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Numero do processo: 10166.008757/2010-92
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jul 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Oct 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008
RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. MOMENTO DA TRIBUTAÇÃO.
As diferenças decorrentes de verbas salariais, ainda que recebidas acumuladamente pelo contribuinte, devem ser tributadas pelo imposto sobre a renda com a aplicação das tabelas progressivas vigentes à época da aquisição dos rendimentos (meses em que foram apurados os rendimentos percebidos a menor), ou seja, de acordo com o regime de competência, consoante decidido pelo STF no âmbito do RE 614.406/RS.
Numero da decisão: 9202-005.637
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, com retorno dos autos ao colegiado de origem, para apreciação das demais questões constantes do recurso voluntário, vencidos os conselheiros Patrícia da Silva (relatora), Ana Paula Fernandes, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Heitor de Souza Lima Júnior.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Patrícia da Silva - Relatora.
(assinado digitalmente)
Heitor de Souza Lima Junior - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (Suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
Nome do relator: PATRICIA DA SILVA
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MOMENTO DA TRIBUTAÇÃO. As diferenças decorrentes de verbas salariais, ainda que recebidas acumuladamente pelo contribuinte, devem ser tributadas pelo imposto sobre a renda com a aplicação das tabelas progressivas vigentes à época da aquisição dos rendimentos (meses em que foram apurados os rendimentos percebidos a menor), ou seja, de acordo com o regime de competência, consoante decidido pelo STF no âmbito do RE 614.406/RS. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento, com retorno dos autos ao colegiado de origem, para apreciação das demais questões constantes do recurso voluntário, vencidos os conselheiros Patrícia da Silva (relatora), Ana Paula Fernandes, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Heitor de Souza Lima Júnior. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Relatora. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 00 87 57 /2 01 0- 92 Fl. 212DF CARF MF 2 Heitor de Souza Lima Junior Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (Suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). Relatório Cuidase de Recurso Especial da Fazenda Nacional de efls. 113 a 125 visando rediscutir os efeitos do entendimento adotado no RE nº 614.406/RS sobre o crédito tributário, frente ao julgado em sessão plenária de 16/03/2011, foi julgado o Recurso Voluntário em epígrafe, proferindose a decisão consubstanciada no Acórdão nº 280200.713 (efls. 88 a 97), assim ementado: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF Exercício: 2008 RRA – APLICAÇÃO DE ALÍQUOTAS VIGENTES A ÉPOCA EM QUE OS VALORES DEVERIAM TER SIDO ADIMPLIDOS – NECESSIDADE – STF – RE 614.406/RS – ART. 62A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF – APLICAÇÃO. O RE 614.406/RS, julgado sob o rito do art. 543B do CPC, consolidou o entendimento de que a aplicação irrestrita do regime previsto na norma do art. 12 da Lei nº 7.713/88 implica em tratamento desigual aos contribuintes. Assim, ainda que seja aplicado o regime de caixa aos rendimentos recebidos acumuladamente pelas pessoas físicas, o dimensionamento da obrigação tributária deve observar o critério quantitativo (base de cálculo e alíquota) dos anoscalendários em que os valores deveriam ter sido recebidos, sob pena de violação aos princípios constitucionais da isonomia, da capacidade contributiva e da proporcionalidade. O art. 62A do Regimento Interno do CARF torna compulsória a aplicação deste entendimento. LANÇAMENTO AMPARADO NO ART. 12 DA LEI Nº 7.713/88 – NULIDADE ALTERAÇÃO DOS CRITÉRIOS JURÍDICOS – IMPOSSIBILIDADE. O lançamento amparado na interpretação jurídica do art. 12 da Lei nº 7.713/88, fulminado pelo STF deve ser considerado nulo. Não compete ao CARF refazer o lançamento, substituindo a administração na eleição do fundamento jurídico, alíquota e base de cálculo aplicáveis. A necessidade de substituição desses elementos implica cabalmente na invalidade do lançamento. Recurso voluntário provido.” Fl. 213DF CARF MF Processo nº 10166.008757/201092 Acórdão n.º 9202005.637 CSRFT2 Fl. 213 3 Contra o contribuinte em epígrafe foi emitida Notificação de Lançamento do Imposto de Renda da Pessoa Física – IRPF (fls. 63/67), referente ao exercício 2008, ano calendário 2007, por Auditor Fiscal da Receita Federal, da DRF/BrasíliaDF. Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica Decorrentes de Ação Trabalhista. Da análise das informações e documentos apresentados pelo contribuinte, e das informações constantes dos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, constatou se omissão de rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente em virtude de processo judicial trabalhista, no valor de R$187.546,28. Na apuração do imposto devido, foi compensado Imposto de Renda Retido na Fonte – IRRF sobre os rendimentos omitidos no valor de R$0,00. Enquadramento legal nos autos. Compensação Indevida de Imposto de Renda Retido na Fonte – IRRF. Da análise das informações e documentos apresentados pelo contribuinte e das informações constantes dos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, constatou se a compensação indevida do Imposto de Renda Retido na Fonte – IRRF, no valor de R$353,68. Enquadramento legal nos autos. O contribuinte apresenta impugnação (fls. 01/02), acompanhada da documentação, na qual, em síntese, expõe os motivos de fato e de direito que se seguem: O contribuinte não concorda com a tributação dos rendimentos decorrentes do precatório n. 449/1994, oriundos de decisão da Justiça do Trabalho em ação impetrada contra a FHDF, recebidos em 2007, no total de R$187.546,28, eis que, no ano do recebimento, já se encontrava aposentado. Ademais, em fevereiro de 2010 o contribuinte foi considerado portador de Cardiopatia grave, desde abril de 1998, fazendo jus à isenção de imposto de renda, retroativa a 02/04/1998, conforme farta documentação comprobatória, entregue pessoalmente pelo contribuinte. O impugnante continua a impugnar a infração de Omissão de Rendimentos no item relativo à Compensação Indevida de Imposto de Renda Retido na Fonte, nos seguintes termos: consoante o CTN, o fato gerador da obrigação principal é a situação definida em lei como necessária e suficiente à sua ocorrência. Portanto, como referido numerário só integrou o patrimônio do contribuinte em 2007, não pode ser tributado em razão de, na data do recebimento e disponibilidade econômica e jurídica art. 43 do CTN , já ser aposentado e isento. Nesse sentido tem decidido a Justiça Federal e o STJ (Apelação Mel 378554/PE, TRF 5a Região e STJ RESP 872095PE). Além do mais, mesmo que se retroaja à data dos salários ou do precatório (1994), já teria ocorrido a decadência/prescrição. Assim, impugna o lançamento efetuado e requer a isenção de tributos sobre o precatório e seus juros. A Terceira Turma de Julgamento da DRJ/BSB julgou improcedente a impugnação, cientificado da decisão o contribuinte interpôs recurso voluntário, no qual repisa os argumentos da impugnação e acrescenta que a tributação recaiu indevidamente sobre os juros do montante reclamado, pois o STJ já pacificou o entendimento de ser indevida a Fl. 214DF CARF MF 4 tributação sobre os juros, conforme decisões que transcreve. Ao final, requer a isenção dos tributos sobre todos os valores recebidos, incluindose os juros, cancelandose o débito fiscal. Diante do julgado, visa a Fazenda Nacional rever o recorrido, cientificado o contribuinte, apresentou contrarrazões pugnando pela manutenção do acórdão a quo. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Patrícia da Silva Relatora Na interposição do presente recurso, encontramse presentes todos os requisitos necessários de admissibilidade. No mérito, cumprenos verificar: Aplicação do art. 62A do Regimento Interno do CARF Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Isso porque a constitucionalidade da utilização do art. 12 da Lei nº 7.713/88 para a cobrança do IRPF incidente sobre rendimentos recebidos de forma acumulada – através da aplicação da alíquota vigente no momento do pagamento sobre o total recebido – teve sua repercussão geral admitida pelo STF no âmbito do RE nº 614.406/RS. O Recurso Extraordinário acima referido teve seu julgamento encerrado em 09/12/14, através de decisão que negou provimento ao Recurso da União, chancelando o acórdão proferido pelo TRF da 4ª Região (TRF4, Corte Especial, ARGINC 2002.72.05.0004340, Relator Desembargador Federal Álvaro Eduardo Junqueira), que através da técnica da inconstitucionalidade sem redução de texto, entendeu que o critério correto ao dimensionamento da obrigação tributária em questão deve observar a capacidade contributiva (base de cálculo) de cada exercício, bem como as respectivas alíquotas. O Regimento Interno desse Conselho, em seu artigo 62, acima transcrito (caput), torna compulsória a aplicação do entendimento sufragado pelo STF. Fl. 215DF CARF MF Processo nº 10166.008757/201092 Acórdão n.º 9202005.637 CSRFT2 Fl. 214 5 Outrossim, o recurso especial deve ser analisado a partir dos critérios fixados pela Corte Constitucional, de onde exsurge a importância do esclarecimento da sua ratio decidendi, frente ao que entendo absolutamente irrepreensíveis os dispositivos e justificações constantes do Voto Vencedor da Turma a quo, adoto como razão de decidir: 1.2 A decisão proferida pelo STF no RE nº 614.406/RS A decisão proferida pelo Supremo, que manteve a declaração de inconstitucionalidade, sem redução de texto do art. 12 da Lei nº 7.713/88, reconhecida pelo TRF da 4ª Região, foi assentada no fundamento de qua ainda que seja aplicado o regime de caixa aos rendimentos recebidos acumuladamente pelas pessoas físicas (nascimento da obrigação tributária), é necessário, sob pena de violação aos princípios constitucionais da isonomia, da capacidade contributiva e da proporcionalidade, que o dimensionamento da obrigação tributária observe o critério quantitativo (base de cálculo e alíquota) dos anoscalendários em que os valores deveriam ter sido recebidos, e não o foram. O julgamento recebeu a seguinte ementa: IMPOSTO DE RENDA – PERCEPÇÃO CUMULATIVA DE VALORES – ALÍQUOTA. A percepção cumulativa de valores há de ser considerada, para efeito de fixação de alíquotas, presentes, individualmente, os exercícios envolvidos. (RE 614406, Relator(a): Min. ROSA WEBER, Relator(a) p/ Acórdão: Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 23/10/2014, ACÓRDÃO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe233 DIVULG 26112014 PUBLIC 27 112014) A supracitada decisão1, nos termos do voto da Ministra Carmen Lúcia, consolidou o entendimento de que a aplicação irrestrita do regime previsto na norma do art. 12 da Lei nº 7.713/88 implica em tratamento desigual aos contribuintes. Segundo a decisão, não é juridicamente crível que os contribuintes que receberam a renda em atraso paguem um montante maior de IR – uma vez que calculado sobre o total acumulado , enquanto os contribuintes que receberam as verbas devidas em dias sejam isentos ou suportem carga inferior de imposto. Ressaltou ainda a Ministra que a aplicação dada pela Fiscalização ao art. 12 da Lei nº 7.713/88 viola os princípios da capacidade contributiva, pois a incidência do imposto de renda deve considerar as alíquotas vigentes na data em que verba decorrente dos rendimentos recebidos acumuladamente deveria ter sido paga. Abaixo, transcrevo trechos do voto da Ministra Carmen Lúcia: 19. No presente caso, a retenção do imposto de renda pelo regime de caixa afronta o princípio constitucional da isonomia, pois outros segurados/contribuintes com o mesmo direito receberia tratamento díspares. Fl. 216DF CARF MF 6 Como destacado pelos Ministros Marco Aurélio e Dias Toffoli, não se pode imputar ao Recorrido a responsabilidade pelo atraso no pagamento de proventos, sob pena de premiar e incentivar o Fisco no retardamento injustificado no cumprimento de suas obrigações legais. Ademais, a efetivação do direito do contribuinte/segurado, pela via judiciária, conforme ocorrido, passa também pelo restabelecimento da situação jurídica quo ante, o que pressupõe a aplicação das corretas alíquotas. À luz dos princípios da isonomia e da capacidade contributiva, significa dizer que a incidência do imposto de renda deve considerar as datas e as alíquotas vigentes na data em que essa verba deveria ter sido paga (disponibilidade jurídica, como advertido pelo Ministro Marco Aurélio), observada a renda auferida no mês pelo segurado. Disso resulta não ser razoável, tampouco proporcional, a incidência da alíquota máxima sobre o valor global pago fora do prazo, como se dá na espécie examida. (Voto Vista Ministra Carmen Lúcia, p. 22. RE 614406, Relator(a): Min. ROSA WEBER, Relator(a) p/ Acórdão: Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 23/10/2014, ACÓRDÃO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe233 DIVULG 26112014 PUBLIC 27112014) A decisão proferida pelo STF confirmou a decisão que utilizou como técnica a inconstitucionalidade sem redução de texto. Atuando no campo semântico da norma, a ferramenta exclui do seu raio deôntico determinado significado. Sendo assim, é inválido (inconstitucional) todo e qualquer ato administrativo que tiver por fundamento a interpretação do art. 12 da Lei n° 7.713/88 infirmada pelo STF. Segundo a Corte, a validade do crédito tributário prescinde da aplicação da base de cálculo e alíquotas vigentes à época em que foram sonegados ao contribuinte os rendimentos posteriormente por si recebidos – de forma acumuluda. 2. Efeitos da decisão do STF sobre o crédito tributário O crédito tributário debatido no presente recurso foi apurado através da aplicação das alíquotas vigentes no anocalendário do pagamento acumulado dos rendimentos sonegados ao contribuinte, em virtude de decisão judicial trabalhista. Esse pagamento se deu ao longo de 2007 e 2008, e dizia respeito a diferenças que deixaram de ser pagas ao contribuinte em 1994. A alíquota aplicada ao presente caso (27,5%), teve como fundamento legal o art. 1º da Lei nº 11.482/07 e incidiu sobre uma base de cálculo acumulada de R$ 187.546,28. Ocorre que o lançamento foi amparado na intepretação jurídica do art. 12 da Lei nº 7.713/88 que foi fulminada pelo STF. Como consequência utilizou bases de cálculo, alíquotas e fundamentos legais distintos daqueles que deveria ter utilizado, de acordo com o Supremo. O lançamento, portanto, é nulo, como entendeu essa turma em recente julgamento relatado pela Ilustre conselheira Dayse Fernandes Leite: Fl. 217DF CARF MF Processo nº 10166.008757/201092 Acórdão n.º 9202005.637 CSRFT2 Fl. 215 7 RENDIMENTO RECEBIDOS ACUMULADAMENTE EM DECORRÊNCIA DE DECISÃO JUDICIAL. EQUÍVOCO NA APLICAÇÃO DA LEI QUE AFETOU SUBSTANCIALMENTE O LANÇAMENTO. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR PARA REFAZER O LANÇAMENTO. CANCELAMENTO DA EXIGÊNCIA. Ao adotar outra interpretação do dispositivo legal, o lançamento empregou critério jurídico equivocado, o que o afetou substancialmente, pois prejudicou a quantificação dabase de cálculo, a identificação das alíquotas aplicáveis e o valor do tributo devido, caracterizandose um vício material a invalidá lo. Não compete ao órgão de julgamento refazer o lançamento com outros critérios jurídicos, as tão somente afastar a exigência indevida. (CARF. 2ª Seção de Julgamento, 2ª Câmara, 2 ª Turma Ordinária. Ac: 2202002.725. Rel. Conselheira Dayse Fernandes Leite. Julg.: 12/08/14). Grifo nosso. A nulidade é insanável e não caberia ao CARF refazer o lançamento, substituindo a administração na eleição do fundamento jurídico, alíquota e base de cálculo aplicáveis. A necessidade de substituição desses elementos implica cabalmente na invalidade do lançamento, uma vez que, a teor do art. 2º, parágrafo único, VII e art. 50, ambos da Lei nº 9.784/99, e do art. 10, IV, do Decreto nº 70.235/73, é imprescindível a indicação dos fundamentos de fato e de direito que dão fundamento ao lançamento. Em suma, a modificação do lançamento não pode ser efetuada em sede de julgamento de recurso voluntário, pois o recalculo da obrigação tributária com base em novas alíquotas, implica alteração do critério jurídico que serviu de fundamento ao lançamento, conforme entendimento já adotado por essa Turma: Assunto: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF Anocalendário: 2004 MUDANÇA DE MOTIVOS DETERMINANTES. NULIDADE DO ACÓRDÃO DE IMPUGNAÇÃO. A motivação constitui o fundamento do lançamento tributário, ato administrativo vinculado. A adoção, pela decisão recorrida, de fundamento distinto do utilizado pelo auto de infração (infirmado pelo contribuinte), visando à manutenção da relação tributária, revelase inconciliável com o estado democrático de direito. Recurso voluntário provido Fl. 218DF CARF MF 8 (CARF. 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Segunda Sessão. Acórdão nº 220201.548. Rel. Rafael Pandolfo. Julg. em 18/01/12.) No âmbito infralegal, a competência para realização do lançamento é estipulada pelos arts. 241 e 243 do Regimento Interno da Receita Federal do Brasil Portaria MF nº 203, de 14 de maio de 2012. Art. 241. Às Divisões de Orientação e Análise Tributária Diort, aos Serviços de Orientação e Análise Tributária Seort e às Seções de Orientação e Análise Tributária Saort competem as atividades de orientação e análise tributária, e em especial: V realizar diligências e proceder ao lançamento do crédito tributário, no âmbito de suas competências; Art. 243. Às Divisões de Controle e Acompanhamento Tributário Dicat, aos Serviços de Controle e Acompanhamento Tributário Secat e às Seções de Controle eAcompanhamento Tributário Sacat competem as atividades de controle e acompanhamento tributário e, em especial: IX realizar diligências e proceder o lançamento do crédito tributário, no âmbito de suas competências.