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Numero do processo: 10783.900953/2012-13
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Sat Mar 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. EXPORTAÇÃO DE PRODUTOS NÃO TRIBUTADOS (NT). IMPOSSIBILIDADE.
Não gera direito ao aproveitamento do crédito presumido do IPI de que trata a Lei nº 9.363, de 1996, a exportação de produtos que não sofreram operação de industrialização prevista na legislação do IPI e recebem a notação NT na Tabela do IPI por estarem fora do campo de incidência do imposto.
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO. TAXA SELIC. IMPOSSIBILIDADE. SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. JULGAMENTO EM RECURSO REPETITIVO. ART. 62-A DO RICARF.
Não há previsão legal para aplicação dos juros Selic nos valores decorrentes de ressarcimento de crédito presumido do IPI. Nos termos do julgamento do REsp nº 1.035.847/RS pelo STJ na sistemática dos recursos repetitivos, a atualização monetária somente é possível sobre os valores indevidamente indeferidos pela autoridade administrativa, posteriormente revertidos pelas instâncias julgadoras. Não havendo crédito a ser ressarcido, reconhecido no curso do processo administrativo, não existe objeto para a correção pela taxa Selic.
Numero da decisão: 3002-000.002
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros Diego Weis Junior e Maria Eduarda Simões, que lhe deram provimento. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto a conselheira Maria Eduarda Simões.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto da Silva Esteves, Diego Weis Junior, Larissa Nunes Girard e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões.
Nome do relator: LARISSA NUNES GIRARD
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. EXPORTAÇÃO DE PRODUTOS NÃO TRIBUTADOS (NT). IMPOSSIBILIDADE. Não gera direito ao aproveitamento do crédito presumido do IPI de que trata a Lei nº 9.363, de 1996, a exportação de produtos que não sofreram operação de industrialização prevista na legislação do IPI e recebem a notação NT na Tabela do IPI por estarem fora do campo de incidência do imposto. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO. TAXA SELIC. IMPOSSIBILIDADE. SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. JULGAMENTO EM RECURSO REPETITIVO. ART. 62-A DO RICARF. Não há previsão legal para aplicação dos juros Selic nos valores decorrentes de ressarcimento de crédito presumido do IPI. Nos termos do julgamento do REsp nº 1.035.847/RS pelo STJ na sistemática dos recursos repetitivos, a atualização monetária somente é possível sobre os valores indevidamente indeferidos pela autoridade administrativa, posteriormente revertidos pelas instâncias julgadoras. Não havendo crédito a ser ressarcido, reconhecido no curso do processo administrativo, não existe objeto para a correção pela taxa Selic.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. EXPORTAÇÃO DE PRODUTOS NÃO TRIBUTADOS (NT). IMPOSSIBILIDADE. Não gera direito ao aproveitamento do crédito presumido do IPI de que trata a Lei nº 9.363, de 1996, a exportação de produtos que não sofreram operação de industrialização prevista na legislação do IPI e recebem a notação NT na Tabela do IPI por estarem fora do campo de incidência do imposto. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO. TAXA SELIC. IMPOSSIBILIDADE. SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. JULGAMENTO EM RECURSO REPETITIVO. ART. 62A DO RICARF. Não há previsão legal para aplicação dos juros Selic nos valores decorrentes de ressarcimento de crédito presumido do IPI. Nos termos do julgamento do REsp nº 1.035.847/RS pelo STJ na sistemática dos recursos repetitivos, a atualização monetária somente é possível sobre os valores indevidamente indeferidos pela autoridade administrativa, posteriormente revertidos pelas instâncias julgadoras. Não havendo crédito a ser ressarcido, reconhecido no curso do processo administrativo, não existe objeto para a correção pela taxa Selic. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros Diego Weis Junior e Maria Eduarda Simões, que lhe deram provimento. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto a conselheira Maria Eduarda Simões. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 78 3. 90 09 53 /2 01 2- 13 Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10783.900953/201213 Acórdão n.º 3002000.002 S3C0T2 Fl. 3 2 Larissa Nunes Girard Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto da Silva Esteves, Diego Weis Junior, Larissa Nunes Girard e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões. Relatório Trata o presente processo de pedido de ressarcimento de crédito presumido de IPI, no valor de R$ 3.086,79, referente ao 3º trimestre de 2006, efetuado por meio de Per/Dcomp apresentado em julho/2007 (fls. 37 a 41). Por meio de despacho decisório à fl. 17, a unidade de origem indeferiu o pedido em razão da ocorrência de glosa de crédito presumido considerado indevido, em procedimento fiscal, integrando o despacho decisório as informações complementares da análise de crédito disponíveis na página internet da Receita Federal, acessáveis pelo contribuinte por meio do Centro Virtual de Atendimento (eCAC). Tais informações complementares não estão disponíveis no processo. O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade na qual alega que a Lei nº 9.363, de 1996, não restringe a concessão de crédito presumido do IPI apenas aos produtos tributados, não podendo a Fiscalização o fazer em detrimento da Lei (fls. 2 a 16). Ao final, requer a correção do crédito pela taxa Selic, contada a partir da data de protocolo do pedido de ressarcimento. A Delegacia de Julgamento proferiu o Acórdão nº 0130.783 (fls. 46 a 50), por meio do qual decidiu pela improcedência da manifestação de inconformidade, tendo em vista que o crédito presumido somente pode ser concedido em relação a produtos sobre os quais o IPI incida, mas admitiu a correção do crédito pela taxa Selic, com o termo inicial após decorridos 360 dias do protocolo do pedido, em cumprimento da Nota PGFN/CRJ nº 775, de 2014. Segue a ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 CRÉDITO PRESUMIDO. EXPORTAÇÃO DE PRODUTOS NT. O direito ao crédito presumido do IPI é condicionado a que os produtos estejam dentro do campo de incidência do imposto. Por conseguinte, não estão alcançados pelo benefício os produtos por ele nãotributados (NT). Manifestação de Inconformidade Improcedente. Cientificada da decisão, a contribuinte interpôs recurso voluntário (fls. 59 a 73), que não passa de cópia de sua manifestação de inconformidade, da qual se alterou apenas campos como o endereçamento e o nome da peça recursal, sem qualquer consideração específica quanto à fundamentação da decisão de primeira instância. Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10783.900953/201213 Acórdão n.º 3002000.002 S3C0T2 Fl. 4 3 No recurso voluntário alegase, em síntese, que a Lei não fez qualquer distinção entre produção e exportação de produtos nãotributados, tributados ou com alíquota zero; que a fiscalização força a utilização da legislação do IPI para interpretar o dispositivo legal; que se trata de uma presunção a ser acatada tal como está; que a fiscalização não pode inovar e que o benefício, instituído para desonerar as exportações, "deve ter interpretação em prol do escopo para o qual foi criado". Para sustentar sua alegação, apresenta decisões do CARF, do TRF4 e do STJ, das quais se transcreve apenas a parte de interesse para o julgamento: CARF Acórdão nº 20218.297 O art. 1º da Lei nº 9.363/96 não exige para o gozo do incentivo que o produto exportado seja tributado pelo IPI ou que a empresa seja contribuinte do IPI. Referindose a lei a "mercadorias", foi dado o benefício fiscal do gênero, não cabendo ao intérprete restringilo apenas aos "produtos industrializados", que são espécie do gênero "mercadorias". TRF4 Apel 2007.70.01.0072727 (...) 7. Também é ilegal a restrição imposta com base no art. 17 da IN/SRF 419/04, relativamente à inclusão na receita de exportação, para efeito de crédito presumido, do valor resultante das vendas para o exterior de produtos nãotributados. A Lei 9.363/96, determinando expressamente o cálculo do benefício sobre o total das aquisições de matériasprimas, material intermediário e material de embalagem, sequer cogita de qualquer restrição ou exclusão, não sendo ela passível de ser inferida pelo intérprete. Essa regulamentação infralegal estabelece restrição que a lei não faz, descaracteriza, aliás, a finalidade do incentivo fiscal criado pelo legislador. STJ REsp 617.733/CE, Min. Teori Zavascki TRIBUTÁRIO. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. IN/SRF 29/97. ILEGALIDADE. (...) 2. O crédito presumido do IPI instituído pela Lei 9.363/96 teve por objetivo desonerar as exportações do valor do PIS/PASEP e da COFINS incidentes ao longo de toda a cadeia produtiva, independentemente de estar ou não o fornecedor direto do exportador sujeito ao pagamento dessas contribuições. Por isso mesmo, é ilegítima a limitação constante do art. 2º, § 2º da IN SRF 23/97, segundo o qual o crédito presumido relativo a produtos oriundos da atividade rural, conforme definida no art. 2º da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990, utilizados como matériaprima, produto intermediário ou embalagem,na produção de bens exportados, será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições efetuadas de pessoas jurídicas sujeitas às contribuições PIS/PASEP e COFINS. Por fim, solicita novamente a correção do crédito pela taxa Selic, desconsiderando que a DRJ havia provido essa parte, embora com termo inicial diferente do pretendido pela recorrente. Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10783.900953/201213 Acórdão n.º 3002000.002 S3C0T2 Fl. 5 4 É o relatório. Voto Conselheira Larissa Nunes Girard O recurso é tempestivo, atende aos demais pressupostos de admissibilidade, inclusive quanto à competência das Turmas Extraordinárias, e dele tomo conhecimento. Crédito presumido do IPI O ponto que se discute neste processo é se o crédito presumido de IPI instituído pela Lei nº 9.363, de 1996, pode ser concedido em relação a exportações de produto com notação nãotributado (NT) da tabela do IPI. A recorrente é uma empresa que se dedica à exploração de jazidas minerais, beneficiamento (corte em chapas e polimento) e comercialização no mercado interno e externo de pedras tais como mármore, granito e ardósia, segundo informações constantes em seu recurso voluntário e em seu contrato social. Exporta, especificamente, blocos de granito que se classificam no código NCM 2516.12.00, cujo texto diz: granito simplesmente cortado a serra ou por outro meio, em blocos ou placas de forma quadrada ou retangular. A Lei nº 9.363, de 1996, assim dispõe sobre o que interessa a esta discussão: Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. (...) Art. 3o Para os efeitos desta Lei, a apuração do montante da receita operacional bruta, da receita de exportação e do valor das matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem será efetuada nos termos das normas que regem a incidência das contribuições referidas no art. 1o, tendo em vista o valor constante da respectiva nota fiscal de venda emitida pelo fornecedor ao produtor exportador. Parágrafo único. Utilizarseá, subsidiariamente, a legislação do Imposto de Renda e do Imposto sobre Produtos Industrializados para o estabelecimento, respectivamente, dos conceitos de receita operacional bruta e de produção, matériaprima, produtos intermediários e material de embalagem. (grifado) Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10783.900953/201213 Acórdão n.º 3002000.002 S3C0T2 Fl. 6 5 Os artigos, considerados conjuntamente, determinam que o benefício aplica se às empresas e produtos que atendam aos conceitos de estabelecimento produtor, de produção, de matériaprima, produtos intermediários e material de embalagem previstos na legislação do IPI, ou seja, na Lei nº 4.502, de 1964, e no Decreto nº 4.544, de 2002 (RIPI/2002), vigente à época dos fatos. Da leitura dos dispositivos legais pertinentes, a seguir transcritos, inferese que, para fins de IPI, estabelecimento produtor equivale a estabelecimento industrial, definido como aquele que executa alguma operação de industrialização da qual resulte produto tributado pelo imposto, ainda que de alíquota zero ou isento. Lei nº 4.502, de 1964 Art. 3º Considerase estabelecimento produtor todo aquêle que industrializar produtos sujeitos ao impôsto. Parágrafo único. Para os efeitos dêste artigo, considerase industrialização qualquer operação de que resulte alteração da natureza, funcionamento, utilização, acabamento ou apresentação do produto, salvo: (...) RIPI/2002 Art. 4º Caracteriza industrialização qualquer operação que modifique a natureza, o funcionamento, o acabamento, a apresentação ou a finalidade do produto, ou o aperfeiçoe para consumo, tal como: (...) II a que importe em modificar, aperfeiçoar ou, de qualquer forma, alterar o funcionamento, a utilização, o acabamento ou a aparência do produto (beneficiamento); (...) Art. 8º Estabelecimento industrial é o que executa qualquer das operações referidas no art. 4º, de que resulte produto tributado, ainda que de alíquota zero ou isento. (grifado) No presente caso, no que diz respeito a suas operações de exportação, a recorrente não se enquadra como estabelecimento industrial do RIPI e nem produz produto tributável pelo IPI. A exigência de a industrialização resultar em produto tributado pelo IPI não é fortuita, mas expressa o alcance do tributo, aponta para as suas hipóteses de incidência. Inicialmente, quando da publicação da Lei nº 4.502, de 1964, constava no Anexo à Lei uma relação que continha apenas os produtos sobre os quais incidia o IPI. Nessa relação não existe a notação NT e não existe a posição 2516, pois a atividade de extração mineral, com o mero corte da pedra, não foi considerado operação de industrialização para fins de tributação pelo IPI. A pedra que tenha sofrido algum trabalho, que pressuponha o aperfeiçoamento de que trata o RIPI, classificase no capítulo 68 ou posterior, esses sim tributados. Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10783.900953/201213 Acórdão n.º 3002000.002 S3C0T2 Fl. 7 6 Posteriormente, quando se decidiu por adotar a relação completa de bens sujeitos ao imposto de importação para fins de construção da TIPI, houve a necessidade de marcar quais bens estavam fora do campo de incidência do IPI, que passaram a ter a notação NT (nãotributados). Tal entendimento é confirmado pelo art. 2º do RIPI/2002, que assim dispõe: Art. 2º O imposto incide sobre produtos industrializados, nacionais e estrangeiros, obedecidas as especificações constantes da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI. Parágrafo único. O campo de incidência do imposto abrange todos os produtos com alíquota, ainda que zero, relacionados na TIPI, observadas as disposições contidas nas respectivas notas complementares, excluídos aqueles a que corresponde a notação "NT" (nãotributado). (grifado) A notação NT inclui os produtos com imunidade pela Constituição Federal, como livro e jornal, mas o caso analisado, pedra simplesmente cortada, recebe a notação NT por não sofrer uma operação de industrialização. Assim, o que resta claro é que, uma vez que o art. 3º da Lei nº 9.363, de 1996, determina que se utilize os conceitos de produção/industrialização da legislação do IPI, o crédito presumido por ela instituído somente pode ser concedido quando houver exportação de produtos que estejam sob a incidência desse imposto. A Lei nº 9.363/96 adota a lógica do próprio tributo, inclusive aquela utilizada para a concessão dos créditos básicos e incentivados: a venda de mercadoria NT não gera saldo devedor. Se essa saída não gera saldo devedor para o contribuinte, também não pode gerar saldo credor. Essa limitação não alcança os produtos isentos ou com alíquota 0% porque esses estão dentro do campo de incidência do IPI. Os artigos do RIPI/2002 relativos à escrituração dos créditos básicos demonstram a coerência da interpretação adotada, a ver: Art. 190. Os créditos serão escriturados pelo beneficiário, em seus livros fiscais, à vista do documento que lhes confira legitimidade: (...) § 1º Não deverão ser escriturados créditos relativos a MP, PI e ME que, sabidamente, se destinem a emprego na industrialização de produtos não tributados, ou saídos com suspensão cujo estorno seja determinado por disposição legal . (...) Art. 193. Será anulado, mediante estorno na escrita fiscal, o crédito do imposto: I relativo a MP, PI e ME , que tenham sido: a) empregados na industrialização, ainda que para acondicionamento, de produtos nãotributados; (grifado) Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10783.900953/201213 Acórdão n.º 3002000.002 S3C0T2 Fl. 8 7 Contraria qualquer lógica interpretativa defender que um tributo que não incide sobre determinado produto passe a incidir sobre esse mesmo produto somente quando for para gerar crédito. Pior ainda, não incide nem na geração de créditos básicos e incentivados, mas incide apenas quando se tratar do crédito presumido para ressarcimento das contribuições. A Lei nº 9.363, de 1996, em momento algum determinou que se desconsiderasse as hipóteses de incidência ou o fato gerador do IPI. Ao contrário, apontou em seu art. 3º que os conceitos fundamentais do imposto deveriam ser seguidos. Não vislumbro qualquer extrapolação ou restrição indevida na aplicação da lei na interpretação exposta, como alega a recorrente. Tratase apenas de interpretação sistemática, que traz coerência para a aplicação da legislação do IPI. Quanto às decisões transcritas pela recorrente, as turmas de julgamento somente estão obrigadas a aplicar aquelas que atendam ao prescrito no art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, o que não é o caso das decisões de outras turmas do CARF e de decisões do TRF4. Quanto à decisão do STJ, trata de tema diverso (compra de insumos de pessoas físicas), não se aplicando ao presente caso. Atualização monetária pela taxa Selic A recorrente solicita novamente a correção do crédito, aplicandose a taxa Selic a partir da data de protocolo do pedido de ressarcimento. Desconsiderou que a DRJ havia reconhecido o direito à atualização monetária, embora com termo inicial após decorridos 360 dias da data do protocolo. Entretanto, entendo que a decisão de primeira instância reconheceu o direito apenas em tese, uma vez que, como o crédito não foi reconhecido, tal decisão tornouse inócua. O STJ pacificou entendimento de que é devida a atualização monetária dos créditos escriturais de IPI nos casos em que o direito ao creditamento não foi exercido no momento oportuno, em razão da oposição de ato administrativo ou normativo reiterado, por meio do julgamento em rito de recursos repetitivos do REsp nº 1.035.847/RS, a seguir transcrito, conjuntamente com a súmula dele decorrente: REsp 1.035.847/RS, Rel. Ministro LUIZ FUX PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL. REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. 1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da nãocumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, assim considerado aquele Fl. 81DF CARF MF Processo nº 10783.900953/201213 Acórdão n.º 3002000.002 S3C0T2 Fl. 9 8 oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. 3. Destarte, a vedação legal ao aproveitamento do crédito impele o contribuinte a socorrerse do Judiciário, circunstância que acarreta demora no reconhecimento do direito pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos judiciais. 4. Consectariamente, ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses créditos, com o conseqüente ingresso no Judiciário, postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco. SÚMULA nº 411/STJ É devida a correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco. (grifado) É importante ressaltar dois pontos da jurisprudência transcrita: 1) não há previsão legal para a atualização monetária de crédito escritural e 2) cabe a atualização quando constatada a oposição ilegítima e constante da Administração, seja por ato administrativo ou normativo. Para a aplicação dessa decisão do STJ, seria necessário encontrar no caso presente a condição apontada no item 2 acima, o que não ocorre, já que o indeferimento foi legítimo e fundamentado, não tendo o despacho decisório da unidade de origem sofrido revisão ao longo deste processo. Logo, concluo não estar atendido requisito para aplicação da atualização monetária do crédito pleiteado. Com essas considerações, voto por conhecer do recurso voluntário e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Relatora Declaração de Voto Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Dada a devida vênia aos fundamentos constantes do voto da eminente Relatora, ouso discordar das conclusões ali apresentadas, conforme fundamentos a seguir indicados. Fl. 82DF CARF MF Processo nº 10783.900953/201213 Acórdão n.