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Numero do processo: 10640.721035/2009-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 28 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Thu Sep 03 00:00:00 UTC 2020
Numero da decisão: 3402-002.594
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator.
(documento assinado digitalmente)
Rodrigo Mineiro Fernandes Presidente e relator
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sa Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos, Silvio Rennan do Nascimento Almeida, Renata da Silveira Bilhim, Thais de Laurentiis Galkowicz, Rodrigo Mineiro Fernandes (Presidente).
Nome do relator: RODRIGO MINEIRO FERNANDES
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. (documento assinado digitalmente) Rodrigo Mineiro Fernandes – Presidente e relator Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sa Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos, Silvio Rennan do Nascimento Almeida, Renata da Silveira Bilhim, Thais de Laurentiis Galkowicz, Rodrigo Mineiro Fernandes (Presidente). Relatório Trata o presente processo de PER relativo a créditos de PIS/COFINS (Mercado Externo – exportação). Posteriormente, foram transmitidos DCOMPs vinculadas ao referido PER, cujos débitos se encontram controlados no processo apensado. A DRF Juiz de Fora emitiu despacho decisório reconhecendo parcialmente o direito creditório pleiteado, homologando parcialmente as compensações constantes das DCOMPs vinculadas, autorizando o ressarcimento de eventual saldo credor, após efetuar as compensações vinculadas ao referido crédito. A fiscalização da DRF Juiz de Fora glosou parte dos créditos pleiteados, aplicando o conceito restritivo de insumo conforme determinava as INs SRF 247/2002 e 404/2004. Inconformada com as glosas efetuadas pela fiscalização, a empresa apresentou sua manifestação de inconformidade, com cópias das notas fiscais que, segundo seu entendimento, dariam respaldo aos créditos contabilizados. Por meio de despacho, a DRJ de Juiz de Fora determinou a realização de diligência para a autoridade preparadora, “para com base: nas notas fiscais, anexadas à RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 40 .7 21 03 5/ 20 09 -4 1 Fl. 547DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 da Resolução n.º 3402-002.594 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10640.721035/2009-41 manifestação de inconformidade, nos registros da empresa, em suas instalações físicas e ainda na atividade por ela realizada, identificar as notas fiscais que efetivamente geram crédito de PIS/Cofins, elaborando demonstrativo com os valores que, porventura, venham a ser reconhecidos”. A Seção de Fiscalização da DRF Juiz de Fora elaborou informação fiscal onde justifica, de forma detalhada, a manutenção integral das glosas realizadas. A interessada apresentou razões adicionais de defesa, contestando as alegações fiscais. A 2ª Turma da DRJ Juiz de Fora julgou parcialmente procedente a manifestação de inconformidade interposta e reconheceu parcialmente o direito creditório. Devidamente cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, alegando a existência de seu direito creditório decorrente da aplicação equivocada do conceito de insumo por parte da RFB e da DRJ e a necessidade de trabalhos adicionais por parte da RFB para apurar seu direito creditório. Apresenta demonstrativos e esclarecimentos adicionais e contesta o resultado da diligência determinada pela DRJ e o acórdão recorrido. O processo foi encaminhado a este Conselho e posteriormente distribuído a este Relator, mediante sorteio. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes, Relator. Ao examinar os argumentos trazidos pela Recorrente, em cotejo com as alegações da Autoridade Fiscal, entendo que é necessário converter o julgamento em diligência com vistas a aclarar a situação que passo a descrever. A questão devolvida a este colegiado cinge-se sobre o conceito de insumo para fins de creditamento das contribuições de PIS e COFINS, cujo reflexo poderia alterar o direito creditório da Recorrente e o Despacho Decisório que homologou apenas parcialmente as compensações pleiteadas. Especificamente, trata-se das seguintes glosas efetuadas pela autoridade fiscal (motivos das glosas-MG): 1. Motivo de glosa 1 (MG1): dispêndios anteriores à produção 2. Motivo de glosa 2 (MG2): energia elétrica própria 3. Motivo de glosa 3 (MG3): dispêndios posteriores à produção aterro – barragem de rejeitos – ETE 4. Motivo de glosa 4 (MG4): locação (terceirização) de mão-de-obra 5. Motivo de glosa 5 (MG5): itens não especificados 6. Motivo de glosa 6 (MG6): despesas portuárias diversas 7. Motivo de glosa 7 (MG7): análises laboratoriais diversas 8. Motivo de glosa 8 (MG8): instrumentos de medição 9. Motivo de glosa 9 (MG9): dispêndios indiretos 10. Motivo de glosa 10 (MG10): transporte e locação 11. Motivo de glosa 11 (MG11): serviços nas instalações 12. Motivo de glosa 12 (MG12): serviços em máquinas e equipamentos Fl. 548DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 da Resolução n.º 3402-002.594 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10640.721035/2009-41 No presente processo, não há notas fiscais relacionadas ao motivo de glosa: MG6. A recorrente alega que a diligência determinada pela DRJ, quando cumprida, analisou apenas as NF’s que estavam anexadas aos autos e não consideraram os demais registros contábeis, fiscais e comerciais da empresa. Dessa forma, não teria atendido ao determinado pelo órgão julgador e não teria alcançado o objetivo de verificar a adequação do dispêndio ao conceito de insumo. A parte alega, também, o poder de autotutela da Administração Pública em rever seus próprios atos e na possibilidade de afastamento da restrição contida na aplicação do disposto na IN 404. Tal questão efetivamente merece ser apreciada devido à nova interpretação dada pela própria administração tributária do conceito de insumo contida na IN RFB 1911/2019, que trouxe profundas modificações daquela aplicada na análise ora revista, que foi determinada a partir do julgamento do Resp 1.221.170/PR pelo STJ, que estabeleceu conceito de insumo tomando como diretrizes os critérios da essencialidade e/ou relevância. Transcrevo a ementa do julgado: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃO- CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. DEFINIÇÃO ADMINISTRATIVA PELAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS 247/2002 E 404/2004, DA SRF, QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E DESVIRTUADOR DO SEU ALCANCE LEGAL. DESCABIMENTO. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESTA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO DO ART. 543C DO CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015). 1. Para efeito do creditamento relativo às contribuições denominadas PIS e COFINS, a definição restritiva da compreensão de insumo, proposta na IN 247/2002 e na IN 404/2004, ambas da SRF, efetivamente desrespeita o comando contido no art. 3o., II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que contém rol exemplificativo. 2. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. 3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente conhecido e, nesta extensão, parcialmente provido, para determinar o retorno dos autos à instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos relativos a custo e despesas com: água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individual-EPI. 4. Sob o rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentam-se as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de não-cumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de terminado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte. Fl. 549DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 da Resolução n.º 3402-002.594 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10640.721035/2009-41 Destaca-se o voto da Ministra Regina Helena Costa, que considerou os seguintes conceitos de essencialidade ou relevância da despesa, que deve ser seguido por este Conselho: Essencialidade – considera-se o item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço, constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço, ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência; Relevância - considerada como critério definidor de insumo, é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja pelas singularidades de cada cadeia produtiva (v.g., o papel da água na fabricação de fogos de artifício difere daquele desempenhado na agroindústria), seja por imposição legal (v.g., equipamento de proteção individual EPI), distanciando- se, nessa medida, da acepção de pertinência, caracterizada, nos termos propostos, pelo emprego da aquisição na produção ou na execução do serviço. Dessa forma, considerando que a análise efetuada pela autoridade fiscal baseou-se nos termos determinados pelas INs SRF 247/2002 e 404/2004, e não considerou a essencialidade e relevância dos itens no processo produtivo da Recorrente, entendo que a situação fática deve ser aclarada pela unidade de origem, considerando a nova interpretação determinada pelo STJ acerca do conceito de insumo para fins de creditamento de PIS e COFINS, e o entendimento da RFB dado pelo Parecer Normativo Cosit n º 5, de 17 de dezembro de 2018 e pela IN RFB 1911/2019. A recorrente, da mesma forma como fez em sua manifestação de inconformidade, classificou os itens das notas fiscais glosadas, complementando as informações das notas fiscais com as informações dos registros comerciais da empresa, elaborando um anexo para cada tipo legal de possível direito creditório, que deve ser apreciado pela unidade de origem à luz do novo conceito de insumo. Destaca-se que a comprovação da existência dos alegados créditos do contribuinte somente pode ser efetuada com base na análise da documentação apresentada (nota fiscal), devidamente lastreada por sua escrita contábil e fiscal. Tal atribuição compete aos ocupantes do cargo de Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil. Como é cediço, cabe transcrever o art. 6º da Lei nº 10.593, de 2002 (com redação dada pelo art. 9º da Lei nº 11.457, 2007), que define que a constituição do crédito tributário mediante lançamento é atribuição privativa dos ocupantes do cargo de Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil, in verbis: Art. 6º São atribuições dos ocupantes do cargo de Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil: (Redação dada pela Lei nº 11.457, de 2007) I - no exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil e em caráter privativo: (Redação dada pela Lei nº 11.457, de 2007) a) constituir, mediante lançamento, o crédito tributário e de contribuições; (Redação dada pela Lei nº 11.457, de 2007) Fl. 550DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 da Resolução n.º 3402-002.594 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10640.721035/2009-41 b) elaborar e proferir decisões ou delas participar em processo administrativo fiscal, bem como em processos de consulta, restituição ou compensação de tributos e contribuições e de reconhecimento de benefícios fiscais; (Redação dada pela Lei nº 11.457, de 2007) c) executar procedimentos de fiscalização, praticando os atos definidos na legislação específica, inclusive os relacionados com o controle aduaneiro, apreensão de mercadorias, livros, documentos, materiais, equipamentos e assemelhados; (Redação dada pela Lei nº 11.457, de 2007) d) examinar a contabilidade de sociedades empresariais, empresários, órgãos, entidades, fundos e demais contribuintes, não se lhes aplicando as restrições previstas nos arts. 1.190 a 1.192 do Código Civil e observado o disposto no art. 1.193 do mesmo diploma legal; (Redação dada pela Lei nº 11.457, de 2007) Diante disso, com fundamento nos artigos 18 e 29 do Decreto nº 70.235/1972, voto por converter o julgamento do recurso voluntário em diligência à repartição de origem para a adoção das seguintes providências: (i) reavaliar as glosas efetuadas dentro do conceito restritivo de insumo, à luz do novo conceito de insumo determinado pelo STJ de relevância e essencialidade e Parecer Normativo Cosit n º 5, de 17 de dezembro de 2018, com base na totalidade das notas fiscais, nos demonstrativos complementares apresentados (inclusive planilhas, em caso de insuficiência de informações nas notas fiscais), nos registros contábeis e fiscais da empresa, e em seu processo produtivo, elaborando um novo parecer e um novo demonstrativo analítico do direito creditório requerido, por centro de custo, e o motivo da glosa; (ii) reavaliar as glosas das notas fiscais relacionadas nas planilhas anexadas ao recurso voluntário, que foram classificadas pela natureza do direito creditório, considerando as informações complementares apresentadas pela recorrente, com base em seus registros contábeis e fiscais, e em seu processo produtivo: a. planilha de fl. 500 - benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros utilizados na atividade da empresa; b. planilha de fl. 501 - locação de máquinas e equipamentos; c. planilha de fl.502 – dispêndios relacionados à exportação; d. planilha de fls.503-504 – serviços de manutenção de máquinas e equipamentos do setor produtivo; e. planilha de fl.505 – serviços utilizados como insumos. (iii) informar se houve a adesão da recorrente ao Programa Especial de Regularização Tributária – PERT e a desistência prévia do recurso administrativo em análise. Fl. 551DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 da Resolução n.º 3402-002.594 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10640.721035/2009-41 Encerrada a instrução processual a Interessada deverá ser intimada para manifestar-se no prazo de 30 (trinta) dias, conforme art. 35, parágrafo único, do Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011. Concluída a diligência, os autos deverão retornar a este Colegiado para que se dê prosseguimento ao julgamento. É a resolução. (assinado com certificado digital) Rodrigo Mineiro Fernandes Fl. 552DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 11516.002614/2006-36
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 05 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Mon Sep 14 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL (ITR)
Exercício: 2002
ITR. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ISENÇÃO. APRESENTAÇÃO TEMPESTIVA DO ADA. OBRIGATORIEDADE.
O benefício da redução da base de cálculo do ITR em face da APP está condicionado à apresentação tempestiva do ADA.
Numero da decisão: 2402-008.797
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Rafael Mazzer de Oliveira Ramos - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira (Presidente), Márcio Augusto Sekeff Sallem, Gregório Rechmann Júnior, Francisco Ibiapino Luz, Ana Claudia Borges de Oliveira, Marcelo Rocha Paura (suplente convocado), Renata Toratti Cassini, Rafael Mazzer de Oliveira Ramos e Sara Maria de Almeida Carneiro Silva (suplente convocado para eventuais participações). Ausente o conselheiro Luís Henrique Dias Lima, substituído pelo conselheiro Marcelo Rocha Paura.
Nome do relator: RAFAEL MAZZER DE OLIVEIRA RAMOS
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira - Presidente (documento assinado digitalmente) Rafael Mazzer de Oliveira Ramos - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira (Presidente), Márcio Augusto Sekeff Sallem, Gregório Rechmann Júnior, Francisco Ibiapino Luz, Ana Claudia Borges de Oliveira, Marcelo Rocha Paura (suplente convocado), Renata Toratti Cassini, Rafael Mazzer de Oliveira Ramos e Sara Maria de Almeida Carneiro Silva (suplente convocado para eventuais participações). Ausente o conselheiro Luís Henrique Dias Lima, substituído pelo conselheiro Marcelo Rocha Paura.
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ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ISENÇÃO. APRESENTAÇÃO TEMPESTIVA DO ADA. OBRIGATORIEDADE. O benefício da redução da base de cálculo do ITR em face da APP está condicionado à apresentação tempestiva do ADA. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira - Presidente (documento assinado digitalmente) Rafael Mazzer de Oliveira Ramos - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira (Presidente), Márcio Augusto Sekeff Sallem, Gregório Rechmann Júnior, Francisco Ibiapino Luz, Ana Claudia Borges de Oliveira, Marcelo Rocha Paura (suplente convocado), Renata Toratti Cassini, Rafael Mazzer de Oliveira Ramos e Sara Maria de Almeida Carneiro Silva (suplente convocado para eventuais participações). Ausente o conselheiro Luís Henrique Dias Lima, substituído pelo conselheiro Marcelo Rocha Paura. Relatório Iniciou-se em agosto de 2006 a partir da Revisão Interna nº 09.2.01.00-2006- 00366-3 (fl. 2) referente ao ano-calendário de 2002. Com o Termo de Intimação Fiscal (fl. 09), o Contribuinte Recorrente foi intimado para apresentar: - Carteira de identidade do contribuinte/responsável; AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 26 14 /2 00 6- 36 Fl. 83DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2402-008.797 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11516.002614/2006-36 - CPF do contribuinte/responsável; - Certidão ou matrícula atualizada do registro imobiliário; - Apresentar cópia do Ato Declaratório Ambiental (ADA), requerido junto ao Ibama, dentro do prazo, para justificar a isenção das áreas de preservação permanente e/ou utilização limitada, conforme art. 17 da IN nº 60/2001 e Decreto nº 4.382 de 19/09/2002. - Comprovar o cálculo do valor da terra nua - VTN, apresentando Laudo Técnico de avaliação, acompanhado da anotação de responsabilidade técnica - ART, devidamente registrada no Crea, efetuado por perito (engenheiro civil, agrônomo ou florestal), com os requisitos da NBR 8799 da Associação Brasileira de Normas Técnicas - ABNT, demonstrando os métodos de avaliação e as fontes pesquisadas que levaram à convicção do valor atribuído ao imóvel, em 1º de janeiro de 2002, ou; - Avaliação efetuada pelas Fazendas Públicas Estaduais (Exatorias) ou Municipais, assim como aquelas efetuadas pela Emater, desde que observem os requisitos mencionados no item anterior. Intimado em 18/04/2006 (AR de fl. 10), o Contribuinte permaneceu inerte. Diante da situação, foi lavrado o auto de infração (fls. 16-21) e Termo de Ação Fiscal e de Encerramento de Ação Fiscal (fls. 22-23), contra o Contribuinte que, intimado, apresentou impugnação (fls. 26-28) e documentos (fls. 29-51). A 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande (DRJ/CGE), por unanimidade, julgou improcedente a impugnação, conforme ementa do acórdão nº 04-15.815 (fls. 62-64): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR Exercício: 2002 ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. Por expressa determinação legal, as áreas de preservação permanente para efeito de exclusão da tributação do ITR devem ser tempestivamente declaradas ao órgão ambiental IBAMA através de requerimento do ADA - Ato Declaratório Ambiental. Lançamento Procedente Intimado em 23/06/2009 (AR de fl. 67), o Contribuinte interpôs recurso voluntário (fls. 68-71), no qual protestou pela reforma da decisão. Sem contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Rafael Mazzer de Oliveira Ramos, Relator. Fl. 84DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2402-008.797 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11516.002614/2006-36 Da Admissibilidade do Recurso Voluntário O recurso voluntário (fls. 68-71) é tempestivo e atende os demais requisitos de admissibilidade. Assim, será conhecido. Do Mérito Da Área de Preservação Permanente A respeito do ADA, entendemos que, nos termos da lei, mais precisamente, do artigo 17-O, caput e § 1º, introduzido na Lei nº 6.938/81 pela Lei nº 10.165/00, ele é meio de prova do direito à isenção do ITR relativamente a determinadas áreas, mas não exclusivo. Com efeito, dispõe o aludido dispositivo legal: Art. 17-O. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural — ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental — ADA, deverão recolher ao Ibama a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei nº 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria. (...) § 1º A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória. (destaquei) Sabendo-se que não apenas por regras de hermenêutica e interpretação das normas jurídicas, mas por imperativo legal 1 , o sentido de um parágrafo deve ser buscado à luz do que está disposto no caput do artigo, pois por meio do parágrafo, ou se expressam os aspectos complementares à norma enunciada no caput ou as exceções à regra por este estabelecida, a leitura do § 1º, acima transcrito, não pode ser feita de forma isolada. Desse modo, da leitura em conjunto do caput e do §1º do artigo 17-O, da Lei nº Lei nº 6.938/81, alterada pela Lei nº 10.165/00, verifica-se que o dispositivo prevê a obrigatoriedade da utilização do ADA para fins de redução do valor do ITR a pagar apenas nas hipóteses em que o benefício da isenção ocorra com base no ADA. Por outro lado, a exclusão de áreas ambientais da base de incidência do ITR cuja existência decorra de outras hipóteses, como diretamente da lei, por exemplo, não pode ser entendida como uma redução do tributo “com base em Ato Declaratório Ambiental – ADA”, nem pode ser condicionada à apresentação desse documento. A finalidade principal do ADA foi a instituição de Taxa de Vistoria que deve ser paga sempre que o proprietário rural se beneficiar da redução do ITR com base nesse documento, mas não tem o condão de definir áreas ambientais, disciplinar as condições de reconhecimento dessas áreas, nem de criar obrigações tributárias acessórias ou regular procedimentos de apuração do tributo. Assim, a apresentação do ADA não pode ser condição indispensável para a exclusão das áreas de preservação permanente e de reserva legal de que tratam os art. 2º e 16 da Lei nº 4.771/65 da base de cálculo do ITR se sua existência está demonstrada por outros elementos. 1 Art. 11, III, "c", da LC 95/98. Fl. 85DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 2402-008.797 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11516.002614/2006-36 Também no sentido da desnecessidade de Ato Declaratório Ambiental para a comprovação das áreas de preservação permanente é a jurisprudência consolidada do Superior Tribunal de Justiça, conforme julgados abaixo, citados apenas ilustrativamente, dentre vários outros: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL. IMPOSTO TERRITORIAL RURAL. PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ISENÇÃO. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. INEXIGIBILIDADE. SÚMULA 83 DO STJ. 1. A Corte de origem, ao decidir pela prescindibilidade da Declaração Ambiental do Ibama ou de averbação para a configuração da isenção do ITR, em área de preservação permanente, acompanhou a jurisprudência consolidada pelo STJ. Incidência da Súmula 83 do STJ. 2. Recurso Especial não provido. 2 TRIBUTÁRIO. ITR. ISENÇÃO. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA). PRESCINDIBILIDADE. PRECEDENTES. ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO NA MATRÍCULA DO IMÓVEL. NECESSIDADE. SÚMULA 7 DO STJ. RECURSO ESPECIAL NÃO PROVIDO. 1. A jurisprudência do STJ firmou-se no sentido de que "é desnecessário apresentar o Ato Declaratório Ambiental - ADA para que se reconheça o direito à isenção do ITR, mormente quando essa exigência estava prevista apenas em instrução normativa da Receita Federal (IN SRF 67/97)" (AgRg no REsp 1.310.972/RS, Rel. Min. Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 5/6/2012, DJe 15/6/2012). 