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Numero do processo: 13884.904245/2008-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jun 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/1999 a 30/09/2000
PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE.
Nos processos que versam a respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco.
PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA.
A carência probatória inviabiliza o reconhecimento do direito creditório pleiteado.
Numero da decisão: 3401-004.971
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Robson Jose Bayerl, Tiago Guerra Machado, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco (Vice-Presidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/1999 a 30/09/2000 PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE. Nos processos que versam a respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. A carência probatória inviabiliza o reconhecimento do direito creditório pleiteado.
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ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE. Nos processos que versam a respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. A carência probatória inviabiliza o reconhecimento do direito creditório pleiteado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Robson Jose Bayerl, Tiago Guerra Machado, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco (VicePresidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 4. 90 42 45 /2 00 8- 17 Fl. 67DF CARF MF Processo nº 13884.904245/200817 Acórdão n.º 3401004.971 S3C4T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de declaração de compensação, realizada com base em suposto crédito de contribuição social originário de pagamento indevido ou a maior. A DRF de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico de não homologação da compensação, em razão da inexistência de crédito disponível. Cientificada desse despacho, a manifestante protocolou sua manifestação de inconformidade, alegando, em síntese e fundamentalmente, que: recolheu aos cofres públicos tributos superiores aos efetivamente devidos, pois não considerou os termos do parágrafo 2°, do inciso III, do artigo 3°, da Lei no 9.718/98, quando apurou as bases de cálculos das contribuições; o único fundamento para a glosa das compensações é uma pretensa inexistência de crédito; não foi sequer solicitado ao contribuinte qualquer documento capaz de comprovar ou não o crédito; tivesse a autoridade intimado o contribuinte, teria acesso As planilhas de apuração, podendo verificar a regularidade do encontro de contas efetuado; pelas razões alegadas, deve ser anulado o despacho decisório, determinando que a autoridade efetue as diligências necessárias para comprovar a origem e existência do crédito utilizado, alternativamente, requer que seja logo homologada a compensação. Ao final pede deferimento da presente manifestação de inconformidade" . A Delegacia Regional do Brasil de Julgamento em Campinas (SP) proferiu o Acórdão DRJ nº 0530.653, em que se decidiu, por unanimidade de votos, julgar improcedente a manifestação de inconformidade, sob o fundamento de que "os valores faturados, ainda que repassados a terceiros, compõem a base tributável da contribuição social, em face da inexistência de permissivo legal para sua exclusão". Devidamente notificada desta decisão, a recorrente interpôs tempestivamente o recurso voluntário ora em apreço, no qual reitera as razões vertidas em sua impugnação. É o relatório. Fl. 68DF CARF MF Processo nº 13884.904245/200817 Acórdão n.º 3401004.971 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.923, de 21 de maio de 2018, proferido no julgamento do processo 13884.900342/200831, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.923): "O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Reproduzse, abaixo, a decisão recorrida proferida pelo julgador de primeiro piso: Conforme relatado, a não homologação da DCOMP em tela decorreu do fato de estar o Darf informado na DCOMP integralmente utilizado para a quitação de débitos da contribuinte. No caso, a contribuinte transmitiu sua DCOMP compensando débito com suposto crédito de contribuição social decorrente de pagamento indevido ou a maior, apontando um documento de arrecadação como origem desse crédito. Em se tratando de declaração eletrônica, a verificação dos dados informados pela contribuinte na DCOMP foi realizada também de forma eletrônica, cotejandoos com os demais por ela informados A. Receita Federal em outras declarações (DCTFs, DIPJ, etc), bem como com outras bases de dados desse órgão (pagamentos, etc), tendo resultado no Despacho Decisório em discussão. O ato combatido aponta como causa da não homologação o fato de que, embora localizado o pagamento apontado na DCOMP como origem do crédito, o valor correspondente fora utilizado para a extinção anterior de débito de Cofins da interessada. Assim, o exame das declarações prestadas pela própria interessada Administração Tributária revela que o crédito utilizado na compensação declarada não existia. Fl. 69DF CARF MF Processo nº 13884.904245/200817 Acórdão n.º 3401004.971 S3C4T1 Fl. 5 4 Por conseguinte, não havia saldo disponível (é dizer, não havia crédito liquido e certo) para suportar uma nova extinção, desta vez por meio de compensação. Dai a não homologação, não havendo qualquer nulidade nesse procedimento. Sobre o motivo da não homologação, como já antes explicitado neste voto, revelase procedente, pois, de acordo com as próprias informações prestadas pela contribuinte Receita Federal, o direito creditório apontado na DCOMP era inexistente. Não obstante, agora, em sede de manifestação de inconformidade, pretende a contribuinte demonstrar que seus débitos de contribuição social antes declarados e pagos são indevidos, pois não havia considerado, quando da apuração da base de cálculos das contribuições, o disposto no parágrafo 2°, do inciso III, do artigo 3°, da Lei n° 9.718/1998. Em termos legais, significa ver excluídos da receita bruta os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para terceiros, observadas normas regulamentadoras expedidas pelo Poder Executivo. Neste ponto, fazse necessário destacar que, por força de sua vinculação aos atos legais, assim como àqueles emanados por autoridades que lhe são hierarquicamente superiores, este colegiado está adstrito à interpretação que a própria administração pública dá legislação tributária. 110 A Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio do Ato Declaratório SRF n°56, de 20 de julho de 2000, já se posicionou a respeito da situação em exame: Ato Declaratório SRF n° 56, de 2000: O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso de suas atribuições, e considerando ser a regulamentação, pelo Poder Executivo, do disposto no inciso III do art. 20 do art. 3° da Lei no 9.718, de 27 de novembro de 1998, condição resolutória para sua eficácia; Considerando que o referido dispositivo legal foi revogado pela alínea b do inciso IV do art. 47 da Medida Provisória n° 1.99118, de 9 de junho de 2000; Considerando, finalmente, que, durante sua vigência, o aludido dispositivo legal não foi regulamentado, não produz eficácia, para fins de determinação da base de cálculo das contribuições para o PIS/PASEP e da COFINS, no período de I° de fevereiro de 1999 a 9 de junho de 2000, eventual exclusão da receita bruta que Fl. 70DF CARF MF Processo nº 13884.904245/200817 Acórdão n.º 3401004.971 S3C4T1 Fl. 6 5 tenha sido feita a titulo de valores que, computados como receita, hajam sido transferidos para outra pessoa jurídica" (destacouse). Esse entendimento torna sem força a argumentação alegada pela Contribuinte no sentido de que as provas dos alegados créditos, consistentes em planilhas de apuração da contribuição social, deveriam ser examinadas na busca da constatação da regularidade do encontro de contas, uma vez que o crédito calcado neste dispositivo é inexistente. Diante de tudo exposto, voto por julgar improcedente a manifestação de inconformidade, ratificando o disposto no despacho decisório da unidade de origem. Ressaltase, ademais, que, nos pedidos de compensação ou de restituição, como o presente, o ônus de comprovar o crédito postulado permanece a cargo da contribuinte, a quem incumbe a demonstração do preenchimento dos requisitos necessários para a compensação, pois "(...) o ônus da prova recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato",1 postura consentânea com o art. 36 da Lei nº 9.784/1999, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal. 2 Neste sentido, já se manifestou esta turma julgadora em diferentes oportunidades, como no Acórdão CARF nº 3401 003.096, de 23/02/2016, de relatoria do Conselheiro Rosaldo Trevisan: VERDADE MATERIAL. INVESTIGAÇÃO. COLABORAÇÃO. A verdade material é composta pelo dever de investigação da Administração somado ao dever de colaboração por parte do particular, unidos na finalidade de propiciar a aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. DILIGÊNCIA/PERÍCIA. Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. 1 CINTRA, Antonio Carlos de Araújo; GRINOVER, Ada Pellegrini; e DINAMARCO, Cândido Rangel. Teoria geral do processo. São Paulo: Malheiros Editores, 26ª edição, 2010, p. 380. 2 Lei nº 9.784/1999 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Art. 37. Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias. Fl. 71DF CARF MF Processo nº 13884.904245/200817 Acórdão n.º 3401004.971 S3C4T1 Fl. 7 6 Verificase, portanto, a completa inviabilidade do reconhecimento do crédito pleiteado em virtude da carência probatória do pedido formulado pela contribuinte recorrente. Acrescese a tal constatação o intento da contribuinte de ver compensado seu débito com crédito fundado em quaestio jurídica que busca inaugurar em fase de instauração de contencioso administrativo posterior à apresentação de sua declaração de compensação, com a apresentação de sua impugnação, sob o pálio do argumento de que devem ser expurgados da receita bruta, ainda que assim escriturados, os valores que tenham sido transferidos para terceiros, nos termos do § 2°, do inciso III, do artigo 3°, da Lei no 9.718/1998, argumento que se encontra em contrariedade com o preceptivo normativo do Ato Declaratório SRF n° 56, de 20/07/2000. Independentemente da discussão respeitante à matéria, no entanto, o que se constata é que a compensação tem por base direito creditório ilíquido e incerto, carente de prova de sua constituição definitiva, uma vez que a contribuinte somente poderia utilizar, na compensação de débitos próprios relativos a tributos administrados pela RFB, crédito passível de restituição ou de ressarcimento. Assim, voto por conhecer e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Rosaldo Trevisan Fl. 72DF CARF MF
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Numero do processo: 10930.000349/2005-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon May 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 31/01/2003, 30/04/2003, 31/07/2003, 31/10/2003, 30/01/2004, 30/04/2004, 30/07/2004, 29/10/2004
ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA 2 DO CARF. APLICAÇÃO.
De conformidade com a Súmula CARF nº 2, este Colegiado não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
ATRASO NA ENTREGA DA DIF-PAPEL IMUNE. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CONFIGURAÇÃO. SÚMULA N° 49 DO CARF.
Conforme a Súmula n° 49 do CARF, a denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração.
MULTA POR FALTA DE ENTREGA DA DIF PAPEL IMUNE. PREVISÃO LEGAL.
É cabível a aplicação da multa por ausência da entrega da chamada DIF - Papel Imune, pois esta encontra fundamento legal no art. 16 da Lei nº 9.779/99 e no art. 57 da MP nº 2.158-35/ 2001, regulamentados pelos arts. 1º, 11 e 12 da IN SRF n° 71/2001.
VALOR A SER APLICADO A TÍTULO DE MULTA POR ATRASO OU FALTA DA ENTREGA DA DIF - PAPEL IMUNE.
Com a vigência do art. 1º da Lei nº 11.945/2009, a partir de 16/12/2008 a multa pela falta ou atraso na apresentação da DIF - Papel Imune deve ser cominada em valor único por declaração não apresentada no prazo trimestral, e não mais por mês calendário, conforme anteriormente estabelecido no art. 57 da MP nº 2.158-35/ 2001.
RETROATIVIDADE BENIGNA. APLICAÇÃO. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA.
Por força da alínea c, inciso II do art. 106 do CTN, há que se aplicar a retroatividade benigna aos processos pendentes de julgamento quando a nova lei comina penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da ocorrência do fato.
Numero da decisão: 3201-003.627
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para adequar a multa imposta ao que dispõe o texto da Lei 11945, de 4 de junho de 2009.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
(assinado digitamente)
Leonardo Vinicius Toledo de Andrade- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Cássio Schappo, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Winderley Morais Pereira e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade
Nome do relator: LEONARDO VINICIUS TOLEDO DE ANDRADE
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 31/01/2003, 30/04/2003, 31/07/2003, 31/10/2003, 30/01/2004, 30/04/2004, 30/07/2004, 29/10/2004 ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA 2 DO CARF. APLICAÇÃO. De conformidade com a Súmula CARF nº 2, este Colegiado não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. ATRASO NA ENTREGA DA DIF-PAPEL IMUNE. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CONFIGURAÇÃO. SÚMULA N° 49 DO CARF. Conforme a Súmula n° 49 do CARF, a denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. MULTA POR FALTA DE ENTREGA DA DIF PAPEL IMUNE. PREVISÃO LEGAL. É cabível a aplicação da multa por ausência da entrega da chamada DIF - Papel Imune, pois esta encontra fundamento legal no art. 16 da Lei nº 9.779/99 e no art. 57 da MP nº 2.158-35/ 2001, regulamentados pelos arts. 1º, 11 e 12 da IN SRF n° 71/2001. VALOR A SER APLICADO A TÍTULO DE MULTA POR ATRASO OU FALTA DA ENTREGA DA DIF - PAPEL IMUNE. Com a vigência do art. 1º da Lei nº 11.945/2009, a partir de 16/12/2008 a multa pela falta ou atraso na apresentação da DIF - Papel Imune deve ser cominada em valor único por declaração não apresentada no prazo trimestral, e não mais por mês calendário, conforme anteriormente estabelecido no art. 57 da MP nº 2.158-35/ 2001. RETROATIVIDADE BENIGNA. APLICAÇÃO. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. Por força da alínea c, inciso II do art. 106 do CTN, há que se aplicar a retroatividade benigna aos processos pendentes de julgamento quando a nova lei comina penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da ocorrência do fato.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para adequar a multa imposta ao que dispõe o texto da Lei 11945, de 4 de junho de 2009. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente. (assinado digitamente) Leonardo Vinicius Toledo de Andrade- Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Cássio Schappo, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Winderley Morais Pereira e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade
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SÚMULA 2 DO CARF. APLICAÇÃO. De conformidade com a Súmula CARF nº 2, este Colegiado não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. ATRASO NA ENTREGA DA DIFPAPEL IMUNE. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CONFIGURAÇÃO. SÚMULA N° 49 DO CARF. Conforme a Súmula n° 49 do CARF, “a denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração”. MULTA POR FALTA DE ENTREGA DA “DIF PAPEL IMUNE”. PREVISÃO LEGAL. É cabível a aplicação da multa por ausência da entrega da chamada “DIF Papel Imune”, pois esta encontra fundamento legal no art. 16 da Lei nº 9.779/99 e no art. 57 da MP nº 2.15835/ 2001, regulamentados pelos arts. 1º, 11 e 12 da IN SRF n° 71/2001. VALOR A SER APLICADO A TÍTULO DE MULTA POR ATRASO OU FALTA DA ENTREGA DA “DIF PAPEL IMUNE”. Com a vigência do art. 1º da Lei nº 11.945/2009, a partir de 16/12/2008 a multa pela falta ou atraso na apresentação da “DIF Papel Imune” deve ser cominada em valor único por declaração não apresentada no prazo trimestral, e não mais por mês calendário, conforme anteriormente estabelecido no art. 57 da MP nº 2.15835/ 2001. RETROATIVIDADE BENIGNA. APLICAÇÃO. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 00 03 49 /2 00 5- 17 Fl. 426DF CARF MF 2 Por força da alínea “c”, inciso II do art. 106 do CTN, há que se aplicar a retroatividade benigna aos processos pendentes de julgamento quando a nova lei comina penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da ocorrência do fato. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para adequar a multa imposta ao que dispõe o texto da Lei 11945, de 4 de junho de 2009. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. (assinado digitamente) Leonardo Vinicius Toledo de Andrade Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Cássio Schappo, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Winderley Morais Pereira e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade Relatório Por retratar com fidelidade os fatos, adoto, com os devidos acréscimos, o relatório produzido em primeira instância, o qual está consignado nos seguintes termos: "Contra a empresa epigrafada foi lavrado o auto de infração de fls. 23/28, que se prestou a exigir crédito tributário relativo a multa regulamentar (código de arrecadação: 3199), aplicada em razão do descumprimento de obrigação acessória prescrita na Instrução Normativa (IN) SRF n° 71, de 24 de agosto de 2001, que instituiu a Declaração Especial de Informações Relativas ao Controle de Papel Imune (DIFPapel Imune). O crédito tributário consolidado no referido auto de infração, referente aos fatos geradores relativos ao período compreendido entre o 4° trimestre de 2002 e o 3° trimestre de 2004, atingiu o montante de R$ 162.000,00. O lançamento fundamentouse nas disposições contidas nos seguintes comandos normativos: art. 16 da Lei n° 9.779, de 19 de janeiro de 1999; art. 57, inciso I, da Medida Provisória (MP) n° 2.15835, de 24 de agosto de 2001; art. 368 do Decreto n° 4.544, de 26 de dezembro de 2002; art. 10, 11 e 12 da Instrução Normativa (IN) SRF n° 71, de 24 de agosto de 2001. A ação fiscal foi realizada conforme determinação contida no Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) n° 09.1.02.002004 Fl. 427DF CARF MF Processo nº 10930.000349/200517 Acórdão n.º 3201003.627 S3C2T1 Fl. 3 3 005210 (fl. 01), tendo a fiscalizada sido inicialmente intimada a regularizar sua situação fiscal em relação à entrega das DIF — Papel Imune relativas ao período acima mencionado, ou apresentar o respectivo comprovante de entrega (fl. 04). Em atenção à intimação fiscal, a fiscalizada apresentou cópias dos recibos de entrega das declarações solicitadas, entregues a destempo, em 19/01/2005 (fls. 14/21). O sujeito passivo foi cientificado do lançamento por meio de correspondência encaminhada por Aviso de Recebimento, recebida em 01/02/2005 (fl. 29), tendo protocolado sua impugnação em 03/03/2005, conforme peça de fls. 37/70 (firmada por procurador regularmente estabelecido, fls. 71/73), e anexos que a seguem, na qual aduz, em síntese: a) que "a grande divergência paira sobre a cobrança cumulativa da penalidade em comento". Nesse sentido, "o cálculo realizado pela Secretaria da Receita Federal não tem qualquer respaldo legal — uma vez que, cumulativamente, aplicou penalidades sobre penalidades ante uma única infração" E "a norma em questão não comporta tal interpretação, sob pena de afronta aos mais basilares princípios que norteiam o exercício da Administração Pública". A este respeito já se pronunciou o STJ, ao julgar o REsp n° 601.351, em 03/07/2004. Nestes termos, "realizando uma simples exegese da norma em análise, a legislação não contempla interpretação outra que não a estabelecida pelos tribunais". E, caso contrário, "o bis in idem fica cabalmente demonstrado nessa hipótese", não tendo sido esta a intenção do legislador, "posto que, se assim o fosse, o princípio da proporcionalidade e razoabilidade seriam fatalmente ignorados — levando ao confisco que a Carta Magna expressamente desautoriza"; b) que o valor máximo da multa aplicável é o montante de R$ 12.000,00, obtido da multiplicação do fator de R$ 1.500,00 (em razão do enquadramento no Simples Federal) pelo número de declarações entregues em atraso (8); c) que a multa aplicada tem caráter confiscatório, e também viola o art. 170 da Constituição Federal (CF), que a todos garante o livre exercício de qualquer atividade econômica, por prejudicar a atividade da requerente; d) que "o estabelecimento do valor da multa deve seguir os seguintes pontos: 1 O contribuinte teve intenção fraudulenta?; 2 — Houve prejuízo ao erário?; 3 0 contribuinte é reincidente?". E como a resposta, no caso concreto, é negativa para todas estas questões, "não vislumbra qualquer nexo causal entre a multa aplicada e a ausência de cumprimento da legislação; fugindo, por assim dizer, da uníssona doutrina que clama pela compatibilidade entre multa e dano"; e) que nos períodos objetos da autuação "não houve movimentação de Papel Imune, levando a inexistência de qualquer infração a não ser a mera formalidade de apresentar Fl. 428DF CARF MF 4 uma declaração que atestasse a inexistência de qualquer movimento de mercadorias isentas no período"; f) que há que se aplicar à espécie o disposto no art. 2°, caput, inciso VI, da Lei n° 9.784/99, em consonância com a jurisprudência judicial. Os princípios dispostos no referido comando legal, "foram criados com a finalidade de proporcionar ao agente público parâmetros ao seu exercício de fiscalizador e julgador. Frisase que a atenção aos princípios deve ser máxima sob pena de ilegalidades no executar seus atos; atentandose ao fato de que a finalidade maior do administrador público deve ser sempre o interesse público em seu conceito mais amplo"; g) que a penalidade imposta nos autos, a sujeito passivo optante pelo Simples Federal, também viola o principio constitucional da capacidade contributiva. "Uma multa pecuniária de tal vulto afeta rigorosamente uma pessoa jurídica que faturou mensalmente uma média de pouco mais de R$ 90.000,00 nos últimos três anos (doc. 12 a 17)"; h) que a intenção do legislador ao instituir a hipótese de imunidade de tributos compra de papel "foi desobrigar o contribuinte ao cumprimento de uma infinidade de obrigações tributárias, incentivando dessa maneira a publicação de livros, jornais e periódicos". Assim sendo, "resta clara a incongruência da norma constitucional com a norma infralegal". "As empresas enquadradas no SIMPLES não podem arcar com os custos de um sistema rigoroso de controle que permita verificar todas as suas obrigações tributárias com riqueza de detalhes"; i) que, "ao finalizar suas atividades de produção de livros, periódicos e jornais, no final do ano de 2002, e não tendo feito qualquer pedido de revalidação do registro (passou a produzir basicamente embalagens), acreditava a requerente que seu cadastro estaria encerrado"; j) que a declaração relativa ao 3° trimestre de 2004 foi entregue juntamente com as demais, "sem qualquer procedimento administrativo anterior que fizesse referência a declaração. Assim sendo, perfeitamente enquadrada na hipótese de exclusão da multa punitiva, consoante disposição do artigo 138 do Código Tributário Nacional". É este o entendimento da Câmara Superior de Recursos Fiscais e também do STJ, conforme ementas de acórdãos citadas na peça reclamatória. Conclui a impugnante requerendo o julgamento pela improcedência do auto de infração. Pede, sucessivamente, pelo julgamento parcial da autuação, fixandose a multa aplicável em R$ 9.500,00." A decisão recorrida julgou improcedente a impugnação e apresenta a seguinte ementa: "ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 31/01/2003, 30/04/2003, 31/07/2003, 31/10/2003, 30/01/2004, 30/04/2004, 30/07/2004, 29/10/2004 Fl. 429DF CARF MF Processo nº 10930.000349/200517 Acórdão n.º 3201003.627 S3C2T1 Fl. 4 5 DIFPAPEL IMUNE. INSCRIÇÃO NO REGISTRO ESPECIAL. OBRIGATORIEDADE DE APRESENTAÇÃO. A pessoa jurídica possuidora de estabelecimento inscrito no Registro Especial está obrigada a apresentar a DIF Papel Imune, independentemente de ter havido ou não operação com papel imune no período. DIFPAPEL IMUNE. FALTA OU ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. A nãoapresentação, ou a apresentação da DIFPapel Imune após os prazos estabelecidos para a entrega dessa declaração, sujeita o contribuinte à imposição da multa prevista no artigo 57 da MP 2.15835, devida por mêscalendário de atraso. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/01/2003, 30/04/2003, 31/07/2003, 31/10/2003, 30/01/2004, 30/04/2004, 30/07/2004, 29/10/2004 ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE. As instâncias administrativas não compete apreciar vícios de ilegalidade ou de inconstitucionalidade das normas tributárias, cabendolhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/01/2003, 30/04/2003, 31/07/2003, 31/10/2003, 30/01/2004, 30/04/2004, 30/07/2004, 29/10/2004 INFRAÇÃO TRIBUTARIA. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. A responsabilidade por infrações tributária independe da intenção do responsável e da efetividade, natureza efeitos do ato. da legislação agente ou do e extensão dos efeitos do ato. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INAPLICABILIDADE. As responsabilidades acessórias autônomas, sem qualquer vinculo direto com o fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo art. 138 do CTN." O recurso voluntário da recorrente foi interposto de forma hábil e tempestiva, contendo, em breve síntese, os seguintes argumentos: (i) inexistência de expressa previsão legal para aplicação de multa de forma cumulada; (ii) ilegalidade da aplicação de várias penalidades para a mesma infração; (iii) que a penalidade aplicada possui caráter confiscatório; (iv) ofensa ao princípio da capacidade contributiva; Fl. 430DF CARF MF 6 (v) tece comentários sobre a imunidade de tributos em relação ao compra de papel; (vi) desproporcionalidade da multa aplicada; e (vii) que aplicase ao caso o benefício de denúncia espontânea previsto no art. 138 do Código Tributário Nacional CTN. Requer, ao final, a recorrente seja julgado improcedente o Auto de Infração em virtude da incorreta apuração do valor de multa lançado ante a aludida infração tributária, bem como, pela total desproporcionalidade entre a conduta da recorrente e multa pecuniária. Ad Argumentun, em não reconhecendo a improcedência total do Auto de Infração, requer seja julgado parcialmente improcedente quanto ao valor da multa que exceda R$ 9.500,00, haja vista a aplicação dos princípios trazidos à análise e a denúncia espontânea. É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo Vinicius Toledo de Andrade Preliminarmente, em relação as alegações de inconstitucionalidade tecidas pela recorrente em sua peça recursal, as afasto em razão da incompetência deste Colegiado para decidir sobre a constitucionalidade da legislação tributária. A matéria é objeto da Súmula CARF nº 2, publicada no DOU de 22/12/2009 a seguir ementada: “Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária” Assim, sendo referida súmula de aplicação obrigatória por este colegiado, maiores digressões sobre a matéria são desnecessárias. No que tange ao mérito da questão, referese à caracterização, ou não, do instituto da denúncia espontânea previsto no art. 138 do Código Tributário Nacional CTN, na hipótese de apresentação a destempo da DIFPapel Imune, com a possível exclusão da multa pelo atraso na sua entrega. Tal matéria está pacificada no âmbito do CARF, nos termos do estatuído pela Súmula n° 49: "Súmula CARF n° 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração." Tal posição tem sido adotada pelo Poder Judiciário, conforme se depreende dos seguintes precedentes do Superior Tribunal de Justiça: Fl. 431DF CARF MF Processo nº 10930.000349/200517 Acórdão n.º 3201003.627 S3C2T1 Fl. 5 7 "TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. MULTA ADMINISTRATIVA. APREENSÃO DE EQUIPAMENTO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. IMPOSSIBILIDADE. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULA 211/STJ. . 1. A indicada afronta do art. 208, § 2º, da Lei 7.661/1945 não deve ser analisada, pois o Tribunal de origem não emitiu juízo de valor sobre esse dispositivo legal. O Superior Tribunal de Justiça entende ser inviável o conhecimento do Recurso Especial quando os artigos tidos por violados não foram apreciados pelo Tribunal a quo, a despeito da oposição de Embargos de Declaração, haja vista a ausência do requisito do prequestionamento. Incide, na espécie, a Súmula 211/STJ. 2. O STJ possui entendimento de que a denúncia espontânea não tem o condão de afastar multa administrativa pela apreensão de equipamento não autorizado, pois os efeitos do art. 138 do CTN não se estendem às obrigações acessórias autônomas. Precedente: AgRg no REsp 1.466.966/RS, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, DJe 11/5/2015. 3. Recurso Especial parcialmente conhecido e, nessa parte, provido." (REsp 1618348/MG, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 20/09/2016, REPDJe 01/12/2016, DJe 10/10/2016) "TRIBUTÁRIO. MULTA MORATÓRIA. ART. 138 DO CTN. ENTREGA EM ATRASO DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. 1. A denúncia espontânea não tem o condão de afastar a multa decorrente do atraso na entrega da declaração de rendimentos, uma vez que os efeitos do artigo 138 do CTN não se estendem às obrigações acessórias autônomas. Precedentes. 2. Agravo regimental não provido." (AgRg no AREsp 11.340/SC, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 13/09/2011, DJe 27/09/2011) Em tal sentido, colacionase, ainda, o seguinte julgado da Câmara Superior de Recursos Fiscais: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Anocalendário: 2002, 2003, 2004 ATRASO NA ENTREGA DA DIFPAPEL IMUNE. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CONFIGURAÇÃO. SÚMULA N° 49 DO CARF. Conforme a súmula n° 49 do CARF, “a denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a Fl. 432DF CARF MF 8 penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração”. Recurso especial a que se dá provimento. DIFPAPEL IMUNE. MULTA. ADVENTO DA LEI N° 11495/2009. APLICAÇÃO DO ARTIGO 106, INCISO II, C, DO CTN. Com fundamento no artigo 106, inciso II, “c”, retroage lei que ameniza penalidade. No caso, a Lei n° 11.945/2009, abrandou a penalidade prevista no artigo 57 da MP n° 215835/ 2001, para a hipótese de atraso na entrega da DIFPapel Imune. Recurso Especial do Procurador Provido." (Processo 19615.000157/200558; Acórdão 9303002.100; Relatora Conselheira Susy Gomes Hoffmann) Neste contexto, não há margem para interpretação diversa sobre a não caracterização da denúncia espontânea na hipótese versada nos autos. Tratase no caso, a DIF Papel Imune de uma declaração instituída com fundamento na Lei 9.779/99, de caráter acessório e geral, cujo descumprimento sujeita ao contribuinte ao disposto no art. 505 do RIPI/2002, de acordo com o previsto no art. 57 da Medida Provisória nº 2.15835/01. Constatase, então, que possui previsão legal, não havendo que se falar em ilegalidade. O entendimento do CARF sobre a legalidade da exigência, pode ser ilustrado com a seguinte decisão: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 31/07/2002, 31/10/2002, 31/01/2003, 30/04/2003, 31/07/2003, 31/10/2003, 31/01/2004, 30/04/2004, 31/07/2004 DECLARAÇÕES ESPECIAIS DE INFRAÇÕES FISCAIS RELATIVAS AO CONTROLE DE PAPEL IMUNE (DIF PAPEL IMUNE). MULTA POR ATRASO OU FALTA NA ENTREGA. LEGALIDADE DA EXIGÊNCIA. DIF Papel imune é obrigação acessória amparada no artigo 16 da Lei 9.779, de 19 de janeiro de 1999. O atraso na entrega da declaração sujeita ao infrator à pena cominada no 505 no RIPI/2002 (cfr. artigo 57 da Medida Provisória 2.15834, de 27 de julho de 2001) c/c artigo 12 da IN SRF 71, de 24 de agosto de 2001, com a retroatividade benigna do artigo 12, inciso II e parágrafo único da IN SRF 976/2009. Recurso Especial do Procurador Provido em Parte" (Processo 10830.001378/200613; Acórdão 9303001.456; Relatora Conselheira Nanci Gama; sessão de 31/05/2011) O Superior Tribunal de Justiça assim entende: "PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA ACESSÓRIA. DIF PAPEL IMUNE. NÃO Fl. 433DF CARF MF Processo nº 10930.000349/200517 Acórdão n.º 3201003.627 S3C2T1 Fl. 6 9 APRESENTAÇÃO NO PRAZO LEGAL. PENALIDADES. IN/SRF N. 71/2001. ART. 57 DA MEDIDA PROVISÓRIA 2.158/2001. 1. A Fundação Universidade de Passo Fundo ajuizou ação ordinária com vista à repetição de indébito de valores referentes ao pagamento de multa imposta com base no art. 57, I, da Medida Provisória 2.15834/2001, por descumprimento da obrigação acessória de apresentar a Declaração Especial de Informações Relativas ao Controle do Papel Imune (DIF Papel Imune). (...) 4. A legislação tributária não deixa dúvidas de que a Fundação recorrente estava obrigada à apresentação da "DIFPapel Imune", independentemente de qualquer notificação por parte da Receita Federal, sob pena de sujeitarse à aplicação da penalidade pecuniária. Assim, ao descumprir a referida obrigação acessória, a recorrente ficou à mercê das sanções dispostas no art. 57 da MP 2.15834/2001. 5. O art. 57, I, da MP 2.15834/2001 estabeleceu a multa por descumprimento de obrigações acessórias em R$ 5.000,00 por mêscalendário. 6. Na hipótese dos autos, tem aplicação a Instrução Normativa da SRF 71/2007, que instituiu obrigação tributária acessória consistente na apresentação da DIFPapel Imune à Secretaria da Receita Federal, que deverá ser feita até o último dia útil dos meses de janeiro, abril, julho e outubro, em relação aos trimestres civis imediatamente anteriores. (...) (REsp 1222143/RS, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 22/02/2011, DJe 16/03/2011) Ocorre que, sobreveio a Lei n° 11.945, de 4 de junho de 2009, resultado da conversão da Medida Provisória n° 451/2008, que tratou da matéria nos seguintes termos: "Art. 1° Deve manter o Registro Especial na Secretaria da Receita Federal do Brasil a pessoa jurídica que: I exercer as atividades de comercialização e importação de papel destinado à impressão de livros, jornais e periódicos, a que se refere a alínea d do inciso VI do art. 150 da Constituição Federal; e II adquirir o papel a que se refere a alínea d do inciso VI do art. 150 da Constituição Federal para a utilização na impressão de livros, jornais e periódicos. § 1° A comercialização do papel a detentores do Registro Especial de que trata o caput deste artigo faz prova da regularidade da sua destinação, sem prejuízo da responsabilidade, pelos tributos devidos, da pessoa jurídica que, tendo adquirido o papel beneficiado com imunidade, desviar sua finalidade constitucional. Fl. 434DF CARF MF 10 § 2° O disposto no § 1° deste artigo aplicase também para efeito do disposto no § 2° do art. 2° da Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002, no § 2° do art. 2° e no § 15 do art. 3° da Lei n° 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e no § 10 do art. 8° da Lei n° 10.865, de 30 de abril de 2004. § 3° Fica atribuída à Secretaria da Receita Federal do Brasil competência para: I expedir normas complementares relativas ao Registro Especial e ao cumprimento das exigências a que estão sujeitas as pessoas jurídicas para sua concessão; II estabelecer a periodicidade e a forma de comprovação da correta destinação do papel beneficiado com imunidade, inclusive mediante a instituição de obrigação acessória destinada ao controle da sua comercialização e importação. § 4° O não cumprimento da obrigação prevista no inciso II do § 3° deste artigo sujeitará a pessoa jurídica às seguintes penalidades: I 5% (cinco por cento), não inferior a R$ 100,00 (cem reais) e não superior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais), do valor das operações com papel imune omitidas ou apresentadas de forma inexata ou incompleta; e II de R$ 2.500,00 (dois mil e quinhentos reais) para micro e pequenas empresas e de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) para as demais, independentemente da sanção prevista no inciso I deste artigo, se as informações não forem apresentadas no prazo estabelecido. § 5° Apresentada a informação fora do prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício, a multa de que trata o inciso II do § 4° deste artigo será reduzida à metade." Assim, temse que a nova legislação estipulou penalidade mais benéfica ao contribuinte. O Código Tributário Nacional CTN, em seu artigo 106, inciso II, alínea c, dispõe, expressamente, que "Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática." Fl. 435DF CARF MF Processo nº 10930.000349/200517 Acórdão n.º 3201003.627 S3C2T1 Fl. 7 11 O dispositivo aplicase ao caso concreto, em razão de se tratar de norma mais benigna ao contribuinte, em matéria de penalidade. Anteriormente, a multa aplicada equivalia ao número de mesescalendário em atraso, o que resultava na aplicação de multa (penalidade) por demais gravosa ao contribuinte, a depender, inclusive, da demora, por parte do Fisco, em aplicála. Com a superveniência da Lei n° 11.945/2009, a penalidade passou a ser exigida levandose em conta cada obrigação acessória isolada, e não mais a quantidade de meses em atraso. Por se tratar de penalidade, é evidente e cristalina a sua natureza de matéria de ordem pública, fato que torna possível a sua apreciação por este órgão de julgamento,sendo lícita e legítima a aplicação do novo texto legal à hipótese versada, ainda que não instada a tanto. No caso concreto, aplicouse a multa no valor total de R$ 162.000,00, de multa pela não apresentação no prazo estabelecido da Declaração Especial de Informações relativas ao Controle de Papel Imune (DIF PAPEL IMUNE), referente aos 4° trimestre 2002, 1° trimestre 2003 ,3° trimestre 2003, 3° trimestre 2003, 4° trimestre 2003, 1° trimestre 2004 e 2° trimestre 2004. No cálculo, considerouse, por mês em atraso, a multa de R$ 1.500,00, resultando no valor de R$ 162.000,00. Com a sistemática mais benéfica, estabelecida pela Lei n° 11.945/2009, a multa de R$ 2.500,00, para micro e pequenas empresas deve ser exigida em relação a cada obrigação em atraso, no caso, 7 (sete) trimestres. No total, portanto, a multa que deverá incidir, conforme o exposto, será no valor de R$ 17.500,00 (dezessete mil e quinhentos reais 7 trimestres x R$ 2.500,00). Nestes termos, tem decidido o CARF, através da Câmara Superior de Recursos Fiscais, conforme decisões a seguir colacionadas: "ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 31/10/2002, 31/10/2003, 31/01/2004, 30/04/2004, 31/07/2004 MULTA POR FALTA DE ENTREGA DA “DIF PAPEL IMUNE”. PREVISÃO LEGAL. É cabível a aplicação da multa por ausência da entrega da chamada “DIF Papel Imune”, pois esta encontra fundamento legal nos seguintes comandos normativos: art. 16 da Lei nº 9.779/99; art. 57 da MP nº. 2.15835/ 2001; arts. 1º, 11 e 12 da IN SRF n° 71/2001. VALOR A SER APLICADO A TÍTULO DE MULTA POR ATRASO OU FALTA DA ENTREGA DA “DIFPAPEL IMUNE”. Fl. 436DF CARF MF 12 Com a vigência do art. 1º da Lei nº 11.945/2009, a partir de 16/12/2008 a multa pela falta ou atraso na apresentação da “DIF Papel Imune” deve ser cominada em valor único por declaração não apresentada no prazo trimestral, e não mais por mês calendário, conforme anteriormente estabelecido no art. 57 da MP nº 2.15835/ 2001. RETROATIVIDADE BENIGNA. APLICAÇÃO. Por força da alínea “c”, inciso II do art. 106 do CTN, há que se aplicar a retroatividade benigna aos processos pendentes de julgamento quando a nova lei comina penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da ocorrência do fato. Recurso Especial do Procurador negado." (Processo 11080.001057/200601; Acórdão 9303005.273; Relator Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza; sessão de 21/06/2017) "ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 31/01/2003, 30/04/2003, 31/07/2003, 31/10/2003, 30/01/2004, 30/04/2004, 30/07/2004, 31/10/2004, 10/02/2005 MULTA POR FALTA DE ENTREGA DA “DIF PAPEL IMUNE”. PREVISÃO LEGAL. É cabível a aplicação da multa por ausência da entrega da chamada “DIF Papel Imune”, pois esta encontra fundamento legal no art. 16 da Lei nº 9.779/99 e no art. 57 da MP nº 2.158 35/ 2001, regulamentados pelos arts. 1º, 11 e 12 da IN SRF n° 71/2001. VALOR A SER APLICADO A TÍTULO DE MULTA POR ATRASO OU FALTA DA ENTREGA DA “DIF PAPEL IMUNE”. Com a vigência do art. 1º da Lei nº 11.945/2009, a partir de 16/12/2008 a multa pela falta ou atraso na apresentação da “DIF Papel Imune” deve ser cominada em valor único por declaração não apresentada no prazo trimestral, e não mais por mês calendário, conforme anteriormente estabelecido no art. 57 da MP nº 2.15835/ 2001. RETROATIVIDADE BENIGNA. APLICAÇÃO. Por força da alínea “c”, inciso II do art. 106 do CTN, há que se aplicar a retroatividade benigna aos processos pendentes de julgamento quando a nova lei comina penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da ocorrência do fato. Recurso Especial do Procurador Provido em Parte." (Processo 19515.000759/200533; Acórdão 9303004.953; Relator Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas; sessão de 10/04/2017) Diante do exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso voluntário interposto, para que a multa seja adequada ao que dispõe o texto da Lei n° 11.945, de 4 de junho de 2009, no valor de R$ 17.500,00 (dezessete mil e quinhentos reais). Fl. 437DF CARF MF Processo nº 10930.000349/200517 Acórdão n.º 3201003.627 S3C2T1 Fl. 8 13 Leonardo Vinicius Toledo de Andrade Relator Fl. 438DF CARF MF
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Numero do processo: 10735.901720/2010-33
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri May 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE.