(grifo nosso) Em outras palavras, cabe às autoridades eleitas pelos supracitados dispositivos a verificação do fato gerador e a quantificação da obrigação tributária que será atribuída ao contribuinte, com base nos critérios jurídicos indicados no lançamento (CTN, art. 142). A contrario sensu, o CARF não é competente para refazer o lançamento quando alterados os critérios jurídicos utilizados pela autoridade lançadora, porquanto não há lei que assim estipule. A função deste Conselho é definida pelo art. 1º do seu Regimento Interno Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009: Art. 1º O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), órgão colegiado, paritário, integrante da estrutura do Ministério da Fazenda, tem por finalidade julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância, bem como os recursos de natureza especial, que versem sobrea aplicação da legislação referente a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Esse entendimento está cristalizado na jurisprudência desta Turma: Assunto: Imposto de Renda Pessoa Física –IRPF Ano calendário: 2002. ERRO ESCUSÁVEL. EXCLUSÃO DA MULTA DE OFÍCIO. Depreendese dos autos que omissão de valores na Declaração de Ajuste Anual da recorrente é fruto de falta de informações prestadas pela Fonte Pagadora, em evidente descumprimento ao disposto no art. 941 do Decreto 3.000/99. Fl. 219DF CARF MF Processo nº 10166.008757/201092 Acórdão n.º 9202005.637 CSRFT2 Fl. 216 9 INCOMPETÊNCIA DA DRJ PARA LANÇAR MULTA. A DRJ não possui competência para modificar o fundamento do lançamento, pois seu papel é corrigir o lançamento, não refazê lo a partir de esteio inaugural. (CARF. 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Segunda Sessão. Acórdão nº 2202002.289. Relator Conselheiro Rafael Pandolfo. Julgado em 17/04/13) Diante do exposto, NEGO PROVIMENTO ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Voto Vencedor Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior, Redator designado Com a devida vênia ao posicionamento esposado pela Relatora, ouso discordar no que diz respeito à existência de vício material no lançamento e/ou de utilização de critério jurídico equivocado, que levassem à necessidade de desconstituição integral do lançamento, na forma proposta pelo Colegiado recorrido. Reitero aqui, inicialmente, com a devida vênia ao posicionamento diverso de alguns Conselheiros desta casa, meu entendimento, já manifestado também na instância ordinária, de desnecessidade de observância obrigatória do decidido pelo STJ no âmbito do REsp 1.118.429/SP no caso sob análise, uma vez se estar a tratar ali, da tributação de benefícios previdenciários recebidos acumuladamente, situação fática notadamente diversa da dos presentes autos, onde não está a se tratar de qualquer rubrica de benefício, mas sim de diferença remuneratória, auferida através de reclamatória trabalhista. Sem dúvida, reconhecese aqui, em linha com o recorrido, que a matéria sob litígio foi objeto de análise recente pelo STF, no âmbito do RE 614.406/RS, objeto de trânsito em julgado em 11/12/2014, feito que teve sua repercussão geral previamente reconhecida (em 20 de outubro de 2010), obedecida assim a sistemática prevista no art. 543B do Código de Processo Civil vigente. Obrigatória, assim, a observância, por parte dos Conselheiros deste CARF dos ditames do Acórdão prolatado por aquela Suprema Corte em 23/10/2014, a partir de previsão regimental contida no art. 62, §2o. do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF no. 343, de 09 de junho de 2015. Reportandome a este último julgado vinculante, noto, porém, que, ali, se acordou, por maioria de votos, em manter a decisão de piso do TRF4 acerca da inconstitucionalidade do art. 12 da Lei no. 7.713, de 1988, devendo ocorrer, na forma ali determinada, a "incidência mensal para o cálculo do imposto de renda correspondente à tabela progressiva vigente no período mensal em que apurado o rendimento percebido a menor regime de competência (...)", afastandose assim o regime de caixa. Fl. 220DF CARF MF 10 Todavia, de se ressaltar aqui também que em nenhum momento se cogita, no Acórdão, de eventual cancelamento integral de lançamentos cuja apuração do imposto devido tenha sido feita obedecendo o art. 12 da referida Lei no. 7.713, de 1988, notese, diploma plenamente vigente na época em que efetuado o lançamento sob análise, o qual, ainda, em meu entendimento, guarda, assim, plena observância ao disposto no art. 142 do Código Tributário Nacional, não se estando destarte, diante de utilização de critério jurídico equivocado ou vício material no lançamento efetuado. A propósito, de se notar que os dispositivos legais que embasaram o lançamento constantes de efl. 65, em nenhum momento foram objeto de declaração de inconstitucionalidade ou de decisão em sede de recurso repetitivo de caráter definitivo que pudesse lhes afastar a aplicação ao caso in concretu. Deflui daquela decisão da Suprema Corte, em meu entendimento, inclusive, o pleno reconhecimento do surgimento da obrigação tributária que aqui se discute, ainda que em montante diverso daquele apurado quando do lançamento, o qual, repitase, obedeceu os estritos ditames da legalidade à época da ação fiscal realizada. Da leitura do inteiro teor do decisum do STF, é notório que, ainda que se tenha rejeitado o surgimento da obrigação tributária somente no momento do recebimento financeiro pela pessoa física, o que a faria mais gravosa, entendese, ali, inequivocamente, que se mantém incólume a obrigação tributária oriunda do recebimento dos valores acumulados pelo contribuinte pessoa física, mas agora a ser calculada em momento pretérito, quando o contribuinte fez jus à percepção dos rendimentos, de forma, assim, a restarem respeitados os princípios da capacidade contributiva e isonomia. Assim, com a devida vênia ao posicionamento esposado por alguns membros deste Conselho, entendo que, a esta altura, ao se defender a exoneração integral do lançamento, se estaria, inclusive, a contrariar as razões de decidir que embasam o decisum vinculante, no qual, reitero, em nenhum momento, notese, se cogita da inexistência da obrigação tributária/incidência do Imposto sobre a Renda decorrente da percepção de rendimentos tributáveis de forma acumulada. Se, por um lado, manterse a tributação na forma do referido art. 12 da Lei no. 7.713, de 1988, conforme decidido de forma definitiva pelo STF, violaria a isonomia no que tange aos que receberam as verbas devidas "em dia" e ali recolheram os tributos devidos, exonerar o lançamento por completo a esta altura significaria estabelecer tratamento anti isonômico (também em relação aos que também receberam em dia e recolheram devidamente seus impostos), mas em favor daqueles que foram autuados e nada recolheram ou recolheram valores muito inferiores aos devidos, o que deve, em meu entendimento, também se rechaçar. Assim, diante de tais motivos, voto no sentido de dar provimento ao Recurso da Fazenda Nacional, no sentido de determinar a retificação do montante do crédito tributário com a aplicação tanto das tabelas progressivas como das alíquotas vigentes à época da aquisição dos rendimentos (meses em que foram apurados os rendimentos percebidos a menor), ou seja, de acordo com o regime de competência. Ainda, considerando que a desconstitituição do lançamento propugnada pelo Colegiado a quo levou ao nãoexame de alegações constantes do Recurso Voluntário do Contribuinte (mais especificamente quanto à isenção alegadamente aplicável aos rendimentos recebidos), de se retornar o feito ao Colegiado de origem, para apreciação das demais questões constantes do Recurso Voluntário É como voto. (assinado digitalmente) Fl. 221DF CARF MF Processo nº 10166.008757/201092 Acórdão n.º 9202005.637 CSRFT2 Fl. 217 11 Heitor de Souza Lima Junior Fl. 222DF CARF MF
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Numero do processo: 11543.002362/2008-80
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 06 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jan 26 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1001-000.214
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa- Presidente.
(assinado digitalmente)
José Roberto Adelino da Silva Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa e José Roberto Adelino da Silva
Nome do relator: JOSE ROBERTO ADELINO DA SILVA
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa e José Roberto Adelino da Silva Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 54 3. 00 23 62 /2 00 8- 80 Fl. 40DF CARF MF 2 Trata o presente processo de indeferimento de opção retroativa pelo Simples Nacional. Inconformada, a ora recorrente, apresentou impugnação que a DEJ julgou e proferiu o seguinte acórdão: Vistos, relatados e discutidos, os autos do processo em epígrafe, ACORDAM os membros da Turma, por unanimidade de votos, NÃO ACOLHER as razões da manifestação de inconformidade interposta, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado, para não autorizar o ingresso da interessada no Simples Nacional retroativamente aos anos calendário de 2007 e2008. À DRF/VITÓRIAES/Seort para ciência à interessada do inteiro teor deste acórdão e demais providências necessárias ao seu cumprimento. Desta decisão é facultado o direito de, no prazo de 30 (trinta) dias contados de sua ciência, interpor recurso voluntário ao Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, nos termos do disposto no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 1972, e alterações posteriores. Voto Conselheiro José Roberto Adelino da Silva Relator Inconformada, a recorrente apresentou o Recurso Voluntário, tempestivo, que apresenta os pressupostos de admissibilidade e, portanto, dele eu conheço. Reproduzo aqui a decisão da DRJ: Voto IV) Dos requisitos de admissibilidade 5. A manifestação de inconformidade é tempestiva e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto dela conheço. V) Do mérito 6. A interessada solicita sua inclusão no Simples Nacional, sem esclarecer se retroativamente ao ano calendário de 2007 ou a partir da data de formalização do pedido, alegando que regularizou seus débitos dentro do prazo previsto em lei. 7. Ainda que o pedido não seja claro, cabe sua análise à luz da Resolução CGSN nº 04/2007, arts. 7º, 17 e 18, com a redação dada pelas Resoluções CGSN nos 20/2007, 29/2008 e 41/2008, que dispõe sobre os procedimentos a serem observados pelas pessoas jurídicas com vistas à opção pelo Simples Nacional: Resolução nº 04/2007 Fl. 41DF CARF MF Processo nº 11543.002362/200880 Acórdão n.º 1001000.214 S1C0T1 Fl. 3 3 Art. 7º A opção pelo Simples Nacional darseá por meio da internet, sendo irretratável para todo o anocalendário. § 1º A opção de que trata o caput deverá ser realizada no mês de janeiro, até seu último dia útil, produzindo efeitos a partir do primeiro dia do anocalendário da opção, ressalvado o disposto no § 3º deste artigo e observado o disposto no § 3º do art. 21. § 1ºA Enquanto não vencido o prazo para solicitação da opção o contribuinte poderá: (Incluído pela Resolução CGSN nº 56, de 23 de março de 2009) I regularizar eventuais pendências impeditivas ao ingresso no Simples Nacional, sujeitandose ao indeferimento da opção caso não as regularize até o término desse prazo; (Incluído pela Resolução CGSN nº 56, de 23 de março de 2009) II efetuar o cancelamento da solicitação de opção, salvo se o pedido já houver sido deferido. (Incluído pela Resolução CGSN nº 56, de 23 de março de 2009) § 1ºB O disposto no § 1ºA não se aplica às empresas em início de atividade. (Incluído pela Resolução CGSN nº 56, de 23 de março de 2009) (...) § 3º No caso de início de atividade da ME ou EPP no ano calendário da opção, deverá ser observado o seguinte: I a ME ou a EPP, após efetuar a inscrição no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ), bem como obter a sua inscrição municipal e estadual, caso exigíveis, terá o prazo de até 30 (trinta) dias, contados do último deferimento de inscrição, para efetuar a opção pelo Simples Nacional; (Redação dada pela Resolução CGSN nº 41, de 1º de setembro de 2008) (Vide art. 2º da Resolução CGSN nº 41, de 1º de setembro de 2008) V a opção produzirá efeitos: (Redação dada pela Resolução CGSN n° 29, de 21 de janeiro de 2008) a) para as empresas com data de abertura constante do CNPJ até 31 de dezembro de 2007, a partir da data do último deferimento da inscrição nos cadastros estadual e municipal, salvo se o ente federativo considerar inválidas as informações prestadas pela ME ou EPP, hipótese em que a opção será considerada indeferida; b) para as empresas com data de abertura constante do CNPJ a partir de 1° de janeiro de 2008, desde a respectiva data de abertura, salvo se o ente federativo considerar inválidas as informações prestadas pela ME ou EPP nos cadastros estadual e municipal, hipótese em que a opção será considerada indeferida; (Incluída pela Resolução CGSN n° 29, de 21 de janeiro de 2008) Fl. 42DF CARF MF 4 VI validadas as informações, considerase data de início de atividade: (Redação dada pela Resolução CGSN n° 29, de 21 de janeiro de 2008) a) para as empresas com data de abertura constante do CNPJ até 31 de dezembro de 2007, a do último deferimento da inscrição nos cadastros estadual e municipal; (Incluída pela Resolução CGSN n° 29, de 21 de janeiro de 2008) (...) § 6° A ME ou a EPP não poderá efetuar a opção pelo Simples Nacional na condição de empresa em início de atividade depois de decorridos 180 (cento e oitenta) dias da data de abertura constante do CNPJ, observados os demais requisitos previstos no inciso I do § 3° deste artigo. (Redação dada pela Resolução CGSN n° 29, de 21 de janeiro de 2008) (...) Art. 17. Excepcionalmente, para o ano calendário de 2007, a opção a que se refere o art. 7º poderá ser realizada do primeiro dia útil de julho de 2007 até 20 de agosto de 2007, produzindo efeitos a partir de 1º (de julho de 2007). Art. 18. Serão consideradas inscritas no Simples Nacional, em 1º de julho de 2007, as ME e EPP regularmente optantes pelo regime tributário de que trata a Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996, salvo as que estiverem impedidas de optar por alguma das vedações previstas nesta Resolução. (Redação dada pela Resolução CGSN nº 20, de 15 de agosto de 2007). 8. De acordo com a referida Resolução, a regra geral é a solicitação de ingresso no Simples Nacional por meio da internet, a ser realizada no mês dejaneiro de cada ano calendário, até seu último dia útil, produzindo efeitos a partirdo primeiro dia do ano calendário da opção, sendo irretratável para todo o ano. 9. Uma das exceções é para as empresas consideradas em início de atividade, cujo efeito da opção pode retroagir a partir da data do último deferimento da inscrição nos cadastros estadual e municipal ou da data de abertura constante do CNPJ. 10. Além disso, aquelas regularmente optantes pelo Simples Federal em 30/06/2007 poderiam migrar automaticamente para o Simples Nacional, sendo consideradas inscritas neste novo regime a partir de 1º/07/2007, desde que não estivessem impedidas de optar por alguma das vedações previstas nas disposições que regem a matéria. 11. Também as empresas que somente em 20/08/2007 regularizassem sua situação, afastando os óbices que vedavam o seu ingresso no Simples Nacional, poderiam optar por este regime, produzindo efeitos retroativamente a 1º/07/2007. 12. De acordo com o sistema CNPJ Consulta (fls. 09), a data de abertura constante do CNPJ é a de 09/04/1984. Logo, não se trata de empresa em início de atividade, o que, de plano, Fl. 43DF CARF MF Processo nº 11543.002362/200880 Acórdão n.º 1001000.214 S1C0T1 Fl. 4 5 impossibilita que o pedido de ingresso no Simples Nacional formulado em 30/06/2008 retroaja ao ano calendário de 2007. 13. A interessada alega que regularizou seus débitos em 30/10/2008, dentro do prazo previsto em lei. Ora, se até 30/06/2007 era optante do Simples Federal e em razão de alguma vedação não regularizada até 20/08/2007, viuse impossibilitada de migrar automaticamente para o Simples Nacional, deveria a empresa solicitar sua inclusão no novo regime como qualquer outra não optante, com prazo e forma estipulados na mesma resolução, observando, pois, a regra geral, ou seja, apresentando sua opção por meio da internet, no mês de janeiro, para produção de efeitos a partir do primeiro dia do ano calendário da opção. 14. A pesquisa de fls. 11 nos mostra, que a interessada fez a opção em janeiro/2009, ingressando no Simples Nacional a partir de 01/01/2009. Porém, a pretensão de ingresso retroativo neste regime não pode ser acolhida, visto que a interessada não se enquadra em nenhuma das situações descritas anteriormente que possibilitariam o seu atendimento. 15. À vista do exposto, voto no sentido de não acolher as razões da manifestação de inconformidade interposta, com vistas a não autorizar o ingresso da interessada no Simples Nacional retroativamente aos anos calendário de 2007 e 2008. Em seu Recurso Voluntário, a recorrente não trouxe nenhum argumento novo a sua impugnação inicial. A DRJ fez uma análise completa dos fatos e da legislação envolvida, ao meu ver, irretocável, nada havendo a acrescentar. Assim, nego provimento ao presente Recurso Voluntário, sem crédito tributário em litígio. É como voto. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Fl. 44DF CARF MF
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Numero do processo: 14041.000473/2007-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 12 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Oct 20 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1997 a 31/01/2007
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO DE CINCO ANOS.