2. Quando se trata de "área de reserva legal", as Turmas da Primeira Seção firmaram entendimento de que é imprescindível a averbação da referida área na matrícula do imóvel para o gozo do benefício isencional vinculado ao ITR. 3. Concluir que se trata de área de preservação permanente, e não de área de reserva legal, não é possível, uma vez que a fase de análise de provas pertence às instâncias ordinárias, pois, examinar em Recurso Especial matérias fático-probatórias encontra óbice da Súmula 7 desta Corte. 4. Recurso Especial não provido. 3 Transcrevo, ainda, trecho de decisão monocrática proferida pela Min. Regina Helena Costa no mesmo sentido, na qual são relacionados diversos julgados que embasam o entendimento aqui adotado e revelam a jurisprudência consolidada daquele tribunal a respeito do tema: (...) Sobre o tema, as Turmas que compõem a Seção de Direito Público do STJ firmaram a compreensão de que a área de preservação permanente, definida por lei, dispensa a prévia comprovação da sua averbação na matrícula do imóvel ou a existência de ato declaratório do Ibama, para efeito de isenção do Imposto Territorial Rural (ITR). Nesse sentido: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. NÃO OCORRÊNCIA. ITR. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DA ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. DESNECESSIDADE DE AVERBAÇÃO OU DE ATO DECLARATÓRIO DO IBAMA. INCLUSÃO DA ÁREA DE RESERVA LEGAL ANTE A AUSÊNCIA DE AVERBAÇÃO. 2 REsp nº 1648391/MS, rel. Min.Herman Benjamin, T2, v.u., j. 14/03/17, DJe 20/04/17 3 REsp 1668718/SE, rel. Min. Herman Benjamin, T2, v. u, j. 17/08/17, DJe 13/09/17. Fl. 86DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 2402-008.797 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11516.002614/2006-36 1. Não viola o art. 535 do CPC, tampouco nega a prestação jurisdicional, o acórdão que adota fundamentação suficiente para decidir de modo integral a controvérsia. 2. O art. 2º do Código Florestal prevê que as áreas de preservação permanente assim o são por simples disposição legal, independente de qualquer ato do Poder Executivo ou do proprietário para sua caracterização. Assim, há óbice legal à incidência do tributo sobre áreas de preservação permanente, sendo inexigível a prévia comprovação da averbação destas na matrícula do imóvel ou a existência de ato declaratório do IBAMA (o qual, no presente caso, ocorreu em 24/11/2003). 3. Ademais, a orientação das Turmas que integram a Primeira Seção desta Corte firmou- se no sentido de que "o Imposto Territorial Rural - ITR é tributo sujeito a lançamento por homologação que, nos termos da Lei 9.393/1996, permite a exclusão da sua base de cálculo de área de preservação permanente, sem necessidade de Ato Declaratório Ambiental do IBAMA" (REsp 665.123/PR, Segunda Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, DJ de 5.2.2007). 4. Ao contrario da área de preservação permanente, para a área de reserva legal a legislação traz a obrigatoriedade de averbação na matrícula do imóvel. Tal exigência se faz necessária para comprovar a área de preservação destinada à reserva legal. Assim, somente com a averbação da área de reserva legal na matricula do imóvel é que se poderia saber, com certeza, qual parte do imóvel deveria receber a proteção do art. 16, § 8º, do Código Florestal, o que não aconteceu no caso em análise. 5. Recurso especial parcialmente provido, para anular o acórdão recorrido e restabelecer a sentença de Primeiro Grau de fls. 139-145, inclusive quanto aos ônus sucumbenciais. (REsp 1125632/PR, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 20/08/2009, DJe 31/08/2009). TRIBUTÁRIO. ADMINISTRATIVO. SÚMULA N. 283/STF. INOVAÇÃO RECURSAL. PRECLUSÃO CONSUMATIVA. INAPLICABILIDADE DO ÓBICE SUMULAR. DEVIDA IMPUGNAÇÃO DAS RAZÕES DO ACÓRDÃO. ITR. ISENÇÃO. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. AVERBAÇÃO NA MATRÍCULA DO IMÓVEL. DESNECESSIDADE. ÁREA DE RESERVA LEGAL. AUMENTO VOLUNTÁRIO. POSSIBILIDADE. AVERBAÇÃO PARA FINS DE GOZO DA ISENÇÃO. NECESSIDADE. PRECEDENTES. 1. A alegação da agravante quanto à inviabilidade de conhecimento do apelo nobre em decorrência de incidência da Súmula n. 283/STF reveste-se de inovação recursal, porquanto, em nenhum momento, foi suscitada nas contrarrazões do recurso especial, configurando manobra amplamente rechaçada pela jurisprudência desta Corte, pois implica reconhecimento da preclusão consumativa. 2. Ademais, inaplicável o óbice apontado. Primeiro, porque "o exame de mérito do apelo nobre já traduz o entendimento de que foram atendidos os requisitos extrínsecos e intrínsecos de sua admissibilidade, inexistindo necessidade de pronunciamento explícito a esse respeito" (EDcl no REsp 705.148/PR, Rel. Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, QUARTA TURMA, julgado em 05/04/2011, DJe 12/04/2011). Segundo porque o recurso tratou de impugnar todos os fundamentos do acórdão, deixando claro a tese recursal no sentido de que a isenção de ITR depende de averbação da Área de Preservação Permanente e Área de Reserva Legal no registro de imóvel, bem como suscitou a inviabilidade de aumentar a Área de Reserva Legal por ato voluntário do contribuinte. 3. A Área de Preservação Permanente não necessita estar averbada no registro do imóvel para gozar da isenção do ITR, exigência esta obrigatória apenas para a Área de Reserva Legal, inclusive aquela majorada por ato espontâneo do proprietário do imóvel rural. 4. O § 7º do art. 10 da Lei n. 9.393/96 (incluído pela MP 2.166/2001) apenas legitima ao contribuinte a declaração, sponte sua, do que entende devido a título de ITR, sem Fl. 87DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 2402-008.797 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11516.002614/2006-36 revogar as exigências prevista no art. 16 c/c o art. 44 da Lei n. 4.771/1965, que impõem a averbação da Reserva Legal à margem da matrícula do imóvel, cuja ausência inviabiliza o gozo do benefício fiscal e, consequentemente, a glosa do valor declarado. Agravo regimental improvido. (AgRg no REsp 1429300/SC, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 16/06/2015, DJe 25/06/2015, destaques meus). In casu, o acórdão recorrido adotou entendimento pacífico desta Corte Superior acerca da mesma questão jurídica de modo que o Recurso Especial não merece prosperar pela incidência da Súmula n. 83 do STJ. (...). No presente caso, o Recorrente trouxe aos autos ADA de 2008 intempestivo (fl. 72), com área de APP diferente da declarada no exercício em exame, e não trouxe laudo técnico elaborado por engenheiro certificado no CREA, acompanhado da correlata Anotação de Responsabilidade Técnica, que atestaria a existência, no imóvel, de área de preservação permanente. Desse modo, diante de todo o exposto, entendo insuficientemente comprovada a existência no imóvel da mencionada área de preservação permanente, mantendo-se o lançamento, neste caso. Conclusão Face ao exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Rafael Mazzer de Oliveira Ramos Fl. 88DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 11516.003917/2008-38
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 11 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Fri Aug 28 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE (IRRF)
Exercício: 2005
PRELIMINAR DE NULIDADE. VIOLAÇÃO AO PRINCÍPIO DA DURAÇÃO RAZOÁVEL DO PROCESSO. INAPLICABILIDADE
O princípio da duração razoável do processo não se aplica ao procedimento de fiscalização, especialmente quando o contribuinte deu causa às prorrogações que retardaram a conclusão do procedimento. Apesar do tempo transcorrido desde a atuação até a decisão definitiva do processo contencioso, não cabe a aplicação do princípio da duração razoável do processo administrativo tributário, pois este possui o mesmo resultado da prescrição intercorrente, incabível no PAF. Inteligência da súmula CARF nº 11
PAGAMENTO DE DESPESAS. BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. CAUSA INJUSTIFICADA
À luz do princípio da verdade material, a simples juntada de recibos, desacompanhados de notas fiscais ou contratos, não é suficiente para comprovar a regularidade do pagamento de despesa do sócio realizada com cheques emitidos pela empresa.
Numero da decisão: 1302-004.693
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade, votando pelas conclusões do relator os conselheiros Paulo Henrique Silva Figueiredo, Gustavo Guimarães da Fonseca, Andreia Lucia Machado Mourão e Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator.
(documento assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Cleucio Santos Nunes - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Henrique Silva Figueiredo, Gustavo Guimarães da Fonseca, Ricardo Marozzi Gregório, Flávio Machado Vilhena Dias, Andréia Lúcia Machado Mourão, Cleucio Santos Nunes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça (Suplente convocada) e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: CLEUCIO SANTOS NUNES
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE (IRRF) Exercício: 2005 PRELIMINAR DE NULIDADE. VIOLAÇÃO AO PRINCÍPIO DA DURAÇÃO RAZOÁVEL DO PROCESSO. INAPLICABILIDADE O princípio da duração razoável do processo não se aplica ao procedimento de fiscalização, especialmente quando o contribuinte deu causa às prorrogações que retardaram a conclusão do procedimento. Apesar do tempo transcorrido desde a atuação até a decisão definitiva do processo contencioso, não cabe a aplicação do princípio da duração razoável do processo administrativo tributário, pois este possui o mesmo resultado da prescrição intercorrente, incabível no PAF. Inteligência da súmula CARF nº 11 PAGAMENTO DE DESPESAS. BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. CAUSA INJUSTIFICADA À luz do princípio da verdade material, a simples juntada de recibos, desacompanhados de notas fiscais ou contratos, não é suficiente para comprovar a regularidade do pagamento de despesa do sócio realizada com cheques emitidos pela empresa.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade, votando pelas conclusões do relator os conselheiros Paulo Henrique Silva Figueiredo, Gustavo Guimarães da Fonseca, Andreia Lucia Machado Mourão e Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (documento assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente (documento assinado digitalmente) Cleucio Santos Nunes - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Henrique Silva Figueiredo, Gustavo Guimarães da Fonseca, Ricardo Marozzi Gregório, Flávio Machado Vilhena Dias, Andréia Lúcia Machado Mourão, Cleucio Santos Nunes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça (Suplente convocada) e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
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VIOLAÇÃO AO PRINCÍPIO DA DURAÇÃO RAZOÁVEL DO PROCESSO. INAPLICABILIDADE O princípio da duração razoável do processo não se aplica ao procedimento de fiscalização, especialmente quando o contribuinte deu causa às prorrogações que retardaram a conclusão do procedimento. Apesar do tempo transcorrido desde a atuação até a decisão definitiva do processo contencioso, não cabe a aplicação do princípio da duração razoável do processo administrativo tributário, pois este possui o mesmo resultado da prescrição intercorrente, incabível no PAF. Inteligência da súmula CARF nº 11 PAGAMENTO DE DESPESAS. BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. CAUSA INJUSTIFICADA À luz do princípio da verdade material, a simples juntada de recibos, desacompanhados de notas fiscais ou contratos, não é suficiente para comprovar a regularidade do pagamento de despesa do sócio realizada com cheques emitidos pela empresa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade, votando pelas conclusões do relator os conselheiros Paulo Henrique Silva Figueiredo, Gustavo Guimarães da Fonseca, Andreia Lucia Machado Mourão e Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (documento assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente (documento assinado digitalmente) Cleucio Santos Nunes - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Henrique Silva Figueiredo, Gustavo Guimarães da Fonseca, Ricardo Marozzi Gregório, Flávio Machado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 39 17 /2 00 8- 38 Fl. 166DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 1302-004.693 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11516.003917/2008-38 Vilhena Dias, Andréia Lúcia Machado Mourão, Cleucio Santos Nunes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça (Suplente convocada) e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório Trata-se de recurso voluntário interposto contra decisão da 3ª Turma da DRJ/FNS que julgou improcedente impugnação apresentada pela contribuinte. Em síntese, o caso versa sobre autuação levada a efeito contra a empresa acima, em que sustenta a fiscalização o pagamento de despesas sem a comprovação da respectiva causa pela pessoa jurídica. Tal situação conduziu à incidência de IRF nos termos do art. 61 da Lei nº 8.981, de 1995 e do art. 674 do RIR/1999. Além da obrigação principal, a hipótese em questão ensejou a aplicação da multa de oficio de 75%, na forma do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. Notificada da autuação, a empresa impugnou o lançamento, sustentando preliminarmente, a nulidade do Auto de Infração por extrapolação do prazo para sua conclusão, previsto no art. 7º do Decreto nº 70.235, de 1972. No mérito, alegou que os beneficiários dos pagamentos realizados estão devidamente identificados, assim como as respectivas causas. Argumenta também que não se aplica ao caso a multa de 75%, por não existir nenhuma irregularidade na operação, quando muito algumas falhas nos lançamentos contábeis, o que justificaria a redução da multa de 75% para multa de mora de 20%. No mais, postula a improcedência da autuação fiscal. A DRJ/FNS decidiu pela improcedência da impugnação, afastando a preliminar de nulidade, pois, no caso, os dispositivos invocados pela impugnante não teriam aplicação sobre o caso concreto (parágrafo único do art. 16 da Portaria SRF nº 1.265, de 1999). Isso porque, o caso dos autos tratava de prorrogação das diligências fiscais e não de extinção do MPF, o que, neste caso, ensejaria a substituição da autoridade fiscal. Para refutar o argumento da contribuinte a DRJ sustentou que os arts. 12 e 13 da Portaria RFB nº 4.066, de 2007 preveem a possibilidade de prorrogação das diligências fiscais tantas vezes forem necessárias até a conclusão da fiscalização. No mérito, manteve a autuação fiscal sob o argumento de que os pagamentos realizados a título de antecipação dos lucros para os sócios não estavam devidamente comprovados, a despeito de a recorrente ter sido notificada para justificar suas operações nesse tocante. Inconformada, a contribuinte interpôs recurso voluntário, praticamente reprisando os argumentos da impugnação. O processo foi distribuído para minha relatoria e este é o relatório. Voto Conselheiro Cleucio Santos Nunes, Relator. 1. DA ADMISSIBILIDADE DO RECURSO Fl. 167DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 1302-004.693 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11516.003917/2008-38 O recursos é tempestivo. Conforme se verifica à fl. 139, a recorrente foi intimada da decisão da DRJ em 19/6/2013, tendo protocolizado seu recurso 16/7/2013, dentro do prazo de 30 dias, conforme previsto pelo art. 33, do Decreto nº 70.235, de 1972. A matéria que constitui objeto do Recurso está contida na competência da 1ª Seção de Julgamento do CARF, conforme Arts. 2º, inciso I, e 7º, caput e §1º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Sobre a regularidade da representação processual, desde a manifestação de inconformidade a recorrente se defende por um dos seus sócios. Assim, o recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, razão pela qual deve ser conhecido. 2. DA PRELIMINAR DE NULIDADE A recorrente alega a nulidade do Auto de Infração que constitui objeto da presente lide, por violação ao princípio da duração razoável do processo. Invoca em abono à sua tese o disposto no inciso LXXVIII do art. 5º da Constituição Federal. Aduz que tal dispositivo foi incorporado ao texto constitucional pela EC nº 45, consistindo em um novo direito fundamental que, por essa natureza, tem aplicação imediata. Assim, é dever de toda autoridade pública cumprir esse postulado constitucional, não estando a autoridade tributária fora dessa obrigação. Alude também aos arts. 24 e 49 da Lei 9.784, de 1999, os quais fazem referências indiretas à duração dos processos administrativos. No primeiro caso é fixado o prazo de cinco dias para o cumprimento de atos administrativos por parte da autoridade pública, quando não houver disposição específica. No segundo, tem-se o prazo de trinta dias para se decidir processos administrativos, salvo as hipóteses de prorrogação. Cita decisões do STF, do STJ e do TRF 3ª Região, as quais teriam dado aplicação aos dispositivos legais invocados. Por fim, conclui que entre a data do início da fiscalização até a interposição do voluntário teriam transcorridos mais de 2000 dias, o que afrontaria o princípio da duração razoável do processo. Para adequada análise da preliminar, primeiramente, há que se definir o conceito de “processo tributário” e seus desdobramentos. A locução “processo tributário” é uma generalização que abarca as modalidades do processo administrativo e judicial tributários. O primeiro se desenvolve no âmbito do próprio Poder Executivo, órgão responsável pelo lançamento e cobrança administrativa do tributo. O segundo, tramita perante o Poder Judiciário e a iniciativa pode ser tanto da Fazenda quanto do contribuinte. Tratando-se especificamente do “processo administrativo tributário”, esta locução se subdivide em “procedimentos administrativos” e “processo administrativo em sentido estrito”. Os procedimentos administrativos se distinguem pelo fato de não se prever o contencioso tributário, isto é, não são assegurados ao contribuinte as garantias constitucionais do contraditório e da ampla defesa com as características e extensão que são assegurados nos processos contenciosos. Os processos administrativos em sentido estrito, por sua vez, Fl. 168DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 1302-004.693 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11516.003917/2008-38 configuram a fase “contenciosa” do processo administrativo, garantindo-se ao contribuinte o contraditório e a ampla defesa, com “todos os recursos a ela inerentes” (CF, art. 5º, LV). Assim, os procedimentos administrativos tributários podem ser considerados “não contenciosos”, enquanto o processo administrativo no sentido estrito caracteriza-se como contencioso, pois é dependente das garantias do contraditório e da ampla defesa. Essa distinção que nos tempos atuais é simples, no passado já rendeu muitas discussões teóricas. Deve-se a Elio Fazzalari o critério de distinção contemporâneo entre os conceitos de “procedimento” e de “processo em sentido estrito”. Para o autor, esse critério reside, exatamente, na presença ou não da “lide”, que pode se dar em algum momento do procedimento. Assim, enquanto não houver lide tem-se simplesmente um procedimento. 1 No processo administrativo tributário, enquanto o contribuinte não impugna ou refuta o ato da administração não se tem a fase contenciosa, razão pela qual, tudo o que ocorre antes da impugnação é procedimento não contencioso. Essa distinção conceitual é necessária porque, dentre outros pontos, só se tem inaugurada a fase contenciosa do processo administrativo tributário com a impugnação do sujeito passivo, o que pressupõe, necessariamente, a constituição de uma pretensão por parte do Fisco. Enquanto não houver pretensão, não há que se falar em contencioso porque não tem do que o contribuinte se insurgir a ponto de formar um processo administrativo tributário em sentido estrito. É por isso que, uma vez notificado do lançamento tributário, se o contribuinte decidir pagar o crédito, a obrigação tributária se resolverá definitivamente por meio de um procedimento, qual seja, o lançamento tributário. Se, por outro lado, o sujeito passivo decide impugnar o lançamento, inicia-se o contencioso tributário com todas as garantias do devido processo legal, especialmente o contraditório e ampla defesa. Nesse caso, a obrigação tributária se resolverá com base no que for decido no processo. Sobre essas distinções e outros elementos teóricos já discorremos em obra específica sobre o tema, razão pela qual pedimos vênia para citá-la como sugestão de complementação do tema. 2 No caso presente, a recorrente comete, data venia, uma confusão conceitual, ao pretender aplicar o princípio da duração razoável ao procedimento de constituição do crédito (lançamento tributário). Observe-se que este procedimento é vocacionado à formação de uma pretensão tributária, já o processo administrativo contencioso se dirige à busca da certeza sobre a procedência daquela pretensão (lançamento tributário). Por conseguinte, deve-se analisar, em um primeiro momento, a aplicação dos dispositivos legais que regem a fase procedimental à luz do princípio da duração razoável. Os arts. 24 e 49 da Lei nº 9.784, de 1999, invocados pela recorrente, de fato, não fazem a distinção entre procedimento e processo contencioso, de modo que suas disposições seriam aplicáveis a ambas as fases. Assim, tem-se o seguinte: Art. 24. Inexistindo disposição específica, os atos do órgão ou autoridade responsável pelo processo e dos administrados que dele participem devem ser praticados no prazo de cinco dias, salvo motivo de força maior. 1 FAZZALARI, Elio. Istituzioni di diritto processuale. 8ª ed. Padova: Cedam, 1996, p. 83-84. 2 NUNES, Cleucio Santos. Curso completo de direito processual tributário. 4ª ed. Sariava, 2020, p. 41-82. Fl. 169DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 1302-004.693 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11516.003917/2008-38 Parágrafo único. O prazo previsto neste artigo pode ser dilatado até o dobro, mediante comprovada justificação. Art. 49. Concluída a instrução de processo administrativo, a Administração tem o prazo de até trinta dias para decidir, salvo prorrogação por igual período expressamente motivada. Vê-se que essa previsão legal se aplica tanto aos procedimentos quanto aos processos contenciosos. Isso fica evidente quando se verifica o artigo 5º da Lei em referência, que dá tanto ao particular quanto ao Poder Público direito de iniciar um processo administrativo. Por outro lado, a norma do art. 24 estabelece prazo para a prática dos atos processuais em geral. Tal disposição não versa sobre a duração razoável do processo, o que supõe a análise do lapso temporal entre o início e o fim do processo. Se o processo, seja este o procedimento ou processo contencioso, é concluído dentro do prazo previsto em lei, não tem aplicação lógica o disposto no artigo mencionado. Isso porque, os atos praticados no processo não possuem um fim em si mesmo quando o que está em discussão é a temporalidade de sua prática. Jamais seria considerado nulo um processo caso um ou mais atos processuais tenha sido praticado com mais de cinco dias, se a duração do processo atendeu ao seu prazo legal de conclusão (se este prazo existir, obviamente). O prazo do art. 49, por sua vez, está mais bem adaptado à lógica do processo em sentido estrito. Isto porque, trata de prazo para a decisão após a instrução processual. A norma desse dispositivo se aplica para a decisão e não para a fase procedimental, em que não se decide exatamente sobre um conflito de interesses, mas simplesmente são praticados atos visando uma pretensão administrativa. Ainda que se trate da fase contenciosa, o art. 49 em questão tem aplicação subsidiária ao processo contencioso tributário. É assim, porque o art. 69 da própria Lei nº 9.784, de 1999, dispõe: “Os processos administrativos específicos continuarão a reger-se por lei própria, aplicando-se-lhes apenas subsidiariamente os preceitos desta Lei”. Como se sabe, o processo administrativo tributário federal é regido amplamente pelo Decreto nº 70.235, de 1972. No entanto, tratando-se do prazo para decidir, o art. 24 da Lei nº 11.457, de 2007 fixa o lapso temporal de 360 dias para a decisão, contados do protocolo da defesa. Assim, não tem aplicação o prazo do art. 49 da Lei nº 9.784, de 1999, porque existe lei específica sobre a lide tributária. Em que pese o art. 24 da Lei nº 11.457, de 2007 estabelecer a obrigatoriedade de se decidir o processo contencioso no prazo de 360 dias, tal prazo é o que se considera na doutrina como “prazo impróprio” para a administração e não exatamente um “prazo próprio”. Isso porque, o legislador não estabeleceu consequências processuais para a inobservância desse prazo, especialmente a anulação do processo. 