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Numero do processo: 11762.720041/2017-77
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 09 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3402-001.628
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maysa de Sá Pittondo Deligne - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Avila (suplente convocado) e Cynthia Elena de Campos. Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, sendo substituída pelo Conselheiro Renato Vieira de Avila (suplente convocado).
Nome do relator: MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente. (assinado digitalmente) Maysa de Sá Pittondo Deligne Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Avila (suplente convocado) e Cynthia Elena de Campos. Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, sendo substituída pelo Conselheiro Renato Vieira de Avila (suplente convocado). Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado para a exigência de multa de cessão de nome para a realização de negócios de comércio exterior em que se acoberte os reais intervenientes ou beneficiários, no percentual de 10% (dez por cento) do valor da operação, nos termos do art. 33 da Lei n.º 11.488/2007. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 17 62 .7 20 04 1/ 20 17 -7 7 Fl. 21510DF CARF MF Processo nº 11762.720041/201777 Resolução nº 3402001.628 S3C4T2 Fl. 21.511 2 Segundo a fiscalização, foram realizadas importações por encomenda pela empresa ST IMPORTAÇÕES LTDA, CNPJ: 02.867.220/000142 (ST Importações, importadora ostenciva) sem a identificação, nas Declarações de Importação, do correto encomendante. Nas DIs, foi identificada a empresa DESTRO BRASIL DISTRIBUIÇÃO LTDA. – CNPJ: 13.495.487/000172 (DESTRO BRASIL), tão somente para acobertar a relação existente entre a importadora ostenciva e as empresas B2W COMPANHIA DIGITAL (B2W) e as LOJAS AMERICANAS S.A. (Lojas Americanas), que seriam as reais encomendantes das mercadorias. No entender da fiscalização, as empresas Lojas Americanas e B2W eram as reais adquirentes das mercadorias importadas por meio de importação por encomenda pela ST Importação, sendo que teria partido delas o planejamento de interpor uma terceira empresa (DESTRO BRASIL) como aparente encomendante das mercadorias com a finalidade exclusiva de ocultar sua participação nas operações de importação. Com isso, estaria caracterizado o ilícito de cessão de nome, pela DESTRO BRASIL, na forma do art. 33, da Lei n.º 11.488/2007. A autuação abrange as mercadorias destinadas à empresa B2W (admitida como real encomendante oculto) constantes de Declarações de Importação (DI) registradas pela ST Importações no período de agosto de 2012 a dezembro de 2013, nas quais a Destro Brasil é declarada como encomendante da importação. Tratase de segunda etapa de um trabalho de auditoria, que, além do presente processo de multa de cessão de nome, originou o processo n.º 10074.720243/201712, posto em julgamento nessa sessão, correspondente à aplicação da pena de perdimento à empresa B2W, com as empresas ST Importações e Destro Brasil como responsáveis solidárias. O relatório fiscal do Auto de Infração encontrase acostado às efls. 389/463, sendo que as 7 (sete) razões que respaldam a ação fiscal foram assim sintetizadas pela fiscalização: "1) A importadora direta (ST Importações) é controlada pelas Lojas Americanas e pela B2W, únicas sócias daquela empresa, e 100% dos administradores da ST Importações são comuns ao quadro de dirigentes de Lojas Americanas e B2W ou de empresas controladas por elas. 2) Considerando os anos de 2012 e 2013, 99,71% do total de vendas da ST Importações foi destinado à empresa Destro Brasil, e todas as aquisições se deram a título de importação por encomenda desta. 3) A única fornecedora de mercadorias importadas às empresas LOJAS AMERICANAS e B2W, no período de agosto de 2012 a dezembro de 2013, foi Destro Brasil. Tanto LOJAS AMERICANAS quanto B2W encontramse com sua habilitação para operar no comércio exterior SUSPENSA. 4) Absolutamente todas as mercadorias enviadas por ST Importações à Comercial Destro e à Destro Brasil, entre junho de 2011 e julho de 2012, foram repassadas às LOJAS AMERICANAS ou à B2W1. Entre agosto de 2012 e dezembro de 2013, de um total de R$ 349.557.462,38 de valor aduaneiro de mercadorias importadas por ST Importações, tendo Destro Brasil como encomendante declarada, somente o equivalente a R$ 64.735,20 (valor aduaneiro) não foi repassado às LOJAS AMERICANAS ou à B2W, ou seja, apenas 0,018%2. 1 Ver documentos 7.1, 7.2, 8.1 e 8.2 no índice 2 Ver documentos 8.3 e 8.4 no índice Fl. 21511DF CARF MF Processo nº 11762.720041/201777 Resolução nº 3402001.628 S3C4T2 Fl. 21.512 3 5) Entre agosto e dezembro de 2012, das 948 declarações de importação registradas por ST Importações, somente 3 não tiveram a empresa Destro Brasil como encomendante declarada. No ano de 2013, das 1700 declarações de importação registradas por ST Importações, apenas 9 não tiveram a empresa Destro Brasil como encomendante declarada. Logo, no período fiscalizado, somente 0,45% das DI registradas por ST Importações não tiveram Destro Brasil como encomendante declarada. 6) Em pesquisa por amostragem em Declarações de Importação registradas por ST Importações e em NFe de Entrada e de Saída emitidas por ST Importações e Destro Brasil, foram observadas algumas características típicas de operações comerciais onde ocorre a interposição de terceiros. Vejamos: 6.1 Dos prazos: O intervalo de tempo a separar a data do desembaraço da Declaração de Importação da data de emissão da NFe de Entrada das respectivas mercadorias nacionalizadas na ST Importações oscila entre 1 e 10 (dez) dias. O intervalo de tempo médio a separar a data de emissão da NFe de Entrada das mercadorias nacionalizadas na ST Importações da data de emissão da NFe de Saída das mesmas para Destro Brasil é inferior a 3 (três) dias. O intervalo de tempo médio a separar a data de emissão da NFe de Saída das mercadorias nacionalizadas da ST Importações (que representa a data de entrada das mesmas na Destro Brasil) da data de emissão da NFe de Saída dessas mesmas mercadorias da Destro Brasil para B2W ou Lojas Americanas é em torno de 10 (dez) dias. As observações acima indicam uma destinação prévia da mercadoria já antes mesmo de sua entrada na ST Importações Ltda. 6.2 Da composição qualitativa e quantitativa das NFe emitidas: a) Em regra, há a emissão de somente uma NFe de Entrada pela ST Importações para toda a mercadoria desembaraçada por uma única Declaração de Importação. b) Já as NFe de Saída emitidas pela ST Importações para Destro Brasil não espelham as respectivas NFe de Entrada. Para a mercadoria nacionalizada por uma única Declaração de Importação, são emitidas várias NFe de Saídas. Considerase estranha a ação, pois todas as NFe de Saída apresentam o mesmo participante Destro Brasil. c) As NFe de Saída emitidas pela Destro Brasil, indicam novos fracionamentos da mercadoria já previamente fracionada por ST Importações antes de seu repasse, quer seja para B2W, quer seja para Lojas Americanas. d) As múltiplas NFe de Saída emitidas pela Destro Brasil destinamse, via de regra, a filiais distintas de um mesmo participante, quer seja para filiais da B2W ou para filiais da LOJAS AMERICANAS. e) Observase uma perfeita segregação de origem da mercadoria nacionalizada. Toda a mercadoria nacionalizada por uma Declaração de Importação é, ao final do processo, destinada a um único real adquirente. Mesmo com o fracionamento das mercadorias nacionalizadas por uma única Declaração de Importação em várias NF e de Saída distintas, não se observou destinação de parte das mercadorias nacionalizadas em uma mesma Declaração de Importação a reais adquirentes distintos; somente a filiais distintas de um mesmo real adquirente. As observações acima indicam a destinação prévia das mercadorias aos reais adquirentes antes mesmos do registro das Declarações de Importação; pois toda a mercadoria nacionalizada por uma Declaração de Importação é destinada a um único real adquirente. Indicam também o papel desempenhado por Destro Brasil na logística operacional do esquema, funcionando a mesma como um centro de fracionamento e distribuição das mercadorias. As observações das alíneas “d” e “e”, notadamente o restrito rol de clientes (somente 2), bem como a destinação total de uma Declaração de Importação para filiais de Fl. 21512DF CARF MF Processo nº 11762.720041/201777 Resolução nº 3402001.628 S3C4T2 Fl. 21.513 4 somente um cliente final indicam não haver em Destro Brasil uma etapa comercial de busca de clientes e venda, mas sim uma prédeterminação do destino final da mercadoria. 6.3 Do perfil das importações: ST Importações opera quase que exclusivamente para o esquema ora em análise. Entre 2012 e 2015, apenas 1,09% das Declarações de Importação registradas pela ST Importações, correspondente a 1,29% dos valores CIF movimentados, não foram destinadas às empresas do Grupo Destro e, posteriormente, às empresas do Grupo LASA. Ademais, a grande variedade de produtos nacionalizados (diversas NCM declaradas) demonstra ser improvável que as adquirentes das mercadorias (Comercial Destro e Destro Brasil) atuasse no mercado internacional num modelo de coleta de produtos e preços para posterior oferta dessas mercadorias à possíveis clientes no mercado interno. Tal diversidade de produtos comercializados coadunase com empresas que atuam no mercado num modelo de aquisição de produtos específicos previamente encomendados por clientes prédeterminados. 6.4 Dos lacres: Informação a corroborar a prévia destinação da mercadoria importada, antes mesmo da saída da mesma de ST Importações, é obtida da observação dos dados de transporte da mercadoria em território nacional constantes das NFe emitidas. Em várias NFe da amostra, verificouse que o número do lacre aposto à mercadorias constantes da NFe de Saída das mercadorias da ST Importações era o mesmo número do lacre aposto às mercadorias constantes das NFe de Saída de Destro Brasil com destino às empresas B2W e LOJAS AMERICANAS. Além de não haver alteração da embalagem utilizada no transporte da mercadoria pela manutenção dos lacres apostos em todas as etapas de transporte – nestas amostras, sequer ocorreu alteração do veículo de transporte utilizado – pois idênticas eram as placas dos veículos em cada uma das etapas do transporte. Logo, resta claro haver o envio direto da mercadoria de ST Importações às diversas filiais de LOJAS AMERICANAS e B2W; observandose a segregação da carga em NFe distintas já a partir de ST Importações, em função da filial que seria a destinatária final da mercadoria. 6.5 – Das Marcas: Análise da propriedade das marcas dos produtos importados pela ST Importações também denota que essas operações comerciais transcorriam sob determinação das empresas Lojas Americanas e B2W. Em consulta ao site do Instituto Nacional da Propriedade Industrial INPI ficou demonstrado que muitos produtos importados pela ST Importações possuem marcas cuja propriedade recai sobre Lojas Americanas ou B2W. Portanto, as empresas Comercial Destro e Destro Brasil não seriam as reais adquirentes dessas mercadorias, já que não poderiam comercializálas livremente em território nacional sem o consentimento dos detentores do direito, havendo aí notória predestinação desses produtos aos pontos de venda das empresas LOJAS AMERICANAS e B2W, os reais adquirentes. 7) Por fim, este esquema de importação através de empresas interpostas mostrase bastante lucrativo para Lojas Americanas e B2W, pois permite a elas fugir do IPI de saída das mercadorias e da observância ao valor tributável mínimo na apuração da base de cálculo deste imposto. Se Lojas Americanas ou B2W realizassem importações diretas, estariam sujeitas ao destaque do IPI quando da revenda das mercadorias importadas, pois ambas estariam equiparadas a estabelecimento industrial. Caso elas importassem por encomenda direta à ST Importações (equiparada a estabelecimento industrial), esta estaria sujeita, em suas saídas de mercadorias para Lojas Americanas e B2W, ao valor tributável mínimo, nos termos do inciso I, do Fl. 21513DF CARF MF Processo nº 11762.720041/201777 Resolução nº 3402001.628 S3C4T2 Fl. 21.514 5 artigo 195 do RIPI, em razão da interdependência entre as empresas (artigo 612 do RIPI). Essa simulação de compra de mercadorias através de empresas interpostas, visa gerar, de forma ilícita, imensa economia de impostos para o grupo econômico (Lojas Americanas, B2W e ST Importações) através da ocultação da verdadeira relação entre a importadora direta e a empresa varejista." (efls. 391/395 grifei) O esquema foi assim sintetizado pela fiscalização (efl. 408) Inconformada, a empresa apresentou Impugnação Administrativa, julgada improcedente pelo Acórdão 0740.931 da 2ª Turma da DRJ/FNS, ementado nos seguintes termos: "ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2012, 2013 MULTA POR CESSÃO DE NOME. CABIMENTO AO ACOBERTAMENTO DE INTERVENIENTES. Cabe a aplicação da multa prevista no art. 33 da Lei n.º 11.488/2007 à pessoa jurídica que cede seu nome para realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas ao acobertamento dos reais intervenientes ou beneficiários da operação de importação. O encomendante declarado, quando comprovado seu conhecimento de quem seria o real beneficiário, responde pela multa de cessão de nome por acobertar o real interessado na declaração de importação ou exportação. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido" (efl. 21.305) Intimada desta decisão em 27/11/2017 (efl. 21.386), a empresa apresentou Recurso Voluntário em 18/12/2017 (efls. 21.387/21.466), alegando em síntese: (i) alegações preliminares quanto à nulidade da autuação: Fl. 21514DF CARF MF Processo nº 11762.720041/201777 Resolução nº 3402001.628 S3C4T2 Fl. 21.515 6 (i.1) diante dos prazos exíguos estabelecidos pela fiscalização para atendimento às notificações a ela endereçadas na fase de fiscalização, implicando em cerceamento do direito de defesa. (i.2) a incompetência das autoridades autuantes localizadas na Inspetoria da Receita Federal do Brasil no Rio de Janeiro, vez que o domicílio fiscal da empresa é na Cidade de Jundiaí, em São Paulo; (i.3) a ausência de motivação, sendo que a autuação teria se baseado unicamente em presunções, sem obediência ao princípio da verdade material, desconsiderando elementos fáticos constatados, sem produzir provas necessárias a respaldar a conclusão fiscal e com a indevida desconsideração do negócio jurídico, sendo inaplicável o art. 116, parágrafo único, do Código Tributário Nacional (CTN). Houve a preclusão lógica por ausência de motivação do ato, pois a autoridade fiscal permitiu o desembaraço aduaneiro e depois anulouo sem motivação adequada; (ii) no mérito, a ausência da interposição fraudulenta no presente caso, enfrentando as razões trazidas pela fiscalização, sustentando que: (ii.1) As empresas dos grupos econômicos são entidades empresariais distintas, sendo que a DESTRO BRASIL não se confunde com a empresa COMERCIAL DESTRO. As empresas possuem autonomia estrutural e independência sendo que as mercadorias importadas pela ST Importações são repassadas à DESTRO BRASIL, as quais direcionam as mercadorias aos seus centros de distribuição, onde são armazenadas e revendidas; (ii.2) a capacidade operacional, econômica e financeira da DESTRO BRASIL e o propósito negocial na sua contratação para a revenda das mercadorias à B2W e Lojas Americanas. O não fracionamento das mercadorias revendidas é necessário em razão da necessidade de rapidez na aquisição das mercadorias por parte da B2W. Nem todas as mercadorias importadas pela ST Importações adquiridas pela DESTRO BRASIL foram remetidas para a B2W e as Lojas Americanas, somente o fato ocorreu parcialmente nos anoscalendário de 2011/2012; (ii.3) inexiste a identidade no lacre apontada pela fiscalização, pois houve a efetiva alteração dos mesmos na ocasião do transporte entre a empresa DESTRO BRASIL para as empresas compradoras; (ii.4) a existência de margem real de lucro antes dos impostos, razoável pelo volume vendido nas operações; (ii.5) a ausência de provas, por parte do Fisco, da quebra da cadeia do IPI, sendo que muitos produtos sequer ensejavam o recolhimento do IPI não podendo haver a mencionada quebra da cadeia do imposto. A Fiscalização não comprovou o dano efetivo ao erário com o suposto recolhimento a menor do IPI; (iii) subsidiariamente, a cobrança da multa é confiscatória; e Fl. 21515DF CARF MF Processo nº 11762.720041/201777 Resolução nº 3402001.628 S3C4T2 Fl. 21.516 7 (iv) exclusão dos juros de mora sobre a multa, pois esta incide somente sobre tributo. Em abril/2018, a Fazenda Nacional solicitou o julgamento conjunto dos processos que versam sobre a mesma matéria (efls. 21.501/21.502), sendo os processos que estavam no âmbito deste CARF a mim distribuídos para julgamento conjunto, na forma do despacho da efls. 21.505/21.507. É o relatório. Voto Conselheira Relatora Maysa de Sá Pittondo Deligne O Recurso Voluntário é tempestivo e merece ser conhecido. Contudo, o processo não se encontra suficientemente instruído para julgamento, razão pela qual proponho sua conversão em diligência nos termos a seguir. Como desenvolvido no voto apresentado no processo n.º 10074.720243/2017 12, entendo que é necessária a complementação de informações tanto pelas empresas envolvidas na acusação fiscal (ST Importações, B2W e Destro Brasil), como pela fiscalização. O relatório fiscal daquele processo serviu de base para o presente processo de cessão de nome, lavrado especificamente em face da empresa Destro Brasil. A conclusão da resolução foi no seguinte sentido: "Diante dessas considerações, à luz do art. 29 do Decreto n.º 70.235/723, proponho a conversão do presente processo em diligência para que a autoridade fiscal de origem (Inspetoria da Receita Federal do Brasil no Rio de Janeiro IRF/RJO): (i) intime as Recorrentes para que tragam os esclarecimentos entendidos como pertinentes dentro da sua atuação na operação sob análise nesses autos, anexando aos autos e trazendo os seguintes esclarecimentos: (i.1) cópias por amostragem dos pedidos de compra da importação (Purchase Orders POs) que foram identificados pela fiscalização na autuação, trazendo as informações em torno da transmissão desses pedidos (quem solicita e como são solicitados). As empresas devem informar a razão comercial/negocial pela qual os números dos POs são identificados nas notas fiscais. (i.2) cópias dos contratos de encomenda firmados pela ST Importação com as empresas Comercial Destro Ltda e Destro Brasil Distribuição Ltda e informações em torno dos procedimentos adotados para que a DESTRO procedesse com os pedidos de compra para a ST Importações. Responder, com respaldo em documentação por amostragem a ser anexada aos autos: como são formalizados os pedidos de importação das empresas do Grupo DESTRO para a ST Importações? Esses pedidos possuem algum vínculo com pedidos de compra formulados por outras empresas que tomam serviços das empresas do Grupo DESTRO? (i.3) cópias dos contratos firmados entre as empresas do Grupo DESTRO com as empresas do Grupo LASA vigentes à época dos fatos objeto do processo, com informações em torno dos procedimentos adotados para que as empresas do Grupo LASA procedessem com os pedidos de compra para as empresas do Grupo DESTRO. Responder, com respaldo em documentação por amostragem a ser anexada aos autos: 3 "Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias." Fl. 21516DF CARF MF Processo nº 11762.720041/201777 Resolução nº 3402001.628 S3C4T2 Fl. 21.517 8 quais os procedimentos adotados para a remessa de mercadorias das empresas do Grupo DESTRO para as empresas do Grupo LASA? Como são formulados os pedidos de compra das empresas do Grupo LASA para a DESTRO? Cada filial realiza o pedido ou o pedido para compra das mercadorias é direcionado pela matriz? Um pedido de compra formulado por uma empresa do Grupo LASA para uma empresa do Grupo DESTRO pode originar um pedido de importação do Grupo DESTRO para a ST Importações? (i.4) Em torno das licenças de marca: (i.4.1) especificamente quanto à marca "Fun Kitchen", cuja propriedade da marca foi atribuída à B2W, conforme exemplo trazido pela fiscalização: quais as restrições estabelecidas pela concessão da marca para o produto? Apenas as empresas da B2W podem comercializar produtos dessa marca? (i.4.2) Há produtos importados pela ST Importação e comercializados para a DESTRO com restrição de comercialização por uso da marca destinado a empresa do Grupo LASA? Caso positivo, como a DESTRO segrega em seu estoque os produtos abrangidos pela restrição de comercialização? Todas as mercadorias importadas poderiam ser remetidas para outras empresas? Em outras palavras, a formação de estoque pela DESTRO com as mercadorias importadas pela ST Importações poderia ser comercializada pela DESTRO ou apenas pelas empresas do Grupo LASA? Há exigências/restrições estabelecidas pelo INPI para as mercadorias importadas pela ST Importações? (i.5) Esclarecer, trazendo documentação por amostragem, se nos anos autuados a ST Importações prestava serviço para outras empresas além do Grupo DESTRO, identificando a natureza desses serviços. (ii) elaborar relatório fiscal enfrentando os documentos e informações apresentados pelas empresas em resposta ao item (i) acima com eventuais considerações adicionais consideradas pertinentes quanto ao trabalho fiscal, informando, ainda: (ii.1) o percentual das operações, em relação ao total levantado nessa ação fiscal, que não ocorreram a troca de lacres e de veículos, quantificando quantas seriam as "várias NFe" que não teriam a alteração do número de lacre (efls. 21.410). (ii.2) quanto ao objetivo da simulação e a quebra da cadeia de IPI, responder aos seguintes questionamentos: (ii.2.1) os valores nas remessas da ST para a DESTRO são idênticos aos das Declarações de Importação? E das remessas da DESTRO para a B2W e Lojas Americanas? Os valores das mercadorias denotam a existência de margem de lucro nas operações? Caso positivo, qual o percentual? (ii.2.2) Analisando a incidência do IPI no desembaraço aduaneiro, na saída do estabelecimento importador e na saída do estabelecimento da DESTRO, é possível perceber regularidade dos pagamentos do IPI? Constatando a regularidade dos pagamentos, é correto dizer que não há lesão ao erário?" Entretanto, entendo que a diligência deve ser realizada naquele processo, nos quais participam, inclusive na condição de responsáveis solidárias, todas as empresas envolvidas na acusação fiscal (Destro Brasil, ST Importações e B2W) e não apenas a Destro Brasil como ocorre no presente processo. Com isso, possível que todas as informações relacionadas às importações e às vendas no mercado interno possam ser integralmente coletadas. Diante dessas circunstâncias, entendo pela conversão do presente processo em diligência para que a unidade de origem (Inspetoria da Receita Federal do Brasil no Rio de Janeiro IRF/RJO) acoste todos os documentos da diligência realizada no processo n.º 10074.720243/201712 (documentos apresentados, relatório fiscal da diligência e eventuais manifestações posteriores). Fl. 21517DF CARF MF Processo nº 11762.720041/201777 Resolução nº 3402001.628 S3C4T2 Fl. 21.518 9 Em seguida, direcionar os processos para julgamento conjunto nesta Turma, para inclusão de ambos na mesma pauta de julgamento. É como proponho a presente Resolução. (assinado digitalmente) Maysa de Sá Pittondo Deligne. Fl. 21518DF CARF MF
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Numero do processo: 10380.720085/2009-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/1997 a 31/03/2004
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ERRO MATERIAL. LAPSO MANIFESTO.
Diante de erro material e lapso manifesto cabe a interposição de Embargos de Declaração.
