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Numero do processo: 11080.928607/2009-76
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jul 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2006
COMPENSAÇÃO. PAGAMENTOS INDEVIDOS DE ESTIMATIVA. AUTO DE INFRAÇÃO. LUCRO ARBITRADO. INEXISTÊNCIA DE DÉBITOS POR ESTIMATIVA. VALORES RECOLHIDOS COMPENSADOS NA AUTUAÇÃO.
Contatando-se que o período de apuração referente aos créditos solicitados foi objeto de desclassificação da escrita e arbitramento, não mais existem débitos devidos a título de estimativa.
Também não mais existem os créditos decorrentes de pagamentos a maior em razão de todos os pagamentos terem sido utilizados, durante a autuação, no abatimento dos tributos apurados pelo lucro arbitrado.
Numero da decisão: 1401-002.601
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator
Participaram do presente Julgamento os Conselheiros Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Lívia de Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente)
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2006 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTOS INDEVIDOS DE ESTIMATIVA. AUTO DE INFRAÇÃO. LUCRO ARBITRADO. INEXISTÊNCIA DE DÉBITOS POR ESTIMATIVA. VALORES RECOLHIDOS COMPENSADOS NA AUTUAÇÃO. Contatando-se que o período de apuração referente aos créditos solicitados foi objeto de desclassificação da escrita e arbitramento, não mais existem débitos devidos a título de estimativa. Também não mais existem os créditos decorrentes de pagamentos a maior em razão de todos os pagamentos terem sido utilizados, durante a autuação, no abatimento dos tributos apurados pelo lucro arbitrado.
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PAGAMENTOS INDEVIDOS DE ESTIMATIVA. AUTO DE INFRAÇÃO. LUCRO ARBITRADO. INEXISTÊNCIA DE DÉBITOS POR ESTIMATIVA. VALORES RECOLHIDOS COMPENSADOS NA AUTUAÇÃO. Contatandose que o período de apuração referente aos créditos solicitados foi objeto de desclassificação da escrita e arbitramento, não mais existem débitos devidos a título de estimativa. Também não mais existem os créditos decorrentes de pagamentos a maior em razão de todos os pagamentos terem sido utilizados, durante a autuação, no abatimento dos tributos apurados pelo lucro arbitrado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator Participaram do presente Julgamento os Conselheiros Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Lívia de Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 92 86 07 /2 00 9- 76 Fl. 125DF CARF MF Processo nº 11080.928607/200976 Acórdão n.º 1401002.601 S1C4T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP apresentado pela empresa no qual solicita a compensação de pretensos créditos relativos a pagamento a maior de IRPJ devido por estimativa. A origem dos créditos, consoante informado pelo recorrente desde sua impugnação, baseiase na retificação dos valores de apuração que, após a retificação das DIPJ e DCTF da empresa, resultaram como pagos a maior. Com base nestes créditos a empresa, por meio do PER/DCOMP objeto deste processo, a empresa realizou a compensação com débito da mesma contribuição de períodos subseqüentes. Quando da análise do PER/DCOMP o sistema informatizado reconheceu a existência do crédito mas, no entanto, considerou improcedente a utilização do crédito posto que o art. 10 da IN RFB nº 600/2005, veda a possibilidade de utilização de créditos relativos a pagamentos a maior de estimativa para a quitação dos valores devidos por estimativa de meses subseqüentes. O contribuinte, irresignado apresentou manifestação de inconformidade alegando a existência do crédito. A Delegacia de Julgamento, na análise da manifestação, a considerou improcedente. Ainda inconformado o contribuinte apresentou recurso voluntário no qual entende que não é cabível o indeferimento do crédito com base no art. 10, da IN 600/2005, haja vista que, quando da prolação do despacho decisório de nãohomologação referida norma não mais estava em vigor. É o breve relatório. Fl. 126DF CARF MF Processo nº 11080.928607/200976 Acórdão n.º 1401002.601 S1C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1401002.578, de 17/05/2018, proferido no julgamento do Processo nº 11080.928620/2009 25, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. O processo paradigma analisou a possibilidade de utilização de crédito relativo a pagamento a maior de CSLL devido por estimativa, relativo ao período de apuração de 30/09/2006, com débitos de mesma natureza de período subsequente. O presente processo tratase de pedido de compensação de crédito relativo a pagamento indevido ou a maior de estimativa de IRPJ, do período de apuração de 28/02/2006, com débito de mesma natureza de período subsequente. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1401002.578): A análise do presente processo prendese, em síntese, à verificação da possibilidade de utilização de créditos relativos a pagamentos a maior da CSLL com débitos da mesma contribuição de períodos subseqüentes e, ainda, a força impeditiva do art. 10, da IN RFB nº 600/2005. A norma questionada impedia a utilização, por parte do contribuinte, dos valores pagos a maior durante o ano calendário com outros débitos com base na justificativa de que os valores pagos a maior por estimativa deveriam ser levados ao ajuste do exercício, como se pagamentos por estimativas fossem, no sentido de que estes pagamentos a maior compusessem o saldo credor a vir ser apurado no exercício. Ocorre, no entanto, que referida norma impeditiva não encontra respaldo nos ditames da Lei nº 9.430/96, no que trata de restituição/compensação. Assim, se um pagamento foi realizado a maior em um determinado período. A existência do crédito relativo a este pagamento a maior exsurge desde a data do referido recolhimento, na forma do art, 170, do CTN, matriz legal de todas as normas de compensação. A limitação realizada pelo art. 10, da IN 600/2005 desborda dos limites impostos pela normas a ela superiores e, por isso, não pode produzir eficácia contra os direitos nestas inseridos. Fl. 127DF CARF MF Processo nº 11080.928607/200976 Acórdão n.º 1401002.601 S1C4T1 Fl. 5 4 Em conformidade com este entendimento é que o CARF já se posicionou de forma consolidada, emitindo a Súmula nº 84, conforme abaixo transcrita e consoante os acórdão paradigmas precedentes que a justificaram. Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Acórdão nº 120100.404, de 23/2/2011 Acórdão nº 120200.458, de 24/1/2011 Acórdão nº 110100.330, de 09/7/2010 Acórdão nº 910100.406, de 02/10/2009 Acórdão nº 10515.943, de 17/8/2006. Verificado o teor da Súmula acima apresentada, há de se rever as decisões atacadas pelo recorrente. Assim decorreria este voto, quando da época de sua elaboração. Ocorre, no entanto, que iniciada a sessão de julgamento a representante do contribuinte informou acerca da existência de auto de infração lavrado por meio do processo nº 11080.732426/201161, pela sistemática do lucro arbitrado, no qual os pagamentos a maior de IRPJ e CSLL por estimativa realizados no ano e solicitados pela empresa em PER/DCOMP, para a compensação das estimativas devidas do mês de dezembro/2006. Verificase, pela consulta ao processo de auto de infração que para o ano de 2006 foi desconsiderada a escrituração fiscal da empresa e foi realizado o lançamento pelo lucro arbitrado trimestral. Da realização do lançamento foram utilizados os pagamentos por estimativa que não compuseram os saldos negativos já utilizados pela empresa (fls. 8831/8835 do processo nº 11080.732426/201161). Mais ainda, verificase que, sendo arbitrado o lucro, deixam de ser existentes os débitos por estimativa do ano de 2006, dada a modificação da sistemática de apuração do lucro. Ainda em consulta ao referido auto de infração constatamos que o mesmo já foi julgado em última instância por este CARF e mantido em definitivo os valores lavrados, já estando em fase de execução judicial (fls. 93232/93241 do processo nº 11080.732426/201161). À vista do exposto temos então que o PER/DCOMP objeto do presente processo, no qual são utilizados os pagamentos a maior de estimativas do ano de 2006 para a compensação com débitos de estimativa do mesmo ano, perdeu totalmente seu objeto, tanto pelo desaparecimento dos créditos, quanto dos débitos, em face Fl. 128DF CARF MF Processo nº 11080.928607/200976 Acórdão n.º 1401002.601 S1C4T1 Fl. 6 5 da lavratura de auto de infração pelo lucro arbitrado já julgado em definitivo na esfera administrativa. Por estas razões, deixo de analisar o presente recurso apenas em relação às limitações que levaram ao indeferimento do pedido e, analisando o caso em vista da verdade material, verificandose que deixaram de existir os débitos declarados no PER/DCOMP objeto deste processo, havemos de julgar no sentido de deixar de reconhecer os créditos em face de sua atual inexistência e determinar o cancelamento dos débitos declarados no PER/DCOMP em razão de igualmente não mais existirem, tudo em razão da lavratura do auto de infração pelo lucro arbitrado que modificou integralmente a situação dos débitos e créditos objeto do presente processo. Neste sentido voto por dar provimento ao recurso para: 1) Deixar de analisar os créditos solicitados, relativos aos pagamentos a maior de estimativa em razão de os créditos terem deixado de existir em face da lavratura do auto de infração do mesmo ano, no qual os referidos pagamentos foram utilizados; 2) Determinar o cancelamento dos débitos compensados no presente processo, tendo em vista trataremse de débitos de estimativa do ano de 2006, em face, também, da lavratura de auto de infração que apurou o IRPJ pelo lucro arbitrado e por consequência desfaz qualquer obrigação de recolhimento por estimativa." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por dar provimento ao recurso, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 129DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.720671/2016-94
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2011
DESPESAS GLOSADAS - NOTAS FISCAIS INIDÔNEAS - DECLARAÇÃO POSTERIOR - NECESSIDADE DE PROVA DE QUE AS MERCADORIAS/SERVIÇOS FORAM EFETIVAMENTE ADQUIRIDAS/CONTRATADAS
Ainda que eventual ato que declare inidôneos documentos fiscais em momento posterior não possam, per se, inquinar de inválidas despesas incorridas pelo contribuinte, é imperioso que se comprove que as operações retratadas nos aludidos documentos concreta e efetivamente ocorreram, sem o que, a glosa deve ser realizada.
MULTA QUALIFICADA DE 150%.
Caracterizado o evidente intuito de fraude, cabe a aplicação da multa de ofício qualificada de 150%.
DECADÊNCIA.
Comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, ainda que se trate de tributo sujeito a lançamento por homologação, o direito do fisco de constituir o crédito tributário extingue-se após cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.
SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. EXCESSO DE PODERES. INFRAÇÃO DE LEI, CONTRATO SOCIAL OU ESTATUTOS. POSSIBILIDADE.
Comprovadas nos autos as hipóteses do artigo 135, III do CTN, no caso, o excesso de poderes e a infração de lei e contrato social/estatuto, correta a responsabilização solidária em relação ao crédito tributário exigido.
Numero da decisão: 1302-002.916
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em afastar a preliminar de decadência e, no mérito, em negar provimento aos recursos voluntários do contribuinte e responsáveis solidários, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gustavo Guimarães da Fonseca - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique , Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca.
Nome do relator: GUSTAVO GUIMARAES DA FONSECA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2011 DESPESAS GLOSADAS - NOTAS FISCAIS INIDÔNEAS - DECLARAÇÃO POSTERIOR - NECESSIDADE DE PROVA DE QUE AS MERCADORIAS/SERVIÇOS FORAM EFETIVAMENTE ADQUIRIDAS/CONTRATADAS Ainda que eventual ato que declare inidôneos documentos fiscais em momento posterior não possam, per se, inquinar de inválidas despesas incorridas pelo contribuinte, é imperioso que se comprove que as operações retratadas nos aludidos documentos concreta e efetivamente ocorreram, sem o que, a glosa deve ser realizada. MULTA QUALIFICADA DE 150%. Caracterizado o evidente intuito de fraude, cabe a aplicação da multa de ofício qualificada de 150%. DECADÊNCIA. Comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, ainda que se trate de tributo sujeito a lançamento por homologação, o direito do fisco de constituir o crédito tributário extingue-se após cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. EXCESSO DE PODERES. INFRAÇÃO DE LEI, CONTRATO SOCIAL OU ESTATUTOS. POSSIBILIDADE. Comprovadas nos autos as hipóteses do artigo 135, III do CTN, no caso, o excesso de poderes e a infração de lei e contrato social/estatuto, correta a responsabilização solidária em relação ao crédito tributário exigido.
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MULTA QUALIFICADA DE 150%. Caracterizado o evidente intuito de fraude, cabe a aplicação da multa de ofício qualificada de 150%. DECADÊNCIA. Comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, ainda que se trate de tributo sujeito a lançamento por homologação, o direito do fisco de constituir o crédito tributário extinguese após cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. EXCESSO DE PODERES. INFRAÇÃO DE LEI, CONTRATO SOCIAL OU ESTATUTOS. POSSIBILIDADE. Comprovadas nos autos as hipóteses do artigo 135, III do CTN, no caso, o excesso de poderes e a infração de lei e contrato social/estatuto, correta a responsabilização solidária em relação ao crédito tributário exigido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 06 71 /2 01 6- 94 Fl. 1539DF CARF MF Processo nº 19515.720671/201694 Acórdão n.º 1302002.916 S1C3T2 Fl. 1.540 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em afastar a preliminar de decadência e, no mérito, em negar provimento aos recursos voluntários do contribuinte e responsáveis solidários, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Gustavo Guimarães da Fonseca Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique , Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca. Relatório Cuida o feito de autos de infração lavrados para se exigir dos recorrentes créditos tributários relativos ao IRPJ e CSLL, apurados segundo o regime de lucro real, IRRF, PIS e COFINS, sujeitas à não cumulatividade preconizada pelas Leis 10.637/02 e 10.833/03. As infrações identificadas pela auditoria fiscal, neste passo, seriam: a) apropriação de despesas operacionais calcadas em documentos declarados inidôneos (glosa de despesas); b) apropriação de créditos de PIS/COFINS oriundos de operações lastreadas em documentos inidôneos (glosa de créditos); c) pagamentos realizados sem causa identificada, já que efetuados para a quitação de obrigações descritas em documentos considerados inidôneos; d) omissão de receitas caracterizadas pelo recebimento de cheques de terceiros sem origem comprovada/escriturada. Estressando ao máximo a capacidade de síntese deste relator, a autuação teve origem, na verdade, em fiscalização realizada junto à um pretenso fornecedor do contribuinte, empresa denominada Cleber Martins Costa Eireli , cuja inscrição estadual foi cancelada e os documentos fiscais por ela emitidos foram declarados inidôneos através de Ato da SEFAZ/SP com efeitos retroativos à data da abertura da citada empresa. A Auditoria reproduz os motivos que levaram à autoridade estadual a proceder o cancelamento da inscrição da empresa supra, apontado, dentre outros, a inexistência de estabelecimento físico e estrutura (dotada, apenas, de uma funcionária auxiliar de escritório) compatível com o volume de operações praticadas e a falta de capacidade econômica e técnica do único sócio da empresa para gerir negócios que, pelo que relatado, movimentaram cerca de R$ 82.000.000,00, desde sua abertura. Mais que isso, verificouse naquele procedimento administrativo que nenhuma das empresas das quais a Cleber Martins alegadamente adquiria as mercadorias para revenda (sucata, em sua maioria), existiam de fato. Fl. 1540DF CARF MF Processo nº 19515.720671/201694 Acórdão n.º 1302002.916 S1C3T2 Fl. 1.541 3 Ao fim, concluiu que a empresa Cleber Martins Costa Eireli , em verdade, foi criada e utilizada para, nos dizeres da Auditoria, de forma fraudulenta e simulada, gerar créditos de tributos à outras companhias estabelecidas no Estado de São Paulo, dentre elas, o contribuinte ora autuado. Centrandose mais precisamente na Dutra Embalagens, a fiscalização promoveu diversas intimações à recorrente para apresentar a totalidade das notas fiscais de operações praticadas com a empresa Cleber Martins, bem como para comprovar a aquisição efetiva das mercadorias descritas nas preditas notas fiscais e, ainda, para demonstrar a contratação e realização efetiva do transporte das mercadorias em tese adquiridas (no caso, tambores), a fim de apurar a declarada boafé do contribuinte. Em resposta, o recorrente apresentou uma planilha vinculando as notas fiscais à duplicatas mercantis sem data, sem aceite e sem a comprovação da efetiva entrega dos recursos, pelo que a Fiscalização promoveu a sua reintimação, esclarecendo, como se extrai do relatório do acórdão da DRJ, que: “pagamentos efetuados pela DUTRA constavam nas informações de conta corrente da ALUNOBRE, apresentadas pelos bancos, porém verificamos que estes pagamentos eram muito inferiores ao valor das mercadorias, supostamente, adquiridas”; a Alunobre emitiu cheques em favor da DUTRA, cujo fluxo de recursos não estava respaldado pela emissão de qualquer documento fiscal. A DUTRA foi intimada, em 08/07/2016, a comprovar a transação comercial que justificasse esses cheques (....). A míngua de explicações (quaisquer) e de apresentação de documentos que pudessem comprovar o efetivo pagamento, aquisição e transporte das mercadorias descritas em notas fiscais de emissão da Cleber Martins e, mais, ao não esclarecer os motivos e a causa dos cheques emitidos por esta última, a Fiscalização, concluindo, especialmente, quanto aos citados cheques, que se tratava de mais um subterfúgio para dar lastro econômico às operações1, lavrou, então, os autos de infração ora polemizados, exigindo, além da obrigação principal a multa qualificada e agravada. Além disso, incluiu os sócios gerentes da recorrente no pólo passivo da obrigação, forte nos preceitos do art. 135, III, deixando, neste momento, evidente, que os atos fraudulentos descritos ao longo do curso da investigação fiscal somente poderiam ter sido praticados pelos mandatários da empresa. O devedor principal e solidários apresentaram, cada um, impugnação administrativa, as quais foram julgadas, todas, improcedentes pela DRJ de Salvador, cujos fundamentos são resumidos na ementa abaixo reproduzida: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2011 1 De acordo com a D. Auditoria, a empresa entregava valores na conta da Cleber Martins que devolvia parte substancial destes montantes mediante cheques fracionados. Fl. 1541DF CARF MF Processo nº 19515.720671/201694 Acórdão n.º 1302002.916 S1C3T2 Fl. 1.542 4 SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. EXCESSO DE PODERES. INFRAÇÃO DE LEI, CONTRATO SOCIAL OU ESTATUTOS. POSSIBILIDADE. Comprovadas nos autos as hipóteses do artigo 135, III do CTN, no caso, o excesso de poderes e a infração de lei e contrato social/estatuto, correta a responsabilização solidária em relação ao crédito tributário exigido. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2011 AUTO DE INFRAÇÃO. LOCAL DE LAVRATURA A norma legal não exige a presença do fiscalizado no momento da lavratura do Auto de Infração, muito menos que esta ocorra em suas dependências. O local de verificação da falta não significa o local de ocorrência do fato gerador da obrigação, mas sim onde ela foi constatada pela Autoridade Tributária. AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Descabe a argüição de nulidade quando se verifica que o Auto de Infração foi lavrado por pessoa competente para fazêlo e em consonância com a legislação vigente. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2011 INIDONEIDADE DE DOCUMENTOS FISCAIS. FALTA DE COMPROVAÇÃO DAS COMPRAS SUPOSTAMENTE EFETUADAS. GLOSA DE CUSTOS. Considerados inidôneos os documentos fiscais e não sendo comprovada a efetiva compra das mercadorias, devem ser glosado os respectivos custos. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Em se tratando de matéria fática idêntica àquela que serviu de base para o lançamento do Imposto sobre a Renda Pessoa Jurídica, devem ser estendidas as conclusões advindas da apreciação daquele lançamento ao relativo à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, em razão da relação de causa e efeito advindas dos mesmos fatos geradores e elementos probantes. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Fl. 1542DF CARF MF Processo nº 19515.720671/201694 Acórdão n.º 1302002.916 S1C3T2 Fl. 1.543 5 Período de apuração: 01/01/2011 a 30/11/2011 CRÉDITOS DE COFINS. REGIME NÃO CUMULATIVO. FRAUDE. GLOSA DE CRÉDITOS Tendo a Autoridade Tributária constatado que as operações descritas nas notas fiscais que dão suporte ao crédito nunca existiram de fato, correta a sua glosa. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2011 a 30/11/2011 CRÉDITOS DE PIS. REGIME NÃO CUMULATIVO. FRAUDE. GLOSA DE CRÉDITOS Tendo a Autoridade Tributária constatado que as operações descritas nas notas fiscais que dão suporte ao crédito nunca existiram de fato, correta a sua glosa. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Período de apuração: 01/01/2011 a 30/11/2011 PAGAMENTO SEM CAUSA. INCIDÊNCIA Caracterizada a ocorrência de pagamento sem causa, os valores envolvidos na operação sujeitamse à incidência do imposto, exclusivamente na fonte. MULTA QUALIFICADA DE 150%. Caracterizado o evidente intuito de fraude, cabe a aplicação da multa de ofício qualificada de 150%. MULTA AGRAVADA DE 225%. Caracterizado o embaraço à fiscalização, cabe a aplicação da multa de ofício agravada de 225%. MULTA DE OFÍCIO. INCONSTITUCIONALIDADE. CONFISCO. O exame da obediência das leis tributárias aos princípios constitucionais (da vedação ao confisco e da proporcionalidade) é matéria que não deve ser abordada na esfera administrativa. Intimados através de caixa postal eletrônica em 28/08/2017 (docs. de efls. 1.467, 1.469 e 1.470), o contribuinte e os devedores solidários apresentaram seus respectivos recursos em 27/09/2017 (docs. de efls. 1.472). A empresa, devedora principal, alegou, como razões de insurgência a precariedade do auto de infração, sustentando, do que pude compreender do apelo, que a Fl. 1543DF CARF MF Processo nº 19515.720671/201694 Acórdão n.