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Numero do processo: 19647.010683/2004-78
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Nov 08 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Exercício: 2002, 2003, 2004
NULIDADE
O enfrentamento das questões na peça de defesa com a indicação dos enquadramentos legais denota perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento. Sendo asseguradas à Recorrente as garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa, não tem cabimento a nulidade do ato administrativo.
DILAÇÃO PROBATÓRIA
A não apresentação da comprovação inequívoca de quaisquer fatos que tenham correlação com as situações excepcionadas pela legislação processual, torna a realização desse meio probante prescindível, quando os elementos probatórios produzidos por meios lícitos constantes nos autos são suficientes para a solução do litígio.
LANÇAMENTO
O agente público cumpriu as regras normativas da legislação tributária em observância ao mandamento de que sua atividade de lançamento que é vinculada e obrigatória (art. 37 da Constituição da República e parágrafo único do art. 142 do Código Tributário Nacional).
Numero da decisão: 1801-000.350
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em preliminar, afastar as nulidades suscitadas e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora
Matéria: PIS - ação fiscal (todas)
Nome do relator: Carmen Ferreira Saraiva
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Sendo asseguradas à Recorrente as garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa, não tem cabimento a nulidade do ato administrativo. DILAÇÃO PROBATÓRIA A não apresentação da comprovação inequívoca de quaisquer fatos que tenham correlação com as situações excepcionadas pela legislação processual, torna a realização desse meio probante prescindível, quando os elementos probatórios produzidos por meios lícitos constantes nos autos são suficientes para a solução do litígio. LANÇAMENTO O agente público cumpriu as regras normativas da legislação tributária em observância ao mandamento de que sua atividade de lançamento que é vinculada e obrigatória (art. 37 da Constituição da República e parágrafo único do art. 142 do Código Tributário Nacional). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em preliminar, afastar as nulidades suscitadas e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Fl. 495DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/11/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 18/11/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 19/11/2010 por ANA DE BARROS FERNAN DES 2 Ana de Barros Fernandes - Presidente (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva - Relatora EDITADO EM: Composição do Colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carmen Ferreira Saraiva, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Maria de Lourdes Ramirez, Marcos Vinicius Barros Ottoni, Rogério Garcia Peres e Ana de Barros Fernandes. Relatório Contra a Recorrente acima identificada foi lavrado o Auto de Infração às fls. 02 e 08/19 com a exigência do crédito tributário no valor de R$7.422,33 a título de Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), juros de mora e multa de ofício proporcional dos anos-calendário de 2001, 2002 e 2003. O lançamento se fundamenta nas diferenças da base de cálculo apuradas entre os valores mensais da receita bruta informados nas Declarações Simplificada da Pessoa Jurídica (DSPJ – Simples), fls. 135/164 e aqueles escriturados no Livro de Registro de Apuração de ICMS e nas Guias Informativas Mensais de ICMS, fls. 35/134, em conformidade com o Demonstrativo de Receitas Auferidas, fls. 20/27. Para tanto foi indicado o seguinte enquadramento legal: inciso III do art. 77 do Decreto-lei nº 5.844, de 23 de setembro de 1943, art. 1º e alínea “b” do art. 3º da Lei Complementar nº 7, de 7 de setembro de 1970, parágrafo único do art. 1º da Lei Complementar nº 17, de 12 de dezembro de 1973, e itens I e II da alínea “b” da Seção 1 do Capítulo 1 do Título 5 do Regulamento do PIS/Pasep, aprovado pela Portaria MF nº 142, de 15 de julho de 1982, inciso I do art. 2º, inciso I do art. 8º e art. 9º da Lei nº 9.715, de 25 de novembro de 1998, art. 2º e art. 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, bem como alínea “a” do inciso I do art. 2º, parágrafo único do art. 3º, art. 10, art. 22 e art. 51 do Decreto nº 4.524, de 17 de dezembro de 2002. Inconformada com a exigência fiscal, da qual teve ciência em 29/10/2004, fl. 08, a Recorrente, em 30/11/2004, apresentou a impugnação fls. 173/178, com as alegações abaixo sintetizadas. Diz que o lançamento é nulo. Suscita que o Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) nº 04.1.01.00.2004-00805-8, fl. 01, foi emitido pela DRF/Petrolina sem qualquer data. Afirma que recebeu o Termo de Verificação Fiscal (TVF) em 13/10/2004, fl. 31, acompanhado do Ato Declaratório Executivo DRF/RECIFE/PE nº 78, de 06 de outubro de 2004, fl. 30, motivado pelo fato de que ultrapassou o limite legal da receita bruta auferida no ano-calendário de 2000, com efeitos a partir de 01/01/2001 (inciso I do art. 9º e art. 12 e 13 da Lei nº 9.317, de 05 de dezembro de 1996). Durante a ação fiscal, foi exigida documentação comercial e fiscal que não possuía. Finalmente foi lavrado de forma abrupta o Auto de Infração formalizando a exigência do crédito tributário. Discorda dos efeitos retroativos da exclusão do Simples e que não houve as verificações aprofundadas na busca da verdade material. Fl. 496DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/11/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 18/11/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 19/11/2010 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 19647.010683/2004-78 Acórdão n.º 1801-00.350 S1-TE01 Fl. 236 3 Conclui Isto posto, requer: • Seja recebido com efeito suspensivo e acolhida esta impugnação ao Termo de Verificação e Constatação Fiscal em tela, por ser assentado em base de responsabilidade, não plausível com as possibilidades da Empresa; • Que a DRF isente a Titular de obrigações retroativas de encargos, conforme argumentado, na impugnação ora oferecida; e, • Que acolha a presente impugnação neste formato, já que em sede de procedimento administrativo é a forma única de, querendo, recorrer ao julgamento do autos de infração lavrados. • Que designe outro fiscalizador local, quando em confrontação com as indicações das despesas da Empresa possa efetuar novo quadro de responsabilidades, a serem doravante exigidas, bem como pela orientação para a utilização dos novos procedimentos relativos aos tributos antes não realizados. Está registrado como resultado do Acórdão da 4ª TURMA/DRJ/RECIFE/PE nº 11.597, de 17 de março de 2005, fls. 192/201: “Lançamento Procedente”. Restou esclarecido que Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2001, 2002, 2003 Ementa: EXCLUSÃO DO SIMPLES DE OFICIO. Tendo sido excluída de oficio do sistema integrado, através de ato declaratório executivo, a contribuinte que optar de não apresentar impugnação contestando tal exclusão estará definitivamente excluído. A pessoa jurídica excluída do SIMPLES sujeitar-se- á, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. FALTA DE RECOLHIMENTO DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS. Apurados, através de procedimento de oficio, valores devidos da Contribuição para o PIS, que não haviam sido declarados ou confessados pela contribuinte é procedente a autuação, com a aplicação da muita de oficio. MULTA DE OFÍCIO E JUROS DE MORA (TAXA SELIC) — INCONSTITUCIONALIDADE. A cobrança em auto de infração da multa de oficio e dos juro; de mora (calculados pela TAXA SELIC) decorre da aplicação de dispositivos legais vigentes e eficazes na época de sua lavratura, que, em decorrência dos princípios da legalidade e da indisponibilidade, são de aplicação compulsória pelos agentes públicos, até a sua retirada do mundo jurídico, mediante revogação ou resolução do Senado Federal, que declare sua inconstitucionalidade. Fl. 497DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/11/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 18/11/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 19/11/2010 por ANA DE BARROS FERNAN DES 4 Não está compreendida no espectro de competência das Autoridades Administrativas de Julgamento a apreciação de alegação de inconstitucionalidade de lei ou ato normativo federal. MATÉRIA NÃO CONTESTADA. Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pela impugnante. Notificada em 28/06/2005, fl. 204, a Recorrente apresentou o recurso voluntário, fls. 205/209, em 20/07/2005, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge afirmando que não foram examinados os argumentos contra o Ato Declaratório Executivo DRF/RECIFE/PE nº 78, de 06 de outubro de 2004 e seus efeitos retroativos, fl. 30. Suscita que tal procedimento lhe acarreta cerceamento de seu direito de defesa. Diz que a presente peça deveria ser juntada ao processo nº 19647.009795/2004-86 para serem regularmente analisadas concomitantemente. Tece considerações a respeito da repercussão econômica e social do procedimento de ofício para o seu empreendimento. Com o objetivo de fundamentar seus argumentos, interpreta a legislação que rege a questão litigiosa, indica os princípios que supostamente foram violados e cita entendimentos da jurisprudência administrativa. Conclui III. Dos Pedidos Diante do exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, por infringir o principio da capacidade contributiva e o da ampla defesa, espera e requer a Recorrente seja acolhido o presente Recurso Voluntário, com o fito de assim ser decidido, cancelando-se o débito fiscal reclamado. Ou então, diante da impossibilidade de ser acatado o primeiro pedido, que seja aberto prazo para que a contribuinte ofereça defesa nos autos do Processo Administrativo n° 19647.009795/2004-86, que versa sobre a exclusão do SIMPLES, suspendendo-se, até decisão final, o curso do presente processo administrativo tributário. É o Relatório. Voto Conselheira Relatora, Carmen Ferreira Saraiva O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos devolutivo e suspensivo previstos no inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional (CTN). Exclusão do Simples Fl. 498DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/11/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 18/11/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 19/11/2010 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 19647.010683/2004-78 Acórdão n.º 1801-00.350 S1-TE01 Fl. 237 5 A Recorrente suscita que os argumentos referente à exclusão retroativa de ofício devem ser analisadas nos presente autos. O Decreto nº 70.235, de 1972, determina: Art. 42. São definitivas as decisões: I - de primeira instância esgotado o prazo para recurso voluntário sem que este tenha sido interposto; II - de segunda instância de que não caiba recurso ou, se cabível, quando decorrido o prazo sem sua interposição; III - de instância especial. Parágrafo único. Serão também definitivas as decisões de primeira instância na parte que não for objeto de recurso voluntário ou não estiver sujeita a recurso de ofício. Cabe transcrever excertos do Acórdão da 4ª TURMA/DRJ/RECIFE/PE nº 11.597, de 17 de março de 2005, fls. 192/201: A contribuinte informou que tomou ciência de sua exclusão do SIMPLES em 13/10/2004 quando lhe foi entregue Termo de Intimação Fiscal com o Ato Declaratório n° 78, de 06/10/2004, em anexo. O Ato Declaratório Executivo a excluiu do SIMPLES com efeitos a partir de janeiro de 2001. Afirmou, ainda, que contatou a DRF/Recife para questionar tal decisão. Sobre esta alegação, temos que ressaltar que o Ato Declaratório Executivo n° 78, de 06/10/2004, encontra-se formalizado em processo próprio de n° 19647.009795/2004 -86 e a apresentação de contestações acerca da exclusão da empresa do sistema simplificado deveria ter sido efetuada nele. Informamos que a petição acostada no processo n° 19647.009795/2004-86 foi apresentada intempestivamente. Assim, de acordo com o art. 4° do Ato Declaratório Executivo, a exclusão tornou-se definitiva. Informamos, então, que no processo ora em análise nos restringiremos a apreciar as argumentações da impugnação referentes a este Auto de Infração da Contribuição para o PIS, formalizado neste processo de n° 19647.01068312004-78. Em relação às alegações referentes ao Ato Declaratório Executivo DRF/RECIFE/PE nº 78, de 06 de outubro de 2004, fl. 30, e seus efeitos retroativos, cabe esclarecer que estas matérias são objeto do processo nº 19647.009795/2004-86 que está arquivado por dez anos desde 07/05/2007 (fonte: http://comprot.fazenda.gov.br/e- gov/cons_dados_processo.asp, acesso em 21/09/2010). Por estas razões, não cabem nestes autos serem examinadas as questões relativas ao ato retroativo de exclusão e seus efeitos retroativos, por serem matérias objeto do processo nº 19647.009795/2004-86, que está findo na esfera administrativa. Auto de Infração Fl. 499DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/11/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 18/11/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 19/11/2010 por ANA DE BARROS FERNAN DES 6 A Recorrente alega que o procedimento é nulo. O Auto de Infração foi lavrados por servidor competente que regularmente intimou a Recorrente para cumpri-lo ou impugná-lo no prazo legal. As formas instrumentais adequadas foram respeitadas, os documentos foram reunidos nos autos do processo, que estão instruídos com as provas produzidas por meios lícitos. Ela tomou ciência do Mandado de Procedimento Fiscal Fiscalização (MPF-F) nº 04.1.01.00-2004-00805-8 em 09/09/2005, fl. 01, do Termo de Início de Fiscalização, fls. 27/28, do Termo de Intimação Fiscal em 13/11/2004, fl. 31, nos termos do art. 23 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Assim, o procedimento fiscal se alongou tempo suficiente para que a Recorrente apresentasse seus esclarecimentos acompanhados de documentos comprobatórios (art. 7º da Lei nº 2.354, de 29 de novembro de 1954). Foi oferecida à interessada a oportunidade de apresentar, no prazo legal, a peça de defesa acompanhada de todos os meios de prova a ela inerentes. O enfrentamento das questões na peça de defesa denota perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento e a indicação dos enquadramentos legais não propiciam a nulidade dos atos administrativos discutidos. Além disso, foram asseguradas à Recorrente as garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa (inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição da República Federativa do Brasil - CR e Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972). Desta forma, a sua alegação não tem fundamento. A Recorrente solicita a realização de todos os meios de prova e a dilação probatória. Sobre a matéria, vale esclarecer que no presente caso se aplicam as disposições do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. A legislação pertinente ao processo administrativo fiscal estabelece que a peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses de defesa e instruída com os todos documentos em que se fundamentar (art. 15 e inciso IV do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972), precluindo o direito de a Recorrente praticar este ato e apresentar novas razões em outro momento processual, salvo a ocorrência de quaisquer das circunstâncias ali previstas. Ela não apresentou a comprovação inequívoca de quaisquer fatos que tenham correlação com as situações excepcionadas pela legislação de regência. Assim, a realização desses meios probantes é prescindível, uma vez que os elementos probatórios produzidos por meios lícitos constantes nos autos são suficientes para a solução do litígio (art.18 do Decreto nº 70.235, de 1972). Ademais, no exercício da função pública, a autoridade administrativa, de forma vinculada e obrigatória, lavrou o Auto de Infração, fls. 29/43, com observância de todos os requisitos legais que lhes conferem existência, validade e eficácia. Assim, seu pleito deve ser indeferido. A Recorrente suscita que o Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) está irregular. A Recorrente suscita que o Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) está irregular. O Código Tributário Nacional determina: Art. 197. Mediante intimação escrita, são obrigados a prestar à autoridade administrativa todas as informações de que disponham com relação aos bens, negócios ou atividades de terceiros: [...] II - os bancos, casas bancárias, Caixas Econômicas e demais instituições financeiras; [...] [...] Fl. 500DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/11/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 18/11/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 19/11/2010 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 19647.010683/2004-78 Acórdão n.º 1801-00.350 S1-TE01 Fl. 238 7 Art. 144. O lançamento reporta-se à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e rege-se pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. § 1º Aplica-se ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliando os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgando ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. Por sua vez, a Lei Complementar nº 105, de 10 de janeiro de 2001, prevê: Art. 6º As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária. A jurisprudência administrativa versa sobre a questão no seguinte sentido (fonte: http://carf.fazenda.gov.br/sincon/public/pages/ConsultarJurisprudencia/listaJurisprudencia.jsf, acesso em 14/10/2010): Nº Recurso 157593 -Número do Processo 10855.001813/2003- 71 -Turma 5ª Câmara Contribuinte DISPROPAN DISTRIBUIDORA DE PRODUTOS PARA PANIFICACAO LT Tipo do RecursoRecurso Voluntário - Provimento Parcial Por Unanimidade-Data da Sessão 27/06/2008 Relator(a) Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira Nº Acórdão 105-17119 -Tributo / MatériaIRPF- ação fiscal - omis. de rendimentos - PF/PJ e Exterior Decisão Por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de nulidade do lançamento e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso Ementa Ementa: NORMAS PROCESSUAIS - MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL - NORMAS DE CONTROLE INTERNO DA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL - As normas que regulamentam a emissão de Mandado de Procedimento Fiscal - MPF dizem respeito ao controle interno das atividades da Secretaria da Receita Federal. Eventuais Fl. 501DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/11/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 18/11/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 19/11/2010 por ANA DE BARROS FERNAN DES 8 vícios na sua emissão e execução, ou mesmo a sua ausência, não afetam a validade do lançamento. [...] Nº Recurso 337046 -Número do Processo 10580.000606/2006- 19 -Turma 8ª Câmara Contribuinte ELÉTRICA ITAPAGIPE LTDA Tipo do RecursoRecurso Voluntário - Provimento Parcial Por Unanimidade-Data da Sessão 26/06/2008 Relator(a) Cândido Rodrigues Neuber Nº Acórdão 108-09653 -Tributo / MatériaIRPF- ação fiscal - omis. de rendimentos - PF/PJ e Exterior Decisão Por unanimidade de votos, REJEITAR as preliminares de nulidade e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Nelson Lósso Filho, Irineu Bianchi e Karem Jureidini Dias. Ementa Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Exercício: 2003 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - NULIDADES - MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF) - VALIDADE - No processo administrativo fiscal da União as nulidades são aquelas definidas no art. 59 do Decreto nº 70.235/72, quais sejam, os atos praticados por pessoa incompetente ou com preterição do direito de defesa, quaisquer outras irregularidades não implicam em nulidade e devem ser sanadas, exceto se o sujeito passivo as tenha dado causa. O Mandado de Procedimento Fiscal - MPF - é instrumento interno da repartição fiscal de gerenciamento, controle e acompanhamento da ação fiscal e eventuais inobservâncias de suas normas resolve-se no âmbito do processo administrativo disciplinar, que não aproveita ao sujeito passivo e nem implica nulidade do auto de infração, observadas, ainda, as disposições do caput do art. 195 do Código Tributário Nacional. Os procedimentos de fiscalização relativos a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) são executados, em nome desta, pelos Auditores-Fiscais da Receita Federal do Brasil (AFRB) (Decreto nº 6.104, de abril de 2007 e Decreto nº 6.641, de 10 de novembro de 2008). Esses procedimentos são instaurados mediante Mandado de Procedimento Fiscal – Fiscalização (MPF-F) objetivando a verificação do cumprimento das obrigações tributárias, por parte do sujeito passivo, mediante termo circunstanciado do qual será dada ciência ao sujeito passivo, nos termos do art. 23 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. As alterações no MPF-F, decorrentes de inclusão, exclusão ou substituição do agente público, bem como dos tributos e contribuições a serem examinados e período de apuração são procedidas mediante emissão de Mandato de Procedimento Fiscal Complementar (MPF – C). No caso em que as infrações são apuradas, em relação a tributo ou contribuição contido no MPF-F, também configurarem, com base nos mesmos elementos de prova, infrações a normas de outros tributos ou contribuições, estes são considerados incluídos no procedimento de fiscalização, independentemente de menção expressa. O MPF – F tem validade por 120 (cento e vinte dias) prorrogáveis quantas vezes sejam necessárias, observando em cada ato o prazo de 60 (sessenta dias), cujas informações ficam disponíveis ao sujeito Fl. 502DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/11/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 18/11/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 19/11/2010 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 19647.010683/2004-78 Acórdão n.º 1801-00.350 S1-TE01 Fl. 239 9 passivo na internet sem necessidade de novas notificações sucessivas. A extinção do MPF ocorre com a conclusão do procedimento fiscal registrado em termo próprio (Portaria RFB nº 4.066, de 2 de maio de 2007). O MPF é ato relativo a assunto interna corporis e instrumento de controle interno de instauração de procedimentos fiscais de verificação do cumprimento das obrigações tributárias por parte do sujeito passivo e seus eventuais vícios se consideram meras irregularidades e não têm o efeito de contaminar de nulidade o lançamento de ofício. Por conseguinte, este argumento não pode prosperar. A Recorrente discorda do procedimento de ofício. A Lei nº 9.715, de 1998, prevê: Art.2oA contribuição para o PIS/PASEP será apurada mensalmente: I - pelas pessoas jurídicas de direito privado e as que lhes são equiparadas pela legislação do imposto de renda, inclusive as empresas públicas e as sociedades de economia mista e suas subsidiárias, com base no faturamento do mês; [...] Art.8oA contribuição será calculada mediante a aplicação, conforme o caso, das seguintes alíquotas: I - zero vírgula sessenta e cinco por cento sobre o faturamento; [...] Art.9oÀ contribuição para o PIS/PASEP aplicam-se as penalidades e demais acréscimos previstos na legislação do imposto sobre a renda. Por seu turno, a Lei nº 9.718, de 1998, determina: Art.2° As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. (Vide Medida Provisória nº 2158-35, de 2001) Art.3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. (Vide Medida Provisória nº 2158-35, de 2001) No Verificação e Constatação Fiscal está registrado, fls 03/07: Consta nos sistemas de cadastro da Receita Federal que a empresa aderiu aos sistema SIMPLES em 01.01.97, tendo entregue à Receita Federal em Recife e apurado por este sistema de apuração SIMPLES as declarações dos anos-calendário de 2000, 2001, 2002 e 2003, pelo Formulário SIMPLES (DECLARAÇÃO ANUAL SIMPLIFICADA), fls. 135/164. Entretanto, pela motivação relatada no artigo 1° do Ato Declaratório Executivo n° 78, 06/10/2004 do Delegado da Receita Federal em Recife, publicado no Diário Oficial da União de 07/10/2004 - (fls. 30) foi excluída do SIMPLES ,com Fl. 503DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/11/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 18/11/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 19/11/2010 por ANA DE BARROS FERNAN DES 10 efeitos a partir de 1° de janeiro de 2001, nos termos do inciso I do artigo 15 da Lei 9.317/96. Por essa razão, ficou obrigada a apurar o IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA, nos anos-calendário de 2001, 2002 e 2003, pelo regime de tributação LUCRO REAL TRIMESTRAL , com base no artigo 16 da Lei 9.317/96. [...] PIS - Contribuição para o Programa de Integração Social PIS— DIFERENÇA APURADA ENTRE ESCRITURADO E DECLARADO RECEITA NÃO DECLARADA(verificações obrigatórias) PERÍODO: janeiro de 2001 a dezembro de 2003. Corno acima descrito, o programa de fiscalização levado a efeito no contribuinte limita-se às verificações obrigatórias, que consistem na análise da correspondência entre os valores declarados/pagos e os valores apurados por esta fiscalização em sua escrituração fiscal e contábil, que se toma corno base de cálculo na apuração dos tributos devidos pelo contribuinte à Secretaria da Receita Federal. Assim, a partir das receitas obtidas no LIVRO REGISTRO DE APURAÇÃO DO I.C.M.S., foram constatadas divergências entre os valores apurados pela fiscalização totalizados no DEMONSTRATIVO DAS RECEITAS AUFERIDAS, e os valores declarados como base de cálculo pelo contribuinte, conforme os períodos de apuração (fato gerador) assinalados nas folhas de continuação do Auto de Infração. Da referida ação fiscal foi apurado o Crédito Tributário abaixo descrito: PIS — Contribuição para o Programa de Integração Social - R$7.422,33 Sobre o regime de tributação indicado pela Recorrente, restou esclarecido na Descrição dos Fatos do Auto de Infração, fl. 10: Durante o procedimento de verificações obrigatórias foram constatadas nos anos calendários de 2001,2002 e 2003 , o contribuinte cadastrado como no sistema de pagamento de tributos SIMPLES , na condição de MICROEMPRESA ,ultrapassou o limite para permanência no SIMPLES. Excluído do sistema através do ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO N° 78 de 06.10.2004 publicado no Diário Oficial da União do dia 07 de outubro de 2004. Foi intimado a apurar o resulta pelo Lucro Real, com a apresentação dos livro contábeis na forma da legislação. Tendo apresentado declaração informando que não dispunha dos livros solicitados. Portanto será cobrada a CONTRIBUIÇÃO PROGRAMA CE INTEGRAÇÃO NACIONAL, com base na receita apurada através dos livros REGISTRO DE APURAÇÃO DO I.C.M.S., conforme DEMONSTRATIVO DE RECEITAS AUFERIDAS , anexo , parte integrante deste auto de infração. A autoridade fiscal tem a obrigatoriedade do exercício das atividades inerentes à função pública (art. 149, art. 195 e art. 196 do Código Tributário Nacional). O agente público cumpriu as regras normativas da legislação tributária em observância ao mandamento de que sua atividade de lançamento que é vinculada e obrigatória (art. 37 da Constituição da República e parágrafo único do art. 142 do Código Tributário Nacional). Por conseguinte não cabem reparos ao lançamento. No que se refere à interpretação da legislação e aos entendimentos jurisprudenciais indicados na peça recursal, cabe esclarecer que somente devem ser observados Fl. 504DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/11/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 18/11/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 19/11/2010 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 19647.010683/2004-78 Acórdão n.º 1801-00.350 S1-TE01 Fl. 240 11 os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso (art. 100 do Código Tributário Nacional). Em relação aos princípios constitucionais que a Recorrente entende que supostamente foram violados, cabe transcrever o enunciado da Súmula CARF n 2, que é de adoção obrigatória (art. 72 do Anexo II da Portaria n 256, de 22 de junho de 2009, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais -CARF), e que assim determina: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Logo, este argumento não pode prosperar. Em face de o exposto, voto, em preliminar, por afastar as nulidades suscitadas e, no mérito, por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 505DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/11/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 18/11/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 19/11/2010 por ANA DE BARROS FERNAN DES
score : 1.0
Numero do processo: 10925.000362/2009-79
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 16 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Sep 29 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008
PIS. CONCEITO DE INSUMO.
O termo insumo utilizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Sua justa medida caracteriza-se como o elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens produzidos, atendidas as demais exigências legais.
No caso julgado, são exemplos de insumos: a) os materiais de segurança ou proteção individual, tais como: avental, bota, botina, capacete, creme protetor, máscaras, meia, protetor auricular, protetor facial e botas sete léguas; b) materiais de uso geral: arruela, mangueira, rodinho, chave allen, chave boca, chave fenda, lâmpadas, parafuso allen, parafuso bucha, parafuso sextavado, porca inox, retentor, rolamento, tubo galvanizado e tubo PVC.
Recurso Especial do Procurador negado.
Recurso Especial do Contribuinte provido em parte.
Numero da decisão: 9303-005.526
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento. Votou pelas conclusões, no mérito do recurso fazendário, o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento parcial, apenas para permitir o crédito sobre as aquisições dos seguintes materiais de uso geral: arruela, mangueira, rodinho, chave allen, chave boca, chave fenda, lâmpadas, parafuso allen, parafuso bucha, parafuso sextavado, porca inox, retentor, rolamento, tubo galvanizado e tubo PVC, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que deram provimento também para o item relacionado à conservação e limpeza.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Augusto do Couto Chagas, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Erika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 PIS. CONCEITO DE INSUMO. O termo insumo utilizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Sua justa medida caracteriza-se como o elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens produzidos, atendidas as demais exigências legais. No caso julgado, são exemplos de insumos: a) os materiais de segurança ou proteção individual, tais como: avental, bota, botina, capacete, creme protetor, máscaras, meia, protetor auricular, protetor facial e botas sete léguas; b) materiais de uso geral: arruela, mangueira, rodinho, chave allen, chave boca, chave fenda, lâmpadas, parafuso allen, parafuso bucha, parafuso sextavado, porca inox, retentor, rolamento, tubo galvanizado e tubo PVC. Recurso Especial do Procurador negado. Recurso Especial do Contribuinte provido em parte.
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INSUMO. Recorrentes COOPERATIVA CENTRAL OESTE CATARINENSE FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 PIS. CONCEITO DE INSUMO. O termo “insumo” utilizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Sua justa medida caracterizase como o elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens produzidos, atendidas as demais exigências legais. No caso julgado, são exemplos de insumos: a) os materiais de segurança ou proteção individual, tais como: avental, bota, botina, capacete, creme protetor, máscaras, meia, protetor auricular, protetor facial e botas sete léguas; b) materiais de uso geral: arruela, mangueira, rodinho, chave allen, chave boca, chave fenda, lâmpadas, parafuso allen, parafuso bucha, parafuso sextavado, porca inox, retentor, rolamento, tubo galvanizado e tubo PVC. Recurso Especial do Procurador negado. Recurso Especial do Contribuinte provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negarlhe provimento. Votou pelas conclusões, no mérito do recurso fazendário, o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 00 03 62 /2 00 9- 79 Fl. 933DF CARF MF 2 e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento parcial, apenas para permitir o crédito sobre as aquisições dos seguintes materiais de uso geral: arruela, mangueira, rodinho, chave allen, chave boca, chave fenda, lâmpadas, parafuso allen, parafuso bucha, parafuso sextavado, porca inox, retentor, rolamento, tubo galvanizado e tubo PVC, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que deram provimento também para o item relacionado à conservação e limpeza. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Augusto do Couto Chagas, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Erika Costa Camargos Autran. Relatório Tratase de Recursos Especiais de Divergência interpostos tempestivamente pela Procuradoria da Fazenda Nacional PFN e pela Contribuinte contra o Acórdão nº 3803 02.189, de 07/11/2011, proferido pela 3ª Turma Especial da Terceira Seção do CARF, que fora assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007 NÃO CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. INSUMOS. Na não cumulatividade das contribuições sociais, o elemento de valoração é o total das receitas auferidas, o que engloba todo o resultado da atividade operacional da pessoa jurídica, e o direito ao creditamento alcança todos os bens e serviços, úteis ou necessários, utilizados como insumo, de forma direta ou indireta, na produção, e desde que efetivamente absorvidos no processo produtivo que constitui o objeto da sociedade empresária. Os insumos devem ser adquiridos de pessoas jurídicas contribuintes da contribuição social, não alcançando, portanto, as aquisições de pessoas jurídicas optantes pelo Simples, e comprovados com documentação hábil e idônea CRÉDITO PRESUMIDO. AGROINDÚSTRIA. RESSARCIMENTO. INEXISTÊNCIA DE AUTORIZAÇÃO LEGAL. O crédito presumido instituído pela Lei nº 10.925/2004 somente pode ser utilizado para dedução dos débitos apurados na sistemática da não cumulatividade aplicável na apuração das Fl. 934DF CARF MF Processo nº 10925.000362/200979 Acórdão n.º 9303005.526 CSRFT3 Fl. 934 3 contribuições sociais, não sendo passível de utilização em procedimentos de compensação ou ressarcimento. Irresignada, a PFN se insurgiu contra o entendimento esposado no acórdão recorrido que reconheceu créditos quanto aos seguintes itens: 1. Material de embalagens e etiquetas (caixas de papelão e etiquetas de uso interno); 2. Peças de reposição e serviços gerais; 3. Material de segurança (avental, bota, botina, capacete, creme protetor, máscaras, meia, protetor auricular, protetor facial, botas sete léguas); 4. Despesas com frete entre filiais; e 5. Fretes e armazenagem. Alega divergência com relação ao que decidido nos Acórdãos nº 203 12.452 (item 3) e 220100.081 (item 4) e 380200.467 (item 5). O exame e o reexame de admissibilidade do recurso encontrase às fls. 776/782 e 784/785. E as contrarrazões, às fls. 866/878. A contribuinte também apresentou recurso especial de divergência, por meio do qual insurgiuse contra o alcance do conceito de insumo, adotado no acórdão recorrido, para o efeito de creditamento do PIS/Cofins na não cumulatividade, do qual resultou a glosa dos créditos originários dos seguintes itens: a) materiais de uso geral: arruela, mangueira, rodinho, chave allen, chave boca, chave fenda, lâmpadas, parafuso allen, parafuso bucha, parafuso sextavado, porca inox, retentor, rolamento, tubo galvanizado e tubo PVC; b) manutenção predial: argamassa, calcário, tintas, tomadas, torneiras, concreto usinado, serviço de pintura, serviço de construção civil; c) conservação e limpeza: ajardinamento e limpeza e conserto de bens móveis. Alega divergência com relação ao que decidido nos Acórdãos nº 320200.226 e 3402002.173. O exame de admissibilidade do recurso encontrase às fls. 907/910. Intimada, a PFN apresentou contrarrazões ao recurso (fls. 912/931). É o Relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. Presentes os demais requisitos de admissibilidade, entendemos os recursos especiais devem ser conhecidos. Do recurso especial interposto pela PFN, remanesce apreciar apenas a admissão do crédito de PIS sobre as aquisições do material de segurança ou proteção individual. Referimonos aos seguintes itens: avental, bota, botina, capacete, creme protetor, máscaras, meia, protetor auricular, protetor facial e botas sete léguas. Com efeito, enquanto o acórdão paradigma adotou a tese mais restritiva para o conceito de insumos, de forma a guardar correspondência com o obtido na legislação do IPI, o acórdão recorrido consubstanciou entendimento mais amplo, de sorte a incluir, no mesmo conceito, os produtos e serviços necessários ao processo produtivo da contribuinte. Embora conhecido, entendemos não assistir razão à Procuradoria da Fazenda Nacional. Depois de longos debates, passamos a adotar o entendimento majoritário que, justo, encontrase encartado no acórdão recorrido. Como os motivos do nosso convencimento coincidem, na totalidade, com o que exposto no voto proferido pelo il. Conselheiro Henrique Fl. 935DF CARF MF 4 Pinheiro Torres, nos autos do processo administrativo n.º 11065.101271/200647 (Acórdão 3ª Turma/CSRF nº 930301.035, sessão de 23/10/2010), passamos a adotálas, também aqui, como razão de decidir. Eilas: A questão que se apresenta a debate diz respeito à possibilidade ou não de se apropriar como crédito de PIS/Pasep dos valores relativos a custos com combustíveis, lubrificantes e com a remoção de resíduos industriais. O deslinde está em se definir o alcance do termo insumo, trazido no inciso II do art. 3º da Lei 10.637/2002. A Secretaria da Receita Federal do Brasil estendeu o alcance do termo insumo, previsto na legislação do IPI (o conceito trazido no Parecer Normativo CST n° 65/79), para o PIS/Pasep e a para a Cofins não cumulativos. A meu sentir, o alcance dado ao termo insumo, pela legislação do IPI não é o mesmo que foi dado pela legislação dessas contribuições. No âmbito desse imposto, o conceito de insumo restringese ao de matériaprima, produto intermediário e de material de embalagem, já na seara das contribuições, houve um alargamento, que inclui até prestação de serviços, o que demonstra que o conceito de insumo aplicado na legislação do IPI não tem o mesmo alcance do aplicado nessas contribuições. Neste ponto, socorrome dos sempre precisos ensinamentos do Conselheiro Júlio Cesar Alves Ramos, em minuta de voto referente ao Processo n° 13974.000199/2003 61, que, com as honras costumeiras, transcrevo excerto linhas abaixo: Destarte, aplicada a legislação do ao caso concreto, tudo o que restaria seria a confirmação da decisão recorrida. Isso a meu ver, porém, não basta. É que, definitivamente, não considero que se deva adotar o conceito de industrialização aplicável ao IPI, assim como tampouco considero assimilável a restritiva noção de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem lá prevista para o estabelecimento do conceito de ‘insumos’ aqui referido. A primeira e mais óbvia razão está na completa ausência de remissão àquela legislação na Lei 10.637. Em segundo lugar, ao usar a expressão ‘insumos’, claramente estava o legislador do PIS ampliando aquele conceito, tanto que ai incluiu ‘serviços’, de nenhum modo enquadráveis como matérias primas, produtos intermediários ou material de embalagem. Ora, uma simples leitura do artigo 3º da Lei 10.637/2002 é suficiente para verificar que o legislador não restringiu a apropriação de créditos de PIS/Pasep aos parâmetros adotados no creditamento de IPI. No inciso II desse artigo, como asseverou o insigne conselheiro, o legislador incluiu no conceito de insumos os serviços contratados pela pessoa jurídica. Esse dispositivo legal também considerou como insumo combustíveis e lubrificantes, o que, no âmbito do IPI, seria um verdadeiro sacrilégio. Mas as diferenças não param aí, nos incisos seguintes, permitiuse o creditamento de aluguéis de prédios, Fl. 936DF CARF MF Processo nº 10925.000362/200979 Acórdão n.º 9303005.526 CSRFT3 Fl. 935 5 máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa, máquinas e equipamentos adquiridos para utilização na fabricação de produtos destinados à venda, bem como a outros bens incorporados ao ativo imobilizado etc. Isso denota que o legislador não quis restringir o creditamento do PIS/Pasep as aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e ou material de embalagens (alcance de insumos na legislação do IPI) utilizados, diretamente, na produção industrial, ao contrário, ampliou de modo a considerar insumos como sendo os gastos gerais que a pessoa jurídica precisa incorrer na produção de bens ou serviços por ela realizada. Vejamos o dispositivo citado: [...]As condições para fruição dos créditos acima mencionados encontramse reguladas nos parágrafos desse artigo. Voltando ao caso dos autos, os gastos com aquisição de combustíveis e com lubrificantes, junto à pessoa jurídica domiciliada no pais, bem como as despesas havidas com a remoção de resíduos industriais, pagas a pessoa jurídica nacional prestadora de serviços, geram direito a créditos de PIS/Pasep, nos termos do art. 3º transcrito linhas acima. Com essas considerações, voto no sentido de negar provimento ao recurso apresentado pela Fazenda Nacional. (grifamos) Passemos ao caso concreto. Antes, porém, cabe ressaltar que a contribuinte é uma cooperativa cuja atividade é a industrialização e comercialização de proteína animal (aves, suínos etc.), lácteos, massas etc. Como se submete à apuração não cumulativa do PIS/Cofins, aproveitou créditos que restaram glosados pela fiscalização. Mantida a decisão pela DRJ, a Câmara baixa, após a realização de diligência, promoveu a reversão de algumas glosas, daí o recurso especial. Os gastos cujo creditamento a Recorrente pretende reverter decorrem da aquisição de material de segurança ou proteção individual: avental, bota, botina, capacete, creme protetor, máscaras, meia, protetor auricular, protetor facial e botas sete léguas. Todavia, sendo inequivocamente necessários, pertinentes e inerentes ao processo produtivo da contribuinte, que produz, entre outros produtos, proteína animal, atividade submetida a rigoroso controle sanitário, acompanhamos o entendimento adotado no acórdão recorrido, no sentido de que tais itens se incluem no conceito de insumos, para o efeito de creditamento do PIS/Cofins. Esta mesma Turma também assim já se posicionou, inclusive recentemente: PIS. INDUMENTÁRIA. INSUMOS. DIREITO DE CRÉDITO. ART. 3º LEI 10.637/02. Fl. 937DF CARF MF 6 Os dispêndios, denominados insumos, dedutíveis do PIS não cumulativo, são todos aqueles relacionados diretamente com a produção do contribuinte e que participem, afetem, o universo das receitas tributáveis pela referida contribuição social. A indumentária imposta pelo próprio Poder Público na indústria de processamento de alimentos exigência sanitária que deve ser obrigatoriamente cumprida é insumo inerente à produção da indústria avícola, e, portanto, pode ser abatida no cômputo de referido tributo. (CSRF/3ª Turma, rel. Conselheira Relatora Nanci Gama Acórdão nº 930301.741, de 09/11/2011) ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 31/03/2002 a 31/01/2005 COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. Inseremse no conceito de insumos, para fins de créditos da não cumulatividade do PIS e da Cofins, os bens consumidos diretamente na prestação de serviços, nos termos dos art. 3º, inc. II das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003. No caso uniformes e materiais de segurança de uso obrigatório na prestação dos serviços, são bens que se consomem gradualmente com o tempo na prestação dos serviços executados pelo contribuinte. (CSRF/3ª Turma, rel. Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, Acórdão nº 9303005.192, de 17/05/2017) O recurso especial interposto pela contribuinte já contesta o acórdão recorrido na parte que afastou o creditamento de PIS sobre a aquisição dos seguintes itens: a) materiais de uso geral: arruela, mangueira, rodinho, chave allen, chave boca, chave fenda, lâmpadas, parafuso allen, parafuso bucha, parafuso sextavado, porca inox, retentor, rolamento, tubo galvanizado e tubo PVC; b) manutenção predial: argamassa, calcário, tintas, tomadas, torneiras, concreto usinado, serviço de pintura, serviço de construção civil; c) conservação e limpeza: ajardinamento e limpeza e conserto de bens móveis. As mesmas razões que entendemos cabível o creditamento quanto ao material de segurança ou proteção individual anteriormente identificados também autorizam o crédito de PIS/Cofins sobre as aquisições dos produtos relacionados no item "a", acima: arruela, mangueira, rodinho, chave allen, chave boca, chave fenda, lâmpadas, parafuso allen, parafuso bucha, parafuso sextavado, porca inox, retentor, rolamento, tubo galvanizado e tubo PVC. No que se refere às peças e partes de reposição das máquinas do parque fabril e ferramentas e utensílios de pequenos valor, sabese que a própria RFB já admite o creditamento, desde que, no primeiro caso, o seu emprego não aumente o tempo de venda útil das máquinas em mais de um ano (é o entendimento que passamos a adotar): Solução de Consulta Cosit nº 99004, de 16 de janeiro de 2017: ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins Fl. 938DF CARF MF Processo nº 10925.000362/200979 Acórdão n.º 9303005.526 CSRFT3 Fl. 936 7 EMENTA: NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. MATERIAIS DE USO E CONSUMO. FERRAMENTAS E UTENSÍLIOS DE PEQUENO VALOR. Os materiais de uso e consumo, ferramentas e utensílios de pequeno valor que se desgastam em função da ação exercida sobre o produto em fabricação permitem a apuração de créditos da Cofins na modalidade aquisição de insumos, conforme disposto no inciso II do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, observados os demais requisitos normativos e legais atinentes à matéria. Vinculada à Solução de Divergência Cosit nº 7, de 23 de agosto de 2016, publicada no Diário Oficial da União (DOU) de 11 de outubro de 2016. DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei nº 10.833, de 2003, art. 3º, inciso II; Instrução Normativa SRF nº 404, de 2004, art. 8º, I, “b” e § 4º. ASSUNTO: Contribuição para o PIS/Pasep EMENTA: NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. MATERIAIS DE USO E CONSUMO. FERRAMENTAS E UTENSÍLIOS DE PEQUENO VALOR. Os materiais de uso e consumo, ferramentas e utensílios de pequeno valor que se desgastam em função da ação exercida sobre o produto em fabricação permitem a apuração de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep na modalidade aquisição de insumos, conforme disposto no inciso II do art. 3ºda Lei nº 10.833, de 2003, observados os demais requisitos normativos e legais atinentes à matéria. Vinculada à Solução de Divergência Cosit nº 7, de 23 de agosto de 2016, publicada no Diário Oficial da União (DOU) de 11 de outubro de 2016. DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei nº 10.637, de 2002, art. 3º, inciso II; Instrução Normativa SRF nº 247, de 2002, art. 66, I, “b” e § 5º. Solução de Consulta Cosit nº 99013, de 19 de janeiro de 2017: ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins EMENTA: NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO. PARTES E PEÇAS DE REPOSIÇÃO. Os serviços de manutenção de máquinas que são utilizadas diretamente na fabricação de produtos, bem como as aquisições de partes e peças de reposição dessas máquinas permitem a apuração de créditos da Cofins na modalidade aquisição de insumos, desde que não promovam aumento de vida útil da Fl. 939DF CARF MF 8 máquina superior a um ano, conforme disposto no inciso II do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, observados os demais requisitos normativos e legais atinentes à matéria. Vinculada à Solução de Divergência Cosit nº 7, de 23 de agosto de 2016, publicada no Diário Oficial da União (DOU) de 11 de outubro de 2016. DISPOSITIVOS LEGAIS: Legais: Lei nº 10.833, de 2003, art. 3º, inciso II; Instrução Normativa SRF nº 404, de 2004, art. 8º, I, “b” e § 4º. ASSUNTO: Contribuição para o PIS/Pasep EMENTA: NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO. PARTES E PEÇAS DE REPOSIÇÃO. Os serviços de manutenção de máquinas que são utilizadas diretamente na fabricação de produtos, bem como as aquisições de partes e peças de reposição dessas máquinas permitem a apuração de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep na modalidade aquisição de insumos, desde que não promovam aumento de vida útil da máquina superior a um ano, conforme disposto no inciso II do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, observados os demais requisitos normativos e legais atinentes à matéria. Vinculada à Solução de Divergência Cosit nº 7, de 23 de agosto de 2016, publicada no Diário Oficial da União (DOU) de 11 de outubro de 2016. DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei nº 10.637, de 2002, art. 3º, inciso II; Instrução Normativa SRF º 247, de 2002, art. 66, I, “b” e § 5º. No entanto, com relação aos produtos relacionados nos itens "b" e "c", acima, entendemos que a sua aquisição não enseja o creditamento, uma vez que não necessários, pertinentes e inerentes ao processo produtivo da contribuinte. No caso dos gastos relacionados no item "b", não se sabe onde empregados. Ante o exposto, conheço do recurso especial interposto pela PFN e, no mérito, negolhe provimento. E conheço do recurso especial interposto pela contribuinte e, no mérito, doulhe parcial provimento, apenas para permitir o crédito sobre as aquisições dos seguintes materiais de uso geral: arruela, mangueira, rodinho, chave allen, chave boca, chave fenda, lâmpadas, parafuso allen, parafuso bucha, parafuso sextavado, porca inox, retentor, rolamento, tubo galvanizado e tubo PVC. É como voto. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 940DF CARF MF Processo nº 10925.000362/200979 Acórdão n.º 9303005.526 CSRFT3 Fl. 937 9 Fl. 941DF CARF MF
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Numero do processo: 10830.900264/2013-79
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Aug 15 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 13/09/2012
RESTITUIÇÃO. IMUNIDADE. AUSÊNCIA DE CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO PLEITEADO.