º 3002000.002 S3C0T2 Fl. 10 9 Embora reconheça que esta matéria seja bastante controvertida na jurisprudência deste Conselho, alinhome à corrente que entende que as exportações de produto com notação nãotributado (NT) da tabela do IPI deve integrar a base de cálculo do crédito presumido de IPI instituído pela Lei nº 9.363, de 1996. Para que melhor se compreenda as razões aqui expostas, transcrevo a seguir o conteúdo do referido artigo 1º: Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior. Notese que o caput do art. 1º acima transcrito, de fato, aponta como beneficiária do crédito presumido do IPI com ressarcimento do PIS e da COFINS a empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Ou seja, os requisitos expostos na legislação são no sentido de que a empresa seja produtora e exportadora de mercadorias nacionais e que as matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem sejam adquiridos para utilização no processo produtivo. Não há, em contrapartida, qualquer exigência de que tais produtos sejam efetivamente tributados pelo IPI, para que possa a empresa fazer jus ao crédito presumido de IPI. Entendo, portanto, que ao fazer menção à garantia do crédito sobre mercadorias nacionais, a Lei n.º 9.363/1996 englobou todas as mercadorias nacionais produzidas, sejam elas tributadas ou não pelo IPI, não tendo vinculado o cálculo do crédito presumido à efetiva tributação pelo IPI na entrada ou na saída. Até porque, penso que a intenção do legislador, na verdade, não foi de restringir a concessão do crédito presumido aos produtos que estejam efetivamente sujeitos ao recolhimento do IPI, mas sim incentivar as exportações, concedendo tal benefício às empresas produtoras e exportadoras de mercadorias nacionais. Logo, penso que não caberia ao intérprete administrativo incluir requisito para fins de concessão do crédito presumido do IPI que não consta da própria lei que o instituiu. No meu entender, a interpretação sistemática da legislação defendida para fins de se negar a inclusão na base de cálculo do crédito presumido de qualquer mercadoria gravada como "NT", de forma genérica, vai muito além do que nos cabe no papel de Conselheiro/Julgador na esfera administrativa. E, ao assim proceder, invadese a seara legislativa, em prejuízo da segurança jurídica que deve reger a relação entre Fisco e contribuinte, já tão prejudicada pela complexidade da nossa confusa legislação tributária. Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10783.900953/201213 Acórdão n.º 3002000.002 S3C0T2 Fl. 11 10 Nesse mesmo sentido, vide Acórdão n. 9303001.469, da Câmara Superior de Recursos Fiscais, e Acórdão n. 3402004.778, da 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento, respectivamente: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2002 a 31/03/2002 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. PRODUTOS EXPORTADOS CLASSIFICADOS NA TIPI COMO NÃO TRIBUTADOS. O artigo 1º da lei nº 9.363/96, ao instituir o benefício do crédito presumido de IPI à empresa produtora e exportadora de “mercadorias nacionais”, não o restringe apenas aos produtos industrializados, não cabendo ao intérprete administrativo fazer distinção onde a própria lei não o fez. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. FRETES. VINCULAÇÃO AOS INSUMOS UTILIZADOS NO PROCESSO PRODUTIVO. APROVEITAMENTO. De se permitir na formação do cálculo presumido de IPI a inclusão dos gastos com fretes pagos e destacados nas notas fiscais por ocasião de insumos utilizados no processo produtivo. TAXA SELIC. SÚMULA nº 411STJ. É devida a correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco. Rel. Min. Luiz Fux, em 25/11/2009. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelo art. 543C do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Recurso Especial do Procurador Negado. *** ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002 IPI. RESSARCIMENTO. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI RELATIVO AO PIS/COFINS. DESPESAS COM INSUMOS. COMBUSTÍVEIS, ENERGIA ELÉTRICA, MATERIAL LABORATORIAL. Somente podem ser incluídos na base de cálculo do crédito presumido as aquisições de matériaprima de produto intermediário ou de material de embalagem. Os combustíveis, energia elétrica e materiais laboratoriais não caracterizam matériaprima, produto intermediário ou material de Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10783.900953/201213 Acórdão n.º 3002000.002 S3C0T2 Fl. 12 11 embalagem, pois não se integram ao produto final, nem foram consumidos, no processo de fabricação, em decorrência de ação direta sobre o produto final (Súmula CARF n.º 19 e Parecer Normativo n.º 65/1979). CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÃO DE INSUMOS PERANTE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVA. POSSIBILIDADE DE APROVEITAMENTO DO CRÉDITO. PRECEDENTE VINCULANTE DO STJ. A restrição imposta pela IN/SRF n. 23/97 para fins de fruição de crédito presumido do IPI é indevida, sendo admissível o creditamento também na hipótese de aquisição de insumos de pessoas físicas e/ou cooperativas. Precedente do STJ retratado no Resp n.º 993.164, julgado sob o rito de recursos repetitivos, apto, portanto, para vincular este Tribunal Administrativo, nos termos do art. 62, §2° do RICARF. CRÉDITO PRESUMIDO IPI. RECEITAS DE VENDAS DE PRODUTOS NÃO TRIBUTADOS. O artigo 1º da lei nº 9.363/96, ao instituir o benefício do crédito presumido de IPI à empresa produtora e exportadora de “mercadorias nacionais”, não o restringe apenas aos produtos industrializados, não cabendo ao intérprete administrativo fazer distinção onde a própria lei não o fez. A Lei n.º 9.363/1996 não vincula o cálculo do crédito presumido à efetiva tributação pelo IPI na entrada ou na saída. CRÉDITO PRESUMIDO IPI. RECEITAS DE REVENDA. A receita auferida na revenda de mercadorias ao exterior deve ser adicionada à receita de exportação para o fim de apurarse o coeficiente de exportação. CRÉDITO PRESUMIDO IPI. COMPROVAÇÃO EXPORTAÇÃO. Necessário reconhecer o crédito para a qual houve a comprovação da exportação, confirmada na diligência realizada. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO PELA SELIC. É legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco, no pedido de ressarcimento contra o qual houve a oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009). Recurso Voluntário Provido em Parte. Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10783.900953/201213 Acórdão n.º 3002000.002 S3C0T2 Fl. 13 12 Uma vez afastada a interpretação de que os produtos gravados como "NT" deveriam, por esta razão, ser excluídos da base de cálculo do crédito presumido, passase, então, à análise dos demais requisitos dispostos na legislação. Conforme acima indicado, verificase que a legislação exige que a empresa seja produtora e exportadora de mercadorias nacionais e que as matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem sejam adquiridos para utilização no processo produtivo. No caso concreto aqui analisado, ao contrário do que entendeu a ilustre Relatora, entendo que tais requisitos restaram observados pela Recorrente, inclusive em observância ao disposto no art. 4º do RIPI 2002, a seguir transcrito: Art. 4º Caracteriza industrialização qualquer operação que modifique a natureza, o funcionamento, o acabamento, a apresentação ou a finalidade do produto, ou o aperfeiçoe para consumo, tal como: (...) II a que importe em modificar, aperfeiçoar ou, de qualquer forma, alterar o funcionamento, a utilização, o acabamento ou a aparência do produto (beneficiamento); (...) Isso porque, consoante acima relatado, verificase que a recorrente é uma empresa que se dedica à exploração de jazidas minerais, beneficiamento (corte em chapas e polimento) e comercialização no mercado interno e externo de pedras tais como mármore, granito e ardósia, segundo informações constantes em seu recurso voluntário e em seu contrato social. Exporta, especificamente, blocos de granito que se classificam no código NCM 2516.12.00, cujo texto diz: granito simplesmente cortado a serra ou por outro meio, em blocos ou placas de forma quadrada ou retangular. Entendo, portanto, que a atividade de corte em chapas e polimento se enquadra no conceito de produção para fins de usufruto do crédito presumido do IPI, visto que altera, sem sombra de dúvidas, o acabamento (polimento), a aparência (cortes em diversos tamanhos e formatos) ou até a finalidade do produto (os cortes específicos de cada produto poderão diferenciar a finalidade de cada produto). Ademais, entendo que o art. 2º do RIPI/2002 abaixo transcrito trata apenas da incidência ou não do IPI, dispondo que os produtos "NT" estão excluídos do campo de incidência daquele imposto: Art. 2º O imposto incide sobre produtos industrializados, nacionais e estrangeiros, obedecidas as especificações constantes da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI. Parágrafo único. O campo de incidência do imposto abrange todos os produtos com alíquota, ainda que zero, relacionados na TIPI, observadas as disposições contidas nas respectivas notas complementares, excluídos aqueles a que corresponde a notação "NT" (nãotributado). (grifado) Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10783.900953/201213 Acórdão n.º 3002000.002 S3C0T2 Fl. 14 13 Ou seja, este dispositivo legal não possui o condão de fazer concluir que os produtos "NT" não sofrem processo de industrialização. A legislação optou como selecionar os produtos que seriam gravados como "NT" por diversas razões, inclusive para casos em que há processo de industrialização. É o caso, por exemplo, dos produtos com imunidade tributária determinada pela Constituição Federal, que são gravados como "NT" e, em relação aos quais não há discussão acerca de eventual existência de processo de industrialização. Nesse viés, penso que a conclusão de que o produto aqui analisado teria recebido a notação "NT" por não sofrer processo de industrialização não possui embasamento normativo. Para fins de identificação da melhor solução para a presente demanda, portanto, imprescindível que se analise a atividade específica desempenhada pela Recorrente, e, ao analisála, entendo que assiste razão ao contribuinte, conforme razões acima apresentadas. Por fim, entendo que a menção aos artigos 190 e 193 do RIPI/2002 não possui relevância à solução da presente contenda, visto que versam sobre créditos básicos de IPI, cuja análise não guarda, no meu entender, qualquer relação com a hipótese aqui analisada. Consoante visto acima, a presente contenda versa sobre crédito presumido do IPI, o qual possui particularidades atinentes às razões que levaram à sua concessão (incentivo à exportação) que decerto não se relacionam com as razões atinentes ao crédito básico deste mesmo tributo. Nesse contexto, por entender ter sido ilegítima a recusa realizada pela fiscalização, penso que faz jus a Recorrente à inclusão da SELIC a partir da data do protocolo do Pedido de Ressarcimento. Até porque, como é cediço, este entendimento já restou sedimentado pelo Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial 1.035.847/RS, em sede de recursos repetitivos, ao assim dispor: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. 1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da nãocumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. 3. Destarte, a vedação legal ao aproveitamento do crédito impele o contribuinte a socorrerse do Judiciário, circunstância que acarreta demora no reconhecimento do direito pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos judiciais. 4. Consectariamente, ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses créditos, com o consequente ingresso no Judiciário, postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10783.900953/201213 Acórdão n.º 3002000.002 S3C0T2 Fl. 15 14 legítima a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Precedentes da Primeira Seção: EREsp 490.547/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.09.2005, DJ 10.10.2005; EREsp 613.977/RS, Rel. Ministro José Delgado, julgado em 09.11.2005, DJ 05.12.2005; EREsp 495.953/PR, Rel. Ministra Denise Arruda, julgado em 27.09.2006, DJ 23.10.2006; EREsp 522.796/PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, julgado em 08.11.2006, DJ 24.09.2007; EREsp 430.498/RS, Rel. Ministro Humberto Martins, julgado em 26.03.2008, DJe 07.04.2008; e EREsp 605.921/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 12.11.2008, DJe 24.11.2008). 5. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 1035847/RS, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 24/06/2009, DJe 03/08/2009) Ou seja, fixou o STJ que é devida a correção monetária sobre o valor referente a créditos de IPI admitidos extemporaneamente pelo Fisco. E, uma vez constatada a ilegitimidade da recusa realizada pela fiscalização, este entendimento deve ser aplicado por este CARF na forma do art. 62, §2º, do Regimento Interno, in verbis: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...). § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Voto, portanto, no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte. É como voto. Fl. 88DF CARF MF
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Numero do processo: 10120.900998/2009-88
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Feb 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2004
Ementa:
CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. COMPENSAÇÃO. REQUISITO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA E DA LIQUIDEZ DO CRÉDITO.
A comprovação da existência e da liquidez do crédito são requisitos essenciais à acolhida de pedidos de compensação.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3401-004.039
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2004 Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. COMPENSAÇÃO. REQUISITO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA E DA LIQUIDEZ DO CRÉDITO. A comprovação da existência e da liquidez do crédito são requisitos essenciais à acolhida de pedidos de compensação. Recurso Voluntário Negado
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004 Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. COMPENSAÇÃO. REQUISITO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA E DA LIQUIDEZ DO CRÉDITO. A comprovação da existência e da liquidez do crédito são requisitos essenciais à acolhida de pedidos de compensação. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório Versa o presente sobre PER/DCOMP invocando créditos referentes a pagamento indevido ou maior de CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. Não tendo sido localizado tal pagamento nos sistemas da RFB, a empresa foi intimada a se manifestar, e, diante de seu silêncio, o crédito foi indeferido e a compensação não homologada, por Despacho Decisório Eletrônico, tendo a empresa apresentado Manifestação AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 90 09 98 /2 00 9- 88 Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10120.900998/200988 Acórdão n.º 3401004.039 S3C4T1 Fl. 3 2 de Inconformidade, na qual alegou, em síntese, que: (a) é inconstitucional a majoração de alíquota promovida pelos Decretos no 2.445/1988 e no 2.449/1998, já reconhecida pelo Poder Judiciário e declarada por ato do Senado (Resolução no 49, de 9/10/1995), e a aplicação retroativa (sistemática da semestralidade) do art. 18 da Lei no 9.715/1998 (conforme ADIn no 1.4170, publicada em 23/03/2011 e também reconhecida por ato do Senado – Resolução no 10, de 08/06/2005); e (b) o prazo para pedir a restituição é fixado a partir da data em que se tornar definitiva a decisão administrativa / judicial / Resolução do Senado. A decisão de primeira instância foi, unanimemente, pela improcedência da manifestação de inconformidade, sob os seguintes fundamentos. (a) a empresa não alegou nem comprovou o suposto pagamento a maior ou indevido que teria efetuado, a despeito de ter sido intimada para tanto; (b) em pesquisa aos sistemas da RFB, verificouse a existência de DARF de recolhimento com a data de arrecadação diversa da indicada no pedido, parecendo a empresa buscar com a data incorreta em seu pedido frustrar eventual extinção de prazo para pedir restituição, que ocorre após cinco anos do pagamento indevido, com vem decidindo o STJ na sistemática dos recursos repetitivos (REsp no 1.110.578/SP) e o CARF. Ciente da decisão de piso, a empresa interpôs Recurso Voluntário, basicamente repisando o argumento de que não poderia o artigo 18 da norma legal (hoje Lei no 9.715/1998) ter retroagido, como decidiu o STF na ADIn no 1.417 (e Resolução no 10/2005), e reconheceu a própria Receita Federal, na IN SRF no 6/2000; e acrescentando que a Lei no 9.715/1998 revogou a Lei Complementar no 7/70, e que a cobrança também estaria com prazo decaído. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.025, de 24 de outubro de 2017, proferido no julgamento do processo 10120.901000/200962, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.025): "O recurso voluntário apresentado preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Diante da imputação fiscal e das defesas apresentadas, há pouco a discutir no presente processo. Isso porque em nenhuma das peças de defesa a empresa informa, objetivamente, aquilo que foi intimada a esclarecer desde antes do início do contencioso: qual foi exatamente o recolhimento indevido e qual o motivo para que especificamente essa quantia seja considerada de fato indevida. Fl. 81DF CARF MF Processo nº 10120.900998/200988 Acórdão n.º 3401004.039 S3C4T1 Fl. 4 3 Enquanto a defesa se alonga em discussões de direito que, em geral, já estão pacificadas administrativa e judicialmente, não dedica uma linha sequer a informar como os valores que entende indevidos o são pela ocorrência, no caso concreto, de tais situações jurídicas genericamente descritas. Como bem destacou a instância de piso, a empresa jamais comprovou o suposto pagamento a maior ou indevido, mesmo tendo sido intimada a tanto, na fase précontenciosa. Persiste, assim, a ausência de liquidez e certeza sobre o débito, ainda antes de se iniciar a discussão jurídica, que deixa de ser relevante, por não se saber, de forma peremptória, se é relacionada ao caso concreto aqui narrado. Não se desincumbe, assim, a postulante ao crédito, de seu ônus probatório, acreditando que as alegações de direito genéricas socorrem sua demanda, sem realizar qualquer esforço para vincular tais discussões jurídicas ao caso em análise, dotando de certeza e de liquidez o crédito. Em relação a alegação de decadência para cobrança, cabe destacar que não se está aqui a analisar lançamento, mas pedido de restituição, cumulado com compensação. E, como destacou a DRJ, a existência de Resolução do Senado reconhecendo eventual inconstitucionalidade é despicienda para fins de contagem do prazo prescricional (REsp no 1.110.578SP, julgado na sistemática dos recursos repetitivos). Poderseia agregar aos argumentos de defesa, de ofício, o tratamento reconhecido aos pedidos administrativos pelo STF (RE no 566.621/RS) e pelo CARF (Súmula CARF no 91). No entanto, como destacado de início, a discussão sobre haver ou não expirado o prazo para pedir restituição se afigura secundária, diante da ausência de liquidez e certeza do crédito. E a comprovação da existência e da liquidez do crédito são requisitos essenciais à acolhida de pedidos de compensação. Pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário apresentado." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 82DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13841.000800/2007-55
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 31 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Apr 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2004
DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. DEDUTIBILIDADE.
São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei. Inteligência do art. 80 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda - RIR).
A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual do contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea no mesmo ano-calendário da obrigação tributária.
Numero da decisão: 2001-000.071
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Ricardo Moreira, que lhe negou provimento
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente
Fernanda Melo Leal - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira.
Nome do relator: FERNANDA MELO LEAL
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2004 DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. DEDUTIBILIDADE. São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei. Inteligência do art. 80 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda - RIR). A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual do contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea no mesmo ano-calendário da obrigação tributária.