De acordo com a Súmula Vinculante n° 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional (CTN).
OBRA DE CONSTRUÇÃO CIVIL. IRREGULARIDADES NA ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL. ARBITRAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. CUSTO UNITÁRIO BÁSICO- CUB.
Quando a escrituração contábil não registra o movimento real de remuneração dos segurados empregados em obra de construção civil ou existam discrepâncias que comprometam a confiabilidade desses registros, o lançamento pode ser realizado por arbitramento da base de cálculo das contribuições previdenciárias com uso da tabela do custo unitário básico da região.
Numero da decisão: 2201-003.872
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer a decadência, nos termos do voto do relator.
Assinado digitalmente.
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
Assinado digitalmente.
Daniel Melo Mendes Bezerra - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: DANIEL MELO MENDES BEZERRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1997 a 31/01/2007 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO DE CINCO ANOS. De acordo com a Súmula Vinculante n° 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional (CTN). OBRA DE CONSTRUÇÃO CIVIL. IRREGULARIDADES NA ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL. ARBITRAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. CUSTO UNITÁRIO BÁSICO- CUB. Quando a escrituração contábil não registra o movimento real de remuneração dos segurados empregados em obra de construção civil ou existam discrepâncias que comprometam a confiabilidade desses registros, o lançamento pode ser realizado por arbitramento da base de cálculo das contribuições previdenciárias com uso da tabela do custo unitário básico da região.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer a decadência, nos termos do voto do relator. Assinado digitalmente. Carlos Henrique de Oliveira - Presidente. Assinado digitalmente. Daniel Melo Mendes Bezerra - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
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DECADÊNCIA. PRAZO DE CINCO ANOS. De acordo com a Súmula Vinculante n° 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional (CTN). OBRA DE CONSTRUÇÃO CIVIL. IRREGULARIDADES NA ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL. ARBITRAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. CUSTO UNITÁRIO BÁSICO CUB. Quando a escrituração contábil não registra o movimento real de remuneração dos segurados empregados em obra de construção civil ou existam discrepâncias que comprometam a confiabilidade desses registros, o lançamento pode ser realizado por arbitramento da base de cálculo das contribuições previdenciárias com uso da tabela do custo unitário básico da região. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer a decadência, nos termos do voto do relator. Assinado digitalmente. Carlos Henrique de Oliveira Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 04 1. 00 04 73 /2 00 7- 10 Fl. 142DF CARF MF Processo nº 14041.000473/200710 Acórdão n.º 2201003.872 S2C2T1 Fl. 143 2 Assinado digitalmente. Daniel Melo Mendes Bezerra Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo sujeito passivo contra o Acórdão da DRJ Brasília, que julgou improcedente a impugnação apresentada. Os principais aspectos do lançamento estão delineados de forma clara e elucidativa no relatório da decisão de primeira instância (processo nº 14041.000458/200771), o qual reproduzimos por se tratar de matéria idêntica, nos seguintes termos: Tratase de crédito lançado pela fiscalização contra PALLISSANDER ENGENHARIA LTDA., através da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD 37.085.8808) cujo montante consolidado em 27/06/2007 é de R$ 334.839,82, cientificado o contribuinte em 29/06/2007. Conforme o Relatório Fiscal da Notificação, às fls. 30/39, o notificante informa em síntese: que o objeto do lançamento são as contribuições sociais relativas à parte patronal, devidas pela empresa e não recolhidas em época própria, correspondentes ao emprego de mãodeobra na execução de obra ou de serviços de construção civil, as contribuições para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho, as contribuições dos segurados empregados não descontadas pela empresa e as destinadas a outras Entidades e Fundos. que constitui fato gerador do crédito tributário ora lançado, a prestação de serviços remunerados pelos segurados empregados, contribuinte individual e cooperado intermediado por cooperativa de trabalho na execução de obra ou serviço de construção civil; que foram solicitados por meio do Termo de Intimação para Apresentação de Documentos (TIAD em anexo), de 15 de janeiro de 2007 (data de ciência pelo contribuinte), todos os documentos relativos às obras de construção civil, sendo que a empresa apresentou as folhas de pagamento em relação à matrícula CEI fiscalizada (23.001.00094/75), com as seguintes ocorrências: Fl. 143DF CARF MF Processo nº 14041.000473/200710 Acórdão n.º 2201003.872 S2C2T1 Fl. 144 3 A empresa apresentou as folhas de pagamento de 1997, porém foram apresentadas apenas as totalizações ou resumos mensais não discriminando os nomes dos segurados e não indicando cargo, função ou serviço prestado; Apresentou as folhas de pagamento de 1998, porém foram apresentadas apenas as totalizações ou resumos mensais não discriminando os nomes dos segurados e não indicando cargo, função ou serviço prestado; A empresa apresentou as folhas de pagamento 1999, porém faltando as 13/1999, sendo que foram apresentadas apenas as totalizações ou resumos mensais não discriminando os nomes dos segurados e não indicando cargo, função ou serviço prestado; A empresa apresentou as folhas de pagamento 2000 até a competência 10/2000, porém para as competências 01/2000 e 02/2000 foram apresentadas apenas as totalizações ou resumos mensais não discriminando os nomes dos segurados e não indicando cargo, função ou serviço prestado; Foi emitido um novo TIAD (em anexo), em 23 de janeiro de 2007, reiterando o pedido das folhas de pagamentos, sendo que a empresa apresentou um documento, em anexo, informando que toda a documentação referente às obras já havia sido entregue na ocasião do primeiro TIAD, motivo pelo qual foram emitidos os AutosdeInffação n. 37.085.8760 e n. 37.085.8778. que em relação aos Registros Contábeis, mais especifícamente os Livros Diário e Razão foi verificado que em diversas matrículas CEI de obras de construção civil, apesar de a empresa ter apresentado diversas folhas de pagamentos, a empresa deixou de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos; que foram emitidos dois TIADs, ambos em anexo, de 14 de fevereiro de 2007 e 2 de março de 2007, solicitando informações específicas sobre o número do Livro Diário, bem como os números das contas e das páginas dos registros contábeis de 1997 até 2006 dos fatos geradores de todas as contribuições sociais a cargo da empresa, as contribuições sociais previdenciárias descontadas dos segurados, as decorrentes de subrogação, as retenções, bem como os totais recolhidos para as obras de construção civil matriculadas no CEIs ns° 230010018073, 369400072574, 230010016976 e 2300100171 75, sendo que a empresa apresentou documentos, em anexo, declarando não ser possível identificar as solicitações; que por ser a escrituração contábil indivisível, conforme art. 380 do Código de Processo Civil, uma vez constatado que parte da contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, esta será desconsiderada na sua totalidade e utilizada como meio de prova do não cumprimento Fl. 144DF CARF MF Processo nº 14041.000473/200710 Acórdão n.º 2201003.872 S2C2T1 Fl. 145 4 da obrigação acessória prevista no II, do art. 32 da Lei n. 8.212/91, combinado com o inciso II do § 13 do art. 225 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06 de maio de 1999, por isso a contabilidade foi desconsiderada para todas as obras nos exercícios de 1997 até 2006, motivo pelo qual foi lavrado o Auto de Infração n. 37.085.8786. que diante da apresentação deficiente da documentação relativa à obra e da conseqüente falta de prova regular e formalizada do montante dos salários pagos pela execução de obra de construção civil, bem como da constatação pela fiscalização de que a contabilidade não registra o movimento real da remuneração dos segurados a seu serviço referente à essas obras, fezse necessário a utilização do procedimento da Aferição Indireta para apuração da base de cálculo das contribuições sociais, como preconiza os §§ 3o, 4o e 6o do art. 33 da Lei n. 8.212/91; que segundo informações prestadas pela Pallissander, as obras dos lotes 05 e 06 não foram executadas pela empresa, apesar de constarem na respectiva matrícula CEI, como a empresa não apresentou as alterações na matrícula CEI, o procedimento foi feito de ofício, passando a constar no cadastro apenas o Lote 07, Blocos “A” e “B” com a sua respectiva área; que tratase da construção de dois Edifícios Residenciais (Blocos “A” e “B” com área total de 8.045,04 m2, conforme Alvará de Construção, que foi considerado como início da obra 29 de março de 19996 (Nota Fiscal de aquisição de concreto usinado vinculada à obra) e quanto ao término da obra a empresa apresentou o Habitese Parcial do Bloco “A”, com área de 6.984,72 m2; que foi verificado a conclusão de 6.984,72 m2 através das Cartas de Habitese parcial (Bloco “A”), logo o enquadramento foi feito pela área total do projeto, submetida à aplicação de redutores, apurandose as contribuições proporcionalmente à área já construída, constantes dos habitese parciais entregues pela empresa, em consonância com o art. 464 da IN SRP n. 03 que o enquadramento da obra foi realizado de acordo com os procedimentos descritos nos arts. 436, 437, 438, 439, 440 e 441 da Instrução Normativa da Secretaria da Receita Previdenciária (SRP) n. 03, de 14 de julho de 2005. que o Custo Global da Obra foi obtido a partir do enquadramento e mediante a multiplicação do CUB Custo Unitário Básico, correspondente ao tipo de obra, pela sua área total, submetida à aplicação de redutores, conforme previsto no art. 449 da IN SRP n. 03. Ressaltouse que foi utilizada a tabela CUB divulgada pelo Sindicato da Indústria da Construção Civil do Distrito Federal, publicadas no mês da apuração do débito, referentes ao CUB obtido para o mês anterior. Fl. 145DF CARF MF Processo nº 14041.000473/200710 Acórdão n.º 2201003.872 S2C2T1 Fl. 146 5 que no cálculo da área construída, que equivale à área total submetida à aplicação de redutores, foi aplicado o redutor (50% áreas cobertas) para área de Subsolo (1.409,10 m2 Bloco “A” e 390,9 m2 Bloco “B”), conforme discriminado no Alvará de Construção; que a Remuneração da MãodeObra (RMT) despendida na obra foi calculada mediante a aplicação dos percentuais definidos no art. 443 da IN SRP n. 03 na proporção do escalonamento por área, sobre o Custo Global da Obra, e somando os resultados obtidos em cada etapa; que foram observadas as determinações contidas no arts. 446 e 447 da IN SRP n. 03, em relação às contribuições recolhidas com vinculação inequívoca à obra, para a conversão da remuneração relativa ao recolhimento em área regularizada; que para a conversão da remuneração em área regularizada foi verificada a existência de NFLD ou LDC, relativos à obra, de valor pago a cooperativa de trabalho, cuja nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviço esteja vinculado inequivocamente à obra, bem como de nota fiscal ou fatura de aquisição de concreto usinado, de massa asfáltica ou de argamassa usinada, utilizados inequivocamente na obra, conforme preconiza o art. 448 da IN SRP n. 03, de 14 de julho de 2005. que os quadros demonstrativos das remunerações consideradas para conversão em área regularizada encontramse anexos ao relatório; que os cálculos da área a regularizar e da área regularizada foram feitos através do sistema informatizado DRO, conforme ARO, em anexo; que como o débito foi apurado por aferição indireta, não ficou constatada a retenção pela empresa da contribuição dos segurados, não se configurando, portanto, o crime de apropriação indébita; DA IMPUGNAÇÃO Cientificada em 29 de junho de 2007, a notificada, em 24 de julhó de 2007, tempestivamente, contestou o lançamento, por meio do instrumento constante às folhas 130 a 133, alegando, em síntese que: . que foram fornecidos ao auditor a tempo e hora, tudo que foi solicitado, de maneira íntegra e decente; que esclarece terem sido emitidos TIADs, sendo que nas correspondentes respostas aos mesmo a empresa alegou a impossibilidade de identificar as solicitações feitas nestas solicitações, deuse não por ato furtivo, muito menos por falta de interesse por parte da empresa, mas simplesmente pelo fato de que os documentos através dos quais, se extrairía o esclarecimento das informações Fl. 146DF CARF MF Processo nº 14041.000473/200710 Acórdão n.º 2201003.872 S2C2T1 Fl. 147 6 solicitadas já estavam de posse da Auditoria, restando assim a impossibilidade real da empresa em atender a demanda requerida; que a fiscalização optou pelo Sistema de Aferição Indireta para realizar o Levantamento dos Diferenciais, sendo que dentro desse próprio levantamento, para tanto, a fiscalização apropriouse de Notas Fiscais, Documentos e Recolhimentos dentro da correspondente competência. Sendo assim, não resta dúvida que, para o cumprimento do Princípio da Justiça, entende ser necessária a aplicação da competência no saldo de contribuições remanescentes, sendo que a forma como foi feito o levantamento penaliza sobremaneira a empresa; que caso não seja devidamente desconsiderada e nula a presente NFLD, solicita que sejam feitos novos cálculos, respeitandose a Competência. Esse cálculo deve y3 apresentar a divisão da Área a Regularizar pelos meses de construção para depois multiplicar se o CUB do mês pela quantidade de metros quadrados; tv que os imóveis construídos foram sob Regime de Cooperativa destinados à rede de funcionários públicos e profissionais liberais, optouse por um acabamento de menor custo, o que caracteriza dentro da tabela SINDUSCON, enquadramento ao nível baixo; que foram efetivamente construídos pela Construtora somente uma área de 6.984,72 m2 correspondente ao Bloco “A” do Alvará de Construção, sendo que o Bloco “B” teve sua área de terreno vendida, portanto a área de 1.060,32 é de responsabilidade do Adquirente do terreno e não da Construtora; por fim requer nulidade e desconsideração total da NFLD, tendo em vista a fragilidade dos trabalhos feitos pela fiscalização, uma vez que existem fatos concretos de que não foram apropriados todos os valores que foram recolhidos e que a sistemática, em si, já fere de morte o princípio constitucional da ampla defesa. A decisão de primeira instância restou ementada nos termos abaixo: OBRA DE RESPONSABILIDADE DE PESSOA JURÍDICA AFERIÇÃO INDIRETA. Na falta de prova regular e formalizada, o montante dos salários pagos pela execução de obra de construção civil é obtido mediante cálculo da mãode obra empregada, proporcional à área construída e ao padrão de execução da obra, cabendo ao interessado o ônus da prova em contrário. Na aferição indireta, para a apuração do valor da mãodeobra empregada na execução de obra de construção civil, em se tratando de edificação, serão utilizadas as tabelas do Custo Unitário Básico Fl. 147DF CARF MF Processo nº 14041.000473/200710 Acórdão n.º 2201003.872 S2C2T1 Fl. 148 7 (CUB), divulgadas mensalmente na Internet ou na imprensa de circulação regular, pelos Sindicatos da Indústria da Construção Civil. Cientificado do inteiro teor da decisão em 30/06/2008 (fl. 157), o sujeito passivo interpôs Recurso Voluntário, tempestivamente, em 29/07/2008 (fls. 227/257), alegando, em síntese, que: 1) Preliminarmente Não ocorreu o fato gerador; A decadência do direito de o Fisco constituir o crédito tributário. 2) No mérito relata o procedimento de aferição indireta efetuado para ao final requerer o provimento do recurso. É o relatório. Voto Daniel Melo Mendes Bezerra, Conselheiro Relator Admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche aos demais requisitos de admissibilidade, devendo, pois, ser conhecido. Decadência Após a Súmula Vinculante n° 08 do Supremo Tribunal Federal STF, que declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, e a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça no sentido da imprescindibilidade de pagamento parcial do tributo para que seja aplicada a regra decadencial do artigo 150, §4° do CTN, o CARF sumulou o entendimento acerca do que se entende por pagamento parcial para fins de aplicação da regra decadencial. De acordo com a Súmula nº 99, considerase que houve pagamento parcial ainda quando os recolhimentos efetuados não se refiram à parcela remuneratória objeto do lançamento: Súmula CARF nº 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Fl. 148DF CARF MF Processo nº 14041.000473/200710 Acórdão n.º 2201003.872 S2C2T1 Fl. 149 8 De acordo com o Aviso de Regularização da Obra ARO de fls. 53/54 e documentos que servemlhe de fundamento, a obra de construção civil vertente teve início em 01/01/1999 e foi finalizada em 29/09/2002. Referido documento aponta a existência de 1 recolhimento, com regularização parcial da obra. Todavia, não se constatou recolhimento parcial dentro de uma mesma competência, atraindo a incidência do prazo de contagem estabelecido pelo art. 173, I, do CTN. A ciência do presente lançamento se deu em 29/06/2007 (fl.02). Assim, o período decadente abrange o interstício de 01/1999 a 11/2001, restando hígidas as competências de 12/2001 a 09/2002. Destarte, o recurso voluntário merece parcial provimento, reconhecendose a decadência parcial do crédito tributário, devendo a unidade preparadora proceder à elaboração de novo Aviso para Regularização da Obra ARO, considerando não abrangidas pela decadência as competências de 12/2001 a 09/2002. Preliminarmente Alegação de inexistência do fato gerador Em sede de preliminar, a recorrente alega que inexistiu o fato gerador da contribuição previdenciária. O fato gerador da contribuição previdenciária no caso vertente foi descrito pela autoridade lançadora no relatório fiscal da seguinte forma: Constitui fato gerador do crédito tributário ora lançado, a prestação de serviços remunerados pelos segurados empregado, contribuinte individual e cooperado intermediado por cooperativa de trabalho na execução de obra ou de serviços de construção civil. Em suas razões recursais o sujeito passivo alega de maneira gerérica a inocorrência do fato gerador, não explicitando os motivos pelos quais entende que não existiu o fato gerador. Tratase, pois, de uma alegação evasiva desacompanhada de argumentação e meios probatórios. A princípio, cabe verificar se o presente lançamento foi confeccionado em consonância com o art. 142 do CTN, in verbis: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Fl. 149DF CARF MF Processo nº 14041.000473/200710 Acórdão n.