Sistemas: Acordãos
Busca:
mostrar execução da query
7196900 #
Numero do processo: 11065.722056/2014-94
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Feb 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Apr 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2012 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DCTF. O sujeito passivo que apresenta a DCTF fora do prazo fixado na legislação tributária fica sujeito à multa de que trata o art. 7º da Lei nº 10.426, de 2002 (com redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004). Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2012 ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. Súmula nº 02: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade da Lei Tributária.
Numero da decisão: 1301-002.783
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201802

camara_s : Terceira Câmara

ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2012 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DCTF. O sujeito passivo que apresenta a DCTF fora do prazo fixado na legislação tributária fica sujeito à multa de que trata o art. 7º da Lei nº 10.426, de 2002 (com redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004). Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2012 ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. Súmula nº 02: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade da Lei Tributária.

turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção

dt_publicacao_tdt : Tue Apr 03 00:00:00 UTC 2018

numero_processo_s : 11065.722056/2014-94

anomes_publicacao_s : 201804

conteudo_id_s : 5850935

dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Apr 03 00:00:00 UTC 2018

numero_decisao_s : 1301-002.783

nome_arquivo_s : Decisao_11065722056201494.PDF

ano_publicacao_s : 2018

nome_relator_s : FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO

nome_arquivo_pdf_s : 11065722056201494_5850935.pdf

secao_s : Primeira Seção de Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto.

dt_sessao_tdt : Fri Feb 23 00:00:00 UTC 2018

id : 7196900

ano_sessao_s : 2018

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:15:02 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713050008649990144

conteudo_txt : Metadados => date: 2018-04-02T11:56:52Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2018-04-02T11:56:52Z; Last-Modified: 2018-04-02T11:56:52Z; dcterms:modified: 2018-04-02T11:56:52Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; xmpMM:DocumentID: uuid:c6dbcf1b-806c-4191-a295-ff9a71bd39f4; Last-Save-Date: 2018-04-02T11:56:52Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2018-04-02T11:56:52Z; meta:save-date: 2018-04-02T11:56:52Z; pdf:encrypted: true; modified: 2018-04-02T11:56:52Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2018-04-02T11:56:52Z; created: 2018-04-02T11:56:52Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; Creation-Date: 2018-04-02T11:56:52Z; pdf:charsPerPage: 1475; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2018-04-02T11:56:52Z | Conteúdo => S1­C3T1  Fl. 2          1  1  S1­C3T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  11065.722056/2014­94  Recurso nº  1   Voluntário  Acórdão nº  1301­002.783  –  3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  23 de fevereiro de 2018  Matéria  Multa por atraso na entrega DCTF  Recorrente  ZENGLEIN & CIA LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS  Ano­calendário: 2012  MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DCTF.  O sujeito passivo que apresenta a DCTF fora do prazo fixado na  legislação  tributária fica sujeito à multa de que trata o art. 7º da Lei nº 10.426, de 2002  (com redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004).  ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Ano­calendário: 2012  ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI.  Súmula  nº  02:  O  CARF  não  é  competente  para  se  pronunciar  sobre  a  inconstitucionalidade da Lei Tributária.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento ao recurso voluntário.    (assinado digitalmente)  Fernando Brasil de Oliveira Pinto ­ Presidente e Relator    Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Junior,  José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de  Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando  Brasil de Oliveira Pinto.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 72 20 56 /2 01 4- 94 Fl. 56DF CARF MF Processo nº 11065.722056/2014­94  Acórdão n.º 1301­002.783  S1­C3T1  Fl. 3          2    Relatório  ZENGLEIN & CIA  LTDA.,  já  qualificado  nos  autos,  recorre  da  decisão  proferida pela 15a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de  Janeiro  (RJ)  ­ DRJ/RJ1,  que,  por  unanimidade  de  votos,  julgou  improcedente  a  impugnação  apresentada para julgar procedente a multa aplicada.  Em  decorrência  de  atraso  verificado  na  entrega  da  DCTF,  foi  expedida  Notificação de Lançamento contra a  Interessada, com vistas à cobrança da multa prevista no  art. 7º da Lei nº 10.426, de 2002 (com redação dada pelo art. 19 da Lei nº 11.051, de 2004).  Cientificada  da  exigência,  a  Interessada  apresentou  impugnação  em  pleiteando o cancelamento da multa, sob o argumento de que sua aplicação, no montante acima  discriminado, ofenderia os princípios constitucionais da razoabilidade e da proporcionalidade.  Alternativamente, postulou a redução da penalidade para o valor mínimo de R$ 500,00.  Em  julgamento,  a  15ª  Turma  da  DRJ/RJ1,  considerou  improcedente  a  Impugnação e prolatou o acórdão, assim ementado:   ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Exercício: 2014  ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI.  No  âmbito  do  processo  administrativo  fiscal,  é  vedado  aos  órgãos  de  julgamento  afastar  a  aplicação  de  lei  sob  fundamento  de  inconstitucionalidade.  ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS  Ano­calendário: 2012  MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DCTF.  O sujeito passivo que apresenta a DCTF fora do prazo fixado na  legislação  tributária, fica sujeito a multa de que trata o art. 7º da Lei nº 10.426, de 2002  (com redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004).  Impugnação Improcedente  Crédito Tributário Mantido  Do Recurso Voluntário  A  contribuinte  apresentou  recurso  voluntário,  reiterando  os  argumentos  apresentados em sede de impugnação, e atendo­se aos seguintes pontos principais:  ­  Da  medida  extrema  aplicada,  com  violação  aos  princípios  da  proporcionalidade e da razoabilidade;  ­ Da desproporcionalidade da multa aplicada;  ­ Da redução da multa para R$500,00.  É o relatório.  Fl. 57DF CARF MF Processo nº 11065.722056/2014­94  Acórdão n.º 1301­002.783  S1­C3T1  Fl. 4          3  Voto             Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto ­ Relator  O  julgamento  deste  processo  segue  a  sistemática  dos  recursos  repetitivos,  regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de  junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica­se o decidido no Acórdão nº 1301­002.776,  de 23.02.2018, proferido no julgamento do processo nº 11065.721975/2014­41, paradigma ao  qual o presente processo foi vinculado.  Transcreve­se,  como  solução  deste  litígio,  nos  termos  regimentais,  o  entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1301­002.776):  A contribuinte foi cientificada do teor do acórdão da DRJ/BDB e  intimada  ao  recolhimento  do  débito  em  12/06/2015,  (ciência  abertura  de  documento),  e  apresentou  em  09/07/2015,  recurso  voluntário e demais documentos.  Já  que  atendidos  os  requisitos  de  admissibilidade  previstos  no  Decreto nº 70.235/72, e tempestivo, dele conheço.  O  presente  caso  trata  de  auto  de  infração  e  notificação  de  lançamento de multa por atraso na apresentação de DCTF.   A base  legal da aplicação desta multa  consta do art.  7º  da Lei  10.426/02, conforme segue:  Art. 7º O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de  Informações  Econômico­Fiscais  da  Pessoa  Jurídica  ­  DIPJ,  Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais ­ DCTF,  Declaração  Simplificada  da  Pessoa  Jurídica,  Declaração  de  Imposto de Renda Retido na Fonte  ­ DIRF e Demonstrativo de  Apuração de Contribuições Sociais ­ Dacon, nos prazos fixados,  ou  que  as  apresentar  com  incorreções  ou  omissões,  será  intimado  a  apresentar  declaração  original,  no  caso  de  não­ apresentação,  ou  a  prestar  esclarecimentos,  nos  demais  casos,  no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal ­ SRF, e  sujeitar­se­á  às  seguintes  multas:  (Redação  dada  pela  Lei  nº  11.051, de 2004).  II  ­  de  dois  por  cento  ao  mês­calendário  ou  fração,  incidente  sobre  o  montante  dos  tributos  e  contribuições  informados  na  DCTF,  na  Declaração  Simplificada  da  Pessoa  Jurídica  ou  na  Dirf, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega  destas Declarações ou entrega após o prazo, limitada a vinte por  cento, observado o disposto no § 3º;  § 3º A multa mínima a ser aplicada será de: (Vide Lei nº 11.727,  de 2008)   I  ­  R$  200,00  (duzentos  reais),  tratando­se  de  pessoa  física,  pessoa jurídica inativa e pessoa jurídica optante pelo regime de  tributação previsto na Lei nº 9.317, de 1996;   II ­ R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.   Primeiramente, ressalte­se que não se discute aqui a entrega em  atraso, fato que efetivamente ocorreu.  Fl. 58DF CARF MF Processo nº 11065.722056/2014­94  Acórdão n.º 1301­002.783  S1­C3T1  Fl. 5          4  A  Recorrente  argumenta,  tão­somente,  que  a  multa  aplicada  seria desproporcional e não razoável, o que violaria princípios  constitucionais.  Ora, verifico que a norma  legal acima citada e em pleno vigor  foi aplicada corretamente. Houve um atraso na entrega de uma  declaração, o descumprimento de uma obrigação acessória, que  ensejou a aplicação da multa.  O cálculo foi realizado nos moldes legais, contando­se os meses  de  atraso  e  aplicando­se  o  percentual  sobre  a  base  de  cálculo  que  é  o  montante  de  tributos  e  contribuições  informados  na  DCTF.  Com relação à aplicação da multa mínima, conforme o próprio  nome diz é penalidade a ser dada nos casos em que o resultado  da conta acima não alcança os R$500,00, ou seja, nesses casos,  o  contribuinte  que  entregar  em  atraso  pagará  pelo  menos  R$500,00, não é o caso do recorrente.  O mesmo se aplica na outra ponta, ainda que o atraso se dê em  mais de 10 meses, a multa máxima a ser aplicada será de 20%,  não podendo ultrapassando este montante.  No  que  tange  aos  argumentos  trazidos  relativos  à  ofensa  aos  princípios constitucionais de proporcionalidade, razoabilidade e  outros, é vedado ao julgador administrativo negar aplicação de  lei  sob  alegação de  inconstitucionalidade. O  tema  é pacificado  no âmbito deste Conselho Administrativo, nos termos da Súmula  CARF nº 2:  “O  CARF  não  é  competente  para  se  pronunciar  sobre  a  inconstitucionalidade de Lei Tributária”.  Dessa forma, de se manter o lançamento efetuado.  CONCLUSÃO  Diante de  todo o acima exposto,  voto CONHECER do Recurso  Voluntário, para no mérito NEGAR­LHE PROVIMENTO.  Aplicando­se  a  decisão  do  paradigma  ao  presente  processo,  em  razão  da  sistemática  prevista  nos  §§  1º  e  2º  do  art.  47  do  RICARF,  nego  provimento  ao  recurso  voluntário.    (assinado digitalmente)  Fernando Brasil de Oliveira Pinto                              Fl. 59DF CARF MF

score : 1.0
7201358 #
Numero do processo: 10314.012598/2008-65
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Mar 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Regimes Aduaneiros Exercício: 2002, 2003 DRAWBACK SUSPENSÃO. DECADÊNCIA. O termo inicial do prazo decadencial somente surge com o primeiro dia do exercício seguinte ao término do prazo de validade do Ato Concessório, acrescido de 30 dias, se a exportação estiver dentro de uma das condições de fruição do Regime. DRAWBACK SUSPENSÃO. ANULAÇÃO DE ATO CONCESSÓRIO. A competência para deliberar sobre a declaração de nulidade de ato concessório de drawback suspensão é do mesmo órgão encarregado de analisar o pedido para sua expedição: a Secretaria de Comércio Exterior. Não cabe à RFB manifestar-se em sentido contrário, pois estaria invadindo competência atribuída a outro órgão público, mas sim, efetuar o lançamento dos tributos e demais acréscimos correspondentes. Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3401-004.415
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. ROSALDO TREVISAN - Presidente. FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Robson Jose Bayerl, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva (Suplente), Renato Vieira de Ávila (Suplente) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201803

camara_s : Quarta Câmara

ementa_s : Assunto: Regimes Aduaneiros Exercício: 2002, 2003 DRAWBACK SUSPENSÃO. DECADÊNCIA. O termo inicial do prazo decadencial somente surge com o primeiro dia do exercício seguinte ao término do prazo de validade do Ato Concessório, acrescido de 30 dias, se a exportação estiver dentro de uma das condições de fruição do Regime. DRAWBACK SUSPENSÃO. ANULAÇÃO DE ATO CONCESSÓRIO. A competência para deliberar sobre a declaração de nulidade de ato concessório de drawback suspensão é do mesmo órgão encarregado de analisar o pedido para sua expedição: a Secretaria de Comércio Exterior. Não cabe à RFB manifestar-se em sentido contrário, pois estaria invadindo competência atribuída a outro órgão público, mas sim, efetuar o lançamento dos tributos e demais acréscimos correspondentes. Recurso Voluntário Negado

turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção

dt_publicacao_tdt : Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018

numero_processo_s : 10314.012598/2008-65

anomes_publicacao_s : 201804

conteudo_id_s : 5851580

dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Apr 05 00:00:00 UTC 2018

numero_decisao_s : 3401-004.415

nome_arquivo_s : Decisao_10314012598200865.PDF

ano_publicacao_s : 2018

nome_relator_s : FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA

nome_arquivo_pdf_s : 10314012598200865_5851580.pdf

secao_s : Terceira Seção De Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. ROSALDO TREVISAN - Presidente. FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Robson Jose Bayerl, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva (Suplente), Renato Vieira de Ávila (Suplente) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.

dt_sessao_tdt : Mon Mar 19 00:00:00 UTC 2018

id : 7201358

ano_sessao_s : 2018

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:15:18 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713050008653135872

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1581; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C4T1  Fl. 1.370          1 1.369  S3­C4T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10314.012598/2008­65  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  3401­004.415  –  4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  19 de março de 2018  Matéria  AUTO DE INFRAÇÃO ­ II/IPI ­ DRAWBACK SUSPENSÃO  Recorrente  TELVENT BRASIL S/A (KAPSCH TRAFFICCOM CONTROLE DE  TRAFEGO E DE TRANSPORTES DO BRASIL LTDA.)  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS  Exercício: 2002, 2003  DRAWBACK SUSPENSÃO. DECADÊNCIA.   O  termo  inicial do prazo decadencial  somente  surge com o primeiro dia do  exercício  seguinte  ao  término  do  prazo  de  validade  do  Ato  Concessório,  acrescido de 30 dias, se a exportação estiver dentro de uma das condições de  fruição do Regime.   DRAWBACK SUSPENSÃO. ANULAÇÃO DE ATO CONCESSÓRIO.   A  competência  para  deliberar  sobre  a  declaração  de  nulidade  de  ato  concessório  de  drawback  suspensão  é  do  mesmo  órgão  encarregado  de  analisar o pedido para sua expedição: a Secretaria de Comércio Exterior. Não  cabe  à  RFB  manifestar­se  em  sentido  contrário,  pois  estaria  invadindo  competência atribuída a outro órgão público, mas sim, efetuar o lançamento  dos tributos e demais acréscimos correspondentes.   Recurso Voluntário Negado      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento ao recurso voluntário.  ROSALDO TREVISAN ­ Presidente.   FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA ­ Relator.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 01 25 98 /2 00 8- 65 Fl. 1370DF CARF MF Processo nº 10314.012598/2008­65  Acórdão n.º 3401­004.415  S3­C4T1  Fl. 1.371          2 Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Rosaldo  Trevisan  (Presidente),  Robson  Jose  Bayerl,  André  Henrique  Lemos,  Fenelon  Moscoso  de  Almeida,  Tiago  Guerra  Machado,  Marcos  Roberto  da  Silva  (Suplente),  Renato  Vieira  de  Ávila  (Suplente) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.   Relatório  Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida (fls.1 1286/  1290), o qual passo a transcrever:  “Trata­se de auto de infração (fls.02 a 40), com Relatório Fiscal à fls. 41 a  49, notificado pessoalmente ao contribuinte em 11/11/2008 (fls.05, 23 e 40),  lavrado em face de declaração de nulidade, pelo órgão expedidor, de Ato  Concessório  de  Drawback  Suspensão  para  Fornecimento  no  Mercado  Interno  (Lei  nº  8.032/90,  art.  5º),  no  valor  total  igual  a  R$  2.856.737,18,  assim distribuído:  a) Imposto de Importação, juros de mora e multa de ofício: R$ 1.585.483,58.  b) IPI – vinculado, juros de mora e multa de ofício: R$ 1.271.253,60.  A ação fiscal teve início a partir de expediente lavrado pela DIANA, da 08ª  Região Fiscal, comunicando a declaração de nulidade do Ato Concessório  de Drawback nº 20020126557, efetuado pela Decex, nos autos do processo  administrativo  nº  52500.000431/2006­32  (fls.  93  a  649),  com  efeito  retroativo à data de sua expedição.  Observa­se  que mencionado AC  foi  expedido  em 05/11/2002,  com data  de  validade igual a 03/06/2003.  Da  decisão  pela  nulidade  do mencionado AC,  o  interessado  recorreu  (fls.  579 a 587), mas não obteve êxito, no que tange a eventual reconsideração da  autoridade  julgadora  a  quo,  num  primeiro momento,  segundo  se  constata  a  partir da Decisão nº 334/DECEX­2007, de 24/05/2007 (fls. 588).  Com  base  nas  conclusões  da  NOTA/MDIC/CONJUR/DLP/N°  0198­  1.5/2007  (fls.593  a  595),  foi  proferida  a  Decisão  nº  414/DECEX­2007,  de  19/06/2007  (fls.598  a  599),  ratificando  a  decisão  que  não  reconsiderou  a  decisão pela nulidade do AC versado no p.p., re­expedindo os autos ao setor  encarregado da consultoria jurídica daquele órgão.  Em vista disso, o recurso administrativo outrora interposto foi analisado em  sede de segunda instância que, no caso, foi a Secex, que não deu provimento  ao seu recurso (Decisão n° 20/SECEX de 06/07/2007) (fls. 611), mantendo a  decisão que declarou a nulidade do AC, com efeito ex tunc, considerando o  PARECER/MDIC/CONJUR/DLP/ 0549­1.5/2007, de 29/06/2007 (fls. 602 a  610).  Em 20/07/2007, o interessado interpôs novo recurso administrativo (fls.619  a  627),  tendo  sido  analisado  pela  Decisão  n°  25/SECEX  de  26/07/2007  (fls.628), que manteve o mesmo entendimento – pela nulidade do AC.                                                              1 Todos os números de folhas indicados neste documento referem­se à numeração eletrônica do e­processo.  Fl. 1371DF CARF MF Processo nº 10314.012598/2008­65  Acórdão n.º 3401­004.415  S3­C4T1  Fl. 1.372          3 À  fls.634  a  642,  encontra­se  o  PARECER/MDIC/CONJUR/DLP/  0664­  1.5/2007,  de  03/08/2007,  que  opinou  pelo  encaminhamento  dos  autos  ao  Gabinete do MDIC, com entendimento de que o AC em tela não atendia aos  requisitos  legais  para  sua  concessão,  uma  vez  que  a  licitação  internacional  não  tinha sido realizada por entidade sujeita aos  termos da Lei nº 8.666/93,  muito menos houve previsão no edital de licitação de que haveria fruição do  Regime de Drawback.  Sendo  assim,  em  09/08/2007,  por  decisão  acostada  à  fls.  643,  da  lavra  do  então  Ministro  de  Estado,  Interino,  do  Desenvolvimento,  Indústria  e  Comércio Exterior, foi mantida a decisão pela nulidade do Ato Concessório  supra­citado.  A  fiscalização  apontou  que,  durante  o  procedimento  apuratório,  houve  alteração  na  legislação  de  regência,  a  partir  da  Medida  Provisória  nº  418/2008, convertida na Lei nº 11.732/2008, cujo art. 3º dispunha:  Art. 3º Para efeito de interpretação do art. 5º da Lei nº 8.032, de 12 de abril de  1990, licitação internacional é aquela promovida tanto por pessoas jurídicas  de  direito  público  como  por  pessoas  jurídicas  de  direito  privado  do  setor  público e do setor privado.  §1º Na  licitação  internacional  de  que  trata  o  caput  deste  artigo,  as  pessoas  jurídicas de direito público e as de direito privado do setor público deverão  observar  as normas  e procedimentos previstos na  legislação específica,  e as  pessoas  jurídicas  de  direito  privado  do  setor  privado,  as  normas  e  procedimentos das entidades financiadoras.  §2º (VETADO)  §3º  Na  ausência  de  normas  e  procedimentos  específicos  das  entidades  financiadoras,  as  pessoas  jurídicas  de  direito  privado  do  setor  privado  observarão aqueles previstos na legislação brasileira, no que couber.  §4º (VETADO)  §5º O Poder Executivo regulamentará, por Decreto, no prazo de 60 (sessenta)  dias  contados  da  entrada  em  vigor  da Medida  Provisória  no  418,  de  14  de  fevereiro de 2008, as normas e procedimentos específicos a serem observados  nas  licitações  internacionais  promovidas  por  pessoas  jurídicas  de  direito  privado do setor privado a partir de 1o de maio de 2008, nos termos do caput  e  parágrafos  deste  artigo,  sem  prejuízo  da  validade  das  licitações  internacionais  promovidas  por  pessoas  jurídicas  de  direito  privado  até  esta  data.  Vale observar, desde já, que o art.10, da Lei nº 11.732/2008, c/c art.106 – I,  do CTN, conferia sentido expressamente interpretativo ao seu art.3º:   Lei nº 11.732/2008.  Art. 10. Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação, observado, quanto  ao caput do art. 3o desta Lei, o disposto no inciso I do caput do art. 106 da  Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 ­ Código Tributário Nacional.   CTN   Art. 106. A lei aplica­se a ato ou fato pretérito:  I  ­  em  qualquer  caso,  quando  seja  expressamente  interpretativa,  excluída  a  aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados;  Fl. 1372DF CARF MF Processo nº 10314.012598/2008­65  Acórdão n.º 3401­004.415  S3­C4T1  Fl. 1.373          4 A  Secex  foi  oficiada  pela  fiscalização,  para  aferir  se  houve  alguma  alteração  nas  decisões  proferidas  nos  autos  do  processo  52500.000431/2006­32, em face das novas disposições legais.  Como não obteve resposta, deu­se seguimento ao processo de apuração do  quantum debeatur vinculado ao Ato Concessório anulado, lavrando­se o auto  de infração ora combatido.  Quanto  ao  período  decadencial,  a  autoridade  autuante  citou  que  a  deflagração desse prazo somente tem início, em sede do Regime Aduaneiro  Especial  de  Drawback  Suspensão,  após  o  término  de  validade  do  Ato  Concessório respectivo e, como não houve pagamento de qualquer parcela de  tributos, deveria ser contado esse prazo nos termos do art.173 – I, do CTN,  ou  seja,  a  partir  do  primeiro  dia  do  exercício  seguinte  à  data  final  de  validade do AC (fls.46, último parágrafo).  No que tange às Declarações de Importação vinculadas ao Ato Concessório  então  anulado,  temos  a  seguinte  tabela  (extraída  dos  dados  constantes  na  tabela de fls.48, bem como a partir dos dados presentes no auto de infração):    Em 10/12/2008, o contribuinte apresentou sua impugnação (fls.653 a 677),  tendo alegado, em síntese:  I. Em sede preliminar:  a) que o uso do instrumento “auto de infração” somente tem lugar quando há  efetiva  prática  de  infração  prevista  na  legislação,  sendo  que  no  caso  em  questão houve mudança de interpretação dos critérios jurídicos relativos  ao  Regime  de  Drawback  para  fornecimento  no  mercado  interno,  que  ensejaram a “cassação” do Ato Concessório, o que  levaria ao entendimento  de que o auto de infração combatido seria nulo;  b)  que  estariam  atingidos  pela  decadência  os  fatos  geradores  ocorridos  durante o ano de 2002;  II. Quanto ao mérito:  c) que houve mudança de critério  jurídico que embasou a expedição do  Ato Concessório  de Drawback  nº  20020126557,  sendo  inconstitucional  o  novo  entendimento,  aplicado  pelas  autoridades  vinculadas  ao MDIC  e,  por  isso, seria impossível um lançamento decorrente do novo critério jurídico;  d) que o art. 3º, da Lei nº 11.732/2008, deveria ser utilizado no presente caso,  contra a “revogação” do mencionado Ato Concessório;  e) que, por força do art. 100, do CTN, a multa de ofício (75%) e os juros  de mora  seriam  inexigíveis,  haja  vista  que,  à  época  de  expedição  do AC,  com  fundamento  no  art.  5º,  da  Lei  nº  8.032/90,  era  prática  reiteradamente  observada  pelas  autoridades  administrativas  que  o  sentido  de  “licitação  Fl. 1373DF CARF MF Processo nº 10314.012598/2008­65  Acórdão n.º 3401­004.415  S3­C4T1  Fl. 1.374          5 internacional” poderia ser promovida por qualquer entidade mercantil,  inclusive sociedades da iniciativa privada concessionárias de serviço público,  independentemente de estarem sujeitas aos ditames da Lei nº 8.666/93, bem  como era irrelevante a previsão no Edital de Licitação da fruição do benefício  fiscal em questão;  f) que não seria cabível a aplicação da Taxa Selic.  Nos  pedidos  formulados,  demandou  pelo  cancelamento  do  débito  lançado,  pela  juntada  posterior  de  documentos  e/ou  conversão  do  julgamento  em  diligência, se for necessário para elucidação da verdade real.  É o relatório.” (grifei)  A decisão de primeira instância, proferida em 01/06/2016 (fls. 1285/1306),  foi pela improcedência da impugnação, em decisão cuja ementa abaixo transcreve­se:  ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS   Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2003   AUTO DE INFRAÇÃO.  O  auto  de  infração  é  instrumento  adequado  para  veicular  a  cobrança  de  tributos  e  demais  acréscimos  legais,  nos  termos  do  art.10,  do  Decreto  nº  70.235/72. NULIDADE DO LANÇAMENTO. Somente pode ser reconhecido  que o  lançamento está eivado de nulidade nos  termos do art.59 ­ caput, do  Decreto  nº  70235/72,  observado,  ainda,  o  conteúdo  do  art.60,  do  mesmo  diploma.  VEDAÇÃO DE APRECIAÇÃO DE OFENSA À CONSTITUIÇÃO.  No âmbito do processo administrativo fiscal federal, o órgão de julgamento  não  pode  afastar  a  aplicação  ou  deixar  de  observar  tratado,  acordo  internacional,  lei  ou  decreto,  sob  fundamento  de  inconstitucionalidade,  ressalvadas  as  hipóteses  aventadas  pelo  §6º,  do  art.26­A,  do  Decreto  nº  70.235/72. DRAWBACK  SUSPENSÃO. DECADÊNCIA. O  termo  inicial  do  prazo decadencial  somente  surge  com o primeiro dia do exercício  seguinte  ao término do prazo de validade do Ato Concessório, acrescido de 30 dias,  se a exportação estiver dentro de uma das condições de fruição do Regime.  ANULAÇÃO  DE  ATO  CONCESSÓRIO.  DRAWBACK  SUSPENSÃO.  A  competência  para  deliberar  sobre  a  declaração  de  nulidade  de  ato  concessório  de  drawback  suspensão  é  do  mesmo  órgão  encarregado  de  analisar  o  pedido  para  sua  expedição:  a  Secretaria  de Comércio Exterior.  Não cabe à RFB manifestar­se em sentido contrário, pois estaria invadindo  competência atribuída a outro órgão público, mas sim, efetuar o lançamento  dos  tributos e demais acréscimos correspondentes. PRÁTICA REITERADA.  A  alegação,  em  sede  de  julgamento,  de  prática  reiteradamente  observada  pelas  autoridades  administrativas  não  pode  abranger  atos  praticados  por  outro órgão, competente para deliberar sobre Ato Concessório de Drawback  Suspensão,  pois  seria  expedida  manifestação  sobre  matéria  desprovida  de  competência legal. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Desde de 01/04/1995,  os  juros moratórios  incidentes  sobre débitos  tributários administrados pela  RFB são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema  Especial  de  Liquidação  e  Custódia  ­  SELIC  para  títulos  federais.  PRECLUSÃO  NA  PRODUÇÃO  DE  PROVAS.  Ressalvados  os  estreitos  Fl. 1374DF CARF MF Processo nº 10314.012598/2008­65  Acórdão n.º 3401­004.415  S3­C4T1  Fl. 1.375          6 limites  das  alíneas  do  §4º,  do  art.16,  do  Decreto  nº  70.235/72,  a  prova  documental deve, necessariamente, ser apresentada com a impugnação, não  sendo  possível  a  produção  posterior  de  provas  admitidas  em  Direito.  PRECLUSÃO PARA REALIZAÇÃO DE DILIGÊNCIAS OU PERÍCIAS. Se o  impugnante pretende que diligências ou perícias sejam providenciadas, essa  solicitação  deve  vir  acompanhada  dos  motivos  que  as  justifiquem,  acompanhada  dos  quesitos  relativos  aos  exames  desejados,  bem  como,  no  caso  de  perícia,  o  nome,  o  endereço  e  a  qualificação  profissional  do  seu  perito, a  teor do art.16 ­ IV, do Decreto nº 70.235/72, regulamentado pelos  arts.36 e 57 ­ IV c/c §1º, do Decreto nº 7.574/2011   Impugnação Improcedente   Crédito Tributário Mantido  Após  ciência  ao  acórdão  de  primeira  instância  (Termo  à  fl.  1312),  em  09/06/2016, apresentou o recurso voluntário de fls. 1340/1363, em 11/07/2016, em essência,  reiterando a argumentação expressa na  impugnação; aduzindo, nulidade da decisão recorrida,  em razão da ausência de exame dos argumentos de mérito trazidos na Impugnação.  É o relatório.  Voto             Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida  O recurso apresentado preenche os requisitos de admissibilidade e, portanto,  dele se toma conhecimento.  NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA  Alega  a  recorrente  que  a  decisão  recorrida  seria  nula,  em  razão  de  cerceamento do direito de defesa, por não ter apreciado, no mérito, todos argumentos expostos  na  sua  impugnação,  deixando  de  examinar  e  se  manifestar  a  respeito  de  questões,  sob  justificativa  de  ser  de  competência  de  outro  órgão  (DECEX),  vinculado  ao  Ministério  do  Desenvolvimento; e tampouco analisando a Lei nº 11.732/08, conversão da MP nº 418/08, que  teria  convalidado  o  critério  jurídico  que  fundamentou  o  ato  concessório  de  drawback  fornecimento  no mercado  interno,  a  despeito  de  ter  intimado  a SECEX para  se manifestar  a  esse respeito.  Aponta, ainda, o ADI RFB nº 12/07, que respaldaria seu entendimento sobre  ser possível a manifestação da Receita Federal a respeito do que chama de 'mérito' do regime  aduaneiro de drawback para  fornecimento do mercado  interno e das condições e  requisitos a  serem atendidos, conforme estabelecido pelo art. 3º, da Portaria MEFP nº 594/92.  Notar  que  a  alegação  diz  respeito  ao  próprio  mérito  do  ato  concessório  e  possíveis  implicações  da Lei  nº  11.732/08,  conversão  da MP nº  418/08,  no  ato  concessório,  expedido  e  anulado  pelo  competente  órgão  (DECEX),  vinculado  ao  Ministério  do  Desenvolvimento.  Fl. 1375DF CARF MF Processo nº 10314.012598/2008­65  Acórdão n.º 3401­004.415  S3­C4T1  Fl. 1.376          7 Destaca  a  recorrente  que  não  pretende  ver  declarada  a  validade  do  ato  concessório  anulado,  mas  apenas  que  seja  examinado  que  as  condições  e  requisitos  foram  atendidos,  não  existindo  nenhuma  violação  à  legislação  do  drawback.  Aduz  que,  diante  da  convalidação  dos  critérios  jurídicos  que  teriam motivado  a  anulação  do  ato  concessório  nº  20020126557,  não  existe  razão  para  aprovação  prévia  da  SECEX  (Ministério  do  Desenvolvimento),  devendo  a  alteração  legislativa  ser  aplicada  diretamente  pela  RFB  (Ministério  da  Fazenda),  já  que  a  Lei  nº  11.732/08,  conversão  da  MP  nº  418/08,  não  traz  qualquer  condição,  apontando  o  acórdão  nº  3201­001.816,  de  12/11/04,  que  respaldaria  seu  entendimento.  Quanto  a  decisão  recorrida  ser  nula  por  ter  realizado  análise  parcial  da  impugnação,  entendo  que,  ainda  que  não  tenha  abordado  todas  argüições  realizados,  teve  suficiente fundamentação e apontou de forma clara o motivo do não provimento à impugnação.  Concluiu  a  decisão  recorrida  pela  procedência  do  lançamento  de  ofício,  entendendo: "Assim, uma vez declarada, pela Secex/Decex, a nulidade de um determinado Ato  Concessório,  não  pode  a  RFB  deixar  de  efetuar  o  lançamento  dos  tributos  e  demais  acréscimos  pertinentes,  observando,  somente,  o  período  decadencial,  devendo  ser  negado  provimento a qualquer pretensão do impugnante para rediscutir nesta esfera de julgamento  (tributário/aduaneiro) o que já restou assentado em processo administrativo regular do qual,  certamente, teve oportunidade para exercer o contraditório e a ampla defesa." (fls. 1296).  Notar  que  não  houve  omissão  na  decisão  recorrida  quanto  às  questões  envolvendo o mérito do ato concessório, seja sob o prisma do exame de condições e requisitos,  seja sob a nova ótica da Lei nº 11.732/08, manifestou­se expressamente o juízo administrativo  recorrido, negando provimento a qualquer pretensão do impugnante para rediscutir nesta esfera  de  julgamento  (tributário/aduaneiro)  o  que  já  restou  assentado  em  processo  administrativo  regular  de  declaração  de  nulidade  do  Ato  Concessório  de  Drawback  nº  20020126557,  efetuado pela Decex, nos autos de nº 52500.000431/2006­32 (fls. 93/649);   Portanto, houve mesmo negativa expressa de rediscussão do que foi chamado  de 'mérito' do regime aduaneiro de drawback para fornecimento do mercado interno e questões  conexas,  não  havendo  porque  o  julgador  contrapor  os  argumentos  postos  sobre matéria  que  entendeu já existir manifestação administrativa definitiva, por autoridade competente.  O que não poderia existir é a lacuna na conclusão da lide, vale dizer, quando  o  julgador deveria  ter decidido determinada questão  e não o  fez;  e não  quanto  à  análise dos  argumentos fáticos e jurídicos das partes, para contraditá­los ou acolhê­los, ainda mais, quando  o  julgador  administrativo  já  apontou  expressamente  as  razões  que  entende  impeditivas  à  rediscussão  da  matéria,  na  esfera  de  julgamento  tributário/aduaneiro,  indicando  a  fundamentação adequada ao deslinde da controvérsia.  Além  de  tudo  isso,  como  aponta  a  recorrente,  no  âmbito  do  Processo  Administrativo Fiscal as hipóteses de nulidade são tratadas de forma específica no art. 59, do  Decreto nº 70.235/72:  Art. 59. São nulos:  I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente;   II  os  despachos  e  decisões  proferidos  por  autoridade  incompetente  ou  com  preterição do direito de defesa.   Fl. 1376DF CARF MF Processo nº 10314.012598/2008­65  Acórdão n.º 3401­004.415  S3­C4T1  Fl. 1.377          8 No caso vertente, nenhum dos pressupostos acima encontra­se presente, uma  vez que não ficou evidenciada a preterição do direito de defesa, tendo em vista que a decisão  recorrida motivou  de  forma  concreta  a  razão  do  não  provimento  à  impugnação,  não  ficando  caracterizado  qualquer  prejuízo  à  defesa  do  recorrente,  na  manifestação  do  órgão  julgador  tributário/aduaneiro,  no  sentido  de  entender  definitiva  a  palavra  do  órgão  administrativo  competente  para  concessão  do  benefício  de  drawback  suspensão,  o  qual  passa­se  a  analisar  junto com o mérito da tributação, não configurada qualquer causa preliminar de nulidade.  DECADÊNCIA  Quanto  à  controvérsia  inicialmente  estabelecida,  sobre  o  termo  inicial  de  contagem  do  prazo  decadencial,  entendo,  há  de  se  promover  o  cotejo  da  legislação  de  regência  de  cada  tributo,  sujeito  ao  lançamento  por  homologação,  com  as  regras  hermenêuticas do Código Tributário Nacional ­ CTN, dependente da existência (150, § 4º) ou  inexistência (173, I) de pagamento antecipado, consolidada pelo Superior Tribunal de Justiça  ­ STJ, no julgamento do REsp nº 973.733/SC, decidido na sistemática dos recursos repetitivos,  do  art.  543­C,  do CPC/73,  de  reprodução  obrigatória  pelos  Conselheiros  no  julgamento  dos  recursos no âmbito do CARF, nos termos do §2º, do art. 62, do RICARF/2015.  RECURSO ESPECIAL Nº 973.733 ­ SC (2007/0176994­0)   EMENTA  PROCESSUAL  CIVIL.  RECURSO  ESPECIAL  REPRESENTATIVO  DE  CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543­C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A  LANÇAMENTO  POR  HOMOLOGAÇÃO.  CONTRIBUIÇÃO  PREVIDENCIÁRIA.  INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO  DE  O  FISCO  CONSTITUIR  O  CRÉDITO  TRIBUTÁRIO.  TERMO  INICIAL.  ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS  NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE.   1.  O  prazo  decadencial  qüinqüenal  para  o  Fisco  constituir  o  crédito  tributário  (lançamento de ofício) conta­se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que  o  lançamento  poderia  ter  sido  efetuado,  nos  casos  em  que  a  lei  não  prevê  o  pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo  inocorre,  sem  a  constatação  de  dolo,  fraude  ou  simulação  do  contribuinte,  inexistindo  declaração  prévia  do  débito  (Precedentes  da  Primeira  Seção:  REsp  766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg  nos  EREsp  216.758/SP,  Rel.  Ministro  Teori  Albino  Zavascki,  julgado  em  22.03.2006, DJ 10.04.2006;  e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux,  julgado  em 13.12.2004, DJ 28.02.2005).   2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no  perecimento  do  direito  potestativo  de  o  Fisco  constituir  o  crédito  tributário  pelo  lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontra­se regulada por cinco regras  jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito  de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos  tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o  pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no  Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210).   3.  O  dies  a  quo  do  prazo  qüinqüenal  da  aludida  regra  decadencial  rege­se  pelo  disposto  no  artigo  173,  I,  do CTN,  sendo  certo  que  o  "primeiro  dia  do  exercício  seguinte  àquele  em  que  o  lançamento  poderia  ter  sido  efetuado"  corresponde,  iniludivelmente,  ao  primeiro  dia  do  exercício  seguinte  à  ocorrência  do  fato  imponível,  ainda que  se  trate de  tributos  sujeitos a  lançamento por homologação,  revelando­se inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos  Fl. 1377DF CARF MF Processo nº 10314.012598/2008­65  Acórdão n.º 3401­004.415  S3­C4T1  Fl. 1.378          9 nos  artigos  150,  §  4º,  e  173,  do  Codex  Tributário,  ante  a  configuração  de  desarrazoado  prazo  decadencial  decenal  (Alberto  Xavier,  "Do  Lançamento  no  Direito  Tributário  Brasileiro",  3ª  ed.,  Ed.  Forense,  Rio  de  Janeiro,  2005,  págs.  91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004,  págs.  396/400;  e  Eurico  Marcos  Diniz  de  Santi,  "Decadência  e  Prescrição  no  Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199).   5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuida­se de tributo sujeito a lançamento  por  homologação;  (ii)  a  obrigação  ex  lege  de  pagamento  antecipado  das  contribuições  previdenciárias  não  restou  adimplida  pelo  contribuinte,  no  que  concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro  de  1994;  e  (iii)  a  constituição  dos  créditos  tributários  respectivos  deu­se  em  26.03.2001.   6. Destarte, revelam­se caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o  decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento  de ofício substitutivo.   7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543­C, do  CPC, e da Resolução STJ 08/2008.  A decadência do direito da Fazenda Nacional constituir o crédito  tributário,  relativamente ao Imposto de Importação ­ II, foi objeto de disposição especifica do Decreto­ lei  n°  37,  de  18/11/1966,  na  redação  que  lhe  deu  o  art.  1°,  do  Decreto­lei  n°  2.472,  de  01/09/1988, tratando, no caput, da situação de não lançamento do tributo e da inexistência de  pagamento antecipado; e, em seu parágrafo único, da existência de pagamento antecipado,  relacionados  com  os  arts.  173,  inc.  I,  e  150,  §  4°,  da Lei  n°  5.172,  de  25/10/1966  (CTN),  respectivamente. Da mesma forma ocorre com o Imposto sobre Produtos Industrializados ­  IPI,  em  relação  às  disposições  expressas  no  art.  129,  do  Decreto  n°  4.544,  de  26/12/2002  (RIPI/2002), cujas bases legais são os mesmos arts. 173, inc. I, e 150, § 4°, do CTN.  Entendo  que,  como  a  hipótese  em  exame —  drawback­suspensão —  não  diz  respeito à simples diferença de tributo à exigir­se, ou seja, não havendo pagamento antecipado  algum dos impostos suspensos, originalmente lançados por homologação, resta deslocar­se os  fatos  apuráveis  ao  comando  do  caput,  do  art.  138,  do  DL  nº  37/66,  ao  contrário  do  seu  parágrafo único, dirigido às situações de ausência total de pagamento, em sintonia com o  art.  173,  inc.  I,  do  CTN  e  com  a  jurisprudência  do  STJ  (REsp  nº  973.733/SC),  de  reprodução  obrigatória  pelos Conselheiros  no  julgamento  dos  recursos  no  âmbito  do CARF,  nos termos do art. 62, §2º, do RICARF.  Art.138 ­ O direito de exigir o tributo extingue­se em 5 (cinco) anos, a contar  do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido lançado.  (Redação dada pelo Decreto­Lei nº 2.472, de 01/09/1988)  Parágrafo único. Tratando­se de exigência de diferença de tributo, contar­se­á  o prazo a partir do pagamento efetuado.   (Redação dada pelo Decreto­Lei nº 2.472, de 01/09/1988)  Portanto,  especificamente  quanto  ao  drawback­suspensão,  embora  o  fato  gerador do imposto de importação ocorra na data do registro da DI (arts. 72 e 73, do Decreto nº  4.543, de 26/12/02 ­ RA/2002, com fulcro nos art. 1º e 23, do Decreto­lei nº 37, de 18/11/66), o  termo a quo do prazo decadencial – considerando que, nessa modalidade, não há pagamento  antecipado de  tributos aduaneiros – só se  inicia no primeiro dia do exercício seguinte àquele  em  que  o  lançamento  poderia  ter  sido  efetuado,  vale  dizer,  no  primeiro  dia  do  exercício  Fl. 1378DF CARF MF Processo nº 10314.012598/2008­65  Acórdão n.º 3401­004.415  S3­C4T1  Fl. 1.379          10 seguinte, ao dia imediatamente posterior, ao trigésimo dia da data limite para exportação,  haja vista que o contribuinte beneficiário do  regime  tem  trinta dias após o  seu encerramento  para  promover  o  devido  recolhimento  dos  tributos  (suspensos)  exigidos  na  importação,  conforme COMUNICADO DECEX N° 21, de 11/07/97 (DOU de 23/07/97, pág. 15097), itens  26.2 e 26.3 — Consolidação das Normas do Regime de Drawback — CND.  CAPÍTULO VI ­ LIQUIDAÇÃO DO COMPROMISSO DE EXPORTAÇÃO   TÍTULO 26 ­ Considerações Gerais   26.1  Caso  a  beneficiária  apresente  documentação  que  comprove  a  efetiva  importação  e  exportação  nas  condições  constantes  do  Ato  Concessório  de  Drawback, modalidade  suspensão,  será  considerado  cumprido  o  compromisso  de  exportação vinculado ao Regime.  26.2 A liquidação do compromisso de exportação se dará mediante:   I  ­  exportação  efetiva  do  produto  previsto  no  Ato Concessório  de Drawback,  na  quantidade, valor e prazo nele fixados;   II ­ adoção de uma das providências previstas no item 26.3 desta CND e, no caso  do  subitem  26.1.III,  comprovação  do  recolhimento  dos  tributos  e  adicionais  exigidos na importação;   III  ­  liquidação  ou  impugnação  de  débito  eventualmente  lançado  contra  a  beneficiária.  26.3 Na modalidade de suspensão, vencido o Ato Concessório de Drawback e não  cumprido  o  compromisso  de  exportar,  em  razão  da  não  utilização  ou  utilização  parcial da mercadoria importada, a beneficiária deverá adotar, dentro do prazo de  30  (trinta) dias contados a partir da data limite para exportação, estabelecida no  Ato Concessório de Drawback, uma das providências relacionadas a seguir:  I ­ providenciar a devolução ao exterior da mercadoria não utilizada;  II  ­  requerer  a  destruição  da mercadoria  imprestável  ou  da  sobra,  sob  controle  aduaneiro, às suas expensas; ou   III  ­  destinar  a  mercadoria  remanescente  para  consumo  interno,  com  o  devido  recolhimento dos tributos e adicionais exigidos na importação, com os acréscimos  legais  previstos  na  legislação,  observadas  no  que  couber,  as  normas  gerais  de  importação.  Assim, a contagem se inicia a partir do primeiro dia do exercício seguinte, ao  dia imediatamente posterior, ao 30° (trigésimo) dia do encerramento do regime de drawback­ suspensão, prazo que o beneficiário tem para reexportar, nacionalizar, ou destruir, sob controle  aduaneiro, o produto importado eventualmente remanescente.  Observa­se  que  o  ato  concessório  nº  20020126557  foi  expedido  em  05/11/2002, com data de validade igual a 03/06/2003. Fixado tal prazo, e considerando os 30  (trinta) dias previstos, a Fazenda Nacional, já a partir de julho de 2003, poderia iniciar o exame  quanto  à  observação  dos  compromissos  assumidos  no  citado  ato  concessório,  iniciando­se  a  contagem do prazo decadencial em 1°/01/2004, tendo como data limite para a lavratura do auto  de infração o final do ano de 2008. Considerando que o lançamento ocorreu em 17/10/2008 e  foi  cientificado  pessoalmente  em  11/11/2008,  conclui­se  não  alcançando  pela  decadência,  o  direito de a Fazenda constituir o presente crédito tributário.    Fl. 1379DF CARF MF Processo nº 10314.012598/2008­65  Acórdão n.º 3401­004.415  S3­C4T1  Fl. 1.380          11 'MÉRITO'  DO  REGIME  ADUANEIRO  DE  DRAWBACK  PARA  FORNECIMENTO  DO MERCADO INTERNO  Alega­se  nesse  ponto  a  mudança  de  critério  jurídico  que  embasou  a  expedição do ato concessório de drawback nº 20020126557, sendo ilegal o novo entendimento,  aplicado pelas  autoridades vinculadas  ao MDIC  e,  por  isso,  seria  impossível um  lançamento  decorrente do novo critério  jurídico,  sob pena de violação ao art. 146, do CTN; devendo ser  utilizado no presente caso o art. 3º, da Lei nº 11.732/08, afastando­se a invalidação indevida do  seu ato concessório, que deu causa a autuação.  Afirma­se  que  o  argumento  que  motivou  a  declaração  de  nulidade  do  ato  concessório de drawback e  a conseqüente  lavratura do presente  auto de  infração, deve­se  ao  fato  de  que  a  licitação  internacional  foi  realizada  pela  empresa  ECOVIAS,  entidade  privada não sujeita a Lei nº 8.666/93, o que teria sido resultado da mudança na interpretação  dos critérios jurídicos previstos no art. 5º, da Lei nº 8.032/90. Aduz que o art. 3º, da Lei nº  11.732/08,  teria convalidado as  licitações internacionais promovidas por pessoas jurídicas  de direito privado, até a data da sua publicação, em 30/06/2008.  Lei nº 8.032/90  Art.  5o O  regime  aduaneiro  especial  de  que  trata  o  inciso  II  do  art.  78  do  Decreto­Lei  no  37,  de  18  de  novembro  de  1966,  poderá  ser  aplicado  à  importação  de  matérias­primas,  produtos  intermediários  e  componentes  destinados  à  fabricação,  no  País,  de  máquinas  e  equipamentos  a  serem  fornecidos  no mercado  interno,  em  decorrência  de  licitação  internacional,  contra  pagamento  em  moeda  conversível  proveniente  de  financiamento  concedido por instituição financeira internacional, da qual o Brasil participe,  ou por entidade governamental estrangeira ou, ainda, pelo Banco Nacional de  Desenvolvimento Econômico e Social  ­ BNDES, com recursos captados no  exterior. (Redação dada pela Lei nº 10.184, de 2001)    Lei nº 11.732/08  Art. 3o Para efeito de interpretação do art. 5o da Lei no 8.032, de 12 de abril  de  1990,  licitação  internacional  é  aquela  promovida  tanto  por  pessoas  jurídicas de direito público como por pessoas jurídicas de direito privado  do setor público e do setor privado.(Vide)  § 1o Na  licitação  internacional de que  trata o caput deste artigo, as pessoas  jurídicas de direito público e as de direito privado do setor público deverão  observar as normas e procedimentos previstos na  legislação específica,  e as  pessoas  jurídicas  de  direito  privado  do  setor  privado,  as  normas  e  procedimentos das entidades financiadoras.  § 2o(VETADO)  §  3o  Na  ausência  de  normas  e  procedimentos  específicos  das  entidades  financiadoras,  as  pessoas  jurídicas  de  direito  privado  do  setor  privado  observarão aqueles previstos na legislação brasileira, no que couber.  § 4o(VETADO)  Fl. 1380DF CARF MF Processo nº 10314.012598/2008­65  Acórdão n.º 3401­004.415  S3­C4T1  Fl. 1.381          12 §  5o  O  Poder  Executivo  regulamentará,  por  Decreto,  no  prazo  de  60  (sessenta) dias contados da entrada em vigor da Medida Provisória no 418, de  14  de  fevereiro  de  2008,  as  normas  e  procedimentos  específicos  a  serem  observados nas licitações internacionais promovidas por pessoas jurídicas  de direito privado do setor privado a partir de 1o de maio de 2008, nos  termos  do  caput  e  parágrafos  deste  artigo,  sem  prejuízo  da  validade  das  licitações internacionais promovidas por pessoas jurídicas de direito privado  até esta data.  Entende a  recorrente que  a Receita Federal  e as D. Autoridades  Julgadoras  não  podem  simplesmente  se  omitir  na  análise  e  aplicação  da Lei  nº  11.732/08,  sob  pena  de  violação ao princípio da legalidade e da Sumula CARF nº 100.  Do  enunciado  da  citada  Sumula CARF  nº  100,  e  respectivos  precedentes2,  podemos extrair algumas lições.   Súmula CARF nº 100: O Auditor­Fiscal da Receita Federal do Brasil  tem  competência  para  fiscalizar  o  cumprimento  dos  requisitos  do  regime  de  drawback  na  modalidade  suspensão,  aí  compreendidos  o  lançamento  do  crédito tributário, sua exclusão em razão do reconhecimento de beneficio, e  a verificação, a qualquer tempo, da regular observação, pela importadora,  das condições fixadas na legislação pertinente.  Observa­se  que,  em  se  tratando  de  regime  aduaneiro  especial  drawback­ suspensão,  fornecimento  no  mercado  interno,  encontra­se  na  área  de  competência  da  RFB,  fiscalizar o cumprimento dos requisitos do regime de drawback na modalidade suspensão e a  verificação,  a  qualquer  tempo,  da  regular  observação,  pela  importadora,  das  condições  fixadas na legislação pertinente.  Aliás, esse entendimento está em consonância com disposto no art. 338 do  Decreto nº 4.543, de 26/12/02 ­ RA/2002, e o estatuído no art. 2º, da Portaria MEFP nº 594,  de 25 de agosto de 1992; além do Comunicado DECEX nº 21, de 11 de novembro de 1997,  com  as  alterações  posteriores,  que  tratava  da  concessão  do  regime  drawback,  modalidade  fornecimento no mercado interno, no Título 14, do Capítulo III.  RA/2002  Art. 338. A concessão do regime, na modalidade de suspensão, é de competência da  Secretaria de Comércio Exterior, devendo ser efetivada, em cada caso, por meio do  Siscomex.    Portaria MEFP nº 594/92  Art. 2° Constitui atribuição da Secretaria Nacional de Economia ­ SNE, nos termos  do  art.  2o,  da  Lei  no  8.085,  de  23  de  outubro  de  1990,  a  concessão  do  regime,  compreendidos os procedimentos que tenham por finalidade sua formalização, bem  como o acompanhamento e a verificação do adimplemento do compromisso de  exportar.                                                              2 Acórdãos nº 9303­01.248, de 06/12/10; CSRF/03­05.557, de 13/11/07; 301­30.380, de 15/10/02; 302­37.892, de  23/08/06; 302­39.028, de 16/10/07; 3101­00.305, de 03/12/09; 3202­000.695, de 20/03/13.  Fl. 1381DF CARF MF Processo nº 10314.012598/2008­65  Acórdão n.º 3401­004.415  S3­C4T1  Fl. 1.382          13 Art.  3o  Constitui  atribuição  do  Departamento  da  Receita  Federal  ­  DpRF  a  aplicação  do  regime  e  a  fiscalização  dos  tributos,  nesta  compreendidos  o  lançamento  de  crédito  tributário,  sua  exclusão  em  razão  de  reconhecimento  do  benefício  e  a  verificação,  a  qualquer  tempo,  do  regular  cumprimento,  pela  importadora, dos requisitos e condições fixados pela legislação pertinente.  Notar que nos termos do art. 2o, da Lei n° 8.085, de 23 de outubro de 1990, a  concessão do regime, não cabe a administração aduaneira e fazendária, sendo de competência  da  Secretaria  Nacional  de  Economia  ­  SNE;  depois,  da  Secretaria  de  Comércio  Exterior  ­  SECEX/DECEX, a qual, no presente caso, concedeu o benefício e, posteriormente, o anulou.   Nos  autos,  inexiste  controvérsia  no  sentido  de  que  a  SECEX/DECEX  é  o  órgão competente para a concessão do regime drawback­suspensão, modalidade fornecimento  no mercado interno. Discute­se se seria possível outros órgãos da administração pública federal  desconsiderar a anulação do ato concessório de drawback­suspensão, regularmente promovida  pelos agentes competentes, a partir de uma reinterpretação da decisão de nulidade, com efeitos  infringentes, diante da superveniência da Lei nº 11.732/08.  Legítimo o direito de petição à invocar a atenção dos poderes públicos sobre  uma  possível  interpretação  rescisória  da  decisão  de  nulidade  do  ato  concessório,  porém,  necessariamente,  junto  à  quem  detenha  a  competência  para  prática  dos  atos  relacionados  com a concessão do benefício (SECEX), momento prévio e distinto da aplicação do regime,  da  verificação  do  cumprimento  de  requisitos  e  condições,  e  da  fiscalização  dos  tributos  suspensos, de competência de órgão (RFB) e agentes específicos.  A Administração tem o dever de explicitamente emitir decisão nos processos  administrativos  e  sobre  solicitações  ou  reclamações,  em matéria  de  sua  competência,  nos  termos do art. 48; cabendo ao órgão competente decidir eventual recurso, podendo confirmar,  modificar, anular ou revogar,  total ou parcialmente, a decisão recorrida,  se a matéria for de  sua  competência,  nos  termos  do  art.  64,  ambos,  da  Lei  nº  9.784/99  (regula  o  processo  administrativo  no  âmbito  da  Administração  Pública  Federal),  tudo  isso  feito  via  processo  administrativo  regular  de  declaração  de  nulidade  do  Ato  Concessório  de  Drawback  nº  20020126557, efetuado pela DECEX, nos autos de nº 52500.000431/2006­32 (fls. 93/649).  Nesse sentido, em face das competências distintas, o ato concessório emitido  pela SECEX/DECEX, não vincula a atividade de  lançamento da autoridade fiscal da RFB, a  quem compete, inclusive, verificar o atendimento das condições estabelecidas no referido ato.  O que não se pode confundir são os requisitos fixados para concessão do regime ou emissão  do  ato  concessório,  estabelecidos  em  atos  normativos  editados  pela  própria  DECEX  (Comunicado DECEX nº  21/97),  com os  requisitos  e  condições  fixados na  legislação  para  fruição  do  incentivo  fiscal  do  regime. Quanto  à  estes  últimos,  prerrogativa  constitucional  da  RFB  e  de  seus  auditores  fiscais  (art.  37,  XVIII),  precedência  sobre  os  demais  órgãos,  em  matéria  de  competência  para  fiscalizar  o  regular  cumprimento  da  legislação  relativa  aos  tributos  suspensos, verificando os  requisitos e condições do  regime,  fixados na  legislação de  regência, inclusive, o adimplemento das obrigações assumidas no ato de concessão. Quanto aos  requisitos  fixados  para  concessão  do  regime,  não  cabe  a  RFB  invadir  a  competência  da  SECEX/DECEX e adentrar no mérito ou alterar decisão definitiva, formalmente proferida, sob  pena de ingerência indevida nas atribuições de outro órgão administrativo.  Fl. 1382DF CARF MF Processo nº 10314.012598/2008­65  Acórdão n.º 3401­004.415  S3­C4T1  Fl. 1.383          14 Não  restam  dúvidas  que  a  atuação  dos  dois  órgãos  ocorre  em  momentos  distintos e de forma complementar, cabendo à SECEX, previamente, a concessão do regime e a  RFB, posteriormente, fiscalizar os requisitos e condições legais estabelecidos para sua fruição.  Veja que enfrentarmos as questões que pretende a recorrente, seria o mesmo  que  entender  possível  substituir  a  manifestação  da  vontade  do  órgão  competente  para  concessão do  regime de drawback­suspensão,  restabelecendo benefício  fiscal declarado nulo.  Perceba  que,  à  rigor,  não  existe,  pois,  retirado  do  mundo  jurídico,  o  ato  concessório  que  respaldaria  a  suspensão  dos  tributos  aduaneiros,  não  existindo  regime  válido  à  ser  aplicado,  implicando na  constatação do descumprimento da  condição de  existência de  ato  concessório  válido  vigente,  resultando  na  fiscalização  e  constituição  dos  tributos  suspensos,  dentro  das  respectivas atribuições de cada órgão.  Pelo exposto, voto por não conhecer do mérito do processo administrativo de  declaração de nulidade do Ato Concessório de Drawback nº 20020126557,  efetuado pela  DECEX, nos autos de nº 52500.000431/2006­32 (fls. 93/649), apenas, acatando o comando de  nulidade do ato e seus efeitos reflexos na constituição dos créditos tributários ora combatidos.  ART. 100, DO CTN, MULTA DE OFÍCIO (75%) E JUROS DE MORA (TAXA SELIC)  Quanto  aos  efeitos  reflexos  do  ato  anulado,  na  constituição  dos  créditos  tributários,  recorre  a  contribuinte  contra  os  acréscimos  lançados,  alegando  que,  no  mínimo,  deveriam ser excluídas as cobranças de multa e de juros de mora, por força do CTN: art. 100,  inciso III (práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas) e parágrafo  único (exclusão de penalidades e acréscimos legais).  Art.  100.  São  normas  complementares  das  leis,  dos  tratados  e  das  convenções  internacionais e dos decretos:  I ­ os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas;  II  ­ as decisões dos órgãos singulares ou coletivos de  jurisdição administrativa, a  que a lei atribua eficácia normativa;  III ­ as práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas;  IV ­ os convênios que entre si celebrem a União, os Estados, o Distrito Federal e os  Municípios.  Parágrafo  único.  A  observância  das  normas  referidas  neste  artigo  exclui  a  imposição de penalidades,  a  cobrança de  juros de mora e a atualização do valor  monetário da base de cálculo do tributo.  Argüi­se que,  à  época de  expedição do AC,  com  fundamento no  art.  5º,  da  Lei  nº  8.032/90,  era  prática  reiteradamente  observada  pelas  autoridades  administrativas  do  DECEX,  que  o  sentido  de  “licitação  internacional”  poderia  ser  promovida  por  qualquer  entidade  mercantil,  inclusive  sociedades  da  iniciativa  privada  concessionárias  de  serviço  público, independentemente de estarem sujeitas aos ditames da Lei nº 8.666/93, bem como era  irrelevante a previsão no Edital de Licitação da fruição do benefício fiscal em questão.  Nesse  ponto,  entendo,  andou  bem  a  decisão  recorrida  em  entender  que  tal  alegação  não  merece  prosperar  e  ser  decidida  nesse  processo  administrativo  fiscal,  pois,  estaríamos invadindo, por via indireta, a área de competência da SECEX, para avaliar se aquele  órgão federal tinha a referida prática.  Fl. 1383DF CARF MF Processo nº 10314.012598/2008­65  Acórdão n.º 3401­004.415  S3­C4T1  Fl. 1.384          15 Assim, desde 09/08/2007, após decisão definitiva da lavra do então Ministro  de Estado,  Interino, do Desenvolvimento,  Indústria e Comércio Exterior  (fl. 643),  tendo sido  mantida a nulidade do Ato Concessório, passando a não existir óbice à  lavratura do presente  auto de  infração  (art. 142, CTN), atividade vinculada e obrigatória,  com vistas a viabilizar a  exigência  do  crédito  tributário,  não  pago  nem  recolhido,  acrescido  da multa  de  ofício  e  dos  juros de mora,  nos  termos do  art.  44,  inc.  I,  e  art.  61,  §3°,  da Lei nº 9.430/96, não  restando  configurada nenhuma das causas de suspensão da exigibilidade do crédito tributário, elencadas  nos incisos, do art. 151, do CTN, na data do lançamento de ofício, cientificado em 11/11/2008,  aplicando­se ao caso, quanto aos juros à taxa Selic, as Súmulas CARF nº 4 e 5 3.    Por tudo exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário.     Fenelon Moscoso de Almeida ­ Relator                                                                3  Súmula CARF  nº  4: A  partir  de  1º  de  abril  de  1995, os  juros moratórios  incidentes  sobre  débitos  tributários  administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do  Sistema Especial de Liquidação e Custódia ­ SELIC para títulos federais;  Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento,  ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral.                            Fl. 1384DF CARF MF