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COMPROVAÇÃO. DEDUTIBILIDADE. São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei. Inteligência do art. 80 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda RIR). A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual do contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea no mesmo anocalendário da obrigação tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Ricardo Moreira, que lhe negou provimento (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente Fernanda Melo Leal Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 84 1. 00 08 00 /2 00 7- 55 Fl. 187DF CARF MF 2 Contra o contribuinte acima identificado foi lavrado o auto de infração de fls. 01/04, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício de 2005, anocalendário de 2004, por meio do qual foi exigido crédito tributário no valor de R$ 11.353,48 (R$ 5.362,50 de imposto suplementar, R$ 4.021,87 a título de multa de ofício e R$ 1.969,11 a título de juros de mora, calculados até 30/11/2007). De acordo com descrição dos fatos foram verificadas deduções indevidas de despesas médicas, no valor de R$ 19.500,00, por falta de comprovação de pagamento. O interessado foi cientificado da notificação e apresentou impugnação, juntando cópias dos recibos de fls. 24 a 48. Alega, em síntese, que nenhuma irregularidade foi praticada, que a exigência decorre de mera suposição de irregularidade, que uma mera presunção que não pode prevalecer para fins de uma autuação, que não existe em nosso País qualquer legislação que proíbe que o pagamento seja efetuado em moeda corrente, ou em cheques de terceiros. Depois de diversas citações jurisprudenciais, conclui que o cancelamento do auto de infração lavrado se impõe para que o Direito seja devidamente resguardado. A DRJ São Paulo II, na análise da peça impugnatória, manifestou seu entendimento no sentido de que os comprovantes fornecidos e juntados ao processo pelo Contribuinte não seriam suficientes para comprovar as despesas, pois havia indícios de que os profissionais (prestadores dos serviços médicos em voga) emitiram recibos frios. Além disso, alega também o fato de que a dedução atinge valor elevado em relação aos rendimentos declarados pelo Contribuinte (mais de 40%). Em sede de Recurso Voluntário, alega o contribuinte que legalmente não é exigido a comprovação das despesas médicas, motivo pelo qual deveria ser cancelado o lançamento em epígrafe. É o relatório. Voto Conselheira Fernanda Melo Leal Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Mérito Glosa de despesas médicas Nos termos do artigo 8°, inciso II, alínea "a", da Lei 9.250/1995, com a redação vigente ao tempo dos fatos ora analisados, são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda pessoa física as despesas a título de despesas médicas, psicológicas e dentárias, quando os pagamentos são especificados e comprovados. Lei 9.250/1995: Art. 8°. A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: Fl. 188DF CARF MF Processo nº 13841.000800/200755 Acórdão n.º 2001000.071 S2C0T1 Fl. 3 3 I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias. (...) § 2º O disposto na alínea ‘a’ do inciso II: (...) II restringese aos pagamentos feitos pelo contribuinte, relativos ao seu próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas ou no Cadastro de Pessoas Jurídicas de quem recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento.” O Recorrente apresentou diversos recibos dos pagamentos relativos aos supostos tratamentos médicos, dentários, fisioterapêuticos, com endereço completo do prestador, com indicação do beneficiário, com CPF/CNPJ do prestador, além de declaração feita pelos profissionais ratificando a veracidade das informações contidas nos recibos apresentados anteriormente pelo contribuinte. A decisão de primeira instancia sustentou que o Recorrente não comprovou as despesas médicas, nos seguintes termos: “[...] 6. Quanto as provas exigidas, como descrito no Auto de Infração, não bastam os comprovantes fornecidos pelas profissionais devido ao fato de haver suspeitas de que as mesmas são fornecedoras de recibos frios. 7. Há, também, o fato de que a dedução atinge valor elevado em relação aos rendimentos declarados (mais de 40%). 8. Assim, essa exigência, a comprovação do repasse do numerário, tem supedâneo no art. 73 do Regulamento do Imposto de Renda, que está embasado no Decretoslei n° 5.844, de 1943, art. 11, § 3° e 4% abaixo ...... Portanto, é lícito o pedido de comprovação além do recibo. 9. A menção, no Auto de Infração, da prova bancária dos pagamentos deveuse, evidentemente, por ser o meio mais fácil de prova e prática mais comum de pagamentos, hoje em dia. De Fl. 189DF CARF MF 4 fato, nada impede que se faça pagamento em moeda corrente ou cheque de terceiros, porém, ocorrendo a dúvida do pagamento, o indiciado deve trazer provas do efetivo pagamento (não necessariamente de prova bancária) e da efetiva prestação do serviço, não bastando apenas os recibos, apesar de as mesmas estarem preenchidas com os requisitos legais prescritos. 10. Observese que a lei pode determinar a quem caiba a incumbência de provar determinado fato. O art. 11, § 3° do DecretoLei n° 5.844, de 1943, estabeleceu expressamente que o contribuinte pode ser instado a comproválas ou justificálas, deslocando para ele o ônus probatório. Mesmo que a norma possa parecer, em tese, discricionária, deixando ao alvedrio da autoridade lançadora a iniciativa, esta agiu amparada em indícios de ocorrência de irregularidades nas deduções, cabendo destacar que o percentual de despesas médicas é elevado em relação aos rendimentos brutos declarados. Salientese que, ante as deduções pleiteadas, cabe ao fisco, por imposição legal, tomar as cautelas necessárias a preservar o interesse público implícito na defesa da correta apuração do tributo, que se infere da interpretação do art. 11, § 4% do DecretoLei n° 5.844, de 1943. A inversão legal do ônus da prova, do fisco para a contribuinte, transfere para a impugnante o ônus de comprovação e justificação das deduções, e, não o fazendo, deve assumir as consequências legais, ou seja, o não cabimento das deduções, por falta de comprovação e justificação. Também importa dizer que o ônus de provar implica trazer elementos que não deixem nenhuma dúvida quanto ao fato questionado. Não cabe ao fisco, neste caso, obter provas da inidoneidade do recibo, mas, sim, à impugnante apresentar elementos que dirimam qualquer dúvida que paire a esse respeito sobre o documento. 11. Portanto, em que pesem as argumentações, citações e decisões que põe em sua peça impugnatória, o lançamento tem sustentação na lei que diz estarem, todas as deduções, sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora, logo, esta tem, a seu juízo, a condição de avaliar o documento apresentado e solicitar suporte que comprove a veracidade nele contida. [...]” No caso concreto, demonstrase, ao longo do processo, que a autoridade fiscal simplesmente entende que os recibos não foram suficientes para comprovar as despesas, mas nem ao menos intimou o contribuinte com antecedência, dando um prazo ao mesmo para comprovar as alegadas despesas de outras formas, que entendesse ser necessária. Ademais, em sede de recurso, foram juntadas declarações dos profissionais, com todos os dados essenciais à comprovação da prestação dos serviços, corroborando a existência dos mesmos. Neste diapasão, merece trazer à baila o princípio pela busca da verdade material. Sabemos que o processo administrativo sempre busca a descoberta da verdade material relativa aos fatos tributários. Tal princípio decorre do princípio da legalidade e, também, do princípio da igualdade. Busca, incessantemente, o convencimento da verdade que, hipoteticamente, esteja mais aproxima da realidade dos fatos. Fl. 190DF CARF MF Processo nº 13841.000800/200755 Acórdão n.º 2001000.071 S2C0T1 Fl. 4 5 De acordo com o princípio são considerados todos os fatos e provas novos e lícitos, ainda que não tragam benefícios à Fazenda Pública ou que não tenham sido declarados. Essa verdade é apurada no julgamento dos processos, de acordo com a análise de documentos, oitiva das testemunhas, análise de perícias técnicas e, ainda, na investigação dos fatos. Através das provas, buscase a realidade dos fatos, desprezandose as presunções tributárias ou outros procedimentos que atentem apenas à verdade formal dos fatos. Neste sentido, deve a administração promover de oficio as investigações necessárias à elucidação da verdade material para que a partir dela, seja possível prolatar uma sentença justa. A verdade material é fundamentada no interesse público, logo, precisa respeitar a harmonia dos demais princípios do direito positivo. É possível, também, a busca e análise da verdade material, para melhorar a decisão sancionatória em fase revisional, mesmo porque no Direito Administrativo não podemos falar em coisa julgada material administrativa. A apresentação de provas e uma análise nos ditames do princípio da verdade material estão intrinsecamente relacionadas no processo administrativo, pois a verdade material apresentará a versão legítima dos fatos, independente da impressão que as partes tenham daquela. A prova há de ser considerada em toda a sua extensão, assegurando todas as garantias e prerrogativas constitucionais possíveis do contribuinte no Brasil, sempre observando os termos especificados pela lei tributária. A jurisdição administrativa tem uma dinâmica processual muito diferente do Poder Judiciário, portanto, quando nos depararmos com um Processo Administrativo Tributário, não se deve deixar de analisálo sob a égide do princípio da verdade material e da informalidade. No que se refere às provas, é necessário que sejam perquiridas à luz da verdade material, independente da intenção das partes, pois somente desta forma será possível garantir o um julgamento justo, desprovido de parcialidades. Somase ao mencionado princípio também o festejado princípio constitucional da celeridade processual, positivado no ordenamento jurídico no artigo 5º, inciso LXXVIII da Constituição Federal, o qual determina que os processos devem desenvolverse em tempo razoável, de modo a garantir a utilidade do resultado alcançado ao final da demanda. Ratifico, ademais, a necessidade de fundamento pela autoridade fiscal, dos fatos e do direito que consubstancia o lançamento. Tal obrigação, a motivação na edição dos atos administrativos, encontrase tanto em dispositivos de lei, como na Lei nº 9.784, de 1999, como talvez de maneira mais importante em disposições gerais em respeito ao Estado Democrático de Direito e aos princípios da moralidade, transparência, contraditório e controle jurisdicional. Assim sendo, com fulcro nos festejados princípios supracitados, e baseando se na fundamentação escassa e superficial do lançamento bem como intenção do contribuinte em evidenciar a existência das despesas declaradas, entendo que deve ser acatado o pedido do Contribuinte para reformar a decisão a quo e manter a dedução das despesas médicas em análise. CONCLUSÃO: Fl. 191DF CARF MF 6 Diante tudo o quanto exposto, voto no sentido de, CONHECER e DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. Fernanda Melo Leal. Fl. 192DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11065.001087/2009-41
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Feb 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Mar 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2004, 2005
DILIGÊNCIA.
Estando madura a clara a matéria a ser decidida pela Turma, não há necessidade de realização de diligência.
JUROS SOBRE MULTA. TAXA SELIC. SÚMULA CARF N. 04.
Uma vez incontroversa a determinação da instância a quo de que incidiria juros sobre multa, por vinculação regimental, aplica-se a Súmula CARF n. 04, que determina como índice a adoção da taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC.
Numero da decisão: 9101-003.412
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a proposta de diligência apresentada pela conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio (relatora), a qual restou vencida. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Gerson Macedo Guerra. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração para, re-ratificando o Acórdão nº 9101-002.942, de 08/06/2017, com efeitos infringentes, sanar a omissão apontada, com o julgamento da questão pendente no recurso especial, para aplicar a taxa Selic como juros sobre multa de ofício. Votaram pelas conclusões os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Flávio Franco Corrêa, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Presidente
(assinado digitalmente)
Daniele Souto Rodrigues Amadio Relatora
(assinado digitalmente)
Gerson Macedo Guerra Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rêgo, André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: DANIELE SOUTO RODRIGUES AMADIO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2004, 2005 DILIGÊNCIA. Estando madura a clara a matéria a ser decidida pela Turma, não há necessidade de realização de diligência. JUROS SOBRE MULTA. TAXA SELIC. SÚMULA CARF N. 04. Uma vez incontroversa a determinação da instância a quo de que incidiria juros sobre multa, por vinculação regimental, aplica-se a Súmula CARF n. 04, que determina como índice a adoção da taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1766; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT1 Fl. 808 1 807 CSRFT1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 11065.001087/200941 Recurso nº Embargos Acórdão nº 9101003.412 – 1ª Turma Sessão de 06 de fevereiro de 2018 Matéria JUROS SOBRE MULTA Embargante FAZENDA NACIONAL Interessado DAIBY S.A. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004, 2005 DILIGÊNCIA. Estando madura a clara a matéria a ser decidida pela Turma, não há necessidade de realização de diligência. JUROS SOBRE MULTA. TAXA SELIC. SÚMULA CARF N. 04. Uma vez incontroversa a determinação da instância a quo de que incidiria juros sobre multa, por vinculação regimental, aplicase a Súmula CARF n. 04, que determina como índice a adoção da taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a proposta de diligência apresentada pela conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio (relatora), a qual restou vencida. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Gerson Macedo Guerra. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração para, reratificando o Acórdão nº 9101002.942, de 08/06/2017, com efeitos infringentes, sanar a omissão apontada, com o julgamento da questão pendente no recurso especial, para aplicar a taxa Selic como juros sobre multa de ofício. Votaram pelas conclusões os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Flávio Franco Corrêa, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 00 10 87 /2 00 9- 41 Fl. 913DF CARF MF 2 Adriana Gomes Rêgo Presidente (assinado digitalmente) Daniele Souto Rodrigues Amadio – Relatora (assinado digitalmente) Gerson Macedo Guerra – Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rêgo, André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra. Relatório Tratamse de embargos de declaração (Efls. ss.) opostos pela Fazenda Nacional em face do acórdão n. 9101002.942, no qual, por unanimidade de votos, se decidiu por rejeitar a preliminar de tempetividade do recurso especial e não conhecêlo, votandose pelas conclusões os conselheiros Adriana Gomes Rêgo, André Mendes de Moura, Rafael Vidal de Araújo, Gerson Macedo Guerra e Marcos Aurélio Pereira Valadão, que não vislumbraram a similitude fática dos paradigmas, restando prejudicada a matéria juros de mora sobre multa de ofício, como sintetizado pela ementa dele resultante: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano calendário: 2004, 2005 CONHECIMENTO. NECESSIDADE DE DIVERGÊNCIA ENTRE ACÓRDÃOS RECORRIDO E PARADIGMA. Tanto no acórdão recorrido quanto no paradigma entendeuse aplicável a multa qualificada quando comprovado o evidente intuito de fraude do sujeito passivo, ou seja, não divergiram. O que ocorreu é que numa situação concreta entendeu se existir comprovação do dolo e na outra não. E isso não é a divergência de posicionamento que se requer para efeitos de conhecimento do recurso especial confirmando que o papel do colegiado refere se à solução de um conflito de interpretações, na busca por uma uniformização de jurisprudência. Daí porque, para se verificar se o tratamento seria diferente, se precisaria estar diante de situações fácticas bastante aproximadas e mesmo assim o critério “em tese” utilizado não poderia ser o de haver ou não comprovação do dolo para a aplicação da multa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de tempetividade do Recurso Especial e em não conhecêlo. Votaram pelas conclusões os conselheiros Adriana Gomes Rêgo, André Mendes de Moura, Rafael Vidal de Araújo, Gerson Macedo Guerra e Marcos Aurélio Pereira Valadão, que não reconheceram a similitude fática dos paradigmas. A matéria juros de mora sobre multa de ofício restou prejudicada. Fez sustentação oral a patrona do contribuinte, Dra. Camila Gonçalves de Oliveira, OAB/DP Fl. 914DF CARF MF Processo nº 11065.001087/200941 Acórdão n.º 9101003.412 CSRFT1 Fl. 809 3 15.971, escritório Martinelli Advogados.” Isso porque sustenta a embargante que a decisão teria sido omissa no julgamento da incidência dos juros sobre a multa de ofício no que tange ao restante da atuação, não compreendida pela multa qualificada. Esclarece, pois, que interpôs recurso especial quanto à desqualficação da multa e aplicação dos juros de mora sobre a multa de ofício à taxa de um por cento ao mês, em detrimento da taxa Selic. No entanto, ao não se conhecer o recurso especial na parte da penalidade, este colegiado compreendeu que restaria prejudicada a questão da incidência dos juros. Ocorre que, em seu entender, ainda estaria em discussão a aplicação dos juros sobre a totalidade da multa, como delimitado pela relatora do acórdão recorrido no trecho abaixo, conselheira Albertina Silva Santos de Lima: “(…) De início devese delimitar o litígio, dado que a contribuinte parcelou parte dos débitos consubstanciados neste processo. A contribuinte se expressou no Anexo I do requerimento de desistência do recurso administrativo: Em relação aos créditos tributários lavrados no presente Auto de Infração, a requerente incluirá no parcelamento os créditos tributários referentes ao imposto principal, juros e multa isolada de 50% que consta no item 9.1 do relatório fiscal. Portanto, permanecerá em discussão e aguardando o julgamento da impugnação ao auto de infração a multa de oficio qualificada de 150% aplicada pela fiscalização, conforme item 9.2 do relatório fiscal. Portanto, a glosa das despesas com remuneração de debêntures não mais está em discussão. A exigência da multa isolada por falta de recolhimento de estimativas também não está em litígio. Embora a contribuinte discuta a qualificação da multa de ofício, ainda está sob controle deste processo a totalidade da multa aplicada, ou seja, 150%. Tendo a contribuinte parcelado o IRPJ e a CSLL e tratandose de lançamento de ofício, incide ao menos a multa de 75%, nos termos do art. 44, I, da Lei 9.430/96. Estaria em litígio a aplicação dos juros sobre a totalidade da multa de ofício? Sim, porque permanece sob controle do presente processo a totalidade da multa de ofício. Estaria em discussão a aplicação concomitante da multa de ofício e da multa isolada por falta ou insuficiência de recolhimento de estimativas, de 50%? Entendo que não, pois, a contribuinte já concordou com a multa por falta de recolhimento de estimativas, ao parcelar o correspondente débito, sendo que no recurso voluntário argumentava que era indevida. Delimitado o litígio, passo inicialmente, à apreciação da qualificação da multa de ofício. (…)” Assim concluiu que, mesmo não conhecido o recurso na parte da qualificação da multa, ainda permaneceria em litígio a incidência de juros sobre a multa de ofício no percentual de 75%. Nesse sentido, o acórdão teria sido omisso ao não julgar o recurso especial da União na parte em que tratou da incidência de juros à taxa de um por Fl. 915DF CARF MF 4 cento sobre a multa de ofício. O despacho de admissibilidade (Efls. ss.) identificou a omissão do acórdão embargado, estabelecendo a seguinte análise: “Omissão A omissão do colegiado, no caso, efetivamente restou configurada. É fato que o acórdão mencionado pela embargante (acórdão 1402000.498), de relatoria da conselheira Albertina Silva Santos de Lima, foi objeto de embargos pelo contribuinte, os quais foram analisados pelo colegiado ao proferir o acórdão 1402001.419, sob a relatoria do conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva. O objeto daqueles embargos dizia respeito ao “desmembramento” da multa de ofício aplicada (que era de 150%) em duas “parcelas” de 75%, na medida em que o contribuinte alegava haver desistido (para inclusão no parcelamento da Lei nº 11.941/09) do valor do principal exigido nos presentes autos (IRPJ e CSLL), dos correspondentes juros de mora, das multas isoladas por falta de pagamento das estimativas, e da correspondente multa “básica” de ofício (75%), de sorte que remanesceria litigando somente com relação à qualificadora da multa (a “segunda parcela” de 75%). O acórdão de embargos (1402001.419) ratificou as alegações do contribuinte, esclarecendo que a multa incidente sobre o IRPJ e a CSLL, no percentual de 75%, fora transferida para o processo nº 11065.725082/201211, e que deveria ser entendida como incluída no REFIS, de sorte que o litígio realmente remanesceria tão somente com relação à qualificadora da multa. Talvez por conta destes fatos acima sucintamente relatados, o acórdão ora embargado tenhase debruçado tão somente sobre a qualificadora da multa (a “segunda parcela” de 75%), e, ao não conhecer do recurso especial nesta parte (o que implica a inaplicabilidade da qualificadora, porque já afastada pelos acórdãos precedentes), entendeu prejudicada a análise da matéria “juros de mora sobre a multa de ofício”. Entretanto, o fato é que o litígio remanescera “tão somente com relação à qualificadora da multa” apenas sob a ótica do contribuinte, pois a Fazenda Nacional não se conformou com a decisão proferida pelos acórdãos a quo, os quais determinaram a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício calculados não com base na Selic, e sim a 1% ao mês “desde que sua aplicação, entre o seu termo inicial e a data do pagamento, resulte em valor menor do que o da aplicação dos juros de mora calculados pela taxa selic, no mesmo período”, tendo sido admitido o seu recurso especial também neste ponto. Portanto, o litígio também remanescia, de fato, sobre esta matéria. Assim, o entendimento manifestado no acórdão embargado, no sentido de considerar prejudicada a análise desta matéria, somente faz sentido com relação à parcela da multa de ofício que foi definitivamente exonerada pelo acórdão embargado, como consequência do não conhecimento do recurso especial da Fazenda Nacional, nesta parte (qual seja, a “segunda parcela” de 75%, a qualificadora). Por outro lado, em que pese a multa “básica” de ofício (a “primeira parcela” de 75%), tenha sido transferida para o processo nº 11065.725082/201211, para inclusão no REFIS, sobre esta parcela há pendência de julgamento do recurso especial da Fazenda Nacional, para a determinação de qual percentual de juros deve, afinal, incidir sobre a multa de ofício aplicada. A desistência do contribuinte com relação à multa “básica” de ofício por certo não implica a exclusão da matéria “juros de mora sobre a multa de ofício” dos Fl. 916DF CARF MF Processo nº 11065.001087/200941 Acórdão n.º 9101003.412 CSRFT1 Fl. 810 5 presentes autos, ante a pendência de julgamento do recurso especial da Fazenda Nacional acerca deste ponto. Entretanto, ao julgar o recurso especial da Fazenda Nacional e considerer prejudicada a matéria, incorreu o acórdão de fato em omissão, conforme aduziu a embargante, pois não considerou o fato de que a matéria também estava atrelada à parcela da multa com relação à qual o contribuinte desistira, e não apenas à parcela da multa com relação à qual o contribuinte ainda litigava. (…)” Passase, assim, à apreciação dos presentes embargos de declaração. Voto Vencido Conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio Relatora Admito os embargos de declaração, nos termos postos no despacho de admissibilidade, pelo que aproveito as razões transcritas no relatório acima. Recordandose, resumidamente, o objeto e decorrer deste processo, no que interessa aos embargos, a exigência em questão decorre de autuação fiscal que glosou despesas com a remuneração de debêntures consideradas emitidas apenas formalmente, entendendoas indedutíveis na apuração do IRPJ e CSLL porque mera liberalidade da empresa, aplicandose ainda, além da multa qualificada de 150% prevista no artigo 44, II, da Lei n. 9430/96 diante da acusão de sonegação, aquela isolada fixada em seu parágrafo 1o., IV, pelo não recolhimento das estimativas mensais, nos anos calendário 2004 e 2005. Com a manutenção da autuação pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre, a DAIBY S.A interpôs recurso voluntário e, na sequência, em 26 de fevereiro de 2010, protocolizou petição informando a sua adesão ao programa de parcelamento de débitos instituído pela Lei n. 11.941/2009, incluindo “os créditos tributários referentes ao imposto principal, juros e multa isolada de 50% que consta no item 9.1 do relatório fiscal. Portanto, permanecerá em discussão (...) a multa de ofício qualificada de 150% aplicada pela fiscalização, conforme item 9.2 do relatório fiscal”, do que resultou o apartamento dos autos em função da desistência parcial do recurso voluntário (Efl. 525). Em 03 de setembro de 2010, a DAIBY S.A apresentou nova petição (Efl. 530) registrando que teve conhecimento de que a parcela relativa à multa isolada que pensava estar incluída no parcelamento não foi aceita, porque teria seu vencimento em 24.06.2009, ao passo que o IRPJ e a CSLL cobrados refeririamse aos anos calendários de 2004 e 2005 (artigo 5o, III, da Instrução Normativa n. 1049/2010). No seu entendimento, muito embora as multas isoladas possuíssem os Fl. 917DF CARF MF 6 seus vencimentos, de acordo com a RFB, na data mencionada, encontrarseiam vinculadas aos débitos de IRPJ e CSLL referentes aos anos calendários de 2004 e 2005. Assim, “como o art. 10, §2°, da Lei n.