liberação das mercadorias. Os documentos solicitados foram apresentados após a MAMO obter empréstimo bancário (30/04/2013) e ter revista a sua habilitação pela IRF/São Paulo (22/05/2013). Em resposta ao Termo de Intimação Fiscal Nº 84/2013, o importador por meio do protocolo nº 003.596/201322, recebido em 29/05/2013, deu cumprimento parcial à Intimação, apresentando documentos referentes aos itens 1 a 5, 9 a 11 e 13 a 16. Ciente do indeferimento da Solicitação de Retificação da DI Nº 01, em 13/05/2013, e das consequências relativas à ocultação do real adquirente (MAMO), o importador procurou novamente descaracterizar a conduta infratora resultante da omissão da informação, agora a definindo como engano procedimental. Em resposta ao Termo de Intimação Fiscal Nº 84/2013, o importador por meio de protocolo SAFIA/ALF/ITJ, recebido em 26/06/2013, apresentou documentos/esclarecimentos em relação aos itens 7, 8 e 12 da intimação e cópia não assinada do Extrato da Solicitação de Retificação da DI Nº 02, com o fito específico de incluir o encomendante no campo próprio da DI. A inclusão do encomendante só foi possível após a IRF/São Paulo, em nível de Reconsideração, no eprocesso nº 10814.724164/201338, deferir a Revisão de Estimativa da MAMO e alterar sua ficha de habilitação no Siscomex para a submodalidade ilimitada. O trâmite processual ocorreu anteriormente à prestação de informações à Receita Federal, com base no empréstimo obtido pela MAMO em 30/04/2013. O empréstimo, com devedor solidário estranho ao capital social, primeiramente foi utilizado para obter a revisão da estimativa, possibilitando ao importador DM8 incluir o Fl. 1569DF CARF MF Processo nº 10909.720881/201412 Acórdão n.º 3302005.379 S3C3T2 Fl. 1.568 5 encomendante MAMO no campo próprio da DI no Siscomex e solicitar a retificação da DI e, posteriormente, para quitar parcialmente a operação de importação, uma vez que parte da operação de importação foi quitada pela empresa FEP. A Solicitação de Retificação da DI Nº 02 foi indeferida em 11/07/2013 pelo motivo de estar sob procedimento especial de controle aduaneiro, registrado sob o nº 09278002013005221, no qual o contribuinte já foi cientificado no Termo de Início dos indícios de ocultação do sujeito passivo, do real comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. Analisada a documentação apresentada, constatouse que alguns documentos solicitados não foram apresentados, bem como, face aos esclarecimentos prestados e à documentação relativa à operação, restaram divergências a serem esclarecidas. Verificandose a situação patrimonial da MAMO, constatouse que o valor da operação de importação era incompatível com o patrimônio líquido e capital social à época do registro da DI, em 04/03/2013, segundo Balancete de Verificação 04/2013 apresentado pelo encomendante MAMO no processo de revisão de estimativa nº 10814.724164/201338. Por tais motivos, tornouse imprescindível que o encomendante demonstrasse por meio de extratos bancários a identificação da origem dos recursos, e que dispunha, de fato, de recursos próprios para promover a importação em questão. O contribuinte foi cientificado, em 09/08/2013, através de seu representante legal, do Termo de Constatação e Reintimação Fiscal Nº 224/2013 SAFIA/ALF/ITJ, sendo intimado a reapresentar o contrato de importação por encomenda com todas as suas folhas. O importador protocolizou a resposta ao Termo de Intimação em 12/08/2013. O contribuinte foi cientificado, em 16/08/2013, através de seu representante legal, do Termo de Constatação e Reintimação Fiscal Nº 235/2013 SAFIA/ALF/ITJ, sendo intimado a apresentar os pagamentos efetivados aos exportadores (contratos de câmbio), origem do TED do depósito judicial efetivado para liberação das mercadorias, notas fiscais de entrada e saída e recebimentos pela venda efetuada à MAMO. O importador protocolizou a resposta ao Termo de Intimação em 09/09/2013. Analisada a documentação apresentada, constatouse cristalinamente que a operação de importação tinha sido parcialmente quitada com recursos de empresa diversa à relação comercial, qual seja, Fep Confecções Ltda, CNPJ 04.575.034/000165, doravante designada FEP. O Encomendante Predeterminado MAMO foi cientificado, em 16/09/2013, através de Aviso de Recebimento AR, do Termo de Intimação Fiscal Nº 237/2013SAFIA/ALF/ITJ, sendo intimado a apresentar documentos e informações relativas à aquisição das Fl. 1570DF CARF MF 6 mercadorias importadas amparadas pela DI 13/04120289, para fins de confirmação das suspeitas levantadas no curso do procedimento especial. Em resposta ao item (3) do Termo de Intimação Fiscal Nº 288/2013, a MAMO informou que efetuou o pagamento de R$ 488.891,72 em 20/06/2013 e o valor remanescente de R$ 152.083,95 foi pago pela empresa Fep Confecções Ltda, corroborando as constatações já conhecidas da fiscalização. A modalidade de importação declarada pela DM8, “importação direta”, corresponde ao método convencional, pelo qual o interessado (importador) contata (ou é contatado) pelo fornecedor (exportador) e negocia diretamente as condições e termos da compra, e, por fim, providencia por si só todos os trâmites aduaneiros, cambiais, de licenciamento, etc. Além disso, obviamente, as operações são realizadas com seus próprios recursos e por seu próprio risco. Nesta modalidade, a mercadoria é importada para uma posterior revenda a um clientecomprador ainda incerto, ou seja, não previamente determinado. Muito embora a DI tenha sido registrada como uma importação por conta própria da DM8, verificouse que os documentos instrutivos do despacho indicavam a pessoa jurídica MAMO CONFECÇÕES LTDA ME, CNPJ nº 11.268.411/0001 89 em seus campos. Em consulta ao Radar (Sistema Ambiente de Registro e Rastreamento da Atuação dos Intervenientes Aduaneiros), verificouse a existência da Ficha de Habilitação nº 12/0047994 4, registrada em 31/10/2012, decorrente da habilitação da MAMO na modalidade pessoa jurídica, submodalidade LIMITADA, deferida nos termos da IN RFB nº 1.288/2012, no processo administrativo nº 10314.726852/201292. Em consulta aos sistemas da Receita Federal (DW Aduaneiro) encontrouse a DI nº 12/22511071, registrada em 30/11/2012. A referida DI foi registrada na modalidade “encomendante predeterminado”, figurando como importador a empresa DM8 e como adquirente a empresa MAMO (atuando como adquirente de mercadoria importada por intermédio de terceiros). O valor CIF total da DI é de US$ 2.214,21 A MAMO possuía, assim, na data do registro da DI nº 13/04120289 (04/03/2013), o limite de importação para o semestre de US$ 147.785,79, haja vista sua modalidade de habilitação. Com a inclusão do valor relativo à importação deste procedimento especial, no valor CIF US$ 160.453,33, o limite de 150.000 dólares foi ultrapassado e justificável a abertura de procedimento especial de controle aduaneiro. A empresa MAMO, real adquirente das mercadorias, foi habilitada a operar no comércio exterior em 31/10/2012, com ficha de habilitação cadastrada no sistema Radar sob o nº 12/00479944 na modalidade pessoa jurídica, submodalidade limitada. A pessoa jurídica habilitada na submodalidade limitada poderá realizar operações de importação com cobertura cambial, em Fl. 1571DF CARF MF Processo nº 10909.720881/201412 Acórdão n.º 3302005.379 S3C3T2 Fl. 1.569 7 cada período consecutivo de 6 (seis) meses, até o limite de US$ 150.000,00 (cento e cinquenta mil dólares norteamericanos), ou o equivalente em outra moeda, consideradas pelo valor CIF (Cost, Insurance and Freight) das mercadorias importadas. Nos termos do disposto no art. 16 da Lei nº 9.779, de 19 de janeiro de 1999, e nos arts. 2º e 3º da Portaria MF nº 350, de 16 de outubro de 2002, artigo 2º, § 1º, e artigo 27, inciso II, da IN RFB nº 1.288/12 e art. 4º, § 2º, do ADE Coana nº 33, de 2012, a pessoa jurídica habilitada na submodalidade limitada poderá realizar também, independentemente de valor, as importações por conta e ordem de terceiros, com cobertura cambial, na condição de importador e não de adquirente, uma vez que o limite criticado é o do terceiro adquirente da mercadoria. Segundo a normatização da RFB, na modalidade importação “por encomenda”, o sistema Radar computa as importações no limite do encomendante predeterminado, fato que não permitia à empresa DM8 registrar a presente DI, em 04/03/2013, tendo como adquirente a MAMO. Portanto, ainda que a DM8 tivesse indicado a MAMO como encomendante, o registro da DI teria sido impossibilitado, haja vista a modalidade de habilitação dessa última. Portanto, não se trata de mero equívoco, erro procedimental ou engano. A maior parte das declarações de importação são parametrizadas em canal verde e os operadores do comércio exterior são sabedores disso. O importador esperava que após o registro a DI fosse selecionada para o canal verde de conferência aduaneira, pelo qual o Siscomex registra o desembaraço automático da mercadoria, dispensados o exame documental e a verificação da mercadoria. Esse modus operandi não é novo e já foi verificado em outros procedimentos desta e de outras Unidades da RFB. O importador assume o risco e preenche o campo dos Dados Complementares da DI com a informação “Importação Encomendada Conf. IN 634/06” ou similares para o caso de a DI ser selecionada para outro canal de conferência aduaneira que não seja o verde. O fato é que a MAMO sequer tinha recursos na empresa para a operação de importação. Tais recursos provieram muito tempo após o registro da declaração de importação, oriundos de empréstimo bancário garantido pela Fep Confecções Ltda FEP e de transferência bancária por parte da FEP. o valor da importação era incompatível com o patrimônio líquido e capital social da encomendante MAMO. Quando do registro da DI, o encomendante apresentava Patrimônio Líquido Negativo, ficando a importação sujeita à exigência de garantia como condição para a entrega das mercadorias ou desembaraço aduaneiro, nos termos do art.11 da Lei nº 11.281/06, segundo balancete apresentado. Fl. 1572DF CARF MF 8 A alternativa que lhe restou, então, foi registrar a DI sem fazer qualquer referência à empresa MAMO, utilizandose da DM8 como interposta pessoa numa operação por sua própria conta (“importação direta”). O grupo de empresas inclui além da FEP e MAMO as empresas RAMARIA e REPAIVA. Observase que a FEP foi constituída pelo casal Francisco (coordenador da operação) e Juliana. As demais empresas foram constituídas pelos familiares do casal. Basicamente, todo o processo de importação foi efetivado pela MAMO, segundo emails apresentados pelo importador, ficando a parte relativa à emissão das faturas, packinglist e BL com a DM8. o Sr. Francisco Evilásio de Paiva Silva, na condição de procurador, é o coordenador de toda a operação da importação. Também é sócioadministrador da F.E.P.Confecções Ltda, empresa carrochefe do quadro societário familiar, com 99% das cotas do capital social e 1% pertence à sua esposa Juliana, sóciaadministradora da MAMO. Quando da importação das mercadorias a FEP estava com a sua ficha de habilitação suspensa. A MAMO foi utilizada para os fins propostos pelo Sr. Francisco, no momento do registro da DI, em 03/2013, a pessoa jurídica estava sem recursos, sem ativo permanente imobilizado, com elevados empréstimos dos sócios registrados no passivo, com Patrimônio Líquido Negativo e elevadas despesas contra pequenas receitas. Constituída em outubro de 2009, a empresa MAMO promoveu a primeira importação sob a DI nº 12/22511071, registrada em 30/11/2012. Nesta importação a empresa MAMO figura como adquirente, caracterizando a operação por encomenda, tendo como importador a própria DM8. Nesta importação teste atuaram os mesmos intervenientes da DI nº 13/04120289, sob procedimento especial, a saber: importador (DM8), adquirente (MAMO),representante legal (André Diniz Pereira) e, inclusive, o exportador Fortune Provider Ltd, demonstrando desde o início a intenção e o conhecimento por parte dos intervenientes envolvidos na importação. O contribuinte DM8 é conhecedor do comércio exterior, com expressivo volume de importações, empresa consolidada no ramo de comércio exterior, sabendo diferenciar adequadamente os campos da DI e importava eventualmente por conta própria. O importador por meio do protocolo nº 003.596/201322, recebido em 29/05/2013, no seu preâmbulo, reafirmou que se tratava de operação por encomenda da MAMO, definindo ter ocorrido engano procedimental. Argumentou que antes do registro da DI (04/03/2013) a empresa já havia peticionado à Receita Federal a vinculação de contrato de importação por encomenda, fatos que evidenciariam de forma inequívoca ao Fisco a natureza da transação Fl. 1573DF CARF MF Processo nº 10909.720881/201412 Acórdão n.