º 1302002.916 S1C3T2 Fl. 1.544 6 fiscalização não teria exaurido a matéria de prova; além disso, questionou a multa qualificada, alegando inexistir provas da prática de atos fraudulentos (sem se pronunciar sobre o agravamento imposto com base nos preceitos do art. 44, § 2º, da Lei 9.430/96). Demais disso, sustentou ter se operado, na espécie, a decadência (fundando seu pedido no art. 150, § 4º, do CTN). Ao final, voltou a sustentar a sua boafé na aquisição das mercadorias junto à empresa ALUNOBRE (nome de fantasia da empresa Cleber Martins), afirmando, mais, ter comprovado a concretização efetiva das operações através dos livros fiscais, do SPED, das notas fiscais emitidas por esta última empresa e das duplicatas mercantis exibidas no feito, invocando, neste particular, decisões do STJ que dariam, a seu ver, embasamento à sua tese. Já os devedores solidários argumentam não haver, no TVF, motivação e, mais que isso, que não praticaram quaisquer dos atos descritos no art. 135, III, do CTN. Este é o relatório. Voto Conselheiro Gustavo Guimarães da Fonseca Relator Os recursos são tempestivos e, por isso, deles conheço. I Do recurso voluntário do contribuinte. Como destacado no relatório, supra, o contribuinte arguiu, na ordem abaixo declinada, as seguintes controvérsias: a) precariedade do auto de infração (situação que, aparentemente, encerraria a nulidade do auto por falta de motivação/fundamentação; das razões recursais, permissa venia, não é possível extrairse, com precisão, o que, de fato, pretenderia o recorrente com este argumento); b) descabimento da qualificação da multa de ofício; c) decadência; d) a boafé na pactuação dos negócios retratados por notas fiscais emitidas pela Alunobre, bem como a comprovação efetiva da assunção do ônus econômico oriundo das aquisições que teriam gerado as despesas e créditos glosados. Para melhor organizar a decisão que ora se propõe, reordenarei os argumentos acima a fim de tornar mais lógica a estrutura de meu voto e, também, para evitar a repetição de argumentos. Neste passo, como a questão tratada em "a" não foi explicitamente aventada como preliminar de mérito e, mais, como os seus fundamentos estão intrinsecamente ligados àqueles declinados em "d", tratarei destes dois pleitos num um único tópico. Assim, me Fl. 1544DF CARF MF Processo nº 19515.720671/201694 Acórdão n.º 1302002.916 S1C3T2 Fl. 1.545 7 pronunciarei, primeiramente, sobre os temas descritos em "a" e "d", seguindo, então ao enfrentamento dos itens "b" e "c", também em tópico único. Cabe, aqui, apenas, um adminículo: o contribuinte, ora recorrente, não ataca especificamente nenhuma das infrações apontadas no TVF; limitase, vale a insistência, em fazer a abordagem genérica acima noticiada sem questionar, v.g., o lançamento do IRRF por pagamento sem causa (que, a meu sentir, comportaria, sim, questionamentos). Como a empresa insurgente ataca apenas as consequências descritas no art. 82 da Lei 9.430 (ou seja, se limita a discutir a comprovação ou não da ocorrência das operações encartadas em documentos considerados inidôneos), sem se debruçar sobre os preceitos e fatos específicos afeitos à cada infração, inclusive com espeque nos ditames dos arts. 17 do Decreto 70.235 e 1.013, caput, do CPC, vejome restringido à matéria efetivamente impugnada e trazida pelo recurso. I.1 Das consequências da declaração de inidoneidade de documentos e das medidas legalmente exigíveis da autoridade lançadora. Como pude me manifestar em processo análogo, mormente em processos de origem de autuações fiscais estaduais, sempre perfilhei meu entendimento ao adotado pelo C. STJ, segundo o qual a declaração de inidoneidade de documentos fiscais somente afeta os fatos posteriores à sua cientificação, pela imprensa oficial, aos cidadãos em geral. Semelhante exigência, sem que se observe algumas condições essenciais à validar eventual pretensão fiscal desfavorável ao contribuinte, revelaria absurda subversão dos deveres contemplados pelo art. 142 do CTN, impondo ao cidadão um dever, desprovido de poder, de auditar terceiros com os quais mantenha relação jurídicocomercial... No âmbito federal, entretanto, discussões como aquelas comumente observadas nos foros Estaduais não se repetem; isto porque, em hipóteses tais, a legislação federal nunca dissentiu daquilo que o C.STJ entende, inclusive, tratando de forma percuciente as consequências da declaração de inidoneidade e, mais importante, dos procedimentos que devem se seguir quando verificada a sua concretização. Neste particular, atentem para o que dispõe o art. 47, caput, e §§ 1º e 5º, da Instrução Normativa RFB nº 1.634, de 6 de maio de 2016 , que foi editada para regulamentar o art. 82 da Lei 9.430/96: Art. 47. É considerado inidôneo, não produzindo efeitos tributários em favor de terceiro interessado, o documento emitido por entidade cuja inscrição no CNPJ tenha sido declarada inapta ou baixada. http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/anexoOutros.action? idArquivoBinario=0 § 1º Os valores constantes do documento de que trata o caput não podem ser: I deduzidos como custo ou despesa, na determinação da base de cálculo do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL); II deduzidos na determinação da base de cálculo do Imposto sobre a Renda das Pessoas Físicas (IRPF); Fl. 1545DF CARF MF Processo nº 19515.720671/201694 Acórdão n.º 1302002.916 S1C3T2 Fl. 1.546 8 III utilizados como crédito do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) não cumulativos; IV utilizados para justificar qualquer outra dedução, abatimento, redução, compensação ou exclusão relativa aos tributos administrados pela RFB. (...) § 5 º O disposto no § 1º não se aplica aos casos em que o terceiro interessado, adquirente de bens, direitos e mercadorias, ou o tomador de serviços, comprovar o pagamento do preço respectivo e o recebimento dos bens, direitos ou mercadorias ou a utilização dos serviços. Notem que os dispositivos acima seguem, a risca, o entendimento sedimentado na citada jurisprudência de nossa Corte Superior de Justiça, invocado pelo próprio contribuinte e que reproduzo a seguir: O vendedor ou comerciante que realizou a operação de boafé, acreditando na aparência da nota fiscal, e demonstrou a veracidade das transações (compra e venda), não pode ser responsabilizado por irregularidade constatada posteriormente, referente à empresa já que desconhecia a inidoneidade da mesma (REsp 112.313/SP, Min. Peçanha Martins, 2ª Turma, publicado no 17/12/1999, p. 343). Destaquese que o STJ somente não autoriza a presunção da prática do ilícito, exigindo, outrossim, que o contribuinte, adquirente, contrate com empresas existentes (formal e fisicamente) e que, mais, comprove a ocorrência concreta, efetiva, do pagamento e da aquisição das mercadorias descritas nos documentos considerados inidôneos... ou seja, não se presume a fraude ou a "compra de notas fiscais"; demonstrado ou, quando menos, investigada a empresa adquirente e evidenciado (e, aqui, não uso o termo "evidência" levianamente) que a operação retratada pelo documento fiscal não se realizou, mesmo que a declaração de inidoneidade seja posterior ao fato, considerarseá indedutível a despesa ou ilegais os créditos por ventura apropriados em decorrência destes documentos. Demais disso, é preciso deixar bem claro que o § 5º acima transcrito (reprodução fidedigna dos preceitos do art. 82 da Lei 9.430/96) não encerra, como ocorre nas hipóteses do art. 42, uma presunção; a situação descrita, pois, no citado preceptivo, abarca casos em que o "ilícito" já está claramente identificado, isto é, o contribuinte efetuou a dedução de despesas ou apurou créditos a partir de documentos fiscais imprestáveis (ideologicamente falsos ou inidôneos). A lei, destarte, garante ao cidadão que demonstre, comprove, que, a despeito de imprestáveis os "documentos e papéis relativos a sua atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial" (art. 264 do RIR), praticou as operações retratadas nestes aludidos documentos a fim de não sofrer as sanções decorrentes da dedução de despesas não comprovadas ou, lado outro, o estorno de créditos igualmente não lastreados em documentos válidos. Fl. 1546DF CARF MF Processo nº 19515.720671/201694 Acórdão n.º 1302002.916 S1C3T2 Fl. 1.547 9 No caso em análise, vejam bem, a Fiscalização se ocupou de todas as medidas necessárias para identificar a ocorrência efetiva das operações; exigiu, do contribuinte, a prova dos pagamentos realizados e, quando este apresentou as duplicatas mercantis e TEDs de efls. 39/232 e 640/649, respectivamente, exigiu, também, a comprovação da aquisição efetiva das mercadorias, mediante demonstração real da contratação de serviços de transporte2. Lembrem, mais uma vez, que tanto a Lei 9.430, como a IN 1.634 impõem a demonstração do pagamento efetivo dos valores consignados nas notas fiscais "e o recebimento dos bens, direitos ou mercadorias"; e, aqui, notem, ambos diplomas normativos impõe ao contribuinte o mister de provar que, de fato, pagou e adquiriu as mercadorias... In casu, mormente quanto à segunda exigência, o contribuinte nada disse... nada fez... nada provou (não por outra razão, teve agravada a multa de ofício por embaraço à fiscalização) 3 A recorrente insiste que comprovou a realização de pagamentos concretamente realizados à empresa Cleber Martins e, indubitavelmente, o fez como se dessume dos docs. de efls. 640/649. O problema é que, primeiramente, a D. Auditoria identificou que tais pagamentos se referiam a parte muito inferior ao montante total identificado na ação fiscal4 e, mais, constatou a realização de inúmeros pagamentos pela ALUNOBRE ao contribuinte sem que houvesse qualquer justificativa para tanto... Mais adiante relata, em verdade, que tais pagamentos nada mais seriam que um retorno dos valores pagos em decorrência das aquisições, feitos, contudo, de forma parcelada. Ou seja, a ALUNOBRE recebia pelas notas emitidas o valor ali descrito e, em seguida, e de forma fracionada, devolvia estes montantes ao recorrente. Tratase, é verdade, de uma presunção assumida pela D. Auditoria, mas, semelhante presunção está lastreada, em especial, na falta de esclarecimentos por parte do recorrente que, também aqui, nada disse, provou ou demonstrou. Enfim, o conjunto fático probatório dá conta de que a ALUNOBRE foi ficticiamente criada para simular pagamentos; os fornecedores da ALUNOBRE, digase, também não existiam formalmente (o que reforça a não comprovação do recebimento das mercadorias pela recorrente se as mercadorias pretensamente revendidas pela ALUNOBRE foram, de forma igualmente pretensa, adquiridas de empresas inaptas5, tais produtos, por indução lógica, nunca foram entregues ao contribuinte e aqui, digase, me limito a reproduzir o raciocínio engendrado pela própria fiscalização, com o qual, verdade seja dita, concordo). A meu sentir, digase, os fatos acima relatados dão conta de que: 2 TIFs de efls. 621/624, 625/627 e 633/635, todos, sem qualquer resposta do contriubinte. 3 Vale relembrar aqui que as mercadorias pretensamente adquiridas pela recorrente são, como destacado no TVF item 26, efls. 902, "tambores de 200 litros" que, por certo, não foram levados à empresa adquirente "no lombo de camelos". 4 Do TVF, item49.3, extraise a informação de que o contribuinte teria comprovado o pagamento de R$ 190.000,00, aproximadamente, quando o total das operações auditadas teria alçado ao montante próximo de R$ 2.760.000,00, cerca de, apenas, 10% do valro total das despesas glosadas. 5 Conforme relato constante do TVF, à efls. 900, item 13, em que a D. Auditoria consigna que "essas supostas empresas fornecedoras (CMP Comércio de Metais e Plásticos Ltda, CNPJ 10.590.088/000100, Elgonfer Comercial de Metais Ltda,CNPJ 10.882.429/000103, Geraldo Jose dos Santos, CNPJ 13.884.087/000159 e FVM Comércio de Sucatas Ltda, CNPJ 10.914.085/000177), que não foram localizadas nos endereços informados no Cadastro CNPJ e também tiveram suas inscrições estaduais consideradas inaptas ou nula pelo fisco paulista, desde o início de suas atividades informadas". Fl. 1547DF CARF MF Processo nº 19515.720671/201694 Acórdão n.º 1302002.916 S1C3T2 Fl. 1.548 10 a) o Auto de infração não foi instruído de forma precária, nem tampouco restou calcado em presunções; a D. Auditoria Fiscal foi, para além do necessário, extremamente meticulosa e diligente, tendo oportunizado ao recorrente inúmeras chances para justificar a miríade de inconsistências e irregularidades apontadas ao longo de todos os Termos de Intimação Fiscal o que, per se, afasta alegação de uma eventual nulidade por falta de motivação/fundamentação; b) não há, no caso, nenhuma prova, documento, indício de que as mercadorias descritas nas notas fiscais, declaradas inidôneas, foram efetivamente recebidas pela empresa, havendo, de outra sorte, comprovação de pagamento de parte ínfima das operações analisadas neste auto de infração, deixando extreme de dúvidas que, a teor do art. 82 da Lei 9.430 (47, § 5º, da IN 1.634), as despesas e créditos aproveitados pelo contribuinte estavam lastreados em documentos formal e substancialmente imprestáveis. Quanto a alegação do contribuinte de que o art. 137 do CTN afastaria a sua responsabilização, ora vamos... o ato considerado ilícito, aqui, é a apropriação de despesas/créditos pelo recorrente sem lastro documental válido; a ALUNOBRE, digase, não é responsável por esta infração específica, mas, tão somente, pela emissão de documentos inidôneos, hipótese em que seu sócio poderia responder, pessoalmente, perante as fiscalizações federal e estadual, mas apenas por este fato (emissão de documento falso/inidôneo). A luz do exposto, não vejo como acolher a pretensão recursal, não havendo reparos a serem feitos na decisão recorrida. I.2 Da multa qualificada e da decadência. Do TVF, à efls. 908, extraise a fundamentação adotada pela D. Auditoria Fiscal a fim de justificar a qualificação da multa de ofício. Vejase: Conforme anteriormente exposto, constatouse que as operações comerciais não existiram, sendo, inclusive, suportadas com documentos inidôneos (“notas frias”), procurando, através destes subterfúgios, aumentar indevidamente os seus custos, obter indevido creditamento de tributos de forma a reduzir o montante dos impostos a pagar. O dolo fica caracterizado, também, na tentativa de ludibriar a fiscalização ao realizar o pagamento parcial inferior a 10%, de tentar comprovar o pagamento através de duplicatas mercantis sem data, sem aceite e sem a comprovação da efetiva entrega dos recursos, buscando simular a boafé, além de receber parte dos recursos de volta à margem da escrituração contábil, o que caracteriza fraude, nos termos do artigo 72 da Lei nº 4.502 de 30 de novembro de 1.964 (...). Vejam bem, a inidoneidade de documentos é fato que somente pode ser imputado ao seu emitente, e neste ponto, concordo com o contribuinte. O problema é que a circulação de notas fiscais inidôneas, emitidas por empresa "fantasma" que não possui estoque e que declara, expressamente, adquirir para revenda mercadorias oriundas de empresas igualmente inexistentes, somente pode ocorrer com a participação volitiva dos destinatários dos aludidos documentos. Fl. 1548DF CARF MF Processo nº 19515.720671/201694 Acórdão n.º 1302002.916 S1C3T2 Fl. 1.549 11 Reprisese que o recorrente, no caso, não conseguiu, nem mesmo, demonstrar os pagamentos relativos às operações retratadas nas notas fiscais consideradas inidôneas; as duplicatas, que insiste, seria a demonstração da regularidade de sua conduta, além de não comprovarem o "pagamento" (mas, quando muito, a assunção de uma obrigação cartular), não preenchiam os requisitos mínimos para fossem consideradas, sequer, títulos de créditos (como muito bem pontuado pela Fiscalização). Mais que isso, não demonstrou (e teve oportunidades diversas para fazêlo) o recebimento efetivo das mercadorias que, permissa venia, a toda evidência nunca existiram. Enfim... realmente a declaração de inaptidão da empresa ALUNOBRE, e a consequente declaração de inidoneidade de seus documentos fiscais, não podem ser diretamente imputáveis ao recorrente; mas o conluio desta com a empresa ficticiamente criada para burlar a legislação fiscal, e a utilização de subterfúgios, estes sim, fraudulentos para ocultar esta relação insidiosa, me parece, estão suficientemente demonstrados, em especial a partir de fatos não refutados ou contestados pelo contribuinte: a) recebimento das notas fiscais sem comprovação do pagamento ou recebimento das mercadorias; b) a guarda e apresentação de duplicatas frias emitidas pela ALUNOBRE para tentar comprovar o citado "pagamento" e a concretização efetiva das operações; c) o recebimento de cheques sem lastro ou causa, fato que indiciaria esquema alardeado pela fiscalização utilizado para ressarcir as empresas adquirentes das notas fiscais inidôneas pelos poucos pagamentos efetuados à ALUNOBRE; d) a realização, de fato, de alguns poucos pagamentos por parte da recorrente à ALUNOBRE com o claro intuito de tentar não chamar para si uma desnecessária atenção. No entendimento deste julgador, portanto, não há reparos, seja no TVF, seja no acórdão recorrido (que tomou para si as fundamentações exaradas pela Auditoria Fiscal), devendo ser mantida a qualificação da multa. Consentaneamente, no que tange a alegação de decadência, a tese do recorrente tambem cai por terra já que, caracterizados a fraude e o conluio, a regra que passa a reger o prazo de que dispõe o fisco para declarar a liquidez e exigibilidade da obrigação via lançamento é a do art. 173, I, do CTN. Considerandose que os fatos geradores tratados neste feito revolvem os 12 meses do ano de 2011, temse que: a) quanto ao IRPJ e a CSLL, o início do prazo se deu em 01 de janeiro de 2013; b) quanto a contribuição para o PIS e a COFINS e ao IRRF, este prazo teria se iniciado em janeiro de 2012; c) o decurso do quinquenio legal, in casu, daria, quanto ao IRPJ/CSLL em janeiro de 2018, ao passo que, quanto as contribuições previdenciárias, e ao IRRF, em janeiro de 2017. Fl. 1549DF CARF MF Processo nº 19515.720671/201694 Acórdão n.º 1302002.916 S1C3T2 Fl. 1.550 12 Pelo que se extrai dos ARs de efls. 1.105/1.107, os sujeitos passivos foram, todos, cientificados do lançamento em dezembro de 2016, não se operando, desta sorte, a predita decadência. II Dos recursos dos responsáveis tributários. Em seus recursos voluntários, os sujeitos passivos sustentam haver falta de motivação no Auto de Infração a permitir a sua responsabilização com espeque nos preceitos do art. 135, III, do CTN. Argumentam, mais, que não praticaram atos contrários à lei, ao Estatuto ou Contrato social e, mais, que o simples não pagamento de tributos não encerra o ato ilícito a que faz alusão o preceito legal complementar supra referido. Pois bem, quanto a falta de motivação, me permitam, desde logo, afastar semelhante alegação a partir das considerações lançadas pela autoridade fiscal à efls. 909 destes autos, as quais, peço licença, reproduzo a seguir: Considerando a fraude já relatada e o dolo que a acompanha, temos que os representantes legais que administravam, em conjunto ou isoladamente, a empresa, à época participaram dos fatos já descritos que permitiram a empresa DUTRA obter vantagens ilícitas em prejuízo ao Erário. A tentativa de ludibriar o fisco com creditamentos indevidos de custos e tributos, dos pagamentos que serviram para simular a boa fé e o retorno dos recursos caracterizam infração a lei e, com fundamento no artigo 135, III do Código Tributário Nacional (...). É verdade que o trecho acima é conciso; mas o é porque faz referência explícita à todas as situações, fatos e atos que, inclusive, embasaram a qualificação da multa... e tais situações, fatos e atos não revolvem, tão só, o não recolhimento de tributos, mas, objetivamente, o falseamento de premissas que, ao fim e ao cabo, encerraram a redução, supressão ou falta, pura e simplesmente, de recolhimento de tributos. Já o liame entre tais situações, fatos e atos, é feito justamente a partir da assertiva de que "os representantes legais que administravam, em conjunto ou isoladamente, a empresa, à época participaram dos fatos já descritos que permitiram a empresa DUTRA obter vantagens ilícitas em prejuízo ao Erário". Neste particular, o acórdão recorrido, com felicidade impar, e sem ultrapassar a fundamentação deduzida pela Fiscalização, torna ainda mais minudente a linha de argumentação a justificar a responsabilização dos sujeitos passivos, consoante se infere do trecho que transcrevo abaixo: 68. Não é possível imaginar que age com cuidado e diligência um sócioadministrador que, na gestão de sua empresa, comete, em tese, crimes contra a ordem tributária, infringindo a legislação penal e tributária e sujeitandoa ao pagamento de juros e multas de ofício que podem variar entre 75 e 225%, comprometendo sua viabilidade financeira. 69. Os sóciosadministradores, procedendo de forma livre e consciente no objetivo de se eximirem ilegalmente do pagamento dos tributos, mediante condutas tipificadas, em tese, como crimes, infringem a lei penal, tributária, civil e comercial e Fl. 1550DF CARF MF Processo nº 19515.720671/201694 Acórdão n.º 1302002.916 S1C3T2 Fl. 1.551 13 tornamse solidariamente responsáveis pelos créditos tributários apurados. 70. E não se diga que os sóciosadministradores não eram os responsáveis pela escrituração contábil, pelo envio das declarações para a RFB e pelo pagamento dos tributos. É dever elementar de qualquer gestor, como bem ressalta o artigo 1.011 do novo Código Civil, zelar pelo bom desempenho das funções de todos aqueles que lhe prestam serviços, determinando e verificando se estes estão cumprindo todas as normas legais. Além do mais, os valores não desembolsados com o pagamento dos tributos se revertem para a sociedade, ou seja, para si próprios, e não para seus funcionários ou seu contador. 71. Por fim, estas obrigações tributárias também resultaram de infração ao Contrato Social, pois a Cláusula Quarta, Parágrafo Terceiro, veda expressamente o uso da firma em atos que envolvam a sociedade em obrigações estranhas aos seus objetivos sociais. A conduta dos sóciosadministradores, no entanto, desrespeitou tal vedação, pois usaram a firma em atos fraudulentos que geraram obrigações tributárias referentes a tributos, juros e multas de ofício, estas ainda qualificadas pela sua atuação fraudulenta, os quais obviamente são completamente estranhos aos objetivos sociais da empresa. Impecável e, por isso mesmo, impassível de reforma, a decisão recorrida quanto ao ponto ora analisado, pelo que, desmerece provimento os recursos dos responsáveis tributários. III Conclusão. Por todo o exposto, voto por conhecer dos recursos voluntários do contribuinte e dos sujeitos passivos para, no mérito, negarlhes provimento. (assinado digitalmente) Gustavo Guimarães da Fonseca Fl. 1551DF CARF MF
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Numero do processo: 10813.001603/2009-64
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 09 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2008
EXCLUSÃO DE OFÍCIO. COMERCIALIZAÇÃO DE MERCADORIAS OBJETO DE CONTRABANDO OU DESCAMINHO.
A exclusão de ofício da pessoa jurídica optante pelo Simples Nacional dá-se quando houver comercialização de mercadorias objeto de contrabando ou descaminho com efeitos a partir do mês seguinte da ocorrência da situação impeditiva.