Embargos Acolhidos com efeitos infringentes
Numero da decisão: 3301-005.072
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, acolher os embargos declaratórios para cancelar o acórdão embargado e realização de um novo sorteio e julgamento. Vencidos os conselheiros Salvador Cândido Brandão Júnior e Winderley Morais Pereira, que votaram por julgar o mérito sem a necessidade de novo sorteio.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Valcir Gassen - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: VALCIR GASSEN
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ERRO MATERIAL. LAPSO MANIFESTO. Diante de erro material e lapso manifesto cabe a interposição de Embargos de Declaração. Embargos Acolhidos com efeitos infringentes Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, acolher os embargos declaratórios para cancelar o acórdão embargado e realização de um novo sorteio e julgamento. Vencidos os conselheiros Salvador Cândido Brandão Júnior e Winderley Morais Pereira, que votaram por julgar o mérito sem a necessidade de novo sorteio. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente. (assinado digitalmente) Valcir Gassen Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 72 00 85 /2 00 9- 19 Fl. 1220DF CARF MF Processo nº 10380.720085/200919 Acórdão n.º 3301005.072 S3C3T1 Fl. 1.200 2 Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Tratamse de Embargos de Declaração (fls. 1184 a 1186), de 14 de dezembro de 2016, interpostos pelo Contribuinte em relação ao Despacho de Admissibilidade de Embargos de Declaração (fls. 1175 a 1178), de 27 de outubro de 2016, e estes por sua vez (fls. 1169 a 1171), de 3 de junho de 2015, interpostos contra o Acórdão nº 3301002.561 (fls. 1154 a 1158), de 25 de fevereiro de 2015. Visando a elucidação do caso e a economia processual adoto e cito o relatório do referido Acórdão: Tratase de Recurso Voluntário mediante o qual a Contribuinte insurgese contra o Acórdão 0121.971, proferido pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém (PA), que não julgou a Manifestação de Inconformidade apresentada, deixando, assim, de reconhecer o direito de apropriação de crédito presumido de IPI, instituído pela Lei no 9.363/96. Por bem descrever os fatos, transcrevese, resumidamente, o Relatório elaborado pela DRJ: Trata o presente processo de pedidos de ressarcimento de créditos presumidos de IPI referentes aos trimestres compreendidos no período de apuração acima citado, combinados com declarações de compensação, no valor total de R$ 8.485.438,82. A empresa obteve decisão judicial transitada em julgado garantindo o direito ao reconhecimento dos créditos do imposto relativos aos produtos adquiridos de produtor rural, com habilitação deferida em 07.04.2008. Foi detectado que o produto exportado pela empresa (cera de carnaúba, classificação fiscal 1521.10.00) é nãotributável (NT), fato que impede a apuração do crédito. Afirma a fiscalização haver cientificado a empresa desse fato e intimado a apresentar a especificação dos produtos para verificação de possível erro de classificação (o EX 01 é tributável), recebendo três laudos referentes a três lotes exportados, um de cada tipo de cera. Assim relata a autoridade fiscal na fl. 542: "77. A classificação 15211000 ex 01 trata de ceras vegetais refinadas, branqueadas ou coloridas artificialmente, enquanto que a classificação sem a EX 01 é aplicada as ceras vegetais sem a especificação de refino, branqueamento ou coloração artificial; 12. Nos laudos apresentados alguns produtos estão classificados como refinados e outros não, portanto a nossa dúvida não encontrou solução nos laudos; 13. Além disso, a produção de produtos refinados exige um cuidado rigoroso, e a empresa não logrou êxito em comprovar a esta auditoria que o seu alegado processo industrial teria condições de assegurar a produção de Fl. 1221DF CARF MF Processo nº 10380.720085/200919 Acórdão n.º 3301005.072 S3C3T1 Fl. 1.201 3 produtos refinados. Nem ao menos conseguiu especificar o que seria o produto oriundo de sua planta industrial; 14. Quanto aos aspectos de produtos branqueados e coloridos artificialmente, pelo exame das notas fiscais, pela leitura do processo descritivo bem como pelos insumos utilizados percebemos que não há coloração artificial da cera nem venda de cera branqueada;" 3. Em seguida, a fiscalização tratou do controle de estoques da empresa, relatando que a mesma inicialmente apresentou, em substituição ao livro de controle de estoques, fichas que não obedeciam às disposições legais. Intimada, apresentou outro demonstrativo onde não constavam as importações realizadas. Novamente intimada a esclarecer a questão, a CVC alegou que para fins de DCP tais custos não integrariam as aquisições. Assim analisou a autoridade fiscal: "18. Ora, quantos controles de estoques a empresa possui? Somente para esta auditoria foram apresentados dois. Aliado ao fato de que a empresa já utiliza uma forma alternativa de controle de estoques prevista no art. 385 do Regulamento do Imposto de Renda Dec.4544/02, através de fichas em substituição ao livro de registro de controle da produção e do estoque. 19. Alguns fatos agravam esta situação: embora a empresa tenha afirmado que paralisou as suas atividades industriais em abril de 2006, ao pesquisarmos as exportações da empresa nos deparamos com exportações nos montantes de R$ 440.332, R$ 187.080,00, R$ 52.000,00, R$ 52.230,00 referentes aos anos de 2007 a 2010 respectivamente; 20. Ora temos duas alternativas para esta ocorrência: a pura e simples comercialização, ou seja, compra para exportação, ou a industrialização por encomenda; 21. Na primeira situação o cálculo de credito presumido é impactado pela diminuição da receita de exportação pela exclusão dos produtos adquiridos de terceiros para comercialização e consequente diminuição do crédito presumido calculado; 22. Na segunda situação, industrialização por encomenda, o fluxo dos insumos mereceu atenção especial da legislação, estabelecendo um controle rigoroso e detalhando a forma de emissão dos documentos fiscais com vistas a evitar o desvio destes insumos para outras finalidades e outras empresas; 24. Percebese também, que nenhum dos dois controles de estoques apresentados pela empresa trouxeram informações sobre os produtos acabados; 25. Ainda fizemos constar do segundo termo de constatação que os livros fiscais não apresentam as formalidades legais exigidas. O contribuinte respondeu, resumidamente que: atualmente a autenticação dáse pela transmissão online, tempestiva, das Declarações de Informações Econômicas Fiscais ' DIEF. Apresenta como prova de regularidade extrato de remessa das referidas declarações à SefazCe, obtido no endereco eletrônico da Sefaz Ce. Fl. 1222DF CARF MF Processo nº 10380.720085/200919 Acórdão n.º 3301005.072 S3C3T1 Fl. 1.202 4 26. A empresa não apresentou nenhum dispositivo legal ou decisão judicial que a dispensasse das formalidades legais em relação aos seus livros fiscais; 27. Portanto mesmo que houvéssemos superado a questão dos produtos não tributáveis não seria possível calcular com segurança o credito presumido pleiteado pela empresa devido à informalidade de seus controles de estoques e escrituração fiscal que não asseguram informações precisas e rastreáveis”. 4. A fiscalização apontou ainda irregularidade referente ao regime de Drawback, constando a empresa como inadimplente relativamente ao ato concessório 20050239341, lembrando que a fruição de benefício fiscal é condicionada à comprovação da quitação de tributos e contribuições federais. 5. Na Informação Fiscal de fls. 638/639 e Despacho Decisório de fl. 140, a Unidade atesta uma série de duplicidades em pedidos de ressarcimento feitos, acatando o posicionamento da diligência acima relatada para indeferir o pleito e considerar não homologadas as compensações vinculadas. 6. Cientificada em 31.01.2011 (AR fl. 642) a interessada apresentou, tempestivamente, em 24.02.2011, manifestação de inconformidade (fls. 644/654) na qual, em síntese: a) Esclarece da impossibilidade dos documentos de exportação indicarem qualquer "EX", sendo essa uma notação típica do mercado interno, não podendo os haver divergência nos dados dos demais documentos (notafiscal, fatura, etc); b) Transcreve acórdão administrativo que reconhece o direito ao benefício na exportação de produtos NT; c) Cita decisão judicial no mesmo sentido; d) Quanto ao controle de estoques, argumenta: "70. 0 Sr. Auditor não se deu por satisfeito com o episódio 'EX', exigindo inicialmente a Tabela do IPI aos negócios com exterior, quando se sabe que essa tabela destinase ao mercado interno, sobretudo tendo em vista que os produtos exportados situamse no campo da imunidade quanto ao IPI. Os produtos exportados, controlados no programa Siscomex, guiamse pela NCM/SH, que nada tem a vem com EX. Coisas parecidas, mas impossível exigir a absoluta igualdade. Em suma, quase um ano de trabalho, uma fiscalização iniciada em dezembro de 2009 e somente encerrada em novembro de 2010. A partir dai, lamentável, um evidente clima de má vontade. 11. Exigiu autenticação dos livros fiscais. Isto foi perfeitamente esclarecido, demonstrando que essa autenticação, mediante carimbo de livros, acabou há anos. Os livros são transmitidos via on Une para a SEFAZ, constituindose essa transmissão em superautentição, inclusive com maior segurança de um livro físico, como antigamente, sujeito às traças e destruição do tempo. No processo, por conseguinte, a plena justificação de que os livros fiscais estão Fl. 1223DF CARF MF Processo nº 10380.720085/200919 Acórdão n.º 3301005.072 S3C3T1 Fl. 1.203 5 perfeitamente em ordem. E, afinal, a suposta falta, que não houve, não seria motivo para negar o direito ao crédito. 12. Alegou que a movimentação de estoques apresentada para fins do ressarcimento não contemplava a importação de três pequenas partidas de solventes. Justificouse que os produtos exportados simplesmente não compõem a base de cálculo do Crédito Presumido. 13. Finalmente, alega que a empresa teria exportado em 2006 três partidas de produtos depois de encerradas as atividades industriais. Realmente, a empresa encerrou suas atividades de fabricação em 2004 período abrangido pelos créditos habilitados. Nada requereu em 2006, de modo que a exportação em 2006, é matéria estranha a este processo." e) No que diz respeito à inadimplência na operação de drawback, afirma: "Sem qualquer fundamentação para anular o direito ao crédito. Primeiro, porque não compuseram a base de cálculo dos produtos adquiridos; segundo porque algum débito existente foi objeto do REFIS IV, Lei 11.941/2009."; f) Ao final, requer diligência para conferência dos números e dados da empresa e o provimento da manifestação. Em sua decisão a Autoridade a quo negou provimento à Manifestação de Inconformidade, proferindo decisão assim ementada: EMENTA DRJ ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/1997 a 31/03/2004 CRÉDITO PRESUMIDO. EXPORTAÇÃO DE PRODUTOS "NT". O direito ao crédito presumido do IPI, instituído pela Lei n.° 9.363, de 1996, é condicionado a que os produtos estejam dentro do campo de incidência do imposto, ficando fora desse rol os produtos NT. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2011 DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. A Administração Pública está pautada pelo princípio da legalidade, que significa que o administrador público está, em toda a sua atividade funcional, sujeito aos mandamentos da lei e às exigências do bem comum, e deles não pode se afastar ou desviar, sob pena de praticar ato inválido e exporse a responsabilidade disciplinar. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2011 CONTESTAÇÃO COM PROVAS. O contribuinte possui o ônus de impugnar com provas, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, a menos que esteja enquadrado nas alíneas do § 4 o do art. 16 do Decreto n° 70.235/1972. Acórdão Manifestação de Inconformidade Improcedente Fl. 1224DF CARF MF Processo nº 10380.720085/200919 Acórdão n.º 3301005.072 S3C3T1 Fl. 1.204 6 Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a Contribuinte apresenta Recurso Voluntário, reiterando os argumentos antes expendidos e pugnando pela reforma do Acórdão de Primeiro Grau. A decisão ora embargada, Acórdão 3301002.561, ficou com a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/1997 a 31/03/2004 INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO VOLUNTÁRIO. O prazo para a interposição de Recurso Voluntário é de 30 dias improrrogáveis, a teor do artigo 33, do Decreto no 70.235/72, combinado com o artigo 78, do Decreto no 7.574/2011. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Tendo em vista a decisão supracitada do CARF, o Contribuinte ingressou com Embargos de Declaração (fls. 1169 a 1171), em 3 de junho de 2015, alegando erro material no referido Acórdão. A 1ª Turma Ordinária, da 3ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF, por meio de Despacho de Admissibilidade (fls. 1175 a 1178), rejeitou o referido Embargos de Declaração por entender que inexistem as omissões apresentadas. Mais uma vez, o Contribuinte apresentou Embargos de Declaração (fls. 1184 a 1186), em 14 de dezembro de 2016, em face do Despacho que rejeitou a admissibilidade dos embargos apresentados. É o relatório. Voto Conselheiro Valcir Gassen Relator Os Embargos de Declaração interpostos pelo Contribuinte em face ao Acórdão nº 3301002.561 e os embargos apresentados em face ao Despacho de Admissibilidade, que rejeitou os embargos anteriormente apresentados, são tempestivos e atendem os requisitos legais. Assim dispõe Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256 de 22 de junho de 2009, repetidos pelo art. 65 do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015: Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a turma. Fl. 1225DF CARF MF Processo nº 10380.720085/200919 Acórdão n.º 3301005.072 S3C3T1 Fl. 1.205 7 §1º Os embargos de declaração poderão ser interpostos, mediante petição fundamentada dirigida ao presidente da Turma, no prazo de 5 (cinco) dias contado da ciência do acórdão. Cabe por primeiro a análise dos embargos interpostos em relação ao Despacho de Admissibilidade de Embargos de Declaração proferido pela 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Terceira Seção de julgamento do CARF, de 27 de outubro de 2016, que rejeitou os primeiros embargos apresentados por considerar que não foram caracterizadas as omissões declaradas pelo Contribuinte. O Contribuinte aduz que houve erro material na redação do referido voto, como se verifica no seguinte trecho de seu Embargo (fl. 1184 e 1185): 1. ERRO MATERIAL E CONTRADIÇÃO: a decisão de fls. 1177, em símile: 2. E, continuidade da mesma página, uma série de XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX – abrindose um novo texto, em franca contradição, com argumentos que parece referir outro processo. Deveras, até o despacho acima transcrito, discutiuse o erro material, quando a autoridade preparadora não juntou o envelope e respectivo AR, de modo a comprovar a tempestividade do Recurso. Em suma, os Embargos de Declaração apresentados não referiram outro assunto que não a nãojuntada, pelo Fisco, do envelope e respectivo AR, art. 56 do Decreto 7.574. E, positivo, o acolhimento dessas razões. 3. Pois agora, depois de um XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX, um novo erro material de par com uma contradição, quando o despacho sai do tema dos embargos (antes aceitos) e refere: 4. Os embargos antes apresentados não cuidam de omissão, muito menos de argumentos não rebatidos. Tratam, sim, do erro material a ser corrigido, matéria já analisada por V. Exa às três páginas anteriores. 5. Nestas condições, pedese seja corrigido o novo erro material, bem como a contradição entre acolher os embargos e negálos por outro motivo estranho aos autos, remetendo o Recurso Voluntário (manifestamente procedente) ao julgamento. Fl. 1226DF CARF MF Processo nº 10380.720085/200919 Acórdão n.º 3301005.072 S3C3T1 Fl. 1.206 8 Assiste razão ao Contribuinte, visto que é perceptível no Despacho de Admissibilidade de Embargos de Declaração que há uma cisão entre a primeira parte do despacho e a segunda parte do mesmo, separada por “XXX...”. Assim também foi o entendimento do Despacho de Saneamento, de 5 de maio de 2017, que elucida o equívoco cometido desta forma (fl. 1197): Às efls. 1.184/1.186 a contribuinte apresenta petição onde alega erro material no despacho de exame de admissibilidade dos embargos de declaração, de 27/10/2016, constante às efls. 1.175/1.178. Com razão a contribuinte. Verificase naquele despacho que, de fato, finda a análise da admissibilidade dos embargos opostos pelo sujeito passivo, constou, após vários “xxx” demarcados, texto que não diz respeito a este processo, analisando matéria absolutamente diversa. Tratouse de erro decorrente de lapso manifesto, devendo toda a parte que segue aos referidos “xxx”, estes inclusive, ser desconsiderada do texto daquele despacho. Assim, o despacho que trata da admissibilidade dos embargos de declaração termina na parte em que os referidos embargos são ACOLHIDOS, pelos fundamentos até ali expostos, determinandose a distribuição dos autos para julgamento. Feitos os esclarecimentos necessários e sanado o vício apresentado naquele despacho, promovase nova distribuição dos autos, para julgamento dos embargos de declaração opostos pela contribuinte. Portanto, sanado o equívoco ocorrido na segunda parte do Despacho de Admissibilidade de Embargos, enfrentase, por segundo, os embargos do Contribuinte em que aponta que ocorreu erro material referente a data do protocolo do Recurso Voluntário, que foi considerado intempestivo pela Turma julgadora. Assim expressou o Contribuinte em seus embargos (fls. 1169/1170): 1. O acórdão menciona que o recurso da embargante fora protocolado fora de prazo, consoante carimbo aposto à fl. 1.116. Há erro material, a ser aclarado e retificado por estes embargos, é o que se demonstra. De fato, o Recurso foi entregue pela via postal, artigo 56 e seu § 5o, do Decreto no 7.574/2011, verbis: Art. 56. A impugnação, formalizada por escrito, instruída com os documentos em que se fundamentar e apresentada em unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil com jurisdição sobre o domicílio tributário do sujeito passivo, bem como, remetida por via postal, no prazo de trinta dias, contados da data da ciência da intimação da exigência, instaura a fase litigiosa do procedimento (Decreto no 70.235, de 1972, arts. 14 e 15). (...) §5o Na hipótese de remessa da impugnação por via postal, será considerada como data de sua apresentação a da respectiva postagem constante do aviso de recebimento, o qual deverá trazer a indicação do destinatário da remessa e o número do protocolo do processo correspondente. 2. processual, fazse juntada em símile do AR, com data de 28.02.2012 — dentro do prazo! — que, lamentável, o funcionário fiscal não juntou aos autos; em vez juntálo, colocou o carimbo em 02.03.2012, após o decurso dos trinta dias, um erro material, portanto: (...) Fl. 1227DF CARF MF Processo nº 10380.720085/200919 Acórdão n.º 3301005.072 S3C3T1 Fl. 1.207 9 3. A seguir, o facsimilar do anverso do AR, com a indicação expressa do conteúdo, Proc 10380.720085/200919, este aqui. (...) 4. Em vista do erro material, materialmente aqui comprovado, pedese que essa egrégia Turma, reforme a decisão de “intempestivo” aplicada ao Recurso, subtendo o à análise e julgamento. Pedese também a urgência possível, posto que se trata de um processo de 2009. No exame de admissibilidade dos embargos o il. Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas assim expressou (fls. 1176): A decisão foi proferida ao entendimento de que o recurso voluntário era intempestivo, posto ter sido oferecido em 02/03/2012, conforme data de protocolização aposta na peça recursal. Entretanto, conforme comprovam as imagens do AR juntadas pela embargante, o recurso foi remetido por via postal em 28/02/2012, dentro do prazo legal. Caracterizouse, assim, que a decisão incorreu em erro sobre o fato, considerando existente um fato que efetivamente não ocorreu (o oferecimento intempestivo do recurso voluntário), razão pela qual devem ser acolhidos os embargos de declaração opostos. Com isso posto, voto pela admissibilidade dos embargos de declaração com efeitos infringentes para anular a decisão proferida no Acórdão nº 3301002.561, visto o erro material acerca da tempestividade, e sorteio e redistribuição do processo para novo julgamento pelo CARF. (assinado digitalmente) Valcir Gassen Fl. 1228DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10540.720941/2013-32
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Dec 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2009
VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO DO ITR COM BASE NO SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS (SIPT). VALOR MÉDIO COM APTIDÃO AGRÍCOLA. POSSIBILIDADE.
Resta próprio o arbitramento do VTN, com base no SIPT, quando observado o requisito legal de aptidão agrícola para fins de estabelecimento do valor do imóvel.
Numero da decisão: 9202-007.316
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deram provimento.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patricia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes , Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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ARBITRAMENTO DO ITR COM BASE NO SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS (SIPT). VALOR MÉDIO COM APTIDÃO AGRÍCOLA. POSSIBILIDADE. Resta próprio o arbitramento do VTN, com base no SIPT, quando observado o requisito legal de aptidão agrícola para fins de estabelecimento do valor do imóvel. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patricia da Silva, Pedro Paulo Pereira AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 54 0. 72 09 41 /2 01 3- 32 Fl. 196DF CARF MF 2 Barbosa, Ana Paula Fernandes , Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório Tratase de Auto de Infração de lançamento Suplementar de Imposto Territorial Rural – ITR, referente ao exercício de 2009, decorrente de procedimento de malha fiscal em Declaração do ITR, correspondente ao imóvel denominado Fazenda Brasil Verde, com área de 13.647,7 ha (NIRF 8.211.7667), localizado no município de Correntina/BA, por meio do qual se exige crédito tributário no valor de R$ 12.254.658,70, incluídos multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora. A ação fiscal, proveniente dos trabalhos de revisão das DITR/2009 incidentes em malha valor, iniciouse com o Termo de Intimação Fiscal nº 05103/00012/2013 de fls. 03/07, recepcionado em 19.03.2013, às fls. 19, para que fosse apresentado o seguinte documento de prova: Para comprovar o Valor da Terra Nua (VTN) declarado: Laudo de Avaliação do Valor da Terra Nua emitido por engenheiro agrônomo/florestal, conforme estabelecido na NBR 14.653 da ABNT com grau de fundamentação e de precisão II, com Anotação de Responsabilidade Técnica – ART registrada no CREA, contendo todos os elementos de pesquisa identificados e planilhas de cálculo e preferivelmente pelo método comparativo direto de dados do mercado. Alternativamente, o contribuinte poderá se valer de avaliação efetuada pelas Fazendas Públicas Estaduais (exatorias) ou Municipais, assim como aquelas efetuadas pela Emater, apresentando os métodos de avaliação e as fontes pesquisadas que levaram à convicção do valor atribuído ao imóvel. Tais documentos devem comprovar o VTN na data de 1º de janeiro de 2008, a preço de mercado. A falta de comprovação do VTN declarado ensejará o arbitramento do VTN, com base nas informações do SIPT, nos termos do art. 14 da Lei nº 9.393/96, pelo VTN/ha do município de localização do imóvel para 1º de janeiro de 2008 no valor de R$: • Outras R$ 2.143,00. Por não ter sido apresentado o documento de prova exigido e procedendose a análise e verificação dos dados constantes da DITR/2009, a fiscalização resolveu alterar o Valor da Terra Nua (VTN) declarado de R$950,00 (R$0,07/ha) para o arbitrado de R$29.247.021,10 (R$2.143,00/ha), com base em valor constante do SIPT, com consequente aumento do VTN tributável e disto resultando imposto suplementar de R$5.849.214,22, conforme demonstrado às fls. 06. A descrição dos fatos e os enquadramentos legais das infrações, da multa de ofício e dos juros de mora constam às fls. 04/05 e 07. A autuada apresentou impugnação, tendo a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasília/DF julgado a impugnação improcedente, mantendo o crédito tributário em sua totalidade. Apresentado Recurso Voluntário pela autuada, os autos foram encaminhados ao CARF para julgamento. Em sessão plenária de 09/02/2017, negouse provimento ao recurso, prolatandose o Acórdão nº 2301004.942 (fls. ), com o seguinte resultado: “Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso Fl. 197DF CARF MF Processo nº 10540.720941/201332 Acórdão n.º 9202007.316 CSRFT2 Fl. 3 3 voluntário, para, na parte conhecida, negarlhe provimento, nos termos do voto da relatora”. O Acórdão encontrase assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2009 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Os princípios do direito à ampla defesa e ao contraditório são instrumentos próprios do processo administrativo. Tendo o contribuinte efetuado sua defesa de forma plena, não há que se falar em cerceamento do seu direito. ITR. ÁREA DE INTERESSE ECOLÓGICO. ÁREA IMPRESTÁVEL PARA ATIVIDADE RURAL. ISENÇÃO. Para fins da exclusão da tributação do ITR de área de interesse ecológico é necessário a entrega da ADA tempestivamente junto ao IBAMA e a apresentação de ato de órgão competente federal ou estadual, que a reconheça como de interesse ecológico. VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO COM BASE NO SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS (SIPT). VALOR MÉDIO COM APTIDÃO AGRÍCOLA. O arbitramento do VTN, com base no SIPT é válido quando da observância ao requisito legal de consideração de aptidão agrícola para fins de estabelecimento do valor do imóvel. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu. O processo foi encaminhado para ciência da Fazenda Nacional em 03/03/2017 para cientificação em até 30 dias, nos termos da Portaria MF nº 527/2010. A Fazenda Nacional tomou ciência no mesmo dia, e não interpôs Recurso Especial. O contribuinte foi, então, cientificado do acórdão em 12/07/2017 e interpôs, tempestivamente, em 27/07/2017, o presente Recurso Especial (fls ). Em seu recurso visa, preliminarmente, a anulação do lançamento de ofício e abertura de novo prazo para apuração da realidade fática do imóvel. Se não acolhido tal pedido, visa a reforma do acórdão recorrido em relação aos seguintes aspectos: reconhecimento do valor da terra nua – VTN em R$ 150,00 por hectare; reconhecimento de erro na fixação da base de cálculo do tributo, por ter sido demonstrado que a área utilizável do imóvel atinge apenas 2.947,90 hectares; correção da alíquota aplicável ao caso para 0,3%; e consequentemente, que seja estipulado o valor do ITR do imóvel em R$ 1.326,55, de acordo com base de cálculo de 2.947,90 hectares, com VTN de R$ 150,00 e alíquota de 0,3%. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme o Despacho s/nº, da 3ª Câmara, de 02/10/2017 (fls. ). Fl. 198DF CARF MF 4 Em seu Recurso Especial, a Recorrente alega o seguinte: § que na Notificação de Lançamento foi arbitrado um VTN – valor da terra nua – com base nas informações constantes no Sistema de Preço de Terras – SIPT – da Receita Federal, sendo efetuado o lançamento de ofício com as informações de que se dispõe na RFB, mas que não condiz com a realidade, e encontrase absurdamente inflacionado, uma vez que é de conhecimento público e notório que a área tributada possui valorização muito aquém da indicada pela Receita, e que foi apresentada, como prova, certidão emitida pela Prefeitura Municipal de Correntina que o valor do hectare do imóvel equivale a R$ 309,00, valor esse que ainda há de ser modificado em virtude de diversos fatores externos. § que foi juntado à impugnação Laudo Técnico de avaliação de imóvel elaborado pela Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola S.A. – BDA – vinculada à Secretaria da Agricultura, Irrigação e Reforma Agrária do Estado da Bahia, assinado por engenheiro agrônomo registrado no CREA sob o nº 9686/D, demonstrando a real situação da terra tributada por um valor de R$ 150,00 por hectare. § que o Laudo Técnico foi elaborado justamente para demonstrar a real aptidão das terras declaradas, que possuem várias entraves que são um óbice à sua inclusão na base de cálculo tributável, e que são vários os fatores que praticamente inutilizam ou inviabilizam qualquer atividade produtiva nas terras em questão, devendo, portanto, ser revista a base de cálculo para apuração do ITR. § que a área correta a ser tributada seriam de exatos 2.688,59 hectares, isso por ser a única parcela de terra aproveitável para atividades rurais, mesmo porque tratase da área próxima ao rio; e que tal particularidade encontra respaldo na própria lei (Decreto nº 4.382/2002, art. 10 verbis), que exclui da base de cálculo áreas improdutivas: § Art. 10. Área tributável é a área total do imóvel, excluídas as áreas (Lei nº 9.393, de 1966, art. 10, §1, inciso II): (...) § VI – comprovadamente imprestáveis para a atividade rural, declaradas de interesse ecológico mediante ato do órgão competente, federal ou estadual (Lei nº 9.393, de 1966, art. 10, §1, inciso II, alínea “c”) § que a área que desejase excluir da base de cálculo é comprovadamente inútil à atividade rural, sendo que sua classificação de “capacidade de uso”, em escala que vai de I a VIII, lhe foi tecnicamente atribuída a classificação VIII, não podendo ser pior. § que o Engenheiro Agrônomo responsável pelo laudo técnico é conhecedor da realidade das terras da região e que não foi contratado pela recorrente, e sim é técnico de empresa vinculada à Secretaria de Agricultura do Estado, e que portanto, há total imparcialidade na apresentação das informações, o que atribui maior solidez e veracidade aos dados apresentados. Fl. 199DF CARF MF Processo nº 10540.720941/201332 Acórdão n.