° 11.941/09 dispõe apenas que as dívidas sejam vencidas até 30/11/2008, logo, entendese que a Instrução Normativa n.° 1.049/10, superveniente a data da adesão ao parcelamento e a desistência parcial do presente processo administrativo, não pode restringir as multas isoladas de serem incluídas no parcelamento em questão”, explica. Requereu, então, que a multa isolada de 50% fosse reincluída no parcelamento ou voltasse a ser apreciada por este Conselho. O recurso voluntário foi julgado pelo Acórdão n. 120100.336, em que prevaleceu um voto vencedor a respeito da (a) insubsistência da multa qualificada por ausência da comprovação do dolo na operação de emissão de debêntures, reduzindo o percentual da multa de ofício de 150 para 75%, mantendo os demais termos do voto da Relatora, Conselheira Albertina Silva Santos de Lima, quanto (b) à incidência do juros de mora de 1% sobre a multa, desde que da sua aplicação, entre o termo inicial e a data do pagamento, resultasse valor menor que os juros calculados com base da Taxa Selic, para que não ocorresse reforma da decisão em prejuízo do sujeito passivo, e (c) à matéria objeto do conhecimento, considerando os débitos incluídos no programa de parcelamento, nos seguintes parâmetros: “De inicio devese delimitar o litígio, dado que a contribuinte parcelou parte dos débitos consubstanciados neste processo. A contribuinte se expressou no Anexo I do requerimento de desistência do recurso administrativo: Em relação aos créditos tributários lavrados no presente Auto de Infração, a requerente incluirá no parcelamento os créditos tributários referentes ao imposto principal, juros e multa isolada de 50% que consta no item 9.1 do relatório fiscal. Portanto, permanecerá em discussão e aguardando o julgamento da impugnação ao auto de infração a multa de oficio qualificada de 150% aplicada pela fiscalização, conforme item 9.2 do relatório fiscal. Portanto, a glosa das despesas com remuneração de debêntures não mais está em discussão. A exigência da multa isolada por falta de recolhimento de estimativas também não está em litígio. Embora a contribuinte discuta a qualificação da multa de oficio, ainda está sob controle deste processo a totalidade da multa aplicada, ou seja, 150%. Tendo a contribuinte parcelado o IRPJ e a CSLL e tratandose de lançamento de ofício, incide ao menos a multa de 75%, nos termos do art. 44, I, da Lei 9.430/96. Estaria em litígio a aplicação dos juros sobre a totalidade da multa de ofício? Sim, porque permanece sob controle do presente processo a totalidade da multa de oficio. Estaria em discussão a aplicação concomitante da multa de ofício e da multa isolada por falta ou insuficiência de recolhimento de estimativas, de 50%? Fl. 918DF CARF MF Processo nº 11065.001087/200941 Acórdão n.º 9101003.412 CSRFT1 Fl. 811 7 Entendo que não, pois, a contribuinte já concordou com a multa por falta de recolhimento de estimativas, ao parcelar o correspondente débito, sendo que no recurso voluntário argumentava que era indevida. Delimitado o litígio, passo inicialmente, à apreciação da qualificação da multa de oficio.” A Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs recurso especial (Efl. 586) salientando (a) a inaplicabilidade da Súmula n. 14 do CARF, e defendendo (a) a manutenção da multa qualificada e da incidência da Taxa Selic sobre a multa de ofício, apresentando os acórdãos n. 10194095 e 10323613 como paradigmas do primeiro tema e 10616.949 e CSRF/0400.651 do segundo. O recurso especial foi recepcionado por despacho de admissibilidade (E fl. 599) que, a respeito da qualificação da multa, entendeu aceitável o segundo acórdão como paradigma, excluindo o primeiro, e também admitiu as duas decisões apresentadas quanto à aplicação dos juros, consignando “que a interpretação posta no acórdão recorrido não contemplou a tese esposada nos paradigmas, de cálculo dos juros de mora com base na taxa Selic, mas de aplicação do percentual de 1% (um por cento) ao mês”. Intimada do acórdão que julgou o recurso voluntário e da interposição do recurso especial pela Fazenda Nacional, a empresa opôs embargos de declaração (Efl. 611) em face dessa decisão com o intuito de que restasse esclarecido que parte da multa qualificada de 150%, correspondente aos 75% de ofício (art. 44, II, da Lei n.9430/96), já havia sido objeto de inclusão no parcelamento e, portanto, não mais estaria em discussão neste processo, mas com a ressalva de que, caso não se entendesse que a lide apenas se estaria restringindo aos 75% do majoramento (art. 44, parágrafo 1o., da Lei n. 9430/96), nesta oportunidade a contribuinte estaria formalizando sua desistência dessa parte. O apartamento do valor solicitado foi deferido em despacho de fls. 767. Os embargos de declaração (Efl. 777) foram admitidos e providos para considerar que a multa se dividiria na parte de ofício que acompanhou os débitos incluídos no parcelamento e foi transferida para o processo n. 10065.725082/201211 e na parcela referente ao agravamento em mais 75%, que foi afastada pelo acórdão do recurso voluntário, de modo que não caberia a intimação do sujeito passivo para pagar a multa. Esclareceuse, também que o pedido deduzido com relação à reinclusão da multa isolada no parcelamento ou retorno para discussão nesse processo, que não havia sido apreciado, foi equacionado com sua inclusão manual naquele programa pela contribuinte. Por fim, a DAIBY S.A ofereceu contrarrazões (Efl. 791) ao recurso especial, alegando, preliminarmente, no que concerne aos juros sobre a multa, que o recurso especial também não poderia ser conhecido em razão da falta de cotejo analítico. Com relação ao mérito, requereu fosse negado provimento ao recurso especial da PGFN, Fl. 919DF CARF MF 8 para afastálos ou mantêlos nos patamares fixados no acórdão recorrido, sob pena de reformar a decisão para pior – o que tiraria o direito recursal da PGFN. Foi proferido, assim, o acórdão embargado, que não conheceu o recurso especial interposto pela Fazenda Nacional em função da ausência de divergência, entendendo prejudicada a questão dos juros de mora. Pois bem, verificandose o que ocorrido ao longo deste processo para delimitação do seu objeto, voltase à apreciação do ponto considerado omisso no acórdão embargado. Como visto, das informações que se tem nos autos, e que a ele foram sendo acrescidas aos poucos, foram objeto de desistência pela contribuinte (i) o valor da obrigação principal, (ii) juros, (iii) multa isolada pela ausência de recolhimento de estimativas e (iv) multa de ofício relativa aos 75% anteriores ao seu agravamento. Restaram, portanto, a parcela da qualificação e os juros sobre a multa. Como o recurso especial da Fazenda Nacional não foi conhecido, decidiu se restar prejudicada a questão dos juros sobre a multa de ofício. Ocorre que, como demonstraram os embargos de declaração, a penalidade exonerada foi aquela relativa ao agravamento, isto é, aquilo que acrescido aos 75% originais da multa de ofício, apontado como objeto de parcelamento. Assim sendo, restaria interesse à Fazenda Nacional à apreciação da matéria dos juros com relação à parcela da multa de ofício parcelada. Embora preliminarmete se concorde com essa omissão, passouse a buscar nos autos dados sobre a inclusão dos juros sobre a multa de ofício de 75% também no parcelamento ou a continuidade de sua discussão. Entendeuse preponderar um silêncio sobre tal inclusão, mas, paralelamente, sua menção no pedido de desistência do contribuinte, que se transcreve abaixo: Fl. 920DF CARF MF Processo nº 11065.001087/200941 Acórdão n.º 9101003.412 CSRFT1 Fl. 812 9 Assim, como as planilhas anexados pela Administração aos autos falam em juros genericamente, para maior certeza e segurança desta decisão, propõe se primeiramente diligência no sentido de determinar que a autoridade responsável esclareça se a consolidação dos valores no parcelamento compreendem os juros sobre a multa de ofício objeto da desistência. Vencida nessa proposta, passase a se manifestar sobre o tema específico quanto ao índice de juros aplicável sobre a multa de ofício. Primeiramente, por coerência de pensamento manifestado noutros julgamentos, manifestome no sentido de que não se entende possível a incidência de juros sobre penalidade. Com efeito, se compreende que o artigo 161, parágrafo primeiro, do Código Tributário Nacional concede autorização para que lei ordinária imponha juros sob taxa com percentual diverso da regra geral de 1% ao mês, como se observa de seu texto: “Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1o Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês.” Registrase, primeiramente, que se compreende que a expressão crédito Fl. 921DF CARF MF 10 tributário se refira ao objeto da relação jurídica o qual concede um direito de recebimento por parte do Estado, englobando tanto aqueles valores correspondentes aos tributos, como decorrentes da aplicação de penalidades pelo seu não pagamento, em conformidade com a forma que se lê o artigo 113 do Código Tributário Nacional. Ocorre que, no mencionado artigo 161, não se consegue dar essa alcance ao termo “crédito” como utilizado pelo legislador para alcançar as multas, porque a redação, após mencionar que este pode ser acrescido de juros se não integralmente pago no vencimento, faz a ressalva: sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis. Neste caso, seria ilógico se compreender, portanto, que as multas então estariam compreendidas na expressão crédito, de modo que a interpretação possível que se consegue alcançar a partir deste enunciado é a de que, muito embora ele autorize a imposição de juros, e num patamar diverso de 1% caso haja previsão legal específica, não alcança as penalidades aplicadas em função do não pagamento integral no vencimento. A partir dessa norma geral, compreendese que se deve entender legítima a fixação de seus índices próprios pela legislação federal e que a leitura das demais regras que envolvem o tema deve ser feita dentro dessa moldura que estabeleceu, como sói ocorrer com artigo 61 da Lei n. 9.430/96: “Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Medida Provisória nº 1.725, de 1998) (Vide Lei nº 9.716, de 1998)” O que, num momento inicial, poderia indicar duas interpretações possíveis, no sentido de a expressão “os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições” abarcar tão somentes estes ou também as multas a eles relacionadas, parece restar reduzida apenas à primeira leitura, justamente em face do alcance permitido pela regra geral do artigo 161 do Código Tributário Nacional que não engloba as penalidades. Portanto, por falta de autorização legal do artigo 161 do Código Tributário Nacional, muito embora a legislação federal possa impor suas penalidades pelo não recolhimento de tributos (leiase, impostos e contribuições) e possa fixar seus próprios íncides de correção dos valores, como a Taxa Selic, não há autorização para determinar a Fl. 922DF CARF MF Processo nº 11065.001087/200941 Acórdão n.º 9101003.412 CSRFT1 Fl. 813 11 incidência de juros sobre a multa de ofício, quando exigida juntamente àquele pagamento. Ocorre que, partindose do pressuposto de que a incidência de juros sobre multa já restaria decidida pelo acórdão recorrido, de modo que apenas caberia a este julgamento definir sobre o índice aplicável, não vejo como me furtar, por obrigação regimental, da aplicação da Súmula CARF n. 04, que assim dispõe: “Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.” Registro, de todo modo, que a maioria do colegiado que me acompanhou nesta decisão, não concorda com meu entendimento preliminar de que não incidiriam juros sobre a multa de ofício, seguindome, assim, pelas conclusões Por essa razão, VOTASE POR ACOLHER OS PRESENTES EMBARGOS, sanando a omissão apontada, com o julgamento da questão pendente no recurso especial, para aplicar a taxa Selic como juros sobre a multa de ofício. Voto Vencedor Conselheiro Gerson Macedo Guerra Redator designado Entendo não haver necessidade de diligência no presente caso para o deslinde da questão. Entendeu a i. Relatora pela necessidade de diligência para verificação da inclusão ou não do total dos juros no parcelamento através da verificação da consolidação efetuada. Compreendo seu raciocício, mas não o acompanho. De fato, não está claro nos autos se o pedido de desistência englobou a totalidade dos juros sobre a multa ou não, mas isso não está relacionado ao tema a ser aqui discutido. Isso porque, a decisão da Turma ordinária que compreendeu pela incidência dos juros a 1% e não pela aplicação da SELIC sobre a multa aplicada está vádida, de modo que o direito da Fazenda discutir qual índice entende o correto permanece, independentemente da desistência do contribuinte. Como ponderou a Fazenda, ainda está sob discussão a incidência de juros sobre a totalidade da multa, como bem anota a Relatora Conselheira Albertina Silva Santos de Lima quando delimita as matérias em litígio no acórdão recorrido, in verbis: “Conselheira Albertina Silva Santos de Lima O recurso atende às condições de admissibilidade e deve ser conhecido. Fl. 923DF CARF MF 12 De início devese delimitar o litígio, dado que a contribuinte parcelou parte dos débitos consubstanciados neste processo. A contribuinte se expressou no Anexo I do requerimento de desistência do recurso administrativo: (...) Estaria em litígio a aplicação dos juros sobre a totalidade da multa de ofício? Sim, porque permanece sob controle do presente processo a totalidade da multa de ofício.” Logo, ainda que não conhecido o recurso na parte da qualificação da multa, ainda permanece em litígio a incidência de juros sobre a multa de ofício no percentual de 75%. A Fazenda trouxe paradigmas divergentes, no sentido de ser aplicável a SELIC, logo, ainda que não conhecido seu recurso quanto à matéria qualificação da multa, a matéria taxa de juros deveria ser julgada. Não houve a prejudicialidade da matéria, como decidodo anteriormente. A questão está madura para decisão. Portanto, desnecessária a diligência para que se possa julgar o tema ora em debate. É como voto. (assinado digitalmente) Gerson Macedo Guerra Fl. 924DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10950.006014/2007-36
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2007
OBRIGAÇÕES DA ELETROBRÁS
Não compete à Receita Federal do Brasil promover a restituição de obrigações da Eletrobrás nem sua compensação com débitos tributários.
MULTA DE OFÍCIO
É legítima a cobrança de multa isolada quando o interessado apresenta declaração de compensação de crédito de natureza não tributária.
INCONSTITUCIONALIDADE. ARGÜIÇÃO
A instância administrativa é incompetente para se manifestar sobre a inconstitucionalidade das leis.
Numero da decisão: 1002-000.005
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Julio Lima Souza Martins - Presidente.
(assinado digitalmente)
Aílton Neves da Silva - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio Lima Souza Martins (presidente da turma), Breno do Carmo Moreira Vieira, Aílton Neves da Silva, Leonam Rocha de Medeiros.
Nome do relator: AILTON NEVES DA SILVA
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MULTA DE OFÍCIO É legítima a cobrança de multa isolada quando o interessado apresenta declaração de compensação de crédito de natureza não tributária. INCONSTITUCIONALIDADE. ARGÜIÇÃO A instância administrativa é incompetente para se manifestar sobre a inconstitucionalidade das leis. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Julio Lima Souza Martins Presidente. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 00 60 14 /2 00 7- 36 Fl. 163DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio Lima Souza Martins (presidente da turma), Breno do Carmo Moreira Vieira, Aílton Neves da Silva, Leonam Rocha de Medeiros. Relatório Trata o presente processo de recurso voluntário contra decisão da DRJ Curitiba, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte acima qualificada. A interessada apresentou PER/DCOMP, em 10/2007 (fls. 6), pleiteando créditos que a legislação considera não ter natureza tributária, de origem em títulos públicos das Centrais Elétricas Brasileiras S/A. A DRF de origem indeferiu o pleito, sob argumento de não existir previsão legal para extinção de créditos tributários mediante compensação com títulos públicos emitidos pela Eletrobrás. Devido à proibição normativa à compensação desse tipo de crédito, foi formalizado no presente processo lançamento de multa de ofício isolada de 75%, com base no art. 18 da Lei n.° 9.430/1996. Na sua impugnação, a interessada: contesta o entendimento do fisco de ser indevida a compensação declarada, tecendo considerações, com menções à doutrina e à jurisprudência, sobre o instituto da compensação, e diz que a sua previsão legal validaria suas ações nesse sentido; comenta que a Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB é competente para administrar, e, portanto, restituir empréstimo compulsório, dizendo que não há como dissociar esse órgão da pessoa jurídica da União Federal; alega que a IN SRF n.° 600, de 2005, em seu art. 15, contemplaria a possibilidade da restituição, e conseqüente compensação, de receita não administrada pela RFB; afirma que o valor apontado pelo fisco para imposição da multa é feito de forma arbitrária, posto que os débitos fiscais estariam extintos (art. 156, II, do CTN), sob condição resolutória de ulterior homologação, ante a existência de "pedido de compensação", ou, caso não seja este o entendimento, pede que seja reconhecida a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, nos termos do art. 151, III do CTN, uma vez que há procedimento administrativo pendente de decisão definitiva; reafirma a responsabilidade solidária da União quanto ao alegado empréstimo compulsório, e conclui: "Assim, uma vez que a responsabilidade solidária da União ante o adimplemento de obrigação emitida por entidade de economia mista aconteceu por força de lei (artigo 4°, §3°, da Lei n.° 4.156/62), lei esta recepcionada pela Constituição Federal vigente (art. 34, § 12 dos ADCT) não se pode limitar sua restituição apenas à co responsável Eletrobrás"; Fl. 164DF CARF MF Processo nº 10950.006014/200736 Acórdão n.º 1002000.005 S1C0T2 Fl. 3 3 argúi que não pode ser "penalizada" com a imposição de multa isolada de 75%, sob o pretexto de compensação indevida, uma vez que não haveria dolo em sua conduta, além de que o fisco não estaria inibido, após o exaurimento da discussão administrativa, de exigir os valores que lhe são devidos, sustentando, ainda, que sua compensação não se amoldaria às hipóteses arroladas no art. 18 da Lei n.° 10.833, de 2003, pois, primeiro, inexistiria disposição legal expressa impossibilitando a compensação com obrigações da eletrobrás; segundo, o crédito é de natureza tributária; e, terceiro, não teria omitido nenhum dos elementos do fato gerador, fracionando ou retardando o pagamento do tributo. Diz que "a cobrança de multa no valor de 75%, demonstra a ilegalidade e a abusividade na cobrança de eventual crédito tributário, impondo ao contribuinte excessiva carga econômica que pode ser traduzido como a implicância do indesejado efeito confiscatório"; defende que a extinção dos débitos tributários indicados em declaração de compensação deve persistir enquanto o pedido de restituição, protocolizado em processo distinto, estiver pendente de decisão administrativa final, o que tornaria o auto de infração em comento desprovido de conteúdo material; diz que "os procedimentos adotados pela impugnante foram observados e estão consentâneos com a legislação tributária vigente e, com espeque no parágrafo único do art. 100 do CTN, exclui a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo". A decisão recorrida recebeu de seus julgadores a seguinte ementa: COMPENSAÇÃO CONSIDERADA NÃO DECLARADA. ELETROBRÁS. MULTA ISOLADA. APLICABILIDADE. Considerada nãodeclarada a compensação em face da pretensão de utilização de crédito nãoadministrado pela Secretaria da Receita Federal, aplicável a multa isolada na forma prevista na legislação. INCONSTITUCIONALIDADE. ARGÜIÇÃO A instância administrativa é incompetente para se manifestar sobre a constitucionalidade das leis. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformado com a decisão de primeira instância, o Recorrente apresentou recurso voluntário no qual, em síntese, alega que: sofreu aplicação de multa isolada de 75% (setenta e cinco por cento) sobre o montante de créditos compensados com tributos federais (sic) nas competências 30/10/2007; os créditos lançados como válidos para a compensação foram cautelas da Eletrobrás, surgidas em razão do antigo empréstimo compulsório da energia elétrica vertida à referida empresa; os valores recolhidos a título de empréstimo compulsório seriam, depois de corrigidos monetariamente, resgatados ou restituídos em dinheiro, no prazo de 20 (vinte) anos, ou convertidos em ações da Eletrobrás; Fl. 165DF CARF MF 4 sendo convertida em ações, o Recorrente a adquiriu para compensar com seus créditos junto à União; a Constituição Federal de 1988 dispõe no capítulo dos Direitos e Garantias Individuais, que é direito de todos a proteção ao patrimônio; o Supremo Tribunal Federal já se pronunciou, por meio das Súmulas 34 e 473, sobre a possibilidade da administração verificar a constitucionalidade e legalidade de seus atos, autorizando a administração a anular seus próprios atos quando eivados de vícios que os tornem ilegais; ainda que não exista ato normativo que direcione quem administra os empréstimos compulsórios, a Receita Federal do Brasil pode perfeitamente aceitar a compensação. Por fim, requer que o "Acórdão citado seja reformado, para julgar improcedente a autuação que aplicou a multa isolada de 75% (setenta e cinco por cento)". E o Relatório. Voto Conselheiro Aílton Neves da Silva Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. A possibilidade de utilização de créditos da Eletrobrás para restituição/compensação é assunto que já foi alvo de súmula deste CARF, a saber: Súmula CARF n.° 24 : "Não compete à Secretaria da Receita Federal promover a restituição de obrigações da Eletrobrás nem sua compensação com débitos tributários." Não cabe, portanto, a este Conselho manifestarse sobre pedido de restituição/compensação de obrigações da Eletrobrás. Quanto à multa isolada, a forma e as condições para sua aplicação constam do art. 18 da Lei n.° 10.833/2003, sendo complementadas pela alínea "e" do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei n.° 9.430/1996. Vejase a redação do art. 18 da lei n. 10.833/2003: Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada em razão de não homologação da compensação quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. Fl. 166DF CARF MF Processo nº 10950.006014/200736 Acórdão n.º 1002000.005 S1C0T2 Fl. 4 5 § 1o Nas hipóteses de que trata o caput, aplicase ao débito indevidamente compensado o disposto nos §§ 6o a 11 do art. 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. § 2º A multa isolada a que se refere o caput deste artigo será aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. § 3o Ocorrendo manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação e impugnação quanto ao lançamento das multas a que se refere este artigo, as peças serão reunidas em um único processo para serem decididas simultaneamente. § 4o Será também exigida multa isolada sobre o valor total do débito indevidamente compensado quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicandose o percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, duplicado na forma de seu § 1o, quando for o caso. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) § 5o Aplicase o disposto no § 2º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, às hipóteses previstas nos §§ 2o e 4o deste artigo. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Quanto ao art. 74 da lei n. 9.430/96 temos: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizado na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (...) § 12. Será considerada não declarada a compensação nas hipóteses: (...) I I em que o crédito: (...) e) não se refira a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal SRF. Assim, legítima é a cobrança da multa isolada, eis que, de acordo com a legislação vigente, os créditos pleiteados pelo Recorrente não tem natureza tributária e não são administrados pela RFB. Fl. 167DF CARF MF 6 Quanto às alegações de confisco e inconstitucionalidade há também súmula do CARF sobre o assunto: Súmula CARF N.°2 "O CARF não é competente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária" Em face do exposto, voto por negar provimento ao recurso, para o efeito de manter a multa isolada por compensação indevida. É como voto. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva Fl. 168DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10855.002768/2009-67
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2009
SIMPLES NACIONAL. INÍCIO DE ATIVIDADE. OPÇÃO. PRAZO.