score : 1.0
7151240 #
Numero do processo: 10880.689988/2009-84
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jan 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Mar 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2007 NULIDADE. DECISÃO COM TERMOS IGUAIS AOS DE OUTRAS PROFERIDAS EM PROCESSOS ADMINISTRATIVOS DO MESMO CONTRIBUINTE. CERCEAMENTO DE DEFESA. AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO. INOCORRÊNCIA. A simples verificação da existência de decisões de mesmo teor e termos em processos administrativos distintos, mas de um mesmo contribuinte, não configura, objetivamente, cerceamento de defesa. A verificação de nulidade das decisões administrativas pela constatação de ocorrência de cerceamento de defesa depende, primeiramente, da demonstração clara, concreta e específica de como o decisório causou prejuízo às prerrogativas postulatórias da parte e seu direito. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2007 CRÉDITO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. DÉBITO DECLARADO EM DCTF. AUSÊNCIA DE RETIFICADORA. NECESSIDADE DE PROVA HÁBIL. O reconhecimento de direito creditório oriundo pagamento utilizado para a quitação de débito declarado e constituído pelo próprio o contribuinte demanda a comprovação, mediante documentação adequada, hábil e pertinente, da ocorrência de recolhimento a maior ou indevido.
Numero da decisão: 1402-002.867
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Julio Lima Souza Martins, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lizandro Rodrigues de Sousa, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: LEONARDO DE ANDRADE COUTO

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201801

camara_s : Quarta Câmara

ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2007 NULIDADE. DECISÃO COM TERMOS IGUAIS AOS DE OUTRAS PROFERIDAS EM PROCESSOS ADMINISTRATIVOS DO MESMO CONTRIBUINTE. CERCEAMENTO DE DEFESA. AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO. INOCORRÊNCIA. A simples verificação da existência de decisões de mesmo teor e termos em processos administrativos distintos, mas de um mesmo contribuinte, não configura, objetivamente, cerceamento de defesa. A verificação de nulidade das decisões administrativas pela constatação de ocorrência de cerceamento de defesa depende, primeiramente, da demonstração clara, concreta e específica de como o decisório causou prejuízo às prerrogativas postulatórias da parte e seu direito. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2007 CRÉDITO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. DÉBITO DECLARADO EM DCTF. AUSÊNCIA DE RETIFICADORA. NECESSIDADE DE PROVA HÁBIL. O reconhecimento de direito creditório oriundo pagamento utilizado para a quitação de débito declarado e constituído pelo próprio o contribuinte demanda a comprovação, mediante documentação adequada, hábil e pertinente, da ocorrência de recolhimento a maior ou indevido.

turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção

dt_publicacao_tdt : Wed Mar 07 00:00:00 UTC 2018

numero_processo_s : 10880.689988/2009-84

anomes_publicacao_s : 201803

conteudo_id_s : 5838393

dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Mar 07 00:00:00 UTC 2018

numero_decisao_s : 1402-002.867

nome_arquivo_s : Decisao_10880689988200984.PDF

ano_publicacao_s : 2018

nome_relator_s : LEONARDO DE ANDRADE COUTO

nome_arquivo_pdf_s : 10880689988200984_5838393.pdf

secao_s : Primeira Seção de Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Julio Lima Souza Martins, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lizandro Rodrigues de Sousa, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto.

dt_sessao_tdt : Fri Jan 26 00:00:00 UTC 2018

id : 7151240

ano_sessao_s : 2018

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:13:17 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713050008676204544

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1758; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­C4T2  Fl. 2          1 1  S1­C4T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10880.689988/2009­84  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  1402­002.867  –  4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  26 de janeiro de 2018  Matéria  DCOMP  Recorrente  CALVO COMÉRCIO E IMPORTAÇÃO LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Ano­calendário: 2007  NULIDADE.  DECISÃO  COM  TERMOS  IGUAIS  AOS  DE  OUTRAS  PROFERIDAS  EM  PROCESSOS  ADMINISTRATIVOS  DO  MESMO  CONTRIBUINTE.  CERCEAMENTO  DE  DEFESA.  AUSÊNCIA  DE  DEMONSTRAÇÃO. INOCORRÊNCIA.  A simples verificação da existência de decisões de mesmo teor e termos em  processos  administrativos  distintos,  mas  de  um  mesmo  contribuinte,  não  configura, objetivamente, cerceamento de defesa.   A  verificação  de  nulidade  das  decisões  administrativas  pela  constatação  de  ocorrência  de  cerceamento  de  defesa  depende,  primeiramente,  da  demonstração  clara,  concreta  e  específica  de  como  o  decisório  causou  prejuízo às prerrogativas postulatórias da parte e seu direito.   ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA ­ IRPJ  Ano­calendário: 2007  CRÉDITO.  PAGAMENTO  A  MAIOR  OU  INDEVIDO.  DÉBITO  DECLARADO  EM  DCTF.  AUSÊNCIA  DE  RETIFICADORA.  NECESSIDADE DE PROVA HÁBIL.  O  reconhecimento  de  direito  creditório  oriundo  pagamento  utilizado  para  a  quitação  de  débito  declarado  e  constituído  pelo  próprio  o  contribuinte  demanda  a  comprovação,  mediante  documentação  adequada,  hábil  e  pertinente, da ocorrência de recolhimento a maior ou indevido.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  negar  provimento ao recurso.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 68 99 88 /2 00 9- 84 Fl. 2438DF CARF MF Processo nº 10880.689988/2009­84  Acórdão n.º 1402­002.867  S1­C4T2  Fl. 3          2   (assinado digitalmente)  Leonardo de Andrade Couto ­ Presidente e Relator    Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Paulo  Mateus  Ciccone,  Caio  Cesar  Nader  Quintella,  Julio  Lima  Souza  Martins,  Leonardo  Luis  Pagano  Gonçalves,  Lizandro  Rodrigues  de  Sousa,  Lucas  Bevilacqua  Cabianca  Vieira,  Demetrius  Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto.    Relatório  Trata­se de Recurso Voluntário  interposto  contra v. Acórdão proferido pela  Delegacia  da  Receita  Federal  do  Brasil  de  Julgamento  a  quo,  que  negou  provimento  à  Manifestação  de  Inconformidade  apresentada  pela  Contribuinte,  mantendo  o  r.  Despacho  Decisório  que  expressamente  deixou  de  homologar  suposto  crédito  de  IRPJ,  declarado  em  DCOMP, por não ter sido constatada qualquer monta de recolhimento a maior ou indevido.  Em sua Manifestação de Inconformidade, em suma, alegou a ora Recorrente  que apurou novos valores para seus débitos de PIS e de COFINS do período, verificando que  havia  recolhido  tais  tributos  indevidamente  ou  a maior  sobre  receitas  derivadas  da venda  de  alguns produtos sujeitos à alíquota zero e por não ter excluído o ICMS sobre vendas das bases  de  cálculo dessas  contribuições. Também afirma que  teve  reconhecido em Ação Declaratória  cumulada com Repetição de Indébito n° 94.0011679­9, créditos de FINSOCIAL compensados  com débitos da mesma espécie.   Tal  suposto  recolhimento  indevido  ou  a  maior  teria  gerado  uma  base  de  cálculo de IRPJ e CSLL (lucro) maior e incorreta, devido ao estornos dos créditos de PIS e de  COFINS sobre receitas sujeitas a alíquota zero, gerando um aumento do custo. Assim, procedeu  o  Contribuinte  a  dezenas  de  compensações  de  PIS,  COFINS,  IRPJ  e  CSLL,  incluindo  a  presente.  Também relata que fora indevidamente autuada (Processo Administrativo n°  19515.000772/2007­54),  sendo  na  ocasião  alertada  pelo  próprio  Agente  Fiscal  que  estava  recolhendo tributos sobre uma base de cálculo majorada, especificamente em relação àquelas  contribuições.  Alega que procedeu à retificação das DACONs correspondentes, mas não foi  possível retificar a DCTF pois estava sob fiscalização naquela época.  Afirma  que  o  processo  deve  ser  baixado  em  diligência  para  que  seja  confirmada  a  regularidade  das  compensações  efetuadas  e,  ao  final,  requer  a  homologação  integral da compensação em tela.  Ao  seu  turno,  a  DRJ  a  quo  proferiu  o  v.  Acórdão,  ora  recorrido,  negando  provimento integral à defesa, por não ter a Contribuinte logrado êxito na comprovação da sua  pretensão creditória.  Diante de tal revés, a Contribuinte interpôs o Recurso Voluntário, agora sob  análise, alegando, preliminarmente, a nulidade do v. Acórdão recorrido e de outros, pelo fato  destas decisões possuírem  termos  idênticos em suas  razões. No mérito,  em suma,  limita­se a  repetir as razões da Manifestação de Inconformidade.  Fl. 2439DF CARF MF Processo nº 10880.689988/2009­84  Acórdão n.º 1402­002.867  S1­C4T2  Fl. 4          3 Ainda,  acostou  complementos  ao Recurso Voluntário,  referentes  a  estudo e  Laudo emitido por Auditores  Independentes, acostando­os aos autos, bem como noticiando o  julgamento do E. Supremo Tribunal Federal referente à exclusão do ICMS da base de cálculo  do PIS e da COFINS.  Na sequência, os  autos  foram encaminhados para este Conselheiro  relatar e  votar.  É o relatório.    Voto             Conselheiro Leonardo de Andrade Couto ­ Relator  Nos  presentes  autos  o  contribuinte  solicita  a  restituição  do  pretenso  pagamento indevido de IRPJ.  O  julgamento  deste  processo  segue  a  sistemática  dos  recursos  repetitivos,  regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de  junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica­se o decidido no Acórdão nº 1402­002.855,  de 26.01.2018, proferido no julgamento do Processo nº 10880.689993/2009­97.  Transcreve­se,  como  solução  deste  litígio,  nos  termos  regimentais,  o  entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1402­002.855):  O Recurso Voluntário é manifestamente tempestivo e sua matéria  se  enquadra  na  competência  desse  N.  Colegiado.  Os  demais  pressupostos de admissibilidade igualmente foram atendidos.  Preliminarmente,  alega  a  Recorrente  ser  nulo  o  v.  Acórdão  recorrido (bem outros decisórios de mesma instância, proferidos  em feitos atinentes a outras de suas DCOMPs noticiadas nestes  autos)  pelo  fato  destes  repetirem  ipsis  litteris  seus  termos,  denotando teor idêntico.  O ocorrido implicaria em cerceamento de defesa.  Primeiramente,  temos  que  atualmente,  no  processamento  e  julgamento  de  causas,  administrativas  e  judiciais,  a  adoção de  decisões  repetitivas,  ou  mesmo  de  minutas  padrão,  é  a  inquestionável  realidade,  erigida  sobre  os  corolários  da  praticidade,  da  racionalidade,  da  economia  processual  e  da  duração razoável do processo.  Per si, o  fato de decisões possuírem semelhante ­ ou até  igual  ­  teor não é capaz de representar, objetivamente, cerceamento de  defesa do contribuinte (ou mesmo da Fazenda Nacional).  Para  tanto  seria  necessária  a  demonstração,  concreta  e  específica, pela parte, da ocorrência de prejuízo ao seu direito,  explicando  e  apontando  como  tal  repetição  feriu  a  defesa  empreendida na demanda.  Fl. 2440DF CARF MF Processo nº 10880.689988/2009­84  Acórdão n.º 1402­002.867  S1­C4T2  Fl. 5          4 Posto  isso,  ausente  tal  demonstração,  deve  ser  rejeitada  a  preliminar alegada pela Recorrente.  Ainda, deve anteceder a devida apreciação do mérito a decisão  sobre  o  conhecimento  da  nova  documentação  acostada  pela  Recorrente,  inclusive  após  seu Recurso Voluntário,  tratando­se  de Laudos emitidos por Auditores Independentes.  Este  Conselheiro  entende  que  o  §  4º  do  art.  16  do Decreto  nº  70.235/72 deve ser interpretado à luz do princípio da busca pela  verdade material, vez que na esfera administrativa de jurisdição  não  pode  prevalecer  o  prestígio  da  instrumentalidade  do  processo em detrimento do materialidade dos direitos alegados  no curso do processo.  Também deve ser feita uma interpretação sistemática do referido  Decreto, que não só veicula exceções ao determinado no § 4º de  seu  art.  16,  assim  como  autoriza  o  Julgador  a  solicitar  diligências  quando  mostram­se  necessários  outros  elementos  e  providências para a formação da sua livre convicção.  Assim,  apresenta­se  viável  o  conhecimento  de  documentação  após  a  apresentação  da  Impugnação  ou  da  Manifestação  de  Inconformidade.  Porém, cabe ao Julgador, nesse caso, uma verificação prévia de  pertinência,  necessidade  e  colaboração  dos  elementos  novos  acostados com o desfecho técnico da demanda.  Tais  Laudos  acostados  neste  feito  resumem­se  a  planilhas  elaboradas pelos Auditores Independentes, com breves e poucos  comentários,  sem  conter  qualquer  documentação  contábil  ou  fiscal,  bem  como,  expressamente,  versam  sobre  cálculos  referente a apuração de PIS e COFINS. Nada se menciona sobre  o IRPJ e eventuais reflexos.  Primeiramente, tabelas elaboradas pelo próprio contribuinte, ou  mesmo por terceiros,  têm valor probante extremamente relativo  (ou  nenhum,  diga­se)  se  desacompanhados  da  documentação  contábil e fiscal em que foram baseados.  Não  obstante  e  principalmente,  o  processo  administrativo  em  tela  tem como origem suposto crédito de IRPJ, o qual não fora  homologado  por  ausência  de  verificação  e  comprovação  da  existência  de  recolhimento  a maior  ou  indevido  em  relação  ao  documento de arrecadação apontado.  Dessa  forma,  o  novo  cálculo  de  apuração  de  PIS  e  COFINS  devidos  no  período,  seja  por  exclusão  de  operações  sujeitas  à  alíquota zero ou pela exclusão do ICMS da sua base de cálculo,  não  possui  qualquer  relevância  ou  conexão  direta  para  a  demonstração  de  que  o  recolhimento  de  IRPJ,  que  especificamente  teria  dado  origem  ao  crédito  pretendido,  foi  efetuado a maior ou indevidamente.   Posto  isso,  não  se  conhece  da  documentação  acostada  após  a  interposição do Recurso Voluntário.  No que tange ao mérito, assim como procedido pela DRJ a quo,  todas  as  matérias  alheias  a  esta  demanda,  referentes  as  informações  e  alegações  trazidas  pela  Recorrente  acerca  de  Fl. 2441DF CARF MF Processo nº 10880.689988/2009­84  Acórdão n.º 1402­002.867  S1­C4T2  Fl. 6          5 supostos  créditos  de  FINSOCIAL,  de  PIS  e  de  COFINS,  Autuações  e  Ações  Judiciais  relacionadas  a  tais  tributos,  que  não  são  objeto  do  DCOMP  apreciado,  serão  devidamente  desconsideradas  e  não  conhecidas,  inclusive  colaborando  para  uma decisão mais hígida e clara.  O que fora alegado pela Contribuinte que realmente se relaciona  com seu pleito compensatório é que, ao constatar que considerou  indevidamente  créditos  de  PIS  e  COFINS  sobre  produtos  tributadas  sob  alíquota  zero,  efetuou  o  estorno  desses  créditos  em sua contabilidade, o que teria resultado na redução do lucro  e, consequentemente, ao pagamento de IRPJ e CSLL a maior no  mesmo  período,  dando  margem,  então,  ao  seu  pretendido  crédito.  É certo que tal alegação é plausível.  Todavia,  o  Recorrente  não  procedeu  a  qualquer  demonstração  de  como,  efetivamente,  teria  se  operado  tal  redução  em  sua  apuração do IRPJ e ­ muito menos ­ produzido qualquer prova  sobre tal ocorrência contábil, com reflexos tributários.  Em  suas  razões  consta  apenas  tal  afirmação,  abstrata  e  genérica, de redução das bases tributáveis do IRPJ pelo estorno  de crédito de PIS e COFINS.  Ora,  a  simples  afirmação  textual  em  peças  de  defesas  da  ocorrência de um fato que levou à redução da apuração de um  determinado  tributo,  claramente,  não  basta  para  configurar  e  provar um recolhimento a maior ou indevido, sobretudo quando  confirmada  pela  Unidade  de  Fiscalização  a  precisão  quantitativa do débito que o recolhimento em questão extinguiu.  Nos  processos  administrativos  referente  a  restituição  e  compensação  é  ônus  do  contribuinte  a  prova  de  seu  crédito,  devendo  trazer  aos  autos  demonstrações  precisas  e  conjunto  fático­probatório que ateste cabalmente sua existência, certeza e  liquidez,  desconstruindo,  assim,  os  fundamentos  de  sua  não  homologação.  Em  acréscimo,  frise­se  que  a  própria  Contribuinte  afirma  que  não  teria procedido à  retificação da DCTF em que o débito de  IRPJ,  saldado  com  o DARF  que  teria  dado  origem  ao  crédito  agora perquirido (vez que supostamente alterada a monta de tal  débito,  revelando  pagamento  a  maior/indevido).  Em  momento  algum foi acostada sua versão retificadora.  Por  sua  vez,  a  entrega  de  DCTF  constitui  confissão  de  débito  tributário. E, como já mencionado, o pagamento supostamente a  maior/indevido  que  gerou  o  crédito  ora  pleiteado  foi  precisamente  alocado  para  saldar  tal  obrigação  constituída,  perfeitamente no seu valor.  Assim,  juridicamente  e  para  todos  os  fins  fiscais,  não  foi  apresentado  nenhum  elemento  (DCTF  retificadora  ou  provas  contábeis) que possa desconstituir ou alterar tal débito, devido e  exigível monta pela qual declarado na DCTF do período.  Desse  modo,  não  foi  devidamente  comprovada  a  existência  crédito de IRPJ alegado na DCOMP em tela.  Fl. 2442DF CARF MF Processo nº 10880.689988/2009­84  Acórdão n.º 1402­002.867  S1­C4T2  Fl. 7          6 E diga­se que, ainda que a exclusão do ICMS da base de cálculo  do PIS e da COFINS possa, em alguns casos, ter reflexos diretos  na  apuração  do  IRPJ,  não  foi  devidamente  alegado,  demonstrado  ou  mesmo  provado  pela  Contribuinte  como  tal  redução  teria,  também,  culminado  no  recolhimento  a  maior/indevido  que  originou  crédito  especificamente  pleiteado  na DCOMP objeto do presente feito.  Por fim, frise­se que não há qualquer necessidade da realização  de diligência, vez que presentes e demonstrados todos elementos  necessários  ao  convencimento  motivado  e  à  devida  fundamentação do presente voto, observado o disposto no art. 18  do Decreto nº 70.235/72.  Diante de todo o exposto, voto por negar provimento ao Recurso  Voluntário,  mantendo  o  v.  Acórdão  recorrido,  para  não  reconhecer o crédito pretendido.  Aplicando­se  a  decisão  do  paradigma  ao  presente  processo,  em  razão  da  sistemática  prevista  nos  §§  1º  e  2º  do  art.  47  do  RICARF,  nego  provimento  ao  recurso  voluntário.    (assinado digitalmente)  Leonardo de Andrade Couto                             Fl. 2443DF CARF MF

score : 1.0
7121400 #
Numero do processo: 19515.001868/2009-00
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Feb 16 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3402-001.241
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por converter o processo em diligência, nos termos do voto da Relatora. (Assinado com certificado digital) Waldir Navarro Bezerra - Presidente substituto. (Assinado com certificado digital) Maysa de Sá Pittondo Deligne - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Marcos Roberto da Silva (Suplente), Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201801

camara_s : Quarta Câmara

turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção

dt_publicacao_tdt : Fri Feb 16 00:00:00 UTC 2018

numero_processo_s : 19515.001868/2009-00

anomes_publicacao_s : 201802

conteudo_id_s : 5830264

dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Feb 16 00:00:00 UTC 2018

numero_decisao_s : 3402-001.241

nome_arquivo_s : Decisao_19515001868200900.PDF

ano_publicacao_s : 2018

nome_relator_s : MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE

nome_arquivo_pdf_s : 19515001868200900_5830264.pdf

secao_s : Terceira Seção De Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por converter o processo em diligência, nos termos do voto da Relatora. (Assinado com certificado digital) Waldir Navarro Bezerra - Presidente substituto. (Assinado com certificado digital) Maysa de Sá Pittondo Deligne - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Marcos Roberto da Silva (Suplente), Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.