º 2201003.872 S2C2T1 Fl. 150 9 Do dispositivo transcrito verificase que um dos requisitos indispensáveis ao lançamento é a verificação da ocorrência do fato gerador. De fato, se o fisco não se desincumbir do ônus de demonstrar que efetivamente a hipótese de incidência tributária se concretizou no mundo fático, o lançamento é imprestável. O lançamento objeto da autuação se refere a crédito de contribuições previdenciárias devidas à Seguridade Social, incidentes sobre a mão de obra utilizada em obra de construção civil de pessoa jurídica, lançado por arbitramento, de acordo com a área construída e ao padrão da obra, com base na tabela regional do CUB Custo Unitário Básico, fornecida pelo Sindicato da Indústria de Construção Civil SINDUSCON. Todavia, não é essa situação que os autos revelam. O relato da auditoria aponta que os fatos geradores das contribuições lançadas foram as pelos segurados empregados, contribuinte individual e cooperado intermediado por cooperativa de trabalho na execução de obra ou de serviços de construção civil. Impende ressaltar que o presente processo versa sobre o não pagamento de contribuições sociais previdenciárias no prazo estipuldado de vencimento. Estamos aqui a tratar de caso de descumprimento da obrigação principal, ou seja, do dever do contribuinte de pagar o tributo devido ao sujeito ativo da relação jurídicotributária. A obrigação tributária possui duas espécies, principal e acessória, sendo a primeira sempre de dar e a segunda podendo ser fazer, não fazer, tolerar algo no interesse público da fiscalização dos tributos, tendo o ente tributante, direito de constituir crédito em desfavor do particular. O art. 113 do Código Tributário Nacional define que “a obrigação tributária é principal ou acessória”, sendo que a principal, conforme seu § 1°, “surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente” e a acessória, conforme § 2°, “decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos”, cabendo ainda uma conversão da acessória em principal, sempre que aquelas versarem sobre penas pecuniárias, no tocante ao § 3°, do art. 113 do mesmo diploma legal. Eis o disciplinamento legal: Código Tributário Nacional Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. Fl. 150DF CARF MF Processo nº 14041.000473/200710 Acórdão n.º 2201003.872 S2C2T1 Fl. 151 10 No que concerne ao fato gerador da obrigação principal, temos como uma situação definida em lei como necessária e suficiente à sua ocorrência. Ocorrendo a situação, surge a obrigação recolher aos cofres públicos o tributo devido. De outro lado, o fato gerador da obrigação acessória é qualquer situação que impõe a a prática de ou a abstenção de ato que não configure obrigação principal. Estabelece o CTN: Art. 114. Fato gerador da obrigação principal é a situação definida em lei como necessária e suficiente à sua ocorrência. Art. 115. Fato gerador da obrigação acessória é qualquer situação que, na forma da legislação aplicável, impõe a prática ou a abstenção de ato que não configure obrigação principal. O Auto de Infração e seus anexos demonstram a contento a situação fática que deu ensejo à exigência fiscal, inclusive os elementos que foram analisados para se identificar a ocorrência dos fatos geradores. As bases de cálculo se encontram bem explicitadas no Relatório de Lançamentos. As alíquotas, por sua vez, podem ser visualizadas sem dificuldades pela leitura do Discriminativo Analíticod o Débito DAD. O Relatório Fundamentos Legais do Débito traz a discriminação, por período, da base legal utilizada para constituição do crédito previdenciário, além de que no próprio corpo do relatório fiscal houve menção aos dispositivos que levaram a auditoria a concluir pela concretização da hipótese de incidência tributária. Assim, não enxergo motivo para que se anule o Auto de Infração sob julgamento, posto que os requisitos formais e a motivação apresentadas foram suficientes para que o sujeito passivo exercesse o seu direito de defesa com amplitude, nem mereça reforma a decisão de primeira instância. Do mérito A recorrente não refuta, em sede recursal, expressamente o crédito tributário, limitandose a fazer um breve relato do lançamento e requerer de modo genérico o provimento do recurso voluntário. Ainda que não haja litígio a ser dirimido, não custa salientar que ultrapassada a questão da decadência parcial, o crédito tributário fora perfeitamente lançado. Desse modo, os procedimentos adotados para o levantamento estão de acordo com a legislação em vigor na data do lançamento, isto é, o artigo 33. §§ 4° e 6° da Lei 8.212/91. art. 234 do RPS aprovado pelo Decreto 3.048/99, "in verbis": § 4° Na falta de prova regular e formalizada pelo sujeito passivo, o montante dos salários pagos pela execução da obra de construção civil pode ser obtido mediante cálculo da mão de obra empregada, proporcional à área construída, de acordo com critérios estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, cabendo ao proprietário, dono da obra, condômino da Fl. 151DF CARF MF Processo nº 14041.000473/200710 Acórdão n.º 2201003.872 S2C2T1 Fl. 152 11 unidade imobiliária ou empresa corresponsável o ônus da prova em contrário. ('Redação dada pela Lei n° 11.941, de 2009). (...) § 6° Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. O Decreto n.° 3.048/99 (Regulamento da Previdência Social) determina seu artigo 234 que: “na falta de prova regular e formalizada, o montante dos salários pagos para a execução de obra de construção civil, pode ser obtido mediante o cálculo da mãodeobra empregada, proporcional à área construída e ao padrão da execução da obra, de acordo com os critérios estabelecidos pelo INSS. cabendo ao proprietário, dono da obra, incorporador, condômino da unidade imobiliária ou empresa coresponsável o ônus da prova em contrário” No caso, a fiscalização constatou que a escrituração contábil não espelha a realidade econômicofinanceira da empresa, tendo optado pela desconsideração da contabilidade e o arbitramento das contribuições sociais previdenciárias e para terceiros sobre a obra de construção civil fiscalizada, de acordo com a área construída e o padrão de execução de obra de construção civil, conforme previsto nos parágrafos 3°. 4° e 6° do art. 33 da Lei n.° 8.212/91. Em conclusão, o lançamento referese a crédito de contribuições previdenciárias próprias da recorrente devidas à Seguridade Social, incidentes sobre a mão de obra utilizada em obra de construção civil de pessoa jurídica, sendo que o uso da aferição indireta, de acordo com o CUB Custo Unitário Básico, ocorreu em virtude de fatos legalmente descumpridos pela recorrente, dentre os quais a inconsistência dos registros contábeis. Destarte, não merece reforma a decisão de primeira instância quanto às competências que não foram abrangidas pela decadência. Conclusão Diante de todo o exposto, voto por conhecer do recurso voluntário, para, no mérito, darlhe parcial provimento, reconhecendo a decadência parcial do crédito tributário. Daniel Melo Mendes Bezerra Relator Fl. 152DF CARF MF Processo nº 14041.000473/200710 Acórdão n.º 2201003.872 S2C2T1 Fl. 153 12 Fl. 153DF CARF MF
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Numero do processo: 16641.000179/2010-70
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Nov 28 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-005.939
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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AUTO DE INFRAÇÃO. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 64 1. 00 01 79 /2 01 0- 70 Fl. 191DF CARF MF Processo nº 16641.000179/201070 Acórdão n.º 9202005.939 CSRFT2 Fl. 0 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 15979.000274/200701. Tratase de auto de infração, referente às contribuições devidas ao INSS, destinadas à Seguridade Social. A divergência em exame reportase à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial requerendo que a retroatividade benigna fosse aplicada, essencialmente, pelos critérios constantes na Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Cientificado, o sujeito passivo não apresentou contrarrazões. É o relatório. Fl. 192DF CARF MF Processo nº 16641.000179/201070 Acórdão n.º 9202005.939 CSRFT2 Fl. 0 3 Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202005.782, de 26/09/2017, proferido no julgamento do processo 15979.000274/200701, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202005.782): Pressupostos De Admissibilidade O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Do mérito Aplicação da multa retroatividade benigna Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade Fl. 193DF CARF MF Processo nº 16641.000179/201070 Acórdão n.º 9202005.939 CSRFT2 Fl. 0 4 benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdãonº9202004.262 (Sessão de23dejunhode2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. Fl. 194DF CARF MF Processo nº 16641.000179/201070 Acórdão n.º 9202005.939 CSRFT2 Fl. 0 5 A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º doart. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pelaMP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas noart. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdãonº9202004.499 (Sessão de 29desetembrode2016): Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: Fl. 195DF CARF MF Processo nº 16641.000179/201070 Acórdão n.º 9202005.939 CSRFT2 Fl. 0 6 I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao Fl. 196DF CARF MF Processo nº 16641.000179/201070 Acórdão n.º 9202005.939 CSRFT2 Fl. 0 7 raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na Fl. 197DF CARF MF Processo nº 16641.000179/201070 Acórdão n.º 9202005.939 CSRFT2 Fl. 0 8 NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). Fl. 198DF CARF MF Processo nº 16641.000179/201070 Acórdão n.º 9202005.939 CSRFT2 Fl. 0 9 § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de Fl. 199DF CARF MF Processo nº 16641.000179/201070 Acórdão n.º 9202005.939 CSRFT2 Fl. 0 10 ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Em face ao exposto, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Por fim, destacase que, independente do lançamento fiscal analisado referirse a Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP) e Acessória (AIOA), este último consubstanciado na omissão de fatos geradores em GFIP, lançados em conjunto, ou seja formalizados em um mesmo processo, ou em processos separados, a aplicação da legislação não sofrerá qualquer alteração, posto que a Portaria PGFN/RFB nº 14/2009 contempla todas as possibilidades, já que a tese ali adotada tem por base a natureza das multas. Conclusão Face o exposto, voto no sentido de CONHECER do recurso ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL, para, no mérito, DAR LHE PROVIMENTO, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. É como voto. Face o exposto, voto por conhecer do Recurso Especial e, no mérito, darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 200DF CARF MF Processo nº 16641.000179/201070 Acórdão n.º 9202005.939 CSRFT2 Fl. 0 11 Fl. 201DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.987794/2012-47
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Oct 26 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2009
DIREITO DE DEFESA - AVALIAÇÃO CONCRETA
Alegações genéricas de violação do direito de defesa, sem respaldo concreto nas decisões e despachos decisórios atacados, não dão azo à anulação dessas manifestações administrativas. Ainda que o despacho decisório fosse nulo, o reconhecimento da nulidade não ensejaria a homologação da compensação sem a apreciação de mérito.
Numero da decisão: 1401-001.976
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Jose Roberto Adelino da Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Livia De Carli Germano, Daniel Ribeiro Silva, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa.
Nome do relator: ANTONIO BEZERRA NETO
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EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009 DIREITO DE DEFESA AVALIAÇÃO CONCRETA Alegações genéricas de violação do direito de defesa, sem respaldo concreto nas decisões e despachos decisórios atacados, não dão azo à anulação dessas manifestações administrativas. Ainda que o despacho decisório fosse nulo, o reconhecimento da nulidade não ensejaria a homologação da compensação sem a apreciação de mérito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Jose Roberto Adelino da Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Livia De Carli Germano, Daniel Ribeiro Silva, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 98 77 94 /2 01 2- 47 Fl. 68DF CARF MF Processo nº 10880.987794/201247 Acórdão n.º 1401001.976 S1C4T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia de Julgamento que indeferiu manifestação de inconformidade apresentada contra despacho não homologatório de compensação declarada. No referido recurso, o contribuinte alega que a decisão recorrida: 1) não considerou os princípios constitucionais da motivação e da ampla defesa, o que impediu o particular de apresentar defesa e de demonstrar a existência do crédito; 2) o princípio da motivação foi violado, uma vez que a autoridade indeferiu a homologação da compensação sob o fundamento de inexistência do crédito, sem qualquer outro esclarecimento, enquanto a decisão de primeiro grau aduziu que havia fundamentação fazendo menção genérica a artigos genéricos da legislação tributária; 3) essas decisões impediram a recorrente de apresentar uma defesa concreta. Com base nesses fundamentos, o recorrente pede a nulidade do despacho decisório e a homologação da compensação. É o relatório do essencial. Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1401001.937, de 22.06.2017, proferido no julgamento do Processo nº 10880.658691/201272. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1401001.937): Evidentemente, os princípios constitucionais concretizadores do devido processo legal, como a fundamentação dos atos e decisões, a ampla defesa e o contraditório, devem ser atendidos também nos processos administrativos. Os particulares devem ser capazes de identificar as razões que motivaram as prescrições veiculadas nas manifestações das autoridades administrativas que se refiram a seus direitos. Nesse sentido, diferentemente do alegado pela recorrente, tanto o despacho decisório, quanto à decisão de primeira instância ofereceram com especificidade os elementos aptos ao particular Fl. 69DF CARF MF Processo nº 10880.987794/201247 Acórdão n.º 1401001.976 S1C4T1 Fl. 4 3 identificar com precisão as razões concretas para não ter a compensação homologada. Em primeiro lugar, a Delegacia de Julgamento não fundamenta a sua decisão com base em menção genérica a dispositivos legais. Pelo contrário, sua análise é fática e específica. A decisão recorrida aponta de forma minuciosa as razões de fato que ensejaram o despacho decisório denegatório da homologação, as quais, com efeito, constam do referido despacho. Para haver compensação, é necessário o reconhecimento do indébito tributário, o qual, uma vez indeferido, corresponde ao próprio fundamento da não homologação. Claro que o indeferimento do crédito ao qual o contribuinte considera fazer jus também deve ser motivado, mas foi e em quadro próprio que compõe o despacho decisório atacado. O despacho decisório são se restringiu, diferentemente do alegado pelo recorrente, a apontar genericamente a inexistência do indébito. Em quadro próprio, apresenta as razões fáticas para o não reconhecimento do crédito alegado. Já a Delegacia de Julgamento discorre com minúcias acerca dessas razões fáticas. Reiteramos: sua decisão acerca da motivação do despacho decisório não se restringiu a alegações genéricas calcadas em dispositivos da legislação tributário, como indevidamente o recorrente afirma em sua peça recursal. Tal estratégia é que pode ser imputada ao contribuinte, pois, ao revés de buscar demonstrar concretamente o seu direito creditório, apegase exclusivamente, tanto na manifestação de inconformidade, quanto no recurso voluntário, na tentativa de anular os atos decisórios administrativos e na esperança de que uma decisão desse jaez tivesse também a consequência de homologar as compensações declaradas. Claro que nem um, nem o outro pedido pode ser deferido. Não podemos deixar de consignar que cabe ao particular comprovar o seu direito de crédito contra o Fisco, o que poderia ter sido realizado, em face do princípio da eventualidade, até em sede recursal. Afinal, a nulidade da despacho decisório, diferentemente do pretendido pelo recorrente, não pode ter por efeitos imediatos o reconhecimento do indébito tributário. A consequência natural é a necessidade de refazer os atos nulos, o que pode ser superada com o provimento de mérito a favor do particular, nos termos do art. 59, § 3º, do Decreto nº 70.235/72: § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. Nada obstante, o contribuinte postouse numa cômoda, mas absolutamente indevida, condição de tecer alegações genéricas Fl. 70DF CARF MF Processo nº 10880.987794/201247 Acórdão n.º 1401001.976 S1C4T1 Fl. 5 4 contra o despacho decisório sem envidar qualquer esforço concreto para demonstrar, no mérito, o seu direito de crédito contra o Fazenda Pública. É importante reiterar. Ainda que considerássemos nulo o despacho decisório e, conseguintemente, a decisão da Delegacia de Julgamento, tal nulidade não acarretaria o reconhecimento de indébito tributário e, conseguintemente, a homologação da compensação pretendida. Por todo o exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 71DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13896.903145/2009-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 19 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Oct 24 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 1301-000.453
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente
(assinado digitalmente)
José Eduardo Dornelas Souza - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros, Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Ângelo Abrantes Nunes, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felicia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto.
Nome do relator: JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros, Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Ângelo Abrantes Nunes, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felicia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto.