º 3302005.379 S3C3T2 Fl. 1.570 9 contratada. E, mais, que se deveria sobrelevarse o fato de que se tratava da primeira operação de comércio exterior feita pela MAMO, que insegura optou fazêla na modalidade por encomenda. Constatouse ser inverossímil que se tratava da primeira importação. Como demonstrado, os fatos comprovam que a primeira importação se refere à DI nº 12/22511071, registrada em 30/11/2012, na modalidade por encomenda, três meses antes do registro da DI objeto de procedimento especial. Portanto, não prosperam as alegações de erro, insegurança e de que seria a primeira importação. Em resposta ao item (3) do TIF Nº 237/2013, a MAMO informou que efetuou o pagamento de R$ 488.891,72 em 20/06/2013 e o valor remanescente de R$ 152.083,95 foi pago pela empresa Fep Confecções Ltda. Em 26/09/2013, somente depois de intimada a comprovar as origens à Receita Federal, a MAMO apresentou o Instrumento Particular de Assunção de Dívida com Dação em Pagamento e Outras Avenças, firmado em 24/06/2013 pelas empresas DM8, MAMO e FEP. Tal instrumento foi firmado no valor de R$ 152.083,95, que seria o valor remanescente da dívida; em outros termos seria o valor da nota fiscal de saída da DM8 menos o pagamento efetuado pela MAMO (640.975,67 488.891,72). Se forem consideradas apenas as transferências da conta 0140.172651, de titularidade da FEP, então totalizaria R$ 184.991,93 ao invés de R$ 152.083,95, comprovando o desajuste das contas e enfraquecendo de vez a versão do Instrumento e de erro de preenchimento de DI. Houve também a interposição do encomendante MAMO que se apresentou como encomendante no curso do procedimento especial, mas no interesse da FEP e de seu sócioadministrador. Como a FEP estava com a sua Ficha de Habilitação SUSPENSA, não se submeteu aos procedimentos fiscais de habilitação para atuar no comércio exterior. Assim como a DM8 cedeu seu nome para a realização da operação de comércio exterior, simulando uma importação direta, a MAMO agiu a mando do Sr. Francisco Evilásio de Paiva Silva, que por motivos não de todo lícitos desejou ocultar a participação da FEP na negociação. A MAMO estava gerando prejuízos (Patrimônio Líquido Negativo e empréstimos de sócios), provandose assim, com todos os elementos citados neste relatório, os artifícios utilizados na burla do sistema Siscomex; não se trata de aspecto meramente formal, a fiscalização constatou o elemento danoso desde o seu início, fazendo constar no Termo de Início de Fiscalização. Fl. 1574DF CARF MF 10 Conforme informado, a operação de importação da DI objeto desta autuação foi realizada pela DM8 (importador) por sua própria conta, mas por ordem da MAMO (encomendante), ou seja, importação efetivada por intermédio de pessoa jurídica importadora. Portanto, além do importador, DM8 Comércio e Serviços Eireli, também deve figurar no pólo passivo da presente autuação a empresa MAMO Confecções Ltda ME, em face de expressa previsão legal. Os fatos repelem a presunção de boafé da impetrante, que se configuraria na única possibilidade de se obstar a penalidade de perdimento dos bens. Os documentos juntados ao processo revelam a intenção da DM8; o fisco apurou os indícios de simulação e ocultação. O importador buscou evidenciar em seus atos posteriores o desfazimento da conduta infratora apurada e comprovada no procedimento especial de controle aduaneiro, tentando elencar elementos para enfraquecer os fatos averiguados. Assim, demonstrada a simulação de uma importação direta no ato do registro da DI, que não expressa a realidade da operação. Como consequência da análise conjunta de todas as informações e documentos juntados ao presente processo, temse por inarredável a conclusão de que a empresa DM8, ao menos nesta operação específica (DI nº. 13/04120289), definitivamente não atuou por sua própria conta e risco, em outras palavras, não se tratava de importação direta, conforme informado no registro da DI. Ademais, ficou cabalmente demonstrado a utilização de recursos de terceiros para o pagamento da operação de importação. A FEP efetivou o pagamento parcial da operação de importação mediante transferências eletrônicas da conta 0140.172651: em 25/07/2013 e 15/08/2013, nos valores R$ 34.061,93 e R$ 150.930,00. Portanto, identificada a prática de “simulação” e/ou “interposição fraudulenta”, cabível a apreensão das mercadorias para a aplicação da pena de perdimento, nos termos do DecretoLei nº 1.455, de 07/04/1976, com as alterações da Lei nº 10.637, de 30/12/02. Autorizada a entrega antecipada das mercadorias, para fins de consumo, com base nos autos do Mandado de Segurança nº 500425177.2013.404.7208/SC, a empresa DM8 informou à Receita Federal que as mercadorias foram revendidas. Portanto, em face da impossibilidade de se reaver os bens com vistas a sua apreensão, em razão de sua nãolocalização, ou revenda ou consumo, aplicase, então, a multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias, a teor do § 3º do art. 23 do Decreto Lei nº. 1.455/76, com a redação dada pela Lei nº. 10.637/02 e Lei nº 12.350/10. Com a liberação das mercadorias mediante depósito, a DM8, conforme contrato, efetivou a venda à MAMO e emitiu a nota fiscal de saída nº 5104, de 18/06/2013, que demonstra por qual valor foi repassada a mercadoria, qual seja R$ 640.975,67. Fl. 1575DF CARF MF Processo nº 10909.720881/201412 Acórdão n.º 3302005.379 S3C3T2 Fl. 1.571 11 O valor referente à garantia prestada para fins de entrega das mercadorias da DI nº 13/04120289, no montante de R$ 316.960,38, subsistirá até a decisão definitiva nos autos do Mandado de Segurança nº 500425177.2013.404.7208/SC, conhecida a qual se determinará, conforme o caso, o levantamento do depósito ou sua conversão em renda da União. Da impugnação da DM8 Comércio e Serviços Eireli A pessoa jurídica DM8 Comércio e Serviços Eireli, ora impugnante, foi cientificada do lançamento em 23/04/2014 (fls. 1.315) e, irresignada com a penalidade que lhe foi infligida, apresentou Peça Impugnativa (fls. 1.328 a 1.373), em 23/05/2014, contendo, em síntese, as alegações a seguir: (...) Do pedido de diligência Em 27/11/2014, por meio da Resolução nº 08002.850 (fls. 1.380 a 1.384), a 7ª Turma da DRJ/FOR decidiu solicitar esclarecimentos à unidade de origem, em função das informações trazidas aos autos pela defendente que indicavam a possibilidade de haver inconsistência nos dados dos lançamentos, com os seguintes pedidos: 1. À luz dos argumentos esposados pela fiscalização, analisar se, diante das provas contidas nos autos, não estaria porventura caracterizada responsabilidade solidária de outras pessoas, físicas ou jurídicas, citadas às fls. 79, adotando, se for o caso, os procedimentos cabíveis para a inclusão dos eventuais responsáveis solidários no pólo passivo da exação; 2. Caso entenda ser pertinente a inclusão da outros responsáveis no pólo passivo, adotar as medidas cabíveis para garantia do contraditório e da ampla defesa, concedendo prazo de 30 dias para apresentação da impugnação. 3. Solicitase que, ao final da diligência, seja elaborado relatório conclusivo, indicando, se for o caso, as medidas adotadas em relação ao teor da presente Resolução. Em atendimento à Resolução, a fiscalização realizou as análises necessárias e decidiu pela inclusão de FEP CONFECÇÕES LTDA, CNPJ 04.575.034/000165, e de FRANCISCO EVILÁSIO DE PAIVA SILVA, CPF nº 180.468.99801, no pólo passivo da autuação, conforme termos de ciência de fls. 1386 e1388, respectivamente, haja vista ter concluído que se encontrava caracterizada a responsabilidade solidária de ambos, tendo sido apresentada impugnação pela FEP CONFECÇÕES LTDA(fls. 1.328 a 1.373), enquanto que FRANCISCO EVILÁSIO DE PAIVA SILVA quedouse silente. Ademais, a fiscalização entendeu haver necessidade de elaborar documento contendo as informações dos atos lavrados, consubstanciando as informações em relatório fiscal (fls. Fl. 1576DF CARF MF 12 1.391/1.392), devidamente enviado a todos os autuados, conforme termo de registro de mensagem de ato oficial na caixa postal (fls. 1.394/1.397) no domicílio tributário eletrônico (DTE), com as devidas comprovações de ciência (fls. 1.398/1.403). Da impugnação da FEP Confecções Ltda (...) A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento sintetizou, na ementa a seguir transcrita , a decisão proferida. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 04/03/2013 DILIGÊNCIA. DETERMINAÇÃO DE OFÍCIO. LIVRE CONVICÇÃO. REVISÃO DE LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. O pedido de diligência formulado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, a fim de questionar sobre possíveis omissões ou incorreções no auto de infração, e que resultou na inclusão de responsável solidário no polo passivo da obrigação tributária, não caracteriza revisão do lançamento por parte do julgador, mas elemento formador da sua livre convicção. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 04/03/2013 REGISTRO DA DECLARAÇÃO DE IMPORTAÇÃO EM NOME PRÓPRIO. ERRO PROCEDIMENTAL. INOCORRÊNCIA.CONJUNTO PROBATÓRIO. DOLO. A observância dos preceitos legais referentes ao registro das Declarações de Importação (DI) é obrigatória. Demonstrados pela fiscalização, mediante apresentação de conjunto probatório robusto, a experiência da importadora na atuação no comércio exterior e o vínculo entre as empresas, presentes os elementos constitutivos do dolo. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM.AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO. INOCORRÊNCIA. A responsabilidade solidária alcança as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. Comprovado que terceira pessoa concorreu de forma direta para a ocorrência da infração, tornase necessária a sua inclusão no pólo passivo, estando o ato plenamente motivado. INCLUSÃO DE TERCEIROS. INEXISTÊNCIA DE INTERESSE COMUM. IMPROCEDÊNCIA. O fato de ter havido transações comerciais da empresa importadora com terceiras empresas não justifica a inclusão Fl. 1577DF CARF MF Processo nº 10909.720881/201412 Acórdão n.º 3302005.379 S3C3T2 Fl. 1.572 13 destas no pólo passivo se não houver comprovação do interesse comum. CONSTITUCIONALIDADE. PRINCÍPIO DA RAZOABILIDADE E DA PROPORCIONALIDADE. APRECIAÇÃO. INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS DE JULGAMENTO. INCOMPETÊNCIA. Não compete às instâncias administrativas de julgamento proceder à análise da constitucionalidade ou legalidade das normas tributárias que regem a matéria, sob o pretexto de que o montante da multa aplicada é desproporcional à infração supostamente cometida, pois essa atividade compete exclusivamente ao Poder Judiciário. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Verificase que os sujeitos passivos solidários foram devidamente intimados da decisão de primeira instância, no entanto somente a empresa DM8 COMERCIO E SERVICOS EIRELI, após ciência da decisão de primeira instância 28/12/2015, conforme Termo de Abertura de Documento, fl.1486, apresenta em 21/01/2016, através do Termo de Solicitação de Juntada de fl.1488, o recurso de fls.1489/1516, arguindo em síntese: IMPOSSIBILIDADE DE REVISÃO DE LANÇAMENTO PELA DRJ (...) que pese a completa ilegitimidade passiva dos administrados supracitados, tema que será tratado em tópico específico, o fato é que a DRF de Fortaleza atuou como verdadeira autoridade lançadora no caso em questão, quando, sabese, a DRJ não possui competência para alterar o lançamento de um credito tributário regulamente constituído pela Autoridade Administrativa. Essa é uma das garantias decorrentes do artigo 142 do CTN. A DRJ, enquanto órgão julgador, deve se ater ao exercício de sua competência institucional, qual seja, a de julgar os casos submetidos à sua apreciação, com isenção e imparcialidade. A devolução do processo à autoridade lançadora para que aquela retificasse o polo passivo do lançamento demonstra uma parcialidade que coloca em descrédito a própria missão do órgão julgador e, ainda, o processo administrativo fiscal em si enquanto ferramenta de solução das lides administrativof iscais. ILEGITIMIDADE PASSIVA QUESTÃO DE ORDEM PÚBLICA INEXISTÊNCIA DE RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA Mais absurda do que o próprio lançamento em si mesmo considerado é a atribuição de sujeição passiva por responsabilidade solidária à empresa FEP Confecções LTDA e ao Sr. Franciso Evilásio de Paiva. Vejamos. O lançamento guerreado parte da premissa de que a importação em análise não teria se dado na modalidade por conta própria da importadora DM8, vez que esta sociedade empresária teria Fl. 1578DF CARF MF 14 atuado com vistas a ocultar a real importadora, qual seja, a MAMO. A intenção dos agentes e a modalidade de importação lançada na DI são irrelevantes para a análise levada a efeito neste tópico. O que releva a esta discussão é que, seja na versão da autoridade fiscal, seja na versão das empresas DM8 e MAMO, é fato incontroverso que a importação se operou por encomendante prédeterminado Disso decorrem premissas fáticas intransponíveis às quais não sobrevivem as alegações de ocultação da FEP ou de participação do Sr. Francisco Evilásio de Paiva no cometimento da infração: 1) a operação se deu sob a modalidade por encomendante pré determinado, portanto, foi realizada com recursos da importadora, DM8. O pagamento da encomendante MAMO à importadora DM8 foi posterior à nacionalização da mercadoria e, por óbvio, também ao pagamento realizado pela DM8 ao exportador no exterior. Sobrelevese que até mesmo o depósito judicial para liberação as mercadorias foi realizado com recursos da DM8. 