dt_sessao_tdt : Tue Jan 30 00:00:00 UTC 2018

id : 7121400

ano_sessao_s : 2018

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:12:31 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713050008679350272

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1371; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C4T2  Fl. 1.229          1 1.228  S3­C4T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  19515.001868/2009­00  Recurso nº            Voluntário  Resolução nº  3402­001.241  –  4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária  Data  30 de janeiro de 2018  Assunto  DILIGÊNCIA. AUSÊNCIA DOCUMENTOS.  Recorrente  ASSA ABLOY BRASIL SISTEMAS DE SEGURANÇA LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por converter o  processo em diligência, nos termos do voto da Relatora.    (Assinado com certificado digital)  Waldir Navarro Bezerra ­ Presidente substituto.    (Assinado com certificado digital)  Maysa de Sá Pittondo Deligne ­ Relatora.    Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra,  Maria  Aparecida  Martins  de  Paula,  Diego  Diniz  Ribeiro,  Pedro  Sousa  Bispo,  Thais  De  Laurentiis Galkowicz, Marcos Roberto da Silva  (Suplente), Maysa de Sá Pittondo Deligne e  Carlos Augusto Daniel Neto.  Relatório  Trata­se de Auto de Infração lavrado para a cobrança de diferenças de COFINS  que não teriam sido recolhidas no período de 10/2003 a 12/2007. O Auto de Infração relaciona  apenas  os  valores  de  COFINS  devidos,  sendo  suas  bases  de  cálculo  identificadas  em     RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 95 15 .0 01 86 8/ 20 09 -0 0 Fl. 1229DF CARF MF Processo nº 19515.001868/2009­00  Resolução nº  3402­001.241  S3­C4T2  Fl. 1.230          2 documento  denominado  “Cotejo  de  Informações”  (e­fls.  50/79)  com  a  diferença  entre  os  valores apurados da contabilidade da empresa e aqueles declarados.  Inconformada,  a  empresa  apresentou  Impugnação  Administrativa,  julgada  parcialmente procedente pelo acórdão n.º 16­22.777 da 6ª Turma da DRJ/SP1 para excluir os  valores  decaídos  das  competências  10/2003  e  01/2004  a  03/2004.  A  decisão  de  primeira  instância manteve, portanto, a exigência relativa ao período de 04/2004 a 12/2007, tendo sido  assim ementada:    "ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE  o  SOCIAL  ­  COFINS  Período  de  apuração:  01/10/2003  a  31/10/2003,  01/01/2004  a  31/12/2007 FALTA DE DECLARAÇÃO E PAGAMENTO. Procede  o  lançamento  das  diferenças  não  declaradas  nem  pagas  pelo  sujeito  passivo,  apuradas  por  meio  do  confronto  entre  os  valores  declarados  e/ou  pagos  e  os  escriturados,  visto  estar  em  perfeita conformidade com a legislação de regência.  DECADÊNCIA.  RECONHECIMENTO  DE  OFÍCIO.  Tendo  em  vista  tratar­se  de  matéria  de  ordem  pública,  cabe  à  autoridade  julgadora  reconhecer  de  ofício  a  decadência do direito de constituir o crédito tributário, sempre que fique comprovada  nos autos.  DECADÊNCIA.   No, que respeita às contribuições sociais, o prazo decadência para constituir o crédito  tributário  é  de  5  anos,  consoante  a  Súmula  Vinculante  n°  8,  que  declarou  inconstitucional  o  art.  45  da  lei  n°  8.212191.  Segundo  o  Parecer  PGFN/CAT  N°  1617/2008, havendo pagamento antecipado da contribuição — ainda que parcial — o  termo  a  quo  será  a  data  de  ocorrência  do  fato  gerador,  nos  termos  do  art.  150,  parágrafo  4°,  do  CTN.  Por  outro  lado,  não  havendo  pagamento  ou  verificada  a  ocorrência  de  dolo,  fraude  ou  simulação,  o  início  do  prazo  decadencial  se  dará  no  primeiro  dia  do  exercício  seguinte  àquele  em  que  o  lançamento  poderia  ter  sido  realizado, conforme dispõe o art. 173, I, do referido código.  SÚMULAS VINCULANTES. OBSERVÂNCIA  PELA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA.  A  Administração  Pública  está  sujeita  à  estrita  observância  das  súmulas  vinculantes  editadas pelo STF, devendo dar­lhes imediato cumprimento a partir de sua publicação,  como  dispõem  o  art.  103­A  da Constituição Federal  de  1988,  incluído  pela Emenda  Constitucional n° 45, de 2004, e o art. 2 0 da Lei n° 11.417/2006.  CAPACIDADE CONTRIBUTIVA. IRRELEVÂNCIA DA SITUAÇÃO FINANCEIRA DO  SUJEITO PASSIVO.  O instituto da capacidade contributiva, atribuída pelo legislador a quem tenha relação  pessoal  e  direta  com  a  hipótese  de  incidência,  não  se  confunde  com  a  capacidade  financeira  da  empresa.  A  alegação  de  que  passa  por  dificuldades  financeiras  não  a  isenta do lançamento de ofício nem tampouco do colhimento dos tributos devidos.  ASSUNTO:  PROCESSO  ADMINISTRATIVO  FISCAL  Período  de  apuração:  01/10/2003  a  31/10/2003,  01/01/2004  a  31/12/2007  LANÇAMENTO.  PRELIMINAR  DE NULIDADE DESCABIMENTO Somente se reputa nulo o  lançamento na hipótese  prevista no art. 59, I, do Decreto no 70.235172.  AÇÃO FISCAL. NATUREZA INQUISITÓRIA.  Os  princípios  do  contraditório  e  da  ampla  defesa  aplicam­se  apenas  ao  processo  administrativo  tributário,  tendo  em  vista  que  o  procedimento  de  fiscalização  tem  natureza inquisitória, nos moldes do inquérito policial.  PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.   Não tem cabimento a alegação de cerceamento do direito de defesa quando se verifica  que a contribuinte não atendeu à intimação para justificar as diferenças apuradas pela  autoridade autuante nem se dignou esclarecê­Ias na impugnação apresentada.  DELEGACIAS DE JULGAMENTO. COMPETÊNCIA.  Fl. 1230DF CARF MF Processo nº 19515.001868/2009­00  Resolução nº  3402­001.241  S3­C4T2  Fl. 1.231          3 As  delegacias  de  julgamento  cabe  julgar  apenas  a  impugnação  ao  auto  de  infração  apresentada  pelo  sujeito  passivo,  não  lhes  competindo  pronunciar­se  a  respeito  de  supostos  créditos  aos  quais  a  suplicante  teria  direito,  cuja  liquidação  deve  dar­se  mediante procedimento administrativo próprio.  APRESENTAÇÃO DE PROVA DOCUMENTAL APÓS A IMPUGNAÇÃO.  A  apresentação  de  novos  documentos  após  a  protocolização  da  impugnação  está  sujeita  às  restrições  previstas  nos  parágrafos  4º  e  50  do  artigo  16  do  Decreto  no  70.235/72, acrescidos pela Lei no 9.532/97.  PEDIDO DE PERíCIA CONTÁBIL. INDEFERIMENTO.  Os  pedidos  de  perícia,  quando  prescindíveis  ou  em  desacordo  com  os  requisitos  previstos  no  art.  16,  IV,  do Decreto  no  70.235/72  (PAF),  deverão  ser  sumariamente  indeferidos.  PEDIDO DE SUSTENTAÇÃO ORAL E OITIVA DE TESTEMUNHAS.  INDEFERIMENTO.  É  inadmissível  na  esfera  administrativa  ­  por  absoluta  falta  de  previsão  legal  ­  a  produção  de  sustentação  oral  na  fase  de  julgamento  de  primeira  instância, bem como a oitiva de testemunhas.  Impugnação Improcedente   Crédito Tributário Mantido em Parte" (e­fls. 988/989)    Intimada  desta  decisão  em  01/03/2010  (e­fl.  1.037),  a  empresa  apresentou  Recurso Voluntário em 22/03/2010 (e­fls. 1.038/1.050) alegando, em síntese:  (i) preliminarmente, sustenta a nulidade do procedimento de fiscalização por não  ter  sido  oportunizado  o  contraditório  e  a  ampla  defesa  e  por  não  terem  sido  produzidas provas requeridas pelo sujeito passivo no processo; e  (ii) que todos os valores autuados foram pagos antes da lavratura da ação fiscal.  Exatamente para confirmar as alegações de pagamento trazidas pela Recorrente,  o processo foi convertido em diligência por meio da Resolução n.º 3402­000.368 (e­fls. 01/05),  nos seguintes termos:    "Consequentemente, no intuito de melhor instruir os autos para formação de convicção  final sobre o assunto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência para que  a Autoridade Preparadora tome as seguintes providências:  1  –  Intime  o  sujeito  passivo  a  apresentar  cópia  autenticada  do  DARF  relativo  ao  recolhimento da contribuição referente ao período de apuração de abril de 2004, pois  que  o  documento  que  se  encontra  digitalizado  nos  autos,  não  está  completamente  legível;  2  –  Verifique  se,  ao  ser  elaborado  o  “Cotejo  de  Informações”  e  também  o  próprio  Lançamento, foram considerados os registros contábeis do contribuinte, especialmente  se o valor contabilizado pela empresa com sendo COFINS A PAGAR, foram resultado  do somatório dos lançamentos contidos na coluna “CRÉDITO”, considerando ou não  os  registros  referentes  a  coluna  “DÉBITOS”,  ou  ainda,  se  foram  considerados  os  valores  referentes  ao  “SALDO  C/D”.  Verifique,  ainda,  se  nessa  conta  corrente  há  impacto do saldo inicial da conta no final e início de cada período de apuração, e os  reflexos desta conclusão nos registros contábeis;  3 – Verifique se, analisando os Livros Razão e Diário (se o caso) do sujeito passivo, os  valores registrados nas “Listagens do Razão”, dos meses de Abril de 2004 até o último  período  de  apuração  objeto  do  lançamento,  em  ambas  as  colunas  (“Crédito”  e  “Débito”), tem existência contábil e fiscal, respaldados pelos documentos societários e  fiscais  do  contribuinte,  atestando,  ainda,  se  os  valores  lançados  nas  Colunas  de  Fl. 1231DF CARF MF Processo nº 19515.001868/2009­00  Resolução nº  3402­001.241  S3­C4T2  Fl. 1.232          4 “Débito”  (que  diminuem o  valor  da  conta COFINS A Pagar),  concedem  o  direito  a  crédito da COFINS durante a vigência da não cumulatividade;  4  –  Verifique  se,  ao  ser  efetuado  um  recolhimento  (ou  compensação  devidamente  comprovada),  se o mesmo  é  refletido  na  referida  conta  contábil,  afetando ou não  os  saldos inicial e final de cada período de apuração;  5 – Verifique se, analisando os Livros Razão e Diário (se o caso) do sujeito passivo,  bem como a partir do resultado da análise das Listagens do Razão e das respostas as  questões  acima,  os  valores  objeto  das  apurações  de  COFINS  de  todos  os  períodos  lançados  no  Auto  de  Infração,  foram  corretamente  refletidos  na  DACON  e/ou  na  DCTF, e se foram ou não objeto de recolhimento nos respectivos DARF’s;  6  A  partir  das  verificações  acima  e  dos  documentos  acostados  aos  autos  e  outros  obtidos junto ao contribuinte, se necessário, identificar se houve falta ou insuficiência  de pagamento, ou ainda, se houve pagamento a maior de COFINS, reportando referida  análise  em  todos  os  Períodos  de Apuração  objeto  do Auto  de  Infração,  que  estejam  respaldados em documentos  societários e contábeis que demonstrem a ocorrência do  fato gerador da contribuição;  7  –  Ao  final,  manifeste­se,  em  relatório  circunstanciado  e  conclusivo,  sobre  os  documentos  e  esclarecimentos  a  serem  apresentados  e  sobre  as  análises  a  serem  procedidas, concedendo, em seguida, vista a Recorrente, com prazo de 30 (trinta) dias  para se pronunciar, querendo, sobre o resultado da diligência, sendo que, após vencido  o  prazo,  os  autos  deverão  retornar  a  esta  Câmara  para  inclusão  em  pauta  de  julgamento." (e­fls. 3/4)    Uma  vez  que  os  autos  retornaram  ao  CARF  sem  terem  sido  acostados  os  documentos da diligência, o processo foi novamente convertido em diligência pela Resolução  n.º 3402­000.798 para que se desse cumprimento à determinação da resolução anterior  (e­fls.  1.201/1.202).  Naquela  oportunidade,  a  Recorrente  apresentou  petição  informando  que  a  diligência  já  havia  sido  cumprida,  tendo  anexado  seu  termo  de  encerramento  (e­fls.  1.211/1.216).  Contudo, como mencionado no despacho fiscal da e­fl. 1.219, observa­se que a  Recorrente apresentou apenas o termo de encerramento, não tendo sido anexados aos autos os  documentos que instruíram a diligência realizada:    "À  AFRFB  Regina  Segadas  da  Cruz,  para  anexação  de  todos  os  documentos  produzidos no âmbito do TDPF (antigo MPF) 0819000­2012­04468­6. É provável que  o CARF tenha emitido a Resolução 3402­000.798 (4ª Câmara/2ª Turma Ordinária), de  22/06/2016,  pois  não  encontrou  neste  PAF  os  documentos  produzidos  no  âmbito  daquele  TDPF  (MPF),  em  cumprimento  à  Resolução  3402­000.368  (4ª  Câmara/2ªTurma), de 15/02/2012. Pode­se ver que, neste PAF, após o documento (...)  cuja  última  peça  é  a  juntada  do  Recurso  Voluntário  do  Contribuinte,  já  está  o  ¿Despacho de encaminhamento¿ (fls. 1197), que versa sobre o retorno da diligência ao  CARF.  Ou  seja:  ainda  que  a  diligência  da  Resolução  3402­000.368  (4ª  Câmara/2ªTurma),  de  15/02/2012,  tenha  sido  cumprida,  como  constata  o  próprio  contribuinte  em  sua  solicitação  de  juntada  às  fls.  1208  a  1216,  os  documentos  relativos  àquela  diligência  não  constam  dos  autos  deveriam.  Consequentemente,  devem ser juntados aos autos agora, antes da devolução deste PAF ao CARF." (e­fl.  1.219 ­ grifei)    Não obstante esse alerta, os documentos da diligência não foram acostados aos  autos, constando apenas o relatório de encerramento anexado pelo sujeito passivo. É o que foi  indicado no despacho seguinte da autoridade fiscal da e­fl. 1.222:  Fl. 1232DF CARF MF Processo nº 19515.001868/2009­00  Resolução nº  3402­001.241  S3­C4T2  Fl. 1.233          5 "Informo  que  a  diligência  proposta  pelo  CARF,  por  meio  da  Resolução  nº  3402­ 000.798  ¿  4ª Câmara  /  2ª  Turma Ordinária,  de  28/06/2016,  consistia  em  reforçar  o  pedido de cumprimento de diligência de uma diligência já proposta anteriormente pelo  CARF,  por  meio  da  Resolução  nº  3402­000.368,  de  15/02/2012.Acontece  que  a  diligência  proposta  pela  Resolução  nº  3402­000.368,  de  15/02/2012,  já  havia  sido  devidamente cumprida por esta DIFIS II. O que aconteceu foi que, por algum motivo,  os documentos pertinentes não constavam dos autos. Agora, o contribuinte juntou, por  meio  de Solicitação  de  Juntada  no  e­processo,  o Termo de Encerramento  de Ação  Fiscal da diligência em questão, datado de 06/06/2013 (fls. 1211 a 1216 deste PAF).  Sendo assim, considera­se que houve o saneamento da ausência da comprovação do  cumprimento da diligência proposta pela Resolução nº 3402­000.368, de 15/02/2012,  estando este PAF apto para retorno ao CARF." (e­fl. 1.222 ­ grifei)    Após este despacho, os autos retornaram a este Conselho.  É o relatório.  Resolução  Maysa de Sá Pittondo Deligne ­ Relatora  Atentando­se para os documentos constantes dos presentes autos e após a leitura  do  termo  de  encerramento  da  diligência  fiscal,  não  vejo  outra  alternativa  senão  converter  novamente o processo em diligência para complementação de informações e documentos.  Como  já  evidenciado  no  relatório,  vislumbra­se  que  não  foram  anexados  aos  autos  quaisquer  dos  documentos  que  instruíram  a  diligência  fiscal  realizada  neste  processo,  elaborada em conclusão ao MPF n.º 0819000­2012­04468­6. Como indicado no despacho da e­ fl. 1.219, crucial que a íntegra do processo relativo ao cumprimento deste MPF seja anexada  aos autos.  Somente para evidenciar a  impossibilidade de se prosseguir com o  julgamento  considerando  apenas  o  termo  de  encerramento  fiscal  anexado  aos  autos,  destaque­se  primeiramente  que,  dentre  estes  documentos  deve  constar  a  cópia  do  DARF  de  COFINS  relativo a competência de abril/2004, solicitado expressamente na Resolução n.º 3402­000.368  e indicado no termo de encerramento da diligência:    "Com  parte  do  mesmo  procedimento,  intimamos,  ainda,  o  contribuinte  a  apresentar  cópia  autenticada  do DARF  relativo  ao  recolhimento  da  contribuição  ao  período  de  apuração de abril de 2004, pois que o documento se encontra digitalizado nos autos do  processo  19515.001868/2009­00,  não  apresentando­se  totalmente  legível  (Termo  de  Início de Diligência lavrado em 29/10/2012 ­ AR 30/10/2012).  Esta solicitação foi atendida em 05/11/2012" (e­fls. 1.212/1.213)    Acresce­se que em todo momento no relatório de encerramento a fiscalização se  remete  aos  valores  informados  em  planilha  elaborada  pelo  sujeito  passivo  no  curso  da  diligência. Entretanto, esta planilha não consta dos autos. Vejamos pelo trecho do Termo à e­fl.  1.213:  Fl. 1233DF CARF MF Processo nº 19515.001868/2009­00  Resolução nº  3402­001.241  S3­C4T2  Fl. 1.234          6   O trecho acima transcrito evidencia que grande parte do relatório da diligência  trata de competências não mais abrangidas neste processo, vez que já excluídas pela DRJ por  estarem  decaídas  (01/2004  a  03/2004).  Contudo,  como  indicado  na  referida  Resolução,  as  considerações  fiscais  devem  se  ater  ao  período  que  permanece  sob  contencioso  (04/2004  a  12/2007).  Ademais, o relatório de encerramento de diligência elaborado não faz qualquer  referência  ao  Auto  de  Infração  lavrado,  não  sendo  possível  confirmar  a  validade  ou  desconformidade  dos  valores  autuados.  Observa­se  que  nos  moldes  como  elaborada,  a  diligência não responde com clareza e eficácia os itens 2 a 5 itens da diligência fiscal proposta  pela Resolução n.º 3402­000.368, não fazendo qualquer relação clara entre a verificação feita  na diligência fiscal e o auto de infração lavrado.  Com efeito, na diligência fiscal proposta pela referida resolução foi evidenciada  dúvida quanto à qual teria sido origem da base de cálculo adotada pela fiscalização dentro da  documentação fiscal da contribuinte, com a aparente consideração apenas dos valores contábeis  na coluna CRÉDITO do razão, desconsiderando os valores de débitos. Vejamos novamente os  exatos termos da dúvida suscitada na Resolução:    "Embora a recorrente não tenha feito o vínculo e trazido todas as justificativas sobre a  extensa documentação que compõe este processo (que forma a maciça maioria de suas  folhas  dos  autos),  por  ela  juntadas,  bem  como,  ainda,  inobstante  tais  documentos  já  poderem ter sido verificados pela Fiscalização antes da lavratura do Auto de Infração  analisado,  a  verdade  é  que  a  Recorrente  alega  estarem  totalmente  pagos  os  débitos  lançados  pelo  que  entendo  que  o  feito  não  está  completamente  instruído  a  ponto  de  receber um julgamento justo.  Fl. 1234DF CARF MF Processo nº 19515.001868/2009­00  Resolução nº  3402­001.241  S3­C4T2  Fl. 1.235          7 Isto  porque,  no  documento  elaborado  pela  Fiscalização,  ainda  na  fase  inquisitorial,  denominado  de  “Cotejo  de  Informações”  (fls.  41  e  seguintes),  constata­se  que  foi  apontado  como  valor  contabilmente  devido  a  título  da  contribuição  a COFINS,  os  valores que constaram da “Listagem do Razão”, mas colhendose o valor da coluna  “CRÉDITO”,  sem  considerar  ou  abater,  no  entanto,  os  valores  da  coluna  “DÉBITO”, e o respectivo “SALDO D/C”.  A  título  exemplificativo,  vejamos  a  folha  45  dos  autos,  referente  ao mês  de  abril  de  2004, na qual encontramos as seguintes informações:    COFINS (IMPORTAÇÃO), COFINS (MERC. INTERNO)  Resultado do cotejamento periódico  Inicio   Fim   Contab.   Retif.Contab.   DCTF   Diferença   Sinal  Lançamento  01/04/2004   30/04/2004  226.017,01  31.279,74  49.407,57  145.329,70  49.407,57  145.329,70    Procedendo ao cotejo das informações acima, com a “Listagem do Razão”, acostada  às folhas 219 (ref. ao mês de abril/2004), verifica­se que o valor considerado como se  devido fosse (R$ 226.017,01), corresponde ao Total da Conta, referente ao somatório  dos  lançamentos  registrados  na  coluna  “CRÉDITO”  da  respectiva  conta,  que  são  provenientes de “Faturamento” do contribuinte, e, portanto, aptos a consumar o fato  gerador da contribuição em tela. Observe­se que por se tratar de conta do passivo da  entidade, recebe lançamento a crédito, com o que “aumenta” o passivo, e quando há  lançamento  a  débito  da  referida  conta,  esse  registro  provoca  a  “diminuição”  do  passivo.  Assim  sendo,  é possível  que na hipótese  vertente,  ao proceder a  coleta de dados  e o  respectivo cotejo das informações constantes da Contabilidade (retificada ou não), com  as  DCTF’s,  DACON,  DIPJ  e  DARF’s,  tenha­se  desconsiderado  os  lançamentos  constantes  da  coluna  “DÉBITO”,  que  no  caso  ora  exemplificativamente  citado  (abril/2004), constava o valor de R$ 257.389,33. No mesmo mês de abril/2004, havia  um  saldo  anterior,  a  crédito  da  respectiva  conta,  no  valor  de R$  68.577,94,  a  qual,  somados os créditos do mês, e diminuídos os débitos igualmente registrados, levaram  ao registro de saldo devedor de COFINS a pagar no valor de R$ 37.205,62.  No  referido  mês  constou  da  DCTF  o  valor  de  R$  49.407,57  como  devido,  o  qual,  igualmente constou e foi aceito pela Fiscalização como “Sinal”, o mesmo valor de R$  49.407,57. Nesse referido mês, dependendo do valor a se extrair, haverá saldo devedor  (como concluído pela Fiscalização), ou pagamento a maior, se se considerar o saldo  final da conta e o valor recolhido.  E a situação acima se repete por diversos meses, tendo a Fiscalização aparentemente  partido  da  premissa  de  que  o  valor  contabilizado  pela  empresa  é  o  somatório  dos  lançamentos contidos na coluna “CRÉDITO” da conta COFINS A PAGAR, e não o  Total Conta referente ao “SALDO C/D”.  Portanto,  a  alegação  da  impugnante,  que  é  repetida  no  recurso,  não  se  trata,  a  princípio,  de  se  proceder  à  compensação  de  créditos  de  titularidade  da  contribuinte  (proveniente de pagamento  indevido ou a maior),  ou mesmo de compensar  eventuais  pagamentos  a  maior  que  porventura  tenha  feito  em  períodos  diversos  ao  longo  do  período fiscalizado, mas sim, de considerar os créditos a que  teria direito em virtude  da  sistemática  da  não  cumulatividade  (registrados  na  coluna “DÉBITOS” da  citada  conta contábil), inaugurada pela Lei nº 10.833/03, e que já estava vigente a partir dos  períodos  de  apuração  de  fevereiro  de  2004,  e  já  escriturados  na  respectiva  conta  COFINS A PAGAR. Outrossim, deverseia verificar o impacto do saldo inicial da conta  no final e início de cada período de apuração.  E  igualmente  não  se  vislumbrou,  pela  documentação  por  ela  trazida  com  a  impugnação, que houvera a “baixa contábil” dos saldos de COFINS a pagar, quando a  empresa  realizasse  um  pagamento,  de  modo  que  o  saldo  a  pagar  no  final  de  um  período,  é  exatamente  o  saldo  inicial  do  mês  subsequente,  o  que,  por  certo,  pode  Fl. 1235DF CARF MF Processo nº 19515.001868/2009­00  Resolução nº  3402­001.241  S3­C4T2  Fl. 1.236          8 interferir nos valores considerados como sendo uma parte  importante na análise dos  fatos geradores que vieram a ser posteriormente lançados." (e­fls. 2/3 ­ grifei)    Contudo, essa dúvida não foi sanada pela diligência que, quanto a competência  de  04/2004  apenas  traz  considerações  quanto  aos  valores  recolhidos  em  DARF  e  quanto  a  valores de  receita  financeira que não  teriam sido  incluídos na base de cálculo,  sem qualquer  esclarecimento quanto a essa dúvida trazida na Resolução:    Essa  informação  igualmente  não  pode  ser  depreendida  da  planilha  elaborada  pela  fiscalização  na  diligência.  Atentando­se  para  a  competência  de  abril/2004  tomada  de  exemplo da fiscalização, a fiscalização continua indicando como débitos do período o valor de  R$ 206.017,01. Entretanto, sem qualquer justificativa, aponta que o valor efetivamente devido  seria aquele declarado em DCTF de R$ 49.047,57, não restando saldo a pagar:    Pela leitura do termo de encerramento não é possível confirmar o que e qual a  base utilizada pela fiscalização para confirmar os valores dos créditos do período, o que seriam  os  créditos  indevidos  e  como  há  diferença  entre  as  colunas  "Débitos  do  período"  e  "Valor  devido". A fiscalização não identifica a origem de quaisquer dos valores indicados na planilha.  Por exemplo, não é possível confirmar a que se refere a coluna de "créditos indevidos". Qual o  fundamento  utilizado  pela  fiscalização  para  considerar  os  créditos  como  indevidos?  Como  esses valores afetam a composição da coluna "Valor devido"? a Coluna valor devido que deve  ser admitida como a coluna com o valor da COFINS devida no período de apuração ou o valor  indicado na coluna "Débitos do período"?  O  único  fundamento  trazido  pela  diligência,  de  forma  genérica,  seria  que  "o  contribuinte  cometeu o  equívoco de descontar o  valor  da  receita  financeira que  integrava a  Fl. 1236DF CARF MF Processo nº 19515.001868/2009­00  Resolução nº  3402­001.241  S3­C4T2  Fl. 1.237          9 base de cálculo da COFINS para vários períodos" (e­fl. 1.213). Contudo, não deixa claro quais  foram os reflexos para a autuação sob análise. A discussão aqui travada então é de inclusão de  valores de receita  financeira na base de cálculo da COFINS para  todos os períodos  autuados  que permanecem em discussão nesse processo  (04/2004 a 12/2007)? Como essa  constatação  afetou as bases de cálculo que constam no Auto de Infração?  Creio que o  termo de encerramento da diligência acostado aos presentes autos  traz  mais  dúvidas  do  que  esclarecimentos  quanto  à  validade  da  autuação  lavrada,  não  viabilizando o devido julgamento deste processo.  Sob  esta  perspectiva  e  à  luz  do  art.  29  do  Decreto  n.º  70.235/72,  voto  por  novamente converter o processo em diligência para que a autoridade fiscal de origem:  (i)  junte  aos  autos  cópia  integral  dos  documentos  que  instruíram  a  diligência  fiscal  realizada  neste processo,  elaborada  em  conclusão  ao MPF n.º  0819000­ 2012­04468­6, como determinado no despacho da e­fl. 1.219;  (ii)  Elaborar  novo  relatório  de  diligência  fiscal  respondendo  com  clareza  os  pontos trazidos na Resolução n.º 3402­000.368, quais sejam:  (ii.1) Em conformidade com o item 2 da Resolução, informar qual foi a base de  informação do contribuinte  adotada pela  fiscalização  ao  elaborar o  “Cotejo de  Informações”,  que  serviu  de  base  para  a  lavratura  do Auto  de  Infração  (e­fls.  50/79).  Informar  se  a  fiscalização  considerou  apenas  o  valor  indicado  no  “SALDO  C/D”  dos  registros  contábeis  do  contribuinte,  ou  o  resultado  do  somatório dos lançamentos contidos na coluna “CRÉDITO”, sem considerar os  registros  referentes  a  coluna  “DÉBITOS”.  Informar,  com  clareza,  se  os  "DÉBITOS"  indicados  nos  registros  contábeis  foram  considerados  ou  não  na  base  de  cálculo  do  Auto  de  Infração1.  Caso  não  considerados  os  valores  da  coluna "DÉBITOS", demonstrar se a sua consideração impacta o saldo inicial da  conta  contábil  da  COFINS  A  PAGAR  no  final  e  início  de  cada  período  de  apuração;  (ii.2) Em conformidade com o item 3 da Resolução, informar se, analisando os  Livros Razão e Diário do sujeito passivo (se for o caso), os valores registrados  nas “Listagens do Razão”, das competências autuadas em discussão (04/2004 a  12/2007),  em  ambas  as  colunas  (“Crédito”  e  “Débito”),  tem  fundamento  contábil  e  fiscal,  respaldados  pelos  documentos  societários  e  fiscais  do                                                              1 Essa dúvida foi bem indicada na referida Resolução n.º 3402­000.368: "Procedendo ao cotejo das informações  acima, com a “Listagem do Razão”, acostada às folhas 219 (ref. ao mês de abril/2004), verifica­se que o valor  considerado como se devido fosse (R$ 226.017,01), corresponde ao Total da Conta, referente ao somatório dos  lançamentos registrados na coluna “CRÉDITO” da respectiva conta, que são provenientes de “Faturamento” do  contribuinte, e, portanto, aptos a consumar o fato gerador da contribuição em tela. Observe­se que por se tratar  de  conta  do passivo da  entidade,  recebe  lançamento a  crédito,  com o que “aumenta” o  passivo,  e quando há  lançamento a débito da referida conta, esse registro provoca a “diminuição” do passivo.  Assim  sendo,  é  possível  que  na  hipótese  vertente,  ao  proceder  a  coleta  de  dados  e  o  respectivo  cotejo  das  informações  constantes  da  Contabilidade  (retificada  ou  não),  com  as  DCTF’s,  DACON,  DIPJ  e  DARF’s,  tenha­se  desconsiderado  os  lançamentos  constantes  da  coluna  “DÉBITO”,  que  no  caso  ora  exemplificativamente citado (abril/2004), constava o valor de R$ 257.389,33. No mesmo mês de abril/2004, havia  um saldo anterior, a crédito da respectiva conta, no valor de R$ 68.577,94, a qual, somados os créditos do mês, e  diminuídos os débitos igualmente registrados, levaram ao registro de saldo devedor de COFINS a pagar no valor  de R$ 37.205,62." (e­fl. 2 ­ grifei)  Fl. 1237DF CARF MF Processo nº 19515.001868/2009­00  Resolução nº  3402­001.241  S3­C4T2  Fl. 1.238          10 contribuinte,  atestando, ainda,  se os valores  lançados nas Colunas de “Débito”  (que  diminuem  o  valor  da  conta  COFINS  A  PAGAR),  concedem  o  direito  a  crédito da COFINS durante a vigência da não cumulatividade;   (ii.3)  Em  conformidade  com  o  item  4  da  Resolução,  informar  se,  quando  o  contribuinte  realizava  um  recolhimento  (ou  compensação  comprovada),  ele  refletia este  fato na conta contábil da COFINS A PAGAR, afetando ou não os  saldos inicial e final de cada período de apuração.  (ii.4)  Em  conformidade  com  o  item  5  da  Resolução,  informar  se  os  valores  objeto  das  apurações  de  COFINS  dos  períodos  em  discussão  no  Auto  de  Infração (04/2004 a 12/2007), foram corretamente refletidos no DACON e/ou na  DCTF,  e  se  foram  ou  não  objeto  de  recolhimento  nos  respectivos  DARF’s.  Apontar  as  divergências  eventualmente  existentes  em  planilha,  identificando,  ainda, as eventuais divergências em relação ao valor autuado no presente Auto  de  Infração. Apontar nesta planilha a eventual existência de pagamento feito a  maior.  (iii)  Considerando  as  dúvidas  acima  levantadas,  elaborar  uma  planilha  clara  quanto  aos  períodos  sob  discussão  no  presente  processo  (04/2004  a  12/2007)  que  traga  discriminada  qual  a  base  de  cálculo  correta  da  COFINS  devida  (informando qual a base de informação contábil considerada e quais os valores  das  receitas  financeiras  que  estão  sendo  incluídas  na  base  de  cálculo),  qual  o  valor da COFINS apurada, quais os créditos considerados (e se desconsiderados,  fundamentar a razão para a não admissão dos créditos), qual o valor de COFINS  efetivamente  devida,  qual  o  valor  informado  em DCTF,  qual  o  valor  quitado  (por DARF/Compensação etc) e qual o valor da diferença passível de exigência  por meio de Auto de Infração.  Em  seguida,  antes  do  retorno  do  processo  a  este CARF,  intimar  a Recorrente  para,  se  for  de  seu  interesse,  se  manifestar  no  prazo  de  30  (trinta)  dias  do  resultado  da  diligência.  É como proponho a presente Resolução.  Maysa de Sá Pittondo Deligne ­ Relatora  Fl. 1238DF CARF MF

score : 1.0
7167380 #
Numero do processo: 10580.912419/2011-47
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3402-001.294
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relator. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Carlos Augusto Daniel Neto e Pedro Sousa Bispo. Ausente a Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne e, momentaneamente, o Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201802

camara_s : Quarta Câmara

turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção

dt_publicacao_tdt : Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2018

numero_processo_s : 10580.912419/2011-47

anomes_publicacao_s : 201803

conteudo_id_s : 5840866

dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2018

numero_decisao_s : 3402-001.294

nome_arquivo_s : Decisao_10580912419201147.PDF

ano_publicacao_s : 2018

nome_relator_s : WALDIR NAVARRO BEZERRA

nome_arquivo_pdf_s : 10580912419201147_5840866.pdf

secao_s : Terceira Seção De Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relator. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Carlos Augusto Daniel Neto e Pedro Sousa Bispo. Ausente a Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne e, momentaneamente, o Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire.

dt_sessao_tdt : Wed Feb 28 00:00:00 UTC 2018

id : 7167380

ano_sessao_s : 2018

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:13:40 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713050008683544576

