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Numero do processo: 15868.000135/2010-22
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Sep 11 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Exercício: 2001, 2002, 2003
CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS E DE COOPERATIVAS.
O cálculo do crédito presumido de IPI deve considerar os valores referentes às aquisições de cooperativas e pessoas físicas. Entendimento obrigatório em razão do disposto no Art. 62-A do RICARF em conjunto com a decisão em sede de recurso repetitivo do STJ em RE n.º 993.164/MG.
CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. AQUISIÇÃO DE ENERGIA ELÉTRICA E DE ÓLEO E COMBUSTÍVEL.
Conforme a Súmula 19 do CARF, energia elétrica e óleo para combustível não podem ser computados na apuração da base de cálculo do incentivo fiscal.
CRÉDITO NÃO ESCRITURADOS.
Os créditos não escriturados e não contabilizados não são líquidos e, portanto, não atendem aos requisitos legais de certeza e liquidez.
ATUALIZAÇÃO PELA SELIC.
Tratando-se de auto de infração e não de reconhecimento de crédito, a alegação de atualização do crédito pela SELIC não faz parte desta lide administrativa e, portanto, não pode ser apreciada.
Numero da decisão: 3201-003.080
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para admitir os créditos sobre aquisições de pessoas físicas e cooperativas.
(assinatura digital)
WINDERLEY MORAIS PEREIRA Presidente Substituto.
(assinatura digital)
PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila.
Nome do relator: PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para admitir os créditos sobre aquisições de pessoas físicas e cooperativas. (assinatura digital) WINDERLEY MORAIS PEREIRA Presidente Substituto. (assinatura digital) PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila.
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BASE DE CÁLCULO. INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS E DE COOPERATIVAS. O cálculo do crédito presumido de IPI deve considerar os valores referentes às aquisições de cooperativas e pessoas físicas. Entendimento obrigatório em razão do disposto no Art. 62A do RICARF em conjunto com a decisão em sede de recurso repetitivo do STJ em RE n.º 993.164/MG. CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. AQUISIÇÃO DE ENERGIA ELÉTRICA E DE ÓLEO E COMBUSTÍVEL. Conforme a Súmula 19 do CARF, energia elétrica e óleo para combustível não podem ser computados na apuração da base de cálculo do incentivo fiscal. CRÉDITO NÃO ESCRITURADOS. Os créditos não escriturados e não contabilizados não são líquidos e, portanto, não atendem aos requisitos legais de certeza e liquidez. ATUALIZAÇÃO PELA SELIC. Tratandose de auto de infração e não de reconhecimento de crédito, a alegação de atualização do crédito pela SELIC não faz parte desta lide administrativa e, portanto, não pode ser apreciada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para admitir os créditos sobre aquisições de pessoas físicas e cooperativas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 86 8. 00 01 35 /2 01 0- 22 Fl. 562DF CARF MF 2 (assinatura digital) WINDERLEY MORAIS PEREIRA – Presidente Substituto. (assinatura digital) PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila. Relatório Tratase de Recurso Voluntário de fls 483 em face de decisão de primeira instância administrativa da DRJ/BA de fls. 464 que decidiu pela improcedência da Impugnação de fls. 335, restando mantido o lançamento de IPI. Como de costume nesta Turma de Julgamento, transcrevese o relatório e ementa do Acórdão da Delegacia de Julgamento de primeira instância, DRJ/SP de fls, para a apreciação dos fatos e trâmite dos autos: "Tratase de Auto de Infração (fls.331/332) e Demonstrativos de Crédito Presumido (fls.328/330), lavrado contra a contribuinte acima identificada, que pretende a cobrança do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, no valor do principal de R$638.788,63, conforme descrito no Termo de Constatação Fiscal, fls. 325/327. Consta no relatório fiscal, ora sintetizado que: • Através do PER/DCOMP 10171.35274.040705.1.7.01.0377, retificador do PER/DCOMP 18923.11346.290605.1.3.01.4169, indicou um crédito presumido de IPI correspondentes aos anos de 2001, 2002 e 2003, passível de compensação, no valor de R$802.205,75, apurado segundo as regras da Lei nº9363, de 1996, e Portaria MF nº38, de 1997, processo administrativo nº10820.002441/200810; • Após análise verificouse que o contribuinte incluiu, para efeito de cálculo do crédito presumido, os gastos com aquisição de matéria prima (cana de açúcar) adquirida de pessoas físicas, glosados por serem pessoas físicas não contribuintes do PIS/Cofins; • Além disso, adicionou na base de cálculo os gastos com energia elétrica e óleo diesel que não são gastos permitidos pelas normas da Lei nº9.363, de 1996, opção adotada pelo contribuinte para apuração do crédito presumido; Fl. 563DF CARF MF Processo nº 15868.000135/201022 Acórdão n.º 3201003.080 S3C2T1 Fl. 562 3 • O crédito presumido solicitado pelo contribuinte não foi escriturado no Livro de Apuração do IPI – LRAIPI contrariando o que determina o art.11 da Instrução Normativa SRF nº 21, de 1997, e alterações posteriores, também não houve o estorno do referido crédito no livro; • Assim, efetuadas as glosas e refeito o cálculo do crédito presumido verificouse que o contribuinte pleiteou um crédito no valor de R$802.205,75 e tem direito a apenas R$163.417,12, pleiteando a maior o valor de R$638.788,63, objeto do presente auto de infração nos temos do art.9º, §4º do Decreto nº70.235, de 1972, alterada pela Lei nº11.941, de 2009. O enquadramento legal prevê infração aos artigos: 122, 127, 179, §§ 1º e 2º, e 180, §§1º e 2º, do Decreto n°4.544/02 (RIPI/02), arts 1º, 2º e 3º da Lei nº9.363, de 1996, art.9º, §4º, do Decreto nº70.235, de 1972, alterado pela Lei nº11.941, de 2009. Cientificada do lançamento, em 20/05/2010, fl.331, a interessada apresenta a impugnação de folhas 335/377, em 23/06/2010, fl. 335, sendo essas as suas razões de defesa: • o benefício, apurado na forma de crédito de IPI, é utilizado para o efeito de desoneração da Contribuição ao PIS e da Cofins. Mas não faz qualquer distinção quanto ao fato de os fornecedores diretos destes insumos serem ou não contribuintes da Contribuição ao PIS e Cofins; • objetivo deste benefício fiscal é estimular a exportação como um todo, de sorte que o benefício se aplica em relação a todos os insumos qualificados como MP, ME e PI, e não apenas aos insumos adquiridos de fornecedores sujeitos aos recolhimento da contribuição para o PIS e da Cofins; • o incentivo corresponde a um crédito que é presumido, cujo valor defini de fórmula estabelecida pela lei, a qual considera que é possível ter havido sucessivas incidências das duas contribuições, mas que, por se tratar de presunção júris et de jure, não exige nem admite prova ou contraprova de incidências ou não incidências, seja pelo fisco, seja pelo contribuinte. Por conseqüência, os valores correspondentes às aquisições de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem de não contribuintes do PIS e COFINS (pessoas físicas, cooperativas) compõem a base de cálculo do crédito presumido de que trata a Lei nº 9.363/96, não cabendo ao intérprete fazer distinção nos casos em que a lei não o fez; • a exclusão das aquisições de não contribuintes, in casu a cana de açúcar, derivada da Instrução Normativa 23/97, fere de morte o sistema jurídico nacional, pois uma norma regulamentar não pode opor restrição à concessão de um benefício, sem qualquer previsão legal de suas normas jurídicas superiores, já que onde a lei não distingue, e por tal, não é dado ao intérprete fazêlo, assim entendendo há longa data o Superior Tribunal de Justiça; Fl. 564DF CARF MF 4 • o artigo 2º da indigitada Instrução Normativa 23/97 contraria o manifesto objetivo do legislador ao editar a Lei 9.363/96, qual seja, o incentivo a exportação dos produtos nacionais mediante a redução da carga tributária, onerosa ao extremo; • a IN 23/97, além de violar a Lei nº9.363, de 1996, ainda viola o princípio da legalidade, esculpido na Magna Carta em seu artigo 150, III, pois ao negar o incentivo fiscal da Lei 9.363/96, faz incidir uma carga tributária que, além de indevida, não foi instituída por lei; • as Instruções Normativas nos 23/1997 e 103/1997 inovaram o texto da Lei nº 9.363, de 13.12.1996, ao disciplinarem que o crédito presumido de IPI seria calculado, exclusivamente, em relação às aquisições efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas à COFINS e às Contribuições ao PIS/PASEP (IN 23/1997); • a IN 23/97, em face da hierarquia normativa, que deve ser observada pelas normas administrativas complementares, não poderia opor qualquer restrição ao alcance do artigo 2º. Da Lei 9.363/96; • ainda de se registrar que a exclusão das aquisições relativas aos produtos de atividade agrícola não encontram respaldo pelos seguintes argumentos: a)a Cofins e o PIS oneram em cascata o produto rural e, por isso, estão embutidos no valor do produto final adquirido pelo produtor exportador, mesmo não havendo incidência na sua última aquisição; b)o Regulamento do IPI, Decreto 2.367/98, posterior à lei 9.363/96, não fez restrição às aquisições de produtos rurais; c)a base de cálculo do ressarcimento é o valor total das aquisições dos insumos utilizados no processo produtivo, sem condicionantes, conforme disposição legal, art. 2º, da Lei 9.363/96; • transcreve vasta jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e menciona julgados no mesmo sentido do STJ que entende apoiar seus argumentos; • com relação aos produtos intermediários, consumidos no fluxo do processo industrial, após definir matéria prima e produtos intermediários, entende produtos intermediários são aqueles que, embora não integrando o produto final fabricado, se desgastam/inutilizam/consomemse, com a alteração de suas propriedades físicoquímicas, no fluxo do processo industrial, este não factível sem suas aplicações ou consumo; • inclusive, o óleo diesel e a energia elétrica são consumidos de forma imediata e integral, e embora não se integrem ao produto final, são imprescindíveis à sua fabricação. O diploma legal que instituiu o crédito presumido não fez qualquer restrição nesse sentido, de que o produto intermediário deva integrarse ao produto final; • por conseguinte, todos os materiais acostados nas planilhas dos autos que geraram o pedido de ressarcimento devem ser computados para fins de apuração do valor do crédito presumido de IPI, nos termos da lei 9.363/96, sendo o conceito que abrange as aquisições das matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem utilizadas no processo Fl. 565DF CARF MF Processo nº 15868.000135/201022 Acórdão n.º 3201003.080 S3C2T1 Fl. 563 5 produtivo, é amplo, conforme os julgados já colecionados e reproduzidos; • no caso, deve incidir a Taxa Selic sobre os valores ressarcidos, na esteira da obstaculização fiscal ao crédito escriturado, materializada na glosa ora impugnada; • primeiramente de se salientar que a temática aqui percutida não é nova, eis que vem desde o início do surto inflacionário, dentro da filosofia segundo a qual em admitindo o erário faça a correção monetária dos seus débitos, curial que também se dê o mesmo tratamento na arena do crédito feito a destempo, o que vem causando verdadeiro duelo entre fisco e contribuinte; • assegurar que a correção monetária representa mera recomposição, ou até mesmo simples manutenção do valor da moeda, não sendo acréscimo de espécie alguma, daí a necessidade de sua aplicação; • o Poder Judiciário, por sua vez, também vem reconhecendo o direito a correção monetária, na hipótese de limitação do direito por parte da Fazenda. Tendo em vista a determinação contida na Portaria RFB/Sutri nº2.440, de 30 de novembro de 2012, o processo foi transferido em 03/12/2012, para esta DRJ, para julgamento, conforme despacho de encaminhamento de fl.463." Esta decisão de primeira instância proferida pela DRJ/BA foi publicada com a seguinte Ementa: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Exercício: 2001, 2002, 2003 INSUMOS. PESSOA FÍSICA Os valores referentes às aquisições de insumos de pessoas físicas, e cooperativas, nãocontribuintes do PIS/Pasep e da Cofins, não integram o cálculo do crédito presumido por falta de previsão legal. INSUMOS. ENERGIA ELÉTRICA E COMBUSTÍVEL. Os conceitos de produção, matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem são os admitidos na legislação aplicável ao IPI, não abrangendo as despesas com energia elétrica e combustível. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido." Os autos foram distribuídos e pautados nos moldes do regimento interno deste Conselho. Fl. 566DF CARF MF 6 Relatório proferido. Voto Conselheiro Relator Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Conforme o Direito Tributário, a legislação, as provas, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros, conforme Portaria de condução e Regimento Interno, apresentase este voto. Por conter matéria preventa desta 3.ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, o tempestivo Recurso Voluntário deve ser conhecido. De início, é importante reconhecer que o crédito presumido de IPI para ressarcimento de PIS/COFINS previsto na Lei 9.363/96, em uma visão breve e prática, tem o objetivo e fim social de ressarcir as contribuições da cadeia nacional industrial exportadora para que não seja exportado valor do tributo, com a consequente desoneração da cadeia produtiva e fortalecimento da competitividade da indústria nacional no mercado internacional. Verificase nos autos que a fiscalização entendeu que alguns valores não devem compor a base de cálculo dos créditos e glosou os valores referentes às aquisições de insumos de pessoas físicas e de cooperativas, glosou o crédito na aquisição de energia elétrica e óleo de combustível e glosou créditos não escriturados, conforme bem relatado na decisão de primeira instância de fls. 464, em trecho reproduzido a seguir: "Uma vez que a interessada não escriturou os alegados créditos e tampouco os estornou após o aproveitamento contrariou o que determina o art.11 da Instrução Normativa SRF nº 21, de 1997, e alterações posteriores: Art. 11. O estabelecimento que apurar crédito presumido de IPI, como ressarcimento das contribuições para o PIS/PASEP e COFINS, inclusive o estabelecimento matriz, no caso de apuração centralizada, deverá escriturálo no item 005 do quadro "Demonstrativo de Créditos", do livro Registro de Apuração do IPI, com indicação de sua origem no quadro "Observações". Neste contexto, portanto, os registros contábeis e fiscais e demais documentos fiscais, acerca da apuração do IPI, são indispensáveis para que se comprove a certeza e a liquidez do direito creditório aqui pleiteado, pois somente conhecendo, no período sob exame, a natureza e o valor das operações da requerente e seus clientes, no caso, é que a validade do direito creditório vindicado pode ser reconhecida pela autoridade administrativa. Não tendo demonstrado a existência e legitimidade do crédito, correta pois a glosa efetuada observando este item." Fl. 567DF CARF MF Processo nº 15868.000135/201022 Acórdão n.º 3201003.080 S3C2T1 Fl. 564 7 Logo, pelos mesmo fundamentos da decisão de primeira instância, entre os créditos, os que não possuem lastro na escrita contábil e fiscal do contribuinte não podem ser reconhecidos e, portanto, devem ser cobrados e o lançamento mantido neste casos. ENERGIA ELÉTRICA E ÓLEO. Diante da análise meritória jurídica, com relação aos valores de aquisição de óleo e energia elétrica, estes devem ser afastados e os eventuais créditos glosados em razão do disposto na Súmula n.º 19 do CARF, dispositivo de aplicação obrigatória a este Conselho "Súmula CARF nº 19: Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei nº 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matériaprima ou produto intermediário." Portanto, não merece provimento o Recurso Voluntário neste tópico. INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS. Em relação aos créditos sobre os insumos adquiridos de pessoas físicas e cooperativas, é importante mencionar que tanto a jurisprudência deste Conselho, a exemplo cito o Acórdão da Câmara Superior n.º 9303001.402, como a Jurisprudência do STJ em sede recurso repetitivo conforme o REsp n.º 993.164, consideram pacífica a admissibilidade destes créditos. Inclusive, as decisões do Superior Tribunal de Justiça em sede de recurso repetitivo são entendimentos obrigatórios em razão do disposto no Art. 62A do RICARF. Portanto, merece provimento o Recurso Voluntário neste tópico. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA PELA TAXA SELIC. Quanto à atualização dos créditos pela SELIC, mereceria acolhida a alegação do contribuinte, em razão do disposto na Súmula n.º 411 do STJ. "Súmula 411 do STJ Fl. 568DF CARF MF 8 É devida a correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco." Mas estes autos administrativos tratam somente de cobrança de tributo por meio de Auto de Infração e não de reconhecimento administrativo de crédito, logo, a alegação de atualização monetária pela taxa Selic não faz parte da presente lide administrativa. CONCLUSÃO. Diante do exposto, votase para DAR PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário para admitir os créditos adquiridos de pessoas físicas e cooperativas, cancelando o lançamento nestes tópicos. Voto proferido. (assinado digitalmente) Conselheiro Relator Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Fl. 569DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19679.001250/2004-54
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Sep 25 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 1994, 1995, 1996, 1997
PRAZO. TEMPESTIVIDADE.
O prazo para apresentação de Recurso Voluntário é de trinta dias, contados da data de intimação do contribuinte ou seu representante legal.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 3402-004.360
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Carlos Augusto Daniel Neto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire (Presidente em exercício), Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 1994, 1995, 1996, 1997 PRAZO. TEMPESTIVIDADE. O prazo para apresentação de Recurso Voluntário é de trinta dias, contados da data de intimação do contribuinte ou seu representante legal. Recurso Voluntário Não Conhecido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto - Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire (Presidente em exercício), Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo e Waldir Navarro Bezerra.
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TEMPESTIVIDADE. O prazo para apresentação de Recurso Voluntário é de trinta dias, contados da data de intimação do contribuinte ou seu representante legal. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire (Presidente em exercício), Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo e Waldir Navarro Bezerra. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 67 9. 00 12 50 /2 00 4- 54 Fl. 244DF CARF MF 2 Tratase de pedido de restituição relativo aos recolhimentos de COFINS relativos ao período entre 03/1994 a 09/1997. O contribuinte transmitido eletronicamente no período entre 14/05/2004 e 27/02/2007 declarações de compensação utilizando o crédito pleiteado. O pedido foi indeferido pela DERATSP/DIORT/EQITD, que proferiu despacho decisório de fls. 42/48, não homologando as compensações apresentadas sob fundamento de decadência do direito de pleitear restituição do suposto indébito. Além disso, apontaram que o contribuinte apurava o imposto de renda pela sistemática do Lucro Presumido, não estando incluído, portanto, no caso de isenção previsto na LC n° 70/91, e que, com a edição da Lei n° 9.430/96, seu art. 88 revogou os art. 1° e 2° do DecretoLei n° 2.397/87, deixando de existir o regime diferenciado para as sociedades civis, que tomaramse, sujeito passivo da COFINS. O Contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando, em síntese, que era isenta de COFINS à época dos fatos geradores, e que por se tratar de lançamento por homologação, o tributo se sujeitaria a um prazo decadencial de dez anos, visto que o peito de compensação foi anterior à LC nº 118/2005. Além disso, aduziu que a revogação do art. 6°, inciso II, da LC n° 70/91 pela Lei n° 9.430/96 foi inconstitucional, uma vez que uma lei hierarquicamente inferior não pode revogar uma norma de nível hierárquico superior, e que se ocorrera a homologação tácita dos pedidos de ressarcimento realizados pelo contribuinte. A DRJ julgou improcedente a manifestação apresentada, ensejando Recurso Voluntário que repisou as razões de defesa inicialmente apresentadas. É o relatório, em síntese. Voto Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto O Contribuinte foi intimado da decisão da DRJ em 20/10/2010, conforme Aviso de Recebimento constante em fl. 164 dos autos: Fl. 245DF CARF MF Processo nº 19679.001250/200454 Acórdão n.º 3402004.360 S3C4T2 Fl. 3 3 Já o seu Recurso Voluntário foi apresentado apenas em 22/11/2010, conforme carimbo na folha de rosto do mesmo, em fl. 165 dos autos: Acerca da realização da intimação, aduz o art. 23 do Decreto 70.235/72: Art. 23. Farseá a intimação: II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; Fl. 246DF CARF MF 4 § 2° Considerase feita a intimação: (...) II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; E quanto à contagem dos prazos, complementa o mesmo diploma legal em seu art. 5º: Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Sob esta metodologia estabelecida pela legislação de regência do PAF, a intimação ocorreu no dia 20/10/2010 (quartafeira), iniciandose a contagem do prazo em 21/10/2010 (quintafeira). O trigésimo dia dessa contagem será no dia 19/11/2010 (sextafeira), prazo fatal para a apresentação do Recurso Voluntário, por se tratar de expediente normal no órgão no qual deve ser realizado o ato. Tendo sido o recurso apresentado apenas no dia 22/11/2010 (segundafeira), conforme o protocolo apresentado acima, é matemática a conclusão pela intempestividade do mesmo. Carecendo deste pressuposto formal de admissibilidade, voto por NÃO CONHECER o Recurso Voluntário. É como voto. Carlos Augusto Daniel Neto Relator Fl. 247DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.936496/2011-80
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Oct 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 30/06/2006
ICMS. BASE DE CÁLCULO. PIS/COFINS. COMPOSIÇÃO.
O ICMS compõe a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, integrante, portanto, do conceito de receita bruta.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-004.568
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Lenisa Prado, Charles Pereira Nunes e José Renato Pereira de Deus.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, Walker Araujo, José Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, José Renato Pereira de Deus, Charles Pereira Nunes e Lenisa Rodrigues Prado.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 30/06/2006 ICMS. BASE DE CÁLCULO. PIS/COFINS. COMPOSIÇÃO. O ICMS compõe a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, integrante, portanto, do conceito de receita bruta. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Lenisa Prado, Charles Pereira Nunes e José Renato Pereira de Deus. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, Walker Araujo, José Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, José Renato Pereira de Deus, Charles Pereira Nunes e Lenisa Rodrigues Prado.
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PIS/COFINS. INCLUSÃO DO ICMS NA BASE DE CÁLCULO DAS CONTRIBUIÇÕES. Recorrente VS SUPRIMENTOS PARA COMUNICAÇÃO VISUAL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 30/06/2006 ICMS. BASE DE CÁLCULO. PIS/COFINS. COMPOSIÇÃO. O ICMS compõe a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, integrante, portanto, do conceito de receita bruta. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Lenisa Prado, Charles Pereira Nunes e José Renato Pereira de Deus. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, Walker Araujo, José Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, José Renato Pereira de Deus, Charles Pereira Nunes e Lenisa Rodrigues Prado. Relatório Trata o presente processo de Pedido de Restituição/Declaração de Compensação (PERDCOMP) eletrônico por meio da qual a contribuinte objetivava quitar débitos tributários/solicitar restituição de valor utilizandose de créditos de PIS, que teria sido indevidamente recolhido. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 93 64 96 /2 01 1- 80 Fl. 50DF CARF MF Processo nº 10980.936496/201180 Acórdão n.º 3302004.568 S3C3T2 Fl. 3 2 A justificativa apresentada pela autoridade fiscal para não homologar a compensação/indeferir o pedido de restituição foi que o DARF discriminado na PERDCOMP havia sido integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte. Cientificada sobre o teor do despacho decisório, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, na qual alega que o pedido de compensação/restituição referese a créditos decorrentes de pagamentos a maior de PIS/Pasep e Cofins, em razão da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente pela instância de origem, nos termos do Acórdão 02057.487. Irresignada a contribuinte interpôs recurso voluntário, o que motivou a subida dos autos a este Conselho. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302004.500, de 25 de julho de 2017, proferido no julgamento do processo 10980.900996/201183, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302004.500) 1: "Em que pese as razões arroladas pela ilustre Relatora, peço licença para divergir dos fundamentos e do resultado dado ao presente o processo administrativo. Conforme relatado anteriormente, alega a Recorrente que os créditos são decorrentes de pagamentos a maior da Cofins, em razão da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições. Cita e pede aplicação dos RE´s 240.7852/MS e 574.706. Para dirimir a controvérsia sobre a inclusão ou não do ICMS na base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS e, afastar a aplicação da decisão proferida pela Suprema Corte ao presente caso, empresto e adoto como fundamento as razões de decidir da i. Conselheira Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, nos autos do processo administrativo nº 10283.902818/201235 (acórdão 3302004.158): 1 Deixo de transcrever o voto vencido, que pode ser facilmente consultado no Acórdão paradigma, mantendo apenas o entendimento predominante da Turma expresso no voto vencedor. Fl. 51DF CARF MF Processo nº 10980.936496/201180 Acórdão n.º 3302004.568 S3C3T2 Fl. 4 3 A controvérsia cingese sobre a inclusão ou não do ICMS na base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS. A situação que permeia os tribunais na atualidade é de dois posicionamentos conflitantes quanto à inclusão ou não do tributo na base de cálculo do PIS e da COFINS. O Superior Tribunal de Justiça no REsp 1144469/PR, em sistema de recursos repetitivos assim decidiu: RECURSO ESPECIAL DO PARTICULAR: TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA OU FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS. 1. A Constituição Federal de 1988 somente veda expressamente a inclusão de um imposto na base de cálculo de um outro no art. 155, §2º, XI, ao tratar do ICMS, quanto estabelece que este tributo: "XI não compreenderá, em sua base de cálculo, o montante do imposto sobre produtos industrializados, quando a operação, realizada entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou à comercialização, configure fato gerador dos dois impostos". 2. A contrario sensu é permitida a incidência de tributo sobre tributo nos casos diversos daquele estabelecido na exceção, já tendo sido reconhecida jurisprudencialmente, entre outros casos, a incidência: 2.1. Do ICMS sobre o próprio ICMS: repercussão geral no RE n. 582.461 / SP, STF, Tribunal Pleno, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 18.05.2011. 2.2. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre as próprias contribuições ao PIS/PASEP e COFINS: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 976.836 RS, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 25.8.2010. 2.3. Do IRPJ e da CSLL sobre a própria CSLL: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.113.159 AM, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 11.11.2009. 2.4. Do IPI sobre o ICMS: REsp. n. 675.663 PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 24.08.2010; REsp. Nº 610.908 PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, julgado em 20.9.2005, AgRg no REsp.Nº 462.262 SC, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 20.11.2007. 2.5. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre o ISSQN: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 SP, Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015. 3. Desse modo, o ordenamento jurídico pátrio comporta, em regra, a incidência de tributos sobre o valor a ser pago a título de outros tributos ou do mesmo tributo. Ou seja, é legítima a incidência de tributo sobre tributo ou imposto sobre imposto, Fl. 52DF CARF MF Processo nº 10980.936496/201180 Acórdão n.º 3302004.568 S3C3T2 Fl. 5 4 salvo determinação constitucional ou legal expressa em sentido contrário, não havendo aí qualquer violação, a priori, ao princípio da capacidade contributiva. 4. Consoante o disposto no art. 12 e §1º, do DecretoLei n. 1.598/77, o ISSQN e o ICMS devidos pela empresa prestadora de serviços na condição de contribuinte de direito fazem parte de sua receita bruta e, quando dela excluídos, a nova rubrica que se tem é a receita líquida. 5. Situação que não pode ser confundida com aquela outra decorrente da retenção e recolhimento do ISSQN e do ICMS pela empresa a título de substituição tributária (ISSQNST e ICMSST). Nesse outro caso, a empresa não é a contribuinte, o contribuinte é o próximo na cadeia, o substituído. Quando é assim, a própria legislação tributária prevê que tais valores são meros ingressos na contabilidade da empresa que se torna apenas depositária de tributo que será entregue ao Fisco, consoante o art. 279 do RIR/99. 6. Na tributação sobre as vendas, o fato de haver ou não discriminação na fatura do valor suportado pelo vendedor a título de tributação decorre apenas da necessidade de se informar ou não ao Fisco, ou ao adquirente, o valor do tributo embutido no preço pago. Essa necessidade somente surgiu quando os diversos ordenamentos jurídicos passaram a adotar o lançamento por homologação (informação ao Fisco) e/ou o princípio da não cumulatividade (informação ao Fisco e ao adquirente), sob a técnica específica de dedução de imposto sobre imposto (imposto pago sobre imposto devido ou "tax on tax"). 7. Tal é o que acontece com o ICMS, onde autolançamento pelo contribuinte na nota fiscal existe apenas para permitir ao Fisco efetivar a fiscalização a posteriori, dentro da sistemática do lançamento por homologação e permitir ao contribuinte contabilizar o crédito de imposto que irá utilizar para calcular o saldo do tributo devido dentro do princípio da não cumulatividade sob a técnica de dedução de imposto sobre imposto. Não se trata em momento algum de exclusão do valor do tributo do preço da mercadoria ou serviço. 8. Desse modo, firmase para efeito de recurso repetitivo a tese de que: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendo se à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações". 9. Tema que já foi objeto de quatro súmulas produzidas pelo extinto Tribunal Federal de Recursos TFR e por este Superior Tribunal de Justiça STJ: Súmula n. 191/TFR: "É compatível a exigência da contribuição para o PIS com o imposto único sobre combustíveis e lubrificantes". Súmula n. 258/TFR: "Incluise na Fl. 53DF CARF MF Processo nº 10980.936496/201180 Acórdão n.º 3302004.568 S3C3T2 Fl. 6 5 base de cálculo do PIS a parcela relativa ao ICM". Súmula n. 68/STJ: "A parcela relativa ao ICM incluise na base de cálculo do PIS". Súmula n. 94/STJ: "A parcela relativa ao ICMS inclui se na base de cálculo do FINSOCIAL". 10. Tema que já foi objeto também do recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 SP (Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015) que decidiu matéria idêntica para o ISSQN e cujos fundamentos determinantes devem ser respeitados por esta Seção por dever de coerência na prestação jurisdicional previsto no art. 926, do CPC/2015. 11. Ante o exposto, DIVIRJO do relator para NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial do PARTICULAR e reconhecer a legalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS. RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL: TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DOS VALORES COMPUTADOS COMO RECEITAS QUE TENHAM SIDO TRANSFERIDOS PARA OUTRAS PESSOAS JURÍDICAS. ART. 3º, § 2º, III, DA LEI Nº 9.718/98. NORMA DE EFICÁCIA LIMITADA. NÃO APLICABILIDADE. 12. A Corte Especial deste STJ já firmou o entendimento de que a restrição legislativa do artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9.718/98 ao conceito de faturamento (exclusão dos valores computados como receitas que tenham sido transferidos para outras pessoas jurídicas) não teve eficácia no mundo jurídico já que dependia de regulamentação administrativa e, antes da publicação dessa regulamentação, foi revogado pela Medida Provisória n. 2.158 35, de 2001. Precedentes: AgRg nos EREsp. n. 529.034/RS, Corte Especial, Rel. Min. José Delgado, julgado em 07.06.2006; AgRg no Ag 596.818/PR, Primeira Turma, Rel. Min. Luiz Fux, DJ de 28/02/2005; EDcl no AREsp 797544 / SP, Primeira Turma, Rel. Min. Sérgio Kukina, julgado em 14.12.2015, AgRg no Ag 544.104/PR, Rel. Min. Humberto Martins, Segunda Turma, DJ 28.8.2006; AgRg nos EDcl no Ag 706.635/RS, Rel. Min. Luiz Fux, Primeira Turma, DJ 28.8.2006; AgRg no Ag 727.679/SC, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 8.6.2006; AgRg no Ag 544.118/TO, Rel. Min. Franciulli Netto, Segunda Turma, DJ 2.5.2005; REsp 438.797/RS, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, DJ 3.5.2004; e REsp 445.452/RS, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 10.3.2003. 13. Tese firmada para efeito de recurso representativo da controvérsia: "O artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9718/98 não teve eficácia jurídica, de modo que integram o faturamento e também o conceito maior de receita bruta, base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica". Fl. 54DF CARF MF Processo nº 10980.936496/201180 Acórdão n.º 3302004.568 S3C3T2 Fl. 7 6 14. Ante o exposto, ACOMPANHO o relator para DAR PROVIMENTO ao recurso especial da FAZENDA NACIONAL. (REsp 1144469/PR; Relator: Napoleão Nunes Maia Filho; Relator para o acórdão: Mauro Campbell Maques) (grifos não constam no original) Já o Supremo Tribunal Federal, no RE 574.706RG/PR, julgou, no dia 15.03.2017, no sentido de que: O Tribunal, por maioria e nos termos do voto da Relatora, Ministra Cármen Lúcia (Presidente), apreciando o tema 69 da repercussão geral, deu provimento ao recurso extraordinário e fixou a seguinte tese: "O ICMS não compõe a base de cálculo para a incidência do PIS e da Cofins". Vencidos os Ministros Edson Fachin, Roberto Barroso, Dias Toffoli e Gilmar Mendes. Nesta assentada o Ministro Dias Toffoli aditou seu voto. Plenário, 15.3.2017. (grifos não constam do original) No âmbito do regimento interno deste Egrégio Tribunal Administrativo, existe previsão normativa em seu artigo 62, anexo II, sobre a obrigatoriedade de se observar os precedentes em sistema de repetitivos e/ou repercussão geral na análise dos casos: RICARF Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (...) II que fundamente crédito tributário objeto de: (...) b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei n º 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) O RICARF prevê o requisito da decisão definitiva para a obrigatoriedade da aplicação do precedente, no caso em análise, o REsp 1.144.469/PR transitou em julgado em 10.03.2017 e o RE 574.706RG/PR ainda espera a modulação de seus efeitos, não havendo, portanto, trânsito em julgado. Logo, devese Fl. 55DF CARF MF Processo nº 10980.936496/201180 Acórdão n.º 3302004.568 S3C3T2 Fl. 8 7 observar a decisão, já transitada em julgado, do Superior Tribunal de Justiça. Em razão da obrigatoriedade por parte do conselheiro em aplicar o RICARF, acima exposto, os argumentos da Recorrente de desnecessidade de previsão legal para a exclusão do ICMS por respeito ao princípio da capacidade contributiva e da impossibilidade de considerar o ICMS como parte integrante do faturamento ficam, desde já, encontramse fundamentados com a aplicação do precedente obrigatório. Portanto, em conformidade com o REsp 1.144.469/PR, que firmou para efeito de recurso repetitivo a tese de que: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendose à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações", é negado provimento ao recurso voluntário. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o litígio resumese ao direito a créditos decorrente de pagamentos a maior de PIS/Pasep e Cofins, em razão da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 56DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13688.000818/2007-77
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Mar 28 00:00:00 UTC 2011
Ementa: SIMPLES NACIONAL
Exercício: 2008
OPÇÃO. PERMISSIVO LEGAL.
A legislação expressamente admite a opção pelo Simples Nacional a
microempresa ou empresa de pequeno porte que se dedique à atividade de usinagem, solda, tratamento e revestimento em metais.
Numero da decisão: 1801-000.509
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Carmen Ferreira Saraiva
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PERMISSIVO LEGAL. A legislação expressamente admite a opção pelo Simples Nacional a microempresa ou empresa de pequeno porte que se dedique à atividade de usinagem, solda, tratamento e revestimento em metais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (documento assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Presidente (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora Composição do Colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carmen Ferreira Saraiva, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Maria de Lourdes Ramirez, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, André Ricardo Lemes da Silva e Ana de Barros Fernandes. Relatório Fl. 33DF CARF MF Emitido em 08/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/04/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 08/04/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 08/04/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 13688.000818/200777 Acórdão n.º 180100.509 S1TE01 Fl. 32 2 A Recorrente solicitou em 12/07/2007, fl. 03, opção pelo Simples Nacional a qual foi indeferida com base nos fundamentos de fato e de direito indicados: Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional (Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006) [...] Com fundamento no parágrafo 6º do artigo 16 da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, e no artigo 8º da Resolução CGSN nº 4, de 30 de maio de 2007, fica a pessoa jurídica acima identificada impedida de optar pelo Simples Nacional poro incorrer na(s) seguinte(s) situação (ões): Estabelecimento CNPJ: 08.661.202/000196 Atividade econômica vedada: 25390/00 Serviços de usinagem, solda, tratamento e revestimento em metais Fundamentação Legal: Lei Complementar n° 123, de 14/12/2006, art. 17, inciso XI. A Recorrente manifestouse contrariamente ao procedimento, apresentando a impugnação em 13/09/2007, fls. 01/02, com as alegações abaixo transcritas: II. 1 PRELIMINAR A Atividade do Contribuinte é o Serviços de Usinagem, Solda, Tratamento e Revestimento em Metais representada pelo código CNAE25390/00, motivo da vedação e o Termo de Indeferimento, porém esta atividade antes impedida foi transferida através da mesma lei complementar 123/2006 em suas resoluções para atividade permitida. E neste contexto a empresa ainda não foi migrada para o Simples Nacional. II. 2 MÉRITO ( inciso III e IV do art. 16 do Dec.70.235/72) A referida Atividade foi regulamentada e permitida a opção pelo Simples Nacional, mediante a Resolução CGSN n° 20 de 15/08/2007, alterando os anexos I e II da Resolução CGSN n° 06 de 18/06/2007, os quais tratam das atividades permitidas e impeditivas à Opção pelo Simples Nacional. Conclui A vista de todo exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência do Termo de Indeferimento, espera e requer a impugnante seja acolhida a presente impugnação para o fim de assim ser decidido, cancelandose o Termo de Indeferimento. Termos em que Pede deferimento. Está registrado como resultado do Acórdão da 2ª TURMA/DRJ/JFA/MG nº 0923.903, de 13/05/2009, fls. 13/15: “Solicitação Indeferida”. Restou ementado: Fl. 34DF CARF MF Emitido em 08/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/04/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 08/04/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 08/04/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 13688.000818/200777 Acórdão n.º 180100.509 S1TE01 Fl. 33 3 ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Data do fato gerador: 01/07/2007 OPÇÃO PELO SIMPLES NACIONAL. Caracterizado que o CNAE da empresa compreende atividades permitidas e impeditivas, a opção pelo Simples Nacional deveria ser apresentada acompanhada de declaração de que exerce somente atividades permitidas. Notificada em 13/08/2009, fl. 17, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 10/09/2010, fls. 18/19, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Reitera todos os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. Conclui À vista de todo exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência do termo de indeferimento, espera e requer a impugnante seja acolhida a presente impugnação para o fim de assim ser decidido, incluindoa no Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte Simples Nacional. Termos em que Pede deferimento. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência. Assim, dele tomo conhecimento. A Recorrente discorda do procedimento fiscal. Atinente ao exercício da atividade econômica, cabe ressaltar que o tratamento diferenciado, simplificado e favorecido aplicável às microempresas e às empresas de pequeno porte relativo aos impostos e às contribuições estabelecido em cumprimento ao que determina o disposto no art. 179 da Constituição Federal de 1988 pode ser usufruído desde que as condições legais sejam preenchidas. A Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, determina: Art. 17. Não poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou a empresa de pequeno porte: [...] Fl. 35DF CARF MF Emitido em 08/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/04/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 08/04/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 08/04/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 13688.000818/200777 Acórdão n.º 180100.509 S1TE01 Fl. 34 4 XI que tenha por finalidade a prestação de serviços decorrentes do exercício de atividade intelectual, de natureza técnica, científica, desportiva, artística ou cultural, que constitua profissão regulamentada ou não, bem como a que preste serviços de instrutor, de corretor, de despachante ou de qualquer tipo de intermediação de negócios; [...] § 2o Também poderá optar pelo Simples Nacional a microempresa ou empresa de pequeno porte que se dedique à prestação de outros serviços que não tenham sido objeto de vedação expressa neste artigo, desde que não incorra em nenhuma das hipóteses de vedação previstas nesta Lei Complementar. [...] Art.18. O valor devido mensalmente pela microempresa e empresa de pequeno porte comercial, optante pelo Simples Nacional, será determinado mediante aplicação da tabela do Anexo I desta Lei Complementar. [...] §5oD. Sem prejuízo do disposto no §1o do art. 17 desta Lei Complementar, as atividades de prestação de serviços seguintes serão tributadas na forma do Anexo V desta Lei Complementar: [...] IX serviços de instalação, de reparos e de manutenção em geral, bem como de usinagem, solda, tratamento e revestimento em metais; (grifos acrescentados) A hipótese de indeferimento de opção pelo Simples Nacional com fundamento no exercício de atividade econômica vedada para o sistema, pressupõe a obtenção de receita oriunda desta atividade qualquer que seja a sua proporção em relação à totalidade auferida pela pessoa jurídica. O indeferimento não prescinde da caracterização inequívoca da situação considerada impeditiva, bem como da comprovação de que a atividade econômica exercida pela pessoa jurídica seja considerada vedada para fins de opção pelo Simples Nacional. A legislação expressamente admite a opção pelo Simples Nacional a microempresa ou empresa de pequeno porte que se dedique a serviços de instalação, de reparos e de manutenção em geral, bem como de usinagem, solda, tratamento e revestimento em metais. Em relação aos códigos de atividades econômicas previstos na Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE) a serem utilizados para fins da opção pelo Simples Nacional, a Resolução CGSN nº 06, de 18 de junho de 2007, determina: Art. 1º Esta Resolução dispõe sobre os códigos de atividades econômicas previstos na Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE) informados pelos contribuintes no CNPJ para verificar se as microempresas (ME) e as empresas de pequeno porte (EPP) atendem aos requisitos pertinentes, Fl. 36DF CARF MF Emitido em 08/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/04/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 08/04/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 08/04/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 13688.000818/200777 Acórdão n.º 180100.509 S1TE01 Fl. 35 5 conforme previsto no art. 9º da Resolução CGSN nº 4, de 30 de maio de 2007. Art. 2º O Anexo I relaciona os códigos de atividades econômicas previstos na CNAE impeditivos ao Simples Nacional. Art. 3º O Anexo II relaciona os códigos de atividades econômicas previstos na CNAE que abrangem concomitantemente atividade impeditiva e permitida ao Simples Nacional. No presente caso a Recorrente tem como atividade econômica o código CNAE nº 25390/00 – Serviço de Usinagem, solda, tratamento e revestimento de metais. Cabe ressaltar que nos Anexos I e II da referida Resolução CGSN nº 06, de 2007, não consta esta atividade como impeditiva ou nem como ambígua. Os autos estão instruídos com a informação da Recorrente de que exerce tãosomente atividades permitidas no Simples Nacional, em conformidade com a petição às fls. 01/02, e no Contrato Social registrado na Junta Comercial do Estado de Minas Gerais (JUCEMG) em 13/02/2007, fls. 04/05: III O objeto da sociedade será a exploração, por conta própria, do ramo da fabricação de peças para caldeiraria, prestação de serviços em geral de soldas, e manutenções de fabricações próprias. Não há prova nos autos de que ela realiza atividade impeditiva. Analisando todos os documentos inferese que a Recorrente informa que exerce tãosomente atividades permitidas no Simples Nacional. Por conseguinte, a opção pelo Simples Nacional deve ser deferida. Em face do exposto voto, por dar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 37DF CARF MF Emitido em 08/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/04/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 08/04/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 08/04/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES
score : 1.0
Numero do processo: 10920.720501/2011-49
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 08 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Sep 18 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2006 a 31/01/2010
NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. OBSCURIDADE NA ACUSAÇÃO FISCAL. INEXISTÊNCIA.
Descabe a declaração de nulidade, por cerceamento do direito de defesa, quando o relatório fiscal e seus anexos contêm a descrição pormenorizada dos fatos imputados ao sujeito passivo, indicam os dispositivos legais que ampararam o lançamento e expõem de forma clara e objetiva os elementos que levaram a fiscalização a concluir pela efetiva ocorrência dos fatos jurídicos desencadeadores do liame obrigacional.
TRABALHADORES VINCULADOS À EMPRESA PRESTADORA DE SERVIÇO OPTANTE PELO SIMPLES FEDERAL E SIMPLES NACIONAL. DESCONSIDERAÇÃO DO VÍNCULO EXISTENTE. CARACTERIZAÇÃO DIRETAMENTE COM A EMPRESA PRINCIPAL. PRIMAZIA DA REALIDADE SOBRE A FORMA.