2) a FEP adquiriu a mercadoria da MAMO, e não da DM8, em operação realizada no mercado interno. As mercadorias já haviam sido nacionalizadas e já haviam circulado no mercado interno (DM8 para MAMO). Como afirmar, INEXISTÊNCIA DE SIMULAÇÃO COM INTUITO DE OCULTAR O COMPRADOR DA MERCADORIA BOAFÉ DA RECORRENTE Ainda, de acordo com a Fiscalização, por meio da ocultação da MAMO a DM8 pretenderia "burlar os controles aduaneiros exercidos pela Receita Federal do Brasil RFB no que tange aos limites de valor para importar, concedidos em procedimento de habilitação para operar no comércio exterior". A despeito de tais assertivas, há uma série de fatos importantes que foram absolutamente preteridos pela autoridade administrativa, a qual cuidadosamente selecionou as informações que faria constar do Auto de Infração, omitindo outras tantas, tudo no interesse de que a tese fiscal preponderasse a qualquer custo, em prejuízo da verdade material, esta amplamente favorável ao contribuinte. Ora, se realmente houvesse a intenção de ocultar a empresa encomendante da Fiscalização, certamente a Recorrente não teria consignado na DI, no campo "Dados Complementares", que se tratava de "IMPORTAÇÃO POR ENCOMENDA CONF. IN 634/06". Obviamente, se consta da própria DI que instruiu o despacho aduaneiro a informação de que a importação estava se processando sob a modalidade "por encomenda", como se sustentar, então, que a Recorrente dolosamente registrou a importação na modalidade "por conta própria" no intuito de burlar a fiscalização? Além disso, se realmente houvesse a intenção de ocultar a empresa MAMO, então os documentos instrutivos do despacho Fl. 1579DF CARF MF Processo nº 10909.720881/201412 Acórdão n.º 3302005.379 S3C3T2 Fl. 1.573 15 apresentados à Fiscalização pela Recorrente (Fatura Comercial e Romaneio de Carga) não poderiam consignar que a empresa adquirente/encomendante era justamente a MAMO, tal como ocorreu. Com a devida vénia, o conjunto de atos praticados, a retificação da DI, e o contexto documental vão na direção oposta à conclusão contida no Auto de Infração. A Recorrente, na verdade, em nenhum momento praticou ato tendente a ocultar o encomendante, pois à exceção de uma única informação, todos os outros documentos e informações que ampararam a operação indicavam que a importação ocorreu sob a égide da IN/SRF 634/06, ou seja, "por encomenda" da MAMO. Ou seja," o conjunto indiciário " argumento sempre tão caro à fiscalização, desta feita contraria a tese por ela sustentada. ATIPICIDADE: CONDUTA NÃO PUNÍVEL COM PERDIMENTO A discussão travada nos presentes autos está restrita a uma operação que foi registrada sob a modalidade "por conta própria", quando na realidade tratase de operação "por encomenda". Extraise, da imputação levada a efeito pela autoridade fiscal, duas conclusões inequívocas: 1) a operação de comércio exterior se deu com recursos próprios da Recorrente; e 2) a origem desses recursos é conhecida e lícita. Quando essa distinção entre importação nas modalidades por contra própria e por encomenda é submetida ao leigo, efetivamente podem surgir discussões das mais diferentes naturezas. Contudo, quando a mesma é tratada no ambiente técnicojurídico emerge que a natureza de ambas as operações, do ponto de vista de comércio exterior, é absolutamente idêntica, senão pela destinação que será dada à mercadoria depois de nacionalizada que, no caso da encomenda, constituirseá num único lote, integralmente dirigido a um único destinatário, e no caso da conta própria será destinada a diversos compradores internos. Dito isto, no ambiente de operações de comércio exterior, a distinção entre uma operação e outra até o evento da nacionalização é absolutamente irrelevante, eis que os recursos empregados no comércio exterior no caso em análise estão restritas ao mesmo agente. Explicase: a DM8 atuando por conta própria ou por encomenda, necessariamente e por disposição legal, é quem deve deter a titularidade dos recursos empregados na operação de importação. O cotejo das informações prestadas pela SRF, acima transcritas, dá conta de que a operação realizada entre a Recorrente e a MAMO não é uma operação de comércio exterior. Tratase de uma venda de um lote de mercadorias importadas e já nacionalizadas, no mercado interno, para uma empresa que não atuou no comércio exterior, nem por presunção legal, da qual se cobra apenas uma conduta positiva, qual seja, ter capacidade Fl. 1580DF CARF MF 16 econômica para realizar a aquisição das mercadorias encomendadas.(grifei). Através da Resolução Carf nº 3302000.600, de 24/05/2017, o julgamento foi convertido em diligência para que o sujeito passivo FEP CONFECÇÕES LTDA, fosse regularmente intimado da decisão de primeira instância, sendolhe facultado o prazo para apresentação do Recurso Voluntário. Assim, após ciência da decisão de primeira instância em 23/06/2017, conforme AR de fl. 1.533, a recorrente apresenta em 25/07/2017, Recurso Voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, fls. 1.537/1.561, no qual repisa os argumentos já aduzidos em sede impugnatória, requerendo ao final: a) excluir a Recorrente FEP Confecções Ltda. bem como o Sr. Francisco Evilásio de Paiva do lançamento, haja vista a ilegitimidade passiva de ambos; e b) que o lançamento constante do PAF n? 10909.720881/2014 12 seja julgado insubsistente, extinguindose integralmente o crédito tributário lançado por meio do Auto de Infração que compõe o presente PAF.(grifei). É o relatório. Voto Conselheira Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Relatora: PRELIMINARES Dos requisitos de admissibilidade Os Recursos Voluntários são tempestivos, tratam de matéria da competência deste Colegiado e atendem aos pressupostos legais de admissibilidade, portanto, devem ser conhecidos. Analisarseá a seguir os Recursos Voluntários apresentados por DM8 COMÉRCIO E SERVIÇOS EIRELI, doravante DM8 e F.E.P.Confecções Ltda, doravante FEP, sendo porém analisadas conjuntamente as matérias que guardem similitude de fundamentos nos referidos recursos. Impossibilidade de revisão de lançamento pela DRJ Arguem as recorrentes quanto à impossibilidade de revisão de lançamento pela DRJ. Inicialmente cabe consignar que as competências dos órgãos que integram o contencioso administrativo fiscal, Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento DRJ e Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, estão definidas no artigo 25, incisos I e II do Decreto nº 70.235, de 1972, norma que trata do Processo Administrativo Fiscal – PAF e disciplinadas em seus respectivos regimentos internos, estando a matéria referente à revisão do lançamento incursa nas normais gerais de Direito Tributário, conforme norma Fl. 1581DF CARF MF Processo nº 10909.720881/201412 Acórdão n.º 3302005.379 S3C3T2 Fl. 1.574 17 expressa no 1artigo 145 do CTN, no entanto, no curso processual, constatase que não houve revisão do lançamento pela DRJ, como apregoam as recorrentes, arguindo que o órgão a quo atuou como uma instância revisora, determinando procedimentos a serem excetuados pela fiscalização. Constatase dos autos que o lançamento em apreço traz em seu Auto de Infração e respectivo Relatório Fiscal, parte que lhe é integrante, um minudente relatório da situação fática constatada com expressa referibilidade das provas aduzidas, que segundo a fiscalização lastreiam seus fundamentos, entre as quais estão identificadas atuações de pessoas físicas e jurídicas no cometimento das infrações relatadas, conforme interpretação conferida pela fiscalização. Observase que o corpo probatório de um processo destinase ao julgador, para que em face da situação fática constatada e das normas de regência da matéria possa exercer um juízo de cognição motivado, tal como se assenta no Ordenamento Jurídico Brasileiro a análise probatória, seja pelo julgador administrativo ou judicial, nesse diapasão, em face do minudente relatório da ação fiscal e do suporte probatório carreado aos autos, a colenda turma julgadora amparada nas prerrogativas que lhe conferem as disposições do artigo 229 do Decreto nº 70.235, de 1972 e tendo em vista que o Processo Administrativo Fiscal – PAF, tem princípios informadores, entre os quais a legalidade e verdade material, sendo ainda relevante destacar que a atuação do AuditorFiscal, seja revestido da competência de autoridade julgadora, seja de autoridade fiscal, no âmbito dos procedimentos de fiscalização, está adstrita ao princípio da estrita legalidade, submeteu à fiscalização, a seu juízo a avaliação da situação posta na Resolução, haja vista a expressa determinação da Portaria RFB nº 2.284, de 29 de novembro de 2010, que dispõe sobre os procedimentos a serem adotados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil quando da constatação de pluralidade de sujeitos passivos de uma mesma obrigação tributária, conforme pontua seu artigo 2º abaixo transcrito: Art. 2 º Os AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil, na formalização da exigência, deverão, sempre que, no procedimento de constituição do crédito tributário, identificarem hipóteses de pluralidade de sujeitos passivos, reunir as provas necessárias para a caracterização dos responsáveis pela satisfação do crédito tributário lançado.(grifei). Assim, a instância a quo, revestida das prerrogativas que lhe confere a norma processual, a qual rege o julgamento administrativo, converteu o julgamento em diligência e a fiscalização, no âmbito de sua competência e a seu juízo arrolou ao pólo passivo a empresa FEP, sendo despiciendo, nesse caso, o processo investigativo a que aduzem as recorrentes, dada a matéria fática e o suporte já carreado aos autos e ainda a previsão contida no 3artigo 37 1 Art. 145. O lançamento regularmente notificado ao sujeito passivo só pode ser alterado em virtude de: I impugnação do sujeito passivo; II recurso de ofício; III iniciativa de ofício da autoridade administrativa, nos casos previstos no artigo 149. 2 Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. 3 Art. 37. Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias. Fl. 1582DF CARF MF 18 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, que estabelece normas gerais sobre o processo administrativo no âmbito da Administração Federal. Por bem retratar a matéria, transcrevo os seguintes excertos da decisão de piso: O quadro fático apresentado pela fiscalização demonstrou claramente que a infração poderia ter sido praticada com o concurso de mais de um agente, mas esta condição não se refletiu no rol de autuados, levantando a dúvida neste julgador se seria caso de simples omissão, ou prática deliberada, devendo tal esclarecimento ser prestado com fundamento no princípio da verdade real. Não cabe ao julgador, nisto possui razão a impugnante, exigir qualquer tipo de modificação no lançamento realizado, sob pena de estar se imiscuindo em seara para a qual não possui competência legal para opinar, muito menos determinar a inclusão ou exclusão de quem quer que seja do polo passivo da autuação. Mas esta conduta certamente não aconteceu neste caso. É que não foi este o objeto da Resolução nº 08002.850, que se limitou a solicitar que a fiscalização, à luz dos seus próprios argumentos contidos no auto de infração, analisasse se havia ou não outros responsáveis solidários que de alguma forma poderiam ter participado da possível irregularidade apurada. A fiscalização tem autonomia para fazer o lançamento de acordo com as provas existentes, não existindo qualquer determinação da DRJ que tenha ferido tal independência.(grifei). Confunde a impugnante a natureza da diligência, como se tal medida requeresse necessariamente a presença da autoridade fiscal na sede da empresa, ou que tomasse alguma medida que viesse a significar o cumprimento daquilo que foi solicitado pela DRJ. A diligência é, antes de tudo, a adoção, pela autoridade fiscal, de providências necessárias à solução da dúvida levantada pelo julgador.(grifei) Ante o exposto, rejeitase a preliminar suscitada. Ilegitimidade Passiva Questão De Ordem Pública Inexistência De Responsabilidade Solidária Ressaltese que embora haja pluralidade de sujeitos passivos, conforme demonstrado na autuação, com ciência individualizada para cada sujeito passivo, somente as empresas DM8 e FEP, apresentaram impugnação e respectivos recursos recursos voluntários. Verificase que ambas as peças recursais são idênticas, ocorre que a empresa DM8 traz uma extensa preliminar quanto à ilegitimidade passiva em relação à empresa FEP, pleiteando inclusive o afastamento do polo passivo da referida empresa e de FRANCISCO EVILÁSIO DE PAIVA, pleito também adotado pela recorrente FEP, em seu recurso voluntário. Quanto a essa preliminar teço as seguintes considerações. Fl. 1583DF CARF MF Processo nº 10909.720881/201412 Acórdão n.