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1953; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C4T2  Fl. 88          1 87  S3­C4T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10580.912419/2011­47  Recurso nº            Voluntário  Resolução nº  3402­001.294  –  4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária  Data  28 de fevereiro de 2018  Assunto  COFINS  Recorrente  SOCIEDADE ANÔNIMA HOSPITAL ALIANÇA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    Resolvem  os  membros  do  Colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  converter  o  julgamento em diligência, nos termos do voto da Relator.  (assinado digitalmente)  Waldir Navarro Bezerra ­ Presidente substituto e Relator   Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra,  Diego  Diniz  Ribeiro,  Thais  De  Laurentiis  Galkowicz,  Maria  Aparecida  Martins  de  Paula,  Maysa de Sá Pittondo Deligne, Carlos Augusto Daniel Neto e Pedro Sousa Bispo. Ausente a  Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne e, momentaneamente, o Conselheiro Jorge Olmiro  Lock Freire.  Relatório   Trata o presente processo de indeferimento de Manifestação de Inconformidade  contra  o  Despacho  Decisório  emitido  eletronicamente  que  não  homologou  a  Declaração  de  Compensação em tela face a inexistência de saldo credor. Conforme este Despacho Decisório,  a partir das características do DARF descrito, foram localizados um ou mais pagamentos, mas  integralmente utilizados na quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito.  Cientificado  do  Despacho  Decisório,  a  Recorrente  apresentou  a  manifestação  de  inconformidade, tempestivamente, fazendo um resumo dos fatos:  a) em preliminar, assevera que exerceu o seu direito conforme disposto na legislação  vigente, sendo que apenas não procedeu à retificação das DCTF e demais obrigações acessórias;   b) quanto ao mérito, tece considerações sobre o direito à compensação administrativa e  a respeito das hipóteses em que há vedação legal e expressa para a declaração de compensação;      RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 05 80 .9 12 41 9/ 20 11 -4 7 Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10580.912419/2011­47  Resolução nº  3402­001.294  S3­C4T2  Fl. 89          2 b.1) assinala ainda os pontos de discordância:   (i)  da  inexistência  do  crédito  para  a  compensação  constante  do  PER/DCOMP  e  respectivo Darf, e  (ii) do direito em retificar as DCTF e demais obrigações acessórias.   Ao  final,  faz  referência  aos  documentos  anexados  e  pede  seja  acolhida  a  presente  manifestação de inconformidade.  A DRJ/BHE  julgou  improcedente  a Manifestação  de  Inconformidade,  adotando,  para  tanto, o convencimento no sentido de que "(...) a retificação da DCTF atesta apenas a alteração  do valor do débito anteriormente confessado, mas não comprova o erro que levou ao suposto  pagamento  indevido  ou  a  maior  do  tributo  apurado  originalmente,  de  forma  a  conferir  a  necessária certeza e liquidez ao crédito postulado".  Cientificada da decisão do Colegiado a quo e irresignada com o teor do Acórdão  nº 02­61.035, a Recorrente recorre a este Conselho, apresentando um argumento novo visando  amparar  a  legalidade  dos  créditos  aqui  discutidos.  Veja­se  os  principais  trechos  abaixo  reproduzidos:  "(...)  2.  A  ora  Recorrente  SOCIEDADE  ANÔNIMA  HOSPITAL  ALIANÇA,  determinou­se  em  identificar  e  excluir  da  base  de  cálculo  de  PIS  e  COFINS  os medicamentos  com  incidência  de  alíquota  zero,  conforme  se  pode  inferir  na  petição  inicial  com  pedido  de  liminar  devidamente  protocolada  em  23/09/2009  com  distribuição  e  inicio  do  processo  Judicial  sob  o  n°  2009.34.00,031447­2, em trâmite perante a 9ª Vara Federal da Seção Judiciária Federal do Distrito  Federal. Distribuída a Ação, o MM. Juiz deferiu in tantum a LIMINAR pleiteada nos seguintes termos:   "Assim,  em  face do  exposto, DEFIRO o pedido  liminar,  e determino à autoridade  Impetrada  que  suspenda  a  exigibilidade  do  PIS  e  da  COFINS  sobre  a  receita  proveniente da utilização de medicamentos que já sofreram tal tributação, na forma.  prevista pela Lei 10.147/00, com as alterações feitas pela Lei 10.548/02,  isentando,  assim, de efetuar a cobrança de tais valores, dos Hospitais e Clinicas substituídos."  A liminar foi deferida em 27/10/2009 e ainda confirmada por decisão final de primeira  instância em 07/04/2010 que assim declarou:  "isto posto, ratifico a liminar e CONCEDO a SEGURANÇA para: 1) determinar à  autoridade Impetrada e seus prepostos que se abstenha de exigir o recolhimento da  contribuição  para  o  PIS  e  COFINS  sobre  a  receita  proveniente  da  utilização  de  medicamentos que já sofreram tal tributação, na forma prevista pela Lei 10.147/00,  com as alterações realizadas pela Lei 10.548/02, eximindo os hospitais e clinicas _  substituídos  dos  .  respectivos  pagamentos;  2)  declara  o  direito  dos  substituídos  à  compensação  de  todos  os  valores  indevidamente  recolhidos  á  titulo  de  PIS  e  COFINS sobre a receita de medicamentos que já sofreram tal tributação, nos termos  da  Lei  10.147/00,  com  outros  tributos  administrados  pela  Secretaria  da  Receita  Federal, em atenção aos arts. 73. e 74 da Lei 9.430/96 e observado o disposto no art.  170­A do CTN."  Dessa forma, a Recorrente REQUER:  1. Determinar  à  autoridade  impetrada  e  seus  prepostos  que  se  abstenham de  exigir  o  recolhimento  da  contribuição  para  PIS  e  COFINS  sobre  a  receita  proveniente  da  utilização  de  Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10580.912419/2011­47  Resolução nº  3402­001.294  S3­C4T2  Fl. 90          3 medicamentos que já sofreram tal tributação, na forma prevista pela Lei 10.147/00, com as alterações  realizadas pela Lei 10.548/02 e posteriores.  2. Que  seja  este  Recurso Voluntário  conhecido  por  este  Conselho Administrativo  de  Recursos Fiscais, e, ao final, provido, para efeitos de restar reformado o r. acórdão recorrido, mantendo­ se  a  integralidade  do  crédito  e  a  homologação  da  compensação  nos  moldes  como  informado  pela  mesma,  reconhecendo­se  a  legitimidade  adotada  pela  Recorrente  e  o  reconhecimento  de  DCTF  e  DACON retifícadores ora apresentados junto à SRFB.  3.  Declarar  o  direito  dos  substituídos  à  compensação  de  todos  os  valores  indevidamente recolhidos a título de PIS e de COFINS sobre a receita de medicamentos que já sofreram  tal tributação, nos termos da Lei 10.147/00 e alterações posteriores, com outros tributos administrados  pela  Secretaria  da  Receita  Federal,  em  atenção  aos  arts.  73  e74  da  Lei  nº  9.430/96  e  observado  o  disposto no art. 170­A, do CTN.  4. Sucessivamente, cumprir a decisão e sentença, com sede de Liminar, no sentido de ..  suspender qualquer cobrança em processo administrativo e/ou execução até que seja julgado o mérito  da referida ação, fazendo valer seus efeitos.  A  Recorrente  anexa  cópia  dos  seguintes  documentos:  cópia  da  Decisão  e  Sentença do Processo Judicial sob n° 2009.34.00.031447­2, 9ª Vara Federal ­ Seção Judiciária  Federal do Distrito Federal; cópia da Certidão de objeto e pé expedida pelo Tribunal Regional  Federal  da  Primeira  Região  referente  ao  processo  2009.34.00.031447­2;  DCTF  e  DACON  retificadores.  É o relatório.   Voto  Conselheiro Waldir Navarro Bezerra ­ Relator  Conselheiro  Waldir  Navarro  Bezerra,  Relator  O  julgamento  deste  processo  segue  a  sistemática  dos  recursos  repetitivos,  regulamentada  pelo  art.  47,  §§  1º  e  2º,  do  RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio  aplica­se o decidido na Resolução nº 3402­001.261, de 28 de fevereiro de 2018, proferida no  julgamento  do  processo  10580.904788/2011­66,  paradigma  ao  qual  o  presente  processo  foi  vinculado.  Transcreve­se,  como  solução  deste  litígio,  nos  termos  regimentais,  o  entendimento que prevaleceu na Resolução 3402­001.261:  1. Da admissibilidade do recurso  O  recurso  voluntário  interposto  é  tempestivo  e  preenche  os  demais  pressupostos  de  admissibilidade,  razão  pela  qual  dele  tomo  conhecimento.  2. Das razões do Recurso Voluntário  Não é possível ainda analisar o mérito do presente processo por este  órgão  Colegiado.  Isto  porque,  antes  disso,  uma  questão  prejudicial  deve  ser  adequadamente  respondida,  saneando  o  processo,  para  que  nenhuma  das  partes  que  compõe  o  litígio  tenha  tratamento  Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10580.912419/2011­47  Resolução nº  3402­001.294  S3­C4T2  Fl. 91          4 desconforme a legislação tributária que rege o processo administrativo  fiscal.   Trata­se de questão acerca do Mandado de Segurança Coletivo (MSC),  com pedido de liminar, impetrado pela CONFEDERAÇÃO NACIONAL  DE  SAÚDE,  HOSPITAIS  E  ESTABELECIMENTOS  E  SERVIÇOS,  contra  ato  do  SECRETÁRIO  DA  RECEITA  FEDERAL  DO  BRASIL,  objetivando  a  concessão  da  medida  liminar  da  forma  requestada  visando  à  imediata  suspensão  da  exigibilidade  do  PIS  e  da COFINS  sobre  a  receita  proveniente  da  utilização  de  medicamentos  que  já  sofreram  tal  tributação,  impedindo  que  a  autoridade  coatora  e  seus  prepostos  possam efetuar  a  cobrança  de  tais  valores  dos Hospitais  e  Clinicas Substituídos.   Como se vê, a  Impetrante do MSC, no caso, atuando como substituta  processual,  é  pessoa  jurídica  de  direito  privado,  devendo  os  substituídos  exercer  atividade  social  de  prestação  de  serviços  hospitalares, sendo, desta forma, contribuintes do PIS e da CONFINS.   É  fato  que  para  a  consecução  de  suas  respectivas  atividades  empresariais, além da prestação de serviços hospitalares, os Hospitais  e  Clínicas  Substituídos  sempre  necessitaram  realizar  a  aplicação  de  vários  produtos,  dentre  eles,  os  medicamentos  ministrados  aos  pacientes.   Pois bem. Verifica­se na "Copia da Certidão de objeto e pé expedida  pelo  Tribunal  Regional  Federal  da  Primeira  Região  referente  ao  processo  2009.34.00.031447­2",  que  a  Justiça  Federal  concedeu  a  SEGURANÇA no seguinte sentido (fl. 40):   (1)  determinar  à  autoridade  impetrada  e  seus  prepostos  que  se  abstenham  de  exigir  o  recolhimento  da  contribuição  para  PIS  e  COFINS  sobre  a  receita  proveniente  da  utilização  de  medicamentos  que já sofreram tal tributação na forma prevista pela Lei nº 10.147/00,  com as alterações realizadas pela Lei 10.548/02, eximindo os hospitais,  e clínicas substituídos dos respectivos pagamentos;   2)  declarar  o  direito  dos  substituídos  à  compensação  de  todos  os  valores indevidamente recolhidos a título de PIS e de COFINS sobre a  receita de medicamentos que já sofreram tal tributação, nos termos da  Lei  10.147/00,  com.outros  tributos  administrados  pela  Secretaria  da  Receita  Federal,  em  atenção  aos  arts.  73  e  74  da  Lei  n.  9.430/96  e  observado o disposto no art. 170­A do CTN .  Posto isto, torna­se imprescindível nos autos, a comprovação de que a  Recorrente,  enquadra­se,  no  caso,  como  substituída  da  CONFEDERAÇÃO  NACIONAL  DE  SAÚDE,  HOSPITAIS  E  ESTABELECIMENTOS E SERVIÇOS.  Em  situações  como  a  ora  sob  análise,  o  CARF  tem  entendido  pelo  cabimento de diligência para a averiguação das informações faltantes,  para então decidir pelo conhecimento ou não das razões aduzidas no  recurso voluntário apresentado pela Recorrente. Nesse sentido, destaco  a  Resolução  nº  3403­000551,  proferida  no  bojo  do  Processo  nº  13898.000203/2002­61.   Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10580.912419/2011­47  Resolução nº  3402­001.294  S3­C4T2  Fl. 92          5 3. Da conversão em Diligência   Com  essas  considerações,  voto  pela  conversão  do  processo  em  diligência,  a  fim  de  que  a  Autoridade  Administrativa  da  DRF  de  origem, adote a seguintes providências:  (i)  Intimar  a  Recorrente  a  apresentar  documentos  que  comprove  ser  substituída  (associada  ou  parte)  da  CONFEDERAÇÃO  NACIONAL  DE  SAÚDE,  HOSPITAIS  E  ESTABELECIMENTOS  E  SERVIÇOS,  indicando claramente a data de sua filiação;  (ii) informar a fase processual (certidão de inteiro teor ou objeto e pé),  que  se  encontra  na  Justiça  Federal  o  referido  Mando  de  Segurança  Coletivo.  Caso  entender  necessário,  intimar  a  empresa  para  atendimento deste quesito;   (iii) após encerrada as diligências, a Autoridade Administrativa deverá  elaborar Relatório Conclusivo das averiguações efetuadas,  juntar aos  autos  todos  os  documentos  comprobatórios  dos  fatos  que  forem  analisados  e,  caso  queira  (uma  vez  que  tais  fatos  não  foram  apresentados em instâncias anteriores), manifestar­se sobre os termos  do Recurso Voluntário apresentado;  (iv) por fim, a Autoridade Administrativa deverá cumprir o disposto no  artigo 35, parágrafo único do Decreto nº 7.574/2011, dando ciência à  Recorrente  do  termo  e  dos  demais  documentos  mencionados  no  item  (iii), concedendo­lhe prazo de 30 (trinta dias) para manifestação.   Atendida  a  diligência  acima  solicitada,  o  processo  deverá  ser  devolvido  para  esta  2ª  Turma Ordinária,  da  4ª Câmara,  3ª  Seção  do  CARF, para prosseguimento do julgamento.  Importante  frisar  que  os  documentos  juntados  pela  contribuinte  no  processo  paradigma,  como  prova  do  direito  creditório,  encontram  correspondência  nos  autos  ora  em  análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência  no caso do paradigma também a justificam no presente caso.  Aplicando­se  a  decisão  do  paradigma  ao  presente  processo,  em  razão  da  sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por  converter o  julgamento  em diligência,  a  fim de que a Autoridade Administrativa da DRF de  origem, adote as seguintes providências:  (i) Intimar a Recorrente a apresentar documentos que comprove ser substituída  (associada  ou  parte)  da  CONFEDERAÇÃO  NACIONAL  DE  SAÚDE,  HOSPITAIS E ESTABELECIMENTOS E SERVIÇOS, indicando claramente a  data de sua filiação;  (ii)  informar a  fase processual  (certidão de  inteiro  teor ou objeto e pé), que se  encontra  na  Justiça  Federal  o  referido  Mando  de  Segurança  Coletivo.  Caso  entender necessário, intimar a empresa para atendimento deste quesito;   (iii) após encerrada as diligências, a Autoridade Administrativa deverá elaborar  Relatório  Conclusivo  das  averiguações  efetuadas,  juntar  aos  autos  todos  os  documentos comprobatórios dos fatos que forem analisados e, caso queira (uma  Fl. 88DF CARF MF Processo nº 10580.912419/2011­47  Resolução nº  3402­001.294  S3­C4T2  Fl. 93          6 vez que tais fatos não foram apresentados em instâncias anteriores), manifestar­ se sobre os termos do Recurso Voluntário apresentado;  (iv) por  fim, a Autoridade Administrativa deverá cumprir o disposto no artigo  35,  parágrafo  único  do Decreto  nº  7.574/2011,  dando  ciência  à Recorrente  do  termo  e  dos  demais  documentos  mencionados  no  item  (iii),  concedendo­lhe  prazo de 30 (trinta dias) para manifestação.   Atendida  a  diligência  acima  solicitada,  o  processo  deverá  ser  devolvido  para  esta  2ª  Turma  Ordinária,  da  4ª  Câmara,  3ª  Seção  do  CARF,  para  prosseguimento  do  julgamento.   (assinado digitalmente)  Waldir Navarro Bezerra ­ Relator  Fl. 89DF CARF MF

score : 1.0
7199830 #
Numero do processo: 18050.003299/2008-90
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/07/1998 a 31/12/1998 RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. BENEFÍCIO DE ORDEM. INEXISTÊNCIA. ENUNCIADO N° 30 DO CRPS. Em se tratando de responsabilidade solidária, o fisco previdenciário tem a prerrogativa de constituir os créditos no tomador de serviços, mesmo que não haja apuração prévia no prestador de serviços. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS MEDIANTE CESSÃO DE MÃO DE OBRA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DO CONTRATANTE. O contratante de qualquer serviço executado mediante cessão de mão de obra, inclusive em regime de trabalho temporário, responde solidariamente com o executor pelas obrigações decorrentes da Lei de Custeio da Seguridade Social, em relação aos serviços prestados, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem. Art. 31 da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 9.032/95. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. ELISÃO. INOCORRÊNCIA. A responsabilidade solidária do contratante com o executor de serviços prestados mediante cessão de mão de obra somente será elidida se for comprovado pelo executor o recolhimento prévio das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados incluída em nota fiscal o fatura correspondente aos serviços executados, quando da quitação da referida nota fiscal ou fatura. Para os efeitos da elisão da solidariedade em tela, o cedente da mão de obra deve elaborar folhas de pagamento e guia de recolhimento distintas para cada empresa tomadora de serviço, devendo esta exigir do executor, quando da quitação da nota fiscal ou fatura, cópia autenticada da guia de recolhimento quitada e respectiva folha de pagamento. AFERIÇÃO INDIRETA Com a recusa ou apresentação deficiente de documentos a fiscalização promoverá o lançamento de ofício por arbitramento, inscrevendo as importâncias que reputar devidas, conforme respaldo no art. 33, §3° da Lei 8.212/91, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário.
Numero da decisão: 2401-005.323
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e, no mérito, negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: RAYD SANTANA FERREIRA

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201803

camara_s : Quarta Câmara

ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/07/1998 a 31/12/1998 RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. BENEFÍCIO DE ORDEM. INEXISTÊNCIA. ENUNCIADO N° 30 DO CRPS. Em se tratando de responsabilidade solidária, o fisco previdenciário tem a prerrogativa de constituir os créditos no tomador de serviços, mesmo que não haja apuração prévia no prestador de serviços. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS MEDIANTE CESSÃO DE MÃO DE OBRA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DO CONTRATANTE. O contratante de qualquer serviço executado mediante cessão de mão de obra, inclusive em regime de trabalho temporário, responde solidariamente com o executor pelas obrigações decorrentes da Lei de Custeio da Seguridade Social, em relação aos serviços prestados, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem. Art. 31 da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 9.032/95. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. ELISÃO. INOCORRÊNCIA. A responsabilidade solidária do contratante com o executor de serviços prestados mediante cessão de mão de obra somente será elidida se for comprovado pelo executor o recolhimento prévio das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados incluída em nota fiscal o fatura correspondente aos serviços executados, quando da quitação da referida nota fiscal ou fatura. Para os efeitos da elisão da solidariedade em tela, o cedente da mão de obra deve elaborar folhas de pagamento e guia de recolhimento distintas para cada empresa tomadora de serviço, devendo esta exigir do executor, quando da quitação da nota fiscal ou fatura, cópia autenticada da guia de recolhimento quitada e respectiva folha de pagamento. AFERIÇÃO INDIRETA Com a recusa ou apresentação deficiente de documentos a fiscalização promoverá o lançamento de ofício por arbitramento, inscrevendo as importâncias que reputar devidas, conforme respaldo no art. 33, §3° da Lei 8.212/91, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário.

turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção

dt_publicacao_tdt : Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018

numero_processo_s : 18050.003299/2008-90

anomes_publicacao_s : 201804

conteudo_id_s : 5851423

dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018

numero_decisao_s : 2401-005.323

nome_arquivo_s : Decisao_18050003299200890.PDF

ano_publicacao_s : 2018

nome_relator_s : RAYD SANTANA FERREIRA

nome_arquivo_pdf_s : 18050003299200890_5851423.pdf

secao_s : Segunda Seção de Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e, no mérito, negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho e Rayd Santana Ferreira.

dt_sessao_tdt : Wed Mar 07 00:00:00 UTC 2018

id : 7199830

ano_sessao_s : 2018

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:15:10 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713050008686690304

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2162; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C4T1  Fl. 2          1 1  S2­C4T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  18050.003299/2008­90  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  2401­005.323  –  4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  07 de março de 2018  Matéria  CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Recorrente  COMPANHIA DE ELETRICIDADE DO ESTADO DA BAHIA ­ COELBA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/07/1998 a 31/12/1998  RESPONSABILIDADE  SOLIDÁRIA.  BENEFÍCIO  DE  ORDEM.  INEXISTÊNCIA. ENUNCIADO N° 30 DO CRPS.  Em  se  tratando  de  responsabilidade  solidária,  o  fisco  previdenciário  tem  a  prerrogativa de constituir os créditos no tomador de serviços, mesmo que não  haja apuração prévia no prestador de serviços.  CONTRIBUIÇÕES  PREVIDENCIÁRIAS.  PRESTAÇÃO  DE  SERVIÇOS  MEDIANTE  CESSÃO  DE  MÃO  DE  OBRA.  RESPONSABILIDADE  SOLIDÁRIA DO CONTRATANTE.  O  contratante  de  qualquer  serviço  executado  mediante  cessão  de  mão  de  obra,  inclusive  em  regime  de  trabalho  temporário,  responde  solidariamente  com o executor pelas obrigações decorrentes da Lei de Custeio da Seguridade  Social,  em  relação  aos  serviços  prestados,  não  se  aplicando,  em  qualquer  hipótese, o benefício de ordem. Art. 31 da Lei nº 8.212/91, na redação dada  pela Lei nº 9.032/95.  RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. ELISÃO. INOCORRÊNCIA.  A  responsabilidade  solidária  do  contratante  com  o  executor  de  serviços  prestados  mediante  cessão  de  mão  de  obra  somente  será  elidida  se  for  comprovado  pelo  executor  o  recolhimento  prévio  das  contribuições  incidentes sobre a remuneração dos segurados incluída em nota fiscal o fatura  correspondente aos serviços executados, quando da quitação da referida nota  fiscal ou fatura.  Para os efeitos da elisão da solidariedade em tela, o cedente da mão de obra  deve elaborar folhas de pagamento e guia de recolhimento distintas para cada  empresa  tomadora  de  serviço,  devendo  esta  exigir  do  executor,  quando  da  quitação da nota fiscal ou fatura, cópia autenticada da guia de recolhimento  quitada e respectiva folha de pagamento.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 05 0. 00 32 99 /2 00 8- 90 Fl. 1470DF CARF MF     2 AFERIÇÃO INDIRETA   Com  a  recusa  ou  apresentação  deficiente  de  documentos  a  fiscalização  promoverá  o  lançamento  de  ofício  por  arbitramento,  inscrevendo  as  importâncias que  reputar devidas, conforme  respaldo no art. 33, §3° da Lei  8.212/91, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer  do recurso e, no mérito, negar­lhe provimento.        (assinado digitalmente)  Miriam Denise Xavier ­ Presidente        (assinado digitalmente)  Rayd Santana Ferreira ­ Relator         Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier,  Cleberson  Alex  Friess,  Andrea  Viana  Arrais  Egypto,  Luciana  Matos  Pereira  Barbosa,  Francisco Ricardo Gouveia Coutinho e Rayd Santana Ferreira.    Fl. 1471DF CARF MF Processo nº 18050.003299/2008­90  Acórdão n.º 2401­005.323  S2­C4T1  Fl. 3          3   Relatório  COMPANHIA  DE  ELETRICIDADE  DO  ESTADO  DA  BAHIA  ­  COELBA, contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já qualificada nos autos do processo  em  referência,  recorre  a  este  Conselho  da  decisão  da  5a  Turma  da  DRJ  em  Salvador/BA,  Acórdão  nº  15­18.550/2009,  às  e­fls.  1.422/1.434,  que  julgou  procedente  em  parte  o  lançamento  fiscal,  decorrente  da  aferição  da  remuneração  da mão­de­obra  contida  em  notas  fiscais  de  serviços  prestado  a  recorrente,  em  relação  ao  período  de  07/1998  a  12/1998,  conforme Relatório Fiscal e demais documentos que instruem o processo.  De  acordo  com  o  Discriminativo  Analítico  de  Débito  (fls.  03/04),  as  contribuições apuradas sobre a remuneração dos empregados correspondem a 20% da parte da  empresa, 8% dos segurados empregados, 3% referentes à Contribuição da Empresa, destinada  ao financiamento dos beneficios concedidos em razão do grau de  incidência de  incapacidade  laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho.  O  crédito  foi  apurado  face  a  não  comprovação,  pela  GRIFFIN,  do  recolhimento prévio e específico das contribuições previdenciárias  referentes aos  serviços de  mão de obra  de vigilância  armada,  prestados mediante  cessão  de mão de  obra pela  empresa  GUARDSECURE EMPRESARIAL LTDA., CNPJ n° 42.035.097/0001­18.  Conforme o mesmo relatório constitui fato gerador da presente notificação a  remuneração contida na nota fiscal/fatura/recibo do serviço prestado mediante cessão de mão­ de­obra  pela  empresa  contratada,  descrito  no  Relatório  de  Lançamentos  integrante  desta  NFLD, ficando a contratante responsável solidariamente pelo recolhimento, nos termos do art.  31 da Lei 8.212, de 1991.  Para  proceder  à  aferição,  foi  aplicado  o  percentual  de  40%  sobre  O  valor  bruto  das  notas  fiscais/faturas/recibos  de  acordo  o  serviço  realizado,  com base  no  art.  63  da  Instrução Normativa/INSS/DC n° 70, de 10 de maio de 2002.  O Serviço de Análise de Defesa e Recurso, fls. 710 a 713, solicitou diligência  fiscal para que fosse anexado aos autos o comprovante de entrega de cópia da NFLD à empresa  prestadora de serviço.  Foi  solicitada  ainda  a  elaboração  de Relatório  Fiscal Complementar  com  a  explicitação da fundamentação legal da aferição indireta (art. 33, parágrafo 3° da Lei n° 8.212,  de 1991), foi solicitado ainda que o auditor informasse que o crédito previdenciário foi lançado  em razão da empresa fiscalizada não ter se elidido da responsabilidade solidária, indicando os  documentos solicitados no TIAD que não foram apresentados e fazendo referência à legislação.  Foi solicitado que fosse demonstrando os pressupostos da cessão de mão­de­ obra, assim como a copia dos contratos e das notas fiscais.  Também foi solicitado que: a) a comprovação da ciência da NFLD, anexos e  Relatório Fiscal por parte da empresa prestadora; b) ciência do Relatório Fiscal Complementar  por parte das empresas solidárias.  Fl. 1472DF CARF MF     4 Foi  solicitado  ainda  o  pronunciamento  dos  auditores  sobre  os  documentos  juntados aos autos na defesa.  Em  atendimento  às  solicitações  referidas,  os  auditores,  às  fls.  716  a  772,  juntaram aos autos cópias do contrato de prestação de serviços e aditivos, bem como das notas  fiscais.  Consta nos autos Aviso de Recebimento dos Correios Fls. 774 comprovando  que a empresa Guardsecure recebeu a NFLD em 14/10/2003, os auditores se pronunciaram no  sentido de que as guias recolhidas quitam o débito levantado.  Foi  feito  novo  pedido  de  diligência  para  elaboração  do  Relatório  Fiscal  Complementar anteriormente solicitado no pedido de diligência anterior.  Foi elaborado Relatório Fiscal Complementar fls. 825/828.  A  Coelba  recebeu  o  Relatório  Fiscal  Complementar  e,  23/07/07  e  a  Guardsegure em 24/07/07.  Inconformada  com  a  Decisão  recorrida  a  contribuinte  apresentou  Recurso  Voluntário,  às  e­fls.  1.438/1.451,  procurando  demonstrar  sua  improcedência,  desenvolvendo  em síntese as seguintes razões.  Após breve relato das fases processuais, bem como dos fatos que permeiam o  lançamento,  alega  a  existência  do  litisconsórcio  necessário  por  solidariedade,  isso  porque,  somente  diante  da  incapacidade  de  comprovação  do  recolhimento  pela  prestadora,  e,  conseqüentemente,  da  confirmação  da  existência  de  débito,  é  que  poderia  se  cogitar  em  imputação de responsabilidade solidária à COELBA, a qual se funda exclusivamente, ressalte­ se, no inadimplemento aferido.  Contudo, o que se vê, no caso em tela, é que a autuação deveu­se ao simples  fato  de  não  dispor,  a  recorrente,  no  momento  da  fiscalização,  das  cópias  de  guia  de  recolhimento,  o  que,  por  absurdo,  entendeu  o Autuante,  seria  definitivo  para  comprovar  que  não teria havido o recolhimento. No entanto, tal documentação fora apresentada, devendo ser  cancelado o lançamento por violação à ampla defesa.  Argumenta também que a fiscalização restringiu­se a autuar a tomadora dos  referidos serviços, lançando sobre ela o ônus de arcar com a referida obrigação, antes mesmo  de que fosse averiguado o seu cumprimento por quem a lei prevê como principal obrigada, qual  seja a empresa prestadora dos serviços.  Desta  forma,  reitera  a  recorrente  o  seu  requerimento  para  que  sejam  examinados  os  documentos  já,  e  mais  uma  vez,  colacionados,  que  demonstram  o  efetivo  recolhimento das contribuições, porque a configuração da co­responsabilidade somente se dará  na  inadimplência  do  principal  obrigado,  deixando  de  ocorrer  em  virtude  da  inexistência  de  débito do mesmo, hipótese essa que se enquadra na presente situação.  Sendo assim, uma vez que a solidariedade do dono da obra (tomador) se dá  em virtude da inadimplência da prestadora de serviço, não havendo débito, não há que se falar  em inadimplência como sequer, por conseqüência, em responsabilidade nela fundada.  Diante  da  inequívoca  comprovação  do  recolhimento,  que  se  deu  nos  autos  com a juntada das folhas de pagamento, GFlP, GRPS ou GPS, não subsiste o débito imputado,  e, portanto, não há que se  falar em responsabilidade já que esta está diretamente vinculada a  Fl. 1473DF CARF MF Processo nº 18050.003299/2008­90  Acórdão n.º 2401­005.323  S2­C4T1  Fl. 4          5 eventual  inadimplência  da  prestadora,  o  que,  definitivamente,  não  corresponde  ao  caso  em  concreto.  Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para decretar a  decadência do lançamento, tornando­o sem efeito e, no mérito, a sua absoluta improcedência.  Não houve apresentação de contrarrazões.  É o relatório.      Fl. 1474DF CARF MF     6   Voto             Conselheiro Rayd Santana Ferreira ­ Relator  Presente  o  pressuposto  de  admissibilidade,  por  ser  tempestivo,  conheço  do  recurso voluntário.  RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA ­ BENEFÍCIO DE ORDEM  Conforme  relatado  acima,  o  crédito  foi  lançado  com  base  no  instituto  da  responsabilidade solidária, decorrente da execução de contrato de cessão de mão de obra, de  acordo com o artigo 31 da Lei n. 8.212/91, com redação vigente à época do fato gerador, pela  empresa prestadora de serviços.  A CRPS editou o Enunciado n° 30 (Resolução n° 1, de 31/01/2007, publicada  no DOU de 05/02/2007), abaixo transcrito:  Em  se  tratando  de  responsabilidade  solidária  o  fisco  previdenciário  tem a prerrogativa de constituir os créditos  no  tomador  de  serviços  mesmo  que  não  haja  apuração  prévia no prestador de serviços.  Ainda  assim,  a  recorrente  entende  que  outras  exigências  de  cruzamento  de  informações deveriam ter sido cumpridas. Todavia, sem amparo na legislação vigente à época  dos fatos geradores. Vejamos.  A Lei nº 8.212/91, em seu artigo 31, na redação vigente à data de ocorrência  dos  fatos  geradores,  fixou  de  forma  taxativa  a  responsabilidade  solidária  do  contratante  de  quaisquer  serviços  executados  mediante  cessão  de  mão  de  obra,  inclusive  em  regime  de  trabalho  temporário,  com  o  executor,  pelas  obrigações  decorrentes  da  Lei  de  Custeio  da  Seguridade  Social,  em  relação  aos  serviços  prestados,  não  se  aplicando,  em  qualquer  hipótese, o benefício de ordem.  Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991   Art.  31.  O  contratante  de  quaisquer  serviços  executados  mediante  cessão  de  mão­de­obra,  inclusive  em  regime  de  trabalho  temporário,  responde  solidariamente  com  o  executor  pelas obrigações decorrentes desta Lei, em relação aos serviços  prestados,  exceto  quanto  ao  disposto  no  art.  23,  não  se  aplicando,  em  qualquer  hipótese,  o  benefício  de  ordem.  (Redação dada pela Lei nº 9.528/97). (grifos nossos)  §1º Fica ressalvado o direito regressivo do contratante contra o  executor  e  admitida  a  retenção  de  importâncias  a  este  devidas  para  garantia  do  cumprimento  das  obrigações  desta  Lei,  na  forma estabelecida em regulamento.  §2º  Exclusivamente  para  os  fins  desta  Lei,  entende­se  como  cessão de mão­de­obra a colocação à disposição do contratante,  em  suas  dependências  ou  nas  de  terceiros,  de  segurados  que  realizem serviços contínuos, relacionados ou não com atividades  Fl. 1475DF CARF MF Processo nº 18050.003299/2008­90  Acórdão n.º 2401­005.323  S2­C4T1  Fl. 5          7 normais da empresa, quaisquer que sejam a natureza e a forma  de contratação. (Redação dada pela Lei nº 9.528/97).  §3º  A  responsabilidade  solidária  de  que  trata  este  artigo  somente  será  elidida  se  for  comprovado  pelo  executor  o  recolhimento  prévio  das  contribuições  incidentes  sobre  a  remuneração dos  segurados  incluída em nota fiscal ou  fatura  correspondente aos serviços executados, quando da quitação da  referida nota fiscal ou fatura. (Parágrafo acrescentado pela Lei  nº 9.032/95). (grifos nossos)  §4º Para efeito do parágrafo anterior, o cedente da mão­de­obra  deverá  elaborar  folhas  de  pagamento  e  guia  de  recolhimento  distintas para cada empresa  tomadora de serviço, devendo esta  exigir do executor, quando da quitação da nota fiscal ou fatura,  cópia autenticada da guia de recolhimento quitada e respectiva  folha  de  pagamento.  (Parágrafo  acrescentado  pela  Lei  nº  9.032/95).  No mesmo sentido apontam as normas inscritas no art. 42 do Regulamento da  Previdência Social,  aprovado pelo Decreto nº 612/92, vigente  à data de ocorrência dos  fatos  geradores.  Decreto nº 612, de 21 de julho de 1992.  Art.  46.  O  contratante  de  quaisquer  serviços  executados  mediante  cessão  de  mão­de­obra,  inclusive  em  regime  de  trabalho  temporário,  responde  solidariamente  com  o  executor  destes serviços pelas obrigações decorrentes deste regulamento,  em  relação  aos  serviços  a  ele  prestados,  exceto  quanto  às  contribuições  incidentes  sobre  faturamento  e  lucro, conforme o  disposto no art. 28.  §1° Fica ressalvado o direito regressivo do contratante contra o  executor  e  admitida  a  retenção  de  importâncias  a  este  devidas  para a garantia do cumprimento das obrigações.  §2º A responsabilidade solidária pode ser elidida desde que seja  exigido  do  executor  o  pagamento  das  contribuições  incidentes  sobre a  remuneração dos  segurados  incluída  em nota  fiscal ou  fatura  correspondente  aos  serviços  executados,  quando  da  quitação  da  referida  nota  fiscal  ou  fatura,  conforme  definido  pelo INSS.  §3°  Entende­se  como  cessão  de  mão­de­obra  a  colocação,  à  disposição  do  contratante,  em  suas  dependências  ou  nas  de  terceiros,  de  segurados  que  realizem  serviços  contínuos  cujas  características  impossibilitem  plena  identificação  dos  fatos  geradores  das  contribuições,  independentemente  da  natureza  e  da forma de contratação.  §4°  Enquadram­se  na  situação  prevista  no  §3°  as  seguintes  atividades:  a) construção civil;   Fl. 1476DF CARF MF     8 b) limpeza e conservação;   c) manutenção; d) vigilância;   e) segurança e transporte de valores;   f) transporte de cargas e passageiros;   g) outras atividades definidas pelo MTA.  A  Lei  de  Custeio  da  Seguridade  Social,  ao  estabelecer  a  hipótese  de  solidariedade  em  seu  art.  31,  culminou  por  atribuir  ao  contratante  de  serviços  prestados  mediante cessão de mão de obra a obrigação acessória de auxiliar o Fisco na fiscalização das  empresas prestadoras dessa modalidade de serviços, fazendo com que aquele exija deste cópias  autenticadas  das  individualizadas  guias  de  recolhimento  e  respectivas  folhas  de  pagamento,  acenando,  inclusive, com a possibilidade de retenção das  importâncias devidas pelo executor  para a garantia do cumprimento das obrigações previdenciárias.  Destarte, ao não exigir da empresa prestadora de serviços mediante cessão de  mão de obra  as  cópias  autênticas dos documentos  a que se  refere o §4º do  art.  31 da Lei nº  8.212/91, na redação que lhe foi dada, de berço, pela Lei nº 9.032/95, o Contratante se sujeita,  ex lege, automaticamente, à solidariedade pelo adimplemento das contribuições previdenciárias  devidas pelo executor, relativas aos serviços contratados.  O  Egrégio  Superior  Tribunal  de  Justiça  já  irradiou  em  seus  arestos  a  interpretação  que  deve  prevalecer  na  pacificação  do  debate  em  torno  do  assunto,  lançando  definitivamente uma pá de cal nessa infrutífera discussão, consoante se depreende do Agravo  Regimental no Agravo de Instrumento 2002/00892216, da Relatoria do Min. Luiz Fux, assim  ementado:  Processo AgRg no Ag 463744 / SC   AGRAVO  REGIMENTAL  NO  AGRAVO  DE  INSTRUMENTO  2002/00892216   Relator(a) Ministro LUIZ FUX (1122)  Órgão Julgador TI PRIMEIRA TURMA   Data do Julgamento 20/05/2003   Data da Publicação/Fonte DJ 02.06.2003 p. 192   Ementa:  TRIBUTÁRIO.  CONTRIBUIÇÕES  PREVIDENCIÁRIAS.  RESPONSABILIDADE  SOLIDÁRIA  DO  TOMADOR  DE  SERVIÇOS  PELO  RECOLHIMENTO  DOS  VALORES  DEVIDOS  PELO  PRESTADOR  DE  SERVIÇOS.  AGRAVO  REGIMENTAL.  AUSÊNCIA  DE  FUNDAMENTOS  PARA  INFIRMAR A DECISÃO AGRAVADA. DESPROVIMENTO.  I. O artigo 31 da Lei 8.212/91 impõe ao contratante de mão­de­ obra a  solidariedade com o executor em relação às obrigações  de  recolhimento  das  contribuições  previdenciárias,  bem  como  outorga  o  direito  de  regresso  contra  o  executor,  permitindo,  inclusive, ao tomador a retenção dos valores devidos ao executor  para impor­lhe o cumprimento de suas obrigações.  Fl. 1477DF CARF MF Processo nº 18050.003299/2008­90  Acórdão n.º 2401­005.323  S2­C4T1  Fl. 6          9 2.  Para  a  empresa  tomadora  de  serviços  isentar­se  da  responsabilidade  pelo  não  pagamento  das  contribuições  previdenciárias devidas pela prestadora de serviço, é necessário  que demonstre o efetivo recolhimento destas contribuições.  3.  O  Agravante  não  trouxe  argumento  capaz  de  infirmar  o  decisório agravado, apenas se limitando a corroborar o disposto  nas  razões  do  Recurso  Especial  e  no  Agravo  de  Instrumento  interpostos,  de  modo  a  comprovar  o  desacerto  da  decisão  agravada.  4. Agravo regimental a que se nega provimento.  Nesse  panorama,  verificando  o  auditor  fiscal  a  ocorrência  de  prestação  de  serviços executados mediante cessão de mão de obra, não restando elidida a responsabilidade  solidária  pela  via  estreita  fixada  pela  lei,  estabelece­se  definitivamente  a  solidariedade  em  estudo entre prestador e tomador, podendo o fisco, ante a inexistência do beneficio de ordem,  efetuar o lançamento do crédito tributário em face do contribuinte (o executor), ou diretamente  em  desfavor  do  responsável  solidário  (o  contratante),  ou  contra  ambos,  sendo  certo  que  o  pagamento efetuado por um aproveita o outro.  Portanto, não assiste razão à recorrente.  CESSÃO DE MÃO DE OBRA  Em relação à cessão de mão­de­obra, cumpre esclarecer que se trata apenas  da  aplicação  da  lei  ao  caso  concreto. Neste  sentido,  o  parágrafo  2°,  do  artigo  31,  da  Lei  n.  8.212/91,  na  redação  dada  pela  Lei  n.  9.528/97,  conceituava  cessão  de  mão  de  obra,  como  sendo:  a colocação à disposição do contratante, em suas dependências  ou  nas  de  terceiros,  de  segurados  que  realizem  serviços  contínuos,  relacionados  ou  não  com  atividades  normais  da  empresa,  quaisquer  que  sejam  a  natureza  e  a  forma  de  contratação.  Já constou da decisão a quo que, pela análise da documentação apresentada  pela  empresa  contratante,  durante  a  ação  fiscal,  os  Auditores  notificantes  constataram  a  existência de serviços prestados mediante cessão de mão de obra pela contratada, nos moldes  do art. 31, § 2°, da Lei n° 8.212/91, na redação da Lei n° 9.528/97.  Verifica­se,  no  presente  caso,  que  a  cessão  de  mão­de­obra  refere­se  a  serviços de mão de obra de vigilância armada, prestados pela empresa Guardsecure.  Análise  dos  termos  do  contrato  de  prestação  de  serviços,  seus  anexos  e  aditivos fls.713 a 770, demonstra a ocorrência da cessão de mão de obra.  O serviço em tela se enquadra perfeitamente no conceito de cessão de mão de  obra  previsto  na  legislação,  bastando  para  tanto  a  verificação  das  descrições  dos  serviços  prestados nas cópias das notas fiscais.  Observe­se que o mesmo art. 42 do ROCSS, aprovado pelo Decreto n° 2.173,  de 1997, em seu parágrafo 5° assim dispunha:  Fl. 1478DF CARF MF     10 Art.  42  (..)§  5°  Enquadram­se  na  situação  prevista  no  §  43,  dentre outras, as seguintes atividades:  a) construçao civil;  b) limpeza e conservação;  c) manutenção;  d) vigilância;  e) segurança e transporte de valores;  f) transporte de cargas e passageiros;  g) serviços de informática. (g.n.)  É evidente a existência de cessão de mão de obra, não havendo elementos na  peça recursal que infirmem os fatos relatados ou os fundamentos jurídicos do lançamento.  AFERIÇÃO INDIRETA  A  fundamentação  legal  para  o  procedimento  adotado  Aferição  Indireta  encontra­se na no artigo 33, §§ 3º e 6º da Lei nº 8.212/91. Confira­se:  art.  33:  Parágrafo  3°  Ocorrendo  recusa  ou  sonegação  de  qualquer  documento  ou  informação,  ou  sua  apresentação  deficiente,  o  Instituto  Nacional  do  Seguro  Social  (INSS)  e  o  Departamento  da  Receita  Federal  (DRF)  podem,  sem  prejuízo  da  penalidade  cabível,  inscrever  de  ofício  importância  que  reputarem devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da  prova em contrário.  (...)  § 6º Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro  documento  da  empresa,  a  fiscalização  constatar  que  a  contabilidade  não  registra  o  movimento  real  de  remuneração  dos  segurados  a  seu  serviço,  do  faturamento  e  do  lucro,  serão  apuradas,  por  aferição  indireta,  as  contribuições  efetivamente  devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário.  Em análise atenta a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito — NFLD  em questão, nota­se claramente que esta se encontra dentro das formalidades legais, tendo sido  lavrada de acordo com a legislação vigente  PAGAMENTO PELO PRESTADOR E ELISÃO  Quanto  à  alegação  de  que  houve  o  pagamento  pelo  prestador,  as  guias  apresentadas pela  recorrente em sua defesa  são genéricas, não atendem às disposições  legais  capazes de elidir o lançamento.  A Lei  n°  9.032  de  1995,  ao  acrescentar  o  §  3°  ao  art.  31  da Lei  8.212,  de  1991,  no  caso  da  cessão  de  mão  de  obra,  disciplinou  a  possibilidade  de  elisão  desta  responsabilidade solidária, mediante o prévio recolhimento das contribuições incidentes sobre  a  remuneração  dos  segurados,  incluída  na Nota  Fiscal  de  Prestação  de  Serviços,  quando  da  quitação da referida nota.  Fl. 1479DF CARF MF Processo nº 18050.003299/2008­90  Acórdão n.º 2401­005.323  S2­C4T1  Fl. 7          11 A mesma Lei n° 9.032, de 28 de abri de 1995, acrescentando o § 4° ao art. 31  da Lei 8.212/91, determinou que o tomador de serviços deveria exigir do prestador, quando da  quitação da Nota Fiscal, cópia autenticada da guia de recolhimento quitada.  A Ordem de Serviço INSS/DAF n° l76, de 05 de dezembro de 1997, vigente  à época dos  fatos geradores disciplinava  como deveria ser  feito o preenchimento da GRPS  ­  Guia de Recolhimento da Previdência Social:  10 ­ A empresa prestadora de serviço mediante cessão de mão­ de­obra  deverá  preencher  GRPS  distintas  para  cada  empresa  tomadora,  ou,  alternativamente,  para  cada  estabelecimento  desta,  conforme  0  “Manual  da  GRPS  ",  com  as  seguintes  adaptações;  Campo  8.'  a)  número  de  segurados  colocados  à  disposição  da  tomadora;  b)  salário­de­contribuição dos  segurados  empregados,  segundo  a folha de pagamento;  c)  número,  data  de  emissão  e  valor  da  nota  fiscal,  fatura  ou  recibo;  d)  matrícula  (CGC/CEI)  e  nome  ou  razão  social  da  empresa  tomadora.  10.2  A  contribuição  relativa  ao  pessoal  da  administração  da  própria  empresa  prestadora  de  serviço  será  recolhida  em  guia  distinta daquela referente a segurado objeto de cessão de mão­ de­obra.  Assim,  no  presente  feito,  as  guias  apresentadas  não  atenderam  aos  dispositivos acima citados.  Já  a  ocorrência  do  fato  gerador  estava  comprovada  pelas  informações  constantes nos contratos e nas notas fiscais apresentadas. A empresa tomadora não apresentou  os  documentos  necessários  à  elisão  da  solidariedade.  Diante  da  não  apresentação  dos  documentos,  as  contribuições  foram  lançadas  adotando­se os mesmos critérios que deveriam  ter  sido  adotados  pela  empresa  tomadora  caso  pretendesse  se  elidir  da  responsabilidade  solidária.  Isto  porque,  entre  as  formas  de  elisão  da  solidariedade,  as  normas  que  disciplinam  o  custeio  da  Seguridade  Social  sempre  colocaram  como  opção  à  empresa  tomadora,  a  exigência  de  recolhimento  das  contribuições  de  acordo  com  os  percentuais  utilizados  pelo  INSS  para  aferição  indireta.  Neste  sentido,  o  art.  42  do  Regulamento  da  Organização e do Custeio da Seguridade Social ­ ROCSS, aprovado pelo Decreto n° 2.173, de  05/03/ 1997, assim determinava:  Art.  42.  O  contratante  de  quaisquer  serviços  executados  mediante  cessão  de  mão­de­obra,  inclusive  em  regime  de  trabalho  temporário,  responde  solidariamente  com  o  executor  destes serviços pelas obrigações decorrentes deste Regulamento,  em  relação  aos  serviços  a  ele  prestados,  exceto  quanto  às  Fl. 1480DF CARF MF     12 contribuições incidentes sobre faturamento e lucro, de que trata  o art. 28.  § I” Fica ressalvado o direito regressiva do contratante contra o  cedente de mão­de­obra e admitida a retenção de importâncias a  este devidas para a garantia do cumprimento das obrigações.  §  2°  A  responsabilidade  solidária  somente  será  elidida  se  for  comprovado  pelo  cedente  de  mão­de­obra  o  recolhimento  das  contribuições  incidentes  sobre  a  remuneração  dos  segurados  incluída  em  nota  fiscal  ou  fatura  correspondente  aos  serviços  executados,  quando  da  quitação  da  referida  nota  fiscal  ou  fatura,  na  forma  e  percentuais  estabelecidos  pelo  Instituto  Nacional do Seguro Social­ INSS.  § 3° Para efeito do disposto no parágrafo anterior, o cedente de  mão­de­obra  deverá  elaborar  folhas  de  pagamento  e  guias  de  recolhimento distintas para cada empresa  tomadora de serviço,  devendo  esta  exigir  do  cedente  de  mão­de­obra,  quando  da  quitação da nota fiscal ou  fatura, cópia autenticada da guia de  recolhimento quitada e respectiva folha de pagamento.  Neste aspecto, melhor sorte não resta a contribuinte.  Por  todo  o  exposto,  estando  a Notificação  de Lançamento  sub  examine  em  consonância  com  as  normas  legais  que  regulamentam  a matéria, VOTO NO SENTIDO DE  CONHECER  DO  RECURSO  VOLUNTÁRIO,  para  no  mérito,  NEGAR­LHE  PROVIMENTO, pelas razões de fato e de direito acima esposadas.  É como voto.  (assinado digitalmente)  Rayd Santana Ferreira                                Fl. 1481DF CARF MF

score : 1.0
7170636 #
Numero do processo: 15374.948538/2009-72
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3002-000.002
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para confirmação do saldo credor proveniente de 2004. Vencido o Conselheiro Carlos Alberto da Silva Esteves que entendeu não ser necessária a conversão em diligência. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard - Presidente (assinado digitalmente) Diego Weis Junior - Relator Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros, Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Diego Weis Junior, Carlos Alberto da Silva Esteves.
Nome do relator: DIEGO WEIS JUNIOR

