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Numero do processo: 17883.000093/2009-23
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ
Ano calendário:2004, 2005, 2006, 2007
NULIDADE. AUTO DE INFRAÇÃO. Descabe a alegação de nulidade
quando a autoridade fiscal observa os procedimentos fiscais previstos na legislação tributária.
LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO QUINQUENAL.
DECADÊNCIA. IRPJ. O Imposto de Renda Pessoa Jurídica inserese
na relação dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação. Contudo, quando não há o pagamento do imposto, a contagem de prazo decadencial se dá à luz do art. 173, I, do CTN.
O lançamento decorrente de CSLL deve acompanhar o que ficou decidido quanto ao IRPJ.
Numero da decisão: 1401-000.814
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e negar provimento ao recurso voluntário.
Nome do relator: Mauricio Pereira Faro
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AUTO DE INFRAÇÃO. Descabe a alegação de nulidade quando a autoridade fiscal observa os procedimentos fiscais previstos na legislação tributária. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO QUINQUENAL. DECADÊNCIA. IRPJ. O Imposto de Renda Pessoa Jurídica inserese na relação dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação. Contudo, quando não há o pagamento do imposto, a contagem de prazo decadencial se dá à luz do art. 173, I, do CTN. O lançamento decorrente de CSLL deve acompanhar o que ficou decidido quanto ao IRPJ. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e negar provimento ao recurso voluntário. Assinado digitalmente Jorge Celso Freire da Silva Presidente Assinado digitalmente Maurício Pereira Faro – Relator Participaram do julgamento os conselheiros Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Mauricio Pereira Faro, Sergio Luiz Bezerra Presta, Antonio Bezerra Neto. Fl. 4006DF CARF MF Impresso em 17/08/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2012 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 16/08/201 2 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/08/2012 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 17883.000093/200923 Acórdão n.º 140100.814 S1C4T1 Fl. 2 2 Relatório Tratase de recurso voluntário contra o Acórdão nº 1227.031, da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal Rio de JaneiroRJ1. Por economia processual, adoto e transcrevo o relatório constante na decisão de primeira instância: 1. Versa o presente processo administrativo fiscal sobre autos de infração lavrados contra o interessado em epígrafe em 13/05/2009. Foi constituído crédito tributário de Imposto de Renda Pessoa Jurídica — IRPJ (fls. 928 a 934) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido — CSLL (fls. 941 a 947), referente a fatos geradores ocorridos nos anoscalendário de 2004, 2005, 2006 e 2007. 2. Consta, no "Demonstrativo Consolidado do Crédito Tributário do Processo" (fl. 03), que os autos de infração lavrados, depois de formalizados, totalizaram o montante a pagar de R$ 29.745.371,08, já incluídos os valores devidos a título de tributo, de multa de oficio de 110 75% e 112,5% e de juros de mora, calculados até 30/04/2009. 3. As autoridades autuantes, além de relacionarem as infrações apuradas no corpo dos autos de infração, pormenorizaramnas no Termo de Constatação acostado aos autos (fls. 886 a 889), no qual relatam o resultado da auditoria fiscal. 4. Em primeiro lugar, aduzem que o interessado optou pelo Lucro Real trimestral, nos anoscalendário de 2004 e 2005, e pelo Lucro Presumido, nos anoscalendário de 2006 e 2007. 5. Asseveram que com fundamento nas notas fiscais emitidas pelo interessado e disponibilizadas pelos seus fornecedores, apurou omissão de receita conforme demonstrativo de fl. 890 (infração 001 — Omissão de Receitas e 004 — Omissão de Receita da Atividade — a partir do AC 93). 6. Observam que, no quarto trimestre de 2004, o interessado deduziu na DIPJ 2005 o Imposto de Renda Retido na Fonte sobre pagamento efetuado por órgãos públicos, no valor de R$ 501.578,62. Mediante consulta à DIRF, foi constatado que o interessado poderia ter compensado apenas o valor de R$ 438.615,12. Assim, foi glosado o valor de R$ 62.963,00 por falta de comprovação, de acordo com os demonstrativos de fl. 891 (infração 003 — Deduções Indevidas de Retenções/Antecipações de Imposto Não Comprovadas). 7. Informam que o interessado, embora devidamente intimado por duas vezes, não comprovou por intermédio de documentos hábeis e idôneos a causa de diversos pagamentos realizados por meio de suas contas bancárias, de acordo com o demonstrativo de fls. 893 Fl. 4007DF CARF MF Impresso em 17/08/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2012 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 16/08/201 2 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/08/2012 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 17883.000093/200923 Acórdão n.º 140100.814 S1C4T1 Fl. 3 3 a 912. Desta forma, glosaram os custos e despesas correspondentes (infração 002 — Custos, Despesas Operacionais e Encargos Não Necessários). 8. Ademais, constataram que o interessado declarou na DIPJ 2007, a título de IRPJ a pagar, em relação ao 3º trimestre, o valor de R$ 333.926,87, e, em relação ao 4º trimestre, o montante de R$ 381.252,73. Portanto, como tais valores não constam das DCTF dos períodos correspondentes, procederam ao lançamento de oficio (infração 005 — Diferença entre o Valor Escriturado e o Declarado/Pago). 9. O lançamento de CSLL referese apenas às infrações 001, 002 e 004. 10. O interessado, que tomou ciência dos autos de infração em 29/05/2009 apresentou impugnação em 26/06/2009, nos termos da petição acostada aos autos (fls. 960 a 975). Alega, em apertada síntese, o que segue abaixo: 10.1 Em primeiro lugar, alega que as autoridades autuantes cometeram erro de direito ao não cumprirem as formalidades necessárias e imprescindíveis para a validade dos autos de infração, conforme determina o art. 10 do Decreto 70.235/1972. 10.2 Entende que deve ser declarada a nulidade dos autos de infração em decorrência da apresentação de documentos sem numeração, sem indicação do processo e com códigos e linguagens impossíveis de serem entendidos, com a finalidade de dificultar o entendimento e impedir sua defesa. Tal fato representa desrespeito aos princípios do contraditório e da ampla defesa. 10.3 Declara que a fiscalização alegou pagamentos a beneficiários não identificados e desclassificou todos os pagamentos desvinculados da operação de aluguel de imóvel junto à FCA — Angraporto, que foi sublocado à Petrobrás e à Queiroz Gaivão. 10.4 Detalha os contratos firmados com a Petrobrás para dizer que as autoridades autuantes desconsideraram a documentação apresentada no curso da fiscalização e também não analisaram todos os livros fiscais, que demonstrariam inexistir as infrações imputadas. 10.5 O procedimento fiscal deveria ter sido nas contas de receitas, não nas contas de despesas. Ademais, se a empresa paga seus tributos com fulcro na sistemática do lucro presumido, sua escrita contábil pode ser simplificada e não precisa apresentar todos os documentos como na sistemática do lucro real. 10.6 É impossível apurar as receitas por intermédio da mera análise das despesas, principalmente quando a apuração é feita por amostragem. 10.7 Alega que a fiscalização pretende descaracterizar uma legítima e legal operação comercial, autorizada pela Constituição Federal. Fl. 4008DF CARF MF Impresso em 17/08/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2012 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 16/08/201 2 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/08/2012 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 17883.000093/200923 Acórdão n.º 140100.814 S1C4T1 Fl. 4 4 10.8 Argumenta ainda que a fiscalização desclassificou a escrita fiscal, ilegalmente, arbitrou o lucro do período relativos aos anos calendário de 2004 a 2007, e desconsiderou as notas fiscais anuladas por erro de preenchimento. 10.9 Alega a decadência do direito do Fisco constituir por intermédio de lançamento crédito tributário imbricado com os fatos geradores ocorridos até 28/05/2004, com base no art. 150, § 4°, do Código Tributário Nacional. 10.10 Aduz a inconstitucionalidade e ilegalidade da legislação fiscal que dá suporte ao lançamento da multa de 112,50%, por ter efeito de confisco. 10.11 Em resumo, requer que sejam cancelados os autos de infração. Analisando a impugnação apresentada entendeu a 1ª Turma da DRJ/RJ1, por unanimidade de votos, considerar procedente o lançamento, mantendo o crédito tributário exigido. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007 NULIDADE. AUTO DE INFRAÇÃO. Descabe a alegação de nulidade quando a autoridade fiscal observa os procedimentos fiscais previstos na legislação tributária. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO QUINQUENAL. DECADÊNCIA. IRPJ. O Imposto de Renda Pessoa Jurídica inserese na relação dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação. Contudo, quando não há o pagamento do imposto, a contagem de prazo decadencial se dá à luz do art. 173, I, do CTN. OMISSÃO DE RECEITA. Cabível o lançamento de oficio quando constatada omissão de receita por meio do confronto entre as notas fiscais emitidas e os valores informados na DIPJ. FALTA DE RECOLHIMENTO. RETENÇÃO NA FONTE POR ÓRGÃO PÚBLICO. Deve ser exigida a diferença de IRPJ não recolhido em face de redução de fonte maior que a comprovada. DIPJ. CONFISSÃO DE DÍVIDA. Os saldos a pagar de tributos e contribuições informados na Declaração de Informações Integradas da Pessoa Jurídica, a partir do anocalendário de 1999, não se revestem dos requisitos necessários para a sua inscrição em dívida ativa, não sendo, portanto, confissão de dívida. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Fl. 4009DF CARF MF Impresso em 17/08/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2012 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 16/08/201 2 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/08/2012 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 17883.000093/200923 Acórdão n.º 140100.814 S1C4T1 Fl. 5 5 Cabível o lançamento de oficio do IRPJ apurado com fundamento nas informações insertas nas DIPJ referentes aos anoscalendário posteriores a 1998 e que deixou de ser declarado por meio de DCTF. LUCRO REAL. DESPESAS OPERACIONAIS. DEDUTIBILIDADE. Cabe ao contribuinte a comprovação da necessidade das despesas para fins de apuração do lucro real. MULTA DE OFÍCIO. Presentes os pressupostos estabelecidos em lei para aplicação de multa de oficio, a autoridade tem não só o poder, mas também o dever, de aplicála no percentual previsto na legislação tributária. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE. Não compete à autoridade administrativa a apreciação das questões de constitucionalidade e legalidade das normas tributárias, cabendolhe observar a legislação em vigor. CSLL. O lançamento decorrente de CSLL deve acompanhar o que ficou decidido quanto ao IRPJ. Inconformada, a Recorrente apresentou o presente recurso voluntário, limitandose a sustentar a nulidade do auto e a decadência de parte do crédito tributário. É o relatório. Voto Conselheiro Maurício Pereira Faro Conheço do presente Recurso Voluntário, visto que atende aos pressupostos de admissibilidade. Da delimitação da lide Não obstante o presente auto de infração, bem como o acórdão da DRJ ter tratado de diversas questões de mérito, a Recorrente não contesta a ocorrência da materialidade das mesmas, sendo, portanto, consideradas matérias preclusas, não fazendo parte da presente lide. A Recorrente, a esse respeito, cingese a contestar apenas os autos de infração através de sua nulidade (cerceamento do direito de defesa) e decadência. Preliminar: Cerceamento de Defesa Não obstante os argumentos da recorrente, entendo que não cabem questionamentos do sujeito passivo acerca da validade do procedimento fiscal, haja vista que não há nele vício que comprometa a validade do lançamento. Ao contrário do que entende o Recorrente, o auto de infração em estudo se revestiu de todas as formalidades legais previstas pelo art.10 do Decreto n° 70.235/1972, com as alterações posteriores. Fl. 4010DF CARF MF Impresso em 17/08/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2012 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 16/08/201 2 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/08/2012 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 17883.000093/200923 Acórdão n.º 140100.814 S1C4T1 Fl. 6 6 Da análise dos autos, verificase que houve descrição detalhada das infrações, assim como de seu enquadramento legal. A matéria e a determinação da exigência tributária estão perfeitamente identificadas. Observase que o lançamento está acompanhado de todos os elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito e que o mesmo atende todos os requisitos legais, não existindo, portanto, qualquer violação ao princípio da legalidade. Observase que o interessado não demonstra qual teria sido o erro cometido pela fiscalização, no que tange ao mencionado art. 10 do PAF. Dessa forma, não havendo no auto de infração quaisquer imperfeições ou presunções técnicas capazes de viciar a exigência, não procede a alegação de nulidade. Decadência – aplicação do art. 150 do CTN Alega a Recorrente a ocorrência da decadência em crédito tributário imbricado com os fatos geradores ocorridosaté 28/05/2004, com base no art. 150, § 4°, do Código Tributário Nacional. Ademais, não merece reparos a interpretação do Recorrente do artigo 150, § 4°, do CTN. Afinal, ocorre a decadência do direito do Fisco de efetuar o lançamento de oficio e, conseqüentemente, a extinção do crédito tributário, depois do prazo de cinco anos contados do fato gerador, no caso dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação. Contudo, entendo que quando não é efetuado o pagamento do tributo, existe a impossibilidade lógica de se homologar um pagamento que, de fato, não foi realizado. Ou seja,quando inexiste o que homologar, não se pode aplicar o art. 150, § 4°, do CTN. Nessa configuração, o prazo decadencial é de cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que tenha ocorrido o evento tributário (art. 173, I do CTN). O Superior Tribunal de Justiça, analisando a decadência nos casos onde inexiste pagamento, pacificou em sede de julgamento repetitivo, o entendimento de que deve ser aplicado o artigo 173, I do CTN, em textual: . O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito. [...] 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à Fl. 4011DF CARF MF Impresso em 17/08/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2012 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 16/08/201 2 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/08/2012 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 17883.000093/200923 Acórdão n.º 140100.814 S1C4T1 Fl. 7 7 ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. (REsp 973733 SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009) No caso em exame, como o primeiro fato gerador ocorreu em março de 2004, a decadência do direito do Fisco proceder ao lançamento de IRPJ ocorreria em 01/01/2010, já que o termo inicial do prazo qüinqüenal se deu em 01/01/2005. Como a ciência do presente auto de infração ocorreu em 29/05/2009, há que se reconhecer a legalidade do mesmo. Ante o exposto, rejeito as preliminares e nego provimento ao recurso voluntário. Assinado digitalmente Mauricio Pereira Faro Relator Fl. 4012DF CARF MF Impresso em 17/08/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2012 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 16/08/201 2 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/08/2012 por MAURICIO PEREIRA FARO
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Numero do processo: 10680.014631/2008-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 04 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Oct 30 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2004
EMBARGOS INOMINADOS. ACEITAÇÃO.
Constatado vício em acórdão, decorrente de equívoco quanto à contagem do prazo recursal, é de rigor acatar os Embargos Inominado, conferindo-lhes efeitos infringentes, para corrigir a falha apontada e atestar a tempestividade do Recurso Voluntário interposto. Ato contínuo, devem ser analisadas as razões recursais do contribuinte.
DEPÓSITO BANCÁRIO A DESCOBERTO. ÔNUS DA PROVA. MATÉRIA SUMULADA. SUJEITO PASSIVO É O TITULAR DA CONTA BANCÁRIA.
Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1° de janeiro de 1997, o art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, autoriza a presunção legal de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. Não comprovada a origem dos depósitos em conta corrente bancária, deve ser mantido o lançamento tributário. De acordo com a Súmula CARF nº 26, a presunção estabelecida pelo citado dispositivo legal dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada.
Nestes casos, o lançamento em razão da omissão de receita deve ser lavrado em desfavor do titular da conta bancária.
RECURSO DESTITUÍDO DE PROVAS.
O recurso deverá ser instruído com os documentos que fundamentem as alegações do interessado. É, portanto, ônus do contribuinte a perfeita instrução probatória.
ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. MATÉRIA SUMULADA.
De acordo com o disposto na Súmula nº 02, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
MULTA DE OFÍCIO DE 75%. APLICABILIDADE.
A multa de ofício é prevista em disposição legal específica e tem como suporte fático a revisão de lançamento, pela autoridade administrativa competente, que implique imposto ou diferença de imposto a pagar. Nos casos de lançamento de ofício, onde resultou comprovada a insuficiência do recolhimento de imposto, é exigível a multa de ofício por expressa determinação legal.
MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO.
A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu.
MULTA QUALIFICADA. NÃO COMPROVAÇÃO DE DOLO. DESCABIMENTO.
As condutas que justificam a imposição de multa de ofício qualificada estão elencadas nos artigos 71 a 73 da Lei nº 4.502/64, sendo dever do Fisco comprová-las para a aplicação da alíquota majorada.
TAXA SELIC. INCIDÊNCIA. MATÉRIA SUMULADA.
De acordo com o disposto na Súmula CARF nº 04, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
Numero da decisão: 2201-003.974
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os embargos inominados interpostos, para, sanando o erro apontado, conhecer do recurso voluntário interposto e no mérito, dar-lhe provimento parcial nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim - Relator.
EDITADO EM: 25/10/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Daniel Melo Mendes Bezerra, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim
Nome do relator: RODRIGO MONTEIRO LOUREIRO AMORIM
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ACEITAÇÃO. Constatado vício em acórdão, decorrente de equívoco quanto à contagem do prazo recursal, é de rigor acatar os Embargos Inominado, conferindolhes efeitos infringentes, para corrigir a falha apontada e atestar a tempestividade do Recurso Voluntário interposto. Ato contínuo, devem ser analisadas as razões recursais do contribuinte. DEPÓSITO BANCÁRIO A DESCOBERTO. ÔNUS DA PROVA. MATÉRIA SUMULADA. SUJEITO PASSIVO É O TITULAR DA CONTA BANCÁRIA. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1° de janeiro de 1997, o art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, autoriza a presunção legal de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. Não comprovada a origem dos depósitos em conta corrente bancária, deve ser mantido o lançamento tributário. De acordo com a Súmula CARF nº 26, a presunção estabelecida pelo citado dispositivo legal dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Nestes casos, o lançamento em razão da omissão de receita deve ser lavrado em desfavor do titular da conta bancária. RECURSO DESTITUÍDO DE PROVAS. O recurso deverá ser instruído com os documentos que fundamentem as alegações do interessado. É, portanto, ônus do contribuinte a perfeita instrução probatória. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. MATÉRIA SUMULADA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 01 46 31 /2 00 8- 13 Fl. 253DF CARF MF Processo nº 10680.014631/200813 Acórdão n.º 2201003.974 S2C2T1 Fl. 254 2 De acordo com o disposto na Súmula nº 02, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. MULTA DE OFÍCIO DE 75%. APLICABILIDADE. A multa de ofício é prevista em disposição legal específica e tem como suporte fático a revisão de lançamento, pela autoridade administrativa competente, que implique imposto ou diferença de imposto a pagar. Nos casos de lançamento de ofício, onde resultou comprovada a insuficiência do recolhimento de imposto, é exigível a multa de ofício por expressa determinação legal. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu. MULTA QUALIFICADA. NÃO COMPROVAÇÃO DE DOLO. DESCABIMENTO. As condutas que justificam a imposição de multa de ofício qualificada estão elencadas nos artigos 71 a 73 da Lei nº 4.502/64, sendo dever do Fisco comproválas para a aplicação da alíquota majorada. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA. MATÉRIA SUMULADA. De acordo com o disposto na Súmula CARF nº 04, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os embargos inominados interpostos, para, sanando o erro apontado, conhecer do recurso voluntário interposto e no mérito, darlhe provimento parcial nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator. EDITADO EM: 25/10/2017 Fl. 254DF CARF MF Processo nº 10680.014631/200813 Acórdão n.º 2201003.974 S2C2T1 Fl. 255 3 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Daniel Melo Mendes Bezerra, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relatório Tratamse de Embargos Inominados opostos pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Belo Horizonte/MG (fl. 249), sugerindo a devolução dos autos ao CARF para reanálise do acórdão nº 2201003.257 (fls. 228/232), ante a constatação da tempestividade do recurso apresentado pela contribuinte. Como bem verificado pelo Presidente desta Turma Ordinária através do despacho de admissibilidade de fls. 251/252, houve vício no acórdão nº 2201003.257, pois a contagem do prazo recursal apresentada naquela ocasião não computou o feriado nacional da Sextafeira da Paixão (Paixão de Cristo), ocorrido em 10/04/2009. A contribuinte foi cientificada da decisão de primeira instância em 11/03/2009 (quartafeira), conforme AR de fl. 206. Neste sentido, o prazo de 30 dias para apresentação do recurso findaria em 10/04/2009 (sextafeira). No entanto, conforme exposto, tal data foi um feriado nacional, o que provoca a postergação do prazo para o primeiro dia útil subsequente, qual seja, o dia 13/04/2009 (segundafeira), que foi justamente a data de apresentação do recurso voluntário (fl. 210). Portanto, verificado o vício apontado, acato os Embargos Inominados de fl. 249, conferindolhes efeitos infringentes, para corrigir a falha no acórdão nº 2201003.257 e atestar a tempestividade do Recurso Voluntário interposto pela RECORRENTE. Neste sentido, passo a analisar o recurso voluntário. Cuidase de Recurso Voluntário de fls. 210/221 interposto contra a Decisão da DRJ em Brasília/DF, de fls. 192/203, que julgou procedente o lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física IRPF de fls. 06/10, lavrado em 03/11/2008, relativo aos anoscalendário 2004, com ciência da RECORRENTE em 14/11/2008 (fl. 157). O crédito tributário objeto do presente processo administrativo foi apurado no valor de R$ 1.333.382,97, já inclusos juros de mora (até o mês da lavratura) e multa de ofício de 150%. O Termo de Verificação Fiscal – TVF encontrase acostado às fls. 11/22. O presente processo já foi apreciado por esta Turma julgadora na sessão de 12/07/2016, por meio do Acórdão nº 2201003.257 (fls. 228/232). No entanto, o Recurso Voluntário ora analisado deixou de ser apreciado ante a constatação de sua suposta intempestividade. A ora DRF de origem apresentou Embargos Inominados de fl. 249, os quais foram acolhidos pelo despacho de admissibilidade de fls. 251/252, “com vistas a submeter os autos ao julgamento das questões aduzidas no Recurso Voluntário”, uma vez que foi afastada a intempestividade do recurso. Fl. 255DF CARF MF Processo nº 10680.014631/200813 Acórdão n.º 2201003.974 S2C2T1 Fl. 256 4 Face ao exposto, adoto os termos do relatório relativo ao Acórdão nº 2201 003.257 (fls. 228/232): “Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, 5ª Turma da DRJ/BHE (Fls. 192), na decisão recorrida, que transcrevo abaixo: ‘Contra Claudina Rodrigues Bonfim, CPF 630.485.66600, foi lavrado o Auto de Infração de fls. 4 a 8, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2005, ano calendário 2004, formalizando a exigência de imposto suplementar no valor de R$ 448.829,60, acrescido de multa de oficio e juros de mora calculados até 31/10/2008. O lançamento decorre da tributação de rendimentos tidos como omitidos provenientes de valores depositados/creditados em contas bancárias de titularidade da contribuinte, uma vez que a interessada, regularmente intimada, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações financeiras (explicações e planilhas às fls. 9 a 19). Como enquadramento legal são citados, entre outros, os seguintes dispositivos: art. 42 e 44 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e art. 849 do Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999, Regulamento do Imposto de Renda – RIR/1999. Cientificada em 14/11/2008 (Aviso de Recebimento, AR à fl. 134), em 04/12/2008, a contribuinte apresenta a impugnação de fls. 136 a 164, instruída com os documentos de fls. 165 a 167, argumentando, em síntese, que: a acusação de omissão de receitas, simulação e dissimulação, fraude e dolo feita no Auto de Infração resulta de presunção que é repelida pelo direito. O Fisco deve provar o teor da acusação. O lançamento baseado em presunção não pode subsistir, por ofensa aos princípios da legalidade, moralidade e tipicidade (arts. 5 0, II, 37 e 150, I da Constituição da República Federativa do Brasil, de 5 de outubro de 1988) e por descumprimento do dever de investigar previsto no art. 142 do Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, CTN. Ademais, a dúvida favorece o sujeito passivo (art. 112 do CTN). De acordo com o § 1° do art. 79 do Decretolei n° 5.844, de 1943, os esclarecimentos prestados só poderão ser impugnados pelos lançadores com elemento seguro de prova ou indício veemente de falsidade ou inexatidão; o dolo não se presume deve ser comprovado. A Constituição da República Federativa do Brasil, art. 5 0, LXIII, dá ao sujeito passivo o direito de não produzir prova contra si mesmo. A participação do sujeito passivo na apuração do crédito tributário representa mero dever acessório, não elimina o dever de o Fisco provar a ocorrência do fato gerador, pois o lançamento, atividade Fl. 256DF CARF MF Processo nº 10680.014631/200813 Acórdão n.º 2201003.974 S2C2T1 Fl. 257 5 vinculada e obrigatória, compete privativamente à autoridade administrativa. Não cabe ao contribuinte provar a inocorrência do fato gerador, incumbe, isto sim, ao Fisco demonstrar a sua ocorrência. Não há na lei a presunção de legitimidade do lançamento; o lançamento fundado em presunção fere o CTN (arts. 43, 97, I, III, IV e V, 112, 113, § 1°, 114, 139 e 142), a CF (arts. 5º, II, LIV e LV, 37, 145, § 1º, 150, I, 153, III e 154, I). A falta de prova dos fatos imputados ao sujeito passivo mostra ser irregular o lançamento atacado; antes de presumir a ocorrência de omissão de receita ou renda tributáveis, a União deveria examinar se a impugnante movimentou dinheiro relativo a empréstimos, doações ou mera transferências do banco para o caixa ou do caixa para o banco. Se o Fisco presume receitas deveria também presumir redutores da receita (despesas, abatimentos, deduções, etc) em prol da autuada; o Fisco sem autorização judicial obteve extratos bancários da impugnante, violando os princípios constitucionais de que trata o art. 5º, incs. X, XII e LXI. O lançamento é nulo, pois são inadmissíveis no processo as provas obtidas por meios ilícitos (art. 5º, LVI da CF). A Lei Complementar n° 105, de 2001, deveria se limitar a hipóteses e ritos, sem ultrapassar a barreira constitucional; o lançamento com base exclusivamente em depósitos bancários é ilegal. Os depósitos não representam disponibilidade de renda ou de acréscimo patrimonial tributável. De acordo com a Súmula n° 182 do TFR, é ilegítimo o lançamento do imposto de renda arbitrado com base apenas em extratos ou depósitos bancários. O art. 9° do Decretolei n° 2.471, de 1988, determina o cancelamento dos processos administrativos relativos ao imposto de renda arbitrado com base exclusivamente em depósitos bancários; a conexão entre depósito bancário e acréscimo patrimonial é precária, já que é pacificamente admitido que há um grande número de casos concretos de depósitos que não constituem acréscimo de patrimônio. Constituiria comprovação do acréscimo patrimonial o fato de o contribuinte não provar que determinado depósito não constitui aumento de patrimônio? Neste caso, a comprovação do acréscimo patrimonial se identificaria com a ausência de prova, o que é um absurdo; depósitos bancários podem representar situações estranhas à incidência do imposto (equívoco da pessoa física, bens de terceiros, ingressos não tributáveis, rendimentos oferecidos à tributação); o art. 71 da Lei 4.502 alude a ação ou omissão dolosa. No caso, não há prova de dolo, não há, ao menos, prova de omissão de receita tributável. A impugnante não usou Fl. 257DF CARF MF Processo nº 10680.014631/200813 Acórdão n.º 2201003.974 S2C2T1 Fl. 258 6 interposta pessoa, depositou o dinheiro em contas bancárias que são rastreáveis. Deste modo, não se pode inferir que houve dolo; o dolo penal ou fraude fiscal devem ser comprovados pelo Fisco. Na hipótese dos autos, não se pode concluir que houve dolo, pois pode ter havido esquecimento ou desorganização; a multa lançada é excessiva, tem efeito confiscatório, ofende os princípios da proporcionalidade, da razoabilidade e da individualização das penas, impede investimentos pessoais e profissionais e pode obrigar a impugnante a grandes sacrifícios, comprometendo sua sobrevivência; a cobrança de juros moratórios com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic) é ilegal e inconstitucional. Os juros Selic não foram criados por lei nem são fixos segundo critério de lei. Os juros não podem incidir sobre a multa, que é acessório do tributo. Ao longo da peça impugnatória, cita doutrina e jurisprudência judicial que entende virem ao encontro de seus argumentos e, por fim, requer, seja julgado improcedente o lançamento.’ Passo adiante, a 5ª Turma da DRJ/BHE entendeu por bem julgar o lançamento procedente, em decisão que restou assim ementada: ‘DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, no seu art. 42, estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. MULTA QUALIFICADA. A multa de oficio de 150% é aplicável sempre que presentes os elementos que caracterizam, em tese, o evidente intuito de fraude.’ Cientificada em 11/03/2009 (Fls. 206), a Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 13/04/2009 (fls. 210 a 221), reforçando os argumentos apresentados quando da impugnação. Em 21/06/2012, aprouve a egrégia 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento, sobrestar o julgamento, matéria em debate no Supremo Tribunal Federal no rito da repercussão geral com base fisco (art. 62ª, §§, do Anexo II, do RICARF).” Fl. 258DF CARF MF Processo nº 10680.014631/200813 Acórdão n.º 2201003.974 S2C2T1 Fl. 259 7 DO RECURSO VOLUNTÁRIO Em face à decisão da DRJ, a RECORRENTE apresentou o Recurso Voluntário de fls. 210/221, cuja tempestividade já foi atestada pelo Despacho de Admissibilidade dos Embargos de Declaração (fls. 251/252). As razões expostas são praticamente as mesmas alegações de defesas apresentadas na Impugnação, cujos termos já foram transcritos no Relatório do Acórdão nº 2201003.257 e encontramse replicados acima. Apresento, abaixo, as razões do inconformismo em tópicos: Lançamento realizado sem provas ou demonstração de qualquer conduta ilícita; Lançamento exclusivamente com base em presunção de que depósitos bancários retratariam renda, é manifestamente ilegal; Multa aplicada em patamar flagrantemente desproporcional e com manifesta a natureza confiscatória, portanto, inconstitucional e ilegal; redução da multa agravada, pois esta somente pode ser aplicada quando verificada a hipótese descrita na lei, não sendo passíveis de presunção as hipóteses de fraude, dolo ou simulação; e Ilegalidade da cobrança de juros de mora aferidos com esteio na taxa SELIC. Este recurso voluntário compôs lote sorteado para este relator em Sessão Pública. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais, razões por que dele conheço. Depósitos Bancários sem Origem Comprovada Foi lançado o imposto de renda relativo a efetuados em duas contas de poupança da contribuinte, ao longo do ano 2004, cujos extratos encontramse acostados às fls. 33/80. Fl. 259DF CARF MF Processo nº 10680.014631/200813 Acórdão n.º 2201003.974 S2C2T1 Fl. 260 8 Durante a ação fiscal, a RECORRENTE foi intimada por diversas vezes para a comprovar, mediante apresentação de documentação hábil e idônea, coincidentes em datas e valores, a origem dos recursos depositados/creditados conforme planilha de fl. 132/141. No entanto, todas as vezes em que foi intimada, a contribuinte deixou de prestar os esclarecimentos sob diversas alegações (documentos apreendidos pela polícia federal, processo judicial em caráter sigiloso, estava dispendendo tempo com ação penal, não podendo atender ao pedido do auditor, etc.). Após mais de um ano de prorrogações de prazo, a autoridade fiscal realizou o lançamento do IRPF com base em depósitos bancários sem origem comprovada, no valor total de R$ 1.642.289,84. No que diz aos depósitos bancários sem origem comprovada, o RECORRENTE alega que os mesmos “acusação de omissão de receitas se baseou, estritamente, em suposições de que singelos depósitos bancários seriam aptos para atestarem a superveniência de acréscimos patrimoniais a descoberto, sem, contudo, apresentação de qualquer prova ou indício que permitissem conclusões neste sentido”. Acrescentou que “o Fisco deveria examinar as condições da Recorrente, isto é, se esta movimentou dinheiro referente a empréstimos, doações, meras transferências interbancárias ou de caixa para banco”, pois “lançar exclusivamente com base em presunção de que depósitos bancários retratariam renda, é manifestamente ilegal”. No entanto, não merece subsistir o inconformismo do RECORRENTE. Em princípio, devese esclarecer que o art. 42 da Lei nº 9.430/1996 prevê expressamente que os valores creditados em conta de depósito que não tenham sua origem comprovada caracterizamse como omissão de rendimento para efeitos de tributação do imposto de renda, nos seguintes termos: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. A presunção de omissão de receita estabelecida pelo art. 42 da Lei nº 9.430/96 autoriza o lançamento quando a autoridade fiscal verificar a ocorrência do fato previsto, não sendo necessária a comprovação do consumo dos valores. A referida matéria já foi, inclusive, sumulada por este CARF, razão pela qual é dever invocar a Súmula nº 26 transcrita a seguir: “SÚMULA CARF Nº 26 A presunção estabelecida no art. 42 da Lei Nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada.” Portanto, ao contrário do que defende a RECORRENTE, é legal a presunção de omissão de rendimentos por depósitos bancários de origem não comprovada, a qual pode ser elidida por prova em contrário, o que não aconteceu no presente caso. Fl. 260DF CARF MF Processo nº 10680.014631/200813 Acórdão n.º 2201003.974 S2C2T1 Fl. 261 9 A única forma de elidir a tributação é a comprovação, pelo contribuinte, da origem dos recursos depositados nas contas correntes mediante documentação hábil e idônea. Neste sentido, conforme exposto, a RECORRENTE não apresenta nenhuma comprovação da origem dos recursos depositados em sua conta. Apenas se limita a alegar a ilegalidade do lançamento com base em presunção. Para afastar a autuação, a RECORRENTE deveria apresentar comprovação documental referente a cada um dos depósitos individualizadamente, nos termos do §3º do art. 42 da Lei nº 9.430/1996. O art. 15 do Decreto nº 70.235/72 determina que a defesa do contribuinte deve estar acompanhada de toda a documentação em que se fundamentar: Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Deveria, então, a RECORRENTE ter comprovado a origem dos recursos depositados na sua conta bancária durante a ação fiscal, ou quando da apresentação de sua impugnação/recurso, pois o crédito em seu favor é incontestável. Sobre o mesmo tema, importante transcrever acórdão do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF Anocalendário: 1998 (...) IMPOSTO DE RENDA TRIBUTAÇÃO EXCLUSIVAMENTE COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS REGIME DA LEI Nº 9.430/96 POSSIBILIDADE A partir da vigência do art. 42 da Lei nº 9.430/96, o fisco não mais ficou obrigado a comprovar o consumo da renda representado pelos depósitos bancários de origem não comprovada, a transparecer sinais exteriores de riqueza (acréscimo patrimonial ou dispêndio), incompatíveis com os rendimentos declarados, como ocorria sob égide do revogado parágrafo 5º do art. 6º da Lei nº 8.021/90. Agora, o contribuinte tem que comprovar a origem dos depósitos bancários, sob pena de se presumir que estes são rendimentos omitidos, sujeitos à aplicação da tabela progressiva. (...) Recurso voluntário provido em parte. (1ª Turma da 4ª Câmara da 1ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais; julgamento em 04/02/2009)” Esclareçase, também, que a atividade de lançamento é vinculada e obrigatória, devendo a autoridade fiscal agir conforme estabelece a lei, sob pena de responsabilidade funcional, nos termos do art. 142 do Código Tributário Nacional – CTN: Fl. 261DF CARF MF Processo nº 10680.014631/200813 Acórdão n.º 2201003.974 S2C2T1 Fl. 262 10 “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.” Assim, considero insubsistentes as alegações do RECORRENTE, devendo o lançamento ser mantido, por seus próprios fundamentos, pois a RECORRENTE não apresentou qualquer comprovação da fonte de origem dos depósitos efetuados nas suas contas bancárias. Multas de ofício aplicada em caráter confiscatório O RECORRENTE argumenta que a aplicação da multa de ofício estaria ferindo o princípio do nãoconfisco, motivo pelo qual deveria ser anulada. Afirma que a aplicação da multa “encontra óbice em diversos preceitos insculpidos na Carta Fundamental, mormente por caracterizar autêntico confisco (vedado pelo artigo 150, IV, c/c art. 5.°, XXII e XXIV) e, ainda, por afrontar a legalidade do ato administrativo (art. 37, caput)”. Entendo que também são insubsistentes as alegações do RECORRENTE. O lançamento ora em análise diz respeito à omissão de rendimentos que originou a constituição do crédito tributário. Assim, devese esclarecer que a multa de ofício aplicada decorre de previsão legal em razão do lançamento de ofício, conforme disciplina o art. 44 da Lei nº 9.430/96: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (...) § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis.” Neste sentido, conforme já exposto, o art. 142 do CTN (já transcrito) prevê que a autoridade lançadora tem o dever de lavrar a referida multa de ofício, sob pena de responsabilidade funcional, visto que a atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória. Assim, no momento em que o auditor realiza de ofício o lançamento do imposto de Fl. 262DF CARF MF Processo nº 10680.014631/200813 Acórdão n.º 2201003.974 S2C2T1 Fl. 263 11 renda, deve ser aplicada a multa do art. 44 da Lei nº 9.430/96 sobre o imposto suplementar calculado, por estrita determinação legal. Quanto às alegações de inconstitucionalidade levantadas pela RECORRENTE, sobre a aplicação de multa com suposto efeito de confisco, devese esclarecer que, de acordo com o disposto na Súmula nº 02 deste órgão julgador, esta é matéria estranha à sua competência: “SÚMULA CARF Nº 02 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Conforme já exposto, a aplicação da multa é dever da autoridade fiscal, que tem a obrigação de aplicala sob pena de responsabilidade funcional. Não é, portanto, penalidade aplicada ao livre arbítrio pelo auditor fiscal a ensejar a discussão acerca de seu efeito confiscatório. A análise de tal matéria é de competência do STF, que é o competente pela guarda da Constituição da República, nos termos do art. 102 da Carta Magna. Portanto, não há razão para afastar a aplicação da multa de ofício. Desqualificação da multa No entanto, assiste razão à RECORRENTE ao pleitear a desqualificação da multa agrada aplicada no presente caso. Explico Para a aplicação da multa qualificada, a autoridade lançadora entendeu que a RECORRENTE, ao não comprovar a origem dos créditos, incorre no ato ilícito de sonegação fiscal. Estas foram os únicos argumentos levantados pela fiscalização para qualificação da multa, conforme trecho abaixo transcrito extraído do TVF: “3.7 Como conseqüência da não comprovação da origem dos créditos, tornase passível de tributação por omissão de rendimentos, e mais, a contribuinte, em tese, incorre no ato ilícito de sonegação fiscal conforme preceito legal: ‘Lei n° 4.502/1964: Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: 1 da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente;’” Conforme acima exposto, a sonegação é uma ação ou omissão dolosa praticada pelo contribuinte, na tentativa de impedir ou retardar o conhecimento por parte da Fl. 263DF CARF MF Processo nº 10680.014631/200813 Acórdão n.º 2201003.974 S2C2T1 Fl. 264 12 autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador ou das condições pessoais do contribuinte ou do crédito tributário. Sendo assim, a intenção do contribuinte é determinante para caracterização da sonegação, nos termos da legislação acima apontada. E tal intenção dolosa deve ser provada pelo Fisco. Para o lançamento do IRPF sob análise, em que pese a afirmação de falta de comprovação por parte da contribuinte, temse que a penalidade agravada só seria possível se demonstrado, pelo Fisco, o evidente intuito doloso para fins de tipificação do delito. Contudo, entendo que não houve a demonstração da pratica dolosa pelo sujeito passivo, como prevista nos artigos 71 a 73 da Lei nº 4.502/64. A simples constatação de que foram omitidos rendimentos decorrentes de depósitos bancários sem origem comprovada, sem a comprovação de que tal ato se conformou em ato doloso, para fins de configuração do delito, impossibilita a qualificação da multa. Sobre o tema, transcrevo o teor da Súmula CARF nº 25: "Súmula CARF nº 25: A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64." Portanto, ausentes os motivos previstos no art. 44, §1º, da Lei nº 9.430/96 que determinam o lançamento tributário com multa qualificada, entendo pelo afastamento da multa de ofício qualificada. Ademais, o demonstrativo de multa e juros de mora (fl. 10) aponta que o enquadramento legal da multa é o art. 44, inciso II, da Lei n° 9.430/96. Ora, conforme abaixo exposto, a redação do referido dispositivo é a seguinte: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Ora, é evidente que houve a incorreta capitulação legal da multa qualificada, visto que o art. 44, inciso II, da Lei n° 9.430/96 converge para a aplicação da multa de 50% exigida isoladamente. A redação do referido artigo foi dada pela lei nº 11.488/2007, que entrou em vigor na data de sua publicação (15/06/2007). Portanto, quando da lavratura do presente auto de infração, a redação do art. 44, inciso II, da Lei n° 9.430/96 era a acima transcrita, e não mais tratava da multa qualificada de 150%. O erro no enquadramento legal da multa causa deficiência na motivação do lançamento, prejudicando, consequentemente, a ampla defesa e contraditório dos contribuintes, pois estes necessitam conhecer as razões e fundamentos que lhes estão sendo imputados a fim de exercer o direito de defesa garantido constitucionalmente. Fl. 264DF CARF MF Processo nº 10680.014631/200813 Acórdão n.º 2201003.974 S2C2T1 Fl. 265 13 Também por este motivo, entendo que deve haver a desqualificação da multa pela nulidade da aplicação da multa de 150%, tendo em vista que ela não foi devidamente capitulada em um dos dispositivos apontados pelo art. 44, I, §1º, da Lei nº 9.430/1996, encontrandose mal fundamentada pela autoridade lançadora. Este é o entendimento do CARF, conforme excerto abaixo: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2007 (...) MULTA QUALIFICADA DE 150%. FALTA DE FUNDAMENTAÇÃO E CAPITULAÇÃO. NULIDADE. DESQUALIFICAÇÃO. Apesar de ter havido presumidamente omissão de receitas em valores 50% acima dos declarados pela contribuinte, o Auto de Infração e o Termo de Verificação Fiscal carecem de fundamentação e de devida capitulação legal, devendo ser mantida a desqualificação da multa. Recurso de Ofício Negado (Processo nº 19515.722088/201111; Primeira Seção / 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária do CARF; julgado em 04/02/2016) Em substituição à multa qualificada, deve ser aplicada ao caso a multa de 75%, a qual incide automaticamente em todo lançamento realizado de ofício pelo Fisco, nos termos do art. 44, I, da Lei nº 9.430/1996: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; Taxa Selic A RECORRENTE alega ser indevida a aplicação da correção pela SELIC. No entanto, de acordo com a Súmula nº 04 deste CARF, sobre os créditos tributários, são devidos os juros moratórios calculados à taxa referencial do SELIC, sendo a conferir: “SÚMULA CARF Nº 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.” Fl. 265DF CARF MF Processo nº 10680.014631/200813 Acórdão n.º 2201003.974 S2C2T1 Fl. 266 14 Portanto, não se pode requerer que a autoridade lançadora afaste a aplicação da lei, na medida em que não há permissão ou exceção que autorize o afastamento dos juros moratórios. A aplicação de tal índice de correção e juros moratórios é dever funcional do Fisco. CONCLUSÃO Por todo o acima exposto, voto por conhecer e acolher os embargos inominados opostos para conhecer do recurso voluntário interposto e DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, a fim de desqualificar a multa de ofício aplicada, reduzindoa ao percentual de 75%. (assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator Fl. 266DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10314.723792/2014-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 30 00:00:00 UTC 2017
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 11/01/2011 a 16/01/2014
Ementa:
MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. NULIDADE NÃO CONFIGURADA.
A suposta imprecisão do MPF, ainda que impedisse a precisa identificação temporal para o seu encerramento, não implicaria a sua nulidade e do correlato lançamento, uma vez que não trouxe prejuízo às defesas dos contribuintes e, ainda, porque a data do termo final do MPF tem implicações para fins de resgate da espontaneidade do contribuinte (art. 7o, § 2° do Decreto 70.235/72) e para a configuração da decadência do crédito tributário, mas não para a sua validade formal.
DENEGAÇÃO DE SUSTENTAÇÃO ORAL EM JULGAMENTO DA DELEGACIA REGIONAL DE JULGAMENTO. NULIDADE. INEXISTÊNCIA.
A denegação de sustentação oral em sede de julgamento realizado pela Delegacia Regional de Julgamento não viola o devido processo legal e seus consectários lógicos (contraditório e ampla defesa), uma vez que tais valores jurídicos não são absolutos e devem ser conjugados com outros valores jurídicos também tutelados pelo ordenamento constitucional, tais como celeridade e duração razoável do processo. Ademais, não há previsão legal para tal sustentação oral em sede de DRJ. Precedentes do STF.
ALTERAÇÃO DE CRITÉRIO JURÍDICO. NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. INEXISTÊNCIA.
Haveria alteração de critério jurídico se a decisão recorrida intentasse promover a alteração dos fundamentos fático-jurídicos que sustentaram a acusação fiscal, o que inexiste no caso em tela.
INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. PENA DE PERDIMENTO. PROVA. DIFERENÇA DE IPI NA OPERAÇÃO
O vasto e elucidativo acervo probatório produzido pelo recorrente nos autos é suficiente para demonstrar a inexistência de interposição fraudulenta comprovada no caso em espécie. Em verdade, o que existe são atividades lícitas, promovidas em compasso com as ideias de livre iniciativa privada e autonomia de vontade, sem qualquer mácula de caráter aduaneiro e/ou fiscal. Logo, não há que se falar em incidência de diferenças de IPI nas operações fiscalizadas.
Recursos voluntários providos. Sanção aduaneira exonerada.
Numero da decisão: 3402-004.365
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Waldir Navarro, Pedro Bispo e Jorge Freire. O Conselheiro Jorge Freire apresentou declaração de voto.
Nome do relator: DIEGO DINIZ RIBEIRO
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ementa_s : PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 11/01/2011 a 16/01/2014 Ementa: MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. NULIDADE NÃO CONFIGURADA. A suposta imprecisão do MPF, ainda que impedisse a precisa identificação temporal para o seu encerramento, não implicaria a sua nulidade e do correlato lançamento, uma vez que não trouxe prejuízo às defesas dos contribuintes e, ainda, porque a data do termo final do MPF tem implicações para fins de resgate da espontaneidade do contribuinte (art. 7o, § 2° do Decreto 70.235/72) e para a configuração da decadência do crédito tributário, mas não para a sua validade formal. DENEGAÇÃO DE SUSTENTAÇÃO ORAL EM JULGAMENTO DA DELEGACIA REGIONAL DE JULGAMENTO. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. A denegação de sustentação oral em sede de julgamento realizado pela Delegacia Regional de Julgamento não viola o devido processo legal e seus consectários lógicos (contraditório e ampla defesa), uma vez que tais valores jurídicos não são absolutos e devem ser conjugados com outros valores jurídicos também tutelados pelo ordenamento constitucional, tais como celeridade e duração razoável do processo. Ademais, não há previsão legal para tal sustentação oral em sede de DRJ. Precedentes do STF. ALTERAÇÃO DE CRITÉRIO JURÍDICO. NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. INEXISTÊNCIA. Haveria alteração de critério jurídico se a decisão recorrida intentasse promover a alteração dos fundamentos fático-jurídicos que sustentaram a acusação fiscal, o que inexiste no caso em tela. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. PENA DE PERDIMENTO. PROVA. DIFERENÇA DE IPI NA OPERAÇÃO O vasto e elucidativo acervo probatório produzido pelo recorrente nos autos é suficiente para demonstrar a inexistência de interposição fraudulenta comprovada no caso em espécie. Em verdade, o que existe são atividades lícitas, promovidas em compasso com as ideias de livre iniciativa privada e autonomia de vontade, sem qualquer mácula de caráter aduaneiro e/ou fiscal. Logo, não há que se falar em incidência de diferenças de IPI nas operações fiscalizadas. Recursos voluntários providos. Sanção aduaneira exonerada.
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Recorrida UNIÃO ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 11/01/2011 a 16/01/2014 Ementa: MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. NULIDADE NÃO CONFIGURADA. A suposta imprecisão do MPF, ainda que impedisse a precisa identificação temporal para o seu encerramento, não implicaria a sua nulidade e do correlato lançamento, uma vez que não trouxe prejuízo às defesas dos contribuintes e, ainda, porque a data do termo final do MPF tem implicações para fins de resgate da espontaneidade do contribuinte (art. 7 o , § 2° do Decreto 70.235/72) e para a configuração da decadência do crédito tributário, mas não para a sua validade formal. DENEGAÇÃO DE SUSTENTAÇÃO ORAL EM JULGAMENTO DA DELEGACIA REGIONAL DE JULGAMENTO. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. A denegação de sustentação oral em sede de julgamento realizado pela Delegacia Regional de Julgamento não viola o devido processo legal e seus consectários lógicos (contraditório e ampla defesa), uma vez que tais valores jurídicos não são absolutos e devem ser conjugados com outros valores jurídicos também tutelados pelo ordenamento constitucional, tais como celeridade e duração razoável do processo. Ademais, não há previsão legal para tal sustentação oral em sede de DRJ. Precedentes do STF. ALTERAÇÃO DE CRITÉRIO JURÍDICO. NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. INEXISTÊNCIA. Haveria alteração de critério jurídico se a decisão recorrida intentasse promover a alteração dos fundamentos fático-jurídicos que sustentaram a acusação fiscal, o que inexiste no caso em tela. Fl. 3739DF CARF MF 2 INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. PENA DE PERDIMENTO. PROVA. DIFERENÇA DE IPI NA OPERAÇÃO O vasto e elucidativo acervo probatório produzido pelo recorrente nos autos é suficiente para demonstrar a inexistência de interposição fraudulenta comprovada no caso em espécie. Em verdade, o que existe são atividades lícitas, promovidas em compasso com as ideias de livre iniciativa privada e autonomia de vontade, sem qualquer mácula de caráter aduaneiro e/ou fiscal. Logo, não há que se falar em incidência de diferenças de IPI nas operações fiscalizadas. Recursos voluntários providos. Sanção aduaneira exonerada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Waldir Navarro, Pedro Bispo e Jorge Freire. O Conselheiro Jorge Freire apresentou declaração de voto. Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente. Diego Diniz Ribeiro- Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório 1. Trata-se de auto de infração que implicou escopo a imposição de multa equivalente a 10% (dez por cento) do valor da operação de importação pelo fato da empresa Glikimport Comércio Imp. e Exp. de Cosméticos Ltda. (“Glikimport”) supostamente ter cedido seu nome para a empresa Oito Brasil Distribuidora Ltda. (“Oito Brasil”) realizar negócios no âmbito do comércio exterior, sanção esta capitulada no art. 33 da lei n. 11.488/07. 2. Segundo a acusação fiscal, a empresa Glikimport Comércio importava por encomenda mercadorias estrangeiras (cosméticos das marcas L´anza e Paul Mitchell), se valendo, para tanto, da Sertrading (BR) Ltda. (“Sertrading”). Não obstante, todas as mercadorias importadas pela empresa Glikimport Comércio eram, necessariamente, vendidas no mercado interno para a empresa Oito Brasil, a qual, por seu turno, distribuía tais bens para salões de beleza espalhados pelo país. 3. Ainda segundo a acusação fiscal, a empresa Glikimport utilizou recursos de terceiro nas operações de importação acima citadas, ocultando, pois, o real adquirente das mercadorias registradas nas diversas Declarações de Importação (DIs) relacionadas no presente Auto de Infração e registradas entre 11/01/2011 a 16/01/2014. Segundo a fiscalização, a real adquirente de tais bens seria a empresa Oito Brasil. 4. A ocultação do real importador teria por escopo afastar a condição da Oito Brasil de estabelecimento equiparado a industrial, de modo que a correlata incidência de IPI recaísse na operação perpetrada pela Glikimport, o que ensejou em uma economia no montante a pagar deste imposto. Fl. 3740DF CARF MF Processo nº 10314.723792/2014-18 Acórdão n.º 3402-004.365 S3-C4T2 Fl. 3.737 3 5. Diante deste quadro, a fiscalização promoveu 03 (três) diferentes Autos de Infração a seguir detalhados. 6. O primeiro deles redundou no (i) presente processo administrativo (autos n. 10314.723792/2014-18), lavrado em prejuízo da Glikimport que, como dito alhures, tem por escopo a imposição de multa equivalente a 10% (dez por cento) do valor da operação (art. 33 da lei n. 11.488/07). 7. Por sua vez, os fatos aqui narrados ensejaram ainda (ii) um segundo processo administrativo (10314.724463/2014-94) no qual se impôs à empresa Oito Brasil e solidariamente à empresa Glikimport a pena de perdimento das mercadorias importadas, convertida em pena de multa. 8. Por fim, adveio ainda em um terceiro Auto de Infração, retratado pelo (iii) processo administrativo n. 10314.724465/2014-83, lavrado em desfavor das empresas Oito Brasil e Glikimport que teve por objeto apurar e exigir da aludida empresa o IPI devido na operação e que seria por ela devido na qualidade de estabelecimento equiparado a industrial. 9. Devidamente intimada no presente processo administrativo, a empresa Glikimport apresentou sua impugnação (fls. 2.200/2.239), o que fez com base nos principais fundamentos a seguir indicados: (i) nulidade dos autos de infração e dos procedimentos fiscais; (ii) independência e autonomia das pessoas jurídicas acusadas, o que se retrataria por robusto acervo probatório (inclusive laudo técnico) acostado com a impugnação; (iii) inexistência de adiantamentos financeiros;e, por fim (iv) inexistência de fraude e violação ao art. 112 do CTN. 10. Tal impugnação, todavia, foi julgada improcedente nos seguintes termos pela DRJ de Fortaleza (acórdão n. 08-32.014 - fls. 3.041/3.080): ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 11/01/2011 a 16/01/2014 PEDIDO DE SUSTENTAÇÃO ORAL NO ÂMBITO DA DELEGACIA DE JULGAMENTO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. É descabido o requerimento de sustentação oral, no âmbito da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, por ausência de previsão na legislação que dispõe sobre o Processo Administrativo Fiscal. Nesta instância de julgamento a manifestação no processo administrativo somente se dará por escrito. CONEXÃO. REUNIÃO DE PROCESSOS. FACULDADE. LIMITES DE COMPETÊNCIA DA AUTORIDADE JULGADORA. Fl. 3741DF CARF MF 4 Somente se reputam conexos dois ou mais processos, quando lhes for comum o objeto ou a causa de pedir. Havendo conexão, a fim de prestigiar a economia processual e evitar decisões conflitantes, é facultado ao órgão julgador ordenar a reunião de processos, para que sejam decididos simultaneamente, exceto quanto àqueles cujo julgamento se encontra fora de sua área de competência legal. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. AUSÊNCIA DE NULIDADE DO LANÇAMENTO. A competência do Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil para o lançamento tributário tem origem na lei. O Mandado de Procedimento Fiscal é apenas um instrumento gerencial de controle administrativo da atividade fiscal e eventuais falhas na sua execução não configuram motivo suficiente para abalar a constituição do crédito tributário, se esta se deu conforme os ditames dos arts. 9º e 10 do Decreto nº 70.235/72 e do art. 142 do CTN. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 11/01/2011 a 16/01/2014 CESSÃO DE NOME PARA A REALIZAÇÃO DE OPERAÇÕES DE COMÉRCIO EXTERIOR DE TERCEIROS. PENALIDADE. A pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas ao acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários, fica sujeita a multa de 10% (dez por cento) do valor da operação acobertada, não podendo ser inferior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais). ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 11/01/2011 a 16/01/2014 PENA DE PERDIMENTO OU MULTA SUBSTITUTIVA. MULTA DO ARTIGO 33 DA LEI Nº 11.488/2007. APLICAÇÃO CUMULATIVA. A imposição da multa prevista no artigo 33 da Lei nº 11.488/2007, contra a pessoa jurídica que ceder o nome para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas ao acobertamento de seus reais intervenientes, não afasta a aplicação cumulativa da pena de perdimento das mercadorias importadas irregularmente ou da multa que lhe é substitutiva. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido. 11. Diante deste quadro, o contribuinte interpôs seu recurso voluntário (fls. 3.160/3.213), oportunidade em que repisou os fundamentos invocados em sua impugnação. 12. Não obstante, o então Presidente desta Turma julgadora, Conselheiro Antonio Carlos Atulim, requisitou ao Presidente da 3 a Seção deste Tribunal Administrativo que Fl. 3742DF CARF MF Processo nº 10314.723792/2014-18 Acórdão n.º 3402-004.365 S3-C4T2 Fl. 3.738 5 o presente processo fosse redistribuído para a minha relatoria em razão da patente conexão deste caso com o processo autuado sob o n. 10314.724463/2014-94, conforme se observa do despacho de fls. 4.914, o que foi prontamente deferido pelo Presidente substituto da 3 a Seção, Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, conforme atesta o despacho de fls. 4.915. Não obstante, a mesma situação se deu em relação ao processo autuado sob n. 10314.724465/2014-83, no qual se discute o lançamento de IPI em desfavor da Oito Brasil e da Glikimport, também sendo deferida pelo Presidente substituto da 3 a Seção, Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas (fls. 5.414/5.416 do processo n. 10314.724465/2014-83) a reunião, por conexão, dos citados autos para que fosse julgado juntamente com o caso decidendo. 13. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Diego Diniz Ribeiro 14. O recurso voluntário interposto preenche os pressupostos de admissibilidade, motivo pelo qual dele tomo conhecimento. I. Das nulidades aventadas pelo Recorrente (i) Do vício no procedimento fiscal a macular a presente autuação fiscal 15. O primeiro fundamento trazido pelo contribuinte em sua peça recursal é no sentido de que o procedimento fiscal instaurado seria maculado por vícios, fato esse que, por conseguinte, afetaria o próprio auto de infração então decorrente. Nesse sentido é o trecho de fls. 4.404/4.405 da manifestação da recorrente. 16. Em suma, o contribuinte alega que a suposta imprecisão do MPF impede a precisa identificação temporal para o seu encerramento, o que poderia redundar em uma indevida extensão quanto ao tempo de duração da fiscalização. 17. Entendo, entretanto, que o contribuinte não possui razão em suas assertivas. Primeiro porque um MPF pode ter seu prazo prorrogado por intermédio de termos de renovação. Ademais, este Tribunal tem jurisprudência consagrada que mesmo a ausência ou superação do prazo de 60 (sessenta) dias para a renovação do MPF não contamina a fiscalização de nulidade, o que - diga-se de passagem - não conflita com o disposto no art. 7 o , § 2° do Decreto 70.235/72 1 . Em verdade, o que aludido dispositivo faz é explicitar um dos efeitos para o não cumprimento da renovação do mandado de procedimento fiscal em 60 (sessenta) dias, qual seja, o de resgatar a espontaneidade do contribuinte 2 , isso tudo sem 1 "Art. 7º O procedimento fiscal tem início com: I - o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto; II - a apreensão de mercadorias, documentos ou livros; III - o começo de despacho aduaneiro de mercadoria importada. § 1° O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. § 2° Para os efeitos do disposto no § 1º, os atos referidos nos incisos I e II valerão pelo prazo de sessenta dias, prorrogável, sucessivamente, por igual período, com qualquer outro ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos." 2 Efeito este que, diga-se de passagem, foi reconhecedo pela súmula CARF n. 75, "in verbis": Fl. 3743DF CARF MF 6 prejuízo do transcurso do prazo decadencial do fisco para lançar eventual crédito ou impor uma determinada sanção. 18. Ademais, a Instrução Normativa n. 3.104/11 assim previa: Art. 14. O MPF se extingue: I - pela conclusão do procedimento fiscal, registrado em termo próprio, com a ciência do sujeito passivo; ou II - pelo decurso dos prazos a que se referem os arts. 11 e 12. Parágrafo único. A ciência do sujeito passivo de que trata o inciso I do caput deverá ocorrer no prazo de validade do MPF. Art. 15. A hipótese de que trata o inciso II do art. 14 não implica nulidade dos atos praticados, podendo a autoridade responsável pela expedição do Mandado extinto determinar a emissão de novo MPF para a conclusão do procedimento fiscal. (grifos nosso). 19. Conforme se observa do sobredito art. 15, o eventual decurso de prazo de um mandado de procedimento fiscal não implica a nulidade dos atos até então praticados, o que seria flagrantemente atentatório ao princípio da eficiência da Administração Pública. Logo, tal mandado de procedimento fiscal pode ser objeto de ressurreição pelo ato formal de expedição de termo de intimação para a sua continuidade. 20. Nem se alegue, ainda, que seria necessário a expedição de um "novo" mandado de procedimento fiscal, com a mesmíssima substância do anterior, sob pena de uma indevida sobreposição da forma em detrimento do conteúdo, o que também implicaria notória ofensa ao já citado princípio da eficiência da Administração Pública. 21. Ademais, diferentemente do alegado, a recorrentes teve pleno acesso ao objeto da fiscalização, o que, inclusive, permitiu que desenvolvesse robusta peça impugnatória, lastreada de farta documentação trazida aos autos a título de contra-prova. O procedimento fiscal, tal como efetivado, não trouxe qualquer prejuízo para o substancial exercício do direito de defesa da recorrente, motivo pelo qual afasto a pretensão de nulidade aventada pelo contribuinte. (ii) Da nulidade do julgamento de 1a instância pela denegação do pedido de sustentação oral na DRJ 22. Não obstante, outro fundamento colacionado pelo recorrente seria a pretensa nulidade da decisão proferida pela DRJ pelo fato de ter sido denegada a oportunidade do contribuinte realizar sustentação oral perante o órgão de 1 a instância administrativa. 23. Embora reconheça a importância da sustentação oral como instrumento de defesa dos contribuintes e, ainda, como medida cooperativa da parte litigante para o aperfeiçoamento da atividade judicativa atipicamente exercida no âmbito do processo administrativo fiscal (art. 6 o do CPC/2015), não identifico ofensa ao princípio do devido processo legal e seus consectários lógicos (ampla defesa e contraditório) na hipótese de denegação de sustentação oral no seio dos julgamentos realizados pelas DRJ's, exatamente como ocorrido no caso em tela. "A recuperação da espontaneidade do sujeito passivo em razão da inoperância da autoridade fiscal por prazo superior a sessenta dias aplica-se retroativamente, alcançando os atos por ele praticados no decurso desse prazo." Fl. 3744DF CARF MF Processo nº 10314.723792/2014-18 Acórdão n.º 3402-004.365 S3-C4T2 Fl. 3.739 7 24. Primeiramente, insta destacar que o princípio do devido processo legal e seus consectários lógicos, embora sejam considerados garantias fundamentais dentro do ordenamento constitucional brasileiro e, por isso, cláusulas pétreas (art. 60, § 4 o , inciso IV da Constituição Federal), não apresentam um caráter absoluto. Em outros termos, o que se afirma aqui é que mesmo direitos fundamentais podem ser objeto de limitações 3 , em especial quando ponderados em face de outros valores constitucionais também caros para o direito, como as ideias de celeridade e duração razoável do processo. 25. Na hipótese questionada pelos contribuintes não há previsão legal para a sustentação oral o que, eventualmente, poderia ensejar a convocação subsidiária do art. 937 do CPC/2015, o que, em tese, daria subsídio ao pleito do contribuinte. Há que se lembrar, entretanto, que o citado Codex entrou em vigência em março de 2016, enquanto que o caso em julgamento foi decidido pela DRJ em 27 de novembro de 2014, não havendo, portanto, que se falar em pretensa aplicação subsidiária do CPC à época do julgamento. 26. Ademais, pela necessidade de previsão legal ou regimental para fins de sustentação oral assim já decidiu o STF quando do julgamento da ADI 705: ADIN- ENTIDADE DE CLASSE- NOÇÃO CONCEITUAL - CONFEDERAÇÃO SINDICAL - INOCORRÊNCIA DOS SEUS REQUISITOS CONFIGURADORES - AUSÊNCIA DE LEGITIMIDADE ATIVA AD CAUSAM - AÇÃO DIRETA DE QUE NÃO SE CONHECE. AGRAVO REGIMENTAL - QUESTÃO DE ORDEM - IMPOSSIBILIDADE DE SUSTENTAÇÃO ORAL (RISTF, ART.131, PAR. 2.) - NORMA REGIMENTAL COMPATÍVEL COM A CONSTITUIÇÃO DE 1988 - INOCORRÊNCIA DE CERCEAMENTO DE DEFESA OU OFENSA AO PRINCÍPIO DO CONTRADITÓRIO. - O preceito inscrito no regimento interno do Supremo Tribunal Federal (art. 131, par. 2.), que exclui a possibilidade de sustentação oral nos julgamentos de agravo, embargos declaratórios, arguição de suspeição e medida cautelar, não ofende o princípio do contraditório e nem vulnera o postulado da plenitude de defesa, proclamados pela Constituição da República em seu art. 5., inciso lV. (...) (ADI 705 AgR-QO, Relator(a): Min. CELSO DE MELLO, Tribunal Pleno, julgado em 24/06/1992, DJ 08-04-1994 PP- 07224 EMENT VOL-01739-03 PP-00431 RTJ VOL-00152-03 PP-00782). 27. Em outra oportunidade, o STF deixou expresso que circunstâncias concernentes à celeridade e à racionalização do funcionamento do órgão julgador são causas idôneas para conformar limitações a participação dos advogados no julgamento, sem, com isso, afetar o conteúdo jurídico dos princípios do contraditório e da ampla defesa: QUESTÃO DE ORDEM EM AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. LEI 9756/98. ARTIGO 557/CPC. AGRAVO INTERNO. SUSTENTAÇÃO ORAL. 3 Mesmo o direito a vida, considerado o mais importante direito tutelado pelo ordenamento constitucional, é passível de limitações, como, "e.g.", na hipótese de guerra externa ou ainda em situações em que tal bem é ofendido em razão do exercício de legítima defesa ou estado de necessidade. Fl. 3745DF CARF MF 8 IMPOSSIBILIDADE. OFENSA AO PRINCÍPIO DA AMPLA DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. ALEGAÇÃO IMPROCEDENTE. 1. Recurso extraordinário. Aplicação do artigo 557 do Código de Processo Civil. Procedência da impugnação por estar o acórdão recorrido em confronto com a jurisprudência pacificada do Supremo Tribunal Federal. Agravo regimental contra a decisão do relator, no qual à parte agravante caberá infirmar a existência dos requisitos necessários à prolação do ato monocrático. 2. Agravo regimental. Sustentação oral. Impossibilidade, por cuidar-se de procedimento contrário à ratio do artigo 557, § 1º, do Código de Processo Civil, tornando inócua a alteração legislativa, cuja finalidade essencial é a de dar celeridade à prestação jurisdicional. Ofensa ao princípio da ampla defesa e do contraditório. Inexistência, visto que a norma constitucional não impede a instituição de mecanismos que visem à racionalização do funcionamento dos Tribunais. 3. Questão de Ordem resolvida no sentido do não-cabimento de sustentação oral no julgamento do agravo interposto da decisão fundamentada no § 1o do artigo 557 do Código de Processo Civil. (RE 227089 AgR-QO, Relator(a): Min. MAURÍCIO CORRÊA, Tribunal Pleno, julgado em 08/06/2000, DJ 21-11-2003 PP- 00008 EMENT VOL-02133-04 PP-00653) (grifos nosso). 28. Diante do exposto, também rechaço essa preliminar desenvolvida pela recorrente. (iii) Da suposta alteração de critério jurídico por parte da decisão recorrida 29. Outro fundamento preliminarmente desenvolvido pelas recorrente diz respeito a suposta alteração de critério jurídico por parte da decisão recorrida. 30. Em um primeiro momento, alega que a acusação fiscal foi no sentido de que a Glikimport teria cedido seu nome para a Oito Brasil, enquanto que o acórdão recorrido teria tratado a questão como interposição fraudulenta. 31. Em relação a tal ponto, não é demais reforçar que os fatos aqui apurados redundaram em 03 diferentes autos de infração, aqui reunidos para julgamento único em razão da conexão vindicada pelo contribuinte e reconhecida por este Tribunal. Nestes 03 autos de infração foram exigidas duas sanções de caráter aduaneiro e uma importância de natureza tributária. Em relação às sanções aduaneiras, a particular acusação formulada neste auto de infração é no sentido de que a empresa Oito Brasil seria a real importadora dos bens aqui tratados, tendo sido acobertada, fraudulentamente, pela empresa Glikimport que, por seu turno, teria cedido seu nome para a Oito Brasil. 32. Logo, não há dúvida que, desde o início da fiscalização, a acusação fiscal - adequada ou não - sempre foi de fraude por parte das empresas Oito Brasil e Glikimport, fraude essa que redundou em diferentes sanções aduaneiras. Aliás, o termo fraude é recorrentemente empregado pelo fiscal no Auto de Infração, mais particularmente no Relatório Fl. 3746DF CARF MF Processo nº 10314.723792/2014-18 Acórdão n.º 3402-004.365 S3-C4T2 Fl. 3.740 9 Fiscal. Logo, não há que se falar em alteração do critério jurídico por parte da decisão vergastada. 33. Por fim, os outros fundamentos para uma aparente alteração do critério jurídico por parte da decisão recorrida se confundem com o mérito, motivo pelo qual serão analisadas no tópico subsequente. II. Do Mérito 34. Ainda preliminarmente, o contribuinte alega a nulidade da decisão recorrida, uma vez que a mesma não teria analisado o farto acervo probatório acostado com a impugnação. Entendo, todavia, que tal questão se confunde com o mérito, motivo pela qual será tratada no presente tópico. (i) Das provas e contraprovas produzidas nos autos 35. Neste momento do presente voto é indispensável analisar se houve ou não em concreto a chamada interposição fraudulenta a configurar, pois, o acobertamento da empresa Oito Brasil pela cessão de nome da empresa Glikimport. Assim, a presente decisão necessariamente perpassa pela ponderação acerca das provas realizadas pela fiscalização e das contraprovas produzidas pelo recorrente. 36. Nesse sentido, insta aqui destacar que a fiscalização pauta a acusação de interposição fraudulenta com base nos seguintes elementos fático-jurídicos: (i) confusão entre os endereços da Glikimport e Oito Brasil, uma vez que no endereço da importadora cadastrado perante a RFB seria apenas o seu armazém para o estoque das mercadorias importadas, sendo o seu escritório no prédio ao lado do estabelecimento em que situada a Oito Brasil 4 ; (ii) que o quadro societário de ambas empresas autuadas apresentam os mesmos sócios, i.e, as pessoas de Natália Amadeu Landsberger Glik e Cristiane Amadeu Vasconcelos; (iii) que ambas empresas autuadas possuem os mesmo procuradores, i.e., os Srs. Renato Santos Telles Rudge, Brunno Amadeu Muniz Barreto Romano e Cláudio Cabido Vasconcelos, os quais possuem poderes para, isoladamente, independente da ordem de nomeação, tratar e resolver sobre qualquer assunto, negócio e interesse das outorgantes, podendo praticar, resumidamente, entre outros, os seguintes atos: movimentar contas bancárias, emitir e endossar cheques, representá-las perante Repartições Públicas, dentre outras atividades; (iv) que todos os produtos adquiridos mediante importação pela empresa Glikimport são revendidos apenas para a empresa Oito Brasil, já que está última é a encarregada de distribuir no Brasil os produtos das marcas L'anza e Paul Mitchell. Assim, a 4 Relatório fiscal (fl. 35): "(...). O Sr. Renato esclarece que o endereço que está registrado como sendo da empresa GLIKIMPORT, Rua Américo Brasiliense 2119, é na verdade o armazém da empresa. O endereço da matriz é na Rua Américo Brasiliense 2109, ou seja, no mesmo endereço da empresa OITO BRASIL. (...)." Fl. 3747DF CARF MF 10 Oito Brasil existiria com o único propósito de comprar e revender as mercadorias importadas pela Glikimport; e, ainda (v) ao analisar o balancete da empresa Glikimport a fiscalização constatou saldo finais de contas bancárias praticamente zeradas, o que atestaria que a importadora teria suas operações financiadas por interposta pessoa, i.e., a Oito Brasil. Tal fato seria reforçado com a prova de que, em algumas importações por encomenda realizadas pela Glikimport por intermédio da empresa Sertrading, o pagamento da trading era feito no mesmo dia ou em dias próximos em que a Glikimport recebia valores da Oito Brasil 5 . 37. Em suma, a fiscalização defende que a suposta interposição fraudulenta descortinada teria por propósito, preponderantemente, minorar a base de cálculo do IPI incidente na operação, o que redundaria, por conseguinte, na redução do valor devido para este imposto. É o que se depreende do seguinte trecho do Relatório Fiscal (fl. 70): (...). Pelo que se pode depreender do esquema montado acima, a OITO BRASIL se ocultou das importações realizadas com o objetivo de se afastar da sua condição de contribuinte do IPI, ou seja, equiparado a industrial. Para isso criou-se a figura da GLIKIMPORT para atuar como encomendante das importações e, por conseguinte equiparado a industrial, de forma a manipular fraudulentamente a base de cálculo do IPI na venda para o Real Adquirente das mercadorias. Apesar de existir fisicamente, com endereço fixo, com empregados e com armazém de estoque de mercadoria, a GLIKIMPORT nada mais é que uma empresa criada e financiada para se interpor na operação de forma a reduzir a base de cálculo do IPI. (...). 38. Com o objetivo de fazer contraprova à acusação fiscal e, em especial, para demonstrar o propósito negocial das diferentes operações empresariais perpetradas pela Glikimport e pela Oito Brasil, a recorrente trouxe robusto laudo técnico (fls. 2.644/2.805) que atestaria a absoluta autonomia das atividades empresariais por elas desempenhadas. 39. Em relação ao endereço das empresas em questão, a recorrente faz questão de frisar que, embora vizinhas, tratam-se de estabelecimentos nitidamente distintos, como demonstram as fotos acostadas as fls. 2.664 e 2.671 dos autos. 40. Para reforçar a autonomia física das empresas provam que os dois imóveis são locados e apresentam proprietários distintos. A recorrente Glikimport prova, inclusive, que contrata serviço de armazenagem e estocagem dos produtos por ela importados junto a empresa Cotia Armazéns Gerais S.A. (contrato de fls. 2.756/2.758), o que afasta 5 Relatório fiscal - fl. 53: "O quadro abaixo mostra que no mesmo dia do pagamento para a importadora SERTRADING dos valores das notas fiscais de vendas das mercadorias importadas por encomenda, ou em dias muito próximos, a OITO BRASIL depositava, de forma recorrente, valores semelhantes na conta da GLIKIMPORT. Há também depósitos de valores maiores aos pagamentos à SERTRADING, mas que são facilmente explicados uma vez que havia também no mesmo dia outros pagamentos a serem realizados pela GLIKIMPORT como pagamentos de tributos (ICMS, IRPJ e Contribuições). Exemplificando: no dia 14/02/11, abaixo, foi feito o pagamento de R$ 245.444,25 para pagamento da NF 5323 e no mesmo dia houve um deposito de R$ 251.000,00 na conta da GLIKIMPORT feito pela empresa OITO BRASIL e assim sucessivamente para pagamento da SERTRADING. (...)." Fl. 3748DF CARF MF Processo nº 10314.723792/2014-18 Acórdão n.º 3402-004.365 S3-C4T2 Fl. 3.741 11 qualquer ilação de que a recorrente não teria estrutura física para realizar suas operações ou de que se valeria da estrutura física da empresa Oito Brasil para tanto. Ainda quanto a este tópico, as recorrentes comprovam que ambas empresas possuem filiais em locais absolutamente distintos. A Glikimport possui filial em Vitória/ES, em um imóvel também locado, enquanto a Oito Brasil possui ainda outros 03 imóveis locados na cidade de São Paulo, todos situados na Avenida Nove de Julho, n. 3.452 (salas 72, 73 e 74), onde o contribuinte promove o treinamento de equipes de vendas e realiza apresentação para clientes e potenciais clientes. É o que se observa das fotos extraídas do citado laudo técnico (fls. 2.664 e 2.671). 41. Em relação ao fato de possuírem as mesmas sócias as recorrentes alegam, e com razão, que não há qualquer ilicitude em tal fato e, ainda, que tal estruturação societária não é, por si só, suficiente para atestar uma pretensa confusão entre as empresas recorrentes, o mesmo valendo para a questão dos seus representantes legais. 42. Não obstante, a recorrente Oito Brasil também refuta a acusação de que existiria apenas com o fito único de comprar e revender as mercadorias importadas pela Glikimport. Para comprovar tal fato, atesta que além das mercadorias adquiridas pela empresa Glikimport, também adquire os produtos Contro System I, da empresa Farmoderm, bem como o produto Control System II, da empresa Concepcion (notas fiscais exemplarmente acostadas as fls. 2.782/2.783), ou seja, adquirem produtos de fabricantes distintos e concorrentes da exportadora das marcas L'anza e Paul Mitchell. 43. Por fim, em relação ao último apontamento da acusação fiscal, qual seja, de que o balancete da empresa Glikimport apontaria saldos finais de contas bancárias próximos de zero, o que atestaria que a importadora teria suas operações financiadas por interposta pessoa, a recorrente Glikimport demonstra o equívoco da assertiva fiscal. Segundo o laudo pericial, o gráfico elaborado pela fiscalização e referente aos lançamentos contábeis na conta Bradesco n. 302000-2 simplesmente desconsiderou os saldos de aplicação financeira automática, contabilizados na própria conta (extratos de fls. 370/508 dos autos n. 10314.724463/2014-94). Vejamos a resposta do expert para a presente questão: (...). RESPOSTA AO QUESITO 02: O gráfico apresentado pela fiscalização induz a uma interpretação equivocada da real movimentação financeira da GLIKIMPORT, porque desconsidera os saldos de aplicação financeira automática, contabilizados na própria c/c n. 302000-2 do Bradesco.Examinando-se a movimentação bancária efetiva, a partir dos extratos bancários disponibilizados pela GLIKIMPORT à própria fiscalização, conforme item Disponibilidade Bancária na PARTE 2 deste laudo, chegamos a gráfico bastante distinto, que comprova que as disponibilidades em banco durante o período de 1.12011 a1.102013. Comparativamente temos o seguinte: Fl. 3749DF CARF MF 12 (...). RESPOSTA AO QUESITO 2: Analisada a evolução do capital de giro da GLIKIMPORT, conforme item Capital de Giro na PARTE 2 deste laudo, conclui-se que a empresa financiava as suas operações comerciais com o próprio resultado das suas vendas, reinvestindo-o em estoque, ao invés de mantê-lo em disponibilidades bancárias ou de distribui-lo substancialmente aos sócios (embora tenha havido distribuição de lucros). Fl. 3750DF CARF MF Processo nº 10314.723792/2014-18 Acórdão n.º 3402-004.365 S3-C4T2 Fl. 3.742 13 Resumidamente, analisadas as contas do ativo circulante que compõe o capital de giro (bancos + estoques + duplicatas à receber), menos as contas do passivo circulante (fornecedores + impostos + salários etc...), pode-se chegar à seguinte representação gráfica da evolução da empresa: Da análise das informações e do gráfico elucidativo acima, constata-se que o ILC - Índice de Liquidez Corrente da GLIKIMPORT variou entre 1,56 e 3,84 ao longo do período, o que equivale dizer que a empresa poderia reduzir entre 35,90% e 73,96% o seu ativo circulante e, mesmo assim, manteria seu passivo circulante coberto pelo capital de giro. Graficamente essa realidade pode ser assim representada: Fl. 3751DF CARF MF 14 Esse índices demonstra claramente que a empresa possuía capital de giro suficiente e com margem de segurança para manter suas atividades. (...). 44. Não obstante, outro ponto relevante trazido pelo laudo técnico e que refuta a acusação de que a Glikimport teria suas operações "financiadas" previamente pela Oito Brasil é a comparação de movimentação de estoques das duas empresas, as fls. 2.618/2.6195 dos autos. 45. Se de fato houvesse o "patrocínio" das operações da Glikimport pela Oito Brasil haveria, por conseguinte, uma sinergia para a movimentação de estoques das empresas. Em outros termos, haveria uma aproximação das linhas apontadas nos gráficos alhures transcritos, o que, como visto, não ocorreu para o período fiscalizado. A análise, em especial, do período posterior a maio de 2011 deixa isso muito claro. Neste período observa-se uma curva ascendente de movimentação de estoque por parte da Glikimport, enquanto que, para a Oito Brasil, há uma tendência de estagnação. 46. Por fim, para clarificar de vez a autonomia entre as empresas fiscalizadas, a recorrente descreve as particularidades das operações perpetradas por ambas, demonstrando existir gestão de risco e expertise próprias para cada uma das atividades empresariais desenvolvidas. 47. Nesse sentido, destaco que a Glikimport atua no mercado exterior, o que demanda o preenchimento de inúmeros pressupostos formais e requisitos particulares para esse fim. Além disso, é responsável pela internação no país de produtos de beleza, os quais demandam registro perante a ANVISA, o que exige uma expertise no atendimento de uma burocracia muito particular (e.g. fls. 2.740/2.761). Ademais, no âmbito nacional, atua no mercado atacadista, o que implica a existência de uma logística muito mais simples. Não obstante, a concentração das suas vendas em um adquirente gera um menor risco creditício, permitindo, pois, que tal empresa recorrente trabalhe com uma margem de lucro menor. Fl. 3752DF CARF MF Processo nº 10314.723792/2014-18 Acórdão n.º 3402-004.365 S3-C4T2 Fl. 3.743 15 54. Por sua vez, a Oito Brasil é uma empresa que comercializa produtos de beleza profissionais no varejo, i.e., para salões de beleza espalhados pelo país. Tal fato já denota a existência de uma equipe de representante comerciais, a qual deve ser devidamente treinada para vender produtos com especificidades que lhes são próprias. Além disso, as vendas são difundidas por todo o país, o que além de tornar complexa a logística, também implica em um maior risco de inadimplência. Logo, é natural que tal empresa recorrente trabalhe com uma margem de lucro maior. 55. Neste tópico em particular insta registrar que, apesar de acusar as recorrentes de segregar suas atividades para fim de se beneficiarem de uma incidência diminuta de IPI, em momento algum a fiscalização prova que (i) tal modelo de negócio (segregação de atividades empresariais) é incomum no âmbito do nicho empresarial das recorrentes e que (ii) haveria uma discrepância em relação às margens de lucro praticadas pelos contribuintes, em especial no caso da empresa Glikimport (importadora). Em verdade, quer parecer que a fiscalização parte da equivocada e obsoleta premissa que toda e qualquer atividade empresarial deve estruturar de modo a gerar a maior carga tributária possível, subvertendo, portanto, a ordem das coisas e ignorando, por completo, a lícita existência de medidas de elisão fiscal. Ao assim agir a fiscalização quer se arvorar de uma competência que não tem, qual seja, de pautar operações empresariais, denotando um absurdo viés ideológico próprio de ordenamentos totalitaristas. 56. Em conclusão, não se ignora aqui uma óbvia aproximação entre as atividades empresariais desenvolvidas pelas recorrentes, fato este que, por si só, no presente caso decidendo, não redunda na configuração de um negócio jurídico dissimulado ou fraudulento. Aliás, essa aproximação lícita é própria das operações empresariais entre empresas atacadistas e varejistas. 57. Diante de tais justificativas, entendo ser perfeitamente compreensível sob uma perspectiva econômica a existência de uma empresa importadora de produtos de beleza profissionais e que, no âmbito nacional, atua no mercado atacadista, segregada de outra pessoa jurídica, que comercializa estes mesmos produtos em outro nicho comercial, i.e., o comércio varejista. Nesse sentido, i.e., entendo ser juridicamente válida a segregação lícita de atividades empresariais, já decidiu este tribunal administrativo: Ementa Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 AUTO DE INFRAÇÃO. ABUSO DE DIREITO. SEGREGAÇÃO DE ATIVIDADES ECONÔMICAS. REQUISITOS. A segregação de diferentes atividades econômicas em duas entidades é admissível, mesmo que dela decorra economia tributária, quando realizada previamente à ocorrência dos fatos geradores e revelar evidentes ganhos extrafisais decorrentes do efetivo desenvolvimento dessas atividades separadamente e em estruturas independentes e com administração, corpo de funcionários e instalações próprios. Recurso de Ofício Negado. Fl. 3753DF CARF MF 16 Crédito Tributário Exonerado. (Acórdão n. 3403-002.854, j. em 26/03/2014; Relator Conselheiro Alexandre Kern) (grifos nosso). Ementa Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2005, 2006, 2007, 2008 SIMULAÇÃO DE NEGÓCIOS. SUBSTÂNCIA DOS ATOS. O planejamento tributário que é feito segundo as normas legais e que não configura as chamadas operações sem propósito negocial, não pode ser considerado simulação se há não elementos suficientes para caracterizá-la. Não se verifica a simulação quando os atos praticados são lícitos e sua exteriorização revela coerência com os institutos de direito privado adotados, assumindo o contribuinte as conseqüências e ônus das formas jurídicas por ele escolhidas, ainda que motivado pelo objetivo de economia de imposto. (Acórdão n. 1302-001.713, j. em 26/03/2014; Relator Conselheiro Helio Eduardo de Paiva Araújo) (g.n.). 58. É exatamente o caso dos autos, já que as empresas em questão, com atividades econômicas próprias, iniciaram suas atividades muito antes (mais de 10 anos) dos fatos aqui fiscalizados 6 . Aliás, no caso da Glikimport isso era imprescindível, já que para operar no mercado exterior o tempo de existência da empresa e volume de operações empresariais (o que só ocorre no fluxo do tempo) são pressupostos para obtenção e condições do RADAR. 59. Assim, diante do vasto e elucidativo acervo probatório produzido pelo contribuinte, resta claro que não houve, no presente caso, interposição fraudulenta, mas sim operações empresariais válidas e com nítido propósito econômico, em perfeita sintonia, portanto, com o princípio constitucional da livre iniciativa privada, motivo pelo qual a sanção aduaneira aqui discutida deve ser exonerada. Dispositivo 60. Diante do exposto, voto pelo provimento total do recurso voluntário interposto pelo contribuinte. 61. É como voto. Relator Diego Diniz Ribeiro - Relator 6 A empresa Oito Brasil foi criada em 12/0/1997 (fl. 2.210) e a empresa Glikimport em 23/12/1997 (fl. 3.006). Fl. 3754DF CARF MF Processo nº 10314.723792/2014-18 Acórdão n.