º 3302005.379 S3C3T2 Fl. 1.575 19 Prevê o Decreto nº 70.235, de 1972: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I–a qualificação do autuado; II–o local, a data e a hora da lavratura; (...) Art. 16. A impugnação mencionará: I–a autoridade julgadora a quem é dirigida; II, –a qualificação do impugnante;(grifei) Assim para fins de litigância no âmbito do Processo Administrativo Fiscal PAF, exsitindo autuação com pluralidade de sujeitos passivos, todos os autuados deverão ser cientificados do auto de infração, com abertura de prazo para que cada um deles apresente impugnação e salvo quando haja expressos poderes de representação para apresentação de impugnação conjunta, o que não é o caso dos autos a impugnação apresentase de forma conjunta. Com efeito, observase que a peça impugnatória não foi apresentada de forma conjunta pelas empresas DM8 e FEP, tampouco há instrsumento procuratório desta última conferindo poderes de representação processeual à empresa Recorrente DM8, logo não assiste razão à Recorrente em pleitear direito de outrem, ademais com relação ao Sr. FRANCISCO EVILÁSIO DE PAIVA, embora regulamente intimado, declinou do direito de apresentar a peça processual que instaura o litígio na via admnistrativa. Ante as premissas acima, deixo de conhecer a preliminar de ilegitimidade passiva com relação à empresa FEP e o Sr. FRANCISCO EVILÁSIO DE PAIVA, trazida em sede recursal pela Recorrente DM8. Quanto à ausência de vínculo da FEP, em relação aos fatos apurados na autuação, será abordada em item específico do presente voto. MÉRITO Constatase que o Auto de Infração e respectivo Relatório Fiscal, fls.02/103 é minudente e sistemático na fundamentação quanto à situação fática interpretada à luz da legisçaão de regência, bomo na referibilidade das provas que dão suporte a autuação. Para que se inicie a presente análise, fazse mister ter a exata medida dos fundamentos que motivaram a atuação, assim, com esse escopo, esclarece o Relatório Fiscal, de fls.07/101, que em síntese, a seguir se transcreve: A parte que se pretendia manter recôndita é a empresa MAMO CONFECÇÕES LTDA ME, CNPJ 11.268.411/000189, doravante designada MAMO. Fl. 1584DF CARF MF 20 Por meio desse artifício, a MAMO, real adquirente das mercadorias, pretendia burlar os controles aduaneiros exercidos pela Receita Federal do Brasil – RFB no que tange aos limites de valor para importar, concedidos em procedimento de habilitação para operar no comércio exterior, conforme se verá em tópico próprio. Assim, a Declaração Importação da DM8, simulada como importação direta2 (por sua própria conta), realizada com o objetivo de burlar os controles aduaneiros da União e ocultar o real adquirente MAMO, configura a interposição fraudulenta de terceiros na importação, fraude punível com a pena de perdimento das mercadorias. Neste caso aplicase a MULTA EQUIVALENTE AO VALOR ADUANEIRO DAS MERCADORIAS importadas ao amparo da DI nº 13/04120289, tendo em vista as mercadorias terem sido REVENDIDAS no curso do procedimento. (...) Em análise preliminar das suspeitas no que se refere ao preço declarado das mercadorias, segundo critérios de valoração e elementos indiciários de fraude fixados pela COANA, foram colhidos outros indícios de infração punível com o perdimento das mercadorias, a saber: ocultação do sujeito passivo, do real adquirente ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação. (...) Ao ser promovida a análise documental da operação de importação, constatado nos documentos obrigatórios de instrução ao despacho de importação da DI nº 13/04120289 a indicação da empresa MAMO CONFECÇÕES LTDA ME, CNPJ nº 11.268.411/000189 nos campos “Marks and Number”, "Messrs" e “Ordered to” (a saber: Conhecimento de Carga B/L nº HGPITJ1300171, Faturas Comerciais: FORTUNE PROVIDER LTD nº. LJT20121009, JARLLY (HONGKONG) INTERNATIONAL TRADE CO., LIMITED nº. JI2012003 e WENZHOU BEST LEATHER CO., LTD nº. BST12GW143) (vide tais documentos no Anexo I). (...) Em “Consulta DI” no Siscomex, mais precisamente na Ficha “Dados do Importador”, encontramos a mesma informação, qual seja, a DM8 informada como importador e adquirente da mercadoria, tendo declarado em campo específico se tratar de IMPORTAÇÃO PRÓPRIA. (...) O valor total declarado para a DI foi de US$ 160.453,33 (cento e sessenta mil, quatrocentos e cinquenta e três dólares e trinta e três centavos de dólar) – frete internacional marítimo incluso. (...) Fl. 1585DF CARF MF Processo nº 10909.720881/201412 Acórdão n.º 3302005.379 S3C3T2 Fl. 1.576 21 Além do mais, em atenção aos limites de importações da MAMO permitidos em sua habilitação para operar em comercio exterior, pessoa jurídica habilitada na submodalidade LIMITADA, verificouse que o sistema Siscomex NÃO PERMITIRIA O REGISTRO da DI nº 13/04120289 com a MAMO figurando como adquirente.(grifei). De outro giro, as principais razões meritórias das peças recursais prendemse ao fato de que apenas uma informação constou incorreta na DI nº. 13/04120289, de 04/03/2013, no entanto toda a operação foi por encomenda, inexistindo simulação. Nesse sentido, assim se manifestam: Ocorre que, embora: 1) a importadora DM8 e a encomendante MAMO tenham firmado contrato de importação por encomenda e o apresentado previamente à Receita Federal em 15/12/2012 (fls. 187 a 199) em cumprimento ao art. 2º da IN/SRF 634/06; 2) a Commercial Invoice e o Packing List (Fatura Comercial e romaneio de carga) apresentados quando do registro da Dl (fls. 104 a 138) descrevam expressamente que o importador era a DM8 e a encomendante a MAMO; e 3) nos "Dados Complementares"1 da DI estivesse contida a informação de que a operação transcorria na modalidade "IMPORTAÇÃO POR ENCOMENDA CONF. IN 634/06"; Houve um equívoco procedimental no momento do registro da DI e, em um de seus campos, não foram informados nome e CNPJ da MAMO. Em face da matéria nuclear da autuação, cabe então destacar as seguintes disposições legais: · Lei 10.637, de 2002: Art. 27. A operação de comércio exterior realizada mediante utilização de recursos de terceiro presumese por conta e ordem deste, para fins de aplicação do disposto nos arts. 77 a 81 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001.(grifei). · DecretoLei nº 1.455, de 1976, com redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002: Art. 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: [...] V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude Fl. 1586DF CARF MF 22 ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 1o O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 2o Presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a nãocomprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 3o A pena prevista no § 1o convertese em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou que tenha sido consumida.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002).(grifei). Da análise da legislação aduaneira, verificase que toda mercadoria procedente do exterior, importada a título definitivo ou não, sujeita ou não ao pagamento do imposto de importação, deverá ser submetida a despacho de importação, que será realizado com base em declaração apresentada à unidade aduaneira sob cujo controle estiver a mercadoria (art. 543 do Regulamento Aduaneiro/2009). Despacho de importação é o procedimento mediante o qual é verificada a exatidão dos dados declarados pelo importador em relação à mercadoria importada, aos documentos apresentados e à legislação específica, com vistas ao seu desembaraço aduaneiro. (art. 542 do Regulamento Aduaneiro/2009). A Declaração de Importação DI é registrada pelo importador no Siscomex e consiste na prestação das informações correspondentes à operação de importação, contendo dados de natureza comercial, fiscal e cambial sobre as mercadorias (art. 551 do Regulamento Aduaneiro/2009). O registro da DI caracteriza o início do despacho de importação e a perda da espontaneidade do sujeito passivo (art. 33º, inciso IV e §1º, do Decreto nº 7.574, de 2011) e (art. 545 do Regulamento Aduaneiro/2009). As declarações do importador subsistem para quaisquer efeitos fiscais, ainda que o despacho de importação seja interrompido e a mercadoria abandonada (art. 549 do Regulamento Aduaneiro/2009). Nesse contexto, verificase que houve um aperfeiçoamento da legislação quanto à definição legal das partes envolvidas nas operações de comércio exterior, bem como quanto à delimitação de responsabilidades. Assim, atualmente, duas formas de terceirização das operações de comércio exterior são reconhecidas e regulamentadas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), a Importação por Conta e Ordem de Terceiro e a Importação por Encomenda, visto que têm amparo nos seguintes diplomas legais. Vejamos a seguir alguns aspectos normatizados, importantes para a cognição do caso em análise. · Tipificação após a MP 2.15835, de 2001: Importação por Conta e Ordem de Terceiro Medida Provisória n° 2.15835, de 2001: Fl. 1587DF CARF MF Processo nº 10909.720881/201412 Acórdão n.º 3302005.379 S3C3T2 Fl. 1.577 23 Art.77.O parágrafo único do art. 32 do DecretoLei nº 37, de 18 de novembro de 1966, passa a vigorar com a seguinte redação: "Art.32[...] Parágrafo único.É responsável solidário: Io adquirente ou cessionário de mercadoria beneficiada com isenção ou redução do imposto; II o representante, no País, do transportador estrangeiro; III o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso de importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora." (NR)(negritei) Art.78.O art. 95 do DecretoLei nº 37, de 1966, passa a vigorar acrescido do inciso V, com a seguinte redação: "V conjunta ou isoladamente, o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso da importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora." (NR) Art.79.Equiparamse a estabelecimento industrial os estabelecimentos, atacadistas ou varejistas, que adquirirem produtos de procedência estrangeira, importados por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora. Art.80.A Secretaria da Receita Federal poderá: I estabelecer requisitos e condições para a atuação de pessoa jurídica importadora por conta e ordem de terceiro; e II exigir prestação de garantia como condição para a entrega de mercadorias, quando o valor das importações for incompatível com o capital social ou o patrimônio líquido do importador ou do adquirente. Art.81.Aplicamse à pessoa jurídica adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso da importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora, as normas de incidência das contribuições para o PIS/PASEP e COFINS sobre a receita bruta do importador. · Tipificação após a Lei nº 11.281, de 2006: Importação por Encomenda Lei nº 11.281, de 2006: Art. 11. A importação promovida por pessoa jurídica importadora que adquire mercadorias no exterior para revenda a encomendante predeterminado não configura importação por conta e ordem de terceiros. Fl. 1588DF CARF MF 24 § 1° A Secretaria da Receita Federal: I estabelecerá os requisitos e condições para a atuação de pessoa jurídica importadora na forma do caput deste artigo; e II poderá exigir prestação de garantia como condição para a entrega de mercadorias quando o valor das importações for incompatível com o capital social ou o patrimônio líquido do importador ou do encomendante. § 2° A operação de comércio exterior realizada em desacordo com os requisitos e condições estabelecidos na forma do § 1° deste artigo presumese por conta e ordem de terceiros, para fins de aplicação do disposto nos arts. 77 a 81 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001.(negritei) § 3o Considerase promovida na forma do caput deste artigo a importação realizada com recursos próprios da pessoa jurídica importadora, participando ou não o encomendante das operações comerciais relativas à aquisição dos produtos no exterior.(Incluído pela Lei nº 11.452, de 2007) Art. 12. Os arts. 32 e 95 do DecretoLei no37, de 18 de novembro de 1966, passam a vigorar com a seguinte redação: "Art. 32. .............................................................................. .............................................................................. Parágrafo único. .............................................................................. .............................................................................. c) o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso de importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora; d) o encomendante predeterminado que adquire mercadoria de procedência estrangeira de pessoa jurídica importadora." (NR) "Art. 95. .............................................................................. .............................................................................. VI conjunta ou isoladamente, o encomendante predeterminado que adquire mercadoria de procedência estrangeira de pessoa jurídica importadora." (NR) Art. 13. Equiparamse a estabelecimento industrial os estabelecimentos, atacadistas ou varejistas, que adquirirem produtos de procedência estrangeira, importados por encomenda ou por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora. Art. 14. Aplicamse ao importador e ao encomendante as regras de preço de transferência de que trata a Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, nas importações de que trata o art. 11 desta Lei. Fl. 1589DF CARF MF Processo nº 10909.720881/201412 Acórdão n.