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros, Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Ângelo Abrantes Nunes, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felicia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte contra o acórdão proferido pela DRJ, que, ao apreciar a Manifestação de Inconformidade apresentada, entendeu, por unanimidade de votos, julgála improcedente. Inferese dos autos, que o contribuinte transmitiu Declaração de Compensação (PER/DCOMP), alegando direito creditório oriundo de pagamento indevido ou a maior de IRPJ. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 96 .9 03 14 5/ 20 09 -1 5 Fl. 231DF CARF MF Processo nº 13896.903145/200915 Resolução nº 1301000.453 S1C3T1 Fl. 232 2 Por despacho decisório, não foi reconhecido direito creditório pleiteado e, por conseguinte, nãohomologada a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que os pagamentos informados foram integralmente utilizados para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificado, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, alegando que informou, equivocadamente, que o débito de IRPJ devido no mês de outubro de 2004 seria R$ 5.193.320,00, porém, o valor realmente devido no mencionado período para o IRPJ era de R$ 5.049.765,17, conforme consta em sua DIPJ do período. Aduz que como já havia recolhido o primeiro valor, através de DARF e compensação efetuado em Per/Dcomp, tal fato gerou um crédito oriundo de pagamento indevido no montante de R$ 143.554,83. Menciona ainda que ao perceber o equívoco, retificou a DCTF do 4º trimestre de 2004, para fazer constar como valor devido (PA outubro de 2004) o valor que considera correto, sendo o crédito resultante no valor de R$ 143.554,83 utilizado no Perd/Comp em discussão para quitar o débito de IRPJ com vencimento em novembro de 2005. Na oportunidade fez juntada dos documentos que julgou necessários para demonstrar a liquidez e certeza do crédito pleiteado. Estes argumentos e provas foram apreciados pela DRJ, que decidiu julgar a manifestação de inconformidade improcedente, com o seguinte ementário: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2005 DIREITO CREDITÓRIO COMPENSAÇÃO Só é cabível o reconhecimento deste direito quando ele se reveste dos predicados de liquidez e certeza. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Ciente do acórdão recorrido, e com ele inconformado, a recorrente apresentou, tempestivamente, recurso voluntário, através de patrono legitimamente constituído, pugnando por provimento, onde faz juntada de novas provas e apresenta argumentos que serão a seguir analisados. O presente processo foi indicado como paradigma para um lote de processos repetitivos, e após sua inclusão em pauta, o contribuinte atravessa petição de fls. 207 e 208 requerendo alteração de paradigma, sendo o pedido deferido. É o relatório. Voto Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza, Relator O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos regimentais, portanto, dele conheço. Porém, do exame dos autos, considero que o processo não reúne condições de julgamento, pelos motivos que passo a expor. Fl. 232DF CARF MF Processo nº 13896.903145/200915 Resolução nº 1301000.453 S1C3T1 Fl. 233 3 Preliminarmente, deve ser submetida à deliberação deste colegiado a possibilidade de juntada de novos documentos, e que eles sejam admitidos como provas no processo. Esses documentos foram acostados ao processo quando da apresentação do recurso voluntário. Em relação a esse ponto, é importante destacar a disposição contida no §4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que trata da apresentação da prova documental na impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual. Contudo, a jurisprudência do CARF vem temperando essa disposição em nome do princípio da verdade material, para a consecução dos fins processuais No caso, penso ser possível a análise dos documentos juntados pela recorrente, em seu recurso, aplicandose a exceção do inciso “c” do mesmo dispositivo legal, que permite a juntada de provas em momento posterior quando se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Afinal, o contribuinte trouxe na defesa inicial os documentos que julgava aptos a comprovar seu direito, e, ao analisar os argumentos do julgador a quo, que não lhe foram favoráveis, trouxe provas complementares, quais sejam, apuração da IRPJ do mês de outubro de 2004, o Livro de Apuração do Lucro Real LALUR e o balancete de verificação que lhe suporta, entre outros. Assim, no caso concreto, a apresentação das novas provas é resultado da marcha natural do processo, sendo razoável sua admissão. Dessa forma, as novas provas são admitidas e serão analisadas. Da conversão do julgamento em diligência Em sede de prejudicial de mérito, requer o contribuinte conversão do julgamento em diligência, com base no princípio da verdade material, para que se possa confirmar a existência do crédito, por dois motivos: i) no caso deste colegiado considerar os documentos juntados na impugnação insuficientes para comprovar o direito creditório alegado; ii) caso não sejam admitidas as provas juntadas em 2ª instância que demonstram tal direito. Em que pese suas razões, não há que se determinar conversão em diligência, na hipótese do julgador considerar insuficientes os documentos colacionados pelas partes, pois não compete ao julgador e sim as partes, trazerem aos autos provas que sustentam suas alegações. A avaliação da necessidade de se realizar diligência é atividade de discricionariedade do julgador. Nesse sentido, são os precedentes das três Seções de Julgamento que compõe este Conselho: PERÍCIA. REQUISITOS. INDEFERIMENTO. Deve ser indeferido, por demonstrar intenção protelatória, o pedido de perícia para obter informações sem a demonstração da sua necessidade. (CARF, 3ª Câmara do Fl. 233DF CARF MF Processo nº 13896.903145/200915 Resolução nº 1301000.453 S1C3T1 Fl. 234 4 1º Conselho de Contribuintes, Acórdão nº 10323.470, Rel. Conselheiro Leonardo de Andrade Couto, Sessão 28/05/2008) PROVA PERICIAL. DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. Indeferese o pedido de perícia ou de diligência quando o julgador administrativo, após avaliar o caso concreto, considerálas prescindíveis para o deslinde das questões controvertidas. (CARF, 2ª Seção de Julgamento, 4ª Câmara 1ª Turma Ordinária, Acórdão nº 2401004.612, Rel. Conselheiro Cleberson Alex Friess, Sessão 08/02/2017) PROVA PERICIAL. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO. O indeferimento do pedido de perícia não caracteriza cerceamento do direito de defesa, quando demonstrada a desnecessidade da produção de novas provas para formar a convicção da autoridade julgadora. (CARF, 3ª Seção de Julgamento, 2 Câmara 1ª Turma Ordinária, Acórdão nº 3201000.617, Rel. Conselheiro Daniel Mariz Gudino, Sessão 02/02/2011) Assim, pelas justificativas acima descritas, dadas as circunstâncias do caso concreto, com base no artigo 18 do Decreto nº 70.235/72 e nos precedentes ora referenciados, voto por negar provimento ao pedido de diligência, tal como formulado pela recorrente. Não obstante essas razões, entendo que deve ser convertido o julgamento em diligência, porém por outros fundamentos. Analisando as provas dos autos, verifico que a fiscalização não aprofundou sua investigação acerca da liquidez e certeza do crédito pleiteado, quando desprezou completamente a DIPJ apresentada pelo contribuinte, que comparada com o DARF de recolhimento, indicava saldo credor, ainda que em descompasso com a Dcomp apresentada. Ora, a Administração Tributária não pode limitar, na sua análise, apenas às informações prestadas em Dcomp, já que existiam informações provenientes de outras declarações nos bancos de dados da Receita que permitiam a análise quanto ao crédito pleiteado. Isto é, caberia à Fiscalização, ao menos, questionar a divergência existente entre as declarações (DIPJ e DComp) e proceder a intimação do contribuinte para retificar uma das declarações. O contribuinte questiona a ausência de intimação, no caso. De fato, não encontro comprovação de que o contribuinte fora intimado para proceder a retificação de quaisquer das declarações. Ora, se de um lado, indeferese o pedido de restituição porque foram alocadas automaticamente a débitos que constaram da DCTF, sem facultar ao contribuinte oportunidade para esclarecer a sua conduta, por outro lado, impedese simultaneamente que, ao ser notificado do Despacho Decisório emitido de forma sumária, o contribuinte possa retificar ou até mesmo cancelar a Per/Dcomp para adequála de forma devida. Por sua vez, a Administração Tributária consciente deste problema modificou os Despachos Decisórios emitidos eletronicamente e o seu procedimento, pois atualmente, ao verificar a inconsistência das Per/Dcomp com as informações registradas nos sistemas do fisco, antes de emitir o despacho denegatório, intima o contribuinte para esclarecimentos. Se o contribuinte não responder à intimação fiscal, o Despacho é emitido, porém faculta ao Fl. 234DF CARF MF Processo nº 13896.903145/200915 Resolução nº 1301000.453 S1C3T1 Fl. 235 5 contribuinte, no prazo de trinta dias após o recebimento, retificar as declarações entregues ao fisco para a compatibilização dos dados – DIPJ, DCTF e a própria Per/Dcomp. Acrescese a isso, que em tópico anterior deste decisium, foi admitido juntada dos documentos trazidos pela recorrente em seu recurso, aplicandose a exceção do inciso “c” do mesmo dispositivo legal, que permite a juntada de provas em momento posterior quando se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Afinal, o contribuinte trouxe na defesa inicial os documentos que julgava aptos a comprovar seu direito, e a decisão recorrida não reconheceu seu direito creditório, por entender que os documentos juntados, no caso, a DIPJ, DCTF retificadoras e originais, DARF´s, seriam insuficientes para comprovar o crédito que informavam. Da análise dos anteditos documentos, observo que eles se propõem a reforçar os argumentos aduzidos pelo contribuinte em sua manifestação inicial, e, em tese, possuem o condão de comprovar que a retificação efetuada refletia a realidade empresarial da pessoa jurídica, reputandose, por isso, segundo penso, de extrema importância na investigação da certeza e liquidez do direito creditório compensado. Uma vez acostados os documentos, entendo ser necessário que a RFB manifestese sobre eles, antes da deliberação sobre o mérito do direito creditório perseguido pelo contribuinte. Assim, conduzo meu VOTO no sentido de que sejam os autos convertidos em diligência, para que a Delegacia de Origem adote as seguintes providências: I) Aferir a procedência e quantificação do direito creditório indicado pelo contribuinte, empregado sob forma de compensação, através do exame dos documentos apresentados, seja na impugnação, seja no recurso voluntário; II) Informar se, de fato, o crédito foi utilizado para outra compensação ou forma diversa de extinção do crédito tributário, como registrado no despacho decisório; III) Informar se o crédito apurado é suficiente para liquidar a compensação realizada; IV) A autoridade fiscal deverá elaborar relatório conclusivo das verificações efetuadas nos itens anteriores. V) Ao final do relatório conclusivo, o contribuinte deverá ser cientificado do seu resultado, facultandolhe a oportunidade de se manifestar nos autos sobre suas conclusões, no prazo de 30 dias, em conformidade com o parágrafo único, art. 35, do Decreto 7.574/2011. Na seqüência, o processo deverá retornar ao CARF para prosseguimento do julgamento, sendo distribuído a este Conselheiro independentemente de sorteio. (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Fl. 235DF CARF MF Processo nº 13896.903145/200915 Resolução nº 1301000.453 S1C3T1 Fl. 236 6 Fl. 236DF CARF MF
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Numero do processo: 15169.000003/2016-73
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jan 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CONTROLE DE LEGALIDADE. COMPETÊNCIA DOS ORGÃOS JULGADORES PARA DECIDIR SOBRE RESPONSABILIZAÇÃO SOLIDÁRIA
Cabe ao fisco, tanto no ato de lançamento, quanto no processo de controle de legalidade deste ato, identificar contra quem promoverá a cobrança do tributo. Os órgãos julgadores em primeira e segunda instâncias administrativas, devem decidir quanto à responsabilização dos sujeitos passivos pelo cumprimento da obrigação tributária.
PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE
Anula-se a decisão proferida com flagrante omissão quanto à matéria sobre a qual competiria manifestar-se, devendo outra ser prolatada.
Numero da decisão: 1302-002.318
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para declarar a nulidade parcial do acórdão de primeiro grau, determinando o retorno à DRJ para apreciação da impugnação dos responsáveis solidários arrolados, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogerio Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca, Ester Marques Lins de Sousa, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado), e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2004, 2005, 2006 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CONTROLE DE LEGALIDADE. COMPETÊNCIA DOS ORGÃOS JULGADORES PARA DECIDIR SOBRE RESPONSABILIZAÇÃO SOLIDÁRIA Cabe ao fisco, tanto no ato de lançamento, quanto no processo de controle de legalidade deste ato, identificar contra quem promoverá a cobrança do tributo. Os órgãos julgadores em primeira e segunda instâncias administrativas, devem decidir quanto à responsabilização dos sujeitos passivos pelo cumprimento da obrigação tributária. PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE Anulase a decisão proferida com flagrante omissão quanto à matéria sobre a qual competiria manifestarse, devendo outra ser prolatada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para declarar a nulidade parcial do acórdão de primeiro grau, determinando o retorno à DRJ para apreciação da impugnação dos responsáveis solidários arrolados, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 16 9. 00 00 03 /2 01 6- 73 Fl. 2897DF CARF MF Processo nº 15169.000003/201673 Acórdão n.º 1302002.318 S1C3T2 Fl. 2.898 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogerio Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca, Ester Marques Lins de Sousa, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado), e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório Por bem sintetizar o processo, adoto o relatório da DRJRJ1, complementandoo ao final, litteris: “Cuida, o presente processo, dos autos de infração de fls. 1745/1807, lavrados em 14.12.2009, pela DRF Vitória ES, contra Comercial de Café e Cereais Ilha Bela Ltda, relativos aos anoscalendário 2004, 2005 e 2006, para exigir o Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ no valor de R$ 1.555.228,44, a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL no valor de R$ 732.252,79, a Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – Cofins no valor de R$ 2.034.035,51 e a Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS no valor de R$ 440.707,55, todos acrescidos da multa proporcional de 150% e dos juros de mora. Foram responsabilizados solidariamente pelo crédito tributário, com base no artigo 124 do CTN (Lei nº 5.172/66), as empresas Licafé Com. Imp. E Exp. de Café Ltda e Giucafé Exp. e Imp. Ltda, bem como as pessoas físicas: Darli Moro, José Carlos Moro, José Anailson Moro, Aguina Lucia Moro Medeiros, Josemar Moro, Jovania Aparecida Moro Magnaco, Júlio César Galon Moro, Alfredo Giuberti, Pedro Giuberti e Noé Bergamaschi (fls. 1708/1743). De acordo com os autos de infração e com o Termo de Verificação Fiscal de fls. 1607/1706, o lançamento derivou das seguintes constatações, em síntese: a) Foi caracterizada omissão de receitas porque o autuado foi intimado mas não comprovou a origem dos depósitos feitos nas contas bancários de sua titularidade no Bradesco e na Sicoob (Cooperativa de Crédito Norte Litorânea do ES), que somaram R$ 11.419.685,60 em 2004, R$ 25.511.745,13 em 2005 e R$ 30.869.759,32 em 2006; b) O autuado apresentou declaração de inatividade em relação aos anos calendário 2004 e 2005 e esteve omisso (sem declaração) quanto ao de 2006; c) O autuado não apresentou à fiscalização os livros Diário, Razão e/ou caixa, registro de empregados, alvará de funcionamento nem o talonário de notas fiscais, sob a alegação de extravio, razão pela qual seu lucro foi arbitrado; d) Foram colhidos depoimentos dos sócios, do procurador e do porteiro do prédio da empresa autuada, dos sócios e empregados das empresas Licafé e Giucafé Exp. e Imp., de funcionários das agências do Bradesco e da Sicoob (em que o autuado mantinha contascorrentes), de produtores rurais de café (de quem o autuado comprava café) e de empregado da FMV transportes; e) A empresa autuada resultou da alteração, em 2001, da razão social e do objeto social da Beabá Papelaria e Livraria Ltda, por seus sócios Marcus Vinicius de Castro Fl. 2898DF CARF MF Processo nº 15169.000003/201673 Acórdão n.