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Numero do processo: 13884.000082/2009-82
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 31 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007
RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. PROCESSO JUDICIAL. SÚMULA CARF Nº.1.
Consoante a Súmula CARF n.º 1, importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 2301-005.254
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, nos termos do voto do relator. Ausente justificadamente o conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa.
(assinado digitalmente).
João Bellini Junior - Presidente
(assinado digitalmente)
Wesley Rocha - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Junior, Andréa Brose Adolfo, João Maurício Vital, Alexandre Evaristo Pinto, Antônio Savio Nastureles, Juliana Marteli Fais Feriato e Wesley Rocha.
Nome do relator: WESLEY ROCHA
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2007 RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. PROCESSO JUDICIAL. SÚMULA CARF Nº.1. Consoante a Súmula CARF n.º 1, importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Recurso Voluntário Não Conhecido.
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PROCESSO JUDICIAL. SÚMULA CARF Nº.1. Consoante a Súmula CARF n.º 1, importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, nos termos do voto do relator. Ausente justificadamente o conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa. (assinado digitalmente). João Bellini Junior Presidente (assinado digitalmente) Wesley Rocha Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Junior, Andréa Brose Adolfo, João Maurício Vital, Alexandre Evaristo Pinto, Antônio Savio Nastureles, Juliana Marteli Fais Feriato e Wesley Rocha. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 4. 00 00 82 /2 00 9- 82 Fl. 163DF CARF MF Processo nº 13884.000082/200982 Acórdão n.º 2301005.254 S2C3T1 Fl. 164 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto por LUIZ AUGUSTO DE SALLES VIEIRA, contra o acórdão de julgamento n.º 1751.021, proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo II (11ª Turma da DRJ/SP2), no qual os membros daquele colegiado julgaram parcialmente a impugnação apresentada, referente à Notificação de Lançamento do Imposto de Renda Pessoa Física, relativa ao ano calendário 2006, exercício 2007, no valor de R$ 39.979.77, com os acréscimos legais, em razão do contribuinte ter realizado deduções indevidas, ocorrendo a glosa dos seguintes valores: Segundo a DRJ de origem o Contribuinte obrou comprovar somente a glosa na quantia de R$6.978,92 , a títulos de despesas médicas. Mais especificamente referente aos custos de despesas médicas da ex companheira. As demais glosas foram mantidas. Reconheceu a recorrente parte das glosas médicas, nos quais totalizam a quantia de R$290,00. Em seu recurso, alega em suma a recorrente que a excompanheira do recorrente é enquadrada como sua dependente, pois há decisão judicial que a ampare a referida determinação. Alega também que seus três filhos seriam dependentes pelo simples fato de constar na separação consensual que eles receberiam pensão. Pede por fim a redução da multa aplicada. O recorrente ingressou com ação judicial para ver declarado nulo o crédito fiscal lançado, sendo que foi julgado improcedente seu pedido (fls. 148/156). É o breve relato. Voto Conselheiro Wesley Rocha Relator O recurso é tempestivo. Entretanto, não possui condições formais para seu conhecimento. Senão vejamos. DA AÇÃO JUDICIAL AJUIZADA E DA RENÚNCIA AO DIREITO Fl. 164DF CARF MF Processo nº 13884.000082/200982 Acórdão n.º 2301005.254 S2C3T1 Fl. 165 3 O contribuinte ajuizou ação judicial para discutir o débito fiscal aqui lançado, sendo que essa já transitou em julgado, chancelada sob n.º 00039157620114036103, que tramitou perante a Justiça Federal, 3ª subseção judiciária do Estado de São Paulo, 1ª Vara de São José dos Campos, ajuizado pelo Recorrente em desfavor da União. A presente ação foi julgada improcedente, impondo a subsistência do crédito fiscal, conforme decisão juntada nas fls. 148/156. Assim, houve expressa renúncia ao contencioso administrativo pelo recorrente, conforme prescreve o art. 87 do Decreto n.º 7.574, de 2011, que regula o processo administrativo fiscal: "Art. 87. A existência ou propositura, pelo sujeito passivo, de ação judicial com o mesmo objeto do lançamento importa em renúncia ou em desistência ao litígio nas instâncias administrativas (Lei no 6.830, de 1980, art. 38, parágrafo único). Parágrafo único. O curso do processo administrativo, quando houver matéria distinta da constante do processo judicial, terá prosseguimento em relação à matéria diferenciada." Por sua vez, o CARF uniformizou esse entendimento, sumulando a matéria, nos termos da Súmula CARF nº 1: "Súmula CARF nº. 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial." Ao ajuizar ação judicial o recorrente renuncia ao seu direito na esfera administrativa, e isso porque a verdade judicial se sobrepõe à verdade administrativa, cabendo a esse conselho tão somente a cumprir a decisão seja ela favorável ou contrária ao interessado. Assim, este Conselho não possui mais legitimidade para analisar o caso do recorrente. CONCLUSÃO Ante o exposto, voto no sentido de NÃO CONHECER do Recurso Voluntário, tendo em vista a decisão judicial transitada em julgada que manteve a exigência do crédito fiscal e julgou o mérito do crédito lançado, devendo os autos serem baixados para as providências de estilo e rotineiras. (assinado digitalmente) Wesley Rocha Fl. 165DF CARF MF Processo nº 13884.000082/200982 Acórdão n.º 2301005.254 S2C3T1 Fl. 166 4 Fl. 166DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10380.009931/2004-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2003
MULTA ISOLADA. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF 105
A teor do regido pela Súmula CARF nº 105, até o período 2006 não cabem os lançamentos de multa isolada quando concomitantemente tenha sido imputada multa de ofício. Lançamentos que se cancelam.
Numero da decisão: 1402-003.258
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para cancelar a exigência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Sergio Abelson (Suplente Convocado), Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente)
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2003 MULTA ISOLADA. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF 105 A teor do regido pela Súmula CARF nº 105, até o período 2006 não cabem os lançamentos de multa isolada quando concomitantemente tenha sido imputada multa de ofício. Lançamentos que se cancelam.
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DIAS BRANCO INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE ALIMENTOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003 MULTA ISOLADA. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF 105 A teor do regido pela Súmula CARF nº 105, até o período 2006 não cabem os lançamentos de multa isolada quando concomitantemente tenha sido imputada multa de ofício. Lançamentos que se cancelam. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para cancelar a exigência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. . (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Sergio Abelson (Suplente Convocado), Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 00 99 31 /2 00 4- 31 Fl. 1170DF CARF MF Processo nº 10380.009931/200431 Acórdão n.º 1402003.258 S1C4T2 Fl. 1.171 2 Relatório Tratase de retorno dos autos em face de decisão exarada pela E. CSRF em 21/01/2015 (Ac. 9101002.085) que MANTEVE A DECISÃO a quo, inclusive a prolatada em sede de embargos de declaração, denegando provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, em acórdão assim ementado (fls. 1018/1035): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário:1999, 2000, 2001, 2002 IRPJ. BENEFÍCIO FISCAL. SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTOS: OPERAÇÕES DE MÚTUO. FINANCIAMENTO DE PARTE DO ICMS DEVIDO. REDUÇÃO DO VALOR DA DIVIDA. CARACTERIZAÇÃO. A concessão de incentivos à implantação de indústrias consideradas de fundamental interesse para o desenvolvimento do Estado do Ceará e do Rio Grande do Norte, dentre eles a realização de operações de mútuo em condições favorecidas, notadamente quando presentes: i) a intenção da Pessoa Jurídica de Direito Público em transferir capital para a iniciativa privada; e ii) aumento do estoque de capital na pessoa jurídica subvencionada, mediante incorporação dos recursos em seu patrimônio, configura outorga de subvenção para investimentos. As subvenções para investimentos devem ser registradas diretamente em conta de reserva de capital, não transitando pela conta de resultados. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário:1999, 2000, 2001, 2002 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. A decisão relativa ao auto de infração matriz deve ser igualmente aplicada no julgamento do auto de infração decorrente ou reflexo, uma vez que ambos os lançamentos, matriz e reflexo, estão apoiados nos mesmos elementos de convicção. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Por seu turno, o Acórdão da Turma a quo, em sede de embargos de declaração interpostos pela contribuinte (fls. 981/1005), definiu: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1999 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. EXISTÊNCIA. NÃO EXAME DE PROVA ESSENCIAL. VERDADE MATERIAL Fl. 1171DF CARF MF Processo nº 10380.009931/200431 Acórdão n.º 1402003.258 S1C4T2 Fl. 1.172 3 Restando comprovada a omissão, por não haver tido exame de prova essencial ao deslinde da controvérsia, e em razão do princípio verdade material, que rege o processo administrativo fiscal, devese conhecer dos Embargos de Declaração, e proceder ao exame das provas omitidas. ATOS CONCESSÓRIOS. VIGÊNCIA. DECLARAÇÃO DO ÓRGÃO CONCESSOR. A declaração do órgão concessor sobre a vigência dos atos concessórios dirime a dúvida sobre os incentivos de isenção do Imposto de Renda reconhecidos através das Portarias DAI/ITE 474/93 e DAI/FIE 0332/97 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer dos Embargos de Declaração e DARLHE PROVIMENTO Anteriormente, a então 1ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, que originalmente julgou a lide, apontou (fls. 806/856): “ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, NÃO CONHECER dos documentos apresentados após o inicio do julgamento e rejeitar a preliminar de decadência; no mérito: 1) Por maioria de votos, DAR provimento ao recurso quanto a matéria subvenção, vencidos os Conselheiros Valmir Sandri (Relator) e Antonio José Praga de Souza; 2) Por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso quanto a matéria "projeto de modernização"; 3) Por unanimidade de votos, DAR provimento quanto a exclusão da CSL no lucro da exploração; 4) Por unanimidade de votos, apartar a exigência da multa de oficio isolada para que seja julgada em conjunto com o Processo nº. 10380.008521/200413. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Caio Marcos Cândido, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado”. Em suma, após todas estas decisões e trâmites procedimentais, a DRF/Fortaleza, depois de analisar os julgados, resumiu o montante ainda sob julgamento em informações acostadas aos autos (fls. 1085 e 1088/1091) e que podem assim ser sintetizadas: a) a título de CSLL – R$ 3.415.095,92; b) como multa isolada de IRPJ – R$ 107.300,96. Intimada, a recorrente reagiu assentando (fls. 1113/1127) não restar qualquer débito a ser satisfeito. No seu concluir (fls. 1127): “Com base no exposto, é a presente para requerer o cancelamento da cobrança objeto da Informação Fiscal em referência, no montante de R$ 3.415.095,92, bem como da parte relativa à multa isolada no valor de R$ 107.300,96”. Fl. 1172DF CARF MF Processo nº 10380.009931/200431 Acórdão n.º 1402003.258 S1C4T2 Fl. 1.173 4 Os autos foram redistribuídos a este Relator em razão da extinção das anteriores Turmas Julgadoras (fls. 1169), versando os autos TÃO SOMENTE sobre os valores residuais dos lançamentos de “multas isoladas” (despacho fls. 1168). É o relatório do essencial, em apertada síntese. Fl. 1173DF CARF MF Processo nº 10380.009931/200431 Acórdão n.º 1402003.258 S1C4T2 Fl. 1.174 5 Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone Relator Já foi atestada a tempestividade do Recurso Voluntário e os demais pressupostos para sua admissibilidade foram atendidos, pelo que o recebo e dele conheço. Não há preliminares. Como relatado, tratase de retorno dos autos da CSRF para que seja apreciado unicamente o valor residual dos lançamentos de multas isoladas de IRPJ, originalmente importando em R$ 4.086.407,43 (AI – fls. 10) e reduzidos a R$ 107.300,96, por força das exonerações procedidas nas decisões antecedentes. A limitação do julgamento está definida no despacho abaixo (fls. 1168): De seu lado, a “representação” a que se refere o despacho retro dispõe (fls. 1161): Fl. 1174DF CARF MF Processo nº 10380.009931/200431 Acórdão n.º 1402003.258 S1C4T2 Fl. 1.175 6 E a apuração do valor litigioso encontrase na informação fiscal (fls. 1091): Fl. 1175DF CARF MF Processo nº 10380.009931/200431 Acórdão n.º 1402003.258 S1C4T2 Fl. 1.176 7 De sua parte, a recorrente aduziu (fls. 1113/1127): “Em que pese a Informação Fiscal em referência (i) afirmar que “a Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes decidiu, por unanimidade de votos, apartar a exigência da multa isolada lançada para o AC 2013 para que seja julgada em conjunto com o processo nº 10380.008521/200473”, (ii) ter reduzido o valor da multa isolada de R$ 4.086.407,43 para R$ 107.300,96 e (ii) não ter cobrado tais valores nesse momento, é imprescindível destacar que A MULTA ISOLADA FOI CANCELADA quando do julgamento dos Embargos de Declaração opostos pela Requerente (Acórdão nº 1101000.974). (...) Ao que tudo indica, a Informação Fiscal em referência se baseou apenas na afirmação contida na ementa do acórdão que julgou o recurso voluntário no sentido de “apartar a exigência da multa isolada lançada para o AC 2013 para que seja julgada em conjunto com o processo nº 10380.008521/200473”. Contudo, sobre esse ponto, a Requerente opôs Embargos de Declaração, cuja análise dos argumentos foi realizada por meio do Acórdão nº 1101000.974 nos seguintes termos: Ou seja, a fundamentação do acórdão que julgou o Recurso Voluntário foi no sentido de exonerar as multas isoladas, mas o teor da ementa foi no sentido de apartar o julgamento dessa matéria para o 10380.008521/2004 73. Diante de tal contradição, o acórdão1101000.974 que julgou os Embargos de Declaração opostos pela Requerente aduziu que: “duas ocorrências podem ser cogitadas: que o Conselheiro Relator tenha alterado seu entendimento na sessão de julgamento, mas sem adequação ao formalizar o acórdão, ou que a Câmara tenha deliberado em sentido diverso do que constou no acórdão, em regra correspondente ao que constou na Ata de Julgamento. Como não é possível identificar em que momento o erro se verificou, necessário se faz apreciar novamente a matéria”. Ato contínuo, ao julgar novamente a matéria relativa à multa isolada, o acórdão 1101000.974 deu PROVIMENTO “ao recurso voluntário para cancelar as multas isoladas por falta de recolhimento de estimativas de IRPJ”. Por fim, o Recurso Especial da Fazenda Nacional não foi conhecido quanto à multa isolada: (...) Logo, não há que se falar na reapuração da multa isolada, tendo em vista que tal parcela foi INTEGRALMENTE CANCELADA por meio do o acórdão 1101000.974 que julgou os Embargos de Declaração opostos pela Requerente, o qual já transitou em julgado na esfera administrativa”. Delimitada a lide, passase à apreciação da matéria. Fl. 1176DF CARF MF Processo nº 10380.009931/200431 Acórdão n.º 1402003.258 S1C4T2 Fl. 1.177 8 Na verdade, ainda que possam existir controvérsias de entendimento entre a recorrente e a autoridade preparadora, a primeira entendendo ter havido exoneração completa dos lançamentos de multa isolada e a segunda pontuando ainda existir montante residual em discussão, fato é que tal peleja deixou de ter relevância, após a edição da Súmula CARF nº 105, verbis: Súmula CARF nº 105 : A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício. Sem necessidade de maiores digressões, com a vigência da referida Súmula, até o período 2006 não cabem os lançamentos de multa isolada quando concomitantemente tenha sido imputada multa de ofício. Ora, sendo os lançamentos de multa isolada aqui tratados pertinentes a períodos anteriores a 31/12/2006, mais especificamente ao anocalendário de 2003, imperioso o cancelamento dos mesmos. Assim, voto por DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário para cancelar a exigência imputada de multa isolada de IRPJ relativa a 2003, conforme consta do AI (fls. 5 e 10). É como voto. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Fl. 1177DF CARF MF
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Numero do processo: 13884.720131/2015-45
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 31 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2012
APLICAÇÃO DO ART. 57 § 3º DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. FACULDADE DO JULGADOR. Plenamente cabível a aplicação do respectivo dispositivo regimental uma vez que a Recorrente não inova nas suas razões já apresentadas em sede de impugnação, as quais foram claramente analisadas pela decisão recorrida.
TERCEIRO NÃO SOLIDÁRIO. RECURSO VOLUNTÁRIO. NÃO CONHECIMENTO.
Não havendo imputação de responsabilidade solidária, falece interesse ao terceiro para apresentar impugnação ou recurso em nome próprio questionando responsabilização por Termo de Sujeição Passiva Solidária inexistente.
PROVA. PRESSUPOSTO DE FATO.
Não tendo a impugnante apresentado prova capaz de afastar os pressupostos de fato do lançamento, impõe-se a improcedência da impugnação.
INCONSTITUCIONALIDADE. DECLARAÇÃO. INCOMPETÊNCIA.
As Turmas de Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento são incompetentes para, sponte propria, declarar a inconstitucionalidade de lei. GRATIFICAÇÃO ASSIDUIDADE. INCIDÊNCIA.
A gratificação enquanto prêmio vinculado à assiduidade no desempenho da atividade laboral do empregado caracteriza-se como gratificação ajustada (Consolidação das Leis do Trabalho, art. 457, § 1°), a remunerar o trabalho com pontualidade. O fato de só ser percebida se restar configurada a assiduidade não lhe atribui caráter de ganho eventual, mas de salário condicionado.
FÉRIAS GOZADAS. INCIDÊNCIA.
Sobre as férias gozadas há incidência de contribuição para terceiros, sendo que apenas as férias indenizadas e o respectivo adicional constitucional não integram a base de cálculo das contribuições da empresa sobre folha de pagamento devidas a outras entidades ou fundos.
HORAS EXTRAS. INCIDÊNCIA Os valores pagos a título de horas extras integram a remuneração paga, devida ou creditada aos segurados empregados, constituindo-se em base de cálculo das contribuições da empresa sobre folha de pagamento devidas a outras entidades ou fundos.
CONTRIBUIÇÃO PARA TERCEIROS. CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. BASE DE CÁLCULO. NÃO CONFIGURAÇÃO.
A remuneração paga a contribuinte individual não integra a base de cálculo das contribuições da empresa devidas a outras entidades ou fundos.
Numero da decisão: 2201-004.589
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto o Conselheiro Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcelo Milton da Silva Risso - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Dione Jesabel Wasilewski, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Daniel Melo Mendes Bezerra, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
Nome do relator: MARCELO MILTON DA SILVA RISSO
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FACULDADE DO JULGADOR. Plenamente cabível a aplicação do respectivo dispositivo regimental uma vez que a Recorrente não inova nas suas razões já apresentadas em sede de impugnação, as quais foram claramente analisadas pela decisão recorrida. TERCEIRO NÃO SOLIDÁRIO. RECURSO VOLUNTÁRIO. NÃO CONHECIMENTO. Não havendo imputação de responsabilidade solidária, falece interesse ao terceiro para apresentar impugnação ou recurso em nome próprio questionando responsabilização por Termo de Sujeição Passiva Solidária inexistente. PROVA. PRESSUPOSTO DE FATO. Não tendo a impugnante apresentado prova capaz de afastar os pressupostos de fato do lançamento, impõese a improcedência da impugnação. INCONSTITUCIONALIDADE. DECLARAÇÃO. INCOMPETÊNCIA. As Turmas de Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento são incompetentes para, sponte propria, declarar a inconstitucionalidade de lei. GRATIFICAÇÃO ASSIDUIDADE. INCIDÊNCIA. A gratificação enquanto prêmio vinculado à assiduidade no desempenho da atividade laboral do empregado caracterizase como gratificação ajustada (Consolidação das Leis do Trabalho, art. 457, § 1°), a remunerar o trabalho com pontualidade. O fato de só ser percebida se restar configurada a assiduidade não lhe atribui caráter de ganho eventual, mas de salário condicionado. FÉRIAS GOZADAS. INCIDÊNCIA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 4. 72 01 31 /2 01 5- 45 Fl. 10559DF CARF MF Processo nº 13884.720131/201545 Acórdão n.º 2201004.589 S2C2T1 Fl. 10.560 2 Sobre as férias gozadas há incidência de contribuição para terceiros, sendo que apenas as férias indenizadas e o respectivo adicional constitucional não integram a base de cálculo das contribuições da empresa sobre folha de pagamento devidas a outras entidades ou fundos. HORAS EXTRAS. INCIDÊNCIA Os valores pagos a título de horas extras integram a remuneração paga, devida ou creditada aos segurados empregados, constituindose em base de cálculo das contribuições da empresa sobre folha de pagamento devidas a outras entidades ou fundos. CONTRIBUIÇÃO PARA TERCEIROS. CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. BASE DE CÁLCULO. NÃO CONFIGURAÇÃO. A remuneração paga a contribuinte individual não integra a base de cálculo das contribuições da empresa devidas a outras entidades ou fundos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto o Conselheiro Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente. (assinado digitalmente) Marcelo Milton da Silva Risso Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Dione Jesabel Wasilewski, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Daniel Melo Mendes Bezerra, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Relatório 1 Adoto como relatório o da decisão da DRJ/CTA de e fls. 10.099/10.147, por bem relatar os fatos ora questionados. Relatório 1. O presente processo n° 13884.720131/201545 tem por objeto impugnações ao Auto de Infração n° 51.067.5255, fls. 03, referente às contribuições da empresa devida a outras entidades ou fundos (Terceiros), incidentes sobre remunerações pagas a Fl. 10560DF CARF MF Processo nº 13884.720131/201545 Acórdão n.º 2201004.589 S2C2T1 Fl. 10.561 3 segurados empregados, não declaradas em Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP). 2. As contribuições foram apuradas a partir dos levantamentos CL – PGTO CONTRIB INDIV PJ (01/2010 a 12/2011), CM – EMPREGADOS POR MEIO DE COOP (01/2010 a 12/2012), CP – PAGTOS DIRETOS A COOP (01/2010 a 12/2011), e PJ – PAGTOS EMPREGADOS PJ (05/2010 a 12/2011), tendo o crédito lançado o valor total de R$ 2.919.468,13, consolidado em 27/01/2015, incluídos os respectivos juros e multa de ofício agravada e qualificada. 3. O procedimento fiscal, as apurações e os lançamentos efetuados estão explicitados no Relatório Fiscal (fls. 23/103), nos anexos do Auto de Infração (fls. 04/22, 104/589) e documentos carreados aos autos pela fiscalização (fls. 590/9496). Do Relatório Fiscal, destacase: a) Introdução. Itálica Saúde Ltda era peça central de um grupo de empresas e pessoas físicas, cujo mentor era o médico Carlos Martin Lora Garcia, a operar de modo a favorecer a sonegação de impostos e contribuições previdenciárias e desviar recursos em benefício dos envolvidos, assim como ocultar ativos, dificultando a cobrança de dívidas, inclusive trabalhistas e previdenciárias. Envolveramse no esquema diversas pessoas físicas, a maior parte no papel de "laranja", sendo A intervenção da ANS Agência Nacional de Saúde Suplementar na Itálica Saúde Ltda, com a instalação de Direção Fiscal na Operadora em 01/09/2011 (Resolução Operacional n° 1073) até, posteriormente, a decretação da liquidação extrajudicial, em 09/09/2013 (Resolução Operacional n°1514) obrigou os envolvidos a abandonar este sistema. Foi nomeada como liquidante Edna Maria Tonolli, CPF 642.165.438 04, que em 14/05/2014 foi substituída por José Carlos Marani, CPF 387.508.56804. Em fiscalização previdenciária anterior, encerrada em 30/11/2010, já se constatara que durante o ano de 2006 a quase totalidade dos trabalhadores era contratada, fraudulentamente, por meio de cooperativas de trabalho, incluindo as pessoas que atendiam à fiscalização (o diretor financeiro. Orlando Márcio M. Campos Jr. e o contador Fábio Moeckel da Luz), além de muitos outros em funções administrativas que implicam necessariamente na prestação de serviço contínua e não eventual e na subordinação, como auxiliares administrativos, auxiliares de escritório, analistas contábeis, atendentes de cobrança, operadores de telemarketing, recepcionistas, dentre outras, conforme contrato celebrado entre a Itálica e a COOPERATIVA DE SERVIÇOS TÉCNICOS E EMPRESARIAIS COOPSEM de 24/02/2006. Conforme o Relatório Fiscal de lançamento efetuado na referida fiscalização, havia ainda a ocorrência de pagamento de verbas como "prêmio", "ajuda de custo" e "vale Fl. 10561DF CARF MF Processo nº 13884.720131/201545 Acórdão n.º 2201004.589 S2C2T1 Fl. 10.562 4 transporte" diretamente pela Itálica aos "cooperados" e que um mesmo trabalhador podia ter sido associado, em períodos sucessivos, a mais de uma das cooperativas com quem a Itálica manteve contrato de prestação de serviços. b) Fiscalização. A ação fiscal teve início em 19/03/2013, conforme ciência pessoal em Termo de Início de Procedimento Fiscal –TIPF, sendo o procedimento fiscal foi instaurado para o período de 01/2010 a 12/2010 e posteriormente ampliado para abranger 01/2010 a 12/2012. As intimações anteriores à data da decretação da liquidação extrajudicial (10/09/2013) não tiveram resposta. Posteriormente a esta data, as intimações foram recebidas pelos liquidantes nomeados pela ANS. No entanto, estes também não apresentaram a documentação solicitada (com exceção dos relatórios de auditoria e a relação de bens da operadora), tendo justificado o fato pela falta de acesso aos livros e documentos da empresa. Serviram de base para a fiscalização as informações contábeis transmitidas ao SPED Sistema Público de Escrituração Digital e as informações constantes dos sistemas informatizados da Receita Federal do Brasil, em especial o sistema GFIPWEB. Também foram utilizadas informações obtidas em diligências fiscais realizadas junto às cooperativas MAXICOOP COOPERATIVA DE TRABALHO DOS PROFISSIONAIS DE SAÚDE, CNPJ 05.585.853/000156 e MAXICOOP COOPERATIVA DE TRABALHO DOS PROFISSIONAIS DE INFRAESTRUTURA EMPRESARIAL, CNPJ 05.590.035/0001 41. c) Administração da sociedade. Diante das experiências profissionais, dos bens e do modo de vida das sócias Guilhermina Éster Baya (99% das cotas) e Sofia Cristiane Baya Schaetzer (1% das cotas), são diversos os indícios de sua falta de capacidade econômica, assim como da falta de capacidade empresarial para dirigir uma empresa que movimenta cerca de cem milhões de reais anualmente. As duas sócias foram intimadas, em 28/02/2013 e novamente em 12/11/2013, a comparecer pessoalmente à DRF Barueri para prestar esclarecimentos relativos à Itálica Saúde, mas não o fizeram, nem justificaram a falta de atendimento à intimação. No "Relatório Preliminar de 60 dias" da Direção Fiscal da ANS, datado de 06/11/2011 (Processo 33902.649944/201136), a Diretora Fiscal relata as sócias desde o início dos trabalhos não apareceram na Operadora e não participaram de nenhum ato da empresa. O mesmo processo da ANS por diversas vezes traz o testemunho sobre a identidade do real administrador da Itálica Saúde, ou seja, o Sr. Carlos Martin Lora Garcia. Pelo relato da Diretora Fiscal, quem se apresenta publicamente como gestor da Itálica é Carlos Lora, inclusive designando o outro procurador, Orlando Márcio, para atender à ANS, evidenciando uma clara relação de subordinação de um em relação ao outro. Carlos Fl. 10562DF CARF MF Processo nº 13884.720131/201545 Acórdão n.º 2201004.589 S2C2T1 Fl. 10.563 5 Lora ainda se apresenta publicamente como gestor da Itálica Saúde em eventos de divulgação da Operadora, noticiados pela imprensa. Tanto Orlando Márcio de Melo Campos Junior quanto Carlos Martin Lora Garcia receberam poderes de administração da sociedade conferidos pelas sócias por meio de procurações. Foram lavradas diversas procurações conferindo amplos poderes de administração da Itálica a Orlando Campos, agindo isoladamente, todas com prazo de validade de um ano. Orlando Campos reconhece que trabalhou para a Itálica em dois períodos: de dezembro de 1999 a janeiro/2005, como Gerente de Informática, contratado primeiramente pelo regime da CLT e posteriormente por cooperativa de trabalho; e que voltou a trabalhar na Itálica Saúde de março/2009 a janeiro/2013, sendo que até outubro/2009 não tinha uma função definida e, a partir daí, como Diretor Financeiro. As GFIPS da cooperativa Maxicoop Coop Trab Prof Infraestrutura entre 03/2010 e 04/2012 corroboram a informação. As procurações lavradas no Cartório de Pedro de Toledo/SP em 25/05/2010 por Sofia Cristiane (Livro 22 fls 177) e por Guilhermina Baya (livro 22 fls 179), além de conferir poderes semelhantes àqueles confiados a Orlando Campos, outorgam a Carlos Lora poderes especiais para: "representála perante a Junta Comercial do Estado de São Paulo JUCESP, podendo alterar o contrato social da referida empresa, transferir suas cotas, em parte ou na totalidade; e, transferir a quem de direito, pelas condições que lhe convier; receber, passar recibos e dar quitação; concordar com cláusulas e suas alterações". d) ITALTAC. Em resumo, a ITALTAC TECNOLOGIA NA ÁREA DE COBRANÇAS LTDA EPP (CNPJ 04.674.217/0001 38) tinha um papel importante na operação do grupo, porque recebia os valores provenientes dos clientes da Itálica e utilizava estes recursos para fazer pagamentos de fornecedores da Itálica e dos hospitais integrantes do grupo econômico, realizar transferências para outras contas de sua titularidade ou de outras empresas do grupo e fazer aplicações financeiras. A ITALTAC foi aberta em 15/08/2001, e, conforme o contrato de prestação de serviços entre a Itálica Saúde e a Italtac, esta realizava a administração financeira da Operadora: “Cláusula 1ª O presente contrato tem por objeto a Prestação de Serviços de Cobrança, Recebimento, e Pagamento de títulos ou similares pela CONTRATADA para a CONTRATANTE, quais sejam: cobranças extrajudiciais e judiciais; pagamento de faturas, duplicatas e contas médicohospitalares; recebimento de duplicatas e boletos de cobrança bancária e, administração financeira”. De acordo com o Contrato Social, as sócias da Italtac são Roseli Aparecida de Brito (desde 0/12/2006) e sua mãe, Romilda Fl. 10563DF CARF MF Processo nº 13884.720131/201545 Acórdão n.º 2201004.589 S2C2T1 Fl. 10.564 6 Ardilia de Brito (desde 29/06/2009). A primeira, Roseli Aparecida de Brito, conforme as informações registradas nos sistemas CNIS e GFIPWEB, trabalhou para a Itálica Saúde Ltda até 12/2007 por meio da cooperativa Ettica Coop. Serv. de Apoio Adm. Operacional (CNPJ 08.194.377/000130), tendo como último saláriodecontribuição R$ 1.085,10 em 12/2007, ou seja, quando já era sócia da Italtac. A segunda, Romilda Ardilia de Brito, nascida em 01/11/1942, de acordo com a Declaração de Imposto de Renda de Pessoa Física de 2007, referente a 2006, não teve nenhum rendimento durante o exercício, mas tornouse sócia da Rentalcap LOCAÇÃO DE BENS MOVEIS LTDA (ver item 60 e seguintes do Relatório), com participação societária de R$7.200,00 a integralizar, o que teria acontecido no ano seguinte, com a utilização de valores de remuneração recebidos da própria Rentalcap. Romilda Brito não declarou a participação societária na Italtac nas DIRPF. As informações bancárias da ITALTAC foram solicitadas diretamente às instituições bancárias, em 12/07/2013, em função da inaptidão da empresa, conforme o Ato Declaratório Executivo n° 27, de 5 de julho de 2013/ DRF Barueri, com efeito a partir de 08/03/2013. A Itálica era a única cliente da Italtac, uma vez que, dentre todas as Notas Fiscais emitidas em 2010, do número 41 ao número 55, nenhuma teve outro destinatário. Também não foi localizado na contabilidade apresentada pela Italtac nenhum lançamento de receita oriunda de outra fonte, assim como não consta da DIPJ 2011 da Italtac informação sobre outra fonte de receita que não a Itálica Saúde. Os cheques para pagamentos a fornecedores da Itálica Saúde eram assinados conjuntamente por Roseli Aparecida de Brito, pela Italtac e por Orlando Campos Jr, pela Itálica. Após a assinatura, os cheques eram enviados para a aprovação de Carlos Lora, conforme descrito às fls. 205 do processo 33902.649944/201136 da ANS. Fica clara a subordinação de Orlando e Roseli, que apenas assinavam os cheques, a Carlos Lora, que era quem tomava as decisões sobre quais pagamentos seriam feitos. Os valores referentes às notas fiscais emitidas pela Italtac eram apropriados mensalmente na conta 462119403 Serviços de cobrança pela Itálica. Em 2010, o valor total das Notas Fiscais emitidas pela Italtac foi igual a R$ 9.122.028,20. Os valores dos pagamentos, que eram registrados na conta 1261196221 Adiantamento para Fornecedores ITALTAC foi de R$ 2.886.016,85, pagos por meio de cheques (emitidos de contas de titularidade da própria Italtac). A Italtac não possuía uma conta separada para receber as receitas da sua própria atividade. Foi verificado que, em 25/08/2010, foi lavrada no 69° Cartório de Notas de São Paulo, no Livro 3413, fls.193 a 196, uma escritura de quitação de uma dívida de R$8.500.000,00 da Italtac em relação à Itálica, cuja fiadora era a Mar Jull Empreendimentos Fl. 10564DF CARF MF Processo nº 13884.720131/201545 Acórdão n.º 2201004.589 S2C2T1 Fl. 10.565 7 Imobiliários Ltda, que teria dado diversos imóveis em garantia do débito. e) Hospitais. A escrituração digital da Itálica Saúde de 2010 e 2011 revela a existência, dentro do grupo de contas 1261196 Adiantamentos, contas de adiantamentos específicas para algumas empresas. Os adiantamentos para os hospitais São Carlos (Ital), Santo Expedito (Somel) e Jardins eram feitos diariamente, no valor necessário para cobrir as despesas diárias. Mensalmente, cada hospital emitia uma Nota Fiscal de valor igual aos adiantamentos feitos naquele mês. A fiscalizada foi intimada a apresentar a descrição dos serviços incluídos em cada Nota Fiscal, com a indicação do nome do paciente atendido e a especificação do atendimento médico prestado, mas não houve resposta. Os três hospitais também foram intimados a apresentar os contratos de prestação de serviços com a Itálica e as Notas Fiscais relativas aos serviços prestados a esta, acompanhadas da relação detalhada dos serviços incluídos em cada Nota Fiscal. Os hospitais também foram intimados a apresentar os Livros "Diário" e "Razão" de 2010. Apenas a Somel respondeu, mas o fez de forma inadequada: apresentou os livros contábeis em arquivo "pdf" e não em formato aceito pela RFB. Quanto à relação dos serviços incluídos em cada Nota Fiscal, apresentou somente os "resumos de serviços prestados", onde constava apenas o número de atendimentos ambulatoriais e de internações. Reintimado a apresentar a documentação, não respondeu. Relatório da Direção Fiscal, além de descrever a maneira como eram feitos os adiantamentos aos hospitais (fls 353), prossegue descrevendo, em relação às outras empresas ligadas, um procedimento idêntico: “Os Hospitais da Rede Aberta acima, assim como os fornecedores de serviços: Italtac Tecnologia na Área de Cobrança Ltda., Rentalcap Locação de Bens Móveis Ltda., Aweti Com. Serv. e Treinamento, Consultec Consultoria em Saúde Ltda., recebem adiantamentos durante o mês e no final do mês é feito encontro de conta e emitida Nota Fiscal de serviços no valor total dos adiantamentos feita, em desacordo com art. 21 da Lei n°. 9656, de 1998.1 Consta também do processo da ANS (fls. 208) a informação de que a administração da Itálica e dos hospitais era conjunta: Todos os dias eu vejo o Sr. Orlando assinando cheques em conjunto com a Rosely da Italtac referentes aos pagamentos: da Operadora Itálica, do Hospital Jardins, Santo Expedito e São Carlos. E às fls.210: “Destaco que a empresa Italtac Tecnologia na Área de Cobrança faz também a gestão financeira dos Hospitais Maternidade Jardins, Santo Expedito e São Carlos e utilizam os mesmos bancos, ou seja, Santander e Bradesco”. f) Empresas Ligadas. Além da ITALTAC e dos hospitais, faziam parte do grupo empresarial as empresas RENTALCAP (aluguel de móveis e equipamentos), MAR JULL (aluguéis de imóveis), CONSULTEC (serviços de consultoria) e AWETI (ATUAL Fl. 10565DF CARF MF Processo nº 13884.720131/201545 Acórdão n.º 2201004.589 S2C2T1 Fl. 10.566 8 EFRA) (serviços de informática), que mantinham contratos com a Itálica Saúde. Das empresas HOSPITAL E MATERNIDADE JARDINS LTDA, ITAL SAÚDE SERVIÇOS MÉDICOS ESPECIALIZADOS LTDA, SOMELSOCIEDADE PARA MEDICINA LESTE LTDA, ITALTAC TECNOLOGIA NA área DE COBRANÇAS LTDA EPP, MAR JULL EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS LTDA, EFRA TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO, CONTABILIDADE E AUDITORIA, RENTALCAPLOCAÇÃO DE BENS MOVEIS LTDA. ME e CONSULTEC CONSULTORIA EM SAÚDE LTDA que a receita obtida junto à Itálica representa, de acordo com as informações declaradas em DIPJ, a única receita das empresas associadas na maior parte dos casos. Apenas a Somel e o Hospital Jardins declararam receitas obtidas de clientes externos (23% e 5% respectivamente). Italtac, Consultec e a Rentalcap alugaram uma "pasta" da Businesslike para a sede da empresa. O endereço da Aweti/Efra, na rua Barata Ribeiro, corresponde a um serviço de flats. Quanto ao endereço da Mar Jull, duas intimações enviadas para lá retornaram à DRF Barueri com o carimbo de "desconhecido". Foi então enviada uma intimação para a sócia Leda Mariam Naked Tannus Fonseca, para atualizar o endereço cadastral da empresa. Ela respondeu, afirmando ser este o endereço correto. Foi então realizada diligência ao local, à Rua Arthur de Azevedo, 1701, Pinheiros, São Paulo, em 10/12/2013, quando foi constatado tratarse de uma casa, cujas salas são utilizadas como consultórios do Hospital e Maternidade Jardins. Nenhum dos funcionários do Hospital Jardins que trabalhavam no local na hora da diligência conhecia a Mar Jull e informaram à fiscalização que todo o imóvel era ocupado pelo Hospital Jardins. Por fim, a Italtac não foi encontrada no endereço informado no cadastro do CNPJ. Todas essas empresas foram intimadas a apresentar os contratos de prestação de serviços com a Itálica, as Notas Fiscais emitidas e o Livro Diário/Razão ou Livro Caixa. Apenas a Somel e a Mar Jull responderam, embora de forma insatisfatória. g) Pessoas ligadas. A composição do quadro societário das empresas ITÁLICA, ITALTAC, CONSULTEC, RENTALCAP, MAR JULL, AWETI, HOSPITAL JARDINS, SOMEL e ITAL SAÚDE revela que diversas pessoas fazem ou fizeram parte do quadro societário de mais de uma empresa. Além de Roseli e Orlando, outras pessoas que figuram como sócios de empresas ligadas à Itálica trabalharam como cooperados para a empresa. Também existem laços de parentesco entre algumas pessoas. Ressaltese que todas as pessoas que fazem ou fizeram parte do quadro societário da Mar Jull, a empresa patrimonial do grupo Itálica, têm (ou aparentam ter) laços de parentesco com Carlos Lora. Diversas procurações foram localizadas nos cartórios de São Paulo referentes às empresas em questão. Quatro pessoas Fl. 10566DF CARF MF Processo nº 13884.720131/201545 Acórdão n.º 2201004.589 S2C2T1 Fl. 10.567 9 receberam procurações dos sócios das empresas: Carlos Lora, Orlando Campos, Roseli Brito e José Miguel Omonte Rossi. Os três últimos têm procurações que conferem poderes de administração da Itálica e de parte das demais empresas do grupo, com prazo determinado e sempre assinando em conjunto com outro procurador ou sócio. Somente as procurações de Carlos Lora são por prazo indeterminado, permitem agir isoladamente e conferem, além de amplos poderes de administração, poderes especiais para transferência de cotas sociais. h) Confusão patrimonial. Quando do início do procedimento fiscal, Itálica Saúde Ltda não se encontrava mais em operação. Além disso, esta não apresentou nenhum documento à fiscalização ou aos liquidantes nomeados pela ANS. Sendo assim, a fiscalização baseouse em grande parte, além dos registros contábeis, nos relatórios fiscais da fiscalização comandada pelo MPF 08128002010000324 e nos autos do processo administrativo da Direção Fiscal da ANS 33902.649944/201136, tendo em vista que, tanto a fiscalização anterior quanto a Direção Fiscal da ANS, ocorreram simultaneamente aos fatos descritos no Relatório. Com base nestas informações, foi possível concluir que a operação da Itálica não se dissociava da operação das outras empresas ligadas: elas funcionavam como se fossem uma só, com a administração centralizada em um mesmo local (Alameda Santos, 2209 3e andar), sob os mesmos comandos e utilizando se dos mesmos recursos. Cito novamente o processo da ANS (fls 208): "Todos os dias eu vejo o Sr. Orlando assinando cheques em conjunto com a Rosely da Italtac referentes aos pagamentos: da Operadora Itálica, do Hospital Jardins, Santo Expedito e São Carlos”. Os adiantamentos e o faturamento dos hospitais Santo Expedito, São Carlos e Jardins independiam dos serviços hospitalares e ambulatoriais efetivamente prestados à Operadora. Desta forma, a Itálica pagava as despesas dos hospitais, independentemente dos serviços prestados, em uma situação de absoluta confusão patrimonial e desrespeito ao princípio contábil da Entidade. Os cheques cujo pagamento não era autorizado por Carlos Lora não faziam parte do controle de contas a pagar, e consequentemente não figuravam no passivo da empresa, em desrespeito ao princípio contábil da Competência. A transferência de valores da Itálica para os hospitais faziase exclusivamente entre contas de titularidade da Italtac, o que acentuava a confusão patrimonial. i) MAR JULL. A Mar Jull era a empresa patrimonial do grupo, em cujo nome estavam registrados diversos móveis ocupados por empresas do grupo, como aqueles ocupados pelo Hospital Jardins, à rua Artur Azevedo, em São Paulo (números 1659/1663/1667/1669/1697/1701/1715). Um destes imóveis, o de 1701, o mesmo que hoje a Mar Jull declara ser sua sede e que é ocupado de fato pelo Hospital Jardins, teria sido também alugado para a Itálica, entre 2004 e 2010, juntamente com um Fl. 10567DF CARF MF Processo nº 13884.720131/201545 Acórdão n.º 2201004.589 S2C2T1 Fl. 10.568 10 depósito em São Mateus (Rua Frei Antonio Ventura, 128). Os aluguéis, de acordo com a justificativa dada pela empresa, nunca teriam sido pagos, até 2010, coincidentemente o ano fiscalizado, quando os valores atrasados estariam sendo pagos. O histórico dos lançamentos deixa claro que o ambulatório é usado pelo Hospital Jardins. O valor do aluguel do galpão em São Mateus seria de R$15.000,00, mas a visão da rua na altura do número 128 (obtida pelos serviços do google maps) evidencia a inverossimilhança do valor atribuído ao aluguel. Todas as evidências relatadas apontam para a ocorrência de simulação nos contratos de aluguel apresentados pela Mar Jull. j) Real beneficiário. A Ficha Cadastral de Abertura da Conta 1497960, na agência 0138 do Bradesco, de 26/11/2002, em nome da Italtac, mostra a assinatura de Carlos Lora. A assinatura conjunta de Orlando Campos e Roseli Brito aparece nos cheques e autorizações de transferências de todas as contas da Italtac, com exceção da conta mantida junto ao Bradesco, agência 1381, conta 161201. Em relação a esta conta somente foram identificados documentos que traziam a assinatura isolada de Carlos Lora. Os lançamentos nesta conta compunhamse principalmente de retiradas em espécie e de transferência de valores para planos de previdência privada (Bradesco Vida e Previdência diversos tipos de contrato). A conta 161201 movimentou em 2010 cerca de R$8.500.000,00. Os recursos movimentados nesta conta provinham principalmente da conta 1497960, agência 1381, de titularidade da Italtac. As autorizações das transferências entre estas duas contas eram assinadas por Carlos Lora. A beneficiária dos vários contratos de previdência privada que recebiam recursos provenientes da Itálica Saúde era Silvia Helena de Carvalho Lora. A Ficha Cadastral de Carlos Lora no Banco Bradesco, relativa à conta 149.796/0 informa que Silvia Helena de Carvalho Lora era sua cônjuge à época do cadastramento. Carlos Lora, embora fosse identificado publicamente como dono da Itálica Saúde, uma empresa com movimento anual de cerca de R$100.000.000,00, não tem contas bancárias, nem imóveis ou automóveis em seu nome. Declara como endereço um dos imóveis ocupados pelo Hospital Jardins (Rua Artur Azevedo, 1659). Foi apurado que, em compras de material de construção, feitas durante o ano de 2014, no Estado de São Paulo, forneceu outro endereço ao vendedor das mercadorias, à Rua Tomé Portes, 941, no bairro do Brooklin, em São Paulo. A imagem do imóvel, obtida pelo "Google maps" (data da imagem: maio de 2014), mostrada abaixo, corresponde a uma casa ampla, localizada em bairro nobre, junto a outras residências de alto padrão. Silvia Helena de Carvalho Lora informou o endereço da Rua Tomé Portes , 941, na Nota Fiscal 237641, emitida em 07/08/2014 pela empresa Lustres Yamamura Ltda. A única empresa em seu nome é a Consultec, mas em sua DIRPF de 2011 e 2012 declarou ter obtido sua renda junto a pessoas físicas (em 2010, R$ 56.700,00). Por outro lado, tinha procurações para Fl. 10568DF CARF MF Processo nº 13884.720131/201545 Acórdão n.