Cabe à fiscalização lançar de ofício o crédito correspondente à relação tributária efetivamente existente, desconsiderando o vínculo formal pactuado com pessoa jurídica interposta optante pelo Simples Federal e, posteriormente, pelo Simples Nacional, desde que demonstrado, por meio da linguagem de provas, que os trabalhadores prestavam serviços à empresa principal, esta não optante pelo regime diferenciado de tributação.
A realidade fática aponta para empresas com controle patrimonial e financeiro único, com assunção pela empresa principal de diversos custos e despesas da empresa optante pelo Simples ao longo dos exercícios fiscalizados, mediante o repasse de numerário, responsabilizando-se, em verdade, pelo risco da atividade econômica dessa última empresa.
SIMPLES FEDERAL. SIMPLES NACIONAL. EMPRESA INTERPOSTA. APROVEITAMENTO DE RECOLHIMENTOS PELA EMPRESA PRINCIPAL.
Tendo sido constituído, pelo lançamento, vínculo direto entre os trabalhadores e o sujeito passivo, na condição de contribuinte, cabe o aproveitamento das contribuições descontadas dos segurados pela empresa interposta optante pelo Simples, uma vez que relacionadas com os mesmos fatos geradores objeto do lançamento de ofício. Contudo, os valores recolhidos na sistemática do Simples não podem ser aproveitados quando do lançamento tributário para abatimento da contribuição patronal previdenciária, a cargo da empresa principal.
TERCEIROS. TRANSPORTE RODOVIÁRIO DE CARGA. INCRA. SEST. SENAT. SEBRAE.
No caso das empresas que atuam no transporte rodoviário de carga, são devidas as contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), Serviço Social do Transporte (Sest), Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte (Senat) e Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae).
LEI TRIBUTÁRIA. TERCEIROS. MULTA CONFISCATÓRIA. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2.
Este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais é incompetente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária.
(Súmula Carf nº 2)
MULTA QUALIFICADA. CONDUTA DOLOSA. COMPROVAÇÃO.
A qualificação de penalidade é mantida quando demonstrada pela autoridade lançadora a ocorrência das condições que permitam a majoração da multa de ofício, no importe de 150%.
SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSÁVEL TRIBUTÁRIO. EMPRESA TOMADORA DE SERVIÇOS.
Exclui-se o vínculo de responsabilidade tributária solidária atribuído a empresa tomadora de serviços quando não comprovados pela autoridade lançadora os elementos de conexão para a caracterização da solidariedade de fato ou para a existência de grupo econômico entre empresas que mantêm relação comercial.
Numero da decisão: 2401-004.990
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer dos recursos, rejeitar as preliminares e não reconhecer a decadência. No mérito, por voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso para: (a) abater dos valores relativos às contribuições dos segurados empregados e contribuintes individuais exigidas no AI nº 37.273.203-8, por competência, as contribuições previdenciárias recolhidas pela empresa JDM Serviços de Carga e Descarga Ltda, por intermédio do pagamento em GPS (código 2003); e (b) excluir o vínculo de responsabilidade atribuído à empresa Transporte Mann Ltda. Quanto à decadência, votaram pelas conclusões os conselheiros Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa. Vencidos os conselheiros Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa que davam provimento parcial em maior extensão para que fossem aproveitados os recolhimentos efetuados na sistemática do Simples. Vencida a conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, que manteria o vínculo de responsabilidade solidária.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto e Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente).
Nome do relator: CLEBERSON ALEX FRIESS
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/2006 a 31/01/2010 NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. OBSCURIDADE NA ACUSAÇÃO FISCAL. INEXISTÊNCIA. Descabe a declaração de nulidade, por cerceamento do direito de defesa, quando o relatório fiscal e seus anexos contêm a descrição pormenorizada dos fatos imputados ao sujeito passivo, indicam os dispositivos legais que ampararam o lançamento e expõem de forma clara e objetiva os elementos que levaram a fiscalização a concluir pela efetiva ocorrência dos fatos jurídicos desencadeadores do liame obrigacional. TRABALHADORES VINCULADOS À EMPRESA PRESTADORA DE SERVIÇO OPTANTE PELO SIMPLES FEDERAL E SIMPLES NACIONAL. DESCONSIDERAÇÃO DO VÍNCULO EXISTENTE. CARACTERIZAÇÃO DIRETAMENTE COM A EMPRESA PRINCIPAL. PRIMAZIA DA REALIDADE SOBRE A FORMA. Cabe à fiscalização lançar de ofício o crédito correspondente à relação tributária efetivamente existente, desconsiderando o vínculo formal pactuado com pessoa jurídica interposta optante pelo Simples Federal e, posteriormente, pelo Simples Nacional, desde que demonstrado, por meio da linguagem de provas, que os trabalhadores prestavam serviços à empresa principal, esta não optante pelo regime diferenciado de tributação. A realidade fática aponta para empresas com controle patrimonial e financeiro único, com assunção pela empresa principal de diversos custos e despesas da empresa optante pelo Simples ao longo dos exercícios fiscalizados, mediante o repasse de numerário, responsabilizando-se, em verdade, pelo risco da atividade econômica dessa última empresa. SIMPLES FEDERAL. SIMPLES NACIONAL. EMPRESA INTERPOSTA. APROVEITAMENTO DE RECOLHIMENTOS PELA EMPRESA PRINCIPAL. Tendo sido constituído, pelo lançamento, vínculo direto entre os trabalhadores e o sujeito passivo, na condição de contribuinte, cabe o aproveitamento das contribuições descontadas dos segurados pela empresa interposta optante pelo Simples, uma vez que relacionadas com os mesmos fatos geradores objeto do lançamento de ofício. Contudo, os valores recolhidos na sistemática do Simples não podem ser aproveitados quando do lançamento tributário para abatimento da contribuição patronal previdenciária, a cargo da empresa principal. TERCEIROS. TRANSPORTE RODOVIÁRIO DE CARGA. INCRA. SEST. SENAT. SEBRAE. No caso das empresas que atuam no transporte rodoviário de carga, são devidas as contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), Serviço Social do Transporte (Sest), Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte (Senat) e Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae). LEI TRIBUTÁRIA. TERCEIROS. MULTA CONFISCATÓRIA. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. Este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais é incompetente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula Carf nº 2) MULTA QUALIFICADA. CONDUTA DOLOSA. COMPROVAÇÃO. A qualificação de penalidade é mantida quando demonstrada pela autoridade lançadora a ocorrência das condições que permitam a majoração da multa de ofício, no importe de 150%. SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSÁVEL TRIBUTÁRIO. EMPRESA TOMADORA DE SERVIÇOS. Exclui-se o vínculo de responsabilidade tributária solidária atribuído a empresa tomadora de serviços quando não comprovados pela autoridade lançadora os elementos de conexão para a caracterização da solidariedade de fato ou para a existência de grupo econômico entre empresas que mantêm relação comercial.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer dos recursos, rejeitar as preliminares e não reconhecer a decadência. No mérito, por voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso para: (a) abater dos valores relativos às contribuições dos segurados empregados e contribuintes individuais exigidas no AI nº 37.273.203-8, por competência, as contribuições previdenciárias recolhidas pela empresa JDM Serviços de Carga e Descarga Ltda, por intermédio do pagamento em GPS (código 2003); e (b) excluir o vínculo de responsabilidade atribuído à empresa Transporte Mann Ltda. Quanto à decadência, votaram pelas conclusões os conselheiros Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa. Vencidos os conselheiros Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa que davam provimento parcial em maior extensão para que fossem aproveitados os recolhimentos efetuados na sistemática do Simples. Vencida a conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, que manteria o vínculo de responsabilidade solidária. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto e Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente).
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2006 a 31/01/2010 NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. OBSCURIDADE NA ACUSAÇÃO FISCAL. INEXISTÊNCIA. Descabe a declaração de nulidade, por cerceamento do direito de defesa, quando o relatório fiscal e seus anexos contêm a descrição pormenorizada dos fatos imputados ao sujeito passivo, indicam os dispositivos legais que ampararam o lançamento e expõem de forma clara e objetiva os elementos que levaram a fiscalização a concluir pela efetiva ocorrência dos fatos jurídicos desencadeadores do liame obrigacional. TRABALHADORES VINCULADOS À EMPRESA PRESTADORA DE SERVIÇO OPTANTE PELO SIMPLES FEDERAL E SIMPLES NACIONAL. DESCONSIDERAÇÃO DO VÍNCULO EXISTENTE. CARACTERIZAÇÃO DIRETAMENTE COM A EMPRESA PRINCIPAL. PRIMAZIA DA REALIDADE SOBRE A FORMA. Cabe à fiscalização lançar de ofício o crédito correspondente à relação tributária efetivamente existente, desconsiderando o vínculo formal pactuado com pessoa jurídica interposta optante pelo Simples Federal e, posteriormente, pelo Simples Nacional, desde que demonstrado, por meio da linguagem de provas, que os trabalhadores prestavam serviços à empresa principal, esta não optante pelo regime diferenciado de tributação. A realidade fática aponta para empresas com controle patrimonial e financeiro único, com assunção pela empresa principal de diversos custos e despesas da empresa optante pelo Simples ao longo dos exercícios fiscalizados, mediante o repasse de numerário, responsabilizandose, em verdade, pelo risco da atividade econômica dessa última empresa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 72 05 01 /2 01 1- 49 Fl. 1906DF CARF MF Processo nº 10920.720501/201149 Acórdão n.º 2401004.990 S2C4T1 Fl. 1.907 2 SIMPLES FEDERAL. SIMPLES NACIONAL. EMPRESA INTERPOSTA. APROVEITAMENTO DE RECOLHIMENTOS PELA EMPRESA PRINCIPAL. Tendo sido constituído, pelo lançamento, vínculo direto entre os trabalhadores e o sujeito passivo, na condição de contribuinte, cabe o aproveitamento das contribuições descontadas dos segurados pela empresa interposta optante pelo Simples, uma vez que relacionadas com os mesmos fatos geradores objeto do lançamento de ofício. Contudo, os valores recolhidos na sistemática do Simples não podem ser aproveitados quando do lançamento tributário para abatimento da contribuição patronal previdenciária, a cargo da empresa principal. TERCEIROS. TRANSPORTE RODOVIÁRIO DE CARGA. INCRA. SEST. SENAT. SEBRAE. No caso das empresas que atuam no transporte rodoviário de carga, são devidas as contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), Serviço Social do Transporte (Sest), Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte (Senat) e Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae). LEI TRIBUTÁRIA. TERCEIROS. MULTA CONFISCATÓRIA. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. Este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais é incompetente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula Carf nº 2) MULTA QUALIFICADA. CONDUTA DOLOSA. COMPROVAÇÃO. A qualificação de penalidade é mantida quando demonstrada pela autoridade lançadora a ocorrência das condições que permitam a majoração da multa de ofício, no importe de 150%. SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSÁVEL TRIBUTÁRIO. EMPRESA TOMADORA DE SERVIÇOS. Excluise o vínculo de responsabilidade tributária solidária atribuído a empresa tomadora de serviços quando não comprovados pela autoridade lançadora os elementos de conexão para a caracterização da solidariedade de fato ou para a existência de grupo econômico entre empresas que mantêm relação comercial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 1907DF CARF MF Processo nº 10920.720501/201149 Acórdão n.º 2401004.990 S2C4T1 Fl. 1.908 3 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer dos recursos, rejeitar as preliminares e não reconhecer a decadência. No mérito, por voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso para: (a) abater dos valores relativos às contribuições dos segurados empregados e contribuintes individuais exigidas no AI nº 37.273.2038, por competência, as contribuições previdenciárias recolhidas pela empresa JDM Serviços de Carga e Descarga Ltda, por intermédio do pagamento em GPS (código 2003); e (b) excluir o vínculo de responsabilidade atribuído à empresa Transporte Mann Ltda. Quanto à decadência, votaram pelas conclusões os conselheiros Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa. Vencidos os conselheiros Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa que davam provimento parcial em maior extensão para que fossem aproveitados os recolhimentos efetuados na sistemática do Simples. Vencida a conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, que manteria o vínculo de responsabilidade solidária. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto e Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente). Fl. 1908DF CARF MF Processo nº 10920.720501/201149 Acórdão n.º 2401004.990 S2C4T1 Fl. 1.909 4 Relatório Cuidase de recurso voluntário manejado em face da decisão da 13ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo (DRJ/SPO), cujo dispositivo julgou improcedente a impugnação e manteve o crédito tributário exigido. Eis a ementa do Acórdão nº 1662.123 (fls. 1.583/1.626): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2006 a 31/10/2010 SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. Considerase salário de contribuição a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas e os ganhos habituais sob a forma de utilidades. Art. 28 da Lei 8.212/91. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIA DA EMPRESA E DOS SEGURADOS EMPREGADOS E CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. A empresa está obrigada a recolher, no prazo legal, no mês seguinte ao da competência, as suas próprias contribuições previdenciárias devidas conforme seu enquadramento no FPAS juntamente com as contribuições que deve arrecadar de seus empregados e demais segurados a seu serviço. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/02/2006 a 31/10/2010 CONTRIBUIÇÃO DESTINADAS A TERCEIROS. Em decorrência dos arts. 2º e 3º da Lei nº 11.457/2007 são legítimas as contribuições destinadas a Terceiras Entidades incidentes sobre o salário de contribuição definido pelo art. 28 da Lei 8.212/91. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/02/2006 a 31/10/2010 AUTO DE INFRAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. GFIP. Constitui infração a empresa apresentar GFIP não contendo todos os dados correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias constitui infração a lei. (AIOA CFL 68) Fl. 1909DF CARF MF Processo nº 10920.720501/201149 Acórdão n.º 2401004.990 S2C4T1 Fl. 1.910 5 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/02/2006 a 31/10/2010 NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Por força do disposto na legislação tributária, somente serão declarados nulos os atos e termos lavrados por pessoa incompetente ou os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das anteriormente citadas não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo. ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. Não cabe em sede administrativa o reconhecimento de ilegalidade ou inconstitucionalidade. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). PRESCINDIBILIDADE. O lançamento deve conter os requisitos constantes no art. 142 do CTN. O MPF consiste em mero elemento interno de controle da administração tributária. A emissão do primeiro MPF cientifica o contribuinte das razões e demais características do procedimento fiscal, não caracterizando, pois, prejuízo à defesa na falta da comprovação de emissão de MPF complementar. PESSOA JURÍDICA INEXISTENTE DE FATO. BAIXA DE CNPJ A Autoridade Fiscal que tomar conhecimento de uma empresa jurídica inexistente de fato, criada com indícios de obter benefícios tributários indevidos deverá proceder à Representação Fiscal para Baixa de CNPJ que dará início ao processo administrativo no qual é assegurado ao interessado o contraditório. Constatada a interposição de empresa fictícia entre os empregados nela registrados e o empregador de fato, a empresa de fato empregadora responde pelas contribuições sociais incidentes sobre os salários dos empregados. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA PASSIVA. INTERESSE COMUM. CONTROLE SOCIETÁRIO DE FATO. GRUPO ECONÔMICO. Configurada a existência de interesse comum entre uma empresa e outra(s) ou entre empresas coligadas, subordinadas a evidente controle (ainda que oculto) da administração, ante a demonstração de conexão entre as situações fáticas e os fatos geradores das obrigações principais constituídas mediante procedimento de ofício, impõese a aplicação da solidariedade tributária estabelecida na forma da legislação de regência. Fl. 1910DF CARF MF Processo nº 10920.720501/201149 Acórdão n.º 2401004.990 S2C4T1 Fl. 1.911 6 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/02/2006 a 31/10/2010 DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário deve seguir as regras previstas no Código Tributário Nacional, em face da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, declarada pela Súmula Vinculante STF nº 08. No caso de lançamentos de ofício, conforme dispõe o Parecer PGFN/CAT nº1.617/08, o prazo decadencial é o previsto no art. 150, § 4º do CTN se havida antecipação de pagamento da contribuição ou consoante o inciso I do art. 173 do CTN se inexistente pagamento parcial ou se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. MULTA. LEGISLAÇÃO SUPERVENIENTE. ALTERAÇÃO NOS CÁLCULOS E LIMITES DA MULTA. APLICAÇÃO DA NORMA MAIS BENÉFICA. Tratandose de ato não definitivamente julgado, a Administração deve aplicar a lei nova a ato ou fato pretérito quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo de sua prática, assim observando, quando da aplicação das alterações na legislação tributária referente às penalidades, a norma mais benéfica ao contribuinte (art. 106, inciso II, alínea “c”, do CTN). De acordo com a legislação vigente à época da autuação, a alíquota da multa moratória incidente sobre contribuição previdenciária incluída em lançamento tributário será definida no momento do pagamento, ocasião em que deverá ser realizado o confronto entre as multas aplicáveis de acordo com a legislação vigente à época do lançamento e a atual, para a fixação daquela menos severa ao contribuinte. MULTA QUALIFICADA. APLICAÇÃO. No lançamento de ofício das contribuições previdenciárias, quanto aos fatos geradores ocorridos a partir da competência 12/2008, é devida a multa de 75% calculada sobre a totalidade ou diferença do tributo que não foi pago, recolhido ou declarado. Cabível a imposição da multa de ofício qualificada de 150% quando demonstrado que o procedimento adotado pelo Sujeito Passivo se enquadra nas hipóteses tipificadas nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Fl. 1911DF CARF MF Processo nº 10920.720501/201149 Acórdão n.º 2401004.990 S2C4T1 Fl. 1.912 7 2. Extraise do Relatório Fiscal, acostado às fls. 48/87, que o processo administrativo, na origem, é composto por 4 (quatro) Autos de Infração (AI), compreendendo o período de 02/2006 a 01/2010, inclusive décimo terceiro, assim formalizados: (i) AI nº 37.273.2020, relacionado às contribuições previdenciárias a cargo da empresa, incidentes sobre as remunerações de segurados empregados e contribuintes individuais, além da contribuição previdenciária destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho GILRAT (fls. 217/241); (ii) AI nº 37.273.2038, relativo às contribuições previdenciárias a cargo dos segurados empregados e contribuintes individuais, descontadas e arrecadadas pela empresa (fls. 242/260); (iii) AI nº 37.273.2046, referente às contribuições devidas a terceiros, assim compreendidos entidades e fundos, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados FPAS 612, código 3139 (fls. 261/281); e (iv) AI nº 37.273.2054 (obrigação acessória), por ter a empresa apresentado a Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP) com dados não correspondentes a todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias Código de Fundamentação Legal CFL 68 (fls. 282). 2.1 Os fatos geradores e as bases de cálculo foram apurados em GFIP´s entregues em nome de terceiro, a empresa JDM Serviços de Carga e Descarga Ltda, CNPJ 03.878.061/000144, doravante "JDM", pessoa jurídica optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples Federal) e, a partir de julho/2007, pelo Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples Nacional). 2.2 Em que pese a vinculação formal dos segurados empregados e sócios com a empresa "JDM", por meio do registro de emprego, elaboração de folhas de pagamento e declaração em GFIP, a autoridade fiscal concluiu que a prestação dos serviços ocorria para a pessoa jurídica autuada, de forma que constituiu o crédito tributário de ofício em nome da empresa Mellies e Silva Ltda ("MELLIES"). 2.3 Segundo a fiscalização, a existência da "JDM" davase tão somente sob o aspecto formal, eis que não assumia o risco da atividade econômica, tampouco dispunha de estrutura física, técnica e administrativa para desempenhar por conta própria os serviços de entrega e coleta de cargas. Fl. 1912DF CARF MF Processo nº 10920.720501/201149 Acórdão n.º 2401004.990 S2C4T1 Fl. 1.913 8 2.4 Nesse quadro fático, os segurados prestavam serviços diretamente a "MELLIES", com a finalidade de viabilizar a execução de contrato firmado com a pessoa jurídica Transporte Mann Ltda, CNPJ 78.663.788/000103 ("MANN"), destinado à prestação de serviços de entregas e coletas, representação e agenciamento de cargas. 2.5 Em razão das características do vínculo mantido entre "MELLIES" e "MANN", que ultrapassavam a mera relação comercial de prestação de serviços, o agente fiscal lavrou Termo de Sujeição Passiva em nome da "MANN", imputandolhe a responsabilidade solidária, tendo em vista o interesse comum nos fatos que levaram a constituição do crédito tributário e a formação de grupo econômico de fato (item 6 do Relatório Fiscal e Termo de Sujeição Passiva Solidária nº 1, respectivamente, às fls. 85 e 215/216). 3. Em breve síntese, o Fisco aponta os seguintes motivos de convencimento para a autuação (item 4.4.13.4, às fls. 78/81): (i) localização dos estabelecimentos das empresas no mesmo endereço, com objetos sociais associados à alguma atividade de transporte rodoviário de cargas; (ii) capital social irrisório da empresa "JDM"; (iii) os sócios das empresas "MELLIES" e "JDM" pertencem as mesmas famílias, na condição de pais, filhos e cônjuges (Mellies, da Silva e Karkuszewski); (iv) depoimentos em audiências trabalhistas reveladores que o sócio administrador da "MELLIES", Sr. Jared Karkuszewski, também exercia funções gerenciais no estabelecimento da "JDM" situado na cidade de Blumenau, estado de Santa Catarina; (v) utilização de advogado comum em processos trabalhistas, quando "MELLIES" e "JDM" formavam litisconsórcio passivo; (vi) existência de registros irrelevantes na contabilidade da "JDM", ao longo dos anos de 2006 a 2009, a respeito de máquinas, equipamentos ou instalações, enquanto a escrituração da "MELLIES" apresentava ativos significativos classificados como "bens em operação"; (vii) realização de pagamentos rotineiros pela "MELLIES" de custos e despesas da "JDM", inclusive em folhas de pagamento; (viii) constatação de despesas habituais registradas na contabilidade da "MELLIES" com alimentação, assistência médica, farmácia, seguro de vida e uniformes, em valores incompatíveis com a inexistência de segurados empregados registrados em seu nome; Fl. 1913DF CARF MF Processo nº 10920.720501/201149 Acórdão n.º 2401004.990 S2C4T1 Fl. 1.914 9 (ix) total de receitas registradas nos livros contábeis da "JDM" sempre em montante inferior a seus custos e despesas, circunscritos, basicamente, a mão de obra e respectivos encargos. No mesmo período, a "MELLIES" obteve receitas operacionais com a prestação de serviços em montante bem maior, porém sem contar com mão de obra assalariada em seu nome, exceto um único empregado entre outubro/2007 e março/2008; (x) os balanços e as demonstrações de resultados da "MELLIES" e "JDM", vistos isoladamente, são desequilibrados e inconsistentes. Todavia, analisados em conjunto, apresentamse coerentes, em especial pela existência de "empréstimos" contínuos ofertados pela "MELLIES" a "JDM"; (xi) as receitas auferidas pela "MELLIES" e "JDM" resultavam exclusivamente da prestação de serviços para a "MANN"; (xii) os contratos de prestação de serviços para a "MANN", firmados em julho/2002, com vigência prorrogada ao longo do tempo, foram assinados pelas mesmas pessoas físicas em nome da "MELLIES" e "JDM"; (xiii) contratação pela empresa "JDM" de vários segurados empregados na função de motorista de veículos de carga, sem que possuísse qualquer veículo próprio ou locado para a prestação dos serviços; (xiv) após a rescisão contratual com a "MANN", no final de 2009, uma parcela significa dos segurados empregados registrados na "JDM" passou a prestar serviços diretamente ao tomador; e (xv) adesão aos regimes tributários diferenciados do Simples Federal e Simples Nacional por parte da "JDM" desde o início das suas atividades empresariais. 4. Como a finalidade de aplicação da multa mais benéfica, até a competência 11/2008, consoante alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, que veicula o Código Tributário Nacional (CTN), foram comparadas, por competência, as multas previstas na legislação da época da infração e aquelas implementadas pela legislação superveniente, introduzida pela Medida Provisória (MP) nº 449, de 3 de dezembro de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009 (fls. 90/91). 4.1 Desta comparação resultou que em todas as competências as multas previstas na legislação anterior resultaram mais favorável ao sujeito passivo. Vale dizer, a multa de 24% (vinte e quatro por cento), relativamente à obrigação principal, cumulada com a lavratura do correspondente auto de infração, sob o nº 37.273.2054, pelo descumprimento de obrigação Fl. 1914DF CARF MF Processo nº 10920.720501/201149 Acórdão n.º 2401004.990 S2C4T1 Fl. 1.915 10 acessória de declarar, mês a mês, todos os fatos geradores de contribuição previdenciária na GFIP. 5. Para as competências a partir de 12/2008, o percentual da multa de ofício foi aplicado na forma do art. 44, inciso I e § 1º, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, duplicado até o importe de 150% (cento e cinquenta por cento). A denominada "multa qualificada" encontra justificativa, segundo a autoridade lançadora, na prática de atos fraudulentos e simulados e em conluio com a empresa contratante exclusiva dos serviços prestados pela fiscalizada. 6. Com ciência pessoal da autuação em 25/03/2011, conforme as fls. 217, 242, 261 e 282, o contribuinte impugnou a exigência fiscal, separadamente por auto de infração (fls. 907/948, 957/995, 1.044/1.082 e 1.102 e 1.130). 7. Por sua vez, o responsável solidário tomou ciência da sujeição passiva, via postal, no dia 30/03/2011 (fls. 903). A impugnação contra o vínculo de responsabilidade está juntada às fls. 1.140/1.175 e 1.336/1.371. Posteriormente, a empresa "MANN" aditou sua contestação, tendo em vista determinados fatos e documentos trazidos aos autos pela "MELLIES" quando da apresentação da impugnação do crédito tributário (fls. 1.547/1.549 e 1.550/1.558). 8. Intimada via postal da decisão de piso em 30/03/2015, segundo fls. 1.637 e 1.640, a empresa "MELLIES" apresentou recurso voluntário no dia 27/04/2015, cujos argumentos de defesa estão a seguir resumidos (fls. 1.857/1.895): (i) nulidade do procedimento fiscal por conta da extrapolação do período contido no Mandado de Procedimento Fiscal (MPF); (ii) nulidade dos autos de infração, pela ausência de motivação explícita, clara e congruente; (iii) não houve indicação da fundamentação legal no auto de infração para se efetuar o lançamento com base na folha de salários de empresa diversa; (iv) decadência do crédito tributário, relativamente às competências fevereiro e março/2006; (v) insubsistência da autuação fiscal diante da evidente ilegitimidade passiva da recorrente, carecendo de fundamentação legal a realização de lançamento tributário diretamente em seu nome; (vi) a necessidade de baixa da empresa "JDM" no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ), antes do lançamento fiscal, era providência indispensável para a autuação na forma em que realizada pela autoridade lançadora. Além do que, a possibilidade de desconsideração da personalidade jurídica da empresa "JDM", que havia registrado nos seus livros e documentos fiscais todos os segurados empregados que lhe Fl. 1915DF CARF MF Processo nº 10920.720501/201149 Acórdão n.º 2401004.990 S2C4T1 Fl. 1.916 11 prestavam serviços, é medida que exige prévia decisão judicial; (vii) as duas empresas, "MELLIES" e "JDM", são distintas e autônomas, com personalidade jurídica e sócios diversos, estando sob o comando de gestores diferentes; (viii) o lançamento das contribuições destinadas a terceiros é indevido, carecendo de amparo na Constituição da República de 1988; (ix) a contribuição ao GILRAT viola o princípio da legalidade, uma vez que as atividades preponderantes são delimitadas mediante decreto; (x) é cabível a compensação do débito exigido com os pagamentos efetuados na sistemática do Simples Federal e Simples Nacional; (xi) com relação aos valores lançados, existem inconsistências nas bases de cálculos utilizadas pela fiscalização para apuração das contribuições previdenciárias e aquelas devidas a terceiros. A título de exemplo, cita as competências maio/2007 e novembro/2007 a janeiro/2008; (xii) não foi respeitado o limite máximo do saláriode contribuição para o cálculo das contribuições devidas pelos segurados empregados; (xiii) é descabida e ilegal a exigência das contribuições incidentes sobre o décimo terceiro salário mediante aplicação, em separado, da tabela relativa às alíquotas e saláriode contribuição do trabalhador; e (xiv) tendo em conta a falta de dolo, a multa aplicada, no percentual de 150% do valor do tributo, é completamente desproporcional, violando os princípios constitucionais básicos. Ademais, o escalonamento da multa em face do tempo, segundo a disciplina da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, é flagrantemente ilegítimo. 9. A responsável solidária, empresa "MANN", também foi intimada via postal da decisão de primeira instância, com ciência em 12/01/2015 (fls. 1.638/1.639). Na sequência, interpôs recurso voluntário, protocolado em 11/02/2015, com as seguintes alegações (fls. 1.645/1.709 e 1.749/1.813): (i) nulidade do acórdão recorrido, por falta de produção da prova requerida na impugnação; (ii) o julgamento em primeira instância, que manteve o vínculo de responsabilidade da recorrente, não foi unânime, havendo Fl. 1916DF CARF MF Processo nº 10920.720501/201149 Acórdão n.º 2401004.990 S2C4T1 Fl. 1.917 12 necessidade de formalização do voto divergente para o fim de dar conhecimento das suas razões, com abertura de prazo para manifestação; (iii) a relação mantida entre "MELLIES" e "MANN" jamais configurou um grupo econômico, cuidandose de sociedades totalmente independentes, nem houve a realização em conjunto da situação configuradora do fato gerador das contribuições sociais exigidas. Inaplicável, portanto, o instituto da solidariedade passiva tributária; (iv) subsidiariamente, no que tange ao crédito tributário exigido, o lançamento fiscal é improcedente, diante da inexistência de norma antielisiva e ausência do vínculo empregatício entre a recorrente e os empregados registrados pela "JDM"; (v) os valores recolhidos a título de contribuição previdenciária no Simples devem ser abatidos do crédito tributário lançado; (vi) tendo em vista a falta de comprovação pela fiscalização de simulação, fraude ou conluio das empresas, a multa de ofício deve ser desqualificada ou, sucessivamente, adequada ao limite máximo de 100% (cem por cento) do tributo devido, consoante jurisprudência do Supremo Tribunal Federal; e (vii) é indevida a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. É o relatório. Fl. 1917DF CARF MF Processo nº 10920.720501/201149 Acórdão n.º 2401004.990 S2C4T1 Fl. 1.918 13 Voto Conselheiro Cleberson Alex Friess Relator Juízo de admissibilidade 10. Uma vez realizado o juízo de validade do procedimento, verifico que estão satisfeitos os requisitos de admissibilidade de ambos os recursos voluntários e, por conseguinte, deles tomo conhecimento. Recurso Voluntário: "MELLIES" Preliminares a) Mandado de Procedimento Fiscal (MPF): Extrapolação de prazo 11. Como preliminar inaugural, a recorrente defende a nulidade do procedimento fiscal devido à extrapolação do período autorizado pelo MPF para a realização do trabalho de auditoria tributária. Embora o documento tenha autorizado a fiscalização de fatos geradores ocorridos no período de janeiro/2007 a outubro/2010, a empresa foi autuada em relação a competências do ano de 2006. 12. Pois bem. Não localizei nos autos a juntada pela fiscalização ou autuada do respectivo MPF. Porém, a consulta ao conteúdo do documento é algo simples e rápido, via Internet, a partir da digitação do número do CNPJ do sujeito passivo e do Código de Acesso fornecido no início do procedimento fiscal. 1 Tais informações necessárias para a consulta constam, por exemplo, do Termo de Início de Procedimento Fiscal, entregue ao interessado (fls. 211/212). 13. Os dados do MPF indicam que o período inicial designado para o procedimento fiscal, equivalente a 01/2007 a 10/2010, foi alterado, em 09/02/2011, acrescentandose as competências de 02/2006 a 12/2006. 13.1 Tal situação confirma a informação consignada no Relatório Fiscal, que o delegado da unidade da Delegacia da Receita Federal do Brasil, em 09/02/2011, havia determinado a ampliação do período sob fiscalização, a fim de abranger também as competências de 02/2006 a 12/2006 (item 3.3, às fls. 51). 13.2 Para melhor visualização do documento consultado, copio excertos do MPF, obtidos na Internet da RFB: 1 http://www.receita.fazenda.gov.br/Aplicacoes/Atpae/Mpf/default.asp Fl. 1918DF CARF MF Processo nº 10920.720501/201149 Acórdão n.º 2401004.990 S2C4T1 Fl. 1.919 14 14. Mesmo na hipótese de falta de entrega pelo agente fazendário ao sujeito passivo, na época oportuna, de uma via do MPF complementar com a indicação da extensão do período fiscalizado, não se verifica qualquer invalidade no procedimento fiscal, dada a ausência de comprovação de prejuízo concreto à parte autuada. 15. Com efeito, a empresa foi devidamente intimada para apresentação da documentação correspondente ao ano de 2006, conforme registra o Termo de Intimação Fiscal às fls. 213, dispondo o sujeito passivo, desde logo, acesso ao controle da regularidade do procedimento fiscal em curso, por intermédio de consulta eletrônica ao sítio da RFB na Internet. 16. Lembro, ainda, que a ausência de MPF não constitui, a princípio, hipótese de nulidade do procedimento fiscal. Instituído por norma infralegal, o expediente administrativo era destinado ao controle gerencial e procedimental dos trabalhos de fiscalização, para assegurarlhes mais eficiência e transparência, não se sobrepondo, contudo, ao art. 142 do CTN, tampouco ao art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, que dão, efetivamente, competência legal ao auditorfiscal para a realização do lançamento de ofício no âmbito dos tributos federais. Em outras palavras, a validade do ato de lançamento tributário não decorria da expedição do MPF. 17. Evidenciada, portanto, a improcedência da alegação de ato discricionário ou ilegal praticado pela autoridade lançadora, não há que se falar em decretação da nulidade do lançamento fiscal. Fl. 1919DF CARF MF Processo nº 10920.720501/201149 Acórdão n.º 2401004.990 S2C4T1 Fl. 1.920 15 b) Vícios nos autos de infração 18. Quanto às alegações de existência de vícios nos autos de infração, a recorrente sustenta que a decisão de piso foi proferida de maneira totalmente genérica. Embora tenha apontado na impugnação diversos pontos dos autos de infração que se mostram incompreensíveis, sem a necessária clareza e congruência, o que conduz à sua nulidade, o acórdão recorrido deixou de enfrentar os argumentos trazidos pela empresa. 18.1 Nessa linha de pensamento, destaca algumas situações, vinculadas ao Relatório "Fundamentos Legais do Débito FLD", que, na sua visão, apresentam incongruências e/ou omissões, tais como: (i) quanto à atribuição de competência para a atividade fiscalizatória, as normas referemse não só ao período de fiscalização, mas também a competências que não guardam relação com a autuação; (ii) no que tange às normas que justificam a aferição indireta, o documento faz menção ao Decreto nº 5.256, de 27 de outubro de 2004, o qual, além de revogado, não possui o art. 18, inciso I; (iii) há citação do art. 12, inciso I, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 6 de maio de 1999, todavia não há indicação em qual inciso a situação da recorrente enquadrase; e (iv) no quadro de fundamentos sob a denominação "sonegação fraude ou conluio", existe uma miscelânea de dispositivos legais que mais atrapalham do que ajudam. 19. Pois bem. Com a devida vênia, a recorrente "procura pelo em ovo". A peça recursal, nesse ponto do recurso voluntário, está recheada de um discurso eminentemente protelatório. 20. A finalidade do documento "FLD" é auxiliar e complementar os dados contidos no Relatório Fiscal do respectivo Auto de Infração, informando ao sujeito passivo os dispositivos legais que fundamentam o lançamento efetuado, de acordo com a legislação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores, independentemente de sua revogação posterior. 21. O Relatório Fiscal, acostado às fls. 48/87, além de abarcar a descrição pormenorizada dos fatos que são imputados ao autuado, expõe de forma clara e objetiva os elementos que levaram a fiscalização a concluir pela efetiva ocorrência dos fatos jurídicos desencadeadores do liame obrigacional. 21.1 Ao longo de 40 (quarenta) páginas de Relatório Fiscal, a autoridade lançadora expõe, acompanhado de elementos de convicção, um detalhamento dos fatos societários, comerciais, operacionais, contábeis e fiscais relacionados às empresas "MELLIES", "JDM" e Fl. 1920DF CARF MF Processo nº 10920.720501/201149 Acórdão n.º 2401004.990 S2C4T1 Fl. 1.921 16 "MANN", os quais dão respaldo jurídico ao lançamento de ofício realizado, de acordo com a interpretação da acusação fiscal. 21.2. Não contribui para o bom andamento do processo administrativo o aparente estímulo da recorrente no sentido da leitura isolada do Relatório "FLD", passando convenientemente ao largo do extenso conteúdo do Relatório Fiscal, peça de cunho acusatório que também reproduz dispositivos da legislação tributária aplicáveis aos fatos narrados pela fiscalização. 22. Longe de criar confusão para a peticionante, as pontuais irregularidades assinaladas no Relatório 'FLD" representam, quando muito, apenas incorreções/imperfeições, inclusive mero lapso de escrita (p. ex, art. 18, inciso I, que diz respeito ao Anexo do Decreto nº 5.256, de 2004). 22.1 Em qualquer caso, não resultam em prejuízo concreto à empresa autuada, eis que não impossibilitaram, nem mesmo afetaram o pleno exercício formal e material do seu direito de defesa, conforme se depreende da impugnação e do recurso voluntário apresentados. Nesse sentido, o que dispõe o art. 60 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. (...) Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. 23. A autoridade fiscal motivou adequadamente o ato administrativo, por meio da descrição dos fatos, do enquadramento legal e da demonstração da subsunção à regra matriz de incidência, conforme exigido pelos incisos III e IV do art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, e pelo art. 142 do CTN, o que proporcionou ao sujeito passivo a possibilidade de produzir todas as provas hábeis para o fim de demonstrar os fatos que invoca como fundamento à sua pretensão. 24. De tal sorte que a tese defendida pela recorrente de cerceamento de defesa é frágil e não se mantém após uma breve apreciação do conjunto de documentos que compõem a acusação fiscal. Se o conjunto fáticoprobatório carreado aos autos pela autoridade lançadora é suficiente para a manutenção do crédito tributário exigido nos autos de infração, comprovando a ocorrência dos fatos geradores, é questão a ser avaliada no exame de mérito. 25. Logo, ausentes vícios quanto aos pressupostos e elementos do ato administrativo, descabe novamente cogitar a nulidade do lançamento fiscal. Fl. 1921DF CARF MF Processo nº 10920.720501/201149 Acórdão n.º 2401004.990 S2C4T1 Fl. 1.922 17 Decadência 26. Pugna a recorrente pelo reconhecimento da decadência do lançamento nas competências 02 e 03/2006, com fulcro no § 4º do art. 150 do CTN. 27. A regra geral do prazo decadencial está contida no inciso I do art. 173 do CTN, em que o direito de a Fazenda constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ter efetuado o lançamento de ofício: Art. 173 — O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: 1 — do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; (...) 28. Porém, no caso do denominado "lançamento por homologação", e ausentes o dolo, a fraude ou a simulação, o pagamento antecipado parcial atrai a regra decadencial prevista no § 4º do art. 150 do CTN, isto é, 5 (cinco) anos a contar da ocorrência do fato gerador: Art. 150. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. 29. No âmbito do lançamento dos tributos por homologação, como ora se examina, a tarefa prescrita em lei de antecipar o pagamento demanda do sujeito passivo a realização de um conjunto separado de procedimentos em relação a cada uma das contribuições previdenciárias devidas, a partir da confrontação entre o fato jurídico e a regramatriz de incidência tributária. 30. Pois bem. Antes de mais nada, é bom ressaltar que o fato gerador das contribuições, na hipótese dos autos, é mensal e aperfeiçoase na competência em que a prestação de serviços foi realizada. Mais especificamente, o critério temporal que delimita a hipótese de incidência para o nascimento da obrigação tributária concretizase no último átimo do respectivo mês. 31. Tendo em conta a ciência do lançamento fiscal à recorrente no dia 25/3/2011 e, no caso do responsável solidário, em 30/3/2011, não há que se falar em decadência com respeito à competência 03/2006. Fl. 1922DF CARF MF Processo nº 10920.720501/201149 Acórdão n.º 2401004.990 S2C4T1 Fl. 1.923 18 32. Resta para analisar a decadência na competência 02/2006. No que tange às contribuições patronais, a cargo da empresa, inclusive terceiros, não constatei nos autos qualquer documentação comprobatória da existência de pagamentos antecipados que mantenham conexão com os fatos geradores associados ao crédito tributário lançado pela fiscalização. 32.1 Nesse assunto, inclusive, a autoridade lançadora reproduz com ênfase, no Relatório Fiscal, que a recorrente não possuía segurados empregados no período fiscalizado, exceto um único trabalhador registrado nas competências 10/2007 a 03/2008 (item 4.3.9, às fls. 59/60). 32.2 Por sua vez, a empresa "JDM" também não realizou pagamentos das contribuições patronais vinculadas a prestação de serviços por parte de seus segurados, em Guia da Previdência Social (GPS), eis que optante, no período do lançamento de ofício, pelo Simples Federal e Nacional. 32.3 Para fins do § 4º do art. 150 do CTN, o pagamento unificado de impostos e contribuições efetuados mensalmente na sistemática do Simples, por meio de Documento de Arrecadação único e específico (DARF Simples e/ou DAS), calculados sobre a receita bruta auferida pela empresa "JDM", não ostenta a natureza de pagamento antecipado de fatos geradores vinculados a prestação de serviços por segurados empregados e contribuintes individuais (fls. 1.005/1.035). 33. Entretanto, quanto às contribuições previdenciárias a cargo dos segurados, as quais escapam da sistemática do recolhimento unificado do Simples Federal e Nacional, é possível verificar a existência de pagamento antecipado contemporâneo aos fatos geradores (AI nº 37.273.2038). 33.1 De fato, o agente fiscal utilizou como base de cálculo para o lançamento tributário a própria massa salarial declarada em GFIP pela empresa "JDM" (fls. 92/210). Com relação a essas contribuições previdenciárias, parte a cargo dos segurados, houve pagamento antecipado mensal (fls. 1.091/1.096). 33.2 Embora as contribuições foram apuradas e recolhidas em nome da empresa "JDM", indubitavelmente estão relacionadas com os mesmos fatos geradores objeto do lançamento de ofício. 34. Mesmo assim, é inviável a contagem do prazo decadencial nos termos do § 4º do art. 150 do CTN. É que para a aplicação desse preceito decadencial é condição a inexistência de dolo, fraude ou simulação na conduta do sujeito passivo. 35. Conforme será esclarecido de maneira fundamentada mais adiante, e já antecipando as conclusões do exame de mérito, o conjunto probatório dos autos é hábil e suficiente para demonstrar a conduta dolosa da recorrente, o que impede, por consequência, a aplicação da regra do § 4º do art. 150 do CTN. 36. Destarte, as competências de 02 a 03/2006, pelas razões acima detalhadas, não foram alcançadas pela decadência, o que afasta a declaração de extinção do crédito tributário sob esse fundamento. Fl. 1923DF CARF MF Processo nº 10920.720501/201149 Acórdão n.º 2401004.990 S2C4T1 Fl. 1.924 19 Mérito a) Ilegitimidade Passiva 37. Alega a recorrente a sua ilegitimidade passiva para figurar como responsável pelo crédito tributário, na condição de devedora principal. Por ocasião do lançamento, não havia a desconstituição da empresa "JDM", motivo pelo qual não poderia a autuação ter sido efetuada diretamente em nome da recorrente. Segundo a recorrente, não há um único dispositivo nos autos de infração que autorizem a autoridade fazendária a desconsiderar a existência de uma pessoa jurídica formalmente constituída e efetuar o lançamento em nome da recorrente. 38. Pois bem. Em primeiro lugar, saliento que, de acordo com o Relatório Fiscal, a constituição do crédito tributário em nome da recorrente não está apoiada, mesmo que indiretamente, na responsabilidade solidária prevista no inciso IX do art. 30 da Lei nº 8.212, de 1991. Tal fundamento jurídico respalda, de acordo com a autoridade tributária, a sujeição passiva da empresa "MANN" (item 6, às fls. 85). 39. Tratase de autuação em que a fiscalização caracterizou a sujeição passiva em nome da "MELLIES", relativamente à prestação de serviços por segurados vinculados formalmente à empresa "JDM". 39.1 Reproduzo o que afirmou o agente lançador, em síntese conclusiva, depois da análise dos fatos (fls. 78): 4.4.13.3. Neste contexto, os registros de segurados em nome da JDM eram apenas formais, pois quem de fato se beneficiou diretamente dos serviços prestados por eles foi a MELLIES E SILVA, na execução do contrato de serviços de ENTREGAS E COLETAS, REPRESENTAÇÃO E AGENCIAMENTO DE CARGAS mantido com a TRANS MANN, sendo esta a beneficiária final. 40. Em atenção aos princípios da primazia da realidade e da verdade material, cabe à fiscalização lançar de ofício o crédito correspondente à relação tributária efetivamente existente, desconsiderando o vínculo formal pactuado com pessoa jurídica interposta optante pelo Simples Federal e/ou Nacional, desde que demonstrado, por meio da linguagem de provas, que os trabalhadores efetivamente prestaram serviços à empresa principal, esta não optante pelo regime diferenciado de tributação. 41. O liame tributário decorre da lei. A ocorrência do fato previamente descrito na lei, no antecedente da norma de incidência, basta para o nascimento da obrigação tributária. Nem mais, nem menos. Além de o liame obrigacional prescindir da manifestação de vontade das partes, também os elementos da relação tributária, no consequente da regramatriz de incidência, não se alteram pela vontade de quem ocupa os pólos ativo e passivo do vínculo jurídico. 42. No procedimento de verificar o cumprimento das obrigações tributárias, estritamente conforme as prerrogativas e competências estabelecidas em lei, não está a Fl. 1924DF CARF MF Processo nº 10920.720501/201149 Acórdão n.º 2401004.990 S2C4T1 Fl. 1.925 20 fiscalização refém da forma jurídica adotada pelo particular, nem daquilo que consta em documentos, acordos e instrumentos de controle. 43. Mais que um ônus, é dever do Fisco, em face da legalidade, tipicidade e indisponibilidade do interesse público, investigar e verificar a ocorrência do fato jurídico tributário segundo se sucede no mundo fático. Prevalecerá a realidade dos fatos em detrimento da formalidade dos atos, cabendo à autoridade lançadora demonstrar em qualquer caso, apoiado na linguagem de provas, a ocorrência dos fatos jurídicos que servem de suporte à exigência fiscal. 44. Em visto disso, ao verificar o desvirtuamento dos elementos constitutivos da obrigação tributária, no critério pessoal ou quantitativo, a fiscalização pode desconsiderar o vínculo pactuado e lançar o crédito tributário correspondente à relação jurídica efetivamente existente com o verdadeiro tomador de serviços. 45. E foi exatamente o que fez a autoridade lançadora, tendo em conta as tantas evidências que proporcionam os elementos de prova, restando caracterizada a sujeição passiva em nome da fiscalizada, com relação à prestação de serviços pelos segurados vinculados formalmente à ''JDM". 46. Não é demais enfatizar que se está diante de uma relação tributária em que a fiscalização demonstra a vinculação direta da recorrente com o fato gerador, na condição de contribuinte. 