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201802

turma_s : Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção

dt_publicacao_tdt : Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2018

numero_processo_s : 15374.948538/2009-72

anomes_publicacao_s : 201803

conteudo_id_s : 5841414

dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2018

numero_decisao_s : 3002-000.002

nome_arquivo_s : Decisao_15374948538200972.PDF

ano_publicacao_s : 2018

nome_relator_s : DIEGO WEIS JUNIOR

nome_arquivo_pdf_s : 15374948538200972_5841414.pdf

secao_s : Terceira Seção De Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para confirmação do saldo credor proveniente de 2004. Vencido o Conselheiro Carlos Alberto da Silva Esteves que entendeu não ser necessária a conversão em diligência. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard - Presidente (assinado digitalmente) Diego Weis Junior - Relator Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros, Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Diego Weis Junior, Carlos Alberto da Silva Esteves.

dt_sessao_tdt : Thu Feb 22 00:00:00 UTC 2018

id : 7170636

ano_sessao_s : 2018

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:13:55 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713050008700321792

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1661; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C0T2  Fl. 94          1 93  S3­C0T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  15374.948538/2009­72  Recurso nº            Voluntário  Resolução nº  3002­000.002  –  Turma Extraordinária / 2ª Turma Ordinária  Data  22 de fevereiro de 2018  Assunto  DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO  Recorrente  WROBEL CONSTRUTORA SA.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    Vistos, relatados e discutidos os presentes autos,  Resolvem  os  membros  do  colegiado,  por  maioria  de  votos,  converter  o  julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para confirmação do saldo credor  proveniente de 2004. Vencido o Conselheiro Carlos Alberto da Silva Esteves que entendeu não  ser necessária a conversão em diligência.  (assinado digitalmente)  Larissa Nunes Girard ­ Presidente  (assinado digitalmente)  Diego Weis Junior ­ Relator  Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros, Larissa Nunes  Girard  (Presidente),  Maria  Eduarda  Alencar  Câmara  Simões,  Diego  Weis  Junior,  Carlos  Alberto da Silva Esteves.  Relatório   Em 10.08.2006 o recorrente transmitiu Declaração de Compensação ­ DCOMP,  objetivando a utilização de crédito oriundo de pagamento indevido de Contribuição ao PIS não  cumulativo  referente  ao mês  de março/2005,  com  débito  da mesma  contribuição  relativo  ao  mês de julho/2006. (fls. 03 a 07)  Em 11.08.2009  foi  emitido Despacho Decisório  informando  que  o  pagamento  declarado pela empresa foi localizado, mas integralmente utilizado para quitação de débitos do  contribuinte,  não  restando  crédito  disponível  para  compensação  dos  débitos  informados  no     RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 53 74 .9 48 53 8/ 20 09 -7 2 Fl. 94DF CARF MF Processo nº 15374.948538/2009­72  Resolução nº  3002­000.002  S3­C0T2  Fl. 95          2 PER/DCOMP, razão pela qual não foi homologada a compensação declarada, exigindo­se, por  conseguinte, o pagamento do tributo cuja quitação se pretendia fazer por meio da DCOMP em  comento. (fl. 09)  Cientificado do conteúdo do Despacho Decisório em 20.08.2009, o contribuinte  apresentou, em 17.09.2009, Manifestação de Inconformidade alegando, em síntese, que:  a)  Equivocou­se  ao  preencher  a  DCTF  do  1º  semestre  de  2005,  informando  débito de PIS (código 6912) no valor de R$2.040,04, quando o correto seria não  informar  nenhum  valor,  pois  o  valor  do  tributo  devido  nessa  competência  foi  compensado  integralmente  com  créditos  de  insumos,  conforme  informações  constantes da DACON relativa ao mesmo período de apuração;  b)  Constatado  o  equívoco,  entregou,  em  17.09.2009,  DCTF  retificadora  com  exclusão do débito de PIS da competência 03/2005, evidenciando dessa forma,  aos sistemas da RFB, a existência do crédito decorrente do pagamento indevido;  c)  O  pagamento  indevido  de  PIS,  relativo  a  competência  03/2005  deve  ser  considerado  para  a quitação  do  débito  de PIS  referente  ao mês  de  julho/2006,  nos termos da DCOMP apresentada.  d) Anexou cópia: do Despacho Decisório, da DCTF retificadora; das  fichas 07  (março/2005) e 11B da DACON do 1º  trimestre de 2005, e de documentos de  identificação e legitimidade;  A 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza/CE ­  DRJ/FOR,  em  sessão  de  28.04.2014,  por  meio  do  Acórdão  nº  08­29.482,  considerou  improcedente a manifestação de inconformidade com a seguinte ementa:  ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA   Ano­calendário: 2005  NÃO COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO.  Não  cabe  reparo  a  Despacho  Decisório  que  não  homologou  a  compensação  declarada  pelo Contribuinte  por  inexistência  de  direito  creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do  crédito estava alocado para a quitação de débito confessado.  Descabe reconhecer direito creditório não comprovado nos autos.  DCTF  RETIFICADORA  POSTERIOR  À  CIÊNCIA  DO  DESPACHO  DECISÓRIO.  Modificações  efetuadas  na  DCTF  após  a  ciência  do  Despacho  Decisório Eletrônico,  desacompanhados  dos  elementos  de  prova,  não  têm o condão de tornar as informações originais incorretas.  Manifestação de Inconformidade Improcedente.  Direito Creditório Não Reconhecido.  A autoridade julgadora de primeira instância consignou em seu voto que:  Fl. 95DF CARF MF Processo nº 15374.948538/2009­72  Resolução nº  3002­000.002  S3­C0T2  Fl. 96          3  "...os débitos declarados em DCTF constituem confissão de dívida, por  isso  dispensam  inclusive  lançamento  de  ofício,  para  fins de  inscrição  na Dívida Ativa, quando necessário."  "...prevalece  o  que  foi  confessado  pela  DCTF  Ativa  na  data  do  Despacho Decisório, descabendo o valor informado pela última DCTF  Retificadora, por motivo de esta haver sido transmitida após a ciência  do Despacho Decisório."  "...o  Interessado...  não  trouxe  aos  autos  elementos  suficientes  para  comprovar o direito alegado."  Nos  termos  da  decisão  proferida  pela  DRJ/FOR,  o  contribuinte  não  logrou  comprovar os  requisitos de certeza e  liquidez do crédito  tributário utilizado na compensação,  vez que deixou de anexar documentos probantes do direito creditório pleiteado.  Alegaram  também  os  representantes  do  fisco,  que  a  ciência  do  conteúdo  do  Despacho  Decisório  instaurou  procedimento  fiscal  para  a  cobrança  do  referido  débito,  excluindo  a  espontaneidade  do  Sujeito  Passivo  em  relação  aos  atos  envolvidos  com  as  infrações verificadas.  O acórdão combatido aduz que uma vez instaurado o litígio, com a apresentação  da Manifestação de Inconformidade, devem ser apresentadas as provas documentais do direito  alegado,  nos  termos  do  art.  16,  §4º  do  DeL  70.235/72,  sob  pena  de  preclusão,  excetuado  fundado motivo para não o ter feito naquela oportunidade.  Aduz  ainda  a DRJ/FOR que  embora  a DACON  tenha  sido  instituída,  pela  IN  SRF 387 de 20/01/2004, para fins de o Sujeito Passivo manter controle de todas as operações  que influenciem a apuração do valor devido da COFINS e da contribuição ao PIS, prevalece o  conceito de confissão de dívida exclusivo da DCTF.  Por  fim, conclui pelo não acolhimento da manifestação de  inconformidade por  não  ter  sido demonstrada a  certeza  e  liquidez do direito creditório do manifestante,  requisito  indispensável para que o seu pleito fosse acatado.  O  contribuinte  tomou  ciência  dessa  decisão  em  22.10.2014  por  meio  de  correspondência  registrada,  (fl.  51),  tendo  protocolado  o  presente  Recurso  Voluntário  em  19.11.2014.  Em suas razões de recuso, o sujeito passivo ratifica as razões da manifestação de  inconformidade,  invocando  em  sua  defesa  o  princípio  da  verdade  material,  segundo  o  qual  devem  prevalecer,  no  presente  caso,  as  informações  prestadas  na  DACON,  enquanto  instrumento  hábil  para  a  demonstração  e  controle  de  todas  as  operações  que  influenciam  na  apuração do valor devido a título de COFINS e contribuição ao PIS.  Em  fase  recursal,  o  contribuinte  anexou  documentos  de  identificação  e  legitimidade dos recorrentes, razão contábil da conta PIS a recuperar, bem como nova cópia da  mesma DACON juntada por ocasião da Manifestação de Inconformidade..  É o relatório.  Voto  Fl. 96DF CARF MF Processo nº 15374.948538/2009­72  Resolução nº  3002­000.002  S3­C0T2  Fl. 97          4 Conselheiro Diego Weis Junior, Relator  O Recurso Voluntário é  tempestivo e preenche os pressupostos e requisitos de  admissibilidade.  No  caso  em  análise,  o  contribuinte  confessou,  em  sua  Manifestação  de  Inconformidade,  ter  cometido  equívoco  no  preenchimento  da DCTF do  1º  semestre de  2005  enviada  originalmente,  onde  informou  como  valor  devido  a  título  de  contribuição  ao  PIS  referente  ao mês  de março/2005  o montante  de R$2.040,04,  quando  o  correto  seria  não  ter  informado saldo devedor desta contribuição para tal mês, haja vista que os débitos do período  foram totalmente compensados com créditos oriundos da aquisição de insumos.  Para comprovar sua alegação, o contribuinte trouxe aos autos, juntamente com a  Manifestação  de  Inconformidade,  cópia  das  fichas  07  e 11B da DACON  relativa  ao mesmo  período, transmitida em 27.09.2005, ou seja, dentro do prazo regulamentar de envio e anterior  a qualquer procedimento por parte do fisco em relação à declaração de compensação em tela.  A DACON carreada aos autos evidencia que o crédito utilizado na compensação  em apreço, advém de saldo credor de meses anteriores.  A  autoridade  julgadora  de  primeira  instância  não  determinou  análise  da  veracidade  dos  dados  constantes  da  DACON,  limitando­se  apenas  a  informar,  na  única  passagem do voto que faz menção a tal demonstrativo, que  ...embora o citado demonstrativo haja sido instituído pela IN SRF 387  de 20/01/2004, para fins de o Sujeito Passivo manter controle de todas  as  operações  que  influenciem  a  apuração  do  valor  devido  das  Contribuições ao PIS e COFINS, prevalece o conceito de confissão de  dívida exclusivo da DCTF.  Ao  afirmar  que  a  DACON  foi  instituída  para  fins  de  que  o  sujeito  passivo  mantenha o controle de todas as operações que influenciem na apuração das contribuições ao  PIS  e  à  COFINS,  poderia  a  DRJ,  consoante  ao  disposto  no  art.  29  do  DEL  70.235/72,  ter  determinado  diligências  a  fim  de  certificar  a  exatidão  dos  dados  constantes  de  tal  demonstrativo,  em  especial  a  existência  do  saldo  credor  de meses  anteriores,  utilizado  pelo  contribuinte no período de apuração em discussão nestes autos.  A  recorrente, por seu  turno,  já em  fase  recursal,  anexou ao PAF:  a)  cópias do  razão contábil das contas "Pis a Recuperar ­ Não Cumulativo", "Pis a Recuperar (Pg. a maior)"  e  "Pis  ­  Cód.  6912  ­  Não  Cumulativo";  b)  nova  cópia  da  mesma  DACON  apresentada  juntamente  com  a  Manifestação  de  Inconformidade,  evidenciando  que  tal  demonstrativo  permaneceu sem alterações durante todo o período da lide.  Assim,  tendo  em  vista:  a)  a  falta  de  verificação,  pela  autoridade  fiscal  e  pelo  julgador  de  primeira  instância,  dos  créditos  de  períodos  anteriores  constantes  da  DACON  apresentada  como  prova  pelo  contribuinte  em  momento  oportuno;  b)  os  documentos  apresentados  pelo  recorrente  em  seu  último  ato  neste  processo,  que  reforçam  o  contido  na  DACON em  comento, mas  ainda  não  são  suficientes,  por  si  só,  para  comprovar  a  certeza  e  liquidez do crédito utilizado; c) O princípio da verdade material, que deve orientar as ações do  julgador  administrativo  no  sentido  buscar  a  decisão  que melhor  se  coaduna  à  realidade  dos  fatos,  não  merece  prosperar  a  alegação  de  que  deve  prevalecer  o  conceito  de  confissão  de  Fl. 97DF CARF MF Processo nº 15374.948538/2009­72  Resolução nº  3002­000.002  S3­C0T2  Fl. 98          5 dívida  exclusivo  da DCTF  original,  em  detrimento  da  apuração  detalhada  e  controlada  pela  DACON e dos outros elementos constantes dos autos.  Diante de todo o exposto, VOTO por converter o julgamento em diligência, para  que  a  unidade  da  RFB  de  origem:  a)  Intime  o  contribuinte  à  apresentação  de  documentos  hábeis e idôneos, que possam comprovar a certeza e liquidez do crédito escritural de COFINS,  declarado  nas  DACONs  apresentadas  nestes  autos,  inclusive  no  que  diz  respeito  ao  crédito  remanescente do ano de 2004, elaborando parecer conclusivo sobre sua existência, ou não; b)  Intime o contribuinte quanto ao teor do relatório da diligência para, querendo, manifestar­se no  prazo legal, retornando, por fim, os autos ao CARF para julgamento.  Diego Weis Junior ­ Relator  Fl. 98DF CARF MF

score : 1.0
7234122 #
Numero do processo: 10830.903081/2008-48
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 15/12/2003 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO PROBATÓRIO. MOMENTO PARA A APRESENTAÇÃO DE PROVAS. PRECLUSÃO. O sujeito passivo deve trazer aos autos todos os documentos aptos a provar suas alegações, em regra, no momento da apresentação de sua Impugnação/Manifestação de Inconformidade, sob pena de preclusão. Admite-se a apresentação de provas em outro momento processual, além das hipóteses legalmente previstas, quando estas reforcem o valor probatório das provas já oportunamente apresentadas. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 15/12/2003 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. A apresentação de DCTF retificadora anteriormente à prolação do Despacho Decisório não é condição para a homologação das compensações. Contudo, a referida declaração não tem o condão de, por si só, comprová-lo. É do contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito pleiteado através de documentos contábeis e fiscais revestidos das formalidades legais. Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3002-000.028
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Votou pelas conclusões a conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard - Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Diego Weis Junior, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Carlos Alberto da Silva Esteves
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DA SILVA ESTEVES

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201803

ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 15/12/2003 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO PROBATÓRIO. MOMENTO PARA A APRESENTAÇÃO DE PROVAS. PRECLUSÃO. O sujeito passivo deve trazer aos autos todos os documentos aptos a provar suas alegações, em regra, no momento da apresentação de sua Impugnação/Manifestação de Inconformidade, sob pena de preclusão. Admite-se a apresentação de provas em outro momento processual, além das hipóteses legalmente previstas, quando estas reforcem o valor probatório das provas já oportunamente apresentadas. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 15/12/2003 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. A apresentação de DCTF retificadora anteriormente à prolação do Despacho Decisório não é condição para a homologação das compensações. Contudo, a referida declaração não tem o condão de, por si só, comprová-lo. É do contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito pleiteado através de documentos contábeis e fiscais revestidos das formalidades legais. Recurso Voluntário Negado.

turma_s : Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção

dt_publicacao_tdt : Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2018

numero_processo_s : 10830.903081/2008-48

anomes_publicacao_s : 201804

conteudo_id_s : 5854459

dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2018

numero_decisao_s : 3002-000.028

nome_arquivo_s : Decisao_10830903081200848.PDF

ano_publicacao_s : 2018

nome_relator_s : CARLOS ALBERTO DA SILVA ESTEVES

nome_arquivo_pdf_s : 10830903081200848_5854459.pdf

secao_s : Terceira Seção De Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Votou pelas conclusões a conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard - Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Diego Weis Junior, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Carlos Alberto da Silva Esteves

dt_sessao_tdt : Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2018

id : 7234122

ano_sessao_s : 2018

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:16:00 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713050008725487616

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1838; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C0T2  Fl. 475          1 474  S3­C0T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10830.903081/2008­48  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  3002­000.028  –  Turma Extraordinária / 2ª Turma   Sessão de  13 de março de 2018  Matéria  DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A  MAIOR ­ PIS  Recorrente  PETROVIARIO TRANSPORTES LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Data do fato gerador: 15/12/2003  PEDIDO  DE  COMPENSAÇÃO.  DIREITO  PROBATÓRIO.  MOMENTO  PARA A APRESENTAÇÃO DE PROVAS. PRECLUSÃO.  O sujeito passivo deve trazer aos autos todos os documentos aptos a provar  suas  alegações,  em  regra,  no  momento  da  apresentação  de  sua  Impugnação/Manifestação  de  Inconformidade,  sob  pena  de  preclusão.  Admite­se a apresentação de provas em outro momento processual, além das  hipóteses legalmente previstas, quando estas reforcem o valor probatório das  provas já oportunamente apresentadas.  ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP  Data do fato gerador: 15/12/2003  PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CERTEZA E  LIQUIDEZ DO CRÉDITO  TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA.  A apresentação de DCTF retificadora anteriormente à prolação do Despacho  Decisório não é condição para a homologação das compensações. Contudo, a  referida  declaração  não  tem  o  condão  de,  por  si  só,  comprová­lo.  É  do  contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito pleiteado  através de documentos contábeis e fiscais revestidos das formalidades legais.  Recurso Voluntário Negado.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento  ao  Recurso  Voluntário.  Votou  pelas  conclusões  a  conselheira  Maria  Eduarda  Alencar Câmara Simões.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 90 30 81 /2 00 8- 48 Fl. 475DF CARF MF Processo nº 10830.903081/2008­48  Acórdão n.º 3002­000.028  S3­C0T2  Fl. 476          2   (assinado digitalmente)  Larissa Nunes Girard ­ Presidente.   (assinado digitalmente)  Carlos Alberto da Silva Esteves ­ Relator.    Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard  (Presidente), Diego Weis Junior, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Carlos Alberto da  Silva Esteves    Relatório  O processo administrativo ora em análise trata de PER/DCOMP (fl. 14/19),  transmitido  em  15/09/2004,  cujo  crédito  teria  origem  em  recolhimento  do  PIS  efetuado  a  maior.  A compensação declarada não foi homologada, conforme despacho decisório  (fl.  123),  pelos  seguintes  motivos:  "A  partir  das  características  do  DARF  discriminado  no  PER/DCOMP  acima  identificado,  foram  localizados  um  ou  mais  pagamentos,  abaixo  relacionados,  mas  integralmente  utilizados  para  quitação  de  débitos  do  contribuinte,  não  restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP".  Após  ser  intimada  da  decisão  em  20/08/2008,  a  ora  recorrente  apresentou  tempestivamente  Manifestação  de  Inconformidade  (fl.  2/4),  na  qual  informou  que,  primeiramente,  no  ano­calendário  de  2003,  havia  recolhido  a  contribuição  para  o  PIS/Pasep  pelo regime cumulativo, contudo, posteriormente, no início de 2004, fez uma revisão interna e  optou por adotar o regime da não cumulatividade, inclusive, em relação ao ano anterior. Essa  mudança de critério, segundo ela,  teria gerado pagamentos a maior, os quais foram objeto de  pedidos de compensação com outros tributos.  Informou, ainda, que deixou de retificar suas declarações em época própria:  Dacon, DIPJ e DCTF, apresentado­as juntamente com sua manifestação.  A DRJ/CPS  converteu o  julgamento  em diligência  (fl.  128/129) para que  a  autoridade fiscal cumprisse os seguintes quesitos:    "a)  verifique,  com  exame  da  documentação  contábil­fiscal  da  contribuinte, a efetividade e a regularidade dos créditos da não­ cumulatividade apurados pela interessada.  Fl. 476DF CARF MF Processo nº 10830.903081/2008­48  Acórdão n.º 3002­000.028  S3­C0T2  Fl. 477          3 b)  examine  a  apuração  da  contribuição  na  sistemática  não  cumulativa,  incluindo  o  eventual  aproveitamento  futuro  dos  créditos apurados em 2003;  c)  elabore  relatório  circunstanciado  destacando a  contribuição  efetivamente devida."    Assim,  em  24/11/2011,  o  Serviço  de  Orientação  e  Análise  Tributária  da  DRF/Campinas  intimou  o  sujeito  passivo  (fl  131/132)  a  apresentar,  no  prazo  de  20  dias,  a  seguinte documentação:    "Apresentar  documentação  contábil­fiscal  que  comprove  a  efetividade e a regularidade dos créditos da não cumulatividade  listados na tabela acima e utilizados no DACON;  Apresentar fotocópia do livro Razão relativamente à conta “PIS  a  pagar”, Código  de Arrecadação  6912,  Período  de Apuração  Novembro de 2003."    Após  essa  data,  ocorreram  pedidos  de  dilação  de  prazo  e  reintimações.  A  seqüência  fática  encontra­se bem evidenciada na  Informação Fiscal  (fl.  304/305)  e,  por  isso,  transcreve­se excerto:    "Em  24/11/2011,  através  da  INTIMAÇÃO  SEORT/DRF­ CPS/1678/2011  a  interessada  foi  chamada  a  apresentar  documentação contábil­fiscal que comprovasse a efetividade e a  regularidade  dos  créditos  da  não  cumulatividade  listados  na  tabela  e  utilizados  no  DACON,  bem  como  fotocópia  do  livro  Razão  relativamente  à  conta  “PIS  a  pagar”,  Código  de  Arrecadação 6912, Período de Apuração Fevereiro de 2003   Em 14/12/2011 a interessada protocolou pedido solicitando mais  20  dias  para  atendimento  à  intimação  SEORT/DRF­ CPS/1678/2011.  A  interessada  teve  ciência  do  deferimento  de  seu pedido em 29/12/2011.  Entretanto,  em  25/01/2012,  através  do  protocolo  do  dossiê  eletrônico  nº  10010.008343/0112­54  (documentos  juntados  às  folhas  157/289),  a  interessada apresentou  documento  alegando  já ter prestado os esclarecimentos solicitados, anexou cópia das  manifestações de inconformidade já apresentadas e pediu ainda  o cancelamento da intimação.  Através  da  intimação  SEORT/DRF­CPS/232/2012  este  SEORT  esclareceu  à  interessada  que  os  documentos  estavam  sendo  requeridos a pedido da Delegacia da Receita Federal do Brasil  de Julgamento em Campinas e que estes eram necessários para  Fl. 477DF CARF MF Processo nº 10830.903081/2008­48  Acórdão n.º 3002­000.028  S3­C0T2  Fl. 478          4 análise  do  crédito  em  discussão  (folhas  290/291).  Assim,  em  09/04/2012, a interessada novamente solicitou mais 20 dias para  a apresentação dos documentos.  Concedido  prazo  de  20  dias  contados  da  ciência  da  intimação  SEORT/DRFCPS/  502/2012  (ciência  em  26/06/2012)  a  interessada não se manifestou até 14/08/2012.  Por  todo  o  exposto,  considerando  as  diversas  tentativas  improfícuas  deste  SEORT  em  receber  os  documentos  necessários ao cálculo do crédito de PIS do período de apuração  Nov/2003,  informamos  que  não  foi  possível  preceder  à  análise/cálculo do crédito em questão." (grifo nosso)    Após  ser  cientificada  da  Informação  Fiscal,  a  contribuinte  apresentou  Complementação à Manifestação de Inconformidade e outros documentos.  Em seqüência, analisando as argumentações da contribuinte e os documentos  juntados, a DRJ/CPS julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, por decisão que  possui a seguinte ementa:    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP   Data do fato gerador: 15/12//2003   DIREITO CREDITÓRIO. PROVA.  O reconhecimento do direito creditório pleiteado requer a  prova de sua existência e montante, sem o que não pode ser  restituído  ou  utilizado  em  compensação.  Faltando  ao  conjunto  probatório  carreado  aos  autos  pela  interessada  elemento  que  permita  a  verificação  da  existência  de  pagamento  indevido  ou  a  maior  frente  à  legislação  tributária, o direito creditório não pode ser admitido.  Manifestação de Inconformidade Improcedente   Direito Creditório Não Reconhecido    Intimada  dessa  decisão,  a  contribuinte  apresentou  Recurso  Voluntário  (fl.  421/426), no qual  requereu a reforma do Acórdão recorrido,  repisando fatos e argumentos  já  apresentados e juntando os seguintes documentos: a) cópia do livro de registro de entrada nº 2;  b) cópia do livro de registro de entradas nº 5; c) nova planilha de apuração de demonstrativo de  base de cálculo do PIS não cumulativo e d) planilha das diferenças dos valores a compensar e a  recolher.    Fl. 478DF CARF MF Processo nº 10830.903081/2008­48  Acórdão n.º 3002­000.028  S3­C0T2  Fl. 479          5 É o relatório, em síntese.    Voto             Conselheiro Carlos Alberto da Silva Esteves  O  direito  creditório  envolvido  no  presente  processo  encontra­se  dentro  do  limite de alçada das Turmas Extraordinárias, conforme disposto no art. 23­B do RICARF.  O  Recurso  Voluntário  é  tempestivo  e  preenche  os  requisitos  formais  de  admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento.  Entendo que a questão fundamental a ser decidida no presente julgamento se  refere ao direito probatório em processos administrativos fiscais.  O  art.  173  do  Código  de  Processo  Civil  (CPC)  estabelece  que  o  ônus  da  prova  incumbe  ao  autor,  quanto  ao  fato  constitutivo  do  seu  direito,  e  ao  autor,  quanto  à  existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Ou seja, em regra,  incumbe  à  parte  fornecer  os  elementos  de  prova  das  alegações  que  fizer,  visando  prover  o  julgador  com  os  meios  necessários  para  o  seu  convencimento,  quanto  à  veracidade  do  fato  deduzido como base da sua pretensão.  Seguindo essa mesma linha, o art. 36 da Lei nº 9.784, de 1999, que regula os  processos administrativos federais, dispõe que cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha  alegado.  Quanto  ao  processo  administrativo  fiscal,  o  art.  16  do  Decreto  70.235/72  assim estabelece:    Art. 16. A impugnação mencionará:   I ­ omissis  .........................................................................................................  III  ­  os motivos  de  fato  e  de  direito  em  que  se  fundamenta,  os  pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Inciso  com redação dada pela Lei nº 8.748, de 9/12/1993)  .........................................................................................................  § 1° omissis  .........................................................................................................  §  4º  A  prova  documental  será  apresentada  na  impugnação,  precluíndo o direito de o impugnante fazê­lo em outro momento  processual, a menos que:   Fl. 479DF CARF MF Processo nº 10830.903081/2008­48  Acórdão n.º 3002­000.028  S3­C0T2  Fl. 480          6 a)  fique  demonstrada  a  impossibilidade  de  sua  apresentação  oportuna, por motivo de força maior;  b) refira ­ se a fato ou a direito superveniente;  c)  destine  ­  se  a  contrapor  fatos  ou  razões  posteriormente  trazidas  aos  autos.  (Parágrafo  acrescido  pela  Lei  nº  9.532,  de  10/12/1997)  .........................................................................................................    Como  se percebe dos dispositivos  transcritos,  o dever de provar  incumbe a  quem alega. Assim, creio que o ônus da prova atua de forma diversa em processos decorrentes  de  lançamento  tributário  e  processos  decorrentes  de  pedido  de  restituição,  ressarcimento  e  compensação.  Nestes,  cabe  ao  contribuinte  provar  a  liquidez  e  a  certeza  do  seu  crédito,  naqueles, cabe ao fisco provar a ocorrência do fato gerador.  Por certo, não se pode olvidar do Princípio da Verdade Material, que norteia  o processo administrativo, devendo o julgador buscar o esclarecimento dos fatos, adotando as  providências necessárias no sentido de firmar sua convicção quanto a verdade real. Contudo, a  atuação do julgador somente pode ocorrer de forma subsidiária à atividade probatória, que deve  ser desempenhada pelas partes.  Assim,  não  pode  o  julgador  usurpar  a  competência  da  autoridade  fiscal  e  intentar produzir provas, que validem um lançamento fiscal fracamente instruído, assim como,  lhe é vedado desincumbir, pela sua atuação ativa no processo, o sujeito passivo de trazer aos  autos o conjunto probatório mínimo necessário para comprovar o seu direito creditório.   Dessa  forma,  a  busca  pela  verdade material  não  pode  ser  entendida  como  ilimitada.  Em  realidade,  nenhum  Princípio  é  soberano  e  outros  também  regem  o  processo  administrativo, tais como: os Princípios da Celeridade, Imparcialidade, Eficiência, Moralidade,  Legalidade,  Segurança  Jurídica,  dentre  outros.  Por  conseguinte,  será  lastreado  nas  circunstâncias fáticas do caso concreto, que o julgador deverá ponderar e sopesar a influência  de cada um dos diversos Princípios, visando a maior justeza em seu julgamento.  Outro  ponto  nodal  sobre  a  mesma  matéria  refere­se  ao  momento  para  a  apresentação de provas. Como é cediço, a autoridade fiscal  tem como limite  temporal para a  juntada  de  provas,  usualmente,  a  lavratura  do Auto  de  Infração.  Em  contrapartida,  o  sujeito  passivo está limitado, em regra, ao momento de instauração da fase litigiosa do processo, isto  é, quando da apresentação de sua  Impugnação/Manifestação de  Inconformidade, sob pena de  preclusão, conforme o § 4º do art. 16 do Decreto 70.235/72.  Entretanto, o próprio dispositivo citado enumera três circunstâncias , as quais  permitiriam ao  contribuinte  carrear provas  aos  autos  em outro momento processual:  a)  fique  demonstrado a  impossibilidade de  sua apresentação oportuna, por motivo de  força maior;  b)  refira­se  a  fato  ou  a  direito  superveniente  e  c)  destine­se  a  contrapor  fatos  ou  razões  posteriormente trazidas aos autos.  Fl. 480DF CARF MF Processo nº 10830.903081/2008­48  Acórdão n.º 3002­000.028  S3­C0T2  Fl. 481          7 Considerando­se os Princípios da Igualdade, Moralidade, Imparcialidade e o  da Verdade Material, entendo, data venia, que as exceções dispostas só podem ser validamente  consideradas se estendidas a ambas as partes.  A  jurisprudência  desse  Conselho  mostra  que,  em  várias  ocasiões,  tem­se  admitido  a  juntada  de  provas  em  fase  posterior  àquela  definida  na  legislação  e  em  circunstâncias diversas daquelas exceções legais, que afastam a preclusão. Tudo em nome do  Princípio da Verdade Material.  Creio  que  isso  é  possível,  legal,  justo  e  desejável.  Entretanto,  somente  em  condições bastante específicas. Entendo que somente deve­se  admitir  tais provas,  quando no  momento oportuno, o sujeito passivo já tenha carreado aos autos provas mínimas do que alega.  Importante  frisar que não basta  ter apresentado documentos, que não guardam nenhum valor  probatório no caso concreto analisado, há que ter sido juntado na Impugnação/Manifestação de  Inconformidade um conjunto probatório mínimo. Assim, as provas excepcionalmente juntadas  de forma extemporâneas são aceitáveis, quando apenas reforçam o valor probatório do material  já anteriormente apresentado.  Agir  de  forma  diversa,  aceitando  qualquer  tipo  de  prova,  em  qualquer  circunstância,  sem  que  tenha  sido  apresentado  um  conjunto  probatório  no  momento  fatal  definido em lei, a fim de privilegiar a verdade material, significaria, data venia, se emprestar  uma  força  absoluta e  soberana a um Princípio em detrimento aniquilar dos outros. Ademais,  estaria­se diante de uma verdadeira derrogação do § 4º do art. 16 do Decreto 70.235, realizada  pelo  intérprete  e  aplicador  da  norma,  pois,  na  prática,  o  seu  disposto  não  seria  aplicado  em  hipótese alguma, excluindo­o do ordenamento jurídico, fato que somente poderia ser realizado  por lei.  Ainda sobre o mesmo tema, deve­se tecer alguns comentários sobre o valor  probatório do material eventualmente apresentado. Como consignei acima, não basta a juntada  de  documentos,  estes  devem  possuir  valor  probatório,  mínimo  que  seja,  considerando­se  as  vicissitude do  caso  concreto posto  em  análise. Assim, determinado documento pode guardar  conteúdo probatório das alegações em um processo e, em outro, não se configurar prova.  Por  certo,  em  regra,  as  declarações  fiscais  transmitidas  pelo  contribuinte,  assim  como,  seus  registros  contábeis,  fazem  prova  em  seu  favor. Contudo,  esses  elementos,  para possuírem algum valor probatório, devem ter sido elaborados segundo os ditames legais e  em época apropriada.  Vejamos,  por  exemplo,  a  DCTF  retificadora.  Como  vem  se  manifestando,  reiteradamente,  este Conselho,  a  apresentação da DCTF  retificadora  antes da  transmissão do  pedido  de  compensação,  em  casos  de  pagamento  indevido  ou  a maior,  ou  mesmo  antes  da  ciência do Despacho Decisório, não é condição para a homologação da compensação pleiteada,  pois o direito creditório não surge com a declaração, mas com o efetivo pagamento indevido ou  a maior. Entretanto, a mera apresentação da DCTF retificadora não tem o condão de, por si só,  comprová­lo.  Nessa  linha,  outras  declarações  prestadas  à RFB,  tais  como DIPJ  e Dacon,  poderiam  fazer  prova  da  veracidade  dos  dados  registrados  na DCTF  retificadora,  desde  que  transmitidas  antes  do  Despacho  Decisório  e  possuíssem  informações  compatíveis  com  o  conteúdo  da  retificadora.  Então,  nesse  caso,  a  juntada  de  outras  declarações  ao  processo  se  constituiria  num  conjunto  com  força  probatória,  ainda  que  relativa  e,  por  isso  mesmo,  não  Fl. 481DF CARF MF Processo nº 10830.903081/2008­48  Acórdão n.º 3002­000.028  S3­C0T2  Fl. 482          8 afastaria a discricionariedade do julgador perquirir sobre outros elementos, visando firmar sua  convicção. De forma diversa, deveriam ser consideradas essas mesmas declarações se fossem  transmitidas  extemporaneamente,  pois  não  passariam  de  documentos  sem  nenhum  valor  probatório.   Assim,  registros  contábeis,  que  não  estejam  revestidos  das  formalidades  legais ou que não se possa confirmar tais requisitos, não se constituem prova.  Essas  considerações  são  de  crucial  importância  para  avaliação  da  caracterização  de  determinada  prova  como  reforço  da  anteriormente  apresentada  e,  conseqüentemente, da possibilidade de sua aceitação. Mormente, a análise das especificidades  de cada caso concreto é o que deve pautar o  julgador nesse desiderato, não obstante, sem se  afastar do norte lógico­jurídico que deve alicerçar sua decisão.  No  presente  caso  em  análise,  a  ora  recorrente  restringiu­se  apenas  a  fazer  alegações  sobre  seu  suposto  crédito,  juntar  planilha  e  cópia  de  declarações  retificadoras,  DCTF, DIPJ e Dacon, em sua Manifestação de Inconformidade. Ressalte­se, por fundamental,  que  todas  as  declarações  apresentadas  foram  transmitidas  após  a  ciência  do  Despacho  Decisório. Em seu texto, a própria recorrente reconhece sua falha:    "A mudança de critério foi feita corretamente, todavia, incorreu  o  contribuinte  no  erro  de  deixar  de  retificar  os  documentos  informativos de  tais alterações referentes ao exercício de 2003,  como por exemplo: DCTF, Dacom e DIPJ."    Assim, seguindo o raciocínio lógico­jurídico exposto anteriormente, o sujeito  passivo não se desincumbiu do seu ônus de comprovar a liquidez e a certeza do suposto crédito  pleiteado, pois o material apresentado não se constitui em um conjunto probatório, mas, são,  apenas, meros documentos.  A despeito disso, a DRJ­Campinas resolveu, por maioria de votos, converter  o  julgamento  em  diligência  e,  na  prática,  oportunizar  à  contribuinte  nova  chance  para  apresentar  as  provas  da  liquidez  e  certeza  do  crédito  pleiteado. Data  venia,  creio  que  essa  medida não era necessária, obrigatória, nem mesmo conveniente, tendo em vista que nenhuma  prova havia sido juntada aos autos no momento oportuno.  De  qualquer  forma,  o  Serviço  de  Orientação  e  Análise  Tributária  da  Delegacia da Receita Federal em Campinas, em atendimento à diligência requisitada, intimou,  por diversas vezes, a contribuinte a apresentar sua escrituração contábil e os documentos fiscais  que  a  embasavam.  Todavia,  a  maior  interessada  não  cumpriu  as  intimações  e,  conseqüentemente,  inviabilizou  a  auditoria  que  poderia  comprovar  a  existência  do  suposto  crédito.  Em  realidade,  somente  após  tomar  ciência  da  Informação  Fiscal,  que  noticiava  o  término  da  diligência,  a  contribuinte  apresentou  peça  denominada  "complementação  à Manifestação  de  Inconformidade",  repisando  alegações  já  formuladas  e  sem  adentrar  no  teor  das  informações  prestadas  pelo  SEORT,  e  juntando  documentos  já  Fl. 482DF CARF MF Processo nº 10830.903081/2008­48  Acórdão n.º 3002­000.028  S3­C0T2  Fl. 483          9 apresentados e outros novos. Contudo, mais uma vez, esses documentos não se configuravam  como prova. Do voto condutor do Acórdão guerreado, transcreve­se:    "A falha da contribuinte em atender às seguidas intimações para  submeter  aqueles  elementos  à  verificação  fiscal  fragiliza,  ao  ponto  de  inviabilizar,  os  argumentos  que  apresentou  para  contestar o ato de não homologação.  Mesmo  a  apresentação  do  que  seria  seu  Razão  Analítico  Contábil,  no  contexto  em  que  o  foi,  ou  seja,  após  ter  sido  reiteradamente intimado a fazê­lo no âmbito da diligência, não  tem o poder de socorrê­lo.  Concorre para comprometer seu valor probatório o fato de que  o  documento  não  apresenta  os  requisitos  intrínsecos  e  extrínsecos  que  permitam  aferir  sua  regularidade  e,  mais  importante, está desacompanhado dos documentos contábeis e  fiscais  que  permitiriam  a  aferição  da  correção  dos  valores  e  operações que dele constam.  Diante de  tudo  isso, conclui­se pela inexistência de prova, nos  autos,  que  permita  acatar  a  nova  apuração  da  contribuição  realizada  pela  contribuinte  e,  por  conseguinte,  os  créditos  utilizados  na  compensação  e  que  nela  teriam  origem."  (grifo  nosso)    Após  ciência  da  decisão  da  instância  a  quo,  a  contribuinte  apresentou  Recurso  Voluntário  e  juntou  novos  documentos  aos  autos.  Por  oportuno,  frise­se  que  documentos fiscais continuaram a não ser anexados.   Embasado  em  todo  o  raciocínio  lógico­jurídico  sobre  o  direito  probatório,  desenvolvido ao longo do presente voto, e nas circunstâncias do caso concreto, entendo não ser  possível  a  aceitação  de  provas  apresentadas  somente  em  sede  de Voluntário,  tendo  em vista  que estas só poderiam ser validamente consideradas, caso reforçassem um conjunto probatório  já  presente  nos  autos.  Fato  que,  como  largamente  demonstrado,  não  ocorre  neste  processo.  Dessa forma, tal direito encontra­se fulminado pela preclusão, conforme o disposto no § 4º do  art. 16 do Decreto 70.235.  Assim sendo, não tomo conhecimento dos novos documentos apresentados.  Quanto  ao  suposto  crédito,  a  recorrente  não  se  desincumbiu  do  ônus  de  prová­lo, seja por seus erros anteriores ao Despacho Decisório, seja pela sua inércia em atender  às diversas intimações, seja pela ausência da apresentação de provas válidas da sua liquidez e  certeza.  Desse modo,  por  todo  o  exposto,  voto  no  sentido  de  negar  provimento  ao  Recurso Voluntário e não reconhecer o direito creditório.    Fl. 483DF CARF MF Processo nº 10830.903081/2008­48  Acórdão n.º 3002­000.028  S3­C0T2  Fl. 484          10  (assinado digitalmente)  Carlos Alberto da Silva Esteves                              Fl. 484DF CARF MF