Para fins de concessão de pedido de restituição e/ou compensação de indébito fiscal, é imprescindível que o crédito tributário pleiteado esteja munido de certeza e liquidez. No presente caso, não logrou o contribuinte comprovar que faria jus à imunidade alegada, em razão da ausência da Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social (CEBAS), requisito este essencial ao gozo da imunidade, nos termos do que determina o art. 29 da Lei 12.101/2009.
Recurso Voluntário negado.
Numero da decisão: 3301-003.689
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antônio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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Ausência de certeza e liquidez do crédito pleiteado. Recorrente FUNDAÇÃO DE DESENVOLVIMENTO DA UNICAMP FUNCAMP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 13/09/2012 RESTITUIÇÃO. IMUNIDADE. AUSÊNCIA DE CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO PLEITEADO. Para fins de concessão de pedido de restituição e/ou compensação de indébito fiscal, é imprescindível que o crédito tributário pleiteado esteja munido de certeza e liquidez. No presente caso, não logrou o contribuinte comprovar que faria jus à imunidade alegada, em razão da ausência da Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social (CEBAS), requisito este essencial ao gozo da imunidade, nos termos do que determina o art. 29 da Lei 12.101/2009. Recurso Voluntário negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antônio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas. Relatório Tratase de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório eletrônico que indeferiu Pedido de Restituição Eletrônico PER referente a alegado crédito de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 90 02 64 /2 01 3- 79 Fl. 170DF CARF MF Processo nº 10830.900264/201379 Acórdão n.º 3301003.689 S3C3T1 Fl. 3 2 pagamento indevido ou a maior efetuado por meio do DARF, código de receita 8301 (PIS – Folha de Pagamento). Segundo o Despacho Decisório, o DARF informado no PER foi integralmente utilizado na quitação do respectivo débito, não restando crédito disponível para restituição. Em sua manifestação de inconformidade a interessada argumentou, em resumo, que o pagamento indevido decorre de sua condição de imune às contribuições sociais, nos termos dos art. 150, inciso VI, alínea “c”, art. 195, § 7º, c/c art. 205, art. 6º, art. 203, inciso III, art. 145, § 1º, art. 146, II, todos da Constituição Federal, e do art. 14 do CTN. Discorre sobre sua condição de imune. Requer que seja declarada como Entidade Beneficente de Assistência Social. Ao analisar o caso, a DRJ em Juiz de Fora (MG), entendeu por julgar improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão 09051.723, com base primordialmente nos seguintes fundamentos: (i) a imunidade das contribuições sociais está sujeita às exigências estabelecidas pela Lei 12.101/2009; (ii) a Recorrente não possui CEBAS (Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social); (iii) o PIS não está abrangido pela imunidade estabelecida no art. 195, § 7º da Constituição Federal; e (iv) a Recorrente está sujeita ao PIS sobre a Folha de Salários e não sobre o Faturamento. Intimado da decisão e insatisfeito com o seu conteúdo, o contribuinte interpôs, tempestivamente, Recurso Voluntário através do qual alegou, resumidamente: (i) que o STF já teria pacificado seu entendimento quanto à submissão do PIS à imunidade tributária das contribuições previdenciárias fixada pelo art. 195, parágrafo 7º da Constituição Federal, conforme acórdão proferido no RE 636.941/RS, que teve repercussão geral reconhecida; (ii) que a Recorrente atende a todos os requisitos da Lei 12.101/2009 para fins de usufruto da imunidade, conforme comprovado no pedido de emissão do CEBAS protocolizado (trata sobre cada um dos requisitos); (iii) que a emissão do CEBAS é um ato administrativo vinculado, constituindo obrigação legal uma vez constatado o atendimento dos requisitos legais para gozo da imunidade; (iv) que a emissão do CEBAS tem caráter declaratório, sendolhe conferidos efeitos retroativos. Requer, ao final, que seja dado provimento ao seu recurso, para fins de deferir o pedido de restituição, por se tratar de instituição imune às contribuições previdenciárias. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301003.674, de 27 de junho de 2017, proferido no julgamento do processo 10830.900254/201333, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301003.674): Fl. 171DF CARF MF Processo nº 10830.900264/201379 Acórdão n.º 3301003.689 S3C3T1 Fl. 4 3 "O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Consoante acima narrado, tratase de Pedido de Restituição Eletrônico PER nº 23871.62072.130912.1.2.040241 referente a alegado crédito de pagamento indevido ou a maior da contribuição previdenciária sobre a folha de salários a cargo do empregador, efetuado por meio do DARF no valor original de R$ 42.011,75. Como é cediço, para fins de concessão de pedido de restituição e/ou compensação de indébito fiscal, é imprescindível que o crédito tributário pleiteado esteja munido de certeza e liquidez, cuja comprovação deve ser efetuada pelo contribuinte. No caso concreto ora analisado, portanto, há de se verificar se o crédito tributário alegado pelo contribuinte encontrase revestido de tais características, sem as quais o pleito não pode ser deferido. Alega o contribuinte que o seu pleito decorre do seu direito seria líquido e certo ao gozo da imunidade. A DRJ, por seu turno, entendeu de forma diversa, conforme se extrai da passagem do voto a seguir transcrita: A imunidade relativa às pessoas jurídicas que prestam assistência social está prevista nos seguintes dispositivos constitucionais: Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: [...] VI instituir impostos sobre:(Vide Emenda Constitucional nº 3, de 1993) a) patrimônio, renda ou serviços, uns dos outros; b) templos de qualquer culto; c) patrimônio, renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da lei; d) livros, jornais, periódicos e o papel destinado a sua impressão. [...] Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: [...] § 7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei. A imunidade prevista no artigo 150 acima transcrito é especifica para impostos não abrangendo às contribuições sociais. Portanto, não alcança o PIS/PASEP –Folha de Salários. A imunidade prevista no artigo 195, § 7º, é específica para contribuições para seguridade social e depende da caracterização da entidade como beneficente Fl. 172DF CARF MF Processo nº 10830.900264/201379 Acórdão n.º 3301003.689 S3C3T1 Fl. 5 4 de assistência social que atenda às exigências estabelecidas em lei, entre elas a certificação de que trata a Lei 12.101/2009, conforme dispositivos transcritos a seguir: Art. 1o A certificação das entidades beneficentes de assistência social e a isenção de contribuições para a seguridade social serão concedidas às pessoas III do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, quanto às entidades de assistência social. (...) Art. 29. A entidade beneficente certificada na forma do Capítulo II fará jus à isenção do pagamento das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, desde que atenda, cumulativamente, aos seguintes requisitos (grifo não original) Com base nos atos acima transcritos, que vinculam este colegiado de 1ª instância administrativa, a contribuinte, por não ser detentora do certificado de entidade beneficente de assistência social, não faz jus à imunidade prevista no artigo 195, § 7º, da CF/88, por descumprir exigência contida em lei. Com lastro no artigo 21 supra, não compete à RFB decidir sobre a concessão de certificados de entidade beneficente de assistência social, não tendo força vinculante as decisões judiciais e o posicionamento da doutrina mencionados pela defesa. De modo que, o pedido, para que seja declarada como Entidade Beneficente da Assistência Social, com força substitutiva do registro e da certificação de que trata o art. 21 da Lei nº 12.101/2009, não pode ser atendido no âmbito desse colegiado. A contribuinte impetrou o mandado de segurança nº 2007.61.05.0129681, junto à 2ª Vara Federal de Campinas, que atualmente tramita no TRF 3º Região, com sentença proferida reconhecendo o direito à imunidade prevista no art. 195, 7º, da CF/88, no tocante à Cofins, desde que cumpridos os requisitos do art. 14 do CTN e os deveres instrumentais acessórios estabelecidos pela legislação fiscal. Portanto, mantida a exigência do certificado de entidade beneficente de assistência social para gozo da imunidade prevista no artigo 195, 7º, da CF/88. Concordo com a conclusão a que chegou a DRJ no trecho acima, por entender que não restou comprovada a certeza e liquidez do crédito pleiteado pelo contribuinte. Embora a Recorrente tenha protocolizado pedido de emissão do CEBAS (Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social) desde 18/12/2013, é certo que este pedido ainda não foi deferido, encontrandose atualmente na situação de "encaminhado". E sendo esta emissão um requisito essencial ao gozo da imunidade pleiteada, nos termos do que determina a Lei nº 12.101/2009, não há como se entender que o crédito tributário objeto da presente demanda seja líquido e certo. Notese que o art. 29 da referida lei dispõe que fará jus à isenção a entidade beneficente certificada. Ademais, como bem destacou a DRJ em sua decisão, a análise quanto ao atendimento dos requisitos dispostos na Lei n. 12.101/2009 e a consequente concessão do Fl. 173DF CARF MF Processo nº 10830.900264/201379 Acórdão n.º 3301003.689 S3C3T1 Fl. 6 5 CEBAS não é de competência da Receita Federal do Brasil, ou mesmo deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Nesse contexto, ainda que o ato administrativo de concessão do CEBAS seja plenamente vinculado, e que os seus efeitos sejam declaratórios, conferindolhe aplicação retroativa, tais fatores não afastam a necessidade de que haja a análise quanto a tal pleito por parte da autoridade competente. Sendo assim, não há como se deferir o pleito do contribuinte de restituição apresentado, por faltarlhe certeza e liquidez. De outro norte, importante ainda que se analise o segundo fundamento da decisão recorrida, que assim dispôs: Ainda que a contribuinte fosse detentora de tal certificado, o entendimento da administração tributária é que o PIS/PASEP não está abrangido pelo artigo 195 da Carta Magna, sendo devido o seu recolhimento na forma da lei. No caso vertente, o crédito pretendido decorre de pagamento de PIS/PASEP – Folha de Salários. Cabe, então, observar o disposto no art. 13 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001: Art. 13. A contribuição para o PIS/PASEP será determinada com base na folha de salários, à alíquota de um por cento, pelas seguintes entidades: I templos de qualquer culto; II partidos políticos; III instituições de educação e de assistência social a que se refere o art. 12 da Lei no 9.532, de 10 de dezembro de 1997; IV instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações, a que se refere o art. 15 da Lei no 9.532, de 1997; V sindicatos, federações e confederações; VI serviços sociais autônomos, criados ou autorizados por lei; VII conselhos de fiscalização de profissões regulamentadas; jurídicas de direito privado, sem fins lucrativos, reconhecidas como entidades beneficentes de assistência social com a finalidade de prestação de serviços nas áreas de assistência social, saúde ou educação, e que atendam ao disposto nesta Lei. (...) Art. 21. A análise e decisão dos requerimentos de concessão ou de renovação dos certificados das entidades beneficentes de assistência social serão apreciadas no âmbito dos seguintes Ministérios: I da Saúde, quanto às entidades da área de saúde; II da Educação, quanto às entidades educacionais; e VIII fundações de direito privado e fundações públicas instituídas ou mantidas pelo Poder Público; IX condomínios de proprietários de imóveis residenciais ou comerciais; e Fl. 174DF CARF MF Processo nº 10830.900264/201379 Acórdão n.º 3301003.689 S3C3T1 Fl. 7 6 X a Organização das Cooperativas Brasileiras OCB e as Organizações Estaduais de Cooperativas previstas no art. 105 e seu § 1o da Lei no 5.764, de 16 de dezembro de 1971. [...].” [Grifei]. Por sua vez, os mencionados arts. 12 e 15 da Lei nº 9.532, de 1997, assim dispõem1: Art. 12. Para efeito do disposto no art. 150, inciso VI, alínea "c", da Constituição, considerase imune a instituição de educação ou de assistência social que preste os serviços para os quais houver sido instituída e os coloque à disposição da população em geral, em caráter complementar às atividades do Estado, sem fins lucrativos. (Vide artigos 1º e 2º da Mpv 2.18949, de 2001) (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) § 1º Não estão abrangidos pela imunidade os rendimentos e ganhos de capital auferidos em aplicações financeiras de renda fixa ou de renda variável. § 2º Para o gozo da imunidade, as instituições a que se refere este artigo, estão obrigadas a atender aos seguintes requisitos: [...] Art. 15. Consideramse isentas as instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural e científico e as associações civis que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos. (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) § 1º A isenção a que se refere este artigo aplicase, exclusivamente, em relação ao imposto de renda da pessoa jurídica e à contribuição social sobre o lucro líquido, observado o disposto no parágrafo subseqüente. [...] § 3º Às instituições isentas aplicamse as disposições do art. 12, § 2°, alíneas "a" a "e" e § 3° e dos arts. 13 e 14. Nesse sentido, o Decreto nº 4.527, de 17 de dezembro de 2002, ao regulamentar a Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado em geral, assim dispõe: Art. 9º São contribuintes do PIS/Pasep incidente sobre a folha de salários as seguintes entidades (Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 13): [...] III instituições de educação e de assistência social que preencham as condições e requisitos do art. 12 da Lei nº 9.532, de 1997; IV instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações, que preencham as condições e requisitos do art. 15 da Lei nº 9.532, de 1997; [...] Fl. 175DF CARF MF Processo nº 10830.900264/201379 Acórdão n.º 3301003.689 S3C3T1 Fl. 8 7 Art. 46. As entidades relacionadas no art. 9º deste Decreto (Constituição Federal, art. 195, § 7º , e Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 13, art. 14, inciso X, e art. 17): I não contribuem para o PIS/Pasep incidente sobre o faturamento; e [...] Art. 50. A base de cálculo do PIS/Pasep incidente sobre a folha de salários mensal, das entidades relacionadas no art. 9º, corresponde à remuneração paga, devida ou creditada a empregados. [...].” [Grifei]. Portanto, considerando as normas legais supracitadas e que a contribuinte se declara imune em razão da atividade por ela exercida (atividades de apoio à educação – exceto caixas escolares), não há incidência da contribuição para o PIS/Pasep sobre o faturamento. Entretanto, é devida a contribuição para o PIS/Pasep calculada sobre a folha de salários, conforme definido no art. 13 da MP nº 2.15835, de 2001, independentemente de sua imunidade decorrer do disposto no artigo 150 ou 195 da CF/88. Assim, diante da ausência de certeza do crédito pleiteado, voto por considerar improcedente a manifestação de inconformidade, ratificando o Despacho Decisório que indeferiu a restituição pretendida. Sobre este ponto, o contribuinte alegou em seu recurso voluntário que o STF já pacificou seu entendimento quanto à submissão do PIS à imunidade tributária das contribuições previdenciárias fixada pelo art. 195, parágrafo 7º da Constituição Federal, conforme acórdão proferido no RE 636.941/RS, publicado em 04/04/2014, que teve repercussão geral reconhecida. Da análise do referido julgado, extraise que o STF chegou à seguinte conclusão: A pessoa jurídica para fazer jus à imunidade do art. 195, § 7º, CF/88, com relação às contribuições sociais, deve atender aos requisitos previstos nos artigos 9º e 14, do CTN, bem como no art. 55, da Lei nº 8.212/91, alterada pelas Lei nº 9.732/98 e Lei nº 12.101/2009, nos pontos onde não tiveram sua vigência suspensa liminarmente pelo STF nos autos da ADIN 2.2085. As entidades beneficentes de assistência social, como consequência, não se submetem ao regime tributário disposto no art. 2º, II, da Lei nº 9.715/98, e no art. 13, IV, da MP nº 2.15835/2001, aplicáveis somente àquelas outras entidades (instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural e científico e as associações civis que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos) que não preencherem os requisitos do art. 55, da Lei nº 8.212/91, ou da legislação superveniente sobre a matéria, posto não abarcadas pela imunidade constitucional. A inaplicabilidade do art. 2º, II, da Lei nº 9.715/98, e do art. 13, IV, da MP º 2.15835/2001, às entidades que preenchem os requisitos do art. 55 da Lei nº 8.212/91, e legislação superveniente, não decorre do vício da inconstitucionalidade desses dispositivos legais, mas da imunidade em relação à contribuição ao PIS como técnica de interpretação conforme à Constituição. Fl. 176DF CARF MF Processo nº 10830.900264/201379 Acórdão n.º 3301003.689 S3C3T1 Fl. 9 8 Ou seja, o STF concluiu que as entidades beneficentes de assistência social não se submetem ao regime tributário disposto no art. 13, IV da MP n. 2.15835/2001, por fazerem jus à imunidade do art. 150, § 7º, da CF/88. E como restou conferida à tese ali assentada repercussão geral e eficácia erga omnes e ex tunc, tal entendimento deverá ser observado por este Conselho, por força do que dispõe o Regimento Interno deste Conselho, in verbis: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016) II que fundamente crédito tributário objeto de: a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103A da Constituição Federal; b) Decisão do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos do art. 543B ou 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), na forma disciplinada pela Administração Tributária; b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) (...). § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverãoser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Com base no entendimento do STF expresso no RE 636.941/RS, há de se reconhecer, portanto, a insubsistência da conclusão constante da decisão recorrida no sentido de seria "devida a contribuição para o PIS/Pasep calculada sobre a folha de salários, conforme definido no art. 13 da MP nº 2.15835, de 2001, independentemente de sua imunidade decorrer do disposto no artigo 150 ou 195 da CF/88". Contudo, para que se possa concluir pela aplicação do julgado do STF ao caso vertente, seria necessário verificar se a Recorrente se enquadra como entidade beneficente de assistência social e se atende os requisitos legais dispostos na legislação pertinente. Ocorre que, consoante anteriormente apontado, o pedido de concessão da CEBAS (Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social), um dos requisitos para o gozo da imunidade, ainda não foi deferido pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Agrário, a Fl. 177DF CARF MF Processo nº 10830.900264/201379 Acórdão n.º 3301003.689 S3C3T1 Fl. 10 9 quem compete analisar o atendimento dos requisitos dispostos na legislação pertinente (art. 14 do CTN, art. 55, da Lei nº 8.212/91, alterada pelas Lei nº 9.732/98, e Lei nº 12.101/2009). É válido destacar, inclusive, que o STF, ao julgar o RE 636.941/RS tratou expressamente desta certificação, concluindo que "a definição dos limites objetivos ou materiais, bem como dos aspectos subjetivos ou formais, atende aos princípios da proporcionalidade e razoabilidade". É o que se infere da passagem a seguir transcrita, extraída do voto do Ministro Luiz Fux, relator do mencionado RE: Pela análise da legislação, percebese que se tem consagrado requisitos específicos mais rígidos para o reconhecimento da imunidade das entidades de assistência social (art. 195, § 7º, CF/88), se comparados com os critérios para a fruição da imunidade dos impostos (art. 150, VI, c, CF/88). Ilustrativamente, menciono aqueles exigidos para a emissão do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social – CEBAS, veiculados originariamente pelo art. 55 da Lei nº 8.212/91, ora regulados pela Lei nº 12. 101/2009. A definição dos limites objetivos ou materiais, bem como dos aspectos subjetivos ou formais, atende aos princípios da proporcionalidade e razoabilidade, não implicando significativa restrição do alcance do dispositivo interpretado, qual seja, o conceito de imunidade, e de redução das garantias dos contribuintes. Com efeito, a jurisprudência da Suprema Corte indicia a possibilidade de lei ordinária regulamentar os requisitos e normas sobre a constituição e o funcionamento das entidades de educação ou assistência (aspectos subjetivos ou formais). Diante do acima exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte, mantendo o indeferimento do pedido de restituição, conforme fundamentos acima expostos, em razão da não comprovação da certeza e liquidez do crédito pleiteado." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo não logrou o contribuinte comprovar que faria jus à imunidade alegada, em razão da ausência da Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social (CEBAS), requisito este essencial ao gozo da imunidade, nos termos do que determina o art. 29 da Lei 12.101/2009. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário, mantendo o indeferimento do pedido de restituição, conforme fundamentos acima expostos, em razão da não comprovação da certeza e liquidez do crédito pleiteado. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Fl. 178DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.001898/2007-46
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Jul 03 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Aug 11 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003
SIMULAÇÃO RELATIVA. VÍCIO DE VONTADE. CTN, ART. 116, PARÁGRAFO ÚNICO. GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO.
É legítima a desconsideração de atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do IRPJ, nos termos do artigo 116, parágrafo único do CTN.
LEGALIDADE. APRECIAÇÃO INTEGRADA. PLUS NA CONDUTA. DOLO. SIMULAÇÃO. MULTA QUALIFICADA
1 - Não há que se tolerar o desvirtuamento dos institutos jurídicos. Legalidade não é dizer que se o negócio jurídico é legal para um ramo do direito (civil, empresarial, dentre outros) encontra-se intocável para todo o ordenamento jurídico. Legalidade é verificar se o negócio jurídico é legal sob o âmbito de todo o direito. Princípio da liberdade negocial não se encontra no topo da pirâmide constitucional, mas caminha ao lado do princípio da legalidade (que predica a apreciação do ordenamento jurídico de maneira integrada), e dos princípios que zelam pela manutenção do Estado, com a capacidade contribuinte e isonomia entre contribuintes.
2 - Em vez de o alienante transferir diretamente o ativo para o adquirente, valeu-se de uma "holding". Ambos, alienante e adquirente, passam a ser sócios da "holding". O alienante integraliza na "holding" precisamente o ativo que pretendia alienar. O adquirente integraliza na "holding" precisamente o valor em espécie que iria pagar a aquisição do ativo. Posteriormente, a alienante retira-se da "holding". Em contrapartida à integralização, é entregue ao alienante precisamente o valor em espécie que foi integralizado pela adquirente. Enquanto isso, a adquirente ficou com o ativo que queria comprar.
3 - Afronta à legislação tributária, nos temos dos art. 149, inciso VII do CTN, art. 44, § 1º da Lei nº 9.430, de 1996 e arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964. Caracterizada a ocorrência do dolo (presença dos elementos cognitivo e volitivo) e simulação, ensejando a qualificação da multa de ofício para 150%.
MULTA ISOLADA. ESTIMATIVA MENSAL. CONCOMITÂNCIA COM MULTA DE OFÍCIO. SÚMULA CARF 105. LEI 9.430/1996, ART. 44, §1º, INCISO IV.
É afastada a exigência da multa isolada calculada sobre o valor das estimativas mensais, quando exigida concomitantemente à multa de ofício. Nesse sentido, aplica-se a Súmula CARF nº 105: "A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44, §1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício"
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA.
A multa de ofício, penalidade pecuniária, compõe a obrigação tributária principal, e, por conseguinte, integra o crédito tributário, que se encontra submetido à incidência de juros moratórios, após o seu vencimento, em consonância com os artigos 113, 139 e 161, do CTN, e 61, § 3º, da Lei 9.430/96.
Numero da decisão: 9101-002.953
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito (i) quanto à multa isolada, por unanimidade de votos, acordam em dar-lhe provimento; (ii) quanto à simulação, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Luís Flávio Neto, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento; e (iii) quanto à multa qualificada e aos juros de mora sobre multa de ofício, por voto de qualidade, acordam em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa (relatora), Luís Flávio Neto, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra. Votaram pelas conclusões da relatora, quanto à multa qualificada, os conselheiros Luís Flávio Neto, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro André Mendes de Moura. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto, em relação à simulação e à multa qualificada, o conselheiro Luís Flávio Neto. Nos termos do Art. 58, §5º, Anexo II do RICARF, os conselheiros Daniele Souto Rodrigues Amadio e Marcos Aurélio Pereira Valadão não votaram quanto ao conhecimento, por se tratar de questão já votada em sessão anterior pelos conselheiros José Eduardo Dornelas Souza e Carlos Alberto Freitas Barreto, respectivamente.
(assinado digitalmente)
Marcos Aurélio Pereira Valadão - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Cristiane Silva Costa - Relatora
(assinado digitalmente)
André Mendes de Moura - Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em Exercício).
Nome do relator: CRISTIANE SILVA COSTA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2003 SIMULAÇÃO RELATIVA. VÍCIO DE VONTADE. CTN, ART. 116, PARÁGRAFO ÚNICO. GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO. É legítima a desconsideração de atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do IRPJ, nos termos do artigo 116, parágrafo único do CTN. LEGALIDADE. APRECIAÇÃO INTEGRADA. PLUS NA CONDUTA. DOLO. SIMULAÇÃO. MULTA QUALIFICADA 1 - Não há que se tolerar o desvirtuamento dos institutos jurídicos. Legalidade não é dizer que se o negócio jurídico é legal para um ramo do direito (civil, empresarial, dentre outros) encontra-se intocável para todo o ordenamento jurídico. Legalidade é verificar se o negócio jurídico é legal sob o âmbito de todo o direito. Princípio da liberdade negocial não se encontra no topo da pirâmide constitucional, mas caminha ao lado do princípio da legalidade (que predica a apreciação do ordenamento jurídico de maneira integrada), e dos princípios que zelam pela manutenção do Estado, com a capacidade contribuinte e isonomia entre contribuintes. 2 - Em vez de o alienante transferir diretamente o ativo para o adquirente, valeu-se de uma "holding". Ambos, alienante e adquirente, passam a ser sócios da "holding". O alienante integraliza na "holding" precisamente o ativo que pretendia alienar. O adquirente integraliza na "holding" precisamente o valor em espécie que iria pagar a aquisição do ativo. Posteriormente, a alienante retira-se da "holding". Em contrapartida à integralização, é entregue ao alienante precisamente o valor em espécie que foi integralizado pela adquirente. Enquanto isso, a adquirente ficou com o ativo que queria comprar. 3 - Afronta à legislação tributária, nos temos dos art. 149, inciso VII do CTN, art. 44, § 1º da Lei nº 9.430, de 1996 e arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964. Caracterizada a ocorrência do dolo (presença dos elementos cognitivo e volitivo) e simulação, ensejando a qualificação da multa de ofício para 150%. MULTA ISOLADA. ESTIMATIVA MENSAL. CONCOMITÂNCIA COM MULTA DE OFÍCIO. SÚMULA CARF 105. LEI 9.430/1996, ART. 44, §1º, INCISO IV. É afastada a exigência da multa isolada calculada sobre o valor das estimativas mensais, quando exigida concomitantemente à multa de ofício. Nesse sentido, aplica-se a Súmula CARF nº 105: "A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44, §1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício" JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. A multa de ofício, penalidade pecuniária, compõe a obrigação tributária principal, e, por conseguinte, integra o crédito tributário, que se encontra submetido à incidência de juros moratórios, após o seu vencimento, em consonância com os artigos 113, 139 e 161, do CTN, e 61, § 3º, da Lei 9.430/96.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito (i) quanto à multa isolada, por unanimidade de votos, acordam em dar-lhe provimento; (ii) quanto à simulação, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Luís Flávio Neto, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento; e (iii) quanto à multa qualificada e aos juros de mora sobre multa de ofício, por voto de qualidade, acordam em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa (relatora), Luís Flávio Neto, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra. Votaram pelas conclusões da relatora, quanto à multa qualificada, os conselheiros Luís Flávio Neto, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro André Mendes de Moura. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto, em relação à simulação e à multa qualificada, o conselheiro Luís Flávio Neto. Nos termos do Art. 58, §5º, Anexo II do RICARF, os conselheiros Daniele Souto Rodrigues Amadio e Marcos Aurélio Pereira Valadão não votaram quanto ao conhecimento, por se tratar de questão já votada em sessão anterior pelos conselheiros José Eduardo Dornelas Souza e Carlos Alberto Freitas Barreto, respectivamente. (assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa - Relatora (assinado digitalmente) André Mendes de Moura - Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em Exercício).