47. No caso dos segurados empregados, os requisitos essenciais da relação empregatícia decorrem da situação jurídica reconhecida pela empresa "JDM", que confeccionava e elaborava a documentação correlata dos trabalhadores na condição de segurados empregados. A autoridade lançadora apenas redirecionou o vínculo tributário, correspondente ao verdadeiro tomador de serviços, para a autuada, ora recorrente. 48. É importante deixar claro também que, dada a linha de raciocínio acima, torna se irrelevante para legalidade do procedimento adotado pela fiscalização o prévio cancelamento da inscrição no CNPJ da empresa "JDM", antes do lançamento do crédito tributário, ou até posteriormente, assim como a necessidade de decisão judicial decretando a desconsideração da personalidade jurídica dessa mesma empresa, nos termos do art. 50 do Código Civil. 49. Escorreita, portanto, a conduta da autoridade lançadora, não havendo que se falar em vícios que maculam o lançamento tributário, de maneira a levar a improcedência dos autos de infração. b) Conjunto Probatório 50. Em minha avaliação, o conjunto fáticoprobatório juntado pelo Fisco é robusto, consistente e convergente o suficiente para vincular diretamente os segurados empregados e contribuintes individuais da "JDM" à recorrente, atestando a sua condição de verdadeiro tomador de serviços prestados pelos trabalhadores, sendo prescindível, neste caso concreto, a coleta de provas adicionais a respeito da presença dos requisitos caracterizadores do vínculo dos trabalhadores com a empresa "MELLIES". Fl. 1925DF CARF MF Processo nº 10920.720501/201149 Acórdão n.º 2401004.990 S2C4T1 Fl. 1.926 21 51. É certo que, de forma isolada, os indícios trazidos pela fiscalização não se prestam a comprovar o vínculo direto de prestação de serviços pelos trabalhadores a "MELLIES". Porém, o conjunto de tais indícios, mesmo que observadas as ressalvas da recorrente quanto às peculiaridades do ramo de transportes de cargas, é dotado de seriedade e convergência, ganhando, ao final, força probante. 52. Destaco, pela importância axiológica como prova, os seguintes elementos colhidos pela fiscalização, corroborados pela documentação que acompanha os autos: (i) contrato de representação e agenciamento de cargas, firmado, em 1º de julho de 2002, entre "MELLIES" e "MANN", sucessivamente prorrogado até o final do ano de 2009, cujo objeto constituía na representação, comercialização de fretes, entregas e coletas de mercadorias e emissão de conhecimento rodoviário de transportes de cargas para a contratante (fls. 314/322). Pela contratada, "MELLIES", assinam o ajuste José Carlos da Silva, representante legal, e Jorge Luiz Mellies, como fiador do agente; Na mesma data, houve a assinatura do contrato de prestação de serviços de carga e descarga entre "JDM" e "MANN", igualmente prorrogado até o final de 2009, com objeto na prestação de serviço de carga e descarga de mercadorias em veículos de viagem fornecidos pela empresa contratante (fls. 783/789). Pela contratada, "JDM", assinaram também José Carlos da Silva, na qualidade de responsável legal, e Jorge Luiz Mellies, como fiador do agente. A própria empresa "MANN" confirma, segundo o histórico da relação contratual exposto às fls. 1.764/1.767, que desde julho de 2000 havia um contrato de representação e agenciamento de cargas com a "MELLIES", nesse caso por prazo determinado, celebrado com o propósito de ampliação da sua atuação no segmento de carga fracionada, mediante parceria de serviços. A renovação por tempo indeterminado do instrumento contratual, a partir de julho de 2002, levou à assinatura de um outro contrato simultâneo, desta feita com a "JDM", como meio para o cumprimento do contrato de representação com a "MELLIES". Conquanto José Carlos da Silva seja signatário por ambas as empresas, na condição de representante legal, os documentos societários não indicam vinculação com a "JDM" em nenhum momento. Figura o seu vínculo como sócio gerente/administrador, a partir de 27/04/1995, exclusivamente com a "MELLIES" (item 4.4.5.5, às fls. 64). Fl. 1926DF CARF MF Processo nº 10920.720501/201149 Acórdão n.º 2401004.990 S2C4T1 Fl. 1.927 22 (ii) no período sob fiscalização, constatação da inexistência de registros de segurados empregados em nome da empresa "MELLIES", com exceção de 1 (um) trabalhador na filial de Blumenau, estado de Santa Catarina, nos meses de outubro/2007 a março/2008; Com relação à ausência de funcionários registrados na empresa autuada, a recorrente alega que o objeto principal do contrato era a representação da "MANN" na busca de novos contratos de cargas, serviços efetuados pessoalmente pelos sócios. A explicação é singela e pouco convincente. O contrato firmado pela "MELLIES", em julho/2002, é muito claro que o objeto contratual envolve também o fornecimento de mão de obra necessária para o serviço de transporte, carga e descarga de mercadorias, inclusive na função de motoristas, devendo a contratada dispor de veículos para coleta e entrega (Cláusulas Quinta, Nova e Décima, às fls. 315/320). Além disso, as notas fiscais emitidas pela "MELLIES", no âmbito do contrato com a "MANN", referemse não só ao título genérico de comissões sobre agenciamento de cargas e representação, mas também especificamente à prestação de serviços de carga e descarga (por exemplo, às fls. 513/517, nos meses de dezembro/2006 a abril/2007). As cópias das notas fiscais do período de 2006 a 2009 estão juntadas às fls. 473/550. (iii) a partir da análise dos dados informados em GFIP pela "JDM", nos anos de 2007 a 2009, uma parte dos segurados empregados, considerando o código de ocupação, relacionava se com a função de carga e descarga de mercadorias, compatível com contrato firmado com a "MANN". Entretanto, diversos outros trabalhadores foram classificados pela empresa como motoristas de veículos de carga, apontadores e conferentes, assistentes administrativos e técnicos de planejamento e controle da produção, cujas atividades estão associadas ao contrato da "MELLIES", abrangente de representação, comercialização de fretes, entrega e coletas de mercadorias e emissão de conhecimento de carga; (iv) identificação na escrituração contábil da "MELLIES", durante os anoscalendário de 2006 a 2009, de pagamentos a título de alimentação, em restaurantes, lanchonetes, churrascarias, etc, assistência médica, vale farmácia, uniforme e seguro de vida, cuja natureza dessas despesas, valores mensais e anuais são incompatíveis com a inexistência de segurados empregados registrados em seu nome e de gastos com salários, o que sinaliza confusão financeira com a "JDM". Fl. 1927DF CARF MF Processo nº 10920.720501/201149 Acórdão n.º 2401004.990 S2C4T1 Fl. 1.928 23 Cópias dos livros diário e razão da "MELLIES" às fls. 329/472; (v) contabilidade da "MELLIES", ao longo dos exercícios de 2006 a 2009, contendo o registro de pagamentos de despesas correntes da "JDM", relativas a gastos com telefonia, luz/energia, água e impostos, o que também denota a existência de confusão financeira entre as empresas; (vi) receitas lançadas na escrituração contábil da "JDM", durante os exercícios de 2006 a 2009, com origem exclusivamente da prestação de serviços para a empresa "MANN", no entanto insuficientes para o custeio dos custos e despesas do respectivo período, os quais se compõe, quase exclusivamente, de dispêndios vinculados a pessoal (salários e encargos). Cópias dos livros diário e razão da "JDM" às fls. 588/639; (vii) segundo a contabilidade, a "JDM" não dispõe de máquinas, equipamentos e instalações em seu ativo, inexistindo prova da locação ou arrendamento dos equipamentos necessários para a realização dos serviços contratados de carga e descarga das mercadorias (Cláusula Décima, às fls. 785). Por sua vez, a escrituração da "MELLIES" apresenta o registro de ativos significativos classificados como "bens em operação", sinalizando indício da existência de confusão patrimonial; (viii) o repasse habitual de numerário pela "MELLIES", na forma de "mútuos/empréstimos" à "JDM", inclusive destinados a cobrir dispêndios correntes da mutuária, sem haver quitação, com geração de saldos crescentes ano após ano; Declara a recorrente, por sua vez, que a "JDM" passou por dificuldades financeiras e, para evitar sua quebra e na expectativa de melhoria nas negociações com a tomadora de serviços exclusiva, "MANN", foram efetuados os diversos mútuos. Contudo, entre empresas distintas e autônomas, segundo enquadrase a relação entre "MELLIES" e "JDM" na ótica da recorrente, os empréstimos/mútuos deveriam ser concedidos com base em contratos devidamente formalizados, com delimitação de valores, condições e prazos, assinados pelas partes. Nada foi apresentado nesse sentido, tampouco explicado pela recorrente. Além do mais, é inconcebível o pagamento direto, e rotineiro, pela mutuante de despesas da mutuária, sob o pretexto de concessão de "empréstimos/mútuos", conforme verificado na contabilidade da "MELLIES". Fl. 1928DF CARF MF Processo nº 10920.720501/201149 Acórdão n.º 2401004.990 S2C4T1 Fl. 1.929 24 Na linha das conclusões da autoridade lançadora, os balanços e as demonstrações de resultados das empresas "MELLIES" e "JDM" retratam credibilidade apenas quando analisados em conjunto, evidenciando um controle patrimonial e financeiro único. (ix) indicação que Jared Karkuszewski, inicialmente segurado empregado da "MELLIES" e, a partir de maio/2005, um dos sócios administrador da empresa, também gerenciava os negócios da "JDM", segundo depoimentos colhidos em ações trabalhistas (fls. 853/877); O próprio Sr. Jared apresentavase, de forma espontânea, ao Juízo Trabalhista como preposto/representante legal (fls. 857). Além da realização de pagamentos a empregados da "JDM" diretamente pelo Sr. Jared, consta das audiências que ele determinava atos de suspensão e advertência aos empregados vinculados formalmente à "JDM" e, em caso de opção pela rescisão contratual, havia necessidade de consulta prévia aos demais sócios da empresa "JDM" (fls. 868/869). A toda a evidência, tais elementos sinalizam fortemente para uma realidade de recebimento de ordens e subordinação de segurados empregados da "JDM" à gerência da empresa "MELLIES"; (x) as receitas auferidas pela "MELLIES" e "JDM" resultam exclusivamente da prestação de serviços para a "MANN", no contexto da execução dos objetos contratuais alhures reproduzidos. Não restou comprovada a prestação de serviços para outras empresas, com especificação das características, bem como dos correspondentes períodos e valores, sequer a fiscalização noticiou a constatação de tal situação fática na escrituração contábil das empresas. 53. Enfatizo que minha convicção decorre não só do conjunto fáticoprobatório carreado pela fiscalização, mas também pela linha de argumentação utilizada pela empresa autuada para contraporse à acusação fiscal, em que passa convenientemente ao largo de diversas questões importantes, sem refutação concreta e efetiva dos fatos identificados no procedimento investigativo. 54. Não há dúvidas que a existência de parentesco nos quadros sociais das empresas, objeto social semelhante e ocupação de um mesmo galpão locado para suas atividades econômicas, conforme defende a recorrente, não são provas irrefutáveis para manutenção do crédito tributário em seu nome. Todavia, são elementos que adquirem relevância quando aferidos conjuntamente aos demais indícios contábeis, patrimoniais, financeiros e trabalhistas trazidos pelo agente lançador. 55. Engendrouse um indevido e direcionado fracionamento da empresa "MELLIES", não optante pelo regime diferenciado de tributação, para o fim do cumprimento dos contratos assumidos com a empresa "MANN", concentrando a mão de obra com vínculo Fl. 1929DF CARF MF Processo nº 10920.720501/201149 Acórdão n.º 2401004.990 S2C4T1 Fl. 1.930 25 empregatício na empresa "JDM", optante pelo Simples Federal e, posteriormente, pelo Simples Nacional. 55.1 Um contrato principal, voltado à representação, comercialização de fretes, entregas e coletas de mercadorias e emissão de conhecimento rodoviário de transportes de cargas, e outro secundário, contendo objeto complementar, relativo a serviços de carga e descarga em veículos da própria "MANN". 56. A realidade fática aponta para empresas com controle patrimonial e financeiro único, com assunção pela empresa principal, "MELLIES", de diversos custos e despesas da "JDM" ao longo dos exercícios fiscalizados, mediante o repasse de numerário, responsabilizandose, em verdade, pelo risco da atividade econômica da empresa optante pelo Simples Federal e Nacional. c) Terceiros 57. Contesta a recorrente os lançamentos das contribuições destinadas ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), Serviço Social do Transporte (Sest), Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte (Senat) e Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae). De acordo com a peça recursal, a decisão de piso deixou de enfrentar todos os argumentos arguidos pela autuada em sede de impugnação da respectiva exigência fiscal. c.1) Incra 58. Alega, no caso da contribuição ao Incra, a ausência de previsão constitucional que dê suporte à sua cobrança, uma vez que instituída por lei ordinária, e que tal lei, além de não recepcionada pela Constituição de 1988 ou, quando menos, extinta por leis posteriores, deixou de cumprir os requisitos necessários a exigência do tributo. 59. É tarefa exclusiva do Poder Judiciário avaliar a compatibilidade da norma jurídica em nível legal com os preceitos constitucionais, inclusive quanto à fixação da base de cálculo do tributo, sendo que argumentos desse jaez são inoponíveis na esfera administrativa. Nesse sentido, não só o art. 26A do Decreto nº 70.235, de 1972, como também o enunciado da Súmula nº 2, deste Conselho Administrativo, assim redigida: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. 60. De mais a mais, a contribuição devida ao Incra exigida da recorrente encontra sua hipótese de incidência no art. 3º do DecretoLei nº 1.146, de 31 de dezembro de 1970, que manteve o adicional a contribuição previdenciária das empresas, originalmente instituído no § 4º do art. 6º da Lei nº 2.613, de 23 de setembro de 1955, cuja alíquota de 0,2% (dois décimos por cento) foi determinada pelo inciso II do art. 15 da Lei Complementar nº 11, de 25 de maio de 1971. A seguir, são transcritos os dispositivos citados: Lei nº 2.613, de 1955 Art 6º É devida ao S.S.R. a contribuição de 3% (três por cento) sôbre a soma paga mensalmente aos seus empregados pelas Fl. 1930DF CARF MF Processo nº 10920.720501/201149 Acórdão n.º 2401004.990 S2C4T1 Fl. 1.931 26 pessoas naturais ou jurídicas que exerçam as atividades industriais adiante enumeradas (...) § 4º A contribuição devida por todos os empregadores aos institutos e caixas de aposentadoria e pensões é acrescida de um adicional de 0,3% (três décimos por cento) sôbre o total dos salários pagos e destinados ao Serviço Social Rural, ao qual será diretamente entregue pelos respectivos órgãos arrecadadores. DecretoLei nº 1.146, de 1970 Art 3º É mantido o adicional de 0,4% (quatro décimos por cento) a contribuição previdenciária das emprêsas, instituído no § 4º do artigo 6º da Lei nº 2.613, de 23 de setembro de 1955, com a modificação do artigo 35, § 2º, item VIII, da Lei número 4.863, de 29 de novembro de 1965. (grifei) Lei Complementar nº 11, de 1971 Art. 15. Os recursos para o custeio do Programa de Assistência ao Trabalhador Rural provirão das seguintes fontes: (...) II da contribuição de que trata o art. 3º do Decretolei nº 1.146, de 31 de dezembro de 1970, a qual fica elevada para 2,6% (dois e seis décimos por cento), cabendo 2,4% (dois e quatro décimos por cento) ao FUNRURAL. (...) 61. A sequência no tempo das leis que regem essa contribuição causou inúmeros debates sobre a manutenção da sua exigibilidade após a edição da Lei nº 7.787, de 30 de junho de 1989, e de outras que a sucederam, que vieram a modificar a legislação de custeio da Previdência Social. 62. Ao final, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) pacificou a matéria no sentido da legitimidade da cobrança da parcela de 0,2% destinada ao Incra, porquanto a contribuição não foi extinta pela Lei nº 7.787, de 1989, nem pela Lei nº 8.212, de 1991.2 63. Mais que isso, de acordo com a nova ordem constitucional, a natureza jurídica da exação corresponde a uma contribuição de intervenção no domínio econômico, com a finalidade específica de promoção da reforma agrária e de colonização, visando atender aos princípios da função social da propriedade e à diminuição das desigualdades regionais e sociais. 3 2 Nessa linha de entendimento, entre tantos outros, indico o Recurso Especial (REsp) nº 977.058/RS, da relatoria do Ministro Luiz Fux, julgado pela 1ª Seção em 22/10/2008, na sistemática dos recursos repetitivos. 3 Entre outros, REsp nº 864.378/CE, relatora Ministra Eliana Calmon, julgado pela 2ª Turma do STJ em 12/12/2006. Fl. 1931DF CARF MF Processo nº 10920.720501/201149 Acórdão n.º 2401004.990 S2C4T1 Fl. 1.932 27 64. Há, por conseguinte, uma referibilidade apenas indireta quanto à sujeição passiva, em que os contribuintes eleitos pela lei não são necessariamente os beneficiários diretos do resultado da atividade estatal que se busca implementada com o tributo. 65. Vêse que a sujeição passiva da contribuição ao Incra não oferece maiores dificuldades, na medida em que não sofreu alteração ao longo do tempo, vinculada que sempre foi, desde a sua origem como adicional da contribuição previdenciária, ao conceito amplo de empresa previsto no direito previdenciário. 66. De sorte que a recorrente, tendo em vista o art. 15 da Lei nº 8.212, de 1991, amoldase ao conceito de empresa para fins de sujeição passiva da contribuição devida ao Incra. c.2) Sest/Senat 67. Quanto às contribuições destinadas ao Sest/Senat, aduz que elas não trazem nenhum benefício atrelado à recorrente, carecendo da referibilidade prevista no art. 149 da Constituição da República de 1988. Além disso, a Lei nº 8.706, de 14 de setembro de 1993, não é suficiente para criar a obrigação tributária. porque faltalhe a discriminação de todos os aspectos essenciais da hipótese de incidência. Adiciona que as contribuições também não podem ser exigidas devido a sua criação mediante lei ordinária, prescindindo de lei complementar. Por fim, assim como a contribuição ao Incra, afirma que esbarra em inconstitucionalidade em decorrência da base de cálculo que jamais poderia assentarse na folha de salários. 68. Pois bem. O inciso I do art. 7º da Lei nº 8.706, de 1993, direcionou ao Sest/Senat as contribuições das empresas de transporte rodoviário incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados que eram recolhidas em favor do Serviço Social da Indústria (Sesi) e do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai): Art. 7º As rendas para manutenção do Sest e do Senat, a partir de 1º de janeiro de 1994, serão compostas: I pelas atuais contribuições compulsórias das empresas de transporte rodoviário, calculadas sobre o montante da remuneração paga pelos estabelecimentos contribuintes a todos os seus empregados e recolhidas pelo Instituto Nacional de Seguridade Social, em favor do Serviço Social da Indústria SESI, e do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial SENAI, que passarão a ser recolhidas em favor do Serviço Social do Transporte SEST e do Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte SENAT, respectivamente; (...) 69. Como se observa do texto, a lei restringiu o campo da sujeição passiva das contribuições ao Sesi/Senai, apenas direcionando o tributo recolhido pelos transportadores rodoviários aos novos serviços sociais criados com a finalidade de promoção social do trabalhador em transporte rodoviário e de implementação de programas de aprendizagem a ele destinado. Fl. 1932DF CARF MF Processo nº 10920.720501/201149 Acórdão n.º 2401004.990 S2C4T1 Fl. 1.933 28 69.1 Para fins de incidência das contribuições devidas a terceiros, ao contrário do que sustenta a recorrente sem constrangimento, é de uma clareza solar a correlação entre a sua atividade empresarial (transporte rodoviário de cargas) e os objetivos institucionais do Sest/Senat. 70. A seu turno, a recorrente afirma que a Lei nº 8.706, de 1993, deixou de definir aspectos importantes relacionados ao fato gerador do tributo, sem apontar, contudo, quais seriam as omissões ou imprecisões existentes no texto legal. Nesse grau de questionamento, inviável e prejudicada a avaliação sobre o tema. 71. Por derradeiro, no tocante à compatibilidade da lei ordinária com os preceitos de ordem constitucional, incluindo a delimitação da base imponível do tributo, a análise da matéria encontra óbice explícito no enunciado da Súmula Carf nº 2, acima explicado. 72. Em suma, sem razão a peticionante. c.3) Sebrae 73. Com relação à contribuição ao Sebrae, insiste a recorrente na tese da ilegitimidade da exigência tributária via edição de lei ordinária. Argumenta, ainda, que estão sendo cobrados por meio do auto de infração, na verdade, dois adicionais, totalizando 0,6%, contrariando o § 3º do art. 8º da Lei nº 8.029, de 12 de abril de 1990. Ao final, defende que a lei não incluiu a incidência do adicional destinado ao Sebrae sobre as contribuições para o Sest/Senat, na medida que somente são sujeitos passivos as empresas contribuintes para o Sesc/Senac e Sesi/Senai. 74. Pois bem. De início, convém reafirmar à recorrente que são inteiramente aplicáveis as considerações já expostas neste voto sobre o enunciado da Súmula Carf nº 2, no que tange à vedação do exame de inconstitucionalidade da lei tributária no âmbito administrativo. 75. A natureza jurídica da contribuição ao Sebrae consubstancia finalidade interventiva no domínio econômico, sendo exigível daqueles que se sujeitam à contribuição ao Sest/Senat. 75.1 Com efeito, nos termos do § 3º do art. 8º da Lei nº 8.029, de 1990, as atividades do Sebrae são custeadas por um adicional cobrado sobre as alíquotas das contribuições sociais referentes às entidades de que trata o art. 1º do DecretoLei nº 2.318 , de 30 de dezembro de 1986: Art. 8º (...) § 3º Para atender à execução das políticas de apoio às micro e às pequenas empresas, de promoção de exportações e de desenvolvimento industrial, é instituído adicional às alíquotas das contribuições sociais relativas às entidades de que trata o art. 1º do DecretoLei no 2.318, de 30 de dezembro de 1986, de: a) um décimo por cento no exercício de 1991; b) dois décimos por cento em 1992; e Fl. 1933DF CARF MF Processo nº 10920.720501/201149 Acórdão n.º 2401004.990 S2C4T1 Fl. 1.934 29 c) três décimos por cento a partir de 1993. 76. O mero redirecionamento, ao Sest/Senat, das contribuições antes destinadas ao Sesi/Senai, que foi promovido, como visto, pelo art. 7º da Lei nº 8.706, de 1993, não tem o condão de afastar a exigibilidade do adicional destinado ao Sebrae. 77. No mais, o percentual devido equivale a 0,6%, o qual corresponde ao somatório do adicional de 0,3% sobre a contribuição destinado ao Sest e aquele de 0,3% sobre a contribuição ao Senat. Dessa feita, não há qualquer incompatibilidade com o conteúdo do § 3º do art. 8º da Lei nº 8.029, de 1990. 78. Escorreito, portanto, a constituição do crédito tributário nos moldes exigidos no auto de infração. d) GILRAT 79. Com relação à contribuição destinada ao GILRAT, identificada pela recorrente pela antiga sigla "SAT", pondera que apesar de prevista a exação no inciso II do art. 22 da Lei nº 8.212, de 1991, não há lei formal delimitando o conceito de atividade preponderante, nem o que vem a ser grau de risco leve, médio ou grave, o que inviabiliza, em última análise, a própria exigência da contribuição previdenciária, em face do princípio da estrita legalidade tributária. 80. A aludida contribuição previdenciária encontrase regulamentada pelo art. 202 do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 6 de maio de 1999: Art. 202. A contribuição da empresa, destinada ao financiamento da aposentadoria especial, nos termos dos arts. 64 a 70, e dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho corresponde à aplicação dos seguintes percentuais, incidentes sobre o total da remuneração paga, devida ou creditada a qualquer título, no decorrer do mês, ao segurado empregado e trabalhador avulso: I um por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado leve; II dois por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado médio; ou III três por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado grave. (...) § 3º Considerase preponderante a atividade que ocupa, na empresa, o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos. Fl. 1934DF CARF MF Processo nº 10920.720501/201149 Acórdão n.º 2401004.990 S2C4T1 Fl. 1.935 30 § 4º A atividade econômica preponderante da empresa e os respectivos riscos de acidentes do trabalho compõem a Relação de Atividades Preponderantes e correspondentes Graus de Risco, prevista no Anexo V. § 5 É de responsabilidade da empresa realizar o enquadramento na atividade preponderante, cabendo à Secretaria da Receita Previdenciária do Ministério da Previdência Social revêlo a qualquer tempo. (...) 81. Em nível infralegal, por intermédio do RPS, foram delimitados os contornos necessários para a exigência da contribuição previdenciária das empresas. Contudo, se o regulamento foi além do que lhe era permitido, definindo elementos essenciais à cobrança próprios de lei, tratase de discussão acerca da ilegalidade da norma emanada pelo Poder Executivo, o que extrapola, em meu ponto de vista, o âmbito de atuação do contencioso administrativo. 82. Mesmo que dotado de função judicante, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais é um órgão de natureza administrativa. Por isso, a vigilância que exerce sobre a legalidade dos atos encontra limite, via de regra, nas ações de controle que poderiam ser exercidas pelo Ministro da Fazenda. 83. Dada o atual modelo do sistema brasileiro de controle administrativo de legalidade, escapamlhe os atos emitidos pelo Presidente da República, os quais são chancelados também pelo Ministro de Estado, em que o Poder Executivo os baixa com o propósito de fiel execução das leis, com fundamento constitucional no inciso IV do art. 84 da Carta Política de 1988. 84. A função do Colegiado na tarefa de controlar a legalidade da autuação da Administração Tributária e decidir definitivamente sobre matérias variadas está seguramente associada a coibir os excessos e equívocos da autoridade fiscal na interpretação e aplicação das normas legais, bem como afastar, igualmente nos casos concretos, os efeitos de atos infralegais exorbitantes expedidos pela Administração Tributária, por intermédio dos órgãos subordinados ou vinculados ao Ministério da Fazenda. 85. Acrescento, por oportuno, que a linha de defesa deduzida no recurso voluntário compreende matéria outrora debatida e decidida no âmbito do Poder Judiciário. Com efeito, o Supremo Tribunal Federal (STF) já reconheceu a constitucionalidade dessa contribuição, insculpida no inciso II do art. 22 da Lei nº 8.212, de 1991, afastando a ofensa aos princípios da isonomia e da legalidade: (...) O fato de a lei deixar para o regulamento a complementação dos conceitos de atividade preponderante e grau de risco leve, médio e grave, não implica ofensa ao princípio da legalidade genérica, CF, art. 5º, II, e da legalidade tributária, CF, art. 150, I". (...) (STF. Pleno. Recurso Extraordinário nº 343.4462/SC, Relator Ministro Carlos Velloso. Julgado: 20/03/2003). Fl. 1935DF CARF MF Processo nº 10920.720501/201149 Acórdão n.º 2401004.990 S2C4T1 Fl. 1.936 31 86. Da mesma maneira, com a ressalva da necessidade de aferição da alíquota pelo grau de risco desenvolvido em cada estabelecimento da empresa, com inscrição individual no CNPJ, conforme verbete do enunciado da Súmula nº 351, a jurisprudência do STJ temse inclinado reiteradamente no sentido da harmonia da regulamentação do Poder Executivo em face da lei ordinária que lhe dá fundamento de validade: PREVIDENCIÁRIO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SAT. LEGALIDADE DO DECRETO. DETERMINAÇÃO. ATIVIDADE PREPONDERANTE DA EMPRESA. AUSÊNCIA DE OMISSÃO. ART. 535, II, DO CPC. (...) 2. Em relação à legalidade da cobrança da contribuição ao SAT, o STJ consolidou a orientação de que o decreto que estabelece o que vem a ser atividade preponderante da empresa e seus correspondentes graus de risco leve, médio ou grave não exorbita de seu poder regulamentar. Precedentes: AgRg no REsp 1.538.487/RS, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, DJe 23/09/2015 e REsp 1.499.379/PB, minha relatoria, Segunda Turma, DJe 5/8/2015. 3. Recurso Especial parcialmente conhecido e, nessa parte, provido. (STJ. 2ª Turma. Recurso Especial nº 1.580.829/SP, Relator Ministro Herman Benjamin. Julgado: 10/03/2016). 87. Logo, sem razão a recorrente. e) Aproveitamento de valores recolhidos 88. Nesse ponto do apelo recursal, a recorrente pede que se autorize o abatimento dos valores pagos através do Simples, daqueles lançados nos respectivos autos de infração, especialmente quanto às quantias de mesma natureza, ainda que na sistemática do recolhimento único que caracteriza os pagamentos no regime diferenciado de tributação, consoante entendimento sumulado no âmbito deste Conselho Administrativo (Súmula Carf nº 76). 89. Pois bem. Quando da análise da decadência, já deixei consignado que as contribuições previdenciárias a cargo dos segurados, embora apuradas e recolhidas em nome da empresa "JDM", conforme indica o extrato de fls. 1.091/1.096, estão relacionadas indubitavelmente com os mesmos fatos geradores objeto do lançamento de ofício no AI nº 37.273.2038 (fls. 242/260). O agente fiscal utilizou como base de cálculo para o lançamento tributário a própria massa salarial declarada em GFIP pela empresa "JDM" (fls. 92/210). 90. Desse modo, sob pena de cobrança em duplicidade, é cabível o abatimento dos valores pagos previamente a ação fiscal daqueles lançados no auto de infração acima mencionado, que mantenham conexão com os fatos geradores exigidos. Fl. 1936DF CARF MF Processo nº 10920.720501/201149 Acórdão n.º 2401004.990 S2C4T1 Fl. 1.937 32 90.1 Em outras palavras, a autoridade responsável pela execução do julgado deverá abater dos valores relativos às contribuições dos segurados empregados e contribuintes individuais exigidas no AI nº 37.273.2038, por competência, os montantes das contribuições previdenciárias dos segurados recolhidas pela empresa "JDM" por intermédio do pagamento em GPS (código 2003). 91. Por outro lado, não se prestam à recorrente para fins de dedução do crédito tributário lançado pela fiscalização os recolhimentos mensais efetuados pela "JDM" na sistemática do Simples Federal e Nacional, mediante a utilização de documento único de arrecadação. 92. Conquanto a adesão ao Simples implique pagamento mensal unificado de diversos tributos, entre eles as contribuições previdenciárias a cargo da empresa (contribuição patronal previdenciária), de que trata o art. 22 da Lei nº 8.212, de 1991, penso que é inviável reconhecer o direito de aproveitar pagamentos que não tenham conexão direta com os fatos geradores exigidos da recorrente. 93. Os recolhimentos realizados em documento único pela "JDM", na condição de optante pelo Simples Federal e Nacional, correspondem à aplicação de um percentual sobre a sua receita bruta auferida mensalmente pela pessoa jurídica, ao passo que o crédito tributário apurado pela fiscalização previdenciária em nome da recorrente tem como fato gerador a prestação de serviço remunerado. 94. O pagamento no Simples é devido pela obtenção de receita bruta, independentemente da utilização de mão de obra remunerada, ou do montante da massa salarial aplicada na atividade empresarial. É dizer que a prestação de serviço remunerado pelo trabalhador não guarda vinculação necessária com o recolhimento mensal unificado no Simples. 95. É fundamental, penso, não confundir pagamentos de mesma natureza, para fins de aproveitamento, que dizem respeito aos mesmos fatos geradores, com o critério de partilha que a lei determina para cada um dos tributos abrangidos pelo Simples, considerando o montante e a natureza da receita bruta auferida. 96. De mais a mais, não há notícias nos autos que são indevidos os valores pagos em decorrência das receitas auferidas pela "JDM", caracterizando a existência de indébito tributário, passível de restituição ou compensação. Nem mesmo que houve lançamento de ofício em nome da "MELLIES" exigindolhe recolhimento de tributos incidentes sobre as receitas de prestação de serviços obtidas pela "JDM", no período fiscalizado. 97. Nesse quadro, é insusceptível de aplicação o enunciado da Súmula nº 76 deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, porquanto os precedentes que lhe deram azo referemse especificamente a pagamentos realizados pelo mesmo sujeito passivo, o qual, excluído do Simples Federal, acaba submetido ao lançamento de ofício na sistemática do lucro real, presumido ou arbitrado: Súmula CARF nº 76: Na determinação dos valores a serem lançados de ofício para cada tributo, após a exclusão do Simples, devem ser deduzidos eventuais recolhimentos da mesma natureza efetuados nessa sistemática, observandose os Fl. 1937DF CARF MF Processo nº 10920.720501/201149 Acórdão n.º 2401004.990 S2C4T1 Fl. 1.938 33 percentuais previstos em lei sobre o montante pago de forma unificada. 97.1 Notese que a exclusão do Simples, com efeitos retroativos, implica a desconsideração integral da apuração dos impostos e contribuições realizada pelo contribuinte nessa sistemática de tributação diferenciada. Nessa situação, não é razoável que os recolhimentos operados por meio de documento único de arrecadação sejam desprezados e não possam ser aproveitados como pagamento. 97.2 Conforme orienta o verbete da Súmula nº 76, o lançamento de ofício relativamente a cada tributo comporte o abatimento proporcional dos recolhimentos efetuados na sistemática do Simples, observandose os percentuais previstos em lei sobre o montante pago de forma unificada. Todavia, cuidase de hipótese distinta daquela dos autos. f) Valores lançados 98. Aponta a recorrente equívocos e/ou inconsistências nas bases de cálculo utilizadas pela fiscalização para o lançamento fiscal, deixando a autoridade lançadora de explicar, segundo afirma, como chegou a tais valores. Para confrontálos, a recorrente anexou, na fase de impugnação, cópias dos resumos das folhas de pagamento da empresa "JDM", relativos aos meses de mai/2007, novembro/2007, dezembro/2007, janeiro/2008 e dezembro/2009 (fls. 1.036/1.043). 99. Pois bem. A afirmação de que a fiscalização não indicou como chegou aos valores das remunerações dos segurados é estranha, no mínimo. O Relatório Fiscal é claro sobre a origem (fls. 82): 5.3.2 DAS BASES DE CÁLCULO 5.3.2.1. Os saláriosdecontribuição são apurados por aferição indireta com base nas GFIPs da JDM do período 02/2006 a 01/2010, conforme demonstradas na planilha “RELAÇÃO DE SEGURADOS REGISTRADOS EM EMPRESA INEXISTENTE DE FATO (JDM)” e nos relatórios “RL – RELATÓRIO DE LANÇAMENTOS” e “DD – DISCRIMINATIVO DO DÉBITO”. (GRIFOUSE) 100. Conforme já dito, a autoridade fiscal adotou como base de cálculo para o lançamento tributário a própria massa salarial declarada em GFIP pela empresa "JDM", detalhada nas Planilhas às fls. 92/210. Ali constam, por estabelecimento e competência, entre outros dados, o nome e a inscrição do trabalhador, categoria, data de admissão e, se for o caso, data de demissão, base de cálculo (remuneração) e contribuição previdenciária a cargo do segurado, com totais mensais. 100.1 Quer dizer, a autoridade lançadora utilizou para o lançamento de ofício os dados de remuneração declarados pela própria empresa "JDM". Eventual equívoco na base de cálculo empregada, caberia à recorrente, que tem interesse em fazer prevalecer os fatos que afirma, apontar e justificar onde está localizada a inconsistência, tal como na hipótese de não corresponder à remuneração declarada em GFIP ou haver erro de valores no preenchimento do Fl. 1938DF CARF MF Processo nº 10920.720501/201149 Acórdão n.º 2401004.990 S2C4T1 Fl. 1.939 34 documento entregue ao Fisco. É insuficiente simplesmente alegar e não comprovar que os cálculos estão incorretos. 101. Realço, por fim, que a autoridade justificou a aferição da base de cálculo, já que não obtida diretamente dos documentos em nome da empresa "MELLIES", entre outros dispositivos, com base na previsão contida no § 6º do art. 33 da Lei nº 8.212, de 1991 (item 5.3.1, às fls. 82): Art. 33 (...) § 6º Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. (...) 102. Mais uma vez, portanto, a recorrente aparenta desconhecer o exato conteúdo dos autos de infração. Logo, descabe se falar em ausência de fundamentação do lançamento efetuado com base em aferição indireta. g) Inobservância do limite máximo do saláriodecontribuição 103. Assevera a recorrente que no cálculo das contribuições previdenciárias devidas pelos segurados a autoridade fiscal não observou o limite máximo do saláriodecontribuição, aplicando a alíquota sobre o valor total da remuneração paga aos respectivos segurados empregados. 104. Não mostra a recorrente um único exemplo de cálculo em desacordo com a legislação tributária, segundo o período do fato gerador. Analisando a Planilha de fls. 92/210, nos poucos casos de trabalhadores com remuneração acima do limite máximo do saláriode contribuição, constato que a fiscalização observou corretamente o teto do saláriode contribuição. 104.1 Na hipótese de trabalhadores com remuneração global superior ao limite máximo do saláriodecontribuição devido à prestação de serviços a mais de uma fonte pagadora, a efetiva comprovação da existência dessa situação fática é ônus da recorrente, não podendo só alegála, como fez no recurso voluntário, devendo demonstrar que o segurado já sofreu desconto da contribuição previdenciária. 105. Prossegue a recorrente quanto à incidência da contribuição previdenciária sobre o décimo terceiro salário. Argumenta, nesse ponto, a impossibilidade do cálculo da contribuição devida para essa parcela trabalhista em separado da remuneração correspondente ao mês de prestação de serviço. 106. Com a publicação da Lei nº 8.620, de 5 de janeiro de 1993, a tributação em separado da gratificação natalina passou a estar prevista expressamente em nível legal, sendo calculada a parte dos valores da remuneração do mês de trabalho: Fl. 1939DF CARF MF Processo nº 10920.720501/201149 Acórdão n.º 2401004.990 S2C4T1 Fl. 1.940 35 Art. 7º O recolhimento da contribuição correspondente ao décimoterceiro salário deve ser efetuado até o dia 20 de dezembro ou no dia imediatamente anterior em que haja expediente bancário. § 1º Nos casos da rescisão do contrato de trabalho o recolhimento deve ser efetuado na forma da alínea b do inciso I do art. 30 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação desta lei. § 2º A contribuição de que trata este artigo incide sobre o valor bruto do décimoterceiro salário, mediante aplicação, em separado, das alíquotas estabelecidas nos arts. 20 e 22 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991. (...) (GRIFOUSE) 107. À vista do exposto, não merece reforma a decisão de piso que manteve a autuação fiscal, sem alterações. h) Multa 108. Quanto à avaliação de eventual excesso do legislador ordinário ao fixar o percentual da multa punitiva, de uma forma exorbitante e desproporcional, é tarefa exclusiva reservada ao Poder Judiciário, porquanto implica verificação da compatibilidade da norma jurídica com os preceitos constitucionais. 109. Do mesmo modo, a alegação de ilegitimidade da aplicação da multa com base nos critérios do inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, devido à majoração pelo simples decurso do tempo. 110. Argumentos desse jaez são inoponíveis na esfera administrativa. Nesse sentido, não só o art. 26A do Decreto nº 70.235, de 1972, como também o enunciado da Súmula nº 2, deste Conselho, assim redigida: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. 111. A redução da multa estabelecida no § 4º do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, é inaplicável, eis que a recorrente não declarou as contribuições exigidas pela fiscalização na GFIP. A empresa "JDM" declarou em GFIP tão somente as contribuições previdenciárias a cargo dos segurados. 112. Por derradeiro, a recorrente se insurge contra a aplicação da multa de ofício qualificada inscrita no § 1º do artigo 44 da Lei nº 9.430, de 1996, para as competências a partir de 12/2008, por considerar que não ficaram caracterizadas as condutas de que tratam os artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964, que assim dispõe: Art . 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: Fl. 1940DF CARF MF Processo nº 10920.720501/201149 Acórdão n.º 2401004.990 S2C4T1 Fl. 1.941 36 I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II – das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. 113. Pelo conjunto probatório analisado, não assiste razão a recorrente, haja vista a utilização de empresa optante pelo Simples Federal e Nacional para concentrar irregularmente toda a mão de obra da sua atividade econômica. 114. Como antes dito, engendrouse um indevido e direcionado fracionamento da empresa "MELLIES", não optante pelo regime diferenciado de tributação, para o fim do cumprimento dos contratos assumidos com a empresa "MANN", concentrando a mão de obra com vínculo empregatício na empresa "JDM", optante pelo Simples Federal e, posteriormente, pelo Simples Nacional. 115. Os atos praticados de forma consciente e voluntária tiveram o intuito de impedir o pagamento da contribuição previdenciária, reduzindo ilicitamente o montante do imposto devido. 116. Assim, regular a qualificação da multa aplicada em percentual de 150%, haja vista o conjunto de elementos carreados aos autos que respaldam a existência da conduta dolosa do sujeito passivo com vistas a eximirse do pagamento de tributo devido. Recurso Voluntário: "MANN" Preliminares a) Nulidade do acórdão recorrido 117 Argumenta a recorrente que a decisão de piso deve ser anulada, com novo julgamento em primeira instância, dado que foi negada a produção da prova pleiteada pela interessada. 118. Como destinatário final da prova, compete ao julgador avaliar a prescindibilidade e viabilidade da sua produção para a elucidação dos fatos e/ou como instrumento de convicção para a solução da lide. 119. Requereu, em sua impugnação, a produção de prova no sentido da intimação da empresa "MELLIES" para fornecimento dos endereços das empresas "Bertolini" e "Ociani", com o objetivo da expedição de ofício pela Receita Federal para que apresentassem a comprovação da relação comercial havida entre as partes. Fl. 1941DF CARF MF Processo nº 10920.720501/201149 Acórdão n.º 2401004.990 S2C4T1 Fl. 1.942 37 120. A produção da prova é desnecessária, em face do conjuntoprobatório já carreado aos autos. Como será verá adiante, no que tange ao vínculo de responsabilidade da recorrente, o convencimento do julgador prescinde da produção dessa prova. b) Necessidade de lavratura do voto divergente do acórdão recorrido 121. Dado que o acórdão combatido foi resultado de julgamento não unânime, no tocante ao polo passivo, segunda a recorrente fazse imprescindível a formalização do voto divergente proferido pelo julgador Nilton Gularte dos Santos. 122. Não há previsão na Portaria MF n º 341, de 12 de julho de 2011, que disciplina a constituição das Turmas e o funcionamento das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), tampouco no Decreto nº 70.235, de 1972, para a formalização do voto vencido. 123. De qualquer modo, nenhum prejuízo acarreta à recorrente a falta de lavratura do voto divergente. Além de não alterar o resultado do julgamento, a decisão de piso contém os pressupostos de fato e de direito que determinaram a manutenção do vínculo de responsabilidade. Mérito Vínculo de responsabilidade 124. Expõe o agente lançador que os vínculos entre "MANN" e as prestadoras de serviço iam muito além de meras relações de cunho comercial, funcionando as empresas prestadoras como verdadeiras extensões da tomadora de serviços, destacandose (fls. 85): (...) a) o uso dos mesmos endereços de fato para se estabelecerem; b) a exclusividade na prestação dos serviços; c) o litisconsórcio passivo em algumas demandas trabalhistas; d) a transferência de grande parte dos empregados da JDM para a contratante (quando da rescisão do contrato); e) inclusão das contratadas e seus motoristas nos sistemas gerenciais da contratante; f) imposição à MELLIES E SILVA dos riscos de avarias, furtos e extravios; g) imposição à MELLIES E SILVA dos riscos de crédito; h) política de preços e cobranças imposta pela contratante à MELLIES E SILVA, e; i) participação da contratante na utilização da empresa fictícia, mediante “rateio” dos serviços e receitas das prestadoras. (...) 124.1 Na sequência, a autoridade fiscal justifica o vínculo de responsabilidade solidária com base no inciso I do art. 124 do CTN, em virtude do interesse comum nos fatos que levaram à constituição do crédito tributário, bem como pelo inciso IX do art. 30 da Lei nº 8.212, de 1991, dada a constatação de formação de grupo econômico de fato entre as empresas mencionadas. 124.2 A fim de proporcionar maior clareza a respeito da acusação fiscal, reproduzo os preceptivos mencionados de lei: Fl. 1942DF CARF MF Processo nº 10920.720501/201149 Acórdão n.º 2401004.990 S2C4T1 Fl. 1.943 38 Lei nº 8.212, de 1991 Art. 30 (...) IX as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta Lei; CTN Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; (...) 125. Pois bem. Os elementos trazidos aos autos pela fiscalização até podem sinalizar a existência de indícios de uma ligação que vá além da simples parceria com interesse comercial entre "MANN" e "MELLIES"/"JDM", porém o conjunto fáticoprobatório apresentado pela autoridade tributária é ainda insuficiente para levar à segura conclusão da responsabilidade solidária, tendo em conta a legislação de regência. 126. A utilização de espaços contíguos entre transportador e agenciador não configura estratégia incomum na área de transporte de cargas, adotandose como forma de otimização da logística do setor. Por sua vez, a exclusividade na prestação dos serviços, conforme salientado pela autoridade fiscal, é uma matéria controvertida, considerando o próprio conteúdo da proposta comercial elaborada pela "MELLIES", que cita a representação também das empresas Transportes Bertolini Ltda e Transportadora Ociani Ltda (fls. 1.485/1.496). 127. Quanto ao litisconsórcio passivo em algumas demandas trabalhistas, tal aspecto não tem a relevância que pretende dar o agente fiscal, a menos que ficasse evidenciado que o chamamento ao polo passivo decorria de fatos que extrapolavam a relação da empresa "MANN" como tomadora de serviços dos trabalhadores contratados junto a "MELLIES"/"JDM". 128. Ao contrário das palavras da autoridade fiscal, a inclusão das contratadas e seus motoristas nos sistemas gerenciais da "MANN", a imposição de cláusulas contratuais de responsabilização das contratadas "MELLIES"/"JDM" por avarias, furtos e extravios de cargas e riscos de créditos, além do estabelecimento de uma política de preços pelos serviços prestados, são plenamente compatíveis com um contrato típico de agenciamento e representação de cargas. 129. Durante o período a que se referem os fatos geradores, não há qualquer indício significativo e condizente no processo administrativo da existência de interferência da "MANN" nas atividades das empresas contratadas em grau que ultrapasse a associação tomador/prestador, mediante confusão patrimonial, administrativa, contábil ou de trabalhadores alocados nas atividades empresariais. 130. A alegação da participação da "MANN" na utilização da empresa fictícia, por meio de "rateio" dos serviços e receitas da "MELLIES"/"JDM" é afirmação despedida de respaldo nas provas dos autos. Fl. 1943DF CARF MF Processo nº 10920.720501/201149 Acórdão n.º 2401004.990 S2C4T1 Fl. 1.944 39 131. Para caracterização de grupo econômico, afastando a hipótese de mero tomador de serviços contratado das empresas "MELLIES"/"JDM", seria necessário indícios da existência de confusão patrimonial e unidade de controle entre as empresas, uma delas exercendo influência no processo decisório e estratégico sobre as demais, situação que não restou comprovada entre "MANN" e "MELLIES"/"JDM". 132. Quanto à solidariedade de fato, pressupõe o interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, implicando a participação na relação jurídica que deu azo à ocorrência do fato imponível, não sendo suficiente a existência de interesse econômico ou mesmo a constatação de participação nos resultados ou lucros. 133. Em síntese, a solidariedade tributária se caracteriza pela existência de interesse jurídico, vinculado à atuação conjunta na situação configuradora do fato gerador. Não há nos autos sob exame os elementos de conexão eleitos pelo legislador para a caracterização da solidariedade de fato. 134. Logo, cabe afastar o vínculo de responsabilidade solidária atribuído à empresa "MANN" e, nesse caso particular, impertinente a inclusão do seu nome, nessa condição, no Relatório de Vínculos. 135. Deixo de analisar os demais argumentos de defesa do recurso voluntário da "MANN", por absoluta desnecessidade para a improcedência de sujeição passiva solidária. Conclusão Ante o exposto, CONHEÇO dos recursos voluntários, REJEITO as preliminares, AFASTO a decadência e, no mérito, DOU PROVIMENTO PARCIAL para: (i) abater dos valores relativos às contribuições dos segurados empregados e contribuintes individuais exigidas no AI nº 37.273.2038, por competência, as contribuições previdenciárias dos segurados recolhidas pela empresa JDM Serviços de Carga e Descarga Ltda, por intermédio do pagamento em GPS (código 2003); e (ii) excluir o vínculo de responsabilidade solidária atribuído à empresa Transporte Mann Ltda. É como voto. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Fl. 1944DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.720291/2015-06
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Sep 18 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2011
NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA.