Numero da decisão: 1003-000.128
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2008 EXCLUSÃO DE OFÍCIO. COMERCIALIZAÇÃO DE MERCADORIAS OBJETO DE CONTRABANDO OU DESCAMINHO. A exclusão de ofício da pessoa jurídica optante pelo Simples Nacional dáse quando houver comercialização de mercadorias objeto de contrabando ou descaminho com efeitos a partir do mês seguinte da ocorrência da situação impeditiva. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). Relatório A Recorrente optante pelo Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte Simples Nacional foi excluída de ofício pelo Ato Declaratório Executivo DRF/RPO/SP nº 81, de 03.05.2011, fl. 49, com efeitos a partir de 01.08.2008, com base nos fundamentos de fato e de direito indicados: O Delegado da Receita Federal do Brasil de Ribeirão PretoSP, no uso das suas atribuições e tendo em vista o disposto no inciso VII do art. 29 da Lei AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 81 3. 00 16 03 /2 00 9- 64 Fl. 95DF CARF MF Processo nº 10813.001603/200964 Acórdão n.º 1003000.128 S1C0T3 Fl. 96 2 Complementar n° 123 de 14 de dezembro de 2006 e no § 1° do art. 4° da Resolução CGSN n° 15, de 23 de julho de 2007 e do que consta no Processo Administrativo n° 10813.001603/200964, determina: 1 A exclusão da empresa ISMAR BAR JABOTICABAL LTDA ME, CNPJ n° 04.767.941/000106, situada na Avenida Dom Pedro II, n° 170, Recanto do Barreiro, Jaboticabal/SP do Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte Simples Nacional, tendo em vista a constatação de comercialização de mercadorias objeto de contrabando ou descaminho. 2 A exclusão surtirá efeito a partir de 01/08/2008. 3 Poderá a empresa, no prazo de 30 (trinta) dias contados da ciência deste ADE, manifestarse por escrito, sua inconformidade relativamente ao procedimento acima, ao Delegado da Receita Federal do Brasil de Julgamento, protocolada na unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil de sua jurisdição, nos termos do Decreto n° 70.235, de 06 de março de 1972. (grifos do original) Cientificada, a Recorrente apresentou a impugnação. Está registrado nos excertos da ementa e do voto condutor do Acórdão da 9ª Turma/DRJ/RPO/SP nº 1440.838, de 13.03.2013, efls. 6769: SIMPLES NACIONAL. EXCLUSÃO. COMERCIALIZAÇÃO DE MERCADORIA OBJETO DE CONTRABANDO OU DESCAMINHO. A comercialização de mercadoria objeto de contrabando ou descaminho constitui motivo para exclusão de ofício da empresa do Simples Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Notificada em 05.04.2013, efl. 72, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 06.05.2013, efls. 7393, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. A respeito do motivo do ato de exclusão esclarece que: Alegase preliminarmente a ilegitimidade passiva, posto que as dez unidades de maços de cigarro pertenciam ao proprietário, fumante inveterado, e a rigor não restou provado que as mercadorias estavam sendo comercializadas, em nenhum momento dos autos, foram produzidas as provas de que havia comercialização, ficando tudo isto no campo da presunção. [...] Não houve a produção de prova capaz de fazer a necessária ligação entre a comercialização alegada nos autos. Certamente não é o que diz a nossa Constituição quando se refere ao Princípio da Presunção da Inocência. Em seu voto, o Presidente aduz que foram apreendidos "(...)10 maços de cigarros de procedência estrangeira, sem a prova de sua introdução regular no país, configurando, em tese, crime de contrabando ou descaminho", e que os produtos apreendidos eram objeto de comercialização. Ora, titubeia o eminente Presidente ao afirmar que "em tese" há o crime de contrabando ou descaminho, qual seja, fere desta vez outro princípio constitucional, o Princípio da Legalidade, porque titubeia, seu argumento não se reveste da certeza Fl. 96DF CARF MF Processo nº 10813.001603/200964 Acórdão n.º 1003000.128 S1C0T3 Fl. 97 3 necessária para penalizar alguém que trabalha e que sempre manteve suas obrigações, tanto fiscais quanto sociais rigorosamente em dia, e cujo voto vai contribuir para imperar a ausência de Justiça neste nosso desigual país. Esta injustiça se materializa de vez quando pugna pela manutenção da exclusão do contribuinte do sistema de recolhimentos simplificado e unificado de tributos, o Simples Nacional, Lei Complementar 123/2006, artigo 29, § 1º, em razão de as mercadorias serem objeto de contrabando e descaminho, sem reiterando, não produzir nenhuma prova neste sentido, verdadeiro julgamento de exceção. [...] Como mencionado alhures, tal penalidade, fere o princípio constitucional da Presunção de Inocência, insculpido no artigo 5º da Constituição Federal (...) "LVII ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória". Melhor dizendo, ausentes as provas suficientes, não há se falar em culpabilidade, fato que se comprova quando é relatado que "(...) CONFIGURANDO EM TESE, CRIME DE CONTRABANDO E DESCAMINHO". Ainda por tudo quanto já foi explicitado, socorrese o contribuinte ainda ao Princípio da Bagatela ou Insignificância. Referido princípio, inobstante estar presente a ação que se contrapõe ao comportamento individualizado na lei, não ofende o bem jurídico tutelado jurídico tutelado pela norma. Por isso tal princípio reconhece a excludente de ilicitude, evitando a imposição da sanção penal. Ante esta recomendação, mister a extinção da punibilidade do contribuinte com o reconhecimento da atipicidade da conduta, decretando o nobre julgador a nulidade da pena que lhe foi imposta, qual seja, a sua exclusão do Simples Nacional, desde o suposto ato delitivo. Há se lembrar que o valor das mercadorias envolvidas foi avaliada em R$ 5,00 (cinco reais), e ainda que não eram objeto de comercialização. [...] Notese ainda que o STF e STJ têm aplicado o princípio da insignificância ao crime de descaminho, na hipótese de o valor do tributo reduzido ou suprimido não superar R$ 10.000,00 [...]Ainda por derradeiro, o contribuinte ainda permanece como optante pelo Simples Nacional, conforme informação obtida no "sítio" (site) da rede mundial de computadores Internet, e a sua exclusão desde o suposto ato delitivo, seria apenas de cunho punitivo, o que se entende não se coaduna com a finalidade educativa do Fisco, até porque, jamais houve qualquer tipo de reincidência. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referência a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Concernente ao pedido expõe que: Pelos fatos e fundamentos expostos, é o presente RECURSO VOLUNTÁRIO para que seja revisto o ato de exclusão do Simples Nacional, com a conseqüente anulação do mesmo e a mantença do contribuinte no Simples Nacional instituído pela Lei Complementar 123/2003, por ser medida de inteira Justiça, ou que alternativamente, assim não entenda este nobre julgador, que os efeitos da exclusão Fl. 97DF CARF MF Processo nº 10813.001603/200964 Acórdão n.º 1003000.128 S1C0T3 Fl. 98 4 sejam a partir do ano calendário seguinte ao da comunicação do julgamento administrativo definitivo. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, observado o disposto no § 3A do art. 4º da Resolução CGSN nº 15, de 23 de julho de 2007, em relação aos efeitos da exclusão de ofício. A Recorrente discorda do procedimento fiscal. O tratamento diferenciado, simplificado e favorecido pertinente ao cumprimento das obrigações tributárias, principal e acessória, aplicável às microempresas e às empresas de pequeno porte relativo aos impostos e às contribuições estabelecido em cumprimento ao que determina no inciso X do art. 170 e no art. 179 da Constituição Federal de 1988 pode ser usufruído desde que as condições legais sejam preenchidas. Com o escopo de implementar esses princípios constitucionais foi editada a Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, que instituiu o Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte Simples Nacional. O Simples Nacional está regulamentado pelo Comitê Gestor do Simples Nacional (CGSN). A opção do sujeito passivo deve ser manifestada por meio da internet até o último dia útil do janeiro sendo irretratável para todo anocalendário oportunidade em que presta declaração quanto ao nãoenquadramento nas vedações legais. A exclusão por comunicação decorrente de opção ou de obrigatoriedade é feita pela internet. Atinente à questão está literalmente firmado na Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006: Art. 29. A exclusão de ofício das empresas optantes pelo Simples Nacional darseá quando: [...] VII comercializar mercadorias objeto de contrabando ou descaminho; [...] Art. 30. A exclusão do Simples Nacional, mediante comunicação das microempresas ou das empresas de pequeno porte, darseá: [...] II obrigatoriamente, quando elas incorrerem em qualquer das situações de vedação previstas nesta Lei Complementar; ou [...] Art. 31. A exclusão das microempresas ou das empresas de pequeno porte do Simples Nacional produzirá efeitos: [...] II na hipótese do inciso II do caput do art. 30 desta Lei Complementar, a partir do mês seguinte da ocorrência da situação impeditiva; [...] Fl. 98DF CARF MF Processo nº 10813.001603/200964 Acórdão n.º 1003000.128 S1C0T3 Fl. 99 5 Art. 32. As microempresas ou as empresas de pequeno porte excluídas do Simples Nacional sujeitarseão, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. Cabe esclarecer que a opção pelo Simples é um direito da pessoa jurídica que preenche todos os requisitos legais. Porém a optante deve comunicar obrigatoriamente a sua exclusão à RFB, por meio do Portal do Simples Nacional na internet, quando incorrer em hipótese legal de vedação. Verificada a falta de informação espontânea, há exclusão de ofício mediante emissão do termo de exclusão do Simples Nacional pela autoridade competente, sob pena de responsabilidade funcional, devendo ser observadas as determinações do processo administrativo fiscal1. A exclusão de ofício da pessoa jurídica optante pelo Simples Nacional dáse quando houver comercialização de mercadorias objeto de contrabando ou descaminho com efeitos a partir do mês seguinte da ocorrência da situação impeditiva (inciso VII do art. 29 e inciso II do art. 30 da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006). Podese entender que a prática de contrabando consiste na importação ou exportação de mercadoria proibida, atentando contra a saúde pública e administração pública. Por sua vez, a prática de descaminho é a ilusão do pagamento do tributo de mercadoria permitida, ofendendo a ordem tributária2. Porém, está pacificado no Supremo Tribunal Federal que "Não há razão para discriminação entre contrabando e descaminho, [...], quando o art. 334 do C.P. os considera sinônimas". 3 As manifestações unilaterais da RFB foram formalizadas por ato administrativo, como uma espécie de ato jurídico, deve estar revestido dos atributos que lhe conferem a presunção de legitimidade, a imperatividade e a autoexecutoriedade, ou seja, para que produza efeitos que vinculem o administrado deve ser emitido (a) por agente competente que o pratica dentro das suas atribuições legais, (b) com as formalidades indispensáveis à sua existência, (c) com objeto, cujo resultado está previsto em lei, (d) com os motivos, cuja matéria de fato ou de direito seja juridicamente adequada ao resultado obtido e (e) com a finalidade visando o propósito previsto na regra de competência do agente. Tratandose de ato vinculado, a Administração Pública tem o dever de motiválo no sentido de evidenciar sua expedição com os requisitos legais4. O princípio da legalidade estabelece que a atuação administrativa que decorre da aplicação da lei de ofício, de modo que deve ser feito o que a lei determina, pois sua atividade é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. (art. 37 da Constituição Federal e art. 142 do Código Tributário Nacional). A legislação de regência da matéria determina as consequências da exclusão do Simples Nacional, no sentido de que a pessoa jurídica sujeitase a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às 1 Fundamentação legal: art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, art. 29, art. 33 e art. 39 da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, Resolução CGSN nº 15 de 23 de julho de 2007 e art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990. 2 BALTAZAR JUNIOR, José Paulo. Crimes Federais. 9. ed. São Paulo: Saraiva, 2014. p.386. 3 BRASIL. Supremo Tribunal Federal. Acórdão em HC nº 35341/DF. Órgão Julgador: Tribunal Pleno. Relator: Ministro Antônio Martins Vilas Boas. Julgado em: 18 out. 1957. Publicado no DJ em: 12 dez.1957. Disponível em: <http://www.stf.jus.br/portal/jurisprudencia/listarJurisprudencia.asp?s1=%28CONTRABANDO+E+DESCAMIN HO%29&pagina=10&base=baseAcordaos&url=http://tinyurl.com/zg2uqbk>. Acesso em 05 jul. 2018. 4 Fundamentação legal: art. 2º da Lei nº 4.717, de 29 de junho de 1965, Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999 e Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Fl. 99DF CARF MF Processo nº 10813.001603/200964 Acórdão n.º 1003000.128 S1C0T3 Fl. 100 6 normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas e art. 32 da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006). Feitas essas considerações normativas, tem cabimento a análise da situação fática tendo em vista os documentos já analisados pela autoridade de primeira instância de julgamento e aqueles produzidos em sede de recurso voluntário. Consta na Representação Fiscal para Exclusão do Simples Nacional, fl. 01 02, cujos fundamentos são adotadas nessa segunda instância de julgamento: Introdução Sr. Delegado da Receita Federal do Brasil em Ribeirão Preto, Lavrado o Auto de Infração e Termo de Apreensão e Guarda Fiscal (AITAGF) n° 810900/01904/09, constante do processo administrativo n° 10813 001601/200975, ficou demonstrada a ocorrência de fatos que configuram infração punível com á exclusão do Simples Nacional, nos termos do inciso VII do art. 29 da Lei Complementar n° 123, de 14/12/2006. [...] Descrição Dos fatos Caracterizadores Do Ilícito Conforme descrito no AITAGF supramencionado, houve apreensão efetuada pela Polícia Civil do Estado de São, Paulo, de cigarros estrangeiros, objeto de contrabando, no estabelecimento comercial da interessada, no endereço e na data constante do boletim de ocorrência anexo. (grifos acrescentados) O conjunto probatório produzido nos autos corroboram a conduta da Recorrente de comercialização de mercadorias objeto de contrabando ou descaminho, quais sejam, cigarros de procedência estrangeira, conforme Auto de Infração e Termo de Apreensão e Guarda Fiscal n° 0810900/01904/09, Ofício n° 1077/2008, Boletim de Ocorrência n° 523/2008, Auto de Exibição e Apreensão, Laudo e Ofício nº 1068/2008, fls. 0312. Especificamente no que se refere ao Auto de Infração e Termo de Apreensão e Guarda Fiscal n° 0810900/01904/09 temse que houve "Apreensão de cigarros, ou charutos ou fumo de procedência estrangeira por encontrarse desprovida de documentação comprobatória de sua introdução regular no País." Assim, este procedimento foi formalizado no processo 10813.001601/200975 e segue rito próprio e especial previsto no DecretoLei nº 1.455, de 07 de abril de 1976, DecretoLei nº 399, de 30 de dezembro de 1968, Decreto nº 6.759, de 05 de fevereiro de 2009 e DecretoLei nº 37, de 18 de novembro de 1966. Restou comprovado que houve apreensão, efetuada pela Polícia Civil do Estado de São Paulo, de cigarros estrangeiros, objeto de contrabando ou descaminho, no estabelecimento comercial da Recorrente, fato que conformase com atividade mercantil destes produtos. Demonstrado que a mercadoria foi apreendida no estabelecimento comercial da Recorrente ressai nítida a sua condição de sujeito passivo da obrigação tributária e evidencia o caráter comercial da atividade, independentemente da quantidade de itens e o modo como estão expostos à venda. Ademais, a instância judiciária penal é independente da instância administrativa. 5 Por conseguinte, há autonomia entre o trânsito em julgado da decisão judicial 5 BRASIL. Supremo Tribunal Federal. Acórdão em RHC nº 33136/PR. Órgão Julgador: Tribunal Pleno. Relator: Ministro Nelson Hungria. Julgado em: 09 jun 1954. Publicado no DJ em: 19 set. 1954. Disponível em: <http://www.stf.jus.br/portal/jurisprudencia/listarJurisprudencia.asp?s1=%28CONTRABANDO+E+DESCAMIN HO%29&pagina=11&base=baseAcordaos&url=http://tinyurl.com/zg2uqbk>. Acesso em 05 jul. 2018. Fl. 100DF CARF MF Processo nº 10813.001603/200964 Acórdão n.º 1003000.128 S1C0T3 Fl. 101 7 relativa ao crime de contrabando ou descaminho e a verificação de circunstância legal de exclusão do Simples Nacional na esfera administrativatributária. Especificamente sobre o princípio da insignificância, temse que deve ser analisado em conexão com os postulados da fragmentariedade e da intervenção mínima do Estado em matéria penal – tem o sentido de excluir ou de afastar a própria tipicidade penal, examinada esta na perspectiva de seu caráter material 6. Vale transcrever excertos de ementas de orientações firmadas no Supremo Tribunal Federal (STF) e no Superior Tribunal de Justiça (STJ) que firmaram o entendimento no sentido de que a importação não autorizada de cigarros constitui o crime de contrabando ou descaminho, insuscetível de aplicação do princípio da insignificância: 2. Este Superior Tribunal de Justiça firmou o entendimento de que a introdução clandestina de cigarros, em território nacional, em desconformidade com as normas de regência, configura o delito de contrabando, ao qual não se aplica o princípio da insignificância, por tutelar interesses que transbordam a mera elisão fiscal. 7 2. Esta Corte de Justiça vem entendendo, em regra, que a importação de mercadorias de proibição relativa, como cigarros ou medicamentos, configura crime de contrabando. 8 4. Nos termos da jurisprudência desta Corte Superior, o crime de contrabando de cigarros não comporta aplicação do princípio da insignificância, haja vista o elevado grau de reprovabilidade da conduta, que ofende a saúde e a segurança públicas. 9 1. Nos termos da pacífica orientação da Terceira Seção desta Corte, a importação não autorizada de cigarros constitui o crime de contrabando, insuscetível de aplicação do princípio da insignificância. 10 6 BRASIL. Supremo Tribunal Federal. Acórdão em Habeas Corpus nº 98.152/MG. Órgão Julgador: Segunda Turma. Relator: Ministro Celso de Mello. Julgado em 19 mai.2009. Publicado no DJe em 05 jun. 2009. Disponível em: <http://www.stf.jus.br/portal/jurisprudencia/listarJurisprudencia.asp?s1=%2898152%29&pagina=5&base=baseAc ordaos&url=http://tinyurl.com/ybhv4wnta>. Acesso em 05 jun. 2018. 7 BRASIL. Superior Tribunal de Justiça. Acórdão em AgRg no AREsp nº 1116451/MT. Órgão Julgador: Sexta Turma. Relator: Ministro Nefi Cordeiro. Julgado em: 19 abr. 2018. Publicado no DJe em: 02 mai. 2018. Disponível em: <http://www.stj.jus.br/SCON/jurisprudencia/toc.jsp?livre=contrabando+e+insignific%E2ncia+e+cigarro&&b=AC OR&thesaurus=JURIDICO&p=true>. Acesso em 05 jul. 2018. 8 BRASIL. Superior Tribunal de Justiça. Acórdão em AgRg no AREsp nº 1706471/PR. Órgão Julgador: Quinta Turma. Relator: Ministro Joem Ilan Paciornik. Julgado em: 20.mar. 2018. Publicado no DJe em: 04.abr. 2018. Disponível em: <http://www.stj.jus.br/SCON/jurisprudencia/toc.jsp?livre=contrabando+e+insignific%E2ncia+e+cigarro&&b=AC OR&thesaurus=JURIDICO&p=true>. Acesso em 05 jul. 2018. 9 BRASIL. Superior Tribunal de Justiça. Acórdão em AgRg no AREsp nº 1226987?RJ. Órgão Julgador: Quinta Turma. Relator: Ministro Reynaldo Soares da Fonseca. Julgado em: 20.mar. 2018. Publicado no DJe em: 02 abr. 2018. Disponível em: <http://www.stj.jus.br/SCON/jurisprudencia/toc.jsp?livre=contrabando+e+insignific%E2ncia+e+cigarro&&b=AC OR&thesaurus=JURIDICO&p=true>. Acesso em 05 jul. 2018. 10 BRASIL. Superior Tribunal de Justiça. Acórdão em AgRg no AREsp nº 1706397/RS. Órgão Julgador: Quinta Turma. Relator: Ministro Reynaldo Soares da Fonseca. Julgado em: 20.fev. 2018. Publicado no DJe em: 28.fev. 2018. Disponível em: Fl. 101DF CARF MF Processo nº 10813.001603/200964 Acórdão n.º 1003000.128 S1C0T3 Fl. 102 8 2. Consoante entendimento do Supremo Tribunal Federal e do Superior Tribunal de Justiça, não se aplica o princípio da insignificância ao contrabando de cigarros. Tal entendimento decorre do fato de a conduta não apenas implicar lesão ao erário e à atividade arrecadatória do Estado, como na hipótese de descaminho. De fato, outros bens jurídicos são tutelados pela norma penal, notadamente a saúde pública, a moralidade administrativa e a ordem pública. 11 É assente na jurisprudência desta Corte que o trancamento de ação penal ou de inquérito policial, em sede de habeas corpus, constitui medida excepcional, somente admitida quando restar demonstrado, sem a necessidade de exame do conjunto fático probatório, a atipicidade da conduta, a ocorrência de causa extintiva da punibilidade ou a ausência de indícios suficientes da autoria ou prova da materialidade. Precedentes. Consoante já assentado pelo Supremo Tribunal Federal, o princípio da insignificância deve ser analisado em correlação com os postulados da fragmentariedade e da intervenção mínima do Direito Penal, no sentido de excluir ou afastar a própria tipicidade da conduta, examinada em seu caráter material, observandose, ainda, a presença dos seguintes vetores: (I) mínima ofensividade da conduta do agente; (II) ausência total de periculosidade social da ação; (III) ínfimo grau de reprovabilidade do comportamento e (IV) inexpressividade da lesão jurídica ocasionada (HC n. 84.412/SP, de relatoria do Ministro Celso de Mello, DJU 19/4/2004). Na espécie, inferese que o acórdão recorrido encontrase alinhado à jurisprudência desta Corte, no sentido de que a introdução de cigarros em território nacional é sujeita a proibição relativa, sendo que a sua prática, fora dos moldes expressamente previstos em lei, constitui o delito de contrabando, o qual inviabiliza a incidência do princípio da insignificância. Isto porque o bem juridicamente tutelado vai além do mero valor pecuniário do imposto elidido, pois visa a proteger o interesse estatal de impedir a entrada e a comercialização de produtos proibidos em território nacional, bem como resguardar a saúde pública. 12 1. A tipicidade penal não pode ser percebida como exame formal de subsunção de fato concreto à norma abstrata. Além da correspondência formal, para a configuração da tipicidade é necessária análise materialmente valorativa das circunstâncias <http://www.stj.jus.br/SCON/jurisprudencia/toc.jsp?livre=contrabando+e+insignific%E2ncia+e+cigarro&&b=AC OR&thesaurus=JURIDICO&p=true>. Acesso em 05 jul. 2018. 11 BRASIL. Superior Tribunal de Justiça. Acórdão em RHCnº 89755/RS. Órgão Julgador: Quinta Turma. Relator: Ministro Ribeiro Dantas. Julgado em: 05 out.2017. Publicado no DJe em: 11.out. 2017. Disponível em: <http://www.stj.jus.br/SCON/jurisprudencia/toc.jsp?livre=contrabando+e+insignific%E2ncia+e+cigarro&&b=AC OR&thesaurus=JURIDICO&p=true>. Acesso em 05 jul. 2018. 12 BRASIL. Superior Tribunal de Justiça. Acórdão em RHC nº 82276/RS. Órgão Julgador: Quinta Turma. Relator: Ministro Reynaldo Soares da Fonseca. Julgado em: 20 jun. 2017. Publicado no DJe em: 30 jun.2017. Disponível em: <http://www.stj.jus.br/SCON/jurisprudencia/toc.jsp?livre=contrabando+e+insignific%E2ncia+e+cigarro&&b=AC OR&thesaurus=JURIDICO&p=true>. Acesso em 05 jul. 2018. Fl. 102DF CARF MF Processo nº 10813.001603/200964 Acórdão n.º 1003000.128 S1C0T3 Fl. 103 9 do caso, para verificação da ocorrência de lesão grave e penalmente relevante do bem jurídico tutelado. 2. Impossibilidade de incidência, no contrabando ou descaminho de cigarros, do princípio da insignificância. 13 1. O princípio da insignificância não incide na hipótese de contrabando de cigarros, tendo em vista que, além do valor material, os bens jurídicos que o ordenamento jurídico busca tutelar são os valores éticosjurídicos e a saúde pública. Precedentes: HC 120550, Primeira Turma, Relator Min. Roberto Barroso, DJe 13/02/2014; ARE 924.284 AgR, Segunda Turma, Relator Min. Gilmar Mendes, DJe 25/11/2015, HC 125847 AgR, Primeira Turma, Relator Min. Rosa Weber, DJe 26/05/2015, HC 119.596, Segunda Turma, Relator: Min. Cármen Lúcia, DJe 26/03/2014. 14 O ato declaratório executivo foi lavrado por servidor competente que verificando a ocorrência da causa de vedação emitiu o ato revestido das formalidades legais com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumprilo ou impugnálo no prazo legal. A notificação do ato administrativo, em regra, pode ser efetivada pessoalmente, por via postal ou por meio eletrônico (art. 23 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972). Assim a intimação do ato administrativo está regular, pois foi efetivada observando as determinações legais. A decisão de primeira instância está motivada de forma explícita, clara e congruente e da qual a pessoa jurídica foi regularmente cientificada. Assim, estes atos contêm todos os requisitos legais, o que lhes conferem existência, validade e eficácia. Consta no Acórdão da 9ª Turma/DRJ/RPO/SP nº 1440.838, de 13.03.2013, efls. 6769, cujos fundamentos de fato e direito são acolhidos de plano nessa segunda instância de julgamento (art. 50 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999): Nos termos do artigo 29, inciso VII da Lei Complementar nº 123/2006, a exclusão da empresa optante pelo Simples Nacional darseá de ofício quando ela comercializar mercadorias objeto de contrabando ou descaminho. Conforme Representação Fiscal para Exclusão do Simples Nacional e documentos que a instruem, a Polícia Civil do Estado de São Paulo apreendeu, no estabelecimento comercial do interessado, 10 maços de cigarros de procedência estrangeira, sem a prova de sua introdução regular no país, configurando, em tese, crime de contrabando ou descaminho. Os argumentos de defesa não procedem. Quanto à destinação comercial, esclarece Maria Helena Diniz, em seu Dicionário Jurídico1, que comercializar é: 1. Colocar algo no comércio. 2. Criar objeto com possibilidade de ser explorado comercialmente, de ser vendido, fabricado ou exposto, de modo que possa render dinheiro. 13 BRASIL. Supremo Tribunal Federal. Acórdão em RHC nº 131205/MG. Órgão Julgador: Segunda Turma. Relator: Ministra Cármen Lúcia. Julgado em: 06 set. 2016. Publicado no DJe em: 22 set. 2016. Disponível em: <http://www.stf.jus.br/portal/jurisprudencia/listarJurisprudencia.asp?s1=%28CONTRABANDO+E+DESCAMIN HO%29&base=baseAcordaos&url=http://tinyurl.com/zg2uqbk>. Acesso em 05 jul. 2018. 14 BRASIL. Supremo Tribunal Federal. Acórdão em HC nº 129382/PR. Órgão Julgador: Primeira Turma. Relator: Ministro Luiz Fux. Julgado em: 23 ago. 2016. Publicado no DJe em: 16 set. 2016. Disponível em: <http://www.stf.jus.br/portal/jurisprudencia/listarJurisprudencia.asp?s1=%28CONTRABANDO+E+DESCAMIN HO%29&base=baseAcordaos&url=http://tinyurl.com/zg2uqbk>. Acesso em 05 jul. 2018. Fl. 103DF CARF MF Processo nº 10813.001603/200964 Acórdão n.º 1003000.128 S1C0T3 Fl. 104 10 Vislumbrase que o conceito do termo ‘comercializar’ abrange não só o produto efetivamente vendido ao consumidor, mas também aquele produto criado com essa finalidade. Portanto, o fato da mercadoria ser apreendida no estabelecimento comercial do interessado já é suficiente à demonstração do caráter comercial envolvido na situação, não merecendo acolhimento as alegações apresentadas pela defesa desprovidas de qualquer elemento probatório em sentido contrário. A exclusão da empresa do Simples Nacional foi efetuada nos termos da Lei Complementar nº 123/2006, após a demonstração da ocorrência da hipótese de exclusão do Simples Nacional, não cabendo a este Órgão de Julgamento analisar argumentos relativos à violação aos princípios da razoabilidade, da proporcionalidade, da finalidade e da insignificância ou bagatela. O pedido para que os efeitos da exclusão sejam a partir da data da emissão do Ato Declaratório não deve ser acatado, ante a falta de previsão legal nesse sentido. Nos termos do artigo 29, §1º da LC nº 123/2006, a exclusão de ofício da empresa do Simples Nacional, em razão desta comercializar mercadorias objeto de contrabando ou descaminho, produzirá efeitos a partir do próprio mês em que incorrida essa hipótese de exclusão. As garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes foram observadas. Ademais os atos administrativos estão motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos decidam recursos administrativos, nos termos legais. O enfrentamento das questões na peça de defesa denota perfeita compreensão da descrição dos fatos e dos enquadramentos legais que ensejaram os procedimentos de ofício, que foi regularmente analisado pela autoridade de primeira instância. Ademais, a decisão administrativa não precisa enfrentar todos os argumentos trazidos na peça recursal sobre a mesma matéria, principalmente quando os fundamentos expressamente adotados são suficientes para afastar a pretensão da Recorrente e arrimar juridicamente o posicionamento adotado. As formas instrumentais adequadas foram respeitadas, os documentos foram reunidos nos autos do processo, que estão instruídos com as provas produzidas por meios lícitos. As garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes foram observadas 15. O enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento e estando a decisão motivada de forma explícita, clara e congruente. Embora lhe fossem oferecidas várias oportunidades no curso do processo a Recorrente não apresentou a comprovação inequívoca s demonstrar de quaisquer inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo constantes nos dados informados à RFB ou ainda quaisquer fatos que tenham correlação com as situações excepcionadas pela legislação de regência (149 do Código Tributário Nacional). Por essa razão a Recorrente foi corretamente excluída de ofício pelo Ato Declaratório Executivo DRF/RPO/SP nº 81, de 03.05.2011, fl. 49, com efeitos a partir de 01.08.2008. A ilação designada na peça recursal destacase como improcedente. As circunstâncias de caráter privado não podem ser consideradas, pois "a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do 15 Fundamentação legal: inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, Resolução CGSN nº 15, de 23 de julho de 2007, art 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2001, art. 50 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999 e art. 10 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Fl. 104DF CARF MF Processo nº 10813.001603/200964 Acórdão n.º 1003000.128 S1C0T3 Fl. 105 11 responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato", salvo disposição de lei em contrário (art. 136 do Código Tributário Nacional). No que concerne à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso, nos termos do art. 100 do Código Tributário Nacional. Atinente aos princípios constitucionais, cabe ressaltar que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, uma vez que no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade16. Temse que nos estritos termos legais o procedimento fiscal está correto, conforme o princípio da legalidade a que o agente público está vinculado (art. 37 da Constituição Federal, art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 26A do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de julho de 2015). Em assim sucedendo, voto em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva 16 Fundamentação legal: art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF e Súmula CARF nº 2. Fl. 105DF CARF MF
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Numero do processo: 15540.720336/2012-02
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 09 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2007
PEDIDO DE PARCELAMENTO. DESISTÊNCIA DO RECURSO. NÃO CONHECIMENTO.