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 SIMULAÇÃO RELATIVA. VÍCIO DE VONTADE. CTN, ART. 116, PARÁGRAFO ÚNICO. GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO. É legítima a desconsideração de atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do IRPJ, nos termos do artigo 116, parágrafo único do CTN. LEGALIDADE. APRECIAÇÃO INTEGRADA. PLUS NA CONDUTA. DOLO. SIMULAÇÃO. MULTA QUALIFICADA 1 Não há que se tolerar o desvirtuamento dos institutos jurídicos. Legalidade não é dizer que se o negócio jurídico é legal para um ramo do direito (civil, empresarial, dentre outros) encontrase intocável para todo o ordenamento jurídico. Legalidade é verificar se o negócio jurídico é legal sob o âmbito de todo o direito. Princípio da liberdade negocial não se encontra no topo da pirâmide constitucional, mas caminha ao lado do princípio da legalidade (que predica a apreciação do ordenamento jurídico de maneira integrada), e dos princípios que zelam pela manutenção do Estado, com a capacidade contribuinte e isonomia entre contribuintes. 2 Em vez de o alienante transferir diretamente o ativo para o adquirente, valeuse de uma "holding". Ambos, alienante e adquirente, passam a ser sócios da "holding". O alienante integraliza na "holding" precisamente o ativo que pretendia alienar. O adquirente integraliza na "holding" precisamente o valor em espécie que iria pagar a aquisição do ativo. Posteriormente, a alienante retirase da "holding". Em contrapartida à integralização, é entregue ao alienante precisamente o valor em espécie que foi integralizado pela adquirente. Enquanto isso, a adquirente ficou com o ativo que queria comprar. 3 Afronta à legislação tributária, nos temos dos art. 149, inciso VII do CTN, art. 44, § 1º da Lei nº 9.430, de 1996 e arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 18 98 /2 00 7- 46 Fl. 891DF CARF MF Processo nº 19515.001898/200746 Acórdão n.º 9101002.953 CSRFT1 Fl. 892 2 1964. Caracterizada a ocorrência do dolo (presença dos elementos cognitivo e volitivo) e simulação, ensejando a qualificação da multa de ofício para 150%. MULTA ISOLADA. ESTIMATIVA MENSAL. CONCOMITÂNCIA COM MULTA DE OFÍCIO. SÚMULA CARF 105. LEI 9.430/1996, ART. 44, §1º, INCISO IV. É afastada a exigência da multa isolada calculada sobre o valor das estimativas mensais, quando exigida concomitantemente à multa de ofício. Nesse sentido, aplicase a Súmula CARF nº 105: "A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44, §1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício" JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. A multa de ofício, penalidade pecuniária, compõe a obrigação tributária principal, e, por conseguinte, integra o crédito tributário, que se encontra submetido à incidência de juros moratórios, após o seu vencimento, em consonância com os artigos 113, 139 e 161, do CTN, e 61, § 3º, da Lei 9.430/96. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito (i) quanto à multa isolada, por unanimidade de votos, acordam em darlhe provimento; (ii) quanto à simulação, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Luís Flávio Neto, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento; e (iii) quanto à multa qualificada e aos juros de mora sobre multa de ofício, por voto de qualidade, acordam em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa (relatora), Luís Flávio Neto, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra. Votaram pelas conclusões da relatora, quanto à multa qualificada, os conselheiros Luís Flávio Neto, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro André Mendes de Moura. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto, em relação à simulação e à multa qualificada, o conselheiro Luís Flávio Neto. Nos termos do Art. 58, §5º, Anexo II do RICARF, os conselheiros Daniele Souto Rodrigues Amadio e Marcos Aurélio Pereira Valadão não votaram quanto ao conhecimento, por se tratar de questão já votada em sessão anterior pelos conselheiros José Eduardo Dornelas Souza e Carlos Alberto Freitas Barreto, respectivamente. (assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Relatora Fl. 892DF CARF MF Processo nº 19515.001898/200746 Acórdão n.º 9101002.953 CSRFT1 Fl. 893 3 (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em Exercício). Relatório Tratase de processo originado por Autos de Infração de IRPJ, diante de "alienação de investimento, avaliado pelo valor do Patrimônio Líquido, cujo ganho de capital foi indevidamente excluído do Lucro Real pelo contribuinte", quanto ao ano calendário de 2003, com imposição de multa de 150%, além do lançamento de multa sobre estimativa mensal de julho de 2003. O auditor fiscal lançou CSLL de forma reflexa, além de lançar CSLL sobre estimativa mensal relativa ao mês de julho de 2003. Consta do Termo de Verificação Fiscal (fls. 188/204) como descrição dos eventos que originaram a autuação fiscal: Em decorrência de processo de reposicionamento no pais, o grupo norueguês NORSICE SKOG promove uma série de negócios jurídicos que, ao final, redundam na aquisição de todas as atividades relacionadas à industrialização e comercialização de papel jornal que pertenciam ao GRUPO KLABIN, bem como a garantia de que o alienante não iria explorar essa atividade por, pelo menos, dez anos. Com essa aquisição o grupo norueguês passou a ser o único grande grupo empresarial a produzir papel jornal no mercado nacional. Ocorre que, em razão da forma utilizada nos negócios jurídicos efetuados, o ganho de capital obtido no processo de alienação, deixou de ser oferecido à tributação, vejamos. 1. GRUPO KLABIN, através de suas controladas Klabin Monte Alegre Com. e Ind. Ltda., cnpj n. 03.627.572/000130 e Klabin do Paraná Produtos Florestais Ltda., cnpj n. 76.171.479/0001 90, adquire em 01.05.2003, uma empresa, denominada Lille Holdings (cujo capital era de R$ 100,00 e que não possuía à época qualquer atividade), com o fim especifico de alienar ao grupo norueguês todas as suas atividades relacionadas à industrialização e comercialização de papel jornal, bem como os direitos de não fabricação do referido produto por 10 anos. Fl. 893DF CARF MF Processo nº 19515.001898/200746 Acórdão n.º 9101002.953 CSRFT1 Fl. 894 4 2. Em 27.05.2003 o GRUPO KLABIN, através da Klabin Monte Alegre Com. e Ind. Ltda. em 27.05.2003, promove um aumento de capital no valor de R$ 31.250.900,00 através da integralização, de bens e direitos (compostos sobretudo por sua carteira de clientes). 3. Com essa integralização a Klabin Monte Alegre Com. e Ind. Ltda. destaca de seu patrimônio a parte que interessa ao grupo norueguês e que lhe será alienada a seguir. 4. Passados menos de 30 dias (24.06.2003), o GRUPO NORUEGUÊS, através de sua controlada Norske Skog Pisa Ltda., cnpj n. 31.985.633/000120, realiza nova subscrição e "integralização" de capital no valor de R$ 88.280.486,00, sendo R$ 11.158.843,00 como capital e R$ 77.121.643,00 a titulo de ágio. 5. Em 02.07.2003 (uma semana após), Klabin Monte Alegre Com. e Ind. Ltda. e Klabin do Paraná Produtos Florestais Ltda. (ambas do GRUPO KLABIN) retiramse da sociedade Lille Holdings, mediante o cancelamento de suas ações e o recebimento de R$ 88.027.000,00, ou seja, quase a totalidade do capital e da reserva "integralizados" pelo GRUPO NORUEGUÊS. 6. O Ganho de Capital obtido nessa operação, no valor de R$ 56.296.134,08 [R$ 88.027000,00 (Valor recebido pelo GRUPO KLABIN) menos R$ 31.730.865,92 (valor da Lille Holdings, ou seja, dos bens repassados ao GRUPO NORUEGUÊS)] deixou de ser oferecido à tributação ao simularse que teria sido auferido por meio de variação nos percentuais de participação das empresas Klabin Monte Alegre Com. e Ind. Ltda. e Klabin do Paraná Produtos Florestais Ltda em seus investimentos na empresa Lille Holdings (ganho não tributável conforme art. 428 do RIR/99), dos quais R$ 56.296.044,12 teriam sido auferidos na Klabin Monte Alegre e restantes R$ 89,96 na Klabin do Paraná Produtos Florestais Ltda. 7. Entretanto, o que realmente ocorreu foi à alienação de parte dos ativos do GRUPO KLABIN, segregados na empresa Lille Holdings (e que estavam avaliados em R$ 31.730.865,92), para o GRUPO NORUEGUÊS, pelo valor de R$ 88.027.000,00, o que implica em um resultado tributável de R$ 56.296.134,08. 8. O desfecho de toda essa operação ocorre com a alteração da razão social da Lille Holdings S/A para Norske Skog Jaguariaiva S/A que, em seguida, é incorporada por Norske Skog Pisa Ltda., cnpj n. 31.965.633/000120 (GRUPO NORUEGUÊS). (...) Assim fica claro que o objetivo de todo o procedimento era a mera passagem do controle da exploração das operações de papel jornal do GRUPO KLABIN para o GRUPO NORUEGUÊS. Objetivo que poderia ter sido alcançado por uma simples alienação. Entretanto optouse por um intrincado Fl. 894DF CARF MF Processo nº 19515.001898/200746 Acórdão n.º 9101002.953 CSRFT1 Fl. 895 5 emaranhado de alterações societárias a fim de se dissimular o verdadeiro negócio jurídico. A contribuinte apresentou Impugnação Administrativa, decidindo a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo pela manutenção integral dos lançamentos, conforme acórdão ementado da forma seguinte (494/522, volume 3): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 SIMULAÇÃO. GANHO DE CAPITAL. TRIBUTAÇÃO. A realização de operações simuladas com o fito de elidir o surgimento da obrigação tributária principal ou de gerar maiores vantagens do que as proporcionadas pela lei fiscal não deve inibir a aplicação de hipóteses de incidência do imposto de renda sobre a aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica de rendimentos e ganhos de capital. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. MULTA QUALIFICADA. Caracterizado o evidente intuito de fraude, impõese a aplicação de multa qualificada. MULTA ISOLADA. APLICAÇÃO CUMULATIVA COM A MULTA DE OFICIO. Por determinação expressa da Instrução Normativa n° 93, de 1997, constatada a falta de pagamento do imposto por estimativa, devem ser exigidas as multas sobre os valores devidos por estimativa e não recolhidos, e o imposto apurado pelo ajuste anual, acrescido da MULTA de oficio pelo seu não recolhimento. CSLL. DECORRÊNCIA. O decidido quanto ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica aplica se à tributação dele decorrente. Lançamento procedente A contribuinte apresentou recurso voluntário, ao qual foi negado provimento pela 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Primeira Seção deste Conselho, em acórdão assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2004 PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO. SIMULAÇÃO. NEGÓCIO JURÍDICO INDIRETO. Fl. 895DF CARF MF Processo nº 19515.001898/200746 Acórdão n.º 9101002.953 CSRFT1 Fl. 896 6 Considerase simulação quando a vontade declarada no negócio jurídico não se coaduna com a realidade do negócio firmado. SIMULAÇÃO. MULTA QUALIFICADA. PROCEDÊNCIA. Ao restar comprovada a prática de negócios simulados, com declaração enganosa de vontade, com o único propósito de esquivarse das obrigações tributárias, impõese a aplicação de multa qualificada no percentual de 150%. Os atos aparentes praticados, ao mesmo tempo que buscavam modificar as características essenciais do fato gerador, tentavam ocultar das autoridades fazendárias o ganho de capital efetivamente auferido. JUROS MORATÓRIOS INCIDENTES SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. TAXA SELIC. A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic. APURAÇÃO ANUAL. FALTA DE PAGAMENTO DAS ESTIMATIVAS. MULTA ISOLADA. PROCEDÊNCIA. Aos contribuintes que, tendo optado pela apuração anual do tributo, deixam de recolher as antecipações devidas com base na receita bruta e acréscimos ou em balanços/balancetes por ele próprio levantados, sem a inclusão das receitas omitidas apuradas em procedimento de fiscalização, impõese a aplicação de multas exigidas isoladamente sobre as parcelas não pagas, em face do descumprimento do dever legar de antecipar as estimativas. Tal penalidade não se confunde com outra, a ser aplicada pela falta de pagamento do tributo eventualmente apurado ao final do exercício. Destaquese trecho do voto do relator, exConselheiro Edwal Casoni de Paula Fernandes Jr., acompanhado pela Turma no que se refere à simulação, tema que foi objeto de recurso especial: Com efeito, ao lerse o Termo de Verificação Fiscal e a sucessão dos negócios envolvidos na operação com o grupo norueguês, aflorase a conclusão inarredável de que tudo não passou de simulação para que se transferisse, como de fato se transferiu, ao aventado grupo econômico, a produção e comercialização do papel jornal que pertencia à Recorrente. Digo isso porquanto ainda que não se negue ser admissível ao contribuinte utilizarse de quaisquer meios lícitos para esquivar se da tributação e, por decorrência, considerese como legítima a implementação de planejamento tributário o que deve ser Fl. 896DF CARF MF Processo nº 19515.001898/200746 Acórdão n.º 9101002.953 CSRFT1 Fl. 897 7 investigado é se a estrutura adotada em determinado caso concreto foi legítima e se o seu regime jurídico foi observado. Em outras palavras, impende confirmar na circunstância concreta se o negócio jurídico realizado pelas partes é autorizado pelo direito privado e se revelam às verdadeiras intenções das partes, pois se assim não for, é dever das autoridades fiscais coibir práticas de utilização no ordenamento jurídico por meio de estratagemas, formalizados por negócios simulados ou dissimulados, com o objetivo de causar prejuízo ao Erário. Diante disso e, guardados os conceitos delineados no tópico anterior temse que na simulação há declaração não verdadeira, sendo certo que a falsidade reside na declaração das partes, motivo pelo qual, ao verificarse o que se deu na espécie, não se tem como afastarse do fato de que a Recorrente pretendeu transferir ao grupo Norske toda a estrutura de produção do chamado “papel jornal” e o fez por meio de expediente impregnado de falseamento na declaração de vontade, eis que as partes estabeleceram para tanto (transferir a unidade de produção), negócio jurídico no qual exteriorizavam a vontade de se associar, sendo certo que a retirada quase imediata da Recorrente, revelou a real (e falseada) vontade das partes. Ora, falseada a declaração da vontade das partes, que manifestaram formal intenção em firmar parceria, mas, a bem da verdade pretendiam resultado absolutamente diverso, resultado que por seu turno, implicaria na incidência tributária, tenho por configurada inarredável hipótese de simulação e na mesma situação, presente o argumento da Recorrente no sentido de ter praticado negócio jurídico indireto, verificase que nele, falo do negócio indireto, todas as declarações são verdadeiras, sendo incompatível com tal definição, o fato de se pretender, por exemplo, uma compra e venda e realizar naquele intuito de comprar e vender, uma suposta parceria associativa. Ao meu sentir, não prospera o argumentos da Recorrente pela inexistência de simulação porquanto não teria havido falseamento na adoção de estrutura jurídica típica, conquanto não se tenha adotado a mais usual, todas as cláusulas do negócio se aperfeiçoaram de forma verdadeira e não se teve na espécie, a realização de um negócio jurídico para encobrir o resultado que seria alcançado por negócio diverso, contrário disso, observo que a declaração de vontade foi enganosa, revelando aos expectadores e ao próprio Fisco, uma situação que perdurou por menos de trinta dias. Ainda que impressione positivamente as afirmações inequívocas da Recorrente, que desde os seus primitivos arrazoados afirmou que sua intenção sempre foi realizar um negócio jurídico da forma menos onerosa do ponto de vista tributário, valendose, nesse mister, de um negócio com incongruência entre os meios e o fim pretendido, em clara subsunção ao conceito de negócio jurídico indireto, não observo essa intenção tão flagrantemente Fl. 897DF CARF MF Processo nº 19515.001898/200746 Acórdão n.º 9101002.953 CSRFT1 Fl. 898 8 declarada em momento anterior à glosa. Ou seja, quando realizou a operação, no momento exato em que se deu por aperfeiçoado o fato capaz de gerar a tributação, afastado por simulação, a vontade manifestada pela Recorrente era inequivocamente enganosa. (...). Como já afirmado por diversas vezes, no caso concreto se pode identificar inadequação entre a forma jurídica realizada, constituição de uma sociedade e saída imediata, com a substância e natureza daquilo que de fato se pretendia, vale lembrar que a Recorrente confessadamente, pretendeu transferir ao grupo norueguês todas as suas atividades relacionadas à industrialização e comercialização de papel jornal, bem como os direitos de não fabricação do referido produto por 10 anos constituindo para tanto, determinada sociedade que, na qual promoveu um aumento de capital no valor de R$ 31.250.900,00 mediante integralização de bens e direitos e com essa integralização destacou o grupo Klabin a parcela seu patrimônio que seria alienada, sendo certo que passados menos de 30 dias (24.06.2003), o citado grupo norueguês realizou nova subscrição e "integralização" de capital no valor de R$ 88.280.486,00, sendo R$ 11.158.843,00 como capital e R$ 77.121.643,00 a título de ágio. Já se reproduziu no relatório, mas é conveniente lembrar que na sequência, uma semana após, a recorrente se retirou da sociedade constituída para os fins da considerada simulação, mediante o cancelamento de suas ações e o recebimento de R$ 88.027.000,00, ou seja, quase a totalidade do capital e da reserva "integralizados" pelo grupo norueguês. Presente a simulação, não vejo como desconsiderar que o negócio jurídico engendrado teve por finalidade única a transferência das atividades relacionadas à industrialização e comercialização de papel jornal que pertenciam à Recorrente, razão pela qual tenho caracterizada a simulação, situação que irradia, no caso concreto, a tributação decorrente do ganho de capital. No que concerne à qualificação da multa, multa isolada sobre estimativas mensais exigida concomitantemente à multa de ofício e ao juros sobre a multa de ofício, foi redator do voto vencedor o Conselheiro Waldir Veiga Rocha, nos seguintes termos: i) Da qualificação da multa de ofício (...) Entendeu o Colegiado que, caracterizada como foi a prática de simulação nos negócios aqui descritos, com o único propósito de evitar a incidência tributária, a conduta da interessada se encaixaria, sim, nas hipóteses dos dispositivos legais autorizadores da qualificação da multa. Os atos externados buscavam modificar as características essenciais do fato gerador (não haveria alienação com apuração de ganho de capital, mas sim operações de constituição e dissolução societárias) e, ao mesmo tempo, os atos reais (a alienação e o correspondente ganho de capital, fato gerador do imposto) eram Fl. 898DF CARF MF Processo nº 19515.001898/200746 Acórdão n.º 9101002.953 CSRFT1 Fl. 899 9 ocultados do conhecimento das autoridades fazendárias. Ainda, a conduta foi intencional, vale dizer, dolosa, no sentido de esquivarse às obrigações tributárias. (...) Cumpre, ainda, ressaltar que a publicidade conferida aos atos formalmente praticados não milita a favor da interessada, posto que tal publicidade foi dada aos atos aparentes, àqueles reveladores tão somente da vontade enganosa, e que buscavam ocultar o ganho de capital efetivamente ocorrido e ensejador da tributação. No caso, a publicidade foi, na verdade, parte da simulação. Em síntese, o Colegiado decidiu pela impossibilidade, no caso concreto, de dissociar a simulação da multa qualificada, pelo que foi negado provimento ao recurso voluntário, quanto a este ponto. ii) Da incidência de juros sobre a multa de ofício (...) A polêmica gira em torno da abrangência que se há de atribuir à expressão “débitos para com a União, decorrentes de tributos”, presente no caput do art. 61 da Lei nº 9.430/1996. Tenho que os débitos decorrentes de tributos não podem se restringir ao principal, mas igualmente devem abranger os débitos pelo descumprimento do dever de pagar, ou seja, as multas proporcionais aplicadas de ofício ao lançamento. Nesse sentido, a abrangência dos débitos para com a União deve ser a mesma atribuída ao crédito tributário de que trata o CTN. O débito do contribuinte para com a União, visto pela ótica do sujeito passivo da obrigação tributária, é o crédito tributário em favor da União, visto pela ótica do sujeito ativo da mesma obrigação. iii) Das multas exigidas isoladamente por falta/insuficiência no recolhimento de estimativas. No caso em tela, mantida como foi a exigência pela exclusão indevida do Ganho de Capital no mês de julho/2003, esse mesmo montante deveria integrar o cálculo das estimativas no mês de competência. Deve, então, a contribuinte se sujeitar à penalidade que lhe é exigida mediante este processo. Para fins da multa isolada, deve ser considerado o montante apurado mensalmente em face da receita bruta e acréscimos ou em cada balanço/balancete de suspensão/redução, e a sanção é aplicável diante do descumprimento do dever de antecipar o tributo, nos montantes determinados em lei. Essa penalidade não se confunde, em absoluto, com a multa proporcional aplicada ao final do período de apuração anual pela falta de recolhimento do tributo. A contribuinte apresentou embargos de declaração em 12/06/2012 (fls. 686/711), indicando omissões no acórdão da Turma Ordinária. Os embargos foram rejeitados pela Turma Ordinária: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Fl. 899DF CARF MF Processo nº 19515.001898/200746 Acórdão n.º 9101002.953 CSRFT1 Fl. 900 10 Anocalendário: 2003 Ementa EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. AUSÊNCIA DE OMISSÃO, CONTRADIÇÃO OU OBSCURIDADE. NÃO CARACTERIZAÇÃO. PRETENSÃO DE REEXAME. Devese desprover os Embargos Declaratórios ao se verificar que a decisão recorrida não contém omissão, obscuridade e contradição, observandose que a pretensão da Embargante é reexaminar, por meio de Embargos de Declaração, o mérito da decisão. Em 22/05/2013, a contribuinte foi intimada quanto ao acórdão de embargos (fls. 740), apresentando recurso especial em 18/06/2013. Neste recurso, alega divergência na interpretação da lei tributária a respeito dos seguintes temas: (i) caracterização dos negócios praticados como simulados, indicando como paradigma o acórdão nº 10194.340, confirmado pelo acórdão CSRF/0106.015, do qual se destaca: "não basta a simples suspeita de fraude, conluio ou simulação para que o negócio jurídico realizado seja desconsiderado pela autoridade administrativa, mister se faz provar que o ato negocial praticado deuse em direção contrária a norma legal, com intuito doloso de excluir ou modificar as características essenciais do fato gerador da obrigação tributária (art. 149 do CTN)" (ii) aplicação da multa qualificada, apontando como paradigma o acórdão nº 140100.155, constando desta decisão que "no planejamento tributário, quando identificada a convicção do contribuinte de estar agindo segundo o permissivo legal, sem ocultação da prática e da intenção final dos seus negócios, não há como ser reconhecido o dolo necessário à qualificação da multa, elemento este constante do caput dos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502/64"; (iii) aplicação da multa isolada sobre estimativas mensais de IRPJ e CSLL, contando como paradigma o acórdão 140201.081, no qual se decidiu que "é inaplicável a penalidade quando existir concomitância com a multa de ofício sobre o ajuste anual (mesma base)" e acórdão 910100.500, verbis: "incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas no curso do período de apuração e de ofício pela falta de pagamento de tributo apurado nmo balanço". (iv) incidência de juros sobre multa de ofício, identificandose o acórdão paradigma nº 91201000.722, do qual se extrai: "os juros de mora só incidem sobre o valor do tributo, não alcançando o valor da multa ofício aplicada" e acórdão 10196.858, decisão em sentido similar: "inaplicável a incidência da taxa Selic e dos juros do art. 161 do CTN sobre a multa de ofício". O recurso especial foi admitido, por decisão da Presidente da 3ª Câmara da 1ª Seção (Conselheira Adriana Gomes Rêgo), verbis: No primeiro ponto do recurso a recorrente alega divergência com relação ao entendimento do acórdão recorrido quanto a existência de simulação no negócio jurídico praticado, indicando como paradigma o Acórdão nº 10194.340, de 09/09/2003 (...) Fl. 900DF CARF MF Processo nº 19515.001898/200746 Acórdão n.º 9101002.953 CSRFT1 Fl. 901 11 Verificase que tanto o acórdão paradigma quanto o acórdão recorrido analisam operações societárias realizadas, que seriam, segundo os interessados, negócio jurídicos indiretos, com acusação pelo Fisco da ocorrência de simulação, com conclusões distintas. A conclusão do acórdão paradigma é a de que não basta haver o indício de simulação, incumbindo à fiscalização comprovar a que o ato negocial praticado deuse em direção contrária a norma legal, com o intuito doloso de excluir ou modificar as características essenciais do fato gerador da obrigação tributária, para que o ato seja considerado inoponível ao Fisco. O acórdão recorrido, por seu turno, traz entendimento de que a simples inadequação do formato do negócio jurídico realizado revela o intuito simulatório, sendo correta a desconsideração dos efeitos do negócio tido como indireto, para fins de tributação, pelo Fisco. Assim, entendo estar presente a divergência jurisprudencial apontada pela recorrente. Passo ao exame do segundo aspecto do recurso. A recorrente alega que a manutenção da multa qualificada, no caso sob exame, pelo acórdão recorrido, diverge da jurisprudência emanada da 1ª Turma da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF, por meio dos acórdãos nº 140100.155, de 28/01/2010 e 140100.582, de 29/06/2011 (...) Examinando os acórdãos paradigmas, especialmente o primeiro que trata de situação idêntica, relacionada à mesma interessada, verificase que os mesmos trazem o entendimento de que não obstante os negócios praticados tenham sido considerados simulados para fins de tributação, não havendo ocultação da prática, nem da intenção final do negócio, para que fosse mantida a multa qualificada seria necessário a comprovação do dolo do sujeito passivo. O acórdão recorrido, em sentido contrário, entendeu que os atos praticados buscavam modificar as características essenciais do fato gerador e tentavam ocultar das autoridades fazendárias o ganho de capital efetivamente auferido, impondose a aplicação da multa qualificada. Assim, entendo estar caracterizada a divergência quanto ao segundo ponto. No terceiro ponto do recurso, a recorrente alega que ao manter a multa isolada por falta de recolhimento de estimativas mensais, em concomitância com a multa de ofício lançada, o acórdão recorrido incorreu em divergência com a jurisprudência da 2ª Turma da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF que proferiu o Acórdão nº 140201.081, de 14/06/2012 e com o entendimento da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, exarado no Acórdão nº 910100.500, de 25/01/2010 (...) Fl. 901DF CARF MF Processo nº 19515.001898/200746 Acórdão n.º 9101002.953 CSRFT1 Fl. 902 12 Cotejando os acórdãos paradigmas e recorrido sobre a matéria, verificase que trazem, de fato, conclusões divergentes, umas vez que os primeiros trazem entendimento de que é incompatível a aplicação da multa isolada por falta de recolhimento por estimativas mensais concomitante com a multa de ofício aplicada sobre o imposto devido anualmente, enquanto que a decisão do colegiado recorrido é no sentido de que uma penalidade não se confunde com a outra, sendo ambas devidas. Pelo exposto, tenho como comprovada a divergência alegada, justificandose o seguimento do recurso neste ponto. No quarto ponto do recurso, a recorrente alega que o entendimento do acórdão recorrido quanto à incidência de juros sobre a multa de ofício diverge do Acórdão 9101 00.722, de 14/12/2010 (...) Analisando a divergência alegada verificase que o acórdão recorrido diverge, de fato, dos paradigmas colacionados ao entender devida a incidência de juros Selic sobre a multa de ofício lançada, na medida em que aqueles outros trazem o entendimento que a os juros de mora só incidem sobre o valor do tributo, não alcançando a multa lançada. Desta feita, o recurso deve ter seguimento quanto ao seu último ponto. Atendidos os pressupostos de tempestividade e legitimidade, previstos no art. 67 do Regimento Interno do CARF, e tendo sido comprovadas as divergências jurisprudenciais, nos termos acima examinados, DOU SEGUIMENTO ao presente recurso especial. A Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou contrarrazões ao recurso especial, requerendo seja negado provimento ao recurso especial, sustentando que: (i) o objetivo das operações realizadas pela Recorrente seriam a "mera passagem do controle da exploração das operações de papel jornal do Grupo Klabin para o Grupo Norueguês, objetivo esse que poderia ter sido alcançado por uma simples alienação." (fls. 855). Assim, sustenta que teria ocorrido simulação. (ii) a penalidade de 150% seria justificada pela aplicação do artigo 44, II, da Lei nº 9.430/1996 combinado com os artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/1964, "provado, nos autos, a sonegação (...), a fraude (...) e o conluio" (fls. 868 e 869); (iii) deveria ser mantida a multa isolada sobre estimativas mensais, nos termos dos artigos 44, II, b, da Lei nº 9.430/1996; (iv) a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício deveria ser também mantida por força do artigo 161, do CTN e 61, da Lei nº 9.430/1996, reforçado pelo conceito de crédito tributário definido pelo artigo 139, do CTN. Fl. 902DF CARF MF Processo nº 19515.001898/200746 Acórdão n.º 9101002.953 CSRFT1 Fl. 903 13 É o relatório. Voto Vencido Conselheira Cristiane Silva Costa, Relatora Conheço do recurso especial, adotando as razões do despacho de admissibilidade da Presidente da 3ª Câmara desta Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Passo à análise do mérito. A simulação A simulação é definida pelo Código Civil, conforme artigo 167, a seguir reproduzido: Art. 167. É nulo o negócio jurídico simulado, mas subsistirá o que se dissimulou, se válido for na substância e na forma. § 1º Haverá simulação nos negócios jurídicos quando: I aparentarem conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas daquelas às quais realmente se conferem, ou transmitem; II contiverem declaração, confissão, condição ou cláusula não verdadeira; III os instrumentos particulares forem antedatados, ou pós datados. § 2o Ressalvamse os direitos de terceiros de boafé em face dos contraentes do negócio jurídico simulado. A doutrina, analisando o Código Civil indica duas possíveis interpretações do artigo 167, isto é, a simulação estar relacionada à vontade das partes e estar relacionada à causa do negócio. Nesse sentido, são as lições de Flavio Tartuce: A simulação continua sendo vício social do negócio jurídico, mas que causa a sua nulidade. Entretanto, essa conclusão está longe de ser pacífica. A título de exemplo, na doutrina atual Inacio de Carvalho Neto (...) e Francisco Amaral entendem que a simulação deixou de ser um vício social do negócio jurídico. Para o último autor a simulação acaba 'resultando da incompatibilidade entre esta e a finalidade prática desejada concretamente pelas partes, que desejariam, na verdade, atingir o objetio diverso da função típica do negócio' (Direito Civil, p. 531). Assim, a simulação, para o culto professor, atinge a causa negocial. Partindo para o seu conceito, na simulação há um desacordo entre a vontade declarada e a vontade interna e a vontade Fl. 903DF CARF MF Processo nº 19515.001898/200746 Acórdão n.º 9101002.953 CSRFT1 Fl. 904 14 manifestada. Em suma, há uma discrepância entre a vontade e a declaração; entre a essência e a aparência. O renomado civilista Orlando Gomes tratava a simulação como vício de vontade: “A simulação existe quando em um contrato se verifica, para enganar terceiro, divergência entre a vontade real e a vontade declarada pelas partes” (Introdução ao Direito Civil, 19ª edição, Rio de Janeiro, Forense, 2007, p. 381/382). Também enfrentando a simulação sob o ponto de vista da vontade, são as considerações de Washington de Barros Monteiro: “Ela se caracteriza por um desacordo intencional entre a vontade interna e a declarada, no sentido de criar, aparentemente, um ato jurídico que, de fato, não existe, ou então oculta, sob determinada aparência, o ato realmente querido” (Curso de Direito Civil, Editora Saraiva, edição 2005). Ao tratar do tema, Marco Aurélio Greco adota a interpretação da simulação relacionandoa com a causa do negócio (ou propósito negocial): Na simulação relativa há um descompasso entre vontades, real e aparente. Essa é a tese clássica. (...) O referencial de exame da oponibilidade dos negócios perante o Fisco é dado pelo elemento vontade , e a defesa dos contribuintes consiste em demonstrar sua 'vontade' real de praticar o negócio jurídico questionado. (...) Este é o modelo clássico: só há prova da simulação se restar demonstrado existirem duas vontades, uma diferente da outra. (...) Corre dentro dos textos de Direito Tributário brasileiro uma certa visão pacífica de que esta seria a única maneira de enxergar a simulação, mas não é. Se tomarmos, por exemplo, ORLANDO GOMES (...), ele afirma que a simulação não está no plano da vontade, mas no plano da causa do negócio. Para saber se o negócio é simulado, temos que verificar se há compatibilidade entre a sua causa e o próprio negócio simulado. Desta perspectiva a problemática é completamente diferente, porque a causa do negócio, ou o propósito negocial a que se refere diz respeito aos motivos que levam à realização do negócio, às suas razões. (...) Desta perspectiva, podese chegar à conclusão de o negócio jurídico ser simulado se não existir motivo, ou se ele for incompatível com o núcleo do negócio adotado ou se existir uma inadequação entre o motivo real e o motivo aparente. Neste ponto, portanto, cumpre esclarecer se o enfrentamento da simulação se dá sob o ponto de vista da vontade ou da causa do negócio. Pareceme coerente analisar a simulação sob o ponto de vista da vontade, adotando entendimento de farta doutrina no Direito Tributário e, ainda, conceituados civilistas. Fl. 904DF CARF MF Processo nº 19515.001898/200746 Acórdão n.º 9101002.953 CSRFT1 Fl. 905 15 É pertinente lembrar, ainda, que a simulação se classifica em simulação absoluta e simulação relativa (também denominada dissimulação). Na simulação absoluta as partes celebram negócio jurídico sem pretender celebrar qualquer negócio; enquanto na simulação relativa há um negócio simulado e um negócio dissimulado, sendo que o negócio dissimulado "subsistirá (...) se válido for na substância e na forma" (art. 167, do Código Civil). No caso dos autos, consta do TVF que "optouse por um intrincado emaranhado de alterações societárias a fim de se dissimular o verdadeiro negócio jurídico dissimular o verdadeiro negócio jurídico". Diante disso, tratamos no caso dos autos de simulação relativa, ou dissimulação. Pois bem. O Código Tributário Nacional, em sua redação original, previa a possibilidade de revisão de ofício do lançamento tributário na hipótese de simulação: Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: (...) VII quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em benefício daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação (...) Parágrafo único. A revisão do lançamento só pode ser iniciada enquanto não extinto o direito da Fazenda Pública. A Lei Complementar nº 104/2001 incluiu o parágrafo único ao artigo 116, para assim dispor: Art. 116. (...) Parágrafo único. A autoridade administrativa poderá desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, observados os procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária. Desde sua edição, a doutrina se divide para tratar da norma do artigo 116, parágrafo único, como eficaz, ou não. Paulo Ayres Barreto entende que a norma ainda seria ineficaz: "Enquanto lei ordinária não disciplinar o procedimento de desconsideração dos negócios jurídicos realizados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador, será inaplicável o parágrafo único do art. 116 do CTN. Há ineficácia técnica, de natureza sintática." (Planejamento Tributário Limites Normativos, 1ª edição, São Paulo, Noeses, 2016, p. 256) De outro lado, como pondera Regina Helena Costa, atual Ministra do Superior Tribunal de Justiça, "o direito positivo já autorizava a desconsideração de negócios jurídicos dissimulados, à vista do disposto no art. 149, VII, CTN, que estabelece que o lançamento deva ser procedido de ofício na hipótese de o sujeito passivo, ou terceiro em benefício daquele, ter agido com dolo, fraude ou simulação" (Curso de Direito Tributário, Saraiva, 2009, p. 184). Em que pese interprete desta forma, a Ministra ainda leciona que "Além de parecer desnecessária, ante o disposto no art. 149, VII, CTN, abriga a referida norma Fl. 905DF CARF MF Processo nº 19515.001898/200746 Acórdão n.º 9101002.953 CSRFT1 Fl. 906 16 demasiada generalidade e latitude, demandando, a nosso ver, que outra lei venha a estatuir as hipóteses de sua aplicação, sob pena de concederse demasidada liberdade ao administrador fiscal na desconsideração dos atos e negócios jurídicos" (obra citada, p. 185). Entendo que a norma do artigo 116 é eficaz, legitimando a desconsideração de atos simulados, reforçando a previsão contida no artigo 149, VII, do Código Tributário Nacional. A doutrina de Paulo de Barros Carvalho também merece menção, admitindo a desconsideração de atos pelo Fisco, quando demonstrada a simulação. Sua doutrina enfrenta a simulação sob o ponto de vista da vontade: "Apenas as operações do contribuinte que mascarem determinada transação econômica e jurídica, ocultando, por formas artificiosas, a realidade, configuram 'operações simuladas'. Se os verdadeiros motivos dos atos praticados pelas partes não cumprirem com a finalidade imputada a eles por lei, bem como neles estiverem presentes cabalmente notas que indiquem verdadeira hipótese de omissão da real intenção do que faz suporte ao negócio jurídico escolhido, tais atos não são oponíveis ao fisco, devendo merecer tratamento tributário de ato dissimulado e seus consequentes efeitos jurídicos. (...) Para que haja simulação é necessário, portanto: (i) conluio entre as partes, (ii) divergência entre a real vontade das partes e o negócio por elas declarado; e (iii) intenção de lograr o Fisco. Se tais características, porém, não se apresentarem no caso concreto, será vedado à autoridade administrativa desconsiderar o ato" (Derivação e Positivação no Direito Tributário, p. 82) Esclareço que não comungo do entendimento do ilustre Professor Paulo de Barros Carvalho sobre a necessidade de ilicitude, nos termos dos artigos 71 a 73 da Lei nº 4.502/64, para fins de desconsideração de operações pelo Fisco (na mesma obra, o professor sustenta que "para que seja admissível a autuação fiscal, desconsiderando o negócio jurídico praticado, não basta que os efeitos econômicos de tal prática sejam semelhantes aos de ato diverso, mas é imprescindível que tenha havido ilicitude em tal realização, nos termos dos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64")". Ora, a conformação dos fatos jurídicos à figura da simulação não depende da identificação destes com os artigos 71 a 73 referidos, basta que se amoldem às prescrições do Código Civil (167) e Código Tributário Nacional (art. 149, VII e 116, parágrafo único). As normas de Direito Tributário, no que concerne à simulação, não alteraram o conceito de simulação tratado pela norma de direito privado, relacionada à vontade do agente, manifestada de forma distinta no ato simulado daquela pretendida pelo ato dissimulado. Pois bem. Como acima referido, o caso dos autos é de identificação de dissimulação pela contribuinte, extraindose do TVF: 7. Entretanto, o que realmente ocorreu foi à alienação de parte dos ativos do GRUPO KLABIN, segregados na empresa Lille Holdings (e que estavam avaliados em R$ 31.730.865,92), para Fl. 906DF CARF MF Processo nº 19515.001898/200746 Acórdão n.º 9101002.953 CSRFT1 Fl. 907 17 o GRUPO NORUEGUÊS, pelo valor de R$ 88.027.000,00, o que implica em um resultado tributável de R$ 56.296.134,08. (...) Assim fica claro que o objetivo de todo o procedimento era a mera passagem do controle da exploração das operações de papel jornal do GRUPO KLABIN para o GRUPO NORUEGUÊS. Objetivo que poderia ter sido alcançado por uma simples alienação. Entretanto optouse por um intrincado emaranhado de alterações societárias a fim de se dissimular o verdadeiro negócio jurídico. A Turma Ordinária julgou o assunto da seguinte forma, como se verifica do voto do Conselheiro Relator, acolhido pela Turma: Como já afirmado por diversas vezes, no caso concreto se pode identificar inadequação entre a forma jurídica realizada, constituição de uma sociedade e saída imediata, com a substância e natureza daquilo que de fato se pretendia, vale lembrar que a Recorrente confessadamente, pretendeu transferir ao grupo norueguês todas as suas atividades relacionadas à industrialização e comercialização de papel jornal, bem como os direitos de não fabricação do referido produto por 10 anos constituindo para tanto, determinada sociedade que, na qual promoveu um aumento de capital no valor de R$ 31.250.900,00 mediante integralização de bens e direitos e com essa integralização destacou o gruo Klabin a parcela seu patrimônio que seria alienada, sendo certo que passados menos de 30 dias (24.06.2003), o citado grupo norueguês realizou nova subscrição e "integralização" de capital no valor de R$ 88.280.486,00, sendo R$ 11.158.843,00 como capital e R$ 77.121.643,00 a título de ágio. Já se reproduziu no relatório, mas é conveniente lembrar que na sequência, uma semana após, a recorrente se retirou da sociedade constituída para os fins da considerada simulação, mediante o cancelamento de suas ações e o recebimento de R$ 88.027.000,00, ou seja, quase a totalidade do capital e da reserva "integralizados" pelo grupo norueguês. Presente a simulação, não vejo como desconsiderar que o negócio jurídico engendrado teve por finalidade única a transferência das atividades relacionadas à industrialização e comercialização de papel jornal que pertenciam à Recorrente, razão pela qual tenho caracterizada a simulação, situação que irradia, no caso concreto, a tributação decorrente do ganho de capital. A contribuinte tem sustentado ao longo do processo inclusive em embargos de declaração que, em síntese: (i) A associação entre os grupos Klabin e Norske, da Noruega, iniciouse com uma carta de intenção em 16/12/1999; (ii) desde o ano de 2000, as Indústrias Klabin S.A. (incorporada pela Recorrente) mantinha uma associação com o Grupo Norske, da Noruega. Fl. 907DF CARF MF Processo nº 19515.001898/200746 Acórdão n.