Não se inquina de nulidade o procedimento fiscal realizado dentro das normas vigentes e conduzido por servidor de carreira, mais ainda quando comprovadamente a recorrente pode exercer livremente seu direito de defesa.
Igualmente impossível reputar como nula decisão a quo que examina minuciosamente todos os fatos, argumentos e provas dos autos, exarando decisão irretocável sob os ângulos formal e procedimental.
ALEGAÇÕES DE CONFISCO. NÃO CONHECIMENTO
Não se conhecem das alegações relativas a confisco por se tratar de matéria de cunho eminentemente constitucional, cuja apreciação é vedada ao julgador administrativo.
PROVA DOCUMENTAL. APRESENTAÇÃO.
Descabido o reclamo da contribuinte de que documentos probatórios não teriam sido analisados em primeira instância quando o colegiado de 2º grau os aceita e aprecia juntamente com o recurso voluntário, ainda que apresentados extemporaneamente.
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
MULTA DE OFÍCIO DE 75%.
Legítima a aplicação da multa de ofício de 75% sobre a diferença de imposto apurada em procedimento de ofício, porquanto em conformidade com a legislação de regência.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO
A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic.
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO OU LIQUIDAÇÃO DE INVESTIMENTO. VALOR CONTÁBIL DO INVESTIMENTO AVALIADO PELO VALOR DE PATRIMÔNIO LÍQUIDO.
O valor contábil para efeito de determinar o ganho ou perda de capital na alienação ou liquidação de investimento avaliado pelo valor de patrimônio líquido será a soma algébrica dos seguintes valores: (i) valor de patrimônio líquido pelo qual o investimento estiver registrado na contabilidade do contribuinte; (ii) ágio ou deságio na aquisição do investimento, ainda que tenha sido amortizado na escrituração comercial do contribuinte; (iii) provisão para perdas que tiver sido computada, como dedução, na determinação do lucro real.
Sendo negativo o valor do PL da investida, o investimento da controladora será nulo ou zero e não refletirá tal déficit em sua contabilidade. Em consequência, o custo a ser considerado será zero e a ele se contraporá o montante da alienação para fins de apuração do ganho de capital.
GLOSA DE DESPESAS FINANCEIRAS APROPRIADAS A MAIOR. TAXA DE JUROS SUPERIOR À PREVISTA CONTRATUALMENTE.
São indedutíveis as despesas financeiras apropriadas em valor a maior que o devido, sobre contratos de mútuo celebrados no Brasil com pessoas ligadas, mediante aplicação indevida de taxa de juros superior à prevista no aditamento ao contrato de mútuo.
GLOSA DE ENCARGOS FINANCEIROS APROPRIADOS SOBRE OPERAÇÕES NÃO COMPROVADAS DE EMPRÉSTIMOS NO EXTERIOR.
A teor do artigo 923, do RIR/1999, a escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados se estiver lastreada em documentação hábil e idônea emitida por terceiros, contendo elementos suficientes para demonstrar estarem os gastos em estrita conexão com a atividade explorada e com a manutenção da respectiva fonte de receita. Não satisfeitos tais requisitos obrigatórios, procedente é a glosa dos encargos financeiros apropriados sobre operações não comprovadas de empréstimos contratados no exterior.
LANÇAMENTOS REFLEXOS. CSLL
Inexistindo fatos novos a serem apreciados, estendem-se ao lançamento reflexo o decidido no lançamento matriz.
Numero da decisão: 1402-002.682
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário no que se refere à arguição de confisco e, na parte conhecida, rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito negar-lhe provimento, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lizandro Rodrigues de Sousa, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente).
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2011 NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA. Não se inquina de nulidade o procedimento fiscal realizado dentro das normas vigentes e conduzido por servidor de carreira, mais ainda quando comprovadamente a recorrente pode exercer livremente seu direito de defesa. Igualmente impossível reputar como nula decisão a quo que examina minuciosamente todos os fatos, argumentos e provas dos autos, exarando decisão irretocável sob os ângulos formal e procedimental. ALEGAÇÕES DE CONFISCO. NÃO CONHECIMENTO Não se conhecem das alegações relativas a confisco por se tratar de matéria de cunho eminentemente constitucional, cuja apreciação é vedada ao julgador administrativo. PROVA DOCUMENTAL. APRESENTAÇÃO. Descabido o reclamo da contribuinte de que documentos probatórios não teriam sido analisados em primeira instância quando o colegiado de 2º grau os aceita e aprecia juntamente com o recurso voluntário, ainda que apresentados extemporaneamente. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO MULTA DE OFÍCIO DE 75%. Legítima a aplicação da multa de ofício de 75% sobre a diferença de imposto apurada em procedimento de ofício, porquanto em conformidade com a legislação de regência. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO OU LIQUIDAÇÃO DE INVESTIMENTO. VALOR CONTÁBIL DO INVESTIMENTO AVALIADO PELO VALOR DE PATRIMÔNIO LÍQUIDO. O valor contábil para efeito de determinar o ganho ou perda de capital na alienação ou liquidação de investimento avaliado pelo valor de patrimônio líquido será a soma algébrica dos seguintes valores: (i) valor de patrimônio líquido pelo qual o investimento estiver registrado na contabilidade do contribuinte; (ii) ágio ou deságio na aquisição do investimento, ainda que tenha sido amortizado na escrituração comercial do contribuinte; (iii) provisão para perdas que tiver sido computada, como dedução, na determinação do lucro real. Sendo negativo o valor do PL da investida, o investimento da controladora será nulo ou zero e não refletirá tal déficit em sua contabilidade. Em consequência, o custo a ser considerado será zero e a ele se contraporá o montante da alienação para fins de apuração do ganho de capital. GLOSA DE DESPESAS FINANCEIRAS APROPRIADAS A MAIOR. TAXA DE JUROS SUPERIOR À PREVISTA CONTRATUALMENTE. São indedutíveis as despesas financeiras apropriadas em valor a maior que o devido, sobre contratos de mútuo celebrados no Brasil com pessoas ligadas, mediante aplicação indevida de taxa de juros superior à prevista no aditamento ao contrato de mútuo. GLOSA DE ENCARGOS FINANCEIROS APROPRIADOS SOBRE OPERAÇÕES NÃO COMPROVADAS DE EMPRÉSTIMOS NO EXTERIOR. A teor do artigo 923, do RIR/1999, a escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados se estiver lastreada em documentação hábil e idônea emitida por terceiros, contendo elementos suficientes para demonstrar estarem os gastos em estrita conexão com a atividade explorada e com a manutenção da respectiva fonte de receita. Não satisfeitos tais requisitos obrigatórios, procedente é a glosa dos encargos financeiros apropriados sobre operações não comprovadas de empréstimos contratados no exterior. LANÇAMENTOS REFLEXOS. CSLL Inexistindo fatos novos a serem apreciados, estendem-se ao lançamento reflexo o decidido no lançamento matriz.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 65; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1922; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 2.011 1 2.010 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16327.720291/201506 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1402002.682 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 25 de julho de 2017 Matéria IRPJ/CSLL Recorrente HBF PARTICIPAÇÕES LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2011 NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA. Não se inquina de nulidade o procedimento fiscal realizado dentro das normas vigentes e conduzido por servidor de carreira, mais ainda quando comprovadamente a recorrente pode exercer livremente seu direito de defesa. Igualmente impossível reputar como nula decisão a quo que examina minuciosamente todos os fatos, argumentos e provas dos autos, exarando decisão irretocável sob os ângulos formal e procedimental. ALEGAÇÕES DE CONFISCO. NÃO CONHECIMENTO Não se conhecem das alegações relativas a “confisco” por se tratar de matéria de cunho eminentemente constitucional, cuja apreciação é vedada ao julgador administrativo. PROVA DOCUMENTAL. APRESENTAÇÃO. Descabido o reclamo da contribuinte de que documentos probatórios não teriam sido analisados em primeira instância quando o colegiado de 2º grau os aceita e aprecia juntamente com o recurso voluntário, ainda que apresentados extemporaneamente. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO MULTA DE OFÍCIO DE 75%. Legítima a aplicação da multa de ofício de 75% sobre a diferença de imposto apurada em procedimento de ofício, porquanto em conformidade com a legislação de regência. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 02 91 /2 01 5- 06 Fl. 2011DF CARF MF Processo nº 16327.720291/201506 Acórdão n.º 1402002.682 S1C4T2 Fl. 2.012 2 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO OU LIQUIDAÇÃO DE INVESTIMENTO. VALOR CONTÁBIL DO INVESTIMENTO AVALIADO PELO VALOR DE PATRIMÔNIO LÍQUIDO. O valor contábil para efeito de determinar o ganho ou perda de capital na alienação ou liquidação de investimento avaliado pelo valor de patrimônio líquido será a soma algébrica dos seguintes valores: (i) valor de patrimônio líquido pelo qual o investimento estiver registrado na contabilidade do contribuinte; (ii) ágio ou deságio na aquisição do investimento, ainda que tenha sido amortizado na escrituração comercial do contribuinte; (iii) provisão para perdas que tiver sido computada, como dedução, na determinação do lucro real. Sendo negativo o valor do PL da investida, o investimento da controladora será nulo ou “zero” e não refletirá tal déficit em sua contabilidade. Em consequência, o custo a ser considerado será “zero” e a ele se contraporá o montante da alienação para fins de apuração do “ganho de capital”. GLOSA DE DESPESAS FINANCEIRAS APROPRIADAS A MAIOR. TAXA DE JUROS SUPERIOR À PREVISTA CONTRATUALMENTE. São indedutíveis as despesas financeiras apropriadas em valor a maior que o devido, sobre contratos de mútuo celebrados no Brasil com pessoas ligadas, mediante aplicação indevida de taxa de juros superior à prevista no aditamento ao contrato de mútuo. GLOSA DE ENCARGOS FINANCEIROS APROPRIADOS SOBRE OPERAÇÕES NÃO COMPROVADAS DE EMPRÉSTIMOS NO EXTERIOR. A teor do artigo 923, do RIR/1999, a escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados se estiver lastreada em documentação hábil e idônea emitida por terceiros, contendo elementos suficientes para demonstrar estarem os gastos em estrita conexão com a atividade explorada e com a manutenção da respectiva fonte de receita. Não satisfeitos tais requisitos obrigatórios, procedente é a glosa dos encargos financeiros apropriados sobre operações não comprovadas de empréstimos contratados no exterior. LANÇAMENTOS REFLEXOS. CSLL Inexistindo fatos novos a serem apreciados, estendemse ao lançamento reflexo o decidido no lançamento matriz. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário no que se refere à arguição de confisco e, na parte conhecida, rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito negarlhe provimento, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Fl. 2012DF CARF MF Processo nº 16327.720291/201506 Acórdão n.º 1402002.682 S1C4T2 Fl. 2.013 3 (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lizandro Rodrigues de Sousa, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente). Fl. 2013DF CARF MF Processo nº 16327.720291/201506 Acórdão n.º 1402002.682 S1C4T2 Fl. 2.014 4 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte acima identificada em face de decisão exarada pela 1ª Turma da DRJ/CTA em sessão de 27 de julho de 2015, que julgou improcedente a impugnação apresentada e manteve os lançamentos perpetrados pelo Fisco (fls. 1875/1917). Os autos compõemse de extenso e detalhado TVF (fls. 1696/1727), igualmente extensa e detalhada impugnação (fls. 1735/1790), Acórdão a quo com 42 folhas, recurso voluntário (fls. 1922/1989 – 67 laudas), contrarrazões da PGFN com 16 fls (1993/2009), formando um conjunto argumentativo de 211 páginas, acrescido de centenas de documentos, o que, antecipadamente, mostra a profundidade da lide, tudo convergindo para se verificar se os lançamentos realizados pela Fiscalização, e que abaixo se resumem, teriam substância. Conforme TVF, a imputação atingiria o IRPJ e a CSLL, na forma seguinte: 1. ganho de capital apurado na alienação de investimento no Banco Schahin no anocalendário de 2011, avaliado pelo valor do patrimônio líquido, com infração ao disposto no art. 3º da Lei nº 9.249, de 1995, e arts. 247, 248, 249, II, 251, 418 e 426 do RIR de 1999, nos montantes de R$ 193.615.644,47 e R$ 6.424.911,31; 2. glosa de despesas financeiras calculadas a maior sobre operações de mútuo contratadas no Brasil com empresas ligadas, com infração ao disposto no art. 3º da Lei nº 9.249, de 1995, e arts. 247, 248, 249, I, 251, 277, 278, 299, 300 e 374 do RIR de 1999, a saber: R$ 7.065.225,42 e glosa de encargos financeiros apropriados sobre operações não comprovadas de empréstimos contratados no exterior, mediante lançamento de Fixed Rate Notes em regime de Private Placement, com infração ao disposto no art. 3º da Lei nº 9.249, de 1995, e arts. 247, 248, 249, I, 251, 277, 278, 299, 300 e 374 do RIR de 1999: R$ 1.808.254,90. Por resumir eficientemente a acusação fiscal, sem perda da sua essência, assumo o relatório da decisão recorrida para mostrar os pontos mais relevantes do TVF (fls. 1696/1727). DA ACUSAÇÃO FISCAL (TVF – fls. 1696/1727) Segundo relatoria do acórdão a quo, a acusação do Fisco encontrase assim sintetizada: “1.1. RESUMO INICIAL O capital do Banco Schahin era de R$ 130.616.665,57, representado por 309.290.286 ações, sendo 154.645.143 ordinárias e 154.645.143 preferenciais, todas nominativas e sem valor nominal, assim distribuído: Fl. 2014DF CARF MF Processo nº 16327.720291/201506 Acórdão n.º 1402002.682 S1C4T2 Fl. 2.015 5 A operação de venda do Banco Schahin envolveu diversas empresas do Grupo Schahin e não apenas os seus controladores diretos, porém todas estas empresas eram controladas diretamente ou indiretamente pelos Srs. Salim Taufic Schahin e Milton Taufic Schahin, conforme consta do item I e II das considerações do Instrumento Particular de Assunção de Obrigações assinado pelos mesmos em 30/09/2010 para obtenção de empréstimo junto ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC). (...) O Banco BMG se comprometeu a pagar, aos controladores do Banco Schahin, o valor de R$ 249 milhões, em um prazo de 15 anos, corrigido pela taxa Selic e com pagamento somente no vencimento final, pela aquisição de 308.790.339 ações do Banco Schahin, sendo 154.145.196 ordinárias e 154.645.143 preferenciais (99,84% do capital total e 99,68% do capital votante), observar que não foram vendidas as 499.947 ações ON pertencentes ao Sr. Carlos Daniel Coradi. Além do valor de R$ 249 milhões, o BMG assumiu, em uma das cláusulas do contrato de compra e venda do Banco Schahin, o ônus pelo pagamento dos tributos incidentes sobre o ganho de capital dos antigos controladores. O ganho de capital foi estipulado em R$ 19 milhões e o valor dos tributos foi calculado em R$ 6.441.480,98. (...) O Contrato de compra e venda do Banco Schahin foi assinado em 30/06/2011, mas só produziu efeitos a partir da autorização do Banco Central que ocorreu em 18/08/2011. A HBF deveria contabilizar a sua participação no Banco Schahin pelo método da equivalência patrimonial, e como os ajustes patrimoniais realizados no Banco levaram o patrimônio líquido do mesmo para um valor negativo, antes de concretizada a sua venda, a HBF deveria ter contabilizado este ajuste patrimonial também no seu ativo que contabilizava o Banco Schahin, porém assim não procedeu. A HBF, além de não contabilizar os ajustes patrimoniais do Banco Schahin, ainda contabilizou a menor o valor recebido do Banco BMG pela venda de sua participação no Banco Schahin. Tais contabilizações inapropriadas acarretaram em uma redução Fl. 2015DF CARF MF Processo nº 16327.720291/201506 Acórdão n.º 1402002.682 S1C4T2 Fl. 2.016 6 indevida do valor tributável do imposto de renda e da CSLL incidente sobre o ganho de capital obtido nesta operação, conforme veremos a seguir. (...) 2. DA ANÁLISE DOS FATOS E DO DIREITO (...) Conforme foi exposto nos itens 1.1 a 1.3 deste Termo, a HBF alienou toda a sua participação acionária no Banco Schahin, composta por 260.713.658 ações, para o Banco BMG pelo valor de R$ 215.684.511,31. O valor de R$ 215.684.511,31 era composto pela soma de um direito de crédito no valor de R$ 210.232.292,00 e uma TED recebida de R$ 5.452.219,31. Como o contribuinte contabilizou o recebimento de sua participação no direito de crédito pelo valor de R$ 209.259.600,00, temos uma omissão de receita no montante de R$ 972.692,00 (R$ 210.232.292,00 R$ 209.259.600,00). O valor de R$ 5.452.219,31 também é uma omissão de receita, visto que o contribuinte recebeu este valor, relativo à venda do Banco Schahin, para o pagamento dos tributos incidentes sobre o ganho de capital apurado na venda, e ao invés de contabilizálo como uma receita, deduziu indevidamente o valor do crédito a receber. Portanto o valor de R$ 6.424.911,31 (R$ 972.692,00 + R$ 5.452.219,31) será glosado como omissão de receita na apuração do ganho de capital da venda do Banco Schahin. O investimento no Banco Schahin era contabilizado na HBF pelo método da equivalência patrimonial na conta 2.1.2.10.15.00040 INVESTIMENTOS BANCO SCHAHIN S/A pelo valor de R$ 193.491.459,88. Existia também um ágio, no valor de R$ 124.184,59, registrado na conta 2.1.2.10.15.00059 ÁGIO INVESTIMENTO BANCO SCHAHIN S/A. Porém a HBF não registrava corretamente o valor contábil do patrimônio líquido do Banco Schahin, pois foram realizados diversos ajustes patrimoniais, antes da sua venda para o Banco BMG, que não foram evidenciados na contabilidade da HBF. Estes ajustes patrimoniais alteraram significativamente o patrimônio líquido do Banco Schahin fazendo o mesmo ficar negativo, sendo certo que pelo menos R$ 787.232 mil destes ajustes referiamse à database de 31/12/2010, conforme apurado pelo Banco Central. Fl. 2016DF CARF MF Processo nº 16327.720291/201506 Acórdão n.º 1402002.682 S1C4T2 Fl. 2.017 7 Por força do artigo 427 do RIR/99, estas mutações patrimoniais do Banco Schahin deveriam estar refletidas na contabilidade da HBF, devido a obrigatoriedade de utilizar o método de avaliação pelo valor de patrimônio líquido, antes dela efetuar a baixa na conta 2.1.2.10.15.00040 INVESTIMENTOS BANCO SCHAHIN S/A. Conforme visto no item 1.3 deste Termo, as contas contábeis que registravam oinvestimento no Banco Schahin, 2.1.2.10.15.00040 INVESTIMENTOS BANCO SCHAHIN S/A e 2.1.2.10.15.00059 ÁGIO INVESTIMENTO – BANCO SCHAHIN S/A, deveriam estar com os seus saldos zerados devido à contabilização por equivalência patrimonial de um investimento com patrimônio líquido negativo, cujo risco de descontinuidade não seria mais da HBF. Como o custo contábil do investimento no Banco Schahin deveria estar zerado, o valor de R$ 193.615.644,47 será objeto de glosa, pois o custo do investimento estava indevidamente registrado quando da apuração do ganho de capital na venda do Banco Schahin. A glosa de encargos financeiros calculados a maior sobre mútuos contratados no Brasil foi descrita no subitem 1.1 do Termo de Verificação Fiscal nº 02 (fls. 17171726): 1.1. MÚTUOS NO BRASIL A HBF declarou na linha 22 da ficha 37A da DIPJ 2012, Créditos de Pessoas Ligadas (Físicas/Jurídicas), um passivo no montante de R$ 83.244.484,81 e R$ 91.638.698,99, devido em 31/12/2010 e 31/12/2011, respectivamente. O contribuinte informou, em resposta apresentada em 21/03/2014, que os valores se referiam a quatro contratos de mútuos que foram celebrados com duas pessoas jurídicas ligadas. Dois empréstimos, de R$ 15.060 mil cada, foram celebrados com a Schahin Participações Ltda, CNPJ nº 58.871.567/000113, e mais dois empréstimos, de R$ 70 mil e de R$ 150 mil, foram celebrados com a Schahin Securitizadora de Créditos Financeiros S/A, CNPJ nº 03.572.483/000197. (...) O contribuinte apresentou os demonstrativos mensais dos mútuos com a indicação dos juros e pagamentos realizados. O quadro abaixo é um resumo anual dos dois demonstrativos apresentados. (...) No anocalendário de 2011 ocorreu uma impropriedade no demonstrativo referente a Schahin Participações, como o valor dos juros incidentes sobre o principal foi alterado para 1,50% ao ano, pelo 4º aditamento celebrado em 31/12/2010, o valor mensal dos juros apropriados deveria ser de 0,1241%, obtido pela fórmula: (1 + 1,50%)^(1/12) 1. Fl. 2017DF CARF MF Processo nº 16327.720291/201506 Acórdão n.º 1402002.682 S1C4T2 Fl. 2.018 8 Como contribuinte informou no demonstrativo os juros incidentes no valor de 0,13% ao mês, ao invés de obterse o valor de 1,50% ao ano, conforme previsto em contrato, obtevese os juros anuais de 1,57%. Procedendo a correção, o valor dos juros apropriados no ano calendário de 2011 passaria de R$ 1.300.804,97 para R$ 1.241.856,14, e a tabela anterior ficaria assim corrigida: Pelo demonstrativo corrigido, a soma dos saldos dos empréstimos com a Schahin Participações e com a Schahin Securitizadora, em 31/12/2010 e 31/12/2011 resultam nos montantes de R$ 83.244.484,81 e R$ 84.573.473,57, respectivamente. O total de R$ 1.328.988,76 deveria ser apropriado como encargo financeiro dos quatro mútuos no anocalendário de 2011, resultado da soma de R$ 1.241.856,14 e R$ 87.132,62. O contribuinte contabilizava estas dívidas na conta do razão 4.6.2.10.108 – Obrigações por empréstimos em Moeda Nacional, o saldo desta conta em 31/12/2010 e 31/12/2011 era de R$ 83.244.484,81 e R$ 91.638.698,99, saldos este que conferem com os valores declarados na linha 22 da ficha 37A da DIPJ 2012, mas divergem na data de 31/12/2011 do saldo do demonstrativo, a divergência é de R$ 7.065.225,42 (R$ 91.638.698,99 R$ 84.573.473,57). Os encargos financeiros destes mútuos foram contabilizados, no anocalendário de 2011, no valor de R$ 8.394.214,18, na conta 8.1.2.302 Despesas de Empréstimos no País – Outras Instit. Este Fl. 2018DF CARF MF Processo nº 16327.720291/201506 Acórdão n.º 1402002.682 S1C4T2 Fl. 2.019 9 foi o valor lançado também na linha 51 da ficha 06A da DIPJ 2012 (Outras Despesas Financeiras). A divergência com os encargos do demonstrativo resultou no mesmo valor apurado acima de R$ 7.065.225,42 (R$ 8.394.214,18 R$ 1.328.988,76). Intimado para explicar esta divergência o contribuinte informou, em 12/05/2014, que o valor apurado na DIPJ não levou em consideração as alterações contratuais celebradas com a Schahin Participações em 31/12/2010, que modificaram as taxas de juros incidentes sobre o empréstimo, e apresentou novo demonstrativo comparando a taxa antiga com a taxa nova para comprovar a sua afirmação. A conta de despesa 8.1.2.302 Despesas de Empréstimos no Pais Outras Instit. informa uma despesa de R$ 8.394.214,18, o qual também consta da linha 51 da ficha 06A da DIPJ 2012 (Outras Despesas Financeiras), porém este valor é incompatível com a alteração contratual realizada em 31/12/2010, caracterizando uma apropriação indevida de despesa no montante de R$ 7.065.225,42. Portanto o valor de R$ 7.065.225,42 deve ser glosado como despesa inexistente, fruto da apropriação indevida de encargos financeiros na conta 8.1.2.302 que acarretou um passivo incorreto contabilizado na conta 4.6.2.10.108 e que deve ser alterado do valor de R$ 91.638.698,99 para R$ 84.573.473,57. 7. A glosa de encargos financeiros não comprovados sobre mútuos contratados no exterior encontrase descrita no subitem 1.2 do Termo de Verificação Fiscal nº 02 (fls. 17171726): 1.2 MÚTUOS NO EXTERIOR O contribuinte declarou na linha 20 da ficha 37A da DIPJ 2012, Financiamentos a Longo Prazo, os passivos de R$ 11.272.172,48 e R$ 13.080.427,38 nas datas de 31/12/2010 e 31/12/2011, respectivamente, no livro razão estes valores estavam contabilizados na conta 4.3.5.10.00.00070 – Obrig por Tit e Val Mobil no Exterior Livres – Principal. Devidamente intimado a apresentar toda a documentação referente a esta dívida o contribuinte apresentou três contratos de câmbio registrados no anocalendário de 2004: 04/000116 de 25/03/2004 no valor de US$ 2.075.000,00; 04/000124 de 29/03/2004 no valor de US$ 1.581.200,00; e 04/000127 de 31/03/2004 no valor de US$ 988.100,00. Todos estes contratos citam a Commal. and Financial Bank Ltda, localizada nas ilhas Cook, como a remetente dos recursos do exterior, e se diziam referentes a empréstimo obtido mediante lançamento de Fixed Rate Notes no mercado externo em regime de Private Placement. Fl. 2019DF CARF MF Processo nº 16327.720291/201506 Acórdão n.º 1402002.682 S1C4T2 Fl. 2.020 10 O Registro de Operações Financeiras (ROF) no Siscomex foi feito na operação TA285620 de 25/03/2004, em que constam as seguintes informações: a) Valor da operação – US$ 5 milhões; b) Coordenador local – Bco Schahin, atual BCV – Banco de Crédito e Varejo; c) Condições do pagamento – Uma parcela a ser paga no prazo de 96 meses a partir do desembolso, com uma taxa de 6,5% ao ano, ou seja, o empréstimo deveria ser quitado até março de 2012; (...) O ROF possui mero efeito declaratório e o simples registro desta transação no Siscomex sem que seja apresentada, pela HBF, qualquer documentação probatória da dívida assumida perante a Commal. and Financial Bank Ltda, caracteriza um passivo sem comprovação de sua exigibilidade. Esta fiscalização, na busca da documentação que comprovasse este passivo, intimou o contribuinte a prestar diversos esclarecimentos e a apresentar diversas documentações que foram respondidas da seguinte forma em 12/08/2014 e 25/08/2014: (...) Até a presente data não foi apresentado nenhum documento assinado entre as partes, seja de formalização do empréstimo, seja de cobrança da dívida, que já estava vencida desde março de 2012. Esta fiscalização, na busca da verdade material, diligenciou junto ao contribuinte BCV Banco de Credito e Varejo S/A (antigo Banco Schahin S/A), CNPJ nº 50.585.090/000106, o qual informou que não consta o pagamento da dívida e que não ocorreu qualquer alteração no vencimento e nas condições de pagamento da mesma. Foram obtidos os seguintes documentos: Pedido de Registro de Empréstimo Externo, datado de 24/03/2004, contendo os dados do ROF que foi registrado na mesma data, o pedido foi assinado pelo HBF sem identificação da pessoa que assinou; e Informação do banqueiro do exterior com os dados do remetente identificando que o dinheiro foi proveniente de uma conta bancária da Commal. and Financial Bank Ltda no banco Espirito Santo Bank localizado em Miami nos EUA. Pelas documentações apresentadas pelo contribuinte e as que foram coletadas em terceiros, ficou comprovado que houve o recebimento do numerário de US$ 4.644.300,00, no ano calendário de 2004, proveniente da empresa Commal. and Financial Bank Ltda. Fl. 2020DF CARF MF Processo nº 16327.720291/201506 Acórdão n.º 1402002.682 S1C4T2 Fl. 2.021 11 No entanto, o que não restou provado foi a existência de um compromisso de devolver este numerário, ou seja, a existência de um passivo, uma obrigação da HBF para com a Commal. and Financial Bank Ltda, pois não foi apresentada nenhuma documentação em que conste a assinatura dos representantes da Commal. and Financial Bank Ltda, tanto relativa ao empréstimo concedido,como relativa à cobrança da dívida, teoricamente já vencida desde o anocalendário de 2012. Ressaltese que o registro no Siscomex tem mero caráter declaratório e que cabia a HBF a manutenção de toda a documentação comprobatória da operação pelo prazo de 05 anos do vencimento da mesma, ou seja, até o ano calendário de 2017. A documentação apresentada pelo contribuinte não comprova a existência da exigibilidade do passivo registrado na conta 4.3.5.10.00.00070 – Obrig por Tit e Val Mobil no Exterior Livres – Principal, e apesar do valor do principal que foi concedido no anocalendário de 2004, US$ 4.644.300,00, fugir ao alcance da tributação, os juros e as variações cambiais que reduziram a apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL, no anocalendário de 2011, devem ser objetos de glosa. Para levantar os efeitos da apropriação dos juros e da variação cambial foram montadas três tabelas baseadas nas informações do demonstrativo mensal de apropriação de juros, no anocalendário de 2011, apresentado pelo contribuinte em 12/08/2014. (...) Pelas tabelas acima observase que os juros lançados não têm respaldo na documentação apresentada, pois o ROF informa que seriam cobrados juros de 6,5% ao ano, que em valores mensais seriam equivalentes a juros mensais de 0,53% (juros compostos) ou 0,54% (juros simples), porém os juros apropriados no demonstrativo variam em cada mês de 0,35% a 0,39%, por exemplo, no mês de janeiro, no empréstimo de US$ 988.100,00, os juros mensais são de 0,39% (R$ 5.530,62 / R$ 1.428.051,53). Consolidando os valores dos juros e da variação cambial na tabela abaixo, verificase um impacto no resultado de uma despesa de R$ 1.808.254,90. (...) De fato, as contas de receita 7.1.9.99.00.00513 Variação Monetária Ativa e de despesa 8.1.9.99.00.00477 Variação Monetária Passiva contabilizaram a soma dos juros com as respectivas variações cambiais. Os valores de receita e despesas apropriados foram de R$ 1.499.785,61 e R$ 3.308.040,51, respectivamente, resultando em uma redução final do lucro real e da base de cálculo da CSLL de R$ 1.808.254,90. Fl. 2021DF CARF MF Processo nº 16327.720291/201506 Acórdão n.º 1402002.682 S1C4T2 Fl. 2.022 12 O valor de R$ 1.808.254,90 será glosado por se tratar de despesas não provadas, pois estão associadas a um passivo cuja exigibilidade não foi comprovada”. DA IMPUGNAÇÃO (fls. 1735/1790) Ainda socorrendome da decisão recorrida, reproduzo o resumo da impugnação ofertada em1ª Instância: “Com relação ao ganho de capital apurado na alienação das ações do Banco Schahin S/A, a impugnante apresentou as seguintes alegações: a) no tópico “II.a.1 – Investimentos em Sociedades Controladas e Coligadas” alega que o resultado na alienação de investimentos, para fins de apuração de ganho ou perda de capital, será precedido da avaliação do investimento, seja pelo custo de aquisição, seja pelo valor de patrimônio líquido; que os investimentos, para fins de determinação do valor contábil, serão avaliados pelo: (i) custo de aquisição, diminuído, se for o caso, da depreciação, amortização ou exaustão acumulada, ou pelo (ii) valor de patrimônio líquido, composto do valor de patrimônio líquido pelo qual o investimento estiver registrado na contabilidade do contribuinte, da parcela do ágio ou deságio e das provisões deduzidas na apuração do lucro real; b) no tópico “II.a.2 – Método da Equivalência Patrimonial” aduz que, de acordo com o art. 248 da Lei n° 6.404, de 1976, os investimentos relevantes em coligadas ou controladas serão avaliados pelo MEP, segundo o qual o saldo das contas de investimentos será ajustado pelas variações patrimoniais das investidas, proporcionalmente à participação no capital da coligada ou controlada; nos termos do Pronunciamento CPC 18.03, o método da equivalência patrimonial é o método de contabilização por meio do qual o investimento é inicialmente reconhecido pelo custo e, a partir daí, é ajustado para refletir a alteração pósaquisição na participação do investidor sobre os ativos líquidos da investida; c) referido pronunciamento especifica que no resultado do período o investidor deve incluir a parte que lhe cabe nos resultados gerados pela investida; considerando que o mero aferimento de lucro ou prejuízo pela controlada ou coligada não implica a percepção desse lucro ou prejuízo pela investidora por meio do resultado da equivalência patrimonial, a legislação do IRPJ e da CSLL determina que o resultado do MEP, apesar de inicialmente computada no lucro líquido da sociedade investidora, seja posteriormente excluída ou adicionada à apuração de seu lucro real e da base de cálculo da CSLL (art. 389 do RIR de 1999); d) no tópico “ll.a.3 – Ganho de capital fictício – Valor contábil na data da aquisição do investimento” assevera que não merecem prosperar as alegações da autoridade fiscal, posto que o artigo Fl. 2022DF CARF MF Processo nº 16327.720291/201506 Acórdão n.º 1402002.682 S1C4T2 Fl. 2.023 13 426, I, do RIR de 1999 não se refere ao valor do patrimônio líquido à época da alienação do investimento, mas sim quando da sua aquisição; a expressão “valor de patrimônio líquido pelo qual o investimento estiver registrado na contabilidade do contribuinte", prevista no inciso I do artigo 426, designa o valor do investimento registrado na contabilidade no momento da aquisição do investimento, sem os ajustes do valor, contábil exigidos pelo artigo 388 do RIR/99; e) a interpretação sistemática dos arts. 385 e 389 do RIR de 1999 acarretam a conclusão de que o artigo 426, I, se refere ao valor de patrimônio líquido registrado por ocasião da aquisição do investimento ou, ao menos, se refira ao valor de patrimônio líquido já expurgado dos efeitos do MEP quando da apuração do ganho de capital; no caso em tela, o expurgo do MEP na apuração do ganho de capital seria realizado mediante o estorno do lançamento contábil da perda do investimento no cálculo do valor contábil; f) o artigo 389 do RIR de 1999 determina que as contrapartidas do MEP não serão computadas na determinação do lucro real e a apuração de ganho de capital, prevista nos arts. 418 e 426 do RIR de 1999, integram a apuração do lucro real; se assim não fosse, os arts. 418 e 426 do RIR de 1999 não estariam localizados no “Capítulo VII Resultados Não Operacionais”, os quais, por sua vez, estão inseridos no Subtítulo III que trata do Lucro Real; a disciplina do artigo 389 do RIR de 1999 não excepciona a apuração do ganho de capital, prevista nos arts. 418 e 426, uma vez que os ganhos e as perdas de capital também integram a apuração do lucro real; g) o art. 448 do RIR de 1999 respalda o entendimento de que o valor de patrimônio líquido na apuração do ganho de capital deve ser neutro em relação ao MEP; veja que não será computada na apuração do ganho de capital as variações na percentagem de participação societária, as quais, por seu turno, modificam o saldo da conta de investimentos, assim como o faz o MEP; o cerne da presente autuação reside no fato de que o inciso I do artigo 426 não explicita que o “valor de patrimônio líquido pelo qual o investimento estiver registrado na contabilidade do contribuinte” reflete o valor do investimento na data de sua aquisição, livre, portanto, de distorções provocadas pelo MEP; h) a autoridade fiscal, ao adotar o valor do patrimônio líquido ajustado pelo MEP como valor contábil na apuração do ganho de capital, simplesmente desconsiderou o custo efetivamente pago pela impugnante na data de aquisição do investimento, conforme preceitua o inciso I do artigo 385 do RIR de 1999; admitir a tese do Sr. Auditor Fiscal implicaria na tributação de um ganho de capital fictício, eis que se estaria tributando o resultado não operacional da Impugnante como se fosse receita não operacional (outras receitas), ao invés de um efetivo acréscimo patrimonial; i) com efeito, a interpretação sistemática dos artigos 385, 389 e 428 do RIR de 1999 levam às seguintes conclusões: a expressão Fl. 2023DF CARF MF Processo nº 16327.720291/201506 Acórdão n.º 1402002.682 S1C4T2 Fl. 2.024 14 “valor de patrimônio líquido pelo qual o investimento estiver registrado na contabilidade do contribuinte”, prevista no inciso I do artigo 426 do RIR de 1999, (i) corresponde ao valor de patrimônio líquido registrado por ocasião da aquisição do investimento (artigo 385, inciso I, do RIR de 1999) ou, ao menos, (ii) conduz ao expurgo dos efeitos do MEP quando da apuração do ganho de capital, por força do artigo 389 do RIR de 1999 (neutralidade dos ajustes contábeis do MEP); j) no tópico “II.a.4 – Da violação à personalidade jurídica e à segregação patrimonial das sociedades investidora e investida” argumenta que o MEP desconhece a diversidade patrimonial entre a pessoa jurídica investidora e a investida, decorrente das suas próprias personalidades jurídicas distintas; ao internalizar/reconhecer na investidora os reflexos das mutações patrimoniais da investida, sem que tenha havido a transferência efetiva dessas mutações de uma para a outra, há a desconsideração das personalidades jurídicas distintas das duas pessoas jurídicas e também de seus patrimônios; k) considerando que não se trata de desconsideração da personalidade jurídica, nos moldes do art. 50 do Código Civil, bem como a segregação entre os patrimônios das pessoas jurídicas, investidora e investida, a transferência de resultados de uma pessoa para outra somente é possível em determinadas situações reguladas pelo direito, tais como a distribuição de dividendos, caso da existência de lucros, ou a de assunção de dívidas por ato jurídico válido, no caso de existência de prejuízos; o MEP não passa de um processo em que a investidora reconhece contabilmente sua mera expectativa de participação em resultados da investida, mas não lhe atribui direitos sobre os lucros da investida, nem obrigações sobre os seus prejuízos; l) no tópico “II.a.5 – Nulidade do lançamento – Alteração ilegal da base de cálculo – Ausência de acréscimo patrimonial – Tributação do investimento – Violação aos princípios da capacidade contributiva, da vedação ao confisco e da isonomia” alega que para que haja a tributação pelo imposto de renda (que se aplica também à CSLL), é necessário que exista renda (ou lucro) efetivamente auferida, a qual consiste em acréscimo patrimonial, nos termos do art. 153, III (e 195, I) da Constituição Federal, assim como nos termos do art. 43 do CTN e art. 1º da Lei n° 7.689, de 1988; qualquer que seja o conceito de renda ou de lucro adotado, é necessário que ocorra um acréscimo patrimonial efetivo por parte do contribuinte, sob pena de não se configurar a hipótese de incidência dos tributos constitucionalmente previstos. m) não poderia a autoridade fiscal considerar o valor bruto da alienação e desconsiderar o custo de aquisição do investimento no cálculo do ganho de capital; ao modificar a base de cálculo dos tributos, incorreu em nulidade insanável, porquanto extravasou o campo de competência da União para a instituição e cobrança dos mesmos, razão pela qual os lançamentos são nulos; cita o entendimento da doutrina e da jurisprudência, no sentido de que o conceito de renda pressupõe um acréscimo patrimonial efetivo; Fl. 2024DF CARF MF Processo nº 16327.720291/201506 Acórdão n.º 1402002.682 S1C4T2 Fl. 2.025 15 n) ao anular o valor do custo do investimento efetivamente incorrido pela impugnante de R$ 193.615.644,47, o auditor Fiscal tributou não o ganho representado pelo acréscimo patrimonial, mas sim um decréscimo patrimonial, equivalente ao próprio investimento da impugnante no Banco Schahin; a interpretação do Sr. Auditor Fiscal leva à tributação de materialidade que, além de não incidir sobre riqueza nova, não corresponde uma manifestação de riqueza, com conteúdo econômico, não revelando capacidade contributiva do contribuinte; ao tributar fato (perda de investimento pelo MEP) sem conteúdo econômico, a conduta do Auditor Fiscal necessariamente implica na violação do princípio da capacidade contributiva, na medida em que o cômputo do MEP na apuração do ganho de capital acarreta a tributação de um valor maior do que o existente; o) ademais, o fato de a autoridade fiscal desconsiderar o valor contábil atribuído pela impugnante acarreta confisco de seu patrimônio, posto que em muito excede o valor efetivamente devido à título de IRPJ; ao invés de considerar como ganho de capital o valor de R$ 22.068.866,90 (R$ 215.684.511,31 subtraído de R$ 193.615.644,47) deduzido o apontado como devido o valor de R$ 15.643.955,53, este já tendo sofrido a incidência do imposto devido e efetivado o recolhimento, considerou como ganho de capital o valor de R$ 200.040.555,78, sendo este o valor resultado daquele considerado exigível de R$ 215.684.511,31, subtraído de R$ 15.643.955,53 – já considerado e sobre ele recolhido o valor devido; p) a interpretação equivocada do Auditor Fiscal também implica na afronta ao princípio da isonomia, posto que os contribuintes sujeitos à avaliação de investimentos pelo custo de aquisição (art 425 do RIR de 1999) – investimentos não relevantes – não sofrem a majoração do IRPJ e da CSLL quando da apuração do ganho de capital; resta evidente que a interpretação adotada pelo Sr. Auditor Fiscal implica na ofensa ao art. 43 do CTN e no art. 2º da Lei nº 7.689, de 1988, por tributar o investimento realizado pela impugnante, bem como acarreta na afronta aos princípios da capacidade contributiva, da vedação ao confisco e da isonomia; q) no tópico “II.b – Do resultado do ganho de capital tomando por base o balancete levantado em junho de 2011” argumenta, subsidiariamente, que o ganho de capital tal como já amplamente explanado, foi apurado considerando o valor da alienação dele subtraindo o valor do custo do investimento, calculando sua participação, baseado, repitase, no balancete de 30/06/2011; com efeito, válido este demonstrativo contábil, como de fato o é, o resultado considerado como ganho de capital corresponde exatamente aquele sobre o qual foi recolhido o imposto devido; importante ressaltar que com o advento da Lei n° 11.638, houve substancial alteração nas regras contábeis, notadamente no que tange a forma de demonstração dos resultados do exercício; r) no tópico “II.c – O resultado do ganho de capital tomando por base o balancete levantado em julho de 2011” aduz que se deve considerar o resultado do balancete levantado no dia 31/07/2011 Fl. 2025DF CARF MF Processo nº 16327.720291/201506 Acórdão n.