º 3402-004.365 S3-C4T2 Fl. 3.744 17 Declaração de Voto Declaração de voto do Conselheiro Jorge Freire. Com a devida vênia, divirjo do eminente relator Diego Ribeiro quanto às suas conclusões em relação aos processos conexos de números 10314.723792/2014-18, no qual é imputada a penalidade de cessão de nome da empresa Glikimport à empresa Oito Brasil, o de nº 10314.724463/2014-94, no qual foi imposta pena de perdimento convertida em multa à Oito Brasil, sendo apontada como solidária a empresa Glikimport, e o processo de nº 10314.724465/2014-83, no qual é cobrado IPI da empresa OITO BRASIl na qualidade de estabelecimento industrial em relação às importações elencadas às fls. 17/22 do último processo referido. Portanto, esta minha declaração de voto é a mesma a ser inserta no voto dos três processos referidos. A mim restou evidente, em suma, que foi montado um "esquema", sem qualquer business purpose (propósito negocial) para criação da Glikiimport com o fito exclusivo de reduzir o IPI pago pela Oito Brasil, na condição de equiparada a industrial como a seguir passo a discorrer. Não havia outro motivo para que a Oito Brasil não efetuasse ela mesma, por qualquer modalidade, as importações das mercadorias se não a escrachada intenção de fraudar o Fisco reduzindo em milhões de Reais do valor de IPI a ser pago. O Decreto nº 7.212, de 15 de junho de 2010 (RIPI) preconiza: “Art. 9º Equiparam-se a estabelecimento industrial: I - os estabelecimentos importadores de produtos de procedência estrangeira, que derem saída a esses produtos (Lei nº 4.502, de 1964, art. 4º, inciso I); (...) IX - os estabelecimentos, atacadistas ou varejistas, que adquirirem produtos de procedência estrangeira, importados por encomenda ou por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora (Medida Provisória nº 2.158-35, de 2001, art. 79, e Lei no 11.281, de 20 de fevereiro de 2006, art. 13); Inconteste da análise dos referidos processos que a empresa Glikimport Comércio importava por encomenda mercadorias estrangeiras (cosméticos das marcas L´anza e Paul Mitchell), para a Oito Brasil valendo-se, para tanto, da Sertrading (BR) Ltda. (“Sertrading”). E aqui pontuo fato essencial ao deslinde da quaestio: quando a importação é feita por conta e ordem (todas as operações foram feitas por conta e ordem da Glikimport por meio da trading Sertrading - CNPJ 04.626.426/0001-06), cabe ao importador dispor da capacidade econômica para o pagamento da importação, pela via cambial e pesa sobre este a obrigação de revender as mercadorias importadas ao encomendante predeterminado, mas da mesma forma, o encomendante também deve ter capacidade econômica para adquirir, no mercado interno, as mercadorias revendidas pelo importador contratado. E como articulo na sequência, farto é o material probatório no sentido de que a Glikimport não dispunha dessa Fl. 3755DF CARF MF 18 capacidade econômica, eis que quem arcava com o ônus da importação, consoante robusta documentação produzida e acostada aos autos, foi a Oito Brasil. Ademais, todas as mercadorias importadas pela empresa Glikimport Comércio eram, necessariamente, vendidas no mercado interno para a empresa Oito Brasil, a qual, por seu turno, distribuía tais bens para salões de beleza espalhados pelo país. A farta documentação produzida ao longo da ação fiscal, e devidamente articulada pelos agentes fiscais, é mais que suficiente para que se chegue a tal conclusão. Não se tratam os autos de planejamento tributário, mas sim de fraude tributária como, bem dito pelo Fisco, com o claro intento de ocultar o real adquirente, a Oito Brasil. Portanto, correta a aplicação da multa de cessão de nome imposta à GLIKIMPORT, nos termos do art. 33 da Lei 11.488/2007, pelo que é de ser negado provimento ao recurso encartado no processo 10314.723792/2014-18. Art. 33. A pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários fica sujeita a multa de 10% (dez por cento) do valor da operação acobertada, não podendo ser inferior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais). E não há que se falar que essa penalidade não possa conviver com a pena de perdimento, que tem fundamento díspare, o dano ao erário, nos termos do art. 23, V, do Decreto-lei 1.455/76. Assevera a fiscalização: A Oito Brasil criou a Glikimport com o intuito de se ocultar ao controle aduaneiro e não pagar IPI, evitando equiparar-se a estabelecimento industrial. E ainda pontua a distinção entre ocultação, caso dos autos, e interposição fraudulenta de terceiros: A Ocultação do Real Adquirente caracteriza-se pela cessão de nome do importador, que declara-se na DI como sendo o adquirente da mercadoria importada, enquanto que, na verdade, o real adquirente é uma terceira empresa, que se oculta. Os recursos empregados na importação geralmente são fornecidos por esse terceiro oculto, mas, em alguns casos, também podem ser oriundos do próprio importador, desde que aplicados a uma importação destinada, de fato, ao terceiro oculto. Já a Interposição Fraudulenta caracteriza-se por não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados nas operações de comércio exterior. Nesse caso, não se sabe quem, de fato, é o real adquirente das mercadorias importadas e nem de onde vêm os recursos financeiros utilizados na importação. Sendo assim, resta não comprovada a licitude da origem dos recursos empregados, o que resulta em declaração de inaptidão da empresa - com base no § 2°, art. 23,Decreto-Lei 1.455/76, §1°, art. 81, Lei 9.430/96 e III , art. 39, IN RFB 1005/10 combinado com art.42 da mesma IN. Como mencionado alhures, elemento digno de nota a reforçar a falta de qualquer propósito negocial é o fato bem pontuado no relatório da fiscalização que, em verdade, as empresas OITO BRASIL e GLIKIMPORT são, em verdade, uma só. O quadro societário de ambas as empresas é assim constituído, sendo seus endereços contíguos: Fl. 3756DF CARF MF Processo nº 10314.723792/2014-18 Acórdão n.º 3402-004.365 S3-C4T2 Fl. 3.745 19 CPF Nome Qualificação Percentual 051.324.768-80 NATÁLIA AMADEU LANDSBERGER GLIK Sócio- administrador 99% 051.324.738-65 CRISTIANE AMADEU VASCONCELOS Sócio 1% Outro dado a demonstrar a identidade e confusão das empresas foram as informações coligidas junto ao 29º Tabelião de Notas. Veja-se o descrito pelo Fisco quanto à essa informação (fl. 52 do processo de cobrança do IPI): Cabe ilustrar que a procuração entregue pelo senhor Renato Rudge foi emitida pelo Cartório do 29° Tabelião de Notas, no dia 19/01/2012, livro 1085, paginas 116/118, onde a GLIKIMPORT nomeia e constituí o senhor Renato Santos Telles Rudge, CPF 105.127.628-48, o senhor Brunno Amadeu Muniz Barreto Romano, CPF 303.728.868-09 e o senhor Cláudio Cabido Vasconcelos, CPF 041.630.688-80 seus procuradores. Aos quais confere poderes para , isoladamente, independente da ordem de nomeação, tratar e resolver sobre qualquer assunto, negócio e interesse da outorgante, podendo praticar, resumidamente, entre outros, os seguintes atos: movimentar contas bancárias, emitir e endossar cheques, representá-la perante Repartições Públicas e etc. Dentre os documentos obtidos desse Cartório posso citar uma procuração emitida nos mesmos termos, no mesmo dia, no mesmo livro e na pagina seguinte da procuração entregue pelo senhor Renato Rudge, citada acima (<Documentos Diversos - Outros – Documentos do Cartório>). Porém, a outorgante desta vez é a empresa OITO BRASIL, mas os procuradores são as mesmas pessoas: o senhor Renato Santos Telles Rudge, CPF 105.127.628-48, o senhor Brunno Amadeu Muniz Barreto Romano, CPF 303.728.868-09 e o senhor Cláudio Cabido Vasconcelos, CPF 041.630.688-80. Ou seja, o senhor Renato Rudge e as demais pessoas citadas aqui são os administradores tanto da empresa GLIKIMPORT como da empresa OITO BRASIL. Também a demonstrar a absoluta falta de propósito negocial é que todas as operações de venda da Glickimport têm como único cliente a Oito Brasil, conforme rol de notas fiscais às fls. 53/54 processo de final 2014-83 (IPI). Isso evidencia que AS MERCADORIAS JÁ TINHAM A OITO BRASIL COMO ADQUIRENTE PREDETERMINADO, QUE AS ESCOLHEU NO EXTERIOR, E SEM A QUAL A OPERAÇÃO JAMAIS TERIA OCORRIDO. Não bastassem todas essas evidências, a contabilidade da Glikimport faz prova de que os recursos para pagamentos das importações advieram da Oito Brasil, o que vai de encontra ao conceito de importação por conta e ordem, na qual o real importador deve ter disponibilidade financeira para pagar os produtos importados por sua conta e ordem. Isso está cabalmente provado (fls. 60/63) quando da análise que o Fisco fez da contabilidade daquela empresa, a importadora. Na tabela anexada no auto de infração resta evidente que os depósitos Fl. 3757DF CARF MF 20 realizados na conta Bancos são feitos com o objetivo de exclusivo de financiar os pagamentos existentes. Como se pode notar, ocorrem depósitos e pagamentos com valores muito equivalentes e em dias próximos. Veja-se o exemplo (o auto de infração espraia o período) que transcrevo: CONTABILIDADE DA GLIKIMPORT CONTABILIDADE SERTRADING E quanto a tais fatos, articula o Fisco: O quadro abaixo mostra que no mesmo dia do pagamento para a importadora SERTRADING dos valores das notas fiscais de vendas das mercadorias importadas por encomenda, ou em dias muito próximos, a OITO BRASIL depositava, de forma recorrente, valores semelhantes na conta da GLIKIMPORT. Há também depósitos de valores maiores aos pagamentos à SERTRADING, mas que são facilmente explicados uma vez que havia também no mesmo dia outros pagamentos a serem realizados pela GLIKIMPORT como pagamentos de tributos (ICMS, IRPJ e Contribuições). ... No dia 28/02/11, foi feito o pagamento de R$ 477.256,75 para pagamento da NF 5529 e no mesmo dia houve um deposito de R$ 655.000,00 feito pela OITO BRASIL. Este valor está a maior por uma razão clara, nesse mesmo dia houveram pagamentos de tributos feito pela GLIKIMPORT de aproximadamente R$ 168.000,00. Total de despesas aproximadas de R$ 645.256,75. Fl. 3758DF CARF MF Processo nº 10314.723792/2014-18 Acórdão n.º 3402-004.365 S3-C4T2 Fl. 3.746 21 Essas informações, ipso facto, são a prova cabal de que quem realmente pagava por essas importações era a real adquirente das mercadorias, qual seja a OITO BRASIL. À toda evidência, portanto, que a GLIKIMPORT cedeu seu nome para OITO BRASIL nas DIs mencionadas, ocultando-a, com a finalidade de fraudar o Controle Aduaneiro. A fiscalização exemplifica alguns casos de depósito efetuados pela OITO BRASIL nos extratos da Glikimport (fl. 77). Em relação à essas evidências contábeis e legais, sequer foi objeto dos recursos, calcados apenas na vetusta tese de cerceamento de direito de defesa e em laudo produzido unilateralmente. Diante de tais fatos, conclui-se, até aqui: 1- A GLIKIMPORT vende todas as mercadorias que importa para apenas um cliente, a OITO BRASIL, uma clara demonstração de que essas mercadorias já tinham destinatários predeterminados, antes mesmo do registro da DI, ou seja, a Real Adquirente das mercadorias; - Os documentos fornecidos pelo Cartório, assim como a análise dos quadro societário, ilustram que tanto a empresa GLIKIMPORT como a empresa OITO BRASIL são administrados pelas mesmas pessoas, ou seja, essas empresas nada mais são que uma empresa só. A PROMISCUIDADE ENTRE ELAS É TOTAL. De onde se conclui que a GLIKIMPORT foi criada com o objetivo de ocultar a Real compradora das mercadorias, a OITO BRASIL; 3 - O saldo da conta Bancos da contabilidade da GLIKIMPORT nos anos de 2011 a 2013 são insignificantes, uma visível evidência de que a empresa era financiada pela OITO BRASIL; 4 - Em sua contabilidade, no Razão das contas Clientes e Bancos, a GLIKIMPORT exibe de forma transparente o adiantamento de cliente, no caso OITO BRASIL, para pagamento das importações; 5 - Os extratos mostram de forma irrefutável os depósitos efetuados pela OITO BRASIL na conta da GLIKIMPORT para pagamentos diversos, entre eles os títulos referentes às notas fiscais de venda de mercadorias importadas pela empresa SERTRADING; FRAUDE DO IPI Por fim, analiso, o que meu juízo foi a causa da montagem de toda essa "farsa" empresarial sem qualquer fim negocial que possa explicá-la, qual seja, o fim colimado de pagar menos, muito menos IPI na importação. De acordo com o disposto no inciso I, do art. 9º, do RIPI (decreto n°7.212/10), que reproduz o inciso I, do art. 4º, da Lei nº 4.502/64, as pessoas jurídicas que importarem diretamente produtos industrializados e que derem saída a esses produtos no mercado interno são considerados estabelecimentos equiparados a industrial para efeitos da incidência do IPI. Nesse mesmo caminho, as pessoas jurídicas que importarem indiretamente produtos industrializados, por meio da contratação de pessoas jurídicas para operar por sua conta e ordem ou por sua encomenda, também são considerados, pelo inciso IX, do art. 9º, do RIPI, estabelecimentos equiparados a industrial. Fl. 3759DF CARF MF 22 Para as operações de importação de produtos industrializados de procedência estrangeira, a base de cálculo do IPI consiste no valor aduaneiro do produto, acrescido do montante do II e dos encargos cambiais efetivamente recolhidos pelo importador ou dele exigíveis, conforme disposto na alínea "b", do inciso I, do artigo 14, da Lei nº 4.502/64 e no inciso I, do artigo 47, do CTN. No que diz respeito às operações de saída de produtos industrializados para o mercado interno, a base de cálculo é, em regra, o valor total da operação de saída dos produtos do estabelecimento industrial ou equiparado a industrial. É de fácil identificação, que no caso em análise, que a GLIKIMPORT seria equiparada a industrial, uma vez que se enquadra no inciso IX do art. 9° do RIPI, e por conseguinte contribuinte do IPI. Porém, conforme demonstrado, a GLIKIMPORT apareceu apenas para ocultar a real adquirente, a OITO BRASIL. Essa, hígidas as provas nesse sentido, foi a causa única da criação da Glikimport. O quadro colacionado pelo Fisco a fl. 81 dos autos deixa isso patente: Pelo que se pode depreender do esquema montado, a OITO BRASIL se ocultou das importações realizadas com o objetivo de se afastar da sua condição de contribuinte do IPI, ou seja, equiparado a industrial. Para isso criou-se a figura da GLIKIMPORT para atuar como encomendante das importações e, por conseguinte equiparado a industrial, de forma a manipular fraudulentamente a base de cálculo do IPI na venda para o Real Adquirente das mercadorias. Apesar de existir fisicamente, com endereço fixo, com empregados e com armazém de estoque de mercadoria, a GLIKIMPORT nada mais é que uma empresa criada e financiada para se interpor na operação de forma a reduzir a base de cálculo do IPI. O fluxograma acima mostra de forma clara porque houve a inserção da figura da GLIKIMPORT nessa cadeia de empresas. O que se depreende em valores aproximados é uma sonegação de aproximadamente R$ 12.3 milhões (R$ 16.2 – R$ 3.9) de IPI. Forçoso concluir-se que nessa situação, na qual foram utilizados métodos fraudulentos com o objetivo de ocultar o real comprador dos produtos de procedência estrangeira, fica configurado o afastamento doloso das suas condições de contribuintes do IPI na figura de estabelecimentos equiparados a industrial, acarretando no intencional não recolhimento do IPI e no descumprimento das obrigações acessórias derivadas da legislação de regência desse imposto. DISPOSITIVO Fl. 3760DF CARF MF Processo nº 10314.723792/2014-18 Acórdão n.º 3402-004.365 S3-C4T2 Fl. 3.747 23 Forte em todo exposto, nego provimento aos recursos de que tratam os processos 10314.723792/2014-18 (cessão de nome), 10314.724463/2014-94 (pena de perdimento convertida em multa - Glikimport autuada como solidária) e 10314.724465/2014- 83. assinado digitalmente Jorge Olmiro Lock Freire. Fl. 3761DF CARF MF Relatório Voto
score : 1.0
Numero do processo: 10384.006601/2007-05
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 03 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Nov 28 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004
DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RESPONSABILIDADE PESSOAL DO DIRIGENTE DE ÓRGÃO PÚBLICO. INAPLICABILIDADE. SÚMULA CARF Nº 65.
Inaplicável a responsabilidade pessoal do dirigente de órgão público pelo descumprimento de obrigações acessórias, no âmbito previdenciário, constatadas na pessoa jurídica de direito público que dirige (Súmula CARF nº 65).
Numero da decisão: 2202-004.185
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Waltir de Carvalho, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Virgílio Cansino Gil, Rosy Adriane da Silva Dias, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Martin da Silva Gesto.
Nome do relator: MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RESPONSABILIDADE PESSOAL DO DIRIGENTE DE ÓRGÃO PÚBLICO. INAPLICABILIDADE. SÚMULA CARF Nº 65. Inaplicável a responsabilidade pessoal do dirigente de órgão público pelo descumprimento de obrigações acessórias, no âmbito previdenciário, constatadas na pessoa jurídica de direito público que dirige (Súmula CARF nº 65).
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Waltir de Carvalho, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Virgílio Cansino Gil, Rosy Adriane da Silva Dias, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Martin da Silva Gesto.
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RESPONSABILIDADE PESSOAL DO DIRIGENTE DE ÓRGÃO PÚBLICO. INAPLICABILIDADE. SÚMULA CARF Nº 65. Inaplicável a responsabilidade pessoal do dirigente de órgão público pelo descumprimento de obrigações acessórias, no âmbito previdenciário, constatadas na pessoa jurídica de direito público que dirige (Súmula CARF nº 65). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Waltir de Carvalho, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Virgílio Cansino Gil, Rosy Adriane da Silva Dias, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Martin da Silva Gesto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 4. 00 66 01 /2 00 7- 05 Fl. 60DF CARF MF 2 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 19515.001700/200813. "Tratase de recurso voluntário interposto contra o acórdão de Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que manteve a cobrança do crédito tributário. O Auto de Infração foi lavrado por descumprimento de obrigação acessória verificada durante ação fiscal realizada em órgão público. A autuação ocorreu em nome do sujeito passivo, na condição de dirigente de órgão público, por força do disposto no art. 41 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, vigente à época dos fatos geradores. O recorrente tomou ciência do lançamento e apresentou defesa, entretanto, a primeira instância de julgamento manteve a autuação. Inconformado com a decisão, o sujeito passivo apresentou recurso voluntário ao CARF, onde alega a improcedência da autuação. É o relatório." Voto Conselheiro Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 2202004.158, de 03/10/2017, proferido no julgamento do processo 19515.001700/200813, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 2202004.158): "O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. O lançamento em questão foi efetuado contra o dirigente do órgão público com base no art. 41 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, que, à época dos fatos geradores, estabelecia: Art. 41. O dirigente de órgão ou entidade da administração federal, estadual, do Distrito Federal ou municipal, responde pessoalmente pela multa aplicada por infração de dispositivos desta Lei e do seu regulamento, sendo obrigatório o respectivo desconto em folha de pagamento, mediante requisição dos órgãos competentes e a partir do primeiro pagamento que se seguir à requisição. Fl. 61DF CARF MF Processo nº 10384.006601/200705 Acórdão n.º 2202004.185 S2C2T2 Fl. 3 3 Contudo, o dispositivo transcrito foi revogado pela Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, não mais se aplicando, contra dirigente de órgão público, a penalidade por descumprimento de obrigação acessória. Sobre a matéria, a Súmula CARF nº 65 dispõe o seguinte: Inaplicável a responsabilidade pessoal do dirigente de órgão público pelo descumprimento de obrigações acessórias, no âmbito previdenciário, constatadas na pessoa jurídica de direito público que dirige. Em função disso, aplicase ao caso, a retroatividade benigna de que trata a alínea “c” do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN): Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: [...] II tratandose de ato não definitivamente julgado: [...] c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifei) Portanto, o lançamento em questão deve ser cancelado. Conclusão Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Rosy Adriane da Silva Dias Relator" Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Fl. 62DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10480.905480/2011-66
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Sep 19 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Nov 30 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/07/2004 a 31/07/2004
COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO NÃO DEMONSTRADAS. IMPOSSIBILIDADE DE EXTINÇÃO DOS DÉBITOS PARA COM A FAZENDA PÚBLICA.
A compensação só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN.
A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção, pela compensação, dos débitos para com a Fazenda Pública.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-005.702
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/07/2004 a 31/07/2004 COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO NÃO DEMONSTRADAS. IMPOSSIBILIDADE DE EXTINÇÃO DOS DÉBITOS PARA COM A FAZENDA PÚBLICA. A compensação só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção, pela compensação, dos débitos para com a Fazenda Pública. Recurso Especial do Contribuinte Negado.
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello.
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COMPROVAÇÃO DO CRÉDITO ALEGADO. Recorrente ENGEFIELDS EMPREENDIMENTOS E SERVICOS LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2004 a 31/07/2004 COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO NÃO DEMONSTRADAS. IMPOSSIBILIDADE DE EXTINÇÃO DOS DÉBITOS PARA COM A FAZENDA PÚBLICA. A compensação só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção, pela compensação, dos débitos para com a Fazenda Pública. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 90 54 80 /2 01 1- 66 Fl. 160DF CARF MF Processo nº 10480.905480/201166 Acórdão n.º 9303005.702 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto tempestivamente pela contribuinte contra o Acórdão nº 3802001.362, de 23/10/2012, proferido pela 2ª Turma Especial da Terceira Seção do CARF, que fora assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2004 a 31/07/2004 COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO NÃO DEMONSTRADAS. IMPOSSIBILIDADE DE EXTINÇÃO DOS DÉBITOS PARA COM A FAZENDA PÚBLICA. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação. Recurso a que se nega provimento. Irresignada, a Recorrente se insurgiu contra o entendimento esposado no acórdão recorrido de que a apresentação de informações da DIPJ poderiam ser confirmadas em consulta aos sistemas informatizados da Receita Federal e que seriam suficientes para comprovar o direito creditório. Alega divergência com relação ao que decidido no Acórdão nº 110100.517. O recurso foi admitido por intermédio de despacho de admissibilidade do Presidente da Segunda Câmara da Terceira Seção do CARF. Intimada, a PFN apresentou contrarrazões ao recurso. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303005.684, de 19/09/2017, proferido no julgamento do processo 10480.906054/201069, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Fl. 161DF CARF MF Processo nº 10480.905480/201166 Acórdão n.º 9303005.702 CSRFT3 Fl. 4 3 Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303005.684): "Presentes os demais requisitos de admissibilidade, entendemos que o recurso especial interposto pela contribuinte deve ser conhecido. Conforme assentado no exame de sua admissibilidade, o acórdão recorrido entendeu que a Recorrente não juntou ao processo, que versa sobre a restituição da Cofins cumulada com a compensação de débito próprio, a documentação contábil ou fiscal capaz de confirmar o direito vindicado, mas apenas as DACON original e retificadora e a ficha 25 da DIPJ, informações que a Câmara baixa considerou insuficientes para a sua comprovação (afirmouse que deveriam ter sido apresentados os Livros Razão e Diário, nos quais estariam os lançamentos que alicerçavam as correções propostas e, portanto, embasariam o pedido). Já no acórdão paradigma, em situação semelhante (tratouse de pedido de restituição de IRPJ, para o qual retificada a DIPJ, mas não retificada a DCTF correspondente), outra Turma da Primeira Seção entendeu que a autoridade administrativa não podia ter limitado sua análise às informações prestadas na DCTF, se presentes evidências, nos bancos de dados da Receita Federal, de que outro seria o valor do tributo devido no período apontado na PER/DCOMP, considerandose, especialmente, a apresentação de DIPJ retificadora, na qual constaria não apenas o valor do tributo devido, como também a demonstração da apuração das bases de cálculo mensais, trimestrais ou anuais da pessoa jurídica, conforme a sistemática de tributação adotada. Como se vê, a divergência é manifesta. E, a nosso juízo, deve ser solucionada em desfavor da tese encartada no recurso especial. Em casos semelhantes, esta Corte Administrativa vem entendendo que a retificação posterior ao Despacho Decisório não impediria o deferimento do pedido quando acompanhada de provas documentais comprovando a erro cometido no preenchimento da declaração original, tal como preconiza o § 1º do art. 147 do CTN: Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. Todavia, no caso em exame, em vez de acostar aos autos, na manifestação de inconformidade ou no recurso voluntário, os livros fiscais e contábeis que comprovassem o direito à restituição, a Recorrente permaneceu insistindo na mesma tese: a de que bastaria à sua comprovação a retificação da DIPJ e as informações já registradas nos sistemas da RFB. Percebase que aqui não se está afastando a possibilidade de a Recorrente, inaugurado o Contencioso Administrativo, vir a apresentálos, mas apenas ressaltando a sua insistência em não apresentálos, quando não era dela, a Recorrente, a competência para decidir o pedido, mas era dela, sim, a de comprovar o seu direito. Se os tivesse apresentado e estes não fossem considerados na decisão recorrida, a solução aqui poderia ser outra, a depender, evidentemente, do motivo levantado para a desconsideração dos livros e documentos na solução do litígio. Não é caso, porém. Fl. 162DF CARF MF Processo nº 10480.905480/201166 Acórdão n.º 9303005.702 CSRFT3 Fl. 5 4 Ante o exposto, conheço do recurso especial e, no mérito, negolhe provimento." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo a Contribuinte também não juntou aos autos, "na manifestação de inconformidade ou no recurso voluntário, os livros fiscais e contábeis que comprovassem o direito à restituição". Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial foi conhecido e, no mérito, o colegiado negoulhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 163DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 44021.000265/2007-10
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Nov 28 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-005.967
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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AUTO DE INFRAÇÃO. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 44 02 1. 00 02 65 /2 00 7- 10 Fl. 123DF CARF MF Processo nº 44021.000265/200710 Acórdão n.º 9202005.967 CSRFT2 Fl. 0 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 15979.000274/200701. Tratase de auto de infração, referente às contribuições devidas ao INSS, destinadas à Seguridade Social. A divergência em exame reportase à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial requerendo que a retroatividade benigna fosse aplicada, essencialmente, pelos critérios constantes na Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Cientificado, o sujeito passivo não apresentou contrarrazões. É o relatório. Fl. 124DF CARF MF Processo nº 44021.000265/200710 Acórdão n.º 9202005.967 CSRFT2 Fl. 0 3 Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202005.782, de 26/09/2017, proferido no julgamento do processo 15979.000274/200701, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202005.782): Pressupostos De Admissibilidade O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Do mérito Aplicação da multa retroatividade benigna Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade Fl. 125DF CARF MF Processo nº 44021.000265/200710 Acórdão n.º 9202005.967 CSRFT2 Fl. 0 4 benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdãonº9202004.262 (Sessão de23dejunhode2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. Fl. 126DF CARF MF Processo nº 44021.000265/200710 Acórdão n.º 9202005.967 CSRFT2 Fl. 0 5 A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º doart. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pelaMP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas noart. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdãonº9202004.499 (Sessão de 29desetembrode2016): Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: Fl. 127DF CARF MF Processo nº 44021.000265/200710 Acórdão n.º 9202005.967 CSRFT2 Fl. 0 6 I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao Fl. 128DF CARF MF Processo nº 44021.000265/200710 Acórdão n.º 9202005.967 CSRFT2 Fl. 0 7 raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na Fl. 129DF CARF MF Processo nº 44021.000265/200710 Acórdão n.º 9202005.967 CSRFT2 Fl. 0 8 NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). Fl. 130DF CARF MF Processo nº 44021.000265/200710 Acórdão n.º 9202005.967 CSRFT2 Fl. 0 9 § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de Fl. 131DF CARF MF Processo nº 44021.000265/200710 Acórdão n.º 9202005.967 CSRFT2 Fl. 0 10 ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Em face ao exposto, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Por fim, destacase que, independente do lançamento fiscal analisado referirse a Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP) e Acessória (AIOA), este último consubstanciado na omissão de fatos geradores em GFIP, lançados em conjunto, ou seja formalizados em um mesmo processo, ou em processos separados, a aplicação da legislação não sofrerá qualquer alteração, posto que a Portaria PGFN/RFB nº 14/2009 contempla todas as possibilidades, já que a tese ali adotada tem por base a natureza das multas. Conclusão Face o exposto, voto no sentido de CONHECER do recurso ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL, para, no mérito, DAR LHE PROVIMENTO, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. É como voto. Face o exposto, voto por conhecer do Recurso Especial e, no mérito, darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 132DF CARF MF Processo nº 44021.000265/200710 Acórdão n.º 9202005.967 CSRFT2 Fl. 0 11 Fl. 133DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13804.001097/00-65
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Aug 17 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Oct 20 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/03/1990 a 31/03/1992
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. COMPROVAÇÃO DO INDÉBITO. NECESSIDADE.
Para se comprovar o indébito tributário é necessário que se apresente os elementos de prova suficientes à demonstração da base de cálculo do tributo. A simples apresentação de tabela demonstrativa acompanhada dos comprovantes de recolhimentos - DARF, não são suficientes para comprovar a certeza e liquidez do crédito que se pretende ver restituído. Incumbe a quem alega a existência do indébito o dever de sua comprovação.