º 9202007.316 CSRFT2 Fl. 4 5 § que, diferentemente do fundamento no acórdão recorrido e rechaçado pelo acórdão paradigma, o laudo técnico possui, sim, todas as características necessárias para fim de demonstração da aptidão das terras declaradas pelo recorrente § que diante das conclusões acima, o recorrente utiliza 100% da área considerada própria para uso, ou seja, dentro do grau de utilização de 21,6% (que corresponde a 2.947,90 hectares da área) ela está sendo integralmente utilizada; o que implica dizer que deve haver aplicação de alíquota em patamares legais, diversa da aplicada na notificação de lançamento, que deveria ser de 0,3%. O processo foi encaminhado para ciência da Fazenda Nacional em 18/10/2017 para cientificação em até 30 dias, nos termos da Portaria MF nº 527/2010. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões em 02/11/2017, portanto, tempestivamente. Em suas contrarrazões, a Fazenda Nacional, inicialmente, transcreve o art. 3º, caput e parágrafo 1º, da Lei 8.847/94: “Art. 3º A base de cálculo do imposto é o Valor da Terra Nua (VTN), apurado no dia 31 de dezembro do exercício anterior. § 1º O VTN é o valor do imóvel, excluído o valor dos seguintes bens incorporados ao imóvel: I Construções, instalações e benfeitorias; II Culturas permanentes e temporárias; III Pastagens cultivadas e melhoradas; IV Florestas plantadas”. Ressalta que o Valor da Terra Nua, entretanto, não pode ser superior ao VTN mínimo, como demonstra o parágrafo segundo do artigo supramencionado, in verbis: “§ 2º O Valor da Terra Nua mínimo (VTNm) por hectare, fixado pela Secretaria da Receita Federal ouvido o Ministério da Agricultura, do Abastecimento e da Reforma Agrária, em conjunto com a Secretaria de Agricultura dos Estados respectivos, terá como base levantamento de preços do hectare da terra nua, para os diversos tipos de terras existentes no Município”. Alega que a IN nº 16/1995 da SRF estabeleceu o VTNm (VTN mínimo) para cada município brasileiro, e que a Lei 8.847/94, entretanto, prevê a hipótese de fixação do VTN abaixo do VTNm nos seguintes termos: “§ 4º A autoridade administrativa competente poderá rever, com base em laudo técnico emitido por entidades de reconhecida capacitação técnica ou profissional devidamente habilitado, o Valor da Terra Nua mínimo (VTNm), que vier a ser questionado pelo contribuinte”. Fl. 200DF CARF MF 6 Argumenta que a norma legal prevê que o laudo de avaliação deve estar acompanhado da respectiva anotação de responsabilidade técnica junto ao CREA da região e subordinado às normas prescritas na NBR 14.6533, com a demonstração de forma inequívoca, do valor fundiário do imóvel à época do fato gerador do ITR, assim como da existência de características particulares desfavoráveis, diferentes das características gerais da região. Afirma que tais quesitos se mostram imprescindíveis para que a fixação do VTNm se dê de forma justa e o mais precisa possível e que não há dúvidas de que o legislador os entende necessários para que a Autoridade Administrativa possa, fundamentada e licitamente, proceder à alteração do VTNm relativo ao imóvel. Diz que não é possível admitir a definição do VTN sendo que o laudo apresentado pelo contribuinte sequer cumpriu as normas técnicas – ABNT (NBR 14.6533), e que o mesmo não apresentou os elementos de prova que pudessem desconstituir licitamente a presunção de veracidade e legitimidade da notificação de lançamento, realizada com base em dados informados pelo próprio contribuinte, e isso porque não se desincumbiu de seu dever de apresentação de laudo de avaliação condizente com as normas técnicas e formais exigidas. Lembra, por fim, que é entendimento sumulado pelo CARF (súmula CARF nº 23), a necessidade de o laudo técnico apresentado cumprir as normas da ABNT, bem como se reportar ao mesmo exercício do fato gerador tributário do ITR: “Súmula CARF nº 23: A autoridade administrativa pode rever o Valor da Terra Nua mínimo (VTNm) que vier a ser questionado pelo contribuinte do imposto sobre a propriedade territorial rural (ITR) relativo aos exercícios de 1994 a 1996, mediante a apresentação de laudo técnico de avaliação do imóvel, emitido por entidade de reconhecida capacidade técnica ou por profissional devidamente habilitado, que se reporte à época do fato gerador e demonstre, de forma inequívoca, a legitimidade da alteração pretendida, inclusive com a indicação das fontes pesquisadas.” Acrescenta que a necessidade de cumprimento de súmulas do CARF por parte dos julgadores está disciplinada no artigo 72, caput, da Portaria MF nº 256/2009, cuja transcrição segue abaixo: “Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF.” Por fim, requer que seja negado provimento ao recurso para manter decisão a quo e a integridade da autuação. É o relatório. Fl. 201DF CARF MF Processo nº 10540.720941/201332 Acórdão n.º 9202007.316 CSRFT2 Fl. 5 7 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora. Recurso Especial do Contribuinte Pressupostos de Admissibilidade O Recurso Especial interposto pelo Contribuinte é tempestivo e atende, em princípio, aos demais pressupostos de admissibilidade, conforme despacho de Admissibilidade, fls. 186. Contudo, havendo questionamento acerca do conhecimento e concordando com os termos do despacho proferido, passo a apreciar o mérito da questão. Do Conhecimento De forma objetiva a delimitação da lide, conforme consta do despacho de admissibilidade, cingese arbitramento do VTN com base no SIPT – Sistema de Preços de Terras, utilizandose o VTN médio das DITR de outros contribuintes. Contudo, havendo questionamento acerca do conhecimento passo a apreciar a questão. Aduz a PGFN o não conhecimento do recurso face o não cumprimento dos requisitos de indicação da legislação, senão vejamos suas alegações: · Em suas contrarrazões, a Fazenda Nacional, preliminarmente, alega que o Recurso Especial não preencheu o requisito previsto no art. 67, §1º do RICARF, verbis: "§ 1º Não será conhecido o recurso que não demonstrar a legislação tributária interpretada de forma divergente. (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016). " · Argumenta que, pela análise do Recurso interposto em 05/09/2017, não se verifica a indicação dos dispositivos legais que foram interpretados de modo divergente pelo acórdão recorrido, motivo pelo qual requer o seu não conhecimento. Ao contrário do que entendeu a procuradoria, entendo que o contribuinte apontou qual o ponto de discordância entre o acórdão recorrido e o paradigma no que diz respeito a interpretação da legislação, na medida que apresentou acórdão de seu próprio interesse em que o colegiado paradigmático, apreciando a mesma questão, acabou por dar provimento parcial determinando a alteração do valor do VTN. No caso, tanto no recorrido, quanto no paradigma, o campo de fundo é o valor atribuído pela fiscalização ao VTN. Dessa forma, quanto a exigência esboçada no art. 67, §1º. entendo que esta restou cumprida. DO MÉRITO C.1 DA DIVERGÊNCIA DE INTERPRETAÇÃO (ACÓRDÃO PARADIGMA) Fl. 202DF CARF MF 8 12. Conforme dito, em recurso de idêntica matéria, o recorrente foi parcialmente vitorioso, reconhecendose que, de fato, o preço arbitrado pela fiscalização não traduzia o real valor da propriedade, isso dando validade às rovas carreadas nos autos que corrigem adequadamente os valores praticados na região de localização do imóvel. Com isso, surgiu o acórdão paradigma nº 2101002.720 Processo nº 10540.720942/201387, este ementado nos seguintes termos: (...) Do mérito Conforme já apontado, de forma objetiva, a delimitação da lide, conforme consta do despacho de admissibilidade, cingese no Valor de Terra Nua a ser utilizado para fins de cálculo do ITR devido, tendo em vista que a Lei nº 9.393/96, em seu art. 14, previu a criação de um sistema de preços de terras a ser instituído pela Secretaria da Receita Federal, bem como a Portaria SRF nº 447, de 28/03/2002, regulamentou o Sistema de Preços de Terras, em seus artigos 1º ao 4º. Com fulcro no disposto nos art. 14, § 1o. da Lei nº 9.396, de 19 de dezembro de 1996, quando combinado com o art. 12 da Lei 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, é de se aceitar o arbitramento pelo SIPT somente quando efetuado com utilização do VTN médio que leve em consideração também o fator de aptidão agrícola, expressis verbis: Lei 9.393/96 Art. 14. No caso de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, bem como de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal procederá à determinação e ao lançamento de ofício do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização. § 1º As informações sobre preços de terra observarão os critérios estabelecidos no art. 12, § 1º, inciso II da Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios.(g.n.) Lei 8.629/93 Art.12.Considerase justa a indenização que reflita o preço atual de mercado do imóvel em sua totalidade, aí incluídas as terras e acessões naturais, matas e florestas e as benfeitorias indenizáveis, observados os seguintes aspectos:(Redação dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) I localização do imóvel;(Incluído dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) II aptidão agrícola;(Incluído dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001)(g.n.) III – dimensão do imóvel;(Incluído dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) Fl. 203DF CARF MF Processo nº 10540.720941/201332 Acórdão n.º 9202007.316 CSRFT2 Fl. 6 9 IV – área ocupada e ancianidade das posses;(Incluído dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) V funcionalidade, tempo de uso e estado de conservação das benfeitorias.(Incluído dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) (grifei) §1º Verificado o preço atual de mercado da totalidade do imóvel, procederseá à dedução do valor das benfeitorias indenizáveis a serem pagas em dinheiro, obtendose o preço da terra a ser indenizado em TDA.(Redação dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) §2º Integram o preço da terra as florestas naturais, matas nativas e qualquer outro tipo de vegetação natural, não podendo o preço apurado superar, em qualquer hipótese, o preço de mercado do imóvel.(Redação dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) Noto, porém, que no caso em questão, a partir do disposto na descrição dos fatos e enquadramento legal, foi utilizado, para fins de arbitramento pela autoridade fiscal, o VTN por aptidão agrícola para o município do imóvel rural, não havendo qualquer inobservância ao requisito legal de consideração de aptidão agrícola para fins do arbitramento realizado. Importante salientar, que consta dos autos alegação de existência de laudo técnico apresentado pelo contribuinte, senão vejamos suas alegações: D. Laudo técnico de avaliação 15. Fatores externos sempre são relevantes para determinarse o valor de um bem, seja ele móvel ou imóvel. Assim, por exemplo, se o carro possui avarias ou se alguma de suas funções está desabilitada, por óbvio, o valor econômico daquele bem ^ ) será menor do que de um bem da mesma espécie mas que esteja em prefeitas condições. 16. E o que ocorre com o caso em tela. O valor venal do imóvel estipulado pela prefeitura é de R$ 309,00/hectare, contudo, seu valor comercial oscilará de acordo com a topografia, pluviometría e outros fatores. 17. Relacionada a gleba rural em referência, o impugnante com o fito de atribuir solidez aos seus argumentos, j u n t a à presente impugnação, laudo técnico de avaliação de imóvel elaborado pela Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola S.A — BDA vinculada a Secretaria da Agricultura, Irrigação e Reforma agrária do Estado da Bahia (Doe. 05 anexo), assinado por engenheiro agrônomo registrado no CREA sob o n 9 9686/D, demonstrando a real situação da terra tributada. Toda a integra do laudo está acessível no (Doe. 05 anexo), contudo, imperioso destacar a coclusão do referido laudo, in verbis: "Diante do exposto reportamos que estas terras situadas nestas Fl. 204DF CARF MF 10 que a utilização presta somente para utilização temporária do gado no início da estação chuvosa e no final da seca como refúgio de fundo de pasto com densidade de 0,l(ua) unidade animal por hectares tornando inviável para qualquer investidor. Mesmo assim A, ^atribuímos um valor de mercado de R$ 150,00por hectare." 19 Ora, é notório e tecnicamente comprovado que a área é inviável pára qualquer investidor, o que quer dizer que seu valor comercial está muito abaixo de seu valor venal e, digase de passagem, infinitamente abaixo do valor por hectare arbitrado pela Receita. 20. Ante as evidências de índoles técnica e fática, imperioso que a Administração se atenha ao correto valor da terra, sob pena de ilegal oneração ao contribuinte/impugnante. Contudo, embora tenha sido alegada a existência de laudo, o mesmo foi descaracterizado já pelo julgador de primeira instância, por não atender as normas ABNT NBR 146533, o que impede a utilização do mesmo para efeitos de determinar o valor da VTN. Vejamos, o que estabeleceu o julgador de primeira instância: Do Valor da Terra Nua (VTN) Subavaliação Quanto ao cálculo do Valor da Terra Nua (VTN), entendeu a autoridade fiscal que houve subavaliação, tendo em vista o valor constante do Sistema de Preço de Terras (SIPT), instituído pela Receita Federal, em consonância ao art. 14, caput, da Lei nº 9.393/96, razão pela qual foi rejeitado o VTN declarado para o imóvel na DITR/2008, de R$900,00 (R$0,07/ha), sendo arbitrado o valor de R$29.247.021,10 (R$2.143,00/ha), valor este apurado com base no valor apontado no SIPT, para a aptidão agrícola “outras”, informado pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA), consoante extrato do SIPT, às fls. 08. Fazse necessário verificar, a princípio, que não poderia a autoridade fiscal deixar de arbitrar novo Valor de Terra Nua, tendo em vista que o VTN declarado, por hectare, para o exercício de 2008, até prova documental hábil em contrário, está de fato subavaliado, por ser muito inferior ao VTN por hectare listado por aptidão agrícola da terra de R$2.143,00/ha, como se observa no extrato do SIPT, às fls. 08. Pois bem, caracterizada a subavaliação do VTN declarado, só restava à autoridade fiscal arbitrar novo valor de terra nua para efeito de cálculo do ITR desse exercício, em obediência ao disposto no art. 14 da Lei nº 9.393/1996 e art. 52 do Decreto nº 4.382/2002 (RITR); sendo observado, nessa oportunidade, o valor apontado no SIPT para a aptidão agrícola “outras”, conforme demonstrado às fls. 05 e 08. Em síntese, não tendo sido apresentado o documento exigido para comprovar o Valor da Terra da Nua, conforme descrito na intimação inicial, cabia à autoridade fiscal arbitrar o VTN, ao constatar a subavaliação do VTN declarado de R$0,07/ha, efetuando de ofício o lançamento do imposto suplementar apurado, acrescido das cominações legais, sob pena de responsabilidade funcional. Fl. 205DF CARF MF Processo nº 10540.720941/201332 Acórdão n.º 9202007.316 CSRFT2 Fl. 7 11 De fato, reiterese que à fiscalização cabe verificar o fiel cumprimento da legislação em vigor, sendo a atividade de lançamento vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, como previsto no art. 142, parágrafo único, do CTN. Portanto, cabe reiterar que não poderia a autoridade fiscal deixar de arbitrar novo Valor de Terra Nua, uma vez que não há dúvidas de que o VTN declarado pelo contribuinte encontrase, de fato, subavaliado, não podendo passar despercebido que o VTN por hectare declarado para o imóvel de R$0,07/ha corresponde a apenas 0,003% do valor constante, por aptidão agrícola, do SIPT (R$2.143,00/ha), informado pelo INCRA, que foi justamente o valor arbitrado pela fiscalização, com base no SIPT. Nesta fase, o impugnante apresenta Laudo Técnico de Avaliação de Imóvel Rural, doc. de fls. 46/51, elaborado pela Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola S.A (BDA) vinculada a Secretaria da Agricultura, Irrigação e Reforma Agrária do Estado da Bahia, com um valor de R$150,00/ha. Pois bem, no presente caso, não há como restabelecer o VTN declarado ou acatar o valor apresentado no Laudo, como requer o impugnante, pois entendo que o teor do documento trazido aos autos realmente não se mostra hábil para a finalidade a que se propõe, uma vez que não segue a totalidade das normas da ABNT, para um Laudo com fundamentação e grau de precisão II, não demonstrando de forma inequívoca o valor fundiário do imóvel, à época do fato gerador do ITR/2008 (1º.01.2008), nem a existência de características particulares desfavoráveis, que justificassem um valor abaixo do arbitrado pela fiscalização com base no SIPT. De fato, a avaliação constante do Laudo não atende aos requisitos estabelecidos na NBR 14.6533, principalmente os itens 7.3. – Vistoria, 7.4 – Pesquisa para estimativa do valor de mercado, 7.7 – Tratamento de Dados, 7.7.2.2 A qualidade da amostra e 9 – Especificação das Avaliações, com todos os elementos de pesquisa identificados (número de dados efetivamente utilizados maior ou igual a cinco – item 9.2.3.5) e em especial o subitem 9.2.2.2., que estabelece que o profissional deve enquadrar o seu trabalho em cada item da Tabela 2 da Norma, para conferir o grau de fundamentação do Laudo de Avaliação. Ainda, no que concerne aos requisitos da NBR 146533, o item 9.2.3.3 desta Norma estabelece que são obrigatórios, em qualquer grau, “a explicitação do critério adotado e dos dados colhidos no mercado”, e no item 9.2 3.5, que são obrigatórios, nos graus II e III, “a apresentação de informações relativas a todos os dados amostrais e variáveis utilizados na modelagem”, o que não ocorreu. Portanto, o laudo é por demais sucinto, podendo ser enquadrado como um Parecer Técnico, mas não como Laudo de Avaliação, Fl. 206DF CARF MF 12 classificado, pelo menos, com Grau de fundamentação I, quando o que se exige é Grau II de fundamentação e precisão. Ainda, ocorre que a exemplo do VTN/ha originariamente declarado, o VTN/ha apontado pelo autor do trabalho, de R$150,00/ha, também, se encontra abaixo do VTN relacionado no SIPT, correspondendo a apenas 7% do valor constante, por aptidão agrícola, do SIPT (R$2.143,00/ha), informado pelo INCRA, de forma que o acatamento da pretensão do contribuinte exigiria uma demonstração que não deixasse dúvidas da inferioridade do imóvel em relação aos outros existentes na região, o que não aconteceu. Enfim, o autor do trabalho não fez, de maneira objetiva, a comparação qualitativa das características particulares do imóvel em comparação com as demais terras dos imóveis rurais circunvizinhos, não evidenciando, de forma convincente, que o mesmo possui características particulares desfavoráveis diferentes das características gerais da microrregião de sua localização, para fins de justificar a revisão pretendida. [...] Ressaltese que para comprovação do valor fundiário do imóvel, a preços da época do fato gerador do imposto (1º.01.2008, art. 1º, caput, e art. 8º, § 2º, da Lei nº 9.393/96), o contribuinte foi intimado a apresentar Laudo de Avaliação, elaborado por profissional habilitado (engenheiro agrônomo/florestal), com ART devidamente anotada no CREA, em conformidade com as normas da ABNT (NBR 14.6533), com Grau de Fundamentação e Grau de Precisão II, contendo todos os elementos de pesquisa identificados. Para atingir tal grau de fundamentação e precisão, esse laudo deveria atender aos requisitos estabelecidos na norma NBR 14.6533 da ABNT, com a apuração de dados de mercado (ofertas/negociações/opiniões), referentes a pelo menos 05 (cinco) imóveis rurais, preferencialmente com características semelhantes às do imóvel avaliado, com o posterior tratamento estatístico dos dados coletados, conforme previsto no item 8.1 dessa mesma Norma, adotandose, dependendo do caso, a análise de regressão ou a homogeneização dos dados, conforme demonstrado, respectivamente, nos anexos A e B dessa Norma, de forma a apurar o valor mercado da terra nua do imóvel avaliado, a preços de 01.01.2008, em intervalo de confiança mínimo e máximo de 80%. Salientese que, não obstante constar da impugnação que o Laudo de Avaliação foi assinado por Engenheiro Agrônomo registrado no CREA, não constaria, às fls. 49, o nome do profissional responsável por sua elaboração, com a identificação do número do CREA, e nem sua assinatura, pelo menos de forma visível nos autos digitalizado. Quanto à Certidão da Prefeitura, às fls. 42/43, atestando que o valor venal do imóvel seria de R$309,00/ha e a Certidão de fls. 44/45, que traria o valor pago na aquisição do imóvel e o valor arbitrado pela Prefeitura, à época, que são, respectivamente Ncz$204.713,00 e Ncz$409.425,00, tais documentos são apenas Fl. 207DF CARF MF Processo nº 10540.720941/201332 Acórdão n.º 9202007.316 CSRFT2 Fl. 8 13 fontes que devem ser analisadas dentro do contexto e juntamente com Laudo de Avaliação e outros documentos. Quanto a legislação aplicável, com fulcro no disposto nos art. 14, § 1o. da Lei nº 9.396, de 19 de dezembro de 1996, quando combinado com o art. 12 da Lei 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, é de se aceitar o arbitramento pelo SIPT somente quando efetuado com utilização do VTN médio que leve em consideração também o fator de aptidão agrícola, expressis verbis: Lei 9.393/96 Art. 14. No caso de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, bem como de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal procederá à determinação e ao lançamento de ofício do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização. § 1º As informações sobre preços de terra observarão os critérios estabelecidos no art. 12, § 1º, inciso II da Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios.(g.n.) Lei 8.629/93 Art.12.Considerase justa a indenização que reflita o preço atual de mercado do imóvel em sua totalidade, aí incluídas as terras e acessões naturais, matas e florestas e as benfeitorias indenizáveis, observados os seguintes aspectos:(Redação dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) I localização do imóvel;(Incluído dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) II aptidão agrícola;(Incluído dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001)(g.n.) IIIdimensão do imóvel;(Incluído dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) IV área ocupada e ancianidade das posses;(Incluído dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) V funcionalidade, tempo de uso e estado de conservação das benfeitorias.(Incluído dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) (grifei) §1oVerificado o preço atual de mercado da totalidade do imóvel, procederseá à dedução do valor das benfeitorias indenizáveis a serem pagas em dinheiro, obtendose o preço da terra a ser indenizado em TDA.(Redação dada Medida Provisória nº 2.183 56, de 2001) Fl. 208DF CARF MF 14 §2oIntegram o preço da terra as florestas naturais, matas nativas e qualquer outro tipo de vegetação natural, não podendo o preço apurado superar, em qualquer hipótese, o preço de mercado do imóvel.(Redação dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) Noto, porém, que no caso em questão, ao contrário do trazido pelo recorrente, foi devidamente utilizado, para fins de arbitramento pela autoridade fiscal, o VTN do município do imóvel rural, em observância ao requisito legal de consideração de aptidão agrícola para fins do arbitramento realizado. às fls. 04 dos autos (efls. 07), foi colacionado a tela do Sistema de Consulta ao SIPT, senão vejamos: Conforme verificase, no extrato, o arbitramento realizado pela fiscalização levou em consideração a aptidão agrícola da terra nua, indicada pelo próprio INCRA e, assim, inexistindo laudo viável para comprovação, correto na forma realizada pela autoridade autuante. Aliás, esse foi o entendimento traçado no acórdão da DRJ, bem como no acórdão recorrido, que entendo amoldase perfeitamente ao caso ora analisado, razão pela qual transcrevo o trecho pertinente, adotando como razões de decidir: Portanto o ITR é um imposto sujeito à apuração e pagamento efetuado previamente pelo contribuinte, sem a intervenção prévia da Administração Pública, sujeitandose à posterior homologação. Todavia, a responsabilidade pela exatidão das informações prestadas ao fisco é do sujeito passivo, de modo que, quando solicitado, deverá comprovar através dos documentos hábeis a veracidade dessas informações. No presente caso, o valor da terra nua declarado foi de R$ 900,00, o que equivaleria a um VTN/ha de R$ 0,07, valor esse não comprovado por nenhum documento juntado aos autos. Ao contrário, os documentos apresentados pelo recorrente demonstram a inveracidade da informação prestada. O laudo técnico apresentado (fls. 47/51) atribui um valor de R$ 150,00/ha, Fl. 209DF CARF MF Processo nº 10540.720941/201332 Acórdão n.º 9202007.316 CSRFT2 Fl. 9 15 enquanto a certidão expedida pela Prefeitura de Correntina/BA (fl. 43) avalia o hectare a R$ 309,00. Já o valor informado pelo Incra, constante do SIPT (fl. 8), para o município de Correntina, referente ao exercício de 2008, com aptidão agrícola "outras" é de R$ 2.143,00 (verificase que o VTN/DITR médio foi de R$ 311,32). Apurada a subavaliação do valor da terra nua, a fiscalização efetuou o lançamento de ofício do imposto, arbitrando o VTN com base no SIPT, com informações sobre aptidão agrícola, como expressamente previsto no art. 14 da Lei nº 9.393, de 1996 c/c o art. 12 da Lei nº 8.629, de 1993: [...] A decisão de piso rejeita tanto o valor declarado de R$ 0,07/ha, quanto o valor do laudo apresentado de R$ 150,00/ha e da Prefeitura de R$ 309,00/ha, mantendo o arbitramento, sob a seguinte argumentação, verbis: [...] Como muito bem salientado pela DRJ o laudo apresentado não possui as características necessárias para comprovação do valor da terra nua do imóvel em questão, tampouco foi apresentado o ART devidamente registrado no CREA que comprovasse o responsável pela sua elaboração. Correto também o posicionamento da DRJ em relação ao documento expedido pela Prefeitura, uma vez que sozinho, não tem o condão de alterar o valor arbitrado. Sobre a alegação do recorrente de que a área de 10.959,11ha não seria tributável, por ser inservível para a atividade rural, cumpre informar que para tanto é necessário a entrega tempestiva do Ato Declaratório Ambiental ADA, bem como a comprovação de que a área é declarada como de interesse ecológico pelo órgão competente federal ou estadual a teor do artigo 10, §1º, II, 'c' da Lei nº 9.393/96: II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: ... c) comprovadamente imprestáveis para qualquer exploração agrícola, pecuária, granjeira, aqüícola ou florestal, declaradas de interesse ecológico mediante ato do órgão competente, federal ou estadual; Por todo o exposto e tendo em vista que o valor da terra nua VTN médio por hectare de R$ 2.143,00 utilizado para o cálculo do imposto, extraído do SIPT, para o Município de Correntina/BA, leva em consideração à aptidão agrícola (OUTRAS), entendo correto o arbitramento efetuado, mantendo assim o lançamento, uma vez que os documentos trazidos pelo Fl. 210DF CARF MF 16 recorrente não são suficientes para comprovação do real valor da terra nua da propriedade. Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recuso do Contribuinte, considerando a validade do arbitramento efetuado utilizandose o SIPT com aptidão agrícola. É como voto. (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Fl. 211DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11516.001208/2009-07
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006
COFINS. CRÉDITO DECORRENTE DE LOCAÇÃO DE IMÓVEL. REQUISITOS LEGAIS. POSSIBILIDADE
Os requisitos legais para a tomada de crédito decorrente de contrato de locação são os previstos na legislação sendo; locação de imóvel, pago a pessoa jurídica e destinado às atividades da empresas, elementos presentes e satisfatoriamente comprovados mediante a apresentação dos contratos de locação e aditivos, documentos, estes, alíás, que se configuram hábeis para comprovação da operação sendo prescindível a apresentação de nota fiscal
Numero da decisão: 3001-000.551
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
Orlando Rutigliani Berri - Presidente
(assinado digitalmente)
Renato Vieira de Avila - Relator
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri (Presidente), Renato Vieira de Avila, Marcos Roberto da Silva e Francisco Martins Leite Cavalcante.
Nome do relator: RENATO VIEIRA DE AVILA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 COFINS. CRÉDITO DECORRENTE DE LOCAÇÃO DE IMÓVEL. REQUISITOS LEGAIS. POSSIBILIDADE Os requisitos legais para a tomada de crédito decorrente de contrato de locação são os previstos na legislação sendo; locação de imóvel, pago a pessoa jurídica e destinado às atividades da empresas, elementos presentes e satisfatoriamente comprovados mediante a apresentação dos contratos de locação e aditivos, documentos, estes, alíás, que se configuram hábeis para comprovação da operação sendo prescindível a apresentação de nota fiscal
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Orlando Rutigliani Berri - Presidente (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila - Relator (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri (Presidente), Renato Vieira de Avila, Marcos Roberto da Silva e Francisco Martins Leite Cavalcante.