º 1402002.682 S1C4T2 Fl. 2.026 16 na apuração do ganho de capital; como se poderá observar, neste balancete, o valor do patrimônio líquido alcança o valor “positivo” de R$ 91.701.978,61 e, a razão da diminuição em relação aquele apontado em junho, foi porque, muito a contragosto e sob protestos, como se poderá observar pela correspondência enviada pelo Banco Schahin (atual BCV), ao Banco Central, datada de 17/08/2011, com protocolo naquela instituição em 22/08/2011, informa ter efetuado os ajustes apontados no Ofício 225/2011, com exceção dos pontos indicados neste ofício, quais sejam 3.a, 3.c, 3.1, 3.m e 3.n, ajustes estes que ficaram a cargo do BMG, então adquirente; s) assim, adotando este critério, ou seja, o valor do patrimônio líquido, terseá um resultado totalmente divergente daquele indicado pelo Auditor Fiscal, vez que entendeu que todos os ajustes deveriam ocorrer no Banco Schahin, com reflexo nos resultados da Impugnante; que, partindo desse resultado do Patrimônio Líquido, caso os argumentos anteriores sejam afastados, o ganho de capital, muito embora não fique nos quadrantes previstos na C.F. e muito menos no art. 43 do CTN, haja vista a desconsideração da pretensa incidência sobre um decréscimo patrimonial, resultaria em valor muito inferior aquele pretendido nos autos de infração, relativos ao IRPJ e a CSLL; t) que deve ser levado em consideração que a data do efetivo levantamento do balancete se enquadra na disposição regulamentar que reclama trinta dias antecedentes ao evento; que, quanto ao valor da perda do investimento, apurarseia o valor do ganho gerado pelo PL positivo, porém, subtraindo dele a parcela da perda do investimento, evitando conforme amplamente demonstrado uma incidência tributária sobre um decréscimo patrimonial 10. Também apresentou alegações de defesa relativas às despesas financeiras calculadas sobre operações de mútuo contratadas no Brasil e no exterior: a) no tópico “III.a – Contabilização de despesas financeiras. Contratos de mútuos no Brasil e no exterior. Juros. Lançamentos relativos ao IRPJ e CSLL” argui que a fiscalização, partindo da análise das operações de mútuos contratados pela impugnante no Brasil (item 1.1) e no exterior (item 1.2), procedeu ao lançamento do IRPJ e CSLL sobre supostas deduções indevidas de despesas financeiras, juros, nas apurações das respectivas bases de cálculo; b) quanto às despesas financeiras relativas aos juros decorrentes dos contratos de mútuos no Brasil, restou que o lançamento refere se à divergência de R$ 7.065.224,42 na contabilização dos encargos na conta do razão 4.6.2.10.108 Obrigações por empréstimos em Moeda Nacional, correspondente à diferença entre o saldo acumulado dos juros devidos no Contrato de Mútuo nº 002/2004 e o valor declarado na DIPJ 2012; alega que a divergência não se justifica em razão dos juros contratuais ajustados no 4º aditamento celebrado em 30/12/2010, pelo qual os Fl. 2026DF CARF MF Processo nº 16327.720291/201506 Acórdão n.º 1402002.682 S1C4T2 Fl. 2.027 17 juros contratuais passaram a ser de 1,50% ao ano (0,13% ao mês) nos Contratos de Mútuo nºs 001 e 002/2004 com as mutuantes Schahin Participações e Schahin Securitizações; a fiscalização, por sua vez, entende como sendo de 1,57% ao ano a taxa de juros real praticada no 4º aditamento contratual; c) que houve de parte da fiscalização entendimento no sentido de que o valor é incompatível com a alteração promovida por força do 4º aditamento contratual relativo aos Contratos de Mútuo nºs 001 e 002/2004, de forma que procedeu a glosa do valor de R$ 7.065.225,42 (R$ 91.638.698,99 R$ 84.573.473,57), a título de despesa inexistente; ocorre que, apesar de reconhecido pela fiscalização que a incidência e o pagamento dos juros contratuais na modalidade composta em todos os contratos e aditivos, a partir do 4o aditamento contratual, que fixou os juros reais em 1,57% ao ano, para fins de composição do valor glosado, a fiscalização calculou os juros na modalidade simples; apesar de incontroverso que os juros incidentes sobre todos os contratados se deram na modalidade composta, desde os contratos originários, o critério de apropriação considerado na correção da contabilização para ano calendário de 2011, já sob os efeitos do 4º aditamento contratual, não poderia deixar de considerar esta sistemática de apuração composta dos juros; d) os aditamentos aos contratos mencionados nada mais alteram que a taxa de juros a ser praticada no período, sem, contudo, alterar expressa ou tacitamente a forma de incidência composta dos juros; com arrimo no art. 112 do Código Civil que, nas declarações de vontade se atenderá mais à intenção nelas consubstanciada do que ao sentido literal da linguagem, em todos os contratos e aditivos jamais se alterou a forma de incidência e cálculo dos juros, mas apenas e tão somente os percentuais; em que pese a alegação fiscal de que a Impugnante teria reconhecido erro na contabilização dos juros incidentes sobre o empréstimos concedidos pela Schahin Participações, através da manifestação apresentada à fiscalização em 12/05/2014, resta demonstrado que a glosa é indevida, eis que a contabilização sob forma de juros compostos, tal como procedido, demonstra que a diferença glosada inexiste; e) em relação ao item 1.2 do TVF, que trata dos contratos de mútuos firmados no exterior, a fiscalização imputalhe suposta conduta infração por contabilização de despesas não comprovadas; sobre a efetivação do mútuo adquirido no exterior, a fiscalização reconhece a sua materialidade, ou seja, remessa e ingresso do valor de US$ 4.644.300,00 em favor da Impugnante no anocalendário de 2004, proveniente da Commal. and Financial Bank Ltda., instituição expressamente constante do ROF TA 285620, feito junto ao Siscomex; contudo, afirmase no TVF a inexistência dos compromissos de devolução do empréstimo e a inexistência do passivo na contabilidade da impugnante, porquanto não localizou documentos com a assinatura dos representantes da credora, seja em relação ao empréstimo Fl. 2027DF CARF MF Processo nº 16327.720291/201506 Acórdão n.º 1402002.682 S1C4T2 Fl. 2.028 18 concedido, seja em relação a cobrança da dívida vencida em 2012; f) relata, que na mais absoluta boafé e, com firme propósito de colaborar com a fiscalização, atendeu às diversas intimações da fiscalização, conforme elencado às fls. 4/5 do Termo de Verificação Fiscal n° 2; não obstante a dificuldade na obtenção da documentação de operações deveras antigas, a fiscalização também diligenciou junto ao Banco Schahin, onde obteve os seguintes documentos: (i) Pedido de Registro de Empréstimo Externo, datado de 24/03/2004, contendo os dados do ROF que foi registrado na mesma data, o pedido foi assinado pelo HBF sem identificação da pessoa que assinou, e (ii) Informação do banqueiro do exterior com os dados do remetente identificando que o dinheiro foi proveniente de uma conta bancária da Commal. And Financial Bank Ltda. no banco Espírito Santo Bank localizado em Miami nos EUA; g) com efeito, a decretação de despesas não provadas revelase totalmente indevido, ou, quando menos, prematuro; o efeito declaratório do ROF no Siscomex espelha a existência e confirma a realização do mútuo, cuja sistemática exige da impugnante a manutenção da documentação comprobatória da operação pelo prazo de 5 (cinco) anos do vencimento da mesma, ou seja, até 2017, considerando o vencimento da obrigação/dívida em 2012; como se percebe, pode ter ocorrido, ainda que por equívoco, extravio ou mesmo o descarte inadequado por erro na contagem do prazo de manutenção da documentação partindose a contagem do recebimento em 2004 e não do vencimento da dívida em 2017, ou ainda, por fim, perda talvez; h) tais circunstâncias parecem ter sido suficientes para impressionar a fiscalização, porém não são suficientes a ensejar tão apressada conclusão de que a despesa contabilizada em razão do mútuo levado a efeito pela Impugnante restou incomprovada; diante das provas documentais que instruem o lançamento, não restam quaisquer dúvidas sobre a existência e regularidade das operações de mútuos internacionais, de tal forma que a materialidade das despesas a elas intrinsecamente inerentes não podem ser simplesmente ignoradas por suposta ausência de substrato formal; i) cita o princípio da verdade material ou verdade real, para concluir que parece irrazoável, no caso, que a imposição da infração esteja suficientemente demonstrada e caracterizada em razão das insuficientes diligências procedidas durante a breve duração do procedimento fiscal; a cogitada inexistência de lastro documental a justificar as despesas contabilizadas e levadas a efeito pela Impugnante é meramente presuntiva, sequer chega a ser indiciária, tais presunções mostramse insuficientes para o desiderato fiscal, ou seja, para configurar a suposta conduta infracional”. Fl. 2028DF CARF MF Processo nº 16327.720291/201506 Acórdão n.º 1402002.682 S1C4T2 Fl. 2.029 19 Por fim, reclama da aplicação da multa de ofício de 75% e dos juros sobre a referida penalidade. DA DECISÃO RECORRIDA (fls. 1875/1917) Submetidos os autos à apreciação da 1ª Turma da DRJ/Curitiba, os lançamentos foram mantidos em sua integralidade, em decisão assim ementada: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2011 NULIDADE. Além de não se enquadrar nas causas enumeradas no artigo 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, e não se tratar de caso de inobservância dos pressupostos legais para lavratura do auto de infração, é incabível falar em nulidade do lançamento quando não houve transgressão alguma ao devido processo legal, pois é valida a intimação por edital. PROVA DOCUMENTAL. APRESENTAÇÃO. A apresentação de prova documental deve ser feita durante a fase de impugnação, precluindo o direito de a interessada fazêlo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna por motivo de força maior, refirase a fato ou a direito superveniente ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. PEDIDO DE PERÍCIA. Considerase não formulado o pedido de perícia quando a interessada protesta por ela, mas deixou de formular os quesitos referentes aos exames desejados e indicar o nome, endereço e a qualificação profissional do seu perito. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2011 GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO OU LIQUIDAÇÃO DE INVESTIMENTO. VALOR CONTÁBIL DO INVESTIMENTO AVALIADO PELO VALOR DE PATRIMÔNIO LÍQUIDO. O valor contábil para efeito de determinar o ganho ou perda de capital na alienação ou liquidação de investimento avaliado pelo valor de patrimônio líquido será a soma algébrica dos seguintes valores: (i) valor de patrimônio líquido pelo qual o investimento estiver registrado na contabilidade do contribuinte; (ii) ágio ou deságio na aquisição do investimento, ainda que tenha sido amortizado na escrituração comercial do contribuinte; (iii) provisão para perdas que tiver sido computada, como dedução, na determinação do lucro real. GANHO DE CAPITAL. BAIXA DE INVESTIMENTO EM SOCIEDADE COLIGADA OU CONTROLADA. AVALIAÇÃO PELO VALOR DO PATRIMÔNIO LÍQUIDO. Fl. 2029DF CARF MF Processo nº 16327.720291/201506 Acórdão n.º 1402002.682 S1C4T2 Fl. 2.030 20 A baixa de investimento em sociedade coligada ou controlada que façam parte do mesmo grupo ou estejam sob controle comum deve ser precedida de avaliação pelo valor do patrimônio líquido, com base em balanço patrimonial ou balancete de verificação da coligada ou controlada, levantado na data da alienação ou liquidação ou até trinta dias, no máximo, antes dessa data. GLOSA DE DESPESAS FINANCEIRAS APROPRIADAS A MAIOR. TAXA DE JUROS SUPERIOR À PREVISTA CONTRATUALMENTE. São indedutíveis as despesas financeiras apropriadas em valor a maior que o devido, sobre contratos de mútuo celebrados no Brasil com pessoas ligadas, mediante aplicação indevida de taxa de juros superior à prevista no aditamento ao contrato de mútuo. GLOSA DE ENCARGOS FINANCEIROS APROPRIADOS SOBRE OPERAÇÕES NÃO COMPROVADAS DE EMPRÉSTIMOS NO EXTERIOR. Como a escrituração comercial deve estar lastreada em documentação hábil e idônea emitida por terceiros, contendo elementos suficientes para demonstrar estarem os gastos em estrita conexão com a atividade explorada e com a manutenção da respectiva fonte de receita, procedente é a glosa dos encargos financeiros apropriados sobre operações não comprovadas de empréstimos contratados no exterior. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2011 MULTA DE OFÍCIO DE 75%. Legítima a aplicação da multa de ofício de 75% sobre a diferença de imposto apurada em procedimento de ofício, porquanto em conformidade com a legislação de regência. DECORRÊNCIA. CSLL. Tratandose de tributação reflexa de irregularidades descritas e analisadas no lançamento de IRPJ, constante do mesmo processo, e dada à relação de causa e efeito, aplicase o mesmo entendimento à CSLL. O voto condutor do aresto recorrido, depois de afastar as nulidades levantadas pela defesa e discriminar a sequência de operações havidas por ocasião da alienação das ações do Banco Schahin S/A, pontuou: “26. O ganho de capital tributado nos autos decorre da venda pela HBF Participações S/A (a interessada), em 30/06/2011, das 260.713.658 ações do Banco Schahin S/A por ela detidas para o Banco BMG S/A, conforme Contrato de Compra e Venda de Ações e Outras Avenças (fls. 3162 e 11701201). (...) 28. Portanto, como o Banco Schahin apresentava grave comprometimento da sua situação econômica, o Banco Central do Brasil exigiu em 14/04/2011 a imediata realização de ajustes Fl. 2030DF CARF MF Processo nº 16327.720291/201506 Acórdão n.º 1402002.682 S1C4T2 Fl. 2.031 21 regulamentares no montante de R$ 572.283 mil, cuja contabilização demonstraria a existência de um Patrimônio de Referência Ajustado (patrimônio líquido ajustado) negativo de R$ 364.088 mil em 31/12/2010, conforme consta do Termo de Comparecimento DESUP/GTSP52011/0001 do Banco Central, de 14/04/2011 (fls. 856860 e 12431247). 29. Posteriormente, em 12/08/2011, por meio do Ofício 225/2011 BCB/Desup/GTSP5/Cosup01 (fls. 861864 e 12481251), o Banco Central comunicou ao Banco Schahin que foram apuradas irregularidades complementares, para os quais foram determinados novos ajustes no montante de R$ 214.949 mil com database de 31/12/2010. 30. Naquela época, o Banco Schahin tinha o seu capital social dividido em 309.290.286 ações, sendo 154.645.143 ordinárias e 154.645.143 preferenciais, todas nominativas e sem valor nominal, assim distribuídas: (...) 31. Dentro do conjunto de operações realizadas para saneamento da situação econômica do Banco Schahin, as 308.790.339 ações desta investida (154.145.196 ações ON e 154.645.143 ações PN) detidas por HBF Participações Ltda., Habitécnica S/A, Rubens Taufic Schahin, Milton Taufic Schahin e Salim Taufic Schahin foram alienadas para o Banco BMG S/A pelo preço de R$ 249.000.000,00, em 30/06/2011, conforme Contrato de Compra e Venda de Ações e Outras Avenças (fls. 3162 e 11701201), a ser pago pela compradora no prazo de até 15 anos contado a partir da data de fechamento (conforme fluxo financeiro constante do seu Anexo 2.3, às fls. 109 e 1202). 32. Destaquese que a transferência do controle acionário do Banco Schahin para o Banco BMG somente foi concluída após autorização do Banco Central ter sido publicada no DOU de 24/08/2011, com vigência a partir de 18/08/2011 (fl. 779), autorização esta indispensável para validade do Contrato de Compra e Venda de Ações e Outras Avenças, conforme previsto na sua cláusula 7.4. 33. Como a HBF Participações Ltda. detinha 260.713.658 ações do Banco Schahin (129.951.614 ações ON e 130.762.044 ações PN), lhe coube a parcela de R$ 215.684.511,31 do valor da venda, composto por um direito de crédito de R$ 210.232.292,00 (84,43% do crédito de R$ 249.000.000,00 a ser pago no prazo de até 15 anos) e por uma TED de R$ 5.452.219,31 recebida em 30/09/2011, relativa à parcela do imposto de renda sobre o ganho de capital assumida pelo Banco BMG (item 11.8.1 da cláusula XI do Contrato de Compra e Venda de Ações e Outras Avenças). 34. Quanto ao custo do investimento, a HBF Participações registrou as ações do Banco Schahin nas contas nºs 2.1.2.10.15.00040 – InvestimentosBanco Schahin S/A e 2.1.2.10.15.00059 – Ágio InvestimentoBanco Schahin S/A, com Fl. 2031DF CARF MF Processo nº 16327.720291/201506 Acórdão n.º 1402002.682 S1C4T2 Fl. 2.032 22 saldos de R$ 193.615.644,47 e R$ 124.184,59, respectivamente, em 30/06/2011, mas os ajustes patrimoniais realizados pelo Banco Schahin, antes da venda de suas ações para o Banco BMG, que tornaram o seu patrimônio líquido negativo, não foram reconhecidos pela interessada mediante método da equivalência patrimonial. 35. No balanço patrimonial levantado em 31/12/2010 pelo Banco Schahin constava um patrimônio líquido de R$ 229.543 mil (fls. 2930 e 18601863), mas de acordo com as determinações do Banco Central, formalizadas por meio do Termo de Comparecimento DESUP/GTSP52011/0001 e do Ofício 225/2011 BCB/Desup/GTSP5/Cosup01, aquela investida devia realizar ajustes patrimoniais no montante de R$ 787.232 mil na database de 31/12/2010, cuja regularização contábil tornou negativo o seu patrimônio líquido. 36. No mesmo sentido estipulava a cláusula 3.1.1 do Contrato de Compra e Venda de Ações e Outras Avenças, que determinou que na data de fechamento, e como condição precedente, antes da transferência das ações ao Banco BMG, os vendedores realizarão os ajustes contábeis previstos no seu anexo 6.9 (fls. 871872), no valor total de R$ 1.139.229 mil, relativos a baixa ou estorno de aplicações financeiras e créditos a receber, reconhecimento de passivo trabalhista e constituição de provisão para créditos de liquidação duvidosa e para contingências. 37. O Banco Schahin enviou correspondência ao Banco Central do Brasil, datada de 17/08/2011 (fls. 865866 e 12521253), quando ainda era controlado pelo Grupo Schahin, para informar que foram realizados todos os ajustes regulamentares determinados no Termo de Comparecimento DESUP/GTSP52011/0001, à exceção dos que indica que serão realizados pela nova administração (que somavam R$ 52.289 mil), nos dias subsequentes ao da transferência das ações para o Banco BMG. 38. Acrescentese que consta do Termo de Comparecimento DESUP/GTSP52011/0001 do Banco Central alerta no sentido de que a não observância dos limites regulamentares de Patrimônio de Referência Exigido, a não apresentação do plano de solução para saneamento da situação econômica no prazo previsto, a não aprovação do plano pelo Banco Central ou o seu descumprimento eram pressupostos para a adoção, a critério do Bacen, de intervenção e liquidação extrajudicial (Lei nº 6.024, de 13 de março de 1974) ou de regime de administração especial temporária (Decretolei nº 2.321, de 25 de fevereiro de 1987), com responsabilização solidária dos controladores (Lei nº 9.447, de 14 de março de 1997). 39. Assim, o Banco Schahin efetuou ajustes patrimoniais diretamente na conta de PL nº 6.1.8.102 Lucros ou Prejuízos Acumulados, sem trânsito pelo resultado, nos valores de R$ 1.041.628.608,07 e R$ 272.704.611,03, em 17/08/2011 e 18/08/2011, respectivamente. A maior parte destes ajustes estava prevista no relatório da Due Diligence Financeira, Tributária, Fl. 2032DF CARF MF Processo nº 16327.720291/201506 Acórdão n.º 1402002.682 S1C4T2 Fl. 2.033 23 Trabalhista e Previdenciária (fls. 12931412) elaborado, em 06/07/2011, pela PricewaterhouseCoopers Transaction Services Ltda (PWC) a pedido do Banco BMG. 40. Como a transferência do controle acionário ocorreu apenas em 18/08/2011, após a autorização do Banco Central ter sido publicada no DOU de 24/08/2011 (fl. 779), a baixa do investimento no Banco Schahin devia ser precedida de avaliação pelo valor do patrimônio líquido. 41. Portanto, considerando que os ajustes patrimoniais reduziram o patrimônio líquido do Banco Schahin para o valor negativo de R$ 949.926.629,46, as contas que registravam o investimento da interessada no Banco Schahin (contas nºs 2.1.2.10.15.00040 – InvestimentosBanco Schahin S/A e 2.1.2.10.15.00059 – Ágio InvestimentoBanco Schahin S/A) deviam estar com os seus saldos zerados em razão da contabilização por equivalência patrimonial de um investimento com patrimônio líquido negativo. 42. Dessa forma, como o custo contábil do investimento no Banco Schahin devia estar zerado, o ganho de capital a ser apurado na venda deste investimento corresponde ao exato valor da alienação de R$ 210.232.292,00, a ser recebido no prazo de até 15 anos. Método da equivalência patrimonial e ganho de capital na alienação de investimento 43. O método da equivalência patrimonial deve ser utilizado para ajustar o valor contábil do investimento ao valor equivalente à participação da sociedade investidora no patrimônio líquido da sociedade investida, mediante a aplicação do percentual de participação no capital social sobre o patrimônio líquido da sociedade coligada ou controlada. É o método de avaliação em que a empresa investidora reconhece o resultado de seus investimentos e qualquer variação patrimonial em coligadas e controladas no momento em que estes resultados são gerados nas empresas investidas. 44. Segundo o artigo 248 da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, em sua redação original (antes das alterações introduzidas pela Lei nº 11.638, de 2007, e pela Lei nº 11.941, de 2009), a avaliação pelo valor do patrimônio líquido era obrigatória para investimentos relevantes (se o valor contábil de cada sociedade coligada ou controlada fosse igual ou superior a 10% do valor do PL da investidora, ou se o valor contábil do conjunto das sociedades coligadas e controladas fosse igual ou superior a 15% do valor do PL da companhia, conforme definido pelo parágrafo único do art. 247) em sociedades coligadas sobre cuja administração a investidora tivesse influência ou de que participasse com 20% ou mais do capital social, e em sociedades controladas: (...) Fl. 2033DF CARF MF Processo nº 16327.720291/201506 Acórdão n.º 1402002.682 S1C4T2 Fl. 2.034 24 45. O artigo 243, §§ 1º e 2º, da Lei nº 6.404, de 1976, por sua vez, também em sua redação original, definiu que são coligadas as sociedades quando uma participa com 10% ou mais do capital da outra, sem controlála, enquanto considerase controlada a sociedade na qual a controladora, diretamente ou através de outras controladas, é titular de direitos de sócio que lhe assegurem, de modo permanente, preponderância nas deliberações sociais e o poder de eleger a maioria dos administradores. (...) 46. Para fins fiscais, o artigo 21 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, determinou a obrigatoriedade de avaliação do investimento pelo valor de patrimônio líquido da coligada ou controlada, em conformidade com disposto no artigo 248 da Lei nº 6.404, de 1976, para todas as sociedades, ainda que não regidas pela Lei das S/A: (...) 47. Os conceitos trazidos pelos artigos 243 e 248 da Lei nº 6.404, de 1976, em sua redação original, foram reproduzidos pelos artigos 384 e 387 do RIR de 1999: (...) 48. Conforme disposto no artigo 385 do RIR de 1999, o custo de aquisição do investimento em sociedade coligada ou controlada avaliado pelo valor de patrimônio líquido deverá ser desdobrado, por ocasião da aquisição da participação, em valor do patrimônio líquido e em ágio ou deságio: (...) 49. O artigo 389 do RIR de 1999, por sua vez, estabelece que a contrapartida do ajuste do investimento avaliado pelo valor de patrimônio líquido, mediante lançamento da diferença a débito ou a crédito da conta de investimento, conforme disposto no artigo 388 do RIR de 1999, não será computada na determinação do lucro real: (...) 50. O artigo 426 do RIR de 1999 dispõe que o valor contábil para efeito de determinar o ganho ou perda de capital na alienação ou liquidação de investimento em coligada ou controlada avaliado pelo valor de patrimônio líquido será a soma algébrica dos seguintes valores: (i) valor de patrimônio líquido pelo qual o investimento estiver contabilizado: (ii) ágio ou deságio na aquisição do investimento, ainda que tenha sido amortizado na escrituração comercial; (iii) a provisão para perdas que tiver sido computada na determinação do lucro real: (...) Fl. 2034DF CARF MF Processo nº 16327.720291/201506 Acórdão n.º 1402002.682 S1C4T2 Fl. 2.035 25 52. A Resolução nº 484/78 do Banco Central do Brasil e a Instrução Normativa CVM nº 1/78 da Comissão de Valores Mobiliários, que disciplinam a aplicação do artigo 248 da Lei nº 6.404, de 1976, nas instituições do sistema financeiro e nas companhias abertas, determinam que o investimento na controlada, qualquer que seja o valor, independente de ser relevante ou não, deverá ser avaliado pelo método da equivalência patrimonial. 53. Por conseguinte, é totalmente descabida a alegação da impugnante de que inciso I do artigo 426 do RIR de 1999 não se refere ao valor do patrimônio líquido à época da alienação do investimento, mas sim quando da sua aquisição, sem os ajustes do valor contábil exigidos pelo artigo 388 do RIR de 1999, ao argumento de que o artigo 385 do RIR de 1999 define que o custo de aquisição de investimentos, avaliados pelo valor de patrimônio líquido, será segregado em valor de patrimônio líquido e em ágio ou deságio, e o artigo 389 do mesmo regulamento determina que as contrapartidas do MEP não serão computadas na determinação do lucro real, sendo que a apuração de ganho de capital integra a apuração do lucro real. 54. Tal raciocínio carece de melhor fundamentação lógica, pois o fato de o custo de aquisição do investimento em sociedade coligada ou controlada ser desdobrado, por ocasião da aquisição da participação, em valor do patrimônio líquido e em ágio ou deságio não impede, de forma alguma, que as contas que registram o investimento sejam ajustadas mediante aplicação do método da equivalência patrimonial, ou seja, com reconhecimento do resultado apurado pela coligada ou controlada no momento em que estes resultados são gerados. 55. A contrapartida do ajuste do valor do valor do patrimônio líquido não deve ser computada na determinação do lucro real, conforme previsto no artigo 389 do RIR de 1999, em face de o resultado correspondente já ter sido oferecido à tributação pela empresa investida, o que não ocorre com o eventual ganho de capital apurado na alienação ou liquidação de investimento, cujo valor deve ser oferecido à tributação pelo investidor. 56. Destaquese que o artigo 427 do RIR de 1999 determina expressamente que a baixa de investimento relevante e influente em sociedade coligada ou controlada deve ser precedida de avaliação pelo valor do patrimônio líquido, com base em balanço patrimonial ou balancete de verificação da coligada ou controlada, levantado na data da alienação ou liquidação ou até trinta dias, no máximo, antes dessa data. (...) 57. No que diz respeito à alegação de que se deveria considerar, na apuração da equivalência patrimonial, pelo menos o patrimônio líquido positivo de R$ 91.701.978,61 constante do balancete do Banco Schahin levantado no dia 31/07/2011 (correspondente ao PL constante do balancete de junho/2011 Fl. 2035DF CARF MF Processo nº 16327.720291/201506 Acórdão n.º 1402002.682 S1C4T2 Fl. 2.036 26 diminuído de parte dos ajustes apontados no Ofício 225/2011), cumpre destacar que, conforme determina o inciso III do artigo 387 do RIR de 1999, retro transcrito, o balanço ou balancete da sociedade investida levantado em data anterior à do balanço ou balancete da investidora deve ser ajustado para registrar os efeitos relevantes de fatos extraordinários ocorridos no período. 58. Independentemente da data em que o Banco Schahin escriturou os ajustes patrimoniais determinados pelo Banco Central por meio do Termo de Comparecimento DESUP/GTSP52011/0001 e Ofício 225/2011 BCB/Desup/GTSP5/Cosup01, o fato é que os controladores sabiam perfeitamente que o patrimônio líquido do Banco Schahin estava à época negativo, razão pela qual, por exigência do Banco Central, mantiveram negociações com o Fundo Garantidor de CréditoFGC e o Banco BMG S/A que resultaram na celebração do Contrato de Compra e Venda de Ações e Outras Avenças em 31/06/2011( fls. 3162 e 11701201). 59. Assim, o fato de o Banco Schahin não ter efetuado a imediata regularização contábil dos ajustes patrimoniais determinados pelo Banco Central do Brasil não tem o condão de impedir que as contas que registravam o investimento efetuado pela interessada estivessem com seus saldos zerados, mediante o registro da equivalência patrimonial, por ocasião da alienação das ações para o Banco BMG S/A. (...) 61. Dessa forma, voto por manter a glosa do custo do investimento de R$ 193.615.644,47 na apuração do ganho de capital na alienação das ações do Banco Schahin. Diferença da receita auferida na alienação das ações do Banco Schahin S/A 62. No lançamento fiscal foi também tributada a diferença de R$ 6.424.911,31 da receita auferida na alienação das ações do Banco Schahin. 63. Do direito de crédito de R$ 249.000.000,00 entregue pelo Banco BMG S/A pela compra das ações do Banco Schahin, coube a parcela de R$ 210.232.292,00 à HBF Participações (84,43%), mas ela contabilizou R$ 209.259.600,00 como receita auferida na alienação desse investimento, fato que acarretou uma omissão de receitas de R$ 972.692,00. 64. Inobstante constitua encargo dos alienantes das ações, o Banco BMG assumiu o ônus pelo pagamento dos tributos incidentes sobre o ganho de capital dos antigos controladores (item 11.8.1 da cláusula XI do Contrato de Compra e Venda de Ações e Outras Avenças), razão pela qual o valor de R$ 5.452.219,31 remetido pelo Banco BMF em 30/09/2011 também devia ser contabilizado como receita auferida na alienação do investimento. Fl. 2036DF CARF MF Processo nº 16327.720291/201506 Acórdão n.º 1402002.682 S1C4T2 Fl. 2.037 27 65. Dessa forma, em conformidade com os fatos analisados nos tópicos anteriores do presente voto, cabe manter a exigência sobre a diferença de R$ 6.424.911,31 como receita omitida na apuração do ganho de capital (R$ 972.692,00 + R$ 5.452.219,31). Encargos financeiros calculados a maior sobre operações de mútuos contratadas no Brasil 66. No lançamento fiscal foi glosada a parcela de R$ 7.065.225,42 dos encargos financeiros calculados no anocalendário de 2011 sobre as operações de mútuo contratadas no Brasil com as pessoas jurídicas ligadas Schahin Participações Ltda. e Schahin Securitizadora de Créditos Financeiros S/A, conforme descrito no subitem 1.1 do Termo de Verificação Fiscal nº 02 (fls. 17171726). 67. A interessada escriturou na conta nº 4.6.2.10.108 Obrigações por Empréstimos em Moeda Nacional (fl. 994), com saldo de R$ 83.244.484,81 e R$ 91.638.698,99 em 31/12/2010 e 31/12/2011, respectivamente, quatro contratos de mútuo firmados com a Schahin Participações Ltda. e Schahin Securitizadora de Créditos Financeiros S/A, abaixo elencados: Contrato de Mútuo nº 001/2004 firmado em 30/11/2004 com a Schahin Participações Ltda. (fls. 9394), relativo a obtenção de empréstimo de R$ 15.060.000,00, com taxa de juros de 2,00% ao mês e vencimento em 30/11/2007; o Primeiro Aditamento ao Contrato Particular de Mútuo (fl. 95), de 31/12/2005, alterou a taxa de juros para 2,20% ao mês e prorrogou o vencimento para o dia 30/11/2010; o Segundo Aditamento (fl. 96), de 30/11/2010, prorrogou o vencimento para o dia 30/11/2013; o Terceiro Aditamento (fl. 97), de 30/12/2010, alterou a taxa de juros para 0,80% ao mês; o Quarto Aditamento (fl. 98), de 31/12/2010, alterou a taxa de juros para 1,50% ao ano; o Quinto Aditamento (fl. 99), de 30/11/2013, prorrogou o vencimento para o dia 30/12/2014; Contrato de Mútuo nº 002/2004 firmado em 27/12/2004 com a Schahin Participações Ltda. (fls. 100101), relativo a obtenção de empréstimo de R$ 15.060.000,00, com taxa de juros de 2,00% ao mês e vencimento em 30/11/2007; o Primeiro Aditamento ao Contrato Particular de Mútuo (fl. 102), de 31/12/2005, alterou a taxa de juros para 2,20% ao mês e prorrogou o vencimento para o dia 30/11/2010; o Segundo Aditamento (fl. 103), de 30/11/2010, prorrogou o vencimento para o dia 30/11/2013; o Terceiro Aditamento (fl. 104), de 30/12/2010, alterou a taxa de juros para 0,80% ao mês; o Quarto Aditamento (fl. 105), de 31/12/2010, alterou a taxa de juros para 1,50% ao ano; Fl. 2037DF CARF MF Processo nº 16327.720291/201506 Acórdão n.º 1402002.682 S1C4T2 Fl. 2.038 28 o Quinto Aditamento (fl. 106), de 30/11/2013, prorrogou o vencimento para o dia 30/12/2014; Contrato de Mútuo firmado em 21/03/2006 com a Schahin Securitizadora de Créditos Financeiros S/A Ltda. (fls. 7375), relativo a obtenção de empréstimo de R$ 70.000,00, com taxa de juros de 1,00% ao mês acrescido da correção do INPJ e vencimento em 21/03/2007; o Primeiro Aditamento ao Contrato Particular de Mútuo (fl. 76), de 21/03/2007, prorrogou o vencimento para o dia 21/03/2008; o Segundo Aditamento (fl. 77), de 20/03/2008, prorrogou o vencimento para o dia 21/03/2009; o Terceiro Aditamento (fl. 78), de 13/03/2009, prorrogou o vencimento para o dia 21/03/2010; o Quarto Aditamento (fl. 79), de 19/03/2010, prorrogou o vencimento para o dia 21/03/2011; o Quinto Aditamento (fl. 80), de 21/03/2011, prorrogou o vencimento para o dia 21/03/2012; o Sexto Aditamento (fl. 81), de 21/03/2012, prorrogou o vencimento para o dia 21/03/2013; o Sétimo Aditamento (fl. 82), de 21/03/2013, prorrogou o vencimento para o dia 21/03/2014; Contrato de Mútuo firmado em 31/01/2007 com a Schahin Securitizadora de Créditos Financeiros S/A Ltda. (fls. 8385), relativo a obtenção de empréstimo de R$ 150.000,00, com taxa de juros de 1,00% ao mês acrescido da correção do INPJ e vencimento em 31/01/2008; o Primeiro Aditamento ao Contrato Particular de Mútuo (fl. 86), de 31/01/2008, prorrogou o vencimento para o dia 31/01/2009; o Segundo Aditamento (fl. 87), de 30/01/2009, prorrogou o vencimento para o dia 31/01/2010; o Terceiro Aditamento (fl. 88), de 29/01/2010, prorrogou o vencimento para o dia 31/01/2011; o Quarto Aditamento (fl. 89), de 31/01/2011, prorrogou o vencimento para o dia 31/01/2012; o Quinto Aditamento (fl. 90), de 31/01/2012, prorrogou o vencimento para o dia 31/01/2013; o Sexto Aditamento (fl. 91), de 31/01/2013,prorrogou o vencimento para o dia 31/01/2014; Fl. 2038DF CARF MF Processo nº 16327.720291/201506 Acórdão n.º 1402002.682 S1C4T2 Fl. 2.039 29 o Sétimo Aditamento (fl. 92), de 31/01/2014, prorrogou o vencimento para o dia 31/01/2015. 68. Como encargo desses contratos de mútuo no anocalendário de 2011, ela apropriou despesas com juros no montante de R$ 8.394.214,18 na conta nº 8.1.2.302 Despesas de Empréstimos no PaísOutras Instituições (fl. 771), cujo valor está informado na linha 51 (Outras Despesas Financeiras) da Ficha 06A (Demonstração do Resultado) da DIPJ 2012 (fls. 16411679), com contrapartida da conta nº 4.6.2.10.108 Obrigações por Empréstimos em Moeda Nacional. 69. A autoridade fiscal recalculou os juros incidentes sobre os Contratos de Mútuo nºs 001/2004 e 002/2004 celebrados com a Schahin Participações Ltda., relativos aos dois empréstimos de R$ 15.060.000,00 tomados no anocalendário de 2004, e apurou o encargo de R$ 1.241.856,14 no anocalendário de 2011 ao aplicar a taxa de juros de 1,50% ao ano prevista no quarto aditamento aos Contratos de Mútuo nºs 001/2004 e 002/2004 (fls. 98 e 105): (...) 70. Em consequência, a diferença de R$ 7.065.225,42 entre o encargo de R$ 1.328.988,76 apurado pela fiscalização sobre os contratos de mútuo firmados com a Schahin Participações e Schahin Securitizadora (R$ 1.241.856,14 + R$ 87.132,62) e a despesa de R$ 8.394.214,18 contabilizada na conta nº 8.1.2.302 Despesas de Empréstimos no PaísOutras Instituições (fl. 771) no anocalendário de 2011 foi glosada no lançamento fiscal. 71. Em sua impugnação, a interessada alega que a autoridade fiscal reconheceu que são aplicáveis juros compostos, mas utilizou juros simples para calcular o encargo previsto no quarto aditamento aos Contratos de Mútuo nºs 001 e 002/2004, que fixou os juros reais em 1,57% ao ano; os aditamentos aos contratos alteram a taxa de juros a ser praticada no período, sem, contudo, alterar, expressa ou tacitamente, a forma de incidência composta dos juros; em que pese a alegação fiscal de que a impugnante teria reconhecido o erro na contabilização dos juros incidentes sobre o empréstimos concedidos pela Schahin Participações, através da manifestação apresentada em 12/05/2014, resta demonstrado que a glosa é indevida, eis que a contabilização sob forma de juros compostos, tal como procedido, demonstra que a diferença glosada inexiste. 72. Contudo, cumpre destacar que a autoridade fiscal não utilizou taxa de juros simples para apurar o encargo com os juros incidentes sobre referidos contratos de mútuo. Tendo em vista que tanto o quarto aditamento ao Contrato de Mútuo nº 001/2004 (fl. 98) como o quarto aditamento ao Contrato de Mútuo nº 002/2004 (fl. 105) alteram a taxa de juros de 0,80% ao mês para 1,5% ao ano a partir do anocalendário de 2011, aplicandose o novo percentual de juros (1,5% ao ano) sobre o saldo de R$ 82.790.409,60 em 31/12/2010 da obrigação com a Fl. 2039DF CARF MF Processo nº 16327.720291/201506 Acórdão n.º 1402002.682 S1C4T2 Fl. 2.040 30 Schahin Participações obtémse o encargo de R$ 1.241.856,14 no anocalendário de 2011, conforme apurado pela autoridade fiscal. 73. A divergência em relação ao encargo de R$ 1.300.804,97 apurado pela contribuinte no demonstrativo de cálculo de fl. 108 se deve ao fato desta ter arredondado indevidamente para 0,13% a taxa de juros mensal sobre os empréstimos da Schahin Participações, pois deveria ter utilizado a taxa mensal de juros compostos equivalente a 1,5% ao ano, ou seja, a taxa de juros de 0,1241% ao mês (utilizada pela autoridade fiscal). 74. Por outro lado, verificase que o encargo de R$ 8.394.214,18 contabilizado no anocalendário de 2011 na conta nº 8.1.2.302 Despesas de Empréstimos no PaísOutras Instituições foi assim calculado pela contribuinte: . operações de mútuo da Schahin Participações: encargo de R$ 8.307.081,56 apurado mediante aplicação incorreta da taxa de juros compostos de 0,80% ao mês anteriormente prevista no terceiro aditamento aos Contratos de Mútuo nºs 001 e 002/2004; . operações de mútuo da Schahin Securitizadora: encargo de R$ 87.132,62 apurado mediante aplicação da taxa de juros compostos de 1,00% ao mês acrescida da variação do INPC no 1º semestre/2011, cujo valor não foi contestado pela fiscalização. 75. Destaquese que, ao ser intimada em 30/04/2014 (fl. 780) a justificar a discrepância de R$ 7.006.276,59 entre o valor de R$ 91.638.698,99 declarado na linha 22 (Créditos de Pessoas Ligadas) da Ficha 37A (Passivo – Balanço Patrimonial) da DIPJ 2012 e o saldo de R$ 84.632.422,40 dos empréstimos da Schahin Securitizadora e Schahin Participações constante do demonstrativo de cálculo de fls. 107108 (R$ 541.207,83 + R$ 84.091.214,57), a fiscalizada respondeu em 12/04/2014 (fl. 781) que o valor informado na DIPJ não levou em consideração as alterações contratuais datadas de 31/12/2010 (quarto aditamento aos Contratos de Mútuo nºs 001/2004 e 002/2004), que modificaram a taxa de juros incidente sobre os empréstimos. 