Comprovado o erro na publicação da pauta de julgamento, que inviabilizou a presença do advogado da recorrente à sessão de julgamento, impõe-se a anulação da decisão proferida e a realização de novo julgamento.
COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE CSLL. CSL RETIDA NA FONTE. COMPROVAÇÃO. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO.
Tendo sido apurado em diligência que o crédito total pleiteado na PER/Dcomp coincide com os montantes informados em DIRF pelas fontes pagadoras, impõe-se o reconhecimento integral do direito creditório e a homologação das compensações pleiteadas até o montante do crédito reconhecido.
Numero da decisão: 1302-002.719
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer os embargos e acolhê-los, com efeitos infringentes, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo Rogério Aparecido Gil, Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente convocado), Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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SALDO NEGATIVO DE IRPJ. Embargante PERSONAL SERVICE RECURSOS HUMANOS E ASSESSORIA EMPRESARIAL LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. Comprovado o erro na publicação da pauta de julgamento, que inviabilizou a presença do advogado da recorrente à sessão de julgamento, impõese a anulação da decisão proferida e a realização de novo julgamento. COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE CSLL. CSL RETIDA NA FONTE. COMPROVAÇÃO. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. Tendo sido apurado em diligência que o crédito total pleiteado na PER/Dcomp coincide com os montantes informados em DIRF pelas fontes pagadoras, impõese o reconhecimento integral do direito creditório e a homologação das compensações pleiteadas até o montante do crédito reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer os embargos e acolhêlos, com efeitos infringentes, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 5. 90 17 20 /2 01 0- 33 Fl. 300DF CARF MF Processo nº 10735.901720/201033 Acórdão n.º 1302002.719 S1C3T2 Fl. 291 2 Rogério Aparecido Gil, Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente convocado), Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado. Fl. 301DF CARF MF Processo nº 10735.901720/201033 Acórdão n.º 1302002.719 S1C3T2 Fl. 292 3 Relatório Tratase de embargos de declaração interposto em face do Acórdão nº 1801 001.312, de 06/12/2012 (fls. 222/229), mediante o qual o colegiado da 1ª Turma Especial da Primeira Seção do CARF, negou provimento ao recurso voluntário interposto pelo contribuinte. Admitidos os embargos, o mesmo colegiado houve por bem anular o acórdão embargado e proferir a Resolução nº 1801000.246, de 10/07/2013, mediante a qual determinou a realização de diligências pela unidade preparadora, com vistas a apurar a efetiva retenção do IRRF por parte das fontes pagadoras. Por bem descrever as questões em litígio, transcrevo o relatório constante da Resolução nº 1801000.246, de 10/07/2013, verbis: A empresa interpôs Embargos de Declaração porque não pode acompanhar o julgamento do litígio administrativo em decorrência de erro de informação do sítio do Carf, com relação à Turma em que se realizaria a sessão pertinente. Houve ainda a alegação de que a Conselheira Relatora não poderia ter proferido o voto nesta Primeira Turma Especial porque está vinculada à Primeira Câmara e não à Terceira Câmara, à qual vinculase a este colegiado, hierarquicamente. Aproveito o relatório e voto do acórdão embargado, os quais adoto integralmente, para historiar os fatos inerentes à lide administrativa. 1 "A ora Recorrente apresentou Declarações de Compensação 20558.64138.230206.1.3.030275 por meio do qual compensou crédito decorrente de saldo negativo de CSLL referente ao 4° trimestre de 2003, com débitos nele declarados. O Despacho Decisório n° 880533056 emitido em 06/09/2010 pela DRF Nova Iguaçu/RJ, homologou parcialmente a compensação declarada no PER/DCOMP, pois o crédito reconhecido teria sido insuficiente para compensar integralmente os débitos informados pela Recorrente, conforme o fundamento que transcrevemos: Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado e considerando que a soma das parcelas de composição do crédito informadas no PER/DCOMP deve ser suficiente para comprovar a quitação da contribuição social devida e a apuração do saldo negativo, verificouse: [...] Valor original do saldo negativo informado no PER/DCOMP com demonstrativo de crédito: R$ 19.518,20 Valor na DIPJ: R$ 19.518,20 Somatório das parcelas de composição do crédito na DIPJ: R$19.518,20 1 Trechos transcritos diretamente do Acórdão nº 1801001.312, tendo em vista a constatação de incorreção no texto constante da Resolução nº 1801000.246. Fl. 302DF CARF MF Processo nº 10735.901720/201033 Acórdão n.º 1302002.719 S1C3T2 Fl. 293 4 CSLL devida: R$ 0,00 Valor do saldo negativo disponível = (Parcelas confirmadas limitado ao somatório das parcelas na DIPJ) (CSLL devida) limitado ao menor valor entre saldo negativo DIPJ e PER/DCOMP, observado que quando este cálculo resultar negativo, o valor será zero. Portanto, a não homologação de parte do afirmado direito creditório oriundo do saldo negativo decorreu do não reconhecimento de retenções de fonte no valor de R$ 6.899,90." Na manifestação de inconformidade, a Recorrente constou, em síntese, que: (i) mantinha rígido controle sistematizado das retenções de fonte, somente procedendo à formação do saldo negativo de CSLL para aquelas retenções efetivamente confirmadas com base nos valores líquidos recebidos; (ii) apresentou “anexo A” em que consignou as empresas em relação às quais não se confirmara as retenções de fonte, compondo o valor de R$6.899,90,;(iii) apresentou “anexo B” em que relacionou os valores retidos informados, considerando os valores de faturamento bruto, retenções de impostos e contribuições, data de emissão das notas fiscais, data de recebimento dos valores faturados, e outros elementos necessários à indicação das operações ocorridas no 4° trimestre de 2003;(iv) alegou que fez prova de que de fato tem direito ao crédito integral de saldo negativo de CSLL, e que as retenções estão demonstradas, devendo a Secretaria da Receita Federal, de posse das informações disponibilizadas, solicitar novas informações sobre as divergências aos CNPJ responsáveis pelas retenções; (v) apresentou as respectivas notas fiscais, dispostas no anexo C. A 1ª Turma da DRJ/RJ1 negou provimento à manifestação de inconformidade apresentada, sob o fundamento de falta de comprovação do direito alegado, em decisão assim ementada: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003 DCOMP. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO. Incumbe ao contribuinte a demonstração, com documentação comprobatória, da existência do crédito, líquido e certo, que alega possuir junto à Fazenda Nacional. CSLL RETIDA NA FONTE. COMPROVANTE DE RETENÇÃO. Incabível a dedução, na declaração de rendimentos, de CSLL retida na fonte que não tenha sido informada em DIRF e, ainda, que não esteja confirmada por comprovante de retenção. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido Na decisão ora recorrida afirmouse que para que a CSLL retida e recolhida possa ser deduzida do imposto devido para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado pelo beneficiário, a receita correspondente deve ter sido devidamente oferecida à tributação, ou seja, computada na determinação do lucro real no referido período de apuração. Nesse sentido, seria ônus da beneficiária do rendimento comprovar que os valores de CSLL referentes a Fl. 303DF CARF MF Processo nº 10735.901720/201033 Acórdão n.º 1302002.719 S1C3T2 Fl. 294 5 pagamentos por serviços prestados foram efetivamente retidos pelas fontes pagadoras para deduzila quando da apuração do resultado do exercício. E nos termos dos artigos 815, 942 e 943 do RIR/99, a documentação apresentada produzida pela própria interessada (Planilha 4º Trimestre 2003 Anexos A e B fl. 33/38 e cópias de notas fiscais Anexo C fl. 39/70), não seria suficiente para a demonstração pretendida. Em sede de recurso voluntário, a ora Recorrente reiterou os argumentos expendidos na defesa anterior, acrescendo que: i. apesar da minuciosa demonstração das retenções na fonte que elaborou, a DRJ preferiu a forma ao conteúdo, entendendo que apenas as DIRFs e Informe de Rendimentos seriam hábeis a fazer a prova necessária; ii. aduziu que em nenhum momento foi negada a existência do direito creditório e, portanto, sob a égide da Verdade Material deveria ter sido aceita a robustez das provas apresentadas com a manifestação de inconformidade; iii. as DIRFs estão sujeitas a erros, especialmente no caso de contratantes do setor público; iv.a Recorrente não poderia depender de informações apresentadas por terceiros, as quais não tem acesso; v. as notas fiscais apresentadas veiculariam informações sobre o recebimento, data, retenções de tributos e não detêm natureza contábil, porém, fiscal, com reflexos contábeis; vi. não era condição para reconhecimento do direito à compensação do imposto retido na fonte o recolhimento do tributo retido pela fonte pagadora; vii. seja no despacho decisório, ou na decisão da DRJ, não foram invalidadas as informações prestadas na DIPJ referente ao período, não recebeu intimação sobre a sua irregularidade, o valor total das receitas sujeitas a retenções na fonte apresentadas no “anexo B” são compatíveis com as informações apresentadas na DIPJ e com o saldo negativo informado; viii. o art.923/RIR determina que a contabilidade faz prova a favor do contribuinte, de sorte que não prosperaria a alegação de falta de comprovação das retenções, exceto se considerada a inércia e/ou falta de investigação da fiscalização, que não teria contestado as informações da DIPJ; ix. para corroborar as suas alegações, faz referência a diversos julgados dessa Corte Administrativa, em que se entende que a comprovação de retenções na fonte não se limita às DIRFs, sendo possível ao contribuinte demonstrar o seu direito creditório por outros elementos de convicção; x. afirma que, muito embora entenda que tenha apresentado suficientes provas para lastrear o seu direito, tendo em vista o fundamento inovador da decisão relativo à “tributação de receitas”, e que a efetividade das retenções poderia ser aferida nos seus registros, pugnou pela realização de perícia, formulando três quesitos a serem complementados no curso da demanda e indicando assistente técnico. Juntou ao recurso voluntário a respectiva DIPJ. Fl. 304DF CARF MF Processo nº 10735.901720/201033 Acórdão n.º 1302002.719 S1C3T2 Fl. 295 6 Na apreciação dos embargos, a relatora acolheuos parcialmente reconhecendo a nulidade da primeira decisão, em face de erro na publicação da pauta da reunião que impedira o patrono de participar da sessão de julgamento, conforme se extrai do voto vencido, verbis: Conheço dos Embargos de Declaração, por tempestivo. I) Dos Embargos de Declaração Com efeito, comprovado nos autos pelas telas copiadas do sítio, que houve o erro alegado, impedindo o patrono da recorrente de presenciar o julgamento, este realizarseá novamente. No que respeita à solicitação de nulidade do acórdão embargado porque a ConselheiraRelatora que recebeu os autos para relato e apreciação, por sorteio, não estava vinculada à 3ª Câmara, a indignação da embargante não merece prosperar. Não há no Regimento Interno do Carf – Ricarf (Portaria MF nº 256/09) qualquer dispositivo restritivo a este procedimento. A Conselheira Relatora, suplente da Primeira Seção, recebeu os autos pelo devido sorteio e possui plena competência para atuar nesta Turma ou em qualquer outra desde que na Primeira Seção. A vinculação inicial à Primeira Câmara é meramente formal e organizacional, sendo procedimento interno do Carf, que não lhe extrai a competência de julgar os litígios administrativos, por razão de distribuição em Turma diferente. [...] No mérito, a então conselheira relatora dos embargos votou por negar provimento ao recurso voluntário, adotando os fundamentos expendidos no Acórdão nº 1801 001.308, de 06/12/2012 (fls. 431/438), ora embargado. A relatora restou vencida em sua posição, tendo decidido a maioria do colegiado em converter o julgamento em diligência, nos termos da conclusão do voto vencedor, verbis: Por essas sucintas razões, meu voto é para converter o julgamento na realização de diligência para a autoridade preparadora da Unidade da Receita Federal do Brasil, que jurisdiciona a Recorrente, completar seu relatório, conferindo a idoneidade e a consistência da prova acostada aos autos (notas fiscais, planilhas e tudo mais que julgar conveniente), bem como solicitar, caso entenda necessário, às fontes pagadoras os comprovantes das retenções realizadas, dando, ao final, ciência de tudo à Recorrente, para se manifestar, querendo. Encaminhados os autos à unidade preparadora, a autoridade fiscal encarregada das diligências produziu o despacho de diligência (fls. 278/279), no qual consta a seguinte conclusão: Para efeito de verificação dos valores informados em DIRF com aqueles informados nos documentos juntados ao processo, foi realizado, em 06/01/2015, novo batimento nos sistemas RFB. Do novo batimento, restou confirmado pelo sistema, os valores dispostos na tabela a seguir, conforme telas extraídas do sistema RFB e juntadas ao processo. Da tabela a seguir, é possível verificar que todos os valores de Contribuição Social Retida na Fonte CSRF foram confirmados pelo próprio sistema RFB. [...] Fl. 305DF CARF MF Processo nº 10735.901720/201033 Acórdão n.º 1302002.719 S1C3T2 Fl. 296 7 Dessa forma opinamos procedente a CSRF no montante de R$ 19.518,20. Cientificada a recorrente dos termos da conclusão da diligência (fls. 490), foram os autos encaminhados ao CARF para prosseguimento do julgamento. É o relatório. Fl. 306DF CARF MF Processo nº 10735.901720/201033 Acórdão n.º 1302002.719 S1C3T2 Fl. 297 8 Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator Os embargos de declaração interpostos pela contribuinte foram regularmente admitidos por ocasião do julgamento realizado pela extinta 1ª Turma Especial da 1ª Seção de Julgamento do CARF, em que houve por bem anular o Acórdão nº 1801001.312, de 06/12/2012, e converter o processo em diligência, nos termos da Resolução nº 1801000.246, de 10/07/2013. A questão em litígio envolve o reconhecimento parcial de direito creditório consubstanciado em saldo negativo de CSLL, do período de apuração de 01/10 a 31/12/2003 O crédito que deixou de ser reconhecido no Despacho Decisório referese à retenções na fonte que não foram informadas em DIRF, nem comprovadas pelo sujeito passivo mediante os comprovantes hábeis previstos na legislação. O crédito total pleiteado na PER/Dcomp de R$ 19.518,20, foi formado exclusivamente por IRRF retido pelas fontes pagadoras no mesmo montante. No Despacho Decisório (fls. 8/9) havia sido confirmado o montante de R$ 12.618,50 a título de IRRF retido pelas fontes pagadoras, restando reconhecido o montante original de crédito de saldo negativo de R$ 12.618,50, homologandose apenas parcialmente as compensações pleiteadas em PER/Dcomp. Ocorre que na realização das diligências determinadas pela 1ª Turma Especial, a autoridade fiscal responsável por sua execução promoveu novo batimento entre os valores da CSLL retida informados em PER/Dcomp e os constantes das DIRF's apresentadas pelas fontes pagadoras, reconhecendo a existência de valores retidos no montante de R$ 19.518,20, ou seja, o exato montante informado pela contribuinte, ora embargante. Nesse diapasão, impõese reconhecer integralmente o valor do crédito de saldo negativo de IRPJ pleiteado, no montante original de R$ 19.518,20 e homologar as compensações até o limite do crédito reconhecido. Ante ao exposto, voto por acolher os embargos interpostos, com efeitos infringentes, para modificar o Acórdão nº 1801001.312, de 06/12/2012, e dar provimento ao recurso voluntário interposto, nos termos acima examinados. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator Fl. 307DF CARF MF Processo nº 10735.901720/201033 Acórdão n.º 1302002.719 S1C3T2 Fl. 298 9 Fl. 308DF CARF MF
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Numero do processo: 10850.908542/2011-36
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jun 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/08/2000
COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ART. 3º DA LEI Nº 9.718/1998. FATURAMENTO. RECEITA OPERACIONAL. Entende-se por faturamento, para fins de identificação da base de cálculo do PIS e da COFINS, o somatório das receitas oriundas da atividade operacional da pessoa jurídica, ou seja, aquelas decorrentes da prática das operações típicas previstas no seu objeto social.
RECEITA DE SUBVENÇÃO DA LEI N° 9.479/1997. SUBVENÇÃO PARA CUSTEIO. A receita da subvenção concedida pela Lei n° 9.479/1997 às usinas beneficiadoras de borracha integra a base de cálculo do PIS e da COFINS, por se tratar de subvenção para custeio.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-004.600
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
José Henrique Mauri - Presidente e Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Renato Vieira de Avila (Suplente convocado), Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: JOSE HENRIQUE MAURI
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RESTITUIÇÃO. ALARGAMENTO DA BC. Recorrente Braslatex Indústria e Comércio de Borrachas Ltda. Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/08/2000 COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ART. 3º DA LEI Nº 9.718/1998. FATURAMENTO. RECEITA OPERACIONAL. Entendese por faturamento, para fins de identificação da base de cálculo do PIS e da COFINS, o somatório das receitas oriundas da atividade operacional da pessoa jurídica, ou seja, aquelas decorrentes da prática das operações típicas previstas no seu objeto social. RECEITA DE SUBVENÇÃO DA LEI N° 9.479/1997. SUBVENÇÃO PARA CUSTEIO. A receita da subvenção concedida pela Lei n° 9.479/1997 às usinas beneficiadoras de borracha integra a base de cálculo do PIS e da COFINS, por se tratar de subvenção para custeio. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Presidente e Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Renato Vieira de Avila (Suplente convocado), Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini e Semíramis de Oliveira Duro. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 0. 90 85 42 /2 01 1- 36 Fl. 183DF CARF MF Processo nº 10850.908542/201136 Acórdão n.º 3301004.600 S3C3T1 Fl. 3 2 Tratase de Pedido Eletrônico de Restituição de crédito da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins. A DRF de São José do Rio Preto (SP), por meio do despacho decisório, indeferiu o pedido, em razão do recolhimento indicado no PER/DCOMP ter sido integralmente utilizado para quitação de débito confessado pelo contribuinte. Cientificada do despacho, a empresa apresentou a manifestação de inconformidade, nesses termos: · Preliminarmente, requer a reunião deste processo com outros que tratam da mesma matéria e têm os mesmos fundamentos; · No mérito, defende que o recolhimento indevido decorre da inconstitucionalidade do art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718/1998, já declarada pelo STF em sede de repercussão geral; · Alega que a autoridade administrativa não analisou a causa do recolhimento indevido (a inconstitucional ampliação da base de cálculo pelo art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718); · Sustenta que a decisão do STF, no RE nº 585.235, deve ser observada, obrigatoriamente, pela autoridade administrativa; · Reiterou que é devido o crédito pleiteado no PER/DCOMP, por se tratar de PIS/COFINS calculado sobre receita que não integra o seu faturamento. Anexou à sua manifestação de inconformidade: planilha demonstrativa do pagamento indevido de PIS/COFINS sobre receitas financeiras, cópia de parte do livro diário e termos de abertura e encerramento. A 4ª Turma da DRJ/POR indeferiu a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão nº 14042.467. A DRJ rejeitou a reunião de processos solicitada, por dois motivos: para pedidos de restituição, a reunião de processos em um só deve ser realizada apenas quando tenham por base o mesmo crédito, o que não é o caso dos processos relacionados pela interessada, pois cada um se refere a um determinado período de apuração, implicando em créditos distintos e os elementos de prova são distintos para cada fato gerador, ou seja, as provas de um processo não aproveitam aos demais. Quanto ao mérito, a negativa do reconhecimento do crédito se deu em virtude da ausência de prova do pagamento indevido; da nãovinculação da autoridade administrativa ao RE nº 585.235; da ausência de DCTF retificadora e da cópia parcial do livro diário apresentada, que não permitiria apurar a base de cálculo com as exclusões pretendidas, para se chegar ao valor devido e comparálo com o valor recolhido. Em seu recurso voluntário, a empresa: Fl. 184DF CARF MF Processo nº 10850.908542/201136 Acórdão n.º 3301004.600 S3C3T1 Fl. 4 3 · Reitera o pedido de reunião deste processo com outros 38 processos que tratam da mesma matéria: recolhimentos indevidos de PIS e COFINS, apurados em diversos meses, decorrentes da majoração da base de cálculo pelo art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. · Alega que é inconteste que a DCTF não é o único meio de prova da existência de crédito passível de restituição, nem o art. 165 do CTN nem o art. 74 da Lei nº 9.430/96 condicionam o reconhecimento do crédito à retificação de declarações. · Faz a juntada do seu livro razão, que entende ser suficiente para comprovar o recolhimento indevido. · Sustenta que a base de cálculo do PIS e da COFINS deveria ter sido composta por valores correspondentes ao seu faturamento, ou seja, os ingressos que correspondem às suas receitas de vendas de mercadorias e prestação de serviços e não por suas receitas financeiras. Esta Turma de Julgamento converteu o julgamento em diligência, Resolução n° 3301000.372, de 28 de junho de 2017, para verificar os argumentos da Recorrente no tocante à inclusão das receitas financeiras na base de cálculo do PIS e da COFINS. Nessa oportunidade, foi solicitado à Unidade de Origem que: examinasse a escrita fiscal da Recorrente, para identificar a indevida inclusão das receitas financeiras indicadas no Livro Diário, na base de cálculo do PIS e da COFINS, em decorrência da aplicação do cálculo do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98 e apontasse a exatidão do valor pleiteado pelo Recorrente, bem como se a utilização deste foi efetivamente realizada. Na informação fiscal resultante da diligência, esclarece a autoridade fiscal que o valor da receita apontada pelo contribuinte como indevidamente tributada pela contribuição seria a Receita de Subvenção da Lei n° 9.479/1997. Cientificado do encerramento da diligência, não houve manifestação da empresa. É o relatório. Voto Conselheiro José Henrique Mauri, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301004.594, de 18 de abril de 2018, proferido no julgamento do processo 10850.906106/201122, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301004.594): Fl. 185DF CARF MF Processo nº 10850.908542/201136 Acórdão n.º 3301004.600 S3C3T1 Fl. 5 4 "O recurso voluntário é tempestivo e reúne os pressupostos legais de interposição, dele, portanto, tomo conhecimento. No tocante à reunião dos processos, entendo que não há nada a se deferir, pois 20 (vinte) dos processos listados foram convertidos em diligência (publ. 21/07/2014) e julgados em acórdãos de procedência para a Recorrente (publ. 27/03/2015), tendo em vista a confirmação dos créditos. Os demais processos citados pela Recorrente em seu recurso são repetitivos, que estão vinculados ao julgamento deste presente processo (paradigma), em decorrência do § 2º do art. 47 do anexo II da Portaria MF nº 343/2015. MÉRITO Inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98 O alcance do termo faturamento abarcando a atividade empresarial típica restou assente no RE nº 585.235/MG, no qual se reconheceu a repercussão geral do tema concernente ao alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, reafirmando a jurisprudência consolidada pelo STF: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ DE 1º.9.2006; REs nº 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006). Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718/98. No voto, o Ministro Cezar Peluso consignou: O recurso extraordinário está submetido ao regime de repercussão geral e versa sobre tema cuja jurisprudência é consolidada nesta Corte, qual seja, a inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, que ampliou o conceito de receita bruta, violando, assim, a noção de faturamento pressuposta na redação original do art. 195, I, b, da Constituição da República, e cujo significado é o estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais... Observese outros precedentes da Corte Suprema: RE 683.334 AgR, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, Segunda Turma, DJ 13/08/2012, RE 390.840, Rel. Min. Marco Aurelio, DJ 15/08/2006 e ainda, no mesmo sentido: RE 608.830 AgR; RE 621.652AgR; RE 371.258AgR; AI 716.675AgR AgR; AI 799.578 AgR; RE 656.284; ARE 643.823/PR; AI 776; ARE 645.618; RE 630.728; 621.675; RE 390.840; RE 654.840 e RE 641.052. Dessa forma, considerase receita bruta ou faturamento o que decorre da venda de mercadorias, da venda de serviços ou de mercadorias e serviços, não se considerando receita de natureza diversa. É o resultado econômico da Fl. 186DF CARF MF Processo nº 10850.908542/201136 Acórdão n.º 3301004.600 S3C3T1 Fl. 6 5 atividade empresarial estatutária (operacional), que constitui a base de cálculo do PIS. O art. 62, § 1º, I, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343 de 9 de junho de 2015, dispõe que: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos detratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal; Logo, o entendimento do STF deve ser aplicado no presente caso, para afastar a tributação do PIS e da COFINS exigida com base no disposto no art. 3º, §1º, da Lei n.º 9.718/1998. Nesse contexto, esta Turma converteu o julgamento em diligência para verificar a indevida inclusão das receitas nãooperacionais na base de cálculo do PIS, conforme reclamado pela Recorrente. Todavia, a diligência demonstrou que a receita supostamente não integrante do faturamento é Receita de Subvenção da Lei n° 9.479/1997. Dessa forma, entendo que não assiste razão ao apelo, porquanto considero tal receita operacional, logo integrante do faturamento da Recorrente. É do que trato a seguir. Receita de Subvenção da Lei n° 9.479/1997 Afirmou a Recorrente que o valor de R$ 30.705,00 foi recebido em maio de 1999 na qualidade de usina beneficiadora credenciada, nos termos da Lei n° 9.479/1997. A Lei nº 9.479/1997 concedeu subvenção econômica a produtores de borracha natural. Confirase: Art. 1º Fica o Poder Executivo autorizado a conceder subvenção econômica aos produtores nacionais de borracha natural, com o objetivo de incentivar a comercialização da produção nacional. § 1º A subvenção corresponderá à diferença entre os preços de referência das borrachas nacionais e os dos produtos congêneres no mercado internacional, acrescidos das despesas de nacionalização. Fl. 187DF CARF MF Processo nº 10850.908542/201136 Acórdão n.º 3301004.600 S3C3T1 Fl. 7 6 § 2º Os preços de referência das borrachas nacionais, para efeito de cálculo da subvenção econômica, serão aqueles fixados pelo Poder Executivo e em vigor na data da publicação desta Lei, podendo ser revistos periodicamente. § 3º Os preços dos produtos congêneres no mercado internacional serão apurados e divulgados periodicamente pelo Poder Executivo, com base nas cotações das principais bolsas de mercadorias internacionais. Art. 2º A subvenção econômica de que trata o artigo anterior: I terá a duração de oito anos; II será de até R$ 0,90 (noventa centavos de real) por quilograma de borracha do tipo Granulado Escuro Brasileiro nº 1 (GEB1), sendo que, para os demais tipos de borracha, este teto sofrerá os ágios e deságios correspondentes; III sofrerá rebates, respectivamente, de vinte por cento, quarenta por cento, sessenta por cento e oitenta por cento, a partir do final do quarto, do quinto, do sexto e do sétimo anos de vigência desta Lei, sobre o teto de que trata o inciso anterior. Parágrafo único. Os rebates referidos no inciso III deste artigo só poderão ser aplicados à subvenção incidente sobre a borracha oriunda de seringais nativos da região amazônica na medida em que forem implantados pelo Poder Executivo os programas de que trata o art. 7º. As condições operacionais para pagamento e controle da subvenção foram dispostas pelo Decreto n° 2.348/1997: Art. 1º A subvenção econômica de que trata a Lei nº 9.479, de 12 de agosto de 1997, corresponderá à diferença entre: I os preços de referência das borrachas nacionais fixados na Portaria nº 187, de 29 de junho de 1995, do Ministério da Fazenda, publicada no Diário Oficial da União em 30 de junho de 1995; e II os preços dos produtos congêneres no mercado internacional, tomandose como base referencial o da borracha tipo Standard Malaysian Rubber nº 10 (SMR 10), acrescidos das despesas de nacionalização. § 1º O Ministério da Agricultura e do Abastecimento, responsável pelo pagamento da subvenção econômica, publicará o valor da subvenção devida por quilograma de cada um dos tipos de borracha constantes da Portaria de que trata o inciso I deste artigo, tendo em conta: a) a média aritmética das cotações médias diárias da borracha natural do tipo Standard Malaysian Rubber nº 10 (SMR10), equivalente ao tipo Granulado Escuro Brasileiro nº 1º (GEB1), nas bolsas de mercadorias de Singapura, Kuala Lumpur e Fl. 188DF CARF MF Processo nº 10850.908542/201136 Acórdão n.