º 1302002.318 S1C3T2 Fl. 2.899 3 Barcellos e sua esposa, Deiseane Xavier Pereira, por proposta, e também com o auxílio, do sr. Noé Bergamaschi, passando a atuar no comércio de café, dentre outros; f) A empresa autuada tinha seu endereço numa sala “acanhada”, não possuía empregados e não realizava operações bancárias típicas (aplicações financeiras, resgates, empréstimos ou contratos); g) Os sócios constantes do contrato social do autuado, Marcus Vinicius de Castro Barcellos e sua esposa, Deiseane Xavier Pereira, eram tãosomente “sócios de direito”, um casal simples, de condição financeira incompatível com os negócios da empresa, desconhecido do porteiro do edifício que abriga a sede da empresa e não geria a empresa; h) O sr. Marcus Vinicius era operador de máquinas da empresa Chocolates Garoto de 2004 a 2009, recebia comissão “como de favor” em troca de sua assinatura em documentos do autuado e assinava cheques em branco e entregava para o sr. Noé Bergamaschi; i) O sr. Noé Bergamaschi era responsável pela parte contábil e fiscal do autuado até 2007, tinha endereço comercial no mesmo endereço do autuado, movimentava suas contas bancárias e tinha procuração para representálo em órgãos públicos, RFB, instituições privadas, podendo abrir e encerrar contas bancárias, assinar e endossar cheques e duplicatas, dentre outros poderes; j) A gestão da empresa autuada, a movimentação de suas contascorrentes e outros serviços eram feitos pelo sr. Noé Bergamaschi e por sócios, gerentes e funcionários das empresas Licafé Com. Imp. E Exp. de Café Ltda; k) Os empregados dos bancos praticamente só tratavam dos assuntos da empresa autuada com empregados da empresa Licafé; l) Os cheques emitidos pelo autuado eram assinados pelo sr. Marcus Vinicius ou por Noé Bergamaschi; m) Os produtores rurais de café negociavam as vendas do produto com os sócios, gerentes e funcionários da Licafé nos escritórios dessa empresa, as notas fiscais de venda ora tinham como destinatário a Licafé, ora o autuado, mas a venda era sempre para a Licafé (alguns produtores vendiam exclusivamente para a Licafé) e o local de descarga era a Licafé, enquanto que o preço era pago por meio dos cheques emitidos pelo autuado; o mesmo procedimento acontecia com a empresa Giucafé Exp. e Imp.; n) Alguns produtores rurais afirmaram que nunca haviam vendido café para o autuado e nem sequer conheciam a empresa autuada, seus sócios ou gerentes; o) As notas fiscais de compra e de venda de café e os talões de cheques vinham das empresas Licafé e Giucafé Exp. e Imp. para a empresa autuada por meio de malotes dos correios, todos os dias; p) Praticamente a totalidade dos cheques emitidos pelo autuado eram sacados na “boca do caixa” e, em seguida, seus valores eram depositados em várias contas correntes, normalmente de titularidade dos produtores rurais de café; q) Os sócios de direito do autuado serviram de interpostas pessoas para as atividades da empresa e os verdadeiros beneficiários econômicos foram terceiras pessoas, que são responsáveis solidários pelo crédito tributário, por aplicação do art. 124 do CTN; r) Os fatos narrados, sobretudo a intenção de suprimir tributos com a omissão contumaz de receitas e com a utilização de interpostas pessoas (“laranjas”) visando Fl. 2899DF CARF MF Processo nº 15169.000003/201673 Acórdão n.º 1302002.318 S1C3T2 Fl. 2.900 4 encobertar os reais beneficiários, caracterizam fraude, implicam a qualificação da multa de ofício para 150% e representam, em tese, crime contra a ordem tributária; Foram cientificados do lançamento, a empresa autuada e os responsáveis solidários, entre 14 e 16.12.2009 (fls. 1809/1821). A empresa Licafé apresentou a petição de fls. 1825/1827, em 21.12.2009, alegando que não pôde ter vista dos autos e requerendo prazo para vista e cópia dos autos para que pudesse se defender. O sr. Noé Bergamaschi apresentou a impugnação de fls. 1833/1839, em 13.01.2010, com as seguintes alegações, em síntese: a) Só prestou serviços de contabilidade na área fiscal estadual e municipal, à empresa autuada, até 2003 e não detém qualquer livro ou documento; b) Seus serviços limitavamse à contabilidade, tudo que fez foi a mando do sr. Armando Guerra Miranda e não tinha qualquer interesse na empresa autuada; c) Embora seu endereço coincidisse com o do autuado, também atendia à outras empresas; d) A procuração que tinha foi revogada em 2006 e só assinou os cheques por seis meses a um ano; e) Conforme depoimentos dos empregados dos bancos, os malotes com pagamentos, duplicatas, cheques etc eram entregues aos boys da Licafé, e a Giucafé Exp. e Imp. também tinha interesse nas operações; e f) Não é o beneficiário das atividades do autuado, não teve acréscimo patrimonial no período e deve ser excluído da responsabilidade pelo débito fiscal. O autuado apresentou a impugnação de fls. 1889/1896, em 13.01.2010, com as seguintes alegações, em síntese: a) Atua como representante comercial, intermediando a venda de café e cereais para outras empresas, assim sendo, os recursos depositados nas contascorrentes não são receita, mas sim movimentação do dinheiro do cliente para o fornecedor (produtor rural); b) Só poderia ser autuado sobre as comissões recebidas, que são suas receitas; c) Registrou duas contas transitórias para controlar esse repasse de pagamentos, no Livro Diário e no Razão, juntados aos autos; d) Nunca emitiu notas fiscais de compra e venda, fazendo somente o agenciamento através da empresa Licafé; e e) Os depósitos bancários são indícios, que, para se tornarem presunção válida, necessitam de uma prova para consubstanciar omissão de receitas. A empresa Giucafé Exp. e Imp., Alfredo Giuberti e Pedro Giuberti apresentaram a petição de fls. 1919/1920, em 04.01.2010, alegando que não conseguiram obter cópia dos autos e pedindo prorrogação do prazo para se defenderem. Em 13.01.2010, essas três pessoas apresentaram sua impugnação (fls. 1928/1979, com as seguintes alegações, em síntese: a) Quando conseguiu cópia dos autos, restavam só oito dias do prazo de impugnação, motivo pelo qual deve ser reaberto o prazo; Fl. 2900DF CARF MF Processo nº 15169.000003/201673 Acórdão n.º 1302002.318 S1C3T2 Fl. 2.901 5 b) Decaiu o direito de lançar os tributos relativos ao ano de 2004, já que a devedora principal foi cientificada do auto de infração em 14.12.2009; c) Apenas duas empresas tinham interesse na comercialização de café pelo autuado: a Miranda Café e a Licafé, de acordo com os depoimentos colhidos – dos 34 produtores rurais ouvidos, apenas nove citaram a Giucafé Exp. e Imp. e nenhuma das instituições financeiras a citaram; d) A quantidade e os valores das operações relacionadas aos produtores que citaram a Giucafé Exp. e Imp. são insignificantes; e) Não tem acesso à conta bancária do autuado via “home banking”; f) Não foi a Giucafé Exp. e Imp., mas, sim, o sr. Pedro Giuberti que providenciou o pagamento do débito de um produtor rural junto à Kurumá Veículos; g) Não há prova de que o café vendido pelos produtores ao autuado (conforme NF) era, na verdade, vendido à Giucafé Exp. e Imp.; h) A questão de os funcionários da Giucafé Armazéns Gerais preencherem, em seu escritório, as NF de venda dos produtores rurais está ligada ao fato de as corretoras, intermediárias, conhecerem os dados dos compradores do café; i) Não foi provado o interesse jurídico dos impugnantes nos negócios do autuado; j) Não foi individualizada a conduta dos impugnantes de forma a amparar sua responsabilidade; e k) A multa só pode ser majorada para 150% quando for provada a fraude, o que significa não existir dúvidas quanto ao propósito doloso do contribuinte; A empresa Licafé e as pessoas físicas: Darli Moro, José Carlos Moro, José Anailson Moro, Aguina Lucia Moro Medeiros, Josemar Moro, Jovania Aparecida Moro Magnaco e Júlio César Galon Moro apresentaram a impugnação de fls. 2197/2307, com as seguintes alegações, em síntese: a) Foi negada a vista aos autos antes do encerramento dos trabalhos de fiscalização, o que gerou cerceamento do direito de defesa; b) São imprestáveis diversos depoimentos de terceiros porque não foram colhidos ou assistidos pelos auditores que conduziram a ação fiscal e porque neles não consta o número do MPF (mandado de procedimento fiscal); c) Os MPF iniciais foram extintos por decurso de prazo, assim sendo, o novo MPF emitido não poderia contar com a participação do mesmo auditor; d) Apesar de ter intimado o sr. Josemar Moro, responsável solidário, em 08.12.2009, a prestar esclarecimentos em cinco dias, a fiscalização encerrou o termo de verificação fiscal no dia 11.12.2009; e) Solicitam diligência para que se ouçam novamente todas as pessoas que prestaram depoimento, agora com a possibilidade de os impugnantes fazerem perguntas; f) Solicitam que se intime a FMV transportes a juntar documentos; g) Solicitam perícia nos documentos da FMV transportes para comprovar a remessa física das mercadorias; Fl. 2901DF CARF MF Processo nº 15169.000003/201673 Acórdão n.º 1302002.318 S1C3T2 Fl. 2.902 6 h) Solicitam perícia dos documentos bancários para que sejam apuradas as receitas e despesas, a fim de determinar a receita tributável; i) Relacionam as intimações assim como os quesitos que entende necessários; j) Anexam planilha, na forma de “caixa contábil”, que mostra que na movimentação bancária juntada pela fiscalização, não houve só créditos, mas também débitos para aquisição de mercadorias e, assim, “o resultado é completamente diferente” e “a receita passível de tributação é muito menor do que a apontada e sugerida pelo AFRFB emissor da autuação”; k) A maioria dos créditos recebidos na contacorrente do autuado na Sicoob era proveniente de transferência de sua conta no Bradesco; l) Os recursos depositados nas contas do autuado têm sua origem (fornecimento de mercadorias) comprovada tanto pelo histórico dos próprios extratos bancários, como se vê, por exemplo, pelos 22 casos relacionados, quanto por notas fiscais, sem falar nos documentos das transportadoras; m) Houve, se muito, omissão de escrituração e de declarações fiscais, mas, não, receita omitida, pelo chamado caixa 2, pelo contrário, toda a movimentação se deu pelo sistema bancário; n) Não há proibição legal para se administrar uma empresa por procuração, para ser sócio de uma empresa e empregado de outra, ou de operar junto a instituições financeiras por meio de procuradores ou prepostos; o) A condição financeira do sócio não determina a utilização de interpostas pessoas; os produtores rurais não tinham que conhecer os representantes do autuado pois negociavam com intermediários; pessoas não são obrigadas a contrair empréstimos ou efetuar investimentos para ter uma atividade que seja considerada regular e legal; p) Depósito bancário não é disponibilidade de renda, tanto que o Decreto nº 2.471/88 determinou o cancelamento dos débitos baseados exclusivamente em extratos bancários; q) Se a fiscalização concluiu tratarse de interpostas pessoas e desconsiderou a contabilidade da Ilha Bela, não deveria ter autuado a Ilha Bela, mormente por constatar que seus sócios não possuíam condição financeira, mas deveria autuar as (aos olhos do Fisco) interpostas pessoas, ora impugnantes, por força do art. 42, §5º, da Lei nº 9.430/96; r) As cópias dos extratos bancários e dos cheques fornecidas pelas instituições financeiras são inidôneas, já que não estão autenticadas, consoante art. 3º e 5º do Decreto nº 3.724/2001; s) A fiscalização impôs idéias e coagiu os depoentes; t) Os impugnantes, além de comerciantes, também atuam como intermediários na compra e venda de café e cacau, assim, quando muito, intermediaram compras do autuado junto a produtores rurais de café; u) De acordo com os depoimentos da FMV, documentos da Secretaria de Fazenda – ES e com documentos do Bradesco, o autuado efetivamente vendia mercadoria, recolhia ICMS e recebia os pagamentos em sua contacorrente, e, de acordo com os depoimentos dos produtores rurais, é certo que ele comprava café, recebia o produto e pagava Fl. 2902DF CARF MF Processo nº 15169.000003/201673 Acórdão n.º 1302002.318 S1C3T2 Fl. 2.903 7 pela compra e, ainda, que, seja por si, seja por intermediários, como os impugnantes, arcava com custo de buscar o café; essa atividade justifica, plenamente, a origem dos depósitos bancários; v) Os impugnantes não têm interesse comum na situação que constituiu o fato gerador, mas, quando muito, compraram café de produtores rurais, para e em nome do autuado; w) Se existe uma pessoa que tinha interferência sobre os atos praticados pelo autuado, era o sr. Armando Guerra Miranda e, não, os impugnantes, como confessado pelos sócios do autuado; x) A responsabilidade atribuída a terceiros só abrange o tributo e os acréscimos moratórios, não as multas pecuniárias, com base no art. 137 do CTN; y) A Licafé orientava os produtores rurais a preencher as notas fiscais em nome da Ilha Bela, porque esta era a verdadeira compradora, enquanto que a Licafé atuava com intermediária; z) Os AFRFB não entenderam como funciona o mercado de café há mais de 200 anos: “no mercado de balcão organizado do comércio de café, assim como ocorre nas bolsas de valores e mercadorias futuras, um “lote” de mercadoria pode circular por diversas “mãos”, sempre na modalidade de intermediação, sendo certo que somente será emitida nota fiscal de venda, quando vencer a obrigação de entrega da mercadoria”; aa) Quando operou como corretora na venda dos produtores rurais para o autuado, a Licafé, a fim de zelar por seu nome comercial, no muito, acompanhou a liquidação da operação de compra, principalmente quando essa operação dependia de repasse de valores para terceiros que eram credores dos produtores; bb) Se houve omissão de receita do autuado foi no ato da venda, operação que não é intermediada pela Licafé, o que afasta tanto a relação direta quanto o interesse comum na situação que constitua o fato gerador, exigidos pelos art. 121 e 124 do CTN; cc) O sr. Darli Moro nunca integrou o quadro societário da Licafé e sempre atuou como intermediador/corretor; dd) Aguina Lucia Moro Medeiros e Josemar Moro não possuíam poderes de administração e gestão na Licafé, só foram sócios entre 06.10.2005 e 13.11.2006 e não foram citados por qualquer dos depoimentos; ee) A sra. Jovania Aparecida Moro Magnaco só ingressou na sociedade da Licafé em 06.10.2005 e só passou a responder pela administração em 16.11.2006; ff) O sr. José Anailson Moro ingressou na sociedade da Licafé em 06.10.2005 e retirouse em 16.11.2006, período em que compartilhou a gestão, mas também não foi citado em qualquer dos depoimentos; gg) O sr. José Carlos Moro foi sócio da Licafé de 1991 a 16.11.2006, mas só respondeu pela gestão até 1994; hh) O sr. Júlio César Galon Moro foi sócio fundador e geriu a Licafé até 2008, realizava operações de compra para o autuado junto aos produtores rurais, sempre tratando com os srs. Armando guerra Miranda e Noé Bergamaschi, mas sem exclusividade e sem poder de interferência na empresa autuada; ii) Não são verdadeiros os depoimentos dos funcionários da Sicoob de que se reportavam à Licafé para tratar de assuntos da empresa autuada; Fl. 2903DF CARF MF Processo nº 15169.000003/201673 Acórdão n.º 1302002.318 S1C3T2 Fl. 2.904 8 jj) O sr. Júlio César Galon Moro ou qualquer outro sócio ou funcionário da Licafé jamais tiveram autorização para acessar dados bancários do autuado na Sicoob; kk) A cobrança de débitos de empresa só pode invadir o patrimônio dos sócios nos casos de dolo, excesso, dissolução irregular ou outros atos ilícitos e, antes de cobrar das pessoas físicas, deve ficar evidenciada a incapacidade financeira do devedor principal; ll) As alterações quanto à solidariedade trazidas pela Lei nº 11.941/09 bem como o entendimento mostrado na recente jurisprudência impedem que a cobrança repercuta no patrimônio dos sócios e exsócios da Licafé, uma empresa solvente; mm) Contestam a representação para fins penais; e nn) Requerem prazo de 30 dias para juntar novos documentos e vistas dos autos para manifestação em face das demais impugnações. Em 17.05.2010, esta Delegacia de Julgamento determinou a reabertura do prazo para vista, cópia e aditamento de defesa, para a Licafé, a Giucafé Exp. e Imp., o sr. Alfredo Giuberti e sr. Pedro Giuberti. Em 28.06.2010, a Licafé, após ter vista dos autos, apresentou, em seu nome e no das pessoas que haviam produzido defesa em conjunto com ela, a petição de fls. 2.610/2.613, na qual reiteram as razões antes aduzidas. Em 30.09.2010, a empresa Giucafé Imp e Exp., Alfredo Giuberti e Pedro Giuberti interpuseram nova impugnação (fls. 2.622/2.682), na qual, além de repisarem os argumentos anteriores, acrescentaram os seguintes, em síntese: a) De acordo com recente acórdão do CarfMF, a imputação de responsabilidade pelo crédito tributário a terceiro compete exclusivamente à PFN, no bojo da cobrança executiva, e é nula tal imputação quando efetuada pela fiscalização por falta de competência; b) Assim sendo, os atos de responsabilizar são nulos e representam abuso de autoridade, face ao art. 4º da Lei nº 4.898/65; c) Por isso, deve o Carf dar início aos processos disciplinar e penal para punição dos abusos além de extirpar dos autos qualquer menção ao nome dos impugnantes e desentranhar os documentos a eles relacionados; d) A imposição da responsabilidade é tão genérica que, não sabendo qual seria o interesse jurídico nas atividades do autuado, os impugnantes não podem se defender; e) Também não podem se defender porque não têm acesso aos livros e às movimentações bancárias do autuado; e f) A imposição da totalidade do ônus tributário aos impugnantes implica violação do artigo 42, §5º, da Lei nº 9.430/96;” No julgamento das impugnações do autuado e responsáveis, a 6ª Turma de Julgamento da DRJ/RJ1, por voto de qualidade, resolveu afastar a preliminar de imprescindibilidade do enfrentamento das questões relativas à imputação de responsabilidade e, no mérito, por unanimidade de votos, negaram provimento às impugnações, conforme a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Fl. 2904DF CARF MF Processo nº 15169.000003/201673 Acórdão n.º 1302002.318 S1C3T2 Fl. 2.905 9 Anocalendário: 2004, 2005, 2006 OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Caracteriza receita omitida a falta de apresentação de documentos que comprovem as operações que motivaram os depósitos em conta bancária. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. A identificação de responsáveis solidários pelo crédito tributário é de competência da Procuradoria da Fazenda Nacional, órgão da administração pública encarregado da execução fiscal, donde resulta ser inócua a apreciação do tema pela Delegacia de Julgamento. MULTA QUALIFICADA. FRAUDE. A prática de atos intencionais e com máfé, com fim de evitar o pagamento de tributo e desviar eventual cobrança dos reais beneficiários da renda, justifica o agravamento da multa para 150%. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” Inconformados, os responsáveis GIUCAFÉ IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA., ALFREDO GIUBERTI e PEDRO GIUBERTI, interpuseram recurso voluntário da referida decisão, reforçando os argumentos aduzidos em suas peças impugnatória, e acrescentando as seguintes preliminares de nulidade do acórdão recorrido: (i) Omissão quanto à análise dos argumentos trazidos na impugnação; (ii) Nulidade do ato de responsabilizar, da violação do direito à privacidade e da lesão à honra subjetiva dos recorrentes por servidor incompetente e do abuso de autoridade; (iii) Cerceamento da ampla defesa; Da impossibilidade de imputação genérica do ônus tributário; Da necessidade da individualização das condutas e da violação do art. 42, §5º, da Lei 9.430/96 e da aplicação do art. 59, II, do Decreto 70.235/72. É o relatório. Voto O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Como se detrai do relatório, tratase de auto de infração e imposição de multa em razão de apuração de omissão de receitas nos anos de 2004, 2005 e 2006, lavrado em face de Comercial de Café e Cereais Ilha Bela Ltda., além dos responsáveis solidários pessoas jurídicas (Licafé Com. Imp. E Exp. de Café Ltda e Giucafé Exp. e Imp. Ltda), e pessoas físicas (Darli Moro, José Carlos Moro, José Fl. 2905DF CARF MF Processo nº 15169.000003/201673 Acórdão n.