76. De fato, constatase que o encargo de R$ 8.307.081,56 sobre as operações de mútuo da Schahin Participações no ano calendário de 2011 foi apurado mediante utilização indevida da taxa de juros de 0,80% ao mês, ou seja, taxa de juros de 10,0339% ao ano sobre o saldo R$ 82.790.409,60 em 31/12/2010. Caso aplicasse a taxa de juros de 1,50% ao ano, prevista no quarto aditamento aos Contratos de Mútuo nºs 001/2004 e 002/2004, também obteria o encargo de R$ 1.241.856,14 no anocalendário de 2011. 77. Dessa forma, voto por manter a glosa da despesa de R$ 7.065.225,42 com juros sobre as operações de mútuo contratadas no Brasil com as pessoas jurídicas ligadas Schahin Participações Ltda. e Schahin Securitizadora de Créditos Financeiros S/A (diferença de R$ 58.948,83 entre o encargo de R$ 1.387.937,59 calculado pela contribuinte na planilha de fls. 107108 e o de R$ Fl. 2040DF CARF MF Processo nº 16327.720291/201506 Acórdão n.º 1402002.682 S1C4T2 Fl. 2.041 31 1.328.988,76 apurado pela autoridade fiscal + diferença de R$ 7.006.276,59 entre o encargo de R$ 8.394.214,18 deduzido na apuração do lucro real e o de R$ 1.387.937,59 constante da planilha de fls. 107108). Despesa com juros e variação cambial sobre operações não comprovadas de empréstimos no exterior 78. No lançamento fiscal foi glosada a despesa de R$ 1.808.254,90 com juros e variação cambial apropriada no anocalendário de 2011 sobre três operações não comprovadas de mútuo no exterior, no montante de US$ 4.644.300,00, contabilizadas na conta nº 4.3.5.10.00.00070 Obrigações Por Títulos e Valores Mobiliários no ExteriorLivresPrincipal (fl. 832), conforme descrito no subitem 1.2 do Termo de Verificação Fiscal nº 02: (...) 79. Em sua impugnação, a contribuinte alegou que a fiscalização reconheceu o ingresso no país da remessa de US$ 4.644.300,00 efetuada pela Commercial and Financial Bank Ltd., instituição citada no ROF TA285620, mas afirmou no TVF que inexiste tal passivo em face da falta de apresentação do compromisso de devolução dos três empréstimos; que a autoridade fiscal se apegou ao fato de não terem sido localizados os documentos com a assinatura dos representantes da credora, seja em relação aos empréstimos concedidos, seja em relação a cobrança da dívida vencida em 2012; não obstante a dificuldade na obtenção da documentação de operações deveras antigas, a fiscalização também diligenciou junto ao Banco Schahin, onde obteve o Pedido de Registro de Empréstimo Externo, datado de 24/03/2004, e informação do banqueiro do exterior com os dados da remessa proveniente de uma conta bancária da Commercial and Financial Bank Ltda. mantida no Espírito Santo Bank (Miami/EUA). 80. Acrescenta que o efeito declaratório do ROF no Siscomex espelha a existência e confirma a realização dos mútuos, cuja sistemática exige da impugnante a manutenção da documentação comprobatória da operação pelo prazo de cinco anos contado do seu vencimento (até 2017); que pode ter ocorrido extravio/perda ou descarte inadequado por erro na contagem do prazo de manutenção da documentação; não restam quaisquer dúvidas sobre a existência e regularidade das operações de mútuos internacionais diante das provas documentais que instruem o lançamento; cita o princípio da verdade material ou verdade real para concluir que parece irrazoável que a imposição da infração esteja fundamentada em razão das insuficientes diligências procedidas durante a breve duração do procedimento fiscal; a cogitada inexistência de lastro documental a justificar as despesas contabilizadas e levadas a efeito pela Impugnante é meramente presuntiva, sequer chega a ser indiciária. (...) Fl. 2041DF CARF MF Processo nº 16327.720291/201506 Acórdão n.º 1402002.682 S1C4T2 Fl. 2.042 32 87. Portanto, conforme afirmado pela autoridade fiscal, constata se que a interessada realmente recebeu a importância de US$ 4.644.300,00 remetida pela Commercial and Financial Bank Ltd. no anocalendário de 2004, mas não há nos autos prova da existência de compromisso de devolução desse numerário, pois não foi apresentada nenhuma documentação, com assinatura dos representantes da Commercial and Financial Bank Ltd, relativa ao lançamento de Fixed Rate Notes no mercado internacional e à cobrança da dívida já vencida no anocalendário de 2012. 88. O Regulamento do Mercado de Câmbio e Capitais Internacionais, instituído pela Circular nº 3.280, de 9 de março de 2005, no Título 3 – Capitais Estrangeiros no Pais, Capítulo 1 – Disposições Gerais, dispõe que o registro no RDE é feita de forma declaratória e o responsáveis pelo registro devem manter à disposição do Bacen a documentação comprobatória de todas as informações nele declaradas: (...) 89. Logo, como a informação prestada no módulo Registro de Operação Financeira (ROF) do Registro Declaratório Eletrônico (RDE) do Sistema de Informações Banco Central (Sisbacen) tem mero caráter declaratório, cabia a HBF Participações a manutenção de toda a documentação comprobatória da operação pelo prazo de cinco anos contado do vencimento da mesma, ou seja, até o ano calendário de 2017. 90. Acrescentese que a escrituração comercial deve estar lastreada em documentação hábil e idônea emitida por terceiros, contendo elementos suficientes para demonstrar estarem os gastos em estrita conexão com a atividade explorada e com a manutenção da respectiva fonte de receita. 91. Ademais, os juros apurados pela interessada não correspondem ao encargo previsto no ROF TA285620 de 6,5% ao ano, equivalentes a juros compostos de 0,5262% ao mês, pois foram apropriados encargos mensais de 0,35% a 0,39%, tal como ocorreu no mês de janeiro/2011, quando foi aplicada taxa de juros de 0,3873% ao mês sobre o empréstimo de US$ 988.100,00 (encargo de US$ 5.530,62 sobre o saldo anterior de US$ 1.428.051,53). 92. Dessa forma, considerando que não foi apresentada qualquer documentação probatória do empréstimo obtido mediante lançamento de Fixed Rate Notes no mercado internacional, mormente tratandose de operação efetuada com agente de lançamento com sede nas Ilhas Cook – localidade reconhecida como país de tributação favorecida ou cuja legislação não permite acesso a informações relativas à composição societária de pessoas jurídicas ou à sua titularidade, conforme IN SRF nº 188, de 2002, e IN RFB nº 1.037, de 2010 –, voto por manter a exigência correspondente à glosa dos encargos financeiros do ano calendário de 2011”. Fl. 2042DF CARF MF Processo nº 16327.720291/201506 Acórdão n.º 1402002.682 S1C4T2 Fl. 2.043 33 DO RECURSO VOLUNTÁRIO (fls. 1922/1989) Cientificada do R. decisum em 12/08/2015 (fls. 1920 – “AR”), a recorrente interpôs Recurso Voluntário em 11/09/2015 (fls. 1922/1989), basicamente reiterando os termos das impugnações, pontuando ainda: 1. ser inaplicável no caso, a regra prevista no artigo 248, da Lei nº 6.404/1976; 2. que, o resultado na alienação de investimentos, para fins de apuração de ganho ou perda de capital, será precedido da avaliação do investimento, pelo custo de aquisição ou pelo valor do Patrimônio Líquido (PL); 3. que, nos termos dos artigos 384 e 387, cabe aos contribuintes avaliarem o investimento relevante e influente pelo Método de Equivalência Patrimonial (MEP); 4. que o Pronunciamento CPC 18/03 especifica que no resultado do período o investidor deve incluir a parte que lhe cabe nos resultados gerados pela investida; 5. não restar dúvidas de que as contrapartidas pela aplicação do MEP não produzem quaisquer influência nas apuração do IRPJ e da CSLL; 6. que o artigo 426, I, do RIR/1999 não se refere ao valor do PL à época da alienação do investimento, mas sim à época de sua aquisição, sem os ajustes do valor contábil exigidos pelo artigo 388, do mesmo diploma regulamentar; 7. depois de transcrever doutrina, aduz que a tese fiscal de entender que o valor do PL ajustado pelo MEP como valor contábil na apuração do ganho de capital, desconsiderou o custo efetivamente incorrido do investimento na data de aquisição, conforme art. 385, I, RIR/1999 (RV – fls. 1941); e que tal interpretação leva ao consumo (desaparecimento) do custo efetivo de aquisição, levando a um “ganho de capital fictício” (ibidem fls. 1942); 8. volta a se referir à doutrina de Ricardo Mariz de Oliveira, e argumenta que o MEP não passa de um processo mediante o qual a investidora reconhece contabilmente sua mera expectativa de participação em resultados na investida, “mas não lhe atribui direitos sobre os lucros da investida, nem obrigações sobre os seus prejuízos” (RV – fls. 1944); 9. para haver tributação de IRPJ (e de CSLL), deve existir renda (ou lucro), não devendo prevalecer decisão que considera o valor bruto da alienação e desconsidera o custo de aquisição do investimento, o que torna os lançamentos nulos; Fl. 2043DF CARF MF Processo nº 16327.720291/201506 Acórdão n.º 1402002.682 S1C4T2 Fl. 2.044 34 10. traz mais doutrina e sustenta que o tributo só atinge riqueza nova, não podendo incidir sobre reposição patrimonial e que o acórdão recorrido estaria permitindo “a tributação do investimento (capital) , além do acréscimo patrimonial efetivamente auferido na alienação das ações do Banco Schahin, restando nítida a violação ao disposto no artigo 43 do CTN e no artigo 1º da Lei nº 7.689/88, bem como ao conceito técnico e doutrinário de ganho de capital” (RV – fls. 1955); 11. reproduz doutrina e jurisprudência e expõe que, ao tributar fato (perda de investimento pelo MEP) sem conteúdo econômico, o acórdão viola o princípio da capacidade contributiva,por levar ao cômputo de um valor maior que o existente; 12. a prevalecer a desconsideração feita pelo Fisco, estarseá diante de verdadeiro confisco do patrimônio da recorrente, posto que se estará tributando o total da alienação sem levar em conta o custo do investimento; elabora quadro (RV – fls. 1958): 13. que, com o advento da Lei nº 11.638/2007, alteraramse as regras contábeis e, no caso, o resultado tributável seria a diferença positiva entre “Outras Receitas”, já abarcando o valor da alienação e “Outras Despesas”, nesta inserida a perda do investimento, seu custo. A diferença, portanto, seria o ganho de capital; 14. ser preciso considerar o balancete levantado em 31/07/2011 e que direciona para um resultado significativamente menor de PL, afetando o raciocínio do Fisco; 15. acerca dos juros e despesas financeiras que o Fisco considerou não comprovadas ou indedutíveis, por isso glosadas, sustenta a c correção dos seus cálculos e a substância dos contratos assinados com as instituições financeiras no exterior; 16. argumenta que os aditamentos contratuais não mais que alteraram a taxa de juros, sem, contudo, alterar expressa ou tacitamente a forma de incidência composta dos juros; que, nesta linha, “as deduções contabilizadas nas apurações das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL revelamse justificadas e afastam a imposição do valor tributável de R$ 8.873.480,32” (RV – fls. 1972); Fl. 2044DF CARF MF Processo nº 16327.720291/201506 Acórdão n.º 1402002.682 S1C4T2 Fl. 2.045 35 17. ser indevida a multa de ofício de 75% e eventuais juros sobre ela calculados; 18. finalmente, a respeito de provas extemporâneas, repele o entendimento da decisão recorrida, que afirma tratarse de entendimento superado, remontando aos anos setenta, antes da atual Carta Constitucional e destoa totalmente da atual jurisprudência processual; 19. finaliza requerendo o provimento do recurso voluntário. DAS CONTRARRAZÕES DA PGFN (fls. 1993/2009) A Procuradoria da Fazenda acostou contrarrazões ao recurso voluntário da recorrente posicionandose em apoio ao trabalho fiscal e ratificando a decisão recorrida, valendo destacar excertos da peça juntada, que resumem a posição fazendária: “Há nos autos um relato deveras aprofundado e pormenorizado de toda a operação de alienação da participação societária acima mencionada, veiculado pela autoridade fiscal em rico e detalhado Termo de Verificação Fiscal. Nada obstante, de forma a contextualizar e oferecer uma melhor compreensão da matéria, convém apresentarmos uma breve cronologia fática. Com efeito, a HBF detinha uma participação de 84,43%1 do BANCO SCHAHIN e pactuou a alienação da referida participação societária ao BMG em 30 de junho de 2011. É preciso ter em mente, contudo, que o BANCO SCHAHIN enfrentava, à época, problemas financeiros devido a desajustes patrimoniais apurados pelo Banco Central do Brasil – BCB, tendo por isso, inclusive, recebido suporte financeiro do Fundo Garantidor de Crédito. É de fundamental importância atentarmos para as determinações do Banco Central a respeito das irregularidades apuradas na contabilidade do BANCO SCHAHIN. Isso porque, conforme esclarecia a própria Autarquia, a não observância das medidas determinadas para sanear a instituição financeira, poderia culminar “na adoção de regime especial”. Em outras palavras, a inobservância dos preceitos do BCB poderia conduzir à liquidação extrajudicial da instituição financeira. Nesse contexto, o Banco Central determinou ao BANCO SCHAHIN ajustes regulamentares em sua contabilidade da ordem de R$ 572.283.000,00 e, posteriormente, apurou irregularidades complementares, determinando novos ajustes no valor de R$ 214.949.000,00. Como se observa dos documentos mencionados, lavrados pelo Banco Central, as modificações (ajustes) no PL do BANCO SCHAHIN Fl. 2045DF CARF MF Processo nº 16327.720291/201506 Acórdão n.º 1402002.682 S1C4T2 Fl. 2.046 36 eram mandatórias. Dessa forma, como a transferência do controle acionário (alienação do BANCO SCHAHIN pela HBF ao BMG) ocorreu apenas em 18/08/2011, e, por força de lei, a baixa de um investimento relevante e influente deveria ser precedido de avaliação pelo valor do patrimônio líquido, com base em balanço patrimonial ou balancete de verificação do BANCO SCHAHIN, levantado na data da alienação ou liquidação ou até trinta dias, no máximo, antes desta data, as seguintes modificações patrimoniais deveriam ter sido consideradas: Resultado do 1º semestre – R$ 137.841.150,79 (D); Ajustes contábeis do dia 17/08 (prazo determinado pelo BCB) – R$ 1.041.628.608,07 (D); Estes valores reduziriam significativamente o PL do valor positivo de R$ 229.543.129,40 para o valor negativo de –R$ 949.926.629,46. Há que se perquirir, portanto, as repercussões tributárias dessa circunstância de PL negativo em investimento avaliado segundo o Método da Equivalência Patrimonial MEP. A isso nos dedicaremos no tópico seguinte. Entretanto, é preciso deixar fixado, desde já, que não há qualquer fundamento, de ordem jurídica, lógica ou contábil que autorize a conduta realizada pela Contribuinte, que simples e solenemente ignorou determinação expressa do Banco Central do Brasil para que, em nome da transparência e da saúde financeira de todo o sistema financeiro nacional, determinara ajustes e correções imediatas na contabilidade de sua investida (BANCO SCHAHIN), com inexorável repercussão em sua contabilidade em razão da aplicação do MEP. Não podemos nos esquecer que o próprio negócio de aquisição do BANCO SCHAHIN pelo BMG, com o suporte e a interveniência do Fundo Garantidor de Créditos, foi propriamente uma saída (solução de mercado), para se evitar a extinção da instituição financeira por meio de uma liquidação extrajudicial e reduzir o risco sistêmico para outras instituições de pequeno e médio porte. Notese, dos excertos abaixo, que a deficiência patrimonial do BANCO SCHAHIN foi posta às claras entre os participantes do negócio, foi devidamente precificada e teve seus riscos devidamente avaliados pelos vendedores, adquirentes e garantidores do negócio. Fl. 2046DF CARF MF Processo nº 16327.720291/201506 Acórdão n.º 1402002.682 S1C4T2 Fl. 2.047 37 (...) Quanto às divergências de cálculo (“se” e “quando” aplicáveis juros simples ou compostos aos contratos de mútuo), a decisão da DRJ já Fl. 2047DF CARF MF Processo nº 16327.720291/201506 Acórdão n.º 1402002.682 S1C4T2 Fl. 2.048 38 demonstrou cabalmente o acerto dos cálculos realizados pela Fiscalização. No que se refere à ausência de documentos comprobatórios, não podem ser imputados à Fazenda Nacional os percalços pela ausência de provas da Contribuinte quando a legislação é expressa ao exigir lhe a manutenção de documentação comprobatória. Para que fique claro, os indícios constantes dos autos lhe são contrários e não favoráveis. Há comprovação do ingresso de recursos estrangeiros em 2004 (mútuo obtido junto ao Commercial & Financial Bank Limited, mas não há nos autos prova da existência de compromisso de devolução desse numerário, o que impede qualquer apuração sobre o acerto, precisão, quantificação dos valores financeiros apropriados pela Contribuinte quando do suposto pagamento de juros desses empréstimos internacionais. Dessa forma, não há também aqui razões para se reformar a decisão de primeira instância que, corretamente, manteve a glosa de tais despesas financeiras não comprovadas”. É o relatório do essencial, em apertada síntese. Fl. 2048DF CARF MF Processo nº 16327.720291/201506 Acórdão n.º 1402002.682 S1C4T2 Fl. 2.049 39 Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone Relator O Recurso Voluntário é tempestivo (ciência do acórdão recorrido em 12/08/2015 – fls. 1920 – “AR” – protocolização do RV em 11/09/2015 – fls. 1922), a representação da recorrente está corretamente formalizada (fls. 1791/1795) e os demais pressupostos para sua admissibilidade foram atendidos, pelo que o recebo e dele conheço. Os lançamentos têm três frentes: 1. ganhos e perdas de capital apurados incorretamente alienação ou baixa de investimentos avaliados pelo valor do patrimônio líquido; 2. glosa de despesas financeiras por incomprovadas; e, 3. glosa de despesas financeiras indedutíveis. Afasto de plano qualquer argumentação em relação a nulidade, tendo em vista que não só o procedimento fiscal mostrouse dentro das normas vigentes, como foi conduzido por servidor de carreira; além disso, a recorrente teve acesso a todo o procedimento podendo exercer livremente seu direito de defesa; e, de outro giro, o aresto contestado de 1º grau examinou minuciosamente todos os fatos, argumentos e provas dos autos, exarando decisão irretocável sob o cunho formal e procedimental. Também destaco, preliminarmente, que o reclamo da recorrente em relação à não apreciação de documentos que venham ou vierem a ser juntados extemporaneamente perde sentido nesta fase recursal em razão de esta Turma Julgadora adotar como preceito, receber e apreciar provas acostadas mesmo após a interposição do recurso voluntário. No mérito, são dois pontos em discussão, o maior deles, os lançamentos relativos ao ganho de capital pela alienação, pela recorrente, de sua participação societária mantida junto ao Banco Schahin. Antes de apreciálos, reproduzo a composição acionária da referida instituição financeira quando da ocorrência dos fatos: Fl. 2049DF CARF MF Processo nº 16327.720291/201506 Acórdão n.º 1402002.682 S1C4T2 Fl. 2.050 40 Passo, agora, à análise dos lançamentos sobre ganhos de capital. Conforme consta dos autos, a HBF, recorrente, procedeu à alienação das ações que detinha do capital social da referida instituição, composta por 260.713.658 ações, para o Banco BMG pelo valor de R$ 215.684.511,31, sendo tal montante composto de um direito de crédito no valor de R$ 210.232.292,00 e uma TED recebida de R$ 5.452.219,31. Isto é incontroverso. Também incontroverso que a recorrente, tendo contabilizado o recebimento de sua participação no direito de crédito pelo valor de R$ 209.259.600,00, acabou por excluir indevidamente o montante de R$ 972.692,00 (R$ 210.232.292,00 R$ 209.259.600,00), recomposto pelo Fisco. De outro lado, o valor de R$ 5.452.219,31 também foi retomado pela Fiscalização tendo em vista tratarse de Imposto de Renda, ônus da alienante, que recebeu este valor para o pagamento dos tributos incidentes sobre o ganho de capital apurado na venda e, ao invés de contabilizálo como uma receita, deduziu indevidamente o valor do crédito a receber. Igualmente incontroverso que uma série de ajustes, determinada pelo Banco Central do Brasil, foi realizada por ocasião das operações de transferência do Banco Schahin para o Banco BMG, tudo detalhadamente exposto no TVF e na decisão recorrida, levando ao resultado final de um PL negativo da ordem de R$ 949.926.629,46. Este valor é resultante da soma algébrica do PL do Banco Schahin em 30/06/2011 sem os ajustes determinados pelo Banco Central (R$ 229.543.129,40 – fls. 30)1 e após os ajustes impostos pelo Bacen, a saber: resultado do 1º semestre – R$ 137.841.150,79 (D); ajustes contábeis do dia 17/08 – R$ 1.041.628.608,07 (D). Assim: PL antes dos ajustes (C) R$ 229.543.129,40 1 Fl. 2050DF CARF MF Processo nº 16327.720291/201506 Acórdão n.º 1402002.682 S1C4T2 Fl. 2.051 41 () resultado 1º semestre (D) R$ 137.841.150,79 () ajustes contábeis em 17/08 (D) R$ 1.041.628.608,07 (=) Patrimônio Líquido Ajustado (Negativo) (R$ 949.926.629,46) Finalmente, inequívoco que toda a operação de transferência do controle acionário do Banco Schahin para o Banco BMG somente foi concluída após a autorização do Banco Central ter sido publicada no DOU de 24/08/2011, com vigência a partir de 18/08/2011 (fl. 779), autorização esta indispensável para validade do Contrato de Compra e Venda de Ações e Outras Avenças, conforme previsto na sua cláusula 7.4. Delineados os parâmetros da lide, chegase ao perímetro que centraliza a refrega, ou seja, definir o “custo” da participação societária alienada, entendendo a recorrente ser o custo de aquisição (+) ágio pago e a Fiscalização que este montante é medido pela comparação entre o investimento da investidora e o PL da investida, via MEP e, neste caso, como o Patrimônio Líquido, fruto dos ajustes impostos pelo Banco Central teria se tornado negativo, o custo seria zero. Continuando com o raciocínio do Fisco, sendo o custo zero, todo o montante da alienação deveria sofrer tributação e não apenas a diferença entre a baixa e o “custo” antes dos ajustes, como fez a recorrente: (R$ 209.259.600,00 – R$ 193.615.644,47 = R$ 15.643.955,53) – fls. 775: De plano, destaquese, é certo que o investimento da HBF no Banco Schahin deveria ser ajustado pelo MEP, posto que relevante (mais de 84%) e, ainda que assim não fosse, por se tratar de instituição financeira, a Resolução nº 484/1978 do Bacen e a IN CVM nº 1/1978 determinam que a avaliação do investimento na controlada, independente de existir relevância, será sempre mediante o Método de Equivalência Patrimonial. Dito isto, impõese, de preâmbulo e para melhor fixação, buscar a definição de “investimento”, enquanto parte do ativo e com características de aplicação permanente, pois é este investimento que, ao ser alienado, irá produzir o ganho (ou perda) de capital. Ou seja, é preciso distinguir entre investimentos perenes e temporários, sendo relevante conceituar os primeiros. Fl. 2051DF CARF MF Processo nº 16327.720291/201506 Acórdão n.º 1402002.682 S1C4T2 Fl. 2.052 42 Edmar Oliveira Andrade Filho explicita2: “a ocorrência de indícios de intenção de permanência é um critério adequado para determinar se uma participação societária ostenta ou não o caráter permanente”. Iudícibus, Martins e Gelbcke3 lecionam: “Incluemse aqui somente os investimentos em outras sociedades que tenham a característica de aplicação de capital, não de forma temporária ou especulativa, existindo efetiva intenção de usufruir dos rendimentos proporcionados por esses investimentos”. Em suma, investimento com caráter permanente é aquele que, em princípio, não foi adquirido com intenção de pronta alienação e neste caso, sua avaliação, sua mensuração, fazse em função do PL da investida, conforme alinhavado pelo artigo 384, do RIR/1999: Art. 384. Serão avaliados pelo valor de patrimônio líquido os investimentos relevantes da pessoa jurídica (Lei nº 6.404, de 1976, art. 248, e DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 67, inciso XI): I em sociedades controladas; e II em sociedades coligadas sobre cuja administração tenha influência, ou de que participe com vinte por cento ou mais do capital social. § 1º São coligadas as sociedades quando uma participa, com dez por cento ou mais, do capital da outra, sem controlála (Lei nº 6.404, de 1976, art. 243, § 1º). § 2º Considerase controlada a sociedade na qual a controladora, diretamente ou através de outras controladas, é titular de direitos de sócio que lhe assegurem, de modo permanente, preponderância nas deliberações sociais e o poder de eleger a maioria dos administradores (Lei nº 6.404, de 1976, art. 243, § 2º). § 3º Considerase relevante o investimento (Lei nº 6.404, de 1976, art. 247, parágrafo único): I em cada sociedade coligada ou controlada, se o valor contábil é igual ou superior a dez por cento do valor do patrimônio líquido da pessoa jurídica investidora; II no conjunto das sociedades coligadas e controladas, se o valor contábil é igual ou superior a quinze por cento do valor do patrimônio líquido da pessoa jurídica investidora. Previsão com o mesmo respaldo da Lei societária (Lei nº 6.404/1976), já com redação atualizada pelas Leis nºs 11.638/2007 e 11.941/2009: Art. 248. No balanço patrimonial da companhia, os investimentos em coligadas ou em controladas e em 2 Edmar Oliveira Andrade Filho – Imposto de Renda das Empresas – Atlas – 10ª Ed. SP – 2013 pg. 214 3 Sérgio de Iudícibus, Eliseu Martins e Ernesto Rubens Gelbcke – Manual de Contabilidade das Sociedades por Ações – Atlas – 7ª Ed. SP – 2007 – pg. 136 Fl. 2052DF CARF MF Processo nº 16327.720291/201506 Acórdão n.º 1402002.682 S1C4T2 Fl. 2.053 43 outras sociedades que façam parte de um mesmo grupo ou estejam sob controle comum serão avaliados pelo método da equivalência patrimonial, de acordo com as seguintes normas: (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) I o valor do patrimônio líquido da coligada ou da controlada será determinado com base em balanço patrimonial ou balancete de verificação levantado, com observância das normas desta Lei, na mesma data, ou até 60 (sessenta) dias, no máximo, antes da data do balanço da companhia; no valor de patrimônio líquido não serão computados os resultados não realizados decorrentes de negócios com a companhia, ou com outras sociedades coligadas à companhia, ou por ela controladas; II o valor do investimento será determinado mediante a aplicação, sobre o valor de patrimônio líquido referido no número anterior, da porcentagem de participação no capital da coligada ou controlada; Frisese que, por força do artigo 21, do Decretolei nº 1.598, de 1977, que compatibilizou o regime tributário à legislação comercial, determinando a aplicação desta última a todas as pessoas jurídicas, independentemente de sua forma de constituição, sociedade anônima ou não, dispõe, com redação vigente à época dos fatos: Art 21 Em cada balanço o contribuinte deverá avaliar o investimento pelo valor de patrimônio líquido da coligada ou controlada, de acordo com o disposto no artigo 248 da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, e as seguintes normas: I o valor de patrimônio líquido será determinado com base em balanço patrimonial ou balancete de verificação da coligada ou controlada levantado na mesma data do balanço do contribuinte ou até 2 meses, no máximo, antes dessa data, com observância da lei comercial, inclusive quanto à dedução das participações nos resultados e da provisão para o imposto de renda. II se os critérios contábeis adotados pela coligada ou controlada e pelo contribuinte não forem uniformes, o contribuinte deverá fazer no balanço ou balancete da coligada ou controlada os ajustes necessários para eliminar as diferenças relevantes decorrentes da diversidade de critérios; III o balanço ou balancete da coligada ou controlada levantado em data anterior à do balanço do contribuinte deverá ser ajustado para registrar os efeitos relevantes de fatos extraordinários ocorridos no período; IV o prazo de 2 meses de que trata o item aplicase aos balanços ou balancetes de verificação das sociedades de que a coligada ou controlada participe, direta ou indiretamente, com investimentos relevantes que devam ser avaliados pelo valor de patrimônio liquido para efeito de determinar o valor de Fl. 2053DF CARF MF Processo nº 16327.720291/201506 Acórdão n.º 1402002.682 S1C4T2 Fl. 2.054 44 patrimônio liquido da coligada ou controlada. (Redação dada pelo Decretolei nº 1.648, de 1978). V o valor do investimento do contribuinte será determinado mediante a aplicação, sobre o valor de patrimônio líquido ajustado de acordo com os números anteriores, da porcentagem da participação do contribuinte na coligada ou controlada. Mandamentos igualmente expressos no RIR/1999: Art. 384. Serão avaliados pelo valor de patrimônio líquido os investimentos relevantes da pessoa jurídica (Lei nº 6.404, de 1976, art. 248, e DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 67, inciso XI): I em sociedades controladas; e II em sociedades coligadas sobre cuja administração tenha influência, ou de que participe com vinte por cento ou mais do capital social. Art. 387. Em cada balanço, o contribuinte deverá avaliar o investimento pelo valor de patrimônio líquido da coligada ou controlada, de acordo com o disposto no art. 248 da Lei nº 6.404, de 1976, e as seguintes normas (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 21, e DecretoLei nº 1.648, de 1978, art. 1º, inciso III): I o valor de patrimônio líquido será determinado com base em balanço patrimonial ou balancete de verificação da coligada ou controlada levantado na mesma data do balanço do contribuinte ou até dois meses, no máximo, antes dessa data, com observância da lei comercial, inclusive quanto à dedução das participações nos resultados e da provisão para o imposto de renda; II se os critérios contábeis adotados pela coligada ou controlada e pelo contribuinte não forem uniformes, o contribuinte deverá fazer no balanço ou balancete da coligada ou controlada os ajustes necessários para eliminar as diferenças relevantes decorrentes da diversidade de critérios; III o balanço ou balancete da coligada ou controlada levantado em data anterior à do balanço do contribuinte deverá ser ajustado para registrar os efeitos relevantes de fatos extraordinários ocorridos no período; IV o prazo de dois meses de que trata o inciso I aplicase aos balanços ou balancetes de verificação das sociedades de que a coligada ou controlada participe, direta ou indiretamente, com investimentos relevantes que devam ser avaliados pelo valor de patrimônio líquido para efeito de determinar o valor de patrimônio líquido da coligada ou controlada; Fl. 2054DF CARF MF Processo nº 16327.720291/201506 Acórdão n.º 1402002.682 S1C4T2 Fl. 2.055 45 V o valor do investimento do contribuinte será determinado mediante a aplicação, sobre o valor de patrimônio líquido ajustado de acordo com os incisos anteriores, da percentagem da participação do contribuinte no capital da coligada ou controlada. Na doutrina sempre atual de Nilton Latorraca, em obra clássica4: “o método de avaliação com base no patrimônio líquido contábil da subsidiária (controlada ou coligada) é conhecido como (...) expressões que no Brasil têm sido traduzidas por equivalência patrimonial. Em síntese, podemos dizer que este método consiste em substituir, no ativo da companhia que mantém o investimento, o custo deste (...) pela quantia equivalente ao percentual de participação no patrimônio líquido contábil da sociedade coligada ou controlada”. (negritado). Confirmação que se faz pela leitura do artigo 385, 388 e 389, do RIR/1999: Art. 385. O contribuinte que avaliar investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor de patrimônio líquido deverá, por ocasião da aquisição da participação, desdobrar o custo de aquisição em (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20): I valor de patrimônio líquido na época da aquisição, determinado de acordo com o disposto no artigo seguinte; e II ágio ou deságio na aquisição, que será a diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor de que trata o inciso anterior. § 1º. O valor de patrimônio líquido e o ágio ou deságio serão registrados em subcontas distintas do custo de aquisição do investimento (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20, § 1º) Art. 388. O valor do investimento na data do balanço (art. 387, I), deverá ser ajustado ao valor de patrimônio líquido determinado de acordo com o disposto no artigo anterior, mediante lançamento da diferença a débito ou a crédito da conta de investimento (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 22). § 1º Os lucros ou dividendos distribuídos pela coligada ou controlada deverão ser registrados pelo contribuinte como diminuição do valor de patrimônio líquido do investimento, e não influenciarão as contas de resultado (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 22, parágrafo único). 4 “Direito Tributário Imposto de Renda das Empresas” – Atlas – SP – 1990 – 12ª Ed. pg. 246 Fl. 2055DF CARF MF Processo nº 16327.720291/201506 Acórdão n.º 1402002.682 S1C4T2 Fl. 2.056 46 § 2º Quando os rendimentos referidos no parágrafo anterior forem apurados em balanço da coligada ou controlada levantado em data posterior à da última avaliação a que se refere o artigo anterior, deverão ser creditados à conta de resultados da investidora e, ressalvado o disposto no § 2º do art. 379, não serão computados na determinação do lucro real. § 3º No caso do parágrafo anterior, se a avaliação subseqüente for baseada em balanço ou balancete de data anterior à da distribuição, deverá o patrimônio líquido da coligada ou controlada ser ajustado, com a exclusão do valor total distribuído. Art. 389. A contrapartida do ajuste de que trata o art. 388, por aumento ou redução no valor de patrimônio líquido do investimento, não será computada na determinação do lucro real (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 23, e DecretoLei nº 1.648, de 1978, art. 1º, inciso IV). § 1º Não serão computadas na determinação do lucro real as contrapartidas de ajuste do valor do investimento ou da amortização do ágio ou deságio na aquisição de investimentos em sociedades estrangeiras coligadas ou controladas que não funcionem no País (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 23, parágrafo único, e DecretoLei nº 1.648, de 1978, art. 1º, inciso IV). § 2º Os resultados da avaliação dos investimentos no exterior pelo método da equivalência patrimonial continuarão a ter o tratamento previsto nesta Subseção, sem prejuízo do disposto no art. 394 (Lei nº 9.249, de 1995, art. 25, § 6º). De outra parte, a Instrução Normativa nº 247, de 1996, da CVM retrata: Art. 1º. (...) Parágrafo único. Equivalência patrimonial corresponde ao valor do investimento determinado mediante a aplicação da percentagem de participação no capital social sobre o patrimônio líquido de cada coligada, sua equiparada e controlada. (destacado). Normatizando, o Comitê de Pronunciamentos Contábeis (CPC), definiu: “10. Pelo método da equivalência patrimonial, o investimento em coligada, em empreendimento controlado em conjunto e em controlada (neste caso, no balanço individual) deve ser inicialmente reconhecido pelo custo e o seu valor contábil será aumentado ou diminuído pelo reconhecimento da participação do investidor nos lucros ou prejuízos do período, gerados pela investida após a aquisição”. Fl. 2056DF CARF MF Processo nº 16327.720291/201506 Acórdão n.º 1402002.682 S1C4T2 Fl. 2.057 47 Feitas estas ponderações doutrinárias, normativas e legislativas, chegase à conclusão de que, ao revés do entendimento da recorrente, o custo do investimento, em casos de aplicação em controlada ou coligada, é sempre o obtido via MEP e medido no momento da eventual alienação da participação e não apenas na aquisição, linha corretamente defendida pela decisão recorrida: “53. Por conseguinte, é totalmente descabida a alegação da impugnante de que inciso I do artigo 426 do RIR de 19995 não se refere ao valor do patrimônio líquido à época da alienação do investimento, mas sim quando da sua aquisição, sem os ajustes do valor contábil exigidos pelo artigo 388 do RIR de 1999, ao argumento de que o artigo 385 do RIR de 1999 define que o custo de aquisição de investimentos, avaliados pelo valor de patrimônio líquido, será segregado em valor de patrimônio líquido e em ágio ou deságio, e o artigo 389 do mesmo regulamento determina que as contrapartidas do MEP não serão computadas na determinação do lucro real, sendo que a apuração de ganho de capital integra a apuração do lucro real”. Ademais, não se confundam dois fatos distintos, i) a não tributação do resultado positivo da equivalência patrimonial na investidora, posto que já tributado na investida; ii) o eventual ganho de capital que vier a ser obtido pela investidora quando da alienação do investimento, fato esporádico e que se sujeita a tributação por norma específica neste sentido (art. 31, do DL nº 1.598, de 26/12/1977 “Art 31 Serão classificados como ganhos ou perdas de capital, e computados na determinação do lucro real, os resultados na alienação, inclusive por desapropriação (§ 4º), na baixa por perecimento, extinção, desgaste, obsolescência ou exaustão, ou na liquidação de bens do ativo permanente”). É disso que se passa a cuidar de ora em diante. Antes, porém, destaco que a própria lição do professor Ricardo Mariz de Oliveira, trazida pela recorrente (RV – fls. 1940/1941), alinhase exatamente com o discorrido neste voto, ou seja, de que o custo do investimento é diretamente afetado pelo MEP. Vejase: (...) 5 Art. 426. O valor contábil para efeito de determinar o ganho ou perda de capital na alienação ou liquidação de investimento em coligada ou controlada avaliado pelo valor de patrimônio líquido (art. 384), será a soma algébrica dos seguintes valores (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 33, e Decreto Lei nº 1.730, de 1979, art. 1º, inciso V): I valor de patrimônio líquido pelo qual o investimento estiver registrado na contabilidade do contribuinte; Fl. 2057DF CARF MF Processo nº 16327.720291/201506 Acórdão n.º 1402002.682 S1C4T2 Fl. 2.058 48 Conforme consta dos autos, o PL do Banco Schahin em 30/06/2011, previamente aos ajustes obrigatórios determinados pelo Banco Central do Brasil para que o negócio pudesse ser concretizado, era de R$ 229.543.129,40 – positivo (fls. 30), grandeza que após tais ajustes (resultado negativo do 1º semestre – R$ 137.841.150,79 e resultado também negativo no dia 17/08 – R$ 1.041.628.608,07, levaram ao PL negativo de (R$ 949.926.629,46). Neste momento ocorreu a alienação da participação da HBF (negócio só possível após a anuência do Bacen e depois de cumpridos os requisitos impostos pela autarquia federal). A propósito, excerto da decisão recorrida, reproduzindo o TVF: “31. Dentro do conjunto de operações realizadas para saneamento da situação econômica do Banco Schahin, as 308.790.339 ações desta investida (154.145.196 ações ON e 154.645.143 ações PN) detidas por HBF Participações Ltda., Habitécnica S/A, Rubens Taufic Schahin, Milton Taufic Schahin e Salim Taufic Schahin foram alienadas para o Banco BMG S/A pelo preço de R$ 249.000.000,00, em 30/06/2011, conforme Contrato de Compra e Venda de Ações e Outras Avenças (fls. 3162 e 11701201), a ser pago pela compradora no prazo de até 15 anos contado a partir da data de fechamento (conforme fluxo financeiro constante do seu Anexo 2.3, às fls. 109 e 1202). 32. Destaquese que a transferência do controle acionário do Banco Schahin para o Banco BMG somente foi concluída após autorização do Banco Central ter sido publicada no DOU de 24/08/2011, com vigência a partir de 18/08/2011 (fl. 779), autorização esta indispensável para validade do Contrato de Compra e Venda de Ações e Outras Avenças, conforme previsto na sua cláusula 7.4”. Foi exatamente aí, no ato da alienação da participação societária da HBF no Banco Schahin em 18/08/2011 , que este “investimento”, por força dos ajustes compulsoriamente exigidos pelo Bacen e que levaram a um PL negativo de mais de 949 milhões de reais, passou a ser zero!. E zero por quê? Fl. 2058DF CARF MF Processo nº 16327.720291/201506 Acórdão n.