º 3301004.600 S3C3T1 Fl. 8 7 Londres nos quinze dias anteriores ao da publicação dos preços, com as respectivas cotações das moedas de negociação em dólar americano; b) que a conversão cambial do dólar americano de que trata a alínea anterior, para a moeda brasileira, deverá ser realizada com base na cotação daquela moeda na véspera da publicação dos preços; c) as despesas de nacionalização relativas a impostos, encargos sociais, seguros, frete, adicional de frete, armazenagem e outras prevalentes à época de apuração e publicação dos preços. § 2º Os valores das subvenções publicados pelo Ministério da Agricultura e do Abastecimento prevalecerão até a véspera da publicação dos novos valores. Art. 2º A subvenção econômica de que trata o artigo anterior: I terá a duração de oito anos; II será de até R$0,90 (noventa centavos de real) por quilograma de borracha do tipo Granulado Escuro Brasileiro nº 1 (GEB1), sendo que, para os demais tipos de borracha, este teto sofrerá os ágios e deságios correspondentes; Ill sofrerá rebates, respectivamente, de vinte por cento, quarenta por cento, sessenta por cento e oitenta por cento, a partir do final do quarto, do quinto, do sexto e do sétimo anos de vigência da Lei nº 9.479, de 1997, sobre o teto de que trata o inciso anterior, observado o que dispõe o parágrafo único do art. 2º da mencionada Lei; IV para efeito de cálculo dos ágios e deságios e dos correspondentes rebates nos preços dos demais tipos de borracha, conforme estabelecem os incisos I e Il anteriores, será tomado como referencial o preço da borracha tipo GEB 1 e guardada a correlação de preços constantes da Portaria de que trata o inciso I do art. 1º deste Decreto. Art. 3º São beneficiárias da subvenção econômica de que trata este Decreto os extrativistas, cultivadores ou beneficiadores, sejam pessoas físicas ou jurídicas, dedicados à produção de borracha natural no País. Parágrafo único. A fruição do benefício a pessoas jurídicas fica condicionada à comprovação, junto ao Ministério da Agricultura e do Abastecimento, de sua capacidade jurídica e regularidade fiscal. Art. 4º O pagamento da subvenção econômica aos beneficiários será feito por intermédio das usinas beneficiadoras credenciadas pelo Ministério da Agricultura e do Abastecimento, mediante: I apresentação do pedido de ressarcimento da subvenção ao Ministério da Agricultura e do Abastecimento, acompanhado de relação contendo o nome do produtor, seu Cadastro de Pessoas Fl. 189DF CARF MF Processo nº 10850.908542/201136 Acórdão n.º 3301004.600 S3C3T1 Fl. 9 8 Físicas CPF ou Cadastro Geral de Contribuinte CGC, local de produção ou de extração, tipo da borracha natural correspondente, quantidade do produto adquirido, em quilogramas, o preço respectivo pago ao produtor, os números e as datas das notas fiscais representativas das transações efetivadas; II cópia das notas fiscais de venda da borracha beneficiada às indústrias consumidoras do produto, acompanhada da comprovação do aceite e da certificação do tipo de borracha comercializado, fornecida pela compradora final. § 1º O pagamento de que trata este artigo será efetivado pelo Ministério da Agricultura e do Abastecimento no prazo de dez dias, contados a partir da data de recebimento do pedido, respeitados os limites por tipo de borracha comercializado prevalentes na data de efetivação da transação, considerada para esse efeito a data constante da nota fiscal respectiva. § 2º O pagamento de subvenção relativa à compra de borracha de pessoas jurídicas produtoras estará condicionado à satisfação da condição estabelecida no parágrafo único do artigo anterior. Art. 5º As usinas beneficiadoras, credenciadas pelo Ministério da Agricultura e do Abastecimento, manterão em seus arquivos uma via das notas fiscais emitidas pelos produtores de borracha natural, ou documento legal equivalente, contendo no verso o atestado do beneficiário de recebimento da subvenção econômica correspondente. Parágrafo único. Os documentos comprobatórios de que trata este artigo serão conservados pelas usinas beneficiadoras em boa ordem, no próprio lugar onde forem contabilizadas as operações, à disposição dos agentes incumbidos do controle interno e externo e dos órgãos ou entidades responsáveis pela subvenção. Art. 6º O Ministério da Agricultura e do Abastecimento: I estabelecerá, em ato normativo, as condições para credenciamento das usinas beneficiadoras de borracha; II orientará as pessoas jurídicas sobre a forma de apresentação da comprovação de que trata o parágrafo único do art. 3º deste Decreto; III registrará e controlará os pagamentos efetuados e gerenciará o provimento dos recursos necessários à concessão da subvenção; IV estabelecerá normas complementares de controle, visando a boa e regular aplicação dos recursos. Parágrafo único. Dentre as condições para credenciamento das usinas beneficiadoras constará a de comprovação de sua capacidade jurídica e regularidade fiscal. Fl. 190DF CARF MF Processo nº 10850.908542/201136 Acórdão n.º 3301004.600 S3C3T1 Fl. 10 9 A subvenção era paga ao beneficiador de borracha natural, pessoa física ou jurídica, cadastrado junto à Secretaria de Produção e Comercialização do Ministério da Agricultura e do Abastecimento, que comprovasse a compra da borracha natural bruta do produtor e posterior exportação ou venda da borracha beneficiada para empresas da indústria consumidora final. E quanto ao pagamento da subvenção, o montante correspondia à quantidade de produto comercializado e comprovado, multiplicado pelo valor unitário da subvenção definida pelo Ministério da Agricultura. Nos termos da Resolução CFC nº 1.305, de 25 de novembro de 2010, por meio da qual o Conselho Federal de Contabilidade (CFC) aprovou a NBC TG 07 (R1), “Subvenção governamental é uma assistência governamental geralmente na forma de contribuição de natureza pecuniária, mas não só restrita a ela, concedida a uma entidade normalmente em troca do cumprimento passado ou futuro de certas condições relacionadas às atividades operacionais da entidade”. A subvenção deve ser tratada como receita pela entidade beneficiada: 12. Uma subvenção governamental deve ser reconhecida como receita ao longo do período e confrontada com as despesas que pretende compensar, em base sistemática, desde que atendidas as condições desta Norma. A subvenção governamental não pode ser creditada diretamente no patrimônio líquido. Entendo que apenas as subvenções para investimento podem ser consideradas nãooperacionais. É o dispõe o art. 44 da Lei n° 4.506/64: Art. 44. Integram a receita bruta operacional: I O produto da venda dos bens e serviços nas transações ou operações de conta própria; II O resultado auferido nas operações de conta alheia; III As recuperações ou devoluções de custos, deduções ou provisões; IV As subvenções correntes, para custeio ou operação, recebidas de pessoas jurídicas de direito público ou privado, ou de pessoas naturais. Por sua vez, o Parecer Normativo CST nº 112, de 29 de dezembro de 1978 (DOU de 11/01/1979), distingue subvenção de custeio e subvenção para investimento: 2.11 – Uma das fontes para se pesquisar o adequado conceito de SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO é o Parecer Normativo CST nº 2/78 (DOU de 16.01.78). Fl. 191DF CARF MF Processo nº 10850.908542/201136 Acórdão n.º 3301004.600 S3C3T1 Fl. 11 10 No item 5.1 do Parecer encontramos, por exemplo, menção de que a SUBVENÇÃO para INVESTIMENTO seria a destinada à aplicação em bens ou direitos. Já no item 7, subentendese um confronto entre as SUBVENÇÕES PARA CUSTEIO ou OPERAÇÃO e as SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO, tendo sido caracterizadas as primeiras pela não vinculação a aplicações específicas. Já o Parecer Normativo CST nº 143/73 (DOU de 16.10.73), sempre que se refere a investimento complementao com a expressão em ativo fixo. Desses subsídios podemos inferir que SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO é a transferência de recursos para uma pessoa jurídica com a finalidade de auxiliá la, não nas suas despesas, mas sim, na aplicação específica em bens ou direitos para implantar ou expandir empreendimentos econômicos. Essa concepção está inteiramente de acordo com o próprio § 2º do art. 38 do DL 1.598/77. 2.12 – Observase que a SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO apresenta características bem marcantes, exigindo até mesmo perfeita sincronia da intenção do subvencionador com a ação do subvencionado. Não basta apenas o “animus” de subvencionar para investimento. Impõe se, também, a efetiva e específica aplicação da subvenção, por parte do beneficiário, nos investimentos previstos na implantação ou expansão do empreendimento econômico projetado. Por outro lado, a simples aplicação dos recursos decorrentes da subvenção em investimento não autoriza a sua classificação como SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO. (...) 3.6 Há, também, uma modalidade de redução do Imposto sobre a Circulação de Mercadorias (ICM), utilizada por vários Estados da Federação como incentivo fiscal, que preenche todos os requisitos para ser considerada como SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO. A mecânica do benefício fiscal consiste no depósito, em conta vinculada, de parte do ICM devido em cada mês. Os depósitos mensais, obedecidas as condições estabelecidas, retornam à empresa para serem aplicados na implantação ou expansão de empreendimento econômico. Em alguns casos que tivemos oportunidade de examinar, esse tipo de subvenção é sempre previsto em lei, da qual consta expressamente a sua destinação para o investimento; o retorno das parcelas depositadas só se efetiva após comprovadas as aplicações no empreendimento econômico; e o titular do empreendimento é o beneficiário da subvenção. (...) I – As SUBVENÇÕES CORRENTES PARA CUSTEIO OU OPERAÇÃO integram a resultado operacional da pessoa jurídica; as SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO, o resultado não operacional. Fl. 192DF CARF MF Processo nº 10850.908542/201136 Acórdão n.º 3301004.600 S3C3T1 Fl. 12 11 Do exposto, concluise que a subvenção da Lei n° 9.479/1997 é de custeio, porquanto a Recorrente recebeu em dinheiro, por kg de borracha beneficiada vendida. A atividade do contribuinte, conforme cláusula quarta de seu contrato social, é a indústria de látex e produtos de borracha, comércio, importação e exportação de produtos de borracha. Ao contrário do que alega, tal receita não pode ser classificada como receita financeira, porque não decorre da aplicação de recursos financeiros. Isso porque o Decreto nº 3.000/1999, no art. 373 c/c art. 375, parágrafo único, elenca como “receitas financeiras” os juros, o desconto, o lucro na operação de reporte e os rendimentos de aplicações financeiras de renda fixa, além das variações monetárias, em função da taxa de câmbio ou de índices ou coeficientes aplicáveis, por disposição legal ou contratual. Em suma, na qualidade de usina beneficiadora credenciada, a receita da subvenção concedida pela Lei n° 9.479/1997 é receita operacional tributável pelo PIS. Conclusão Do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário" Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado tanto à COFINS quanto à Contribuição para o PIS/Pasep. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Fl. 193DF CARF MF
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Numero do processo: 10930.721117/2015-78
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 10 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jun 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2013
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DCTF.
A entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários (DCTF) após o prazo previsto pela legislação tributária sujeita a contribuinte à incidência da multa correspondente.
PRAZO DE REGULARIZAÇÃO DE DÉBITO PARA PERMANÊNCIA NO SIMPLES NACIONAL.
Excluído do Simples Nacional por existência de débitos, sem exigibilidades suspensas, junto ao INSS ou, junto às Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, o prazo de trinta dias para regularização e permanência da pessoa jurídica como optante do Simples Nacional, na forma do artigo 31, § 2º, da Lei Complementar nº 123, de 2006, conta-se exclusivamente a partir da ciência da comunicação da exclusão. Eventual decisão judicial que, após a efetivação da notificação de exclusão, suspende a exigibilidade do crédito tributário e, posteriormente, vem a ser reformada transitando em julgado para manter íntegro o crédito tributário, não tem o condão de renovar o prazo para regularização. Ultrapassado o prazo de regularização, opera-se, em definitivo, a exclusão, sujeitando-se a contribuinte ao regime jurídico das demais pessoas jurídicas, obrigando-se ao cumprimento das obrigações acessórias correlatas.
Numero da decisão: 1002-000.194
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ailton Neves da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonam Rocha de Medeiros - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (Presidente), Ângelo Abrantes Nunes, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros.
Nome do relator: LEONAM ROCHA DE MEDEIROS
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2013 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DCTF. A entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários (DCTF) após o prazo previsto pela legislação tributária sujeita a contribuinte à incidência da multa correspondente. PRAZO DE REGULARIZAÇÃO DE DÉBITO PARA PERMANÊNCIA NO SIMPLES NACIONAL. Excluído do Simples Nacional por existência de débitos, sem exigibilidades suspensas, junto ao INSS ou, junto às Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, o prazo de trinta dias para regularização e permanência da pessoa jurídica como optante do Simples Nacional, na forma do artigo 31, § 2º, da Lei Complementar nº 123, de 2006, conta-se exclusivamente a partir da ciência da comunicação da exclusão. Eventual decisão judicial que, após a efetivação da notificação de exclusão, suspende a exigibilidade do crédito tributário e, posteriormente, vem a ser reformada transitando em julgado para manter íntegro o crédito tributário, não tem o condão de renovar o prazo para regularização. Ultrapassado o prazo de regularização, opera-se, em definitivo, a exclusão, sujeitando-se a contribuinte ao regime jurídico das demais pessoas jurídicas, obrigando-se ao cumprimento das obrigações acessórias correlatas.
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Simples Nacional Exclusão por Débitos Recorrente LUCIANA KOURI LOPES LAVANDERIA EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2013 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DCTF. A entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários (DCTF) após o prazo previsto pela legislação tributária sujeita a contribuinte à incidência da multa correspondente. PRAZO DE REGULARIZAÇÃO DE DÉBITO PARA PERMANÊNCIA NO SIMPLES NACIONAL. Excluído do Simples Nacional por existência de débitos, sem exigibilidades suspensas, junto ao INSS ou, junto às Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, o prazo de trinta dias para regularização e permanência da pessoa jurídica como optante do Simples Nacional, na forma do artigo 31, § 2º, da Lei Complementar nº 123, de 2006, contase exclusivamente a partir da ciência da comunicação da exclusão. Eventual decisão judicial que, após a efetivação da notificação de exclusão, suspende a exigibilidade do crédito tributário e, posteriormente, vem a ser reformada transitando em julgado para manter íntegro o crédito tributário, não tem o condão de renovar o prazo para regularização. Ultrapassado o prazo de regularização, operase, em definitivo, a exclusão, sujeitandose a contribuinte ao regime jurídico das demais pessoas jurídicas, obrigandose ao cumprimento das obrigações acessórias correlatas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 72 11 17 /2 01 5- 78 Fl. 146DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Ailton Neves da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (Presidente), Ângelo Abrantes Nunes, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros. Relatório Cuidase, o caso versando, de Recurso Voluntário (efls. 135/139) ― autorizado nos termos do art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 6 de março de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, interposto com efeito suspensivo e devolutivo ―, protocolado pela recorrente, indicada no preâmbulo, devidamente qualificada nos fólios processuais, relativo ao inconformismo com a decisão de primeira instância (efls. 124/126), datada de 21/07/2017, consubstanciada no Acórdão n.º 1156.983, da 4.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Recife/PE (DRJ/REC), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação apresentada pela recorrente (efls. 03/07), tendo sido assim ementada a decisão vergastada: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2013 DCTF APRESENTAÇÃO EMPRESA EXCLUÍDA DO SIMPLES NACIONAL. Deve ser MANTIDA a multa por atraso na entrega da DCTF quando comprovado nos autos que a empresa optante pelo Simples Nacional foi excluída do sistema. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido As notificações de lançamento (efls. 71, 74, 77, 80, 83, 86, 89, 92, 95, 98, 101, 104, 107) foram lavrados na DRF – Londrina, por Auditor Fiscal da Receita Federal, sumariando o seguinte contexto e enquadramento para aduzida infração à legislação tributária e respectivo demonstrativo do crédito tributário: Descrição dos fatos e fundamentação legal: Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) entregue fora do prazo fixado na legislação enseja a aplicação da multa de 2% (dois por cento) ao mês ou fração, incidente sobre o montante dos tributos e contribuições informados na declaração, ainda que tenham sido integralmente pagos, reduzida em 50% (cinquenta por cento) em virtude da entrega espotânea da declaração, respeitando o percentual máximo de 20% (vinte por cento) e o valor mínimo de R$ 200,00 (duzentos reais) no caso de inatividade e de R$ 500,00 (quinhentos reais) nos demais casos. Fl. 147DF CARF MF Processo nº 10930.721117/201578 Acórdão n.º 1002000.194 S1C0T2 Fl. 147 3 Enquadramento legal: Arts. 115 e 160 da Lei 5.172, de 25/10/1966; Art. 1º da Lei 9.249, de 26/12/1995; Art. 7º, caput e inc. II e § 3º, inc. II, da Lei 10.426, de 24/04/2002 com as alterações do art. 19 da Lei 11.051, de 29/12/2004. Demonstrativo: JAN/2013, Multa de R$500,00; FEV/2013, Multa de R$500,00; MAR/2013, Multa de R$500,00; ABR/2013, Multa de R$500,00; MAI/2013, Multa de R$500,00; JUN/2013, Multa de R$500,00; JUL/2013, Multa de R$500,00; AGO/2013, Multa de R$500,00; SET/2013, Multa de R$500,00; OUT/2013, Multa de R$500,00; NOV/2013, Multa de R$500,00; DEZ/2013, Multa de R$500,00. Descrição dos fatos e fundamentação legal: Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ)VERSÃO 1.0 entregue fora do prazo fixado enseja a aplicação da multa de 2% (dois por cento) ao mês calendário ou fração, incidente sobre o montante do imposto de renda da pessoa jurídica informado na DIPJ, ainda que tenha sido integralmente pago, reduzida em 50% (cinqüenta por cento) em virtude da entrega espontânea da declaração, respeitado o percentual máximo de 20% (vinte por cento) e o valor mínimo de R$500,00 (quinhentos reais). Enquadramento legal: Arts. 115 e 160 da Lei 5.172, de 25/10/1966; Art. 1º da Lei 9.249, de 26/12/1995; Art. 7º, caput e inc. I e § 3º, da Lei 10.426, de 24/04/2002. Demonstrativo: DIPJ/2013, Multa de R$500,00. A impugnação sustentou, em resumo, que as autuações devem ser canceladas, pois não haveria o atraso legal por parte da impugnante, vez que se trata de contribuinte, empresário individual, optante pelo Simples Nacional, com discussão judicial, durante certo tempo, e suspensão dos efeitos da exclusão do Simples a gerar a suposta não obrigação das entregas das DCTF's e DIPJ. Sendo do Simples, estaria dispensada das entregas das declarações. Alega, também, que somente teria apresentado as DCTFs e DIPJ do ano de 2013 em razão de as ausências constarem como pendências em seu Relatório de Situação Fiscal e precisar regular o assunto para obtenção de CND. Diz, ainda, que: ... até o final do ano de 2012, estava enquadrada no SIMPLES Nacional, beneficiandose do regime simplificado de tributação. Em 12.11.2012, todavia, foi notificada pelo Município de Londrina acerca do Termo de Exclusão do SIMPLES NACIONAL (ANEXO I), em razão de pendências de ISSQN. Anteriormente à sua exclusão, mais especificamente em 20.01.2012, a impugnante propôs, contra o Município de Londrina, ação anulatória de débito fiscal no 0004089 86.2012.8.16.0014, em trâmite perante a 2a Vara de Execuções Fiscais de Londrina/PR, cujo objeto é, justamente, a Fl. 148DF CARF MF 4 desconstituição dos créditos que acabariam por ensejar a sua exclusão (ANEXO II). Na petição inicial foi requerida a suspensão da exigibilidade dos créditos discutidos, além da manutenção da impugnante no SIMPLES Nacional, já ciente, à época, que poderia ser excluída em razão de pendências fiscais. Notificada acerca da exclusão em 12.11.2012, a impugnante ingressou com a defesa correspondente (ANEXO III), formando se o processo administrativo no 49451/2013, que tramitou até 21.02.2014 (ANEXO IV). Na ocasião, foi requerida também, na ação judicial, a concessão de medida liminar suspendendose da exigibilidade dos créditos tributários discutidos, a qual, inicialmente, acabou por ser indeferida. Essa medida liminar, cumpre esclarecer, era despicienda, naquele momento, para permitir manutenção da impugnante no SIMPLES Nacional, pois a apresentação de defesa administrativa, nos termos do art. 75, § 30, da Resolução do CGSN no 94/20111, tem o condão de suspender os efeitos do termo de exclusão, o qual se torna efetivo somente após decisão definitiva desfavorável ao contribuinte. A impugnante pode continuar se beneficiando do SIMPLES Nacional, como o fez regularmente. Em 24.06.2013 foi proferida sentença na ação judicial, a qual foi julgada totalmente procedente, anulandose os débitos tributários discutidos e determinando que a impugnante não fosse excluída do SIMPLES Nacional, face a inexistência de dívida impeditiva (ANEXO V). O Município de Londrina, então, interpôs recurso de apelação, o qual foi julgado em 16.12.2014, ensejando a reforma da sentença, convalidando os créditos tributários de ISSQN em discussão (ANEXO VI). A impugnante foi oficialmente intimada do acórdão em 22.01.2015 (ANEXO VII), realizando o parcelamento dos débitos logo no dia seguinte, em 23.01.2015 (ANEXO VIII). (...) O que se observa da linha do tempo é que a impugnante somente veio a ficar efetivamente irregular perante o SIMPLES Nacional em 22.01.2015, quando foi notificada acerca do acórdão que reformou a sentença de Primeira Instância — a qual havia anulado as pendências tributárias e permitido a sua permanência no regime —, passando a contar, a partir de então, o prazo de 30 dias previsto no § 2º do art. 31 da Lei Complementar nº 126/20062 para regularizar os débitos excludentes, o que o fez por meio do parcelamento. A decisão recorrida ponderou que, a despeito do sujeito passivo afirmar que protocolou requerimento de revisão da exclusão do Simples, a IN RFB nº 1.110, de 2012, estabelece que não estão dispensadas de apresentar a DCTF as pessoas jurídicas excluídas do Simples Nacional relativas aos fatos geradores ocorridos a partir da data em que a exclusão produzir os efeitos (art. 3º, § 2º, inciso I). No presente caso os efeitos da exclusão se operam a partir de 01/01/2013, vez que a exclusão se deu em 2012. Fl. 149DF CARF MF Processo nº 10930.721117/201578 Acórdão n.º 1002000.194 S1C0T2 Fl. 148 5 Complementa a decisão da DRJ ponderando que a referida "Instrução Normativa, no art. 5º, parágrafo 4º, inciso III determina que a DCTF deverá ser entregue para os casos de exclusão do Simples Nacional pela empresa que possuir débitos a partir do ano calendário subsequente a ciência da comunicação de exclusão". Por fim, a decisão vergastada consigna que "toda legislação coloca a contribuinte como obrigada a apresentar as DCTF de janeiro a dezembro de 2013 e dentro do prazo estabelecido pela legislação. A partir da comunicação da exclusão do Simples e da data de efeito a contribuinte já deverá se comportar como demais pessoas jurídicas. Tendo apresentado em atraso cabe a aplicação da multa determinada na legislação." O recurso voluntário, inconformado com a decisão a quo, reiterou os termos da impugnação, sem apresentar argumentos novos ou impugnar, especificamente, os fundamentos ou as razões de decidir da decisão recorrida. Os autos foram encaminhados para este Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), sendo, posteriormente, distribuído para este relator. É o que importa relatar. Passo a devida fundamentação analisando o juízo de admissibilidade e de mérito para, posteriormente, finalizar em dispositivo. Voto Conselheiro Leonam Rocha de Medeiros, Relator O Recurso Voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade intrínsecos, uma vez que é cabível, há interesse recursal, a recorrente detém legitimidade e inexiste fato impeditivo, modificativo ou extintivo do poder de recorrer. Outrossim, atende aos pressupostos de admissibilidade extrínsecos, pois há regularidade formal e apresentase tempestivo (efls. 128, 141, 135, 143), tendo respeitado o trintídio legal, na forma exigida no art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal. Demais disto, observo a plena competência deste Colegiado, na forma do art. 23B do Regimento Interno do CARF, com redação da Portaria MF n.º 329, de 2017. Isto porque, apesar de se falar de exclusão do Simples Nacional, em verdade, o processo trata da cobrança de multa por entrega em atraso de DCTF. Sendo assim, a competência é desta Colenda Turma Extraordinária por cuidar os autos de obrigação acessória, relativo a Multa por Atraso na Entrega de DCTF (MAEDDCTF). O débito que gerou a exclusão do Simples Nacional não é cobrado nestes autos, tampouco são cobrados nestes autos outros eventuais tributos federais decorrentes da exclusão. Portanto, dele conheço. Quanto ao mérito, entendo que não assiste razão a recorrente. Isto porque, os efeitos da exclusão do Simples, sujeitandose ao regime das demais pessoas jurídicas, obrigandose ao cumprimento das obrigações acessórias em tela, operouse a partir de 2013. Não lhe beneficia o prazo do artigo 31, § 2º, da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, visto que, para se aproveitar do benefício emoldurado no enunciado prescritivo do referido normativo, o contribuinte deveria ter promovido o parcelamento Fl. 150DF CARF MF 6 dentro de 30 (trinta) dias, contados da comunicação realizada pela Prefeitura de Londrina, e não a partir da intimação do acórdão proferido pelo Tribunal Paranaense. O recorrente sustentou que observou o prazo de 30 (trinta) dias de que trata o indigitado dispositivo legal. Informa que, tão logo intimado do acórdão proferido pelo Tribunal de Justiça do Paraná, o que ocorreu em 22/01/2015, realizou o parcelamento dos débitos que ensejaram sua exclusão do Simples. Parcelamento este efetivado em 23/01/2015. Ocorre que, o trintídio legal referido referese as hipóteses de exclusão inauguradas pelo artigo 30 da Lei Complementar nº 123, de 2006, especificamente nos incisos I a IV, com a redação que transcrevo abaixo em trechos: Art. 30. A exclusão do Simples Nacional, mediante comunicação das microempresas ou das empresas de pequeno porte, darseá: I por opção; II obrigatoriamente, quando elas incorrerem em qualquer das situações de vedação previstas nesta Lei Complementar; (...) § 1º A exclusão deverá ser comunicada à Secretaria da Receita Federal: (...) II na hipótese do inciso II do caput deste artigo, até o último dia útil do mês subseqüente àquele em que ocorrida a situação de vedação; (...) § 2º A comunicação de que trata o caput deste artigo darse á na forma a ser estabelecida pelo Comitê Gestor. (...). No caso do recorrente, sua exclusão do Simples foi comunicada pela Prefeitura Municipal de Londrina ainda em 2012 (efl. 11). Em que pese a judicialização da mencionada exclusão, fato é que o TJ/PR deu provimento ao apelo da edilidade para reformar a sentença que havia anulado referido ato administrativo. O ato administrativo foi considerado válido desde o seu nascedouro. Destarte, para se aproveitar do benefício emoldurado no enunciado prescritivo do artigo 31, § 2º, da Lei Complementar nº 123, de 2006, que reza ser permitida a permanência como optante do Simples Nacional mediante comprovação de regularização do débito, o contribuinte deveria ter promovido o parcelamento dentro de 30 (trinta) dias contados da comunicação realizada pela Prefeitura de Londrina, e não a partir da intimação do acórdão proferido pelo Tribunal Paranaense. Isto porque, a referida norma é elucidativa ao afirmar que a comprovação da regularização do débito deve se operar no prazo de até 30 (trinta) dias, contados a partir da ciência da comunicação da exclusão. Importante lembrar que, quando da exclusão, o débito não estava com exigibilidade suspensa. Neste diapasão, observese, ainda, que à luz da documentação constante nos autos e conforme afirmativas da contribuinte, resta demonstrado que o sujeito passivo, por ocasião de sua exclusão, encontravase com débitos sem exigibilidade suspensa, circunstância que resulta na correta exclusão, para os fins do inciso V do art. 17, inciso I do art. 29, inciso II do caput e § 2.º do art. 30 todos da Lei Complementar n.º 123, de 2006. Fl. 151DF CARF MF Processo nº 10930.721117/201578 Acórdão n.º 1002000.194 S1C0T2 Fl. 149 7 Logo, os fundamentos levantados pelo recorrente não são capazes de infirmar as razões de decidir da DRJ, pelo que não merece reparos a decisão vergastada. Considerando o até aqui esposado e enfrentadas todas as questões necessárias para a decisão, entendo pela manutenção do julgamento da DRJ. Ante o exposto, de livre convicção, relatado, analisado e por mais o que dos autos constam, voto em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, em lhe negar provimento, mantendo íntegra a decisão recorrida. É como Voto. (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros Relator Fl. 152DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13884.900578/2010-91
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 09 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jun 12 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2002
CRÉDITO. LIQUIDEZ.
O reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo.
Numero da decisão: 1001-000.517
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(Assinado Digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues.