No caso de pedido de parcelamento, restará configurada renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, impondo-se o seu não conhecimento.
INCLUSÃO DE DÉBITOS EM PARCELAMENTO. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO.
O pedido de parcelamento deferido a um dos autuados suspende a exigibilidade do crédito tributário em relação aos demais.
INCLUSÃO DE DÉBITOS EM PARCELAMENTO. RECURSO DE RESPONSÁVEL SOLIDÁRIO. SOBRESTAMENTO.
Constatada desistência de recurso em razão de solicitação de parcelamento por um dos autuados, os recursos apresentados pelos demais devem ficar sobrestados até a extinção definitiva do crédito.
Extinto o crédito tributário, perdem o objeto os recursos apresentados pelos demais autuados, devendo o processo ser arquivado.
Rescindido o parcelamento, os autos devem ser remetidos ao CARF para o julgamento dos recursos apresentados pelos responsáveis solidários.
Numero da decisão: 2401-005.689
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do Recurso Voluntário interposto por Soft Consultoria Ltda, Francisco Petruccelli e Girolamo Santoro, em virtude do parcelamento. Quanto aos recursos apresentados pelos demais responsáveis solidários, os autos deverão ser sobrestados na DRF de origem, nos termos da Portaria RFB nº 2.284/10, vencido, neste ponto, o conselheiro Cleberson Alex Friess.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Matheus Soares Leite - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier (Presidente), Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite e Thiago Duca Amoni (Suplente Convocado). Ausente a conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa.
Nome do relator: MATHEUS SOARES LEITE
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1853; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 3.285 1 3.284 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15540.720336/201202 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2401005.689 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 09 de agosto de 2018 Matéria IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Recorrente SOFT CONSULTORIA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2007 PEDIDO DE PARCELAMENTO. DESISTÊNCIA DO RECURSO. NÃO CONHECIMENTO. No caso de pedido de parcelamento, restará configurada renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, impondose o seu não conhecimento. INCLUSÃO DE DÉBITOS EM PARCELAMENTO. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. O pedido de parcelamento deferido a um dos autuados suspende a exigibilidade do crédito tributário em relação aos demais. INCLUSÃO DE DÉBITOS EM PARCELAMENTO. RECURSO DE RESPONSÁVEL SOLIDÁRIO. SOBRESTAMENTO. Constatada desistência de recurso em razão de solicitação de parcelamento por um dos autuados, os recursos apresentados pelos demais devem ficar sobrestados até a extinção definitiva do crédito. Extinto o crédito tributário, perdem o objeto os recursos apresentados pelos demais autuados, devendo o processo ser arquivado. Rescindido o parcelamento, os autos devem ser remetidos ao CARF para o julgamento dos recursos apresentados pelos responsáveis solidários. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do Recurso Voluntário interposto por Soft Consultoria Ltda, Francisco Petruccelli e Girolamo Santoro, em virtude do parcelamento. Quanto aos recursos apresentados pelos demais AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 54 0. 72 03 36 /2 01 2- 02 Fl. 3285DF CARF MF Processo nº 15540.720336/201202 Acórdão n.º 2401005.689 S2C4T1 Fl. 3.286 2 responsáveis solidários, os autos deverão ser sobrestados na DRF de origem, nos termos da Portaria RFB nº 2.284/10, vencido, neste ponto, o conselheiro Cleberson Alex Friess. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Matheus Soares Leite Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier (Presidente), Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite e Thiago Duca Amoni (Suplente Convocado). Ausente a conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa. Relatório A bem da celeridade, peço licença para reproduzir o relatório lançado pela Resolução n° 2401000.506 (fls. 3152/3159), além de complementálo, a fim de bem elucidar a questão posta nos autos: Temse em pauta Recurso Voluntário interposto em face de Decisão Administrativa de 1ª Instância proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro/RJ, que julgou improcedente a impugnação interposta pelos Sujeitos Passivos do Crédito Tributário formalizado mediante Auto de Infração a fls. 04/07, consistente em Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) sobre pagamento sem causa ou de operação não comprovada, relativo ao período de janeiro a julho de 2007, nos termos consignados no Termo de Constatação Fiscal a fls. 08/157. De acordo com os documentos dos autos, houvese por constatado que pagamentos realizados pela Interessada à pessoa jurídica Admaster Serviços Ltda, inexistente de fato (de "fachada"), não tiveram a sua causa ou operação comprovada através de documentação idônea, caracterizando, assim, infração à legislação tributária relacionada com pagamentos sem causa ou de operação não comprovada; A multa foi agravada em função de ter sido verificado que estas empresas juntamente com a Surpark SA, formalizada no Uruguai, também inexistente de fato (de "fachada"), simularam a realização de negócio jurídico relacionado com operações comerciais fictícias, envolvendo a suposta aquisição de milhares de cópias de um único suposto software denominado X_LYNX; Após diversas oportunidades, mediante intimações fiscais, as mencionadas pessoas jurídicas não comprovaram a efetividade das Cláusulas do Contrato Internacional de Autorização para Comercialização do software X_LYNX, firmado entre a Surpark Fl. 3286DF CARF MF Processo nº 15540.720336/201202 Acórdão n.º 2401005.689 S2C4T1 Fl. 3.287 3 S/A e a Admaster Serviços Ltda e do Contrato de Revenda do software X_LYNX firmado entre a Admaster Serviços Ltda e a Interessada, bem como não comprovaram a efetiva existência do suposto software X_LYNX, e, em relação apenas à Interessada, não foi comprovada a efetiva utilização do suposto software X_LYNX dentro do sistema SINTEL, fato que evidenciou que o suposto fluxo de mercadorias, (software XLYNX) não ocorreu de fato; A Admaster Serviços Ltda emitiu para a Interessada, diversas notas fiscais inidôneas (frias), de fornecimento fictício de milhares de cópias do suposto software XLYNX; Mediante apresentação dos extratos bancários, a Interessada comprovou a efetiva saída dos recursos, e, consequentemente, o efetivo pagamento das referidas notas fiscais frias à Admaster Serviços Ltda, pela suposta aquisição do suposto software X_LYNX; A pessoa jurídica Construções e Comércio Camargo Correa S/A pagou à Interessada pela aquisição do Sistema de Inteligência competitiva SINTEL; A Interessada alegou que inseriu o suposto software X_LYNX no SINTEL, constando tal informação apenas nas notas fiscais de sua emissão; A Interessada não comprovou a efetiva utilização do software X_LYNX dentro do sistema SINTEL, inclusive informou que não possui cópia dos referidos programas (SINTEL e X_LYNX), bem como não se lembra quem foi a pessoa física responsável pela criação do Sistema SINTEL; Do exame do contrato de fornecimento de sistema de inteligência competitiva, gestão de negócios e outras avenças SINTEL, firmado entre a Interessada e a Camargo Correa, constatouse que o Sistema SINTEL é baseado no software básico EYEBOT; Nas especificações técnicas do SINTEL, constantes do Anexo 1 do referido Contrato, bem como nos Termos Aditivos firmados, não há nenhuma menção ao suposto software X_LYNX; Após exame em toda documentação apresentada pela Interessada e pela Camargo Correa, em especial o Contrato de Fornecimento, Instalação, Licenciamento e Treinamento do Sistema SINTEL, restou evidenciado não haver comprovação da efetiva utilização do suposto software X_LYNX dentro do SISTEMA SINTEL, tornandose assim, mais uma prova da não existência do suposto software XLYNX; Assim, os pagamentos realizados pela Interessada à Admaster não tiveram a sua causa ou operação comprovada através de documentação idônea, caracterizando, assim, infração à legislação tributária relacionada com pagamentos sem causa ou Fl. 3287DF CARF MF Processo nº 15540.720336/201202 Acórdão n.º 2401005.689 S2C4T1 Fl. 3.288 4 de operação não comprovada, estando os respectivos valores registrados no demonstrativo a fl. 06. Conta no Termo de Constatação Fiscal a fls. 08/157 que: A Admaster e a Surpark são empresas “de fachada”, inexistentes de fato, possuindo interpostas pessoas como sócio, representante e procurador, em que o sócio de fato das duas empresas foi identificado como sendo o Sr. Jadair Fernandes de Almeida, que era o "Operador" do esquema; A Surpark possui interpostas pessoas como representante perante a Receita Federal do Brasil RFB (Sr. Roberto Fernandes), e como procurador (Sr. Jorge Luiz Porto Motta), sendo que, o representante com poderes de proprietário (Sr. Jadair Fernandes de Almeida) esclareceu por escrito que não participou da suposta operação comercial; Contudo, comprovouse que as empresas foram utilizadas pelo Sr. Jadair para fraudar o Fisco (suprimir impostos e contribuições) e o Banco Central (remessa irregular de recursos ao exterior), visando, única e exclusivamente, beneficiar a Interessada; O Sr.Roberto Fernandes, responsável da Surpark perante a Receita Federal do Brasil, declarou que, durante o ano calendário de 2008, ao saber que seu nome constava no cadastro da Receita Federal do Brasil como responsável pela Surpark, entrou em contato telefônico diversas vezes com o Sr. Jadair Fernandes de Almeida, visando retirar seu nome do cadastro, sendo que, o Sr. Jadair informou que iria retirar o seu nome do cadastro em substituição de uma pessoa chamada Jorge, fato que não ocorreu; Tal informação levou a Fiscalização a concluir que, no ano calendário de 2008, ocultado pelo Sr. Jorge Luiz Porto Motta, o Sr. Jadair ainda estava no comando da Surpark; Todos os recursos que ingressaram na conta bancária da Admaster originaramse da conta bancária da Interessada, bem como todas as notas fiscais emitidas pela Admaster tiveram como tomador dos supostos serviços a Interessada; O objetivo primordial da Admaster foi criar documentos eivados de falsidade ideológica (notas fiscais frias, contratos e produto fictícios), objetivando beneficiar a Interessada, mediante supressão deliberada de tributos e contribuições federais e remessa irregular de recursos ao exterior; Apesar de várias intimações e reintimações, as empresas envolvidas não comprovaram a efetiva existência do software XLYNX, e a efetividade das operações comerciais supostamente realizadas; O Sr. Francisco Petruccelli, sócio gerente da Interessada assinou o Contrato de revenda do software XLYNX firmado com Fl. 3288DF CARF MF Processo nº 15540.720336/201202 Acórdão n.º 2401005.689 S2C4T1 Fl. 3.289 5 a Admaster, bem como assinou o Contrato de fornecimento, instalação, licenciamento e treinamento do sistema SINTEL, firmado com a Camargo Correa SA; O Sr. Girolamo Santoro, sócio gerente da Interessada, assinou o Contrato de revenda do software XLYNX firmado com a Admaster, assinou o Contrato de fornecimento, instalação, licenciamento e treinamento do sistema SINTEL, firmado com a Camargo Correa SA, bem como assinou todas as respostas apresentadas pela Interessada aos Termos Fiscais lavrados; Os Srs. Jadair Fernandes de Almeida, Raimundo Antonio de Oliveira, Jorge Luiz Porto Motta, Francisco Petruccelli e Girolamo Santoro foram arroladas como responsáveis tributários no lançamento. O Sr. Carlos José dos Santos, não localizado em seu domicílio fiscal, foi arrolado como responsável, por edital. Tendo em vista que a existência do software XLYNX não foi efetivamente comprovada pelas empresas pactuantes (Surpark, Admaster e Soft, a Interessada), ou seja, que restou comprovado ter ocorrido uma simulação de negócio jurídico, em que, a mercadoria objeto da suposta transação comercial (XLYNX) nunca existiu de fato, e, após várias intimações fiscais, ficou constatada a existência das infrações tributárias relacionadas com pagamento sem causa e a não comprovação de custos e glosa de créditos de PIS e COFINS nãocumulativos, a multa foi agravada para 150%. Houvese por lavrada representação fiscal para fins penais, objeto do PAF nº 15540.720.370/201279. Irresignados com o supracitado lançamento tributário, a Soft Consultoria Ltda, Francisco Petruccelli e Girolamo Santoro apresentaram impugnação conjunta a fls. 2849/2893. Jadair Fernandes de Almeida, Jorge Luiz Porto Motta e Raimundo Antonio de Oliveira ofereceram, igualmente, impugnação administrativa a fls. 2742/2789, 2803/2814 e 2816/2841, respectivamente. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I/RJ lavrou Decisão Administrativa aviada no Acórdão nº 1255.391 8ª Turma da DRJ/RJ1, a fls. 2918/2950, julgando improcedente as impugnações apresentadas em face do lançamento, mantendo o Crédito Tributário em sua integralidade, porém cancelando a responsabilidade tributária imputada aos Srs. Raimundo Antonio de Oliveira e Carlos José dos Santos. A Soft Consultoria Ltda foi cientificada da decisão de 1ª Instância no dia 18/06/2013, conforme Aviso de Recebimento a fl. 2964. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, a Soft Consultoria Ltda, Francisco Petruccelli e Fl. 3289DF CARF MF Processo nº 15540.720336/201202 Acórdão n.º 2401005.689 S2C4T1 Fl. 3.290 6 Girolamo Santoro interpuseram recurso voluntário, a fls. 2968/3040, requerendo, ao fim, a procedência do recurso. Ato contínuo, sobreveio a Resolução n° 2401000.506, exarada no dia 14/04/2016, por esta 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), que, por unanimidade de votos, decidiu em converter o julgamento do Recurso Voluntário em diligência, para que os devedores solidários Jadair Fernandes de Almeida, Raimundo Antonio de Oliveira, Jorge Luiz Porto Motta, e Carlos José dos Santos, fossem devidamente intimados a tomar ciência da decisão de 1ª instância, além de determinar a reabertura do prazo normativo previsto no art. 33 do Decreto n° 70.235/72 para o oferecimento de Recurso Voluntário. Após o saneamento do feito, houve a intimação dos coobrigados (fls. 3169, 3172, 3241 e 3274). O contribuinte Carlos José dos Santos, após 3 (três) tentativas de entrega da intimação (15/08/2016, 16/08/2016 e 17/08/2016 – fls. 3173), foi notificado por edital, em que consta a data de ciência o dia 24/11/2016 (fls. 3241). O contribuinte Raimundo Antonio de Oliveira, por sua vez, teve ciência do acórdão prolatado no dia 18/08/2016 (fls. 3174), quedandose inerte em apresentar o Recurso Voluntário. Desta feita, apenas os devedores solidários Jadair Fernandes de Almeida e Jorge Luiz Porto Motta, interpuseram Recurso Voluntário (fls. 3177/3217 e 3220/3239). Em síntese, as seguintes alegações foram trazidas pelo Sr. Jadair Fernandes de Almeida (fls. 3177/3217): (a) Não é sócio, acionista e/ou administrador das firmas SOFT CONSULTORIA, ADMASTER SERVIÇOS LTDA (CNPJ 40.315.335/000113) E SURPARK S/A (CNPJ 05.714.422/000142); (b) O R. Auditor Fiscal que subscreveu o Auto de Infração assinou a autuação dando conta que a mesma foi lavrada na DRF/Niterói – Rua Almirante Teffé, 668, sala 408, Centro – Niterói, RJ. O Decreto n° 3.000/99, ex vi o art. 985, determina que a autoridade competente para efetivar a lavratura do auto de infração é a do domicílio do contribuinte, no caso, Rio de Janeiro/MG e não Niterói/RJ; (c) Considerando que o imposto exigido teve seu último fato gerador em 30/07/2007 e que esse lançamento ocorreu apenas em outubro de 2012, bem como de que inexiste prova de fraude, dolo ou simulação, requer seja declarada a decadência do direito do erário de constituir a obrigação tributária e efetivar o seu lançamento, sob pena de afronta ao disposto no § 4°, do art. 150, do CTN; (d) Frisese, que é facilmente constatável que tudo o quanto faturado pela firma Admaster no período foi levado à tributação e que a citada firma também é alvo de execução fiscal na justiça federal para exigir o citado tributo como pode ser verificado pelo site www.jfrj.jus.br, o que faz prova de que a transação foi idônea e que os documentos fiscais da Admaster foram levados à tributação, o que inclusive lhe eximiu da autuação fiscal. Nessas condições, se mantido o atual lançamento de ofício e os correlativos acima citados que merecem julgamento unificado, estarseá determinando o enriquecimento sem causa da União, pois se exigido o imposto do vendedor do produto não é de direito que o seu comprador dele não se aproveite como despesa ou dos respectivos créditos fiscais, caso vertente; Fl. 3290DF CARF MF Processo nº 15540.720336/201202 Acórdão n.º 2401005.689 S2C4T1 Fl. 3.291 7 (e) É por demais leviano e injusto a acusação de operador de um malfadado e incomprovado esquema de suposta venda fictícia de software com objetivo antijurídico, pois em verdade, o acusado sempre foi um empresário com atuação em diversos ramos de atividade, inclusive o ramo eletrônico. Desta feita, seu passado e presente autorizariam a afirmação supra, estando a acusação fiscal desacompanhada de provas; (f) Não são críveis as alegações engendradas pelo Sr. Roberto, e o agente fiscal deu aos fatos uma interpretação totalmente divergente da realidade; (g) Houve quebra do sigilo fiscal e bancário de diversas pessoas e contribuintes numa única ação fiscal, o que deu cabo da quebra indevida, imotivada e desnecessária de diversos dados sigilosos constantes nas declarações de renda; (h) Ausência de interesse comum preconizado pelo art. 124, I, do CTN; (i) As notas fiscais atestariam a regularidade das entregas do produto da SOFT CONSULTORIA com a inclusão do software XLINX exportado pela SURPARK e revendido pela ADMASTER à SOFT CONSULTORIA; (j) A glosa dos créditos de PIS e COFINS firmada em face da Soft Consultoria só poderia ter origem após a publicação do ato que deu cabo da inidoneidade das notas fiscais emitidas no período de 2007. Após a leitura de todo o Termo de Constatação Fiscal e dos documentos que instruem o processo administrativo, o Contribuinte não localizou o necessário ato declaratório de inidoneidade dos documentos fiscais emitidos pela Admaster Serviços em face da Soft Consultoria no ano de 2007, sendo que o dito ato, caso existente, só teria valor após a sua publicação na imprensa oficial, vide o que dispõe o art. 103, do CTN; (k) Nos autos do Processo n° 15540.720.338/201293, a firma SOFT CONSULTORIA foi autuada no que toca à exigência do IRPJ e CSLL, decorrente da glosa dos valores pagos a Admaster pela aquisição do XLINX, tendo em vista tudo o que o fiscal anotou no Termo de Constatação Fiscal. Porém, a aquisição foi perfeita e acabada nada tendo que se falar quanto à sua efetiva ocorrência e materialidade. Todavia, se ainda restar mantida essa hipótese, o que se tem é o bis in idem da mesma hipótese de incidência tributária, qual seja, faturamento da Admaster em face da SOFT e efetivo pagamento; (l) Inexiste motivação legal, formal e material para imputação do IRF em comento, pois essa exigência colide com a exigência feita nos autos do Processo n° 15540.720.338/201293 e que cobra o IRPJ e CSLL decorrente do mesmo fato. Ao final, requereu: que todas as questões aqui suscitadas, sejam deferidas, decididas, motivadas e fundamentadas, sob pena de cerceamento do seu direito de defesa e da quebra da regra do devido processo legal tributário; que processado e autuado normalmente o presente Recurso, seja o acórdão reformado e o Auto de Infração em tela, julgado insubsistente e cancelado, em virtude desse não guardar conformidade formal e ideológica com os pressupostos legais e materiais, pois não apura um fato gerador concreto e incontroverso, tornandose discricionário pelo infundado e indevido procedimento fiscal, nulificandose, por isso mesmo, já que ninguém adquire direitos contra a Lei ou a verdade material estampada pelo contribuinte; as futuras intimações de atos e decisões contidas nesse processo, indicamos o endereço físico do Recorrente, em substituição de qualquer outro; que seja observado o disposto nos arts. 37 e 38, da Lei n° 9.784/99, no que toca a instrução desse processo quanto Fl. 3291DF CARF MF Processo nº 15540.720336/201202 Acórdão n.º 2401005.689 S2C4T1 Fl. 3.292 8 aos documentos mencionados nessa Impugnação e que são arquivados ou oriundos da administração pública e tributária, para que dos mesmos surtam seus jurídicos e legais efeitos. Já o Sr. Jorge Luiz Porto Motta trouxe as seguintes alegações recursais, em síntese (fls. 3220/3239): (a) Defende que para a manutenção de sua responsabilidade deveria ficar patente a participação direta em qualquer um dos negócios envolvendo a venda do programa de computador XLINX da SURPARK S/A a ADMASTER SERVIÇOS LTDA; (b) Nega participação no negócio comercial, com qualquer das firmas envolvidas na acusação fiscal; (c) Não teve conhecimento ou participação no negócio; (d) Foi mero procurador da firma SUPARK S/A em atos distintos que em nada se assemelham aos narrados na autuação, sendo que os atos em que subscreve na qualidade de procurador nunca foram informados e são dignos entre todos os envolvidos, inclusive na Secretaria da Receita Federal do Brasil e a JUCERJA – Junta Comercial do Estado do Rio de Janeiro/RJ; (e) Nunca teve relação comercial com a firma SURPARK S/A, no sentido de ter efetivado ou adquirido algum serviço ou produto da mesma; (f) Quem no passado havia solicitado alguns préstimos profissionais de representação e despachadoria era o Sr. Jadair Fernandes de Almeida, o qual teria outorgado ao recorrente substabelecimento com prazo de vencimento atribuído no instrumento juntado nesse processo para que, quando de sua ausência física, pudesse formalizar a alteração de contrato social junto à GEOMÁTICA, sendo essa alteração a que foi previamente ajustada pelos seus sócios, sendo que um deles, em certo momento, tinha o Sr. Jadair como procurador, vide documentos apresentados à época e que constam anexos nesses autos; (g) O recorrente agiu dentro da legislação por meio de substabelecimento público e não pretendia esconder ou escamotear qualquer ato ou fato; (h) O recorrente não deve figurar na presente autuação e o acórdão deve ser reformado em razão de não fazer parte de nenhuma empresa investigada e/ou autuada, seja como dirigente, acionista ou quotista, ou ainda de manterse e enorme distância de todos os fatos aqui atribuídos, o que afasta a motivação contida no acórdão para a manutenção nesse processo; (i) O recorrente atua há anos como despachante e nunca realizou qualquer operação comercial com qualquer empresa citada no presente auto de infração, seja com a SUPARK S/A, seja com a ADMASTER SERVIÇOS LTDA, seja com a SOFT CONSULTORIA LTDA ou com a CAMARGO CORREA; (j) A presença do recorrente como devedor solidário não é autorizada pela lei, principalmente se verificado esse fato e hipótese conforme comprovado pelo Sr. Ronaldo de Souza e Silva, o que foi referendado pelo ilustre Auditor Fiscal no item (316) do Termo de Constatação Fiscal, tendo em vista que sua atuação era igual a dele: “Constatação: Em relação Fl. 3292DF CARF MF Processo nº 15540.720336/201202 Acórdão n.