º 1302002.318 S1C3T2 Fl. 2.906 10 Anailson Moro, Aguina Lucia Moro Medeiros, Josemar Moro, Jovania Aparecida Moro Magnaco, Júlio César Galon Moro, Alfredo Giuberti, Pedro Giuberti e Noé Bergamaschi). O autuado e todos os responsáveis foram devidamente notificados, tendo apresentado razões de defesa em impugnação tempestiva. Ocorre que, quanto aos questionamentos dos responsáveis solidários pela satisfação do crédito tributário, a 6ª Turma de Julgamento da DRJ/RJ1, por voto de qualidade, deixou de conhecer a matéria, sob fundamento de que lhe falecia competência para decidir sobre a responsabilização dos indicados pela fiscalização. Concluiu, ainda, que sua apreciação teria caráter meramente opinativo. Vejamos trechos do voto: “Quanto aos questionamentos acerca da condição de responsável solidário pelo crédito tributário constituído, que foi imputada a terceiras pessoas, na forma do artigo 124 do Código Tributário Nacional, entendo que a identificação de responsáveis solidários pelo crédito tributário é de competência da Procuradoria da Fazenda Nacional, órgão da administração pública encarregado da execução fiscal. (...) Levando em conta que às Delegacias de Julgamento falece competência para decidir se cabe ou não a responsabilização dos indicados pela fiscalização, porque esse juízo cabe à PFN, a matéria não faria coisa julgada perante a Fazenda Nacional, sendo a apreciação por esta Turma meramente opinativa, motivo pelo qual deixo de conhecer desta matéria.” Ora, com a devida vênia, devese discordar desse entendimento. O processo administrativo fiscal deve ser visto como controle da legalidade do lançamento tributário, ocasionado pela discordância do administrado em relação a esse ato administrativo. Logo, este processo se notabiliza por ser uma etapa litigiosa do percurso de formalização da obrigação tributária no âmbito administrativo. Sendo assim, formalizada a lide fiscal através do fornecimento de impugnação, o até então procedimento fiscal, transmutase em Processo Tributário e passam a incidir na formalização definitiva do crédito tributário, as garantias inerentes ao devido processo legal, ampla defesa e contraditório. A garantia de acesso a ampla defesa e contraditório, nas palavras de ODETE MEDAUAR (Processualidade no Direito Administrativo, RT, São Paulo, 1993, pp. 105107) afirma que “a Constituição Federal de 1988 alude, não ao simples direito de defesa, mas sim, à ampla defesa. O preceito da ampla defesa reflete a evolução que reforça o princípio e denota a elaboração acurada para melhor assegurar a observância. Significa, então, que a possibilidade de rebater acusações, alegações, argumentos, interpretações de fatos, interpretações jurídicas, Fl. 2906DF CARF MF Processo nº 15169.000003/201673 Acórdão n.º 1302002.318 S1C3T2 Fl. 2.907 11 para evitar sanções ou prejuízos, não pode ser restrita, no contexto em que se realiza. Daí a expressão final do inciso LV ‘com os meios e recursos a ela inerentes’ englobados na garantia, refletindo todos os desdobramentos, sem interpretação restritiva.” No processo administrativo fiscal, especificamente, há previsão para a observância do contraditório e da ampla defesa, já que a Lei nº 9.784/99, em seu artigo 2º, inciso X, prescreve: “Art. 2º A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. (...) X garantia dos direitos à comunicação, à apresentação de alegações finais, à produção de provas e à interposição de recursos, nos processos de que possam resultar sanções e nas situações de litígio;” Sendo o órgão administrativo competente para averiguar a legalidade do lançamento tributário, compete às Delegacias da Receita Federal de Julgamento – DRJ’s, bem como ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, a revisão do ato administrativo. Nesse ímpeto, os órgãos julgadores mencionados não fazem outra coisa, senão verificar se determinada regra foi (ou não) produzida de acordo com o que prescreve o direito e se seu conteúdo atende os requisitos prescritos pela norma de superior hierarquia que autorizou sua produção. In casu, a DRJRJ1 foi instada pelos diversos responsáveis tributários a verificar a legalidade do termo de sujeição passiva solidária, os quais aduziram vários argumentos que, em seu entender, denotam a ausência de interesse comum na situação que constituiu o fato gerador da obrigação tributário e, em decorrência, afastaria a aplicação do artigo 124 do CTN, além de sua responsabilização. Ora, não vejo motivo para que a primeira instância administrativa se exima do julgamento da matéria impugnada. Ao contrário, era sua obrigação de apresentar os motivos ensejadores da decisão, de forma clara, congruente, indicando os fatos e fundamentos jurídicos que o embasaram, como disciplina o art. 50, da Lei nº 9.784/99. No entanto, os motivos apresentados, ou seja, a falta de competência das Delegacias de Julgamento para decidir se cabe ou não a responsabilização dos indicados pela fiscalização, não é motivo razoável para que a autoridade julgadora se exima de sua função de analisar a legalidade da autuação. O órgão julgador é competente para revisão dos atos administrativos, e sua omissão não pode resultar em uma supressão do direito assegurado aos litigantes – in casu, os responsáveis solidários – a oportunidade de terem seus argumentos de defesa analisados administrativamente. Fl. 2907DF CARF MF Processo nº 15169.000003/201673 Acórdão n.º 1302002.318 S1C3T2 Fl. 2.908 12 Nesse sentido, o Superior Tribunal de Justiça – STJ é assente quanto à competência do fisco para identificar contra quais sujeitos passivos promoverá a cobrança do tributo. Vejamos: “TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. ISS. EXECUÇÃO FISCAL. SUBSTITUIÇÃO DA CDA PARA MODIFICAÇÃO DO POLO PASSIVO. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA 392/STJ. (...) 3. Independentemente de a lei contemplar mais de um responsável pelo adimplemento de uma mesma obrigação tributária, cabe ao fisco, no ato de lançamento, identificar contra qual(is) sujeito(s) passivo(s) ele promoverá a cobrança do tributo, nos termos do art. 121 combinado com o art. 142, ambos do CTN, garantindose, assim, ao(s) devedor(es) imputado(s) o direito à apresentação de defesa administrativa contra a constituição do crédito. Por essa razão, não é permitido substituir a CDA para alterar o polo passivo da execução contra quem não foi dada oportunidade de impugnar o lançamento, sob pena de violação aos princípios do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa, também assegurados constitucionalmente perante a instância administrativa. 4. A esse respeito: "'Quando haja equívocos no próprio lançamento ou na inscrição em dívida, fazendose necessária alteração de fundamento legal ou do sujeito passivo, nova apuração do tributo com aferição de base de cálculo por outros critérios, imputação de pagamento anterior à inscrição etc., será indispensável que o próprio lançamento seja revisado, se ainda viável em face do prazo decadencial, oportunizandose ao contribuinte o direito à impugnação, e que seja revisada a inscrição, de modo que não se viabilizará a correção do vício apenas na certidão de dívida. A certidão é um espelho da inscrição que, por sua vez, reproduz os termos do lançamento. Não é possível corrigir, na certidão, vícios do lançamento e/ou da inscrição. Nestes casos, será inviável simplesmente substituirse a CDA.' (Leandro Paulsen, René Bergmann Ávila e Ingrid Schroder Sliwka, in "Direito Processual Tributário: Processo Administrativo Fiscal e Execução Fiscal à luz da Doutrina e da Jurisprudência", Livraria do Advogado, 5ª ed., Porto Alegre, 2009, pág. 205)" (Recurso Especial Representativo de Controvérsia 1.045.472/BA, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Seção, DJe 18/12/2009). (...) Fl. 2908DF CARF MF Processo nº 15169.000003/201673 Acórdão n.º 1302002.318 S1C3T2 Fl. 2.909 13 6. Embargos de divergência providos.” (EREsp 1115649/SP; Primeira Seção; Relator Ministro Benedito Gonçalves) Como amplamente exposto no relatório acima, os responsáveis, especificamente aqueles que interpuseram recurso voluntário, alegaram múltiplos argumentos em sua defesa, tais como: a decadência do direito de lançar os tributos; a violação dos §§ 5º e 6º, do artigo 42, da Lei 9.430/96; que o ato de responsabilizar em si; quando lavrado pela Fiscalização, é ato abusivo e ilegal, que viola o direito à privacidade e à honra subjetiva dos Recorrentes (lº Conselho de Contribuintes, la. Câmara, Acórdão 10196.739, em 28.05.2008); a impossibilidade de utilização do artigo 135 para impor responsabilidade tributária a pessoa jurídica; a impossibilidade de imputação genérica do ônus tributário; da necessidade da individualização das condutas e a ausência de provas do envolvimento dos recorrentes no suposto esquema de sonegação. Nenhum desses argumentos foi analisado na decisão recorrida, o que impossibilitou o acesso à ampla defesa e contraditório constitucionalmente assegurados aos litigantes em processo administrativo. Ressaltase que este Conselho, sempre que necessário, se pronuncia sobre a matéria. Vejamos: “RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA. DISSOLUÇÃO IRREGULAR DE PESSOA JURÍDICA. O sócio, é responsável solidário pelos débitos desta autuação, em razão de ter cometido sonegação fiscal e da dissolução irregular da sociedade, caracterizada pelo fato de a empresa ter se mudado do endereço que constava como seu domicílio fiscal nas bases de dados da RFB, sem a correspondente atualização do cadastro. (Acórdão CARF n.º 1302002.122; Data da Sessão 16/05/2017) RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. SÓCIO GERENTE DE FATO. NÃO CARACTERIZAÇÃO. Inexistindo elementos suficientes para justificar a atribuição de responsabilidade à recorrente, seja com base no art. 124, I (interesse comum), seja pelo art. 135, III do CTN (como sócio gerente de fato da empresa), esta deve ser afastada. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. SÓCIAGERENTE. FALTA DE RECOLHIMENTO DE TRIBUTOS. NÃO CARACTERIZAÇÃO. A simples falta de recolhimento de tributos à menor, ainda que em face de apuração de omissão de receitas, realizada por presunção legal, não é suficiente para caracterizar as hipóteses de responsabilização do sóciogerente, nos termos do art. 135, III do CTN. Fl. 2909DF CARF MF Processo nº 15169.000003/201673 Acórdão n.º 1302002.318 S1C3T2 Fl. 2.910 14 RESPONSABILIDADE SUBSIDIÁRIA. EMPRESA SUCESSORA. CABIMENTO. Tendo o Fisco demonstrado a empresa imputada assumiu as operações da empresa, que exercia as atividades no complexo hoteleiro, inclusive com a transferência dos empregados para aquela, resta caracterizado que sucedeu a interessada em sua exploração comercial. Tal responsabilidade é subsidiária, uma vez que a empresa sucedida continuou a explorar a atividade em outro endereço. RESPONSABILIDADE SUBSIDIÁRIA. SUCESSÃO NÃO CARACTERIZADA. NÃO CABIMENTO. O art. 133 do CTN trata da responsabilidade da empresa sucessora que continua a exercer a mesma atividade da empresa sucedida, sendo inadequada a utilização do dispositivo para fundamentar a imputação feita, invertendose tal ordem, para responsabilizar a sucedida pelos débitos da sucessora. (Acórdão CARF n.º 1302001.986; Data da sessão: 15/09/2016) Sendo assim, devese observar a disposição do art. 59, II, do Decreto nº 70.235/72, onde afirma que são nulos os despachos e decisões proferidos com preterição do direito de defesa. Nesse sentido, inclusive, já decidiu a Câmara Superior de Recursos Fiscais, através do Acórdão CSRF n.º 0103.281, proferido nos autos do processo administrativo n.º 10580.013930/9934, conforme ementa abaixo: “PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL DECISÃO DE SEGUNDA INSTÂNCIA NULIDADE Anulase a decisão proferida com flagrante omissão quanto à matéria sobre a qual competiria manifestarse, devendo outra ser prolatada. Preliminar acatada. ACORDAM os Membros da Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, ACATAR a preliminar suscitada pela relatora, para ANULAR o Acórdão n° 10611.393, de 13 de julho de 2000, e retornar os autos à Câmara de origem para que nova decisão seja prolatada, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.” Nesse sentido é a súmula CARF n.71, litteris: Súmula CARF nº 71: Todos os arrolados como responsáveis tributários na autuação são parte legítima para impugnar e recorrer acerca da exigência do crédito tributário e do respectivo vínculo de responsabilidade. Fl. 2910DF CARF MF Processo nº 15169.000003/201673 Acórdão n.º 1302002.318 S1C3T2 Fl. 2.911 15 Conclusão Em face dos argumentos expostos, voto no sentido de dar provimento ao recurso para acatar a nulidade da decisão de 1 instância quanto a preterição do direito de defesa dos responsáveis solidários que apresentaram impugnação tempestivamente, determinando a nulidade parcial do Acórdão n.º 1234.467, de 29 de novembro de 2010, devendo retornar os autos deste processo à DRJRJ1 para apreciação das razões recursais dos responsáveis solidários. É como voto. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa Fl. 2911DF CARF MF
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Numero do processo: 13982.000531/2010-18
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 07 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jan 26 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1001-000.135
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Souza - Presidente
(assinado digitalmente)
José Roberto Adelino da Silva - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa e José Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: JOSE ROBERTO ADELINO DA SILVA
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Souza Presidente (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa e José Roberto Adelino da Silva. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 98 2. 00 05 31 /2 01 0- 18 Fl. 44DF CARF MF 2 Trata o presente processo de notificação de lançamento relativa à multa por atraso na entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF referente ao 4° trimestre de 2004, no valor de R$500,00. Constam do auto de infração/notificação, que a DCTF relativa ao 4º trimestre de 2004 foi apresentada em 15/06/2009, ao passo que o prazo máximo para entrega, sem o acréscimo de multa, era, em 18/02/2005. Trata o presente processo de impugnação à exigência da multa por atraso na entrega da DCTF relativa ao 1º semestre de 2005, no valor total original de R$ 3.050,72, cujo prazo para entrega era em 07/10/2005 e foi apresentada em 15/06/2009. Não se conformando com o lançamento, a ora recorrente apresentou a impugnação na qual alegava, em síntese, que: foi intimada a apresentar, em 11/06/2009, no prazo de cinco dias, DCTF e DIPJ referentes a períodos em que fora optante pelo Simples Federal e Nacional, mas dos quais fora excluída em razão de processo fiscal;como só ficou obrigada a apresentar as declarações fiscais em 2009 e o prazo foi cumprido arisca, a multa deve ser cancelada. A DRJ publicou o seguinte acórdão: O fato de a contribuinte ter sido intimada de decisão que a excluiu do SIMPLES FEDERAL e SIMPLES NACIONAL, bem como a apresentar, para o respectivo período, as declarações fiscais exigidas das demais pessoas jurídicas tributadas pelos outros regimes de tributação, não significa que essa obrigação acessória apenas teria surgido a partir do momento em que recebida a notificação. A contribuinte, caso satisfeitos os requisitos para opção do SIMPLES FEDERAL e SIMPLES NACIONAL, não precisaria entregar DIPJ e DCTF.. Mas se à época não preenchia os requisitos, deveria ter observado as regras aplicáveis às demais pessoas jurídicas, optando pelo regime tributário adequado, inclusive, cumprindo os regulares prazos prescritos na legislação para entrega das obrigações acessórias. Assim, a intimação não fez surgir a obrigação, mas apenas alertou a contribuinte que ela precisava apresentar as declarações que deixaram de ser entregues em época própria. E, caso ela não tivesse observado o prazo de cinco dias estabelecido nas intimações para apresentar as DIPJ e DCTF, além da multa aplicada, poderia ainda ficar sujeita a outras sanções e regime específicos de fiscalização. Caso assim não se entendesse, estarseia estimulando contribuintes a optarem indevidamente pelo regime diferenciado, pois se fossem descobertos, saberiam que teriam uma oportunidade de regularizar sua situação fiscal, antes da aplicação da multa, o que seria um contrassenso, dado que a mesma chance não é conferida àquele contribuinte que se submete às regras ordinárias de tributação (presumido ou real), ou mesmo aquele que opta regularmente pelo regime diferenciado, mas incorre em atraso na entrega de suas declarações. Fl. 45DF CARF MF Processo nº 13982.000531/201018 Acórdão n.º 1001000.135 S1C0T1 Fl. 3 3 Ademais, não há previsão legal para atender à pretensão da Impugnante. Diante do exposto, voto no sentido de considerar a impugnação IMPROCEDENTE e, por consequência, manter o crédito tributário exigido, Voto Conselheiro Jose Roberto Adelino da Silva Relator Inconformada, a recorrente apresentou o Recurso Voluntário, tempestivo, que apresenta os pressupostos de admissibilidade e, portanto, dele eu conheço. A recorrente alega, em sua defesa, que foi excluída do Simples Nacional, retroativamente, ou seja, à época da entrega da DCTF não estava obrigada a entregála. A alegação não procede, tendo em vista que a exclusão do Simples Nacional tem efeitos retroativos, conforme a legislação em vigor, que reproduzo a seguir: LC 123/2006, no § 6º do art. 3º e art. 32, Art. 3º. (...) § 6º Na hipótese de a microempresa ou empresa de pequeno porte incorrerem alguma das situações previstas nos incisos do § 4º, será excluída do 3 tratamento jurídico diferenciado previsto nesta Lei Complementar, bem como do regime de que trata o art. 12, com efeitos a partir do mês seguinte ao que incorrida a situação impeditiva. Art. 32. As microempresas ou as empresas de pequeno porte excluídas do Simples Nacional sujeitarseão, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. Assim, no presente caso, uma vez excluído do Simples a recorrente passou a sujeitarse (efeito ex tunc) às regras aplicáveis às demais pessoas jurídicas, inclusive no que diz respeito às obrigações acessórias, observados os prazos legais originais. Portanto, considero irretocável a decisão da DRJ. É como voto. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Fl. 46DF CARF MF 4 Fl. 47DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10435.721370/2014-31
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 31 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Dec 04 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2013
Ementa
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE DÉBITOS E CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS FEDERAIS.