3 Assim, não tem aplicação ao caso os dispositivos legais invocados pela recorrente. Acrescente-se, que na fase de constituição do crédito (procedimento de autuação), o art. 7º, §2º do Decreto nº 70.235, de 1972 estabelece o prazo de sessenta dias para conclusão do procedimento, prorrogável por igual período. 3 "Quanto às consequências do descumprimento, os prazos podem ser: a) prazos próprios: aqueles cujo descumprimento acarreta consequências precessuais. Ex.: prazo de contestação; prazo para recorrer; prazo para apresentar o rol de testemunhas etc. b) prazos impróprios: aqueles cujo descumprimento não acarreta consequências processuais. É o caso, por exemplo, dos prazos para o juiz proferir despachos, decisões e sentenças". Cf. LUNARDI, Fabrício Castagna. Curso de direito processual civil. São Paulo: Saraiva, 2016, p. 294. Fl. 170DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 1302-004.693 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11516.003917/2008-38 Art. 7º O procedimento fiscal tem início com: (Vide Decreto nº 3.724, de 2001) I - o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto; II - a apreensão de mercadorias, documentos ou livros; III - o começo de despacho aduaneiro de mercadoria importada. § 1° O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. § 2° Para os efeitos do disposto no § 1º, os atos referidos nos incisos I e II valerão pelo prazo de sessenta dias, prorrogável, sucessivamente, por igual período, com qualquer outro ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos. Assim, havendo necessidade, é possível prorrogar-se esse prazo até a conclusão da fiscalização. No caso concreto foi o que ocorreu. A decisão da DRJ demonstra que o procedimento foi prorrogado três vezes (fl.125) por meio de notificações feitas ao contribuinte com o objetivo de colher elementos para a conclusão da fiscalização, que dependiam de informações suas. Assim, o próprio contribuinte deu causa às prorrogações, razão pela qual, não existe nenhuma nulidade nesse sentido se as prorrogações foram devidamente justificadas. No tocante ao princípio da duração razoável do processo, este Relator possui o entendimento pessoal de que a norma do parágrafo único do art. 173 do CTN prevê hipótese de duração razoável do processo tributário administrativo, englobando tanto a fase procedimental (não contenciosa) quanto a fase processual em sentido estrito (contenciosa). 4 Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: I - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II - da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extingue-se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Em linhas gerais, parte da doutrina interpreta a norma do § único do art. 173 do CTN como hipótese de prescrição intercorrente. Para Hugo de Brito Machado, por exemplo, uma vez notificado o contribuinte de qualquer forma sobre o lançamento tributário, inicia-se a contagem do prazo de cinco anos, devendo a Fazenda resolver definitivamente sobre a validade ou não do lançamento dentro deste prazo, sob pena de prescrição intercorrente. 5 Outros, como Luciano Amaro, sustentam ser o caso de regra que antecipa o termo inicial do prazo para constituição do crédito tributário. 6 4 NUNES, Cleucio Santos. Curso completo de direito processual tributário. 4ª ed. São Paulo: Saraiva, 2020, p. 211- 217. 5 MACHADO, Hugo de Brito. Comentários ao Código Tributário Nacional. São Paulo: Atlas, v. III, p. 554-560. 6 AMARO, Luciano. Direito tributário brasileiro. 15ª ed. São Paulo: Saraiva, 2009, p. 408. Fl. 171DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 1302-004.693 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11516.003917/2008-38 Nosso entendimento é que a regra do § único do art. 173 do CTN anteviu a necessidade de duração razoável do processo administrativo tributário como um todo. Isso porque, para ser o caso de prescrição intercorrente, seria necessário previsão legal expressa nesse sentido, como ocorre com o processo de execução fiscal, em que o § 3º do art. 40 da Lei nº 6.830, de 1980 estabelece explicitamente essa hipótese de prescrição. Ressalte-se que o reconhecimento desse tipo de prescrição somente se tornou pacífico depois de sua inclusão na lei de execução fiscal, pela Lei nº 11.051, de 2004. Por outro lado, não é o caso de antecipação do termo inicial do lançamento, porque a norma ficaria adstrita aos casos de lançamento direto, como no IPTU e IPVA, tendo que se supor que o Fisco teria realizado um ato preparatório ao lançamento para que o prazo de cinco anos iniciasse, o que não é comum ocorrer. Quanto ao argumento da duração razoável esta teria amparo no inciso LXXVIII do art. 5º da Constituição Federal. No fundo, conforme sustentamos a partir da segunda edição do livro de nossa autoria, a tese da duração razoável do processo como disciplinadora da norma do § único do art. 173 do CTN chega ao mesmo resultado do entendimento da prescrição intercorrente, pois ambas extinguiriam o crédito tributário pelo decurso do prazo superior a cinco anos, definido no dispositivo em referência. Assim, nossa divergência com a tese da prescrição intercorrente não é de conteúdo, mas simplesmente de terminologia. Na obra também fazemos a ressalva de que a jurisprudência deste Conselho Administrativo é contrária ao nosso entendimento acadêmico. Tanto assim que a súmula CARF nº 11 é categórica: “Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal”. No livro também apontamos precedentes do STF, todos – a bem da verdade – anteriores à Constituição Federal de 1988; e outros, do STJ, já posteriores à Constituição. Tais precedentes seguem a linha de que a prescrição do direito de a Fazenda exigir o crédito tributário é aplicável somente à execução fiscal, e não ao processo administrativo. Para esses julgados, ainda que o contencioso administrativo dure mais do que cinco anos, somente iniciará a contagem do prazo de prescrição da execução fiscal depois de encerrada a fase administrativa, inclusive se tiver havido processo contencioso, custe o tempo que custar. 7 Com efeito, considerando que o entendimento deste relator em obra acadêmica sobre o assunto conclui que a norma do § único do art. 173 do CTN chega à mesma conclusão prática de que se trata de prescrição intercorrente no processo administrativo, vejo-me obrigado a separar meu entendimento de autor de obra jurídica de minhas funções de Conselheiro deste colegiado administrativo. Assim, a súmula nº 11 deste CARF prevê expressamente o seguinte: “Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal”. Conforme o art. 45, VI do RICARF, o Conselheiro está vinculado às súmulas do órgão. Com base nesses fundamentos, ressalvando o meu entendimento pessoal como autor, tenho que me vincular à sumula nº 11. Dessa forma, afasto a alegação de nulidade do processo administrativo tributário por ofensa à duração razoável do processo, prevista no inciso LXXVIII do art. 5º da Constituição Federal. 7 Nesse sentido: STF. RE nº 94.462/SP, Rel. Min. Moreira Alves, DJ 17.2.1982; STF, RE nº 100.378/MG, DJ 2.12.1983; STF, AI nº 96.616/RJ, DJ 25.5.1984. STJ. REsp. 1.650.295/MT, Rel. Min. Herman Benajamin, 2ª T, DJ, 19.4.2017; STJ. Ag Reg no REsp. nº 800.136/RO, DJe 2.3.2016; Ag Reg no REsp. nº 1.358.305/RS, DJe 17.3.2016. Fl. 172DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 1302-004.693 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11516.003917/2008-38 3. MÉRITO Quanto ao mérito, a decisão da DRJ aponta diversas irregularidades praticadas pela contribuinte que resultaram na caracterização de omissão de receita, levando à incidência de IRPJ e reflexos, cuja determinação do crédito tributário é objeto de outro processo (nº 11516.003915/200849). Em virtude da omissão de receita descoberta em razão da autuação fiscal, a decisão recorrida reconheceu a incidência da multa de ofício de 75%, com base no art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430, de 1996. Dessa forma, descartou o pleito da recorrente de conversão da multa de ofício em multa de mora, esclarecendo que a multa de mora de 20% tem lugar nos casos de procedimento espontâneo do contribuinte e não de autuação de ofício. Destacou também que não existe previsão legal para essa conversão da multa de ofício em multa de mora, como pleiteou a contribuinte. Afastou também o pleito da empresa de compensar créditos de PIS/COFINS com os débitos apurados na autuação, pois, se fosse o caso, tal deveria ser realizado por DCOMP. Manteve também a aplicação de juros moratórios sobre o crédito tributário apurado, sob o fundamento de que tal decorre da legislação de regência à qual a administração tributária está vinculada. Por fim, a DRJ reconheceu a incidência de IRF em razão de pagamentos por meio cheques nominais aos sócios da empresa, que foram depositados em contas de terceiros. Para a fiscalização, isso configurou pagamento em nome de terceiros não identificados ou pagamentos de despesa sem causa, ensejando a aplicação da norma do art. 61 da Lei nº 8.981, de 1995, que prevê a incidência de IRF à alíquota de 35%. De acordo com a decisão, a contribuinte esclareceu que tais pagamentos foram realizados a título de “adiantamento de lucro dos sócios”. Prossegue a decisão, que de todos os cheques detectados nessa condição, somente alguns a recorrente conseguiu comprovar que foram emitidos para o pagamento de lucros, com outros não foi possível se comprovar essa destinação. No ponto, relata a decisão: Os valores representados pelos cheques de nº 720, 721, 663 e 906, que totalizam R$ 121.784,00 foram depositados em conta corrente de titularidade dos sócios, sendo assim aceitos como distribuição de lucros, quanto aos demais cheques não foram aceitos nesta condição uma vez que tiveram destinação diversa dos sócios. Assim, em relação aos cheques remanescentes, conclui a DRJ que está caracterizada a incidência do art. 674 do RIR, de 1999, que prevê o seguinte: Art. 674. Está sujeito à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais (Lei nº 8.981, de 1995, art. 61). §1º A incidência prevista neste artigo aplicase, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa (Lei nº 8.981, de 1995, art. 61, § 1º). § 2º Considerase vencido o imposto no dia do pagamento da referida importância (Lei nº 8.981, de 1995, art. 61, § 2º). Fl. 173DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 1302-004.693 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11516.003917/2008-38 § 3º O rendimento será considerado líquido, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto sobre o qual recairá o imposto (Lei nº 8.981, de 1995, art. 61, § 3º). O quadro abaixo, constante da decisão recorrida, expressa os valores reajustados na forma §3º do RIR. Veja-se: Em síntese, a DRJ considerou não suficientes as provas apresentadas pela recorrente para justificar o suposto adiantamento de lucros aos sócios e, forte nesse argumento, julgou improcedente a impugnação nesse ponto. Considerando que o crédito decorrente de omissão de receita é objeto de outro processo, a controvérsia sobre qual gira a presente lide é, somente, a incidência de IRF por despesa não justificada e a multa de ofício de 75% e juros legais, tendo em vista que o lançamento do IRF se deu na modalidade de ofício, isto é, por meio de auto de infração. Estes aspectos específicos são, portanto, objeto do litígio reiterado no recurso voluntário interposto, sobre o qual recairão as razões de decidir que virão na sequência. O art. 674 do RIR, de 1999 é dispositivo que regulamenta o disposto no art. 61 da Lei nº 8.981, de 1995 que prevê o seguinte: Art. 61. Fica sujeito à incidência do Imposto de Renda exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais. § 1º A incidência prevista no caput aplica-se, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa, bem como à hipótese de que trata o § 2º, do art. 74 da Lei nº 8.383, de 1991. § 2º Considera-se vencido o Imposto de Renda na fonte no dia do pagamento da referida importância. § 3º O rendimento de que trata este artigo será considerado líquido, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto sobre o qual recairá o imposto. No caso dos autos, a fiscalização detectou a emissão dos cheques constantes do quadro acima, dos quais a recorrente não justificou adequadamente a causa de seu pagamento aos beneficiários finais. Registre-se que tais cheques foram emitidos nominalmente para determinados beneficiários (em geral os sócios da recorrente), porém, foram depositados em contas de terceiros que não possuíam negócios comprovados com a pessoa jurídica que justificassem a causa de os cheques serem depositados em favor desses beneficiários. Fl. 174DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 10 do Acórdão n.º 1302-004.693 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11516.003917/2008-38 Tanto na impugnação quanto no recurso voluntário, a recorrente alega que os cheques foram emitidos nominalmente em favor dos sócios como pagamento antecipado de lucros. Sobre este ponto, no recurso voluntário, apresenta análise pormenorizada de cada um dos cheques apontados pela fiscalização como pagamento sem causa (fls. 148/152). A fim de facilitar a compreensão dos fatos alegados, desdobraremos os esclarecimentos da recorrente por grupos de cheques. 3.1 Cheque nº 681 Para o cheque nº 681, no valor de R$ 28.000,00, emitido em favor de Multicorp Participações e Administração Ltda., a recorrente esclarece que tal empresa era sócia da recorrente e que o pagamento foi realizado a título de antecipação de lucros. O fato deste cheque ter sido depositado na conta corrente de “Quatro Promoção de Eventos”, se deveu a endosso feito no cheque pela Multicorp, para o pagamento de serviços prestados pela Quatro Promoção. Primeiramente, registre-se, que em respeito ao princípio da transparência que também deve orientar a gestão dos negócios privados, o cheque emitido como antecipação de lucros em favor de um sócio, especialmente se este é uma pessoa jurídica, deveria ser depositado em conta dessa pessoa jurídica e devidamente contabilizado. Dessa forma, é possível apurar-se a regularidade da operação, especialmente porque o pagamento de lucros e dividendos aos sócios é isento de IR (Lei nº 9.249, de 1995, art. 10). Ainda que se releve esse aspecto, para caracterizar a exclusão da norma do art. 61, da Lei nº 8.981, de 1995, seria necessário que o contribuinte apresentasse prova do que alega, ou seja, deveria trazer a comprovação de que a Multicorp pagou tal despesa para a Quatro Promoção. Essa prova se deve ao fato de a recorrente não ter realizado a operação conforme lhe era exigível, isto é, contabilizar o pagamento do cheque como receita da Multicorp. O endosso do cheque para terceiro, exigiu da ora recorrente comprovar a realidade de tal operação. Nem se diga que essa prova seria impossível, pois a Multicorp era sócia da recorrente à época dos fatos. 3.2 Cheques nº. 683, 812, 965, 84 e 1185 Explica a recorrente que cada um desses cheques foi emitido nominalmente em favor de Marcio Luiz Shaefer para pagamento de dívidas dos sócios com esse beneficiário. A origem da dívida seria a aquisição de duas lanchas modelos Phanton 345 e 235, fabricadas por Estaleiro Shaefer Yachs Ltda. Segundo a recorrente, os cheques foram emitidos a título de adiantamento de lucros dos sócios para o pagamento de despesas destes com terceiros. Neste caso, cabem ponderações semelhantes às anteriores. Se os pagamentos se destinavam a adiantamento de lucros dos sócios, os cheques deveriam ser emitidos nominalmente em favor deles e não de supostos credores dos sócios, pois aqueles não têm relação com a pessoa jurídica. Trata-se de indevida confusão entre os interesses da empresa com os dos sócios, o que torna opaca a necessária transparência fiscal. Afinal, se era adiantamento de lucro não caberia incidência de IRF, mas se o pagamento é feito em favor de terceiro o imposto será devido. Para justificar a operação, a empresa alega que os cheques foram emitidos em nome de terceiro porque este seria credor dos sócios na venda das mencionadas lanchas. Registre-se que essa justificativa somente foi apresentada depois de duas intimações realizadas Fl. 175DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 11 do Acórdão n.º 1302-004.693 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11516.003917/2008-38 pela fiscalização (o que inclusive atrasou a conclusão do procedimento). Ocorre que, do ponto de vista do princípio da verdade real, para que se pudesse avaliar a hipótese de exclusão da incidência da norma do art. 61 da Lei nº 8.981, de 1995, seria indispensável que a recorrente trouxesse provas robustas da suposta operação. Note-se que para comprovar o alegado, a recorrente juntou recibos em nome da empresa Estaleiro Shaefer Yachs Ltda, sem indicação do CNPJ. Os recibos foram grafados em papel branco/timbrado com uma simples assinatura, sem identificação do subscritores ou reconhecimento de sua firma. Não há comprovação por meio de notas fiscais ou contrato de compra e venda das embarcações. 3.3. Cheques nº 85 e 1205 Em relação a esses dois cheques, as alegações da recorrente são semelhantes. Quando ao cheque 85, argumenta que o documento foi emitido em favor da empresa Eugênio WG Ltda., em razão de uma parceria feita no passado entre a recorrente e a mencionada empresa, de modo que esta teria pago despesas da recorrente e o cheque em questão foi emitido como ressarcimento desses pagamentos anteriores. Outra vez não há nenhuma prova nos autos dessa parceria ou qualquer contrato, nota fiscal ou outro documento que vincule a recorrente à empresa Eugênio WG Ltda. Sobre o cheque nº 1205, a recorrente aduz que se tratou de compra de moeda estrangeira (Euros) perante a empresa Açoriana Turismo e Câmbio. Justifica que os sócios em suas viagens internacionais necessitam trocar reais por moeda estrangeira e tal despesa teria sido paga pela recorrente. Para tanto junta a cópia de cheque em favor da empresa de turismo e o recibo de fls. 81/83. Ocorre que, em se tratando de contrato de câmbio realizado pela empresa, ainda que para viajem pessoal de seus sócios, seria necessária prova idônea dessa operação, como, por exemplo, a nota fiscal de serviços ou o próprio contrato de câmbio e não um simples recibo, ainda que aparentemente emitido pela empresa de turismo. Assim, em que pese os argumentos da recorrente, em prol da transparência que deve orientar a gestão dos negócios privados, especialmente quando estes refletiram na possível não incidência de tributos, é exigível do contribuinte comprovar de forma idônea suas operações. Para o afastamento da norma do art. 61 da Lei nº 8.981, de 1995 e art. 674 do RIR, de 1999, é ônus do contribuinte comprovar de plano e suficiente as alegações que dão respaldo às suas operações, ainda que estas não tenham sido contabilizadas de modo ideal. Se essas provas não são idôneas, a presunção milita em favor da administração tributária. Nesse sentido tem decidido esse CARF em casos parelhos: PAGAMENTOS A BENEFICIÁRIOS NÃO IDENTIFICADOS. PAGAMENTOS SEM CAUSA. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA CAUSA DAS OPERAÇÕES. FALTA DE IDENTIFICAÇÃO DOS BENEFICIÁRIOS DOS PAGAMENTOS. AFETAÇÃO DO RESULTADO DO EXERCÍCIO. IRRELEVÂNCIA. Deve ser mantida a incidência do imposto de renda na fonte de que trata o art. 61 da Lei nº 8.981/1995 na situação em que a pessoa jurídica não consegue identificar os beneficiários de pagamentos por ela efetuados e, além disso, deixa de apresentar contratos ou qualquer outro documento hábil à comprovação da causa das operações. Irrelevante para essa incidência se tais pagamentos afetaram, ou não, a apuração do resultado do exercício da pessoa jurídica autuada. (CARF - Ementa - Acórdão nº 1301- 002.263 - Sessão de 23 de março de 2017) Fl. 176DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 12 do Acórdão n.º 1302-004.693 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11516.003917/2008-38 PAGAMENTO SEM CAUSA. FALTA DE COMPROVAÇÃO DAS ALEGAÇÕES. INCIDÊNCIA IRRF. As alegações de que as receitas e os custos registrados na contabilidade foram indevidamente registrados, tratando-se de repasses de valores recebidos, desacompanhadas de documentos comprobatórios não são hábeis à afastar a incidência do IRRF sobre os pagamentos para os quais não restou comprovada a operação ou causa. (CARF - Ementa - Acórdão nº 1301-002.492 - Sessão de 20 de junho de 2017) PAGAMENTO SEM CAUSA. IRRF. Sujeita-se ao IRF, exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%, os pagamentos efetuados pelas pessoas jurídicas a terceiros ou sócios, acionistas, contabilizados ou não, quando não comprovada a operação ou a sua causa, cabendo o reajustamento do rendimento bruto sobre o qual recairá o imposto. (CARF - Ementa - Acórdão nº 1301-002.494 - Sessão de 20 de junho de 2017) Com fundamento nesses argumentos e pela ausência de comprovação idônea das operações realizadas pela recorrente, deve ser mantida a incidência de IRF na forma do art. 61 da Lei nº 8.981, de 1995 e art. 674 do RIR, de 1999. 3.3 Da incidência de multa de ofício Insurge-se a recorrente também contra a incidência da norma do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, que prevê o seguinte: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I - de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Argumenta em defesa de sua tese, que tendo sido justificadas as operações não cabe a multa de ofício, pois, no caso dos autos pode até ter ocorrido equívocos, mas não houve fraudes ou omissões que permitam a aplicação do dispositivo transcrito. Por isso, reitera o pleito já defendido na impugnação de conversão da multa de 75% para multa de mora de 20%. A previsão do disposto no artigo transcrito é clara: “Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas”. O auto de infração é típica modalidade de lançamento de ofício, prevista no art. 149 do CTN e corroborada pelos arts. 7º, I e 10 do Decreto nº 70.235, de 1972. Isso porque, a apuração de que houve pagamentos a terceiros sem justa causa foi realizada pela Fazenda, por meio do procedimento fiscal. Não se tratou, na espécie de denúncia espontânea do contribuinte, o que poderia afastar a incidência da multa de ofício, nos termos do art. 138 do CTN. Por conseguinte, a multa do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996 é devida, não cabendo no caso sua conversão em multa de mora por ausência de previsão legal nesse sentido. Diante do exposto, conheço do recurso, afastando a preliminar de nulidade e, no mérito, voto por NEGAR PROVIMENTO, mantendo a decisão recorrida integralmente. (documento assinado digitalmente) Cleucio Santos Nunes Fl. 177DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 13 do Acórdão n.º 1302-004.693 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11516.003917/2008-38 Fl. 178DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 11684.720218/2011-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 23 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Wed Aug 19 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2008
PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. SÚMULA CARF Nº 11.