º 2201004.589 S2C2T1 Fl. 10.569 11 agir em nome de todas as empresas do grupo e era a pessoa que comandava, não somente a Itálica Saúde, mas todas elas. k) Patrimônio. Mar Jull, à época dos fatos geradores descritos, era a empresa patrimonial do grupo. Diversos imóveis utilizados pelas empresas ligadas à Itálica Saúde estavam registrados em seu nome até meados de 2012, na mesma época em que, tendo sido recusado pela ANS o Plano de Recuperação apresentado pela Operadora e emitido o Parecer 185/2012/PFE ANS/PGF/AGU de 23 de maio de 2012, que recomendou a alienação compulsória da carteira de beneficiários, que veio a acontecer em 17/10/2012, e a decretação da liquidação extrajudicial, ocorrida em 09/09/2013. A partir de maio de 2012, diversos imóveis que eram de propriedade da Mar Jull foram passados a outras pessoas físicas e jurídicas, quase todas relacionadas de alguma forma à Itálica Saúde, em evidente operação de ocultação de bens. Dos onze imóveis que sofreram transferências de titularidade, sete tiveram como adquirente final a empresa R&D Empreendimentos Imobiliários Ltda, CNPJ 07.034.932/000102, de capital social igual a R$1.000,00. As transferência de propriedade dos imóveis da Mar Jull para a R&D ocorrem alguns dias depois das alterações efetuadas na sociedade, o que sugere que a empresa foi "montada" para suceder a Mar Jull como empresa patrimonial da Itálica. José Carlos dos Santos é médico e responsável técnico do Hospital e Maternidade Jardins, tendo recebido alguns pagamentos da Itálica em 2011, conforme a contabilidade, com o histórico de "plantões". Além disso, José Carlos dos Santos é também o representante no Brasil da Crossville Overseas, empresa sediada no Panamá, com participação societária de 99% no capital da R&D Empreendimentos, além de ter "adquirido" da Mar Jull em 03/1/2013 o imóvel onde está sediado o Hospital Santos Dumont, à Rua Natal, 61 (imóvel n° 11 na tabela do item 97), não tendo entregue nenhuma Declaração de Imposto de Renda de Pessoa Física entre 2012 e 2014 e de não ter tido nenhum vínculo de emprego ou recolhimento como contribuinte individual posteriormente a 02/2005, conforme os registros do CNIS (Cadastro Nacional de Informações Sociais). A movimentação financeira de José Carlos também não reflete a venda dos mesmos imóveis à R&D Empreendimentos em janeiro de 2013, pelos mesmos preços pelos quais teriam sido comprados. Não foram localizados outros bens em seu nome. Excetuados dois imóveis, todos os demais foram comprados por pessoas físicas e jurídicas com algum tipo de relação com a Itálica (Ana Maria Noronha Gruber Franchini, José Carlos dos Santos, Bruno Sérgio Damasceno e R&D Empreendimentos). Além disso, tendo em vista a ausência de patrimônio pessoal visível e a experiência profissional, Adriana de Lima de Oliveira {excooperada da Maxicoop, assistente de atendimento com salário de R$ 1.000,00}, Robson Mascarenhas de Souza {ex porteiro e coletor de lixo, já sócio da R&D}, Bruno Damasceno {sobrinho de Roseli Aparecida de Brito “sócia” testadeferro na Fl. 10569DF CARF MF Processo nº 13884.720131/201545 Acórdão n.º 2201004.589 S2C2T1 Fl. 10.570 12 Italtac} e José Carlos dos Santos não demonstram possuir capacidade financeira e gerencial para a atividade empresarial. Mais ainda, não foi encontrada comprovação, na análise da movimentação bancária, da DIRPF das pessoas físicas envolvidas e da DIPJ da R&D Empreendimentos, de que as operações de venda tenham sido efetivamente realizadas. l) Fatos geradores. Cooperativas de Trabalho. Embora a Itálica Saúde já não se encontrasse em atividade na data de início do procedimento fiscal, foi possível constatar, pela consulta ao sistema GFIPWEB, que a empresa teve apenas três empregadas registradas entre 01/2010 e 12/2012, todas vinculadas à matriz da empresa (duas auxiliares administrativas e uma advogada). Os trabalhadores que prestaram serviços à operadora durante o período fiscalizado estavam vinculados às cooperativas de trabalho MAXICOOP COOPERATIVA DE TRABALHO DOS PROFISSIONAIS DE SAÚDE, CNPJ 05.585.853/000156 e MAXICOOP COOPERATIVA DE TRABALHO DOS PROFISSIONAIS DE INFRAESTRUTURA EMPRESARIAL, CNPJ 05.590.035/000141, sendo relevante constante do "Contrato de Transferência de Atividades" assinado em 26/03/2008 pela Itálica Saúde e a Maxicoop Cooperativa de Trabalho dos Profissionais de Infraestrutura Empresarial. O contrato entre a Itálica Saúde e a Maxicoop Cooperativa De Trabalho Dos Profissionais De Saúde, assinado em 27/2/2009, é semelhante ao contrato com a Maxicoop Coop Trab dos Profiss de Infr. Empres., diferindo, no entanto, em relação ao tipo de serviço prestado (neste caso, serviços médicos) e o horário em que "as dependências da contratante estarão à disposição dos associados da contratada" (0 às 24 horas). A relação dos trabalhadores ligados à MAXICOOP Cooperativa de Trabalho dos Profissionais de Saúde e à MAXICOOP Cooperativa de Trabalho dos Profissionais de Infraestrutura Empresarial que trabalharam para a Itálica no período fiscalizado, por cooperativa e por competência, elaborada com base nos dados informados nas GFIP's, compõe o Anexo I ao Relatório Fiscal. Estiveram vinculados à MAXICOOP COOPERATIVA DE TRABALHO DOS PROFISSIONAIS DE saúde sete trabalhadores, nas seguintes funções: 2 enfermeiras, 4 técnicos de enfermagem e 1 técnico em próteses ortopédicas. Estiveram vinculados à MAXICOOP COOPERATIVA DE TRABALHO DOS PROFISSIONAIS DE INFRAESTRUTURA EMPRESARIAL 488 trabalhadores, em diversas funções administrativas, como: 201 operadores de telemarketing, 129 auxiliares administrativos, 26 trabalhadores em limpeza, 16 supervisores administrativos, 21 operadores de equipamentos de entrada e transmissão de dados, 21 recepcionistas, 6 supervisores de atendimento. Foram identificados diversos trabalhadores que aparecem nos anexos do Relatório Fiscal da fiscalização efetuada em 2006 como vinculados à Coopsem e que também aparecem nas GFIP's da Maxicoop Cooperativa De Trabalho Dos Profissionais De Fl. 10570DF CARF MF Processo nº 13884.720131/201545 Acórdão n.º 2201004.589 S2C2T1 Fl. 10.571 13 Infraestrutura Empresarial vinculados à Itálica Alguns empregados da Maxicoop Cooperativa de Trabalho dos Profissionais de Infraestrutura Empresarial constam da Tabela 1 (item 8), ou seja, foram vinculados a outras cooperativas em períodos anteriores a 2006. Processos Trabalhistas. Existem diversos processos cadastrados na Justiça do Trabalho de excooperados das cooperativas Maxicoop, requisitando o reconhecimento de vínculo empregatício pela Itálica Saúde. Relatórios ANS. Os relatórios emitidos durante a vigência do regime de direção fiscal na Itálica revelam que tanto a admissão como a demissão de um novo cooperado era comandada pelos gerentes de área da Itálica e que os "prestadores de serviços" cumprem a jornada de trabalho de Segunda a Sextafeira, das 8h às 18h com intervalo para alimentação e repouso de lh30, cumpridos de igual forma pelos empregados registrados e também são supervisionados e coordenados por outros empregados, portanto os cooperados estão sujeitos ao poder disciplinar da empresa. O complemento do Relatório Final da direção Fiscal da ANS, de 04/05/2012, informa ainda que diversos gerentes ou administradores da Itálica foram cooperados durante o período fiscalizado: Orlando Márcio de Melo Campos Jr (gerente de atendimento), Fabio Moeckel da Luz (contador), Marcelo Carlos Marques (gerente financeiro) e Simone Alves da Cruz (coordenadora de atendimento) foram, todos, ligados à Maxicoop Cooperativa de Trabalho dos Profissionais de Infraestrutura Empresarial. Consta ainda do processo 33902.649944/201136 da ANS, às fls. 821, um fragmento da "Folha de Pagamento" de setembro de 2011 da Itálica Saúde, mostrando a função, o setor, a data de "associação", o número de horas de trabalho no mês (sempre igual ou superior a 189 horas, o que equivale aproximadamente a uma jornada de trabalho semanal de 44 horas, exceto no caso de Diego dos Santos Coelho, "associado" em 21/09) e o valor da remuneração. Examinando os valores da remuneração de cada trabalhador conforme as GFIP's mensais da MAXICOOP Cooperativa de Trabalho dos Profissionais de Infraestrutura Empresarial, entre 01/2010 e 04/2012, é possível Verifica r que cada trabalhador recebe valores mensais aproximadamente constantes durante o período em que presta serviços à Itálica Saúde. Este fato, juntamente com a constatação de que, dentre os 373 trabalhadores vinculados a esta cooperativa e que prestaram serviços à Itálica, apenas sete trabalharam para outros tomadores de serviços, e nos casos em que isso ocorreu, o tomador era um dos hospitais vinculados à Itálica ou a empresa Manager Network Intermediações de Negócios Ltda, ligada à fiscalizada. Todos os pagamentos feitos a trabalhadores por meio de cooperativas foram considerados como remuneração de empregados e integram a base de cálculo dos Autos de Infração lavrados durante o presente procedimento fiscal. Para a apuração da base de cálculo das contribuições foram utilizados Fl. 10571DF CARF MF Processo nº 13884.720131/201545 Acórdão n.º 2201004.589 S2C2T1 Fl. 10.572 14 os valores incluídos na Notas Fiscais das cooperativas, excluindose o valor destacado da taxa administrativa. O Anexo V do Relatório fiscal relaciona as Notas Fiscais utilizadas para o cálculo da contribuição previdenciária. Pagamentos diretos a cooperados. A contabilidade da fiscalizada mostra que, além dos pagamentos feitos por meio das cooperativas, eram feitos muitos pagamentos diretos aos trabalhadores supostamente "cooperados". Alguns desses pagamentos eram informados no histórico do lançamento contábil como "férias", "compl. salarial" ou "horas extras", como, por exemplo, pagamentos a Antonio Benedito de Oliveira Mendes, Davi Belzunces do Amaral, Marcelo Carlos Marques, Aline Vicente Avelino ou Carina Tancredi Mussolin. A relação completa dos pagamentos feitos diretamente a "cooperados" em 20l0 e 20ll consta do Anexo II do Relatório Fiscal. Todos os pagamentos feitos diretamente a "cooperados" foram considerados como remuneração de empregados e integram a base declculo dos Autos de Infração lavrados durante o presente procedimento fiscal. Manager Network. Conforme informado pela Diretora Fiscal nomeada pela ANS em seu Relatório de 27/04/2012, às fls 1615 do Processo 33902.649944/201136, a Itálica, naquele período, estava alterando suas operações relacionadas à de mãodeobra mediante a contratação da empresa "Manager Network Intermed. De Neg. S/C Ltda, CNPJ 08.148.059/000133, com sede na Rua Barão de Itapetininga, 88 conj. 908 São Paulo, cujo sócio é José Roberto Sousa, para se responsabilizar pela gestão de pessoas, porém a fonte dos recursos humanos seria realizada pela "Cooperativa de Serviços "Cooproserv Cooperativa de Trabalho de Profissionais em Prestação de Serviços", a ser repassado para a Operadora através da empresa Manager Network Intermed. De Neg. S/C Ltda. No mesmo processo citado no item anterior, constam, às fls. 1662/1663 a Ficha de Registro de Simone Alves da Cruz na Cooproserv e a "Requisição de Serviços ao Cooperado" tendo como tomador de serviços a Manager Network Intermediações de Negócios S/C Ltda, ambas datadas de 13/04/2012. Este último documento especifica a função ("coordenadora de atendimento"), o horário de trabalho das 8 às 18 horas, além de convênio médico e ajuda de custo mensal de R$198, 80, o que evidencia a existência de vínculo empregatício, uma vez que a imposição do horário de trabalho, a função de coordenação e o recebimento de benefícios pessoais não são características do trabalho autônomo. Além disso, essas são as mesmas condições de trabalho que a trabalhadora recebia quando trabalhava na condição de cooperada da Maxicoop Cooperativa de Trabalho dos Profissionais de Infraestrutura Empresarial. Não foi possível verificar se a "ajuda de custo" foi paga diretamente pela Itálica Fl. 10572DF CARF MF Processo nº 13884.720131/201545 Acórdão n.º 2201004.589 S2C2T1 Fl. 10.573 15 depois da mudança de cooperativa, uma vez que não houve apresentação da contabilidade de 2012. A relação de trabalhadores com a remuneração mensal por cooperativa corresponde ao Anexo III deste Relatório Fiscal.Para a apuração da base de cálculo das contribuições foram utilizados os valores das remunerações informadas em GFIP e relacionadas no Anexo III. Tanto a Cooproserv quanto a Manager Network foram intimadas em a apresentar Notas Fiscais e contratos de Prestação de Serviços referentes a 20l2, mas nos dois casos a correspondência retornou à Delegacia da RFB de Barueri, porque os destinatários não foram encontrados no endereço que consta do cadastro do CNPJ. Contribuintes Individuais – sócias e prestadores de serviços. Apurações pertinentes ao processo 13896.720130/201509. Foram identificados na contabilidade pagamentos às sócias Guilhermina Ester Baya e Sofia Cristiane Baya Shaetzer, não declaradosem GFIP. Além desses valores, foram considerados como base de cálculo da contribuição previdenciária lançada nos Autos de Infração os lançados na conta 1261196221 Adiantamentos Fornecedores Terceiros, uma vez que não foram localizados registros de crédito em conta de despesas correspondentes aos valores que teriam sido adiantados. Foram identificados na contabilidade diversos pagamentos a pessoas físicas sem vínculos empregatícios e não cooperados. Os históricos dos lançamentos, registrados em diversas contas de despesas, trazem descrições como "serviços prestados", "consultas médicas", "apropriação RPS autônomo" ou "pagamento de comissões". Todos os valores incluídos na relação que compõe o Anexo IV Pagamentos a pessoas físicas foram considerados como base de cálculo da contribuição previdenciária (contribuinte individual) e foram lançados nos Autos de Infração emitidos nesta data. Em alguns casos não foi possível identificar o beneficiário do pagamento. Nesses casos, o valor lançado na contabilidade foi considerado como remuneração de contribuintes individuais. Pagamentos por meio de PJ. Foram identificados na contabilidade diversos pagamentos para as empresas AWETI Com e Serv e Treinamento Ltda, CONSULTEC Consultoria em Saúde Ltda e Moeckel's Consultoria e Assessoria Contábil Ltda (CNPJ 17.331.824/000147) cujos sócios administradores são, respectivamente Orlando Marcio de Melo Campos Jr, Carlos Martin Lora Garcia e Fábio Moeckel da Luz. Estas empresas, conforme as informações dos sistemas GFIPWEB e CNISA, não tiveram empregados no período fiscalizado e seus sócios administradores trabalhavam para a Itálica Saúde Ltda. Intimados, apenas Orlando Márcio compareceu, tendo afirmado em seu depoimento que recebia sua remuneração pelos serviços prestados à fiscalizada "por meio de cooperativa de trabalho e por meio da empresa Aweti Comércio, Serviços e Treinamento Ltda, em dinheiro, cheques ou transferências bancárias". O Relatório de 30 dias da Direção Fiscal na ANS relata que em 2011 foi implantado o Setor Contábil nas dependências da Operadora, ele é formado por 04 profissionais cooperados pela Fl. 10573DF CARF MF Processo nº 13884.720131/201545 Acórdão n.º 2201004.589 S2C2T1 Fl. 10.574 16 Maxicoop, sendo que o cooperado Sr. Fábio Moeckel da Luz, contabilista, foi admitido em 01 de setembro de 2010 pela Maxicoop, para o cargo de gerente o setor de Contabilidade, e além de ser contratado pela Cooperativa Maxicoop, firmou contrato com a Operadora entre a sua empresa Moeckel Consultoria e a Operadora Itálica. A contabilidade da Itálica registra ainda diversos pagamentos diretos de "horas extras", a caracterizar inequivocamente vínculo empregatício. Orlando Marcio de Melo Campos Jr trabalhou para a Itálica também como cooperado e a contabilidade de 2010 também registra o pagamento de "serviços extraordinários"confirmando a existência de vínculo empregatício. Carlos Lora é o real beneficiário das riquezas geradas pela atividade da empresa e administrava a empresa com amplos poderes. Por estes motivos, os valores pagos a ele, por intermédio da Consultec, foram considerados como pagamentos a contribuinte individual. m) Agravamento da multa. A falta de apresentação da documentação solicitada pelas intimações fiscais e de qualquer esclarecimento sobre a razão do não atendimento, motivou o agravamento da multa em 50%, conforme § 29, incisos I e II, do artigo 44 da Lei 9.430/96. n) Qualificação da multa. Os fatos descritos, em conjunto, demonstram a intenção clara do contribuinte em retardar e dificultar a apuração dos fatos geradores relacionados às contribuições previdenciárias e caracterizam, em tese, a prática de sonegação, nos termos do art. 71 da Lei 4.502/64. Cabe, portanto, aplicar multa qualificada sobre os créditos lançados em decorrência dos fatos descritos neste Relatório Fiscal, conforme previsão do §1° do art. 44 da Lei 9.430/96, em relação ao período posterior à publicação da MP 449/2008. 3.1. O presente processo foi apensado ao processo n° 13884.720130/2015 09, por força do Termo de fls. 9.514. 4. Itálica Saúde Ltda em Liquidação Extrajudicial foi cientificada pessoalmente do AI n° 51.067.5255 em 28/01/2015 (fls. 03). Não foram lavrados Termos de Sujeição Passiva Solidária. 4.1. Sofia Cristiane Baya Schaetzer e Guilhermina Ester Baya subscrevem impugnação em nome próprio e em nome de Itálica Saúde Ltda (fls. 9.516/9.551), acompanhada dos documentos de fls. 9.552/9.582, protocolada em 27/02/2015 (fls. 9.516) e acolhida como tempestiva pelo órgão preparador (fls. 10.980 do principal processo n° 13884.720130/201509), alegando em síntese: a) Tempestividade. Itálica Saúde Ltda, Sofia Cristiane Baya Schaetzer, e Guilhermina Ester Baya, na qualidade de co responsáveis solidários pelo crédito tributário objeto do processo em epígrafe apresentam impugnação conjunta visando ao cancelamento integral da exigência. A defesa é tempestiva, já que a notificação do lançamento fiscal se deu em 28/01/2015 e o Fl. 10574DF CARF MF Processo nº 13884.720131/201545 Acórdão n.º 2201004.589 S2C2T1 Fl. 10.575 17 prazo de trinta dias para protocolo se esgotou apenas em 28/02/2015. b) Realidade. A Impugnante é empresa operadora de planos de saúde, tendo iniciado suas atividades em 1996. No ano de 2009, adquiriu parte da carteira então comercializada pela AVIMED AVICCENA ASSISTÊNCIA MÉDICA LTDA., em liquidação extrajudicial. Apesar de inicialmente possuir capacidade econômicofinanceira, a Impugnante acabou efetivamente se responsabilizando por grande parte do passivo da AVIMED, o que a levou a sérias dificuldades financeiras e operacionais, cujos resultados e desdobramentos, ao final, foi a instauração do regime de direção fiscal pela ANS em 2011 e determinação da alienação compulsória da sua carteira em 2012. Em resumo, o que houve foi um empreendimento malsucedido, mero e infeliz insucesso do negocio, nada mais! c) Terceirização. Validade. A terceirização das atividades principais não é prática imoral, antiética ou criminosa, ou seja, não visa à supressão de tributos ou/e de direitos trabalhistas dos colaboradores da empresa. Tal prática se enquadra perfeitamente na liberdade de contratação prevista no art. 5°, II, da Constituição Federal, não sendo cabível a desconsideração dos contratos celebrados e nem da personalidade jurídica das pessoas jurídicas envolvidas. O Tribunal Superior do Trabalho editou a Súmula n°. 331, fixando limites abstratos à possibilidade de terceirizar ao diferenciar atividadefim e atividademeio. Essa diferenciação é discutida no Recurso Extraordinário com Agravo (ARE) 713211, que teve repercussão geral reconhecida pelo Plenário Virtual do Supremo Tribunal Federal. Embora aguarde julgamento, o Supremo Tribunal Federal está inclinado a reconhecer a ampla possibilidade de terceirização das atividades de uma empresa, inclusive dos "serviços para o atingimento do exercíciofim da empresa", em desacordo com a premissa maior do lançamento fiscal em foco. Os contratos de terceirização de mão de obra firmados pela Impugnante com as cooperativas e demais pessoas jurídicas, todas regularmente constituídas, revestemse de todas as formalidades legais e visaram, unicamente, buscar maior produtividade com redução de custos, bem como atribuir maior competitividade aos serviços por ela comercializados. O fato de as sociedades limitadas que prestaram serviços à Impugnante serem administradas por seus antigos colaboradores não atribui substrato jurídico ao lançamento da contribuição previdenciária sobre os pagamentos feitos a tais sociedades, não se podendo presumir intuito de fraude à previdência. d) Incompetência. A fiscalização presumiu a existência de vínculo empregatício entre a Impugnante e centenas de associados de cooperativas que lhe prestaram serviços, bem com desconsiderou a personalidade jurídica de empresas regularmente constituídas. A declaração de nulidade dos Fl. 10575DF CARF MF Processo nº 13884.720131/201545 Acórdão n.º 2201004.589 S2C2T1 Fl. 10.576 18 contratos firmados, o reconhecimento de vínculo empregatício e o preenchimento do art. 12 e seguintes da Lei 8.212/91 é competência da Justiça do Trabalho, a ser acionada pelo trabalhador em reclamação trabalhista. e) Nulidade. Base de cálculo. Com fundamento em quatro sentenças trabalhistas, presumiuse a existência de vínculo empregatício entre a Impugnante e centenas de cooperados, tributandose, inclusive, as verbas recebidas por via das reclamações trabalhistas, as quais são executadas pela própria Justiça do Trabalho, conforme Súmula n° 368 do Tribunal Superior do Trabalho. Tal fato, per si, já demonstra a total nulidade do auto de infração, já que não se fez qualquer referência às contribuições que foram ou serão recolhidas em razão do recebimento de verbas trabalhistas por meio das ações judiciais citadas. Não comprovação do vínculo de emprego. Apesar de não existe vínculo empregatício entre os cooperados e a respectiva cooperativa, tampouco entre os cooperados e o tomador de serviço daquela (Consolidação das Leis do Trabalho – CLT, art. 442, parágrafo único), com fundamento em apenas quatro sentenças proferidas em ações trabalhistas, das quais três foram ajuizadas por cooperados da Maxicoop Cooperativa de Trabalho dos Profissionais de Infraestrutura Empresarial e uma ajuizada por cooperado da Maxicoop Cooperativa de Trabalho dos Profissionais de Saúde, bem como num relatório produzido pela Agência Nacional de Saúde (processo n° 33902.649944/201136), a fiscalização pretende comprovar a nulidade de contratos, reconhecer vínculos de emprego e demonstrar o preenchimento do art. 12 e seguintes da Lei n° 8.212, de 1991. No presente caso, em se tratando de empresa fechada e em liquidação extrajudicial, a fiscalização não dispunha de nenhum elemento para averiguar a subordinação entre os cooperados e a Impugnante. As quatro sentenças não autorizam o reconhecimento da subordinação à Impugnante de centenas de cooperados e nem a constatação do vínculo empregatício, de modo a fundamentar o lançamento da contribuição previdenciária sobre folha de salários. Isto porque, tal afirmação encontraria óbice nos limites objetivos e subjetivos da coisa julgada (CPC, art.s 468, 469 e 472). Conforme corrobora o relatório fiscal e o "Contrato de Transferência de Atividades", as funções de direção e controle dos trabalhadores cooperados eram atribuições exclusivamente exercidas pela Maxicoop Cooperativa de Trabalho dos Profissionais de Infraestrutura Empresarial, a qual possuía, no local da prestação dos serviços, um gestor responsável pela comunicação entre as contratantes, para a solicitação de quaisquer providências necessárias junto à cooperativa, inclusive no que se refere à admissão e afastamento dos cooperados. Igualmente prescreveu o "Contrato de Fl. 10576DF CARF MF Processo nº 13884.720131/201545 Acórdão n.º 2201004.589 S2C2T1 Fl. 10.577 19 Transferência de Atividades" firmado entre a Impugnante e a Maxicoop Cooperativa de Trabalho dos Profissionais de Saúde, diferindo com relação aos serviços que seriam prestados – serviços médicos e quanto ao período temporal em que as dependências da contratante ficariam à disposição dos cooperados, em razão da especialidade do serviço de saúde. A fiscalização colacionou trechos de relatório produzido pela Agência Nacional de Saúde (ANS), o qual cita que "o gerente de cada área é responsável de aceitação de admissão de um novo cooperado como a demissão. (...) Ressalto que os "prestadores de serviços" cumprem jornada de trabalho de Segunda a Sexta feira, das 8h às 18h com intervalo para alimentação e repouso de 1h30, cumpridos de igual forma pelos empregados registrados e também são supervisionados e coordenados por outros empregados, portanto os cooperados estão sujeitos ao poder disciplinar da empresa." Notese que o relato fiscal é incoerente, pois, no item 112, asseverou que a Impugnante possuía apenas três empregados registrados no período autuado e, no item 120, sustenta que a Impugnante possuía funcionários em número suficiente à coordenação e gerência de centenas de cooperados. Três funcionários não são suficientes ao gerenciamento das atividades de centenas de cooperados. Não comprovado, de maneira inequívoca e particularizada, o vínculo empregatício de cada cooperado cuja remuneração foi levada à tributação, resta caracterizada a nulidade material do auto de infração, conforme assevera a jurisprudência. Prova emprestada. Mesmo que se admitida a utilização de meros indícios como fundamento para a caracterização do vínculo empregatício e correlata constituição do crédito tributário, ainda assim, a autuação em comento é carecedora de validade, em vista da nulidade da prova emprestada do processo n° 33902.361472/201010, eis que o processo da ANS (parte diversa) é inquisitivo (sem oportunidade de defesa da impugnante) e visa apurar "anormalidades econômico financeiras e administrativas" (não a existência de quaisquer obrigações trabalhistas ou tributárias). Fundamentação. Mesmo nas hipóteses em que há previsão autorizando a utilização da presunção (Lei n° 9.430, de 1996, art. 42), é imprescindível que o ato do lançamento esteja devidamente fundamentado. Não havendo comprovação inequívoca e particularizada do suposto vínculo empregatício de cada cooperado cuja remuneração foi levada à tributação, há nulidade material do lançamento. Portanto, diante (1) da falta de consideração dos valores da contribuição previdenciária que serão executados nos autos das reclamações trabalhistas mencionadas pela fiscalização, (2) da ausência de comprovação do vínculo empregatício entre os cooperados e à Impugnante, mormente no que se refere à existência de subordinação, (3) da nulidade da prova Fl. 10577DF CARF MF Processo nº 13884.720131/201545 Acórdão n.º 2201004.589 S2C2T1 Fl. 10.578 20 emprestada do processo n° 33902.361472/201010 (relatório ANS) e (4) da não comprovação inequívoca e particularizada do suposto vínculo empregatício de cada cooperado; é de rigor o pronto cancelamento do auto de infração impugnado. f) Vicio na sujeição passiva. Ainda que, apenas para argumentar, se admitisse algum vínculo empregatício com os cooperados da Maxicoop Cooperativa de Trabalho dos Profissionais de Saúde, este vínculo seria com a empresa Hospital e Maternidade Jardins Ltda. O Hospital e Maternidade Jardins Ltda. era empresa autônoma e com geração de receitas próprias oriundas de consultas particulares e de pagamentos recebidos de diversos convênios médicos, dentre eles o administrado pela Impugnante, conforme inclusas notas fiscais (doc. 06) e quadro do item 61 do relatório fiscal. Ou seja, restou averiguado pela fiscalização que as receitas do Hospital e Maternidade Jardins Ltda. não eram provenientes, exclusivamente, de pagamentos efetuados pela Impugnante. Conforme o próprio relatório fiscal (item 115.1): "Estiveram vinculados à MAXICOOP COOPERATIVA DE TRABALHO DOS PROFISSIONAIS DE SAÚDE sete trabalhadores, nas seguintes funções: 2 enfermeiras, 4 técnicos de enfermagem e 1 técnico em próteses ortopédicas." Ou seja, vinculados à Maxicoop Cooperativa de Trabalho dos Profissionais de Saúde, haviam apenas cooperados especializados em serviços de saúde, que nunca prestaram serviços à Impugnante, mas sim ao Hospital e Maternidade Jardins Ltda. Até porque, ainda conforme o relatório fiscal, "devese observar que a Itálica Saúde era uma operadora de planos de saúde e não um hospital ou clínica médica, sendo, portanto, sua atividade principal ligada ao comércio e à gestão dos referidos planos e não a prestação direta de serviços médicos". Sendo assim, fica claro o vício de sujeição passiva no lançamento fiscal impugnado e a violação do art. 142 do CTN, em relação às contribuições calculadas sobre os pagamentos creditados aos cooperados da Maxicoop Cooperativa de Trabalho dos Profissionais de Saúde, devendo o lançamento ser anulado por vício material. g) Parcelas indenizatórias ou não habituais. Conforme se infere de seu anexo II, o auto de infração também tributou pagamentos efetuados pela Impugnante a título de gratificações (de assiduidade), férias (gozadas) e horas extras, diretamente a alguns cooperados. Ocorre que tais verbas não se sujeitam à incidência da contribuição previdenciária sobre folha de salários, seja por terem natureza indenizatória e não salariais ou por não serem pagas com habitualidade. Os precedentes do Supremo Tribunal Federal e do Superior Tribunal de Justiça que afirmam a não incidência da contribuição previdenciária sobre tais verbas devem ser observados e respeitados em âmbito Fl. 10578DF CARF MF Processo nº 13884.720131/201545 Acórdão n.º 2201004.589 S2C2T1 Fl. 10.579 21 administrativo, conforme dicção do art. 62A do Regimento Interno do CARF. h) Autônomos e sócias. O conceito de remuneração, dentro das normas que regem a contribuição de terceiros, é atribuído apenas aos pagamentos recebidos por quem possui vínculo empregatício com a pessoa jurídica. Sócios da sociedade limitada e trabalhadores autônomos não possuem vínculo empregatício e em nenhum momento o relatório fiscal alega ou comprova a existência de vínculo empregatício com os autônomos e os sócios, a fim de validar a incidência da contribuição de terceiros sobre tais pagamentos. Nos referidos tópicos, a fiscalização chegou ainda a tributar despesas com viagens reembolsadas às sócias, as quais são expressamente excluídas do campo de incidência art. 214, § 90, inc. VIII, do Decreto n°. 3.048/99. Por tais razões, auto de infração deverá ser julgado improcedente ou convertido em diligência para que a fiscalização exclua tais verbas não tributáveis da base de cálculo da contribuição de terceiros. i) Multa. Com relação à multa de ofício aplicada, houve erro na qualificação e o indevido agravamento, considerando que não restou caracterizada recusa na apresentação de documentos e de esclarecimentos à fiscalização, tampouco houve intenção de "retardar e dificultar a apuração dos fatos geradores relacionados às contribuições previdenciárias", visto que, em síntese, além de não ocorridos os fatos imponíveis da obrigação tributária, a Impugnante estava em liquidação extrajudicial durante o período fiscalizado e atendeu a fiscalização com todos os meios que dispunha para tanto. Para que seja caracterizada a sonegação e, consequentemente, para que possa ser aplicada uma multa qualificada, nos termos do inciso II do artigo 44 da Lei n° 9.430/96, conjugado com o artigo 71 da Lei n° 4.502/64, impreterível a prova de que o ato praticado pelo contribuinte revestiuse de intenção dolosa, o que definitivamente não consta dos autos. A Impugnante fez o atendimento da fiscalização, ainda que imperfeito, com todos os meios que dispunha. Não há interesse do liquidante nomeado pela ANS e dos antigos administradores em agir dolosamente para retardar ou impedir a apuração de fatos geradores de tributos por parte da Receita Federal. Não restando comprovado o elemento subjetivo do dolo e, muito menos, a sonegação já que, definitivamente, esta não ocorreu no caso em tela é ilegal a aplicação da multa qualificada, conforme jurisprudência. Além disso, a multa é confiscatória, posto que em montante exorbitante e desproporcional (constitui aproximadamente 62% do crédito tributário apurado). j) Solidariedade. É ônus da fiscalização comprovar a presença dos requisitos do art. 135 do CTN para fundamentar a responsabilização dos sócios pelos débitos da pessoa jurídica Fl. 10579DF CARF MF Processo nº 13884.720131/201545 Acórdão n.º 2201004.589 S2C2T1 Fl. 10.580 22 autuada, e não somente mencionar os dispositivos legais que prescrevem a responsabilização dos sócios sob determinadas condições, o que demonstra a ilegalidade da responsabilização levada a efeito. k) Pede o cancelamento integral da exigência fiscal impugnada, nos termos do art. 156, IX, e, subsidiariamente, a exclusão das vergas de natureza indenizatória ou não salarial da base de cálculo, bem como a insubsistência da responsabilização das sócias, ante a ausência dos requisitos do art. 135 do CTN. Por fim, requer a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, nos termos do art. 151, III, do CTN. 4.2. Ital Saúde Serviços Médicos Especializados Ltda. EPP, Hospital e Maternidade Jardins Ltda., Italtac Tecnologia na área de Cobranças Ltda. EPP, Rentalcap Locação de bens móveis Ltda. ME, EFRA Tecnologia da Informação Contabilidade e Auditoria, Orlando Márcio de Melo Campos Jr e Roseli Aparecida de Brito apresentam impugnação conjunta (fls. 9.656/9.669), acompanhada dos documentos de fls. 9.670/9.804, em 27/02/2015 (fls. 9.656), acolhida como tempestiva pelo órgão preparador (fls. 10.980 do principal processo n° 13884.720130/201509), com a ressalva de o impugnante não constar como sujeito passivo ou sujeito passivo solidário do AI n° 51.067.5255 (fls. 9.805), alegando em síntese: a) Empresas. Autonomia. Os impugnantes são empresas legalmente constituídas e em plena atividade e regularidade fiscal, exercendo objetos sociais variados, mas todos ligados à prestação de serviços relacionados à saúde. Neste sentido, esclareçase que as Impugnantes ITAL SAÚDE SERVIÇOS MÉDICOS ESPECIALIZADOS LTDA. EPP "ITAL" e HOSPITAL E MATERNIDADE JARDINS LTDA. "HMJ", fundados respectivamente em 2000 e 1992, têm por objeto social a prestação de serviços de consultas médicas e hospitalares, ou seja: são hospitais em plena e regular atividade, que atendem a diversos planos de saúde e a particulares. Por seu turno, verifiquese que as demais Impugnantes ITALTAC TECNOLOGIA NA ÁREA DE COBRANÇAS LTDA. EPP "ITALTAC" e sua sócia e ROSELI APARECIDA DE BRITO, RENTALCAP LOCAÇÃO DE BENS MÓVEIS LTDA. ME "RENTALCAP", EFRA TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO CONTABILIDADE E AUDITORIA "EFRA", e seu sócio ORLANDO MÁRCIO DE MELO CAMPOS JR., são igualmente legítimas, independentes e ativas, destinadas à prestação de serviços de cobrança, locação de equipamentos médicos e prestação de serviços de informática e contabilidade,respectivamente, possuindo receitas, despesas e faturamentos independentes entre si. De fato, tais empresas possuem em comum alguns de seus sócios e clientes, sendo certo, inclusive, que foram por eles criadas à medida que os supra referidos hospitais demandavam maior Fl. 10580DF CARF MF Processo nº 13884.720131/201545 Acórdão n.º 2201004.589 S2C2T1 Fl. 10.581 23 especialidade de seus prestadores de serviço, o que não encontravam em nível satisfatório no mercado. Assim, de modo a suprir as necessidades dos hospitais "HMJ", constituído em 1992 e da "ITAL", constituída em 2000, criaram se as empresas "ITALTAC", em 2001, "EFRA", em 2005, e "RENTALCAP", em 2006, as quais, entretanto, nunca se limitaram a prestar serviços apenas aos referidos hospitais, sendo empresas ativas e tendo por clientes outras pessoas jurídicas, inclusive. A devedora principal era mera cliente das Impugnantes, tendo contratos de prestações de serviços hospitalares com "HMJ" e "ITAL" e de serviços de locação, contabilidade e informática com as demais. Os argumentos da fiscalização são absurdos e inaptos. Por exemplo: Falaciosa e desprovida de comprovação é a afirmação de a "ITALTAC" ser subordinada de "Carlos Lora", que aprovaria previamente os pagamentos que tal Impugnante faria por conta e ordem da Itálica. Essa afirmação se baseia em indício lastreado em O fundamento para isso consiste mera transcrição de trecho de um suposto relatório produzido unilateralmente pela ANS, do qual as Impugnantes não são partes e não tomaram conhecimento e tampouco tiveram a chance de confrontar e, ainda assim, pretende lhes impor, como se verdade fosse. Responsabilidade tributária não é passível de presunção, sendo matéria regulada constitucionalmente e pelo CTN, e que impõe a observância de requisitos legais para que seja configurada. Não é crime a "ITALTAC" funcionar em escritório virtual. Os escritórios virtuais existem, são regulados, constando, inclusive, na lista de serviços tributados pelo ISSQN, ou seja: é atividade lícita, não gerando qualquer presunção de irregularidade por quem a toma. Os serviços prestados pela "ITALTAC", de cobranças e contablidade, não necessitam de espaço físico, até porque na maior parte das vezes seus sócios, para tanto, têm que ficar alocados nas empresas contratantes, o que demonstra que também esse "indício" de grupo econômico é insustentável. O único indício de "fraude"/formação de grupo econômico em relação às Impugnante "HMJ" e "ITAL" é frágil por se fundar exclusivamente no estranhamento do fato de os pagamentos a elas feitos por sua cliente Itálica em contraprestação ao atendimento de seus beneficiários o eram em forma de antecipações ao longo no mês, e não apenas ao seu final. Pela atuação junto à população menos favorecida, faziamse necessários adiantamentos ao longo do mês para viabilizar a manutenção das atividades, muitas vezes, o que não quer dizer que ao final do mês tais Impugnantes não prestavam contas dos serviços prestados. Fl. 10581DF CARF MF Processo nº 13884.720131/201545 Acórdão n.º 2201004.589 S2C2T1 Fl. 10.582 24 A fiscalização não apurou tal informação, tendo novamente limitadose a reproduzir, como se isto constituísse prova hábil e idônea para fins de lançamento tributário, trecho da narrativa feita por uma Diretora designada pela ANS, o que não se pode admitir. Assim, sem nenhuma prova efetiva, apenas com base em uma declaração de alguém que não guarda relações com os hospitais "HMJ" e "ITAL", pretendeuse configurar a existência de grupo econômico. Por fim, quanto às Impugnantes "EFRA" e "RENTALCAP", o único suposto indício de irregularidade reside no fato de tais empresas funcionarem em escritório virtual o que, como já discorremos, não é crime e, no mais, é completamente compatível com as atividades das Impugnantes, demonstrando que também em relação a estas é insustentável a acusação de pertencerem a grupo econômico. b) Pessoas físicas. Autonomia. Quanto às pessoas físicas Impugnantes, da mesma forma, não merece prosperar a imputação de responsabilidade, haja vista que meramente exerciam as atividades para as quais as empresas das quais eram sócias foram contratadas, não possuindo qualquer gerenciamento quanto aos pagamentos que faziam por conta e ordem de sua cliente, a empresa Itálica, não podendo, portanto, serem responsabilizados sob qualquer argumento de má gestão. c) Grupo. Não há razões e muito menos provas suficientes para considerar as Impugnantes como pertencentes a grupo econômico com a empresa Itálica Saúde Ltda., posto que não possuíam qualquer subordinação de suas atividades própria em relação a tal empresa, respeitando suas vontades apenas quanto à forma de execução de seus contratos de prestação de serviço, como ocorre em qualquer relação comercial. No mais, as supostas provas trazidas pela r. fiscal não são capazes de comprovar qualquer tipo de fraude, confusão patrimonial, influência dominante ou outro requisito necessário à configuração de grupo econômico e, consequentemente, à responsabilidade tributária das Impugnantes, na medida em que esta não se presume, como assevera nossos tribunais e a seguir ficará demonstrado. d) Ônus da prova. O ônus de comprovar a configuração do grupo econômico e da influência dominante é da fiscalização, não se podendo presumir a responsabilidade tributária. e) Inconstitucionalidade e Ilegalidade. Em relação às contribuições devidas a terceiros, é inaplicável a responsabilização pretendida, a teor do art. 178, § 2°, da IN MPS/SRP n° 03, de 2005. O art. 30, IX, da Lei n° 8.212/91 é inconstitucional, pois conforme art. 146, III, da CF só a lei complementar pode tratar de responsabilidade tributária, o que nos leva a concluir que ainda que configurado grupo econômico, impossível a responsabilização tributária das empresas que o Fl. 10582DF CARF MF Processo nº 13884.720131/201545 Acórdão n.º 2201004.589 S2C2T1 Fl. 10.583 25 compõem com base apenas neste artigo. Além disso, é ilegal por não observar as regras gerais do art. 128 do CTN. f) Procuradores. Os Impugnantes ORLANDO MÁRCIO DE MELO CAMPOS JR. e ROSELI APARECIDA DE BRITO não eram sócios ou diretores da empresa Itálica Saúde Ltda., mas sim prestadores de serviços sem qualquer poder de gerência em relação ao desempenho das atividades de sua contratante, sendo, portanto, impensável pretender atribuirlhes a responsabilidade prevista no art. 135, III, do CTN. Além disso, primeiro, não eram procuradores, como alegado, e segundo porque mesmo que procuradores fossem, necessária seria a comprovação de que agiram com dolo ou culpa na situação que ensejou o respectivo fato gerador, provas estas, inexistentes. g) Pedido. Requerem o cancelamento da responsabilidade tributária que lhes foi outorgada. 4.3. Biovida Saúde Ltda., atual denominação de SOMEL Sociedade para Medicina Leste Ltda. apresenta impugnação (fls. 9.807/9.836), acompanhada dos documentos de fls. 9.837/9.960, em 27/02/2015 (fls. 9.807), acolhida como tempestiva pelo órgão preparador (fls. 10.980 do principal processo n° 13884.720130/201509), com a ressalva de o impugnante não constar como sujeito passivo ou sujeito passivo solidário do AI n° 51.067.525 5 (fls. 9.961), alegando em síntese: a) Dos fatos. A Impugnante foi constituída em 08/12/2000 sob a denominação Somel Sociedade de Medicina Leste Ltda. para prestar serviços médico hospitalares, girando sob o nome fantasia Hospital Santo Expedito. Até 2005, funcionou apenas como hospital, prontosocorro e maternidade. No ano de 2006, passou a atuar como operadora de planos de saúde, competindo justamente com a "Itálica". A relação com a empresa Itálica Saúde Ltda. iniciouse ainda quando funcionava apenas como hospital, tendo firmado contrato de prestação de serviços médico hospitalares aos credenciados daquela, não possuindo qualquer exclusividade com a "Itálica", tendo a fiscalização reconhecido que aproximadamente 1/4 das receitas da Impugnante advinha de prestações de serviços a terceiros. Não há como negar que a maior parte de seu faturamento, de fato, advinha do atendimento aos clientes da Itálica, situação compatível com o fato de ser hospital voltado ao público de baixa renda e a Itálica ser a maior operadora de planos de saúde de tal segmento. Não há problema de seu maior cliente, que possui histórico de médias mensais de atendimentos e pagamentos realizados à Impugnante, optar por fazer adiantamentos dos importes que sabe serão devidos. Em razão dos problemas da Itálica com a ANS, passou a captar os clientes da Itálica e com a alienação compulsória Fl. 10583DF CARF MF Processo nº 13884.720131/201545 Acórdão n.