A entrega de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF após o prazo previsto pela legislação tributária sujeita a contribuinte à incidência da multa correspondente.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA.
O instituto da denúncia espontânea não é aplicável às obrigações acessórias, que são atos formais criados para facilitar o cumprimento das obrigações principais, embora sem relação direta com a ocorrência do fato gerador.
Numero da decisão: 1001-000.110
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues.
Nome do relator: LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2013 Ementa MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE DÉBITOS E CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS FEDERAIS. A entrega de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF após o prazo previsto pela legislação tributária sujeita a contribuinte à incidência da multa correspondente. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. O instituto da denúncia espontânea não é aplicável às obrigações acessórias, que são atos formais criados para facilitar o cumprimento das obrigações principais, embora sem relação direta com a ocorrência do fato gerador.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues.
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A entrega de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF após o prazo previsto pela legislação tributária sujeita a contribuinte à incidência da multa correspondente. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. O instituto da denúncia espontânea não é aplicável às obrigações acessórias, que são atos formais criados para facilitar o cumprimento das obrigações principais, embora sem relação direta com a ocorrência do fato gerador. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 43 5. 72 13 70 /2 01 4- 31 Fl. 64DF CARF MF 2 Relatório Versa o presente processo sobre lançamento (fl. 27), no qual é exigido da contribuinte acima identificada crédito tributário relativo à multa por atraso na entrega de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), relativa ao mês de agosto de 2013. Ciente do lançamento, a contribuinte ingressou com impugnação (fls. 2/18) na qual solicita o cancelamento da exigência tributária, sob alegação de denúncia espontânea.. A decisão de primeira instância (efls. 33/35) manteve o crédito tributário. Cientificada da decisão de primeira instância em 12/08/2014 (efl. 38) a Interessada interpôs recurso voluntário em 04/09/2014 (efls. 41/60), em que aduz, em resumo (repetindo argumentos da impugnação): que a Recorrente entregou a DCTF em atraso, de forma espontânea, antes de qualquer procedimento da fiscalização em exigilas; que é inaplicável qualquer forma ou nominação de multa, quando da efetivação da denúncia espontânea e pagamento do tributo devido ou parcelamento deste, já que a expressão contida na lei se for o caso afasta a multa na hipótese de cumprimento espontâneo dá obrigação tributária, seja ela principal, acessória ou acessória que se tornou principal; apresenta acórdãos do Conselho de Contribuintes que corroborariam a tese de que o cumprimento a destempo, mas espontâneo e antes de qualquer exigência da administração fazendária, autorizaria a aplicação do disposto no artigo 138 do Código Tributário Nacional, a fim de caracterizar a inexigibilidade da multa pretendida; que no acórdão recorrido.já na descrição do voto condutor, observarseia o equívoco do ilustre julgador ao considerar a DCTF como uma obrigação acessória desvinculada de natureza tributária, pois seria certo que as informações prestadas na referida declaração (DCTF) são situações tributárias ocorridas na empresa. Se exige informações das situações tributárias ocorridas na empresa, como desvinculála da ocorrência do fato gerador dos tributos. que até mesmo nos casos de pedidos de parcelamento há que se considerar a denúncia espontânea para elidir exigência de qualquer multa; seria absurdamente incoerente admitirse aplicação de penalidade a este contribuinte de forma idêntica à qual lhe seria aplicada caso permanecesse inerte, aguardando eventual manifestação da autoridade fazendária. Voto Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa Relator O recurso voluntário é tempestivo. Definiu acertadamente a decisão de primeira instância que a entrega da DCTF constituise em obrigação acessória, desvinculada de natureza tributária, pois assim prevista nos §§ 2º e 3º do art. 113 do CTN: Fl. 65DF CARF MF Processo nº 10435.721370/201431 Acórdão n.º 1001000.110 S1C0T1 Fl. 65 3 § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. Mesmo nos casos de entrega espontânea da declaração, antes de qualquer procedimento por parte do Fisco, a aplicação de multa como a prevista no art. 7º da Lei nº 10.426/2002 permanece pertinente, uma vez que, em se tratando de obrigação acessória, a ela não se aplica o instituto da denúncia espontânea, previsto no art. 138 do CTN. A exclusão de responsabilidade pela denúncia espontânea da infração (art. 138 do CTN) se refere à multa de ofício que acompanha a obrigação principal. A multa aplicada pela falta de entrega, ou entrega após o prazo legalmente estabelecido, nada tem a ver com o fato gerador da obrigação tributária principal. Tratase, sim, de uma penalidade decorrente do descumprimento de uma obrigação acessória formal. Este é o entendimento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) a respeito da matéria, já tendo sido, inclusive, objeto da Súmula CARF nº 49: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Adiantese que o § 2º do art. 7º da Lei nº 10.426/2002 prevê uma redução da multa aplicada, nos casos de a declaração ser apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício (redução à metade) ou uma redução a 75% no caso da declaração ser apresentada no prazo fixado em intimação, respeitados os limites mínimos estabelecidos no parágrafo 3º do mesmo artigo. Desta forma, é evidente que, ao contrário do que alega a recorrente, a imposição da penalidade está legalmente prevista, mesmo neste caso de apresentação espontânea da declaração (com ou sem paramento ou parcelamento do tributo), com a devida redução da multa à metade. Adiciono, no que se refere às decisões administrativas e judiciais apontadas, relacionamse a litígio entre partes específicas em que o sujeito passivo não foi parte do processo e/ou tratam de decisão sem força vinculante por não se enquadrar no disposto no RICARF, em especial em seus artigos 62, 72 e 74 (Portaria MF nº 343, de 2015). Desta forma, voto por conhecer e negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa Relator Fl. 66DF CARF MF 4 Fl. 67DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10783.901408/2010-74
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jan 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2004
CRÉDITO DO CONTRIBUINTE RECONHECIDO E COM DÉBITO EXTINTO PELA DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO, SEM ACRÉSCIMO DA MULTA DE MORA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA CARACTERIZADA. STJ. RECURSO REPETITIVO.
A Declaração de Compensação após o vencimento do tributo, sem qualquer procedimento prévio, incluindo fiscalização ou a confissão mediante a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), extingue o crédito tributário, sem acréscimo da multa de mora, caracterizando a denúncia espontânea, prevista no art. 138 do Código Tributário Nacional, segundo o Recurso Especial nº1.149.022, julgado pelo Eg. Superior Tribunal de Justiça com efeito repetitivo.
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
Numero da decisão: 1201-001.834
Decisão: (assinado digitalmente)
ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA - Presidente
(assinando digitalmente)
RAFAEL GASPARELLO LIMA - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida (presidente da turma), Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Fabiano Alves Penteado, Eva Maria Los, Luis Henrique Marotti Toselli e José Carlos de Assis Guimarães.
Nome do relator: Rafael Gasparello Lima
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2004 CRÉDITO DO CONTRIBUINTE RECONHECIDO E COM DÉBITO EXTINTO PELA DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO, SEM ACRÉSCIMO DA MULTA DE MORA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA CARACTERIZADA. STJ. RECURSO REPETITIVO. A Declaração de Compensação após o vencimento do tributo, sem qualquer procedimento prévio, incluindo fiscalização ou a confissão mediante a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), extingue o crédito tributário, sem acréscimo da multa de mora, caracterizando a denúncia espontânea, prevista no art. 138 do Código Tributário Nacional, segundo o Recurso Especial nº1.149.022, julgado pelo Eg. Superior Tribunal de Justiça com efeito repetitivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 CRÉDITO DO CONTRIBUINTE RECONHECIDO E COM DÉBITO EXTINTO PELA DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO, SEM ACRÉSCIMO DA MULTA DE MORA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA CARACTERIZADA. STJ. RECURSO REPETITIVO. A Declaração de Compensação após o vencimento do tributo, sem qualquer procedimento prévio, incluindo fiscalização ou a confissão mediante a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), extingue o crédito tributário, sem acréscimo da multa de mora, caracterizando a denúncia espontânea, prevista no art. 138 do Código Tributário Nacional, segundo o Recurso Especial nº1.149.022, julgado pelo Eg. Superior Tribunal de Justiça com efeito repetitivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Presidente (assinando digitalmente) RAFAEL GASPARELLO LIMA Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida (presidente da turma), Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Fabiano Alves Penteado, Eva Maria Los, Luis Henrique Marotti Toselli e José Carlos de Assis Guimarães. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 78 3. 90 14 08 /2 01 0- 74 Fl. 693DF CARF MF 2 Relatório Em Despacho Decisório nº 863077728 (fl. 03), a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Vitória/ES deferiu a integralidade do crédito original de pagamento a maior de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ), porém, homologou parcialmente a Declaração de Compensação (DCOMP) do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), diversos períodos de apuração entre janeiro e outubro de 2004 (fl. 35 a 37). O Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) e a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido foram declarados à compensação após seu vencimento, somente com acréscimo de juros pela Taxa Referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (Selic). A Declaração de Compensação (DCOMP), versão original, foi transmitida em 29 de dezembro de 2005 e, justificando a ausência de multa de mora, a Recorrente declarou sua denúncia espontânea à Delegacia da Receita Federal do Brasil em Vitória/ES, mediante correspondência própria (fls. 38 e 39), ressaltando "que até a presente data não houve o antecedente procedimento administrativo fiscal e que também não se encontra sob ação fiscal". A Recorrente impugnou o mencionado Despacho Decisório através da sua Manifestação de Inconformidade (fls. 4 a 13), que foi julgada improcedente pelo acórdão nº 0948.618 (fls. 64 a 66), prolatado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora (DRJ/JFA), a seguir ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. VALORAÇÃO. Na compensação efetuada pelo sujeito passivo, a data de valoração do(s) crédito(s) e débito(s), é a data de transmissão da Declaração de Compensação. Além disso, sobre o(s) débito(s) compensados fora do prazo legal de vencimento, deve incidir multa e juros moratórios. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio Em síntese, quanto à denúncia espontânea, preceituada no artigo 138 do Código Tributário Nacional (CTN), o acórdão recorrido concluiu que "não quitados dentro do prazo legal exigido pela legislação, deve incidir multa e juros moratórios". (fl. 66). Em 20 de janeiro de 2014, a Recorrente foi intimada do acórdão nº 09 48.618, interpondo seu Recurso Voluntário em 18 de fevereiro de 2014, reiterando a inexigibilidade da multa de mora pela denúncia espontânea, citando o artigo 138 do Código Tributário Nacional (CTN), a doutrina e a jurisprudência. Fl. 694DF CARF MF Processo nº 10783.901408/201074 Acórdão n.º 1201001.834 S1C2T1 Fl. 683 3 É o relatório. Voto Conselheiro Rafael Gasparello Lima O Recurso Voluntário é tempestivo, havendo os demais pressupostos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Inicialmente, frisese que a multa moratória foi constituída, exclusivamente, pela transmissão da Declaração de Compensação (DCOMP) após o vencimento do tributo, sem qualquer procedimento prévio, incluindo fiscalização ou a confissão mediante a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF). A denúncia espontânea é um procedimento que antecede qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, que exclui a responsabilidade do contribuinte pelo inadimplemento tributário, exigindo o pagamento devido com o acréscimo de juros de mora, consoante o artigo 138 do Código Tributário Nacional (CTN): "Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração." Os precedentes deste Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) excluem a responsabilidade pela multa de mora na hipótese dos autos, como adiante exemplificado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. COMPROVAÇÃO DO RECOLHIMENTO DE DÉBITO NÃO CONSTITUÍDO ANTES DE PROCEDIMENTO FISCALIZATÓRIO. OCORRÊNCIA EFICAZ. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração apenas parcial de um débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo adimplemento, procede voluntariamente (antes de qualquer procedimento de fiscalização) à quitação do valor remanescente, simultânea ou posteriormente noticiando ao Fisco da existência daquela diferença. Matéria julgada pelo E. STJ (REsp nº 1.149.022/SP), na sistemática dos recursos repetitivos. (acórdão nº 1402002.420, 4ª Câmara, 2ª Turma Ordinária, sessão de 22/03/2017) Fl. 695DF CARF MF 4 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 15/12/2004, 15/01/2005 COMPENSAÇÃO. MULTA DE MORA. TRIBUTOS DA MESMA ESPÉCIE. O aproveitamento do pagamento a maior de um débito para extinção de outros débitos, ainda que do mesmo tributo, só se faz por compensação, incidindo, portanto, os acréscimos legais devidos na compensação após o vencimento do débito. COMPENSAÇÃO. MULTA DE MORA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. A correta declaração e o pagamento ou compensação antes de qualquer medida de fiscalização são requisitos para o reconhecimento da denúncia espontânea. (acórdão nº 3301003.218, 3ª Câmara, 1ª Turma Ordinária, sessão de 22/02/2017) Por sua vez, o Egrégio Superior Tribunal de Justiça (STJ) uniformizou a jurisprudência sobre o tema, quando do julgamento do Recurso Especial (Resp) nº 1.149.022, apreciado com efeito repetitivo, segundo o artigo 543C do Código de Processo Civil (CPC/1973), in verbis: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IRPJ E CSLL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO PARCIAL DE DÉBITO TRIBUTÁRIO ACOMPANHADO DO PAGAMENTO INTEGRAL. POSTERIOR RETIFICAÇÃO DA DIFERENÇA A MAIOR COM A RESPECTIVA QUITAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA. MORATÓRIA. CABIMENTO. 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. 2. Deveras, a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a conseqüente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ) (Precedentes da Primeira Seção submetidos ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 886.462/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008; e REsp 962.379/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008). 3. É que "a declaração do contribuinte elide a necessidade da constituição formal do crédito, podendo este ser imediatamente inscrito em dívida ativa, tornandose exigível, independentemente de qualquer procedimento administrativo ou de notificação ao contribuinte" (REsp 850.423/SP, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, julgado em 28.11.2007, DJ 07.02.2008). 4. Destarte, quando o contribuinte procede à retificação do valor declarado a menor (integralmente recolhido), elide a necessidade de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à parte não declarada (e quitada à época da retificação), razão pela qual aplicável o benefício previsto no artigo 138, do CTN. 5. In casu, consoante consta da decisão que admitiu o recurso especial na origem (fls. 127/138): "No caso dos autos, a impetrante em 1996 apurou diferenças de recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro, anobase 1995 e prontamente recolheu esse montante devido, sendo que agora, pretende ver Fl. 696DF CARF MF Processo nº 10783.901408/201074 Acórdão n.º 1201001.834 S1C2T1 Fl. 684 5 reconhecida a denúncia espontânea em razão do recolhimento do tributo em atraso, antes da ocorrência de qualquer procedimento fiscalizatório. Assim, não houve a declaração prévia e pagamento em atraso, mas uma verdadeira confissão de dívida e pagamento integral, de forma que resta configurada a denúncia espontânea, nos termos do disposto no artigo 138, do Código Tributário Nacional." 6. Conseqüentemente, merece reforma o acórdão regional, tendo em vista a configuração da denúncia espontânea na hipótese sub examine . 7. Outrossim, forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte. 8. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Finalmente, considerando a exposição acima, não há aplicabilidade da Súmula nº 49, editada por este Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), vez que restrita à "penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração". Isto posto, voto pelo conhecimento do Recurso Voluntário e, no mérito, DOULHE PROVIMENTO para excluir a multa de mora, homologando a Declaração de Compensação (DCOMP) até o limite do crédito deferido. (assinado digitalmente) Rafael Gasparello Lima Relator Fl. 697DF CARF MF
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