Em conformidade com a Súmula CARF nº 11, não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal.
MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE PRAZO MÍNIMO PARA PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. CONCOMITÂNCIA DE PROCESSOS JUDICIAL E ADMINISTRATIVO. SÚMULA CARF Nº 1.
Em conformidade com a Súmula CARF nº 01, importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
Numero da decisão: 3302-008.380
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer de parte do recurso. Na parte conhecida, por maioria de votos, em negar provimento. Vencido o conselheiro Corintho Oliveira Machado (relator) que não conhecia de todo o recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Raphael Madeira Abad. O julgamento deste processo seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, aplicando-se o decidido no julgamento do processo 10711.721864/2011-67, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Vinicius Guimarães, Walker Araujo, Jorge Lima Abud, Jose Renato Pereira de Deus, Corintho Oliveira Machado, Raphael Madeira Abad, Denise Madalena Green e Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente).
Nome do relator: GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2008 PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. SÚMULA CARF Nº 11. Em conformidade com a Súmula CARF nº 11, não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE PRAZO MÍNIMO PARA PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. CONCOMITÂNCIA DE PROCESSOS JUDICIAL E ADMINISTRATIVO. SÚMULA CARF Nº 1. Em conformidade com a Súmula CARF nº 01, importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer de parte do recurso. Na parte conhecida, por maioria de votos, em negar provimento. Vencido o conselheiro Corintho Oliveira Machado (relator) que não conhecia de todo o recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Raphael Madeira Abad. O julgamento deste processo seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, aplicando-se o decidido no julgamento do processo 10711.721864/2011-67, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Vinicius Guimarães, Walker Araujo, Jorge Lima Abud, Jose Renato Pereira de Deus, Corintho Oliveira Machado, Raphael Madeira Abad, Denise Madalena Green e Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 68 4. 72 02 18 /2 01 1- 10 Fl. 133DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3302-008.380 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11684.720218/2011-10 Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos, prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015, e, dessa forma, adoto neste relatório excertos do relatado no Acórdão nº 3302-008.363, de 23 de junho de 2020, que lhe serve de paradigma. Versa o processo sobre a controvérsia instaurada em razão da lavratura pelo fisco de auto de infração para exigência de penalidade prevista no art. 107, inciso IV, alínea “e” do Decreto-lei nº 37/1966, com a redação dada pela Lei nº 10.833/2003, em razão de as empresas responsáveis pela desconsolidação da carga lançarem a destempo o conhecimento eletrônico, pois segundo a IN SRF nº 800/2007 (artigo 22), o prazo mínimo para a prestação de informação acerca da conclusão da desconsolidação é de 48 horas antes da chegada da embarcação no porto de destino do conhecimento genérico. Caso não se concluindo nesse prazo é aplicável a multa. Devidamente cientificada, a interessada traz como alegações, além das preliminares de praxe, acerca de infringência a princípios constitucionais, prática de denúncia espontânea, ilegitimidade passiva, ausência de motivação, tipicidade, além da relevação de penalidade e que tragam ao auto de infração a ineficiência e a desconstrução do verdadeiro cerne da autuação que foi o descumprimento dos prazos estabelecidos em legislação norteadora acerca do controle das importações, a argumentação de que, de fato, as informações constam do sistema, mesmo que inseridas, independente da motivação, após o momento estabelecido no diploma legal pautado pela autoridade aduaneira. O órgão julgador de primeira instância (DRJ) julgou improcedente a impugnação e considerou devida a exação correspondente. Intimado da decisão, a recorrente supra mencionada interpôs recurso voluntário tempestivo, no qual alegou prescrição intercorrente e apontou processo judicial de associação de classe a que pertence, no qual há antecipação de tutela parcial em favor das associadas. Por fim, requer anulação do auto de infração. É o relatório. Voto Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, Relator Como já destacado, o presente julgamento segue a sistemática dos recursos repetitivos, nos termos do art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do RICARF, desta forma reproduzo o voto consignado no Acórdão nº 3302-008.363, de 23 de junho de 2020, paradigma desta decisão. O recurso voluntário é tempestivo, e preenchidos os demais requisitos de admissibilidade, merece ser apreciado e conhecido. A recorrente inovou quase que completamente em relação à impugnação apresentada em primeiro grau. A alegação de prescrição intercorrente e o apontamento de processo judicial de associação de classe a que pertence, no qual há antecipação de tutela parcial em favor das associadas, não foram esgrimidos em primeira instância, daí porque Fl. 134DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3302-008.380 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11684.720218/2011-10 causam efeitos deveras substanciosos, sob o ponto de vista processual, nesta esfera. (...) 1 Em que pese o brilhantismo que caracteriza o raciocínio do ilustre Relator, a maioria do Colegiado dele discordou exclusivamente quanto ao entendimento de que o capítulo recursal “prescrição intercorrente” não seria cognoscível em razão da preclusão da matéria, apresentada tão somente em sede de Recurso Voluntário. Assim, apesar de suscitado pela Recorrente tão somente quando do Recurso Voluntário, a maioria deste Colegiado entendeu que o argumento não estaria precluso, uma vez que se trata de uma matéria de ordem pública cognoscível em qualquer instância e, portanto, poderia ser apreciado nesta instância. Nesse capítulo recursal, a maioria do Colegiado entendeu por aplicar a Súmula CARF nº 11, inclusive de observância obrigatória por parte dos seus membros, e que foi assim redigida. “Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal.”. Quanto à ação judicial proposta pela associação de classe a que pertence a recorrente (documentos trazidos com o recurso voluntário), na qual há antecipação de tutela parcial em favor das associadas, 2 nota-se que a discussão perpassa pelo instituto da denúncia espontânea, argumento alinhado em primeira instância e em recurso voluntário também, daí restar esvaziada a discussão sobre o tema nesta esfera, ante o princípio da unicidade de jurisdição, que evoca a aplicação da súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Por estes motivos, voto no sentido de não conhecer de parte do recurso e, na parte conhecida, em negar provimento. 1 Em relação à matéria "prescrição intercorrente" deixa-se de transcrever o voto vencido, que poderá ser consultado no acórdão paradigma desta decisão, transcrevendo-se o voto vencedor por representar o entendimento majoritário do colegiado. 2 Ante o exposto, defiro parcialmente a antecipação da tutela para determinar que a Ré se abstenha de exigir das associadas da Autora as penalidades em discussão nestes autos, independentemente do depósito judicial, sempre que as empresas tenham prestado ou retificado as informações no exercício de seu legítimo direito de denúncia espontânea, nos termos do artigo 102 do Decreto-lei 37/66. Fl. 135DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 3302-008.380 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11684.720218/2011-10 Conclusão Importa registrar que nos autos em exame a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de tal sorte que, as razões de decidir nela consignadas, são aqui adotadas. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduzo o decidido no acórdão paradigma, no sentido de não conhecer de parte do recurso e, na parte conhecida, em negar provimento. (documento assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Fl. 136DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 10930.721926/2015-80
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 15 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Wed Sep 02 00:00:00 UTC 2020
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2015
EXCLUSÃO. EXISTÊNCIA DE DÉBITOS.
Consoante o artigo 17, inciso V, da Lei nº 123, de 2006 e, na alínea "d" do inciso II do art. 73, combinada com o inciso I do art. 76, ambos da Resolução CGSN nº 94, de 2011, é cabível a exclusão das pessoas jurídicas do Simples Nacional quando da existência de débitos, sem exigibilidades suspensas, junto ao INSS ou, junto às Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal.
Numero da decisão: 1402-004.848
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, afastar as preliminares suscitadas e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, mantendo a exclusão da recorrente do regime do SIMPLES NACIONAL.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Luis Pagano Gonçalves - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Leonardo Luís Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Wilson Kazumi Nakayama (Suplente convocado), Paula Santos de Abreu, Luciano Bernart e Paulo Mateus Ciccone (Presidente).
Nome do relator: LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2015 EXCLUSÃO. EXISTÊNCIA DE DÉBITOS. Consoante o artigo 17, inciso V, da Lei nº 123, de 2006 e, na alínea "d" do inciso II do art. 73, combinada com o inciso I do art. 76, ambos da Resolução CGSN nº 94, de 2011, é cabível a exclusão das pessoas jurídicas do Simples Nacional quando da existência de débitos, sem exigibilidades suspensas, junto ao INSS ou, junto às Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, afastar as preliminares suscitadas e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, mantendo a exclusão da recorrente do regime do SIMPLES NACIONAL. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 72 19 26 /2 01 5- 80 Fl. 116DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 10930.721926/201580 Acórdão n.º 1402004.848 S1C4T2 Fl. 117 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Leonardo Luís Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Wilson Kazumi Nakayama (Suplente convocado), Paula Santos de Abreu, Luciano Bernart e Paulo Mateus Ciccone (Presidente). Fl. 117DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 10930.721926/201580 Acórdão n.º 1402004.848 S1C4T2 Fl. 118 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto face v. acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil que decidiu manter a exclusão da Recorrente do Simples Nacional. Devido a débitos sem a exigibilidade suspensa junto a Fazenda Pública Federal, a Recorrente foi excluída do Simples Nacional pelo Ato Declaratório Executivo (ADE) DRF/LON nº 1488855 de fl. 85, expedido em 01 de setembro de 2015, que excluiu a partir de 1º de janeiro de 2016 o contribuinte do Simples Nacional. Os débitos são do próprio Simples Nacional e são do período de 09/2011 à 12/2012 e 04/2013, listados no próprio ADE. Importante ressaltar que não consta provas nos autos de que a Recorrente tenha regularizado os débitos. Para evitar repetições aproveito o bem elaborado relatório do v. acórdão recorrido. Tratase de manifestação de inconformidade contra a exclusão do regime tributário do Simples Nacional – SN com efeitos a partir de 1/1/2016, veiculada através do Ato Declaratório Executivo (ADE) de Exclusão DRF/LON Nº 1488855, de 1º de setembro de 2015 (fl. 85), com base na existência de débitos exigíveis do próprio SN referentes às competências 09/2011 a 12/2012 e 04/2013, listados no corpo do próprio documento: 2. A empresa reclamante apresenta manifestação de inconformidade (fls. 2/9), onde alega a inconstitucionalidade da exclusão motivada pela existência de débitos, citando alguns julgados. Reclama também da nulidade do ato administrativo por cerceamento do direito de defesa, já que o ADE exibe informações genéricas sobre os débitos apontados, ferindo os ditames legais. Cita, neste sentido, a Súmula Carf nº 22. Os principais argumentos da defesa são adiante reproduzidos: Fl. 118DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 10930.721926/201580 Acórdão n.º 1402004.848 S1C4T2 Fl. 119 4 (...) II PRELIMINARMENTE a) Da nulidade do Ato Administrativo. Cerceamento de Defesa. Súmula n° 22 do CARF. 6. Em sede preliminar, cumpre a Impugnante arguir pela nulidade do ato declaratório de exclusão por cerceamento do direito de defesa. 7. O Anexo Único do Ato Declaratório Executivo exibe informações genéricas sobre os débitos apontados, o malfere os ditames legais para tanto. (...) 12. Como se vê neste particular, a demonstração dos débitos através do Anexo Único se limita a revelar o período de apuração e saldo devedor, sem detalhar a que se refere cada pendência. 13. Segundo reiterada jurisprudência do CARF, o ato administrativo de exclusão do SIMPLES que não apresentar em sua motivação os elementos determinantes da prática do ato é nulo, pelo que padece de vício de forma: SIMPLES. EXCLUSÃO. A rigor o ato declaratório é nulo de pleno direito por cerceamento do direito de defesa. Ademais, a partir da ciência efetiva do contribuinte sobre qual era precisamente a pendência genericamente citada, depois de explicitado pela decisão DRJ, nessa data, a pendência já não existia, e, portanto, é de se anular o ato declaratório de exclusão. KECURSOVOLUNTÁRIO PROVIDO. (Número do Processo 10070.001461/200119; Relator(a) ZENALDO LOIBMAIM; Recurso Fl. 119DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 10930.721926/201580 Acórdão n.º 1402004.848 S1C4T2 Fl. 120 5 Voluntário; N° Acórdão 30331479) (g.n.) (...) 14. Tal entendimento, por sua vez foi sumulado pelo CARF: Súmula CARF n° 22: É nulo o ato declaratório de exclusão do Simples que se limite a consignar a existência de pendências perante a Dívida Ativa da União ou do INSS, sem a indicação dos débitos inscritos cuja exigibilidade não esteja suspensa. 15. Concluise, portanto, que houve vicio de forma na execução do Ato Declaratório Executivo, posto que houve omissão de formalidade indispensável à existência ou seriedade do ato, o que o toma um ato nulo, tendo em vista que nasceu afetado de vício insanável por ausência ou defeito substancial em seus elementos constitutivos ou no procedimento formativo. III. Inconstitucionalidade da exclusão do SIMPLES NACIONAL por inadimplência. 16. O Ato de Exclusão do Simples Nacional consta como motivo da exclusão a inadimplência do Impugnante com a Fazenda Pública Federal, através da aplicação do inciso V, inciso I do art. 29, inciso II do capute §2° do art. 30 da LC 123/06 combinados com o inciso II do art. 73 da Resolução CGSN n° 94, de 29 de novembro de 2011. 17. Primeiramente, há de se ressaltar que a Impugnante reconhece que, em alguns meses, deixou de recolher a parcela mensal referente ao SIMPLES NACIONAL. Todavia, a inadimplência ocorreu por motivos de força maior. Vale dizer, o não pagamento não decorreu por liberalidade da Impugnante, mas sim pela falta de condições financeiras para tanto. 18. A Impugnante não conseguiu auferir receitas suficientes para fazer frente a algumas das obrigações, dentre elas os tributos, eis que também se vê em prejuízo pela inadimplência alheia. Conforme se verifica das cópias dos instrumentos de protestos (ANEXO III), a Impugnante possui conta a receber que ultrapassam o importe de R$ 70.000,00 (setenta mil reais). 19. Não obstante, sua exclusão por inadimplência é absolutamente inconstitucional. 20. De fato, toda e qualquer empresa, seja qual for o regime de tributação ao qual esteja sujeita, corre o risco de, durante alguns meses, sofrer com a inadimplência. Tanto é assim, que o simples inadimplemento de tributo sequer é considerado pela jurisprudência como violação a lei suficiente a ensejar a responsabilidade tributária dos sócios administradores da pessoa jurídica: (...) 21. Considerandose que o mero inadimplemento não é considerado infração à lei, não se justifica a exclusão da Fl. 120DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 10930.721926/201580 Acórdão n.º 1402004.848 S1C4T2 Fl. 121 6 Impugnante do SIMPLES NACIONAL, sobretudo pela própria condição de empresa de pequeno porte. 22. Com efeito, a Constituição Federal, em virtude das dificuldades naturais que às micros e pequenas empresas passam, estabelece princípios que devem ser observados pelo executivo na prática de atos administrativos, bem como pelo legislativo, ao ser editada norma de qualquer natureza. É direito constitucional da Impugnante tratamento favorecido, diferenciado e simplificado, conforme dispõem os artigos 170, inciso IX, e 179, in verbis: (...) 23. De fato, o tratamento diferenciado existe mediante a instituição de regimes tributários próprios para as microempresas, como o SIMPLES NACIONAL. Todavia, ao excluirse a empresa que deixa de recolher o tributo por alguns meses, ainda que o mero inadimplemento não caracterize violação à lei, o tratamento constitucionalmente garantido cai por terra. Ora, o tratamento jurídico diferenciado se presta justamente para facilitar o funcionamento da microempresa e não para prejudicar ainda mais suas operações. 24. Com a exclusão, a Impugnante, não obstante tenha receitas módicas, próprias à uma pequena empresa, será obrigada a recolher tributos em alíquotas majoradas, e será obrigada a fazer sua contabilidade conforme grandes empresas, infinitamente maiores. 25. Neste sentido, imporlhe a obrigatoriedade de optar por outra sistemática de tributação Lucro Presumido ou Real viola o princípio constitucional da capacidade contributiva: Art. 145. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios poderão instituir os seguintes tributos: "§1º Sempre que possível, os impostos terão caráter pessoal e serão graduados segundo a capacidade econômica do contribuinte, facultado à administração tributária, especialmente para conferir efetividade a esses objetivos, identificar, respeitados os direitos individuais e nos termos da lei, o patrimônio, os rendimentos e as atividades econômicas do contribuinte”. 26. A utilização espúria destes meios tem apenas o condão de coagir as microempresas e as empresas de pequeno porte a recolherem seus tributos em dia. As Fazendas Públicas já possuem um instrumento de cobrança hábil Execuções Fiscais, conforme Lei n. 6.830/80 que já dá inúmeras facilidades e garantias para a cobrança dos créditos tributários. 27. Com isso, temse que a exclusão por força do inadimplemento é absolutamente inconstitucional, conforme, inclusive, já decidiram alguns Tribunais brasileiros: Fl. 121DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 10930.721926/201580 Acórdão n.º 1402004.848 S1C4T2 Fl. 122 7 DIREITO TRIBUTÁRIO. PEDIDO DE OPÇÃO PELO "SIMPLES NACIONAL". INDEFERIMENTO, AO ARGUMENTO DE SER O INTERESSADO DEVEDOR DE TRIBUTO MUNICIPAL: IMPOSSIBILIDADE CONSTITUCIONAL. l.Ao garantir, mediante redução da carga tributária, o apoio a ser dado pelas leis ordinárias ou comuns às microempresas, aos microprodutores rurais, e às empresas de pequeno porte, em momento algum a Constituição Federal condicionou a concessão ou a manutenção do estímulo à inexistência de débitos tributários. A única condição imposta é que a empresa beneficiária possua reduzido faturamento periódico. Aliás, nem mesmo a Lei Complementar federal n° 123/06, que dispõe sobre a matéria, é em sentido diverso. 