º 2201004.589 S2C2T1 Fl. 10.584 26 determinada pela ANS firmou com cerca de 50.000 clientes da Itálica, de uma carteira de quase 130.000 contratos. Portanto, a Impugnante é empresa em atividade no ramo hospitalar desde 2000 e que atua como operadora de planos de saúde autorizada pela ANS desde 2006, sendo certo que o fato de ter tido como cliente a então operadora de saúde "Itálica" não a torna responsável por qualquer de suas obrigações, já que eram empresas autônomas, embora parceiras. Não se pode falar em sucessão, apesar de não ser essa a fundamentação do lançamento, posto que a Impugnante não adquiriu, incorporou ou assumiu qualquer parte da Itálica ou da sua carteira de clientes, tendo apenas formalizado contratos novos com os exclientes da Itálica. b) Inexistência de grupo. A Impugnante é empresa saudável, idônea, autônoma e cumpridora de suas obrigações fiscais, possuindo sócios e dirigentes independentes e não guardando qualquer relação gerencial com a devedora original, Itálica, que foi mera parceira de negócios. Anexa Notas Fiscais de prestação de serviços a diversos outros planos de saúde e declarações de imposto de renda da empresa –DIPJs. Logo, não há fundamento para a imputação de compor Grupo Econômico com a Itálica, inexistindo "influência dominante", que é a subordinação em relação a uma delas. Além disso, não se aplica na esfera tributária a conceituação trabalhista de grupo econômico, conforme jurisprudência. c) Presunção e indício. Inviabilidade. Não há como se atribuir responsabilidade tributária, eis que a responsabilidade não se presume, demandando a comprovação da participação da impugnante na situação configuradora do fato gerador, o que não ocorreu. Diante da imputação de responsabilidade lastreada apenas em contratos de prestação de serviços entre a devedora original e a Impugnante, a acusação se funda exclusiva e meramente em indício, ao arrepio dos princípios que regem a administração pública, não tendo sido realizado qualquer procedimento de apuração da real participação da Impugnante na administração da situação configuradora dos fatos geradores, quanto menos apresentada qualquer prova visando demonstrar a necessária relação entre tais fatos geradores e a Impugnante. A mera prestação de serviços hospitalares para a devedora principal não configura influência dominante, controle ou muito menos grupo econômico, de modo a autorizar, por si só, a atribuição de responsabilidade solidária nos termos do artigo 124, II c/c artigo 30, IX, da Lei n° 8.212/91. Também não comprova, sequer indiciariamente, a relação da Impugnante com os supostos fatos geradores das contribuições previdenciárias autuadas. Não há indício válido, tendo a fiscalização abusado de suas prerrogativas ao imputar a responsabilidade solidária à impugnante com base em mera suposição. Conforme pacífica jurisprudência do CARF e de nossos Tribunais, responsabilidade Fl. 10584DF CARF MF Processo nº 13884.720131/201545 Acórdão n.º 2201004.589 S2C2T1 Fl. 10.585 27 tributária não se presume, mesmo nas hipóteses em que configurado grupo econômico de fato ou de direito. Não existindo nos autos documentos que comprovem a necessária relação entre a Impugnante e a situação que deu ensejo ao fato gerador, verificase que a imputação de responsabilidade trazida no presente lançamento é carecedora de motivação e afrontam o princípio da moralidade, requisitos imprescindíveis para a validade dos atos da administração pública. Assim, ainda na hipótese de entenderse que a Impugnante formava com a "Itálica" grupo econômico, o que não se espera, impossível atribuir à Impugnante a responsabilidade tributária pretendida, posto que esta não se presume, devendo ser comprovada a efetiva participação do terceiro na situação ensejadora do respectivo fato gerador, o que, no caso, não ocorreu. d) Inconstitucionalidade e ilegalidade. Os elementos apontados pela fiscalização, quando muito, demonstram a relação negocial de parceria entre as empresas em questão. Logo, houve mera presunção do preenchimento do suporte fático do art. 124, II, do CTN combinado com o art. 30, IX, da Lei n° 8.212, de 1991, sendo este artigo inconstitucional, pois apenas a lei complementar pode dispor sobre responsabilidade tributária. Além disso, o preceito do art. 124, II, no sentido de que são solidariamente obrigadas "as pessoas expressamente designadas por lei", não autoriza o legislador a criar novos casos de responsabilidade tributária sem a observância dos requisitos exigidos pelo art. 128 do CTN, tampouco a desconsiderar as regras matrizes de responsabilidade de terceiros estabelecidas em caráter geral pelos arts. 134 e 135 do mesmo diploma. No caso concreto, pelo simples fato de supostamente fazer parte de grupo econômico com a devedora principal, independentemente de sua relação com o respectivo fato gerador. Logo, a matéria é similar a que já foi apreciada pelo Supremo Tribunal Federal, com repercussão geral, em relação ao art. 13 da Lei n° 8.620, de 1993. A jurisprudência do Carf reconhece a aplicação da mesma razão de decidir. Além disso, a jurisprudência administrativa é clara no sentido de não se admitir responsabilização por solidariedade das contribuições devidas a terceiros. e) Pedido. Requer o afastamento da responsabilização solidária. 4.4. Mar Jull Empreendimentos Imobiliários Ltda apresenta impugnação (fls. 9.965/9.983), acompanhada dos documentos de fls. 9.984/10.038, em 27/02/2015 (fls. 9.965), acolhida como tempestiva pelo órgão preparador (fls. 10.980 do principal processo n° 13884.720130/201509), com a ressalva de o impugnante não constar como sujeito passivo ou sujeito passivo solidário do AI n° 51.067.5255 (fls. 10.039), alegando em síntese: a) Responsabilidade solidária. A Impugnante é empresa constituída em 24/09/2004, então sob a denominação Franz Jull Fl. 10585DF CARF MF Processo nº 13884.720131/201545 Acórdão n.º 2201004.589 S2C2T1 Fl. 10.586 28 Empreendimentos Imobiliários, que tem por objeto social a administração e locação de bens próprios e, inclusive para permitir a plena realização de suas atividades, sempre esteve em dia para com suas obrigações fiscais. Não há subsídio fático e nem jurídico para a pretensão de responsabilização com base em grupo de fato e nem com base em fraude patrimonial que porventura pudesse levar à desconsideração das personalidades jurídicas das empresas. A Impugnante manteve relações comerciais com a Itálica Saúde Ltda, sua locatária, mas isso não permite concluir pela configuração de grupo econômico. Além disso, não haveria vantagem fiscal na estrutura empresarial imputada, mas apenas desvantagens: custo com manutenção de duas pessoas jurídicas, elaboração de contratos, etc. e dupla tributação da mesma renda (a primeira na Itálica Saúde Ltda. e a segunda na Impugnante, que recebe os alugueres). A fiscalização imputa fraude patrimonial, mas não traz a fundamentação e nem as provas pertinentes à desconsideração da personalidade jurídica (Código Civil, art. 50). Os "indícios" invocados para provar que a Impugnante se confundiria com a empresa Itálica Saúde Ltda são suficientes a, quando muito, caracterizar relação comercial entre as empresas. O "indício” relativo ao fato de o endereço da Impugnante ser o de um dos imóveis locados a terceiros não significa absolutamente nada, sendo, portanto, incapaz de gerar qualquer presunção quanto a grupo ou fraude patrimonial. Como empresa sem empregados e que tem por objeto a exclusiva administração e locação de imóveis próprios, a Impugnante não necessita de espaço físico, escritório e afins. Seus sócios a gerem diretamente de suas casas, trabalhos ou até mesmo de seus smartphones, sendo irrelevante o fato de usar, formalmente, o endereço de um dos imóveis locados como se o da empresa fosse. O “indício” de as informações constantes da contabilidade da Itálica Saúde Ltda e da Impugnante não serem compatíveis quando tratam do pagamento/recebimento de alugueres demonstra, no máximo, erro na contabilidade de uma destas empresas, não sendo apto a gerar qualquer presunção de fraude ou confusão patrimonial a ponto de se pretender desconsiderar a personalidade jurídica da Impugnante ou caracterizar grupo econômico. Pelo contrário, a divergência entre as contabilidades demonstra a absoluta falta de sintonia e ingerência. A fiscalização atribuiu a caracterização de grupo econômico com a Itálica Saúde Ltda. não só à Impugnante, mas a outra meia dúzia de empresas e, levantando pequenas irregularidades de uma e de outra, aqui e ali, que por si só seriam insuficientes a caracterizar cada uma das empresas como grupo econômico, em Fl. 10586DF CARF MF Processo nº 13884.720131/201545 Acórdão n.º 2201004.589 S2C2T1 Fl. 10.587 29 atitude ardilosa tratou de considerar mencionadas irregularidades de forma conjunta, como se se tratassem de indícios extraídos de uma única fiscalizada, visando com isso dar corpo à sua frágil presunção. A documentação acostada aos autos comprova que a Impugnante é empresa de administração de imóveis próprios com a mesma composição societária desde sua fundação em 2004, estando regularmente em atividade, a negociar imóveis não só com as empresas do suposto grupo econômico, tendo sido uma das duas únicas empresas fiscalizadas que se dignou a atender à fiscalização, prestandolhe esclarecimentos e abrindo sua contabilidade. A impugnante não integra o grupo econômico imputado, já que não se sujeita a qualquer influência ou dominação, requisito essencial à caracterização da figura do grupo econômico (intitulado, pela doutrina, "influência dominante" = administração e gerenciamento comum, mesma diretriz comercial). Os sócios nunca fizeram parte da composição societária de quaisquer outras empresas do suposto grupo econômico, não atuando no ramo da saúde e não havendo relação de subordinação gerencial com nenhuma delas. A independência é absoluta, tanto que suas contabilidades sequer batiam. Além disso, para fins da legislação trabalhista e previdenciária, a caracterização de grupos econômicos exige a utilização da mão de obra comum ou outras situações que indiquem o aproveitamento direto ou indireto por uma empresa da mão de obra contratada por outra, o que é impossível no caso da Impugnante, que sequer empregados têm. Mesmo que pertencesse ao suposto grupo econômico, a impugnante só poderia ser responsabilizada mediante a comprovação de sua efetiva participação na situação motivadora daqueles fatos geradores, conforme jurisprudência. O fisco não se desincumbiu do ônus de comprovar tal participação, logo não se pode presumir a responsabilidade tributária. E no caso vertente não há qualquer prova da participação da Impugnante, que sequer empregados possui, na gestão de empregados e recolhimento de contribuições previdenciárias pertinentes da empresa Itálica Saúde Ltda., tornando, consequentemente, insubsistente a responsabilidade tributária atribuída à Impugnante. b) Inconstitucionalidade e Ilegalidade. O art. 124, II do CTN não arrola qualquer caso específico de responsabilidade e o art. 30, IX da Lei n° 8.212/91 não se aplica em matéria tributária, pois conforme art. 146, III, da CF só a lei complementar pode tratar do assunto. Além disto, o inciso IX do art. 30 em tela é também inaplicável em razão de sua ilegalidade, já que o art. 128 do CTN, que traz regras gerais sobre o tema, determina que só podem ser considerados responsáveis aqueles que possuam relação direta com o fato gerador, o que não foi observado. O Fl. 10587DF CARF MF Processo nº 13884.720131/201545 Acórdão n.º 2201004.589 S2C2T1 Fl. 10.588 30 STF já declarou a inconstitucionalidade de dispositivo de lei ordinária que, em caso semelhante, atribuía a terceiro, independentemente de sua vinculação com o fato gerador, responsabilidade tributária (RR 562.276/PR). No mesmo sentido, é a jurisprudência em relação às contribuições para terceiros, em especial diante do disposto no art. 178, § 2°, da IN MPS/SRP n° 03, de 2005. c) Pedido. Requer o acolhimento e provimento da defesa. 4.5. R&D Empreendimentos Imobiliários Ltda apresenta impugnação (fls. 9.585/9.594), acompanhada dos documentos de fls. 9.595/9.653, em 27/02/2015 (fls. 9.585), acolhida como tempestiva pelo órgão preparador (fls. 10.980 do principal processo n° 13884.720130/201509), com a ressalva de o impugnante não constar como sujeito passivo ou sujeito passivo solidário do AI n° 51.067.5255 (fls. 9.654), alegando em síntese: a) Dos fatos. Tratase de auto de infração para cobrança de crédito tributário consistente de contribuições destinadas a outras entidades e fundos, tendo sido a impugnante considerada como responsável solidária, conforme Relatório Fiscal. Com fundamento nos arts. 124, I e II, e art. 135, III, do CTN, além do art. 30, IX, da Lei n° 8.212, de 1991, pessoas jurídicas e físicas, foram acusadas de coresponsáveis pela obrigação tributária, eis que todas teriam “interesse comum na ocultação dos fatos geradores da contribuição previdenciária” e, por conseguinte, da contribuição destinada a outras entidades e fundos. b) Autonomia. A Impugnante é empresa saudável, idônea, autônoma e cumpridora de suas obrigações fiscais, possuindo sócios e dirigentes independentes e que não guardam qualquer relação gerencial com Itálica Saúde Ltda. ou com quaisquer outras empresas supostamente participantes do dito grupo econômico, tendo por objeto social a "exploração das atividades imobiliárias de imóveis próprios, compreendendo a compra, venda e aluguel de bens imóveis próprios, residenciais e não residenciais, inclusive edifícios, casas, terrenos e galpões industriais e comerciais". A Impugnante adquiriu diversos imóveis como forma de investimento, haja vista que muitos são ofertados à Impugnante por valores abaixo do verificado no mercado e encontramse já locados, ou seja, com contrato de aluguel em vigor, na medida em que a Impugnante tem condições de recuperar o valor investido na aquisição do bem num curto espaço de tempo. Dentre os imóveis adquiridos, diversos não guardam relação alguma com qualquer das pessoas mencionadas nos autos. c) Ausência de responsabilidade solidária. Os dispositivos legais invocados não se aplicam materialmente ao terceiro de boa fé, além do que a alegação, ou melhor, "sugestão", de que a Impugnante foi "montada" para suceder a Mar Jull enquanto empresa patrimonial da Itálica deve ser traduzida como "suspeita" ou mero "indício", nas próprias palavras do relatório Fl. 10588DF CARF MF Processo nº 13884.720131/201545 Acórdão n.º 2201004.589 S2C2T1 Fl. 10.589 31 fiscal, ou seja, insuficiente e vazio para fundamentar a responsabilidade solidária em relação ao crédito tributário imputado à Impugnante. De plano, o art. 178, § 2°, da IN MPS/SRP n° 3, de 2005, exclui a responsabilidade solidária nas contribuições para terceiros, inclusive para as pessoas que tenham interesse comum na situação que constituía o fato gerador da obrigação previdenciária principal e as expressamente designadas por lei como tal. Além disso, afastase a aplicabilidade material dos artigos 124, inciso I, combinado com o artigo 135, inciso III, do Código Tributário Nacional, para a hipótese em discussão, eis que a responsabilidade solidária foi atribuída à pessoa jurídica e não aos seus representantes ou administradores. De outra ponta, o art. 124, inciso II, do Código Tributário Nacional, não deve ser analisado isoladamente, ou ainda, combinado com o art. 30, inciso IX, da Lei n° 8.212/91, tendo em vista que a atribuição de responsabilidade tributária deve preencher requisitos, dentre os quais sito o artigo 128 do Código Tributário Nacional (vinculação ao fato gerador) e artigo 146, inciso III, alínea "b", da Carta Magna (reserva de lei complementar). Mesmo que integrasse um suposto grupo econômico, o Egrégio Superior Tribunal de Justiça já pacificou entendimento de que tal situação, por si só, não enseja em solidariedade passiva. A Impugnante é terceira adquirente de boafé de alguns imóveis (o próprio auto reconhece que a Impugnante não adquiriu outros imóveis ditos do conglomerado) que, um dia, pertenceram à Mar Jull, sendo que, por isso, foilhe imputada a responsabilidade solidária em relação ao crédito tributário em causa, sem qualquer amparo em lei ou prova material. Nesse sentido, com base em "indícios" ou "suspeitas" de que a Impugnante teria sido constituída para substituir a Mar Jull enquanto empresa patrimonial do suposto conglomerado de empresas. A presunção baseada em acusação sem prova não é meio lícito para exigência de tributos, pois o lançamento com base em presunções "hominis" ou indícios, sempre que ocorrer incerteza quanto aos fatos, não se compatibiliza com o princípio da legalidade. Os fatos geradores do tributo em discussão na demanda são de janeiro de 2010 a dezembro de 2012, muito antes da própria "existência" da Impugnante como sociedade empresária com o objeto social supramencionado, ou mesmo de quando da aquisição dos imóveis. Quando muito, com fulcro no art. 133 do CTN, a Impugnante poderia ter sido considerada talvez mera sucessora da aludida empresa patrimonial do grupo econômico, até o limite do valor dos imóveis pertencentes ao conglomerado. Mas para isso, sequer existe fundamentação legal no auto de infração nesse sentido. Fl. 10589DF CARF MF Processo nº 13884.720131/201545 Acórdão n.º 2201004.589 S2C2T1 Fl. 10.590 32 Portanto, absolutamente infundada a suposição de que a Impugnante comporia grupo econômico com a Itálica Saúde Ltda. ou com a Mar Jull, e mesmo que compusesse, tal situação não configuraria responsabilidade passiva solidária pelos seus débitos como almeja. d) Pedido. Requer o conhecimento e regular processamento da presente Impugnação, para determinar sua exclusão enquanto responsável solidária pelo débito tributário. 5. Mar Jull Empreendimentos Imobiliários Ltda apresentou a petição de fls. 10.041 acompanhada de documentos (fls. 10.042/10.049), sustentando a regularização da representação. 5.1. Incitada a regularizar a representação, a administradora judicial da Itálica apresentou, as petições de fls. 10.082 e 10.093/10094, acompanhadas de documentos (fls. 10.083/10.088 e 10.095/10.097). 6. Considerandose: (1) que o Relatório Fiscal narra a situação fática de as empresas Ital saúde Serviços Médicos Especializados Ltda – EPP, Biovida Saúde Ltda (ExSomel), Hospital E Maternidade Jardins Ltda, Italtac – Tecnologia na Área de Cobranças Ltda – EPP, R&D Empreendimentos Imobiliários Ltda, Mar Jull Empreendimentos Imobiliários Ltda, Efra Tecnologia Da Informação Contabilidade e Auditoria Empresarial Ltda (exAWETI), Rentalcap – Locação De Bens Moveis Ltda e Consultec Consultoria Em saúde Ltda Me formarem grupo econômico irregular, configurado com o escopo de fraudar a legislação tributária e previdenciária, constituindo se, em última análise, empresa única (funcionavam como uma só) e para a qual concorriam as pessoas físicas Guilhermina Ester Baya, Sofia Cristiane Baya Schaetzer, Roseli Aparecida de Brito, Orlando Marcio de Melo Campos Junior, Carlos Martin Lora Garcia e Silvia Helena de Carvalho Lora, (2) que, após descrever tais fatos, a fiscalização não imputou qualquer responsabilidade solidária e não lavrou Termos de Sujeição Passiva Solidária, tendo emitido o auto de infração pertinente às contribuições para terceiros tãosomente em face da empresa Itálica Saúde Ltda em Liquidação Extrajudicial; (3) e que, demonstrando conhecimento da situação fática descrita pela fiscalização, empresas e pessoas físicas apresentaram em nome próprio as já referidas impugnações contra o AI n° 51.067.525 5, alegando o não preenchimento do suporte fático e/ou a inconstitucionalidade/ilegalidade da imputação da responsabilidade solidária prevista não apenas do art. 124, II, da Lei n° 5.172, de 1966, combinado com o art. 30, IX, da Lei n° 8.212, de 1991, mas também dos arts. 124, I, e 135, III, da Lei n° 5.172, de 1966; comandouse diligência (fls. 10.051/10.053) para que a autoridade lançadora, se entendesse cabível, no exercício de sua competência originária, observado o prazo decadencial, exercesse seu poder dever de imputar responsabilidade solidária e lavrar Termo de Sujeição Passiva Solidária, concedendo prazo de trinta dias para a apresentação de impugnação por aqueles que forem formalmente imputados Fl. 10590DF CARF MF Processo nº 13884.720131/201545 Acórdão n.º 2201004.589 S2C2T1 Fl. 10.591 33 como responsáveis solidários no AI n° 51.067.5255. Nos termos do Relatório de Diligência Fiscal de fls. 10.069/10.072, a autoridade lançadora concluiu pelo não cabimento da imputação de responsabilidade solidária. 2 – A impugnação foi julgada improcedente por decisão da DRJ assim ementada: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2012 TERCEIRO NÃO SOLIDÁRIO. IMPUGNAÇÃO. NÃO CONHECIMENTO. Não havendo imputação de responsabilidade solidária, falece interesse ao terceiro para apresentar impugnação em nome próprio questionando responsabilização por Termo de Sujeição Passiva Solidária inexistente. PROVA. PRESSUPOSTO DE FATO. Não tendo a impugnante apresentado prova capaz de afastar os pressupostos de fato do lançamento, impõese a improcedência da impugnação. INCONSTITUCIONALIDADE. DECLARAÇÃO. INCOMPETÊNCIA. As Turmas de Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento são incompetentes para, sponte propria, declarar a inconstitucionalidade de lei. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2012 GRATIFICAÇÃO ASSIDUIDADE. INCIDÊNCIA. A gratificação enquanto prêmio vinculado à assiduidade no desempenho da atividade laboral do empregado caracterizase como gratificação ajustada (Consolidação das Leis do Trabalho, art. 457, § 1°), a remunerar o trabalho com pontualidade. O fato de só ser percebida se restar configurada a assiduidade não lhe atribui caráter de ganho eventual, mas de salário condicionado. FÉRIAS GOZADAS. INCIDÊNCIA. Sobre as férias gozadas há incidência de contribuição para terceiros, sendo que apenas as férias indenizadas e o respectivo adicional constitucional não integram a base de cálculo das contribuições da empresa sobre folha de pagamento devidas a outras entidades ou fundos. HORAS EXTRAS. INCIDÊNCIA Os valores pagos a título de horas extras integram a remuneração paga, devida ou creditada Fl. 10591DF CARF MF Processo nº 13884.720131/201545 Acórdão n.º 2201004.589 S2C2T1 Fl. 10.592 34 aos segurados empregados, constituindose em base de cálculo das contribuições da empresa sobre folha de pagamento devidas a outras entidades ou fundos. CONTRIBUIÇÃO PARA TERCEIROS. CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. BASE DE CÁLCULO. NÃO CONFIGURAÇÃO. A remuneração paga a contribuinte individual não integra a base de cálculo das contribuições da empresa devidas a outras entidades ou fundos. 3 Às fls. 10.474/10.515 Recurso Voluntário em nome de Sofia Baya, Guilhermina Baya e Itálica Saúde e às fls. 10.523/10.527 (Recurso Voluntário da Massa Falida através de sua administradora judicial). Voto Conselheiro Marcelo Milton da Silva Risso Relator 4 Não conheço do recurso em nome de Guilhermina Baya e Sofia Baya, pelas mesmas razões da decisão de piso uma vez que não há autuação nesse caso de solidariedade em relação à contribuição de terceiros. Portanto não os conheço. 5 Em relação ao Recurso Voluntário do sujeito passivo principal por ser tempestivo e preencher os demais requisitos de admissibilidade o conheço. 6 Nestes termos, cumpre ressaltar a faculdade garantida ao julgador pelo § 3º do Art. 57 do Regimento Interno do CARF: Art. 57. Em cada sessão de julgamento será observada a seguinte ordem: I verificação do quórum regimental; II deliberação sobre matéria de expediente; e III relatório,debate e votação dos recursos constantes da pauta. § 1º A ementa, relatório e voto deverão ser disponibilizados exclusivamente aos conselheiros do colegiado, previamente ao Fl. 10592DF CARF MF Processo nº 13884.720131/201545 Acórdão n.º 2201004.589 S2C2T1 Fl. 10.593 35 início de cada sessão de julgamento correspondente, em meio eletrônico. § 2º Os processos para os quais o relator não apresentar, no prazo e forma estabelecidos no § 1º, a ementa, o relatório e o voto, serão retirados de pauta pelo presidente, que fará constar o fato em ata. § 3º A exigência do § 1º pode ser atendida com a transcrição da decisão de primeira instância, se o relator registrar que as partes não apresentaram novas razões de defesa perante a segunda instância e propuser a confirmação e adoção da decisão recorrida. (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017). 7 Da análise do presente processo, entendo ser plenamente cabível a aplicação do respectivo dispositivo regimental uma vez que não inova nas suas razões já apresentadas em sede de impugnação, as quais foram claramente analisadas pela decisão recorrida. 8 Assim, desde já proponho a manutenção da decisão recorrida pelos seus próprios fundamentos, considerandose como se aqui transcrito integralmente o voto da decisão recorrida: 8. Impugnação de fls. 9.656/9.669. Demonstrando conhecimento do Auto de Infração n° 51.067.5255, Ital Saúde Serviços Médicos Especializados Ltda. EPP, Hospital e Maternidade Jardins Ltda., Italtac Tecnologia na área de Cobranças Ltda. EPP, Rentalcap Locação de bens móveis Ltda. ME, EFRA Tecnologia da Informação Contabilidade e Auditoria, Orlando Márcio de Melo Campos Jr e Roseli Aparecida de Brito apresentam impugnação conjunta, consubstanciada na petição de fls. 9.656/9.669, alegando o não preenchimento do suporte fático e/ou a inconstitucionalidade/ilegalidade da imputação da responsabilidade solidária prevista não apenas do art. 124, II, da Lei n° 5.172, de 1966, combinado com o art. 30, IX, da Lei n° 8.212, de 1991, mas também dos arts. 124, I, e 135, III, da Lei n° 5.172, de 1966. 8.1. Apesar de narrar fatos que, em tese, configuram o suporte fático dos arts. 124, I, do CTN e art. 135, III, do CTN, este em relação apenas às pessoas físicas, a fiscalização não imputou responsabilidade solidária e não formalizou Termo de Sujeição Passiva Solidária em face de solidários, efetivando o lançamento tãosomente contra a empresa Itálica. Os Termos de Sujeição Passiva Solidária carreados com a impugnação de fls. 9.656/9.669 não são pertinentes ao presente processo, mas ao processo n° 13884.720130/2015 09 (fls. 9.730/9.735). Fl. 10593DF CARF MF Processo nº 13884.720131/201545 Acórdão n.º 2201004.589 S2C2T1 Fl. 10.594 36 8.2. Tendose por premissa que, desde a revogação do parágrafo único do art. 15 do Decreto n° 70.235, de 1972, a decisão de primeira instância administrativa não pode agravar a exigência inicial, converteuse o julgamento em diligência para que a autoridade lançadora fosse instada a exercer sua competência privativa de efetuar o lançamento por solidariedade. A autoridade lançadora, contudo, considerou não ser cabível tal lançamento, eis que, no seu entender, não haveria responsabilidade solidária em relação às contribuições destinadas a outras entidades ou fundos: (1) em face do disposto no art. 151, caput e inciso I do § 2°, da IN RFB n° 971, de 2009; (2) em razão de tais contribuições não serem abarcadas na redação do art. 30, IX da Lei n° 8.212, de 1991 (limita a solidariedade às contribuições da própria Lei n° 8.212, de 1991); e (3) por supostamente não serem tributos, mas contribuições privadas compulsórias, de natureza sui generis. Diante dessa situação, impõese o reconhecimento da existência de lide apenas em relação à empresa Itálica. 8.3. Logo, por falta de objeto, legitimidade e interesse (Lei n° 5.869, de 1973, art. 267, VI), voto por não conhecer da impugnação conjunta apresentada por Ital Saúde Serviços Médicos Especializados Ltda. EPP, Hospital e Maternidade Jardins Ltda., Italtac Tecnologia na área de Cobranças Ltda. EPP, Rentalcap Locação de bens móveis Ltda. ME, EFRA Tecnologia da Informação Contabilidade e Auditoria, Orlando Márcio de Melo Campos Jr e Roseli Aparecida de Brito. 9. Impugnação de fls. 9.807/9.836. Demonstrando conhecimento do Auto de Infração n° 51.067.5255, Biovida Saúde Ltda., atual denominação de SOMEL Sociedade para Medicina Leste Ltda. apresenta impugnação, consubstanciada na petição de fls. 9.807/9.836, alegando, em apertada síntese, o não preenchimento do suporte fático e/ou a inconstitucionalidade/ilegalidade da imputação da responsabilidade solidária prevista não apenas do art. 124, II, da Lei n° 5.172, de 1966, combinado com o art. 30, IX, da Lei n° 8.212, de 1991, bem como não ser admissível a responsabilização por solidariedade das contribuições devidas a terceiros. 9.1. Apesar de narrar fatos que, em tese, configuram o suporte fático do art. 124, I, do CTN, a fiscalização não imputou responsabilidade solidária e não formalizou Termo de Sujeição Passiva Solidária em face de solidários, efetivando o lançamento tão somente contra a empresa Itálica. O Termo de Sujeição Passiva Solidária carreado com a impugnação de fls. 9.656/9.669 não é pertinente ao presente processo, mas ao processo n° 13884.720130/201509 (fls. 9.867/9.868). 9.2. Tendose por premissa que, desde a revogação do parágrafo único do art. 15 do Decreto n° 70.235, de 1972, a decisão de primeira instância administrativa não pode agravar a exigência inicial, converteuse o julgamento em diligência para que a autoridade lançadora fosse instada a exercer sua competência Fl. 10594DF CARF MF Processo nº 13884.720131/201545 Acórdão n.º 2201004.589 S2C2T1 Fl. 10.595 37 privativa de efetuar o lançamento por solidariedade. A autoridade lançadora, contudo, considerou não ser cabível tal lançamento, eis que, no seu entender, não haveria responsabilidade solidária em relação às contribuições destinadas a outras entidades ou fundos: (1) em face do disposto no art. 151, caput e inciso I do § 2°, da IN RFB n° 971, de 2009; (2) em razão de tais contribuições não serem abarcadas na redação do art. 30, IX da Lei n° 8.212, de 1991 (limita a solidariedade às contribuições da própria Lei n° 8.212, de 1991); e (3) por supostamente não serem tributos, mas contribuições privadas compulsórias, de natureza sui generis. Diante dessa situação, impõese o reconhecimento da existência de lide apenas em relação à empresa Itálica. 9.3. Logo, por falta de objeto, legitimidade e interesse (Lei n° 5.869, de 1973, art. 267, VI), voto por não conhecer da impugnação apresentada por Biovida Saúde Ltda. 10. . Impugnação de fls. 9.965/9.983. Demonstrando conhecimento do Auto de Infração n° 51.067.5255, Mar Jull Empreendimentos Imobiliários Ltda. apresenta impugnação, consubstanciada na petição de fls. 9.965/9.983, alegando, em apertada síntese, o não preenchimento do suporte fático e/ou a inconstitucionalidade/ilegalidade da imputação da responsabilidade solidária prevista não apenas do art. 124, II, da Lei n° 5.172, de 1966, combinado com o art. 30, IX, da Lei n° 8.212, de 1991, bem como não ser admissível a responsabilização por solidariedade das contribuições devidas a terceiros, nos termos do art. 178, § 2°, da IN MPS/SRP n° 03, de 2005. 10.1. Apesar de narrar fatos que, em tese, configuram o suporte fático do art. 124, I, do CTN, a fiscalização não imputou responsabilidade solidária e não formalizou Termo de Sujeição Passiva Solidária em face de solidários, efetivando o lançamento tão somente contra a empresa Itálica. O Termo de Sujeição Passiva Solidária carreado com a impugnação de fls. 9.965/9.983 não é pertinente ao presente processo, mas ao processo n° 13884.720130/201509 (fls. 9.993/9.994). 10.2. Tendose por premissa que, desde a revogação do parágrafo único do art. 15 do Decreto n° 70.235, de 1972, a decisão de primeira instância administrativa não pode agravar a exigência inicial, converteuse o julgamento em diligência para que a autoridade lançadora fosse instada a exercer sua competência privativa de efetuar o lançamento por solidariedade. A autoridade lançadora, contudo, considerou não ser cabível tal lançamento, eis que, no seu entender, não haveria responsabilidade solidária em relação às contribuições destinadas a outras entidades ou fundos: (1) em face do disposto no art. 151, caput e inciso I do § 2°, da IN RFB n° 971, de 2009; (2) em razão de tais contribuições não serem abarcadas na redação do art. 30, IX da Lei n° 8.212, de 1991 (limita a solidariedade às contribuições da própria Lei n° 8.212, de 1991); e (3) por supostamente não serem tributos, mas Fl. 10595DF CARF MF Processo nº 13884.720131/201545 Acórdão n.º 2201004.589 S2C2T1 Fl. 10.596 38 contribuições privadas compulsórias, de natureza sui generis. Diante dessa situação, impõese o reconhecimento da existência de lide apenas em relação à empresa Itálica. 10.3. Logo, por falta de objeto, legitimidade e interesse (Lei n° 5.869, de 1973, art. 267, VI), voto por não conhecer da impugnação apresentada por Mar Jull Empreendimentos Imobiliários Ltda. 11. Impugnação de fls. fls. 9.585/9.594. Demonstrando conhecimento do Auto de Infração n° 51.067.5255, R&D Empreendimentos Imobiliários Ltda. apresenta impugnação, consubstanciada na petição de fls. 9.585/9.594, alegando, em apertada síntese, o não preenchimento do suporte fático e/ou a inconstitucionalidade/ilegalidade da imputação da responsabilidade solidária prevista não apenas do art. 124, II, da Lei n° 5.172, de 1966, combinado com o art. 30, IX, da Lei n° 8.212, de 1991, bem como não ser admissível a responsabilização por solidariedade das contribuições devidas a terceiros, nos termos do art. 178, § 2°, da IN MPS/SRP n° 03, de 2005. 11.1. Apesar de narrar fatos que, em tese, configuram o suporte fático do art. 124, I, do CTN, a fiscalização não imputou responsabilidade solidária e não formalizou Termo de Sujeição Passiva Solidária em face de solidários, efetivando o lançamento tão somente contra a empresa Itálica. 11.2. Tendose por premissa que, desde a revogação do parágrafo único do art. 15 do Decreto n° 70.235, de 1972, a decisão de primeira instância administrativa não pode agravar a exigência inicial, converteuse o julgamento em diligência para que a autoridade lançadora fosse instada a exercer sua competência privativa de efetuar o lançamento por solidariedade. A autoridade lançadora, contudo, considerou não ser cabível tal lançamento, eis que, no seu entender, não haveria responsabilidade solidária em relação às contribuições destinadas a outras entidades ou fundos: (1) em face do disposto no art. 151, caput e inciso I do § 2°, da IN RFB n° 971, de 2009; (2) em razão de tais contribuições não serem abarcadas na redação do art. 30, IX da Lei n° 8.212, de 1991 (limita a solidariedade às contribuições da própria Lei n° 8.212, de 1991); e (3) por supostamente não serem tributos, mas contribuições privadas compulsórias, de natureza sui generis. Diante dessa situação, impõese o reconhecimento da existência de lide apenas em relação à empresa Itálica. 11.3. Logo, por falta de objeto, legitimidade e interesse (Lei n° 5.869, de 1973, art. 267, VI), voto por não conhecer da impugnação apresentada por R&D Empreendimentos Imobiliários Ltda. 12. Impugnação de fls. 9.516/9.551 sócias. Demonstrando conhecimento do Auto de Infração n° 51.067.5255, Sofia Cristiane Baya Schaetzer e Guilhermina Ester Baya apresentaram impugnação conjunta, consubstanciada na petição Fl. 10596DF CARF MF Processo nº 13884.720131/201545 Acórdão n.º 2201004.589 S2C2T1 Fl. 10.597 39 de fls. 9.516/9.551, alegando, em apertada síntese, o não preenchimento do suporte fático e/ou a o não preenchimento do suporte fático e/ou a inconstitucionalidade/ilegalidade da imputação da responsabilidade solidária prevista não apenas do art. 124, II, da Lei n° 5.172, de 1966, combinado com o art. 30, IX, da Lei n° 8.212, de 1991, mas também dos arts. 124, I, e 135, III, da Lei n° 5.172, de 1966. 12.1. Apesar de narrar fatos que, em tese, configuram o suporte fático dos arts. 124, I, do CTN e art. 135, III, do CTN, a fiscalização não imputou responsabilidade solidária e não formalizou Termo de Sujeição Passiva Solidária em face de solidários, efetivando o lançamento tãosomente contra a empresa Itálica. O Termo de Sujeição Passiva Solidária carreado com a impugnação de fls. 9.516/9.551 não é pertinente ao presente processo, mas ao processo n° 13884.720130/2015 09 (fls. 9.562/9.563). 12.2. Tendose por premissa que, desde a revogação do parágrafo único do art. 15 do Decreto n° 70.235, de 1972, a decisão de primeira instância administrativa não pode agravar a exigência inicial, converteuse o julgamento em diligência para que a autoridade lançadora fosse instada a exercer sua competência privativa de efetuar o lançamento por solidariedade. A autoridade lançadora, contudo, considerou não ser cabível tal lançamento, eis que, no seu entender, não haveria responsabilidade solidária em relação às contribuições destinadas a outras entidades ou fundos: (1) em face do disposto no art. 151, caput e inciso I do § 2°, da IN RFB n° 971, de 2009; (2) em razão de tais contribuições não serem abarcadas na redação do art. 30, IX da Lei n° 8.212, de 1991 (limita a solidariedade às contribuições da própria Lei n° 8.212, de 1991); e (3) por supostamente não serem tributos, mas contribuições privadas compulsórias, de natureza sui generis. Diante dessa situação, impõese o reconhecimento da existência de lide apenas em relação à empresa Itálica. 12.3. Logo, por falta de objeto, legitimidade e interesse (Lei n° 5.869, de 1973, art. 267, VI), voto por não conhecer da impugnação apresentada por Sofia Cristiane Baya Schaetzer e Guilhermina Ester Baya. 13. Impugnação de fls. 9.516/9.551 empresa. Sofia Cristiane Baya Schaetzer e Guilhermina Ester Baya apresentaram conjuntamente defesa em nome próprio e em nome da empresa Itálica (fls. 9.516/9.551). A impugnação apresentada em nome da empresa é tempestiva, considerandose o protocolo em 27/02/2015 (fls. 9.516) e a cientificação em 28/01/2015 (fls. 03). Acrescentese que, apesar de as sócias Sofia Cristiane Baya Schaetzer e Guilhermina Ester Baya não presentarem a empresa ao tempo da impugnação (Lei n° 9.656, de 1998, art. 24D; Lei n° 6.024, de 1974, art. 50; e Resolução Normativa ANS n° 316, de 2012, arts. 20, II, e 26), a defesa foi ratificada pela administradora judicial da massa falida (fls. 10082/10088 e 10093/10097), nos termos do art. 662, parágrafo único, do Fl. 10597DF CARF MF Processo nº 13884.720131/201545 Acórdão n.º 2201004.589 S2C2T1 Fl. 10.598 40 Código Civil. Logo, tomo conhecimento da impugnação da empresa, veiculada na petição de fls. 9.516/9.551, estando suspensa a exigibilidade do crédito tributário por força do art. 151, III, do CTN. 14. Competência. A defesa alega que apenas a Justiça do Trabalho é competente para afastar as personalidades jurídicas das empresas envolvidas e os negócios jurídicos formalmente celebrados, bem como para reconhecer relação de emprego e segurado empregado. 14.1. A argumentação não prospera, eis que a própria jurisprudência do Tribunal Superior do Trabalho é pacífica no sentido de não ser Justiça do Trabalho a única competente para reconhecer a relação de emprego, sendo o AuditorFiscal do Trabalho competente para não somente constatar violações aos direitos trabalhistas, como inclusive para verificar a própria existência da relação de emprego, como podemos observar: RECURSO DE EMBARGOS EM RECURSO DE REVISTA. INTERPOSIÇÃO SOB A ÉGIDE DA LEI 11.496/2007. AÇÃO ANULATÓRIA DE AUTO DE INFRAÇÃO. TERCEIRIZAÇÃO ILÍCITA. VÍNCULO DE EMPREGO. INOBSERVÂNCIA DAS DISPOSIÇÕES CONTIDAS NO ART. 41 DA CLT. RECONHECIMENTO PELO FISCAL DO TRABALHO. INVASÃO DE COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA DO TRABALHO. INOCORRÊNCIA. 1. O Colegiado Turmário deu provimento ao recurso de revista da União, para "reconhecer a atribuição do fiscal do trabalho para declarar a existência de vínculo de emprego". Consignou que "não invade a esfera da competência da Justiça do Trabalho a declaração de existência de vínculo de emprego feita pelo auditor fiscal do trabalho, por ser sua atribuição verificar o cumprimento das normas trabalhistas, tendo essa declaração eficácia somente quanto ao empregador, não transcendendo os seu efeitos subjetivos para aproveitar, sob o ponto de vista processual, ao trabalhador. Assim, verificado pelo fiscal de trabalho que há relação de emprego entre a empresa tomadora de serviço e o trabalhador, não há óbice na cobrança do FGTS pela União, em razão de tal atribuição estar prevista no art. 23 da Lei 8.036/90". 2. Decisão embargada em consonância com a jurisprudência desta Corte Superior, firme no sentido de que o reconhecimento de eventual terceirização ilícita e da decorrente formação de vínculo de emprego com o tomador de serviços , para fins de lavratura de auto de infração em decorrência da inobservância das disposições contidas no art. 41 da CLT, é atribuição do Auditor Fiscal do Trabalho, nos moldes dos arts. 626 e 628 da CLT e 11 da Lei 10.592/2002, não havendo falar em invasão da competência da Justiça do Trabalho. Recurso de embargos conhecido e não provido. ( EEDRR 13114048.2005.5.03.0011 , Relator Ministro: Hugo Carlos Scheuermann, Data de Julgamento: 19/02/2015, Fl. 10598DF CARF MF Processo nº 13884.720131/201545 Acórdão n.º 2201004.589 S2C2T1 Fl. 10.599 41 Subseção I Especializada em Dissídios Individuais, Data de Publicação: DEJT 27/02/2015) RECURSO DE REVISTA. AÇÃO ANULATÓRIA. AUTO DE INFRAÇÃO. RECONHECIMENTO DE VÍNCULO DE EMPREGO POR AUDITOR FISCAL DO TRABALHO. APLICAÇÃO DE MULTA. INVASÃO DE COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA DO TRABALHO. NÃO CONFIGURAÇÃO. A Constituição Federal, em seu art. 21, XXIV, disciplina que compete à União, organizar, manter e executar a inspeção do trabalho, e o art. 14, XIX, c, da Lei n° 9.649/1998 determina que compete ao Ministério do Trabalho e Emprego a fiscalização do trabalho, bem como a aplicação das sanções previstas em normas legais ou coletivas. Por outro lado, conforme disciplinado pela Lei nº 10.593/2002, cabe ao auditor fiscal do trabalho assegurar a aplicação de dispositivos legais e regulamentares de natureza trabalhista. Por conseguinte, concluise que o agente de fiscalização é competente para identificar a existência de relação de emprego irregular e, constatandoa, aplicar as sanções legalmente cabíveis. Recurso de revista conhecido e provido. ( RR 16180098.2008.5.11.0010 , Relatora Ministra: Dora Maria da Costa, Data de Julgamento: 05/11/2014, 8ª Turma, Data de Publicação: DEJT 07/11/2014) 14.2. Nos termos do art. 33 da Lei n° 8.212, de 1991, na redação da Lei nº 11.941, de 2009, compete à Secretaria da Receita Federal do Brasil o planejamento, a execução, o acompanhamento e a avaliação das atividades relativas à tributação, fiscalização, arrecadação, cobrança e recolhimento das contribuições previdenciárias: Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos. 14.3. Incumbe à Receita Federal, portanto, a execução da atividade de fiscalização das contribuições em tela. Tal atividade envolve o dever de efetuar a constituição do crédito tributário por meio do lançamento, conforme disposto no art. 142 do Código Tributário Nacional: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Fl. 10599DF CARF MF Processo nº 13884.720131/201545 Acórdão n.º 2201004.589 S2C2T1 Fl. 10.600 42 Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. 14.3.1. A competência funcional para efetuar o lançamento é do Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, por força da Lei n° 10.593, de 2002, in verbis: Art. 6° São atribuições dos ocupantes do cargo de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil: (Redação dada pela Lei nº 11.457, de 2007) I no exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil e em caráter privativo: (Redação dada pela Lei nº 11.457, de 2007) a) constituir, mediante lançamento, o crédito tributário e de contribuições; (Redação dada pela Lei nº 11.457, de 2007) 14.4. Evidentemente, quando o legislador estabeleceu o dever de a autoridade fiscal efetuar o lançamento, teve como objetivo a identificação do verdadeiro fato gerador, a fim de determinar a real matéria tributável, prevalecendo a essência sobre a forma. Dessa forma, sempre que possível, a autoridade deve buscar a verdade material, em detrimento dos aspectos formais dos negócios e atos jurídicos praticados. 14.4.1. Nesse sentido, dispõe o Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 1999: Art. 229. O Instituto Nacional do Seguro Social é o órgão competente para: (...) §2º Se o Auditor Fiscal da Previdência Social constatar que o segurado contratado como contribuinte individual, trabalhador avulso, ou sob qualquer outra denominação, preenche as condições referidas no inciso I do caput do art. 9º, deverá desconsiderar o vínculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurado empregado. 14.4.2. Tanto é assim que a ocorrência de simulação está prevista como uma das hipóteses que ensejam o lançamento de ofício, conforme previsto no art. 149, VII, do Código Tributário Nacional CTN: Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: (...) VII quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em benefício daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação; 14.5. Diante desses dispositivos, aflora que o AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil é autoridade competente para lançar as contribuições sobre folha de pagamento e pertinentes multas por descumprimento de obrigação acessória, sob o fundamento Fl. 10600DF CARF MF Processo nº 13884.720131/201545 Acórdão n.º 2201004.589 S2C2T1 Fl. 10.601 43 de a prova colhida, no seu entender, ser suficiente para o exercício do poderdever de desconsiderar os vínculos formalmente pactuados em prol da efetiva relação jurídica consubstanciada no plano fático, podendo inclusive caracterizar a figura do segurado empregado. 