º 9101002.953 CSRFT1 Fl. 908 18 Assim teria sido criada a Norske Klabin. O grupo norueguês teria 50% de participação no capital social através da Norke Skog do Brasil (controladora da Norske Skog Pisa, pessoa jurídica mencionada no TVF); (iii) O acordo, firmado em 2000, previa expressamente a duração de 3 anos e, ainda, a possibilidade de saída da Klabin ao término deste prazo. Após este prazo, esgotouse a associação entre os grupos citados; (iv) em 2002 teria havido fechamento dos mercados financeiros internacionais e conturbação interna com eleições presidenciais, que acarretaram dificuldades da Recorrente refinanciar suas dívidas de curto prazo. Explicita que houve impacto pelas seguintes razões: (iv.a) existência de dívidas no segundo semestre do ano foram majoradas a 69%; (iv.b) seus pareceres de auditorias foram emitidos com ressalva; (iv.c) a "Standard & Poors rebaixou seus "ratings" de crédito corporativo; (iv.d) em 05/11/2002 a Recorrente teve que publicar fato relevante, na forma exigida pela Lei nº 6.404/1976, considerandose que é companhia de capital aberto; (iv.e) fez emprestimo com BNDS e um "pool" de bancos credores, com garantias adicionais; (v) o contexto acima referido, combinado com o fim do prazo de 3 anos de associação com o grupo norueguês, ocasionou a transferência das atividades para a Lille, que passou a pertencer à Norske Pisa. (vi) "em suma, a recorrente tinha uma antiga associação com outro grupo econômico, cujo prazo contratado para vigência se esgotara. Simultaneamente, tinha que se desfazer de ativos, por obrigação contratual assumida perante credores em decorrência da sua premência financeira, até como medida necessária à sua sobrevivência" (trecho do recurso especial fls. 768); (vii) por fim, reitera que a Norske Skog Klabin estava destinada a desaparecer. E os acionistas desta pessoa jurídica seriam ambos os grupos econômicos. A Recorrente, ainda, apresentou pareceres de José Carlos Moreira Alves e Tercio Sampaio Ferraz Junior, tratando de negócio jurídico indireto. Ocorre que a identificação do negócio jurídico firmado entre a Recorrente e o Grupo Norueguês como negócio jurídico indireto dependeria da demonstração de substância negocial para atestar que o negócio típico pretendido pelas partes observou todos os contornos legalmente exigidos. Do contrário, observandose vício de vontade, há dissimulação de negócio jurídico (compra e venda), como acertadamente reconheceu o acórdão recorrido. Fl. 908DF CARF MF Processo nº 19515.001898/200746 Acórdão n.º 9101002.953 CSRFT1 Fl. 909 19 Diante das operações descritas em TVF e pela própria contribuinte não me convenço pela inocorrência de simulação. A operação pretendida (vontade) pela contribuinte, aparentemente, é a dissimulada por meio de operações societárias tratadas nos autos, pois "o objetivo de todo o procedimento era a mera passagem do controle da exploração das operações de papel jornal do GRUPO KLABIN para o GRUPO NORUEGUÊS. Objetivo que poderia ter sido alcançado por uma simples alienação. (trecho do TVF) Neste ponto, ressalto que meu entendimento é firmado pelos indícios consistentes tratados no processo em TVF, provas e mesmo pelo teor do acórdão recorrido. Não desconheço orientação doutrinária sobre necessidade de prova (inconteste) da intenção do agente em dissimular a operação. No entanto, entendo que na presença de indícios consistentes, como é o caso dos autos, é possível a desconsideração de efeitos das operações, atribuindolhes os efeitos tributários cabíveis. Anoto que o Termo de Verificação Fiscal trata da associação entre Grupo Klabin e Grupo Norueguês em 2000 às fls. 190 e seguintes do TVF. Nesse sentido, menciona que houve a constituição da Norske Skog Klabin em 03/01/2000, inicialmente tendo como sócias apenas empresas do Grupo Klabin. Posteriormente, em 31/03/2000 a Norske Skog do Brasil (Grupo Norueguês) é admitida como sócia da Norske Skog Klabin, com participação de 50% do capital social, então aumentado para 34 milhões (colocar valor exato). Finalmente, esta associação se encerra em 23/05/2003 com a alienação das cotas pela Norske Skog Brasil para o Grupo Klabin. De acordo com TVF, "com o retorno do controle da Norske Skog Klabin para o Grupo Klabin S/A termina a fase da jointventure entre os dois grupos e se passa à fase da efetiva alienação de todas as atividades relacionadas à industrialização e comercialização de papel jornal que pertenciam ao Grupo Klbin para o Grupo Norueguês, bem como a garantia de que o alienante não iria explorar essa atividade por, pelo menos, dez anos." De fato, o encerramento da associação original entre Grupo Klabin e Grupo Norueguês ocorre em 23/05/2003 (com a alienação de quotas da Norske Skog Klabin para a Klabin), enquanto o cerne da operação tratada nestes autos ocorre na sequência. Com efeito, nos presentes autos, é ressaltado pelo Termo de Verificação Fiscal que o Grupo Klabin teria adquirido uma empresa (Lille Holdings) em 01.05.2003. Em 27.05.2003, o Grupo Klabin teria aumentado substancialmente o capital da Lille Holdings (de R$ 100,00 para R$ 31.250.900,00), através da integralização de bens e direitos. Menos de 30 dias depois (24/06/2003), o Grupo Norueguês realiza nova subscrição e integralização de capital no valor de R$ 88.280.486,00. Finalmente, em 02.07.2003, o Grupo Klabin retirase da sociedade Lille Holdings, recebendo a quase totalidade do capital e reserva integralizados pelo Grupo Norueguês. Com efeito, nos presentes autos foi dissimulada a alienação das operações de papel jornal do Grupo Klabin ao Grupo Norueguês. Acrescento que a mesma contribuinte, ora Recorrente, teve contra si lavrado auto de infração por se entender simulada a venda de ativos (Unidade Industrial de Guaíba) ao Grupo Aracruz, nos autos do processo administrativo nº 19515.001895/200711. Naquele processo administrativo também foram acostados pareceres dos Professores José Carlos Moreira Alves e Tércio Sampaio Ferraz Júnior a respeito do negócio indireto. Em tal precedente, foi negado provimento ao recurso voluntário da contribuinte, concluindo a 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Primeira Seção pela ocorrência Fl. 909DF CARF MF Processo nº 19515.001898/200746 Acórdão n.º 9101002.953 CSRFT1 Fl. 910 20 de simulação, não negócio indireto. O acórdão proferido naquele processo administrativo não foi objeto de recurso especial quanto à simulação. Destaco ementa do acórdão 140100155: PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO, SIMULAÇÃO. NEGÓCIO JURÍDICO INDIRETO A simulação existe quando a vontade declarada no negócio jurídico não se coaduna com a realidade do negócio firmado, Para se identificar a natureza do negócio praticado pelo contribuinte, deve ser identificada qual é a sua causalidade, ainda que esta causalidade seja verificada na sucessão de vários negócios intermediários sem causa, na estruturação das chamadas step transactions. Assim, negócio jurídico sem causa não pode ser caracterizado corno negócio jurídico indireto. O fato gerador decorre da identificação da realidade e dos efeitos dos fatos efetivamente ocorridos, e não de vontades formalmente declaradas pelas partes contratantes ou pelos contribuintes, SIMULAÇÃO A subscrição de novas ações de uma sociedade anônima, com a sua integralização em dinheiro e registro de ágio, para subseqüente retirada da sociedade da sócia originária, com resgate das ações para guarda e posterior cancelamento caracteriza simulação de venda da participação societária. Colaciono, ainda, trecho do voto do exConselheiro Relator, Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, acolhido pelo Colegiado (no processo acima citado, 19515.001895/200711, acórdão 140100155): Dentro dessa perspectiva, fazse mister apontar as divergências entre os pensamentos da Autoridade Fiscal e da Recorrente. Para tanto, os fatos em análise podem ser segregados em duas ocasiões cruciais: Momento I: Reestruturação societária da Klabin S.A — criação da Riocell S.A com a transferência dos bens, direitos e obrigações da Unidade Guaiba; Momento 2: Transferência da participação societária da Klabin na Riocell S.A para a Aracruz S.A. (...) Em suma, a divergência apresentada entre o Fisco e a Recorrente se pauta no fundamento de toda reestruturação societária, O primeiro argumenta que a intenção, desde o início, era de evitar a tributação; enquanto a segunda argumenta que toda reestruturação teve fundamentos econômicos e financeiros, sendo que, no primeiro momento, tal fundamento seria a necessidade de estruturação de garantia em favor de debenturistas e, num segundo momento, teria ocorrido o negócio jurídico indireto, não passível de desconsideração pelo Fisco. (...) Na verdade, mediante a conferência dos bens, direitos e obrigações, temse, que restou configurada não a integralização de capital social propriamente dito, mas sim uma cisão da Fl. 910DF CARF MF Processo nº 19515.001898/200746 Acórdão n.º 9101002.953 CSRFT1 Fl. 911 21 Recorrente, com a atribuição de seu "acervo líquido" para a empresa Riocell. Isso porque, a Recorrente pretendeu entregar, como integralização do capital social, ativos e Dassivos relacionados à Unidade Industrial de Guaíba. Ora, não há como integralizar o capital social da empresa com obrigações. De fato, conforme o art. 7º da Lei das S.A, "o capital social poderá ser formado com contribuições em dinheiro ou em qualquer espécie de bens suscetíveis de avaliação em dinheiro". Ora, obrigações não são patrimônio susceptíveis a integralizar o capital social. Verificase, assim que, na verdade, foi transferido para Riocell S.A o chamado "Acervo Líquido", composto por ativos e passivos de parte da Klabin S.A., relacionados à Unidade Industrial de Guaíba, Ou seja, em verdade, a Klabin S.A foi cindida, contrariando os objetivos gerais traçados pela companhia em 2002, qual seja, o de concentrar as operações em uma só empresa. (...) É crível, de fato, a alegação de que a negociação com a Aracruz, especificamente, tenha ocorrido posteriormente, Todavia, não é crível que, quando a Unidade de Gualba foi integralmente transferida para a Riocell, a Recorrente já não planejava sua alienação e que foi este planejamento que impulsionou toda a reestruturação apontada. Diante de todo o exposto, concluise que, ao contrário do que foi argumentado pela Recorrente, a constituição de uma nova empresa (Riocell) com os ativos da Unidade Guaíba carecem de fundamentação negociai, figurando nitidamente corno atos preparatórios da futura alienação de referida unidade de produção. (...) Em verdade, o negócio jurídico questionado no presente auto de infração, por ser formador de renda e, assim, passível de desconsideração em seus efeitos fiscais, voltase à análise da estrutura negociai travada entre a Klabin e a Aracruz. Mesmo porque se, após toda a reorganização feita no âmbito da Recorrente com a transferência patrimonial para Riocell, a participação societária nesta empresa tivesse sido simplesmente vendida, com a apuração do ganho de capital, não haveria que se falar em planejamento tributário ou operação simulada. Desta feita, foi esta operação — momento 2, objetivamente, que foi considerada simulada e que levou à lavratura do auto de infração. (...) O Superior Tribunal de Justiça, na esteira da Doutrina do seu Ministro Moreira Alves, esclarece que no negócio jurídico indireto, "as partes recorrem a um negócio jurídico típico sujeitandose à sua disciplina formal e substancial, para alcançar um fim prático ulterior ( ..), o qual nâo é normalmente atingido por meio desse negócio jurídico típico" (Resp 28_598/BA). No entanto, "isso supõe a licitude do ajuste celebrado pelas partes", devendo o negócio jurídico indireto ser desconsiderado quando utilizado com o objetivo de afastar Fl. 911DF CARF MF Processo nº 19515.001898/200746 Acórdão n.º 9101002.953 CSRFT1 Fl. 912 22 proibição legal aplicável ao regime do negócio formalmente preterido (REsp.. 56.201/BA). E o negócio jurídico indireto, nessa perspectiva, deve ser aceito e reconhecido pelo Direito Privado como válido. No caso em apreço, para que o negócio travado entre a Recorrente e a Aracruz pudesse ser considerado negócio jurídico indireto, seria necessário que existisse substância negociai que permitisse o atendimento da disciplina legal em forma e conteúdo pelo negócio típico escolhido (reestruturação societária) que permitisse a transferência patrimonial realizada (compra e venda). (...) Entendo que, no caso dos autos, aplicase essa hipótese interpretativa, merecendo o reconhecimento de que o negócio realizado pela Recorrente foi, de fato, de venda de participação societária com a apuração de ganho de capital. Vejamos: a Recorrente adquiriu a empresa Kurgueles Holdings S.A, transformoua na Riocell S.A e transferiu, por meio de aumentos de capital e integralizações do acervo líquido, toda a unidade de Guaíba para esta empresa. Não há nada de irregular nisso e não há fato gerador, até então, a ser percebido na hipótese — apesar de identificar a ausência de fundamento negocial para tanto. No entanto, quando a Recorrente assinou contrato com as empresas do Grupo Aracruz, dando a elas o direito de subscrição de ações na Riocell S.A — etapa 1; quando as empresas do Grupo Aracruz subscreveram e aportaram R$ 1.650128,400,00 (um bilhão, seiscentos e cinqüenta milhões, setecentos e vinte e oito mil e quatrocentos reais) a título de ágio, creditado este valor à reserva de capital etapa 2 e, logo em seguida, a Riocell dois dias após receber estes valores em ágio, destinouos a aquisição das ações pertencentes à Klabin S,A, mediante o pagamento da quantia de R$1.126.098.838,07 (um bilhão, cento e vinte e seis milhões, noventa e oito mil, oitocentos e trinta e oito reais e sete centavos), para permanência em tesouraria e posterior cancelamento — etapa 3; essas empresa, na verdade, no prazo de trinta e dois dias (sendo trinta da assinatura do primeiro contrato e dois dias para a transferência do dinheiro recebido pela Riocell para a Klabin), realizaram um contrato de compra e venda das ações da Riocell S.A, sendo vendedora a Klabin, ora Recorrente, e compradora as duas empresas do Grupo Aracruz. Destaco que há uma pequena distinção entre o caso analisado pela 1ª Turma da 4ª Câmara (acórdão 140100155): no caso destes autos houve a prévia associação entre os Grupos Klabin e Norueguês (entre 31/03/2000 e 23/05/2003). No entanto, como acima referido, esta associação prévia não é elemento definidor da tributação analisada. Exatamente por isso, o precedente é bastante similar e suas razões são reproduzidas no presente voto. Fl. 912DF CARF MF Processo nº 19515.001898/200746 Acórdão n.º 9101002.953 CSRFT1 Fl. 913 23 Pelas razões expostas, voto por negar provimento ao recurso especial da contribuinte quanto à simulação mencionada. A multa qualificada A qualificação de multa está justificada pelo Termo de Verificação Fiscal que acompanha o auto de infração da forma seguinte: Da leitura do presente Termo, fica evidente que a forma utilizada pelo contribuinte para a implementação das operações demonstra, inequivocamente, a intenção de "impedir (.) o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária", configurando se a sonegação definida no art. 71 da Lei n° 4.502, de 1964. A forma dada ao negócio teve ainda o objetivo de "modificar as suas características essenciais (do fato gerador) de modo a reduzir (a zero) o montante do imposto devido", caracterizando a fraude definida no art. 72 da Lei n° 4.502, de 1964. Enfim, o conluio definido no art. 73 da Lei n° 4.502, de 1964, fica caracterizado pelo fato de todos os atos simulados terem envolvido as empresas interessadas e seus diretores ou representantes. A Turma a quo apreciou a qualificação da multa, concluindo em sua maioria que: Entendeu o Colegiado que, caracterizada como foi a prática de simulação nos negócios aqui descritos, com o único propósito de evitar a incidência tributária, a conduta da interessada se encaixaria, sim, nas hipóteses dos dispositivos legais autorizadores da qualificação da multa. Os atos externados buscavam modificar as características essenciais do fato gerador (não haveria alienação com apuração de ganho de capital, mas sim operações de constituição e dissolução societárias) e, ao mesmo tempo, os atos reais (a alienação e o correspondente ganho de capital, fato gerador do imposto) eram ocultados do conhecimento das autoridades fazendárias. Ainda, a conduta foi intencional, vale dizer, dolosa, no sentido de esquivarse às obrigações tributárias. (...) Cumpre, ainda, ressaltar que a publicidade conferida aos atos formalmente praticados não milita a favor da interessada, posto que tal publicidade foi dada aos atos aparentes, àqueles reveladores tão somente da vontade enganosa, e que buscavam ocultar o ganho de capital efetivamente ocorrido e ensejador da tributação. No caso, a publicidade foi, na verdade, parte da simulação. Em síntese, o Colegiado decidiu pela impossibilidade, no caso concreto, de dissociar a simulação da multa qualificada, pelo Fl. 913DF CARF MF Processo nº 19515.001898/200746 Acórdão n.º 9101002.953 CSRFT1 Fl. 914 24 que foi negado provimento ao recurso voluntário, quanto a este ponto. A análise inicial, portanto, é se a ocorrência de simulação está obrigatoriamente vinculada à imposição de multa qualificada, como entendeu o acórdão recorrido. Entendo que não há obrigatoriamente aplicação de multa qualificada quando vislumbrada simulação na prática de atos pelo contribuinte. Ressalto que o dolo para justificar a multa qualificada, identificado pelos artigos 71 a 73, da Lei nº 4.502/1964, depende da demonstração da vontade deliberada do contribuinte praticar o ilícito tributário, consistente nas condutas descritas nestes dispositivos legais. A mera requalificação dos fatos efetuada por este Colegiado quando interpreta que houve vício de vontade não autoriza seja vislumbrada a prática destes ilícitos. De fato, o artigo 116, parágrafo único autoriza a desconsideração de atos ou negócios que se interpretem praticados para dissimular a ocorrência do fato gerador. A ineficácia do ato ou negócio jurídico não se confunde com o dolo na conduta do contribuinte, para fins de qualificação da multa, nos termos dos artigos 71 a 73, da Lei nº 4.502/1964. Sobre a necessária prova do dolo do agente e impossibilidade de sua presunção, destacamse lições de Paulo de Barros Carvalho: Infração subjetiva é aquela para cuja configuração exige a lei que o autor do ilícito tenha operado com dolo ou culpa (esta em qualquer de seus graus). (...) Nos autos de infração, o agente não poderá limitarse a circunscrever os caracteres fáticos, fazendo breve alusão ao cunho doloso ou culposo da conduta do administrado. Isto não basta. Há que provar, de maneira inequívoca, o elemento subjetivo que integra o fato típico, com a mesma evidência com que demonstra a integração material da ocorrência fática. É justamente por tais argumentos que as presunções não devem ter admissibilidade no que tange às infrações subjetivas. (Curso de Direito Tributário, 23ª edição, São Paulo, Saraiva, 2011, fls. 595 e 599) Compartilho o entendimento do doutrinador acima citado aplicandoo ao caso dos autos, eis que não há que se presumir o dolo do contribuinte para fins de aplicação da penalidade apenas pela identificação de simulação pelo auditor fiscal autuante. A despeito da ineficácia do negócio jurídico como decorrência da simulação confirmada pelo presente voto não há dolo específico na conduta do contribuinte que justifique a imposição de multa qualificada. O contribuinte realizou operações que entendeu lícitas havendo razoabilidade na sua conduta , fazendoo de forma transparente, isto é, com registro regular de todos os documentos na forma exigida pela legislação. O Professor Marco Aurélio Greco a despeito de reprovar planejamentos tributários de forma mais rigorosa que a ora Relatora também vislumbra a impossibilidade de Fl. 914DF CARF MF Processo nº 19515.001898/200746 Acórdão n.º 9101002.953 CSRFT1 Fl. 915 25 aplicação de penalidades majoradas em hipótese de divergência quanto à qualificação jurídica dos fatos: Várias vezes repeti que a questão da elisão tributária envolve uma divergência quanto à qualificação jurídica de fatos certos; divergência que, do ângulo do contribuinte, apoiase na convicção da regularidade, não apenas formal, de sua conduta. Na primeira hipótese, os fatos estão explícitos, à disposição do Fisco e ressalta com clareza o cerne do debate que é a divergência de qualificação. Neste contexto, entendo que a boa fé do contribuinte e a confiança que deposita no ordenamento jurídico como um todo (no qual entendeu encontrar guarida) devem ser protegidos. Portanto, que a exigência tributária se faça, mas sem a aplicação de penalidades, pois não houve conduta ilícita do contribuinte. Terá havido a prática de um ato ou a celebração de um negócio ineficaz perante o Fisco, mas não de um ato ilícito (salvo o caos de abuso de direito que hoje configura ato ilícito pelo artigo 187 do Código Civil). (Planejamento Tributário, 3ª edição, Dialética, 2011, fls. 588) Sobreleva considerar, ademais, que o Código Tributário Nacional prescreve que Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: I à capitulação legal do fato; II à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; (...) IV à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação. As dúvidas consistentes a respeito da capitulação legal do fato, nos exatos termos do artigo 112, I, impedem seja aplicada multa qualificada. Em casos em que se vislumbrou a ocorrência de simulação, esta Turma proferiu julgamentos recentes que devem ser considerados: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2001, 2002 MULTA QUALIFICADA. Para que se possa preencher a definição do evidente intuito de fraude que autoriza a qualificação da multa, nos termos do artigo 44, II, da Lei 9.430/1996, é imprescindível identificar a conduta praticada: se sonegação, fraude ou conluio respectivamente, arts. 71, 72 e 73 da Lei 4.502/1964. A mera imputação de simulação não é suficiente para a aplicação da multa de 150%, sendo necessário comprovar o dolo, em seus aspectos subjetivo (intenção) e objetivo (prática de um ilícito). (Acórdão 9101002.189, processo nº 18471.000009/200633, sessão em 20/01/2016) Fl. 915DF CARF MF Processo nº 19515.001898/200746 Acórdão n.º 9101002.953 CSRFT1 Fl. 916 26 Destaco trecho do voto vencedor, lavrado pela Conselheira Lívia de Carli Germano: Relevante observar que a conclusão de que, no caso, a operação "teve a única intenção de transformar um aporte de Capital Social em emissão de debêntures com prêmio" significa, no máximo a depender da linha que se adote , afirmar que houve simulação, o que é bem diferente de reputar a prática de sonegação, fraude ou conluio, estas sim hipóteses autorizadoras da qualificação da multa nos termos do artigo 44, II (atual 44, §1o), da Lei 9.430/1996. A simulação autoriza, tão somente, a revisão de ofício do lançamento, nos termos do artigo 149, VII, do Código Tributário Nacional (...) Assim, voto por dar provimento ao recurso especial neste ponto, para reduzir a multa ao percentual de 75%. A multa isolada Finalmente, trato da cumulação de multa isolada sobre estimativas não recolhidas e multa de ofício, última tema tratado em recurso especial admitido. À ocasião da ocorrência dos fatos geradores em discussão nestes autos (2003), a Lei n. 9.430 tratava da imposição de multa sobre estimativas mensais da forma seguinte: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Vide Mpv nº 303, de 2006) (Vide Medida Provisória nº 351, de 2007) I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Vide Mpv nº 303, de 2006) (Vide Medida Provisória nº 351, de 2007) (...) II isoladamente, quando o tributo ou a contribuição houver sido pago após o vencimento do prazo previsto, mas sem o acréscimo de multa de mora;(...) § 1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: (Vide Mpv nº 303, de 2006) (Vide Medida Provisória nº 351, de 2007) (...) IV isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2º, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano calendário correspondente; Fl. 916DF CARF MF Processo nº 19515.001898/200746 Acórdão n.º 9101002.953 CSRFT1 Fl. 917 27 V isoladamente, no caso de tributo ou contribuição social lançado, que não houver sido pago ou recolhido. (Revogado pela Lei nº 9.716, de 1998) A remansosa jurisprudência deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais à luz da anterior redação do artigo 44 entendia não ser possível a cobrança concomitante de multa sobre as estimativas mensais caso houvesse a imposição de multa de ofício. Exatamente por isso foi editada a Súmula CARF nº 105, em 08/12/2014, verbis: Súmula CARF nº 105: A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício. Lembro que nos presentes autos discutese a exigência de multa isolada por estimativas mensais concomitantemente à exigência de multa de ofício no percentual de 150% quanto ao anocalendário de 2003. Ressalto, também, que o julgamento pela Turma Ordinária foi proferido anteriormente à edição da Súmula nº 105, razão pela qual, provavelmente, a Turma não observou tal enunciado. De toda forma, amoldandose o caso ao Enunciado nº 105, da Súmula do CARF, dou provimento do recurso especial relativamente à multa isolada. Os juros de mora sobre a multa de ofício Como manifestado em julgamentos anteriores, entendo ilegal a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício, em face da falta de previsão expressa em lei para tanto. Isto porque o caput do artigo 61 da Lei nº 9.430/1996, trata apenas dos débitos de tributos e contribuições administradas pela Secretaria da Receita Federal, verbis: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Medida Provisória nº 1.725, de 1998) (Vide Lei nº 9.716, de 1998) Fl. 917DF CARF MF Processo nº 19515.001898/200746 Acórdão n.º 9101002.953 CSRFT1 Fl. 918 28 O caput acima colacionado, ao dispor sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições tratou dos débitos decorrentes dos fatos geradores que originam a cobrança destes tributos e contribuições, isto é, os débitos dos tributos. Não tratou, assim, das penalidades decorrentes do descumprimento da obrigação tributária. Acrescentese que o §3º deste dispositivo legal trata da possibilidade de incidência de juros de mora sobre os débitos a que se refere o citado artigo, isto é, débitos de tributos e contribuições devidas à Receita Federal do Brasil expressamente tratados pelo caput , confirmando que não há previsão para incidência de juros sobre a multa de ofício. Ressaltese que os parágrafos de um artigo expressam aspectos complementares à norma enunciada no caput do artigo, ou exceções à regra por ele estabelecidas, conforme artigo 11, III, alínea "c", da Lei Complementar nº 95/1998: Art. 11. As disposições normativas serão redigidas com clareza, precisão e ordem lógica, observadas, para esse propósito, as seguintes normas: (...) III para a obtenção de ordem lógica: (...) c) expressar por meio dos parágrafos os aspectos complementares à norma enunciada no caput do artigo e as exceções à regra por este estabelecida; Assim, a disposição do §3º, do artigo 61 deve se conformar ao caput deste dispositivo, regulando, assim, os débitos de tributos, contribuições e multa de mora. É oportuno lembrar que o legislador expressamente previu a incidência de juros sobre multas isoladas, como se depreende do artigo 43, da mesma Lei nº 9.430/1996: Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Ao regular a multa de ofício, em sentido contrário, o artigo 44 da Lei nº 9.430/1996 não estabeleceu expressamente a incidência de juros. Ressaltese que o Código Tributário Nacional trata de crédito tributário com dois sentidos diferentes, em alguns dispositivos tratando da obrigação tributária e a penalidade pelo descumprimento desta obrigação, como se observa dos artigos 121, 139, 142, em outros apenas como a obrigação tributária principal, como se verifica dos artigos 161 e 164. Colacionase o artigo 164, do Código Tributário Nacional: Art. 164. A importância de crédito tributário pode ser consignada judicialmente pelo sujeito passivo, nos casos: Fl. 918DF CARF MF Processo nº 19515.001898/200746 Acórdão n.º 9101002.953 CSRFT1 Fl. 919 29 I de recusa de recebimento, ou subordinação deste ao pagamento de outro tributo ou de penalidade, ou ao cumprimento de obrigação acessória; II de subordinação do recebimento ao cumprimento de exigências administrativas sem fundamento legal; III de exigência, por mais de uma pessoa jurídica de direito público, de tributo idêntico sobre um mesmo fato gerador. § 1º A consignação só pode versar sobre o crédito que o consignante se propõe pagar. Ao dispor que cabe a consignação na hipótese de recusa ao pagamento "outro tributo ou de penalidade" evidencia que no crédito tributário tratado pelo artigo 164 não está incluída penalidade. No mesmo sentido, dispõe o artigo 161, do Código Tributário Nacional: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. Notese que o artigo 161, do Código Tributário Nacional, define a incidência de juros de mora, "sem prejuízo das penalidades", revelando que estas penalidades não compõe o crédito tributário na acepção expressa por este dispositivo. O §1º do artigo 161 expressa "aspectos complementares à norma enunciada no caput" (conforme artigo 11, III, alínea "c", da Lei Complementar nº 95/1998) e, portanto, não infirma a conclusão que a penalidade não está incluída no crédito como definido por este dispositivo. Diante disso, voto por dar provimento ao recurso especial quanto a este tema, afastando a incidência de juros sobre a multa. Conclusão Por tais razões, voto por conhecer do recurso especial, dandolhe parcial provimento para afastar a multa qualificada reduzindoa ao percentual de 75% , cancelar o lançamento de multa sobre estimativas mensais quanto ao ano de 2003, aplicando o Enunciado nº 105, da Súmula do CARF e afastar a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício. (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Fl. 919DF CARF MF Processo nº 19515.001898/200746 Acórdão n.º 9101002.953 CSRFT1 Fl. 920 30 Voto Vencedor Conselheiro André Mendes de Moura, Redator designado. Não obstante o substancioso voto da I. Relatora, a quem sempre rendo homenagens, peço vênia para discordar, em relação a duas matérias: (1) qualificação da multa de ofício e (2) incidência de juros de mora sobre multa de ofício. Passo ao exame. A respeito da qualificação da multa de ofício, relevante transcrever excertos do Termo de Verificação Fiscal: Os grupos envolvidos realizaram uma série de atos jurídicos, através de suas controladas, com o único objetivo de transferirem a empresa NORSKE SKOG KLABIN, cnpj n. 03.624.572/000130 (responsável pelas atividades de industrialização e comercialização de papel jornal do GRUPO KLABIN), para o GRUPO NORSKE SKOG (GRUPO NORUEGUÊS). Ocorre que, como a pura e simples alienação dessa empresa sujeitaria a alienante A tributação do ganho de capital auferido, optouse por simular que esse ganho de capital adveio de uma variação percentual na participação que a NORSKE SKOG KLABIN possuía na empresa LILLE HOLDINGS. Assim a Norske Skog Klabin integraliza na Lille Holdings os bens e direitos que o Grupo Norueguês deseja adquirir. Por sua vez, o grupo norueguês integraliza na mesma Lille Holdings o valor que irá pagar pela compra. R$88.027.000,00 (equivalente a US$ 28.370.000,00 do subitem 10.2.2 do Acordo de Quotistas). Nesse momento ocorre a troca de ativos, a Norske Skog Klabin sai da empresa recebendo em contrapartida o valor que o grupo norueguês integralizou, e este fica com a empresa Lille Holdings (bravo do Grupo Klabin que operava com papel jornal). Segundo as atas das AGE da Lille Holdings todos esses eventos ocorreram entre 27.05.2003 e 02.07.2003. Assim fica claro que o objetivo de todo o procedimento era a mera passagem do controle da exploração das operações de papel jornal do GRUPO KLABIN para o GRUPO NORUEGUÊS. Objetivo que poderia ter sido alcançado por uma simples alienação. Entretanto optouse por um intrincado emaranhado de alterações societárias a fim de se dissimular o verdadeiro negócio jurídico. Resta evidente o intuito doloso na operação. Em vez de o alienante transferir diretamente o ativo para o adquirente, valeuse de uma "holding". Ambos, alienante e adquirente, passam a ser sócios da "holding". O alienante integraliza na "holding" precisamente Fl. 920DF CARF MF Processo nº 19515.001898/200746 Acórdão n.º 9101002.953 CSRFT1 Fl. 921 31 o ativo que pretendia alienar. O adquirente integraliza na "holding" precisamente o valor em espécie que iria pagar a aquisição do ativo. Posteriormente, a alienante retirase da "holding". E, em contrapartida à integralização, o que lhe foi entregue? O ativo que havia integralizado? Não. Foilhe entregue precisamente o valor em espécie que foi integralizado pela adquirente. Enquanto isso, a adquirente ficou com o ativo que queria comprar. A interpretação de que as operações foram legais, transparentes, e por isso não poderiam ser opostas ao Fisco, reflete uma visão ultrapassada do ordenamento jurídico como um todo. Ora, não é porque a operação foi legal no âmbito civil, empresarial, que se reveste de uma blindagem que a torna insuscetível de análise por outros ramos do direito. Se passa a ser apreciada sob a perspectiva tributária, para ser legal, também deve atender à norma tributária. E colocar princípios como a livre liberdade negocial no topo da pirâmide dos princípios constitucionais tampouco socorre a Contribuinte. A Lei Maior tem vários princípios, que devem ser ponderados. De fato a liberdade negocial é princípio a ser respeitado, mas deve caminhar ao lado de outros princípios da Lei Maior, que zelam pela existência e manutenção do Estado. O princípio de legalidade não implica que, se o negócio foi celebrado em consonância com a lei civil e empresarial encontrase blindado dos outro ramos normativos. Pelo contrário, o princípio da legalidade abrange o ordenamento jurídico em sua integralidade. Para ser legal, o negócio jurídico tem que ser legal sob a ótica de todos os ramos do direito. Nessa perspectiva, a legislação tributária é clara ao contestar a ocorrência de negócios eivados de dolo, fraude ou simulação. É dispositivo positivado no art. 149, inciso VII do CTN 1. Da mesma maneira, é expressa na legislação que negócios envolvendo ocorrência de dolo ensejam qualificação da multa de ofício 2, na forma da sonegação, fraude ou conluio 3. 1 Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: (...) VII quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em benefício daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação; 2 Vide Lei nº 9.430, de 1996: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (...) § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) 3 Vide Lei nº 4.502, de 1964: Art . 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Fl. 921DF CARF MF Processo nº 19515.001898/200746 Acórdão n.º 9101002.953 CSRFT1 Fl. 922 32 Apreciandose o caso concreto, impossível não se deparar com o plus na conduta. Não se trata de mero descumprimento da norma. Verificase a presença dos elementos cognitivo e volitivo4, consumandose o dolo. Ora, o plus na conduta é evidente, ultrapassando o tipo objetivo da norma tributária. Não se trata de mero descumprimento do dispositivo legal. Verificase a presença dos elementos cognitivo e volitivo, consumandose o dolo, cuja definição é apresentada com clareza por CEZAR ROBERTO BITENCOURT5: De mesma maneira, a simulação é evidente, corretamente identificada pela autoridade fiscal: VII.1. Operação Simulada Pretendeuse simular que a NORSKESKOG KLABIN COM. IND. LTDA. (futura Klabin Monte Alegre Cm. Ind. Ltda) teria obtido um ganho não operacional de R$ 56.296.044,01 (elisão ilegítima), através de uma variação no percentual de sua participação na empresa LILLE HOLDINGS (objeto da alienação). (...) Ganho decorrente de Variação na Participação Societária Reforça a presente tese, o fato de o contribuinte NorskeSkog Klabin Com. Ind. Ltda (Klabin Monte Alegre Com. Ind. Ltda.) ter contabilizado os ganhos não operacionais referidos no subitem IV.8. como ganho de capital apurado por variação na participação na Lille Holdings, simulando a operação na tentativa de abrigarse ao art. 428 do Regulamento do Imposto de Renda de 1999 (Decreto n ° . 3.000, de 26/03/1999), com o fim especifico de não tributar o mencionado resultado: Art. 428. Não será computado na determinação do lucro real o acréscimo ou a diminuição do valor de patrimônio líquido de investimento, decorrente de ganho ou perda de capital por variação na percentagem de participação do contribuinte no capital social da coligada ou controlada (DecretoLei n° 1.598, de 1977, art. 33, § 2°, e DecretoLei n° 1.648, de 1978, art. 1°, inciso V). Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. 4 Ver BITENCOURT, Cezar Roberto. Tratado de direito penal : parte geral, volume 1, 11ª ed. São Paulo : Saraiva, 2007, p. 269: Para a configuração do dolo exigese a consciência daquilo que esse pretende praticar. Essa consciência deve ser atual, isto é, deve estar presente no momento da ação, quando ela está sendo realizada. (...)A vontade, incondicionada, deve abranger a ação ou omissão (conduta), o resultado e o nexo causal. A vontade pressupõe a previsão, isto é, a representação, na medida em que é impossível querer algo conscientemente senão aquilo que se previu ou representou na nossa mente, pelo menos, parcialmente. 5 Fl. 922DF CARF MF Processo nº 19515.001898/200746 Acórdão n.º 9101002.953 CSRFT1 Fl. 923 33 Não há que se tolerar o desvirtuamento dos institutos jurídicos. Legalidade não é dizer que se o negócio jurídico é legal para um ramo do direito encontrase intocável para todo o ordenamento jurídico. Legalidade é verificar se o negócio jurídico é legal sob o âmbito de todo o direito. Princípio da liberdade negocial não se encontra no topo da pirâmide constitucional, mas caminha ao lado do princípio da legalidade (que predica a apreciação do ordenamento jurídico de maneira integrada), e dos princípios que zelam pela manutenção do Estado, com a capacidade contribuinte e isonomia entre contribuintes. Por isso, nego provimento ao recurso quanto à matéria. Passo ao exame da incidência de juros de mora sobre multa de ofício. Sobre o assunto, vale transcrever, inicialmente, o artigo 113, do CTN, que predica que o objeto da obrigação tributária principal é o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. (grifei) § 2º (...) Por sua vez, o crédito tributário decorre da obrigação principal, conforme o artigo 139 do CTN: Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. A penalidade pecuniária tem base no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, materializada na multa de ofício aplicada sobre o tributo. E, como se pode observar a penalidade pecuniária, decorrente da infração, compõe a obrigação tributária principal e, por conseguinte, integra o crédito tributário. Por sua vez, o CTN, ao discorrer sobre o pagamento, informa que devem incidir juros sobre o crédito tributário não integralmente adimplido no vencimento, verbis: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. (grifei) § 1º (...) E a correção estipulada pelo mencionado art. 161, a partir da Lei nº 9.065, de 1995, segue a taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais, questão já pacificada pela Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Fl. 923DF CARF MF Processo nº 19515.001898/200746 Acórdão n.º 9101002.953 CSRFT1 Fl. 924 34 Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Verificase, assim que tanto tributo quanto a multa de ofício estão sujeitos à atualização prevista no art. 161 do CTN, mediante aplicação da taxa SELIC. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso especial da Contribuinte. (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Fl. 924DF CARF MF
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Numero do processo: 15540.720042/2016-04
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 21 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Aug 07 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2011, 2012
LUCRO PRESUMIDO. MÉTODO DA EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL. NEUTRALIDADE. EXPRESSA EXCLUSÃO DA BASE TRIBUTÁVEL.