Nome do relator: LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA
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LIQUIDEZ. O reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues. Relatório Tratase de Declaração de Restituição/Compensação 42263.78108.270405.1.3.049064, de 27/04/2005 (efl. 26/28), através da qual o contribuinte pretende compensar débitos de sua responsabilidade com créditos decorrentes de pagamentos indevidos de IRPJ (AC 2002). Em 21/01/2010 foi emitido Termo de Intimação n° 0018/2010 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 4. 90 05 78 /2 01 0- 91 Fl. 103DF CARF MF 2 (efl. 62), constante dos autos do processo n° 13850000057/201020, no qual o contribuinte foi intimado a prestar os seguintes esclarecimentos: "Justificativa ou solução de consulta para alteração do percentual aplicado sobre a receita bruta para apuração da base de cálculo do lucro presumido (de 32% para 8%) na atividade de prestação de serviços. (..) ." A Manifestante respondeu que retificou sua DIPJ porque na declaração de renda retificada classificou suas atividades prestação de serviços com presunção de 32%. Mas na retificação, por entender serem atividades de revenda foi realizada a adequação desse enquadramento. passando a presunção para 8%. O pedido de Restituição/Compensação foi indeferido, conforme Despacho Decisório 858246260, de 09/03/2010 (efl. 04), que analisou as informações e não reconheceu o direito creditório disponível. O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, a qual foi analisada pela Delegacia de Julgamento (Acórdão 0533.861 5ª Turma da DRJ/CPS, efl. 56/64). A decisão de primeira instância julgou a manifestação de inconformidade improcedente, por entender que o contribuinte não trouxe aos autos as provas contábeis que comprovassem a disponibilidade integral do crédito. Ou seja, não havia como ratificar as informações prestadas pela contribuinte de que comercializava mercadorias sujeitas à alíquota de 8% (lucro presumido), uma vez que as informações originais (serviços sujeitos à alíquota de 32%) correspondiam aos documentos fiscais por ela emitidos e ratificadas pelas fontes pagadoras em DIRF. Estas apresentaram declarações de retenções sobre rendimentos pagos a título de prestação de serviços (código 1708), em consonância com o seu objeto social à época, que previa exclusivamente prestação de serviço de profissão regulamentada: (...) Percebese, pela apuração apresentada em DIPJ , que há divergência quanto ao percentual da receita bruta aplicável na determinação do lucro presumido do período, que teria sido reduzido de 32%, na DIPJ original, para 8%, na DIPJ retificadora. Porém, nada foi apresentado que justificasse tal retificação, como adiante se verá.. (...) Com base no exposto, passase à análise quanto à regularidade das retificações efetuadas, e, por conseguinte, da liquidez e certeza do crédito ora pleiteado. Ao ser questionada quanto aos motivos ensejadores da referida alteração, através do Termo de Intimação n° 00018/2010, a manifestante informa que em sua declaração de renda retificada, as atividades acima foram classificadas como prestação de serviços e tiveram presunção de 32%. Na retificação, por serem atividades de revenda foi realizada a adequação desse enquadramento, passando a presunção para 8%. (...) Entretanto, instrui os autos com notas fiscais por ela emitidas, nas quais são destacados valores de IR Retido na Fonte, cujas receitas foram declaradas em DIRF sob o código 1708 Remuneração serviços prestados por Pessoa Jurídica (fl. 40). Fl. 104DF CARF MF Processo nº 13884.900578/201091 Acórdão n.º 1001000.517 S1C0T1 Fl. 104 3 Além disso, segundo nos informa o Contrato Social da Manifestante, em seu item V DO OBJETO DA SOCIEDADE: A sociedade terá por Objeto Social a atuação no ramo de: Prestação de serviços na área de Engenharia Consultivo, compreendendo a utilização de sensoriamento remoto e geotecnologia. (negrejouse) Assim, não há como ratificar as informações prestadas pela contribuinte, uma vez que as informações originais correspondem aos documentos fiscais por ela emitidos e ratificadas pelas fontes pagadoras em DIRF, mediante declaração de retenções sobre rendimentos pagos a título de prestação de serviços (código 1708), em consonância com o seu objeto social à época, que prevê exclusivamente prestação de serviço de profissão regulamentada. (...) Restringindose seu Contrato Social à prestação serviço de profissão legalmente regulamentada e não tendo sido informada a existência de Solução de Consulta que albergasse a alteração ocorrida em sede de DIPJ, não há como reconhecer as retificações efetuadas, e, por conseguinte, não há como validar o pagamento indevido pleiteado. E, vinculandose a Declaração de Compensação a um direito alegado pelo sujeito passivo, este deveria estar fundamentado e acompanhado de documentação comprobatória da existência do crédito junto à Fazenda Pública para aferição da autoridade administrativa quanto a sua consistência. (...) De fato, nos termos da legislação processual em vigor, o ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; e ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor (art. 333 do Código de Processo Civil). In casu, a prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo. Decorre daí que os pedidos, solicitações e declarações envolvendo reivindicação de direito creditório junto à Fazenda Nacional devem estar, necessariamente, instruídos com as provas do indébito tributário no qual se fundamentam, sob pena de pronto indeferimento, configurandose imprescindível, no caso pagamento indevido de IRPJ, que seja comprovada a regular apuração do débito devido no período, bem como sua quitação. (...) Cientificada da decisão de primeira instância em 27/06/2011 (efl. 67) a Interessada interpôs recurso voluntário, protocolado em 22/07/2011 (efl. 102), em que alega, Fl. 105DF CARF MF 4 em resumo, que o indébito advêm da correta aplicação do percentual da receita bruta com base no lucro presumido, haja vista que as atividades desenvolvidas pela empresa configuram "revenda", estando, pois, sujeitas a tributação de 8%, fato este que motivou a retificação da Declaração do Imposto de Renda e que em oposição ao que afirmou a DRJ, de que a declaração apresentada à RFB tem caráter meramente informativo”, o artigo 5° do Decretolei n° 2.124/84 estabelece que a formalização da obrigação acessória constitui autolançamento, permitindo, inclusive a cobrança do crédito declarado. (...) pessoa jurídica de direito privado, cuja atividade empresarial a que está afeta é a prestação de serviços na área de Engenharia Consultiva, compreendendo a utilização de sensoriamento remoto e geotecnologia; Licenciamento de Uso de Softwares Nacionais ou importados, base de Dados Digitais e de imagens de Satélite; Revenda de dispositivos eletrônicos de localização e de equipamentos diversos para Cartografia e mapeamento por aerofotogrametria e sensoriamento remotos e importação e exportação, conforme comprova seu estatuto social. Identificada a prática de comércio (revenda) de software, é notório que o percentual aplicável sobre a receita bruta para se obter o Lucro Presumido determinados no art. 223 do RIR/1999, é de 8%, conforme entendimento da Delegacia da Receita Federal de Julgamento: (...) Alem disso, diferentemente da precitada interpretação da delegacia de julgamento no que tange a afirmação de que a "declaração apresentada à RFB tem caráter meramente informativo”, o artigo 5° do Decretolei n° 2.124/84 estabelece que a formalização da obrigação acessória constitui auto lançamento, permitindo, inclusive a cobrança do crédito declarado, in verbis:... Voto Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa Relator O recurso ao CARF é tempestivo, e portanto dele conheço. Cabe assinalar que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo (art. 74 da lei 9.430/96), fazendose necessário verificar a exatidão das informações referentes ao crédito alegado e confrontar com análise da situação fática, de modo a se conhecer qual o tributo devido no período de apuração e comparálo ao pagamento declarado e comprovado. Observo que, conforme já assinalado pela decisão de primeira instância, a DIPJ tem caráter meramente informativo, constituindose apenas num demonstrativo da apuração da base de cálculo, do imposto devido, e dos saldos a pagar ou a restituir de imposto, passível de verificação. Reproduzo as razões daquele acórdão recorrido, a que aqui adiro: Fl. 106DF CARF MF Processo nº 13884.900578/201091 Acórdão n.º 1001000.517 S1C0T1 Fl. 105 5 Antes de qualquer análise, fazse oportuno esclarecer à interessada que desde a instituição da Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, pela Instrução Normativa SRF n° 127, de 30 de outubro de 1998, a declaração apresentada à RFB tem caráter meramente informativo, constituindose apenas num demonstrativo da apuração da base de cálculo, do imposto devido, e dos saldos a pagar ou a restituir de imposto, passível de verificação: (i) nos prazos decadenciais previstos no CTN, para a constituição de crédito tributário; ou (ii) no prazo da homologação tácita das compensações, para fins de restaurar a exigibilidade dos débitos fiscais indevidamente compensados. Por seu turno, no contexto do procedimento de homologação das declarações de compensação, no qual deve ser atestada a existência e a suficiência do direito creditório invocado para a extinção dos débitos compensados, a única limitação imposta à atuação do Fisco é a que diz respeito ao prazo de cinco anos da data da protocolização ou apresentação das declarações de compensação, depois do qual os débitos compensados devem ser extintos, independentemente da existência dos créditos, a teor do art. 74, § 5° da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Na verdade, cumpre ao órgão competente o pronunciamento acerca da certeza e liquidez do crédito invocado em favor do sujeito passivo para extinção dos débitos fiscais a ele vinculados por meio das declarações de compensação. Não se pode admitir que a determinação da certeza e liquidez dos indébitos tributários, relativos ao saldo negativo do IRPJ e da CSLL, possa ser aferida sem qualquer análise da apuração do imposto efetuada pela contribuinte, que lhe serve de fundamento. Não se pode dizer que o órgão administrativo deve simplesmente “homologar” o valor de IRPJ demonstrado na DIPJ correspondente, e proceder à restituição ou à compensação sem aferir a certeza e liquidez dos indébitos tributários que lhe fundamentam. Observo também que no caso em apreciação nesta segunda instância o recorrente não traz documentos suficientes para infirmar a conclusão da primeira instância de que não teria direito ao crédito pleiteado. Ao contrário. Dos documentos acostados aos autos concluise que o percentual aplicado para calcular o lucro presumido é o de 32%, e não o de 8% (como quer o recorrente). Isto porque, conforme as DIRFs em que figura como beneficiário, emitiu notas fiscais destacando valores de IR Retido na Fonte cujas receitas foram declaradas sob o código 1708 Remuneração serviços prestados por Pessoa Jurídica (efls. 55). Além disso, como já destacado, o seu objeto social à época, conforme informa o Contrato Social (efl. 15), previa exclusivamente prestação de serviço de profissão regulamentada. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Fl. 107DF CARF MF 6 Fl. 108DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 37005.001742/2007-05
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu May 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/2003 a 30/06/2005
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. CONSTATAÇÃO. INTEGRAÇÃO DA DECISÃO.
Verificada a omissão alegada pelo embargante é necessário sanar a decisão prolatada, integrando-se a decisão com o devido esclarecimento.
Numero da decisão: 2201-004.407
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em conhecer e acolher os embargos interpostos para, sanando a omissão apontada, declarar que o vício reconhecido tem índole material. Vencido o Conselheiro Daniel Melo Mendes Bezerra (Relator), que entendia que o vício tinha natureza formal. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira.
(Assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente e Redator designado
(Assinado digitalmente)
Daniel Melo Mendes Bezerra - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: DANIEL MELO MENDES BEZERRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/04/2003 a 30/06/2005 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. CONSTATAÇÃO. INTEGRAÇÃO DA DECISÃO. Verificada a omissão alegada pelo embargante é necessário sanar a decisão prolatada, integrando-se a decisão com o devido esclarecimento.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em conhecer e acolher os embargos interpostos para, sanando a omissão apontada, declarar que o vício reconhecido tem índole material. Vencido o Conselheiro Daniel Melo Mendes Bezerra (Relator), que entendia que o vício tinha natureza formal. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira. (Assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira - Presidente e Redator designado (Assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
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OMISSÃO. CONSTATAÇÃO. INTEGRAÇÃO DA DECISÃO. Verificada a omissão alegada pelo embargante é necessário sanar a decisão prolatada, integrandose a decisão com o devido esclarecimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em conhecer e acolher os embargos interpostos para, sanando a omissão apontada, declarar que o vício reconhecido tem índole material. Vencido o Conselheiro Daniel Melo Mendes Bezerra (Relator), que entendia que o vício tinha natureza formal. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira. (Assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente e Redator designado (Assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 37 00 5. 00 17 42 /2 00 7- 05 Fl. 1181DF CARF MF Processo nº 37005.001742/200705 Acórdão n.º 2201004.407 S2C2T1 Fl. 1.153 2 Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório Tratamse de Embargos de Declaração assim relatados no seu despacho de admissibilidade: Tratase de Embargos de Declaração, previsto nos arts. 65 e 66 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, interposto pela Fazenda Nacional em face de decisão da 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção. Em sessão plenária de 19 de junho de 2013, foi julgado o Recurso Voluntário de efls 952 a 968, proferindose a decisão consubstanciada no Acórdão n.º 2403002.112 (efls 1.056 a 1.059), assim ementado: ASSUNTO CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração : 01/01/2003 a 30/06/2005 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS NULIDADE DA AUTUAÇÃO DA OBRIGAÇÃO PRINCIPAL CORRELATA Tendo o levantamento fiscal referente à obrigação principal sido anulado e não havendo Autuação substitutiva, o AI pelo descumprimento da obrigação acessória correlata não pode subsistir até que seja realizado um novo lançamento. Recurso Voluntário Provido. O processo foi encaminhado para ciência da Procuradoria da Fazenda Nacional em 17/09/2013 (Relatório de Movimentação de efls. 1.061). De acordo com o disposto no art. 7º, §§ 3º e 5º, da Portaria MF nº 527, de 2010, a intimação presumida da Fazenda Nacional ocorre 30 dias após essa data. Em 21/10/2013, tempestivamente, foram interpostos os Embargos de Declaração de efls. 1.063 a 1.065 (Relatório de Movimentação de efls. 1.062). Alega a Procuradoria da Fazenda Nacional, omissão no acórdão proferido, em seu conteúdo. Trata o presente processo de credito tributário referente a multa por descumprimento de obrigação acessória atinente a não apresentação de GFIP com dados correspondentes a todos os fatos geradores de contribuição previdenciária, consoante dispõe o inciso IV, do art. 32, da Lei 8.212/91, tendo o colegiado a quo, por unanimidade de votos, entendido pertinente a anulação do presente lançamento, em função da anulação da NFLD correspondente e a ausência de lançamento substitutivo ate a data do julgamento. Segundo a embargante, a decisão mostrase omissa no que tange aos efeitos da nulidade. Afirma que, se o colegiado entende ser imprescindível a declaração de nulidade da multa em tela, com respaldo em Fl. 1182DF CARF MF Processo nº 37005.001742/200705 Acórdão n.º 2201004.407 S2C2T1 Fl. 1.154 3 semelhante declaração proferida nos autos da NFLD da Obrigação Principal, então tal reconhecimento deve se dar com idênticos efeitos, ou seja, nulidade por vicio formal. Alega que o acórdão proferido no processo correlato a obrigação principal, reconheceu a nulidade do lançamento por vício formal, o que possibilita novo lançamento com base no art. 173, II do CTN, enquanto nos presentes autos, o acórdão prolatado determinou a anulação do auto de infração de obrigação acessória com critérios mais rígidos, pois não foi indicada tal "benesse". Assevera que, a fim de evitar distorções de tratamento entre a NFLD e o auto de infração, relevante se faz que conste no presente acórdão que a nulidade também possui igual natureza jurídica, ou seja, vicio formal. Ao final, requer a Fazenda Nacional, seja conhecido e provido os presentes Embargos de Declaração para sanar a omissão apontada. É o relatório. Voto Vencido Daniel Melo Mendes Bezerra, Conselheiro Relator Os presentes embargos buscam a paridade de tratamento entre o Auto de Infração nº 35.493.7942 e a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito nº 35.493.9726. Obrigações principais e acessórias no direito tributário não são necessariamente conexas, na verdade são, na maioria das vezes, independentes entre si e o vício de uma não atinge a outra. O caso em apreço é uma exceção à regra tributária. O Auto de Infração nº 35.493.7942 tem a sua existência condicionada à regular existência da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito nº 35.493.9726, fazendo com que o AI seja acessório em relação à NFLD. Partindo do princípio geral de que o acessório segue o principal, imperiosa é a paridade de tratamento entre os lançamentos em questão. Portanto, acolho os presentes embargos para integrar a decisão embargada, declarando como formal a nulidade do Auto de Infração 35.493.7942, tendo em vista a sua dependência da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito nº 35.493.9726, anteriormente anulada por vício formal. Conclusão Diante de todo o exposto, voto pelo acolhimento dos Embargos de Declaração para declarar a nulidade por vício formal. (assinado digitalmente) Fl. 1183DF CARF MF Processo nº 37005.001742/200705 Acórdão n.º 2201004.407 S2C2T1 Fl. 1.155 4 Daniel Melo Mendes Bezerra Voto Vencedor Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira, Redator designado. Em que pesem a logicidade e os argumentos do ilustre Relator, ouso, com o devido pedido de licença, dele discordar quanto ao vício existente na decisão recorrida. Explico. O vício apontado no voto condutor da decisão embargada tem índole material, por expresso entendimento do Conselheiro Relator. Vejamos Observo às folhas 1059, a seguinte motivação para a decisão prolatada: "Da análise mais pormenorizada dos autos, todas as informações dão conta de que até a presente data não foi lavrada a Notificação Substitutiva àquela anulada. Logo, discordo do entendimento de primeira instância de que, tendo o lançamento sido anulado por vício formal, importa em possibilidade de reformulação do lançamento, saneando o vício de forma. De fato, tendo o processo sido anulado por vício formal, poderá ser efetuado outro lançamento dentro do prazo decadencial previsto no art. 173, II do CTN. Porém, isto não implica em dizer que efetivamente ocorrerá e que serão levantados os mesmos débitos contidos na NFLD n° 35.493.9726. Num eventual lançamento substitutivo, a autoridade fiscal poderá, por exemplo, verificar a existência de outras contribuições ou ainda, não lançar aquelas contidas na NFLD anulada por entender de forma diversa do outro auditor. Notese que, conforme noticiado no relatório do Acórdão de primeira instância, foi solicitada a informação acerca da lavratura de uma nova NFLD, tendo o auditor fiscal informado ser incompetente para decidir sobre novas ações fiscais no sujeito passivo, que possui domicílio fiscal em outra localidade. Transcrevo abaixo o trecho do relatório supra mencionado: "Face à conexão do presente Auto de Infração com a NFLD n° 35.493.9726 e a declaração de nulidade da referida NFLD, os autos foram encaminhados à Seção de Fiscalização em 21/12/2010 (fls. 901/902) para obtenção de informações quanto à possível lavratura de nova notificação. Em 13/03/2011, o auditor fiscal alegou incompetência para decidir sobre novas ações fiscais no sujeito passivo, o qual possui domicilio fiscal no Rio de Janeiro." Fl. 1184DF CARF MF Processo nº 37005.001742/200705 Acórdão n.º 2201004.407 S2C2T1 Fl. 1.156 5 Ou seja, tendo o levantamento fiscal referente à obrigação principal sido anulado e não havendo Autuação substitutiva, o AI pelo descumprimento da obrigação acessória correlata não pode subsistir até que seja realizado um novo lançamento. Ante ao exposto, Voto no sentido de Conhecer do Recurso e no mérito Darlhe Provimento para anular o Auto de Infração." A leitura atenta do voto, permite a certeza da inferência de que o Relator tem a convicção de que não havendo lavratura de lançamento por descumprimento de obrigação principal não cabe o lançamento de obrigação acessória que lhe seja conexa, correlata. Logo, tendo sido efetuado tal lançamento, esse não pode subsistir, ou seja, não pode produzir efeitos, devendo ser anulado uma vez que imotivado, insubsistente, totalmente improcedente, em razão da inexistência da obrigação principal que fundamentaria, que suportaria, o descumprimento da obrigação acessória dela, da principal, decorrente. Inegável portanto, ser a mácula, por todos os argumentos esposados pelo Relator, de índole material, não havendo, portanto, nenhuma forma no ato a ser convalidada e sim, padecer, tal procedimento administrativo, de vício logicamente insanável quanto à sua essência. CONCLUSÃO Diante do exposto e pelos fundamentos apresentados, voto por conhecer e acolher os embargos interpostos para, sanando a omissão apontada, declarar que o vício reconhecido tem índole material. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira, Redator designado. Fl. 1185DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10840.904922/2011-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jun 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008
RESSARCIMENTO. PENDÊNCIA JUDICIAL.
É vedado o ressarcimento à pessoa jurídica com processo judicial em que a decisão definitiva a ser proferida pelo Poder Judiciário possa alterar o valor do ressarcimento solicitado.
RESSARCIMENTO. SALDO CREDOR.
Tendo o saldo credor de IPI do trimestre sido reduzido em decorrência de procedimento fiscal, é este (novo) saldo que deve ser usado para a compensação dos débitos apresentados em Dcomp.
Numero da decisão: 3301-004.474
Decisão: Recurso Voluntário Negado
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, por concomitância entre as esferas administrativa e judicial, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
José Henrique Mauri - Presidente Substituto.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Liziane Angelotti Meira- Relatora.
Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques DOliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semiramis de Oliveira Duro, Ari Vendramini, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Suplente convocada), Valcir Gassen e José Henrique Mauri (Presidente Substituto).
Nome do relator: LIZIANE ANGELOTTI MEIRA
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decisao_txt : Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, por concomitância entre as esferas administrativa e judicial, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (ASSINADO DIGITALMENTE) José Henrique Mauri - Presidente Substituto. (ASSINADO DIGITALMENTE) Liziane Angelotti Meira- Relatora. Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques DOliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semiramis de Oliveira Duro, Ari Vendramini, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Suplente convocada), Valcir Gassen e José Henrique Mauri (Presidente Substituto).
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PENDÊNCIA JUDICIAL. É vedado o ressarcimento à pessoa jurídica com processo judicial em que a decisão definitiva a ser proferida pelo Poder Judiciário possa alterar o valor do ressarcimento solicitado. RESSARCIMENTO. SALDO CREDOR. Tendo o saldo credor de IPI do trimestre sido reduzido em decorrência de procedimento fiscal, é este (novo) saldo que deve ser usado para a compensação dos débitos apresentados em Dcomp. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, por concomitância entre as esferas administrativa e judicial, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (ASSINADO DIGITALMENTE) José Henrique Mauri Presidente Substituto. (ASSINADO DIGITALMENTE) Liziane Angelotti Meira Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 90 49 22 /2 01 1- 11 Fl. 309DF CARF MF Processo nº 10840.904922/201111 Acórdão n.º 3301004.474 S3C3T1 Fl. 310 2 Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D’Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semiramis de Oliveira Duro, Ari Vendramini, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Suplente convocada), Valcir Gassen e José Henrique Mauri (Presidente Substituto). Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório elaborado pela decisão recorrida (fls. 177/183), abaixo transcrito: Tratase de manifestação de inconformidade, apresentada pela requerente, ante Despacho Decisório Eletrônico de autoridade da Delegacia da Receita Federal do Brasil que não homologou a compensação declarada, no valor de R$ 31.489,74, por ser inexistente o crédito utilizado nesta compensação, em decorrência de glosa de créditos considerados indevidos, em procedimento fiscal. O Fisco esclareceu que a ação fiscal, que deu origem ao auto de infração (processo administrativo nº 13603.724419/201174), teve por objeto a verificação de créditos e compensações referentes a diversos pedidos de ressarcimento de créditos de lPI apresentados pelo contribuinte. Relatou que a empresa em comento ingressou com Ação de Rito Ordinário com pedido de Antecipação de Tutela em face da União (Fazenda Nacional) distribuída perante a 6a vara da Justiça Federal de São Paulo em 16/10/2003, sob n° 2003.61.00.0295233, visando o não recolhimento do IPI incidente sobre os produtos destinados à alimentação de cães e gatos fabricados por ela e acondicionados em embalagens com capacidade superior a 10Kg, alegando flagrante ilegalidade e inconstitucionalidade do Decreto n° 4.542/02 e posteriores, que viessem em dissonância ao Decreto Lei n° 400/68. Obtida a tutela antecipada e sentença favorável, o Fisco decidiu proceder ao lançamento para evitar o transcurso do prazo decadencial, já que a empresa não fez o destaque nem escriturou o IPI devido nas saídas em comento. Os valores de IPI não destacados em cada período foram utilizados no procedimento de reconstituição da escrita fiscal do contribuinte, de modo a apurar os verdadeiros saldos devedores e/ou credores que deveriam estar escriturados nos Livros de Registro de Apuração do Imposto sobre Produtos Industrializados (LAIPI) no período fiscalizado.Os valores de IPI não destacados em cada período foram utilizados no procedimento de reconstituição da escrita fiscal do contribuinte, de modo a apurar os verdadeiros saldos devedores e/ou credores que deveriam estar escriturados nos Livros de Registro de Apuração do Imposto sobre Produtos Industrializados (LAIPI) no período fiscalizado. Em decorrência do auto de infração, verificouse alterações nos saldos da escrita fiscal, resultando no aparecimento de saldos devedores até então inexistentes ou na redução de saldos credores apurados pelo contribuinte, o que teve influência nos valores de ressarcimento pleiteados. Fl. 310DF CARF MF Processo nº 10840.904922/201111 Acórdão n.º 3301004.474 S3C3T1 Fl. 311 3 Regularmente cientificada da nãohomologação da compensação, a empresa apresentou manifestação de inconformidade, encaminhada pelo órgão de origem como tempestiva, na qual, em síntese, fez as seguintes considerações: 1. No que tange a saída de produtos destinados à alimentação de cães e gatos acondicionados em embalagens com capacidade superior a 10Kg, a requerente, a partir do 3o decêndio de outubro/03, buscou autorização judicial para não incidência do IPI sobre esses produtos, face a flagrante ilegalidade e inconstitucionalidade da legislação que o instituiu, qual seja, Decreto n° 4.542/02. Em razão disso, a requerente acumulou saldo credor de IPI, o que lhe permite, a cada trimestre calendário, utilizálo em compensações com débitos de outros tributos federais administrados pela Receita Federal do Brasil. Portanto é legítima a compensação, nos termos autorizados pelo artigo 170 do Código Tributário Nacional, combinado com o artigo 74 da Lei n° 9.430/96, com redação conferida pela Lei n° 10.637/02 e artigo n°. 26 e seguintes da Instrução Normativa SRF n° 600/2005, vigente à época das compensações. Deveria ser, portanto, declarada homologada a compensação dos créditos de IPI que a requerente efetuou com seu débito de COFINS de junho de 2006, vez que possuía saldo credor suficiente. 2. A Delegacia da Receita Federal, em 09/12/2011, lavrou o Auto de Infração e Imposição de Multa Processo Administrativo MPF n° 0611000/00639/11, visando prevenir a decadência do crédito tributário de IPI sobre produtos destinados à alimentação de cães e gatos fabricados pela requerente, acondicionados em embalagens com capacidade superiora 10Kg, sendo assim, imperioso que o julgamento da presente Manifestação de Inconformidade aguarde o julgamento da referida Impugnação Administrativa, pois, certamente a mesma será julgada totalmente procedente, com o conseqüente cancelamento do Auto de Infração e o restabelecimento da Escrita Fiscal, o que ensejará a homologação da presente compensação em sua integralidade. 3. A Ação Ordinária n° 2003.61.00.0295233 em nada poderá alterar os valor pleiteado na presente compensação, vez que, conforme bem demonstrado anteriormente, o saldo credor utilizado pela requerente foi derivado de aquisição de matérias primas, produtos industrializados e materiais de embalagem, nos termos do artigo 11 da Lei n° 9.779/99, não tendo nenhuma pertinência com a referida Ação. É certo que se ao final a Ação Ordinária n° 2003.61.00.0295233 for julgada improcedente, a DRF terá o direito de exigir os valores de IPI não destacados nas Notas Fiscais de saída, motivo pelo qual a legislação prevê a possibilidade de se lavrar o Auto de Infração com a exigibilidade suspensa, com a finalidade de prevenir a decadência. 4. Evidente que a requerente, mediante autorização judicial a qual foi concedida em sede de antecipação de tutela, não deveria proceder ao destaque do IPI em suas Notas Fiscais de saída e por conseqüência, deveria seguir com sua Escrita Fiscal, sob pena de perder o objeto a referida Ação. Totalmente descabida a Fl. 311DF CARF MF Processo nº 10840.904922/201111 Acórdão n.º 3301004.474 S3C3T1 Fl. 312 4 pretensão da DRF no sentido de que a Requerente não poderia utilizar os saldos credores apresentados ao final dos trimestres calendários, pois se assim fosse, estaria desconsiderando a decisão judicial que lhe foi concedida. 5. Da mesma forma, resta cristalino que a DRF está descumprindo determinação judicial contida na Ação Ordinária n° 2003.61.00.0295233, qual seja, absterse de exigir da Requerente o IPI sobre alimentação de cães e gatos acondicionados em embalagens acima de dez quilos. 6. Verificase que a compensação procedida pela Requerente está em consonância com a legislação pertinente sobre a matéria, haja vista ser o crédito legítimo. Por fim, solicitou seja recebida e acolhida a Manifestação de Inconformidade apresentada a fim de reformar integralmente o Despacho Decisório proferido nos autos, uma vez que amplamente comprovado que a Requerente possuía crédito de IPI passível de ser compensado e protestou pela produção de todas as demais provas admitidas em direito, inclusive, a oral. Analisada a manifestação de inconformidade, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP), julgou improcedente, conforme Acórdão nº 1448.974 8ª Turma da DRJ/RPO, com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Anocalendário: 01/07/2008 a 30/09/2008 RESSARCIMENTO. PENDÊNCIA JUDICIAL. É vedado o ressarcimento à pessoa jurídica com processo judicial em que a decisão definitiva a ser proferida pelo Poder Judiciário possa alterar o valor do ressarcimento solicitado. RESSARCIMENTO. SALDO CREDOR. Tendo o saldo credor de IPI do trimestre sido reduzido em decorrência de procedimento fiscal, é este (novo) saldo que deve ser usado para a compensação dos débitos apresentados em Dcomp. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Foi apresentado Recurso Voluntário, no qual se alegou, em síntese: · que a Recorrente estava amparada por decisão judicial que autorizava a não incidência do IPI sobre produtos destinados à alimentação de cães e gatos acondicionados em embalagens com capacidade superior a 10 kg; · indevida reconstituição da escrita fiscal em razão da não incidência do IPI sobre produtos destinados à alimentação de cães e gatos acondicionados em embalagens com capacidade superior a 10 kg; · impossível a glosa dos créditos de IPI em razão da mencionada decisão judicial; e Fl. 312DF CARF MF Processo nº 10840.904922/201111 Acórdão n.º 3301004.474 S3C3T1 Fl. 313 5 · não incidência de IPI sobre produtos enquadrados na posição 2309.10.00 da TIPI; · inaplicabilidade do art. 20 da IN RFB no 600/2005; · necessidade de julgamento simultâneo ao processo no 0611000/639/11 Posteriormente, a Recorrente junta aos autos a informação de que, após a interposição do Recurso Voluntário, a Ação Anulatória no 0029523662003.4.03.6100 transitou em julgado de forma favorável às suas pretensões. É o relatório. Voto Conselheira Liziane Angelotti Meira O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais de admissibilidade e deve ser conhecido. Quanto ao pedido de de julgamento simultâneo do processo no 0611000/639/11 (na verdade, este é o número do Mandado de Procedimento Fiscal), cumpre anotar que os processos conexos estão sendo julgamos neste mesma sessão, a saber: 13603.724419/201174 EVIALIS DO BRASIL NUTRICAO ANIMAL LTDA 10840.904913/201120 EVIALIS DO BRASIL NUTRICAO ANIMAL LTDA 10840.904915/201119 EVIALIS DO BRASIL NUTRICAO ANIMAL LTDA 10840.904916/201163 EVIALIS DO BRASIL NUTRICAO ANIMAL LTDA 10840.904917/201116 EVIALIS DO BRASIL NUTRICAO ANIMAL LTDA 10840.904918/201152 EVIALIS DO BRASIL NUTRICAO ANIMAL LTDA 10840.904919/201105 EVIALIS DO BRASIL NUTRICAO ANIMAL LTDA 10840.904920/201121 EVIALIS DO BRASIL NUTRICAO ANIMAL LTDA 10840.904921/201176 EVIALIS DO BRASIL NUTRICAO ANIMAL LTDA 10840.904922/201111 EVIALIS DO BRASIL NUTRICAO ANIMAL LTDA 10840.904923/201165 EVIALIS DO BRASIL NUTRICAO ANIMAL LTDA 10840.904924/201118 EVIALIS DO BRASIL NUTRICAO ANIMAL LTDA 10840.904925/201154 EVIALIS DO BRASIL NUTRICAO ANIMAL LTDA 10840.904926/201107 EVIALIS DO BRASIL NUTRICAO ANIMAL LTDA 10840.904927/201143 EVIALIS DO BRASIL NUTRICAO ANIMAL LTDA 10840.904928/201198 EVIALIS DO BRASIL NUTRICAO ANIMAL LTDA 10840.904929/201132 EVIALIS DO BRASIL NUTRICAO ANIMAL LTDA 10840.904930/201167 EVIALIS DO BRASIL NUTRICAO ANIMAL LTDA A Recorrente alegou que o fato de possuir tutela antecipada na Ação Ordinária n° 2003.61.00.0295233 lhe garante o não destaque do IPI nas notas fiscais, a não escrituração destes valores no livro de apuração de IPI e o conseqüente saldo credor nele Fl. 313DF CARF MF Processo nº 10840.904922/201111 Acórdão n.º 3301004.474 S3C3T1 Fl. 314 6 apurado para ressarcimento, ou seja, que tem o direito líquido e certo ao ressarcimento em discussão. Defende, nesse sentido, inaplicabilidade do art. 20 da IN RFB no 600/2005, e o seu direito de destacar o IPI em suas notas fiscais de saída, em decorrência da ação judicial. Cabe, contudo, colacionar o art. 20 da IN mencionada (que regulava a matéria na época): Art. 20. É vedado o ressarcimento a estabelecimento pertencente a pessoa jurídica com processo judicial ou com processo administrativo fiscal de determinação e exigência de crédito do IPI cuja decisão definitiva, judicial ou administrativa, possa alterar o valor a ser ressarcido. Parágrafo único. Ao requerer o ressarcimento, o representante legal da pessoa jurídica deverá prestar declaração, sob as penas da lei, de que a pessoa jurídica não se encontra na situação mencionada no caput. Importante também transcrever o artigo que exige, mesmo para o caso de decisão judicial definitiva, a habilitação do crédito: Art. 51. Na hipótese de crédito reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, a Declaração de Compensação, o Pedido Eletrônico de Restituição e o Pedido Eletrônico de Ressarcimento, gerados a partir do Programa PER/DCOMP, somente serão recepcionados pela SRF após prévia habilitação do crédito pela Delegacia da Receita Federal (DRF), Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária (Derat) ou Delegacia Especial de Instituições Financeiras (Deinf) com jurisdição sobre o domicílio tributário do sujeito passivo. § 1º A habilitação de que trata o caput será obtida mediante pedido do sujeito passivo, formalizado em processo administrativo instruído com: I o formulário Pedido de Habilitação de Crédito Reconhecido por Decisão Judicial Transitada em Julgado, constante do Anexo V desta Instrução Normativa, devidamente preenchido; II a certidão de inteiro teor do processo expedida pela Justiça Federal; III a cópia do contrato social ou do estatuto da pessoa jurídica acompanhada, conforme o caso, da última alteração contratual em que houve mudança da administração ou da ata da assembléia que elegeu a diretoria; IV cópia dos atos correspondentes aos eventos de cisão, incorporação ou fusão, se for o caso; V a cópia do documento comprobatório da representação legal e do documento de identidade do representante, na hipótese de pedido de habilitação do crédito formulado por representante legal do sujeito passivo; e Fl. 314DF CARF MF Processo nº 10840.904922/201111 Acórdão n.º 3301004.474 S3C3T1 Fl. 315 7 VI a procuração conferida por instrumento público ou particular e cópia do documento de identidade do outorgado, na hipótese de pedido de habilitação formulado por mandatário do sujeito passivo. § 2º O pedido de habilitação do crédito será deferido pelo titular da DRF, Derat ou Deinf, mediante a confirmação de que: I o sujeito passivo figura no pólo ativo da ação; II a ação tem por objeto o reconhecimento de crédito relativo a tributo ou contribuição administrados pela SRF; III houve reconhecimento do crédito por decisão judicial transitada em julgado; IV foi formalizado no prazo de 5 anos da data do trânsito em julgado da decisão; e V na hipótese de ação de repetição de indébito, houve a homologação pelo Poder Judiciário da desistência da execução do título judicial ou a comprovação da renúncia à sua execução, bem assim a assunção de todas as custas e os honorários advocatícios referentes ao processo de execução. § 3º Constatada irregularidade ou insuficiência de informações nos documentos a que se referem os incisos I a V do § 1º, o requerente será intimado a regularizar as pendências no prazo de 30 (trinta) dias, contado da data de ciência da intimação. § 4º No prazo de 30 (trinta) dias, contado da data da protocolização do pedido ou da regularização de pendências de que trata o § 3º, será proferido despacho decisório sobre o pedido de habilitação do crédito. § 5º Será indeferido o pedido de habilitação do crédito nas seguintes hipóteses: I não forem atendidos os requisitos constantes nos incisos I a V do § 2º; ou II as pendências a que se refere o § 3º não forem regularizadas no prazo nele previsto. § 6º O deferimento do pedido de habilitação do crédito não implica homologação da compensação ou o deferimento do pedido de restituição ou de ressarcimento. Seguimos o entendimento da decisão recorrida de não há qualquer direito ao ressarcimento deferido pela sentença judicial não definitiva. De acordo com o art. 170A do CTN, é defeso efetuar compensações de débitos mediante aproveitamento de tributo objeto de contestação judicial em trâmite, ou seja, ainda não julgado definitivamente. Ou seja, só há crédito oponível à Fazenda Pública com o desfecho em definitivo favorável ao particular da demanda judicial. Fl. 315DF CARF MF Processo nº 10840.904922/201111 Acórdão n.º 3301004.474 S3C3T1 Fl. 316 8 Conforme se destacou na decisão recorrida, o direito pretendido com a ação judicial somente será liquido e certo quando a sentença, se favorável ao contribuinte, transitar em julgado e operar seus efeitos. No entanto, este direito, não respaldava o ressarcimento, que era expressamente vedado pelo art. 20 da IN SRF nº 600, de 2005 (disposição idêntica encontrase vigente no art. 42 da IN RFB nº 1717, de 2017). Dessa forma, adotase o entendimento da decisão recorrida de que somente é permitido o ressarcimento do imposto após a utilização dos créditos de IPI escriturados pelo contribuinte na dedução, em sua escrita fiscal, dos débitos de IPI decorrentes das saídas de produtos tributados, além de ser vedado o ressarcimento a estabelecimento pertencente a pessoa jurídica com processo judicial ou com processo administrativo fiscal de determinação e exigência de crédito do IPI cuja decisão definitiva, judicial ou administrativa, possa alterar o valor a ser ressarcido. Portanto, a matéria discutida na ação judicial altera o valor do saldo de IPI apurado nos trimestres em referência e, consequentemente, correto o procedimento do Fisco que refez a escrita fiscal, incluindo os débitos discutidos judicialmente, para calcular o real saldo (devedor/credor) dos trimestres analisados. Por outro lado, mesmo que se concordasse com a Recorrente, contrariamente a determinação expressa da legislação, que ela poderia utilizar créditos com fulcro em decisão judicial não transitada em julgado, ela estaria sujeita à habilitação do seu crédito, o que não efetuou. O cumprimento dessa obrigação acessória é imprescindível para que o Fisco tenha conhecimento e controle deste crédito e é condição para o exercício do direito de creditamento. Portanto, ainda que se adotasse este entendimento, defendido pela Recorrente o qual não adotamos deveria ser mantida a glosa por falta de habilitação do crédito. Dessarte, mantémse, por seus próprios fundamentos, o entendimento constante da decisão recorrida. Quanto à informação juntada pela Recorrente de que houve trânsito em julgado em seu favor na Ação Anulatória no 0029523662003.4.03.6100, não há efeito direto sobre o presente processo administrativo. Não se pode tratar aqui do mérito levado ao Judiciário, pois, conforme a Súmula nº 1 do CARF, importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Diante do exposto, proponho manter integralmente a decisão recorrida e voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. Liziane Angelotti Meira Relatora Fl. 316DF CARF MF Processo nº 10840.904922/201111 Acórdão n.º 3301004.474 S3C3T1 Fl. 317 9 Fl. 317DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.721897/2011-06
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 10 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jun 12 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008
CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. DECADÊNCIA. INEXISTÊNCIA DE RECOLHIMENTOS PARCIAIS. REGRA DO ART. 173, INC. I, DO CTN.