É incabível a inclusão no Simples Nacional desde a data de abertura constante do cadastro CNPJ, na condição de empresa em início de atividades, quando comprovado que a opção não foi efetuada de acordo com o previsto no artigo 7º, § 6º da Resolução CGSN nº 04/2007.
Numero da decisão: 1001-000.411
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA - Presidente.
(assinado digitalmente)
EDUARDO MORGADO RODRIGUES - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues (Relator), José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente).
Nome do relator: EDUARDO MORGADO RODRIGUES
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ementa_s : Assunto: Simples Nacional Ano-calendário: 2009 SIMPLES NACIONAL. INÍCIO DE ATIVIDADE. OPÇÃO. PRAZO. É incabível a inclusão no Simples Nacional desde a data de abertura constante do cadastro CNPJ, na condição de empresa em início de atividades, quando comprovado que a opção não foi efetuada de acordo com o previsto no artigo 7º, § 6º da Resolução CGSN nº 04/2007.
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INÍCIO DE ATIVIDADE. OPÇÃO. PRAZO. É incabível a inclusão no Simples Nacional desde a data de abertura constante do cadastro CNPJ, na condição de empresa em início de atividades, quando comprovado que a opção não foi efetuada de acordo com o previsto no artigo 7º, § 6º da Resolução CGSN nº 04/2007. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA Presidente. (assinado digitalmente) EDUARDO MORGADO RODRIGUES Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues (Relator), José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 00 27 68 /2 00 9- 67 Fl. 38DF CARF MF Processo nº 10855.002768/200967 Acórdão n.º 1001000.411 S1C0T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 35 a 35) interposto contra o Acórdão nº 0122.589, proferido pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém/PA (fls. 27 a 31), que, por unanimidade, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pela ora Recorrente, decisão esta consubstanciada na seguinte ementa: " ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2009 SIMPLES NACIONAL. INÍCIO DE ATIVIDADE. OPÇÃO. PRAZO. É incabível a inclusão no Simples Nacional desde a data de abertura constante do cadastro CNPJ, na condição de empresa em início de atividades, quando comprovado que a opção não foi efetuada de acordo com o previsto no artigo 7º, § 6º da Resolução CGSN nº 04/2007. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio" Por sua precisão na descrição dos fatos que desembocaram no presente processo, peço licença para adotar e reproduzir os termos do relatório da decisão da DRJ de origem: " Tratase de manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte acima identificada contra o Despacho Decisório DRF/SOR SECAT Nº 1001/2010, de 17/09/2010, às fls. 17/20. Inconformada, em 14/10/2010, a interessada apresentou manifestação de inconformidade ao Despacho retro, alegando, em síntese, haver solicitado inclusão retroativa conforme petição de 18/11/2009, fls. 01, apresentando, na ocasião, como razões: 1) Ser empresa em início de atividade; 2) Possuir CNAE permitido pela legislação do Simples Nacional; 3) Possui recolhimento de DAS a partir do início de suas atividades; 4) Solicitou, então sua inclusão a partir da data do início de suas atividades, ou seja, para o anocalendário de 2008. Aduz, ainda, o lançamento para cálculo de impostos gerado pelo portal do Simples Nacional, sendo os mesmos recolhidos a partir da data de abertura do CNPJ. Solicita a inclusão no Simples Nacional considerando considerando o prazo de 180dias a partir da data do CNPJ." Fl. 39DF CARF MF Processo nº 10855.002768/200967 Acórdão n.º 1001000.411 S1C0T1 Fl. 4 3 Inconformada com a decisão de primeiro grau que indeferiu a sua Manifestação de Inconformidade, a ora Recorrente apresentou o recurso sobre análise apenas reiterando os termos aventados em primeira instância. É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues O presente Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Em atenção ao disposto no §3º do art. 57 do RICARF, e por concordar com seu teor, adoto as razões exaradas pela decisão da DRJ ora combatida. Para tanto, reproduzo os tópicos atinentes às matérias ora tratadas: "(...) O artigo 7º da Resolução do Comitê Gestor de Tributação das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (CGSN) nº 04, de 30 de maio de 2007, com a redação vigente à época dos fatos ora discutidos assim dispunha: Resolução nº 04/2007 Art. 7º A opção pelo Simples Nacional darseá por meio da internet, sendo irretratável para todo o anocalendário. § 1º A opção de que trata o caput deverá ser realizada no mês de janeiro, até seu último dia útil, produzindo efeitos a partir do primeiro dia do anocalendário da opção, ressalvado o disposto no § 3º deste artigo e observado o disposto no § 3º do art. 21. § 1ºA Enquanto não vencido o prazo para solicitação da opção o contribuinte poderá: (Incluído pela Resolução CGSN nº 56, de 23 de março de 2009) I regularizar eventuais pendências impeditivas ao ingresso no Simples Nacional, sujeitandose ao indeferimento da opção caso não as regularize até o término desse prazo; (Incluído pela Resolução CGSN nº 56, de 23 de março de 2009)” (...) § 3º No caso de início de atividade da ME ou EPP no anocalendário da opção, deverá ser observado o seguinte: I a ME ou a EPP, após efetuar a inscrição no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ), bem como obter a sua inscrição municipal e estadual, caso exigíveis, terá o prazo de até 30 (trinta) dias, contados do último deferimento de inscrição, para efetuar a opção pelo Simples Nacional; (Redação dada pela Resolução CGSN nº 41, de 1º de setembro de 2008) (Vide art. 2º da Resolução CGSN nº 41, de 1º de setembro de 2008) Fl. 40DF CARF MF Processo nº 10855.002768/200967 Acórdão n.º 1001000.411 S1C0T1 Fl. 5 4 II após a formalização da opção, a Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) disponibilizará aos Estados, Distrito Federal e Municípios a relação dos contribuintes para verificação da regularidade da inscrição Municipal ou Estadual, quando exigível; (Redação dada pela Resolução CGSN nº 41, de 1º de setembro de 2008) (Vide art. 2º da Resolução CGSN nº 41, de 1º de setembro de 2008) III os entes federativos deverão efetuar a comunicação à RFB sobre a regularidade na inscrição Municipal ou Estadual, quando exigível: (Redação dada pela Resolução CGSN nº 41, de 1º de setembro de 2008) (Vide art. 2º da Resolução CGSN nº 41, de 1º de setembro de 2008) a) até o dia 5 (cinco) de cada mês, relativamente às informações disponibilizadas pela RFB do dia 20 ao dia 31 do mês anterior; (Incluído pela Resolução CGSN nº 14, de 23 de julho de 2007) b) até o dia 15 (quinze) de cada mês, relativamente às informações disponibilizadas pela RFB do dia 1º ao dia 9 do mesmo mês; (Redação dada pela Resolução CGSN nº 37, de 30 de junho de 2008) c) até o dia 25 (vinte e cinco) de cada mês, relativamente às informações disponibilizadas pela RFB do dia 10 ao dia 19 do mesmo mês. (Incluído pela Resolução CGSN nº 14, de 23 de julho de 2007) IV confirmada a regularidade na inscrição Municipal ou Estadual, quando exigível, ou ultrapassado o prazo a que se refere o inciso III, sem manifestação por parte do ente federativo, a opção será deferida, observadas as demais disposições relativas à vedação para ingresso no Simples Nacional e o disposto no § 6º; (Redação dada pela Resolução CGSN nº 41, de 1º de setembro de 2008) (Vide art. 2º da Resolução CGSN nº 41, de 1º de setembro de 2008) V a opção produzirá efeitos: (Redação dada pela Resolução CGSN n° 29, de 21 de janeiro de 2008) (...) b) para as empresas com data de abertura constante do CNPJ a partir de 1° de janeiro de 2008, desde a respectiva data de abertura, salvo se o ente federativo considerar inválidas as informações prestadas pela ME ou EPP nos cadastros estadual e municipal, hipótese em que a opção será considerada indeferida; (Incluída pela Resolução CGSN n° 29, de 21 de janeiro de 2008) VI validadas as informações, considerase data de início de atividade: (Redação dada pela Resolução CGSN n° 29, de 21 de jan eiro de 2008) a) para as empresas com data de abertura constante do CNPJ até 31 de dezembro de 2007, a do último deferimento da inscrição nos cadastros estadual e municipal; (Incluída pela Resolução CGSN n° 29, de 21 de janeiro de 2008) b) para as empresas com data de abertura constante do CNPJ a partir de 1° de janeiro de 2008, a da respectiva abertura. (Incluída pela Resolução CGSN n° 29, de 21 de janeiro de 2008 ) (...) § 6° A ME ou a EPP não poderá efetuar a opção pelo Simples Nacional na condição de empresa em início de atividade depois de decorridos 180 (cento e Fl. 41DF CARF MF Processo nº 10855.002768/200967 Acórdão n.º 1001000.411 S1C0T1 Fl. 6 5 oitenta) dias da data de abertura constante do CNPJ, observados os demais requisitos previstos no inciso I do § 3° deste artigo. (Redação dada pela Resolução CGSN n° 29, de 21 de janeiro de 2008 ) Portanto, existindo pendências impeditivas para ingresso no Simples Nacional, sua regularização haveria de ser providenciada no prazo legal. Resta, em segundo momento, concluir qual seria este prazo legal para empresa em início de atividades. No caso sob exame, o prazo é aquele determinado pelo § 6º do dispositivo legal acima referenciado, a saber: “A ME ou a EPP não poderá efetuar a opção pelo Simples Nacional na condição de empresa em início de atividade depois de decorridos 180 (cento e oitenta) dias da data de abertura constante do CNPJ, observados os demais requisitos previstos no Inciso I do § 3º deste artigo.” A discussão se refere ao Despacho Decisório DRF/SOR SECAT Nº 1001/2010, de 17/09/2010, às fls. 17/20. Em 18/11/2009, a empresa protocolizou pedido de inclusão retroativa no Simples Nacional. No caso em exame, em 28/08/2009, não consta dos autos que a requerente haja feito a tentativa de Solicitação de Opção pelo Simples Nacional. A Inscrição Municipal nº 302344 possui data de abertura em 23/04/2008 e emissão do cartão em 24/04/2008, fls. 07, data do último deferimento. Em vista disso, a data de 26/05/2008 seria o último dia para solicitação da opção, no Portal do Simples Nacional, via Internet. (...) Pelo exposto, verificase que não foram atendidos os requisitos legais para a opção na condição de empresa nova. (...)" Assim, com base nos argumentos supra colacionados, provenientes da DRJ de origem, entendo que os argumentos esposados pela Recorrente não devem ser acolhidos. Portanto, a decisão de primeira instância não merece qualquer reparo. Desta forma, VOTO no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, mantendo in totum a decisão de primeira instância. É como voto. (assinado digitalmente) Eduardo Morgado Rodrigues Relator Fl. 42DF CARF MF Processo nº 10855.002768/200967 Acórdão n.º 1001000.411 S1C0T1 Fl. 7 6 Fl. 43DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13839.000814/2005-56
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano calendário: 1996, 1997, 1998, 1999, 2000, 2001, 2003, 2004
TEMPESTIVIDADE CONDIÇÃO DE ADMISSIBILIDADE DO RECURSO PEREMPÇÃO.
Não se conhece do recurso voluntário apresentado após o prazo de trinta dias da ciência da decisão de primeira instância, por não atender a uma das condições de admissibilidade, uma vez que perempto, nos termos do disposto no art. 33, do Decreto nº 70.235/72.
Numero da decisão: 1402-000.744
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, em razão de perempção, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: IRPJ - restituição e compensação
Nome do relator: Albertina Silva Santos de Lima
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score : 1.0
Numero do processo: 10880.676163/2009-08
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Feb 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 30/11/2006
DESCUMPRIMENTO DE PRAZO PARA APRECIAÇÃO. CONSEQUÊNCIAS.
A impossibilidade de observância do prazo estabelecido no art. 24 da Lei no 11.457(2007 no julgamento de processos administrativos fiscais não enseja nulidade de autuação/despacho decisório, nem aproveitamento tácito de crédito.
PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO. RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO.
Nos processos referentes a pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação dos créditos ensejadores incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes.
VERDADE MATERIAL. INVESTIGAÇÃO. COLABORAÇÃO.
A verdade material é ladeada pelo dever de investigação (da Administração tributária, que encontra limitações de ordem constitucional), e pelo dever de colaboração (por parte do contribuinte e de terceiros).