14.6. No caso concreto, segundo a fiscalização, a prestação de serviços não se processou efetivamente entre pessoas jurídicas, agindo a pessoa física prestadora dos serviços como empregado da pessoa jurídica tomadora dos serviços, a caracterizar a relação de emprego e a figura do segurado empregado. 14.7. Portanto, colhendo provas da prestação de serviços por segurados empregados, o AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil exerceu o poderdever de efetuar o lançamento das contribuições que reputou devidas. A jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais respalda esse procedimento, como podemos observar: CONTRATAÇÃO DE PESSOA FÍSICA POR INTERPOSTA EMPRESA. OCORRÊNCIA DOS ELEMENTOS CARACTERIZADORES DA RELAÇÃO DE EMPREGO. EXIGÊNCIA DAS CONTRIBUIÇÕES SOBRE REMUNERAÇÃO PAGA A SEGURADO EMPREGADO. O fisco, ao constatar a ocorrência da relação empregatícia, dissimulada em contratação de pessoa jurídica, deve desconsiderar o vínculo pactuado e exigir as contribuições sociais sobre remuneração de segurado empregado. SERVIÇOS INTELECTUAIS. PRESENÇA DA RELAÇÃO DE EMPREGO. CARACTERIZAÇÃO COMO SEGURADO EMPREGADO. FATOS GERADORES OCORRIDOS APÓS O ADVENTO DO ART. 129 DA LEI N. 11.196/2005. POSSIBILIDADE. Mesmo após a entrada em vigor do art. 129 da Lei n. 11.196/2005, é possível ao fisco, desde que consiga comprovar a ocorrência da relação de emprego, caracterizar como empregado aquele trabalhador que presta serviço intelectuais com respaldo em contrato firmado entre pessoas jurídicas. (Processo n° 10680.722064/201178, Acórdão n° 2401003.146, de 13 agosto de 2013, 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária – 2ª Seção de Julgamento) NORMAS PROCEDIMENTAIS DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA. CARACTERIZAÇÃO SEGURADOS EMPREGADOS. POSSIBILIDADE. Constatandose a existência dos elementos constituintes da relação empregatícia entre o suposto “tomador de serviços” e o tido “prestador de serviços”, deverá o Auditor Fiscal desconsiderar a personalidade jurídica da empresa prestadora de serviços, enquadrando os trabalhadores desta última como segurados empregados da tomadora, com fulcro no artigo 229, § Fl. 10601DF CARF MF Processo nº 13884.720131/201545 Acórdão n.º 2201004.589 S2C2T1 Fl. 10.602 44 2º, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, c/c Pareceres/CJ nºs 330/1995 e 1652/1999. CARACTERIZAÇÃO DA RELAÇÃO DE EMPREGO. AFASTAMENTO DA NORMA PREVISTA NO ART. 129 DA LEI N° 11.196/2005. Tendo o fisco demonstrado a existência dos pressupostos da relação empregatícia entre sócio da empresa prestadora e a contratante, afastase a aplicação do art. 129 da Lei n° 11.196/2005, posto que esse dispositivo é destinado a regular a relação de prestação de serviço entre pessoas jurídicas. (Processo n° 12259.003336/200928, Acórdão n° 2401002.924, de 12 de março de 2013, 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária – 2ª Seção de Julgamento) CARACTERIZAÇÃO DE SEGURADO AUDITORIA FISCAL – COMPETÊNCIA. É atribuída à fiscalização a prerrogativa de, seja qual for a forma de contratação, desconsiderar o vinculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurados empregados, se constatar a ocorrência dos requisitos da relação de emprego. (Processo n° 10680.723239/201164, Acórdão n° 2402003.353, de 19 de fevereiro de 2013, 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária – 2ª Seção de Julgamento) 14.8. A jurisprudência não trabalhista também é pacífica no sentido de reconhecer a competência da fiscalização previdenciária, atualmente exercida pela Secretaria da Receita Federal do Brasil e pelo AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, para caracterizar trabalhador como segurado empregado, como podemos constatar: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INSS. FISCALIZAÇÃO DE EMPRESA. CONSTATAÇÃO DE EXISTÊNCIA DE VÍNCULO EMPREGATÍCIO NÃO DECLARADO. COMPETÊNCIA. AUTUAÇÃO. POSSIBILIDADE. VIOLAÇÃO AO ART. 535 DO CPC. INOCORRÊNCIA. I Não prospera a tese de suposta afronta ao art. 535 do CPC, eis que o Tribunal a quo ao apreciar a demanda manifestouse sobre todas as questões pertinentes à litis contestatio, fundamentando seu proceder de acordo com os fatos apresentados e com a interpretação dos regramentos legais que entendeu aplicáveis, demonstrando as razões de seu convencimento. II O INSS, "ao exercer a fiscalização acerca do efetivo recolhimento das contribuições por parte do contribuinte, possui o dever de investigar a relação laboral entre a empresa e as pessoas que a ela prestam serviços. Caso constate que a empresa Fl. 10602DF CARF MF Processo nº 13884.720131/201545 Acórdão n.º 2201004.589 S2C2T1 Fl. 10.603 45 erroneamente descaracteriza a relação empregatícia, a fiscalização deve proceder a autuação, a fim de que seja efetivada a arrecadação" (REsp nº 515.821/RJ, Rel. Min. FRANCIULLI NETTO, DJ de 25.04.2005). III Destaquese que remanesce hígida a competência da Justiça do Trabalho na chancela da existência ou não do aludido vínculo empregatício, na medida em que: "O juízo de valor do fiscal da previdência acerca de possível relação trabalhista omitida pela empresa, a bem da verdade, não é definitivo e poderá ser contestado, seja administrativamente, seja judicialmente" (REsp nº 575.086/PR, Rel. Min. CASTRO MEIRA, DJ de 30.03.2006). IV Recurso especial provido. (REsp 859.956/RJ, Rel. Ministro FRANCISCO FALCÃO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 10/10/2006, DJ 26/10/2006, p. 266) COMPETÊNCIA FISCALIZATÓRIA DO INSS. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. VÍNCULO EMPREGATÍCIO. RECONHECIMENTO. FIM TRIBUTÁRIO E NÃO TRABALHISTA. 1A jurisprudência consolidou o entendimento que, cumprindo as atribuições que lhe foram outorgadas pela lei, o INSS possui competência para, diante das situações fáticas encontradas pela fiscalização, caracterizar como empregatícias as relações mantidas entre a empresa e seus trabalhadores, para os fins de recolhimento de contribuições previdenciárias. Vide os seguintes julgados: RESP 200602188458, Humberto Martins, STJ Segunda Turma, 13/10/2008; AGRESP 200602279329, Francisco Falcão, STJ Primeira Turma, 12/04/2007; REsp 515821/RJ, Rel. Ministro Franciulli Neto, Segunda Turma, julgado em 14.12.2004, DJ 25.04.2005 p. 278). 2 (...). 7 Apelação improvida. (AC 201050010134130, Desembargador Federal LUIZ ANTONIO SOARES, TRF2 QUARTA TURMA ESPECIALIZADA, EDJF2R Data::02/09/2013.) TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ALEGADA NULIDADE DA NFLD. ENQUADRAMENTO DOS EMPREGADOS. ATRIBUIÇÃO. 1. Compete à autoridade fiscal verificar a ocorrência do fato gerador e efetuar o lançamento, conforme art142, do CTN66. 2. O fiscal previdenciário pode, diante dos fatos, considerar como " empregados " os trabalhadores que a empresa tratava como " autônomos ", não cabendo a alegação de invasão de competência da Justiça do Trabalho, a quem compete julgar dissídios entre empregadores e empregados ( art114, CF88 ). Fl. 10603DF CARF MF Processo nº 13884.720131/201545 Acórdão n.º 2201004.589 S2C2T1 Fl. 10.604 46 3. Apelação improvida. (TRF4, AMS 97.04.398891, Primeira Turma, Relator Fernando Quadros da Silva, publicado em 27/01/1999) 14.9. Afastase, destarte, a preliminar de incompetência do AuditorFiscal da Receita Federal para efetuar os lançamentos veiculados no Auto de Infração constante do presente processo. 15. Nulidade. A defesa sustenta a integral nulidade do auto de infração em razão de a fiscalização a partir de quatro ações trabalhistas ter presumido a existência de vínculo de emprego para centenas de cooperados e de não se ter excluído da base de cálculo valores abrangidos nas reclamatórias trabalhistas. 15.1. A fiscalização aponta que as cooperativas de trabalho Maxicoop Cooperativa de Trabalho dos Profissionais de Saúde e Maxicoop Cooperativa de Trabalho dos Profissionais de Infraestrutura Empresarial teriam sido utilizadas para intermediar mão de obra em realidade a serviço da Itálica mediante triangulação, bem como a intermediação de mão de obra via Manager Network Intermediações de Negócios Ltda e mediante quadrangulação com a Cooproserv Cooperativa de Trabalho de Profissionais em Prestação de Serviços. 15.2. As reclamatórias trabalhistas invocadas pela fiscalização são pertinentes a apenas três trabalhadores intermediados via Maxicoop Cooperativa de Trabalho dos Profissionais de Infraestrutura Empresarial e a um intermediado via Maxicoop Cooperativa de Trabalho dos Profissionais de Saúde. Contudo, tais reclamatórias evidenciam que as cooperativas caracterizavamse como intermediadoras ilícitas de mão de obra, sendo empregadas como artifício para ocultar a vinculação direta dos trabalhadores com a Itálica. Diante desse fato e dos demais elementos probatórios apresentados pela fiscalização, uma vez evidenciado que as cooperativas e a Manager Network eram meras intermediadoras de mão de obra, correta a conclusão de que todos os cooperados alocados na Itálica eram segurados empregados desta. 15.3. Não prospera o argumento de a fiscalização ter incluído na base de cálculo valores pertinentes às reclamatórias trabalhistas de cooperados, eis que a apuração se lastreou em valores pagos aos cooperados via cooperativa (Maxicoop Cooperativa de Trabalho dos Profissionais de Infraestrutura Empresarial e Maxicoop Cooperativa de Trabalho dos Profissionais de Saúde) e segundo Notas Fiscais (sem taxa de administração) ou aos valores pagos segundo GFIPs (Cooproserv Cooperativa de Trabalho de Profissionais em Prestação de Serviços via Manager Network Intermed. De Neg. S/C Ltda.). Os valores posteriormente pagos por força de reclamatória trabalhista devem ser executados na esfera da própria Justiça do Trabalho e, em tese, não devem envolver contribuições para terceiros (Constituição da República, art. 114). Além disso, a prova de Fl. 10604DF CARF MF Processo nº 13884.720131/201545 Acórdão n.º 2201004.589 S2C2T1 Fl. 10.605 47 fato impeditivo ao lançamento compete à impugnante (Código de Processo Civil, art. 333, II) e tal prova não foi apresentada. 16. Prova emprestada, fundamentação, caracterização do segurado empregado e sujeição passiva. Segundo a defesa, estando a empresa fechada, não mais seria possível a averiguação do elemento subordinação. 16.1. Em razão de a empresa Itálica não estar em operação durante o procedimento fiscal e de não exibir os documentos solicitados, a apuração dos fatos baseouse, conforme relata a fiscalização, em grande parte, além dos registros contábeis constantes do SPED, nos relatórios fiscais da fiscalização comandada pelo MPF 08128002010000324 e nos autos do processo administrativo da Direção Fiscal da ANS 33902.649944/201136, tendo em vista que, tanto a fiscalização anterior quanto a Direção Fiscal da ANS, ocorreram simultaneamente aos fatos descritos no Relatório. Além disso, as empresas terceirizadas foram intimadas a apresentar os contratos de prestação de serviços com a Itálica, as Notas Fiscais emitidas e o Livro Diário/Razão ou Livro Caixa, mas, como destaca a fiscalização, apenas a Somel e a Mar Jull responderam e de forma insatisfatória. 16.2. Nesse contexto fático de violação do dever de colaboração para com a fiscalização, não há como se questionar a validade e eficácia da utilização dos referidos documentos. Portanto, cabe ao impugnante contraditar a prova apresentada pela fiscalização com contraprova robusta e não apenas sustentar a inviabilidade da invocação da mesma por ofensa ao contraditório, eis que se assegura o contraditório e o pleno e amplo exercício do direito de defesa no presente processo administrativo fiscal. 16.3. A prova apresentada pela fiscalização evidencia que a prática executiva não correspondeu ao formalmente pactuado, devendo prevalecer a realidade provada por qualquer meio admitido em direito. 16.4. Portanto, o fato de a empresa não estar desenvolvendo suas atividades em razão da liquidação extrajudicial ou da falência não impede a produção de toda e qualquer prova em direito admitida tendente a caracterizar o vínculo direto de emprego em competência pretéritas. 16.5. As impugnantes argumentam que prova emprestada de processo da ANS, inquisitivo e de finalidade diversa, não teria validade e que as decisões nas reclamatórias trabalhistas se aplicariam apenas em relação aos trabalhadores envolvidos. Contudo, as provas apresentadas tendentes a demonstração do vínculo direto da mão de obra para com a Itálica não violam o contraditório e à ampla defesa e nem os limites objetivos e subjetivos da coisa julgada. 16.5.1. A prova extraída do processo da ANS é reveladora da situação fática encontrada pela Diretora Fiscal, sendo o Fl. 10605DF CARF MF Processo nº 13884.720131/201545 Acórdão n.º 2201004.589 S2C2T1 Fl. 10.606 48 contraditório e a ampla defesa assegurados no presente processo administrativo fiscal, a possibilitar que as impugnantes ataquem os elementos fáticos colhidos dos Relatórios da Direção Fiscal da ANS. 16.5.2. A fiscalização não invoca a norma jurídica individual resultante do julgamento das reclamatórias trabalhistas (sujeita a limites objetivos e subjetivos), mas os elementos fáticos apurados na instrução probatória das mesmas e revelados nos atos decisórios transcritos, cabendo às impugnantes apresentar contraprova tendente a demonstrar não ser a prática empresarial a utilização indiscriminada das cooperativas como meras intermediadoras ilegais de mão de obra. 16.6. O parágrafo único do art. 442 da CLT não se aplica, eis que pressupõe a atuação regular de uma sociedade cooperativa, o que não se verificou diante da prova colhida, não tendo a defesa produzido prova em sentido contrário. 16.7. A impugnação sustenta haver contradição entre o fato de a Itálica ter tido não mais de três empregados registrados e o gerenciamento de centenas de cooperados. No item 112, o Relatório Fiscal especifica os poucos trabalhadores registrados. No item 120, destacase do Relato da Diretora Fiscal da ANS que os cooperados eram gerenciados e supervisionados por outros cooperados ou cooperado/procurador/sócio de Pessoa Jurídica subcontratada, os quais decidiam quais seriam admitidos como cooperados ou excluídos dos quadros da cooperativa conforme as necessidades da Itálica, circunstância incompatível com uma sociedade cooperativa regular. 16.8. Como destaca a própria defesa, o relato da Diretora Fiscal descreve o cumprimento de jornada de trabalho rígida com intervalos para alimentação e repouso. Além disso, a fiscalização analisou a remuneração mensal dos trabalhadores intermediados via Maxicoop Cooperativa de Trabalho dos Profissionais de Infraestrutura Empresarial e constatou remuneração em valores aproximadamente constantes e que dos 373 trabalhadores a serviço da Itálica apenas sete trabalhariam para outros tomadores de serviço, sendo que nestes casos o tomador era um dos Hospitais integrantes da empresa única (Itálica e demais empresas ligadas) ou a empresa Manager Network Intermediações de Negócios Ltda, também intermediadora de mão de obra para a empresa única. 16.9. Conforme explicita o Relatório Fiscal, o contrato firmado com a cooperativa Maxicoop Cooperativa de Trabalho dos Profissionais de Infraestrutura Empresarial revela a terceirização de atividade fim da autuada e os Relatórios da ANS evidenciam de forma inequívoca o exercício de poder diretivo por parte da autuada, poder este inerente à relação de emprego, a caracterizar a figura do segurado empregado. Os demais elementos caracterizadores do segurado empregado também foram evidenciados pela fiscalização, não tendo a impugnação apresentado qualquer prova em sentido contrário. Fl. 10606DF CARF MF Processo nº 13884.720131/201545 Acórdão n.º 2201004.589 S2C2T1 Fl. 10.607 49 16.10. Em relação à Maxicoop Cooperativa de Trabalho dos Profissionais de Saúde, poderia se considerar que a prestação de trabalho não envolveria atividade meio e que, em última análise, seria prestada ao Hospital e Maternidade Jardins Ltda. Contudo, a imputação de se tratar de uma empresa única a englobar todas as empresas apontadas como empresas ligadas enseja a constatação desse contrato também envolver atividade fim e de inexistir vício de sujeição passiva ou violação ao art. 142 do CTN. 16.10.1. A impugnação não apresenta prova para afastar a constatação da Direção Fiscal da ANS de que o Sr. Carlos Martin Lora Garcia administrava efetivamente as empresas, inclusive comandando a atuação cotidiana de Orlando Márcio de Melo Campos Júnior e de Roseli Aparecida de Brito. A fiscalização demonstrou ainda que houve a formalização desse poder de administração por força das procurações de fls. 4914/4921 (Itálica), fls. 4929/4936 (Biovida ou Somel), fls. 4906/4913 (Italtac), fls. 4922/4928 (Rentalcap), fls. 4937/4946 (Ital), fls. 4958/4960 (Mar Jull), fls. 4950/4953 (Efra ou Aweti), fls. 4970/4972 (Consultec), fls. 5024/5025 (Hospital Jardins). Apenas em relação à empresa R&D não se localizou procuração para o Sr. Carlos Martin Lora Garcia. Em relação às empresas Biovida ou Somel, Italtac, Rentalcap, Ital, Efra ou Aweti e Consultec, os sócios que subscreviam essas procurações também outorgavam o poder de alterar o contrato social, inclusive transferindo cotas e recebendo quitação. Em relação à empresa Itálica, o poder de ceder e transferir pelo preço e condições que convencionar todas as quotas sociais, podendo assinar instrumento de alteração contratual e/ou distrato, receber preços e dar quitação foi outorgado de forma irrevogável e irretratável, nos termos do art. 1317, do Código Civil de 19162. 16.10.2. Acrescentese que Orlando Márcio de Melo Campos Júnior, formalmente cooperado e sócio da Efra ou Aweti outorgou procuração pertinente a essa empresa para o Sr. Carlos Martin Lora Garcia e recebeu procurações para atos de administração em conjunto com sócio administrador das empresas Itálica (fls. 5000/5002 e 5026/5028), Italtac (empresa de Roseli Aparecida de Brito; fls. 4973/4975 e 5003/5003), Rentalcap (fls. 4947/4949), Ital (fls. 4994/4999), Consultec (fls. 4964/4969) e substabelecimento em relação ao Hospital Jardins (fls. 5024/5025). Somese ainda que Roseli Aparecida de Brito sócia administradora da Italtac outorgou procurações pertinentes a essa empresa para Carlos Martin Lora Garcia e Orlando Márcio de Melo Campos Júnior e recebeu procurações para atos de administração em conjunto com outro procurador das empresas Ital (fls. 4994/4999), Consultec (fls. 4964/4969) e substabelecimento em relação ao Hospital Jardins (fls. 5024/5025). Portanto, aflora como inequívoca a unidade de comando dessas empresas, com o protagonismo do Sr. Carlos Martin Lora Garcia. 16.10.3. A Nota Fiscal apresentada não têm o condão de descaracterizar a constatação fiscal, efetivada a partir dos Fl. 10607DF CARF MF Processo nº 13884.720131/201545 Acórdão n.º 2201004.589 S2C2T1 Fl. 10.608 50 Relatórios da ANS, de fiscalização anterior e da contabilidade, de que as pessoas jurídicas em questão mantinham uma existência artificial e em simbiose forçada e confusão patrimonial (não se constituíam em empreendimentos autônomos, mas em facetas de uma única empresa), a fraudar, impedir e dificultar a aplicação da legislação tributária e previdenciária. 16.10.4. Portanto, diante dos elementos apresentados pela fiscalização e que se acolhe como representativas dos fatos efetivamente ocorridos, resta a constatação fiscal de que existiu apenas uma única empresa enquanto centro de organização dos fatores de produção. 16.11. Exemplificando a partir de Simone Alves da Cruz, a fiscalização evidenciou que 165 trabalhadores da Maxicoop foram transferidos para a Cooproserv e intermediados via Manager, permanecendo a trabalhar em condições inerentes a de emprego. A fraude é evidente, em especial quando se registra na contabilidade os pagamentos para Manager Network na conta “Honorários de Consultoria”, eis que formalmente não se trata de consultoria e muito menos no plano dos fatos efetivamente ocorridos, como bem demonstrou a fiscalização. 16.12. Não houve presunção. No contexto dos autos, é irrelevante a não apresentação pela fiscalização de provas da caracterização do vínculo de emprego direto trabalhador a trabalhador, eis que os fundamentos e as provas apresentadas têm o condão de abarcar o conjunto da mão de obra intermediada e o lançamento não versa sobre contribuições dos segurados empregados, mas sobre a contribuição da empresa, cuja base de cálculo consiste no total das remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados. De qualquer forma, a fiscalização especificou os trabalhadores envolvidos nas planilhas Anexas, tendo indicado a fonte documental no Relatório Fiscal. 16.13. Não se configurou um mero empreendimento fracassado, como já demonstrado. O fator de produção trabalho foi quase que integralmente terceirizado ou quarteirizado, eis que a empresa no período do débito teve apenas três empregadas: Cleuza Maria Lima (auxiliar administrativa, de 05/2009 a 02/2013), Tatiana Forster Figueira (auxiliar administrativa, de 05/2009 a 10/2010) e Carolina Couceiro Alves Bassola (advogada, de 11/2010 a 05/2011). Assim, prosseguindo em prática empresarial ilegal já detectada na fiscalização anterior, a empresa continuou a se utilizar de mão de obra irregularmente intermediada via cooperativas de trabalho (terceirização) ou irregularmente intermediada via empresa intermediadora de cooperativa de trabalho (quarteirização). 16.13.1. Ponderese que o Supremo Tribunal Federal (STF) ainda não se pronunciou quanto à delimitação das hipóteses de terceirização diante do que se compreende por atividadefim, tema ainda a ser discutido no Recurso Extraordinário com Fl. 10608DF CARF MF Processo nº 13884.720131/201545 Acórdão n.º 2201004.589 S2C2T1 Fl. 10.609 51 Agravo (ARE) 713211, com repercussão geral reconhecida pelo Plenário Virtual do STF. De qualquer forma, a jurisprudência cristalizada na Súmula n° 331 do TST não afronta a Constituição da República, estando lastreada nos princípios constitucionais da dignidade da pessoa humana (Constituição da República, art. 1°, III) e da valorização social do trabalho (Constituição da República, art. 1°, IV, e 170, caput) e no primeiro princípio da Declaração de Filadélfia (Constituição da Organização Internacional do Trabalho), ratificada conforme Decreto de Promulgação n° 25.696, de 20 de outubro de 1948 (Constituição da República, art. 5°, § 2°). 16.14. A prova carreada aos autos pela fiscalização é suficiente para comprovar a subordinação jurídica, havendo nítida subordinação estrutural ou integrativa, como destaca a doutrina e assevera a jurisprudência: De acordo com Maurício Godinho “estrutural é, pois, a subordinação que se manifesta pela inserção do trabalhador na dinâmica do tomador de seus serviços, independentemente de receber (ou não) suas ordens diretas, mas acolhendo, estruturalmente, sua dinâmica de organização e funcionamento.” Em outras palavras, toda vez que o empregado executar serviços essenciais à atividadefim da empresa, isto é, que se inserem na sua atividade econômica, ele terá uma subordinação estrutural ou integrativa, já que integra o processo produtivo e a dinâmica estrutural de funcionamento da empresa ou do tomador e serviços. Esse argumento tem sido utilizado para afastar o óbice imposto pela parte final da Súmula n° 331, III, do TST e, consequentemente impedir as terceirizações ilícitas ou irregulares, deixando o liame empregatício se formar com o tomador dos serviços. (Direito do Trabalho. Vólia Bomfim Cassar. 7ª ed. rev. e atual. – Rio de Janeiro: Forense; São Paulo: Método, 2012. p. 252) AGRAVO DE INSTRUMENTO EM RECURSO DE REVISTA. 1. NEGATIVA DE PRESTAÇÃO JURISDICIONAL. (...). Logo, não configurada negativa de prestação jurisdicional. Agravo de instrumento desprovido. 2. JULGAMENTO EXTRA PETITA. (...). 3. VÍNCULO DE EMPREGO. SUBORDINAÇÃO ESTRUTURAL. A hipótese é de terceirização ilícita, nos moldes do item I da Súmula nº 331, situação na qual, em face da presença da chamada subordinação estrutural, reconhecese o vínculo de emprego com o tomador dos serviços. Pacífico, aliás, esse entendimento no âmbito desta Corte. Violação ao art. 3º da CLT não configurada. 4. MULTA DO ART. 477 DA CLT. (...). Agravo de instrumento desprovido. (AIRR 15820076.2011.5.21.0013 , Relator Ministro: Arnaldo Boson Paes, Data de Julgamento: 24/09/2014, 7ª Turma do Tribunal Superior do Trabalho, Data de Publicação: DEJT 26/09/2014) Fl. 10609DF CARF MF Processo nº 13884.720131/201545 Acórdão n.º 2201004.589 S2C2T1 Fl. 10.610 52 I AGRAVO DE INSTRUMENTO. PROVIMENTO. TERCEIRIZAÇÃO ILÍCITA. TRABALHO EM ATIVIDADEFIM. SUBORDINAÇÃO ESTRUTURAL. VÍNCULO DE EMPREGO. CONFIGURAÇÃO. Diante de potencial contrariedade à Súmula 331, I, do TST, merece processamento o recurso de revista. Agravo de instrumento conhecido e provido. II RECURSO DE REVISTA. TERCEIRIZAÇÃO ILÍCITA. TRABALHO EM ATIVIDADEFIM. SUBORDINAÇÃO ESTRUTURAL. VÍNCULO DE EMPREGO. CONFIGURAÇÃO. 1. Resultado de bemvinda evolução jurisprudencial, o Tribunal Superior do Trabalho editou a Súmula 331, que veda a contratação de trabalhadores por empresa interposta, formandose o vínculo diretamente com o tomador dos serviços, ressalvados os casos de trabalho temporário, vigilância, conservação e limpeza, bem como de serviços especializados ligados à atividademeio do tomador, desde que inexistente a pessoalidade e a subordinação direta (itens I e III). 2. O verbete delimita, exaustivamente, os casos em que se tolera terceirização em atividadefim. 3. A vida contemporânea já não aceita o conceito monolítico de subordinação jurídica, calcado na submissão do empregado à direta influência do poder diretivo patronal. Com efeito, aderem ao instituto a visão objetiva, caracterizada pelo atrelamento do trabalhador ao escopo empresarial, e a dimensão estrutural, pela qual há a inserção do trabalhador na dinâmica do tomador de serviços (Mauricio Godinho Delgado). 4. O Regional revela que as tarefas desenvolvidas pela autora se enquadram na atividadefim do tomador de serviços. 5. Impositiva a incidência da compreensão da Súmula 331, I, do TST. Recurso de revista conhecido e provido. (RR 17390052.2007.5.02.0081 , Relator Ministro: Alberto Luiz Bresciani de Fontan Pereira, Data de Julgamento: 24/09/2014, 3ª Turma do Tribunal Superior do Trabalho, Data de Publicação: DEJT 26/09/2014) 16.14.1. A defesa não apresentou qualquer prova para demonstrar que a prática executiva da prestação de serviços se deu de forma autônoma. Logo, deve prevalecer a realidade dos fatos provada pela fiscalização. 16.15. Os valores a serem executados na Justiça do Trabalho em razão de reclamatórias trabalhistas não devem ser considerados na apuração dos valores lançados, logo não se pode imputar a falta de consideração de tais valores no lançamento. Além disso, a Justiça do Trabalho é incompetente para executar contribuições para terceiros, previstas no art. 149 da Constituição (Constituição da República, art. 114). De qualquer forma, a defesa não demonstrou que os mesmos tenham sido indevidamente incluídos no lançamento. 16.16. Aflora, destarte, a execução pela mão de obra de atividadefim da Itálica e em condições incompatíveis com o trabalho a ser exercido por um cooperado e como a própria Fl. 10610DF CARF MF Processo nº 13884.720131/201545 Acórdão n.º 2201004.589 S2C2T1 Fl. 10.611 53 definição de cooperado, a atrair a caracterização do trabalho assalariado, sendo cabível, no caso concreto, a conclusão de que a prática da empresa era de se utilizar das cooperativas e da Manager Network como meros intermediadoras de mão de obra e num contexto de fraude generalizada, ou seja, que não se limitava apenas às relações laborais e previdenciárias, como bem demonstrou a prova apresentada pela fiscalização. 17. Parcelas indenizatórias ou não habituais. Em relação aos pagamentos efetuados diretamente aos cooperados (Anexo II), a defesa questiona a inclusão na base de cálculo de valores pagos a título de gratificação de assiduidade, férias gozadas e horas extras por terem natureza indenizatória ou por não serem pagas com habitualidade. 17.1. A gratificação enquanto prêmio vinculado à assiduidade no desempenho da atividade laboral do empregado caracterizase como gratificação ajustada (Consolidação das Leis do Trabalho, art. 457, § 1°), a remunerar o trabalho com pontualidade. O fato de só ser percebida se restar configurada a assiduidade não lhe atribui caráter de ganho eventual, mas de salário condicionado. 17.2. Sobre as férias gozadas há incidência de contribuição, eis que se constituem em verbas de natureza salarial, devidas durante hipóteses de interrupção remunerada do contrato de emprego, por força do disposto no art. 4° da Consolidação das Leis do Trabalho – CLT. 17.2.1. Segundo essa norma, considerase como de serviço efetivo o período à disposição, aguardando ou executando ordens. Mas, além disso, também deve ser considerado como serviço efetivo, a atrair a contrapartida da retribuição característica ao trabalho assalariado, o período para o qual houver disposição especial expressamente consignada em dispositivo legal ou contratual (constante em contrato individual ou convenção ou acordo coletivo) ou, ainda, por disposição constante de sentença normativa. 17.2.2. Destarte, o art. 4° da CLT explicita a teoria do salário como contraprestação do trabalho e do tempo à disposição, mas temperada pela teoria da contraprestação do contrato, daí a previsão de exceções em que situações equivalentes são consideradas como serviço efetivo desde que expressamente consignadas em disposição especial de norma heterônoma (lei ou sentença normativa) ou norma autônoma (contrato individual de trabalho, convenção ou acordo coletivo). 17.2.3. O fato de o empregado estar afastado não retira a natureza salarial do pagamento efetuado em razão do contrato de emprego, não o exclui da folha de salários, eis que a natureza salarial não está vinculada diretamente à prestação de serviços, mas ao conjunto de obrigações assumidas na relação jurídica de emprego, quando houver disposição expressa no contrato, na lei, na sentença normativa ou em norma coletiva. Fl. 10611DF CARF MF Processo nº 13884.720131/201545 Acórdão n.º 2201004.589 S2C2T1 Fl. 10.612 54 17.2.4. Diante da natureza salarial atribuída a essa verba no direito trabalhista, a legislação previdenciária e a legislação pertinente às contribuições para terceiros (cuja base de cálculo é a mesma das contribuições previdenciárias) reconhecem a natureza tributável dessa verba. 17.3. Os valores pagos a título de horas extras integram a remuneração paga, devida ou creditada aos segurados empregados, sendo esta a dicção expressa do art. 7°, XVI, da Constituição da República. A integração na base de cálculo das contribuições sobre folha de pagamento está explicitada na Solução de Consulta Vinculante: Solução de Consulta Cosit n° 103, de 07/04/20143 (Publicado(a) no DOU de 22/04/2014, seção 1, pág. 23) ASSUNTO: Contribuições Sociais Previdenciárias. EMENTA: BASE DE CÁLCULO. HORAS EXTRAS. INCIDÊNCIA. A remuneração de horas extras integra a base de cálculo da contribuição social previdenciária. DISPOSITIVOS LEGAIS: Constituição da República de 1988, art. 7º, XVI; e Lei nº 8.212, de 1991, arts. 20, 22, inc. I e § 2º, e 28, inc. I e § 9º. 17.4. O Regimento Interno do CARF não se aplica à primeira instância administrativa e, em especial, o art. 62A, eis que a jurisprudência do STF ou do STJ para vincular o presente colegiado deve estar amparada por ato da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional nos termos do § 5° do art. 19 da Lei n° 10.522, de 2002, na redação da Lei n° 12.844, de 2013; não sendo esse o caso dos autos. 17.5. Diante do exposto, impõese o reconhecimento de que as verbas em tela integram a base de cálculo das contribuições lançadas. 18. Autônomos e sócios. A defesa sustenta não ser cabível a constituição de contribuições para terceiros a partir de valores pagos a contribuintes individuais. No Relatório Fiscal, especificase que o Auto de Infração n° 51.067.5255 envolve apenas três levantamentos: 18.1. O Discriminativo do Débito, contudo, revela que o crédito constituído decorre de quatro levantamentos: CL – PGTO CONTRIB INDIV PJ (01/2010 a 12/2011), CM – Fl. 10612DF CARF MF Processo nº 13884.720131/201545 Acórdão n.º 2201004.589 S2C2T1 Fl. 10.613 55 EMPREGADOS POR MEIO DE COOP (01/2010 a 12/2012), CP – PAGTOS DIRETOS A COOP (01/2010 a 12/2011), e PJ – PAGTOS EMPREGADOS PJ (05/2010 a 12/2011). 18.2. Os levantamentos CM, CP e PJ versam sobre valores considerados pela fiscalização como pagamentos a segurados empregados. O levantamento CL, contudo, envolve valores considerados pela fiscalização como pagamentos efetivados ao Sr. Carlos Martin Lora Garcia enquanto contribuinte individual, conforme podemos observar: Fl. 10613DF CARF MF Processo nº 13884.720131/201545 Acórdão n.º 2201004.589 S2C2T1 Fl. 10.614 56 Fl. 10614DF CARF MF Processo nº 13884.720131/201545 Acórdão n.º 2201004.589 S2C2T1 Fl. 10.615 57 Relatório Fiscal, fls. 98/99 153. Os valores pagos por meio das pessoas jurídicas estão relacionados abaixo e foram considerados como base de cálculo da contribuição previdenciária da forma especificada para cada caso: Fl. 10615DF CARF MF Processo nº 13884.720131/201545 Acórdão n.º 2201004.589 S2C2T1 Fl. 10.616 58 18.3. Diante disso, impõese o reconhecimento da inclusão na base de cálculo de valores não pertinentes às contribuições destinadas ao FNDE, INCRA, SENAC, SESC e SEBRAE, em face da legislação especificada nos Fundamentos Legais do Débito, fls. 19/20. 18.4. Em relação à alegação de tributação de despesas de viagens reembolsadas às sócias Guilhermina Éster Baya e Sofia Cristiane Baya Shaetzer, especificadas no item 139 do Relatório Fiscal (fls. 92/95), devemos ponderar que tal base de cálculo não integra o presente AI n° 51.067.5255 (processo 13896.720131/201545), sendo pertinente ao processo 13896.720130/201509 (Levantamento SO PGTOS A SÓCIOS {01/2010 a 12/2011} do AI n° 51.064.7120), conforme ressalva do próprio título do tópico “E) Contribuintes Individuais prestadores de serviços (13896.720130/201509)” do Relatório Fiscal, fls. 92. 16.5. Indeferese o pedido de diligência, eis que os elementos constantes dos autos são suficientes para se efetivar a retificação do lançamento mediante a exclusão dos valores pertinentes ao contribuinte individual Carlos Martin Lora Garcia (Levantamento CL – PGTO CONTRIB INDIV PJ 01/2010 a 12/2011), a seguir especificados: Fl. 10616DF CARF MF Processo nº 13884.720131/201545 Acórdão n.º 2201004.589 S2C2T1 Fl. 10.617 59 19. Multa. Antes da liquidação extrajudicial, a empresa fora intimada e reintimada a apresentar documentos e esclarecimentos (fls. 599 e seguintes). Contudo, não foram apresentados. Quando da liquidação, a liquidante também não pode cumprir as intimações, tendo descrito a seguinte situação na empresa (fls. 727/748): 3 Pois bem. Em que pese o requisitado no Termo de Intimação Fiscal, a Liquidante, em representação à exOperadora, informa que, por ocasião alheia à sua vontade não tem meios suficientes para cumprir o exarado na Intimação. 4 Isso porque, a Liquidante assumiu a função para a qual foi designada em 10 de setembro de 2013, com a publicação no Diário Oficial da União DOU. Na ocasião, a exOperadora encontravase em desmobilização operacional, em que todas as suas filiais estavam com as atividades encerradas e não havia em sua sede quaisquer documentos, livros ou outros apontamentos que pudessem ser usados como subsídios para prestar as informações solicitadas pela Receita Federal do Brasil RFB. 5 Como é possível verificar pelo Termo de Arrecadação de Bens, datado de 11 de setembro de 2013 (anexo), os objetos encontrados na sede e na filial localizada na Rua Barão de Itapetininga, n° 151, 5o andar, conjunto 52/53, Praça de República, São PauloSP, CEP 06404000 são em número limitado e se restringem a bens tangíveis, assim, diante mão, informase que eles não têm o condão para que se possam extrair as informações pedidas. 19.1. Portanto, não há como se negar a presença de dolo e nem a caracterização da sonegação em face da fraude empreendida pelo conjunto das empresas ligadas, estando corretos o agravamento e a qualificação da multa de ofício. 19.2. Por fim, o regramento legal pertinente às multas foi aplicado, não podendo ser afastado sob a alegação de ofensa ao Fl. 10617DF CARF MF Processo nº 13884.720131/201545 Acórdão n.º 2201004.589 S2C2T1 Fl. 10.618 60 princípio constitucional do não confisco, eis que a presente Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba é incompetente para, sponte propria, declarar a inconstitucionalidade de lei (Decreto n° 70.235, de 1972, art 26 A). 20. Solidariedade. Segundo a defesa, não teriam sido comprovados os requisitos do art. 135, III, do CTN para fundamentar a imputação da responsabilidade solidária às sócias Guilhermina Éster Baya e Sofia Cristiane Baya Shaetzer. Afastase, de plano, a suposta inconsistência do lançamento, eis que a fiscalização não imputou qualquer responsabilidade solidária. 21. Isso posto, voto por conhecer apenas a impugnação da empresa Itálica Saúde Ltda, atualmente Massa Falida, e por julgála procedente em parte, cancelando o crédito tributário de R$ 265.274,53, incluído nesse montante os respectivos juros e multas, consolidado em 27/01/2015, pertinente ao levantamento CL – PGTO CONTRIB INDIV PJ 01/2010 a 12/2011), mantendose integralmente o crédito tributário relativo aos demais levantamentos constantes do AI n° 51.067.5255. Conclusão 09 Assim, face a tudo o quanto exposto nego provimento ao Recurso Voluntário, bem como nos termos do faculdade garantida ao julgador pelo § 3º do Art. 57 do Regimento Interno do CARF, proponho que a decisão recorrida seja mantida pelos seus próprios fundamentos. (assinado digitalmente) Marcelo Milton da Silva Risso Declaração de Voto Conselheiro Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim De acordo com o Relatório Fiscal de fls. 23/102, mediante a Resolução Operacional nº 1.073, publicada em 05/09/2011, a ANS instaurou o Regime de Direção Fiscal na RECORRENTE (uma certa intervenção em suas operações), em razão das “anormalidades econômicofinanceiras e administrativas graves” verificadas em procedimento administrativo próprio. Ante a persistência de tal situação, em 12/09/2012 a ANS determinou que a Fl. 10618DF CARF MF Processo nº 13884.720131/201545 Acórdão n.º 2201004.589 S2C2T1 Fl. 10.619 61 RECORRENTE promovesse a alienação de sua carteira e suspendeu a comercialização de seus planos e produtos (Resolução Operacional nº 1.265). Finalmente, a liquidação extrajudicial da RECORRENTE foi decretada através da Resolução Operacional nº 1.514 da ANS, publicada em 10/09/2013, tendo sido nomeada como liquidante a Sra. Edna Maria Tonolli, substituída em 14/05/2014 pelo Sr. José Carlos Marani. Ainda de acordo com o Relatório Fiscal, o procedimento fiscal instaurado em face da RECORRENTE decorre do MPF nº 0812800.2013.00013, emitido em 05/02/2013. Sendo que, ante a constatação da liquidação extrajudicial, a partir de 10/09/2013 as intimações foram dirigidas ao liquidante nomeado pela ANS. Consta à do Relatório Fiscal (fl. 100) a motivação do agravamento da multa: XVII. DO AGRAVAMENTO DA MULTA 159. A falta de apresentação da documentação solicitada pelas intimações fiscais e de qualquer esclarecimento sobre a razão do não atendimento, motivou o agravamento da multa em 50%, conforme §2º, incisos I e II, do artigo 44 da Lei 9.430/96. Transcrevo abaixo o mencionado dispositivo legal que trata da multa agravada: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (...) § 2º Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1º deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: I prestar esclarecimentos; II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991;” Em quadro constante no item V do Relatório Fiscal (fls. 29/31), a autoridade lançadora expõe todas as intimações e solicitações de documentos enviados à RECORRENTE. Notase que boa parte das intimações foi encaminhada em data anterior à decretação da liquidação extrajudicial. Sendo que as intimações anteriores a 10/09/2013 (data da liquidação extrajudicial) não tiveram resposta. As posteriores, em sua maioria não foram cumpridas pelos liquidantes nomeados pela ANS, sob a alegação de falta de acesso aos livros e documentos da empresa, conforme resposta dada, em duas ocasiões distintas, uma pela liquidante Edna Maria Tonolli, em 21/02/2014 e outra em 30/10/2014 pelo liquidante José Carlos Marani (trechos das alegações dos liquidantes à fl. 32). Sendo assim, no que diz respeito às intimações posteriores à decretação da liquidação extrajudicial, entendo que a alegação prestada pelos liquidantes, de que não tiveram acesso aos documentos, é um reflexo da situação de “anormalidades econômicofinanceiras e Fl. 10619DF CARF MF Processo nº 13884.720131/201545 Acórdão n.º 2201004.589 S2C2T1 Fl. 10.620 62 administrativas graves” relatadas pela ANS e que culminaram na intervenção e posterior liquidação extrajudicial na RECORRENTE, não podendo lhes ser atribuída a obrigação de apresentar o que não dispõe, não se caracterizando tal fato como embaraço à fiscalização. Por outro lado, quanto às intimações anteriores à data da liquidação extrajudicial, a autoridade fiscal relata que o Termo de Início de Procedimento Fiscal foi enviado em 21/02/2013 para o endereço da RECORRENTE, tendo o envelope retornado sem que a contribuinte fosse localizada. Somente mediante o Termo de Intimação para Comparecimento das sócias da RECORRENTE é que o Sr. Orlando Marcio de Melo Campos Junior (procurador das sócias) compareceu à DRF em Barueri e tomou ciência da emissão do Termo de Início de Procedimento Fiscal para apresentação dos livros contábeis e outros documentos em 20 dias. O procurador informou, também, que o endereço da RECORRENTE foi alterado, eis que foi orientado para atualizar o endereço no cadastro do CNPJ. Contudo, passado o prazo, não foi atendida a intimação para apresentação de livros contábeis e demais documentos solicitados, além de não ter sido alterado o endereço da RECORRENTE no sistema da RFB. Em razão da não localização da contribuinte em seu endereço, a mesma foi declarada INAPTA por meio do Ato Declaratório Executivo nº 17/DRF Barueri, de 13/05/2013, tendo retornada à situação de ATIVA em 27/06/2013 depois de alterar o endereço (mesmo fornecido pelo Procurador das sócias em 19/03/2013). Mesmo assim, a autoridade fiscal relatou que as intimações enviadas ao novo endereço foram devolvidas pelos Correios, ora com a informação no AR de “desconhecido”, ora com a constatação de que a contribuinte “mudouse”. Sendo assim, entendo correta a manutenção do agravamento da multa em 50%, uma vez que o procurador das sócias da RECORRENTE foi pessoalmente intimado do Termo de Início de Procedimento Fiscal para apresentação dos livros contábeis e outros documentos, sendo que deixou de cumprir tal solicitação. Ademais, o mesmo procurador informou, pessoalmente, que o endereço da RECORRENTE teria sido alterado, porém não atendeu à orientação da autoridade fiscal para atualizar o endereço no cadastro do CNPJ. Somente meses depois é que o endereço da RECORRENTE foi alterado no sistema da RFB, no entanto este novo endereço (que foi o mesmo fornecido pessoalmente pelo procurador das sócias) também não se mostrou o correto na medida que as intimações para ele enviadas foram devolvidas pelos Correios. O acima exposto pode ser enquadrado como embaraço à fiscalização, ensejando oi agravamento da multa nos termos do art. 44, §2º, da Lei n 9.430/96. Numa análise superficial, este Conselheiro acreditou que toda a documentação teria sido solicitada após a decretação da liquidação extrajudicial, em 10/09/2013, momento em que a RECORRENTE estava sob o controle de liquidante nomeado pela ANS e que, portanto, s.m.j, não deveria incidir a multa agravada do art. 44, §2º, pelo simples fato de que não teria sido a empresa (ou seus dirigentes diretamente interessados) que deixou de atender à intimação da fiscalização. Até porque o CTN prevê a responsabilidade pessoal dos os administradores de bens de terceiros pelos créditos tributários resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, conforme art. 134, III, c/c o art. 135, I: “Art. 134. (...) Fl. 10620DF CARF MF Processo nº 13884.720131/201545 Acórdão n.º 2201004.589 S2C2T1 Fl. 10.621 63 III os administradores de bens de terceiros, pelos tributos devidos por estes; (...) Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I as pessoas referidas no artigo anterior;” Por tal motivo, foi solicitada vistas dos autos. Contudo, conforme exposto, este não é o caso dos autos, uma vez que antes da decretação da liquidação extrajudicial, a contribuinte já havia causado embaraço à fiscalização, pois não apresentou os documentos solicitados inicialmente, não promoveu à mudança de seu endereço no cadastro do CNPJ e, quando o fez, informou endereço para o qual as correspondências enviadas eram devolvidas pelos Correios. Portanto, correto o agravamento da multa. (assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Fl. 10621DF CARF MF
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Numero do processo: 13896.721843/2011-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jul 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2007
NULIDADE. LANÇAMENTO.