O prazo decadencial para o lançamento é regido pelo art. 173, inc. I, do CTN, se inexistir recolhimento antecipado do tributo a que se referir a autuação.
LANÇAMENTO PREVENTIVO DA DECADÊNCIA. POSSIBILIDADE. MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. MULTA DE OFÍCIO. EXCLUSÃO.
A suspensão da exigibilidade do crédito tributário não obsta o lançamento preventivo da decadência.
A administração, embora não possa praticar qualquer outro ato visando à cobrança do seu crédito, tais como inscrição em dívida ativa, execução, penhora, etc, deve proceder ao lançamento, para evitar o transcurso do prazo decadencial.
É cabível a inclusão de multa de mora nos lançamentos preventivos da decadência, observando-se o disposto no § 2º do art. 63 da Lei n. 9.430/1996.
Precedentes do CARF e do STJ.
Não cabe a exigência de multa de ofício nos lançamentos destinados a prevenir a decadência (Súmula CARF n. 17).
GUIA DE RECOLHIMENTO DO FGTS E INFORMAÇÕES À PREVIDÊNCIA SOCIAL (GFIP). OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. CUMPRIMENTO NA VIGÊNCIA DE DECISÃO JUDICIAL QUE SUSPENDE A OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. LANÇAMENTO DE MULTA DE OFÍCIO. CÓDIGO DE FUNDAMENTO LEGAL 68. MANUAIS GFIP/SEFIP. VIGÊNCIA. MODULAÇÃO DE EFEITOS.
Decisão judicial proferida em caráter liminar que suspende a exigibilidade do crédito tributário relativo a contribuições previdenciárias ou contribuições devidas a terceiros não dispensa o sujeito passivo da obrigação de informar, no campo próprio da Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP), os valores das contribuições cuja exigibilidade foi suspensa. Ausentes tais informações, e não cabível a retificação da GFIP em virtude de perda de espontaneidade (art. 138 do CTN), deverá a Fiscalização proceder ao lançamento de multa de ofício sob código de fundamento legal 68, observando-se, todavia, a modulação dos efeitos da aplicação dos procedimentos vinculados aos Manuais GFIP/SEFIP vigentes nas diferentes competências abrangidas no referido período de apuração.
CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL PELO EMPREGADOR RURAL PESSOA JURÍDICA. CONTRIBUIÇÃO SUBSTITUTIVA. BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA PROVENIENTE DE PRODUÇÃO PRÓPRIA. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE PRODUÇÃO DE TERCEIROS.
A leitura do art. 25, I e II, e § 1°, da Lei n. 8.870/1994 deve ser feita de forma sistêmica com o disposto no art. 240, II, da Instrução Normativa n. 03/2005, vigente à época dos fatos, observando-se, inclusive, as circunstâncias específicas de cada caso concreto para a definição do que seja produção própria e produção de terceiros.
Restando caracterizada a confusão entre o processo de produção dos frutos do produtor adquirente com aqueles teoricamente produzidos por terceiros produtores, verifica-se que os produtos atribuídos a terceiros estão submetidos, desde o início do ciclo produtivo, à total ingerência daquele, que controla todo o processo produtivo, inclusive com fornecimento de insumos e tecnologia, necessários à produção dos frutos que adquire, materializando-se o disposto no art. 240, II, da Instrução Normativa n. 03/2005, vigente à época dos fatos.
A mera existência na contabilidade da Recorrente de classificação em separado das receitas provenientes da comercialização de produção própria daquelas provenientes da comercialização de frutas adquiridas de terceiros, não atrai, necessariamente, a incidência do art. 25, I e II, e § 1°, da Lei n. 8.870/1994, para fins de definição de receita decorrente de produção própria ou da venda de produtos de terceiros, vez que, no caso concreto, tal discriminação vincula-se unicamente à apuração dos custos por unidade de produção (no caso, os diferentes pomares).
Numero da decisão: 2402-006.186
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do pedido de sobrestamento suscitado da tribuna e por maioria de votos, em conhecer do Recurso, vencido o conselheiro Luis Henrique Dias Lima. Acordam, ainda, (i) por unanimidade de votos, em afastar a decadência e excluir do lançamento a multa de ofício; (ii) por maioria de votos, em cancelar a multa por falta de declaração de fatos geradores em GFIP até a competência 10/2008 (AI DEBCAD nº 37.202.202-2), vencidos os conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci (relator), Jamed Abdul Nasser Feitoza e Gregorio Rechmann Junior, que deram provimento ao recurso em relação a esta matéria e (iii) por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso quanto à exclusão da receita bruta proveniente da venda de produtos tidos por adquiridos de terceiros da autuação, vencidos os conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci (relator), Jamed Abdul Nasser Feitoza, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Luis Henrique Dias Lima.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator
(assinado digitalmente)
Luís Henrique Dias Lima - Redator Designado
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Denny Medeiros da Silveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luís Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior.
Nome do relator: JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI
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DECADÊNCIA. INEXISTÊNCIA DE RECOLHIMENTOS PARCIAIS. REGRA DO ART. 173, INC. I, DO CTN. O prazo decadencial para o lançamento é regido pelo art. 173, inc. I, do CTN, se inexistir recolhimento antecipado do tributo a que se referir a autuação. LANÇAMENTO PREVENTIVO DA DECADÊNCIA. POSSIBILIDADE. MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. MULTA DE OFÍCIO. EXCLUSÃO. A suspensão da exigibilidade do crédito tributário não obsta o lançamento preventivo da decadência. A administração, embora não possa praticar qualquer outro ato visando à cobrança do seu crédito, tais como inscrição em dívida ativa, execução, penhora, etc, deve proceder ao lançamento, para evitar o transcurso do prazo decadencial. É cabível a inclusão de multa de mora nos lançamentos preventivos da decadência, observandose o disposto no § 2º do art. 63 da Lei n. 9.430/1996. Precedentes do CARF e do STJ. Não cabe a exigência de multa de ofício nos lançamentos destinados a prevenir a decadência (Súmula CARF n. 17). GUIA DE RECOLHIMENTO DO FGTS E INFORMAÇÕES À PREVIDÊNCIA SOCIAL (GFIP). OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. CUMPRIMENTO NA VIGÊNCIA DE DECISÃO JUDICIAL QUE SUSPENDE A OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. LANÇAMENTO DE MULTA DE OFÍCIO. CÓDIGO DE FUNDAMENTO LEGAL 68. MANUAIS GFIP/SEFIP. VIGÊNCIA. MODULAÇÃO DE EFEITOS. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 18 97 /2 01 1- 06 Fl. 871DF CARF MF 2 Decisão judicial proferida em caráter liminar que suspende a exigibilidade do crédito tributário relativo a contribuições previdenciárias ou contribuições devidas a terceiros não dispensa o sujeito passivo da obrigação de informar, no campo próprio da Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP), os valores das contribuições cuja exigibilidade foi suspensa. Ausentes tais informações, e não cabível a retificação da GFIP em virtude de perda de espontaneidade (art. 138 do CTN), deverá a Fiscalização proceder ao lançamento de multa de ofício sob código de fundamento legal 68, observandose, todavia, a modulação dos efeitos da aplicação dos procedimentos vinculados aos Manuais GFIP/SEFIP vigentes nas diferentes competências abrangidas no referido período de apuração. CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL PELO EMPREGADOR RURAL PESSOA JURÍDICA. CONTRIBUIÇÃO SUBSTITUTIVA. BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA PROVENIENTE DE PRODUÇÃO PRÓPRIA. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE PRODUÇÃO DE TERCEIROS. A leitura do art. 25, I e II, e § 1°, da Lei n. 8.870/1994 deve ser feita de forma sistêmica com o disposto no art. 240, II, da Instrução Normativa n. 03/2005, vigente à época dos fatos, observandose, inclusive, as circunstâncias específicas de cada caso concreto para a definição do que seja produção própria e produção de terceiros. Restando caracterizada a confusão entre o processo de produção dos frutos do produtor adquirente com aqueles teoricamente produzidos por terceiros produtores, verificase que os produtos atribuídos a terceiros estão submetidos, desde o início do ciclo produtivo, à total ingerência daquele, que controla todo o processo produtivo, inclusive com fornecimento de insumos e tecnologia, necessários à produção dos frutos que adquire, materializandose o disposto no art. 240, II, da Instrução Normativa n. 03/2005, vigente à época dos fatos. A mera existência na contabilidade da Recorrente de classificação em separado das receitas provenientes da comercialização de produção própria daquelas provenientes da comercialização de frutas adquiridas de terceiros, não atrai, necessariamente, a incidência do art. 25, I e II, e § 1°, da Lei n. 8.870/1994, para fins de definição de receita decorrente de produção própria ou da venda de produtos de terceiros, vez que, no caso concreto, tal discriminação vinculase unicamente à apuração dos custos por unidade de produção (no caso, os diferentes pomares). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do pedido de sobrestamento suscitado da tribuna e por maioria de votos, em conhecer do Recurso, vencido o conselheiro Luis Henrique Dias Lima. Acordam, ainda, (i) por unanimidade de votos, em afastar a decadência e excluir do lançamento a multa de ofício; (ii) por maioria de votos, em cancelar a multa por falta de declaração de fatos geradores em GFIP até a competência 10/2008 (AI DEBCAD nº 37.202.2022), vencidos os conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci (relator), Jamed Abdul Nasser Feitoza e Gregorio Rechmann Junior, que deram provimento ao recurso em relação a esta matéria e (iii) por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso quanto à exclusão da receita bruta proveniente da venda de Fl. 872DF CARF MF Processo nº 19515.721897/201106 Acórdão n.º 2402006.186 S2C4T2 Fl. 3 3 produtos tidos por adquiridos de terceiros da autuação, vencidos os conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci (relator), Jamed Abdul Nasser Feitoza, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Luis Henrique Dias Lima. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Relator (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Redator Designado Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Denny Medeiros da Silveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luís Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior. Relatório Inicialmente, adotase parte do relatório do acórdão de recurso de ofício e de recurso voluntário de fls. 690/710, deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF: São integrantes do presente processo os seguintes Autos de Infração (AI’s) lavrados, pela fiscalização, contra a empresa retro identificada: • (1) AI DEBCAD n.º 37.202.2030, no montante de R$ 14.497.542,77 (quatorze milhões, quatrocentos e noventa e sete mil e quinhentos e quarenta e dois reais e setenta e sete centavos), consolidado em 12/12/2011, referente a contribuições destinadas à Seguridade Social, previstas no artigo 25, incisos I e II da Lei n.º 8.870, de 15/04/1994, incidentes sobre a receita bruta proveniente da comercialização da produção rural para o mercado interno, não declaradas em GFIP (Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social) e não recolhidas, relativas aos estabelecimentos 91.501.783/000657, 91.501.783/000738 e 91.501.783/000819, e a competências de 01/2006 a 12/2008; • (2) AI DEBCAD n.º 37.202.2154, no montante de R$ 1.393.994,48 (um milhão, trezentos e noventa e três mil e novecentos e noventa e quatro reais e quarenta e oito centavos), consolidado em 12/12/2011, referente a contribuições destinadas a terceiros – SENAR (Serviço Nacional de Aprendizagem Rural), previstas no artigo 25, parágrafo 1º da Lei n.º 8.870, de 15/04/1994, incidentes sobre a receita bruta proveniente da comercialização da produção rural para o mercado interno, não declaradas em GFIP (Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social) e não recolhidas, relativas Fl. 873DF CARF MF 4 aos estabelecimentos 91.501.783/000657, 91.501.783/000738 e 91.501.783/000819, e a competências de 01/2006 a 12/2008; • (3) AI DEBCAD n.º 37.202.2162, no montante de R$ 463.179,41 (quatrocentos e sessenta e três mil e cento e setenta e nove reais e quarenta e um centavos), consolidado em 12/12/2011, referente a contribuições destinadas a terceiros – SENAR (Serviço Nacional de Aprendizagem Rural), previstas no artigo 25, parágrafo 1º da Lei n.º 8.870, de 15/04/1994, incidentes sobre a receita bruta proveniente da comercialização da produção rural para o mercado externo, não declaradas em GFIP (Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social) e não recolhidas, relativas ao estabelecimento 91.501.783/000819, e a competências de 02/2006 a 09/2008; • (4) AI DEBCAD n.º 37.202.2022, com código de fundamento legal 68, e multa no valor originário de R$ 1.867.426,75 (um milhão, oitocentos e sessenta e sete mil e quatrocentos e vinte e seis reais e setenta e cinco centavos), por infração ao disposto no artigo 32, inciso IV e parágrafo 5º da Lei n.º 8.212, de 24/07/1991, na redação dada pela Lei n.º 9.528, de 10/12/1997, e no artigo 225, inciso IV e parágrafo 4º do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto n.º 3.048, de 06/05/1999, abrangendo competências de 01/2006 a 11/2008. O Relatório do Processo Administrativo Fiscal [...] traz as seguintes informações: [...] • que a empresa é enquadrada como produtora rural pessoa jurídica e tem como principal atividade o cultivo de maçãs; • que a contribuição devida pela pessoa jurídica que comercializa a produção rural incide sobre a receita bruta da comercialização da produção rural, em substituição às instituídas pelos incisos I e II do art. 22 da Lei n.° 8.212, de 1991; • que a empresa [...] deve informar na GFIP [...] o valor da receita bruta da comercialização e se enquadrar no FPAS 744, indicando a incidência das alíquotas de 2,5% (Rural patronal), 0,1 % (SAT/RAT) e 0,25% (SENAR) sobre a receita bruta da venda da comercialização da produção rural; • que os fatos geradores foram comprovados através da análise dos arquivos digitais das notas fiscais de vendas e da contabilidade; [...] • que os comparativos dos cálculos das multas estão demonstrados no Demonstrativo da Comparação das Multas mais Benéfica, em anexo; Fl. 874DF CARF MF Processo nº 19515.721897/201106 Acórdão n.º 2402006.186 S2C4T2 Fl. 4 5 • que, para o cálculo da contribuição, foi considerado o total das receitas de vendas de produtos rurais para o mercado interno e externo, extraídos dos razões contábeis: a) mercado interno R$ 324.506.262,49; b) mercado externo R$ 109.548.810,72; • que as vendas de frutas adquiridas de terceiros classificadas pela empresa, foram desconsideradas como tal, e consideradas como vendas de produtos rurais próprio, pelos motivos a seguir relacionados: a) a Agropecuária Schio faz parte do processo de produção rural dos pequenos produtores, onde ela acompanha desde o preparo, plantio (formação de pomares), controle de pragas, colheita, etc, com seus técnicos dando todo o suporte necessário sem custos para estes, e determina e fornece os defensivos e fertilizantes que serão aplicados, sendo estes pagos após a venda das frutas sem juros pelo valor de custo (valor de aquisição da época da compra); b) quando recebe os frutos de origem de pomares de terceiros, são enviados para a unidade de beneficiamento, onde é feita uma préclassificação e armazenado em câmaras refrigeradas com sistema de atmosfera dinâmica (câmara com baixo oxigênio e isenta de etileno); c) na época da venda dos produtos, os frutos são retirados das câmaras refrigeradas, voltando para o beneficiamento, onde são lavados e feito um tratamento para descontaminação e limpeza e após são embalados em caixas de papelão de 18 kg ou em sacos plásticos lacrados de 1 kg; d) no processo de beneficiamento, muitas vezes os produtos de origem de pomares de terceiros são misturados com os de pomares próprios, sendo quase impossível indicar quais os frutos são de origem de pomares próprios ou de terceiros, gerando assim o produto final para venda, onde todos os frutos (próprios e de terceiros) passaram por um processo para obtenção do produto rural a ser vendido; e) a Schio quando recebe estas frutas in natura, ela agrega valores com o beneficiamento (selecionamento, lavagem, descontaminação e armazenamento especial) e com a industrialização rudimentar (embalagens), de modo que todos os frutos recebidos passaram pelo processo da produção rural da empresa, juntamente com os de seus pomares, formando a produção rural da empresa; f) as fases da colheita do fruto in natura, o beneficiamento e a industrialização rudimentar, fazem parte do processo da produção rural, conforme o art. 240, inciso II da IN 03/2005 – “II produção rural, os produtos de origem animal ou vegetal, em estado natural ou submetido a processos de beneficiamento ou de industrialização rudimentar, bem como os subprodutos e os resíduos obtidos por esses processos”; • que, assim, todas as receitas de venda de produtos rurais foram consideradas base de cálculo para os autos de infração; [...] • que, após o comparativo do cálculo da multa, se apurou o valor de R$ 1.867.426,75 de multa a ser aplicada no AI DEBCAD 37.202.2022 (CFL 68), sendo o valor deste auto de Fl. 875DF CARF MF 6 infração atualizado pela SELIC, na forma da Portaria Conjunta PGFN/SRF n.º 10/2008, de 14/11/2008, publicada no D.O.U. de 17/11/2008; • que o prazo de decadência para constituir as obrigações tributárias acessórias relativas às contribuições previdenciárias é de cinco anos e deve ser contado nos termos do artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional; • que o presente levantamento está sendo objeto de discussão judicial – a empresa detém sentença em 1ª instância, no processo n.° 1999.71.00.0212805, que suspendeu o recolhimento das contribuições previdenciárias incidentes sobre a receita bruta da comercialização da produção, prevista no art. 25 da Lei n.° 8.870/94 – razão pela qual se procedeu à constituição do crédito com o objetivo de se evitar eventual ocorrência de período decadencial. [...] Inconformada com as autuações [...] a empresa apresentou [...] impugnação [...]. [...] a DRJ, por unanimidade de votos, julgou a impugnação procedente em parte, [...] sendo excluídos os valores referentes à multa de mora e à multa de ofício. Outrossim, determinouse o cancelamento da multa exigida por meio do AI DEBCAD n.º 37.202.2022, referente ao descumprimento de obrigação acessória. [...] recorreu de ofício a Presidente da Turma Julgadora [...]. A recorrente foi intimada da decisão [...], tendo apresentado Recurso Voluntário [...], no qual alega, em síntese: * decadência do lançamento efetuado em 14/12/2011, relativamente aos fatos geradores anteriores a dezembro de 2006 (janeiro a novembro de 2006), nos termos do recurso repetitivo REsp 973.733/SC, sendo de se ressaltar que, conforme “DD – Discriminativo de Débito”, a recorrente efetuou o recolhimento de contribuições previdenciárias; * não incidência de contribuições previdenciárias sobre a receita de venda de produtos adquiridos de terceiros (outros produtores). Em sessão de julgamento realizada em 18 de março de 2014, este Conselho, por maioria de votos, não conheceu do recurso voluntário e deu provimento ao recurso de ofício, conforme decisão assim ementada: FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. NECESSIDADE. No sistema do livre convencimento motivado, adotado em nosso ordenamento jurídico, inclusive nos processos administrativos, o julgador forma livremente o seu convencimento, porém deve fundamentar a decisão de forma clara a impedir que não seja cerceado o direito de defesa do contribuinte. Fl. 876DF CARF MF Processo nº 19515.721897/201106 Acórdão n.º 2402006.186 S2C4T2 Fl. 5 7 Foi, então, anulada a decisão de primeira instância. Nos termos do voto vencedor: Neste contexto, na decisão de piso, a ausência de manifestação a respeito da vigência da Lei nº 10.256/01, implica no cerceamento do direito constitucional de defesa do contribuinte (art. 5º, inciso LV, CF/88), porquanto tem ele o direito de saber precisamente os fundamentos legais que resultaram aquele julgamento de modo a possibilitarlhe elaborar defesa e apresentar a sua versão, contradizendo as alegações do Fisco (quando indeferido o pleito) ou mesmo sustentar a validade da decisão (na hipótese de deferimento do pedido). A contribuinte foi intimada da decisão via eCAC (fl. 772), mas não interpôs recurso. Os autos foram encaminhados à DRJ para novo julgamento, no qual se decidiu pela improcedência da impugnação, conforme ementa abaixo: CONTRIBUIÇÕES INCIDENTES SOBRE A RECEITA BRUTA PROVENIENTE DA COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL. É devida pelo empregador, pessoa jurídica, que se dedique à produção rural, as contribuições previstas no artigo 25, incisos I e II, e parágrafo 1º da Lei n.º 8.870, de 15/04/1994, na redação dada pela Lei n.º 10.256, de 09/07/2001, incidentes sobre a receita bruta proveniente da comercialização da sua produção. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. Com a declaração de inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n.º 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal (STF), por meio da Súmula Vinculante n.º 8, publicada no Diário Oficial da União em 20/06/2008, o lapso de tempo de que dispõe a Secretaria da Receita Federal do Brasil para constituir os créditos relativos às contribuições previdenciárias e às contribuições de terceiros, mencionadas no artigo 3º da Lei n.º 11.457/07 será regido pelo Código Tributário Nacional. O lançamento foi realizado no prazo qüinqüenal previsto no CTN, não havendo que se falar em decadência. FATO GERADOR. RECEITA BRUTA PROVENIENTE DA COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL. PRINCÍPIO DA PRIMAZIA DA REALIDADE. No tocante à relação tributária, os fatos devem prevalecer sobre a aparência que, formal ou documentalmente, possam oferecer. MULTAS DE MORA E DE OFÍCIO. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE À ÉPOCA DOS FATOS GERADORES. A inclusão de contribuições em lançamento fiscal dá ensejo à incidência, até a competência 11/2008, de multa de mora, Fl. 877DF CARF MF 8 prevista no artigo 35 da Lei n.º 8.212/91, na redação dada pela Lei n.º 9.876/99, sobre o valor das contribuições lançadas; e, a partir da competência 12/2008, à incidência de multa de ofício, capitulada no artigo 44 da Lei n.º 9.430/96, ao qual remete o artigo 35A da Lei n.º 8.212/91, incluído pela Medida Provisória n.º 449/2008, também sobre o valor das contribuições apuradas. À autoridade administrativa, cuja atividade é vinculada à previsão normativa, não é permitido excluir a multa estabelecida na legislação, quando da subsunção do fato à hipótese normativa. JUROS. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. No lançamento do crédito tributário, é obrigatória a aplicação dos juros moratórios, previstos na legislação, sob pena de responsabilidade funcional da autoridade administrativa. AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. APRESENTAÇÃO COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES DE TODAS AS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. Apresentar a empresa GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias constitui infração à legislação previdenciária. MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. A multa decorrente de descumprimento de obrigação acessória é aplicada e cobrada em virtude de determinação legal. A contribuinte foi intimada da decisão em 05/02/2015 (fl. 759) e interpôs recurso voluntário em 03/03/2015 (fls. 762 e seguintes), no qual deduziu as seguintes teses de defesa: Preliminarmente 1. as decisões judiciais proferidas em favor da recorrente no Mandado de Segurança tem o efeito de suspender (impedir) a exigibilidade e/ou incidência das contribuições previdenciárias patronal, GIILRAT e destinada ao SENAR, objeto dos Autos de Infração (DEBCADs) ns. 37.202.2030, 37.202.2154, 37.202.2162 e 37.202.2022; 2. da extinção da exigibilidade, pela decadência, das contribuições correspondentes aos fatos geradores ocorridos entre janeiro e novembro de 2006; No mérito 3. da não incidência de contribuições previdenciárias sobre a receita de venda de produtos adquiridos de terceiros (outros produtores); 4. a multa de mora e de ofício, aplicadas à ora recorrente, sobre as contribuições previdenciárias que lhe estão sendo exigidas indevidamente, além de afrontar a legislação de regência, contrariam os próprios limites dos autos de infração em referência, por, Fl. 878DF CARF MF Processo nº 19515.721897/201106 Acórdão n.º 2402006.186 S2C4T2 Fl. 6 9 notadamente, não observar as situações fáticas ali delimitadas pelos Auditores Fiscais; 5. considerando que, nos autos da ação mandamental, a recorrente está questionando a exigibilidade das contribuições previdenciárias de que trata o art. 25, incisos I e II e § 1º, da Lei 8.870/94, cujos efeitos das decisões daí decorrentes, em nada se alteraram após o advento da Lei n. 10.256/2001, não há como prosperar a multa imposta por descumprimento de obrigação acessória referente ao AI DEBCAD N. 37.202.2022. Em sessão de julgamento realizada em 06 de junho de 2017, este colegiado resolveu converter o julgamento em diligência, para que a unidade de origem informasse se houve pagamento antecipado do tributo, ainda que parcial, nas competências janeiro a novembro de 2006, mesmo que não tenha sido incluída na sua base de cálculo a rubrica ou o levantamento específico apurado pela fiscalização. A unidade de origem, através da informação fiscal de fls. 832/843, relatou que: [...] houve recolhimentos em GPS referente as contribuições previdenciárias retidas de seus empregados, de contribuintes individuais e das retenções referente a produtos rurais adquiridos de produtos rurais pessoas físicas, e NÃO houve recolhimentos da empresa referente a Contribuição Previdenciária substituta, que deveriam ter sidas custeadas pela empresa, e nem mesmo houve a declaração em GFIP desta obrigação. Intimada, a empresa apresentou manifestação, na qual alegou que nada teria sido recolhido a título de contribuição previdenciária substituta porque ela estaria amparada por decisão judicial, que ocorreram recolhimentos de contribuições previdenciárias no período em tela e que o prazo decadencial seria contado de acordo com o art. 150, § 4º, do CTN. Sem contrarrazões ou manifestação pela PGFN. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci Relator 1 Conhecimento O recurso voluntário é tempestivo e estão presentes os demais requisitos de admissibilidade, devendo, portanto, ser conhecido. A propósito, as teses suscitadas no recurso voluntário são diferentes da tese ventilada na ação judicial. Isto é, a ação judicial não tem o mesmo objeto da insurgência recursal, que, nessa toada, deve ser conhecida e julgada por este Conselho. Fl. 879DF CARF MF 10 2 Das questões preliminares 2.1 DA DECADÊNCIA A recorrente pleiteia a extinção da exigibilidade, pela decadência, das contribuições correspondentes aos fatos geradores ocorridos entre janeiro e novembro de 2006. Pois bem. Em 2008, o Supremo Tribunal Federal editou a Súmula Vinculante nº 08, segundo a qual são inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do DecretoLei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário, prevalecendo, quanto ao prazo de constituição, aquele previsto no Código Tributário Nacional, em seus arts. 150 ou 173. Como sabido, súmula de tal natureza tem efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, ex vi do art. 103A da Constituição Federal. O RICARF, em seu art. 62, § 1º, inc. II, alínea a, combinado com o seu art. 45, inc. VI, claramente obriga o conselheiro a observar o enunciado de súmula vinculante. Em sendo assim, não há dúvidas de que o prazo de constituição do crédito tributário é de cinco anos, e não de dez anos. Resta aferir, pois, se o lustro deve ser contado na forma do art. 150, § 4º, ou na forma do art. 173, inc. I. Nesse quadro, observase que o critério de determinação da regra decadencial é, basicamente, a constatação acerca da existência de pagamento antecipado do tributo, ainda que parcial, mesmo que não tenha sido incluída na sua base de cálculo a rubrica ou o levantamento específico apurado pela fiscalização. Se o sujeito passivo antecipa o montante, mesmo que em valor inferior ao efetivamente devido, o prazo para a autoridade administrativa manifestar se concorda ou não com o recolhimento tem início; em não havendo concordância, deve haver lançamento de ofício no prazo determinado pelo art. 150, § 4º, salvo a existência de dolo, fraude ou simulação, casos em que se aplica o art. 173, inc. I. Expirado o prazo, considerase realizada tacitamente a homologação pelo Fisco, de maneira que essa homologação tácita tem natureza decadencial. Especificamente quanto às contribuições devidas à seguridade social, deve ser citado o verbete sumular abaixo reproduzido: Súmula CARF nº 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Fl. 880DF CARF MF Processo nº 19515.721897/201106 Acórdão n.º 2402006.186 S2C4T2 Fl. 7 11 Sobreleva ressaltar, ainda, o entendimento do colendo Superior Tribunal de Justiça, em sede de recurso representativo de controvérsia: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs.. 163/210). 3. O dies a quo do prazo quinquenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs.. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs.. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs.. 183/199). Fl. 881DF CARF MF 12 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial quinquenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 973.733/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009) (destacouse) Neste caso concreto, lembrese que o julgamento do recurso voluntário foi convertido em diligência exatamente para se apurar se houve o recolhimento antecipado do tributo, ainda que parcial, nas competências janeiro a novembro de 2006. Em cumprimento à aludida resolução, a autoridade fiscal informou que houve o recolhimento das contribuições incidentes sobre a folha e sobre as aquisições de produtores rurais pessoa física (Funrural pessoa física), mas não recolhimentos, nem mesmo parciais, das contribuições substitutivas devidas pelo produtor rural pessoa jurídica. Realmente, e diante da ação proposta pelo sujeito passivo, faz todo o sentido que ele não tenha efetuado qualquer recolhimento, mormente porque ele estava ao abrigo de decisão judicial. Todavia, a inexistência de pagamento parcial das contribuições ora lançadas impede a aplicação da Súmula CARF 99, que é atinente ao "fato gerador a que se referir a autuação", havendo clara e indubitável distinção entre os fatos geradores das contribuições recolhidas e o fato gerador das contribuições constituídas neste PAF. Por outro lado, a falta de recolhimento antecipado das contribuições substitutivas afasta a aplicabilidade do art. 150, § 4º. Esse dispositivo, como já afirmado, cuida da homologação tácita do recolhimento antecipado pelo transcurso do tempo, homologação esta de natureza decadencial. Inexistindo o recolhimento antecipado do tributo correspondente ao específico fato gerador exigido pela fiscalização, entendese, salvo melhor juízo, que não há recolhimento a ser homologado pelo fisco e, consequentemente, deve ser aplicada a regra geral prevista no art. 173, inc. I. Nesses termos, deve ser rejeitada a preliminar de decadência. 2.2 DOS EFEITOS DO MANDADO DE SEGURANÇA A recorrente assevera que as decisões judiciais proferidas em seu favor no Mandado de Segurança tem o efeito de suspender (impedir) a exigibilidade e/ou incidência das contribuições previdenciárias patronal, GILRAT e destinada ao SENAR, objeto dos Autos de Fl. 882DF CARF MF Processo nº 19515.721897/201106 Acórdão n.