2.Assim, o indeferimento, pelo Município de Porto Alegre, de pedido de opção pelo "Simples Nacional", deduzido por microempresa devedora de tributos municipais quando atendidos os demais requisitos, não passa de legítima coação, sem suporte na lei maior, em escancarada contrariedade à filosofia constitucionalmente adotada pela Carta Magna, no sentido de fazer com que a pequena empresa efetivamente cresça. DECISÃO: Recurso provido. Unânime. (TJRS, Apel. C/V. N. 70025002486, Rei. Des. Roque Joaquim Volkweiss, julgado em 17/12/2008, de Porto Alegre). 29. Assim, pelos motivos expostos, é inconstitucional excluir as microempresas e empresas de pequeno porte do Simples Nacional pela falta de pagamento de tributos, pois, não era este o espírito constitucional destinado para esse tipo de empreendimento, mas sim, dar a ele condições de se desenvolver e crescer, cumprindo com sua função social. Ato contínuo, a DRJ proferiu v. acórdão mantendo integralmente a exigência do Auto de Infração, registrando a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2016 ALEGAÇÃO DE VIOLAÇÃO DE PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. ATO ADMINISTRATIVO REGULARMENTE EMITIDO. PRINCÍPIO DA LEGALIDADE O ato administrativo de exclusão do Simples Nacional que obedece a todos os requisitos essenciais de validade legal, expondo de forma clara e precisa o motivo da exclusão a que se refere, permite o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa ao interessado e atende aos princípios constitucionais. ARGUIÇÃO DE ILEGALIDADE E/OU INCONSTITUCIONALIDADE. AUSÊNCIA DE COMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. Fl. 122DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 10930.721926/201580 Acórdão n.º 1402004.848 S1C4T2 Fl. 123 8 As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente, não possuindo competência para afastar normas mediante apreciação de sua validade ou constitucionalidade. ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2016 EXCLUSÃO DO SIMPLES. EXISTÊNCIA DE DÉBITO NÃO SUSPENSO. Fica confirmada a exclusão do Simples Nacional quando não comprovada a regularização tempestiva do débito motivador. EXCLUSÃO POR MOTIVO DE DÉBITOS EM COBRANÇA. CONSTITUCIONALIDADE. SENTENÇA STF. REPERCUSSÃO GERAL. A corte máxima já se pronunciou favoravelmente, em decisão de repercussão geral, pela constitucionalidade da exclusão do Simples Nacional por motivo da existência de créditos tributários não suspensos. Inconformada com o v. acórdão, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário repisando os mesmos argumentos da impugnação. Ato contínuo, os autos retornaram para o E. CARF/MF e foram distribuídos para este Conselheiro relatar e votar. É o relatório. Fl. 123DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 10930.721926/201580 Acórdão n.º 1402004.848 S1C4T2 Fl. 124 9 Voto Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves Relator O Recurso Voluntário é tempestivo, porém consta em seu corpo alegações de inconstitucionalidade e ilegalidade de dispositivo de lei que contrariam a Súmula 02 do E. CARF, motivo pelo qual o admitido em parte. Mesmo assim, quanto à alegação relacionada à inconstitucionalidade da Lei Complementar nº 123, de 2006, artigo 17, inciso V (que veda a exclusão do Simples por existência de débitos), cumpre ressaltar que a jurisprudência do STF está pacificada no sentido da constitucionalidade do mencionado dispositivo, após o julgamento do RE 627543/RS, com repercussão geral reconhecida, no qual o plenário do tribunal maior acompanhou por maioria o voto do relator, ministro Dias Tóffoli. Vejamos a ementa do acórdão: Recurso extraordinário. Repercussão geral reconhecida. Microempresa e empresa de pequeno porte. Tratamento diferenciado. Simples Nacional. Adesão. Débitos fiscais pendentes. Lei Complementar nº 123/06. Constitucionalidade. Recurso não provido. 1. O Simples Nacional surgiu da premente necessidade de se fazer com que o sistema tributário nacional concretizasse as diretrizes constitucionais do favorecimento às microempresas e às empresas de pequeno porte. A Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, em consonância com as diretrizes traçadas pelos arts. 146, III, d, e parágrafo único; 170, IX; e 179 da Constituição Federal, visa à simplificação e à redução das obrigações dessas empresas, conferindo a elas um tratamento jurídico diferenciado, o qual guarda, ainda, perfeita consonância com os princípios da capacidade contributiva e da isonomia. 2. Ausência de afronta ao princípio da isonomia tributária. O regime foi criado para diferenciar, em iguais condições, os empreendedores com menor capacidade contributiva e menor poder econômico, sendo desarrazoado que, nesse universo de contribuintes, se favoreçam aqueles em débito com os fiscos pertinentes, os quais participariam do mercado com uma vantagem competitiva em relação àqueles que cumprem pontualmente com suas obrigações. 3. A condicionante do inciso V do art. 17 da LC 123/06 não se caracteriza, a priori, como fator de desequilíbrio concorrencial, pois se constitui em exigência imposta a todas as pequenas e as microempresas (MPE), bem como a todos os microempreendedores individuais (MEI),devendo ser contextualizada, por representar também, forma indireta de se Fl. 124DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 10930.721926/201580 Acórdão n.º 1402004.848 S1C4T2 Fl. 125 10 reprovar a infração das leis fiscais e de se garantir a neutralidade, com enfoque na livre concorrência. 4. A presente hipótese não se confunde com aquelas fixadas nas Súmulas 70, 323 e 547 do STF, porquanto a espécie não se caracteriza como meio ilícito de coação a pagamento de tributo, nem como restrição desproporcional e desarrazoada ao exercício da atividade econômica. Não se trata, na espécie, de forma de cobrança indireta de tributo, mas de requisito para fins de fruição a regime tributário diferenciado e facultativo. 5. Recurso extraordinário não provido. Quanto a alegação da Recorrente de que o ADE de exclusão do Simples é nulo eis que contrariou o Súmula CARF 22 (abaixo transcrita) por não ter demonstrado quais são os débitos que se encontravam em aberto, também entendo que não deve ser acolhida. Vejamos a Súmula CARF 22. Súmula CARF n° 22: É nulo o ato declaratório de exclusão do Simples que se limite a consignar a existência de pendências perante a Dívida Ativa da União ou do INSS, sem a indicação dos débitos inscritos cuja exigibilidade não esteja suspensa. Ocorre, conforme exposto no início do relatório, foi acostado ao ADE o demonstrativo de débitos do próprio Simples Nacional sem exigibilidade suspensa junto a Fazenda Pública Federal. Desta forma, rejeito esta preliminar de nulidade do ADE. De resto, como a matéria dos autos trata apenas da exclusão da Recorrente do Simples Nacional devido a débitos sem exigibilidade suspensa e os argumentos de defesa não apresentam qualquer prova de que tais débitos forma pagos em algum momento, entendo que o v. acórdão deve ser mantido. Ou seja, os débitos que ocasionaram a exclusão do Simples foram indicados no ADE e a Recorrente não apresentou aos autos provas de que teria quitado tais débitos até o momento. Sendo assim, como entendo que o v. acórdão recorrido deve ser mantido, adoto seus fundamentos como razão de decidir. Fl. 125DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 10930.721926/201580 Acórdão n.º 1402004.848 S1C4T2 Fl. 126 11 4. A peça de contestação apresentada pela defesa levanta violação aos princípios constitucionais, tais como, a do tratamento favorecido e diferenciado às microempresas e empresas de pequeno porte e da legalidade. Também alega inconstitucionalidade do procedimento de exclusão em razão da existência de débitos não suspensos. Em preliminar, aduz que houve cerceamento do direito de defesa por ter o ADE se limitado a revelar o período de apuração e o saldo devedor, sem detalhar a que se refere cada pendência. Da preliminar de cerceamento do direito de defesa 5. No corpo do ADE consta um quadro demonstrativo dos débitos motivadores da exclusão (reproduzido no primeiro item do relatório). Foram indicados o período de apuração e o valor original do saldo devedor. Em se tratando de empresa que apura seus tributos no regime do Simples Nacional, cujo recolhimento mensal é único, tais informações são suficientes para identificar os débitos. Assim, o ADE enviado ao contribuinte cumpriu os requisitos legais. A situação concreta ora examinada certamente não é a mesma verificada na configuração dos atos declaratórios emitidos nos primeiros lotes de exclusão do regime favorecido anterior (Simples Federal Lei nº 9.317/96), que ensejaram as sucessivas anulações sumuladas pelo Carf, por não explicitarem quais os débitos motivadores das exclusões. Concluise pela rejeição da preliminar de nulidade levantada pela defendente. Da legalidade do ato administrativo de exclusão 6. Inicialmente vale destacar que, em relação ao regime tributário conhecido como Simples Nacional, a competência da Receita Federal do Brasil, que abrange expedir atos de exclusão, inclusive no caso de existência de débitos para com a Fazenda Pública, está expressa no artigo 33 da Lei Complementar 123, de 2006, combinado com artigos precedentes, conforme abaixo: Das Vedações ao Ingresso no Simples Nacional Art. 17. Não poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou a empresa de pequeno porte: (...) V que possua débito com o Instituto Nacional do Seguro Social INSS, ou com as Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, cuja exigibilidade não esteja suspensa; (...) Art. 28. A exclusão do Simples Nacional será feita de ofício ou mediante comunicação das empresas optantes. (efeitos: a partir de 01/07/2007) (...) Fl. 126DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 10930.721926/201580 Acórdão n.º 1402004.848 S1C4T2 Fl. 127 12 Art. 29. A exclusão de ofício das empresas optantes pelo Simples Nacional darse á quando: (efeitos: a partir de 01/07/2007) I – verificada a falta de comunicação de exclusão obrigatória; (...) Art. 30. A exclusão do Simples Nacional, mediante comunicação das microempresas ou das empresas de pequeno porte, darseá: I por opção; II obrigatoriamente, quando elas incorrerem em qualquer das situações de vedação previstas nesta Lei Complementar; (...) Art.33. A competência para fiscalizar o cumprimento das obrigações principais e acessórias relativas ao Simples Nacional e para verificar a ocorrência das hipóteses previstas no art. 29 desta Lei Complementar é da Secretaria da Receita Federal e das Secretarias de Fazenda ou de Finanças do Estado ou do Distrito Federal, segundo a localização do estabelecimento, e, tratandose de prestação de serviços incluídos na competência tributária municipal, a competência será também do respectivo Município. (...) 6.1. Como se vê, pela legislação acima transcrita, compete à RFB e demais entes federativos fiscalizar o cumprimento das obrigações principais e acessórias das empresas optantes pelo Simples Nacional. Evidente, essa competência inclui verificar (e tomar as devidas providências) no caso de os optantes incidirem nos critérios de vedação ou de exclusão previstos pela lei. Os dispositivos negritados acima demonstram claramente a previsão legal relacionada à exclusão do contribuinte na hipótese de existência de débitos. 7. A Resolução CGSN Nº 94, de 2011, ao regulamentar a citada lei, reafirma a competência legal da RFB. Vejamos os dispositivos: Art. 75. A competência para excluir de ofício a ME ou EPP do Simples Nacional é: (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 29, § 5º; art. 33) I da RFB; II das Secretarias de Fazenda, de Tributação ou de Finanças do Estado ou do Distrito Federal, segundo a localização do estabelecimento; e III dos Municípios, tratandose de prestação de serviços incluídos na sua competência tributária. Fl. 127DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 10930.721926/201580 Acórdão n.º 1402004.848 S1C4T2 Fl. 128 13 § 1º Será expedido termo de exclusão do Simples Nacional pelo ente federado que iniciar o processo de exclusão de ofício. (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 29, § 3º) § 2º Será dada ciência do termo de exclusão à ME ou à EPP pelo ente federado que tenha iniciado o processo de exclusão, segundo a sua respectiva legislação, observado o disposto no art. 110. (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 16, § 1ºA a 1º D; art. 29, §§ 3º e 6º) (...) Art. 76. A exclusão de ofício da ME ou da EPP do Simples Nacional produzirá efeitos: (...) VI a partir do anocalendário subsequente ao da ciência do termo de exclusão, na hipótese de possuir débito com o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), ou com as Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, cuja exigibilidade não esteja suspensa. (Lei Complementar nº123, de 2006, art. 17, inciso V; art. 31, inciso IV) ( Redação dada pela Resolução CGSN nº 100, de 27 de junho de 2012 ) § 1º Na hipótese dos incisos V e VI do caput, a comprovação da regularização do débito ou do cadastro fiscal, no prazo de até 30 (trinta) dias contados da ciência da exclusão de ofício, possibilitará a permanência da ME ou da EPP como optante pelo Simples Nacional. (Lei Complementar nº123, de 2006, art. 31, § 2º) ( Redação dada pela Resolução CGSN nº 100, de 27 de junho de 2012 ) (...)(original sem grifos) 7.1. A empresa que possui débitos, previdenciários ou não, inscritos ou não em Dívida Ativa, cuja exigibilidade não esteja suspensa, não poderá recolher tributos na forma do Simples Nacional, nos termos do artigo 15, inciso XV, da Resolução CGSN Nº 94/2011. Assim, se possui débitos, não pode apurar os tributos pela forma simplificada e, portanto, deve ser excluída. 7.2. O inciso II do artigo 73 da citada Resolução estabelece que a comunicação de exclusão deverá ser feita pelo próprio contribuinte e, no caso de possuir débitos, essa comunicação deverá ser feita até o último dia útil do mês subsequente ao da situação de exclusão. 7.3. Se o contribuinte não comunicar a existência de débitos e permanecer no Simples Nacional, compete à RFB ou demais entes federativos, consoante artigo 75, identificar a situação excludente, expedir termo e iniciar o processo de exclusão, segundo a sua respectiva legislação, respeitados os princípios do contraditório e da ampla defesa. No caso concreto foi dada a Fl. 128DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 10930.721926/201580 Acórdão n.º 1402004.848 S1C4T2 Fl. 129 14 ciência da exclusão e fornecido prazo para regularização dos débitos ou para defesa. 7.4. O artigo 76 trata dos efeitos da exclusão. Na hipótese excludente relativa à existência de débitos, caso o contribuinte não regularize as pendências e não apresente defesa ou, ainda, apresentando manifestação de inconformidade venha a receber decisão definitiva desfavorável, será excluído do Simples Nacional a partir do anocalendário seguinte ao da comunicação de exclusão. Ainda, o prazo para regularização de pendências é de trinta dias após a ciência do ato declaratório de exclusão. 8. Dessa forma, o ato administrativo expedido pela DRF/Londrina (PR) obedece ao princípio da legalidade, vez que encontra amparo legal em sentido estrito. O ato oportuniza a ampla defesa, visto que resta clara a motivação (existência de débitos não suspensos), além de conferir prazo para contestação. 9. Quanto à questão relacionada à inconstitucionalidade da Lei Complementar Nº 123, de 2006, artigo 17, inciso V (vedação ou exclusão por existência de débitos), cumpre ressaltar que a jurisprudência do STF está pacificada no sentido da constitucionalidade do mencionado dispositivo, após o julgamento do RE 627543/RS, com repercussão geral reconhecida, no qual o plenário do tribunal maior acompanhou por maioria o voto do relator, ministro Dias Tóffoli. Vejamos a ementa do acórdão: Recurso extraordinário. Repercussão geral reconhecida. Microempresa e empresa de pequeno porte. Tratamento diferenciado. Simples Nacional. Adesão. Débitos fiscais pendentes. Lei Complementar nº 123/06. Constitucionalidade. Recurso não provido. 1. O Simples Nacional surgiu da premente necessidade de se fazer com que o sistema tributário nacional concretizasse as diretrizes constitucionais do favorecimento às microempresas e às empresas de pequeno porte. A Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, em consonância com as diretrizes traçadas pelos arts. 146, III, d, e parágrafo único; 170, IX; e 179 da Constituição Federal, visa à simplificação e à redução das obrigações dessas empresas, conferindo a elas um tratamento jurídico diferenciado, o qual guarda, ainda, perfeita consonância com os princípios da capacidade contributiva e da isonomia. 2. Ausência de afronta ao princípio da isonomia tributária. O regime foi criado para diferenciar, em iguais condições, os empreendedores com menor capacidade contributiva e menor poder econômico, sendo desarrazoado que, nesse universo de contribuintes, se favoreçam aqueles em débito com os fiscos pertinentes, os quais participariam do mercado com uma Fl. 129DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 10930.721926/201580 Acórdão n.º 1402004.848 S1C4T2 Fl. 130 15 vantagem competitiva em relação àqueles que cumprem pontualmente com suas obrigações. 3. A condicionante do inciso V do art. 17 da LC 123/06 não se caracteriza, a priori, como fator de desequilíbrio concorrencial, pois se constitui em exigência imposta a todas as pequenas e as microempresas (MPE), bem como a todos os microempreendedores individuais (MEI),devendo ser contextualizada, por representar também, forma indireta de se reprovar a infração das leis fiscais e de se garantir a neutralidade, com enfoque na livre concorrência. 4. A presente hipótese não se confunde com aquelas fixadas nas Súmulas 70, 323 e 547 do STF, porquanto a espécie não se caracteriza como meio ilícito de coação a pagamento de tributo, nem como restrição desproporcional e desarrazoada ao exercício da atividade econômica. Não se trata, na espécie, de forma de cobrança indireta de tributo, mas de requisito para fins de fruição a regime tributário diferenciado e facultativo. 5. Recurso extraordinário não provido. 9.1. Dessa forma, não há que se falar em nulidade do ADE de exclusão do Simples Nacional aqui analisado. 10. De qualquer forma, o exame de validade de dispositivo previsto em lei, tendo por parâmetros princípios constitucionais, demandaria controle de constitucionalidade de normas, atividade exercida de maneira exclusiva pelo Poder Judiciário e expressamente vedada no âmbito do Processo Administrativo Fiscal, a teor do art. 26A do Decreto nº 70.235, de 1972: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) (...) 11. Diante de todo o exposto, VOTO no sentido de CONSIDERAR IMPROCEDENTE a manifestação de inconformidade e, em consequência, manter a exclusão do Simples Nacional, com efeitos a partir de 1º de janeiro de 2016. Sendo assim, voto por manter a exclusão da Recorrente do Simples Nacional nos termos do v. acórdão recorrido. Pelo exposto e por tudo que consta processado nos autos, voto por conhecer e negar provimento ao Recurso Voluntário. Fl. 130DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 10930.721926/201580 Acórdão n.º 1402004.848 S1C4T2 Fl. 131 16 (assinado digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves Fl. 131DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 16542.720893/2014-20
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 13 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Thu Aug 27 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE (SIMPLES)
Exercício: 2015
EXCLUSÃO DE OFÍCIO. CRÉDITO COM EXIGIBILIDADE NÃO SUSPENSA. VALIDADE DO ATO DE EXCLUSÃO.
O pedido de revisão do crédito tributário inscrito na dívida ativa não tem o condão, dentro das regras jurídicas vigentes, de suspender a exigibilidade do crédito tributário. Assim, é lícito o ato que exclui o contribuinte do Simples Nacional quando o crédito, embora sujeito à revisão, já se encontrava inscrito na dívida ativa no momento da opção ao sistema simplificado.
Numero da decisão: 1302-004.752
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator.