Estando devidamente circunstanciado no lançamento fiscal as razões de fato e de direito que o amparam, e não verificado cerceamento de defesa, não há motivação para se decretar sua nulidade.
ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA 2 DO CARF. APLICAÇÃO.
De conformidade com a Súmula CARF nº 2, este Colegiado não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
ATRASO NA ENTREGA DO DACON. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CONFIGURAÇÃO. SÚMULA N° 49 DO CARF.
Conforme a Súmula n° 49 do CARF, a denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração.
DACON MENSAL. ATRASO NA ENTREGA DO DEMONSTRATIVO . MULTA. OPÇÃO. ERRO DE FATO. INOCORRÊNCIA.
Inexistente a comprovação de erro de fato na apresentação do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais - DACON, e ausente a prova de inexigibilidade da apresentação mensal, cabível a aplicação da multa pelo descumprimento do prazo de entrega da obrigação acessória.
Numero da decisão: 3201-003.939
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, em negar provimento ao Recurso.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Vinicius Toledo de Andrade - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: LEONARDO VINICIUS TOLEDO DE ANDRADE
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2007 NULIDADE. LANÇAMENTO. Estando devidamente circunstanciado no lançamento fiscal as razões de fato e de direito que o amparam, e não verificado cerceamento de defesa, não há motivação para se decretar sua nulidade. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA 2 DO CARF. APLICAÇÃO. De conformidade com a Súmula CARF nº 2, este Colegiado não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. ATRASO NA ENTREGA DO DACON. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CONFIGURAÇÃO. SÚMULA N° 49 DO CARF. Conforme a Súmula n° 49 do CARF, a denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. DACON MENSAL. ATRASO NA ENTREGA DO DEMONSTRATIVO . MULTA. OPÇÃO. ERRO DE FATO. INOCORRÊNCIA. Inexistente a comprovação de erro de fato na apresentação do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais - DACON, e ausente a prova de inexigibilidade da apresentação mensal, cabível a aplicação da multa pelo descumprimento do prazo de entrega da obrigação acessória.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, em negar provimento ao Recurso. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Vinicius Toledo de Andrade - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
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LANÇAMENTO. Estando devidamente circunstanciado no lançamento fiscal as razões de fato e de direito que o amparam, e não verificado cerceamento de defesa, não há motivação para se decretar sua nulidade. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA 2 DO CARF. APLICAÇÃO. De conformidade com a Súmula CARF nº 2, este Colegiado não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. ATRASO NA ENTREGA DO DACON. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CONFIGURAÇÃO. SÚMULA N° 49 DO CARF. Conforme a Súmula n° 49 do CARF, “a denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração”. DACON MENSAL. ATRASO NA ENTREGA DO DEMONSTRATIVO . MULTA. OPÇÃO. ERRO DE FATO. INOCORRÊNCIA. Inexistente a comprovação de erro de fato na apresentação do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais DACON, e ausente a prova de inexigibilidade da apresentação mensal, cabível a aplicação da multa pelo descumprimento do prazo de entrega da obrigação acessória. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, em negar provimento ao Recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 72 18 43 /2 01 1- 19 Fl. 79DF CARF MF Processo nº 13896.721843/201119 Acórdão n.º 3201003.939 S3C2T1 Fl. 80 2 (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Vinicius Toledo de Andrade Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório Por retratar com fidelidade os fatos, adoto, com os devidos acréscimos, o relatório produzido em primeira instância, o qual está consignado nos seguintes termos: " Versa o presente processo sobre Auto de Infração, relativo ao anocalendário de 2007, mês de dezembro, donde se extrai a exigência do pagamento de multa por falta de entrega do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais DACON, no valor de R$ 12.782,53. Inconformado com a exigência, o Contribuinte impugnou o lançamento, sob a alegação, em breve síntese, de que a fundamentação legal da autuação traz inserta legislação revogada, e que o Agente Fiscal “não fora objetivo” na capitulação legal, o que dificulta o exercício da defesa, ferindo seu pleno exercício. No mérito, assinala que a apresentação intempestiva do DACON não trouxe prejuízo ao erário, e que o atraso na entrega implica mero erro formal. Assinala ter entregue DACON semestral quando o correto seria a entrega mensal. Percebido o equívoco, buscou o cancelamento do DACON semestral e apresentou o demonstrativo mensal. Salienta que a multa é desproporcional e que sua imposição se traduz em violação à legalidade. Ademais, assinala que o DACON foi entregue espontaneamente. Apresenta jurisprudência e afirma que, nos termos do art. 138, do CTN, a denúncia espontânea da infração exclui a responsabilidade. Busca a declaração de nulidade ou o cancelamento da autuação." A impugnação apresentada foi julgada improcedente, no julgamento de primeira instância, nos termos do Acórdão DRJ/CPS 0537.958, de 22 de maio de 2012, decisão proferida pelos membros da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campinas, cuja ementa dispõe, verbis: "ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Fl. 80DF CARF MF Processo nº 13896.721843/201119 Acórdão n.º 3201003.939 S3C2T1 Fl. 81 3 Anocalendário: 2007 DACON. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. Sendo inaplicável o instituto da denúncia espontânea previsto no CTN quanto às obrigações acessórias, mantémse a multa por atraso na entrega da declaração. MULTA PELA ENTREGA EM ATRASO DE DEMONSTRATIVO. Inexiste CERCEAMENTO do direito de defesa quando o auto de infração indica claramente os fatos e motivos da imposição de penalidade, e a prática infratora administrativa, e o contribuinte bem se defende da infração tributária descrita na autuação. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. Restando caracterizada a entrega em atraso do demonstrativo é devida a exigência de multa pelo descumprimento da obrigação acessória. Argüições de ilegalidade e inconstitucionalidade. Não compete à autoridade administrativa a apreciação de constitucionalidade e legalidade das normas tributárias, cabendolhe observar a legislação em vigor. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO A vedação ao confisco previsto na Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a lei nos moldes que o poder competente a instituiu. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido" O recurso voluntário foi interposto de forma hábil e tempestiva, em que a recorrente, em breve síntese, aduz: (i) nulidade da autuação por falta de objetividade na capitulação legal, o que fere o art. 5º, inc. LV da Constituição Federal; (ii) inexistência de prejuízo ao erário, pois a obrigação principal foi adimplida; (iii) o suposto atraso na entrega da DACON implica em mero erro formal; (iv) a DACON originalmente entregue foi a semestral, quando o correto seria a mensal; (v) a Receita Federal do Brasil informou que a correção seria feita através de malha fiscal através do cancelamento da DACON enviada equivocadamente, já que a IN SRF nº 590, de 22 de dezembro de 2005 expressamente vedava tal mudança; Fl. 81DF CARF MF Processo nº 13896.721843/201119 Acórdão n.º 3201003.939 S3C2T1 Fl. 82 4 (vi) para que a recorrente pudesse alterar e entregar a DACON mensal, mesmo em atraso se fazia necessário o cancelamento pela Receita Federal do Brasil da DACON semestral anteriormente entregue e que tal procedimento seria feito em malha fiscal por parte da Receita Federal do Brasil; (vii) através do processo 13896.002369/201041 foi solicitado o cancelamento da DACON; (viii) a multa aplicada viola os princípios da razoabilidade; capacidade contributiva e estrita legalidade; e (ix) no caso tem aplicação o instituto da denúncia espontânea. É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Relator No que tange a nulidade arguida por falta de objetividade na capitulação legal do lançamento, entendo que não está configurada. O presente processo preenche todos os requisitos de validade, estando instruído corretamente, não havendo que se falar em cerceamento do direito de defesa. As situações passíveis de nulidade estão elencadas no art. 59 do Decreto n° 70.235/72, in verbis: "Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa." As informações necessárias para a formalização do Auto de Infração constam do art. 10 do Decreto nº 70.235/72. "Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; Fl. 82DF CARF MF Processo nº 13896.721843/201119 Acórdão n.º 3201003.939 S3C2T1 Fl. 83 5 VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula." O Auto de Infração contém todas as informações imprescindíveis a constituição do lançamento, estando identificados (i) o fato gerador, (ii) a base legal para exigência fiscal e (iii) o valor apurado da multa exigida. Ainda, entendo que estão cumpridos os requisitos do art. 142 do Código Tributário Nacional CTN, a seguir transcrito: "Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional." No caso dos autos não se vislumbra qualquer das hipóteses ensejadoras da decretação de nulidade do lançamento consignadas nos citados dispositivos que regem a matéria, havendo sido todos os atos do procedimento lavrados por autoridade competente, bem como, não se vislumbra qualquer prejuízo ao direito de defesa do contribuinte. Com efeito, o contribuinte tem que apresentar sua defesa dos fatos retratados na autuação, pois ali estão de forma pormenorizadamente descritos, de forma clara e precisa, estando evidenciado no presente caso que não houve nenhum prejuízo à defesa. Corrobora tal fato que a recorrente apresentou Impugnação e Recurso com alegações de mérito o que demonstra que teve pleno conhecimento de todos os fatos e aspectos inerentes ao lançamento com condições de elaborar as peças impugnatória e recursal. Da decisão recorrida destaco: "Doutro lado, a autuação trouxe todos os elementos do tipo infracional tributário, como indicação da espécie de demonstrativo não apresentado, prazo final de entrega, data da efetiva apresentação, metodologia de cálculo da penalidade, descrição dos fatos e fundamentação legal.. Portanto, não cabe alegação de cerceamento de defesa, pela impossibilidade de entendimento da autuação. Ao contrário, o AI descreve os fatos e fundamentos, demonstrando regularidade formal do lançamento, na forma do Decreto 70.235/72. Além do mais, observase que o Impugnante bem se defendeu da autuação, de forma a demonstrar que a defesa não fora cerceada. Afastada, então, a alegação de cerceamento de defesa." Fl. 83DF CARF MF Processo nº 13896.721843/201119 Acórdão n.º 3201003.939 S3C2T1 Fl. 84 6 A jurisprudência administrativa assim entende: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Período de apuração: 08/05/2009 a 31/08/2009 NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. Não há que se cogitar de nulidade quando o auto de infração preenche os requisitos legais, o processo administrativo proporciona plenas condições à interessada de contestar o lançamento e inexiste qualquer indício de violação às determinações contidas no CTN ou Decreto 70.235, de 1972. (...)" (Processo 10950.723159/201343; Acórdão 3301003.872; Relator Conselheiro ;LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS; Sessão de 27/06/2017) "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/11/2003 a 31/10/2007 NULIDADE CERCEAMENTO DE DEFESA HIGIDEZ DO LANÇAMENTO FISCAL INOCORRÊNCIA Não se verifica cerceamento do direito de defesa diante da constatação da higidez do lançamento fiscal, cumpridor dos requisitos legais exigidos para a sua validade, que identifica claramente os fatos geradores e sua origem, as contribuições devidas e os períodos a que se referem, reportando a apuração da base de cálculo. Se as cópias dos documentos que fundamentaram o lançamento foram entregues pelo contribuinte, não é imperioso que estas estejam necessariamente acostadas nos autos do processo administrativo, pois o próprio contribuinte as detém e, assim, lhe conferem condições de averiguação da higidez do lançamento fiscal, o que não causa prejuízo ao contraditório e ao seu direito de defesa. (...)" (Processo 10803.000156/200864; Acórdão 2201003.657; Relator Conselheiro MARCELO MILTON DA SILVA RISSO; Sessão de 06/06/2017). Diante do exposto, entendo não estar configurada nenhuma nulidade apta a resultar no refazimento do processo administrativo fiscal ou no seu cancelamento, razão pela qual não acolho a preliminar arguida. Em relação as alegações de inconstitucionalidade tecidas pela recorrente em sua peça recursal, as afasto em razão da incompetência deste Colegiado para decidir sobre a constitucionalidade da legislação tributária. A matéria é objeto da Súmula CARF nº 2, publicada no DOU de 22/12/2009 a seguir ementada: “Súmula CARF nº 2 Fl. 84DF CARF MF Processo nº 13896.721843/201119 Acórdão n.º 3201003.939 S3C2T1 Fl. 85 7 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária” Assim, sendo referida súmula de aplicação obrigatória por este colegiado, maiores digressões sobre a matéria são desnecessárias. No que tange ao mérito da questão, referese à caracterização, ou não, do instituto da denúncia espontânea previsto no art. 138 do Código Tributário Nacional CTN, na hipótese de falta de entrega do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais DACON. Tal matéria está pacificada no âmbito do CARF, nos termos do estatuído pela Súmula n° 49: "Súmula CARF n° 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração." Tal posição tem sido adotada pelo Poder Judiciário, conforme se depreende dos seguintes precedentes do Superior Tribunal de Justiça: "TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. MULTA ADMINISTRATIVA. APREENSÃO DE EQUIPAMENTO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. IMPOSSIBILIDADE. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULA 211/STJ. . 1. A indicada afronta do art. 208, § 2º, da Lei 7.661/1945 não deve ser analisada, pois o Tribunal de origem não emitiu juízo de valor sobre esse dispositivo legal. O Superior Tribunal de Justiça entende ser inviável o conhecimento do Recurso Especial quando os artigos tidos por violados não foram apreciados pelo Tribunal a quo, a despeito da oposição de Embargos de Declaração, haja vista a ausência do requisito do prequestionamento. Incide, na espécie, a Súmula 211/STJ. 2. O STJ possui entendimento de que a denúncia espontânea não tem o condão de afastar multa administrativa pela apreensão de equipamento não autorizado, pois os efeitos do art. 138 do CTN não se estendem às obrigações acessórias autônomas. Precedente: AgRg no REsp 1.466.966/RS, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, DJe 11/5/2015. 3. Recurso Especial parcialmente conhecido e, nessa parte, provido." (REsp 1618348/MG, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 20/09/2016, REPDJe 01/12/2016, DJe 10/10/2016) "TRIBUTÁRIO. MULTA MORATÓRIA. ART. 138 DO CTN. ENTREGA EM ATRASO DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. Fl. 85DF CARF MF Processo nº 13896.721843/201119 Acórdão n.º 3201003.939 S3C2T1 Fl. 86 8 1. A denúncia espontânea não tem o condão de afastar a multa decorrente do atraso na entrega da declaração de rendimentos, uma vez que os efeitos do artigo 138 do CTN não se estendem às obrigações acessórias autônomas. Precedentes. 2. Agravo regimental não provido." (AgRg no AREsp 11.340/SC, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 13/09/2011, DJe 27/09/2011) Em tal sentido, colacionase, ainda, o seguinte julgado da Câmara Superior de Recursos Fiscais: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Anocalendário: 2002, 2003, 2004 ATRASO NA ENTREGA DA DIFPAPEL IMUNE. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CONFIGURAÇÃO. SÚMULA N° 49 DO CARF. Conforme a súmula n° 49 do CARF, “a denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração”. Recurso especial a que se dá provimento. DIFPAPEL IMUNE. MULTA. ADVENTO DA LEI N° 11495/2009. APLICAÇÃO DO ARTIGO 106, INCISO II, C, DO CTN. Com fundamento no artigo 106, inciso II, “c”, retroage lei que ameniza penalidade. No caso, a Lei n° 11.945/2009, abrandou a penalidade prevista no artigo 57 da MP n° 215835/ 2001, para a hipótese de atraso na entrega da DIFPapel Imune. Recurso Especial do Procurador Provido." (Processo 19615.000157/200558; Acórdão 9303002.100; Relatora Conselheira Susy Gomes Hoffmann) Neste contexto, não há margem para interpretação diversa sobre a não caracterização da denúncia espontânea na hipótese versada nos autos. Com relação aos demais argumentos expendidos pela recorrente, em especial de que o suposto atraso na entrega do DACON implica em mero erro formal e que o DACON originalmente entregue foi o semestral, quando o correto seria o mensal e que solicitou o cancelamento do DACON equivocadamente enviado, melhor sorte não socorre a recorrente. Conforme expressamente confessado pela própria recorrente, estava sujeita à apresentação do DACON mensal e não ao semestral. Da peça recursal, consta expressamente: "A peculiaridade no caso em questão é que a DACON originariamente entregue foi a semestral, quando o correto seria mensal." Fl. 86DF CARF MF Processo nº 13896.721843/201119 Acórdão n.º 3201003.939 S3C2T1 Fl. 87 9 Ora, tal circunstância não pode ser caracterizada como mero erro formal, pois se a recorrente deveria ter cumprido a obrigação acessória em periodicidade mensal, não se pode admitir que a entrega semestral, ou seja, em período superior supriu tal irregularidade. Reportome ao contido na decisão recorrida: "É fato que o DACON deveria ter sido entregue de forma mensal. O próprio Impugnante traz a afirmação na defesa. Também é fato que o demonstrativo fora entregue a destempo. Segundo consta dos autos, a falta da apresentação foi percebida em outubro de 2010, mas somente em 16/05/2011 fora encaminhado o demonstrativo. Desta forma, não há que se falar em erro, ainda mais se considerada a clareza das disposições normativas no caso concreto e o lapso temporal entre a entrega e o prazo determinado no normativo. A alegação relativa a que o DACON semestral fora entregue não exime a prática infratora, já que a periodicidade era clara no normativo. O argumento relativo ao impedimento no encaminhamento do demonstrativo ante a demora no cancelamento do DACON semestral também não pode ser aceito como excludente de responsabilidade pela prática infratora, seja pelo fato de que o pedido não se deu em 2007 mas em 26/10/2010, anos após expirado o prazo da apresentação do DACON mensal, seja ante a ausência de mínimos elementos probatórios nos autos (considerando o ônus da prova do Impugnante), seja em razão da aplicação do art. 136, do CTN." Sobre a matéria, assim tem decidido o CARF: "ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2009 MULTA ATRASO DACON. DACON MENSAL. Inexistente a comprovação de erro de fato na apresentação de DACON Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais, e ausente a prova de inexigibilidade da apresentação mensal, não é possível elidir a multa pelo descumprimento do prazo de entrega." (Processo nº 11543.001117/201070; Acórdão nº 1803001.972; Relator Conselheiro Walter Adolfo Maresch; sessão de 07/11/2013) "ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/03/2001 a 30/06/2001 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA DACON ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. A previsão da entrega da DACON (obrigação acessória), bem como o esclarecimento dos procedimentos que devem ser Fl. 87DF CARF MF Processo nº 13896.721843/201119 Acórdão n.º 3201003.939 S3C2T1 Fl. 88 10 adotados pelos contribuintes estão claros nos termos das Instruções Normativas nº 1.015/10 e nº 974/09, desta forma e inexistindo qualquer justificativa para a apresentação das declarações em atraso (como, por exemplo, a inviabilidade do sistema da Receita Federal para recebimento da declaração), deve ser mantida a penalidade. Recurso Voluntário Negado." (Processo nº 10242.000354/201045; Acórdão nº 3302001.771; Relatora Conselheira Fabíola Cassiano Keramidas; sessão de 22/08/2012) "ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/07/2008 a 31/07/2008 DACON MENSAL. ATRASO NA ENTREGA DO DEMONSTRATIVO . MULTA. OPÇÃO. ERRO DE FATO. NÃO COMPROVAÇÃO. A opção pela entrega mensal do Dacon é definitiva e irretratável para todo o anocalendário que contiver o período correspondente ao demonstrativo apresentado. Recurso Voluntário Negado" (Processo nº 10580.720288/2009 59; Acórdão nº 3302001.967; Relatora Conselheira Fabíola Cassiano Keramidas; sessão de 27/02/2013) Diante do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário interposto. (assinado digitalmente) Leonardo Vinicius Toledo de Andrade Fl. 88DF CARF MF
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Numero do processo: 10480.900029/2008-57
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 09 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1401-000.576
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem faça uma análise mais aprofundada sobre o alegado direito creditório, realizando as verificações requeridas no voto condutor desta Resolução.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Livia De Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem faça uma análise mais aprofundada sobre o alegado direito creditório, realizando as verificações requeridas no voto condutor desta Resolução. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Livia De Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão proferida pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Recife (DRJ/REC), que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela empresa. Conforme consta no relatório constante no acórdão da DRJ, a interessada acima qualificada apresentou Declaração de Compensação – DCOMP, por meio da qual compensou crédito de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL com débito de sua RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 04 80 .9 00 02 9/ 20 08 -5 7 Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10480.900029/200857 Resolução nº 1401000.576 S1C4T1 Fl. 3 2 responsabilidade. O crédito informado, no valor de R$ 7.303,19, seria decorrente de pagamento indevido ou a maior da contribuição apurada no 2º trimestre do anocalendário 1999. Através do despacho emitido eletronicamente, a Delegacia da Receita Federal no Recife – DRF/Recife identificou integral utilização anterior do pagamento para quitação de débito do IRPJ, em face do que não homologou a compensação declarada. A interessada apresentou manifestação de inconformidade, alegando, em síntese, que retificou sua Declaração de Informações DIPJ para demonstrar os créditos, porém não retificou a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF ajustando os débitos. Argúi que a falha nesse procedimento não invalida a existência dos créditos, já que houve pagamento a maior, e que não há norma que exija a necessidade de retificação da DCTF para que o Fisco aceite a existência dos créditos. Requereu, ao final, a homologação da compensação. A DRJ, por meio do Acórdão 1130.640, de 04 de agosto de 2010, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela empresa, conforme a seguinte ementa: "Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 1999 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. A certeza e a liquidez dos créditos são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. UTILIZAÇÃO INTEGRAL. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. Mantémse o despacho decisório que não homologou a compensação quando constatado que o recolhimento indicado como fonte de crédito foi integralmente utilizado na quitação de débito confessado em DCTF. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido" Cientificada da decisão da DRJ na data de 02/05/2011, e não satisfeita com a decisão da delegacia de piso, apresentou recurso voluntário em 11/05/2011, repetindo os argumentos apresentados na impugnação. No CARF, coube a mim a relatoria do processo. É o relatório. Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10480.900029/200857 Resolução nº 1401000.576 S1C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 1401 000.570, de 16/05/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10480.900013/200844, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 1401000.570): "O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Não obstante o posicionamento da delegacia de julgamento, entendo que há relevantes indícios de que a recorrente possui o crédito pleiteado. Na DIPJ retificadora, que foi entregue antes do procedimento fiscal, a empresa informou o recolhimento de tributos e apuração de saldo negativo no final do anocalendário. Esta retificação se deveu em razão da falta de informação sobre imposto de renda retido na fonte e também sobre o valor de 1/3 da Cofins que teria sido utilizado para compensar a CSLL a pagar. Assim, em busca da verdade material, supero as razões da DRJ para analisar o crédito ora pleiteado. Com relação ao IRPJ, a empresa alega que possui créditos que tiveram origem em imposto de renda retido na fonte. Alega que a receita federal poderia verificar em sua base de dados que os valores foram efetivamente recolhidos. Junta uma planilha que informa os créditos decorrentes do IRRF e anexa notasfiscais de sua emissão no período abrangido pelo crédito pleiteado. Na análise das notasfiscais de serviços prestados pela recorrente, não vejo retenção na fonte sobre o imposto de renda incidente sobre a operação. Entretanto, na planilha que trata do valor do IR na fonte, do período de apuração alcançado pelo pedido de compensação que ora se discute, há, por exemplo, informação de retenção de IR por instituições financeiras e seguradoras. Quanto à análise do crédito da CSLL, o direito à compensação da CSLL com o pagamento de 1/3 da Cofins surgiu em decorrência do aumento da alíquota da Cofins, a partir do anocalendário de 1999, veja a redação da Lei 9.718/1998: Art. 8º Fica elevada para três por cento a alíquota da COFINS. Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10480.900029/200857 Resolução nº 1401000.576 S1C4T1 Fl. 5 4 § 1° A pessoa jurídica poderá compensar, com a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL devida em cada período de apuração trimestral ou anual, até um terço da COFINS efetivamente paga, calculada de conformidade com este artigo. § 2° A compensação referida no § 1°: I somente será admitida em relação à COFINS correspondente a mês compreendido no período de apuração da CSLL a ser compensada, limitada ao valor desta; II no caso de pessoas jurídicas tributadas pelo regime de lucro real anual, poderá ser efetuada com a CSLL determinada na forma dos arts. 28 a 30 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. § 3º Da aplicação do disposto neste artigo, não decorrerá, em nenhuma hipótese, saldo de COFINS ou CSLL a restituir ou a compensar com o devido em períodos de apuração subseqüentes. § 4º A parcela da COFINS compensada na forma deste artigo não será dedutível para fins de determinação do lucro real. Na DIPJ retificadora, há informações sobre Cofins a pagar durante o período abrangido pelo crédito de CSLL pleiteado. Ou seja, há fortes indícios do direito creditório da recorrente. Por outro lado, é de perceber que o caso ainda requer uma análise mais aprofundada sobre o suposto direito creditório. E esta análise deve ser feita pela autoridade fiscal, pois dispõe dos instrumentos necessários para tal mister. Diante disso, partindo da premissa de que a falta de retificação da DCTF não pode impedir a análise do direito creditório da ora recorrente, sugiro baixar o processo em diligência para que a Unidade de Origem verifique o que segue: 1) Verificar se o valor de IRRF utilizado para apuração do IRPJ no período em questão consta na DIRF ou, caso não conste, intimar a empresa a apresentar os Informes de Rendimentos ou outro documento comprobatório que comprovem o valor de IRRF. 2) Confirmar a tributação do valor dos rendimentos sujeitos à retenção de IR na fonte. Observo que a recorrente informou na DIPJ retificadora que apurou os tributos em seguimento ao regime de caixa. Logo, smj, há de haver coincidência temporal entre o reconhecimento da tributação e a retenção do IRRF. 3) Confirmar o pagamento de 1/3 da Cofins. 4) Verificar se o valor de 1/3 da Cofins, utilizado para quitar a CSLL devida, corresponde somente ao período objeto de restituição. 5) Se possível, verificar se efetivamente a recorrente optou por compensar 1/3 da Cofins com a CSLL do período. Fl. 88DF CARF MF Processo nº 10480.900029/200857 Resolução nº 1401000.576 S1C4T1 Fl. 6 5 6) Concluída a diligência, preparar Informação Fiscal com o resultado da diligência, que necessariamente deverá conter o crédito que poderá ser compensado, intimando a empresa para que se manifeste sobre o teor da Informação Fiscal, caso queira, no prazo de 30 (trinta) dias contados da ciência da intimação, nos termos do art. 44 da Lei nº 9.784/1999. 7) Após, favor retornar este processo ao CARF para seguimento de seu julgamento. É como voto! Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47 do RICARF, voto por converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 89DF CARF MF
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Numero do processo: 23034.024664/2001-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/07/1996 a 31/12/1998
.CONTRIBUIÇÕES PARA TERCEIROS. CONVÊNIO. FNDE. SALÁRIO-EDUCAÇÃO. RECOLHIMENTOS. IRREGULARIDADES. DEDUÇÃO INDEVIDA. LANÇAMENTO. NOTIFICAÇÃO DE DÉBITO. PROCEDÊNCIA. PRODUÇÃO DE PROVAS. PRECLUSÃO.
É procedente o lançamento consignado em Notificação de Recolhimento de Débito concernente à dedução indevida, especificamente quanto à ausência de informação junto ao Programa RAI, com fulcro em irregularidades verificadas nos recolhimentos referentes ao Salário-Educação, quando o contribuinte, devidamente cientificado, não apresenta conjunto probatório suficiente a ilidir a exação, e, ao contrário, colaciona provas não relacionadas ao objeto do lançamento.
A impugnação deve mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual.
Numero da decisão: 2402-006.290
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
Luís Henrique Dias Lima - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Gregório Rechmann Junior e Renata Toratti Cassini.