º 2402006.186 S2C4T2 Fl. 8 13 Infração (DEBCADs) 37.202.2030, 37.202.2154 e 37.202.2162, assim como da multa objeto do Auto de Infração 37.202.2022, por descumprimento de obrigação acessória. Conforme se observa à fl. 282, item 4, o presente lançamento é preventivo da decadência, tendo em vista que, nos dizeres da acusação fiscal, foi prolatada sentença em favor da empresa, que suspendeu o recolhimento das contribuições previstas no art. 25 da Lei 8870/1994, autos nº 1999.71.00.0212805. A propósito, (i) como os lançamentos foram efetuados sob a égide da Lei 10256/2001; (ii) como os fatos geradores também ocorreram na vigência do citado diploma normativo; e (iii) como a própria autoridade fiscal afirmou ser o lançamento preventivo da decadência, equivocouse a decisão recorrida ao concluir que as contribuições lançadas não se encontrariam abrangidas pela ação judicial. Não é possível fazer tal digressão para obstar os efeitos da ação judicial, pois isso equivaleria a alterar o lançamento efetuado pela autoridade fiscal, que de forma textual asseverou que estava efetuando o lançamento com o "objetivo de se evitar eventual ocorrência do período decadencial". É evidente que se o Poder Judiciário decidir pela constitucionalidade das exações, após as alterações introduzidas pela Lei 10256/01, deverá prevalecer o comando judicial. Mas não se poderá negar os efeitos do lançamento preventivo da decadência quanto à multa de ofício (conforme se verá no mérito), sob pena de se admitir que os órgãos de julgamento tem o poder de alterar a constituição do crédito tributário. De toda forma, este colegiado tem o entendimento uníssono de que a suspensão da exigibilidade do crédito tributário não obsta o lançamento preventivo da decadência. Vejase: LANÇAMENTO PREVENTIVO DA DECADÊNCIA. POSSIBILIDADE. 1. A suspensão da exigibilidade do crédito tributário não obsta o lançamento preventivo da decadência. 2. A administração, embora não possa praticar qualquer outro ato visando à cobrança do seu crédito, tais como inscrição em dívida ativa, execução, penhora, etc, deve proceder ao lançamento, para evitar o transcurso do prazo decadencial. 3. Precedentes do CARF e do STJ. [...] (Acórdão 2402005.437, Recurso Voluntário, Rel. João Victor Ribeiro Aldinucci, data da sessão 16/08/2016) É sabido que a decadência não se interrompe, nem se suspende, de maneira que, na pendência da suspensão da exigibilidade do crédito, o Fisco deve realizar o lançamento preventivo. Fl. 883DF CARF MF 14 A existência de tal ato ou procedimento está prevista, inclusive, no art. 63 da Lei 9.430/1996, cuja redação é a seguinte: Art. 63. Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, não caberá lançamento de multa de ofício. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) Desta forma, a administração, embora não possa praticar qualquer outro ato visando à cobrança do seu crédito, tais como inscrição em dívida ativa, execução, penhora, etc, deve proceder ao lançamento para evitar o transcurso do prazo decadencial. Outro não é o entendimento da doutrina: Assim, promovida a ação declaratória ou impetrado o mandado de segurança, pode e deve a Fazenda Pública fazer o lançamento respectivo. Seus agentes fiscais obterão junto ao contribuinte os elementos materiais necessários à quantificação do tributo, cuja cobrança será feita a final, se a decisão lhe for favorável. (HUGO DE BRITO MACHADO, Revista de Direito Tributário, 68, p. 48) A suspensão regulada pelo artigo 151 do Código Tributário Nacional paralisa temporariamente o exercício efetivo do poder de execução, mas não suspende a prática do próprio ato administrativo de lançamento, decorrente de atividade vinculada e obrigatória, nos termos do artigo 142 do mesmo Código, e necessária para evitar a decadência do poder de lançar. (ALBERTO XAVIER, Do lançamento – Teoria Geral do Ato, do Procedimento e do Processo Tributário, 2ª ed, p. 428) A Primeira e a Segunda Turma do C. STJ têm o mesmo entendimento: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. SÚMULA 284/STF. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO ANTECIPADO. PRAZO DECADENCIAL. ART. 150, § 4º, DO CTN. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. LANÇAMENTO. AUSÊNCIA DE ÓBICE. DECADÊNCIA CONFIGURADA. [...] 3. A suspensão da exigibilidade do crédito, apesar de impedir o Fisco de praticar qualquer ato contra o contribuinte visando à cobrança de seu crédito, não impossibilita a Fazenda de proceder à regular constituição do crédito tributário para prevenir a decadência do direito. Precedentes: REsp 1129450/SP, Rel. Min. Castro Meira, Segunda Turma, DJe de 28.2.2011; AgRg no REsp 1183538/RJ, Rel. Min. Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe de 24.8.2010; REsp 1168226/AL, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe de 25.5.2010. [...] Fl. 884DF CARF MF Processo nº 19515.721897/201106 Acórdão n.º 2402006.186 S2C4T2 Fl. 9 15 (REsp 1259346/SE, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 06/12/2011, DJe 13/12/2011) .... RECURSO ESPECIAL. TRIBUTÁRIO. ART. 151 DO CTN. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE DE O FISCO REALIZAR ATOS TENDENTES À SUA COBRANÇA, MAS NÃO DE PROMOVER SEU LANÇAMENTO. ERESP 572.603/PR. RECURSO DESPROVIDO. 1. O art. 151, IV, do CTN, determina que o crédito tributário terá sua exigibilidade suspensa havendo a concessão de medida liminar em mandado de segurança. Assim, o Fisco fica impedido de realizar atos tendentes à sua cobrança, tais como inscrevêlo em dívida ativa ou ajuizar execução fiscal, mas não lhe é vedado promover o lançamento desse crédito. 2. A Primeira Seção deste Superior Tribunal de Justiça, dirimindo a divergência existente entre as duas Turmas de Direito Público, manifestouse no sentido da possibilidade de a Fazenda Pública realizar o lançamento do crédito tributário, mesmo quando verificada uma das hipóteses previstas no citado art. 151 do CTN. Na ocasião do julgamento dos EREsp 572.603/PR, entendeuse que "a suspensão da exigibilidade do crédito tributário impede a Administração de praticar qualquer ato contra o contribuinte visando à cobrança do seu crédito, tais como inscrição em dívida, execução e penhora, mas não impossibilita a Fazenda de proceder à sua regular constituição para prevenir a decadência do direito de lançar" (Rel. Min. Castro Meira, DJ de 5.9.2005). [...] (REsp 736.040/RS, Rel. Ministra DENISE ARRUDA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 15/05/2007, DJ 11/06/2007, p. 268) A existência do lançamento efetuado para prevenir a decadência está prevista na Súmula CARF nº 17: Súmula CARF n° 17: Não cabe a exigência de multa de ofício nos lançamentos efetuados para prevenir a decadência, quando a exigibilidade estiver suspensa na forma dos incisos IV ou V do art. 151 do CTN e a suspensão do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo. Logo, é cabível o presente lançamento, negandose provimento ao recurso nesse ponto. Quanto à aplicação da multa de ofício e à multa por descumprimento de obrigação acessória, elas serão apreciadas no mérito, muito embora a recorrente as tenha questionado em razões preliminares. Fl. 885DF CARF MF 16 3 Mérito 3.1 DA RECEITA RELATIVA À PRODUÇÃO RECEBIDA DE TERCEIROS A contribuinte defende a não incidência de contribuições sobre a receita de venda de produtos adquiridos de terceiros (outros produtores). Pois bem. Vale lembrar que as contribuições devidas pelo produtor rural pessoa jurídica têm como base de cálculo apenas a "receita bruta proveniente da comercialização de sua produção" ou a "receita bruta proveniente da venda de mercadorias de produção própria", na dicção literal dos incs. I e II do art. 25 da Lei 8.870/1994, e também do seu § 1º. Art. 25. A contribuição devida à seguridade social pelo empregador, pessoa jurídica, que se dedique à produção rural, em substituição à prevista nos incisos I e II do art. 22 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991,passa a ser a seguinte: (Redação dada pela Lei nº 10.256, de 9.7.2001) I dois e meio por cento da receita bruta proveniente da comercialização de sua produção; II um décimo por cento da receita bruta proveniente da comercialização de sua produção, para o financiamento da complementação das prestações por acidente de trabalho. § 1º O disposto no inciso I do art. 3º da Lei nº 8.315, de 23 de dezembro de 1991, não se aplica ao empregador de que trata este artigo, que contribuirá com o adicional de zero vírgula vinte e cinco por cento da receita bruta proveniente da venda de mercadorias de produção própria, destinado ao Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR). (Redação dada pela Lei nº 10.256, de 9.7.2001) Isto é, as contribuições controvertidas não podem, de conformidade com os dispositivos instituidores, incidir sobre a produção adquirida de terceiros. Exemplificativamente, vejase que o § 21 do art. 201 do Regulamento da Previdência Social preleciona que, nas operações relativas à prestação de serviços a terceiros, a pessoa jurídica continuará contribuindo sobre o total das remunerações, a exigir que o fiscal identifique, de forma indene de dúvidas, os fatos geradores, as bases de cálculo e os sujeitos passivos. A despeito disso, o ilustre agente autuante incluiu a receita de produção não própria ("vendas de frutas adquiridas de terceiros") na base de cálculo das contribuições, arvorandose nos seguintes argumentos: As vendas de frutas adquiridas de terceiros classificadas pela empresa, foram desconsideradas como tal, e consideradas como vendas de produtos rurais próprio, pelos motivos abaixo relacionado: a) A Agropecuária Schio faz parte do processo de produção rural dos pequenos produtores, onde ela acompanha desde o preparo, plantio (formação de pomares), controle de pragas, Fl. 886DF CARF MF Processo nº 19515.721897/201106 Acórdão n.º 2402006.186 S2C4T2 Fl. 10 17 colheita, etc, com seus técnicos dando todo o suporte necessário sem custos para estes e determina e fornece os defensivos e fertilizantes que serão aplicados, e serão pagos após a venda das frutas sem juros pelo valor de custo (valor de aquisição da época da compra); b) Quando recebe os frutos de origem de pomares de terceiros, são enviados para a unidade de beneficiamento, onde é feita uma préclassificação e armazenado em câmaras refrigeradas com sistema de atmosfera dinâmica (câmara com baixo oxigênio e isenta de etileno). c) Na época da venda dos produtos, os frutos são retirados das câmaras refrigeradas, voltando para o beneficiamento, onde são lavados e feito um tratamento para descontaminação e limpeza e após são embalados em caixas de papelão de 18 kg ou em sacos plásticos lacrados de 1 kg. d) No processo de beneficiamento, muitas vezes os produtos de origem de pomares de terceiros, são misturados com os de pomares próprios, assim, sendo quase impossível de indicar quais os frutos são de origem de pomares próprios ou de terceiros, gerando assim o produto final para venda, onde todos os frutos (próprios e de terceiros) passaram por um processo para obtenção do produto rural a ser vendido. e) A Schio quando recebe estas frutas in natura, ela agrega valores com o beneficiamento (selecionamento, lavagem, descontaminação e armazenamento especial) e com a industrialização rudimentar (embalagens), assim todos os frutos recebidos passaram pelo processo da produção rural da empresa, juntamente com os de seus pomares, formando a produção rural da empresa. f) As fases da colheita do fruto in natura, o beneficiamento e a industrialização rudimentar, fazem parte do processo da produção rural, conforme o Art. 240 inciso II da IN 03/2005 "II produção rural, os produtos de origem animal ou vegetal, em estado natural ou submetido a processos de beneficiamento ou de industrialização rudimentar, bem como os subprodutos e os resíduos obtidos por esses processos". Das assertivas acima, destacase aquela constante do item "d", segundo a qual seria "quase impossível de indicar quais os frutos são de origem de pomares próprios ou de terceiros", demonstrando, sem sombra de dúvidas, que as contribuições lançadas incidiram sobre valores que não poderiam compor a sua base de cálculo e que o agente fiscal não empreendeu maiores esforços para identificar a efetiva receita bruta proveniente da comercialização de produção própria. Ora, examinandose os autos e o próprio relatório fiscal, observase que a recorrente classificou, separadamente, as receitas provenientes da comercialização de produção própria da receita proveniente da comercialização de frutas adquiridas de terceiros, sendo elucidativo transcrever os seguintes trechos do relatório fiscal com destaques : Fl. 887DF CARF MF 18 Para o calculo da contribuição previdenciária sobre a venda da produção rural, foi considerada o total das receitas de vendas de produtos rurais para o mercado interno, extraídos dos razões contábeis. [...] As vendas de frutas adquiridas de terceiros classificadas pela empresa, foram desconsideradas como tal, e consideradas como vendas de produtos rurais próprio, pelos motivos abaixo relacionado: (redação como no original) Vejase, ademais, que o sujeito passivo, atendendo à determinação fiscal de fl. 123, apresentou as planilhas de fls. 203 e 204, as quais retratam, respectivamente, as vendas de mercadorias adquiridas de produtores e as vendas de mercadorias de produção própria. A própria autoridade fiscal, aliás, afirmou à fl. 278, tópico B1, que a composição da receita da venda de produtos rurais no mercado interno foi extraída dos razões contábeis, demonstrados nas planilhas. Havendo demonstração adequadamente contabilizada, segundo se depreende da própria acusação fiscal, de venda de produtos adquiridos de terceiros, entendese que deve ser decotado do lançamento a receita bruta dela advinda, mantendose apenas a receita oriunda da produção própria, nos termos da legislação de regência. Não se concorda, portanto, com as assertivas constantes dos itens "a" a "f" do relatório fiscal, fl. 278, mormente porque se entende que elas não são hábeis a desacreditar as planilhas e a contabilização levada a cabo pela recorrente. Nessa toada, deve ser dado provimento ao recurso voluntário nesse tocante, para excluir do lançamento a receita bruta proveniente da venda de produtos adquiridos de terceiros, constante da planilha de fl. 203. 3.2 DA INAPLICABILIDADE DA MULTA DE OFÍCIO, DA MULTA DE MORA E DO AUTO DE INFRAÇÃO 37.202.2022 Como dito no tópico 2.3, o presente lançamento é meramente preventivo da decadência, tendo em vista que, nos dizeres da acusação fiscal, foi prolatada sentença em favor da empresa, que suspendeu o recolhimento das contribuições, autos nº 1999.71.00.0212805. Conforme preceitua a Súmula CARF nº 17 e o art. 63 da Lei 9.430/1996, não cabe a exigência de multa de ofício na hipótese, devendo ser dado provimento ao recurso, para cancelar as multas de ofício aplicadas nos Autos de Infração DEBCAD nºs 37.202.2030 e 37.202.2154. Quanto ao Auto de Infração DEBCAD nº 37.202.2022, que abriga o lançamento da multa de ofício por descumprimento de obrigação acessória, salientese que a recorrente não estava obrigada a informar em GFIP os fatos geradores que entendeu não terem ocorrido, mormente porque ela estava sob o abrigo de decisão judicial que entendeu pela inconstitucionalidade das contribuições. Ademais, e como bem frisado pela recorrente, o Manual GFIP/SEFIP 8.0, vigente até outubro de 2008, expressamente previa que a GFIP/SEFIP teria natureza de Fl. 888DF CARF MF Processo nº 19515.721897/201106 Acórdão n.º 2402006.186 S2C4T2 Fl. 11 19 confissão de dívida e que o empregador que decidisse discutir judicialmente alguma obrigação deveria informar apenas os valores que entenderia devidos. Salientese que o item 7 do Manual GFIP/SEFIP 8.4, aprovado pela Instrução Normativa RFB nº 880, de 16/10/2008, não é aplicável ao caso vertente, pois a hipótese por ele regulada é relativa à discussão judicial na qual não tenha sido concedida tutela suspendendo a exigibilidade do crédito discutido. Vejase: 7 – INFORMAÇÃO DE OBRIGAÇÕES DISCUTIDAS JUDICIALMENTE Caso o empregador/contribuinte decida discutir judicialmente alguma obrigação, deve informar a GFIP/SEFIP normalmente de acordo com a legislação. Não deve elaborar a GFIP/SEFIP de acordo com o que entende ser devido. Caso a decisão judicial altere a obrigação, o empregador/contribuinte deverá retificar as GFIP/SEFIP de acordo com a sentença, sendo passível de autuação a falta de correção após a referida decisão. O referido procedimento aplicase também às contribuições destinadas a outras entidades e fundos, arrecadadas pela RFB. Logo, entendese que devem ser canceladas as multas de ofício e o Auto de Infração DEBCAD nº 37.202.2022. Portanto, equivocouse a DRJ ao negar os efeitos das decisões proferidas na ação judicial, sobretudo porque a própria autoridade fiscal foi expressa e textual no sentido de ter efetuado o lançamento para evitar o transcurso do prazo decadencial. De outro vértice, o contribuinte não tem melhor sorte quanto à multa de mora. Consoante já decidido pelo colendo Superior Tribunal de Justiça, "o art. 63, caput e § 2º, da Lei 9.430/96 afasta tão somente a incidência de multa de ofício no lançamento tributário destinado a prevenir a decadência na hipótese em que o crédito tributário estiver com sua exigibilidade suspensa por força de medida liminar concedida em mandado de segurança ou em outra ação ou de tutela antecipada"1. Isto é, a lei veda a incidência da multa de ofício, mas não da multa de mora, o mesmo se podendo afirmar em relação à Súmula CARF nº 17. Eis o entendimento deste Colegiado a respeito da matéria: LANÇAMENTO PREVENTIVO DA DECADÊNCIA. POSSIBILIDADE. MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. 1. A suspensão da exigibilidade do crédito tributário não obsta o lançamento preventivo da decadência. 1 EREsp 839.962/MG, Rel. Ministro ARNALDO ESTEVES LIMA, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 27/02/2013, DJe 24/04/2013 Fl. 889DF CARF MF 20 2. A administração, embora não possa praticar qualquer outro ato visando à cobrança do seu crédito, tais como inscrição em dívida ativa, execução, penhora, etc, deve proceder ao lançamento, para evitar o transcurso do prazo decadencial. 3. É cabível a inclusão de multa de mora nos lançamentos preventivos da decadência, observandose o disposto no § 2º do art. 63 da Lei 9.430/1996. 4. Precedentes do CARF e do STJ. [...] (CARF, acórdão 2402005.441, julgado em 16/08/2016, por unanimidade, relator João Victor Ribeiro Aldinucci) Em síntese, devem ser canceladas as multas de ofício e o Auto de Infração DEBCAD nº 37.202.2022, mas deve ser mantida a multa de mora. 4 Conclusão Diante do exposto, votase no sentido de conhecer do recurso voluntário, para rejeitar as preliminares e darlhe parcial provimento, a fim de (i) excluir do lançamento a receita bruta proveniente da venda de produtos adquiridos de terceiros, constante da planilha de fl. 203; e (ii) cancelar as multas de ofício e o Auto de Infração DEBCAD nº 37.202.2022. (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Voto Vencedor Conselheiro Luís Henrique Dias Lima Redator Designado. Não obstante o bem elaborado voto do i. Relator, dele divirjo em dois pontos específicos: cancelamento das multas de ofício por falta de declaração de fatos geradores em GFIP (AI DEBCAD n. 37.202.2022) e exclusão da receita bruta proveniente da venda de produtos tidos por adquiridos de terceiros da autuação. Muito bem. No que diz respeito ao lançamento da multa de ofício por descumprimento de obrigação acessória, consignada no Auto de Infração (AI) DEBCAD n. 37.202.2022, preliminarmente cabem as seguintes considerações: i) o lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação (principal ou acessória) e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou alterada, nos termos do art. 144 do CTN. ii) o período de apuração relativo ao lançamento da multa de ofício em litígio (AI DEBCAD n. 37.202.2022) compreende as competências 01/2006 a 12/2008. iii) até a competência 10/2008, os procedimentos de informação em GFIP de qualquer obrigação tributária de natureza previdenciária em discussão judicial eram aqueles disciplinados no Manual GFIP/SEFIP 8.0 aprovado pela Instrução Normativa MPS/SRP n. Fl. 890DF CARF MF Processo nº 19515.721897/201106 Acórdão n.º 2402006.186 S2C4T2 Fl. 12 21 09/2005, com as alterações promovidas pela Instrução Normativa SRP n. 11/2006 e pela Instrução Normativa SRP n. 19/2006. iv) a partir da competência 11/2008, os referidos procedimentos passaram a ser disciplinados pelo Manual GFIP/SEFIP 8.4 aprovado pela Instrução Normativa RFB n. 880, de 16 de outubro de 2008 DOU de 17/10/2008. v) a Recorrente questionou a exigibilidade das contribuições de que trata o art. 25, incisos I e II e § 1º da Lei 8.870/94, mediante o Mandado de Segurança n. 1999.71.00.0212805. Nesse contexto, é oportuno resgatar que o Manual GFIP/SEFIP 8.0, em seu item 7 (fl. 115), estabelecia que: a) A GFIP/SEFIP tem natureza de confissão de dívida e que o empregador/contribuinte, ao prestar as informações, manifesta a sua concordância com a legitimidade das obrigações declaradas. b) Caso o empregador/contribuinte decida discutir judicialmente alguma obrigação, deve informar a GFIP/SEFIP de acordo com o que entende devido. c) Caso a decisão judicial seja denegatória, o empregador/contribuinte deverá retificar as GFIP/SEFIP informadas de acordo com o pedido judicial, sendo passível de autuação a falta de correção após a referida decisão. d) O referido procedimento aplicase também às contribuições destinadas a outras entidades e fundos, arrecadadas pela Previdência Social. Ocorre que, consoante já informado, os procedimentos acima foram revogados a partir da competência 11/2008, inclusive, com o advento da Instrução Normativa RFB n. 880, de 16 de outubro de 2008, que aprovou o Manual GFIP/SEFIP 8.4, passando a valer , a partir de 22/11/2008, a seguinte regra (item 7 (fl. 125): Caso o empregador/contribuinte decida discutir judicialmente alguma obrigação, deve informar a GFIP/SEFIP normalmente de acordo com a legislação. Não deve elaborar a GFIP/SEFIP de acordo com o que entende ser devido. Caso a decisão judicial altere a obrigação, o empregador/contribuinte deverá retificar as GFIP/SEFIP de acordo com a sentença, sendo passível de autuação a falta de correção após a referida decisão. O referido procedimento aplicase também às contribuições destinadas a outras entidades e fundos, arrecadadas pela RFB. (grifei) É dizer, os procedimentos em apreço sofreram significativa alteração a partir da competência 11/2008, inclusive, após a aprovação do Manual GFIP/SEFIP 8.4 pela IN RFB n. 880/2008, vez que a decisão judicial proferida em caráter liminar, ou que antecipe os efeitos da tutela, suspende a exigibilidade do crédito tributário relativo às contribuições previdenciárias e às devidas a terceiros, mas não dispensa o sujeito passivo da obrigação de informar, no campo próprio da Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP), os valores das contribuições cuja exigibilidade foi suspensa. Ausentes tais informações, e não cabível a retificação da GFIP em virtude de perda de espontaneidade (art. Fl. 891DF CARF MF 22 138 do CTN), deverá a Fiscalização proceder ao lançamento de multa de ofício sob código de fundamento legal 68. Nesse sentido, a Solução de Consulta n. 279 Cosit, de 02/06/2017, conforme entendimento sumarizado na ementa a seguir: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS GUIA DE RECOLHIMENTO DO FGTS E INFORMAÇÕES À PREVIDÊNCIA SOCIAL (GFIP). OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. CUMPRIMENTO NA VIGÊNCIA DE DECISÃO JUDICIAL QUE SUSPENDE A OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. Decisão judicial proferida em caráter liminar que suspende a exigibilidade do crédito tributário relativo a contribuições previdenciárias ou contribuições devidas a terceiros não dispensa o sujeito passivo da obrigação de informar, no campo próprio da Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (Gfip), os valores das contribuições cuja exigibilidade foi suspensa. Dispositivos Legais: Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), art. 113, §§ 2º e 3º, e art. 175, parágrafo único; Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, art. 32, inciso IV; Instrução Normativa RFB nº 971, de 2009, art. 47, inciso VIII; Instrução Normativa RFB nº 880, de 2008, que aprova o Manual da Gfip, Capítulo IV, item 7. Todavia, considerando a abrangência do período de apuração em lide (01/01/2006 a 31/12/2008), impõese a modulação dos efeitos da aplicação dos procedimentos vinculados aos manuais vigentes nas diferentes competências abrangidas no referido período de apuração. Nesse contexto, os procedimentos previstos no Manual GFIP/SEFIP 8.0 item 7 (fl. 115) aplicamse às competências contemporâneas à sua vigência, ou seja, até 10/2008. A partir da competência 11/2008, inclusive, devem ser observados os procedimentos estabelecidos no Manual GFIP/SEFIP 8.4 item 7 (fl. 125), ex vi art. 1°., § 1°., da IN RFB n. 880/2008. Desta forma, impõese o cancelamento da multa por falta de declaração de fatos geradores em GFIP, abrigada no lançamento consignado no AI DEBCAD n. 37.202.202 2, até a competência 10/2008, inclusive. Concluise então que a decisão recorrida merece reparo neste aspecto, vez que acolheu o lançamento em lide em todo o período de apuração (01/2006 a 12/2008). Por sua vez, com relação à exclusão da receita bruta proveniente da venda de produtos de terceiros, é relevante destacar que as circunstâncias fáticas identificadas pela Fiscalização e enumeradas na efl. 278 do Relatório Fiscal são suficientes para respaldar o lançamento em lide, conforme se destaca, verbis: As vendas de frutas adquiridas de terceiros classificadas pela empresa, foram desconsideradas como tal, e consideradas como vendas de produtos rurais próprio, pelos motivos abaixo relacionado: a) A Agropecuária Schio faz parte do processo de produção rural dos pequenos produtores, onde ela acompanha desde o preparo, plantio (formação de pomares), controle de pragas, colheita, etc, com seus técnicos dando todo o suporte necessário sem custos para estes e determina e fornece os defensivos e fertilizantes que serão Fl. 892DF CARF MF Processo nº 19515.721897/201106 Acórdão n.º 2402006.186 S2C4T2 Fl. 13 23 aplicados, e serão pagos após a venda das frutas sem juros pelo valor de custo (valor de aquisição da época da compra); b) Quando recebe os frutos de origem de pomares de terceiros, são enviados para a unidade de beneficiamento, onde é feita uma préclassificação e armazenado em câmaras refrigeradas com sistema de atmosfera dinâmica (câmara com baixo oxigênio e isenta de etileno). c) Na época da venda dos produtos, os frutos são retirados das câmaras refrigeradas, voltando para o beneficiamento, onde são lavados e feito um tratamento para descontaminação e limpeza e após são embalados em caixas de papelão de 18 kg ou em sacos plásticos lacrados de 1 kg. d) No processo de beneficiamento, muitas vezes os produtos de origem de pomares de terceiros, são misturados com os de pomares próprios, assim, sendo quase impossível de indicar quais os frutos são de origem de pomares próprios ou de terceiros, gerando assim o produto final para venda, onde todos os frutos (próprios e de terceiros) passaram por um processo para obtenção do produto rural a ser vendido. e) A Schio quando recebe estas frutas in natura, ela agrega valores com o beneficiamento (selecionamento, lavagem, descontaminação e armazenamento especial) e com a industrialização rudimentar (embalagens), assim todos os frutos recebidos passaram pelo processo da produção rural da empresa, juntamente com os de seus pomares, formando a produção rural da empresa. f) As fases da colheita do fruto in natura, o beneficiamento e a industrialização rudimentar, fazem parte do processo da produção rural, conforme o Art. 240 inciso II da IN 03/2005 "II produção rural, os produtos de origem animal ou vegetal, em estado natural ou submetido a processos de beneficiamento ou de industrialização rudimentar, bem como os subprodutos e os resíduos obtidos por esses processos". Com efeito, devese proceder à leitura do art. 25, I e II, e § 1°, da Lei n. 8.870/1994 de forma sistêmica com o disposto no art. 240, II, da Instrução Normativa n. 03/2005, vigente à época dos fatos, observandose, inclusive, as circunstâncias específicas de cada caso concreto para a definição do que seja produção própria e produção de terceiros. No caso em tela, a Fiscalização caracteriza de forma bastante elucidativa a confusão do processo de produção dos frutos da Recorrente com aqueles teoricamente produzidos por terceiros produtores, conforme denunciado nas alíneas "a" a "f", supra referidas, restando constatado que, na verdade, os produtos atribuídos a terceiros estão submetidos, desde o início do ciclo produtivo, à total ingerência da Recorrente, que controla todo o processo produtivo, inclusive com fornecimento de insumos e tecnologia, necessários à produção dos frutos que adquire, restando plenamente caracterizado o disposto no art. 240, II, da Instrução Normativa n. 03/2005, vigente à época dos fatos. É dizer, no caso concreto, os terceiros produtores, não vendem a sua produção à Recorrente na forma estrita do conceito desse instituto, mas sim funcionam como verdadeiros longa manus do processo produtivo daquela, e é nessa condição que são remunerados. Fl. 893DF CARF MF 24 Assim, na receita bruta da Recorrente na comercialização de produtos agrícolas (frutas) não se caracteriza receita proveniente da venda de produtos tidos por adquiridos de terceiros. É relevante destacar que a mera existência na contabilidade da Recorrente de classificação em separado das receitas provenientes da comercialização de produção própria daquelas provenientes da comercialização de frutas adquiridas de terceiros, não atrai, necessariamente, a incidência do art. 25, I e II, e § 1°, da Lei n. 8.870/1994, para fins de definição de receita decorrente de produção própria ou da venda de produtos de terceiros, vez que, no caso concreto, tal discriminação vinculase unicamente à apuração dos custos por unidade de produção (no caso, os diferentes pomares). Nessa perspectiva, não merece reparo a decisão recorrida. (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Fl. 894DF CARF MF
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Numero do processo: 15521.000290/2009-26
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 25 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006
DECLARAÇÃO DE EXTINÇÃO CRÉDITO EM RAZÃO DE PAGAMENTO. AUSÊNCIA DE COMPETÊNCIA.
Não estão entre as competências do CARF a análise de demandas relacionadas a extinção de parte do crédito tributário que não foi objeto de litígio.
ALIENAÇÃO DE IMÓVEIS. GANHO DE CAPITAL. CUSTO DE AQUISIÇÃO. BENFEITORIAS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO.
Podem integrar o custo de aquisição os dispêndios com a construção, ampliação, reforma e pequenas obras, no caso de bens imóveis, quando discriminados na Declaração de Ajuste Anual e comprovados com documentação hábil e idônea.
GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE BENS COMUNS. SOLIDARIEDADE.
O imposto relativo ao ganho de capital decorrente da alienação de bens adquiridos no âmbito da sociedade matrimonial pode ser lançado contra todos ou um dos cônjuge em razão da solidariedade.
RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. IMPOSTO DE RENDA. INCIDÊNCIA.
Os valores recebidos de pessoas jurídicas, em relação aos quais não se faça prova inconteste serem advindos do pagamento de lucros ou dividendos, estão sujeitos à incidência do imposto sobre a renda das pessoas físicas.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. LANÇAMENTO PROCEDENTE
Caracteriza omissão de rendimentos a constatação da existência de valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente.
Numero da decisão: 2402-006.091
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte do recurso para, na parte conhecida, negar-lhe provimento. Votou pelas conclusões o Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho, Presidente e Relator
Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Gregorio Rechmann Junior, Luis Henrique Dias Lima, e Renata Toratti Cassini.