º 3302005.379 S3C3T2 Fl. 1.578 25 Verificase dos dispositivos legais acima colacionados que após a tipificação pelo art. 80 da Medida Provisória n° 2.15835, de 2001 e art. 11 da Lei n° 11.281, de 2006, as operações de importação têm as seguintes modalidades: a) Importação por conta própria; b) Importação por conta e ordem de terceiro e c) importação por encomenda. Esse é portanto o marco regulatório quanto às modalidades de importação admitidas na legislação aduaneira, cujas normas infralegais que têm o escopo de estabelecer os requisitos e condições para a atuação de pessoa jurídica importadora por conta e ordem de terceiro e por encomenda estão sob a competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB, uma vez que autorizada pelos respectivos diplomas legais. Com efeito, para que sejam consideradas regulares, tanto a prestação de serviços de importação realizada por uma empresa por conta e ordem de uma outra chamada adquirente quanto a importação promovida por pessoa jurídica importadora para revenda a uma outra dita encomendante predeterminada devem atender a determinadas condições previstas na legislação. Assim, estabelece o suporte infralegal que a importação por conta e ordem de terceiro é um serviço prestado por uma empresa – a importadora –, a qual promove, em seu nome, o despacho aduaneiro de importação de mercadorias adquiridas por outra empresa – a adquirente –, em razão de contrato previamente firmado, que pode compreender ainda a prestação de outros serviços relacionados com a transação comercial, como a realização de cotação de preços e a intermediação comercial (art. 1º da IN SRF nº 225/02 e art. 12, § 1°, I, da IN SRF nº 247/02). Com efeito, na importação por conta e ordem, embora a atuação da empresa importadora possa abranger desde a simples execução do despacho de importação até a intermediação da negociação no exterior, contratação do transporte, seguro, entre outros, o importador de fato é a adquirente, a mandante da importação, aquela que efetivamente faz vir a mercadoria de outro país, em razão da compra internacional; embora, nesse caso, o faça por via de interposta pessoa – a importadora por conta e ordem –, que é uma mera mandatária da adquirente, ou seja uma mera prestadora de serviços. Dessa forma, mesmo que a importadora por conta e ordem efetue os pagamentos ao fornecedor estrangeiro, antecipados ou não, não se caracteriza uma operação por sua conta própria, mas, sim, entre o exportador estrangeiro e a empresa adquirente, pois desta se originam os recursos financeiros. Para que uma operação de importação por conta e ordem de terceiro seja realizada de forma perfeitamente regular, é necessário, antes de tudo, que tanto a empresa adquirente quanto a empresa importadora estivessem habilitadas para operar no Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex), nos termos da IN SRF nº 650, de 2006 e IN RFB nº 1.288, de 2012, vigentes à época dos fatos respectivos. Dessa forma, além de providenciar a sua própria habilitação, a pessoa jurídica que contrata empresa para operar por sua conta e ordem deve apresentar, à unidade da RFB com jurisdição para fiscalização aduaneira sobre o seu estabelecimento matriz, cópia do contrato de prestação dos serviços de importação firmado entre as duas empresas (adquirente e importadora), caracterizando a natureza de sua vinculação, a fim de que a Fl. 1590DF CARF MF 26 contratada seja vinculada no Siscomex como importadora por conta e ordem da contratante, pelo prazo previsto no contrato. Por sua vez, o arcabouço infralegal estabelece que a importação por encomenda é aquela em que uma empresa adquire mercadorias no exterior com recursos próprios e promove o seu despacho aduaneiro de importação, a fim de revendêlas, posteriormente, a uma empresa encomendante previamente determinada, em razão de contrato entre a importadora e a encomendante, cujo objeto deve compreender, pelo menos, o prazo ou as operações pactuadas (art. 2º, § 1º, I e II, da IN SRF nº 634/06): Art. 2º O registro da Declaração de Importação (DI) fica condicionado à prévia vinculação do importador por encomenda ao encomendante, no Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex). § 1º Para fins da vinculação a que se refere o caput, o encomendante deverá apresentar à unidade da Secretaria da Receita Federal (SRF) de fiscalização aduaneira com jurisdição sobre o seu estabelecimento matriz, requerimento indicando: I nome empresarial e número de inscrição do importador no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas (CNPJ); e (negritei) II prazo ou operações para os quais o importador foi contratado. Portanto, como na importação por encomenda o importador adquire a mercadoria junto ao exportador no exterior, providencia sua nacionalização e a revende ao encomendante, tal operação tem, para o importador contratado, os mesmos efeitos fiscais de uma importação própria. Em última análise, em que pese a obrigação do importador de revender as mercadorias importadas ao encomendante predeterminado, é aquele e não este que pactua a compra internacional e deve dispor de capacidade econômica para o pagamento da importação, pela via cambial, pois, do contrário, seria considerada uma operação de importação por conta e ordem. Da mesma forma, o encomendante também deve ter capacidade econômica para adquirir, no mercado interno, as mercadorias revendidas pelo importador contratado. Outro efeito importante desse tipo de operação é que, conforme determina o artigo 14 da Lei nº 11.281, de 2006, aplicamse ao importador e ao encomendante as regras de preço de transferência de que tratam os artigos 18 a 24 da Lei nº 9.430, de 1996. Em outras palavras, se o exportador estrangeiro, nos termos dos artigos 23 e 24 dessa lei, estiver domiciliado em país ou dependência com tributação favorecida e/ou for vinculado com o importador ou o encomendante, as regras de “preço de transferência” para a apuração do imposto sobre a renda deverão ser observadas. Para que uma operação de importação por encomenda seja realizada de forma perfeitamente regular, é necessário, antes de tudo, que tanto a empresa encomendante quanto a empresa importadora estivessem habilitadas para operar no Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex), nos termos da IN SRF nº 650, de 2006 e IN RFB nº 1.288, de 2012, vigentes à época dos fatos respectivos. Fl. 1591DF CARF MF Processo nº 10909.720881/201412 Acórdão n.º 3302005.379 S3C3T2 Fl. 1.579 27 Dessa forma, além de providenciar a sua própria habilitação, a pessoa jurídica que encomenda mercadorias importadas a uma outra empresa deve apresentar, à unidade da RFB com jurisdição para fiscalização aduaneira sobre o seu estabelecimento matriz, cópia do contrato firmado entre as duas empresas (encomendante e importadora), caracterizando a natureza de sua vinculação, a fim de que a contratada seja vinculada à encomendante no Siscomex, pelo prazo ou operações previstos no contrato. Adicionalmente, devese ressalvar que por força da presunção legal estabelecida no § 2º do artigo 11 da Lei nº 11.281/06, se a importadora e a encomendante não cumprirem com todos os requisitos e condições estabelecidos na legislação de importação por encomenda, para fins fiscais, a importação realizada será considerada por conta e ordem de terceiro e acarretará para a empresa encomendante: · Que ela seja responsável solidária pelo Imposto de Importação e eventuais penalidades relativas a esse imposto aplicáveis à operação; · Que ela seja equiparada a estabelecimento industrial e, consequentemente, contribuinte do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) incidente nas operações que realizar com as mercadorias importadas; e · A aplicação das mesmas normas de incidência das contribuições para o PIS/PASEP e COFINS sobre a sua receita bruta que são aplicáveis ao importador comum. Diante das exigências e modus operandi estabelecidos na legislação quanto à importação indireta, verificase do cotejo dos artigos 23, inciso V, §§ 1º e 3º, do DecretoLei nº 1.455, de 1976, com redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002 que são elementos essenciais para caracterizar a interposição fraudulenta, os seguintes atores operacionais: • A presença de um adquirente/encomendante oculto; • A presença do importador interposto, importador ostensivo, que realiza os trâmites do despacho de importação com se estivesse importando por conta própria. Delineado assim o marco regulatório quanto às modalidades admitidas na legislação aduaneira, quais sejam: a) Importação por conta própria; b) Importação por conta e ordem de terceiro e c) importação por encomenda, analisarseá os fundamentos da fiscalização e o lastro probatório que deram suporte à autuação. DA CARACTERIZAÇÃO DA INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA Da análise do Relatório Fiscal e das peças instrutórias carreadas aos autos pela fiscalização inferese que a autoridade lançadora de forma minudente, contextualizou os fatos envolvidos na presente autuação à luz da legislação de regência e demonstrou de forma sequenciada todo o procedimento realizado para apuração da veracidade das informações na DI nº. 13/04120289, de 04/03/2013. Através de excertos do RF a seguir transcritos, contatase que a conclusão da fiscalização está respaldada em farta documentação que compõe o caderno processual, conforme a seguir contextualizado. Fl. 1592DF CARF MF 28 DAS CARACTERÍSTICAS DA OPERAÇÃO DE IMPORTAÇÃO DI Nº 13/04120289: Na citada DI o contribuinte DM8 declarou sob as penas da lei tratarse de importação “direta”, realizada por sua própria conta e ordem, figurando como “Importador” e como “Adquirente da Mercadoria” (vide campos próprios na 1a. folha do extrato da DI no Anexo I). DA RETIFICAÇÃO DA DI, APÓS INSTAURADO O PROCEDIMENTO ESPECIAL Esclarece a fiscalização: Decorridos 22 (vinte e dois) dias, em resposta ao Termo de Intimação Fiscal Nº 84/2013, o importador por meio do protocolo nº 004.359/201389, recebido em 23/04/2013, apresentou o Extrato da Solicitação de Retificação da DI Nº 01, alegando ter sido retificada a DI “conforme exigência fiscal”. Destaca a fiscalização: Fl. 1593DF CARF MF Processo nº 10909.720881/201412 Acórdão n.º 3302005.379 S3C3T2 Fl. 1.580 29 Em nenhum momento a Fiscalização firmou exigência para que a DI fosse retificada, haja vista ter sido relatado no Termo de Início a suspeita de ocultação (vide tópico 7.7 relativo à retificação da DI) Em resposta ao Termo de Intimação Fiscal Nº 84/2013, o importador por meio de protocolo SAFIA/ALF/ITJ, recebido em 26/06/2013, apresentou documentos/esclarecimentos em relação aos itens 7, 8 e 12 da intimação e CÓPIA NÃO ASSINADA do Extrato da Solicitação de Retificação da DI Nº 02. A Solicitação de Retificação da DI Nº 02 (25/06/2013) teve o fito específico de incluir o encomendante no campo próprio da DI. A inclusão do encomendante só foi possível após a IRF/São Paulo, em nível de Reconsideração, no eprocesso nº 10814.724164/2013 38, deferir a Revisão de Estimativa da MAMO e alterar sua ficha de habilitação no Siscomex para a submodalidade ILIMITADA. O trâmite processual ocorreu ANTERIORMENTE à prestação de informações à Receita Federal, com base no empréstimo obtido pela MAMO em 30/04/2013. MOTIVAÇÃO DA OCULTAÇÃO Constatase do RF que durante a análise documental, embora a DI tenha sido registrada como uma importação por conta própria da DM8, os documentos instrutivos do despacho indicavam a pessoa jurídica MAMO CONFECÇÕES LTDA ME, CNPJ nº 11.268.411/000189 em seus campos, a exemplo do Conhecimento de Carga, B/L nº HGPITJ1300171, em seu campo “Marks and Number” , fl.120, nas Faturas Comerciais nos campos "Messrs" e “Ordered to”, Faturas Comerciais: FORTUNE PROVIDER LTD nº. LJT20121009, JARLLY (HONGKONG) INTERNATIONAL TRADE CO., LIMITED nº.JI2012003 e WENZHOU BEST LEATHER CO., LTD nº. BST12GW143), indicando que a operação tinha sido operacionalizada por ordem da MAMO, bem como no Paking List, fl.128/135. Referida empresa MAMO, indicada nos documentos instrutórios da DI em análise, como suposta real adquirente das mercadorias, foi habilitada a operar no comércio exterior em 31/10/2012, com ficha de habilitação cadastrada no sistema Radar sob o nº 12/00479944 na modalidade pessoa jurídica, submodalidade 4LIMITADA. A título de esclarecimento, cumpre destacar que a diferença básica entre a habilitação no Siscomex na modalidade simplificada, submodalidade pequena monta, e a modalidade ordinária, é que a primeira define um limite de importação de cento e cinquenta mil dólares no período de seis meses, e a segunda não. Na modalidade ordinária são feitas estimativas de valor, com base na análise da capacidade econômicofinanceira da empresa. 