Nome do relator: LUIS HENRIQUE DIAS LIMA
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CONVÊNIO. FNDE. SALÁRIO EDUCAÇÃO. RECOLHIMENTOS. IRREGULARIDADES. DEDUÇÃO INDEVIDA. LANÇAMENTO. NOTIFICAÇÃO DE DÉBITO. PROCEDÊNCIA. PRODUÇÃO DE PROVAS. PRECLUSÃO. É procedente o lançamento consignado em Notificação de Recolhimento de Débito concernente à dedução indevida, especificamente quanto à ausência de informação junto ao Programa RAI, com fulcro em irregularidades verificadas nos recolhimentos referentes ao SalárioEducação, quando o contribuinte, devidamente cientificado, não apresenta conjunto probatório suficiente a ilidir a exação, e, ao contrário, colaciona provas não relacionadas ao objeto do lançamento. A impugnação deve mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 23 03 4. 02 46 64 /2 00 1- 61 Fl. 127DF CARF MF Processo nº 23034.024664/200161 Acórdão n.º 2402006.290 S2C4T2 Fl. 102 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Gregório Rechmann Junior e Renata Toratti Cassini. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário de efls. 59/61 em face de decisão do Ilmo. Sr. Presidente do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) efls. 35/36 que julgou pelo deferimento parcial da defesa apresentada pelo contribuinte em epígrafe (efls. 15/16), mantendo, destarte, o crédito tributário referente ao não recolhimento do salário educação consignado na Notificação para Recolhimento de Débito (NRD) n. 623/2001 data de 16/07/2001 no valor total de R$ 12.448,89 (efls. 11/13), com fulcro em irregularidades verificadas nos recolhimentos referentes ao SalárioEducação especificamente quanto à ausência de indicação de alunos indenizados no Programa RAI relativas às competências 12/1996; 06/1997; 12/1997; e 12/1998. A Recorrente foi cientificada da Notificação para Recolhimento de Débito (NRD) n. 623/2001 (efls. 11/13) em 20/07/2001 (efl. 14) e apresentou defesa em 07/08/2001 (efls. 15/16), solicitando a suspensão da cobrança. O FNDE exarou decisão pelo deferimento parcial (efls. 35/36), oportunidade em que destaca que, quando da apresentação da defesa de efls. 15/16, a Recorrente enviou arquivo contendo informação parcial pertinente ao 2°. semestre/1996, não havendo qualquer manifestação pertinente aos demais semestres consignados na NRD n. 623/2001 (efls. 11/13), incorrendo, destarte, redução do valor do débito referente apenas à competência 12/1996. A Recorrente apresentou, em face da decisão do Ilmo. Sr. Presidente do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) efls. 35/36, o Recurso Voluntário de efls. 59/61 desacompanhado de qualquer documento comprobatório alegando em síntese que "não apresentou defesa com os fundamentos e documentos comprobatórios de sua regularidade para com o FNDE, tendo apenas prestado esclarecimentos sobre aspectos desconsiderados pelo FNDE, que, diante de tais esclarecimentos, poderia e deveria ter realizado nova fiscalização." Ao fim e ao cabo, a Recorrente requer que se converta a decisão de efls. 35/36 em diligência determinando que se proceda uma nova fiscalização, para que a Recorrente, através dos meios físicos apresente a comprovação da exigência ou não dos débitos levantados por esse FNDE. Não há registro nos autos da ciência da Recorrente do teor da decisão de efls. 35/36. Sem contrarrazões. É o relatório. Voto Fl. 128DF CARF MF Processo nº 23034.024664/200161 Acórdão n.º 2402006.290 S2C4T2 Fl. 103 3 Conselheiro Luís Henrique Dias Lima Relator. Conforme já informado, não há registro nos autos da efetiva ciência da Recorrente do teor da decisão do Ilmo. Sr. Presidente do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) efls. 35/36 que deferiu parcialmente a defesa de efls. 15/16. Todavia, verificas que a data da postagem do Ofício n. 2397/2004/SETAD/CGEARC/DIROF/FNDE/MEC, que informou o resultado da defesa, é de 13/12/2004 (efl. 50), enquanto que o Recurso Voluntário (efls. 59/61) é assinado com data de 12/01/2005. Considerandose a situação limite de que a ciência da Recorrente tenha ocorrido em 14/12/2004 (primeiro dia útil seguinte à postagem) e que a recepção do Recurso Voluntário (efls. 59/61) tenha ocorrido exatamente na data da assinatura (12/01/2005), terse ia decorrido exatos 30 (trinta) dias desde a suposta ciência, o que implicaria a tempestividade da retrocitada peça recursal, nos termos do art. 33 do Decreto n. 70.235/72 e alterações posteriores. Por sua vez, entendo que, ausente prova cabal de ciência da Recorrente da decisão passível de Recurso Voluntário, bem assim igualmente ausente prova de recepção, pela autoridade competente, do Recurso Voluntário, é de se admitir o conhecimento deste último, em observância aos princípios constitucionais da ampla defesa e do contraditório (art. 5°., inciso LV, da CF/88). Portanto, CONHEÇO do Recurso Voluntário de efls. 59/61. No mérito, a Recorrente limitase a afirmar que não apresentou defesa em face da NRD n. 623/2001 (efls. 11/13), mas sim meros esclarecimentos com a finalidade de sanar as divergências que entendia existir entre os dados constantes de seus arquivos, os quais foram enviado por meio eletrônico, e os dados obtidos pelo FNDE. Nessa perspectiva, entende que o FNDE deveria ter realizado nova fiscalização para que a Recorrente pudesse, enfim, apresentasse a comprovação da existência ou não dos débitos ora em litígio. Nem mesmo o deferimento parcial da defesa de efls. 15/16, com a redução do valor do débito referente à competência 12/96, foi suficiente para a resignação da Recorrente. A decisão de efls. 35/36 assim se pronuncia, verbis: Informamos que o Serviço de Cadastro acusou o recebimento de arquivo contendo informação parcial pertinente ao 2° semestre/96, conforme fls. 26 e 27, não havendo qualquer manifestação pertinente aos demais semestres, ora notificados. Desse modo, esclarecemos que o valor do débito referente à competência 12/96 foi reduzido, conforme Demonstrativo de Divergência fls. 24 e 25. ' Registramos que de fato, a empresa enviou os arquivos dos semestres, 2°/99 ao 2°/03, no entanto, as competências da presente NRD se referem aos semestres 2°/96, 1°/97, 2°/97 e 2°/98. Fl. 129DF CARF MF Processo nº 23034.024664/200161 Acórdão n.º 2402006.290 S2C4T2 Fl. 104 4 Diante do exposto, sugerimos o DEFERIMENTO PARCIAL DA DEFESA esclarecendo que, conforme Quadro de Atualização de Débito, fl. 33, o débito importa em R$ 7.162,13 (sete mil, cento e sessenta e dois reais e treze centavos). [...](grifei) Da narrativa anotada na decisão recorrida, resta evidenciado que a Recorrente, quando da apresentação da impugnação de efls. 15/16, não colacionou aos autos todo o conjunto probatório bastante a enfrentar a NRD n. 623/2001 (efls. 11/13). Ao contrário, encaminhou elementos de prova, consubstanciados em arquivos eletrônicos, referentes a semestres (2°/99 a 2°/03) estranhos às competências objeto da NRD n. 623/2001 (efls. 11/13). Ocorre que, nos termos do art. 16, III, do Decreto n. 70.235/72, a impugnação deve mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. Mais adiante, o § 4°. do mesmo dispositivo legal retrocitado informa que a prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, observandose que as exceções destacadas nas alíneas "a" a "c" do referido parágrafo não se aplicam ao caso concreto. Isto posto, verificase que da ausência de produção de provas no âmbito do Recurso Voluntário de efls. 59/61 hábeis a ilidir a NRD n. 623/2001 (efls. 11/13), decorre a preclusão do direito da Recorrente de apresentálas em momento posterior, com mais razão ainda quando, em dois momentos processuais distintos, perdeu essa oportunidade, e, pior, apresentou, na impugnação (efls. 15/16) provas que não se prestam ao mister, vez que sequer se vinculam ao objeto do lançamento em litígio. É oportuno destacar que, conforme informa o FNDE na Informação n. 38/2005/DINSP (efl. 73), a NRD n. 623/2001 (efls. 11/13) não é oriundo de procedimento de inspeção, mas sim decorrente de consulta ao Sistema de Manutenção de Ensino Fundamental SME, tratandose, destarte, de batimento de informações residentes no FNDE. Por fim, o pedido da Recorrente de nova fiscalização não se coaduna com a realidade dos fatos, vez que sequer houve procedimento fiscal para a apuração do crédito tributário abrigado na NRD n. 623/2001 (efls. 11/13), tendo em vista tratarse de mero batimento interno de informações consignadas nos sistemas do FNDE, do qual a Recorrente tomou ciência (conforme ela própria informa na impugnação de efls. 15/16) para regularização das informações sobre os alunos, nos termos do Ofício Circular n. 46/1999 GEARC/FNDE de 04/01/2000 (efls. 03/04). Nessa perspectiva, não merece reparo a decisão da instância de piso. Ante o exposto, voto no sentido de CONHECER do Recurso Voluntário (e fls. 59/61), e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Fl. 130DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10280.904805/2012-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Aug 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2004
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. NOVA MANIFESTAÇÃO. EFEITOS INFRINGENTES.
Constatada omissão no acórdão embargado, prolata-se nova decisão para supri-la, implicando necessários efeitos infringentes quando, na nova decisão, conclui-se pela alteração no resultado do julgado.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2004
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. SUPERAÇÃO DE ÓBICES EM QUE SE BASEARAM AS DECISÕES ANTERIORES. IMPOSSIBILIDADE DE DECISÃO DE MÉRITO EM INSTÂNCIA ÚNICA. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA.
No julgamento de recurso voluntário em que se supera óbice que embasou tanto o despacho decisório da unidade de origem, quanto o acórdão de primeira instância, a conversão do julgamento em diligência para apreciação do mérito do pedido, com o posterior retorno dos autos ao CARF para nova decisão poderá implicar cerceamento do direito de defesa do contribuinte em razão da impossibilidade de apresentação de recurso em matéria probatória.
INDÉBITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA.
A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido.
Numero da decisão: 1301-003.194
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração para suprir omissão na decisão embargada, com efeitos infringentes, e dar provimento parcial ao recurso voluntário para superar os óbices em que se basearam o despacho decisório e a decisão de primeira instância, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do direito creditório pleiteado, retomando-se, a partir daí, o rito processual habitual.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Junior, Jose Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: Nelso Kichel
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2004 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. NOVA MANIFESTAÇÃO. EFEITOS INFRINGENTES. Constatada omissão no acórdão embargado, prolata-se nova decisão para supri-la, implicando necessários efeitos infringentes quando, na nova decisão, conclui-se pela alteração no resultado do julgado. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2004 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. SUPERAÇÃO DE ÓBICES EM QUE SE BASEARAM AS DECISÕES ANTERIORES. IMPOSSIBILIDADE DE DECISÃO DE MÉRITO EM INSTÂNCIA ÚNICA. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. No julgamento de recurso voluntário em que se supera óbice que embasou tanto o despacho decisório da unidade de origem, quanto o acórdão de primeira instância, a conversão do julgamento em diligência para apreciação do mérito do pedido, com o posterior retorno dos autos ao CARF para nova decisão poderá implicar cerceamento do direito de defesa do contribuinte em razão da impossibilidade de apresentação de recurso em matéria probatória. INDÉBITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração para suprir omissão na decisão embargada, com efeitos infringentes, e dar provimento parcial ao recurso voluntário para superar os óbices em que se basearam o despacho decisório e a decisão de primeira instância, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do direito creditório pleiteado, retomando-se, a partir daí, o rito processual habitual. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Junior, Jose Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1811; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 2 1 1 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10280.904805/201221 Recurso nº 1 Embargos Acórdão nº 1301003.194 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 14 de junho de 2018 Matéria PEDIDO DE RESTITUIÇÃO PER. REPETIÇÃO DE INDÉBITO Embargante FAZENDA NACIONAL Interessado PREV SAÚDE NÚCLEO DE PREVENÇÃO DA SAÚDE LTDA ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. NOVA MANIFESTAÇÃO. EFEITOS INFRINGENTES. Constatada omissão no acórdão embargado, prolatase nova decisão para suprila, implicando necessários efeitos infringentes quando, na nova decisão, concluise pela alteração no resultado do julgado. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. SUPERAÇÃO DE ÓBICES EM QUE SE BASEARAM AS DECISÕES ANTERIORES. IMPOSSIBILIDADE DE DECISÃO DE MÉRITO EM INSTÂNCIA ÚNICA. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. No julgamento de recurso voluntário em que se supera óbice que embasou tanto o despacho decisório da unidade de origem, quanto o acórdão de primeira instância, a conversão do julgamento em diligência para apreciação do mérito do pedido, com o posterior retorno dos autos ao CARF para nova decisão poderá implicar cerceamento do direito de defesa do contribuinte em razão da impossibilidade de apresentação de recurso em matéria probatória. INDÉBITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 90 48 05 /2 01 2- 21 Fl. 192DF CARF MF Processo nº 10280.904805/201221 Acórdão n.º 1301003.194 S1C3T1 Fl. 3 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração para suprir omissão na decisão embargada, com efeitos infringentes, e dar provimento parcial ao recurso voluntário para superar os óbices em que se basearam o despacho decisório e a decisão de primeira instância, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do direito creditório pleiteado, retomandose, a partir daí, o rito processual habitual. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Junior, Jose Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild. Fl. 193DF CARF MF Processo nº 10280.904805/201221 Acórdão n.º 1301003.194 S1C3T1 Fl. 4 3 Relatório Os autos do processo tratam do pedido de repetição de indébito tributário. Nesta instância recursal, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário contra o Acórdão da DRJ/Recife (3ª Turma) que julgara Manifestação de Inconformidade improcedente. Na sessão de 23/02/2018, esta Turma afastou o óbice que, até então, impedia a análise de mérito da lide e converteu o julgamento em diligência, conforme Resolução nº 1301003.559 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, que transcrevo a parte dispositiva e voto condutor do Relator, in verbis: (...) Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (...) Voto (...) As decisões, até agora proferidas nos autos, não enfrentaram o mérito da lide, se a contribuinte, de fato, teve receitas da atividade hospitalar, qual o percentual das receitas da atividade hospitalar (caso auferiu receitas de atividades outras, diversas da atividade hospitalar) e se realmente ocorreu o erro de fato na apuração e pagamento da exação fiscal no regime do lucro presumido, quanto ao (s) período (s) objeto (s) do PER. O Despacho decisório, simplesmente, denegou o pleito, pois o valor do pagamento, restou alocado, consumido, inteiramente, pelo débito confessado na DCTF, do mesmo período de apuração. Já a decisão recorrida, além desse fundamento citado, entendeu que a contribuinte não comprovou que exercera atividade de serviço hospitalar, no período considerado, à luz da legislação de regência. A legislação tributária federal de regência de apuração do lucro presumido e pagamento dos tributos (IRPJ e CSLL), quanto à atividade serviços hospitalares estabeleceu condições, critérios, que devem ser observados pelos contribuintes para fazer jus à apuração e pagamento desses tributos com coeficientes reduzidos de presunção do lucro (Lei nº 9.249/1995, arts. 15 e 20; IN SRF nºs 306/2003, ADI 18/2003, IN SRF 480/2004, IN RFB 791/2007, ADI RFB 19/2007, Lei 11.727/08 e IN RFB 1.234/2012), ou seja, necessidade de comprovar: Fl. 194DF CARF MF Processo nº 10280.904805/201221 Acórdão n.º 1301003.194 S1C3T1 Fl. 5 4 a) serviço de natureza hospitalar, nos termos da legislação da ANVISA; b) estrutura material/física e de pessoal; c) forma de exploração/organização da atividade. Entretanto, esses requisitos ou condições estabelecidos na legislação tributária citada, estão mitigados no seu rigor, na sua aplicação, conforme atual entendimento do STJ, ou seja: (...). A contribuinte juntou, apenas, algumas cópias de notas fiscais de prestação de serviços hospitalares, cópias de instrumentos de contratos de prestação de serviços quanto ao PA em que teria efetuado pagamento indevido ou a maior do IRPJ e da CSLL, o que é insuficiente para formação da convicção do julgador de que suas receitas no período teriam decorrido somente de prestação de serviço hospitalar, para fazer jus à tratamento tributário diferenciado, coeficientes de reduzidos de presunção do lucro. (...) Por todas essas razões, entendo que nesta Sessão de Julgamento não há condições de julgar a lide, pois, como demonstrado, as provas carreadas aos autos são insuficientes para formação da convicção do julgador, quanto ao mérito. Há necessidade de instrução processual complementar, em observância dos princípios do formalismo moderado e da verdade material. Sendo assim voto pela conversão do julgamento em diligência, determinando o retorno dos autos unidade de origem da RFB, no caso à Fiscalização da DRF/Belém, para: intimar a contribuinte a fazer a comprovação das receitas escrituradas decorrentes da atividade de prestação serviço hospitalar quanto ao (s) trimestre (s) objeto (s) dos autos, em que teria ocorrido pagamento indevido ou a maior do IRPJ e/ou CSLL, excluídas as receitas de consultas médicas e de atividades ou prestação de serviços não relacionadas à promoção da saúde humana, consoante entendimento atual do STJ Acórdão do REsp 1.116.399/BA, da 1ª Seção do STJ, Recurso submetido ao regime previsto no art. 543C do CPC, Relator Ministro Benedito Gonçalves, Sessão de Julgamento de 28/10/2009, já transcrito anteriormente; determinar, em relação à receita total escriturada no (s) trimestre (s) considerado (s) (faturamento), qual o percentual que corresponde à receita efetiva de prestação de serviço hospitalar; determinar o valor do crédito do IRPJ e/ou da CSLL, caso exista pagamento indevido ou maior no (s) trimestre (s) considerado (s) objeto (s) dos autos, e informar se o valor do crédito apurado (original), se está disponível ou não para restituição. Fl. 195DF CARF MF Processo nº 10280.904805/201221 Acórdão n.º 1301003.194 S1C3T1 Fl. 6 5 Encerrados os trabalhos de diligência fiscal, a Fiscalização deverá produzir relatório circunstanciado, com demonstrativos, e conclusivo, apresentando os resultados, e do qual a contribuinte deverá ser intimada, abrindose prazo de trinta dias para se manifestar nos autos, caso queira. Transcorrido referido prazo, com ou sem manifestação da contribuinte, que retornem os autos a este CARF para julgamento da lide. (...) Entretanto, o Presidente do próprio Colegiado apresentou Embargos de Declaração ao que restara decidido, conforme Despacho nº s/nº – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, de 24/04/2018, que transcrevo , in verbis: (...) No julgamento do recurso do processo em epígrafe, entendeu o colegiado em superar os óbices de direito, elencados preliminarmente, pela unidade de origem para não reconhecer o direito creditório pleiteado. Ato contínuo, entendeuse por bem converter julgamento em diligência a fim de que a unidade de origem, superadas as questões de direito, procedesse às análises de fato a fim de verificar a liquidez e a certeza do crédito pleiteado. Ao final, deveria elaborar relatório circunstanciado, abrindose vista ao contribuinte para que esse, querendo, se manifestasse a respeito das conclusões da autoridade fiscal, e a seguir encaminhasse os autos novamente ao CARF para que pudesse, enfim, decidir sobre o mérito da exigência. Pois bem, assim deliberando, o colegiado deixou de se manifestar sobre eventual prejuízo do contribuinte, em tese, ao direito de recurso em caso de não reconhecimento integral do crédito pleiteado, uma vez que o mérito da exigência poderia não vir a ser examinado não examinado pela DRJ, acarretando, repitase, em tese, supressão de instância. Por essas razões, nos termos do inciso I, do art. 65, do Anexo II do RICARF, oponho os presentes embargos de declaração em razão de omissão, no acórdão embargado, de ponto sobre qual deveria pronunciarse a turma. E, a fim de se evitar burocracia absolutamente desnecessária, tendo em vista que compete ao Presidente do colegiado analisar a admissibilidade dos embargos, já o admito de plano, determinandose o encaminhamento dos autos ao relator do acórdão embargado para relato e inclusão em pauta de julgamento. (...) É o relatório. Fl. 196DF CARF MF Processo nº 10280.904805/201221 Acórdão n.º 1301003.194 S1C3T1 Fl. 7 6 Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1301003.183, de 14/06/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10280.904791/2012 45, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1301003.183): "Conheço dos Embargos de Declaração, pois tempestivos e atendem aos pressupostos de admissibilidade. Conforme já relatado, a Resolução desta Turma, ao afastar os óbices que até então impediram análise de mérito da lide pelas decisões anteriores neste processo, deixou de se manifestar sobre eventual prejuízo, em tese, da contribuinte ao direito de recurso, na hipótese de não reconhecimento ou reconhecimento parcial do direito creditório no mérito pela decisão que seria proferida após o retorno dos autos contendo o relatório resultado da diligência. Por isso, dos Embargos de Declaração manejados pelo Presidente desta própria Turma. De fato, na Resolução embargada o colegiado entendeu por bem superar os óbices em que se basearam o despacho decisório e a decisão de primeira instância. Contudo, ao se determinar, superados os óbices, a conversão do julgamento em diligência para apreciação do mérito do pedido, com o posterior retorno dos autos ao CARF para nova decisão poderia implicar, em tese, cerceamento do direito de defesa da contribuinte em razão da impossibilidade de apresentação de recurso em matéria probatória. Por essas razões, entendo que o encaminhamento mais adequado, no caso, deve ser: "dar provimento parcial ao recurso voluntário (afastar os óbices) e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para analisar o mérito do crédito pleiteado" e, assim, ficam restabelecidas as instâncias de julgamento de que trata o Decreto nº 70.235/72. Cabe à unidade de origem, DRF/Belém, analisar o mérito do crédito pleiteado. Portanto, voto para acolher os embargos com efeitos infringentes." Fl. 197DF CARF MF Processo nº 10280.904805/201221 Acórdão n.º 1301003.194 S1C3T1 Fl. 8 7 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por acolher os embargos de declaração para suprir omissão na decisão embargada, com efeitos infringentes, e dar provimento parcial ao recurso voluntário para superar os óbices em que se basearam o despacho decisório e a decisão de primeira instância, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do direito creditório pleiteado, retomandose, a partir daí, o rito processual habitual. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Fl. 198DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18471.002052/2008-03
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2003 a 30/09/2005, 01/11/2005 a 31/05/2006, 01/08/2006 a 31/12/2006
ISENÇÃO. SOCIEDADE CIVIL DE PROFISSÃO REGULAMENTADA. REVOGAÇÃO PELO ART. 56 DA LEI Nº 9.430/96.
A isenção da COFINS, das sociedades civis de prestação de serviços profissionais foi revogada pelo art. 56, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Precedentes do STF.
RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM EFEITO SUSPENSIVO. ACÓRDÃO RECORRIDO. EFICÁCIA. SUSPENSÃO.
O recurso extraordinário ao qual foi atribuído efeito suspensivo em sede de ação cautelar suspende a eficácia do acórdão recorrido até o julgamento do recurso.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2003 a 30/09/2005, 01/11/2005 a 31/05/2006, 01/08/2006 a 31/12/2006
ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. MATÉRIA DE COMPETÊNCIA EXCLUSIVA DO JUDICIÁRIO. SÚMULA CARF Nº 2.
Nos termos da Súmula CARF n° 2 de 2009, este Conselho Administrativo não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 3402-005.438
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário quanto as questões constitucionais argüidas, e, no mérito, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente.
(assinado digitalmente)
Pedro Sousa Bispo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (presidente da turma), Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Thais de Laurentiis Galkowicz, Diego Diniz Ribeiro, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado), Pedro Sousa Bispo e Rodrigo Mineiro Fernandes.
Nome do relator: PEDRO SOUSA BISPO
1.0 = *:*
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2003 a 30/09/2005, 01/11/2005 a 31/05/2006, 01/08/2006 a 31/12/2006 ISENÇÃO. SOCIEDADE CIVIL DE PROFISSÃO REGULAMENTADA. REVOGAÇÃO PELO ART. 56 DA LEI Nº 9.430/96. A isenção da COFINS, das sociedades civis de prestação de serviços profissionais foi revogada pelo art. 56, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Precedentes do STF. RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM EFEITO SUSPENSIVO. ACÓRDÃO RECORRIDO. EFICÁCIA. SUSPENSÃO. O recurso extraordinário ao qual foi atribuído efeito suspensivo em sede de ação cautelar suspende a eficácia do acórdão recorrido até o julgamento do recurso. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2003 a 30/09/2005, 01/11/2005 a 31/05/2006, 01/08/2006 a 31/12/2006 ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. MATÉRIA DE COMPETÊNCIA EXCLUSIVA DO JUDICIÁRIO. SÚMULA CARF Nº 2. Nos termos da Súmula CARF n° 2 de 2009, este Conselho Administrativo não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário quanto as questões constitucionais argüidas, e, no mérito, negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente. (assinado digitalmente) Pedro Sousa Bispo - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (presidente da turma), Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Thais de Laurentiis Galkowicz, Diego Diniz Ribeiro, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado), Pedro Sousa Bispo e Rodrigo Mineiro Fernandes.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1654; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 258 1 257 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 18471.002052/200803 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3402005.438 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 24 de julho de 2018 Matéria COFINSAUTO DE INFRAÇÃO Recorrente G. IVO E ASSOCIADOS SOCIEDADE DE ADVOGADOS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2003 a 30/09/2005, 01/11/2005 a 31/05/2006, 01/08/2006 a 31/12/2006 ISENÇÃO. SOCIEDADE CIVIL DE PROFISSÃO REGULAMENTADA. REVOGAÇÃO PELO ART. 56 DA LEI Nº 9.430/96. A isenção da COFINS, das sociedades civis de prestação de serviços profissionais foi revogada pelo art. 56, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Precedentes do STF. RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM EFEITO SUSPENSIVO. ACÓRDÃO RECORRIDO. EFICÁCIA. SUSPENSÃO. O recurso extraordinário ao qual foi atribuído efeito suspensivo em sede de ação cautelar suspende a eficácia do acórdão recorrido até o julgamento do recurso. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2003 a 30/09/2005, 01/11/2005 a 31/05/2006, 01/08/2006 a 31/12/2006 ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. MATÉRIA DE COMPETÊNCIA EXCLUSIVA DO JUDICIÁRIO. SÚMULA CARF Nº 2. Nos termos da Súmula CARF n° 2 de 2009, este Conselho Administrativo não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 20 52 /2 00 8- 03 Fl. 258DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário quanto as questões constitucionais argüidas, e, no mérito, negar lhe provimento. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente. (assinado digitalmente) Pedro Sousa Bispo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (presidente da turma), Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Thais de Laurentiis Galkowicz, Diego Diniz Ribeiro, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado), Pedro Sousa Bispo e Rodrigo Mineiro Fernandes. Relatório Por bem relatar os fatos, adoto o Relatório da decisão recorrida com os devidos acréscimos: Trata o presente processo de Auto de Infração de fls. 40 a 49, lavrado pela Defis/Rio de Janeiro em decorrência de falta de recolhimento da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, consubstanciando exigência de crédito tributário no valor total de R$ 758.361,23, referente aos fatos geradores ocorridos nos meses 03/2004 a 05/2004, 09/2004, 05/2005, 07/2005, 09/2005, 11/2005 a 12/2006 (R$ 355.630,02), à multa de ofício de 75% (R$ 266.722,47) e aos juros de mora calculados até 31/07/2008 (R$ 136.008,74). 2. Relata o Auditor, no quadro “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal”, à fl. 42, que em procedimento fiscal de verificação do cumprimento das obrigações tributárias pelo sujeito passivo em epígrafe, foi apurada a falta/insuficiência de recolhimento ou declaração da Cofins, conforme Termo de Constatação anexo ao Auto. 3. No citado Termo (fl. 38) o AFRFB informa que: 3.1 O contribuinte foi selecionado na Operação 30217 COFINS — Insuficiência de Declaração e Recolhimento, nos anoscalendário de 2003 a 2006; tendo em vista a cassação (sic) da liminar para atribuir efeito suspensivo a recurso extraordinário, interposto do acórdão proferido pela 4ª Turma do TRF da 2ª Região, nos autos da AMS 52.197/57 (Proc. 2003.51.01.0049653/RJ), conforme cópia anexada às fls. 36/37; 3.2 Da auditoria fiscal realizada na empresa constatouse que a contribuinte: 3.2.1 Declarou em DCTF a COFINS de janeiro de 2003 a janeiro de 2004; 3.2.2. Deixou de declarar em DCTF a COFINS de fevereiro de 2004 a dezembro de 2006; 3.2.3. Não solicitou parcelamento de débitos; Fl. 259DF CARF MF Processo nº 18471.002052/200803 Acórdão n.º 3402005.438 S3C4T2 Fl. 259 3 3.3 Foi realizado o levantamento das receitas de prestações de serviços nos meses 04/2004 a 12/2006 (Livro Razão, fls. 26 a 35), para apuração das bases de cálculo da COFINS (planilhas de fl. 25); e 3.4 Foi lavrado Auto de Infração para apuração das contribuições e multas. 4. Os dispositivos legais infringidos constam na “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal”, à fl. 43 do referido auto de infração. 5. Cientificada em 14/08/2008 (fl. 58), a contribuinte, inconformada, apresentou, em 12/09/2008, a impugnação de fls. 61 a 67, na qual alega que: 5.1 O processo n° 2003.51.01.0049653/RJ, mencionado pelo auditor no Termo de Constatação anexo ao Auto referese a Mandado de Segurança Coletivo impetrado pela Ordem dos Advogados do Brasil — Seccional do Estado do Rio de Janeiro, na qualidade de representante das Sociedades de Advogados, inclusive da impugnante; 5.2 A sentença prolatada pelo Juízo da 5ª VF/RJ, assim decidiu: Isto posto, JULGO PROCEDENTE O PEDIDO declarando a isenção em relação ao pagamento da COFINS das Sociedades civis de advogados relacionadas pela impetrante, autorizando a compensação dos valores da contribuição, com parcelas vencidas e vincendas de qualquer tributo recolhido pela SRF, consoante pedido exordial, devendo a correção monetária incidir a partir do vencimento segundo os mesmo índices aplicáveis aos tributos recolhidos pela SRF" pelas razões expostas no pedido inaugural, assim como a autocompensação nos termos do art. 66, da lei n° 8.383/91, dos valores pagos indevidamente a titulo de COFINS até a data da efetiva suspensão da sua exigibilidade, devidamente acrescido dos encargos moratórios legais. 5.3 Esta decisão foi mantida "in totum", por unanimidade, pela 4ª Turma do TRF 2ª Região, conforme Ementa abaixo transcrita: TRIBUTÁRIO E CONSTITUCIONAL. MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO. OAB/RJ. COFINS. SOCIEDADE DE ADVOGADOS. ISENÇÃO. LC 70/91. REVOGAÇÃO. ART. 56 DA LEI N° 9.430/96. IMPOSSIBILIDADE. PRINCÍPIO DA HIERARQUIA DAS LEIS. PRECEDENTE DO E. STJ. COMPENSAÇÃO. MP N° 66, DE 29/08/2002, CONVERTIDA NA LEI N° 10.637, DE 30/12/2002. CORREÇÃO MONETÁRIA. JUROS DE MORA. PRESCRIÇÃO. 5.4 Além dessas decisões, é de suma importância para a segurança jurídica das Instituições, o recente entendimento sobre a isenção do recolhimento da COFINS reafirmado pela 2ª Turma do Superior Tribunal de Justiça, que já tem posição firmada através da Súmula 276, in verbis: ENUNCIADO DA SÚMULA 276 DO STJ: As sociedades civis d prestação de serviços profissionais são isentas da Cofins, irrelevante o regime tributário adotado.' 5.5 Por força dessas decisões judiciais, principalmente pela edição da referida Súmula do STJ, a impugnante deixou de efetuar o pagamento de algumas parcelas da COFINS, Fl. 260DF CARF MF 4 ressaltando, entretanto, não ter existido qualquer intenção da requerente tornarse inadimplente com suas obrigações para com a Receita Federal, passível das penalidades moratórias sobre esse suposto débito, cujo tema de fundo isenção do pagamento da Cofins pelas sociedades civis de prestação de serviços profissionais ainda é objeto de discussão judicial como se verá a seguir; 5.6 A Fazenda Nacional ingressou com uma Ação Cautelar Incidental com pedido de liminar sob o n° 1717 junto ao Supremo Tribunal Federal, concomitante com o Recurso Extraordinário n° 563671. O STF ao apreciar a referida Cautelar Incidental, deferiu a liminar requerida para atribuir efeito suspensivo ao Recurso Extraordinário, interposto do acórdão proferido pela 4ª Turma do TRF da 2ª Regido, nos autos da AMS 52.197/RJ (proc. n° 2003.51.01.0049653/RJ); 5.7 No caso em espécie, o fato de uma liminar ter sido cassada não afasta a controvérsia a respeito da incompatibilidade entre lei ordinária e lei complementar, que por tratarse de matéria de natureza constitucional, está sendo julgada pelo Supremo Tribunal Federal, já que nitidamente existe uma invasão através de lei ordinária, da esfera de competência reservada constitucionalmente à lei complementar, acarretando sua inconstitucionalidade, e não sua ilegalidade; 5.8 Fazse mister ressaltar, antes da demonstração das razões de direito trazidas na presente impugnação, que a questão ora discutida já se encontra em exame pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal, nos Recursos Extraordinários nºs. 377.457, 381.964 e 563.671, em julgamento conjunto, e na Ação Direta de Inconstitucionalidade com pedido de concessão de medida cautelar proposta pelo Partido da Social Democracia Brasileira — PSDB, que tomou o n° ADI — 4071; 5.9 O art. 56 da Lei nº 9.430/1996 ao revogar a isenção prevista no art. 6º, inciso II, da Lei Complementar n° 70, de 1991, fere diretamente o art. 69 da Carta Magna; 5.10 Desde abril de 2000 a jurisprudência do STJ vem se manifestando de forma sólida acerca da ilegalidade da revogação da isenção prevista no art. 6º, inciso II, da Lei Complementar n° 70, de 1991, pelo art. 56 da Lei nº 9.430/1996, o que originou a edição, em 14/05/2003, da Súmula nº 276; e 5.11 No caso do STF entender plenamente constitucional o dispositivo ora questionado, o que se admite apenas ad argumentandum, é de se observar que essa Corte Suprema, em casos correlatos, já firmou entendimento quanto à aplicação dos chamados efeitos prospectivos de sua decisão, isto é, a COFINS seria exigida das sociedades profissionais somente após o trânsito em julgado das decisões proferidas. 6 Pelas razões acima expostas requer a impugnante que seja considerada totalmente improcedente a ação fiscal ou, caso não seja atendida as razões da impugnação, seja sobrestado o feito até que o Supremo Tribunal Federal decida por completo as matérias em questão. 7. O processo foi encaminhado a esta Delegacia para julgamento. Ato contínuo, a DRJRIO DE JANEIRO I (RJ) julgou a manifestação de inconformidade do contribuinte nos seguintes termos: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/01/2003 a 30/09/2005, 01/11/2005 a 31/05/2006, 01/08/2006 a 31/12/2006 FALTA DE RECOLHIMENTO. Constatada a falta de recolhimento da Cofins no período alcançado pelo auto de infração, é de se manter o lançamento em relação aos valores não recolhidos e não declarados em DCTF antes de iniciado o procedimento fiscal. Fl. 261DF CARF MF Processo nº 18471.002052/200803 Acórdão n.º 3402005.438 S3C4T2 Fl. 260 5 RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM EFEITO SUSPENSIVO. ACÓRDÃO RECORRIDO. EFICÁCIA. SUSPENSÃO. O recurso extraordinário ao qual foi atribuído efeito suspensivo em sede de ação cautelar suspende a eficácia do acórdão recorrido até o julgamento do recurso. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2003 a 30/09/2005, 01/11/2005 a 31/05/2006, 01/08/2006 a 31/12/2006 INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA LEGAL. As argüições de inconstitucionalidade não são oponíveis na esfera administrativa, incumbindo ao Poder Judiciário apreciá las. É vedado aos órgãos de julgamento administrativo afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, salvo nos casos de existência de decisão em processo judicial em que a interessada faça parte, ou na ocorrência de uma das hipóteses previstas no art. 26A, § 6º, incisos I e II, do Decreto nº 70.235, de 1972. AÇÃO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA DE OBJETO. Em face do princípio constitucional de unidade de jurisdição, a existência de ação judicial, em nome da interessada, importa renúncia às instâncias administrativas quanto à mesma matéria, sendo de se aplicar o que for definitivamente decidido pelo Poder Judiciário. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido. Em seguida, devidamente notificada, a Recorrente interpôs o presente recurso voluntário pleiteando a reforma do acórdão. Neste Recurso, a Empresa alegou as seguintes questões visando o cancelamento da exação fiscal: a) que deixou de efetuar o recolhimento da contribuição porque se encontrava protegido por decisões judiciais proferidas em mandado de segurança coletivo impetrado pela Ordem dos Advogados do Brasil, no qual buscou reconhecer a inconstitucionalidade da revogação, pelo art.56 da Lei nº 9.430/96, da isenção à Cofins prevista no art. 6º, II, da Lei Complementar nº 70/91, referente às Sociedades Civis de Serviços Profissionais; b) adotou o mesmo entendimento do STJ expresso na Súmula 276:As sociedades civis de prestação de serviços profissionais são isentas da Cofins, irrelevante o regime tributário adotado; c) no caso de entendimento desfavorável na justiça quanto ao mérito do seu pleito, solicita a modulação dos efeitos da constitucionalidade do art.56 da Lei 9.430/96; Fl. 262DF CARF MF 6 d) a interrupção da incidência de multa de mora e juros de mora até 30 dias após a data da publicação da decisão judicial que considera devido o tributo ou contribuição, nos termos do art. 63, § 2º da Lei nº 9.430/96; e e) inconstitucionalidade da multa de ofício aplicada no percentual de 75%, tendo em vista o seu caráter confiscatório e ofensa aos critérios de proporcionalidade e razoabilidade. Nesse sentido, propôs que a referida multa seja reduzida para 15%. É o relatório. Voto Conselheiro Pedro Sousa Bispo O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele se deve conhecer. Trata o lançamento fiscal de Falta de Recolhimento COFINS decorrente da apuração de diferenças apuradas pela Fiscalização referente aos períodos de 03/2004 a 05/2004, 09/2004, 05/2005, 07/2005, 09/2005, 11/2005 a 12/2006. O Contribuinte contesta a acusação fiscal afirmando que deixou de efetuar o recolhimento da contribuição em comento porque se encontrava protegido por decisões judiciais proferidas no MS nº2003.51.01.0049653/RJ, impetrado pela Ordem dos Advogados do Brasil, no qual buscou reconhecer a inconstitucionalidade da revogação, pelo art.56 da Lei nº 9.430/96, da isenção à COFINS prevista no art. 6º, II, da Lei Complementar nº 70/91, referente às Sociedades Civis de Serviços Profissionais, bem como solicitou a compensação dos valores da contribuição pagos indevidamente com parcelas vencidas e vincendas de qualquer tributo recolhido pela SRF. Além disso, ainda informa que seguiu o entendimento da 2ª Turma do superior Tribunal de Justiça consignado na Súmula 276: As sociedades civis de prestação de serviços profissionais são isentas da Cofins, irrelevante o regime tributário adotado. A questão ora analisada já se encontra pacificada pelo Supremo Tribunal Federal por meio do julgamento do Recurso Extraordinário nº 377.4573, realizado na sistemática dos recursos repetitivos, nos termos do art. 543B do CPC/73, conforme se verá adiante. No entanto, cabe analisar preliminarmente se de fato o contribuinte se encontrava protegido contra o lançamento fiscal operado pela Autoridade Fiscal, conforme alega, à época da ciência do auto de infração que se deu em 14/08/2008. A fim de esclarecer a questão, utilizome de todo o histórico das diversas fases processuais do MS nº2003.51.01.0049653/RJ, elaborado detalhadamente pelo Julgador a quo, in verbis: 17. Em 18/02/2003 (fl. 119/120), a OAB/RJ, na qualidade de substituto processual dos escritórios de advocacia do Estado do Rio de Janeiro, dentre eles a impugnante, impetrou o Mandado de Segurança Coletivo nº 2003.51.01.0049653, com pedido de liminar, com o objetivo de garantir aos substituídos o direito à isenção da Cofins, prevista no art. 6º, II, da LC nº 70/1991, revogada pelo art. 56 da Lei nº 9.430/1996, e à compensação dos valores recolhidos da contribuição com parcelas vencidas e vincendas de qualquer tributo administrado pela SRF. 18. Em 25/02/2003, foi publicada Decisão deferindo a liminar, nos seguintes termos (fl. 120): Fl. 263DF CARF MF Processo nº 18471.002052/200803 Acórdão n.º 3402005.438 S3C4T2 Fl. 261 7 (...) DEFIRO a liminar postulada determinando a suspensão do pagamento da COFINS das sociedades civis de advogados relacionadas pela impetrante, sem depósito, diante dos precedentes do Colendo Superior Tribunal de Justiça, instância máxima na verificação da legalidade das normas federais em conflito. Notifiquese a autoridade coatora para cumprir a medida liminar e prestar as devidas informações. Após, dêse vista ao M.P.F. P. I. 19. Em 21/05/2003, foi publicada a Sentença concedendo a segurança, nos seguintes termos (fl. 121): (...) Isto posto, JULGO PROCEDENTE O PEDIDO declarando a isenção em relação ao pagamento da COFINS das sociedades civis de advogados relacionadas pela Impetrante, autorizando a compensação dos valores da contribuição, com parcelas vencidas e vincendas de qualquer tributo recolhido pela SRF, consoante pedido exordial, devendo a correção monetária incidir a partir do vencimento segundo os mesmos índices aplicáveis aos tributos recolhidos pela SRF. Notifiquese a autoridade coatora. Após, dêse vista ao M.P.F. P.R.I. 20. Em 18/08/2004 (data do julgamento), 4ª Turma do Tribunal Regional Federal da 2ª Região proferiu Acórdão negando provimento à remessa necessária e ao recurso interposto pela União Federal (fls. 186 a 200). 21. Contra esta Decisão foram opostos embargos de declaração (União), aos quais foi negado provimento. Em 24/05/2005, a União interpôs recursos especial e extraordinário (fls. 167 a 185). 22. Em relação ao recurso especial, em 19/03/2007, foi proferida decisão monocrática (fls. 201 a 203), julgando prejudicial a sua apreciação no tocante à questão em torno da compensação da COFINS, antes de ser apreciado o recurso extraordinário, sobrestando o julgamento do recurso especial e determinando a remessa dos autos ao Supremo Tribunal Federal, para julgamento do recurso extraordinário. 23. Em 29/06/2007, a União ingressou com a Ação Cautelar nº 1717, com pedido de liminar, visando atribuir efeito suspensivo ao recurso extraordinário interposto do acórdão proferido pela 4ª Turma do TRF da 2ª Região (fls. 103/104). 24. Em 02/07/2007, a Presidente do STF, Ministra Ellen Gracie, por meio da decisão de fls. 36/37, deferiu a liminar atribuindo efeito suspensivo ao recurso extraordinário interposto, nos seguintes termos: 2. Da leitura das razões da requerente vislumbro, num primeiro exame, a alegada existência da fumaça do bom direito e da premência de decisão judicial. E que a pretensão defendida no recurso extraordinário da União encontra plausibilidade jurídica, principalmente diante dos sucessivos julgamentos proferidos no âmbito desta Corte. Indico, pois, dentre outros: AC 1.589MC/DF, rel. Min. Sepúlveda Pertence, DJ 21.3.2007; AC Fl. 264DF CARF MF 8 1.071MC/SP, AC 1.344MC/SP e RE 507.253/SP, rel. Min. Celso de Mello, DJ 13.10.2006, idem e 22.2.2007; RE 451.988 AgR/RS, rel. Min. Sepúlveda Pertence, DJ 17.3.2006; RE 433.941AgR/MG, rel. Min. Ricardo Lewandowski, DJ 10.11.2006; RE 494.525/RJ, rel. Min. Cármen Lúcia, DJ 1°.11.2006; AI 557.325AgR/MG, rel. Min. Cezar Peluso, DJ 20.4.2006. É relevante, também, diante do óbice contido no art. 170A do CTN, a determinação de compensação de tributos antes do trânsito em julgado da causa. 3. Ante o exposto, defiro a liminar para atribuir efeito suspensivo ao recurso extraordinário (fls. 347353), interposto do acórdão proferido pela 4ª Turma do TRF da 2ª Região, nos autos da AMS 52.197/RJ (Proc. 2003.51.01.0049653/RJ). (grifouse) 25. Assim, a partir de 01/08/2007, data da publicação dessa decisão, fica suspensa a eficácia do acórdão recorrido até o julgamento do recurso extraordinário interposto, ou seja, este não produz os efeitos que produziria caso não fosse suspensa a sua eficácia, quais sejam: a autoridade coatora não poderia exigir a Cofins das sociedades civis de advogados relacionadas pela impetrante; e essas sociedades poderiam compensar valores recolhidos desta contribuição, com parcelas vencidas e vincendas de qualquer tributo administrado pela RFB. 26. Com a suspensão da eficácia do referido acórdão, exsurge o direito da autoridade coatora de exigir a Cofins das sociedades civis de advogados relacionadas pela impetrante. 27. Em 11/09/2007, a Segunda Turma do STF, no julgamento do Agravo Regimental interposto pela impetrante, por unanimidade negou provimento ao agravo e referendou, integralmente, por seus próprios fundamentos, a decisão da Ministra Ellen Gracie (fls. 104). O referido acórdão transitou em julgado em 29/10/2007 (fl. 103). 28. Em 14/08/2008 (fl. 58), data na qual foi efetuado o lançamento, continuava suspensa a eficácia do acórdão proferido pela 4ª Turma do TRF da 2ª Região, pois se encontrava pendente de julgamento o recurso extraordinário contra ele interposto (RE nº 563.671), o que só veio ocorrer em 27/05/2009 (fl. 132 a 138). A Decisão foi publicada em 15/06/2009 (fl. 126) e proferida nos seguintes termos: Sendo assim, e tendo em consideração as razões expostas, conheço do presente recurso extraordinário, para darlhe provimento, em ordem a reconhecer a subsistência jurídica do art. 56 da Lei nº 9.430/96 em face do art. 6º, inciso II, da Lei Complementar nº 70/91, denegando, em consequência, o mandado de segurança impetrado pela parte ora recorrida. No que concerne à verba honorária, revelase aplicável o enunciado constante da Súmula 512/STF. Publiquese. Brasília, 27 de maio de 2009. Ministro CELSO DE MELLO Relator 29. Contra esta decisão foram interpostos embargos de declaração, em 22/06/2009, aos quais foi negado provimento, em 03/08/2010 (fls. 126 e 124), nos seguintes termos: Fl. 265DF CARF MF Processo nº 18471.002052/200803 Acórdão n.º 3402005.438 S3C4T2 Fl. 262 9 Decisão: A Turma, preliminarmente, por votação unânime, conheceu dos embargos de declaração como recurso de agravo, a que também por unanimidade, negou provimento, nos termos do voto do Relator. Ausente, licenciado, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. 2ª Turma, 03.08.2010. 30. Contra esta decisão foram interpostos embargos de declaração, em 02/09/2010, não apreciados até a presente data (fl. 124). 31. Considerando que os embargos de declaração não suspendem a eficácia da decisão embargada, válida, portanto, até a presente data, a Decisão do STF que reconheceu a subsistência jurídica do art. 56 da Lei nº 9.430/96 em face do art. 6º, inciso II, da Lei Complementar nº 70/91. Em pesquisa ao site da Justiça Federal do Rio de Janeiro, observase que o acórdão que decidiu os últimos embargos declaratórios opostos pela impetrante transitou em julgado somente em 14/08/2014. Quanto à Súmula nº 276 do STJ, utilizada pela Recorrente em sua defesa, observase que inexistia dispositivo legal que vinculasse a Autoridade Fiscal ao seu conteúdo no momento do lançamento fiscal. Além do mais, cabe ressaltar que em julgamento da AR 3.761PR, em 12/11/2008, a Primeira Seção deliberou pelo cancelamento da referida Súmula. Assim, percebese que na data da ciência do lançamento fiscal, ocorrida em 14/08/2008, não existia qualquer provimento judicial impeditivo de constituição do crédito tributário ou que pudesse suspender a sua exigibilidade. Retornando a questão da constitucionalidade do art.56, da Lei nº9.430/96, no acórdão cabe informar que essa questão já se encontra definitivamente julgada pelo Supremo Tribunal Federal, por meio do julgamento do Recurso Extraordinário nº377.4573, realizado em 17/09/2008, na sistemática dos recursos repetitivos prevista no art.543B do CPC, no qual declarou a constitucionalidade da revogação da isenção à COFINS das sociedades civis de prestação de serviços profissionais (art. 6º, inciso II, da Lei Complementar n° 70, de 1991) pelo art.56, da Lei nº 9.430/96. Desse modo, à luz do que determina o RICARF, reproduzo a ementa da decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal, sob a sistemática do art. 543B do CPC, Recurso Extraordinário nº 377.4573, in verbis: EMENTA: Contribuição social sobre o faturamento – COFINS (CF, art. 195, I). 2. Revogação pelo art. 56 da Lei 9.430/96 da isenção concedida às sociedades civis de profissão regulamentada pelo art. 6º, II, da Lei Complementar 70/91. Legitimidade. 3. Inexistência de relação hierárquica entre lei ordinária e lei complementar. Questão exclusivamente constitucional, relacionada à distribuição material entre as espécies legais. Precedentes. 4. A LC 70/91 é apenas formalmente complementar, mas materialmente ordinária, com relação aos dispositivos concernentes à contribuição social por ela instituída. ADC 1, Rel. Moreira Alves, RTJ 156/721. 5. Recurso extraordinário conhecido mas negado provimento. Fl. 266DF CARF MF 10 ACORDÃO Vistos, relatados e discutidos estes autos, acordam os Ministros do Supremo Tribunal Federal, em Sessão Plenária, na conformidade da ata do julgamento e das notas taquigráficas por maioria de votos, desprover o recurso. Em seguida o Tribunal, tendo em vista o disposto no artigo 27 da Lei nº 9.868/99, rejeitou pedido de modulação de efeitos. Prosseguindo, o Tribunal rejeitou questão de ordem que determinava a baixa do processo ao Superior Tribunal de Justiça, pela eventual falta da prestação jurisdicional. Por maioria, resolvendo questão de ordem, entendeu que estava correta a submissão do recurso extraordinário na forma proposta pelo Superior Tribunal de Justiça, tendo em vista a questão de ordem para permitir a aplicação do artigo 543B do Código de Processo Cívil, nos termos do voto do relator. Tratase de decisão com eficácia ex tunc, alcançando todas as relações jurídicas albergadas desde a edição da Lei nº 9.430/96, sendo afastada a jurisprudência do STJ citada pelo Recorrente em seu Recurso Voluntário, bem como a revogada Súmula 276 daquele tribunal. Quanto à solicitação da Recorrente pela modulação dos efeitos da decisão do STF, cabe informar que o CARF não possui competência para dispor sobre modulação de efeitos de decisão prolatada pelo poder judiciário. A Recorrente ainda solicita em seu recurso a interrupção da incidência de multa de mora e juros de mora até 30 dias após a data da publicação da decisão judicial que considera devido o tributo ou contribuição, nos termos do art. 63, § 2º da Lei nº 9.430/96. Quanto à multa de mora, cabe informar a Recorrente que a multa envolvida no lançamento fiscal foi a de ofício, não sendo pertinente qualquer discussão quanto a multa de mora no presente processo. Com relação aos juros de mora, entendo que inexiste amparo legal para a sua pretensão. O dispositivo legal citado pela Recorrente não tem aplicação ao presente caso, isto porque ele trata apenas de não cabimento de multa de ofício na constituição de créditos tributários destinada a prevenir decadência, cuja exigibilidade houver sido suspensa por decisão judicial, na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966. Dessa forma, conforme já restou mostrado anteriormente neste voto, a Empresa não era beneficiária de qualquer provimento judicial que determinasse a suspensão da exigibilidade da contribuição em comento, à época da ciência do auto de infração. Por fim, a Recorrente pugna pela inconstitucionalidade da multa de ofício aplicada no percentual de 75%, tendo em vista o seu caráter confiscatório e ofensa aos critérios de proporcionalidade e razoabilidade. Nesse sentido, propõe que a referida multa seja reduzida para 15%. Essas argumentações, por se constituírem matérias que somente o Poder Judiciário é competente para julgar, consoante a Constituição Federal, arts. 97 e 102, I, "a", III e §§ 1º e 2º, não podem ser analisadas pelas turmas deste colegiado. Nesse sentido, inclusive, a Súmula CARF nº2 determina que “o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 267DF CARF MF Processo nº 18471.002052/200803 Acórdão n.º 3402005.438 S3C4T2 Fl. 263 11 As Súmulas CARF são de observância obrigatória pelos membros deste Conselho, conforme disposto no artigo 72 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Diante do exposto, voto no sentido de não conhecer do Recurso quanto as matérias constitucionais arguidas e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Pedro Sousa Bispo Relator Fl. 268DF CARF MF
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Numero do processo: 11516.723074/2015-19
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2011
EXCESSO DE RECEITA BRUTA.