(documento assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Cleucio Santos Nunes - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Henrique Silva Figueiredo, Gustavo Guimarães da Fonseca, Ricardo Marozzi Gregório, Flávio Machado Vilhena Dias, Andréia Lúcia Machado Mourão, Cleucio Santos Nunes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça (Suplente convocada) e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: CLEUCIO SANTOS NUNES
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CRÉDITO COM EXIGIBILIDADE NÃO SUSPENSA. VALIDADE DO ATO DE EXCLUSÃO. O pedido de revisão do crédito tributário inscrito na dívida ativa não tem o condão, dentro das regras jurídicas vigentes, de suspender a exigibilidade do crédito tributário. Assim, é lícito o ato que exclui o contribuinte do Simples Nacional quando o crédito, embora sujeito à revisão, já se encontrava inscrito na dívida ativa no momento da opção ao sistema simplificado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (documento assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente (documento assinado digitalmente) Cleucio Santos Nunes - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Henrique Silva Figueiredo, Gustavo Guimarães da Fonseca, Ricardo Marozzi Gregório, Flávio Machado Vilhena Dias, Andréia Lúcia Machado Mourão, Cleucio Santos Nunes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça (Suplente convocada) e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório Trata-se de recurso voluntário interposto contra a decisão da 6ª Turma da DRJ/POA que julgou improcedente manifestação de inconformidade oferecida pela contribuinte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 54 2. 72 08 93 /2 01 4- 20 Fl. 149DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 1302-004.752 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16542.720893/2014-20 De acordo com o ADE reproduzido abaixo (fl. 11), a contribuinte foi excluída do Simples Nacional, com efeitos retroativos a 1/1/2015, porque, à época, possuía débitos tributários com exigibilidade não suspensa. Essa situação é causa da exclusão de ofício da contribuinte, nos termos do art. 17, V da LC nº 123, de 2006. Nesse sentido, tem-se os seguintes excertos do ADE, no que é essencial à compreensão da causa: Em 22/10/2014 a empresa ingressou com a impugnação de fls. 2, alegando basicamente que os débitos que teriam motivado o ADE eram resultado de erro nas DASN, as quais foram retificadas. Dos autos constam os Pedido de Revisão Dívida Ativa Inscrita de fls. 73/76 referente aos períodos de 2011 e 2012. Na sequência, o documento de fls. 82/87 esclarece que os débitos da recorrente ali discriminados, referem-se a créditos tributários inscritos na Dívida Ativa da União e que em razão dos PRDIs, parte dos créditos inscritos foi revista, remanescendo débitos que justificavam o prosseguimento da cobrança. De acordo com o documento de fls. 87, em 03/03/2016, a contribuinte pagou o crédito tributário inscrito na DAU, o que é confirmado pelo Parecer de fls. 99. Este parecer informa que o débito foi pago depois de acolhida parte do pedido de revisão. No entanto, isso Fl. 150DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 1302-004.752 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16542.720893/2014-20 não seria suficiente para alterar a exclusão da contribuinte do Simples porque o pagamento não se deu dentro do prazo de 30 dias concedido pelo ADE. No ponto, esclarece o mencionado despacho: Analisando os documentos anexados pelo contribuinte e comparando-os com os dados registrados nos sistemas pode-se constatar que: 1) Contribuinte foi cientificado do ADE DRF/FNS n° 1170393/2014 pela via postal em 29/09/2014 (fls. 79/81), tendo a partir desta data 30 dias para regularização das pendências; 2) Apresentou impugnação em 22/10/2014 (fl. 02); 3) A inscrição motivadora do ADE de exclusão foi objeto do processo de revisão n° 10983.514631/2014-52, no qual, após a correção dos débitos, restou saldo devedor. A sobredita inscrição teve seu valor reduzido mas a cobrança mantida (fls. 82/86). 4) A inscrição n° 91414003769 foi regularizada através de pagamento realizado em 29/02/2016 (fls. 87/98). Tendo em vista que não houve a regularização integral do débito motivador do ADE até a data limite de 29/10/2014 (30 dias após a ciência), proponho a manutenção do ADE DRF/FNS nº 1170393, de 10 de setembro de 2014 e a consequente exclusão do Simples Nacional a partir de 01/01/2015. Com base nesse entendimento, foi mantida a exclusão da contribuinte, conforme despacho de fls. 100. O despacho esclareceu também que contra essa decisão caberia “impugnação” no prazo de 30 dias para a DRJ/Florianópolis. A contribuinte impugnou tal decisão, alegando ofensa aos princípios da razoabilidade e proporcionalidade. Sustentou também que o ADE era nulo, pois os débitos eram objeto de pedido de revisão perante a PGFN sobre os quais, portanto, não existia um juízo certeza. Por conseguinte, a impugnação contra o ADE suspendeu os efeitos do ato de exclusão exatamente por este motivo (fls. 106/111). Em sua decisão a DRJ/POA manteve a validade do ADE por entender que, no caso, a impugnação apresentada pela contribuinte contra o ato de exclusão suspendeu somente os efeitos da própria exclusão. Quanto ao crédito tributário devido, o contribuinte deveria tê-lo pago integralmente dentro do prazo dos 30 dias para que pudesse obstar os seus efeitos. Sobre as alegações de violação aos princípios da razoabilidade e proporcionalidade, invocou as limitações do processo administrativo para não poder aprecia-las. Inconformada, a empresa ingressou com recurso voluntário, praticamente reafirmando seus argumentos da manifestação de inconformidade. O processo foi distribuído para minha relatoria e este é o relatório. Voto Fl. 151DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 1302-004.752 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16542.720893/2014-20 Conselheiro Cleucio Santos Nunes, Relator. 1. DA ADMISSIBILIDADE DO RECURSO O recurso é tempestivo. Conforme se verifica à fl. 126, a recorrente foi intimada da decisão da DRJ em 07/3/2018, por meio de AR. Em 06/4/2018 foi protocolizado o recurso voluntário (fls. 129/136), dentro do prazo de 30 dias, conforme previsto pelo art. 33, do Decreto nº 70.235, de 1972. A matéria que constitui objeto do Recurso está contida na competência da 1ª Seção de Julgamento do CARF, conforme arts. 2º, inciso I, e 7º, caput e §1º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Sobre a regularidade da representação processual, desde a manifestação de inconformidade a recorrente se defende por meio de advogado constituído. Assim, o recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, razão pela qual deve ser conhecido. 2. MÉRITO Não foram arguidas preliminares de nulidade, razão pela qual passo apreciar diretamente as questões de mérito. A questão central, conforme narrado nos fatos, reside na exclusão de ofício da recorrente do regime do Simples Nacional, com fundamento no art. 17, V da LC nº 123, de 2006, conforme se verifica no ADE de fls. 11. O motivo da exclusão de ofício foi a existência de débitos com exigibilidade não suspensa no momento da opção, o que viola a regra do inciso V do art. 17 da LC nº 123, de 2006. Conforme restou esclarecido pelo Parecer de fls. 99 da DRF/Florianópolis, os débitos que motivaram a exclusão de ofício da contribuinte estavam inscritos na DAU sob o nº 91414003769. A inscrição estava sujeita a PRDI apresentado pela contribuinte perante a PGFN, no processo n° 10983.514631/2014-52. Essa circunstância foi informada à DRF/Florianópolis na impugnação interposta contra o ADE (fl. 2). Em que pese a narração dos fatos e fundamentação jurídica da impugnação não serem muito esclarecedoras sobre esses fatos, há que se relevar essa fragilidade, porque a impugnação não pode ser enxergada como um óbice ao direito do próprio contribuinte. Além disso, a DRF teve conhecimento de toda a situação tributária da empresa, tanto que os fatos vieram às claras com o Parecer de fls. 99. Pois bem. O ponto nodal da questão é que a recorrente, dentro do prazo para impugnação do ADE refutou sua exclusão do Simples alegando que os débitos que motivaram o ato eram também objeto de revisão. Portanto, a contribuinte se valeu dos instrumentos Fl. 152DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 1302-004.752 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16542.720893/2014-20 processuais oferecidos pela legislação para pedir a revisão dos débitos tributários contra ela imputados. Ocorre que, depois de o crédito tributário ser inscrito na dívida ativa, não cabem mais reclamações administrativas, na forma do art. 151, III do CTN. Sobre o tema já tivemos oportunidade de escrever o seguinte: 1 Outras consequências poderão advir depois de inscrito o crédito na dívida ativa. Uma delas é a presunção de certeza e liquidez a que expressamente alude o caput do art. 204 do CTN: “a dívida regularmente inscrita goza da presunção de certeza e liquidez e tem o efeito de prova préconstituída”. Hugo de Brito Machado ataca as mencionadas presunções chegando a qualificar de “autoritária” a interpretação dada por parcela dos agentes fiscais aos conceitos de presunção de liquidez e certeza do crédito tributário inscrito. Realmente, as presunções em questão não podem ser absolutas e interpretações abusivas desses vocábulos devem ser evitadas 2 . Entendemos, no entanto, que as presunções de liquidez e certeza são artifícios jurídicos e não exatamente a essência ou finalidade central do ato de inscrição na dívida, que é viabilizar a cobrança executiva do crédito. Caso a lei não mencionasse essas expressões, nem por isso o crédito tributário deixaria de ser exequível, pois o relevante nesse caso é a expedição do título executivo extrajudicial, que servirá de prova pré-constituída da dívida na Execução Fiscal. No Direito Tributário, as presunções de liquidez e certeza do crédito inscrito na dívida ativa constituem a suposição de que existiu procedimento ou processos administrativos válidos e findos, não mais cabendo discussões sobre o montante exigido. Nesse sentido já entendeu o STJ: 5. A inscrição em dívida ativa da Fazenda Pública é ato administrativo indispensável à formação e exequibilidade do título extrajudicial (art. 585, VII, do CPC). Consiste no reconhecimento do ordenamento jurídico de que o Poder Público pode, nos termos da lei, constituir unilateralmente título dotado de eficácia executiva (STJ. Recurso Especial 1.126.631/PR, Rel. Min. Herman Benjamin, j. 20-10-2009, DJe 13-11-2009). No entanto, como toda suposição, as presunções de liquidez e certeza do crédito tributário, embora imbuídas de relevante juridicidade, são passíveis de contestações. Assim, poderá o interessado comprovar que o procedimento ou o processo de apuração do crédito não foram regulares. Poderá também sustentar que o crédito tributário não é exigível por outros fundamentos, tais como a inconstitucionalidade da lei que exige a obrigação tributária, a ilegitimidade do devedor ou nulidades no processo de apuração, ou no próprio ato de inscrição na dívida. Percebe-se que a inscrição na dívida ativa presume a certeza e liquidez do crédito. Tais presunções significam que o lançamento tributário foi realizado e se assegurou ao 1 NUNES, Cleucio Santos. Curso completo de direito processual tributário. 4ª ed. São Paulo: Saraiva, 2020. 2 “A versão autoritária da tese de que se cuida é um resquício lamentável do nazismo e do fascismo. Doutrinas alemãs e italianas tiveram inegável influência na formação do pensamento administrativista em todo o mundo ocidental e mesmo que inconscientemente alguns juristas, ou pseudojuristas, ainda as defendem [...]. Teríamos então de aceitar a presunção de validade dos atos administrativos não porque tais atos sejam verdadeiramente válidos, mas porque seria necessário aceitá--los como tal”. Cf. MACHADO, Hugo de Brito. Comentários ao Código Tributário Nacional, p. 874, v. III. Fl. 153DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 1302-004.752 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16542.720893/2014-20 contribuinte o contraditório e a ampla defesa, com todos os recursos a ela inerentes. Embora o parágrafo único do art. 204 do CTN preveja que a presunção de liquidez e certeza do crédito tributário inscrito possam ser ilididas, não se pode concluir daí a renovação de um contencioso administrativo. Tanto assim que o art. 203 do CTN permite a revisão da CDA até a decisão de primeiro grau nos embargos. Art. 203. A omissão de quaisquer dos requisitos previstos no artigo anterior, ou o erro a eles relativo, são causas de nulidade da inscrição e do processo de cobrança dela decorrente, mas a nulidade poderá ser sanada até a decisão de primeira instância, mediante substituição da certidão nula, devolvido ao sujeito passivo, acusado ou interessado o prazo para defesa, que somente poderá versar sobre a parte modificada. Isso significa que a revisão da dívida ativa poderá ocorrer inclusive depois que o processo de execução fiscal é promovido, não possuindo o PRDI, logicamente, a força jurídica necessária para impedir o seu ajuizamento. Para que seja possível inferir que o PRDI suspende a exigibilidade do crédito tributário, teria que existir previsão legal nesse sentido, o que não é o caso. Nesse sentido tem decidido o Superior Tribunal de Justiça. RECURSO ESPECIAL Nº 1.122.887 - SP (2009⁄0025981-7) RELATOR-:-MINISTRO LUIZ FUX RECORRENTE-:-FAZENDA NACIONAL PROCURADOR-:-PROCURADORIA-GERAL DA FAZENDA NACIONAL RECORRIDO -:-GSC GRUPO DE SERVIÇOS A CARTÕES DE CRÉDITO S⁄C LTDA ADVOGADOS-:-PATRICIA GUIMARÃES HERNANDEZ --MARCELO SALLES ANNUNZIATA E OUTRO(S) EMENTA TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA. FORNECIMENTO DE CERTIDÃO POSITIVA COM EFEITO DE NEGATIVA. PEDIDO DE REVISÃO. POSTERIOR. LANÇAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. 1. A reclamação e o recurso de natureza tributária são atos praticados pelo contribuinte na sistemática do processo administrativo de apuração e constituição do crédito tributário. O Código Tributário Nacional, no art. 151, estabelece, in verbis: "Art. 151. Suspendem a exigibilidade do crédito tributário: I- omissis II- omissis III - as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo. (...)"2. A ratio essendi da atribuição de efeito suspensivo nessas hipóteses é impedir a exigibilidade tributária em face do contribuinte possa ser cobrado na pendência de processo administrativo de lançamento, garantindo, deste modo, seu amplo direito de defesa. 3. In casu, o pedido de revisão do contribuinte foi apresentado após o lançamento definitivo, vale dizer, após a constituição definitiva do crédito tributário. 4. O pedido de revisão de débito consolidado não se enquadra nas situações de suspensão de exigibilidade previstas no inciso III do art. 151 do CTN, pois não se discute a certeza e a exigibilidade do crédito tributário, que já é certa. É vedado ao intérprete conferir interpretação extensiva às situações previstas em seu art. 151 em obediência ao princípio da legalidade. 5. Precedentes do STJ: REsp 1127277⁄SP, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 06⁄04⁄2010, DJe 20⁄04⁄2010; REsp 1114748⁄SC, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 01⁄10⁄2009, DJe Fl. 154DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 1302-004.752 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16542.720893/2014-20 09⁄10⁄2009 6. A título de argumento obiter dictum, ressalte-se que a atribuição de efeito suspensivo do inciso III do art. 151 do CTN somente se inflige aos recursos e reclamações. É que exegese diversa permitiria que após a finalização do lançamento, pudesse o contribuinte suspender a exigibilidade do crédito com um simples pedido de revisão do lançamento. 7. Recurso Especial provido. Registre-se que a Portaria/PGFN nº 33, de 2018, disciplina com mais detalhes o PRDI. No entanto, as hipóteses de efeito suspensivo decorrentes da citada medida são apenas para os casos do art. 7º da Portaria, os quais não contemplam a exigibilidade do crédito tributário. Seja como for, não haveria como ser aplicada a norma em questão sobre fatos ocorridos em 2014. Em síntese, sem lei que enquadre o PRDI como hipótese de suspensão da exigibilidade do crédito tributário, não há como se considerar a inexistência de débitos tributários com exigibilidade não suspensa no caso concreto. Note-se que a própria recorrente e o despacho decisório de fls. 99 esclarecem que o motivo da exclusão do Simples foi a existência de débitos inscritos, cuja liquidez e certeza estavam sujeitas a um PRDI. Em que pese a recorrente ter pago o crédito inscrito depois que a dívida inscrita foi parcialmente revista, isso não altera a legalidade do ato de exclusão, exatamente porque a quitação total do débito ocorreu dois anos depois do ato. Diante do exposto, conheço do recurso e, no mérito, voto por NEGAR PROVIMENTO, mantendo-se a validade do ADE impugnado. (documento assinado digitalmente) Cleucio Santos Nunes Fl. 155DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 15956.000459/2010-71
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 08 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Fri Aug 21 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE (SIMPLES)
Ano-calendário: 2007
SIMPLES FEDERAL. EXCLUSÃO DE OFÍCIO. RECEITA BRUTA SUPERIOR AO LIMITE PREVISTO. EFEITOS.
O contribuinte que na condição de empresa de pequeno porte tenha auferido receita bruta superior a R$2.400.000,00 (dois milhões e quatrocentos mil reais) deve ser excluída do SIMPLES, produzindo seus efeitos a partir do ano-calendário subsequente àquele em que for ultrapassado o limite estabelecido.
Numero da decisão: 1002-001.464
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Ailton Neves da Silva - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Marcelo Jose Luz de Macedo - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ailton Neves da Silva, Marcelo Jose Luz de Macedo, Rafael Zedral e Thiago Dayan da Luz Barros
Nome do relator: MARCELO JOSE LUZ DE MACEDO
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EPP Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE (SIMPLES) Ano-calendário: 2007 SIMPLES FEDERAL. EXCLUSÃO DE OFÍCIO. RECEITA BRUTA SUPERIOR AO LIMITE PREVISTO. EFEITOS. O contribuinte que na condição de empresa de pequeno porte tenha auferido receita bruta superior a R$2.400.000,00 (dois milhões e quatrocentos mil reais) deve ser excluída do SIMPLES, produzindo seus efeitos a partir do ano- calendário subsequente àquele em que for ultrapassado o limite estabelecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Ailton Neves da Silva - Presidente (documento assinado digitalmente) Marcelo Jose Luz de Macedo - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ailton Neves da Silva, Marcelo Jose Luz de Macedo, Rafael Zedral e Thiago Dayan da Luz Barros Relatório Por bem retratar os fatos, reproduz-se inicialmente o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (“DRJ/RPO"), o qual será complementado ao final: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 95 6. 00 04 59 /2 01 0- 71 Fl. 190DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 1002-001.464 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 15956.000459/2010-71 Trata-se de manifestação de inconformidade apresentada pelo contribuinte acima identificado em relação ao Ato Declaratório Executivo nº 323, de 01 de setembro de 2010, o qual determinou a exclusão da empresa do Simples a partir de 01/01/2007. A exclusão originou-se de representação fiscal elaborada pelo Serviço de Fiscalização – SEFIS da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Ribeirão Preto. De acordo com os fatos constantes na Representação Fiscal, em ação fiscal desenvolvida junto à empresa em referência, constatou-se por meio de provas diretas e por presunção legal, que no ano calendário de 2006 a receita bruta da empresa excedeu o limite de R$2.400.000,00 estabelecido pela legislação que rege a matéria, fato que culminou com a sua exclusão do Simples Federal. Na manifestação de inconformidade apresentada aduz, a empresa, que na apuração da receita bruta, deixou a fiscalização de considerar diversas movimentações financeiras que não compõem a receita bruta da empresa, como transferência entre contas, valores recebidos como liberação de financiamentos ou empréstimos e cheques devolvidos. Que o Auto de Infração lavrado deixou de ser impugnado somente em razão da adesão ao parcelamento da Lei nº 11.941/09. E que não obstante a renúncia ao direito de impugnar, os valores indevidamente apurados não podem ser levados a efeito para excluir a empresa do Simples, sob pena de violação aos princípios da verdade material e da razoabilidade. Entende ser necessária uma perícia na contabilidade da empresa a fim de se buscar a verdade material. Insurge-se contra a retroatividade dos efeitos da exclusão a 01/01/2007, afirmando que o artigo 15, II da Lei nº 9.317/96 foi alterado pela Lei nº 9.732/98, determinando a exclusão no mês subseqüente àquele em que se proceder à exclusão. Entende pela aplicação do princípio da anterioridade previsto no artigo 150, II da Constituição Federal. Aduz que o silêncio da administração pública quando apresentado requerimento solicitando ingresso no Simples representa aceitação de que o comportamento do contribuinte estava correto e o mesmo possuía o direito à inscrição no Simples. Entende não ser admissível que o contribuinte faça a opção pelo Simples, apresente declaração ao fim de cada exercício e após vários exercícios seja excluída da aludida sistemática tendo em vista que sua atividade econômica é vedada. Menciona a disposição contida no artigo 100, III do Código Tributário Nacional, que trata como norma complementar a prática reiterada observada pelas autoridades administrativas. E que ao receber mensalmente os valores ao Simples e as declarações anuais, teria a administração criado uma prática reiterada, ensejando a manutenção da empresa no Simples e a impossibilidade de cobrança com efeitos retroativos. Que o artigo 24, II da Instrução Normativa nº 250/2002 também não permite a cobrança retroativa, alegando a sua ilegalidade e inconstitucionalidade por possuir redação diversa da lei. Requer, finalmente, seja acolhida a presente manifestação de inconformidade, mantendo a empresa no Simples. Requer seja reconhecido o efeito suspensivo da presente manifestação. Fl. 191DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 1002-001.464 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 15956.000459/2010-71 Em sessão de 08/05/2013, a DRJ/RPO indeferiu a solicitação do contribuinte, nos termos da ementa abaixo transcrita: SIMPLES FEDERAL. EXCLUSÃO DE OFÍCIO. RECEITA BRUTA SUPERIOR AO LIMITE PREVISTO. EFEITOS. O contribuinte que na condição de empresa de pequeno porte tenha auferido receita bruta superior a R$2.400.000,00 (dois milhões e quatrocentos mil reais) deve ser excluída do SIMPLES, produzindo seus efeitos a partir do ano-calendário subseqüente àquele em que for ultrapassado o limite estabelecido. Nos fundamentos do voto relator (fls. 171/173 do e-processo): No presente caso, foi apurada, em ação fiscal desenvolvida junto à empresa, a obtenção de receita bruta no montante de R$4.177.406,66 no ano calendário de 2006. Naquela oportunidade foram analisados pela autoridade fiscal os documentos contábeis da empresa, confrontando os valores ali contabilizados com a movimentação financeira constante em seus extratos bancários, obtidos diretamente com as instituições