Numero da decisão: 9303-005.587
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencida a conselheira Érika Costa Camargos Autran (relatora), que lhe negou provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Érika Costa Camargos Autran - Relatora
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Redator designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: ERIKA COSTA CAMARGOS AUTRAN
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COMPROVAÇÃO DO INDÉBITO. NECESSIDADE. Para se comprovar o indébito tributário é necessário que se apresente os elementos de prova suficientes à demonstração da base de cálculo do tributo. A simples apresentação de tabela demonstrativa acompanhada dos comprovantes de recolhimentos DARF, não são suficientes para comprovar a certeza e liquidez do crédito que se pretende ver restituído. Incumbe a quem alega a existência do indébito o dever de sua comprovação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencida a conselheira Érika Costa Camargos Autran (relatora), que lhe negou provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran Relatora (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Redator designado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 4. 00 10 97 /0 0- 65 Fl. 269DF CARF MF Processo nº 13804.001097/0065 Acórdão n.º 9303005.587 CSRFT3 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pela Fazenda Nacional contra o acórdão n.º 320100.261, de 10 de julho de 2009 (fls. 202 a 207 do processo eletrônico), proferido Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção de Julgamento deste CARF, decisão que por unanimidade de votos, deu provimento ao Recurso Voluntário. A discussão dos presentes autos tem origem no pedido de restituição protocolado em 28/04/2000, que o Contribuinte vem pleitear os recolhimentos efetuados a título de FINSOCIAL, dos períodos de apuração compreendidos entre 03/90 e 04/92, com base na declaração de inconstitucionalidade, por via de recurso extraordinário, logo, com efeitos entre partes, das majorações da alíquota da referida exação. Pelo despacho decisório, a autoridade preparadora não tomou conhecimento do pedido e julgou prejudicada a compensação pretendida, com base no decurso do prazo decadencial, previsto no artigo 168 do Código Tributário Nacional (Lei n° 5.172, de 25/10/1966) e no Ato Declaratório SRF n°96, de 26/11/1999. O Contribuinte inconformado com despacho decisório que indeferiu seu pleito apresentou Manifestação de Inconformidade. Por intermédio da Decisão n° 925/2001, face às disposições da Portaria MF n° 416/2000, a Delegacia de Julgamento de Curitiba, em 16/08/2001, manteve a decisão da unidade preparadora. Descontente com a posição da primeira instância administrativa, o interessado interpôs Recurso Voluntário. O Segundo Conselho de Contribuintes, por intermédio do Acórdão n° 202.14.177, afastou a hipótese de decadência e determinou a remessa dos autos para exame de mérito. Fl. 270DF CARF MF Processo nº 13804.001097/0065 Acórdão n.º 9303005.587 CSRFT3 Fl. 4 3 O processo retornou à unidade de origem para atender a solicitação do Conselho de Contribuintes. O processo encontravase carente de documentos probatórios. Para sanear as lacunas na instrução processual, o postulante foi provocado a participar do processo por intermédio da intimação n° 300/2005. Encaminhando como resposta os documentos solicitados. Após análise dos elementos acostados aos autos, foi constatado que o contribuinte não atendeu de forma suficiente a supracitada intimação. A autoridade fiscal insistiu em provocar o requerente, por meio da intimação n° 42/2006, a apresentar os documentos que estavam faltando e que seriam imprescindíveis a análise do pleito. O Contribuinte manifestou pela impossibilidade de apresentar a documentação solicitada. A DERAT indeferiu o pedido, alegando uma deficiência na instrução probatória, uma vez que o contribuinte informa a inexistência de base documental que sustente o seu pleito. Posteriormente, o Contribuinte inconformado com o novo despacho decisório que indeferiu seu pleito apresentou sua Manifestação de Inconformidade (fls. 156/159). A DRJ em São Paulo/SP julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pelo contribuinte. Irresignado com a decisão contrária ao seu pleito, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário, o Colegiado por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso, conforme acórdão assim ementado in verbis: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/03/1990 a 31103/1992 FINSOCIAL RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. Afastada a decadência e na análise do mérito, resta comprovado o indébito tributário através de documentos que foram entregues quando do pedido de restituição, à época da solicitação, segundo orientação da IN/SRF n° 21/97 e alterações. Fl. 271DF CARF MF Processo nº 13804.001097/0065 Acórdão n.º 9303005.587 CSRFT3 Fl. 5 4 Recurso Voluntário Provido A Fazenda Nacional opôs Embargos de Declaração às fls. 212 a 215, sendo que estes foram rejeitados, conforme despacho às fls. 217 a 220. A Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial de Divergência (fls. 224 a 234) em face do acordão recorrido que deu provimento ao recurso do contribuinte, a divergência suscitada pela Fazenda Nacional foi em razão da decisão recorrida ter entendido desnecessário o exame da escrituração contábil e fiscal do interessado para se confirmar o direito creditório pleiteado. Ainda, apontou a Fazenda Nacional que teria havido erro material no acórdão nº 320100.448, que examinou seus embargos declaratórios, quando conclui por negar provimento ao "recurso voluntário" e não aos embargos, o que deveria ser o caso. Para comprovar a divergência jurisprudencial suscitada, a Fazenda Nacional apresentou como paradigmas os acórdãos de números 20402938 e 340200.374. A comprovação do julgado firmouse pela juntada de cópias de interior teor dos acórdãos, documentos de fls. 235 a 258 O recurso especial da Fazenda Nacional foi admitido, conforme despacho de fls. 261 a 263, sob o argumento que o contraste das ementas foi suficiente para evidenciar a divergência quanto à necessidade do exame da escrituração contábil e fiscal do interessado para se confirmar o direito creditório pleiteado. O Contribuinte foi cientificado para apresentar contrarrazões, conforme se verifica às fls. 266 a 268 e não se manifestou. É o relatório em síntese. Fl. 272DF CARF MF Processo nº 13804.001097/0065 Acórdão n.º 9303005.587 CSRFT3 Fl. 6 5 Voto Vencido Conselheira Érika Costa Camargos Autran Relatora Conheço do Recurso Especial de Divergência interposto pela da Fazenda Nacional por verificar que estão atendidos os requisitos necessários para sua admissibilidade O acórdão recorrido decidiu por dar provimento ao recurso voluntário e concluiu que estaria comprovado o indébito tributário através de documentos que foram entregues quando do pedido de restituição, à época da solicitação, dentre os quais não se incluía a documentação contábil/fiscal da empresa, mas apenas comprovantes de pagamentos e demonstrativos elaborados pelo interessado. Ainda, em sede de exame dos embargos interpostos pela recorrente, a turma apontou que o exame da documentação contábil caberia à unidade jurisdicionante fazer, se quiser, antes de efetuar o pagamento, apenas para verificar a veracidade dos documentos já acostados aos autos. Por sua vez, o acórdão paradigma firma entendimento diverso, ao tratar da mesma matéria relativa à comprovação do direito creditório objeto de pedido de restituição/compensação, decide que cabe ao contribuinte comprovar, por meio de seus livros contábeis e fiscais, o direito creditório alegado. Na falta desta comprovação, considera que o pleito deve ser indeferido por falta de liquidez e certeza dos créditos utilizados na compensação e neste sentido negou provimento ao recurso voluntário. Ou seja, enquanto o paradigma decidiu por indeferir o pedido do interessado, em face da ausência de documentação contábil/fiscal, necessária a comprovar a veracidade dos valores pleiteados, a decisão recorrida concluiu pelo deferimento do pedido, por entender que os documentos acostados aos autos poderiam ser objeto de verificação posterior pela unidade jurisdicionante, antes de efetuar o pagamento, caso entenda necessário. Com tais considerações, entendo ter sido comprovada a divergência jurisprudencial. Fl. 273DF CARF MF Processo nº 13804.001097/0065 Acórdão n.º 9303005.587 CSRFT3 Fl. 7 6 Do Mérito. Trata o presente processo de pedido de restituição (fl. 01), protocolado em 28/04/2000, que a interessada vem formular por seus representantes legais pleiteando os recolhimentos efetuados a título de FINSOCIAL, dos períodos de apuração compreendidos entre 03/90 e 04/92, com base na declaração de inconstitucionalidade, por via de recurso extraordinário, logo, com efeitos entre partes, das majorações da alíquota da referida exação. A decadência do direito a pleitear a restituição não é mais controversa nos autos, restando apenas analisar, em observância ao princípio da verdade material, se o contribuinte tem direito aos valores pleiteados. No Recurso Especial da Fazenda, esta alega que é necessário o exame da escrituração contábil e fiscal, ou seja do exame dos livros contábeis. Entendo que a declaração de inconstitucionalidade da exação acrescida da comprovação do recolhimento por meio da juntada das guias DARF e das planilhas, constituem elementos bastantes para se configurar a liquidez e certeza do crédito exigidos para a compensação, não havendo necessidade dos livros contábeis da Contribuinte. O Contribuinte provou ter suportado o ônus do tributo, requisito único exigido pelo art. 166 do Código Tributário Nacional. Conforme fls. 01, o Contribuinte juntou com o pedido de restituição vários documentos comprobatórios e necessários, conforme orientação da IN/SRF n° 21/97, vigente à época da solicitação. Dos autos constam: (i) os comprovantes dos pagamentos ou recolhimentos indevidos ou a maior; e, (ii) o demonstrativo da base de cálculo, do valor devido e do respectivo saldo. Vale ressaltar que nos termos do art. 6, da citada IN/SRF n° 21/97, vigente a época, em relação ao pedido de restituição de tributo ou contribuição administrado pela SRF, o pedido de restituição deverá ser efetuada a requerimento do contribuinte, pessoa física ou Fl. 274DF CARF MF Processo nº 13804.001097/0065 Acórdão n.º 9303005.587 CSRFT3 Fl. 8 7 jurídica, dirigido à unidade da SRF de seu domicilio fiscal, acompanhado dos comprovantes do pagamento ou recolhimento e de demonstrativo dos cálculos: RESTITUIÇÃO Art. 6º À exceção do valor a restituir relativo ao imposto de renda de pessoa física, apurado na declaração de rendimentos, todas as demais restituições em espécie, de quantias pagas ou recolhidas indevidamente ou em valor maior que o devido, a título de tributo ou contribuição administrado pela SRF, nas hipóteses relacionadas no art. 2º, serão efetuadas a pedido do contribuinte, pessoa física ou jurídica, apresentado no formulário "Pedido de Restituição", constante do Anexo I, à unidade da SRF de seu domicílio fiscal, acompanhado dos comprovantes do pagamento ou recolhimento e de demonstrativo dos cálculos. § 1º O demonstrativo a que se refere o caput deverá conter a base de cálculo efetiva, o valor do tributo ou contribuição pago ou recolhido, o valor efetivamente devido e o saldo a restituir. Estes documentos conforme relatado acima foram anexados. Logo, entendo, que a unidade da Receita Federal do Brasil tem condições de quantificar o valor para atender o pleito. No entanto, em busca da verdade material, proponho o retorno dos autos à DRF para análise da liquidez do crédito tributário do Recorrente. É como voto. (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran Fl. 275DF CARF MF Processo nº 13804.001097/0065 Acórdão n.º 9303005.587 CSRFT3 Fl. 9 8 Voto Vencedor Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal Redator designado Com todo respeito ao voto da ilustre relatora, mas discordo de suas conclusões. Cuida o processo de pedido de restituição de FINSOCIAL de valores supostamente pagos a maior, no período de março de 1990 a abril de 1992, no valor de R$ 47.860,70, protocolado pelo contribuinte em 28 de abril de 2000, acompanhado de Pedidos de Compensação. Inicialmente o pedido foi indeferido, por meio do Despacho Decisório de e fls. 47/48, por ter ocorrido a prescrição quinquenal do direito ao pedido de restituição. Esta decisão foi revertida pelo Acórdão nº 20214.177, de 18/09/2002, da 2ª Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, efls. 78/84, que devolveu o processo à Delegacia de origem para análise do direito creditório restando afastada a ocorrência da prescrição quinquenal. Com o objetivo de analisar a liquidez e certeza dos créditos pretendidos, a Derat/São Paulo, por meio do Termo de Intimação Fiscal nº 300/2005, efls. 94/95, requereu do contribuinte uma série de elementos de sua escrita fiscal e contábil. O contribuinte atendeu parcialmente a intimação, razão pela qual foi reintimado por meio do Termo de Intimação Fiscal nº 42/2006, efls. 117/118. Respondeu, efl. 119, que os livros e documentos solicitados não existem mais e que teriam sido guardados somente no prazo de prescrição dos débitos tributários decorrentes. Em nova análise do direito creditório, a Derat/São Paulo, por meio do Despacho Decisório de efls. 156/164, o pedido foi indeferido por falta de comprovação do indébito. Após a apresentação de manifestação de inconformidade, a DRJ/São Paulo I, negou o seu pedido, por meio do Acórdão nº 1611.770, efls. 176/181, assim ementado: ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/03/1990 a 30/04/1992 FINSOCIAL RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. Fl. 276DF CARF MF Processo nº 13804.001097/0065 Acórdão n.º 9303005.587 CSRFT3 Fl. 10 9 Falta de Comprovação do Indébito Tributário Intimado para apresentar documentos que comprovassem de forma peremptória seu direito, o interessado se manteve inerte, prejudicando a análise do pleito. Solicitação Indeferida Não concordando com referida decisão, o contribuinte apresentou recurso voluntário, que teve o seu julgamento proferido por meio do Acórdão nº 320100.261, ora recorrido, o qual por unanimidade de votos entendeu que os documentos apresentados pelo contribuinte seriam suficientes para comprovação do indébito tributário. Este entendimento foi convalidado pela relatora do presente julgamento. O recurso da Fazenda Nacional contesta esta comprovação e pede provimento no sentido de que não teria sido comprovada a liquidez e certeza do crédito tributário pleiteado. Não há como concordar com as conclusões do acórdão recorrido e do voto da ilustre relatora. De acordo com o art. 333, inciso I do CPC, o ônus de provar o direito incumbe a quem o alega. No presente caso, o contribuinte teve inúmeras oportunidades de juntar os elementos necessários à comprovação desse direito. Não se justifica a insistência do contribuinte em defender que somente os comprovantes de pagamentos apresentados, por meio dos DARF, acompanhadas de planilhas demonstrativas seriam suficientes para comprovar o indébito. Evidente que para se comprovar o indébito tributário, é necessário que se comprove a base de cálculo mensal do tributo. Sem esta comprovação, impossível saber qual o montante devido e, por consequência, impossível saber se o DARF foi pago a maior. Aliás é de se questionar a razão de o contribuinte nunca ter apresentado a comprovação da base de cálculo do tributo. Tivesse feito isso lá atrás, não se tinha perdido tanto tempo com a discussão administrativa infindável em que se arrasta este processo administrativo. Veja, nesse sentido, trecho do Despacho Decisório que negou o pedido do contribuinte: (...) Releva, assim, destacar o caráter imperativo da verificação tocante à base de cálculo da contribuição em tela, a receita bruta apurada no período, da qual as notas fiscais e os livros contábeis demandados são incontornáveis fontes primárias de prova. Fl. 277DF CARF MF Processo nº 13804.001097/0065 Acórdão n.º 9303005.587 CSRFT3 Fl. 11 10 Em vista do caráter incontornável de tal verificação, temse, portanto, à f1.14, o requerente declarandose incapaz de apresentar prova das alegações em que baseia o pedido de restituição em exame, referente a apurações de março de 1990 a março de 1992, vez haver descartado notas fiscais e livros contábeis do período, não obstante a existência do presente processo, protocolado em 28/04/2000. (...) Aliás, a comprovação da certeza e liquidez do crédito tributário é uma exigência do Código Tributário Nacional: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Se o contribuinte não se incumbe de comprovar às autoridades fiscais a certeza e liquidez de seu crédito, não há como reconhecêlo, estando corretas as decisões que lhe negaram o pedido de restituição/compensação. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso especial apresentado pela Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Fl. 278DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10920.002388/2008-11
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Aug 07 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Oct 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2002, 2003, 2004, 2005, 2006
INDEDUTIBILIDADE DAS CONTRIBUIÇÕES, LANÇADAS DE OFÍCIO, DA BASE DE CÁLCULO DO IRPJ E DA CSLL.
A dedutibilidade dos tributos segundo o regime de competência, para fins de apuração do Lucro Real e da base de cálculo da CSLL, está restrita aos valores constantes da escrituração comercial, não alcançando os valores das contribuições lançadas de oficio sobre receitas omitidas.
MULTA REGULAMENTAR PELA ENTREGA DESCONFORME DE ARQUIVOS MAGNÉTICOS.
A exoneração da multa regulamentar seria possível se a distinção entre os arquivos magnéticos entregues e exigidos se referisse à sua forma, de modo que não prejudicasse o atendimento da necessidade fiscal, o que não se verifica quando se demonstra que a desconformidade alcançou seu conteúdo, atingindo a contabilização exigida.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2002, 2003, 2004, 2005, 2006
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO.
A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic.
Numero da decisão: 9101-002.996
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial do Contribuinte, apenas (i) quanto à insurgência com relação à multa regulamentar e (ii) quanto à não incidência de juros sobre a multa. No mérito, na parte conhecida, acordam em negar-lhe provimento (i) por maioria de votos, com relação à multa regulamentar, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento; e (ii) por voto de qualidade, quanto aos juros sobre a multa, vencidos os conselheiros Daniele Souto Rodrigues Amadio (relatora), Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial da Fazenda Nacional, apenas em relação à dedutibilidade das despesas com PIS e Cofins da Base do IRPJ e, no mérito, na parte conhecida, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Daniele Souto Rodrigues Amadio (relatora), Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto e Gerson Macedo Guerra, que lhe negaram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Adriana Gomes Rego.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(assinado digitalmente)
Daniele Souto Rodrigues Amadio - Relatora
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rego - Redatora Designada
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto, Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: DANIELE SOUTO RODRIGUES AMADIO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2002, 2003, 2004, 2005, 2006 INDEDUTIBILIDADE DAS CONTRIBUIÇÕES, LANÇADAS DE OFÍCIO, DA BASE DE CÁLCULO DO IRPJ E DA CSLL. A dedutibilidade dos tributos segundo o regime de competência, para fins de apuração do Lucro Real e da base de cálculo da CSLL, está restrita aos valores constantes da escrituração comercial, não alcançando os valores das contribuições lançadas de oficio sobre receitas omitidas. MULTA REGULAMENTAR PELA ENTREGA DESCONFORME DE ARQUIVOS MAGNÉTICOS. A exoneração da multa regulamentar seria possível se a distinção entre os arquivos magnéticos entregues e exigidos se referisse à sua forma, de modo que não prejudicasse o atendimento da necessidade fiscal, o que não se verifica quando se demonstra que a desconformidade alcançou seu conteúdo, atingindo a contabilização exigida. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2002, 2003, 2004, 2005, 2006 JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic.
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A dedutibilidade dos tributos segundo o regime de competência, para fins de apuração do Lucro Real e da base de cálculo da CSLL, está restrita aos valores constantes da escrituração comercial, não alcançando os valores das contribuições lançadas de oficio sobre receitas omitidas. MULTA REGULAMENTAR PELA ENTREGA DESCONFORME DE ARQUIVOS MAGNÉTICOS. A exoneração da multa regulamentar seria possível se a distinção entre os arquivos magnéticos entregues e exigidos se referisse à sua forma, de modo que não prejudicasse o atendimento da necessidade fiscal, o que não se verifica quando se demonstra que a desconformidade alcançou seu conteúdo, atingindo a contabilização exigida. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002, 2003, 2004, 2005, 2006 JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 00 23 88 /2 00 8- 11 Fl. 2928DF CARF MF Processo nº 10920.002388/200811 Acórdão n.º 9101002.996 CSRFT1 Fl. 2.929 2 parcialmente do Recurso Especial do Contribuinte, apenas (i) quanto à insurgência com relação à multa regulamentar e (ii) quanto à não incidência de juros sobre a multa. No mérito, na parte conhecida, acordam em negarlhe provimento (i) por maioria de votos, com relação à multa regulamentar, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento; e (ii) por voto de qualidade, quanto aos juros sobre a multa, vencidos os conselheiros Daniele Souto Rodrigues Amadio (relatora), Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial da Fazenda Nacional, apenas em relação à dedutibilidade das despesas com PIS e Cofins da Base do IRPJ e, no mérito, na parte conhecida, por voto de qualidade, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Daniele Souto Rodrigues Amadio (relatora), Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto e Gerson Macedo Guerra, que lhe negaram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Adriana Gomes Rego. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (assinado digitalmente) Daniele Souto Rodrigues Amadio Relatora (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rego Redatora Designada Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto, Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra. Relatório Tratase de Recursos Especiais interpostos pela DUAS RODAS INDUSTRIAL LTDA e FAZENDA NACIONAL em face do acórdão n. 1402001.089, proferido pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Primeira Seção de Julgamento, que negou provimento ao recurso de ofício interposto pela DRJ de origem e, quanto ao voluntário, deu provimento parcial, para (i) acatar a dedução da despesa com Contribuição ao PIS e COFINS, lançados de ofício em face de receitas omitidas, da base de cálculo do IRPJ e da CSLL; (ii) reconhecer a não incidência do Fl. 2929DF CARF MF Processo nº 10920.002388/200811 Acórdão n.º 9101002.996 CSRFT1 Fl. 2.930 3 PIS e da Cofins sobre receitas financeiras; (iii) cancelar a multa isolada; (iv) exonerar a multa qualificada, reduzindoa ao patamar de 75%, e, (v) consequentemente, pela aplicação do artigo 150, § 4º, do Código Tributário Nacional, reconhecer a decadência em relação aos fatos geradores anteriores a 26 de junho de 2003. De outro lado, votou o colegiado pela manutenção (vi) da glosa de despesas relativas aos serviços prestados pelas empresas DR Assessoria e KR Representações, (vi) da multa regulamentar de que trata o artigo 256 do RIR/1999, bem como (vii) dos juros sobre a multa de ofício, em decisão que restou assim ementada: “Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2002, 2003, 2004, 2005, 2006 DECADÊNCIA. PIS E COFINS. FATO GERADOR MENSAL. Nos termos do artigo 2º da Lei Complementar nº 70, de 1991, o PIS e a Cofins são tributos que têm como critério material da exigência a receita, com aspecto temporal mensal. No caso concreto, quando do lançamento que se efetivou em 26082008, o crédito tributário referente ao PIS e a Cofins, afastado no julgamento da DRJ, efetivamente já se encontrava extinto pela decadência. Ademais, tendo o colegiado afastado a multa qualificada e constatado a existência de pagamentos, igualmente se reconhece a decadência em relação aos tributos de fatos geradores ocorridos em data anterior a 26 082003. PIS E COFINS. RECEITA COMO ELEMENTO DA BASE DE CÁLCULO. IMPOSSIBILIDADE DE SE CONSIDERAR DESPESAS GLOSADAS COMO BASE DE CÁLCULO. À luz do artigo 2º da Lei Complementar nº 70, de 1991, o PIS e a Cofins têm como critério material o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza. Recurso de ofício negado provimento. MULTA QUALIFICADA. INAPLICABILIDADE. Nos casos de exigência de tributo onde se verificam infrações junto com infrações caracterizadas pelo dolo ou fraude, a multa qualificada e seus efeitos incide somente em relação às exigências decorrentes das infrações dolosas ou decorrentes de fraude. Impossibilidade de se estender os efeitos da qualificação da multa em relação a fatos desprovidos de conduta dolosa ou de fraude. MULTA REGULAMENTAR. EMPRESAS OBRIGADAS A APRESENTAREM ARQUIVO MAGNÉTICO OU ASSEMELHADO. NÃO ATENDIMENTO ÀS EXIGÊNCIAS FORMAIS. A pessoa jurídica enquadrada nas situações indicadas na lei que deixar de apresentar, em meio magnético ou assemelhado, os arquivos indicados no artigo 265, do Regulamento do Imposto de Renda, fica sujeita à sanção prevista no artigo 980 do mesmo Regulamento. (Inteligência dos artigos 265, 266 e 980 do RIR de 1999). GLOSA DE DESPESAS. Glosamse os valores correspondentes a repasses efetuados a empresas controladoras indiretas e que foram apropriados como despesas operacionais, quando, tratandose de alegada prestação de serviços técnicos especializados, ficar comprovado que as supostas prestadoras não dispõem de pessoal qualificado para sua execução, e estas alegarem que se trata de remuneração por serviços pessoais de seus administradores, que são os mesmos que administram a autuada. JUROS SOBRE A MULTA. É entendimento majoritário do colegiado no sentido de que há incidência de juros pela taxa Selic em relação à multa aplicada. recurso voluntário provido em parte.” Fl. 2930DF CARF MF Processo nº 10920.002388/200811 Acórdão n.º 9101002.996 CSRFT1 Fl. 2.931 4 No que lhe interessava, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial insurgindose contra (i) a dedutibilidade das despesas com a Contribuição ao PIS e a Cofins lançados de ofício da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, apresentando como paradigmas os Acórdãos n. 10805.766 e 10805.397; (b) a multa qualificada, propugnando pela aplicação do artigo 173, I, do CTN, de modo que a decadência alcançasse apenas os fatos geradores ocorridos até 30 de novembro de 2002, utilizando como paradigma para restabelecimento da multa o acórdão 10323.495. A contribuinte, por sua vez, interpôs recurso especial quanto (i) à multa regulamentar, em face da falta de apresentação de arquivos magnéticos, apresentando como paradigma o acórdão n. 10323.335; e (b) aos juros sobre multa, indicando como paradigma o acórdão n. 3403003.271, sendo todas as matérias descritas recepcionadas pelos despachos de admissibilidade. Passase, então, à apreciação dos recursos. Voto Vencido Conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio – Relatora Conhecimento do Recurso Especial O conhecimento do Recurso Especial condicionase ao preenchimento de requisitos enumerados pelo artigo 67 do Regimento Interno deste Conselho, que exigem analiticamente a demonstração, no prazo regulamentar do recurso de 15 dias, de (1) existência de interpretação divergente dada à legislação tributária por diferentes câmaras, turma de câmaras, turma especial ou a própria CSRF; (2) legislação interpretada de forma divergente; (3) prequestionamento da matéria, com indicação precisa das peças processuais; (4) duas decisões divergentes por matéria, sendo considerados apenas os dois primeiros paradigmas no caso de apresentação de um número maior, descartandose os demais; (5) pontos específicos dos paradigmas que divirjam daqueles presentes no acórdão recorrido; além da (6) juntada de cópia do inteiro teor dos acórdãos indicados como paradigmas, da publicação em que tenha sido divulgado ou de publicação de até 2 ementas, impressas diretamente do sítio do CARF ou do Diário Oficial da União quando retirados da internet, podendo tais ementas, alternativamente, serem reproduzidas no corpo do recurso, desde que na sua integralidade. Observase que a norma ainda determina a imprestabilidade do acórdão utilizado como paradigma que, na data da admissibilidade do recurso especial, contrarie (1) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal (art. 103A da Constituição Federal); (2) Fl. 2931DF CARF MF Processo nº 10920.002388/200811 Acórdão n.º 9101002.996 CSRFT1 Fl. 2.932 5 decisão judicial transitada em julgado (arts. 543B e 543C do Código de Processo Civil; e (3) Súmula ou Resolução do Pleno do CARF. Voltandose ao concreto, identificase, primeiramente, que o Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional teve como objeto: (i) a dedutibilidade das despesas com Contribuição ao PIS e COFINS da base de cálculo do IRPJ e CSLL e (ii) a qualificação da multa de ofício e correspondente aplicação do artigo 173 do Código Tributário Nacional. A esse respeito, registrase que embora o despacho de admissibilidade tenha dado seguimento aos dois pontos, não se conhece o recurso nesta oportunidade com relação à qualificação da multa, porque o acórdão recorrido deixou de mantêla em razão do pagamento do débito no Refis com relação à matéria principal, conforme o voto vencido do acórdão recorrido. Assim, na impossibilidade de apreciação do recurso especial quanto a este tema, fica prejudicado o pleito de mudança da contagem da regra de decadência. Por essa razão, votase por conhecer parcialmente o Recurso Especial da Fazenda Nacional, restringindose a sua apreciação ao primeiro ponto da dedutibilidade. No que se refere ao Recurso Especial da contribuinte, este teve como objeto a (i) decadência da multa regulamentar relativa ao ano calendário 2002, (ii) insurgência específica quanto a esta penalidade, e (iii) não incidência de juros sobre a multa. Ao seu turno, a Fazenda Nacional sustentou em suas contrarrazões que a segunda matéria não poderia ser conhecida por falta de similitude fáctica, já que no caso em questão o dispositivo violado trataria da ausência de apresentação de arquivos magnéticos e não entrega em desconformidade. Nesse sentido, pensase que dois pontos se destacam nessa análise de conhecimento. O primeiro deles seria a respeito da possibilidade de conhecimento da matéria decadência de ofício. No entanto, como entendo que a matéria não foi presquestionada, porque no recurso especial se trata da decadência com relação à multa, enquanto o acórdão recorrido – no caso, integrado pelo acórdão dos embargos de declaração – se referia à decadência da Contribuição ao PIS e da Cofins. Isso me parece suficiente para não conhecer o primeiro ponto do recurso da contribuinte. Com relação à multa regulamentar, entendo preenchidos os requisitos para o seu conhecimento, não obstante o entendimento pontuado pela Fazenda Nacional, discussão que considero pertencer ao mérito, com a análise do caso concreto, da mesma forma que admito o julgamento acerca da incidência de juros sobre multa. Assim sendo, VOTASE POR CONHECER PARCIALMENTE os Recursos Especiais interpostos pela contribuinte e a Fazenda Nacional. Mérito Fl. 2932DF CARF MF Processo nº 10920.002388/200811 Acórdão n.