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CRÉDITO DECORRENTE DE LOCAÇÃO DE IMÓVEL. REQUISITOS LEGAIS. POSSIBILIDADE Os requisitos legais para a tomada de crédito decorrente de contrato de locação são os previstos na legislação sendo; locação de imóvel, pago a pessoa jurídica e destinado às atividades da empresas, elementos presentes e satisfatoriamente comprovados mediante a apresentação dos contratos de locação e aditivos, documentos, estes, alíás, que se configuram hábeis para comprovação da operação sendo prescindível a apresentação de nota fiscal Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Orlando Rutigliani Berri Presidente (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila Relator (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 12 08 /2 00 9- 07 Fl. 136DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri (Presidente), Renato Vieira de Avila, Marcos Roberto da Silva e Francisco Martins Leite Cavalcante. Relatório Pedido de Ressarcimento Tratase de pedido de ressarcimento de créditos (PER/DCOMP) de COFINS de incidência não cumulativa, relativo ao 2º trimestre do ano calendário de 2006, no valor de R$ 32.621,56, (trinta e dois mil e seiscentos e vinte e um reais e cinquenta e seis centavos. Termo de Início de Fiscalização Foi dado inicio à diligência no contribuinte para realizar verificação para fins de ressarcimento do PIS/ Pasep nãocumulativo (§ 1° do art. 5 0 da Lei n° 10.637/2002) e da Cofins nãocumulativa (§1° do art.6° da Lei n° 10.833/2003) do 2° trimestre de 2004 ao 4° trimestre de 2006, onde o mesmo foi intimado para apresentar ou disponibilizar, no prazo de 30 dias, inúmeros documentos relativos ao período mencionado. Despacho Decisório A autoridade fiscal afirma que a contribuinte forneceu, em meio magnético, arquivo contendo todas as notas ficais utilizadas como insumos, bem como, apresentou, em atendimento ao Termo de Início de Fiscalização, memória de cálculo demonstrando os valores preenchidos nos DACON. Alega, também, em seu Despacho Decisório, que ao analisar os dados informados, constatouse que foram incluídos como crédito, na apuração da COFINS, valores de aluguéis pagos à Pessoa Física, o que é proibido pela legislação tributária. Ademais, que foram incluídos valores sem o respaldo de notas fiscais de entrada, o que provocou a apuração de créditos a menor. Com isso, o presente despacho decisório houve por bem, reconhecer parcialmente o direito creditório, no valor de R$ 28.366,66 e homologar a DCOMP até o limite de crédito reconhecido. Manifestação de Inconformidade Em sede de sua manifestação de inconformidade, a recorrente alega, em suma, que houve equívoco na conclusão da autoridade fiscal, principalmente quanto aos aluguéis pagos e no que se refere aos créditos de exportação utilizados. Créditos de Aluguel Fl. 137DF CARF MF Processo nº 11516.001208/200907 Acórdão n.º 3001000.551 S3C0T1 Fl. 137 3 Alega a manifestante que o crédito de aluguel utilizado como base de cálculo para fins de compensação/ressarcimento referese ao Aditivo n.1, que é o contrato realizado com a empresa GARANTIA ADMINISTRADORA DE BENS E SERVIÇOS LTDA., pessoa jurídica, e não à pessoa física, como alega a autoridade fiscalizadora e por isso, merece o reconhecimento dos créditos de aluguel no montante de R$ 1.620,68. Equívoco de soma nas colunas do campo “créditos” “mercado externo” A manifestante alega que verificou evidente equívoco de soma nas colunas do campo “créditos” “mercado externo”, quando à B.C. de Créditos a descontar (R$519.607,02, quando o correto seria R$519.908,92) e Créditos a Descontar (R$39.490,13, quando o correto seria R$39.513,08). DRJ/FNS A manifestação de inconformidade foi julgada e recebeu a seguinte ementa: Acórdão 0729.363 4ª Turma da DRJ/FNS ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO, COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE No âmbito específico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, é ônus do contribuinte/pleiteante a comprovação minudente da existência do direito creditório. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. CRÉDITOS VINCULADOS AO MERCADO EXTERNO. SALDO REMANESCENTE. Os créditos de mercado externo acumulados ao final de cada trimestrecalendário poderão ser objeto de ressarcimento ou compensação, mediante PER/DCOMP, sendo que cada pedido deverá referirse a um único trimestrecalendário e ser efetuado pelo saldo credor remanescente do mesmo trimestre a que se referem os créditos. Fl. 138DF CARF MF 4 O relatório, por bem retratar a realidade fática dos autos, merece ser transcrito. Trata o processo de pedido de ressarcimento de créditos (PER/DCOMP) da Contribuição para a Cofins de incidência não cumulativa, relativo ao 2º. trimestre do anocalendário de 2006, no valor de R$ 32.621,56 (trinta e dois mil e seiscentos e vinte e um reais e cinqüenta e seis centavos). Na análise do pedido formulado pela empresa acima identificada, constatou a autoridade fiscalizadora que foram considerados, para fins de créditos, os valores de aluguéis pagos à pessoa física. Além disso, foram incluídos valores sem o respaldo de notas fiscais de entrada. Conforme o Despacho Decisório constante dos autos, foi reconhecido parcialmente o crédito no valor de R$ 28.366,66 (vinte e oito mil e trezentos e sessenta e seis reais e sessenta e seis centavos). A contribuinte encaminhou a presente manifestação de inconformidade, onde alega, em síntese, que houve equívoco na conclusão da autoridade fiscal, no tocante à análise da documentação apresentada pela empresa, haja vista que os pagamentos de aluguéis foram feitos à empresa Garantia Administradora de Bens e Serviços Ltda., pessoa jurídica, conforme documentação em anexo. Pede que seja revista a decisão neste particular e argumenta que, nada obstante, no período de apuração referido no PER/DCOMP não houve créditos a título de Cofins, o que exclui a possibilidade de glosa levada a efeito no demonstrativo de fls. 63. Alega ainda que verificou evidente equívoco de soma nas colunas do campo “créditos” “mercado externo”, quando à B.C. de Créditos a descontar (R$519.607,02, quando o correto seria R$519.908,92) e • Créditos a Descontar (R$39.490,13, quando o correto seria R$39.513,08). Requer, por fim, a revisão total da decisão. Quanto aos créditos de aluguel, entendeu a DRJ/FNS que embora a contribuinte tenha demonstrado que contratou com uma Pessoa Jurídica, deixou de apresentar as respectivas notas fiscais emitidas pela empresa locadora, com a finalidade de comprovar que os pagamentos foram efetivados e feitos nos montantes que constam do Dacon. Por isso, manteve as glosas relativas aos valores de aluguel de R$ 1.620,68. Por fim, quanto ao equívoco de soma nas colunas do campo “créditos” “mercado externo”, a DRJ entendeu caber razão à alegação da manifestante, que, de fato, houve erro de soma no mês de abril/2006: na coluna “Mercado Externo”, o valor da “Base de Cálculo” deixou de considerar o valor de R$ 301,90, relativo a valores creditados a título de “Outras Operações”, o que repercutiu negativamente no valor total de créditos neste mês. Desta forma, a Manifestação de Inconformidade foi provida em parte e o valor reconhecido passou a ser de R$ 28.389,60. Fl. 139DF CARF MF Processo nº 11516.001208/200907 Acórdão n.º 3001000.551 S3C0T1 Fl. 138 5 Recurso Voluntário A recorrente aduz seu argumento principal na impossibilidade de exigência de nota fiscal como prova de pagamento de aluguel à pessoa jurídica. Créditos de Aluguel Em suma, a recorrente alega que a tese adotada pela DRJ de que, a contribuinte, para viabilizar o direito creditório dos aluguéis, deveria ter apresentado as notas fiscais respectivas, não pode prevalecer. Nesse sentido, aduz que a posição adotada lhe impõe a obrigação de comprovar o cumprimento de obrigação acessória por terceiro locador, ou condiciona o direito ao crédito à produção de prova documental inexigível por lei, isto porque, segundo a mesma, o locador é obrigado a fornecer simples recibo discriminado das importâncias pagas pelo locatário e não nota fiscal. Por essas razões, requereu a reforma da decisão recorrida para que sejam reconhecidos os créditos de aluguel na monta de R$ 1.620,68. É o relatório. Voto Conselheiro Renato Vieira de Avila Relator Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão que reconheceu parcialmente o Pedido de Ressarcimento de COFINS de incidência não cumulativa. Admissibilidade do Recurso A contribuinte teve ciência do acórdão de manifestação de inconformidade em 27.08.2012, conforme Aviso de Recebimento AR, fls. 129130, nos termos do inciso II do parágrafo 2º do artigo 23 do Decreto 70.235 de 06.03.1972 (PAF), iniciandose a contagem do prazo para apresentação de recurso no dia útil subsequente, conforme artigo 5º, também do PAF. Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. Fl. 140DF CARF MF 6 Verificase, pois, que a recorrente apresentou o competente Recurso Voluntário em 20.09.2012, conforme comprova o carimbo da ARF CRICIÚMA, logo, o recurso apresentado é tempestivo ao prazo legal estabelecido no artigo 56 do PAF: Art. 56. Cabe recurso voluntário, com efeito suspensivo, de decisão de primeira instância, dentro de trinta dias contados da ciência. Por fim, observo que, em conformidade com o art. 23B do Anexo II da Portaria MF n° 343 de 2015 (Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF), este colegiado é competente para apreciar o feito, tendo em vista que o valor do litígio está dentro do limite estabelecido pelo dispositivo. Argumentos de Defesa no Recurso Voluntário Em breve síntese, foram apresentados, em sede de recurso, o argumento referente a Créditos de Aluguel DOS FATOS Trata o presente processo de Pedido de Ressarcimento da Contribuição para COFINS de incidência não cumulativa, formalizado por PERDCOMP, referente aos períodos de apuração 04 a 06/2006 (2° trimestre de 2006). O pedido está lastreado em créditos obtidos na aquisição de insumos e prestação de serviços utilizados na fabricação de produtos exportados. O direito creditório foi reconhecido parcialmente pelos órgãos “a quo”, que homologaram a compensação na monta de R$ 28.389,60, pelos argumentos tratados no Relatório acima. Diante disso, a recorrente busca o reconhecimento de créditos de aluguel na monta de R$ 1.620,68. DO MÉRITO Trata o presente processo de Pedido de Ressarcimento de COFINS de incidência não cumulativa, formalizado por PERDCOMP, referente aos períodos de apuração 01 a 03/2005 (1° trimestre de 2005), que, na matéria cujo mérito será enfrentado, circunscreve se a determinar se, conforme a linguagem expressa no voto condutor da decisão examinada, é legal a exigência de nota fiscal emitida pela locatária para comprovar a legitimidade da tomada do crédito de locação, previsto no artigo 3.º , iv da Lei 10.833/03. Seguese ao trecho enxertado. Todavia, embora a contribuinte tenha demonstrado que contratou com uma Pessoa Jurídica, deixou de apresentar as respectivas notas fiscais emitidas pela empresa locadora, com a finalidade de comprovar que os pagamentos foram efetivados e feitos nos montantes que constam do Dacon. Fl. 141DF CARF MF Processo nº 11516.001208/200907 Acórdão n.º 3001000.551 S3C0T1 Fl. 139 7 Percebese que a autoridade de primeira instância reconheceu ter sido a locatária, pessoa jurídica, enquadrandose, portanto na hipótese legal aqui discutida. Neste sentido, encontrase devidamente satisfeita a argumentação trazida em sede de defesa: No tocante à glosa referente ao crédito de aluguel utilizado como base de cálculo para compensação/ressarcimento, verificase que os aluguéis aproveitados como crédito referemse ao contrato realizado 'corn a empresa GARANTIA ADMINISTRADORA DE BENS E SERVIÇOS LTDA., pessoa jurídica de direito privado, inscrita no CNPJ sob o n. 04.980.774/000187, conforme aditivo n. 01 ao Contrato de Locação em 17.12.2001 e não à pessoa física, como por equivoco concluiu , a autoridade notificante. Outrossim, resta claramente delineado que a questão aqui tratada referese ao fato de não ter sido apresentadas as notas fiscais para fins de comprovação. Créditos decorrentes de Aluguel Suficiência probatória dos contratos de locação Os créditos decorrentes de aluguel estão previstos na legislação e respeitam a seguinte determinação: a locação deve ser de prédios, com o requisito de ser pago unicamente a pessoa jurídica, e, ainda, necessariamente deverão ser empregados na utilização das atividades operacionais da empresa. Quanto ao primeiro requisito, registrase que o contrato de locação acostado em fls. 123 destes autos, o documento denominado ADITIVO NR.. 01 AO CONTRATO DE LOCAÇÃO CELEBRADO EM 17.12.2001 ENTRE SÉRGIO CIZESKI, COMO LOCADOR, E PLASSON DO BRASIL Ltda., COMO LOCATÁRIA. Neste instrumento, agora em fls. 128, deparase com a incorporação do mencionado imóvel, anteriormente dado em locação, conforme visto, ao capital social da empresa GARANTIA ADMINISTRADORA DE BENS E SERVIÇOS Ltda. , consoante o mencionado ato de constituição desta sociedade na JUCESC sob NIRE 42203139679. Com isto, e de acordo com o expresso em seu item 2. o titular do contrato de locação seria a pessoa jurídica GARANTIA. A título de evidenciar a existência do contrato de locação, acosta, também, Aditivo n.º 02, firmado em 31 de março de 2009. Desta vez, para regrar novo prazo de locação. Ainda, importa a menção na qual a peça contém a cláusula primeira, cujo conteúdo demonstra a descrição do objeto de tal instrumento, como sendo "um terreno com área de 3.501,77 m2, com um pavilhão industrial recém construído, me primeira ocupação, com área de 1.377,70m2". Portanto, concluise que os requisitos para o reconhecimento da legitimidade do crédito estão satisfeitos, determinando ser o contrato de locação a Documentação hábil para comprovação da existência do negócio. Desnecessidade de nota fiscal A recorrente, enquanto pratica atividade de locação, não é contribuinte estadual nem municipal, não sendo lícito impor o requisito probatório da juntada de notas fiscais. Fl. 142DF CARF MF 8 Devidamente enfrentadas as questões de fato e mérito, apontase decisão desta CARF no sentido de aceitar os contratos de locação como instrumentos aptos a comprovação do negócio, inclusive apontadolhe as devidas limitações (no precedente citado, foi excluído da base do crédito, taxas condominais, por não ser parte do preço contratado, este sim, base para a tomada de crédito, conforme, repitase, previsão contratual, e, não, valor emitido em nota fiscal. Acórdão nº 3401004.021 ALUGUÉIS. DIREITO DE CRÉDITO. DELIMITAÇÃO. O direito de crédito relativo aos aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos utilizados na empresa, previsto no art. 3º, IV das Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, compreende apenas a retribuição pelo uso e gozo da coisa não fungível, nos contratos de locação, como regulado pelo art. 565 e ss. do Código Civil (Lei nº 10.406/2002), não englobando as despesas condominiais e demais taxas sob responsabilidade dos locatários, bem assim, as contraprestações financeiras, a cargo dos parceiros públicos, nos contratos administrativos de concessão das parcerias público privadas. Fundamento legal Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; DECISÃO Conheço do recurso, para no MÉRITO, dar provimento a tomada de crédito decorrente da operação de locação de imóvel. Renato Vieira de Avila (assinado digitalmente) Fl. 143DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11516.004449/2008-19
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. MOLÉSTIA GRAVE COMPROVADA.
A isenção aplicável aos proventos da aposentadoria ou pensão, recebidos por portadores de moléstia grave, requer a prova da condição de aposentado, em relação à fonte pagadora; bem como a prova da moléstia grave, atestada em laudo médico oficial que preencha todos os requisitos exigidos pela legislação tributária.
Numero da decisão: 2001-000.708
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente
(assinado digitalmente)
Fernanda Melo Leal - Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira e Jorge Henrique Backes.
Nome do relator: FERNANDA MELO LEAL
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MOLÉSTIA GRAVE COMPROVADA. A isenção aplicável aos proventos da aposentadoria ou pensão, recebidos por portadores de moléstia grave, requer a prova da condição de aposentado, em relação à fonte pagadora; bem como a prova da moléstia grave, atestada em laudo médico oficial que preencha todos os requisitos exigidos pela legislação tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira e Jorge Henrique Backes. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 44 49 /2 00 8- 19 Fl. 101DF CARF MF 2 Contra o contribuinte acima identificado foi emitida Notificação de Lançamento, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício de 2006, anocalendário de 2005, por meio da qual foi constatada Omissão de Rendimentos Excedentes ao Limite de Isenção para Declarantes com 65 anos ou mais. Da análise das informações e documentos apresentados pelo contribuinte, e das informações constantes dos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, constatouse omissão de rendimentos indevidamente declarados como isentos e nãotributâveis, provenientes de aposentadoria, pensão, reforma ou transferência para a reserva remunerada, auferidos pelo titular e/ou dependentes, com idade superior a sessenta e cinco anos, que excederam ao limite de isenção, sujeitos à tabela progressiva, no valor de R$ 30.317,97. A parcela isenta dos rendimentos provenientes de aposentadoria e pensão, transferência para a reserva remunerada ou reforma, pagos pela Previdência Social da União. dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, por qualquer pessoa jurídica de direito público interno, ou por entidade de previdência privada, a partir do mês em que o contribuinte completar 65 (sessenta e cinco) anos de idade, corresponde à quantia de R$ 1.164,00 (um mil cento e sessenta e quatro reais) mensais. Dessa forma foram acrescidos aos rendimentos tributáveis recebidos do INSS e R$ 13.968,00 aos recebidos da Fundacão Celesc. A isenção por moléstia grave a partir de 21/09/2005 foi concedida. São tributáveis os proventos recebidos de janeiro a setembro de 2005, os quais totalizaram R$ 116.526,62. O interessado foi cientificado da notificação, apresentou impugnação e alega, em síntese, que o presente lançamento foi efetuado sem levar em conta “as parcelas dos rendimentos isentos para maiores de 65 anos” e “'04 meses de isenção por moléstia grave. Por fim requereu o cancelamento da notificação de lançamento. A DRJ Florianópolis, na análise da peça impugnatória, manifestou seu entendimento no sentido de que o contribuinte logrou êxito em comprovar a condição de moléstia grave para fins de isenção de imposto de renda bem como para maiores de 65 anos. Foi dado provimento parcial à impugnação nos seguintes termos: a) o valor informado pelo Interessado na declaração de ajuste anual de fls 37 a /40 a titulo de rendimentos tributáveis recebidos do Comando da Marinha do Bras11 (R$ 59.827,68) está correto; b) a omissão de rendimentos tributáveis recebidos da CELOS apurada pela fiscalização é totalmente improcedente, visto que o valor informado pelo Interessado na declaração de ajuste anual de fls. 37 a 40 a título de rendimentos tributáveis recebidos desta fonte pagadora (R$ 19.055,76) está correto; c) a omissão de rendimentos tributáveis recebidos do INSS apurada pela fiscalização é parcialmente procedente, visto que o valor que deveria ter sido declarado a título de rendimentos tributáveis recebidos desta fonte pagadora (INSS) e' de o R$ 16.637,21 ao invés dos R$ 21.293,21 registrados na notificação de lançamento. Cabe ressaltar que a isenção prevista no artigo 39, inciso XXXIV, do Decreto n° 3.000/1999 (maior de 65 anos), não foi aplicada sobre os rendimentos pagos pelo INSS nos meses de 01/2005 a 08/2005, porque já havia sido aplicada, nesses meses (01/2005 a 08/2005), sobre os rendimentos recebidos da CELOS. Fl. 102DF CARF MF Processo nº 11516.004449/200819 Acórdão n.º 2001000.708 S2C0T1 Fl. 3 3 Também devese frisar que a isenção .prevista no artigo 6°, incisos XIV e XXI, da Lei n° 7.713/1988 (doença grave), não foi aplicada sobre os rendimentos informados em DIRF no mês 09/2005 pelo INSS e pelo Comando da Marinha do Brasil, porque a análise conjunta dos documentos de fls. 09 a 13 e 17 a 20 e das informações prestadas em DIRF pelas fontes pagadoras, permite inferir que estes (rendimentos) se referem a proventos da competência 08/2005, que foram pagos no início de setembro de 2005, ou seja, antes do Interessado tomarse portador de nefropatia grave (21/09/2005 fl. 21). Em sede de Recurso Voluntário, o contribuinte deixa explícito que concorda com a decisão proferida no acórdão da DRJ, com a única ressalva em relação à não aplicação da isenção por moléstia grave no mÊs de setembro de 2005, sobre os rendimentos do INSS e do Comando da Marinha do Brasil. É o relatório. Voto Conselheira Fernanda Melo Leal Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Mérito Moléstia grave Consoante art. 6º, inciso XIV da Lei nº 7.713/88A, a qual altera a legislação do imposto de renda e dá outras providência, são seguintes as hipóteses de isenção do imposto sobre a renda: Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguintes rendimentos percebidos por pessoas físicas: XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma;(destaque nosso) Fl. 103DF CARF MF 4 Noutro giro, de acordo com os termos do art. 111 do Código Tributário Nacional – CTN, a legislação tributária que trata de isenção de imposto de renda deve ser interpretada literalmente. Senão vejamos: Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; III dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias. Como se vê, pelos dispositivos transcritos, para o contribuinte portador de moléstia grave ter direito à isenção são necessárias duas condições concomitantes, uma é que os rendimentos sejam oriundos de aposentadoria, reforma ou pensão ou ainda de complementação de aposentadoria e a outra é que seja portador de uma das doenças previstas no texto legal, comprovada por laudo pericial emitido por médico integrante do Serviço Médico Oficial, inclusive devendo ser identificado no laudo, o n.º de registro do profissional no órgão público. No caso em tela, o interessado afirma em sede de o Recurso Voluntário que concorda com a decisão da DRJ, salvo em relação a parte em que afirma o acórdão que a isenção .prevista no artigo 6°, incisos XIV e XXI, da Lei n° 7.713/1988 (doença grave), não foi aplicada sobre os rendimentos informados em DIRF no mês 09/2005 pelo INSS e pelo Comando da Marinha do Brasil, porque a análise conjunta dos documentos de fls. 09 a 13 e 17 a 20 e das informações prestadas em DIRF pelas fontes pagadoras, permite inferir que estes (rendimentos) se referem a proventos da competência 08/2005, que foram pagos no início de setembro de 2005, ou seja, antes do Interessado tomarse portador de nefropatia grave (21/09/2005 fl. 21). Pois bem. Verificase ao longo do processo a clareza e a boa fé do contribuinte em provar tudo o quanto alegado, e os equívocos cometidos no lançamento fiscal. Além disso, a decisão da DRJ deixa de dar a isenção ora guerreada pelo contribuinte (mês de setembro de 2009, rendimentos recebidos pelo INSS e Comando da Marinha), por inferência, como muito bem colocado pelo contribuinte. Entendo que o lançamento fiscal não pode ser feito por inferência, e sim de forma clara, fundamentada e comprovada. Merece trazer à baila apenas a título de reflexão jurídica, a importância do princípio pela busca da verdade material. Sabemos que o processo administrativo sempre busca a descoberta da verdade material relativa aos fatos tributários. Tal princípio decorre do princípio da legalidade e, também, do princípio da igualdade. Busca, incessantemente, o convencimento da verdade que, hipoteticamente, esteja mais aproxima da realidade dos fatos. De acordo com o princípio são considerados todos os fatos e provas novos e lícitos, ainda que não tragam benefícios à Fazenda Pública ou que não tenham sido declarados. Essa verdade é apurada no julgamento dos processos, de acordo com a análise de documentos, oitiva das testemunhas, análise de perícias técnicas e, ainda, na investigação dos fatos. Através das provas, buscase a realidade dos fatos, desprezandose as presunções tributárias ou outros procedimentos que atentem apenas à verdade formal dos fatos. Neste sentido, deve a Fl. 104DF CARF MF Processo nº 11516.004449/200819 Acórdão n.º 2001000.708 S2C0T1 Fl. 4 5 administração promover de oficio as investigações necessárias à elucidação da verdade material para que a partir dela, seja possível prolatar uma sentença justa. A verdade material é fundamentada no interesse público, logo, precisa respeitar a harmonia dos demais princípios do direito positivo. É possível, também, a busca e análise da verdade material, para melhorar a decisão sancionatória em fase revisional, mesmo porque no Direito Administrativo não podemos falar em coisa julgada material administrativa. A apresentação de provas e uma análise nos ditames do princípio da verdade material estão intrinsecamente relacionadas no processo administrativo, pois a verdade material apresentará a versão legítima dos fatos, independente da impressão que as partes tenham daquela. A prova há de ser considerada em toda a sua extensão, assegurando todas as garantias e prerrogativas constitucionais possíveis do contribuinte no Brasil, sempre observando os termos especificados pela lei tributária. A jurisdição administrativa tem uma dinâmica processual muito diferente do Poder Judiciário, portanto, quando nos depararmos com um Processo Administrativo Tributário, não se deve deixar de analisálo sob a égide do princípio da verdade material e da informalidade. No que se refere às provas, é necessário que sejam perquiridas à luz da verdade material, independente da intenção das partes, pois somente desta forma será possível garantir o um julgamento justo, desprovido de parcialidades. Somase ao mencionado princípio também o festejado princípio constitucional da celeridade processual, positivado no ordenamento jurídico no artigo 5º, inciso LXXVIII da Constituição Federal, o qual determina que os processos devem desenvolverse em tempo razoável, de modo a garantir a utilidade do resultado alcançado ao final da demanda. Ratifico, ademais, a necessidade de fundamento pela autoridade fiscal, dos fatos e do direito que consubstancia o lançamento. Tal obrigação, a motivação na edição dos atos administrativos, encontrase tanto em dispositivos de lei, como na Lei nº 9.784, de 1999, como talvez de maneira mais importante em disposições gerais em respeito ao Estado Democrático de Direito e aos princípios da moralidade, transparência, contraditório e controle jurisdicional. Assim sendo, com fulcro nos festejados princípios supracitados, e baseando se na fundamentação e constante boa fé do contribuinte em comprovar tudo o quanto alegado. entendo que deve ser dado provimento ao Recurso Voluntário para considerar também os rendimentos em análise como isentos para fins de imposto de renda (rendimentos informados em DIRF no mês 09/2005 pelo INSS e pelo Comando da Marinha do Brasil). CONCLUSÃO: Diante tudo o quanto exposto, voto no sentido de, CONHECER e DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, para considerar também como isentos os rendimentos acima detalhados, a partir de setembro de 2005, por já estarem enquadrados como rendimentos recebidos por portador de moléstia grave, amplamente comprovado. Fl. 105DF CARF MF 6 (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal. Fl. 106DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.720442/2008-07
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Oct 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Nov 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE.
Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial, tendo em vista a ausência de similitude fática entre os acórdãos recorrido e paradigmas.
Numero da decisão: 9202-007.272