º 2401005.689 S2C4T1 Fl. 3.293 9 ao Sr. Jorge Luiz Porto Motta, (...), haja vista estar na mesma situação do Sr. Ronaldo de Souza e Silva (...)”; (k) Se as atividades profissionais confessadas pelo Sr. Ronaldo no seu termo de constatação eram iguais às efetividades pelo recorrente, tal como confirmado pelo mesmo, é de direito que tenha tratamento isonômico ao Sr. Ronaldo, e dessa forma seja excluído dessa ação fiscal, até porque, reiterese, não cometeu nenhum ato censurável ou ilícito e o art. 124, I, do CTN, não se presta à interpretação dada nesse caso; (l) A dita sujeição passiva decorrente do art. 124, I, pressupõe a solidariedade entre as partes na obrigação do fato gerador, o que não é o caso. O interesse comum fixado no acórdão é de natureza finalística; (m) O interesse qualificado pela lei não há de ser o interesse econômico no resultado ou no proveito da situação que constitui o fato gerador da obrigação principal, mas o interesse jurídico, vinculado à atuação comum ou conjunta da situação que constitui o fato imponível; (n) O ilustre auditor fiscal deixou de observar ainda a ocorrência dos efeitos da decadência (art. 150, § 4°, do CTN), uma vez que o último fato gerador ocorreu no mês de julho do ano de 2007. (o) Ao final, requereu a reforma do acórdão a fim de determinar sua exclusão da cobrança imposta no presente auto de infração, seja pela ilegitimidade passiva ou pelo Princípio Constitucional da Isonomia e Impessoalidade, seja pela decadência ou pela ausência de materialidade que justifica o mérito do auto de infração em apreço. Às fls. 3252/3267, temse ciência de embargos de declaração opostos pelo contribuinte Jorge Luiz Porto Motta, em face do Acórdão n° 1301002.427, proferido pela 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Primeira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), nos autos do Processo n° 5540.720338/201293 e com menção incorreta ao presente Processo de n° 15540.720.336/201202, sendo indevidamente digitalizado nos presentes autos. Em seguida, consta nas fls. 3270, requerimento de desistência de impugnação ou recurso administrativo, protocolizado pela Soft Consultoria Ltda., com a assinatura do representante legal Francisco Petruccelli, para fins de inclusão no Programa Especial de Regularização Tributária (Pert), previsto na Instrução Normativa RFB n° 1.711, de 16 de junho de 2017, com a desistência total da discussão posta no Processo Administrativo n° 15540.720336/201202. Às fls. fls. 3274/3281, consta petição, com a data de 12/11/2017, em nome da Soft Consultoria Ltda., Francisco Petruccelli e Girolamo Santoro, requerendo a juntada dos comprovantes da desistência dos Processos n°s 15540.720338/201293, 15540.720337/2012 49 e 15540.720336/201202, em cumprimento ao art. 8°, § 2° da Instrução Normativa RFB n° 1.711/2017, para fins de cumprimento dos requisitos para adesão ao Programa Especial de Regularização Tributária – PERT. Às fls. 3282/3283, consta o despacho proferido no dia 22/01/2018, pela Dra. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Presidente da 4ª Câmara da 2ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), devolvendo os autos ao Colegiado para fins de Fl. 3293DF CARF MF Processo nº 15540.720336/201202 Acórdão n.º 2401005.689 S2C4T1 Fl. 3.294 10 apreciação da oportunidade ou não de conhecer dos recursos dos recorrentes não optantes pelo parcelamento/desistência ou do encaminhamento da unidade de origem para o sobrestamento até a quitação do parcelamento, procedendose, após esse prazo, seu arquivamento em razão da perda de objeto do referido recurso (conforme artigo 5° da Portaria RFB n° 2.282/2010). Em seguida, os autos foram remetidos a este Colegiado. Não foram apresentadas contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Matheus Soares Leite – Relator 1. Juízos de Admissibilidade. 1.1. Recurso Voluntário dos contribuintes Soft Consultoria Ltda., Francisco Petruccelli e Girolamo Santoro (fls. 2968/3040). Conforme relatado, nas fls. fls. 3274/3281, consta petição, com a data de 12/11/2017, em nome da Soft Consultoria Ltda., Francisco Petruccelli e Girolamo Santoro, requerendo a juntada dos comprovantes da desistência dos Processos n°s 15540.720338/2012 93, 15540.720337/201249 e 15540.720336/201202, em cumprimento ao art. 8°, § 2° da Instrução Normativa RFB n° 1.711/2017, para fins de cumprimento dos requisitos para adesão ao Programa Especial de Regularização Tributária – PERT. Assim, a notícia nos autos de parcelamento implica no reconhecimento da suspensão do crédito tributário, nos termos do art. 151 do Código Tributário Nacional – CTN, até o cumprimento integral da obrigação, quando haverá, então, sua extinção. É ver a redação do dispositivo legal em comento: Art. 151. Suspendem a exigibilidade do crédito tributário: (...) VI – o parcelamento. Por outro lado, o art. 78, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF n° 343, de 2015, prevê que no caso de desistência ou pedido de parcelamento, restará configurada a renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo: Art. 78. Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso em tramitação. § 1º A desistência será manifestada em petição ou a termo nos autos do processo. § 2º O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de Fl. 3294DF CARF MF Processo nº 15540.720336/201202 Acórdão n.º 2401005.689 S2C4T1 Fl. 3.295 11 suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso. § 3º No caso de desistência, pedido de parcelamento, confissão irretratável de dívida e de extinção sem ressalva de débito, estará configurada renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, inclusive na hipótese de já ter ocorrido decisão favorável ao recorrente. § 4º Havendo desistência parcial do sujeito passivo e, ao mesmo tempo, decisão favorável a ele, total ou parcial, com recurso pendente de julgamento, os autos deverão ser encaminhados à unidade de origem para que, depois de apartados, se for o caso, retornem ao CARF para seguimento dos trâmites processuais. § 5º Se a desistência do sujeito passivo for total, ainda que haja decisão favorável a ele com recurso pendente de julgamento, os autos deverão ser encaminhados à unidade de origem para procedimentos de cobrança, tornandose insubsistentes todas as decisões que lhe forem favoráveis. Ademais, no caso em questão, a desistência dos processos administrativos requerida pelo contribuinte (fls. 3274/3281), foi feita em atendimento ao art. 8°, § 2°, da Instrução Normativa RFB n° 1.711/2017, que regulamenta o Programa Especial de Regularização Tributária (Pert), instituído pela Medida Provisória n° 783, de 31 de maio de 2017, no âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), in verbis: Art. 8º A inclusão no Pert de débitos que se encontrem em discussão administrativa ou judicial deverá ser precedida da desistência das impugnações ou dos recursos administrativos e das ações judiciais que tenham por objeto os débitos que serão liquidados, e da renúncia a quaisquer alegações de direito sobre as quais se fundem as referidas impugnações e recursos ou ações judiciais e, no caso de ações judicias, deverá ser protocolado requerimento de extinção do processo com resolução do mérito, nos termos da alínea “c” do inciso III do art. 487 do CPC. (...) § 2º A comprovação do pedido de desistência de ações judiciais e da renúncia às alegações de direito deverá ser apresentada à unidade da RFB do domicílio fiscal do sujeito passivo até o último dia útil de novembro de 2017. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1762, de 21 de novembro de 2017) Dessa forma, constato a ausência do interesse de agir dos contribuintes Soft Consultoria Ltda., Francisco Petruccelli e Girolamo Santoro, em razão da desistência do Fl. 3295DF CARF MF Processo nº 15540.720336/201202 Acórdão n.º 2401005.689 S2C4T1 Fl. 3.296 12 recurso interposto, conforme petição de fls. 3274/3281, para fins de adesão ao Programa Especial de Regularização Tributária – PERT. Portanto, não conheço do Recurso Voluntário contribuintes Soft Consultoria Ltda., Francisco Petruccelli e Girolamo Santoro (fls. 2968/3040). 1.2. Dos Recursos Voluntários dos contribuintes Jadair Fernandes de Almeida (fls. 3177/3217) e Jorge Luiz Porto Motta (fls. 3220/3239). Os devedores solidários Jadair Fernandes de Almeida e Jorge Luiz Porto Motta, interpuseram, cada qual, Recurso Voluntário (fls. 3177/3217 e 3220/3239), contra a decisão exarada no Acórdão n° 1255.39, da 8ª Turma da DRJ/RJ1 (fls. 2918/2950). Destaco que o requerimento de parcelamento dos contribuintes Soft Consultoria Ltda., Francisco Petruccelli e Girolamo Santoro, não implica na desistência dos Recursos Voluntários dos devedores solidários Jadair Fernandes de Almeida e Jorge Luiz Porto Motta, interpuseram, cada qual, Recurso Voluntário (fls. 3177/3217 e 3220/3239) e que permanecem com nítido interesse de agir na demanda, uma vez que a efetiva extinção do crédito tributário somente ocorrerá com a quitação do parcelamento, quando restará configurado o pagamento do tributo (art. 156, I, do CTN). Nesse sentido, entendo que deva ser aplicado o entendimento do Superior Tribunal de Justiça, no sentido de que “a suspensão da exigibilidade pela adesão do contribuinte a parcelamento fiscal não afasta o interesse de agir do responsável que busca discutir unicamente a responsabilidade tributária que lhe é imputada” (REsp 1.234.480∕SC, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, DJe 30/08/2011). E, ainda, nos termos do art. 5°, da Portaria RFB n° 2.284, de 29 de novembro de 2010, entendo acertada a orientação no sentido de determinar o sobrestamento dos correspondentes Recursos Voluntários por força do princípio da economia processual, uma vez que a possível extinção do crédito tributário, ao fim do parcelamento, pode fulminar a utilidade dos atos aqui praticados. É ver a redação do dispositivo epigrafado: Art. 5º O pedido de parcelamento deferido a um dos autuados suspende a exigibilidade do crédito tributário em relação aos demais. § 1º O parcelamento impede a apreciação de impugnações ou recursos apresentados pelos demais autuados. § 2º Rescindido o parcelamento, o julgamento das impugnações ou recursos segue o curso normal do processo, aplicandose o disposto no art. 7º. A orientação é ainda mais pertinente, considerando que um julgamento prematuro dos apelos movidos pelos contribuintes, pode se distanciar da futura evolução do direito, inclusive da jurisprudência, já que realizado com base em premissas vigentes à época da suspensão e que podem ser incompatíveis com as premissas a serem estabelecidas futuramente, no caso de eventual e efetiva execução, havendo a quebra dos compromissos assumidos no parcelamento. Essa, inclusive, tem sido a orientação adotada no âmbito deste Conselho: Fl. 3296DF CARF MF Processo nº 15540.720336/201202 Acórdão n.º 2401005.689 S2C4T1 Fl. 3.297 13 EMBARGOS. LAPSO MANIFESTO. ACOLHIMENTO. Constatada a existência de lapso manifesto devem ser acolhidos os aclaratórios sob a forma de embargos inominados. INCLUSÃO DE DÉBITOS EM PARCELAMENTO. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. O pedido de parcelamento deferido a um dos autuados suspende a exigibilidade do crédito tributário em relação aos demais. INCLUSÃO DE DÉBITOS EM PARCELAMENTO. RECURSO DE RESPONSÁVEL SOLIDÁRIO. SOBRESTAMENTO. Constatada desistência de recurso em razão de solicitação de parcelamento por um dos autuados, os recursos apresentados pelos demais devem ficar sobrestados até a extinção definitiva do crédito. Extinto o crédito tributário, perdem o objeto os recursos apresentados pelos demais autuados, devendo o processo ser arquivado. Rescindido o parcelamento, os autos devem ser remetidos ao CARF para o julgamento dos recursos apresentados pelos responsáveis solidários. (CARF Processo nº 16682.722520/201570. Acórdão nº 2402005.914 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária – 2ª Seção de Julgamento. Sessão de 05 de julho de 2017) Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, EM CONVERTER o julgamento em diligência, para SOBRESTAR o presente feito até a decisão do pedido de parcelamento, de acordo com o art. 5º, parágrafo 1º da Portaria RFB n. 2284, de 29 de dezembro de 2010, nos termos do relatório e voto que integram o presente processo. (CARF – Processo n° 19515.000750/200794. Resolução n° 1401000.348 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária – 1ª Seção de Julgamento. Sessão de 05 de março de 2015) Dessa forma, conheço dos Recursos Voluntários dos devedores solidários Jadair Fernandes de Almeida (fls. 3177/3217) e Jorge Luiz Porto Motta (fls. 3220/3239), por serem tempestivos e atenderem aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n° 70.235/7, contudo, determino que fiquem sobrestados na Unidade de Origem até a quitação do parcelamento, procedendose, após esse prazo, ao arquivamento do processo em razão da perda Fl. 3297DF CARF MF Processo nº 15540.720336/201202 Acórdão n.º 2401005.689 S2C4T1 Fl. 3.298 14 de objeto, ou, caso seja o parcelamento rescindido, à restituição dos autos ao CARF para o exame das peças recursais dos devedores solidários. Conclusão Ante o exposto, voto por NÃO CONHECER do Recurso Voluntário interposto por Soft Consultoria Ltda, Francisco Petruccelli e Girolamo Santoro (fls. 2968/3040), e em CONHECER dos Recursos Voluntários interpostos pelos contribuintes solidários Jadair Fernandes de Almeida (fls. 3177/3217) e Jorge Luiz Porto Motta (fls. 3220/3229), determinando o sobrestamento do processo na Unidade de Origem até a quitação do parcelamento, quando este deverá ser arquivado, ou retomandose a análise dos recursos conhecidos, caso haja a rescisão de referido parcelamento, em conformidade com a Portaria RFB n° 2.284/2010. É como voto. (assinado digitalmente) Matheus Soares Leite Fl. 3298DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12644.000012/2008-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 01/12/2007
IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. AVARIA. TRANSPORTADORA AÉREA. RESPONSABILIDADE.
Constatada a avaria de equipamentos transportados por empresa aérea, por meio de Termo de Vistoria Aduaneira Oficial e Laudo Técnico, cabendo a esta pelo dever de guarda, logo, sua responsabilidade legitima a autuação fiscal.
Numero da decisão: 3401-005.062
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Tiago Guerra Machado, Cássio Schappo e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente
(assinado digitalmente)
André Henrique Lemos - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Robson José Bayerl, Tiago Guerra Machado, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lazaro Antonio Souza Soares e Cássio Schappo.
Nome do relator: ANDRE HENRIQUE LEMOS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 01/12/2007 IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. AVARIA. TRANSPORTADORA AÉREA. RESPONSABILIDADE. Constatada a avaria de equipamentos transportados por empresa aérea, por meio de Termo de Vistoria Aduaneira Oficial e Laudo Técnico, cabendo a esta pelo dever de guarda, logo, sua responsabilidade legitima a autuação fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Tiago Guerra Machado, Cássio Schappo e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente (assinado digitalmente) André Henrique Lemos Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Robson José Bayerl, Tiago Guerra Machado, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lazaro Antonio Souza Soares e Cássio Schappo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 64 4. 00 00 12 /2 00 8- 11 Fl. 327DF CARF MF 2 Relatório Versa o presente contencioso sobre notificação de lançamento (efl. 3), na qual se exige o Imposto de Importação, Imposto sobre Produtos Industrializados e contribuições para o PIS e COFINS, no valor histórico de R$ 122.210,01, pelos seguintes fatos: A Recorrente apresentou impugnação, alegando: 1. No dia 26/04/2007 desembarcou a mercadoria 4 volumes com 844 Kg, contendo componentes eletrônicos da empresa LG Eletrônicos Ltda. , no aeroporto internacional de Viracopos/SP. 2. A mercadoria estava embalada em caixas de papelão, de acordo com o que fora entregue a Recorrente. 3. O desembarque da carga foi sob uma forte chuva e a céu aberto. 4. Recebendo a carga, o depositário (INFRAERO), assinalou no Sistema MANTRA, ressalvas quanto à diferença de peso, amassado, rasgado, aberto e molhado, ensejando solicitação de vistoria aduaneira. 5. A mercadoria encontravase avariada devido ao alto grau de umidade. 6. Fora atribuída a responsabilidade ao transportador (Recorrente). 7. No conhecimento aéreo não havia nenhuma ressalva quanto à umidade da chuva, situação determinada pela Convenção de Montreal e artigo 239 do Código Brasileiro de Aeronáutica. 8. A embalagem era imprópria para o transporte, e por tal razão, a negligência deve ser atribuída ao seu proprietário. 9. Por interpretação sistemática e lógica, a IN/SFR 102/94 responsabiliza o transportador pela guarda física da mercadoria e não quanto aos danos e avarias para efeitos legais. 10. Deve ser aplicado o artigo 591 do Regulamento Aduaneiro RA (Decreto 4.542/02), devendo ser responsabilizado quem deu causa a avaria, ou seja, o seu proprietário. 11. Desafia as respostas do perito, dizendo que os componentes se danificaram quando expostos à umidade, afirmando que traz apenas indícios e não certeza. Fl. 328DF CARF MF Processo nº 12644.000012/200811 Acórdão n.º 3401005.062 S3C4T1 Fl. 321 3 À unanimidade de votos, a DRJ/SP II, julgou improcedente a impugnação, conforme a seguinte ementa (efl. 149): A Recorrente foi cientificada da decisão em 18/07/2011 (AR de efl. 156), protocolizando seu recurso voluntário em 16/08/2011 (efl. 157), no qual, em síntese, ratifica os argumentos articulados em sua impugnação. À efl. 242 e seguintes, sobreveio Resolução 3102000.246, de 31/01/2013, a qual, por unanimidade, converteu o julgamento em diligência, pois a Recorrente, em seu voluntário, fez menção à manifestação do perito responsável pelo laudo de avaliação, à carta da seguradora e às conclusões da própria Comissão de Vistoria, entretanto, tais documentos não constavam dos autos. Assim sendo, fora decidido pelo Colegiado o apensamento aos autos o processo 10831.003472/200770, e além disso, fossem prestados esclarecimentos julgados necessários, especialmente quanto à constatação de que as mercadorias importadas tenha de fato sofrido avaria pela chuva e sobre a metodologia empregada na apuração do percentual avariado. A partir da efl. 250 consta o Relatório de Diligência Fiscal, no qual informa que (1) a avaria fora atestada pelo Termo de Vistoria Aduaneira Oficial, combinado com as respostas "b", "h" e "f" do Pedido de Laudo Oficial, por estarem molhados os volumes que as adondicionaram; (2) a metodologia empregada foi a do percentual de 100% das mercadorias avariadas. Após deuse ciência a Recorrente, a qual alegou especialmente seu cerceamento de defesa, vez que o processo 10831.003472/200770 não fora juntado antes ou depois do Relatório Fiscal; que o Relatório de Diligência é extremamente simplório, havendo apenas uma suposição de avaria.; requereu novo prazo para se manifestar sobre o apensamento do aludido processo. É o relatório. Fl. 329DF CARF MF 4 Voto Conselheiro André Henrique Lemos, Relator O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, logo, dele, tomo conhecimento. Antes de adentrar no mérito, cumpre analisar a questão do hipotético cerceamento de defesa em razão da não juntada autos presentes autos, o processo 10831.003472/200770. Este processo é o que trata da Solicitação de Vistoria Aduaneira. Nele consta uma série de documentos inerentes ao fato, dentre outros, Commercial Invoice; procuração da Recorrente para vários outorgados (datada de 20/05/2004, efl. 14 e com validade até 08/06/2007); Termo de Vistoria Aduaneira Oficial (efl. 17, de 16/05/2007, com a presença da representante da Recorrente, Laila Crespo Corradi); procuração da Recorrente para Venício de Oliveira (efl. 127). Além disso, há o Termo de Juntada por Apensação AVISO 10001 (efl. 133), emitido em 10/01/2008; laudo técnico (efl. 134). Temse que a presença da representante da Recorrente no Termo de Vistoria Aduaneira Oficial e a procuração outorgada pela Recorrente ao Sr. Venício, suprem o suposto cerceamento de defesa, vez que, ficaram cientificados do ocorrido, e mais, como outorgados poderiam pedir cópia dos autos, por exemplo. O Código de Processo Civil, seja o de 1973, seja o de 2015, dispõem, respectivamente: Art. 154. Os atos e termos processuais não dependem de forma determinada senão quando a lei expressamente a exigir, reputandose válidos os que, realizados de outro modo, Ihe preencham a finalidade essencial. Art. 188. Os atos e os termos processuais independem de forma determinada, salvo quando a lei expressamente a exigir, considerandose válidos os que, realizados de outro modo, lhe preencham a finalidade essencial. Por tais razões, entendese não há cerceamento de defesa. Quanto ao mérito, vêse que a questão envolve a responsabilidade pelo transporte da carga, responsabilidade sob a órbita do direito civil, e neste aspecto, para que seja deflagrada da responsabilidade civil de alguém, há se ter um nexo de causalidade entre o fato e o dano. No campo tributário, o parágrafo único, inciso I, do artigo 60, DL 37/66, vigente à época dos fatos, determinava a responsabilidade ao transportador pelo tributo da operação. Art. 60 Considerarseá, para efeitos fiscais: I dano ou avaria qualquer prejuízo que sofrer a mercadoria ou seu envoltório; Parágrafo único. O dano ou avaria e o extravio serão apurados em processo, na forma e condições que prescrever o Fl. 330DF CARF MF Processo nº 12644.000012/200811 Acórdão n.º 3401005.062 S3C4T1 Fl. 322 5 regulamento, cabendo ao responsável, assim reconhecido pela autoridade aduaneira, indenizar a Fazenda Nacional do valor dos tributos que, em conseqüência, deixarem de ser recolhidos. (Revogado pela Medida Provisória nº 320, 2006) A Recorrente fora contratada pela empresa "LG" para transportar diversos equipamentos, acondicionados em caixa de papelão. A partir do momento em que tais equipamentos lhe foram entregues, a Recorrente trouxe para si o dever de guarda e zelo, dever este que ficaria desonerado ao entregar ao seu destino. Pois bem, ao sair da aeronave em Viracopos/SP, os equipamentos foram atingidos por forte chuva. Neste momento, a outorga do transporte ainda era da Recorrente. Não há como transferir a responsabilidade da umidade/avaria por conta da forte chuva à contratante (LG), vez que o dever de guarda não era seu, mas sim da Recorrente. O nexo de causalidade está evidenciado, mormente pelo Termo de Vistoria Oficial Aduaneira e pelo Laudo Técnico, portanto, sem reparos à decisão recorrida. Importa mencionar a existência dos precedentes específicos 3401003.161 e 162, nos quais o depositário se negou a receber os equipamentos, foi motivo determinante para cancelar as imputações, todavia, tal situação não aconteceu no presente feito, razão pela qual, entendese que não se adaptáveis ao caso concreto. Neste contexto, voto por conhecer do recurso voluntário e lhe negar provimento. (assinado digitalmente) André Henrique Lemos Fl. 331DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12898.002360/2009-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 31 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2004
NULIDADE. FUNDAMENTAÇÃO DA DECISÃO RECORRIDA. APRECIAÇÃO DE TODOS OS ARGUMENTOS.