Não poderá se beneficiar do tratamento jurídico diferenciado previsto na Lei Complementar nº 123, de 2006, a pessoa jurídica cujo sócio ou titular seja administrador ou equiparado de outra pessoa jurídica com fins lucrativos, desde que a receita bruta global ultrapasse o limite legalmente estabelecido para opção pelo referido sistema.
Constatado que a administração da pessoa jurídica foi transferida para a figura de administrador, que administra todas as empresas de um mesmo grupo, com características de grupo de fato, atuando como longa manus de todas elas, como sócio administrador, ainda que de direito não conste dos quadros societários, é possível que sejam somadas as receitas brutas do grupo para fins de apuração do limite legal de opção.
PRÁTICA REITERADA DE INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA.
A prática reiterada de infração à legislação tributária, caracterizada pela omissão de receitas e o excesso de receita bruta são causas de exclusão da pessoa jurídica do Simples Nacional.
Numero da decisão: 1001-000.681
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(Assinado Digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues.
Nome do relator: LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA
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Não poderá se beneficiar do tratamento jurídico diferenciado previsto na Lei Complementar nº 123, de 2006, a pessoa jurídica cujo sócio ou titular seja administrador ou equiparado de outra pessoa jurídica com fins lucrativos, desde que a receita bruta global ultrapasse o limite legalmente estabelecido para opção pelo referido sistema. Constatado que a administração da pessoa jurídica foi transferida para a figura de administrador, que administra todas as empresas de um mesmo grupo, com características de grupo de fato, atuando como longa manus de todas elas, como sócio administrador, ainda que de direito não conste dos quadros societários, é possível que sejam somadas as receitas brutas do grupo para fins de apuração do limite legal de opção. PRÁTICA REITERADA DE INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. A prática reiterada de infração à legislação tributária, caracterizada pela omissão de receitas e o excesso de receita bruta são causas de exclusão da pessoa jurídica do Simples Nacional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (Assinado Digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 72 30 74 /2 01 5- 19 Fl. 655DF CARF MF 2 Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues. Relatório Tratase de Ato Declaratório Executivo (ADE) DRF/FNS n° 289, de 11 de novembro de 2015, que excluiu o contribuinte do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples Nacional), com efeitos a partir de 01/01/2011 (efl. 557), "por ter sido constatada prática reiterada de infração e excesso de receita do grupo econômico sob unicidade administrativa, fatos que importam a exclusão de ofício do Simples Nacional, com fundamento nos artigos 3º, § 4º, inciso V, e 29, incisos V, da Lei Complementar n° 123/2006....". O ADE fixou os efeitos a partir 01/01/2011, e vedou a opção pelo Simples Nacional pelos 3 (três) anoscalendário seguintes, nos termos do art. 29, § 1º, da Lei Complementar nº 123/2006. Os fatores que inicialmente indicaram que as empresas componentes do grupo formado pela Recorrente e por Nacale Comércio de Tecidos e Confecções Ltda EPP, Tubarão Confecções Ltda ME, KCS Confecções Ltda. EPP, J. R. Dandolini Artigos do Vestuário Ltda, Calegari Comércio de Decorações Ltda. EPP, Eduardo Decorações Ltda. EPP, Costaesmeraldino Confecções Eireli EPP e New Modas Comércio de Confecções Ltda. ME incidiam no disposto no artigo 3º, § 4º, inciso V da Lei Complementar n° 123/2006 foi a existência de procurações públicas (efls. 66/139 e 140/163), emitidas por todas as empresas envolvidas, outorgando totais poderes de administradores (inclusive de movimentação bancária) aos senhores Evaldo Nandi Calegari, Márcia Calegari, Raquel Martins Farias e Rafael Nandi Calegari (pai, irmã, esposa e filho). Mas o conjunto de elementos colhidos e descritos na Representação para Exclusão do Simples Nacional (efls. 02/26) mostraram que as empresas citadas formavam também grupo econômico de fato, valendose de unicidade gerencial e confusão patrimonial e financeira, o que reforçou a subsunção das optantes pelo Simples Nacional na hipótese legal de exclusão. Por bem descrever o litígio reproduzo a seguir o Relatório da decisão recorrida: Relatório Tratase de exclusão da Interessada (Tubarão Confecções Ltda ME) do Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte – Simples Nacional, efetuada por meio do Ato Declaratório Executivo nº 293, de 11 de novembro de 2015, da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Florianópolis/SC (fl. 557), “por ter sido constatada prática reiterada de infração e excesso de receita do grupo econômico sob unicidade administrativa, fatos que importam a exclusão de ofício do Simples Nacional, Fl. 656DF CARF MF Processo nº 11516.723074/201519 Acórdão n.º 1001000.681 S1C0T1 Fl. 656 3 com fundamento nos artigos 3º, § 4º, inciso V, e 29, incisos V, da Lei Complementar nº 123/2006”. A Interessada, segundo descrito na representação administrativa que resultou na emissão do ato de exclusão (fls. 02 a 26), compõem grupo econômico de fato juntamente com as empresas KCS Confecções Ltda – EPP, Tubarão Confecções Ltda ME, Eduardo Decorações Ltda – EPP, J.R. Dandolini Artigos do Vestuário Ltda – ME, New Modas Comércio de Confecções Ltda – ME, Calegari Comércio de Decorações Ltda EPP, Costa Esmeraldino Confecções Eireli EPP e Nacale Comércio de Tecidos e Confecções Ltda EPP, visto que todas elas, além de serem controladas e administradas por pessoas da mesma família (Evaldo Nandi Calegari, Márcia Calegari, Raquel Martins Farias e Rafael Nandi Calegari – pai, irmã, esposa e filho), atuam de forma integrada e coordenada, constituindo na realidade uma única empresa (na acepção de empreendimento). A conclusão de que existiu, no período de 2009 a 2015, grupo econômico de fato, está amparada, em síntese, de acordo com o auditorfiscal que emitiu a representação administrativa de fls. 02 a 26, pelas seguintes constatações e elementos de prova: a) a constatação de que as empresas exercem a mesma atividade ou atividades correlatas (indústria e comércio de confecções); b) a constatação de que o comando administrativo e financeiro das empresas é exercido pelo mesmo grupo de pessoas com laços familiares (Evaldo Nandi Calegari, Márcia Calegari, Raquel Martins Farias e Rafael Nandi Calegari – pai, irmã, esposa e filho), seja devido a participação delas no quadro societário da empresa como sócio administrador, seja por força de procuração; c) a constatação de que funcionários e até mesmo sócios de uma das empresas, além de se identificarem em carimbos como funcionários do “Grupo Nandi”, prestavam serviços de forma indistinta para as outras empresas; d) o fato da empresa Nacale Com. de Tecidos e Confecções Ltda ter atestado sua participação no grupo econômico ao declarar na ficha de abertura de contas bancárias que seu nome de fantasia é uma das marcas utilizadas pelos componentes do referido grupo econômico (Casa Nandi); e) a constatação de que existia Programa de Relacionamento (Fidelidade) que englobava todas as empresas; f) a constatação de que as empresas eram representadas pelas mesmas pessoas perante a Justiça do Trabalho; Fl. 657DF CARF MF 4 g) a constatação de que o próprio Sr. Rafael Nandi Calegari se apresenta na rede social linkedin como “Gerente de Marketing do Grupo Nandi”; h) a constatação de que o Sr. Rafael Nandi Calegari é o proprietário de todos os sites utilizados pelas empresas e da marca “Clube Maiores Lojistas”, que se refere ao programa de relacionamento que engloba todas as empresas. A autoridade fiscal que emitiu a mencionada representação administrativa ressalta, ainda, que a receita bruta global da Interessada e das outras empresas que compõem o grupo econômico de fato ultrapassou, nos anos de 2010 a 2014, o limite de que trata o inciso II do caput do artigo 3º da Lei Complementar nº 123/2006, conforme demonstrado na tabela abaixo: Diante destas constatações, a autoridade fiscal que emitiu o ato de exclusão, assim como a que emitiu a representação administrativa de fls. 02 a 26, entenderam que restou configurada a hipótese de vedação ao usufruto do Simples Nacional prevista no artigo 3º, § 4º, inciso V, da Lei Complementar nº 123/2006, assim como a prática reiterada de infração ao disposto na Lei Complementar nº 123/2006 (artigo 29, inciso V, da Lei Complementar nº 123/2006). A exclusão, conforme registrado no Ato Declaratório Executivo nº 289, de 11 de novembro de 2015, da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Florianópolis/SC, “surtirá efeitos a partir 01/01/2011, sendo vedada a opção pelo Simples Nacional pelos 3 (três) anoscalendário seguintes, nos termos do art. 29, § 1º, da Lei Complementar nº 123/2006”. Devidamente intimada da emissão do mencionado Ato Declaratório Executivo em 09/12/2015 (fl. 560), a Interessada apresentou tempestivamente (fl. 609), nos autos do processo 11516.723405/201511 (processo onde constam autos de infração lavrados em decorrência da emissão do ato de exclusão), a impugnação de fls. 581 a 592, instruída com os documentos reproduzidos às fls. 593 a 602, trazendo argumentos tanto para contestar o ato de exclusão como outros pontos específicos relativos a autos de infração que foram lavrados em decorrência deste (ato de exclusão). Fl. 658DF CARF MF Processo nº 11516.723074/201519 Acórdão n.º 1001000.681 S1C0T1 Fl. 657 5 Ressalta que a presente impugnação, por força do disposto no artigo 151, inciso III, do Código Tributário Nacional, suspende a exigibilidade do crédito tributário. Lembra que o artigo 75, § 3º, da Resolução do Comitê Gestor do Simples Nacional nº 94, de 29 de novembro de 2011, determina que “na hipótese de a ME ou EPP impugnar o termo de exclusão, este se tornará efetivo quando a decisão definitiva for desfavorável ao contribuinte”. Assevera que a impugnação ao termo de exclusão do Simples Nacional obsta a realização do lançamento e a exclusão do regime diferenciado, tendo ainda o contribuinte o direito de obter certidão positiva de tributos com efeitos de negativa, a teor do disposto no art. 206 do Código Tributário Nacional. No ponto, aduz ainda que a impugnação ao termo de exclusão do Simples Nacional possui o condão de sustar, mesmo que provisoriamente, a exigibilidade do crédito, inibindo assim, o Poder Público de inscrever a dívida e socorrerse do Judiciário para cobrála coativamente. Afirma que entendimento diverso do exposto nos dois parágrafos acima acarretaria em afronta aos princípios da ampla defesa e do contraditório. Alega que carece de qualquer sentido a alegação de que integra grupo econômico. Diz que, consoante o previsto no §2º do artigo 2º da Consolidação das Leis Trabalhistas, a constituição de grupo econômico de fato pode ser definida quando duas ou mais empresas estão sob a direção, controle ou administração de outra, compondo, assim, grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica. Frisa que o artigo 494 da Instrução Normativa RFB nº 971/2009 adota o mesmo conceito de grupo econômico da lei trabalhista, pois preceitua que “caracterizase grupo econômico quando (duas) ou mais empresas estiverem sob a direção, o controle ou a administração de uma delas, compondo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica”. Aduz que a lei é clara ao dispor que o requisito essencial para o reconhecimento de grupo empresarial é a relação de subordinação entre uma empresa principal e as demais, o que, no seu entendimento, não se caracterizou no presente caso. Diz que eventual parentesco entre os sócios de duas empresas não possui o condão de estabelecer relação de grupo econômico entre as mesmas. Cita julgado do Superior Tribunal de Justiça (REsp 824667) onde restou asseverado que a redação do §2º do artigo 2º da CLT é “clara ao exigir, para a configuração do grupo econômico a existência de uma ou mais empresas que estejam sob a direção, controle ou administração de outra empresa principal”. Diz que para a configuração de grupo econômico não basta a demonstração da unidade de comando na pessoa de um sócio ou administrador, pois, o que se exige é a subordinação empresarial que, no caso dos autos, não restou demonstrada. Afirma que o Tribunal Superior do Trabalho, em decisão Fl. 659DF CARF MF 6 unânime e transitada em julgado no processo nº 191700 17.2007.5.15,0054, entendeu que a mera existência de sócios em comum e de relação de coordenação entre as empresas não constitui elemento suficiente para caracterização de grupo econômico. Cita julgado da Subseção I Especializada em Dissídios Individuais do TST onde restou asseverado que “para a configuração de grupo econômico, não basta a mera situação de coordenação entre as empresas”; que para tal configuração“é necessária a presença de relação hierárquica entre elas, de efetivo controle de uma empresa sobre as outras”; e que “o simples fato de haver sócios em comum não implica por si só o reconhecimento do grupo econômico”. Assevera que a autoridade fiscal não indicou qual seria a empresa principal no suposto grupo econômico que alega existir. Frisa que a existência de grupo econômico pressupõe uma relação de subordinação, onde duas ou mais empresas estão sob a direção, controle ou administração de outra. Aduz que as empresas relacionadas pela autoridade fiscal não compõem “grupo composto por coordenação”, este também definido como uma espécie de “grupo econômico”, pois todas as empresas citadas se encontram estabelecidas em endereços diversos, possuindo sede e administração próprias. Assevera que não há qualquer relação entre as empresas em questão, uma vez que prestam atividades diversas e as exercem de maneira totalmente independente entre si. Cita o endereço e o objeto social das empresas KCS Confecções Ltda – EPP, Calegari Comércio de Decorações Ltda – EPP, Empório Duhomem – Indústria, Comércio e Serviços Ltda – ME, Eduardo Decorações Ltda – EPP, J.R. Dandolini Artigos do Vestuário Ltda – ME, New Modas Comércio de Confecções Ltda – ME, Tubarão Confecções Eireli – ME, Costa Esmeraldino – Confecções Eireli e Nacale Comércio de Tecidos e Confecções Ltda EPP. Alega que a página da internet em que consta o perfil de “Rafael Nandi” no Linkedin, como gerente de Marketing do grupo Nandi, não faz prova da existência de grupo econômico, visto que tal perfil não pertence ao Sr. Rafael Nandi Calegari, administrador da empresa Tubarão Confecções, mas sim de Rafael Nandi Marcelino, que é gerente de marketing da “Casa Nandi” e não do “grupo Nandi”, e que não tem qualquer relação de administração com qualquer das empresas em questão. Afirma que, diante do exposto, resta claro que deve ser afasta a responsabilidade solidária, pois não se encontra caracterizada a situação prevista no artigo 124, inciso I, do Código Tributário Nacional. Diz que mesmo que o grupo econômico em questão estivesse, de fato, constituído, tal fato não ensejaria por si só a responsabilidade solidária das pessoas jurídicas componentes do grupo, vez que a solidariedade tributária se encontra pautada Fl. 660DF CARF MF Processo nº 11516.723074/201519 Acórdão n.º 1001000.681 S1C0T1 Fl. 658 7 em critérios objetivos, motivo pelo qual não se admite presunções. Cita julgado do Superior Tribunal de Justiça onde restou asseverado que “o fato de haver pessoas jurídicas que pertençam ao mesmo grupo econômico, por si só, não enseja a responsabilidade solidária, na forma prevista no art. 124 do CTN”. Assevera que “eventual caracterização de grupo econômico em relação a outras empresas não faz presumir que todas empresas de um grupo familiar pertençam ao mesmo grupo econômico, pois, conforme já salientado, não se admite presunções em sede de responsabilidade solidária tributária”. Diz que a sua exclusão do Simples Nacional carece de razão, pois não restaram preenchidos os requisitos ensejadores da configuração de grupo econômico ou empresarial. Requer, por fim, a sua manutenção no Simples Nacional e a declaração de improcedência do lançamento efetuado. Requer, ainda, a suspensão da exigibilidade do crédito tributário durante o processamento da presente impugnação. Em 04 de abril de 2016 (fls. 580 e 606), a Interessada apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 566 a 579, onde basicamente reitera as alegações já apresentadas na impugnação de fls. 581 a 592 contra o Ato Declaratório Executivo nº 289, de 11 de novembro de 2015, da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Florianópolis/SC. Em 26 de abril de 2016, a Interessada apresentou o requerimento de fls. 604/605, endereçado ao auditorfiscal titular (Delegado) da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Florianópolis, solicitando que fosse informada via sistema que, a partir de 01/01/2015, a empresa é optante do Simples Nacional. É o relatório. A decisão de primeira instância (Acórdão n° 0740.300 6ª Turma da DRJ/FNS, efls. 609/637) julgou a Manifestações de Inconformidade improcedente, entendendo, em resumo, que os fatos enquadramse na hipótese de exclusão consignada no 3º, § 4º, inciso V, e 29, incisos V, da Lei Complementar n° 123/2006 e confirmando os efeitos a partir 01/01/2011 e a vedação de nova opção pelo Simples Nacional pelos 3 (três) anos calendário seguintes, nos termos do art. 29, § 1º, da Lei Complementar nº 123/2006. Isto porque as referidas empresas constituem grupo econômico de fato sob unicidade administrativa, e, assim consideradas, o somatório da receita bruta do grupo extrapolou o limite legal de permanência no Simples Nacional, tendo a impugnante usufruído indevidamente da tributação favorecida do Simples Nacional. Confirmou que a impugnação do ato de exclusão obsta a sua efetividade, todavia, sendo mantida a exclusão, deverão ser observados os efeitos fixados no ADE. Cientificada da decisão de primeira instância em 08/09/2017 (efl. 637) a Interessada interpôs recurso voluntário, protocolado em 06/10/2017 (efl. 651), em aduz: Fl. 661DF CARF MF 8 O Decreto n° 70.235/72, (que regula o PAF) determina que o RECURSO VOLUNTÁRIO suspende a exigibilidade do crédito tributário; e suspende a fluência do prazo prescricional para propositura da execução fiscal. O procedimento fiscal está eivado de vícios formais, razão pela qual deve ser anulado. Ressaltase que durante a fiscalização a autoridade autuante em nenhum momento solicitou documentos que seriam úteis e favoráveis ao contribuinte, e apenas enxergou o que lhe era conveniente, o que reforçava a sua tese e não a verdade dos fatos. Basta notar que não desqualificou a contabilidade, e sequer desconsiderou a personalidade jurídica de cada empresa. Também, de forma flagrante, violou o que está previsto no Código Tributário Nacional, relativo ao prazo de fiscalização (início e prazo máximo). 2.4 A autoridade fiscal não obedeceu ao que está previsto na legislação, não individualizou o procedimento para cada empresa, e assim agindo, partiu do principio (equivocado) de que estava diante de grupo econômico, e sempre tentando provar a sua tese, e portanto, deixou de ser imparcial. 2.5 Também sequer colheu assinatura dos contribuintes de forma individualizada, e por isso deve ser anulado o procedimento. 2.6 Deixou de solicitar documentos importantes e que provariam que sua tese (de grupo econômico) estava equivocada, e tudo em flagrante violação ao CTN, artigo 197. 2.7 E atuando deste modo, deixou de considerar os acordos comerciais e de rateios entre as empresas, que certamente deixaria evidente NÃO SE TRATAR DE GRUPO ECONÔMICO. 2.8 O fiscal deveria descaracterizar o imposto de renda das pessoas físicas e jurídicas, sequer provou que ocorreu confusão patrimonial ou financeira entre estas. 3 DO MÉRITO 3.1 Como o dito anteriormente, não poderia o fiscal, partindo de sua tese de grupo econômico, sem, contudo, individualizar o procedimento de fiscalização para cada empresa, e se realmente acreditou estar diante de um grupo, deveria desconsiderou a personalidade jurídica de cada uma. 3.2 Outro ponto, relativo à caracterização do grupo econômico, o CARF, até mesmo em caso de participação societária não considerou tratarse de grupo econômico, conforme a ementa abaixo... 3.2 Importante ressaltar que em momento algum ficou provado o comando único capaz de caracterizar o grupo econômico, tampouco se constatou a formação de caixa único. 3.4 A relação entre a recorrente e a autoridade fiscal, se dá na medida em que o mesmo tem a autoridade para retificar o Fl. 662DF CARF MF Processo nº 11516.723074/201519 Acórdão n.º 1001000.681 S1C0T1 Fl. 659 9 lançamento, e ou mediante ato vinculado promover novo lançamento. 3.5 É evidente que a Magna Carta não deu a autoridade fiscal uma carta em branco, esse exercício de competência se faz mediante ato administrativo, vinculado e motivado. Não basta a vontade da autoridade para lançar é necessário que a conduta esta prevista em norma hipotética. 3.6 Logo o que se assiste na intenção da autoridade fiscal, e mantida pelo julgador é realizar o arbitramento, sem base legal que o sustente. 3.7 A produção de prova poderia inclusive ser realizada pelo julgador, ainda que a legislação que regula o processo o permita: (...) 3.8 Como se percebe a sede de arrecadar é bem maior do que construir a verdade dos fatos, pelos meios legais previstos nos texto, a tal ponto de se desprezar toda e qualquer construção de meio probante previsto em lei. 3.9 A obrigação tributária não nasce da presunção ficcional, onde se pretende transladar a obrigação quando a mesma possui como nexo causal, o fato de ser o mesmo despachante. Somente a Lei pode isso fazer, é o que se conclui na leitura do Código Tributário Nacional:(...) 3.10 O exercício da fiscalização, é antes de mais nada, um exercício de competência legal, logo a ação fiscal é um direito dever, do agente público, é evidente que isso não é uma carta branca, mas muitas vezes a autoridade acaba por construir alguma arbitrariedade, sempre com o pretexto de seguir o que é melhor para fiscalização. (...) Em nome da eficiência, o agente fiscal não pode se distanciar também da razoabilidade, do ato administrativo, sob pena de viciar o lançamento. (...) À vista de todo o exposto, demonstrada que a ação fiscal merece ser anulada, por vícios formais do procedimento fiscal, espera e requer /.a recorrente seja acolhido o presente recurso para o fim de assim ser decidido, cancelandose o débito fiscal reclamado, com a reforma da decisão atacada e a manutenção/retorno da recorrente ao SIMPLES NACIONAL. Voto Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa Relator Fl. 663DF CARF MF 10 O recurso ao CARF é tempestivo, e portanto dele conheço. Tratase de Ato Declaratório Executivo DRF/FNS nº 289, de 11 de novembro de 2015, que excluiu a Recorrente do Simples Nacional a contar de 01/01/2011, motivado pela constatação de excesso de receita através da formação de grupo de fato com outras empresas, sob unicidade administrativa, hipótese de exclusão prevista e regulada no artigos 3º, §4º, inciso V, e 29, incisos V, da Lei Complementar n° 123/2006. A princípio cabe rejeitar a sugestão da Recorrente de que há nulidade no procedimento, tendose em vista que não se evidenciou nos autos a ocorrência da hipótese dos artigos 59 e 60 do Decreto n.º 70.235, de 06/03/1972. Ou seja, não houve cerceamento do direito de defesa, tendose em vista que as fases do contencioso foram todas cumpridas, razão pela qual o próprio contribuinte trouxe à discussão todos os argumentos de defesa. Mesmo antes de apresentar a manifestação de inconformidade, quando ainda não havia litígio e contencioso, e a fiscalização ainda estava em curso, a empresa ora recorrente foi intimada de forma individualizada a apresentar sua escrita contábil e fiscal, conforme Termo de Início de Fiscalização de 10/07/2015 (efls. 39/40) e Termo de Intimação de 01/09/2015 (efls. 41/42). Cientificada do ADE em 09/12/2015 (efl. 560) teve a oportunidade de apresentar todos os documentos adicionais que julgasse suficientes para afastar a imputação contida nestes autos. Desta forma, repito, não houve cerceamento do direito de defesa. Adianto que a Representação para Exclusão do Simples Nacional é resultado da fiscalização sobre contribuições previdenciárias tendose em vista que estes tributos são costumeiramente inadimplidos através do uso indevido da adesão ao Simples, como se comprovou nestes autos. Desta forma não vislumbro conteúdo arrecadatório ou desproporcional do procedimento, como afirma a Recorrente, mas cumprimento do dever legal, como previsto no art. 142 do CTN. Adianto também que não se versou nesta Representação citada sobre "desconsideração de pessoa jurídica", como sugere a Recorrente, mas sobre a exclusão da pessoa jurídica Recorrente do regime simplificado citado. É claro que sendo a apuração concernente a averiguação de formação de grupo de fato por diversas empresas sob unicidade administrativa, as diligências nestas outras tornaramse indispensável, como se deu. Determina o art. 196 do CTN que a legislação aplicável fixará prazo máximo para a conclusão da fiscalização. Neste sentido o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF, que delimita a fiscalização, segundo a Portaria RFB nº 1.687/2014, terá o prazo máximo de validade de 120 (cento e vinte) dias, sendo que a prorrogação deste prazo poderá ser efetuada pela autoridade outorgante, tantas vezes quantas necessárias, segundo a mesma norma. Desta forma, e considerandose as datas das intimações acima, não houve excesso de prazo, como sugeriu a Recorrente. Determina ainda o art. 196, parágrafo único, que os termos devam ser, preferencialmente, lavrados num dos livros obrigatórios do fiscalizado. Na impossibilidade, prevê supletivamente o CTN que o termo seja lavrado em papel separado (como se deu), notificando se o fiscalizado, mediante entrega de cópia. Esta exigência de formalização dos diversos atos recebe detalhamento no art. 7º do Dec. 70.235/72. Protesta a Recorrente pela suspensão da exigibilidade do crédito tributário e da fluência do prazo prescricional para propositura da execução fiscal. A respeito do litígio destes autos, nos termos do §3º do art. 75 da Resolução Comitê Gestor do Simples Nacional (RCGSN) nº 94, de 29 de novembro de 2011, a impugnação do ato de exclusão do Simples Nacional tem efeito suspensivo, com as ressalvas do art. 76. Fl. 664DF CARF MF Processo nº 11516.723074/201519 Acórdão n.º 1001000.681 S1C0T1 Fl. 660 11 Os fatores que inicialmente indicaram que as empresas (componentes do grupo formado por Nacale Comércio de Tecidos e Confecções Ltda EPP, Empório Duhomem Industria, Comércio e Serviços Ltda – EPP, KCS Confecções Ltda. EPP, Tubarão Confecções Ltda. ME, Calegari Comércio de Decorações Ltda. EPP, Eduardo Decorações Ltda. EPP, Costaesmeraldino Confecções Eireli EPP, J.R. Dandolini Artigos do Vestuário Ltda e New Modas Comércio de Confecções Ltda. ME) incidiam no disposto no artigo 3º, § 4º, inciso V da Lei Complementar n° 123/2006 foi a existência de procurações públicas, emitidas por todas as empresas envolvidas, outorgando totais poderes de administradores aos senhores Evaldo Nandi Calegari, Márcia Calegari, Raquel Martins Farias e Rafael Nandi Calegari (pai, irmã, esposa e filho). Mas o conjunto de elementos colhidos e descritos na Representação para Exclusão do Simples Nacional (efls. 02/26) mostraram que as empresas citadas formavam efetivamente grupo de fato, valendose de unicidade gerencial e confusão patrimonial e financeira, o que reforçou a subsunção na hipótese de exclusão das optantes pelo Simples Nacional (artigos 3º, §4º, inciso V, e 29, incisos V, da Lei Complementar n° 123/2006). Neste mesmo sentido decidiu a decisão de piso, razão pela qual pedimos vênia para reproduzir as razões correspondentes descritas naquela: No presente caso, verificase da análise dos autos que, em que pese as alegações apresentadas na manifestação de inconformidade/impugnação de fls. 581 a 592, não há como se negar que a Interessada (Empório Duhomem Indústria, Comércio e Serviços Ltda EPP), juntamente com as empresas KCS Confecções Ltda – EPP, Tubarão Confecções Eireli – ME, Comércio e Serviços Ltda – ME, Eduardo Decorações Ltda – EPP, J.R. Dandolini Artigos do Vestuário Ltda – ME, New Modas Comércio de Confecções Ltda – ME, Calegari Comércio de Decorações Ltda EPP, Costa Esmeraldino Confecções Eireli EPP e Nacale Comércio de Tecidos e Confecções Ltda EPP, compõem grupo econômico de fato, visto que todas elas, além de serem controladas e administradas por pessoas da mesma família (Evaldo Nandi Calegari, Márcia Calegari, Raquel Martins Farias e Rafael Nandi Calegari – pai, irmã, esposa e filho), atuam de forma integrada e coordenada, constituindo na realidade uma única empresa (na acepção de empreendimento). Entre as provas coletadas e as constatações efetuadas pela autoridade fiscal que demonstram que as referidas empresas compõem grupo econômico de fato, devese destacar as seguintes: a) a constatação de que as empresas exercem a mesma atividade ou atividades correlatas (indústria e comércio de confecções); b) a constatação de que o comando administrativo e financeiro das empresas é exercido pelo mesmo grupo de pessoas com laços familiares (Evaldo Nandi Calegari, Márcia Calegari, Raquel Martins Farias e Rafael Nandi Calegari – pai, irmã, esposa e filho), seja devido a participação delas no quadro societário da empresa como sócio administrador, seja por força de procuração, conforme demonstrado nos seguintes excertos da representação administrativa de fls. 02 a 26: Fl. 665DF CARF MF 12 4. DA DOCUMENTAÇÃO ANALISADA 4.1. Documentos obtidos junto ao 1° Tabelionato de Notas e Protestos de TuharãoSC. 4.1.1. Em atendimento aos Oficios Sefis/DRF/FNS nº 059 de 09/03/2015 e nº 076 de 23/04/2015 (Doc. 16), o Iº Tabelionato de Notas e Protestos apresentou os seguintes documentos: a) Certidões de registros de procurações emitidas pelas empresas abrangidas pela auditoria, outorgando aos senhores Evaldo Nandi Calegari e Rafael Nandi Calegari total poder para gerir e administrar as empresas auditadas (Doc. 17); b) Certidões de registros de procurações emitidas por empresas abrangidas pela auditoria, outorgando ao senhor Rafael Nandi Calegari e às senhoras Raquel Martins Farias e Márcia Calegari, total poder para gerir contascorrentes bancárias de propriedade das empresas outorgantes (Doc. 18). (...) 5.1. Da referida análise, foram extraídas informações, as quais foram compiladas nos quadros a seguir, com as conclusões pertinentes: Dos documentos obtidos junto ao 1º Tabelionato de Notas e Protestos de TubarãoSC (Item 4.1.): • Quadro 1A Das certidões de registros de procurações emitidas pelas empresas abrangidas pela auditoria, outorgando aos senhores Eraldo Nandi Calegari, Rafael Nandi Calegari, Raquel Martins Farias e Márcia Calegari, total poder para gerir c administrar as empresas auditadas: (...) • Quadro 1B Das certidões de registros de procurações emitidas por empresas abrangidas pela auditoria, outorgando ao senhor Rafael Nandi Calegari e às senhoras Raquel Martins Farias e Márcia Calegari, total poder para gerir contascorrentes bancárias de propriedade das empresas outorgantes. Percebese, nas procurações acima listadas, no que diz respeito às que outorgam poderes de total gerência e administração (Quadro 1A acima), cujas cópias são aqui anexadas (Doc. 17), que os Senhores Evaldo Nandi Calegari e Rafael Nandi Calegari e as Senhoras Márcia Calegari e Raquel Martins Farias, além de serem contratualmente, os titulares de uma ou mais empresas do grupo aqui caracterizado, são também procuradores, com todos os poderes para gerir e administrar as demais empresas componentes do mesmo grupo, fato que os equipara a administradores das mesmas, caracterizando a Fl. 666DF CARF MF Processo nº 11516.723074/201519 Acórdão n.º 1001000.681 S1C0T1 Fl. 661 13 existência de grupo econômico de fato, com unicidade gerencial c poder de decisão centralizado. No que diz respeito às procurações que outorgam poderes de movimentação de contas bancárias de propriedade das empresas outorgantes (Quadro 1B acima), cujas cópias seguem em anexo (doc. 18), estas reforçam a constatação da existência de grupo econômico de fato, uma vez que delegam poderes de gerenciamento financeiro às pessoas do Sr. Rafael Nandi Calegari e Senhoras Raquel Martins Farias e Márcia Calegari. Constatase assim, que a gerência administrativa e financeira das empresas componentes do grupo econômico aqui caracterizado, fica a cargo do grupo familiar composto pelo Senhor Evaldo Nandi Calegari, sua esposa a Senhora Raquel Martins Farias, seu filho o Senhor Rafael Nandi Calegari e sua irmã a Senhora Márcia Calegari. Este comando é mais intenso a partir do ano de 2008, com os Senhores Evaldo Nandi Calegari e Rafael Nandi Calegari. Em um tópico mais adiante, perceberemos que a supremacia da família aqui citada, se dá também de forma contratual, através da análise da movimentação contratual e da titulação societária (Quadro 2A). Constatase também, que os mesmos administram as referidas empresas desde o ano de 2007 até os dias atuais, conforme discriminado nas planilhas abaixo. Discriminamos abaixo, as empresas e os períodos em que os membros da família Nandi Calegari são nomeados por procuração e as empresas e períodos em que constam como administradores através de contrato social: Evaldo Nandi Calegari: Atuou como administrador, conforme contratos sociais e alterações, na empresa Eduardo Decorações Ltda. EPP nos períodos de 08/1999 a 11/2000 e 08/2005 a 05/2010. (...) Rafael Nandi Calegari: Atuou como administrador, conforme contratos sociais e alterações, na empresa Eduardo Decorações Ltda. EPP nos períodos de 02/2001 a 08/2005 c 10/2011 a 01/2013 e na empresa Empório Duhomem Ind. Com. e Serviços Ltda. EPP no período de 07/2006 a 02/2008. (...) Raquel Martins Farias: Atua como administradora, conforme contrato social e alterações, na empresa New Modas Com. De Confec. Ltda. ME desde 05/2007. (...) Fl. 667DF CARF MF 14 Márcia Calegari: Atuou como administradora, conforme contratos sociais e alterações, na empresa Nacale Com. de Tec. e Confec. Ltda EPP, no período de 10/1991 a 03/2005, na Empresa Costa Esmeraldino Confecções Eireli EPP nos períodos de 06/1998 a 08/1999 e 07/2010 a 09/2015, na empresa JR Dandolini Artigos do Vest. Ltda. ME desde 04/2013 e na empresa Tubarão Confecções Ltda. EPP desde 12/201 Devese atentar para o fato que, em algum momento da existência do grupo econômico ora analisado, o Senhor Rafael Nandi Calegari, a Senhora Raquel Martins Farias e a Senhora Márcia Calegari, que compõem o grupo familiar acima citado, fizeram parte da sociedade de uma das empresas do grupo econômico, como sócios administradores. De maneira que denota o forte vínculo existente entre as empresas que compõem o grupo econômico, uma vez que os mesmos, gerenciam financeiramente, com total poder de movimentação de contas bancárias, empresas das quais não fizeram e nem fazem parte do quadro social. A delegação de total poder de gerenciamento e administração, por procuração pública, aos senhores Evaldo Nandi Calegari e Rafael Nandi Calegari, e a maneira como são distribuídos, também por procuração pública, os cargos de gerenciamento financeiro, com total poder de movimentação das contas bancárias, ao senhor Rafael Nandi Calegari e às senhoras Raquel Martins Farias e Márcia Calegari, demonstra o claro objetivo de criação de um grupo de empresas, no intuito de obter melhores resultados econômicofinanceiros. Esta união entre as empresas com objetivos sociais iguais ou correlatos, caracteriza a existência de grupo econômico de fato com unicidade gerencial e comando centralizado. (...) Dos documentos apresentados pelas empresas abrangidas pela auditoria (item 4.2.). • Contratos e alterações contratuais registrados na JUCESC (Doc. 19 a Doc. 27): Dos contratos sociais e alterações, devidamente registradas na Junta Comercial do Estado de Santa Catarina JUCESC extraímos as informações inseridas no resumo denominado Movimentação Contratual e no quadro denominado Titulação Societaria: MOVIMENTAÇÃO CONTRATUAL A seguir um resumo da movimentação contratual do sujeito passivo e demais pessoas jurídicas abrangidas, conforme atos constitutivos e alterações contratuais levadas ao registro perante a Junta Comercial do Estado de Santa Catarina — JUCESC (cópias cm anexo). (...) • Quadro 2A – TITULAÇÃO SOCIETÁRIA Fl. 668DF CARF MF Processo nº 11516.723074/201519 Acórdão n.º 1001000.681 S1C0T1 Fl. 662 15 (...) Percebese, a partir da análise do resumo da movimentação contratual e do Quadro 2A Titulação Societária, que a família Nandi Calegari, sempre esteve a frente do comando das empresas abrangidas por esta auditoria. Este comando era oficializado por contrato social devidamente registrado na Junta Comercial do Estado de Santa Catarina, porém a partir dos anos 2007 e 2008, com surgimento de novas empresas, novos membros da família eram incluídos nas administrações, o poder, então, passou a se concentrar em quatro membros da família, quais sejam, os Senhores Evaldo Nandi Calegari e Rafael Nandi Calegari e as Senhoras Márcia Calegari e Raquel Martins Farias. Formase assim, o grupo familiar que comanda, até os dias atuais o grupo econômico de fato, de cunho familiar, composto pelo senhor Evaldo Nandi Calegari, juntamente com sua irmã, a senhora Márcia Calegari, seu filho o senhor Rafael Nandi Calegari e sua esposa Senhora Raquel Martins Farias. Com já comentado anteriormente, o poder de comando é oficializado por contrato social e/ou delegado por procurações aos membros da família Nandi Calegari aqui citados, e conforme se constata nos quadros acima, há um revezamento de comando entre os mesmos, permanecendo esta supremacia ate os dias atuais, conforme quadro resumo abaixo: (...) Como já foi dito, o quadro acima demonstra que o poder de administrar está concentrado nas pessoas dos Senhores Evaldo Nandi Calegari e Rafael Nandi Calegari, estabelecido através de contrato social e/ou de procurações públicas, iniciandose o grupo econômico no ano de 2007 e existente ate os dias atuais. Fl. 669DF CARF MF 16 Verificase ainda, analisando a movimentação contratual, os quadros que relacionam as procurações públicas, denominados de “Quadro 1A” e “Quadro 1B”, o “Quadro 2ATitulação Societária” que, a cada mudança no quadro social, através de alterações contratuais, com introdução de um novo sócio administrador, este novo sócio administrador, em ato contínuo, delega através de procuração pública, totais poderes de gerir e administrar, aos senhores Evaldo Nandi Calegari e Rafael Nandi Calegari. Este fato torna clara a existência do grupo econômico de fato de cunho familiar, sem qualquer sombra de dúvida. c) a constatação de que funcionários e até mesmo sócios de uma das empresas, além de se identificarem em carimbos como funcionários do “Grupo Nandi”, prestavam serviços de forma indistinta para as outras empresas, conforme demonstrando nos seguintes trechos da representação administrativa de fls. 02 a 26: • Notas Fiscais de Entrada de Mercadorias (Doc. 40) Foram apresentadas, pelas empresas abrangidas pela auditoria, notas fiscais de entrada de mercadorias, das quais, anexamos cópias, por amostragem. Das referidas notas fiscais extraímos as seguintes informações, que comprovam nossa constatação, ou seja, da existência de grupo econômico de fato, senão vejamos: a) em diversas notas fiscais de compra de mercadorias para revenda, cujas empresas compradoras são Tubarão Confecções Ltda. ME, Empório Duhomem Ind. Com. e Serv. Ltda. EPP, KCS Confecções Ltda. EPP, JR Dandolini Art. do Vestuário Ltda. ME, consta a rubrica identificada como sendo do senhor Wagner de Souza Nunes, atestando o recebimento/lançamento das mercadorias relacionadas, no corpo das notas. Devese atentar para o fato de que o senhor Wagner de Souza Nunes, foi sócio administrador da empresa Calegari Com. De Decorações Ltda. EPP, empresa esta, componente do grupo econômico em questão, no período de 01/2011 a 11/2012 e que o mesmo também foi empregado da empresa Empório Duhomem Ind. Com. E Serv. Ltda. EPP no período de 01/06/2009 a 21/03/2013, sendo que as notas fiscais aqui referidas e anexadas por amostragem referemse ao ano de 2011; b) na nota fiscal de compra de material e equipamentos, NFe nº 4.666 Serie 1 de 14/04/2011, da fornecedora Nautec Eletrônica Ltda., consta como responsável pela compra, o Senhor Jose Roberto Dandolini, que a assina e em cujo carimbo consta que o mesmo é administrador do Grupo Nandi trazendo ainda o endereço de email “dandolini@casanandi.com.br. Neste caso, o senhor Jose Roberto Dandolini, que naquela data, era sócio administrador da empresa Tubarão Confecções Ltda ME, atesta em seu carimbo, a existência do Grupo Nandi e, conforme endereço eletrônico (email) resta comprovado a utilização da marca “Casa Nandi”. Fl. 670DF CARF MF Processo nº 11516.723074/201519 Acórdão n.