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial, tendo em vista a ausência de similitude fática entre os acórdãos recorrido e paradigmas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 04 42 /2 00 8- 07 Fl. 194DF CARF MF 2 Tratase de exigência de Imposto de Renda Pessoa Física do exercício de 2005, acrescida de multa de ofício no percentual de 75% e juros de mora, tendo em vista a omissão de rendimentos tributáveis recebidos em virtude de processo judicial trabalhista. Em sessão plenária de 13/08/2014, foi julgado o Recurso Voluntário, prolatandose o Acórdão nº 2801003.666 (fls. 131 a 143), assim ementado: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 IRPF. RENDIMENTO RECEBIDO ACUMULADAMENTE. APLICAÇÃO DO REGIME DE COMPETÊNCIA. O Imposto de Renda incidente sobre os rendimentos pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Recurso Voluntário Provido.” A decisão foi assim resumida: “Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso para cancelar a exigência fiscal relativa à omissão de rendimentos recebidos acumuladamente. Vencido o Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida (Relator) que dava provimento parcial ao recurso para reduzir a base de cálculo da infração de omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica para R$ 6.721,05. Designado Redator do voto vencedor o Conselheiro Carlos César Quadros Pierre.” O processo foi encaminhado à PGFN em 18/09/2014 (Despacho de Encaminhamento de fls. 146) e, em 10/10/2014, foi interposto o Recurso Especial de fls. 147 a 158 (Despacho de Encaminhamento de fls. 159). O apelo está fundamentado no art. 67, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, e visa rediscutir as seguintes questões: a) tributação dos rendimentos recebidos acumuladamente; e b) natureza do vício que macula o lançamento. Ao Recurso Especial foi dado seguimento parcial, somente em relação à matéria "b", conforme despacho de 23/03/2016 (fls. 160 a 164), o que foi mantido pelo Despacho de Reexame de 24/03/2016 (fls. 165/166). Em seu apelo, relativamente à matéria que obteve seguimento, a Fazenda Nacional apresenta as seguintes alegações: pela leitura dos arts. 10 e 11, do Decreto 70.235, de 1972, e art. 142, do CTN, percebese que os requisitos neles elencados possuem natureza formal, ou seja, determinam como o ato administrativo, in casu, o Auto de Infração, deve exteriorizarse; Fl. 195DF CARF MF Processo nº 10980.720442/200807 Acórdão n.º 9202007.272 CSRFT2 Fl. 195 3 com efeito, o descumprimento dos requisitos apontados caracteriza preterição do direito à ampla defesa do contribuinte (art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972) e, portanto, enseja a anulação do lançamento por vício formal; desse modo, temse que um lançamento tributário é anulado por vício formal quando não se obedece às formalidades necessárias ou indispensáveis à existência do ato, isto é, às disposições de ordem legal para a sua feitura; na hipótese em apreço, o eventual equívoco na forma de apuração do imposto é causa de anulação do lançamento por vício formal e não de cancelamento, vez que foi preterido o método estabelecido em lei; a propósito, a jurisprudência do CARF é farta em decisões que anulam o Auto de Infração por vício de forma, em razão da falta de preenchimento de alguns dos requisitos estipulados nos arts. 10 e 11, do Decreto nº 70.235, de 1972, e/ou art. 142, do CTN. Ao final, a Fazenda Nacional pede que seja conhecido e provido o Recurso Especial, reconhecendose a validade da autuação (matéria não conhecida) ou, caso assim não se entenda, que seja o lançamento anulado por vício formal. Cientificado do acórdão, do Recurso Especial da Procuradoria e do despacho que lhe deu seguimento parcial em 13/05/2016 (AR Aviso de Recebimento de fls. 174), o Contribuinte ofereceu, em 24/05/2016 (carimbo de fls. 176), as Contrarrazões de fls. 176 a 189, contendo os seguintes argumentos: Da ausência de comprovação da divergência: os acórdãos citados pela recorrente não demonstram a divergência arguida, não cumprindo com os requisitos do art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais; isto porque a recorrente citou duas ementas (Acórdãos nºs 240100.018 e 30131.801), mas em momento algum comprovou o referido paradigma acerca do vício de cunho material na apuração do montante devido, por aplicação incorreta da legislação, objeto do presente recurso; verificase que, no inteiro teor do Acórdão nº 240100.018, a discussão é acerca da nulidade do feito, sob o argumento de que a autoridade lançadora não logrou motivar/fundamentar o ato administrativo do lançamento, de forma a explicitar clara e precisamente os motivos e dispositivos legais que embasaram a notificação; ou seja, o referido acórdão paradigma não é análogo ao presente caso, o que afasta, portanto, a divergência jurisprudencial necessária para a interposição do presente recurso, uma vez que no presente caso discutese a apuração do montante devido por aplicação incorreta da legislação, enquanto o suposto paradigma analisa a ausência de fundamentação no Auto de Infração; no Acórdão nº 30131.801, a notificação de lançamento não atende aos dispositivos contidos no art. 11 do Decreto nº 70.235, de 1972, sendo omissa quanto à fundamentação legal que prevê a incidência do tributo, a imputação da infração e para a respectiva cominação, não havendo qualquer relação com o presente caso; Fl. 196DF CARF MF 4 em que pese o presente recurso tenha sido processado, não foi comprovada pela recorrente qualquer divergência jurisprudencial, uma vez que se trata de vício formal, diverso do vício tratado no presente caso; ademais, ainda que ausente a divergência jurisprudencial, a recorrente não demonstrou analiticamente os pontos nos paradigmas que discordem de pontos específicos no acórdão recorrido, conforme prevê o § 8º, do RICARF; portanto, o presente recurso não deve ser admitido, pois (i) não comprovou a divergência jurisprudencial sobre o erro material ocorrido na apuração do montante devido, por aplicação incorreta da legislação; (ii) não há indicação dos pontos nos paradigmas que divirjam de pontos específicos no acórdão recorrido; e (iii) não foi juntada cópia do inteiro teor dos acórdãos. Do mérito a própria autoridade tributária reconhece na Solução de Consulta Interna Cosit nº 8, que o vício formal ocorre quando há erro na identificação do sujeito passivo, o qual decorre da análise de fatos ou documentos, mas cuja interpretação legal esteja correta; portanto, enquanto o vício formal decorre do erro de fato, o material decorre do erro de direito; isto é, no erro de direito há incorreção no cotejo entre a hipótese de incidência prevista na norma tributária com o fato jurídico tributário em um dos elementos do consequente da regramatriz de incidência; não há ausência de fundamentação ou descumprimento dos requisitos essenciais do lançamento, previstos no artigo 10, do Decreto n° 70.235, de 1972, como afirma a recorrente, para supostamente alcançar uma nulidade por vício formal, pois o que ocorre no caso é a existência de erro de cunho material na apuração do montante devido, acarretando no cancelamento da exigência fiscal por este motivo; novamente, a jurisprudência confirma o posicionamento do acórdão recorrido, pois o erro na interpretação da lei quanto à forma de cálculo do montante exequendo acarreta nulidade por vício material, devendo o acórdão ser mantido nesse sentido. Ao final, o Contribuinte requer o não conhecimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e, se assim não se entender, que lhe seja negado provimento. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo, restando perquirir se atende aos demais pressupostos de admissibilidade. Tratase de exigência de Imposto de Renda Pessoa Física do exercício de 2005, acrescida de multa de ofício no percentual de 75% e juros de mora, tendo em vista a omissão de rendimentos tributáveis recebidos em virtude de processo judicial trabalhista. Nesse passo, o Colegiado recorrido entendeu que o lançamento relativo a rendimentos recebidos acumuladamente, feito em desacordo com entendimento externado pelo STJ em julgamento Fl. 197DF CARF MF Processo nº 10980.720442/200807 Acórdão n.º 9202007.272 CSRFT2 Fl. 196 5 realizado na sistemática do art. 543C, do CPC, deveria ser cancelado, dandose provimento ao Recurso Voluntário. A Fazenda Nacional, por sua vez, na parte em que o seu Recurso Especial teve seguimento, pede que seja considerado que o lançamento padeceria de vício formal. Em sede de Contrarrazões, oferecidas tempestivamente, o Contribuinte assevera que os paradigmas tratam de situações diversas daquela analisada no acórdão recorrido, portanto não teria sido demonstrada a divergência. Ademais, alega que não há indicação dos pontos nos paradigmas que divirjam de pontos específicos no acórdão recorrido e que não foi juntada cópia do inteiro teor dos acórdãos. Assim, tratandose de discussão acerca da natureza de vício em lançamento de tributo, é imprescindível que se verifique a motivação da declaração de nulidade em cada um dos julgados em confronto, a ver se haveria similitude entre elas. Quanto à questão suscitada que obteve seguimento natureza do vício que macula o lançamento a Fazenda Nacional indica como paradigmas os Acórdãos nºs 2401 00018 e 30131801 e sintetiza o ponto de divergência da forma abaixo: "A 2ª Turma Especial da 2ª Câmara da Segunda Seção do CARF considerou que estaria o auto de infração eivado de vício material em função de suposto erro nos critérios de apuração do imposto devido.. Por outro lado, os acórdãos paradigmas sinalizam que o equívoco no critério de apuração do imposto ou qualquer outra contrariedade ao art. 142 do CTN gera nulidade por vício formal. Verificase, portanto, que diante de equívoco semelhante, acórdãos, recorrido e paradigmas, entenderam de modo divergente. Enquanto um cancela o auto de infração, os outros anulam, por vício de forma." Quanto ao primeiro paradigma Acórdão nº 240100.018 a Fazenda Nacional transcreve a respectiva ementa: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/09/1999 a 30/07/2006 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, contados da data da ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4°, do Código Tributário Nacional, ou do 173 do mesmo Diploma Legal, no caso de dolo, fraude ou simulação comprovados, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n° 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE's nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante n° 08, disciplinando a matéria. In casu, houve Fl. 198DF CARF MF 6 antecipação de pagamento, fato relevante para aqueles que entendem ser determinante à aplicação do instituto. NORMAS PROCEDIMENTAIS. ARBITRAMENTO. AUSÊNCIA FUNDAMENTAÇÃO LEGAL NO ANEXO FLD. VICIO INSANÁVEL. NULIDADE. A indicação dos dispositivos legais que amparam a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD é requisito essencial à sua validade, e a sua ausência ou fundamentação genérica, especialmente no relatório Fundamentos Legais do DébitoFLD, determina a nulidade do lançamento, por caracterizarse como vício formal insanável, nos termos do artigo 37 da Lei n°8.212/91, c/c artigo 11, inciso III, do Decreto n°70.235/72. RELATÓRIO FISCAL DA NOTIFICAÇÃO. OMISSÕES. O Relatório Fiscal tem por finalidade demonstrar/explicitar, de forma clara e precisa, todos os procedimentos e critérios utilizados pela fiscalização na constituição do crédito previdenciário, possibilitando ao contribuinte o pleno direito da ampla defesa e contraditório. Omissões ou incorreções no Relatório Fiscal, relativamente aos critérios de apuração do crédito tributário levados a efeito por ocasião do lançamento fiscal, que impossibilitem o exercício pleno do direito de defesa e contraditório do contribuinte, enseja a nulidade da notificação. PROCESSO ANULADO." Compulsandose o inteiro teor deste primeiro paradigma, constatase que não há similitude fática entre os julgados em confronto. De um lado, há o recorrido, em que o vício atribuído ao lançamento consiste no emprego de interpretação de dispositivo da legislação do IRPF de forma dissonante ao que foi decidido pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de recurso repetitivo, o que afetou a quantificação da base de cálculo, a identificação das alíquotas e o valor do tributo devido; de outro, este primeiro paradigma, em que se tratou de lançamento de Contribuição Previdenciária decorrente de arbitramento na modalidade de aferição indireta, baseada em impreciso Relatório Fiscal, que deixou de informar o procedimento de arbitramento, bem como de inscrever no anexo denominado "Fundamento Legais do Débito FLD" o dispositivo que autorizaria o arbitramento. Confirase: Voto "No presente caso, o ilustre fiscal autuante, além de não demonstrar de forma circunstanciada/pormenorizada os critérios utilizados na apuração do crédito por arbitramento, nos termos da legislação previdenciária, procedeu, igualmente, de forma omissa e/ou genérica, não especificando clara e precisamente no anexo Fundamentos Legais do DébitoFLD, às fls.33/34, qual o dispositivo legal que oferece sustentáculo ao procedimento utilizado na constituição do crédito tributário — aferição indireta/arbitramento. Dessa forma, não se sabe clara e precisamente em qual fundamento legal a Fiscalização se baseou ao constituir o crédito previdenciário, o que vai de encontro com o artigo 37 da Lei n°8.212/91, senão vejamos: (...) Fl. 199DF CARF MF Processo nº 10980.720442/200807 Acórdão n.º 9202007.272 CSRFT2 Fl. 197 7 Ao proceder dessa maneira, deixando de elencar no Relatório dos Fundamentos Legais do Débito — FLD e/ou no Relatório Fiscal da Notificação, a legislação específica que dá amparo ao ARBITRAMENTO, in casu, artigo 33, §§ 3" e 6", da Lei n° 8.212/91, o ilustre fiscal autuante incorreu em vício insanável, capaz de determinar a nulidade da NFLD, conforme legislação de regência e torrencial jurisprudência deste Conselho." (grifei) Ausente a similitude fática, não restou demonstrada a divergência alegada com base neste primeiro paradigma. No tocante ao segundo paradigma Acórdão nº 30131.801 o trecho transcrito pela Fazenda Nacional é o seguinte: "PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. VÍCIO FORMAL. O descumprimento de requisitos essenciais do lançamento como omissão dos fundamentos pelos quais estão sendo exigidos os tributos e aplicadas as multas e acréscimos legais, além da falta da prévia intimação estabelecida na legislação especifica, tudo em contradição ao disposto no art. 142, do CTN e nos art. 11 e 59, do Decreto 70.235/72, autorizam a declaração de nulidade desse lançamento por vicio formal. PRECEDENTES: Ac. 30329972, 30296334 e 30129966. Recurso de Ofício Negado." Compulsandose o inteiro teor deste segundo paradigma, verificase que novamente inexiste similitude fática entre os julgados confrontados. No recorrido, repitase que o vício atribuído ao lançamento consiste no emprego de interpretação de dispositivo da legislação do IRPF de forma dissonante do entendimento firmado pelo STJ em sede de recursos repetitivos, afetando a quantificação da base de cálculo, a identificação das alíquotas e o valor do tributo devido. Já neste segundo paradigma, que se refere a julgamento de recurso de ofício relativamente a lançamento decorrente de não comprovação da conclusão de trânsito aduaneiro lançamento que tinha como pressuposto a intimação do beneficiário pela autoridade aduaneira o vício consistiu na falta da referida intimação e no fato de a Notificação de Lançamento ser omissa quanto à fundamentação legal para a exigência do tributo, bem como para imputação da infração e cominação da penalidade. Confirase passagens do paradigma: Ementa "O descumprimento de requisitos essenciais do lançamento como omissão dos fundamentos pelos quais estão sendo exigidos os tributos e aplicadas as multas e acréscimos legais, além da falta da prévia intimação estabelecida na legislação especifica, tudo em contradição ao disposto no art. 142, do CTN e nos art. 11 e 59, do Decreto 70.235/72, autorizam a declaração de nulidade desse lançamento por vicio formal." (grifei) Relatório Fl. 200DF CARF MF 8 "Contra a contribuinte já epigrafada foi lavrada notificação de lançamento em 20/05/97 (fl. 23), com a finalidade de exigir crédito tributário apurado no valor de R$ 14.726.351,18, sob a alegação de que a empresa interessada não havia comprovado a conclusão do trânsito aduaneiro constante da DTAS n° 940018411, iniciado em 11/02/94 (fl. 03)." Voto "O litígio versa sobre a nulidade do lançamento por vício formal, bem como pela falta de intimação prévia da contribuinte nos termos da legislação específica. A não comprovação da chegada da mercadoria ao local de destino do trânsito, notadamente aquele constante da DTAS n. 940018411, iniciado em 11/02/94 (fl. 03), pressupõe a intimação do beneficiário pela autoridade aduaneira da jurisdição local, para que ela apresente as informações necessárias à identificação e valoração da mercadoria instruída com os respectivos documentos comerciais e de transporte de acordo com a IN/SRF n. 84/89, item 24, com redação dada pela IN/SRF n. 47/95. Esse pormenor fazse necessário em razão do procedimento fiscal denominado de conclusão do trânsito aduaneiro, até então parcial, haja vista que os dados do manifesto ou dos documentos de importação podem ser insuficientes para viabilizar a classificação fiscal e mesmo a valoração aduaneira daquela mercadoria. Demais disso a notificação de lançamento (fl. 23) não atende aos dispositivos contidos no art. 11 do Dec. 70.235/72, é omissa quanto à fundamentação legal que prevê a incidência do tributo (I.I.), como também para a imputação da infração e para a respectiva cominação, limitandose a citar o art. 521, inciso II, alínea "d" do RA, aprovado pelo Dec. 91.030/85 e Lei 9430/96 para os juros de mora. Nas operações de trânsito aduaneiro, em caso de suposta infração pela falta de comprovação da chegada de mercadoria na repartição de destino, devese aplicar o disposto contido no art. 481 do RA c/c o item 24 da IN/SRF n° 84/89, consoante o entendimento esposado pelo juízo a quo, com o qual este Julgador se solidariza. O descumprimento dos requisitos apontados caracteriza preterição do direito à ampla defesa do contribuinte (art. 59, Dec. 70.235/72), enseja a declaração, de oficio, da nulidade do lançamento ah initio, por vício formal, em cumprimento aos dispositivos contidos nos arts. 142 do CTN, 10, 11 e 59 do Dec. 70.235/72." (grifei) Assim, inexistente a similitude fática, não ficou demonstrado o alegado dissídio interpretativo também com base neste segundo paradigma, de sorte o Recurso Especial não pode ser conhecido. Diante do exposto, não conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. Fl. 201DF CARF MF Processo nº 10980.720442/200807 Acórdão n.º 9202007.272 CSRFT2 Fl. 198 9 (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 202DF CARF MF
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Numero do processo: 10983.904014/2013-64
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1002-000.034
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso voluntário em diligência à Unidade de Origem, a fim de aferir a suficiência do crédito, atestando se, após a retificação e analisando a escrita contábil e fiscal do contribuinte, o DARF apontado como sendo a fonte do direito creditório, Período de Apuração 31/09/2010, Código de Receita 2484, Data de Arrecadação 29/10/2010, possui saldo disponível para fins da homologação do PER/DCOMP n.º 10943.44626.310111.1.3.04-7940.
(assinado digitalmente)
Ailton Neves da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonam Rocha de Medeiros - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (Presidente), Ângelo Abrantes Nunes, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros.
Nome do relator: LEONAM ROCHA DE MEDEIROS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso voluntário em diligência à Unidade de Origem, a fim de aferir a suficiência do crédito, atestando se, após a retificação e analisando a escrita contábil e fiscal do contribuinte, o DARF apontado como sendo a fonte do direito creditório, Período de Apuração 31/09/2010, Código de Receita 2484, Data de Arrecadação 29/10/2010, possui saldo disponível para fins da homologação do PER/DCOMP n.º 10943.44626.310111.1.3.047940. (assinado digitalmente) Ailton Neves da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (Presidente), Ângelo Abrantes Nunes, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros. RELATÓRIO Cuidase, o caso versando, de Recurso Voluntário (efls. 55/56) ― autorizado nos termos do art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 6 de março de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, interposto com efeito suspensivo e devolutivo ―, protocolado pela recorrente, indicada no preâmbulo, devidamente qualificada nos fólios processuais, relativo ao inconformismo com a decisão de primeira instância (efls. 46/48), proferida em RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 83 .9 04 01 4/ 20 13 -6 4 Fl. 115DF CARF MF Processo nº 10983.904014/201364 Resolução nº 1002000.034 S1C0T2 Fl. 116 2 sessão de 17 de maio de 2017, consubstanciada no Acórdão n.º 1287.663, da 12.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro/RJ (DRJ/RJO), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade (efls. 02/03) que pretendia desconstituir o Despacho Decisório (DD), emitido 02/08/2013 (efl. 04), emanado pela Autoridade Administrativa que analisou o Pedido Eletrônico de Restituição e a Declaração de Compensação (PER/DCOMP) n.º 10943.44626.310111.1.3.047940 (efls. 05/10), transmitido em 31/01/2011, e não homologou a compensação declarada, por não reconhecer o direito creditório, cujo acórdão restou assim ementado: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/09/2010 a 30/09/2010 PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. DESPACHO DECISÓRIO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO. ÔNUS DO SUJEITO PASSIVO. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da DCTF, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito do crédito. A simples retificação, desacompanhada de qualquer prova, não autoriza a homologação da compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Vejase o contexto fático dos autos, incluindo seus desdobramentos e teses da manifestação de inconformidade, conforme se extrai do relatório constante no Acórdão do juízo a quo: Trata o presente processo de PER/DCOMP n.º 10943.44626.310111.1.3.047940, na qual o contribuinte compensou o valor relativo a pagamento a maior no valor de R$ 16.736,06 do período de apuração de 30/09/2010, código de receita: 2484, valor total do DARF: R$ 30.557,94, recolhido em 29/10/2010, com débitos próprios. Segundo o despacho decisório (fl. 04) o crédito não foi reconhecido e a compensação não foi homologada, tendo em vista que o DARF havia sido utilizado integralmente para quitação de débito do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação. O contribuinte foi cientificado em 12/08/2013 (fl. 41) e apresentou manifestação de inconformidade (fls. 02/03) em 10/09/2013, alegando em síntese que informou o valor do débito de CSLL a maior na DCTF e que o equívoco já foi corrigido. O Despacho Decisório informa que o limite do crédito analisado, para fins de restituição, era da ordem de R$ 16.736,06, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão, o qual seria utilizado para efetivar a compensação, no entanto, analisadas as informações prestadas na declaração, foi constatada a improcedência do crédito informado no PER/DCOMP. Informase, outrossim, que, a partir das características do DARF discriminado no próprio PER/DCOMP, foi localizado pagamento integralmente utilizado para quitação de outro débito do contribuinte, de modo a não mais haver crédito disponível para utilizar em operação de compensação, pelo que o débito informado para compensar não foi extinto, isto é, não foi compensado. Temse o seguinte quadro sintético no Despacho Decisório: Características do DARF discriminado no PER/DCOMP Período de Apuração (PA) Código de Receita Valor total do Data de Fl. 116DF CARF MF Processo nº 10983.904014/201364 Resolução nº 1002000.034 S1C0T2 Fl. 117 3 DARF Arrecadação 30/09/2010 2484 R$ 30.557,94 29/10/2010 Utilização dos Pagamentos encontrados para o DARF discriminado no PER/DCOMP Número do Pagamento Valor Original Total Processo (PR) / PERDCOMP (PD) / DÉBITO (DB) Valor Original Utilizado 5232762652 R$ 30.557,94 DB: Cód. 2484 PA 30/09/2010 R$ 30.557,94 Valor Total R$ 30.557,94 Débitos indevidamente compensados, para pagamento até 30/08/2013 Principal: R$ 17.059,57 Multa: R$ 3.411,91 Juros: R$ 4.014,11 A tese de defesa não foi acolhida pela DRJ, mantendose a decisão quanto a parte não reconhecida do crédito e, por conseguinte, não homologando a compensação até referido montante, eis, em síntese, nas palavras do juízo de primeira instância, as razões de decidir do meritum causae: A compensação pleiteada foi negada em virtude de o crédito estar vinculado ao débito do período segundo a DCTF apresentada pelo contribuinte. Após o despacho decisório de nãohomologação o contribuinte retificou a DCTF (fl. 11) reduzindo o valor do débito de CSLL para R$ 13.821,88, portanto, tornando disponível para restituição parte do valor do DARF recolhido fls. 44/45. É plausível que o contribuinte possa retificar a DCTF a qualquer tempo, observado o prazo de cinco anos e respeitadas as condições impostas pela legislação. A retificação da declaração, nas hipóteses em que admitida, terá a mesma natureza da declaração originalmente apresentada, independente de autorização pela autoridade administrativa. Ocorre que a simples retificação de DCTF para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar o despacho decisório. O sujeito passivo é obrigado a comprovar a veracidade das informações declaradas na DCTF e no PER/DCOMP e a autoridade administrativa tem o poderdever de confirmálas. No caso em questão o contribuinte não juntou nenhuma documentação que comprove o valor correto da CSLL, apenas retificou a DCTF. Por todo o acima exposto, voto por considerar improcedente a manifestação de inconformidade interposta, para não reconhecer o direito creditório pleiteado e não homologar as compensações declaradas. No recurso voluntário, em outras palavras, o contribuinte se limitou a reiterar os argumentos suscitados na sua manifestação de inconformidade e justificar a retificação da DCTF. Eis os argumentos de defesa nas palavras do contribuinte: Tratase de uma DCTF de setembro de 2010 que tinha sido entregue com o pagamento de R$ 30.557,94 de CSLL, código 2484, período de apuração 09/2010, sendo que estava todo alocado ao débito, o que é improcedente, pois o valor do débito de fato é R$ Fl. 117DF CARF MF Processo nº 10983.904014/201364 Resolução nº 1002000.034 S1C0T2 Fl. 118 4 13.821,88, conforme DCTF retificada em 05/09/2013 e conforme DIPJ apresentada no anocalendário 2010, assim o PAGAMENTO INDEVIDO A MAIOR de saldo a crédito a favor do contribuinte é de R$ 16.736,06, conforme PER/DCOMP que foi indeferida. Diante dos fatos aqui citados e por erro de preenchimento da DCTF pelo auxiliar contábil, a qual foi retificado e solucionado o problema, pedese que seja acatada a Per/Dcomp apresentada no período. O crédito de pagamento indevido a maior está aqui comprovado com as DCTF's, DIPJ, PER/DCOMP, BALANCETE contábil de 08/2010, LALUR na qual é comprovado com documentos contábeis fidedignos e que comprovam a veracidade do crédito tributário através da contabilidade como prova material para comprovar o crédito tributário. Nesse contexto, os autos foram encaminhados para este Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), sendo, posteriormente, distribuído para este relator. É o que importa relatar. VOTO Conselheiro Leonam Rocha de Medeiros, Relator Admissibilidade Inicialmente, observo a plena competência deste Colegiado, na forma do art. 23 B, do Regimento Interno do CARF, com redação da Portaria MF n.º 329, de 2017, haja vista que as turmas extraordinárias são competentes para apreciar recursos voluntários de reconhecimento de direito creditório, até o valor em litígio de 60 (sessenta) salários mínimos, assim considerado o valor constante do sistema de controle do crédito tributário. Outrossim, a Portaria CARF n.º 111, de 20 de julho de 2018, que estabelece o momento da verificação do valor em litígio para fins de definição da competência das Turmas Extraordinárias (TE's), disciplina que a verificação do valor em litígio, para fins de definição da competência das TE's, será realizada pela Divisão de Sorteio e Distribuição da Coordenação de Gestão do Acervo de Processos (Disor/Cegap) no momento do sorteio do processo administrativo fiscal para a turma de julgamento, bem como define que permanecerá na competência das referidas turmas o recurso voluntário cujo processo administrativo fiscal sofra atualização de valor após o sorteio para a turma ou para o conselheiro relator, desde que a partir dessa atualização o valor em litígio não exceda a 120 (cento e vinte) salários mínimos. Neste caso cabe informar que o valor constante no sistema do eprocesso para o direito creditório que a contribuinte busca reconhecer está registrado como sendo de R$ 16.736,06. Observo, ainda, que o Recurso Voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade intrínsecos, uma vez que é cabível, há interesse recursal, a recorrente detém legitimidade e inexiste fato impeditivo, modificativo ou extintivo do poder de recorrer. Outrossim, atende aos pressupostos de admissibilidade extrínsecos, pois há regularidade formal, inclusive estando adequada a representação processual, e apresentase tempestivo Fl. 118DF CARF MF Processo nº 10983.904014/201364 Resolução nº 1002000.034 S1C0T2 Fl. 119 5 (intimação em 01/06/2017, efls. 49/51, protocolo recursal em 30/06/2017, efls. 52/56 e encaminhamento da unidade preparadora efl. 113), tendo respeitado o trintídio legal, na forma exigida no art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal. Portanto, conheço do Recurso Voluntário. Diligência Pois bem. Trata o presente caso de pedido de restituição (CTN, art. 165, I), alegando o contribuinte que possui crédito contra a Administração Tributária, combinado com pedido de declaração de compensação, na qual o contribuinte confessa débito (Lei 9.430, art. 74, § 6.º) ao mesmo tempo em que efetua o encontro de contas, sob condição resolutória de sua ulterior homologação pela Autoridade Fiscal (Lei 9.430, art. 74, caput, §§ 1.º e 2.º), para fins de extinção do crédito tributário (CTN, art. 156, II). Afinal, como reza o Código Civil, se duas pessoas forem ao mesmo tempo credor e devedor uma da outra, as duas obrigações extinguem se, até onde se compensarem (CC, art. 368). O regime jurídico da compensação tem fundamento no art. 170 do Código Tributário Nacional (CTN) dispondo que a lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. Neste diapasão, inicialmente, o instituto da compensação tributária foi regido pelo art. 66 da Lei n.º 8.383, de 1991, sendo, posteriormente, fixadas novas regras para compensação de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil no art. 74 da Lei n.º 9.430, de 1996, com suas alterações. Para que se tenha a compensação tornase necessário que o contribuinte comprove que o seu crédito (montante a restituir) é líquido e certo. Cuidase de conditio sine qua non, isto é, sem a qual não pode ocorrer a compensação. O ônus probatório do crédito alegado pelo contribuinte contra a Administração Tributária é especialmente dele, de toda sorte as partes tem o dever de cooperar para que se obtenha decisão de mérito justa e efetiva, de mais a mais, devese buscar a revelação da verdade material na tutela do processo administrativo fiscal. No caso em comento, entendendo possuir crédito, decorrente de pagamento indevido ou a maior, bem como confessando débito próprio, o contribuinte transmitiu PER/DCOMP objetivando a extinção da obrigação por força do instituto da compensação. No entanto, o despacho decisório negou o direito creditório, sob o fundamento de que o DARF que corroboraria o indébito estava completamente alocado, não restando saldo a ser aproveitado. O débito cujo DARF teria dado baixa, estando extinto, estaria lastreado e confessado em DCTF. O contribuinte, por sua vez, retificou a DCTF, reduzindo o débito, de modo a gerar, inclusive, crédito. Entretanto, sob o argumento de falta de comprovação do motivo da retificação, a DRJ não acolheu a tese de defesa, desconsiderando a retificação. No recurso voluntário, o contribuinte reforça a justificativa da retificação da DCTF e apresenta documentos (efls. 57/112), os quais dariam substância a retificação, justificandoa, o que daria ensejo a reforma da decisão de primeira instância. Fl. 119DF CARF MF Processo nº 10983.904014/201364 Resolução nº 1002000.034 S1C0T2 Fl. 120 6 Compulsando os autos, verifico que, juntamente com o recurso voluntário, o contribuinte efetivamente colacionou documentação apta a lastrear e justificar a retificação realizada na DCTF. Destarte, tais documentos e os demais elementos probatórios corroboram com a possibilidade de haver direito creditório em favor do contribuinte. De mais a mais, destaco a premissa em que se lastreou as razões de decidir do Acórdão n.º 9303005.065, da Câmara Superior de Recursos Fiscais, no sentido de que "a noção de preclusão não pode ser levada às últimas consequências, devendo o julgador ponderar sua aplicação no caso concreto à luz dos elementos constantes dos autos e que conduzem à identificação plena da matéria tributável, em homenagem ao princípio da verdade material" (Acórdão n.º 9202001.634, citado como sendo o paradigma). Vejase a ementa que trago a colação, ipsis litteris: Acórdão n.º 9303005.065 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA Data do fato gerador: 24/04/2008 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. ENFRENTAMENTO DA FUNDAMENTAÇÃO DO ACÓRDÃO RECORRIDO. CONHECIMENTO. (...) PROVAS DOCUMENTAIS NÃO CONHECIDAS. REVERSÃO DA DECISÃO NA INSTÂNCIA SUPERIOR. RETORNO DOS AUTOS PARA APRECIAÇÃO E PROLAÇÃO DE NOVA DECISÃO. Considerado equivocado o acórdão recorrido ao entender pelo não conhecimento de provas documentais somente carreadas aos autos após o prazo para apresentação da impugnação, estes devem retornar à instância inferior para a sua apreciação e prolação de novo acórdão. Recurso Especial do Contribuinte provido. Sendo assim, a fim de dar celeridade ao deslinde desta lide e por economia processual, resolvo baixar o processo em diligência, a fim de diligenciar junto a unidade de origem (DRF) para aferição da suficiência do crédito de modo a permitir, ou não, a homologação da compensação. Ante o exposto, relatado, analisado e por mais o que dos autos constam, o meu voto é por converter o julgamento do recurso voluntário em diligência à Unidade de Origem, a fim de aferir a suficiência do crédito, atestando se, após a retificação e analisando a escrita contábil e fiscal do contribuinte, o DARF apontado como sendo a fonte do direito creditório, Período de Apuração 31/09/2010, Código de Receita 2484, Data de Arrecadação 29/10/2010, possui saldo disponível para fins da homologação do PER/DCOMP n.º 10943.44626.310111.1.3.047940. Esclareço que, por força do parágrafo único do art. 35 do Decreto n.º 7.574, de 2011, o sujeito passivo deverá ser cientificado do resultado da realização da diligência, sempre que novos fatos ou documentos sejam trazidos ao processo, hipótese em que deverá ser concedido prazo de trinta dias para sua manifestação. É como Voto. (Assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros Relator Fl. 120DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13894.721172/2017-00
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Dec 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2012
RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE DE PESSOA JURÍDICA EM DECORRÊNCIA DE AÇÃO JUDICIAL.
Os rendimentos recebidos acumuladamente, após a edição da Lei nº 12.350/10, são tributados exclusivamente na fonte, no mês do recebimento ou crédito, e em separado dos demais rendimentos recebidos no mês, devendo ser informados em campo próprio da declaração de ajuste anual. Alternativamente, mediante opção irretratável do contribuinte, os rendimentos poderão integrar a base de cálculo do imposto de renda na declaração de ajuste anual do ano calendário do recebimento. Na ausência de opção pelo contribuinte, aplica-se a regra geral de tributação exclusiva na fonte.
Numero da decisão: 2001-000.822
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente
(assinado digitalmente)
Jose Alfredo Duarte Filho - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho, Fernanda Melo Leal e Jose Ricardo Moreira.