4 A pessoa jurídica habilitada na submodalidade LIMITADA poderá realizar operações de importação com cobertura cambial, em cada período consecutivo de 6 (seis) meses, até o limite de US$ 150.000,00 (cento e cinquenta mil dólares norteamericanos), ou o equivalente em outra moeda, consideradas pelo valor CIF (Cost, Insurance and Freight) das mercadorias importadas, se importada por via aquaviária ou equivalente se importada por outros modais (art. 4º do ADE Coana nº 33, de 20129), obedecendo ao seguinte critério: Fl. 1594DF CARF MF 30 Para empresas habilitadas na modalidade simplificada, tendo em vista o limite imposto pela legislação, o próprio Siscomex, automaticamente, impede o registro de declaração de importação quando o valor da declaração a ser registrada, somado aos valores das outras declarações já registradas no período anterior de seis meses, ultrapassar o valor de cento e cinqüenta mil dólares. Portanto, as empresas que pretendem importar em valores superiores a cinqüenta mil dólares no período de seis meses devem pleitear a habilitação no Siscomex na modalidade ordinária. Caso deferido o pedido de habilitação na modalidade ordinária, a empresa requerente é comunicada das estimativas para as quais foi habilitada a operar e, neste caso, o Siscomex, independentemente de valor, não impede o registro de quaisquer declarações de importação, mesmo que o valor importado seja superior a estimativa definida pela Receita Federal do Brasil. Com base no exposto, em 04/03/2013, data do registro da DI em litígio, o valor permitido para a empresa MAMO importar era de US$ 147.785,79 (valor permitido para o mês em curso ═ US$ 150.000,00 – US$ 2.214,2110). A presente DI foi registrada com o valor de US$ 160.453,33. Afirma o RF: Assim, em que pese o fato de uma pessoa jurídica habilitada na submodalidade LIMITADA poder importar por intermédio de terceiros, seja por sua conta e ordem, seja por sua encomenda, o limite a ser objeto de crítica pelo sistema nessas situações será sempre o seu, que no caso é de US$ 150.000,00. Portanto, ainda que a DM8 tivesse indicado a MAMO como encomendante, o registro da DI teria sido impossibilitado, haja vista a modalidade de habilitação dessa última. O limite de importação a ser analisado só seria o do importador se a MAMO estivesse habilitada na submodalidade ILIMITADA, que não era o caso em 04/03/2013. Afastase portanto a premissa meritória da defesa de mero equívoco nas informações, pois conforme destacado, a empresa DM8 sabedora da impossibilidade de identificar a empresa MAMO como adquirente, optou por ocultála, visto que o registro da DI em 04/03/2013 teria sido impossibilitado pelo sistema Siscomex, dado o montante do valor importado de US$160.453,33, ou seja a DI individualmente ultrapassa o limite estabelecido de US$ 150.000,00. Ainda com relação à motivação já destacada, ressalta a fiscalização: Nesta operação de importação o dano ao Erário não decorre da quebra de cadeia de IPI e da equiparação legal do encomendante à industrial, pois no momento da importação as mercadorias estavam com as ALÍQUOTAS do IPI reduzidas a ZERO. Decorre que houve BURLA À NORMA, aos sistemas da RFB e o encomendante não estava habilitado a importar acima do limite estabelecido naquele momento, HAVIA IMPEDIMENTO NORMATIVO, LEGAL. O fato é que a MAMO sequer tinha recursos na empresa para a operação de importação. Tais recursos provieram muito tempo Fl. 1595DF CARF MF Processo nº 10909.720881/201412 Acórdão n.º 3302005.379 S3C3T2 Fl. 1.581 31 após o registro da declaração de importação, oriundos de empréstimo bancário garantido pela FEP CONFECÇÕES LTDA FEP e de transferência bancária por parte da FEP. Outro motivo: o valor da importação era incompatível com o patrimônio líquido e capital social da encomendante MAMO. Quando do registro da DI, o encomendante apresentava Patrimônio Líquido Negativo, ficando a importação sujeita à exigência de garantia como condição para a entrega das mercadorias ou desembaraço aduaneiro, nos termos do art. 11 da Lei nº 11.281/06, segundo balancete apresentado. Para corroborar o suposto equívoco no preenchimento da declaração, arguem as recorrentes sobre a existência do contrato entre a DM8 e a MAMO, ocorre que o contrato, fls. 179/197, pela qual a empresa DM8 se declara na condição de importador para revenda a encomendante predeterminado, foi apresentado à Alfândega de Itajaí (SC) em 07/03/2013, posteriormente ao registro da DI, quando já se encontrava o importador sob Procedimento Especial de Controle Aduaneiro. Com efeito, diferentemente do que alega a defesa, de mero equívoco, demonstrou a fiscalização que a empresa DM8 não era a real adquirente, mas que revendeu as mercadorias a encomendante predeterminado em desacordo ao estabelecido na legislação já referida, tornandose nesse caso pela dicção do § 2º da Lei nº 11.281, de 2006, importação presumida por conta e ordem de terceiros, para fins de aplicação do disposto nos arts. 77 a 81 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, haja vista que é na Declaração de Importação, documento eleito pelo legislador para que as informações acerca da operação de importação sejam disponibilizadas à autoridade aduaneira, que devem estar consignados os dados reais quanto aos intervenientes na operação de importação, notadamente no caso de revenda a encomendante predeterminado, nos termos do art. 2º, § 1º, I e II, da IN SRF nº 634/06, que condiciona o registro da DI à prévia vinculação do importador por encomenda ao encomendante, no Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex). Observese que, se a importação foi realizada por encomendante predeterminado, em sua operacionalização, deveriam ter sido observadas as normas que regem esse tipo de operação, o que não ocorreu, visto que importadora e encomendante não cumpriram com os requisitos e condições estabelecidos na legislação de importação por encomenda, ensejando para fins fiscais, que a importação realizada será considerada por conta e ordem de terceiro. Verificase que de fato houve a importação seguida de venda no mercado interno, para a empresa MAMO, conforme nota fiscal de fls.1.153/1.156, de 18/06/2013, no valor de R$ 640.975,67, cuja quantidade de caixas de papelão transportadas, correspondem a 1.242, caixas, idêntica quantidade de volumes registrados na DI, fl. 106, quando, em verdade, o que se pretendia era que o verdadeiro encomendante/adquirente não fosse detectado pelos controles do comércio exterior. Do acima exposto podese inferir que a empresa DM8 ocultou a empresa MAMO Confecções Ltda ME, informando na DI que as mercadorias seriam próprias, quando se tratava de uma pretendida operação por encomenda, ostensivamente demonstrada à fiscalização aduaneira, após a retificação da DI, visto que também oculta estava a empresa FEP, na medida em que esta participou efetivamente com o adiantamento de recursos financeiros para que a MAMO pudesse justificar aumento de capital social, quando, Fl. 1596DF CARF MF 32 sabidamente a empresa não possuía capacidade financeira para atuar como interveniente na importação, como encomendante predeterminado. DA ORIGEM, DISPONIBILIDADE E TRANSFERÊNCIA DOS RECURSOS EMPREGADOS NA OPERAÇÃO DE IMPORTAÇÃO Constatou a fiscalização durante o procedimento especial, já aludido: Ademais, ficou cabalmente demonstrado a utilização de recursos de terceiros para o pagamento da operação de importação. A FEP efetivou o pagamento parcial da operação de importação mediante transferências eletrônicas da conta 0140.172651: em 25/07/2013 e 15/08/2013, nos valores R$ 34.061,93 e R$ 150.930,00. A operação de importação foi COORDENADA pelo sócioadministrador da FEP, Sr.Francisco Evilasio de Paiva Silva, o qual participou do empréstimo bancário de R$ 700.000,00 realizado em favor da MAMO em 30/04/2013, assinando como DEVEDOR SOLIDÁRIO e responsável pela obrigação assumida Observase que das respostas apresentadas às intimações: INTIMAÇÃO FISCAL Nº 224/2013, DA INTIMAÇÃO FISCAL Nº 235/2013, DA INTIMAÇÃO FISCAL Nº 252/2013, INTIMAÇÕES FISCAIS Nº 237/2013 – Nº 288/2013 – Nº 315/2013 MAMO CONFECÇÕES LTDA ME, fls. 525/1.160, DA INTIMAÇÃO FISCAL Nº 348/2013 e INTIMAÇÃO FISCAL Nº 113/2014, constatou a fiscalização: a) depósitos na conta corrente da DM8, relativos aos repasses por parte da MAMO e FEP para quitação da operação de importação, conforme recortes dos extratos: b) empréstimo, com devedor solidário (FEP) estranho ao capital social, primeiramente foi utilizado para obter a revisão da estimativa, possibilitando ao importador DM8 incluir o encomendante MAMO no campo próprio da DI no Siscomex e solicitar a retificação da DI, e, posteriormente, para quitar parcialmente a operação de importação; c) em 26/09/2013, somente depois de intimada a comprovar as origens à Receita Federal, a MAMO apresentou o Instrumento Particular de Assunção de Dívida com Dação em Pagamento e Outras Avenças, firmado em 24/06/2013 pelas empresas DM8, MAMO e FEP. As informações acima consignadas, extraídas do relatório fiscal estão em consonância com as seguintes respostas oferecidas à fiscalização pela empresa DM8, em 27/03/2013, fl.148: Fl. 1597DF CARF MF Processo nº 10909.720881/201412 Acórdão n.º 3302005.379 S3C3T2 Fl. 1.582 33 "1) DISCRIMINAR OS DESEMBOLSOS; EFETUADOS PARA A VIABILIZAÇÃO DA OPERAÇÃO DE IMPORTAÇÃO RELATIVA À DI MENCIONADA, PARA PAGAMENTO AO EXPORTADOR, TRIBUTOS E TAXAS E DEMAIS PAGAMENTOS (COMAS RESPECTIVAS DATAS DOS PAGAMENTOS);" O pagamento ao exportador ocorrerá em data futura conforme informado na DI 13/04120289, folha 2/14, logo, ainda não ocorreu desembolso vinculado a pagamento para o exportador; "2) CÓPIA AUTENTICADA DO CONTRATO DE CÂMBIO RELATIVO AO PAGAMENTO DA MERCADORIA AMPARADA PELA DI CITADA, COM OS CORRESPONDENTES COMPROVANTES DE LIQUIDAÇÃO/' Conforme citado anteriormente, o pagamento ao exportador ocorrerá em data futura conforme informado na DI 13/04120289, folha 2/14, Importa também destacar que conforme o TIF, fl. 1.150, a mercadoria apos a decisão judicial e prestação de garantia, foi entregue ao importador em 17/06/2013. DA PARTICIPAÇÃO DA FEP E DO SR. FRANCISCO EVILÁSIO DE PAIVA SILVA Além das questões acima já destacadas, é importante ainda ressaltar para melhor compreensão dos fatos com relação à participação da empresa FEP, as respostas ao Termo de Intimação TIF 84/2013, em 29/05/2013 e 26/06/2013, fls.227/235: Identificação completa das pessoas responsáveis pela negociação e transação comercial da parte da empresa importadora, com a indicação dos respectivos nomes completos,endereços, telefones, faxes, emails, mapas e sítios na Internet; Os responsáveis pela negociação e transação comercial foram os integrantes da equipe da DM8 Comércio e Serviços LTDA, sendo que no processo negocial também participaram em alguns momentos os colaboradores da empresa MAMO CONFECÇÕES LTDA ME, posto que aquela empresa é interessada na transação comercial. MAMO CONFECÇÕES LTDA ME ‐ encomendante Nome: Francisco Evilásio de Paiva Silva Endereço: R. Nicola Plzanol28 Telefone: (11)981784099 e‐mails: franciscoepaiva@gmail.com Site: www.mamobrasil.com.br O Sr. Francisco é marido da Sra. Juliana Ribeiro Paiva, sócia da empresa MAMO CONFECÇÕES LTDA ME, e, na condição de procurador, foi pessoalmente até os fornecedores para fazer a escolha dos modelos e da quantidade de peças a serem Fl. 1598DF CARF MF 34 importadas, conforme se pode verificar a partir dos emails em anexo (doe. 03) Declaração informando como se deu a transação comercial internacional entre as partes, desde seu início, entre o importador e o exportador, anexando toda a documentação de negociação e cotação de preços, contendo as informações das quantidades e valores acordados, e toda a correspondência comercial trocada com o exportador, inclusive via correio eletrônico (email). Instrução pelo doe. 04.a Declaração Instrução pelo doe. 04.b emails: MAMO CONFECÇÕES: 04.b.i) emails trocados com exportador Wenzhou Best LeatherCo.. Ltd 04.b.ü) emails trocados com exportador Jarllv (Hongkong) International Trade Co.. Limited 04.b.iii) emails trocados com exportador Fortune Provider Ltd (Venço) DM8: 4.b.iv) emails trocados com os exportadores Conforme se pode verificar a partir dos emails constantes do Doe. 4.b.i, 4.b.ii e 4.b.üi, a MAMO CONFECÇÕES LTDA ME promoveu a prospecção de fornecedores e elegeu as peças/quantidades a serem importadas. Inclusive a Sra. Mónica Chang Sui, a qual aparece nos emails, é estilista funcionária da empresa MAMO e foi a responsável pelo (...) Das respostas acima, constatou a fiscalização que Sr. FRANCISCO EVILÁSIO DE PAIVA SILVA, na condição de PROCURADOR da empresa MAMO, é o COORDENADOR de toda a operação da importação. Também é sócioadministrador da F.E.P.CONFECÇÕES LTDA, empresa carrochefe do quadro societário familiar, com 99% das cotas do capital social (1% pertence à sua esposa Juliana, sóciaadministradora da MAMO). Os seguintes excertos da decisão de piso, assim esclarecem: O que a fiscalização constatou, e a FEP não foi capaz de minimamente argumentar em sentido contrário em sua impugnação, foi a participação direta da empresa e do seu sócio na aquisição das mercadorias importadas pela DM8, com ocultação da MAMO, evidenciando que a FEP fazia parte da negociação realizada, inclusive pagando pelas mercadorias de forma indireta, mas que, deliberadamente, tentou permanecer fora do alcance das autoridades, valendose, para isto, da interposição de outra empresa do grupo que não possuía capacidade financeira ou operacional para realizar tal importação, no caso, a MAMO. DA NATUREZA DA OPERAÇÃO Prevê a Instrução Normativa SRF nº 228 de 21/10/2002: Art. 13. A prestação de informação ou a apresentação de documentos que não traduzam a realidade das operações Fl. 1599DF CARF MF Processo nº 10909.720881/201412 Acórdão n.º 3302005.379 S3C3T2 Fl. 1.583 35 comerciais ou dos verdadeiros vínculos das pessoas com a empresa caracteriza simulação e falsidade ideológica ou material dos documentos de instrução das declarações aduaneiras, sujeitando os responsáveis às sanções penais cabíveis, nos termos do Código Penal (Decreto lei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940) ou da Lei nº 8.137, de 27 de dezembro de 1990, além da aplicação da pena de perdimento das mercadorias, nos termos do art. 105 do Decretolei nº 37, de 18 de novembro de 1966.