O método da equivalência patrimonial se traduz em mero ajuste contábil, sendo, via de regra, neutro para fins fiscais. A percepção de resultados positivos em avaliações de investimento em controladas por meio de tal ajuste não implica em realização da renda, não podendo representar disponibilidade de nova riqueza.
O resultado positivo decorrente da avaliação dos investimentos pelo método da equivalência patrimonial não se adiciona à base de cálculo do Lucro Presumido, por expressa determinação do art. 32 da Lei nº 8.981/1995.
Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2011, 2012
IDENTIDADE DE IMPUTAÇÃO.
Decorrendo a exigência de CSLL da mesma imputação que fundamentou o lançamento do IRPJ, deve ser adotada, no mérito, a mesma decisão, desde que não presentes arguições especificas e elementos de prova distintos.
Numero da decisão: 1402-002.616
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Caio Cesar Nader Quintella - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente).
Nome do relator: CAIO CESAR NADER QUINTELLA
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2011, 2012 LUCRO PRESUMIDO. MÉTODO DA EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL. NEUTRALIDADE. EXPRESSA EXCLUSÃO DA BASE TRIBUTÁVEL. O método da equivalência patrimonial se traduz em mero ajuste contábil, sendo, via de regra, neutro para fins fiscais. A percepção de resultados positivos em avaliações de investimento em controladas por meio de tal ajuste não implica em realização da renda, não podendo representar disponibilidade de nova riqueza. O resultado positivo decorrente da avaliação dos investimentos pelo método da equivalência patrimonial não se adiciona à base de cálculo do Lucro Presumido, por expressa determinação do art. 32 da Lei nº 8.981/1995. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2011, 2012 IDENTIDADE DE IMPUTAÇÃO. Decorrendo a exigência de CSLL da mesma imputação que fundamentou o lançamento do IRPJ, deve ser adotada, no mérito, a mesma decisão, desde que não presentes arguições especificas e elementos de prova distintos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 54 0. 72 00 42 /2 01 6- 04 Fl. 294DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente. (assinado digitalmente) Caio Cesar Nader Quintella Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente). Fl. 295DF CARF MF Processo nº 15540.720042/201604 Acórdão n.º 1402002.616 S1C4T2 Fl. 320 3 Relatório Tratase de Recurso Ofício expressamente interposto contra v. Acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Ribeirão Preto/SP (fls. 267 a 288) que deu provimento total à Impugnação apresentada (fls. 157 a 200), cancelando as Autuações sofridas pela Recorrida (fls. 03 a 25). No presente processo são exigidos do Contribuinte créditos de IRPJ e CSLL, dos anoscalendário de 2011 e 2012, com base na constatação de que não teria sido adicionada à base de cálculo do Lucro Presumido a receita percebida com os ajustes positivos relativos aos ganhos obtidos na reavaliação de suas controladas pelo método da equivalência patrimonial, conforme o quadro abaixo: Entendeu a Fiscalização que, apesar de haver disposição expressa no art. 389 do Regulamento do Imposto de Renda de 1999 para a não inclusão dos resultados de ajuste percebidos pelo MEP (Método da Equivalência Patrimonial) no Lucro Real, tal dispensa não se aplica ao Lucro Presumido, invocando a interpretação literal mencionada no art. 111 do CTN. Para a melhor compreensão, confirase o trecho do TVF que fundamenta a exigência em tela (fls. 23): Fl. 296DF CARF MF 4 Notificada dos lançamentos, a ora Recorrida ofereceu Impugnação (fls. 157 a 200), alegando, em suma, que a avaliação de investimentos pelo método de equivalência patrimonial atende a princípios e objetivos próprios da escrituração mercantil, sendo neutra do ponto de vista fiscal; a receita escritural registrada em caso de resultado positivo da avaliação de investimentos pelo MEP não se adequa aos conceitos de receita e de renda tributável para fins de incidência de IRPJ e CSLL; a legislação do imposto de renda não autoriza a dupla tributação da mesma riqueza: o lucro da pessoa jurídica é tributado uma única vez, na pessoa que o produz; é desnecessária a previsão expressa de não inclusão do resultado positivo de avaliação de investimentos pelo MEP na base de cálculo do imposto de renda, haja vista se tratar de conclusão necessária após interpretação sistemática das normas do imposto de renda; o lançamento representa verdadeira burla à norma contida no artigo 10 da Lei n.° 9.249/95, na medida em que esvazia seu conteúdo, impedindo que atinja a finalidade para a qual foi criada (resumo extraído do v. Acórdão a quo fl. 269). Processada sua Defesa, foi proferido pela DRJ de Ribeirão Preto o v. Acórdão, ora recorrido, dando provimento às razões apresentadas, entendendo ser improcedente o lançamento questionado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2011, 2012 IRPJ E CSLL. LUCRO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÕES. GANHO DE CAPITAL E OUTRAS RECEITAS. RESULTADO POSITIVO DA EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL. O resultado positivo decorrente da avaliação dos investimentos pelo método da equivalência patrimonial não se adiciona à base de cálculo do Lucro Presumido, em face de disposição legal expressa, além do que implicaria na tributação indireta dos lucros auferidos pela empresa investidora junto a investida. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado Fl. 297DF CARF MF Processo nº 15540.720042/201604 Acórdão n.º 1402002.616 S1C4T2 Fl. 321 5 Em face da exoneração completa da exigência fiscal, o Contribuinte não interpôs Recurso Voluntário. Não houve a apresentação de razões por parte da Fazenda Nacional. Na sequência, os autos foram encaminhados para este Conselheiro relatar e votar. É o relatório. Fl. 298DF CARF MF 6 Voto Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella Relator O Recurso de Ofício atente aos requisitos de sua interposição, inclusive à Portaria MF nº 63/2017. Os demais pressupostos de admissibilidade igualmente foram atendidos. A matéria em tela é exclusivamente de Direito, resumindose à exigência de inclusão de valores referentes ao ajuste positivo percebido na avaliação de investimento em suas controladas, por meio de equivalência patrimonial, nas bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, por contribuinte optante pelo lucro presumido. O tema não demanda maiores aprofundamentos ou guarda complexidade, encontrando tratamento objetivo e expresso na Lei tributária federal, havendo jurisprudência administrativa pacífica, alinhada com aquilo decidido no v. Acórdão recorrido. Pode se definir tecnicamente o método da equivalência patrimonial da seguinte forma: método de contabilização por meio do qual o investimento é inicialmente reconhecido pelo custo e, a partir daí, é ajustado para refletir a alteração pósaquisição na participação do investidor sobre os ativos líquidos da investida. As receitas ou as despesas do investidor incluem sua participação nos lucros ou prejuízos da investida, e os outros resultados abrangentes do investidor incluem a sua participação em outros resultados abrangentes da investida (CPC 18 R2). Por sua natureza de ajuste contábil, que não configura realização, este não implica em disponibilidade econômica ou jurídica de nova riqueza e, por determinação expressa nas normas do Imposto de Renda, tal ferramenta é neutra (com raras e controversas exceções). Nesse sentido, regendo a tributação pelo Lucro Presumido, o art. 32 da Lei nº 8.981/95, plenamente vigente e inalterado à época dos fatos colhidos, dispõe que: Art. 32. Os ganhos de capital, demais receitas e os resultados positivos decorrentes de receitas não abrangidas pelo artigo Fl. 299DF CARF MF Processo nº 15540.720042/201604 Acórdão n.º 1402002.616 S1C4T2 Fl. 322 7 anterior serão acrescidos à base de cálculo determinada na forma dos arts. 28 ou 29, para efeito de incidência do Imposto de Renda de que trata esta seção. § 1º O disposto neste artigo não se aplica aos rendimentos tributados na forma dos arts. 65, 66, 67, 70, 72, 73 e 74, decorrentes das operações ali mencionadas, bem como aos lucros, dividendos ou resultado positivo decorrente da avaliação de investimentos pela equivalência patrimonial. (destacamos) Mesmo com o advento da Lei nº 9.249/95, que trouxe alterações no regramento de tal regime de apuração, ficou expressamente consignada e ressalvada a prevalência do dispositivo acima citado: Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. (destacamos) Posteriormente, a Lei nº 9.430/96, ajustando mais uma vez tal sistemática presumida de apuração do lucro, fez remissão expressa ao art. 311 da Lei nº 8.981/95 para determinar a base de cálculo eleita e expressamente exclui os resultados fora de tal definição (compreendendo a ressalva feita pelo art. 32 da mesma Lei): Art. 25. O lucro presumido será o montante determinado pela soma das seguintes parcelas: I o valor resultante da aplicação dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, sobre a receita bruta definida pelo art. 31 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, auferida no período de apuração de que trata o art. 1º desta Lei; II os ganhos de capital, os rendimentos e ganhos líquidos auferidos em aplicações financeiras, as demais receitas e os resultados positivos decorrentes de receitas não abrangidas pelo inciso anterior e demais valores determinados nesta Lei, auferidos naquele mesmo período. (destacamos) 1 Art. 31. A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia. Parágrafo único. Na receita bruta, não se incluem as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos e os impostos nãocumulativos cobrados destacadamente do comprador ou contratante dos quais o vendedor dos bens ou o prestador dos serviços seja mero depositário. Fl. 300DF CARF MF 8 Este era o cenário normativo aplicável à matéria sob apreço, desde a época dos supostos fatos geradores até a presente data, sendo plenamente vigente tal dispositivo, como se verifica do art. 225 do RIR/99: Art. 225. Os ganhos de capital, demais receitas e os resultados positivos decorrentes de receitas não abrangidas pelo artigo anterior, serão acrescidos à base de cálculo de que trata esta Subseção, para efeito de incidência do imposto (Lei nº 8.981, de 1995, art. 32, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 2º). § 1º O disposto neste artigo não se aplica aos rendimentos tributados pertinentes às aplicações financeiras de renda fixa e renda variável, bem como aos lucros, dividendos ou resultado positivo decorrente da avaliação de investimento pela equivalência patrimonial (Lei nº 8.981, de 1995, art. 32, § 1º, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 2º). § 2º O ganho de capital, nas alienações de bens do ativo permanente e de aplicações em ouro não tributadas como renda variável, corresponderá à diferença positiva verificada entre o valor da alienação e o respectivo valor contábil (Lei nº 8.981, de 1995, art. 32, § 2º, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 2º). Como se observa, o lançamento de ofício em tela colide com determinação expressa em lei, não podendo prevalecer. Em derradeiro acréscimo, esta C. 2ª Turma Ordinária, recentemente, por meio do Acórdão nº 1402002.396, de votação unânime e relatoria do I. Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, publicado em 13/03/2017, decidiu sobre a mesma matéria, nesse exato sentido: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010 RESULTADOS POSITIVOS DE EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL. LUCROS APURADOS NA INVESTIDA. DISPONIBILIDADE ECONÔMICA OU JURÍDICA DE RENDA E PROVENTOS DE QUALQUER NATUREZA. Os resultados positivos de Equivalência Patrimonial decorrentes da apuração de lucros na sociedade investida caracterizamse como disponibilidade econômica ou jurídica de rendas e proventos de qualquer natureza. LUCRO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. RESULTADOS POSITIVOS DE EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL. Fl. 301DF CARF MF Processo nº 15540.720042/201604 Acórdão n.º 1402002.616 S1C4T2 Fl. 323 9 Os resultados positivos decorrentes da avaliação de investimentos pela Equivalência Patrimonial não integram a base de cálculo do Lucro Presumido. LUCRO PRESUMIDO. DESÁGIO NA AQUISIÇÃO DE INVESTIMENTOS. As receitas decorrentes do deságio na aquisição de investimentos avaliados pela Equivalência Patrimonial, para afins de apuração do Lucro Presumido, somente são consideradas como realizadas no momento da alienação do investimento. Em relação à CSLL, a premissa jurídicotributária da Autoridade Fiscal mostrase igualmente abarcada e elidida pela argumentação e fundamentação acima despendida, devendo, assim, ser aplicada a mesma conclusão para tal exação. No mais, para todos os fins, adotase o art. 50, § 1º, da Lei nº 9.784/99, pela concordância meritória com o v. Acórdão recorrido. Pelo exposto, voto por conhecer e negar provimento ao Recurso de Ofício, mantendo integralmente o v. Acórdão recorrido. (assinado digitalmente) Caio Cesar Nader Quintella Fl. 302DF CARF MF
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Numero do processo: 13116.901612/2012-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Aug 14 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 30/11/2006
PROUNI. ISENÇÃO FISCAL. INSTITUIÇÃO DE EDUCAÇÃO. TERMO DE ADESÃO. ALCANCE.
A isenção prevista no art. 8º da Lei nº 11.096/2005 é comprovada com o Termo de Adesão da instituição ao ProUni - Programa Universidade para Todos. Quanto às contribuições, alcança tão somente o PIS e a COFINS sobre receitas, excluído o PIS sobre a folha de salário.
COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. INSUFICIÊNCIA.
O reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendo-se necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes. In casu, a recorrente não logrou êxito em se desincumbir do ônus de provar seu direito líquido e certo.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3201-002.961
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado).
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado).
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ISENÇÃO FISCAL. INSTITUIÇÃO DE EDUCAÇÃO. TERMO DE ADESÃO. ALCANCE. A isenção prevista no art. 8º da Lei nº 11.096/2005 é comprovada com o Termo de Adesão da instituição ao ProUni Programa Universidade para Todos. Quanto às contribuições, alcança tão somente o PIS e a COFINS sobre receitas, excluído o PIS sobre a folha de salário. COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. INSUFICIÊNCIA. O reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendose necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes. In casu, a recorrente não logrou êxito em se desincumbir do ônus de provar seu direito líquido e certo. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 11 6. 90 16 12 /2 01 2- 16 Fl. 80DF CARF MF Processo nº 13116.901612/201216 Acórdão n.º 3201002.961 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório UNIÃO BRASILIENSE DE EDUCAÇÃO E CULTURA transmitiu PER/DCOMP alegando indébito da contribuição para o PIS. A repartição de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico indeferindo o Pedido de Restituição, em virtude de o pagamento informado ter sido integralmente utilizado para quitação de débitos declarados pelo contribuinte, não restando crédito disponível para a restituição pleiteada. Em Manifestação de Inconformidade, o declarante informou que o direito creditório tinha por fundamento a isenção da contribuição para o PIS decorrente da adesão ao Programa Universidade para Todos ProUni, nos termos da Solução de Consulta nº 86 – SRRF/1ª RF/Disit, de 2 de junho de 2009, em que se reafirmou o direito à isenção durante o período de vigência do Termo de Adesão (art. 5º da Medida Provisória nº 213/2004). Nos termos do Acórdão nº 14053.593, a Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, tendo a DRJ fundamentado sua decisão no fato de inexistir comprovação, por meio de documentação contábil e fiscal, do direito creditório pleiteado e por não ter havido a comprovação da adesão da instituição ao ProUni, nos termos do art. 8º da Lei nº 11.096/2005. Em seu recurso voluntário, a Recorrente repisa suas razões de defesa, destacando a existência a seu favor de solução de consulta da Receita Federal assegurando o direito à isenção, o que, segundo ela, tornava "legalmente desnecessária" a exigência de comprovação de sua adesão ao programa. Argumenta, ainda, que, nos casos da espécie, é "faticamente impossível" a apresentação de documentos, por se tratar o pedido de restituição de procedimento eletrônico. Na sequência, sustenta a absoluta desnecessidade dos elementos de prova exigidos pela Delegacia de Julgamento, quais sejam, folhas de salário e contabilidade, por se tratar de questão aperfeiçoada e superada ante a homologação da base de cálculo da contribuição por parte da Fiscalização, tendo em vista que constou do despacho decisório que o valor declarado encontravase exato e perfeito. Supletivamente, pugna, caso o CARF entenda necessário, pela realização de diligência junto à repartição de origem, para que a autoridade administrativa oficie o Ministério da Educação com vistas a elucidar os termos no quais se manteve a sua adesão ao ProUni no período sob comento. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator Fl. 81DF CARF MF Processo nº 13116.901612/201216 Acórdão n.º 3201002.961 S3C2T1 Fl. 4 3 O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201002.885, de 28/06/2017, proferido no julgamento do processo nº 13116.900001/201412, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201002.885): O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. O dispositivo legal que trata da isenção de impostos e contribuições às instituições de ensino que aderirem ao Prouni é o art. 8º da Lei nº 11.096/2005, reproduzido no que se aplica ao caso (grifei): Art. 8o A instituição que aderir ao ProUni ficará isenta dos seguintes impostos e contribuições no período de vigência do termo de adesão: (Vide Lei nº 11.128, de 2005) (...) III Contribuição Social para Financiamento da Seguridade Social, instituída pela Lei Complementar n° 70, de 30 de dezembro de 1991; e IV Contribuição para o Programa de Integração Social, instituída pela Lei Complementar n° 7, de 7 de setembro de 1970. § 1° A isenção de que trata o caput deste artigo recairá sobre o lucro nas hipóteses dos incisos I e II do caput deste artigo, e sobre a receita auferida, nas hipóteses dos incisos III e IV do caput deste artigo, decorrentes da realização de atividades de ensino superior, proveniente de cursos de graduação ou cursos seqüenciais de formação específica. § 2° A Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda disciplinará o disposto neste artigo no prazo de 30 (trinta) dias. § 3° A isenção de que trata este artigo será calculada na proporção da ocupação efetiva das bolsas devidas. (Incluído pela Lei nº 12.431, de 2011). A Lei foi regulamentada pelo Decreto nº 5.493, de 18/07/2005, com os dispositivos que se aplicam ao caso transcritos (grifei): Art. 1o O Programa Universidade para Todos PROUNI, de que trata a Lei no 11.096, de 13 de janeiro de 2005, destinase à concessão de bolsas de estudo integrais e bolsas de estudo parciais de cinqüenta por cento ou de vinte e cinco por cento, para estudantes de cursos de graduação ou seqüenciais de formação específica, em instituições privadas de ensino superior, com ou sem fins lucrativos, que tenham aderido ao PROUNI nos termos da legislação aplicável e do disposto neste Decreto. Parágrafo único. O termo de adesão não poderá abranger, para fins de gozo de benefícios fiscais, cursos que exijam formação prévia em nível superior como requisito para a matrícula. Art. 2o O PROUNI será implementado por intermédio da Secretaria de Educação Superior do Ministério da Educação. Fl. 82DF CARF MF Processo nº 13116.901612/201216 Acórdão n.º 3201002.961 S3C2T1 Fl. 5 4 § 1o A instituição de ensino superior interessada em aderir ao PROUNI firmará, em ato de sua mantenedora, termo de adesão junto ao Ministério da Educação. (...) Art. 12. Havendo indícios de descumprimento das obrigações assumidas no termo de adesão, será instaurado procedimento administrativo para aferir a responsabilidade da instituição de ensino superior envolvida, aplicandose, se for o caso, as penalidades previstas. (...) A Secretaria da Receita Federal em cumprimento ao disposto no § 2º do art. 8º acima, editou a Instrução Normativa SRF nº 456/2004, posteriormente revogada pela IN RFB nº 1.394/2013, que dispunha, no que se aplica ao caso (grifei): Art. 1º A instituição privada de ensino superior, com fins lucrativos ou sem fins lucrativos não beneficente, que aderir ao Programa Universidade para Todos (ProUni) nos termos dos arts. 5º da Medida Provisória nº 213, de 2004, ficará isenta, no período de vigência do termo de adesão, das seguintes contribuições e imposto: I Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins); II Contribuição para o PIS/Pasep; (...) § 1º A isenção de que trata o caput recairá sobre o lucro na hipótese dos incisos III e IV, e sobre o valor da receita auferida na hipótese dos incisos I e II, decorrentes da realização de atividades de ensino superior, proveniente de cursos de graduação ou cursos seqüenciais de formação específica. § 2º Para fins do disposto nos incisos III e IV do caput a instituição de ensino deverá apurar o lucro da exploração referente às atividades sobre as quais recaia a isenção, observado o disposto no art. 2º e na legislação do imposto de renda. (...) Art. 3º Para usufruir da isenção, a instituição de ensino deverá demonstrar em sua contabilidade, com clareza e exatidão, os elementos que compõem as receitas, custos, despesas e resultados do período de apuração, referentes às atividades sobre as quais recaia a isenção segregados das demais atividades. (...) O termo de adesão foi previsto no art. 5º da Lei nº 11.096/2005, in verbis (grifei): Art. 5o A instituição privada de ensino superior, com fins lucrativos ou sem fins lucrativos não beneficente, poderá aderir ao Prouni mediante assinatura de termo de adesão, cumprindolhe (...) § 1o O termo de adesão terá prazo de vigência de 10 (dez) anos, contado da data de sua assinatura, renovável por iguais períodos e observado o disposto nesta Lei. Fl. 83DF CARF MF Processo nº 13116.901612/201216 Acórdão n.º 3201002.961 S3C2T1 Fl. 6 5 (...) Art. 7o As obrigações a serem cumpridas pela instituição de ensino superior serão previstas no termo de adesão ao Prouni, no qual deverão constar as seguintes cláusulas necessárias: (...) Art. 9o O descumprimento das obrigações assumidas no termo de adesão sujeita a instituição às seguintes penalidades: (...) Art. 16. O processo de deferimento do termo de adesão pelo Ministério da Educação, nos termos do art. 5o desta Lei, será instruído com a estimativa da renúncia fiscal, no exercício de deferimento e nos 2 (dois) subseqüentes, a serusufruída pela respectiva instituição, na forma do art. 9o desta Lei, bem como o demonstrativo da compensação da referida renúncia, do crescimento da arrecadação de impostos e contribuições federais no mesmo segmento econômico ou da prévia redução de despesas de caráter continuado A recorrente alega a desnecessidade de apresentação de qualquer documento que comprove sua regular adesão ao Prouni sob o fundamento de que o documento é totalmente eletrônico e a própria Lei nº 11.096/2005 em seu art. 11, § 1º, remete a competência para tais verificações e exigências ao Ministério da Educação. Não é o que se extrai da leitura dos dispositivos acima. O termo de adesão é documento a ser firmado no qual se inserem requisitos de participação no referido Programa. Os diversos dispositivos transcritos (Lei, Decreto e Instrução Normativa) apontam para vários elementos a serem inseridos no Termo que permitiram não somente a adesão da instituição de ensino, mas o controle de sua permanência, enquanto regular e vigente, a aplicação de penalidade, e, principalmente ao que interessa ao presente litígio, a isenção de contribuições. Dessa forma, a exibição do documento "Termo de Adesão" é essencial ao gozo do benefício fiscal de isenção das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins Ao contrário do que alega a recorrente, o termo de Adesão, ainda que eletrônico, prevê o ato de sua assinatura, para que se dê a devida validade e autenticidade. Realmente é emitido no âmbito do Ministério da Educação, o que demonstra não estar nos sistemas internos (informatizados) da Secretaria da Receita Federal; e, se de fato materializado apenas em formato eletrônico em razão de sua essencialidade, é de se presumir a possibilidade de sua impressão, típica das emitidas por órgãos públicos, com chave de segurança para confirmação da autenticidade. Ademais, documento oficial, que confere benefícios tributários de outra ordem, e firmado entre partes Ministério da Educação e instituição de ensino privada há de ser mantido pela parte interessada para o gozo dos benefícios previstos no Termo. Fl. 84DF CARF MF Processo nº 13116.901612/201216 Acórdão n.º 3201002.961 S3C2T1 Fl. 7 6 Nada obstante, o que a recorrente argumenta para a não apresentação do Termo de adesão ao Prouni outros recorrentes em situação idêntica não se escusaram do cumprimento de singelo mister. Vejase exemplo de julgado proferidos neste Conselho em que se demonstrou a possibilidade fática de apresentar e comprovar a adesão e mantença no Programa (grifei): Autoridade Julgadora de 1ª Instância bem observou ainda que o contribuinte em questão comprovou nos autos (fls. 3.325) a adesão ao Programa Universidade para Todos, trecho que merece ser reproduzido por ser de extrema valia: "60. Para comprovar a adesão ao PROUNI o contribuinte anexou aos autos cópia do correio eletrônico do MEC (fls. 3.118) e cópia do Termo de Adesão (fls. 3.119 a 3.273). (Acórdão nº 3402001.704, processo nº 19515.000260/200879, relatoria do cons. João Carlos Cassuli Junior, sessão de 22/03/2012) Não se pode concluir de outra forma, senão a que a recorrente não se dignou a comprovar a existência e aposição de assinatura no Termo de Adesão e a regular fruição do Programa que aderiu. Tenho que este fundamento é suficiente para negar provimento ao recurso voluntário; contudo, há de se tecer ainda argumentos pertinentes ao ônus probatório a cargo a de quem pleiteia direito seu. Antes, porém, analisase as demais teses suscitadas no recurso voluntário que visam seu provimento Sustenta ainda a desnecessidade de apresentação das folhas de salário e respectivamente contabilidade pois entende que no despacho decisório há o reconhecimento expresso de que a base de cálculo encontrase "exata e perfeita", além de "devidamente homologada". Quanto à exigência de apresentação de documentos fiscais e contábeis, assentou o voto condutor do acórdão recorrido que deveria também ter juntado a folha de salários, a fim de demonstrar a base de cálculo do PIS, e os livros fiscais que demonstrassem os lançamentos relativos a ela. Ora, em que pese a ressaltava da DRJ, com a qual concordo, que a isenção do PIS prevista no art. 8º da Lei nº 11.096/2005 não alcança a parcela que incide sobre a folha de salários, a Solução de Consulta nº 86 – SRRF/1ª RF/Disit, de 2 de junho de 2009 proferiu entendimento cuja interpretação errônea da contribuinte adiante será enfrentado lhe é favorável quanto à isenção do PISfolha de salários. Ad argumentandum tantum, justamente firmada no entendimento favorável que extraiu do ato expedido pela autoridade, a recorrente pleiteia a restituição do PISfolha de salários, código de receita "8301". Se há o entendimento de que faz jus à esta isenção deveras tem o ônus de fazer prova documental de seu pretenso direito, qual seja, a apresentação dos documentos e livros atinentes à rubrica "salários" para que se comprove qual sua dimensão (quantificação) na base de cálculo. Fl. 85DF CARF MF Processo nº 13116.901612/201216 Acórdão n.º 3201002.961 S3C2T1 Fl. 8 7 Por fim, assevera que a controvérsia quanto ao direito à isenção está superado pela conclusão da indigitada Solução de Consulta, que entende terlhe assegurado a isenção do PIS sobre folha de salários. Mais uma vez, sem razão a contribuinte. A Solução de Consulta expressamente consignou que a isenção alcança a Contribuição para o PIS, nada dispondo acerca do PIS folha de salários. Digase que na elaboração da peça a consulente, ora recorrente, apenas informou ter realizada a adesão ao Prouni, sem qualquer comprovação naquele autos de consulta, e apresenta seu entendimento de que a isenção alcançaria o PIS folha de salários, para ao final requerer a manifestação do Órgão quanto ao seu entendimento. Eis a cartaconsulta: Entendo que ao fundamentar a solução da consulta, a autoridade que a proferiu fez constar em seus fundamentos a legislação que trata da incidência do PIS sobre a folha de salários, à alíquota de 1%, deixando assente a tributação sobre esta rubrica, com a transcrição do art. 13 e incisos III e IV, da Medida Provisória nº 2.15835/2001. Colacionou os dispositivos que tratam da isenção do PIS sobre a receita auferida pela instituição de educação que aderir e assim se mantém no Prouni. Transcreveu os arts. 8º caput e incisos, I a IV, §§ 1º e 2º da Lei nº 11.096/2005; arts. 1º caput e incisos, I a IV, §§ 1º e 2º, e 3º caput e parágrafo único da IN SRF nº 456/2004, para em seguida enunciar no mesmo tópico "fundamentos" que: " 5. Ante os dispositivos acima expostos, verificase que a instituição privada de ensino superior, com fins lucrativos ou sem fins lucrativos não beneficente, que aderir ao Programa Universidade para Todos (Prouni) nos termos dos arts. 5º da Medida Provisória n° 213, de 2004, Fl. 86DF CARF MF Processo nº 13116.901612/201216 Acórdão n.º 3201002.961 S3C2T1 Fl. 9 8 ficará isenta, no período de vigência do termo de adesão, da Contribuição para o PIS." Conclui a solução da consulta com o enunciado: Conclusão 6. Em face do exposto, concluise que a instituição privada de ensino superior com fins lucrativos ou sem fins lucrativos não beneficente, que aderir ao programa Universidade para Todos (prouni) nos termos dos arts. 5º da Medida Provisória nº 213, de 2004, ficará isenta, no período de vigência do termo de adesão, da Contribuição para o PIS. Completase os fatos com a apresentação da ementa da Solução de Consulta SRRF/1ªRF/Disit nº 86, de 2 de junho de 2009: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ementa: PIS. PROUNI. INCIDÊNCIA. A instituição privada de ensino superior, com fins lucrativos ou sem fins lucrativos não beneficente, que aderir ao Programa Universidade para Todos (Prouni) nos termos dos arts. 5o da Medida Provisória nº 213. de 2004, ficará isenta, no período de vigência do termo de adesão, da Contribuição para o PIS. Dispositivos Legais: art.13 da Medida Provisória n° 2.15835/2001; art.8° da Lei n° 11.096/2005; arts. 1º e 3o da Instrução Normativa nü 456/2004. Não vislumbro imprecisão no Ato que poderia dar a interpretação de que toda e qualquer incidência do PIS a que se sujeitam as entidades aderentes ao Prouni estaria isenta. A uma, os dispositivos legais da ementa da solução de consulta informam a legislação aplicada, primeiro, a que dispõe acerca do Pis folha de salários tributado à alíquota de 1% e após, a que trata do PIS alcançado pela isenção; a duas, porque nos fundamentos, a autoridade trouxe a legislação que faz distinção entre PISfolha de salário tributada à alíquota de 1%, e o PIS sobre receitas isentos nos termos e requisitos das legislação; a três, a omissão do termo "PIS sobre folha de salários" não tem o condão de fazêlo incluir na isenção pelo motivo a seguir; a quatro, nos termos do art. 111 caput e inciso II do CTN, "interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre outorga de isenção"; a cinco, não caberia a autoridade fiscal ou administrativa contrariar preceito legal. Por fim, sacramentando o entendimento do não alcance da isenção ao PIS sobre folha de salários, o Órgão Central da Secretaria da Receita Federal editou a Solução de Divergência Cosit nº 1, de 2015, publicada no D.O.U de 24/12/2015, com a ementa: SOLUÇÃO DE DIVERGÊNCIA Nº 1, DE 10 DE FEVEREIRO DE 2015. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP EMENTA: INSTITUIÇÕES DE ENSINO SUPERIOR. PROUNI. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP INCIDENTE SOBRE A FOLHA Fl. 87DF CARF MF Processo nº 13116.901612/201216 Acórdão n.º 3201002.961 S3C2T1 Fl. 10 9 DE SALÁRIOS. A isenção de que trata o art. 8º da Lei nº 11.096, de 2005, não se aplica à Contribuição para o PIS/Pasep incidente sobre a folha de pagamentos da pessoa jurídica que adere ao Prouni. DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei nº 9.532, de 1997, art. 12; Decreto nº 4.524, de 2002, arts. 9º e 46; Lei nº 11.096, de 2005, art. 8º; DecretoLei nº 5.172 (CTN), de 1966, art. 111,II; Instrução Normativa RFB nº 1.394, de 2013 e Medida Provisória (MP) nº 2.15835, de 2001. O último argumento da recorrente referese à eventual realização de diligência, oficiandose ao Ministério da Educação acerca da sua manutenção no Prouni, acaso não seja superada os fundamentos ante aduzidos que entende suficiente ao direito à restituição pleiteada decorrente do pagamento indevido da Contribuição. Primeiramente, desnecessária a providência pois como assentado neste voto os fundamentos antecedentes são suficientes para negar provimento ao recurso. Não há dúvidas intransponíveis nos autos que necessitam de serem completadas para decidir o litígio. Nos processos, como o presente, que tratam de solicitação de restituição e compensação, a comprovação do direito aos créditos incumbe ao postulante. É seu dever carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes, em especial quando necessário à fruição de benefício tributário de isenção. Caso essa comprovação houvesse sido feita, e ainda restasse dúvida ao julgador quanto a permanência regular e temporal no Programa, cabível seria a diligência. Assim, incabível a solicitação de diligência dirigida ao Ministério da Educação para apresentação do Termo de Adesão, documento primário e essencial ao compromisso assumido e firmado pela instituição educacional que requer o gozo dos benefícios do Prouni e que não se dignou a apresentar aos autos. Até esse ponto, restou assente que a recorrente não apresentou o Termo de Adesão ao Prouni, folhas de salário e escrituração contábil; e não permaneceu silente quanto às exigências. Em todas as peças recursais impugnação e recurso voluntário sustentou a desnecessidade desse dever, pois entendeu que o despacho decisório e a solução de consulta reconheceram expressamente seu direito à isenção do PIS relativo ao Programa, sem colacionar qualquer documento seu aos autos. A ausência de elementos probantes viola a regra jurídica adotada pelo direito pátrio de que a prova compete à pessoa que alega o fato, conforme se depreende do abaixo transcrito artigo 16, caput, III, do Decreto n° 70.235, de 1972 (PAF), que regulamenta o processo administrativo fiscal no âmbito federal, e do artigo 373, do Código de Processo Civil,verbis: Decreto n° 70.235, de 1972: Art. 16. A impugnação mencionará: III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. Lei nº 13.105/2015 CPC Fl. 88DF CARF MF Processo nº 13116.901612/201216 Acórdão n.º 3201002.961 S3C2T1 Fl. 11 10 "Art. 373. 0 ônus da prova incumbe: I — ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II — ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor." Cabe assinalar que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendose necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes, confrontandoas com os registros contábeis e fiscais efetuados com base na documentação pertinente, com análise da situação fática, de modo a se conhecer qual seria o tributo devido e comparálo ao pagamento efetuado. As Declarações (DCTF, DCOMP e DACON, PER/DCOMP), os documentos fiscais e contábeis e aqueles pertinentes a benefícios tributários, celebrados com órgãos públicos, são produzidos e celebrados pelo próprio contribuinte ou com sua participação, de sorte que, havendo inconsistências ou omissões, impõe a obrigação da recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, sustentada em documentos, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional/CTN). Conclusão Por todo o exposto a recorrente não se desincumbiu do ônus de provar o alegado direito líquido e certo, decorrente de suposto pagamento a maior ou indevido de PIS. Assim, não encontro razão para modificar a decisão a quo e VOTO no sentido de NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO e NÃO RECONHECER O DIREITO CREDITÓRIO. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário, para não reconhecer o direito creditório em litígio. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 89DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.979298/2009-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Aug 16 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2005
PEDIDO DE PERÍCIA.
No âmbito do Processo Administrativo Fiscal, as provas documentais devem ser apresentadas na impugnação, a não ser que isso seja impraticável, nos termos do art. 16, §§ 4º e 5º, do Decreto nº 70.235/1972. O pedido de realização de perícia é uma faculdade da autoridade julgadora, que deve assim proceder apenas se entender imprescindível à solução da lide.
COMPENSAÇÃO. REQUISITOS.
A certeza e liquidez do crédito são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de prova da sua origem, não autoriza a homologação da compensação.
Numero da decisão: 1201-001.720
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, Gustavo Guimarães da Fonseca (Suplente) e José Carlos de Assis Guimarães.