score : 1.0
7128797 #
Numero do processo: 19515.721557/2012-58
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 31 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Feb 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2007 a 30/11/2007 BENS UTILIZADOS COMO INSUMO DE PRODUÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. Não é admissível a apropriação de créditos sobre supostos valores de aquisição de bens utilizados como insumo de produção ou industrialização se não há comprovação da correspondente operação de aquisição. SERVIÇOS APLICADOS NA FASE PRÉ E PÓS-INDUSTRIAL. INSUMO DE PRODUÇÃO NÃO CARACTERIZADO. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. Por não serem insumos aplicados na produção ou industrialização de bens destinados à venda, os gastos com os serviços aplicados na fase pré e pós-industrial não asseguram a apropriação dos créditos das Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins. IMPORTAÇÃO DE INSUMOS. SERVIÇOS DE LOGÍSTICA E DE OPERAÇÃO PORTUÁRIA PRESTADOS NO PAÍS. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. 1. As pessoas jurídicas sujeitas à apuração da contribuição para o PIS/Pasep e Cofins poderão descontar crédito, para fins de determinação dessas contribuições, somente em relação às contribuições efetivamente pagas na importação de bens e serviços. 2. Os gastos com serviços de logística e operação portuária realizados no País, vinculados à operação de importação de insumos, por falta de previsão legal, não asseguram apropriação de créditos das referidas contribuições. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEO. APROPRIAÇÃO/APURAÇÃO EM PERÍODOS DE APURAÇÃO SUBSEQUENTES. IMPOSSIBILIDADE. 1. Por expressa determinação legal (art. 3º, § 1º, das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003), a apropriação de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins somente é permitida (i) no mês em que adquirido os bens de revenda e os insumos aplicados na produção de bens de venda ou na prestação de serviços, ou (ii) no mês em que incorridos os encargos/despesas geradoras de crédito. 2. Além de não haver permissão legal para a apropriação/apuração de créditos de períodos de apuração anteriores em períodos de apuração subsequentes, tal procedimento, se efetivado, inviabiliza a verificação da apuração dos créditos e o cumprimento das condições de aproveitamento de saldo de créditos mediante ressarcimento ou compensação. GASTOS COM FRETE. TRANSPORTE DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. Por falta de previsão legal, os gastos com frete nas transferências de produtos acabados entre estabelecimentos do contribuinte não admite a apropriação de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins. GASTOS COM FRETE. TRANSFERÊNCIA DE INSUMOS ENTRE ESTABELECIMENTOS INDUSTRIAIS DO CONTRIBUINTE. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. POSSIBILIDADE. Os gastos com frete na transferência de insumos de produção, inclusive de produtos inacabados, entre estabelecimentos industriais do próprio contribuinte propiciam a dedução de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins como insumo de produção/industrialização de bens destinados à venda. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/10/2007 a 30/11/2007 BENS UTILIZADOS COMO INSUMO DE PRODUÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. Não é admissível a apropriação de créditos sobre supostos valores de aquisição de bens utilizados como insumo de produção ou industrialização se não há comprovação da correspondente operação de aquisição. SERVIÇOS APLICADOS NA FASE PRÉ E PÓS-INDUSTRIAL. INSUMO DE PRODUÇÃO NÃO CARACTERIZADO. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. Por não serem insumos aplicados na produção ou industrialização de bens destinados à venda, os gastos com os serviços aplicados na fase pré e pós-industrial não asseguram a apropriação dos créditos das Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins. IMPORTAÇÃO DE INSUMOS. SERVIÇOS DE LOGÍSTICA E DE OPERAÇÃO PORTUÁRIA PRESTADOS NO PAÍS. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. 1. As pessoas jurídicas sujeitas à apuração da contribuição para o PIS/Pasep e Cofins poderão descontar crédito, para fins de determinação dessas contribuições, somente em relação às contribuições efetivamente pagas na importação de bens e serviços. 2. Os gastos com serviços de logística e operação portuária realizados no País, vinculados à operação de importação de insumos, por falta de previsão legal, não asseguram apropriação de créditos das referidas contribuições. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEO. APROPRIAÇÃO/APURAÇÃO EM PERÍODO DE APURAÇÃO SUBSEQUENTES. IMPOSSIBILIDADE. 1. Por expressa determinação legal (art. 3º, § 1º, das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003), a apropriação de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins somente é permitida (i) no mês em que adquirido os bens de revenda e os insumos aplicados na produção de bens de venda ou na prestação de serviços, ou (ii) no mês em que incorridos os encargos/despesas geradoras de crédito. 2. Além de não haver permissão legal para a apropriação/apuração de créditos de períodos de apuração anteriores em períodos de apuração subsequentes, tal procedimento, se efetivado, inviabiliza a verificação da apuração dos créditos e o cumprimento das condições de aproveitamento de saldo de créditos mediante ressarcimento ou compensação. GASTOS COM FRETE. TRANSPORTE DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. Por falta de previsão legal, os gastos com frete nas transferências de produtos acabados entre estabelecimentos do contribuinte não admite a apropriação de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins. GASTOS COM FRETE. TRANSFERÊNCIA DE INSUMOS ENTRE ESTABELECIMENTOS INDUSTRIAIS DO CONTRIBUINTE. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. POSSIBILIDADE. Os gastos com frete na transferência de insumos de produção, inclusive de produtos inacabados, entre estabelecimentos industriais do próprio contribuinte propiciam a dedução de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins como insumo de produção/industrialização de bens destinados à venda. Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3302-005.184
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para creditamento sobre fretes aplicados no transporte de gesso, vencidos os Conselheiros José Renato P. de Deus e Jorge Lima Abud que davam provimento também quanto ao crédito sobre remoção de resíduos sólidos; vencidos os Conselheiros Walker Araújo, José Renato e Diego Weis que davam provimento também quanto aos serviços de operação portuária e serviços logísticos (capatazia); vencidos os Conselheiros Jorge Lima e Paulo Guilherme que davam provimento também quanto aos serviços de apoio (mão obra civil, pinturas industriais, montagens e desmontagens de andaimes), por entender tratar de serviços de manutenção do parque industrial. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento - Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Diego Weis Júnior, Jorge Lima Abud, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201801

camara_s : Terceira Câmara

turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção

dt_publicacao_tdt : Thu Feb 22 00:00:00 UTC 2018

numero_processo_s : 19515.721557/2012-58

anomes_publicacao_s : 201802

conteudo_id_s : 5832050

dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Feb 22 00:00:00 UTC 2018

numero_decisao_s : 3302-005.184

nome_arquivo_s : Decisao_19515721557201258.PDF

ano_publicacao_s : 2018

nome_relator_s : JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO

nome_arquivo_pdf_s : 19515721557201258_5832050.pdf

secao_s : Terceira Seção De Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para creditamento sobre fretes aplicados no transporte de gesso, vencidos os Conselheiros José Renato P. de Deus e Jorge Lima Abud que davam provimento também quanto ao crédito sobre remoção de resíduos sólidos; vencidos os Conselheiros Walker Araújo, José Renato e Diego Weis que davam provimento também quanto aos serviços de operação portuária e serviços logísticos (capatazia); vencidos os Conselheiros Jorge Lima e Paulo Guilherme que davam provimento também quanto aos serviços de apoio (mão obra civil, pinturas industriais, montagens e desmontagens de andaimes), por entender tratar de serviços de manutenção do parque industrial. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento - Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Diego Weis Júnior, Jorge Lima Abud, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus.

dt_sessao_tdt : Wed Jan 31 00:00:00 UTC 2018

id : 7128797

ano_sessao_s : 2018

ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2007 a 30/11/2007 BENS UTILIZADOS COMO INSUMO DE PRODUÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. Não é admissível a apropriação de créditos sobre supostos valores de aquisição de bens utilizados como insumo de produção ou industrialização se não há comprovação da correspondente operação de aquisição. SERVIÇOS APLICADOS NA FASE PRÉ E PÓS-INDUSTRIAL. INSUMO DE PRODUÇÃO NÃO CARACTERIZADO. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. Por não serem insumos aplicados na produção ou industrialização de bens destinados à venda, os gastos com os serviços aplicados na fase pré e pós-industrial não asseguram a apropriação dos créditos das Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins. IMPORTAÇÃO DE INSUMOS. SERVIÇOS DE LOGÍSTICA E DE OPERAÇÃO PORTUÁRIA PRESTADOS NO PAÍS. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. 1. As pessoas jurídicas sujeitas à apuração da contribuição para o PIS/Pasep e Cofins poderão descontar crédito, para fins de determinação dessas contribuições, somente em relação às contribuições efetivamente pagas na importação de bens e serviços. 2. Os gastos com serviços de logística e operação portuária realizados no País, vinculados à operação de importação de insumos, por falta de previsão legal, não asseguram apropriação de créditos das referidas contribuições. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEO. APROPRIAÇÃO/APURAÇÃO EM PERÍODOS DE APURAÇÃO SUBSEQUENTES. IMPOSSIBILIDADE. 1. Por expressa determinação legal (art. 3º, § 1º, das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003), a apropriação de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins somente é permitida (i) no mês em que adquirido os bens de revenda e os insumos aplicados na produção de bens de venda ou na prestação de serviços, ou (ii) no mês em que incorridos os encargos/despesas geradoras de crédito. 2. Além de não haver permissão legal para a apropriação/apuração de créditos de períodos de apuração anteriores em períodos de apuração subsequentes, tal procedimento, se efetivado, inviabiliza a verificação da apuração dos créditos e o cumprimento das condições de aproveitamento de saldo de créditos mediante ressarcimento ou compensação. GASTOS COM FRETE. TRANSPORTE DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. Por falta de previsão legal, os gastos com frete nas transferências de produtos acabados entre estabelecimentos do contribuinte não admite a apropriação de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins. GASTOS COM FRETE. TRANSFERÊNCIA DE INSUMOS ENTRE ESTABELECIMENTOS INDUSTRIAIS DO CONTRIBUINTE. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. POSSIBILIDADE. Os gastos com frete na transferência de insumos de produção, inclusive de produtos inacabados, entre estabelecimentos industriais do próprio contribuinte propiciam a dedução de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins como insumo de produção/industrialização de bens destinados à venda. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/10/2007 a 30/11/2007 BENS UTILIZADOS COMO INSUMO DE PRODUÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. Não é admissível a apropriação de créditos sobre supostos valores de aquisição de bens utilizados como insumo de produção ou industrialização se não há comprovação da correspondente operação de aquisição. SERVIÇOS APLICADOS NA FASE PRÉ E PÓS-INDUSTRIAL. INSUMO DE PRODUÇÃO NÃO CARACTERIZADO. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. Por não serem insumos aplicados na produção ou industrialização de bens destinados à venda, os gastos com os serviços aplicados na fase pré e pós-industrial não asseguram a apropriação dos créditos das Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins. IMPORTAÇÃO DE INSUMOS. SERVIÇOS DE LOGÍSTICA E DE OPERAÇÃO PORTUÁRIA PRESTADOS NO PAÍS. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. 1. As pessoas jurídicas sujeitas à apuração da contribuição para o PIS/Pasep e Cofins poderão descontar crédito, para fins de determinação dessas contribuições, somente em relação às contribuições efetivamente pagas na importação de bens e serviços. 2. Os gastos com serviços de logística e operação portuária realizados no País, vinculados à operação de importação de insumos, por falta de previsão legal, não asseguram apropriação de créditos das referidas contribuições. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEO. APROPRIAÇÃO/APURAÇÃO EM PERÍODO DE APURAÇÃO SUBSEQUENTES. IMPOSSIBILIDADE. 1. Por expressa determinação legal (art. 3º, § 1º, das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003), a apropriação de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins somente é permitida (i) no mês em que adquirido os bens de revenda e os insumos aplicados na produção de bens de venda ou na prestação de serviços, ou (ii) no mês em que incorridos os encargos/despesas geradoras de crédito. 2. Além de não haver permissão legal para a apropriação/apuração de créditos de períodos de apuração anteriores em períodos de apuração subsequentes, tal procedimento, se efetivado, inviabiliza a verificação da apuração dos créditos e o cumprimento das condições de aproveitamento de saldo de créditos mediante ressarcimento ou compensação. GASTOS COM FRETE. TRANSPORTE DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. Por falta de previsão legal, os gastos com frete nas transferências de produtos acabados entre estabelecimentos do contribuinte não admite a apropriação de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins. GASTOS COM FRETE. TRANSFERÊNCIA DE INSUMOS ENTRE ESTABELECIMENTOS INDUSTRIAIS DO CONTRIBUINTE. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. POSSIBILIDADE. Os gastos com frete na transferência de insumos de produção, inclusive de produtos inacabados, entre estabelecimentos industriais do próprio contribuinte propiciam a dedução de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins como insumo de produção/industrialização de bens destinados à venda. Recurso Voluntário Provido em Parte.

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:12:46 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713050008768479232