(grifei). Trazendose à colação as lições de 5De Plácido e Silva, entendese por simulação, uma declaração enganosa de vontade, visando produzir efeito diverso do ostensivamente indicado. As partes criam um negócio com finalidade de encobrir outro negócio jurídico que produzirá efeitos proibidos na lei. Do cotejo dos dispositivos normativos já referenciados no presente voto, notadamente o art. 23, inciso V, §§ 1º e 3º, do DecretoLei n° 1.455, de 7 de abril de 1976, com a redação dada pelo art. 59 da Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002 c/c o art. 27 da Lei nº 10.637, de 2002 e artigo 13 da IN SRF nº 228 de 21/10/2002, com a análise fática das operações de importação de que trata o presente processo verificase que efetivamente, o importador, empresa DM8 prestou informações na Declaração de Importação, documento base do despacho aduaneiro, que não correspondem à realidade dos fatos, visto que pela análise probatória ficou sobejamente demonstrado que o importador de fato, ou adquirente da mercadoria, aquele que efetivamente promoveu a operação de importação estava oculto na operação de importação respectiva, ficando assim caracterizada a interposição fraudulenta nas respectivas operações, visto que a DM8, além de importadora, uma vez que promoveu o despacho de importação, serviu de INTERPOSTA PESSOA ao encomendante ostensivo da operação, empresa MAMO, já que se declarou como encomendante da mercadoria, no contrato apresentado posteriormente ao registro da DI, quando já sob procedimento fiscal. Os fatos assim demonstrados à luz da legislação de regência, configuram a ocorrência de fraude ou simulação uma vez que a operação de importação foi formal e ostensivamente declarada ao Fisco como sendo por conta própria, mas efetivamente foi realizada mediante interposição de uma pessoa jurídica, que promoveu a importação por conta e ordem de terceiro, com ocultação do verdadeiro adquirente. DA RESPONSABILIDADE POR INFRAÇÕES Observese que com a ordem jurídica inaugurada pela Constituição de 1988, por força do artigo 237, a fiscalização e o controle sobre o comércio exterior sob a competência do Ministério da Fazenda têm sido objeto de regramento específico, sobressaindose no ordenamento jurídico pátrio um arcabouço normativo destinado a disciplinar as operações de comércio exterior que pela natureza eminentemente regulatória, situase além do disciplinamento no âmbito do Direito Tributário para alcançar sobretudo o controle das operações de comércio exterior em seu aspecto multidiscipliar, merecendo destaque a 5 De Plácido e Silva, em Vocabulário Jurídico, 11ª ed. Rio de Janeiro, Forense, 1991, pág.235 [..] Simulação no sentido jurídico, sem fugir ao sentido normal, é o ato jurídico aparentado enganosamente ou com fingimento, para esconder a real intenção ou para subversão da verdade. Na simulação, pois, visam sempre os simuladores a fins ocultos para engano e prejuízo de terceiros. Fl. 1600DF CARF MF 36 legislação aduaneira que trata das infrações aduaneiras e das penalidades a elas aplicáveis, no âmbito do controle aduaneiro. Com relação ao tema, a lei aduaneira definiu as relações entre os coobrigados no caso de infrações conforme a seguir indicado: DecretoLei nº 37, de 1966: Art.94 Constitui infração toda ação ou omissão, voluntária ou involuntária, que importe inobservância, por parte da pessoa natural ou jurídica, de norma estabelecida neste DecretoLei, no seu regulamento ou em ato administrativo de caráter normativo destinado a completálos. § 1º O regulamento e demais atos administrativos não poderão estabelecer ou disciplinar obrigação, nem definir infração ou cominar penalidade que estejam autorizadas ou previstas em lei. § 2º Salvo disposição expressa em contrário, a responsabilidade por infração independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato.(grifei). Art.95 Respondem pela infração: I conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie; II conjunta ou isoladamente, o proprietário e o consignatário do veículo, quanto à que decorrer do exercício de atividade própria do veículo, ou de ação ou omissão de seus tripulantes; III o comandante ou condutor de veículo nos casos do inciso anterior, quando o veículo proceder do exterior sem estar consignada a pessoa natural ou jurídica estabelecida no ponto de destino; IV a pessoa natural ou jurídica, em razão do despacho que promover, de qualquer mercadoria. V conjunta ou isoladamente, o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso da importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora. VI conjunta ou isoladamente, o encomendante predeterminado que adquire mercadoria de procedência estrangeira de pessoa jurídica importadora. Dispõe o Regulamento Aduaneiro/2009: Art. 674. Respondem pela infração (DecretoLei nº 37, de 1966, art. 95): I conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática ou dela se beneficie; (...); Fl. 1601DF CARF MF Processo nº 10909.720881/201412 Acórdão n.º 3302005.379 S3C3T2 Fl. 1.584 37 IV a pessoa física ou jurídica, em razão do despacho que promova, de qualquer mercadoria; V conjunta ou isoladamente, o importador e o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso de importação realizada por conta e ordem deste, por intermédio de pessoa jurídica importadora (DecretoLei nº 37, de 1966, art. 95, inciso V, com a redação dada pela Medida Provisória no 2.15835, de 2001, art. 78); e VI conjunta ou isoladamente, o importador e o encomendante predeterminado que adquire mercadoria de procedência estrangeira de pessoa jurídica importadora (DecretoLei nº 37, de 1966, art. 95, inciso VI, com a redação dada pela Lei no 11.281, de 2006, art. 12). Parágrafo único. Para fins de aplicação do disposto no inciso V, presumese por conta e ordem de terceiro a operação de comércio exterior realizada mediante utilização de recursos deste, ou em desacordo com os requisitos e condições estabelecidos na forma da alínea “b” do inciso I do § 1o do art. 106 (Lei nº 10.637, de 2002, art. 27; e Lei nº 11.281, de 2006, art. 11, § 2º).(grifei). Notase que a responsabilidade por infrações prevista no do art. 95, inciso I, do art. 95, do Decreto no 37/66, afeta todos aqueles que concorreram ou que se beneficiaram com a prática da infração e nos incisos V e VI alcança especificamente, de forma conjunta ou isolada, o importador e o adquirente/encomendante de mercadoria de procedência estrangeira, no caso de importação realizada por conta e ordem deste, por intermédio de pessoa jurídica importadora, como é o caso dos autos, já demonstrado de forma plena no presente voto. Da legitimidade passiva da empresa FEP Constatase dos autos que a fiscalização adotou como base legal para a responsabilização do solidário FEP, o artigo 95, I do DecretoLei n° 37, de 1966, visto que pelo Relatório Fiscal, restou demonstrada a participação efetiva da citada empresa na infração, notadamente com o adiantamento de recursos financeiros para que a MAMO pudesse justificar aumento de capital social, quando, à época a empresa não possuía capacidade financeira, bem como com depósitos na conta corrente da empresa DM8 para quitar a importação. Vejamse os seguintes excertos do Relatório Fiscal: Ademais, ficou cabalmente demonstrado a utilização de recursos de terceiros para o pagamento da operação de importação. A FEP efetivou o pagamento parcial da operação de importação mediante transferências eletrônicas da conta 0140.172651: em 25/07/2013 e 15/08/2013, nos valores R$ 34.061,93 e R$ 150.930,00. A operação de importação foi COORDENADA pelo sócioadministrador da FEP, Sr.Francisco Evilasio de Paiva Silva, o qual participou do empréstimo bancário de R$ 700.000,00 realizado em favor da MAMO em 30/04/2013, assinando como DEVEDOR SOLIDÁRIO e responsável pela obrigação assumida. Fl. 1602DF CARF MF 38 No presente caso o núcleo infracional acima transcrito deixou evidente o seu alcance, [quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie], assim restou demonstrado pela fiscalização, através da situação fática retratada com relação à recorrente que esta concorreu para a prática da ocultação da empresa MAMO, situação necessária e suficiente para amoldarse à hipótese acima. Cumpre esclarecer que os fatos acima destacados, longe de se afigurarem distorcidos, espelham a situação fática detalhadamente circunstanciada no relatório fiscal, com referebilidade expressa das provas carreadas aos autos, como já acima enfatizado, não tendo as recorrentes em suas peças recursais trazido a prova dos fatos modificativos, impeditivos ou extintivos da exigência sub examine, estando a defesa suportada apenas no singelo argumento do "mero equívoco" cometido na DI, quando restou demonstrado que de fato houve a simulação de uma situação operação por conta própria, com o escopo de ocultar os responsáveis pela operação, a empresa MAMO, ostensivamente apresentada extemporaneamente como encomendante e o garantidor financeiro de sua condição de ecomendante ostensiva na DI, após a retificação, a empresa FEP. A situação em moldura se subsume ao núcleo infracional delineado no inciso V do artigo 23 do DecretoLei nº 1.455, de 1976, com redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002: ...estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) Por fim, em breve síntese, assim conclui a fiscalização: Os fatos repelem a presunção de boafé da impetrante, que se configuraria na única possibilidade de se obstar a penalidade de perdimento dos bens. Os documentos juntados ao processo revelam a intenção da DM8; o fisco apurou os indícios de simulação e ocultação. O importador buscou evidenciar em seus atos posteriores o desfazimento da conduta infratora apurada e comprovada no procedimento especial de controle aduaneiro, tentando elencar elementos para enfraquecer os fatos averiguados. Assim, demonstrada a simulação de uma importação direta no ato do registro da DI, que não expressa a realidade da operação. (...) Frente à impossibilidade de efetuar o registro da DI na modalidade “por encomenda” (uma vez que o Siscomex impediria em função do estouro do limite da MAMO, quanto pela incompatibilidade com o patrimônio líquido, capital social e capacidade econômicofinanceira do encomendante), a DM8 simulou uma importação direta, como forma de burlar os controles aduaneiros e ocultar o real adquirente, estando aí caracterizada a infração. Fl. 1603DF CARF MF Processo nº 10909.720881/201412 Acórdão n.º 3302005.379 S3C3T2 Fl. 1.585 39 Na Declaração de Importação constou a DM8, não só como importadora, mas também como adquirente propriamente dita da mercadoria e, embora tenha tentado corrigir essa distorção, atribuindo à MAMO a qualidade de encomendante das mercadorias, ainda assim a operação não se ajustaria às normas, nos termos dos argumentos expendidos (origem dos recursos). O que se apresenta é o nítido propósito de, a pretexto de efetuar importação em nome próprio, ocultar o real adquirente das mercadorias. (...) A MAMO estava submetida ao referido limite que restringe as importações por encomenda. Habilitada para operar no comércio exterior em 31/10/2012, com Ficha de Habilitação cadastrada no Radar sob o n.º12/00479944, na modalidade “pessoa jurídica”, submodalidade “LIMITADA”; portanto, sujeita à restrição, que somente não seria aplicável se ela estivesse na condição de importador e não de adquirente em uma importação na modalidade “por conta e ordem de terceiros”. (...) Ocorre, que se constasse o nome da MAMO na DI e sendo a operação de importação no valor de US$ 160.453,33, acima do limite para importação para a submodalidade LIMITADA, o que é verificado automaticamente pelo Siscomex, sob monitoração da Coordenação Geral de Administração Aduaneira Coana, não haveria como registrar a DI com o valor acima do limite permitido, porque, seria automaticamente impedido pelo sistema, o que só foi alcançado mediante a ocultação do nome da MAMO na DI. Não se trata, como se percebe, de meras irregularidades formais decorrentes de erros no preenchimento da DI, mas, de propósito deliberado de burlar as normas do fisco, não só porque a empresa DM8 era experimentada em tais operações, mas porque foi ela quem efetuou operação anterior com a encomendante MAMO. Ademais, ficou cabalmente demonstrado a utilização de recursos de terceiros para o pagamento da operação de importação. A FEP efetivou o pagamento parcial da operação de importação mediante transferências eletrônicas da conta 0140.172651: em 25/07/2013 e 15/08/2013, nos valores R$ 34.061,93 e R$ 150.930,00. A operação de importação foi COORDENADA pelo sócioadministrador da FEP, Sr. Francisco Evilasio de Paiva Silva, o qual participou do empréstimo bancário de R$ 700.000,00 realizado em favor da MAMO em 30/04/2013, assinando como DEVEDOR SOLIDÁRIO e responsável pela obrigação assumida. Fl. 1604DF CARF MF 40 Ante o exposto, VOTO POR REJEITAR AS PRELIMINARES E NO MÉRITO, NEGAR PROVIMENTO aos Recursos Voluntários apresentados pelas empresas DM8 e FEP. [Assinado digitalmente] Maria do Socorro Ferreira Aguiar Fl. 1605DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10746.904242/2012-56
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon May 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/03/2010 a 31/03/2010
EXIGÊNCIAS DA FISCALIZAÇÃO QUANTO À FORMA DE APRESENTAÇÃO DA DOCUMENTAÇÃO VERDADE MATERIAL. EXAME DOS DOCUMENTOS APRESENTADOS. CABÍVEL.