Nome do relator: JOSE ALFREDO DUARTE FILHO
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Os rendimentos recebidos acumuladamente, após a edição da Lei nº 12.350/10, são tributados exclusivamente na fonte, no mês do recebimento ou crédito, e em separado dos demais rendimentos recebidos no mês, devendo ser informados em campo próprio da declaração de ajuste anual. Alternativamente, mediante opção irretratável do contribuinte, os rendimentos poderão integrar a base de cálculo do imposto de renda na declaração de ajuste anual do ano calendário do recebimento. Na ausência de opção pelo contribuinte, aplicase a regra geral de tributação exclusiva na fonte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente (assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho, Fernanda Melo Leal e Jose Ricardo Moreira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 4. 72 11 72 /2 01 7- 00 Fl. 118DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou procedente em parte a impugnação do contribuinte, em razão da lavratura de Auto de Infração de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF, referente a rendimentos recebidos acumuladamente de pessoa jurídica em decorrência de ação judicial. O lançamento da Fazenda Nacional exige do contribuinte a importância de R$ 16.748,41, a título de imposto de renda pessoa física suplementar, acrescida da multa de ofício de 75% e juros moratórios, referente ao anocalendário de 2012. O fundamento da autuação, conforme consta da decisão de primeira instância, aponta como elemento de motivação da lavratura do lançamento o fato de que o Recorrente não comprovou que os rendimentos se referiam a parcelas mensais recebidas acumuladamente. A constituição do acórdão recorrido segue na linha do procedimento adotado na feitura do lançamento, notadamente na falta de comprovação de serem parcelas de rendimentos que deveriam ter sido recebidos mensalmente, razão da ação judicial bem sucedida, que resultou no pagamento realizado de forma acumuladamente conforme apontado na DAA, como segue: A contribuinte, em sua Declaração de Ajuste Anual, informou o recebimento de R$ 63.654,36 que teria sido pago pelo Departamento de Água e Energia Elétrica em 04/09/2012, referente a rendimentos acumulados relativos a 115 meses. Para comprovar o seu direito, junta somente um recibo de quitação de pagamento de fl. 15, que teria sido confeccionado por Ovídio Collesi – Advogados Associados, no qual encontrase consignado que foi pago à contribuinte o valor liquido de R$ 44.099,74 referente ao processo nº 2073/1988 movido na 27ª Vara do Trabalho de São Paulo contra o Departamento de Águas e Energia Elétrica, sendo o valor bruto R$ 63.654,36, honorários R$15.913,59, perícia R$ 3.182,72, despesas R$ 458,31 e período de apuração 115 meses. Esclareçase que o recibo por si só não tem o condão de comprovar o período de apuração. Caberia a apresentação de outros documentos, como a petição inicial e/ou planilha de cálculo referente à contribuinte, o que não foi feito, para respaldar a informação contida no citado recibo a respeito do número de meses. Assim sendo, não há como considerar comprovado nos autos o número de meses a que se referem os rendimentos. Por outro lado, da análise do recibo apresentado, cabe alterar o valor de rendimentos recebidos acumuladamente para R$ 44.558,05 (R$ 63.654,36 – R$ 15.913,59 – R$3.182,72), já que são dedutíveis os gastos efetuados com advogados e com a perícia. Refazendo os cálculos, apurase imposto a pagar no valor de R$ 11.496,92. (...) Fl. 119DF CARF MF Processo nº 13894.721172/201700 Acórdão n.º 2001000.822 S2C0T1 Fl. 119 3 Ante o exposto, voto por julgar procedente em parte a impugnação, para apurar saldo de imposto a pagar no valor de R$ 11.496,92, a ser acrescido de juros e multa de oficio. Assim, conclui o acórdão vergastado pela procedência parcial da impugnação para manter a infração apurada pela autoridade lançadora no valor de R$ 11.496,92. Por sua vez, com a decisão do Acórdão da DRJ, o Recorrente apresenta recurso voluntário com as considerações e argumentações que entende justificável ao seu procedimento, nos termos que segue: (...) Na impugnação apresentamos recibo R$ 44.099,74, da Ovidio Collesi – Advogados Associados, onde consta o valor apurado (R$ 63.654,36), despesas, bem como o período de apuração (115 meses), objeto do presente lançamento. Foi consignado também que o período de apuração consta claramente no recibo, porém, caso a Receita Federal julgue necessário cópia do processo judicial, poderia ser providenciado. Tal valor foi apurado no Processo 2073/1988 (0207300 89.1988.5.02.0027), da 27ª Vara do Trabalho/SP, movido contra departamento de Águas e Energia Elétrica – DAEE, referente ao pagamento parcial do Precatório TRT/SP 20032001430, sendo que um dos beneficiários foi o Sr. Luiz Carlos Miya, CPF 675.760.87820, falecido em 04/08/2011, do qual a Sra. Simako é viúva meeira, conforme certidão de óbito em anexo. Ressaltese também que o inventário foi lavrado em 19/10/2011, conforme declaração final de espólio apresentada. No Acórdão de primeira instância, não foi aceito esse recibo como prova, uma vez que consta: ”Esclareçase que o recibo por sí só não tem a condição de provar o período de apuração. Caberia a apresentação de outros documentos, como a petição inicial e/ou planilha de cálculo referente à contribuinte, o que não foi feito, para respaldar a informação contida no citado recibo a respeito do número de meses. Assim sendo, não há como considerar comprovado nos autos o número de meses a que se referem os rendimentos.” O Acórdão, porém, alterou o valor dos rendimentos recebidos, de R$ 63.654,35 para R$ 44.558,05, uma vez que deduziu valores dedutíveis constantes do Recibo. (...) Consta na petição inicial que tratase de ação trabalhista, cujo objeto foi “gatilhos – URP instituído pelo DecretoLei nº 2.302/86, contra o Departamento de Águas e Energia Elétrica – DAEE, onde o Sr. Luiz Carlos Miya era empregado. A sentença de 28/04/1989 concluiu o seguinte: ... “c) aplicação dos índices de reajustes pela URP (art. 3º do DecretoLei nº 2335/87, a Fl. 120DF CARF MF 4 partir de setembro de 1987, e consequentes pagamentos das diferenças havidas, vendas e vincendas...;” O cálculo pericial, de 20/02/1998 apresentou, em volumes anexos, demonstrativos e cálculos individuais do Sr. Luiz Carlos, mês a mês, e atualizados até 01/02/1996. O Relatório de Assessoria Econômica, em anexo ao OF. SAJEP nº 9625/2012. Uma das planilhas apresenta o INSS a descontar, a BASE do IR, o Nº MESES e a SITUAÇÃO IR (calculados com base na Instrução Normativa RFB nº 1.145, de 05/04/2011). No item 49, tendo como reclamante Luiz Carlos Miya, consta o número de meses 85, bem como o imposto de renda a ser retido como zero. Finalmente, os alvarás apresentados, de nº 1081/2012 e 1082/2012, datados em 13/08/2012, conferem com os valores constates no recibo (10.791,90 (+) 52.148,66 = 62.940,56). Isto posto, tendo em vista que as planilhas do Relatório Assessoria Econômica foram elaboradas pela própria Justiça do Trabalho e atualizadas até 01/04/2012, portanto, data mais próxima do precatório (13/8/2012), entendo que valor a ser considerado correto como período de apuração é de 85 meses, e não 115 e tampouco 1. Simulamos então essa situação no programa de imposto de renda do Ex. 2013, ficha Rendimentos Recebidos Acumuladamente, cópia das telas em anexo, tanto tendo como rendimento o valor de R$ 63.654,36, como R$ 44.558,05 (conforme alterado pela Decisão de Primeira Instância), e número de meses 85. Observase que, nos dois casos, restou imposto devido RRA igual a zero. Considerandose o período de apuração de 85 meses, o qual acarretou imposto de renda RRA igual a zero, fica demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal. Dessa forma, espera e requer a recorrente seja acolhido o presente recurso para o fim de assim ser decidido, cancelandose o débito fiscal reclamado. É o relatório. Voto Conselheiro Jose Alfredo Duarte Filho Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. MÉRITO Fl. 121DF CARF MF Processo nº 13894.721172/201700 Acórdão n.º 2001000.822 S2C0T1 Fl. 120 5 O Recorrente alega em sua manifestação recursal que os rendimentos objeto do lançamento são oriundos de complementação remuneratória fruto de ação judicial bem sucedida que resultou no recebimento de valor realizado acumuladamente, razão de seu cálculo e informação na DAA apresentada oportunamente. Por sua vez, a Autoridade Autuante afirma não ter ficado comprovado que o valor se referia a parcelas mensais visto que na informação disponibilizada constava parcela única. Neste sentido, o Autuante diz não ter sido satisfeita a exigência da comprovação de que os rendimentos recebidos por meio de ação judicial seriam referentes a partes mensais de complementação remuneratória. Assim que a lide se restringe a questão probatória documental complementar a qual deve ter seu acolhimento durante o processo administrativo fiscal visando o aclaramento da verdade material, o direito do contraditório e da ampla defesa para o atingimento de justa decisão da causa. O requisito de natureza legal conforme disposto na legislação tributária que rege a questão dos rendimentos recebidos acumuladamente – RRA, especialmente o art. 12A da Lei nº 7.713, de 1988, com a redação da Lei nº 12.350, de 2010, assim estabelece: Art. 12A. Os rendimentos do trabalho e os provenientes de aposentadoria, pensão, transferência para a reserva remunerada ou reforma, pagos pela Previdência Social da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando correspondentes a anos calendários anteriores ao do recebimento, serão tributados exclusivamente na fonte, no mês do recebimento ou crédito, em separado dos demais rendimentos recebidos no mês. § 1º O imposto será retido pela pessoa física ou jurídica obrigada ao pagamento ou pela instituição financeira depositária do crédito e calculado sobre o montante dos rendimentos pagos, mediante a utilização de tabela progressiva resultante da multiplicação da quantidade de meses a que se refiram os rendimentos pelos valores constantes da tabela progressiva mensal correspondente ao mês do recebimento ou crédito. § 2º Poderão ser excluídas as despesas, relativas ao montante dos rendimentos tributáveis, com ação judicial necessárias ao seu recebimento, inclusive de advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização. § 3º A base de cálculo será determinada mediante a dedução das seguintes despesas relativas ao montante dos rendimentos tributáveis: I – importâncias pagas em dinheiro a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, de acordo homologado judicialmente ou de separação ou divórcio consensual realizado por escritura pública; e II – contribuições para a Previdência Social da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. Fl. 122DF CARF MF 6 § 4º Não se aplica ao disposto neste artigo o constante no art. 27 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, salvo o previsto nos seus §§ 1º e 3º. § 5º O total dos rendimentos de que trata o caput, observado o disposto no § 2º, poderá integrar a base de cálculo do Imposto sobre a Renda na Declaração de Ajuste Anual do anocalendário do recebimento, à opção irretratável do contribuinte. § 6º Na hipótese do § 5º, o Imposto sobre a Renda Retido na Fonte será considerado antecipação do imposto devido apurado na Declaração de Ajuste Anual. (...) § 9º A Secretaria da Receita Federal do Brasil disciplinará o disposto neste artigo. Na observância do dispositivo acima, concluise que tais rendimentos passaram a ser tributados exclusivamente na fonte, no mês do recebimento. Porém o § 5º, por sua vez, autoriza ao Contribuinte, de forma irretratável, a optar por levar tais rendimentos ao ajuste anual na DAA. Quanto ao IRRF cabe aqui observar que ele deve ser calculado de modo diferenciado, em conformidade com o já reproduzido § 1º do art. 12A, mediante a utilização de tabela progressiva resultante da multiplicação da quantidade de meses a que se refiram os rendimentos pelos valores constantes da tabela progressiva mensal correspondente ao mês do recebimento ou crédito. Assim sendo, cabe analisar o que dispõe a IN RFB nº 1.127/11, que veio disciplinar o art. 12A da Lei no 7.713/88, conforme previsto no § 9º, da seguinte forma: Art. 7ºA Na hipótese em que a pessoa responsável pela retenção de que trata o caput do art. 3º não tenha feito a retenção em conformidade com o disposto nesta Instrução Normativa ou que tenha promovido retenção indevida ou a maior, a pessoa física beneficiária poderá efetuar ajuste específico na apuração do imposto relativo aos RRA na DAA referente ao anocalendário correspondente, do seguinte modo: I a apuração do imposto será efetuada: a) em ficha própria; b) separadamente por fonte pagadora e para cada mêscalendário, com exceção da hipótese em que a mesma fonte pagadora tenha realizado mais de um pagamento referente aos rendimentos de um mesmo anocalendário, sendo, neste caso, o cálculo realizado de modo unificado; e II o imposto resultante da apuração de que trata o inciso I será adicionado ao imposto apurado na DAA, sujeitandose aos mesmos prazos de pagamento e condições deste. § 1º Aplicase o disposto no caput à hipótese de que trata o § 3º do art. 13A. Fl. 123DF CARF MF Processo nº 13894.721172/201700 Acórdão n.º 2001000.822 S2C0T1 Fl. 121 7 § 2º A faculdade prevista no caput será exercida na DAA relativa ao anocalendário de recebimento dos RRA, e deverá abranger a totalidade destes no respectivo anocalendário. Da análise do caput desse dispositivo constatase que o beneficiário do rendimento pode efetuar um ajuste específico na apuração do imposto relativo ao RRA, por meio de ficha própria na declaração de ajuste, ao preencher a ficha dos Rendimentos Tributáveis de Pessoa Jurídica Recebidos Acumuladamente pelo Titular, com os valores dos rendimentos, do IRRF, e do nº de meses a que se referem os valores. Assim que, a Contribuinte efetuou sua declaração do Imposto de Renda considerando os rendimentos na forma que a legislação lhe permite. O exame do caso aponta de maneira fulcral para a questão da prova de que o cálculo se referia a remunerações correspondentes a períodos mensais, conforme requerido pela Autoridade Autuante. Foi juntada aos autos, certidão de óbito da Recorrente, petição inicial da demanda judicial na Junta de Conciliação e Julgamento de São Paulo e a sentença, conforme requerido pelo Fisco, fls. 58 a 68, além de documento pericial de cálculo, fls. 69 a 91, documentos que deixam claro que os rendimentos se referem a parcelas complementares de remunerações mensais, conforme afirmado pela Contribuinte. Assim que, pelo exame do material probatório constatase que pelos elementos trazidos aos autos pela Recorrente lhe deve ser assegurado o êxito na comprovação fática do alegado desde a fase de impugnação, em atendimento ao requerido pelo Agente Autuante, de que o pagamento se referia a 115 parcelas de remunerações mensais ao longo do tempo do período abrangido pela demanda. Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário e no mérito DAR PROVIMENTO, razão pela qual se faz imperioso o cancelamento do lançado na sua integralidade. (assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho Fl. 124DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10380.726785/2015-65
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1302-000.652
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Henrique Silva Figueiredo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
Nome do relator: PAULO HENRIQUE SILVA FIGUEIREDO
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 28; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1501; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 3.513 1 3.512 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10380.726785/201565 Recurso nº Voluntário Resolução nº 1302000.652 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 18 de outubro de 2018 Assunto IRRF PAGAMENTO SEM CAUSA Recorrente MASSA FALIDA DE OBOE DISTRIBUIDORA DE TITULOS E VALORES MOBILIÁRIOS S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado. Relatório Tratase de Recurso Voluntário frente ao Acórdão nº 1677.631, proferido pela 10ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo/SP (fls. 3.254 a 3.299), que julgou improcedente a impugnação apresentada pelo sujeito passivo, e cuja ementa é a seguinte: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2010, 2011 RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 03 80 .7 26 78 5/ 20 15 -6 5 Fl. 3513DF CARF MF Processo nº 10380.726785/201565 Resolução nº 1302000.652 S1C3T2 Fl. 3.514 2 PAGAMENTO A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO E/OU PAGAMENTO SEM CAUSA. NÃO CONFIRMAÇÃO DA CAUSA INFORMADA NA CONTABILIDADE. A pessoa jurídica que efetuar pagamento a beneficiário não identificado, ou não comprovar a operação ou a causa do pagamento efetuado, sujeitarseá à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%. FUNDO DE INVESTIMENTO EM DIREITOS CREDITÓRIOS. AQUISIÇÃO DE CRÉDITOS EM DESCUMPRIMENTO AO REGULAMENTO DO FUNDO. AQUISIÇÃO DE CRÉDITO INEXISTENTE. AUSÊNCIA DE CAUSA PARA A OPERAÇÃO. Considerase sem causa o pagamento realizado como contrapartida à cessão de crédito inexistente ou sem conformidade ao regulamento do fundo de investimento em direito creditório. INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. OPERAÇÕES EM RENDA FIXA. DESVIO PARA FUNDOS DE INVESTIMENTO. AUSÊNCIA DE CONSENTIMENTO. CARACTERIZAÇÃO DE PAGAMENTO SEM CAUSA. Considerase pagamento sem causa a entrega a fundo de investimento de recursos captados junto a investidores como investimento de renda fixa, quando não houver o consentimento de tais investidores, e em desacordo com a legislação e regulação vigentes. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2010, 2011 AUTO DE INFRAÇÃO. VALIDADE. Satisfeitos os requisitos do art. 10 do Decreto 70.235/72 e não tendo ocorrido o disposto no art. 59 do mesmo decreto, válidos são os autos de infração. IMPUGNAÇÃO. ALEGAÇÕES DESACOMPANHADAS DE PROVA. A impugnação deve estar instruída com todos os documentos e provas que possam fundamentar as contestações de defesa. Alegações desacompanhadas de documentos comprobatórios não são suficientes para infirmar a procedência do lançamento questionado. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. O direito de a Fazenda Pública proceder novo lançamento ou lançamento suplementar decai em cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos de tributo não sujeito à homologação. PROTESTO GENÉRICO PELA PRODUÇÃO POSTERIOR DE PROVAS. INADMISSIBILIDADE. As regras do Processo Administrativo Fiscal estabelecem que a impugnação deverá ser instruída com os documentos em que se fundamentar, mencionando, ainda, os argumentos pertinentes e as Fl. 3514DF CARF MF Processo nº 10380.726785/201565 Resolução nº 1302000.652 S1C3T2 Fl. 3.515 3 provas que o reclamante julgar relevantes. Descabe atendimento a pedido de apresentação posterior de prova que destoa das hipóteses excepcionais previstas no § 4º, do art. 16, do Decreto 70.235/72, sobretudo quando a natureza do pedido é genérica. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. A diligência é reservada à elucidação de pontos duvidosos que exijam esclarecimentos especializados para o deslinde da questão. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2010, 2011 PERSONALIDADE JURÍDICA. FUNDO DE INVESTIMENTO. CONDOMÍNIO. INEXISTÊNCIA. Os fundos de investimento regulados pela Comissão de Valores Imobiliários são organizados como condomínios abertos ou fechados, não adquirindo personalidade jurídica por falta de previsão legal. OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. Tratandose de situação de fato, considerase ocorrido o fato gerador e existentes os seus efeitos, podendo ser desconsiderados atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 116 do Código Tributário Nacional CTN. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. Os mandatários de fato da pessoa jurídica respondem pessoalmente, de forma solidária com a autuada, pelos créditos tributários correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatuto. MULTA QUALIFICADA. Cabível a aplicação da multa qualificada de 150% (cento e cinqüenta por cento) quando caracterizado a ocorrência de ação dolosa tendente a impedir o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência das circunstâncias materiais do fato gerador da obrigação tributária principal de modo a evitar o seu pagamento. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2010, 2011 CNPJ. CADASTRO NACIONAL DE PESSOAS JURÍDICAS. PERSONALIDADE JURÍDICA. RECONHECIMENTO. INOCORRÊNCIA. A inscrição de entidade no CNPJ não implica reconhecimento de sua personalidade jurídica." Os presentes autos tratam de lançamento de ofício relativo ao Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), relativo aos anoscalendários de 2010 e 2011, conforme Auto de Fl. 3515DF CARF MF Processo nº 10380.726785/201565 Resolução nº 1302000.652 S1C3T2 Fl. 3.516 4 Infração de fls. 2 a 30, no valor de R$ 80.024.160,05 (juros de mora calculados até 09/2015) e Termo de Verificação e Constatação de Irregularidades de fls. 47 a 85. A decisão de primeira instância assim descreve o procedimento fiscal: "Nota inicial Para buscar maior simplicidade notacional, as principais empresas e fundos envolvidos neste processo serão aqui referidos da seguinte forma: · Oboé Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários S. A. será referida como Oboé DTVM; · Oboé Tecnologia e Serviços Financeiros S. A. será referida como Oboé Card; · Oboé Crédito Financeiro e Investimento S. A. será referida como Oboé CFI; · Cia. de Investimento Oboé será referida como Oboé CI; · Clássico Fundo de Investimento em Direitos Creditórios será referido como Fundo Clássico; · Erudito Fundo de Investimento em Cotas será referido como Fundo Erudito; · Oboé Multicred Fundo de Investimento em Direitos Creditórios será referido como Fundo Multicred; · a massa falida formada a partir da decisão judicial de 21/05/2013 que decretou a falência da Oboé Crédito, Financiamento e Investimento S.A, Oboé Tecnologia e Serviços Financeiros S.A, Oboé Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários S.A, e Companhia de Investimento Oboé, com a extensão dos efeitos a Advisor Gestão de Ativos S.A, Oboé Holding Financeira S.A e José Newton Lopes de Freitas; e que posteriormente passou a incluir também, pela decisão judicial de 16/04/2014 que estendeu os efeitos da falência a Magazines Brasileiros Ltda e Clarinete Promotora de Vendas e Serviços Financeiros Ltda, será referida como Massa Falida. Descrição do processo Este processo referese à autuação da MASSA FALIDA DA OBOÉ DISTRIBUIDORA DE TÍTULOS E VALORES MOBILIÁRIOS S/A, CNPJ 01.581.238/000175, constituindo crédito tributário referente a IRRF – Imposto de Renda Retido na Fonte, incidente sobre pagamento sem comprovação da operação ou de sua causa. Os montantes lançados, objeto deste processo, correspondem ao descrito a seguir: Fl. 3516DF CARF MF Processo nº 10380.726785/201565 Resolução nº 1302000.652 S1C3T2 Fl. 3.517 5 Também foram autuados, como responsáveis tributários as seguintes pessoas (indicadas com o correspondente fundamento legal de imputação de responsabilidade tributária): · JOSÉ NEWTON LOPES DE FREITAS, CPF 013.398.18353, enquadrado no art. 135 da Lei nº 5.172/66; · ESPÓLIO DE ELIZIÁRIO PEREIRA DA GRAÇA JUNIOR, CPF 118.220.90334, enquadrado no art. 135 da Lei nº 5.172/66; · JOEB BARBOSA GUIMARÃES DE VASCONCELOS, 614.686.143 04, enquadrado no art. 135 da Lei nº 5.172/66; · MASSA FALIDA DA OBOÉ CRÉDITO FINANCIAMENTO E INVESTIMENTO S/A, CNPJ 01.432.688/000141, enquadrada no art. 124, inciso I, da Lei nº 5.172/66; e · MASSA FALIDA DA OBOÉ TECNOLOGIA E SERVIÇOS FINANCEIROS S/A, CNPJ 35.222.090/000140, enquadrada no art. 124, inciso I, da Lei nº 5.172/66. Procedimento Fiscal e autuação Inquérito do Banco Central, Falência, Denúncia Criminal e Ação Fiscal –Linha do Tempo De acordo com o Termo de Verificação Fiscal, a Oboé DTVM era empresa cuja atividade correspondia à instituição, organização e administração de fundos de investimento. Essa empresa é parte do conglomerado financeiro Oboé, formado pelas empresas Oboé DTVM e Oboé CFI (arrolada como responsável tributária no lançamento). O conglomerado financeiro Oboé, por sua vez, está inserido no Grupo Oboé que, além das empresas financeiras, concentra outras não financeiras, como a Oboé CI, a Oboé Card, a Oboé Holding Financeira S/A, a Advisor Gestão de Ativos S/A, entre outras empresas, com objetos sociais diversos, e fundos de investimento. As empresas do GRUPO OBOÉ, entre elas a OBOÉ DTVM (autuada neste processo), sofreram intervenção do Banco Central do Brasil BACEN sob fundamento de comprometimento patrimonial e financeiro da sociedade e da existência de "graves violações às normas legais e estatutárias". O regime especial de intervenção foi posteriormente convertido em liquidação extrajudicial, tendo as empresas do GRUPO OBOÉ sido investigadas em inquéritos administrativos instaurados pelo BACEN, que apontaram diversas irregularidades com consequências no âmbito administrativo, penal e tributário. Destaca a Autoridade Fiscal que os inquéritos do Bacen apontaram patrimônio líquido negativo na Oboé CFI (R$ 175.833.000,00) na Oboé DTVM (R$ 19.155.000,00) e na Oboé Card(R$ 36.800.000,00). Fl. 3517DF CARF MF Processo nº 10380.726785/201565 Resolução nº 1302000.652 S1C3T2 Fl. 3.518 6 As três empresas tiveram regime de intervenção decretado pelo Bacen em 15/09/2011, que posteriormente, foi convertido pelo Bacen em regime especial de liquidação extrajudicial, em 09/02/2012. Em 21/05/2013, foi decretada pela 2ª Vara de Recuperação de Empresas e Falências da Comarca de Fortaleza a falência das empresas Oboé Card, Oboé CI, Oboé DTVM, e Oboé CFI, com a extensão dos efeitos da falência à Oboé Holding Financeira S.A., Advisor Gestão de Ativos S.A., e à pessoa física de José Newton Lopes de Freitas. Foi nomeada como administradora judicial da massa falida Valéria Previtera da Silva. Em 10/12/2013, decisão de desembargador do Tribunal de Justiça do Ceará, em Agravo de Instrumento, suspendeu o regime falimentar; em 11/12/2013, o Bacen restabeleceu o regime de liquidação extrajudicial. Em 31/01/2014, decisão de desembargadora do Tribunal de Justiça, em Mandado de Segurança, restabeleceu a decisão que decretou o regime falimentar. Em 05/02/2014, foi determinada a continuidade do regime falimentar pela 2ª Vara de Recuperação de Empresas e Falências da Comarca de Fortaleza. Em 31/03/2014, o MPF apresentou Denúncia Criminal, junto à 11ª Vara da Seção Judiciária do Estado do Ceará da Justiça Federal, contra diretores e gerentes, contador e analista de sistemas de empresas do grupo, por crimes contra o sistema financeiro e associação criminosa. Em 16/04/2014, o Juiz da 2ª Vara de Recuperação de Empresas e Falências da Comarca de Fortaleza decretou a extensão dos efeitos da falência às empresas Magazines Brasileiros Ltda. e Clarinete Promotora de Vendas e Serviços Financeiros Ltda, atendendo a pedido da Administradora Judicial da massa falida. Em 05/05/2015 e em 26/08/2015, motivado por demanda do Ministério Público Federal, o Juiz Federal Titular da 32ª Vara Federal , autorizou o compartilhamento com a Receita Federal dos dados relacionados à Denúncia Criminal citada acima, envolvendo as empresas integrantes do GRUPO OBOÉ, bem como de informações das investigações em inquéritos administrativos instaurados pelo Banco Central do Brasil. Em especial, o Juízo autorizou expressamente o compartilhamento de informações de quaisquer contribuintes, cabendo à Receita Federal o juízo fundamentado sobre a pertinência de eventuais lançamentos tributários decorrentes dos dados presentes nos autos. A ação fiscal teve início em 15/06/2015, com a ciência dada pela administradora judicial da massa falida. O auto de infração foi lavrado em 03/09/2015, com ciência da Massa Falida na data de 10/09/2015, e dos responsáveis tributários em 16/09/2015 (Joeb Barbosa Guimarães de Vasconcelos e espólio de Eliziário Pereira da Graça Júnior) e 17/09/2015 (José Newton Lopes de Freitas). Fl. 3518DF CARF MF Processo nº 10380.726785/201565 Resolução nº 1302000.652 S1C3T2 Fl. 3.519 7 Fatos geradores Dessa forma, a Autoridade Fiscalizadora efetuou o lançamento a partir da constatação de pagamentos efetuados ou de recursos entregues a terceiros sem comprovação da operação ou de sua causa, que estão sujeitos à incidência do Imposto de Renda exclusivamente na fonte à alíquota de 35% (trinta e cinco por cento), conforme previsto no caput e § 10 do art. 61 da Lei 8.981/95, c/c caput e § 10 do art. 674 do Decreto 3.000/99. Os fatos geradores são os seguintes: · Pagamentos efetuados ou recursos entregues pela Oboé DTVM à Oboé Card, pela cessão de direitos sobre faturas de cartão de crédito inexistentes ou em flagrante situação de inadimplência; e · Desvio de recursos aplicados por investidores por meio de Certificados de Aplicação, para fundos de investimento (CLÁSSICO, ERUDITO e MULTICRED), sem o seu consentimento. O AuditorFiscal informa, ainda que anexou ao Termo de Verificação Fiscal: · o Relatório da Comissão de Inquérito do Banco Central do Brasil referente à Oboé DTVM , · os atos constitutivos da empresa e alterações posteriores, · as defesas prévias, apresentadas no processo penal de apuração de crimes contra o sistema financeiro e associação criminosa, de José Newton Lopes de Freitas, de Joeb Barbosa Guimarães de Vasconcelos e de Eliziário Pereira da Graça Júnior. A seguir, serão apresentadas as considerações informadas pela Fiscalização, que levaram à formação da convicção a respeito da ocorrência dos fatos geradores. Pagamentos efetuados ou recursos entregues pela Oboé DTVM à Oboé Card, pela cessão de direitos sobre faturas de cartão de crédito inexistentes ou em flagrante situação de inadimplência Em resposta a intimação para apresentação de informações e documentos, a Massa Falida a apresentou à Fiscalização os Termos de Cessão de Direitos Creditórios. Com base nos mesmos, e em controle obtido junto à tesouraria da Oboé Card, e que se encontrava em anexo ao Relatório Final da Comissão de Inquérito