º 1001000.681 S1C0T1 Fl. 663 17 (...) Da documentação apresentada pelo Sindicato dos Comerciários de TubarãoSC. (Item 4.4). Em atendimento ao Ofício Sefis/DRF/FNS nº 111 de 31/08/2015 (Doc. 30), o Sindicato dos Comerciários de TubarãoSC, apresentou os seguintes documentos: a) documentos referentes à homologações de rescisões contratuais de empregados das empresas componentes do Grupo Nandi (Doc. 31, 32 e 33); b) correspondências por carta, solicitando abertura das lojas do grupo Nandi em horário especial (Doc. 34); c) correspondências por emails enviados pelo Grupo Nandi comunicando o evento de Feirões com listagem das lojas participantes (Doc. 35). A documentação apresentada pelo sindicato, confirma a existência de grupo econômico, pois comprova que empregados administrativos de uma empresa componente do grupo, são utilizados indistintamente, por duas ou mais empresas. Estes empregados são identificados como prepostos de duas ou mais empresas, chefes de RH do Grupo Nandi ou Supervisores do Grupo Nandi, como veremos nos documentos aqui anexados e relatados, por amostragem a seguir: a) Documentos referentes a homologações de rescisões contratuais: a.1) Cartas de prepostos (Doc. 31) — Tratase de Cartas de Prepostos emitidas pelas empresas envolvidas na auditoria componentes do grupo econômico, em que se percebe que os prepostos nomeados, representam ao mesmo tempo as diversas empresas aqui citadas, sendo funcionários de apenas uma delas, conforme demonstrado no quadro a seguir: (...) Percebese, no quadro acima, que as funcionárias Karla Konig Leal e Priscila Ramos Marcos, embora estejam registradas como empregadas da empresa Empório Duhomem Ind. Com. e Serv. Ltda. são nomeadas representantes de diversas empresas. Ou seja, um total de 7 (sete) empresas, nomeiam duas funcionárias registradas em uma delas, representantes de todas, perante o Sindicato dos Trabalhadores no Comércio. Desta forma, fica claro que as diversas empresas relacionadas no quadro acima, estão unidas, no intuito de minimizar custos e obter melhores resultados, caracterizandose assim como grupo econômico de fato. Fl. 671DF CARF MF 18 a.2) Aviso Prévio do empregador para dispensa do empregado (Doc. 32) Tratase de avisosprévios de empregador para dispensa de empregado, os quais compõem a documentação de homologação de rescisão contratual, apresentada ao Sindicato dos Trabalhadores no Comércio de Tubarão/SC. Da análise destes documentos, retirase as seguintes informações: 1) são avisosprévios de dispensa de empregados, emitidos pelas empresas KCS Confecções Ltda.. Empório Duhomem Ltda, Tubarão Confecções Ltda ME, Calegari Com. Dec. Ltda EPP, Costaesmeraldino Ltda Nacale Com. Confec. Ltda. e J.R. Dandolini Ltda., em diversos meses dos anos de 2010 e 2011; 2) todos os documentos foram assinados pela senhora Karla Konig Leal, que fora nomeada representante, através de carta de preposto, por todas as empresas componentes do grupo econômico; e 3) em alguns desses avisosprévios de dispensa de empregado, a senhora Karla Konig Leal, além de assinar, apõe seu carimbo de identificação, onde se lê o seu nome e os termos “Recursos Humanos” e “Grupo Nandi”, ficando claro que se trata de uma funcionária que representa, não só as empresas do grupo, como também o setor de Recursos Humanos do Grupo Nandi. Resta comprovado, também aqui, sem nenhuma dúvida, a existência de grupo econômico de fato, denominado pelos próprios como Grupo Nandi. a.3) Termos de Rescisão do Contrato de Trabalho (Doc. 33) Foram apresentadas também, pelo Sindicato dos Comerciários, cópias de Termos de Rescisão do Contrato de Trabalho devidamente homologadas, sendo que destes documentos, extraímos as seguintes informações: 1 ) são Termos de Rescisão do Contrato de Trabalho, referentes a exempregados das empresas KCS Confecções Ltda., Empório Duhomem 2) os termos foram assinados pelas senhoras Karla Konig Leal e Priscila Ramos Marcos, as quais foram nomeadas representantes, através de carta de preposto, por todas as empresas componentes do grupo econômico; e 3) em um desses termos de rescisão do contrato de trabalho, a senhora Karla Konig Leal, além de assinar, apõe seu carimbo de identificação, onde se lê o seu nome e os termos “Recursos Humanos” e “Grupo Nandi”, ficando claro que se trata de uma funcionária que representa, não só as empresas do grupo, como também o setor de Recursos Humanos do Grupo Nandi. Mais uma vez, sem qualquer sombra de dúvida, comprova se a existência de grupo econômico de fato, denominado pelos próprios como Grupo Nandi. Fl. 672DF CARF MF Processo nº 11516.723074/201519 Acórdão n.º 1001000.681 S1C0T1 Fl. 664 19 b) Correspondências por carta, solicitando abertura das lojas do grupo Nandi em horário especial e por emails, enviados pelo Grupo Nandi comunicando o evento de Feirões com listagem das lojas participantes: b.1) Cartas com solicitação de abertura em horário especial (Doc. 34) Foram apresentadas pelo Sindicato dos Comerciários de TubarãoSC cópias de cartas em que as empresas do Grupo Nandi, informam sobre a realização de “feirões de vendas”, com aberturas das lojas em horários especiais. Na planilha abaixo, relacionamos os documentos enviados: (...) Dos documentos acima relacionados e anexados à presente representação, extraímos as seguintes informações: 1) todas as empresas remetentes das cartas, fazem parte do Grupo Nandi, conforme já mencionado anteriormente: 2) todas as correspondências foram assinadas pelo senhor José Roberto Dandolini, sócio gerente, à época, de outra empresa do grupo, denominada Tubarão Confecções Ltda. ME; 3) o senhor Jose Roberto Dandolini assina todas as correspondências e, se identifica, logo abaixo de sua assinatura, como Supervisor Grupo Nandi, representando todas as empresas remetentes; e 4) percebese que, desde o ano de 2009, todas as empresas do grupo, fazem uso das marcas NANDI, EMPÓRIO DUHOMEM e LOJÃO VITÓRIA. As informações extraídas, comprovam mais uma vez e existência de fato, do grupo econômico, denominado pelos seus componentes de GRUPO NANDI, desde o ano de 2009. c) Emails enviados pelo Grupo Nandi comunicando a execução de Feirões (Doc. 35) Também através de e mails, o Grupo Nandi comunica ao Sindicato dos Comerciários, a execução de feirões, com abertura das lojas cm horários especiais. Das cópias de emails analisados, e aqui anexados, extraímos as seguintes informações: I) O remetente dos emails, datados de 23 de março de 2009 e 24 de julho de 2009, é o senhor José Roberto Dandolini, identificado ao pé dos emails como Supervisor do Grupo Nandi, utilizando um endereço de email corporativo do Grupo Nandi (dandolini@casanandi.com.br). Vale lembrar novamente que o senhor José Roberto Dandolini era sócio gerente, à Fl. 673DF CARF MF 20 época, de outra empresa do Grupo Nandi, denominada Tubarão Confecções Ltda. ME; e 2) no corpo dos emails, o supervisor do Grupo Nandi informa sobre o evento denominado Feirão e lista por nome de fantasia, as lojas do grupo que participarão do feirão. Abaixo relacionamos as lojas listadas no corpo dos emails, pelo nome de fantasia, respectiva razão social e número de CNPJ: (...) Toda a documentação apresentada pelo Sindicato dos Comerciários de TubarãoSC, aqui comentada, comprova a existência de um grupo econômico de fato, na medida em que um grupo de empresas, utilizamse de funcionários, umas das outras, indistintamente, denotando unicidade gerencial, na área de recursos humanos, ou seja, a existência de um organismo administrativo único para todas as empresas analisadas, não deixando qualquer dúvida quanto a existência do grupo econômico de fato. d) o fato da empresa Nacale Com. de Tecidos e Confecções Ltda ter atestado sua participação no grupo econômico ao declarar na ficha de abertura de contas bancárias que seu nome de fantasia é uma das marcas utilizadas pelos componentes do referido grupo econômico (Casa Nandi), conforme exposto no seguinte excerto da representação administrativa de fls. 02 a 26: • Contratos de Abertura de Contacorrente (Doc. 41) O contribuinte apresentou contratos de abertura de conta corrente. Nestes contratos firmados entre a empresa Nacale Com. de Tecidos e Confecções Ltda. e o Banco do Brasil S/A e a Caixa Econômica Federal, a empresa atesta sua participação no grupo econômico de fato aqui caracterizado, ao declarar na ficha de abertura de contas que seu nome de fantasia é “Casa Nandi”, sendo esta uma das marcas utilizadas pelos componentes do referido grupo econômico. Mais uma vez resta comprovado, através da documentação apresentada pelas empresas auditadas, a existência de grupo econômico de fato. e) a constatação de que existia Programa de Relacionamento (Fidelidade) que englobava todas as empresas, conforme exposto no seguinte trecho da representação administrativa de fls. 02 a 26: Dos documentos obtidos junto ao Oficio de Registros das Pessoas Naturais e Interdições e Tutelas das Pessoas Jurídicas e de Títulos e Documentos da Comarca de Tubarão/SC (Item 4.3). Em atendimento ao Ofício Sefis/DRF/FNS nº 066 de 30/03/2015 (Doc. 28), o Ofício de Registros Civis das Pessoas Naturais e de Interdições e Tutelas das Pessoas Jurídicas e de Titulos e Documentos da Comarca de Fl. 674DF CARF MF Processo nº 11516.723074/201519 Acórdão n.º 1001000.681 S1C0T1 Fl. 665 21 Tubarão/SC, forneceu a esta auditoria cópia do Regulamento do Programa de Relacionamento Clube Maiores Lojas (Doc. 29). O referido documento trata da criação de um programa de fidelidade, para clientes em compra em lojas que pertencem ao grupo de empresas que constituem o grupo econômico de fato, ora comprovado. O regulamento do programa de relacionamento foi rubricado e assinado pelo senhor Rafael Nandi Calegari, representando todas as empresas componentes do grupo econômico, e registrado no cartório em 19/03/2010, no livro B158, folha 104 do Ofício de Registros Civis das Pessoas Naturais e de Interdições e Tutelas das Pessoas Jurídicas e de Títulos e Documentos da Comarca de TubarãoSC. A criação do programa de relacionamento, a citação do grupo econômico, com a listagem das empresas que o compõe, a assinatura do senhor Rafael Nandi Calegari, exercendo o poder que lhe é delegado pelas procurações citadas no Quadro 1A acima, representando todas as lojas do “Clube Nandi”, não deixa qualquer dúvida quanto a real existência do grupo econômico de fato. f) a constatação de que as empresas eram representadas pelas mesmas pessoas perante a Justiça do Trabalho, conforme exposto no seguinte trecho da representação administrativa de fls. 02 a 26: Dos documentos obtidos junto à Justiça do Trabalho (Item 4.5). Foram obtidos, junto à Justiça do Trabalho de Santa Catarina, primeira e segunda varas do trabalho de TubarãoSC, cópias de partes de processos trabalhistas (Doc. 36), em que figuram como partes, empresas abrangidas por esta auditoria, dos quais extraímos as informações que corroboram com a caracterização de grupo econômico de fato, conforme quadro a seguir (...) g) a constatação de que o próprio Sr. Rafael Nandi Calegari se apresenta na rede social linkedin como “Gerente de Marketing do Grupo Nandi”, conforme exposto no seguinte trecho da representação administrativa de fls. 02 a 26: b) Perfis de pessoas físicas relacionadas com as empresas abrangidas pela auditoria: Na rede social “linkedin” https://www.linkedin.com), o senhor Rafael Nandi Calegari se identifica como “Gerente de Marketing do Grupo Nandi” (Doc. 38). Fl. 675DF CARF MF 22 Neste documento estão relacionadas as marcas utilizadas pelas empresas componentes do Grupo Nandi (Lojão Vitória, Casa Nandi, Empório Duhomem e Nandi Decorações). Isto comprova a existência do Grupo Econômico Nandi e a estrutura organizacional que se utiliza de um gerente de marketing para todo o grupo de empresas. h) a constatação de que o Sr. Rafael Nandi Calegari é o proprietário de todos os sites utilizados pelas empresas e da marca “Clube Maiores Lojistas”, que se refere ao programa de relacionamento que engloba todas as empresas, conforme exposto no seguinte excerto da representação administrativa de fls. 02 a 26: Da documentação e Informações obtidas através da rede mundial de computadores (Internet) (Item 4.6) Em pesquisa junto a rede mundial de computadores, obtivemos informações e documentos, que representam evidências e provas da existência do grupo econômico de fato, com unicidade gerencial e comando centralizado. Dentre as informações e documentos obtidos relacionamos as seguintes: a) páginas iniciais de sites na internet e informações relacionadas com as empresas abrangidas pela auditoria (Doc. 37); b) perfis de pessoas físicas relacionadas com as empresas abrangidas pela auditoria (Doc. 38); c) Whois Registro de Domínios (Doc. 39): e d) INPI (registro de marcas) (Doc. 42). a) Páginas iniciais de sites na internet e informações relacionadas com as empresas abrangidas pela auditoria: Na rede mundial de computadores, encontrase a página “http://www.lojaovitoria.com.br/cartão”. Esta é a página de divulgação do programa de relacionamento “Clube Maiores Lojas”, citado no item 4.3, onde novamente é citado o “Clube Nandi” como administrador do programa (Doc. 37). Nesta divulgação aparecem exemplos de cartões do programa de relacionamento com os logotipos das empresas com as marcas Lojão Vitória, Empório Duhomem e Casa Nandi. Estas são as marcas usadas pelas empresas componentes do grupo econômico denominado “GRUPO NANDI”. (...) c) Informações através do “Whois” (Protocolo para consulta sobre domínios (sites) na internet): Com a utilização do “WHOIS”, que funciona como protocolo para consulta sobre propriedade de domínios (sites) na rede mundial de computadores, localizamos os registros dos sites “casanandi.com.br” criado em Fl. 676DF CARF MF Processo nº 11516.723074/201519 Acórdão n.º 1001000.681 S1C0T1 Fl. 666 23 24/03/1998, “lojaovitoria.com.br” criado cm 27/07/2000, “lojasnandi.com.br” criado em 09/08/2011, “emporioduhomem.com.br” criado em 20/01/2009, “nandidecorações.com.br” criado em 20/01/2009 e “clubemaioreslojas.com.br” criado em 30/11/2009 (Doc. 39). Todos os domínios aqui citados, são amplamente usados pelas empresas componentes do grupo econômico e por seus funcionários, fato facilmente comprovado em qualquer busca efetuada na rede mundial de computadores. Nos registros dos referidos domínios, que constam no site “registro.br”, está identificado como proprietário dos referidos sites, o senhor Rafael Nandi Calegari, ou seja, mais uma comprovação que o senhor Rafael Nandi Calegari é o proprietário destes sites e os mesmos são utilizados pelas empresas componentes do Grupo Nandi, sem qualquer ônus, o que caracteriza confusão patrimonial e usufruto coletivo por empresas componentes do grupo econômico aqui identificado. Importante salientar que o senhor Rafael Nandi Calegari é o administrador, por procuração, das empresas aqui mencionadas. d) Registro de Marcas INPI Instituto Nacional de Propriedade Industrial: Junto ao Instituto Nacional de Propriedade Industrial, foram encontrados documentos de registro de uso de marcas (Doc. 42), os quais nos fornecem as seguintes informações: 1) as marcas “NANDI” e “LOJÃO VITÓRIA” são utilizadas pelas empresas componentes do grupo econômico de fato, aqui caracterizado, tanto de maneira formal quanto informal, conforme fartamente comprovado: e 2) a marca “CLUBE MAIORES LOJAS” que da nome ao programa de relacionamento referido no item 4.3, é de propriedade do senhor Rafael Nandi Calegari, sendo que o mesmo, é administrador por força de contrato social e/ou por procuração, de todas as empresas componentes do grupo econômico ora caracterizado, conforme amplamente demonstrado no decorrer da presente representação. Percebemse aqui, mais uma vez, claras evidências da existência de grupo econômico de fato, pela constatação da unicidade gerencial, implícita na divulgação na internet, de um programa de fidelidade chamado “Clube maiores Lojas” em que participam diversas empresas componentes do grupo econômico aqui caracterizado, pela divulgação do próprio perfil, divulgado também na rede mundial de computadores, pelo Senhor Rafael Nandi Calegari, em que o mesmo se intitula “Gerente de Marketing na Grupo Nandi” e pela constatação que o Sr. Fl. 677DF CARF MF 24 Rafael Nandi Calegari, procurador das empresas do Grupo Nandi, é o titular dos domínios “lojasnandi.com.br” e “lojaovitoria.com.br” que são os endereços eletrônicos (emails) utilizados pelas empresas que compõem o referido grupo econômico. Como se vê, a análise conjunta das provas e constatações discriminadas acima não deixa dúvidas de que a Interessada (Empório Duhomem Indústria, Comércio e Serviços Ltda – ME), juntamente com as empresas KCS Confecções Ltda – EPP, Tubarão Confecções Ltda ME, Eduardo Decorações Ltda – EPP, J.R. Dandolini Artigos do Vestuário Ltda – ME, New Modas Comércio de Confecções Ltda – ME, Calegari Comércio de Decorações Ltda EPP, Costa Esmeraldino Confecções Eireli EPP e Nacale Comércio de Tecidos e Confecções Ltda EPP, compõem grupo econômico de fato, visto que todas elas, além de serem controladas e administradas por pessoas da mesma família (Evaldo Nandi Calegari, Márcia Calegari, Raquel Martins Farias e Rafael Nandi Calegari – pai, irmã, esposa e filho), atuam de forma integrada e coordenada, constituindo na realidade uma única empresa (na acepção de empreendimento). Cabe observar que esses elementos de prova e constatações, se forem analisados individualmente, podem até não demonstrar, por si só, a existência de grupo econômico de fato, no entanto, quando apreciados todos em conjunto, comprovam que foi correta a análise da autoridade fiscal, uma vez que demonstram que a todas as empresas citadas no parágrafo anterior, além de serem comandadas pelo mesmo grupo familiar, atuam de forma integrada e coordenada. É importante frisar que todas as alegações apresentadas pela Interessada na tentativa de demonstrar a falta de força probatória dos elementos de prova e constatações enumeradas acima não procedem. De fato, a relação de parentesco entre sócios de empresas diferentes, por si só, não é suficiente para comprovar a existência de grupo econômico de fato. Sucede que a participação societária de integrantes do grupo familiar Nandi Calegari em diversas das empresas citadas é apenas um dos diversos elementos de prova que, quando analisados em conjunto, não deixam dúvida a respeito da caracterização de grupo econômico de fato. Já o fato das empresas terem endereços próprios, ao contrário do que entende a Interessada, não tem o condão de comprovar a incorreção das conclusões das autoridades fiscais, porquanto tal fato, além de não contradizer nenhum dos elementos de prova ou constatações arroladas, não é incompatível com a existência de grupo econômico de fato. A alegação de que as empresas prestam atividades diversas e as exercem de maneira totalmente independente entre elas não condiz com a realidade, conforme demonstrado pelas autoridades fiscais. A alegação de que o perfil na rede social Linkedin a que faz referência o documento de fls. 507/508 é do Sr. Rafael Nandi Fl. 678DF CARF MF Processo nº 11516.723074/201519 Acórdão n.º 1001000.681 S1C0T1 Fl. 667 25 Marcelino e não do Sr. Rafael Nandi Calegari, por sua vez, não pode ser aceita, visto que não foi apresentada nenhuma prova que a ampare. Cabe ressaltar, porém, que mesmo que o referido perfil fosse de Rafael Nandi Marcelino, o que não foi provado, tal fato não tiraria a força probatória de tal documento, já que o mesmo faz expressa menção ao grupo econômico de fato, pois registra a existência do cargo de Gerente de Marketing do “Grupo Nandi”. Diante de todo exposto, portanto, entendo que as autoridades fiscais agiram corretamente ao considerar a existência de grupo econômico de fato nos anos de 2009 a 2015 para fins de apuração da ocorrência da hipótese de vedação ao usufruto do Simples Nacional prevista no artigo 3º, § 4º, inciso V, da Lei Complementar nº 123/2006, que assim preceitua: (...) Fica evidente, portanto, que, ao contrário do que alega a Interessada, restou plenamente configurada a ocorrência da hipótese de vedação ao usufruto do Simples Nacional prevista no artigo 3º, § 4º, inciso V, da Lei Complementar nº 123/2006, nos anos de 2010 a 2014, já que a receita bruta global das empresas, nesses anos, ultrapassou o limite máximo previsto na legislação, conforme demonstrado na tabela abaixo: (...) Por fim, prevê o §1° do art. 29 que nas hipóteses previstas nos incisos II a X do caput a exclusão produzirá efeitos a partir do próprio mês em que incorridas, impedindo a opção pelo regime diferenciado e favorecido desta Lei Complementar pelos próximos 3 (três) anoscalendário seguintes. No caso discutido nestes autos há subsunção dos fatos a dois incisos do art. 29 (I verificada a falta de comunicação de exclusão obrigatória e V tiver sido constatada prática reiterada de infração), razão pela qual confirmamos o impedimento de adesão para os três anos posteriores. Adicionese que as autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. Pelo exposto, voto por rejeitar a preliminar de cerceamento do direito de defesa e no mérito negar provimento ao recurso. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Fl. 679DF CARF MF 26 Fl. 680DF CARF MF
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Numero do processo: 18470.721800/2015-81
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2015
ALEGAÇÕES DE NULIDADE. REJEIÇÃO.
Não provada violação às disposições do artigo 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, rejeitam-se as alegações de nulidade.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEIS.
O exame da constitucionalidade das leis compete exclusivamente ao Poder Judiciário.
SISTEMA DE COMUNICAÇÃO ELETRÔNICA. ATOS ADMINISTRATIVOS.
A opção pelo Simples Nacional implica aceitação do sistema de comunicação eletrônica de atos administrativos e de avisos em geral.
INDEFERIMENTO. LISTA DE PARCELAMENTOS. DÉBITOS INSCRITOS. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA.
A matéria não expressamente impugnada se consolida na esfera administrativa.
INDEFERIMENTO. LISTA DE PARCELAMENTOS. DÉBITOS INSCRITOS.
Mantém-se o Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional se não elidido o fato que lhe deu causa.
Numero da decisão: 1001-000.590
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA - Presidente.
(assinado digitalmente)
EDUARDO MORGADO RODRIGUES - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente)
Nome do relator: EDUARDO MORGADO RODRIGUES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA - Presidente. (assinado digitalmente) EDUARDO MORGADO RODRIGUES - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente)
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REJEIÇÃO. Não provada violação às disposições do artigo 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, rejeitamse as alegações de nulidade. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEIS. O exame da constitucionalidade das leis compete exclusivamente ao Poder Judiciário. SISTEMA DE COMUNICAÇÃO ELETRÔNICA. ATOS ADMINISTRATIVOS. A opção pelo Simples Nacional implica aceitação do sistema de comunicação eletrônica de atos administrativos e de avisos em geral. INDEFERIMENTO. LISTA DE PARCELAMENTOS. DÉBITOS INSCRITOS. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. A matéria não expressamente impugnada se consolida na esfera administrativa. INDEFERIMENTO. LISTA DE PARCELAMENTOS. DÉBITOS INSCRITOS. Mantémse o Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional se não elidido o fato que lhe deu causa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 0. 72 18 00 /2 01 5- 81 Fl. 79DF CARF MF Processo nº 18470.721800/201581 Acórdão n.º 1001000.590 S1C0T1 Fl. 3 2 LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA Presidente. (assinado digitalmente) EDUARDO MORGADO RODRIGUES Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente) Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 76 a 76) interposto contra o Acórdão nº 1280.160, proferido pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Rio de Janeiro/RJ (fls. 62 a 71), que, por unanimidade, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pela ora Recorrente, decisão esta consubstanciada na seguinte ementa: " ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2015 ALEGAÇÕES DE NULIDADE. REJEIÇÃO. Não provada violação às disposições do artigo 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, rejeitamse as alegações de nulidade. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2015 INCONSTITUCIONALIDADE DE LEIS. O exame da constitucionalidade das leis compete exclusivamente ao Poder Judiciário. ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2015 SISTEMA DE COMUNICAÇÃO ELETRÔNICA. ATOS ADMINISTRATIVOS. A opção pelo Simples Nacional implica aceitação do sistema de comunicação eletrônica de atos administrativos e de avisos em geral. INDEFERIMENTO. LISTA DE PARCELAMENTOS. DÉBITOS INSCRITOS. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. A matéria não expressamente impugnada se consolida na esfera administrativa. Fl. 80DF CARF MF Processo nº 18470.721800/201581 Acórdão n.º 1001000.590 S1C0T1 Fl. 4 3 INDEFERIMENTO. LISTA DE PARCELAMENTOS. DÉBITOS INSCRITOS. Mantémse o Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional se não elidido o fato que lhe deu causa. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio " Por sua precisão na descrição dos fatos que desembocaram no presente processo, peço licença para adotar e reproduzir os termos do relatório da decisão da DRJ de origem: " Tratase do Termo de Indeferimento da Opção (formalizada em 22.01.2015) pelo Simples Nacional, emitido pela DRF/Rio de JaneiroII, registrado em 09.03.2015, sob o n° 00.06.73.66.88 (fls.27/28), em face de “Lista de Parcelamentos: empresa possui irregularidade de recolhimento nos parcelamentos PAEX”, e em face dos seguintes débitos inscritos, de exigibilidades não suspensas, assim explicitados: a) Inscrição 70.6.12.01109905, de 30.11.2012; b) Inscrição 70.5.13.00542707, de 21.08.2013; c) Inscrição 70.5.13.00617308, de 12.09.2013; e d) Inscrição 70.5.13.00824877, de 04.11.2013. 2 Em petição recebida em 09.03.2015 (fls.2/16), o interessado diz que não recebeu qualquer forma de notificação informando que teria sua opção pelo Simples Nacional rejeitada, e que, assim, teve cerceado o seu direito de defesa. 3 Alega que: a) é inconstitucional a exclusão do Simples Nacional por falta de pagamento de tributos; b) o legislador violou os princípios constitucionais destinados às micros e às pequenas empresas; c) “é evidente, pois, o descumprimento, pelo CGSN das garantias constitucionais ao direito à liberdade de trabalho e ao livre exercício da atividade econômica”. 4 Pede que o impedimento de optar pelo Simples Nacional em razão de débitos seja declarado inconstitucional. Pede, ainda: a) que toda e qualquer comunicação inerente ao feito seja endereçada à Rua Santo Amando, 234, Campo Grande, CEP 23052430, aos cuidados do Senhor Alair Maquinez da Cruz, ou através do Fax 2124160709; Fl. 81DF CARF MF Processo nº 18470.721800/201581 Acórdão n.º 1001000.590 S1C0T1 Fl. 5 4 b) que o número deste processo seja “cadastrado nas contas de emails previamente cadastradas no pushprocessCOMPROT, conforme indicado: alair@maquinez.com.br”. c) qualquer exigência de juntada de documentos seja informada no processo, com concessão de prazo razoável para cumprimento; dias para análise, e que, na hipótese de aceitação/reconhecimento, lhe seja deferido parcelamento, com parcelas que não excedam a um quarto do valor apurado do Simples Nacional; e) todos os débitos existentes em seu desfavor sejam recalculados, desconsiderandose a aplicação dos juros à taxa Selic, e que todos os débitos oriundos de punições por atraso em entrega de declaração sejam anulados, por ausência de notificação; f) a aplicação de efeito suspensivo aos débitos constantes da base de dados até o período de 12/2014, administrados por esta RFB, bem como, de débitos oriundos de outros entes, ou que estes últimos sejam notificados a formalizarem a suspensão dos débitos e pendências cadastrais até o trânsito deste recurso; g) que os termos deste processo sejam levados ao conhecimento das administrações tributárias do Estado e do Município e que “toda e qualquer decisão em relação ao feito seja motivada”. 5 O interessado requer, ao final, o deferimento de sua opção pelo Simples Nacional. 6 Nesta Turma, foram juntadas as consultas de fls.45/60. Relatados. " Inconformada com a decisão de primeiro grau que indeferiu a sua Manifestação de Inconformidade, a ora Recorrente apresentou o recurso sobre análise apenas reiterando os termos aventados em primeira instância. É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues O presente Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Fl. 82DF CARF MF Processo nº 18470.721800/201581 Acórdão n.º 1001000.590 S1C0T1 Fl. 6 5 Em atenção ao disposto no §3º do art. 57 do RICARF, e por concordar com seu teor, adoto as razões exaradas pela decisão da DRJ ora combatida. Para tanto, reproduzo os tópicos atinentes às matérias ora tratadas: "(...) De início, cumpre observar que as atribuições concernentes a endereçamento, cadastramento de processo em contas de email, e prazo para juntada de documentos em processos não estão inseridas na esfera de competência da autoridade julgadora (DRJ), que delas não pode tomar conhecimento, devendo, assim, ser encaminhadas à autoridade lançadora (DRF). 9 Também não há previsão legal para que, em sede de processo de manifestação contra indeferimento de opção pelo Simples Nacional, a autoridade tributária: recalcule todos os débitos do interessado, exonerandoos dos juros à taxa Selic; anule todos os débitos oriundos de multa por atraso em declaração; forneça planilhas de todos os débitos do interessado; aplique efeito suspensivo a todos os débitos do interessado; leve ao conhecimento da administração tributária dos demais entes federativos as conclusões deste processo. 10 Desse modo, por falta de previsão legal, não se pode conhecer dos sobreditos pedidos. 11 Tratase de indeferimento de opção pelo Simples Nacional, causada por irregularidade em parcelamento e por 4 (quatro) débitos inscritos em Dívida Ativa da União. 12 A Lei Complementar n° 123, de 14 de dezembro de 2006, que instituiu o Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte – Simples Nacional (art.12), enumera as hipóteses de vedações ao ingresso nessa sistemática (art.17). 13 E, entre tais hipóteses, vêse a existência de débito com o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e com as Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, cuja exigibilidade não estiver suspensa (art.17, inciso V). Das Vedações ao Ingresso no Simples Nacional Art. 17. Não poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou a empresa de pequeno porte: (...) V que possua débito com o Instituto Nacional do Seguro Social INSS, ou com as Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, cuja exigibilidade não esteja suspensa; 14 Assim, o indeferimento da opção para aquele que possui débito de exigibilidade não suspensa está de acordo com a lei. 15 À autoridade tributária cabe dar cumprimento à lei, sob pena de responsabilidade funcional, não lhe cabendo dispor sobre a sua constitucionalidade. 16 A alegação de que as normas que dispõem sobre a exclusão do Simples Nacional se opõem a princípios constitucionais não tem procedência. Fl. 83DF CARF MF Processo nº 18470.721800/201581 Acórdão n.º 1001000.590 S1C0T1 Fl. 7 6 17 Ainda que fosse diferente, a lei em vigor, em nosso ordenamento positivo, produz todos os efeitos que lhe são próprios, e, até que formalmente revogada, presumese em harmonia com o sistema jurídico em que está inserida. 18 Nessa linha, o controle da legalidade ou da constitucionalidade de leis compete exclusivamente ao Poder Judiciário (incisos I, alínea “a”, e III, alínea “b”, e parágrafo 1º do art. 102 da Constituição da República Federativa do Brasil). 19 Assim, enquanto não declarada a sua inconstitucionalidade, com a sua subsequente exclusão do mundo jurídico, a lei goza de presunção de validade, vinculando todos os atos da administração pública. 20 Acerca do fundamento de inconstitucionalidade, o Decreto nº 70.235, de 1972 (com a redação que lhe deu a Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009), dispõe: Art.26A No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. 21 Ante a isso, as questões levantadas pelo interessado, que, ao final, versam sobre a constitucionalidade e a legalidade do artigo de lei reproduzido em nosso item 13, estão fora da órbita da autoridade julgadora administrativa, à qual compete verificar a correta aplicação da lei, sem, contudo, proferir juízo acerca de sua constitucionalidade ou de outros aspectos atinentes à sua validade no mundo jurídico. 22 Aliás, em sessão de 30.01.2013, o Plenário do Supremo Tribunal Federal, nos autos do Recurso Extraordinário nº 627.543, reconheceu a constitucionalidade do referido dispositivo legal (nosso item 13). 23 Também carece de fundamento a alegação do interessado de que o Comitê Gestor do Simples NacionalCGSN descumpre garantias constitucionais ao direito à liberdade de trabalho e ao livre exercício da atividade econômica. 24 A já citada Lei ComplementarLC nº 123, de 2006, dispõe, textualmente, que o tratamento diferenciado e favorecido a ser dispensado às microempresas e as empresas de pequeno porte será, em seus aspectos tributários, gerenciado pelo Comitê Gestor do Simples NacionalCGSN, verbis: Art. 2o O tratamento diferenciado e favorecido a ser dispensado às microempresas e empresas de pequeno porte de que trata o art. 1o desta Lei Complementar será gerido pelas instâncias a seguir especificadas: I Comitê Gestor do Simples Nacional, vinculado ao Ministério da Fazenda, composto por 4 (quatro) representantes da Secretaria da Receita Federal do Brasil, como representantes da União, 2 (dois) dos Estados e do Distrito Federal e 2 (dois) dos Municípios, para tratar dos aspectos tributários; (...) 25 Assim, é sem dúvida que o indeferimento/exclusão do Simples Nacional não se assenta em normas do CGSN, mas, na lei, que, aliás, é o que embasa todos os atos da administração pública. 26 O dito diploma legal também atribuiu competência ao CGSN para regulamentar as regras de exclusão/inclusão, bem como, o modo de suas implementações. Fl. 84DF CARF MF Processo nº 18470.721800/201581 Acórdão n.º 1001000.590 S1C0T1 Fl. 8 7 27 E, dentre as regras da Lei Complementar nº 123, de 2006, está aquela que determina que a opção pelo Simples Nacional implica aceitação de sistema de comunicação eletrônica, sistema que tem, entre outras, a finalidade de cientificar ao interessado o ato de indeferimento da opção, senão vejamos: Art. 16. A opção pelo Simples Nacional da pessoa jurídica enquadrada na condição de microempresa e empresa de pequeno porte darseá na forma a ser estabelecida em ato do Comitê Gestor, sendo irretratável para todo o ano calendário. § 1º Para efeito de enquadramento no Simples Nacional, considerarseá microempresa ou empresa de pequeno porte aquela cuja receita bruta no ano calendário anterior ao da opção esteja compreendida dentro dos limites previstos no art. 3º desta Lei Complementar. § 1º. – A. A opção pelo Simples Nacional implica aceitação de sistema de comunicação eletrônica, destinado, dentre outras finalidades, a; I cientificar o sujeito passivo de quaisquer tipos de atos administrativos, incluídos os relativos ao indeferimento de opção, à exclusão do regime e a ações fiscais; II encaminhar notificações e intimações; e III expedir avisos em geral. § 1 º B. O sistema de comunicação eletrônica de que trata o § 1 º A será regulamentado pelo CGSN, observandose o seguinte; I as comunicações serão feitas, por meio eletrônico, em portal próprio, dispensandose a sua publicação no Diário Oficial e o envio por via postal; II a comunicação feita na forma prevista no caput será considerada pessoal para todos os efeitos legais; III a ciência por meio do sistema de que trata o § 1 º A com utilização de certificação digital ou de código de acesso possuirá os requisitos de validade; IV considerarseá realizada a comunicação no dia em que o sujeito passivo efetivar a consulta eletrônica ao teor da comunicação; e V na hipótese do inciso IV, nos casos em que a consulta se dê em dia não útil, a comunicação será considerada como realizada no primeiro dia útil seguinte. § 1 º C. A consulta referida nos incisos IV e V do § 1 º B deverá ser feita em até 45 (quarenta e cinco) dias contados da data da disponibilização da comunicação no portal a que se refere o inciso I do § 1º B, ou em prazo superior estipulado pelo CGSN, sob pena de ser considerada automaticamente realizada na data do término desse prazo. (Incluído pela Lei Complementar nº 139, de 10 de novembro de 2011) 28 Quando o interessado manifesta opção pelo Simples Nacional, o sistema lhe informa os débitos, se existentes, que obstam tal pretensão, e lhe informa o prazo para que tais débitos sejam regularizados. É apenas após o decurso do dito prazo para regularização que o termo de indeferimento é gerado, devendo ser baixado/impresso pelo próprio interessado. Fl. 85DF CARF MF Processo nº 18470.721800/201581 Acórdão n.º 1001000.590 S1C0T1 Fl. 9 8 29 Desse modo, estão contrárias à lei as alegações do interessado de que teve o seu direito de defesa cerceado por não ter recebido “qualquer forma de notificação informando que teria sua opção pelo Simples Nacional rejeitada”. 30 O interessado pede a nulidade do ato. 31 Na forma do art.59 do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972, nulos são os atos lavrados por pessoa incompetente ou com preterição de defesa. 32 O Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional foi lavrado por autoridade competente – Delegado da DRFRJOII, tendo sido juntado às fls.27/28 pelo próprio interessado, que dele apresenta defesa. 33 Assim, as alegações de nulidade devem ser rejeitadas. 34 O Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional se fundamenta no art. 17, inciso V, da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, que veda o ingresso no Simples Nacional àquele que possui débito de exigibilidade não suspensa, com o INSS e/ou com as Fazendas Públicas. 35 Para 2015, a opção pelo Simples Nacional pôde ser feita, a princípio, até o último dia útil de janeiro – 30.01.2015 , quando todas as pendências impeditivas ao ingresso nessa sistemática deveriam ser regularizadas (Resolução CGSN nº 94, de 29 de novembro de 2011, art.6º e §§). Após, conforme publicado na página do Simples Nacional, o prazo para resolver as ditas pendências foi, excepcionalmente, estendido até 06.02.2015. 36 O prazo de 06.02.2015 para a regularização de pendências impeditivas à opção foi confirmado na Nota Técnica Codac 0001/2015, desta RFB, de 25.03.2015. 37 O indeferimento se deu em razão de irregularidade em parcelamento e, ainda, de 4 (quatro) inscrições em Dívida Ativa da UniãoDAU. O interessado nada alega acerca de irregularidades no parcelamento, tampouco dos 4 (quatro) débitos inscritos. 38 A matéria não expressamente impugnada se consolida na esfera administrativa e dela o interessado não pode mais apresentar reclamação (art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972). 39 Ainda assim, vale registrar que, conforme consulta a sistema da ProcuradoriaGeral da Fazenda NacionalPGFN (fls.45/60), a quem compete a formalização e a administração da Dívida Ativa da União, ambas as inscrições não estavam pagas ou suspensas na datalimite referida em nossos itens 35/36, e permanecem pendentes de pagamento (três delas foram ajuizadas). (...)" Assim, com base nos argumentos supra colacionados, provenientes da DRJ de origem, entendo que os argumentos esposados pela Recorrente não devem ser acolhidos. Portanto, a decisão de primeira instância não merece qualquer reparo. Desta forma, VOTO no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, mantendo in totum a decisão de primeira instância. É como voto. Fl. 86DF CARF MF Processo nº 18470.721800/201581 Acórdão n.º 1001000.590 S1C0T1 Fl. 10 9 (assinado digitalmente) Eduardo Morgado Rodrigues Relator Fl. 87DF CARF MF
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