A decisão administrativa deve se manifestar acerca de todos os pedidos formulados pelo contribuinte, apresentando fundamentação suficiente, notadamente quando se tratar de aspecto capaz de alterar a conclusão obtida. Inexistente manifestação acerca dos principais argumentos de mérito do contribuinte, deve ser anulada a decisão para que outra seja proferida com o devido enfrentamento.
Numero da decisão: 3201-003.919
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso, para anular a decisão recorrida e determinar à DRJ que outra seja proferida, mediante o enfrentamento das questões não apreciadas no julgamento, notadamente os fundamentos legais da imunidade e da isenção.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
(assinado digitalmente)
Tatiana Josefovicz Belisário - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: Tatiana Josefovicz Belisário
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2004 NULIDADE. FUNDAMENTAÇÃO DA DECISÃO RECORRIDA. APRECIAÇÃO DE TODOS OS ARGUMENTOS. A decisão administrativa deve se manifestar acerca de todos os pedidos formulados pelo contribuinte, apresentando fundamentação suficiente, notadamente quando se tratar de aspecto capaz de alterar a conclusão obtida. Inexistente manifestação acerca dos principais argumentos de mérito do contribuinte, deve ser anulada a decisão para que outra seja proferida com o devido enfrentamento.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso, para anular a decisão recorrida e determinar à DRJ que outra seja proferida, mediante o enfrentamento das questões não apreciadas no julgamento, notadamente os fundamentos legais da imunidade e da isenção. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente. (assinado digitalmente) Tatiana Josefovicz Belisário - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior.
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FUNDAMENTAÇÃO DA DECISÃO RECORRIDA. APRECIAÇÃO DE TODOS OS ARGUMENTOS. A decisão administrativa deve se manifestar acerca de todos os pedidos formulados pelo contribuinte, apresentando fundamentação suficiente, notadamente quando se tratar de aspecto capaz de alterar a conclusão obtida. Inexistente manifestação acerca dos principais argumentos de mérito do contribuinte, deve ser anulada a decisão para que outra seja proferida com o devido enfrentamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso, para anular a decisão recorrida e determinar à DRJ que outra seja proferida, mediante o enfrentamento das questões não apreciadas no julgamento, notadamente os fundamentos legais da imunidade e da isenção. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. (assinado digitalmente) Tatiana Josefovicz Belisário Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 89 8. 00 23 60 /2 00 9- 14 Fl. 1735DF CARF MF Processo nº 12898.002360/200914 Acórdão n.º 3201003.919 S3C2T1 Fl. 1.736 2 Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior. Relatório Tratase de Recurso Voluntário apresentado pelo Contribuinte em face do acórdão nº 1233.396, proferido pela 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro (RJ), que assim relatou o feito: Trata o presente processo de exigência fiscal formulada contra a interessada acima identificada, com lançamento de contribuição para o financiamento da seguridade social (Cofins) relativo ao anocalendário 2004 e em valores iguais a R$ 822,30 e R$ 5.177.509,48, respectivamente sob os códigos de receita 2960 e 5477. Sobre tais valores, houve imposição de multa qualificada, à razão de 150%, e de juros de mora, calculados com emprego da taxa Selic. Segundo o termo de verificação fiscal (TVF) de fls. 85/100: 1. A interessada, no período de 2004 a 2007, entregou DIPJ como entidade cultural, sem oferecer receita para a tributação da Cofins, nada apurando e nem pagando a titulo de tal contribuição; 2. Iniciada a auditoria em 12/12/2008, em abril de 2009 a Receita Federal recebeu, nos autos da Ação Popular n.° 2008.34.00.0154772, sentença judicial que determinava à União a adoção das "providências necessárias para a constituição dos créditos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal existentes em nome da CESGRANRIO relativos aos fatos geradores ocorridos entre os anos de 2003 a 2007"; 3. Anexo ao referido processo judicial constava o "Ato Cancelatório de Isenção de Contribuições Sociais" n.° 17.403.4/002/2002 de 27/12/2002, da lavra do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), órgão do Ministério da Previdência e Assistência Social (MPAS). Esse ato teria cancelado, desde 01/01/2001, a isenção da interessada sobre as contribuições que tratam os art. 22 e 23 da Lei n.° 8.212/91, em razão do não atendimento ao art. 55, II da mesma lei; 4. O §1º daquele art. 55 estabelece que a isenção das contribuições sociais, dentre elas a Cofins, tem de ser requerida previamente ao INSS, do que decorreria que o mesmo órgão teria a atribuição de cancelamento do benefício, entendimento reforçado pelo art. 206, § 8° do Decreto n.° 3.048/99 (Regulamento da Previdência Social); 5. A Lei n.° 9.732/98 acrescentou o § 4'' àquele mesmo art. 55, incumbindo o INSS de cancelar a isenção aqui guerreada se verificado o descumprimento do disposto no artigo; Fl. 1736DF CARF MF Processo nº 12898.002360/200914 Acórdão n.º 3201003.919 S3C2T1 Fl. 1.737 3 6. A teor da decisão notificação n.° 17.003/004/2002, do INSS, a interessada teve indeferido, pelo Conselho Nacional de Assistência Social (CNAS), seu pedido de renovação do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social (CEAS), cuja validade expirou em 31/12/2000. Entendeu o referido Conselho que houve descumprimento do preceito contido no art. 3°, VI, do Decreto n.° 2.536/98, ante a falta de comprovação da aplicação mínima de 20% da receita bruta em gratuidades, nos exercícios 1998 a 2000. A interessada recorreu da decisão, por meio do pedido de reconsideração autuado no processo n.° 44006.002001/200101, pedindo, posteriormente, o arquivamento do mesmo; 7. Mediante requerimento protocolado sob o n.° 37280.001094/200215, a própria interessada formulou pedido de emissão do Ato Cancelatório já caracterizado neste relatório e em razão do qual lhe foi subtraída a isenção de pagamento de Contribuições Sociais com efeitos a partir de 01/01/2001. Não houve recurso ao ato administrativo, mas a interessada não efetuou nenhum pagamento de Cofins nos períodos seguintes; 8. Abordando a isenção de Cofins, o art. 14 da MP nº" 2.158 35/2001 desonera as receitas relativas às atividades próprias das entidades relacionadas no artigo que lhe antecede, dentre as quais as fundações de direito privado; 9. A IN SRF n.° 247/2002, em seu art. 47, § 2°, definiu as receitas de atividades próprias como sendo "aquelas decorrentes de contribuições, doações, anuidades ou mensalidades fixadas por lei, assembléia ou estatuto, recebidas de associados ou mantenedores, sem caráter contraprestacional direto, destinadas ao seu custeio e ao desenvolvimento dos seus objetivos sociais"; 10.As receitas da interessada têm caráter contraprestacional direto, pois são oriundas da prestação de serviços de avaliações em vestibulares e concursos públicos, pelo que não se enquadram no conceito trazido pela instrução normativa; 11. A interessada faz mas não recebe doações, embora haja previsão para tal fluxo de entrada de recursos em seu ato constitutivo. A inexistência de uma conta de receita para doações recebidas, quer na escrituração contábil, quer no plano de contas da instituição, corroboraria a observação fiscal; 12. Conforme a escrituração apresentada pela interessada, no ano calendário fiscalizado, houve uma receita operacional de R$ 68.927.239,84, contra um total de dispêndio em assistência social tais como, doações efetuadas, bolsas de estudos concedidas, assistência promocional e projetos culturais igual a R$ 2.621.180,69, o que representou aproximadamente 4% daquela receita, portanto menos que os 20% exigidos pela legislação pertinente; 13.Estando em dívida com a Seguridade Social, a interessada, à luz do art. 195, § 3°, da Constituição Federal (CF), não poderia contratar com o Poder Público. Tal fato, adicionado a tudo Fl. 1737DF CARF MF Processo nº 12898.002360/200914 Acórdão n.º 3201003.919 S3C2T1 Fl. 1.738 4 anteriormente exposto, permitiu a conclusão da fiscalização pela ocorrência de sonegação fiscal, na forma do art. 71 Lei n.° 4.502/64; 14. No curso da análise da documentação da interessada, foi possível verificar que ela não podia gozar da isenção de IRPJ, como prevista no art. 15 da Lei n.° 9.532/97 e no art. 174 do Decreto n.° 3.000/99 (RIR/99), e tampouco poderia ser caracterizada como instituição de educação, nos termos do art. 150, VI, c, da CF e do art. 9°, lV,c, do CTN, para gozar de imunidade tributária. De tal constatação, resultou representação fiscal que redundou na lavratura do ato declaratório n,° 3/09, suspendendo a isenção da interessada sobre o IRPJ relativamente ao anocalendário 2004; 15. Para a competência 01/2004, a base de cálculo foi determinada conforme o art. 2°, II e § único, combinado com os art. 10 e 22, todos do Decreto n.° 4.524/02, não tendo sido consideradas as receitas não operacionais. A alíquota do período foi de 3%, com fulcro no art. 51 do mesmo decreto; 16. Para as competências de 02/2004 a 12/2004, a base de cálculo foi aquela estabelecida conforme os art. 1°, 3° e 5° da Lei n.° 10.833/03, sem a adição das receitas não operacionais. Foram feitas as exclusões previstas no já referido art. 3°, bem assim a da depreciação do ativo imobilizado. A alíquota aplicada foi de 7,6%, com base no art. 2° da mesma lei; 17. A fonte dos valores que serviram à determinação das bases de cálculo foram os livros Diário e Razão, bem como os balancetes contábeis da conta "4.1.1.1 Receitas Operacionais"; e 18. Por não ter havido nem pagamento e nem declaração de valores de Cofins em 2004, bem assim pela prática de sonegação fiscal desde 2001, entendeu a fiscalização que "o crédito lançado recai no artigo 173 I do Código Tributário Nacional". Inconformada com a autuação, da qual tomou ciência em 28/12/2009 (fls. 104), a interessada interpôs, em 26/01/2010, a Impugnação de fls. 269/336, na qual, em síntese, alegou: · que, tendo se originado como uma comissão para a elaboração de concursos vestibulares na região do Grande Rio, foi transformada em fundação privada com finalidade educacional, o que faz dela "entidade sem fins lucrativos com finalidades educacionais, culturais, assistenciais e de saúde", regida pelos art. 44 e seguintes do Código Civil (CC), além de seu estatuto; · que "a correta observância dos seus fins sociais, (...), é aferida periodicamente pelo Ministério público do Estado do Rio de Janeiro", que aprovou suas contas referentes aos exercidos 2003 a 2008, o que confirmaria que está sendo cumprida a disposição estatutária que impede a distribuição de qualquer parcela do seu patrimônio e de suas receitas, bem assim os requisitos exigidos pelo art. 14 do CTN para a fruição da Fl. 1738DF CARF MF Processo nº 12898.002360/200914 Acórdão n.º 3201003.919 S3C2T1 Fl. 1.739 5 imunidade prevista no art. 150, VI, c, da CF e da isenção de contribuições sociais; · que, em que pese o ato declaratório n.° 3/09 ter sido impugnado e estar aguardando decisão administrativa, o auto de infração ora combatido fora lavrado; · que goza de imunidade em relação ás contribuições para a seguridade social, em razão do art. 195, § 7°, da CF, carecendo a autoridade administrativa de competência para suspender tal desoneração constitucional; · que, em face do art. 150, § 4°, do CTN, a parcela do lançamento referente a fatos geradores anteriores a dezembro de 2004 foi alcançada pela decadência; · que a fiscalização confundiuse com os conceitos de isenção e imunidade, sendo que esta encontra previsão no art. 195, § 7°, "tornando inviável o seu tratamento como mera isenção pela Lei 9532/97"; · que, ainda que o caso fosse de isenção, e não de imunidade, estaria amparada pelo art. 15 da lei supracitada, em razão do seu caráter de "natureza cultural"; · que o art. 2° de seu ato constitutivo, ao tratar do objeto social, desmente a tese da fiscalização quanto à negativa da natureza educacional e cultural da instituição, ao referirse à atividade de "formação, especialização e aperfeiçoamento do pessoal para o trabalho de seleção de recursos humanos, e pesquisa na diversas áreas das ciências do comportamento, da cultura e da saúde em todas as suas manifestações". Tal disposição autorizaria o funcionamento do curso de mestrado, tanto assim que o MEC e outras entidades de ensino o reconheceram por via dos atos administrativos citados na impugnação. No mesmo sentido, citou jurisprudência do STJ e pronunciamento do Sr. Ministro da Educação; · que atua alinhada aos preceitos constitucionais contidos nos art. 209, II, e 214, II e III; · que, na forma do art. 1° da Lei n.° 9.394/96 (Lei das Diretrizes e Bases da Educação Nacional LDB), combinado com o art. 23, V, da CF, podese aduzir que ensino é o gênero do qual a educação é espécie; · que a educação vai além das atividades acadêmicas propriamente ditas, alcançando os processos de avaliação, atividade a que vem se dedicando desde a sua origem, em consonância com os incisos VI e IX e o § 2° do art, 2° da LDB; Fl. 1739DF CARF MF Processo nº 12898.002360/200914 Acórdão n.º 3201003.919 S3C2T1 Fl. 1.740 6 · que também promove diversos cursos de especialização para professores, com a apresentação de modernas técnicas de avaliação; · que, ao longo de sua existência, vem participando ativamente de diversos projetos ligados à educação, tendo realizado trinta fóruns acerca da educação brasileira, pelo que mencionou diversas pesquisas e eventos em que se envolveu no periodo; · que, em razão da atividade que desenvolve, "faz jus tanto à desoneração de impostos de que trata o art. 150, VI "c" da CF, como de contribuições destinadas à seguridade social como é o caso da COFINS prevista no art. 195, § 7° da CF destinadas às entidades de assistência social, desde que atuem sem finalidade de lucro"; · que os requisitos para o gozo da referida imunidade, por ela sempre atendidos, estão apostos no art. 14 do Código Tributário Nacional (CTN), diploma normativo com status de lei complementar, natureza exigida pelo Art. 146, II, da CF, ante o qual lei ordinária que se lance ao tema é "inválida"; · que não ocorreu a distribuição disfarçada de lucros aventada pela fiscalização, posto que, das quinze empresas supostamente emissoras de notas fiscais inidôneas, apenas seis lhe prestaram serviços em 2004, sendo certo que tal prestação efetivamente se deu. Acrescenta que não compete a ela, mas à autoridade fiscal, perquirir se as empresas cumprem suas obrigações fiscais; · que não podem ser considerados irregulares pagamentos feitos à empresa que também é ligada a um de seus diretores, já que os correspondentes serviços foram efetivamente prestados; · que "somente a extrema indigencia cultural pode levar alguém a considerar que uma fundação de fins culturais (...) estaria se desviando de seu escopo institucional, ao adquirir obras de arte e antigüidades", que são colocadas ao alcance de toda a sociedade, prática que denotaria "uma forma de exercer a atividade cultural nos moldes do que se faz nos países mais desenvolvidos"; · que a fiscalização reconhece o caráter assistencialista da interessada ao afirmar que ela realiza doações, no que reafirma o entendimento do STF no sentido de, a despeito de a educação não constar do rol do art. 203 da CF, ser tal atividade de assistência social, "por ser essencial ao desenvolvimento humano"; Fl. 1740DF CARF MF Processo nº 12898.002360/200914 Acórdão n.º 3201003.919 S3C2T1 Fl. 1.741 7 · que, sob a ótica da isenção, também está amparada pela legislação ordinária, a qual não vincula a desoneração a determinadas receitas das entidades beneficiárias, podendose, então, concluir que, desde que compatíveis com as finalidades institucionais, todas as receitas seriam alcançadas. Disso resultaria a ilegalidade do art. 47, II e § 2°, da IN SRF n.° 247, que, sendo ato administrativo interno, teria ousado ao regulamentar um ato legislativo, sem prejuízo de sua inconstitucionalidade em face do art. 150, § 6°. da CF; · que a multa imposta deve ser suprimida, posto que nenhuma infração teria sido cometida; e ^ que "a taxa SELIC é inaplicável no âmbito tributário, quer como juros, quer como índice de correção monetária, uma vez que reflete valores muito diversos daqueles apurados por outros índices oficiais de correção monetária e possui natureza distinta dos juros moratórios previstos Código Tributário Naciona". É o relatório. Após exame da Impugnação apresentada pelo Contribuinte, a DRJ proferiu acórdão assim ementado: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Anocalendário: 2004 LANÇAMENTO. DETERMINAÇÃO JUDICIAL. Há que se reconhecer o caráter imperativo da decisão judicial que determina à Fazenda a verificação do fato gerador, para, na ocorrência deste, efetuar o lançamento de tributo. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformado, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário reiterando os argumentos de defesa apresentados quanto ao crédito tributário mantido, além de aduzir a nulidade da decisão recorrida. Inicialmente foi suscitado conflito de competência entre as 1ª e 3ª Seções do CARF, que foi solucionado com a confirmação da competência desta 3ª Seção, conforme Despacho de fls. 1.711/1.714. Assim, os autos foram remetidos a este CARF e a mim redistribuídos por sorteio. É o relatório. Voto Fl. 1741DF CARF MF Processo nº 12898.002360/200914 Acórdão n.º 3201003.919 S3C2T1 Fl. 1.742 8 Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário Relatora O Recurso é próprio e tempestivo, portanto, dele tomo conhecimento. A Recorrente afirma que a decisão recorrida é nula por ter se fundamentado de modo insuficiente em face das alegações de mérito apresentadas na impugnação, notadamente quanto ao seu enquadramento como entidade beneficente de assistência social e, subsidiariamente, como instituição de educação sem fins lucrativos. Com efeito, percebese que a decisão recorrida é superficial e não examina de modo suficiente a defesa da Recorrente. As decisões proferidas em sede de contencioso administrativo, na condição de ato administrativo, estão obrigadas a se manifestar acerca de todos os pedidos formulados pelo contribuinte, de modo motivado e apresentando fundamentação suficiente. Ainda que não estejam obrigadas a se manifestar acerca da totalidade dos argumentos apresentados, esta é imprescindível quando se trate de fundamento capaz de infirmar a conclusão adotada. Nesse sentido dispõe o Código de Processo Civil de 2015, de aplicação subsidiária ao processo administrativo:. Art. 489. São elementos essenciais da sentença: I o relatório, que conterá os nomes das partes, a identificação do caso, com a suma do pedido e da contestação, e o registro das principais ocorrências havidas no andamento do processo; II os fundamentos, em que o juiz analisará as questões de fato e de direito; III o dispositivo, em que o juiz resolverá as questões principais que as partes lhe submeterem. § 1oNão se considera fundamentada qualquer decisão judicial, seja ela interlocutória, sentença ou acórdão, que: I se limitar à indicação, à reprodução ou à paráfrase de ato normativo, sem explicar sua relação com a causa ou a questão decidida; II empregar conceitos jurídicos indeterminados, sem explicar o motivo concreto de sua incidência no caso; III invocar motivos que se prestariam a justificar qualquer outra decisão; IV não enfrentar todos os argumentos deduzidos no processo capazes de, em tese, infirmar a conclusão adotada pelo julgador; V se limitar a invocar precedente ou enunciado de súmula, sem identificar seus fundamentos determinantes nem demonstrar que o caso sob julgamento se ajusta àqueles fundamentos; Fl. 1742DF CARF MF Processo nº 12898.002360/200914 Acórdão n.º 3201003.919 S3C2T1 Fl. 1.743 9 VI deixar de seguir enunciado de súmula, jurisprudência ou precedente invocado pela parte, sem demonstrar a existência de distinção no caso em julgamento ou a superação do entendimento. (...) Na hipótese presente, percebese que os fundamentos de mérito sob os quais a DRJ deixou de se manifestar são essenciais e suficientes, por si só, de alterar a própria conclusão final obtida. Embora o acórdão recorrido tenha se manifestado acerca de diversos pontos secundários, quanto ao mérito, fundamentouse exclusivamente em duas premissas de mérito, quais sejam (i) que a discussão acerca da imunidade deveria se dar no bojo do Processo Administrativo Fiscal nº 12898.001936/200926 e que (ii) a decisão judicial proferida nos autos da Ação Popular nº 2008.34.00.0154772 teria caráter imperativo no sentido de determinar o lançamento da presente exigência tributária. Nenhum dos dois aspectos subsiste. Inicialmente, no que diz respeito ao PAF nº 12898.001936/200926, assim considerado pela Fiscalização: 15 Em exame à documentação do contribuinte, verificamos também que, no ano de 2004, a Fundação Cesgranrio deixou de observar vários requisitos condicionadores do gozo da isenção tributária (IRPJ), prevista no artigo 15 da Lei 9.532 de 10/12/1997 e do artigo 174 do Decreto 3000 de 26 de março de 1999 ( RIR/99), não podendo também ser caracterizada como uma Instituição de Educação nos termos do artigo 150 inciso VI alínea "c" da Constituição Federal, nem tampouco do artigo 9 inciso IV alínea "c" do CTN, para gozo de pretensa imunidade tributária. 15.1 Por esse motivo foi emitida NOTIFICAÇÃO FISCAL, datada de 12/11/2009, processo número 12898.001936/200926, nos termos do artigo 32 parágrafo 10 da Lei 9.430 de 27 de dezembro de 1996, com ciência do contribuinte, por via postal, em 12/11/2009, Sedex Hoje número SJ016084167BR, com fins de suspensão da isenção tributária. Como se verifica, o PAF nº 12898.001936/200926 teve por fundamento a exclusão da imunidade tributária relativamente ao IRPJ (art. 150, VI, alínea c, da CF/88), enquanto o presente feito tem por objeto a imunidade relativamente à COFINS, contribuição social (art. 195 da CF/88). Como se denota do próprio relatório do Acórdão CARF nº 1301001.364, proferido no citado Processo nº 12898.001936/200926, tanto a fundamentação de fato, como a de direito, lá exposta, é absolutamente distinta daquela trazida no presente lançamento. Assim, os fatos lá examinados e, principalmente, os dispositivos legais lá tratados são diversos do art. 55 da Lei nº 8.212/91, que é o fundamento legal do presente lançamento. Fl. 1743DF CARF MF Processo nº 12898.002360/200914 Acórdão n.º 3201003.919 S3C2T1 Fl. 1.744 10 Logo, os processos administrativos em questão tratam de tributos distintos e legislação distinta. E, encerrando esta questão, a vinculação ou dependência entre a imunidade lá tratada (IRPJ) e a aqui examinada (COFINS) foi definitivamente afastada pelo próprio Despacho da Presidência deste CARF, proferido nos presentes autos, que reconheceu ser de competência desta 3ª Seção do CARF o exame do lançamento da COFINS, e não da 1º Seção, a quem compete o exame das questões relativas ao IRPJ. O referido despacho validou a fundamentação da Resolução nº 1302000.466 da 2ª TO da 3ª Câmara da 1ª Seção, que suscitou o conflito de competência, da qual transcrevo os seguintes trechos: Vale ainda alertar que as imunidades tributárias que alcançam o IRPJ e a Cofins são diferentes, pois, a primeira está prevista no art. 150, VI, “c”, já a segunda no art. 195, § 7º, da CF/88, do que resulta também que as condições para o gozo dessas imunidades são diferentes e estabelecidos em diplomas legais diversos. (...) Como afirmado acima, a decisão judiciária não determinou o lançamento desse ou daquele tributo, mas que a RFB adotasse providências para a constituição de créditos tributários devidos pela recorrente. Para tanto, no que concerne à Cofins, a Fiscalização teve que verificar as condições estabelecidas no inciso II, do artigo 55 da Lei 8.212 de 1991, dispositivo que não se aplica à imunidade do IRPJ de que trata o art. 150, VI, c, da CF/88. (...) Ou seja, no TVF constante destes autos, o Autuante apenas dá notícia de outros fatos apurados que teriam impacto no IRPJ, sendo que, expressamente, informa que tal matéria seria objeto de outro PAF (12898.001936/200926). Assim, não temos aqui um lançamento lastreado em fatos cuja apuração serviu para configurar a prática de infração à legislação pertinente à tributação do IRPJ, primeiro porque não poderia a Autoridade Judicial determinar ao Fisco que efetuasse qualquer lançamento, sob pena de invadir o mérito do ato administrativo. Notese que os fatos foram apurados no processo administrativo e não no judicial. Segundo, os fatos apurados neste processo administrativo se resumiam em saber se a recorrente teria observado as condições do inciso II, do artigo 55 da Lei 8.212 de 1991, combinado com o Inciso III, do artigo 206 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048, de 06/05/99, ou seja, requisitos para o gozo da imunidade das contribuições sociais, nada se referindo ao IRPJ. (...) Fl. 1744DF CARF MF Processo nº 12898.002360/200914 Acórdão n.