do Bacen, referente à Oboé DTVM, foi elaborada a planilha “Pagamentos efetuados pela Oboé DTVM à Oboé Card pela cessão de direitos sobre faturas de cartão de crédito inexistentes ou em flagrante situação de inadimplência”, que consta como anexo do termo de verificação fiscal. Nessa planilha estão listados os pagamentos que serviram de base para o lançamento efetuado, referentes à aquisição de direitos creditórios inexistentes ou em flagrante situação de inadimplência. Foram realizadas 63 cessões de direitos sobre faturas de cartão de crédito, entre 02/09/2010 e 15/09/2011. Fl. 3519DF CARF MF Processo nº 10380.726785/201565 Resolução nº 1302000.652 S1C3T2 Fl. 3.520 8 A Fiscalização também obteve da Massa Falida os comprovantes de transferência bancária (TED) correspondentes às referidas cessões. Dos anexos do Relatório da Comissão de Inquérito do Bacen, também foi obtido o modelo do contrato de promessa de cessão de direitos creditórios, com as condições gerais de todas as cessões entre a Oboé Card e o Fundo Clássico, administrado pela Oboé DTVM. A Massa Falida não apresentou contrato de promessa de cessão de direitos creditórios, apenas os termos de cessão de direitos creditórios. De acordo com a Fiscalização, a comissão de inquérito do Bacen apurou que, nas transações em questão, a empresa Oboé Card cedia direitos derivados de faturas de cartão de crédito ao Fundo Clássico, administrado pela Oboé DTVM, sem qualquer informação quanto á inadimplência ou mesmo inexistentes. Citando o relatório: "A essência da fraude envolveu a cessão de faturas relativas a clientes inadimplentes, com atraso significativo. Como característica inerente ao seu negócio, mensalmente, a OBOÉ CARD gerava faturas para todos os titulares de cartões por ela emitidos que tivessem algum tipo de débito, seja de compras, de saque (saque mais) ou de juros e outros encargos. Com isso, ainda que o cliente não efetuasse nenhum pagamento do saldo devedor de uma fatura, no mês seguinte era emitida nova fatura somando ao saldo devedor de uma fatura anterior os juros e encargos referentes ao mês. Com isso, em cartões inadimplentes a períodos mais longos, os valores das faturas são significativamente maiores do que o valor do principal (ou seja, as compras e saques efetivamente feitos pelos titulares dos cartões). O aspecto da multiplicidade consistiu na cessão de 2 ou até 3 faturas relativas a um mesmo cartão. Dado o processo já descrito, a emissão de uma fatura anula a anterior já que os débitos da fatura anterior, se a mesma não foi totalmente paga, são incluídos na nova fatura. Assim, a cessão de mais de uma fatura por cartão se constitui fraude, pois representa a cessão de um direito creditório inexistente." Tais cessões estariam violando o Regulamento do Fundo Clássico, em particular o art. 10, incisos I e II: "Art. 10. Para que possam ser adquiridos para a carteira do FUNDO, os direitos creditórios deverão atender os seguintes critérios adicionais de elegibilidade: I — os direitos creditórios deverão recair sobre débitos a vencer, vedada a aquisição de dívida vencida; II — os direitos creditórios deverão ter no pólo passivo devedores adimplentes, vedada a aquisição de dívida de devedor inadimplente ou com restrições cadastrais (contaencerrada, protesto, execução, etc.); III — a aquisição de direitos creditórios poderá ser contratada sem a coobrigação do cedente, mas o cedente sempre será responsável pela legitimidade e pela formalização dos direitos creditórios." A partir de julho de 2011 até a intervenção do Banco Central, os valores das cessões de direitos creditórios passaram a ser arbitrados Fl. 3520DF CARF MF Processo nº 10380.726785/201565 Resolução nº 1302000.652 S1C3T2 Fl. 3.521 9 aleatoriamente por números de CPF de clientes cadastrados nos bancos de dados, sem nenhuma correspondência com operações e faturas de cartões de crédito reais, ainda que inadimplentes. Ficou constatado pela Comissão de Inquérito do Banco Central que, de acordo com posição de 14/09/2011, data da intervenção, 62% dos valores cedidos ao Fundo Clássico eram de direitos creditórios de cartões de crédito inadimplentes e 14% relativos a faturas duplicadas, em que foi utilizada a mesma fatura, relativa ao mesmo titular, para ser cedida mais de uma vez. A carteira do Fundo Clássico teria estado comprometida pelo menos em 76% por conta dessas cessões. Foram detectados casos em que os direitos creditórios relativos a um mesmo cartão foram cedidos duas (11.264 cartões) ou três vezes (2 cartões), chegandose em 14/09/2011 (data da intervenção) a um total de títulos podres cedidos para o Fundo Clássico equivalente a R$ 38 milhões. Também foi constatado que houve cessão anterior de tais direitos creditórios em 23/04/2010 ao Banco Daycoval como garantia de empréstimos contraídos. Mesmo conhecendo tais fatos, os administradores da Oboé DTVM (administradora do Fundo Clássico), aceitaram como boas as cessões de títulos já cedidos a outra instituição. A Oboé DTVM chegou a admitir, no curso da Ação Fiscal, a irregularidade. Em resposta ao Termo de Início de Ação Fiscal, ao apresentar os Termos de Cessão de Direitos Creditórios, informou à Autoridade Lançadora: "Tais faturas eram reais, embora emitidas para titulares de cartão Oboé há muito tempo inadimplentes. Apenas pouco mais de 10% do total dessas faturas foram duplicadas, portanto irreais." O lançamento foi efetuado tendo como sujeito passivo a Oboé DTVM, que administrava o Fundo Clássico, já que foi ela quem efetivamente efetuou os pagamentos à Oboé Card. Os recursos dos investidores eram primeiramente depositados na conta da Oboé DTVM e posteriormente repassados para a conta do Fundo Clássico. A partir daí eram efetuadas cessões de faturas de cartão de crédito da Oboé CARD para o Fundo Clássico de acordo com as necessidades de caixa da Oboé Card e Oboé CFI. O pagamento era efetuado pela Oboé DTVM à Oboé Card por meio da conta bancária do Fundo Clássico. O Fundo Clássico, portanto, teria sido usado como veículo para as transferências. Continua o AuditorFiscal observando que o Ministério Público informa, na Denúncia, que as cessões de crédito para o Fundo Clássico eram feitas de acordo com as necessidades de caixa da Oboé Card, que efetuava o repasse dos recursos à Oboé CFI, necessários para liquidar operações relacionadas ao “Convênio Unique” (que, de acordo com um dos depoentes, seria dívida da Oboé Card junto à Oboé CFI). Os recursos da Oboé DTVM, portanto, eram depositados na conta do Fundo Clássico, que realizava as transferências para a Oboé Card, Fl. 3521DF CARF MF Processo nº 10380.726785/201565 Resolução nº 1302000.652 S1C3T2 Fl. 3.522 10 contra cessões de crédito irregulares (em desacordo com a lei e o regulamento do Fundo Clássico). Os recursos eram posteriormente repassados à Oboé CFI. Com as transações correspondentes a pagamento sem causa, que entendeu a Fiscalização subsumiremse ao previsto no art. 61 da Lei 8.981/95 e art .674 do Decreto 3.000/99. Nessa hipótese, está sujeito o pagamento à incidência do imposto de renda exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%. Conforme o previsto na legislação, e demonstrado na planilha anexa ao auto de infração, a base de cálculo para aplicação do percentual de 35% foi obtida dividindose os valores referentes aos pagamentos sem causa por 65%. Por fim, com relação a essas infrações, a Autoridade Autuante informa que houve a qualificação da multa nos termos do art. 44, inciso I e § 10 da Lei 9.430/96, com redação dada pela Lei 11.488/2007, c/c art. 73 da Lei 4.502/64, uma vez que houve fraude e conluio, que tinham por objetivo dar um aspecto de normalidade e legalidade às movimentações de recursos financeiros, ocultando sua verdadeira natureza, a de desvio de recursos dos investidores com a respectiva ocultação dos fatos geradores e supressão dos tributos lançados. Recursos captados mediante a emissão de certificados de aplicação e desviados para fundos de investimento sem a autorização dos investidores Em resposta a intimação para apresentação de informações e documentos, a Massa Falida a apresentou à Fiscalização os Certificados de Aplicação emitidos pela Oboé DTVM. Com base nos mesmos, e em declarações dos investidores que tiveram seus recursos desviados, conforme o Relatório Final da Comissão de Inquérito do Bacen, referente à Oboé DTVM, foi elaborada a planilha “Pagamentos efetuados pela Oboé DTVM à Oboé Card pela cessão de direitos sobre faturas de cartão de crédito inexistentes ou em flagrante situação de inadimplência” , que consta como anexo do termo de verificação fiscal. Nessa planilha estão listados os recursos captados pela Oboé DTVM junto a investidores, por meio da emissão de Certificados de Aplicação, e posteriormente desviados, sem o consentimento de tais investidores, para os fundos de investimento Erudito, Clássico e Multicred. Como suporte probatório, a Fiscalização anexou ao termo de verificação fiscal os extratos da conta corrente da OBOÉ DTVM junto ao Bic Banco e os comprovantes das transferências bancárias (TED's) da conta corrente da OBOÉ DTVM para as contas correntes dos fundos de investimento, fornecidos pela Massa Falida, bem como o Razão Contábil da conta corrente da OBOÉ DTVM junto ao Bic Banco. De acordo com o Ministério Público, os Certificados de Aplicação eram emitidos pela Oboé DTVM como forma de captar recursos que eram posteriormente desviados para fundos de investimento administrados pela Oboé DTVM (Fundos Erudito, Clássico e Multicred), à revelia dos aplicadores. Ainda segundo o MP, baseado no inquérito do Bacen, os Certificados de Aplicação subtraídos da contabilidade oficial corresponderam a R$11.840.000,00 em títulos emitidos pela Oboé DTVM. Fl. 3522DF CARF MF Processo nº 10380.726785/201565 Resolução nº 1302000.652 S1C3T2 Fl. 3.523 11 Além disso, também a Oboé CFI emitia RDBs, que eram omitidos da contabilidade oficial. As operações eram registradas no sistema de informação denominado “Sistema CFI”, que não alimentavam, no entanto, outro sistema, o “Sistema Finance”, do qual eram extraídas as informações para os clientes, e para a contabilidade apresentada para os órgãos oficiais. Os recursos dos RDBs emitidos pela Oboé CFI e dos Certificados de Aplicação, emitidos pela Oboé DTVM, eram desviados para os fundos administrados pela última. Tais transferências eram feitas à revelia dos aplicadores. Os clientes que haviam aplicado em RDB, na Oboé CFI, acreditavam que suas aplicações continuavam registradas como RDBs emitidos pela Oboé CFI, ao passo que os investidores que adquiriam Certificados de Aplicação da Oboé DTVM eram levados a crer que seus recursos eram títulos de renda fixa com garantia do Fundo Garantidor de Crédito. De acordo com a denúncia do Ministério Público, a fraude, embasada nos depoimentos dados por Ana Carolina Barbosa Paz, Jean Carlo Brasileiro, e Otávio Lins Lima, anexados ao processo, a fraude foi criada por José Newton Lopes de Freitas, em conjunto com os administradores da Oboé DTVM, Eliziário Pereira da Graça Júnior e Joeb Barbosa Guimarães de Vasconcelos. As diretrizes dos procedimentos eram traçadas por José Newton e Eliziário, ao passo que Joeb efetivava as transferências à revelia dos clientes. O objetivo seria alavancar as carteiras de aplicações em fundos de investimentos administrados pela Oboé DTVM. Os fundos eram, assim, usados como meio para as fraudes. Inicialmente, eram desviados os valores aplicados por clientes, em RDBs, junto à Oboé CFI. A partir do final de 2010, teriase iniciado a transferência, à revelia, de aplicações de RDB da Oboé CFI para os fundos de investimento administrados pela Oboé DTVM (Clássico, Erudito e Multicred). Posteriormente, também foram desviados os recursos dos Certificados de Aplicação emitidos pela Oboé DTVM para os fundos. Entende, portanto, a Autoridade Fiscal que o desvio fraudulento de recursos captados de investidores para fundos de investimento sem o seu consentimento materializa a entrega de recursos a terceiros sem a comprovação de causa, conforme previsto no § 10 do art. 61 da Lei 8.981/95 e § 10 do art. 674 do Decreto 3.000/99. No lançamento em discussão, foram considerados apenas os valores desviados referentes aos Certificados de Aplicação emitidos pela Oboé DTVM, não tendo sido considerados os valores desviados referentes aos RDBs emitidos pela Oboé CFI. Com as transações correspondentes a pagamento sem causa, que entendeu a Fiscalização subsumiremse ao previsto no art. 61 da Lei 8.981/95 e art. 674 do Decreto 3.000/99. Nessa hipótese, está sujeito o pagamento à incidência do imposto de renda exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%. Conforme o previsto na legislação, e demonstrado Fl. 3523DF CARF MF Processo nº 10380.726785/201565 Resolução nº 1302000.652 S1C3T2 Fl. 3.524 12 na planilha anexa ao auto de infração, a base de cálculo para aplicação do percentual de 35% foi obtida dividindose os valores referentes aos pagamentos sem causa por 65%. Por fim, com relação a essas infrações, a Autoridade Autuante informa que houve a qualificação da multa nos termos do art. 44, inciso I e § 10 da Lei 9.430/96, com redação dada pela Lei 11.488/2007, c/c art. 73 da Lei 4.502/64, uma vez que houve fraude e conluio, que tinham por objetivo dar um aspecto de normalidade e legalidade às movimentações de recursos financeiros, ocultando sua verdadeira natureza, a de desvio de recursos dos investidores com a respectiva ocultação dos fatos geradores e supressão dos tributos lançados." Cientificados do lançamento, o sujeito passivo principal e os demais responsáveis apresentaram Impugnações. A Oboé Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários S.A., a Oboé Crédito, Financiamento e Investimento S.A. a Oboé Tecnologia e Serviços Financeiros S.A. e José Newton Lopes de Freitas apresentaram, em 06/10/2015, Impugnação conjunta, por meio da qual alegam: (i) violação ao princípio da presunção da inocência, uma vez que a autoridade fiscal teria acolhido, sem críticas, as conclusões do relatório da Comissão de Inquérito do Banco Central do Brasil (Bacen); (ii) que os fatos geradores apontados constituiriam "falso pretexto" de pagamento sem causa ou operação não comprovada; (iii) que José Newton Lopes de Freitas, Eliziário Pereira da Graça Júnior, Joeb Barbosa Guimarães de Vasconcelos, Massa Falida de Oboé Crédito, Financiamento e Investimento S.A. e Massa Falida de Oboé Tecnologia e Serviços Financeiros S.A., não poderiam ser considerados responsáveis tributários, posto que as três pessoas físicas citadas não seriam acionistas da Oboé DTVM nem da Oboé CFI e Oboé Card; (iv) a decadência dos fatos geradores anteriores a setembro de 2010; (v) a ilegitimidade da Oboé DTVM para figurar no pólo passivo da autuação, posto que os fundos por ela administrados possuem personalidade jurídica própria; (vi) a regularidade das cessões de crédito realizadas pela Oboé Card, a autuação da Oboé DTVM apenas como administradora, não tendo suportado os desembolsos em favor daquela, e a ausência de comprovação dos saldos devedores inexistentes ou devedores inadimplentes, de modo a caracterizar o pagamento sem causa; (vii) que a Oboé DTVM funcionou apenas como intermediária na colocação de cotas de emissão de fundos de investimentos, e que não houve desvio de recursos sem o consentimento dos investidores; (viii) que "a responsabilização de sócio só cabe na hipótese de sóciogerente e, mesmo assim, quando houver comprovação de abuso do poder ou infringência à lei, ou ao contrato social, ou estatuto" (ix) que há questões do auto de infração já submetidas à apreciação judicial; Fl. 3524DF CARF MF Processo nº 10380.726785/201565 Resolução nº 1302000.652 S1C3T2 Fl. 3.525 13 Efetuaram, ainda, pedido de realização de diligência junto à Citibank DTVM (que teria atuado como "custodiante, controladora e escrituradora") e à Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Foi apresentada, em 09/10/2015, Impugnação, ainda, em nome da Massa Falida de Oboé Crédito, Financiamento e Investimento S.A, da Oboé Tecnologia e Serviços Financeiros S.A, da Oboé Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários S.A, da Companhia de Investimento Oboé, da Advisor Gestão de Ativos S.A, da Oboé Holding Financeira S.A, de José Newton Lopes de Freitas, da Magazines Brasileiros Ltda e da Clarinete Promotora de Vendas e Serviços Financeiros Ltda, na qual sustentam: (i) a contagem do prazo decadencial na forma do art. 150, §4º, do CTN, posto que a fraude capaz de afastar tal norma seria a fraude tributária, prevista nos art. 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 1964, não possuindo tal condão a fraude cível, como nos autos; (ii) a ilegitimidade da Oboé DTVM para figurar no pólo passivo da autuação, quando o lançamento deveria ser efetuado em relação ao Fundo Clássico; (iii) que "jamais se poderá confundir a falta de comprovação da causa da operação com a eventual ilegalidade do negócio jurídico identificado e efetivamente ocorrido"; (iv) "bis in idem" em relação aos pagamentos efetuados pelo Fundo Clássico que geraram receitas e teriam sido regularmente tributadas na Oboé Card; (v) que a causa para destinação dos recursos de investidores entregues pela Oboé DTVM aos Fundos estaria caracterizada, não podendo haver a incidência do IRRF; (vi) que não poderia ter havido a aplicação da multa qualificada, posto que inexistente o enquadramento nas situações previstas nos art. 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 1964. Finalmente, o responsável Joeb Barbosa Guimarães Vasconcelos apresentou Impugnação, por meio da qual, argui: (i) a inexistência de responsabilidade sua quanto à Oboé DTVM; (ii) a ausência de distinção do trabalho fiscal em relação às movimentações financeiras da oboé DTVM e dos Fundos de Investimentos por ela administrados, bem como dos clientes dos referidos Fundos; (iii) a desconsideração pela autoridade fiscal do trabalho da auditoria independente. A decisão de primeira instância (fls. 3.254 a 3.299) não conheceu da Impugnação apresentada em 06/10/2015, em relação a Oboé DTVM, Oboé CFI e Oboé Card, por vício de representação, uma vez que foi assinada por José Newton Lopes de Freitas, quando deveria ter sido assinada pelo administrador judicial da massa falida. Não conheceu ainda da Impugnação apresentada por Joeb Barbosa Guimarães de Vasconcelos, por intempestividade. Ao rejeitar a preliminar de nulidade do auto de infração por suposta violação ao princípio da presunção de inocência, posto não se tratar de causa de nulidade prevista na Fl. 3525DF CARF MF Processo nº 10380.726785/201565 Resolução nº 1302000.652 S1C3T2 Fl. 3.526 14 legislação, afastou, ainda, a alegação de que a autoridade fiscal teria embasado o auto de infração diretamente nas imputações da Comissão de Inquérito do Bacen. O Acórdão recorrido não acolheu a alegação de decadência do direito de constituição do crédito tributário, por entender que, no caso de "pagamentos a beneficiários não identificados ou de pagamentos sem causa não se sustenta a aplicação do prazo decadencial do §4º do art. 150 do CTN, visto que a lei não atribuiu ao sujeito passivo o dever de apurar e pagar o IRRF devido, antes de qualquer procedimento de ofício". Ademais, no caso de fraude, teria aplicação a contagem do prazo decadencial na forma do art. 173, inciso I, do CTN. A decisão também não acatou a tese de que a constituição do crédito tributário não deveria ter sido realizada na Oboé DTVM, mas no Fundo Clássico. Para o julgador a quo, "a inscrição no CNPJ não confere personalidade jurídica à entidade, ou a reconhece", permanecendo o referido Fundo na condição de condomínio. A par disso, a acusação fiscal é de que a Oboé DTVM se utilizou do Fundo Clássico como meio para realização da transferência dos recursos dela provenientes. Em relação às cessões e transferências de créditos, concluiu que se trata de aplicação de recursos em créditos "que não podem ser exigidos, o que torna seu valor efetivamente inexistente". Além disso, a correção da escrituração das cotas, autorizada pelo Bacen, apenas transferiu parte das cotas para a Oboé CFI (e não para a Oboé Card, executora dos pagamentos) e não teria o condão de afastar a constatação de pagamentos embasados em justificativa inadequada. Quanto às teses de que a causa das operações era conhecida, apenas irregular, e de que as receitas foram tributadas na Oboé Card, o julgador as rejeitou, por considerar que "a irregularidade nos negócios observados é que deixa clara a ausência de causa para os pagamentos", e que, ocorrendo a hipótese do art. 61 da Lei nº 8.981, de 1995, deve haver a incidência do IRRF, não havendo condicionantes relacionadas com a destinação dos recursos pela pessoa que os receber. Pontuou, ainda, a ausência de caracterização de bis in idem, pois não houve fato tributado duas vezes. No que diz respeito à qualificação da multa, considerou existente "uma série de condutas, de descritas pela Fiscalização, praticadas pelos autuados, dolosas, com o objetivo de impedir o conhecimento de fatos geradores". Entendeu cabível a responsabilização solidária, com base no art. 124, inciso I, do CTN, da Oboé Card (pela participação nos pagamentos relacionados à cessão de faturas de cartão de crédito irregulares) e à Oboé CFI (pelo interesse no recebimento dos repasses para pagamento de convênio). Em relação às pessoas físicas, também considerou pertinente a atribuição de responsabilidade, com base no art. 135, inciso III, do CTN, posto que detinham posição de diretoria e agiram em violação ao regulamento do Fundo Clássico e à regulação do Banco Central. Por fim, considerou não formulado o pedido de diligência e produção de provas, por haver sido formulado em termos genéricos, não atendendo aos requisitos do art. 16, inciso IV, do Decreto nº 70.235, de 1972. Fl. 3526DF CARF MF Processo nº 10380.726785/201565 Resolução nº 1302000.652 S1C3T2 Fl. 3.527 15 Após a ciência da citada decisão, a Massa falida de Oboé Crédito, Financiamento e Investimento S.A., Oboé Tecnologia e Serviços Financeiros S.A., Oboé Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários S.A., Companhia de Investimento Oboé, Advisor Gestão de Ativos S.A., Oboé Holding Financeira S.A., José Newton Lopes de Freitas, Magazines Brasileiros Ltda e Clarinete Promotora de Vendas e Serviços Financeiros Ltda os sujeitos passivos apresentaram Recurso Voluntário conjunto (fls. 3.350 a 3.374), no qual se limitam a repetir os termos da Impugnação apresentada. Às fls. 3.392 a 3.458, a Oboé Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários, a Oboé Crédito, Financiamento e Investimento S.A., a Oboé Tecnologia e Serviços Financeiros S.A e o Sr. José Newton Lopes de Freitas apresentaram Recurso Voluntário conjunto, no qual sustentam: (i) que a decisão recorrida confundem as pessoas jurídicas falidas com a massa falida, sendo que as pessoas jurídicas recorrentes, em falência, são representadas pelos seus administradores, conforme o art. 81, §2º, da Lei nº 11.101, de 2005, enquanto a massa falida é representada pelo administrador judicial, na forma do art. 22, inciso III, alínea "n", da mesma Norma. Assim, as referidas pessoas jurídicas são partes legítimas no presente processo e podem ser representadas por seu representante legal; (ii) a nulidade processual, uma vez que a falida não foi intimada para apresentar Impugnação e o Acórdão recorrido não reconheceu a capacidade processual das falidas; (iii) a nulidade do auto de infração, por cerceamento do direito de defesa e violação aos princípios do devido processo legal, legalidade, moralidade e eficiência, tendo em vista a denegação do pedido de realização de diligências e acesso integral ao processo; (iv) a nulidade do Acórdão recorrido, por não haver examinado adequadamente as questões de fato e de direito; (v) violações a princípios no curso no processo de intervenção por parte do Banco Central e liquidação extrajudicial; (vi) mesmas alegações trazidas na Impugnação, no que diz respeito à decadência, responsabilidade solidária e personalidade jurídica dos fundos de investimento; (vii) novas alegações relacionadas com as apurações realizadas pelo Banco Central, com cessão anterior de créditos ao Banco Daycoval S.A., com bis in idem em relação ao processo nº 10380.730501/201535, com suposta inversão do ônus da prova e com a redução da multa de ofício. Joeb Barbosa Guimarães de Vasconcelos, por sua vez, apresentou o Recurso Voluntário de fls. 3.484 a 3.494, em que pleiteia: (i) que todas as comunicações de atos processuais sejam realizadas, exclusivamente, em nome de advogado; (ii) que o prazo para apresentação da Impugnação seja contado em dobro, uma vez que os autuados possuem procuradores distintos, conforme art. 191 do CPC/73, de aplicação subsidiária e supletiva ao processo administrativo; Fl. 3527DF CARF MF Processo nº 10380.726785/201565 Resolução nº 1302000.652 S1C3T2 Fl. 3.528 16 (iii) o reconhecimento da ilegitimidade passiva e inexistência de sua responsabilidade solidária, uma vez que decisão judicial, com trânsito em julgado, no processo nº 000202641.2011.5.07.009, da 9ª Vara do Trabalho de Fortaleza, teria reconhecido a sua condição de empregado, sem amplos poderes de direção. Além disso, não teria assinado nenhum cheque, nem autorizado nenhuma das transferências, e nem sequer detinha poderes para tal; (iv) a improcedência do lançamento, posto que estaria embasado em "interpretação distorcida do arcabouço regulamentar" do Conselho Monetário Nacional e da Comissão de Valores Mobiliários, não teria diferenciado as movimentações financeiras da Oboé DTVM das realizadas pelos Fundos de Investimentos por ela administrados, e teria ignorado a análise dos auditores independentes; (v) o cancelamento do lançamento, ainda, pela ausência de análise acerca da destinação final dos recursos, e pelos fatos de que os impostos devidos pelos fundos de investimento foram recolhidos, e de que os investidores, que inicialmente haviam se declarado não cientes da transferência dos recursos, reconheceram a ciência, conforme processo nº 000400857.2015.4.03.6181, em trâmite na Justiça Federal. É o Relatório. Voto Conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo Relator I. DA ADMISSIBILIDADE DOS RECURSOS Os sujeitos passivos foram cientificados da decisão de primeira instância, conforme detalhado no quadro a seguir: SUJEITO PASSIVO DATA DA CIÊNCIA OBOÉ DTVM (MASSA FALIDA) 23/05/2017 (fl. 3.307) JOSÉ NEWTON LOPES DE FREITAS 06/07/2017 (fl. 3.465) OBOÉ CRÉDITO, FINAN. E INVEST. S.A. (MASSA FALIDA) 06/07/2017 (fl. 3.501) JOEB BARBOSA GUIMARÃES DE VASCONCELOS 06/07/2017 (fl. 3.504) ELIZIÁRIO PEREIRA DA GRAÇA JÚNIOR (ESPÓLIO) 07/07/2017 (fl. 3.498) O espólio de Eliziário Pereira da Graça Júnior não apresentou Recurso Voluntário. I.1 Do Recurso da massa falida A Massa falida de Oboé Crédito, Financiamento e Investimento S.A., Oboé Tecnologia e Serviços Financeiros S.A., Oboé Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários S.A., Companhia de Investimento Oboé, Advisor Gestão de Ativos S.A., Oboé Holding Financeira S.A., José Newton Lopes de Freitas, Magazines Brasileiros Ltda e Clarinete Promotora de Vendas e Serviços Financeiros Ltda apresentou o Recurso Voluntário em 22/06/2017 (fl. 3.348), dentro, portanto, do prazo de 30 (trinta) dias previsto no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Fl. 3528DF CARF MF Processo nº 10380.726785/201565 Resolução nº 1302000.652 S1C3T2 Fl. 3.529 17 O Recurso é assinado por procuradores, devidamente constituídos às fls. 3.111 e 3.153, pela administradora judicial da referida massa falida. Frisese que não há nos autos a comprovação de intimação da Massa Falida da OBOÉ TECNOLOGIA E SERVIÇOS FINANCEIROS S/A. Não obstante, considerando que o Termo de Intimação de fls. 3.341 a 3.347 foi assinado digitalmente em 13/06/2017 e, como dito, o Recurso Voluntário foi apresentado pela Massa Falida em 22/06/2017, há que se concluir pela inexistência de prejuízos à parte e pela tempestividade do mencionado Recurso. Não há, ainda, a comprovação da intimação da administradora judicial da massa falida, já que as comunicações foram dirigidas aos endereços dos falidos. Tal falha, contudo, foi suprida com a apresentação tempestiva do Recurso, de modo que plenamente aplicável o princípio da inexistência de nulidade sem prejuízo para a parte (pas de nullité sans grief). I.2 Do Recurso dos falidos A Oboé Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários, a Oboé Crédito, Financiamento e Investimento S.A., a Oboé Tecnologia e Serviços Financeiros S.A e o Sr. José Newton Lopes de Freitas apresentaram Recurso Voluntário, em 10/07/2017 (fl. 3.392), em peça subscrita por este último, em nome próprio e como procurador, constituído por ele mesmo, na condição de representante legal das pessoas jurídicas (fl. 3.081). Cabe repetir, neste ponto, a análise realizada no Acórdão Recorrido, quanto à capacidade processual e representação das referidas pessoas jurídicas falidas e do Sr. José Newton Lopes de Freitas: "Com a decretação da falência, o falido e seu representante não mais dispõe dos poderes de representação, administração e gerência, sendo os atos relacionados exercidos, a partir de então, pelo administrador judicial da massa falida nomeado pela sentença de decretação da falência nos termos do art. 99, IX, da lei 11.101/2005. No dito do art.103 da mesma lei: Art. 103. Desde a decretação da falência ou do seqüestro, o devedor perde o direito de administrar os seus bens ou deles dispor. Parágrafo único. O falido poderá, contudo, fiscalizar a administração da falência, requerer as providências necessárias para a conservação de seus direitos ou dos bens arrecadados e intervir nos processos em que a massa falida seja parte ou interessada, requerendo o que for de direito e interpondo os recursos cabíveis. Portanto, a impugnação citada não pode ser conhecida, com relação às empresas Oboé DTVM, Oboé CFI e Oboé Card, por vício de representação. Passase a analisar a possibilidade de conhecimento da mesma com relação à pessoa de José Newton Lopes de Freitas. Dentre os atos relacionados à administração patrimonial estão a defesa, em litígios administrativos ou judiciais, dos bens e direitos sob seu domínio. Com a falência, passa a caber apenas ao administrador judicial (que, indiretamente, representa os interesses da coletividade dos credores) realizar tais atos. Fl. 3529DF CARF MF Processo nº 10380.726785/201565 Resolução nº 1302000.652 S1C3T2 Fl. 3.530 18 A decretação da falência não retira a capacidade jurídica por completo do falido, mas a limita. Mesmo a capacidade processual ainda não se extingue por completo, como o § único do art. 103 da lei 11.101/2005 já prevê. O falido poderia, inclusive, ingressar com ação visando a reforma da sentença que decretou sua falência. O STJ já se pronunciou sobre o assunto: RECURSO ESPECIAL. AÇÃO RESCISÓRIA CONTRA O DECRETO FALIMENTAR. PROPOSITURA PELA SOCIEDADE EMPRESÁRIA COM FALÊNCIA DECRETADA. CAPACIDADE PROCESSUAL RECONHECIDA. AFASTAMENTO DA EXTINÇÃO DO PROCESSO SEM RESOLUÇÃO DE MÉRITO. 