º 1402002.682 S1C4T2 Fl. 2.059 49 Por que não é possível existir, para fins de apuração de ganho de capital, “participação negativa”, vale dizer, se o PL da investida se tornar negativo, o investimento será nulo e não refletirá tal déficit em sua contabilidade, vale dizer, a equivalência somente mostrará que o “investimento” será “zero” e não negativo. Como bem pontuado pela própria Fazenda Pública, conforme expresso nas contrarrazões da PGFN (fls. 1999): “Insistimos no termo “tornaria negativo o PL” para ressaltar o nosso entendimento de que o prejuízo ao Patrimônio Líquido estaria limitado ao próprio valor do investimento realizado, não podendo, por isso, ir além de zero. Tal entendimento, digase de passagem, vai ao encontro do que sustenta, de maneira uniforme e coerente, a Fazenda Nacional “na outra ponta”, ou seja, nos casos de contabilização de ágio em aquisições de investimentos de sociedade com “supostos” PL negativos. Ali a PGFN defende que o aproveitamento de ágio se atenha somente ao valor efetivamente pago. Aqui, que se tribute apenas o ganho de capital que sobeje a zero”. Sérgio de Iudícibus, Eliseu Martins, Ernesto Rubens Gelbcke e Ariovaldo dos Santos6, exprimem: “Quando uma coligada (ou controlada) estiver em situação financeira desfavorável, é normal que ela passe a apresentar prejuízos. Em princípio, o investimento avaliado pelo método de equivalência patrimonial deve reconhecer prejuízos das coligadas (ou controladas) até o limite em que absorva a totalidade do capital e outras reservas, ou seja, até o limite em que o patrimônio líquido da coligada (ou controlada) seja nulo” (destaquei). Estampado tal quadro de prejuízos que levam à negativação do PL, os mesmo autores orientam como deverá ser o procedimento na investidora: “Na situação comentada, a prática contábil mais adequada na investidora é a de se registrar a equivalência patrimonial diminuindo o investimento até zerálo, ou seja, não chegando a registrar um valor negativo de investimento. Essa prática decorre do fato de que, teoricamente, o valor máximo de perda aplicável à investidora é o investimento total efetivado. Assim, quando o valor do investimento pela equivalência patrimonial estiver zerado, a investidora terá reconhecido a totalidade do investimento feito como perda. Não cabe, assim registrar um ativo negativo, ou seja, reconhecer sua participação na parte negativa do patrimônio líquido, na forma tradicional de equivalência patrimonial. Esta orientação é particularmente válida quando a investida é uma coligada e a investidora, tendo a sua responsabilidade restrita ao capital integralizado, não pretende assumir quaisquer novas responsabilidades em relação àquela coligada ou controlada, mesmo que esteja com risco de descontinuidade”. (negritado). 6 In Manual de Contabilidade Societária – Aplicável a todas as sociedades – De acordo com as normas internacionais e do CPC FIPECAFI – Atlas – SP – 2011 – Ed. Especial – pg. 201 Fl. 2059DF CARF MF Processo nº 16327.720291/201506 Acórdão n.º 1402002.682 S1C4T2 Fl. 2.060 50 (Manual de Contabilidade das Sociedades por Ações da Fipecafi, 7ª Edição, item 11.12.2 – Investimentos em Controladas e Coligadas com Patrimônio Líquido Negativo – Investimento Zerado fls. 187) O Comitê de Pronunciamentos Contábeis (CPC), pelo Pronunciamento nº 18 esclareceu, cuidando do assunto: (com destaques acrescidos) “39. Após reduzir, até zero, o saldo contábil da participação do investidor, perdas adicionais devem ser consideradas, e um passivo deve ser reconhecido, somente na extensão em que o investidor tiver incorrido em obrigações legais ou construtivas (não formalizadas) ou tiver feito pagamentos em nome da investida Em trabalho sob ágio, no caso de investimento em sociedade com PL negativo, Ramon Tomazela Santos ("O ágio no Direito Societário e Tributário Questões Atuais Capítulo 10" Ed. Quartier Latin do Brasil SP 2013 pg. 302), reportandose à IN CVM nº 247/1996, artigo 16, parágrafo único, pontua: "Cabe esclarecer que o procedimento contábil acima não se confunde com aquele a ser adotado na hipótese em que o patrimônio líquido da sociedade investida passa a apresentar valor negativo em momento posterior ao da aquisição do investimento. Neste caso, a sociedade investidora deve registrar normalmente o resultado negativo da equivalência patrimonial, diminuindo o valor contábil do investimento somente até zerar o respectivo saldo contábil". (negritei). Muito bem, se o PL do investido, Banco Schahin em 18/08/2011, que é a data da alienação da participação societária da recorrente naquela companhia, era de (R$ 949.926.629,46), portanto, negativo, o “custo” do investimento era zero, posto não ser possível, em razão de tudo o quanto antes se viu, apurarse “investimento deficitário”, o que leva à inevitável conclusão de que este montante – ZERO – é que deve ser anteposto ao valor da alienação societária, digase, o valor da baixa do investimento relevante que havia junto ao citado Banco. Neste patamar, nenhuma razão assiste à recorrente em querer manter o custo do investimento existente “antes” dos ajustes compulsórios determinados pelo Bacen, ainda mais porque tal operação de venda só foi possível se atendidas as exigências da autarquia federal, ou seja, não haveria alienação se assim não fosse. Como bem apontado pela decisão recorrida (fls. 1907) o fato de o Banco Schahin não ter efetuado a imediata regularização contábil dos ajustes patrimoniais determinados pelo Banco Central do Brasil não pode impedir que as contas que registravam o investimento efetuado pela interessada estivessem com seus saldos zerados, mediante o registro da equivalência patrimonial, por ocasião da alienação das ações para o Banco BMG S/A. Neste ponto, chegase ao seguinte contexto: a) a HBF procedeu à alienação das 260.713.658 ações que detinha do capital social do Banco Schahin para o Banco BMG pelo valor de R$ 215.684.511,31, sendo tal montante composto de i) direito de crédito no valor de R$ 210.232.292,00; e, ii) TED recebida de R$ 5.452.219,31. b) ocorre que, por motivos não esclarecidos nos autos, a recorrente registrou a alienação por R$ 209.259.600,00, ignorando totalmente o Fl. 2060DF CARF MF Processo nº 16327.720291/201506 Acórdão n.º 1402002.682 S1C4T2 Fl. 2.061 51 valor residual de R$ 972.692,00 (R$ 210.232.292,00 – R$ 209.259.600,00), assim como o montante de R$ 5.452.219,31, referente à TED recebida em 30/09/2011 para quitação do Imposto de Renda sobre ganhos de capital que ela alienante – entendeu devido e que lhe foi entregue pelo adquirente (BMG), conforme TVF (fls. 1706), valores estes que devem compor – como corretamente feito pelo Fisco – o preço total avençado da venda da participação societária: R$ 209.259.600,00 + R$ 972.692,00 + R$ 5.452.219,31 = R$ 215.684.511,31. c) a este valor deve ser anteposto o custo do investimento que, no caso, como exaustivamente visto, era ZERO no momento da baixa da participação societária, impondo reconhecer uma base imponível de R$ 215.684.511,31. d) todavia, equivocadamente, a recorrente assumiu como “custo” do investimento – para fins de contraposição ao valor da alienação – o importe de R$ 193.615.644,47 que ERA o custo ANTES dos ajustes obrigatórios compulsoriamente exigidos pelo Bacen e sem os quais NÃO HAVERIA negociação, em última análise, não existiria a própria alienação. Confirase: i) participação percentual da investidora na investida – 84,4%; ii) valor do PL da investida em 30/06/2011 sem os ajustes determinados pelo Banco Central (R$ 229.543.129,40 – fls. 30)7; iii), custo ANTES dos ajustes – R$ 193.615.644,47. e) com isso, ainda na concepção da recorrente, terseia um ganho de capital (base de cálculo da tributação) de R$ 15.643.955,53, fruto da alienação (incorreta) por ela assumida de R$ R$ 209.259.600,00 – R$ 193.615.644,47. Confirase (fls. 775): 7 Fl. 2061DF CARF MF Processo nº 16327.720291/201506 Acórdão n.º 1402002.682 S1C4T2 Fl. 2.062 52 f) como o valor efetivo da alienação foi de R$ 215.684.511,31 e o “custo” do investimento, por tudo o que antes se expôs, era, no caso “zero” e a recorrente já havia apurado e registrado como “ganho de capital” o valor de R$ 15.643.955,53 (e sobre este montante recolhido o tributo que entendeu devido), o Fisco – corretamente – procedeu ao lançamento da diferença entre R$ 215,6 milhões e R$ 15,6 milhões, que evidentemente, corresponde ao “custo” que existia ANTES dos ajustes determinados pelo Bacen, acrescido dos valores omitidos pela contribuinte. Vejase abaixo: Ø valor da alienação R$ 215.684.511,31 Ø () valor já assumido pela recorrente R$ 15.643.955,35 Ø (=) valor complementar do GC (auto de infração) R$ 200 040.555,78 Conferindo: Ø “custo” antes dos ajustes exigidos pelo Bacen R$ 193.615.644,47 Ø (+) valor residual omitido pela recorrente R$ 972.692,00 Ø (+) TED recebido e omitido pela recorrente R$ 5.452.219,31 Ø (=) valor do lançamento – auto de infração R$ 200.040.555,78 E comparando com o auto de infração (fls. 1681/1682): Por todo o exposto neste tópico, mantenho a decisão recorrida e nego provimento ao recurso voluntário. As outras duas irregularidades apontadas pelo Fisco mostram i) despesas financeiras apuradas a maior, pela utilização de taxas incorretas no cálculo de juros e encargos; e, ii) despesas financeiras sem comprovação documental a lhes das suporte. A recorrente, em sua peça recursal batese longamente contra a posição fiscal e contra a decisão recorrida, clamando ter agido com integral regularidade, por isso as despesas seriam dedutíveis. Impende ver com que está a razão. Fl. 2062DF CARF MF Processo nº 16327.720291/201506 Acórdão n.º 1402002.682 S1C4T2 Fl. 2.063 53 Preambularmente, é inequívoco que “decréscimos nos benefícios econômicos durante o período contábil sob a forma da saída de recursos ou da redução de ativos ou assunção de passivos, que resultam em decréscimo do patrimônio líquido e que não sejam relacionados com distribuições aos detentores dos instrumentos patrimoniais (distribuição de resultado ou devolução de capital aos proprietários da entidade)” são DESPESAS, consoante definição do Comitê de Pronunciamentos Contábeis (instituído pela Resolução CFC n.° 1.055/2005), através do “Pronunciamento Técnico CPC 00 – Estrutura Conceitual para a Elaboração e Apresentação das Demonstrações Contábeis” (item 27). Esta definição pode ser ainda tomada levandose em conta seu surgimento no curso das atividades ordinárias da entidade. Neste caso, ainda segundo o Pronunciamento Técnico acima referido, item 4.33, estas despesas seriam as que “surgem no curso das atividades usuais da entidade. As despesas que surgem no curso das atividades usuais da entidade incluem, por exemplo, o custo das vendas, salários e depreciação. Geralmente, tomam a forma de desembolso ou redução de ativos como caixa e equivalentes de caixa, estoques e ativo imobilizado”. Já a Resolução nº 1.374, de 08/12/2011, do Conselho Federal de Contabilidade (CFC), em seu item 4.25, letra “b”, define: “despesas são decréscimos nos benefícios econômicos durante o período contábil, sob a forma da saída de recursos ou da redução de ativos ou assunção de passivos, que resultam em decréscimo do patrimônio líquido, e que não estejam relacionados com distribuições aos detentores dos instrumentos patrimoniais”. Na doutrina, Hendriksen e Breda dizem que despesa é: “o uso ou consumo de mercadorias ou serviços no processo de obter receitas. Elas são as expirações dos fatores de serviços relacionados diretamente ou indiretamente na produção e vendas de produtos das empresas”8, o que, em última análise significa que as despesas são a contrapartida das receitas, participando da concepção de lucro. Confirmando esta concepção, Kam (1986) sustenta que “despesas são reduções no valor dos ativos ou aumento no valor das exigibilidades, devido à utilização de bens e serviços das operações principais ou centrais da entidade”. 9 Já o professor Sérgio de Iudícibus, com a cátedra que lhe é peculiar afirma que a despesa “representa a utilização ou o consumo de bens e serviços no processo de produzir receitas podendo referirse a gastos efetuados no passado, no presente ou que serão realizados no futuro”. 10 O mesmo Sérgio de Iudícibus, José Carlos Marion e Elias Pereira, in “Dicionário de Termos de Contabilidade”, Atlas – SP – 2ª Ed., conceituam que “despesa, em sentido restrito, representa a utilização ou consumo de bens e serviços no processo de produzir receitas. O que caracteriza a despesa é o fato de ela tratar de expirações de fatores de serviços, direta ou indiretamente relacionados com a produção ou a venda do produto (serviço) da entidade”. Por seu turno, Edmar Oliveira Andrade Filho (op. citado – pg. 120) defende que “numa primeira acepção, a palavra despesa é utilizada como sinônimo de gasto (...). Todavia, a idéia de que uma despesa está sempre associada a um gasto cujo motivo determinante é a obtenção de um benefício é apenas parcialmente correta, posto que também os dispêndios que não trazem benefício algum para a entidade também são qualificados como despesas, como é o caso, por 8 HENDRIKSEN, Eldon S., BREDA, Michael F. Van. Teoria da Contabilidade. Tradução de Antônio Zoratto Sanvicente. 5. ed. São Paulo: Atlas, 2007. 9 KAM, Vernon. Accounting theory. New York, John Wiley & Sons, 1986 10 IUDÍCIBUS, Sergio de. Teoria da Contabilidade. 9. ed. São Paulo: Atlas, 2009. Fl. 2063DF CARF MF Processo nº 16327.720291/201506 Acórdão n.º 1402002.682 S1C4T2 Fl. 2.064 54 exemplo, da multa de trânsito (...). A multa, no caso, trouxe um malefício porque a empregadora teve de despender recursos sem contrapartida alguma e, portanto, teve de suportar uma perda de ativos sem receber algo em troca”. (destaquei) De qualquer modo, ainda que possam ocorrer exceções (que acabam confirmando a regra), fato é que a despesa é a concretização do esforço, em termos monetários, para a geração da receita, reduzindo o patrimônio da empresa, com a perspectiva, com uma promessa latente de geração futura ou imediata de receita que deve, por definição, suplantar as despesas e assim gerar a parcela do lucro. De outra linha, a legislação comercial das sociedades por ações (Lei nº 6.404/1976, com alterações), pontua: Art. 177. A escrituração da companhia será mantida em registros permanentes, com obediência aos preceitos da legislação comercial e desta Lei e aos princípios de contabilidade geralmente aceitos, devendo observar métodos ou critérios contábeis uniformes no tempo e registrar as mutações patrimoniais segundo o regime de competência. § 1º As demonstrações financeiras do exercício em que houver modificação de métodos ou critérios contábeis, de efeitos relevantes, deverão indicála em nota e ressaltar esses efeitos. § 2o A companhia observará exclusivamente em livros ou registros auxiliares, sem qualquer modificação da escrituração mercantil e das demonstrações reguladas nesta Lei, as disposições da lei tributária, ou de legislação especial sobre a atividade que constitui seu objeto, que prescrevam, conduzam ou incentivem a utilização de métodos ou critérios contábeis diferentes ou determinem registros, lançamentos ou ajustes ou a elaboração de outras demonstrações financeiras. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 3o As demonstrações financeiras das companhias abertas observarão, ainda, as normas expedidas pela Comissão de Valores Mobiliários e serão obrigatoriamente submetidas a auditoria por auditores independentes nela registrados. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 4º As demonstrações financeiras serão assinadas pelos administradores e por contabilistas legalmente habilitados. § 5o As normas expedidas pela Comissão de Valores Mobiliários a que se refere o § 3o deste artigo deverão ser elaboradas em consonância com os padrões internacionais de contabilidade adotados nos principais mercados de valores mobiliários. (Incluído pela Lei nº 11.638,de 2007) Fl. 2064DF CARF MF Processo nº 16327.720291/201506 Acórdão n.º 1402002.682 S1C4T2 Fl. 2.065 55 § 6o As companhias fechadas poderão optar por observar as normas sobre demonstrações financeiras expedidas pela Comissão de Valores Mobiliários para as companhias abertas. (Incluído pela Lei nº 11.638,de 2007) A conjugação destes dispositivos, das normas reguladoras da ciência contábil e da mais conceituada doutrina leva à conclusão de que, nos registros permanentes feitos na escrituração e nos levantamentos das Demonstrações Financeiras e Balanço Patrimonial, o resultado de um determinado período será sempre apurado levandose em conta todos os fatos contábeis que afetam a azienda, observado o regime de competência. Neste patamar, indiscutível que qualquer despesa, tomado o termo nas concepções antes focadas, compõe o resultado da entidade, de forma negativa, reduzindo o patrimônio. Quanto a isso, inexistem dúvidas. A controvérsia instalase a partir do momento em que determinada despesa, que despesa é sob os ângulos contábil, patrimonial, comercial, econômico e societário, extrapola os limites destas ciências e se põe ao alcance do raio de ação da legislação fiscal, especialmente a do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas. Neste instante, o que é incontroverso doutrinariamente, passa a se submeter ao crivo de outra legislação, de outros conceitos, de outra estrutura. Dizendo de modo diverso, se determinados estipêndios são “despesas” sob quaisquer dos enfoques antes vistos e afetam o resultado comercial da entidade, tais gastos, ainda que despesas sejam, PODEM NÃO SER DEDUTÍVEIS das bases imponíveis de IRPJ (e da CSLL, quando for o caso), simplesmente porque o legislador tributário assim dispôs. Estáse, assim, diante de uma regra excepcional trazida pela lei que, mesmo tendo tomado a contabilidade como ponto de partida para levar à apuração do IRPJ, em determinado instante faz nela um “corte” e elimina (para fins exclusivamente fiscais), uma despesa que afetou o resultado apurado e a acresce a este mesmo resultado, encontrando uma base imponível diferente daquela que será definida para os propósitos comerciais e societários. São os parâmetros fixados pelo RIR/1999, artigos 247, § 1º, 248 e 249, I: Art. 247. Lucro real é o lucro líquido do período de apuração ajustado pelas adições, exclusões ou compensações prescritas ou autorizadas por este Decreto (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 6º). § 1º A determinação do lucro real será precedida da apuração do lucro líquido de cada período de apuração com observância das disposições das leis comerciais (Lei nº 8.981, de 1995, art. 37, § 1º). Art. 248. O lucro líquido do período de apuração é a soma algébrica do lucro operacional (Capítulo V), dos resultados não operacionais (Capítulo VII), e das participações, e deverá ser determinado com observância dos preceitos da lei comercial (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 6º, § 1º, Lei nº 7.450, de 1985, art. 18, e Lei nº 9.249, de 1995, art. 4º). Fl. 2065DF CARF MF Processo nº 16327.720291/201506 Acórdão n.º 1402002.682 S1C4T2 Fl. 2.066 56 Art. 249. Na determinação do lucro real, serão adicionados ao lucro líquido do período de apuração (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 6º, § 2º): I os custos, despesas, encargos, perdas, provisões, participações e quaisquer outros valores deduzidos na apuração do lucro líquido que, de acordo com este Decreto, não sejam dedutíveis na determinação do lucro real; E quais seriam estas “despesas” (gastos) que o legislador determinou fossem adicionadas (artigo 249, I) ao resultado comercial e econômico (lucro líquido – artigo 248) para fins de apuração do resultado exclusivamente para fins tributários (lucro real – artigo 247)? A resposta passa pela legislação (artigo 299, do RIR/1999), doutrina e jurisprudência consolidada neste Colegiado. No caso legislativo: Art. 299. São operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47). § 1º São necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, § 1º). § 2º As despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, § 2º). A conceituação dada pelo Parecer Normativo CST nº 32/1981 permite uma rápida visão de usualidade, necessidade e normalidade das despesas de que trata o artigo 299, do RIR/1999, que assim exige para que os dispêndios suportados sejam dedutíveis perante o IRPJ. Posiciona o PN ser o gasto necessário quando essencial a qualquer transação ou operação exigida pela exploração das atividades, principais ou acessórias, que estejam vinculadas com as fontes produtoras de rendimentos; despesa normal é aquela que se verifica comumente no tipo de operação ou transação efetuada e que, na realização do negócio, se apresenta de forma usual, costumeira ou ordinária; e usualidade da despesa deve ser interpretada na acepção de habitual na espécie de negócio. Dentro desta ótica, a conclusão primeira a que se chega, inevitavelmente, é a de que, em qualquer atividade empresarial, os juros, variações monetárias, variações cambiais e encargos financeiros de responsabilidade da companhia seriam normais, usuais e, no mais das vezes, necessários aos negócios da azienda, posto que comuns no cotidiano das empresas em geral. Assim, em uma leitura rápida a posição da recorrente estaria consoante as normas legislativas que regem o tema e, neste patamar, indiscutível que qualquer despesa, Fl. 2066DF CARF MF Processo nº 16327.720291/201506 Acórdão n.º 1402002.682 S1C4T2 Fl. 2.067 57 tomado o termo nas concepções antes focadas, compõe o resultado da entidade, de forma negativa, reduzindo o patrimônio. Quanto a isso, inexistem dúvidas. Porém, como já visto neste voto, o lucro real (base imponível do IRPJ) nasce a partir do “lucro líquido” (que sempre se apura conforme os princípios da ciência contábil) e é de utilização compulsória pelas companhias, nos termos do art. 177, da Lei nº 6.404/1976, aplicandose a todas as pessoas jurídicas, a teor do artigo 6º, do Decretolei nº 1.598/1977. Com isto, chegase a um novo cenário: não basta só a usualidade, a normalidade e a necessidade. É preciso mais! É preciso, obrigatoriamente, que haja suporte documental hábil que dê lastro aos lançamentos registrados na contabilidade da pessoa jurídica, incluindo, por óbvio, aqueles relativos às despesas. Neste sentido, as claras disposições dos artigos 276 e 923, do RIR/1999, com os embasamentos legais pertinentes: Art. 276. A determinação do lucro real pelo contribuinte está sujeita à verificação pela autoridade tributária, com base no exame de livros e documentos de sua escrituração, na escrituração de outros contribuintes, em informação ou esclarecimentos do contribuinte ou de terceiros, ou em qualquer outro elemento de prova, observado o disposto no art. 922 (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 9º). Art. 923. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais.(DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 9º, § 1º). Assim, inexistem dúvidas de que tais dispêndios têm que estar suportados por documentos hábeis, idôneos e contemporâneos aos fatos, de forma a permitir que as despesas sejam alocadas em contrapartida à receita e componham o resultado final de uma sociedade, exigência que aparece não apenas na legislação fiscal acima referida, mas do mesmo modo na sua regulação contábil imposta pelo Conselho Federal de Contabilidade mediante a RESOLUÇÃO CFC N.º 1.330/2011 (DOU de 22.03.2011), assim redigida no que interessa: Documentação contábil 26. Documentação contábil é aquela que comprova os fatos que originam lançamentos na escrituração da entidade e compreende todos os documentos, livros, papéis, registros e outras peças, de origem interna ou externa, que apóiam ou componham a escrituração. 27. A documentação contábil é hábil quando revestida das características intrínsecas ou extrínsecas essenciais, definidas na legislação, na técnicacontábil ou aceitas pelos “usos e costumes”. 28. Os documentos em papel podem ser digitalizados e armazenados em meio magnético, desde que assinados pelo responsável pela entidade e pelo profissional da Fl. 2067DF CARF MF Processo nº 16327.720291/201506 Acórdão n.º 1402002.682 S1C4T2 Fl. 2.068 58 contabilidade regularmente habilitado, devendo ser submetidos ao registro público competente. No mesmo sentir, a jurisprudência: ASSUNTO: ESCRITURAÇÃO. FORÇA PROBANTE. A escrituração contábil mantida com observância das disposições legais somente faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados se forem comprovados por documentos hábeis e idôneos, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais. (Acórdão CARF nº 1402 000.290 – 09/11/2010 – Relator Antonio José Praga de Souza) Voltando ao caso concreto, a Fiscalização, em trabalho profundo e parcimonioso, que incluiu cálculos individuais dos valores contabilizados, chegou às efetivas despesas em relação ao primeiro tópico (glosa de despesas financeiras calculadas a maior sobre operações de mútuo contratadas no Brasil com empresas ligadas, com infração ao disposto no art. 3º da Lei nº 9.249, de 1995, e arts.247, 248, 249, I, 251, 277, 278, 299, 300 e 374 do RIR de 1999, a saber: R$ 7.065.225,42). Vejase o AI: Embora a recorrente tenha longamente tratado do assunto em sua peça recursal, restou claro que não conseguiu desconstruir o trabalho fiscal, de forma que os valores contabilizados com utilização de taxa (percentual) superior à contratada deixam de ter substância probatória. Neste sentido, a decisão recorrida bem apreciou o tema (com destaque acrescido): 76. De fato, constatase que o encargo de R$ 8.307.081,56 sobre as operações de mútuo da Schahin Participações no anocalendário de 2011 foi apurado mediante utilização indevida da taxa de juros de 0,80% ao mês, ou seja, taxa de juros de 10,0339% ao ano sobre o saldo R$ 82.790.409,60 em 31/12/2010. Caso aplicasse a taxa de juros de 1,50% ao ano, prevista no quarto aditamento aos Contratos de Mútuo nºs 001/2004 e 002/2004, também obteria o encargo de R$ 1.241.856,14 no anocalendário de 2011. 77. Dessa forma, voto por manter a glosa da despesa de R$ 7.065.225,42 com juros sobre as operações de mútuo contratadas no Brasil com as pessoas jurídicas ligadas Schahin Participações Ltda. e Schahin Securitizadora de Créditos Financeiros S/A (diferença de R$ 58.948,83 entre o encargo de R$ 1.387.937,59 calculado pela contribuinte na planilha de fls. 107108 e o de R$ 1.328.988,76 apurado pela autoridade fiscal + diferença de R$ 7.006.276,59 entre o encargo de R$ 8.394.214,18 deduzido na Fl. 2068DF CARF MF Processo nº 16327.720291/201506 Acórdão n.º 1402002.682 S1C4T2 Fl. 2.069 59 apuração do lucro real e o de R$ 1.387.937,59 constante da planilha de fls. 107108). No mesmo trilho, a glosa de encargos financeiros apropriados sobre operações não comprovadas de empréstimos contratados no exterior, mediante lançamento de Fixed Rate Notes em regime de Private Placement, com infração ao disposto no art. 3º da Lei nº 9.249, de 1995, e arts. 247, 248, 249, I, 251, 277, 278, 299, 300 e 374 do RIR de 1999: R$ 1.808.254,90), sendo que neste caso sequer houve comprovação das operações, de forma que o trabalho fiscal deve ser mantido, trabalho que a recorrente, embora tenha discorrido longamente sobre o tema, não conseguiu desmontar. A propósito, os bem articulados argumentos da decisão recorrida ilustram e resumem o tópico (com destaques acrescentados): 87. Portanto, conforme afirmado pela autoridade fiscal, constata se que a interessada realmente recebeu a importância de US$ 4.644.300,00 remetida pela Commercial and Financial Bank Ltd. no anocalendário de 2004, mas não há nos autos prova da existência de compromisso de devolução desse numerário, pois não foi apresentada nenhuma documentação, com assinatura dos representantes da Commercial and Financial Bank Ltd, relativa ao lançamento de Fixed Rate Notes no mercado internacional e à cobrança da dívida já vencida no anocalendário de 2012. 88. O Regulamento do Mercado de Câmbio e Capitais Internacionais, instituído pela Circular nº 3.280, de 9 de março de 2005, no Título 3 – Capitais Estrangeiros no Pais, Capítulo 1 – Disposições Gerais, dispõe que o registro no RDE é feita de forma declaratória e o responsáveis pelo registro devem manter à disposição do Bacen a documentação comprobatória de todas as informações nele declaradas: (...) 89. Logo, como a informação prestada no módulo Registro de Operação Financeira (ROF) do Registro Declaratório Eletrônico (RDE) do Sistema de Informações Banco Central (Sisbacen) tem mero caráter declaratório, cabia a HBF Participações a manutenção de toda a documentação comprobatória da operação pelo prazo de cinco anos contado do vencimento da mesma, ou seja, até o ano calendário de 2017. 90. Acrescentese que a escrituração comercial deve estar lastreada em documentação hábil e idônea emitida por terceiros, contendo elementos suficientes para demonstrar estarem os gastos em estrita conexão com a atividade explorada e com a manutenção da respectiva fonte de receita. 91. Ademais, os juros apurados pela interessada não correspondem ao encargo previsto no ROF TA285620 de 6,5% ao ano, equivalentes a juros compostos de 0,5262% ao mês, pois foram apropriados encargos mensais de 0,35% a 0,39%, tal como ocorreu no mês de janeiro/2011, quando foi aplicada taxa de juros de 0,3873% ao mês sobre o empréstimo de US$ 988.100,00 Fl. 2069DF CARF MF Processo nº 16327.720291/201506 Acórdão n.º 1402002.682 S1C4T2 Fl. 2.070 60 (encargo de US$ 5.530,62 sobre o saldo anterior de US$ 1.428.051,53). 92. Dessa forma, considerando que não foi apresentada qualquer documentação probatória do empréstimo obtido mediante lançamento de Fixed Rate Notes no mercado internacional, mormente tratandose de operação efetuada com agente de lançamento com sede nas Ilhas Cook – localidade reconhecida como país de tributação favorecida ou cuja legislação não permite acesso a informações relativas à composição societária de pessoas jurídicas ou à sua titularidade, conforme IN SRF nº 188, de 2002, e IN RFB nº 1.037, de 2010 –, voto por manter a exigência correspondente à glosa dos encargos financeiros do ano calendário de 2011”. O AI está assim lavrado: A propósito, as manifestações da PGFN merecem ser vistas por bem focar o tema: “Quanto às divergências de cálculo (“se” e “quando” aplicáveis juros simples ou compostos aos contratos de mútuo), a decisão da DRJ já demonstrou cabalmente o acerto dos cálculos realizados pela Fiscalização. No que se refere à ausência de documentos comprobatórios, não podem ser imputados à Fazenda Nacional os percalços pela ausência de provas da Contribuinte quando a legislação é expressa ao exigir lhe a manutenção de documentação comprobatória. Para que fique claro, os indícios constantes dos autos lhe são contrários e não favoráveis. Há comprovação do ingresso de recursos estrangeiros em 2004 (mútuo obtido junto ao Commercial & Financial Bank Limited, mas não há nos autos prova da existência de compromisso de devolução desse numerário, o que impede qualquer apuração sobre o acerto, precisão, quantificação dos valores financeiros apropriados pela Contribuinte quando do suposto pagamento de juros desses empréstimos internacionais. Dessa forma, não há também aqui razões para se reformar a decisão de primeira instância que, corretamente, manteve a glosa de tais despesas financeiras não comprovadas”. Por todo o exposto, ratifico o trabalho fiscal, mantenho a decisão recorrida e em relação a estes dois tópicos do auto de infração (glosa de despesas financeiras) nego provimento ao recurso voluntário. DA MULTA DE OFÍCIO – 75% Fl. 2070DF CARF MF Processo nº 16327.720291/201506 Acórdão n.º 1402002.682 S1C4T2 Fl. 2.071 61 Reclama a recorrente da multa de ofício aplicada sob a argumentação de que não teria causado dano ao erário, embaraço à fiscalização, além de constituir ofensa aos princípios da vedação ao confisco, da proporcionalidade e da razoabilidade; caso aplicável alguma penalidade, deve ter apenas o condão de advertir e orientar o contribuinte, e não pretender a exacerbada punição mediante carga pecuniária elevadíssima. Sem necessidade de maiores digressões, o reclamo improcede. A multa aplicada tem base legal (inciso I do artigo 44 da Lei nº 9.430, de 1996) e deve ser imposta sempre que se apurar irregularidades que ensejem lançamentos de ofício, como no caso tratado. Mais ainda, tendo natureza punitiva, visa justamente coibir e desestimular ofensas à legislação, não sendo caso de se conceder benefício de espontaneidade, já inexistente quando dos lançamentos realizados. Quanto à argumentação sobre confisco e inconstitucionalidades, existe Súmula deste Colegiado que exaure o assunto: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Dito isto, nego provimento ao pleito da recorrente acerca da exoneração da multa de ofício. DOS JUROS SOBRE A MULTA DE OFÍCIO Rebelase a recorrente contra a possibilidade da imposição de juros de mora sobre a multa de ofício aplicada no lançamento. Embora ressalve, de plano, que a incidência de juros de mora à taxa Selic sobre a Multa de Ofício, é questão superveniente ao presente lançamento, é se apreciar a matéria, já que, inexoravelmente, tal acréscimo virá integrar o crédito tributário objeto de discussão. Consoante dizeres do art. 113 do Código Tributário Nacional – CTN, a obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária, entendida esta como decorrente de obrigação tributária principal. E se referido crédito tributário (penalidade) não for pago integralmente no vencimento deve ser acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, aplicandose a taxa de 1% ao mês, se a lei não dispuser de modo diverso (art. 161, § 1º, do CTN): “Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. Fl. 2071DF CARF MF Processo nº 16327.720291/201506 Acórdão n.º 1402002.682 S1C4T2 Fl. 2.072 62 § 2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito.”(negrejouse e grifouse) Assim, a cobrança de juros de mora sobre a penalidade pecuniária cabível encontra fundamento de validade no próprio CTN. Por outro lado, só é plausível se falar na incidência de juros de mora pelo atraso no recolhimento quando o crédito tributário inadimplido sujeitase a um prazo de vencimento, o que ocorre com relação ao tributo, à contribuição e à multa de ofício, e não com a multa de mora, a menos que esta última seja exigida isoladamente, mediante lançamento de ofício. Valendose da exceção legal contida no art. 161, § 1º, do CTN, a Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, dispôs que, a partir de 1º de abril de 1995, sobre os tributos e contribuições sociais não recolhidos no prazo de vencimento incidem juros de mora calculados à taxa Selic (art. 13): Lei nº 9.065, de 1995: Art. 13. A partir de 1º de abril de 1995, os juros de que tratam a alínea c do parágrafo único do art. 14 da Lei nº 8.847, de 28 de janeiro de 1994, com a redação dada pelo art. 6º da Lei nº 8.850, de 28 de janeiro de 1994, e pelo art. 90 da Lei nº 8.981, de 1995, o art. 84, inciso I, e o art. 91, parágrafo único, alínea a 2, da Lei nº 8.981, de 1995, serão equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente. Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995: “Art. 84. Os tributos e contribuições sociais arrecadados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores vierem a ocorrer a partir de 1º de janeiro de 1995, não pagos nos prazos previstos na legislação tributária serão acrescidos de: I juros de mora, equivalentes à taxa média mensal de captação do Tesouro Nacional relativa à Dívida Mobiliária Federal Interna;(...).” Seguindoa, a Lei nº 9.430, de 1996, foi mais genérica, dispondo que os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições, com fato gerador ocorrido a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos no vencimento, serão acrescidos de juros de mora à taxa Selic (art. 61): “Multas e Juros Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições Fl. 2072DF CARF MF Processo nº 16327.720291/201506 Acórdão n.º 1402002.682 S1C4T2 Fl. 2.073 63 administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento.” Consistindo a multa de lançamento de ofício em débito para com a União, de natureza de obrigação tributária principal, correta a interpretação de que, sobre referida penalidade incidem juros à taxa Selic, a partir do seu vencimento. Corroboram, ainda, a conclusão acima, as razões abaixo dispostas. De fato, a mesma Lei nº 9.430, de 1996, reportandose especificamente à multa de mora inadimplida, dispôs que sobre ela incidem juros de mora à taxa Selic, quando exigida de ofício, isolada ou conjuntamente (art. 43): “Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento.” Com efeito, como já ressaltado anteriormente, sobre a multa de mora não há de se cogitar na incidência de juros, pois referida penalidade pecuniária é desprovida de vencimento, exceto quando exigida mediante lançamento de ofício, como regula o dispositivo supra, momento o qual se impõe um prazo legal para o seu adimplemento. Da mesma forma ocorre com relação aos juros. Estes não têm vencimento legal para o seu cumprimento, a menos que exigidos por meio de lançamento de ofício. Fl. 2073DF CARF MF Processo nº 16327.720291/201506 Acórdão n.º 1402002.682 S1C4T2 Fl. 2.074 64 Resta claro, pelo dispositivo acima transcrito, que sobre a penalidade exigida de ofício incidem juros de mora à taxa Selic. No âmbito do Poder Judiciário, o Superior Tribunal de Justiça, em recente decisão, já legitimou a incidência dos juros sobre a totalidade do crédito tributário, aí incluída a multa de ofício. Vejase: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMA QUE COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. 1. Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ no sentido de que: "É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário." (REsp 1.129.990/PR, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 14/9/2009). De igual modo: REsp 834.681/MG, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010. AgRg no REsp 1.335.688PR, Rel. Min. Benedito Gonçalves, julgado em 4/12/2012 DJe 10/12/2012 Acresçase que a matéria já está amplamente consolidada nesta Corte no âmbito das três turmas da CSRF: JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. (Acórdão 9101002.180, CSRF, 1ª Turma) JUROS MORATÓRIOS INCIDENTES SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. TAXA SELIC.A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu inadimplemento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre a qual devem incidir os juros de mora à taxa Selic. (Acórdão 9202003.821, CSRF 2ª Turma) JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA.O crédito tributário, quer se refira a tributo quer seja relativo à penalidade pecuniária, não pago no respectivo vencimento, está sujeito à incidência de juros de mora, calculado à taxa Selic até o mês anterior ao pagamento, e de um por cento no mês de pagamento. (Acórdão 9303003.385, CSRF, 3ª Turma). Neste aspecto, nego provimento ao Recurso Voluntário, mantendo a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício lançada. DA TRIBUTAÇÃO REFLEXA Fl. 2074DF CARF MF Processo nº 16327.720291/201506 Acórdão n.º 1402002.682 S1C4T2 Fl. 2.075 65 Sobre os lançamentos reflexos, a medida está definida no artigo 9º, § 1º, do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 (PAF): Art. 9o A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 1o Os autos de infração e as notificações de lançamento de que trata o caput deste artigo, formalizados em relação ao mesmo sujeito passivo, podem ser objeto de um único processo, quando a comprovação dos ilícitos depender dos mesmos elementos de prova. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) Certo, pois, que os autos devem ser lavrados de forma concomitante – artigo 9º, § 1º, do PAF e artigo 142 do CTN e que o julgamento do principal, no caso o IRPJ, refletirá nos demais, observadas as peculiaridades de cada tributo. Sendo, pois, os lançamentos reflexos mera decorrência do principal e havendo sido este julgado procedente, igual sorte devem colher as demais exigências presentes nos autos. Em síntese final, VOTO no sentido de NÃO CONHECER do recurso em relação às alegações de inconstitucionalidade e, na parte conhecida, AFASTAR a NULIDADE suscitada e, no mérito, manter a decisão recorrida e NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. É como voto. Brasília (DF), em 25 de julho de 2017. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Fl. 2075DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.008052/2003-59
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 18 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano calendário: 1996
Ementa:
PRELIMINAR. CERCEAMENTO DE DEFESA.
Não configura cerceamento de defesa a mera inércia no fornecimento de cópias processuais, desde que seja concedida ao contribuinte a oportunidade de ter pleno acesso aos dados e elementos do processo.
RECURSO VOLUNTÁRIO. CABIMENTO.
Recurso voluntário se presta a discutir questões relacionadas à legalidade e ao mérito da decisão recorrida.
Numero da decisão: 1802-001.102
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, REJEITARAM a preliminar e, no mérito, NEGARAM provimento ao recurso.