A busca da verdade material justifica o exame dos documentos apresentados, ainda que não cumpridas as exigências da fiscalização quanto à forma de apresentação, registrando-se que a norma faculta a apresentação destes em papel.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3301-004.321
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
José Henrique Mauri - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente Substituto), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Suplente convocada), Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: JOSE HENRIQUE MAURI
1.0 = *:*
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PIS/COFINS. Recorrente JOÃO ALVES DE ALMEIDA GOIANO EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/03/2010 a 31/03/2010 EXIGÊNCIAS DA FISCALIZAÇÃO QUANTO À FORMA DE APRESENTAÇÃO DA DOCUMENTAÇÃO VERDADE MATERIAL. EXAME DOS DOCUMENTOS APRESENTADOS. CABÍVEL. A busca da verdade material justifica o exame dos documentos apresentados, ainda que não cumpridas as exigências da fiscalização quanto à forma de apresentação, registrandose que a norma faculta a apresentação destes em papel. Recurso Voluntário Provido em Parte Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente Substituto), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Suplente convocada), Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 74 6. 90 42 42 /2 01 2- 56 Fl. 1438DF CARF MF Processo nº 10746.904242/201256 Acórdão n.º 3301004.321 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão nº 03052.890, proferido pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília. Por meio de Despacho Decisório foi indeferido o pleito constante do Per/DComp transmitido pela contribuinte, em razão da realização de pagamento a maior. A fiscalização contrapondose ao alegado pela parte interessada, constatou a existência de um ou mais débitos, havendo o crédito declarado sido integralmente utilizado para a liquidação desses débitos, resultando na insuficiência de saldo credor para a realização da compensação pretendida. Manifestando a sua inconformidade, consubstanciada no art. 165, I, do CTN, a contribuinte deduziu a sua discordância ao despacho decisório, de acordo com as seguintes razões de defesa: (a) o despacho decisório foi emitido antes da retificação da DCTF e da DACON; (b) a partir da retificação desses documentos tornouse possível a Receita localizar o crédito alegado; e (c) demonstrado a existência do crédito aludido nos moldes de planilha contida na exordial, restou o direito à restituição correspondente. A título de comprovação de direito alegado fez colação aos autos das DCTF e DACON, bem assim de suas respectivas retificadoras e da cópia do DARF pago a maior, para postular pelo acolhimento de sua manifestação e pela insubsistência do aludido despacho. A 4ª Turma da DRJ/BSB julgou improcedente a manifestação de inconformidade e não reconheceu o direito creditório sob o fundamento, em síntese, que não foi comprovada a liquidez e certeza de direito creditório contra a Fazenda Nacional passível de restituição. Em razão do indeferimento de sua manifestação de inconformidade, a contribuinte protocolou recurso voluntário e, para demonstrar o seu direito ao direito alegado, colacionou aos autos documentação comprobatória, e no que atine ao mérito reiterou os termos expendidos na exordial para requerer pelo provimento do seu recurso. Encaminhado o processo para julgamento por este Carf, a 3ª Turma Especial desta Terceira Sessão decidiu pela conversão daquele em diligência, por meio da Resolução 3803000.615. Consta dos autos despacho proferido por autoridade administrativa da SAORT/DRFB em Palmas/TO, em cumprimento ao procedimento de Diligência Fiscal, através da Informação Fiscal SAORT/DRF/PAL/TO, no qual foi realizado o confronto entre as informações provenientes de Declarações da requerente armazenadas nos sistemas de controle da RFB e as constantes nos documentos fiscais apresentados (planilhas e notas fiscais), onde propôs o deferimento parcial do Pedido de Restituição, reconhecendo assim o direito creditório em favor do requerente no montante ali expresso. Fl. 1439DF CARF MF Processo nº 10746.904242/201256 Acórdão n.º 3301004.321 S3C3T1 Fl. 4 3 Cientificada do resultado da diligência, a contribuinte declarou que está de acordo com os valores propostos pela autoridade fiscal perante o CARF, conforme Informação Fiscal SAORT/DRF/PAL/TO constante nos autos. É o relatório. Voto Conselheiro José Henrique Mauri, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301004.279, de 20 de março de 2018, proferido no julgamento do processo 10746.904178/201211, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301004.279): "A recorrente bem coloca a discussão, no recurso voluntário que apresentou: A Delegacia de Julgamento julgou improcedente a manifestação de inconformidade por entender que, para se comprovar a existência de crédito supostamente decorrente de pagamento a maior, a simples entrega de declarações retificadoras não é bastante e que "é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábil fiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração", ônus este, da contribuinte. Em seu recurso a esta decisão de primeira instância, a contribuinte juntou livros contábeis e fiscais, além de notas fiscais. Fl. 1440DF CARF MF Processo nº 10746.904242/201256 Acórdão n.º 3301004.321 S3C3T1 Fl. 5 4 Sucederamse então exigências da fiscalização quanto à forma de apresentação da documentação. Registrese que a norma faculta a apresentação desta em papel. Tal questão fora ultrapassada por resolução de Turma desta CARF, a qual determinou que se baixassem os autos em diligência, em apreço ao princípio da verdade material, "com vistas à apuração e pronunciamento acerca da existência de direito creditório, e se o mesmo é o bastante suficiente (sic) para a liquidação dos débitos indicados no Per/DComp transmitido", o que fez acertadamente, a meu ver. A norma em pauta, Lei nº 10.833/03, artigos 58A e 58B (revogados em 2015, mas vigentes à época dos fatos), de fato, dá direito à redução 0% as alíquotas do PIS e da Cofins em relação às receitas auferidas por comerciantes atacadistas e varejistas, decorrentes da venda dos produtos lá especificados, o que fora verificado em sede de diligência A recorrente traz indevidamente tal questão como preliminar. Seguem os dispositivos legais referidos: Por fim, ultrapassada a relatada questão da apresentação de documentos, o resultado da diligência demonstrou o acerto parcial dos valores que a contribuinte pretende ter como crédito, propondo "deferimento parcial do PER sob nº 01179.52590.291210.1.2.046407, reconhecendo o direito creditório em favor da requerente no montante original de R$ 14,76" (grifos do original), com o que concordo. Fl. 1441DF CARF MF Processo nº 10746.904242/201256 Acórdão n.º 3301004.321 S3C3T1 Fl. 6 5 Assim, por todo o exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o resultado da diligência demonstrou o acerto parcial dos valores que a contribuinte pretende ter como crédito, propondo o deferimento parcial do PER apresentado, reconhecendo o direito creditório em favor da requerente no montante original expresso na Informação Fiscal SAORT/DRF/PAL/TO constante nos autos, com o que concordo. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu dar provimento parcial ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Fl. 1442DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10850.001764/2006-69
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 30/10/2002
Ementa:
EMBARGOS INOMINADOS. ERRO MATERIAL. EQUÍVOCO RECONHECIDO.
Identificado o erro material tal equívoco deve ser sanado, sem que isso implique em efeitos infringentes.
Embargos acolhidos apenas para fins de retificação de erro material.
Numero da decisão: 3402-005.254
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos Inominados para retificar o erro material no acórdão embargado.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente.
(assinado digitalmente)
Diego Diniz Ribeiro - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: DIEGO DINIZ RIBEIRO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 30/10/2002 Ementa: EMBARGOS INOMINADOS. ERRO MATERIAL. EQUÍVOCO RECONHECIDO. Identificado o erro material tal equívoco deve ser sanado, sem que isso implique em efeitos infringentes. Embargos acolhidos apenas para fins de retificação de erro material.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos Inominados para retificar o erro material no acórdão embargado. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente. (assinado digitalmente) Diego Diniz Ribeiro - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
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HOLDING S/A ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/10/2002 Ementa: EMBARGOS INOMINADOS. ERRO MATERIAL. EQUÍVOCO RECONHECIDO. Identificado o erro material tal equívoco deve ser sanado, sem que isso implique em efeitos infringentes. Embargos acolhidos apenas para fins de retificação de erro material. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos Inominados para retificar o erro material no acórdão embargado. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente. (assinado digitalmente) Diego Diniz Ribeiro Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro e Carlos Augusto Daniel Neto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 0. 00 17 64 /2 00 6- 69 Fl. 313DF CARF MF 2 Relatório 1. Tratase de processo administrativo decorrente da apresentação de manifestação de inconformidade contra despacho decisório que indeferiu pedido de restituição do contribuinte, manifestação essa julgada improcedente pela DRJ de Ribeirão Preto. 2. Diante deste quadro, o contribuinte interpôs recurso voluntário alegando a legitimidade do seu crédito, bem como a submissão do Poder Executivo ao precedente vinculante do STF veiculado no âmbito do julgamento do RE n. 390.840/MG. Tal recurso foi provido por esta Turma julgadora, conforme retratado no acórdão n. 3402004.87 (fls. 300/303). 3. Ocorre que, em sede de cumprimento da decisão alhures mencionada, o titular da unidade da administração tributária encarregada da liquidação e execução do acórdão, interpôs os embargos de declaração de fls. 308/309, tendo por escopo suprir erro material. 4. Tal recurso foi admitido pelo r. despacho de fls. 311/312. 5. É o relatório. Voto Conselheiro Diego Diniz Ribeiro 6. O recurso interposto é tempestivo e preenche os demais pressupostos formais de admissibilidade, motivo pelo qual dele tomo conhecimento. 7. No mérito tal recurso merece ser provido, já que de fato possui notório erro material. Isso porque, ao se analisar o teor do relatório do voto embargado, bem como sua parte dispositiva, este Relator, por um lapso, afirmou que o presente caso tratarseia de compensação declarada pelo contribuinte e não homologada pelo fisco, enquanto que, em verdade, o que se tem aqui é pedido de restituição indeferido pela fiscalização. 8. Tal lapso está presente tanto no relatório do voto, quando na sua parte dispositiva, motivo pelo qual os embargos inominados interpostos devem ser conhecidos e provido para a retificação do acórdão embargado. Dispositivo 9. Ante o exposto, voto por conhecer e dar provimento aos embargos inominados interpostos, sem efeitos infringentes, devendo o acórdão embargado ser retificado para que, onde se lê 1. Tratase de processo administrativo decorrente da apresentação de manifestação de inconformidade contra despacho decisório que não homologou compensação declarada pelo contribuinte... seja lido 1. Tratase de processo administrativo decorrente da apresentação de manifestação de inconformidade contra Fl. 314DF CARF MF Processo nº 10850.001764/200669 Acórdão n.º 3402005.254 S3C4T2 Fl. 314 3 despacho decisório que indeferiu pedido de restituição apresentado pelo contribuinte... bem como para que, onde se lê 10. Diante do exposto voto por dar provimento ao recurso voluntário interposto pelo contribuinte, reconhecendo a juridicidade do crédito por ele vindicado, de modo que a compensação apresentada pelo contribuinte seja analisada pela RFB apenas para fins de apuração quanto à exatidão do montante compensado. seja lido 10. Diante do exposto voto por dar provimento ao recurso voluntário interposto pelo contribuinte, reconhecendo a juridicidade do crédito por ele vindicado, de modo que o pedido de restituição apresentado pelo contribuinte seja analisado pela RFB apenas para fins de apuração quanto à exatidão do montante compensado. 10. É como voto. (assinado digitalmente) Diego Diniz Ribeiro Relator. Fl. 315DF CARF MF
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