º 3201003.919 S3C2T1 Fl. 1.745 11 Ora, o elemento de prova desses autos, conforme se pode constatar da simples leitura do TVF, é o Ato Cancelatório de Isenção de Contribuições Sociais, número 17.403.4/002/2002, de 27/12/2002, algo totalmente irrelevante para o gozo da isenção tributária do IRPJ, objeto do PAF 12898.001936/200926. Somese a isso, o fato de terem sido formados autos diferentes para o IRPJ e para a Cofins. Assim, resta demonstrada a legitimidade e a necessidade de se discutir, nos presentes autos, todos os aspectos vinculados à imunidade relativamente às Contribuições Sociais, prevista no art. 195, §7º da Constituição Federal. Não obstante, como dito, a decisão recorrida não analisou qualquer um dos aspectos de defesa da Recorrente, seja no que se refere ao pleito de reconhecimento da imunidade, seja no que toca à possibilidade de gozo da isenção. Tal omissão acarreta evidente cerceamento de defesa à Recorrente, não podendo ser superada por este CARF. O segundo ponto suscitado no acórdão recorrido diz respeito à decisão judicial utilizada como primeira fundamentação para o lançamento. Tratase da Ação Popular nº 2008.34.00.0154772, em trâmite original na 2º Vara Federal do Distrito Federal. A DRJ afirmou que "há que se reconhecer o caráter imperativo da decisão judicial que determinou ao Fisco a apuração e o lançamento de Cofins, sendo certo que, efetivamente, esse foi o comando que lhe excluiu a isenção". Para tanto, transcreve o seguinte trecho da referida decisão judicial: O risco de perecimento do direito invocado deflui da possibilidade de que, durante o trâmite processual, ocorra a decadência do direito da Administração de proceder à constituição dos créditos tributários apontados pela autora popular na peça original. De ressaltar apenas, por oportuno, que não há que se falar aqui em periculum in mora inverso, já que tais créditos tributários permanecerão com a exigibilidade suspensa até o desfecho da presente ação. Ora, tal mandamento judicial em momento algum se manifesta acerca da natureza de entidade beneficente ou de instituição isenta, como pleiteia a Recorrente. Apenas determina, em caráter precário, que a autoridade fiscal efetue o lançamento tributário para se evitar o transcurso de prazo decadencial. O teor "mandamental" desta decisão, no qual se apoia, equivocadamente, a decisão da DRJ, foi inclusive questionada e afastada pelo acórdão proferido pelo TRF da 1ª Região: ROCESSUAL CIVIL. AÇÃO POPULAR. O ATO ADMINISTRATIVO LESIVO AO PATRIMÔNIO PÚBLICO É PRESSUPOSTO DE CABIMENTO DA AÇÃO POPULAR. O AUTOR É SUBSTITUTO PROCESSUAL DE TODA A COLETIVIDADE. DESNECESSIDADE DE MAJORAÇÃO DO VALOR DA CAUSA. 1. Impugnado o valor da causa de R$ 25 milhões, o juiz podia rejeitar ou reduzir. Nunca majorar para R$ 128.028.627,41, Fl. 1745DF CARF MF Processo nº 12898.002360/200914 Acórdão n.º 3201003.919 S3C2T1 Fl. 1.746 12 ainda que este último seja o crédito tributário devido pela ré/Fundação Cesgranrio. O objetivo da ação popular é anular ato administrativo lesivo ao patrimônio público. Como substituto processual de toda a sociedade, o autor nada vai receber, sendo assim desnecessária essa majoração. 2. Requerida a nulidade da imunidade de impostos de que usufruíra a ré/Cesgranrio no período de 2003 a 2007 (Constituição, art. 150/VI, alínea "c"), não é extra petita a sentença que deferiu esse pedido e autorizou o respectivo lançamento (fl. 20). Embora tenha afirmado que ré "não goza da isenção de contribuições para a seguridade social (art. 195, § 7º)", o dispositivo do julgado autorizou apenas o lançamento dos impostos naquele período. 3. Não tendo havido ato administrativo concessivo de imunidade de impostos, a conseqüência natural disso é o correspondente lançamento de créditos tributários. Não tem sentido a sentença anular imunidade inexistente e autorizar o lançamento, porque isso é uma atividade vinculada e obrigatória da autoridade competente (CTN, art. 142) 4. Provido o agravo retido da ré/Cesgranrio. Provida a apelação dessa ré para reformar a sentença, ficando extinto o processo sem resolução do mérito por falta de interesse de agir traduzido na inexistência de ato administrativo lesivo ao patrimônio publico. Não conhecida a apelação da autora.A Turma, por unanimidade, deu provimento o "agravo retido" e à apelação da ré/Fundação Cesgranrio. Não conheceu da apelação da autora. (ACORDAO 00154095520084013400, DESEMBARGADOR FEDERAL NOVÉLY VILANOVA, TRF1 OITAVA TURMA, e DJF1 DATA:25/04/2014 PAGINA:1053.) Ademais, conforme consta no dispositivo supra transcrito, a referida Ação Popular foi julgada extinta "sem resolução do mérito por falta de interesse de agir traduzido na inexistência de ato administrativo lesivo ao patrimônio publico". Logo, resta superada também a afirmação efetuada pela DRJ no sentido de que a validade do lançamento tributário é legitimada pela decisão proferida nos autos da citada Ação Popular. O litígio acerca da exigência tributária em si deve se dar exatamente em sede do presente procedimento administrativo decorrente do lançamento tributário realizado, uma vez que não foi este o objeto da ação judicial em tela. Por fim, nesse ponto, necessário assinalar que sequer estar a se falar em concomitância, pois, como dito, tratase de ação popular proposta por cidadão contra a Recorrente. Não se trata de ação judicial proposta pelo contribuinte em face da Fazenda Nacional. Por todo o exposto, ressai evidente a nulidade da decisão recorrida, que não analisou os argumentos de defesa da Recorrente quanto a lhe ser aplicável a imunidade relativamente às contribuições sociais, tampouco o pedido subsidiário de reconhecimento da isenção, na condição de instituição sem fins lucrativos. Qualquer um destes aspectos é, por si Fl. 1746DF CARF MF Processo nº 12898.002360/200914 Acórdão n.º 3201003.919 S3C2T1 Fl. 1.747 13 só, suficiente para a resolução do feito, devendo merecer a devida apreciação pelo órgão julgador de primeira instância. Assim, voto por DAR PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário para anular a decisão recorrida e determinar à DRJ que outra seja proferida, mediante o enfrentamento das questões de mérito não apreciadas no julgamento, notadamente os fundamentos legais da imunidade e da isenção. Tatiana Josefovicz Belisário Fl. 1747DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.905728/2008-52
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/01/2003
Ementa:
RECURSO VOLUNTÁRIO INTERPOSTO FORA DO PRAZO LEGAL. INTEMPESTIVIDADE RECONHECIDA.
É de 30 (trinta) dias o prazo para interposição de Recurso Voluntário pelo contribuinte, conforme prevê o art. 33, caput, do Decreto-lei n. 70.235/72. O não cumprimento do aludido prazo impede o conhecimento do recuso interposto em razão da sua intempestividade.
Numero da decisão: 3402-005.348
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário por ser intempestivo.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente.
(assinado digitalmente)
Diego Diniz Ribeiro - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado).
Nome do relator: DIEGO DINIZ RIBEIRO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2003 a 31/01/2003 Ementa: RECURSO VOLUNTÁRIO INTERPOSTO FORA DO PRAZO LEGAL. INTEMPESTIVIDADE RECONHECIDA. É de 30 (trinta) dias o prazo para interposição de Recurso Voluntário pelo contribuinte, conforme prevê o art. 33, caput, do Decreto-lei n. 70.235/72. O não cumprimento do aludido prazo impede o conhecimento do recuso interposto em razão da sua intempestividade.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário por ser intempestivo. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente. (assinado digitalmente) Diego Diniz Ribeiro - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado).
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INTEMPESTIVIDADE RECONHECIDA. É de 30 (trinta) dias o prazo para interposição de Recurso Voluntário pelo contribuinte, conforme prevê o art. 33, caput, do Decretolei n. 70.235/72. O não cumprimento do aludido prazo impede o conhecimento do recuso interposto em razão da sua intempestividade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário por ser intempestivo. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente. (assinado digitalmente) Diego Diniz Ribeiro Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 90 57 28 /2 00 8- 52 Fl. 395DF CARF MF 2 Relatório 1. Por bem retratar os fatos aqui analisados emprego como meu o Relatório desenvolvido por este Tribunal administrativo quando da resolução n. 3402000430 (fls. 154/156), da lavra do Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, o qual adoto como meu nos termos abaixo: Tratase de processo de restituição/compensação em que o contribuinte teve seu pedido de indébito negado por despacho decisório eletrônico, sob o fundamento de que o crédito financeiro alegado como pagamento indevido foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Na manifestação de inconformidade, o recorrente alega que a origem de seus créditos tem amparo na Lei 10.485/2002, por se tratar de produtos monofásicos que teriam sido incluídos indevidamente nas bases de cálculo do PIS e da Cofins. A DRJ em Curitiba julgou improcedente a manifestação de inconformidade sob o fundamento de que as alegações trazidas pela interessada constituem fatos que não foram apreciados pela autoridade originalmente competente, posto que resultam de retificação de DCTF feita somente após a ciência do despacho decisório, além de não ter sido trazida aos autos a comprovação da existência do direito creditório alegado de forma genérica na manifestação de inconformidade. Irresignado com a decisão da primeira instância administrativa, o recorrente interpõe recurso voluntário ao CARF, repisando os argumentos apresentados anteriormente na manifestação de inconformidade, ressaltando que os fundamentos jurídicos que sustentam seu pleito derivam de sua atividade societária, comerciante de autopeças, cuja Lei nº 10.485/2002 reduziu a zero a alíquota a ser aplicada na receita bruta auferida na venda destes produtos. O Recurso Voluntário foi analisado e foi proposta uma resolução para fins de identificar o objeto da sociedade, o valor da receita auferida com a comercialização de produtos relacionados nos anexos I e II da Lei nº 10.485/2002, o valor da base de cálculo tributável e o valor dos recolhimentos efetuados pelo recorrente. O processo retornou da origem acompanhado por várias planilhas, além do contrato social. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Curitiba não produziu o termo final de diligência analisando os dados constantes nos documentos acostados aos autos pelo recorrente. (...). 2. Diante deste quadro, o processo foi novamente baixado em diligência por intermédio da resolução acima mencionada, determinado que a unidade preparadora Fl. 396DF CARF MF Processo nº 10980.905728/200852 Acórdão n.º 3402005.348 S3C4T2 Fl. 396 3 formulasse relatório fiscal com base nos documentos fiscais apresentados pelo contribuinte e, nesse sentido, indicasse a existência ou não de crédito a ser compensado. 3. Referida diligência foi cumprida, gerando o relatório fiscal de fls. 344/350, a respeito do qual o contribuinte apresentou manifestação de fls. 355/356. 4. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Diego Diniz Ribeiro 5. O Recurso voluntário é intempestivo, o que impede o seu conhecimento. 6. Como é sabido, o prazo para interposição de Recurso Voluntário no âmbito do processo administrativo federal é de 30 (trinta) dias, conforme prevê o art. 33, caput do Decretolei n. 70.235/72. 7. Não obstante, segundo o disposto no art. 5o. do sobredito Decretolei, os prazos no processo administrativo federal são contínuos e deverão ser contados excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Este também é o teor do art. 66 da lei n. 9.784/991. 8. Pois bem. No presente caso o Recorrente foi cientificado via postal da decisão guerreada, sendo o correspondente aviso de recebimento recebido em 20 (vinte) de abril de 2011 (quartafeira) (fl. 34). Logo, levando em consideração as disposições legais acima mencionadas, o termo inicial para a contagem do prazo recursal ocorreu em 21 (vinte e um) de abril de 2011 (quintafeira), vencendo, por sua vez, no dia 20 (vinte) de maio de 2011 (sexta feira). Acontece que o recurso em apreço só foi interposto em 24 (vinte e quatro) de abril de 2011 (fl. 35), ou seja, quando já transcorrido o prazo legal. 9. Patente está, portanto, a intempestividade do Recurso Voluntário em análise. 10. O fato desta questão ter passada desapercebida por este Tribunal quando da elaboração das resoluções indicadas no relatório do presente voto não impede que este Colegiado, neste momento processual, reconheça tal mácula, uma vez que a intempestividade é vício insanável e que impede a própria admissibilidade recursal por se tratar de pressuposto de validade. Dispositivo 11. Diante do exposto, deixo de conhecer o Recurso Voluntário interposto haja vista a sua intempestividade. 1 "Art. 66. Os prazos começam a correr a partir da data da cientificação oficial, excluindose da contagem o dia do começo e incluindose o do vencimento." Fl. 397DF CARF MF 4 12. É como voto. (assinado digitalmente) Diego Diniz Ribeiro Fl. 398DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10660.002207/2003-50
Turma: Segunda Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Fri May 08 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI
Período de apuração: 01/01/1999 a 30/09/2003
RESSARCIMENTO. CRÉDITOS BÁSICOS. VEÍCULOS, PARTES, PEÇAS E ACESSÓRIOS PARA MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS INDUSTRIAIS. CONCEITO DE MATÉRIA-PRIMA, PRODUTO INTERMEDIÁRIO E MATERIAL DE EMBALAGEM.
A legislação do IPI estabeleceu o limite até onde se pode considerar os bens consumidos no processo produtivo como matéria-prima, produto intermediário ou material de embalagem. Este limite reside na capacidade de o insumo em gerar o produto novo ou interagir diretamente com ele, não alcançando os produtos que atuam sobre as máquinas, equipamentos ou ferramentas, que se constituem nos meios dos quais se vale o industrial para
obter os produtos novos. Assim, só geram direito ao crédito de IPI os insumos que se caracterizam como matéria-prima, produto intermediário ou material de embalagem, nos termos definidos pelo Parecer Normativo CST nº 65/79.
DECRETO-LEI Nº 491/69, ART. 5º LEI Nº 8.420, ART. 1º, II.
AQUISIÇÃO DE BENS PARA O ATIVO PERMANENTE. DIREITO DE
CRÉDITO. INEXISTÊNCIA.
O incentivo previsto no art. 5º do Decreto-Lei nº 491/69 e no art. 1º, inciso II, da Lei n] 8.402/92, só se aplica às matérias-primas e aos produtos intermediários e materiais de embalagem utilizados na fabricação de produtos industrializados exportados e que atendam às disposições do Parecer Normativo CST nº 65/79.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2101-000.153
Decisão: ACORDAM os Membros da 1ªa CÂMARA /1ª TURMA ORDINÁRIA da SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Matéria: IPI- processos NT - ressarc/restituição/bnf_fiscal(ex.:taxi)
Nome do relator: Antonio Zomer
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/01/1999 a 30/09/2003 RESSARCIMENTO. CRÉDITOS BÁSICOS. VEÍCULOS, PARTES, PEÇAS E ACESSÓRIOS PARA MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS INDUSTRIAIS. CONCEITO DE MATÉRIA-PRIMA, PRODUTO INTERMEDIÁRIO E MATERIAL DE EMBALAGEM. A legislação do IPI estabeleceu o limite até onde se pode considerar os bens consumidos no processo produtivo como matéria-prima, produto intermediário ou material de embalagem. Este limite reside na capacidade de o insumo em gerar o produto novo ou interagir diretamente com ele, não alcançando os produtos que atuam sobre as máquinas, equipamentos ou ferramentas, que se constituem nos meios dos quais se vale o industrial para obter os produtos novos. Assim, só geram direito ao crédito de IPI os insumos que se caracterizam como matéria-prima, produto intermediário ou material de embalagem, nos termos definidos pelo Parecer Normativo CST nº 65/79. DECRETO-LEI Nº 491/69, ART. 5º LEI Nº 8.420, ART. 1º, II. AQUISIÇÃO DE BENS PARA O ATIVO PERMANENTE. DIREITO DE CRÉDITO. INEXISTÊNCIA. O incentivo previsto no art. 5º do Decreto-Lei nº 491/69 e no art. 1º, inciso II, da Lei n] 8.402/92, só se aplica às matérias-primas e aos produtos intermediários e materiais de embalagem utilizados na fabricação de produtos industrializados exportados e que atendam às disposições do Parecer Normativo CST nº 65/79. Recurso negado.
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S2-CITI Fl. 165 *t IVA* ""-r A MINISTÉRIO DA FAZENDA \.7. :çik.-_saIS:. CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 10660.002207/2003-50 Recurso n° 153.526 Voluntário Acórdão n° 2101-00.153 — 1' Câmara / 1 Turma Ordinária Sessão de 08 de maio de 2009 Matéria IPI - Ressarcimento - Créditos Básicos Recorrente EXPRINSUL COMÉRCIO EXTERIOR LTDA. Recorrida DRJ em Santa Maria - RS ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/01/1999 a 30/09/2003 RESSARCIMENTO. CRÉDITOS BÁSICOS. VEÍCULOS, PARTES, PEÇAS E ACESSÓRIOS PARA MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS INDUSTRIAIS. CONCEITO DE MATÉRIA-PRIMA, PRODUTO INTERMEDIÁRIO E MATERIAL DE EMBALAGEM. A legislação do IPI estabeleceu o limite até onde se pode considerar os bens consumidos no processo produtivo como matéria-prima, produto intermediário ou material de embalagem. Este limite reside na capacidade de o insumo em gerar o produto novo ou interagir diretamente com ele, não alcançando os produtos que atuam sobre as máquinas, equipamentos ou ferramentas, que se constituem nos meios dos quais se vale o industrial para obter os produtos novos. Assim, só geram direito ao crédito de IPI os insumos que se caracterizam como matéria-prima, produto intermediário ou material de embalagem, nos termos definidos pelo Parecer Normativo CST n2 65/79. DECRETO-LEI N2 491/69, ART. 52• LEI N2 8.420, ART. 1 2, II. AQUISIÇÃO DE BENS PARA O ATIVO PERMANENTE. DIREITO DE CRÉDITO. INEXISTÊNCIA. O incentivo previsto no art. 5 2 do Decreto-Lei n2 491/69 e no art. 1 2, inciso II, da Lei n2 8.402/92, só se aplica às matérias-primas e aos produtos intermediários e materiais de embalagem utilizados na fabricação de produtos industrializados exportados e que atendam às disposições do Parecer Normativo CST n2 65/79. Recurso negado. -0- Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. i1/41 .9 o • Processo n° 10660.00220712003-50 S2-C1T1 Acórdão n.° 2101-00.153 A. 166 ACORDAM os Membros da ia CÂMARA I I s TURMA ORDINÁRIA da SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por u •. idade de votos, em negar provimento ao recurso. • C 10 MARCOS Cik P) IDO Pr • s' ente tirailase•Neip ER Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Maria Cristina Roza da Costa, Gustavo Kelly Alencar, Antônio Lisboa Cardoso, Antonio Carlos Atulim, Domingos de Sá Filho e Maria Teresa Martínez Lopez. Relatório Trata-se de pedido de ressarcimento de créditos básicos de IPI, apresentado em 14/11/2003, decorrente da aquisição de insumos aplicados no beneficiamento de café em grãos para exportação no período de 01/01/1999 a 31/08/2003, com fundamento no Decreto- Lei n2 491/69, art. 52, Lei n2 8.402/92, art. 1 2, inciso II, e Lei n2 9.779/99, art. 11. A DRF em Varginha/MG indeferiu totalmente o pleito porque a requerente, exportadora de café em grão, não realiza operação de industrialização. Além deste fato, concluiu o Fisco que os bens adquiridos com destaque de IPI não se caracterizam como insumos, conforme disposto no Parecer Normativo CST n 2 65/79, por se tratar de veículos, partes, peças e acessórios para máquinas, equipamentos e instalações industriais, que devem ser registrados no ativo permanente. Irresignada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, requerendo a revisão do despacho decisório e o reconhecimento do seu direito ao ressarcimento, alegando que a legislação do IPI caracteriza como industrialização qualquer operação que modifique a natureza, o funcionamento, o acabamento, a apresentação ou a finalidade do produto. Acrescenta que o café exportado é semi-elaborado e o maquinário e os equipamentos são utilizados no processo industrial, pelo que os créditos são legítimos. A DRJ em Santa Maria/RS manteve o indeferimento do pedido, em decisão assim ementada: "IN DIREITO AO CRÉDITO. AQUISIÇÕES DE INSUMOS. 2 • • Processo n° 10660.002207/2003-50 S2-CITI Acórdão n.° 2101-00.153 Fl. 167 O direito ao aproveitamento do saldo credor se restringe aos créditos pela entrada de matéria-prima - MP, produto intermediário - PI e material de embalagem - ME, conceituados como tal pela legislação do imposto, que tenham sido efetivamente onerados por ele e aplicados em processo de fabricação conceituado como industrialização, do qual resulte produto situado dentro do campo de incidência. Café em grão está situado fora do campo de incidência, devendo ser estornados eventuais créditos por entradas de insumos empregados no seu processo produtivo. O preparo para exportação do café em grão não torrado não é industrialização e os insumos eventualmente utilizados nesse processo não dão direito a crédito. O imposto incidente na aquisição de bens destinados ao ativo permanente não dá direito a crédito." No recurso voluntário, a empresa reedita as mesmas razões de defesa, citando jurisprudência que daria amparo à sua pretensão e requerendo a reforma da decisão recorrida, com ao conseqüente deferimento integral do seu pleito. É o relatório. Voto Conselheiro ANTONIO ZOMER, Relator O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais para ser conhecido e apreciado. Primeiramente, há que se excluir do fundamento legal do ressarcimento o art. 11 da Lei n2 9.779/99, por que este dispositivo legal não dá direito ao aproveitamento de crédito incidente sobre veículos, partes, peças e acessórios adquiridos para emprego em máquinas e equipamentos industriais, conforme reiteradas decisões deste Colegiado. A título de exemplo, cita-se a ementa do Acórdão n2 202-19.605, de 05/02/2009, redigida nos seguintes termos:: "RESSARCIMENTO. CRÉDITO BÁSICO. CONCEITO DE MATÉRIA-PRIMA, PRODUTO INTERMEDIÁRIO E MATERIAL DE EMBALAGEM. A legislação do IP! estabeleceu o limite até onde se pode considerar os bens consumidos no processo produtivo como matéria-prima, produto intermediário ou material de embalagem. E tal limite é exatamente a capacidade do insumo em gerar o produto novo ou interagir diretamente com ele. não abrangendo aqueles produtos que atuam sobre as máquinas, equipamentos ou ferramentas, que se constituem nos meios dos quais se vale o industrial para obter esses produtos novos. Desta forma, não geram direito ao crédito de IPI os insumos que, embora se desgastem ou se consumam no decorrer do processo JO. 3 e- Processo n° 10660.002207/2003-50 52-CITI Acórdão n.° 2101-00.153 Fl. 168 industrial, não se caracterizam como produtos intermediários, nos termos definidos no Parecer Normativo CST 65/79." Assim, se os bens que geraram os créditos pretendidos pela empresa não se caracterizam como matéria-prima, produto intermediário ou material de embalagem, não há como fundamentar o pedido no art. 11 da Lei n 2 9.779/99, que beneficia o saldo credor gerado pela aquisição deste tipo de insumo. Cabe então examinar se o pleito da recorrente encontra amparo nos demais dispositivos legais que embasaram o pleito, a saber, o art. 52 do DL n2 491/69 e o inciso 11 do art. 1 2 da Lei n2 8.402/92. Dispunha o art. 52 do DL n2 491/69, verbis: "Art. 5" É assegurada a manutenção e utilização do crédito do IPI relativo às matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem efetivamente utilizados na industrialização dos produtos exportados." De pronto, constata-se que o incentivo previsto neste dispositivo legal não alcança os veículos, máquinas e equipamentos industriais, bem como as suas partes, peças e acessórios. Se o artigo só se refere às matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, aplica-se aqui, também, as disposições do Parecer Normativo CST n 2 65/79. Sendo assim, não socorre a recorrente o fato de o referido incentivo, revogado pelo § 1 2 do art. 41 do ADCT da CF/88, por ser de natureza setorial, ter sido restabelecido pelo inciso II do art. 1 2 da Lei n2 8.402/92. Por outro lado, a quase totalidade da jurisprudência trazida à colação com o recurso voluntário não se presta ao fim colimado, porque trata do direito a créditos básicos ou fictos, incidentes ou calculados sobre insumos aplicados na fabricação de produtos NT, destinados à exportação. Uma das decisões refere-se ao incentivo previsto no art. 5 2 do DL 491/69, que, como já foi visto, não se aplica ao caso dos autos. Somente o acórdão proferido no Processo n2 11080.015556/89-70 (Acórdão n2 201-69.969, de 17/10/95, refere-se ao direito de utilização de créditos decorrentes da aquisição de máquinas, aparelhos e equipamentos de fabricação nacional, destinados à instalação, ampliação ou modernização do parque fabril. No entanto, o processo é de 1989 e os créditos, por certo, são anteriores à revogação dos incentivos de natureza setorial, imposto pelo § 1 2 do art. 41 do ADCT da CF/88, que produziu efeitos dois anos após a promulgação da constituição, isto é, a partir de 05/10/2000. Ademais, o incentivo tratado no referido acórdão fundava-se no Decreto-Lei n2 1.136/70 e não no art. 52 do Decreto-Lei n2 491/69. O Decreto-Lei n2 1.136/70 inseriu o § 22 no art. 25 da Lei n2 4.502/64, com o seguinte teor: "5 2" O Ministro a Fazenda poderá atribuir aos estabelecimentos industriais o direito de crédito do imposto sobre produtos industrializados relativo a máquinas, aparelhos e 5 equipamentos, de produção nacional, inclusive quando adquiridos de comerciantes não contribuintes do referido imposto destinados à sua instalação, ampliação ou modernização e que integrarem o seu ativo furo, de acordo comLi 4 Processo n°10660.002207/2003 .50 S2-CITI Acórdão n.° 2101-00.153 Fl. 169 as diretrizes gerais de politica de desenvolvimento econômico do pais." Este parágrafo, no entanto, foi revogado pelo art. 82 do Decreto-Lei n2 I .428/75, verbis: "Art. 8" Fica revogado o ,f 2" do artigo 25 da Lei n"4.502, de 30 de novembro de 1964 com a redação dada pelo Decreto-lei n" 1.136, de 7 de dezembro de 1970, a partir da data de vigência do ato do Ministro da Fazenda que aprovar a relação a que se refere o artigo 3", mantido o direito ao crédito do imposto incidente nos bens saídos de estabelecimento industrial ou equiparado a industrial até a referida data." Depois disto, o Decreto-Lei n2 2.433/88, art. 32, revogou definitivamente, tanto o § 22 do art. 25 da Lei n2 4.502/64, quanto o Decreto-Lei n2 1.428/75. Conseqüentemente, não há disposição legal, vigente ao tempo dos fatos analisados no presente processo, que dê guarida à pretensão da recorrente. Sendo assim, pouco importa se o café exportado é semi-elaborado ou não, porque mesmo que se reconheça que a recorrente seja estabelecimento industrial para efeitos da legislação do IPI, os créditos não poderão ser aproveitados, já que decorrem da compra de bens para o ativo imobilizado. Ante o exposto, nego provimento ao recurso. Sa e s Sess .% . em 08 de maio de 2009. 1157È .4. 5 I o o' ER Page 1 _0069700.PDF Page 1 _0069800.PDF Page 1 _0069900.PDF Page 1 _0070000.PDF Page 1
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Numero do processo: 10882.901913/2008-86
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/06/2003 a 30/06/2003
COMPENSAÇÃO. AÇÃO JUDICIAL.