1. A decretação da falência acarreta ao falido uma capitis diminutio referente aos direitos patrimoniais envolvidos na falência, mas não o torna incapaz, de sorte que mantém a legitimidade para a propositura de ações pessoais. 2. Recurso especial conhecido e provido. (Superior Tribunal de Justiça, 3ª Turma, RECURSO ESPECIAL Nº 1.126.521 MT (2009/00420840, Rel.r Ricardo Villas Bôas Cueva, Sessão de 24/02/2015) No julgado citado, o Min. João Otávio de Noronha do STJ observa que a ação que pede pela nulidade da sentença falimentar tem caráter pessoal, e por isso não poderia ser negada a sua possibilidade ao falido, dado que não se está discutindo arrecadação ou administração dos bens. Não podemos tomar aqui o que a lei diz, que ele é afastado da administração dos seus bens. Lógico que não pode tomar a iniciativa das ações com relação a bens da massa, mas essa capitis diminutio não o torna incapaz. A capitis diminutio restringese à administração dos bens; no mais, ele tem todos os poderes processuais e todos os poderes como sujeito de direito para reverter essa situação, e o único interessado é ele. Tratase aqui de uma ação de status pessoal. Ele é falido e quer reverter a situação. Ele quer dizer: eu não devo ou não mereço ser falido, pois houve uma violação. A rigor, só ele pode fazer isso; ele não está defendendo os bens da massa, os bens da sociedade, ele está defendendo o próprio nome. O status dele é que sofreu uma alteração com a quebra. Assim, o entendimento é que, se por um lado o falido ainda mantém os poderes processuais para defender sua situação pessoal, por outro ele perde a capacidade processual para ações de natureza patrimonial. No entanto, a impugnação de auto de infração tem repercussão não apenas na esfera patrimonial, mas também pode ter efeitos extra patrimoniais, especialmente no caso em que a constituição do crédito leve à denúncia por crime contra a ordem tributária. Nessa situação, poderia ser levada ao âmbito penal. A constituição definitiva do crédito é, inclusive, condição necessária para a propositura da denúncia criminal, conforme o previsto na Súmula Vinculante 24 do STF: “Não se tipifica crime material contra a ordem tributária,previsto no art. 1º,incisos Ia IV,da Lei nº 8.137/90, antes do lançamento definitivo do tributo” No caso em discussão, a Autoridade Fiscal entendeu haver Fl. 3530DF CARF MF Processo nº 10380.726785/201565 Resolução nº 1302000.652 S1C3T2 Fl. 3.531 19 elementos suficientes para a formulação de representação fiscal para fins penais, que consta do processo apenso 10380.728155/201525. Assim, por ser tempestiva, e posto que pode produzir efeitos na esfera pessoal, a impugnação deve ser conhecida com relação a José Newton Lopes de Freitas." A decisão adotada em relação à Impugnação deve ser, igualmente, aplicada ao Recurso Voluntário apresentado. E não se está, como alegado no preâmbulo da peça recursal, confundindo os falidos com a massa falida. As pessoas jurídicas que buscavam apresentar Recurso Voluntário, as falidas, não são parte no presente processo administrativo fiscal. Lembrese que os autos de infração foram lavrados na massa falida representada por seus bens, posto que, à data, já havia sido decretada a falência. Além disso, ainda, que as falidas resguardem uma capacidade processual diminuída, para autuarem em defesa própria, como reconhecido pelo Superior Tribunal de Justiça na decisão acima transcrita, tal fato não lhe confere capacidade processual para atuarem em relação aos interesses da massa. À mesma conclusão chegou, recentemente, a 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento deste CARF: "RECURSO VOLUNTÁRIO. NÃO CONHECIMENTO. MASSA FALIDA. IRREGULARIDADE DE REPRESENTAÇÃO. NÃO CONHECIMENTO. Decretada a falência, o falido fica sem o poder de representação em face dos interesses da massa, passando a legitimidade a ser ostentada pelo síndico ou administrador judicial." (Acórdão nº 3201004.123, sessão de 25 de julho de 2018, Relator Conselheiro Leonardo Vinicius Toledo de Andrade) Neste sentido, não deve ser conhecido o Recurso apresentado, em relação às pessoas jurídicas falidas. De outra parte, o referido Recurso deve ser conhecido quanto ao Sr. José Newton Lopes de Freitas, pelas razões já expostas. Contudo, são trazidas na peça recursal diversas novas matérias não veiculadas na Impugnação. Ora, nos termos da legislação de regência do processo administrativo fiscal, a impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento, devendo dela constar todos os motivos de fato e de direito em que se fundamentam os pontos de discordância e as razões e provas das alegações (arts. 14 e 16 do Decreto nº 70.235, de 1972). Ou seja, é nesse instante em que se delimita a matéria objeto do contencioso administrativo, não sendo admitido ao contribuinte e à autoridade ad quem tratar de matéria Fl. 3531DF CARF MF Processo nº 10380.726785/201565 Resolução nº 1302000.652 S1C3T2 Fl. 3.532 20 não questionada por ocasião da impugnação, sob pena de supressão de instância e violação ao princípio do devido processo legal. Deste modo, não deve ser reconhecido o Recurso em relação às seguintes matérias: a) a ausência de contratos fictícios; b) a cessão prévia de direitos ao Banco Daycoval S.A.; c) bis in idem em relação ao processo administrativo nº 10380.730501/201535; d) suposta inversão do ônus da prova; e) redução da multa de ofício. O Recurso inova também em relação a outras matérias (como nulidades e violações a princípios constitucionais) que, por constituírem matéria de ordem pública escapam à preclusão processual. I.3 Recurso do responsável solidário Joeb Por fim, Joeb Barbosa Guimarães de Vasconcelos apresentou o seu Recurso Voluntário em 04/08/2017 (fl. 3.484). O referido sujeito passivo havia apresentado petição intempestiva, à guisa de Impugnação, que não foi conhecida pela autoridade julgadora a quo. No Recurso apresentado, o sujeito passivo sustenta a tempestividade da Impugnação, já que o prazo de trinta dias previsto no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, deveria, in casu, ser contado em dobro, ante a existência de partes com procuradores distintos, conforme previsão do art. 191 do Código de Processo Civil de 1973, vigente à época da apresentação da Impugnação. O disposto no art. 56 do Decreto nº 7.574, de 2011, é suficiente para justificar o nãoconhecimento do Recurso em questão: "Art.56. A impugnação, formalizada por escrito, instruída com os documentos em que se fundamentar e apresentada em unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil com jurisdição sobre o domicílio tributário do sujeito passivo, bem como, remetida por via postal, no prazo de trinta dias, contados da data da ciência da intimação da exigência, instaura a fase litigiosa do procedimento (Decreto no 70.235, de 1972, arts. 14 e 15). (...) §2o Eventual petição, apresentada fora do prazo, não caracteriza impugnação, não instaura a fase litigiosa do procedimento, não suspende a exigibilidade do crédito tributário nem comporta julgamento de primeira instância, salvo se caracterizada ou suscitada a tempestividade, como preliminar. Fl. 3532DF CARF MF Processo nº 10380.726785/201565 Resolução nº 1302000.652 S1C3T2 Fl. 3.533 21 §3oNo caso de pluralidade de sujeitos passivos, caracterizados na formalização da exigência, todos deverão ser cientificados do auto de infração ou da notificação de lançamento, com abertura de prazo para que cada um deles apresente impugnação. §4oNa hipótese do § 3o, o prazo para impugnação é contado, para cada sujeito passivo, a partir da data em que cada um deles tiver sido cientificado do lançamento." (Destacouse) O dispositivo legal é cristalino quanto ao prazo recursal, inclusive para o caso de pluralidade de sujeitos passivos, e quanto à condição imposta para que a petição intempestiva possa ser recebida como Impugnação e proporcione todos os seus efeitos. Como o sujeito passivo não sustentou perante a autoridade julgadora de primeira instância a tempestividade, não houve a instauração da fase litigiosa do procedimento, de modo que, em relação ao Sr. Joeb Barbosa, o crédito tributário está definitivamente constituído. A matéria objeto dos Recursos está contida na competência da 1ª Seção de Julgamento do CARF, conforme Art. 2º, inciso IV, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RI/CARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Isto posto, conheço apenas dos Recursos apresentados pela massa falida e pelo Sr. José Newton Lopes de Freitas (à exceção das matérias acima ressalvadas). II. DAS PRELIMINARES DE NULIDADE II.1 Legitimidade dos falidos O responsável José Newton Lopes de Freitas suscita a nulidade do auto de infração e do Acórdão recorrido, posto que a autoridade autuante não intimou os falidos para a apresentação de Impugnação, e o relator e a Turma Julgadora de primeira instância não reconheceram a capacidade processual das pessoas jurídicas falidas. Tal questão já foi devidamente esclarecida, quando do juízo de admissibilidade relativo ao recurso apresentado pelos falidos. Tendo em vista que o auto de infração foi lavrado, em 03/09/2015, portanto, após a decretação da falência (sentença de 21/05/2013, suspensa em 10/12/2013, e restabelecida em 31/01/2014), encontrase correto o procedimento de lavratura em nome da massa falida e ciência na pessoa da administradora judicial, conforme competência prevista no art. 22, inciso III, alíneas "d", "i", "l", "n" e "o" da Lei nº 11.101 de 2005. Nenhuma nulidade, portanto, no fato de os falidos não haverem sido intimados para a apresentação de Impugnação, posto que, como já tratado, estavam destituídos do direito de administração e disposição dos seus bens (art. 103 de referida Norma). Cabe citar precedente do CARF, na referida linha: "LANÇAMENTO. OMISSÃO DE RECEITAS. EMPRESA FALIDA. REPRESENTAÇÃO. Decretada a falência, os sóciosadministradores afastamse dos negócios da empresa falida, cabendo ao administrador judicial Fl. 3533DF CARF MF Processo nº 10380.726785/201565 Resolução nº 1302000.652 S1C3T2 Fl. 3.534 22 designado representar a massa falida com vistas a prestar as informações requeridas pelo Fisco, nos termos dos art. 21 e 22 da Lei nº11.101/2005. O administrador judicial deve ser intimado dos atos processuais, sob pena de nulidade do processo, nos termos do art. 76 da Lei nº 11.101/2005." (Acórdão nº 1301001.631 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, sessão de 28 de agosto de 2014, Relator Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado) Em adição, a questão da incompetência processual das pessoas jurídicas falidas também já foi explicitada no tópico anterior. Deste modo, rejeito a referida preliminar. II.2 Cerceamento do direito de defesa O mesmo responsável sustenta, ainda, a nulidade do Acórdão recorrido, por cerceamento do direito de defesa, tendo em vista o indeferimento do pedido de diligência formulado na Impugnação. O art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972, coloca o atendimento ao requerimento de diligências ou perícias sob a análise da autoridade julgadora. In verbis: "Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine." (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) No mesmo sentido, o art. 29 do citado Decreto dispõe que "Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias". Tratando do tema, James Marins (Direito Processual Tributário Brasileiro, São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 10. ed. rev. atual. e ampl., 2017, fls. 289/290), leciona: "Como o impulso do processo compete à Administração (princípio da impulsão oficial, em conformidade com o art. 19 da LGPAF), cumprirá à autoridade julgadora de primeira instância apreciar os requerimentos de produção de provas, apreciar sua pertinência e determinar a realização daquelas que seja em virtude de terem sido requeridas ou por deliberação ex officio da autoridade de primeira instância sejam necessárias para que a instrução se complete. O juízo de pertinência probatória será feito principalmente com base nos critérios de imprescindibilidade e praticabilidade." O Acórdão recorrido rejeitou o pedido formulado pelo sujeito passivo, por entender que o processo já se encontravam "instruído com as informações e documentos necessários para sua solução". Além disso, apontou que o pedido formulado pelo Impugnante se deu de modo genérico, sem obediência às disposições do art. 16, inciso IV, do Decreto nº 70.235, de 1972. Não se vislumbra, portanto, qualquer ato da autoridade julgadora que macule a decisão proferida. Fl. 3534DF CARF MF Processo nº 10380.726785/201565 Resolução nº 1302000.652 S1C3T2 Fl. 3.535 23 Os documentos que o Recorrente reputa importantes poderiam, e deveriam, ter sido juntados por ele próprio juntamente com a Impugnação ou, na impossibilidade de obtêlos, haver justificado adequadamente o pedido formulado, explicitando os requisitos demandados pelo referido inciso IV do art. 16. O Recorrente pleiteia, ainda, a decretação da nulidade, sob o mesmo fundamento de cerceamento do direito de defesa, desta vez por lhe ter sido negado o acesso à integra do processo, por meio de sistema informatizado, e o envio eletrônico de documentos digitais para juntada aos autos. A questão da legitimidade da administradora judicial para representar a massa falida autuada é questão já repisada. A esta, portanto, compete o acesso e o peticionamento eletrônico nos autos, na forma da normatização da Receita Federal do Brasil. O Recorrente, como responsável solidário, tem garantido acesso a cópia integral dos autos e ao peticionamento em papel, não tendo sido apresentada qualquer prova de que tais fatos não lhe foram permitidos. Rejeito, deste modo, mais essa preliminar. II.3 Da violação a princípios O Sr. José Newton Lopes de Freitas pugna pela anulação do lançamento por suposta violação ao devido processo legal e aos princípios constitucionais da legalidade, moralidade e eficiência. A referida alegação está embasada no já tratado indeferimento do pedido de diligência e em suposta inversão do ônus da prova. Para ele, "a fiscalização formalizou auto deinfração de caráter presuntivo, sem nexo causal, totalmente discricionário, com a pretensão de forçar os recorrentes a assumirem o ônus da prova". Não se observa a nulidade apontada. A questão do indeferimento do pedido de diligência já foi abordado no item anterior. De outra parte, a leitura do Termo de Verificação Fiscal de fls. 47 a 85 revela que a autoridade fiscal descreveu com clareza todos os fatos e provas que embasaram a autuação, e realizou a subsunção dos fatos à norma legal. O acerto, ou não, da autuação é matéria de mérito que será analisada. Patente, porém, a inexistência de qualquer presunção ilegal ou inversão do ônus da prova, como alegado pelo Recorrente. Voto pela rejeição, portanto, da nulidade invocada. II.4 Da ausência de fundamentação e exame Finalmente, o citado Recorrente, alega a nulidade da decisão recorrida por falta de fundamentação e de adequado exame das questões de fato e de direito. Afirma que, "os pontos relevantes ou os aspectos primordiais ao seu deslindo, o sr. relator não os enfrentou de forma motivada". Aduz, ainda, que "o sr. relator também não observou a proporcionalidade, a razoabilidade e a legalidade, na forma prescrita no art. 8º do CPC/2015". Fl. 3535DF CARF MF Processo nº 10380.726785/201565 Resolução nº 1302000.652 S1C3T2 Fl. 3.536 24 A alegação é formulada de forma genérica, sem qualquer detalhamento acerca dos supostos vícios, pelo que deve ser sumariamente afastada, mormente quanto a leitura do Acórdão combatido revela que o julgador se desincumbiu com esmero da análise de todas as teses postas e fundamentou adequadamente a sua decisão. Inexiste, desta forma, qualquer nulidade a ser reconhecida. II.5 Da ilegitimidade da Oboé DTVM Tanto a massa falida quanto o responsável José Newton Lopes de Freitas defendem a ilegitimidade da Oboé DTVM, administradora do Fundo Clássico, para figurar no pólo passivo da exação. Para a massa falida, tratandose o referido Fundo de um condomínio, quem responderia, na forma do art. 1.319 do Código Civil e do art. 13 da Instrução CVM nº 409/2004, por eventuais danos por ele causado seriam os seus condôminos, na proporção de suas cotas. Para o citado Recorrente, por outro lado, o Fundo Clássico teria personalidade jurídica própria, uma vez que estaria registrado no Registro de Títulos e Documentos e inscrito no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ). As alegações foram repelidas pela decisão recorrida, nos seguintes termos: "Com relação à eleição da Oboé DTVM no polo passivo da autuação, ao invés do Fundo Clássico, cabe observar inicialmente o equívoco do impugnante ao observar que “após o competente registro no Registro de Títulos e Documentos, a RFB reconhece a pessoa jurídica com a inscrição no CNPJ”. A inscrição no CNPJ não confere personalidade jurídica à entidade, ou a reconhece. Entidades sem personalidade jurídica também são inscritas no CNPJ conforme as Instruções Normativas da RFB que disciplinam a inscrição no cadastro. A personalidade jurídica somente é adquirida – e, portanto, reconhecida – nos casos previstos na legislação. Não corresponde, nesse caso, o fundo de investimento que é tratado pela própria regulação da CVM como condomínio, que nada mais é que uma coletividade de proprietários de um bem em comum. (...) Além disso, com relação à distinção do papel e da responsabilidade da administradora (no caso, Oboé DTVM), com relação às posições jurídicas assumidas pelo fundo (no caso, Fundo Clássico), estar limitada a representação legal do fundo, a Fiscalização foi enfática ao descrever, no Termo de Verificação Fiscal, o entendimento de que a Oboé DTVM utilizouse do Fundo Clássico como meio para a realização do negócio efetivamente tributado: O FUNDO CLÁSSICO, que era um condomínio de investidores conforme Termo de Constituição e Regulamento (ambos em anexo), apesar de ser o formal cessionário dos referidos créditos, era na Fl. 3536DF CARF MF Processo nº 10380.726785/201565 Resolução nº 1302000.652 S1C3T2 Fl. 3.537 25 verdade apenas mais um meio ardil utilizado pela OBOÉ DTVM para o cometimento de desvios e fraudes, materializando assim a entrega de recursos a terceiros sem a comprovação de causa conforme previsto no § 1° do art. 61 da Lei 8.981/95 e § 10 do art. 674 do Decreto 3.000/99. Conforme evidenciado pelo Ministério Público Federal, no quadro de fls. 39 da Denúncia (item 2.2.2), as cessões de crédito para o FUNDO CLÁSSICO eram feitas de acordo com as necessidades de caixa da OBOÉ CARD, que efetuava o repasse dos recursos à OBOÉ CFI, necessários para liquidar operações relacionadas ao "Convênio Unique". No referido quadro foram transcritas as observações da planilha de controle do "Convênio Unique", obtida junto à tesouraria da OBOÉ CARD. Os recursos para as referidas liquidações provinham da OBOÉ DTVM, que transferia recursos para o FUNDO CLÁSSICO, por ela administrado. Havia inclusive o desvio de recursos de investidores, à sua revelia, para o referido Fundo, como será visto no próximo tópico. Os pagamentos correspondentes às cessões era feito pela OBOÉ DTVM, por meio do FUNDO CLÁSSICO, para a OBOÉ CARD sendo os recursos posteriormente repassados à OBOÉ CFI. No caso, a Fiscalização apontou que os recursos desviados provinham da Oboé DTVM, que usava o Fundo Clássico como meio para efetuar a transferência." Com razão o julgador. Apesar de inscrito no CNPJ, por força de ato normativo da RFB, os Fundos de Investimentos não detém personalidade jurídica própria, dado que não se incluem naquelas entidades listadas no art. 44 do Código Civil: "Art. 44. São pessoas jurídicas de direito privado: I as associações; II as sociedades; III as fundações. IV as organizações religiosas; (Incluído pela Lei nº 10.825, de 22.12.2003) V os partidos políticos. (Incluído pela Lei nº 10.825, de 22.12.2003) VI as empresas individuais de responsabilidade limitada. (Incluído pela Lei nº 12.441, de 2011)" A natureza do Fundo, como bem apontado pela Recorrente, pela autoridade fiscal e pelo julgador de primeira instância é de Condomínio. Tal fato também é reconhecido pela Comissão de Valores Mobiliários, conforme art. 2º da Resolução CVM nº 409, de 2004 (vigente à época do lançamento). O Fundo de Investimento é constituído por um administrador, pessoa jurídica autorizada pela CVM (art. 3º, parágrafo único, da citada Resolução), a quem compete praticar Fl. 3537DF CARF MF Processo nº 10380.726785/201565 Resolução nº 1302000.652 S1C3T2 Fl. 3.538 26 todos os atos necessários ao seu funcionamento (art. 58, da citada Resolução) e que "responde por prejuízos decorrentes de atos e omissões próprios a que der causa, sempre que agir de forma contrária à lei, ao regulamento e aos atos normativos expedidos pela CVM" (art. 57, §3º, da citada Resolução). É indubitável, portanto, que a exigência fiscal deve ser oposta ao referido administrador, e não ao ente despersonalizado. Tal fato é explicitado no art. 740 do RIR/99, em relação à responsabilidade do Administrador do Fundo de Investimento pela retenção e recolhimento do IRRF sobre rendimentos das respectivas aplicações: Art.740. O imposto de que trata este Capítulo será retido pelo administrador do fundo de investimento na data da ocorrência do fato gerador, e recolhido até o terceiro dia útil da semana subseqüente (Lei nº 9.532, de 1997, art. 32). Inexiste, assim, qualquer erro de sujeição passiva. E nenhuma nulidade. III. DA DECADÊNCIA Tanto a massa falida quanto o responsável José Newton Lopes de Freitas defendem a decadência dos fatos geradores ocorridos há mais de cinco anos do lançamento. Aquela, porque o IRRF seria tributo sujeito a lançamento por homologação, porque inexistiria qualquer fraude tributária a justificar a alteração da contagem do prazo decadencial, e porque haveria declaração e pagamento antecipado do citado tributo, de modo que deve ser aplicado o art. 150, §4º, do CTN. Já o citado recorrente apenas lança o argumento, sem qualquer fundamentação: "125. Mesmo admitido o enquadramento dos fatos geradores às hipóteses de incidência do Imposto de Renda exclusivamente na fonte, a ação fiscal só poderia alcançar os fatos geradores a partir de setembro de 2010, em razão da decadência quinquenal." A decisão recorrida afastou a decadência, sob o argumento de que o IRRF incidente sobre a apuração de pagamentos se causa ou a beneficiário não identificado não seria um tributo sujeito ao chamado lançamento por homologação. Além disso, existindo dolo, fraude ou simulação, o prazo deve ser contado na forma do art. 173, inciso I, do CTN. Neste ponto, cabe apenas invocar a recente Súmula CARF nº 114: "O Imposto de Renda incidente na fonte sobre pagamento a beneficiário não identificado, ou sem comprovação da operação ou da causa, submetese ao prazo decadencial previsto no art. 173, I, do CTN." Não reconheço, portanto, a decadência suscitada. IV. DO MÉRITO IV.1 Dos pagamentos pela cessão de direitos Fl. 3538DF CARF MF Processo nº 10380.726785/201565 Resolução nº 1302000.652 S1C3T2 Fl. 3.539 27 Parte do lançamento decorre da constatação, pela autoridade fiscal, de pagamentos realizados a título de aquisição de direitos creditórios sobre faturas de cartões de créditos. Segundo o TVF, a pessoa jurídica OBOÉ CARD cedia direitos derivados de faturas de cartões de crédito inexistentes ou em flagrante situação de inadimplência ao FUNDO CLÁSSICO, administrado pela OBOÉ DTVM. A Recorrente sustenta, em primeiro lugar, a impossibilidade de aplicação da regra destinada à tributação de pagamentos sem causa, pois, no caso, a causa seria conhecida e "jamais se poderá confundir a falta de comprovação da causa da operação com a eventual ilegalidade do negócio jurídico identificado e efetivamente ocorrido". Segundo ele, "45. No caso em epígrafe, cabia ao CITIBANK realizar o papel de “custodiante” do FUNDO CLÁSSICO, devendo, como visto, atestar a validade dos direitos creditórios adquiridos pelo fundo e sua conformidade com o regulamento do fundo. 46. Ocorre que, conforme apurado na Comissão de Inquérito do Banco Central do Brasil, parte dos direitos creditórios adquiridos pelo fundo não atendiam aos critérios estipulados pelo regulamento do fundo (inadimplência), baseavamse em faturas inexistentes, emitidas em duplicidade ou já teriam sido cedidos em garantia ao Banco Daycoval. 47. Como se vê, algumas operações de aquisição de direito creditório pelo FUNDO CLÁSSICO foram realizadas com erros perpetrados pela administração e pela instituição custodiante, fato que justificaria a propositura de ação de indenização pelos eventuais lesados. 48. Nesse contexto, cabe ressaltar que a recorrente inclusive já persegue indenização junto à instituição financeira que realizava a custódia do fundo através da ação de reparação de danos no. 1081305 58.2015.8.26.0100, atualmente em trâmite perante a 10a. Vara Cível de São Paulo/SP. 49. Ocorre que foi também com base nesses mesmos erros que o fisco entendeu por desconsiderar a natureza e julgar pela inexistência de causa dos pagamentos realizados pelo FUNDO CLÁSSICO para OBOÉ CARD. 50. Entretanto, os erros apontados não podem repercutir de qualquer maneira na esfera tributária, pois, como amplamente exposto pela própria fiscalização, não há dúvidas quanto à natureza dos pagamentos efetuados pelo FUNDO CLÁSSICO à OBOÉ CARD, qual seja a de pagamento pela aquisição de direitos creditórios." Afirma, ainda, que os pagamentos em tela geraram receitas, que foram regularmente tributadas na OBOÉ CARD, de modo que a cobrança do IRRF constituiria bis in idem. A decisão de primeira instância considerou que, essencialmente, todos os pagamentos realizados pela Oboé DTVM à Oboé CARD, por meio do Fundo Clássico, Fl. 3539DF CARF MF Processo nº 10380.726785/201565 Resolução nº 1302000.652 S1C3T2 Fl. 3.540 28 trataram de aplicação de recursos em créditos inexigíveis (seja por "serem cedidos múltiplas vezes ou simplesmente, já cedidos ao Banco Daycoval como garantia em cessão fudiciária, ou de clientes inadimplentes"). Além disso, consignou que a incidência do IRRF sobre o pagamento sem causa independeria da destinação ou uso dos recursos dado pela pessoa que os receber. Antes de adentrar à análise, entendo indispensável a discriminação da situação em que se enquadra cada um dos créditos cedidos ao Fundo Clássico: se totalmente inexistentes, se em duplicidade, se já cedidos anteriormente ou se referentes a clientes inadimplentes. As operações de cessão estão listadas na Planilha 1 do Termo de Verificação Fiscal (fls. 71 e 72) e no Controle de fls. 705 e 706, porém não é possível se verificar, nos referidos documentos, a discriminação citada. Segundo o Relatório da Comissão de Inquérito do Banco Central do Brasil (fls. 258 a 310), 61% do saldo do Fundo Clássico, na data da Intervenção sofrida, correspondia a faturas de clientes atrasados a mais de 60 dias. Não consegui, contudo, localizar o detalhamento de tal informação nos autos. Por outro lado, conforme a Recorrente Massa Falida "tais faturas eram reais, embora emitidas para titulares de cartão Oboé há muito inadimplentes. Apenas pouco mais de 10% do total dessas faturas foram duplicadas, portanto irreais.". Desta forma, considero imprescindível à decisão quanto à aplicação da tributação na forma do art. 61 da Lei nº 8.981, de 1995, que se conheça os valores das cessões que se enquadram em cada uma das situações acima. V. Conclusão Isto posto, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência, para que o processo retorne à Unidade de origem (DRF/Fortaleza), para que: a) seja discriminado, para cada um dos créditos cedidos ao Fundo Clássico, a razão pela qual foi considerado inexistente (se totalmente inexistentes, se em duplicidade, se já cedidos anteriormente ou se referentes a clientes inadimplentes); b) ao fim, elaborese relatório de diligência contendo as informações acima requeridas, dando ciência do resultado aos sujeitos passivos, inclusive a Massa Falida, e concedendolhes prazo para, querendo, manifestaremse nos autos. Após, reencaminhese o processo a este Colegiado. (assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo Fl. 3540DF CARF MF
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Numero do processo: 15540.720346/2011-59
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 03 00:00:00 UTC 2013
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Ano-calendário: 2007
LANÇAMENTO. CRITÉRIOS NECESSÁRIOS DA REGRA-MATRIZ DE INCIDÊNCIA.
A verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, a determinação da matéria tributável, o cálculo do montante do tributo devido e a identificação do sujeito passivo, definidos no art. 142 do CTN, são elementos fundamentais, intrínsecos, do lançamento, sem cuja delimitação precisa não se pode admitir a existência da obrigação tributária em concreto.
Faltando os critérios materiais e quantitativo da regra-matriz de incidência, por conta da ausência de cômputo de custos e despesas na apuração do lucro real, sabendo que o contribuinte declarou tais despesas em DIPJ retificadora, implica na nulidade insanável do lançamento.
Recurso conhecido e não provido.
Numero da decisão: 1201-000.923
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em NEGAR provimento ao recurso de ofício,nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencido o relator, sendo designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Rafael Correia Fuso.
Nome do relator: RAFAEL CORREIA FUSO
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