Nome do relator: MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO
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AUSÊNCIA DE COMPETÊNCIA. Não estão entre as competências do CARF a análise de demandas relacionadas a extinção de parte do crédito tributário que não foi objeto de litígio. ALIENAÇÃO DE IMÓVEIS. GANHO DE CAPITAL. CUSTO DE AQUISIÇÃO. BENFEITORIAS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. Podem integrar o custo de aquisição os dispêndios com a construção, ampliação, reforma e pequenas obras, no caso de bens imóveis, quando discriminados na Declaração de Ajuste Anual e comprovados com documentação hábil e idônea. GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE BENS COMUNS. SOLIDARIEDADE. O imposto relativo ao ganho de capital decorrente da alienação de bens adquiridos no âmbito da sociedade matrimonial pode ser lançado contra todos ou um dos cônjuge em razão da solidariedade. RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. IMPOSTO DE RENDA. INCIDÊNCIA. Os valores recebidos de pessoas jurídicas, em relação aos quais não se faça prova inconteste serem advindos do pagamento de lucros ou dividendos, estão sujeitos à incidência do imposto sobre a renda das pessoas físicas. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. LANÇAMENTO PROCEDENTE Caracteriza omissão de rendimentos a constatação da existência de valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 52 1. 00 02 90 /2 00 9- 26 Fl. 488DF CARF MF 2 quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte do recurso para, na parte conhecida, negarlhe provimento. Votou pelas conclusões o Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho, Presidente e Relator Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Gregorio Rechmann Junior, Luis Henrique Dias Lima, e Renata Toratti Cassini. Fl. 489DF CARF MF Processo nº 15521.000290/200926 Acórdão n.º 2402006.091 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro I – DRJ/RJ1 (fls. 427/447), que julgou procedente em parte Auto de Infração de Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF (fls. 3/16), relativo aos anoscalendário 2004 e 2005 / exercícios 2005 e 2006, o qual resultou crédito tributário no valor de R$ 1.131.278,32, aí incluídos multa de ofício e juros moratórios. Por retratar as razões contidas no Auto de Infração e na impugnação, reproduzse trechos correspondentes do Acórdão 1253.353 da 20ª Turma da DRJ/RJ1: Auto de Infração Foram verificadas as seguintes infrações: Ganho de capital na alienação de imóveis em 27/01/04, 03/10/05 e 05/10/05, conforme DIRPFs e certidões dos cartórios R$ 7.150,00 (31/01/04) e R$ 295.469,24 (31/10/05) fl. 5; Omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, referentes às contascorrentes nos bancos do Brasil, Unibanco, Unicred e Bradesco R$ 422.507,00 (2004) e R$ 1.039.258,46 (2005) fls. 6/7; Omissão de rendimentos R$ 164.568,00 (2004) e R$ 62.048,58 (2005) fl. 8. As Declarações de Ajuste Anual constam às fls. 133/138 (2004) e 149/159 (2005). O Contribuinte foi intimado à apresentação de documentos, através dos termos às fls. 62/64, 71/80, 83/100, 111/122, 124/126, 128/129, relativos a seus rendimentos e deduções; a 6 imóveis adquiridos ou alienados, e suas benfeitorias (escrituras, comprovantes dos valores pagos ou recebidos, justificativas para a divergência entre valores, e ganho de capital); a veículos e bens móveis passíveis de registro; aos extratos bancários, seus depósitos e saídas (depositantes e favorecidos, origens e motivações); à aquisição, contratos/alterações/1ivros contábeis, e à distribuição de lucros e dividendos de participações societárias (Tomografia Macaé, Ultrasom Médico Macaé, Exames Radiológicos Irmãos Alexandre e Cinticedi Medicina Nuclear); e à disponibilidade de R$ 120.000,00 em espécie ao final de cada ano. Foram apresentados os seguintes esclarecimentos e documentos: Rendimentos e deduções (fls. 68, 140/148, 160/166); Extratos bancários (Banco do Brasil fls. 167/191, 213/238; Unicred –fls. 192/206, 239/250; Bradesco – fls. 207/212, 251/255; Unibanco – fls. 256/258); Depósitos bancários: anexa planilha (fls. 103/110) e comprovantes da distribuição de lucros da empresa Tomografia Macaé (cheques compensados fls. 267, 272/295), e de transferências entre contas de sua titularidade (fls. 259/266, 268/271). Alega ser certo que, pelo decurso do tempo, alguns depósitos não foram identificados (fl. 81) e que há dificuldade em obter informações dos bancos; Fl. 490DF CARF MF 4 Débitos bancários: alega que não há disposição legal que o obrigue a identificar os débitos em suas contas bancárias; Imóveis e benfeitorias: apresenta registros (R. dos Advogados, 28/301 fls. 296/297, R. Nicodemes de Souza Ribeiro, 421/403 – fl. 300) e escrituras (terreno Imboassica – fls. 298/299, terreno R. Cel. Olivier, 102 – fls. 301/302). Afirma que os valores de alienação são os constantes desses documentos, não lhe cabendo se posicionar quanto à avaliação fiscal referente ao ITBI. Alega que efetivamente foram realizadas as benfeitorias, esforçandose para levantar comprovantes (fl. 81); Empresa Tomografia Macaé: esclareceu que a aquisição de suas cotas se deu através do Instrumento Particular de Compra e Venda, de 17/06/05; que os pagamentos ao exsócio Aluízio dos Santos não foram efetivados, sendolhe dados cheques em garantia para negociação futura do adimplemento; e que a aquisição das cotas do exsócio Luiz da Penha se deu pelo valor escritural (fl. 81). Apresentados os livros Diário e Razão (fls. 303/379), solicitados através de MPF à empresa (fl. 132); Repasse de lucros e dividendos: houve erro material quanto ao anteriormente declarado, haja vista que, de fato, apenas houve a distribuição pela empresa Tomografia Macaé (fl. 81); Dinheiro em espécie: observa que o saldo ao final do ano de 2005 foi de R$ 18.000,00, e não R$ 120.000,00 constante da intimação, acrescentando que a prova de tal recurso decorre dos próprios rendimentos declarados. A partir dessas informações e documentos, a Fiscalização assim concluiu: O Contribuinte não comprovou os recebimentos decorrentes das alienações de imóveis, não podendo tais operações justificarem parte dos depósitos bancários. Ademais, os depósitos ocorridos nas mesmas datas das operações não foram identificados pelo Contribuinte como decorrentes destas últimas, inclusive por se tratarem de valores superiores; Os cheques emitidos pela empresa Tomografia Macaé foram confrontados com os lançamentos contábeis dos livros Razão, sendo considerados como distribuição de lucros aqueles emitidos em data anterior ou na mesma data do respectivo depósito de valor coincidente. Os cheques emitidos que não corresponderam aos lançamentos contábeis, por não terem sido emitidos em data anterior aos depósitos ou de valores diferentes, e que não encontraram respaldo nos rendimentos declarados em DIRPF, foram considerados omitidos, sendo identificados nas planilhas às fls. 39/57; Os demais depósitos não identificados pelo Contribuinte, para os quais não foram encontrados registros nos livros Razão (Distribuição de Lucros e contrapartida bancária), foram considerados rendimentos omissos decorrentes de depósitos com origem não comprovada, identificados nas planilhas às fls. 39/57; Apurados ganhos de capital referentes às alienações dos seguintes imóveis: a) Área de terra em copropriedade com Antonio Severino dos Santos, alienada em 27/01/04, do qual somente foi apresentada cópia de certidão de inteiro teor, que indicam o valor de aquisição de R$ 12.000,00 e de alienação de R$ 26.300,00 (fl. 298). Em razão do regime de comunhão parcial e do fato de sua esposa Claudia constar como sua dependente, o ganho de capital de R$ 7.150,00 foi apurado proporcionalmente à participação do casal no imóvel (50%); b) Apartamento 403 da R. Nicomedes de Souza Ribeiro, alienado em 03/10/05, cujo valor de aquisição e das benfeitorias declaradas nas DIRPFs nos Fl. 491DF CARF MF Processo nº 15521.000290/200926 Acórdão n.º 2402006.091 S2C4T2 Fl. 4 5 valores de R$ 55.000,00 (2004) e R$ 155.000,00 (2005) não foram comprovadas, limitandose o Contribuinte a afirmar a efetiva realização das benfeitorias e seus esforços para levantar documentos e informações. Valorou se assim o custo de aquisição em R$ 2.500,00, correspondente à metade do valor declarado na DIRPF (ano 2003) de parte do terreno onde foram construídos os imóveis, não sendo acatados os valores das benfeitorias (art. 17, I, a, da IN SRF nº 84/01). Tendo em vista o art. 22 da mesma IN, acerca da apuração do ganho de capital de um bem comum em relação ao bem como um todo, determinouse o ganho de R$ 177.500,00, resultante do valor de alienação de R$ 180.000,00 (certidão fl. 300) e do custo de aquisição; c) Apartamento 301 da Rua dos Advogados, 28, alienado em 05/10/05, pelo valor de R$ 300.000,00 (fl. 296). O custo de aquisição e as benfeitorias declaradas nos valores de R$ 60.000,00 (2004) e R$ 80.000,00 (2005), tal como no item anterior, não foram comprovados. Determinouse o custo de aquisição no valor de R$ 182.030,76, constante da DIRPF (2003), resultando no ganho de R$ 117.969,24. Impugnação Consta a ciência pessoal no Auto de Infração, em 18/12/09 (fl. 4), sendo a impugnação apresentada em 19/01/10 (fls. 383/393), acompanhada dos anexos I – planilhas de depósitos (fls. 394/401), comprovantes referentes ao ganho de capital (fls. 408/410), e livros fiscais (fls. 411/423). Preliminarmente, alega a nulidade do lançamento, motivada por irregularidades na constituição do crédito tributário e o cerceamento do direito de defesa, ao ter a Fiscalização procedido à glosa de todas as deduções declaradas (previdência oficial e privada, dependentes, instrução e médicas) e comprovadas durante a ação fiscal, sem a descrição do fato e a disposição legal infringida, em desobediência aos incs. III, IV e V do art. 10 do Decreto nº 70.235. Descreve tal glosa como resultante do lançamento do valor total das deduções de R$ 37.521,04 (ano 2004) e R$ 42.859,21 (ano 2005) como valores integrantes da base de cálculo para o levantamento do crédito tributário. Alega a constatação de outro erro correspondente às bases de cálculo consideradas pela Fiscalização nos valores de R$ 131.944,51 e R$ 129.792,74 sem a exclusão das deduções, já adicionadas à base de cálculo, resultando mais uma vez na tributação dos valores glosados. Quanto ao ganho de capital relativos ao apartamento 403 da R. Nicodemos de Souza Ribeiro, 421, bairro Costa do Sol, e ao apartamento 301, R. dos Advogados, 28, confirma as benfeitorias de construção realizadas nos lotes de nos 135 e 136 da R. 02 do Loteamento Costa do Sol, e em 1/16 do edifício na R. dos Advogados, dos quais era proprietário em construção solidária, em comunhão com sua esposa, conforme declarado em DIRPFs. Quanto ao apartamento 403, foi considerado como custo de aquisição o valor de aquisição dos lotes 135 e 136 de R$ 2.500,00; e quanto ao apartamento 301, o valor de R$ 182.030,76, correspondente ao valor do imóvel declarado em DIRPF para 31/12/03. Alega incabível admitir que tal critério possa encontrar amparo em nosso ordenamento jurídico, já que absolutamente primário e prejudicial ao autuado. Alega que a natureza do bem (apartamento) permite agregar elementos suficientes para compor o valor probatório das benfeitorias declaradas. Alega que, se o imóvel permaneceu em sua propriedade e se transformou de lote de terra para apartamento, é forçoso admitir que as benfeitorias foram realizadas Fl. 492DF CARF MF 6 agregando ao lote o seu valor; que se faz necessário que os fatos sejam apreciados à luz da experiência e convicção; que o ganho de capital não pode ter por base apenas o valor do terreno, sob pena de se tributar aquilo que apenas no sentir da autoridade autuante é renda, mas de fato não o é, na medida em que não representa aumento do potencial de consumo do contribuinte, pois verdadeiramente houve um dispêndio para a elevação do valor do imóvel (lote); que o ganho de R$ 177.500,00 não derivou de valorização por obras de infraestrutura do poder público ou das variações de mercado, mas sim de dispêndios do contribuinte integrantes do custo a teor do art. 17, I, a, da IN SRF nº 84/01; que igualar esse dispêndio a zero, excluindo as benfeitorias, seria permitir o locupletamento do poder público às expensas do contribuinte, afrontando o princípio da moralidade administrativa; que a existência do imóvel está provada, não somente pela natureza do bem vendido, como pelo Habitese (fls. 408). Cita doutrina. Em relação ao apartamento 301, valese dos argumentos acima, já que a propriedade correspondia a 1/16 de um edifício em construção que resultou em unidades prontas, que prova a justa agregação dos valores das benfeitorias. Alega que o pressuposto da continuidade das obras está materializado com as benfeitorias incorporadas e valoradas conforme cópia do Cronograma Financeiro das obras de ambos os apartamentos (fls. 409/410). Reproduz ementa de acórdão do Conselho de Contribuintes. Argumenta que as aquisições e alienações dos imóveis ocorreram na vigência do casamento em regime parcial de bens, fazendo meeira sua esposa Claudia. Assim, a comunhão deveria ser respeitada na apuração do ganho de capital (50% para cada cônjuge), o que não ocorreu, já que nenhum procedimento fiscal foi aberto em nome de Claudia. Impugna assim todos os lançamentos referentes ao ganho de capital. Quanto aos depósitos bancários, alega que, dentro de sua capacidade hipossuficiente, nunca se recusou a informar o que lhe era solicitado e a disponibilizar sua movimentação financeira, e que é compreensível que, sendo pessoa física e não possuindo escrituração, seja prejudicado pela dificuldade de reunir documentos, seja pelo desconhecimento de lei nova, seja pela ação destruidora do tempo. Alega ser humanamente impossível exigir que alguém se lembre de todos os valores movimentados, sendo que até as instituições financeiras não estavam estruturadas para adequar os lançamentos bancários de forma a retratar realmente a operação realizada (sucintos ou equivocados históricos). Alega que a verdade material dos fatos deu lugar e supremacia à presunção legal, que requer o acréscimo de outros elementos para que o lançamento possa ter certeza e credibilidade, tais como a demonstração de que os créditos bancários não justificados se traduziram em renda não oferecida à tributação e a existência de sinais exteriores de riqueza, exigindo o bom senso, a pesquisa, a conciliação de contas e o princípio da razoabilidade (proporcionalidade entre meios e fins), não podendo se fundamentar somente na impossibilidade da apresentação de justificativas. Ressalta toda a documentação apresentada, a disponibilidade em espécie de R$ 120.000,00 em dez/03 não contestada pela Fiscalização, a alienação de imóveis, e os lucros das empresas das quais é sócio, alegando que todos esses valores transitaram por suas contas e justificam a movimentação. Alega que a lei não ampara a tributação pura e simples dos depósitos, mesmo depois da Lei Complementar nº 105/01. Alega que os fatos demonstrados no Anexo I da impugnação, às fls. 394/401, justificam a origem de depósitos não decorrentes de omissão de receitas que merece revisão, destacando: Fl. 493DF CARF MF Processo nº 15521.000290/200926 Acórdão n.º 2402006.091 S2C4T2 Fl. 5 7 1. R$ 7.756,27 12/ 01/04 – Unicred – depósito em dinheiro: origem no cheque 850281, BB, c/c 25.4061, emitido pelo próprio Contribuinte e compensado em 12/01/04 (fl. 168); 2. Lucros Distribuídos declarados em DIRPFs e contabilizados pelas empresas (indicação dos itens), cujas cópias dos Livros Razão são anexadas (fls.411/423): 2004 Brasil Bradesco Unicred Tomografia Macaé 8, 15, 17, 18, 23 a 24, 34 a 37 1, 3, 6, 9 7 Ultra Som Médico Macaé 16 2 Exames Radiol. Irmãos Alexandre 20 5, 5 2005 Brasil Bradesco Unicred Tomografia Macaé 5, 14 a 16, 18 1, 2, 4 4 Ultra Som Médico Macaé 16 2 2, 3 Exames Radiol. Irmãos Alexandre 20 6 1 Alega que depósitos em dinheiro e créditos autorizados, decorrentes de saques e depósitos diversos e transferências entre contas do mesmo titular, não foram considerados como “hábeis e idôneos”, não foram considerados na conciliação, sendo indevidamente tributados, como demonstrado no Anexo I. Indica créditos estornados não considerados na conciliação da c/c nº 25.406 – BB: data histórico R$ especificação 05/01/04 dev ch depositado 350,00 (3x), 360,00 contido em depósito jan/04 10/11/05 dev ch depositado 800,00 contido em depósito dez/05 Alega que uma simples verificação nos extratos bastaria para concluir que muitos dos depósitos se deram apenas de passagem, configurando meros ingressos financeiros, não representativos de receita, na medida em que não foram incorporados ao patrimônio, bem como não decorrentes de remuneração de atividade econômica desenvolvida. Por fim, declara não impugnar os seguintes depósitos do Banco do Brasil, conforme Relação de Depósitos de Origem não Comprovada e Rendimentos Omitidos Recebidos de Pessoas Jurídicas elaborada pela Fiscalização às fls. 45/56 dos autos (fls. 46/57), optando por recolher o crédito tributário correspondente a R$ 18.172,96 (2004) e R$ 17.267,77 (2005), acrescidos de multa e juros: ano Itens 2004 3,5,11,12,16,17,21,22,26,27,36,37,41,42,46,47,49,50,54,57,61,62,64,68 2005 70,75,76,78,79,84,85,92,93,97,99,101,102,104,106,109,110,115,116,120,121,122 A DRJ/RJ1 considerou o lançamento procedente, conforme se depreende da ementa da decisão recorrida: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005, 2006 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Fl. 494DF CARF MF 8 Consolidase administrativamente o crédito tributário relativo à matéria não impugnada. GANHO DE CAPITAL. CUSTO DE AQUISIÇÃO. COMPROVAÇÃO. Podem integrar o custo de aquisição, os dispêndios com a construção, ampliação, reforma e pequenas obras, no caso de bens imóveis, quando comprovados com documentação hábil e idônea e discriminados na Declaração de Ajuste Anual. GANHO DE CAPITAL. BEM COMUM. SOLIDARIEDADE. No momento em que ocorreu o fato gerador do ganho de capital, sendo o bem comum ao casal e considerando a solidariedade prevista no CTN, é legal o lançamento do montante do imposto em face de apenas um dos cônjuges. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Tendo a Fiscalização apurado que o Contribuinte recebeu e não declarou rendimentos tributáveis, caracterizado está o ilícito tributário e justificado o lançamento de ofício sobre os valores subtraídos ao crivo da tributação. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A presunção legal de omissão de rendimentos, prevista no art. 42 da Lei nº 9.430/96, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. RENDIMENTOS RECEBIDOS. DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS. COMPROVAÇÃO. Para comprovação de que determinados rendimentos recebidos têm a natureza de lucros distribuídos por pessoa jurídica aos sócios, há que se provar não apenas a origem, mas também o efetivo recebimento dos recursos pela pessoa física. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Em sede de recurso voluntário, o contribuinte repisa argumentos trazidos na peça impugnatória, e acrescenta, em síntese o que segue: o crédito tributário relativo à parte não impugnada encontrase extinto pelo pagamento, conforme DARF anexos, sendo certo que o pagamento se deu em 19/01/2010 e que e tem direito de ver declarado extinto o crédito tributário da parte não litigiosa pelo pagamento, sendo descabida a Intimação para pagamento referente à parcela não impugnada; relativamente ao lançamento referente ao ganho de capital, o reconhecimento de erro na identificação do sujeito passivo em relação à proporcionalidade de 50% de bem comum, decorrente do regime de casamento, sobrepuja qualquer outra questão suscitada nos autos sobre tal tópico; a Fiscalização descumpriu norma procedimental do lançamento, inobservando a forma adequada de apuração do crédito tributário e Fl. 495DF CARF MF Processo nº 15521.000290/200926 Acórdão n.º 2402006.091 S2C4T2 Fl. 6 9 inquinando de nulidade o procedimento fiscal decorrente do Auto de Infração combatido, sobretudo porque o lançamento é ato vinculado obrigatório, nos termos dos artigos 3º e 142 do Código Tributário Nacional, não podendo prosperar caso desatendidos os métodos legais de apuração e exigência dos tributos, mormente no que respeita à quantificação do montante tributável e a identificação do sujeito passivo da obrigação; na base de cálculo há inserção de valores destinados a terceiros e equivocadamente imputados ao autuado; a falta de intimação e Lançamento destinados à outra possuidora dos bens alienados, impossibilitou o pleno exercício do direito de defesa. O comparecimento aos autos com apresentação da Impugnação não importa em suprimento do ato nulo que se arguiu. Esse comparecimento não dá eficácia ao lançamento viciado e, muito menos produz efeitos que possam sanear quaisquer irregularidades, pois a vinda aos autos foi justamente para consignar e apontar tais vícios; a decisão recorrida agravar a autuação trazendo aos autos a imputação de solidariedade nos termos do artigo 124, I do CTN, vez que a Fiscalização não qualificou qualquer sujeito passivo solidário, também não há no Enquadramento Legal a citação do artigo 124 do CTN. Assim o Acórdão recorrido, ilegalmente, inova e agrava o Lançamento, com ofensa ao contraditório; quanto à glosa do custo de benfeitorias agregadas aos imóveis, quando muito a autoridade lançadora, mediante processo regular, poderia arbitrar o valor das mesmas, se entendeu que houve omissão ou não merecem fé as declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos anexados pelo autuado; no caso, o ônus da prova é da autoridade autuante e não pode ser transferido ao contribuinte; há nos autos documentação comprobatória dos custos das benfeitorias, não acolhida pelo acórdão, devendo a mesma ser valorada; os itens 002 e 003 do Auto de Infração estão relacionados com depósitos bancários efetuados nas contas correntes de titularidade do autuado; o Julgador ao motivar sua convicção desfavorável ao recorrente, valendose do conceito de presunção legal, sem valorar as provas carreadas aos autos com a impugnação, está criando, como já argumentado na em sede impugnatória, uma quantificação para o arbitramento da renda presumida, apenas baseada em interpretação e aplicação equivocada da legislação, onde, a verdade material deu lugar e supremacia à presunção em detrimento da realidade dos fatos, devidamente comprovados nos autos e ressaltados na impugnação e neste recurso; a documentação apresentada é hábil e idônea para justificar a origem dos depósitos, na forma do artigo 42 da Lei 9.430/1996; os valores movimentados foram em quase sua totalidade claramente comprovados e, mesmo os equivocadamente considerados não comprovados pela Fiscalização têm sua origem comprovada e ou justificada na movimentação entre contas do contribuinte e nos seus rendimentos tributáveis, isentos, não tributáveis ou de tributação exclusiva devidamente declarados em suas DIRPF apresentadas anualmente; Fl. 496DF CARF MF 10 valores de créditos em dinheiro e créditos autorizados, que são decorrentes de saques e depósitos diversos e transferências entre contas do mesmo titular não foram considerados como hábeis e idôneos para justificar e comprovar a origem dos créditos; e reafirma os termos da impugnação. É o relatório. Fl. 497DF CARF MF Processo nº 15521.000290/200926 Acórdão n.º 2402006.091 S2C4T2 Fl. 7 11 Voto Conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho, Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto, dele conheço. CRÉDITO TRIBUTÁRIO EXTINTO PELO PAGAMENTO Inicialmente, o recorrente refuta a decisão de primeira instância administrativa quanto à afirmação de que remanesceram os impostos suplementares não contestados, inferindo ser incabível a cobrança de valores a esse título em razão de o crédito tributário relativo à parte não impugnada encontrarse extinto pelo pagamento, conforme DARF acostado aos autos. De acordo com o inciso II do art. 25 do Decreto nº 70.235/1972, a competência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF está adstrita ao julgamento de recursos de ofício ou voluntário de decisão de primeira instância administrava, bem como recursos de natureza especial. Vejamos: Art.25. O julgamento do processo de exigência de tributos ou contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal compete: [...] II – em segunda instância, ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, órgão colegiado, paritário, integrante da estrutura do Ministério da Fazenda, com atribuição de julgar recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância, bem como recursos de natureza especial. [...] De se esclarecer que, não tendo o contribuinte recorrido de parte da autuação relativa a créditos tributários que lhe foram imputados, inexiste litígio em relação a esses créditos, isto é, essas questões não foram objeto de impugnação e consequentemente não integram o recurso voluntário, falecendo este Conselho de competência para decidir sobre elas. Assim, demandas relacionadas a extinção de parte do crédito tributário que não foram objeto de litígio devem ser opostas diretamente à Secretaria da Receita Federal do Brasil quando execução do presente julgado, não havendo como conhecer do recurso voluntário com relação a essa matéria. Fl. 498DF CARF MF 12 GANHO DE CAPITAL Custo de Aquisição Com relação a esse ponto, infere o contribuinte que a Fiscalização não discute a existência das benfeitorias realizada nos imóveis, mas efetuou a glosa do custo dessas benfeitorias, mesmo estando elas comprovadas por documento com fé pública, entendimento este reproduzido no julgamento da DRJ/RJ1. A glosa pura e simples do custo de benfeitorias declaradas é ilegal e tem efeito confiscatório. Com relação à determinação do custo de aquisição de bens imóveis para o fim apuração do ganho de capital resultante da alienação desses bens, convém reproduzir o regramento do art. 17 da Instrução Normativa nº 84/2001: Art. 17. Podem integrar o custo de aquisição, quando comprovados com documentação hábil e idônea e discriminados na Declaração de Ajuste Anual, no caso de: I bens imóveis: a) os dispêndios com a construção, ampliação e reforma, desde que os projetos tenham sido aprovados pelos órgãos municipais competentes, e com pequenas obras, tais como pintura, reparos em azulejos, encanamentos, pisos, paredes; b) os dispêndios com a demolição de prédio construído no terreno, desde que seja condição para se efetivar a alienação; c) as despesas de corretagem referentes à aquisição do imóvel vendido, desde que tenha suportado o ônus; d) os dispêndios pagos pelo proprietário do imóvel com a realização de obras públicas, tais como colocação de meiofio, sarjetas, pavimentação de vias, instalação de redes de esgoto e de eletricidade que tenham beneficiado o imóvel; e) o valor do imposto de transmissão pago pelo alienante na aquisição do imóvel; f) o valor da contribuição de melhoria; g) os juros e demais acréscimos pagos para a aquisição do imóvel; h) o valor do laudêmio pago, etc.; (...) A disposição contida na alínea “a” do inciso I do art. 17 da Instrução Normativa SRF nº 84/2001 reproduz regra insculpida no inciso I do § 7º do Decreto nº 3.000/1999 – Regulamento do Imposto de Renda (RIR). De se observar que a norma faculta ao sujeito passivo incluir no custo de aquisição de bens imóveis os valores despendido com construção, ampliação e reforma desde que discriminados em Declaração de Ajuste e comprovados com documentação hábil e idônea. Fl. 499DF CARF MF Processo nº 15521.000290/200926 Acórdão n.º 2402006.091 S2C4T2 Fl. 8 13 Assim, ao revés do que entende o recorrente, não é incumbência da Fiscalização comprovar a inocorrência de benfeitoria nos lançamentos referentes a ganho de capital na alienação de bens imóveis, tampouco, para apurar o imposto devido na operação, arbitrar o custo de obra de construção civil que o sujeito passivo diz ter realizado. De acordo com o disposto nas normas correlatas, é dever do contribuinte, caso queira acrescer ao custo de aquisição de bens imóveis as quantias despendidas com construção ou reforma, comprovar com documentos hábeis e idôneos a realização dessas benfeitorias e os valores a elas correspondentes. A despeito disso, os únicos documentos relacionados aos imóveis alienados pelo recorrente carreados ao presente processo administrativo foram as escrituras de compra e venda de fls. 296/302, a carta de habitese de fl. 408 (referente ao imóvel situado na Rua Nicomedes de Souza Ribeiro, 421 Apto 403) e planilhas denominadas “cronogramas financeiros” de fls. 409 e 410. Examinando tais documentos, constatase que os dados inseridos na carta de habitese não traz nenhuma informação a respeito do custo das benfeitoria a que alegadamente que se refere o apelo. Quanto às escrituras, essas informam o valor de venda de cada um dos imóveis, sendo que esses valores foram utilizados pela Fiscalização para o cálculo do ganho de capital apurado em cada uma das operações. Os únicos elementos que veiculam informações sobre eventuais dispêndios com construção são os cronogramas financeiros apresentados já na fase impugnatória e, ainda assim, não foram exibidos quaisquer resquícios de prova que pudessem atestar a veracidade dos valores ali indicados, não havendo como essas planilhas serem consideradas hábeis a comprovar as alegações recursais. Não se trata, pois, de desconsiderar justificativas ou provas apresentadas em defesas do reclamante, mas de julgar que os elementos apresentados são insuficientes para comprovar os argumentos da defesa. No que se refere às assertivas de que a exação fiscal corresponde a locupletamento do poder público às expensas do contribuinte, afrontando o princípio da moralidade administrativa ou ainda que os parâmetros utilizados teriam gerado tributo excessivo caracterizador de confisco, há que se esclarecer que o procedimento fiscal pautouse pela aplicação das normas que regem a matéria, nos termos do art. 142 do Código Tributário Nacional. Ademais, afastar a aplicação de lei ou decreto sob a justificativa de afronta a referidos princípios significaria considerar inconstitucionais tais normativos o que é vedado aos julgadores administrativos por força do art. 26A do Decreto nº 70.235/1972 e, no caso do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, também da Súmula CARF nº 1, de observâcia obrigatória no âmbito deste Conselho. Quanto à jurisprudência administrativa suscitada no recurso voluntário, há que se esclarecer essa encerra contexto fático próprio, aplicandose às partes envolvidas naquele processo, e não vinculam o julgador administrativo. Pelas razões acima descrita, não vejo como considerar o valor das benfeitorias declaradas pelo recorrente no custo de aquisição dos referidos imóveis. Bens Comuns Outra questão contestada diz respeito ao fato de o lançamento ter sido realizado, em sua totalidade, contra a pessoa do recorrente. De acordo com o apelo recursal, em Fl. 500DF CARF MF 14 face de se tratar de bem comum, decorrente do regime de casamento, “o ganho de capital apurado em relação ao bem como todo deve ser recolhido em nome de cada cônjuge, na proporção de cinqüenta por cento para cada um”, sendo incabível a tributação pela totalidade em nome de somente um dos coproprietários. A esse respeito, o decisum atacado faz referência ao art. 124 do CTN dizendo tratarse a situação de um caso típico de solidariedade, inclusive pelo fato de o cônjuge do sujeito passivos constar de sua Declaração de Ajuste Anual – DAA, na condição de dependente. O art. 22 da Instrução Normativa SRF nº 84/2001 estaria respaldado pelo art. 124 do Código Tributário. Em contraposição, o recorrente diz ser o art. 124 do CTN inaplicável ao caso, e ainda que não está em discussão a aplicação do art. 22 da Instrução Normativa SRF nº 84/2001, “de que a apuração é em relação ao bem como todo, mas sim o direito do sujeito passivo detentor de apenas 50% do bem”. Ainda segundo infere, a DAA apenas comporta a informação sobre o bem, mas o ganho de capital é apurado na alienação sob forma de tributação definitiva, não se submetendo ao ajuste. A parte por ventura devida pela esposa, reclama, deve ser apurada em procedimento fiscal distinto e com o devido processo legal, sob pena de cerceamento de direito de defesa. A respeito da alienação de bens em comum, o art. 22 da Instrução Normativa SRF nº 84/2001 estabelece: Art. 22 . Nas alienações de bens comuns, decorrentes do regime de casamento, o ganho de capital é apurado em relação ao bem como um todo. De fato, a disposição normativa acima reproduzida não se refere ao lançamento de crédito tributário, mas tãosomente à apuração de ganho de capital e, em assim sendo, esse dispositivo não impõe e nem autoriza que o lançamento do imposto decorrente da alienação de bens comuns possa ser feito, no caso de sociedade conjugal, em nome de somente um dos cônjuges. Por outro lado, há que se esclarecer que é absolutamente pacífico na jurisprudência deste Conselho que o julgador não está adstrito aos fundamentos invocados pelas partes, podendo, à luz dos elementos fáticos e da legislação afeta à matéria objeto de litígio, formar livremente sua convicção. Desse modo, não vejo qualquer inovação por parte da DRJ/RJ1 quando o voto condutor do aresto fustigado suscita o art. 124 do CTN para afirmar que, na situação que ora se examina se está diante de caso típico de solidariedade. Rememorando os termos do art. 124 do CTN, citado dispositivos estipula: Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; [...] Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem. Fl. 501DF CARF MF Processo nº 15521.000290/200926 Acórdão n.