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3401-004.100
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 30/11/2006 DESCUMPRIMENTO DE PRAZO PARA APRECIAÇÃO. CONSEQUÊNCIAS. A impossibilidade de observância do prazo estabelecido no art. 24 da Lei no 11.457(2007 no julgamento de processos administrativos fiscais não enseja nulidade de autuação/despacho decisório, nem aproveitamento tácito de crédito. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO. RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. Nos processos referentes a pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação dos créditos ensejadores incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. VERDADE MATERIAL. INVESTIGAÇÃO. COLABORAÇÃO. A verdade material é ladeada pelo dever de investigação (da Administração tributária, que encontra limitações de ordem constitucional), e pelo dever de colaboração (por parte do contribuinte e de terceiros). Recurso Voluntário Negado
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 30/11/2006 DESCUMPRIMENTO DE PRAZO PARA APRECIAÇÃO. CONSEQUÊNCIAS. A impossibilidade de observância do prazo estabelecido no art. 24 da Lei no 11.457/2007 no julgamento de processos administrativos fiscais não enseja nulidade de autuação/despacho decisório, nem aproveitamento tácito de crédito. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO. RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. Nos processos referentes a pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação dos créditos ensejadores incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. VERDADE MATERIAL. INVESTIGAÇÃO. COLABORAÇÃO. A verdade material é ladeada pelo dever de investigação (da Administração tributária, que encontra limitações de ordem constitucional), e pelo dever de colaboração (por parte do contribuinte e de terceiros). Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 67 61 63 /2 00 9- 08 Fl. 924DF CARF MF Processo nº 10880.676163/200908 Acórdão n.º 3401004.100 S3C4T1 Fl. 3 2 Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório Versa o presente sobre PER/DCOMP invocando créditos referentes a pagamento indevido ou maior de PIS. Tendo sido localizado o pagamento nos sistemas da RFB, mas utilizado para saldar débitos outros da empresa, não restando saldo, o crédito foi indeferido e a compensação não homologada, por Despacho Decisório Eletrônico, tendo a empresa apresentado Manifestação de Inconformidade, na qual alegou, basicamente, que em decorrência de equívocos no preenchimento de suas obrigações acessórias DACON e DCTF (todo o valor recebido a título de “receita de prestação de serviços” foi declarado no campo pertinente ao regime nãocumulativo, sem discriminação das receitas que deveriam figurar no regime cumulativo) a empresa acabou por apurar valor a maior a titulo de PIS, promovendo o pagamento indevido de tal exação, gerando crédito passível de utilização na compensação de seus débitos. A empresa promoveu a retificação de DACON, alterando o valor devido, à época, a título de PIS, ainda restando recolhimento a maior, em montante diverso do demandado. A decisão de primeira instância foi, unanimemente, pela improcedência da manifestação de inconformidade, sob os seguintes fundamentos. (a) somente são passíveis de compensação os créditos líquidos e certos; (b) a existência de erro no preenchimento das obrigações acessórias DACON e DCTF, não foi acompanhada de qualquer documento retificador até a data da ciência do Despacho Decisório, e nem de documentos de amparo, posteriormente; e (c) não comprovado o erro cometido no preenchimento da DCTF, com documentação hábil, idônea e suficiente, a alteração dos valores declarados anteriormente não pode ser acatada. Ciente da decisão de piso, a empresa interpôs Recurso Voluntário, argumentando que: (a) foi descumprindo o prazo estabelecido no artigo 24 da Lei no 11.457/2007, havendo perda de direito por parte da Fazenda; (b) houve mero erro de preenchimento de DACON e DCTF, devendo prevalecer a verdade material, e serem os autos baixados em diligência; e (c) o artigo 147 do CTN se refere apenas a lançamento por declaração. Juntou, posteriormente, peça de defesa colacionando cópias de livros que se prestariam a demonstrar o valor declarado no DACON retificador. É o relatório. Fl. 925DF CARF MF Processo nº 10880.676163/200908 Acórdão n.º 3401004.100 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.084, de 24 de outubro de 2017, proferido no julgamento do processo 10880.676139/200961, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.084): "O recurso voluntário apresentado preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Após a interposição de recurso voluntário, restam contenciosos no presente processo os seguintes temas: (a) descumprimento do prazo estabelecido no artigo 24 da Lei no 11.457/2007; (b) existência de mero erro de preenchimento de DACON e DCTF, em face da verdade material, com demanda por diligência; e (c) aplicação do artigo 147 do CTN. Do prazo estabelecido no art. 24 da Lei no 11.457/2007 Na peça recursal, alega a empresa que a decisão da DRJ foi proferida depois de mais de 360 dias da interposição da manifestação de inconformidade, havendo perda de direito por parte da Fazenda, com fulcro no artigo 24 da Lei no 11.457/2007. O citado artigo 24 (texto transcrito abaixo) se aplica ao processo administrativo tributário, conforme decisão do STJ, na sistemática dos recursos repetitivos (REsp no 1.138.206/RS): “Art. 24. É obrigatório que seja proferida decisão administrativa no prazo máximo de 360 (trezentos e sessenta) dias a contar do protocolo de petições, defesas ou recursos administrativos do contribuinte.” É cediço que o comando legal indicado inserese em um contexto que busca dotar de maior celeridade o processo administrativo, em consonância com os princípios constitucionais que regem a matéria. Contudo, é preciso reconhecer que não atribuiu o legislador consequência (v.g., reconhecimento tácito do crédito, como parece demandar a recorrente) ao processo em desacordo com o comando. E poderia têlo feito, se o desejasse, visto que a mesma Lei no 11.457/2007 promove alterações ao Decreto no 70.235/1972, que disciplina o processo administrativo fiscal. Fl. 926DF CARF MF Processo nº 10880.676163/200908 Acórdão n.º 3401004.100 S3C4T1 Fl. 5 4 Neste Decreto é que se arrolam, por exemplo, as causas de nulidade (art. 59). Também é sabido que no processo há prazos próprios e impróprios, e que estes não acarretam consequências processuais, embora possam ensejar discussões sobre responsabilização funcional, caso o retardo não seja justificável. Vejase, a título ilustrativo, o art. 226 do novo Código de Processo Civil – CPC (artigo 189 do antigo CPC), que também tem por escopo a celeridade nos julgados: “Art. 226. O juiz proferirá: I os despachos no prazo de 5 (cinco) dias; II as decisões interlocutórias no prazo de 10 (dez) dias; III as sentenças no prazo de 30 (trinta) dias.” Embora se possa entender o objetivo do artigo, afigurase irrazoável dele deduzir que um processo com decisão judicial proferida após trinta dias seria, por exemplo objeto de nulidade, ou subtração de custas ou atualizações, ou ainda reconhecimento de direitos de crédito. No mesmo sentido as observações em relação ao art. 24 da Lei no 11.457/2007. Ademais, o art. 24 da Lei no 11.457/2007 possuía dois parágrafos que foram vetados pelo Poder Executivo (veto mantido). Um deles exatamente porque atribuía efeitos ao processo no caso de descumprimento (o § 2o dispunha que “haverá interrupção do prazo, pelo período máximo de 120 dias, quando necessária à produção de diligências administrativas, que deverá ser realizada no máximo em igual prazo, sob pena de seus resultados serem presumidos favoráveis ao contribuinte”). Na mensagem no 140, de 16/3/2007, são esclarecidas as razões do veto presidencial, proposto pelos Ministérios da Fazenda e da Justiça: “Razões do veto “Como se sabe, vigora no Brasil o princípio da unidade de jurisdição previsto no art. 5o, inciso XXXV, da Constituição Federal. Não obstante, a esfera administrativa tem se constituído em via de solução de conflitos de interesse, desafogando o Poder Judiciário, e nela também são observados os princípios do contraditório e da ampla defesa, razão pela qual a análise do processo requer tempo razoável de duração em virtude do alto grau de complexidade das matérias analisadas, especialmente as de natureza tributária. Ademais, observase que o dispositivo não dispõe somente sobre os processos que se encontram no âmbito do contencioso administrativo, e sim sobre todos os procedimentos administrativos, o que, sem dúvida, comprometerá sua solução por parte da administração, Fl. 927DF CARF MF Processo nº 10880.676163/200908 Acórdão n.º 3401004.100 S3C4T1 Fl. 6 5 obrigada a justificativas, fundamentações e despachos motivadores da necessidade de dilação de prazo para sua apreciação. Por seu lado, devese lembrar que, no julgamento de processo administrativo, a diligência pode ser solicitada tanto pelo contribuinte como pelo julgador para firmar sua convicção. Assim, a determinação de que os resultados de diligência serão presumidos favoráveis ao contribuinte em não sendo essa realizada no prazo de cento e vinte dias é passível de induzir comportamento não desejável por parte do contribuinte, o que poderá fazer com que o órgão julgador deixe de deferir ou até de solicitar diligência, em razão das consequências de sua não realização. Ao final, o prejudicado poderá ser o próprio contribuinte, pois o julgamento poderá ser levado a efeito sem os esclarecimentos necessários à adequada apreciação da matéria.” Derradeiramente, não devemos confundir a celeridade procedimental com a duração razoável do processo (ambas garantidas pelo Texto Constitucional): “Embora seja difícil conceituar precisamente a noção de razoável duração do processo, percebese que tal conceito não está relacionado única e exclusivamente ao “processo rápido” propriamente dito. O processo deve ser rápido o suficiente para dar a resposta apropriada à lide, porém adequadamente longo para garantir a segurança jurídica da demanda. Por tal motivo, o princípio da razoável duração do processo é dúplice, pois tanto a abreviação indevida como o alongamento excessivo são potencialmente danosos ao indivíduo.” 1 Improcedente, assim, o pleito no sentido de atribuição de efeitos à inobservância do prazo estabelecido no art. 24 da Lei no 11.457/2007. Reparese que nem a norma e nem o julgado na sistemática dos recursos repetitivos (REsp no 1.138.206/RS) objetivam as consequências da inobservância, como deseja a recorrente. Nesse sentido já me manifestei em processos julgados neste tribunal, sempre com acolhida unânime da turma, inclusive recentemente, com sete dos oito conselheiros que atualmente compõem o colegiado: DESCUMPRIMENTO DE PRAZO PARA JULGAMENTO. CONSEQUÊNCIAS. A impossibilidade de observância do prazo estabelecido no art. 24 da Lei n. 11.457/2007 no julgamento de processos administrativos fiscais não enseja nulidade, nem diminuição dos consectários legais do crédito tributário. (Acórdão no 3403 1 MARINS, James. Direito Processual Tributário Brasileiro (Administrativo e Judicial). 8.ed. São Paulo: Dialética, 2015, p.194195. Fl. 928DF CARF MF Processo nº 10880.676163/200908 Acórdão n.º 3401004.100 S3C4T1 Fl. 7 6 002.782, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime, sessão de 25 fev. 2014) NULIDADE. DESCUMPRIMENTO DE PRAZO PARA JULGAMENTO. A impossibilidade de observância do prazo estabelecido no art. 24 da Lei n. 11.457/2007 no julgamento de processos administrativos fiscais não enseja nulidade. (Acórdão no 3403002.746, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime, sessão de 30 jan. 2014) NULIDADE. DESCUMPRIMENTO DE PRAZO PARA JULGAMENTO. A impossibilidade de observância do prazo estabelecido no art. 24 da Lei n. 11.457/2007 no julgamento de processos administrativos fiscais não enseja nulidade. (Acórdão no 3403002.374, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime, sessão de 24 jul. 2013) DESCUMPRIMENTO DE PRAZO PARA APRECIAÇÃO. CONSEQUÊNCIAS. A impossibilidade de observância do prazo estabelecido no art. 24 da Lei no 11.457/2007 no julgamento de processos administrativos fiscais não enseja nulidade de autuação/despacho decisório, nem aproveitamento tácito de crédito. (Acórdão no 3401003.517, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime, sessão de 25 abr. 2017) Portanto, não merecem prosperar as alegações de defesa no que se refere a prazos para a Administração se manifestar sobre pedidos de restituição/ressarcimento, ensejando consequências pelo descumprimento. Da existência de erro de preenchimento e da verdade material A recorrente alega que em decorrência de equívocos no preenchimento de suas obrigações acessórias DACON e DCTF (todo o valor recebido a título de “receita de prestação de serviços” foi declarado no campo pertinente ao regime não cumulativo, sem discriminação das receitas que deveriam figurar no regime cumulativo) acabou por apurar valor a maior a titulo de COFINS, promovendo o pagamento indevido de tal exação, gerando crédito passível de utilização na compensação de seus débitos, e que promoveu a retificação de DACON, sendo o valor correto devido, à época, a título de COFINS, diverso do pleiteado. Apresentou a empresa, então, indiscutivelmente, demanda de crédito em montante incorreto (a maior do que o que ela mesma reconhece como devido). E como prova de que teria incorrido em erro, não acrescentou nenhuma justificativa pormenorizada, limitandose, inicialmente, a informar que os documentos pertinentes estavam à disposição do fisco, e, posteriormente, após dois anos do decurso de prazo para interposição de recurso voluntário, a juntar cópias de livros e demandar, em adição, diligência, em caso de dúvida, para “apuração dos documentos que lastrearam os créditos”. Fl. 929DF CARF MF Processo nº 10880.676163/200908 Acórdão n.º 3401004.100 S3C4T1 Fl. 8 7 Recordese que, nos processos, como o presente, que tratam de solicitação de compensação e demanda de crédito, a comprovação do direito aos créditos incumbe ao postulante, e é dever dele carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. Assim vem decidindo unanimemente este CARF, inclusive na atual composição do colegiado (com sete dos oito componentes atuais): “ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. DILAÇÃO PROBATÓRIA. DILIGÊNCIAS. A realização de diligências destinase a resolver dúvidas acerca de questão controversa originada da confrontação de elementos de prova trazidos pelas partes, mas não para permitir que seja feito aquilo que a lei já impunha como obrigação, desde a instauração do litígio, às partes componentes da relação jurídica.” (Acórdãos n. 3403 002.106 a 111, Rel. Cons. Alexandre Kern, unânimes, sessão de 23.abr.2013) (grifo nosso) “PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. Nos pedidos de compensação/ressarcimento, incumbe ao postulante a prova de que cumpre os requisitos previstos na legislação para a obtenção do crédito pleiteado.” (grifo nosso) (Acórdão n. 3403003.173, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 21.ago.2014) (No mesmo sentido: Acórdão n. 3403 003.166, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 20.ago.2014; Acórdão 3403002.681, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 28.jan.2014; e Acórdãos n. 3403002.470, 471, 474, 475, 476 e 477, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânimes em relação à matéria, sessão de 24.set.2013)(grifo nosso) "PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO. Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação dos créditos ensejadores incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. DILIGÊNCIAS. PERÍCIAS. DEFICIÊNCIA PROBATÓRIA. As diligências e perícias não se prestam a suprir deficiência probatória, seja em favor do fisco ou da recorrente. (Acórdãos n. 3403003.550 e 551, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 24.fev.2015) (grifo nosso) “PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO. RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. Nos processos referentes a pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação Fl. 930DF CARF MF Processo nº 10880.676163/200908 Acórdão n.º 3401004.100 S3C4T1 Fl. 9 8 dos créditos ensejadores incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes.” (Acórdãos n. 3401003.784 a 787, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unanimidade – no que se refere à matéria) (grifo nosso) A diligência, como bem parece ter compreendido a 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF, e também esta 1ª Turma Ordinária, nos julgados com ementa aqui transcrita, não se presta a suprir deficiência probatória, seja da Fazenda ou do contribuinte. Cabe destacar que no último julgado transcrito, seis dos atuais oito conselheiros que compõem a turma expressamente concordaram com tal observação, dela dissentindo, em tese, o Conselheiro Augusto Fiel Jorge D’Oliveira. Temos que, nos processos do gênero, três cenários podem surgir: (a) a documentação apresentada na manifestação de inconformidade comprova o direito de crédito, caso em que se deve reconhecer tal direito, no julgamento; (b) a documentação apresentada na manifestação de inconformidade não comprova o direito de crédito, caso em que se deve negar tal direito, no julgamento; e (c) a documentação apresentada na manifestação de inconformidade gera, no julgador, dúvida em relação ao direito de crédito, dúvida essa que não é de direito, mas de fato, ensejando a realização de diligência ou perícia. Entendemos que a situação em análise melhor se amolda ao segundo cenário (‘b”), visto que nada de substancial se agregou na manifestação de inconformidade, havendo juntada de cópias de documentos – que, digase, sempre estiveram em poder da empresa – apenas dois anos após a interposição da peça recursal, documentos esses que sequer são suficientes para suscitar dúvida neste julgador, visto que não apontam, objetivamente, como se chegou nem aos valores originalmente demandados, nem àqueles que durante o contencioso a empresa sustentou estarem corretos. A ausência de dúvida torna impertinente invocar a verdade material, que não se apresenta como uma salvaguarda de quem não se desincumbe de seu ônus probatório, mas como um mecanismo do processo administrativo que permite sanar dúvidas com elementos adicionais diretamente obtidos, ou demandados às partes. A verdade material, como ensina James MARINS, é ladeada pelo dever de investigação (da Administração tributária, que encontra limitações de ordem constitucional), e pelo dever de colaboração (por parte do contribuinte e de terceiros): “As faculdades fiscalizatórias da Administração tributária devem ser utilizadas para o desvelamento da verdade material e seu resultado deve ser reproduzido fielmente no bojo do procedimento e do Processo Administrativo. O dever de investigação da Administração e o dever de colaboração por parte do particular têm por finalidade Fl. 931DF CARF MF Processo nº 10880.676163/200908 Acórdão n.º 3401004.100 S3C4T1 Fl. 10 9 propiciar a aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos.”2 No caso em análise, pouco contribuiu a recorrente para a identificação objetiva da incorreção que ela mesmo reconhece ter perpetrado, prejudicando a liquidez e a certeza do pedido. Não merece, assim, acolhida o pleito de diligência, nem a argumentação de defesa no sentido de que haveria sido comprovado o erro ou o direito de crédito. Do artigo 147 do CTN Alega a empresa, derradeiramente, em sede recursal, que o artigo 147 do CTN (abaixo transcrito) se refere apenas a lançamento por declaração. “Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1o A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. § 2o Os erros contidos na declaração e apuráveis pelo seu exame serão retificados de ofício pela autoridade administrativa a que competir a revisão daquela.” (grifo nosso) É preciso esclarecer, inicialmente, que não se está aqui a tratar, propriamente, de lançamento, mas de demanda de crédito, de modo que o comando indicado não fundamenta exigência, mas é usado pela DRJ de modo acessório a seus argumentos pelo indeferimento do direito de crédito. No entanto, não se tem dúvidas da obviedade da parte inicial do comando do § 1o, que abstrai de considerações sobre eventual modalidade de lançamento: por certo que aquele que retifica sua declaração (qualquer que seja) ou as informações que presta ao fisco, deve justificar a retificação, fundandoa em elementos probatórios. Se a empresa deve, como qualquer postulante a crédito, provar a liquidez e a certeza de tais créditos, como aqui exposto, deve, ainda mais, provar eventuais retificações em seu pedido de crédito. Mas, no caso em análise, não prova a contento a empresa nem uma coisa nem outra, pelo que deve ser mantido o indeferimento do direito de crédito. 2 Direito Processual Tributário Brasileiro – Administrativo e Judicial, 8. Ed., São Paulo: Dialética, p. 174. Fl. 932DF CARF MF Processo nº 10880.676163/200908 Acórdão n.º 3401004.100 S3C4T1 Fl. 11 10 Considerações Finais Diante do exposto, e restando ausentes a certeza e a liquidez do crédito postulado (requisitos essenciais à acolhida de pedidos de compensação), voto por negar provimento ao recurso voluntário apresentado." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 933DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15504.724472/2011-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2008
GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO.CONCEITO.
Configura-se alienação a transferência de propriedade de um bem ou direito de uma pessoa a outra, a qualquer título, representando uma diminuição do patrimônio de quem a transferiu e um respectivo aumento no patrimônio de quem a recebeu em transferência.
GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO REALIZADA POR TERCEIRO QUE NÃO DETINHA A PROPRIEDADE. ACEITAÇÃO DA TRANSAÇÃO E RECEBIMENTO DOS VALORES ESTIPULADOS.
O proprietário que teve seu bem ou direito alienado por terceira pessoa, ao aceitar, em seu favor, o recebimento dos valores acordados acerca do preço do bem ou direito, passa a se revestir da condição de alienante, estando, assim, sujeito à apuração do ganho de capital resultante da operação.
MULTA DE OFÍCIO. CONFISCATÓRIA. INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA CARF N° 02.