financeiras com as quais a empresa havia se relacionado no ano de 2006, diante da recusa na sua apresentação. Por ter a empresa deixado de comunicar a ocorrência da hipótese de exclusão obrigatória, foi procedida à sua exclusão de ofício através do presente. [...] como consignado pela própria manifestante em sua impugnação, teria a mesma renunciado ao direito de recorrer no auto de infração que se destinou à apuração da receita bruta e conseqüente lançamento dos tributos devidos, incluindo o débito no parcelamento previsto na Lei nº 11.941/2009. Ao deixar de apresentar impugnação naquele processo e efetuar o parcelamento do crédito nele constante, deixou o contribuinte de elidir a situação ali descrita, acarretando a consolidação dos fatos no âmbito administrativo por se tratar de matéria não impugnada, nos moldes do artigo 17 do Decreto nº 70.235/72. Em relação aos efeitos da exclusão, como já mencionado acima e conforme disposição expressa contida no artigo 15, IV da Lei nº 9.317/96, no caso da superação do limite de receita bruta, processam os seus efeitos a partir do ano-calendário subseqüente àquele em que referido limite for ultrapassado [...] A disposição mencionada pela manifestante (artigo 15, II) não se aplica ao caso em tela, mas sim às hipóteses de exclusão previstas nos incisos III a XVIII do artigo 9º da norma legal que rege o Simples. Tratando-se, os presentes autos, de situação prevista no inciso II daquele dispositivo legal, a sua exclusão produz efeitos na forma do inciso IV acima transcrito. Improcedente o entendimento manifestado pelo contribuinte segundo o qual a prática reiterada dos atos como optante pelo Simples geraria o direito à manutenção da opção. Verificada a efetiva ocorrência de hipótese de exclusão do Simples, compete à autoridade administrativa o cumprimento das disposições legais que no presente caso, determina que a exclusão seja processada de ofício. Quanto ao efeito suspensivo requerido pela manifestante, deve ser esclarecido que à exclusão de ofício processada por ato declaratório administrativo aplica-se a legislação relativa ao processo administrativo fiscal, por expressa previsão constante no §3o do artigo 32 da Instrução Normativa SRF nº 9/99. Assim, o efeito suspensivo nos casos de apresentação de impugnação tempestiva decorre de expressa previsão constante no Fl. 192DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 1002-001.464 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 15956.000459/2010-71 artigo 151, III do Código Tributário Nacional independentemente de qualquer manifestação da autoridade julgadora. Irresignado, o contribuinte apresentou recurso voluntário no qual reiterou todos os seus argumentos de defesa apresentados em sede de manifestação de inconformidade Com relação aos argumentos da DRJ/RPO, alega que embora não tenha recorrido dos fatos referente à apuração da receita bruta no processo próprio de lançamento, eles não poderiam ser desconsiderados no presente processo de exclusão, em respeito ao princípio da verdade material, segundo o qual a Autoridade Julgadora deveria apreciar os fatos e alegações para afastar penalidades desproporcionais ou sem respaldo na realidade. É o relatório. Voto Conselheiro Marcelo Jose Luz de Macedo, Relator Tempestividade Como se denota dos autos, o contribuinte tomou ciência acórdão recorrido em 22/05/2013 (fls. 177 do e-processo), apresentando o recurso voluntário, ora analisado, no dia 18/06/2013 (fls. 178 do e-processo), ou seja, dentro do prazo de 30 dias, nos termos do que determina o artigo 33 do Decreto nº 70.235/1972. Portanto, é tempestiva a defesa apresentada e, por isso, deve ser analisada por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (“CARF”). Mérito Desde já, convém esclarecer que as Turmas Extraordinárias deste Conselho não possuem competência para apreciar recursos relativos a exclusão e inclusão do Simples Federal e do Simples Nacional vinculados a exigência de crédito tributário. Nesse sentido, o presente recurso voluntário somente será analisado devido ao fato de o contribuinte não ter apresentado impugnação ao lançamento o qual motivou a sua Fl. 193DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 1002-001.464 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 15956.000459/2010-71 exclusão do Simples Federal, tendo o incluído desde o início em parcelamento. Este é o entendimento pacífico desta 2ª Turma Extraordinária na composição atual. Assim, relembrando os fatos narrados no breve relato do caso, a exclusão a qual se discute decorreu de um procedimento de fiscalização o qual identificou que a receita bruta do contribuinte, no ano-calendário de 2006, foi superior ao montante indicado por ele, o que atraiu a aplicação do artigo 9º, II, da Lei nº 9.317/1996, cuja redação segue abaixo transcrita: Art. 9° Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: II - na condição de empresa de pequeno porte que tenha auferido, no ano-calendário imediatamente anterior, receita bruta superior a R$ 2.400.000,00 (dois milhões e quatrocentos mil reais); Pois bem, o contribuinte em questão foi autuado em procedimento de lançamento específico para cobrança da receita não declarada, preferindo incluir o débito, todavia, no parcelamento instituído pela Lei nº 11.941/09, a qual dispõe em seu artigo 5º que: Art. 5º A opção pelos parcelamentos de que trata esta Lei importa confissão irrevogável e irretratável dos débitos em nome do sujeito passivo na condição de contribuinte ou responsável e por ele indicados para compor os referidos parcelamentos, configura confissão extrajudicial nos termos dos arts. 348, 353 e 354 da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 – Código de Processo Civil, e condiciona o sujeito passivo à aceitação plena e irretratável de todas as condições estabelecidas nesta Lei. O referido dispositivo revela um traço característico de todos os procedimentos de parcelamento até então instituídos que é a confissão do débito. É importante ressaltar que essa confissão somente pode incidir sobre fatos. Em outras palavras, quando o contribuinte confessa um débito para incluí-lo em um programa de parcelamento, ele está na verdade confessando os fatos que resultaram na constituição da relação jurídica tributária. Portanto, admitir a rediscussão da receita bruta do ano-calendário de 2006 – como pretende o contribuinte em sua defesa – seria admitir a possibilidade de qualificações jurídicas distintas para um mesmo fato, o que, por óbvio, é impossível. Ao confessar seu débito e reconhecer que a receita bruta, de fato, era aquela apontada pela fiscalização, o contribuinte aceitou todas as consequências daí advindas. Fl. 194DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 1002-001.464 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 15956.000459/2010-71 Seria teratológico admitir um valor de receita bruta apurado para fins de cálculo de tributo devido e um valor distinto de receita bruta apurado para fins de manutenção no Simples Nacional. Mais uma vez, o que estamos afirmando no momento é que o contribuinte abriu mão de discutir o valor da receita bruta apurada no ano-calendário de 2006 para reconhecer como verdadeiro o valor da receita bruta apurado pela fiscalização. A única hipótese de rediscussão da matéria fática seria na hipótese de constatado um defeito capaz de anular a confissão, como nos casos de erro, dolo, simulação e fraude. Todavia, não é o que pretende o contribuinte. Ele não questiona a sua confissão, a qual não parece possuir qualquer tipo de vício. Pretende-se tão somente uma requalificação de fatos já confessados, o que repetimos mais uma vez, não é possível. Nesse sentido, o acórdão recorrido é irretocável, razão pela qual deve ser mantidos por todos os seus argumentos. O contribuinte tampouco tem razão ao pretender a aplicação do artigo 15, II da Lei nº 9.317/1996, o qual somente é aplicável para as hipóteses de exclusão de que tratam os incisos III a XVIII do artigo 9º da mesma lei. A vedação discutida no presente caso concreto encontra-se prevista no artigo 9º, II, cujo os efeitos da exclusão obedecem ao disposto no artigo 15, IV, veja-se a sua redação: Art. 15. A exclusão do SIMPLES nas condições de que tratam os arts. 13 e 14 surtirá efeito: IV - a partir do ano-calendário subseqüente àquele em que for ultrapassado o limite estabelecido, nas hipóteses dos incisos I e II do art. 9°; Por fim, quanto ao argumento do princípio da irretroatividade, ressalte-se que todos os dispositivos e todos os julgados mencionados pelo contribuinte em seu recurso voluntário são inaplicáveis ao presente caso concreto. Trata-se de princípio cuja aplicabilidade está voltada para a cobrança de tributo retroativamente a lei que o tenha instituído ou aumentado. A retroatividade no caso do Simples decorre da exclusão do contribuinte ao regime o qual ele não poderia optar. A própria Lei nº 9.317/1996 prevê as regras relativas aos efeitos no tempo para cobrança, o que, in casu, foi devidamente observado. Fl. 195DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 1002-001.464 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 15956.000459/2010-71 Face ao exposto, o acórdão da DRJ/RPO deve ser mantido em sua íntegra pelos seus argumentos, os quais não merecem qualquer reparo. Portanto, voto para negar provimento ao recurso voluntário do contribuinte. (documento assinado digitalmente) Marcelo Jose Luz de Macedo Fl. 196DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 10880.916863/2008-51
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 03 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Thu Sep 17 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ)
Ano-calendário: 2003
COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO.
A contribuinte não retificou a DCTF, e tampouco apresentou documentos hábeis a comprovar o alegado erro de fato no seu preenchimento, de modo que não logrou comprovar a liquidez e certeza do crédito tributário pleiteado.
Numero da decisão: 1003-001.916
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Wilson Kazumi Nakayama - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Wilson Kazumi Nakayama e Carmen Ferreira Saraiva( Presidente)
Nome do relator: Wilson Kazumi Nakayama
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PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. A contribuinte não retificou a DCTF, e tampouco apresentou documentos hábeis a comprovar o alegado erro de fato no seu preenchimento, de modo que não logrou comprovar a liquidez e certeza do crédito tributário pleiteado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva - Presidente (documento assinado digitalmente) Wilson Kazumi Nakayama - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Wilson Kazumi Nakayama e Carmen Ferreira Saraiva( Presidente) Relatório Trata-se de recurso voluntário contra o acórdão 14-48.766, de 26 de fevereiro de 2014, da 5ª Turma da DRJ/RPO, que considerou a manifestação de inconformidade improcedente. A contribuinte formalizou o Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (PER/DCOMP) nº 31908.58541.120304.1.3.04-3181, em 12/03/2004, e-fls. 7- AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 68 63 /2 00 8- 51 Fl. 102DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 1003-001.916 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10880.916863/2008-51 11, utilizando-se de crédito relativo a pagamento indevido ou a maior de IRPJ do período de apuração 31/12/2003 no valor de R$ 855,00, recolhido com DARF no valor de R$ 14.035,62 na data de 26/01/2004. A compensação não foi homologada, conforme consta no Despacho Decisório eletrônico n° de rastreamento 783789319 juntado à e-fl. 2, porque a partir das características do DARF discriminado o PER/DCOMP foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Contra o Despacho Decisório a contribuinte apresentou impugnação onde alegou que cometeu um equívoco ao informar no PER/DCOMP, ora em análise, que o período de apuração era o “4º trimestre de 2003” quando o correto seria o “1º trimestre de 2004” e que no campo “principal” informou o valor de R$ 855,00, quando o correto seria R$ 836,90. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente pela 5ª Turma da DRJ/RPO pelo fato de ser incabível o pedido para retificação do PER/DCOMP após ser proferido o Despacho Decisório e também da DCTF, por não ser de competência das delegacias de julgamento e não se tratar de simples erro de preenchimento, mas de vício insuperável até por conta do decurso de prazo de 5 anos para pleitear a restituição. Irresignada com o r. acórdão a contribuinte, ora Recorrente, encaminhou recurso voluntário em 24/06/2016 (e-fls. 51-54) onde alega que o valor apurado da IRPJ do 4º trimestre de 2003 foi de R$ 13.180,62 mas recolheu DARF no valor de R$ 14.035,62, tendo recolhido portanto R$ 855,00 a maior do que o devido. Aduz que ao elaborar a DCTF do 4º trimestre de 2003 informou erradamente o valor da IRPJ do 4º trimestre como sendo de R$ 14.035,62, e que o valor correto da IRPJ do 4º trimestre foi de R$ 13.180,62 9, informado na DIPJ 2004. Alega que em 12/03/2004 apresentou PER/DCOMP informando o erro, e que não apresentou DCTF retificadora. Defende que o Parecer Normativo Cosit nº 2 de 28 de agosto de 2015, autoriza o encaminhamento de DCTF retificadora mesmo depois de emitido o Despacho Decisório, uma vez que cometeu equívoco na apresentação da DCTF, o que respaldaria o crédito pretendido. Aduz que não foi possível a retificação do PER/DCOMP e nem da DCTF, no prazo legal, porque o processo estava em análise pela RFB desde 08 de setembro de 2008, a decisão foi exarada somente na sessão de 26 de fevereiro de 2014, sendo que tomou conhecimento do acórdão somente em 25 de maio de 2016. Requer ao final do provimento do recurso. É o Relatório. Voto Fl. 103DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 1003-001.916 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10880.916863/2008-51 Conselheiro Wilson Kazumi Nakayama, Relator. Não foi juntada aos autos o comprovante de ciência da Recorrente do acórdão de manifestação de inconformidade, de modo que para não incorrer em seu prejuízo considerarei o recurso como tempestivo, e como atende os demais requisitos de admissibilidade dele tomo conhecimento. A Recorrente pleiteia crédito de R$ 855,00 por suposto pagamento a maior de IRPJ do 4º trimestre de 2003, por ter recolhido DARF no valor de R$ 14.035,62 e ter apurado IRPJ, informado na DIPJ 2004, no valor de R$ 13.180,62. A compensação não foi homologada pela Autoridade Administrativa pelo fato do DARF informado no PER/DCOMP ter sido totalmente alocado a débito confessado em DCTF. A Recorrente em sede de manifestação de inconformidade aduziu apenas erro na indicação do período de apuração do débito compensado, que seria do 1º trimestre de 2004 e não do 4º trimestre de 2003. Em sede de recurso voluntário esclarece que o valor apurado do IRPJ do 4º trimestre de 2003 foi de R$ 13.180,62 mas recolheu DARF no valor de R$ 14.035,62, pleiteando, portanto, crédito por pagamento a maior de IRPJ no valor de R$ 855,00. Ocorre que a Recorrente não apresenta nenhum documento para comprovação do erro de preenchimento da DCTF. Tampouco apresentou a DCTF retificadora antes da emissão do Despacho Decisório. Em sede recursal a Recorrente alega que o FISCO, por meio Parecer Normativo Cosit nº 2 de 28 de agosto de 2015, entende possível o encaminhamento da DCTF retificadora, mesmo depois de emitido o Despacho Decisório. De fato, o FISCO reconheceu a possibilidade de encaminhamento de DCTF retificadora, mesmo depois de emitido o Despacho Decisório, entendimento esse consignado no Parecer Normativo Cosit nº 2 de 28 de agosto de 2015. Contudo, considerando que a Recorrente fez referência ao Parecer Normativo Cosit nº 2 de 28 de agosto de 2015, intui-se que leu o posicionamento do FISCO quanto a necessidade de comprovação do erro alegado no preenchimento da DCTF, conforme as seguintes respostas contida no referido Parecer Normativo: 1- Após a transmissão do PER/DCOMP, pode a DCTF ser retificada com o intuito de formalizar o indébito objeto de compensação? Sim. Essa é a diretriz adotada pela RFB na análise eletrônica dos PER/DCOMP. Tal diretriz está ainda mais evidente com a implantação da autorregularização. 2- Em caso positivo, a retificação da DCTF, sozinha, é suficiente para a comprovação do pagamento indevido ou a maior? Se a retificação da DCTF for suficiente, há um limite temporal para que ela produza os efeitos de uma declaração original (antes da ciência do despacho decisório, a qualquer tempo ou antes de 5 anos do fato gerador)? (grifei) Fl. 104DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 1003-001.916 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10880.916863/2008-51 a. Não, a DCTF por si só não é suficiente para a comprovação do pagamento indevido ou a maior. É necessário que os valores informados na DCTF estejam coerentes com outras declarações enviadas à RFB, a exemplo da DIPJ, Dacon, DIRF, em cada caso, ou confirmados por documentos fiscais ou contábeis acostados aos autos. Isso porque a existência de crédito líquido e certo é requisito legal para a concessão da compensação (CTN, art. 170). A divergência entre os valores informados na DCTF em relação a outras declarações não elidida por provas, afasta a certeza do crédito e é razão suficiente para o indeferimento da compensação. (grifei) b. A retificação da DCTF pode ser encaminhada a qualquer momento, desde que não tenha expirado o prazo para sua efetivação. O prazo extingue-se em 5 (cinco) anos contados a partir do 1º (primeiro) dia do exercício seguinte ao qual se refere a declaração, conforme prescreve a Instrução Normativa RFB 1.110/2010, art. 9º, § 5º. 3- É possível o reconhecimento do crédito com base em provas ou indícios sem a retificação da DCTF? Não. A DCTF é confissão de dívida, portanto sua retificação é imprescindível para o reconhecimento do crédito. A existência de crédito líquido e certo é requisito legal para a concessão da compensação (CTN, art. 170). A divergência entre os valores informados na DCTF afasta a certeza do crédito e é razão suficiente para o indeferimento do pedido. No âmbito do CARF, mesmo não apresentando a DCTF retificadora, desde que a a Recorrente apresente documentação apta a comprovar o erro alegado: escrituração contábil (Balanço/balancetes, Livro Diário e Razão e documentos de suporte dos lançamentos) e documentos fiscais (LALUR e notas fiscais) que demostrem o erro de preenchimento da DCTF, o Colegiado tem reconhecido a possibilidade de formação do indébito. Não basta a apresentação apenas da DIPJ e do DARF. E o motivo é muito singelo, pois trata-se de declaração elaborada pelo próprio interessado, que por si só não é suficiente para comprovação da liquidez e certeza do crédito. Veja que a DIPJ não é confissão de dívida, e portanto não se presta, por si só, para que o FISCO exija o crédito tributário. Esse o entendimento pacificado no CARF com a Súmula CARF n° 92, abaixo reproduzida: Súmula CARF nº 92 A DIPJ, desde a sua instituição, não constitui confissão de dívida, nem instrumento hábil e suficiente para a exigência de crédito tributário nela informado. Acórdãos Precedentes: Acórdão nº 3401-001.637, de 10/11/2011; Acórdão nº 1302-00.620, de 30/6/2011; Acórdão nº 3101-00.664, de 7/4/2011; Acórdão nº 9101-00.503, de 25/1/2010; Acórdão nº 105-17.341, de 13/11/2008; Acórdão nº 103-22.990, de 25/4/2007; Acórdão nº 01- 05.624, de 26/03/2007; Acórdão nº 108-07.492, de 14/08/2003 Se a apenas a DIPJ não é suficiente para exigência de crédito tributário por parte do FISCO, eis que não tem natureza jurídica de tributo lançado, também não pode, por si só, ser suficiente para pleitear indébito tributário. Além da informação prestada na DIPJ, a Recorrente deveria ter apresentado para a defesa de seus interesses outras provas indispensáveis para atestar a legitimidade do direito vindicado, como Livro Diário, Livro de Apuração do Lucro Real, balancetes transcritos na sua escrita contábil, quadro analítico descritivo e detalhado do suposto crédito e as declarações fiscais do período com eles relacionados (DCTF, DACON, etc), bem como dos documentos que Fl. 105DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 1003-001.916 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10880.916863/2008-51 lhes deem suporte. O embasamento está no Decreto 7.574/2011, artigos 26 a 27, transcrito a seguir: Art. 26. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do sujeito passivo dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (Decreto-Lei no 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 9º, §1º). Parágrafo único. Cabe à autoridade fiscal a prova da inveracidade dos fatos registrados com observância do disposto no caput (Decreto-Lei no 1.598, de 1977, art. 9º, § 2º). Art. 27. O disposto no parágrafo único do art. 26 não se aplica aos casos em que a lei, por disposição especial, atribua ao sujeito passivo o ônus da prova de fatos registrados na sua escrituração (Decreto-Lei no 1.598, de 1977, art. 9o, § 3o). A obrigatoriedade de apresentação das provas pela Recorrente está arrimada no Código de Processo Civil, em seu art. 373: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I - ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II - ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Considerando que o artigo 170 do CTN só autoriza a compensação de débitos tributários com créditos líquidos e certos dos interessados frente à Fazenda Pública; e que a Recorrente não apresentou documentos capazes de confirmar o crédito tributário vindicato, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso. (documento assinado digitalmente) Wilson Kazumi Nakayama Fl. 106DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 10283.721098/2008-22
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 03 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Wed Aug 19 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL (ITR)
Exercício: 2005
MULTA. ALEGAÇÃO DE CARÁTER CONFISCATÓRIO. IMPOSSIBILIDADE DE SEU AFASTAMENTO OU ALTERAÇÃO.
Inexiste a possibilidade dos órgãos de julgamento administrativo afastarem/alterarem a multa de ofício aplicada, sob o fundamento de que seria confiscatória.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).
ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. INEXISTÊNCIA DE LAUDO TÉCNICO OU ATO DO PODER PÚBLICO A RECONHECENDO.
Para fins de exclusão da tributação relativamente à área de preservação permanente é necessária a comprovação dessa área por meio de laudo técnico idôneo ou do Ato do Poder Público que assim a declarou.
ÁREA DE RESERVA LEGAL. INEXISTÊNCIA DE LAUDO TÉCNICO OU DE AVERBAÇÃO NA MATRÍCULA DO IMÓVEL ANTES DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR.
Nos termos do Enunciado de Súmula CARF nº 122, a averbação da Área de Reserva Legal (ARL) na matrícula do imóvel em data anterior ao fato gerador supre a eventual falta de apresentação do Ato declaratório Ambiental (ADA). Assim, deve ser mantida a glosa da Área de Reserva Legal cuja averbação na matrícula do imóvel é posterior ao início do próprio procedimento fiscal.
Numero da decisão: 2402-008.283
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, aplicando-se o decidido no julgamento do processo 10283.721078/2008-51, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Francisco Ibiapino Luz, Gregório Rechmann Junior, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini, Rafael Mazzer de Oliveira Ramos, Marcio Augusto Sekeff Sallem e Ana Cláudia Borges de Oliveira.