º 9101002.996 CSRFT1 Fl. 2.933 6 I. Dedutibilidade da Contribuição ao PIS e da COFINS da base de cálculo do IRPJ e CSLL constituídos de ofício As despesas com tributos, com ressalva da despesa com a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, por expressa vedação legal, e da despesa com o próprio Imposto de Renda, são dedutíveis na apuração do lucro real e na determinação da base da CSLL quando da ocorrência do fato gerador. Nesse contexto, a circunstância de o lançamento da Contribuição ao PIS e da COFINS, no caso concreto, haver sido realizada pela fiscalização em procedimento de ofício não invalida a regra, eis que a exigência das contribuições se verificaram justamente em face da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária e devem seguir o regramento aplicável ordinariamente aos tributos em questão. Afinal, se é certo que os tributos não estavam contabilizados como despesas, justamente em face da infração praticada, não menos certo é que em razão da ação da fiscalização os créditos constituídos pela contribuinte, nos chamado “lançamentos por homologação”, foram revistos, daí porque, de ofício, foram em parte constituídos. E a ação da fiscalização, nesse particular, representa a perfeita (re) apuração das bases de tributação, não havendo porque, pois, nos lançamentos de ofício de IRPJ e de CSLL negarse a dedutibilidade das contribuições constituídas na mesma ação fiscal. Nesse sentido, mantémse o acórdão ora recorrido, que deu provimento ao recurso voluntário interposto pela contribuinte. Leiase: “Da questão relacionada à dedutibilidade do PIS e da Cofins da base de cálculo do IRPJ e CSLL No que diz respeito à dedução do PIS e da Cofins da base de cálculo do IRPJ lançado, tenho que a alegação da impugnante é procedente. Inicialmente, o posicionamento da administração tributária estava assentado na impossibilidade de se deduzir tributos ou contribuições enquanto não pagos, em consonância com a regra prevista no artigo 7º da Lei nº 8.541, de 1992. Art.7º. As obrigações referentes a tributos ou contribuições somente serão dedutíveis, para fins de apuração do lucro real, quando pagas. Com o advento da Medida Provisória nº. 812, de 1994, convertida na Lei nº. 8.981, de 1995, que em seu art. 41 instaurou a possibilidade de se deduzir tributos e contribuições na apuração do lucro real, segundo o regime de competência. Tal norma excepcionou, dentre outras, as hipóteses de tributos com exigibilidade suspensa, em conformidade com o art. 151, incisos II a IV, do CTN. Art. 41. Os tributos e contribuições são dedutíveis, na determinação do lucro real, segundo o regime de competência. § I O disposto neste artigo não se aplica aos tributos e contribuições cuja Fl. 2933DF CARF MF Processo nº 10920.002388/200811 Acórdão n.º 9101002.996 CSRFT1 Fl. 2.934 7 exigibilidade esteja suspensa, nos termos dos incisos II a IV do art. 151 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966, haja ou não depósito judicial. Da leitura dos dispositivos legais antes citados depreendese que o entendimento anteriormente adotado, de se permitir dedução dos tributos apenas depois de pagos e contabilizados, em regime de caixa, cedeu lugar para o de que deve se adotar o regime de competência, isto é, procedese ao registro contábil na época em que ocorre o fato, independentemente de ter sido pago. Por oportuno, colhese a definição do Princípio da Competência, expresso na Resolução CFC n. 750/1993: Art. 9º As receitas e as despesas devem ser incluídas na apuração do resultado do período em que ocorrerem, sempre simultaneamente quando se correlacionarem, independentemente de recebimento ou pagamento. Aqui, como razões de decidir, transcrevo a seguinte passagem do voto condutor proferido no julgamento do processo n. 13924.000022/9911, citado no processo nº 10865.50035582/200896, cujo excerto segue adiante, que a meu sentir, expressa a nova postura adotada pelo legislador, no sentido de que a situação patrimonial deve espelhar os fatos contábeis na época de sua ocorrência, independentemente de pagamento. A obediência ao regime de competência para a escrituração é fixada pelo art. 177 da Lei 6.404/76, que reza: ‘Art. 177 — A escrituração da companhia será mantida em registros permanentes, com obediência aos preceitos da legislação comercial e desta lei e aos princípios de contabilidade geralmente aceitos, devendo observer métodos ou critérios contábeis uniformes no tempo e registrar as mutações patrimoniais segundo o regime de competência." (grifouse) O Decretolei 1.598/77, com propósito de fazer valer as normas instituídas pela Lei 6.404 no campo tributário, também estabeleceu o regime de competência para receitas e despesas, expressamente ou fazendo remissão ao disposto na lei comercial (arte. 6 0 § 6°, 70 e 65, XI). Aliás, a Lei 6.404 é o vetor da apuração do lucro da pessoa jurídica, como se vê do art. 220, § Io do RIR/94. O regime de competência deve ser aplicado tanto para receitas como para despesas, para o fim de obterse a adequada apuração do resultado da empresa. Vejase a lição da Equipe de Professores da FEA da USP: "Uma adequada comparação entre despesas e receitas de cada exercício, para a apuração de resultado, é conseguida através da adoção do regime de competência de exercícios, que refletirá nas demonstrações Balanço e Resultado do Exercício a situação mais próxima possível do real!" Américo Oswaldo Campiglia, fazendo referência a Donald A. Corbin autor do livro "Accounting and economic decisions", elenca os Princípios contábeis, dentre os quais: "Competência do exercício. O método de se determinar o resultado do exercício através da apropriação de todas as despesas incorridas durante o período de tempo que lhes corresponda, contra todas as receitas pertinentes a esse mesmo período, quer Fl. 2934DF CARF MF Processo nº 10920.002388/200811 Acórdão n.º 9101002.996 CSRFT1 Fl. 2.935 8 tenha havido ou não a realização em dinheiro (pagamentos e recebimentos) dos respectivos valores. A imputação periódica é a característica fundamental da conceituação do regime de competência dos exercícios que assim adquire uma individualidade própria, transcendendo, em sua abrangência, a anualidade do calendário civil e o chamado 'regime de caixa'." A aplicação do princípio da competência e, portanto, o reconhecimento contábil da despesa incorrida, é excepcionada no caso da CSLL, por expressa previsão legal assentada na Lei n. 9.315/1996, art. Io: Art. 1 O valor da contribuição social sobre o lucro liquido não poderá ser deduzido para efeito de determinação do lucro real, nem de sua própria base de cálculo. Parágrafo único. Os valores da contribuição social a que se refere este artigo, registrados como custo ou despesa, deverão ser adicionados ao lucro líquido do respectivo período de apuração para efeito de determinação do lucro real e de sua própria base de cálculo. A vista do que foi exposto anteriormente, perfilho o entendimento de que o PIS e a Cofins devem ser deduzidos da base de cálculo do IRPJ. Porém, é preciso verificar como harmonizar o preceito acima exposto frente ao § 1º do artigo 41, da Lei nº 8.981, de 1995, que prevê a dedução da base de cálculo não se aplica aos tributos e contribuições cuja exigibilidade esteja suspensa, nos termos dos incisos II a IV do artigo 151, do CTN., haja ou não depósito judicial. No caso, a interpretação limitada ao texto da norma, como se esta fosse algo isolado no sistema, não permite resposta ao contido no artigo 43 do CTN, que tem como critério material do imposto de renda a aquisição de riqueza nova. Valor devido a título de PIS e Cofins não pode ser compreendido, em lançamento de ofício, como algo não dedutível da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, sob pena de se exigir IRPJ e CSLL sobre o valor das exigências devidas a título de PIS e Cofins. Nesta linha, transcrevo os seguintes precedentes colacionados e grifados pela recorrente: [...] OMISSÃO DE RECEITAS ANOS CALENDÁRIO DE 1996 E 1997APURAÇÃO DO IMPOSTO E ADICIONAISSE o contribuinte não traz aos autos a comprovação dos custos que diz corresponderem às receitas omitidas, não há como deduzilos para efeito de apuração do lucro real. Devem, porém, ser deduzidas das receitas omitidas, para fins de apuração da receita líquida, os tributos que comprovadamente incidiram sobre as vendas, no caso, o PIS e a COFINS objeto de lançamento no mesmo procedimento fiscal. [...] [Recurso: 125916, PRIMEIRA CÂMARA, Processo: 13603.001402/9933, Sessão: 20/03/2002, Relator: Sandra Maria Faroni, Acórdão 10193776] [Grifouse] [...] IRPJ E CSL DEDUÇÃO DA CONTRIBUIÇÃO AO PIS E DA COFINS. É de ser aceito o argumento de que os valores lançados a título de PIS e COFINS podem ser deduzidos da base do IRPJ e da CSL, pois se está perante o regime de competência e não de caixa. [...][Recurso: 135816, SÉTIMA CÂMARA, Processo: 11060.003134/200264, Sessão: 16/10/2003, Relator: Octávio Campos Fischer, Acórdão 10707379] [...] IRPJ DEDUÇÃO DO PIS COFINS E CSLL Devem ser excluída da base de cálculo do IRPJ e da CSLL as contribuições devidas a título de PIS e COFINS. Recurso parcialmente provido. [Recurso: 144693, QUINTA CÂMARA, Processo: 16707.004020/9919, Sessão: 26/04/2006, Relator: Daniel Sahagoff, Acórdão 10515641] Fl. 2935DF CARF MF Processo nº 10920.002388/200811 Acórdão n.º 9101002.996 CSRFT1 Fl. 2.936 9 PIS e COFINS BASE DE CÁLCULO IRPJ DEDUÇÃO A apuração da base de cálculo do IRPJ, quando há omissão de receitas pelo contribuinte, será eleita de forma direta, pois a omissão é tributada como renda isolada. Contudo, devese deduzir das referidas bases de cálculo os valores referentes a lançamentos de ofício das contribuições ao PIS e da COFINS. dos juros incidentes sobre tais contribuições, até a ocorrência do fato gerador do IRPJ e da CSLL. Pelas mesmas razões é permitida a dedução da CSLL da base do cálculo de IRPJ para os anoscalendário de 1995 e 1996. Embargos parcialmente acolhidos." (1o CC Proc. 16707.009636/9911 Rec 140.795 (10809526) 8a C. Rela Karem Jureidini Dias DOU 20.05.2008 p. 39). A regra contida no artigo 41, § 1º, da Lei nº 8.981, de 1995, aplicase aos casos em que a exigência de determinados tributos, como pode ocorrer nos casos de importação, não causam impacto na apuração do IRPJ. Interpretação contrária importaria em conflito com o disposto no artigo 43, do CTN. Em síntese, nos casos de lançamento de ofício em que se exige IRPJ e CSLL as normas, no que dizem respeito à base de cálculo destes tributos, devem ser interpretadas de forma que se dê efetividade ao comando que dispõe que as contribuições para o PIS e a Cofins são dedutíveis da apuração do lucro real segundo o regime de competência. O montante correspondente ao PIS e a Cofins se constitui em grandeza de valor que se deduz na apuração do IRPJ e da CSLL. Ao efetuar o lançamento a autoridade fiscal deve pautarse pela legislação em vigor. Se esta prevê como dedutíveis os valores devidos ao PIS e a Cofins da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, não se pode, a um só tempo, exigir ditas contribuições sem deduzir os respectivos valores da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. A regularidade da exigência deve ser observada no momento do lançamento. O fato do sujeito passivo apresentar defesa alegando nulidade do lançamento, não permite que se inclua na base de cálculo do IRPJ e da CSLL os valores devidos a título de PIS e Cofins. Neste ponto, dou provimento ao recurso para que os valores que incidiram a título de PIS e COFINS sob a receita omitida, que impactou na apuração da diferença do IRPJ e da CSLL, sejam deduzidos da base de cálculo desta.” Assim sendo, quanto à dedutibilidade da Contribuição ao PIS e da COFINS, votase por negar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. II. Multa Regulamentar Passandose então às matérias veiculadas no recurso especial da contribuinte, a primeira delas referese ao pedido de exoneração da multa regulamentar. Ocorre que, em meu entender, isso seria possível se a distinção entre os arquivos magnéticos entregues e exigidos se referisse à sua forma, de modo que não prejudicasse o atendimento da necessidade fiscal. Ocorre que, nos termos como ponto o TVF, seguido pelo acórdão recorrido, demonstrouse que a divergência não se limitou à forma, mas alcançou também seu conteúdo. Por essa razão, adota se, como razões de decidir, os termos da decisão da DRJ, mantendose o acórdão recorrido: “17 – Da multa regulamentar Fl. 2936DF CARF MF Processo nº 10920.002388/200811 Acórdão n.º 9101002.996 CSRFT1 Fl. 2.937 10 O Termo de Verificação Fiscal exterioriza (fls. 2.0992.100) as razões determinantes da imposição da multa regulamentar, verbis: ‘Intimada a apresentar os arquivos magnéticos (...), apresentou o arquivo com os lançamentos totalizados por dia, e os lançamentos correspondentes num diário auxiliar. Acontece que o diário auxiliar é um conjunto de lançamentos de módulos independentes tais como ‘caixa/bancos’, ‘clientes/fornecedores’, ‘estoques’ e ‘folha de pagamento’ e que não representam todos os lançamentos contábeis da empresa: a. os registros são diferentes na apresentação (leiaute); b. os registros são diferentes no conteúdo. Os relatórios de acompanhamento de fls. 1883 a 1921 e as cinco primeiras folhas do contendo os lançamentos do diário auxiliar, fls.1922 a 1926, repetidas com todos os campos em fls. 1927 a 1931, ilustram bem a questão. Os lançamentos do diário auxiliar têm códigos no histórico e não apresentam as contrapartidas, nem número de arquivamento ou centro de custo. Assim, por exemplo, nos arquivos magnéticos apresentados não há conta com o nome dos fornecedores ou clientes, não há menção a clientes ou fornecedores individualizados no histórico dos lançamentos no diário geral e no diário auxiliar, não há histórico que individualize os lançamentos para clientes ou fornecedores. Reintimada a abrir os lançamentos, conforme Termo de Reintimação de fls., apresentou arquivos cujo histórico recomposto. Em declarações, fls. 380 a 381, 418 e 419 a empresa fornecedora do aplicativo que dá suporte as informações contábeis ratifica que os arquivos magnéticos não contemplam as exigências do Ato Declaratório Cofis nº 15/2001. O contribuinte afirmou que conseguia gerar o relatório que fosse necessário, mas que não tinha meios de apresentar os arquivos magnéticos na forma de lançamentos individualizados. Como os arquivos magnéticos apresentados, pela forma como estão os registros, não permitem sua utilização para fiscalização dos lançamentos em meio magnético e o contribuinte não dispõe de meios de fornecer os lançamentos individualizados, entendemos ser aplicável a multa regulamentar prevista no art. 980 do RIR99 (Decreto 3000/99).” (Grifei). Contudo, a impugnante argumenta que em momento algum ela ou a fornecedora do aplicativo responderam no sentido de que as informações contidas nos arquivos magnéticos não contemplam as exigências do Ato Declaratório Cofis nº 15/2001. Aduz que, na verdade, a fornecedora informou que o aplicativo atende as exigências contidas no normativo, ressaltando que apenas não atende o formato como está a exigir o Agente Fiscal. Adiciona que o art. 2º do Ato Declaratório faculta ao servidor fiscal o recebimento em forma diferente daquela por ela estabelecida, mas enfatiza que em lugar algum o autoriza a exigir de maneira diferente da já prevista na legislação. Arremata afirmando estar claro que o aplicativo por ela utilizado estava em total conformidade com o exigido pelo Ato Declaratório Cofis nº 15/2001. Inicio a análise ponderando que o Ato Declaratório Executivo nº 15, de 23/10/2001, da Coordenação Geral de Fiscalização da SRFB, em seu art. 1º, estipula que os arquivos digitais e sistemas contendo informações relativas aos negócios e atividades dos contribuintes deverão ser apresentados com observância das orientações constantes do Anexo Único daquele normativo. De sua parte, o § 1º do mesmo artigo estipula que as informações alusivas a (I) registros contábeis e (II) fornecedores e clientes deverão ser apresentadas em arquivos padronizados. Com relação aos registros contábeis, o aludido Anexo Único fixa as seguintes instruções: Fl. 2937DF CARF MF Processo nº 10920.002388/200811 Acórdão n.º 9101002.996 CSRFT1 Fl. 2.938 11 “4.1 Registros Contábeis A estrutura deste arquivo deve ser utilizada para os lançamentos registrados no Livro Diário Geral e em Diários Auxiliares. Havendo escrituração de Diários Auxiliares, estes deverão ser apresentados em arquivos distintos. Os arquivos deste sistema deverão ser acompanhados da Tabela de Plano de Contas (4.9.2) e da Tabela de Centro de Custo/Despesa (4.9.3) 4.1.1 Arquivo de Lançamentos Contábeis O registro no arquivo de lançamentos contábeis será considerado como partidas simples. Desta forma, temse no caso de um lançamento com um débito e um crédito, utilizase um registro que represente o débito e um registro que represente o crédito. O campo “Código da Contrapartida” deve ser preenchido em ambos os registros; no caso de um lançamento com um débito e diversos créditos, utilizase um registro que represente o débito e tantos registros quantos sejam necessários para representar os créditos, deixando em branco o campo “Código da Contrapartida” no registro correspondente ao débito. Na seqüência, encontrase reproduzido no Anexo Único o seguinte quadro demonstrativo dos elementos que devem compor os arquivos de lançamentos contábeis: (…) Existem, portanto, instruções inequívocas acerca das informações que obrigatoriamente e de forma padronizada devem constar dos arquivos de lançamentos contábeis. Nenhuma necessidade existe, portanto, de se indagar do fornecedor do software se este atende ou não as exigências do Anexo Único do Ato Declaratório Executivo nº 15, de 2001, uma vez que cada interessado tem plenas condições de extrair suas próprias conclusões, o que se fará na seqüência. Destaco que a própria impugnante, por meio do expediente de fls. 108, atendendo questionamento do Fisco, pronunciouse de forma inequívoca a respeito de cada um desses elementos. Afirmou peremptoriamente que se encontravam atendidos (OK) os requisitos dos seguintes campos: “1 – Data de Lançamento”; “2 – Código da Conta Analítica”; “3 – Código do Centro de Custo/Despesa”; “5 – Valor”; “6 – Indicador de Débito ou Crédito”. Com relação aos demais elementos, a impugnante prestou as seguintes informações: “4 – CÓDIGO DA CONTRAPARTIDA Segundo nosso fornecedor de Software o sistema não trata este campo. Eles estão trabalhando em alterações para que na hora do lançamento o sistema grave este campo, desta forma será possível trazer esta informação no diário auxiliar. 7 – NÚMERO DE ARQUIVAMENTO Ok – No diário auxiliar entregue anteriormente este campo não estava sendo tratado. Foi alterado o software para trazer o número do document correspondente a operação. 8 – NÚMERO DE LANÇAMENTO Segundo nosso fornecedor de software o sistema não trata este campo. Eles estão trabalhando em alterações para que na hora do lançamento o sistema efetue a gravação de um número chave conforme consta na legislação, desta forma sera possível trazer esta informação no diário auxiliar. Hoje está trazendo neste campo o mês e ano do lançamento. 9 – HISTÓRICO Ok – No diário auxiliar entregue anteriormente este campo não estava atendendo as necessidades. Hoje, após alterações no software é possível trazer o histórico completo de todos os lançamentos.” Fl. 2938DF CARF MF Processo nº 10920.002388/200811 Acórdão n.º 9101002.996 CSRFT1 Fl. 2.939 12 É inequívoco, portanto, que a própria contribuinte afirma que os campos “4 – Código da Contrapartida” e “8 – Número de Lançamento”, não constam de seus registros contábeis, e que trabalhos em andamento permitirão – apenas para os lançamentos futuros – o conhecimento dessa informação. Aliás, a própria contribuinte reconhece que o número de lançamento é exigido pela legislação, verbis: “Eles estão trabalhando em alterações para que na hora do lançamento o sistema efetue a gravação de um número chave conforme consta na legislação, desta forma será possível trazer esta informação no diário auxiliar”. Acrescento que os registros contábeis da contribuinte além de não preencherem os requisitos do Anexo Único do Ato Declaratório Executivo nº 15, de 2001, também não atendem os critérios e procedimentos estabelecidos pela “NBC T 2.8 – Das Formalidades da Escrituração Contábil em Forma Eletrônica.” Aprovada pela RESOLUÇÃO CFC N° 1.020/05, de 18 de fevereiro de 2005, verbis: “2.8.1. DISPOSIÇÕES GERAIS 2.8.1.1.Esta norma estabelece critérios e procedimentos para a escrituração contábil em forma eletrônica e a sua certificação digital, sua validação perante terceiros, manutenção dos arquivos e responsabilidade de contabilista. 2.8.1.2.A Entidade deve manter um sistema de escrituração uniforme dos seus atos e fatos administrativos que atendam às NBC T 2.1, NBC T 2.2, NBC T 2.3, NBC T 2.4, NBC T 2.5, NBC T 2.6 e NBC T 2.7 e aos requisitos adicionais estabelecidos nesta norma. (...) 2.8.2. CONTEÚDO 2.8.2.1. Para fins desta norma, a expressão “em forma contábil” de que trata o item 2.1.2 “b” da NBC T 2.1 deve conter, no mínimo: a) data do registro contábil, ou seja, a data em que o fato contábil ocorreu na entidade; b) conta(s) devedora(s); c) conta(s) credora(s); d) histórico que represente o verdadeiro significado da transação ou o código de histórico padronizado, neste caso, baseado em tabela auxiliar, inclusa em livro próprio; e) valor do registro contábil; f) número do lançamento para identificar, de forma unívoca, todos os registros eletrônicos que integram um mesmo lançamento contábil. 2.8.2.2. O registro contábil deve conter o número de identificação do lançamento relacionado ao respectivo documento de origem externa ou interna ou, na sua falta, em elementos que comprovem ou evidenciem fatos e a prática de atosadministrativos. 2.8.2.3. Na escrituração contábil em forma eletrônica, o lançamento contábil deve ser efetuado com: um registro a débito e um registro a crédito; ou b) um registro a débito e vários registros a crédito; ou c) vários registros a débito e um registro a crédito; ou d) vários registros a débito e vários registros a crédito.” (Grifei). É relevante destacar que o próprio Conselho de Federal de Contabilidade ressaltou, na alínea “f” do item 2.8.2.1, que o número do lançamento é essencial para identificar, de forma unívoca, todos os registros eletrônicos que integram um mesmo lançamento contábil. Também relevante é destacar que, ao estipular que o registro contábil deve conter, no mínimo, a conta devedora e a conta credora, também torna obrigatório o estabelecimento do vínculo da contrapartida do lançamento. Outro aspecto relevante foi suscitado pela fiscalização já no Termo de reintimação fiscal (fls. 76), verbis: “(...) e considerando que os arquivos magnéticos apresentados não permitem Fl. 2939DF CARF MF Processo nº 10920.002388/200811 Acórdão n.º 9101002.996 CSRFT1 Fl. 2.940 13 individualizar os lançamentos para determinado cliente/fornecedor pois: 1 – não há conta com o nome dos fornecedores/clientes nem no diário geral, nem no auxiliar; 2 – não há menção a clientes/fornecedores individualizados no histórico dos lançamentos do diário geral; 3 – no diário auxiliar, não há histórico que individualize os lançamentos para clientes/fornecedores;” (Grifei). A impugnante se pronunciou a respeito, na parte final do seu esclarecimento de fls. 08, verbis: “Estamos gerando arquivos do período solicitado com o cumprimento dos campos 1, 2, 3, 5, 6, 7 e 9, possibilitando desta forma que a Auditoria seja feita, tendo em vista que é possível localizar pelo histórico todos os lançamentos de um Fornecedor/Cliente.” (Grifei). Pretende a impugnante, portanto, que a fiscalização realize a auditoria, pesquisando no histórico de cada lançamento eventuais referências a determinado fornecedor/cliente. Entretanto, não é assim que as coisas funcionam. Conforme visto, o aludido ADE COFIS nº 15, de 2001, determina que as informações relativas a fornecedores e clientes deverão ser apresentadas em arquivos padronizados, compondo um sistema (§1º do art. 1º), na forma constante do seu Anexo, verbis: 4.2.Fornecedores e Clientes Serão indicadas as operações efetuadas com clientes e fornecedores. Assim, cada operação será objeto de um registro, devendo ser fornecidos arquivos distintos para fornecedores e clientes. Desta forma, temse: o pagamento de um título com desconto será representado por um registro que informe o valor líquido no campo ‘Valor da Operação’ e o valor sem desconto no campo ‘Valor Original do Título”; a emissão de uma duplicata será representada por um registro que informe o valor da mesma nos campos ‘Valor da Operação’ e ‘Valor Original do Título’. Os arquivos deste sistema deverão ser acompanhados do Arquivo de Cadastro de PJ/PF (4.9.1) e da Tabela de Plano de Contas (4.9.2).” (Grifei). Na seqüência, encontrase reproduzido no Anexo Único o seguinte quadro demonstrativo dos elementos que devem compor os arquivos de Fornecedores/Clientes: (…) Procede, portanto, a assertiva fiscal de que os arquivos magnéticos apresentados, pela forma como estão os registros, não permitem sua utilização para auditoria dos lançamentos. E não permitem porque desatendem, simultaneamente, os requisitos do ADE COFIS nº 15, de 2001, e os critérios e procedimentos enfeixados na NBC T 2.8, aprovada pela Resolução CFC N° 1.020/05. Logo, correta foi a imposição da multa regulamentar, cujo lançamento deve ser mantido. (...)” Com essas anotações, compreendese que embora a contribuinte sustente que tenha se mantido disponível para fornecer os arquivos, indicase não possuir condições de apresentar a contabilização individualizada, não se tratando, ao que demonstra a autuação e não foi infirmado, não se tratar de mera questão de formatação. Por essa razão, votase por negar provimento ao recurso especial da contribuinte com relação à multa regulamentar. III. Não incidência de juros sobre a multa Fl. 2940DF CARF MF Processo nº 10920.002388/200811 Acórdão n.º 9101002.996 CSRFT1 Fl. 2.941 14 Alcançando o último tópico do presente voto, passase à manifestação sobre a incidência de juros sobre a multa. Inicialmente, pensase que o artigo 161, parágrafo primeiro, do Código Tributário Nacional concede autorização para que lei ordinária imponha juros sob taxa com percentual diverso da regra geral de 1% ao mês, como se observa de seu texto: “Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1o Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês.” Registrase, primeiramente, que se compreende que a expressão crédito tributário se refere ao objeto da relação jurídica o qual concede um direito de recebimento por parte do Estado, englobando tanto aqueles valores correspondentes aos tributos, como decorrentes da aplicação de penalidades pelo seu não pagamento, em conformidade com a forma que se lê o artigo 113 do Código Tributário Nacional. Ocorre que, no mencionado artigo 161, não se consegue dar essa alcance ao termo “crédito” como utilizado pelo legislador para alcançar as multas, porque a redação, após mencionar que este pode ser acrescido de juros se não integralmente pago no vencimento, faz a ressalva: sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis. Neste caso, seria ilógico se inferir, portanto, que as multas então estariam compreendidas na expressão crédito, de modo que a interpretação possível que se consegue alcançar a partir deste enunciado é a de que, muito embora ele autorize a imposição de juros, e num patamar diverso de 1% caso haja previsão legal específica, não alcança as penalidades aplicadas em função do não pagamento integral no vencimento. A partir dessa norma geral, entendesese que se deve considerar legítima a fixação de seus índices próprios pela legislação federal e que a leitura das demais regras que envolvem o tema deve ser feita dentro dessa moldura que estabeleceu, como sói ocorrer com artigo 61 da Lei n. 9.430/96: “Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. Fl. 2941DF CARF MF Processo nº 10920.002388/200811 Acórdão n.º 9101002.996 CSRFT1 Fl. 2.942 15 § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Medida Provisória nº 1.725, de 1998) (Vide Lei nº 9.716, de 1998)” O que, num momento inicial, poderia indicar duas interpretações possíveis, no sentido de a expressão “os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições” abarcar tão somentes estes ou também as multas a eles relacionadas, parece restar reduzida apenas à primeira leitura, justamente em face do alcance permitido pela regra geral do artigo 161 do Código Tributário Nacional que não engloba as penalidades. Portanto, por falta de autorização legal do artigo 161 do Código Tributário Nacional, muito embora a legislação federal possa impor suas penalidades pelo não recolhimento de tributos (leiase, impostos e contribuições) e possa fixar seus próprios íncides de correção dos valores, como a Taxa Selic, não há autorização para determinar a incidência de juros sobre a multa de ofício, quando exigida juntamente àquele pagamento. Por essas razões, VOTASE POR DAR PROVIMENTO PARCIAL AO RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE E NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO DA FAZENDA NACIONAL. (assinado digitalmente) Daniele Souto Rodrigues Amadio Voto Vencedor Conselheira Adriana Gomes Rego Redatora Designada Em que pese o bem fundamentado voto proferido pela ilustre Conselheira Relatora, este colegiado divergiu em relação aos seguintes pontos: (i) dedutibilidade das Contribuições PIS e COFINS, lançadas de ofício, da base de cálculo do IRPJ e CSLL, também constituídos de ofício; (ii) incidência de juros sobre a multa de ofício. 1. Dedutibilidade do PIS e da COFINS da base de cálculo do IRPJ e CSLL constituídos de ofício Dúvida não há de que os tributos e contribuições, regra geral, são dedutíveis na apuração do lucro real e da base da CSLL segundo o regime de competência. Entretanto, não é possível negar que este regime só é assegurado para as incidências devidamente contabilizadas e declaradas. Entendimento em contrário, com a devida vênia, significaria dar ao contribuinte, antecipadamente, o direito de deduzir como despesa os Fl. 2942DF CARF MF Processo nº 10920.002388/200811 Acórdão n.º 9101002.996 CSRFT1 Fl. 2.943 16 tributos por ele próprio sonegados, o que, em primeira análise, atenta contra o senso comum, senão à razoabilidade e à própria moralidade. As exigências decorrentes lançadas de ofício (PIS e COFINS) são também passíveis de serem contestadas pelo sujeito passivo, até mesmo de forma (ou por argumento) independente do próprio IRPJ ou CSLL (tal como alguma específica decadência, ou isenção, ou erro de apuração), podendo os seus valores serem alterados ou até mesmo inteiramente cancelados, e por este motivo não podem eles ser deduzidos a priori, uma vez que a base de cálculo adotada no lançamento tributário não pode ser precária, nem condicionada à futura deliberação. Não é atribuição da autoridade lançadora, portanto, reconhecer de ofício uma despesa que foi omitida da escrituração pelo próprio contribuinte. É pressuposto do direito à dedução de uma despesa do lucro real que esta despesa tenha sido escriturada. Ademais, o reconhecimento antecipado ao contribuinte do direito à dedução da despesa, direito este que ele apenas poderá vir a ter quando de fato vier (e se vier) a reconhecer a própria despesa (ou seja, a contribuição devida), pode gerar nefastos prejuízos à Fazenda Pública, ao passo que o procedimento adotado pelo fisco (de não deduzir as contribuições do IRPJ e da CSLL lançados de ofício) nenhum prejuízo traz a nenhuma das partes, conforme se passa a demonstrar. Considerese, para fins de simplificação de raciocínio, um lançamento por omissão de receitas que gere apenas lançamento de IRPJ (principal) e PIS (reflexo), e que as únicas questões litigiosas ainda pendentes digam respeito apenas (i) ao PIS, e (ii) no que toca ao IRPJ, apenas à dedutibilidade ou não, na sua apuração, do PIS lançado de ofício. Neste contexto, considerando que a fiscalização não tenha abatido o PIS da base de cálculo do IRPJ (como se entende seja o correto), duas situações podem acontecer ao longo do contencioso no que diz respeito ao lançamento do PIS: 1) Se a decisão final considerar o PIS devido, o contribuinte poderá afinal, após o trânsito em julgado, reconhecer contabilmente a despesa (que antes omitira de sua escrituração), e considerála como despesa dedutível do IRPJ; 2) Se a decisão final considerar o PIS não devido, há que se reconhecer que o lançamento de ofício do IRPJ não exigiu do contribuinte um único centavo a mais do que seria devido. Portanto, qualquer que venha a ser a decisão administrativa acerca do lançamento de ofício do PIS, vêse que nenhum prejuízo houve, em qualquer caso, quer ao contribuinte, quer ao Erário. Por outro lado, considerando agora que a fiscalização houvesse abatido o PIS da base de cálculo do IRPJ (procedimento que se reputa incorreto, e sem base legal), duas situações podem acontecer ao longo do contencioso no que diz respeito ao lançamento do PIS: 1) Se a decisão final considerar o PIS devido, o contribuinte poderá afinal, após o trânsito em julgado, reconhecer contabilmente a despesa (que antes omitira de sua escrituração), porém obrigatoriamente teria de considerar esta despesa como indedutível do IRPJ, pois já a teria previamente abatido do lucro real antes mesmo de reconhecêla. A par da dificuldade de controle, por parte da Fazenda Nacional, com relação a este procedimento, há um inegável risco, ao menos potencial, de utilização em duplicidade de uma mesma despesa, em detrimento da Fazenda Pública; Fl. 2943DF CARF MF Processo nº 10920.002388/200811 Acórdão n.