A argumentação sobre o caráter confiscatório da multa aplicada no lançamento tributário não escapa de uma necessária aferição de constitucionalidade da legislação tributária que estabeleceu o patamar das penalidades fiscais, o que é vedado ao CARF, conforme os dizeres de sua Súmula n. 2
Numero da decisão: 2401-005.299
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e, no mérito, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Rayd Santana Ferreira - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: RAYD SANTANA FERREIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2008 GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO.CONCEITO. Configura-se alienação a transferência de propriedade de um bem ou direito de uma pessoa a outra, a qualquer título, representando uma diminuição do patrimônio de quem a transferiu e um respectivo aumento no patrimônio de quem a recebeu em transferência. GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO REALIZADA POR TERCEIRO QUE NÃO DETINHA A PROPRIEDADE. ACEITAÇÃO DA TRANSAÇÃO E RECEBIMENTO DOS VALORES ESTIPULADOS. O proprietário que teve seu bem ou direito alienado por terceira pessoa, ao aceitar, em seu favor, o recebimento dos valores acordados acerca do preço do bem ou direito, passa a se revestir da condição de alienante, estando, assim, sujeito à apuração do ganho de capital resultante da operação. MULTA DE OFÍCIO. CONFISCATÓRIA. INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA CARF N° 02. A argumentação sobre o caráter confiscatório da multa aplicada no lançamento tributário não escapa de uma necessária aferição de constitucionalidade da legislação tributária que estabeleceu o patamar das penalidades fiscais, o que é vedado ao CARF, conforme os dizeres de sua Súmula n. 2
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ALIENAÇÃO.CONCEITO. Configurase alienação a transferência de propriedade de um bem ou direito de uma pessoa a outra, a qualquer título, representando uma diminuição do patrimônio de quem a transferiu e um respectivo aumento no patrimônio de quem a recebeu em transferência. GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO REALIZADA POR TERCEIRO QUE NÃO DETINHA A PROPRIEDADE. ACEITAÇÃO DA TRANSAÇÃO E RECEBIMENTO DOS VALORES ESTIPULADOS. O proprietário que teve seu bem ou direito alienado por terceira pessoa, ao aceitar, em seu favor, o recebimento dos valores acordados acerca do preço do bem ou direito, passa a se revestir da condição de alienante, estando, assim, sujeito à apuração do ganho de capital resultante da operação. MULTA DE OFÍCIO. CONFISCATÓRIA. INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA CARF N° 02. A argumentação sobre o caráter confiscatório da multa aplicada no lançamento tributário não escapa de uma necessária aferição de constitucionalidade da legislação tributária que estabeleceu o patamar das penalidades fiscais, o que é vedado ao CARF, conforme os dizeres de sua Súmula n. 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 72 44 72 /2 01 1- 19 Fl. 133DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho e Rayd Santana Ferreira. Fl. 134DF CARF MF Processo nº 15504.724472/201119 Acórdão n.º 2401005.299 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório RAQUEL LEITE RANGEL, contribuinte, pessoa física, já qualificada nos autos do processo em referência, recorre a este Conselho da decisão da 6a Turma da DRJ em Florianópolis/SC, Acórdão nº 0737.402/2015, às efls. 99/104, que julgou procedente o Auto de Infração concernente ao Imposto de Renda Pessoa Física IRPF, decorrente da constatação de omissão de ganhos de capital na alienação de bens e direitos, em relação ao exercício 2009, conforme peça inaugural do feito, às efls. 02/07, e demais documentos que instruem o processo. Tratase de Auto de Infração, lavrado em 20/10/2011 (Termo de Encerramento Fiscal efl. 57), nos moldes da legislação de regência, contra a contribuinte acima identificada, constituindose crédito tributário no valor consignado na folha de rosto da autuação, decorrente do seguinte fato gerador: GANHOS DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE BENS E DIREITOS OMISSÃO/APURAÇÃO INCORRETA DE GANHOS DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE AÇÕES/QUOTAS NÃO NEGOCIADAS EM BOLSA DE VALORES. Omissão de ganhos de capital auferidos na alienação de ações ou quotas, conforme Termo de Verificação Fiscal em anexo. Relata a auditorafiscal que, analisando a cópia do Formal de Partilha da Ação de Divórcio Consensual de Raquel Leite Rangel e José Maria de Castro Toledo, Processo n° 0024.00.126.8044, verificou que a partilha dos bens do casal transitou em julgado em 04/01/2001, onde ficou determinado que dos 5% das quotas do capital social da sociedade Brumafer Mineração Ltda, CNPJ n° 16.565.097/000130, cada um dos cônjuges ficaria com 2,5%. Noticia também que, ao analisar o Contrato Promissório de Cessão e Transferência de Quotas Sociais da empresa Brumafer Mineração Ltda, verificou que as quotas da empresa foram integralmente alienadas em 31/08/2007 para a empresa MSA Mineração Serra Azul, CNPJ: 08.863.872/000195, incluída a parte partilhada pelos excônjuges (5% das quotas). Expõe que, em 10/01/2008, nos autos do Processo de Execução n° 0024.05.777.6403, intentado pela fiscalizada, a fim de reaver a sua participação societária alienada pelo excônjuge, foi expedido pelo Juiz de Direito da 10ª Vara de Família de Belo Horizonte/MG, o ofício n° 057776403, intimando a adquirente das quotas, MSA Mineração Serra Azul Ltda., para que pagamento subseqüente de parcela avençada fosse reservado e depositado em juízo o equivalente a 2,5% de U$$ 33.000.000,00, preço de venda constante do Contrato Promissório de Cessão e Transferência de Quotas Sociais da empresa Brumafer Mineração Ltda, ou seja, U$$ 825.000,00, de maneira que fosse evitado que o executado, José Maria de Castro Toledo (exmarido da autuada), recebesse o valor que não lhe pertencia. Já em 18/06/2008, segundo a autoridade autuante, foi apresentado ao Juiz da 10ª Vara de Família termo de acordo amigável entre exeqüente, executado, impugnante, impugnada, embargantes e embargada nos processos 0024.05.777.6403 (Execução de Fl. 135DF CARF MF 4 Sentença), 0024.08.106.6243 (Impugnação à Penhora) e 0024.08.057.2498 (Embargos de Terceiros). De acordo com a fiscal, em 30/06/2008, a fiscalizada, de fato, levantou o valor de R$ 1.177.922,45, sendo que a Srª Raquel, em sua declaração de rendimentos referente ao exercício 2009, anocalendário 2008, informou este valor no quadro de rendimentos isentos e não tributáveis Transferências patrimoniais: doações, heranças, meações e dissolução da sociedade conjugal ou unidade familiar. Todavia, a autoridade lançadora considerou que os valores recebidos na ação de execução promovida referiase à alienação das quotas de propriedade da fiscalizada, e concluiu que a contribuinte auferiu ganho de capital na transferência da participação societária sob exame, correspondente à diferença positiva entre o valor recebido a título de ressarcimento das citadas quotas e o respectivo custo, considerando como valor de alienação R$ 1.177.922,45, custo de aquisição de R$ 900,00, apurando ganho de capital de R$ 1.177.022,45. Regularmente intimada e inconformada com a Decisão recorrida, a autuada apresentou Recurso Voluntário, às efls. 112/123, procurando demonstrar sua improcedência, desenvolvendo em síntese as seguintes razões. Após breve relato das fases processuais, bem como dos fatos que permeiam o lançamento, reitera as razões da impugnação, inicialmente sustentando não haver de sua parte nenhuma transferência de participação societária que implicasse em ganho de capital sujeito à incidência do imposto de renda. Esclarece que, em razão da partilha de bens na ação de divórcio consensual, a impugnante passou a ter direito a 2,5% do capital social da Brumafer Mineração Ltda. Relata que, até meados de 2007, não havia ainda conseguido a transferência das cotas para a sua titularidade, apesar de ter buscado judicialmente o cumprimento do acordo homologado, uma vez que havia tomado conhecimento da venda da empresa pelo seu ex marido e seus irmãos. Nessa linha, afirma que o seu exmarido concretizou a venda dos 5% da empresa que lhes pertenciam sem seu consentimento, revelando o evidente intuito de fraude de seu excônjuge. Em vista disso, por meio de medida cautelar, noticia que foi depositado em juízo pela empresa compradora (MSA Mineração Serra Azul Ltda.) o valor correspondente aos seus 2,5% da empresa alienados sem sua autorização. Anuncia que já não sendo mais possível a efetivação da partilha e transferência da titularidade do percentual a que a impugnante fazia jus do capital social da Brumafer Mineração Ltda., restou acordado entre ambas as partes que a título da meação a que tinha direito, a Srª Raquel Rangel Leite receberia o valor de R$ 1.177.922,45. Neste cenário, assevera que não houve a transferência de participação societária de sua parte que ensejasse ganho de capital sujeito ao imposto de renda, e que recebeu a título de meação o montante depositado judicialmente e a título de ressarcimento pela alienação dos 2,5% de suas quotas, de acordo com valor de mercado de sua participação societária. Fl. 136DF CARF MF Processo nº 15504.724472/201119 Acórdão n.º 2401005.299 S2C4T1 Fl. 4 5 Salienta que qualquer incidência de imposto de renda sobre a operação de transferência das quotas da empresa Brumafer para a MSA deveria ter ocorrido quando do negócio jurídico entre as empresas, o qual ocorreu sem a sua participação. De outra banda, aduz que lhe foi aplicada multa totalmente abusiva, que deveria, a rigor, fundarse num critério de proporcionalidade para a realização da verdadeira justiça, sendo admitida sua redução ou cancelamento. Argumenta que deveria ainda ser considerado o princípio da pessoalidade e da individualização da pena, consagrados na Constituição Federal, art. 5º, inciso XLV, do mesmo modo que o terceiro de boafé não pode ser penalizado por eventuais irregularidades constatadas. Outrossim, sustenta que na instância administrativa é passível de discussão de questões relativas à legalidade ou constitucionalidade de leis e sua não aplicação. Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para decretar o cancelamento do Auto de Infração, tornandoo sem efeito e, no mérito, sua absoluta improcedência. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Fl. 137DF CARF MF 6 Voto Conselheiro Rayd Santana Ferreira Relator Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso e passo ao exame das alegações recursais. DO GANHO DE CAPITAL De acordo com a fiscal, em 30/06/2008, a fiscalizada, de fato, levantou o valor de R$ 1.177.922,45, sendo que a Srª Raquel, em sua declaração de rendimentos referente ao exercício 2009, anocalendário 2008, informou este valor no quadro de rendimentos isentos e não tributáveis Transferências patrimoniais: doações, heranças, meações e dissolução da sociedade conjugal ou unidade familiar. Todavia, a autoridade lançadora considerou que os valores recebidos na ação de execução promovida referiase à alienação das quotas de propriedade da fiscalizada, e concluiu que a contribuinte auferiu ganho de capital na transferência da participação societária sob exame, correspondente à diferença positiva entre o valor recebido a título de ressarcimento das citadas quotas e o respectivo custo, considerando como valor de alienação R$ 1.177.922,45, custo de aquisição de R$ 900,00, apurando ganho de capital de R$ 1.177.022,45. Por sua vez, a contribuinte sustenta não haver de sua parte, nenhuma transferência de participação societária que implicasse em ganho de capital sujeito à incidência do imposto de renda. Esclarece que, em razão da partilha de bens na ação de divórcio consensual, a impugnante passou a ter direito a 2,5% do capital social da Brumafer Mineração Ltda. Relata que, até meados de 2007, não havia ainda conseguido a transferência das cotas para a sua titularidade, apesar de ter buscado judicialmente o cumprimento do acordo homologado, uma vez que havia tomado conhecimento da venda da empresa pelo seu ex marido e seus irmãos. Nessa linha, afirma que o seu exmarido concretizou a venda dos 5% da empresa que lhes pertenciam sem seu consentimento, revelando o evidente intuito de fraude de seu excônjuge. Em vista disso, por meio de medida cautelar, noticia que foi depositado em juízo pela empresa compradora (MSA Mineração Serra Azul Ltda.) o valor correspondente aos seus 2,5% da empresa alienados sem sua autorização. Anuncia que já não sendo mais possível a efetivação da partilha e transferência da titularidade do percentual a que a impugnante fazia jus do capital social da Brumafer Mineração Ltda., restou acordado entre ambas as partes que a título da meação a que tinha direito, a Srª Raquel Rangel Leite receberia o valor de R$ 1.177.922,45. Neste cenário, assevera que não houve a transferência de participação societária de sua parte que ensejasse ganho de capital sujeito ao imposto de renda, e que recebeu a título de meação o montante depositado judicialmente e a título de ressarcimento Fl. 138DF CARF MF Processo nº 15504.724472/201119 Acórdão n.º 2401005.299 S2C4T1 Fl. 5 7 pela alienação dos 2,5% de suas quotas, de acordo com valor de mercado de sua participação societária. Antes de adentrar ao mérito da questão, é importante trazer à baila a legislação que regulamenta a matéria, no que diz respeito à tributação do ganho de capital na alienação de bens e direitos, inicialmente cabe transcrever o disposto no art. 3º, §2º, Lei n° 7.713/88, e no art. 21 da Lei nº 8.981/de 1995: Lei nº 7.713/88 Art. 3º O imposto incidirá sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução, ressalvado o disposto nos arts. 9º a 14 desta Lei. (Vide Lei 8.023, de 12.4.90) (...) § 2º Integrará o rendimento bruto, como ganho de capital, o resultado da soma dos ganhos auferidos no mês, decorrentes de alienação de bens ou direitos de qualquer natureza, considerandose como ganho a diferença positiva entre o valor de transmissão do bem ou direito e o respectivo custo de aquisição corrigido monetariamente, observado o disposto nos arts. 15 a 22 desta Lei. Lei nº 8.981/de 1995 Art. 21. O ganho de capital percebido por pessoa física em decorrência da alienação de bens e direitos de qualquer natureza sujeitase à incidência do Imposto de Renda, à alíquota de quinze por cento. § 1º O imposto de que trata este artigo deverá ser pago até o último dia útil do mês subseqüente ao da percepção dos ganhos. § 2º Os ganhos a que se refere este artigo serão apurados e tributados em separado e não integrarão a base de cálculo do Imposto de Renda na declaração de ajuste anual, e o imposto pago não poderá ser deduzido do devido na declaração. Como se depreende da legislação supracitada, o ganho obtido em decorrência da alienação de bens, seja qual for sua natureza, é considerado ganho de capital. Pois bem! Pelo que consta dos autos, em razão do divórcio entre a Srª Raquel Leite Rangel e o Sr. José Maria de Castro Toledo, foi realizada a meação dos bens do casal, em razão do que cada cônjuge ficou com 2,5% das quotas da sociedade Brumafer Mineração Ltda. Não obstante isso, mesmo após a divisão dos bens, não foi formalmente realizada a transferência das quotas da sociedade Brumafer que cabia a autuada. Tempo depois, o Sr. José vendeu à MSA Mineração Serra Azul Ltda. não somente a sua participação na empresa Brumafer, como também a de seu exesposa, sem seu consentimento, fato este que obrigou a Srª Raquel a demandar ação judicial contra seu ex Fl. 139DF CARF MF 8 marido, objetivando reaver o que lhe era devido, consistente na participação societária resultante da meação efetuada. Em virtude ação proposta, por medida cautelar, foi inicialmente depositado em juízo o valor relativo a 2,5% do total da venda da empresa, referente à parte da Srª Raquel. Após isso, foi apresentado no processo acordo realizado entre a autuada e seu exmarido, por meio do qual a Srª Raquel aceitou o valor de R$ 1.177.922,45 como retribuição pela sua participação na empresa. Examinando os fatos acima relatados, verifico que Srª Raquel Leite Rangel, em vez de prosseguir na perseguição da restituição de suas quotas obtidas com a meação realizada, resolveu celebrar um acordo com o seu exmarido, no qual ficou estabelecido que estaria satisfeita em receber o valor da venda das ações da empresa Brumafer proporcionalmente à sua participação societária, consistente no percentual de 2,5%. Isso, ao meu juízo, equivale a dizer que a autuada anuiu com a alienação de suas quotas, de modo a convalidar a transação em que o Sr. José Maria de Castro Toledo havia realizado a alienação de quotas, na qual estava incluído a da Srª Raquel. Com isso, a Srª Raquel recebeu o valor estipulado na venda referente à sua parte, correspondendo a R$ 1.722.922,45, que, em última análise, equiparase a uma venda realizada pela própria proprietária das quotas. Com efeito, tendo em vista que o seu exmarido alienou sua parte das quotas na Brumafer, sem sua autorização, e que, em razão disso, promoveu uma demanda judicial visando a obtenção de sua participação societária, porém, durante o trâmite do processo resolveu desistir da pretensão de têla de volta e concordar com o valor estipulado pelos originários contratantes para a sua parte, isto, inevitavelmente, dá ensejo a atribuir a Srª Raquel Leite Rangel como a própria alienante das quotas que lhe pertencem, já que manifestou vontade no sentido de entregar os 2,5% das quotas da Brumafer que eram de sua propriedade em contrapartida ao recebimento do montante de R$ 1.722.922,45 que a MSA Mineração Serra Azul Ltda. estava disposta a pagar. Caso a contribuinte tivesse recebido as ações que lhe eram devida, inegavelmente não haveria apuração de ganho de capital, uma vez que tratavase de meação na dissolução da sociedade conjugal. No momento do recebimento do fruto da alienação dessas ações, a meu ver, equiparase a situação em que a contribuinte recebeu e após vendeu. Dessa forma, caracterizada a alienação da participação societária pela Srª Raquel Leite Rangel, visto que houve uma diminuição do patrimônio da autuada e o respectivo aumento no patrimônio da MSA Mineração Serra Azul Ltda, a operação ficou sujeita, sim, às regras atinentes ao ganho de capital. DA MULTA DE OFÍCIO A recorrente, de outra banda, aduz que lhe foi aplicada multa totalmente abusiva, que deveria, a rigor, fundarse num critério de proporcionalidade para a realização da verdadeira justiça, sendo admitida sua redução ou cancelamento. Argumenta que deveria ainda ser considerado o princípio da pessoalidade e da individualização da pena, consagrados na Constituição Federal, art. 5º, inciso XLV, do mesmo modo que o terceiro de boafé não pode ser penalizado por eventuais irregularidades constatadas. Fl. 140DF CARF MF Processo nº 15504.724472/201119 Acórdão n.º 2401005.299 S2C4T1 Fl. 6 9 Outrossim, sustenta que na instância administrativa é passível de discussão de questões relativas à legalidade ou constitucionalidade de leis e sua não aplicação. Na análise dessa razão, não se pode perder de vista que o lançamento da multa por descumprimento de obrigação de pagar o tributo é operação vinculada, que não comporta emissão de juízo de valor quanto à agressão da medida ao patrimônio do sujeito passivo, haja vista que uma vez definido o patamar da sua quantificação pelo legislador, fica vedado ao aplicador da lei ponderar quanto a sua justeza, restandolhe apenas aplicar a multa no quantum previsto pela legislação. Cumprindo essa determinação a autoridade fiscal, diante da ocorrência da falta de pagamento do tributo, fato incontestável, aplicou a multa no patamar fixado na legislação, conforme muito bem demonstrado no Discriminativo do Débito, em que são expressos os valores originários a multa e os juros aplicados no lançamento. Além do mais, salvo casos excepcionais, é vedado a órgão administrativo declarar inconstitucionalidade de norma vigente e eficaz. Nessa linha de entendimento, dispõe o enunciado de súmula, abaixo reproduzido, o qual foi divulgado pela Portaria CARF n.º 106, de 21/12/2009 (DOU 22/12/2009): Súmula CARF Nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Essa súmula é de observância obrigatória, nos termos do “caput” do art. 72 do Regimento Interno do CARF, inserto no Anexo II da Portaria MF n.º 343, de 09/06/2015. Como se vê, este Colegiado falece de competência para se pronunciar sobre a alegação de inconstitucionalidade da multa aplicada, uma vez que o fisco tão somente utilizou os instrumentos legais de que dispunha para efetuar o lançamento. Por todo o exposto, estando o Auto de Infração, sub examine, em consonância com as normas legais que regulamentam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO, e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. É como voto. (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Fl. 141DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.722543/2010-35
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/1998 a 30/06/1999
CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. SOCIEDADE DE ECONOMIA MISTA. CONSTRUÇÃO CIVIL. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INEXISTÊNCIA.
A Administração Pública não responde solidariamente por créditos previdenciários devidos pela empresa contratada para prestação de serviços de construção civil, reforma ou acréscimo, exceto nos casos de cessão de mão-de-obra.