Nome do relator: ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005 PEDIDO DE PERÍCIA. No âmbito do Processo Administrativo Fiscal, as provas documentais devem ser apresentadas na impugnação, a não ser que isso seja impraticável, nos termos do art. 16, §§ 4º e 5º, do Decreto nº 70.235/1972. O pedido de realização de perícia é uma faculdade da autoridade julgadora, que deve assim proceder apenas se entender imprescindível à solução da lide. COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. A certeza e liquidez do crédito são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de prova da sua origem, não autoriza a homologação da compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, Gustavo Guimarães da Fonseca (Suplente) e José Carlos de Assis Guimarães. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 97 92 98 /2 00 9- 14 Fl. 60DF CARF MF Processo nº 10880.979298/200914 Acórdão n.º 1201001.720 S1C2T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de processo administrativo decorrente de pedido de compensação de crédito tributário com determinado débito de responsabilidade do próprio contribuinte. A DCOMP, após análise eletrônica, gerou a emissão de Despacho Decisório que não homologou o pleito do contribuinte, sob a alegação de inexistência de crédito. Segundo o despacho, o pagamento indicado pelo contribuinte não possuiria saldo disponível para compensação, uma vez que já foi integralmente utilizado para quitação de outro débito tributário apurado pelo contribuinte. Inconformada com a exigência, a interessada apresentou manifestação de inconformidade, alegando que o crédito é sim legítimo, pois decorrente de pagamento de tributo indevido. Tramitado o feito, a DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade, sob o entendimento de que a contribuinte não teria comprovado o seu direito creditório. Intimada da decisão de primeira instância, a Recorrente interpôs recurso voluntário. Reitera os argumentos contidos na manifestação de inconformidade e pede perícia para verificar o crédito. É o relatório. Voto Roberto Caparroz de Almeida, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1201001.692, de 17.05.2017, proferido no julgamento do Processo nº 10880.691176/200907, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1201001.692): De acordo com o despacho decisório, o crédito pleiteado pela Recorrente não existiria, uma vez que teria sido utilizado para quitar outros débitos de sua responsabilidade. Também por esse mesmo motivo, e adotada a premissa de que a Recorrente não comprovou o direito líquido e certo do direito creditório, a decisão de primeiro grau não homologou a compensação. Fl. 61DF CARF MF Processo nº 10880.979298/200914 Acórdão n.º 1201001.720 S1C2T1 Fl. 4 3 Por ocasião do recurso voluntário, a Recorrente não apresenta nenhum esclarecimento ou prova complementar ou adicional, requerendo que seja feita perícia a fim de comprovar a origem do crédito alegado. No âmbito do Processo Administrativo Fiscal, a produção de prova pericial deve ser determinada pela autoridade julgadora quando imprescindível à solução da lide. Tratase de medida que busca esclarecer eventuais dúvidas dos julgadores, que possuem a faculdade, e não a obrigatoriedade, de se valerem ou não de tal expediente. Nessa situação particular, a solução da presente demanda não requer uma perícia em sentido técnico, limitando se a análise ou não do direito creditório na forma pela qual o processo está instruído. Isso porque as autoridades julgadoras devem apreciar as provas conforme produzidas no processo. E no âmbito do Processo Administrativo Fiscal, como se sabe, a produção de provas documentais deve ser feita na impugnação, a não ser que isso seja impraticável, nos termos do art. 16, §§ 4º e 5º, do Decreto nº 70.235/1972, in verbis: “Art. 16. A impugnação mencionará: [...] § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior”. Nesse sentido, entendo que o pedido de perícia requerido pela interessada não merece ser acolhido. A interessada, na verdade, ao requerer uma perícia, busca, de forma indevida, livrarse de seu ônus de prova o direito creditório alegado. Com efeito, a comprovação da liquidez e certeza do crédito constitui ônus da contribuinte, conforme prescreve o artigo 170 do CTN, in verbis: “Artigo 170 A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública.” Grifei. Resta patente, portanto, que a Recorrente já deveria ter trazido aos autos os documentos comprobatórios do pretenso crédito Fl. 62DF CARF MF Processo nº 10880.979298/200914 Acórdão n.º 1201001.720 S1C2T1 Fl. 5 4 tributário, não podendo valerse de um pedido de perícia para afastar este ônus. Ademais, convém assinalar que alegações genéricas sobre a origem do direito creditório, desacompanhadas de documentos hábeis, são incapazes de fazer prova acerca da liquidez e certeza do crédito. Nesse caso concreto, a Recorrente não apresentou sua escrituração contábil, apurações fiscais, cópia de pedido de restituição, relatório de auditoria independente ou qualquer outra documentação pertinente a fazer prova do crédito que pleiteia. Pelo contrário, as alegações e documentos trazidos aos autos não são capazes de provar o direito creditório que o contribuinte busca ser reconhecido. O que se tem no caso, pois, é uma compensação cujo crédito não restou efetivamente comprovado, prejudicando o direito correlato de compensação. Vale assinalar que a jurisprudência do CARF admite a possibilidade de compensação de indébito, mas desde que haja comprovação cabal quanto à liquidez e certeza do crédito pleiteado. É o que se verifica dos julgados abaixo: “RESTITUIÇÃO DO INDÉBITO TRIBUTÁRIO. PROVA. ÔNUS. O ônus da prova do crédito tributário pleiteado no Per/Dcomp Pedido de Restituição é da contribuinte (artigo 333, I, do CPC). Não sendo produzida nos autos, indeferese o pedido e não homologase a compensação pretendida entre crédito e débito tributários.” (Ac. 1102000.890. Sessão de 14/08/2013). “DESPACHO DECISÓRIO E DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. São válidos o despacho decisório e a decisão que apresentam todas as informações necessárias para o entendimento do contribuinte quanto aos motivos da nãohomologação da compensação declarada. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. RETIFICAÇÃO DE DCTF. PROVA DO INDÉBITO. O direito à repetição de indébito não está condicionado à prévia retificação de DCTF que contenha erro material. A DCTF (retificadora ou original) não faz prova de liquidez e certeza do crédito a restituir. Na apuração da liquidez e certeza do crédito pleiteado, devese apreciar as provas apresentadas pelo contribuinte”. (Ac. 3302 002.383. Sessão de 02/11/2013). “PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. A simples retificação, desacompanhada de qualquer prova, não autoriza a homologação da compensação” (Ac. 3802002.076. Sessão de 14/08/2013). Nesse sentido, e em face do que foi exposto, CONHEÇO do Recurso para NEGARLHE provimento. Fl. 63DF CARF MF Processo nº 10880.979298/200914 Acórdão n.º 1201001.720 S1C2T1 Fl. 6 5 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Fl. 64DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.900117/2008-24
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2012
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/03/2003 a 31/03/2003
RESTITUIÇAO/COMPENSAÇÃO
Não há nos autos documentação suficiente para comprovar a liquidez e certeza dos direitos creditórios alegados, o que frustra o encontro de contas pretendido por violação do artigo 170 do Código Tributário Nacional.
Numero da decisão: 3201-001.163
Decisão: ACORDAM os membros da 2ªCâmara/1ªTurma Ordinária da Terceira
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Matéria: PIS - proc. que não versem s/exigências de cred. Tributario
Nome do relator: Marcelo Ribeiro Nogueira
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ementa_s : PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/03/2003 a 31/03/2003 RESTITUIÇAO/COMPENSAÇÃO Não há nos autos documentação suficiente para comprovar a liquidez e certeza dos direitos creditórios alegados, o que frustra o encontro de contas pretendido por violação do artigo 170 do Código Tributário Nacional.
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Fazenda Nacional ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/03/2003 a 31/03/2003 Ementa: RESTITUIÇAO/COMPENSAÇÃO Não há nos autos documentação suficiente para comprovar a liquidez e certeza dos direitos creditórios alegados, o que frustra o encontro de contas pretendido por violação do artigo 170 do Código Tributário Nacional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2a Câmara lia Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. ~ç~ MARCOS URELIO PÊ~~V ALADAO - Presidente. ~,CNVct~ ~~ ~q~l.U~tOJ: . MARCELO RIBEIRO NOGUEIRf\ - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano D'Amorim, Paulo Sérgio Celani (Suplente), Daniel Mariz Gudifío e Luciano Lopes de Almeida Moraes. Esteve presente a Procuradora da Fazenda Nacional. Relatório Adoto o relatório da decisão de primeira instância por entender que o mesmo resume bem os fatos dos autos até aquele momento processual: • Trata o presente processo fiscal de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório emitido eletronicamente pela DRFB Porto Alegre relativo à Contribuição para o PIS/Pasep, em virtude exame de declaração de compensação nos quais não foi homologado o encontro de contas por ausência/insuficiência de créditos oponíveis contra a Fazenda Pública. A interessada por sua vez, contesta o Parecer alegando que ao fazer levantamento de importâncias pagas a titulo de Pis (alíquota de 0,65%) e Cofins (alíquota de 3%) conforme disposição da Lei 9. 718/98, constatou valores pagos a maior, conforme seu entendimento e documentos que teriam sido apresentados no presente processo. Contesta o conceito de receita bruta e a tributação sobre a totalidade das receitas, instituído pela lei acima referida. Afirma que houve tributação indevida sobre valores repassados a terceiros, que deveriam ter sido excluídos da base tributável com base no disposto no art. 3 0, 92, inciso IH, da Lei 9.718/1998, o que teria gerado indébitos compensáveis. Também é alegado que houve burla à lei pela falta de regulamentação do dispositivo retrocitado, o que geraria majoração indevida do tributo. A decisão recorrida recebeu de seus julgadores a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01103/2003a 31/03/2003 Ementa: RESTITUIÇAO/COMPENSAÇÃO Direitos creditórios pleiteados via Declaração de Compensação - Nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, essencial a comprovação da liquidez e certeza dos créditos para a efetivação do encontro de contas. CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE - O controle de constitucionalidade da legislação que fundamenta o lançamento é de competência exclusiva do Poder Judiciário e, no sistema difuso, centrado em última instância revisional no STF. Compensação nãoHomologada o contribuinte, restando inconformado com a decisão de primeira instância, apresentou recurso voluntário no qual ratifica e reforça os argumentos trazidos em sua peça de impugnação. ~/ É o Relat6ri~ 2 . . Processo nO 11080.900117/2008-24 Acórdão n.o 3201-001.163 Voto Conselheiro Marcelo Ribeiro Nogueira S3-C2T1 FI. 2.049 ,I Entendo que o recurso voluntário é tempestivo e atende aos requisitos legais, portanto, dele tomo conhecimento. Foram diversos os argumentos incluídos na decisão recorrida para afastar o direito pleiteado pela ora recorrente, sendo certo que, especificamente houve um argumento que justifica, por si só, a manutenção daquela decisão, qual seja: Por fim, cabe ainda ressaltar que ao contrário do alegado pelo representante legal da interessada, não há nos autos qualquer documentação comprobat6ria da liquidez e certeza dos direitos creditórios alegados, o que, de plano, já bastaria para frustrar o encontro de contas pretendido por violação do artigo 170 do Código Tributário Pátrio. De fato, a recorrente não trouxe aos autos qualquer documento que comprove seu alegado direito, sendo, portanto, impossível deferir seu pedido, pois não satisfeito seu ônus probatório, na forma do art. 333, I, do CPC e do mencionado art. 170 do CTN. ~/\O\A;cy(k~ ~C\~. rvtARCELO RIBEIRO NOGUEIRA - r'eldtor• integral. Por estes motivos, VOTO para conhecer do recurso e negar-lhe provimento 62 3 00000001 00000002 00000003
score : 1.0
Numero do processo: 11543.000049/2006-45
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Aug 21 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004
DESPACHO DECISÓRIO. FUNDAMENTAÇÃO. INOVAÇÃO NO JULGAMENTO. IMPOSSIBILIDADE.
No Processo Administrativo Fiscal (PAF), aprecia-se a legalidade ou não do despacho decisório, sendo vedado ao órgão julgador trazer nova fundamentação legal que não constava do despacho original. Deve-se anular a decisão da primeira instância para a realização de novo julgamento adstrita aos fundamentos trazidos no despacho decisório que decidiu pela homologação parcial do pedido de compensação.
Recurso voluntário Parcialmente Provido
Numero da decisão: 3201-003.024
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário para anular a decisão da primeira instância e a realização de novo julgamento adstrito aos fundamentos constantes no despacho decisório.
Winderley Morais Pereira - Presidente substituto e Relator.
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri, Marcelo Giovani Vieira e Renato Vieira de Avila.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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FUNDAMENTAÇÃO. INOVAÇÃO NO JULGAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. No Processo Administrativo Fiscal (PAF), apreciase a legalidade ou não do despacho decisório, sendo vedado ao órgão julgador trazer nova fundamentação legal que não constava do despacho original. Devese anular a decisão da primeira instância para a realização de novo julgamento adstrita aos fundamentos trazidos no despacho decisório que decidiu pela homologação parcial do pedido de compensação. Recurso voluntário Parcialmente Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário para anular a decisão da primeira instância e a realização de novo julgamento adstrito aos fundamentos constantes no despacho decisório. Winderley Morais Pereira Presidente substituto e Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri, Marcelo Giovani Vieira e Renato Vieira de Avila. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 54 3. 00 00 49 /2 00 6- 45 Fl. 3864DF CARF MF 2 Relatório Por bem descrever os fatos adoto, com as devidas adições, o relatório da primeira instância que passo a transcrever. "Tratase de reconhecimento de direito creditório de PIS decorrente do regime de nãocumulatividade, no período de 01/10/04 a 31/12/04, no valor de R$1.749.442,67 (fl. 03), para fins de compensação. A autoridade fiscal decidiu (fl. 255) homologar parcialmente as compensações efetuadas, porque entendeu que a contribuinte não possuía o direito creditório no montante declarado. Reconheceu, no entanto, o valor de R$939.551,30, argumentando por meio do Parecer SEORT/DRF/VIT/ES nº 2.981/09 (fls. 236 e ss), em resumo, que: 1. a requerente tem por objeto social o comércio atacadista de café, comércio atacadista de algodão em pluma, fabricação de óleos vegetais e fiação de fibras de algodão, todas atividades com vendas no mercado interno e no mercado externo; 2. em razão da atividade desenvolvida e tendo em vista a apuração do IRPJ com base no lucro real no anocalendário 2004, neste ano ficou sujeita ao regime de incidência nãocumulativa da contribuição para o PIS/Pasep; 3. a contribuinte informou despesas (manutenção e reparos) não passíveis de aproveitamento de crédito, visto que não se enquadraram na definição de insumos esboçada pela legislação tributária, e em outras situações, não discriminou os serviços efetivamente incorridos; 4. as vendas de mercadorias realizadas pelo Ministério da Agricultura e do Abastecimento não são tributadas, portanto, não fazem jus ao crédito; 5. há compras de mais de 200 diferentes fornecedores, porém uma amostragem de mais de 80% das compras de café acabou por definir análise da situação dos 45 maiores fornecedores, 13 são cooperativas, 1 é empresa do poder público, restando 31 fornecedores; 6. aproximadamente 84% destes fornecedores analisados, enquadramse como pessoas jurídicas que se declararam à Receita Federal do Brasil em situação de inatividade, ou simplesmente estão omissas perante o órgão, outras ainda, quando prestaram tais informações, o fizeram de maneira irregular, eis que a receita declarada é totalmente incompatível com o valor das vendas realizadas, isto considerando apenas as operações mercantis com a requerente; 7. registrase que as compras de café de cooperativas foram desconsideradas do cálculo por possuírem tratamento diferenciado no que tange a apuração das contribuições nãocumulativas; 8. se tomados os valores de aquisição que foram declarados, das empresas analisadas, o percentual de aquisições que, em tese, Fl. 3865DF CARF MF Processo nº 11543.000049/200645 Acórdão n.º 3201003.024 S3C2T1 Fl. 3 3 sofreu a incidência do PIS/Pasep na etapa anterior é de impressionantes 13,73%, sublinhando que o levantamento se contentou em esquadrinhar apenas os valores declarados, independentemente do efetivo recolhimento de tais exações; 9. no caso examinado há presunção de que a abertura destas "pessoas jurídicas" era meramente casuística, indicando objetivos escusos, bastando verificar que aproximadamente 33% (trinta e três inteiros percentuais) destas "sociedades" analisadas iniciaram suas "operações" após 09/2002, quando foi publicada a Medida Provisória n° 66/2002, que instituiu a nãocumulatividade para a contribuição para o PIS/Pasep, o que reforça ainda mais as suspeitas; 10. assim, o que se verifica deste quadro é que, a bem da verdade, estas "pseudopessoas jurídicas" são apenas figuras formais, longa manus de pessoas inescrupulosas, que as utilizam em suas práticas ilegais, onde funcionam como intermediárias, com o único propósito de "fabricar" créditos da nãocumulatividade para as contribuições em comento; 11. não se está afirmando que a requerente agiu em conluio ou mesmo que tivesse conhecimento de tal situação, ao passo que não houve investigação neste sentido e não há prova que aponte tal realidade, pois não é este o escopo deste trabalho; 12. nesse contexto, a ausência de provas que unam a requerente aos seus fornecedores gera uma presunção de boafé em seu favor, todavia, em que pese tal circunstância, pressuposta inocência não pode lhe garantir o cômputo normal de tais créditos, justamente porque também foi vítima do procedimento ilegal; 13. não se concebe que a adquirente, neste ato requerente do crédito, possa transferir o seu pretenso prejuízo ao Estado, sob pena de se admitir a distribuição por toda a sociedade de um ônus individual; 14. nesta peça opinativa não se questiona a existência das operações de venda, mas sim, a inclusão das compras em debate no cálculo dos créditos a descontar dos valores devidos a título de PIS/Pasep e Cofins nãocumulativos, haja vista que sendo Fisco e contribuinte vítimas de um mesmo golpe, não é possível a socialização do prejuízo sofrido pelo adquirente, exigindose que o Estado arque com um prejuízo dobrado, qual seja, além de nada receber ainda ter de ressarcir aquilo que deveria ter sido recolhido e não foi, ainda que o adquirente tenha agido de boa fé; 15. com estes fundamentos foi providenciado o reenquadramento dessas compras, consideradas irregulares pela presente fiscalização, para aquisições de pessoas físicas garantindose o direito ao crédito presumido, de acordo com a planilha de apuração das contribuições nãocumulativas; 16. o sujeito passivo apurou créditos referentes a embalagens adquiridas, de acordo com o DACON/Demonstrativo Analítico de apuração do PIS, referidas aquisições estão enquadradas nos CFOP de n°s 1920 e 2920, os quais se referem à entrada de sacaria e vasilhame; 17. foram desconsideradas as entradas de mercadorias sob os CFOP de n°s 1122, 2122, 1125 e 2125, visto que referidas Fl. 3866DF CARF MF 4 aquisições foram contempladas no item Compras Terceiros PJ, conforme declaração do próprio contribuinte às fls. 191/192; 18. verificase, pelo somatório da documentação apresentada, que o contribuinte não logrou êxito em confirmar as despesas de aluguel informadas, razão pela qual essa diferença foi desconsiderada para fins de apuração dos créditos a descontar; 19. o contribuinte ofereceu à base de cálculo dos créditos despesas de condomínio, mas não há previsão no texto legal para a inclusão desta despesa no âmbito da despesa de aluguel, visto que possuem naturezas jurídicas distintas, desta forma, despesas de condomínio não foram consideradas como créditos passíveis de aproveitamento, tendo sido glosadas pela fiscalização; 20. procedeuse, então, à utilização dos créditos na dedução do débito do PIS apurado no mês, além dos créditos vinculados ao mercado interno, consumiramse, também, créditos atrelados ao mercado externo, de sorte que restou saldo credor, a ser utilizado nas compensações de outros tributos ao final do 4º Trimestre de 2004 no montante de R$939.551,30. Cientificada da Decisão (fl. 284), em 23/03/10, a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 285 e seguintes), em 16/04/10, onde alegou, em resumo, que: 1. o Parecer DRF/VIT/SEORT n° 2.981/2009, ora guerreado, tem razões conexas aos Pareceres DRF/VIT/SEORT n.° 2.971/2009, mister se faz o apensamento destes autos àqueles, tudo com vistas a que sejam julgados simultaneamente, evitando se, destarte, decisões conflitantes acerca da mesma matéria 2. teve limitado seu direito a uma parcela do crédito pleiteado sem que tenham sido dados os fundamentos para a glosa, portanto, pleiteia a nulidade do processo; 3. o crédito tributário constituído, mediante a glosa parcial dos créditos de PIS, não é exigível em sua totalidade, vez que alcançado pelo instituto da decadência; 4. as despesas pagas às pessoas jurídicas responsáveis pela manutenção e reparos de seus ativos se enquadram verdadeiramente no conceito de insumos albergado pela legislação fiscal de regência; 5. o direito ao crédito da contribuição nascerá em relação a toda e qualquer aquisição de bens e serviços, desde que: (i) tratemse de elementos sem os quais a receita de vendas não se realizaria; e, (ii) não haja vedação legal à apropriação de créditos calculados sobre tais dispêndios; 6. a Requerente esclarece que as tais despesas são registradas na conta 752.600 e referemse à utilização de serviços no beneficiamento do algodão, e que anexará notas fiscais posteriormente; 7. se o art. 3º, II da Lei n.° 10.637/02 não restringiu o direito ao crédito apenas para as hipóteses em que os serviços são aplicados ou consumidos na produção, o ato administrativo ora mencionado (IN nº 247/02 com redação dada pela IN º 358/03) não poderia criar este limite, sob pena de ofensa ao Princípio da legalidade, alçado a patamares constitucionais por força do art. 150, I da Constituição Federal; 8. nos tributos em que o ônus financeiro é transferido ao adquirente (tributos indiretos) há a obediência ao chamado Princípio Constitucional da NãoCumulatividade, pelo qual o contribuinte possui o direito de abater o tributo cobrado em Fl. 3867DF CARF MF Processo nº 11543.000049/200645 Acórdão n.º 3201003.024 S3C2T1 Fl. 4 5 etapas anteriores do que for devido em decorrência de suas próprias operações; 9. a idéia materializada nesse princípio é a de evitar o chamado efeito cascata, isto é, a incidência de tributo sobre tributo; 10. em relação aos fornecedores inidôneos, a Requerente acosta notas fiscais, comprovantes de pagamentos e de entrada de mercadorias, que comprovam as transações elencadas pelo Sr. AFRF; 11. cumpre destacar que a Lei nº 10.637/2002 não condicionou a apropriação de créditos ao pagamento do produto adquirido, mas sim a sua aquisição; 12. exigir que a Requerente tome os créditos apenas de pessoas jurídicas que estejam em dia com suas obrigações tributárias (principais e acessórias) é no mínimo paradoxal, na medida em que a Requerente não dispõe do mesmo aparato que o Fisco detém para constatar irregularidades tributárias; 13. ainda que existisse regra condicionando o crédito ao pagamento na etapa anterior, tratarseia de dispositivo absolutamente inócuo, na medida em que em virtude do sigilo fiscal (arts. 198 e 199 do CTN) não há como a Requerente constatar se seus fornecedores estão em dia com o Fisco; 14. assim, solicita o cancelamento da glosa referente às aquisições de pessoas jurídicas inidôneas; 15. o Parecer equivocouse ao glosar o crédito pleiteado pela Requerente (registrado na linha 02 da ficha 04 do DACON), na medida em que as embalagens registradas nessa linha do DACON (contabilizadas na conta 755.000) referemse àquelas consumidas na industrialização do óleo de algodão, não guardando qualquer/relação com aquelas adquiridas, sob o CFOP n°s 1.122, 2122, 1125 e 2125; 16. as demais despesas com embalagens citadas referemse às aquisições de sacaria utilizada na exportação, de café (linha 01 do DACON); 17. não há registro em duplicidade e, consequentemente, não há valores à serem glosados; 18. não há como prosperar a glosa efetuada em relação à aluguel, pois todos os dispêndios encontramse devidamente suportados por recibos e comprovantes de pagamento que à Requerente anexará posteriormente; 19. os dispêndios de condomínio compõem o valor da própria despesa de aluguel e, dessa forma, também geram direito ao crédito. A Inconformada cita legislação e jurisprudência, requerendo, ao final, reconhecimento do direito de crédito e homologação das compensações efetuadas. O processo fora baixado em diligência (fl. 2.773) para a Unidade a quo examinar, em resumo, se há alguma repercussão, na controvérsia aqui instaurada e no crédito pleiteado, dos mesmos fatos apurados nas operações “Tempo de Colheita” e “Broca”, pedindo ainda esclarecimentos acerca de outros itens Fl. 3868DF CARF MF 6 glosados. A Delegacia de origem no “Relatório Fiscal”, à fl. 3.101 e seguintes, responde positivamente a tal indagação, junta variados documentos, e, em síntese, justifica que: 1. a operação fiscal “TEMPO DE COLHEITA” foi deflagrada pela DRF/Vitória, em outubro de 2007, que resultou na operação BROCA parceria do Ministério Público, Polícia Federal, e Receita Federal, onde foram cumpridos mandados de busca e apreensão e prisão; 2. no rol de supostos fornecedores da contribuinte, é importante mencionar a ACÁDIA, COLÚMBIA, DO GRÃO, L&L, J.C. BINS e V. MUNALDI, hipotéticas atacadistas de café localizadas na cidade de COLATINA, norte do ES, uns dos principais alvos na “Operação Tempo de Colheita”, deflagrada pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Vitória – ES; 3. a motivação da operação Tempo de Colheita foi a flagrante divergência entre as movimentações financeiras de pessoas jurídicas atacadistas – na ordem de 3 bilhões de Reais nos anos de 2003 a 2006 – e os valores insignificantes das receitas declaradas; 4. dezenove (53%) das empresas atacadistas fiscalizadas foram criadas a partir de 2002, e passaram a ter movimentação financeira crescente e vultosa a partir do ano de 2003; 5. ao contrário dos tradicionais atacadistas, tais empresas ocupam salas pequenas e acanhadas, sem qualquer estrutura física ou logística, nem dispõem de funcionários para operar como atacadistas; 6. entre os documentos obtidos ao longo da operação “TEMPO DE COLHEITA” estão declarações de produtores rurais, maquinistas, corretores, sócios e pessoas ligadas às empresas de fachada, e, ainda, documentos relacionados a tais empresas; 7. do Ministério Público e da Polícia Federal a Fiscalização recebeu documentos fiscais e contábeis em papel e meio magnético, relativos às empresas de fachada; 8. com o objetivo de colher provas sobre o modus operandi do esquema, coletouse, durante as mencionadas operações, documentos, além de realizar diligências nas atacadistas e principais empresas exportadoras de café; 9. junto aos produtores rurais foi apurado que havia uma negociação direta, ou por meio de corretores, entre os produtores rurais e tradicionais maquinistas e empresas do ramo atacadistas, exportadoras ou indústrias, porém, nas notas fiscais apareciam como compradores pseudoatacadistas, tais como, Colúmbia, Do Grão, V. Munaldi, JC Bins, e outras; 10. os produtores rurais, via de regra, não preenchiam as notas fiscais, sendo que as mesmas eram preenchidas nos escritórios dos corretores e/ou compradores; 11. os corretores de café convergiram para firmar os pontos levantados pelos produtores rurais, especialmente, no que tange à utilização das pseudoempresas jurídicas para intermediar a venda do café do produtor para a comercial atacadista, inclusive, do pleno conhecimento da empresa, ora autuada, de tais operações; 12. os corretores afirmaram que as próprias empresas tradicionais de exportação e industrialização do café passaram a dificultar a compra com nota fiscal do produtor rural, exigindo notas em nome de pessoas jurídicas; Fl. 3869DF CARF MF Processo nº 11543.000049/200645 Acórdão n.º 3201003.024 S3C2T1 Fl. 5 7 13. os corretores afirmaram que algumas empresas foram constituídas com a única e exclusiva finalidade de vender notas fiscais, e, ainda, que as Exportadoras/Indústrias tinham pleno conhecimento do esquema fraudulento; 14. a migração para empresas laranjas foi um movimento orquestrado, onde exportadoras e indústrias caminharam no mesmo sentido, com exigência inclusive de que as notas fiscais anotassem ficticiamente a incidência do PIS/COFINS, bem como as mesmas cautelas adotadas de consultar os cadastros fiscais no momento do recebimento do café por meio de empresas laranjas na tentativa de evitar problemas futuros; 15. restou demonstrado que a EISA não só tinha pleno conhecimento do esquema fraudulento como dele se beneficiava, apropriando se de créditos fictícios sobre notas fiscais ideologicamente falsas gerados por empresas atacadistas de fachada. Intimada do resultado da diligência (fl. 3265), em 20/04/13, a contribuinte ratificou os termos de sua Manifestação de Inconformidade, adicionando (fls. 3267 e ss), em resumo, que: 1. nenhum dos sócios, administradores ou empregados da Requerente foi investigado no âmbito do Inquérito Policial nº 541/2008 DPF/ SR/ES ou denunciado nos autos do Processo Criminal n° 2008.50.05.0005383, ou em qualquer outro processo criminal oriundo das operações "Tempo de Colheita" e "Broca"; 2. ao revés, em momento algum das investigações ocorridas houve a vinculação da Requerente ao suposto sistema fraudulento; 3. assim, resta evidente a precariedade da acusação da d. autoridade fiscal de que a Requerente teria se utilizado de empresas laranjas como intermediárias fictícias na compra de café de produtores, com o intuito exclusivo de apropriação de créditos da Contribuição ao PIS e da COFINS; 4. o volume de operações mantido com pessoas físicas pouco sofreu alterações com a instituição da nãocumulatividade das contribuições e previsão de direito ao crédito (anoscalendários 2002 e 2003), e com a mudança da legislação aplicável ao setor em 2012 (Lei n° 12.599/2012); 5. ainda que o nome do produtor rural, da fazenda de café e/ou da região fosse informado ao adquirente em referidas situações, como até hoje o é, este adquire o produto da empresa atacadista, que ao final é responsável pela entrega do produto em determinada quantidade, em boa qualidade e em determinado prazo e local; 6. as empresas atacadistas, comerciantes e exportadoras de café cru em grão não necessitam de estrutura física própria para operarem a não ser uma sala, onde localizado o estabelecimento comercial utilizado para a formalização da compra e venda do café, na medida em que referido produto, após adquirido, pode perfeitamente permanecer depositado em armazém geral até a ocasião da revenda; 7. em nenhum dos depoimentos constantes dos autos é feita menção à pessoa da Requerente ou de algum Fl. 3870DF CARF MF 8 administrador/funcionário seu como participante do alegado esquema fraudulento; 8. em sendo inegável a boafé da Requerente, verificase a completa improcedência da glosa dos créditos apurados sobre aquisições de café cru em grão de pessoas jurídicas no período compreendido entre o 1º trimestre de 2004 e o 3° trimestre de 2005; 9. demonstrou a completa improcedência da glosa dos créditos originais das contribuições apurados pela Requerente sobre aquisições de café de pessoas jurídicas; 10. considerando a indiscutível boafé da empresa e nos termos do artigo 82, parágrafo único, da Lei n° 9.430/96, deve ser cancelada a glosa dos créditos levada a efeito em razão da suposta inidoneidade dos fornecedores da Requerente; 11. na remota hipótese da glosa em questão ser mantida, o que se admite apenas para fins de argumentação, há que ao mínimo se reconhecer o direito à apuração do crédito presumido de que trata a Lei n° 10.925/04, como fora inicialmente realizado pela d. autoridade fiscal; 12. ainda que não tivesse ocorrido a decadência para inovação dos fundamentos da glosa, apenas a título de argumentação, restará comprovado que a posição da 16ª Turma da DRJ/RJ1 quanto à apuração de crédito presumido de aquisições de café de produtores rurais não deve prosperar; 13. um dos requisitos para a apropriação do crédito presumido na aquisição de produto in natura consiste no fato de que o adquirente exerça a atividade agroindustrial, e a Requerente, na condição de encomendante, é considerada, para todos os fins fiscais, produtora de café e, por conseguinte, beneficiária do crédito presumido. Reitera, “com base nos argumentos constantes da Manifestação de Inconformidade apresentada, somados aos argumentos que aqui são apresentados”, pela reforma da decisão que não homologou os pedidos de compensação, a fim de que seja reconhecido o crédito pleiteado em sua integralidade." A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento manteve integralmente o despacho decisório. A decisão foi assim ementada: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 Créditos a Descontar. Incidência nãoCumulativa. Não dá direito a crédito gastos ou despesas com bens ou serviços utilizados nas atividades da Empresa, quando não corresponderem ao conceito de insumo ou a outra expressa hipótese legal. Aquisições. Nãosujeitas ao PIS. Crédito Vedado. A Partir de 01/08/04. A alteração promovida pela Lei nº 10.865, de 30 de abril 2004, na Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, no sentido de vedar o direito ao Fl. 3871DF CARF MF Processo nº 11543.000049/200645 Acórdão n.º 3201003.024 S3C2T1 Fl. 6 9 crédito da nãocumulatividade do PIS, nos casos de aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, passou a produzir efeitos a partir de 01/08/04. Fraude. Dissimulação. Desconsideração. Negócio Ilícito. Comprovada a existência de simulação/dissimulação por meio de interposta pessoa, com o fim exclusivo de afastar o pagamento da contribuição devida, é de se glosar os créditos decorrentes dos expedientes ilícitos, desconsiderandose os negócios fraudulentos. Uso de Interposta Pessoa. Inexistência de Finalidade Comercial. Dano ao Erário. Caracterizado. Negócios efetuados com pessoas jurídicas, artificialmente criadas e intencionalmente interpostas na cadeia produtiva, sem qualquer finalidade comercial, visando reduzir a carga tributária, além de simular negócios inexistentes para dissimular negócios de fato existentes, constituem dano ao Erário e fraude contra a Fazenda Pública, rejeitandose peremptoriamente qualquer eufemismo de planejamento tributário. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte” Cientificada da decisão, a autuada interpôs recurso voluntário, alegando em sede preliminar que a decisão da primeira instância inovou a matéria discutida nos presentes autos, ao trazer argumentos para manutenção do lançamento resultante de diligência realizada, que trariam afirmações que a Recorrente teria participado de suposto esquema visando gerar, fraudulentamente, créditos da Contribuição ao PIS e da Cofins. No restante do recurso são repisadas as alegações já apresentadas na impugnação. Ao apreciar o recurso voluntário, a turma resolveu converter o julgamento em diligência, nos seguintes termos: Nos termos aqui expostos, entendo que os documentos e informações constantes dos autos não são suficientes para definir com exatidão quais são os insumos glosados pela Fiscalização e quais deles o contribuinte tenta pleitear seus créditos. Assim, fazse necessário a baixa dos autos em diligência para que seja determinada com acuracidade, quais são as aquisições de bens e as despesas de serviços que foram utilizadas a título de crédito pela Recorrente, quais foram glosadas pela Fiscalização e qual a implicação destes bens e serviços no processo produtivo. Diante do exposto, buscando os esclarecimentos necessários ao prosseguimento do julgamento, voto no sentido de converter o julgamento em diligência a fim de que unidade preparadora: a) Intime a Recorrente para no prazo de 30 (trinta) dias prorrogável uma vez por igual período, detalhar o seu processo produtivo e indicar de forma minuciosa qual a interferência de Fl. 3872DF CARF MF 10 cada um dos bens e serviços que pretende aferir créditos para apuração do PIS e a COFINS não cumulativos; b) A Receita Federal, deverá elaborar relatório identificando quais dos bens e serviços utilizados que foram objeto de glosa, indicando os motivos para tal indeferimento. Com a possibilidade, se julgar necessário, de manifestarse quanto as informações apresentadas, inclusive fazendo as diligências e intimações que julgar necessárias. A Unidade de Origem procedeu a diligência determinada pelo CARF, elaborando relatório fiscal. Informando que a Recorrente apresentou documentos referentes à glosa de despesas de manutenção e reparos e de aquisição de embalagens. A auditoria fiscal concluiu por manter a glosa referente a despesas com manutenção e reparo, por entender, que não estariam ligados a atividade de produção da Recorrente. Quanto as aquisições de embalagem, entendeu por acatar as alegações da Recorrente e afastar a glosa referente a este item. Cientificada da diligência, a Recorrente apresentou manifestação ,concordando com o afastamento da glosa sobre as aquisições de embalagem e afirmando que as despesas de manutenção e reparo estariam vinculados a atividade da empresa e portanto, também estariam aptas a serem utilizadas como créditos na apuração das contribuições. Com estas considerações, o processo retornou ao CARF para o prosseguimento do julgamento. É o Relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. Os recursos são tempestivos e atendem aos demais requisitos de admissibilidade, merecendo, por isto, ser conhecido. Nos termos detalhados no relatório, em sede de recurso voluntário, a Recorrente alega a nulidade da decisão da primeira instância, sob o arrimo que o acórdão teria inovado nos fundamentos inicialmente citados no despacho negatório do pedido de compensação. Consultando a decisão da primeira instância é possível identificar o enfrentamento de matérias referentes a glosa de créditos, por entender que tais operação não estariam incluídas no conceito de insumo e outra discussão quanto a possibilidade de creditamento sobre operações realizadas com empresas que foram identificadas como inaptas ou inexistentes de fato. Para a segundo grupo de créditos glosados, a decisão recorrida trata de dois fundamentos para negar os créditos. O primeiro seria a inexistência de recolhimento das contribuições na etapa anterior e o segundo a existência de fraude na criação e operação de empresas declaradas inexistentes de fato ou declaradas inaptas pela receita federal. O acórdão Fl. 3873DF CARF MF Processo nº 11543.000049/200645 Acórdão n.º 3201003.024 S3C2T1 Fl. 7 11 da primeira instância adotou como fundamento da decisão, a fraude nas operações realizadas com empresas, conforme pode ser verificado no trecho abaixo, extraído no voto condutor do Acórdão da DRJ. Assim, considerando os fatos descritos, e sustentados por conjunto probatório robusto constante dos autos, é imperativo concluir que as ‘compras’ efetuadas pelo contribuinte, ora recorrente, de pessoas jurídicas artificialmente criadas e intencionalmente interpostas na cadeia produtiva sem qualquer finalidade comercial, visando reduzir a carga tributária no contexto da nãocumulatividade do PIS/Cofins, além de simular negócios de fato inexistentes para dissimular o negócio real entre o produtor rural/pessoa física e o contribuinte, constituem dano ao Erário e fraude contra a Fazenda Pública. A análise exposta acima leva à rejeição peremptória de eventual alegação de planejamento tributário, pois demonstra que o autuado participou da criação ou utilizou de pessoas jurídicas de existência fantasmagórica, a fim de interpor elo fictício na cadeia produtiva e, assim, escapar do pagamento de tributo de sua responsabilidade, por meio de compensação de créditos inexistentes de fato, e ainda com vultosos valores de ressarcimento em dinheiro. O trabalho fiscal, por ocasião da diligência realizada, fundouse em amplo material probatório, permitindo o exercício do direito de defesa e ao contraditório. No Relatório é comprovado detalhadamente o acerto das glosas efetuadas. Neste contexto, perderam relevância as notas fiscais e comprovantes de pagamento. Na decisão recorrida é possível identificar claramente que o enfrentamento da matéria, que nega o direito creditório da recorrente, possui como fundamento a aquisição de produtos de pessoas jurídicas, quando na verdade tratariamse de pessoas físicas. A decisão da primeira instância considerou que os dois fundamentos teriam sido enfrentados no despacho decisório, tanto a questão da ausência de recolhimento das contribuições nas etapas anteriores, bem como, a existência de aquisições de "pseudoatacadistas". Quanto ao primeiro fundamento discutido na decisão da DRJ é inequívoco a sua utilização pelo despacho decisório, que consta de forma explicita na sua conclusão, conforme se depreende do trecho abaixo do despacho decisório, exarado pela Unidade de Origem. Em resumo: . Restou demonstrado que não houve incidência econômica dos tributos na maior parte das aquisições realizadas; . A ocorrência da incidência jurídica é duvidosa, uma vez que as pessoas jurídicas que poderiam realizar o aspecto material da hipótese de incidência (faturamento), aparentam ser meros instrumentos para realização de práticas ilegais; . Sob o ponto de vista econômica, não houve qualquer oneração da cadeia produtiva em relação a tais operações; Fl. 3874DF CARF MF 12 . Em não havendo tal oneração perde o sentido o dualismo cumulatividade x nãocumulatividade que justificou o escopo da alteração da legislação; . Em conclusão, não ocorrendo a indesejada cumulutividade que ensejou a mudança da sistemática da apuração das contribuições em apreço não há que se falar em saldo credor possível de ressarcimento. Quanto ao segundo fundamento, a decisão da Delegacia de Julgamento da RFB afirma existir no despacho decisório menção ao fato de existir fraude na criação e operação dos atacadistas revendedores de café, cito trecho abaixo constante da decisão da DRJ, que detalha estes argumentos. 2º argumento: Compras de “pseudoatacadistas” Se a instrução processual se encerrasse neste ponto, dificilmente poderia prosperar a glosa procedida sub examen. Porém, com a diligência veio o relatório, onde se concluiu que parte dos créditos de PIS/Cofins reivindicados nos pedidos de ressarcimento e utilizados nas declarações de compensação foi gerada através de simulação de aquisições de pessoas jurídicas, quando realmente o foi de aquisições de produtores rurais pessoas físicas. Tratase agora da hipótese já contida Parecer DRF/VIT/SEORT (fls. 247 e ss) de considerar as compras, correspondentes aos fornecedores irregulares, transações fictícias: No caso em questão, aparentemente existiria a intermediação comercial por pessoa jurídica. Entretanto, se ditas "pessoas jurídicas" forem apenas instrumentos para práticas fraudulentas, acobertando vendas realizadas por outros sujeitos, muito provavelmente pessoas físicas, não haveria que se falar em hipótese de incidência de PIS/Pasep e Cofins não cumulativos e, muito menos, em créditos da não cumulatividade como ora pretendido. Entendese que a prova colacionada aos autos no âmbito da diligência lançou nova luz sobre os créditos relativos às compras de café pela contribuinte, que foram glosados pela Autoridade Fiscal. O quadro amplo traçado a partir das Operações Broca e Tempo de Colheita milita desfavoravelmente à contribuinte no que concerne a seu alegado direito de crédito. Além disso, há elementos nos autos que não permitem simplesmente entender pela completa “isenção” do contribuinte na frustração da Receita Federal em sua legítima pretensão de caráter constitucional de amealhar recursos ao Erário. Quanto a este segundo fundamento para afastar os créditos referentes a aquisição das empresas atacadistas consideradas inidôneas, divirjo do entendimento da decisão da primeira instância. Apesar de existir a citação da existência de operações realizadas com Fl. 3875DF CARF MF Processo nº 11543.000049/200645 Acórdão n.º 3201003.024 S3C2T1 Fl. 8 13 empresas inidôneas, o despacho decisório é claro ao afirmar que matéria não esta sendo objeto de enfrentamento e discussão, conforme consta do trecho abaixo extraído do despacho decisório. 52. No caso examinado há uma presunção que a abertura destas "pessoas jurídicas" era meramente casuística, indicando objetivos escusos, bastando verificar que aproximadamente 33% (trinta e três inteiros percentuais) destas "sociedades" analisadas iniciaram suas "operações" após 09/2002 (fls. 210;219), quando foi publicada a Medida Provisória nº 66/2002 que instituiu a nãocumulatividade para a contribuição para o PIS/Pasep, o que reforça ainda mais as suspeitas. 53. Assim, o que se verifica deste quadro é que, a bem da verdade, estas "pseudopessoas jurídicas" são apenas figuras formais, longa manus de pessoas inescrupulosas que as utilizam em suas práticas ilegais, onde funcionam como intermediárias, com o único propósito de "fabricar" créditos da não cumulatividade para as contribuições em comento. 54. Deixese claro, neste interim, que não se está com isto afirmando que a requerente agiu em conluio ou mesmo que tivesse conhecimento de tal situação, ao passo que não houve nenhuma investigação neste sentido e não há prova que aponte tal realidade, pois não é este o escopo deste trabalho. De forma alguma. Até porque, se isto ocorreu ou vem ocorrendo, estar seia diante de um crime contra a ordem tributária. 55. Nesse contexto, a ausência de provas que una a requerente aos seus fornecedores gera uma presunção de boafé em seu favor. Todavia, em que pese tal circunstância, pressuposta inocência não pode lhe garantir o cômputo normal de tais créditos, justamente porque também foi vítima do procedimento ilegal. Demais disso, não se concebe que a adquirente, neste ato requerente do crédito, possa transferir o seu pretenso prejuízo ao Estado, sob pena de se admitir a distribuição por toda a sociedade de um ônus individual. 56. Frisese: nesta peça opinativa não se questiona a existência das operações de venda, mas sim, a inclusão das compras em um debate no cálculo dos créditos a descontar dos valores devidos a título de PIS/Pasep e Cofins nãocumulativos, haja vista que sendo Fisco e contribuinte vítimas de um mesmo golpe, não é possível a socialização do prejuízo sofrido pelo adquirente, exigindose que o Estado arque com um prejuízo dobrado, qual seja, além de nada receber ainda ter de ressarcir aquilo que deveria ter sido recolhido e não foi, ainda que o adquirente tenha agido de boafé. Neste pormenor aplicase o princípio da prevalência dos interesses públicos sobre os particulares. 57. Como se pode extrair, a situação é paradoxal porquanto a Fazenda Nacional é instada a ressarcir um direito creditório que, como contrapartida, não possui o competente recolhimento dos tributos devidos na etapa imediatamente anterior. 58. Diante do que descortinado, a plausível conclusão conduz à inadmissibilidade do pleito formulado integralmente, no que toca às ditas compras de PJ, sob pena de gerar um claro enriquecimento sem causa em detrimento dos cofres públicos, o Fl. 3876DF CARF MF 14 que representaria uma cessão de interesses públicos.(grifo nosso) A leitura do despacho decisório deixa evidente que não existiu o aprofundamento da matéria referente a aquisição de empresas inidôneas, tampouco tal fato foi utilizado como fundamento para negar o creditamento das operações da Recorrente. O Processo Administrativo Fiscal tem seu desenvolvimento a partir da existência de um lançamento ou decisão fiscal, que é objeto de questionamento por parte do contribuinte, que utilizando dos instrumentos da impugnação ou da manifestação de inconformidade, define as matérias sobre a qual discorda da decisão da autoridade fiscal. A delimitação da lide, submetida a apreciação dos julgamentos administrativos, está restrita aos fundamentos e fatos arrolados no despacho decisório, delimitado pelos argumentos trazidos pelo contribuinte nos seus recursos. No caso em tela, ao meu sentir, restou claramente identificado como fundamento utilizado no despacho decisório para negar os créditos referentes a aquisição de empresas atacadistas consideradas inidôneas, o fato de não existir o recolhimento das contribuições nas etapas anteriores. Assim, entendo que existiu na decisão da primeira instância, a utilização de fundamentos que não constariam do despacho decisório, determinando que tal decisão seja cancelada para realização de um novo julgamento adstrito aos fundamentos constantes do despacho decisório. Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário para anular a decisão da primeira instância e a realização de um novo julgamento considerando unicamente os fundamentos constantes do despacho decisório. Winderley Morais Pereira Fl. 3877DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.001702/2010-48
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Aug 09 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 31/10/2007
DESMUTUALIZAÇÃO. ASSOCIAÇÕES SEM FINS LUCRATIVOS. DEVOLUÇÃO DE PATRIMÔNIO. CARACTERIZAÇÃO.