Não se homologa a compensação de tributo realizada antes do trânsito em julgado da decisão judicial autorizadora, nos termos do artigo 170-A do Código Tributário Nacional (CTN), aprovado pela Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1.966.
O pagamento de tributo cuja exigibilidade esteja suspensa não gera direito à repetição do indébito enquanto não tiver sido proferida decisão judicial definitiva favorável ao contribuinte.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-004.622
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
José Henrique Mauri - Presidente e Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques DOliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semiramis de Oliveira Duro, Ari Vendramini, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado, Valcir Gassen e José Henrique Mauri (Presidente Substituto).
Nome do relator: JOSE HENRIQUE MAURI
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri - Presidente e Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques DOliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semiramis de Oliveira Duro, Ari Vendramini, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado, Valcir Gassen e José Henrique Mauri (Presidente Substituto).
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AÇÃO JUDICIAL. Recorrente CIDADE DE DEUS COMPANHIA COMERCIAL DE PARTICIPAÇÕES Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/06/2003 a 30/06/2003 COMPENSAÇÃO. AÇÃO JUDICIAL. Não se homologa a compensação de tributo realizada antes do trânsito em julgado da decisão judicial autorizadora, nos termos do artigo 170A do Código Tributário Nacional (CTN), aprovado pela Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1.966. O pagamento de tributo cuja exigibilidade esteja suspensa não gera direito à repetição do indébito enquanto não tiver sido proferida decisão judicial definitiva favorável ao contribuinte. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Presidente e Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D’Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semiramis de Oliveira Duro, Ari Vendramini, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado, Valcir Gassen e José Henrique Mauri (Presidente Substituto). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 90 19 13 /2 00 8- 86 Fl. 139DF CARF MF Processo nº 10882.901913/200886 Acórdão n.º 3301004.622 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de Declaração de Compensação gerada pelo programa PER/DCOMP, transmitido eletronicamente. O Despacho Decisório proferido pela unidade de origem não homologou a compensação declarada em PER/DCOMP pela contribuinte acima qualificada, sob o fundamento de que, a partir das características do DARF descrito no PER/DCOMP, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificado do Despacho Decisório o interessado apresentou manifestação de inconformidade alegando que impetrou o Mandado de Segurança nº 2003.61.00.0023490 com o objetivo de recolher a contribuição ao PIS na forma prevista na Lei Complementar nº 7, de 1970, qual seja, tributo calculado à razão de 5% sobre o valor do Imposto de Renda Pessoa Jurídica. A liminar pleiteada não foi deferida, mas a decisão de primeira instância foi reformada em sede do agravo de instrumento interposto ao TRF da 3ª Região, decidindose favoravelmente à recorrente. Sustenta que houve erro de fato no recolhimento promovido, na modalidade conhecida como PISrepique e PISdedução. Os valores devidos decorrem da aplicação da alíquota de 5% sobre o valor da estimativa do IRPJ incidente em 15% sobre a receita bruta. Todavia, cada recolhimento foi indevidamente calculado com base em 5% do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica – Lucro Real provisionado. Percebido o erro de fato, declarou a compensação objeto do Despacho Decisório combatido. Como, na DCTF original, não ficou evidenciado o recolhimento a menor, noticía ter transmitido DCTF retificadora na qual informou que, do débito apurado a título de PIS, parte estaria extinto por pagamento e o restante estaria com exigibilidade suspensa. Informa que, em 27/11/2007, a tutela concedida foi cassada, o que o levou a promover, dentro do prazo previsto no artigo 63 da Lei nº 9.430, de 1996, o recolhimento da diferença entre as contribuições previstas na Lei nº 10.637, de 2003, e a Lei Complementar nº 7, de 1970. Requer que a DCTF retificadora seja efetivamente processada e que o despacho decisório combatido seja reformado, homologandose a compensação. Fl. 140DF CARF MF Processo nº 10882.901913/200886 Acórdão n.º 3301004.622 S3C3T1 Fl. 4 3 A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento julgou a manifestação de inconformidade improcedente, conforme Acórdão nº 05037.257, sob fundamento de que o pagamento de tributo cuja exigibilidade esteja suspensa não gera direito à repetição do indébito enquanto não tiver sido proferida decisão judicial definitiva favorável ao contribuinte: Foi apresentado Recurso Voluntário, no qual a Recorrente apresenta suas razões organizadas nos seguintes tópicos, que serão detidamente analisados no voto: 1 EXISTÊNCIA DO CRÉDITO DIREITO À COMPENSAÇÃO; 2 INAPLICABILIDADE AO CASO DO ARTIGO 170a DO CTN, COMO JÁ RECONHECIDO PELO CARF. É o relatório. Fl. 141DF CARF MF Processo nº 10882.901913/200886 Acórdão n.º 3301004.622 S3C3T1 Fl. 5 4 Voto Conselheiro José Henrique Mauri, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301004.611, de 19 de abril de 2018, proferido no julgamento do processo 10882.900038/200815, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301004.611): "O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais de admissibilidade e deve ser conhecido. 1 EXISTÊNCIA DO CRÉDITO DIREITO À COMPENSAÇÃO Informou a Recorrente que efetuou recolhimento a maior no período de apuração de junho de 2003, deixando de aplicar liminar que lhe era favorável. Apresenta a seguinte tabela: E concluiu que "não resta dúvida de que houve recolhimento a maior no montante de R$ 321.541,27, para o período originário do crédito." Conforme observouse na decisão de piso, para o contribuinte do IRPJ pelo lucro real, no ano de 2003, a norma legal que disciplinava as contribuições para o PIS era a Lei nº 10.637, de 2002. Esta lei instituiu o regime nãocumulativo do PIS. Fl. 142DF CARF MF Processo nº 10882.901913/200886 Acórdão n.º 3301004.622 S3C3T1 Fl. 6 5 No entanto, em mandado de segurança impetrado, a Recorrente requereu que fosse submetida à sistemática da arrecadação do PIS em sua modalidade PISrepique e PISdedução, na forma estabelecida pelo artigo 3º da Lei Complementar nº 7, de 1970. A Recorrente não obteve liminar, mas o o TRF da 3ª Região lhe concedeu a tutela antecipada. Essa tutela foi revogada com a sentença judicial de primeira instância, publicada em 26/10/2007 (conforme extrato constante da decisão recorrida) Posto isto, considerando tudo o mais que dos autos consta, ausentes os pressupostos legais, DENEGO A SEGURANÇA requerida. Honorários advocatícios indevidos nos termos da Súmula n.º 512, do Egrégio Supremo Tribunal Federal. Comuniquese a Excelentíssima Senhora Desembargadora Federal Relatora do Agravo de Instrumento n.º 2003.03.00.0007108, a respeito do teor desta decisão. Após o trânsito em julgado, convertamse os depósitos judiciais em receita a favor da União Federal.Custas e demais despesas ex lege.P. R. I. Oficiese. O contribuinte não logrou êxito em sua apelação, visto que a decisão recorrida foi mantida em 16/10/2008, pelo Tribunal competente (conforme extrato constante da página 67): CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO AO PIS. RECEPÇÃO, ART. 239 CF. POSSIBILIDADE DE ALTERAÇÃO VIA DE LEI ORDINÁRIA. LEI 10.637/02. CONSTITUCIONALIDADE. PRECEDENTES. APELAÇÃO DA IMPETRANTE IMPROVIDA. I – A contribuição ao PIS foi expressamente recepcionada pelo art. 239 da CF, a ela não se opondo as restrições constantes dos arts. 154, I e 195, §, 4º da mesma Carta. (STF ADIN MC 14170/ DF, Rel. Min. Octávio Gallotti, Pleno, v. u., j. 02/08/99). II – A contribuição ao Pis pode ser validamente alterada por lei ordinária, não se tratando de contribuição social nova. Ausente hierarquia entre lei complementar e lei ordinária, mas sim reserva material posta na CF (art. 146) III – Constitucionalidade da Lei 10.637. O tratamento diferenciado no que pertine à alíquotas e bases de cálculo em razão da diversidade quanto às atividades econômicas desenvolvidas pelos contribuintes encontra respaldo no próprio Texto Constitucional, art. 195, §§ 9º e 12. IV – Precedentes (TRF – 3ª Região, AG nº 2003.03.00.0110618, Rel. Des. Fed. Fábio Prieto, j. 16/11/05, p. DJU 08/03/06; TRF – 4ª Região, AMS nº 2005.72.08.0045630, Rel. Des. Fed. Vivian Josete Pantaleão Caminha, j. 13/12/06, p. de 30/04/07; TRF – 2ª Região, AC nº 2003.51.01.0037080, Rel. Des. Fed. Alberto Nogueira, j. 05/09/06, p. DJU 16/11/06) Fl. 143DF CARF MF Processo nº 10882.901913/200886 Acórdão n.º 3301004.622 S3C3T1 Fl. 7 6 V – Apelação improvida. A decisão desfavorável à Recorrente transitou em julgado em 02/07/2010, segundo informação obtida na página eletrônica do TRF da 3ª Região, o que levou à baixa definitiva dos autos em 10/08/2011. Portanto, verificase que, mesmo no interregno de tempo em que havia liminar favorável à Recorrente, ainda não era ela titular de crédito líquido e certo e não podia, portanto, efetuar a compensação. Em resumo, a Recorrente deixou de recolher nos termos da decisão judicial (tutela antecipada) e recolheu em montante que correspondia ao entendimento do Fisco. Segundo a Recorrente tal recolhimento a maior se deu por "erro de fato". 2 INAPLICABILIDADE AO CASO DO ARTIGO 170A DO CTN, COMO JÁ RECONHECIDO PELO CARF. Defende a Recorrente que a vedação do art. 170A do CTN referese a fatos passados, a pagamentos objeto de ação judicial, ao passo que seu caso se refere ao recolhimento de PIS no transcurso da ação, tendo por objeto efeitos futuros de uma decisão judicial, nos seguintes termos: Ou seja, não se pode aplicar a vedação do art. 170A do Código Tributário Nacional, criada para impedir que contribuintes compensem antes do trânsito em julgado créditos apurados em períodos anteriores e decorrentes de pagamentos indevidos ou seja, crédito já extinto por pgamento indevido utilizado para quitar tributos devidos em períodos posteriores a situações em que e a "compensação" diz respeito à apuração da base de cálculo e, portanto, à constituição do crédito tributário. Seguimos o entendimento da decisão recorrida de não há qualquer direito ao ressarcimento deferido pela decisão judicial e, mesmo que houvesse, esse direito somente poderia operar seus efeitos após o trânsito em julgado de sentença favorável à Recorrente, fato que não ocorreu, ou melhor, houve decisão transitada em julgado desfavorável à Recorrente. De acordo com o art. 170A do CTN, é defeso efetuar compensações de débitos mediante aproveitamento de tributo objeto de contestação judicial em trâmite, ou seja, ainda não julgado definitivamente. Ou seja, só há crédito oponível à Fazenda Pública com o desfecho em definitivo favorável ao particular da demanda judicial. Colacionase ainda disposição análoga do artigo 74 da Lei nº 9.430, de 1996, ao permitir a compensação de crédito discutido judicialmente apenas após o trânsito em julgado da decisão judicial: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (...) § 12. Será considerada não declarada a compensação nas hipóteses: (...) Fl. 144DF CARF MF Processo nº 10882.901913/200886 Acórdão n.º 3301004.622 S3C3T1 Fl. 8 7 II em que o crédito: (...) d) seja decorrente de decisão judicial não transitada em julgado; (grifouse) Conforme se concluiu na decisão recorrida: No caso concreto, mesmo não pretendendo agir deste modo, o contribuinte acabou por pagar tributo com exigibilidade suspensa. Como a validade do tributo estava em discussão, o crédito do contribuinte não pode ser considerado certo, não sendo, por conseguinte, passível de compensação nos termos do artigo 170 do CTN." Situação semelhante, asseverase na decisão recorrida, ocorre com o depósito judicial, o qual, uma vez efetivado em valores suficientes para garantir a extinção do crédito em eventual vitória do Fisco, não pode ser objeto de restituição até o encerramento da lide judicial, nos termos do § 2º do artigo 32 da Lei nº 6.830, de 1980: § 2º. Após o trânsito em julgado da decisão, o depósito, monetariamente atualizado, será devolvido ao depositante ou entregue à Fazenda Pública, mediante ordem do Juízo competente. A planilha juntada aos autos que trata das parcelas que compõem o valor recolhido de R$ 28.846.704,12 indica que o crédito com exigibilidade suspensa relativo ao período de apuração 06/2003 restou recolhido. Deste modo, se recolhimento a maior houve, ele teria ocorrido, quando muito, em 27/11/2007, não em 15/07/2003. Correto, portanto, despacho decisório que considerou não liberado o PIS Dessarte, o direito pretendido com a ação judicial somente será liquido e certo quando a sentença, se favorável ao contribuinte, transitar em julgado e operar seus efeitos. Por outro lado, mesmo que se concordasse com a Recorrente, contrariamente a determinação expressa da legislação, que ela poderia utilizar créditos com fulcro em decisão judicial não transitada em julgado, ela estaria sujeita à habilitação do seu crédito, o que não efetuou. O cumprimento dessa obrigação acessória é imprescindível para que o Fisco tenha conhecimento e controle deste crédito e é condição para o exercício do direito de creditamento. Portanto, ainda que se adotasse este entendimento, defendido pela Recorrente o qual não adotamos deveria ser mantida a glosa. Diante do exposto, proponho manter integralmente a decisão recorrida e voto por negar provimento ao Recurso Voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Fl. 145DF CARF MF Processo nº 10882.901913/200886 Acórdão n.º 3301004.622 S3C3T1 Fl. 9 8 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Fl. 146DF CARF MF
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Numero do processo: 13502.001248/2007-63
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 17 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 2401-000.649
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente e Relatora.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Fernanda Melo Leal (suplente convocada), Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente e Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Fernanda Melo Leal (suplente convocada), Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier. RELATÓRIO O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Nesse contexto, adoto o relatório objeto da Resolução nº 2401000.646 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária, proferida no âmbito do processo n° 13502.001229/200737, paradigma deste julgamento. Resolução nº 2401000.646 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária "CARAIBA METAIS S.A., apresenta recurso a este Conselho da DecisãoNotificação proferida pela antiga Secretária da Receita Previdenciária, que julgou procedente o lançamento fiscal, relativo à responsabilidade solidária prevista no artigo 31 da Lei n° 8.212/91, RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 35 02 .0 01 24 8/ 20 07 -6 3 Fl. 748DF CARF MF Processo nº 13502.001248/200763 Resolução nº 2401000.649 S2C4T1 Fl. 3 2 decorrente da contratação de serviços executados mediante cessão de mão de obra, em relação ao período de apuração. Conforme Relatório Fiscal, as contribuições apuradas correspondem à parte da empresa, dos segurados empregados, às contribuições para o financiamento da complementação das prestações por acidente de trabalho a partir de 03/1997, contribuições para o financiamento dos benefícios concedidos em função da incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho previstas nos artigos 20, 22, I e II da Lei 8.212/91, aferidas a título de responsabilidade solidária, decorrente da não comprovação, pela recorrente, do recolhimento prévio e específico das contribuições previdenciárias referentes aos serviços prestados mediante cessão de mão de obra pela empresa prestadora. Conforme o mesmo relatório constitui fato gerador da presente notificação as remunerações contidas nas notas fiscais/faturas/recibos de serviços. Tais serviços se encontram descritos no Relatório de Lançamentos integrante desta NFLD, ficando a contratante responsável solidariamente pelo recolhimento, nos termos do art. 31 da Lei 8.212/91. O Sr. Auditor detalha a natureza e as motivações do procedimento fiscal em causa: novo lançamento de créditos em virtude das decisões anulatórias do Conselho de Recurso da Previdência Social CRPS, que considerou nulas as notificações originais relativas aos mesmos fatos geradores aqui referidos. Assim, fundamentado no prazo decadencial do art. 45, II, da Lei 8.212/91 e respaldado no Mandado de Procedimento Fiscal MPF n° 09220145/2005 a fiscalização procedeu à recomposição do crédito. Toda a fundamentação legal do princípio da solidariedade tributária e da possibilidade de sua elisão, particularmente nos casos de prestação de serviços de construção civil e mediante cessão de mão de obra base do presente lançamento encontrase detalhada e transcrita em seus dispositivos essenciais: a) CTN, arts. 124, I e II e 125, I, II e III; b) Lei 8.212/91, arts. 31, §§ 2°, 3° e 4° (redação original e alterações promovidas pelas Leis 9.032/95 e 9.129/95 c) Regulamento da Organização e do Custeio da Seguridade Social — ROCSS, aprovado pelos Decretos 356/91 e 612/92, arts. 42, § 1 0 e 46, § 1°, d) Regulamento da Organização e do Custeio da Seguridade Social — ROCSS, aprovado pelo Decreto 2.173/97, arts. 42, §§ 2° e 3°, 43, § 1°; e) Ordem de Serviço INSS/DAF n° 83/93, itens 16 e 16.1. A autuada apresentou Recurso Voluntário, requerendo o conhecimento e provimento das suas razões, para decretar a decadência da Notificação de Lançamento, tornandoa sem efeito e, no mérito, sua absoluta improcedência. É o relatório.” VOTO Miriam Denise Xavier Relatora. Fl. 749DF CARF MF Processo nº 13502.001248/200763 Resolução nº 2401000.649 S2C4T1 Fl. 4 3 Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 2401000.646 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária, de 08 de maio de 2018, proferida no julgamento do processo n° 13502.001229/200737, paradigma ao qual o presente processo encontrase vinculado. Transcrevese, a seguir, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto condutor proferido pela Conselheira Andréa Viana Arrais Egypto, digna Relatora da decisão paradigma, reprisese, Resolução nº 2401000.646 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária, de 08 de maio de 2018: Resolução nº 2401000.646 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária "Não obstante as substanciosas razões meritórias de fato e de direito ofertadas pela contribuinte em seu recurso voluntário, há nos autos questão preliminar, indispensável ao deslinde da controvérsia, que deve ser elucidada, prejudicando, assim, a análise da demanda nesta oportunidade, como passaremos a demonstrar. A principal controvérsia apresentada no Recurso Voluntário gira em torno da apreciação da decadência do lançamento ora combatido. Com efeito, ação fiscal que culminou com a lavratura da presente NFLD foi realizada em substituição ao lançamento anteriormente efetuado anulado por decisão proferida no âmbito do Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS). Conforme se tem notícias através dos presentes autos, a decisão que anulou o primeiro lançamento considerou a existência de vício formal, resguardando o direito da Administração Tributária no que se refere ao prazo previsto no art. 173, II, do CTN. No entanto, conquanto existam fortes indícios de que o lançamento ora recorrido se configure em um novo lançamento e não apenas substituto para correção de vícios de forma, o que caberia a análise da conformidade da presente NFLD com a anteriormente anulada, não constam nos autos o lançamento anterior. Dessa forma, como a demanda envolve matéria de decadência, para o deslinde da questão posta em julgamento e para maior segurança jurídica, necessário se faz a verificação da NFLD DEBCAD original (anulada), com o seu respectivo Relatório Fiscal, bem como do Acórdão do CRPS que anulou a NFLD original. Ante o exposto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência, a fim de que a unidade fiscal de origem providencie a juntada aos autos da NFLD DEBCAD original (com o respectivo relatório fiscal), bem como o inteiro teor do Acórdão do CRPS que a anulou. Assim, mister se faz converter o julgamento em diligência com a finalidade de a autoridade fazendária providencie a juntada aos autos da peças processuais supra referidas, por serem indispensáveis para o deslinde da demanda. Fl. 750DF CARF MF Processo nº 13502.001248/200763 Resolução nº 2401000.649 S2C4T1 Fl. 5 4 Nesse diapasão, voto no sentido de converter o julgamento em diligência, para que a autoridade fazendária competente acoste aos autos cópia na íntegra da NFLD original com o respectivo Relatório Fiscal, bem como o Acórdão do CRPS que anulou tal NFLD, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. Conclusão Voto por converter o julgamento em diligência, nos termos acima propostos. (assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto." Dessarte, pelas razões de fato e de Direito ora expendidas, voto por CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, para que a Autoridade Fazendária competente faça acostar aos presentes autos cópia da NFLD original, com o respectivo Relatório Fiscal, bem como o Acórdão do CRPS que anulou a suso referida NFLD. (assinado digitalmente) Conselheira Miriam Denise Xavier Relatora. Fl. 751DF CARF MF
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