Numero da decisão: 9202-006.585
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 11080.722524/2010-17, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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SOCIEDADE DE ECONOMIA MISTA. CONSTRUÇÃO CIVIL. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INEXISTÊNCIA. A Administração Pública não responde solidariamente por créditos previdenciários devidos pela empresa contratada para prestação de serviços de construção civil, reforma ou acréscimo, exceto nos casos de cessão de mãodeobra. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 11080.722524/201017, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 25 43 /2 01 0- 35 Fl. 358DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Contribuinte contra o Acórdão de Recurso Voluntário, no qual restou consignada a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/1998 a 30/06/1999 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. CONSTRUÇÃO CIVIL. SOLIDARIEDADE. ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. PARECER AGU AC 55/ 2006. ALCANCE. Os efeitos do Parecer AGU nº AC55/ 2006 DOU de 24/11/2006 alcançam, tão somente, os Contratos Administrativos celebrados pela Administração Pública direta, circunstância em que Poder Público atua com supremacia sobre as empresas privadas contratadas, mediante cláusulas e preceitos de Direito Público previstos no Capítulo III da Lei nº 8.666/93, não irradiando efeitos sobre as Sociedades de Economia Mista, pessoas jurídicas de direito privado, eis que tais empresas atuam no mercado de bens e serviços em igualdade de condições que as demais empresas privadas, e cujos contratos regemse pelas normas de Direito Privado. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. NFLD. ATO ADMINISTRATIVO. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE E LEGALIDADE. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. Tendo em vista o consagrado atributo da presunção de veracidade que caracteriza os atos administrativos, gênero do qual o lançamento tributário é espécie, operase a inversão do encargo probatório, repousando sobre o Notificado o ônus de desconstituir o lançamento ora em consumação. Havendo um documento público com presunção de veracidade não impugnado eficazmente pela parte contrária, o desfecho há de ser em favor dessa presunção. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. CONSTRUÇÃO CIVIL. O proprietário, o dono da obra ou condômino da unidade imobiliária, qualquer que seja a forma de contratação da construção, reforma ou acréscimo, são solidários com o construtor, e estes com a subempreiteira, pelo cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social, admitida a retenção de importância a este devida para garantia do cumprimento dessas obrigações, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. CONSTRUÇÃO CIVIL. ARBITRAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. LEGALIDADE. Nas hipóteses em que o cálculo do tributo tiver por base, ou tomar em consideração, o valor ou o preço de bens, direitos, Fl. 359DF CARF MF Processo nº 11080.722543/201035 Acórdão n.º 9202006.585 CSRFT2 Fl. 3 3 serviços ou atos jurídicos, a autoridade lançadora, mediante processo regular, poderá arbitrar o valor da base de cálculo ou os aludidos preços, sempre que forem omissos ou não merecerem fé as declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado. Em caso de recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o fisco federal pode inscrever de ofício importância que reputar devida, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. A utilização de percentual definido em ato normativo, incidente sobre o valor dos serviços contidos em notas fiscais, para fins de apuração indireta da base de cálculo das contribuições previdenciárias, constitui procedimento que observa os princípios da legalidade e da proporcionalidade. CERTIDÃO NEGATIVA DE DÉBITO. ELISÃO DA SOLIDARIEDADE. IMPOSSIBILIDADE. A CND apenas certifica que, no momento de sua emissão, não havia crédito tributário formalmente constituído em desfavor da empresa signatária da certidão, circunstância que não afasta o direito da Fazenda Pública de constituir e cobrar qualquer débito eventualmente apurado após a sua emissão, conforme ressalvado na própria CND. A apresentação de CND emitida em nome de empresa prestadora de serviços não é suficiente para elidir a responsabilidade solidária na construção civil. A elisão somente é possível com a comprovação do recolhimento da contribuição devida, pela apresentação dos documentos exigidos pela legislação de regência. Recurso Voluntário Negado Conforme consta do auto de infração, os objetos dos lançamentos são as contribuições sociais destinadas à Seguridade Social correspondentes a: II remuneração paga aos segurados empregados das empresas executoras de obras de construção civil, incluída em notas fiscais, faturas e recibos, pelas quais o Banco do Brasil, na condição de contratante dos serviços, responde solidariamente, haja vista que não houve elisão da responsabilidade solidária nos termos da legislação aplicável, a seguir fundamentada, cujo lançamento está codificado como “SC1 – SOLIDA. CONST. CIVIL ANTES 1999”; III remuneração paga aos segurados empregados das empresas prestadoras serviços com cessão de mãodeobra, incluída em notas fiscais, faturas e recibos, pelas quais o Banco do Brasil, na condição de contratante dos serviços, responde solidariamente, haja vista que não houve elisão da responsabilidade solidária nos termos da legislação aplicável, a seguir fundamentada, cujo lançamento está codificado como “SM1 – SOLIDARIEDADE CMO ANTES 1999”. Fl. 360DF CARF MF 4 Especificamente quanto aos fatos geradores da Solidariedade na Construção Civil e por Cessão de MãodeObra: a) fazem parte do crédito previdenciário as contribuições devidas pela notificada, destinadas à Seguridade Social, correspondentes à parte da empresa (FPAS) e dos segurados empregados, ao financiamento da complementação das prestações por acidente do trabalho (Seguro de Acidente de TrabalhoSAT) e ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa; b) as contribuições previdenciárias destinadas a Terceiros não foram incluídas na presente notificação, tendo em vista o entendimento do Parecer CJ/MPAS n.º 1.710/99. Irresignada, a ora Recorrente impugnou a autuação alegando, em síntese: a necessidade de chamamento ao processo da empresa executora, responsável pelo recolhimento tributário, a fim de que se apurasse a real existência dos débitos autuados, em observância aos princípios da garantia de defesa e da verdade material; a impossibilidade de enquadrar o Impugnante como responsável solidário, já que a responsabilidade pelo recolhimento do tributo foi assumida pela empresa contratada, esta na forma de licitação pública; a autuação indevida, por não lhe ter sido garantido o benefício de ordem, cobrando em primeiro lugar, da contribuinte propriamente dita, já que a redação do art. 30, inciso IV da Lei n. 8.212/91, até dezembro de 1997 não vedava sua aplicação; e a irregularidade na apuração do lançamento do crédito tributário. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento entendeu pela improcedência da impugnação apresentada, mantendo o crédito tributário exigido, o que gerou a interposição de Recurso Voluntário, ao qual foi negado provimento. Posteriormente, foi interposto Recurso Especial pela Contribuinte, no qual, acerca da divergência, a Recorrente sustenta que o Acórdão de Recurso Voluntário adotou entendimento divergente da 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF (acórdão n.º 2401003.200), merecendo, por isso, reanálise do tema: responsabilidade solidária de sociedade de economia mista na contratação de obra de construção civil. Foi realizado exame de admissibilidade, restando disposta a seguinte conclusão: Do exposto, verificase que foram atendidos os pressupostos de admissibilidade do recurso especial previstos nos arts. 67 e 68 do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343 de 09/06/2015, razão pela qual é de se DAR SEGUIMENTO ao pedido do recorrente para que seja reapreciada a seguinte matéria: responsabilidade solidária de sociedade de economia mista na contratação de obra de construção civil art. 30,VI da lei 8212/91. Cabe destacar que o acórdão paradigma trata de situação fática idêntica a dos autos, referindose ao mesmo tributo e à mesma parte (Banco do Brasil). No que se referem às razões de reforma do Acórdão vergastado, a Recorrente aduz, em síntese, que: Fl. 361DF CARF MF Processo nº 11080.722543/201035 Acórdão n.º 9202006.585 CSRFT2 Fl. 4 5 a) considerando que o lançamento objurgado não se refere a contratos formados por cessão de mãodeobra, mas sim, exclusivamente, para realização de obras de construção civil contratadas mediante empreitada, cujo conceito não se equipara a celebração de contratos mediante cessão de mãodeobra, há que se reconhecer a inexistência de responsabilidade solidária; b) com base no Parecer AGU n.º AC55/2006 e respaldado no entendimento deste Conselho (Súmula CARF n.º 66), resta indene de dúvida que a Administração Pública não responde solidariamente por créditos previdenciários de empresas contratadas para prestação de serviços de construção civil, como é exatamente o caso das contratações realizadas pelo Recorrente, sociedade de economia mista; c) deve ser promovido o cancelamento do crédito legal constituído, com o reconhecimento da nulidade da autuação. Foram apresentadas contrarrazões pela Procuradoria da Fazenda Nacional, nas quais expressamente restou consignada a concordância com a demonstração da divergência jurisprudencial apontada pela Recorrente, nos seguintes termos: O cotejo levado a cabo pela Recorrente permite constatar que efetivamente foi demonstrada a alegada divergência jurisprudencial: enquanto no caso do acórdão recorrido entendeuse que sociedade de economia mista responde solidariamente por contratação de obra de construção civil em razão do art. 30,VI da lei 8212/91, o paradigma decidiu em sentido contrário. Quanto às razões do improvimento do Recurso Especial interposto pelo contribuinte, a Procuradoria dispôs, em síntese: a) o alegado pelo contribuinte de que o próprio STJ confirma a não aplicabilidade da Responsabilidade Solidária em relação à sociedade de economia mista não procede para o caso em tela, eis que o citado acórdão do Superior Tribunal de Justiça trata da Responsabilidade Solidária prevista quando da contratação de serviços mediante cessão de mãodeobra (REsp 417.794RS, Relator Min. Luiz Fux. – 1ª Turma); b) não é possível aceitar os argumentos expostos no tópico anterior, uma vez que o lançamento de que trata este processo não é de responsabilidade solidária decorrente da execução de contrato de cessão de mão de obra, de acordo com o artigo 31 da Lei 8.212/1991, mas de responsabilidade solidária decorrente de serviços de construção civil, de acordo com o artigo 30, VI, da Lei 8.212/1991. Fazse necessário destacar que o Recurso Especial sob análise tratase de Paradigma, de modo que o resultado consignado no presente julgamento será aplicado aos demais processos com fundamento em idêntica questão de direito que foram distribuídos no mesmo lote, consoante o disposto no art. 47, § 1º e §2º, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), abaixo transcrito: Fl. 362DF CARF MF 6 Art. 47. Os processos serão sorteados eletronicamente às Turmas e destas, também eletronicamente, para os conselheiros, organizados em lotes, formados, preferencialmente, por processos conexos, decorrentes ou reflexos, de mesma matéria ou concentração temática, observandose a competência e a tramitação prevista no art. 46. § 1º Quando houver multiplicidade de recursos com fundamento em idêntica questão de direito, o Presidente de Turma para o qual os processos forem sorteados poderá sortear 1 (um) processo para definilo como paradigma, ficando os demais na carga da Turma. § 2º Quando o processo a que se refere o § 1º for sorteado e incluído em pauta, deverá haver indicação deste paradigma e, em nome do Presidente da Turma, dos demais processos aos quais será aplicado o mesmo resultado de julgamento. Portanto, aplicase ao presente a sistemática de recursos repetitivos prevista no Regimento Interno da Casa. É o relatório. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202006.580, de 20/03/2018, proferido no julgamento do processo 11080.722524/201017, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202006.580): Conheço do recurso, pois se encontra tempestivo e presentes os requisitos de admissibilidade. De conformidade com o narrado, a divergência objeto da controvérsia é a responsabilidade solidária da sociedade de economia mista na contratação de obra de construção civil. Sobre a aptidão da mencionada divergência suscitada pela Recorrente para fins de conhecimento do Recurso, houve concordância da Procuradoria da Fazenda Nacional. Apesar da referida concordância, a Procuradoria da Fazenda, durante a sustentação oral proferida, quando do início do julgamento do recurso sob análise, suscitou o seu não conhecimento. Não assiste razão à Fazenda Nacional, tendo em vista que restou configurada a divergência argüida, pois o acórdão paradigma Fl. 363DF CARF MF Processo nº 11080.722543/201035 Acórdão n.º 9202006.585 CSRFT2 Fl. 5 7 (n.º 2401003.200) trata de situação fática idêntica, mesmo tributo e mesma parte, inclusive (Banco do Brasil), em que foi aplicado entendimento jurídico diverso do posicionamento adotado pelo acórdão recorrido (sobre o art. 30, inciso VI, da Lei 8.212/91). Desse modo, assentou o colegiado pelo conhecimento do Recurso Especial interposto pela Contribuinte. No que se refere ao mérito do recurso, assevera a Recorrente que, com base no Parecer AGU n.º AC55/2006 e respaldado no entendimento deste Conselho (Súmula CARF n.º 66), resta indene de dúvida que a Administração Pública não responde solidariamente por créditos previdenciários de empresas contratadas para prestação de serviços de construção civil, como é exatamente o caso das contratações realizadas pelo Recorrente, sociedade de economia mista. Por outro lado, a PFN alega a impossibilidade de aceitação dos argumentos da Contribuinte, uma vez que o REsp 417.794RS citado no Recurso sob análise trata da responsabilidade solidária prevista quando da contratação de serviços mediante cessão de mãodeobra, de acordo com o art. 31 a Lei 8.212/91, não sendo o caso dos autos, que dispõe, na realidade, sobre a responsabilidade solidária decorrente de serviços de construção civil, de acordo com o art. 30, VI, da Lei 8.212/91. Assim, assevera a Procuradoria que: modificar o julgado importaria em violação ao referido dispositivo legal, o que não pode ser feito na via administrativa (Súmula n. 2 do CARF). Estabelecidos os contornos da controvérsia, impende discorrer sobre a natureza jurídica do Banco do Brasil S.A, que é uma entidade dotada de personalidade jurídica de direito privado, criada por lei para a exploração de atividade econômica, sob a forma de sociedade anônima, cujas ações com direito a voto pertencem em sua maioria à União, enquadrandose, nos termos do DecretoLei 200/1967, como sociedade de economia mista. Pleiteia a Recorrente a aplicação, ao presente caso, do Enunciado de Súmula CARF 66 abaixo transcrito: Súmula CARF nº 66: Os Órgãos da Administração Pública não respondem solidariamente por créditos previdenciários das empresas contratadas para prestação de serviços de construção civil, reforma e acréscimo, desde que a empresa construtora tenha assumido a responsabilidade direta e total pela obra ou repasse o contrato integralmente. Tendo em vista que, ao editar os enunciado de súmula, os tribunais devem aterse às circunstâncias fáticas dos precedentes que motivaram sua criação, nos termos do art. 926, § 2º, do CPC, para melhor avaliar a subsunção do presente caso ao disposto na Súmula CARF n.º 66, foi realizado o distinguishing entre o caso concreto analisado e os paradigmas que orientaram a formação da Súmula mencionada. Fl. 364DF CARF MF 8 Um dos paradigmas relevantes é o Acórdão n.º 20600.611, da Fundação Clóvis Salgado e Outros, que nega provimento a Recurso de Ofício em razão da inexistência de responsabilidade solidária na construção civil, conforme a ementa baixo transcrita: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/11/1997 a 31/07/1998 Ementa: RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA — CONSTRUÇÃO CIVIL — ÓRGÃO PÚBLICO — FUNDAMENTO LEGAL ART. 30, INCISO VI LEI 8.212/1991 —INEXISTÊNCIA. Diante do que prevê o artigo 71, § 2° da Lei n° 8.666/93, com a redação dada pela Lei n° 9.032/95, somente nas situações previstas no art. 31 da Lei n° 8.212/1991, a Administração passou a responder solidariamente com o contratado pelas contribuições previdenciárias por ele devidas. Recurso de Oficio Negado Convém salientar que a contribuinte no referido processo é uma Fundação Estadual pertencente à administração indireta, da mesma forma que a Recorrente (Sociedade de Economia Mista). Nesse contexto, pareceme que a Súmula 66 trata da Administração pública direta e indireta, mas, impropriamente, se utiliza da expressão "órgão público". Sobre a abrangência do conceito de órgão público, José dos Santos Carvalho Filho, esclarece: Enquanto a Administração Direta é composta de órgãos internos do Estado, a Administração indireta se compõe de pessoas jurídicas, também denominadas de entidades. De acordo com o art. 4º, II, do Decretolei n.º 200/1967, a Administração Indireta compreende as seguintes categorias de entidades, dotadas, como faz questão de consignar a lei, de personalidade jurídica própria: a) as autarquias; b) as empresas públicas; c) as sociedades de economia mista; e d) as fundações públicas. Considerando o paradigma utilizado para a formação da Súmula 66, a interpretação mais adequada é a de que o Enunciado trata da Administração pública como um todo, não apenas de órgão público; compartimento na estrutura estatal a que são cometidas funções determinadas, sendo integrado por agentes que, quando as executam, manifestam a própria vontade do Estado; alcançando as entidades da administração pública indireta. Portanto, considero perfeitamente aplicável o referido Enunciado, desde que a empresa construtora tenha assumido a responsabilidade direta e total pela obra ou repasse o contrato integralmente. O requisito citado não foi objeto de discussão nos autos, pois a controvérsia se instaurou de forma mais ampla, existência ou não de responsabilidade da SEM na Construção Civil. Fl. 365DF CARF MF Processo nº 11080.722543/201035 Acórdão n.º 9202006.585 CSRFT2 Fl. 6 9 Pelo fato de o Banco do Brasil tratarse de sociedade de economia mista, fazendo parte da Administração Pública Federal, ele está submetido ao regramento especial disposto Lei nº 8666/93: Art. 1º Esta Lei estabelece normas gerais sobre licitações e contratos administrativos pertinentes a obras, serviços, inclusive de publicidade, compras, alienações e locações no âmbito dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. (...). Parágrafo único. Subordinamse ao regime desta Lei, além dos órgãos da administração direta, os fundos especiais, as autarquias, as fundações públicas, as empresas públicas, as sociedades de economia mista e demais entidades controladas direta ou indiretamente pela União, Estados, Distrito Federal e Municípios. O citado diploma dispõe, em seu art. 71, que as responsabilidades pelos encargos decorrentes da execução dos contratos firmados com a Administração Pública deverão ser atribuídas apenas ao contratado, exceto nos casos em que a execução do contrato seja realizada mediante a cessão de mão deobra, assim vejamos: Art. 71. O contratado é responsável pelos encargos trabalhistas, previdenciários, fiscais e comerciais resultantes da execução do contrato. § 1º A inadimplência do contratado, com referência aos encargos trabalhistas, fiscais e comerciais não transfere à Administração Pública a responsabilidade por seu pagamento, nem poderá onerar o objeto do contrato ou restringir a regularização e o uso das obras e edificações, inclusive perante o Registro de Imóveis. (Redação dada pela Lei nº 9.032, de 1995) § 2° A Administração Pública responde solidariamente com o contratado pelos encargos previdenciários resultantes da execução do contrato, nos termos do art. 31 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 19911. (Redação dada pela Lei nº 9.032, de 1995). Assim, em razão de os contratos realizados com a Recorrente serem regidos pela Lei de Licitações, entendo cumprido o requisito previsto na Súmula em questão, em razão da natureza do contrato administrativo realizado a partir do procedimento licitatório, bem como diante da objeto social do Banco (operações bancárias ativas, passivas e acessórias, a prestação de serviços bancários, de intermediação e suprimento financeiro sob suas múltiplas formas e o exercício de quaisquer atividades facultadas às instituições integrantes do Sistema Financeiro Nacional). Conforme já identificado nos Fundamentos Legais do Débito, fls. 8 e 9, a responsabilidade solidária atribuída à Recorrente foi Fl. 366DF CARF MF 10 fundamentada no art. 30, inciso VI, da Lei 8.212/91, que assim dispõe: Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: VI o proprietário, o incorporador definido naLei nº 4.591, de 16 de dezembro de 1964, o dono da obra ou condômino da unidade imobiliária, qualquer que seja a forma de contratação da construção, reforma ou acréscimo, são solidários com o construtor, e estes com a subempreiteira, pelo cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social, ressalvado o seu direito regressivo contra o executor ou contratante da obra e admitida a retenção de importância a este devida para garantia do cumprimento dessas obrigações, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem;(...). Cumpre elucidar que a previsão trazida na Lei 8.666/93 tratase de norma especial que rege a responsabilidade dos entes da Administração Pública sobre encargos administrativos, devendo prevalecer sobre o art. 30, inciso VI, da Lei 8.212/91, que prescreve norma geral sobre responsabilidade solidária pelos débitos previdenciários decorrentes das obras de construção civil, independente de quem seja o contratante, o que se consubstancia na aplicação do princípio da especialidade, lex specialis derrogat generali. Vale destacar a aplicabilidade do Parecer AC nº 055/2006 da Advocacia Geral da União (AGU), aprovado pelo Presidente da República, também consolidando o entendimento de que a Administração Pública não poderá responder por créditos previdenciários devidos pela empresa contratada para prestação de serviços de construção civil, reforma ou acréscimo, nos termos do art. 30, VI da Lei 8.212/91, conforme ementa abaixo transcrita: PREVIDENCIÁRIO. ADMINISTRATIVO. CONTRATOS. OBRAS PÚBLICAS. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA E RETENÇÃO. DEFINIÇÃO. I Desde a Lei nº 5.890/73, até a edição do DecretoLei nº 2.300/86, a Administração Pública respondia pelas contribuições previdenciárias solidariamente com o construtor contratado para a execução de obras de construção, reforma ou acréscimo de imóvel, qualquer que fosse a forma da contratação. II Da edição do DecretoLei nº 2.300/86, até a vigência da Lei nº 9.032/95, a Administração Pública não respondia, nem solidariamente, pelos encargos previdenciários devidos pelo contratado, em qualquer hipótese. Precedentes do STJ. III A partir da Lei nº 9.032/95, até 31.01.1999 (Lei nº 9.711/98, art. 29), a Administração Pública passou a responder pelas contribuições previdenciárias solidariamente com o cedente de mãodeobra contratado para a execução de serviços de construção civil executados mediante cessão de mãodeobra, nos termos do artigo 31 da Lei nº 8.212/91 (Lei nº 8.666/93, art. Fl. 367DF CARF MF Processo nº 11080.722543/201035 Acórdão n.º 9202006.585 CSRFT2 Fl. 7 11 71, § 2º), não sendo responsável, porém, nos casos dos contratos referidos no artigo 30, VI da Lei nº 8.212/91 (contratação de construção, reforma ou acréscimo). IV Atualmente, a Administração Pública não responde, nem solidariamente, pelas obrigações para com a Seguridade Social devidas pelo construtor ou subempreiteira contratados para a realização de obras de construção, reforma ou acréscimo, qualquer que seja a forma de contratação, desde que não envolvam a cessão de mãodeobra, ou seja, desde que a empresa construtora assuma a responsabilidade direta e total pela obra ou repasse o contrato integralmente (Lei nº 8.212/91, art. 30, VI e Decreto nº 3.048/99, art. 220, § 1º c/c Lei nº 8.666/93, art. 71). V Desde 1º.02.1999 (Lei nº 9.711/98, art. 29), a Administração Pública contratante de serviços de construção civil executados mediante cessão de mãodeobra deve reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher a importância retida até o dia dois do mês subseqüente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, em nome da empresa contratada, cedente da mãodeobra (Lei nº 8.212/91, art. 31). Em virtude de a Advocacia Geral da União ter reconhecido, por meio de Parecer aprovado pelo Presidente da República, que a responsabilidade da Administração sobre as contribuições previdenciárias decorrentes dos contratos administrativos é restrita apenas aos casos de cessão de mãodeobra, tal entendimento deve ser seguido pelos órgãos da Administração, conforme determina o art. 40, §1º da Lei Complementar nº 73/93 abaixo transcrito: Art. 40. Os pareceres do Advogado Geral da União são por este submetidos à aprovação do Presidente da República. § 1º O parecer aprovado e publicado juntamente com o despacho presidencial vincula a Administração Federal, cujos órgãos e entidades ficam obrigados a lhe dar fiel cumprimento. Considerando que a matéria recorrida não se refere à execução de contratos mediante cessão de mãodeobra, concluise que, no presente caso, não há que se falar em responsabilidade solidária da Contribuinte pelos débitos previdenciários decorrentes de obras de construção civil, fundamentada no art. 30, inciso VI da Lei 8.212/12. Ademais, acerca dos argumentos da Procuradoria, tornase imperioso elucidar que a Recorrida centraliza suas contrarrazões na impossibilidade de aceitação dos argumentos da Contribuinte, uma vez que o REsp 417.794RS não seria aplicável ao caso, contudo a Recorrente não faz menção ao julgado citado, de modo que rejeito as sintéticas argumentações da Fazenda. Fl. 368DF CARF MF 12 Diante do exposto, voto por conhecer do recurso especial interposto pela Contribuinte e, no mérito, darlhe provimento. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, nos termos dos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, voto em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar lhe provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 369DF CARF MF
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