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 20; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1947; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C3T2  Fl. 1.394          1 1.393  S3­C3T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  19515.721557/2012­58  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  3302­005.184  –  3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  31 de janeiro de 2018  Matéria  PIS/COFINS ­ AUTO DE INFRAÇÃO  Recorrente  ANGLO AMERICAN FOSFATOS BRASIL LTDA.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP  Período de apuração: 01/10/2007 a 30/11/2007  BENS  UTILIZADOS  COMO  INSUMO  DE  PRODUÇÃO.  FALTA  DE  COMPROVAÇÃO.  APROPRIAÇÃO  DE  CRÉDITOS.  IMPOSSIBILIDADE.  Não  é  admissível  a  apropriação  de  créditos  sobre  supostos  valores  de  aquisição de bens utilizados como insumo de produção ou industrialização se  não há comprovação da correspondente operação de aquisição.  SERVIÇOS APLICADOS NA FASE PRÉ E PÓS­INDUSTRIAL. INSUMO  DE  PRODUÇÃO  NÃO  CARACTERIZADO.  APROPRIAÇÃO  DE  CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE.  Por  não  serem  insumos  aplicados  na  produção  ou  industrialização  de  bens  destinados  à venda, os  gastos  com os  serviços  aplicados na  fase pré  e pós­ industrial não asseguram a apropriação dos créditos das Contribuição para o  PIS/Pasep e Cofins.  IMPORTAÇÃO  DE  INSUMOS.  SERVIÇOS  DE  LOGÍSTICA  E  DE  OPERAÇÃO PORTUÁRIA PRESTADOS NO PAÍS. APROPRIAÇÃO DE  CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE.  1. As pessoas jurídicas sujeitas à apuração da contribuição para o PIS/Pasep e  Cofins  poderão  descontar  crédito,  para  fins  de  determinação  dessas  contribuições,  somente  em  relação  às  contribuições  efetivamente  pagas  na  importação de bens e serviços.  2.  Os  gastos  com  serviços  de  logística  e  operação  portuária  realizados  no  País, vinculados à operação de importação de insumos, por falta de previsão  legal, não asseguram apropriação de créditos das referidas contribuições.  CRÉDITOS  EXTEMPORÂNEO.  APROPRIAÇÃO/APURAÇÃO  EM  PERÍODOS DE APURAÇÃO SUBSEQUENTES. IMPOSSIBILIDADE.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 15 57 /2 01 2- 58 Fl. 1394DF CARF MF     2 1.  Por  expressa  determinação  legal  (art.  3º,  §  1º,  das  Leis  10.637/2002  e  10.833/2003), a apropriação de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e  Cofins somente é permitida (i) no mês em que adquirido os bens de revenda e  os  insumos  aplicados  na  produção  de  bens  de  venda  ou  na  prestação  de  serviços, ou (ii) no mês em que incorridos os encargos/despesas geradoras de  crédito.  2.  Além  de  não  haver  permissão  legal  para  a  apropriação/apuração  de  créditos  de  períodos  de  apuração  anteriores  em  períodos  de  apuração  subsequentes,  tal  procedimento,  se  efetivado,  inviabiliza  a  verificação  da  apuração dos créditos e o cumprimento das condições de aproveitamento de  saldo de créditos mediante ressarcimento ou compensação.  GASTOS  COM  FRETE.  TRANSPORTE  DE  PRODUTOS  ACABADOS  ENTRE  ESTABELECIMENTOS.  APROPRIAÇÃO  DE  CRÉDITO.  IMPOSSIBILIDADE.  Por falta de previsão legal, os gastos com frete nas transferências de produtos  acabados entre estabelecimentos do contribuinte não admite a apropriação de  créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins.  GASTOS  COM  FRETE.  TRANSFERÊNCIA  DE  INSUMOS  ENTRE  ESTABELECIMENTOS  INDUSTRIAIS  DO  CONTRIBUINTE.  APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. POSSIBILIDADE.  Os  gastos  com  frete  na  transferência de  insumos  de produção,  inclusive  de  produtos  inacabados,  entre  estabelecimentos  industriais  do  próprio  contribuinte  propiciam  a  dedução  de  créditos  da  Contribuição  para  o  PIS/Pasep  e  Cofins  como  insumo  de  produção/industrialização  de  bens  destinados à venda.  ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE  SOCIAL ­ COFINS  Período de apuração: 01/10/2007 a 30/11/2007  BENS  UTILIZADOS  COMO  INSUMO  DE  PRODUÇÃO.  FALTA  DE  COMPROVAÇÃO.  APROPRIAÇÃO  DE  CRÉDITOS.  IMPOSSIBILIDADE.  Não  é  admissível  a  apropriação  de  créditos  sobre  supostos  valores  de  aquisição de bens utilizados como insumo de produção ou industrialização se  não há comprovação da correspondente operação de aquisição.  SERVIÇOS APLICADOS NA FASE PRÉ E PÓS­INDUSTRIAL. INSUMO  DE  PRODUÇÃO  NÃO  CARACTERIZADO.  APROPRIAÇÃO  DE  CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE.  Por  não  serem  insumos  aplicados  na  produção  ou  industrialização  de  bens  destinados  à venda, os  gastos  com os  serviços  aplicados na  fase pré  e pós­ industrial não asseguram a apropriação dos créditos das Contribuição para o  PIS/Pasep e Cofins.  IMPORTAÇÃO  DE  INSUMOS.  SERVIÇOS  DE  LOGÍSTICA  E  DE  OPERAÇÃO PORTUÁRIA PRESTADOS NO PAÍS. APROPRIAÇÃO DE  CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE.  1. As pessoas jurídicas sujeitas à apuração da contribuição para o PIS/Pasep e  Cofins  poderão  descontar  crédito,  para  fins  de  determinação  dessas  Fl. 1395DF CARF MF Processo nº 19515.721557/2012­58  Acórdão n.º 3302­005.184  S3­C3T2  Fl. 1.395          3 contribuições,  somente  em  relação  às  contribuições  efetivamente  pagas  na  importação de bens e serviços.  2.  Os  gastos  com  serviços  de  logística  e  operação  portuária  realizados  no  País, vinculados à operação de importação de insumos, por falta de previsão  legal, não asseguram apropriação de créditos das referidas contribuições.  CRÉDITOS  EXTEMPORÂNEO.  APROPRIAÇÃO/APURAÇÃO  EM  PERÍODO DE APURAÇÃO SUBSEQUENTES. IMPOSSIBILIDADE.  1.  Por  expressa  determinação  legal  (art.  3º,  §  1º,  das  Leis  10.637/2002  e  10.833/2003), a apropriação de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e  Cofins somente é permitida (i) no mês em que adquirido os bens de revenda e  os  insumos  aplicados  na  produção  de  bens  de  venda  ou  na  prestação  de  serviços, ou (ii) no mês em que incorridos os encargos/despesas geradoras de  crédito.  2.  Além  de  não  haver  permissão  legal  para  a  apropriação/apuração  de  créditos  de  períodos  de  apuração  anteriores  em  períodos  de  apuração  subsequentes,  tal  procedimento,  se  efetivado,  inviabiliza  a  verificação  da  apuração dos créditos e o cumprimento das condições de aproveitamento de  saldo de créditos mediante ressarcimento ou compensação.  GASTOS  COM  FRETE.  TRANSPORTE  DE  PRODUTOS  ACABADOS  ENTRE  ESTABELECIMENTOS.  APROPRIAÇÃO  DE  CRÉDITO.  IMPOSSIBILIDADE.  Por falta de previsão legal, os gastos com frete nas transferências de produtos  acabados entre estabelecimentos do contribuinte não admite a apropriação de  créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins.  GASTOS  COM  FRETE.  TRANSFERÊNCIA  DE  INSUMOS  ENTRE  ESTABELECIMENTOS  INDUSTRIAIS  DO  CONTRIBUINTE.  APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. POSSIBILIDADE.  Os  gastos  com  frete  na  transferência de  insumos  de produção,  inclusive  de  produtos  inacabados,  entre  estabelecimentos  industriais  do  próprio  contribuinte  propiciam  a  dedução  de  créditos  da  Contribuição  para  o  PIS/Pasep  e  Cofins  como  insumo  de  produção/industrialização  de  bens  destinados à venda.  Recurso Voluntário Provido em Parte.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento  parcial ao recurso voluntário para creditamento sobre fretes aplicados no transporte de gesso,  vencidos os Conselheiros José Renato P. de Deus e Jorge Lima Abud que davam provimento  também quanto ao crédito sobre remoção de resíduos sólidos; vencidos os Conselheiros Walker  Araújo,  José  Renato  e  Diego Weis  que  davam  provimento  também  quanto  aos  serviços  de  operação  portuária  e  serviços  logísticos  (capatazia);  vencidos  os  Conselheiros  Jorge  Lima  e  Paulo Guilherme que davam provimento também quanto aos serviços de apoio (mão obra civil,  pinturas industriais, montagens e desmontagens de andaimes), por entender tratar de serviços  de manutenção do parque industrial.  Fl. 1396DF CARF MF     4 (assinado digitalmente)  Paulo Guilherme Déroulède ­ Presidente.  (assinado digitalmente)  José Fernandes do Nascimento ­ Relator.  Participaram  do  julgamento  os  Conselheiros  Paulo  Guilherme  Déroulède,  Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Diego Weis  Júnior, Jorge Lima Abud, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira  de Deus.  Relatório  Por  bem  descrever  os  fatos,  adota­se  o  relatório  que  integra  o  acórdão  recorrido, que segue integralmente transcrito:  Contra a empresa qualificada em epígrafe foram lavrados autos  de infração de fls. 577/597, em virtude da apuração de falta de  recolhimento e glosa de créditos da Cofins e Contribuição para  o  PIS/Pasep  dos  períodos  de  abril  a  dezembro  de  2007,  exigindo­se­lhe  o  crédito  tributário  no  valor  total  de  R$  1.318.814,81.  Conforme  Termo  de  Verificação  Fiscal  de  fls.  456/467,  a  interessada solicitou ressarcimento de créditos das contribuições  não cumulativas, relativos aos 2º, 3º e 4º trimestres de 2007.  Ao analisar a documentação da empresa, foram feitas apurações  que  levaram  à  constituição  das  glosas  descritas  nos  autos  de  infração e exigidas as diferenças relativas aos meses de outubro  e novembro de 2007.  Primeiramente, foram conferidos os valores das receitas totais e  das  receitas  tributadas  à  alíquota  zero,  sendo  as  mesmas  validadas  em  sua  totalidade.  No  tocante  ao  rateio  dessas  receitas,  foram  apuradas  pequenas  diferenças  nos  percentuais  utilizados  pela  impugnante,  em  seu  Dacon,  para  o  mês  de  dezembro de 2007  (35,84% de  receitas  tributadas  e 64,16% de  receita não tributada, contra 36% de receita tributada e 64% de  receita não tributada informado no Dacon).  Analisando  os  créditos  calculados  pela  empresa,  no  que  diz  respeito  aos  serviços  utilizados  como  insumos,  a  fiscalização  identificou  vários  “que  não  se  encaixam  no  conceito  de  insumo”,  a  saber:  segurança  e  limpeza,  detalhamento  de  engenharia,  operação  portuária  (que  não  teriam  sido  detalhados),  serviços  logísticos  (não  detalhados  e  prestados  no  município  de  Santo  André,  onde  a  interessada  não  possui  estabelecimento), serviços de apoio (mão­de­obra civil, pinturas  industriais, montagens e desmontagens de andaimes).  Dos créditos calculados sobre as despesas de energia elétrica, a  fiscalização glosou os que incidiram sobre “prestação de serviço  Fl. 1397DF CARF MF Processo nº 19515.721557/2012­58  Acórdão n.º 3302­005.184  S3­C3T2  Fl. 1.396          5 de  gerenciamento  de  energia”,  por  não  serem  gastos  com  energia elétrica, nem se enquadrarem no conceito de insumo.  Com relação às despesa de armazenagem e frete na operação de  venda,  verificou­se  que  “alguns  dos  serviços  contratados  não  geraram  os  créditos  pretendidos,  uma  vez  que  os  produtos  transportados  apresentaram  CFOP  incompatíveis  com  as  operações de venda dos mesmos e em alguns casos as despesas  de fretes não se referiam aos períodos declarados.”  O enquadramento legal encontra­se a fls. 580/581, 585, 589/590,  594.  Cientificada,  a  interessada  apresentou  a  impugnação  de  fls.  605/650,  na  qual  suscitou,  preliminarmente,  a  conexão  do  presente  processo  com  os  processos  relativos  aos  pedidos  de  ressarcimento,  relacionados  à  fl.  610,  argumentando  que  “as  decisões  proferidas  no  âmbito  dos  referidos  processos  irão  produzir  impacto direto na presente discussão, uma vez que, se  confirmados os créditos informados na Dacon da Impugnante, os  débitos aqui discutidos estarão automaticamente quitados.” Por  essa  razão,  considerando  ser  “inadmissível  a  existência  de  decisões  conflitantes  relativas  aos  mesmos  fatos”,  requereu  o  julgamento conjunto deste e dos demais processos referidos ou,  alternativamente,  a  suspensão  do  julgamento  do  presente  processo até a decisão final a ser proferida naqueles processos  de  ressarcimento.  Mencionou  jurisprudência  do  Carf  que  ampara ambos os seus pedidos.  Considerando  a  possibilidade  de  sua  solicitação  não  ser  atendida,  o  que  significaria  o  entendimento  de  que  os  créditos  glosados devam ser discutidos nestes autos, a interessada passou  a  tratar  do mérito  da  regularidade  dos  créditos  declarados  no  Dacon,  reiterando os argumentos  já  explicitados nos processos  de ressarcimento.  Ao  final,  reiterou  os  pedidos  relativos  ao  julgamento  concomitante  ou  suspensão  do  julgamento,  e  pleiteou  o  cancelamento  da  exigência  e  o  reconhecimento  dos  créditos  declarados em seu Dacon.  Sobreveio  a  decisão  de  primeira  instância  (fls.  1160/1164),  em  que,  por  unanimidade  de  votos,  a  impugnação  foi  julgada  procedente  em  parte,  com  base  nos  fundamentos resumidos nos enunciados das ementas que seguem transcritos:  ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA SEGURIDADE SOCIAL ­ COFINS  Período de apuração: 01/04/2007 a 31/12/2007  CRÉDITOS. SERVIÇOS E DESPESAS.  Apenas  geram  créditos,  para  fins  de  cálculo  das  contribuições  não  cumulativas,  os  serviços  utilizados  diretamente  como  insumos na produção de bens ou na prestação de serviços, bem  Fl. 1398DF CARF MF     6 como  as  despesas  expressamente  listadas  na  legislação  de  regência.  FRETE. CRÉDITOS.  Apenas os fretes na operação de venda dão direito a crédito, não  se enquadrando em tal conceito a transferência de mercadorias  dentro do estabelecimento ou entre estabelecimentos.  INSUMOS. CUSTO DE AQUISIÇÃO.  O  custo  de  aquisição  de  insumos  é  o  que  consta  da  respectiva  nota fiscal, sem acréscimo de quaisquer outras despesas.  CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS.  O  aproveitamento  de  créditos  extemporâneos  pressupõe  a  retificação do Dacon e,  se  for o caso, da DCTF do período de  sua apuração.  ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP  Período de apuração: 01/04/2007 a 31/12/2007  CONEXÃO.  Por  serem  conexos,  aplica­se  ao  lançamento  da  Contribuição  para  o  PIS/Pasep  as  mesmas  conclusões  referentes  ao  lançamento da Cofins.  Impugnação Procedente em Parte  Crédito Tributário Mantido  Em  27/7/2015,  a  recorrente  foi  cientificada  da  decisão.  Inconformada,  em  25/8/2015, protocolou o recurso voluntário de fls. 1172/1222, em que reafirmou as razões de  defesa  suscitadas  na  peça  impugnatória.  Em  especial,  a  recorrente  pleiteou  que  o  presente  processo  fosse  julgado  juntamente  com  os  processos  de  nºs  12585.720158/2012­05,  12585.720156/2012­16, 12585.720157/2012­52, 12585.720159/2012­41, 10845.900919/2012­ 69  e  10845.900920/2012­93,  que  tratam  dos  pedidos  de  ressarcimento  de  créditos  da  Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins dos 2º ao 4º  trimestres de 2007, em razão dos fortes  elementos de conexão entre eles.  É o relatório.  Voto             Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator.  O recurso foi apresentado tempestivamente, trata de matéria da competência  deste  Colegiado  e  preenche  os  demais  requisitos  de  admissibilidade,  portanto,  deve  ser  conhecido.  Previamente,  cabe  esclarecer  que,  em  face  da  conexão  da  matéria  e  em  atenção ao pleito da recorrente, este processo será apreciado em conjunto com os citados seis  processos  referentes  aos  pedidos  de  ressarcimento  e  de  compensação  de  créditos  das  contribuições dos 2º ao 4º trimestres de 2007.  Fl. 1399DF CARF MF Processo nº 19515.721557/2012­58  Acórdão n.º 3302­005.184  S3­C3T2  Fl. 1.397          7 Os  presentes  autos  tratam  de  lançamento  de  créditos  tributários,  por  insuficiência  de  recolhimento,  e  de  glosas  de  créditos  das  Contribuição  para  o  PIS/Pasep  e  Cofins.  As  glosas  dos  créditos  foram  devidamente  analisadas  nos  respectivos  processos  de  ressarcimento e, em parte, nos presentes autos.  De acordo  com  item 9  do Termo de Verificação Fiscal  (fls.  456/467),  com  base nos valores declarados na base de cálculo dos débitos e os valores apurados na base de  cálculo dos créditos das referidas contribuições, a fiscalização apurou que houve insuficiência  de recolhimentos nos meses de outubro e novembro de 2007, especificados na tabela a seguir:  COMPETENCIA  PIS/PASEP (R$)  COFINS (R$)  10/2007  76.157,92  350.787,33  11/2007  28.206,22  129.914,57  TOTAL  104.364,14  480.701,90  A  leitura  dos  autos  revela  que  a  controvérsia  cinge­se  a  glosa  de  créditos  apropriados  (i)  sobre  os  valores  de  aquisição  de  bens  e  serviços  utilizados  como  insumo  de  produção e (ii) sobre os valores das despesas a título de energia elétrica e de armazenagem e  frete na venda.  I Das Glosas dos Créditos Apropriados Sobre Insumos  De acordo com Termo de Verificação Fiscal de  fls.  456/467,  a  fiscalização  glosou  parcela  dos  créditos  apropriados  sobre  os  valores  de  aquisição  de  bens  e  serviços  utilizados como insumo de produção.  I.1 Da glosa dos bens utilizados como insumo  Segundo  a  fiscalização  (subitem  8.1),  mediante  simples  comparação  dos  valores  declarados  no  Dacon  com  os  valores  das  notas  fiscais  informados  no  Memorial  /  Planilha de Cálculo apresentado pela recorrente, apurou as glosas discriminadas no Anexo I ao  referido TVF (fls. 468/503).  No recurso em apreço, a recorrente insistiu na alegação de que, em razão de  seu elevado volume, bem como de sua antiguidade, não fora “possível juntar a estes autos as  notas fiscais que geraram os créditos em discussão. Não obstante, a Recorrente entende que as  explicações ora oferecidas bastam para demonstrar a regularidade dos créditos pleiteados.” Em  seguida, a recorrente passa a defender o direito de apropriação de créditos extemporâneos.  E além de não apresentar, na fase processual oportuna, qualquer documento  comprobatório,  também  na  atual  fase  recursal  a  recorrente  não  trouxe  aos  autos  documento  algum, ou sequer discriminou  tais documentos. E diante desta omissão, depois de mais anos,  ainda  insistiu  com  alegação  de  que  não  fora  possível  trazer  aos  autos  as  notas  fiscais  de  aquisição dos bens glosados.  Assim, na ausência de prova de aquisição dos referidos bens, a glosa deve ser  integralmente mantida.  I.2 Da glosa dos serviços utilizados como insumo  Sob o argumento de que não atendiam ao conceito de insumo, a fiscalização  procedeu  a  glosa  de  alguns  serviços  informados  como  insumos.  Diversamente,  a  recorrente  Fl. 1400DF CARF MF     8 alegou  que  os  valores  dos  serviços  glosados  enquadravam­se  no  conceito  de  insumo  e  asseguravam o direito de apropriação de créditos da contribuição.  Assim,  fica  evidenciado  que  a  controvérsia  gira  em  torno  do  significado  e  alcance  do  conceito  de  insumo  para  fins  de  apuração  de  créditos  da  Contribuição  para  o  PIS/Pasep  e  Cofins.  O  assunto  encontra­se  disciplinado  no  art.  3º  das  Leis  10.637/2002  e  10.833/2003, especialmente, nos preceitos que seguem transcritos extraídos do último diploma  legal:  Art. 3º Do valor apurado na  forma do art. 2º a pessoa  jurídica  poderá descontar créditos calculados em relação a:  [...]  II  ­  bens  e  serviços,  utilizados  como  insumo  na  prestação  de  serviços  e  na  produção  ou  fabricação  de  bens  ou  produtos  destinados à venda,  inclusive combustíveis e  lubrificantes, [...];  (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004)  [...]  § 1o Observado o disposto no § 15 deste artigo, o  crédito  será  determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput  do  art.  2º  desta  Lei  sobre  o  valor:  (Redação  dada  pela  Lei  nº  11.727, de 2008)(Produção de efeito)  I ­ dos itens mencionados nos incisos I e II do caput, adquiridos  no mês;  [...]  § 2º Não dará direito a crédito o valor: (Redação dada pela Lei  nº 10.865, de 2004)  I ­ de mão­de­obra paga a pessoa física; e (Incluído pela Lei nº  10.865, de 2004)  II ­ da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento  da  contribuição,  inclusive  no  caso  de  isenção,  esse  último  quando  revendidos  ou  utilizados  como  insumo  em  produtos  ou  serviços sujeitos à alíquota 0 (zero),  isentos ou não alcançados  pela contribuição. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004)  § 3º O direito ao crédito aplica­se, exclusivamente, em relação:  I ­ aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada  no País;  II  ­  aos  custos  e  despesas  incorridos,  pagos  ou  creditados  a  pessoa jurídica domiciliada no País;  III  ­  aos  bens  e  serviços  adquiridos  e  aos  custos  e  despesas  incorridos  a  partir  do  mês  em  que  se  iniciar  a  aplicação  do  disposto nesta Lei.  [...] (grifos não originais)  Duas correntes divergem sobre a extensão do conceito de insumo previsto no  referido  preceito  legal.  Para  a  Administração  tributária,  insumo  compreende  apenas  as  Fl. 1401DF CARF MF Processo nº 19515.721557/2012­58  Acórdão n.º 3302­005.184  S3­C3T2  Fl. 1.398          9 matérias­primas,  produtos  intermediários  e material  de  embalagens utilizados diretamente na  produção  ou  fabricação  de  bens  destinados  à  venda,  que  se  assemelha,  em  termos  gerais,  a  definição  de  insumo  da  legislação  do  IPI.  Já  para  parte  relevante  da  doutrina,  insumo  compreende  os  bens  e  serviços  inerentes  e  essenciais  ao  regular  funcionamento  da  pessoa  jurídica,  o  que  inclui  os  bens  e  serviços  utilizados  na  produção  ou  fabricação,  assim  como  aqueles  bens  e  serviços  necessários  à manutenção  da  atividade  da pessoa  jurídica,  conforme  definição veiculada na legislação do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ).  No âmbito da jurisprudência deste Conselho, vem se firmando entendimento  intermediário,  que  considera  insumo  tanto  as  matérias  primas,  produtos  intermediários  e  material de embalagem utilizados diretamente na produção ou fabricação do bem destinado à  venda,  que,  em  termos  financeiros,  equivalem  aos  custos  diretos  de produção  ou  fabricação,  quanto os bens e serviços gerais utilizados indiretamente na produção ou fabricação dos citados  bens,  que,  em  termos  financeiros,  equivalem,  em  parte,  aos  custos  indiretos  de  produção  ou  fabricação.  No  entendimento  deste  Relator,  além  das  matérias  primas,  dos  produtos  intermediários  e  do  material  de  embalagem  aplicados  na  produção  (insumos  diretos  de  produção),  também  estão  alcançados  pelo  conceito  de  insumo  os  serviços  aplicados  diretamente na produção ou fabricação e os demais bens e serviços utilizados na produção ou  fabricação de forma indireta (insumos indiretos de produção), a exemplo dos bens e serviços  agregados aos bens ou serviços aplicados no processo produtivo.  De  outra  parte,  o  conceito  de  insumo  não  compreende  os  demais  bens  e  serviços  não  aplicados  ou  consumidos  na  produção  ou  fabricação  ou  que  a  estes  não  se  agregam, bem como  todos os  demais bens  e  serviços utilizados  antes  e após  a  conclusão do  processo  produtivo,  que  compreendem  os  bens  e  serviços  utilizados  na  etapa  anterior  ao  processo  de  produção  ou  fabricação,  que,  em  termos  financeiros,  representam  os  gastos  ou  despesas pré­industriais, e na etapa posterior ao processo de produção ou fabricação, que, em  termos  financeiros,  constituem  as  despesas  operacionais  ou  não  operacionais  da  pessoa  jurídica, tais como: as despesas de propaganda, administrativas, de vendas, financeiras etc.  Com  base  nesse  entendimento,  passa­se  a  analisar  as  glosas  dos  créditos  apropriados sobre serviços utilizados como insumo pela recorrente e glosados pela fiscalização.  I.2.1 Da glosa dos serviços de segurança e limpeza  Para a fiscalização, tais serviços não atendiam ao conceito de insumo, porque  foram aplicados nas atividades de apoio e não estavam relacionados diretamente ao processo  produtivo da empresa.  Em relação aos serviços de limpeza, a recorrente alegou que, a atividade por  ela desenvolvida envolvia a manipulação de produtos químicos em volume elevadíssimo que,  sem  os  devidos  cuidados,  eram  extremamente  nocivos  à  saúde  de  seus  colaboradores  e  de  terceiros.  Logo,  a  contratação  de  serviços  de  limpeza  de  alta  qualidade  era  essencial  às  atividades  da  empresa,  tanto  por  razões  de  imagem,  quanto  por  determinação  de  órgãos  ambientais  e  regulatórios.  Para  comprovar  o  que  alegou,  a  recorrente  trouxe  à  colação  dos  autos o  contrato de  limpeza  celebrado com a  empresa Porã Sistema de Remoções Ltda.,  por  meio  do  qual  contratara  “os  serviços  de umectação  e  lavagem de  ruas,  bem como de  coleta  interna de lixo” (doc. 7 da Impugnação ­ fls. 158/191).  Fl. 1402DF CARF MF     10 A teor do referido contrato revela que os serviços de limpeza contratados pela  recorrente da pessoa jurídica Porã Sistema de Remoções Ltda. consistiam na (i) umectação e  lavagem  de  ruas,  avenidas  e  logradouros  e  (ii)  coleta  nos  recintos  internos  dos  resíduos  provenientes do processo industrial, conforme se lê no objeto do contrato, que segue transcrito:  OBJETO  1.1 O presente contrato tem por objeto a prestação de serviços,  pela CONTRATADA, de umectação e lavagem de ruas, avenidas  e  logradouros  e  a  coleta  Interna  de  lixo,  no  estabelecimento  industrial  da  CONTRATANTE,  situado  na  Rodovia  Cônego  Domenico  Rangoni,  km  62,  Cubatão­  SP.  na  forma  a  seguir  estabelecida.  Tais  serviços,  embora  essenciais  ao  regular  funcionamento  e  à manutenção  adequada  da  área  fabril,  inequivocamente  não  foram  aplicados/utilizados  no  processo  de  industrialização dos produtos comercializados pela recorrente. Assim, dada essa característica,  tais serviços não se enquadram no conceito de insumo anteriormente definido.  Além disso, cabe o registro que, segundo os dados apresentados na planilha  de  glosas  de  fls.  18/34,  nem  todos  os  serviços  de  limpeza  excluídos  da  base  de  cálculo  dos  créditos  foram  prestados  pela  pessoa  jurídica  Porã  Sistema  de  Remoções  Ltda.  e,  portanto,  foram serviços de remoção de resíduos industriais.  Assim, para os que, diferentemente deste Relator, entendem que os serviços  de  remoção  de  resíduos  industriais  são  essenciais  ou  inerentes  à  atividade  industrial  da  recorrente,  na  ausência  de  prova  da  natureza  ou  do  tipo  dos  demais  serviços  de  limpeza  glosados, deve ser parcialmente cancelada a glosa dos referidos serviços, para excluir apenas  os serviços de limpeza prestados pela pessoa jurídica Porã Sistema de Remoções Ltda.  No  que  tange  aos  serviços  de  segurança,  a  recorrente  alegou  que  a  contratação de tais serviços não visava apenas prevenir danos ao seu patrimônio, mas também  evitar a entrada e  trânsito de pessoas não autorizadas em locais perigosos. Para comprovar o  que  alegou,  a  recorrente  trouxe  à  colação  dos  autos  o  contrato  de  vigilância  e  segurança  celebrado com a pessoa jurídica Gocil  ­ Serviços de Vigilância e Segurança Ltda.  (doc. 8 da  Impugnação ­ fls. 192 e ss.), cujo objeto encontra­se descrito no trecho segue transcrito:  1. OBJETO  1.1.  A  CONTRATADA  ­  prestará  serviços  de  vigilância  e  de  segurança  para  a  CONTRATANTE,  no  estabelecimento  industrial  desta  situado  no  endereço  constante  do  preâmbulo  deste  instrumento,  observadas  as  especificações  de  Posto  de  Trabalho,  Atividades  Principais,  Regime  de  Trabalho  (Hs.),  Custo (R$) Homem/Hora e Gestor do Posto, constantes do Anexo  I.  1.1.1. Por serviços de vigilância e de segurança entendem­se as  atividades  preventivas  a  serem  realizadas  pelos  vigilantes  visando ao controle de entrada, saída e movimentação em geral  de  pessoas  e  bens  nos  domínios  do  estabelecimento  da  CONTRATANTE,  bem  como  as  de  evitar  ações  ofensivas  ou  desrespeitosas ao patrimônio desta ou às pessoas que ocupam o  estabelecimento,  observados  a  legislação  vigente  e  os  regulamentos internos da CONTRATANTE.  Fl. 1403DF CARF MF Processo nº 19515.721557/2012­58  Acórdão n.º 3302­005.184  S3­C3T2  Fl. 1.399          11 1.1.1.1.  Eventuais  atividades  não  constantes  do  Anexo  I,  relacionadas  às  atividades  de  vigilância,  poderão  ser  desenvolvidas pela CONTRATADA, desde que sejam necessárias  para atendimento ao disposto no item 1.1.1 acima.  1.1.2.  A  CONTRATADA  prestará  os  serviços  objeto  deste  contrato,  sem utilizar­se  do  emprego de  armas  de  fogo.  (grifos  não originais)  O trecho em destaque esclarece que se trata de prestação de serviços normais  e gerais de vigilância e de  segurança, ou seja,  atividades preventivas de  controle de entrada,  saída  e  movimentação  em  geral  de  pessoas  e  bens  nos  domínios  do  estabelecimento  da  contratante,  bem  como  evitar  ações  ofensivas  ou  desrespeitosas  ao  patrimônio  desta  ou  às  pessoas que ocupam o estabelecimento.  Dadas essas características, tais serviços não constituem insumo de produção,  mas serviços gerais de vigilância e de segurança e como tais não se enquadra no conceito de  insumo de fabricação anteriormente apresentado. Portanto, correta a glosa integral dos créditos  apropriados sobre o custo de aquisição de tais serviços.  I.2.2 Da glosa dos serviços de detalhamento de engenharia  De acordo com a planilha colacionada aos autos, os serviços foram prestados  pela empresa NEWCAD Engenharia S/A. Para a fiscalização, tais serviços não se enquadram  no conceito de insumo  Por sua vez, a recorrente alegou que o detalhamento de engenharia consistia  na  etapa  subsequente  aos  estudos  de  investimento  realizados  na  conceituação  do  Projeto  e  Engenharia Básica. Este detalhamento continha todos os parâmetros de engenharia da planta,  sendo,  portanto,  “essencial  para  que  se  possa  efetivamente  dar  andamento  às  atividades  operacionais industriais da recorrente.”  Inequivocamente,  trata­se  de  serviços  aplicados  na  fase  pré­industrial,  portanto, não se enquadra no conceito de insumo, pelas razões anteriormente demonstradas.  I.2.3 Da glosa dos serviços de operação portuária  Segundo  a  fiscalização,  os  serviços  de  operação  portuária  prestados  não  foram  detalhados  e  foram  realizados,  em  regra,  pela  empresa  Fertimport  S/A.,  como  não  se  enquadrava no conceito de insumo foram glosados.  A recorrente alegou os serviços de operação portuária eram um conjunto de  operações que incluíam a permissão de passagem da mercadoria desde o transporte marítimo  até o transporte terrestre e vice­versa. Para a recorrente, o serviço envolvia mais que a simples  movimentação  da  mercadoria  (carga,  descarga,  armazenagem  etc),  englobando  também  serviços complementares, tais como a identificação da mercadoria, os despachos aduaneiros, o  reconhecimento  de  avarias,  e  os  sistemas  de  informação,  entre  outros.  Esclareceu  ainda  a  recorrente  que  tais  serviços  referiam­se,  “na  sua  totalidade,  à  movimentação  e  eventual  armazenagem  de  insumos  (mais  especificamente,  enxofre,  o  principal  insumo  utilizado  na  produção  de  ácido  sulfúrico)  importados  pela  Recorrente  para  a  fabricação  de  produtos  químicos.”  Fl. 1404DF CARF MF     12 Os serviços de operação portuária em destaque foram prestados na operação  de importação de insumos utilizados pela recorrente no seu processo produtivo. Acontece que,  no âmbito da operação de importação, o direito ao crédito somente é assegurado em relação às  contribuições efetivamente pagas na  importação de bens e serviços, conforme expressamente  determina o § 1º do art. 15 da Lei 10.685/2004, a seguir reproduzido:  Art. 15. As pessoas jurídicas sujeitas à apuração da contribuição  para o PIS/PASEP e da COFINS, nos  termos dosarts. 2oe3odas  Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e10.833, de 29 de  dezembro  de  2003,  poderão  descontar  crédito,  para  fins  de  determinação  dessas  contribuições,  em  relação  às  importações  sujeitas  ao  pagamento  das  contribuições  de  que  trata  o  art.  1odesta  Lei,  nas  seguintes  hipóteses:  (Redação  dada  pela  Lei  nº  11.727, de 2008)(Produção de efeitos) (Regulamento)  I ­ bens adquiridos para revenda;  II  –  bens  e  serviços  utilizados  como  insumo  na  prestação  de  serviços  e  na  produção  ou  fabricação  de  bens  ou  produtos  destinados à venda, inclusive combustível e lubrificantes;  III ­ energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa  jurídica;  IV ­ aluguéis e contraprestações de arrendamento mercantil de  prédios,  máquinas  e  equipamentos,  embarcações  e  aeronaves,  utilizados na atividade da empresa;  V ­ máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo  imobilizado,  adquiridos  para  locação  a  terceiros  ou  para  utilização  na  produção  de  bens  destinados  à  venda  ou  na  prestação  de  serviços.(Redação  dada  pela  Lei  nº  11.196,  de  2005)  § 1º O direito ao crédito de que trata este artigo e o art. 17 desta  Lei  aplica­se  em  relação  às  contribuições  efetivamente  pagas  na  importação  de  bens  e  serviços  a  partir  da  produção  dos  efeitos desta Lei. (grifos não originais)  As alegações da recorrente sobre o direito de apropriação de crédito sobre os  gastos com fretes no  transporte de insumos adquiridos no mercado nacional não se aplica ao  caso  em  tela,  uma  vez  que  se  trata  de  insumos  importados,  para  os  quais  a  legislação,  expressamente,  só  admitiu  os  créditos  relativos  às  contribuições  efetivamente  pagas  pelo  importador.  Por essas razões, deve ser integralmente mantida a glosa em apreço.  I.2.4 Da glosa dos serviços logísticos  Segundo a  fiscalização, os serviços prestados não foram detalhados e foram  realizados pela empresa Solvay Química Ltda. Constava na descrição das notas fiscais que os  serviços  foram  prestados  no município  de  Santo André, município  em  que  a  recorrente  não  possuía estabelecimento.  A recorrente esclareceu que os serviços referiam­se a operações de capatazia,  envolvendo o descarregamento e movimentação de  insumos (carbonato dissódico) adquiridos  do exterior.  Fl. 1405DF CARF MF Processo nº 19515.721557/2012­58  Acórdão n.º 3302­005.184  S3­C3T2  Fl. 1.400          13 Pelos  mesmos  fundamentos  apresentados  no  item  precedente,  mantém­se  integralmente a glosa em apreço.  I.2.5 Da glosa dos serviços de apoio  A fiscalização informou que, em resposta à intimação, a recorrente informou  que a Empresa Pinturas Ypiranga prestara­lhe serviços de mão obra civil, pinturas industriais,  montagens e desmontagens de andaimes. E tais serviços foram considerados serviços de apoio,  não  vinculados  diretamente  ao  processo  produtivo,  por  essa  razão  procedeu  a  glosa  dos  referidos serviços.  A recorrente alegou que fazia jus ao crédito em questão porque se tratava de  serviços relacionados à manutenção e preservação do parque industrial da recorrente, portanto,  serviços essenciais à atividade da recorrente.  No  entendimento  deste  Relator,  trata­se  de  serviços  não  aplicados  no  processo produtivo. Com base no conceito de insumo anteriormente apresentado, tais serviços  não se enquadram no conceito de insumo. Por essa razão, deve ser mantida a presente glosa.  II Da Glosa das Despesas com Fretes em Geral  Em relação a esse ponto, assim se manifestou a fiscalização:  Intimamos  o  sujeito  passivo  a  apresentar  uma planilha  em que  púdessemos  identificar  a  origem  e  a  destinação  dos  produtos  transportados. Não  foram apresentadas as planilhas para  estes  serviços.  Assim,  não  foi  possível  verificar  o  tipo  de  serviço  prestado.  Questionado  o  sujeito  passivo  nos  informou  que  se  tratava de transportes de insumos e produtos em elaboração.  Por  sua  vez,  a  recorrente  esclareceu  que  os  gastos  com  “Fretes  em  geral”  referiam a movimentações ocorridas dentro do estabelecimento da recorrente, relativas a duas  situações distintas, a saber:  a)  Movimentação  de  gesso:  transporte  de  gesso  no  estabelecimento  da  Recorrente.  Como  se  verá,  esta  movimentação  é  parte  essencial  e  inevitável  do  processo  produtivo da Recorrente, devendo ser, portanto, considerada um  insumo; e  b) Movimentações de Produtos acabados: transporte de produtos  finais  para  armazenagem  e  subsequente  venda.  Estas  movimentações  devem  ser  consideradas  parte  da  operação  de  venda,  que,  conforme  expressamente  reconhecido  pela  fiscalização, gera crédito.  Em  vários  votos  proferidos  em  julgados  anteriores  deste  Colegiado,  após  exaustiva fundamentação legal, este Relator chegou a conclusão que o direito de dedução dos  créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, calculados sobre valor dos gastos com  frete, são assegurados somente para os serviços de transporte:  Fl. 1406DF CARF MF     14 a) de bens para  revenda, cujo valor de aquisição propicia direito a créditos,  caso  em  que  o  valor  do  frete  integra  base  de  cálculo  dos  créditos  sob  forma  de  custo  de  aquisição dos bens transportados (art. 3º, I, da Lei 10;637/2002, c/c art. 289 do RIR/1999);  b) de bens utilizados como insumos na prestação de serviços e produção ou  fabricação de bens destinados à venda, cujo valor de aquisição propicia direito a créditos, caso  em  que  o  valor  do  frete  integra  base  de  cálculo  dos  créditos  como  custo  de  aquisição  dos  insumos transportados (art. 3º, II, da Lei 10;637/2002, c/c art. 290 do RIR/1999);  c) de produtos  em produção ou  fabricação entre unidades  fabris do próprio  contribuinte  ou  não,  caso  em  que  o  valor  do  frete  integra  a  base  de  cálculo  do  crédito  da  contribuição como serviço de transporte utilizado como insumo na produção ou fabricação de  bens destinados à venda (art. 3º, II, da Lei 10;637/2002); e  d)  de bens  ou  produtos  acabados,  com ônus  suportado  pelo  vendedor,  caso  em que o valor do frete integra a base de cálculo do crédito da contribuição como despesa de  venda (art. 3º, IX, da Lei 10.637/2002).  De outra parte, por falta de previsão legal, o valor do frete no transporte dos  produtos acabados entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica (entre matriz e filiais, ou  entre  filiais,  por  exemplo),  não  geram  direito  a  apropriação  de  crédito  das  referidas  contribuições,  porque  tais  operações  de  transferências  (i)  não  se  enquadra  como  serviço  de  transporte utilizado como insumo de produção ou fabricação de bens destinados à venda, uma  vez  que  foram  realizadas  após  o  término  do  ciclo  de  produção  ou  fabricação  do  bem  transportado,  e  (ii)  nem  como operação de venda, mas mera operação de movimentação dos  produtos acabados entre estabelecimentos, com intuito de facilitar a futura comercialização e a  logística  de  entrega  dos  bens  aos  futuros  compradores.  O mesmo  entendimento,  também  se  aplica às transferência dos produtos acabados para depósitos fechados ou armazéns gerais.  Com  base  nesse  entendimento,  apenas  os  créditos  relativos  aos  fretes  aplicados  no  transporte  de  gesso  devem  ser  integralmente  restabelecidos,  por  se  tratar  de  transporte de insumo entre estabelecimentos da recorrente.  III Da Glosa das Despesas com Energia Elétrica  De  acordo  com  o  subitem  8.4  do  TVF,  a  fiscalização  assim  esclareceu  o  motivo da glosa em apreço:  Analisando  os  documentos  físicos  apresentados,  encontramos  faturas  de  serviços  prestados  classificadas  pela  tabela  do  ISS  com o código N.º 03115 ­ Assessoria ou Consultoria de qualquer  natureza, não contida nos outros itens desta lista.  As descrições dos serviços contidos nas NF, são: “Prestação de  Serviço de Gerenciamento de Energia”.  Assim, a despesa apresentada é inadequada para a composição  desta  linha  do  DACON,  e  em  última  análise  também  não  se  encaixa  no  conceito  de  Insumo,  motivo  pelo  qual  glosamos  os  seus  valores,  conforme  a Planilha  de Glosa,  que  detalhamos  a  seguir:  [...]   Fl. 1407DF CARF MF Processo nº 19515.721557/2012­58  Acórdão n.º 3302­005.184  S3­C3T2  Fl. 1.401          15 No  recurso  em  apreço,  a  recorrente  esclareceu  as  referidas  despesas  eram  relativas  a  serviços  prestados  pela  empresa  Comerc  ­  Comercializadora  de  Energia  Elétrica  Ltda. E como a energia elétrica era um produto importante para o seu processo produtivo, a fim  de  garantir  que  suas  instalações  estivessem  sempre  abastecidas  por  um  fluxo  constante  de  energia, celebrou contrato com a citada empresa, no qual esta se comprometia “a prestar uma  série de serviços, todos eles relacionados à finalidade de obtenção de energia elétrica (doc. 19  da Impugnação).”  Como a própria  recorrente confessou e objeto do contrato colacionados aos  autos  (fls.  408/433)  que  os  valores  glosados  não  eram  decorrentes  de  consumo  de  energia  elétrica e os serviços de assessoria e consultoria prestados  (glosados), no entendimento deste  Relator, não se enquadra no conceito de insumo aplicado na produção, portanto, a glosa deve  ser integralmente mantida.  IV Da Glosa das Despesas com Armazenagem e Fretes na Operação de  Venda  No subitem 8.6 da referida Informação Fiscal, a fiscalização assim esclareceu  o motivo da glosa em destaque:  Analisamos os documentos apresentados, verificamos que alguns  dos  serviços  contratados  não  geraram  os  créditos  pretendidos,  uma  vez  que  os  produtos  transportados  apresentaram  CFOP  incompatíveis  com  as  operações  de  venda  dos  mesmos  e  em  alguns casos as despesas de fretes não se referiam aos períodos  declarados.  Por sua vez, a recorrente alegou que a planilha disponibilizada fiscalização só  continha uma lista extensa com todas as notas fiscais que não foram consideradas para fins de  crédito.  Porém,  a  referida  planilha  não  mencionava  quais  CFOPs  foram  considerados  incompatíveis  e,  tampouco, quais despesas não  se  referiam aos períodos  declarados,  ou  seja,  não detalha  em momento  algum os motivos que  levaram à  glosa do  crédito  referente  a  cada  nota fiscal. Dada essa circunstância, a recorrente alegou que tal fato configurava cerceamento  de  seu  direito  de  defesa,  visto  que  as  informações  disponibilizadas  impossibilitavam  aferir  quais foram as razões que levaram o fisco a efetuar a glosa ora combatida.  Os  motivos  da  glosa  foram  devidamente  apresentados  pela  fiscalização,  a  saber: CFOP incompatíveis e despesas de fretes não pertencente aos períodos declarados.  O fato de a recorrente não ter mencionado o motivo da glosa para cada nota fiscal, certamente,  não  representou  cerceamento  do  direito  de  defesa  da  recorrente,  especialmente,  porque  ela  própria,  com base nas  referidas notas  fiscais,  fez a  identificação/correlação com o  respectivo  CFOP, conforme se verifica na planilha apresentada na fase impugnatória.  Assim,  na  manifestação  de  inconformidade  e  no  presente  recurso,  cabia  a  recorrente  demonstrar  que  os  valores  dos  fretes  glosados  não  correspondiam  aos  motivos  apresentados pela  fiscalização. Nesse sentido, a  recorrente limitou­se em  informar que  foram  glosados  créditos  oriundos  de  operações  de  fretes  amparadas  pelas  notas  fiscais  nºs  386534,  389065 e 393355, todas emitidas pela empresa Transkompa Transportes de Cargas Ltda., sob o  CFOP 5101.  Fl. 1408DF CARF MF     16 Acontece  que,  embora  o  CFOP  fosse  perfeitamente  compatível  com  operações de venda, o motivo da mencionada glosa não foi a incompatibilidade do CFOP, mas  impertinência do período de apuração do crédito, posto que se tratava de despesa com frete de  meses  anteriores  ao  período  de  apuração  em  que  informados/registrados  e  a  recorrente  não  logrou demonstrar que tais créditos não foram apropriados nos meses ou períodos de apuração  pertinentes, o que era necessário, conforme a seguir demonstrado.  Em  relação  aos  créditos  registrados  em  períodos  posteriores,  a  recorrente  ainda alegou que havia apenas dois  requisitos para a apropriação de  tais créditos, ou seja: a)  que os créditos fossem apropriados dentro do prazo de cinco anos contados da data do ato ou  fato do qual se originaram; e b) que os créditos fossem apropriados sem atualização monetária  ou  incidência  de  juros  sobre  os  respectivos  valores,  consoante  dispõe  o  art.  13  da  Lei  n°  10.833/2003.  A recorrente confunde regime de apuração com regime de aproveitamento de  créditos.  Inequivocamente,  tratam­se  de  situações  distintas  que  submetem  a  tratamento  diferentes  na  legislação.  Ambos  os  regimes  encontram­se  disciplinados  no  art.  3º  das  Leis  10.637/2002 e 10.833/2003, porém, enquanto o  regime de apuração é determinado no § 1º o  regime  aproveitamento  é  disciplinado  no  §  4º  e  no  art.  13  da  Lei  10.833/2003,  que  seguem  transcritos:  Art. 3º Do valor apurado na  forma do art. 2º a pessoa  jurídica  poderá descontar créditos calculados em relação a:  [...]  § 1o Observado o disposto no § 15 deste artigo, o crédito  será  determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput  do  art.  2odesta  Lei  sobre  o  valor:  (Redação  dada  pela  Lei  nº  11.727, de 2008)  I ­ dos itens mencionados nos incisos I e II do caput, adquiridos  no mês;  II  ­  dos  itens  mencionados  nos  incisos  III  a  V  e  IX  do  caput,  incorridos no mês;  III  ­  dos  encargos  de  depreciação  e  amortização  dos  bens  mencionados  nos  incisos  VI,  VII  e  XI  do  caput,  incorridos  no  mês; (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014)  IV  ­  dos  bens mencionados  no  inciso VIII  do  caput, devolvidos  no mês.  [...]  § 4º O crédito não aproveitado em determinado mês poderá sê­ lo nos meses subseqüentes.  [...]   Art. 13. O aproveitamento de crédito na forma do § 4º do art. 3o,  do art. 4º e dos §§ 1º e 2º do art. 6o, bem como do § 2º e inciso II  do § 4oe § 5º do art. 12, não ensejará atualização monetária ou  incidência  de  juros  sobre  os  respectivos  valores.  (grifos  não  originais)  Fl. 1409DF CARF MF Processo nº 19515.721557/2012­58  Acórdão n.º 3302­005.184  S3­C3T2  Fl. 1.402          17 O  disposto  no  §  1º  art.  3º,  expressamente,  determina  que  a  apuração  dos  créditos será feita mensalmente, com base (i) nos custos dos bens e serviços adquiridos no mês,  (ii) nas despesas/gastos com energia, aluguéis, arrendamento mercantil e armazenagem e frete  incorridos no mês, (iii) encargos de depreciação e amortização incorridos no mês e (iv) os bens  devolvidos  no mês.  E  a  fixação  desse  procedimento  de  apuração mensal  tem  por  finalidade  assegurar  o  controle  e  a  verificação  da  correta  apuração  do  crédito,  especialmente,  a  natureza/tipo  de  crédito  e  valor  apropriado.  Em  suma,  esse  procedimento  visa  a  confirmação/comprovação  dos  requisitos  da  certeza  e  liquidez  do  crédito,  condição  indispensável  para  o  aproveitamento  sob  as  diversas  modalidades  prevista  na  legislação  (dedução, ressarcimento ou compensação).  E  a  segregação  dos  créditos  por  períodos  de  apuração  também  se  justifica  pelo fato de a forma passível/admitida de aproveitamento depender da composição do crédito  no  respectivo  período  de  apuração,  especialmente,  nos  casos  de  aproveitamento  mediante  ressarcimento  e  compensação,  para  os  quais  existem  específicas  restrições  legais. Em outras  palavras, é indispensável, sob pena de burla indireta às vedações legais, que, para cada período  de apuração, exista uma perfeita definição da natureza dos créditos e de que forma o sujeito  passivo  chegou  aos  saldos  passíveis  de  ressarcimento  ou  compensação. Dada  essa  exigência  legal,  o  ressarcimento  ou  compensação  de  eventuais  saldos  de  créditos  não  aproveitados  (deduzidos)  no  período  de  apuração  pertinente  (créditos  extemporâneos),  necessariamente,  deve  ser  precedida  da  revisão  da  apuração  (confronto  entre  créditos  e  débitos)  dos  correspondentes períodos de apuração. Sem esse prévio e indispensável procedimento, não há  como saber se o saldo de crédito era ou não passível de ressarcimento ou compensação.  Portanto,  a  segregação  da  apuração  dos  créditos  por  período  de  apuração,  inequivocamente, não se trata de mera exigência formal, sem efeito prático. Ao contrário, trata­ se  de  procedimento  determinado  por  lei,  que  visa  o  controle  e  a  verificação  do  estrito  cumprimento dos requisitos legais. A relevação ou a desconsideração dessa formalidade, além  da  impossibilidade  da  verificação  da  legitimidade  do  crédito  por  parte  da  autoridade  fiscal,  inequivocamente, poderá resultar no descumprimento das condições legais estabelecidas para o  ressarcimento ou compensação dos saldos de créditos das referidas contribuições.  Além da obrigatória apuração dos créditos nos respectivos meses do período  de apuração, determinado no referido preceito legal, antes da utilização do Sistema Publico de  Escrituração Digital  (SPED)  e  da  entrega  do  arquivo  digital  EFD­Contribuições,  a  apuração  extemporânea de créditos deveria ser seguida da obrigatória retificação do Dacon e, se alterado  o  valor  do  débito,  da  respectiva  DCTF,  conforme  expressamente  determinava  o  art.  11  da  Instrução Normativa SRF 590/2005, a seguir reproduzido:  Art. 11. Os pedidos de alteração nas  informações prestadas no  Dacon  serão  formalizados  por  meio  de  Dacon  retificador,  mediante a apresentação de novo demonstrativo elaborado com  observância  das  mesmas  normas  estabelecidas  para  o  demonstrativo retificado.  §  1º  O  Dacon  retificador  terá  a  mesma  natureza  do  demonstrativo  originariamente  apresentado,  substituindo­o  integralmente, e  servirá para declarar novos débitos,  aumentar  ou  reduzir  os  valores  de  débitos  já  informados  ou  efetivar  qualquer alteração nos créditos informados em demonstrativos  anteriores.  Fl. 1410DF CARF MF     18 [...]  §  4º  A  pessoa  jurídica  que  entregar  o  Dacon  retificador,  alterando  valores  que  tenham  sido  informados  em  DCTF,  deverá apresentar, também, DCTF retificadora.  [...] (grifos não originais)  Assim, na vigência do referida legislação que disciplinava o Dacon, apurada  a  existência  de  créditos  não  apropriados/registrados  (créditos  extemporâneos),  além  da  obrigatória  apuração nos pertinentes períodos de  apuração, o  contribuinte deveria  informar  a  alteração  dos  valores  dos  créditos  informados  nos  demonstrativos  anteriores  mediante  apresentação do Dacon retificador e, se fosse o caso, acompanhada da DCTF retificadora.  A  propósito,  cabe  registrar  que,  não  é  verdade,  como  afirmado  em  alguns  julgados deste Conselho1, que a “linha 06/31” do Dacon contemplavam o registro de operações  de créditos extemporâneos. A simples leitura do texto explicativo do conteúdo da referida linha  revela  que  ela  destinava­se  ao  registro  de  “ajustes  positivos  de  crédito  não  contemplados  na  Linha 06A/30”, em que registradas às operações normais de créditos relativas às aquisições de  embalagens.  E  a  expressão  “créditos  não  contemplados”,  obviamente,  não  significa  créditos  extemporâneos.  Para  que  não  reste  qualquer  dúvida  a  respeito,  seguem  transcritos  os  textos  extraídos das orientações de preenchimento do Dacon:  CRÉDITOS  DECORRENTES  DA  APURAÇÃO  DE  EMBALAGENS PARA REVENDA (Lei nº 10.833/2003, art. 51, §  3º)  Linha 06A/30 – Créditos Apurados  A  pessoa  jurídica  comercial  que  adquirir  para  revenda  as  embalagens referidas no art. 51 da Lei nº 10.833, de 2003, deve  informar nesta linha o valor da Contribuição para o PIS/Pasep  referente  às  embalagens  que  adquirir  no  período  de  apuração  em que registrar o  respectivo documento  fiscal de aquisição  (§  3º do art. 51 da Lei nº 10. 833, de 2003, introduzido pelo art. 25  da Lei nº 11.051, de 2004).  Linha 06A/31 – Ajustes Positivos de Créditos  Informar  nesta  Linha  ajustes  positivos  de  crédito  não  contemplados na Linha 06A/30.  Linha 06A/32 – (­) Ajustes Negativos de Créditos  Informar  nesta  Linha  ajustes  negativos  de  crédito  não  contemplados na Linha 06A/30, tais como:  Com  base  nessas  considerações,  resta  demonstrado  que,  somente  quando  definida  a  natureza,  certeza  e  liquidez  do  saldo  de  crédito  apurado  em  determinado  período  mensal  cabe  analisar  as  formas  de  aproveitamento  previstas  na  legislação.  Nesse  sentido,  dispõe o § 4º do art. 3º e o art. 13 que o saldo de crédito apurado em determinado mês pode ser  aproveitado  mediante  dedução,  ressarcimento  ou  compensação  nos  períodos  mensais  subsequentes, sem atualização monetária e incidência de juros. E desde que o aproveitamento  ocorra  dentro  do  prazo  de  5  (cinco)  anos,  contado  do  dia  seguinte  ao  mês  de  apuração  do                                                              1 A título de exemplo, cita­se os acórdãos nºs 3202­001.456 e 9303­004.562.  Fl. 1411DF CARF MF Processo nº 19515.721557/2012­58  Acórdão n.º 3302­005.184  S3­C3T2  Fl. 1.403          19 crédito,  sob  pena  da  extinção  do  direito  de  aproveitamento  pela  prescrição  determinada  no  Decreto 20.910/1932.  No  presente  caso,  além  de  não  demonstrar/comprovar  que  os  créditos  extemporâneos  não  foram  apropriados/utilizados  nos  meses  ou  períodos  de  apuração  pertinentes,  o  que  era  necessário  por  expressa  determinação  legal,  a  recorrente  também  não  procedeu a retificação do Dacon, a que estava obrigada por expressa determinação do art. 11 da  Instrução Normativa SRF 590/2005, vigente no período de apuração dos créditos em apreço.  Enfim,  em  relação  a  esse  tópico,  a  recorrente  informou  que,  para  fim  de  comprovar  seu  direito,  juntara  a  estes  autos  planilha  completa  detalhando  cada  uma  das  remessas feitas no período fiscalizado (doc. 20 da Impugnação). Ainda segundo a recorrente, as  notas fiscais relativas a este ponto foram integralmente disponibilizadas à fiscalização, estando  à disposição desse colegiado, na eventualidade de se entender pela necessidade de realização  de diligência.  Pelas  mesmas  razões  anteriormente  aduzidas,  o  pedido  de  diligência  formulado  pela  recorrente  revela­se  totalmente  descabido  e  prescindível,  pois  além  de  não  atender  os  requisitos  determinados  no  art.  16,  IV,  do  Decreto  70.235/1972,  a  própria  fiscalização  já  relacionou  e  analisou  tais  notas  fiscais,  conforme  explicitado  na  citada  informação fiscal.  No caso, em vez de solicitar diligência, a recorrente deveria ter demonstrado  que  os CFOP  era  compatíveis  com  as  operações  de  venda  e  que  os  créditos  registrados  nos  períodos de apuração posteriores não foram apropriados nos pertinentes períodos de apuração,  o que não ocorreu.  Por  todas essas  razões, deve ser  integralmente mantida a glosa dos créditos  em apreço.  V Da Conclusão  Por todo o exposto, vota­se pelo provimento parcial do recurso, para cancelar  a glosa apenas dos créditos calculados sobre os valores dos  fretes aplicados no  transporte de  gesso  entre  estabelecimentos,  cujo  efeito  sobre  os  débitos  lançados  nos  presentes  autos  dependerá do que for apurado nos processos nºs 10845.900919/2012­69 e 10845.900920/2012­ 93, que tratam dos pedidos de ressarcimento de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da  Cofins do 4º trimestre de 2007.  (assinado digitalmente)  José Fernandes do Nascimento                            Fl. 1412DF CARF MF     20     Fl. 1413DF CARF MF

score : 1.0
7185576 #
Numero do processo: 15540.000005/2009-49
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Feb 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Mar 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2004 NULIDADE. DECISÃO SOBRE MATÉRIA NÃO RECORRIDA. PRECLUSÃO. A preclusão, por não ser tema pacífico nesse Tribunal, não pode ser reconhecida de ofício. MULTA QUALIFICADA. DEMONSTRAÇÃO DO INTUITO FRAUDULENTO. Além de presentes os elementos que permitiram a configuração da presunção de omissão de receitas, reconhece-se circunstâncias que, reunidas, demonstram a ilicitude do contribuinte, classificada como sonegação, a exemplo da manutenção de expressivos valores à margem da tributação, falta de apresentação das devidas comprovações pelo quando intimado a fazê-lo e dolo na ocultação do seu real domicílio, elegendo-se uma empresa de faixada utilizada como localização de mais de 350 empresas, sem estrutura e funcionamento, em cidade diversa, levando, assim, à qualificação da penalidade.
Numero da decisão: 9101-003.425
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e por maioria de votos, acordam em rejeitar a preliminar de nulidade parcial da decisão recorrida suscitada de ofício pela conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio (relatora), a qual restou vencida; vencidos, também, os conselheiros Luís Flávio Neto e Flávio Franco Corrêa. No mérito, por unanimidade de votos, acordam em dar provimento ao recurso. Votou pelas conclusões o conselheiro Flávio Franco Corrêa. Designado para redigir o voto vencedor, quanto à rejeição da preliminar de nulidade parcial, o conselheiro Gerson Macedo Guerra. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo – Presidente (assinado digitalmente) Daniele Souto Rodrigues Amadio - Relatora (assinado digitalmente) Gerson Macedo Guerra – Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rêgo, André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: DANIELE SOUTO RODRIGUES AMADIO

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201802

camara_s : 1ª SEÇÃO

ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2004 NULIDADE. DECISÃO SOBRE MATÉRIA NÃO RECORRIDA. PRECLUSÃO. A preclusão, por não ser tema pacífico nesse Tribunal, não pode ser reconhecida de ofício. MULTA QUALIFICADA. DEMONSTRAÇÃO DO INTUITO FRAUDULENTO. Além de presentes os elementos que permitiram a configuração da presunção de omissão de receitas, reconhece-se circunstâncias que, reunidas, demonstram a ilicitude do contribuinte, classificada como sonegação, a exemplo da manutenção de expressivos valores à margem da tributação, falta de apresentação das devidas comprovações pelo quando intimado a fazê-lo e dolo na ocultação do seu real domicílio, elegendo-se uma empresa de faixada utilizada como localização de mais de 350 empresas, sem estrutura e funcionamento, em cidade diversa, levando, assim, à qualificação da penalidade.

turma_s : 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS

dt_publicacao_tdt : Tue Mar 27 00:00:00 UTC 2018

numero_processo_s : 15540.000005/2009-49

anomes_publicacao_s : 201803

conteudo_id_s : 5847476

dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Mar 28 00:00:00 UTC 2018

numero_decisao_s : 9101-003.425

nome_arquivo_s : Decisao_15540000005200949.PDF

ano_publicacao_s : 2018

nome_relator_s : DANIELE SOUTO RODRIGUES AMADIO

nome_arquivo_pdf_s : 15540000005200949_5847476.pdf

secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e por maioria de votos, acordam em rejeitar a preliminar de nulidade parcial da decisão recorrida suscitada de ofício pela conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio (relatora), a qual restou vencida; vencidos, também, os conselheiros Luís Flávio Neto e Flávio Franco Corrêa. No mérito, por unanimidade de votos, acordam em dar provimento ao recurso. Votou pelas conclusões o conselheiro Flávio Franco Corrêa. Designado para redigir o voto vencedor, quanto à rejeição da preliminar de nulidade parcial, o conselheiro Gerson Macedo Guerra. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo – Presidente (assinado digitalmente) Daniele Souto Rodrigues Amadio - Relatora (assinado digitalmente) Gerson Macedo Guerra – Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rêgo, André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra.

dt_sessao_tdt : Tue Feb 06 00:00:00 UTC 2018

id : 7185576

ano_sessao_s : 2018

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:14:30 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713050008796790784