No processo denominado desmutualização, consistente na cisão de associação sem finalidade lucrativa com versão do patrimônio correspondente a sociedade empresária, criada sob forma de sociedade anônima, a entrega de ações desta nova companhia aos detentores de títulos patrimoniais daquelas associações caracteriza devolução de patrimônio e não substituição de títulos.
DESMUTUALIZAÇÃO. AÇÕES. REGISTRO CONTÁBIL. ATIVO CIRCULANTE.
As ações recebidas no processo de desmutualização devem ser registradas no Ativo Circulante quando for a intenção do subscritor a sua alienação, segundo inteligência do PN CST 108/78, o que se revela pelo prévio conhecimento de processo de oferta pública. Caso contrário, sendo o interesse pela sua permanência em carteira, diante da necessidade para o exercício de suas atividades, devem ser contabilizadas no Ativo Permanente, subgrupo Investimentos.
CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. ALIENAÇÃO DE AÇÕES. CORRETORAS DE TÍTULOS E VALORES MOBILIÁRIOS. RECEITA PRÓPRIA DA ATIVIDADE. INCIDÊNCIA.
A alienação de ações e outros valores mobiliários por sociedades corretoras, por ser receita própria de suas atividades empresariais, qualifica-se como faturamento dessas instituições, devendo submeter-se à incidência da Contribuição para o PIS/PASEP.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/10/2007
DESMUTUALIZAÇÃO. ASSOCIAÇÕES SEM FINS LUCRATIVOS. DEVOLUÇÃO DE PATRIMÔNIO. CARACTERIZAÇÃO.
No processo denominado desmutualização, consistente na cisão de associação sem finalidade lucrativa com versão do patrimônio correspondente a sociedade empresária, criada sob forma de sociedade anônima, a entrega de ações desta nova companhia aos detentores de títulos patrimoniais daquelas associações caracteriza devolução de patrimônio e não substituição de títulos.
DESMUTUALIZAÇÃO. AÇÕES. REGISTRO CONTÁBIL. ATIVO CIRCULANTE.
As ações recebidas no processo de desmutualização devem ser registradas no Ativo Circulante quando for a intenção do subscritor a sua alienação, segundo inteligência do PN CST 108/78, o que se revela pelo prévio conhecimento de processo de oferta pública. Caso contrário, sendo o interesse pela sua permanência em carteira, diante da necessidade para o exercício de suas atividades, devem ser contabilizadas no Ativo Permanente, subgrupo Investimentos.
COFINS. ALIENAÇÃO DE AÇÕES. CORRETORAS DE TÍTULOS E VALORES MOBILIÁRIOS. RECEITA PRÓPRIA DA ATIVIDADE. INCIDÊNCIA.
A alienação de ações e outros valores mobiliários por sociedades corretoras, por ser receita própria de suas atividades empresariais, qualifica-se como faturamento dessas instituições, devendo submeter-se à incidência da COFINS.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 31/10/2007
MULTAS EM LANÇAMENTO DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE.
Carece de base legal a incidência de juros de mora sobre o montante referente a multas, em lançamento de ofício.
Numero da decisão: 3401-003.867
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário apresentado, considerando ser de alienação a natureza jurídica da operação de incorporação de ações, e que restou demonstrado nos autos a intenção de venda da integralidade das ações, que deveriam ter sido contabilizadas no ativo circulante, vencidos o relator e os Conselheiros Augusto Fiel Jorge D'Oliveira e André Henrique Lemos, e afastando a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, vencidos os Conselheiros Robson José Bayerl, Mara Cristina Sifuentes e Fenelon Moscoso de Almeida. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Rosaldo Trevisan.
ROSALDO TREVISAN - Presidente e Redator Designado.
LEONARDO OGASSAWARA DE ARAÚJO BRANCO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayerl, Mara Cristina Sifuentes, Fenelon Moscoso de Almeida, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, André Henrique Lemos e Tiago Guerra Machado.
Nome do relator: LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO
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anomes_sessao_s : 201707
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 31/10/2007 DESMUTUALIZAÇÃO. ASSOCIAÇÕES SEM FINS LUCRATIVOS. DEVOLUÇÃO DE PATRIMÔNIO. CARACTERIZAÇÃO. No processo denominado desmutualização, consistente na cisão de associação sem finalidade lucrativa com versão do patrimônio correspondente a sociedade empresária, criada sob forma de sociedade anônima, a entrega de ações desta nova companhia aos detentores de títulos patrimoniais daquelas associações caracteriza devolução de patrimônio e não substituição de títulos. DESMUTUALIZAÇÃO. AÇÕES. REGISTRO CONTÁBIL. ATIVO CIRCULANTE. As ações recebidas no processo de desmutualização devem ser registradas no Ativo Circulante quando for a intenção do subscritor a sua alienação, segundo inteligência do PN CST 108/78, o que se revela pelo prévio conhecimento de processo de oferta pública. Caso contrário, sendo o interesse pela sua permanência em carteira, diante da necessidade para o exercício de suas atividades, devem ser contabilizadas no Ativo Permanente, subgrupo Investimentos. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. ALIENAÇÃO DE AÇÕES. CORRETORAS DE TÍTULOS E VALORES MOBILIÁRIOS. RECEITA PRÓPRIA DA ATIVIDADE. INCIDÊNCIA. A alienação de ações e outros valores mobiliários por sociedades corretoras, por ser receita própria de suas atividades empresariais, qualifica-se como faturamento dessas instituições, devendo submeter-se à incidência da Contribuição para o PIS/PASEP. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 31/10/2007 DESMUTUALIZAÇÃO. ASSOCIAÇÕES SEM FINS LUCRATIVOS. DEVOLUÇÃO DE PATRIMÔNIO. CARACTERIZAÇÃO. No processo denominado desmutualização, consistente na cisão de associação sem finalidade lucrativa com versão do patrimônio correspondente a sociedade empresária, criada sob forma de sociedade anônima, a entrega de ações desta nova companhia aos detentores de títulos patrimoniais daquelas associações caracteriza devolução de patrimônio e não substituição de títulos. DESMUTUALIZAÇÃO. AÇÕES. REGISTRO CONTÁBIL. ATIVO CIRCULANTE. As ações recebidas no processo de desmutualização devem ser registradas no Ativo Circulante quando for a intenção do subscritor a sua alienação, segundo inteligência do PN CST 108/78, o que se revela pelo prévio conhecimento de processo de oferta pública. Caso contrário, sendo o interesse pela sua permanência em carteira, diante da necessidade para o exercício de suas atividades, devem ser contabilizadas no Ativo Permanente, subgrupo Investimentos. COFINS. ALIENAÇÃO DE AÇÕES. CORRETORAS DE TÍTULOS E VALORES MOBILIÁRIOS. RECEITA PRÓPRIA DA ATIVIDADE. INCIDÊNCIA. A alienação de ações e outros valores mobiliários por sociedades corretoras, por ser receita própria de suas atividades empresariais, qualifica-se como faturamento dessas instituições, devendo submeter-se à incidência da COFINS. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 31/10/2007 MULTAS EM LANÇAMENTO DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE. Carece de base legal a incidência de juros de mora sobre o montante referente a multas, em lançamento de ofício.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário apresentado, considerando ser de alienação a natureza jurídica da operação de incorporação de ações, e que restou demonstrado nos autos a intenção de venda da integralidade das ações, que deveriam ter sido contabilizadas no ativo circulante, vencidos o relator e os Conselheiros Augusto Fiel Jorge D'Oliveira e André Henrique Lemos, e afastando a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, vencidos os Conselheiros Robson José Bayerl, Mara Cristina Sifuentes e Fenelon Moscoso de Almeida. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Rosaldo Trevisan. ROSALDO TREVISAN - Presidente e Redator Designado. LEONARDO OGASSAWARA DE ARAÚJO BRANCO - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayerl, Mara Cristina Sifuentes, Fenelon Moscoso de Almeida, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, André Henrique Lemos e Tiago Guerra Machado.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/10/2007 DESMUTUALIZAÇÃO. ASSOCIAÇÕES SEM FINS LUCRATIVOS. DEVOLUÇÃO DE PATRIMÔNIO. CARACTERIZAÇÃO. No processo denominado desmutualização, consistente na cisão de associação sem finalidade lucrativa com versão do patrimônio correspondente a sociedade empresária, criada sob forma de sociedade anônima, a entrega de ações desta nova companhia aos detentores de títulos patrimoniais daquelas associações caracteriza devolução de patrimônio e não substituição de títulos. DESMUTUALIZAÇÃO. AÇÕES. REGISTRO CONTÁBIL. ATIVO CIRCULANTE. As ações recebidas no processo de desmutualização devem ser registradas no Ativo Circulante quando for a intenção do subscritor a sua alienação, segundo inteligência do PN CST 108/78, o que se revela pelo prévio conhecimento de processo de oferta pública. Caso contrário, sendo o interesse pela sua permanência em carteira, diante da necessidade para o exercício de suas atividades, devem ser contabilizadas no Ativo Permanente, subgrupo Investimentos. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. ALIENAÇÃO DE AÇÕES. CORRETORAS DE TÍTULOS E VALORES MOBILIÁRIOS. RECEITA PRÓPRIA DA ATIVIDADE. INCIDÊNCIA. A alienação de ações e outros valores mobiliários por sociedades corretoras, por ser receita própria de suas atividades empresariais, qualificase como faturamento dessas instituições, devendo submeterse à incidência da Contribuição para o PIS/PASEP. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 17 02 /2 01 0- 48 Fl. 287DF CARF MF 2 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/10/2007 DESMUTUALIZAÇÃO. ASSOCIAÇÕES SEM FINS LUCRATIVOS. DEVOLUÇÃO DE PATRIMÔNIO. CARACTERIZAÇÃO. No processo denominado desmutualização, consistente na cisão de associação sem finalidade lucrativa com versão do patrimônio correspondente a sociedade empresária, criada sob forma de sociedade anônima, a entrega de ações desta nova companhia aos detentores de títulos patrimoniais daquelas associações caracteriza devolução de patrimônio e não substituição de títulos. DESMUTUALIZAÇÃO. AÇÕES. REGISTRO CONTÁBIL. ATIVO CIRCULANTE. As ações recebidas no processo de desmutualização devem ser registradas no Ativo Circulante quando for a intenção do subscritor a sua alienação, segundo inteligência do PN CST 108/78, o que se revela pelo prévio conhecimento de processo de oferta pública. Caso contrário, sendo o interesse pela sua permanência em carteira, diante da necessidade para o exercício de suas atividades, devem ser contabilizadas no Ativo Permanente, subgrupo Investimentos. COFINS. ALIENAÇÃO DE AÇÕES. CORRETORAS DE TÍTULOS E VALORES MOBILIÁRIOS. RECEITA PRÓPRIA DA ATIVIDADE. INCIDÊNCIA. A alienação de ações e outros valores mobiliários por sociedades corretoras, por ser receita própria de suas atividades empresariais, qualificase como faturamento dessas instituições, devendo submeterse à incidência da COFINS. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/10/2007 MULTAS EM LANÇAMENTO DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE. Carece de base legal a incidência de juros de mora sobre o montante referente a multas, em lançamento de ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário apresentado, considerando ser de alienação a natureza jurídica da operação de incorporação de ações, e que restou demonstrado nos autos a intenção de venda da integralidade das ações, que deveriam ter sido contabilizadas no ativo circulante, vencidos o relator e os Conselheiros Augusto Fiel Jorge D'Oliveira e André Henrique Lemos, e afastando a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, vencidos os Conselheiros Robson José Bayerl, Mara Cristina Sifuentes e Fenelon Moscoso de Almeida. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Rosaldo Trevisan. Fl. 288DF CARF MF Processo nº 16327.001702/201048 Acórdão n.º 3401003.867 S3C4T1 Fl. 288 3 ROSALDO TREVISAN Presidente e Redator Designado. LEONARDO OGASSAWARA DE ARAÚJO BRANCO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Robson José Bayerl, Mara Cristina Sifuentes, Fenelon Moscoso de Almeida, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, André Henrique Lemos e Tiago Guerra Machado. Relatório 1. Tratase auto de infração, situado à fl. 2, lavrado em 21/12/2010, com a finalidade de formalizar a cobrança de PIS e Cofins, acrescido de juros e de multa de ofício de 75%, em virtude do não recolhimento dos tributos, referente aos períodos de apuração de 31/10/2007, no valor histórico de R$ 9.113.335,61: 2. Segundo se depreende do Termo de Verificação Fiscal, situado às fls. 82 a 97, a contribuinte recebeu, por conta do processo de desmutualização da Bovespa, o total de 4.589.494 ações de emissão da Bovespa Holding S/A, com a seguinte origem: (i) 570.535 recebidas em substituição à devolução de um título patrimonial da Bovespa; (ii) 136.227 recebidas na incorporação de ações da Bovespa Serviços e Participações S/A; e (iii) 3.882.732 recebidas da incorporação de ações da Companhia Brasileira de Liquidação e Custódia (CBLC). 3. A totalidade das ações recebidas foi vendida em outubro de 2007 pelo valor unitário de R$ 23,00 por ação, perfazendo, assim, o total de R$ 105.558.362,00. O saldo da conta contábil de investimento era de R$ 10.234.571,62 (4.589.494 ações a R$ 2,23 cada), implicando um ganho líquido, portanto, de R$ 95.323.790,38. Tanto os títulos patrimoniais da Bovespa como as ações da CBLC, estavam contabilizadas no ativo permanente, e tal classificação permaneceu para as ações da Bovespa Holding S/A. O resultado apurado na operação foi considerado pela empresa como receita não operacional, decorrente de venda de bens do ativo permanente e, logo, não oferecido à tributação das contribuições em análise. A autoridade fiscal reclassificou os ativos, entendendoos como receita operacional e procedeu ao lançamento do PIS e da Cofins sobre o ganho auferido no mês de outubro de 2007. 4. A contribuinte apresentou, em 19/01/2011, impugnação, situada às fls. 125 a 150, argumentando, em síntese, a aplicação do inciso IV, § 2º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998 devido à natureza da operação de alienação de ativo permanente, uma vez que a intenção das corretoras jamais foi se desfazer de seus títulos e ações, e, ainda que se entenda como ativo circulante, tal receita não integraria o faturamento, uma vez que não é derivada da venda de mercadorias e serviços, e não foi realizada no exercício do seu objeto social, tendo se observado, na verdade, a venda de ativos próprios adquiridos para viabilizar a operação na Bovespa; argumenta, ainda, a não incidência dos juros sobre a multa de ofício. Fl. 289DF CARF MF 4 5. Em sessão de 19/05/2011, foi proferido o Acórdão DRJ nº 1631.575, situado às fls. 202 a 214, e proferido pela 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I (SP), sob a relatoria do AuditorFiscal Márcio Angelim Ovídio Silva, que decidiu, por votação unânime, julgar improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido, nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/10/2007 RECEITA DECORRENTE DE VENDA DE AÇÕES DA SOCIEDADE BOVESPA HOLDING S/A RECEBIDAS EM DECORRÊNCIA DA DESMUTUALIZAÇÃO DA BOVESPA ASSOCIAÇÃO. CLASSIFICAÇÃO DAS AÇÕES NO ATIVO CIRCULANTE. INCLUSÃO NO FATURAMENTO. O recebimento de ações da Bovespa Holding S/A, em decorrência da operação de desmutualização da Bovespa Associação, seja em decorrência da devolução de patrimônio representado pelos títulos patrimoniais da associação, seja em decorrência da incorporação de ações da CBLC, caracterizase como Aquisição de ativo, e não como mera troca ou substituição. Demonstrada a intenção de venda no curto prazo, devem as ações serem classificadas no ativo circulante, e não no ativo permanente, não cabendo a sua exclusão da base de cálculo da COFINS. O faturamento deve ser entendido como as receitas decorrentes da atividade empresarial típica, o que, no caso de corretoras de títulos e valores mobiliários, inclui a compra e venda de ações de carteira própria. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/10/2007 RECEITA DECORRENTE DE VENDA DE AÇÕES DA SOCIEDADE BOVESPA HOLDING S/A RECEBIDAS EM DECORRÊNCIA DA DESMUTUALIZAÇÃO DA BOVESPA ASSOCIAÇÃO. CLASSIFICAÇÃO DAS AÇÕES NO ATIVO CIRCULANTE. INCLUSÃO NO FATURAMENTO. O recebimento de ações da Bovespa Holding S/A, em decorrência da operação de desmutualização da Bovespa Associação, seja em decorrência da devolução de patrimônio representado pelos títulos patrimoniais da associação, seja em decorrência da incorporação de ações da CBLC, caracterizase como aquisição de ativo, e não como mera troca ou substituição. Demonstrada a intenção de venda no curto prazo, devem as ações serem classificadas no ativo circulante, e não no ativo permanente, não cabendo a sua exclusão da base de cálculo do PIS. O faturamento deve ser entendido como as receitas decorrentes da atividade empresarial típica, o que, no caso de corretoras de títulos e valores mobiliários, inclui a compra e venda de ações de carteira própria. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido. Fl. 290DF CARF MF Processo nº 16327.001702/201048 Acórdão n.º 3401003.867 S3C4T1 Fl. 289 5 6. A contribuinte interpôs, em 05/08/2011, recurso voluntário, situado às fls. 234 a 264, no qual reiterou as razões defendidas em sua impugnação. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, relator, 7. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. 8. Em síntese, em outubro de 2007, a contribuinte realizou a alienação de 4.589.494 ações da Bovespa Holding S/A pelo valor unitário de R$ 23,00, totalizando, assim, o valor de R$ 105.558.362,00. Segundo entendimento da autoridade fiscal, em seguida à desmutualização, sobreveio a aquisição de ações de sociedades anônimas, que deveriam ter sido contabilizadas no circulante uma vez que tal ativo estaria destinado à venda imediata que, por seu turno, foi entendida como parte do objeto social da contribuinte, o que implicou a natureza de receita operacional dos valores havidos. 9. De fato, ao se observar a operação, já bastante conhecida no âmbito deste Conselho, depreendese que não houve, durante a chamada desmutualização, o recebimento de valores, por parte das associadas, como devolução de valores referentes ao capital investido na associação, nem posterior subscrição de ações. Na verdade, no sentido de uma modernização do mercado brasileiro, não diferente daquilo que se observou em outros países da tradição ocidental, as bolsas de valores, antes constituídas na forma de associações sem fins lucrativos, com verdadeira conotação pública, passaram a se organizar na forma de entidades com fins lucrativos, estimuladas pela própria legislação da década de 1990, segundo a qual, a partir da edição da Lei nº 9.532/1997, a diferença entre o valor em dinheiro ou o valor dos bens e direitos recebidos de instituição isenta, por pessoa física, a título de devolução de patrimônio, e o valor em dinheiro ou o valor dos bens e direitos entregues originalmente deveriam ser oferecidos a uma tributação exclusiva e favorecida sobre a renda, a uma alíquota fixa de 15%, ou, no caso de a destinatária se tratar de pessoa jurídica, computada na determinação do lucro real. Neste contexto é que, em 28/08/2007 ocorreu a desmutualização da Bovespa e, em 20/09/2007, da Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F), que passariam a ser subsidiárias integrais da Nova Bolsa S/A Bovespa e BM&F. 10. Ocorre que, conforme se denota da leitura da ata da Assembleia Geral Extraordinária (AGE) realizada em 28/08/2007, os membros da Bovespa decidiram que suas atividades passariam a ser realizadas na forma de sociedade anônima, o que levou, como se sabe, à cisão parcial da Associação Bovespa, em conformidade com o art. 2.033 do Código Civil, do art. 227 da Lei nº 6.404/1976 e do art. 5º da Resolução do Conselho Monetário Nacional nº 2.690/2000. Assim: (i) uma parte do patrimônio cindido foi incorporada pela recémcriada Bovespa Serviços e Participações S/A (Bovespa Serviços), e (ii) o restante pela Fl. 291DF CARF MF 6 Bovespa Holding S/A que, por seu turno, incorporou as ações da BSB e da CBLC, nos termos do art. 1.116 do Código Civil. Observese que destino semelhante conheceu a BM&F, sujo patrimônio cindido seria absorvido pela Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F S/A): assim, tanto a Bovespa como a BM&F tiveram as suas designações sociais alteradas. 11. Como efeito desta reestruturação societária, observouse a substituição compulsória dos títulos patrimoniais da Bovespa por ações da Bovespa Holding S/A e os títulos da BM&F por ações da BM&F S/A, uma vez que, em 26/10/2007, ocorreria a oferta pública de ações da Bovespa Holding S/A e, em 30/11/2007, da BM&F S/A. 12. Ao nos voltarmos especificamente ao caso sob análise, o que se observou foi: (i) a substituição dos títulos Bovespa e ações CBLC por ações da Bovespa Holding, que incorporou a BSB, sendo que o mesmo raciocínio se aplica à incorporação da CBLC pela Bovespa Holding, em que se observou (ii) a substituição de ações da CBLC por ações da Bovespa Holding. Assim, no contexto da desmutualização, em resumo, os títulos da Bovespa e as ações da CBLC foram convertidos em ações, permanecendo tais ativos contabilizados no permanente da recorrida. 13. Na espécie, a contribuinte recorrente detinha 570.535 ações recebidas em substituição à devolução de título patrimonial da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), 136.227 ações recebidas de incorporação de ações da Bovespa Serviços e Participações S/A, e 3.882.732 ações recebidas da incorporação de ações da Companhia Brasileira de Liquidação e Custódia (CBLC), adquiridos com a intenção de permanência e, portanto, contabilizados em conta de ativo permanente. 14. Antes da reestruturação societária descrita mais acima, os títulos detidos estavam contabilizados, evidentemente no ativo permanente das corretoras e, no entendimento da autoridade fiscal, ao convolálos em ações, deveriam tais ativos sofrer uma reclassificação para o realizável ou circulante. Há de se observar, todavia, quando se fala a respeito da "intenção" das corretoras de alienarem as ações uma vez que o IPO ocorreu logo depois da operação de desmutualização, que a oferta de ações não configura uma certeza de venda ou sequer uma alta probabilidade de liquidez. O que, no caso da Bolsa em 2007, foi evento exitoso, que atingiu o esperado no “roadshow”, em outros contextos poderia não ser, não havendo, portanto, de se estabelecer uma relação mecânica de causalidade entre IPO e venda e, logo, é falacioso o argumento de que, como se sabia estar na iminência de uma oferta pública, os ativos foram recepcionados como estoque para logo mais serem vendidos. 15. Ademais, é correto afirmar que o processo de desmutualização não possibilitou às corretoras qualquer outra alternativa senão a substituição dos títulos pelas ações, não havendo, ademais, a prerrogativa de venda dos títulos ou de permuta por outro ativo, de forma que, a partir de uma perspectiva objetiva, não se observou, em nenhum momento, a reputada “intenção” das corretoras de se desfazerem de seus títulos (e, a posteriori, ações) registrados em seu ativo permanente. 16. Há de se recordar ainda que, do ponto de vista contábil, o mero ato de transformar títulos patrimoniais em ações, mesmo diante de uma expectativa provável de venda, não altera a pretensão do investidor e, logo, não gera efeitos sobre a classificação do ativo que, no início do exercício, foi indicado como permanente. Tratase de uma sucessão de eventos societários (cisão seguida de incorporação) infensa à intenção do investidor, que apenas assiste à transformação de seu título em ação. 17. Ademais, há de se estabelecer, de um lado, a inexistência de uma prova concreta de “intenção de venda” em contexto de mercado anterior à operação (e.g., um Fl. 292DF CARF MF Processo nº 16327.001702/201048 Acórdão n.º 3401003.867 S3C4T1 Fl. 290 7 contrato assinado neste sentido). Na verdade, o que se observa é a realização de um investimento não com o objetivo de venda, mas de participação, de acesso ao ambiente bursátil. 18. De outro lado, a intenção de vender ativo permanente não o torna automaticamente circulante – raciocínio, digase, que não se justificaria sequer diante da postura mais liberal ou do ponto vista mais lasso de contabilidade. Esta, aliás, é a orientação expressa que se depreende da leitura do Parecer Normativo CST nº 3, de 04/02/1980, que negou a possibilidade da transferência de ativos ao circulante pela simples pretensão de serem destinados à venda: “(...) a simples pretensão da pessoa jurídica no sentido de alienar os bens destinados à utilização na exploração do objeto social ou na manutenção das atividades da empresa não autoriza, para os efeitos da legislação do imposto de renda, a exclusão dos elementos correspondentes registrados em contas do ativo permanente, devendo a cifra respectiva continuar integrando aquele agrupamento até a alienação, baixa ou liquidação do bem” – (seleção e grifos nossos). 19. A expectativa da contribuinte de, com determinado ativo, obter um benefício futuro, ademais, não é suficiente para deslocálo para uma classificação diversa, afinal, como preleciona Edison Carlos Fernandes, essa é justamente a característica de qualquer ativo, seja ele circulante ou não: "(...) a evidência econômica de uma operação ou de um evento somente será reconhecida em conta de ativo se for provável a respectiva geração de benefícios futuros; a contrario sensu, os gastos ou desembolsos que não representarem suficiente probabilidade de geração de benefícios futuros, deverão ser reconhecidos como despesa".1 Tomase, assim, como necessária referência, ainda, o Pronunciamento Técnico CPC nº 27, que considera ativo imobilizado o item tangível que: (a) é mantido para uso na produção ou fornecimento de mercadorias ou serviços, para aluguel a outros, ou para fins administrativos; e (b) se espera utilizar por mais de um período. Neste sentido, “(...) correspondem aos direitos que tenham por objeto bens corpóreos destinados à manutenção das atividades da entidade ou exercidos com essa finalidade, inclusive os decorrentes de operações que transfiram a ela os benefícios, os riscos e o controle desses bens”. Não é, portanto, um evento posterior que classifica o ativo, de maneira retrospectiva. 20. Assim, inexiste justificativa plausível para que se proceda a uma reclassificação fiscal unicamente decorrente da consciência (posterior) de que, em um segundo momento, o IPO foi exitoso: como se disse mais acima, poderia não ter sido. Logo, há de se estabelecer um segundo desdobramento importante: não é a isolada expectativa de liquidez que serve de critério para a classificação contábil. A base da contabilização deve se dar não pelo destino efetivo de um ativo, mas pela “intenção” da sociedade (causa objetiva) no momento da aquisição. No caso presente, os títulos da Bovespa e as ações da CBLC se verificam como indispensáveis à realização do objeto social da contribuinte e, por isso, foram adquiridos com o desígnio de permanência. Assim, o circulante demanda o congraçamento da intenção (expectativa de venda) no ato do reconhecimento com o critério objetivo de se estar diante de um ativo de liquidez imediata destinado à venda no contexto e uma operação mercantil e, não 1 FERNANDES, Edison Carlos. Direito Contábil na prática da governança corporativa. São Paulo: All Print Editora, 2017, pp. 106107. Fl. 293DF CARF MF 8 por outro motivo, aplicase ao presente caso a exclusão prevista no inciso IV, § 2º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998. 21. Na verdade, no caso da incorporação da CBLC pela Bovespa Holding resta ainda mais evidente o caráter de “troca de ações”, pois, como em qualquer operação societária de incorporação de ações, houve a entrega das ações da incorporada e recebimento de ações da incorporadora, continuando a CBLC a existir e operar, tendo como sua controladora integral a Bovespa Holding S/A. 22. Já escrevemos a respeito deste entendimento em outras oportunidades, como no Acórdão CARF nº 3401003.752, de relatoria do Conselheiro Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, proferido em sessão pública de 26/04/2017, com trecho da ementa abaixo transcrito: REESTRUTURAÇÃO SOCIETÁRIA. INCORPORAÇÃO DE AÇÕES. BANCO MÚLTIPLO. ATIVIDADE EMPRESARIAL ATÍPICA. A operação de incorporação de ações da Bovespa Holding S.A. pela Nova Bolsa S.A. realizada em 08/05/2008 não se caracteriza como atividade empresarial típica das instituições financeiras acionistas da Bovespa Holding, estando fora do campo de incidência das contribuições para o PIS/COFINS os valores relativos às ações incorporadas recebidas. REESTRUTURAÇÃO SOCIETÁRIA. RESGATE DE AÇÕES PREFERENCIAIS. BANCO MÚLTIPLO. ATIVIDADE EMPRESARIAL ATÍPICA. O resgate de ações preferenciais da Nova Bolsa realizado em 08/05/2008 não se caracteriza como atividade empresarial típica das instituições financeiras que receberam tais ações no processo de reestruturação societária das bolsas de valores, estando fora do campo de incidência das contribuições para o PIS/COFINS os valores recebidos a esse título. 23. Naquela oportunidade, externamos, em voto de nossa lavra, o posicionamento ora reafirmado no sentido de que se está diante de ativo imobilizado: “Tratase, em resumo, de cobrança de PIS e Cofins decorrente de operação de incorporação de ações da Bovespa Holding S/A pela Nova Bolsa S/A. Da leitura dos documentos trazidos à colação no presente feito, depreendese que a contribuinte recorrida celebrou em 24/08/2007 instrumento particular com objeto de cessão e transferência de títulos patrimoniais de corretora e emissão da BOVESPA, por meio do qual adquiriu 12 títulos patrimoniais da BOVESPA com a finalidade de viabilizar o funcionamento da Goldman Sachs Corretora de Valores Mobiliários LTDA no ambiente bursátil. Com a superveniência da desmutualização da Bolsa em 28/08/2007, os títulos detidos pela contribuinte foram substituídos por ações da Bovespa Holding S/A e, em momento posterior, 08/05/2008, a Nova Bolsa procedeu à incorporação das ações da Bovespa Holding S/A e da BM&F, que passaram, portanto, à condição de subsidiárias integrais. Fl. 294DF CARF MF Processo nº 16327.001702/201048 Acórdão n.º 3401003.867 S3C4T1 Fl. 291 9 Em síntese, a autoridade fiscal entendeu que a incorporação de ações consubstanciaria alienação com reconhecimento de ganho que deveria ter sido oferecido à tributação na condição de ativo circulante, ainda que contabilizadas como não circulante (ANC, ou “ativo permanente”). Como receita bruta operacional, estariam tais valores sujeitos à incidência das contribuições em debate. A decisão recorrida exonerou integralmente o crédito tributário, pois entendeu que a incorporação de ações da Bovespa Holding pela Nova Bolsa não se caracterizou como atividade empresarial “típica” das instituições financeiras e, desta feita, o ganho de capital havido entre valor de mercado das ações incorporadas e valor histórico ou contábil passaria ao largo da incidência do PIS e da Cofins. É conhecido e consabido o debate em torno da tributação da incorporação de ações, entendida por parte da doutrina, em síntese, como mera substituição de ações em virtude de subrogação real,2 em que não se reconhece a existência de uma alienação, e, por outra parte, como aumento de capital mediante conferência de bens, o que implica alienação das ações incorporadas.3 Sobre se tratar de fenômeno de "substituição", o bem adveniente toma o lugar do bem substituído e, neste sentido, Alberto Xavier preconiza que se está diante de um "(...) contrato entre duas sociedades",4 e não entre sócio e sociedade como ocorre na conferência de bens, tratandose, ainda, de evento societário que deve ser aprovado pela maioria, ainda que qualificada, e não pela unanimidade dos sócios. Neste sentido, "(...) o titular das ações a serem objeto de incorporação nada faz, nada transmite, nada permuta": "(...) limitase 'passivamente' a receber da sociedade incorporadora ações substitutivas das originariamente detidas e que ocupam, no seu patrimônio, lugar equivalente ao das ações substituídas por um fenômeno de subrogação real"5 (seleção e grifos nossos). No entanto, ao nos voltarmos ao estudo do presente caso e às suas peculiaridades, há de se constatar, em primeiro lugar, que a receita operacional, a fim de se evitarem as dificuldades das expressões “própria” ou “típica”, das instituições financeiras é, por evidente, aquela que exsurge da 2 OLIVEIRA, Ricardo Mariz de. Incorporação de ações no direito tributário conferência de bens, permuta, dação em pagamento e outros negócios jurídicos. São Paulo: Editora Quartier Latin, 2014. 3 SCHOUERI, Luís Eduardo e ANDRADE JR., Luís Carlos de. Incorporação de ações: natureza societária e efeitos tributários. São Paulo: Editora Dialética, Revista Dialética de Direito Tributário nº 200, maio de 2012. 4 XAVIER, Alberto. "Incorporação de ações: natureza jurídica e regime tributário". In: CASTRO, Rodrigo R. Monteiro de, e ARAGÃO, Leandro Santos de (coords.). Sociedade Anônima: 30 anos da Lei nº 6.404/1976. São Paulo: Editora Quartier Latin, 2007, pp. 121143. 