Nome do relator: Marco Antonio Nunes Castilho
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CERCEAMENTO DE DEFESA. Não configura cerceamento de defesa a mera inércia no fornecimento de cópias processuais, desde que seja concedida ao contribuinte a oportunidade de ter pleno acesso aos dados e elementos do processo. RECURSO VOLUNTÁRIO. CABIMENTO. Recurso voluntário se presta a discutir questões relacionadas à legalidade e ao mérito da decisão recorrida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, REJEITARAM a preliminar e, no mérito, NEGARAM provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Marco Antonio Nunes Castilho Relator. Fl. 105DF CARF MF Impresso em 16/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 16 /03/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/03/2012 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 11080.008052/200359 Acórdão n.º 180201.102 S1TE02 Fl. 106 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, (Presidente), Marco Antonio Nunes Castilho, Marciel Eder Costa, Jose de Oliveira Ferraz Correa, Nelso Kichel e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Fl. 106DF CARF MF Impresso em 16/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 16 /03/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/03/2012 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 11080.008052/200359 Acórdão n.º 180201.102 S1TE02 Fl. 107 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário de fls. 76/79, interposto em 20/05/11, contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre – RS (“DRJPOA”), que julgou parcialmente procedente a Impugnação de fls. 01/04, apresentada, em 18/08/2003, pela Planiduto Ar Condicionado Ltda, ora Recorrente. Para descrever os fatos e também por economia processual, transcrevo o relatório constante do Acórdão citado, in verbis: “O auto de infração foi lavrado contra a interessada para exigir Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e seus consectários legais, além de multa de ofício isolada pelo pagamento de tributo em atraso, desacompanhado da multa moratória. O total da autuação perfaz R$ 48.566,57.Descrevese abaixo as ocorrências que geraram os lançamentos: a) tributo, multa de ofício e juros de mora vinculados (R$ 40.169,57): 1 Fato gerador: IRPJ — Lucro real trimestral Tributo exigido: R$ 9.050,48 Tributo: R$ 20.887,70 (fls. 08, 10 e 15) Multa de ofício: R$ 6.787,86 Juros de mora: R$ 8.626,01 Período de apuração: 2º trimestre de 1998 Vencimento previsto: 31/7/98 Pagamentos localizados: 30/6/98 — R$ 5.776,01 31/7/98 — R$ 6.061,21 2 Fato gerador: IRPJ — Lucro real trimestral Tributo exigido: R$ 5.599,00 Tributo: R$ 16.795,00 (fls. 08, 11 e 15) Multa de ofício: R$ 4.199,25 Juros de mora: R$ 4.949,51 Período de apuração: 3º trimestre de 1998 Vencimento previsto: 30/10/98 Pagamentos localizados: 30/11/98 — R$ 5.598,00 30/12/98 — R$ 5.598,00 Fl. 107DF CARF MF Impresso em 16/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 16 /03/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/03/2012 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 11080.008052/200359 Acórdão n.º 180201.102 S1TE02 Fl. 108 4 3 Fato gerador: IRPJ — Lucro real trimestral Tributo exigido: R$ 363,50 Tributo: R$ 5.962,50 (fls. 08, 12 e 15) Multa de ofício: R$ 272,63 Juros de mora: R$ 321,33 Período de apuração: 3º trimestre de 1998 Vencimento previsto: 30/10/98 Pagamentos localizados: 30/10/98 — R$ 5.599,00 b) multa de ofício isolada (R$ 8.397,00): 4 Fato gerador: IRPJ — Lucro real trimestral Multa de ofício: R$ 8.397,00 Tributo: R$ 16.795,00 (fls. 08, 13/14 e 16) Período de apuração: 3º trimestre de 1998 Vencimento previsto: 30/10/98 Pagamentos de tributo com atraso, desacompanhados da multa de mora: 30/11/98 — R$ 5.598,00 30/12/98 — R$ 5.598,00 A contribuinte pede seja julgada procedente a impugnação em razão da comprovação dos recolhimentos, realizados oportunamente, conforme planilha e cópias de Darfs (fls. 01/04 e 28/34). A DRF de origem atestou a tempestividade da impugnação e analisou as exigências à luz da Nota Corat/Cosit/32/2002, concluindo que os pagamentos efetuados não seriam suficientes para a amortização integral dos débitos apurados (fl. 51).” Em sua decisão, a DRJSPOI houve por bem cancelar apenas parte do lançamento através do Acórdão n° 1030.149 de 3 de Março de 2011, conforme ementa transcrita abaixo: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Anocalendário: 1998 Ementa: INFRAÇÕES. RETROATIVIDADE BENIGNA. – As leis que deixam de definir determinado ato como infração ou que cominem penalidade menos severa que a prevista ao tempo de sua prática são aplicáveis aos atos que não estejam definitivamente julgados. PAGAMENTOS EM QUOTAS DO IMPOSTO TRIMESTRAL. OPÇÃO. – Preenchidos os requisitos da lei para o recolhimento Fl. 108DF CARF MF Impresso em 16/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 16 /03/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/03/2012 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 11080.008052/200359 Acórdão n.º 180201.102 S1TE02 Fl. 109 5 em quotas do imposto trimestral, a declaração em DCTF de que o seu pagamento realizarseia em quota única não é imperativo bastante para infirmar a opção pelo seu pagamento em quotas múltiplas. DCTF. FALTA DE PAGAMENTO. Mantémse exigência derivada de crédito tributário confessado cujo pagamento não foi confirmado. RECOLHIMENTO DISPONÍVEL. PENDÊNCIA DE ALOCAÇÃO. CONSECTÁRIOS LEGAIS EXIGIDOS. A existência de valor coincidente com o débito confessado, recolhido anteriormente ao vencimento deste, vinculado ao mesmo código de arrecadação e ainda pendente de alocação, afasta a exigência dos consectários legais. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. EXIGÊNCIA EM DUPLICIDADE. Afastase a exigência do mesmo tributo em face de duas confissões de dívidas (diferença entre DIRPJ e DCTF e DCTF complementar).” Inconformada com a decisão, a Recorrente apresentou, em 20/05/11, Recurso Voluntário de fls. 76/79, no qual aduziu cerceamento de defesa por não ter recebido cópia integral dos autos, solicitada mediante protocolo de requerimento perante o SAC da Delegacia da Receita Federal em Porto Alegre, até a data de interposição do recurso. Segundo a Recorrente, muito embora o referido pedido tenha sido feito apenas 4 dias antes do término do prazo recursal, a inércia da Administração Pública em atendêla é inescusável. Tal medida, inclusive, a impossibilitou de avaliar, com tempo hábil, a necessidade e o cabimento do recurso, para poder formulálo adequadamente. Por fim, requer que o recurso seja totalmente provido, para que o processo seja suspenso, retornando os autos à autoridade administrativa a quo com a devolução do prazo de 30 dias, ou, alternativamente, do prazo de no mínimo 04 dias, para interposição de novo recurso voluntário. É o relatório, passo a decidir. Fl. 109DF CARF MF Impresso em 16/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 16 /03/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/03/2012 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 11080.008052/200359 Acórdão n.º 180201.102 S1TE02 Fl. 110 6 Voto Conselheiro Marco Antonio Nunes Castilho, Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. DA PRELIMINAR A Recorrente alega, preliminarmente, que houve cerceamento de defesa por parte da Administração Pública, na medida em que esta se omitiu em atender seu pedido de cópia integral dos autos. Nesse sentido, entende ter sido obstada de exercer seus direitos à ampla defesa e ao contraditório, garantidos tanto por nossa Constituição Federal quanto por normas infraconstitucionais. Quanto ao tema de garantias constitucionais, cumpre esclarecer, primeiramente, que o contraditório consiste na faculdade de o administrado utilizar todos os meios e instrumentos previstos na legislação para defender seus direitos. Tal garantia é infringida pela autoridade pública sempre que esta impedir, por comissão ou omissão, que o administrado usufrua qualquer dos elementos processuais postos à sua disposição. O direito a ampla defesa, por sua vez, visa garantir ao administrado que figura no polo passivo da controvérsia, bem como a qualquer terceiro que possua interesse na discussão, ciência e acesso aos fatos, dados, argumentos e provas apresentados pela autoridade administrativa no curso do processo. Tal divulgação deve ser plena, tendo em vista que a omissão de elementos processuais pode obstar sua defesa. No presente caso, verificase que a Secretaria da Receita Federal em Porto Alegre não atendeu prontamente a solicitação de cópias processuais da Recorrente, que lhe são garantidas pelos arts. 3º, II e 46 da Lei nº 9.784/99, que rege subsidiariamente o processo administrativo fiscal. Contudo, tal omissão não caracteriza cerceamento de defesa. Embora a Recorrente não tenha obtido imediatamente as referidas cópias, não houve recusa por parte do órgão administrativo em fornecêlas. Ademais, os autos estiveram disponíveis para análise durante todo o prazo recursal, não tendo sido obstado o acesso aos autos em momento algum. Ora, há que se analisar esta situação com razoabilidade e proporcionalidade. Desde a intimação do acórdão aqui em discussão, a Recorrente gozou de 30 (trinta) dias para tomar conhecimento sobre seu conteúdo e analisar a viabilidade de um possível recurso. Fl. 110DF CARF MF Impresso em 16/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 16 /03/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/03/2012 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 11080.008052/200359 Acórdão n.º 180201.102 S1TE02 Fl. 111 7 Porém, quando restavam apenas 4 (quatro) dias para o transcurso deste prazo, protocolou requerimento de cópia integral dos autos junto ao SAC da Delegacia da Receita Federal em Porto Alegre. Ainda que a situação apresentasse prioridade, não é cabível exigir que o órgão administrativo interrompa seu expediente e ignore a ordem cronológica dos pedidos de outros contribuintes para atender a solicitação da Recorrente. Outrossim, como o Decreto nº 70.235/72 é omisso em relação ao assunto, o art. 24 da Lei nº 9.784/99 estabelece que, inexistindo disposição específica, os atos do órgão responsável pelo processo devem ser praticados em 5 (cinco) dias, prorrogáveis por até o dobro deste período mediante comprovada justificação. Ou seja, mesmo que o fornecimento de cópias não seja considerado um ato processual, é razoável aplicar tal prazo nesta situação, tendo em vista que este período não prejudicaria o prazo para defesa da Recorrente, a qual, inclusive, teve acesso aos documentos necessários e permitidos para a elaboração da presente peça recursal. Assim, fica afastada a alegação de cerceamento de defesa. DO MÉRITO Em que pesem os argumentos acima apresentados, já que a Recorrente reiterou a tese apresentada como preliminar no mérito de sua peça recursal, fazse necessário tecer alguns comentários acerca da matéria cabível em sede de recurso. Da análise conjunta dos artigos 33 do Decreto nº 70.235/72 e do 56 da Lei nº 9.784/99, concluise que cabe recurso voluntário da decisão administrativa proferida em primeira instância. Seu objetivo é discutir questões relacionadas à legalidade e ao mérito da decisão recorrida, sem, contudo, trazer matéria ainda não apreciada ao processo. No presente caso, porém, notase que a Recorrente faz uso deste instrumento processual sem se embasar em nenhuma das hipóteses de cabimento acima mencionadas, vez que a inércia administrativa, objeto do presente recurso, não constitui uma ilegalidade nem se refere ao mérito da defesa até então discutido. Isto é, tendo em vista que o recurso voluntário não comporta pedido de dilação ou concessão de novo prazo, tal instrumento processual não é hábil a atender as pretensões da Recorrente. Em sede de recurso, visase a declaração de nulidade de atos ilegais ou a reforma de decisões equivocadas. Por fim, vale ressaltar que a suspensão da exigibilidade do crédito tributário é resultado automático da apresentação de recurso e o retorno do processo para a autoridade administrativa a quo somente seria cabível se fosse reconhecida a nulidade do acórdão da DRJ, o que não é o caso. Diante de todo o exposto, voto no sentido de REJEITAR a preliminar e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao Recurso, mantendo a decisão da DRJ – POA. Fl. 111DF CARF MF Impresso em 16/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 16 /03/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/03/2012 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 11080.008052/200359 Acórdão n.º 180201.102 S1TE02 Fl. 112 8 (assinado digitalmente) Marco Antonio Nunes Castilho Fl. 112DF CARF MF Impresso em 16/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 16 /03/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/03/2012 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO
score : 1.0
Numero do processo: 13312.900017/2006-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Oct 04 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003
DIREITO CREDITÓRIO
Provado pelo destinatário da mercadoria, mediante carta de retificação, erro no preenchimento da NF, dentro do prazo regulamentar, é de ser aceito o crédito de IPI que nela consta.
Recurso parcialmente provido.
Numero da decisão: 3402-004.628
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso. Vencidos os Conselheiros Diego Ribeiro, Thais De Laurentiis, Maysa Pittondo e Carlos Daniel, que votaram pelo provimento integral ao recurso.
assinado digitalmente
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003 DIREITO CREDITÓRIO Provado pelo destinatário da mercadoria, mediante carta de retificação, erro no preenchimento da NF, dentro do prazo regulamentar, é de ser aceito o crédito de IPI que nela consta. Recurso parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso. Vencidos os Conselheiros Diego Ribeiro, Thais De Laurentiis, Maysa Pittondo e Carlos Daniel, que votaram pelo provimento integral ao recurso. assinado digitalmente Jorge Olmiro Lock Freire Presidente e relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 31 2. 90 00 17 /2 00 6- 91 Fl. 221DF CARF MF Processo nº 13312.900017/200691 Acórdão n.º 3402004.628 S3C4T2 Fl. 425 2 Tratase de pedido de ressarcimento de crédito básico do IPI referente ao primeiro trimestre de 2003, no valor de R$ 14.364,77 (fls. 01/17), cumulado com DCOMP. A delegacia de origem indeferiu parcialmente o pleito da contribuinte, reconhecendo seu direito creditório no valor de R$ 13.845,28, uma vez que, conforme disposto na Instrução Normativa n° 33, de 04 de março de 1999, os créditos do IPI referentes a compras de MP, PI e ME adquiridos por estabelecimento filial devem fazer parte da apuração de possível saldo credor da própria filial, não sendo cabível a sua apuração em conjunto com os créditos do estabelecimento matriz da pessoa jurídica. Cientificada desse Despacho, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, a qual foi julgada improcedente pela DRJ/BEL (fls. 190/193) em 20/04/2010. Não resignada, a empresa interpôs o presente recurso (fls. 195/214), no qual, alega, em síntese, que teria, "quando da percepção", providenciado a retificação do destinatário das notas fiscais por meio de carta de correção, conforme documentos que acosta no corpo da peça recursal. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Lock Freire, Relator. Ao contrário do que fez na peça impugnatória, na qual alegou que fez as cartas de correção em relação às notas fiscais (nº 121493, 122120, 5941, 123302 e 123445) que foram emitidas em nome da filial, e que ensejou a glosa de R$ 519,49, nesta instância juntou as mesmas, assim produzindo a prova do direito alegado e não provado na instância a quo, o que, por esse motivo, ensejou a improcedência da manifestação de inconformidade. A regra do art. 266, do então vigente RIPI/2002, dispunha: Art. 266. Os fabricantes, comerciantes e depositários que receberem ou adquirirem para industrialização, comércio ou depósito, ou para emprego ou utilização nos respectivos estabelecimentos, produtos tributados ou isentos, deverão examinar se eles se acham devidamente rotulados ou marcados ou, ainda, selados se estiverem sujeitos ao selo de controle, bem assim se estão acompanhados dos documentos exigidos e se estes satisfazem a todas as prescrições deste Regulamento (Lei nº 4.502, de 1964, art. 62). § 1º Verificada qualquer irregularidade, os interessados comunicarão por escrito o fato ao remetente da mercadoria, dentro de oito dias, contados do seu recebimento, ou antes do início do seu consumo, ou venda, se o início se verificar em prazo menor, conservando em seu arquivo, cópia do documento com prova de seu recebimento (Lei nº 4.502, de 1964, art. 62, § 1º). § 2º A comunicação feita com as formalidades previstas no § 1º exime de responsabilidade os recebedores ou adquirentes da Fl. 222DF CARF MF Processo nº 13312.900017/200691 Acórdão n.º 3402004.628 S3C4T2 Fl. 426 3 mercadoria pela irregularidade verificada (Lei nº 4.502, de 1964, art. 62, § 1º). § 3º No caso de falta do documento fiscal que comprove a procedência do produto e identifique o remetente pelo nome e endereço, ou de produto que não se encontre selado, rotulado ou marcado, quando exigido o selo de controle, a rotulagem ou a marcação, não poderá o destinatário recebêlo, sob pena de ficar responsável pelo pagamento do imposto, se exigível, e sujeito às sanções cabíveis (Lei nº 4.502, de 1964, art. 62, § 2º, e Lei nº 9.532, de 1997, art. 37, inciso V). § 4º A declaração, na nota fiscal, da data da entrada da mercadoria no estabelecimento será feita no mesmo dia da entrada. Assim, desde que a comunicação ao vendedor da mercadoria em relação a qualquer equívoco no documento fiscal fosse feita dentro de oito dias de seu recebimento, a retificação surtiria efeito no sentido de dar validade à retificação comunicada. As NF 121493 e 122120 tiveram suas mercadorias recebidas em 06/01/2003 e a carta de retificação cientificada em 20/01/2003 (fls. 202/205). Portanto, ultrapassado o prazo de oito dias. Igualmente, em relação à NF 5941 o prazo foi ultrapassado. Já em relação à NF 123302, a mercadoria foi recebida em 12/02/2003 e a carta de retificação data de 17/02/2003, o que atende o prazo regulamentar. Por fim, a mercadoria a que se refere a NF 123445, foi recebida em 10/02/2003 e a retificação datada de 17/02/2003, donde se conclui que a retificação foi dentro do prazo. Assim, é de ser aceito o crédito de IPI das NF 123302 e 123445, cujo valor de IPI destacado, e somados, monta em R$ 150,15. CONCLUSÃO Ante o exposto, dou provimento parcial ao recurso para reconhecer o crédito de IPI no montante referente às NF 123302 e 123445. assinado digitalmente Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 223DF CARF MF Processo nº 13312.900017/200691 Acórdão n.º 3402004.628 S3C4T2 Fl. 427 4 Fl. 224DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13807.006852/00-03
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jul 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Sep 18 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/06/1990 a 31/03/1992
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. DECADÊNCIA. APLICAÇÃO DA SUMULA CARF N. 91.
No caso de pedido administrativo de restituição formulado antes de 09 de junho de 2005, aplica-se o prazo decadencial de 10 (dez) conforme inteligência da Súmula CARF n. 91.
Numero da decisão: 9303-005.484
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento parcial, para aplicar a Súmula CARF nº 91.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Érika Costa Camargos Autran - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: ERIKA COSTA CAMARGOS AUTRAN
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/06/1990 a 31/03/1992 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. DECADÊNCIA. APLICAÇÃO DA SUMULA CARF N. 91. No caso de pedido administrativo de restituição formulado antes de 09 de junho de 2005, aplica-se o prazo decadencial de 10 (dez) conforme inteligência da Súmula CARF n. 91.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento parcial, para aplicar a Súmula CARF nº 91. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
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DECADÊNCIA. APLICAÇÃO DA SUMULA CARF N. 91. No caso de pedido administrativo de restituição formulado antes de 09 de junho de 2005, aplicase o prazo decadencial de 10 (dez) conforme inteligência da Súmula CARF n. 91. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento parcial, para aplicar a Súmula CARF nº 91. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 7. 00 68 52 /0 0- 03 Fl. 498DF CARF MF Processo nº 13807.006852/0003 Acórdão n.º 9303005.484 CSRFT3 Fl. 499 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pela Fazenda Nacional contra o acórdão n.º 310200.121, de 27 de março de 2009 (fls. 433 a 443 do processo eletrônico), proferido Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção de Julgamento deste CARF, decisão que por maioria de votos, deu provimento parcial ao recurso voluntário para afastar a prescrição do direito de pleitear a restituição do indébito tributário oriundo de supostos pagamentos indevidos ou a maior a título de FINSOCIAL. A discussão dos presentes autos tem origem no pedido de restituição protocolado em 18/07/2000 relativo a valores de FINSOCIAL, no valor de R$ 15.534,63, no período de apuração de 06/1990 a 03/1992. O pedido foi indeferido pela DERATSÃO PAULO porque foi constatada a decadência do direito do Contribuinte pleitear a restituição/compensação (Ato Declaratório SRF n°96/99). O Contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando em síntese que: I pagamento indevido, diante da inconstitucionalidade da lei que havia criado o tributo, materializase na data da edição da MP 1.110 de 30/08/1995 e II o indeferimento real somente acontece após o exaurimento de todos os passos do processo administrativo tributário com o julgamento soberano e decisivo do E. Segundo Conselho de Contribuintes. Junta entendimento do STJ que explica como deveria ser a aplicação do §2°, do art. 49 da Lei n°10.637/2002. A DRJ em São Paulo/SP julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pelo Contribuinte. Fl. 499DF CARF MF Processo nº 13807.006852/0003 Acórdão n.º 9303005.484 CSRFT3 Fl. 500 3 Irresignado com a decisão contrária ao seu pleito, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário, o Colegiado por maioria de votos, deu provimento parcial ao recurso voluntário para afastar a prescrição do direito de pleitear a restituição do indébito tributário oriundo de supostos pagamentos indevidos ou a maior a título de FINSOCIAL, conforme acórdão assim ementado in verbis: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Período de apuração: 01/06/1990 a 31/03/1992 FINSOCIAL. PRAZO PARA SOLICITAÇÃO DA REPETIÇÃO DE INDÉBITO. Segundo entendimento consolidado pelo STJ, antes da entrada em vigor da Lei Complementar n° 118/205, não há como se cogitar em prescrição antes de esgotado o prazo de 10 (dez) anos condizente à soma do prazo de 5 (cinco) anos, previsto no § 40 do artigo 150 do CTN, e de igual interstício (cinco anos) assinalado no artigo 168, I, do referido diploma. Recurso Voluntário Provido. A Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial de Divergência (fls. 446 a 453) em face do acordão recorrido que deu provimento parcial ao recurso do contribuinte, a divergência suscitada pela Fazenda Nacional diz respeito ao prazo para restituição de tributos pagos indevidamente. Para comprovar a divergência jurisprudencial suscitada, a Fazenda Nacional apresentou como paradigma o acórdão de número 930300.080. A comprovação do julgado firmouse pela juntada de cópia de interior teor do acórdão, documento de fls.454 a 488. O Recurso Especial da Fazenda Nacional foi admitido, conforme despacho de fls. 490 e 491 sob o argumento que no confronto das decisões ficou comprovada a divergência jurisprudencial, pois na decisão recorrida entendeu o Colegiado que o prazo para pleitear a restituição do FINSOCIAL é de dez anos (cinco mais cinco anos), contados da data de ocorrência do fato gerador (art. 150, § 40, c/c art. 168, I, ambos do CTN), enquanto na Fl. 500DF CARF MF Processo nº 13807.006852/0003 Acórdão n.º 9303005.484 CSRFT3 Fl. 501 4 decisão paradigma o Colegiado concluiu que o prazo prescricional para repetição de indébito tributário iniciase na data de extinção do crédito tributário pelo pagamento. O Contribuinte foi cientificado para apresentar contrarrazões e não se manifestou, conforme se verifica pela fls. 493 e 494, 496 e 497. É o relatório em síntese. Voto Conselheira Érika Costa Camargos Autran Relatora O Recurso Especial é tempestivo e, depreendendose da análise de seu cabimento, entendo pela admissibilidade integral do recurso interposto pela Fazenda Nacional. O presente caso trata da repetição dos pagamentos do Finsocial referentes ao período de apuração de junho de 1990 a março de 1992, cujo Pedido de Restituição se deu originalmente em 18/07/2000 (fls 226). 0 pedido foi negado, sob a alegação de que restaria decaído o direito do recorrente em pleitear os valores requeridos a titulo de Finsocial. A matéria quanto ao termo inicial e ao prazo para se pleitear a restituição/compensação, já está pacificada nos tribunais e nessa câmara superior, senão vejamos: A contagem do prazo para postularse restituição de quantias indevidamente recolhidas a título de tributo submetido à sistemática do lançamento por homologação, que tantos e tão acalorados debates já suscitou, encontrase inteiramente pacificada com o advento da decisão do colendo Supremo Tribunal Federal no julgamento do recurso extraordinário nº 566.621/RS, que reconheceu a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da LC nº 118/05, consignando entendimento no sentido de que: (a) para os processos ajuizados após a entrada em vigor da LC nº 118/2005, em 09 de junho de 2005, o prazo para compensação/restituição do crédito Fl. 501DF CARF MF Processo nº 13807.006852/0003 Acórdão n.º 9303005.484 CSRFT3 Fl. 502 5 tributário recolhido indevidamente ou a maior é de 05 (cinco) anos contados do pagamento indevido; (b) de outro lado, para as ações de restituição ajuizadas até a entrada em vigor da LC nº 118/2005, deve ser aplicado o prazo de 10 (dez) anos contados do fato gerador, tese do 5 mais 5 (cinco anos para homologar o lançamento e mais 5 para repetir). A ementa do acórdão do RE nº 566.621/RS foi redigida nos seguintes termos: DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus Fl. 502DF CARF MF Processo nº 13807.006852/0003 Acórdão n.º 9303005.484 CSRFT3 Fl. 503 6 conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tão somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. No que tange à discussão acerca do termo inicial a ser considerado para a contagem do prazo prescricional/decadencial. Vêse que tal matéria foi objeto de decisão do STJ sem sede de recursos repetitivos, na apreciação do REsp nº 1110578/SP, de relatoria do Ministro Luiz Fux (data do julgamento 12/05/2010). O que peço licença para transcrever a ementa (Grifos meus): “Ementa: TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. TAXA DE ILUMINAÇÃO PÚBLICA. TRIBUTO DECLARADO INCONSTITUCIONAL. PRESCRIÇÃO QUINQUENAL. TERMO INICIAL. PAGAMENTO INDEVIDO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO DE OFÍCIO 1. O prazo de prescrição quinquenal para pleitear a repetição tributária, nos tributos sujeitos ao lançamento de ofício, é contado da data em que se considera extinto o crédito tributário, qual seja, a data do efetivo pagamento do tributo, a teor do disposto no artigo 168, inciso I, c.c artigo Fl. 503DF CARF MF Processo nº 13807.006852/0003 Acórdão n.º 9303005.484 CSRFT3 Fl. 504 7 156, inciso I, do CTN. (Precedentes: REsp 947.233/RJ, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 23/06/2009, DJe 10/08/2009 AgRg no REsp 759.776/RJ, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 17/03/2009, DJe 20/04/2009; REsp 857.464/RS, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, PRIMEIRA TURMA, julgado em 17/02/2009, DJe 02/03/2009; AgRg no REsp 1072339/SP, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 03/02/2009, DJe 17/02/2009; AgRg no REsp. 404.073/SP, Rel. Min. HUMBERTO MARTINS, Segunda Turma, DJU 31.05.07; AgRg no REsp. 732.726/RJ, Rel. Min. FRANCISCO FALCÃO, Primeira Turma, DJU 21.11.05) 2. A declaração de inconstitucionalidade da lei instituidora do tributo em controle concentrado, pelo STF, ou a Resolução do Senado (declaração de inconstitucionalidade em controle difuso) é despicienda para fins de contagem do prazo prescricional tanto em relação aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, quanto em relação aos tributos sujeitos ao lançamento de ofício. (Precedentes: EREsp 435835/SC, Rel. Ministro FRANCISCO PEÇANHA MARTINS, Rel. p/ Acórdão Ministro JOSÉ DELGADO, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 24/03/2004, DJ 04/06/2007; AgRg no Ag 803.662/SP, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 27/02/2007, DJ 19/12/2007) 3. In casu, os autores, ora recorrentes, ajuizaram ação em 04/04/2000, pleiteando a repetição de tributo indevidamente recolhido referente aos exercícios de 1990 a 1994, ressoando inequívoca a ocorrência da prescrição, porquanto transcorrido o lapso temporal quinquenal entre a data do efetivo pagamento do tributo e a da propositura da ação. 4. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008". (Resp nº 1110578/SP, Rel. Min. Luiz Fux, data do julgamento 12052010, DJe de 21/05/2010; RT vol. 900 p. 204) (Negritos acrescentados)” Assim, nos termos do art. 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, disposição reproduzida no art. 62, §2º do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Fl. 504DF CARF MF Processo nº 13807.006852/0003 Acórdão n.º 9303005.484 CSRFT3 Fl. 505 8 Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, as decisões proferidas em sede de repercussão geral pelo Supremo Tribunal Federal são de observância obrigatória por este Conselho. Ademais, referido entendimento encontrase ainda consolidado por meio da Súmula CARF nº 91, de observância obrigatória conforme art. 72, Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, in verbis: Súmula CARF nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Como relatado a discussão dos presentes autos tratam de pedido de compensação, protocolizados em 18/07/2000, de valores recolhidos a título de contribuição para o PIS no período de junho de 1990 a março de 1992 (fls). Diante do exposto e ainda considerando o art. 45, inciso VI do Regimento Interno deste Conselho, deve ser reconhecida a prescrição do direito de restituição/compensação do contribuinte em relação aos fatos anteriores a julho de 1990. Diante do exposto, dou provimento parcial ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. É como voto. (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran Fl. 505DF CARF MF Processo nº 13807.006852/0003 Acórdão n.º 9303005.484 CSRFT3 Fl. 506 9 Fl. 506DF CARF MF
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Numero do processo: 15374.913785/2009-58
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 17 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Sep 25 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2001
COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. DESPACHO ELETRÔNICO. CRÉDITO UTILIZADO. DIVERGÊNCIA DE DIPJ E DCTF. DILIGÊNCIA. LALUR. APRESENTAÇÃO DAS ESCRITAS CONTÁBEIS E FISCAIS. DIREITO CREDITÓRIO DEMONSTRADO. HOMOLOGAÇÃO DEVIDA
O PER/DCOMP inicialmente não homologado por despacho eletrônico em virtude de inexistência de crédito passível de utilização, deve ser revisto e homologado quando, após diligência, a contribuinte apresenta livros contábeis e fiscais, por meio dos quais comprova prejuízo fiscal e pagamento indevido de estimativa mensal.
Numero da decisão: 1302-002.358
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em afastar a preliminar, e no mérito, dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente-Substituta
(assinado digitalmente)
Rogério Aparecido Gil - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca, Júlio Lima Souza Martins (Suplente Convocado), Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado) e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente-Substituta).
Nome do relator: ROGERIO APARECIDO GIL
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2001 COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. DESPACHO ELETRÔNICO. CRÉDITO UTILIZADO. DIVERGÊNCIA DE DIPJ E DCTF. DILIGÊNCIA. LALUR. APRESENTAÇÃO DAS ESCRITAS CONTÁBEIS E FISCAIS. DIREITO CREDITÓRIO DEMONSTRADO. HOMOLOGAÇÃO DEVIDA O PER/DCOMP inicialmente não homologado por despacho eletrônico em virtude de inexistência de crédito passível de utilização, deve ser revisto e homologado quando, após diligência, a contribuinte apresenta livros contábeis e fiscais, por meio dos quais comprova prejuízo fiscal e pagamento indevido de estimativa mensal.
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PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ESTIMATIVA MENSAL. Recorrente BIORAD LABORATÓRIOS BRASIL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2001 COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. DESPACHO ELETRÔNICO. CRÉDITO UTILIZADO. DIVERGÊNCIA DE DIPJ E DCTF. DILIGÊNCIA. LALUR. APRESENTAÇÃO DAS ESCRITAS CONTÁBEIS E FISCAIS. DIREITO CREDITÓRIO DEMONSTRADO. HOMOLOGAÇÃO DEVIDA O PER/DCOMP inicialmente não homologado por despacho eletrônico em virtude de inexistência de crédito passível de utilização, deve ser revisto e homologado quando, após diligência, a contribuinte apresenta livros contábeis e fiscais, por meio dos quais comprova prejuízo fiscal e pagamento indevido de estimativa mensal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em afastar a preliminar, e no mérito, dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa PresidenteSubstituta (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Gustavo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 91 37 85 /2 00 9- 58 Fl. 317DF CARF MF Processo nº 15374.913785/200958 Acórdão n.º 1302002.358 S1C3T2 Fl. 3 2 Guimarães da Fonseca, Júlio Lima Souza Martins (Suplente Convocado), Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado) e Ester Marques Lins de Sousa (PresidenteSubstituta). Relatório Tratase da Resolução nº 110200.075, da extinta 2ª Turma Ordinária, da 1ª Câmara, da 1ª Seção de Julgamento, determinada face ao Acórdão nº 1238.751, de 15 de julho de 2011, proferido pela 9ª Turma da DRJ do Rio de Janeiro. A DRJ relatou que o processo versava sobre o PER/DCOMP de fls. 2/6, transmitido em 30/01/2006, por meio do qual a Recorrente pretendia aproveitar crédito de pagamento indevido ou a maior de CSLL (fl. 4, cód. 2484 CSLL Demais PJ que apuram o IRPJ com base em lucro real estimativa mensal), arrecadado em 29/06/2001, no valor de R$30.460,55, na data de transmissão. Período de apuração: maio de 2001. O Despacho Decisório (fl. 7) não homologou a compensação declarada. Concluiuse que, o pagamento indicado no PER/DCOMP teria sido integralmente utilizado. A recorrente manifestou seu inconformismo alegando, em síntese, que: 3.1 Conforme DIPJ 2002 (fl. 29), transmitida cm 28/06/2002, apurou base de cálculo negativa naquele exercício (fl. 45). 3.2 "... não havendo lucro, obviamente não há acréscimo patrimonial a ser passível de tributação, ou seja, não há a ocorrência do fato gerador para incidência do CSLL", fl. 11. 3.3 "... não existiu base de cálculo para apuração do CSLL mensal, pois essa, por estimativa, foi negativa", fl. 12, (Base de cálculo da estimativa de maio, fl. 42). 3.4 O art. 2o da Lei 7.689/88 preceitua que "a base de cálculo da CSLL é o valor do resultado do exercício antes da provisão do imposto de renda", fl. 11. 3.5 "... inexistindo resultado positivo ao final do exercício, a imposição de um tributo baseado em lucro que não houve é ilegítimo", fl. 11. 3.6 Não existia imposto algum a ser recolhido ao erário. 3.7 A DCTF retificadora, transmitida em 02/04/2009 (fl. 147), desfaz o equívoco da vinculação do DARF ao suposto débito de CSLL.. No recurso voluntário, suscitou preliminar de nulidade do acórdão recorrido, sob a alegação de que este não estaria fundamentado e teria violado seu direito à ampla defesa e contraditório (por violar a prova dos autos quanto à comprovação do alegado erro praticado em DCTF originária e por deixar de provar que os créditos alegados em declaração de compensação já teriam sido utilizados para quitação de outros débitos. No mérito, reitera suas razões de impugnação, segundo as quais: (i) a Contribuinte teria comprovado a efetiva existência do crédito informado em PER/DCOMP, mediante juntada de DARF/2001, DIPJ 2002 e DCTF retificadora; e (ii) caberia à autoridade julgadora, de ofício, converter o julgamento em diligência em caso de dúvida sobre a existência Fl. 318DF CARF MF Processo nº 15374.913785/200958 Acórdão n.º 1302002.358 S1C3T2 Fl. 4 3 do crédito alegado, jamais “presumir pela inexistência do crédito, logo, de forma desfavorável e prejudicial ao contribuinte”. Segundo a Recorrente, em síntese, caso fossem devidamente apreciados pelo acórdão recorrido os documentos acima citados, a única conclusão possível desta análise seria o reconhecimento do direito creditório e a homologação da respectiva declaração de compensação. Diante de tais alegações, o pedido de diligência foi acolhido, concluindose que havia a necessidade de instrução do processo para adequado julgamento. Assim, propôsse a conversão do julgamento em diligência para que a DRF adotasse as seguintes providências: (i) atestar a autenticidade da DCTF retificadora trazida aos autos em face das vias originais e da documentação fiscal e contábil da Contribuinte; (ii) atestar, de forma conclusiva e justificada, mediante consulta a documentos e livros fiscais e contábeis da Contribuinte, a correção (ou não) das informações prestadas na DCTF retificadora referida nestes autos, especialmente, mas sem se limitar, à existência (ou não) de saldo de CSLL a pagar nos meses do ano calendário de 2001 que estariam sendo apontados pela RFB como impeditivos do reconhecimento do direito creditório alegado e consequente homologação da declaração de compensação; (iii) das verificações efetuadas, lavrar Relatório de Diligência circunstanciado e dele dar ciência à Contribuinte para sobre ele se manifestar, no prazo de 30 (trinta) dias. Em cumprimento, a DRF apresentou o seguinte Despacho de Diligência: Tratase de relatório de Relatório de Diligência requerido pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF (Primeira Seção de Julgamento), em Resolução no 110200.075 da 1a Câmara/2a Turma Ordinária, de 10/abr/2012. Basicamente, o CARF solicita as seguintes providências: (...) Constatamos nos sistemas da RFB que a DIPJ/2002, original/liberada, no 107942487, transmitida em 28/jun/2002, que a forma de apuração do IRPJ e da CSLL é o Lucro Real Anual. Em todos os meses de apuração das estimativas, quer sejam de IRPJ ou CSLL, a interessada utilizouse de balanços ou balancetes de suspensão ou redução que lhe permite, como o próprio nome sugere, suspender ou reduzir o pagamento do imposto, desde que demonstre que o valor do imposto devido, calculado com base no lucro real do período em curso, é igual ou inferior à soma do imposto de renda devido por estimativa, correspondente aos meses do mesmo anocalendário, anteriores àquele a que se refere o balanço ou balancete levantado. O contribuinte foi intimado, por meio do Termo de Intimação Fiscal no 48/2014, cuja ciência deuse em 24/jun/2014, a informar/fornecer o(a)(s) seguinte(s) documento(s)/justificativa(s): “ Fotocópias autenticadas de escrituração contábil, mês a mês, do ano calendário 2011 que justifique as divergências encontradas entre o informado em DIPJ/2012 e as DCTFs transmitidas, relativamente a apuração dos tributos IRPJ (cód. receita 2362) e CSLL (cód. receita 2484). Fl. 319DF CARF MF Processo nº 15374.913785/200958 Acórdão n.º 1302002.358 S1C3T2 Fl. 5 4 Comprovação definitiva de que a base de cálculo do IRPJ e da CSLL (mês a mês) foi negativa, a qual originou prejuízo fiscal em suas principais atividades (receita de revenda de mercadorias e receita de prestação de serviços) por todos os meses do AC de 2001. Haja visto a interessada possuir 3 filiais ATIVAS e exercer a atividade: CNAE: 4645101 Comércio atacadista de instrumentos e materiais para uso médico, cirúrgico, hospitalar e de laboratórios. Solicitase, então, como exposto acima: 1. fotocópia do Razão Analítico, em Real, detalhado, de 01/jan/2001 a 31/dez/2001, que detalhe MÊS a MÊS as receitas brutas e despesas com receitas brutas; e, 2. fotocópia do Balancete de Verificação, em Real, detalhado, de 01/jan/2001 a 31/dez/2001, que demonstre MÊS a MÊS as receitas brutas e despesas com receitas brutas.” A interessada atendeu à intimação acima citada trazendo a esta SAORT/DRF/STL/MG 12 (doze) encadernações de livros Razão Contábil contendo Razão Analítico e Balancete Analítico, referente aos períodos de janeiro a dezembro/2001. Sobre a estimativa a que se refere este relatório de diligência, CSLL PA: mai/2001, no Balancete Analítico não há referência de CSLL a pagar referente ao período, assim como informado na Ficha 16 da DIPJ/2002. Também o contribuinte não se utilizou desta estimativa (nem de outra que porventura pudesse advir no decorrer do anocalendário: meses de jan/abr e jun/dez/2001) para compor o ajuste anual em Saldo Negativo de CSLL ao final do fato gerador em 31/dez/2001, conforme Linha 38, da Ficha 17. TABELA 1 As DCTFs transmitidas pela Recorrente, do 1º e 2ºTrim/2001 são: Com relação às DCTFs transmitidas acima, que contém informação do débito em comento (CSLL PA mai/2001): 2oTrim/2001, foram apresentadas 06 (seis) declarações. Na declaração original (item 04) havia informação de débito de estimativa CSLL (cód. receita 2484). Esta foi retificada primeiramente em 14/nov/2001 (item 05), antes da ciência do Despacho Decisório eletrônico exarado pelo Sistema de Controle de Crédito – SCC relativo à DComp 14392.03731.300106.1.3.040557, cuja ciência deuse em 02/abr/2009; já não contendo a informação do débito. A segunda, terceira e quarta DCTFs retificadoras (itens 06/08), foram transmitidas em 21/out/2004, 23/mar/2005 e 10/mai/2005, respectivamente, ou seja, também antes da ciência do despacho decisório. Essas continham informação de débito de estimativa CSLL PA mai/2001 a pagar. Na quinta e última DCTF Retificadora, transmitida na data da ciência do despacho Fl. 320DF CARF MF Processo nº 15374.913785/200958 Acórdão n.º 1302002.358 S1C3T2 Fl. 6 5 decisório, em 02/abr/2009, não há menção à apuração de débito de estimativa de CSLL. Diante do exposto, cumprida a determinação do CARF, em razão da documentação trazida aos autos pelo contribuinte e face as DCTFs registradas nos sistemas da RFB: Dêse ciência deste Relatório de Diligência ao contribuinte, intimandoo a buscar a documentação apresentada por meio do TIF no 48. O interessado tem o prazo de 30 (trinta) dias contados a partir da ciência deste Relatório para se manifestar. Após, encaminhemse os autos novamente ao CARF/MF/DF. A Recorrente foi devidamente intimada sobre o resultado da diligência, porém, não apresentou manifestação. É o relatório. Voto Conselheiro Rogério Aparecido Gil Relator Na forma registrada na primeira oportunidade em que o caso veio a julgamento, o recurso voluntário é tempestivo e a recorrente está devidamente representada. Conheceuse do recurso. Preliminar de Nulidade A Recorrente alega que o despacho decisório que não homologou a DCOMP em questão seria nulo, por falta de fundamentação legal, bem assim pela falta de análise de DARF, DIPJ e DCTF. Verificase que, em realidade a recorrente não atendeu às intimações da DRF para a apresentação escritas contábeis, comerciais e fiscais. Limitouse a apresentar declarações acessórias, sobre as quais a DRF concluiu que não seriam suficientes para comprovar que o erro estaria na DCTF que, inicialmente, confessou débito de IRPJ e CSLL de estimativa mensal. Observase, ainda que o referido Despacho Decisório consignou os dispositivos legais e regulamentares, com base nos quais concluiu por não homologar a DCOMP em questão. Não haveria, portanto, a alegada nulidade. De qualquer forma, entendese que a conversão do julgamento inicial em diligência, concedeu à recorrente a oportunidade de demonstrar a subsistência de seu crédito relativo a pagamento indevido de IRPJ e CSLL por estimativa mensal. Nesse sentido, cabe rejeitar a preliminar de nulidade e adentrarse ao mérito para a apreciação do resultado da diligência, conforme segue. Fl. 321DF CARF MF Processo nº 15374.913785/200958 Acórdão n.º 1302002.358 S1C3T2 Fl. 7 6 Mérito Em conformidade com o Despacho de Diligência retro transcrito, a recorrente apresentou Livros Razão Contábil contendo Razão Analítico e Balancete Analítico, referente aos períodos de janeiro a dezembro/2001. A DRF analisou o respectivo Balancete Analítico e concluiu que não havia CSLL a pagar, referente maio de 2001. Certificouse, portanto, que estava correto o registro na Ficha 16 da DIPJ/2002, quanto à inexistência de imposto a pagar. No entanto, verificouse que não houve registro na Linha 38, da Ficha 17 da DIPJ, quanto ao referido valor pago indevidamente a título de estimativa mensal. Não obstante tal omissão no preenchimento da DIPJ, certificouse, também que a Recorrente não se utilizou desse pagamento nos meses subsequentes de 2001. Com relação às referidas DCTFs, a DRF verificou que, a indicada no item 4, declaração original (CSLL PA mai/2001; 1ºTrim/2001), continha informação de débito de estimativa CSLL (cód. 2484). A primeira retificadora da DCTF original, deuse em 14/11/2001 (item 05 do quadro acima), antes da ciência dos Despachos Decisórios eletrônicos exarados pelo Sistema de Controle de Crédito (SCC), relativos à DComps 14392.03731.300106.1.3.040557, cuja ciência deuse em 02/04/2009, não mais contendo o registro de débito. A segunda, terceira e quarta DCTF retificadoras (itens 06/08) foram transmitidas, em 21/10/2004, 23/03/2005 e 10/05/2005, respectivamente, ou seja, também antes da ciência do despacho decisório. Sobre as retificadoras, portanto, a DRF concluiu que, da segunda até a quarta retificação, não mais havia registro sobre o referido débito de estimativa de CSLL que constava da DCTF original. Nesse sentido, confirmouse que: a) a recorrente apurou prejuízo fiscal e base negativa no anocalendário de 2001, conforme balancete analítico e DIPJ 2002, transmitida em 28/06/2002; b) não houve fato gerador do CSLL; e c) o pagamento do DARF de R$30.460,55, posição em 29/06/2001, constituise em pagamento indevido, passível de utilização em compensação (fl. 13). Na forma certificada pela DRF, após diligência, é devida a homologação da PER/DCOMP em questão para o reconhecimento do direito creditório da recorrente. Por todo o exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil Fl. 322DF CARF MF Processo nº 15374.913785/200958 Acórdão n.º 1302002.358 S1C3T2 Fl. 8 7 Fl. 323DF CARF MF
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