º 9101002.996 CSRFT1 Fl. 2.944 17 2) Se a decisão final considerar o PIS não devido, resta então irreversivelmente caracterizado o prejuízo à Fazenda Nacional. Isto porque, neste caso, terá sido permitido ao contribuinte a dedução do lucro real de uma despesa imaterial, inexistente, que nunca foi (e nem será jamais) contabilizada. Dito prejuízo é irreversível pois não é possível às autoridades julgadoras o reformatio in pejus, de sorte que o lançamento de IRPJ terá sido irreversivelmente feito a menor que o devido. O quadro abaixo sintetiza, em forma esquemática, as aventadas possibilidades: Por oportuno, salientase que esse quadro serve inclusive para decisões em sede de CSRF, porque somente com o reconhecimento expresso e final do contribuinte (por meio da efetiva contabilização, como despesas, dos valores do PIS e da COFINS devidos), é que passará ele a ter direito a deduzir tais despesas dos seus tributos cuja base de cálculo é o lucro apurado (IRPJ e CSLL). Por todo o exposto, não se deve abater as contribuições lançadas de ofício da base de cálculo do IRPJ e da CSLL constituídos de ofício. Voto, portanto, por DAR PROVIMENTO ao Recurso Especial da FAZENDA NACIONAL, na parte conhecida. 2. Juros de mora sobre a multa de ofício No tema dos juros de mora sobre a multa de ofício, em julgado de 14/06/2016, proferi meu voto no sentido de afirmar a incidência de juros sobre a multa de ofício (acórdão 9101002.349), o qual foi ratificado pela maioria dos Conselheiros desta 1ª Turma da CSRF, conforme razões a seguir expendidas. O mesmo posicionamento foi subscrito pela Turma em julgados posteriores (citese, por exemplo, os acórdãos 9101002.501 e 9101 002.510, ambos de 12/12/2016). A Lei nº 9.430, de 1996, estabelece, em seu art. 61, § 3º, que sobre os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal incidirão juros de mora à taxa SELIC. Vejase (sublinhei): Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, Dedução do PIS no lançamento de IRPJ Decisão Final Administrativa Efeitos Decorrentes Comentário Pis não é devido Lançamento do IRPJ restou incorreto, menor que o devido, e não é possível o reformatio in pejus Prejuízo irreversível à Fazenda SIM Pis é devido Quando o contribuinte contabilizar o PIS lançado de ofício, terá de considerálo indedutível do IRPJ Potencial prejuízo à Fazenda, se o contribuinte não considerar o PIS futuramente como indedutível Pis não é devido Nenhum (Lançamento do IRPJ não requer qualquer ajuste nem merece qualquer censura) Sem prejuízo ao contribuinte Sem prejuízo à Fazenda NÃO Contribuinte poderá então contabilizar o PIS lançado de ofício como despesa dedutível do IRPJ Sem prejuízo ao contribuinte Sem prejuízo à Fazenda Pis é devido Fl. 2944DF CARF MF Processo nº 10920.002388/200811 Acórdão n.º 9101002.996 CSRFT1 Fl. 2.945 18 serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento.(grifo nosso) De outra banda, está estampado na Súmula CARF nº 5 que são devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento. Confirase (sublinhei): Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Ora, contrariamente àquilo que alega a Contribuinte, dos arts. 113, § 1º, e 139 do CTN deflui que o crédito tributário, que decorre da obrigação principal, compreende tanto o tributo em si quanto a penalidade pecuniária, o que inclui, à toda evidência, a multa de oficio proporcional de caráter punitivo. Vale transcrever os dispositivos: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. Sendo assim, outra não pode ser a interpretação da expressão “débitos decorrentes de tributos e contribuições” expressa no retrotranscrito art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, senão a de que abarca a integralidade do crédito tributário, incluindo a multa de oficio proporcional punitiva, constituída por ocasião do lançamento. Resta evidente que a multa de ofício proporcional, lançada juntamente com o tributo devido, se não paga no vencimento, sujeitase a juros de mora por força do disposto no art. 61, caput, da Lei nº 9.430, de 1997. Aliás, se a intenção do legislador fosse limitar a aplicação do art. 61 apenas aos débitos principais de tributos e contribuições, bastaria suprimir o termo "decorrente", como bem pontua o Conselheiro Adolfo dos Santos Medes, no voto condutor do Acórdão nº 1401 001.653: É importante notar que no caput do art. 61, o texto é “débitos [...] decorrentes de tributos e contribuições” e não meramente “débitos de tributos e contribuições”. O termo “decorrentes” evidencia que o legislador não quis se referir, para todas as situações, apenas aos tributos e contribuições em termos estritos. Com base no art. 161, caput, do CTN, a Contribuinte insiste na tese de que os juros devem incidir apenas sobre valor do tributo, e não sobre valor de multa de ofício. Entretanto, o referido artigo estabelece a incidência de juros de mora sobre o "crédito não integralmente pago no vencimento", dispondo o seguinte: Fl. 2945DF CARF MF Processo nº 10920.002388/200811 Acórdão n.º 9101002.996 CSRFT1 Fl. 2.946 19 Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. (Grifei) Não há dúvida de que multa não é tributo, pela própria dicção do art. 3º do CTN: "Tributo é toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada". Todavia, a coerência interna do CTN evidencia, com clareza, conforme revelam os arts. 113, § 1º, e 139, que a penalidade pecuniária é também objeto da obrigação tributária principal e assim integra o conceito de crédito, objeto da relação jurídica estabelecida entre o Fisco e o sujeito passivo, beneficiandose de todas as garantias a ele asseguradas por lei, inclusive o acréscimo de juros de mora. Adotando estas premissas, o Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa também concluiu, no voto condutor do Acórdão nº 220101.630, que, se o art. 113 do CTN incorpora à obrigação principal o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária, e o art. 139 do CTN estipula que o crédito tributário tem a mesma natureza da obrigação principal, é evidente que a penalidade pecuniária integra o conceito de crédito tributário. Em acréscimo, o Conselheiro expõe que: Nesse mesmo sentido, no art. 142, que define o procedimento de lançamento, por meio do qual se constitui o crédito tributário, o legislador não esqueceu de mencionar a imposição da penalidade. Da mesma forma, o art. 175, II, ao se referir à anistia como forma de exclusão do crédito tributário, afasta qualquer dúvida que ainda pudesse remanescer sobre a inclusão da penalidade pecuniária no crédito tributário, pois não seria lícito atribuir ao legislador ter dedicado um inciso especificamente para tratar da exclusão do crédito tributário de algo que nele não está contido. Poderseia argumentar em sentido contrário dizendo que, mesmo estando a penalidade pecuniária contida no crédito tributário, ao se referir a “crédito” no artigo 161, o Código não estaria se referindo ao crédito tributário, mas apenas ao tributo. Questionase, por exemplo, o fato de a parte final do caput do artigo fazer referência à imposição de penalidade e, portanto, se os juros seriam devidos, sem prejuízo da aplicação de penalidades, estas não poderiam estar sujeitas aos mesmos juros. Inicialmente, conforme a advertência de Carlos Maximiliano, não vejo como, num artigo de lei, em um capítulo que versa sobre a extinção do crédito tributário e numa seção que trata do pagamento, forma de extinção do crédito tributário, a expressão “o crédito não integralmente pago” possa ser interpretado em acepção outra que não a técnica, de crédito tributário. Sobre a alegada contradição entre a parte inicial e a parte final do dispositivo que essa interpretação ensejaria, penso que tal imperfeição de fato existe. Mas se trata aqui de situação como a que me referi nas considerações iniciais, em que as limitações da linguagem ou mesmo as imperfeições técnicas que o processo Fl. 2946DF CARF MF Processo nº 10920.002388/200811 Acórdão n.º 9101002.996 CSRFT1 Fl. 2.947 20 legislativo está sujeito produzem textos imprecisos, às vezes obscuros ou contraditórios, mas que tais ocorrências não permitem concluir que a melhor interpretação do texto é aquela que harmoniza a própria estrutura gramatical do texto, e não aquela que melhor harmoniza esse dispositivo com os demais que integram o diploma legal. É interessante notar que em outro artigo do mesmo CTN o legislador incorreu na mesma aparente contradição ao se referir conjuntamente a crédito tributário e a penalidade. Refirome ao art. 157, segundo o qual “a imposição de penalidade não ilide o pagamento integral do crédito tributário”. Uma interpretação apressada poderia levar à conclusão de que a penalidade não é parte do crédito tributário, pois a sua imposição não poderia excluir o pagamento dela mesma. Porém, essa inconsistência gramatical não impediu que a doutrina, de forma uníssona, embora a remarcando, mas não por causa dela, extraísse desse texto a prescrição de que a penalidade não é substitutiva do próprio tributo, estremando nesse ponto o Direito Tributário de certas normas do Direito Civil em que penalidade é substitutiva da obrigação; de que o fato de se aplicar uma penalidade pelo não pagamento do tributo, por exemplo, não dispensa o infrator do pagamento do próprio tributo. [...] Não é preciso grande esforço de interpretação, portanto, para se concluir que o crédito tributário compreende o tributo e a penalidade pecuniária, interpretação que harmoniza os diversos dispositivos do CTN, ao contrário da tese oposta. Acrescentese, supletivamente, que, como se verá com detalhes mais adiante, a legislação ordinária de há muito vem prevendo a incidência dos juros sobre a multa de ofício, sem que se tenha notícia da invalidação dessas normas pelo Poder Judiciário, por falta de fundamento de validade. Concluo, assim, no sentido de que o art. 161 do CTN autoriza a cobrança de juros sobre a multa de ofício. Porém, conforme disposto no seu parágrafo primeiro, esses deverão ser calculados à taxa de 1% ao mês, salvo se lei dispuser de modo diverso, o que introduz a segunda questão: a da existência ou não de lei prevendo a incidência de juros sobre a multa de ofício com base na taxa Selic. Argumentam alguns, de outra banda, que o art. 161, caput, do CTN, ao ressalvar a possibilidade de "imposição de penalidades cabíveis" evidenciaria que a referência a "crédito não integralmente pago no vencimento" diz respeito, apenas, ao tributo não recolhido. Cumpre, no entanto, esclarecer que tal ressalva revela, na verdade, que o artigo em tela prestase a permitir a aplicação de multas de caráter moratório em decorrência da impontualidade no pagamento do tributo. Logo, à luz do caput do art. 161 do CTN, não incidem juros de mora sobre multa de mora, logicamente, quando for o caso de sua aplicação. Agora, quanto à multa de ofício, cuja causa não reside na mera impontualidade, esta compõe o crédito devido e, por consequência, sofre a incidência dos juros de mora. Corroborando o entendimento de que o crédito e a obrigação tributária são compostos pelo tributo devido e pelas penalidades eventualmente exigíveis, em 1º de setembro Fl. 2947DF CARF MF Processo nº 10920.002388/200811 Acórdão n.º 9101002.996 CSRFT1 Fl. 2.948 21 de 2009, a 2ª Turma do Superior Tribunal de Justiça STJ assim decidiu nos autos do Recurso Especial nº 1.129.990/PR, sob a condução do Ministro Castro Meira: TRIBUTÁRIO. MULTA PECUNIÁRIA. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA. LEGITIMIDADE. 1. É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário. 2. Recurso especial provido. Analisouse, no caso, norma estadual questionada sob o argumento de que a multa por inadimplemento de ICMS não integraria o crédito tributário. Interpretando o art. 161 do CTN em conjunto com os arts. 113 e 139 do CTN, o Ministro concluiu que o crédito e a obrigação tributária são compostos pelo tributo devido e pelas penalidades eventualmente exigíveis e, tendo em conta que o art. 161 do CTN ao se referir ao crédito, está tratando de crédito tributário, concluiu que referido dispositivo autoriza a exigência de juros de mora sobre multas. Este foi, aliás, o entendimento da 1ª Turma do Superior Tribunal de Justiça STJ, como se vê no julgamento do Agravo Regimental no Recurso Especial nº 1.335.688/PR, em 4/12/2012, Relator Min. Benedito Gonçalves: AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMA QUE COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. 1. Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ no sentido de que: "É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário." (REsp 1.129.990/PR, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 14/9/2009). De igual modo: REsp 834.681/MG, Rel. Min.Teori Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010. 2. Agravo regimental não provido Vale destacar o seguinte trecho da decisão: Quanto ao mérito, registrou o acórdão proferido pelo TRF da 4ª Região à fl. 163: "... os juros de mora são devidos para compensar a demora no pagamento. Verificado o inadimplemento do tributo, é possível a aplicação da multa punitiva que passa a integrar o crédito fiscal, ou seja, o montante que o contribuinte deve recolher ao Fisco. Se ainda assim há atraso na quitação da dívida, os juros de mora devem incidir sobre a totalidade do débito, inclusive a multa que, neste momento, constitui crédito titularizado pela Fazenda Pública, não se distinguindo da exação em si para efeitos de recompensar o credor pela demora no pagamento."(grifo nosso) Em julgado recente, a 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais decidiu pela incidência de juros de mora sobre a multa de ofício proporcional, conforme se verifica a partir da ementa do Acórdão nº 9101002.514, de 13 de dezembro de 2016, do qual foi relator o Conselheiro Rafael Vidal de Araújo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004, 2005, 2006 Fl. 2948DF CARF MF Processo nº 10920.002388/200811 Acórdão n.º 9101002.996 CSRFT1 Fl. 2.949 22 [...] JUROS SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. Por ser parte integrante do crédito tributário, a multa de ofício sofre a incidência dos juros de mora, conforme estabelecido no art. 161 do CTN. Precedentes do STJ. Argumentase, ainda, que a previsão específica de incidência de juros de mora sobre multas isoladas contida no art. 43 da Lei nº 9.430, de 1996, seria desnecessária caso o art. 61, § 3º, da mesma lei incluísse as multas, uma vez que elas (multas isoladas) já representariam os "débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal" referidos pelo § 3º do art. 61 em tela. Cumpre observar, no entanto, que o art. 43 em questão trata da hipótese de "Auto de Infração Sem Tributo", cuja designação, por si só, já evidencia dúvida acerca de sua integração ao conceito de "débitos decorrentes de tributos e contribuições" e a consequente necessidade de disposição legal específica para determinar a aplicação de juros de mora sobre as multas aplicadas em tais circunstâncias, distintamente do que ocorre com as multas de ofício proporcionais, sempre exigidas em conjunto com os tributos ou contribuições não declarados e não recolhidos, em claro vínculo de decorrência. Aliás, como bem observa o Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal no voto condutor do Acórdão nº 9303004.407: Tanto é assim, que a própria Lei 9.430/96, em seu art. 43, prevê a incidência de juros Selic quando a multa de ofício é lançada de maneira isolada. Não faria sentido a incidência dos juros somente sobre a multa de ofício exigida isoladamente, pois ambas tem a mesma natureza tributária. De outra banda, é irrelevante o fato destacado pela Recorrente de o art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não fazer parte do capítulo dessa lei que versa os "procedimentos de fiscalização". Se esse dispositivo se encontra no capítulo que versa sobre "acréscimos moratórios", trata dos “débitos decorrentes de tributos e contribuições”, o que abarca, como se viu, a integralidade do crédito tributário, incluindo a multa de oficio proporcional punitiva. Por fim, conforme o antes transcrito § 3º do art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, a taxa aplicável ao débitos de que aqui se trata, aí incluídos, como se viu, os decorrentes da aplicação de multa de ofício, é aquela "a que se refere o § 3º do art. 5º", qual seja a taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC. Vejase: Art. 5º (...) §3º As quotas do imposto serão acrescidas de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do primeiro dia do segundo mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. Não deve, portanto, também com relação a este ponto, ser acolhido o recurso da Contribuinte. Conclusão Em face do exposto, voto por CONHECER parcialmente do Recurso Especial da Fazenda Nacional, e, no mérito, na parte conhecida, DARLHE PROVIMENTO, e Fl. 2949DF CARF MF Processo nº 10920.002388/200811 Acórdão n.º 9101002.996 CSRFT1 Fl. 2.950 23 por CONHECER parcialmente do Recurso Especial do Contribuinte, e, no mérito, na parte conhecida, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rego Fl. 2950DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13817.000157/00-83
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Oct 19 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Dec 01 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2000 a 30/09/2000
RESSARCIMENTO DE SALDO CREDOR DE IPI TRANSPORTADO DA ESCRITA FISCAL DE PERÍODOS ANTERIORES. INTELIGÊNCIA DO ARTIGO 11 DA LEI Nº 9.979/99. POSSIBILIDADE.
O art. 11 da Lei nº 9.779/99, autoriza a transferência do saldo credor de IPI de períodos anteriores para seguintes. As instruções Normativas SRF nº 210/2002, 460/2004 e 600/2005, e alterações, devem ser interpretadas em sintonia com normas superiores que não vedam o direito ao ressarcimento do saldo credor de IPI transportado de períodos anteriores.
Numero da decisão: 9303-005.881
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado) e Rodrigo da Costa Pôssas, que lhe deram provimento. Votou pelas conclusões o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Demes Brito - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: DEMES BRITO
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FABRICADORA DE PEÇAS ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2000 a 30/09/2000 RESSARCIMENTO DE SALDO CREDOR DE IPI TRANSPORTADO DA ESCRITA FISCAL DE PERÍODOS ANTERIORES. INTELIGÊNCIA DO ARTIGO 11 DA LEI Nº 9.979/99. POSSIBILIDADE. O art. 11 da Lei nº 9.779/99, autoriza a transferência do saldo credor de IPI de períodos anteriores para seguintes. As instruções Normativas SRF nº 210/2002, 460/2004 e 600/2005, e alterações, devem ser interpretadas em sintonia com normas superiores que não vedam o direito ao ressarcimento do saldo credor de IPI transportado de períodos anteriores. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado) e Rodrigo da Costa Pôssas, que lhe deram provimento. Votou pelas conclusões o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Demes Brito Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 7. 00 01 57 /0 0- 83 Fl. 1138DF CARF MF Processo nº 13817.000157/0083 Acórdão n.º 9303005.881 CSRFT3 Fl. 1.139 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional com fundamento no artigo 67 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, aprovado pela Portaria MF 256, de 22 de junho de 2009, contra acórdão nº 3401002.668, proferido pela 4º Câmara/1º Turma Ordinária do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que deu provimento ao Recurso Voluntário, para reconhecer o direito a ressarcimento do saldo credor dos créditos escriturados no trimestre calendário apurado com os valores pertencentes a trimestres calendários distintos. Transcrevo, inicialmente, parte que interessa do excerto do relatório da decisão de primeiro grau: "Versam estes autos sobre pedido de ressarcimento de IPI, lastreado no art. 11 da Lei nº 9.779/99 e IN SRF 33/99, referente ao 3º trimestre/2000. A DRF Santo André/SP, ao examinar o pleito, glosou do direito creditório reconhecido o valor do saldo credor transportado do 2º trimestre/2000 e homologou as compensações até o limite do crédito reconhecido. Em manifestação de inconformidade o contribuinte sustentou, preliminarmente, a decadência do direito à revisão da escrituração do IPI, com espeque no art. 74 da Lei nº 9.430/96, uma vez que entre o pedido de compensação e a ciência do despacho houve transcurso de prazo superior a 05 (cinco) anos. No mérito, defendeu a comprovação fática de existência do direito de crédito e que o pedido de ressarcimento envolvia o saldo credor acumulado de períodos anteriores. A DRJ Ribeirão Preto/SP julgou a manifestação de inconformidade improcedente. O acórdão da decisão recorrida restou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2000 a 30/09/2000 IPI. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DE UM ESTABELECIMENTO COM DÉBITO DE OUTRO. POSSIBILIDADE. Não há vedação explícita à possibilidade de uma pessoa jurídica compensar créditos de IPI apurados em um estabelecimento com débitos, do mesmo imposto, apurados por outro estabelecimento, desde que observado o procedimento previsto nos atos normativos pertinentes, não se qualificando tal situação como violação ao princípio da autonomia dos estabelecimentos, Fl. 1139DF CARF MF Processo nº 13817.000157/0083 Acórdão n.º 9303005.881 CSRFT3 Fl. 1.140 3 cuja restrição se circunscreve à transferência de créditos, não à compensação. DESPACHO DECISÓRIO. MODIFICAÇÃO DOS FUNDAMENTOS JURÍDICOS. ACÓRDÃO DE JULGAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. A decisão exarada em exame de impugnação ou manifestação de inconformidade não pode modificar os critérios jurídicos que nortearam a elaboração do despacho decisório, notificação de lançamento ou auto de infração, a teor do art. 146 do Código Tributário Nacional. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CONVERSÃO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. TERMO INICIAL. Consoante novel redação do art. 74 da Lei nº 9.430/96, os pedidos de compensação, à época, pendentes de análise pelas autoridades administrativas se converteram em declaração de compensação, devendo ser lhes aplicada a legislação pertinente, razão pela qual, retificados dados constantes da declaração de compensação, o termo inicial do prazo qüinqüenal para homologação tácita passa a ser a data da modificação introduzida. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CONVERSÃO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO POR DECURSO DE PRAZO. TERMO INICIAL. Os pedidos de compensação convertidos em declaração de compensação, por força das disposições do art. 74 da Lei nº 9.430/96, tem como termo inicial para contagem do prazo qüinqüenal para sua homologação tácita a data do seu protocolo na Secretaria da Receita Federal, conforme previsão inserta no art. 73 da IN SRF 460/2004. POSSIBILIDADE DE RESSARCIMENTO COM SALDO CREDOR DE ESCRITA TRANSPORTADO DE PERÍODOS ANTERIORES. O saldo credor verificado ao fim de determinado período de apuração é transferido aos períodos seguintes. Com a entrada em vigor do art. 11 da Lei n° 9.779/99, além da possibilidade de transferência do saldo credor para os períodos seguintes, essa norma estabeleceu o direito ao ressarcimento e a compensação desse saldo. As Instruções Normativas que disciplinam o regime de crédito do IPI devem ser interpretadas em consonância com as normas de hierarquia superior, sendo assim, elas não vedam o direito ao ressarcimento do saldo credor de IPI transportado de períodos anteriores. Recurso voluntário provido. Inconformada com tal decisão, a Fazenda Nacional interpõe o presente Recurso, alegando divergência jurisprudencial em relação à possibilidade ou não de inclusão, em um mesmo pedido de ressarcimento de saldo credor de IPI, apurado em mais de um trimestrecalendário. Fl. 1140DF CARF MF Processo nº 13817.000157/0083 Acórdão n.º 9303005.881 CSRFT3 Fl. 1.141 4 Para respaldar a dissonância jurisprudencial, aponta como paradigma o acórdão nº3302001.845. Em seguida, por ter sido comprovada a divergência, o Presidente da 4º Câmara da 3º Seção do CARF, deu seguimento ao Recurso, fls.1082/1086. A Contribuinte apresentou contrarrazões, fls.1094/1107, requerendo que seja negado provimento ao recurso especial, mantendose o acórdão proferido pela eg. Turma a quo. É o relatório. Voto Conselheiro Demes Brito Relator O Recurso foi tempestivamente apresentado e atende os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Primeiramente, se faz necessário relembrar e reiterar que a interposição de Recurso Especial junto à Câmara Superior de Recursos Fiscais, ao contrário do Recurso Voluntário, é de cognição restrita, limitada à demonstração de divergência jurisprudencial, além da necessidade de atendimento a diversos outros pressupostos, estabelecidos no artigo 67 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Por isso mesmo, essa modalidade de apelo é chamada de Recurso Especial de Divergência e tem como objetivo a uniformização de eventual dissídio jurisprudencial, verificado entre as diversas Turmas do CARF. Neste passo, ao julgar o Recurso Especial de Divergência, a Câmara Superior de Recursos Fiscais não constitui uma Terceira Instância, mas sim a Instância Especial, responsável pela pacificação dos conflitos interpretativos e, conseqüentemente, pela garantia da segurança jurídica dos conflitos. Portanto, a matéria divergente posta a esta E.Câmara Superior, diz respeito à possibilidade ou não de inclusão em um mesmo pedido de ressarcimento de saldo credor de IPI, apurado em mais de um trimestrecalendário. O presente processo versa sobre pedido de ressarcimento de IPI, lastreado no art. 11 da Lei nº 9.779/99 e IN SRF 33/99, referente ao 3º trimestre/2000. O acórdão de piso, negou provimento a manifestação de inconformidade, por entender que as Instruções Normativas que disciplinam a matéria (IN n° 33/99 e 210/2002) estariam vedando o ressarcimento do saldo credor transportado de período anterior. Por outro lado, a decisão recorrida, a decisão recorrida deu provimento ao recurso voluntário, por entender que o artigo 11 da lei nº 9.779/99, autorizava a compensação de saldo credor do IPI (acumulado) em cada trimestrecalendário com outros impostos e contribuições administrados pela Secretária da Receita Federal do Brasil ( RFB). Com efeito, inicialmente, se faz necessário, percorrer os contornos jurídicos do Imposto Sobre Produtos Industrializados IPI, bem como seus fundamentos Constitucionais. Fl. 1141DF CARF MF Processo nº 13817.000157/0083 Acórdão n.º 9303005.881 CSRFT3 Fl. 1.142 5 O Imposto sobre produtos Industrializados IPI é um dos tributos mais relevantes na esfera de competência da União Federal, até a reforma tributária introduzida pela Emenda Constitucional nº18, de 01 dezembro de 1965, o IPI era denominado Imposto de Consumo, gravando a saída de produtos do estabelecimento fabril. Contudo, a denominação não se mostrava adequada ao objeto de tributação do IPI, pois consumo, assim, havia de fato uma discrepância entre o nome do tributo e sua realidade econômica, que foi corrigida pela reforma tributária implantada em 1965. Historicamente, o Imposto sobre Produtos Industrializados é um tributo típico da sociedade industrial. No Brasil, ele surge com Lei nº 25, de 3/12/1891, embora alguns historiadores tenham localizado indícios dos tributos na época do Império. Características do IPI (i) é um imposto real: incide sobre determinada categoria de bens, isto é, os produtos da indústria, por ser um imposto real, não leva em conta a capacidade contributiva das pessoas envolvidas em seu processo de circulação; (ii) é um imposto periódico: apuração da obrigação tributária, baseada no princípio da nãocumulatividade do imposto, demanda um período de tempo para se aperfeiçoar; (iii) é um imposto indireto: pois admite a transferência do ônus fiscal do contribuinte de direito para contribuinte de fato, quem arca, efetivamente, com o encargo tributário do IPI não é a pessoa legalmente obrigada a pagar o tributo, porém, uma terceira pessoa, alheia a esse dever jurídico, geralmente o consumidor; (iv) é um imposto proporcional: pois, em principio, sua alíquota varia, de forma constante, em função da grandeza econômica tributada. Funções Historicamente, o Imposto sobre Produtos Industrializados é um tributo típico da sociedade industrial. No Brasil, ele surge com Lei nº 25, de 3/12/1891, embora alguns historiadores tenham localizado indícios dos tributos na época do Império. Há tributos que têm uma função eminentemente financeira, na medida em que objetiva tãosomente carrear receitas para os cofres do erário, um exemplo de tributo eminentemente financeiro é a extinta CPMF. Há tributos, entretanto, que desempenham a função reguladora e protecionista. A função reguladora do tributo é caracterizada pela circunstância de que atua sobre o consumo, onerando os produtos a partir de sua utilidade. A função protecionista decorre da política de incentivos que norteiam a legislação do IPI. Com essa política, o legislador utiliza o tributo para incentivar determinadas atividades ou incrementar o desenvolvimento de uma determinada região. Exemplo singularmente popular a Isenção do IPI para aquisição de veículos destinados á utilização como taxi, na indústria a isenção do IPI na aquisição de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem destinados á fabricação de produtos. Fl. 1142DF CARF MF Processo nº 13817.000157/0083 Acórdão n.º 9303005.881 CSRFT3 Fl. 1.143 6 Regime Jurídico Constitucional do IPI A fim de que se possa conhecer devidamente qualquer tributo, tornase necessário ter uma noção preliminar dos fundamentos sobre os quais se assenta o seu regime jurídico Constitucional. O IPI não constitui exceção e assentase sobre os seguintes fundamentos: "Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: I exigir ou aumentar tributo sem lei que o estabeleça; II instituir tratamento desigual entre contribuintes que se encontrem em situação equivalente, proibida qualquer distinção em razão de ocupação profissional ou função por eles exercida, independentemente da denominação jurídica dos rendimentos, títulos ou direitos; III cobrar tributos: a) em relação a fatos geradores ocorridos antes do início da vigência da lei que os houver instituído ou aumentado; b) no mesmo exercício financeiro em que haja sido publicada a lei que os instituiu ou aumentou; c) antes de decorridos noventa dias da data em que haja sido publicada a lei que os instituiu ou aumentou, observado o disposto na alínea b; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 42, de 19.12.2003) IV utilizar tributo com efeito de confisco; V estabelecer limitações ao tráfego de pessoas ou bens, por meio de tributos interestaduais ou intermunicipais, ressalvada a cobrança de pedágio pela utilização de vias conservadas pelo Poder Público; VI instituir impostos sobre: a) patrimônio, renda ou serviços, uns dos outros; b) templos de qualquer culto; c) patrimônio, renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da lei; d) livros, jornais, periódicos e o papel destinado a sua impressão. § 1º A vedação do inciso III, b, não se aplica aos tributos previstos nos arts. 148, I, 153, I, II, IV e V; e 154, II; e a vedação do inciso III, c, não se aplica aos tributos previstos nos arts. 148, I, 153, I, II, III e V; e 154, II, nem à Fl. 1143DF CARF MF Processo nº 13817.000157/0083 Acórdão n.º 9303005.881 CSRFT3 Fl. 1.144 7 fixação da base de cálculo dos impostos previstos nos arts. 155, III, e 156, I. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 42, de 19.12.2003). (Grifamos Art. 153. Compete à União instituir impostos sobre: ... IV produtos industrializados; § 1º É facultado ao Poder Executivo, atendidas as condições e os limites estabelecidos em lei, alterar as alíquotas dos impostos enumerados nos incisos I, II, IV e V. ... § 3º O imposto previsto no inciso IV: I será seletivo, em função da essencialidade do produto; II será nãocumulativo, compensandose o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores; III não incidirá sobre produtos industrializados destinados ao exterior. IV terá reduzido seu impacto sobre a aquisição de bens de capital pelo contribuinte do imposto, na forma da lei. (“Incluído pela Emenda Constitucional nº 42, de 19.12.2003”). Em todo tributo encontrase essa estrutura, ordenando o regime de sua instituição e cobrança. A Constituição Federal e o Código Tributário Nacional CTN, integram um conjunto de regras e princípios maiores que se dirigem ao legislador infraconstitucional, outorgando e fixando os limites em que este pode exercer sua competência para exigir o tributo, todavia, a Constituição e o CTN não criam a obrigação tributária, essa é uma função da lei ordinária, a CF e o CTN, entretanto, criam direitos subjetivos para o sujeito passivo da obrigação tributária, impedindo que a lei entre em conflito com tais direitos, a fim de evitar o abuso de poder por parte do titular da obrigação tributária. Princípios Gerais Ao exercer a competência tributária para instituir e disciplinar obrigações relativas ao IPI, o legislador deve observar princípios gerais, aplicáveis a qualquer tributo, e princípios especiais, que são particulares ao IPI. Os princípios gerais apresentamse sob a forma de limitações ao poder de tributar, ou sob a forma de imunidades asseguradas a determinadas pessoas e bens. Princípio da Reserva Legal De acordo com Princípio da Reserva Legal Tributária, nenhum tributo será exigido pela União, pelos Estados, Distrito Federal ou Municípios, sem lei anterior que o estabeleça, quando a Constituição vincula a instituição do tributo à existência prévia da lei, está se referindo precipuamente à lei votada e aprovada no Congresso Nacional, pelas Assembléias Legislativas e as Câmaras, ou à medida provisória que, embora não sendo lei sob o aspecto formal é considerada como instrumento legislativo equivalente, enquanto não for aprovado ou Fl. 1144DF CARF MF Processo nº 13817.000157/0083 Acórdão n.º 9303005.881 CSRFT3 Fl. 1.145 8 rejeitado pelo Congresso Nacional. O Decreto ou norma de hierarquia inferior não pode instituir tributo. O princípio da Reserva Legal atinge a criação, o aumento e a cobrança do tributo, por sua vez está sujeito ao princípio da anterioridade ou anualidade. Princípio da Anterioridade Nenhum tributo poderá ser cobrado no mesmo exercício financeiro, em que haja sido publicada lei que o institui ou aumentou. O artigo 150, § 1º da CF, entretanto, estabelece uma ressalva a esse princípio, no que concerne ao aumento do IPI, estabelecendo que o princípio da anterioridade não se aplica, entre outros, ao imposto previsto no inciso IV, ou seja, ao IPI. Neste sentido, o legislador pode estabelecer aumentos ao IPI no curso do mesmo exercício financeiro, isto significa que tais aumentos tornamse exigíveis com a publicação da respectiva Lei ou Decreto, ou ato normativo. Podemos materializar para o mundo fático jurídico a recente redução do imposto para setor automobilístico, para fomentar e controlar o atual cenário econômico. Princípio da Irretroatividade Este princípio está diretamente ligado à proteção que a Constituição outorga, em seu artigo 5º, inciso XXXVI, ao direito adquirido e ato jurídico perfeito. De acordo com esse princípio, nenhum tributo poderá ser cobrado em relação a fatos geradores ocorridos antes da vigência da lei que houver instituído ou aumentado. Se por determinada Lei ou Medida Provisória, prevê que o IPI incidente sobre determinado produto é tributado á alíquota zero, lei posterior não pode instituir alíquota diversa sobre as operações com esse mesmo produto, realizadas sob a vigência da lei anterior, pois, se fizer, estará atingindo o direito subjetivo do sujeito passivo e contrariando, concomitantemente ao Princípio da Irretroatividade da legislação tributária prevista no artigo 150, inciso III, alínea “a” da CF. Em mero contorno acadêmico, a lei não pode retroagir com finalidade de alterar a obrigação tributária antes do início de sua vigência. Princípio da Isonomia Tributária á inteligência do artigo 150, inciso II da Constituição A isonomia dada à legislação tributária veda a instituição de tratamento desigual entre contribuintes que se encontrem em situação equivalente, e referese especificamente ao imposto de renda e outros tributos de natureza pessoal, pois o princípio da isonomia tributária aplicase a pessoas, e não a objetos, enquanto que o IPI é um imposto voltado, essencialmente, para bensprodutos industrializados mas, em alguns casos, a isonomia também pode ser aplicada pelo IPI, critério que depende da análise do caso concreto. Princípio da uniformidade de tributação Este princípio estatuído pelo art.150, inciso I, da CF, a União não pode exigir tributo que não seja uniforme em todo território nacional, ou que implique distinção ou preferências em relação ao Estado, Distrito Federal ou Município. Em outras palavras, a União Federal não pode cobrar tributos diferentes em cada Estado ou Município, contudo, a Constituição Federal abre uma ressalva para os impostos com função protecionista, pois admite exceções para a concessão de incentivos fiscais destinados a promover o equilíbrio do desenvolvimento sócioeconômico entre as diversas regiões do país. Fl. 1145DF CARF MF Processo nº 13817.000157/0083 Acórdão n.º 9303005.881 CSRFT3 Fl. 1.146 9 Princípio do nãoconfisco De acordo com esse princípio, a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios não podem utilizar tributo com efeitos confiscatórios1. Princípio Especiais Além dos princípios gerais expostos até aqui, a instituição cobrança ou aumento do IPI deve observar os seguintes princípios que especifica: Seletividade Sua função deverá ser seletiva em função da essencialidade do produto, diz se que o imposto é seletivo quando tributa os produtos de acordo com sua utilidade. À medida que o produto for adquirindo uma utilidade marginal, a tributação será aumentada. O IPI, portanto, é um tributo que onera mais os produtos supérfluos e beneficia aqueles que são mais essenciais. Nãocumulatividade O IPI será não cumulativo, compensandose o que for devido em cada operação com montante cobrado nas anteriores. Na prática abatese o imposto exigido na operação anterior, de forma que o tributo não se acumule ao longo das operações subseqüentes, evitando a incidência em cascata. Imunidades No segundo caso a que nos referimos, inicialmente, estão as imunidades. Essas imunidades à incidência do IPI são de natureza objetiva, porque, conforme já exposto, tratase de um imposto real, cujo objeto da tributação é o produto industrializado, assim as imunidades de caráter subjetivo, isto é, aquelas que dizem respeito às pessoas não se aplicam ao IPI. Entre aquelas que excluem a incidência do imposto temos: Imunidade sobre livros, jornais, periódicos e o papel destinado à sua impressão, Imunidade sobre a exportação de produtos industrializados e a Imunidade sobre ouro como ativo financeiro. Código Tributário Nacional CTN ( artigos 46 a 51) O CTN complementa as regras de competência traçadas pela Constituição, estabelecendo as diretrizes que deverão ser observadas pelo legislador ordinário na definição da hipótese de incidência do tributo. No tocante ao IPI, essas diretrizes são encontradas nos artigos 46 a 51 do CTN, que disciplinam, respectivamente: (i) o fato gerador do imposto: que dá início a obrigação tributária; (ii) a base de cálculo: que informa o quantum a ser pago; (iii) O sujeito passivo: que identifica quem está obrigado a pagar o tributo. Assim, o CTN cria obrigações para o legislador ordinário, estabelecendo os parâmetros que ele deve obedecer ao instituir o imposto. 1 Princípios extraídos como base na Constituição Federal 1988. Demes Britto. Parecer . Fl. 1146DF CARF MF Processo nº 13817.000157/0083 Acórdão n.º 9303005.881 CSRFT3 Fl. 1.147 10 Regulamento do IPI RIPI A Constituição Federal define as regras de competência, outorgando poderes às pessoas jurídicas de direito público interno para criação de tributos, a lei complementar (Código Tributário Nacional) completa as regras de competência estabelecidas pela Constituição e a lei ordinária, finalmente, observando as normas constitucionais e complementares, institui o tributo. E o regulamento? Pois bem, os Decretos e Regulamentos são da maior relevância no campo das obrigações acessórias, porque põem em prática o que a lei estabelece, na realidade, constituem uma explicação articulada dos dispositivos da lei, contudo, a lei hierarquicamente superior prevalece em detrimento dos Decretos e Regulamentos. O atual Regulamento do Imposto de Produtos Industrializados (RIP), é que ira orientar o sujeito passivo da obrigação tributária, em detalhe, sobre os procedimentos aplicáveis á exigência do imposto. Nãocumulatividade do IPI nas operações de Débito e Crédito O atual Regulamento do Imposto de Produtos Industrializados (RIP), é que ira orientar o sujeito passivo da obrigação tributária, em detalhe, sobre os procedimentos aplicáveis á exigência do imposto. Como visto, o princípio da nãocumulatividade é de índole Constitucional e, no que diz respeito ao IPI, está previsto no artigo 153, § 3º, inciso II, da Constituição Federal. De acordo com a redação desse dispositivo, o imposto pago em operações anteriores representa crédito compensável do contribuinte adquirente, que o utilizará para abater o montante correspondente do valor do IPI devido em operação posterior. Como geralmente, os produtos industrializados congregam diversas matériasprimas, além de outros produtos industrializados (produtos intermediários), a nãocumulatividade caracterizase como técnica de deduzir do imposto devido, pelo produto acabado, o imposto incidente sobre matériasprimas e produtos intermediários, adquiridos pelo industrial utilizados no produto final. Nos termos do artigo 11 da Lei nº 9.779/99, o saldo do imposto não deduzido, pode, inclusive, ser objeto de compensação nos termos da legislação vigente quanto aos demais impostos administrados pela Secretaria da Receita Federal que tenham que ser pagos pelo contribuinte, conforme se depreende no texto legal: “Art.11. O saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, acumulado em cada trimestrecalendário, decorrente de aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero, que o contribuinte não puder compensar com o IPI devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, observadas normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda.” (grifei). Dessa forma, o IPI, assim como ICMS, tende a ser um imposto sobre o valor acrescido por cada contribuinte ao longo da cadeia de circulação de produtos e mercadorias, desde a produção até o consumo, pois ambos os impostos são plurifásicos, com a diferença do Fl. 1147DF CARF MF Processo nº 13817.000157/0083 Acórdão n.º 9303005.881 CSRFT3 Fl. 1.148 11 ICMS, que abrange a etapa da comercialização, o que só ocorre com o IPI, excepcionalmente, conforme se observa no artigo 163, do Decreto nº 4.544/02 – RIPI: “A nãocumulatividade do imposto é efetivada pelo sistema de crédito, atribuído ao contribuinte, do imposto relativo a produtos entrados no seu estabelecimento, para ser abatido do que for devido pelos produtos dele saídos, num mesmo período, conforme estabelecido neste Capítulo (Lei nº 5.172, de 1966, art. 49)". Nesse sentido, o artigo acima descrito, estabelece que este é efetivado pelo sistema de crédito, atribuído ao contribuinte do imposto relativo a produtos com entradas no seu estabelecimento, para ser abatido do que for devido pelos produtos dele com saídas num mesmo período. Geralmente, esse período é decendial, porém, devemos analisar a legislação e ao caso concreto. O crédito compensável decorre do imposto cobrado na entrada de matérias primas e outros insumos no estabelecimento do contribuinte, também pode ser utilizado para anular o débito do imposto referente a produtos com saídas tributadas. Verificase que o IPI foi estruturado, não para prática da nãocumulatividade de produtos, mas para períodos de tempo, conforme deixa entrever o artigo 163 da RIPI ao mencionar que a nãocumulatividade dada é efetivada num mesmo período. Assim sendo durante o período de apuração do imposto, os contribuintes contabilizam “entradas e saídas”. As entradas geram créditos; as saídas geram débitos, abatendose dos débitos o crédito temse ao fim do período o imposto devido. Se houver mais créditos do que débitos, não há imposto a pagar, senão créditos a transferir para o período subseqüente. Devido a esse sistema de apuração do imposto, alguns autores como SACHA CALMON NAVARRO COELHO (comentários á constituição de 1988 Sistema Tributário, Rio Janeiro, Ed Forense, 1990) entendem que o IPI e o ICMS são impostos periódicos, ao invés de instantâneos, ao contrário senso do que sustentam outros autores. De qualquer forma, a observação de Sacha Calmon Navarro Coelho é relevante para demonstrar que a nãocumulatividade é aplicada por operações em cada período, e não por produto, mesmo porque alguns insumos utilizados no processo de industrialização perdem totalmente suas características, a partir do momento em que passam a integrar um novo produto acabado. Crédito Compensável ou Dedutível O crédito fiscal compensável ou dedutível, gerado pela aplicação do Principio da nãocumulatividade do IPI ao regime de apuração do imposto, é um crédito de natureza escritural, cuja titularidade pertence ao contribuinte do IPI, ou aquele que lhe for equiparado pela legislação. Notese que a RIPI referese sempre á pessoa do contribuinte, e não a pessoa do responsável pelo pagamento do IPI, o que demonstra o responsável, sujeito passivo indireto, não faz jus a qualquer crédito decorrente de sua obrigação de pagar o imposto. Isso ocorre porque o Princípio da nãocumulatividade do IPI aplicase, exclusivamente, aos custos das matérias primas e insumos utilizados na fabricação de produtos industrializados, ora, quem arca com esses custos é, basicamente, o sujeito passivo direto, ou seja, de um modo geral, o estabelecimento industrial. Fl. 1148DF CARF MF Processo nº 13817.000157/0083 Acórdão n.º 9303005.881 CSRFT3 Fl. 1.149 12 O regulamento do IPI denomina os créditos fiscais decorrentes do sistema de apuração do imposto de créditos básicos, para distinguilos de outros créditos não associados, diretamente, ao processo de industrialização, ou melhor dizendo ao princípio da não cumulatividade. Créditos Básicos O Regulamento do IPI, para fins de distinção, classifica os créditos escriturais do imposto como descreve o artigo 164 do Decreto nº 4.544/2002 (Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados): Art. 164. Os estabelecimentos industriais, e os que lhes são equiparados, poderão creditarse (Lei nº 4.502, de 1964, art. 25): I do imposto relativo a MP, PI e ME , adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindose, entre as matérias primas e produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente; II do imposto relativo a MP, PI e ME , quando remetidos a terceiros para industrialização sob encomenda, sem transitar pelo estabelecimento adquirente; III do imposto relativo a MP, PI e ME , recebidos de terceiros para industrialização de produtos por encomenda, quando estiver destacado ou indicado na nota fiscal; IV do imposto destacado em nota fiscal relativa a produtos industrializados por encomenda, recebidos do estabelecimento que os industrializou, em operação que dê direito ao crédito; V do imposto pago no desembaraço aduaneiro; VI do imposto mencionado na nota fiscal que acompanhar produtos de procedência estrangeira, diretamente da repartição que os liberou, para estabelecimento, mesmo exclusivamente varejista, do próprio importador; VII do imposto relativo a bens de produção recebidos por comerciantes equiparados a industrial; VIII do imposto relativo aos produtos recebidos pelos estabelecimentos equiparados a industrial que, na saída destes, estejam sujeitos ao imposto, nos demais casos não compreendidos nos incisos V a VII; IX do imposto pago sobre produtos adquiridos com imunidade, isenção ou suspensão quando descumprida a condição, em operação que dê direito ao crédito; e Fl. 1149DF CARF MF Processo nº 13817.000157/0083 Acórdão n.º 9303005.881 CSRFT3 Fl. 1.150 13 X do imposto destacado nas notas fiscais relativas a entregas ou transferências simbólicas do produto, permitidas neste Regulamento”. (grifei) Feito este intróito inicial, passemos ao caso concreto. Com efeito, crédito fiscal compensável ou dedutível, gerado pela aplicação do Principio da nãocumulatividade do IPI ao regime de apuração do imposto, é um crédito de natureza escritural, tendo a Contribuinte o direito à transferência do saldo credor para períodos subseqüentes a fim de ser utilizado na amortização de débitos futuros do imposto; e que a transferência do saldo credor para o período seguinte é um direito assegurado, considerando que não depende da autorização do Fisco, a própria lei autoriza. Sem embargo, as normas até aqui consideradas estabelecem que o crédito de IPI tem a natureza de um crédito escritural, pois elas garantem a transferência do saldo mas elas não prevêem a possibilidade do ressarcimento em pecúnia. Nos termos do artigo art. 11 da Lei n° 9.779/99, o saldo credor acumulado em cada trimestre calendário poderá ser utilizado para o abatimento de débitos do imposto, mas o eventual saldo credor resultante dessa operação, ao final de cada trimestre calendário, perde sua característica de crédito escritural, tornandose um crédito passível de ressarcimento e de compensação com outros tributos. A interpretação contida no acórdão de primeira instância, entendeu que as Instruções Normativas disciplinam a matéria (IN n° 33/99 e 210/2002) estariam vedando o ressarcimento do saldo credor transportado de período anterior. De minha leitura e interpretação, entendo que as IN's, remetem a uma "permissão" para que a Contribuinte transfira o saldo credor de um período de apuração para o período de apuração seguinte para posterior abatimento dos débitos do imposto. Chama atenção o art. 14, § 3º da IN 210/2002 (alterações IN nº 600), que levam ao interprete a existência de uma “restrição” ao estabelecer de modo textualmente que somente são passíveis de ressarcimento créditos escriturados no trimestre calendário. Neste sentido, a conjunção desses dispositivos, levam o interprete a erro, considerando um conclusão equivocada no sentido de vedar o aproveitamento, por meio de compensação/ressarcimento, do saldo credor de IPI acumulado em virtude de transporte de períodos anteriores. Noutro giro, ao interpretar o artigo.11 da Lei nº 9.779/99, o legislador utilizou a expressão “saldo credor de IPI acumulado em cada trimestre calendário” e não a expressão “saldo credor de IPI gerado em cada trimestre calendário". Dessa forma, se entende o motivo do interprete de piso ao rejeitar o ressarcimento do saldo credor acumulado em razão do transporte de períodos anteriores. Não é demais, trazer a transcrição do notável Augusto Becker: “Há juristas – adverte F.Carnelutti – que quase sempre cometem o erro de aceitar e utilizar empiricamente os conceitos das ciências préjuridicas, sem Fl. 1150DF CARF MF Processo nº 13817.000157/0083 Acórdão n.º 9303005.881 CSRFT3 Fl. 1.151 14 cuidarem de pesquisar o novo e diferente conteúdo (significado) que elas passam a vestir no momento em que entram no mundo jurídico. Este mau costume lamenta F. Carnelutti tem gerado dentro do direito dificuldades numerosas e graves2”. Sem embargo, penso que a interpretação das instruções normativas não se coadunam com o caso concreto. As Instruções Normativas devem ser lidas em harmonia com a norma, por uma questão hierárquica. Qualquer natureza, prevista em lei, induz o entendimento de aplicação imediata, por se tratar de uma norma principal, não se pode inovar, mas apenas dar cumprimento a lei. Importante lembrar do plano sistêmico hierárquico, as leis devem se submeter ao plano superior, sob pena de que as mesmas podem provocar verdadeiros conflitos no momento da correta aplicação, como reiteradamente gritam as vozes dos bancos acadêmicos, ao invocar a pirâmide proposta por Hans Klesen, a Constituição, representa a Lei maior, tendo abaixo desta os Tratados Internacionais, as Leis Complementares e as Leis Ordinárias, e ainda compõem o quadro os Decretos, os Decretos Legislativos e as Resoluções, Portarias, Instruções Normativas, Avisos, Regimentos, também se constituem em normativos, mais detalhistas, os quais devem de forma estrita, satisfazer os preceitos contidos nas Leis, as quais devem estar em consonância com a lei superior. Portanto, o artigo 11 da Lei nº 9.779/99, hierarquicamente superior as instruções normativas, prevalece quanto ao direito da Contribuinte transferir o saldo credor de escrita para os períodos de apuração subseqüentes a fim de ser utilizado na amortização de débitos do imposto e, na remota hipótese de sobrar saldo de créditos, utilizálos por meio de compensação ou ressarcimento. Nestes termos, nego provimento ao Recurso da Fazenda Nacional. É como penso é como voto. (assinado digitalmente) Demes Brito 2 ATALIBA, Geraldo. Hipótese de Incidência Tributária. 6º Ed. São Paulo: Malheiros, 1990, p. 129. Fl. 1151DF CARF MF Processo nº 13817.000157/0083 Acórdão n.º 9303005.881 CSRFT3 Fl. 1.152 15 Fl. 1152DF CARF MF
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Numero do processo: 10882.001250/2004-74
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 02 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Contribuição Social sobre o Lucro Liquido CSLL
Ano-calendário: 1999
Ementa: COMPENSAÇÃO DE BASE NEGATIVA DA CSLLLIMITAÇÃO
- Para a determinação da base de cálculo do Imposto de Renda
das Pessoas Jurídicas e da Contribuição Social sobre o Lucro, a partir do ano calendário de 1995, o lucro liquido ajustado poderá ser reduzido em, no máximo, trinta por cento, tanto em razão da compensação de prejuízo, como em razão da compensação da base de cálculo negativa (Súmula n° 3 do CARF),
Numero da decisão: 1401-000.327
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Matéria: CSL- glosa compens. bases negativas de períodos anteriores
Nome do relator: Antonio Bezerra Neto
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Liquido CSLL Ano-calendário: 1999 Ementa: COMPENSAÇÃO DE BASE NEGATIVA DA CSLL- LIMITAÇÃO - Para a determinação da base de cálculo do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas e da Contribuição Social sobre o Lucro, a partir do ano- calendário de 1995, o lucro liquido ajustado poderá ser reduzido em, no máximo, trinta por cento, tanto em razão da compensação de prejuízo, como em razão da compensação da base de cálculo negativa (Súmula n° 3 do C ARF), Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner – Presidente (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto - Relator Dre.,,\R Processo IV 10882 001250/2004-74 S1-C4TI Acórdão n " 1401-00327 Fl 109 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio Bezerra Neto, Mauricio Pereira Faro, Fernando Luiz Gomes de Manos, Alexei Macorin Vivan e Viviane Vida! Wagner, Ausente justificadamente a conselheira Karem Jureidini Dias. Relatório Trata-se de recurso voluntário contra o Acórdão n° 05-16.681, da 2" Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campinas - SP, Por economia processual, adoto e transcrevo o relatório constante na decisão de primeira instância: Trata-se de auto de infração à legislação da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido — CSLL — lavrado em 25/06/2004 e que constituiu o crédito tributário no montante de R$ 55.52440, incluídos o principal, a multa de oficio e os juros de mora devidos até a data da lavratura O lançamento teve origem em procedimento de revisão eletrônica da Declaração de In/armações Econômico-Fiscais — D113,1 — refèrente ao ano-calendário de 1999 e pelo qual se constatou que a empresa contribuinte, ao compensar bases de cálculo negativas de CSIL não teria respeitado o limite legal de 30% (trinta por cento) de redução da base de cálculo da CSLL apurada no período. O auto de infração fbi remetido ao endereço da empresa, por via postal, cujo Aviso de Recebimento de falha 35 demonstra a ciência do lançamento em 25/06/2004 Em 21/07/2004 a contribuinte apresentou impugnação contra a autuação alegando que sempre foi regular cumpridora de suas obrigações . fiscais e que, por essa razão, fbi surpreendida pela autuação. Aduz que a consistência da exigência fundamentada na compensação de prejuízos fiscais anteriores, em percentual que excede a limitação de 30% (trinta por cento) prevista na legislação ordinária, há de ser considerada a partir da própria legitimidade dos veículos normativos que impuseram essa restrição . Discar: e a respeito do lucro real e do lucro liquido afirmando que suas conceituações já se encontravam previstas no Decreto ii" 1 598/77, em seu artigo 6" e e que o artigo 64 daquele diploma legal permitia a compensação de prejuízo fiscal apurado em um período-base com o lucro real de quatro períodos-base slibseqüeilles. Afirma que, com mais ênfase, os artigos 189 e 191 da Lei n" 6404/76 já tratavam do assunto e que, à época do procedimento adotado pela empresa, algumas alterações /Oram introduzidas :•2U 1D ANTC,N1() viviANE 1. d j jii.;;;i1 .11.:11k; lOPOr NT1.1"-fi L1E::T.ER A v.1,:; N11. Processo n" 10882 001250f2004-74 Acórdão n° 1401-00327 no Decreto n" 1 518/77, desde sua edição, mas nenhuma quanto à limitação da compensação dos prejuízos fiscais acumulados, no que se rekre a percentual, em períodos-base subseqüentes. Relata que .1bi editada a Lei n" 8.541/9.2, que em seu artigo 1.2 dispôs no mesmo sentido e que esse quadro normativo fbi alterado a partir do exercício de 1995, cuja Lei n" 8.981/9.5 vedou a compensação dos prejuízos fiscais apurados nos periodos-base anteriores, inclusive aqueles não compensados até 31/12/94, cuja revogação expressa frita ao artigo 12 da Lei n" 8.541/92 não teria atingido o artigo 6" da Lei n" 1 598/77. Observa que, ao vedar a compensação de prejuízos fiscais em valores maior es que o limite de 30%, quer o Fisco Federal pai ticipar de um lucro irreal, inexistente e que tal procedimento não encontra confbrmidade com o exercício da competência tributária confelida pelo artigo 1.53, Hl da Constituição Federal. Nesse sentido prossegue, afirmando que a legislação infinconstinecional complementar prevê que somente no caso de haver acréscimo patrimonial é que se há de perquirir sobre a realização concreta do fato gerador do Imposto de Renda e que na sistemática implantada pelo artigo 42 da Lei n" 8.981/92 não há renda a ser tributada posto que, compensação de prejuízos acumulados significa recomposição de patrimônio perdido e, não havendo a recomposição desse patrimônio, com algum acréscimo, não há renda tributável. No seu entendimento, o comando inserto pelo artigo 4.2 da Lei n" 8.541/92 viola o principio da anterioridade de lei instituído pelo artigo 1.50, 111, "a" da Constituição Federal tendo-se em conta que, ainda que a publicação da Medida Provisória n" 81.2/94, convertida na Lei /7" 8 981/95, tenha ocorrido em 31 de dezembro de 1994, o diploma em questão e sua respectiva conversão somente poderiam dispor sobre os prejuízos fiscais apuradas a partir de sua vigência e eficácia, ou seja, a partir de 1" de janeiro de 199.5 Afirma que, além da violação das princípios até então enumerados, verifica-se a afronta, também, ao princípio cio direito adquirklo, já que a vedação da exclusão integral do lucro cio exercício ck prejuízos acumulados até 31/1.2/94 suprime direito já incorporado ao patrimônio da impugnante. Alega, também, que ao lhe ser exigido Imposto de Renda baseado 1711111 lucro inexistente está-se a criar uni empréstimo compulsório que o Fisco, de fbrma disfarçada e ao arrepio das preceitos constitucionais, impõe à contribuinte. Em seu entender, a imita fixada no auto de infração, no valor cie 7.5% (setenta e cinco por cento) do tributo devido fere limites constitucionais ao atacar património privado com nítidos .fins confisccaórios Nesse .senticlo, insiste que, levando-se em consideração as condições da conjuntura econômica, cm imposição de multa em SI -C4T 1 Fl 110 n :1.1 1)1 • •• CAR I N IL Processo 0" 10882 001250/2004-74 Acórdão n " 1401-G0327 S1-C4T1 I 111 patamares despropoi cionais e irrazoáveis, leva à impossibilidade do pagamento, que é a finalidade principal da lei tributária. Contesta a pretensão cie se exigir juros de mora equivalentes à Taxa Referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, porque a meus-Inação que se adota como parâmetros à taxa referencial SEL1C recai na Inesma imprestabilidade afila à TR/TRD, ou seja, não serve para medir remuneração cie moi a, pois cuida de remuneração de capital aplicado em mercado especulativo Conclui protestando pela decretação da improcedência do auto ck infração. A EM, manteve em parte o lançamento, nos termos da ementa abaixo: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendál io.' 1999 ILEGALIDADE DE NORMAS TRIBUTÁRIAS - APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE Não cabe à autoridade administrativa apreciar questionamentos a respeito de ilegalidade ou inconstitucionalidade de no, mas tributárias. Tal competência é exclusiva do Poder Judiciário ASSUNTO.. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LIQUIDO - CSLL Data do fato gerador. 31/12/1999 COMPENSAÇÃO DE BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DE PERÍODOS ANTERIORES A partir do encerramento cio Ano-calendário de 1995, a compensação de base de cálculo negativa de CSLL está limitada a trinta por cento cio lucro liquido ajustado hresignada com a decisão de primeira instância, a interessada interpôs recurso voluntário a este Conselho, repisando os tópicos trazidos anteriormente na impugnação dessa feita apenas em relação à limitação de 30% da compensação da base negativa da CSLL, reforçando se arrazoado com jurisprudência judicial e administrativa, sem contudo não mais contestar a ilegalidade da multa de ofício e dos juros de mora. É o relatório. , : • •;!..•:: -.••• :. • 1••.: : 1 i) 4 Processo n" 10882 001250/2004-74 S1-041-1 Acórdão n " 1401-00327 1:1 112 Voto Conselheiro Antonio Bezerra Neto, Relator A matéria em debate a ser analisada diz respeito à limitação para compensação de da base de cálculo negativa da CRI. A interessada pretende discutir a limitação em si da trava dos 30%, mas enveredando por questões de inconstitucionalidade da referida norma em restringir supostamente de forma indevida o direito de compensação da base negativa da CSLL ao limite de .30% do lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões, não deve ser acolhida em função da remansosa jurisprudência administrativa no sentido contrário a essa pretensão, tal entendimento tendo sido inclusive sumulado pelo Primeiro Conselho de Contribuintes, através da Súmula ri' 3, in verbis: Súmula 1"CC n" Para a determinação da base de cálculo do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas e da Contribuição Social sobre o Lucro, a partir do ano-calendário de 1995, o lucro liquido ajustado poderá ser reduzido em, no máximo, trinta por cento, tanto em razão da compensação de prejuízo, como em razão da compensação da base de cálculo negativa (DOU, Seção I, dos dias 26, 27 e 28/06/2006, vigorando a partir . de .28/07/2006). Posteriormente, tal súmula foi também consolidada na Súmula CARF n° 3 contendo idêntico teor. Por todo exposto, nego provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE. JULGAMENTO — QUARTA CÂMARA Processo n 0 : 10882.001250/2004-74 Interessado : VOKO PARTICIPAÇÕES LTDA TERMO DE JUNTADA 1" Seção/4" Câmara Declaro que juntei aos autos o Acórdão/Resolução n° 1401-00.327, assinado digitalmente, às fls. ( ), por mim numeradas e rubricadas, e certifico que a cópia arquivada neste Conselho confere com o mesmo. Encaminhem-se os presentes autos à Delegacia da Receita Federal em para ciência do interessado e demais providências. Brasília, Chefe da Secretaria
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