5 Ibidem. Fl. 295DF CARF MF 10 intermediação financeira, da gerência de recursos de terceiros, e não da venda e compra de ações, o que desnaturaria o seu curso social. Assim, tal receita, não decorrente da atividade operacional de tais instituições, não deve ser tributada pelas contribuições sociais em referência, o que antecede a questão sobre o seu registro contábil, sob pena de se extrapolar o âmbito da competência tributária delineada pelo constituinte, o que, de todo modo, foi objeto de longo e bem conhecido debate, que culminou com a declaração da inconstitucionalidade do § 1° do art. 3° da Lei n° 9.718/1998. Sob o escólio de Eliseu Martins, é possível se afirmar que, no caso das "(...) combinações de negócios, as exigências passaram a ser extremamente rígidas e detalhadas"6, não havendo de se olvidar que importante função do "(...) registro contábil é para fins informacionais". Problemático, entretanto, é, em nome da melhora da qualidade da informação contábil, desejarse "(...) estender os números contábeis aos efeitos da tributação",7 desconsiderando se a classificação dos investimentos mesmo diante da demonstração bastante verossímil de que a manutenção de tais títulos seria condição sine qua non para seu desempenho no mercado de ações. Todos os elementos comungam para a constatação de que se está diante de um ativo permanente. Há de se destacar, do presente processo, que a troca dos títulos por ações seguida por oferta pública de ações (IPO), que restou conhecida como “desmutualização”, caracteriza uma primeira fase não contemplada pelo caso em espécie, que se volta, a bem da verdade, a um segundo momento, que concerne às ações que remanesceram do IPO e que foram objeto de incorporação pela contribuinte recorrida. Tratase de situação com especificidade própria que não pode ser desconsiderada: um banco múltiplo estrangeiro que precisava, para operar na bolsa como corretora de títulos e participar do IPO, de um número mínimo de títulos patrimoniais. Não obstante, foi com tal objetivo específico que adquiriu títulos que sobejavam da Bruxelas Holding S/A do Grupo Bradesco por meio de contrato celebrado em 24/08/2007, ou seja, aproximadamente um mês antes da chamada desmutualização, que restringiu (i) o ganho da recorrida à remuneração do Certificado de Depósito Interbancário (CDI) e (ii) a possibilidade de revenda unicamente à empresa cedente ou ao próprio Bradesco. Em outras palavras, qualquer excedente havido, caberia ao Grupo Bradesco, o que foi divulgado por meio do prospecto do IPO, tendo a recorrida figurado na condição de joint bookrunner. Não por outro motivo que a recorrida realizou a revenda da integralidade das ações da Bolsa ao Grupo Bradesco, 6 MARTINS, Eliseu. "PREFÁCIO". In: OLIVEIRA, Ricardo Mariz de. Incorporação de ações no direito tributário conferência de bens, permuta, dação em pagamento e outros negócios jurídicos. São Paulo: Editora Quartier Latin, 2014, pp. 1617. 7 Ibidem. Fl. 296DF CARF MF Processo nº 16327.001702/201048 Acórdão n.º 3401003.867 S3C4T1 Fl. 292 11 não tendo auferido qualquer ganho acima da variação do CDI, valor este que ofereceu à tributação do PIS e da COFINS na condição de remuneração de operação conjugada de renda fixa. Assim, a convergência entre a forma utilizada para participar, e não alienar, transparece de maneira clara: tratase de banco sem carteira própria, cuja venda, ademais, é condicionada à existência do IPO, com trava da operação ao limite da remuneração do CDI. Tais elementos denotam “(...) algum objetivo, propósito ou utilidade de natureza material ou mercantil, e não puramente tributária”8, ou seja, um fazer apropriado e necessário à empresa.9 Todavia, ainda que se discuta com profusão a intenção, o que transparece das próprias peças de defesa, atentas à jurisprudência deste Conselho, “(...) o que assume proeminência na teoria causalista não é a vontade, mas a função que o negócio desempenha”.10 E, neste sentido, há de se buscar um interesse minimamente objetivo, que não pode ser atribuído à vontade. Em seu lugar, cabe se perscrutar sobre como “o exercício da autonomia privada (...) deve ser fiscalizado e controlado”.11 Neste sentido, a verificação do negócio jurídico exige o cotejo entre a causa abstrata ou causa típica do negócio, assim entendida como a “(...) função econômicosocial do tipo contratual a ser utilizado”,12 e a causa concreta, intenção concretamente buscada, assim entendida como os “(...) interesses concretos e comuns que as partes pretendem alcançar, revelados ou extraídos do ajuste contratual”.13 A divergência, desde que consciente, entre uma e outra poderá indicar a simulação no direito civil,14 e seu núcleo será o acordo ou pacto simulatório intentado pelas partes, assim entendido como a “(...) ressalva secreta, escrita ou verbal, que as partes fazem contra a produção dos efeitos [típicos] do negócio”.15 Cabe, em excursus, o seguinte registro: “Diferente será, ainda, a fraude, vez que o vício neste caso estará no fato de a finalidade, a causa concreta que move as partes, 8 DÓRIA, Antonio Roberto Sampaio. Elisão e evasão fiscal. São Paulo: Editora José Bushatsky, 1977, p. 76. 9 ROSEMBUJ, Tulio. El fraude de ley, la simulación y el abuso de las formas en el derecho tributario. Madrid: Marcial Pons, pp. 9497 e 260262: “(...) aun cuando sean verdaderas, no son apropiadas ni necesarias a la empresa, dirigidos como están a obtener una situación de ventaja tributaria”. 10 BOZZA, Fabio Piovesan. Planejamento tributário e autonomia privada. São Paulo: Editora QuartierLatin/Instituto Brasileiro de Direito Tributário (IBDT), 2015, p. 134. 11 GOMES, Orlando. Introdução ao direito civil. Rio de Janeiro: Editora Forense, 2010, pp. 337338. 12 BOZZA, Fabio Piovesan. Planejamento tributário e autonomia privada. São Paulo: Editora QuartierLatin/Instituto Brasileiro de Direito Tributário (IBDT), 2015, p. 136. 13Ibidem. 14Idem, p. 161. 15Idem, pp. 166169. Também chamado de “contradeclaração”, por meio do qual se “(...) explica por que a inexistência dos efeitos é bem distinta da inexistência do negócio (ou seja, o negócio continua a existir, ainda que viciado (...). Embora a letra do CC/2002 não aluda a este elemento, ele resultaria da própria natureza das coisas”. Fl. 297DF CARF MF 12 tratarse de uma ilegalidade.16 Assim, no caso da simulação, há o desejo de produzir uma aparência, e o negócio simulado é fictício e quer ludibriar. Já no caso da fraude, querse produzir uma realidade objetiva e concreta defesa pelo ordenamento, de modo a contornar a norma proibitiva: “(...) embora tanto o negócio simulado quanto o negócio em fraude à lei sejam nulos, é possível que o negócio dissimulado subsista”,17 desde que válido na forma e substância (...) a falta de propósito negocial é elemento indiciário da dissonância entre causa concreta e abstrata do negócio jurídico que, caso constatada, repercutiria na simulação. Observese, contudo, que sequer o tratamento da prática simulatória foi uniforme ao longo do tempo no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, sendo possível se entender que os aplicadores se voltaram, em determinado momento, a um conceito amplo de simulação, para além das hipóteses previstas no art. 167 do Código Civil.18 Em um primeiro período, de (i) decisões proferidas até o ano 2000, a jurisprudência do CARF foi marcada pela concepção voluntarista da simulação entendida como vício de consentimento, “(...) estruturada na divergência entre a vontade interna e a vontade declarada”,19 e aplicada “(...) em seu sentido restrito, formalista”.20 Em seguida, (ii) decisões proferidas entre 2001 e 2005, quando passam a conviver decisões com entendimento restrito e com sentido amplo de simulação, estes mais próximos da corrente causalista. Nesta etapa, “(...) enxergase o fenômeno simulatório quando há ausência de propósito negocial, assim entendida a falta de causa econômica ou a existência de negócios considerados artificiais”.21 Por fim, o período das (iii) decisões proferidas entre 2006 e abril de 201522 que marca um conflito entre as duas noções de simulação, em sentido restrito de um lado, e em sentido amplo de outro: “(...) o resultado dessa tensão pode ser encontrado em acórdãos que chegam a conclusões diametralmente opostas”.23 (...). A 16Idem, p. 188: tratase da previsão do art. 166, inciso VI do Código Civil de 2002. 17Idem, p. 189. Fábio Piovesan Bozza não deixa de esclarecer, ainda, que ambos os vícios poderão estar presentes no mesmo negócio, utilizandose a simulação para encobrir um negócio fraudulento, conforme Recurso Especial nº 260.462PR, sessão de 17/04/2001. 18 Lei nº 10.406/2002 – (Código Civil) – “Art. 167. É nulo o negócio jurídico simulado, mas subsistirá o que se dissimulou, se válido for na substância e na forma. § 1o Haverá simulação nos negócios jurídicos quando: I aparentarem conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas daquelas às quais realmente se conferem, ou transmitem; II contiverem declaração, confissão, condição ou cláusula não verdadeira; III os instrumentos particulares forem antedatados, ou pósdatados”. 19BOZZA, Fabio Piovesan. Planejamento tributário e autonomia privada. São Paulo: Editora QuartierLatin/Instituto Brasileiro de Direito Tributário (IBDT), 2015, p. 214. 20Ibidem. 21Idem, pp. 223 e 224: “(...) é possível visualizar a tendência (...) desse segundo período de construir um conceito amplo de simulação, que considera as preferências pessoais dos julgadores. Exemplo disso é o conceito peculiar de simulação (...) que mescla elementos subjetivos e objetivos”. 22Idem, p. 224. A classificação de Fábio Piovesan Bozza se refere ao momento “(...) a partir de 2006”, mas nos parece possível realizar o recorte até abril de 2015, momento da paralisação das atividades do CARF. 23Ibidem. Fl. 298DF CARF MF Processo nº 16327.001702/201048 Acórdão n.º 3401003.867 S3C4T1 Fl. 293 13 disposição da presença de propósito negocial no elemento de refutação permite a sua consideração como um elemento protetivo que, uma vez comprovado, elide a hipótese de simulação ou abuso. Assim ocorreu, por exemplo, no caso do Acórdão nº 1302001.325,24 e do Acórdão nº 1301001302,25 ou, ainda, o Acórdão nº 1102001.182.26”27 – (seleção nossa). Não há espaço, portanto, no presente caso, para requalificação do fato gerador, ou sequer integração por analogia com o objetivo de se desconsiderar a natureza jurídicocontábil da operação, mas verdadeira demonstração ou afirmação de sua vera substância por parte da defesa da recorrida ao longo do processo, como elemento eficaz de refutação da acusação fiscal que reclama a aplicação do racional do inciso IV do § 2° do art. 3°da Lei n° 9.718/1998, que expressamente determina que tais valores “excluemse da receita bruta” (sic) para a determinação da base de cálculo das contribuições, motivo pelo qual voto pelo conhecimento e não provimento do recurso de ofício” – (seleção e grifos nossos). 24. Assim, não se vislumbra, logo após a operação de desmutualização, a aquisição de um ativo novo, mas a sucessão de um mesmo ativo cuja contabilização permaneceu inalterada: não se vislumbra a dissolução da Associação Bovespa, mas a transformação em uma sociedade anônima, não devendo o art. 2.033 do Código Civil ser interpretado, como deseja a autoridade fiscal, à luz do art. 61 da LSA: tratouse, antes, de uma cisão seguida de incorporação. Neste contexto é que a contribuinte, de maneira correta, aplicou entendimento consoante com o Parecer Normativo CST nº 108, de 31/12/1978, que trata da classificação de contas para efeito da correção monetária de que trata o DecretoLei nº 1.598/1977, assinado pelo então Ministro Mário Henrique Simonsen: 24Acórdão CARF nº 1302001.325, sessão de 11/03/2014. 25 Acórdão CARF nº 1301001302, sessão de 09/10/2013. 26 Acórdão CARF nº 1102001.182, sessão de 27/08/2014. 27 BRANCO, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Argumentação tributária de lógica substancial. Dissertação de mestrado apresentada à Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo, 2016, pp. 3541 e 182. Fl. 299DF CARF MF 14 25. Em segundo lugar, ainda que se considere a existência de uma alienação, não se está diante de uma receita operacional e, logo, não há que se falar em tributação de PIS e Cofins, pois tais valores não se amoldam ao conceito de faturamento, uma vez que não é derivada da venda de mercadorias e serviços, e sequer foi realizada no exercício do seu objeto social, caracterizandose a operação como venda de ativos próprios, em conformidade com o entendimento firmado pelo Supremo Tribunal Federal no consabido julgamento conjunto dos Recursos Extraordinários nº 346.0846, 357.950, 358.273 e 390.840 em que se se assentou que a norma do art. 110 do Código Tributário Nacional assevera a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos de direito privado, bem como a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3 da Lei 9.718/98, ao ampliar o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. 26. Desta feita, há de se ter em conta a ponderação do Ministro Marco Aurélio Mello, no julgamento do Recurso Extraordinário nº 390.840/MG, no sentido de que a Lei 9.718/98 ultrapassou o conceito de faturamento estabelecido no voto condutor do Ministro Moreira Alves na ADI nº 11/DF no sentido de que a Lei Complementar nº 70/1991, apesar de falar em “receita bruta”, não ultrapassou o conceito de faturamento, mesmo entendimento do voto do Ministro Ilmar Galvão no Recurso Extraordinário nº 150.755, oportunidade na qual, ademais, em dezembro de 1993, estabeleceuse, como fundamento de validade da Cofins o art. 195 da Constituição de 1988 e, do PIS, o art. 239, que fez menção expressa à Lei Complementar nº 7/1970. O amadurecimento institucional resultante da tensão entre os textos autênticos dos três poderes resultou em um conceito de faturamento insuscetível de transposição posterior por parte da autoridade fiscal, sob pena de verdadeira usurpação da competência constitucional. Pelo exposto, voto no sentido de dar integral provimento ao recurso voluntário. Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Fl. 300DF CARF MF Processo nº 16327.001702/201048 Acórdão n.º 3401003.867 S3C4T1 Fl. 294 15 Voto Vencedor Conselheiro Rosaldo Trevisan, Redator designado Manifesto, por meio do presente voto, divergência em relação ao entendimento do relator, inicialmente no que se refere à natureza da operação denominada de “desmutualização”. Divergência essa já conhecida no seio do colegiado, tanto que o próprio relator transcreve, em seu voto, posicionamento externado em julgamento (sobre tema diverso, por tratar de etapa posterior à analisada nos presentes autos) que culminou no Acórdão no 3403003.487, de 26/04/2017. Tal posicionamento, digase, foi minoritário neste mesmo colegiado, na ocasião, como se percebe da transcrição da ementa e do resultado do julgamento, na qual o relator foi compelido regimentalmente a externar em seu voto o posicionamento majoritário da turma: “Em função do resultado da votação, para fins de atendimento ao disposto no artigo 63, § 8º do RICARF, fica esclarecido e registrado que (i) o fundamento que foi adotado pela maioria dos Conselheiros para negar provimento ao Recurso de Ofício se refere à não inclusão das operações de incorporação de ações e de resgate de ações participadas pela Recorrida dentre as receitas operacionais tributadas pelas contribuições e (ii) uma das fundamentações para a negativa de provimento propostas (a de impossibilidade de equiparação da incorporação de ações a uma alienação) não logrou acolhida majoritária no colegiado, não revelando o posicionamento da turma sobre o tema, que é o de que de que a "incorporação de ações" caracteriza uma alienação.” “Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao Recurso de Ofício, vencidos os Conselheiros Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida e Robson José Bayerl, por divergirem do relator sobre a natureza jurídica da incorporação de ações, e sobre a aplicação, ao caso, do entendimento do STF pela impossibilidade de alargamento da base de cálculo das contribuições, propondo o provimento do recurso de ofício, por serem as receitas em apreço decorrentes de atividade típica da empresa. O Conselheiro Rosaldo Trevisan, em evolução do posicionamento anteriormente externado, em função dos debates travados no seio do colegiado, continuou a acompanhar o voto do relator, mas pelas conclusões, por entender que a operação apresentada como "incorporação de ações" caracteriza uma alienação, mas não compõe as receitas operacionais tributadas pelas contribuições em análise. O Conselheiro Tiago Guerra Machado também acompanhou o relator pelas conclusões, por entender que a operação apresentada como "incorporação de ações" caracteriza uma alienação, mas não incidem as contribuições em análise sobre tal operação, por ser relativa ao ativo permanente. Os Conselheiros Eloy Eros da Silva Nogueira e Leonardo Fl. 301DF CARF MF 16 Ogassawara de Araújo Branco indicaram a intenção de apresentar declaração de voto.” (grifo nosso) Aliás, em março de 2016 tive a oportunidade de externar o posicionamento que ainda mantenho, em voto vencedor proferido no Acórdão no 3401003.126, no que se refere à leitura do Parecer Normativo CST no 108/1978: “7. Classificamse como investimentos, segundo a nova Lei das S. A., 'as participações permanentes em outras sociedades e os direitos de qualquer natureza, não classificáveis no Ativo Circulante, e que não se destinem à manutenção da atividade da companhia ou empresa (art. 179, III). Com relação ao dispositivo transcrito, dois pontos demandam interpretação: (1) o que se deve entender por 'participações permanentes' e (2) quais seriam os 'direitos de qualquer natureza'. 7.1 Por participações permanentes em outras sociedades, se entendem os importâncias aplicadas na aquisição de ações e outros títulos de participação societária, com a intenção de mantêlas em caráter permanente, seja para obter controle societário, seja por interesses econômicos, como, por exemplo, a constituição de fonte permanente de renda. Essa intenção será manifestada no momento em que se adquire a participação, mediante a sua inclusão no subgrupo de investimentos caso haja interesse de permanência ou registro no Ativo Circulante, não havendo esse interesse. Será, no entanto, presumida a intenção de permanência sempre que o valor registrado no Ativo Circulante não for alienado até a data do balanço do exercício seguinte àquele em que tiver sido adquirido; neste caso, deverá o valor da aplicação ser transferido para o subgrupo de investimentos e procedida a sua correção monetária, considerando como data de aquisição a do balanço do exercício social anterior.” (grifo nosso) Está o parecer claramente a afirmar que existem duas possibilidades, no momento da aquisição das ações: (a) contabilizálas como investimento, se houver interesse de permanência; ou (b) contabilizálas como ativo circulante, caso haja a intenção de venda. E essa opção não é do fisco, mas do contribuinte, segundo sua intenção. Mas deve revelar coerência com as operações que sabidamente realizará no futuro. Por certo que a assunção prévia de compromisso de oferta pública, comprovada no presente processo, implica a contabilização como ativo circulante, devendo o produto ser objeto de tributação pelas contribuições, por ter natureza de “alienação”, e não de simples “troca” de ativos. O posicionamento do colegiado sobre o tema restou nítido naquela assentada (Acórdão no 3401003.126), na qual fui designado como redator: “DESMUTUALIZAÇÃO. ASSOCIAÇÕES SEM FINS LUCRATIVOS. DEVOLUÇÃO DE PATRIMÔNIO. CARACTERIZAÇÃO. No processo denominado “desmutualização”, realizado pela BM&F e CETIP, consistente na cisão de associações sem finalidade lucrativa com versão do patrimônio correspondente a sociedades empresárias, criadas sob forma de sociedades anônimas, a entrega de ações destas novas companhias aos detentores de Fl. 302DF CARF MF Processo nº 16327.001702/201048 Acórdão n.º 3401003.867 S3C4T1 Fl. 295 17 títulos patrimoniais daquelas associações caracteriza devolução de patrimônio e não substituição de títulos. DESMUTUALIZAÇÃO. AÇÕES. REGISTRO CONTÁBIL. IMPUTAÇÃO FISCAL. PROVA. A classificação contábil das ações recebidas, na "desmutualização", está intimamente vinculada à intenção da empresa em negociar ou não em curto prazo as ações. No entanto, incumbe à autoridade autuante apresentar os elementos que comprovem que a recorrente, no momento do recebimento das ações, tinha efetivamente a intenção (ou mesmo a obrigação) de negociálas em curto prazo.” (grifo nosso) No entanto, enquanto naqueles autos não se desincumbiu a autoridade autuante do ônus probatório, no presente processo a fiscalização deixa claro que a recorrente tinha prévia ciência da oferta pública das ações que são objeto do auto de infração. Clara, assim, a necessidade de contabilização como circulante, e não como permanente, nos termos do Parecer Normativo CST no 108/1978. O colegiado, digase, voltou a se manifestar sobre o tema, no mesmo sentido, recentemente (Acórdão no 3401003.790): “DESMUTUALIZAÇÃO. ASSOCIAÇÕES SEM FINS LUCRATIVOS. DEVOLUÇÃO DE PATRIMÔNIO. CARACTERIZAÇÃO. No processo denominado desmutualização, realizado pela BOVESPA, consistente na cisão de associação sem finalidade lucrativa com versão do patrimônio correspondente a sociedade empresária, criada sob forma de sociedade anônima, a entrega de ações desta nova companhia aos detentores de títulos patrimoniais daquelas associações caracteriza devolução de patrimônio e não substituição de títulos. DESMUTUALIZAÇÃO. AÇÕES. REGISTRO CONTÁBIL. ATIVO CIRCULANTE. As ações recebidas no processo de desmutualização realizado pela BOVESPA devem ser registradas no Ativo Circulante quando for a intenção do subscritor a sua alienação, o que se revela pelas circunstâncias que envolvem os negócios jurídicos posteriormente realizados, sendo presumida quando a alienação ocorrer até a data do balanço do exercício social subsequente, segundo inteligência do PN CST 108/78. Caso contrário, sendo o interesse pela sua permanência em carteira, diante da necessidade para o exercício de suas atividades, devem ser contabilizadas no Ativo Permanente, subgrupo Investimentos. No caso vertente, as ações recebidas foram, originalmente, registradas no Ativo Circulante, o que estamparia o intuito negocial do sujeito passivo, sendo esse o entendimento majoritário dos componentes do colegiado, que acompanharam o voto proferido pelas conclusões. COFINS. ALIENAÇÃO DE AÇÕES. CORRETORAS DE TÍTULOS E VALORES MOBILIÁRIOS. RECEITA PRÓPRIA DA ATIVIDADE. INCIDÊNCIA. A alienação de ações e outros valores mobiliários por sociedades corretoras, por ser receita Fl. 303DF CARF MF 18 própria de suas atividades empresariais, qualificase como faturamento dessas instituições, devendo submeterse à incidência da Cofins. (Rel. Cons. Robson José Bayerl, unânime, sessão de 23 mai. 2017, sendo que votaram pelas conclusões os Conselheiros Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, André Henrique Lemos, Tiago Guerra Machado, Rodolfo Tsuboi e Rosaldo Trevisan, que entenderam que não foi necessária a comprovação pelo fisco da intenção de venda, no caso concreto, somente pelo fato de a própria empresa ter revelado contabilmente tal intenção). Ou seja, na ocasião, há dois meses, não parecia o colegiado ter dúvidas (com composição que difere do atual colegiado apenas em dois membros) sobre a incidência das contribuições nas operações de venda de ações resultantes do processo de “desmutualização”, desde que fossem (ou devessem ser) estas contabilizadas no circulante. Externamos tal posicionamento, que aqui endossamos, de longa data, desde a participação na Terceira Turma desta Quarta Câmara, em um dos primeiros julgamentos deste CARF sobre o tema (Declaração de Voto no Acórdão no 3403001.829): “A autuação fundase no entendimento de que a alienação de ações da Bovespa Holding S.A. recebidas como devolução de títulos patrimoniais da Bovespa às corretoras associadas, no processo denominado de “desmutualização” (o mesmo procedimento ocorreu, v.g., em relação à BM&F, culminando na BM&F S.A.), enseja o recolhimento da Contribuição para o PIS e da COFINS. Na formação da Bovespa Holding S.A. houve ainda a incorporação da CBLC (Companhia Brasileira de Liquidação e Custódia). A recorrente possuía 12 títulos patrimoniais da Bovespa, 1 título de membro da compensação da BM&F, 1 título de corretora de mercadorias da BM&F, e 500 títulos da CBLC antes da “desmutualização”. Em 28/8/2007, foram a ela atribuídas em decorrência disso 9.775.388 ações da Bovespa Holding S.A. Em 1/10/2007, foram ainda atribuídas 9.869.625 ações da BM&F S.A. A recorrente ofertou mediante IPO, em 23/10/2007, ações da Bovespa Holding S.A. (valor unitário de R$ 23,00), e em 28/11/2007, ações da BM&F S.A. (valor unitário de R$ 20,00). A recorrente alienou em IPO 25% das ações recebidas na desmutualização BM&F S.A. (conforme contrato previamente estabelecido, que assegurava um suplemento de 15% a ser oferecido no caso de excesso de demanda). Também foram vendidos 10% das ações antes do IPO a investidor estratégico (General Atlantic LLC), nos termos de compromisso igualmente assumido de forma prévia, no processo de “desmutualização”. Na autuação, exigese a Contribuição para o PIS e a COFINS em relação às ações vendidas em decorrência dos compromissos previamente assumidos pela recorrente. Defende o fisco que a contabilização das ações recebidas da BM&F S.A./Bovespa Holding S.A., e alienadas para o investidor estratégico (10%) e em IPO (25%) deveria ter sido feita no Ativo Circulante (conforme art. 179 da Lei no 6.404/1976 e Parecer Fl. 304DF CARF MF Processo nº 16327.001702/201048 Acórdão n.º 3401003.867 S3C4T1 Fl. 296 19 Normativo CST no 108/1978, tendo em vista a intenção de venda em curto prazo), e que a receita obtida é operacional (sendo que a própria recorrente classificou o resultado da venda do lote suplementar e o resultado da venda ao investidor estratégico 10% como operacional, tratando como não operacionais somente os resultados das vendas em IPO. A recorrente sustenta que as ações são classificadas contabilmente no Ativo Permanente, e que as receitas de venda de tais ações constituem receitas não operacionais, pois não guardam relação com a atividade da empresa. Analisandose as normas que tratam da matéria (essencialmente o art. 179 da Lei no 6.404/1976), verificase de início que a contabilização das ações recebidas deveria ter sido efetuada no Ativo Circulante somente se referente a direitos realizáveis no curso do exercício social subsequente. E remetese essa intenção ao momento do recebimento das ações na operação denominada de “desmutualização”. A própria Bovespa, em documento dirigido a seus antigos associados (Ofício Circular no 225/2007 DG), pouco depois da assembleia que decidiu pela “desmutualização”, orientou a contabilização pelos associados em decorrência da substituição de seus títulos patrimoniais por ações da nova empresa Bovespa Holding S. A.: “a) registrar o correspondente valor no Ativo Circulante, em subconta específica da conta Títulos de Renda Variável (conta do COSIF n° 1.3.1.20.), das ações de emissão da BOVESPA Holding S.A. recebidas em substituição, se a decisão for a de considerar essas ações como sendo "títulos disponíveis para negociação ou venda", ou b) manter esse valor no Ativo Permanente, em subconta específica da conta Ações e Cotas (conta do COSIF n" 2.1.5.10.), das ações de emissão da BOVESPA Holding S.A. recebidas em substituição, se a decisão for a de considerar essas ações como investimento. (...) Lembramos que os acionistas da Bovespa Holding S.A., a seu critério, considerando seus objetivos de investimento, poderão realizar uma alocação mista, entre Ativo Circulante e Ativo Permanente." Não se afigura dúvida, assim, em relação à classificação contábil, que está intimamente vinculada à intenção da empresa em negociar ou não em curto prazo as ações. No entanto, incumbe à autoridade autuante apresentar os elementos que comprovem que a recorrente, no momento do recebimento das ações, tinha efetivamente a intenção (ou mesmo a obrigação) de negociálas em curto prazo. Fl. 305DF CARF MF 20 No presente processo, restam incontroversos os compromissos previamente assumidos pela recorrente, seja de oferta a investidor estratégico, seja em IPO, seja em oferta suplementar. Assim, deveria a empresa ter contabilizado no Ativo Circulante tais ações. Portanto, escorreito o lançamento efetuado pelo fisco em relação a tal tópico, pois as receitas decorrentes da venda de tais ações constituem resultado operacional da recorrente (o que se conclui pela simples análise do seu objeto social), não havendo afetação do processo pela decisão em mandado de segurança referida pela recorrente. Assim, a receita obtida com a venda das ações é receita de atividade típica da empresa, compreendida em seu faturamento, e a classificação contábil das ações que a empresa manifesta a intenção de (ou está obrigada a) vender em curto prazo deve ser feita no Ativo Circulante. Nesse sentido, divergimos do voto do relator, e entendemos que a autuação é procedente, por estar materializada a intenção (decorrente de obrigação contratual previamente assumida) de venda no momento da contabilização.” Reparese que, em tal julgado, apesar de nossa declaração de voto não externar o posicionamento vencedor, à época, naquela turma, houve reforma da decisão na Câmara Superior de Recursos Fiscais (Acórdão no 9303004.564), resgatando entendimento que vem ao encontro daquele sempre por nós sustentado: “RECEITA DE VENDA DE AÇÕES ADQUIRIDAS PARA REVENDA. TRIBUTAÇÃO. Constitui receita própria da atividade da Recorrente a decorrente da venda de ações, adquiridas para esse fim, compondo seu resultado a base de cálculo da contribuição.” (recurso especial da Fazenda provido por maioria, sessão de 8 dez. 2016, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Erika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello). E, no presente processo, repitase, restou manifestada a intenção de venda, pela prévia ciência de oferta pública, narrada pela fiscalização (Relatório Fiscal fls. 90 a 93) e não afastada pela recorrente. Assim, divergindo do posicionamento externado pelo relator em relação à natureza da operação denominada de desmutualização, e no que se refere à manifestação da intenção de venda, com consequente necessidade de contabilização no circulante, mantenho o lançamento fiscal. A manutenção majoritária do lançamento, no colegiado, levou, então, a turma a apreciar expressamente tema não enfrentado originalmente pelo relator, por decorrência de este sustentar integral provimento: a questão referente à incidência (ou não) de juros de mora sobre a multa de ofício lançada. Fl. 306DF CARF MF Processo nº 16327.001702/201048 Acórdão n.º 3401003.867 S3C4T1 Fl. 297 21 Sobre o assunto, tenho sustentado reiteradamente que não há incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, em diversos acórdãos, como o de no 3403002.367, do qual se extrai a argumentação a seguir. O assunto seria aparentemente resolvido pela Súmula no 4 do CARF: “Súmula CARF no 4: A partir de 1o de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais” (grifo nosso) Contudo, resta a dúvida se a expressão “débitos tributários” abarca as penalidades, ou apenas os tributos. Verificando os acórdãos que serviram de fundamento à edição da Súmula, não se responde a questão, pois tais julgados se concentram na possibilidade de utilização da Taxa SELIC. Seguese então, para o art. 161 do Código Tributário Nacional, que dispõe: “Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1o Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. § 2o O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito.”(grifo nosso) As multas são inequivocamente penalidades. Assim, restaria ilógica a leitura de que a expressão créditos ao início do caput abarca as penalidades. Tal exegese equivaleria a sustentar que: “os tributos e multas cabíveis não integralmente pagos no vencimento serão acrescidos de juros, sem prejuízos da aplicação das multas cabíveis”. A Lei no 9.430/1996, por sua vez, dispõe, em seu art. 61, que: “Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. Fl. 307DF CARF MF 22 § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Novamente ilógico interpretar que a expressão “débitos” ao início do caput abarca as multas de ofício. Se abarcasse, sobre elas deveria incidir a multa de mora, conforme o final do comando do caput. Mais recentemente tratouse do tema nos arts. 29 e 30 da Lei no 10.522/2002: “Art. 29. Os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional e os decorrentes de contribuições arrecadadas pela União, constituídos ou não, cujos fatos geradores tenham ocorrido até 31 de dezembro de 1994, que não hajam sido objeto de parcelamento requerido até 31 de agosto de 1995, expressos em quantidade de Ufir, serão reconvertidos para real, com base no valor daquela fixado para 1o de janeiro de 1997. § 1o A partir de 1o de janeiro de 1997, os créditos apurados serão lançados em reais. § 2o Para fins de inscrição dos débitos referidos neste artigo em Dívida Ativa da União, deverá ser informado à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional o valor originário dos mesmos, na moeda vigente à época da ocorrência do fato gerador da obrigação. § 3o Observado o disposto neste artigo, bem assim a atualização efetuada para o ano de 2000, nos termos do art. 75 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, fica extinta a Unidade de Referência Fiscal – Ufir, instituída pelo art. 1o da Lei no 8.383, de 30 de dezembro de 1991. Art. 30. Em relação aos débitos referidos no art. 29, bem como aos inscritos em Dívida Ativa da União, passam a incidir, a partir de 1o de janeiro de 1997, juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia – Selic para títulos federais, acumulada mensalmente, até o último dia do mês anterior ao do pagamento, e de 1% (um por cento) no mês de pagamento.” (grifo nosso) Vejase que ainda não se aclara a questão, pois se trata da aplicação de juros sobre os “débitos” referidos no art. 29, e a expressão designada para a apuração posterior a 1997 é “créditos”. Bem parece que o legislador confundiu os termos, e quis empregar débito por crédito (e viceversa), mas tal raciocínio, ancorado em uma entre duas leituras possíveis do dispositivo, revelase insuficiente para impor o ônus ao contribuinte. Não se tem dúvidas que o valor das multas também deveria ser atualizado, sob o risco de a penalidade tornarse pouco efetiva ou até inócua ao fim do processo. Mas o legislador não estabeleceu expressamente isso. Pela carência de base legal, então, entendese pelo não cabimento da aplicação de juros de mora sobre as multas aplicadas no lançamento de ofício. Fl. 308DF CARF MF Processo nº 16327.001702/201048 Acórdão n.º 3401003.867 S3C4T1 Fl. 298 23 Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário, apenas para afastar a incidência dos juros de mora sobre os valores referentes à multa lançada de ofício, na fase de liquidação administrativa do presente julgado. Rosaldo Trevisan Fl. 309DF CARF MF
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