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2227; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRF­T1  Fl. 732          1 773311   CCSSRRFF­­TT11   MMIINNIISSTTÉÉRRIIOO  DDAA  FFAAZZEENNDDAA   CCOONNSSEELLHHOO  AADDMMIINNIISSTTRRAATTIIVVOO  DDEE  RREECCUURRSSOOSS  FFIISSCCAAIISS   CCÂÂMMAARRAA  SSUUPPEERRIIOORR  DDEE  RREECCUURRSSOOSS  FFIISSCCAAIISS      PPrroocceessssoo  nnºº   15540.000005/2009­49  RReeccuurrssoo  nnºº                Especial do Procurador  AAccóórrddããoo  nnºº   9101­003.425  –  1ª Turma   SSeessssããoo  ddee   06 de fevereiro de 2018  MMaattéérriiaa   MULTA QUALIFICADA. OMISSÃO DE RECEITAS.  RReeccoorrrreennttee   FAZENDA NACIONAL  IInntteerreessssaaddoo   COBRAR ASSESSORIA EM COBRANÇA LTDA    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA ­ IRPJ  Ano­calendário: 2004  NULIDADE.  DECISÃO  SOBRE  MATÉRIA  NÃO  RECORRIDA.  PRECLUSÃO.  A  preclusão,  por  não  ser  tema  pacífico  nesse  Tribunal,  não  pode  ser  reconhecida de ofício.  MULTA  QUALIFICADA.  DEMONSTRAÇÃO  DO  INTUITO  FRAUDULENTO.   Além  de  presentes  os  elementos  que  permitiram  a  configuração  da  presunção  de  omissão  de  receitas,  reconhece­se  circunstâncias  que,  reunidas,  demonstram  a  ilicitude  do  contribuinte,  classificada  como  sonegação, a exemplo da manutenção de expressivos valores à margem da  tributação,  falta  de  apresentação das  devidas  comprovações  pelo  quando  intimado a fazê­lo e dolo na ocultação do seu real domicílio, elegendo­se  uma  empresa  de  faixada  utilizada  como  localização  de  mais  de  350  empresas,  sem  estrutura  e  funcionamento,  em  cidade  diversa,  levando,  assim, à qualificação da penalidade.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.    Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  conhecer do Recurso Especial e por maioria de votos, acordam em rejeitar a preliminar de  nulidade  parcial  da  decisão  recorrida  suscitada  de  ofício  pela  conselheira Daniele  Souto  Rodrigues  Amadio  (relatora),  a  qual  restou  vencida;  vencidos,  também,  os  conselheiros  Luís Flávio Neto e Flávio Franco Corrêa. No mérito, por unanimidade de votos, acordam  em dar provimento ao recurso. Votou pelas conclusões o conselheiro Flávio Franco Corrêa.  Designado  para  redigir  o  voto  vencedor,  quanto  à  rejeição  da  preliminar  de  nulidade  parcial, o conselheiro Gerson Macedo Guerra.     AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 54 0. 00 00 05 /2 00 9- 49 Fl. 732DF CARF MF Processo nº 15540.000005/2009­49  Acórdão n.º 9101­003.425  CSRF­T1  Fl. 733          2    (assinado digitalmente)  Adriana Gomes Rêgo – Presidente     (assinado digitalmente)  Daniele Souto Rodrigues Amadio ­ Relatora    (assinado digitalmente)  Gerson Macedo Guerra – Redator Designado    Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Adriana  Gomes  Rêgo, André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio  Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra.     Relatório    Tratam­se de autos de infração  (E­fls. 09 ss.) para a exigência de IRPJ,  CSLL, Contribuição ao PIS, COFINS e Contribuição para a Seguridade Social – INSS, no  regime do SIMPLES, decorrente da acusação fiscal de (i) omissão de receitas escrituradas  entre 29.02.2004 e 31.12.2004, em função da diferença entre depósitos bancários e valores  registrados contabilmente, acrescidos de multa qualificada de 150%, e (ii) insuficiência de  montantes  recolhidos  apurada  em  cruzamento  automático  de  dados  entre  31.03.2004  e  31.12.2004, com a imputação de multa de ofício de 75%, conforme detalhado no Termo de  Verificação Fiscal (E­fls. 14 ss.), transcrito abaixo:    “TERMO  DE  ESCLARECIMENTOS  E  DE  CONCLUSÃO  PARCIAL  DE  AUDITORIA FISCAL ANEXO AO AUTO DE INFRAÇÃO  No exercício das funções de Auditor­Fiscal da Receita Federal do Brasil, no uso  de nossas atribuições legais e na  forma do disposto no art. 911, do Decreto no.  3.000,  baixado  em  26  de  março  de  1999  (Regulamento  do  Imposto  sobre  a  Renda),  procedemos  à  ação  fiscal  junto  ao  contribuinte  acima  qualificado,  cumprir o que vai em Mandado de Procedimento Fiscal expedido pelo Delegado  da Receita Federal em Niterói, no que tange, inicialmente, ao exercício da União  de 2005, anocalendário de 2004.  I. DA AÇÃO FISCAL EMPREENDIDA  Em 6 de setembro de 2007, comparecemos à Rua Dr. Luiz Januário, 262, Centro,  Saquarema, Rio de Janeiro, endereço constante do Cadastro Nacional de Pessoa  Jurldica — CNPJ, corno sendo o de domicilio  fiscal de COBRAR ASSESSORIA  EM  COBRANÇA  LTDA.,  CNPJ  06.021.788/0001­07,  encontrando  portas  cerradas em horário comercial.  Fl. 733DF CARF MF Processo nº 15540.000005/2009­49  Acórdão n.º 9101­003.425  CSRF­T1  Fl. 734          3 Localizamos,  em  própria  casa,  por  meio  de  informação  de  terceiros,  a  Sra.  FABIANE  BELGUES  AFFONSO,  CPF  004.951.227­77,  que  devidamente  franqueou  o  acesso  da  Fiscalização  à  sala  onde  supostamente  funcionaria  a  sociedade empresária.  Encontramos  em  modesta  sala  unicamente  uma  mesa  e  cadeira,  com  algumas  prateleiras vazias.  Foi­nos relatado por Fabiana Belgues Affonso que:  1.  A  Cobrar  Assessoria  em  Cobrança  Ltda.  não  tinha  sua  operacionalidade  naquele endereço;  2. Que  era  secretaria  de  JOÃO MIGUEL LIMA ESTEPHANIO,  posteriormente  identificado como portador da carteira de identidade no. 361468, expedida pelo  Ministério da Marinha, CPF 635.040.817­91, casado, engenheiro, domiciliado na  Rua Montevidéu, 1.190 apto.101, Penha, RJ;  3. Que o endereço era mantido meramente como fachada para aproximadamente  350 empresas;  4. Que a Policia Federal estivera naquele endereço,  segundo ela um mês antes,  em operação de busca e apreensão.  Contatado  por  telefone,  Joao  Miguel  Lima  Esthephanio,  já  qualificado,  compareceu à Delegacia da Receita Federal em Niterói, apresentando:  1.  Recibo  assinado  por  ALUISIO  DUARTE  THOMAS  DE  AQUINO,  um  dos  sócios da Cobrar Ltda., que, em síntese atesta que a Cobrar sublocava a referida  sala;  2.  Documento  assinado  por  Joao  Esthephanio  no  qual  afirma  ser  um  mero  sublocador de espaço Cobrar;  3.  Contrato  de  sublocação  celebrado  entre  Joao  Esthephanio  e  a  Cobrar,  representada pelo sócio Aluisio;  4.  Mandado  de  Busca  e  Apreensão  expedido  pela  4a•  Vara  Federal  Criminal  datado de 9 de julho de 2007.  Em ligação para a repartição, apresentou­se FELIPE P. N. CASTANHEIRA DE  SOUZA, como sendo um dos sócios da ora Autuada, informando que o endereço  da Cobrar seria na Rua José Clemente, 94 sala 1.205, Centro, Niterói, RJ, para  onde  enviamos,  por  Aviso  de  Recebimento  emitido  pelos  Correios,  Termo  de  Reintimação  lavrado  em  15/10/2007,  com  exigência  fiscal  de  apresentação  de  extratos  bancários  referente  a  movimentações  efetuadas  nas  instituições  financeiras Bradesco e BCN.  Apresentou  o  contribuinte  os  extratos  solicitados,  justificando  que  a  conta  mantida  no  BCN  foi  consolidada  em  uma  única  conta­corrente  quando  da  incorporação do BCN pelo Bradesco.  Analisados os extratos bancários em sua totalidade, confrontados os valores com  os Livros Diário e Razão apresentados, tem­se que:  II.  DAS  IRREGULARIDADES CONSTATADAS PASSÍVEIS DE  LANÇAMENTO  DE OFÍCIO  O  lançamento  de  oficio  é  efetivado,  a  fim  de  salvaguardar  os  interesses  da  Fazenda Nacional, em virtude de o contribuinte, no curso da ação fiscal, não ter  apresentado quaisquer documentações que justificassem o fato de ter registrado,  em  declaração  apresentada  para  o  exercício  de  2005,  anocalendário  de  2004,  valores  correspondentes  as  suas  receitas  de  prestação  de  serviços  em  muito  inferiores  ao  volume  de  créditos  movimentados  em  conta­corrente  mantida  no  Bradesco, deles já expurgados todos os valores cujo histórico não possibilitava à  Fiscalização a convicção de que se referiam a receitas operacionais, bem como  valores  referentes  a  empréstimos  contraídos,  estornos,  devoluções  de  CPMF,  transferências de mesma titularidade etc.  Fl. 734DF CARF MF Processo nº 15540.000005/2009­49  Acórdão n.º 9101­003.425  CSRF­T1  Fl. 735          4 Foram  analisados  todos  os  registros  de  créditos  e  de  débitos  que  os  extratos  bancários  continham,  sendo desprezados  os  valores  representativos  de  centavos  de real.  Apresentando declaração sob o regime SIMPLES, no ano fiscalizado, contribuinte  registrou como sendo o total de suas receitas de prestações de serviços no ano­ calendário de 2004, exercício de 2005, o valor de R$ 195.449,68 (cento e noventa  e  cinco  mil  quatrocentos  e  quarenta  e  nove  reais  e  sessenta  e  oito  centavos).  Apurou­se que o volume de movimentação a crédito da conta bancária da pessoa  jurídica (após os necessários expurgos, já referidos) monta R$ 3.640.226,16 (três  milhões  seiscentos  e  quarenta  mil  duzentos  e  vinte  e  seis  reais  e  dezesseis  centavos).  O  Autuado,  intimado  a  justificar  a  origem  dos  recursos  depositados  na  conta­ corrente 13.871­1, agência 3071­6, mantida no Bradesco, informa que:  1. A  empresa  tem como atividade  a assessoria  em cobrança que  inclui além de  orientação técnica ao Departamentos de Contas a Receber de Terreiros, o serviço  efetivo de cobrança;  2. Este serviço inclui o recebimento de duplicatas, endossadas para a Cobrar;  3. Após o recebimento e deduzido, se  for o caso, os honorários da cobrança, os  valores são repassados aos clientes;  4. Os valores movimentados a crédito também o foram a débito.  A  ora  Autuada  não  apresentou  demonstrativos,  contratos,  recibos,  duplicatas,  notas­fiscais  de  prestação  de  serviços,  correspondências,  ou  quaisquer  outros  documentos, em apoio à justificativa apresentada.  Obviamente, dos extratos constam valores a débito. Entretanto,  tais débitos não  mantém  correlação  com  os  créditos  em  magnitude.  Os  valores  de  débitos  e  créditos não são de tal forma semelhantes, que permitam o entendimento de que  os créditos deixam de representar receitas operacionais ou valores de origem não  comprovada e mantidos à margem do atingimento da Receita Federal, quando da  apresentação  de  declaração  por  parte  do  contribuinte,  quanto  à  cobrança  de  imposto e contribuições.  Via  de  consequência,  conclui­se  que  o  contribuinte  deliberadamente  omitiu  valores  referentes  a  receitas  operacionais,  já  que  não  apresentou,  no  curso  da  ação  fiscal,  quaisquer  documentos  referentes  aos  serviços  supostamente  prestados,  não  comprovando  a  origem dos  recursos,  tampouco  a  quais  pessoas  jurídicas  prestou  serviços,  sejam  eles  de  assessoramento  ou  cobrança,  como  afirma.  O  contribuinte  não  apresentou  o  Livro Caixa.  Entretanto, mesmo  optando  pelo  regime  de  tributação  SIMPLES,  manteve  registros  no  ano  de  2004,  em  Livros  Diário e Razão.  O Livro Razão que contém registros pertinentes ao ano­calendário de 2004, não  contém assinaturas de sócios, embora registre a assinatura do contabilista RUY  CASTANHEIRA DE SOUZA, CRC 19639­ 04, CPF 076.242.047­20.  O Livro Diário (ano 2004) contém registro no Cartório do 12°. Oficio de Niterói,  e vai assinado por sócio e contabilista.  Da análise do referido Livro verificou­se que:  1.  Não  contém  registros  de  clientes  e  fornecedores,  números  de  documentação  fiscal etc.;  2.  Há  registros  de  movimentações  no  Bradesco,  sem  identificação  do  serviço  prestado ou da despesa incorrida;  3.  Os  lançamentos  aparecem  meramente  generalizados,  conforme  cópias  reprográficas por mim devidamente autenticadas,  representando a integralidade  dos quatro livros apresentados (dois Diários e dois Razões).  Fl. 735DF CARF MF Processo nº 15540.000005/2009­49  Acórdão n.º 9101­003.425  CSRF­T1  Fl. 736          5 Ill.  DA  OMISSÃO DE RECEITAS  APURADA  E DA  BASE DE CALCULO DO  LANÇAMENTO DE OFICIO  (…)  IV. DA EXCLUSÃO DE OFICIO DO SIMPLES E DAS CONSEQUÊNCIAS DELA  DECORRENTES  Tendo em vista que o contribuinte ultrapassou o limite previsto para utilização de  regime de apuração de lucros com base no Sistema Integrado de Pagamento de  Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte ­  SIMPLES, no ano­calendário de 2004,  foi procedida a exclusão do contribuinte  desse  regime de  tributação,  com  efeitos a  partir  de 1  °.  de  janeiro de 2005,  de  conformidade  com  o  disposto  nos  artigos  15  e  16,  da  Lei  9.317/96,  e  em  consonância com o que preconiza o artigo 24, inciso VI, da Instrução Normativa  SRF no. 608, de 9 de janeiro de 2006, por meio do Ato Declaratário no. 04, de 27  de  janeiro  de  2009,  que  está  contido  no  Anexo  Único  deste  Processo  de  no.  15540.000005/2009­49.  A  autuação  no  que  tange  ao  exercício  de  2005,  ano­calendário  de  2004,  se  dá  com base na legislação do SIMPLES.  V.  DOS  EFETIVOS  ELEMENTOS  DE  PROVA  COLHIDOS  NO  CURSO  DA  AÇAO FISCAL  Anexamos  ao  processo,  como  elementos  de  prova,  os  Termos  lavrados  e  as  respostas apresentadas pelo contribuinte, e mais os seguintes documentos:  1. Declaração apresentada pela pessoa jurídica referente aos Exercício de 2005,  ano­calendário de 2004;  2.  Cópias  dos  extratos  bancários  da  conta­corrente  mantida  no  Bradesco,  conforme anteriormente referido;  3.  Cópias  por  mim  autenticadas  dos  Livros  Diário  e  Razão,  já  descritos,  com  registros correspondentes ao ano de 2004;  4. Demonstrativos Mensais de Créditos Bancários com Origem de Recursos Não  Comprovada;  5. Consolidações dos Créditos Bancários  cuja origem não  foi comprovada  (ano  2004).  VI. DA APLICABILIDADE DA MULTA PREVISTA NO INCISO II, DO ART. 957,  DO RIR199  E  sobremodo  importante  assinalar  que  a  multa  de  lançamento  de  oficio  em  percentual  de 150%  (cento  e  cinqüenta por  cento)  prevista  no  inciso  II,  do  art.  957,  do  Decreto  n  °.  3.000,  de  26  de  março  de  1999,  é  aplicada  no  presente  lançamento de oficio, em razão de o contribuinte ter mantido à margem da base  de cálculo do IRPJ devido, bem como de contribuições, expressivos valores, o que  deixa clara a intenção dolosa da Autuada, caracterizada por sonegação fiscal.  Manteve  ainda  o  contribuinte  registro  cadastral  de  domicilio  fiscal,  junto  à  Secretaria da Receita Federal do Brasil, em endereço meramente de  fachada, o  que  demonstra  a  clara  e  inequívoca  intenção  em  dificultar  a  ação  da  Fiscalização, com fito de não ver descoberta a burla à legislação tributária.   (…)  Toma ciência ainda o contribuinte, em mesmo ato, do Ato Declaratário Executivo  no. 04, de 27 de janeiro de 2009, que declara a sociedade empresária excluída do  Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas  e  das  Empresas  de  Pequeno  Porte  (Simples),  com  efeitos  a  partir  de  1  0.  de  janeiro de 2005, conforme previsto nos artigos 15 e 16 da Lei no. 9.317, de 1996,  e no inciso VI do artigo 24 da Instrução Normativa 608, de 9 de janeiro de 2006,  atestando o recebimento de cópia do citado ato.  (…)”  Fl. 736DF CARF MF Processo nº 15540.000005/2009­49  Acórdão n.º 9101­003.425  CSRF­T1  Fl. 737          6   Insurgindo­se,  a  contribuinte  apresentou  impugnação  às  e­fls.  588  ss.  sustentando, em primeiro lugar, com relação à contribuição previdenciária, que deveria ser  excluída da  autação,  pois  seria  impossível  se  considerar que  a  empresa  estaria  sujeita  ao  regime do SIMPLES e, portanto, as calcularia sobre o faturamento, e adicionalmente que  deveria ser excluída deste enquadramento por auferir receita superior ao limite global.    Com  suas  palavras,  “de  duas  uma:  a)  Ou  a  empresa  é  tributada  pelo  SIMPLES e neste caso não há débito fiscal a lançar já que é a receita reconhecida como  tributável  inferior  ao  limite  legal  para  a  opção,  (o  que  sustenta  a  suplicante).  b)  Ou  a  empresa  não  é  considerada  como  enquadrada  no  regime  SIMPLES  e  neste  caso  as  contribuições previdenciárias não são calculadas sobre o faturamento, e sim, sobre a folha  de pagamento.”    Esclarece que opera na atividade de cobrança, recebendo títulos de crédito  por  conta  e  ordem  de  terceiros  e  procedendo  às  providências  necessárias  para  a  sua  liquidação,  de  modo  que  haveria  uma  diferença  entre  “a)  o  total  do  depósito  bancário  realizado  pelo  devedor  em  pagamento  do  crédito  de  terceiros  representado  pelo  suplicante.  b)  A  receita  auferida  pela  suplicante  que  é  a  diferença  entre  o  valor  do  depósito  e  o  valor  dos  seus  serviços  deduzidos  desses  depósitos.  c)  O  lucro  que  é  o  resultado do valor referido no item anterior diminuído dos custos e despesas operacionais  nos limites e condições fixados pela legislação vigente.”    No entanto,  a  fiscalização  teria  considerado  estes  três  itens,  que por  sua  natureza  seriam  diversos,  como  equivalentes  e  teria  identificado  os  depósitos  bancários  com receita e com o lucro, prática que não poderia substituir, até porque poderia haver "re­ apresentação" de cheques que teriam sido tomados neste caso duas ou mesmo três vezes.    Insiste, asism, na realização de “perícia contraditória indispensável para  apuração da matéria de fato” ou arbitramento do lucro. Leia­se: “15. Na verdade o auto  conta  exclusivamente  o  total  dos  depósitos  bancários,  desprezando  quaisquer  custos  ou  despesas, operacionais o que significa em termos práticos que deixou de lado os valores  lançados na contabilidade por considerá­los imprestáveis para apuração do resultado. 16.  Ora mesmo que entendesse desta forma, não se poderia identificar a receita bruta com o  lucro. Ao contrário caberia arbitrar o resultado, usando as regras do art. 532 do RIR, ou  seja, os percentuais que estão previstos no art. 519 do RIR acrescidos de 20%. Em termos  práticos isso significa que o lucro seria o equivalente à 9,6% da receita, ou seja, da base  de cálculo adotada para o lançamento e não a totalidade dos ingressos financeiros.”    Finalmente, defende que aos autos de infração relativos à Contribuição ao  PIS e à COFINS deveriam ser cancelados em função de a Lei n. 9718 haver sido julgada  inconstitucional  em  reiterada  jurisprudência  do  Supremo Tribunal  Federal,  reconhecendo  Fl. 737DF CARF MF Processo nº 15540.000005/2009­49  Acórdão n.º 9101­003.425  CSRF­T1  Fl. 738          7 como sua base de cálculo exclusivamente a receita decorrente da prestação de serviço.    Na  sequência,  a  Delegacia  da  Receita  Federal  de  Julgamento  no  Rio  de  Janeiro I proferiu o acórdão n. 12­37.603 (E­fls. 607 ss.), mantendo o lançamento em questão  pelas razões resumidas na seguinte ementa:    “ASSUNTO:  SISTEMA  INTEGRADO  DE  PAGAMENTO  DE  IMPOSTOS  E  CONTRIBUIÇÕES  DAS  MICROEMPRESAS  E  DAS  EMPRESAS  DE  PEQUENO PORTE ­ SIMPLES  Ano­calendário: 2004  PERÍCIA. JUNTADA DE DOCUMENTOS.  A  perícia  se  reserva  à  elucidação  de  dúvidas  sobre  assuntos  técnicos  que  requeiram  conhecimentos  de  profissional  especializado,  cuja  manifestação  torna­se necessária à solução do litígio. Sua realização não se justifica quando  o fato puder ser demonstrado pela mera juntada de documentos.  APRESENTAÇÃO DE PROVAS.  A  prova  documental  deve  ser  apresentada  juntamente  com  a  impugnação,  precluindo o direito de o impugnante fazê­lo em outro momento processual.  OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITO BANCÁRIO.  Caracterizam­se  como  omissão  de  receita  os  valores  creditados  em  conta  de  depósito  ou  de  investimento,  em  relação  aos  quais  o  titular  não  comprove  a  origem dos recursos utilizados na operação.  INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO.  Aplica­se  la  insuficiência  de  recolhimento  o  mesmo  tratamento  dispensado  à  omissão de receita, em razão da relação de causa e efeito que os vincula.  Impugnação Improcedente  Crédito Tributário Mantido”    Logo em seguida, constam nos autos o Ato Declaratório Executivo n. 04,  de 27  de  janeiro  de 2009  (E­fls.  621),  seguindo a Representação Fiscal  (E­fls.  619  ss.)  anterior sobre a contribuinte ter excedido a receita bruta permitida para sua permanência no  regime de apuração simplificado (SIMPLES).      Em  face  da  decisão  da DRJ,  a  contribuinte  interpôs  recurso  voluntário  (E­fls.  646  ss.)  basicamente  nos mesmos  termos  de  sua  impugnação  administrativa, mas  desta vez mencionando a questão da qualificação da multa.    Do  julgamento  do  recurso  pela  Primeira  Turma  Ordinária  da  Terceira  Câmara  da  Primeira  Seção  resultou  o  acórdão  n.  1402­00.982  (E­fls.  659  ss.),  em  que  substancialmente se manteve a decisão da instância a quo, mas se afastou a qualificação da  multa uma vez que não consubstanciada a fraude. Leia­se a sua ementa:      “ASSUNTO:  SISTEMA  INTEGRADO  DE  PAGAMENTO  DE  IMPOSTOS  E  CONTRIBUIÇÕES  DAS  MICROEMPRESAS  E  DAS  EMPRESAS  DE  PEQUENO PORTE SIMPLES  Ano calendário: 2004  PRELIMINAR.  NULIDADE  DA  DECISÃO  DE  1A.  INSTANCIA.  Fl. 738DF CARF MF Processo nº 15540.000005/2009­49  Acórdão n.º 9101­003.425  CSRF­T1  Fl. 739          8 INOCORRÊNCIA. Não há que se falar em nulidade da decisão de 1a. instancia  que enfrenta  todas as matérias  impugnadas  e  indefere  justificadamente pedido  de perícia.  OMISSÃO  DE  RECEITA.  DEPÓSITO  BANCÁRIO.  Caracterizam­se  como  omissão  de  receita  os  valores  creditados  em  conta  de  depósito  ou  de  investimento,  em  relação  aos  quais  o  titular  não  comprove  a  origem  dos  recursos utilizados na operação.  INSUFICIÊNCIA  DE  RECOLHIMENTO.  TRIBUTOS  NÃO  CONFESSADOS.  LANÇAMENTO  DE  OFICIO.  Verificada  insuficiência  de  recolhimentos,  diferenças  essas  que  também  não  foram  confessadas  em  DCTF,  correto  o  Lançamento de Ofício com a respectiva multa pela infração.  MULTA QUALIFICADA.  Incabível  a exigência  de multa qualificada  caso  não  consubstanciada a fraude, mormente quando a exigência é calcada unicamente  em presunção legal.  Recurso Voluntário Provido em Parte.  Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento  parcial ao recurso para reduzir a multa ao percentual de 75%, nos  termos do  voto do Relator, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente  julgado.  (assinado digitalmente)  Leonardo de Andrade Couto Presidente  (assinado digitalmente)  Antônio José Praga de Souza – Relator  Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de  Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes  de Alencar, Moisés Giacomelli  Nunes  da  Silva,  Leonardo  Henrique  Magalhães  de  Oliveira  e  Leonardo  de  Andrade Couto.”    Contra o referido acórdão, a Fazenda Nacional interpôs recurso especial  (E­fls.  672  ss.),  pretendendo  fosse  restabelecida  a qualificação da multa de  ofício  para  o  percentual  de  150%  diante  da  defendida  evidência  de  fraude,  para  o  que  apresentou  os  acórdãos  n.  203­09.098  e  n.  101­96.875  como  paradigmas  da  divergência,  sendo  recepcionado por despacho de admissibilidade às E­fls. 2558 ss.).    Por fim, foram juntados ao processo o Ato Declaratório Executivo n. 46, de 22 de  Junho de 2015 (E­fls. 714) declarando inapta a  inscrição da contribuinte perante o Cadastro Nacional de Pessoa  Jurídica  (CNPJ)  e  a  inidoneidade  dos  documentos  fiscais  por  ela  emitidos,  bem  como  despacho  de  encaminhamento  (E­fl.  729)  registrando  que  a  sua  ciência  para  contrarrazões  ou  pagamento  deu­se  via  edital  diante de tentativas mal sucedidas via postal.    Passa­se, assim, à apreciação do recurso.  Voto Vencido    Conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio ­ Relatora      Fl. 739DF CARF MF Processo nº 15540.000005/2009­49  Acórdão n.º 9101­003.425  CSRF­T1  Fl. 740          9 CONHECIMENTO    O conhecimento do Recurso Especial condiciona­se ao preenchimento de  requisitos  enumerados  pelo  artigo  67  do Regimento  Interno  deste Conselho,  que  exigem  analiticamente  a  demonstração,  no  prazo  regulamentar  do  recurso  de  15  dias,  de  (1)  existência de  interpretação divergente dada à  legislação  tributária por diferentes câmaras,  turma de câmaras, turma especial ou a própria CSRF; (2) legislação interpretada de forma  divergente;  (3)  prequestionamento  da  matéria,  com  indicação  precisa  das  peças  processuais; (4) duas decisões divergentes por matéria, sendo considerados apenas os dois  primeiros  paradigmas  no  caso  de  apresentação  de  um  número  maior,  descartando­se  os  demais; (5) pontos específicos dos paradigmas que divirjam daqueles presentes no acórdão  recorrido;  além  da  (6)  juntada  de  cópia  do  inteiro  teor  dos  acórdãos  indicados  como  paradigmas, da publicação em que tenha sido divulgado ou de publicação de até 2 ementas,  impressas diretamente do sítio do CARF ou do Diário Oficial da União quando retirados da  internet, podendo tais ementas, alternativamente, serem reproduzidas no corpo do recurso,  desde que na sua integralidade.     Observa­se  que  a  norma  ainda  determina  a  imprestabilidade  do  acórdão  utilizado como paradigma que, na data da admissibilidade do recurso especial, contrarie (1)  Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal (art. 103­A da Constituição Federal); (2)  decisão judicial transitada em julgado (arts. 543­B e 543­C do Código de Processo Civil; e  (3) Súmula ou Resolução do Pleno do CARF.     Voltando­se  então  ao  caso  sob  exame,  consideram­se  preenchidos  tais  requisitos, razão pela qual se VOTA POR CONHECER o recurso especial.      MÉRITO      1. Preliminar de Nulidade        Antes que se adentre na análise do recurso, impende observar que, embora  o acórdão recorrido tenha julgado a questão da qualificação da multa, desconstituindo­a, e a  decisão  da DRJ  sobre  ela  tenha  se manifestado  sucintamente no  último parágrafo  de  seu  voto pela sua manutenção, observa­se da leitura da impugnação, que essa matéria não foi  recorrida, tornando preclusa a discussão desde aquele instante.    Voltando­se  ao  autos,  vê­se  que  a  impugnação  absolutamente  nada  menciona sobre a qualificação da multa realizada na autuação.    Fl. 740DF CARF MF Processo nº 15540.000005/2009­49  Acórdão n.º 9101­003.425  CSRF­T1  Fl. 741          10 Por sua vez, a DRJ  também nada menciona sobre o  tema durante todo o  seu voto, com exceção da seguinte conclusão no seu último parágrafo, que interpreto como  sendo  uma  simples  manutenção  do  lançamento,  eis  que  não  tratou  em  suas  razões  da  qualificação da penalidade. Veja­se:    “Conclusão  75  Pelas  razões  expostas,  julgo  o  lançamento  tributário  procedente,  para  manter as exigências fiscais relativas ao IRPJ, à CSLL, ao PIS, à COFINS e ao  INSS,  sobre as quais deverão  incidir  juros de mora e multa de oficio de 75%,  para a infração I e de 150%, para a infração II.  76 É o voto.” (grifou­se)    Na  sequência,  em  seu  recurso  voluntário,  a  contribuinte  trouxe  uma  colocação sobre o tema:        Por sua vez, o acórdão recorrido assim decidiu:    “Multa qualificada de 150%  Consoante entendimento pacificado nesta Turma, não é cabível a aplicação da  multa  qualificada  de  150%  quando  a  exigência  é  calcada  exclusivamente  em  presunção  fiscal,  no  caso  de  omissão  de  Receitas  com  base  em  depósitos  bancários.  Isso porque, a fraude não se presume, deve ser provada o que não ocorreu no  presente  caso.  Constata­se,  pois,  a  inocorrência  de  qualquer  das  hipóteses  previstas nos art. 71 a 73 da 4.502/1964.  Portanto a multa de oficio deve ser reduzida ao percentual de 75%.  Conclusão  Em verdade, na peça recursal, o contribuinte limitou­se a repisar as alegações  veiculadas  na  impugnação  que  a meu  ver  foram  corretamente  enfrentadas  na  decisão recorrida, pelo que entendo não merecer reparo os fundamentos acima  transcritos.  Pelas razões expostas, voto no sentido de rejeitar as preliminares e, no mérito,  dou provimento parcial ao recurso para reduzir a multa ao percentual de 75%.”    Fl. 741DF CARF MF Processo nº 15540.000005/2009­49  Acórdão n.º 9101­003.425  CSRF­T1  Fl. 742          11 Independentemente  do  grau  de  aprofundamento  do  recurso  voluntário  e  decisões citadas, não se consegue superar o fato de a matéria não ter sido objeto de recurso  pela impugnação, restando preclusa desde então, razão pela qual se entende nula a decisão  a quo que julgou o recurso voluntário sobre a matéria.     Assim  sendo,  VOTA­SE  POR  RECONHECER  A  NULIDADE  DO  ACÓRDÃO RECORRIDO, DESCONSITUTINDO­O.    2. Qualificação da multa    Na  eventualidade  de  restar  vencida  na  questão  anterior,  devolve­se  a  julgamento com o recurso especial da Fazenda Nacional a qualificação da multa de ofício  para o percentual de 150%, já adiantando que entendo pela sua aplicação.     Parte­se das informações constantes do Termo de Verificação Fiscal para  se compreender que, para além de presentes os elementos que permitiram a configuração  da  presunção  de  omissão  de  receitas,  reconhece­se  circunstâncias  que,  reunidas,  demonstram a ilicitude do contribuinte, qualificada como sonegação, nos termos do artigo  957 do RIR/99, com as suas remissões.    Além da manutenção de expressivos valores à margem da tributação; sem  apresentar  as  devidas  comprovações  quando  intimado  a  fazê­lo,  entende­se  o  dolo  de  ocultar o seu real domicílio, elegendo uma empresa de faixada utilizada como localização  de  mais  de  350  empresas,  sem  estrutura  e  funcionamento,  num  endereço  noutra  cidade  (Saquarema/RJ), enquanto se teve conhecimento de que funcionava, verdadeiramente, em  Niterói,  para  a  prestação  de  serviços  de  factoring,  dentre  alguns  fatores  relatados  pelo  Termo de Verificação Fiscal, que ora se aproveita:    “I. DA AÇÃO FISCAL EMPREENDIDA  Em 6 de setembro de 2007, comparecemos à Rua Dr. Luiz Januário, 262, Centro,  Saquarema, Rio de Janeiro, endereço constante do Cadastro Nacional de Pessoa  Jurldica — CNPJ, corno sendo o de domicilio  fiscal de COBRAR ASSESSORIA  EM  COBRANÇA  LTDA.,  CNPJ  06.021.788/0001­07,  encontrando  portas  cerradas em horário comercial.  Localizamos,  em  própria  casa,  por  meio  de  informação  de  terceiros,  a  Sra.  FABIANE  BELGUES  AFFONSO,  CPF  004.951.227­77,  que  devidamente  franqueou  o  acesso  da  Fiscalização  à  sala  onde  supostamente  funcionaria  a  sociedade empresária.  Encontramos  em  modesta  sala  unicamente  uma  mes  e  cadeira,  com  algumas  prateleiras vazias.  Foi­nos relatado por Fabiana Belgues Affonso que:  1.  A  Cobrar  Assessoria  em  Cobrança  Ltda.  não  tinha  sua  operacionalidade  naquele endereço;  2. Que  era  secretaria  de  JOÃO MIGUEL LIMA ESTEPHANIO,  posteriormente  identificado como portador da carteira de identidade no. 361468, expedida pelo  Fl. 742DF CARF MF Processo nº 15540.000005/2009­49  Acórdão n.º 9101­003.425  CSRF­T1  Fl. 743          12 Ministério da Marinha, CPF 635.040.817­91, casado, engenheiro, domiciliado na  Rua Montevidéu, 1.190 apto.101, Penha, RJ;  3. Que o endereço era mantido meramente como fachada para aproximadamente  350 empresas;  4. Que a Policia Federal estivera naquele endereço,  segundo ela um mês antes,  em operação de busca e apreensão.  Contatado  por  telefone,  Joao  Miguel  Lima  Esthephanio,  já  qualificado,  compareceu à Delegacia da Receita Federal em Niterói, apresentando:  1.  Recibo  assinado  por  ALUISIO  DUARTE  THOMAS  DE  AQUINO,  um  dos  sócios da Cobrar Ltda., que, em síntese atesta que a Cobrar sublocava a referida  sala;  2.  Documento  assinado  por  Joao  Esthephanio  no  qual  afirma  ser  um  mero  sublocador de espaço Cobrar;  3.  Contrato  de  sublocação  celebrado  entre  Joao  Esthephanio  e  a  Cobrar,  representada pelo sócio Aluisio;  4.  Mandado  de  Busca  e  Apreensão  expedido  pela  4a•  Vara  Federal  Criminal  datado de 9 de julho de 2007.  Em ligação para a repartição, apresentou­se FELIPE P. N. CASTANHEIRA DE  SOUZA, como sendo um dos sócios da ora Autuada, informando que o endereço  da Cobrar seria na Rua José Clemente, 94 sala 1.205, Centro, Niterói, RJ, para  onde  enviamos,  por  Aviso  de  Recebimento  emitido  pelos  Correios,  Termo  de  Reintimação  lavrado  em  15/10/2007,  com  exigência  fiscal  de  apresentação  de  extratos  bancários  referente  a  movimentações  efetuadas  nas  instituições  financeiras Bradesco e BCN.  Apresentou  o  contribuinte  os  extratos  solicitados,  justificando  que  a  conta  mantida  no  BCN  foi  consolidada  em  uma  única  conta­corrente  quando  da  incorporação do BCN pelo Bradesco.  Analisados os extratos bancários em sua totalidade, confrontados os valores com  os Livros Diário e Razão apresentados, tem­se que:  II.  DAS  IRREGULARIDADES CONSTATADAS PASSÍVEIS DE  LANÇAMENTO  DE OFÍCIO  O  lançamento  de  oficio  é  efetivado,  a  fim  de  salvaguardar  os  interesses  da  Fazenda Nacional, em virtude de o contribuinte, no curso da ação fiscal, não ter  apresentado quaisquer documentações que justificassem o fato de ter registrado,  em  declaração  apresentada  para  o  exercício  de  2005,  anocalendário  de  2004,  valores  correspondentes  as  suas  receitas  de  prestação  de  serviços  em  muito  inferiores  ao  volume  de  créditos  movimentados  em  conta­corrente  mantida  no  Bradesco, deles já expurgados todos os valores cujo histórico não possibilitava à  Fiscalização a convicção de que se referiam a receitas operacionais, bem como  valores  referentes  a  empréstimos  contraídos,  estornos,  devoluções  de  CPMF,  transferências de mesma titularidade etc.  Foram  analisados  todos  os  registros  de  créditos  e  de  débitos  que  os  extratos  bancários  continham,  sendo desprezados  os  valores  representativos  de  centavos  de real.  Apresentando declaração sob o regime SIMPLES, no ano fiscalizado, contribuinte  registrou como sendo o total de suas receitas de prestações de serviços no ano­ calendário de 2004, exercício de 2005, o valor de R$ 195.449,68 (cento e noventa  e  cinco  mil  quatrocentos  e  quarenta  e  nove  reais  e  sessenta  e  oito  centavos).  Apurou­se que o volume de movimentação a crédito da conta bancária da pessoa  jurídica (após os necessários expurgos, já referidos) monta R$ 3.640.226,16 (três  milhões  seiscentos  e  quarenta  mil  duzentos  e  vinte  e  seis  reais  e  dezesseis  centavos).  Fl. 743DF CARF MF Processo nº 15540.000005/2009­49  Acórdão n.º 9101­003.425  CSRF­T1  Fl. 744          13 O Autuado,  intimado  a  justificar  a  origem  dos  recursos  depositados  na  conta­ corrente 13.871­1, agência 3071­6, mantida no Bradesco, informa que:  1. A  empresa  tem como atividade  a assessoria  em cobrança que  inclui além de  orientação técnica ao Departamentos de Contas a Receber de Terreiros, o serviço  efetivo de cobrança;  2. Este serviço inclui o recebimento de duplicatas, endossadas para a Cobrar;  3. Após o recebimento e deduzido, se  for o caso, os honorários da cobrança, os  valores são repassados aos clientes;  4. Os valores movimentados a crédito também o foram a débito.  A  ora  Autuada  não  apresentou  demonstrativos,  contratos,  recibos,  duplicatas,  notas­fiscais  de  prestação  de  serviços,  correspondências,  ou  quaisquer  outros  documentos, em apoio à justificativa apresentada.  Obviamente, dos extratos constam valores a débito. Entretanto,  tais débitos não  mantém  correlação  com  os  créditos  em  magnitude.  Os  valores  de  débitos  e  créditos não são de tal forma semelhantes, que permitam o entendimento de que  os créditos deixam de representar receitas operacionais ou valores de origem não  comprovada e mantidos à margem do atingimento da Receita Federal, quando da  apresentação  de  declaração  por  parte  do  contribuinte,  quanto  à  cobrança  de  imposto e contribuições.  Via  de  consequência,  conclui­se  que  o  contribuinte  deliberadamente  omitiu  valores  referentes  a  receitas  operacionais,  já  que  não  apresentou,  no  curso  da  ação  fiscal,  quaisquer  documentos  referentes  aos  serviços  supostamente  prestados,  não  comprovando  a  origem dos  recursos,  tampouco  a  quais  pessoas  jurídicas  prestou  serviços,  sejam  eles  de  assessoramento  ou  cobrança,  como  afirma.  O  contribuinte  não  apresentou  o  Livro Caixa.  Entretanto, mesmo  optando  pelo  regime  de  tributação  SIMPLES,  manteve  registros  no  ano  de  2004,  em  Livros  Diário e Razão.  O Livro Razão que contém registros pertinentes ao ano­calendário de 2004, não  contém assinaturas de sócios, embora registre a assinatura do contabilista RUY  CASTANHEIRA DE SOUZA, CRC 19639­ 04, CPF 076.242.047­20.  O Livro Diário (ano 2004) contém registro no Cartório do 12°. Oficio de Niterói,  e vai assinado por sócio e contabilista.  Da análise do referido Livro verificou­se que:  1.  Não  contém  registros  de  clientes  e  fornecedores,  números  de  documentação  fiscal etc.;  2.  Há  registros  de  movimentações  no  Bradesco,  sem  identificação  do  serviço  prestado ou da despesa incorrida;  3.  Os  lançamentos  aparecem  meramente  generalizados,  conforme  cópias  reprográficas por mim devidamente autenticadas,  representando a integralidade  dos quatro livros apresentados (dois Diários e dois Razões).”    Por  essas  razões,  vota­se  por  DAR  PROVIMENTO  ao  recurso  da  Fazenda Nacional.     (assinado digitalmente)  Daniele Souto Rodrigues Amadio    Fl. 744DF CARF MF Processo nº 15540.000005/2009­49  Acórdão n.º 9101­003.425  CSRF­T1  Fl. 745          14 Voto Vencedor  Conselheiro Gerson Macedo Guerra, Redator Designado    Sobre a preliminar de reconhecimento de ofício da preclusão da discussão  da  matéria  qualificação  da  multa,  por  ausência  de  menção  na  impugnação,  tenho  posicionamento distinto do posicionamento da i. Relatora.    Analisando  friamente  o  Decreto  70.235/72,  a  preclusão  é  tratata  no  parágrafo §4º, do artigo 16, em relação à juntada de provas posteriormente à impugnação e  no artigo 17, sobre a falta de impugnação de determinada matéria, nos seguintes termos:    §  4º  A  prova  documental  será  apresentada  na  impugnação,  precluindo o direito de o impugnante fazê­lo em outro momento  processual, a menos que:   a)  fique  demonstrada  a  impossibilidade  de  sua  apresentação  oportuna, por motivo de força maior;   b) refira­se a fato ou a direito superveniente;   c) destine­se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas  aos autos.    Art.  17.  Considerar­se­á  não  impugnada  a  matéria  que  não  tenha sido expressamente contestada pelo impugnante.    Contudo, tratando­se de processo administrativo, onde imperam princípios  próprios, até mesmo a preclusão não é matéria pacífica.    Há  muitos  que  aqui  nesse  tribunal  entendem  que  a  preclusão  deve  ser  relativizada,  em  função  do  princípio  da  verdade  material,  de  modo  a  aceitar  provas  ou  razões em qualquer momento do preocesso administrativo.    Digo  isso  para  ilustrar  que  a  matéria  preclusão  não  é  pacífica  nesse  tribunal, de modo que seu reconhecimento pelo julgador demanda discussão acerca de qual  entendimento  deve  prevalecer,  a  saber:  relativiza­se  em  função  do  princípio  da  verdade  material ou interpreta­se literalmente a Lei?    Nesse contexto, compreendo que a preclusão, em processo administrativo  fiscal, deve ser matéria cuja discussão seja provocada pelas partes, não sendo possível seu  reconhecimento de ofício pelo julgador.    Nesse  contexto,  divirjo  da  relatora  quanto  à  aplicação  da  preclusão  de  ofício.  É como voto quanto a essa matéria.    (assinado digitalmente)  Fl. 745DF CARF MF Processo nº 15540.000005/2009­49  Acórdão n.º 9101­003.425  CSRF­T1  Fl. 746          15   Gerson Macedo Guerra                Fl. 746DF CARF MF

score : 1.0