º 2402006.091 S2C4T2 Fl. 9 15 In casu, as informações contidas nos autos dão conta que o recorrente é casado em regime de comunhão parcial de bens e os imóveis alienados foram adquiridos no âmbito da sociedade conjugal. Nessa situação, o art. 1.647 do Código Civil impõe: Art. 1.647. Ressalvado o disposto no art. 1.648, nenhum dos cônjuges pode, sem autorização do outro, exceto no regime da separação absoluta: I alienar ou gravar de ônus real os bens imóveis; [...] À luz do que determina o Código Civil, vêse que, com relação a todos os imóveis objeto de alienação há a outorga uxória do cônjuge do autuado, o que demonstra a existência de interesse comum na situação constitutiva do fato gerador, nos exatos termos do inciso I do art. 124 do CTN. Aliás, não é a sociedade matrimonial que determina a solidariedade, mas, como se verifica na situação em tela, o interesse econômico em comum no resultado da operação que constitui hipótese de incidência tributária. A esse respeito, extraise da lição de Kiyoshi Harada1 Como de início assinalamos, o inciso I, do art. 124 referese às pessoas (físicas ou jurídicas) que tenham interesse jurídico comum na situação que constitua o fato gerador, isto é, implica prática conjunta de fato tipificado na lei tributária. É a chamada solidariedade natural que ocorre, por exemplo, quando duas pessoas, cônjuges, irmãos, amigos ou conhecidos adquirem "pro indiviso" um lote de terreno urbano. Neste caso, os co proprietários são responsáveis solidariamente pelo pagamento do imposto territorial urbano. E essa solidariedade nada tem a ver com o fato de serem cônjuges os coproprietários. No apontando exemplo do imposto de renda, a solidariedade somente existiria se ambos os cônjuges tivessem praticado em conjunto um dos fatos definidos no art. 43 do CTN. Enfim, situações de interesse jurídico comum nos fatos ou atos legalmente eleitos como veículos de incidência tributária podem ocorrer, tanto entre os cônjuges, quanto entre os nãocônjuges. A sociedade conjugal, por si só, é absolutamente irrelevante para caracterização de responsabilidade solidária de que cuida o inciso I, do art. 124 do CTN. (Grifei) Demonstrada a hipótese de interesse comum e a existência de solidariedade, fazse necessário esclarecer que o entendimento esposado no recurso voluntário de que o ganho de capital apurado em relação ao bem deve ser lançado em nome de cada cônjuge, na proporção de cinquenta por cento para cada um, não encontra amparo na legislação tributária, pois o parágrafo único do art. 6º do RIR possibilita que a tributação de bens em comum possa se dá em relação a apenas um dos cônjuges. Vejamos: Art. 6º Na constância da sociedade conjugal, cada cônjuge terá seus rendimentos tributados na proporção de: 1 Extraído do artigo denominado Responsabilidade Tributária Solidária dos Conjuges, pubblicado no site JUS.com em <https://jus.com.br/artigos/11603/responsabilidadetributariasolidariadosconjuges>, pesquisado em 20/112017 às 10h e 30 min. Fl. 502DF CARF MF 16 I cem por cento dos que lhes forem próprios; II cinqüenta por cento dos produzidos pelos bens comuns. Parágrafo único. Opcionalmente, os rendimentos produzidos pelos bens comuns poderão ser tributados, em sua totalidade, em nome de um dos cônjuges. (Grifei) Por certo, o dispositivo destacado encontra suporte, dentre outros, no parágrafo único do art. 124 do CTN o qual estatui que a solidariedade não comporta benefício de ordem, podendo nesse caso o lançamento ser oposto contra quaisquer dos solidários ou ainda contra todos eles, a juízo da autoridade lançadora, não havendo que se falar em cerceamento de defesa. Dessarte, nego provimento ao recurso quanto à presente matéria. OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA De acordo com o Relatório de Auditoria Fiscal (fls. 17/36) a infração caracterizase por recursos identificados em extratos bancários e cópias de cheques repassados ao contribuinte pela pessoa jurídica Tomografia Macaé Ltda, sem respaldo em rendimentos declarados (rendimentos isentos e nãotributáveis, sujeitos a tributação exclusiva etc) e sem fundamentação nos lucros distribuídos ao sócio (Antonio Alexandre) nos anoscalendário fiscalizados, conforme verificado nas demonstrações contábeis (fls. 303/379). As quantias lançadas pela Fiscalização a título de rendimentos tributáveis recebidos de pessoa jurídica omitidos como tal na DAA encontramse listadas no quadro a seguir: MÊS/ANO UNIBANCO BRADESCO BANCO DO BRASIL TOTAL 2004 JANEIRO 15.000,00 15.000,00 MARÇO 25.500,00 13.971,00 39.471,00 SETEMBRO 17.852,00 17.852,00 OUTUBRO 42.752,00 42.752,00 NOVEMBRO 30.200,00 30.200,00 DEZEMBRO 19.293,00 19.293,00 TOTAL ANO 2004 164.568,00 2005 0,00 JANEIRO 36.402,00 36.402,00 NOVEMBRO 25.646,58 25.646,58 TOTAL ANO 2005 62.048,58 Em sua defesa, o recorrente aduz que os valores referenciados neste tópico, além de outros lançados como depósitos bancários de origem não comprovada, referemse a lucros recebidos e têm a natureza de rendimentos isentos, além de indicar têlos informado nas Declarações de Ajuste Anual – DAA dos exercícios 2005 e 2006. Com base nas declarações de rendimentos fornecidas pelas fontes pagadoras, afirma ainda que tais quantias constam das Declarações do Imposto de Renda Retido na Fonte – DIRF das empresas das quais é sócio. Abaixo, trecho extraído do recurso voluntário: 1 Ano de 2004 estão contidos nos Rendimentos Isentos e Não Tributáveis devidamente declarados em suas DIRPF/2005 no montante de R$ 700.780,00 (fls. 131 a 136 dos autos, acompanhado da DIRF de fls. 139, fornecido pela Tomografia Macaé Ltda., onde é declarado que a mesma distribuiu a título Fl. 503DF CARF MF Processo nº 15521.000290/200926 Acórdão n.º 2402006.091 S2C4T2 Fl. 10 17 de Lucros e Dividendos Apurados Pagos Pela PJ, o valor de R$ 400.000,00 em favor do recorrente. (O mesmo ocorrendo com Ultra Som Médico Macaé Ltda., no valor de R$ 180.780,00 e Exames Radiológicos Irmãos Alexandre Ltda., no valor de R$ 120.000,00). 2 Ano de 2005 estão contidos nos Rendimentos Isentos e Não Tributáveis devidamente declarados em suas DIRPF/2006 no montante de R$ 593.500,00 (fls. 147 a 157 dos autos, acompanhado da DIRF de fls. 159, fornecido pela Tomografia Macaé Ltda., onde é declarado que a mesma distribuiu a título de Lucros e Dividendos Apurados Pagos Pela PJ, o valor de R$ 200.000,00 em favor do recorrente. (O mesmo ocorrendo com Cienticed Medicina Nuclear Ltda., no valor de R$50.000,00, Ultra Som Médico Macaé Ltda., no valor de R$96.000,00, Exames Radiológicos Irmãos Alexandre Ltda., no valor de R$247.500,00). Conquanto faça referência ao art. 42 da Lei nº 9.430/1996, o próprio contribuinte admite que a autoridade autuante não faz alusão a esse dispositivo na parte do Relatório Fiscal que trata especificamente de omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, ainda assim, aduz que “as conseqüências de tal artigo foram dirigidas ao recorrente, pela mudança de natureza dos valores em litígio, que segundo o sentir da Fiscalização configuraram rendimentos tributáveis e não rendimentos oriundos de Lucros Distribuído”. A despeito dos argumentos insertos no apelo sob análise, a respeito de depósito bancário de origem não identificada, essa questão, assim como a legislação correlata, somente será analisada em item específico. Neste ponto será objeto de exame unicamente a natureza dos valores advindos da Tomografia Macaé Ltda que transitaram em contas bancárias do recorrente, listados no quadro acima. De acordo com o relato fiscal: Os cheques emitidos pela empresa Tomografia Macaé Ltda., cujas cópias foram apresentadas e consideradas, foram confrontados com os lançamentos contábeis conta DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS – registrados nos respectivos livros RAZÃO dos anos 2004 e 2005, sendo considerados como DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS os cheques emitidos em data anterior ao respectivo depósito, ou na mesma data, cujos valores correspondiam aos valores depositados em uma das contas bancárias do contribuinte fiscalizado (conforme extratos bancários), em procedimento que beneficiou o contribuinte fiscalizado; Segundo a autoridade autuante, apenas cheques emitidos pela Tomografia Macaé Ltda que “não correspondiam aos lançamentos contábeis da conta DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS, por não terem sido emitidos em data anterior ao respectivo depósito ou cujos valores não coincidiram com os aportes bancários, foram considerados RENDIMENTOS OMITIDOS, NÃO DECLARADOS nas DIRPF Ex 2006 e Ex 2005”. De se notar que à Fiscalização deixou de inserir no lançamento todas aquelas quantias registradas na contabilidade da Tomografia Macaé Ltda em conta contábil relativa a Fl. 504DF CARF MF 18 distribuição de lucros e, por outro lado, não vejo como os valores inseridos pela empresa na declaração de rendimentos do sujeito passivo ou informados em sua DAA possam fazer prova de que os depósitos que constam do lançamento tributário correspondem a lucros distribuídos pela pessoa jurídica. Não há como afirmar que as importâncias incluídas pela Tomografia Macaé na declaração de rendimentos não correspondam ao quantum já considerado pelo Fisco como efetiva distribuição de lucros para os exercícios 2005 a 2006. Ademais, também não considero como “provas irrefutáveis” de que os recursos recebidos da pessoa jurídica tratamse de lucro distribuídos no período fiscalizado a mera apresentação de cópias de cheque e de planilhas elaboradas pelo contribuinte com justificativas que não podem ser ratificadas pelos demais elementos que integram os autos. Notese que para a absoluta maioria dos cheques que tiveram o recorrente como beneficiário, objeto do lançamento aqui abordado (9 de 11 cheques), a justificativa apresentada na peça recursal é de que seriam lucros distribuídos Tomografia Macaé Ltda “contabilizado no Razão (...) pelo total mês”. Essa justificativa retrata que não existe na contabilidade da empresa nenhuma informação de que os valores correspondentes a esses cheques refiramse a distribuição de lucros. Ademais, os lucros efetivamente distribuídos estão registrados nas demonstrações contábeis em conta denominada “DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS” e a contabilidade faz referência expressa aos seus destinatários. Senão vejamos o registro dos lucros distribuídos ao sujeito passivo em 05/01/2004 (fl. 333): Sem apresentação de qualquer tipo de prova, o recorrente aponta ainda a existência de supostos defeitos na contabilidade da Tomografia Macaé Ltda, inferindo ser hipossuficiente no controle desses registros. Com o fim de comprovar os propalados erros, faz referência ao cheque do R$ 25.500,00, depositado em 12/03/2004 no Banco Bradesco, o qual diz ter sido “escriturado em duplicidade o sócio Miguel Alexandre, como beneficiário da distribuição, transparecendo assim, que o Sócio Antônio Alexandre Neto não foi beneficiário de lucros distribuídos e que Miguel Alexandre foi beneficiado duas vezes”. Em relação a essa argumentação, de início, é preciso repisar que dos onze cheques relacionados ao presente lançamento não há qualquer tipo de registro na contabilidade para nove deles e para o cheque de R$ 25.646,58 o recorrente não trouxe qualquer justificativa a respeito de sua origem. Exclusivamente quanto ao cheque de R$ 25.500,00 há alegação de que o registro teria sido contabilizado de forma equivocada, entretanto sem elementos de prova aptos a atestar essa assertiva, motivo pelo qual não vejo como acatála. Ademais, os argumentos trazidos pelo recorrente a esse respeito são por demais contraditórios, pois, de um lado, mesmo sem indicar os registros das operações que deram origem ao depósito de cheques da Tomografia Macaé Ltda. em suas contas bancárias, insiste que a escrituração contábil das empresas de que é sócio “cuja idoneidade não se discutiu, demonstra a movimentação financeira entre elas e o recorrente, alicerçado no fato de que o recorrente declarou em suas DIRPF relativas aos anos calendários de 2004 e 2005, como Rendimentos Isentos e NãoTributáveis, originários de Lucros e Dividendos Recebidos”, e, de outro lado, sem nenhuma prova, que “as informações contábeis defeituosas ou omissas, constantes na escrituração da PJ não podem prejudicar o recorrente Pessoa Física, destinatário direto dos valores comprovadamente saídos da Conta Bancária da primeira”. Fl. 505DF CARF MF Processo nº 15521.000290/200926 Acórdão n.º 2402006.091 S2C4T2 Fl. 11 19 Ora, já restou evidenciado que as quantias constantes das demonstrações contábeis da indigitada empresa, escrituradas como lucros distribuídos a Antonio Alexandre, foram todas acatadas como tal no curso do procedimento fiscal, não havendo prova de que os valores relacionados no Auto de Infração encontramse entre aqueles informados pela pessoa jurídica na declaração de rendimentos do contribuinte. Além disso, os elementos carreados ao processo administrativo não se mostraram aptos a justificar que os recursos repassados ao sujeito passivos tenha natureza de lucros ou dividendos. Assim, entendo acertada decisão adotada pelo Colegiado a quo, motivo pelo qual nego provimento ao recurso com relação à presente matéria. DEPOSITO BANCÁRIO DE ORIGEM NÃO COMPROVADA Em sede de normas gerais, o art. 43 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional (CTN), estabelece como fato gerador do imposto de renda a aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica de renda (produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos) ou de proventos de qualquer natureza (acréscimos patrimoniais não compreendidos no conceito de renda). Vejamos: Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. No mesmo sentido, o § 1º do art. 3º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, dispõe: Art. 3º O imposto incidirá sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução, ressalvado o disposto nos arts. 9º a 14 desta Lei. § 1º Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados. [...] De se observar que, além dos valores compreendidos no conceito de renda, o imposto alcança ainda os acréscimos patrimoniais não correspondentes a rendimentos declarados, ou seja, é perfeitamente válida a incidência do tributo sobre rendimentos não declarados procedentes de depósitos bancários. No caso sob análise, têmse que a Fiscalização constatou a ocorrência de acréscimos patrimoniais em virtude de depósitos bancários de origem não comprovada. Com Fl. 506DF CARF MF 20 relação essa modalidade de depósitos, o art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, prescreve: Depósitos Bancários Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). § 4º Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. § 5º Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento. § 6º Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares. Quanto ao inciso I do § 3º do art. 42 da Lei nº 9.430/1997, os valores ali definidos foram atualizados pela Medida Provisória n° 1.5637, de 1997, convertida na Lei nº 9.481, de 1997, para, respectivamente, R$ 12.000,00 e R$ 80.000,00. Fl. 507DF CARF MF Processo nº 15521.000290/200926 Acórdão n.º 2402006.091 S2C4T2 Fl. 12 21 Notese que o citado art. 42 da Lei nº 9.430/1996 estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos. Referida presunção impõe o lançamento do imposto correspondente quando o titular de conta bancária não comprove, mediante documentos hábeis e idôneos, a origem dos recursos que lhe tenham sido creditados, independentemente de qualquer outro tipo de verificação, ou seja, ao revés do que aventa o recorrente. Na hipótese referida no caput do art. 42 da Lei nº 9.430/1996, o ônus probatório decorrente da presunção legal de omissão de rendimentos revertese em desfavor do contribuinte, o qual necessita comprovar a origem jurídica dos valores transitados por sua conta bancária para se elidir da tributação. Tratase, pois, de presunção relativa que admite prova em contrário, cabendo ao sujeito passivo sua produção. Ademais, o § 3° do art. 42 da Lei nº 9.430/1996, expressamente dispõe que, para efeito de determinação da receita omitida, os créditos devem ser analisados separadamente, ou seja, cada um deve ter sua gênese comprovada de forma individual, com a apresentação de documentos que demonstrem a sua origem e a indicação de datas e valores coincidentes. O ônus dessa prova, como já mencionado, recai exclusivamente sobre o contribuinte, não bastando a esse indicar uma fonte genérica para comprovar um ou mais créditos havidos em seu movimento bancário. Antes de vigorar o art. 42 da Lei nº 9.430/1996, inexistia a presunção nele estabelecida, e com isso o fisco precisava, nos estritos termos do caput e § 5° do art. 6° da Lei n° 8.021/90, não apenas constatar a existência dos depósitos, mas estabelecer uma conexão, um nexo causal, entre estes depósitos e alguma exteriorização de riqueza (caracterização de disponibilidade econômica de renda ou proventos ou acréscimo não oferecidos a tributação) e/ou operação concreta do sujeito passivo que pudesse ter dado ensejo à omissão de receitas. Vejamos o teor do revogado dispositivo: Art. 6º O lançamento do oficio, além dos casos já especificados em lei, farseá arbitrandose os rendimentos com base na renda presumida, mediante utilização dos sinais exteriores de riqueza. [...] § 5º O arbitramento poderá ainda ser efetuado com base em depósitos ou aplicações realizadas junto a instituições financeiras, quando o contribuinte não comprovar a origem dos recursos utilizados nessas operações. Assim, temse, de um lado, uma presunção mais sumária, a do art. 42 da Lei n° 9.430/1996, que atribui ao fisco a simples evidenciação da existência de depósitos bancários não escriturados ou de origem não comprovada; e, de outro, a presunção do art. 6° da Lei n° 8.021/90, que impunha à autoridade autuante não apenas a obrigação de constatar a existência dos depósitos bancários, mas também o estabelecimento de um nexo de causalidade entre tais depósitos e fatos concretos ensejadores do ilícito. À evidência, esta segunda hipótese, ao mesmo tempo que se afasta das feições de uma presunção típica, se aproxima mais de uma comprovação material de omissão de receitas. Em vista disso, constatase que os argumentos suscitados pelo recorrente, quanto à necessidade de demonstração de que os créditos bancários não justificados Fl. 508DF CARF MF 22 traduziramse em renda não oferecida a tributação, de existência de sinais exteriores de riqueza ou de que houve acréscimo patrimonial de um anocalendário para o outro, em nada o acode. É que todas essas verificações somente se mostravam necessárias quando da vigência do caput e § 6º da Lei nº 8.021/1990. Com a presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/1996, a não comprovação, mediante documentos hábeis e idôneos, da origem de recursos que tenham sido creditados em contas bancárias mantidas pelo contribuinte mostramse suficientes para o necessário lançamento do imposto, repisese, independentemente de qualquer outro tipo de verificação. Por certo, a presunção legal estabelecida pelo art. 42 da Lei nº 9.430/1996 é a denominada presunção relativa, que admite prova em contrário, cabendo, pois, ao contribuinte a sua produção. Assim para afastar o lançamento o sujeito passivo precisa comprovar, de forma inequívoca, não somente a origem, como também a que título recebeu aquele valor, de modo a permitir que o Fisco certifiquese de que a transação realizada reflete operação sujeita ou não a tributação. Desse modo as descrições absolutamente genéricas e sem nenhum elemento de prova de que inúmeros depósitos efetuados em contas bancárias do recorrente decorreriam de “transferências entre c/c suas e de seus familiares, retiradas em suas contas, saques versus depósitos de suas próprias contas ou disponibilidade em espécie”, não têm o condão de afastar a presunção legal, o que impõe a manutenção do lançamento em relação a eles. A esse respeito, convém reproduzir o teor do voto condutor da decisão recorrida, ao qual adiro integralmente: Observamos que o Impugnante descreveu como “origem” de vários dos depósitos a descrição genérica de “transferência em c/c suas e de seus familiares e saques versus depósitos de suas próprias contas” e “decorrente de retiradas em suas contas”, sem especificar qual ou quais contas correntes suas e quais saques estavam envolvidos em cada lançamento. Neste ponto, cabe ressaltar que somente as transferências entre contas de sua titularidade, e não de seus familiares, poderiam motivar a exclusão de depósitos da autuação. Ressaltamos que em vários depósitos não houve a coincidência de valores necessária. Ressaltamos que vários dos depósitos que se tentou justificar corresponderam a depósitos bloqueados de cheques para os quais não houve nenhuma correspondência com cheques emitidos através de contas de titularidade do Contribuinte. Da mesma forma, os créditos decorrentes de transferências bancárias não encontraram contrapartida em lançamentos a débito de mesma natureza de suas outras contas. Especificamente em relação a um depósito em dinheiro de R$ 10.000,00, feito em conta corrente mantida no Banco Bradesco em 06/04/2004, que o recorrente tenta justificar com cheque debitado em sua conta no Banco do Brasil na mesma data, entendo que, apesar da coincidência de data e valores, o débito de um cheque em determinada conta não se presta a justificar o crédito em dinheiro em outra, além do que, diferentemente o que aduz o recorrente, há outras formas de se proceder transferências de numerários entre contas de instituições financeiras diversas de forma mais ágil e segura e com compensação na mesma data, como por exemplo, através de TED. De modo semelhante, com relação aos depósitos havidos em conta do Bradesco e do Banco do Brasil em 12 e 15/09/2005, no valor de R$ 7.840,00, também não considero que se possa justificálos com cheques compensados no Banco do Brasil em 01/09/2005, visto que nesse caso não há nem ao menos coincidência de datas. Aliás, não faria Fl. 509DF CARF MF Processo nº 15521.000290/200926 Acórdão n.º 2402006.091 S2C4T2 Fl. 13 23 nenhum sentido sacar determinada quantia em um banco no primeiro dia de um mês para quinze dias depois depositála no mesmo banco. É certo que o saque em uma conta com depósito em outra conta de mesma titularidade não é fato gerador de imposto de renda, mas, no caso que ora se examina, não se comprovou que essa foi a operação de fato realizada pelo sujeito passivo. Consta do Relatório de Auditoria Fiscal que, com relação às empresas Tomografia de Macaé Ltda, Ultrasom Médico Macaé Ltda, Exames Radiológicos 1rmãos Alexandre Ltda e Cinticedi Edicina Nuclear Ltda, o contribuinte foi intimado a apresentar os elementos de prova de que dispusesse para demonstrar a efetiva transmissão dos montantes declarados, a titulo de Lucros e Dividendos, por meio de cópia de extratos bancários das empresas; cópias das microfichas dos cheques frente e verso autenticados pelo banco e outros documentos que pudessem justificar o recebimento de lucros ou dividendos pagos por referidas pessoas jurídicas (vide Termo de Intimação Fiscal de fls. 71/80). Dentre as justificativas apresentadas pelo recorrente, consta do expediente de fls. 81/82 a seguinte: Em vista da informação prestada em resposta à intimação fiscal, foram solicitados Livros Diário, Razão e Caixa da Tomografia de Macaé Ltda, além de Contrato Social e respectivas alterações, diretamente à empresa (Termo de Intimação Fiscal de fl. 128/129). Os livros solicitados foram entregues pelo próprio recorrente (fls. 303/379), o qual assinou o documento emitido em nome da empresa, na condição de seu representante (fl. 133), o que indica que se tratar de sócio que participava das decisões da empresa e não de pessoa hipossuficiente em relação à sua administração como consta do recurso. Após inúmeras intimações, Antonio Alexandre apresentou também as planilhas de fls. 103/110, as quais especificam recebidos da Tomografia Macaé, além de documentos que, segundo infere, demonstrariam o efetivo recebimento de lucro. Importa asseverar que os documentos entregues (fls. 259/295) identificavam somente parte dos depósitos relacionados nas planilhas. Há que se rememorar, por oportuno, que, de acordo o disposto no tópico “Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica”, os cheques emitidos pela empresa Tomografia Macaé Ltda, cujas cópias foram apresentadas, foram admitidos como distribuição de lucros por aquela empresa quando, expedidos em data anterior ao respectivo depósito ou na mesma data, correspondiam a lançamentos escriturado na contabilidade em conta a esse título. Os cheques daquela empresa, destinados ao sujeito passivo e escriturados em condições diversas da descrita acima ou com valores que não coincidiam com os aportes bancários foram considerados rendimentos tributáveis e objeto de lançamento analisado no tópico anterior. Fl. 510DF CARF MF 24 Dito isso, há que se esclarecer que somente remanesceram como depósito de origem não identificada aqueles cheques sem qualquer registro nas demonstrações contábeis da Tomografia Macaé Ltda, que não têm contrapartida nas contas bancárias da empresa (e que constam de planilha elaborada pelo suplicante como lucros dela recebidos), ou seja, os depósitos que, mesmo depois de inúmeras intimações da Fiscalização e após a fase impugnatória, o recorrente não logrou comprovar, mediante documentos hábeis e idôneos, terem advindo da citada pessoa jurídica. Resta claro que não há como acolher os argumentos de que tais valores tratamse de lucros ou dividendos quando as informações prestadas pelo contribuinte não têm suporte em elemento probatório algum. Além da Tomografia Macaé Ltda., em sede impugnatória o recorrente afirma que recebeu, a título de lucros e dividendos, recursos advindos também das empresas Ultra Som Médico Macaé Ltda, Exames Radiológicos Irmãos Alexandre e ainda valores classificados como “Rendimentos isentos contidos nos lucros distribuídos auferindo pelo contribuinte no mês” sem especificação da fonte pagadora. Esses valores encontramse relacionados nos quadros anexos à peça impugnatória (fls. 395/401) e, para fazer prova das alegações recursais, foram trazidos aos autos o que se afirma ser parte dos Livros Razão dessas empresas (411/423). A respeito dos elementos trazidos na impugnação a DRJ/RJ1, apresentou as seguintes indagações: Observamos que o Impugnante se limitou a anexar cópias de parte dos livros razão das empresas acima, contendo a conta dos Lucros Distribuídos, desacompanhadas, no entanto, dos documentos que deram origem a seus registros, como, por exemplo, comprovantes de depósitos ou cópias de cheques referentes às empresas, que comprovassem a efetiva transferência dos valores ao autuado e a correlação entre os depósitos e sua origem [...] Ressaltese que o simples registro em livros fiscais, desacompanhados dos documentos e demais papéis que serviram de base para a escrituração, bem assim a simples consignação de valores na declaração de rendimentos, não são suficientes para comprovar as operações a que se referem. Frisese que todos os ingressos e saídas de recursos na pessoa jurídica devem estar sempre apoiados em documentos que demonstrem as aludidas operações, tanto em relação ao valor quanto à data. Os fatos devem ser devidamente comprovados de forma coerente e com meios de prova idôneos, que não deixe margem a dúvida quanto à consistência das operações. Ou seja, a simples alegação sem a apresentação de provas irrefutáveis não tem o condão de tornar insubsistente o lançamento realizado com base em elementos apurados pela autoridade lançadora. Para rebater os argumentos do Colegiado a quo o sujeito passivo apresenta, ainda no tópico destinado a análise do lançamento relativo a omissão de rendimentos, diversas ilações quanto: Fl. 511DF CARF MF Processo nº 15521.000290/200926 Acórdão n.º 2402006.091 S2C4T2 Fl. 14 25 a) a apresentação das cópias dos cheques emitidas pela pessoa jurídica, o que teria o condão de afastar a classificação de rendimento omitido; b) a não aceitação de tais valores, sob a alegação de estarem sem informação contábil que justifique a natureza de Lucros Distribuídos; c) a diligência realizada na Tomografia Macaé para apresentação de demonstrativos contábeis, por meio da qual a Fiscalização teria acessado a tais demonstrativos, os quais não teriam perdido a credibilidade pelo fato de a autoridade autuante ter anexado apenas parte deles aos autos; d) ao caso de a escrituração contábil das empresas envolvidas, cuja idoneidade não se discutiu, demonstrar a movimentação financeira entre elas e o recorrente, alicerçado no fato de que o recorrente declarou em suas DIRPF relativas aos anos calendários de 2004 e 2005, como rendimentos isentos e nãotributáveis, valores originários de lucros e dividendos recebidos. No intuito de deixar clara essa situação, fazse mister exprimir que embora todas essas asserções estejam incertas na parte da peça recursal que deveria tratar apenas dos rendimentos recebidos da Tomografia Macaé e não oferecidos a tributação, ao que parece, elas estão dirigidas também ao depósitos bancários de origem não comprovada que, de acordo com o apelante, teriam advindo de lucros recebidos das outras pessoas jurídicas das quais é sócio. Até porque, a constatação extraída do acórdão fustigado diz respeito também a essas outras pessoas jurídicas. Além do que, com relação à Tomografia Macaé, tudo aquilo que foi escriturado como lucro e encontrava correspondência com cheques emitidos por essa empresa, repisese, foram assim considerados. Pois bem, com relação aos supostos trechos dos Livros Razão das empresas Ultra Som Médico Macaé Ltda, Exames Radiológicos Irmãos Alexandre, acostados aos autos somente na impugnação, os únicos documentos trazidos pelo contribuinte para lhes dar suporte são os quadros anexos à peça impugnatória (fls. 395/401) elaborados pelo próprio recorrente. Diferentemente do que se afirma no recurso voluntário, não há nem mesmo uma cópia de cheque que possa fazer prova de que os depósitos listados nesses quadros tenham sido expedidos por essas empresas. Com efeito, não é possível confirmar a origem dos recursos que transitaram em contas bancárias do reclamante com base apenas em quadros elaborado por ele mesmo e que se diz respaldar os “demonstrativos contábeis” apresentados, visto que, nos termos do art. 923 do Regulamento do Imposto de Renda de 1999 (RIR/199), que abaixo se reproduz: Art. 923. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais. De mais a mais, os demonstrativos contábeis das empresas Ultra Som Médico Macaé Ltda e Exames Radiológicos Irmãos Alexandre não foram solicitados no curso do procedimento fiscal porque o próprio contribuinte afirmou naquela ocasião que “houve erro quanto ao que fora anteriormente informado, haja vista que, de fato, apenas houve distribuição de lucros pela empresa Tomografia Macaé Ltda” no período fiscalizado. Assim, forçoso concluir que nem mesmo as informações contidas na declaração rendimentos dos anos Fl. 512DF CARF MF 26 calendários 2004 e 2005 das pessoas jurídicas Ultra Som Médico Macaé Ltda e Exames Radiológicos Irmãos Alexandre podem ser consideradas como prova em favor do recorrente. Sobre os depósitos de origem não comprovada que o sujeito passivo diz decorrer de alienações de imóveis de sua propriedade, as razões expressas na impugnação, reafirmadas no recurso, encontramse resumidas no quadro abaixo, cujos dados foram extraídos de quadros anexos à peça impugnatória: BANCO BRADESCO DATA HISTÓRICO VALOR R$ ORIGEM 18/02/2005 Depósito RS 887.50 Alienação de Imóvel no valor de R$ 20.000,00 mais, lucros distribuídos por Tomografia Macaé Ltda em 02/2005, contabilizado nas fls. 53/54 do Razão 10/10/2005 Depósito RS 50.000.00 Decorrente de alienação de 2 (dois) imóveis de sua propriedade em 03/10/2005 e 05/10/2005. 18/10/2005 Depósito dinheiro. RS 70.000.00 Decorrente de alienação de 2 (dois) imóveis de sua propriedade em 03/10/2005 e 05/10/2005. BANCO DO BRASIL 13/04/2005 TED crédito em conta 179.140,00 Justificado por alienação de imóvel de seu patrimônio 03/10/2005 Depósito em dinheiro 200.000,00 Decorrente de alienação de imóvel de seu patrimônio 04/10/2005 Depósito 20 000,00 Decorrente de alienação de imóvel de seu patrimônio Embora não se olvide que o sujeito passivo alienou alguns imóveis no período fiscalizado, alegações genéricas como as apresentadas até aqui não se mostram suficientes para vincular os depósitos às operações imobiliárias realizadas. Apercebase que, com relação a um depósito de R$ 887,50, a justificativa do depósito seria o recebimento de lucros, que sequer aparecem na contabilidade da empresa, e a alienação de um imóvel de R$ 20.000, 00 sobre a qual não se fez nenhuma especificação. Sobre os quatros depósitos feitos nos Bancos Bradesco e do Brasil no mês de outubro de 2005, que totalizam R$ 340.000,00, apesar do esforço empreendo pelo Colegiado recorrido para vinculálos aos imóveis alienados pelo contribuinte, na forma estabelecida nas certidões de fls. 296/297 e de fl. 300, por um total de R$ 380.000,00, além não ser possível concluir que esses depósitos tenham relação estrita com tais operações realizadas, não houve por parte do recorrente nenhum interesse em promover essa vinculação ou de exibir documentos esclarecendo a situação. Quanto aos R$ 174.140,00, fruto de transferência através de TED para conta do Banco do Brasil em 13/04/05, a qual é também justificada de forma lacônica como sendo proveniente de “alienação de imóvel de seu patrimônio”, a escritura de fl. 301/302 até dá conta de um imóvel alienado em data próxima (14/04/2005), mas o valor de compra constante do documento é de somente R$ 50.000,00, não havendo com vinculálo à transferência bancária. Notese que, diversamente do que se alega, as escrituras públicas acostadas aos autos não corroboram as informações prestadas pelo sujeito passivo. Para tanto seria necessário, além de provas da vinculação entre os depósitos e as operações imobiliárias, que os valores descritos nessas escrituras guardassem correspondência com os depósitos efetuados. Não obstante, no próprio recurso voluntário admitese a inexistência dessa imprescindível equivalência de valores, mediante a afirmação de que “se os valores depositados não correspondem à totalidade da operação, não significa que os depósitos não decorrem de tais operações”, o que vai de encontro ao estabelecido no art. 42 da Lei nº 9.430/1996, restando Fl. 513DF CARF MF Processo nº 15521.000290/200926 Acórdão n.º 2402006.091 S2C4T2 Fl. 15 27 incabíveis as menções afetas à inobservância a princípios como o da proporcionalidade e da razoalbilidade, não havendo que se falar do mesmo modo em ilegalidade na constituição da exação tributária. Desse modo, voto por não acolher o recurso também neste ponto. CONCLUSÃO Ante o exposto, voto por, CONHECER EM PARTE do recurso para, na parte conhecida, NEGARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Fl. 514DF CARF MF
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