Nome do relator: DENNY MEDEIROS DA SILVEIRA
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL (ITR) Exercício: 2005 MULTA. ALEGAÇÃO DE CARÁTER CONFISCATÓRIO. IMPOSSIBILIDADE DE SEU AFASTAMENTO OU ALTERAÇÃO. Inexiste a possibilidade dos órgãos de julgamento administrativo afastarem/alterarem a multa de ofício aplicada, sob o fundamento de que seria confiscatória. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. INEXISTÊNCIA DE LAUDO TÉCNICO OU ATO DO PODER PÚBLICO A RECONHECENDO. Para fins de exclusão da tributação relativamente à área de preservação permanente é necessária a comprovação dessa área por meio de laudo técnico idôneo ou do Ato do Poder Público que assim a declarou. ÁREA DE RESERVA LEGAL. INEXISTÊNCIA DE LAUDO TÉCNICO OU DE AVERBAÇÃO NA MATRÍCULA DO IMÓVEL ANTES DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. Nos termos do Enunciado de Súmula CARF nº 122, a averbação da Área de Reserva Legal (ARL) na matrícula do imóvel em data anterior ao fato gerador supre a eventual falta de apresentação do Ato declaratório Ambiental (ADA). Assim, deve ser mantida a glosa da Área de Reserva Legal cuja averbação na matrícula do imóvel é posterior ao início do próprio procedimento fiscal.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, aplicando-se o decidido no julgamento do processo 10283.721078/2008-51, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Francisco Ibiapino Luz, Gregório Rechmann Junior, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini, Rafael Mazzer de Oliveira Ramos, Marcio Augusto Sekeff Sallem e Ana Cláudia Borges de Oliveira.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2020-08-19T21:07:38Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: pdfsam-console (Ver. 2.3.0e); access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2020-08-19T21:07:38Z; Last-Modified: 2020-08-19T21:07:38Z; dcterms:modified: 2020-08-19T21:07:38Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2020-08-19T21:07:38Z; pdf:docinfo:creator_tool: pdfsam-console (Ver. 2.3.0e); access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2020-08-19T21:07:38Z; meta:save-date: 2020-08-19T21:07:38Z; pdf:encrypted: true; modified: 2020-08-19T21:07:38Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2020-08-19T21:07:38Z; created: 2020-08-19T21:07:38Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; Creation-Date: 2020-08-19T21:07:38Z; pdf:charsPerPage: 2042; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2020-08-19T21:07:38Z | Conteúdo => S2-C 4T2 Ministério da Economia Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 10283.721098/2008-22 Recurso Voluntário Acórdão nº 2402-008.283 – 2ª Seção de Julgamento / 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 3 de junho de 2020 Recorrente EDSON BARCELOS DA SILVA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL (ITR) Exercício: 2005 MULTA. ALEGAÇÃO DE CARÁTER CONFISCATÓRIO. IMPOSSIBILIDADE DE SEU AFASTAMENTO OU ALTERAÇÃO. Inexiste a possibilidade dos órgãos de julgamento administrativo afastarem/alterarem a multa de ofício aplicada, sob o fundamento de que seria confiscatória. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. INEXISTÊNCIA DE LAUDO TÉCNICO OU ATO DO PODER PÚBLICO A RECONHECENDO. Para fins de exclusão da tributação relativamente à área de preservação permanente é necessária a comprovação dessa área por meio de laudo técnico idôneo ou do Ato do Poder Público que assim a declarou. ÁREA DE RESERVA LEGAL. INEXISTÊNCIA DE LAUDO TÉCNICO OU DE AVERBAÇÃO NA MATRÍCULA DO IMÓVEL ANTES DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. Nos termos do Enunciado de Súmula CARF nº 122, a averbação da Área de Reserva Legal (ARL) na matrícula do imóvel em data anterior ao fato gerador supre a eventual falta de apresentação do Ato declaratório Ambiental (ADA). Assim, deve ser mantida a glosa da Área de Reserva Legal cuja averbação na matrícula do imóvel é posterior ao início do próprio procedimento fiscal. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, aplicando-se o decidido no julgamento do processo 10283.721078/2008-51, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira – Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 72 10 98 /2 00 8- 22 Fl. 105DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2402-008.283 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10283.721098/2008-22 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Francisco Ibiapino Luz, Gregório Rechmann Junior, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini, Rafael Mazzer de Oliveira Ramos, Marcio Augusto Sekeff Sallem e Ana Cláudia Borges de Oliveira. Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos, prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015, e, dessa forma, adoto neste relatório excertos do relatado no Acórdão nº 2402-008.281, de 3 de junho de 2020, que lhe serve de paradigma. Trata-se de recurso voluntário em face da decisão da decisão de primeira instância que julgou procedente em parte a impugnação apresentada pelo sujeito passivo. Na origem, trata-se o presente caso de Notificação de Lançamento com vistas a exigir débitos de ITR em decorrência da constatação, pela Fiscalização, das seguintes infrações cometidas pelo Contribuinte: (i) não comprovação da área de preservação permanente e (ii) não comprovação, por meio de Laudo de Avaliação do imóvel, conforme estabelecido na NBR 14.653-3 da ABNT, do valor da terra nua declarado. Cientificado do lançamento fiscal, o Contribuinte apresentou a sua impugnação, a qual foi julgada procedente em parte pela DRJ, em decorrência da alteração do VTN arbitrado pela autoridade fiscal. Cientificado da decisão exarada pela DRJ, o Contribuinte apresentou o recurso voluntário, reiterando as razões de defesa deduzidas em sede de impugnação, nos seguintes pontos, em síntese: (i) caráter confiscatório da multa de 75% aplicada, (ii) da Área de Preservação Permanente e (iii) da Área de Reserva Legal. É o relatório. Voto Conselheiro Denny Medeiros da Silveira, Relator Como já destacado, o presente julgamento segue a sistemática dos recursos repetitivos, nos termos do art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do RICARF, desta forma reproduzo o voto consignado no Acórdão nº 2402-008.281, de 3 de junho de 2020, paradigma desta decisão. O recurso voluntário é tempestivo e atende os demais requisitos de admissibilidade. Deve, portanto, ser conhecido. Conforme exposto no relatório supra, trata-se o presente caso de Notificação de Lançamento com vistas a exigir débitos de ITR em decorrência da constatação, pela Fiscalização, das seguintes infrações cometidas pelo Contribuinte: (i) não comprovação da área de preservação Fl. 106DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2402-008.283 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10283.721098/2008-22 permanente e (ii) não comprovação, por meio de Laudo de Avaliação do imóvel, conforme estabelecido na NBR 14.653-3 da ABNT, do valor da terra nua declarado. O Contribuinte, em sede de recurso voluntário, reitera parcialmente suas razões de defesa apresentadas na impugnação, sustentando, em síntese, (i) o caráter confiscatório da multa de 75% aplicada, (ii) a existência de 8,00 ha de Área de Preservação Permanente e (iii) a existência de 1.200,00 ha de Área de Reserva Legal. Passemos, então, à análise de cada um dos itens de defesa do Recorrente. Do Caráter Confiscatório da Multa de 75% Aplicada Arguiu o Recorrente que a multa teria sido aplicada de forma excessiva e atentatória a sua capacidade contributiva. Razão não lhe assiste! Como é do conhecimento de todos, a aplicação da multa de ofício é operação vinculada, que não comporta emissão de juízo de valor quanto à agressão da medida ao patrimônio do sujeito passivo, haja vista que, uma vez definido o patamar da sua quantificação pelo legislador, fica vedado ao aplicador da lei ponderar quanto a sua justeza, restando-lhe apenas aplicar a multa no quantum previsto pela legislação. Cumprindo essa determinação a autoridade fiscal, diante das infrações apuradas, aplicou a multa no patamar fixado na legislação. Ademais, caso se afastasse a multa, tal como pretendido pelo Recorrente, estar-se-ia declarando, ainda que de forma subliminar, a inconstitucionalidade da norma tributária. Isto não é possível nesta instância de julgamento, posto que é vedado ao órgão administrativo declarar inconstitucionalidade de norma vigente e eficaz. Nessa linha de entendimento, o Enunciado de Súmula CARF nº 2: Súmula CARF Nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Esse Enunciado é de observância obrigatória, nos termos do “caput” do art. 72 do Regimento Interno do CARF, inserto no Anexo II da Portaria MF n.º 343, de 09/06/2015. Como se vê, este Colegiado não tem competência para se pronunciar sobre a alegação de caráter confiscatório da multa aplicada, uma vez que o fisco tão somente utilizou os instrumentos legais de que dispunha para efetuar a autuação. Nega-se, portanto, provimento ao recurso voluntário neste particular. Da Área de Preservação Permanente No que tange à Área de Preservação Permanente (APP), tem-se que o Contribuinte declarou na sua DITR/2003, uma área de 1.208,00 ha de APP. Fl. 107DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 2402-008.283 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10283.721098/2008-22 Informa a Fiscalização que, após regularmente intimado, o Contribuinte não comprovou a isenção da área declarada a título de preservação permanente no imóvel rural. Acrescenta, ainda, a autoridade administrativa fiscal, que: O contribuinte autuado declarou em seu Documento de Informação e Apuração do ITR (DIAT) possuir, no referido imóvel, as Áreas de Preservação Permanente descritas nos artigos 2° e/ou 3° da Lei n° 4.771, de 15 de setembro de 1965 (Código Florestal), com a redação dada pela Lei n° 7.803, de 18 de julho de 1989. Porém, o sujeito passivo em epígrafe não apresentou, até a presente data, o Laudo Técnico ou a Certidão de órgão público competente, solicitados mediante o Termo de Intimação supracitado, que comprovam a existência de tais áreas declaradas. Além disso, para poder usufruir o benefício de isenção destas áreas de interesse ambiental no cálculo do ITR, as áreas declaradas a título de Preservação Permanente e de Reserva Legal devem ser obrigatoriamente informadas em Ato Declaratório Ambiental (ADA), protocolado pelo sujeito passivo no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), conforme preceitua o artigo 17-0 da Lei n° 6.938, de 31 de agosto de 1981, com a redação dada pelo artigo 1° da Lei n° 10.165, de 27 de dezembro de 2000, combinado com o art. 17, I, II e III da IN SRF n° 60/01. Como se vê, a glosa realizada pela Fiscalização está embasada em duas premissas, a saber: (i) não apresentação de Laudo Técnico ou Certidão de órgão público competente que comprove a existência da APP e (ii) não declaração da referida área em Ato Declaratório Ambiental tempestivo, referente ao período fiscalizado. O Contribuinte esclarece que, do total da área de 1.208,0 ha declarada em sua DITR/2003 como Preservação Permanente, apenas 8,0 ha, em verdade, trata-se de APP, sendo a diferença, de 1.200,0 ha, Área de Reserva Legal. Na sequência, defende a prescindibilidade de apresentação do ADA para exclusão das Áreas de Preservação Permanente e Reserva Legal da base de cálculo do ITR. Pois bem! Sobre o tema, esclarecedoras são conclusões alcançadas pelo Conselheiro João Maurício Vital no Acórdão nº 2301-005.968, de 08 de abril de 2019, in verbis: Com respeito à exigência de Ato Declaratório Ambiental (ADA), como requisito para gozo da isenção do ITR nas Áreas de Preservação Permanente e de Interesse Ecológico, primeiramente cumpre registrar que sua apresentação passou a ser obrigatória com a Lei nº 10.165, de 27 de dezembro de 2000, que alterou a redação do § 1º do art. 17-O da Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981: Art. 17-O. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao IBAMA a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei no 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria. § 1º A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória. Fl. 108DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 2402-008.283 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10283.721098/2008-22 (...) Entretanto, o Poder Judiciário tem inúmeros precedentes, aplicáveis a fatos geradores anteriores à Lei nº 12.651, de 2012, a qual aprovou o Novo Código Florestal, no sentido da dispensa da apresentação do ADA para reconhecimento da isenção das áreas de preservação permanente e de reserva legal, com vistas a afastá-las da tributação do ITR. A Procuradoria Geral da Fazenda Nacional emitiu, sobre tal assunto, o Parecer PGFN/CRJ nº 1329/2016, por meio do qual adequou sua atuação ao entendimento pacífico do STJ, resultando em nova redação para o item 1.25 da Lista de Dispensa de Contestar e Recorrer da PGFN (lista essa relativa a temas em relação aos quais se aplica o disposto no art. 19 da Lei nº 10.522/02 e nos arts. 2º, V, VII, §§ 3º a 8º, 5º e 7º da Portaria PGFN Nº 502/2016). O Parecer PGFN/CRJ nº 1329/2016 não tem efeito vinculante para esta instância administrativa. Mas, entendo ser pertinente alinhar o entendimento deste Colegiado à atuação da PGFN, uma vez que a disputa poderia ser levada à esfera judicial, resultando num dispêndio desnecessário de recursos públicos. Assim, me filio à tese adotada no Parecer citado para que seja dispensada a apresentação do ADA para reconhecimento da isenção no caso da área de preservação permanente. Quanto à existência da Área de Preservação Permanente (APP), em que pese o afastamento da exigência de ADA, esta precisa ser demonstrada por meio de laudo técnico ou do Ato do Poder Público que assim a declarou, conforme solicitado no Termo de Intimação Fiscal. A recorrente não apresentou esses documentos. Assim, considero que não restou comprovada a área de preservação permanente declarada, devendo ser mantida sua glosa. Como se vê, na linha do entendimento exposto no precedente supra, em que pese o afastamento da exigência de ADA para reconhecimento da Área de Preservação Permanente, esta precisa ser demonstrada por meio de laudo técnico ou do Ato do Poder Público que assim a declarou, tal como solicitado pela Fiscalização no Termo de Intimação Fiscal. Ocorre que, no caso em análise, conforme constatado pela própria autoridade administrativa fiscal, quanto pelo órgão julgador de primeira instância, o Contribuinte não apresentou laudo técnico – ou Ato do Poder Público – demonstrando a existência da área em questão. Dessa forma, considero que não restou comprovada a área de preservação permanente pleiteada pelo Contribuinte, no total de 8,0 ha, razão pela qual voto por negar provimento ao recurso voluntário neste particular. Da Área de Reserva Legal Conforme exposto linhas acima, o Contribuinte esclareceu que, do total da área de 1.208,0 ha declarada em sua DITR/2003 como Preservação Permanente, apenas 8,0 ha, em verdade, trata-se de APP, sendo a diferença, de 1.200,0 ha, Área de Reserva Legal. Sobre a Área de Reserva Legal pleiteada pelo Contribuinte, a DRJ destacou que: Verifica-se o descumprimento da primeira exigência, aplicada às áreas ambientais do imóvel, em qualquer hipótese a ser considerada, da: protocolização tempestiva de Ato Declaratório Ambiental – ADA no IBAMA, conforme exigido pela autoridade fiscal. Fl. 109DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 2402-008.283 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10283.721098/2008-22 (...) No que se refere à área de utilização limitada/reserva legal pretendida (1.200,0 ha), há, ainda, a exigência específica, também prevista na intimação inicial: a averbação tempestiva dessa área no registro de imóveis competente. (...) No presente caso, consta na certidão do cartório de registro de imóveis a área de reserva legal (1.200,0 ha) averbada intempestivamente em 30/09/2008, considerando-se descumprida também essa exigência para o ITR/2003. Enfim, a citada área de utilização limitada, para fins de exclusão de tributação deveria estar averbada tempestivamente à margem da matrícula do imóvel, além de ter sido objeto de ADA, protocolado, em tempo hábil, no IBAMA. Sobre a matéria, o Enunciado de Súmula CARF nº 122 dispõe que a averbação da Área de Reserva Legal (ARL) na matrícula do imóvel em data anterior ao fato gerador supre a eventual falta de apresentação do Ato declaratório Ambiental (ADA). Ocorre que, no caso em análise, além de não existir laudo técnico demonstrando a existência da área em questão, o Ato Declaratório Ambiental aprestando e a averbação da referia área na matrícula do imóvel são posteriores ao início do próprio procedimento fiscal e, portanto, ao período fiscalizado. Neste contexto, não há reparos a serem feitos na decisão de primeira instância, pelo que se nega provimento ao recurso voluntário neste particular. Conclusão Em face de todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Conclusão Importa registrar que nos autos em exame a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de tal sorte que, as razões de decidir nela consignadas, são aqui adotadas. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduzo o decidido no acórdão paradigma, no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Fl. 110DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 11020.914521/2011-95
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 15 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Wed Aug 19 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2003
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NÃO IMPUGNAÇÃO. INSTAURAÇÃO RECURSAL DA LIDE PREJUDICADA. RECURSO NÃO CONHECIDO.
O contencioso administrativo instaura-se com a impugnação, que deve ser expressa, considerando-se não impugnada a matéria que não tenha sido diretamente contestada pelo impugnante. Recurso Voluntário inepto em razão da ausência de requisitos imprescindíveis de admissibilidade.
Numero da decisão: 3003-001.177
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antonio Borges, Lara Moura Franco Eduardo e Muller Nonato Cavalcanti Silva.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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ementa_s : ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2003 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NÃO IMPUGNAÇÃO. INSTAURAÇÃO RECURSAL DA LIDE PREJUDICADA. RECURSO NÃO CONHECIDO. O contencioso administrativo instaura-se com a impugnação, que deve ser expressa, considerando-se não impugnada a matéria que não tenha sido diretamente contestada pelo impugnante. Recurso Voluntário inepto em razão da ausência de requisitos imprescindíveis de admissibilidade.
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NÃO IMPUGNAÇÃO. INSTAURAÇÃO RECURSAL DA LIDE PREJUDICADA. RECURSO NÃO CONHECIDO. O contencioso administrativo instaura-se com a impugnação, que deve ser expressa, considerando-se não impugnada a matéria que não tenha sido diretamente contestada pelo impugnante. Recurso Voluntário inepto em razão da ausência de requisitos imprescindíveis de admissibilidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antonio Borges, Lara Moura Franco Eduardo e Muller Nonato Cavalcanti Silva. Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos: Tratase de Manifestação de Inconformidade apresentada contra Despacho Decisório nº 013499315, que denegou o pedido de restituição formulado no PER/DCOMP nº 17757.08335.010704.1.2.040498 (fl 26). 2. O requerente pretende a restituição do pagamento da Cofins efetuado em 16.06.2003, no valor de R$ 6.437,50, por ser integralmente indevido. 3. O despacho decisório indeferiu o pedido, já que o crédito pleiteado foi “integralmente utilizado na quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível”. 4. Cientificado do decisório em 21.12.2011 (fl 27), o interessado manifestou inconformidade em 18.01.2012 (fls 2/15), insurgindose contra a não homologação das compensações, aduzindo, para tanto, diversos argumentos (alíquota zero, homologação AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 91 45 21 /2 01 1- 95 Fl. 67DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3003-001.177 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 11020.914521/2011-95 tácita, verdade material etc). Ao final, pede a homologação das compensações e a suspensão imediata da exigibilidade dos débitos, bem como a sua exclusão. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza (CE) não conheceu da manifestação de inconformidade por considera-la inepta, por absoluta incongruência com o objeto do despacho decisório. Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, através de Recurso Voluntário apresentado, no qual, em síntese, repisa as alegações da manifestação de inconformidade. É o Relatório. Fl. 68DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3003-001.177 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 11020.914521/2011-95 Voto Conselheiro Marcos Antonio Borges, Relator. O recurso é tempestivo e de competência das Turmas Extraordinárias, mas não atende aos demais pressupostos recursais, conforme verifica-se a seguir. A recorrente apresentou pedido de restituição sustentando que o seu direito creditório decorre de recolhimento a maior de contribuição para o COFINS, código de receita 2172, do período de apuração de maio de 2003, sobre a receita decorrente da venda de produtos tributados pelas alíquota 0% (zero por cento). O direito creditório não existiria, segundo o despacho decisório inicial, porque o pagamentos constante do pedido estaria integralmente vinculados a débitos já declarados, em diversas compensações tributárias, já homologadas pela RFB. Diante da inexistência do crédito, o pedido de restituição foi indeferido. A 1ª Instância julgadora não conheceu da manifestação de inconformidade por considera-la inepta, por absoluta incongruência com o objeto do despacho decisório. Em sede de recurso voluntário o contribuinte retorna com alegações sobre a compensação e eventual homologação tácita, como se estivesse diante da não homologação das compensações vinculadas ao crédito, como aduz a decisão recorrida, o que não condiz com o litigio presente nos autos decorrente de indeferimento de pedido de restituição. No caso, o contribuinte apresentou pedido de restituição decorrente de recolhimento a maior, mas que estaria vinculado a declarações de compensação já homologadas pela RFB, não restando crédito a ser restituído. Verifica-se que em nenhum momento a Recorrente contesta expressamente o Despacho Decisório ou apresenta argumentos contra a Decisão de 1ª Instância. Devemos atentar ao disposto no Decreto nº 70.235/1972, in verbis: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. (...) Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III – os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) Art. 17. Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997). Se a Recorrente não apresenta ao órgão revisor as razões do que diverge da decisão de primeira instância, nem expressa objetivamente o que pretende rever, a análise do recurso fica completamente prejudicada. No processo administrativo fiscal, a Impugnação deverá abranger “os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância, as razões e provas que possuir", considerando-se não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante, o que se aplica no caso da manifestação de inconformidade, não se instaurando Fl. 69DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 3003-001.177 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 11020.914521/2011-95 o litígio, tal como estipulado no art. 14 do Decreto n.º 70.235/1972, ficando assim prejudicada a análise do recurso apresentado perante este Conselho. Cumpre frisar, ainda, que a Recorrente não apresentou quaisquer documentos junto ao Recurso Voluntário. Desta feita, em razão dos fundamentos apresentados, conclui-se, portanto, pela inépcia do Recurso Voluntário interposto, em razão da ausência de requisitos imprescindíveis de admissibilidade. Ante ao exposto, voto por não conhecer do recurso, por falta de objeto. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 70DF CARF MF Documento nato-digital
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